Quando nós, o Ego, entramos pela primeira vez na posse de nossos veículos, na Época Lemúrica, não possuíamos cérebro, nem laringe. Para suprir essa deficiência, metade da força sexual criadora, anteriormente empregada na propagação, foi dirigida para cima, a fim de construirmos aqueles órgãos. Pelo primeiro, se poderiam produzir a manifestação do pensamento e da razão aqui e, pelo segundo, comunicar aos outros tal pensamento. Desse modo, vemos que o pensamento é criador, por derivar da força sexual criadora.
Igualmente, é criadora a voz, isto é, a palavra falada, pela mesma razão, tem o poder de criar, porque tem sua origem na força sexual criadora. Daí deduzimos que, ao conservarmos a força sexual criadora teremos maior quantidade de poder aproveitável no processo de raciocínio e, do mesmo modo, nossas Mentes serão muito mais poderosas do que as das pessoas que malbaratam a força sexual criadora. Essa força, não obstante, deve ser empregada em trabalho construtivo, mental ou físico, ou transmutada ao serviço amoroso e desinteressado aos outros. De outro modo causaria perturbação. Se permanecer meramente recalcada, produzirá, com o tempo, desordens e padecimentos mentais, emocionais e nervosos.
O ato de pensar é um processo muito complicado. Envolve, não somente o emprego do cérebro físico, mas, também, o do cérebro etérico, o Corpo de Desejos e a Mente. O processo é o seguinte: como Egos, funcionamos diretamente na Região do Pensamento Abstrato, dentro das nossas auras. Daqui, observamos as impressões lançadas pelo Mundo exterior sobre o Corpo Vital, por meio da cadeia de veículos e suas faculdades, chamados os cinco sentidos físicos.
Essas impressões, junto com os sentimentos, desejos e emoções por elas gerados no Corpo de Desejos, são imaginadas na Mente. Dessas imagens mentais, formamos nossas conclusões acerca das coisas observadas. Tais conclusões são as Ideias.
Pelo poder da vontade, nós, como Egos, projetamos uma ideia através da Mente. Aí, toma forma concreta, como pensamento-forma, ao atrair ao seu redor matéria mental da Região do Pensamento Concreto. O pensamento é o poder que usamos para fazer imagens e pensamentos-formas, de acordo com as ideias interiores. O pensamento-forma, em geral, envolve-se em matéria de desejo, obtida do Corpo de Desejos, recebendo um influxo de vida. Este pensamento-forma composto fica, então, capaz de agir sobre o cérebro etérico, impulsionando a força vital através dos centros cerebrais e dos nervos, levando-a até aos músculos voluntários, para gerar a ação. Por conseguinte, o pensamento é a mola real de toda a atividade humana.
Os efeitos do temor e de inquietação sobre o Corpo de Desejos são muito prejudiciais para nosso desenvolvimento anímico. Na inquietação, as correntes de desejo não se desenvolvem em grandes linhas curvas, tal como se realiza em condições normais, mas enchem o Corpo de Desejos de redemoinhos, e só redemoinhos, em casos extremos. Esta última condição impede a pessoa de tomar uma resolução que poderia corrigir a causa de seu temor e de sua inquietude. Tal estado pode se comparar ao da água a ponto de congelar-se, sob a ação de uma temperatura muito baixa. O temor, que se expressa em ceticismo, cinismo e pessimismo, pode comparar-se à água, quando congelada, porque os Corpo de Desejos das pessoas, que habitualmente abrigam esses pensamentos, estão imóveis e nada pode alguém fazer, ou dizer, que possa alterar essa condição.
Cada vez que alguém abriga um desses pensamentos, ajuda a congelar as correntes do Corpo de Desejos e a formar uma armadura azul-acinzentada, em que se encerra, privando-se, muitas vezes, do amor e da simpatia de todo mundo.
Daí, vem a necessidade de nos esforçarmos para sermos alegres e otimistas, mesmo em circunstâncias adversas, sob pena de criarmos severas condições no futuro.
A Mente Subconsciente é fator muito importante no nosso desenvolvimento. Em cada respiração, o ar que inspiramos leva consigo um exato e detalhado quadro do que nos rodeia. O mais ligeiro sentimento, ou emoção, é transmitido aos pulmões, donde passa ao sangue. O sangue é o mais elevado produto do Corpo Vital. Os quadros nele contidos imprimem-se nos átomos negativos do Corpo Vital, para servirem como árbitros do nosso destino, no estado post-mortem. Quando uma pessoa cria um pensamento-forma, de natureza construtiva ou destrutiva, e projeta-o no mundo, efetua o seu trabalho, de acordo com a sua natureza, ou, então, gasta inutilmente sua energia em vã tentativa. Em qualquer dos casos, retorna ao seu criador, trazendo consigo a indelével recordação da viagem. Seu êxito, ou fracasso, imprime-se nos átomos do Éter Refletor e forma parte do arquivo da vida e ação do pensador, arquivo que, por vezes, chamamos Mente Subconsciente.
O pensamento destrói tecidos no Corpo Denso. É bem sabido, pela Ciência, que os pensamentos negativos, destrutivos, tais como medo, angústia, sexualidade e sensualidade, destroem o poder de resistência do Corpo Denso, expondo-o a doenças e enfermidades. Uma pessoa de natureza boa e jovial, ou devotadamente religiosa, que tem fé e confia na providência divina, não cria, com frequência, pensamentos negativos. Como resultado, possui uma vitalidade maior e melhor saúde do que as sujeitas à inquietude. Por meio de pensamentos de amor, benevolência e bondade, despertando qualidades semelhantes nos outros, atraímos pessoas que possuem as ditas qualidades.
Esse sutil e potente poder do pensamento pode ser empregado, também, para curar as doenças e enfermidades. Por outra parte, por meio do pensamento abstrato, estamos capacitados a nos elevar do Mundo material e a entrar em contato com Deus.
Se emitimos pensamentos de otimismo, de bondade, de benevolência, de utilidade e de serviço, esses pensamentos, gradualmente, colorirão a nossa atmosfera, de tal modo que chegará a expressar fielmente essas qualidades e virtudes. E, como nossos Corpos são constituídos por nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana, manifestado aqui), eles se tornam a expressão da nossa atitude mental.
Nossos pensamentos reagem sobre o nosso Corpo Denso e sobre o nosso meio ambiente, trazendo-nos saúde e bem-estar material.
Isso ilustra o poder criador do pensamento. É um meio de provar a verdade proferida por Cristo: “Se procuramos o Reino de Deus e sua justiça, todas as demais coisas serão acrescentadas” (Mt 6:33).
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de janeiro/1975-Fraternidade Rosacruz-SP)
Resposta: Se você estudar no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz (sobre a questão dos pensamentos e como são encaminhados[1]) sobre a maneira como os pensamentos são gerados tratados na Mente e projetados sobre os outros para que realizem seus intentos, aprenderá muito sobre a ciência da concentração e como realizar o trabalho que você está tentando executar Humanidade. Aliás, você provavelmente perceberá que os pensamentos-forma que você emite com o propósito de ajudar os outros consomem apenas uma pequena parte do nosso próprio Corpo de Desejos, que é substituída imediatamente pela matéria de desejo num grau ainda mais elevado do que foi enviado, devido à alta frequência vibratória sempre gerada por esforços altruístas. No entanto, isso não retira nada do seu Corpo Vital, e é da condição desse veículo que a sua saúde física depende.
Assim, você nunca será vampirizado por se concentrar sobre alguém quando estiver sozinho, mas é o contato com outras pessoas que pode lhe prejudicar, se você estiver fragilizado em sua saúde. Se você for minimamente sensível, provavelmente sabe quem está fazendo uso da sua energia, e ao caminhar e conversar com essas pessoas, é melhor, se possível, se manter alguns passos de distância delas. Se estiver sentado em um lugar com elas, conversando, cruze as pernas nos tornozelos e cruze as mãos (sobre o seu colo, por exemplo, como muitos fazem quando oram). Dessa forma, você formará um circuito magnético ao seu redor no chão quando estiver em sintonia magnética com qualquer pessoa que esteja por perto.
Essas medidas são, no entanto, apenas precauções que você pode usar com vantagem até que você consiga atingir o autodomínio ou autocontrole. Essa deve ser a sua primeira consideração, pois é inútil aplicar tratamentos paliativos enquanto a causa ainda estiver presente. De acordo com as informações que recebemos em sua carta, você precisa de ferro e Éter. Se for possível obter leite recém tirado da vaca, isso o auxiliará muito, pois nesse momento o leite está impregnado do Éter saudável do animal. No entanto, se não for possível obtê-lo dessa forma, existem outros meios.
