As quatro estações do ano determinam, desde os mais remotos tempos, os mistérios da relação do ser humano com a Terra (Planeta-mãe) e de ambos com o Sol. Constituem o importante Mistério da Nona Iniciação Menor (a última dos nove Iniciações Menores).
Ademais das influências zodiacais, que levaram os Líderes-Iniciados a estabelecer as formas religiosas (Religião do Touro, Religião do Cordeiro, Religião dos Peixes) houve, desde recuados tempos, uma tradição esotérica ligada aos Equinócios e Solstícios. Encontramos essa tradição, velada por mitos, nas várias civilizações que nos precederam.
A passagem pelo Mar Vermelho e a travessia de Quarenta Anos pelo Deserto, na história dos hebreus, relatadas na Bíblia, é um simbolismo da evolução através do Signo de Áries, cuja cor é o vermelho e cujo Signo é o Cordeiro, tomado por adoração em lugar do bezerro.
Quando Moisés negociava com o Faraó a libertação de seu povo, este lhe resistiu, e o Senhor fez cair sobre o Egito as famosas pragas, que culminaram na matança dos primogênitos. Para preservar seus lares, os israelitas sacrificaram o Cordeiro e pintaram com sangue as ombreiras das portas. Por essas casas a morte não passou. É um símbolo de que, na transição evolutiva de uma para outra Era, aqueles que resistem acabam se cristalizando e ficando para trás.
O cordeiro é o emblema da Dispensação (a terceira Dispensação – a primeira Cristã – de um total de quatro) que deveria suceder à do boi Ápis. Na pressa de deixar suas casas, quando o Faraó finalmente cedeu, os israelitas esqueceram o fermento em casa e tiveram que fazer seus pães sem fermento. Daí se originam os pães ázimos, lembrança da libertação do Egito. Como símbolos, o sangue derramado do cordeiro representa a expiação; e os pães sem fermento, a pureza decorrente dela.
De toda a maneira, antes do êxodo, os Solstícios e Equinócios já haviam influído na determinação dos principais festejos, em todos os povos. A libertação do Egito ocorreu na Páscoa e a ela está associada, pela razão esotérica já exposta, a transição evolutiva para a Era de Áries. Mais tarde, o sacrifício do Cristo ocorreu na mesma Era, para designar a transição para a Era de Peixes.
Herdeira dos mistérios astrológicos ocultos, a tradição Cristã-Esotérica nos conserva o Cristo Solar, com seus doze Apóstolos, substituindo a epopeia de Sansão e a história de Jacó e seus filhos.
Desde Seu sacrifício, pelo qual o Cristo se crucificou à cruz da Terra, para redimi-la dos registros negativos dos pecados dos seres humanos, Ele desenvolve uma sublime e penosa missão, em ciclos correspondentes aos Equinócios e Solstícios.
No Cristianismo Popular este mistério remanesce como tradição, nos festivais Cristãos (Natal, Páscoa, Festas juninas de S. João, S. Paulo e S. Pedro e Imaculada Conceição).
Hoje a Igreja Católica – que preconiza o Cristianismo Popular – volta a considerar, com razão, a Páscoa, como o mais importante acontecimento do ano Cristão. Nela o Senhor demonstrou o triunfo do Espírito imortal, levantando-se do túmulo, ressurgindo dos mortos e dando o modelo do que todos nós, ao devido tempo, devemos individualmente alcançar. O fato é relacionado com o dia de Pentecostes, o Batismo de Fogo prometido, que o Messias interno há de nos dar, para abertura interna e comunhão com todos os seres, além de todas as línguas, limitações e preconceitos.
Os Cristãos Esotéricos (como o é o Estudante Rosacruz ativo e fiel) comemoram a Páscoa na entrada no Equinócio de Março[1], com um ritual adequado que nos relembra a missão do Salvador, e a tarefa individual de libertação, de si e da Terra, em colaboração com o Cristo. Adverte, mais, que Ele, na Páscoa, uma vez mais deixa a cruz do Planeta, onde voluntariamente se cravou, desde o último Natal, a fim de insuflar um renovado impulso de Sua Luz e Amor, que eleve vibracionalmente a Terra em seus nove Estratos, além de suscitar o altruísmo de todos os homens e mulheres, na medida da receptividade deles.
Recomendamos aos Estudantes Rosacruzes estudar e meditar profundamente sobre os mistérios dos Solstícios e Equinócios, em ligação com a Missão do Cristo. Por eles, poderão compreender como, desde o dilúvio que abriu os portais do Arco-Íris para a Época Ária, as estações do ano constituíram os ciclos alternados, em graus maiores e menores, de todos os fatos evolutivos, começando com a Festa das Primícias (uma celebração bíblica que marca a oferta dos primeiros frutos da colheita de cevada a Deus, simbolizando gratidão, confiança e reconhecimento da provisão divina), início do ano solar, no Equinócio de Março.
Ao conscientizarmos, ainda que em pequeno grau, os ciclos da vida do Cristo, assumimos um dever inegável, prazeroso e caloroso, de colaborar no Plano de Salvação do Mundo, começando conosco mesmos – que é de nosso exclusivo interesse – pois não temos feito tudo o que poderíamos fazer em prol de nossa libertação.
Ao começarmos uma vida nova, o ano também se torna novo para nós – um convite desdobrado em quatro etapas de realização trimestral, nas quais somos desafiados a “tomar a nossa cruz”, a assumir conscientemente nosso destino e caminhar para a libertação, seguindo a meta do Cristo. Então estaremos atuando em ritmo e harmonia com o Universo. Deixaremos de ser um peso a mais para o Cristo. Ao contrário, nos converteremos em Simão Cireneu – aquele que ajudou a carregar a cruz do Senhor. Com isso estaremos abreviando o tempo para nosso interno Pentecostes, cuja abertura e despertar nos traçarão o umbral para uma vida mais ampla. Será o cumprimento: “rasgou-se o véu do Templo de alto abaixo” (Mt 27:51, Mc 15:38, Lc 23:45). Será o romper do “ovo[2] da Páscoa” individual, para que o “novo nascido”, havendo cumprido o período de amadurecimento interno (3×7); havendo realizado o trabalho de dentro para fora, pode nascer como pintinho. Mas será ainda um pintinho, convidado a se tornar um galo – símbolo da vigilância, do ser realizado – pelas Iniciações que o esperam.
