Não há outro inimigo, senão nós mesmos. Enquanto houver dentro de nós um resquício sequer de Personalidade, haverá separação.
Na Fraternidade Rosacruz, distinguimos nitidamente entre Personalidade e Individualidade. Personalidade é a “persona”, o conjunto enganoso, provisório e em constante mudança formado pelas nossas sensações, emoções, sentimentos e modo de pensar. São os laços de sangue, as tradições, os elos do mundo, essas coisas mais fortes que algemas de aço, tudo a que o Cristo simbolicamente chamava de “o reino dos mortos”. O mundo, a família, os bens, tudo isso é meio de aprendizagem indispensável a nós, o Ego humano, no presente estado evolutivo. Contudo, há o perigo de nos identificarmos com eles, de pensar que nos pertencem ou que lhes pertencemos, olvidando nossa origem celestial, nossa condição de espírito livre, em peregrinação e aprendizagem.
“Aquele que quiser ser meu discípulo, deve abandonar pai, mãe, irmãos, amigos, tudo” (Lc 14:26 – Mt 10:37), nos ensinou o próprio Cristo. Com isso não quis significar que devamos desleixar nossos deveres de pais, filhos, irmãos ou amigos Cristãos. Ao contrário, o verdadeiro Cristão é um excelente marido, pai, irmão, amigo, uma excelente esposa, mãe, irmã, amiga porque fornece a sua afeição e trabalho o mais puro pensamento, desejo, sentimento e, também, a mais pura emoção, ação e puro esforço. Dá e não espera receber; ama e não espera ser amado; compreende e não espera ser compreendido. As ingratidões não lhe suscitam ressentimentos, mas o cuidado de verificar se não contribuiu para isso. O verdadeiro Cristão busca a amorosa tentativa de reconciliação; ora e espera pela pessoa que é teimosa e rancorosa.
Ser Cristão é exemplificar amor Crístico, em seu sentido lato. É deixar que o Cristo, em si, fale, viva, ame.
Já a Individualidade é a expressão do Eu superior, verdadeiro, o que realmente somos, comandando os pares físicos, morais e mentais como instrumentos de ação.
A Personalidade é a nossa expressão de baixo para cima, o “ser humano invertido”, os valores instintivos, colorindo desordenadamente nosso modo de ser; é o amordaçamento do “Eu superior” e nosso condicionamento às conveniências instintivas. Um pentagrama com a ponta superior para baixo…
Nós, a Individualidade, não prescindimos da bagagem de experiências anímicas; ao contrário, nos valemos dela de um modo próprio, original, epigenético, criador. Porém, nós é quem mandamos e orientamos. Como nos ensina S. Paulo: “Não sou mais eu quem vive, mas o Cristo em mim”; e o próprio Cristo-Jesus nos ensina: “Eu e o Pai somos um”.
É certo que essa condição vamos atingindo gradativamente, em uma luta constante entre a nossa natureza inferior e a nossa natureza superior, entre as trevas e a luz dentro de nós. Por isso, a lenda dos Maniqueus, referindo-se internamente ao ser humano e ao mundo, fala da guerra dos Filhos das Trevas contra os Filhos da Luz. Estes acabam vencendo aqueles; entretanto, sendo bons, não podem exterminá-los. Incorporam, pois, o reino das trevas ao da Luz; ou seja, efetuam a transmutação dos valores inferiores em valores espirituais. Os alquimistas medievais faziam o mesmo, quando falavam sobre transformar os metais inferiores em ouro. Também entre os manuscritos encontrados no soterrado mosteiro dos Essênios, Qumran, às margens do Mar Morto, há um que fala da guerra dos Filhos das Trevas contra os Filhos da Luz.
Goethe, o grande Iniciado e autor de “Fausto”, falou, pela boca de um de seus personagens: “Duas almas — ai! — lutam dentro do meu peito pela posse de um reino indivisível; uma buscando alçar-se aos Céus em ilibados anseios, enquanto a outra se agarra à Terra, em passionais desejos”. S. Paulo, o apóstolo, igualmente dizia: “Pobre homem sou! O bem que desejaria fazer, não faço; o mal que não desejaria fazer, esse eu faço” (Rm 7:19).
Todo Aspirante sincero à espiritualidade “ora e vigia”, sobretudo quando se acha à frente de um movimento espiritualista, como a Fraternidade Rosacruz, e deve viver o que ensina. Ao mesmo tempo, o claro entendimento dessa luta dentro de cada um de nós nos torna rigorosos conosco e tolerantes com os demais, de modo a unir e não desunir, a estimular e não censurar; enfim, “a buscar a Divina Essência que existe em cada um”, o que constitui a base da Fraternidade que almejamos formar, como precursores da “Era de Aquário”.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de setembro/1965-Fraternidade Rosacruz-SP)
Muitos Estudantes Rosacruzes ativos – que estão trilhando o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, que começa como Estudante Preliminar e vai até Irmão Maior – se faz a seguinte pergunta, de vez em quando: “Tenho contribuído, dentro de minhas possibilidades, para o engrandecimento da obra Rosacruz, vivenciando-a no meu cotidiano e auxiliando quem também está a procura de uma Escola como essa?
Em verdade, somente a nossa consciência pode nos alertar para o papel que nos cumpre desempenhar dentro da Fraternidade Rosacruz, avaliando nossos talentos e, concomitantemente, indicando qual nossa aplicação dentro da frase que sempre repetimos quando oficiamos o Ritual do Serviço Devocional do Templo: “ser colaborador consciente na obra dos Irmãos Maiores a serviço da Humanidade”. É um campo carente de obreiros. Depende muito de nossa dedicação para se consolidar como precursora da Era de Aquário, já que ela é um Arauto dessa Era que bate às nossas portas.
A Fraternidade Rosacruz é um ideal muito mais grandioso do que possamos imaginar. Ela não é como alguns pensam, apenas uma “comunidade filosófico-espiritualista”, como outras existentes por aí, orientando e instruindo os interessados através de livros, informações digitais, folhetos, conferências e outros meios afins.
A missão, o programa e a estrutura da Fraternidade Rosacruz formam um conjunto cuja profundidade se encontra além da compreensão comum.
Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, por meio da Fraternidade Rosacruz, outorgaram ao mundo algo extraordinário: a Filosofia Rosacruz, ou seja, uma filosofia elucidativa dos mais intrincados problemas que afligem a cada um que busca respostas a elas. Lógica em sua linha de pensamento, guardando irrepreensível coerência em sua temática, a Filosofia Rosacruz resiste a todo e qualquer argumento em contrário. Mas há que estudá-la a vida toda para não chegar a conclusões equivocadas!
Os Ensinamentos Rosacruzes colocam ao nosso alcance um cabedal de conhecimentos, cuja beleza mal pode ser expressa em palavras. Tais princípios atendem perfeitamente as exigências de uma época, onde o racionalismo e o espírito inquiridor ante empírico repelem tudo o que não se enquadra em seus domínios. São atualíssimos, abrindo, ao mesmo tempo, perspectivas maravilhosas para o nosso futuro progresso. Eis então as possibilidades dessa Filosofia Rosacruz!