Em relação ao seu tamanho, as plantas têm os Corpos Vitais mais fortes, compostos dos dois Éteres inferiores[2], que estão relacionados à assimilação de nutrientes físicos. Por essa razão, as verduras ou vegetais verdes, mesmo que já estejam no mercado há algum tempo, são ricos em Éter. Alface, espinafre, tomate e morangos estão entre as plantas abundantes em ferro[3]. Se você evitar cozinhá-los, simplesmente colocando-os em água uma hora antes das refeições para refrescá-los, em pouco tempo aumentará o Éter em seu Corpo e o ferro em seu organismo. Assim, você não ficará anêmico e nem correrá o risco de vampirismo.
(Pergunta nº 48 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T. Nós mesmos, como Egos, funcionamos diretamente na substância sutil da Região do Pensamento Abstrato, que especializamos dentro da periferia da nossa aura individual. Dessa Região nós observamos, através dos sentidos, as impressões produzidas pelo Mundo exterior sobre o Corpo Vital, como também os sentimentos e emoções gerados por elas no Corpo de Desejos e refletidos na Mente.
Dessas imagens mentais formamos as nossas conclusões na substância da Região do Pensamento Abstrato relativas aos assuntos a que se referem. Tais conclusões são ideias. Pelo poder da vontade projetamo-las através da Mente quando então, se revestindo de matéria mental da Região do Pensamento Concreto, se concretizam como pensamento-forma.
A Mente é como as lentes projetoras de um estereoscópio[1]. A imagem é projetada em uma das três direções de acordo com a vontade do pensador que anima o pensamento-forma.
a) Se o pensamento desperta Interesse, uma das forças gêmeas – Atração ou Repulsão – deverá atuar.
Quando o ato correspondente a tal pensamento-forma tenha se realizado, ou esgotado sua energia em vãs tentativas de realização, gravitará de volta ao seu criador, trazendo consigo a recordação indelével da jornada. Seu êxito ou fracasso imprimir-se-á nos átomos negativos do Éter Refletor do Corpo Vital, onde, por vezes denominada Mente Subconsciente, formará parte do registro da vida e atos do pensador.
[2] N.T.: Éter Químico e Éter de Vida.
[3] N.T.: Outros exemplos: Os vegetais mais ricos em ferro (não heme) incluem folhas verde-escuras (espinafre, couve, agrião, rúcula), leguminosas (feijão, lentilha, grão-de-bico), sementes (abóbora) e tofu. Para aumentar a absorção, consuma-os com alimentos ricos em vitamina C (laranja, limão, tomate) e evite cálcio ou café na mesma refeição.
O emprego da faculdade de observação pelo Aspirante à vida superior é de inestimável valor, pois é por meio dessa habilidade que ele pode sutilizar seu Éter de Luz (um dos dois Éteres que compõem o Corpo-Alma) e restaurar o ritmo e a harmonia de seu Corpo Denso.
Eis o motivo principal de ser um dos Exercícios Esotéricos Rosacruzes que o Estudante Rosacruz executa a todo momento, especialmente quando não está dormindo.
A definição do conceito “observação” para os Ensinamentos Rosacruzes (como aprendemos no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz): “uso dos sentidos como meio de obter informações a respeito dos fenômenos que ocorrem ao nosso redor”. Sob esta consideração, sugere-se que o Estudante Rosacruz inicie, desde já, a criação do saudável hábito de observar todas as coisas que estão a sua volta.
Se alguém achar que, muitas vezes, nada muda ao redor, então revise muito esse posicionamento, pois sempre, sempre está ocorrendo algo a nossa volta!
Há alguns bons hábitos que devemos desenvolver a fim de tornar mais fácil a execução do Exercício Esotérico Rosacruz de Observação, bem como, torná-lo mais eficaz:
-de ordem visual (como a observação dos detalhes das arquiteturas das casas, das árvores, do movimento, por exemplo),
-de ordem auditiva (tais como as modulações dos sons, do ritmo da fala de nossos amigos, do canto dos pássaros, etc.),
-de ordem tátil (como sentir a brisa em nosso rosto e até mesmo, o ritmo do caminhar quando se anda pelas ruas), entre outros. Deste modo, o Estudante Rosacruz, gradualmente, torna-se consciente de todos os eventos pelo qual está inserido.
Mas afinal, qual é realmente a importância da observação para o desenvolvimento por meio do Método Rosacruz? Ocorre que o Corpo Vital, independente da vontade da pessoa, também funciona como um espelho, ou como uma película cinematográfica em movimento que não para, nem por um segundo, de captar as imagens do ambiente no qual o Estudante Rosacruz está inserido. Semelhantemente, o Corpo Vital também capta as ideias que brotam de dentro da pessoa. O problema é que as pessoas, em sua maioria, não captam, de forma consciente, as mesmas informações que o Corpo Vital faz. Em outras palavras, a Memória Consciente (ou Mente Consciente), estabelecida pela observação, não coincide com aquelas de nossa Memória Subconsciente (Mente Subconsciente) ou automática, e isso resulta em uma importante discrepância (ou entrechoques de vibrações) que resulta no ritmo e na harmonia do Corpo Denso serem perturbados em proporção à superficialidade de nossa observação durante o dia. Sabemos que durante o sono o nosso Corpo Vital restaura parcialmente esse ritmo e essa harmonia no Corpo Denso, mas o entrechoque de vibrações dia após dia e ano após ano, realmente, é uma das causas que, gradualmente, endurecem e destroem nosso Corpo Denso até torná-lo impróprio para o nosso uso. Assim, precisamos abandoná-lo e buscar novas oportunidades de desenvolvimento em um novo Corpo Denso (Roda de Nascimentos e Morte).
Para atestar o fato de que as pessoas possuem olhos, mas não veem, e ouvidos, porém não ouvem, pergunte qualquer detalhe sobre algum objeto, cena de filme, ou até mesmo algum sentimento que ela teve num determinado momento, e não raro receberemos uma resposta do tipo: “Não me lembro nem do que comi no almoço, como vou lembrar sobre o que você está me perguntando!”.
O fato é que, quanto maior for à discrepância entre as imagens gravadas pelo Corpo Vital na Memória Subconsciente e os eventos gravados na Memória Consciente pela nossa observação, maior também será o tempo necessário para a restauração do Corpo Denso durante o sono. Há casos, por exemplo, em que as discrepâncias são tamanhas, que não resta tempo algum para trabalho nos planos internos! Se isso ocorrer com frequência, pouco crescimento espiritual será alcançado pelo Estudante Rosacruz.
Por isso, o Estudante Rosacruz ativo e sincero reconhece que pode (e é responsável) por tornar esse tempo maior ou menor, dependendo de sua capacidade em colocar em prática os Ensinamentos Rosacruzes.
Pela observação, é possível fazer com que os entrechoques de vibrações das duas Memórias ocorram com menor frequência e, deste modo, a restauração do Corpo Denso poderá ocorrer de maneira mais rápida.
Como auxílio neste processo, é de grande valia ao Estudante Rosacruz, aprender a observar não apenas detalhes de objetos e fenômenos externos, mas também minúcias internas, pois é bem provável que o Corpo Vital também registre tais informações. É natural que neste ponto do texto, haja a pergunta: “que eventos são esses?”. Tais eventos são aqueles gerados por nós mesmos, pelo Corpo de Desejos (por meio dos nossos sentimentos e nossas emoções) e pela Mente (pensamentos-forma). A observação destes detalhes contribuirá fortemente no processo de redução dos entrechoques de vibrações entre as duas Memórias.
De maneira geral, a maior parte das pessoas, quando está realizando uma determinada tarefa, observa apenas os procedimentos envolvidos para sua execução e seu resultado, (por exemplo, se alcançou ou não o objetivo). Porém, é importante que o Estudante Rosacruz também observe, de maneira sincera e verdadeira, os motivos internos que o fez se movimentar nessa ou naquela direção. A chave para identificar tais motivos é
empregar o método do “Por que”. Alguns exemplos: Por que agi desta maneira?
