Pergunta: O que o primeiro despertar traz?
Resposta: Traz ao Espírito o som da música.
Pergunta: Por que não ouvimos a música das esferas durante nossa vida na Terra?
Resposta: Porque estamos tão imersos nos pequenos ruídos e sons do nosso ambiente limitado que somos incapazes de ouvi-la, mas o cientista ocultista ouve.
Pergunta: O que o ocultista sabe a respeito da música das esferas?
Resposta: Ele sabe que os doze Signos do Zodíaco e os sete planetas formam a caixa de ressonância e as cordas da lira de sete cordas de Apolo. Ele sabe que, se uma única discórdia viesse a macular a harmonia celeste desse grandioso instrumento, haveria uma destruição da matéria e um colapso dos Mundos.
Pergunta: Que ilustração você pode dar do poder da vibração rítmica?
Resposta: Quando soldados atravessam uma ponte, recebem a ordem de quebrar o passo; caso contrário, sua marcha rítmica poderia, com o tempo, despedaçá-la.
Pergunta: Que história da Bíblia se refere a esse fato?
Resposta: O toque da trombeta de chifre de carneiro enquanto marchavam ao redor das muralhas da cidade de Jericó.
Pergunta: Quando a nota-chave de uma estrutura é emitida, o que pode acontecer?
Resposta: Se ela for suficientemente prolongada, poderá despedaçar a parede ou a estrutura.
Pergunta: Existe alguma conexão entre tom e cor?
Resposta: Muitas pessoas sabem que existe uma íntima conexão entre tom e cor, porque quando uma determinada nota é tocada, uma cor específica aparece simultaneamente.
Pergunta: Cor e som estão presentes ambos no Segundo Céu?
Resposta: Estão, mas o tom é o originador da cor. Por isso se diz que este é particularmente o mundo do tom e é esse tom que constrói todas as formas no Mundo Físico.
Pergunta: O músico pode ouvir alguns tons musicais em diferentes partes da natureza?
Resposta: Pode, como no vento na floresta, no som das ondas na praia ou no de muitas águas.
Pergunta: O que esses tons combinados produzem?
Resposta: Produzem um todo que é a nota-chave da Terra — o seu tom.
Pergunta: O que essa nota-chave produz?
Resposta: Assim como figuras geométricas são criadas ao passar o arco de um violino sobre a borda de uma placa, as formas que vemos ao nosso redor são figuras sonoras cristalizadas das forças arquetípicas que atuam sobre os Arquétipos no Mundo Celestial.
Pergunta: O tempo no Mundo Celestial é uma existência inativa, sonhadora ou ilusória?
Resposta: O trabalho realizado pelo ser humano nos Mundos celestiais é multifacetado. É um tempo da maior e mais importante atividade na preparação para a próxima vida, assim como o sono é uma preparação ativa para o trabalho do dia seguinte.
Pergunta: O que é realizado nos Mundos celestiais?
Resposta: Aqui, a quintessência dos três Corpos é incorporada ao Tríplice Espírito.
Pergunta: Como isso é realizado no Corpo de Desejos?
Resposta: A quantidade de trabalho do ser humano durante sua vida, purificando seus desejos, sentimentos e suas emoções, será fundida ao Espírito Humano, proporcionando assim uma Mente melhorada no futuro.
Pergunta: Como o Corpo Vital é trabalhado nessa conexão?
Resposta: A quantidade de trabalho que o Espírito de Vida realiza sobre ele, transformando e espiritualizando, será fundida a este Espírito para assegurar um Corpo Vital e um temperamento melhores nas vidas futuras.
Pergunta: E aquilo que é feito aqui pelo Corpo Denso?
Resposta: A quantidade de trabalho realizado pelo Corpo Denso que o Espírito Divino salvou por meio da ação correta será integrada a ele e trará ambiente e oportunidades melhores nas próximas vidas.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de agosto de 1920 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)
Na terminologia de guerra, “Terra de Ninguém” significa a faixa de terreno situada entre a linha mais avançada de trincheiras dos exércitos em combate; uma área que ninguém pode atravessar, vindo de qualquer um dos lados, sem ser alvejado; onde os mortos permanecem e de onde, se possível, os feridos são retirados furtivamente durante a noite.
Ela sonhava, mas sabia que estava acordada e fora de seu Corpo Denso. Ao seu redor havia uma luz brilhante, e ela estava com sua mãe muito amada, que havia partido muitos anos antes. A mãe vestia uma túnica resplandecente e seu rosto irradiava luz. Elas conversavam sobre certos pontos dos Ensinamentos Rosacruzes quando a Sonhadora começou a ler em voz alta um poema intitulado “Terra de Ninguém”; à medida que prosseguia na leitura daquela descrição sublime, visões belíssimas se descortinavam, e o poema parecia transformar-se gradualmente em realidade. Sua mãe, tomando-a pela mão, conduziu-a a uma esfera de luz indescritível, onde reinavam a felicidade e a bem-aventurança perfeitas. Ela disse: “Esta é a ‘Terra de Ninguém’, e recebe esse nome porque não pertence a nenhum ser humano, raça ou nação em particular. Aqui, todos são irmãos.”. Elas permaneceram juntas no limiar e contemplaram o cenário; a Sonhadora viu miríades de seres, todos vestidos como sua mãe e com o mesmo amor radiante transparecendo em seus rostos, enquanto uma voz lhe dizia: “Aqui somos todos um, embora tenhamos vindo de todas as nações e países da Terra. Não existem inimigos aqui”.
Enquanto observava, a Sonhadora viu pessoas que, assim como ela, estavam no limiar contemplando aquela multidão gloriosa, mas que retornavam à Terra para suas atividades cotidianas. À medida que se aproximavam de seus corpos, pareciam esquecer o que haviam visto. Ela perguntou à mãe a razão disso, e ela respondeu: “É porque ainda não aprenderam o que é necessário para permanecer aqui”. Então, a Sonhadora começou a sentir-se atraída para baixo, em direção ao seu próprio corpo, embora contra a vontade dela. Ela disse: “Diga-me, mãe, o que devo fazer para ficar aqui? Não quero ir embora”. A mãe respondeu: “Você deve voltar e cumprir seu dever diário; ainda não é hora de você permanecer aqui. “Você deve voltar e cumprir seu dever diário; ainda não é hora de permanecer aqui. Mas leve o Cristo consigo e viva n’Ele e para Ele; assim, você terá sempre livre acesso a esta esfera gloriosa onde tudo é amor, paz e serenidade.”
