Resposta: A última parte da pergunta indica nossa exata posição. Enfatizamos o valor e a importância do regozijo e da felicidade, não, sem dúvida, como um supremo fim em si mesmo, senão como um produto da evolução, através da qual avançamos a estados sempre superiores de poder e de glória.
O objetivo da evolução não é simplesmente obter felicidade para nós, Egos, que tomamos parte nela, embora a vida em todos os planos esteja designada a ser feliz e satisfatória. Nosso real propósito aqui é ajudar a execução do grande plano de Deus, que conhecemos como Obra, Caminho e Esquema de Evolução. Se trabalharmos de acordo com esse plano, o regozijo e a felicidade serão em abundante medida.
O problema aqui é que a maioria de nós percorreu apenas uma distância comparativamente curta no Caminho de Evolução e, por isso, está ainda ignorante das Leis de Deus e das forças cósmicas e está constantemente violando essas Leis de Deus de tal forma que atrai dor sobre si mesma.
Existem dois métodos de aprendizagem nesse Esquema de Evolução. Um é pela experiência e o outro é pela observação. A Filosofia Rosacruz tem por objetivo induzir aos Estudantes Rosacruzes a aprender por meio da observação. Com este propósito fornece informação com relação às Leis de Deus e, também, sobre a dor que resulta quando são violadas. É assim que nós, Egos, prudentes modificaremos nossos caminhos de acordo com as Leis de Deus e evitaremos violentá-las, pois isso produzirá sofrimento (“O caminho do transgressor é duro.”). A Filosofia Rosacruz menciona a dor e o sofrimento apenas em conexão com isso.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – maio/1981 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Fevereiro de 1913
Ao estudarmos o livro “A Teia do Destino – Como se Tece e Destece – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz”, é conveniente – na verdade absolutamente necessário – mantermos diante dos nossos olhos e da nossa Mente o fato de que a vida não é apenas o desdobramento de causas desencadeadas em existências anteriores. Ao retornar para um novo nascimento nós, o Espírito, dispomos de um grau variável de livre-arbítrio – condicionado pela vida anteriormente vivida – para definir certos detalhes. Além disso, em vez de apenas desdobrar causas passadas em efeitos nós, o Espírito, geramos novas causas a cada passo, as quais atuam como sementes de experiências para as vidas futuras. Esse é um ponto fundamental. Trata-se de uma verdade evidente por si mesma; pois, se não fosse assim, as causas já desencadeadas teriam que se esgotar em algum momento, o que implicaria a cessação da existência.
Assim, não somos absolutamente forçados a agir de determinada maneira, pelo fato de estarmos em um certo ambiente e de toda a nossa experiência passada ter criado em nós uma tendência para um certo fim. Com a prerrogativa divina do livre-arbítrio, o ser humano possui o poder da Epigênese – ou da iniciativa –, de modo que pode enveredar por um novo caminho a qualquer momento que deseje. Ele não consegue desvencilhar imediatamente da vida antiga – isso pode exigir muito tempo, talvez várias vidas –, mas, gradualmente, vai alcançando o ideal que outrora semeou.
Portanto, a vida progride não apenas pela Involução e Evolução[1], mas especialmente pela Epigênese. Esse ensinamento sublime da Religião da Sabedoria Ocidental dos Rosacruzes esclarece muitos mistérios que, de outra forma, não teriam solução lógica; entre eles, um que motivou o recebimento de muitas cartas em Mount Ecclesia. Aborda-se esse assunto com certa relutância, visto que o autor não aprecia falar sobre a guerra. A questão diz respeito à relação entre um soldado, uma mulher do lado inimigo violentada por ele e o Ego nascido de uma mãe que o odeia devido à maternidade indesejada.
A investigação de diversos casos revelou que se trata de uma nova experiência por parte dos Espíritos que retornam via renascimento aqui. Todos haviam sido incorrigíveis em seus renascimentos anteriores, e parecia que nada de bom resultaria em mantê-los ali, para o sofrimento e a angústia profunda daqueles com quem estavam ligados. As atuais condições de guerra[2], embora não tenham sido criadas com esse propósito, oferecem uma oportunidade de transferi-los para outro campo de ação, onde a nova mãe colhe, por meio dessa experiência, os frutos de erros que ela mesma semeou no passado.
Essa condição tampouco é exclusiva da guerra. Muitas vezes, meios semelhantes são utilizados em outras circunstâncias para que possamos colhamos o que semeamos, por intermédio de outros seres humanos que entram em nossas vidas para sofrer e nos causa sofrimento. Recordo-me de uma mãe que, anos atrás, me contou como se rebelara contra a maternidade; como, após atravessar a gravidez com ódio e raiva no coração, a criança nascera e ela se recusara até mesmo a olhá-la; mas, por fim, comoveu-se diante da fragilidade e desamparo do bebê, e a compaixão acabou se transformando em amor. O filho desfrutou de todas as vantagens que o dinheiro podia proporcionar, mas tais benefícios não foram suficientes para preservar seu equilíbrio mental; hoje, ele se encontra na cela de um hospital psiquiátrico, enquanto à mãe resta apenas a dor e a reflexão obre o que ela fez – ou deixou de fazer – durante o período em que aquele filho vinha ao mundo.