E algumas respostas:
1.O motivo foi “motivação por motivação”, pura e sincera, afinal, eu gosto de fazer aquilo que faço;
2.Porque foi uma vontade de provar aos outros que eu posso realizar coisas;
3.Não foi motivação, mas sim medo de não perder meu emprego/ amigo/ simpatia/ etc.;
4.Porque tive a necessidade de provar para as pessoas, que sou capaz e não um incompetente;
5.Porque tive vontade de fazer melhor que os outros, afinal sou um competidor inato;
6.Porque tive interesses pessoais;
Além de observar o motivo pelo qual uma ação foi realizada, o Estudante Rosacruz pode também observar o sentimento, desejo e/ou pensamento-forma que o envolveu no momento em que estava executando tal tarefa. Exemplos:
1.Durante a execução, independente do motivo, eu estava com tremenda ansiedade e medo de que alguma coisa terminasse de modo errado;
2.Estava ansioso, mas não por medo, e sim porque sou perfeccionista demais e tudo tem que ser perfeito;
3.Estava com raiva. Afinal só estou fazendo isso porque não quero perder meu emprego;
4.Estava me sentindo feliz e alegre;
5.Estava triste
É muito comum as pessoas não fazerem distinção entre sentimentos/desejos e pensamentos-forma. Contudo, esses fenômenos são bem diferentes, embora possam ou não possuir afinidade entre si. Por exemplo, uma pessoa pode dizer: “Eu senti que num dado momento, as coisas poderiam ter saído errado”. Contudo, observe que tal relato não é referente a um sentimento/desejo, mas sim a um pensamento-forma. Normalmente os sentimentos e/ou desejos são alegria, tristeza, raiva, ódio, rancor, medo, coragem, ansiedade, entre outros. Pensamentos-forma são criados por nós, usando materiais da Região Concreta do Mundo do Pensamento, mais ou menos elaboradas sobre os fatos, sempre “contaminados” pelo desejo. Com certeza, estes últimos podem estar embasados em um sentimento/desejo bom ou ruim. A comum astúcia que todos nós praticamos em maior ou menor grau, é um bom exemplo da Mente (pensamentos) aliada à parte inferior do Corpo de Desejos. No exemplo acima, sobre confusões entre pensamentos-forma e sentimentos/desejos, provavelmente o sentimento/desejo da pessoa sobre a possibilidade de algo sair errado era de medo e/ou ansiedade, pois esses sentimentos/desejos possuem boa afinidade com estes pensamentos-forma.
Outro importante fator que o Estudante Rosacruz deve aprender a observar é o “como” seu jeito de ser (que é modulado pelos motivos, pelos sentimentos/desejos e pensamentos) gera impactos nos demais que convivem com ele. A chave para isso é utilizar o método do “como”. Exemplos:
1.Como meu jeito ansioso, precipitado e/ou medroso afetou (ou afeta) meus colegas de trabalho, minha família, meus amigos, etc.?
2.Como meu sentimento afetou na decisão ou no desfecho da ação que eu estava executando?
3.Como as pessoas me “olham” em função desse meu jeito de ser?
4.Como meu perfeccionismo afeta aos demais que convivem?
5.Como minha felicidade, alegria, tristeza, raiva, entre outros sentimentos, influenciam na maneira que o outro se comporta em relação a minha pessoa?
É muito importante o Estudante Rosacruz ter em mente que a observação consciente dos fatos internos e externos, também fornece base para o Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção. Normalmente, se o resultado de uma tarefa foi positivo, o Estudante Rosacruz louva-se por tal resultado, de modo que seu comportamento seja reforçado para continuar a agir desse modo. Entretanto, se os eventos internos não forem considerados, é provável que essa faceta do fenômeno permaneça apenas no Corpo Vital do Estudante Rosacruz e, se isso acontecer, ficarão nele como discrepantes. Por isso, sugere-se ao Estudante Rosacruz que também aplique seu critério pessoal de valores aos fenômenos internos que vivencia (o crivo da lógica).
Coletar informações, por meio de observações como estas, é muito importante para deixar seu Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção mais rico e, desta maneira, aprender as lições desta e de próximas vidas, de restaurar o equilíbrio entre Memória consciente e a subconsciente, ter saúde e longevidade. Como o Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção influencia diretamente no caráter, e “caráter é destino”, é bem provável que o Estudante Rosacruz comece a notar grandes diferenças em sua vida, conforme for se esforçando, por meio da disciplina e da persistência, criando o hábito de cada mais uma observação mais eficaz e mais completa. Com o tempo novas sinfonias e orquestras vibrarão em sua vida o que, provavelmente, o fará uma pessoa muito realizada e feliz.
Que as rosas floresçam em vossa cruz
A Memória tem, na sua essência, três aspectos: Consciente ou Voluntária, Subconsciente ou Involuntária e Superconsciente.
A Memória Consciente ou Voluntária consiste das impressões de nossos sentidos físicos que são inscritas no Éter Refletor do Corpo Vital por meio da atividade da nossa Mente e da criação dos pensamentos-formas. Estas se refluem para dentro da nossa Mente sempre que o registro etérico é vitalizado por alguma associação de ideias, causando, por esse meio, o fenômeno conhecido como Memória Consciente.
A Memória Subconsciente ou Involuntária tem a sua existência de uma forma completamente diferente e está fora de nosso controle, presentemente. O Éter, contido no ar que respiramos, leva consigo imagens detalhadas e precisas de tudo que nos rodeia, não só das coisas materiais, mas também das condições existentes em cada momento dentro de nossa aura. Estas imagens são gravadas nos átomos negativos do Corpo Vital e constituem o que se chama a Memória Subconsciente.
A Memória Superconsciente é o depósito de todas as faculdades adquiridas e de todo o conhecimento obtido nas vidas anteriores e na vida presente, desde quando recebemos o germe da Mente, na Época Atlante. A gravação da memória Superconsciente está indelevelmente inscrita no Espírito de Vida. Manifesta-se normalmente, embora não em toda a sua amplitude, como consciência e caráter.
A imaginação, tal como usamos aqui, é a força criadora mental-formativa que cria imagens. É o poder de visualização que cria os pensamentos-forma de acordo com as ideias projetadas na Mente Consciente por nós, o Ego humano. É de natureza feminina e unida as forças da Lua, que são ativas na construção das formas.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – março/1978 –Fraternidade Rosacruz– SP)
No último verso do belo poema de Max Heindel, Credo ou Cristo[1], lemos sobre a compaixão e o amor como as chaves que destrancam os portões dos Céus e asseguram a vida eterna. O único requisito para o progresso espiritual é o Amor. Nós lemos:
“Só uma coisa o Mundo necessita conhecer:
apenas um bálsamo existe para curar toda a humana dor;
apenas um caminho há que conduz, acima, aos céus:
Este caminho é: a COMPAIXÃO e o AMOR.”
Não é suficiente saber sobre a consciência ininterrupta ou possuir uma compreensão completa das Leis de Deus; nem mesmo um entendimento abrangente sobre a nossa jornada após a morte constitui os requisitos para a entrada na existência celeste. O conhecimento é uma vantagem, uma pérola de grande valor, mas antes e por último o vínculo da compaixão humana deve despertar nos corações de todos nós a percepção de que “o Guardião do Nosso Irmão e da Nossa Irmã”[2] é um fato e um mandamento.
Sem a compaixão humana, como pode o vasto conhecimento encontrar um meio de expressão? Negado um meio de expressão, um meio para a conversão de riquezas acumuladas em conhecimento, como pode haver benefício? Não é ensinado que possuir talento, ou entendimento, gera a administração que deve ser contabilizada e somente em igual medida o prêmio é compatível com a ação? Aquele que recebeu cinco talentos na Parábola[3] teve sucesso no bom uso da habilidade, acumulou mais cinco e foi premiado com a administração em muitas coisas, “sendo fiel sobre algumas”. Aquele que recebeu dois talentos também teve êxito em dobrar a quantia, merecendo assim o justo elogio. O operário que recebeu um talento ficou com medo e o escondeu para mantê-lo seguro, mas até mesmo o cuidado tomado para reter o que recebeu foi condenado, pois a preguiça não merece aprovação e somente o crescimento e o desenvolvimento daquilo que é dado recebe o “Muito bem, servo bom e fiel” (Mt 25:21).
