Alguém que tenha experimentado alguma vez o que foi chamado de “a graça da concentração criativa” não poderá se sentir indiferente pela perda de tempo nas ocupações e passatempos sem sentido, que geralmente fazem perder uma parte de energia mental. Se no passado essa pessoa encontrou algum prazer na preguiça e inatividade mental, provavelmente, continuará agindo assim por mais algum tempo.
Hábitos antigos são difíceis de mudar, mas a sua consciência, estimulada pela lembrança da elevação espiritual e da realização resultante de seus momentos de concentração criativa, irá lhe causar uma inquietação cada vez maior. Começará a sentir que é, na verdade, um pecado contra o que realmente a pessoa é, o Ego, se deixar sucumbir pela indolência mental, desperdiçar seus talentos intelectuais e levar, mesmo que parcialmente, uma existência improdutiva, atendendo a sua Personalidade.
Uma das razões para nossa curta permanência neste Mundo Físico é que devemos desenvolver a força criadora e a capacidade que temos dentro de nós. Quando percebemos o que podemos conseguir com esta força criadora e que grande capacidade latente existe em nós, não ficaremos mais satisfeitos em deixar que outros nos distraiam continuamente, que pensem por nós (e nós podemos pensar até melhor!) e que fiquemos parados vendo a vida passar. Vamos querer, cada vez mais, participar ativamente nos pensamentos construtivos e originais, dedicando tantos momentos quantos forem possíveis a isto, e experimentar a alegria e exaltação que nos vem quando tais pensamentos são traduzidos em ações e nos trazem seus frutos.
Nossa ideia original de “descanso”, muitas vezes envolve: se sentar por longo tempo diante da televisão ou de um computador ou de um celular à mão assistindo programas e outras coisas fúteis; leitura literária de valor duvidoso, que exige pouca ou nenhuma resposta mental; assistir a filmes e/ou vídeos de segunda classe ou qualquer outro tipo de atividade mundana e passiva.
O que parece tarefa difícil de início: concentração, estudo ou pensamento criador, quando tomamos consciência por um esforço determinado da vontade, se torna fácil, mais natural e até familiar. Com o tempo, o esforço desenvolvido da vontade para estas atividades será mínimo e a antiga tendência para as atividades improdutivas e passivas mudarão, e até sentiremos um sentimento agudo de desagrado por tarefas desta natureza.
Isto de maneira alguma implica na necessidade de uma pessoa se tornar “escrava mental” ou levar uma vida exclusivamente contemplativa, para experimentar elevação espiritual da concentração criadora. Muito longe disso! Os resultados da concentração criativa devem resultar em ação e obra criadora e é este o verdadeiro significado que deve nortear os que assim se concentram. Devemos reservar algum tempo a esta atividade, mas certamente uma vida vivida exclusivamente “pensando”, sem nada ou pouco “fazer” não preencherá o propósito de nossa existência na Terra, ao contrário: nos atrasará na Evolução!
O descanso é um fator importante nas nossas vidas, mas os períodos de descanso devem ser intercalados com períodos de concentração criativa e atividades criadoras, o que é muito necessário para a maioria das pessoas, porque estamos no estágio do desenvolvimento mental (já que a nossa Mente está no primeiro estágio de desenvolvimento de um veículo: o estágio mineral, pois nem Corpo ainda é!).
Há, porém, muito poucos que podem sustentar continuamente um alto grau de atividade mental ininterrupta e intensiva, ou uma atividade duplamente mental e física, sem o alívio e o relaxamento de ocupações menos exigentes.
O descanso físico, contudo, não precisa ser passivo, parado, assim como o descanso mental não quer dizer que a Mente não vá ser usada.
Por exemplo, no descanso mental, uma pessoa pode fazer uma literatura ou assistir algo menos sério, mas que seja ao mesmo tempo, estimulante para a Mente. Tratados filosóficos podem ser postos de lado em favor de livros ou vídeos de viagem, artigos sobre a Natureza, animais ou qualquer outro tipo de assuntos de interesse particular.
