Eis o anúncio do próprio Cristo, nos ensinando a oração Cristã científica necessária e suficiente para evoluirmos espiritualmente com segurança aqui:
“Portanto, orai deste modo:
‘Pai nosso, que estais nos Céus, santificado seja o Vosso Nome.
Venha a nós o Vosso Reino.
Seja feita a Vossa vontade, assim na Terra como nos Céus.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje.
Perdoai as nossas dívidas, assim como também perdoamos aos nossos devedores.
E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.
Porque Vosso é o reino, o poder e a glória para sempre.
Amém.’
Porque se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará; porém se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai perdoará as vossas ofensas.”
Mt 6:9-15
Esse modelo de oração fornecido a nós por Cristo Jesus é uma fórmula abstrata e algébrica para a elevação e purificação de todos os nossos veículos.
Contém três partes de oração e uma súplica. Cada uma das três partes refere-se às necessidades de um dos nossos (nós, um Tríplice Espírito) aspectos espirituais e sua contraparte no Tríplice Corpo.
Quando nós – que somos um Tríplice Espírito e possuímos uma Mente pela qual governamos um Tríplice Corpo e o transmutamos em Tríplice Alma – ora, isto acontece.
O Espírito Humano ergue-Se nas asas da devoção até sua origem, o Espírito Santo, na Sagrada Trindade, e entoa o canto iniciai, “Santificado seja o Vosso nome”.
O Espírito de Vida eleva-Se nas asas do amor e dirige-Se à origem de seu Ser, o Filho: “Venha a nós o Vosso Reino”.
O Espírito Divino sobe, junto do conhecimento superior, até o manancial onde nasceu, na aurora dos tempos, o Pai, e manifesta Sua confiança naquela Inteligência total pelas palavras “Seja feita a Vossa vontade”.
Tendo assim alcançado o Trono da Graça, nós apresentamos os nossos pedidos relativos a nossa Personalidade, o Tríplice Corpo.
O Espírito Divino ora ao Pai pela sua contraparte, o Corpo Denso: “O pão nosso de cada dia nos dai hoje”.
O Espírito de Vida ora ao Filho pela sua contraparte, o Corpo Vital: “perdoai as nossas dívidas, assim como também perdoamos aos nossos devedores”.
No Corpo Vital estão armazenados os registros subconscientes de todos os acontecimentos passados de nossa vida. Se, mediante a oração contínua (“orai sem cessar”), obtivermos o perdão (o arrependimento) pelos males causados aos outros e se fizermos todas as reparações possíveis e se eliminarmos todos os ressentimentos (reforma íntima), livramo-nos de muito sofrimento após a morte, além de prepararmos avançarmos no nosso crescimento anímico, que está particularmente sujeita à vitória do Corpo Vital sobre o Corpo de Desejos. Sob a forma de memória, o Corpo de Desejos imprime no Corpo Vital a ideia de vingança. Por isso o Aspirante à vida superior deve cultivar o controle emocional, porque assim estará agindo sobre os dois Corpos.
O Espírito Humano enuncia a súplica pelo Corpo de Desejos com estas palavras: “E não nos deixeis cair em tentação”.
Então todos, em coro, fazem um apelo geral pela Mente: “Livrai-nos do mal”.
O acréscimo: “Porque Vosso é o reino, o poder e a glória para sempre” não foi dado por Cristo; mas representa um expressivo arremate.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de fevereiro/1966-Fraternidade Rosacruz-SP)

Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz
Se estudarmos com atenção, não será difícil chegarmos à conclusão que só há quatro grandes motivos que nos leva a agir, a fazer, a atuar aqui na Região Química do Mundo Físico, enquanto estamos renascidos: amor, fortuna, poder e fama.
O desejo de alguma ou várias destas coisas objetos desses quatro motivos é a razão pela qual fazemos ou deixamos de fazer algo.
Se utilizamos os Ensinamentos Rosacruzes para compreender esses quatro motivos, concluímos que eles nada mais são do que incentivos para a agirmos para colocar ações, atos e fazer obras, a fim de obtermos experiências e aprender.
O Estudante Rosacruz deve continuar usando cada um dos quatro motivos de ação, firmemente, mas cabe a ele transmutá-los em algo superior e não focar no uso dele para aquisição ou manutenção das coisas materiais.
