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porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Astrologia Esotérica

A Astronomia ensina que o Sol viaja pelo espaço com sua imponente comitiva de Astros, em torno do centro da galáxia, a uma velocidade de, aproximadamente, 200 quilômetros por segundo! Esse movimento de deslocamento não é exclusivo do Sistema Solar. A ciência dos céus avançou o suficiente para revelar que todas as estrelas estão em movimento. Muitos desses Astros gigantescos possuem uma velocidade em seu percurso pelo espaço infinito que facilmente superaria a do Sistema Solar. Por mais que a abóbada celeste tenha revelado seus segredos ocultos ao estudo humano, ela ainda não deu qualquer indício do movimento veloz e complexo demonstrado pelos mundos gigantescos que a adornam. Não se pode estabelecer uma regra definida para essas complexidades; as estrelas parecem mover-se de um lado para o outro, mais como um enxame de abelhas.

Seriam esses Astros imensos a morada de outras criaturas? Para que fim existem? Teriam sido criados simplesmente para derramar, em fluxos inúteis, suas torrentes de luz e calor sobre os abismos do infinito?

Diante dessa questão, a ciência cala-se. E, após 6.000 anos de astronomia — tanto antiga quanto moderna —, não houve resposta, exceto nas palavras inspiradas das Sagradas Escrituras. Assim lemos, por exemplo, na Epístola de S. Paulo aos Efésios 3:10: “Para que, pela Igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nas regiões celestiais”.

Este texto nos faz saber que o grande Apóstolo, que certa vez fora “arrebatado até o Terceiro Céu” (IICor 12:2), e que, ao escrever sobre as glórias que se seguiram à ressurreição, pôde dizer: “Há também corpos celestes e corpos terrestres… Há uma glória do Sol, outra da Lua e outra das estrelas; pois uma estrela difere da outra em glória” (ICor 15:40-41), teve permissão de Deus para contemplar os lugares celestiais.

Ele não apenas sabia da existência dos lugares celestiais e declarou seu conhecimento desse fato, mas também nos deu a entender claramente que estes desempenhavam um papel objetivo no plano eterno da salvação. Aos redimidos, ainda havia glórias maiores por vir. A esses majestosos reinos do espaço a Igreja (aqui definida como comunidade dos fiéis que professam sua fé em Cristo) seria conduzida, não simplesmente para entretenimento ou para aumentar seu conhecimento, mas para lhes transmitir alguns dons espirituais.

Observe a constelação do norte e veja a bela estrela branco-leitosa Capela na constelação de Auriga[1]. Viajando em linha reta da estrela polar através desta Capela, passamos à esquerda pela estrela rosa-avermelhada Aldebaran[2], no aglomerado estelar das Híades[3]. E um pouco mais adiante, à direita, pela estrela alaranjada Betelgeuse[4], no ombro de Órion[5]. O voo subsequente nos levaria àquele Sol branco e brilhante, o gigante Rigel[6]. Então nós poderíamos olhar novamente para a direita e contemplar o imperial Sirius[7] e, próximo a ele, Procyon[8], de cor branco-amarelada. Levante os olhos ao passar por esta galeria e verá algo mais do que mortal. Diremos então que esses vastos luminares foram criados em vão? Foram trazidos à existência com o único propósito de lançar uma onda de esplendor inútil sobre as solidões da imensidão?

Por que resistir por mais tempo à conclusão principesca que nos pressiona a proferir? Será que o gigante Arcturus[9] carregará consigo seu séquito de satélites que, se forem análogos ao seu luminar central, são mais grandiosos e majestosos do que os Astros do Sistema Solar, e todos esses constituem simplesmente um carnaval de vazio? Não. Concluamos, antes, com o Apóstolo, que esses reinos são as moradas da bem-aventurança. Embora as Escrituras nos levem a crer que seus habitantes não desconhecem as provações, as esperanças, os medos e os eventos desta Terra, vejamos qual a razão divina para que a comunicação não esteja estabelecida no momento.

Em primeiro lugar, vemos pelo argumento do Apóstolo que a Igreja está sendo testada. Os céus também foram testados? Acreditamos que sim. Recorrendo a Jó 15:15 (e não nos esqueçamos de que Jó era um grande estudioso e astrônomo), lemos o seguinte: “Até em seus Santos Deus não confia, e os Céus não são puros aos seus olhos”. Aqui somos levados a refletir que a grande revolta de Lúcifer lançou os habitantes de outros mundos em certa confusão. Isso também os colocou em período de provação, mas com uma diferença. Um ser pode estar em período de provação sem pecado e sem ter incorrido na penalidade do pecado. De fato, há muito que demonstra que até mesmo os Anjos estavam em período de provação.