Esses livros ou vídeos são mentalmente estimulantes e oferecem à Mente uma variação de tipos de leitura e de visualizações. O descanso combinado com o estímulo mental é também obtido através de atividades como passeios ao ar livre, o contato com a Natureza, contemplando-a e meditando sobre ela, ter os olhos e os ouvidos abertos, tentando aprender enquanto passeamos, escutar uma boa música, fazer visitas a museus e ter conversas elevadas e construtivas com amigos onde praticamos os Exercícios Esotéricos Rosacruzes de Observação e do Discernimento. Todos esses passatempos e muitos outros são muito mais produtivos, e exercem uma atividade mental muito maior, do que permanecer na inércia, que é tido como “descanso” por muitas pessoas. Um dos piores defeitos que podemos ter é o da preguiça mental e autoindulgência. A Mente é o veículo mais recentemente adquirido, dos quatro que possuímos e, como tal, é o menos desenvolvido.
Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que a Mente é o instrumento mais importante que temos; um instrumento especial na obra da criação. A laringe espiritualizada e perfeita determinará e falará a Palavra Criadora, mas a Mente aperfeiçoada decidirá quanto à forma particular e volume de vibração. A Imaginação será a faculdade espiritualizada que dirigirá a criação.
É um sublime ideal, sem dúvida, mas estamos ainda está longe de obter este desenvolvimento mental, de atingir seu auge, sua finalidade.
Também aprendemos na Filosofia Rosacruz que a Mente da maioria de nós é como uma peneira, um crivo. Os pensamentos se filtram através dos cérebros da maioria de nós da mesma forma que a água atravessa a peneira. Estes pensamentos são bons, maus e indiferentes, sendo estes últimos em grande maioria. A imaginação não retém nenhum deles, o suficiente para poder conhecer sua natureza, e assim alimentamos a ideia de que não podemos impedir que nossos pensamentos fossem como são. Por causa disto, muitas pessoas se acostumam a pensar negligentemente, o que os torna incapazes de se concentrarem num determinado assunto ou dominá-lo. É difícil alcançar isto, mas quando se consegue o controle do pensamento, a pessoa que conquistou isto tem certamente em sua mão a chave-mestra do êxito, em qualquer empreendimento.
Por tudo isto é óbvio concluir que a Mente precisa se desenvolver cada vez mais. Perdemos tempo ocupando-a com pensamentos vagos e indignos, ao invés de exercitá-la condignamente para aumentar sua força e seu potencial. Eis aqui o motivo que leva a muitas pessoas precisarem de muitas vidas de esforço mental controlado para desenvolver a Mente!
Não parece razoável, então, que ajudemos ativamente este processo, de todas as maneiras possíveis, em lugar de impedir e até recusar o trabalho contínuo de estimular e exercitar a Mente?
Projetá-la também numa situação nova e desafiadora e trabalhar sobre as forças criadoras latentes, que finalmente poderão se manifestar?
Conservar a Mente ocupada em canais construtivos de serviço ao irmão ou à irmã que está ao seu lado é a única maneira de ajudá-la a evoluir até aquele ponto de perfeição criativa para a qual está destinada. Todas as vezes que nos permitimos ficar indolentes mentalmente ou arquitetamos pensamentos destrutivos ou vagos, em lugar de pensamentos construtivos, e se possível criativos, estamos segurando e atrasando bastante o desenvolvimento de nossa Mente. Além disso, quando nos deixamos levar por certos tipos de atividade mental negativa, mais difícil será para nós recomeçar a usar a Mente em propósitos dignos e válidos. Preguiça mental que se disfarça sobre a forma de distração ou descanso, é muito agradável às naturezas inferiores (inclusive elementais e até irmãos e irmãs que partiram e que estão Apegados à Terra e que, assim, obsidiam total ou parcialmente) que não desistirão de esse proceder facilmente, uma vez que já o hábito se instalou.
Muitas vezes, durante o dia, quando estamos ocupados nas tarefas de rotina, porém necessárias, a Mente pode estar sendo exercitada. Períodos de afazeres domésticos, jardinagem, tempo gasto no transporte indo ou vindo do trabalho, momentos de espera para algum compromisso ou algo parecido, tudo pode ser utilizado em benefício da Mente, pois são ótimos momentos para executarmos três Exercícios Esotéricos Rosacruzes de Concentração, Observação e do Discernimento.
A grande maioria das pessoas tem no fundo de suas Mentes, vagas ideias de projetos, de realizações, de condutas que se apresentam como possibilidades para considerações futuras “quando tivermos tempo”. Muitos de nós temos tempo e até mais tempo do que imaginamos, e deveríamos usá-la na consideração destes novos esquemas: colocar os planos em atividade e usar o tempo que temos sabiamente.