O pintinho não pode abreviar sua gestação de 21 dias, porque está inteiramente sujeito a um trabalho externo. Mas o ser humano pode abreviar seu amadurecimento interno, porque atua de dentro – quando assume conscientemente a tarefa evolutiva. O tempo de romper o ovo depende de cada um.
Você, agora, está dentro do ovo de seus Corpos. Esperamos que aproveite a oportunidade que está recebendo e se esforce devidamente, para abreviar o tempo de maturação e possa romper a casca de seu ovo, nascendo para uma vida nova.
Cada Iniciado e mesmo cada Estudante Rosacruz ativo e sincero que trabalha conscientemente na Missão do Cristo é um carvão a mais, para aumentar em progressão geométrica, o Fogo e a Luz redentora – até que um número suficiente de seres humanos possa manter a Terra em todos os seus movimentos (rotação, translação, precessão, nutação e outros).
Será, então, a última Páscoa do Cristo; a consumação dos séculos (tempos profanos); e o definitivo “está consumado” (Jo 19:30)! “E ao subir, Ele a todos nos elevará também.” (At 1:9-11)
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – abril/1976 – Fraternidade Rosacruz – SP)
[1] N.R.: Vamos ver aqui o porquê, então, para muitos, a data da Páscoa é móvel. Afinal se contemplarmos um calendário, é fácil notar uma diferença entre como é a data do Natal e a da Páscoa. O Natal acontece sempre em uma data fixa, enquanto a Páscoa cai, às vezes, tão cedo como em meados de março e, por outras vezes, tão tardio como em meados de abril.
A causa dessa variação está em que o Domingo de Páscoa acontece, sempre, no primeiro domingo depois da primeira Lua Cheia que segue ao Equinócio de Março. E quem estabeleceu isso? Foi estabelecido por pessoas que compreendiam perfeitamente o esoterismo da estação pascal. E por que esse procedimento? A Páscoa real ocorre no Equinócio de Março, quando o Sol passa da latitude sul para a latitude norte, e Cristo se liberta do Seu trabalho. Então, esse Ser radiante penetra nos planos espirituais da Terra para trabalhar ali com as Hierarquias celestiais e com os membros da Humanidade que foram transportados pela morte à mais altas esferas de atividade. Durante essa elevada estação, as forças de Peixes (março) e Áries (abril) se fundem em uma maravilhosa combinação de Água (Peixes) e Fogo (Áries) que possui, em todos os planos da existência, a chave do Matrimônio Místico. Toda a natureza conhece o regozijo dessa união. Esses poderosos impulsos de fogo estão sob a supervisão das Hierarquias de Áries e de Leão. Esses impulsos, no entanto, de muitíssima potência para ser enfocados diretamente na Terra, se encomendam à Hierarquia de Sagitário, que os distribui entre a Humanidade. As grandes Águas da Vida dessa união mística estão sob a orientação da Hierarquia de Câncer, os Querubins, que entregam essas forças às Hierarquias de Escorpião e Peixes, as que, por sua vez, dispersam sobre a Terra.
Note bem: as Hierarquias Criadoras, acima referidas, que disseminam esse poderoso impulso transmutador sobre a Terra, o fazem dirigindo do Sol para baixo sobre a orientação do Espírito Solar, o Cristo. No entanto, essa força não é suficientemente potente para produzir seu efeito total sobre a Humanidade. E é por isso a Lua Cheia se converte no canal para sua disseminação final. Assim, o Domingo de Páscoa só se celebra corretamente depois da Lua Cheia que segue o Equinócio de Março. A Páscoa se celebra no domingo, que é o dia do Sol, e o Sol é o lar do Cristo Arcangélico. A projeção sobre a Terra dos poderosos raios espirituais do Sol, o domingo, proporciona maior impulso vibratório ao ser humano do que em qualquer outro dia da semana. Ou seja, a grande maioria da Humanidade, em seu conjunto, ignora o grande influxo direto do Sol, que nós conhecemos como a celebração do período entre o Domingo de Páscoa e o Domingo de Pentecoste, até que a Lua Cheia aconteça depois do Equinócio de Março. Repare, então, que essa grande maioria da Humanidade continua respondendo, amplamente, a esse influxo como a uma tendência instintiva ou um desejo de participar de alguma reunião espiritual. Muitos dizem que “vão à Igreja” só uma vez ao ano, e é na Páscoa. Existe, também, o impulso de vestir roupas diferentes, com a mesma natureza, se cobrir com novos tecidos e se pintar com cores para participar de algum tipo de serviço comemorativo ou desfile. Isso é, em grande parte, o conceito que o mundo moderno tem da Páscoa. No entanto, seja como seja, as Hierarquias Criadoras, responsáveis pela evolução do ser humano, são persistentes e infalíveis em Seu ministério para o Planeta Terra e, ano após ano, esse poderoso impulso espiritual eleva e espiritualiza, gradualmente, a Terra e tudo que nela vive. Um dia a Humanidade comprovará que, graças ao processo de transmutação que ocorre na época do período entre o Domingo de Páscoa e o Domingo de Pentecoste, será possível, não só se vestir com um novo traje, mas, como S. Paulo disse, “a remover o homem velho e revestir-vos do Homem Novo” (Ef 4:22-24). Esses são o verdadeiro e elevado significado e, também, o objetivo da estação pascal; e todo ano, uma maior quantidade de seres desinteressados aprendem a se tornar servidores mais eficientes de Cristo em Seu grande trabalho, quando canta Sua triunfante canção de Páscoa: “Eu sou a Ressurreição e a vida” (Jo 11:25).
