A verdadeira Astrologia é uma Ciência Divina, antiquíssima, e sua beleza ainda poderá ser apreciada por aqueles que tem “olhos para ver e ouvidos para ouvir” (Mt 13:16). Caiu em descrédito unicamente porque foi prostituída por aqueles que a usaram para seu próprio proveito e/ou para conseguir recursos financeiros direta ou indiretamente. Estes, esquecendo que são os guardiões de seus irmãos e das suas irmãs, se tornaram responsáveis por todas as adversidades que lhes advirem como resultado do mau uso dessa Ciência Divina.
Como em todas as circunstâncias, aquilo que é mais elevado poderá, caso caia em mãos inescrupulosas, ser levado a níveis de inferioridade. Entretanto, como o mal não poderá prevalecer, pois é “o bem que sempre prevalecerá” (Gl 6:9), essa condição errônea de emprego dessa Ciência Divina não será definitiva, porque à medida que nos aproximamos mais e mais da Era de Aquário, a Era adequada para o desenvolvimento das Ciências, veremos a Astrologia, hoje vacilante e desacreditada pelo charlatanismo e ação de impostores, emergir tal como crisália, para o bem da Humanidade – tal qual é a Astrologia espiritual Rosacruz.
Um estudo dos símbolos criados e usados pelos Sábios antigos nos fornece uma compreensão integral dos benefícios provindos do uso correto da Astrologia. Todos os Signos se encontram no horóscopo de cada um e, por isso, todos estão sujeitos as suas vibrações em graus variáveis. Lembremos, entretanto, que o estudo dos símbolos, não procura delinear a fraqueza ou a força dos vários Signos. Trata-se apenas de esboçar o significado dos símbolos, indicando o ponto culminante que cada Signo atinge. Nenhum Signo é mais ou menos forte do que o outro, pois todos são necessários para oferecer a perfeição ao conjunto e através de cada um deles devemos ganhar experiência.
Cada indivíduo nasce sob a influência de um Signo pelo qual deve obter o maior bem para si ou dispensá-lo também em benefício da Humanidade. Uma vez não existindo diferença tanto em superioridade como inferioridade em relação a cada Signo, qualquer diferença notada é apenas aparente, tratando-se apenas de uma interpretação imperfeita por parte de pessoas que ainda não compreenderam a grandiosidade da mensagem que os Astros (aqui: Signos, Sol, Lua e Planetas) nos enviam, considerando que o caminho de toda a manifestação, que é o Caminho de Evolução, se processa em espiral, sempre para cima e para frente. Constantemente deparamos com nativos de todos os Signos, em todos os níveis de consciência, reagindo de acordo com a sua própria compreensão.
O horóscopo mostra qual o esforço que devemos dispender em cada curso de existência e a forma pela qual poderemos resolver nossos problemas, não significando, entretanto, que devemos ser conduzidos pela brisa do momento, pois “os Astros impelem, mas não obrigam”, ou seja: sugerem, não mandam!
Há somente alguns poucos símbolos cujo significado será conveniente lembrar. O círculo, o qual não tem começo nem fim, somos nós, o Espírito não manifestado; o ponto colocado dentro dele somos nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana), em manifestação; a linha, um ponto alongado (possui um polo negativo e outro positivo) representa a matéria ou o plano físico. Portanto, o ângulo ou a cruz ou linha sempre indicam o trabalho a ser realizado no plano físico. O círculo sempre é usado como um indicativo de trabalho ou treinamento espiritual. O meio círculo, ou a meia circunferência, é a consciência situando-se num nível entre o infinito e o finito.

Trata-se da combinação ou sequência daqueles símbolos que nos contam a história da Humanidade através das idades.
Os três primeiros Signos (Áries, Touro e Gêmeos) são governados mais pelo instinto do que pelo intelecto, porque somente agora eles estão se manifestando no plano da existência. Mais tarde talvez, haja tristeza e mágoas, até que se sinta o regozijo resultante do esquecimento de si mesmo para que se manifeste a vida altruísta em benefício dos semelhantes. Tal ainda não está acontecendo, uma vez que todo pensamento é dirigido para o aprendizado e assimilação do valor das experiências adquiridas.
O primeiro Signo, o de Áries é o primeiro a verter da manifestação do Espírito Divino. Toda a energia é canalizada para o aprendizado da vida material.

Ambos os crescentes abrindo para baixo, ambos descendo na matéria ou no físico, mantendo um perfeito equilíbrio num só ponto que toca a vida material. Vez por outra se assemelha a uma forma rude de manifestação por se tratar de uma primeira experiência vivida por nós, o Ego, longe do nosso Lar Divino. Porém, o equilíbrio perfeito mantido pelos dois crescentes de consciência, e mais, o ponto singular indicando a direção da experiência indispensável para esse Signo, não deixa dúvida quanto a intenção de aprender tudo que diga respeito ao físico. Haverá interesse em inúmeros objetivos, porém quase sempre haverá o surgir de novos interesses, acarretando a não conclusão das coisas já iniciadas, coisas que em um dado momento despertam mais a atenção.
Assim como o dourado Narciso na Primavera (uma das principais flores que que anuncia o fim do inverno e a chegada da primavera), ansioso por trazer a alegria e a beleza ao mundo expectante, não leva em conta o possível perigo que poderá advir dos ventos rudes e do chicotear das nevascas, da mesma forma o Ego, entrando no mundo finito – na Região Química do Mundo Físico –, prenhe de tantos objetos a serem explorados e estudados, nem sempre leva em conta o preço de suas ações, permanecendo em sua determinação de aprender muitas coisas. Assim viajando através dos vários Signos, nós experimentamos os efeitos das limitações.
O segundo Signo, o de Touro é o segundo passo no caminho ao redor do Zodíaco, indicando pelo círculo que abrange todas as coisas aprendidas em Áries, não se esforçando, contudo, para desenvolver mais atividades exteriores.

Assinala um período de assimilação demonstrado pelo crescente da consciência, apontando para cima, solicitando auxílio das forças superiores no sentido de assimilar o conhecimento contido no círculo, tornando-se ajustável entre a sabedoria adormecida em nós e o conhecimento adquirido por meio da nossa experiência no físico.
Entretanto, a luz acima do círculo indica que embora haja uma tendência para o espiritual, será o aspecto material a despertar o maior interesse, porque nós iniciamos a nossa jornada para a aquisição de experiências dentro da esfera do Mundo Físico.
O terceiro Signo, o de Gêmeos, tem um símbolo onde duas linhas paralelas com abertura nas extremidades indicam “assuntos não concluídos”.

As linhas perpendiculares de Gêmeos estão fechadas e as duas horizontais estão abertas indicando que nesse estágio desse Esquema de Evolução, a coisa mais importante é obter a compreensão e realização dos canais da Mente inferior em conexão com a manifestação física. O caminho da Mente superior está fechado, pois nós, primeiramente, tivemos o nosso sentimento amoroso e compassivo canalizados para aqueles objetos que formam a base material da vida, não podendo, por isso, ainda apreciar ou compreender na íntegra seu aspecto espiritual. O mais inferior deve ser visto como uma parte do Divino, justamente como o mais elevado e o mais altamente desenvolvido. As ações desenvolvidas neste Mundo material gerarão o ambiente que nós encontraremos quando atingirmos mais adiante outros Signos, onde as linhas perpendiculares estarão abertas para aquisição da Sabedoria dos planos elevados. Aquele espaço semelhante a uma caixa entre as linhas guardará todas as impressões indispensáveis e valiosas para a vivência de uma vida superior. Ao persistir em trilhar o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, vamos atingindo a vivência nos outros Signos.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de março/1972 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Os ensinamentos promulgados pela Fraternidade Rosacruz mencionam a aproximação de uma nova Era, à medida que a Sol, em seu movimento precessional caminha do Signo de Peixes para o Signo de Aquário.
O Sol entrou na órbita de influência aquariana em meados do século passado. A cada 72 anos ele se aproxima um grau do Signo de Aquário, regido por Urano. Sua influência, cuja palavra-chave é a originalidade e renovação, faz-se sentir nas conquistas espaciais, no estudo e aproveitamento das energias solar e atômica, no avanço das telecomunicações e muitas outras áreas tecnológicas, filosóficas, religiosas e afins. Estas descobertas estão transformando o mundo e nos conduzindo a um futuro inimaginável, saibamos ou não.
Algumas passagens das Sagradas Escrituras aludem, esotericamente, a nova Era.
As Eras são fases cíclicas do progresso humano, predominando, em cada uma delas, características marcantes. Oferece ambientes e experiências adequados ao desenvolvimento da Humanidade. O Antigo Testamento relata, veladamente, as transições entre várias dessas etapas.
Ao final da Era de Touro, há uns quatro mil anos (contando com a base de tempo atual: 1 ano como 365 dias), o “povo escolhido” empreendeu a fuga do Egito, terra onde o boi Ápis era cultuado. Neste êxodo foram conduzidos por Moisés, cuja cabeça, em antigas gravuras aparece adornada com cornos de carneiro. Essa forma de representá-lo indica tratar-se do precursor da Era de Áries, durante a qual, na manhã de Páscoa, o Sol tingia de vermelho as portas das casas, semelhante a sangue de carneiro.
Quando o Sol, por Precessão dos Equinócios, entrava na órbita de influência de Peixes, S. João Batista submergia as pessoas nas águas do Jordão. O Cristo chamava a seus Discípulos de “pescadores de homens” (Mt 4:18). O peixe (o ictus dos latinos) era um símbolo do Cristianismo. Explica-se, assim, porque a mitra dos bispos assemelha-se a uma cabeça de peixe. Olhando o futuro através da perspectiva do passado, evidencia-se o alvorecer de uma nova Era. É razoável supor-se que um estágio mais avançado de Religião substituirá o presente, revelando-nos ideais mais nobres do que nosso atual conceito de Religião Cristã.
Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que o trabalho de preparação para a Era de Aquário já se iniciou. Como se trata de um Signo do Ar, científico e intelectual, depreende-se que a Religião aquariana deverá alicerçar-se em bases racionais, sendo capaz de resolver o enigma da vida e da morte de tal forma a satisfazer a Mente e o Coração.
Aquário é representado por um homem derramando água de seu cântaro, simbolizando o desaparecimento da umidade pela predominância de uma atmosfera mais seca e etérica.
O ser aquariano, por certo, derramará toda a água viva de sua sabedoria, chegando a um adiantamento inconcebível, produzido pelo contato direto de sua Mente com os raios do Cristo Cósmico.
Na próxima Era não haverá mais guerras, porque o nosso desenvolvimento espiritual o tornará um verdadeiro templo de amor. Segundo a Astrologia espiritual Rosacruz e os Ensinamentos Rosacruzes novas forças e energias serão descobertas. Serão, entretanto, utilizadas em benefício de todos, ao contrário do que ocorre nos dias atuais.
Em Aquário, uma Humanidade mais nobre povoará a Terra. A sociedade aquariana, em termos sociais, científicos e espirituais deverá atingir tal estágio evolutivo, que para a limitada consciência pisciana pareceria mera ficção.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – setembro/1982 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Segundo o dito popular, “o coração tem razões que a própria razão desconhece” (do filósofo e matemático francês Blaise Pascal). Essa expressão encontra sua origem no fato de algumas pessoas agirem intuitivamente, de maneira até a contrariar as diretrizes do raciocínio lógico. Essa maneira pouco convencional de tomar decisões ou reagir a determinadas circunstâncias causa perplexidade e estranheza a muitos.
De um modo geral, somos condicionados, desde tenra idade, a viver consoante regras de um raciocínio linear. Quando alguém foge a esse padrão de conduta, não raro recebe a pecha de excêntrico, quando não de paranormal.
A luz dos Ensinamentos Rosacruzes encontramos explicações para esse aparente “fenômeno”. Em primeiro lugar é necessário analisar esses chamados “impulsos intuitivos”, verificando qual a sua natureza. Nem tudo é intuição. Muitas vezes trata-se de meros impulsos emocionais ou baixo psiquismo, com resultados até funestos. Porém, todo ato motivado por “intuição pura” raramente deixa de produzir resultados benéficos.
A intuição é uma faculdade latente em todos nós, entretanto, manifesta em poucos. Sua expressão, em maior escala, será uma das características da Era de Aquário. Vejamos, agora, qual a relação entre o coração e certas manifestações intuitivas. O sangue, ao passar pelo coração, ciclo após ciclo, durante a vida, grava todas as imagens no Átomo-semente do Corpo Denso. Elabora um arquivo fidelíssimo, que na existência após a morte se imprimirá indelevelmente no Átomo-semente do Corpo de Desejos, base para a nossa estada no Purgatório e Primeiro Céu. O coração encontra-se em estreito e permanente contato com o Espírito de Vida, o Espírito do Amor, fonte do sentimento de unidade. Dessa forma torna-se o centro do amor altruísta, o amor Crístico.
Depois das imagens passarem ao Mundo do Espírito de Vida, no qual se encontra a verdadeira Memória da Natureza, não retornam através dos lentos sentidos físicos, mas por meio do quarto Éter, o Éter Refletor, contido no ar que respiramos.
O Espírito de Vida percebe muito mais nitidamente no seu Mundo do que nos planos mais densos da Natureza. Na elevada região, que lhe é própria, vive em íntima relação com a Sabedoria Cósmica. Isto lhe faculta, em qualquer circunstância, sabendo de imediato o que há de fazer, a enviar mensagens de orientação e iniciativa ao coração. Este logo a retransmite ao cérebro, por meio do nervo pneumogástrico ou nervo vago. As chamadas “primeiras impressões” formam-se dessa maneira. Nada mais são que impulsos intuitivos emanados diretamente da fonte da Sabedoria e do Amor Cósmico.
É um processo rapidíssimo. O coração o elabora antes da razão poder considerar a situação. Não sendo assim, predominará o raciocínio lógico, válido até certo ponto, porquanto suas limitações esbarram no transcendente.
Quando a nossa Mente esgota seus recursos para resolver determinado problema só restará uma saída: a intuição. E mesmo assim, poucos se tornaram sensíveis ao seu processo.
Embora não se constituindo em regra geral é válido afirmar que nas pessoas mais devotas as mensagens intuitivas se fazem mais presentes. Eis uma das razões por que o Método Rosacruz de Desenvolvimento Espiritual Cristão Esotérico procura estabelecer um equilíbrio entre razão e coração, intelecto e devoção, oculto e místico.
O que o ser humano pensa em seu coração é certo (Pb 23:2), porque assim ele é. Não é raro ouvirmos esta expressão: “as pessoas espiritualizadas têm um coração inteligente”. Aprendemos na Filosofia Rosacruz que se pudéssemos agir segundo os impulsos do coração, o primeiro pensamento, a Fraternidade Universal, seria realizado agora mesmo!
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – setembro/1980 – Fraternidade Rosacruz – SP)
O Estudo Bíblico Rosacruz é fundamental para o Estudante Rosacruz a fim de ajudá-lo a equilibrar cabeça-coração, intelecto-coração, razão-devoção, ocultista-místico Cristão.
Sabemos que os eventos na vida de Cristo representam etapas sucessivas no Caminho da Iniciação para os Cristãos (Místicos e Ocultistas) que estão trilhando esse caminho, que na Fraternidade Rosacruz é o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz.
Nesse Estudo vamos detalhar a significância esotérica de mais um Milagre de Cura feito por Cristo-Jesus.
Para saber mais sobre esses assuntos é só clicar aqui: Estudos Bíblicos Rosacruzes: Algumas Significâncias Esotéricas sobre: “Homens de Pouca Fé” e “Quem é este a quem até os ventos e o mar obedecem?”
Você encontra mais material sobre Estudos Bíblicos Rosacruzes para o Evangelho Segundo S. Mateus aqui
Há passagens na Bíblia, especialmente nos Evangelhos, em que se observarmos mais atentamente veremos algo muito mais transcendente do que Cristo Jesus produzindo uma de suas maravilhas.
Aqui seguem dois exemplos bem contundentes:
No Evangelho Segundo S. Mateus 8:23-27 estudemos o seguinte trecho:
“Então, entrando Ele no barco seus Discípulos o seguiram. E eis que sobreveio no mar uma grande tempestade, de sorte que o barco era varrido pelas ondas. Entretanto Cristo Jesus dormia. Mas os Discípulos vieram acordá-Lo clamando: ‘Salva-nos, pereceremos’. Acudiu-lhes então Cristo Jesus: ‘Por que sois tímidos, homens de pequena fé?’. E levantando-se repreendeu os ventos e o mar e fez-se grande bonança. E maravilharam-se os homens dizendo: ‘Quem é Este que até o vento e o mar Lhe obedecem?’”
E no mesmo Evangelho (14:22-33), estudemos esse trecho:
“Logo a seguir compeliu Jesus os Discípulos a embarcar e passar adiante dele para o outro lado, enquanto Ele despedia as multidões. E, despedidas as multidões, subiu ao monte a fim de orar sozinho. Em caindo a tarde lá estava Ele, só. Entretanto, o barco já estava longe, a muitos estádios da terra, açoitado pelas ondas porque o vento era contrário. Na quarta vigília da noite foi Jesus ter com eles, andando por sobre o mar. E os Discípulos ao verem-no andando por sobre as águas ficaram aterrados e exclamaram: É um fantasma. E tomados de medo gritaram, mas Cristo Jesus imediatamente lhes falou: ‘Tende bom ânimo. Sou eu. Não temais’. Respondendo-lhe Pedro disse: ‘Se és tu Senhor, manda-me ir ter contigo por sobre as águas’. E Ele disse: ‘Vem’. E Pedro descendo do barco andou sobre as águas e foi ter com Cristo Jesus. Reparando, porém, na força do vento, teve medo e começando a submergir, gritou: ‘Salva-me Senhor’. E, prontamente Cristo Jesus estendendo a mão tomou-o e lhe disse: ‘Homem de pequena fé, porque duvidastes?’. Subindo ambos para o barco, cessou o vento. E os que estavam no barco o adoraram dizendo: ‘Verdadeiramente és Filho de Deus’”.
Aqui Cristo Jesus não estava literalmente dominando os elementos próprios do Mundo Físico, tais como a tempestade, os ventos e as ondas fortíssimas. Na realidade, estas passagens do Novo Testamento relatam experiências ocorridas em outra dimensão. Na literatura Rosacruz a água simboliza as emoções e o Mundo do Desejo.
À natureza da água lembra muito o Mundo do Desejo, cuja substância se encontra em constante movimento. Aprendemos na Filosofia Rosacruz que a permanência no Mundo do Desejo requer muito equilíbrio e discernimento do Estudante Rosacruz. Quando faltam essas qualidades ocorre justamente o pânico que sobressaltou S. Pedro no capítulo 14, nos versículos 22-33 do Evangelho acima.
S. Pedro deixou o barco (simbolizando o Corpo Denso) e se aventurou-se no Mundo do Desejo, logicamente, utilizando seu Corpo de Desejos. Porém, ainda não conseguia se manter-se equilibrado e com o nível de discernimento necessário para lá permanecer sereno, tendo assim que receber a ajuda de Cristo. “Caminhar sobre as águas” é dominar os elementos do Mundo do Desejo.