Se utilizarmos, de maneira correta, todos os momentos que temos a nossa disposição, a nossa Mente será capaz de grandes coisas. A atividade construtiva mental, intermeadas por períodos de repouso mental, que também é de natureza construtiva, moldará e transformará com firmeza a nossa Mente, em instrumento de força e poder inacreditáveis.
A graça (dádiva) da concentração criativa deve ser adquirida através de atividade e exercício mental apropriados. Uma vez obtida esta graça, acharemos nossas vidas mais ricas e desenvolvidas, e ficaremos surpreendidos em ver o tempo que desperdiçamos, quando fugimos de fazer este esforço mental.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – junho/1981 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Pouca gente imagina a possibilidade de uma relação entre a cura e o Perdão dos Pecados. Aliás, quase ninguém sequer cogita dessa realidade que é o Perdão dos Pecados.
Para começar, veja o que S. João relata no seu Evangelho (5:6-9): “Jesus, vendo-o deitado e sabendo que já estava assim havia muito tempo, perguntou-lhe: ‘Queres ficar curado?’. Respondeu-lhe o enfermo: ‘Senhor, não tenho quem me jogue na piscina, quando a água é agitada; ao chegar, outro já desceu antes de mim’. Disse-lhe Jesus: ‘Levanta-te, toma o teu leito e anda!’. Imediatamente o homem ficou curado. Tomou o seu leito e se pôs a andar.”.
Mas, como se define o pecado?
Objetivamente podemos afirmar que é uma ação contrária à lei. Se você pensou que estamos falando da Lei de Moisés, os Dez Mandamentos, pensou corretamente. A Lei, em verdade, é algo muito mais amplo e profundo do que o decálogo recebido por Moisés na montanha. É tão importante que o Cristo asseverou categoricamente que não viera revogá-la, mas cumpri-la. Ele a observou, mas propôs dois mandamentos que a abrangem e transcendem: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a Si mesmo.
Do ponto de vista esotérico, o pecado é uma transgressão a uma Lei da Natureza que é uma Lei de Deus. As Leis da Natureza se harmonizam e mantêm o equilíbrio no Cosmos. Toda vez que alguém as transgrida provoca um desequilíbrio e em consequência uma reação em forma de sofrimento e/ou dor. Portanto, a dor e/ou o sofrimento é uma maneira de aprendermos a lição da harmonia. S. Paulo, em sua Epístola aos Gálatas (6:7), afirmou: “O que o homem semear, isso mesmo ele colherá”.
A luz do ocultismo, se cometemos um erro somos inexoravelmente penalizados? Realmente não. O Perdão dos Pecados é um fato. Entretanto, há pré-requisitos para que ele opere. Um deles é a vontade aliada à iniciativa. Há necessidade de ação que se manifeste através do arrependimento, reforma e restituição.
Primeiro, o arrependimento. S. João Batista não pregou filosofias ou doutrinas. Sua mensagem era o arrependimento dos pecados cometidos. Era um meio de preparar as pessoas para o Cristianismo. Sabia que o Cristo ofereceria a Graça, o Perdão dos Pecados, mas isto depende da transformação da consciência de cada um. Arrependimento é uma mudança da Mente e do Coração em relação ao ato pecaminoso. Porém, o remorso exagerado é nocivo, debilitando as correntes do Corpo de Desejos e afetando as Glândulas Endócrinas. Vemos, então, como tudo depende de um processo interno.
Em segundo, a reforma íntima, pois só o arrependimento não é suficiente para o recebimento da Graça. Quem para no arrependimento fica apenas na intenção. É necessária uma ação efetiva, dinâmica, que se consubstancie na reforma de caráter. Isso ocorre quando transmutamos nossos maus hábitos nas virtudes opostas. Reforma íntima significa restauração, renovação e reconstrução. Envolve discernimento (e só conseguimos fazer isso se praticarmos cotidianamente o Exercício Esotérico Rosacruz de Observação e o seu complemento, o do Discernimento). É uma prova de valor e paciência. Quando nos transformamos internamente tudo se modifica em nossa vida.
