Categoria Estudos Bíblicos Rosacruzes: Novo Testamento

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Artigos Publicados: Estudos Bíblicos Rosacruzes – Novo Testamento

“Deus é Luz”
“Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida” – para quem serve essa sentença?
“Morro Todos os Dias!”
“Paz na Terra e Boa Vontade entre os Homens”
“Vigiar e Orar”: Você Pratica no Seu Dia a Dia?
“Vós Sois Meus Amigos”: fomos ensinados a praticar essa frase no nosso cotidiano
A Água Viva lhe mostra: Você sofre porque quer, teme porque quer
A Astrologia e a Páscoa
A “Bíblia” na Nova Era – O Livro dos Atos
A Cada Dia Seus Cuidados
A Criança Prodigiosa
A Crucifixão: compreensão esotérica revela que essa experiência é uma consumação gloriosa do Caminho da Cruz
A Cura e o Perdão dos Pecados
A Dádiva da Graça
A Divina Essência Oculta Dentro de Você e o Que Fazer Com Ela
A Estação da Alegria
A Estação da Primavera
A Fé Cega e a Razão Santa
A Exatidão Científica da Bíblia
A Fé e o Mundo Material
A Fé sem Obras é Morta: o Exercitamento Incessante da Vontade
A Ilha de Patmos
A Imaculada Conceição
A importância de alcançar o autocontrole para cura das doenças como a hanseníase
A importância de ver o bem repetindo a frase: “Tudo Posso n’Aquele que Me Fortalece”
A Iniciação Cristã Mística
A Interpretação Esotérica da Parábola do Semeador
A Língua: tenha cuidado com ela
A Luz do Mundo: onde, de fato, ela está?
A Misericórdia e a Piedade
A Misericórdia, a Piedade, a Paz e o Amor
A Missão de Maria
A Mulher Vestida de Sol
A Oração do Senhor – o Pai-Nosso
A Oração Necessária, mas Não Suficiente
A Oração: como devemos orar e para que devemos orar
A Origem do Cristianismo Esotérico: Essênios, Iniciações e Christian Rosenkreuz
A Origem do Tabernáculo: a primeira Igreja da Humanidade
A Originalidade do Cristianismo
A Palavra Criadora
A Páscoa e a Unidade com Deus
A Relação entre a Água e as Emoções
A Religião Cristã e as outras Religiões
A Renovação e Consagração
A Revelação de João, O Evangelista
A Revelação de São João, o Divino – A Visão de Patmos
A Revelação de São João, o Divino: a Besta que saiu do Mar
A Sagrada Família e as Três Classes Sociais que existiam naquele tempo
A Segunda Vinda de Cristo
A Significância Esotérica da “Parábola da Rede”
A Significância Esotérica de que o Tabernáculo no Deserto era uma sombra das coisas boas que viriam
A Sombra da Cruz: Recebemos Nossa Cruz em Proporção as Nossas Forças
A Substituição dos Festivais que celebravam o Sol pela Celebração do Natal
A Tentação e a Sua Importância no Discernimento do Bem e do Mal
A Transfiguração e o Exorcismo
A Última Ceia e o Lavapés: o domínio dos poderes espirituais
A Unidade de Cada Um com Todos
A Virgem Maria e os Evangelhos
A Vitória que vence o Mundo: a Nossa Fé!
Almas perdidas ou atrasadas na evolução?
Amor a Deus
Análise do Pai Nosso, a Oração do Senhor
As Bem-aventuranças – Apresentação – Introdução
As Chaves do Reino dos Céus
As Manifestações da Luz de Cristo
As Núpcias do Cordeiro
As Quatro Marias
As Raízes do Amor Segundo o Apóstolo
As Tentações no Deserto e como correlacionamos com as nossas do dia a dia
As Três Cidades Que Hospedaram o Cristo
Astrologia e Religião
Buscando a Verdade no Mundo dos Efeitos e das Causas
Cada um tem a sua Besta
Canais da Ação Divina: Não Procurar fazer Valer a sua Vontade, mas sim a Vontade de Deus
Carregai os Fardos Uns dos Outros…
Carregue Sua Cruz Com Classe
Chamados a serem Santos
Como aumentar a nossa fé nos livrando do nosso espírito mercenário
Como Combater o Bom Combate
Companheirismo
Cristianismo: o que é e o que deixa de ser
Diferenças entre Exoterismo e Esoterismo
Domingo de Ressurreição – uma interpretação esotérica
Duas Formas de Caridade
Em Busca da Paz
Embora Cristo tenha nascido mil vezes…
Entendendo a Doutrina do Perdão dos Pecados
Entendendo a nossa situação antes e durante o tempo da primeira vinda de Cristo: o Povo Escolhido – Semelhanças com alguns aspectos atuais
Essênios – Os Precursores de Cristo
Estudos Bíblicos Rosacruzes: Significância Esotérica de alguns pontos – Evangelho Segundo S. Mateus
Evidências do Renascimento na Bíblia
Existe alguma citação na Bíblia que sustente a teoria do Renascimento?
Fatos Interessantes sobre a Bíblia
Fé
Fé: a confiança n’Ele
Jesus e Sua Sublime Missão
Jesus pertence à Nossa Humanidade
Levantar o Morto: o caso de Tabita que quer dizer Dorcas
Luz Mística: Maria a mãe de Jesus – o exemplo de um alto Iniciado que veio como mulher
Luz: o Presente do Espírito Santo
Maria e Marta
Maria, Mãe de Jesus: um Iniciado de alto grau
Milagres de Ressuscitação ou Ressurreição?
Na Busca de Cristo: quem você acha que Ele realmente é?
Não dê esmolas diante de outras pessoas
Não se detenha na Comemoração Histórica do Natal
O “Novo Homem”
O “Filho do Homem” e o “Filho da Viúva”
O “Pão e o Vinho” Místicos
O Apocalipse – Uma Introdução
O Apóstolo em Cada Um
O Bebê de Belém
O Bom Pastor e as Ovelhas desse e de Outros Apriscos
O Caminho para Frente e para Cima alinhado ao Cristianismo Esotérico
O Céu dentro de Nós
O Consolador: saber quem é para não fazermos confusões e não usar no nosso dia a dia
O Crescimento Espiritual por meio do servir ao irmão e à irmã
O Discípulo André se correlaciona com o Signo de Touro
O Discípulo Felipe se correlaciona com Signo de Sagitário
O Discípulo Mateus se correlaciona com o Signo de Aquário
O Discípulo Natanael se correlaciona com o Signo de Câncer
O Discípulo Pedro se correlaciona com o Signo de Peixes
O Discípulo Simão se correlaciona com o Signo de Capricórnio
O Discípulo Tiago, irmão de João, se correlaciona com o Signo de Áries
O Discípulo Tomé se correlaciona com o Signo de Gêmeos
O Equilíbrio entre os Dois Polos
O Evangelho Segundo S. João: os Cinco Primeiros Versículos
O Evento Anunciação no Caminho de Preparação e Iniciação Cristã
O Evento Imaculada Concepção no Caminho de Preparação e Iniciação Cristã
O Evento Sagrado Nascimento no Caminho de Preparação e Iniciação Cristã
O Exorcismo, a Obsessão e a Segurança na Transfiguração
O Filho Pródigo – uma Faceta Interpretativa
O Getsemani de Cada Um de Nós
O Grande Mistério do Gólgota
O Livro sem Prefácio
O Mandamento dos Ricos: “a Deus ou a Mamon”?
O Metal que soa ou o Sino que tine
O Milagre dos Peixes
O Mistério da Imaculada Conceição (Concepção)
O Natal e Nós
O Poder da Nossa Palavra
O Poder da Páscoa: você entende o que ocorre nesse momento todo o ano?
O Poder de “ordenar aos demônios”
O Poder Que Flui Através de Nós
O Reino dos Céus: de que lado você está?
O Ser Humano, o Lírio, a Páscoa
O Significado da Ressurreição de Lázaro: um marco
O Significado da Sentença “Eu não vim trazer a Paz, mas uma Espada” proferida por Cristo
O Significado Esotérico de: “não a paz, mas sim a espada”
O Significado Esotérico do Tempo do Advento antes da Noite Santa
O Significado Oculto da Sexta-feira, conhecida como “da Paixão”
O Simbolismo de Natal e como devemos aproveitar esse momento único no ano
O Templo de Deus: o mais valioso instrumento do ser humano
O Uso da Oração do Estudante Rosacruz e as Obras
O Verbo: quando Deus envia Seu poder na forma de som
Oitava e Nona Bem-Aventuranças
Onde encontro, na Bíblia, algum argumento ou passagem sobre a imperecibilidade da Alma?
Observando os Sacramentos Cristãos atraímos o Raio do Cristo
Os Céus Proclamam a Glória de Deus: conheça isso e utilize no seu dia a dia
Os Dois Caminhos: a porta estreita e a porta larga – o que você escolhe?
Os Doze Poderes de uma Pessoa Crística
Os Fariseus e os Saduceus
Os Fogos de São João
Os Mistérios dos Céus: Sete Parábolas e suas Correlações com os Períodos Evolutivos
Os Pastores Iniciados
Os Quatro Evangelhos Segundo: São Mateus, São Marcos, São Lucas e São João
Os Quatro Graus para Chegarmos a Deus
Os Sacramentos Cristãos
Os Sacramentos Cristãos: Exercícios reais espirituais ou disciplinas de grande poder
Os Salvos dos Períodos de Tribulação
Os Três Graus do Discipulado – Parte I – Grau Mestre – São Tiago, São João e São Pedro
Os Três Graus do Discipulado – Parte II – Grau Fraternidade – Santo André
Os Três Graus do Discipulado – Parte II – Grau Fraternidade – São Felipe
Os Três Graus do Discipulado – Parte II – Grau Fraternidade – São Mateus
Os Três Graus do Discipulado – Parte II – Grau Fraternidade – São Natanael ou Bartolomeu
Os Três Graus do Discipulado – Parte II – Grau Fraternidade – São Tomé ou Tomás
Os Três Homens Sábios
Os Três Reis Magos
Os Verdadeiros Presentes de Natal, Seus Símbolos e o maior Presente de todos
Panorama da Bíblia: quem a escreveu e por quanto tempo
Páscoa: o Amanhecer de um Alegre Dia
Possessão Demoníaca
Pregar o Evangelho
Primeira Bem-Aventurança: “Felizes os mendigos de espírito, porque deles é o Reino dos Céus”
Quarta Bem-Aventurança: “Felizes os famintos e sequiosos de perfeição, porque eles serão satisfeitos”
Quem é o “O cego vê e o surdo ouve” e quem não é
Quem eram os Saduceus e os Fariseus
Quinta Bem-Aventurança: “Felizes os misericordiosos, porque eles obterão misericórdia”
Recolhimento ao “Deserto”: você sabe onde está o seu?
Sabedoria Ocidental: a tomada de juramentos
Salvação – Quem são os Salvos?
São Francisco e os Estigmas ou Estigmatas
São João Batista, o Precursor
São Tiago e São João – Os filhos do trovão
Se nascemos em sexos alternados, porque a última encarnação de João Batista foi Elias?
Segunda Bem-Aventurança: “Felizes os que choram, porque serão consolados”
Sem Calvário não pode haver Ressurreição
Será que almejar ideais elevadíssimos é presunção?
Sete Razões ou Motivos para a necessidade da vinda de Cristo pela Primeira Vez entre Nós
Sétima Bem-Aventurança: “Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus”
Sexta Bem-Aventurança: “Felizes os limpos de coração, porque eles verão Deus”
Sigamos o Caminho de Cristo e não mais o dos Espíritos de Raça
Significância Esotérica da palavra “Amém” ou “Amén”
Terceira Bem-Aventurança: “Felizes os mansos, porque eles herdarão a Terra”
Todo o Cristão ora, mas nem todos sabem orar
Um Alerta sobre quando estudamos a Bíblia
Um Período de Depressão
Uma Análise Esotérica dos Quatro Motivos que nos leva a agir e as Correlações Positivas com a Oração do Senhor, o Pai-Nosso
Uma Delineação do Caminho Iniciático: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida – ninguém vem ao Pai senão por Mim”
Uma Interpretação do que é Verbo, expresso por S. João Evangelista
Uma Lenda Sobre a Fraternidade
Vimos a sua Estrela: a Causa Oculta da Recepção do “Filho de Deus” não ser feita pelos Seres Humanos
Zaqueu, o Publicano