Pois, também aprendemos na Filosofia Rosacruz que a lei que rege a matéria da Região Química do Mundo Físico é a inércia, a tendência a permanecer em status quo. É necessária certa soma de energia para vencer essa inércia, para fazer com que um material qualquer, por exemplo um corpo, em repouso se mova ou para deter um que esteja em movimento. Tal coisa não acontece com a matéria componente do Mundo do Desejo. Em si própria é quase vivente, está em movimento incessante, fluídico. Pode tomar formas inimagináveis com inconcebível facilidade e rapidez brilhando ao mesmo tempo com milhares de cores coruscantes sem termos de comparação com qualquer coisa que conhecemos neste estado físico de consciência. Desta ligeira descrição pode-se deduzir quão difícil será para o neófito que acaba de abrir os olhos internos, encontrar o equilíbrio no Mundo do Desejo. É um manancial de toda espécie de perturbações e perplexidades.
Outro importante ensinamento que aprendemos na Filosofia Rosacruz é que a característica principal dos Globos lunares, quando vivíamos no Período Lunar, pode ser descrita como ‘umidade’. Os Cientistas ocultistas chamam “água” aos Globos do Período Lunar e descrevem sua atmosfera como se fosse névoa ígnea.
Também aprendemos que cada dia da semana corresponde a um dos Períodos e é regido por um Astro em particular. À segunda-feira corresponde ao Período Lunar e é regida pela Lua que exerce decisiva influência sobre as águas, os fluídos, as marés e afins.
Por outro lado, o domínio das emoções representa uma transição de um estado de consciência para outro. Por exemplo, os israelitas para entrar na Terra Prometida, primeiro tiveram de atravessar o Mar Vermelho e depois o Rio Jordão.
Cruzar as águas é uma vitória sobre as emoções, sobre si próprio. Se você supera alguma dificuldade, “você cruzou o Jordão”.
Outro exemplo nesse sentido é a Arca de Noé que, esotericamente interpretada, representa um estado de consciência mais elevado, uma vitória sobre a comoção e insegurança causadas por grandes transformações. O dilúvio é uma alegoria do desaparecimento da Atlântida. Os sobreviventes simbolizam um tipo superior de Humanidade, capaz de responder positivamente às necessidades evolutivas da Época Ária.
Aprendemos que as Épocas contêm em si mesmas espirais evolutivas menores, que são as Eras. As Eras são algumas dessas espirais. O ser humano da Era de Peixes é emotivo por excelência. Eis porque esta Era está intimamente ligada ao elemento Água: o batismo com água nas Igrejas cristãs, a água benta, a emotividade que envolve a devoção.
Na próxima Era — que é a Era de Aquário — essas características serão modificadas. O ser humano aquariano será mais racional. A atmosfera mais seca e elétrica que predominará ensejará o fortalecimento da atividade intelectual. A representação astrológica de Aquário consiste em “um homem”, o aguador, despejando a água do seu cântaro.
Num futuro mais distante ainda, às emoções serão totalmente sublimadas e amalgamadas à constituição espiritual do ser humano. Isso foi anunciado no Capítulo 21 do Livro do Apocalipse: “Vi novo Céu e nova Terra, pois o primeiro Céu e a primeira Terra passaram e o mar já não existe”. Temos, portanto, uma árdua tarefa pela frente!
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – março/abril – 1988 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Nós, ao nascermos, mais uma vez aqui, não estamos formados ainda. Sabemos, à luz da Ciência e da Filosofia Rosacruz, que desenvolvemos o nosso Corpo Denso até por volta dos sete anos. Então nasce o nosso Corpo Vital e é desenvolvido até cerca dos catorze anos, em que a puberdade marca o nascimento do nosso Corpo de Desejos. Desenvolvemos o nosso Corpo de Desejos até perto dos 21 anos, quando nasce a nossa Mente e aí somos considerados (não sem razão, portanto) pelas leis civis, como cidadão, capaz de exercer nossos deveres e direitos.
Nesse desenvolvimento, há a chamada idade perigosa, que medeia entre os catorze anos e vinte anos. É quando nós, como um jovem, começamos a formar nosso próprio sangue, começamos a mostrar nossa verdadeira natureza, inteiramente pessoal, distinta dos nossos pais e demais ascendentes (porque a hereditariedade afeta apenas a parte física!). A nossa Mente ainda não se formou e sob os impulsos do Corpo de Desejos, nós, um jovem, sentimos a íntima necessidade de autoafirmação, começamos a reagir contra as ordens dos pais e dos responsáveis. Julgamo-nos donos do nosso nariz, como se costuma dizer. É uma idade difícil. Se os nossos pais ou responsáveis não conquistaram a nossa confiança e o nosso amor de filho ou de filha, pelo exemplo e pela coerência de atitudes, amorosas e justas, terão dificuldade conosco nessa fase de nossa educação.
O mesmo ocorre, por exemplo, no desenvolvimento de qualquer coisa, inclusive da Fraternidade Rosacruz. Max Heindel, profundo e inteligente como era, previu isso. Disse ele que, em seu desenvolvimento, como qualquer outra organização, a Fraternidade Rosacruz teria problema quando seus Estudantes Rosacruzes estivessem passando a “maturidade espiritual”. É inevitável.
O Estudante Rosacruz, sentindo seu avanço, a influência que vai exercendo em seu meio ambiente imediato, a facilidade que vai tendo na compreensão de tudo, graças às “chaves” que recebeu na Fraternidade Rosacruz corre o imenso risco de começar a se envaidecer. Ele mesmo não percebe isso; é um sentimento perigoso, sutil, insinuante, com feições de legítimo, mas, no fundo, é pura vaidade.
Daí Max Heindel chamar a esse nível, onde ocorre mais esse risco, de Probacionista, ou seja, “aquele em que se é provado”. Não provas dramáticas contra dragões e perigos horripilantes, quixotescos. Não, provas sutis, segundo o ponto fraco de cada um.
Max Heindel comparou a ascensão do Aspirante à vida superior a uma torre de igreja, larga na base e que vai estreitando à medida que sobe, até que há um ponto suportando a cruz. No caminho da regeneração, também, tudo é definido no começo. Muitas coisas são permitidas, porque a medida da instrução é o que o Estudante Rosacruz pode aprender e não o que a Escola Fraternidade Rosacruz pode ensinar. Mas, à medida que ele avança, as relatividades aumentam em tudo e o rigor de consciência desperta a tortura em cada desvio. Então, a diferença entre o bem e mal é sutil. Ele já não responde facilmente como antes. Há muitos fatores a considerar. É como o fio da lâmina de uma navalha.
Mas, se o Estudante Rosacruz não for cuidadoso e prudente na observação de si mesmo poderá, facilmente, escorregar de um lado para outro, entre o fanatismo e a indiferença; pode interpretar como legítima sua vontade de mudar as coisas e, como o jovem do nosso exemplo acima, passa a criticar os pais ou os responsáveis chamando-os de antiquados, de prepotentes, atrasados, ignorantes e outros adjetivos afins.
É uma fase; uma “idade” perigosa. Foi por isso que surgiram ramificações por aí, com nomes de “Rosacruz”, “independentes” como o mocinho carente de mentalidade e equilíbrio e, principalmente, carente de um elo superior, no caso a Ordem Rosacruz, que está na Região Etérica do Mundo Físico.
É certo que os Irmãos Maiores, como educadores sapientíssimos, sabem compreender tudo isto e ajudam seus “filhos” a vencer as provas; mas fornecem muito mais possibilidades aos que exercitam sua Epigênese dentro do ideal traçado. Liberdade mal orientada é Epigênese desperdiçada, se bem que as consequências evidenciam o erro e reconduzem ao caminho.
Isto ocorre em todas as organizações, grupos, equipes e centros de estudos. Já vivemos estas experiências, mas temos a felicidade de compreender nossa adolescência e a sabedoria de nossos pais e responsáveis, simbolicamente, aqui: Cristo, os seus auxiliares que são os Irmãos Maiores, e que se expressam por meio dos Ensinamentos Cristãos, pedagogicamente detalhados como Ensinamentos Rosacruzes.
Este problema, esta prova de se julgar cerceado em sua liberdade, de querer ser diferente, é natural da adolescência, mas não traz maiores consequências quando os pais ou responsáveis souberam educar seus filhos.
Em nosso caso, sob a orientação da Escola Fraternidade Rosacruz sabemos que ela respeita acima de tudo o livre arbítrio de cada um e procura emancipar os Estudantes Rosacruzes de toda limitação de sua Personalidade e das dependências externas (sejam de pessoas ou de “coisas”) para que seja um “perfeito cidadão do mundo e um pregador do bem”. Logo, se existe esta impressão, é interna, é pessoal, da vaidade, da Personalidade que se vê acuada, ameaçada e luta por seu reino, como Herodes ao tempo em que nasceu o menino Jesus. Um é o reino do mundo e o outro o Reino dos Céus. Este deve conquistar aquele, mas a luta custará à vida de muitos ideais, de muitos esforços.
Suscitamos este tema por vários motivos: primeiro porque é sempre atual; segundo, porque já temos muitos Probacionistas que precisam ficar alertas contra as armadilhas da natureza inferior que cada um temos; terceiro, porque é preciso compreender que o movimento Fraternidade Rosacruz não é uma Escola de cegos guiando cegos, sem lastro iniciáticos, senão que, reúne princípios superiores, inalteráveis ao nosso esforço Crístico, é só estudar com atenção o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz para ter uma prova disso.