Em terceiro, a restituição que é quando prejudicamos alguém devemos promover a restituição, a compensar, de alguma forma, o mal que lhe fizemos. Se não pudemos reparar, pela ausência do prejudicado ou outra razão qualquer, podemos fazê-lo servindo a outra pessoa. Eis porque a tônica da Fraternidade Rosacruz — serviço — tem um cunho libertador. O serviço focado na Divina Essência do irmão ou da irmã, prestado de uma forma amorosa e desinteressada (portanto, o mais anônimo possível) nos envolve na consciência da unidade. Através dele nos sentimos unos com toda a criação, nos tornando incapazes de ferir, ofender ou prejudicar qualquer ser vivo.
Libertamo-nos dos pecados quando em nossa consciência admitimos ter errado e nos propomos a não mais repetir a falta cometida. A evolução é fundamentalmente uma questão de consciência. O desenvolvimento dessa consciência ocorre principalmente através do Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção. Quando estudamos o Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, descobrimos “que talvez esse seja o mais importante Ensinamento Rosacruz”.
O Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção nos oferece uma visão objetiva de nós mesmos. A constância e sinceridade com que é praticado acaba por limpar o nosso Átomo-semente do Corpo Denso das gravações indesejáveis ali impressas ensejando, assim, a evitar o sofrimento purgatorial. Se praticamos com fidelidade Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção, partindo decididamente para: o arrependimento, a reforma e a restituição, demonstraremos ter aprendido as lições nesse renascimento aqui, não necessitando fazê-lo futuramente. Isto é o Perdão dos Pecados!
O ensinamento alusivo ao Carma, ensinado pelas escolas orientais, não satisfaz plenamente as necessidades humanas de quem escolheu nascer no ocidente! Os princípios Cristãos abrangem tanto a Lei de Causa e Efeito como o Perdão dos Pecados e satisfaz plenamente todas as necessidades que precisamos.
Esse ato volitivo começa com o Corpo Vital. Na Oração do Senhor (o Pai-Nosso) encontramos uma oração exclusiva para o Corpo Vital: “Perdoai as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores”. Através da repetição se forma a Alma Intelectual, importante no processo de criação de bons hábitos.
Um bom hábito é não reagir emocionalmente diante de uma situação ou circunstância desequilibrante ou de uma provocação. Se não reagirmos emocionalmente não estaremos implicados na questão e em suas consequências, além do que tudo isso diz respeito à nossa saúde. O pecado ou transgressão afeta a saúde.
Cristo deixou bem claro que o que quer que aconteça no exterior tem sua origem no padrão existente na Mente da pessoa. Se analisarmos todas as Curas efetuadas por Cristo verificaremos que três são as condições para que se realizem: 1) Não pecar mais; 2) Ter bom ânimo; 3) Ter fé. Portanto, tudo depende do estado de consciência de cada um, principalmente o Perdão dos Pecados e a saúde física, mental e emocional.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – janeiro/fevereiro/1988-Fraternidae Rosacruz-SP)
O emprego da faculdade de observação pelo Aspirante à vida superior é de inestimável valor, pois é por meio dessa habilidade que ele pode sutilizar seu Éter de Luz (um dos dois Éteres que compõem o Corpo-Alma) e restaurar o ritmo e a harmonia de seu Corpo Denso.
Eis o motivo principal de ser um dos Exercícios Esotéricos Rosacruzes que o Estudante Rosacruz executa a todo momento, especialmente quando não está dormindo.
A definição do conceito “observação” para os Ensinamentos Rosacruzes (como aprendemos no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz): “uso dos sentidos como meio de obter informações a respeito dos fenômenos que ocorrem ao nosso redor”. Sob esta consideração, sugere-se que o Estudante Rosacruz inicie, desde já, a criação do saudável hábito de observar todas as coisas que estão a sua volta.
Se alguém achar que, muitas vezes, nada muda ao redor, então revise muito esse posicionamento, pois sempre, sempre está ocorrendo algo a nossa volta!
Há alguns bons hábitos que devemos desenvolver a fim de tornar mais fácil a execução do Exercício Esotérico Rosacruz de Observação, bem como, torná-lo mais eficaz:
-de ordem visual (como a observação dos detalhes das arquiteturas das casas, das árvores, do movimento, por exemplo),
-de ordem auditiva (tais como as modulações dos sons, do ritmo da fala de nossos amigos, do canto dos pássaros, etc.),
-de ordem tátil (como sentir a brisa em nosso rosto e até mesmo, o ritmo do caminhar quando se anda pelas ruas), entre outros. Deste modo, o Estudante Rosacruz, gradualmente, torna-se consciente de todos os eventos pelo qual está inserido.