Ter muito conhecimento gera grande responsabilidade e mesmo um pequeno conhecimento requer uso correto e justo. Usar nossos talentos para promover o bem-estar de nossos semelhantes, independentemente de interesses próprios, é o meio mais seguro de adquirir essa compaixão e amor, a chave para o desenvolvimento espiritual. O amor pelos ideais espirituais não é suficiente, pois assim como o mais elevado encontra reflexo no mais baixo, o amor divino cresce e brilha através do humano e do ato de bondade; é pelo ato de misericórdia e pela missão de administração útil que o amor de Deus é refletido. À medida que elevamos os outros, elevamos a nós mesmos; é através do amor e da compaixão humanos que crescemos em direção à manifestação mais elevada.
A compaixão e o amor humanos são promovidos por meio de apenas um canal: o do serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível), focado na Divina Essência oculta em cada um de nós, para com o nosso irmão e a nossa irmã que estão ao nosso redor. O serviço é divulgado abertamente, é bradado para todos os lados e o próprio ar parece vibrante com a sua entoação. Por quê? Porque por meio do serviço é adquirido o amor de fazer aos outros pelo simples fazer e não porque, por trás de cada ato, esteja o pensamento “Eu cresço espiritualmente fazendo isso”. Mas todo crescimento espiritual é esquecido e todos os exercícios e métodos são secundários, uma vez que se começou realmente a servir como se deve. Ao realizar ações gentis para os outros, esquecemos tudo, exceto a necessidade daquele que estamos ajudando; é nisso que está o segredo do crescimento da alma.
Obter os melhores resultados do nosso trabalho para que o bem-estar do outro possa ser promovido e porque nos sentimos motivados a dar o nosso melhor, em espírito de amor para desempenhar os deveres que atendem à nossa vocação, é o tipo de serviço que devemos prestar! Nós nos esquecemos de nós mesmos e tornamos atentos ao bem-estar do outro; nesse esquecimento está um grande progresso. É exigido de todos que se doem em todos os momentos e a melhor maneira de fazer isso é esquecer os interesses próprios, usando nossos talentos para o bem-estar daqueles com quem entramos em contato. Ao esquecer de si mesmo, começamos a nos aproximar de nossos semelhantes e a sentir mais os seus esforços; surge assim uma resposta a suas lutas e encontramos oportunidades para aliviar sua vida; assim, é estabelecido o vínculo da compaixão humana. A compaixão é semelhante ao amor; na verdade, ela é a mais alta expressão do amor, está no amor: é amor.
É o esquecimento de si no cuidado do bebê em seus braços que desperta emoções internas de tal forma que cada mágoa, cada choro ou necessidade da criança é sentida pela mãe. Seu interesse é centrado no bem-estar da criança, independentemente de interesses próprios; tal é a sua compaixão e o seu amor que todas as crianças trazem um sorriso gentil em seu rosto, uma demonstração de amor e cuidado.
Servir significa fazer o que está mais próximo da melhor maneira possível, com espírito altruísta. É verdade que não podemos ser, todos nós, professores, médicos, enfermeiros, profissionais de saúde ou ter uma profissão que dê oportunidade constante de ajudar os outros; mas, sejamos balconistas em uma loja ou engenheiros em qualquer indústria ou empresa ou até profissionais liberais, somos servos na medida em que nossos irmãos ou irmãs que estão ao nosso lado dependem de nós. É o espírito com que servimos que determina nosso crescimento. Se o (ou a) balconista atua de maneira cortês e faz todos os esforços para atender às necessidades do seu cliente, não por causa da recompensa material, mas porque o cliente depende do seu julgamento e justiça para receber o melhor que pode ser obtido, então esse (ou essa) balconista serve a Deus e ao seu irmão ou sua irmã ao redor. Por menor que seja o ato, a obra ou ação, ele é muito agradável aos olhos de Deus, caso o Ego que inicia a ação seja altruísta.
Para o Aspirante à vida superior, que busca desenvolver suas potencialidades latentes, a necessidade de servir amorosa e desinteressadamente (portanto, o mais anônimo possível), focado na Divina Essência oculta em cada um de nós, para com o irmão e a irmã que estão ao redor dele é intensamente sentida e ele se esforça fielmente para se esquecer de si mesmo e ser o servo de todos. Há uma força que pode ser usada por todos para servir aos outros[4] e nela está o desdobramento de todos os poderes latentes; além disso, é pelo uso dessa força que nossos semelhantes são beneficiados. Refiro-me à força do pensamento!
Aprendemos estudando o Livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz que os pensamentos-forma estão dentro e sendo continuamente projetados sobre o Corpo de Desejos em um esforço para despertar um dos dois Sentimentos, Interesse ou Indiferença, que levarão à ação ou não e que a razão deva governar a natureza inferior (ou “eu inferior) e deixar o escopo do “Eu superior” para a expressão de suas propensões divinas. Também sabemos que o pensamento habitual tem o poder de moldar a matéria física, pois a natureza do sensualista é claramente discernível em suas feições, que são grosseiras e toscas, assim como as feições do espiritualista são delicadas e finas.
O poder do pensamento é ainda maior em sua potência de moldar os Corpos mais sutis. Pensamentos de medo e preocupação congelam o Corpo de Desejos de quem se entrega a eles e é igualmente certo que, cultivando um estado de espírito feliz e otimista em todas as circunstâncias, podemos sintonizar nossos Corpos de Desejos com qualquer tom que desejarmos; depois de um tempo, isso se tornará um hábito, embora devamos confessar que seja muito mais difícil manter o Corpo de Desejos em linhas definidas, mas isso pode ser realizado e a tentativa deve ser feita por todos que querem avanço espiritual.
Pelo exposto será percebido que os pensamentos têm poder e conhecendo isso nos tornamos administradores dessa força à medida que as usamos para o bem ou para o mal, para nós mesmos ou para os outros, merecemos uma recompensa correspondente. À medida que semeamos, colhemos e o pensamento-forma enviado retorna à sua fonte, trazendo o registro da jornada, seu sucesso ou fracasso, e é impresso nos átomos negativos do Éter Refletor do Corpo Vital do seu criador, onde molda aquela parte do registro da vida e ação do pensador que, às vezes, chamamos de Mente Subconsciente. Também notamos que o poder do pensamento está na repetição; pensamentos habituais têm poder suficiente para modificar até mesmo a matéria física.
Possuímos uma força que precisa apenas de controle e intensidade suficientes para se tornar dinâmica; isso torna evidente que sejamos obrigados a lidar com o modo como a usamos. Ou o desenvolvimento da força do pensamento está adormecido ou crescente, tornando-se bom ou mau de acordo com nossa vontade. Desdobrar as potencialidades dinâmicas requer esforço constante e, assim como a força do pensamento, que é uma potencialidade, o esforço constante, intensidade e propósito são necessários para reunir forças dispersas de pensamento e moldar uma forma vibrante e potente com energia dinâmica que seja capaz de cumprir a vontade do seu criador.
Ao enviar pensamentos de esperança e alegria aos outros não somente os cercamos com sugestões de boa vontade como, por meio da repetição, somos capazes de estabelecer um vínculo pelo qual nossos pensamentos são recebidos e postos em prática. O Poder de Cura por meio do pensamento fornece uma vasta oportunidade de serviço por meio do envio de pensamentos-formas vibrantes que tenham o Poder Divino de Cura. A força do pensamento deve ser concentrada e controlada. É preciso haver intensidade e grande poder fundamentando o pensamento-forma que é projetado.
Pensamentos amorosos, constantemente saindo de nós em missões de serviço a Deus no tempo certo, se tornarão dinâmicos e estarão sob nosso comando para serem usados em prol dos outros. O retorno dessas formas aumentará tanto o brilho das nossas auras que o Estudante Rosacruz ativo atrai a atenção dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz; com esse poder seremos canais para o grande trabalho deles e, ao usar nossas forças de pensamento para elevar os outros, ajudamos a nós mesmos, pois através do amor e da compaixão irradiamos a luz de Deus e nossa própria presença se torna um testemunho vivo do Nosso Pai.
“Não desperdicemos nosso tempo ardentemente desejando
Feitos brilhantes, mas impossíveis.
Não fiquemos indolentemente esperando
O nascimento de asas angelicais visíveis.
Não desprezemos as pequenas luzes brilhando,
Pois nem todos podem ser uma estrela reluzente;
Mas, vamos realizar nossa missão, iluminando
O lugar onde estamos presentemente.
As velas pequenas são tão indispensáveis
Como o é no céu o Sol fulgente.
E as ações mais nobres são realizáveis
Quando as fazemos dignamente.