Se verdadeiramente sentimos que ela veio preencher algo em nossas vidas, propiciando uma visão mais ampla do mundo, por que não trabalhamos em prol de sua divulgação?
Sozinhos, pouco ou nada poderemos fazer. Mas, havendo união de esforços, as possibilidades de êxito serão bem maiores. Mesmo num grupo pequeno, a harmoniosa concatenação de talentos gera prodígios.
Nunca será demasiado repetir: o ser humano isolado é uma impossibilidade. Reiteramos sempre o que repetimos quando oficiamos o Ritual do Serviço Devocional do Templo: “um só carvão não produz fogo. Mas quando se juntam vários carvões, o calor latente em cada um deles pode produzir chama, irradiando luz e calor”.
Defendemos, justificamos e enaltecemos com fervor o trabalho em equipe ou em grupo, através do qual se alcança um máximo rendimento em tempo mínimo, mediante o aproveitamento racional das qualidades e aptidões de cada um em função do todo.
Pois, como aprendemos na Fraternidade Rosacruz: “Devemos aprender a lição do trabalho para um propósito comum, sem lideranças. Cada qual, igualmente induzido pelo espírito de amor que lhe vem do íntimo, deve empenhar-se pela elevação física, moral e espiritual da humanidade à altura de Cristo – o Senhor e a Luz do mundo”.
Afinal, ninguém sabe tudo! Um Estudante Rosacruz ativo reconhece suas limitações pessoais. Já sabe que se tiver ambição para se tornar líder se tornará um indivíduo inadaptado para a mais elevada forma de trabalho em grupo; por isso nunca tem o desejo de se destacar. Já aprendeu que se fundirmos e focalizarmos os atributos do nosso coração, o conhecimento e as energias espirituais de muitas pessoas pertencentes a um grupo e devidamente preparados, podem exercer um poder espiritual quase ilimitado na tarefa que o grupo precisa executar.
E para se trabalhar em grupo ou em equipe entende que precisa exercitar o seu impulso amoroso de dar, com renúncia de si mesmo, sem egoísmo; pois já assimilou o conhecimento de que sem o sacrifício o trabalho de grupo é praticamente impossível. Que deve se sobrepor à sua Personalidade, e que agindo assim fica mais fácil exercitar a dedicação ao serviço, o que resulta no crescer em consciência quanto aos propósitos comuns. Que é um ótimo ambiente para praticar no grupo ou equipe o serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) focado na divina essência oculta nos irmãos, nas irmãs e em nós – que é a base da Fraternidade. Esta é a magna chave do crescimento anímico, do crescimento da sua Alma. Entende a necessidade de recusar tudo o que seja danoso aos interesses do grupo ou da equipe (para isso aplica toda a sua sinceridade, lealdade, coerência). E, ainda, procura trabalhar em íntima cooperação mental e espiritual com os membros do grupo ou da equipe.
E, assim, em grupo ou equipe vai se dedicando ao Ideal Rosacruz e tendo oportunidades para se tornar um “colaborador consciente na obra dos Irmãos Maiores a serviço da Humanidade”.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz – fevereiro/1983 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Embora a palavra “Rosacruz” seja usada por diversas organizações, a Fraternidade Rosacruz não tem nenhuma ligação com quaisquer delas.
Nos anos 1907-08, após ser provado na sinceridade de seus propósitos e desprendimento no desejo de ajudar ao próximo, Max Heindel foi escolhido, pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, para difundir publicamente os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental na Região Química do Mundo Físico, ajudando, deste modo, a preparar a Humanidade para a Era da Fraternidade Universal que se aproxima, a Era de Aquário, na qual já estamos na “Órbita de Influência”. E por meio de intensa autodisciplina e devoção ao serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) aos irmãos e às irmãs e focando na Divina Essência oculta em cada um de nós – que é a base da Fraternidade –, ele alcançou a condição de Irmão Leigo na exaltada Ordem Rosacruz.
Sob a direção dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, gigantes espirituais da Onda de Vida humana, Max Heindel escreveu o “Conceito Rosacruz do Cosmos”, um livro que, tendo marcado época, se converteu no que é agora o manual-guia de ocultismo do Mundo Ocidental. Pelo seu próprio desenvolvimento espiritual ele era capaz de verificar por si mesmo muito daquilo de que estudamos no “Conceito Rosacruz do Cosmos”, bem como também era capaz de adquirir conhecimento adicional direto – sem nenhum anteparo seja de pessoa física ou qualquer material –, que mais tarde incorporou às suas numerosas obras.
Uma das condições básicas para que os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental fossem transmitidos a Max Heindel era a de que nenhum remuneração financeira (direta ou indiretamente) lhes fosse estipulado. Esta condição foi por ele fielmente observada até ao fim de sua vida, e continua sendo-o cuidadosamente por aqueles que dirigem os trabalhos da Fraternidade Rosacruz.
Assim, embora os livros da Fraternidade Rosacruz sejam vendidos – a preço de custo –, todos os Cursos de capacitação (incluindo todo o material e os livros em formato digital) e os Serviços de Auxílio à Cura do Departamento de Cura da Fraternidade Rosacruz sempre são e serão gratuitos. Os Estudantes da Fraternidade Rosacruz não pagam inscrição, taxas, mensalidades ou quaisquer outra denominação que signifique remuneração financeira. A única coisa que se exige do Estudante Rosacruz ativo, que está trilhando o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz é a sua fidelidade aos Ensinamentos Rosacruzes, a sua persistência, perseverança, disciplina e aplicação do que aprendeu na sua vida aqui!
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – abril/1984 – Fraternidade Rosacruz – SP)
O Estudante Rosacruz ativo, que está trilhando fielmente o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, já compreendeu que entre quedas, desistências, covardias e grandezas estamos seguindo “para frente e para cima”. E que há uma criança divina em nós, que a cada dia quer nascer.
Se olharmos ao nosso redor vemos que essa sentença aparece como uma semente lançada em época muito oportuna, já que estamos em uma fase de trânsito entre uma Era que está terminando (a Era de Peixes) e outra (onde já estamos na sua “Órbita de Influência”, a Era de Aquário), cujos lampejos aos mais avançados é dado entrever e transmite uma incrível sensação de insegurança a muitos irmãos e muitas irmãs.
Isso tem produzido uma espécie de fobia generalizada de perda. Muitas pessoas temem perder o emprego, a saúde, a posição social, os entes queridos e a própria vida (especialmente aos que acham que a vida é o fim da existência e até aqueles que acham que partem daqui para uma chamada “vida eterna” que nem sabe direito o que é!).