Por outro lado, há também ocasiões em que um Espírito, tendo encerrado um ciclo em um ambiente antigo, ingressa em uma nova esfera de atuação como um raio de luz e conforto para aqueles que, por suas ações passadas, estão aptos a receber tal bênção. Lembremo-nos, pois, de que, por mais degradado que uma pessoa possa estar, ele sempre possui o poder de semear o bem, devendo, contudo, aguardar o momento em que essa semente possa florescer em um ambiente propício. Cada um de nós, embora vinculado ao seu passado, é livre no que tange ao seu futuro.
(Do Livro: Carta nº 55 do Livro “Cartas aos Estudantes” – Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: As duas partes do atual Esquema de Evolução
[2] N.T.: refere-se à Primeira Guerra Mundial (1914-1918)
As coisas externas “falam-nos”, por assim dizer, somente quando sua “fala” possa ser compreendida por nossas naturezas internas. Se quisermos obter conhecimento não podemos nos conservar passivos no nosso meio-ambiente. Devemos, ativamente, produzir reações naquele meio-ambiente, proveniente de dentro de nós próprios. Portanto, não existe tal coisa como “revelação externa”, mas, somente, um despertar interior.
Nós temos o que pode ser chamado de nossa “própria verdade”, porque cada um de nós é um indivíduo, um ser separado. Do ponto de vista particular com o qual, do nosso lugar nesse Caminho, Esquema e nessa Obra de Evolução, estamos sintonizados, e de acordo com o contexto no qual os nossos poderes de percepção operam, estabelecemos um relacionamento com aquilo que parece ser externo a nós e, assim, adquirimos a nossa “própria verdade”, para nós próprios. A exatidão desta “verdade” depende do grau do nosso autoconhecimento. Como Goethe escreveu: “Se eu conheço a minha relação comigo mesmo e com o mundo exterior, eu a chamo ‘verdade’. E assim cada um pode ter sua própria verdade e, apesar de tudo ela é sempre uma e a mesma”.
Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que há dois tipos de conhecimento: um que compõe o nosso relacionamento com os objetos externos e o outro que é aquele que é ele próprio, o objeto do qual obtemos conhecimento: as coisas como as vemos e as coisas como, na verdade, são. A primeira espécie é dominante na Ciência material que tenta explicar as coisas e os acontecimentos do Mundo exterior, que chamamos de Região Química do Mundo Físico. A segunda espécie está em nós quando vivemos dentro do conhecimento que obtivemos e que buscamos nos Mundos das Causas ou Mundos invisíveis ou, ainda, Mundos superiores. A segunda espécie de conhecimento, então, origina-se da primeira.
É, talvez, simplesmente natural que dois tipos de conhecimento devam existir desta maneira. A nossa percepção sensorial nos diz que somos um indivíduo entre outros indivíduos e separado das outras coisas. Porém, quando aprendemos a compreender que somos um Deus em formação, feito a imagem de nosso Deus solar – quando, em outras palavras, nos abrimos ao conhecimento superior, compreendendo a nossa natureza divina – o conhecimento que nós temos das coisas começa a se transformar numa compreensão da verdadeira existência e da significância das coisas. Esta transformação, então, só pode ser realizada pelo esforço próprio. Só começamos a ser verdadeiramente nós próprios, quando obtemos este elevado conhecimento.
Muitas pessoas parecem vacilar para frente e para trás, entre os dois tipos de conhecimento – olhando e verdadeiramente sabendo. Quando nos recusamos a olhar, fecha-se às coisas cuja natureza nós devemos aprender a conhecer. Quando nos recusamos a trabalhar para a obtenção da Sabedoria, nos fechamos a nós mesmos à verdadeira natureza das coisas.
Experimente aceitar as “verdades prováveis” até você se capacitar e ter a graça de ver as “verdades provadas”!
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – maio/1980 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Iago: O bom nome de um homem ou de uma mulher, meu senhor,
é a joia imediata de sua alma.
Quem rouba minha bolsa rouba lixo; é algo, é nada;
foi minha, é dele e foi escrava de milhares;
mas aquele que me furta meu bom nome
rouba-me aquilo que não o enriquece
e me torna verdadeiramente pobre.
(Otelo[1], Ato III, Cena III).
Encontramos no mundo cotidiano da construção civil duas classes de trabalhadores qualificados. Uma classe aprendeu a erguer estruturas de pedra, aço e madeira que são maravilhas em tamanho, beleza e durabilidade. A outra classe, maravilhosamente proficiente em seu trabalho, ocupa-se ativamente em demolir a obra dos construtores. Ambas são necessárias no mundo do progresso humano para que estruturas novas e melhores possam ser colocadas sobre os locais das antigas.
Por toda a Natureza podem ser encontradas em operação forças de caráter semelhante; as forças de construção sempre construindo, desde a menor célula até um Sistema Solar; e as forças destrutivas constantemente em ação, desintegrando as formas e devolvendo sua substância a seus constituintes primordiais. Essas atividades opostas são responsáveis por todos os fenômenos neste plano material e em todos os planos da consciência. Estão enraizadas na Lei Cósmica e são indispensáveis, imutáveis.
Os trabalhadores que desejamos considerar neste artigo são aqueles engajados na construção de um grande Templo; aqueles que constroem e ajudam outros a construir e aqueles que constroem, mas agiriam como agentes de destruição. “Não sabem vocês que são o Templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês?” (ICor 3:16).
