De acordo com a Bíblia somos um ser composto de três partes: Corpo, Alma e Espírito.
Cada um de nós é um Espírito Virginal da Onda de Vida humana. Um ser que começou o seu desenvolvimento no Período de Saturno e o terminará no Período de Vulcano, pelo menos no que se refere a este Grande Dia de Manifestação.
Assim, somos um membro dos Espíritos Virginais. Diferenciados dentro de Deus (não de Deus!) como chispas de uma Chama, com as mesmas qualidades dela e capazes de se expandir até se converter em chamas.
Eis o significado esotérico desse trecho: “E os Elohim formaram o homem à sua semelhança e imagem” (Gn 1:27). Portanto, em todos os Espíritos Virginais estão contidas todas as possibilidades de Deus, inclusive o germe da vontade independente, o Livre arbítrio, que nos torna capazes de originar novas fases, além das latentes, fases originais, o que corresponde à faculdade da Epigênese.
Vemos, portanto, que é um fato que: “n’Ele vivemos, nos movemos e temos o nosso ser” (At 17:28). Nada pode existir fora de Deus.
A Hierarquia Criadora dos Espíritos Virginais é a Hierarquia Zodiacal de Peixes. Uma Hierarquia Criadora é um grupo de seres duplos ou bissexuais que coletivamente são Deus (chamados de Elohim no Gênesis) e que trabalham ativamente para se cumprir o plano evolutivo criado por Deus neste Grande Dia de Manifestação – em Gn 22:1: “Assim foram acabados os céus, a terra e todo seu exército”.
Como cada Hierarquia Criadora tem seu trabalho no Plano Evolutivo de Deus, nós também temos o nosso. E temos, ao nosso cargo, a Evolução da Onda de Vida que começou no Período Terrestre e que hoje anima os minerais.
Atualmente estamos trabalhando com eles por meio da imaginação, dando-lhes formas físicas (sólidos, líquidos e gases), fazendo com eles: livros, edifícios, pontes, máquinas, carros, etc…
Perceba que só trabalhamos com as Formas minerais dos três reinos inferiores. Contudo, não podemos trabalhar com a Vida que as anima. Isso porque, atualmente, a nossa Mente está no estado ou forma “mineral”. Tempo virá, nos próximos Períodos, em que poderemos “imaginar formas que viverão e crescerão”. E depois, criar “coisas com vida, sensíveis e capazes de crescer”. E por último, seremos capazes de “imaginar a criação de seres que viverão, crescerão, sentirão e pensarão”.
Em harmonia com o Esquema da Evolução, traçado por Deus, cada Hierarquia só entra em atividade quando tenham sido criadas condições necessárias para o seu trabalho. Os Espíritos Virginais da Onda de Vida humana, nós, só entramos em atividade quando as Hierarquias Criadoras prepararam as condições para o nosso desenvolvimento.
Cada Hierarquia tem o seu trabalho. Por exemplo, os Anjos, a Hierarquia Zodiacal de Aquário, têm como objetivo conquistar, dominar e funcionar conscientemente na Região Etérica do Mundo Físico. Tornaram-se especialistas na matéria dessa Região. Para isso tiveram que descer a essa Região e aprender como lidar com tal matéria. Foi-lhes fornecido todo tipo de ajuda para tal, desde alimentação até instruções, experiências e orientação. Conquistarão e expandirão sua consciência nos quatro Mundos superiores a essa Região do Mundo Físico.
Do mesmo modo, nós, os Espíritos Virginais da Onda de Vida humana temos como objetivo conquistar, dominar e funcionar conscientemente na Região Química do Mundo Físico. Devemos nos tornar especialistas na matéria dessa Região. Peritos na construção das Formas constituídas de substâncias minerais químicas (sólidos, líquidos e gases). Para isso tivemos que descer a essa Região e estamos aprendendo como lidar com tal matéria. Tivemos que adquirir a consciência de nós próprios. Portanto, “somos a Vida que se juntou à Forma, para, por meio de Deus, obter consciência”. Aperfeiçoaremos os nossos veículos e expandiremos a nossa consciência nos cinco Mundos superiores a essa Região do Mundo Físico, por nosso esforço e vontade. Estamos aprendendo, através da experiência, como fazer isso.
Cada um de nós, um Espírito Virginal, é um só, entretanto, observado do Mundo Físico, se refrata-se em três aspectos: Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano. Como Deus, que nos criou, se refrata em três: Deus-Pai, Deus-Filho e Deus-Espírito Santo. Cada um desses aspectos corresponde a um aspecto da Deidade.
E na oração “O Pai-Nosso”, fornecida por Cristo, cada um expressa a sua adoração. O Espírito Humano é a contraparte do Espírito Santo (Jeová): “Santificado seja O vosso nome”. Ele expressa a ATIVIDADE, o MOVIMENTO, atributos do Espírito Santo.
O Espírito de Vida é a contraparte do Filho (Cristo): “Venha a nós o Vosso reino”. O reino do Filho, da Fraternidade Universal. Ele expressa a SABEDORIA.
O Espírito Divino é a contraparte do Pai: “Faça-se a Tua vontade”. Reverenciando a onipotência do Pai. Ele expressa a VONTADE.
Durante a Involução (primeira parte desse Esquema de Evolução), conforme nós passamos por cada Mundo vindo em direção à Região Química do Mundo Físico, foi despertado cada um desses aspectos, por cada uma das Hierarquias Criadoras que nos ajudaram.
Assim, quando entramos no Mundo do Espírito Divino, foi despertado o nosso Espírito Divino pelos Senhores da Chama.
Descendo a um grau a mais de densidade, mergulhamos no Mundo do Espírito de Vida. Então, foi despertado o nosso Espírito de Vida pelos Querubins.
Depois, descemos a mais um grau de densidade, e entramos na Região Abstrata do Mundo do Pensamento. Quando, então, foi despertado o nosso terceiro aspecto: o Espírito Humano, pelos Serafins. Quando isso aconteceu, nós, os Espíritos Virginais da Onda de Vida humana, perdemos a onisciência, pois essa Região é a primeira Região separatista, de cima para baixo.