Esse clima de instabilidade, para muitos, é doloroso, não resta dúvida. Entretanto, pelo menos para quem “tem olhos para ver e ouvidos para ouvir” encerra alguns aspectos altamente positivos, isto é, oferece valiosíssimas lições morais e espirituais. Dentre elas destacamos:
Estes são alguns aspectos da questão. Existem outros não menos importantes. Na verdade, nós, a despeito das circunstâncias nas quais estamos envolvidos, procuramos algo superior, o que já não deixa de ser um passo considerável.
Mas, a maioria procura fora de si mesmo. Quando se admitir como um ente superior, o que realmente somos: um Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana, manifestado aqui), parte integrante do corpo macrocósmico de Deus, terá se desvencilhado das crises e desequilíbrios deste mundo – essas incríveis ilusões. Nascerá, então, de um longo e doloroso parto, a Divina Criança em cada um de nós, o Cristo Interno.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – maio/1984 – Fraternidade Rosacruz – SP)
A verdadeira Astrologia é uma Ciência Divina, antiquíssima, e sua beleza ainda poderá ser apreciada por aqueles que tem “olhos para ver e ouvidos para ouvir” (Mt 13:16). Caiu em descrédito unicamente porque foi prostituída por aqueles que a usaram para seu próprio proveito e/ou para conseguir recursos financeiros direta ou indiretamente. Estes, esquecendo que são os guardiões de seus irmãos e das suas irmãs, se tornaram responsáveis por todas as adversidades que lhes advirem como resultado do mau uso dessa Ciência Divina.
Como em todas as circunstâncias, aquilo que é mais elevado poderá, caso caia em mãos inescrupulosas, ser levado a níveis de inferioridade. Entretanto, como o mal não poderá prevalecer, pois é “o bem que sempre prevalecerá” (Gl 6:9), essa condição errônea de emprego dessa Ciência Divina não será definitiva, porque à medida que nos aproximamos mais e mais da Era de Aquário, a Era adequada para o desenvolvimento das Ciências, veremos a Astrologia, hoje vacilante e desacreditada pelo charlatanismo e ação de impostores, emergir tal como crisália, para o bem da Humanidade – tal qual é a Astrologia espiritual Rosacruz.
Um estudo dos símbolos criados e usados pelos Sábios antigos nos fornece uma compreensão integral dos benefícios provindos do uso correto da Astrologia. Todos os Signos se encontram no horóscopo de cada um e, por isso, todos estão sujeitos as suas vibrações em graus variáveis. Lembremos, entretanto, que o estudo dos símbolos, não procura delinear a fraqueza ou a força dos vários Signos. Trata-se apenas de esboçar o significado dos símbolos, indicando o ponto culminante que cada Signo atinge. Nenhum Signo é mais ou menos forte do que o outro, pois todos são necessários para oferecer a perfeição ao conjunto e através de cada um deles devemos ganhar experiência.
Cada indivíduo nasce sob a influência de um Signo pelo qual deve obter o maior bem para si ou dispensá-lo também em benefício da Humanidade. Uma vez não existindo diferença tanto em superioridade como inferioridade em relação a cada Signo, qualquer diferença notada é apenas aparente, tratando-se apenas de uma interpretação imperfeita por parte de pessoas que ainda não compreenderam a grandiosidade da mensagem que os Astros (aqui: Signos, Sol, Lua e Planetas) nos enviam, considerando que o caminho de toda a manifestação, que é o Caminho de Evolução, se processa em espiral, sempre para cima e para frente. Constantemente deparamos com nativos de todos os Signos, em todos os níveis de consciência, reagindo de acordo com a sua própria compreensão.
O horóscopo mostra qual o esforço que devemos dispender em cada curso de existência e a forma pela qual poderemos resolver nossos problemas, não significando, entretanto, que devemos ser conduzidos pela brisa do momento, pois “os Astros impelem, mas não obrigam”, ou seja: sugerem, não mandam!
Há somente alguns poucos símbolos cujo significado será conveniente lembrar. O círculo, o qual não tem começo nem fim, somos nós, o Espírito não manifestado; o ponto colocado dentro dele somos nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana), em manifestação; a linha, um ponto alongado (possui um polo negativo e outro positivo) representa a matéria ou o plano físico. Portanto, o ângulo ou a cruz ou linha sempre indicam o trabalho a ser realizado no plano físico. O círculo sempre é usado como um indicativo de trabalho ou treinamento espiritual. O meio círculo, ou a meia circunferência, é a consciência situando-se num nível entre o infinito e o finito.

Trata-se da combinação ou sequência daqueles símbolos que nos contam a história da Humanidade através das idades.
Os três primeiros Signos (Áries, Touro e Gêmeos) são governados mais pelo instinto do que pelo intelecto, porque somente agora eles estão se manifestando no plano da existência. Mais tarde talvez, haja tristeza e mágoas, até que se sinta o regozijo resultante do esquecimento de si mesmo para que se manifeste a vida altruísta em benefício dos semelhantes. Tal ainda não está acontecendo, uma vez que todo pensamento é dirigido para o aprendizado e assimilação do valor das experiências adquiridas.
O primeiro Signo, o de Áries é o primeiro a verter da manifestação do Espírito Divino. Toda a energia é canalizada para o aprendizado da vida material.

Ambos os crescentes abrindo para baixo, ambos descendo na matéria ou no físico, mantendo um perfeito equilíbrio num só ponto que toca a vida material. Vez por outra se assemelha a uma forma rude de manifestação por se tratar de uma primeira experiência vivida por nós, o Ego, longe do nosso Lar Divino. Porém, o equilíbrio perfeito mantido pelos dois crescentes de consciência, e mais, o ponto singular indicando a direção da experiência indispensável para esse Signo, não deixa dúvida quanto a intenção de aprender tudo que diga respeito ao físico. Haverá interesse em inúmeros objetivos, porém quase sempre haverá o surgir de novos interesses, acarretando a não conclusão das coisas já iniciadas, coisas que em um dado momento despertam mais a atenção.
Assim como o dourado Narciso na Primavera (uma das principais flores que que anuncia o fim do inverno e a chegada da primavera), ansioso por trazer a alegria e a beleza ao mundo expectante, não leva em conta o possível perigo que poderá advir dos ventos rudes e do chicotear das nevascas, da mesma forma o Ego, entrando no mundo finito – na Região Química do Mundo Físico –, prenhe de tantos objetos a serem explorados e estudados, nem sempre leva em conta o preço de suas ações, permanecendo em sua determinação de aprender muitas coisas. Assim viajando através dos vários Signos, nós experimentamos os efeitos das limitações.
O segundo Signo, o de Touro é o segundo passo no caminho ao redor do Zodíaco, indicando pelo círculo que abrange todas as coisas aprendidas em Áries, não se esforçando, contudo, para desenvolver mais atividades exteriores.

Assinala um período de assimilação demonstrado pelo crescente da consciência, apontando para cima, solicitando auxílio das forças superiores no sentido de assimilar o conhecimento contido no círculo, tornando-se ajustável entre a sabedoria adormecida em nós e o conhecimento adquirido por meio da nossa experiência no físico.