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Exorcismo, a Obsessão e a Segurança na Transfiguração

Os importantes passos da vida de nosso Salvador, Cristo, conforme narrados pelos Evangelhos, compõem o esquema geral de Iniciação para nós, enquanto desenvolvemos gradualmente o Espírito do Cristo em nosso interior, o Cristo Interno.

Os Evangelhos descrevem dramaticamente e em símbolos os incidentes que serão encontrados no Caminho da Santidade.

Havia três seres dentre os Discípulos mais íntimos do Cristo que haviam alcançado o pináculo da Iniciação. E os Evangelhos contêm um maravilhoso relato de seu elevado contato com a Memória da Natureza. Os três Discípulos eram: João, o bem-amado, ou, em outras palavras, o mais avançado; Tiago, o primeiro a sacrificar sua vida pelos preceitos da nova Religião instituída pelo seu Mestre, e Pedro, a Rocha, simbolizando o poder da fé e das obras, sobre as quais a Religião Cristã foi estabelecida. Estudamos nos Evangelhos que “Cristo Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago, e os levou, em particular, a um alto monte” (Mt 17:1). Aprendemos na Filosofia Rosacruz que esse é um termo místico significando a Iniciação.

Já, na Fraternidade Rosacruz aprendemos que podemos colher todas essas informações mencionadas através da visão espiritual e contato pessoal com a Região do Pensamento Concreto, na qual o Iniciado pode examinar as verdadeiras gravações feitas na Memória da Natureza.

Um dos mais importantes pontos desse relato é que os Discípulos averiguaram, durante a sua Iniciação, a realidade do Renascimento, uma vez que Moisés e Elias eram expressões de um mesmo espírito. Esse fato ilustrava o que o Cristo havia lhes dito a respeito de S. João Batista: “Esse é Elias, que devia vir” (Mt 17:10).

Dessa forma, fica mais e mais aparente que o Cristo ensinava reservadamente aos seus Discípulos o fato do Renascimento. Porém, essa doutrina deveria constituir um ensinamento esotérico por muito tempo, conhecido somente de alguns pioneiros. É da maior significação que o trabalho real de Cristo Jesus começou após a Transfiguração, quando preparou setenta e duas pessoas como mensageiras e as enviou em grupos de dois para cada lugar aonde Ele pretendia ir.

Nos lugares onde essas pessoas eram bem recebidas, deviam ficar, curar os enfermos e pregar as boas novas. Quando não as recebiam, deveriam “sacudir o próprio pó das suas sandálias” (Mt 10:14 e Lc 9:5). O Evangelho Segundo S. Lucas relata que as pessoas retornaram contando com muita alegria: “Senhor, até os demônios se sujeitaram a nós por causa de Teu Nome” (Lc 10:17).

O poder de ordenar aos demônios constituía o ponto central do ministério de Cristo Jesus. O Novo Testamento encontra-se repleto de narrativas alusivas ao demônio, a força do mal. Há frases nas quais são mencionados os termos: mensageiros de Satanás, o pai da mentira, o Anticristo, o iníquo, o adversário e o destruidor. Toda essa nomenclatura mostrando a existência cósmica do poder do mal. Podemos ter certeza, dessa forma, que o mal existe na realidade e que é de natureza pessoal, tendo, naturalmente, efeitos sobre nós como indivíduos.

Um dos aspectos mais impressionantes relativo ao enorme interesse por temas do pseudo-ocultismo é que pessoas que firmemente negam a existência de Deus, acreditam e parecem profundamente impressionadas com o demônio. Devemos completar essa ideia mencionando o fato de que o demônio não é, em absoluto, uma invenção da Religião Cristã. Uma das formas mais persistentemente em evidência, um ser portador de chifres, asas e garras – data pelo menos de épocas tão remotas como a antiga Mesopotâmia.

Pode-se observar, em nossos tempos, uma onda de fascinação exercida pelas forças invisíveis. O nosso mundo e a nossa arte sentem o impacto de cultos mais ou menos satânicos, sessões envolvendo bruxas e bruxaria e, como é de conhecimento de todos, drogas.

Parece de pouca consistência em nosso mundo supercientífico e supertecnológico, o exame, e reexame, tanto pelo público, como pelas elites intelectuais, das forças malignas invisíveis e suas manifestações.

Esse interesse também se reflete em nossos veículos de comunicação. A publicação de obras literárias e filmes como “O Exorcista” servem de indicadores seguros do grau de interesse pela atuação dos espíritos malignos.

Assim sendo, pode não ser coincidência o fato dos autores dos Evangelhos terem distinguido a obsessão dos outros tipos de doenças curadas. Como se sabe, grande parte das curas efetuadas por Cristo Jesus foram desse tipo. Entre as curas individuais realizadas, conforme o Novo Testamento, sete envolviam pessoas obsidiadas por demônios: cinco homens, um menino e uma menina. Em cada um desses casos, o Cristo usava de métodos específicos e diferentes para a obtenção da cura, ponto merecedor de estudo detalhado do aspirante aplicado.

Em primeiro lugar, é de se notar que todas as entidades obsessoras reconheciam o Cristo, avaliavam seu poder sobre elas e se lhe declararam sujeitas sem opor resistência (Mc 1:23-26).

Esse primeiro relato de exorcismo refere-se a um incidente ocorrida num domingo em Cafarnaum, na Galileia, no interior da Sinagoga, enquanto o Cristo ensinava.

Relata o Evangelho: “E estava na sinagoga um homem com um espírito imundo, o qual exclamou dizendo: Ah! Que temos contigo Jesus Nazareno? Vieste destruir-nos? Bem sei quem és, o Santo de Deus. E repreendeu-o Jesus dizendo: Cala-te e sai dele. Então o espírito imundo convulsionando-o, e clamando, com grande voz, saiu dele.” (Lc 4:34-35 e Mc 1:24-26). Essa cura foi espontânea e, sem dúvida, surpreendente para a multidão da sinagoga. O demônio não suportou as altas vibrações da Santa Presença e foi obrigado a se revelar, encontrando assim o destino relatado.

No Evangelho Segundo S. Mateus, Capítulo 9 e versículos de 32 a 34[1] há o caso do endemoninhado surdo e mudo, cujos órgãos vocais e auditivos estavam sendo controlados por uma entidade. Imediatamente após o afastamento dela, o indivíduo recuperou a sua fala, voltando ao normal. Porém, isso agradava aos fariseus! Dizem eles: “Ele ordena aos demônios, pelo poder do Príncipe dos demônios” (Mt 12:34, Mc 3:22 e Lc 11:15).

O livro e o subsequente filme “O Exorcista” mereceram primeiras páginas na imprensa por um longo tempo, e muitas pessoas ficaram horrorizadas por saber que se tratava de um caso autêntico de obsessão na vida real.

Existe, porém, uma narrativa de um ato de exorcismo extraordinário contido nos Evangelhos e é de se admirar que tal incidente não consiga horrorizar ninguém não havendo até hoje um escritor bastante interessado em tecer um amplo comentário a respeito, o que traria à realidade, para os seres humanos de hoje, o tremendo poder à disposição do Cristo.

E o mais impressionante ato de exorcismo relatado na Bíblia é o do homem de Gadera – também escrito como Geraseno ou Gadareno –, cujos obsessores identificaram-se a si mesmos como “legião”. Essa cura deve ter particular importância, uma vez que três dos evangelistas, S. Mateus, S. Marcos e S. Lucas escreveram a respeito, ainda com pequenas diferenças nas ênfases dos relatos[2].

O incidente ocorreu num dia em que o Cristo e os Discípulos decidiram atravessar para a costa Oeste do Lago de Tiberíades. A área se compunha, em sua maioria, de pedras calcárias dispostas em penhascos pontilhados de cavernas, lugar em que se costumava sepultar os mortos.

Quando o pobre homem obsedado avistou Cristo Jesus, veio correndo e se prostrou diante d’Ele gritando “O que temos a haver contigo Filho do Altíssimo? Não nos atormente”. Cristo Jesus reconheceu de imediato o grande mal que havia naquele homem e ordenou: “Saia desse homem espírito imundo”. Em seguida formulou uma pergunta que poderia parecer até irrelevante: “Qual é o seu nome?”. A resposta foi: “É legião, porque somos muitos”.