[2] N.R.: Mas o que tem a ver o “ovo” aqui? Entre os símbolos cósmicos conservados desde a antiguidade, seguramente o mais popular é o ovo. O Simbolismo do Ovo permeia as Religiões. O simbolismo relativo do ovo conservou seu lugar na Simbologia Sagrada até hoje, muito embora a imensa maioria dos seres humanos seja cega ao Grande Mistério que ele encerra e revela: “O Magno Mistério da Vida”.
Quando quebramos a casca de um ovo, achamos apenas fluídos viscosos de coloração variada e consistência diversa. Mas, quando submetido a uma temperatura adequada, logo observamos uma série de mudanças. Assim, em pouco tempo, uma criatura viva pode romper a casca e surgir pronta para assumir seu lugar entre os de sua espécie. Os “magos” dos laboratórios podem sintetizar as substâncias do ovo e injetá-las numa casca. Uma réplica perfeita do ovo natural pode ser produzida, conforme as experiências realizadas até hoje. Contudo, o ovo artificial difere do ovo natural em um ponto fundamental: nenhuma coisa viva pode ser incubada no ovo obtido artificialmente. Fica evidente, portanto, que alguma coisa intangível deve estar presente em um e ausente noutro.
Esse mistério primordial que anima todas as criaturas é o que nós chamamos Vida. A Vida não pode ser detectada em meio às substâncias do ovo, nem mesmo através do mais potente microscópio, ainda que ela esteja ali presente para produzir as notáveis mudanças. Pode-se assim concluir que a Vida tem a propriedade de existir independentemente da matéria. Aprendemos através do sagrado simbolismo do ovo que, apesar da Vida ser capaz de modelar a matéria, não depende dela para existir. A Vida é autoexistente. Não tendo princípio não pode também ter fim. Essa ideia está bem representada pela geometria ovoide presente na própria forma do ovo.
Estamos estarrecidos com a carnificina nos campos de batalha da Europa. Somando a maneira atroz como as vítimas são arrancadas da vida física. Vamos considerar que a média da expectativa de vida aqui é de uns 70 a 80 anos, mais ou menos, e que, em meio século, a morte ceifa a vida de cento e cinquenta milhões de irmãos. Três milhões por ano. Duzentos e cinquenta mil a cada mês. Podemos ver que, afinal de contas, o total não foi tão expressivamente aumentado. Vamos refletir sobre o verdadeiro conhecimento contido no simbolismo do ovo, isto é, que a Vida não pode ser criada, nunca teve princípio e nunca terá fim. Assim estamos prontos para encarar os fatos e admitir: aqueles que são agora retirados da existência física estão apenas atravessando uma jornada cíclica idêntica à da vida do Cristo Cósmico. Vida que interpenetra a Terra nos meses de Setembro, Outubro e Novembro e retira-se na Páscoa. Aqueles que morreram estão apenas indo para os reinos invisíveis. De onde mais tarde, e em novo ciclo mergulharão na matéria densa, interpenetrando, como todas as coisas vivas, o óvulo da futura mãe. Após um período de gestação, reingressarão na vida física para aprender novas lições na grande escola.
Assim, vemos como a grande lei da analogia opera em todas as fases e sob todas as circunstâncias da vida. O que acontece ao Cristo no grande mundo vai acontecer também na vida particular (pequeno mundo) daqueles que caminham para converterem-se em Cristos. Encarando os desafios humanos dessa maneira podemos enfrentar o presente conflito com mais ânimo.
Além disso, devemos compreender que a morte é uma necessidade cósmica nas circunstâncias atuais, pois se estivéssemos aprisionados em um corpo como o que usamos hoje e colocados em um ambiente como o que encontramos hoje, para vivermos para sempre, as enfermidades do corpo e a natureza insatisfatória do ambiente logo nos cansariam tanto da vida que clamaríamos por libertação.
Um corpo imortal bloquearia todo o progresso e tornaria impossível a nossa evolução para patamares mais elevados, como os que podemos alcançar por meio do renascimento em novos veículos e da colocação em novos ambientes que nos oferecem novas possibilidades de crescimento.
Assim, podemos agradecer a Deus por, enquanto o nascimento em um corpo concreto for necessário para o nosso desenvolvimento posterior, a libertação pela morte ter sido providenciada para nos libertar do instrumento ultrapassado, enquanto a ressurreição e um novo nascimento sob os céus auspiciosos de um novo ambiente nos proporcionam outra chance de começar a vida com oportunidades inéditas e aprender as lições que não conseguimos dominar antes. Por esse método, algum dia nos tornaremos perfeitos, assim como o Cristo ressuscitado. Ele ordenou isso e nos ajudará a alcançá-lo.
Podemos ter acesso à história de toda Involução (a parte do Esquema de Evolução onde caminhamos para frente e para baixo, nas densidades dos Mundos) ou do envolvimento do ser humano, como Espírito Virginal da Onda de Vida humana, na matéria, até à idade mais densa e grosseira, até a perda total da consciência do Espírito e das coisas do Espírito, estudando e tendo como assunto para o nosso Exercício Esotérico de Concentração o seguinte trecho da Bíblia
“No Princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Tudo o que foi feito, foi feito por Ele; e nada do que tem sido feito, foi feito sem Ele. Nele estava a Vida, e a Vida era a Luz dos homens. A Luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram… O Verbo se fez carne e habitou em nós, cheio de Graça e de Verdade, e vimos a Sua Glória, Glória como no Unigênito do Pai”. (Jo 1:1-14)
S. João nos conta, nesses versículos de inestimável valor Espiritual, a peregrinação, a grande e extraordinária aventura Cósmica do Espírito, em aquisição após aquisição, dos Corpos e veículos de manifestação, até atingir a condensação no Corpo Denso aqui na Região Química do Mundo Físico.