Entretanto, a luz acima do círculo indica que embora haja uma tendência para o espiritual, será o aspecto material a despertar o maior interesse, porque nós iniciamos a nossa jornada para a aquisição de experiências dentro da esfera do Mundo Físico.
O terceiro Signo, o de Gêmeos, tem um símbolo onde duas linhas paralelas com abertura nas extremidades indicam “assuntos não concluídos”.

As linhas perpendiculares de Gêmeos estão fechadas e as duas horizontais estão abertas indicando que nesse estágio desse Esquema de Evolução, a coisa mais importante é obter a compreensão e realização dos canais da Mente inferior em conexão com a manifestação física. O caminho da Mente superior está fechado, pois nós, primeiramente, tivemos o nosso sentimento amoroso e compassivo canalizados para aqueles objetos que formam a base material da vida, não podendo, por isso, ainda apreciar ou compreender na íntegra seu aspecto espiritual. O mais inferior deve ser visto como uma parte do Divino, justamente como o mais elevado e o mais altamente desenvolvido. As ações desenvolvidas neste Mundo material gerarão o ambiente que nós encontraremos quando atingirmos mais adiante outros Signos, onde as linhas perpendiculares estarão abertas para aquisição da Sabedoria dos planos elevados. Aquele espaço semelhante a uma caixa entre as linhas guardará todas as impressões indispensáveis e valiosas para a vivência de uma vida superior. Ao persistir em trilhar o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, vamos atingindo a vivência nos outros Signos.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de março/1972 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Os ensinamentos promulgados pela Fraternidade Rosacruz mencionam a aproximação de uma nova Era, à medida que a Sol, em seu movimento precessional caminha do Signo de Peixes para o Signo de Aquário.
O Sol entrou na órbita de influência aquariana em meados do século passado. A cada 72 anos ele se aproxima um grau do Signo de Aquário, regido por Urano. Sua influência, cuja palavra-chave é a originalidade e renovação, faz-se sentir nas conquistas espaciais, no estudo e aproveitamento das energias solar e atômica, no avanço das telecomunicações e muitas outras áreas tecnológicas, filosóficas, religiosas e afins. Estas descobertas estão transformando o mundo e nos conduzindo a um futuro inimaginável, saibamos ou não.
Algumas passagens das Sagradas Escrituras aludem, esotericamente, a nova Era.
As Eras são fases cíclicas do progresso humano, predominando, em cada uma delas, características marcantes. Oferece ambientes e experiências adequados ao desenvolvimento da Humanidade. O Antigo Testamento relata, veladamente, as transições entre várias dessas etapas.
Ao final da Era de Touro, há uns quatro mil anos (contando com a base de tempo atual: 1 ano como 365 dias), o “povo escolhido” empreendeu a fuga do Egito, terra onde o boi Ápis era cultuado. Neste êxodo foram conduzidos por Moisés, cuja cabeça, em antigas gravuras aparece adornada com cornos de carneiro. Essa forma de representá-lo indica tratar-se do precursor da Era de Áries, durante a qual, na manhã de Páscoa, o Sol tingia de vermelho as portas das casas, semelhante a sangue de carneiro.
Quando o Sol, por Precessão dos Equinócios, entrava na órbita de influência de Peixes, S. João Batista submergia as pessoas nas águas do Jordão. O Cristo chamava a seus Discípulos de “pescadores de homens” (Mt 4:18). O peixe (o ictus dos latinos) era um símbolo do Cristianismo. Explica-se, assim, porque a mitra dos bispos assemelha-se a uma cabeça de peixe. Olhando o futuro através da perspectiva do passado, evidencia-se o alvorecer de uma nova Era. É razoável supor-se que um estágio mais avançado de Religião substituirá o presente, revelando-nos ideais mais nobres do que nosso atual conceito de Religião Cristã.
Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que o trabalho de preparação para a Era de Aquário já se iniciou. Como se trata de um Signo do Ar, científico e intelectual, depreende-se que a Religião aquariana deverá alicerçar-se em bases racionais, sendo capaz de resolver o enigma da vida e da morte de tal forma a satisfazer a Mente e o Coração.
Aquário é representado por um homem derramando água de seu cântaro, simbolizando o desaparecimento da umidade pela predominância de uma atmosfera mais seca e etérica.
O ser aquariano, por certo, derramará toda a água viva de sua sabedoria, chegando a um adiantamento inconcebível, produzido pelo contato direto de sua Mente com os raios do Cristo Cósmico.
Na próxima Era não haverá mais guerras, porque o nosso desenvolvimento espiritual o tornará um verdadeiro templo de amor. Segundo a Astrologia espiritual Rosacruz e os Ensinamentos Rosacruzes novas forças e energias serão descobertas. Serão, entretanto, utilizadas em benefício de todos, ao contrário do que ocorre nos dias atuais.
Em Aquário, uma Humanidade mais nobre povoará a Terra. A sociedade aquariana, em termos sociais, científicos e espirituais deverá atingir tal estágio evolutivo, que para a limitada consciência pisciana pareceria mera ficção.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – setembro/1982 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Segundo o dito popular, “o coração tem razões que a própria razão desconhece” (do filósofo e matemático francês Blaise Pascal). Essa expressão encontra sua origem no fato de algumas pessoas agirem intuitivamente, de maneira até a contrariar as diretrizes do raciocínio lógico. Essa maneira pouco convencional de tomar decisões ou reagir a determinadas circunstâncias causa perplexidade e estranheza a muitos.
De um modo geral, somos condicionados, desde tenra idade, a viver consoante regras de um raciocínio linear. Quando alguém foge a esse padrão de conduta, não raro recebe a pecha de excêntrico, quando não de paranormal.
A luz dos Ensinamentos Rosacruzes encontramos explicações para esse aparente “fenômeno”. Em primeiro lugar é necessário analisar esses chamados “impulsos intuitivos”, verificando qual a sua natureza. Nem tudo é intuição. Muitas vezes trata-se de meros impulsos emocionais ou baixo psiquismo, com resultados até funestos. Porém, todo ato motivado por “intuição pura” raramente deixa de produzir resultados benéficos.
A intuição é uma faculdade latente em todos nós, entretanto, manifesta em poucos. Sua expressão, em maior escala, será uma das características da Era de Aquário. Vejamos, agora, qual a relação entre o coração e certas manifestações intuitivas. O sangue, ao passar pelo coração, ciclo após ciclo, durante a vida, grava todas as imagens no Átomo-semente do Corpo Denso. Elabora um arquivo fidelíssimo, que na existência após a morte se imprimirá indelevelmente no Átomo-semente do Corpo de Desejos, base para a nossa estada no Purgatório e Primeiro Céu. O coração encontra-se em estreito e permanente contato com o Espírito de Vida, o Espírito do Amor, fonte do sentimento de unidade. Dessa forma torna-se o centro do amor altruísta, o amor Crístico.