Embora miríades deles tenham seguido o grande rebelde em sua revolta, muitos mais, embora ainda em período de provação, permaneceram fiéis em sua lealdade ao divino Criador. Quando esse momento de provação terminar, todos, tanto nos Céus quanto na Terra, serão reunidos como um só em um Universo infinito, completo e provado. Assim lemos novamente (Ef 1:10): “para levar o tempo à sua plenitude: a de em Cristo encabeçar todas as coisas, as que estão nos Céus e as que estão na Terra…”

Ora, será que os Céus são habitados? Busquemos primeiro a resposta das Escrituras antes de recorrer à Astronomia. Quem pode resistir à conclusão da poderosa declaração feita pelo Apóstolo João no Livro do Apocalipse 12:12: “Por isso, alegrai-vos, ó Céus, e vós que o habitais! Ai da terra e do mar, porque o Diabo desceu para junto de vós cheio de grande furor, sabendo que lhe resta pouco tempo”? A palavra “Céus”, neste texto, está no plural. E a declaração do Apóstolo demonstra que a regra geral do Criador para o Seu universo é: “Ele não a criou como um deserto, antes modelou-a para ser habitada.” (Is 45:18). Voltando-nos agora para o primeiro capítulo do Livro do Gênesis, lemos que, “no princípio, Deus criou os Céus e a Terra.” (Gn 1:1). Lemos também: “E o Espírito de Deus pairava sobre a face das águas” (Gn 1:2). O Espírito Santo estava presente, atuando como um grande agente na criação desta Terra. Durante cinco dias cósmicos, o amor divino preparava antecipadamente o berço para a vinda da família humana. Associado à criação estava o Senhor Cristo, conforme lemos no primeiro capítulo do Evangelho Segundo S. João: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus… Todas as coisas foram feitas por Ele; e, sem Ele, nada do que foi feito se fez” (Jo 1:1-3). Assim, a criação é obra de Deus. Agora, Cristo se referindo a si mesmo, no Jardim do Getsêmani, disse: “Glorifica-me, ó Pai, junto de ti mesmo, com a glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse” (Jo17:5). Isso remonta a um tempo anterior ao início do mundo.

Deslocando-se pelo espaço à velocidade de aproximadamente 940 milhões de quilômetros por ano em sua órbita ao redor do Sol, a Terra, em seu voo veloz, percorre aproximadamente 30 quilômetros por segundo. Estaria ao alcance do ser humano mortal produzir tal resultado? Suponha que todo o poder que residiu no braço de Adão — e que residiu, subsequentemente, no braço de cada um de seus filhos, desde a aurora da criação até os dias de hoje — pudesse ser concentrado em um único braço humano nos tempos atuais: seria esse braço capaz de conferir à Terra a velocidade que ela possui hoje?

Impossível! Existe um poder, e apenas um, capaz de um resultado tão estupendo: o Cristo. E, embora possamos viajar para longe, entre estrelas tão densas que parecemos voar através de poeira estelar, não se encontrará nenhum Sol gigante que tenha surgido por qualquer outra via que não o poder divino do “Filho de Deus”. Ele é, como diz o profeta, “desde os dias da eternidade” (Mq 5:2).

Desde os dias da eternidade, Ele tinha um propósito infinito. Ele via o fim desde o princípio. Planejara o ato final antes mesmo de planejar o primeiro. E o Apóstolo Paulo nos permitiu vislumbrar um pouco do Seu conselho secreto. O objetivo, diz ele, era que, por meio da Igreja, fosse dada a conhecer aos Principados e Potestades nos Céus a multiforme sabedoria de Deus. Isso é maravilhoso demais para se acreditar? Não duvide. A Astronomia acabará por alcançar a inspiração.

Alguns astrônomos definem o ser humano como uma criatura adaptada para a vida sob circunstâncias muito restritas. Alguns graus de temperatura a mais ou a menos, uma ligeira variação na composição do ar, a adequação precisa dos alimentos — tudo isso faz a diferença entre saúde e doença, entre vida e morte. Olhando além da Lua, para a imensidão do Universo, encontramos incontáveis ​​corpos celestes com toda sorte de temperatura e constituição imagináveis.