Assim, como nós não podíamos mais descerrar nossos véus (os três aspectos) para observar as coisas exteriores (espirituais) ou perceber os outros, nos vimos forçados a dirigir a consciência para dentro, ali encontrando nosso próprio “Eu superior” ou o Ego humano, separado e à parte de todos os outros à nossa volta. Foi assim que nós, os Espíritos Virginais da Onda de Vida humana, nos vimos envoltos no nosso Tríplice Espírito.
Perceba que é o Espírito Humano que encerrou o Espírito Virginal. É a capa externa – é o Ego.
Portanto, nós, o Ego humano, somos um Espírito Virginal da Onda de Vida humana envolto em um Tríplice Véu de matéria que obscurece nossa consciência divina original.
Nosso atual Esquema de Evolução é dividido em duas partes: a Involução e a Evolução. Durante a Involução, nós, o Ego, mantemos a ilusão da separatividade. Vamos descendo na matéria, entrando em Mundos e em Regiões de maior densidade.
Assim, já é fácil deduzir que precisávamos funcionar conscientemente no Mundo do Pensamento, Mundo do Desejo e Mundo Físico.
Entretanto, para funcionar num determinado Mundo (ou Região desse Mundo), e expressar as qualidades que lhe são realizáveis, é necessário construir um veículo formado de matéria desse Mundo.
Para funcionarmos na Região Química do Mundo Físico precisamos de um Corpo Denso.
Para expressar vida e crescimento, ou as outras qualidades da Região Etérica do Mundo Físico, precisamos de um Corpo Vital.
Para expressar sentimentos, desejos e emoções precisamos de um Corpo formado de matéria do Mundo do Desejo, ou seja, de um Corpo de Desejos.
E para manifestar o pensamento precisamos de um veículo formado de matéria da Região do Pensamento Concreto, ou seja, de uma Mente.
Esses são os instrumentos que utilizamos atualmente; cada um em seu estágio de evolução; todos interpenetrados; sendo que a nossa Mente é o elo entre o nosso Tríplice Corpo e o nosso Tríplice Espírito.
Para que pudéssemos possuir cada um desses Corpos e veículos, as Hierarquias Criadoras nos deram o germe, ou irradiaram de si mesmo o germe de cada um deles.
No Período de Saturno, os Senhores da Chama irradiaram de si mesmo o germe do Corpo Denso. Esse germe foi desenvolvido e tem no seu Átomo-semente sua expressão e que se encontra na posição relativa ao local chamado ápice do coração.
No Período Solar, os Senhores da Sabedoria irradiaram de si mesmo o germe do Corpo Vital. Esse germe foi desenvolvido e tem no seu Átomo-semente sua expressão e que se encontra na posição relativa ao local chamado plexo solar (ou plexo celíaco).
No Período Lunar, os Senhores da Individualidade irradiaram de si mesmo o germe do Corpo de Desejos. Esse germe foi desenvolvido e tem no seu Átomo-semente sua expressão e que se encontra na posição relativa ao local chamado fígado.
E, por fim, agora no Período Terrestre, os Senhores da Mente irradiaram de si mesmo o germe do veículo Mente. Esse germe foi desenvolvido e tem no seu Átomo-semente sua expressão e que se encontra na posição relativa ao local chamado meio do sinus frontal.
Cada um desses germes serviu para nós, o Ego humano (ou o Espírito Virginal envolto no Tríplice Espírito), aprendermos a construir cada Corpo e veículo durante a involução. Eles continham, e ainda contêm, o núcleo para a formação de cada Corpo e de cada veículo.
Hoje cada um desses Átomos-semente forma parte de todos os veículos já usados por um Ego humano. Esses Átomos-semente estão ligados entre si pelo Cordão Prateado, enquanto estamos aqui renascidos, nesta vida. E é esse Cordão Prateado que mantém unidos os veículos: Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos e Mente.
Durante a Involução, ou seja, do início do Período de Saturno até à Época Atlante no Período Terrestre as energias dos Espíritos Virginais da Onda de Vida humana estavam dirigidas para dentro, para a construção desses Corpos e veículos. Essas energias são as mesmas que empregamos hoje para construir casas, pontes, estradas e qualquer coisa que melhore as condições externas na Região Química do Mundo Físico.
O caminho que compreende a Involução e Evolução desse Esquema de Evolução é a peregrinação dos Espíritos Virginais da Onda de Vida humana da total inconsciência à total consciência individual.
Hoje nos reconhecemos como um indivíduo, um ser pensante, unidos no Corpo místico de Deus, mas separados um do outro, um criador, como o nosso Pai que nos criou.
Esses Corpos e veículos são os instrumentos de trabalho do Ego humano. Como diz S. Paulo em ICor 15:44-45: “Se há um corpo animal <Corpo Denso e Vital>, também há um espiritual <Corpo de Desejos e Mente>. Como está escrito: ‘o primeiro ser humano, Adão, foi feito alma vivente; o segundo Adão é Espírito vivificante’”.
É por meio deles que o Ego humano obtém a experiência. Como disse S. Paulo em ICor 6:13-20: “Não sabeis que o vosso corpo é Templo do Espírito Santo, que habita em vós, O qual recebeste de Deus (…), glorificam, pois, a Deus no vosso corpo”.
Assim, cada aspecto do Tríplice Espírito trabalha sobre um dos três Corpos.
Novamente, na oração do “Pai-Nosso” podemos ver como isso se dá: o Espírito Divino pede à sua contraparte, o Deus Pai, pelo Corpo Denso: “O pão nosso de cada dia”.
O Espírito de Vida pede à sua contraparte, Deus Filho, pelo Corpo Vital: “Perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”.
O Espírito Humano pede à sua contraparte, Deus Espírito Santo, pelo Corpo de Desejos: “não nos deixeis cair em tentação”.
Por fim, os três aspectos (Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano) se juntam na súplica pela Mente ao Pai, Filho e Espírito Santo: “livrai-nos do mal”.
Vale a pena lembrar que qualquer trabalho sobre um Corpo reflete em todos os outros. Por isso é importantíssimo o Aspirante à vida superior cuidar de cada um dos seus Corpos da melhor maneira possível. Sem isso é impossível se desenvolver espiritualmente em uma Escola como a Fraternidade Rosacruz.
Os três aspectos (Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano), ou nossos veículos superiores, possuem assentos particulares no Corpo Denso.