Talvez agora não consigamos, caminhando,
Alumiar a escuridão das distantes regiões, claramente.
Mas, vamos realizar nossa missão, iluminando
O lugar onde estamos presentemente.”[5]
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de fevereiro/1918 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
[1] N.T.: do livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz
[2] N.T.: É uma expressão que enfatiza a responsabilidade compartilhada e a interconexão dentro de uma comunidade ou sociedade. Sugere que temos a obrigação moral de cuidar, proteger e apoiar uns aos outros. Na Bíblia vemos essa pergunta: “Acaso sou guardião de meu irmão?” (Gn 4:9).
[3] N.T.: A Parábola do Talentos descrita na Bíblia: 14Pois será como um homem que, viajando para o estrangeiro, chamou os seus próprios servos e entregou-lhes os seus bens. 15A um deu cinco talentos, a outro dois, a outro um. A cada um de acordo com a sua capacidade. E partiu. Imediatamente, 16o que recebera cinco talentos saiu a trabalhar com eles e ganhou outros cinco. 17Da mesma maneira, o que recebera dois ganhou outros dois. 18Mas aquele que recebera um só o tomou e foi abrir uma cova no chão. E enterrou o dinheiro do seu senhor. 19Depois de muito tempo, o senhor daqueles servos voltou e pôs-se a ajustar contas com eles. 20Chegando aquele que recebera cinco talentos, entregou-lhe outros cinco, dizendo: ‘Senhor, tu me confiaste cinco talentos. Aqui estão outros cinco que ganhei’. 21Disse-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei. Vem alegrar-te com o teu senhor!’” 22Chegando também o dos dois talentos, disse: ‘Senhor, tu me confiaste dois talentos. Aqui estão outros dois talentos que ganhei’. 23Disse-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei. Vem alegrar-te com o teu senhor!’ 24Por fim, chegando o que recebera um talento, disse: ‘Senhor, eu sabia que és um homem severo, que colhes onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste. 25Assim, amedrontado, fui enterrar o teu talento no chão. Aqui tens o que é teu’. 26A isso respondeu-lhe o senhor: ‘Servo mau e preguiçoso, sabias que eu colho onde não semeei e que ajunto onde não espalhei? 27Pois então devias ter depositado o meu dinheiro com os banqueiros e, ao voltar, eu receberia com juros o que é meu. 28Tirai-lhe o talento que tem e dai-o àquele que tem dez, 29porque a todo aquele que tem será dado e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que tem será tirado. 30Quanto ao servo inútil, lançai-o fora nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes!’ (Mt 25:14-30)
[4] N.T.: Mc 9:35
[5] N.T.: do poema: “Shining Just Where We Are” – de Autor Desconhecido
Existem métodos para se proteger de influências adversas (pensamentos-forma envolvidos de desejos, emoções e/ou sentimentos maléficos enviados por alguém para você, você mesmo se envolvendo de desejos, emoções e/ou sentimentos maléficos, cair em tentações que lhe são oferecidas e coisas afins a essas) e é melhor estar esclarecido sobre as coisas que ameaçam, para que possamos tomar todas as precauções necessárias para enfrentar a emergência.
Quando vivemos vidas de pureza, quando nossos dias são preenchidos com serviço a Deus e aos nossos semelhantes, aqui focando em servir amorosa e desinteressadamente (portanto, o mais anônimo possível) a divina essência oculta em cada um de nós (e, assim, esquecendo os defeitos, as falhas, os erros, a antipatia do irmão ou da irmã a quem está servindo) e com pensamentos e ações da mais alta nobreza, então criamos para nós mesmos a Vestimenta Dourada de Bodas (o Corpo-Alma), que também é uma força radiante para o bem. Nenhum mal é capaz de penetrar esta armadura, pois o mal age como um bumerangue e recua sobre aquele que o enviou, trazendo a ele o mal que ele desejou aos outros em tripla intensidade.
É um fato que uma atmosfera áurica envolve cada um de nós. Sabemos que muitas vezes sentimos a presença de uma pessoa que não vemos, e sentimos isso porque essa atmosfera está fora de nossos Corpos Densos. Isso está mudando gradualmente; ou seja, gradualmente está se tornando mais e mais dourado no Oeste. Quanto mais longe vamos com o Sol, mais essa cor dourada aumenta — a cor do Cristo. Gradualmente, estamos nos tornando mais como Ele, e esse soma psuchicon (como nos ensina S. Paulo) ou Corpo-Alma está tomando forma, está sendo preparado como nossa Vestimenta para o Matrimônio Místico entre o “Eu superior” e o “eu inferior”.
Não podemos mais nos esconder de nós mesmos, contudo, o fato de que, como S. Paulo disse: “o bem que quero fazer, não faço, e o mal que quero evitar, faço” temos que enfrentar de frente e de uma vez por todas! Afinal, é claro que se prestarmos bem atenção, com muita frequência, nossas boas resoluções não dão em nada, e fazemos o errado porque é mais fácil. Portanto, devemos sempre seguir o conselho de S. Paulo e vestir toda a armadura de Deus. Devemos ser positivos em nossa luta pelo bem contra o mal (isso dentro de nós mesmos!), e nunca deixar passar uma ocasião para ajudar os Irmãos Maiores, por palavra, ato, obra e/ou ação, preferencialmente, na grande guerra pela supremacia espiritual em relação a supremacia de atenção e dedicação ao material.
E um dos momentos, em toda uma semana, onde são nos oferecidas as melhores facilidades para isso são nas “Datas de Cura”. Nesse dia, oficie o Ritual do Serviço Devocional de Cura, e no momento da Concentração, relaxe, feche os olhos e crie dentro de você uma imagem mental da rosa branca pura no centro do Símbolo Rosacruz que deve estar a sua frente, com você voltado para o oeste – o lado em que o Sol se põe, no lugar que você estiver –, e concentre-se no Amor Divino e na Cura Definitiva Rosacruz.
Afinal, Auxiliares Visíveis são tão necessários quanto Auxiliares Invisíveis e nossos amigos e pacientes podem compartilhar um elevado privilégio, bem como adicionar muito ao poder da Força e do Poder de Cura liberada, juntando-se a nós em oração pelos doentes.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de 09/1915 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
Conta uma antiga lenda que a verdade estava certo dia se banhando num rio. Apareceu, então, a mentira que, sorrateiramente, se despiu, deixou sua roupa ali nas proximidades, vestiu a da verdade e foi embora. A verdade, saindo do banho, viu os trajes da mentira, mas se recusou a vesti-los. Dirigiu-se, nua, à cidade e lá tentaram apedrejá-la. Amedrontada, retornou ao rio e vestiu a roupa da mentira. Desde então, anda pelo mundo disfarçada de mentira e está camuflada da verdade.
O que é a Verdade? Cristo disse: “A Verdade vos libertará“. Sabendo do ilusório em que nos envolvemos na questão da verdade, Cristo disse no Evangelho Segundo São João 18:37: “Para isso eu nasci, para isso vim ao mundo, para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade, ouve a minha voz“.
Será que a Verdade é o que vemos com os nossos olhos físicos? O que sentimos? O que ouvimos? Será que são as nossas posses, nossos recursos: intelectuais, emocionais ou sentimentais? Não. Essas coisas são muito limitadas para ser a verdade.
Essas explicações e outras que são demonstráveis material e concretamente e que tencionam explicar tudo sobre o ser humano e o seu meio só satisfazem ao intelecto, à Mente, pequena parte do todo e, por somente satisfazer tal parte, logo, por desespero, cai-se em: orgulho intelectual, intolerância e impaciência, se se insiste em tentar romper as limitações e restrições inerentes à parte intelectual acima mencionada.
Agora, para uma pessoa que um dia parou para pensar e chegou à brilhante conclusão que não sabe nada sobre o assunto – o que é a Verdade – e, portanto, já começou a compreender a sua ignorância, sente internamente que algo maior existe e aspira a conhecer a Verdade, mesmo sabendo a dificuldade para alcançar apenas com os próprios meios.
Esse “sentir internamente” não é nada mais, nada menos do que o Coração aspirando por esclarecimentos mais profundos. E é aqui que se sente a profundeza do propósito dos Ensinamentos Rosacruzes.
Afinal, é de suprema importância para todo o ser humano que tem a fortuna – ou outro nome que se dê – em possuir uma Mente esquadrinhadora receber todas as informações que deseje, a fim de que o “Coração possa falar quando a Cabeça esteja satisfeita”.