Há vários pontos a serem considerados nesse relato de exorcismo. O mais importante é que imediatamente após o afastamento das entidades obsessoras, o ser voltava de imediato à condição de ser humano normal. Do ser bestial, demente, cuja presença afastava a todos, surgia o ser humano absolutamente normal e comum, que só rogava a Ele e a seus Discípulos que ficassem com ele. O Cristo disse, porém, que era mais útil levar o conhecimento dessa cura para o seu círculo de amigos como testemunho da dádiva recebida por ele de Deus. Tarefa não muito fácil, de fato, pois a família e os amigos representam, às vezes, a maior dificuldade a ser enfrentada por aquele que foi purificado pelo amor de Cristo, e quer segui-lo.

O Cristo instruía Seus Discípulos num método muito avançado de exorcismo. Mostrava-lhes que tão logo o exorcista estivesse de posse do nome da entidade, ela se encontrava debaixo de Seu poder. Nesse tipo de exorcismo os Discípulos recebiam instruções reservadas sobre o poder das vibrações contidas em nomes e como ele deveria ser usado nas curas comuns ou no exorcismo, bem como para finalidades superiores a outros.

O relato bíblico envolvendo o demônio chamado “Legião” acaba por evidenciar que as entidades receberam “a permissão de Cristo para entrar numa manada de porcos levada a um abismo”.

Com referência a esse ato de destruição, é interessante voltar à antiga simbologia egípcia. Naqueles tempos, os porcos eram simbolicamente identificados com o Planeta Marte, ou seja, a natureza inferior e passional do ser humano.

Há, aqui, indicação simbólica do poder de Cristo em purificar os seres, enviando as entidades inferiores para o seu próprio elemento inferior, simbolizado na narrativa pela manada de porcos.

Parece quase certo que a cura de obsessões por intermédio de entidades desencarnadas será o ministério de maior importância no setor de cura durante a Nova Era.

S. Paulo aconselha que oremos sem cessar, cobrindo-nos assim da aura protetora da oração. Isso é assaz importante para o aspirante à vida espiritual, uma vez que a legião de pensamentos, palavras e atos negativos, constantemente gerados em nosso Planeta, fica incorporada no plano mais inferior do Mundo do Desejo, podendo perfeitamente obsedar qualquer indivíduo que não foi treinado a controlar ou destruir o seu impacto. Assim, “legião” passa a ser um espelho da luta que se trava no interior de cada ser humano e que só pode ser acalmada pelo poder do espírito unificador e purificador de Cristo-Jesus. A abordagem intelectual dessa situação só poderá frustrar os esforços de melhorar o estado do paciente.

A Filosofia Rosacruz foi dedicada ao mundo ocidental por causa do monopólio exercido pelo intelectualismo sobre os indivíduos dessa parte do globo. Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que é uma dura tarefa para intelectuais cultivar a compaixão, que deve temperar o seu conhecimento e ser o guia, realmente, no uso desse conhecimento.

É isso que o Método Rosacruz de Desenvolvimento pelo Conhecimento Direto almeja por realizar, levando o candidato à compaixão, por meio do conhecimento. Esse método procura cultivar dentro do Aspirante à vida superior as faculdades latentes de visão e audição espirituais, já desde o começo de sua carreira como Aspirante à vida superior. Ensina-o a conhecer os mistérios ocultos do ser e da Natureza e a perceber intelectualmente a unidade de cada um com todos, para que, finalmente, mediante o conhecimento, possa desabrochar dentro dele o sentimento que o que faz um com o Infinito.

Há três passos importantes nesse caminho: o primeiro, quando o Estudante Rosacruz dá o primeiro passo, por meio do estudo persistente, diligente, disciplinado e obediente; o segundo, quando é admitido para o Probacionismo e assume a solene obrigação de servir a Humanidade por meio do sacrifício de sua natureza inferior ao “Eu superior”, ocasião em que a sua aura se mescla com a do Mestre. O próximo passo é o Discipulado: não poderá mais voltar atrás. O caminho do Discipulado foi comparado com a torre de uma igreja – estreita-se gradativamente até o topo, encontrando a solitária cruz.

Aí é o ponto máximo de provação do Aspirante à vida superior e os grandes problemas de disciplina espiritual são dificílimos. No entanto ele deve continuar a trabalhar consciente e inconscientemente “para frente e para cima”, para o grande clímax que na história do mais nobre de todos que tenham percorrido o Caminho do Cristão Místico, foi chamado de Transfiguração.

A Transfiguração representa uma ocorrência, durante a qual um processo de transfiguração se efetua no Corpo do Iniciado. A essência das experiências vividas e a união com o Coração, produzem uma luz radiante que penetra todo o seu Corpo.

Temos agora uma melhor compreensão a respeito da Transfiguração, conforme narrada nos Evangelhos. Devemos lembrar que foram os veículos de Jesus que ficaram temporariamente afetados pelo Espírito de Cristo na Transfiguração. Por isso é que aprendemos na Filosofia Rosacruz que a Transfiguração, de acordo como é revelada na Memória da Natureza, mostra o Corpo do Cristo de um branco deslumbrante, assim evidenciando Sua ligação com o Deus-Pai, o Espírito Universal. Não há nada no mundo tão raro e precioso como aquele extrato do ser humano: o Cristo Interno. E quando cresce ele brilha através do corpo transparente como a Luz do Mundo.

O estudo cuidadoso da vida de Cristo Jesus, conforme relatada pelos Seus Discípulos, S. Mateus, S. Marcos, S. Lucas e S. João, mostrará que Ele deixou a Sua orientação para qualquer tipo de problema que nós, como Aspirantes à vida superior, finalmente encontraremos no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz. Derramando a Sua enorme força espiritual sobre nós, Ele acalma as tempestades do excesso emocional, cura a grande enfermidade que é a ignorância, devolve a visão aos cegos pelo materialismo, expulsa os demônios do ódio e do egoísmo, derrotando o último grande adversário: o medo da morte. Aqui temos o verdadeiro sentido da redenção: a vitória sobre a alienação do ser humano dele mesmo, dos outros e de Deus!

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ de outubro/1975 – Fraternidade Rosacruz-SP)


[1] N.T.: 32Logo que saíram, eis que lhe trouxeram um endemoninhado mudo. 33Expulso o demônio, o mudo falou. A multidão ficou admirada e pôs-se a dizer: “Nunca se viu coisa semelhante em Israel!”. 34Os fariseus, porém, diziam: “É pelo príncipe dos demônios que ele expulsa os demônios”.

[2] N.T.: 28Ao chegar ao outro lado, ao país dos gadarenos, vieram ao seu encontro dois endemoninhados, saindo dos túmulos. Eram tão ferozes que ninguém podia passar por aquele caminho. 29E eis que se puseram a gritar: “Que queres de nós, Filho de Deus? Vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?”30Ora, a certa distância deles havia uma manada de porcos que estava pastando. 31Os demônios lhe imploravam, dizendo: “Se nos expulsas, manda-nos para a manada de porcos”. 32Cristo Jesus lhes disse: “Ide”. Eles, saindo, foram para os porcos e logo toda a manada se precipitou no mar, do alto de um precipício, e pereceu nas águas. 33Os que os apascentavam fugiram e, dirigindo-se à cidade, contaram tudo o que acontecera, inclusive o caso dos endemoninhados. 34Diante disso, a cidade inteira saiu ao encontro de Cristo Jesus. Ao vê-lo, rogaram-lhe que se retirasse do seu território. (Mt 8:28-34)

1Chegaram do outro lado do mar, à região dos gerasenos. 2Logo que Cristo Jesus desceu do barco, caminhou ao seu encontro, vindo dos túmulos, um homem possuído por um espírito impuro: 3habitava no meio das tumbas e ninguém podia dominá-lo, nem mesmo com correntes. 4Muitas vezes já o haviam prendido com grilhões e algemas, mas ele arrebentava os grilhões e estraçalhava as correntes, e ninguém conseguia subjugá-lo. 5E, sem descanso, noite e dia, perambulava pelas tumbas e pelas montanhas, dando gritos e ferindo-se com pedra. 6Ao ver Cristo Jesus, de longe, correu e prostrou-se diante d’Ele, 7clamando em alta voz: “Que queres de mim, Jesus, Filho de Deus altíssimo? Conjuro-te por Deus que não me atormentes! 8“Com efeito, Cristo Jesus lhe disse: “Sai deste homem, espírito impuro! 9 “E perguntando-lhe: “Qual é o teu nome?” Respondeu: “Legião é o meu nome, porque, somos muitos”. 10E rogava-lhe insistentemente que não os mandasse para fora daquela região. 11Ora, havia ali, pastando na montanha, uma grande manada de porcos. 12Rogava-lhe, então, dizendo: “Manda-nos para os porcos, para que entremos neles”. 13Ele o permitiu. E os espíritos impuros saíram, entraram nos porcos e a manada — cerca de dois mil — se arrojou no mar, precipício abaixo, e eles se afogavam no mar. (Mc 5:1-13)

26Navegaram em direção à região dos gerasenos, que está do lado contrário da Galileia. 27Ao pisarem terra firme, veio ao seu encontro um homem da cidade, possesso de demônios. Havia muito que andava sem roupas e não habitava em casa alguma, mas em sepulturas.28Logo que viu a Cristo Jesus começou a gritar, caiu-lhe aos pés e disse em alta voz: “Que queres de mim, Cristo Jesus, filho do Deus Altíssimo? Peço-te que não me atormentes”. 29Cristo Jesus, com efeito, ordenava ao espírito impuro que saísse do homem, pois se apossava dele com frequência. Para guardá-lo, prendiam-no com grilhões e algemas, mas ele arrebentava as correntes e era impelido pelo demônio para os lugares desertos. 30Cristo Jesus perguntou-lhe: “Qual é o teu nome?”. — “Legião”, respondeu, porque muitos demônios haviam entrado nele. 31E rogavam-lhe que não os mandasse ir para o abismo.32Ora, havia ali, pastando na montanha, uma numerosa manada de porcos. Os demônios rogavam que Cristo Jesus lhes permitisse entrar nos porcos. E ele o permitiu. 33Os demônios então saíram do homem, entraram nos porcos e a manada se arrojou pelo precipício, dentro do lago, e se afogou. (Lc 8: 26-33)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Relação entre a Água e as Emoções

Há passagens na Bíblia, especialmente nos Evangelhos, em que se observarmos mais atentamente veremos algo muito mais transcendente do que Cristo Jesus produzindo uma de suas maravilhas.