O Espírito Humano possui um assento na Glândula Pineal e no sistema nervoso cérebro-espinhal. O Espírito de Vida possui um assento no Corpo Pituitário e no coração. O Espírito Divino possui um assento na impenetrável área conhecida como raiz do nariz.
Quando nós obtivemos o domínio dos nossos Corpos por meio do foco mental, da Mente, começamos a desenvolver a Alma, trabalhando de dentro dos nossos Corpos. A Alma também é Tríplice.
Cada vez que agimos bem, praticamos boas ações, servindo altruisticamente, a Alma Consciente cresce, e o Espírito Divino assimila-a do Corpo Denso, assentando sua consciência.
Cada vez que sentimos o bem, esforçando-nos por ter desejos e sentimentos superiores, emoções elevadas, alimentamos a nossa Alma Emocional e o Espírito Humano assimila-a do Corpo de Desejos.
Cada vez que exercitamos a nossa memória, originando a simpatia, ligando as experiências, alimentamos a nossa Alma Intelectual e o Espírito de Vida assimila-a do Corpo Vital.
Portanto, a Alma nada mais é do que o produto espiritualizado dos nossos Corpos; é a quinta-essência desses, o seu poder ou a sua força. É através desse trabalho que o Ego humano adquire a perfeição de cada um dos Corpos.
E nesse trabalho, percorrendo a parte conhecida como Evolução desse Esquema de Evolução, nós vamos da consciência de vigília (que temos agora) à onisciência, da impotência à onipotência.
A evolução da vida, da consciência e da forma; a tríplice manifestação do Espírito Virginal da Onda de Vida humana, completando o Plano de Deus que nos criou neste Grande Dia de Manifestação.

Que as rosas floresçam em vossa cruz
Eis o anúncio do próprio Cristo, nos ensinando a oração Cristã científica necessária e suficiente para evoluirmos espiritualmente com segurança aqui:
“Portanto, orai deste modo:
‘Pai nosso, que estais nos Céus, santificado seja o Vosso Nome.
Venha a nós o Vosso Reino.
Seja feita a Vossa vontade, assim na Terra como nos Céus.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje.
Perdoai as nossas dívidas, assim como também perdoamos aos nossos devedores.
E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.
Porque Vosso é o reino, o poder e a glória para sempre.
Amém.’
Porque se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará; porém se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai perdoará as vossas ofensas.”
Mt 6:9-15
Esse modelo de oração fornecido a nós por Cristo Jesus é uma fórmula abstrata e algébrica para a elevação e purificação de todos os nossos veículos.
Contém três partes de oração e uma súplica. Cada uma das três partes refere-se às necessidades de um dos nossos (nós, um Tríplice Espírito) aspectos espirituais e sua contraparte no Tríplice Corpo.
Quando nós – que somos um Tríplice Espírito e possuímos uma Mente pela qual governamos um Tríplice Corpo e o transmutamos em Tríplice Alma – ora, isto acontece.
O Espírito Humano ergue-Se nas asas da devoção até sua origem, o Espírito Santo, na Sagrada Trindade, e entoa o canto iniciai, “Santificado seja o Vosso nome”.
O Espírito de Vida eleva-Se nas asas do amor e dirige-Se à origem de seu Ser, o Filho: “Venha a nós o Vosso Reino”.
O Espírito Divino sobe, junto do conhecimento superior, até o manancial onde nasceu, na aurora dos tempos, o Pai, e manifesta Sua confiança naquela Inteligência total pelas palavras “Seja feita a Vossa vontade”.
Tendo assim alcançado o Trono da Graça, nós apresentamos os nossos pedidos relativos a nossa Personalidade, o Tríplice Corpo.
O Espírito Divino ora ao Pai pela sua contraparte, o Corpo Denso: “O pão nosso de cada dia nos dai hoje”.
O Espírito de Vida ora ao Filho pela sua contraparte, o Corpo Vital: “perdoai as nossas dívidas, assim como também perdoamos aos nossos devedores”.
No Corpo Vital estão armazenados os registros subconscientes de todos os acontecimentos passados de nossa vida. Se, mediante a oração contínua (“orai sem cessar”), obtivermos o perdão (o arrependimento) pelos males causados aos outros e se fizermos todas as reparações possíveis e se eliminarmos todos os ressentimentos (reforma íntima), livramo-nos de muito sofrimento após a morte, além de prepararmos avançarmos no nosso crescimento anímico, que está particularmente sujeita à vitória do Corpo Vital sobre o Corpo de Desejos. Sob a forma de memória, o Corpo de Desejos imprime no Corpo Vital a ideia de vingança. Por isso o Aspirante à vida superior deve cultivar o controle emocional, porque assim estará agindo sobre os dois Corpos.
O Espírito Humano enuncia a súplica pelo Corpo de Desejos com estas palavras: “E não nos deixeis cair em tentação”.
Então todos, em coro, fazem um apelo geral pela Mente: “Livrai-nos do mal”.
O acréscimo: “Porque Vosso é o reino, o poder e a glória para sempre” não foi dado por Cristo; mas representa um expressivo arremate.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de fevereiro/1966-Fraternidade Rosacruz-SP)

Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz
Pergunta: O que o primeiro despertar traz?
Resposta: Traz ao Espírito o som da música.
Pergunta: Por que não ouvimos a música das esferas durante nossa vida na Terra?
Resposta: Porque estamos tão imersos nos pequenos ruídos e sons do nosso ambiente limitado que somos incapazes de ouvi-la, mas o cientista ocultista ouve.
Pergunta: O que o ocultista sabe a respeito da música das esferas?
Resposta: Ele sabe que os doze Signos do Zodíaco e os sete planetas formam a caixa de ressonância e as cordas da lira de sete cordas de Apolo. Ele sabe que, se uma única discórdia viesse a macular a harmonia celeste desse grandioso instrumento, haveria uma destruição da matéria e um colapso dos Mundos.
Pergunta: Que ilustração você pode dar do poder da vibração rítmica?
Resposta: Quando soldados atravessam uma ponte, recebem a ordem de quebrar o passo; caso contrário, sua marcha rítmica poderia, com o tempo, despedaçá-la.
Pergunta: Que história da Bíblia se refere a esse fato?