Enquanto a Sonhadora retornava ao seu corpo, sua mãe lhe dirigiu um sorriso radiante de despedida e seguiu para aquela região gloriosa. Mas a Sonhadora, ao abrir os olhos para este mundo, soube que não fora um sonho, e sim que lhe fora concedido o grande privilégio de ver além do véu e trazer consigo essa lembrança.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de dezembro de 1917 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)
Segundo o dito popular, “o coração tem razões que a própria razão desconhece” (do filósofo e matemático francês Blaise Pascal). Essa expressão encontra sua origem no fato de algumas pessoas agirem intuitivamente, de maneira até a contrariar as diretrizes do raciocínio lógico. Essa maneira pouco convencional de tomar decisões ou reagir a determinadas circunstâncias causa perplexidade e estranheza a muitos.
De um modo geral, somos condicionados, desde tenra idade, a viver consoante regras de um raciocínio linear. Quando alguém foge a esse padrão de conduta, não raro recebe a pecha de excêntrico, quando não de paranormal.
A luz dos Ensinamentos Rosacruzes encontramos explicações para esse aparente “fenômeno”. Em primeiro lugar é necessário analisar esses chamados “impulsos intuitivos”, verificando qual a sua natureza. Nem tudo é intuição. Muitas vezes trata-se de meros impulsos emocionais ou baixo psiquismo, com resultados até funestos. Porém, todo ato motivado por “intuição pura” raramente deixa de produzir resultados benéficos.
A intuição é uma faculdade latente em todos nós, entretanto, manifesta em poucos. Sua expressão, em maior escala, será uma das características da Era de Aquário. Vejamos, agora, qual a relação entre o coração e certas manifestações intuitivas. O sangue, ao passar pelo coração, ciclo após ciclo, durante a vida, grava todas as imagens no Átomo-semente do Corpo Denso. Elabora um arquivo fidelíssimo, que na existência após a morte se imprimirá indelevelmente no Átomo-semente do Corpo de Desejos, base para a nossa estada no Purgatório e Primeiro Céu. O coração encontra-se em estreito e permanente contato com o Espírito de Vida, o Espírito do Amor, fonte do sentimento de unidade. Dessa forma torna-se o centro do amor altruísta, o amor Crístico.
Depois das imagens passarem ao Mundo do Espírito de Vida, no qual se encontra a verdadeira Memória da Natureza, não retornam através dos lentos sentidos físicos, mas por meio do quarto Éter, o Éter Refletor, contido no ar que respiramos.
O Espírito de Vida percebe muito mais nitidamente no seu Mundo do que nos planos mais densos da Natureza. Na elevada região, que lhe é própria, vive em íntima relação com a Sabedoria Cósmica. Isto lhe faculta, em qualquer circunstância, sabendo de imediato o que há de fazer, a enviar mensagens de orientação e iniciativa ao coração. Este logo a retransmite ao cérebro, por meio do nervo pneumogástrico ou nervo vago. As chamadas “primeiras impressões” formam-se dessa maneira. Nada mais são que impulsos intuitivos emanados diretamente da fonte da Sabedoria e do Amor Cósmico.
É um processo rapidíssimo. O coração o elabora antes da razão poder considerar a situação. Não sendo assim, predominará o raciocínio lógico, válido até certo ponto, porquanto suas limitações esbarram no transcendente.
Quando a nossa Mente esgota seus recursos para resolver determinado problema só restará uma saída: a intuição. E mesmo assim, poucos se tornaram sensíveis ao seu processo.
Embora não se constituindo em regra geral é válido afirmar que nas pessoas mais devotas as mensagens intuitivas se fazem mais presentes. Eis uma das razões por que o Método Rosacruz de Desenvolvimento Espiritual Cristão Esotérico procura estabelecer um equilíbrio entre razão e coração, intelecto e devoção, oculto e místico.
O que o ser humano pensa em seu coração é certo (Pb 23:2), porque assim ele é. Não é raro ouvirmos esta expressão: “as pessoas espiritualizadas têm um coração inteligente”. Aprendemos na Filosofia Rosacruz que se pudéssemos agir segundo os impulsos do coração, o primeiro pensamento, a Fraternidade Universal, seria realizado agora mesmo!
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – setembro/1980 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Para trabalharmos, conhecer, aprender a lidar e se desenvolver nesse Esquema de Evolução, tanto no que chamamos de Mundo visível como Mundos invisíveis temos que ter Corpos e veículos apropriados para funcionar em cada um deles.
Não nos foi possível desenvolver nossos poderes, enquanto não construíssemos os nossos três veículos inferiores, os Corpos: Denso (corpo físico), Vital e de Desejos. É deles que nós obtemos o alimento com o qual nutrimos e desenvolvemos nossos poderes potenciais.
Esse alimento-essência é chamado de Alma. Do Corpo Denso nós extraímos, automaticamente, a Alma Consciente, mediante a prática da ação reta em relação aos impactos externos, pelas experiências e observações. Esse pábulo ou alimento transmuta os poderes latentes do Espírito Divino (o veículo espiritual mais elevado em que nós nos manifestamos) em forças dinâmicas que se manifestam como vontade, inteligência, o princípio “Pai”, o poder de “fazer”, a força positiva do ser.
Do Corpo Vital extraímos o alimento-essência que chamamos de Alma Intelectual, também automaticamente, por meio do discernimento entre as coisas importantes, essenciais, reais da vida e as irreais, sem importância, não essenciais.