Estudamos no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz que, lá no alvorecer do desenvolvimento humano, quando as Centelhas da Chama Divina iniciaram sua conquista deste Mundo Físico, o Grande Arquiteto do nosso Esquema de Evolução, Deus o Criador, providenciou para cada Centelha separada uma Morada. Essa morada desenvolveu-se durante três Períodos e meio de progresso até se tornar um ser composto de Corpos e veículos espirituais e físicos, que é sétuplo, e que é ocupado por cada membro da família humana. Esta é a ferramenta de trabalho a ser usada por cada Centelha Espiritual na aquisição de domínio e maestria sobre os Reinos mineral, vegetal, animal e, finalmente, sobre si mesma.
Assim, aprendemos que a família humana é composta de um agregado feito de Espíritos Virginais, tendo cada Espírito um invólucro composto de Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano: eis o que chamamos de Ego. Esse Ego ou Individualidade controla, ou está aprendendo a controlar, através de incontáveis renascimentos, a Personalidade, que é composta de substância de desejo, etérica e química. A Individualidade tríplice está ligada à Personalidade tríplice pelo elo da Mente. Esse corpo sêxtuplo (três “Corpos” inferiores e três “veículos” espirituais) é, assim, o templo de um Espírito residente que é, em verdade, sagrado.
O primeiro fenômeno aparente naquele remoto passado manifestou-se como caráter. Os Espíritos Virginais, como agora, não eram igualmente adaptáveis ao seu novo ambiente. Alguns eram ativos, outros passivos e hoje os classificamos como pioneiros e retardatários, respectivamente. Ao longo do incomensurável intervalo que se interpôs, cada Espírito Virginal individual esteve ocupado em desenvolver o maior atributo do ser humano: o caráter. Hoje, a posição do ser humano no mundo é determinada por seu caráter. É seu bom nome que ele estima acima de todas as coisas.
Ele aprendeu a discernir e a formar concepções do bem e do mal. Tendo aprendido, é responsável por seus atos; assim, é seu privilégio, e somente seu, destruir suas concepções errôneas para abrir caminho para as novas. Como Espírito Virginal residente dentro dos seus veículos, o ser humano contém dentro de si as forças necessárias de construção e destruição, de modo que aqueles que atacam seu caráter são invasores de solo sagrado. Violam uma Lei da Natureza; são, de fato, vândalos espirituais, destruidores de seres humanos.
Nosso Criador, Deus, providenciou Leis que governam tanto seres humanos quanto deuses. Está decretado na Lei Cósmica que “Tudo o que o homem semear, isso também colherá” (Gl 6:7). O caráter é a colheita, o fruto das muitas safras de experiência semeadas e colhidas pelo Aspirante à vida superior. É a própria quintessência do ser humano. É o “Templo que não foi feito por mãos.” (Hb 9:11) e é, assim, inviolável.
Somos então levados à conclusão de que os destruidores de caráter, aqueles seres humanos mais jovens, evolutivamente falando, que difamam seus colaboradores, associados ou conhecidos, estão demolindo um grande “Templo” que está em processo de construção. Eles dão expressão a uma grande força que poderia ser usada para propósitos úteis, mas que utilizam erroneamente para destruição gratuita. Dívidas do Destino (muitas que serão do tipo Destino Maduro) são assim contraídas e deverão ser expiadas.
Não é tão espantoso encontrarmos na família humana seres humanos que cometam graves erros. Todos estão buscando experiência e progredindo, aprimorando seus veículos e construindo caráter mediante essas experiências.
Como Espíritos diferenciados dentro do Criador (e não do Criador, Deus), as Leis de Deus garantem que devamos retornar à Fonte do nosso ser levando conosco os frutos da nossa peregrinação. Leis de Deus semelhantes operam em todos os planos inferiores. O impulso do ataque ao caráter vem do reino da emoção, do desejo. Semelhante a um cometa, tal impulso percorre assim toda a gama das emoções humanas, viajando através das correntes fétidas e nocivas das três Regiões inferiores do Mundo do Desejo, reunindo força em sua jornada até que, pela ação da imutável Lei Cósmica, retorna ao criador desse impulso.
Que se ataque pessoas, se quiser; movimentos religiosos, escolas de filosofia ou qualquer atividade organizada. São apenas coisas transitórias. A calma luz da razão logo dissipará as marcas do ataque daqueles tipos de seres humanos. O dano é reparável. Mas o caráter do ser humano é verdadeiramente a “joia imediata de sua alma”. Solte a seta pessoal da imputação venenosa e falsa e ela viajará com a velocidade da luz. Torna-se um monstro de muitas cabeças, algo hediondo e vicioso que obtém alimento e encontra alojamento em demasiados corações humanos.
Ganhando força devido à pronta hospitalidade, logo alcança seu alvo humano, envenenando, mutilando, destruindo, expondo ao ridículo e ao desprezo a infeliz vítima. E assim esses seres humanos, vândalos da reputação, entram diariamente em campo, buscando destruir. Certamente deve haver alguma armadura protetora que resguarde o inocente e torne o ser humano imune a esses caçadores antinaturais.
Há, de fato, uma armadura maravilhosa que podemos usar para afastar essas setas traiçoeiras e pontiagudas de ódio, inveja ou vingança. Outra grande Lei Cósmica pode ser invocada. Nenhum ser humano é tão humilde nem tão elevado que não possa usar seu poder protetor. É a Lei do Amor Crístico; aquela grande força construtiva que capacita cada indivíduo a usar o material de ideais despedaçados, esperanças destruídas e reputações arruinadas para construir, a partir daí, uma “mansão nos Céus” (Jo 14:2).