Daqui, já podemos deduzir que o conhecimento intelectual é um meio para se chegar a um fim e não o fim em si mesmo. Quantas vezes estamos trabalhando afincadamente para resolver um problema e por mais que façamos não conseguimos chegar à conclusão alguma. Então, um belo dia, quando menos se espera, um fio de intuição nos dá a solução que satisfaz todos os requisitos. Nesse momento, nos salta à frente o dito popular: “O Coração tem razões que a própria razão desconhece”.
Contudo, podemos entender essa “razão” do Coração. Vamos lá; com certeza afirmamos: todo ato motivado por uma pura intuição raramente deixa de produzir um resultado positivo
Agora, o que é a intuição? Quanto de Verdade ela sempre nos traz? Sem dúvida, ela nos traz a Verdade, senão a intuição falharia.
Para tentarmos entender isso, vamos esclarecer o que é a Memória. Podemos dividir nossa Memória em três partes distintas:
A nossa Memória Consciente, também conhecida como Memória ou Mente voluntária, está relacionada com as experiências desta vida e, basicamente, é formada pelas ilusórias e imperfeitas percepções dos nossos cinco sentidos físicos, manifestações do nosso Corpo Denso utilizados para transferir impressões para a nossa Personalidade.
Quando pensamos estamos trabalhando na Região Abstrata do Mundo do Pensamento.
Estamos criando a ideia. Logo essa ideia toma uma forma mental, e passa a ser um pensamento-forma. Aqui, já estamos trabalhando na Região Concreta do Mundo do Pensamento. Imbuindo esse pensamento-forma de desejos, utilizando o nosso Corpo de Desejos, podemos dar curso à ação de colocar essa ideia em prática. Então vitalizamos um (ou mais) dos nossos cinco sentidos através da força do nosso Corpo Vital e colocamos em prática utilizando os cinco sentidos do nosso Corpo Denso.
Sempre que olhamos ao nosso redor, podemos perceber certas coisas por meio dos sentidos. Essas impressões são gravadas nas células do nosso cérebro e somos capazes de recordá-las conscientemente. No entanto, tais recordações são deficientes em razão das imperfeições apresentadas por nossos sentidos, como, também, em função do mau desenvolvimento da nossa capacidade de observação. É a essa memória que temos acesso instantâneo.
Já a Memória Subconsciente, também conhecida como Memória ou Mente involuntária, tem em certo sentido, como veículo, o sangue. Tentemos entender o porquê: tudo em nossa volta está impregnado pelos quatro Éteres que compõem a Região Etérica do nosso Mundo Físico. O ar está impregnado pelos quatro Éteres. Estamos continuamente respirando ar, portanto, respirando também os quatro Éteres, especialmente o Éter Refletor. E é esse Éter Refletor que nos traz uma imagem fidedigna, com os mais profundos e mínimos detalhes de tudo que está à nossa volta: a cena física, a vitalidade da situação, a emoção do momento e a emanação espiritual do instante.
E, junto com o ar inspirado, chega aos nossos pulmões. E tudo isso é absorvido nos pulmões, pelo nosso sangue no processo físico conhecido como oxigenação. Dos pulmões, através das quatro veias pulmonares, tudo isso, agora tendo como veículo o sangue, chega até a aurícula esquerda do nosso Coração. E dessa aurícula passa através da válvula mitral, e tudo isso, com o sangue, chega até o ventrículo esquerdo do nosso Coração. Bem no ápice desse ventrículo esquerdo está localizado o Átomo-semente do nosso Corpo Denso. Assim, o sangue, com tudo aquilo impregnado, ao passar por esse ápice, deixa gravado nesse Átomo-semente toda cena física, vitalidade da situação,
emoção do momento e emanação espiritual do instante.
Portanto, o nosso Átomo-semente do Corpo Denso contém as recordações de toda nossa vida, nos seus mais profundos e mínimos detalhes. Essa é a nossa Memória Subconsciente, base da nossa existência nos Mundos espirituais após a morte. Essa memória está fora do nosso controle. Não podemos acessá-la quando queremos.
Por fim, temos a Memória Superconsciente. Essa nossa Memória, simplesmente, contém todas as faculdades e conhecimentos adquiridos em todas as nossas vidas anteriores. E essas faculdades e esses conhecimentos estão fielmente gravados no nosso veículo Espírito de Vida. Lembremos que o Espírito de Vida é a contraparte superior do nosso Corpo Vital. E que esse nosso veículo Espírito de Vida tem seu assento secundário no nosso Coração. Ou seja: está em estreito contato com o nosso Coração. E que esse nosso veículo Espírito de Vida é aquele que retrata o espírito do amor, da fraternidade, da unidade de nós com todos. Por isso é que o Coração é o foco do amor altruísta. Quando funcionamos no Mundo do Espírito de Vida, com esse nosso veículo, entendemos o porquê do Mundo do Espírito de Vida ser o primeiro Mundo, de baixo para cima, onde cessa toda a separatividade e é onde se encontra a verdadeira Memória da Natureza.
Logicamente, nós vemos mais claramente nesse Mundo quando utilizamos o nosso, não desenvolvido ainda, veículo Espírito de Vida. Por isso, que quando trazemos de lá as recordações gravadas na Memória da Natureza não conseguimos imprimi-las no cérebro, na área referente aos nossos sentidos físicos. O máximo que atualmente conseguimos é imprimi-las, via Éter Refletor, no nosso Coração. E esse Éter Refletor leva ao cérebro essa impressão trazida do Mundo do Espírito de Vida, através do nervo pneumogástrico. Ou seja: quando estamos com algum problema aparentemente insolúvel, podemos procurar tal solução no Mundo do Espírito de Vida. Ao encontrá-la, enviamos a solução ao Coração como orientação e iniciativa imprimindo-a no Éter Refletor e que, através do nervo pneumogástrico ou nervo vago, leva até ao cérebro. É essa a formação do impulso emanado diretamente da fonte da sabedoria e do amor cósmico. É essa a origem da intuição. O processo é rapidíssimo. O Coração elabora esse processo muito antes da Mente, mais lenta, poder considerar a situação. Normalmente, esse impulso atua como consciência e caráter ou, ainda, compele a ação com uma força tão grande que chega até a contradizer a Mente e o desejo.
Perceba que para compelir a ação, esse impulso não precisa se envolver em matéria mental ou de desejos como ocorre com as nossas ideias, produtos das nossas impressões sobre o mundo.
Pena que na maioria dos casos, após esse rapidíssimo e verdadeiro impulso intuitivo, vem o nosso raciocínio e o nosso cérebro e acaba dominando o nosso Coração.
Em outras palavras: a nossa Mente e o nosso Corpo de Desejos frustram o nosso verdadeiro objetivo e os nossos corpos sofrem as consequências. É certo que a Mente é o instrumento mais importante que nós possuímos e é o nosso instrumento especial no trabalho da criação. O problema é que estando a Mente ligada à natureza dos nossos desejos (parte inferior do Corpo de Desejos), nos traz grande tormento, pois se torna por definição egoísta, sectária e limitada.
Por outro lado, conhecemos a força do Coração na fé do Cristão Místico, aquele que busca Deus através da fé.
Contudo, também não podemos menosprezar a razão, em que a Mente predomina, em que o Cristão Ocultista busca Deus com a ajuda do conhecimento. Vê do exposto que tanto a fé como o conhecimento são meios para se chegar a um fim comum: Deus.
Ou ainda: nem fé (místico), nem conhecimento (ocultista) representam um fim em si mesmo.
É como lemos na Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios (13:2): “Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência, ainda que eu tenha tamanha fé (…) se não tiver amor, nada serei“.
Vemos, então que a união entre Cabeça e Coração abrirá o caminho para a verdade. E essa união se dará dentro de cada um de nós com o desenvolvimento do nosso Cristo Interno.
Afinal Cristo disse: “Eu sou a caminho, a Verdade e a Vida“. Essa união constitui os Ensinamentos Rosacruzes, ou seja: fazer com que o Coração e a Mente se unam para equilibrar a fé com as ações.
Quando as perguntas da Mente são respondidas, o Coração está livre para amar. E, ajudada pela intuição, a Mente pode penetrar nos mistérios do ser. Pois quando o Coração se unir a Mente, ele se tornará mais forte, e a Mente o defenderá do erro. E, assim, ambos satisfarão às suas aspirações.