Depois das imagens passarem ao Mundo do Espírito de Vida, no qual se encontra a verdadeira Memória da Natureza, não retornam através dos lentos sentidos físicos, mas por meio do quarto Éter, o Éter Refletor, contido no ar que respiramos.
O Espírito de Vida percebe muito mais nitidamente no seu Mundo do que nos planos mais densos da Natureza. Na elevada região, que lhe é própria, vive em íntima relação com a Sabedoria Cósmica. Isto lhe faculta, em qualquer circunstância, sabendo de imediato o que há de fazer, a enviar mensagens de orientação e iniciativa ao coração. Este logo a retransmite ao cérebro, por meio do nervo pneumogástrico ou nervo vago. As chamadas “primeiras impressões” formam-se dessa maneira. Nada mais são que impulsos intuitivos emanados diretamente da fonte da Sabedoria e do Amor Cósmico.
É um processo rapidíssimo. O coração o elabora antes da razão poder considerar a situação. Não sendo assim, predominará o raciocínio lógico, válido até certo ponto, porquanto suas limitações esbarram no transcendente.
Quando a nossa Mente esgota seus recursos para resolver determinado problema só restará uma saída: a intuição. E mesmo assim, poucos se tornaram sensíveis ao seu processo.
Embora não se constituindo em regra geral é válido afirmar que nas pessoas mais devotas as mensagens intuitivas se fazem mais presentes. Eis uma das razões por que o Método Rosacruz de Desenvolvimento Espiritual Cristão Esotérico procura estabelecer um equilíbrio entre razão e coração, intelecto e devoção, oculto e místico.
O que o ser humano pensa em seu coração é certo (Pb 23:2), porque assim ele é. Não é raro ouvirmos esta expressão: “as pessoas espiritualizadas têm um coração inteligente”. Aprendemos na Filosofia Rosacruz que se pudéssemos agir segundo os impulsos do coração, o primeiro pensamento, a Fraternidade Universal, seria realizado agora mesmo!
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – setembro/1980 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Há passagens na Bíblia, especialmente nos Evangelhos, em que se observarmos mais atentamente veremos algo muito mais transcendente do que Cristo Jesus produzindo uma de suas maravilhas.
Aqui seguem dois exemplos bem contundentes:
No Evangelho Segundo S. Mateus 8:23-27 estudemos o seguinte trecho:
“Então, entrando Ele no barco seus Discípulos o seguiram. E eis que sobreveio no mar uma grande tempestade, de sorte que o barco era varrido pelas ondas. Entretanto Cristo Jesus dormia. Mas os Discípulos vieram acordá-Lo clamando: ‘Salva-nos, pereceremos’. Acudiu-lhes então Cristo Jesus: ‘Por que sois tímidos, homens de pequena fé?’. E levantando-se repreendeu os ventos e o mar e fez-se grande bonança. E maravilharam-se os homens dizendo: ‘Quem é Este que até o vento e o mar Lhe obedecem?’”
E no mesmo Evangelho (14:22-33), estudemos esse trecho:
“Logo a seguir compeliu Jesus os Discípulos a embarcar e passar adiante dele para o outro lado, enquanto Ele despedia as multidões. E, despedidas as multidões, subiu ao monte a fim de orar sozinho. Em caindo a tarde lá estava Ele, só. Entretanto, o barco já estava longe, a muitos estádios da terra, açoitado pelas ondas porque o vento era contrário. Na quarta vigília da noite foi Jesus ter com eles, andando por sobre o mar. E os Discípulos ao verem-no andando por sobre as águas ficaram aterrados e exclamaram: É um fantasma. E tomados de medo gritaram, mas Cristo Jesus imediatamente lhes falou: ‘Tende bom ânimo. Sou eu. Não temais’. Respondendo-lhe Pedro disse: ‘Se és tu Senhor, manda-me ir ter contigo por sobre as águas’. E Ele disse: ‘Vem’. E Pedro descendo do barco andou sobre as águas e foi ter com Cristo Jesus. Reparando, porém, na força do vento, teve medo e começando a submergir, gritou: ‘Salva-me Senhor’. E, prontamente Cristo Jesus estendendo a mão tomou-o e lhe disse: ‘Homem de pequena fé, porque duvidastes?’. Subindo ambos para o barco, cessou o vento. E os que estavam no barco o adoraram dizendo: ‘Verdadeiramente és Filho de Deus’”.
Aqui Cristo Jesus não estava literalmente dominando os elementos próprios do Mundo Físico, tais como a tempestade, os ventos e as ondas fortíssimas. Na realidade, estas passagens do Novo Testamento relatam experiências ocorridas em outra dimensão. Na literatura Rosacruz a água simboliza as emoções e o Mundo do Desejo.
À natureza da água lembra muito o Mundo do Desejo, cuja substância se encontra em constante movimento. Aprendemos na Filosofia Rosacruz que a permanência no Mundo do Desejo requer muito equilíbrio e discernimento do Estudante Rosacruz. Quando faltam essas qualidades ocorre justamente o pânico que sobressaltou S. Pedro no capítulo 14, nos versículos 22-33 do Evangelho acima.
S. Pedro deixou o barco (simbolizando o Corpo Denso) e se aventurou-se no Mundo do Desejo, logicamente, utilizando seu Corpo de Desejos. Porém, ainda não conseguia se manter-se equilibrado e com o nível de discernimento necessário para lá permanecer sereno, tendo assim que receber a ajuda de Cristo. “Caminhar sobre as águas” é dominar os elementos do Mundo do Desejo.
Pois, também aprendemos na Filosofia Rosacruz que a lei que rege a matéria da Região Química do Mundo Físico é a inércia, a tendência a permanecer em status quo. É necessária certa soma de energia para vencer essa inércia, para fazer com que um material qualquer, por exemplo um corpo, em repouso se mova ou para deter um que esteja em movimento. Tal coisa não acontece com a matéria componente do Mundo do Desejo. Em si própria é quase vivente, está em movimento incessante, fluídico. Pode tomar formas inimagináveis com inconcebível facilidade e rapidez brilhando ao mesmo tempo com milhares de cores coruscantes sem termos de comparação com qualquer coisa que conhecemos neste estado físico de consciência. Desta ligeira descrição pode-se deduzir quão difícil será para o neófito que acaba de abrir os olhos internos, encontrar o equilíbrio no Mundo do Desejo. É um manancial de toda espécie de perturbações e perplexidades.
Outro importante ensinamento que aprendemos na Filosofia Rosacruz é que a característica principal dos Globos lunares, quando vivíamos no Período Lunar, pode ser descrita como ‘umidade’. Os Cientistas ocultistas chamam “água” aos Globos do Período Lunar e descrevem sua atmosfera como se fosse névoa ígnea.
Também aprendemos que cada dia da semana corresponde a um dos Períodos e é regido por um Astro em particular. À segunda-feira corresponde ao Período Lunar e é regida pela Lua que exerce decisiva influência sobre as águas, os fluídos, as marés e afins.