O que se chama de Alma Intelectual alimenta e transmuta em poderes dinâmicos as forças do Espírito de Vida (o segundo mais elevado veículo espiritual em que nós nos manifestamos), que são a imaginação, a intuição, o poder receptor, o poder de assimilar a natureza amorosa, a Sabedoria, o princípio “Mãe”.
Finalmente, pelo refreamento dos instintos animais, pela devoção aos sentimentos e desejos elevados e sublimes, pelas emoções geradas através da ação reta e por experiências purificadoras, nós, automaticamente, extraímos do Corpo de Desejos o alimento-essência conhecido como Alma Emocional.
Com ele alimentamos e desenvolvemos as potencialidades do Espírito Humano (o terceiro mais elevado veículo espiritual em que nós nos manifestamos; notem: manifestação tríplice, como Deus que nos criou): o poder criador (físico e mental), a fecundação, a expansão, a germinação e o crescimento; transformando-os em forças dinâmicas sob o domínio da nossa vontade.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de maio/1975-Fraternidade Rosacruz-SP)
Nós somos um Tríplice Espírito (Espírito Divino, de Vida e Humano), um Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui), que possuímos uma Mente, governando com ela o nosso Tríplice Corpo (Corpo Denso, Vital e de Desejos), que emanou de si mesmo para adquirir experiência. Esse Tríplice Corpo se converte em Tríplice Alma (Alma Consciente, Alma Intelectual e Alma Emocional), da qual se nutre, elevando-se assim da impotência à onipotência. Ou seja: a Tríplice Alma é a quintessência do Tríplice Corpo.
O Espírito Divino emanou de si o Corpo Denso extraindo como fruto a Alma Consciente.
O Espírito de Vida emanou de si o Corpo Vital extraindo como fruto a Alma Intelectual.
O Espírito Humano emanou de si o Corpo de Desejos extraindo como fruto a Alma Emocional.
O Tríplice Espírito lançou uma tríplice sombra sobre o reino da matéria e desse modo o Corpo Denso foi evoluindo como contraparte do Espírito Divino, o Corpo Vital como réplica do Espírito de Vida, e o Corpo de Desejos como imagem do Espírito Humano.
Finalmente, e o mais importante de tudo, formou-se o degrau da Mente como enlace entre o Tríplice Espírito e seu Tríplice Corpo. Esse foi o começo da consciência individual e marca o ponto onde acaba a Involução de nós, o Ego, na matéria, e onde começa o processo evolutivo pelo qual extraímos da matéria as lições aprendidas em cada Região ou Mundo que vivemos. A Involução significa a cristalização do Espírito em Corpos distintos, mas a evolução depende da dissolução dos Corpos, da extração da substância da Alma deles e da amálgama alquímica dessa Alma com o Espírito.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro/1970-Fraternidade Rosacruz-SP)
Resposta: Nos primeiros capítulos da Bíblia, lemos sobre a “Queda do Homem” no Éden, quando o ser humano tomou para si a força sexual criadora, utilizou-a de forma ignorante e, assim, pecou contra as Leis da Natureza. A propagação é uma faculdade do Corpo Vital — que é a sombra do Espírito de Vida, o segundo aspecto do Tríplice Espírito do ser humano.
Os Querubins são descritos como tendo sido postos de guarda, com uma espada flamejante, quando o ser humano foi expulso do Éden, para que não comesse da Árvore da Vida e se tornasse imortal; pois eles constituem a grande Hierarquia Criadora que regia a Terra durante o Período Solar, Período em que ganhamos o germe do Corpo Vital e foi nos despertado o Espírito de Vida.
Então teve início a longa peregrinação pelo deserto da matéria, e a Arca da Aliança era o símbolo do ser humano nesta fase migratória de sua existência. Durante a peregrinação pelo deserto, as varas utilizadas para transportar a Arca permaneciam sempre em seus lugares, indicando que ela não possuía morada permanente; contudo, ao chegar ao Templo construído sem o som de martelos — o Templo de Salomão —, sua peregrinação chegou ao fim, e as varas foram removidas.
Em sua natureza como símbolo do ser humano, a Arca continha a Tábua das Leis, dado para ensinar ao ser humano a conduta correta. Havia nela a Vara de Aarão que floresceu — um cetro de poder que simbolizava a força espiritual latente em todo ser humano. A lança de Parsifal era como se fosse uma réplica da Vara de Aarão que fora instrumento de dano nas mãos de Klingsor, o Mago Negro, e, também, nas mãos do soldado romano; contudo, o puro e espiritual Parsifal[1] a utilizou para curar as feridas de Amfortas. A Vara de Aarão fora usada entre os egípcios para causar aflição e sofrimento, sendo então ocultada no interior da Arca — simbolizando o fato de que o ser humano, em certo momento, possuíra e utilizara indevidamente o poder espiritual que agora se encontrava oculto em seu interior.
Havia o Pote de Ouro do Maná. Esse não era um alimento para o Corpo, como se explica de forma materialista. A palavra “maná” é quase universal. No sânscrito, temos “manas”, o pensador. No alemão, no inglês, nas línguas escandinavas e em muitas outras, temos a mesma palavra “man” para designar o pensador. A colocação do Pote de Ouro do Maná dentro da Arca comemora o momento em que o Ego penetrou na forma que havia construído e tornou-se um Espírito individual residente em seu interior.
Essa foi a “Queda” nas condições materiais, que tornou necessária a geração de Corpos Densos. Quando o ser humano arrogou para si o poder de gerar a qualquer momento, foi exilado da Região Etérica, para que não se apoderasse do segredo de vitalizar os Corpos imperfeitos que gera e tornasse a evolução impossível.