“No Princípio…” nos reporta a um estágio anterior ao que nossos olhos físicos percebem e nosso tato apalpa. “No Princípio, era o Verbo…”, o Único Ser Gerado. Um dos Três Atributos do Ser Supremo. Pelo Verbo tudo o mais foi criado. “Faça-se.”. É a Palavra, o mistério do som. Tudo no Universo é vibração, é som, é melodia.
Quando o Iniciado atinge um certo grau no seu desenvolvimento, recebeu o Batismo de Fogo, estando sob a direção do Mestre. É-lhe ensinado o Segredo dos Segredos: a Palavra Perdida. O Iniciado, quando atinge mais e mais Iniciações, vai sabendo que a Palavra de Poder foi perdida, quando, na traição do Templo quiseram acabar com o trabalho de Hiram Abiff[1], o único que possuía o “Segredo da Palavra”.
Todas as verdadeiras Ordens Cristãs que promovem as Iniciações Menores e as Iniciações Maiores ou Cristãs sabem que a palavra é sagrada, e que o Iniciado deve ser comedido no falar. O Iniciado é submetido ao silêncio absoluto, à meditação, à contemplação muda das coisas da Natureza. No silêncio, ele aprende, no secreto da alma, a palavra sem articulação.
É longa a série dos investigadores da “Palavra Perdida”, a Palavra de Poder, que pronunciada com o conhecimento da ciência oculta pode causar a vida ou a morte.
“No Princípio era o Verbo…” indica que o Verbo é a Palavra que se manifesta no ser humano via laringe. Mas ela só será readquirida pelo mortal, quando ele, através a evolução e alcance das Iniciações Menores e Iniciações Maiores se tornar digno de possuí-la.
“O Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no Princípio com Deus. Tudo foi feito por Ele e nada do que tem sido feito foi feito sem Ele” aqui é o segredo da Palavra. Faça-se, faça-se sempre, com a Palavra. Os Períodos, os Mundos, as coisas todas manifestadas e por se manifestar foram e são feitas pela Palavra e com a Palavra. O Círculo com um ponto em seu centro é o Supremo Poder do Verbo manifestando continuamente de si mesmo, novos Sóis, novos Mundos e novas manifestações de vida gloriosa. Verbo é o Único Ser gerado pelo Supremo. A Palavra é, portanto, uma Entidade e essa Entidade Sagrada criou tudo o mais, pelo “Fiat” criador. Faça-se… e as coisas foram se projetando no Cosmos.
“Nele estava a Vida e a Vida era a Luz dos homens…”, perceba aqui como isso toma força e poder incomensuráveis. A Vida é una e indivisível. Tudo no Universo é o Corpo de Deus. O ser humano é o pequeno corpo divino, o Microcosmos. Nele está, como sempre esteve e estará, a Luz de Deus. É a Vida não criada, indestrutível.
“A Luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam”, notando aqui que o Verbo “se fez carne e habitou em nós”, cheio de Graça de verdade, e vimos a sua Glória, Glória como no Unigênito do Pai. Quem tiver olhos para ver e ouvidos para ouvir, e entendimento para entender, compreenderá, pela percepção interna, o sentido sublime deste versículo. Apesar da cristalização interna note o sentido sublime desse versículo. Apesar da cristalização, a Luz permanece e brilha como seu fulgor deslumbrante e incandescente. Cristo ressuscitou e advertiu a mulher que montava guarda ao seu sepulcro, e que primeiro o avistou. “Não me detenhas!” (Jo 20:17). Se a mulher o tocasse, seria fulminada, pois, naquele momento estava carregado de energia espiritual elevadíssima. Assim será o ser humano, quando “ressuscitar” dentre os mortos.
“E o Verbo se fez carne e habitou em nós” cheio de Graça… Não é possível maior clareza. Ele está dentro de cada um, pois o ser humano é partícula de Deus cristalizada. Aqui está consubstanciado todo o mistério do Ser. Aquele que se encontrar, verá a Deus face a face. Passado, presente, futuro são termos relativos que nada expressam ante a sempiterna realidade que se manifesta acima e fora das alternâncias. Períodos, Revoluções, Recapitulações, Épocas estão expressas tanto no macrocosmo como no microcosmo. A entidade cristalizada como ser humano é a pequena “Bíblia” ou “Livro da Lei”, que contém em si toda a grandiosidade do Cosmos.
Na sua subida deve Ele aprender a ler na Memória da Natureza, as fases, passagens, vidas vividas, a fim de se reencontrar e adquirir capacidade e maleabilidade. Com esses atributos ele poderá levitar e voar ao cume da Eternidade e criar, também, já como criadora, com o Poder do Verbo, a “Palavra reencontrada”.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – maio/1970-Fraternidade Rosacruz-SP)
[1] N.T.: Quando Jeová escolheu Salomão para construir uma casa com seu nome: o primeiro Templo fixo, a espiritualidade sublime de uma longa linha de ancestrais, divinamente guiados, floresceu na concepção do magnífico templo, chamado Templo de Salomão, embora Salomão fosse apenas o instrumento de realização do plano divino revelado a Davi por Jeová. Mas, Salomão era incapaz de executar o projeto divino em forma concreta. Por isso, precisou apelar para o Rei Hiram de Tyro que escolheu Hiram Abiff. Hiram Abiff tornou-se, então, o Grande Mestre de todos que trabalhavam na construção.
Há um Natal humano, esse natalício ou nascimento marcado por nosso aparecimento num Corpo, quando, através do ventre materno, voltamos a este mundo; é o que consta oficialmente no “registro de nascimento”. Refere-se ao Corpo.
Há outro Natal, interno, quando nascemos para nova esfera, espiritual, quando nossa consciência humana recebe o Batismo de Fogo.
