O Estudante Rosacruz ativo, que está trilhando fielmente o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, já compreendeu que entre quedas, desistências, covardias e grandezas estamos seguindo “para frente e para cima”. E que há uma criança divina em nós, que a cada dia quer nascer.
Se olharmos ao nosso redor vemos que essa sentença aparece como uma semente lançada em época muito oportuna, já que estamos em uma fase de trânsito entre uma Era que está terminando (a Era de Peixes) e outra (onde já estamos na sua “Órbita de Influência”, a Era de Aquário), cujos lampejos aos mais avançados é dado entrever e transmite uma incrível sensação de insegurança a muitos irmãos e muitas irmãs.
Isso tem produzido uma espécie de fobia generalizada de perda. Muitas pessoas temem perder o emprego, a saúde, a posição social, os entes queridos e a própria vida (especialmente aos que acham que a vida é o fim da existência e até aqueles que acham que partem daqui para uma chamada “vida eterna” que nem sabe direito o que é!).
Esse clima de instabilidade, para muitos, é doloroso, não resta dúvida. Entretanto, pelo menos para quem “tem olhos para ver e ouvidos para ouvir” encerra alguns aspectos altamente positivos, isto é, oferece valiosíssimas lições morais e espirituais. Dentre elas destacamos:
Estes são alguns aspectos da questão. Existem outros não menos importantes. Na verdade, nós, a despeito das circunstâncias nas quais estamos envolvidos, procuramos algo superior, o que já não deixa de ser um passo considerável.
Mas, a maioria procura fora de si mesmo. Quando se admitir como um ente superior, o que realmente somos: um Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana, manifestado aqui), parte integrante do corpo macrocósmico de Deus, terá se desvencilhado das crises e desequilíbrios deste mundo – essas incríveis ilusões. Nascerá, então, de um longo e doloroso parto, a Divina Criança em cada um de nós, o Cristo Interno.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – maio/1984 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Agosto de 1917
Na Carta a seguir, há uma sugestão valiosa de um Estudante Rosacruz a qual sinto meu dever transmitir:
Ontem à noite, ao examinar a vasta correspondência que tive a felicidade de receber da Fraternidade Rosacruz ao longo de quase cinco anos, perguntei-me como outros Estudantes Rosacruzes e Probacionistas lidam com as Cartas mensais que eles recebem da Fraternidade Rosacruz. Em seguida, ocorreu-me que esse assunto deveria ser abordado em uma das cartas mensais. Não é meu desejo criticar as atitudes de outros Probacionistas, mas é muito provável que poucos Estudantes Rosacruzes e Probacionistas percebam plenamente a verdadeira mina de informações contida nessas cartas — informações que podem ser transformadas em tesouro celestial por meio da ação correta. Com que frequência, ao reler edições passadas, surgiram novas ideias e compreensões das quais eu não tinha consciência anteriormente! E que grande ajuda elas têm sido em tantas lutas interiores!
Pode-se afirmar, com razão, que nestas lições anteriores possuímos uma mina de ouro da qual se podem extrair muitos tesouros capazes de nos auxiliar a viver a vida. Temos aqui, de fato, um segundo Conceito Rosacruz do Cosmos. É deveras importante que Estudantes Rosacruzes e Probacionistas arquivem e preservem corretamente cada detalhe de sua correspondência com a Fraternidade Rosacruz, para que ela possa ser utilizada da melhor maneira possível na difusão da luz dos Irmãos Maiores. Talvez apenas uma dessas lições seja suficiente para ajudar um amigo ou uma amiga. Certamente, uma organização metódica desse material trará grandes benefícios.
Acredito ser pouco provável que a maioria dos Estudantes Rosacruzes e Probacionistas consiga compreender plenamente o imenso poder para o bem que reside nessas lições. Para aqueles de nós habituados a dados rigorosos e métodos científicos de pesquisa, essas lições serão de grande valia para ajudar a unir a Mente e o Coração. Elas contêm muitas preciosidades de pensamento que conduzirão à ação correta e à perseverança na prática do bem. Se os Estudantes Rosacruzes e Probacionistas mantiverem o pensamento voltado para a melhor forma de utilizar as cartas que recebem, isso será de grande ajuda e promoverá um maior crescimento da alma. Certamente, são as pequenas coisas que tornam possíveis as grandes realizações, e talvez isso incentive alguns membros a se dedicarem ao serviço.
Se os Estudantes Rosacruzes tiverem em mente que a repetição é a nota tônica do Corpo Vital, e que “todo desenvolvimento oculto começa pelo Corpo Vital”, compreenderão por que é tão proveitoso rever frequentemente as lições e cartas anteriores.
(Carta nº 81 do Livro “Cartas aos Estudantes” – de Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Resposta: Todos nós temos, ou deveríamos ter alguma orientação sobre tendências e situações do futuro de nossas vidas – pelo menos se formos compenetrados e nos dermos ao trabalho de séria autoanálise no Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção. Isto nada tem a ver com profecia ou tirar sorte. Intuição, introspecção e o uso apropriado da Astrologia espiritual Rosacruz são úteis sob este aspecto. A intuição e a introspecção podem ser desenvolvidas com a prática.
Um conhecimento substancial de Astrologia espiritual Rosacruz ajuda-nos a determinar as possibilidades de desenvolvimento do caráter e a força e as fraquezas reveladas em nossos horóscopos.
“Conheça a si mesmo” é um dos conselhos mais antigos e importantes dados aos Aspirantes à vida superior, e quanto mais nos chegamos a conhecer, tanto mais podemos discernir a direção geral que os eventos em nossas vidas são inclinados a tomar.