Como afirmado na primeira parte de nossa resposta, os Querubins foram os autores de nossas forças vitais; portanto, devem guardá-las até que o ser humano esteja apto a exercer o próprio controle sobre elas. Por isso, diz-se que foram colocados no Jardim do Éden portando uma espada flamejante; e é de suma importância notar que, nas portas do Templo de Salomão, havia Querubins que não traziam mais a espada flamejante nas mãos, mas sim uma flor aberta. A flor é o órgão gerador da planta — realizando o ato da geração de maneira pura e isenta de paixão — e, quando o ser humano aprender a tornar-se puro e livre de paixões, de modo que toda e qualquer forma seja concebida imaculadamente, ele poderá entrar no Templo de Deus assim como a Arca entrou no Templo de Salomão. Poderá ali permanecer — fato simbolizado pela remoção das varas de transporte — e conforme profetizado no Apocalipse, onde o Espírito declarou: “Ao que vencer, fá-lo-ei coluna no templo do meu Deus, e dele jamais sairá“[2].
(Pergunta nº 88 do Livro: Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Parsifal é uma ópera de três atos com música e libreto do compositor alemão Richard Wagner. Estreou no mês de julho de 1882. É vagamente baseada em Parzival, atribuído a Wolfram von Eschenbach, um poema épico do século 13 do cavaleiro arturiano Parzival (Percival) e sua busca pelo Santo Graal (século XII). Parsifal é uma ópera de três atos com música e libreto do compositor alemão Richard Wagner. É vagamente baseada em Parzival, atribuído a Wolfram von Eschenbach, um poema épico do século 13 do cavaleiro arturiano Parzival (Percival) e sua busca pelo Santo Graal (século XII). Foi sua última ópera completa. Wagner descreveu Parsifal não como uma ópera, mas como um Festival para a Consagração do Palco. A grafia de Parsifal feita por Wagner em vez do Parzival que ele usou até 1877 é informada por uma etimologia errônea do nome Percival derivando-a de uma origem supostamente persa, FalParsi significando “tolo puro”. A ópera se passa nas legendárias colinas do Monte Salvat, na Espanha, onde vive uma fraternidade de cavaleiros do Santo Graal. O mago negro Klingsor teria construído um jardim mágico povoado com mulheres que, com seus perfumes e trejeitos, seduziriam os cavaleiros e faria com que eles quebrassem seus votos de castidade, e teria ferido Amfortas, rei do Graal, com a lança que perfurou o flanco de Cristo, e todas as vezes em que Amfortas olha em direção ao Graal sente a ferida arder. Tal redenção só poderia ser realizada por um “inocente casto” (significado da palavra “Parsifal”). Este, em sua primeira aparição na ópera, surge ferindo um dos cisnes que purificavam a água do banho de Amfortas, e a todas as perguntas que os cavaleiros lhe fazem responde dizendo que não sabe de nada, nem ao menos seu nome.
Parsifal atravessa o jardim mágico de Klingsor e é seduzido pela amazona Kundry, que ora é uma fiel serva do Graal, ora é escrava de Klingsor. Ao beijá-la, sente os estigmas das feridas que afligiam Amfortas e, quando Klingsor atira a lança contra ele, a lança dá a volta em seu corpo, e todo o castelo mágico é destruído. Tempos depois, tendo os cavaleiros se convencido de que ele é o “inocente casto” que faria a salvação, Parsifal cura as feridas de Amfortas e o destrona, assumindo a nova condição de rei do Graal.
[2] N.T. Apo 3:12
Iago: O bom nome de um homem ou de uma mulher, meu senhor,
é a joia imediata de sua alma.
Quem rouba minha bolsa rouba lixo; é algo, é nada;
foi minha, é dele e foi escrava de milhares;
mas aquele que me furta meu bom nome
rouba-me aquilo que não o enriquece
e me torna verdadeiramente pobre.
(Otelo[1], Ato III, Cena III).
Encontramos no mundo cotidiano da construção civil duas classes de trabalhadores qualificados. Uma classe aprendeu a erguer estruturas de pedra, aço e madeira que são maravilhas em tamanho, beleza e durabilidade. A outra classe, maravilhosamente proficiente em seu trabalho, ocupa-se ativamente em demolir a obra dos construtores. Ambas são necessárias no mundo do progresso humano para que estruturas novas e melhores possam ser colocadas sobre os locais das antigas.
Por toda a Natureza podem ser encontradas em operação forças de caráter semelhante; as forças de construção sempre construindo, desde a menor célula até um Sistema Solar; e as forças destrutivas constantemente em ação, desintegrando as formas e devolvendo sua substância a seus constituintes primordiais. Essas atividades opostas são responsáveis por todos os fenômenos neste plano material e em todos os planos da consciência. Estão enraizadas na Lei Cósmica e são indispensáveis, imutáveis.
Os trabalhadores que desejamos considerar neste artigo são aqueles engajados na construção de um grande Templo; aqueles que constroem e ajudam outros a construir e aqueles que constroem, mas agiriam como agentes de destruição. “Não sabem vocês que são o Templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês?” (ICor 3:16).
Estudamos no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz que, lá no alvorecer do desenvolvimento humano, quando as Centelhas da Chama Divina iniciaram sua conquista deste Mundo Físico, o Grande Arquiteto do nosso Esquema de Evolução, Deus o Criador, providenciou para cada Centelha separada uma Morada. Essa morada desenvolveu-se durante três Períodos e meio de progresso até se tornar um ser composto de Corpos e veículos espirituais e físicos, que é sétuplo, e que é ocupado por cada membro da família humana. Esta é a ferramenta de trabalho a ser usada por cada Centelha Espiritual na aquisição de domínio e maestria sobre os Reinos mineral, vegetal, animal e, finalmente, sobre si mesma.
Assim, aprendemos que a família humana é composta de um agregado feito de Espíritos Virginais, tendo cada Espírito um invólucro composto de Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano: eis o que chamamos de Ego. Esse Ego ou Individualidade controla, ou está aprendendo a controlar, através de incontáveis renascimentos, a Personalidade, que é composta de substância de desejo, etérica e química. A Individualidade tríplice está ligada à Personalidade tríplice pelo elo da Mente. Esse corpo sêxtuplo (três “Corpos” inferiores e três “veículos” espirituais) é, assim, o templo de um Espírito residente que é, em verdade, sagrado.