Cristo nos ensinou que: “Na casa do meu Pai há muitas moradas” (Jo 14:2-3). Ao longo das eras essa Lei do Amor operou, mas foi através do Cristo Jesus que ela foi fornecida pela primeira vez a todos nós. Ela suplanta a Regra da Lei das Religiões de Raça. Por meio do sacrifício na Cruz, Cristo Jesus implantou em toda a Humanidade o germe do amor fraternal, o amor Crístico. É uma influência transformadora. Quando desenvolvida — e seu desenvolvimento agora é possível em cada um de nós —, irradiamos em todas as direções essa força maravilhosa.
Brilhantemente luminosa, ela irradia constantemente, dia e noite, pensamentos de amor e caridade para todos. Nenhuma seta de inveja ou ódio pode persistir nesse “Fogo Vivo”; no entanto, carregadas de pensamentos de compaixão e auxílio, elas retornam em seu voo orbital à sua fonte, setas vivas de amor que consumirão o lixo de pensamentos e objetivos pervertidos. E assim vemos como é impossível realmente destruir. Apenas conseguimos mudar a forma. O arqueiro vândalo encontra a força destrutiva transmutada pelo Amor e usada para melhorar o Templo Vivo dentro do qual habita o Espírito de Deus.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – setembro/1920, traduzido e atualizado pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
[1] N.T.: Otelo, o Mouro de Veneza (no original, Othello, the Moor of Venice) é uma peça de teatro de William Shakespeare escrita por volta do ano 1603. A história gira em torno de quatro personagens: Otelo (um general mouro que serve o reino de Veneza), sua esposa Desdêmona, seu tenente Cássio, e seu suboficial Iago. Por causa dos seus temas variados — racismo, amor, ciúme e traição – continua a desempenhar relevante papel para os dias atuais.
Não existe, absolutamente, nenhum fundamento que justifique a ideia generalizada a respeito de “almas perdidas”. Não há, na Bíblia, uma só palavra que exprima a ideia a que todos nos habituamos sobre eternidade com o sentido de para sempre. A palavra grega aionian significa “um período indefinido de tempo”, “um longo período de tempo” e, quando lemos na Bíblia as palavras “eternamente” ou “para sempre”, deveríamos interpretá-las como “pelos séculos dos séculos”. Além disso, como é uma verdade que “em Deus vivemos, movemos e temos o nosso ser”, uma alma perdida seria o mesmo que se tivesse perdido uma parte de Deus e isto não é possível!
Sem dúvida, a perda de um período de anos está relacionada ao próximo período, sendo até mesmo compreendida por ele. Lembremos que no Período Lunar desse atual Esquema de Evolução que Espíritos Lucíferos, os Anjos que ficaram atrasados no Esquema de Evolução angélica, não puderam achar um Campo de Evolução no presente esquema de manifestação.
Os Arcanjos habitam o Sol; os Anjos têm a seu cargo todas as Luas; porém os Espíritos Lucíferos foram incapazes de residir em qualquer desses luminares. Não podiam ajudar a geração pura e desinteressadamente como fazem os Anjos, mas atuavam sob o império do desejo, da paixão vil e egoísta, pelo que foi necessário separá-los dos seus irmãos mais adiantados e fixá-los num lugar apropriado às suas condições.
O ambiente que necessitavam era o do Planeta Marte, a quem os antigos astrólogos atribuíram o poder sobre o Signo zodiacal de Áries, o Carneiro, que tem domínio sobre a cabeça dos seres humanos — convém recordar que o cérebro foi construído com as energias subvertidas dos órgãos sexuais —, o que comprova que aquele Planeta exerce igualmente o seu domínio sobre o Signo zodiacal de Escorpião, o regente dos órgãos da reprodução. Carneiro é a primeira Casa do horóscopo, regendo o começo da vida; Escorpião é a oitava Casa do horóscopo, a que nos fala da morte. Em tudo isso está contida uma lição, ensinando-nos que tudo aquilo que foi gerado pelos desejos vis é chamado à dissolução, à morte.
Assim, pois, Marte é, esotericamente e astrologicamente, o que se chama de “diabo” e Lúcifer, o mais notável dos Anjos caídos, é realmente o adversário de Jeová, quem dirige o poder fecundante do Sol por meio da ação lunar. Todavia, os Espíritos Lucíferos estão ajudando a nossa evolução. Deles recebemos o ferro que, por si só, torna possível a vida em uma atmosfera oxigenada. Foram e continuam sendo os agitadores das forças que impulsionam o progresso material e, por isso, não temos o direito de os anatemizar.
A Bíblia tacitamente nos proíbe ultrajar os deuses. O próprio apóstolo S. Judas Tadeu declara que mesmo o Arcanjo Miguel não se atreveu a denegrir Lúcifer. Porém o Arcanjo Miguel, quando, lutando contra o diabo, disputava o corpo de Moisés, não ousou pronunciar contra ele juízo blasfemo, mas disse: ‘Repreenda-te o Senhor’. E no Livro de Jó vemos Lúcifer como um dos filhos de Deus.
Se não fossem os impulsos marcianos, agitadores e belicosos, talvez não sentíssemos as aflições tão ao vivo como sentimos, mas também não poderíamos progredir na mesma proporção e é seguramente melhor “gastar-se ao criar bolor”.