Assim, por meio de nobres aspirações, deve saber transcender o amor que busca a posse de outro Corpo, e todos os desejos de fortuna, poder e fama fundamentados em razões pessoais egoísticas.
Portanto, o amor pelo qual um Estudante Rosacruz deve aspirar é unicamente o da alma; que abarca todos os seres, elevados e inferiores e que aumenta em proporção direta às necessidades daquele que recebe.
Já a fortuna pela qual um Estudante Rosacruz deve lutar é somente a abundância de oportunidades para servir os semelhantes.
No que tange ao poder, aquele que um Estudante Rosacruz deve desejar é o que atua melhorando a Humanidade.
E, por fim, a fama pela qual um Estudante Rosacruz deve aspirar é a que possa aumentar nossa capacidade de transmitir a boa nova, a fim de os sofredores poderem encontrar o descanso para a dor do seu coração.
E se estudarmos a significância esotérica da Oração do Senhor (o Pai-Nosso) aprenderemos como essa Oração científica, nos fornecida diretamente por Cristo, é uma fórmula abstrata completa que nos ajuda a melhorarmos e a purificarmos todos os nossos sete veículos e, portanto, utilizar os quatro motivos para ação com o foco no nosso crescimento espiritual enquanto aqui renascidos.
Senão, vejamos cada um: nós, utilizando o nosso veículo Espírito Humano nos elevamos a nossa contraparte divina, o Espírito Santo, dizendo: “Santificado seja o Vosso Nome”.
Depois, utilizando o nosso veículo Espírito de Vida reverenciamos ante a nossa contraparte divina, o Filho (Cristo), dizendo: “Venha a nós o Vosso Reino”.
Continuando, utilizamos o nosso veículo Espírito Divino e nos ajoelhamos ante nossa contraparte divina, o Pai, e dizemos: “Seja feita a Vossa Vontade assim na Terra como no Céu…”.
Depois há a prece para que consigamos somente e tão somente o que precisamos para manter o nosso Corpo Denso aqui, onde usamos o nosso o nosso veículo Espírito Divino elevando a contraparte divina dele, o Pai, pedindo: “o pão nosso de cada dia dai-nos hoje”.
Seguindo na mesma linha, há a prece para que consigamos utilizar corretamente o nosso Corpo Vital aqui, onde usamos o nosso o nosso veículo Espírito de Vida elevando a contraparte divina dele, o Filho, pedindo: “perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”.
E, completando para o Tríplice Corpo, há a prece para que consigamos controlar o nosso Corpo de Desejos aqui, onde usamos o nosso o nosso veículo Espírito Humano elevando a contraparte divina dele, o Espírito Santo, pedindo: “Não nos deixeis cair em tentação”. E isso o fazemos aqui, porque já compreendemos que o desejo é o nosso grande tentador, mas também é o nossos grande incentivo para a ação. E estamos conscientes de que os nossos desejos são bons quando eles cumprem os nossos (Ego) propósitos, mas quando nossos desejos se inclinam para algo degradante (mormente para o egoísmo ou para algo contra as Leis de Deus), certamente devemos rogar para não cair nessas tentações.
E, como a Mente é um veículo (não um Corpo) e que é nossa função trabalhar para transformá-la em um Corpo Mental (a fim de usá-las realmente para criar e não para copiar ou ser escrava do desejo), pedimos ao Pai, Filho e Espírito Santo por ela, por meio da súplica “Livrai-nos do mal”.
E por que para a Mente? Porque ela é o veículo que nos permite ligarmos os nossos três veículos superiores espirituais – pelos quais expressamos a nossa Individualidade – aos três Corpos – pelos quais expressamos a cada renascimento uma Personalidade diferente. É por meio da Mente que conseguimos não seguir os seus desejos sem nenhuma restrição. E só por meio dela é que conseguimos ter a faculdade de discernimento do bem e do mal.
Só a título de observação, a parte introdutória bem conhecida: “Pai nosso que estais no Céus” é somente um indicativo de direção. Também, a parte final que às vezes é proferida, qual seja: “Porque Vosso é o Reino, o Poder e a Glória para sempre, Amém” não foi fornecida por Cristo. No entanto, pode ser bem considerada como apropriada como a nossa adoração final, como um Tríplice Espírito, por reafirmar a diretriz correta para a Divindade.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – setembro/1986 – Fraternidade Rosacruz – SP)