O primeiro fenômeno aparente naquele remoto passado manifestou-se como caráter. Os Espíritos Virginais, como agora, não eram igualmente adaptáveis ao seu novo ambiente. Alguns eram ativos, outros passivos e hoje os classificamos como pioneiros e retardatários, respectivamente. Ao longo do incomensurável intervalo que se interpôs, cada Espírito Virginal individual esteve ocupado em desenvolver o maior atributo do ser humano: o caráter. Hoje, a posição do ser humano no mundo é determinada por seu caráter. É seu bom nome que ele estima acima de todas as coisas.
Ele aprendeu a discernir e a formar concepções do bem e do mal. Tendo aprendido, é responsável por seus atos; assim, é seu privilégio, e somente seu, destruir suas concepções errôneas para abrir caminho para as novas. Como Espírito Virginal residente dentro dos seus veículos, o ser humano contém dentro de si as forças necessárias de construção e destruição, de modo que aqueles que atacam seu caráter são invasores de solo sagrado. Violam uma Lei da Natureza; são, de fato, vândalos espirituais, destruidores de seres humanos.
Nosso Criador, Deus, providenciou Leis que governam tanto seres humanos quanto deuses. Está decretado na Lei Cósmica que “Tudo o que o homem semear, isso também colherá” (Gl 6:7). O caráter é a colheita, o fruto das muitas safras de experiência semeadas e colhidas pelo Aspirante à vida superior. É a própria quintessência do ser humano. É o “Templo que não foi feito por mãos.” (Hb 9:11) e é, assim, inviolável.
Somos então levados à conclusão de que os destruidores de caráter, aqueles seres humanos mais jovens, evolutivamente falando, que difamam seus colaboradores, associados ou conhecidos, estão demolindo um grande “Templo” que está em processo de construção. Eles dão expressão a uma grande força que poderia ser usada para propósitos úteis, mas que utilizam erroneamente para destruição gratuita. Dívidas do Destino (muitas que serão do tipo Destino Maduro) são assim contraídas e deverão ser expiadas.
Não é tão espantoso encontrarmos na família humana seres humanos que cometam graves erros. Todos estão buscando experiência e progredindo, aprimorando seus veículos e construindo caráter mediante essas experiências.
Como Espíritos diferenciados dentro do Criador (e não do Criador, Deus), as Leis de Deus garantem que devamos retornar à Fonte do nosso ser levando conosco os frutos da nossa peregrinação. Leis de Deus semelhantes operam em todos os planos inferiores. O impulso do ataque ao caráter vem do reino da emoção, do desejo. Semelhante a um cometa, tal impulso percorre assim toda a gama das emoções humanas, viajando através das correntes fétidas e nocivas das três Regiões inferiores do Mundo do Desejo, reunindo força em sua jornada até que, pela ação da imutável Lei Cósmica, retorna ao criador desse impulso.
Que se ataque pessoas, se quiser; movimentos religiosos, escolas de filosofia ou qualquer atividade organizada. São apenas coisas transitórias. A calma luz da razão logo dissipará as marcas do ataque daqueles tipos de seres humanos. O dano é reparável. Mas o caráter do ser humano é verdadeiramente a “joia imediata de sua alma”. Solte a seta pessoal da imputação venenosa e falsa e ela viajará com a velocidade da luz. Torna-se um monstro de muitas cabeças, algo hediondo e vicioso que obtém alimento e encontra alojamento em demasiados corações humanos.
Ganhando força devido à pronta hospitalidade, logo alcança seu alvo humano, envenenando, mutilando, destruindo, expondo ao ridículo e ao desprezo a infeliz vítima. E assim esses seres humanos, vândalos da reputação, entram diariamente em campo, buscando destruir. Certamente deve haver alguma armadura protetora que resguarde o inocente e torne o ser humano imune a esses caçadores antinaturais.
Há, de fato, uma armadura maravilhosa que podemos usar para afastar essas setas traiçoeiras e pontiagudas de ódio, inveja ou vingança. Outra grande Lei Cósmica pode ser invocada. Nenhum ser humano é tão humilde nem tão elevado que não possa usar seu poder protetor. É a Lei do Amor Crístico; aquela grande força construtiva que capacita cada indivíduo a usar o material de ideais despedaçados, esperanças destruídas e reputações arruinadas para construir, a partir daí, uma “mansão nos Céus” (Jo 14:2).
Cristo nos ensinou que: “Na casa do meu Pai há muitas moradas” (Jo 14:2-3). Ao longo das eras essa Lei do Amor operou, mas foi através do Cristo Jesus que ela foi fornecida pela primeira vez a todos nós. Ela suplanta a Regra da Lei das Religiões de Raça. Por meio do sacrifício na Cruz, Cristo Jesus implantou em toda a Humanidade o germe do amor fraternal, o amor Crístico. É uma influência transformadora. Quando desenvolvida — e seu desenvolvimento agora é possível em cada um de nós —, irradiamos em todas as direções essa força maravilhosa.
Brilhantemente luminosa, ela irradia constantemente, dia e noite, pensamentos de amor e caridade para todos. Nenhuma seta de inveja ou ódio pode persistir nesse “Fogo Vivo”; no entanto, carregadas de pensamentos de compaixão e auxílio, elas retornam em seu voo orbital à sua fonte, setas vivas de amor que consumirão o lixo de pensamentos e objetivos pervertidos. E assim vemos como é impossível realmente destruir. Apenas conseguimos mudar a forma. O arqueiro vândalo encontra a força destrutiva transmutada pelo Amor e usada para melhorar o Templo Vivo dentro do qual habita o Espírito de Deus.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – setembro/1920, traduzido e atualizado pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
[1] N.T.: Otelo, o Mouro de Veneza (no original, Othello, the Moor of Venice) é uma peça de teatro de William Shakespeare escrita por volta do ano 1603. A história gira em torno de quatro personagens: Otelo (um general mouro que serve o reino de Veneza), sua esposa Desdêmona, seu tenente Cássio, e seu suboficial Iago. Por causa dos seus temas variados — racismo, amor, ciúme e traição – continua a desempenhar relevante papel para os dias atuais.