Ao mesmo tempo, por trás de toda atividade individual ou em grupos, há uma ajuda esclarecida, há um observador consciente que nos respeita a liberdade, que nos estimula, que nos compreende como um “pai” maravilhoso, um pedagogo incomparável, que são os Irmãos Maiores; quarto, porque a “Fraternidade Rosacruz” não são sedes, prédios, salas, nem “diretorias”, “conselhos” e outros “cargos” que porventura sejam criados. A Fraternidade Rosacruz é algo interno, vivente, que se forma com a aspiração, com o esforço, com o pensamento convergente, harmonioso, concordante de todos os Estudantes Rosacruzes ativos e sinceros, na consecução de um Ideal superior, qual seja, a elevação de mundo à altura de Cristo, nosso único Ideal.
Isso não quer dizer que a Sede Mundial da Fraternidade Rosacruz, em Mount Ecclesia, não tenha um efeito especial, como fulcro físico. Tem sim! Max Heindel, Iniciado pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, escolheu aquele lugar não por acaso, mas porque sabia se tratar de um dos sete centros de irradiação espiritual, do Planeta Terra, de modo a favorecer a difusão dessa nova tônica do movimento Cristão Esotérico pelo mundo inteiro, de forma que não seria possível com apenas os recursos de seus Estudantes Rosacruzes. Além do mais, conforme Max Heindel o testemunhou, a Sede Mundial corresponde a um Arquétipo previamente formado nos planos mentais pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, com o propósito de alimentar o corpo de nosso ideal até o tempo previsto na Era de Aquário. Além do que podem ver nossos olhos físicos, além do que nossos limitados sentidos de neófitos, há uma força espiritual mantenedora da Fraternidade Rosacruz, que precisa do esforço de cada Estudante Rosacruz ativo e sincero, mas que não depende apenas de nós para sua sobrevivência.
Afinal, a Sede Mundial, fundada por Max Heindel, sob orientação direta dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, corresponde a um moderno Tabernáculo com missão especial para o Ideal de Aquário e o Cristianismo Esotérico, a Religião do futuro.
Realmente assim é. Não importa o “nome dos pedreiros”, a construção continua seguindo as linhas traçadas previamente por um Arquétipo. Nenhum esforço errado poderá subsistir.
Encerramos com S. Paulo, apóstolo: “Eu plantei; Apolo regou; mas era Deus quem fazia crescer. Assim, pois, aquele que planta nada é; aquele que rega nada é; mas importa tão-somente Deus, que dá o crescimento. Aquele que planta e aquele que rega são iguais entre si; mas cada um receberá seu próprio salário, segundo a medida do seu trabalho. Nós somos cooperadores de Deus, e vós sois a seara de Deus, o edifício de Deus..” (ICor 3:6-9). “Quanto ao fundamento, ninguém pode colocar outro diverso do que foi posto: Cristo. Se alguém sobre esse fundamento constrói com ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno ou palha, a obra de cada um será posta em evidência. O Dia torná-la-á conhecida, pois ele se manifestará pelo fogo e o fogo provará o que vale a obra de cada um.” (ICor 3:11-13).
Sejamos, pois, sempre como células ativas, tecidos vivos, órgãos normais no corpo da Fraternidade Rosacruz, sem jamais inquirir, como células, a que a outra faz; o propósito da Fraternidade Rosacruz é o desenvolvimento individual, para que o corpo cresça em eficiência, como Deus cresce com o pequenino acréscimo de nossa evolução individual. Deus é Amor. O amor une e edifica. “Quem vive em amor vive em Deus e Deus nele.” (IJo 4:16).
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – agosto/1965 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Oh, você, cujo olhar recai casualmente sobre esta página. Você, cujo interesse já foi despertado, leia atentamente este artigo — você está desperto? Cada momento da sua vida vibra com a alegria de viver ou você está com as massas, adormecido na existência monótona?
Se sua alma não for tocada em suas profundezas mediante o desabrochar de uma flor, você está adormecido. A menos que esteja moldando inteligentemente o curso da sua vida, está adormecido. Caso não perceba sua unidade com o Cosmos, então você está adormecido… E a mensagem deste artigo se resume a uma palavra: desperte! Eis algumas sugestões as quais, para você que está satisfeito em dormir durante toda uma vida, deveriam ser de valor inestimável. São ideias novas? De modo nenhum. Mas são os pensamentos-chave de hoje — da nova Era.
– “Eu não quero trabalhar”, diz o homem desempregado.
– “Ah, é mesmo?”, eu respondo, “então mova aquela pilha de areia para lá e, quando terminar, simplesmente cave e a recoloque onde a encontrou”.
– “E quanto dinheiro eu vou ganhar?”, pergunta o homem.
– “Ah, então você quer dinheiro e não trabalho!”.
– “Bem…”.
– “Aqui está uma nota de R$ 100,00; eu lhe darei, se você não gastar”, é minha resposta.
– “Mas eu quero comprar comida e carvão para minha família”, diz ele.
– “Então, meu amigo, você vê que não é dinheiro que você quer, nem comida ou carvão; mas, isto sim, a sensação de conforto que essas comodidades trazem”.
Para simplificar esse ponto, o homem estava, na verdade, pedindo felicidade. Como nós, mortais, gostamos de girar ao redor do assunto! O processo acima de buscar felicidade é como pedir um balde de água quando você tem uma torneira perfeitamente boa em sua própria cozinha. Por que não pegar um atalho e começar por si mesmo? Suponha, antes de tudo, que façamos um exame. Eu faço a pergunta — você fornece a resposta.
Fisicamente. Você carece de algo para estar em boa forma? Seu rosto reflete alegria: olhos brilhantes, faces coradas, cabeça erguida, cantos da boca voltados para cima?
Mentalmente. A Mente está alerta, atacando cada problema com entusiasmo e obtendo conclusões inteligentes? Quando você olha para um objeto, você realmente o vê ou, em outras palavras, seus poderes de observação estão ativos?
Emocionalmente. Sua alma é tocada pela majestade e a Glória dos Céus? Você se deleita com a sinfonia do movimento do oceano sobre a praia? Você sente, e não apenas fala, a Fraternidade do ser humano?
Moralmente. Você está vivendo à altura dos ideais estabelecidos dentro de você?
Algo do que foi mencionado acima lhe falta? Bem, não saia procurando por isso e pedindo aos outros. Está dentro de você mesmo! Desperte-o! Não há necessidade de ir mais longe. Você sabe melhor do que os outros o que lhe falta e sem dúvida já recebeu a sugestão de listar o que deseja expressar. É uma ideia excelente!
Tome, por exemplo, a virtude da paciência. Suponha que eu queira desenvolvê-la em meu temperamento, entre muitas outras. Eu a escreveria em uma folha de papel e então começaria a despertá-la. Como você atrairia a atenção de uma determinada pessoa, se ela estivesse em uma multidão? Ora, chamando o nome dela! Fomos ensinados que todos os poderes e qualidades de Deus estão latentes em nós; então a paciência está ali, aguardando expressão. Chame-a à manifestação!
Estes dias árduos de reconstrução necessitam de corações fortes e aplicação inteligente. Quantos de nós levantam a mão para moldar o nosso próprio ambiente? Somos escravos do nosso negócio; nossas ideias políticas ou econômicas não são nossas, mas fornecidas pela tendência que achamos que conhecemos.
Quantos pensamentos originais podemos reivindicar em um dia? E, ainda assim, originar é prerrogativa divina de cada um de nós: criar, praticar a Epigênese.
Se estamos apenas vegetando, podemos muito bem ser como a planta – um ser da Onda de Vida vegetal – cuja consciência é semelhante à do “sono sem sonhos”.
Se estamos apenas deixando a vida passar por nós mediante os sonhos, nossa consciência não é mais elevada que a de um animal – que é um ser da Onda de Vida animal e tem um nível de consciência de “sono com sonhos”.
Desperte! Por tempo demais permanecemos à beira da estrada, embalados pela indulgência dos sentidos, dedicando uma vida inteira aos meros acessórios da existência — adormecidos para o verdadeiro significado da vida: uma vida vibrante e criadora.
Venha comigo por uma colina, atrás de uma cidade. Estamos na primavera! Iremos, se você quiser, em uma hora matinal; naquela hora, logo após o nascer do Sol, quando, para aquele que está desperto, a natureza sussurra seus segredos. O primeiro benefício da nossa caminhada é físico; o ar puro e o passo rítmico põem a circulação em movimento e começamos a formigar à medida que sentimos seus efeitos revigorantes…
À medida que começamos a subir a colina, notamos em ambos os lados do caminho sinuoso evidências da primavera, pois os arbustos e árvores estão ganhando nova vida e, aqui ou ali, uma flor silvestre se manifesta. Nesses arredores não podemos deixar de sentir a unidade de toda a vida, o que é evidência do despertar das emoções mais elevadas. Por fim, alcançamos o cume — ficamos a princípio dominados pelo glorioso espetáculo. Por quilômetros diante de nós estende-se uma vista de campos verdes, encostas ondulantes e, além do braço prateado do mar pontilhado de ilhas, vislumbramos o contorno tênue de uma cadeia de montanhas escarpadas. Esse panorama maravilhoso, resplandecente ao Sol da manhã, pertence ao ser humano. É o seu atual Campo Evolução que chamamos de Terra!
Agora, volte-se e olhe em direção à cidade. Será possível que lá embaixo, naqueles pequenos cubículos que habitávamos ontem, os problemas da vida parecessem tão enormes, tão opressivos? Porque nossa própria alma já se expandiu e sentimos que podemos voltar para resolver nossos pequenos problemas em pouco tempo. Como gostamos de elevar nosso próximo até as alturas atuais da nossa consciência! É como se tivéssemos erguido nossas cabeças para fora da neblina e encontrado o Sol brilhando em esplendor. Se você, meu irmão ou minha irmã, tem amor pela Humanidade em seu coração, então leve consigo esta mensagem de desenvolvimento: “Eu elevarei meus olhos para os montes”. Elevarei meus pensamentos àquela consciência superior que me diz que todo poder está latente de nós — e nós nada mais temos a fazer senão despertar para nossa Filiação Divina, a fim de realizá-la em sua plenitude!