Resposta: O toque da trombeta de chifre de carneiro enquanto marchavam ao redor das muralhas da cidade de Jericó.
Pergunta: Quando a nota-chave de uma estrutura é emitida, o que pode acontecer?
Resposta: Se ela for suficientemente prolongada, poderá despedaçar a parede ou a estrutura.
Pergunta: Existe alguma conexão entre tom e cor?
Resposta: Muitas pessoas sabem que existe uma íntima conexão entre tom e cor, porque quando uma determinada nota é tocada, uma cor específica aparece simultaneamente.
Pergunta: Cor e som estão presentes ambos no Segundo Céu?
Resposta: Estão, mas o tom é o originador da cor. Por isso se diz que este é particularmente o mundo do tom e é esse tom que constrói todas as formas no Mundo Físico.
Pergunta: O músico pode ouvir alguns tons musicais em diferentes partes da natureza?
Resposta: Pode, como no vento na floresta, no som das ondas na praia ou no de muitas águas.
Pergunta: O que esses tons combinados produzem?
Resposta: Produzem um todo que é a nota-chave da Terra — o seu tom.
Pergunta: O que essa nota-chave produz?
Resposta: Assim como figuras geométricas são criadas ao passar o arco de um violino sobre a borda de uma placa, as formas que vemos ao nosso redor são figuras sonoras cristalizadas das forças arquetípicas que atuam sobre os Arquétipos no Mundo Celestial.
Pergunta: O tempo no Mundo Celestial é uma existência inativa, sonhadora ou ilusória?
Resposta: O trabalho realizado pelo ser humano nos Mundos celestiais é multifacetado. É um tempo da maior e mais importante atividade na preparação para a próxima vida, assim como o sono é uma preparação ativa para o trabalho do dia seguinte.
Pergunta: O que é realizado nos Mundos celestiais?
Resposta: Aqui, a quintessência dos três Corpos é incorporada ao Tríplice Espírito.
Pergunta: Como isso é realizado no Corpo de Desejos?
Resposta: A quantidade de trabalho do ser humano durante sua vida, purificando seus desejos, sentimentos e suas emoções, será fundida ao Espírito Humano, proporcionando assim uma Mente melhorada no futuro.
Pergunta: Como o Corpo Vital é trabalhado nessa conexão?
Resposta: A quantidade de trabalho que o Espírito de Vida realiza sobre ele, transformando e espiritualizando, será fundida a este Espírito para assegurar um Corpo Vital e um temperamento melhores nas vidas futuras.
Pergunta: E aquilo que é feito aqui pelo Corpo Denso?
Resposta: A quantidade de trabalho realizado pelo Corpo Denso que o Espírito Divino salvou por meio da ação correta será integrada a ele e trará ambiente e oportunidades melhores nas próximas vidas.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de agosto de 1920 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)
Para trabalharmos, conhecer, aprender a lidar e se desenvolver nesse Esquema de Evolução, tanto no que chamamos de Mundo visível como Mundos invisíveis temos que ter Corpos e veículos apropriados para funcionar em cada um deles.
Não nos foi possível desenvolver nossos poderes, enquanto não construíssemos os nossos três veículos inferiores, os Corpos: Denso (corpo físico), Vital e de Desejos. É deles que nós obtemos o alimento com o qual nutrimos e desenvolvemos nossos poderes potenciais.
Esse alimento-essência é chamado de Alma. Do Corpo Denso nós extraímos, automaticamente, a Alma Consciente, mediante a prática da ação reta em relação aos impactos externos, pelas experiências e observações. Esse pábulo ou alimento transmuta os poderes latentes do Espírito Divino (o veículo espiritual mais elevado em que nós nos manifestamos) em forças dinâmicas que se manifestam como vontade, inteligência, o princípio “Pai”, o poder de “fazer”, a força positiva do ser.
Do Corpo Vital extraímos o alimento-essência que chamamos de Alma Intelectual, também automaticamente, por meio do discernimento entre as coisas importantes, essenciais, reais da vida e as irreais, sem importância, não essenciais.
O que se chama de Alma Intelectual alimenta e transmuta em poderes dinâmicos as forças do Espírito de Vida (o segundo mais elevado veículo espiritual em que nós nos manifestamos), que são a imaginação, a intuição, o poder receptor, o poder de assimilar a natureza amorosa, a Sabedoria, o princípio “Mãe”.
Finalmente, pelo refreamento dos instintos animais, pela devoção aos sentimentos e desejos elevados e sublimes, pelas emoções geradas através da ação reta e por experiências purificadoras, nós, automaticamente, extraímos do Corpo de Desejos o alimento-essência conhecido como Alma Emocional.
Com ele alimentamos e desenvolvemos as potencialidades do Espírito Humano (o terceiro mais elevado veículo espiritual em que nós nos manifestamos; notem: manifestação tríplice, como Deus que nos criou): o poder criador (físico e mental), a fecundação, a expansão, a germinação e o crescimento; transformando-os em forças dinâmicas sob o domínio da nossa vontade.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de maio/1975-Fraternidade Rosacruz-SP)
Nós somos um Tríplice Espírito (Espírito Divino, de Vida e Humano), um Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui), que possuímos uma Mente, governando com ela o nosso Tríplice Corpo (Corpo Denso, Vital e de Desejos), que emanou de si mesmo para adquirir experiência. Esse Tríplice Corpo se converte em Tríplice Alma (Alma Consciente, Alma Intelectual e Alma Emocional), da qual se nutre, elevando-se assim da impotência à onipotência. Ou seja: a Tríplice Alma é a quintessência do Tríplice Corpo.
O Espírito Divino emanou de si o Corpo Denso extraindo como fruto a Alma Consciente.
O Espírito de Vida emanou de si o Corpo Vital extraindo como fruto a Alma Intelectual.
O Espírito Humano emanou de si o Corpo de Desejos extraindo como fruto a Alma Emocional.
O Tríplice Espírito lançou uma tríplice sombra sobre o reino da matéria e desse modo o Corpo Denso foi evoluindo como contraparte do Espírito Divino, o Corpo Vital como réplica do Espírito de Vida, e o Corpo de Desejos como imagem do Espírito Humano.