Nós somos um Ego, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui, nesse Esquema de Evolução. Nossa manifestação nesse Esquema de Evolução é tríplice – do mesmo modo que Deus, que nos criou. Assim, nos manifestamos por meio dos seguintes veículos espirituais: Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano.
Pode-se comparar o Ego a uma pedra preciosa, a um diamante bruto. Quando este é retirado da terra está muito longe de ser formoso. Uma crosta grosseira oculta o esplendor que ela encerra, e antes que o diamante possa converter-se em uma gema, deve ser polido sobre uma pedra duríssima de esmeril. Cada aplicação contra o esmeril arranca uma parte da crosta e modela uma faceta através da qual entra a luz, refratando-se em ângulo diferente pela luz que as outras facetas refletem.
O mesmo acontece com o Ego. Como diamante bruto, entra na escola da experiência, sua peregrinação através da matéria. Cada vida terrestre é como uma aplicação da gema à pedra de esmeril. Cada vida na escola da experiência arranca uma parte da crosta do Ego e permite a entrada da luz da inteligência sob um ângulo novo, dando uma experiência diferente. Assim como os ângulos da luz variam nas muitas facetas do diamante, assim também, o temperamento, o caráter do Ego difere em cada vida.
Desde a infância até aos 14 anos a medula dos ossos não forma todos os corpúsculos sanguíneos. A maioria deles é subministrada pela Glândula Timo, que é maior no feto, e gradualmente vai diminuindo conforme vai-se desenvolvendo a faculdade individual de produzir sangue, ao crescer a criança. A Glândula Timo contém, por assim dizer, certa existência de corpúsculos proporcionados pelos pais. A criança que haure o sangue dessa fonte não compreende sua individualidade. Até que a própria criança elabore seu sangue, não pensará em si mesmo como um “eu”, mas como “filho da mamãe”, “filha do papai”.
Quando a Glândula Timo quase que desaparece aos 14 anos, o sentimento do “eu” expressa-se plenamente, pois então o sangue é produzido e dominado inteiramente pelo Ego.
Contrariamente à ideia geralmente aceita, o Ego é bissexual. Se o Ego fosse assexual o Corpo Denso seria também necessariamente assexual, porque não é mais que o símbolo externo do Espírito interno.
O Ego tem vários instrumentos: um Corpo Denso, um Corpo Vital, um Corpo de Desejos e uma Mente. Estes são seus instrumentos, e de sua qualidade e seu estado depende a obra que poderá realizar para adquirir experiências.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – setembro/1972 – Fraternidade Rosacruz– SP)
O Cristo Interno é quando nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui), nos realizamos na plenitude, nos fazendo consciente no Mundo Físico por meio da Mente, com a certeza de estarmos aqui para obter experiência e, assim conseguindo operar o nosso Tríplice Corpo para extrair a Tríplice Alma, a que nós amalgamamos, tornando esse pábulo parte de nós.
Na Humanidade comum e corrente, que vive unicamente para a vida material, o Cristo Interno permanece adormecido, como em letargia; mas quando o ser humano começa a transitar pelo Caminho Espiritual, esforçando-se em viver uma vida pura e limpa, então começa o Cristo Interno a despertar, à medida que vai recebendo alimento espiritual.
Nesse enorme processo de nutrição espiritual, o qual pode durar várias vidas, o Cristo Interno vai desenvolvendo em nós os poderes latentes de cada corpo a seu cargo. Paralelamente, se vão desenvolvendo os Éteres superiores: o Luminoso e o Refletor, os quais, ao amalgamarem-se formam o Corpo-Alma, o radiante Vestido de Bodas.
Desta maneira, o Cristo Interno desperta seu poder em nós, equipando-nos com dois veículos, cuja posse nos converte em cidadãos de dois Mundos: o Mundo Físico e o Mundo de Desejo. Ou seja, nos faz capazes de funcionar com plena consciência em ambos os Mundos. Recordemos que a maioria dos seres humanos só estão conscientes do Mundo Físico, no que concerne aos desejos egoístas.
Sir Launfal, na busca pelo Santo Graal em terras distantes, o encontrou no final de seus dias na porta de seu Castelo, quando sua alma já estava desligada das coisas materiais, mas havia-se desenvolvido mediante o seu próprio sacrifício, o Cristo Interno, cuja voz escutou: “Olha, sou Eu. Em muitas terras gastastes sua vida sem proveito, buscando o Santo Graal. Olha, aqui está: Este pedaço de pão que me destes, é meu corpo, e esta taça que enchestes no arroio, é o sangue que por ti derramei no madeiro.“
Na interpretação esotérica: Sir Launfal encontrou-se frente a frente com seu Cristo Interno, o qual havia estado alimentando na última parte de sua vida, participando das necessidades dos demais, dando-se a si mesmo.
Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que se lêssemos a Bíblia com o Coração e não com a Mente, a Fraternidade Universal seria realizada agora mesmo.
O Coração é o foco do amor altruísta, no qual tem seu assento o segundo aspecto do Tríplice Espírito, o Espírito de Vida. No Coração se encontra o Átomo-semente de nosso Corpo Denso, chamado o livro da vida, onde estão gravadas todas as nossas ações, obra e nossos atos conscientes ou inconscientes.
Para que possamos “ler com o coração”, é importante despertar o Cristo Interno em nós. Esta “visão” é ocultada pelo “eu inferior” (a Personalidade), que temos estado alimentando através de nossas vidas. Mas quando por nosso sacrifício e dedicação a nosso Grande Ideal, fazemos estremecer nossos poderes latentes, notaremos que o “eu inferior” não tem forças para nublar nossa visão.
Então nos assombraremos ao encontrar tantos tesouros escondidos, que seremos como o ser humano que vai por um caminho e a cada curva encontra uma pepita de ouro. Então não nos será necessário devorar quantidades de livros buscando a verdade, porque a encontraremos diante de nossos próprios narizes.