Por outro lado, o domínio das emoções representa uma transição de um estado de consciência para outro. Por exemplo, os israelitas para entrar na Terra Prometida, primeiro tiveram de atravessar o Mar Vermelho e depois o Rio Jordão.
Cruzar as águas é uma vitória sobre as emoções, sobre si próprio. Se você supera alguma dificuldade, “você cruzou o Jordão”.
Outro exemplo nesse sentido é a Arca de Noé que, esotericamente interpretada, representa um estado de consciência mais elevado, uma vitória sobre a comoção e insegurança causadas por grandes transformações. O dilúvio é uma alegoria do desaparecimento da Atlântida. Os sobreviventes simbolizam um tipo superior de Humanidade, capaz de responder positivamente às necessidades evolutivas da Época Ária.
Aprendemos que as Épocas contêm em si mesmas espirais evolutivas menores, que são as Eras. As Eras são algumas dessas espirais. O ser humano da Era de Peixes é emotivo por excelência. Eis porque esta Era está intimamente ligada ao elemento Água: o batismo com água nas Igrejas cristãs, a água benta, a emotividade que envolve a devoção.
Na próxima Era — que é a Era de Aquário — essas características serão modificadas. O ser humano aquariano será mais racional. A atmosfera mais seca e elétrica que predominará ensejará o fortalecimento da atividade intelectual. A representação astrológica de Aquário consiste em “um homem”, o aguador, despejando a água do seu cântaro.
Num futuro mais distante ainda, às emoções serão totalmente sublimadas e amalgamadas à constituição espiritual do ser humano. Isso foi anunciado no Capítulo 21 do Livro do Apocalipse: “Vi novo Céu e nova Terra, pois o primeiro Céu e a primeira Terra passaram e o mar já não existe”. Temos, portanto, uma árdua tarefa pela frente!
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – março/abril – 1988 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Nós, ao nascermos, mais uma vez aqui, não estamos formados ainda. Sabemos, à luz da Ciência e da Filosofia Rosacruz, que desenvolvemos o nosso Corpo Denso até por volta dos sete anos. Então nasce o nosso Corpo Vital e é desenvolvido até cerca dos catorze anos, em que a puberdade marca o nascimento do nosso Corpo de Desejos. Desenvolvemos o nosso Corpo de Desejos até perto dos 21 anos, quando nasce a nossa Mente e aí somos considerados (não sem razão, portanto) pelas leis civis, como cidadão, capaz de exercer nossos deveres e direitos.
Nesse desenvolvimento, há a chamada idade perigosa, que medeia entre os catorze anos e vinte anos. É quando nós, como um jovem, começamos a formar nosso próprio sangue, começamos a mostrar nossa verdadeira natureza, inteiramente pessoal, distinta dos nossos pais e demais ascendentes (porque a hereditariedade afeta apenas a parte física!). A nossa Mente ainda não se formou e sob os impulsos do Corpo de Desejos, nós, um jovem, sentimos a íntima necessidade de autoafirmação, começamos a reagir contra as ordens dos pais e dos responsáveis. Julgamo-nos donos do nosso nariz, como se costuma dizer. É uma idade difícil. Se os nossos pais ou responsáveis não conquistaram a nossa confiança e o nosso amor de filho ou de filha, pelo exemplo e pela coerência de atitudes, amorosas e justas, terão dificuldade conosco nessa fase de nossa educação.
O mesmo ocorre, por exemplo, no desenvolvimento de qualquer coisa, inclusive da Fraternidade Rosacruz. Max Heindel, profundo e inteligente como era, previu isso. Disse ele que, em seu desenvolvimento, como qualquer outra organização, a Fraternidade Rosacruz teria problema quando seus Estudantes Rosacruzes estivessem passando a “maturidade espiritual”. É inevitável.
O Estudante Rosacruz, sentindo seu avanço, a influência que vai exercendo em seu meio ambiente imediato, a facilidade que vai tendo na compreensão de tudo, graças às “chaves” que recebeu na Fraternidade Rosacruz corre o imenso risco de começar a se envaidecer. Ele mesmo não percebe isso; é um sentimento perigoso, sutil, insinuante, com feições de legítimo, mas, no fundo, é pura vaidade.
Daí Max Heindel chamar a esse nível, onde ocorre mais esse risco, de Probacionista, ou seja, “aquele em que se é provado”. Não provas dramáticas contra dragões e perigos horripilantes, quixotescos. Não, provas sutis, segundo o ponto fraco de cada um.
Max Heindel comparou a ascensão do Aspirante à vida superior a uma torre de igreja, larga na base e que vai estreitando à medida que sobe, até que há um ponto suportando a cruz. No caminho da regeneração, também, tudo é definido no começo. Muitas coisas são permitidas, porque a medida da instrução é o que o Estudante Rosacruz pode aprender e não o que a Escola Fraternidade Rosacruz pode ensinar. Mas, à medida que ele avança, as relatividades aumentam em tudo e o rigor de consciência desperta a tortura em cada desvio. Então, a diferença entre o bem e mal é sutil. Ele já não responde facilmente como antes. Há muitos fatores a considerar. É como o fio da lâmina de uma navalha.
Mas, se o Estudante Rosacruz não for cuidadoso e prudente na observação de si mesmo poderá, facilmente, escorregar de um lado para outro, entre o fanatismo e a indiferença; pode interpretar como legítima sua vontade de mudar as coisas e, como o jovem do nosso exemplo acima, passa a criticar os pais ou os responsáveis chamando-os de antiquados, de prepotentes, atrasados, ignorantes e outros adjetivos afins.
É uma fase; uma “idade” perigosa. Foi por isso que surgiram ramificações por aí, com nomes de “Rosacruz”, “independentes” como o mocinho carente de mentalidade e equilíbrio e, principalmente, carente de um elo superior, no caso a Ordem Rosacruz, que está na Região Etérica do Mundo Físico.
É certo que os Irmãos Maiores, como educadores sapientíssimos, sabem compreender tudo isto e ajudam seus “filhos” a vencer as provas; mas fornecem muito mais possibilidades aos que exercitam sua Epigênese dentro do ideal traçado. Liberdade mal orientada é Epigênese desperdiçada, se bem que as consequências evidenciam o erro e reconduzem ao caminho.
Isto ocorre em todas as organizações, grupos, equipes e centros de estudos. Já vivemos estas experiências, mas temos a felicidade de compreender nossa adolescência e a sabedoria de nossos pais e responsáveis, simbolicamente, aqui: Cristo, os seus auxiliares que são os Irmãos Maiores, e que se expressam por meio dos Ensinamentos Cristãos, pedagogicamente detalhados como Ensinamentos Rosacruzes.
Este problema, esta prova de se julgar cerceado em sua liberdade, de querer ser diferente, é natural da adolescência, mas não traz maiores consequências quando os pais ou responsáveis souberam educar seus filhos.