O primeiro Natal, o do Corpo, é o mesmo que o do ovo que a galinha põe; depois se vai formando algo novo dentro do ovo e um dia (após 21 dias ou 3 x 7) um pintinho rompe a casca e sai para uma esfera mais ampla de viver: é o segundo nascimento, o novo nascido ou o novo início ou Iniciação: o Natal da consciência.
O nascimento do Corpo é a lagarta que se encerra no casulo de uma forma material, na qual luta, aspira e forma algo novo: a borboleta que sai voando para a imensidão do espaço de Deus.
O Espírito não tem natal. O Espírito é imortal, eterno, sem princípio nem fim. Ele é uma centelha de Deus e tem as mesmas características imortais, tal como a gota do oceano tem as mesmas propriedades do oceano.
Mas há outro Natal, grandioso, macrocósmico, que deverá ocorrer para o “ovo” de nossa Terra: o Natal Cósmico.
Quando o Iniciado investiga na “Memória da Natureza” pode encontrar as encarnações passadas do homem Jesus, um Irmão Maior, porque ele pertence à nossa Onda de Vida, a humana. A mesma coisa não sucede com o Cristo. D’Ele só podemos encontrar uma única encarnação.
É Lei Cósmica: nenhum ser, por elevado que seja, jamais pode funcionar num certo plano do Universo, se não tem um veículo formado com material ou substância daquele plano. Exemplo: para agirmos na Região Química do Mundo Físico devemos nos revestir de um Corpo Denso, formado de sólidos, líquidos e gases (os conhecidos elementos da química). Caso contrário, não poderíamos manipular o material dessa Região e ao mesmo tempo seríamos “fantasmas”, invisíveis aos humanos.
Cristo, como Arcanjo, jamais passou por uma evolução igual à nossa, num Corpo Denso. Portanto, não aprendeu a construir veículos desta natureza.
Quando nossa Terra (como os demais Planetas irmãos) foi expulsa do Sol, porque já não podíamos resistir à temperatura, lá ficaram os Arcanjos, cujos Corpos mais inferiores são os Corpos de Desejos e não sofrem influência da alta temperatura. Ao contrário, distanciados do Sol, nossa Terra se esfriou, nossos Corpos foram se condensando.
Cristo, o mais elevado Iniciado dos Arcanjos, o mais perfeito canal de expressão para os atributos de Amor-Sabedoria, do Deus-Filho, em nosso Sistema Solar, devia vir à Terra para salvar a Onda de Vida humana da destruição. E os mais elevados seres humanos, elevados Iniciados, que estão em contato com as Hierarquias Criadoras ou Divinas, sabiam disso. Eles mesmos não tinham poder para tão gigantesca tarefa.
Então prepararam, durante vidas, a vinda do Cristo à Terra. É por isso que os Iniciados, fundadores das grandes Religiões, apontavam “alguém que devia vir do Sol”. Por isso Isaias profetizou a vinda do Salvador. E, como vaso físico, para manifestação de Cristo na Terra, devia ser preparado um Corpo puro e perfeito. Foi o que realizaram os dois grandes Iniciados conhecidos por José e Maria.
Um Planeta não é um Corpo morto como julgamos. Na verdade, é o Corpo de um grande Espírito Planetário e possui, também, Corpos espirituais, Mental, de Desejos, Vital e Denso. Do macrocósmico Corpo da Terra é que retiramos, em quantidade e qualidade requeridas por nosso particular grau de evolução, o material mental, emocional, etérico e químico, para formação de nossos Corpos e veículo, em cada renascimento. E, como Corpo vivo que é, a Terra grava, em seus estratos, todos os pensamentos, sentimentos, desejos, emoções, palavras, ações, obras e atos humanos. Ora, desde a “Queda do Homem” a Humanidade estava comprometendo seriamente esses “arquivos” da Terra, com transgressões às Leis da Natureza. Nosso Planeta estava se cristalizando e ameaçava se desintegrar no Caos, quando as Hierarquias Criadoras resolveram interferir para salvá-lo.
Quando Jesus nasceu, os Iniciados sabiam qual era a missão dele para com Cristo. Jesus mesmo tinha plena consciência disso. Pessoalmente trabalhou sobre seus Corpos para dotá-los de elevada vibração. No Egito recebeu a contribuição do Templo Essênio de Heliópolis. Dali foi para Nazaré, onde maravilha os doutores do Templo com sua sabedoria. Dos 12 aos 30 anos (período omitido pelos Evangelhos) ele esteve num mosteiro essênio da Pérsia no qual havia a mais completa biblioteca de rolos secretos, onde gravou, em seu novo cérebro, as conquistas Iniciáticas de vidas anteriores.
Assim, plenamente preparado, vem Jesus, adulto, de novo para o Jordão, onde o grande Iniciado João Batista, seu primo (relutante, em face de sua alta evolução), consentiu por fim em batizá-lo.
Nesse momento, na forma de pomba, desceu o Espírito de Cristo aos veículos Físicos de Jesus (Corpo Denso e Corpo Vital). Esse se retirou do Corpo, conscientemente e o entregou a Cristo, acompanhando de fora o Seu ministério de 3 anos. Daí por diante não é mais Jesus, senão: Jesus-Cristo ou Cristo-Jesus.
Se perguntamos a um sacerdote se Jesus e Cristo eram uma só pessoa, ele responderá: “Não; Jesus é a parte humana; Cristo é a parte divina”. Mas, não irá além disso: é mistério. Aí está a encarnação de Cristo, que usou seus próprios veículos mental e emocional, mas teve que tomar emprestados os Corpos Denso e Vital de Jesus, para aparecer “como um homem entre os homens”[1].