Desse modo, podemos compreender que as “ovelhas perdidas” de um momento anterior nesse Esquema de Evolução (Período, Época, Era) sempre é concedida oportunidades para recuperar, no atual Esquema de Evolução, o tempo que perderam.
Ficaram atrasadas e, por esse motivo, são consideradas “más”, como no caso dos Anjos caídos; entretanto, “não se perderam; apenas afastaram-se da redenção”. Podem se salvar e certamente conseguirão, servindo-nos e, provavelmente, ajudando a transmutar a natureza de Escorpião na de Áries, levando-nos a sublimar em nós mesmos tudo que for grosseiro e mau.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de julho/1970-Fraternidade Rosacruz)
Algumas lições antigas da Fraternidade Rosacruz chamam a Mente de “O Mensageiro de Deus”. Sua importância na atual fase de desenvolvimento é indiscutível, embora ainda se encontre no seu estágio mineral de evolução.
O grande valor da Mente, como um “Mensageiro de Deus” a nós, é facilmente compreendido pelo fato de que os Estudantes Rosacruzes trabalham focando no seu Corpo Denso; os Probacionistas no Corpo Vital; os Discípulos no Corpo de Desejos e os Irmãos Leigos no Corpo Mental. Os últimos trabalham com a Mente, se esforçando por transmutar os pensamentos de sensualidade, avareza, egoísmo, violência e materialismo em pensamentos de amor, benevolência, compaixão, altruísmo, aspiração espiritual, devolvendo-os ao mundo para estimular todas as manifestações do bem.
Os Estudantes Rosacruzes, fieis aos ditames de seu coração, se esforçam por fazer a vontade de Deus, conforme a sentem. Entendem que nesta época de profundo racionalismo, em que a Mente predomina sobre o Coração, é necessário alcançar uma compreensão intelectual de Deus. Portanto, se lhes oferece, por meio da Filosofia Rosacruz, uma gama de conhecimentos científicos, lógicos e completos. Desse modo creem em seu Coração aquilo que o intelecto (a razão) sancionou e passam a viver uma vida religiosa Cristã Esotérica.
Quando nos desviamos do original Esquema de Evolução, sob a influência dos Espíritos Lucíferos, os Senhores de Vênus tiverem de se esforçar por prover o amor em vez da luxúria. Ao mesmo tempo os Senhores de Mercúrio apelaram àqueles que haviam desenvolvido alguma capacidade mental por meio dos sagrados ensinamentos, para que nos tornássemos menos egoístas.
Os Senhores de Mercúrio eram, originalmente, Hierofantes dos Mistérios Menores, aos quais estamos harmonizados como membros de uma associação de Cristãos Místicos. Iniciaram os mais avançados seres humanos, tornando-os reis e governantes, para o bem de todos e não para o autoengrandecimento.
Astrologicamente, Mercúrio é o nosso educador mental. Sendo assim, é o Planeta da razão, considerado mitologicamente o “Mensageiro dos Deuses”. O símbolo de Mercúrio expressa a característica da Mente como um elo ou mensageiro entre nós, o Ego, e o Corpo em nossas manifestações.
Para interpretar com crescente clareza a mensagem de Deus devemos purificar a Mente, cultivando um interesse cada vez maior por assuntos religiosos e intelectuais de natureza abstrata. Uma Mente capaz de entender matemáticas, Esquema de Evolução, Astrologia Rosacruz e Música elevada pode se elevar à Região do Mundo do Pensamento Abstrato sem estar aprisionada ao plano das sensações e desejos. Assim podemos sobrepor-nos à existência concreta que obscurece a verdade.
Não esqueçamos: a lógica é o melhor guia em qualquer Mundo, e ela nos preservará do orgulho intelectual, tornando-nos justos, porque “quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado”.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – setembro/1986 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Investigamos a evolução dos Átomos-semente através dos três Períodos Mundiais involucionários e todo o presente Período Terrestre, até seu final. O que sucederá a esses Átomos-semente nos períodos subsequentes: o Período de Júpiter, o Período de Vênus e o Período de Vulcano?
A primeira Iniciação Maior fornece o estado de consciência que será alcançado, pela Humanidade comum, ao final do Período Terrestre; a segunda Iniciação Maior, o que todos alcançaremos ao final do Período de Júpiter; a terceira Iniciação Maior fornece a extensão de consciência que será alcançada ao final do Período de Vênus; a última Iniciação Maior confere ao Iniciado o poder e a omnisciência que toda a Humanidade alcançará somente ao final do Período de Vulcano.
No final de cada Período, o Corpo que tenha chegado à perfeição, é convertido em suas forças essenciais e agregado ao seguinte veículo superior. Assim é como, no final do Período Terrestre, as forças do Corpo Denso aperfeiçoado serão agregadas ao Corpo Vital, o que tem, então, todos os seus próprios poderes mais os do Corpo Denso. Estes poderes amalgamados serão agregados ao Corpo de Desejos, no final do Período de Vênus e estes, por sua vez, serão agregados à Mente ou, o que já será, Corpo Mental, no final do Período de Vulcano.
Cada Corpo foi nos fornecido como um “germe”, que era também um “pensamento-forma”. São as forças arquetípicas de cada Corpo, elevadas à perfeição, as que são os poderes de cada Átomo-semente que são agregados ao seguinte veículo superior, quando termina esse Grande Dia de Manifestação.