Isto não significa localizar os mínimos detalhes. Pouco nos beneficia ponderarmos se este ou aquele particular indivíduo irá fazer-nos tal ou qual coisa ou se, indo nós a tal lugar num certo dia, possamos ter um acidente de carro.
Podemos, contudo, beneficiar-nos conhecendo nossas inclinações emocionais ou temperamentais de forma a, se alguém nos hostilizar, estarmos preparados a não perder o controle reagindo, isto sim, de maneira construtiva e bondosa.
Ajuda-nos saber que certos Aspectos, em efeito num determinado dia, tornam imperativo que observemos particularmente nossos hábitos em guiar, naquele dia, para que o que quer que possa acontecer na estrada nos encontre como motoristas seguros.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – março/1983 – Fraternidade Rosacruz –SP)
O objetivo de um diagnóstico é determinar as causas dos sintomas que se manifestam como doença, e da sua precisão depende a eficácia do tratamento. Existem vários métodos para a detecção de doenças, mas os dois explicados a seguir são provavelmente os menos conhecidos e, consequentemente, pouco reconhecidos. O progresso, no entanto, exige que investiguemos e, se as considerarmos válidas, aceitemos novas ideias.
Para os processos da Cura Rosacruz, na Fraternidade Rosacruz, se utiliza o diagnóstico astrológico – o Astro-diagnóstico –, onde os dados necessários são o horário e o local de nascimento, sendo a análise realizada a partir de um horóscopo por meio da Astrologia espiritual Rosacruz. O movimento dos corpos celestes é tal que suas posições relativas não se repetirão por um período superior a vinte e cinco mil anos. Assim, não existem dois horóscopos iguais — nem poderiam existir —, pois cada indivíduo apresenta diferenças em relação aos demais; logo, é evidente que a resistência a qualquer doença nunca será a mesma em dois casos. Duas pessoas podem receber o mesmo tratamento para sintomas praticamente idênticos e, ainda assim, suas respostas aos agentes terapêuticos podem ser muito diferentes, embora estejam em conformidade com as indicações do horóscopo.
A detecção de doenças foi simplificada, em certa medida, pelo método de Cura Rosacruz; em resumo, a teoria é a seguinte: cada Signo tem afinidade com uma determinada parte da anatomia humana e com os órgãos nela contidos. Assim, o primeiro Signo, Áries, rege, dentre outras partes, a cabeça, seguindo-se os outros em rotação até o décimo segundo Signo, Peixes, que rege, dentre outras partes, os pés.
Os Astros (Sol, Lua e Planetas) afetam as diversas partes do Corpo quando se encontram no Signo zodiacal correspondente, e o ângulo de seus raios variáveis fornecem origem às diferentes formas de processos mórbidos aos quais o Corpo Denso está sujeito. Ao combinar esses dois fatores — e levando em conta a Casa em que ocorrem, bem como a aceleração ou o retardamento provocados pelos Aspectos (Conjunção, Sextil, Quadratura, Trígono ou Oposição) que formam entre si —, desenvolveu-se um sistema de diagnóstico preciso e extremamente profundo.
Para dar um exemplo: uma das palavras-chaves de Saturno em qualquer âmbito da vida é “obstrução”; encontrá-lo no Signo de Gêmeos — que rege também os pulmões — indica imediatamente a necessidade de cuidados com essa parte do Corpo Denso. Se, além disso, encontrarmos o Planeta Júpiter no mesmo Signo, a uma distância de dois ou três graus de Saturno (e não há nenhum outro Astro nesse Signo e nenhum outro Aspecto com esses dois Planetas), então — visto que este último Planeta também rege a circulação arterial — torna-se evidente que a pessoa tende fortemente a sofrer certo grau de obstrução; consequentemente, tal pessoa estará sujeito a resfriados pulmonares e a enfermidades mais graves decorrentes da negligência em relação aos sintomas iniciais mais simples.
Se o Estudante Rosacruz aprofundar-se no conhecimento da Filosofia Rosacruz e, com a mesma intensidade, na Astrologia espiritual Rosacruz (só se aprofundar na Astrologia espiritual Rosacruz não é suficiente!), ele comprovará, com propriedade, que a análise astrológica é superior ao diagnóstico, por exemplo, por raios X; pois, enquanto o aparelho pode indicar uma debilidade em um dado momento, o horóscopo aplica exatamente o mesmo princípio ao Corpo Denso ao longo de toda a vida, tanto antes quanto depois do momento do exame. Essa, contudo, não é a função mais valiosa desse método de diagnóstico, pois essa Astrodiagnose também aponta o momento em que fraquezas inerentes se transformarão em distúrbios funcionais ou orgânicos; assim, o Estudante Rosacruz ativo pode ficar “prevenido e preparado” de duas maneiras distintas.
A Astrologia espiritual Rosacruz possui, no entanto, uma limitação — uma restrição que se aplica a qualquer Ciência aplicada aqui no Mundo Físico. O horóscopo natal indica as tendências da vida em todos os seus aspectos. A escolha e o livre-arbítrio pertencem exclusivamente à pessoa! Ela detém a prerrogativa de alterar previsões por meio de um ato de vontade, embora geralmente careça de força de vontade para fazê-lo. Consequentemente, o horóscopo permanece como um guia extremamente preciso, especialmente porque pouquíssimas pessoas sequer têm consciência da influência astral e, pior, muitos quando a tem se esquecem de que os “Astros sugerem, não obrigam”.