Notamos, pelos Evangelhos, que muitas vezes o Cristo se afastava do povo e se isolava. Assim fazia para entregar os veículos físicos de Jesus aos Iniciados essênios, a fim de que eles recompusessem seu tônus vibratório celular, porque a elevada vibração dos veículos Crísticos ameaçava desintegrar o Corpo de Jesus (apesar de ser o mais puro e refinado Corpo Denso humano jamais concebido). Por essa razão é que, após a crucifixão, sem essa providência dos Iniciados essênios, o Corpo Denso de Jesus se desintegrou no túmulo.
Logicamente, pela Clarividência, os Iniciados essênios sabiam da presença de Cristo nos veículos físicos de Jesus. Nas Bodas de Caná, Maria não estranha a resposta de Cristo: “mulher, que tenho eu contigo?”[2]. Era o Cristo dirigindo-se a uma Iniciada humana (embora ocupando os veículos que ela gerou). As três Tentações pelas quais passou, no Corpo de Jesus, tinham por finalidade fazê-lo conhecer a natureza humana.
Com o derramamento do sangue de Jesus, no Gólgota, Cristo penetrou no Globo Terrestre (através do sangue, elemento misterioso em que se firma o Espírito) e do centro de nosso Planeta expandiu toda a Sua imensa força espiritual, lavando a Terra de todas as transgressões passadas. Daí a citação do João Batista, usada na Páscoa: “Eis o cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo”[3] (não dos homens). Cristo permaneceu três dias no centro da Terra.
Depois da destruição do Corpo Denso de Jesus, Cristo apareceu entre os Discípulos em Corpo Vital, no qual funcionou durante algum tempo. Depois subiu ao Seu Mundo o Mundo do Espírito de Vida), de onde, anualmente, desce, pelo Natal, para dar mais um impulso espiritual ao nosso Globo (que continua sendo comprometido com nossas transgressões) e à Humanidade, até que um número suficiente de seres humanos elevados possa manter o Planeta na própria levitação e o Cristo seja libertado da cruz da Terra (pois Ele disse: estarei convosco até a consumação dos séculos[4]).
A Fraternidade Rosacruz tem uma comemoração especial no Natal. Desde o Solstício de Setembro os Estudantes Rosacruzes vão se preparando para a vinda do Cristo e, da entrada do Sol em Capricórnio, mais três dias, permanecem em oração, reflexão, concentração e respeito, a fim de estarem em sintonia vibratória para receberem a ajuda espiritual do Cristo.
Infelizmente o Cristianismo popular perdeu de vista essas verdades esotéricas, agora reservadas “aos de casa”. Só na Era de Aquário a Humanidade estará em condições de receber amplamente essas verdades que temos o privilégio de conhecer. Oxalá possamos vivenciá-las e aproveitá-las devidamente, valorizando a rara oportunidade que nos oferecem.
Assim como nascemos humanamente, assim como despertamos a consciência para um “novo nascimento”, assim nossa Terra nasceu materialmente quando se separou da matriz solar. Mas, terá que nascer de novo, pela perfeita sintonia vibratória ao Centro Espiritual do Sistema Solar. Eis o Natal Cósmico!
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – dezembro/1974 – Fraternidade Rosacruz-SP)
[1] N.R.: Is 6:5e Jo 1:14
[2] N.R.: Jo 2:4
[3] N.R.: Jo 1:29
[4] N.R.: Mt 28:20
Aos ouvidos duros de entendimentos, Cristo cita, ainda, o caso de Elias, renascido como São João Batista: “E, se o quereis reconhecer, ele mesmo é o Elias que havia de vir. Quem tem ouvidos, ouça” (Mt 11:14-15)
Ou seja: Moisés renasceu como Elias e, depois, como São João Batista.
Cabe lembrar que São João Batista, Zacarias, Maria, José e alguns dos Apóstolos eram Essênios.
São João Batista, veio para preparar os caminhos do Senhor Cristo. Cristo mesmo dá testemunho chamando-o de muito mais que profeta (Mt 11:9). Portanto, ser muito mais que profeta, é estar acima da humanidade e, também, daqueles que anteriormente foram chamados para suas respectivas missões como profetas. Pela sua boca falava o Espírito Santo, assim como sucedeu a todos os profetas surgidos até então.
Notemos que São João Batista não pregou filosofias ou doutrinas. Sua mensagem era o arrependimento dos pecados cometidos. Era um meio de preparar as pessoas para o Cristianismo. Sabia que o Cristo ofereceria a Graça, o Perdão dos Pecados, mas isto depende da transformação da consciência de cada um. Arrependimento é uma mudança da Mente e do Coração em relação ao ato pecaminoso. Porém, o remorso exagerado é nocivo, debilitando as correntes do Corpo de Desejos e afetando as glândulas endócrinas. Vemos, então, como tudo depende de um processo interno.
Se quiser saber mais sobre esse assunto é só clicar aqui: O Batismo de São João Batista e o de Cristo Jesus
Pensando sobre os “Fogos de São João”, apresentam-se vários aspectos sobre o tema, como de símbolos, de uma história verídica e, também, mística, em que a pessoa que chamamos São João, o Batista, está envolvida. A humanidade está intimamente ligada a essa pessoa, eminentemente desenvolvida, através dos milênios do passado.
Pela história bíblica sabemos que São João, o Batista, era o último dos Profetas em Israel, filho do sumo sacerdote Zacarias e de sua esposa Isabel. Isso consta nos Evangelhos. Max Heindel informa em seus estudos, como Elias, Profeta que existiu 700 anos antes da Era Cristã, como João Batista, era capacitado de dotes espirituais poderosos em vidas anteriores, por haver formado em si o Verbo Divino, a Vida Divina no ser humano.
Podemos ver essa afirmativa no segundo Capítulo 2, versículo 5, do Segundo Livro dos Reis, que diz o seguinte: “Os irmãos profetas que moravam em Jericó aproximaram-se de Eliseu e lhe disseram: ‘Sabes que hoje Iahweh vai levar teu mestre por sobre tua cabeça?’. Ele respondeu: ‘Sei; calai-vos’”.