Paralelamente a esse desenvolvimento, observamos o pleno florescimento do Tríplice Espírito e de seus três aspectos: o Espírito Divino, o Espírito de Vida e o Espírito Humano (os três juntos constituem o Ego).
Durante a Involução, as Hierarquias Criadoras nos ajudaram a pôr em atividade o Tríplice Espírito, o Ego, a construir o Tríplice Corpo e adquirir o elo da Mente. Agora, no “sétimo dia” (para usar a linguagem da Bíblia), “Deus descansa”. Devemos trabalhar pela nossa própria salvação. Nós, o Tríplice Espírito, devemos completar o trabalho e a execução do Plano de Deus. O Espírito Humano, que foi despertado durante a Involução, no Período Lunar, será o mais proeminente dos três aspectos de nós, o Ego, na evolução do Período de Júpiter, que é o Período correspondente no arco ascendente da espiral. O Espírito de Vida, que foi posto em atividade no Período Solar, manifestará sua principal atividade no correspondente período de Vênus e, as particulares influências do Espírito Divino serão as mais fortes no Período de Vulcano, porque foi vivificado no correspondente Período de Saturno.
Todos os nossos três aspectos são ativos, todo o tempo, durante a Evolução, mas o aspecto espiritual de cada um será desenvolvido nestes Períodos particulares, porque o trabalho a ser feito é seu trabalho especial. Assim como o polo negativo do Tríplice Espírito era o que estava ativo durante Involução, agora é o polo positivo o que está ativo durante a Evolução, à medida que nós, o Ego, ascendemos à Divindade, saindo da materialidade.
A Tríplice Alma é também, durante este tempo que nós, o Ego, estamos evolucionando e saindo da matéria, assimilada pelo Tríplice Espírito.
Quando o Corpo Denso for plenamente aperfeiçoado e suas forças agregadas ao Corpo Vital, a “Alma Consciente” será assimilada pelo Espírito Humano. Isto não é instantâneo. Dura por todo o ciclo do “Dia” de Júpiter e é apenas na sétima Revolução do Período de Júpiter, quando a Alma Consciente é, assim, assimilada pelo seu progenitor, o Espirito Divino.
Sob a Lei de Analogia e a causa de que a evolução se acelere à medida que se aproxima o final, a Alma Intelectual é assimilada pelo Espírito de Vida, na sexta Revolução do Período de Vênus. A Alma Intelectual é a essência do Corpo Vital e sua assimilação pelo Espírito de Vida requer todas as seis revoluções do Período de Vênus.
Finalmente, na quinta Revolução do último Período, o de Vulcano, em que o então Corpo Mental será aperfeiçoado, a Alma Emocional será assimilada pelo Espírito Humano, na Região do Pensamento Abstrato.
Esta assimilação da essência do Corpo de Desejos nutre o terceiro aspecto do Tríplice Espírito, conduzindo-o até a perfeição e, o processo de assimilação requer todos as primeiras cinco Revoluções do Período de Vulcano.
Restam duas Revoluções mais, deste Período, nas quais nós, o Ego, assimilaremos, na Mente, todos os poderes do Tríplice Corpo e, as essências anímicas também serão completamente assimiladas ao Tríplice Espírito. Conforme cada Globo Mundial se dissolve no caos, o aspecto do Espírito correspondente a esse Globo é atraído pelo mais elevado dos três aspectos, o Espírito Divino.
No final do Período de Júpiter, o Espírito Humano será absorvido pelo Espírito Divino. No final do Período de Vênus, o Espírito de Vida será absorvido pelo Espírito Divino. E, ao final do Período de Vulcano, o Corpo Mental aperfeiçoado, incorporando todas as maravilhosas glórias assimiladas durante os passados sete Dias Mundiais, será absorvida pelo Espírito Divino.
Note que não existe contradição entre estas e outras afirmações que dizem a Alma Emocional será absorvida pelo Espírito Humano, na quinta Revolução do Período de Vulcano, porque o último estará, então, dentro do Espírito Divino.
Depois disto, vem o grande intervalo de atividade subjetiva, durante o qual nós, o Ego, que agora temos absorvido em nós mesmo todos os três aspectos, ou poderes e todos os frutos da evolução se fundirão em Deus, de Quem viemos, para reemergirmos na aurora de outro Grande Dia, como um de Seus gloriosos colaboradores.
Durante nossa passada evolução, nossas possibilidades latentes têm sido transmutadas em poderes dinâmicos. Temos adquirido o Poder Anímico e uma Mente Criadora, como fruto da nossa peregrinação através da matéria.
Temos avançado da impotência à Onipotência, da inconsciência à Onisciência.
Isto é, quando reemergirmos da união com a Divindade, apareceremos como um deus-auxiliar, capaz de projetar no espaço, na Substância Raiz Cósmica, os Átomos-semente, as ideias germinais e suas forças arquetípicas e pensamentos-forma, pertencentes a um novo Esquema de Evolução, como membro de uma Celestial Hierarquia, como a que nos ajudou em nossa própria evolução “desde o barro até Deus”.
Assim, do mesmo modo em que as Hierarquias Criadoras são nossos verdadeiros progenitores, cuja “semente” foi o modelo de nossa evolução, nós, por nossa vez, chegaremos a ser os progenitores divinos de novas Ondas de Vida, em novos sistemas evolucionários, quando emergirmos naquela aurora cósmica, sobre as asas do poder e da sabedoria, para ajudar a inaugurar um novo mundo – uma galáxia, um universo – e o fazer flutuar como uma rosa que se abre corrente abaixo nas ondas do espaço.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – junho/1986 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Um deus pode amar sem cessar:
Mas, sob as leis da alternância, nós, mortais, desejamos em medida mutável
Nossa parte de dor assim como de prazer.