Isso nos conduz ao propósito mais importante da Astrologia espiritual Rosacruz: perceber uma debilidade inerente em qualquer área representa um avanço, porque tal debilidade pode estar latente (e assim permanece se a pessoa souber o que não deve fazer para ativá-la), mas isso apenas nos leva ao limiar de um novo sistema para lidar com a doença antes que ela se manifeste. “Prevenir é melhor do que remediar” é uma verdade profunda; portanto, cabe a cada Estudante Rosacruz, que compreende as possibilidades dessa Ciência Divina, identificar seus pontos fracos e organizar sua vida de modo a construir a constituição dos seus Corpos mais resistente possível, cuidando das condições locais quando o perigo surgir. Sob a orientação dessa Ciência Divina, dispomos da oportunidade mais racional e eficaz de aplicar aquela medida preventiva que torna desnecessário o tratamento curador posterior.
Por meio da Astrologia espiritual Rosacruz podemos receber avisos prévios sobre tendências prejudiciais à saúde, possibilitando assim a adoção de medidas preventivas. Com isso, muitas doenças ou enfermidades que estão latentes em um horóscopo pode passar a vida inteira e não ser ativadas pela pessoa. Aprende-se, aqui, pelo amor e não pela dor! E, ainda, se ativadas, a Cura total da doença ou enfermidade pode ser alcançada, pelo processo de Cura Rosacruz, sempre que a pessoa quiser ser curada, pois sempre exigirá a força de vontade dela, a fé, a disciplina e a adoção de uma vida Cristã, seguindo fielmente os ensinamentos de Cristo na vida dela. Afinal, como nos ensinou Cristo: “vá e não peques mais”. O Estudante Rosacruz ativo se esforça para inserir na vida dele a prática dos ensinamentos de Cristo, pois se peca, sabe como deve fazer para se arrepender e praticar a reforma íntima.
(Publicado pela Revista Rays from the Rose Cross de março/1916 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
Muitos Estudantes Rosacruzes, não raramente, são fustigados por dolorosas provações. Essas fases, às vezes, se prolongam por bom tempo e podem ensejar reações negativas, se não forem enfrentadas com calma e firmeza.
Uma provação representa uma ou várias lições pendentes de vidas passadas cujo aprendizado deve acontecer agora. Qualquer tentativa de procrastinar esse aprendizado redundará numa experiência mais dolorosa ainda, neste ou no próximo renascimento. Portanto, é inútil fugir. Não adianta ficar passivo ou passiva, lamentando a “própria desgraça”.
Antes de mais nada é preciso que se entenda: o propósito da vida é a experiência e não o sofrimento, como alguns imaginam. Atitude mais correta é tentar entender o que está acontecendo e por quê. O Exercício Esotérico Rosacruz de Meditação, a prática constante da oração (especialmente as orações científicas, fornecidas pela Fraternidade Rosacruz) e o estudo disciplinado, persistente e progressivo da Filosofia Rosacruz servem justamente para esse propósito.
O Estudante Rosacruz, porém, muitas vezes depara com uma situação complexa, intrincada, à primeira vista um beco sem saída. Mas, não é bem assim. Há sempre uma saída. Talvez não seja a solução ideal no entendimento do Estudante Rosacruz, mas, de qualquer forma é o que mais lhe convém em termos de crescimento anímico.
E como reagir diante de uma situação capaz de causar perplexidade?
Bem, há que haver um parâmetro de comportamento. Esse Ideal é o Cristo.
Se nos perguntarmos como reagiria o Cristo em uma dada circunstância, logo o saberemos. Ele, em qualquer situação seria compassivo, tolerante, paciente, compreensivo e amoroso. Sua característica de “sempre perdoar” de imediato transmutaria todo e qualquer desentendimento em concórdia.
Alguém, entretanto, pode objetar: mas “o Cristo é o Cristo. Eu sou um ser humano, cheio de falhas. Cristo é um Ideal muito distante para mim. É uma meta inatingível.”
É lógico, nenhum de nós agiria exatamente como o Cristo, porque ninguém o iguala em perfeição e sabedoria. Contudo, pode se reagir amorosamente em um relacionamento conflituoso, sem expressar um amor tão perfeito como o do Cristo. É necessário, entendamos, manifestar as virtudes do Cristo, mesmo que se o faça imperfeitamente. Se houver boa vontade as coisas se resolverão.
Todos nós passamos por fases de duras provações em nossas vidas. Se vivermos cada minuto de nossas existências como sabemos que o Cristo desejaria que o vivêssemos superaremos gloriosamente todas as provas.
Meditemos sobre esta frase: “Se vivermos cada minuto como sabemos que o Cristo desejaria que o vivêssemos“.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – fevereiro/1986-Fraternidade Rosacruz-SP)
Resposta: A última parte da pergunta indica nossa exata posição. Enfatizamos o valor e a importância do regozijo e da felicidade, não, sem dúvida, como um supremo fim em si mesmo, senão como um produto da evolução, através da qual avançamos a estados sempre superiores de poder e de glória.
O objetivo da evolução não é simplesmente obter felicidade para nós, Egos, que tomamos parte nela, embora a vida em todos os planos esteja designada a ser feliz e satisfatória. Nosso real propósito aqui é ajudar a execução do grande plano de Deus, que conhecemos como Obra, Caminho e Esquema de Evolução. Se trabalharmos de acordo com esse plano, o regozijo e a felicidade serão em abundante medida.
O problema aqui é que a maioria de nós percorreu apenas uma distância comparativamente curta no Caminho de Evolução e, por isso, está ainda ignorante das Leis de Deus e das forças cósmicas e está constantemente violando essas Leis de Deus de tal forma que atrai dor sobre si mesma.