Por essa conversa íntima entre os filhos dos Profetas (veja todo o segundo Capítulo[1]) a respeito de Elias (João Batista) com o Profeta Eliseu, podemos avaliar a sua educação espiritual. Eliseu, como discípulo de Elias, tinha conhecimentos sobre o afastamento de Elias da Terra num turbilhão de Fogo (“carro e cavalos em fogo”, versículo 11[2]) que separou o Mestre de seu Discípulo. Elias afasta-se em um redemoinho de fogo da Terra.
Os fatos acima tiveram relação fundamental na Anunciação do nascimento, vida e morte de São João Batista. A Anunciação da Concepção com Isabel foi feita em circunstâncias de ‘Fogos espirituais’, pois o Anunciador, o Anjo Gabriel, do plano do Espírito Santo, foi escolhido para essa sublime missão; foi o mesmo, que mais tarde, meses após, anunciaria a Maria a Concepção de seu filho Jesus. Zacarias e Isabel, como também José e Maria, em relação à Anunciação, ensinam que as personagens tinham Iniciações dos planos do Espírito de Vida, pois se aproximava a eles o Anjo Gabriel. Os Corpos Densos e suprafísicos deles mesmos tinham alcançado qualidades, onde a esfera Angelical os tangia.
O que nos importa nesses acontecimentos, puramente esotéricos, é sabermos a respeito de Elias em sua “ascensão fogosa” 700 anos A.C. e se manifestando mais tarde, no tempo de Cristo, como de anunciador d’Ele num fulgor de Verbo espiritual, anunciando a vinda “Daquele que havia de vir”, a quem prepararia o caminho, pregando as sábias palavras do arrependimento. Pois, clamava, que sem o arrependimento não haveria acesso do Salvador para suas almas. Disse que não haveria mais perdão por meio dos sacrifícios dos animais.
Sabemos perfeitamente, como Estudantes Rosacruzes, que o arrependimento resulta em nossos Corpos de Desejos, onde reside o fogo inferior dos desejos e da nossa Mente inferior, o limite para a ascensão aos planos de Deus. Os fogos inferiores dos Corpos de Desejos, com o meio do arrependimento, devem-se dar a purificação, resultando a ascensão para os “fogos espirituais do Espírito de Vida de Cristo, e de Seu Pai”.
Pensando sobre símbolos, mesmo tratando-se de datas, que se apresentam ao Estudante Rosacruz, no fato de Isabel concebendo João Batista (Elias), seis meses antes de Maria conceber a do Jesus, espírito que guiava o Rei Salomão, e antes de 3000 anos da Era Cristã, o guia espiritual da antiga Índia denominado Krishina, mostra por meio destes acontecimentos históricos-religiosos-espirituais, o valor que representam na evolução humana.
Colocando as datas calendários a nossa frente, dia 21 de junho para o nascimento de São João Batista, e Jesus no dia 24 de dezembro verificamos, em linha reta, a oposição dos Signos Zodiacais com os seus devidos Regentes. Encontramos o Signo de Câncer com o seu Regente, a Lua, para João Batista-Elias, e o Signo de Capricórnio, Regente de Saturno, para Jesus. Essa linha aparentemente oposta trata do equilíbrio dentro do Sistema Solar. Não é uma oposição cósmica, pelo contrário, uma harmonia perfeita, Água-Terra; sabemos que o Sol deriva do Período Saturno do Pai, e entra em seu avanço evolutivo ao Período Lunar. Mostra-se a Trindade. Havemos o perfeito equilíbrio, Sol em Câncer e em Capricórnio. Saturno-Sol-Lua. No plano Solar entra em função os Solstícios nas datas acima. As forças solares interligam-se às condições gerais da Terra.
Procurando a ligação entre os eminentes personagens em foco, Jesus-João Batista, verificamos que eles foram, pela Hierarquia, escolhidos para serem utilizados como conciliadores entre os seres humanos da Terra e os demais exaltados elementos celestiais.
Podemos também pensar, com base nos estudos, que eles não tinham mais necessidade de renascer por causa de sua Ressurreição em tempos passados, como dito, em um redemoinho de fogo. Para Jesus-Salomão seria o mesmo sentido de aplicar. Os Solstícios coincidem com seus renascimentos constantes em planos de revoluções solares, os quais incitam os tempos propícios para as Iniciações dos seres humanos da Terra.
Voltando para explicar a nossa preocupação a respeito da salvação da humanidade, verificamos, ainda, fora das palavras do arrependimento, as sábias palavras de São João Batista, que dizem, “Eu batizo com água. No meio de vós, está alguém que não conheceis, aquele que vem depois de mim, do qual não sou digno de desatar a correia da sandália” (Jo 1:26-27), e Ele batiza com fogo.
Percebemos, nisso, que a divisa seria o Batismo do Fogo e do Espírito resultante do arrependimento. Mais logo haveria o batismo da Água e do Fogo, da água da Vida-do Corpo de Cristo ligado ao Espírito Santo. Cristo bem disse à Samaritana na fonte quando solicitava água que, se Ele ofereceria água, nunca mais sentiria sede, e haveria alcançado a Vida Eterna (a longa vida dos alquímicos, a Pedra Filosofal, que é o Cristo). Por meio do arrependimento assegura-se a mutação, a transfiguração do ser humano, a sua incorruptibilidade no corpo de Cristo.