Finalmente, e o mais importante de tudo, formou-se o degrau da Mente como enlace entre o Tríplice Espírito e seu Tríplice Corpo. Esse foi o começo da consciência individual e marca o ponto onde acaba a Involução de nós, o Ego, na matéria, e onde começa o processo evolutivo pelo qual extraímos da matéria as lições aprendidas em cada Região ou Mundo que vivemos. A Involução significa a cristalização do Espírito em Corpos distintos, mas a evolução depende da dissolução dos Corpos, da extração da substância da Alma deles e da amálgama alquímica dessa Alma com o Espírito.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro/1970-Fraternidade Rosacruz-SP)
Iago: O bom nome de um homem ou de uma mulher, meu senhor,
é a joia imediata de sua alma.
Quem rouba minha bolsa rouba lixo; é algo, é nada;
foi minha, é dele e foi escrava de milhares;
mas aquele que me furta meu bom nome
rouba-me aquilo que não o enriquece
e me torna verdadeiramente pobre.
(Otelo[1], Ato III, Cena III).
Encontramos no mundo cotidiano da construção civil duas classes de trabalhadores qualificados. Uma classe aprendeu a erguer estruturas de pedra, aço e madeira que são maravilhas em tamanho, beleza e durabilidade. A outra classe, maravilhosamente proficiente em seu trabalho, ocupa-se ativamente em demolir a obra dos construtores. Ambas são necessárias no mundo do progresso humano para que estruturas novas e melhores possam ser colocadas sobre os locais das antigas.
Por toda a Natureza podem ser encontradas em operação forças de caráter semelhante; as forças de construção sempre construindo, desde a menor célula até um Sistema Solar; e as forças destrutivas constantemente em ação, desintegrando as formas e devolvendo sua substância a seus constituintes primordiais. Essas atividades opostas são responsáveis por todos os fenômenos neste plano material e em todos os planos da consciência. Estão enraizadas na Lei Cósmica e são indispensáveis, imutáveis.
Os trabalhadores que desejamos considerar neste artigo são aqueles engajados na construção de um grande Templo; aqueles que constroem e ajudam outros a construir e aqueles que constroem, mas agiriam como agentes de destruição. “Não sabem vocês que são o Templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês?” (ICor 3:16).
Estudamos no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz que, lá no alvorecer do desenvolvimento humano, quando as Centelhas da Chama Divina iniciaram sua conquista deste Mundo Físico, o Grande Arquiteto do nosso Esquema de Evolução, Deus o Criador, providenciou para cada Centelha separada uma Morada. Essa morada desenvolveu-se durante três Períodos e meio de progresso até se tornar um ser composto de Corpos e veículos espirituais e físicos, que é sétuplo, e que é ocupado por cada membro da família humana. Esta é a ferramenta de trabalho a ser usada por cada Centelha Espiritual na aquisição de domínio e maestria sobre os Reinos mineral, vegetal, animal e, finalmente, sobre si mesma.
Assim, aprendemos que a família humana é composta de um agregado feito de Espíritos Virginais, tendo cada Espírito um invólucro composto de Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano: eis o que chamamos de Ego. Esse Ego ou Individualidade controla, ou está aprendendo a controlar, através de incontáveis renascimentos, a Personalidade, que é composta de substância de desejo, etérica e química. A Individualidade tríplice está ligada à Personalidade tríplice pelo elo da Mente. Esse corpo sêxtuplo (três “Corpos” inferiores e três “veículos” espirituais) é, assim, o templo de um Espírito residente que é, em verdade, sagrado.
O primeiro fenômeno aparente naquele remoto passado manifestou-se como caráter. Os Espíritos Virginais, como agora, não eram igualmente adaptáveis ao seu novo ambiente. Alguns eram ativos, outros passivos e hoje os classificamos como pioneiros e retardatários, respectivamente. Ao longo do incomensurável intervalo que se interpôs, cada Espírito Virginal individual esteve ocupado em desenvolver o maior atributo do ser humano: o caráter. Hoje, a posição do ser humano no mundo é determinada por seu caráter. É seu bom nome que ele estima acima de todas as coisas.
Ele aprendeu a discernir e a formar concepções do bem e do mal. Tendo aprendido, é responsável por seus atos; assim, é seu privilégio, e somente seu, destruir suas concepções errôneas para abrir caminho para as novas. Como Espírito Virginal residente dentro dos seus veículos, o ser humano contém dentro de si as forças necessárias de construção e destruição, de modo que aqueles que atacam seu caráter são invasores de solo sagrado. Violam uma Lei da Natureza; são, de fato, vândalos espirituais, destruidores de seres humanos.
Nosso Criador, Deus, providenciou Leis que governam tanto seres humanos quanto deuses. Está decretado na Lei Cósmica que “Tudo o que o homem semear, isso também colherá” (Gl 6:7). O caráter é a colheita, o fruto das muitas safras de experiência semeadas e colhidas pelo Aspirante à vida superior. É a própria quintessência do ser humano. É o “Templo que não foi feito por mãos.” (Hb 9:11) e é, assim, inviolável.
Somos então levados à conclusão de que os destruidores de caráter, aqueles seres humanos mais jovens, evolutivamente falando, que difamam seus colaboradores, associados ou conhecidos, estão demolindo um grande “Templo” que está em processo de construção. Eles dão expressão a uma grande força que poderia ser usada para propósitos úteis, mas que utilizam erroneamente para destruição gratuita. Dívidas do Destino (muitas que serão do tipo Destino Maduro) são assim contraídas e deverão ser expiadas.
Não é tão espantoso encontrarmos na família humana seres humanos que cometam graves erros. Todos estão buscando experiência e progredindo, aprimorando seus veículos e construindo caráter mediante essas experiências.
Como Espíritos diferenciados dentro do Criador (e não do Criador, Deus), as Leis de Deus garantem que devamos retornar à Fonte do nosso ser levando conosco os frutos da nossa peregrinação. Leis de Deus semelhantes operam em todos os planos inferiores. O impulso do ataque ao caráter vem do reino da emoção, do desejo. Semelhante a um cometa, tal impulso percorre assim toda a gama das emoções humanas, viajando através das correntes fétidas e nocivas das três Regiões inferiores do Mundo do Desejo, reunindo força em sua jornada até que, pela ação da imutável Lei Cósmica, retorna ao criador desse impulso.