Existem dois métodos de aprendizagem nesse Esquema de Evolução. Um é pela experiência e o outro é pela observação. A Filosofia Rosacruz tem por objetivo induzir aos Estudantes Rosacruzes a aprender por meio da observação. Com este propósito fornece informação com relação às Leis de Deus e, também, sobre a dor que resulta quando são violadas. É assim que nós, Egos, prudentes modificaremos nossos caminhos de acordo com as Leis de Deus e evitaremos violentá-las, pois isso produzirá sofrimento (“O caminho do transgressor é duro.”). A Filosofia Rosacruz menciona a dor e o sofrimento apenas em conexão com isso.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – maio/1981 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Ninguém pode se sentir feliz vivendo somente para si. Quem assim encaminha sua existência mal pode prever os desditosos resultados de tão triste semeadura. Não nos espanta saber que a sociedade moderna é um imenso agrupamento de pessoas acometidas de diversas formas de neurose. A neurose é uma doença; é um mal provocado por uma vivência centrada no egoísmo. O neurótico, além de egoísta, tende a ser egocêntrico (eu+centro). Isto é, a se colocar no centro de todas as coisas, como se fosse a pessoa mais importante do mundo. Isso, obviamente, gera conflitos e lhe traz sérios aborrecimentos. O indivíduo acaba por se sentir isolado, solitário, incompreendido. Na verdade, ele se tornou incapaz de praticar o amor Crístico.
Os três grandes males ou pecados da nossa época: o egoísmo, a impaciência ante as restrições e o orgulho intelectual nada mais são que expressões neuróticas. A vida moderna, se a pessoa não orar e vigiar, tende a atirá-la na turbulenta correnteza da competição e do hedonismo. São muitas as ciladas e sutis suas aparências. Para quem se deixou envolver pelos condicionamentos sociais, ou se há muito se acomodou ao ritmo e embalo da nossa colorida civilização, tudo isso parece normal. A anomalia consiste em não agir conforme esses parâmetros.
Como proceder, então, diante desse quadro pouco edificante?
Os Ensinamentos Rosacruzes preconizam uma vivência equilibrada: “Viver no mundo, mas não ser do mundo.” (Jo 17:15-16), é uma boa filosofia de vida. O Estudante Rosacruz entende que não deve se isolar só porque as condições do meio onde vive são incompatíveis com seus princípios. Alienar-se é um erro grave. A reparação deverá ser feita no devido tempo. Fugir às responsabilidades é passar ao longo de experiências valiosíssimas. Evitar pessoas incapazes de falar a sua linguagem espiritual ou impotente para se libertar de uma mentalidade materialista não lhe trará benefício algum. Saber se relacionar sem perder sua identidade ou autenticidade é um indício de crescimento espiritual.
Ao Estudante Rosacruz cabe cultivar algumas habilidades. Deve ser flexível e tolerante para com os defeitos alheios, mas vigilante para consigo mesmo. Em suma, é bom aceitar as pessoas como elas são, sem, entretanto, se deixar abalar em suas convicções.
No convívio espiritual cabe-lhe fazer valer suas qualidades e competência isento, porém, de qualquer intenção de competir. Sem pretensões descabidas, trabalha honestamente, confiando na justiça de Deus (não na “justiça dos homens”) que fornece a cada um segundo seu merecimento. Se a ascensão profissional sobrevier como fruto de seus esforços, saberá entendê-la como um meio de fazer o bem e não um fim em si mesmo. Infelizmente as pessoas, em sua maioria, subverteram o sentido das coisas.
O Estudante Rosacruz se esforça por ser um exemplo no meio em que vive. Cuida, entretanto, de que isso não o torne vaidoso. À medida que avança no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz as armadilhas se revestem de sutilezas; as falhas de caráter assumem ares de virtude, e o tombo acaba por se tornar perigosíssimo.
O Estudante Rosacruz está sempre atento em viver no Mundo material, mas cultiva seu mundo interior, tendo sempre presente que o “Reino de Deus está dentro de si mesmo.” (Lc 17:21) governa todos os seus passos. Por falar em passos, ele evita viver apressadamente, como aqueles que correm desesperadamente atrás de algo que nem sabem definir o que seja. Trabalha para viver e não para morrer. A serenidade nunca está com pressa, jamais é impaciente e com falta de tempo. Segundo Goethe, “a felicidade não é um prazer transitório, mas a longevidade de um poder secreto”.
Se o mundo adora a sofisticação, o Estudante Rosacruz ruma em sentido contrário: prefere a simplicidade. É mister redescobrir a simplicidade – simplicidade no viver, simplicidade nas atitudes com relação ao mundo e a outras pessoas. Os prazeres simples trazem mais duradouros benefícios. As simples qualidades Cristãs de amor e bondade, embora nem sempre apreciadas em nossa avançada sociedade tecnológica, são ainda as melhores fontes de felicidade.
Tudo isso é muito importante, mas a suprema meta do Estudante Rosacruz é a consagração de sua vida a servir a Humanidade. Os elevados e compassivos seres, que regem nossa evolução, dentre os quais se destacam os Irmãos Maiores, necessitam, em sua missão benfeitora de obreiros, de Auxiliares Visíveis conscientes aqui na Região Química do Mundo Físico. Quanto mais o Estudante Rosacruz se conscientiza do alcance dessa necessidade, mais disposto estará a servir. Compreende que é um privilégio participar desse plano de redenção, mormente dedicando seus esforços a Obra Rosacruz. Os Irmãos Maiores se regozijam quando o Aspirante à vida superior, superando as limitações do egoísmo, expressa o Amor Crístico, cultivando um sentimento impessoal e universal de solidariedade.