Aqui seguem dois exemplos bem contundentes:

No Evangelho Segundo S. Mateus 8:23-27 estudemos o seguinte trecho:

“Então, entrando Ele no barco seus Discípulos o seguiram. E eis que sobreveio no mar uma grande tempestade, de sorte que o barco era varrido pelas ondas. Entretanto Cristo Jesus dormia. Mas os Discípulos vieram acordá-Lo clamando: ‘Salva-nos, pereceremos’. Acudiu-lhes então Cristo Jesus: ‘Por que sois tímidos, homens de pequena fé?’. E levantando-se repreendeu os ventos e o mar e fez-se grande bonança. E maravilharam-se os homens dizendo: ‘Quem é Este que até o vento e o mar Lhe obedecem?’”

E no mesmo Evangelho (14:22-33), estudemos esse trecho:

“Logo a seguir compeliu Jesus os Discípulos a embarcar e passar adiante dele para o outro lado, enquanto Ele despedia as multidões. E, despedidas as multidões, subiu ao monte a fim de orar sozinho. Em caindo a tarde lá estava Ele, só. Entretanto, o barco já estava longe, a muitos estádios da terra, açoitado pelas ondas porque o vento era contrário. Na quarta vigília da noite foi Jesus ter com eles, andando por sobre o mar. E os Discípulos ao verem-no andando por sobre as águas ficaram aterrados e exclamaram: É um fantasma. E tomados de medo gritaram, mas Cristo Jesus imediatamente lhes falou: ‘Tende bom ânimo. Sou eu. Não temais’. Respondendo-lhe Pedro disse: ‘Se és tu Senhor, manda-me ir ter contigo por sobre as águas’. E Ele disse: ‘Vem’. E Pedro descendo do barco andou sobre as águas e foi ter com Cristo Jesus. Reparando, porém, na força do vento, teve medo e começando a submergir, gritou: ‘Salva-me Senhor’. E, prontamente Cristo Jesus estendendo a mão tomou-o e lhe disse: ‘Homem de pequena fé, porque duvidastes?’. Subindo ambos para o barco, cessou o vento. E os que estavam no barco o adoraram dizendo: ‘Verdadeiramente és Filho de Deus’”.

Aqui Cristo Jesus não estava literalmente dominando os elementos próprios do Mundo Físico, tais como a tempestade, os ventos e as ondas fortíssimas. Na realidade, estas passagens do Novo Testamento relatam experiências ocorridas em outra dimensão. Na literatura Rosacruz a água simboliza as emoções e o Mundo do Desejo.

À natureza da água lembra muito o Mundo do Desejo, cuja substância se encontra em constante movimento. Aprendemos na Filosofia Rosacruz que a permanência no Mundo do Desejo requer muito equilíbrio e discernimento do Estudante Rosacruz. Quando faltam essas qualidades ocorre justamente o pânico que sobressaltou S. Pedro no capítulo 14, nos versículos 22-33 do Evangelho acima.

S. Pedro deixou o barco (simbolizando o Corpo Denso) e se aventurou-se no Mundo do Desejo, logicamente, utilizando seu Corpo de Desejos. Porém, ainda não conseguia se manter-se equilibrado e com o nível de discernimento necessário para lá permanecer sereno, tendo assim que receber a ajuda de Cristo. “Caminhar sobre as águas” é dominar os elementos do Mundo do Desejo.

Pois, também aprendemos na Filosofia Rosacruz que a lei que rege a matéria da Região Química do Mundo Físico é a inércia, a tendência a permanecer em status quo. É necessária certa soma de energia para vencer essa inércia, para fazer com que um material qualquer, por exemplo um corpo, em repouso se mova ou para deter um que esteja em movimento. Tal coisa não acontece com a matéria componente do Mundo do Desejo. Em si própria é quase vivente, está em movimento incessante, fluídico. Pode tomar formas inimagináveis com inconcebível facilidade e rapidez brilhando ao mesmo tempo com milhares de cores coruscantes sem termos de comparação com qualquer coisa que conhecemos neste estado físico de consciência. Desta ligeira descrição pode-se deduzir quão difícil será para o neófito que acaba de abrir os olhos internos, encontrar o equilíbrio no Mundo do Desejo. É um manancial de toda espécie de perturbações e perplexidades.

Outro importante ensinamento que aprendemos na Filosofia Rosacruz é que a característica principal dos Globos lunares, quando vivíamos no Período Lunar, pode ser descrita como ‘umidade’. Os Cientistas ocultistas chamam “água” aos Globos do Período Lunar e descrevem sua atmosfera como se fosse névoa ígnea.

Também aprendemos que cada dia da semana corresponde a um dos Períodos e é regido por um Astro em particular. À segunda-feira corresponde ao Período Lunar e é regida pela Lua que exerce decisiva influência sobre as águas, os fluídos, as marés e afins.

Por outro lado, o domínio das emoções representa uma transição de um estado de consciência para outro. Por exemplo, os israelitas para entrar na Terra Prometida, primeiro tiveram de atravessar o Mar Vermelho e depois o Rio Jordão.

Cruzar as águas é uma vitória sobre as emoções, sobre si próprio. Se você supera alguma dificuldade, “você cruzou o Jordão”.

Outro exemplo nesse sentido é a Arca de Noé que, esotericamente interpretada, representa um estado de consciência mais elevado, uma vitória sobre a comoção e insegurança causadas por grandes transformações. O dilúvio é uma alegoria do desaparecimento da Atlântida. Os sobreviventes simbolizam um tipo superior de Humanidade, capaz de responder positivamente às necessidades evolutivas da Época Ária.

Aprendemos que as Épocas contêm em si mesmas espirais evolutivas menores, que são as Eras. As Eras são algumas dessas espirais. O ser humano da Era de Peixes é emotivo por excelência. Eis porque esta Era está intimamente ligada ao elemento Água: o batismo com água nas Igrejas cristãs, a água benta, a emotividade que envolve a devoção.

Na próxima Era — que é a Era de Aquário — essas características serão modificadas. O ser humano aquariano será mais racional. A atmosfera mais seca e elétrica que predominará ensejará o fortalecimento da atividade intelectual. A representação astrológica de Aquário consiste em “um homem”, o aguador, despejando a água do seu cântaro.

Num futuro mais distante ainda, às emoções serão totalmente sublimadas e amalgamadas à constituição espiritual do ser humano. Isso foi anunciado no Capítulo 21 do Livro do Apocalipse: “Vi novo Céu e nova Terra, pois o primeiro Céu e a primeira Terra passaram e o mar já não existe”. Temos, portanto, uma árdua tarefa pela frente!

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – março/abril – 1988 – Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Vimos a sua Estrela: a Causa Oculta da Recepção do “Filho de Deus” não ser feita pelos Seres Humanos

Como aprendemos do relato desse evento na Bíblia: “Tendo nascido Jesus em Belém de Judeia, no tempo do Rei Herodes, eis que uns magos vieram do Oriente a Jerusalém dizendo: ‘Onde está Aquele que é nascido rei dos judeus? Porque vimos a Sua estrela no Oriente, e viemos adorá-Lo’”, sabemos que esses magos do Oriente eram astrólogos e filósofos. Faziam parte de uma grande e influente classe que incluía seres humanos de nobre nascimento, bem como muitos ricos e sábios de suas nações. Eram sábios ocultistas. Entre estes se achavam muitos que abusavam da credulidade do povo. Outros eram homens justos, que estudavam e conheciam profundamente a Astrologia, sendo honrados por sua integridade e sabedoria. Desses eram os magos que foram em busca de Jesus.

A luz de Deus está sempre brilhando entre as trevas do paganismo. Ao estudarem esses magos o céu estrelado, procurando sondar os mistérios ocultos em seus luminosos caminhos, viram a glória do Criador. Buscando mais claro entendimento, voltaram-se para as Escrituras dos hebreus. Guardados como tesouro haviam, em sua própria terra, escritos proféticos, que prediziam a vinda de um mestre divino. Balaão[1] pertencia aos magos, enquanto fosse em tempos profeta de Deus, pelo Espírito Santo predissera a prosperidade de Israel e o aparecimento do Messias, e suas profecias haviam sido conservadas, de século em século, pela tradição. No Antigo Testamento, porém, a vinda do Salvador era mais claramente revelada. Os magos souberam, com alegria, que Seu advento estava próximo, e que todo o mundo se encheria do conhecimento da glória do Senhor.

Viram os magos uma espantosa Conjunção de Astros nos céus, naquela noite em que a glória de Deus inundara as colinas de Belém. A isso deram o nome de “estrela”. Não era uma estrela fixa, nem um Planeta, mas um Aspecto entre Astros que excitou o mais vivo interesse. Aquela “estrela” tinha grande significação, e para eles um significado especial. Consultaram sacerdotes e filósofos, e examinaram os rolos dos antigos registros. A profecia de Balaão declarara: “Uma estrela procederá de Jacó e um cedro subirá Israel” (Nr 24:17). Teria acaso sido enviada essa singular estrela como precursora do Prometido? Os magos acolheram com agrado a luz da verdade enviada pelo céu; agora era derramada sobre eles em mais luminosos raios. Foram instruídos em sonhos a ir em busca do recém-nascido Príncipe.

Como Abraão, pela fé, saíra em obediência ao chamado de Deus, “sem saber para onde ia” (Hb 11:8); como pela fé, Israel seguira a coluna de fumaça até a Terra Prometida, assim esses gentios saíram em procura do prometido Salvador. Esse país oriental abundava em coisas preciosas, e os magos não se puseram a caminho de mãos vazias. Era costume aos príncipes ou outras personagens de categoria oferecer presentes como ato de homenagem, e os mais ricos dons proporcionados por aquela região foram levados em oferta àquele em que haviam de ser benditas todas as famílias da Terra. Os presentes levados tinham, além disso, um sentido profundamente oculto.

Era necessário jornadear de noite, a fim de não perderem a oportunidade de encontrarem o Menino. Se bem que longa, a viagem foi feita com alegria.

Chegaram à terra de Israel, e descem o Monte das Oliveiras, tendo à vista Jerusalém. Ansiosos começam a busca, esperando confiantemente que o nascimento do Messias fosse o jubiloso assunto de todas as bocas. São, porém, vãs suas pesquisas. Entretanto, na Santa Cidade, dirigem-se ao Templo. Para seu espanto, não encontraram ninguém que parecesse saber do Rei recém-nascido. Suas perguntas não despertaram expressões de alegrias, mas antes de surpresa e temor, não isentos de desprezo.