Que se ataque pessoas, se quiser; movimentos religiosos, escolas de filosofia ou qualquer atividade organizada. São apenas coisas transitórias. A calma luz da razão logo dissipará as marcas do ataque daqueles tipos de seres humanos. O dano é reparável. Mas o caráter do ser humano é verdadeiramente a “joia imediata de sua alma”. Solte a seta pessoal da imputação venenosa e falsa e ela viajará com a velocidade da luz. Torna-se um monstro de muitas cabeças, algo hediondo e vicioso que obtém alimento e encontra alojamento em demasiados corações humanos.
Ganhando força devido à pronta hospitalidade, logo alcança seu alvo humano, envenenando, mutilando, destruindo, expondo ao ridículo e ao desprezo a infeliz vítima. E assim esses seres humanos, vândalos da reputação, entram diariamente em campo, buscando destruir. Certamente deve haver alguma armadura protetora que resguarde o inocente e torne o ser humano imune a esses caçadores antinaturais.
Há, de fato, uma armadura maravilhosa que podemos usar para afastar essas setas traiçoeiras e pontiagudas de ódio, inveja ou vingança. Outra grande Lei Cósmica pode ser invocada. Nenhum ser humano é tão humilde nem tão elevado que não possa usar seu poder protetor. É a Lei do Amor Crístico; aquela grande força construtiva que capacita cada indivíduo a usar o material de ideais despedaçados, esperanças destruídas e reputações arruinadas para construir, a partir daí, uma “mansão nos Céus” (Jo 14:2).
Cristo nos ensinou que: “Na casa do meu Pai há muitas moradas” (Jo 14:2-3). Ao longo das eras essa Lei do Amor operou, mas foi através do Cristo Jesus que ela foi fornecida pela primeira vez a todos nós. Ela suplanta a Regra da Lei das Religiões de Raça. Por meio do sacrifício na Cruz, Cristo Jesus implantou em toda a Humanidade o germe do amor fraternal, o amor Crístico. É uma influência transformadora. Quando desenvolvida — e seu desenvolvimento agora é possível em cada um de nós —, irradiamos em todas as direções essa força maravilhosa.
Brilhantemente luminosa, ela irradia constantemente, dia e noite, pensamentos de amor e caridade para todos. Nenhuma seta de inveja ou ódio pode persistir nesse “Fogo Vivo”; no entanto, carregadas de pensamentos de compaixão e auxílio, elas retornam em seu voo orbital à sua fonte, setas vivas de amor que consumirão o lixo de pensamentos e objetivos pervertidos. E assim vemos como é impossível realmente destruir. Apenas conseguimos mudar a forma. O arqueiro vândalo encontra a força destrutiva transmutada pelo Amor e usada para melhorar o Templo Vivo dentro do qual habita o Espírito de Deus.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – setembro/1920, traduzido e atualizado pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
[1] N.T.: Otelo, o Mouro de Veneza (no original, Othello, the Moor of Venice) é uma peça de teatro de William Shakespeare escrita por volta do ano 1603. A história gira em torno de quatro personagens: Otelo (um general mouro que serve o reino de Veneza), sua esposa Desdêmona, seu tenente Cássio, e seu suboficial Iago. Por causa dos seus temas variados — racismo, amor, ciúme e traição – continua a desempenhar relevante papel para os dias atuais.
Nós somos um Ego, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui, nesse Esquema de Evolução. Nossa manifestação nesse Esquema de Evolução é tríplice – do mesmo modo que Deus, que nos criou. Assim, nos manifestamos por meio dos seguintes veículos espirituais: Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano.
Pode-se comparar o Ego a uma pedra preciosa, a um diamante bruto. Quando este é retirado da terra está muito longe de ser formoso. Uma crosta grosseira oculta o esplendor que ela encerra, e antes que o diamante possa converter-se em uma gema, deve ser polido sobre uma pedra duríssima de esmeril. Cada aplicação contra o esmeril arranca uma parte da crosta e modela uma faceta através da qual entra a luz, refratando-se em ângulo diferente pela luz que as outras facetas refletem.
O mesmo acontece com o Ego. Como diamante bruto, entra na escola da experiência, sua peregrinação através da matéria. Cada vida terrestre é como uma aplicação da gema à pedra de esmeril. Cada vida na escola da experiência arranca uma parte da crosta do Ego e permite a entrada da luz da inteligência sob um ângulo novo, dando uma experiência diferente. Assim como os ângulos da luz variam nas muitas facetas do diamante, assim também, o temperamento, o caráter do Ego difere em cada vida.
Desde a infância até aos 14 anos a medula dos ossos não forma todos os corpúsculos sanguíneos. A maioria deles é subministrada pela Glândula Timo, que é maior no feto, e gradualmente vai diminuindo conforme vai-se desenvolvendo a faculdade individual de produzir sangue, ao crescer a criança. A Glândula Timo contém, por assim dizer, certa existência de corpúsculos proporcionados pelos pais. A criança que haure o sangue dessa fonte não compreende sua individualidade. Até que a própria criança elabore seu sangue, não pensará em si mesmo como um “eu”, mas como “filho da mamãe”, “filha do papai”.
Quando a Glândula Timo quase que desaparece aos 14 anos, o sentimento do “eu” expressa-se plenamente, pois então o sangue é produzido e dominado inteiramente pelo Ego.
Contrariamente à ideia geralmente aceita, o Ego é bissexual. Se o Ego fosse assexual o Corpo Denso seria também necessariamente assexual, porque não é mais que o símbolo externo do Espírito interno.
O Ego tem vários instrumentos: um Corpo Denso, um Corpo Vital, um Corpo de Desejos e uma Mente. Estes são seus instrumentos, e de sua qualidade e seu estado depende a obra que poderá realizar para adquirir experiências.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – setembro/1972 – Fraternidade Rosacruz– SP)
Se nos limitamos a interpretar as Sagradas Escrituras simplesmente pela “letra que mata” e não pelo “Espírito que vivifica” (IICor 3:6), como nos aconselha o apóstolo S. Paulo, pouco dela poderemos aprender. O buscador da verdade, isto é, aquele que anseia superar-se para ser mais útil à Humanidade a que pertence, será, certamente, iluminado ajudando na interpretação das escrituras.