Em nosso caso, sob a orientação da Escola Fraternidade Rosacruz sabemos que ela respeita acima de tudo o livre arbítrio de cada um e procura emancipar os Estudantes Rosacruzes de toda limitação de sua Personalidade e das dependências externas (sejam de pessoas ou de “coisas”) para que seja um “perfeito cidadão do mundo e um pregador do bem”. Logo, se existe esta impressão, é interna, é pessoal, da vaidade, da Personalidade que se vê acuada, ameaçada e luta por seu reino, como Herodes ao tempo em que nasceu o menino Jesus. Um é o reino do mundo e o outro o Reino dos Céus. Este deve conquistar aquele, mas a luta custará à vida de muitos ideais, de muitos esforços.
Suscitamos este tema por vários motivos: primeiro porque é sempre atual; segundo, porque já temos muitos Probacionistas que precisam ficar alertas contra as armadilhas da natureza inferior que cada um temos; terceiro, porque é preciso compreender que o movimento Fraternidade Rosacruz não é uma Escola de cegos guiando cegos, sem lastro iniciáticos, senão que, reúne princípios superiores, inalteráveis ao nosso esforço Crístico, é só estudar com atenção o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz para ter uma prova disso.
Ao mesmo tempo, por trás de toda atividade individual ou em grupos, há uma ajuda esclarecida, há um observador consciente que nos respeita a liberdade, que nos estimula, que nos compreende como um “pai” maravilhoso, um pedagogo incomparável, que são os Irmãos Maiores; quarto, porque a “Fraternidade Rosacruz” não são sedes, prédios, salas, nem “diretorias”, “conselhos” e outros “cargos” que porventura sejam criados. A Fraternidade Rosacruz é algo interno, vivente, que se forma com a aspiração, com o esforço, com o pensamento convergente, harmonioso, concordante de todos os Estudantes Rosacruzes ativos e sinceros, na consecução de um Ideal superior, qual seja, a elevação de mundo à altura de Cristo, nosso único Ideal.
Isso não quer dizer que a Sede Mundial da Fraternidade Rosacruz, em Mount Ecclesia, não tenha um efeito especial, como fulcro físico. Tem sim! Max Heindel, Iniciado pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, escolheu aquele lugar não por acaso, mas porque sabia se tratar de um dos sete centros de irradiação espiritual, do Planeta Terra, de modo a favorecer a difusão dessa nova tônica do movimento Cristão Esotérico pelo mundo inteiro, de forma que não seria possível com apenas os recursos de seus Estudantes Rosacruzes. Além do mais, conforme Max Heindel o testemunhou, a Sede Mundial corresponde a um Arquétipo previamente formado nos planos mentais pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, com o propósito de alimentar o corpo de nosso ideal até o tempo previsto na Era de Aquário. Além do que podem ver nossos olhos físicos, além do que nossos limitados sentidos de neófitos, há uma força espiritual mantenedora da Fraternidade Rosacruz, que precisa do esforço de cada Estudante Rosacruz ativo e sincero, mas que não depende apenas de nós para sua sobrevivência.
Afinal, a Sede Mundial, fundada por Max Heindel, sob orientação direta dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, corresponde a um moderno Tabernáculo com missão especial para o Ideal de Aquário e o Cristianismo Esotérico, a Religião do futuro.
Realmente assim é. Não importa o “nome dos pedreiros”, a construção continua seguindo as linhas traçadas previamente por um Arquétipo. Nenhum esforço errado poderá subsistir.
Encerramos com S. Paulo, apóstolo: “Eu plantei; Apolo regou; mas era Deus quem fazia crescer. Assim, pois, aquele que planta nada é; aquele que rega nada é; mas importa tão-somente Deus, que dá o crescimento. Aquele que planta e aquele que rega são iguais entre si; mas cada um receberá seu próprio salário, segundo a medida do seu trabalho. Nós somos cooperadores de Deus, e vós sois a seara de Deus, o edifício de Deus..” (ICor 3:6-9). “Quanto ao fundamento, ninguém pode colocar outro diverso do que foi posto: Cristo. Se alguém sobre esse fundamento constrói com ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno ou palha, a obra de cada um será posta em evidência. O Dia torná-la-á conhecida, pois ele se manifestará pelo fogo e o fogo provará o que vale a obra de cada um.” (ICor 3:11-13).
Sejamos, pois, sempre como células ativas, tecidos vivos, órgãos normais no corpo da Fraternidade Rosacruz, sem jamais inquirir, como células, a que a outra faz; o propósito da Fraternidade Rosacruz é o desenvolvimento individual, para que o corpo cresça em eficiência, como Deus cresce com o pequenino acréscimo de nossa evolução individual. Deus é Amor. O amor une e edifica. “Quem vive em amor vive em Deus e Deus nele.” (IJo 4:16).
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – agosto/1965 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Oh, você, cujo olhar recai casualmente sobre esta página. Você, cujo interesse já foi despertado, leia atentamente este artigo — você está desperto? Cada momento da sua vida vibra com a alegria de viver ou você está com as massas, adormecido na existência monótona?
Se sua alma não for tocada em suas profundezas mediante o desabrochar de uma flor, você está adormecido. A menos que esteja moldando inteligentemente o curso da sua vida, está adormecido. Caso não perceba sua unidade com o Cosmos, então você está adormecido… E a mensagem deste artigo se resume a uma palavra: desperte! Eis algumas sugestões as quais, para você que está satisfeito em dormir durante toda uma vida, deveriam ser de valor inestimável. São ideias novas? De modo nenhum. Mas são os pensamentos-chave de hoje — da nova Era.
– “Eu não quero trabalhar”, diz o homem desempregado.
– “Ah, é mesmo?”, eu respondo, “então mova aquela pilha de areia para lá e, quando terminar, simplesmente cave e a recoloque onde a encontrou”.
– “E quanto dinheiro eu vou ganhar?”, pergunta o homem.
– “Ah, então você quer dinheiro e não trabalho!”.
– “Bem…”.
– “Aqui está uma nota de R$ 100,00; eu lhe darei, se você não gastar”, é minha resposta.
– “Mas eu quero comprar comida e carvão para minha família”, diz ele.
– “Então, meu amigo, você vê que não é dinheiro que você quer, nem comida ou carvão; mas, isto sim, a sensação de conforto que essas comodidades trazem”.
Para simplificar esse ponto, o homem estava, na verdade, pedindo felicidade. Como nós, mortais, gostamos de girar ao redor do assunto! O processo acima de buscar felicidade é como pedir um balde de água quando você tem uma torneira perfeitamente boa em sua própria cozinha. Por que não pegar um atalho e começar por si mesmo? Suponha, antes de tudo, que façamos um exame. Eu faço a pergunta — você fornece a resposta.
Fisicamente. Você carece de algo para estar em boa forma? Seu rosto reflete alegria: olhos brilhantes, faces coradas, cabeça erguida, cantos da boca voltados para cima?