É esse equilíbrio que é fundamental para chegarmos a um conhecimento mais elevado e verdadeiro de cada um de nós e, portanto, de todo o mundo. E é com esse equilíbrio que vamos encontrar a Verdade que cada um de nós vai compreender. Esse equilíbrio nos remete a definir como entender a Verdade, pois, com ele podemos dizer o que é a Verdade, senão buscar viver a vida superior.
Despojar do nosso egoísmo e viver o bem pelo simples prazer de fazer o bem. Se achamos difícil, mas não desistimos é porque já estamos pertos de conseguir o objetivo, pois isso mostra que já compreendemos a luta interna entre o nosso eu superior e o nosso eu inferior.
Chegamos à importante conclusão de que a Verdade não pode ser encontrada aqui no Mundo dos fenômenos, o Mundo dos efeitos, onde vivemos imersos em ilusões e percepções imperfeitas. Devemos buscar a Verdade nos Mundos das causas, nos Mundos suprafísicos.
Só isso nos dá coragem e coloca todas as nossas limitações de lado, pois essas limitações têm a ver com a nossa existência aqui no Mundo Físico e não nos Mundos suprafísicos.
E, assim, como um verdadeiro Aspirante à vida superior estamos prontos a buscar a Verdade, mas a Verdade eterna e estamos conscientes de que como ela é eterna, eterna também será a sua busca!
Que as rosas floresçam em vossa cruz
Resposta: Deus é a Realidade Primordial. O Mundo do Desejo e o Mundo do Pensamento estão um e dois degraus mais próximos dessa fonte central de energia e, portanto, são mais reais. Por “real” a pessoa que pergunta, presumivelmente, quer dizer que neste Mundo aqui as formas são estáveis e não mudam facilmente, enquanto nos Mundos invisíveis elas são mais plásticas e mudam com a velocidade do pensamento, mas a vida ali dentro é a realidade e não a forma. A estabilidade não é uma evidência da realidade. Tudo no Mundo aqui que agora está cristalizado e estável, existiu primeiramente numa condição plástica nos Mundos invisíveis. Tudo o que foi feito pela mão do ser humano foi, primeiro, um pensamento-forma na Mente do seu criador.
Quando um arquiteto deseja construir uma casa, ele primeiro pensa nisso. Ele procura formar uma ideia tão clara quanto possível do que a casa deve ser. Se os trabalhadores pudessem ver o pensamento-forma na Mente do arquiteto, eles seriam capazes de construí-la a partir desse pensamento-forma, sem precisar das plantas. Mas, a ideia do arquiteto está escondida deles pelo véu da carne e, portanto, é necessário que o arquiteto coloque a sua ideia no papel, elaborando a planta. Esse é o primeiro estágio da cristalização; depois, os trabalhadores podem construir a casa em ferro, madeira e pedra.
De acordo com as ideias da maioria das pessoas, essa casa é muito mais real do que o pensamento-forma na Mente do arquiteto, mas, na realidade, não é assim. A casa de material químico pode ser destruída por um terremoto, por explosões com dinamites ou por qualquer outro meio, mas a ideia na Mente do arquiteto durará enquanto ele viver e, a partir dessa ideia original, uma nova casa – ou uma dúzia delas – poderá ser construída a qualquer momento; sim, mesmo após a morte do arquiteto a casa existirá ainda como um modelo etérico, e qualquer Clarividente Voluntário treinado, capaz de contatar os Mundos invisíveis e ler na Memória da Natureza, é capaz de identificá-la ali a qualquer momento, embora milhões de anos possam decorrer. Assim, os Mundos invisíveis são as fontes e os registros eternos de tudo o que existe ou existiu aqui; portanto, constituem a realidade primordial.
(Pergunta nº 152 do Livro “Filosofia Perguntas e Repostas – Volume I” – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
“Um só carvão não produz fogo, mas, quando se juntam vários carvões, o calor latente em cada um deles pode converter-se em chama, irradiando luz e calor”. Foi em obediência a essa mesma Lei da Natureza que nos reunimos aqui, esta noite, porque ao acumular nossas aspirações espirituais para curar e ajudar nossos companheiros sofredores, poderemos realizar nossa modesta parte no sentido de levantar o manto de tristeza que agora paira sobre a vida deles e apressar o dia do Reino vindouro, onde o sofrimento e a tristeza serão abolidos e mesmo a morte deixará de ter domínio sobre os seres humanos.
As “Reuniões de Cura” são realizadas nas noites em que a Lua esteja em um Signo Cardeal ou Cardinal (Áries, Câncer, Libra, Capricórnio), porque nesse momento o máximo de energia cósmica é infundido no trabalho que iniciamos; assim, existem as melhores chances de um problema ser resolvido. Portanto, estamos aproveitando as forças do universo e o pensamento é o veículo que usamos para transmitir esse poder de cura.
No entanto, antes que a energia possa ser transmitida, ela deve ser gerada e, para fazer isso com eficiência, devemos entender com precisão qual é o método. Lemos na Bíblia que: “Como um homem pensa em seu coração, assim ele é” (Pb 23:7). Isso vai ao fundo do assunto, pois, embora possamos confessar com a boca acreditar em certas coisas e, logo, enganar os outros ou, sim, até nós mesmos, apenas aquilo em que realmente acreditamos em nosso interior, o que pensamos no fundo do coração, é válido. Se professamos com a boca que cremos em Deus, que vivemos a vida correta, que fazemos aos outros o que é certo, independentemente do que façam conosco, ou que sigamos outros altos padrões de conduta, ainda poderemos viver uma vida ambígua e sermos hipócritas. Contudo, se realmente aceitarmos isso em nosso cerne, não será necessário que façamos declarações. Cada um dos nossos atos proclamará exatamente o que pensamos em nosso íntimo e no que acreditamos. Rapidamente, as pessoas descobrirão justamente que tipo de pessoa somos, observando nossas ações, em vez de ouvir o que dizemos.
Devemos perceber que todo pensamento é uma centelha emitida pelo Ego, que quando nasce, atrai para si um determinado tipo de material apropriado à sua natureza. Esse pensamento-forma pode ser enviado a outras pessoas, visando ao seu bem ou mal; mas haverá uma reação sobre nós mesmos, boa ou má, dependendo do que foi canalizado aos outros. É um fato e não apenas mero provérbio poético afirmar que “pensamentos, como galinhas, sempre voltam para o poleiro”. Qualquer pessoa que tenha a visão espiritual despertada vê em cada um de nós uma atmosfera áurica sutil, colorida de acordo com nossa particular tendência de pensamento; embora, é claro, a cor básica seja determinada por características do povo e da nação.
Se depositarmos em nossos corações pensamentos de otimismo, bondade, benevolência, ajuda e serviço, então esses pensamentos gradualmente vão colorir nossa atmosfera de certa maneira que é muito expressiva de todas essas diferentes qualidades ou virtudes desejáveis. E, à medida que nossos corpos são construídos pela Mente em uma expressão de nossa atitude mental, isso reage em nosso Corpo Denso, trazendo para nós saúde e bem-estar. Por essa razão, os Ensinamentos Rosacruzes são verdadeiros, quando afirmam que dessa maneira a saúde e a prosperidade são alcançadas; ainda que ninguém com Mente espiritual realmente use tais meios para obter riqueza material. Mas, essa é apenas outra maneira de provar a verdade das palavras de Cristo: se procurarmos primeiro o Reino de Deus e Sua justiça, todas as outras coisas nos serão acrescentadas[1].
O profeta de Israel também deu essa garantia, quando afirmou: “Fui jovem e já estou velho, mas nunca vi um justo abandonado, nem sua descendência mendigando pão”[2]. É uma lei do universo que, se trabalharmos com Deus, Ele certamente cuidará de nós de maneira material. “Não se vendem dois pardais por um asse? E, no entanto, nenhum deles cai em terra sem o consentimento do vosso Pai!”[3]; porventura não valem mais do que muitos pardais? Por toda a palavra de Deus temos a promessa de que, se trabalharmos com fidelidade, honestidade e o melhor da nossa capacidade, lutando pelos interesses do Cristo, trabalhando em “Sua vinha”, Ele cuidará de nós.