Acerca dos três Reis Magos, se nos detemos em meditação, podemos estabelecer formosa analogia entre eles e nós, seres humanos. Observe-se que não dizemos aqui Reis da Ásia, da Arábia e do Egito, nem de qualquer outro ponto determinado da Terra. São Magos do Oriente.
Se recordamos o que escreveu Max Heindel, no tocante da direção aparente do Sol em relação à Terra e do sentido da evolução espiritual; que o Sol vem do Leste para Oeste e por analogia os Reis Magos vieram do Oriente, assentamos a base de nossa meditação.
Os três Reis Magos eram: um de cor branca, outro de cor amarela e outro de cor negra. Conhecemos a interpretação segundo a qual os Magos representam as três raças predominantes ao tempo de Cristo Jesus. Este trazia a missão de unificação das raças, ou seja, da Humanidade inteira, isto é, a substituição do Espírito de Raça pelo Espírito Unificador de Cristo – a encarnação do Amor.
Porém, cada verdade pode ter, no mínimo, sete interpretações verdadeiras. Quando nos propomos interpretar a Deus, segundo os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental que, por intermédio de Max Heindel recebemos dos Irmãos Maiores, aprendemos que o Ser Supremo mencionado nos é apresentado com os atributos de: Poder, Verbo e Movimento. Não são três Seres, senão três Atributos de um só Ser. Quando este Ser, em Sua permanente atividade, põe em Manifestação mais densa, com o propósito de criar e crescer, eles se manifestam em: Vontade, Sabedoria e Atividade. À semelhança de Deus, nosso Criador, nós criado a Sua imagem e semelhança temos três atributos, emanações de Deus, que são: o Espírito Divino, o Espírito de Vida e o Espírito Humano, respectivamente; três aspectos de Uma mesma divindade interna, nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui). Assim, nos manifestamos de forma tríplice, isto é, Consciência (Pai), Vida (Filho) e Forma (Espírito Santo). Não são três “pessoas”, senão três manifestações de uma só “pessoa”. Se faltasse uma destas três manifestações não poderíamos evoluir, mostrando assim que depende de uma cadeia completa de veículos correspondentes aos atributos superiores.
Então, os três Reis Magos podem representar a nós, o Ego, em estado superior que reverencia o “Eu Superior” (justamente os nossos veículos superiores: Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano). Melchior, da raça branca, símbolo da Unidade do Pai, representa a Consciência; Gaspar, da raça amarela, cor do Filho, é a segunda manifestação: Vida (Cristo Interno) e Baltazar da raça negra, é a terceira manifestação: a Forma (Espírito Santo). Meditemos que o movimento, terceiro atributo do Todo Poderoso, é que dá a ação, o evento. É consequência do Poder, primeiro Atributo. Nenhum, isoladamente, é superior ou inferior, senão que todos são manifestações do Todo, que é Uno.
Melchior, Gaspar e Baltazar (Consciência, Vida e Forma – três atributos em UM), ofereceram ao recém-nascido o melhor que tinham Ouro, Incenso e Mirra (Espírito, Corpo e Alma, respectivamente).
Seguindo o exemplo deles, devemos, não apenas oferecer, senão dar em pensamentos, sentimentos e atos ao Cristo Interno que nasce dentro de nós, a Consciência, a Vida e nosso Corpo, de modo a identificarmos como Filhos de Deus, um Templo do Deus vivente, seja no sentido material como no espiritual.
Aquele ouro não era material, pois o Reino de Cristo não é deste mundo e Ele não buscava riquezas materiais. Os Reis Magos, iluminados como eram, vislumbravam a Estrela como também nós a vislumbramos hoje pela interna iluminação. Eles sabiam o que estavam levando e para quem estavam levando aquelas oferendas.
De volta ao Oriente, os Magos foram por outros caminhos, evitando o Rei Herodes, cuja intenção conhecia. Assim também faz o Aspirante que deseja encurtar o caminho para a meta. Deixa atrás o caminho da Involução e volta pelo caminho da Evolução; deixa a senda dos vícios e erros e segue o caminho mais curto das virtudes. Depois que encontra o Salvador e dedica-se inteiramente a Seu Serviço, sem posteriores ligações com o egoísmo: simbolizado por Herodes.
Que este pequeno ponto do Evangelho suscite no Estudante Rosacruz uma firme resolução de se enquadrar, cada vez mais nas condições ideais de um verdadeiro servidor da “Vinha de Cristo” neste mundo.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – janeiro/1966 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Resposta: Na realidade somos todos Espíritos Virginais da Onda de Vida humana e iniciamos o trilhar nesse Caminho, Obra e Esquema de Evolução no Período de Saturno, partindo do nosso Mundo, o Mundo dos Espíritos Virginais. Quando nos manifestamos, como agora nesse Grande Dia de Manifestação (composto desse Esquema de Evolução, pelo qual estamos caminhando), o fazemos de maneira Tríplice – exatamente como o nosso criador, Deus, o faz (Pai, Filho e Espírito Santo): então nos manifestamos, a partir do Mundo do Espírito Divino até a Região Abstrata do Mundo do Pensamento como um Tríplice Espírito, trabalhando por meio de três veículos espirituais: Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano.
O objetivo desse Esquema de Evolução, na parte que conhecemos como Involução, é conquistar e aprender a trabalhar nos Mundos: Físico, do Desejo e do Pensamento. Para isso: primeiro tivemos que ganhar (e não despertar!) os veículos para trabalhar em cada um desses Mundos. Quem nos deu o germe de cada Corpo e do veículo Mente foram as Hierarquias Criadoras que são especializadas em trabalhar com o material de cada respectivo Mundo. Concomitantemente a isso, cada um daqueles três veículos espirituais foi despertado em nós, com a ajuda de Hierarquias Criadoras especializadas nessa atividade. Junto a isso, conforme ganhávamos o germe e despertava o correspondente superior veículo espiritual, fomos aprendendo a trabalhar com cada um e a aprimorar os veículos desses três Mundos, a partir de Átomos-sementes (que nada mais é do que a evolução do germe de cada Corpo que nos foi dados pelas Hierarquias Criadoras).