Mentalmente. A Mente está alerta, atacando cada problema com entusiasmo e obtendo conclusões inteligentes? Quando você olha para um objeto, você realmente o vê ou, em outras palavras, seus poderes de observação estão ativos?
Emocionalmente. Sua alma é tocada pela majestade e a Glória dos Céus? Você se deleita com a sinfonia do movimento do oceano sobre a praia? Você sente, e não apenas fala, a Fraternidade do ser humano?
Moralmente. Você está vivendo à altura dos ideais estabelecidos dentro de você?
Algo do que foi mencionado acima lhe falta? Bem, não saia procurando por isso e pedindo aos outros. Está dentro de você mesmo! Desperte-o! Não há necessidade de ir mais longe. Você sabe melhor do que os outros o que lhe falta e sem dúvida já recebeu a sugestão de listar o que deseja expressar. É uma ideia excelente!
Tome, por exemplo, a virtude da paciência. Suponha que eu queira desenvolvê-la em meu temperamento, entre muitas outras. Eu a escreveria em uma folha de papel e então começaria a despertá-la. Como você atrairia a atenção de uma determinada pessoa, se ela estivesse em uma multidão? Ora, chamando o nome dela! Fomos ensinados que todos os poderes e qualidades de Deus estão latentes em nós; então a paciência está ali, aguardando expressão. Chame-a à manifestação!
Estes dias árduos de reconstrução necessitam de corações fortes e aplicação inteligente. Quantos de nós levantam a mão para moldar o nosso próprio ambiente? Somos escravos do nosso negócio; nossas ideias políticas ou econômicas não são nossas, mas fornecidas pela tendência que achamos que conhecemos.
Quantos pensamentos originais podemos reivindicar em um dia? E, ainda assim, originar é prerrogativa divina de cada um de nós: criar, praticar a Epigênese.
Se estamos apenas vegetando, podemos muito bem ser como a planta – um ser da Onda de Vida vegetal – cuja consciência é semelhante à do “sono sem sonhos”.
Se estamos apenas deixando a vida passar por nós mediante os sonhos, nossa consciência não é mais elevada que a de um animal – que é um ser da Onda de Vida animal e tem um nível de consciência de “sono com sonhos”.
Desperte! Por tempo demais permanecemos à beira da estrada, embalados pela indulgência dos sentidos, dedicando uma vida inteira aos meros acessórios da existência — adormecidos para o verdadeiro significado da vida: uma vida vibrante e criadora.
Venha comigo por uma colina, atrás de uma cidade. Estamos na primavera! Iremos, se você quiser, em uma hora matinal; naquela hora, logo após o nascer do Sol, quando, para aquele que está desperto, a natureza sussurra seus segredos. O primeiro benefício da nossa caminhada é físico; o ar puro e o passo rítmico põem a circulação em movimento e começamos a formigar à medida que sentimos seus efeitos revigorantes…
À medida que começamos a subir a colina, notamos em ambos os lados do caminho sinuoso evidências da primavera, pois os arbustos e árvores estão ganhando nova vida e, aqui ou ali, uma flor silvestre se manifesta. Nesses arredores não podemos deixar de sentir a unidade de toda a vida, o que é evidência do despertar das emoções mais elevadas. Por fim, alcançamos o cume — ficamos a princípio dominados pelo glorioso espetáculo. Por quilômetros diante de nós estende-se uma vista de campos verdes, encostas ondulantes e, além do braço prateado do mar pontilhado de ilhas, vislumbramos o contorno tênue de uma cadeia de montanhas escarpadas. Esse panorama maravilhoso, resplandecente ao Sol da manhã, pertence ao ser humano. É o seu atual Campo Evolução que chamamos de Terra!
Agora, volte-se e olhe em direção à cidade. Será possível que lá embaixo, naqueles pequenos cubículos que habitávamos ontem, os problemas da vida parecessem tão enormes, tão opressivos? Porque nossa própria alma já se expandiu e sentimos que podemos voltar para resolver nossos pequenos problemas em pouco tempo. Como gostamos de elevar nosso próximo até as alturas atuais da nossa consciência! É como se tivéssemos erguido nossas cabeças para fora da neblina e encontrado o Sol brilhando em esplendor. Se você, meu irmão ou minha irmã, tem amor pela Humanidade em seu coração, então leve consigo esta mensagem de desenvolvimento: “Eu elevarei meus olhos para os montes”. Elevarei meus pensamentos àquela consciência superior que me diz que todo poder está latente de nós — e nós nada mais temos a fazer senão despertar para nossa Filiação Divina, a fim de realizá-la em sua plenitude!
Por mais 2.000 anos as palavras da Epístola de S. João, “Amados, agora somos filhos de Deus” (IJo 3:2), têm vibrado em ouvidos surdos. Absorvido naquilo que muitos chamam de “ganhar a vida” ou desfrutar de si mesmo muitos têm falhado em captar essa maravilhosa mensagem. Quando ela realmente desponta na consciência de uma pessoa, ela vislumbra um futuro antes inimaginado.
Se somos Filhos de Deus, ou, na terminologia da nossa Filosofia, a Filosofia Rosacruz, “Centelhas da Chama Divina”, então temos uma inteligência que se manifesta nesta Terra.
O que é isso? Até nosso atual estágio de desenvolvimento, estivemos sob a orientação direta de Seres superiores. Agora, tendo alcançado a autoconsciência e estando de posse de um instrumento maravilhosamente construído em forma de Corpo Denso, é nossa responsabilidade, como indivíduos, realizar algum trabalho criativo e especializado.
Podemos imaginar um agricultor com um pedaço de terra para cultivar, afiando, dia após dia, o seu arado ou limpando suas várias ferramentas sem colocá-las em uso real para o propósito a que foram destinadas? No entanto, não é esse o caso hoje com a maior parte da Humanidade? De fato, é um erro muito grave negligenciar o instrumento: um trabalhador não esperaria os melhores resultados com ferramentas enferrujadas e desafiadas.
Olhe para dentro e veja se você realmente está desperto. Se sim, o que você tem feito? A responsabilidade é sua. Se você esconder o seu talento, não haverá recompensa. O prêmio é para o bom e fiel servo que multiplicou os talentos que lhe foram dados.
Pois o mundo precisa de almas esclarecidas e urgentemente. Talvez você tenha testado esses métodos, mas não tenha notado muita melhoria — o seu crescimento é lento. Aprenda com a Natureza. O broto cresce lenta e imperceptivelmente, mas cresce, quando lhe são dadas as condições adequadas.
Você descobrirá que o crescimento mais rápido ocorre quando a planta é exposta à luz do Sol. A alegria é o nosso Sol espiritual e o seu crescimento ou desenvolvimento será bastante mais rápido, se for continuamente nutrido com alegria e contentamento. Todas as coisas respondem ao chamado da alegria. A alegria o ajudará.
Portanto: acorde!
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – setembro/1920, traduzido e atualizado pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)