Quando o Cristo Interno se encontra em processo de realização, pode emitir sinais, os quais podemos captar, se somos suficientes sensíveis. Por exemplo, quando somos tentados a cair em atividades que podem afetar-nos espiritualmente, esta voz pode ser percebida como uma aura de calor que aquece nosso próprio coração.
Essa reação física, produto de uma reação espiritual, é como um grito do Cristo Interno, o qual chega a sentir-se quando queremos dizer ou dizemos algo injurioso contra alguém, que todos sabem, não merece o trato que queremos lhe dar. Mas, em todo o caso, é necessário que a “persona” não esteja muito agitada ou encolerizada.
Essa voz do Cristo Interno pode chegar a converter-se em algo assim como um “radar” que nos diz o que soa verdadeiro ou falso. Desde logo, quando o fato já está consumado, só fica o fogo do remorso que nos queima o coração. Mas ainda neste caso, a memória da reação física faz que tenhamos mais precaução na próxima vez.
Este fogo do remorso é o mesmo que durante a retrospecção apaga a impressão que estampou nossas más ações no Átomo-semente do coração, aumentando sua intensidade, à medida que ganhamos em espiritualidade.
Também nosso Cristo Interno se regozija enormemente quando realizamos uma ação de serviço dando-nos a nós mesmos, e pela gratidão que sentimos pelo que outros tem feito por nós. Neste caso, o efeito é sentido como um grato aroma que brota de nosso coração.
Como pudemos apreciar, os lamentos de tristeza ou regozijos de alegria ou gratidão podem ser percebidos em nosso próprio coração. Não devemos confundir isto como ouvir de vozes com os ouvidos físicos, o qual pode provir de entidades negativas do mundo do Desejo, o que deve ser recusado categoricamente por nós.
Como aspirantes espirituais, estamos laborando o despertar do Cristo Interno através de nossas vidas passadas, em maior ou menor grau, de acordo com nossa aplicação. Assim, na medida de nosso esforço na presente vida, dependerá o despertar do Cristo Interno nesta vida ou em outras.
Não existe nenhum processo rápido na natureza, e nós não somos nenhuma exceção. Nossa capacidade para apreciar nosso grau de progresso espiritual se deve principalmente a que a falta de persistência tem alterado nosso estado de consciência.
Antes de Max Heindel ter tido contato com o Mestre, já era um Clarividente, ainda que nem sempre esta Clarividência estava sob seu controle, segundo ele mesmo nos relata em seu encontro com o Mestre, em seu livro Ensinamentos de um Iniciado.
Logicamente, entendemos que Max Heindel havia estado desenvolvendo seu Cristo Interno e com ele sua clarividência durante várias vidas, na última das quais, havia sido um sacerdote católico na França, entre 1600 e 1700.
Max Heindel nos diz que os Evangelhos (que são fórmulas de Iniciação) começam com o “relato da Imaculada Concepção e terminam com a crucificação”; ideias maravilhosas às quais chegaremos algum dia, pois somos Cristo em formação, e teremos que passar pelo nascimento místico e pela morte mística.
Nos nossos Estudos Bíblicos Rosacruzes aprendemos que na passagem do Evangelho de S. Mateus 18:1-4: “E naquele momento os discípulos se acercaram de Jesus e lhe disseram: Quem é, pois, o maior no Reino dos Céus?”. Ele chamou a uma criança e a colocou entre eles e disse: “Eu vos asseguro, se não mudais e fizerdes como as crianças, não entrareis no Reino dos Céus. Assim, pois, quem se fizer pequeno como esta criança, esse será o maior no Reino dos Céus.“, Cristo, ao colocar uma criança como exemplo, nos quis mostrar a condição requerida para aquele que desenvolveu o Cristo Interno, o Cristo Criança, por meio de uma vida de pureza e de serviço.
Para entrar no Reino dos Céus, ou seja, conseguir o estado de consciência apropriado para desenvolver o Cristo Interno, é necessário fazer-se como uma criança pequena, mas uma criança sábia. Por isso também Cristo nos ensinou a sermos “mansos como as pombas e sábios como as serpentes” (Mt 10:16).
Recordemos que o Céu está dentro de nós. Tendo extraído a essência dos três Corpos – a Tríplice Alma – durante o processo de desenvolvimento do Cristo Interno, o Estudante Rosacruz conquista o Reino dos Céus (Templo do Espírito), e se converte no maior em si, mas ao mesmo tempo se faz pequeno como uma criança, ao fazer-se servidor de todos.
As afirmações dos parágrafos precedentes ficam corroboradas com as palavras do Cristo, quando lhe foram apresentadas algumas crianças, e Ele disse a Seus Discípulos: “Deixai que as crianças venham a mim, e não as impeçais, porque daqueles que são como elas é o Reino do Céus.” (Mt 19:13-15).
Sobre esse assunto, também, nos nossos Estudos Bíblicos Rosacruzes aprendemos que na passagem do Evangelho de S. Mateus 18:5-7 “E aquele que recebe uma criança como essa em meu nome, a mim recebe. Mas aquele que escandalize a um desses pequenos que creem em mim, mais vale que lhe amarrem ao pescoço uma pedra de moinho que os asnos movem, e lhe atirem-no profundo dos mares. Ai do mundo pelos escândalos, mas aí daquele ser humano por quem o escândalo vem.”, não é o mesmo escandalizar a uma pessoa comum e normal, que não tem nenhum sentido da vida espiritual, que escandalizar a uma pessoa que está despertando ou despertou o Cristo Interno. A palavra escandalizar é usada para significar o fato de querer destruir um núcleo ou levedura espiritual, seja individual ou coletivo, em qualquer grau de desenvolvimento em que se encontre.
Não é um segredo como se protege de estorvos físicos ou suprafísicos ao sincero aspirante espiritual, principalmente quando está realizando seus serviços devocionais; ou como se protege a uma congregação em suas atividades espirituais, salvo casos em que se tenha estimulado a lei de causa e efeito, individual ou coletivamente.