Três desses Veículos são os que alcançaram o estágio de Corpos: Denso, Vital (para o Mundo Físico) e de Desejos (para o Mundo do Desejo) e um ainda está no seu estado de veículo (Mente), para trabalharmos na Região Concreta do Mundo do Pensamento. Por isso é que dizemos que de cada aspecto do Tríplice Espírito emanamos os três Corpos (o Tríplice Corpo) e que por meio da Mente, nós, o Tríplice Espírito, consegue trabalhar conscientemente nas “ferramentas” Tríplice Corpo. O conjunto do Espírito Virginal manifestado (Tríplice Espírito) é chamado de Ego, no nosso caso, da Onda de Vida humana).
Atualmente, como Espírito Virginal manifestado, funcionamos na Região Abstrata do Mundo do Pensamento. Utilizando o veículo Mente, trabalhamos na Região Concreta do Mundo do Pensamento. E assim consequentemente com os Corpos: Físico, Vital e de Desejos nos Mundos: Físico e do Desejo, respectivamente. A Mente é a ponte que nos liga (o Ego) aos nossos veículos (os Corpos e a Mente, citados acima).
Que as Rosas floresçam em Vossa Cruz
Se estudarmos com atenção, não será difícil chegarmos à conclusão que só há quatro grandes motivos que nos leva a agir, a fazer, a atuar aqui na Região Química do Mundo Físico, enquanto estamos renascidos: amor, fortuna, poder e fama.
O desejo de alguma ou várias destas coisas objetos desses quatro motivos é a razão pela qual fazemos ou deixamos de fazer algo.
Se utilizamos os Ensinamentos Rosacruzes para compreender esses quatro motivos, concluímos que eles nada mais são do que incentivos para a agirmos para colocar ações, atos e fazer obras, a fim de obtermos experiências e aprender.
O Estudante Rosacruz deve continuar usando cada um dos quatro motivos de ação, firmemente, mas cabe a ele transmutá-los em algo superior e não focar no uso dele para aquisição ou manutenção das coisas materiais.
Assim, por meio de nobres aspirações, deve saber transcender o amor que busca a posse de outro Corpo, e todos os desejos de fortuna, poder e fama fundamentados em razões pessoais egoísticas.
Portanto, o amor pelo qual um Estudante Rosacruz deve aspirar é unicamente o da alma; que abarca todos os seres, elevados e inferiores e que aumenta em proporção direta às necessidades daquele que recebe.
Já a fortuna pela qual um Estudante Rosacruz deve lutar é somente a abundância de oportunidades para servir os semelhantes.
No que tange ao poder, aquele que um Estudante Rosacruz deve desejar é o que atua melhorando a Humanidade.
E, por fim, a fama pela qual um Estudante Rosacruz deve aspirar é a que possa aumentar nossa capacidade de transmitir a boa nova, a fim de os sofredores poderem encontrar o descanso para a dor do seu coração.
E se estudarmos a significância esotérica da Oração do Senhor (o Pai-Nosso) aprenderemos como essa Oração científica, nos fornecida diretamente por Cristo, é uma fórmula abstrata completa que nos ajuda a melhorarmos e a purificarmos todos os nossos sete veículos e, portanto, utilizar os quatro motivos para ação com o foco no nosso crescimento espiritual enquanto aqui renascidos.
Senão, vejamos cada um: nós, utilizando o nosso veículo Espírito Humano nos elevamos a nossa contraparte divina, o Espírito Santo, dizendo: “Santificado seja o Vosso Nome”.
Depois, utilizando o nosso veículo Espírito de Vida reverenciamos ante a nossa contraparte divina, o Filho (Cristo), dizendo: “Venha a nós o Vosso Reino”.
Continuando, utilizamos o nosso veículo Espírito Divino e nos ajoelhamos ante nossa contraparte divina, o Pai, e dizemos: “Seja feita a Vossa Vontade assim na Terra como no Céu…”.
Depois há a prece para que consigamos somente e tão somente o que precisamos para manter o nosso Corpo Denso aqui, onde usamos o nosso o nosso veículo Espírito Divino elevando a contraparte divina dele, o Pai, pedindo: “o pão nosso de cada dia dai-nos hoje”.
Seguindo na mesma linha, há a prece para que consigamos utilizar corretamente o nosso Corpo Vital aqui, onde usamos o nosso o nosso veículo Espírito de Vida elevando a contraparte divina dele, o Filho, pedindo: “perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”.
E, completando para o Tríplice Corpo, há a prece para que consigamos controlar o nosso Corpo de Desejos aqui, onde usamos o nosso o nosso veículo Espírito Humano elevando a contraparte divina dele, o Espírito Santo, pedindo: “Não nos deixeis cair em tentação”. E isso o fazemos aqui, porque já compreendemos que o desejo é o nosso grande tentador, mas também é o nossos grande incentivo para a ação. E estamos conscientes de que os nossos desejos são bons quando eles cumprem os nossos (Ego) propósitos, mas quando nossos desejos se inclinam para algo degradante (mormente para o egoísmo ou para algo contra as Leis de Deus), certamente devemos rogar para não cair nessas tentações.
E, como a Mente é um veículo (não um Corpo) e que é nossa função trabalhar para transformá-la em um Corpo Mental (a fim de usá-las realmente para criar e não para copiar ou ser escrava do desejo), pedimos ao Pai, Filho e Espírito Santo por ela, por meio da súplica “Livrai-nos do mal”.
E por que para a Mente? Porque ela é o veículo que nos permite ligarmos os nossos três veículos superiores espirituais – pelos quais expressamos a nossa Individualidade – aos três Corpos – pelos quais expressamos a cada renascimento uma Personalidade diferente. É por meio da Mente que conseguimos não seguir os seus desejos sem nenhuma restrição. E só por meio dela é que conseguimos ter a faculdade de discernimento do bem e do mal.
Só a título de observação, a parte introdutória bem conhecida: “Pai nosso que estais no Céus” é somente um indicativo de direção. Também, a parte final que às vezes é proferida, qual seja: “Porque Vosso é o Reino, o Poder e a Glória para sempre, Amém” não foi fornecida por Cristo. No entanto, pode ser bem considerada como apropriada como a nossa adoração final, como um Tríplice Espírito, por reafirmar a diretriz correta para a Divindade.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – setembro/1986 – Fraternidade Rosacruz – SP)