Mas afinal, qual é realmente a importância da observação para o desenvolvimento por meio do Método Rosacruz? Ocorre que o Corpo Vital, independente da vontade da pessoa, também funciona como um espelho, ou como uma película cinematográfica em movimento que não para, nem por um segundo, de captar as imagens do ambiente no qual o Estudante Rosacruz está inserido. Semelhantemente, o Corpo Vital também capta as ideias que brotam de dentro da pessoa. O problema é que as pessoas, em sua maioria, não captam, de forma consciente, as mesmas informações que o Corpo Vital faz. Em outras palavras, a Memória Consciente (ou Mente Consciente), estabelecida pela observação, não coincide com aquelas de nossa Memória Subconsciente (Mente Subconsciente) ou automática, e isso resulta em uma importante discrepância (ou entrechoques de vibrações) que resulta no ritmo e na harmonia do Corpo Denso serem perturbados em proporção à superficialidade de nossa observação durante o dia. Sabemos que durante o sono o nosso Corpo Vital restaura parcialmente esse ritmo e essa harmonia no Corpo Denso, mas o entrechoque de vibrações dia após dia e ano após ano, realmente, é uma das causas que, gradualmente, endurecem e destroem nosso Corpo Denso até torná-lo impróprio para o nosso uso. Assim, precisamos abandoná-lo e buscar novas oportunidades de desenvolvimento em um novo Corpo Denso (Roda de Nascimentos e Morte).
Para atestar o fato de que as pessoas possuem olhos, mas não veem, e ouvidos, porém não ouvem, pergunte qualquer detalhe sobre algum objeto, cena de filme, ou até mesmo algum sentimento que ela teve num determinado momento, e não raro receberemos uma resposta do tipo: “Não me lembro nem do que comi no almoço, como vou lembrar sobre o que você está me perguntando!”.
O fato é que, quanto maior for à discrepância entre as imagens gravadas pelo Corpo Vital na Memória Subconsciente e os eventos gravados na Memória Consciente pela nossa observação, maior também será o tempo necessário para a restauração do Corpo Denso durante o sono. Há casos, por exemplo, em que as discrepâncias são tamanhas, que não resta tempo algum para trabalho nos planos internos! Se isso ocorrer com frequência, pouco crescimento espiritual será alcançado pelo Estudante Rosacruz.
Por isso, o Estudante Rosacruz ativo e sincero reconhece que pode (e é responsável) por tornar esse tempo maior ou menor, dependendo de sua capacidade em colocar em prática os Ensinamentos Rosacruzes.
Pela observação, é possível fazer com que os entrechoques de vibrações das duas Memórias ocorram com menor frequência e, deste modo, a restauração do Corpo Denso poderá ocorrer de maneira mais rápida.
Como auxílio neste processo, é de grande valia ao Estudante Rosacruz, aprender a observar não apenas detalhes de objetos e fenômenos externos, mas também minúcias internas, pois é bem provável que o Corpo Vital também registre tais informações. É natural que neste ponto do texto, haja a pergunta: “que eventos são esses?”. Tais eventos são aqueles gerados por nós mesmos, pelo Corpo de Desejos (por meio dos nossos sentimentos e nossas emoções) e pela Mente (pensamentos-forma). A observação destes detalhes contribuirá fortemente no processo de redução dos entrechoques de vibrações entre as duas Memórias.
De maneira geral, a maior parte das pessoas, quando está realizando uma determinada tarefa, observa apenas os procedimentos envolvidos para sua execução e seu resultado, (por exemplo, se alcançou ou não o objetivo). Porém, é importante que o Estudante Rosacruz também observe, de maneira sincera e verdadeira, os motivos internos que o fez se movimentar nessa ou naquela direção. A chave para identificar tais motivos é
empregar o método do “Por que”. Alguns exemplos: Por que agi desta maneira?