Por mais 2.000 anos as palavras da Epístola de S. João, “Amados, agora somos filhos de Deus” (IJo 3:2), têm vibrado em ouvidos surdos. Absorvido naquilo que muitos chamam de “ganhar a vida” ou desfrutar de si mesmo muitos têm falhado em captar essa maravilhosa mensagem. Quando ela realmente desponta na consciência de uma pessoa, ela vislumbra um futuro antes inimaginado.
Se somos Filhos de Deus, ou, na terminologia da nossa Filosofia, a Filosofia Rosacruz, “Centelhas da Chama Divina”, então temos uma inteligência que se manifesta nesta Terra.
O que é isso? Até nosso atual estágio de desenvolvimento, estivemos sob a orientação direta de Seres superiores. Agora, tendo alcançado a autoconsciência e estando de posse de um instrumento maravilhosamente construído em forma de Corpo Denso, é nossa responsabilidade, como indivíduos, realizar algum trabalho criativo e especializado.
Podemos imaginar um agricultor com um pedaço de terra para cultivar, afiando, dia após dia, o seu arado ou limpando suas várias ferramentas sem colocá-las em uso real para o propósito a que foram destinadas? No entanto, não é esse o caso hoje com a maior parte da Humanidade? De fato, é um erro muito grave negligenciar o instrumento: um trabalhador não esperaria os melhores resultados com ferramentas enferrujadas e desafiadas.
Olhe para dentro e veja se você realmente está desperto. Se sim, o que você tem feito? A responsabilidade é sua. Se você esconder o seu talento, não haverá recompensa. O prêmio é para o bom e fiel servo que multiplicou os talentos que lhe foram dados.
Pois o mundo precisa de almas esclarecidas e urgentemente. Talvez você tenha testado esses métodos, mas não tenha notado muita melhoria — o seu crescimento é lento. Aprenda com a Natureza. O broto cresce lenta e imperceptivelmente, mas cresce, quando lhe são dadas as condições adequadas.
Você descobrirá que o crescimento mais rápido ocorre quando a planta é exposta à luz do Sol. A alegria é o nosso Sol espiritual e o seu crescimento ou desenvolvimento será bastante mais rápido, se for continuamente nutrido com alegria e contentamento. Todas as coisas respondem ao chamado da alegria. A alegria o ajudará.
Portanto: acorde!
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – setembro/1920, traduzido e atualizado pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
O mundo está experimentando as convulsões que inevitavelmente acompanham a passagem da Humanidade de uma Era para outra, quando o Velho cede lugar ao Novo.
Em uma forma de arte de beleza incomparável, Wagner traça o processo com discernimento profético, revelando as forças que levam à dissolução da velha Ordem e as que estão trabalhando sob os destroços externos, preparando o terreno para um amanhã melhor e mais brilhante.
1. Para fazer download ou imprimir:
Livro: O Ciclo do Anel de Richard Wagner – por Corinne Heline – Fraternidade Rosacruz
2. Para estudar no próprio site:
O CICLO DO ANEL DE RICHARD WAGNER
Por
Corinne Heline
Fraternidade Rosacruz
Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP
Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82
Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil
Traduzido de acordo com:
1ª Edição em Inglês, 1961, Part III from book: Esoteric Music of Richard Wagner: Richard Wagner’s Ring Cycle – Issued by New Age Interpreter
Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP
www.fraternidaderosacruz.com
contato@fraternidaderosacruz.com
fraternidade@fraternidaderosacruz.com
ÍNDICE
Introdução aos Pioneiros da Nova Era
PARTE IV – DIE GOTTERDAMMERUNG
O Ciclo do Anel de Wagner será apresentado pelo menos três vezes nesta temporada pela Companhia Metropolitana de Ópera de Nova York[1]. Essas produções têm muito mais a oferecer do que entretenimento e prazer estético. Elas são um comentário profundo sobre os tempos em que vivemos. Neste século, o mundo está experimentando as convulsões que inevitavelmente acompanham a passagem da Humanidade de uma Era para outra, quando o Velho cede lugar ao Novo. Em uma forma de arte de beleza incomparável, Wagner traça o processo com discernimento profético, revelando as forças que levam à dissolução da velha Ordem e as que estão trabalhando sob os destroços externos, preparando o terreno para um amanhã melhor e mais brilhante.
A seguir, procuramos chamar a atenção do leitor para as características mais salientes dos dramas musicais, vistas do ângulo de sua história, significado evolucionário e cósmico.
Nos quatro dramas musicais que compõem o que se tornou conhecido como o Ciclo do Anel, Wagner previu o conflito que está destruindo o século XX, uma agitação que tem sua origem na insegurança econômica e uma perda cada vez maior de valores espirituais. Wagner também aponta para uma conclusão centrada na nova Ordem mundial que substituirá o caos existente. A Nova Era estará centrada em igualdade e bem universal, enquanto a velha estava situada no bem de um judeu, independentemente do bem-estar das massas.
Richard Wagner foi um prenúncio verdadeiro e dedicado da Nova Era. Tanto sua vida como sua arte gloriosa carregam a impressão do idealismo da Nova Era. No ano de 1848, ele foi exilado da Alemanha por causa de suas ideias radicais e atividades revolucionárias; ainda assim, a mensagem que deixou pode aparecer em qualquer periódico liberal de hoje.
“Vemos ou cheiramos nisto a doutrina do comunismo? Somos tão tolos ou perversos que declaramos que a necessária redenção da raça humana da escravidão mais grosseira e imoral que foi usada para estruturar o materialismo é o mesmo que colocar em prática a doutrina mais absurda e sem sentido, o comunismo? Não vemos que nesta doutrina de uma divisão matematicamente igual de propriedades e ganhos há uma tentativa impensada de se resolver o problema? Mas vamos, assim, descrever o problema como absurdo e sem sentido? Cuidado!”.
“O resultado de trinta e três anos de paz mostra a sociedade humana hoje em tal estado de ruína e pauperismo que até o final deste ano veremos ao seu redor as figuras medonhas da fome pálida! Tomemos cuidado, antes que seja tarde demais! Não demos esmolas, mas reconheçamos o direito, o direito humano concedido por Deus, ou nós poderemos viver o dia em que a Natureza, violada e zombada, vai se erguer em vingança brutal. Então seu clamor selvagem de vitória poderá anunciar o comunismo; e se durar apenas um breve período, porque é impossível que seus princípios prevaleçam, essa regra temporária seria o suficiente para destruir, talvez por muito tempo, todas as conquistas de uma civilização com dois mil anos de idade. Você supõe que eu lhe esteja ameaçando? Não, estou avisando!”.
No ato de abertura do primeiro drama musical do Ciclo, O Ouro do Reno, o brilho cintilante e derretido do ouro é visto flutuando livremente nas águas do rio Reno. Sua massa de beleza dourada simboliza a consciência do Bem. O anão Alberich — que, com seus gigantes, tipifica a Ordem antiga — tira o ouro das águas e o converte em um Anel, simbolizando assim o confinamento ou limitação do Bem. Entretanto, para fazer isso, ele precisa renunciar ao amor. Em outras palavras, deve sacrificar o bem da Humanidade em geral ao engrandecimento de poucos.
Wotan, pai dos deuses, representa a mente das massas de uma Ordem cujos poderes estão diminuindo como resultado de seu mau uso. Sua esposa Fricka caracteriza as regras e regulamentos rígidos pelos quais essa Ordem foi mantida. Sua casa, o magnífico castelo gótico de Valhalla, a fortaleza da Ordem, foi construída para eles pelos gigantes. Wotan se alegra em seu trabalho — pois os de um estado passageiro não podem conceber algo superior a si mesmos e esperam com confiança uma existência eterna.
Desejando aumentar seu poder, Wotan, por astúcia e insinuações, apanha o Anel de Alberich. Antes de abandoná-lo, no entanto, o anão o amaldiçoa: “A morte será a porção de quem o possuir. Ele nunca conhecerá felicidade ou alegria, porém será consumido pelo cuidado e pela ansiedade; enquanto quem não o possuir será dilacerado pela inveja. Quem é dono do Anel se tornará seu escravo até o dia em que for devolvido a sua liberdade no rio Reno”. Podemos notar os efeitos trágicos dessa maldição quase todos os dias, nas manchetes de nossos jornais.
A turbulência mundial é o resultado de um conflito entre duas classes, os “que têm” e os “que não têm”. Desigualdades trágicas podem ser vistas em todas as nossas grandes cidades, onde a minoria vive de luxo, enquanto números incontáveis suportam as condições de pobreza das favelas. Situação semelhante é mantida em toda a América do Sul; nos países do Oriente Próximo e do Extremo Oriente isso, agora, atrai atenção geral. Uma civilização construída sobre essas desigualdades não pode e não vai durar. A consciência da Nova Era não permitirá que aqueles que possuem uma riqueza fabulosa gastem centenas de milhares de dólares em uma noite de prazer egoísta, quando milhões de outros seres humanos quase morrem de fome.