Já na Filosofia Rosacruz aprendemos que “quando o menino Jesus foi perseguido por Herodes com intentos criminosos, sua segurança se baseou na fuga, e assim se preservou sua vida e seu poder para desenvolver-se e cumprir sua Missão. Similarmente, quando Cristo nasce dentro do aspirante, pode preservar melhor sua vida espiritual, fugindo do ambiene dos degenerados, buscando um local entre os ideais semelhantes sempre que se tenha liberdade para fazê-lo.” Se desejamos acelerar o despertar do Cristo Interno em nós, devemos, com persistência, nutri-lo com pensamentos de pureza e serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível), focando na divina essência oculta em cada um de nós – que é a base da Fraternidade –, aos nossos irmãos e às nossas irmãs. Desta maneira, nossos diferentes veículos começam a brilhar com o ouro espiritual que atrai infalivelmente a atenção do Mestre, nos capacitando assim para poder servir em uma esfera mais elevada, onde realmente “caminharemos na luz” (IJo 1:7), uma luz que, lamentavelmente, a maioria não vê, ao menos por enquanto.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – setembro/1988 – Fraternidade Rosacruz)
Se nos limitamos a interpretar as Sagradas Escrituras simplesmente pela “letra que mata” e não pelo “Espírito que vivifica” (IICor 3:6), como nos aconselha o apóstolo S. Paulo, pouco dela poderemos aprender. O buscador da verdade, isto é, aquele que anseia superar-se para ser mais útil à Humanidade a que pertence, será, certamente, iluminado ajudando na interpretação das escrituras.
Acerca dos três Reis Magos, se nos detemos em meditação, podemos estabelecer formosa analogia entre eles e nós, seres humanos. Observe-se que não dizemos aqui Reis da Ásia, da Arábia e do Egito, nem de qualquer outro ponto determinado da Terra. São Magos do Oriente.
Se recordamos o que escreveu Max Heindel, no tocante da direção aparente do Sol em relação à Terra e do sentido da evolução espiritual; que o Sol vem do Leste para Oeste e por analogia os Reis Magos vieram do Oriente, assentamos a base de nossa meditação.
Os três Reis Magos eram: um de cor branca, outro de cor amarela e outro de cor negra. Conhecemos a interpretação segundo a qual os Magos representam as três raças predominantes ao tempo de Cristo Jesus. Este trazia a missão de unificação das raças, ou seja, da Humanidade inteira, isto é, a substituição do Espírito de Raça pelo Espírito Unificador de Cristo – a encarnação do Amor.
Porém, cada verdade pode ter, no mínimo, sete interpretações verdadeiras. Quando nos propomos interpretar a Deus, segundo os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental que, por intermédio de Max Heindel recebemos dos Irmãos Maiores, aprendemos que o Ser Supremo mencionado nos é apresentado com os atributos de: Poder, Verbo e Movimento. Não são três Seres, senão três Atributos de um só Ser. Quando este Ser, em Sua permanente atividade, põe em Manifestação mais densa, com o propósito de criar e crescer, eles se manifestam em: Vontade, Sabedoria e Atividade. À semelhança de Deus, nosso Criador, nós criado a Sua imagem e semelhança temos três atributos, emanações de Deus, que são: o Espírito Divino, o Espírito de Vida e o Espírito Humano, respectivamente; três aspectos de Uma mesma divindade interna, nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui). Assim, nos manifestamos de forma tríplice, isto é, Consciência (Pai), Vida (Filho) e Forma (Espírito Santo). Não são três “pessoas”, senão três manifestações de uma só “pessoa”. Se faltasse uma destas três manifestações não poderíamos evoluir, mostrando assim que depende de uma cadeia completa de veículos correspondentes aos atributos superiores.
Então, os três Reis Magos podem representar a nós, o Ego, em estado superior que reverencia o “Eu Superior” (justamente os nossos veículos superiores: Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano). Melchior, da raça branca, símbolo da Unidade do Pai, representa a Consciência; Gaspar, da raça amarela, cor do Filho, é a segunda manifestação: Vida (Cristo Interno) e Baltazar da raça negra, é a terceira manifestação: a Forma (Espírito Santo). Meditemos que o movimento, terceiro atributo do Todo Poderoso, é que dá a ação, o evento. É consequência do Poder, primeiro Atributo. Nenhum, isoladamente, é superior ou inferior, senão que todos são manifestações do Todo, que é Uno.
Melchior, Gaspar e Baltazar (Consciência, Vida e Forma – três atributos em UM), ofereceram ao recém-nascido o melhor que tinham Ouro, Incenso e Mirra (Espírito, Corpo e Alma, respectivamente).
Seguindo o exemplo deles, devemos, não apenas oferecer, senão dar em pensamentos, sentimentos e atos ao Cristo Interno que nasce dentro de nós, a Consciência, a Vida e nosso Corpo, de modo a identificarmos como Filhos de Deus, um Templo do Deus vivente, seja no sentido material como no espiritual.
Aquele ouro não era material, pois o Reino de Cristo não é deste mundo e Ele não buscava riquezas materiais. Os Reis Magos, iluminados como eram, vislumbravam a Estrela como também nós a vislumbramos hoje pela interna iluminação. Eles sabiam o que estavam levando e para quem estavam levando aquelas oferendas.
De volta ao Oriente, os Magos foram por outros caminhos, evitando o Rei Herodes, cuja intenção conhecia. Assim também faz o Aspirante que deseja encurtar o caminho para a meta. Deixa atrás o caminho da Involução e volta pelo caminho da Evolução; deixa a senda dos vícios e erros e segue o caminho mais curto das virtudes. Depois que encontra o Salvador e dedica-se inteiramente a Seu Serviço, sem posteriores ligações com o egoísmo: simbolizado por Herodes.
Que este pequeno ponto do Evangelho suscite no Estudante Rosacruz uma firme resolução de se enquadrar, cada vez mais nas condições ideais de um verdadeiro servidor da “Vinha de Cristo” neste mundo.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – janeiro/1966 – Fraternidade Rosacruz-SP)