O Estudante Rosacruz, assim, terá dado o primeiro passo ao assumir a condição de Auxiliar Visível e, posteriormente, Auxiliar Invisível inconsciente. Com o decorrer do tempo as faculdades internas dele florescerão a níveis sequer imagináveis, ensejando-lhe se converter em um Auxiliar Invisível consciente. Terá, então, o passo além do véu.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de junho de 1981 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Apelando para a sabedoria popular, costuma dizer nosso “caipira”: “para conhecermos alguém é preciso comermos juntos um saco de feijão”, isto é, conviver durante um tempo razoável com ele. De fato, a convivência traz a intimidade e esta nos revela a pouco e pouco as fraquezas e virtudes de seu caráter.
E como ainda uma grande maioria das pessoas está engatinhando no Cristianismo Esotérico e “bebendo do leite da doutrina”, tem a tendência inferior de ver e exaltar os defeitos e se lembrar pouco das virtudes.
A Filosofia Rosacruz nos ensina que todos nós, mesmo os selvagens, temos algo de bom, que deve ser exaltado e cultivado. No livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz estudamos um trecho de uma história em que Cristo e seus Discípulos, passando pelo cadáver em putrefação de um cachorro, disse: “As pérolas são menos alvas que seus dentes”. Num espetáculo que parecia inteiramente nauseabundo e feio encontrou Ele motivo de beleza, porque sabia dos benéficos efeitos que produzia sobre o Mundo do Desejo, ao “procurar o bem em todas as coisas”. E no fim de nosso Ritual do Serviço Devocional do Templo repetimos sempre que o oficiamos: “esforcemo-nos por esquecer, diariamente, os defeitos dos nossos irmãos e procuremos servir a divina essência neles oculta, o que constitui a base da Fraternidade”.
No entanto, verificamos todos os dias que muitos de nós, Estudantes Rosacruzes, nos esquecemos desses princípios e nos deixamos arrastar pelos antigos hábitos de crítica destrutiva. Ora, um hábito com outro se corrige. Não é possível conciliarmos hábitos errados do passado com a formosa Filosofia Rosacruz. “Não se põe remendo novo em vestido velho” (Mt 9:16, Mc 2:21 e Lc 5:36), senão, que “devemos morrer todos os dias” (ICor 15:31) nas coisas erradas para formar o novo ser humano.
Aqueles que entram na Fraternidade Rosacruz e dela se afastam quando percebem um defeito em outro irmão ou em outra irmã não compreendeu que constituímos uma Escola de ensino e prática do Cristianismo Esotérico, ou seja, de aperfeiçoamento Cristão e, apesar de nossas falhas e defeitos, procuramos fazer o melhor possível.
Além disso, o que nos deve fixar na Fraternidade Rosacruz não são as pessoas, mas o ideal Rosacruz. É verdade que devemos dar o melhor exemplo possível, “dentro de nossas forças”, pois, os principais colaboradores estão, de certo modo, como a cidade edificada sobre o monte ou o lampião do velador (Mt 5:14-15), algo destacados e mirados pelos principiantes como indivíduos melhores. Daí, muitas vezes, a decepção e afastamento de um novo Estudante Rosacruz quando percebe neles algum defeito.
Repetimos: busquemos cada um o ideal Rosacruz, ou seja, cumprir o programa de aperfeiçoamento interior que por si não dá tempo para reparar nos outros – pois há muito que aprender e praticar – e procurar ver em tudo o que há de bom (que sempre existe).
Errar é próprio de cada um de nós e pelo fato de alguém entrar na Fraternidade Rosacruz não quer dizer que seja um santo ou que, após tantos anos por estar ali, se converta num Iniciado.
Afinal, quem se desilude é porque se iludiu primeiro. Quem ensina a por pedestais sob dirigentes? Max Heindel nos ensina que o mundo é uma escola – a Escola da Vida – e a Fraternidade Rosacruz uma escola que veio para lançar uma luz oculta sobre a mal-entendida Religião Cristã, e para explicar o mistério da Vida e do Ser do ponto de vista científico, em harmonia com a Religião, e onde são fornecidos a todos os meios de se elevarem com suas próprias forças (e não por forças externas) ao domínio de si mesmo e, desse modo, alcançar a possibilidade de cruzar os portais da Iniciação para a Ordem Rosacruz. Na Fraternidade Rosacruz aprendemos que até os Iniciados erram e é com isso que aprendem cada vez mais.
Não estamos defendendo as fraquezas nem os defeitos. Todos devemos nos esforçar para dar o melhor exemplo possível e se alguém escorrega, então o que devemos fazer como Cristãos é ajudá-lo de modo inteligente e construtivo e não o enterrar mais com as vibrações maléficas de nossos maus pensamentos e nossas más palavras de ferina crítica, pois sabemos que “todos colhem conforme semeiam” (Gl 6:7-8), tanto os que criticam como os que realmente erram.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – julho/1964 – Fraternidade Rosacruz – SP)
O nosso (Ego, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui) mergulho gradativo na matéria (chegando ao máximo de densidade aqui na Região Química do Mundo Físico) nos tornou, ilusoriamente, um ser separado dos demais.
Essa consciência ilusória de separatividade deu margem ao conceito de “eu me basto”. E criamos e praticamos certos comportamentos alinhados a isso, como: egoísmo, egotismo, egocentrismo. São palavras que expressam as características de um ser voltado para si mesmo, concentrado nos próprios interesses, muitas vezes em detrimento dos demais.
Quando vivemos assim, somos desprovidos de empatia, pouco afeitos à generosidade e ao trabalho em grupo. Se assim nos comportamos, quando nos envolvemos num trabalho coletivo, somos incapazes de promover a sinergia a não ser em circunstâncias especiais em que o nosso prestígio esteja em jogo. Se utilizarmos bem o nosso Exercício Esotérico de Observação, não será difícil perceber que um líder assim dificilmente obtém êxito, porque a sua natureza não lhe permite abdicar do comando ou de impor suas ideias!