Dois temas musicais, o Amor de Golã e a Maldição do Ouro, estão entre os mais poderosos de todo o Ciclo do Anel. No final de O Ouro do Reno, Wotan e os deuses retornam a Valhalla, significando o apego mental das massas ao padrão estabelecido pela Ordem antiga. Há, no entanto, um raio de luz que se manifesta nesse retorno: eles devem voltar pela ponte do arco-íris. O arco-íris é simbólico e representa um novo dia cheio de beleza e luz. É uma promessa para o futuro. Isso está bem descrito na requintada Música do Arco-íris.
Enquanto Wotan refaz seus passos em direção a Valhalla, um brilho enevoado surge da terra; sob sua luz pode-se discernir a forma de Erda, deusa da terra e mãe dos três destinos: passado, presente e futuro. Seu tema musical é uma expressão da Sabedoria Antiga. Ela representa a Lei imutável e inescapável de Consequência, descrita biblicamente na Epístola de S. Paulo aos Gálatas no versículo 7 do capítulo 6: “Tudo que o homem semear, isso também ele ceifará”. Erda emite um aviso a Wotan: “Fuja do anel amaldiçoado. Há ruína sem fim para você, em seu poder. Tudo que foi, eu conheço. Tudo que será, eu também conheço. Erda, a eterna, convoca-lhe. Tudo que existe chegará ao fim. A noite cairá sobre os deuses. Eu lhe aviso: desista do Anel”.
Quando a primeira cena de A Valquíria acontece, uma tempestade terrível atinge a floresta e curva as árvores poderosas. No centro do palco, há uma pequena cabana, a casa de Hunding e sua bela esposa, a jovem Sieglinde. À porta da cabana chega um estranho que está ensopado de chuva: é Siegmund, o Andarilho. Ele entra e se joga perto da lareira, diante de um fogo aberto. Quando Sieglinde aparece, ele pede abrigo noturno contra os elementos furiosos, dizendo a ela que foi atacado por inimigos que pegaram sua espada e, então, ele se perdeu.
Logo surge Hunding, sombrio, grosseiro, desconfiado. Quando descobre que o estrangeiro esteja em guerra contra seus parentes, imediatamente declara sua inimizade, jurando que, embora a hospitalidade seja concedida durante a noite, no dia seguinte eles devam se enfrentar em combate.
Hunding tipifica a convenção. Ele mantém as regras e regulamentos da Ordem antiga, demonstrando animosidade imediata em relação a tudo que pertença à Nova Ordem. Siegmund e Sieglinde são pioneiros do Novo Dia; portanto, há reconhecimento instantâneo um do outro, de seus ideais e objetivos comuns.
Quando Hunding se recolhe, Sieglinde retorna e pede a Siegmund que fuja enquanto ainda há tempo. Ele responde que seu nome seja Infortúnio e ela diz que ele não possa trazer mais tristeza à casa do que já existe ali. O preço do pioneirismo é sempre o ridículo, o mal-entendido e a perseguição.
Sieglinde informa ao estranho que, na noite de seu casamento forçado com Hunding, outro desconhecido enfiou uma espada no coração do grande carvalho diante da porta, prevendo que, quando um herói alcançasse o poder para retirar a espada, chamada Nothung, sua escravidão terminaria. Cheio de entusiasmo, Siegmund corre ao local e retira facilmente a arma mágica, quando Sieglinde grita: “Seu nome não é mais Infortúnio, pois agora você é o Vitorioso. Veja”, ela continua, “a tempestade acabou e a primavera chegou!”. De mãos dadas, eles caminham em direção às belezas da floresta.
A espada, que desempenha um papel muito importante em todo o Ciclo do Anel, caracteriza a verdade em sua pureza original. Ela pode ser usada bem e sabiamente apenas por aqueles que possuem a mente iluminada e dedicada. E de toda a música magnífica em A Valquíria, nenhuma é mais requintada do que a Canção do Amor e a Canção da Primavera, ouvidas nesta primeira cena.
Provavelmente as mais familiares e amadas de todas as músicas de Wagner, essas composições o tornaram imortal. As Valquírias são donzelas ousadas que, em corcéis de fogo, correm pelo ar para reunir os guerreiros que tiveram mortes de herói e carregá-los até o Valhalla. A música delas eleva nosso espírito a uma altura que transcende as limitações de tempo e espaço. É verdadeiramente “música infinita”.
Brunilde, a líder das Valquírias, simboliza o espírito da verdade. Suas simpatias vão imediatamente para Siegmund e Sieglinde, embora Wotan e Frika exijam que durante o próximo combate ela deva prestar assistência a Hunding. Ela se recusa e, na passagem alta da montanha onde a batalha acontece, é vista pairando sobre Siegmund para lhe proteger dos golpes de Hunding. O sucesso de Siegmund está quase garantido, quando surge um tremendo trovão e Wotan aparece no ar, acima de Hunding. O deus quebra a espada de Siegmund, deixando-o indefeso contra o golpe final de Hunding. Segue um silêncio ofegante, enquanto Siegmund está morrendo. É como se o próprio batimento cardíaco do universo estivesse quieto e toda a natureza prendesse a respiração, aguardando um evento sinistro.
Brunilde assenta a chorosa Sieglinde sobre seu corcel e corre para a floresta. Ela então sussurra para a donzela de coração partido: “Mantenha seu rosto sempre em direção ao leste. Seja sempre corajosa e ousada, pois você carrega em seu coração alguém que trará nova luz aos homens. O mundo ainda está preso à Ordem antiga, mas no horizonte surge um brilho de promessa”. O espírito da verdade não declarou, assim, que Siegfried, filho de Siegmund e Sieglinde, seja o portador da luz de um novo dia?
Depois que Brunilde esconde Sieglinde na floresta, ela volta e enfrenta Wotan, que está irado. De forma lamentosa, diz a ele que, ao ajudar Siegmund em vez de Hunding, estivesse vivendo mais perto de sua própria natureza superior do que ele mesmo. Wotan, de forma relutante, admite a acusação.
É significativo notar que em O Ouro do Reno os dois gigantes, Fafner e Fasolt, mantêm Freia, deusa do amor e beleza, em cativeiro e se recusam a deixá-la ir até que esteja tão completamente coberta de ouro que não possam vê-la.
Wotan diz a Brunilde que, por causa de sua desobediência, ele lançará um feitiço sobre ela — o que significa que a verdade não possa funcionar da maneira ideal, se o mundo estiver preso à antiga Ordem. Ele acrescenta que ela deva dormir em uma montanha alta, cercada por fogo mágico, para que apenas um herói possa despertá-la. Enquanto ela afunda no sono profundo, três vezes Wotan golpeia a pedra com sua lança, enquanto exclama: “Durma até que alguém chegue para despertar quem é mais livre do que eu”. Ao pronunciar essas palavras, o tema de Siegfried, anunciando musicalmente o libertador que está por vir, é ouvido na orquestra.
Na beleza celestial e mágica de sua Música do Fogo, Wagner deu livre reinado a seu gênio. É a música de um fogo sobrenatural que não queima, porém exalta; o fogo celestial do espírito que produz luz, não calor.
Wagner sempre se referiu a Siegfried como “o homem do futuro”. Todo o alto idealismo com o qual ele dotou a “Nova Ordem das Eras” ele concentrou em Siegfried, seu amado herói.
Dois dos números mais bonitos da ópera são o Filho da Floresta, tema musical de Siegfried, e a Canção da Espada. Em Filho da Floresta, Wagner uniu a beleza da infância ao encanto e harmonia da primavera. Canção da Espada é uma expressão alegre e brilhante do espírito de coragem e liberdade.
Quando Sieglinde morre, ela deixa Siegfried na floresta e coloca ao seu lado os dois pedaços de Nothung, a espada quebrada do seu pai. Aqui ele é descoberto por Mime, irmão do anão Alberich que renunciou ao amor para transformar o ouro do Reno em um anel. Fasolt e Fafner, os dois gigantes que possuíram o Anel pela última vez e um tesouro de ouro resultante, imediatamente começam a brigar por sua posse. Um mata o outro, após o que o vencedor coloca o tesouro dentro de uma caverna e se transforma em um enorme dragão que fica de guarda dia e noite. Essa é uma imagem adequada do egoísmo e da ganância que animam a velha Ordem, qualidades que mantêm a maior parte do mundo em escravidão.
Reconhecendo a magia possuída por Nothung, Mime planeja segurar Siegfried até que ele tenha idade suficiente para consertar a arma — pois o anão se vê matando o dragão e, assim, possuindo o Anel.
Siegfried cresce como um filho da natureza, no meio da floresta encantadora. Ele é capaz de domar animais selvagens porque não tem medo. Pela mesma razão, é fácil para ele refazer a espada quebrada. Quando isso é feito, ele decide matar o dragão e não tem dificuldade em eliminar o monstro que, morrendo, avisa sobre a traição de Mime. Tendo sido avisado, quando Mime lhe oferece uma bebida envenenada, o jovem também mata o falso e deixa seu corpo ao lado do dragão.
Tal ação delineia um passo importante no Caminho do Discipulado. Mime e o dragão simbolizam os aspectos mais baixos da natureza de desejos do homem. Alguns desejos devem ser eliminados completamente, como Mime foi; outros podem ser transmutados em qualidades mais elevadas da natureza espiritual do homem, como o dragão que auxilia Siegfried. A paixão então se torna compaixão, a intolerância cede à tolerância, o ódio se transforma em amor, o egoísmo é vencido pela abnegação e o espírito de competição é transmutado no de cooperação.
Depois que Siegfried mata o dragão, descobre que se apoderou de muitos segredos da natureza. Ele agora pode entender a linguagem dos pássaros. Assim, à medida que um discípulo refina e sensibiliza suas faculdades puramente humanas, as capacidades superiores tornam-se operacionais, especialmente a intuição. Ele aprende a ouvir sua voz mansa e a seguir sua orientação implicitamente. Na ópera, um passarinho conta a Siegfried que no topo de uma montanha distante jaz uma bela donzela que ele esteja destinado a despertar.