Os Sacerdotes repetem as tradições. Exaltam sua própria Religião e piedade, ao passo que acusam os gregos e romanos como maiores pagãos e pecadores que todos os outros. Os magos não são idólatras, e aos olhos de Deus ocupam lugar muito acima desses. Seus professos adoradores, todavia, são considerados pelos judeus como gentios. Mesmo entre os designados depositários dos Santos Oráculos, suas ansiosas perguntas não fazem vibrar nenhuma corda de simpatia.

A chegada dos magos foi prontamente divulgada por toda Jerusalém. Sua estranha mensagem criou entre o povo uma excitação que penetrou no palácio do rei Herodes. O astuto edomita foi despertado ante a notícia de um possível rival. Inúmeros assassínios lhe haviam manchado o caminho ao trono. Sendo de sangue estrangeiro, era odiado pelo povo sobre quem governava. Sua única segurança era o favor de Roma. Esse novo Príncipe, no entanto, tinha mais elevado título. Nascera para o reino.

Herodes suspeitou que os Sacerdotes estivessem tramando com os estrangeiros para excitar um tumulto popular, destronando-o. Ocultou, no entanto, sua desconfiança, decidido a malograr-lhes os planos por maior astúcia. Convocando os principais dos Sacerdotes e os escribas. Interrogou-os quanto aos ensinos dos livros sagrados com relação ao lugar do nascimento do Messias.

Essa indagação do usurpador do trono, e o ser feita a instâncias de estrangeiros, espicaçou o orgulho dos mestres judeus. A indiferença com que se voltaram para os rolos da profecia, irritou o ciumento tirano. Julgou que estavam buscando ocultar seu conhecimento do assunto. Com uma autoridade que não ousaram desatender, ordenou-lhes que fizessem atenta investigação e declarassem o lugar do nascimento do esperado Rei. “E eles lhe disseram: em Belém de Judeia; porque assim está escrito pelo profeta: ‘E tu Belém, terra de Judá, de modo nenhum és a menor entre as capitais de Judá; porque de ti sairá o Guia que há de apascentar Meu povo de Israel’”. (Mt 2:6).

Herodes convidou então os magos a uma entrevista particular. Rugia-lhe no coração uma tempestade de ira e temor, mas manteve um exterior sereno, e recebeu cortesmente os estrangeiros. Indagou em que tempo aparecera a “estrela”, e professou saudar com alegria a notícia do nascimento de Cristo. Pediu a seus hóspedes: “Perguntai diligentemente pelo Menino, e, quando O achardes participa-me, para que também eu vá e O adore” (MT 2:8). Assim falando, despediu-os para que seguissem seu caminho a Belém.

Os Sacerdotes e anciãos de Jerusalém não eram tão ignorantes a respeito do nascimento de Jesus, como se faziam. A notícia da visita dos Anjos aos pastores fora levada a Jerusalém, mas os rabis a tinham recebido como pouca atenção digna. Eles próprios poderiam haver encontrado Jesus e estariam preparados para conduzir os magos ao lugar em que nascera; ao invés disso, porém, foram eles que lhes vieram chamar a atenção para o nascimento do Messias. “Onde está Aquele que é nascido Rei dos Judeus?” – Perguntaram – “porque vimos a Sua estrela no Oriente, e viemos adorá-Lo.” (Mt 2:2).

Então o orgulho e a inveja cerraram a porta à luz. Fossem acreditadas as notícias trazidas pelos pastores e os magos, e teriam colocado os Sacerdotes e rabinos numa posição nada invejável, destituindo-os de suas pretensões a exponentes da verdade de Deus. Estes doutos mestres não desceriam a ser instruídos por aqueles a quem classificavam de gentios. Não poderia ser, diziam, que Deus os passasse por alto, para Se comunicar com pastores ignorantes ou incircuncisos pagãos. Resolveram mostrar desprezo pelas notícias que estavam agitando o rei Herodes e toda Jerusalém. Nem mesmo iriam a Belém, a ver se essas coisas eram assim. E levaram o povo a considerar o interesse em Jesus como excitação fanática. Aí começou a rejeição de Cristo pelos Sacerdotes e rabis! Daí cresceu seu orgulho e obstinação até se tornar em decidido ódio contra o Salvador. Enquanto Deus abria a porta aos gentios, estavam os chefes judeus fechando-a a si mesmos.

Sozinhos partiram os magos de Jerusalém. Caíam as sombras da noite quando saíram pelas portas, mas, para sua grande alegria sabiam estar perto do Messias. Não tinham, como os pastores, recebido comunicação quanto ao humilde estado da Sagrada Criança. Depois da longa jornada, ficaram decepcionados com a indiferença dos chefes judeus, e deixaram Jerusalém menos confiantes do que quando nela penetraram. Em Belém, não encontraram nenhuma guarda real a proteger o Rei recém-nascido. Não havia a assisti-Lo nenhum dos grandes da Terra. Jesus estava deitado numa manjedoura. Os pais eram Seus únicos guardas.

“E, entrando na casa, encontraram o Menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, O adoraram” (Mt 2:11). Através da humilde aparência exterior de Jesus, reconheceram a presença da Divindade. Deram-Lhe o coração como a seu Salvador, apresentando então suas dádivas: “ouro, incenso e mirra” (Mt 2:11). Que fé a sua! Como do centurião romano, mais tarde, poder-se-ia haver dito dos magos do Oriente: “Nem mesmo em Israel encontrei tanta fé.” (Mt 8:10).

Os magos não haviam penetrado os desígnios de Herodes para com Jesus. Satisfeito o objetivo de sua viagem, prepararam-se para regressar a Jerusalém, na intenção de pô-lo ao fato do êxito que haviam tido. Em sonho, porém, recebem a divina mensagem de não ter mais comunicações com ele. E, desviando-se de Jerusalém partem para sua terra por outro caminho.

De igual maneira, recebeu José aviso de fugir para o Egito com Maria e a criança. E o Anjo disse: “E demora-te lá até que eu te diga; porque Herodes há de procurar o menino para o matar” (Mt 2:13). José obedeceu sem demora, pondo-se de viagem à noite, para maior segurança.

Por meio dos magos, Deus chamara a atenção da nação judaica para o nascimento de Seu Filho. Suas indagações em Jerusalém, a excitação do interesse popular, e o próprio ciúme de Herodes, que forçou a atenção dos Sacerdotes e rabis, dirigiu os Espíritos para as profecias relativas ao Messias, e ao grande acontecimento que acabava de ter lugar.

Os magos estiveram entre os primeiros a saudar o Redentor. Foi sua a primeira dádiva a lhe ser posta aos pés. E por meio daquela dádiva que privilégio em servir tiveram eles! Deus Se deleita em honrar a oferta de um coração que ama, dando-lhe a mais alta eficiência em Seu serviço. Se dermos o coração a Cristo, Lhe traremos também as nossas dádivas.

Nosso “ouro e prata”, nossas mais preciosas posses terrestres, nossos mais elevados dotes mentais e espirituais Lhe serão inteiramente consagrados, a Ele que nos amou e se entregou a Si mesmo por nós.

Em Jerusalém, Herodes aguardava impaciente a volta dos magos. Como passasse o tempo, e não aparecessem, despertaram-se nele suspeitas. A má vontade dos rabis em indicar o lugar, do nascimento do Messias, parecia mostrar que lhe haviam penetrado o desígnio e que os magos se tinham propositadamente esquivado. Esse pensamento o enraiveceu. Falhara a astúcia, mas restava-lhe o recurso da força. Faria desse Rei-criança um exemplo. Aqueles insolentes judeus haviam de ver o que podiam esperar de suas tentativas de colocar um monarca no trono.

Imediatamente foram enviados soldados a Belém, com ordem de matar todas as crianças de dois anos para abaixo. Os sossegados lares da cidade de Davi presenciaram aquelas cenas de horror que, seiscentos anos antes, haviam sido reveladas ao profeta. “Em Ramá se ouviu uma voz, lamentação, choro e grande pranto; Raquel chorando os seus filhos, e não querendo ser consolada, porque já não existem” (Jm 31:15).

Essa calamidade trouxeram os judeus sobre si mesmos. Houvessem estado nos caminhos da fidelidade e da humildade perante Deus, e Ele haveria, de maneira assinalada, tornado sem efeito para eles a ira do rei. Mas separaram-se de Deus por seus pecados, e rejeitaram o Espírito Santo, que lhes era o único escudo. Não estudaram as Escrituras com o desejo de se conformarem com a vontade de Deus. Buscaram as profecias que podiam ser interpretadas para sua exaltação, e mostraram que o Senhor desprezava as outras nações. Jactavam-se orgulhosamente de que o Messias havia de vir como rei, conquistando seus inimigos e esmagando os gentios em sua indignação. Assim, haviam excitado o ódio dos governadores. Mediante a maneira por que desfiguravam a missão de Cristo, Satanás intentara tramar a destruição do Salvador; ao invés disso, porém, ela lhes caiu sobre a própria cabeça.

Este ato de crueldade foi um dos últimos que entenebreceu o reinado de Herodes. Pouco depois da matança dos inocentes, foi ele próprio obrigado a submeter-se àquela condenação que ninguém pode desviar. Teve morte terrível.

José, que ainda se achava no Egito foi então solicitado por um Anjo de Deus a voltar para a terra de Israel. Considerando Jesus como o herdeiro de Davi, José desejava estabelecer residência em Belém; ouvindo, porém, que Arquelau reinava na Judeia em lugar de seu pai, receou que o desígnio do pai contra Cristo pudesse ser executado pelo filho. De todos os filhos de Herodes, era Arquelau o que mais se assemelhava a ele em caráter. Já sua sucessão no governo fora assinalada por um tumulto em Jerusalém, e o morticínio de milhares de judeus pelas guardas romanas.

Novamente foi José encaminhado para um lugar de segurança. Voltou para Nazaré, sua residência anterior, e ali, por cerca de trinta anos viveu Jesus, “cumprindo-se deste modo o que tinha sido predito pelos profetas: Será chamado Nazareno” (Mt 2:23). A Galileia estava sob o domínio de um filho de Herodes, mas tinha uma mistura muito maior de habitantes estrangeiros do que a Judéia. Havia, assim, muito menos interesse nas questões que diziam respeito especialmente aos judeus, e os justos direitos de Jesus, corriam menos riscos de excitar os ciúmes dos que estavam no poder.