(de F. PH. Preuss – Publicado na Revista Serviço Rosacruz – setembro/1984 – Fraternidade Rosacruz – SP)
(Pintura: John Baptist Birth – de Bartolomé-Esteban Murillo)
[1] N.T.: Segundo Capítulo do Segundo Livro dos Reis: 1Eis o que aconteceu quando Iahweh arrebatou Elias ao céu no turbilhão: Elias e Eliseu partiram de Guilgal, 2e Elias disse a Eliseu: “Fica aqui, pois Iahweh me enviou até Betel”; mas Eliseu respondeu: “Tão certo como Iahweh vive e tu vives, não te deixarei!”. e desceram a Betel. 3Os irmãos profetas que moravam em Betel foram ao encontro de Eliseu e disseram-lhe: “Sabes que hoje Iahweh vai levar teu mestre por sobre tua cabeça?”. Ele respondeu: “Sei; calai-vos”. 4Elias lhe disse: “Eliseu, fica aqui, pois Iahweh me envia só até Jericó”; mas ele respondeu: “Tão certo como Iahweh vive e tu vives, não te deixarei!”. E foram para Jericó. 5Os irmãos profetas que moravam em Jericó aproximaram-se de Eliseu e lhe disseram: “Sabes que hoje Iahweh vai levar teu mestre por sobre tua cabeça?”. Ele respondeu: “Sei; calai-vos”. 6Elias lhe disse: “Fica aqui, pois Iahweh me envia só até o Jordão”; mas ele respondeu: “Tão certo como Iahweh vive e tu vives, não te deixarei!”. E partiram os dois juntos. 7Cinquenta irmãos profetas foram também e ficaram parados a distância, ao longe, enquanto eles dois se detinham à beira do Jordão. 8Então Elias tomou seu manto, enrolou-o e bateu com ele nas águas, que se dividiram de um lado e de outro, de modo que ambos passaram a pé enxuto. 9Depois que passaram, Elias disse a Eliseu: “Pede o que queres que eu faça por ti antes de ser arrebatado da tua presença”. E Eliseu respondeu: “Que me seja dada uma dupla porção do teu espírito!”. 10Elias respondeu: “Pedes uma coisa difícil: todavia, se me vires ao ser arrebatado da tua presença, isso te será concedido; caso contrário, isso não te será dado”. 11E aconteceu que, enquanto andavam e conversavam, eis que um carro de fogo e cavalos de fogo os separaram um do outro, e Elias subiu ao céu no turbilhão. 12Eliseu olhava e gritava: “Meu pai! Meu pai! Carro e cavalaria de Israel!”. Depois não mais o viu e, tomando suas vestes, rasgou-as em duas. 13Apanhou o manto de Elias, que havia caído, e voltou para a beira do Jordão, onde ficou. 14Tomou o manto de Elias e bateu com ele nas águas, dizendo: “Onde está Iahweh, o Deus de Elias?”. Bateu nas águas, que se dividiram de um lado e de outro, e Eliseu atravessou o rio. 15Os irmãos profetas viram-no a distância e disseram: “O espírito de Elias repousa sobre Eliseu!”.; vieram ao seu encontro e se prostraram por terra, diante dele. 16Disseram-lhe: “Há aqui com teus servos cinquenta homens valentes. Permite que saiam à procura de teu mestre; talvez o Espírito de Iahweh o tenha arrebatado e lançado sobre algum monte ou em algum vale”. Mas ele respondeu: “Não mandeis ninguém”. 17Mas eles o importunaram a ponto de aborrecê-lo, e, então, disse: “Mandai!”. Mandaram, pois, cinquenta homens, que procuraram Elias durante três dias, sem encontrá-lo. 18Voltaram para junto de Eliseu, que tinha ficado em Jericó, o qual lhes disse: “Não vos dissera eu que não fôsseis?” 19Os homens da cidade disseram a Eliseu: “A cidade tem um ambiente agradável, como bem pode ver, o meu senhor, mas suas águas são ruins e tornam o país estéril”. 20Disse ele: “Trazei-me um prato novo e ponde nele sal”; e eles lho trouxeram. 21Ele foi à fonte das águas, lançou-lhe sal e disse: “Assim fala Iahweh: Eu saneio estas águas e elas não mais causarão nem morte nem esterilidade”. 22E as águas se tornaram sadias até hoje, segundo a palavra que Eliseu pronunciara. 23De lá subiu a Betel; ao subir pelo caminho, uns rapazinhos que saíram da cidade zombaram dele, dizendo: “Sobe, careca! Sobe, careca!”. 24Eliseu virou-se, olhou para eles e os amaldiçoou em nome de Iahweh. Então saíram do bosque duas ursas e despedaçaram quarenta e dois deles. 25Dali foi para o monte Carmelo e depois voltou para Samaria.
[2] N.T.: “11E aconteceu que, enquanto andavam e conversavam, eis que um carro de fogo e cavalos de fogo os separaram um do outro, e Elias subiu ao céu no turbilhão.”
Resposta: O evento que aconteceu no Dia de Pentecostes é uma das experiências mais gloriosas registradas na Bíblia. Foi uma Iniciação em grupo. Foi um Batismo pelo Fogo. Foi a efusão do Espírito Santo que eleva a consciência para um Plano de exaltada iluminação.
Os Discípulos encontravam-se em total harmonia. E a harmonia existente contribuiu para que a capacidade deles elevasse suas consciências a um Plano superior de unidade. É nessa fase da existência que se percebe como toda a vida é, ao mesmo tempo, inter-relacionada e interdependente. Cada um está em tudo e tudo está em cada um. Consequentemente, nessa fase são transcendidas todas as limitações de idioma. E assim é que os Discípulos falaram em outras línguas; isto é, línguas universais, pois o Espírito Santo lhes deu esse dom de expressão vocal.
O que Jesus experimentou na hora do batismo realizado por São João Batista, quando foi ungido pelo Espírito Santo, e o que Maria, a mãe de Jesus, experimentou nas horas de sua vigília de Páscoa foi o mesmo que os Discípulos atingiram no Dia de Pentecostes. Quando tal nível de Iniciação é alcançado, já não é mais necessário o renascimento, uma vez que as lições tão necessárias providas pela existência terrestre foram totalmente aprendidas.
(*) Pintura: The Pentecost – c. 1600 – El Greco (1541–1614)
(Do livro “Questions and Answers on the Bible” – Corinne Heline)