— Tannhauser
Quando Tannhauser, impelido por sua paixão profana pela nobre, pura e virtuosa Elizabeth, vagou pelas montanhas e foi atraído para a caverna de Vênus como o aço por um ímã, não apenas lhe foi permitido, mas também incentivado a satisfazer seus desejos sensuais até o limite; naturalmente, sua alma logo se saciou da paixão e ele rezou para ser libertado da deusa Vênus e autorizado a retornar à Terra. No curso da sua súplica, ele profere a verdade expressa no início do nosso artigo: que, em seu estágio atual de desenvolvimento, o ser humano necessita tanto da alegria quanto da tristeza para sua evolução adequada.
Na Mente filosófica esse sentimento desperta assentimento imediato, porque, embora todos sejamos humanos o bastante para ansiar pela alegria e temer a tristeza, não podemos, após reflexão adequada, deixar de perceber que uma vida de alegria constante, sem a menor tristeza, seria absolutamente insípida e sem cor. É a justa combinação de luz e sombra que confere beleza a um quadro ou paisagem e um arranjo semelhante de tristeza e alegria é necessário para dar vigor à vida e torná-la digna de ser vivida.
Do ponto de vista astrológico, a luz e a sombra da vida são fornecidas pela posição e pelos Aspectos de Júpiter e Saturno no momento do nascimento, juntamente a suas Progressões e Trânsitos em relação ao horóscopo de qualquer pessoa.
O regozijo vem de Júpiter, o Planeta da benevolência e do otimismo, que nos concede os favores dos deuses na medida em que tenhamos merecido suas dádivas. Por outro lado, Saturno, o Planeta do pessimismo e da obstrução, é o dispensador dos desfavores em incorremos por meio daquelas ações que são desarmônicas com as Leis de Deus; como ainda somos ignorantes no agir em harmonia com o grande Plano divino do Universo, não é de se admirar que o açoite de Saturno seja necessário para nos trazer de volta à linha, quando nos afastamos do caminho da virtude.
Mas é um sinal profundamente significativo do amor do nosso Pai o fato de Júpiter percorrer três vezes o horóscopo, formando Aspectos e trazendo oportunidades para o bem, para cada revolução de Saturno, o que nos traz as experiências ofertadas pelos Aspectos adversos por aqueles que carecem de compreensão.
Que bênção maravilhosa é a Astrologia Rosacruz espiritual, que nos oferece uma visão do Esquema, Caminho e Obra de Evolução, pelo qual todos nós estamos sendo lentamente educados da ignorância à onisciência!
Saturno é um dos principais fatores nesse processo de iluminação. Para aqueles que não conhecem a Astrologia Rosacruz espiritual pode parecer que a tristeza e a angústia profundas lhes sobrevenham sem qualquer razão ou motivo que possa ser descoberto; assim, muitas vezes invejam aqueles que são, aparentemente, mais afortunados; contudo, uma vez que aprendem a buscar a luz por meio da Astrologia Rosacruz espiritual, toda a perspectiva da vida se transforma.
Torna-se então evidente que estamos aqui não para o prazer, mas para a experiência; por mais tristes ou desastrosas que essas experiências possam ser, o verdadeiro Estudante Rosacruz de Astrologia as acolhe e procura descobrir a razão sob o ponto de vista astrológico, bem como as lições a serem aprendidas.
Além disso, ele extrai consolo do conhecimento de que os Aspectos adversos, que produzem os efeitos desastrosos, são apenas transitórios e que, no tempo devido — que ele pode calcular com precisão — o açoite de Saturno desaparecerá e o raio benéfico de Júpiter voltará a dissipar a melancolia saturnina e a curar a dor. Esse conhecimento naturalmente lhe proporciona coragem para perseverar nos dias de provação e o mantém em uma atitude mental esperançosa, aguardando o momento em que a tribulação terminará.
Quando vivemos na ignorância do grande Plano de Deus e não temos concepção das ministrações cíclicas de tristeza e angústia profundas e alegria trazidas à nossa vida por Saturno e Júpiter, respectivamente, para o nosso bem, tendemos a ficar excessivamente exaltados ou eufóricos quando Júpiter derrama sobre nós os bons dons dos deuses — saúde, riqueza, amigos, sucesso, prosperidade — e a ficar indevidamente abatidos quando, sob o açoite de Saturno, somos privados de tudo o que torna a vida digna de ser vivida; mas, quando o Livro da Vida nos é aberto pela ciência sagrada da Astrologia Rosacruz e nele reconhecemos o propósito benevolente de Deus e Seus ministros, gradualmente aprendemos a manter o equilíbrio, de modo que, quando os regozijos de Júpiter chegam ao nosso caminho, não ficamos excessivamente alegres, mas as recebemos com espírito moderado e aprendemos a nos considerar administradores de todas as coisas boas que assim são colocadas em nossas mãos.
Aprendemos que devemos utilizá-las, não para nossos próprios interesses ou propósitos egoístas, mas para o bem de todos, e que um dia nos será exigida uma prestação de contas, onde teremos que demonstrar como usamos os bens do nosso Senhor. Por outro lado, o chicote de Saturno não será aplicado por muito tempo, nem com frequência, àquele que se dedica ao autoexame – por meio da prática constante do Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção – para notar no que está falhando e encontrar o erro que causa tribulação e sofrimento.