E algumas respostas:
1.O motivo foi “motivação por motivação”, pura e sincera, afinal, eu gosto de fazer aquilo que faço;
2.Porque foi uma vontade de provar aos outros que eu posso realizar coisas;
3.Não foi motivação, mas sim medo de não perder meu emprego/ amigo/ simpatia/ etc.;
4.Porque tive a necessidade de provar para as pessoas, que sou capaz e não um incompetente;
5.Porque tive vontade de fazer melhor que os outros, afinal sou um competidor inato;
6.Porque tive interesses pessoais;
Além de observar o motivo pelo qual uma ação foi realizada, o Estudante Rosacruz pode também observar o sentimento, desejo e/ou pensamento-forma que o envolveu no momento em que estava executando tal tarefa. Exemplos:
1.Durante a execução, independente do motivo, eu estava com tremenda ansiedade e medo de que alguma coisa terminasse de modo errado;
2.Estava ansioso, mas não por medo, e sim porque sou perfeccionista demais e tudo tem que ser perfeito;
3.Estava com raiva. Afinal só estou fazendo isso porque não quero perder meu emprego;
4.Estava me sentindo feliz e alegre;
5.Estava triste
É muito comum as pessoas não fazerem distinção entre sentimentos/desejos e pensamentos-forma. Contudo, esses fenômenos são bem diferentes, embora possam ou não possuir afinidade entre si. Por exemplo, uma pessoa pode dizer: “Eu senti que num dado momento, as coisas poderiam ter saído errado”. Contudo, observe que tal relato não é referente a um sentimento/desejo, mas sim a um pensamento-forma. Normalmente os sentimentos e/ou desejos são alegria, tristeza, raiva, ódio, rancor, medo, coragem, ansiedade, entre outros. Pensamentos-forma são criados por nós, usando materiais da Região Concreta do Mundo do Pensamento, mais ou menos elaboradas sobre os fatos, sempre “contaminados” pelo desejo. Com certeza, estes últimos podem estar embasados em um sentimento/desejo bom ou ruim. A comum astúcia que todos nós praticamos em maior ou menor grau, é um bom exemplo da Mente (pensamentos) aliada à parte inferior do Corpo de Desejos. No exemplo acima, sobre confusões entre pensamentos-forma e sentimentos/desejos, provavelmente o sentimento/desejo da pessoa sobre a possibilidade de algo sair errado era de medo e/ou ansiedade, pois esses sentimentos/desejos possuem boa afinidade com estes pensamentos-forma.
Outro importante fator que o Estudante Rosacruz deve aprender a observar é o “como” seu jeito de ser (que é modulado pelos motivos, pelos sentimentos/desejos e pensamentos) gera impactos nos demais que convivem com ele. A chave para isso é utilizar o método do “como”. Exemplos:
1.Como meu jeito ansioso, precipitado e/ou medroso afetou (ou afeta) meus colegas de trabalho, minha família, meus amigos, etc.?
2.Como meu sentimento afetou na decisão ou no desfecho da ação que eu estava executando?
3.Como as pessoas me “olham” em função desse meu jeito de ser?
4.Como meu perfeccionismo afeta aos demais que convivem?
5.Como minha felicidade, alegria, tristeza, raiva, entre outros sentimentos, influenciam na maneira que o outro se comporta em relação a minha pessoa?
É muito importante o Estudante Rosacruz ter em mente que a observação consciente dos fatos internos e externos, também fornece base para o Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção. Normalmente, se o resultado de uma tarefa foi positivo, o Estudante Rosacruz louva-se por tal resultado, de modo que seu comportamento seja reforçado para continuar a agir desse modo. Entretanto, se os eventos internos não forem considerados, é provável que essa faceta do fenômeno permaneça apenas no Corpo Vital do Estudante Rosacruz e, se isso acontecer, ficarão nele como discrepantes. Por isso, sugere-se ao Estudante Rosacruz que também aplique seu critério pessoal de valores aos fenômenos internos que vivencia (o crivo da lógica).
Coletar informações, por meio de observações como estas, é muito importante para deixar seu Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção mais rico e, desta maneira, aprender as lições desta e de próximas vidas, de restaurar o equilíbrio entre Memória consciente e a subconsciente, ter saúde e longevidade. Como o Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção influencia diretamente no caráter, e “caráter é destino”, é bem provável que o Estudante Rosacruz comece a notar grandes diferenças em sua vida, conforme for se esforçando, por meio da disciplina e da persistência, criando o hábito de cada mais uma observação mais eficaz e mais completa. Com o tempo novas sinfonias e orquestras vibrarão em sua vida o que, provavelmente, o fará uma pessoa muito realizada e feliz.
Que as rosas floresçam em vossa cruz