Quando alguém cria sobre si mesmo uma atmosfera áurica de utilidade, bondade e serviço real — porque não basta desejarmos prestar o serviço, mas devemos nos esforçar dia após dia para servir ao máximo — deita toda noite cansado, na feliz consciência de ser um verdadeiro servo de Cristo. Contudo, quando tivermos feito isso, encontraremos um mundo mudado. Acharemos em outras pessoas as mesmas qualidades que possuímos, porque essa atmosfera áurica é como um vidro através do qual devemos olhar para todos. O mundo inteiro é colorido por nossa própria aura, como se estivéssemos em uma sala com janelas de vidro vermelho e o mundo lá fora, então, as árvores, casas e tudo o mais, parecesse vermelho.
Para mencionar um fato, vemos o mundo em que vivemos através dessa atmosfera áurica e, se ela for vibrante pela benevolência e bondade, encontraremos sobre nós pessoas que sejam benevolentes e gentis, pois atraímos delas as qualidades que nós mesmos expressamos, seguindo o mesmo princípio científico do diapasão: quando um é tocado, ele desperta as vibrações de outros diapasões de tom idêntico; assim, as pessoas que nos conhecem são sempre atraídas e respondem àquilo que temos em nós mesmos.
Portanto, um ser humano que é benevolente, como dito, sente a benevolência e a bondade de outras pessoas. Um que dispõe de pensamentos mesquinhos e preocupantes, que é pessimista ou habitualmente tem pensamentos de crueldade para com os outros, invocará sobre si próprio os mesmos traços de caráter que envia. Estamos todos vibrando em determinado tom e o Átomo-semente do coração é a base da existência física e das vibrações que saem de nós para o mundo físico.
É de imenso benefício conhecer essa evidência científica, já que podemos controlar nossos pensamentos e, através deles, todas as condições da vida. Cabe a nós, portanto e diariamente, cultivar o otimismo, a utilidade, a benevolência e a bondade para podermos ter maior valor no trabalho do mundo. A menos que tenhamos essas qualidades em algum grau, é impossível realizar a tarefa para a qual viemos aqui, hoje à noite: ou seja, ajudar outras pessoas e curar.
Milhares de Estudantes Rosacruzes em todo o mundo concentraram seus pensamentos aqui, durante este dia, como faz todos os dias, quando há uma “Reunião de Cura”, seja em um Centro Rosacruz, em um Grupo de Estudos ou mesmo em um lar. Essa agregação de pensamentos agora flutua sobre a Pro-Ecclesia, aqui na Sede Mundial, uma força poderosa. O Símbolo Rosacruz na parede oeste é o instrumento ou foco através do qual devemos enviar essa força poderosa ao mundo. Temos ali a estrela dourada de cinco pontas e a cruz trilobada de quatro pontas. Os números cinco e quatro formam o místico nove, que é o número de Adão, a Humanidade. A cruz é branca e pura, símbolo que indica que quem deseja se tornar um Auxiliar Invisível da Humanidade deve se purificar de todo o mal e, embora tentando fazer isso caiamos repetidas vezes, lembremos que não exista falha, exceto desistir da missão. As sete rosas que enfeitam este símbolo representam o sangue purificado.
Enquanto a Humanidade e os animais que têm sangue quente e vermelho estão cheios de paixão e desejo, a planta não tem paixão. A rosa vermelha, sendo o órgão gerador da planta, permanece como um símbolo da imaculada concepção que ocorre quando o Cristo nasce em nosso interior, purificando-nos dos pecados do passado e santificando-nos para a obra do futuro. Esse é o grande ideal ao qual aspiramos. Concentremos nosso pensamento na rosa branca do centro do Símbolo Rosacruz, que representa o coração puro do Auxiliar Invisível, que é tão desinteressado. Oramos para que nossos pensamentos sejam tão puros quanto aquela rosa, para que possamos gerar conceitos de pureza, força, utilidade e confiança em Deus, apesar de todos os desânimos.
Acima de tudo, depois que fizermos nossa parte, confiemos os resultados a Deus, eliminando nossa própria Personalidade. Somos fracos demais para lutar contra forças cósmicas; entretanto, Deus é onipotente. Não tentaríamos atravessar o oceano em um barco a remo que, muito provavelmente, afundasse; no entanto, se formos de avião, grande e bem construído, as chances serão muito favoráveis à sobrevivência contra qualquer vento forte que nos possa assolar. Essa metáfora também pode ser aplicada à viagem em direção ao nosso objetivo espiritual. Se nos esforçarmos para manter as próprias forças, estaremos muito aptos a cair; porém, se nos comprometermos com Deus e orarmos a Ele por orientação, descobriremos que as chances de sucesso aumentam bastante. E por oração não se entende apenas a dos lábios, mas a do coração.
Como Emerson ensina:
Embora seus joelhos nunca estejam dobrados,
Para o céu, de hora em hora, seus pedidos são enviados;
E sejam, para o bem ou para o mal, formados,
Ainda são respondidos e registrados.
(De Max Heindel, publicado na Revista “Rays from the Rose Cross”, de julho/1915 e traduzido pela Fraternidade Rosacruz de Campinas – SP – Brasil)
[1] N.T.: Mt 6:33
[2] N.T.: Sl 37:25
[3] N.T. Mt 10:29
Devemos iniciar a meditação somente após termos praticado por um bom tempo o Exercício Esotérica de Concentração, tanto a cotidiana, como a do Exercício matutino Esotérico de Concentração.
Esse tempo não se refere ao momento em que nos tornamos aptos para visualizar o Mundo do Desejo, mas, ao menos, até conseguirmos focar a Mente sobre um assunto que escolhemos, sem pensar em mais nada.
Guardar segredo sobre aquilo que acontece durante o Exercício Esotérico de Meditação é fundamental.
Isso porque se tagarelarmos sobre, ou contarmos a alguém, as experiências de nossos momentos durante o Exercício Esotérico de Meditação se perderão, pois antes de extrairmos delas pleno conhecimento das Leis Cósmicas subjacentes, tais experiências podem reduzir-se a nada, uma vez que esse tipo de experiência não pode suportar a transmissão oral. É por meio delas que aprenderemos tudo o que se refere ao assunto que usamos no nosso Exercício Esotérico de Concentração. Isso porque, ao persistirmos em fazer bem o Exercício Esotérico de Concentração criamos um pensamento-forma vivente por meio da nossa faculdade imaginativa.
Se, por exemplo, evocamos o:
E assim por diante.
De qualquer modo, um conhecimento jamais sonhado fluirá na nossa Alma, enchendo-a de gloriosa luz, muito além de tudo que se possa aprender no Exercício Esotérico de Concentração.
É através do Exercício Esotérico de Meditação que aprendemos a história de um objeto, pois ela refere-se ao lado da forma, da construção dessa e da sua manifestação.
Vamos, agora, expor algumas práticas de como acelerar Exercício Esotérico de Meditação.
Primeiro, procuremos objetivar um assunto que não nos envolva tanto emocionalmente.
Por exemplo:
• o desenvolvimento de uma flor,
• a fabricação de uma cadeira,
• de um alfinete, etc…
Suponhamos que escolhemos um chinelo. Pensemos na fabricação da matéria prima – látex – feita pela árvore seringueira. Depois imaginemos a extração feita por um seringueiro. Mais adiante, a defumação para se tornar um rolo macio de látex. O transporte até a fábrica. E, assim por diante até a compra, por você, em uma loja.
Por aqui já dá para se ter uma ideia de que tudo que nos rodeia tem uma história muito interessante para nos contar e que vale a pena aprender. Ou seja: aprendemos que atrás de toda a aparência, por simples que seja, há uma história do mais alto interesse.
Como o Exercício Esotérico de Concentração, o Exercício Esotérico de Meditação pode ser praticado em qualquer lugar: na condução, na fila, em casa, em uma espera qualquer. É importante que o Estudante Rosacruz reserve diariamente um período para essa prática, caso contrário, nenhum progresso ocorrerá.
Para que utilizaremos o resultado do Exercício Esotérico de Concentração? Para podermos funcionar consciente e eficientemente nos Mundos suprafísicos, pois lá as condições são instáveis, voláteis e, sem uma concentração adequada é impossível tirar qualquer proveito de uma passagem por lá.
Qual a importância de utilizarmos o resultado do Exercício Esotérico de Meditação? Para podermos construir melhores formas quando da nossa passagem pelo Segundo Céu, que ocorre entre os intervalos de existências físicas e, aqui nos nossos trabalhos noturnos de cura e de reconstrução dos Corpos Densos dos nossos irmãos e das nossas irmãs que sofrem.
Que as Rosas Floresçam em vossa cruz