Essa lição certamente será encontrada pelo buscador sincero e, quando for descoberta, o regozijo por ter encontrado uma valiosa pérola de conhecimento superará amplamente a dor envolvida em aprender a lição; ao longo dos anos será desenvolvida a mais preciosa de todas as posses da alma: a equanimidade que eleva o ser humano que a possui acima do mar revolto das emoções, conduzindo ao reino da paz eterna que excede todo entendimento. Quando chega a esse ponto em seu desenvolvimento, Saturno não terá o poder de movê-lo, nem Júpiter ou quaisquer outros Espíritos Planetários, porque ele terá aprendido a governar seus Astros e regular seu destino de acordo com sua própria vontade divina
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – janeiro/1917, traduzido e atualizado pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
Abril de 1912
A partir do ensinamento contido na lição do mês passado, vocês compreenderão que não há absolutamente qualquer fundamento em relação ao ponto de vista, como comumente acreditada, sobre almas perdidas. Não há uma só palavra na Bíblia que leve em si a ideia que costumamos atribuir à palavra “para sempre”. A palavra grega é aionian e significa “um período de tempo indefinido, uma era”, e quando lemos na Bíblia as palavras “eternamente e para sempre”, deveríamos interpretá-las “por séculos e séculos” ou “por muito, muito tempo”. Além disso, como é uma verdade da Natureza que “em Deus vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”[1], uma alma perdida significaria que uma parte de Deus estaria perdida e isso, é claro, é impensável.
Depois que escrevi a lição anterior, outro ponto me ocorreu, o qual ilustrará como os “perdidos” de um Período são tratados no próximo. Vocês se lembram de que falamos dos Espíritos de Lúcifer como retardatários do Período Lunar, e que afirmamos que eles não conseguiam encontrar um Campo de Evolução no Esquema atual Manifestação. Os Arcanjos habitam o Sol, os Anjos são responsáveis por todas as Luas, mas os Espíritos de Lúcifer eram incapazes de habitar em qualquer um dos luminares. Eles não podiam auxiliar na geração de Forma pura e altruísta como o fazem os Anjos, mas eram movidos pela paixão e por desejos egoístas, de modo que um lugar separado precisava ser encontrado para eles. Assim, foram colocados no Planeta Marte, fato bem conhecido pelos antigos astrólogos que atribuíam a Marte a Regência de Áries, que tem domínio sobre a cabeça[2] (lembrem-se, o cérebro é construído pela força sexual criadora subvertida) e, também, comprovaram que esse Planeta é o Regente de Escorpião, que governa os nossos órgãos reprodutores. Áries está na primeira Casa em um horóscopo natural e denota o princípio da vida; Escorpião está na oitava Casa, simbolizando a morte; nisso está contida a lição de que tudo o que é gerado pela paixão e pelo desejo está condenado à dissolução. Assim, Marte é, esotericamente e astrologicamente, “o diabo”; e Lúcifer, o líder entre os Anjos caídos, é verdadeiramente o adversário de Jeová, que dirige a força fecundante do Sol por meio da Lua.
Contudo, os Espíritos de Lúcifer estão auxiliando no processo de Evolução. Deles recebemos o ferro que, por si só torna possível viver numa atmosfera oxigenada. Eles foram e continuam sendo os agitadores do progresso material, e não temos o direito de anatematizá-los, amaldiçoá-los ou excomungá-los. A Bíblia nos proíbe expressamente de insultar os deuses. Conforme lemos na Epístola de S. Judas, nem mesmo o Arcanjo Miguel ousou insultar Lúcifer[3], e no Livro de Jó, este último é mencionado como um dos filhos de Deus[4]. O Embaixador de Marte na Terra, Samael[5], é o “Anjo da morte”, simbolizado por Escorpião, mas é também o “Anjo da vida” e da ação, simbolizadas por Áries. Se não fossem pelos impulsos marcianos, talvez não sentíssemos as angústias e tristezas profundas tão agudamente como as sentimos, mas também não conseguiríamos progredir na mesma proporção, e certamente “é melhor se desgastar do que se enferrujar”.
Assim, vemos como essas “ovelhas perdidas” de um momento anterior recebem as oportunidades de recuperar o seu atraso no atual Esquema de Evolução. Estão atrasadas, e como retardatárias, sempre parecerão más, mas não estão “perdidas para além da redenção”. Podem se salvar servindo-nos, provavelmente mediante a transmutação de Escorpião em Áries, quer dizer: da geração em regeneração.
(Do Livro: Carta nº 17 do Livro “Cartas aos Estudantes” – Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: At 17:28
[2] N.T. Nossa cabeça é uma estrutura complexa composta por uma cápsula óssea (crânio) que protege o cérebro, sustentada por músculos, vasos sanguíneos e nervos.
[3] N.T.: “Contudo, nem mesmo o Arcanjo Miguel, quando estava disputando com o Diabo acerca do corpo de Moisés, ousou fazer acusação injuriosa contra ele.” (Jd 1:9)
[4] N.T.: “Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se diante do Senhor, veio também o Diabo entre eles se apresentar diante do Senhor.” (Jo 2:1)
[5] N.T.: não confundir com o Anjo caído Samael, pois os Embaixadores de cada Planeta são Arcanjos.