Wotan, a Mente de massa da antiga Ordem, está ciente da vinda de Siegfried. Temendo que seu poder sobre o mundo diminua, ele pede a Erda, deusa da Terra, que lhe diga como parar a “roda rolante”. Ela responde, perguntando por que motivo ele não obtém esse conhecimento de Brunilde, aquela que possui toda a verdade e toda a sabedoria. Wotan é forçado a confessar que, como Brunilde patrocinou uma nova Ordem de eventos, em vez de permanecer leal à antiga, ele a fez dormir. Erda responde tristemente: “Você deveria ser o defensor da verdade; contudo, foi falso, patrocinando o que é injusto e desleal”. Ela então prevê o declínio do seu poder e a chegada de uma nova Era.
Quando Siegfried finalmente chega ao pé da montanha, ele encontra seu caminho barrado pela lança de Wotan. Com sua espada mágica, ele quebra a lança do deus e se vê livre para atravessar. A aparência de Wotan é sempre acompanhada pelos temas de Escravidão e Sono Eterno (cristalização). No início da ópera, o poder de Wotan, a Ordem antiga, é maior. Nesse encontro, no entanto, a Nova Era se aproxima rapidamente, de modo que o poder de Siegfried, a Nova Ordem, permite que ele seja vitorioso.
Em uma carta escrita por Wagner, ele declarou: “Depois que se separou de Brunilde, Wotan na verdade nada mais é do que um espírito apagado; seu objetivo mais alto pode ser apenas deixar as coisas seguirem seu curso, abraçando seu próprio caminho, não mais interferindo definitivamente; por esse motivo, também ele se tornou o ‘Andarilho’. Dê uma boa olhada nele! Ele se assemelha a nós como um fio de cabelo; ele é a soma do intelecto do presente, enquanto Siegfried é o homem do futuro, o homem que desejamos, o homem que queremos e não podemos fazer; ele é o homem que deve se criar mediante a nossa aniquilação”.
Siegfried começa, de forma exultante, a subida da montanha junto da incomparável Música do Fogo. Wagner não estava descrevendo o fogo que queima; a saber, as ilusões e fantasias do mundo material. Ele descreveu o fogo espiritual que inspira, ilumina e exalta. O Caminho do Discipulado, comum a todas as religiões em todo o mundo, leva os aspirantes ao topo da montanha para ficar de frente com o próprio espírito da verdade, pois todas as religiões apontam o caminho para esse mesmo objetivo.
Siegfried passa ileso pelas chamas para se ajoelhar ao lado da Brunilde, adormecida, e a beija nos lábios, quando ela acorda e o aclama como “Senhor da Vida e do Mundo”. De modo contente, ele se dirige a ela como sua estrela e juntos, de mãos dadas, sonham com a nova e mais nobre Ordem, que está por vir.
A mais alta conquista de todos os verdadeiros discípulos é a imortalidade consciente. É nesse clímax que Brunilde e Siegfried cantam seu requintado dueto de amor, onde suas vozes flutuam para cima em êxtase, parecendo até mesmo tocar os reinos celestes:
“Amor iluminado
Rindo da morte”
O caos do mundo atual é motivado, em grande parte, pela terrível desigualdade entre os seres humanos. Isso provocou inquietação, o descontentamento das pessoas e contínuas revoltas entre nações e povos. O Planeta Terra está muito atrasado em relação ao desenvolvimento programado para ele. Hoje, deveria haver um Mundo Unido, manifestando harmonia, abundância e paz permanente.
Ao longo dos tempos, grandes apóstolos surgiram, tentando espalhar um evangelho de fé e liberdade. Na maioria das vezes, encontraram o ridículo, a perseguição e a morte. Richard Wagner foi um desses pioneiros da Nova Era. Ele usou seu gênio para esclarecer a Humanidade sobre a causa encoberta na crescente turbulência mundial e a cura para ela. Toda a sua mensagem pode ser encontrada no Ciclo do Anel.
Quando alguém é escolhido para executar um serviço abrangente, ele é guiado ao topo da montanha da inspiração para receber sua comissão. Muitas vezes ela é fornecida em uma visão ou por mensagem direta. Em seguida, ele deve ser experimentado e testado, antes de receber a função de mensageiro confiável. Mesmo o Senhor Cristo, Aquele que mostrou o caminho à Humanidade, teve que descer entre os seres humanos, está para realizar Seu maior ministério.
E assim aconteceu com Siegfried. Brunilde lhe dá lições de sabedoria sobre as alturas da inspiração; depois, ela o envia para as estradas e caminhos para proclamar as glórias do Novo Dia. Nesta missão, ele vai ao castelo onde vive o rei Gunther e sua irmã, Gutrune, com o mau Hagen, filho do anão Alberich. Hagen preparou Gunther e Gutrune para a vinda de Siegfried, contando-lhes sobre a gloriosa Brunilde e como ela treinou Siegfried para a função que lhe foi destinada. Além disso, Hagen sugere ao rei que ninguém menos que Brunilde seja a companheira adequada para ele; enquanto que, de Gutrune, extrai a promessa de exercer todos os seus artifícios femininos para ajudar a alcançar o fim desejado de conquistar Siegfried por si mesma.
A maldição do Anel ainda se mantém, embora esteja agora na posse de Siegfried. Hagen planeja afastar os jovens da proteção mágica de Brunilde e, assim, livrar-se de sua interferência, ficando livre para obter o Anel. “Então”, ele exclama alegremente, “eu serei o mestre do mundo inteiro!”. Hagen é um antigo conceito familiar que dominou ditadores em todas as épocas. Eles acreditavam que, se pudessem reprimir todo o reconhecimento dos valores espirituais e sufocar os fogos da liberdade, poderiam governar o mundo por meio de suas proezas humanas. Tal é o sonho daqueles que obteriam o poder dentro de uma ordem mundial em rápida desintegração.
Siegfried entra na presença de Gutrune, que lhe dá um copo de hidromel no qual Hagen jogou a “droga do esquecimento”. Enquanto leva a xícara aos lábios, um passarinho avisa sobre o seu conteúdo envenenado, mas ele não lhe dá atenção. Bebe e perde instantaneamente toda a memória da bela donzela que o espera no topo da montanha, porque sob o feitiço da poção ele se apaixona pela mulher sensual e atrativa que está diante dele. Quando Hagen lhe pergunta se entende a linguagem dos pássaros, ele responde, rindo: “Agora que escuto o riso das mulheres, não consigo mais ouvir os passarinhos”.
Não podemos servir a dois senhores ao mesmo tempo. Devemos fazer uma escolha entre a natureza superior e a inferior. Todos os que alcançam um lugar de destaque, riqueza ou liderança são confrontados com o teste sutil de fazer a escolha entre ganho pessoal e autoengrandecimento, por um lado, ou serviço disposto e auto apagamento, por outro. “Todo aquele que for chefe entre vós, que seja seu servo” é uma advertência sussurrada através dos tempos. Infelizmente, poucos têm sido aqueles que, em lugares altos, foram sábios o bastante e fortes o suficiente para cumpri-la.
Siegfried não apenas esquece Brunilde como, sob o disfarce de Gunther, ele a procura e leva ao vale. Lá, ela é forçada a se casar com o verdadeiro Gunther, enquanto ele próprio está casado com Gutrune. Hagen se alegra com o sucesso do seu esquema maligno. Em seguida, ele organiza uma caçada para o entretenimento de Gutrune e Siegfried, durante a qual mata este.
A Jornada do Reno e a Marcha Funeral de Siegfried são dois dos maiores números musicais que destacam o Crepúsculo dos Deuses. Ambos são compostos de vários temas que descrevem os eventos da vida de Siegfried desde o nascimento até a morte, quando estes se desenrolam diante do seu olhar moribundo, em ordem inversa. (Esta fase da ópera foi abordada em detalhes no livreto Esoteric Music Based on the Musical Seership of Richard Wagner – Corinne Heline).
O esquife onde Siegfried foi posto é colocado no grande salão do castelo, com o Anel ainda brilhando em sua mão. Hagen o reivindica por si próprio. Quando Gunther proíbe que o pegue, ele puxa sua espada e mata seu companheiro de conspiração. Brunilde tira o Anel do dedo de Siegfried e o coloca por conta própria, dizendo: “Agora tomo minha herança por conta própria! Ó, Anel fatal, eu te pego na minha mão para que possa jogar fora. Irmãs Sábias das Águas, filhas sorridentes do Reno, devolvo o que a vós pertence. Levem para vós: as chamas limparão o Anel e a maldição será lavada no rio”.
Hagen pula no rio, gritando: “O Anel é meu! O Anel é meu! Mas ele está muito atrasado. As Donzelas do Reno já recuperaram o Anel. Dois dos espíritos da água o pegam e seguram sob as ondas, enquanto o terceiro devolve o Anel a seu devido lugar. Pela última vez, a música amaldiçoada soa debilmente e não é mais ouvida. As Donzelas do Reno nadam, enquanto cantam alegremente. O ouro do Reno novamente flui livre, porque não está mais sob a maldição do Anel.
A atual Era de materialismo está centrada no eu e meu: tem sido egocêntrica. A Nova Era estará centrada no “nós e nosso”: será altruísta. A Velha enfatizou a individualidade separatista; a Nova enfatizará a unidade coletiva. Chegará o dia em que a ganância e sua inevitável dor não existirão mais. Uma consciência mundial do Todo-Bem prevalecerá, mais uma vez, entre os seres humanos, como aconteceu quando estavam em paz e sem pecado.