Também, para alguns astrônomos, em meio a esse vasto número de mundos que povoam o espaço, haveria algum habitado por seres vivos? A essa pergunta a ciência não pode responder. Contudo, é impossível resistir a uma conjectura. Encontramos nossa Terra repleta de vida em toda parte. Encontramos vida nas mais variadas condições concebíveis. Ela é encontrada sob o calor abrasador dos trópicos e no gelo eterno dos polos. Encontramos vida em cavernas onde jamais penetra um raio de luz. Tampouco ela falta nas profundezas do oceano, sob pressões de toneladas por polegada quadrada. Quaisquer que sejam as circunstâncias externas, a natureza geralmente provê alguma forma de vida à qual tais circunstâncias são propícias.

E complementam: não é nada provável que, entre o milhão de esferas do universo, exista uma única que seja exatamente como a nossa Terra — semelhante a ela por possuir ar e água, semelhante em tamanho e composição. Não parece provável que um ser humano pudesse viver sequer uma hora em qualquer corpo celeste do universo, exceto na Terra, ou que um carvalho pudesse sobreviver em outra esfera por uma única estação. Os seres humanos podem habitar a Terra, e os carvalhos podem nela prosperar, porque a constituição do ser humano e a do carvalho estão especialmente adaptadas às circunstâncias particulares da Terra.

A filosofia mais verdadeira sobre esse assunto encontra-se cristalizada nas palavras de Tennyson[10]:

Repete esta verdade em tua Mente:

Que, num universo sem fim,

Há o infinitamente melhor e o infinitamente pior.

Pensas que esta criatura de esperanças e medos

Não encontraria nada mais grandioso que seus pares

Naquelas cem milhões de esferas?

Que caminho de voo infinito se estende diante de nós! A velocidade máxima que nossa inteligência humana compreende atualmente é a velocidade da luz, que se desloca a cerca de 300.000 quilômetros por segundo. Se somarmos os segundos, minutos, horas e dias, o total chega aproximadamente a 9,46 trilhões de quilômetros por ano. Deslocando-nos a essa velocidade indescritível, levaríamos mais de cinquenta anos para alcançar a gigante Arcturus. Outros Sóis encontram-se ainda mais distantes, e astrônomos supõem a existência de outros mundos tão longínquos que, viajando à velocidade da luz, levaríamos 300.000 anos para alcançá-los.

Tal jornada não está ao alcance do ser humano finito. Ele poderia começar, mas sua juventude se esgotaria; a meia-idade passaria; e a enfermidade chegaria antes mesmo de ele ter deixado para trás sequer uma dúzia desses corpos celestes.

Quão divinos são, então, os atributos que em breve nos serão conferidos. Mais do que mortais, nossos Corpos imortalizados se elevarão para alcançar glórias indescritíveis. Mudanças maravilhosas nos aguardam. O Autor delas determinou que nos pertençam, desde que vivamos, de fato e de verdade, essa vida!

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de janeiro de 1918 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)


[1] N.T.: A constelação de Auriga, conhecida em português como o Cocheiro, é uma proeminente constelação do hemisfério celestial norte, facilmente reconhecível por seu formato de pentágono e pela presença de sua estrela super brilhante, a Capela.

[2] N.T.: A estrela rosa-avermelhada Aldebaran (ou Alpha Tauri) é a estrela mais brilhante da constelação de Touro e a 14ª mais brilhante de todo o céu noturno. Ela é popularmente conhecida como o “Olho do Touro” devido à sua posição estratégica na constelação e ao seu tom avermelhado marcante.

[3] N.T.: As Híades formam o aglomerado estelar aberto mais próximo da Terra, localizado a cerca de 146 a 150 anos-luz de distância, na constelação de Touro.

[4] N.T.: Betelgeuse é uma estrela supergigante vermelha localizada a cerca de 640 a 650 anos-luz da Terra, no “ombro” da constelação de Órion.

[5] N.T.: Uma das constelações mais brilhantes e fáceis de reconhecer no céu noturno, famosa pelo seu cinturão conhecido popularmente como as Três Marias.

[6] N.T.: Rigel é a estrela mais brilhante da constelação de Órion.

[7] N.T.: Sírius é a estrela mais brilhante do céu noturno vista da Terra. Localizada na constelação de Cão Maior (Alpha Canis Majoris).

[8] N.T.: ou Prócion é a estrela mais brilhante da constelação do Cão Menor e uma das vizinhas mais próximas da Terra, situada a cerca de 11,4 anos-luz de distância.

[9] N.T.: é a estrela mais brilhante da constelação do Boieiro. Tem mais de 100 vezes a luminosidade do Sol.

[10] N.T.: Alfred Tennyson (1809 —1892 ) foi um poeta inglês.

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