Tal foi a recepção feita ao Salvador ao vir à Terra. Parecia não haver nenhum lugar de repouso ou segurança para o infante Redentor. Deus não podia confiar Seu amado Filho aos seres humanos, nem mesmo enquanto levava avante Sua obra em benefício da salvação deles. Comissionou Anjos para assisti-Lo e protegê-Lo até que cumprisse Sua missão na Terra, e morresse às mãos daqueles a quem viera salvar.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – dezembro/1979 – Fraternidade Rosacruz-SP)


[1] N.R.: foi um vidente e profeta mencionado no Antigo Testamento da Bíblia (Livro de Números). Ele ficou famoso por ter sido contratado pelo rei de Moabe para amaldiçoar o povo de Israel, mas, por intervenção divina, acabou sendo forçado a abençoá-los.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Exatidão Científica da Bíblia

Se há um Deus eterno e onipotente, é razoável nos esforçar por descobrir se Ele tem se comunicado conosco. Certos livros pretendem ser escritos inspirados. Mas entre eles, e ultrapassando a todos na grandeza de sua revelação e na sublime elevação de sua moral, está a Bíblia. Ousadamente S. Paulo, o grande apóstolo, fornece o testemunho: “Toda a Escritura é divinamente inspirada.” (IITm 3:16), e a Bíblia deve permanecer ou cair pelos resultados dos testes sobre a genuidade de seus reclamos. A declaração é por demais importante para ser considerada levianamente. Ou este livro é a Palavra viva de Deus vivo ou é o maior embuste que pode haver. Há muitas maneiras de provar os reclamos da Escritura. Deus mesmo tem em Suas páginas feito muitos desafios diretos aos incrédulos e aos que “voluntariamente ignoram”, mas presentemente só poderemos considerar um deles: a Exatidão Cientifica da Palavra de Deus.

Vivemos na época em que muitos de nós exigem provas objetivas para tudo aquilo que aceitam como verdade. Poderá a Bíblia suportar tais provas? As descobertas da Ciência material que têm mudado tantas das filosofias, por tanto tempo aceitas pela Humanidade: sairá a Bíblia incólume?

Notemos, antes de tudo, que a Bíblia não é um compêndio de Ciência. Pretende ser uma declaração de Deus a nós e uma manifestação de Sua vontade para com as Suas criaturas, e como tal se poderia dizer que qualquer inexatidão científica em nada diminuiria seu real valor.

Entretanto, se é a Palavra eterna de um Deus onipotente, mesmo Suas alusões aos fenômenos naturais devem estar em harmonia com todas as verdades científicas demonstráveis.

Tudo o que reclamamos é o direito de usar este livro como linguagem figurada, como nós o fazemos, em vez de estrita fraseologia dos compêndios de ciência, pois, todos nós sabemos o que se quer dizer ao ser usada a expressão: “O Sol levanta-se no Oriente e põe-se no Ocidente”. Atualmente esta ocorrência poderia ser cientificamente expressa em termos da rotação da Terra. Não há, por certo, discrepância ou contradição alguma em tais expressões.

Um ponto importante e digno de ser salientado é que este velho livro, que data de cerca de três mil e quinhentos anos atrás, excluiu todos os absurdos científicos que se encontram em todos os outros escritos antigos – e em muitos outros escritos, também que não são ainda tão velhos.

Consideremos, primeiramente, alguns fatos a respeito da Terra. Para os antigos, a Terra era o centro do universo (Teoria de Ptolomeu). Supunham-na apoiada sobre uma espécie qualquer de fundamentos fixos. Para muitos deles era plana. Para os entendidos daqueles dias a Bíblia deve ter parecido muito contrária à ciência, pois que figura nos apresenta ela a respeito da Terra? Em primeiro lugar, a Bíblia nos conta, definidamente, que a Terra não é centro do universo. No Livro de Jó, capítulo 26 e versículo 14, falando dos céus ornados (estrelados), o que inclui a nossa Terra, declara que são apenas as “orlas de Seus caminhos”[1], ou podemos dizer: estas são apenas “os limites de Suas obras”.

Quanto à Terra ser suportada por fundamentos fixos, é-nos dito: “O norte estende sobre o vazio; suspende a Terra sobre o nada.” (Jo 26:7). Mais tarde é sobre esta questão feita a seguinte pergunta, no Livro de Jó capítulo 38 e versículo 6: “Onde se encaixam suas bases, ou quem assentou sua pedra angular?”. A forma da Terra é claramente descrita no Livro de Isaias, capítulo 40 e versículo 22: “Ele é o que está assentado sobre o globo da Terra”. Mais de 2.000 anos antes de Torricelli[2], o discípulo de Galileu[3], demonstra que a atmosfera exerce pressão e inventa o barômetro, como já declarado no Livro de Jó capítulo 28 e versículos 24 e 25: “Porque Ele vê as extremidades da Terra… deu peso ao vento.”. Sete quilos por polegada quadrada, a pressao atmosférica sobre a Terra é estimada em quinhentos milhões de toneladas.

E a Bíblia já se havia, mais de uma vez, antecipado as descobertas à ciência. O tempo não nos permitiria de maneira alguma tocar nas surpreendentes provas da exatidão histórica da Bíblia encontradas nas descobertas arqueológicas.

Mas as próprias pedras afirmam hoje a historicidade de Belsazar[4], dos heteus[5], da queda de Jericó[6], e de muitas outras histórias tão triunfalmente desdenhadas pelos críticos de poucos anos.

Algumas das declarações feitas pelos chamados “homens da ciência” não se têm provado dignas de crédito, e nos permiti asseverar, confidencialmente, que ainda não foi provada nenhuma verdade científica que não esteja em harmonia com a verdade bíblica.

Permiti-nos dizer isto em conclusão: houve tempos, em que divergiam a Bíblia e as teorias da chamada Ciência material. Mas onde isto se deu, não foi a Bíblia que mudou de posição para produzir a harmonia. A maior dificuldade de hoje é a do cientista que pratica a Ciência material se manter em dia. Pessoas que não se especializaram nesta classe de estudos podem-se achar advogando teorias já abandonadas por seus companheiros mais progressistas.

Voltemos ao nosso texto: “A Tua Palavra é a verdade desde o princípio” (Sl 119:160), e reconheçamos em nossa alma que o honesto indagador da Verdade sempre achará perfeita harmonia na Palavra inspirada e na luminosa obra do Grande Criador.

Tenhamos perfeita confiança para aceitar a ambas, como nosso guia e bordão nesta vida e, como nossa certeza, da vida por vir.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – outubro/1965 – Fraternidade Rosacruz – SP)


[1] N.R.: “Eis que isto são apenas as orlas dos seus caminhos.” (Jo 26:14)

[2] N.R.: Evangelista Torricelli (1608–1647) foi um físico e matemático italiano, famoso por inventar o barômetro e por formular o Teorema de Torricelli e a Equação de Torricelli. Discípulo de Galileu, ele provou a existência do vácuo e demonstrou que a pressão atmosférica é o que suporta colunas de líquidos.

[3] N.R.: Galileu Galilei (1564–1642) foi um polímata italiano, frequentemente chamado de “pai da ciência moderna”. Ele revolucionou a física, a astronomia e fundou o método científico experimental. Seus estudos desafiaram dogmas antigos e provaram a teoria heliocêntrica, onde a Terra e outros planetas giram em torno do Sol.

[4] N.R.: Belsazar foi o último corregente e rei da Babilônia antes da queda do império para os persas em 539 a.C. Filho do rei Nabonido, ele governava o império na ausência do pai e ficou amplamente conhecido pelo relato bíblico do “banquete de Belsazar”, no qual uma mão misteriosa escreveu uma sentença na parede.

[5] N.R.: Os heteus (também chamados de hititas) foram um povo poderoso e numeroso da Antiguidade. Eles formaram um grande império na região da Ásia Menor (atual Turquia) entre 1900 e 1200 a.C.. Conhecidos por dominar a tecnologia do ferro e pela forte organização militar, também são citados na Bíblia como habitantes da terra de Canaã.

[6] N.R.: é um famoso relato do Antigo Testamento (Livro de Josué). Após atravessar o rio Jordão, o povo de Israel, liderado por Josué, sitiou a cidade cananeia que tinha grandes muralhas. Por ordem divina, eles rodearam a cidade por sete dias tocando trombetas e, no último dia, deram um grande grito, fazendo as paredes desmoronarem.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Almas Perdidas ou Atrasadas na Evolução?

 Não existe, absolutamente, nenhum fundamento que justifique a ideia generalizada a respeito de “almas perdidas”. Não há, na Bíblia, uma só palavra que exprima a ideia a que todos nos habituamos sobre eternidade com o sentido de para sempre. A palavra grega aionian significa “um período indefinido de tempo”, “um longo período de tempo” e, quando lemos na Bíblia as palavras “eternamente” ou “para sempre”, deveríamos interpretá-las como “pelos séculos dos séculos”. Além disso, como é uma verdade que “em Deus vivemos, movemos e temos o nosso ser”, uma alma perdida seria o mesmo que se tivesse perdido uma parte de Deus e isto não é possível!

Sem dúvida, a perda de um período de anos está relacionada ao próximo período, sendo até mesmo compreendida por ele. Lembremos que no Período Lunar desse atual Esquema de Evolução que Espíritos Lucíferos, os Anjos que ficaram atrasados no Esquema de Evolução angélica, não puderam achar um Campo de Evolução no presente esquema de manifestação.

Os Arcanjos habitam o Sol; os Anjos têm a seu cargo todas as Luas; porém os Espíritos Lucíferos foram incapazes de residir em qualquer desses luminares. Não podiam ajudar a geração pura e desinteressadamente como fazem os Anjos, mas atuavam sob o império do desejo, da paixão vil e egoísta, pelo que foi necessário separá-los dos seus irmãos mais adiantados e fixá-los num lugar apropriado às suas condições.

O ambiente que necessitavam era o do Planeta Marte, a quem os antigos astrólogos atribuíram o poder sobre o Signo zodiacal de Áries, o Carneiro, que tem domínio sobre a cabeça dos seres humanos — convém recordar que o cérebro foi construído com as energias subvertidas dos órgãos sexuais —, o que comprova que aquele Planeta exerce igualmente o seu domínio sobre o Signo zodiacal de Escorpião, o regente dos órgãos da reprodução. Carneiro é a primeira Casa do horóscopo, regendo o começo da vida; Escorpião é a oitava Casa do horóscopo, a que nos fala da morte. Em tudo isso está contida uma lição, ensinando-nos que tudo aquilo que foi gerado pelos desejos vis é chamado à dissolução, à morte.