Brunilde declara que acenderá a tocha com a qual queimará o esquife de Siegfried entre as torres do Valhalla, o reduto da Antiga Ordem. Então ela o faz. As chamas e a música aumentam cada vez mais, até a Terra parecer uma massa trêmula e crescente de labaredas com sons que sobem até se perderem entre as estrelas. A fumaça se afasta lentamente e as águas do Reno rastejam sobre as brasas fumegantes.
Wotan, o deus de um dia que acabou, olha tristemente para a destruição de Valhalla. Ele percebe que a Ordem Antiga está morta e que ele era o responsável por sua morte. Ele reconhece que seu poder começou a diminuir quando lançou o feitiço do sono em Brunilde (a verdade) e recorda a acusação de Erda, Deusa da Terra: “Tu deverias ser o defensor da verdade, mas foi falso e patrocinou o que é injusto e desleal”. Enquanto observa as brasas moribundas do seu adorado Valhalla, ele murmura consigo mesmo: “Eu não sou mais um servidor; eu sou apenas um observador”.
No entanto, é apenas um modo de vida e não a própria vida que chega ao fim — um modo que foi tão impedido por obstáculos de chegar ao progresso construtivo que o terreno precisou ser limpo para que uma estrada mais ampla pudesse ser construída.
Neste ponto, temos o motivo da promessa: alto, puro, exultante, acima do tumulto das formas estrondosas: é a Redenção pelo Amor, sem dúvida a música mais transcendente e magnífica de todo o Ciclo. É tão pungente e requintada que tira bastante do fôlego do ouvinte. É a melodia que canta no coração de todo pioneiro que trabalha pela liberdade e irmandade; a mesma música que soou no coração daqueles seres humanos corajosos que assinaram a Declaração de Independência dos Estados Unidos da América em 1776. De fato, é a música que foi cantada por Anjos acima da pequena cidade de Belém, na noite em que nasceu o Abençoado Emancipador, porque é a palestra musical da “Nova Ordem das Eras”, centrada na Paternidade de Deus e na irmandade dos seres humanos.
Richard Wagner dedicou seu trabalho à grande mensagem do Ciclo do Anel com estas palavras: “Meu precioso conhecimento eu lego ao mundo. Não é mais ouro, nem pompa, casas ou tribunais, nem magnificência nobre, nem o engano dos tratados sombrios, nem a lei hipócrita de maneiras duras; entretanto, apenas uma coisinha tão valiosa nos dias bons quanto nos maus — e isso é o Amor”.
F I M
[1] N.T.: em 1961
O momento em que a trajetória do Sol cruza o plano do Equador da Terra em direção ao norte (por volta de 21 de março) é chamado de Equinócio de Março. A partir da posição do Sol no Equinócio de Março, sua trajetória é dividida em doze seções, chamadas Signos do Zodíaco.
Devido a um lento movimento de oscilação do eixo de rotação da Terra, o plano do Equador terrestre muda lentamente sua orientação. Isso faz com que o Equinócio de Março mude sua posição em relação às constelações. Visto da Terra, o Equinócio de Março ocorreu na constelação de Touro entre cerca de 3700 a.C. e 1600 a.C.
Diz-se então que a Terra estava na Era de Touro, e o culto ao touro era proeminente em várias Religiões. No Equinócio de Março, tudo na Terra está impregnado de vida, de modo que, quando o Equinócio de Março estava na constelação de Touro, o Sol concentrava uma influência taurina em todas as plantas e criaturas da Terra no momento de seu rejuvenescimento.
O Equinócio de Março ocorreu na constelação de Áries entre cerca de 1600 a.C. e 498 d.C. Então o cordeiro começou a ser adorado. O “sangue do cordeiro” foi usado para proteger a Raça Atlante Semitas Originais quando eles tentavam escapar da “Terra do Touro” (chamada Egito antigo no relato bíblico). Cristo se autodenominou o “Bom Pastor”.
O Equinócio de Março entrou na constelação de Peixes por volta de 498 d.C. e continuará em Peixes até, por volta, de 2638 d.C. Cristo chamou seus Discípulos para serem “pescadores de homens”, pois na época da primeira vinda de Cristo estávamos já na “Órbita de Influência” de Peixes.
O Equinócio de Março ocorrerá na constelação de Aquário de aproximadamente 2638 d.C. a 4700 d.C. Como o Equinócio de Março ainda não atingiu a constelação de Aquário, pode-se questionar por que deveríamos, no momento atual, nos preocupar com a Era de Aquário. Uma razão para olhar para o futuro é que é bom manter em mente o objetivo, para que se possa caminhar diretamente em direção a ele. Outra razão é que embora o Equinócio não entre na constelação de Aquário até 2638 d.C., o Sol concentra as influências que vêm não apenas de um ponto, mas de uma faixa no céu (que é mais ampla do que os limites físicos do Sol) e que chamamos de “Órbita de Influência”. Essa faixa de influência do Sol já está tocando a constelação de Aquário. Assim, mesmo agora, a influência aquariana já começa a ser sentida por algumas pessoas. Outro motivo é que, entre os milhões de pessoas na Escola da Vida na Terra existem algumas que são suficientemente capazes para avançarem mais rapidamente do que outras e, portanto, estão prontas para entrar em uma nova Era antes do tempo previsto para o restante da Humanidade como um todo (assim como alguns podem precisar permanecer em uma Era atrasada – por exemplo: de Gêmeos, Touro, Áries – depois que a maior parte da Humanidade já tiver saído dela).
Afinal, a vida é uma escola! As diferentes Eras podem ser consideradas como as séries nessa escola. Assim como em uma escola regular, existem certas coisas que os alunos devem aprender em cada série, também em cada Era existem certas coisas que a Humanidade deve aprender. Muitos aprendem inconscientemente. Mas, sem conhecer o objetivo, vagueiam e dão muitos passos desnecessários que não os levam diretamente para a meta. Se, no entanto, estudarmos o Esquema, Obra e Caminho de Evolução (detalhado no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz), como mostrado nos Astros e nos Signos, então poderemos saber quais lições devemos aprender e, assim, poderemos seguir direta e seguramente em direção ao objetivo, sem esforço desperdiçado.
Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz
A tendência natural no atual momento desse Esquema de Evolução no qual todos nós estamos inseridos é: “de dentro para fora”, “de baixo para cima”, “para frente e para cima”. Por isso a Filosofia Rosacruz leva o Estudante Rosacruz a se redescobrir, a se conhecer e, tomando conhecimento de seu relativo estado de consciência, empreenda a tarefa de reeducação, de transmutação e libertação das sujeições da matéria da Região Química do Mundo Físico.
Tomando o axioma hermético: “assim como é em cima é embaixo” podemos apurar a veracidade do que dissemos. A analogia é a chave de maiores recursos e se consideramos que somos um microcosmo, parte do macrocosmo que é a Terra, e como ambos seguem linhas idênticas, numa perfeita reflexão evolutivas, veremos quão profunda é nossa Filosofia e como ela concilia, magistralmente: a Ciência, a Religião e a Arte.
Quando estávamos na Época Lemúrica e construíamos Corpos Densos como lemurianos vivíamos muito próximos do centro ígneo da Terra. Já quando estávamos na Época Atlante e construíamos Corpos Densos como atlantes habitávamos nos vales profundos, já afastados do centro ígneo da Terra. Agora estamos na Época Ária e quando construímos Corpos Densos como arianos somos impelidos, no princípio por meio dos dilúvios para as mesetas, os planaltos, onde hoje vivemos.
Analogamente, seguindo a mesma direção, quando estivermos na Era de Aquário e construirmos Corpos Densos como aquariano viveremos “no ar”. Porém, como sabemos que os nossos Corpos Densos, como massa, estão sujeitos à Lei de Gravidade que os atrai para o centro da Terra, uma transformação deverá, necessariamente, ocorrer. S. Paulo nos ensinou que “a carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus” (ICor 15:50). Mas diz, também, que temos uma soma psuchicon, mal traduzido por “corpo natural” e que significa realmente um “corpo espiritual”, constituído pelos dois Éteres superiores do nosso Corpo Vital, mais ligeiro do que o ar e, por isso, capaz de levitação. Este Corpo é o áureo “Trajes de bodas”, a Pedra Filosofal ou Pedra Viva que algumas filosofias antigas designam por Alma Diamante, por ser luminoso, refulgente e cintilante como aquela inestimável joia. Esse Corpo é o Corpo-Alma!
Essa espécie metamorfose toda e sair para o alto e para fora pode se comparar, por exemplo, a transformação do girino em rã (trânsito da Humanidade desde a Época Atlante até à irisada Época Ária) e da lagarta que se arrasta pela terra na mariposa que fende os ares (símil do futuro trânsito do nosso presente estado e condição para as da Época Nova Galileia, onde ficará estabelecido o Reino de Cristo).
Sobre isto, Cristo manifestou, implicitamente, que o “novo Céu” e a “nova Terra” não estavam preparados, quando disse aos discípulos: “Para onde Eu vou não podeis vós ir agora, porém, hei de aparelhar-vos lugar e virei outra vez e vos tomarei comigo para que, onde Eu esteja, estejais vós também” (Jo 14:2-3). Posteriormente, em visão, o apóstolo S. João viu a Nova Jerusalém que descia do Céu e S. Paulo escreveu aos Tessalonicenses dizendo-lhes, por palavras do Senhor, que: “Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens” (1Tess 4:17), na Sua segunda vinda, para receber o Senhor no ar e estarão para sempre com Ele. Isto tudo concorda com as tendências expressas na passada evolução da Humanidade.
(Publicada na Revista Serviço Rosacruz – abril/1964 – Fraternidade Rosacruz – SP)