Mas, quando somos realmente um Aspirante à vida superior, como o é um Estudante Rosacruz ativo, o inverso acontece, pois nesse caso exercemos a liderança dentro dos princípios aquarianos. Então, podemos ser líderes na mais elevada acepção da palavra. Não cedemos à tentação de impor nossas opiniões, procuramos ouvir os demais, nos expressamos com clareza e concorremos sempre para que as decisões sejam tomadas por consenso.
Esse tipo de liderança é exercido com cuidado e humildade. Afinal, compreendemos que o verdadeiro líder não é uma superestrela que empolga pela força de sua retórica, mas lidera por meio da cooperação, construindo pontes de relacionamento, valorizando os talentos e os esforços dos componentes do grupo. Sabemos, então, que não se comporta como um chefe. Agimos muito mais como um facilitador. Conseguimos aplicar nosso talento e nossa experiência para criar uma atmosfera de confiança e colaboração. Assim, o ser bem-sucedido é uma consequência, porque o grupo ou a equipe trabalha junto e seus membros se sobressaem.
Ao nos engajarmos com um líder aquariano, seja onde for, antes de qualquer coisa sempre nos perguntamos: “Como posso ajudar a criar um ambiente de maior confiança e comprometimento? Como posso ajudar cada um a dar o melhor de si? Como aprender com os membros do grupo?”
Entendendo que não é fácil assumir esse tipo de liderança, o Estudante Rosacruz coloca todo o seu esforço, sua atenção, disciplina e persistência para ser assim. É consciente que o apelo da sua Personalidade – ainda muito contaminada pelo modo de ser ariano e/ou pisciano – são quase que irresistíveis e, assim, as tentações sempre aparecerão. Mas já aprendeu que para não cair nelas têm que praticar assiduamente a humildade, o espírito de renúncia (ou seja: a auto-renúncia) e abnegação. Só assim o torna-se esse tipo de líder vira virtude, pois, em essência, esse tipo de líder é o servidor de todos (alinhado aos princípios da Era de Aquário).
“Que as Rosas Floresçam em vossa cruz”
Sempre no outono ou no inverno (e, atualmente, em alguns dias também do verão e da primavera) temos um clima mais frio e entre outros artigos que muitas pessoas utilizam nesses dias temos as jaquetas, os blusões, as calças, os casacos, os calçados, os cintos e outros acessórios de vestuário feitos de couro e de peles de animais e que são exibidos nas vitrines das várias lojas para chamar a atenção dos clientes e os instigar a comprá-los.
Você já parou para pensar no custo de, por exemplo, um casaco de couro ou de pele de animal? Não queremos dizer em valor monetário, mas sim, em agonia e sofrimento dos animais, e na degradação daqueles que os caçam, especialmente no estado de selvageria insensível.
Já lhe ocorreu que, ao comprar uma peça de roupa feita de couro ou de peles, você é responsável pelas atrocidades cometidas ao despertar esse desejo desnecessário para tal elegância?
Quando matamos animais em matadouros ou em locais semelhantes, na grande maioria das vezes, utilizamos métodos para reduzir ao mínimo de sofrimento possível do animal – ainda que, também, totalmente equivocado nessa sua ação de matar o que não podemos criar –, mas, pior ainda é quando caça animais para obter sua pele ou seu couro, ou ainda, outra parte do corpo do animal. Aqui mostramos uma indiferença absoluta aos sentimentos e sofrimentos de suas vítimas. E, ainda mais, muitas vezes muitos de nós parece até nos gloriarmos por isso!
Ficamos sabendo de uma história em que um número de homens e meninos perseguiram um animal por quatro horas e, depois que o animal deu à luz a dois filhotes, ainda foi perseguida por duas horas, antes que finalmente fosse morta.
Há muito couro e peles curtidos para fabricar jaquetas, os blusões, as calças, os casacos, os calçados, os cintos e outros acessórios de vestuário obtidos capturando animais em armadilhas, e a morte desses animais, geralmente, não ocorre imediatamente e, muitas vezes, leva vários dias de sofrimentos e dores muito intensas para que ele morra.
Há vários tipos de armadilhas. Por exemplo, a armadilha de aço é a ferramenta mais utilizada pelos caçadores profissionais e o poder desse terrível instrumento é tão grande que, muitas vezes, amputa a perna da presa em um único golpe. De fato, é relatado pelos caçadores que muitos animais escapam, assim, por um tempo pelo menos, se diz que, em média, em cada cinco animais capturado um tem apenas três patas. Às vezes, eles têm apenas duas ou uma perna, e há registro de um caso de um rato-almiscarado[1] com apenas uma perna que foi pego pela cauda. Basta pensarmos o tamanho do sofrimento causado àquele pobre animal antes que, finalmente, sua pele caísse nas mãos do selvagem caçador humano. Os inventores modernos voltaram sua criatividade para a tarefa de impedir que os animais capturados escapassem do cativeiro, ou por amputação, ou roendo a perna presa ou torcendo-a para sair, como fazem alguns animais quando estão agonizando; fazendo armadilhas mais equipadas e com um dispositivo para que o membro do animal preso que está diretamente no centro da armadilha será agarrado perto do corpo. Quando isso acontece, nenhuma torção ou mordida libertará o cativo.
O “spring pole” é outro mecanismo que os caçadores usam para impedir a fuga de suas presas, uma vez que tenham caído na armadilha. Consiste em uma barra flexível fixada no chão próximo à armadilha, com a extremidade superior dobrada e presa de maneira que possa ser liberada por qualquer chave inglesa. A corrente da armadilha de aço é presa ao mastro, e quando o pobre animal é pego e luta para escapar, ele quebra o cordão que solta o mastro e a armadilha com sua vítima é empurrada para cima, onde a pobre vítima fica pendurada e morre de fome, ou congela, lutando e sofrendo até que a morte a liberta, ou o caçador cruel aparece e dá o último golpe que põe fim à sua miséria.