Assim, pois, Marte é, esotericamente e astrologicamente, o que se chama de “diabo” e Lúcifer, o mais notável dos Anjos caídos, é realmente o adversário de Jeová, quem dirige o poder fecundante do Sol por meio da ação lunar. Todavia, os Espíritos Lucíferos estão ajudando a nossa evolução. Deles recebemos o ferro que, por si só, torna possível a vida em uma atmosfera oxigenada. Foram e continuam sendo os agitadores das forças que impulsionam o progresso material e, por isso, não temos o direito de os anatemizar.

A Bíblia tacitamente nos proíbe ultrajar os deuses. O próprio apóstolo S. Judas Tadeu declara que mesmo o Arcanjo Miguel não se atreveu a denegrir Lúcifer. Porém o Arcanjo Miguel, quando, lutando contra o diabo, disputava o corpo de Moisés, não ousou pronunciar contra ele juízo blasfemo, mas disse: ‘Repreenda-te o Senhor’. E no Livro de Jó vemos Lúcifer como um dos filhos de Deus.

Se não fossem os impulsos marcianos, agitadores e belicosos, talvez não sentíssemos as aflições tão ao vivo como sentimos, mas também não poderíamos progredir na mesma proporção e é seguramente melhor “gastar-se ao criar bolor”.

Desse modo, podemos compreender que as “ovelhas perdidas” de um momento anterior nesse Esquema de Evolução (Período, Época, Era) sempre é concedida oportunidades para recuperar, no atual Esquema de Evolução, o tempo que perderam.

Ficaram atrasadas e, por esse motivo, são consideradas “más”, como no caso dos Anjos caídos; entretanto, “não se perderam; apenas afastaram-se da redenção”. Podem se salvar e certamente conseguirão, servindo-nos e, provavelmente, ajudando a transmutar a natureza de Escorpião na de Áries, levando-nos a sublimar em nós mesmos tudo que for grosseiro e mau.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de julho/1970-Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Evangelho Segundo S. João: os Cinco Primeiros Versículos

Lendo atentamente o Evangelho Segundo São João, o Evangelista, que foi Discípulo de S. João, o Batista, somos gradativamente absorvidos pela admiração da desenvoltura e sublimidade do seu trabalho. Ao iniciá-lo, coloca como primeiro título a grande boa nova, já na expressiva frase: “A Encarnação do Verbo”. Essa Encarnação representa o ponto de intercessão entre duas Eras (a de Áries e a de Peixes). A primeira delas, em que vigorava a lei — “o olho por olho e dente por dente” –, representada por Moisés. A segunda é representada por Cristo-Jesus, o “Cordeiro que tirou o pecado do mundo” e purificou o Corpo de Desejos da Terra. Ademais, pôs ao alcance da Humanidade todos os meios de que ela necessitava para sua salvação; vejam, então, a extraordinária importância que tem esse glorioso Ser para todos nós. É de tal autoridade, como bem salienta S. João, o Evangelista, que se sentirmos por Ele uma profunda gratidão durante as 24 horas do dia, ainda será pouco. Aliás, a melhor maneira de manifestarmos nossa gratidão é servirmos diligentemente, colaborando de coração no formoso trabalho iniciado pelos Irmãos Maiores.

Durante a primeira dessas Eras, consubstanciada no Antigo Testamento, sobretudo no último livro do Pentateuco, quem errasse seria punido, pois não havia perdão e tudo se acertava com a espada da justiça. O Cristo, ao contrário, embora cumprindo a Lei, é a tônica do amor através do qual une tudo o que existe ou venha a existir, e não só aqui no Planeta Terra, mas também nos demais do nosso Sistema Solar, sem excetuar outros Sistemas Solares no Universo. Ele é o Amor que tudo liga, transforma e vivifica.

Lá, no primeiro capítulo, no primeiro versículo, diz-nos S. João: “No princípio era o Verbo, o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus”. Notem bem como ele mostra, entre outras coisas, de maneira concisa, cujo vigor ultrapassa toda expectativa, a nossa origem Divina. Ele transformou o Verbo na Causa primeira de tudo. D’Ele é que saiu tudo aquilo que veio ou vem à existência e, para Ele, tudo volta, como disse bem S. Agostinho, que assim se expressou: “De Deus viemos, para Deus voltaremos”.

Prosseguindo, afirma S. João, o Evangelista, no versículo 2°: “Ele estava, no princípio, com Deus”. S. João, para facilitar nosso entendimento, reforça aqui o que disse no versículo anterior. Vindo de Deus, Cristo-Jesus é, evidentemente, Deus feito ser humano.

Referindo-se ao Verbo, comenta S. João, no 3° versículo: “Tudo foi feito por Ele e nada do que foi feito se fez sem Ele”. Vemos aqui, mais uma vez, S. João, o Evangelista, mostrar, com extraordinária exuberância, nossa origem divina. Insiste ele e com toda a razão ser o Verbo a gênese de tudo aquilo que existe. Vivendo o amor permanentemente e conhecendo bem a natureza humana é que S. João supunha conveniente insistir nesse e em outros pontos.

Continuando a leitura, vamos para o 4° versículo que, reportando-se ao Verbo, esclarece: “A vida estava Nele e a vida era a Luz dos homens”. De fato, aquela vida que estava n’E é a nossa Luz, o Cristo Interno que habita em cada um de nós. É a Centelha divina que nos impulsiona constantemente às coisas superiores, os eventos do Espírito. Com isso realizamos também uma sutilização de nossos veículos, as ferramentas do Ego, ampliando o seu campo de atividade.

Dando continuidade à leitura do Evangelho Segundo S. João, encontramos no versículo 5°, ainda no capítulo l°, que se tornou nosso, o seguinte: “A Luz resplandeceu nas trevas e as trevas não prevaleceram”. Realmente, porque essa Luz infinita espanca as trevas.

Trevas da ignorância e más qualidades que são desfeitas pelo amor, sabedoria e atividade nas boas coisas.

É por ela, na verdade, que surgem os desentendimentos, malquerenças e inimizades. Conforme aprendemos nos nossos Estudos de Filosofia Rosacruz, utilizando o livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz: “Se Buda, grande e sublime, foi a Luz da Ásia, pode-se afirmar que Cristo é a Luz do Mundo”.

(Pulicado na Revista Serviço Rosacruz de julho/1970-Fraternidade Rosacruz-SP)

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A Cura e o Perdão dos Pecados

Pouca gente imagina a possibilidade de uma relação entre a cura e o Perdão dos Pecados. Aliás, quase ninguém sequer cogita dessa realidade que é o Perdão dos Pecados.

Para começar, veja o que S. João relata no seu Evangelho (5:6-9): “Jesus, vendo-o deitado e sabendo que já estava assim havia muito tempo, perguntou-lhe: ‘Queres ficar curado?’. Respondeu-lhe o enfermo: ‘Senhor, não tenho quem me jogue na piscina, quando a água é agitada; ao chegar, outro já desceu antes de mim’. Disse-lhe Jesus: ‘Levanta-te, toma o teu leito e anda!’. Imediatamente o homem ficou curado. Tomou o seu leito e se pôs a andar.”.

Mas, como se define o pecado?

Objetivamente podemos afirmar que é uma ação contrária à lei. Se você pensou que estamos falando da Lei de Moisés, os Dez Mandamentos, pensou corretamente. A Lei, em verdade, é algo muito mais amplo e profundo do que o decálogo recebido por Moisés na montanha. É tão importante que o Cristo asseverou categoricamente que não viera revogá-la, mas cumpri-la. Ele a observou, mas propôs dois mandamentos que a abrangem e transcendem: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a Si mesmo.

Do ponto de vista esotérico, o pecado é uma transgressão a uma Lei da Natureza que é uma Lei de Deus. As Leis da Natureza se harmonizam e mantêm o equilíbrio no Cosmos. Toda vez que alguém as transgrida provoca um desequilíbrio e em consequência uma reação em forma de sofrimento e/ou dor. Portanto, a dor e/ou o sofrimento é uma maneira de aprendermos a lição da harmonia. S. Paulo, em sua Epístola aos Gálatas (6:7), afirmou: “O que o homem semear, isso mesmo ele colherá”.

A luz do ocultismo, se cometemos um erro somos inexoravelmente penalizados? Realmente não. O Perdão dos Pecados é um fato. Entretanto, há pré-requisitos para que ele opere. Um deles é a vontade aliada à iniciativa. Há necessidade de ação que se manifeste através do arrependimento, reforma e restituição.

Primeiro, o arrependimento. S. João Batista não pregou filosofias ou doutrinas. Sua mensagem era o arrependimento dos pecados cometidos. Era um meio de preparar as pessoas para o Cristianismo. Sabia que o Cristo ofereceria a Graça, o Perdão dos Pecados, mas isto depende da transformação da consciência de cada um. Arrependimento é uma mudança da Mente e do Coração em relação ao ato pecaminoso. Porém, o remorso exagerado é nocivo, debilitando as correntes do Corpo de Desejos e afetando as Glândulas Endócrinas. Vemos, então, como tudo depende de um processo interno.

Em segundo, a reforma íntima, pois só o arrependimento não é suficiente para o recebimento da Graça. Quem para no arrependimento fica apenas na intenção. É necessária uma ação efetiva, dinâmica, que se consubstancie na reforma de caráter. Isso ocorre quando transmutamos nossos maus hábitos nas virtudes opostas. Reforma íntima significa restauração, renovação e reconstrução. Envolve discernimento (e só conseguimos fazer isso se praticarmos cotidianamente o Exercício Esotérico Rosacruz de Observação e o seu complemento, o do Discernimento). É uma prova de valor e paciência. Quando nos transformamos internamente tudo se modifica em nossa vida.

Em terceiro, a restituição que é quando prejudicamos alguém devemos promover a restituição, a compensar, de alguma forma, o mal que lhe fizemos. Se não pudemos reparar, pela ausência do prejudicado ou outra razão qualquer, podemos fazê-lo servindo a outra pessoa. Eis porque a tônica da Fraternidade Rosacruz — serviço — tem um cunho libertador. O serviço focado na Divina Essência do irmão ou da irmã, prestado de uma forma amorosa e desinteressada (portanto, o mais anônimo possível) nos envolve na consciência da unidade. Através dele nos sentimos unos com toda a criação, nos tornando incapazes de ferir, ofender ou prejudicar qualquer ser vivo.

Libertamo-nos dos pecados quando em nossa consciência admitimos ter errado e nos propomos a não mais repetir a falta cometida. A evolução é fundamentalmente uma questão de consciência. O desenvolvimento dessa consciência ocorre principalmente através do Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção. Quando estudamos o Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, descobrimos “que talvez esse seja o mais importante Ensinamento Rosacruz”.

O Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção nos oferece uma visão objetiva de nós mesmos. A constância e sinceridade com que é praticado acaba por limpar o nosso Átomo-semente do Corpo Denso das gravações indesejáveis ali impressas ensejando, assim, a evitar o sofrimento purgatorial. Se praticamos com fidelidade Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção, partindo decididamente para: o arrependimento, a reforma e a restituição, demonstraremos ter aprendido as lições nesse renascimento aqui, não necessitando fazê-lo futuramente. Isto é o Perdão dos Pecados!

O ensinamento alusivo ao Carma, ensinado pelas escolas orientais, não satisfaz plenamente as necessidades humanas de quem escolheu nascer no ocidente! Os princípios Cristãos abrangem tanto a Lei de Causa e Efeito como o Perdão dos Pecados e satisfaz plenamente todas as necessidades que precisamos.

Esse ato volitivo começa com o Corpo Vital. Na Oração do Senhor (o Pai-Nosso) encontramos uma oração exclusiva para o Corpo Vital: “Perdoai as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores”. Através da repetição se forma a Alma Intelectual, importante no processo de criação de bons hábitos.

Um bom hábito é não reagir emocionalmente diante de uma situação ou circunstância desequilibrante ou de uma provocação. Se não reagirmos emocionalmente não estaremos implicados na questão e em suas consequências, além do que tudo isso diz respeito à nossa saúde. O pecado ou transgressão afeta a saúde.

Cristo deixou bem claro que o que quer que aconteça no exterior tem sua origem no padrão existente na Mente da pessoa. Se analisarmos todas as Curas efetuadas por Cristo verificaremos que três são as condições para que se realizem: 1) Não pecar mais; 2) Ter bom ânimo; 3) Ter fé. Portanto, tudo depende do estado de consciência de cada um, principalmente o Perdão dos Pecados e a saúde física, mental e emocional.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – janeiro/fevereiro/1988-Fraternidae Rosacruz-SP)

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Uma Interpretação do que é Verbo, expresso por S. João Evangelista

Podemos ter acesso à história de toda Involução (a parte do Esquema de Evolução onde caminhamos para frente e para baixo, nas densidades dos Mundos) ou do envolvimento do ser humano, como Espírito Virginal da Onda de Vida humana, na matéria, até à idade mais densa e grosseira, até a perda total da consciência do Espírito e das coisas do Espírito, estudando e tendo como assunto para o nosso Exercício Esotérico de Concentração o seguinte trecho da Bíblia

“No Princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Tudo o que foi feito, foi feito por Ele; e nada do que tem sido feito, foi feito sem Ele. Nele estava a Vida, e a Vida era a Luz dos homens. A Luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram… O Verbo se fez carne e habitou em nós, cheio de Graça e de Verdade, e vimos a Sua Glória, Glória como no Unigênito do Pai”. (Jo 1:1-14)

S. João nos conta, nesses versículos de inestimável valor Espiritual, a peregrinação, a grande e extraordinária aventura Cósmica do Espírito, em aquisição após aquisição, dos Corpos e veículos de manifestação, até atingir a condensação no Corpo Denso aqui na Região Química do Mundo Físico.

“No Princípio…” nos reporta a um estágio anterior ao que nossos olhos físicos percebem e nosso tato apalpa. “No Princípio, era o Verbo…”, o Único Ser Gerado. Um dos Três Atributos do Ser Supremo. Pelo Verbo tudo o mais foi criado. “Faça-se.”. É a Palavra, o mistério do som. Tudo no Universo é vibração, é som, é melodia.

Quando o Iniciado atinge um certo grau no seu desenvolvimento, recebeu o Batismo de Fogo, estando sob a direção do Mestre. É-lhe ensinado o Segredo dos Segredos: a Palavra Perdida. O Iniciado, quando atinge mais e mais Iniciações, vai sabendo que a Palavra de Poder foi perdida, quando, na traição do Templo quiseram acabar com o trabalho de Hiram Abiff[1], o único que possuía o “Segredo da Palavra”.

Todas as verdadeiras Ordens Cristãs que promovem as Iniciações Menores e as Iniciações Maiores ou Cristãs sabem que a palavra é sagrada, e que o Iniciado deve ser comedido no falar. O Iniciado é submetido ao silêncio absoluto, à meditação, à contemplação muda das coisas da Natureza. No silêncio, ele aprende, no secreto da alma, a palavra sem articulação.

É longa a série dos investigadores da “Palavra Perdida”, a Palavra de Poder, que pronunciada com o conhecimento da ciência oculta pode causar a vida ou a morte.

“No Princípio era o Verbo…” indica que o Verbo é a Palavra que se manifesta no ser humano via laringe. Mas ela só será readquirida pelo mortal, quando ele, através a evolução e alcance das Iniciações Menores e Iniciações Maiores se tornar digno de possuí-la.

“O Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no Princípio com Deus. Tudo foi feito por Ele e nada do que tem sido feito foi feito sem Ele” aqui é o segredo da Palavra. Faça-se, faça-se sempre, com a Palavra. Os Períodos, os Mundos, as coisas todas manifestadas e por se manifestar foram e são feitas pela Palavra e com a Palavra. O Círculo com um ponto em seu centro é o Supremo Poder do Verbo manifestando continuamente de si mesmo, novos Sóis, novos Mundos e novas manifestações de vida gloriosa. Verbo é o Único Ser gerado pelo Supremo. A Palavra é, portanto, uma Entidade e essa Entidade Sagrada criou tudo o mais, pelo “Fiat” criador. Faça-se… e as coisas foram se projetando no Cosmos.

“Nele estava a Vida e a Vida era a Luz dos homens…”, perceba aqui como isso toma força e poder incomensuráveis. A Vida é una e indivisível. Tudo no Universo é o Corpo de Deus. O ser humano é o pequeno corpo divino, o Microcosmos. Nele está, como sempre esteve e estará, a Luz de Deus. É a Vida não criada, indestrutível.

“A Luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam”, notando aqui que o Verbo “se fez carne e habitou em nós”, cheio de Graça de verdade, e vimos a sua Glória, Glória como no Unigênito do Pai. Quem tiver olhos para ver e ouvidos para ouvir, e entendimento para entender, compreenderá, pela percepção interna, o sentido sublime deste versículo. Apesar da cristalização interna note o sentido sublime desse versículo. Apesar da cristalização, a Luz permanece e brilha como seu fulgor deslumbrante e incandescente. Cristo ressuscitou e advertiu a mulher que montava guarda ao seu sepulcro, e que primeiro o avistou. “Não me detenhas!” (Jo 20:17). Se a mulher o tocasse, seria fulminada, pois, naquele momento estava carregado de energia espiritual elevadíssima. Assim será o ser humano, quando “ressuscitar” dentre os mortos.

“E o Verbo se fez carne e habitou em nós” cheio de Graça… Não é possível maior clareza. Ele está dentro de cada um, pois o ser humano é partícula de Deus cristalizada. Aqui está consubstanciado todo o mistério do Ser. Aquele que se encontrar, verá a Deus face a face. Passado, presente, futuro são termos relativos que nada expressam ante a sempiterna realidade que se manifesta acima e fora das alternâncias. Períodos, Revoluções, Recapitulações, Épocas estão expressas tanto no macrocosmo como no microcosmo. A entidade cristalizada como ser humano é a pequena “Bíblia” ou “Livro da Lei”, que contém em si toda a grandiosidade do Cosmos.

Na sua subida deve Ele aprender a ler na Memória da Natureza, as fases, passagens, vidas vividas, a fim de se reencontrar e adquirir capacidade e maleabilidade. Com esses atributos ele poderá levitar e voar ao cume da Eternidade e criar, também, já como criadora, com o Poder do Verbo, a “Palavra reencontrada”.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – maio/1970-Fraternidade Rosacruz-SP)


[1] N.T.: Quando Jeová escolheu Salomão para construir uma casa com seu nome: o primeiro Templo fixo, a espiritualidade sublime de uma longa linha de ancestrais, divinamente guiados, floresceu na concepção do magnífico templo, chamado Templo de Salomão, embora Salomão fosse apenas o instrumento de realização do plano divino revelado a Davi por Jeová. Mas, Salomão era incapaz de executar o projeto divino em forma concreta. Por isso, precisou apelar para o Rei Hiram de Tyro que escolheu Hiram Abiff. Hiram Abiff tornou-se, então, o Grande Mestre de todos que trabalhavam na construção.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Fé Cega e a Razão Santa

O tempo da Fé cega já passou! Chegamos à época da Fé racional ou fé razoável. Não acreditamos somente em Deus, senão que O vemos em Suas obras, que são as formas exteriores de Seu ente.

Eis o grande problema de nossa época: traçar, completar e fechar o círculo dos conhecimentos humanos; depois, pela convergência dos raios, achar um centro: Deus! Achar uma escala de proporção entre os efeitos, as vontades e as causas, para subir daí à causa e à vontade primeira. Constituir a ciência das analogias entre as ideias e a sua fonte primitiva. Tornar qualquer verdade religiosa tão certa e tão claramente demonstrada como solução de um problema de geometria.

Se crê, você compreenderá. Procuremos e acharemos; estudemos e haveremos de crer. Crer é saber por palavra. Ora, essa palavra divina, que antecipava e supria por um tempo a Ciência Cristã, devia ser compreendida mais tarde, conforme a promessa de Cristo. Eis, pois, o acordo da Ciência e da Fé provada pela própria Fé.

A Religião é razoável. Pode-se prová-la radicalmente, por meio da Ciência. A Razão é santa. Cristo-Jesus, encarnando a Humanidade regenerada, a divindade feita ser humano, tinha por missão estabelecer o equilíbrio dessa dualidade e conduzir a Humanidade à condição divina. O Verbo feito carne (Jo 1:14) permitiu à carne fazer-se Verbo. Isso que muitas pessoas não compreenderam a princípio: o misticismo delas quer absorver a Humanidade na divindade. Negam o direito divino. Acreditam que a Fé dever aniquilar a Razão, sem se lembrar dessas palavras profundas do maior dos Hierofantes dos Mistérios Cristãos: “Todo espírito que divide o Cristo é um espírito de Anticristo” (IJo 4:2-3).

A unidade de Cristo um dia triunfará em nós!

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – maio/1970-Fraternidade Rosacruz-SP)

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