Porém, de todos os métodos atrozes usados pelos caçadores para capturar suas presas, o empregado na caça do arminho[2] é talvez o grau mais cruel. Consiste em pegar um pedaço de ferro muito pesado, deve revesti-lo com graxa e colocá-lo onde o arminho o ache.
O arminho lambe a graxa, e o frio intenso do ferro faz com que a língua congele instantaneamente, como se tivesse sido colocada numa prensa. Não há possibilidade de escapar, a não ser arrancando fora a língua do animal; e as lutas frenéticas do pobre animal fazem com que uma área cada vez maior da língua se adere ao ferro e, assim, todo o interior da boca irá se congelar devido a exposição prolongada ao frio intenso do Ártico. Preferencialmente, se usa este método de armadilha ou a bala de espingarda para não danificar a pele, pois este será o casaco de uma personagem da alta sociedade. De fato, a pele do arminho é cara, não pelo valor monetário, mas, principalmente pelo uso da atrocidade empregada para garantir a pele daquele pobre animalzinho.
Nenhuma língua pode dizer ou retratar na escrita, nem podemos jamais compreender, o que as pobres vítimas da vaidade humana devem suportar durante as longas horas e dias de terríveis sofrimentos lá em cima no silêncio do grande Norte em neve. Apenas pensemos nisto!
Estima-se que trinta milhões de animais sejam mortos anualmente por causa de suas peles (veja mais detalhes no anexo abaixo). Se todos esses milhões de animais pudessem ser reunidos com seus corpos despedaçados e mutilados numa montanha de mortes; esta seria a prova da nossa brutalidade e crueldade contra eles!
E lembre-se, todo mundo que usa essa elegante roupagem de jaquetas, blusões, calças, casacos, calçados, cintos e outros acessórios de vestuário feitos de couro e de peles de animais é parcialmente responsável pela crueldade e pelo sofrimento causado a essas pobres vítimas da ganância (ou egoísmo) humana, pois se as pessoas se recusassem a usar esses objetos, a demanda cessaria e os pobres animais ficariam em paz para viver suas vidas da maneira adequada.
Às vezes, ou com frequência, as pessoas contestam que, se não matássemos esses animais ou mesmo o gado, os porcos, as galinhas, os peixes e outros animais “comestíveis” e os comêssemos, o Planeta Terra seria dominado por eles.
Porém, esse não é o caso! Não é usual comermos cães ou gatos, coiotes ou gambás, nem mesmo são caçados por sua pele, pelo seu couro ou pela sua carne.
Por exemplo, os cavalos estão na mesma categoria, contudo, esses animais não se multiplicam além do limite, e o ocultismo nos ensina que cada espécie de animal é a expressão, no Mundo Físico, do Espírito-Grupo[3] deles que os dirige de fora, a partir do Mundo do Desejo. Daí o notável instinto com que são dotados. Quando esses animais são mortos, antes do tempo da sua morte por causa natural, o Átomo-semente, que forma o núcleo do Espírito-Grupo, é liberado do animal moribundo e usado pelo Espírito-Grupo para fertilizar rapidamente outro de sua espécie.
Assim, quanto mais matamos, dentro de certos limites, é claro que, mais rapidamente a espécie se multiplica, mas se abstermos de matar, não será necessário que o Espírito-Grupo fertilize os animais com tanta frequência. O nascimento diminuirá na mesma proporção que a morte.
Mas, voltando à questão das peles e do couro usados para vestuário, sustentamos que as peles são luxuosas, assim como muito tipo de couro, e não se pode dizer, na extenuação do crime envolvido e em torná-los essenciais à vida humana, que é a mesma reivindicação relativa à carne de mamíferos, aves, peixes, crustáceos, anfíbios e quaisquer outros animais “comestíveis” como alimento.
Aqueles que aspiram viver a vida superior e alcançar a ativação dos seus poderes anímicos não podem se dar ao luxo de usar essas coisas caras, nem se encher desse egoísmo, nem matar o que não pode criar, nem se ausentar de praticar a compaixão e a misericórdia com os nossos irmãos menores.
Algum tempo atrás, uma senhora chegou à Mount Ecclesia (sede mundial da Fraternidade Rosacruz) professando estar entediada e desgostosa pela sociedade, exceto tudo aquilo que se referia ao progresso espiritual; mas quando lhe foi dito que ninguém seguiria a Cristo em um casaco de pele, ela admitiu que tinha um casaco de pele de mil dólares e que não desistiria dele sob nenhuma consideração; se retirou de lá no dia seguinte, irritada com a ideia de que lhe havia exigido um sacrifício tão grande e que havia se colocado sob um professor que era mais complacente em seus pontos de vista sobre a vida e os luxos.
Todos sabemos que, de fato, é possível obter roupas totalmente quentes (por maior que seja o frio) que não são feitas com peles ou coro de animais. Max Heindel foi testemunha ocular desse fato, quando disse que ele mesmo, tendo viajado lugares de altas latitudes, tanto para o norte e como para o sul, mesmo na Sibéria e no Polo Ártico, onde as temperaturas eram extremamente baixas não utilizava nada de couro. E isso no início do século XX!
O que foi dito sobre as peles e o couro também se aplica às penas e outras partes do corpo de um animal, tanto no que diz respeito ao custo de crueldade quanto à falta de necessidade de uso. Roupas bonitas, artísticas e quentes podem ser feitas sem o uso de couro, peles ou penas, para o bem-estar econômico e espiritual de quem se abstém de usá-las.
Mesmo calçados, como sapatos, sandálias, chinelos e outros tipos já podemos obter no mercado atual a preços acessíveis para todas as camadas da sociedade. Com o advento da internet e de revistas especializadas para vegetarianos e veganos o acesso a informação é muito fácil. Basta querer!
Se você é um Estudante Rosacruz que já despertou para o Evangelho da Compaixão já compreendeu que deveria ser considerado um crime tirar a vida de um animal, assim como agora é considerado crime tirar a vida de um ser humano.
Temos certeza de que com a aproximação da Era de Aquário essas peças de vestuário serão substituídas por outros produtos da indústria que servirão a esse propósito de maneira completa ou melhor.
É aqui que os Estudantes Rosacruzes podem ajudar a moldar os pensamentos do mundo, tanto por suas ações em se abster do uso de couro, peles, penas e outras partes dos animais, quanto por defender a ideia de que são desnecessários, chamando a atenção dos outros para as atrocidades cometidas para obter essas coisas. Assim, o Estudante Rosacruz pode ajudar a acelerar o dia de “paz na terra e boa vontade entre os homens” – e, também, os animais.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – outubro/1917, traduzido e atualizado pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
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Anexo sobre “animais ainda são usados para fazer casacos de pele”
Desde focas e chinchilas até raposas e linces, milhões de animais são mortos todos os anos para a confecção de casacos de pele no mundo. Só na França são abatidos 70 milhões de coelhos por ano para esse fim. Mas a indústria dos casacos de luxo é alvo de críticas. Para as organizações de defesa dos animais, mais do que injustificada – há tecidos sintéticos e naturais que cumprem a função -, a atividade é extremamente cruel. O sofrimento já começaria na captura do bicho, que pena nas mãos dos caçadores – as focas, por exemplo, são mortas a pauladas na cabeça, para não danificar a pele. Mesmo quando criados em cativeiro, os animais viveriam em condições degradantes e padeceriam horrores na hora de extrair a pele.
Os produtores, por sua vez, contestam o que chamam de sensacionalismo das entidades. “No caso da chinchila, a morte ocorre pelo destroncamento de uma das vértebras cervicais. É um processo indolor, sem sangue ou sofrimento”, diz Carlos Perez, presidente da Associação dos Criadores de Chinchila Lanífera (Achila). Para os defensores dos bichos, porém, a crueldade fica óbvia quando se leva em conta que, ao contrário do que rola com vacas e frangos – mortos para alimentar pessoas -, no caso da indústria da moda os animais são sacrificados apenas para alimentar a vaidade alheia.
As fases para se fazer as jaquetas, os blusões, as calças, os casacos, os calçados, os cintos e outros acessórios de vestuário:
1. Os animais usados para fazer casacos de pele podem ser criados em cativeiro (como chinchilas, coelhos e martas) ou ser caçados em seu habitat (como focas, ursos e lontras). O abate rola quando o bicho atinge a maturidade e ocorre sempre no inverno, quando o pelo é mais longo, brilhante e abundante
2. Há vários modos de abater o bicho. Eles podem ser mortos a pauladas, ser estrangulados – método indolor, segundo os produtores – ou, entre outras técnicas para resguardar a pele, ser eletrocutados com a introdução no ânus de ferramentas que fritam os órgãos internos.
3. Depois que o animal é morto, é hora de extrair sua pele. Há várias formas de escalpelá-lo, algumas mais profissionais e outras rudimentares e violentas.
Escalpelamento profissional:
a. Nas fazendas de criação de chinchilas, faz-se um pequeno corte no lábio inferior do animal e outro próximo ao órgão genital
b. Em seguida, é introduzida uma vareta de ferro de um ponto a outro. Ela funciona como um suporte-guia para o corte
c. Com um bisturi, se desprega a pele do animal, evitando danificá-la. Quanto mais intacto o couro, maior o seu valor de mercado
Escalpelamento amador:
a. Nos modos mais cruéis, como rola em alguns locais da China, o animal é morto a pauladas e suas patas são decepadas
b. O bicho então é dependurado pelo coto da pata, e seu couro é extraído a partir desse ponto com a ajuda de uma faca
c. A pele é puxada com força, como se fosse tirada ao avesso. Em muitos casos, o animal ainda está vivo durante esse processo
4. Uma vez retirada, a pele é presa com alfinetes ou pregos numa tábua, onde ficará por alguns dias no processo de secagem. Nessa etapa, ela ganha forma definitiva e não vai mais encolher nem sofrer deformações
5. O passo seguinte é o curtimento da pele. Num curtume, ela passa por banhos químicos para retirada de sujeiras, cheiro e gordura, evitando que apodreça mais tarde. Ela também pode ser tingida
6. Após o curtimento, as peles vão para as confecções, onde são costuradas umas nas outras até tomarem a forma de um casaco. No acabamento, é aplicado um forro, em geral de cetim, na parte interna.
(Artigo publicado na Revista Mundo Estranho, em 28 julho 2009)
[1] N.T.: O rato-almiscarado é a única espécie do gênero Ondatra, é um roedor semiaquático de porte médio nativo da América do Norte.
[2] N.T.: O arminho é um carnívoro mustelídeo de pequeno porte pertencente ao grupo das doninhas. A espécie ocupa todas as florestas temperadas, árticas e subárticas da Europa, Ásia e América do Norte.
[3] N.T.: Um Arcanjo, uma onda de vida muito superior a nossa e extremamente sábia. Lembrando: Cristo é um Arcanjo, o mais elevado entre eles.