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porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Graça da Concentração Criativa

Alguém que tenha experimentado alguma vez o que foi chamado de “a graça da concentração criativa” não poderá se sentir indiferente pela perda de tempo nas ocupações e passatempos sem sentido, que geralmente fazem perder uma parte de energia mental. Se no passado essa pessoa encontrou algum prazer na preguiça e inatividade mental, provavelmente, continuará agindo assim por mais algum tempo.

Hábitos antigos são difíceis de mudar, mas a sua consciência, estimulada pela lembrança da elevação espiritual e da realização resultante de seus momentos de concentração criativa, irá lhe causar uma inquietação cada vez maior.  Começará a sentir que é, na verdade, um pecado contra o que realmente a pessoa é, o Ego, se deixar sucumbir pela indolência mental, desperdiçar seus talentos intelectuais e levar, mesmo que parcialmente, uma existência improdutiva, atendendo a sua Personalidade.

Uma das razões para nossa curta permanência neste Mundo Físico é que devemos desenvolver a força criadora e a capacidade que temos dentro de nós. Quando percebemos o que podemos conseguir com esta força criadora e que grande capacidade latente existe em nós, não ficaremos mais satisfeitos em deixar que outros nos distraiam continuamente, que pensem por nós (e nós podemos pensar até melhor!) e que fiquemos parados vendo a vida passar. Vamos querer, cada vez mais, participar ativamente nos pensamentos construtivos e originais, dedicando tantos momentos quantos forem possíveis a isto, e experimentar a alegria e exaltação que nos vem quando tais pensamentos são traduzidos em ações e nos trazem seus frutos.

Nossa ideia original de “descanso”, muitas vezes envolve: se sentar por longo tempo diante da televisão ou de um computador ou de um celular à mão assistindo programas e outras coisas fúteis; leitura literária de valor duvidoso, que exige pouca ou nenhuma resposta mental; assistir a filmes e/ou vídeos de segunda classe ou qualquer outro tipo de atividade mundana e passiva.

O que parece tarefa difícil de início: concentração, estudo ou pensamento criador, quando tomamos consciência por um esforço determinado da vontade, se torna fácil, mais natural e até familiar. Com o tempo, o esforço desenvolvido da vontade para estas atividades será mínimo e a antiga tendência para as atividades improdutivas e passivas mudarão, e até sentiremos um sentimento agudo de desagrado por tarefas desta natureza.

Isto de maneira alguma implica na necessidade de uma pessoa se tornar “escrava mental” ou levar uma vida exclusivamente contemplativa, para experimentar elevação espiritual da concentração criadora. Muito longe disso! Os resultados da concentração criativa devem resultar em ação e obra criadora e é este o verdadeiro significado que deve nortear os que assim se concentram. Devemos reservar algum tempo a esta atividade, mas certamente uma vida vivida exclusivamente “pensando”, sem nada ou pouco “fazer” não preencherá o propósito de nossa existência na Terra, ao contrário: nos atrasará na Evolução!

O descanso é um fator importante nas nossas vidas, mas os períodos de descanso devem ser intercalados com períodos de concentração criativa e atividades criadoras, o que é muito necessário para a maioria das pessoas, porque estamos no estágio do desenvolvimento mental (já que a nossa Mente está no primeiro estágio de desenvolvimento de um veículo: o estágio mineral, pois nem Corpo ainda é!).

Há, porém, muito poucos que podem sustentar continuamente um alto grau de atividade mental ininterrupta e intensiva, ou uma atividade duplamente mental e física, sem o alívio e o relaxamento de ocupações menos exigentes.

O descanso físico, contudo, não precisa ser passivo, parado, assim como o descanso mental não quer dizer que a Mente não vá ser usada.

Por exemplo, no descanso mental, uma pessoa pode fazer uma literatura ou assistir algo menos sério, mas que seja ao mesmo tempo, estimulante para a Mente. Tratados filosóficos podem ser postos de lado em favor de livros ou vídeos de viagem, artigos sobre a Natureza, animais ou qualquer outro tipo de assuntos de interesse particular.

Esses livros ou vídeos são mentalmente estimulantes e oferecem à Mente uma variação de tipos de leitura e de visualizações. O descanso combinado com o estímulo mental é também obtido através de atividades como passeios ao ar livre, o contato com a Natureza, contemplando-a e meditando sobre ela, ter os olhos e os ouvidos abertos, tentando aprender enquanto passeamos, escutar uma boa música, fazer visitas a museus   e ter conversas elevadas e construtivas com amigos onde praticamos os Exercícios Esotéricos Rosacruzes de Observação e do Discernimento. Todos esses passatempos e muitos outros são muito mais produtivos, e exercem uma atividade mental muito maior, do que permanecer na inércia, que é tido como “descanso” por muitas pessoas. Um dos piores defeitos que podemos ter é o da preguiça mental e autoindulgência. A Mente é o veículo mais recentemente adquirido, dos quatro que possuímos e, como tal, é o menos desenvolvido.

Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que a Mente é o instrumento mais importante que temos; um instrumento especial na obra da criação. A laringe espiritualizada e perfeita determinará e falará a Palavra Criadora, mas a Mente aperfeiçoada decidirá quanto à forma particular e volume de vibração. A Imaginação será a faculdade espiritualizada que dirigirá a criação.

É um sublime ideal, sem dúvida, mas estamos ainda está longe de obter este desenvolvimento mental, de atingir seu auge, sua finalidade.

Também aprendemos na Filosofia Rosacruz que a Mente da maioria de nós é como uma peneira, um crivo. Os pensamentos se filtram através dos cérebros da maioria de nós da mesma forma que a água atravessa a peneira. Estes pensamentos são bons, maus e indiferentes, sendo estes últimos em grande maioria. A imaginação não retém nenhum deles, o suficiente para poder conhecer sua natureza, e assim alimentamos a ideia de que não podemos impedir que nossos pensamentos fossem como são. Por causa disto, muitas pessoas se acostumam a pensar negligentemente, o que os torna incapazes de se concentrarem num determinado assunto ou dominá-lo. É difícil alcançar isto, mas quando se consegue o controle do pensamento, a pessoa que conquistou isto tem certamente em sua mão a chave-mestra do êxito, em qualquer empreendimento.

Por tudo isto é óbvio concluir que a Mente precisa se desenvolver cada vez mais. Perdemos tempo ocupando-a com pensamentos vagos e indignos, ao invés de exercitá-la condignamente para aumentar sua força e seu potencial. Eis aqui o motivo que leva a muitas pessoas precisarem de muitas vidas de esforço mental controlado para desenvolver a Mente!

Não parece razoável, então, que ajudemos ativamente este processo, de todas as maneiras possíveis, em lugar de impedir e até recusar o trabalho contínuo de estimular e exercitar a Mente?

Projetá-la também numa situação nova e desafiadora e trabalhar sobre as forças criadoras latentes, que finalmente poderão se manifestar?

Conservar a Mente ocupada em canais construtivos de serviço ao irmão ou à irmã que está ao seu lado é a única maneira de ajudá-la a evoluir até aquele ponto de perfeição criativa para a qual está destinada. Todas as vezes que nos permitimos ficar indolentes mentalmente ou arquitetamos pensamentos destrutivos ou vagos, em lugar de pensamentos construtivos, e se possível criativos, estamos segurando e atrasando bastante o desenvolvimento de nossa Mente. Além disso, quando nos deixamos levar por certos tipos de atividade mental negativa, mais difícil será para nós recomeçar a usar a Mente em propósitos dignos e válidos. Preguiça mental que se disfarça sobre a forma de distração ou descanso, é muito agradável às naturezas inferiores (inclusive elementais e até irmãos e irmãs que partiram e que estão Apegados à Terra e que, assim, obsidiam total ou parcialmente) que não desistirão de esse proceder facilmente, uma vez que já o hábito se instalou.

Muitas vezes, durante o dia, quando estamos ocupados nas tarefas de rotina, porém necessárias, a Mente pode estar sendo exercitada. Períodos de afazeres domésticos, jardinagem, tempo gasto no transporte indo ou vindo do trabalho, momentos de espera para algum compromisso ou algo parecido, tudo pode ser utilizado em benefício da Mente, pois são ótimos momentos para executarmos três Exercícios Esotéricos Rosacruzes de Concentração, Observação e do Discernimento.

A grande maioria das pessoas tem no fundo de suas Mentes, vagas ideias de projetos, de realizações, de condutas que se apresentam como possibilidades para considerações futuras “quando tivermos tempo”. Muitos de nós temos tempo e até mais tempo do que imaginamos, e deveríamos usá-la na consideração destes novos esquemas: colocar os planos em atividade e usar o tempo que temos sabiamente.

Se utilizarmos, de maneira correta, todos os momentos que temos a nossa disposição, a nossa Mente será capaz de grandes coisas. A atividade construtiva mental, intermeadas por períodos de repouso mental, que também é de natureza construtiva, moldará e transformará com firmeza a nossa Mente, em instrumento de força e poder inacreditáveis.

A graça (dádiva) da concentração criativa deve ser adquirida através de atividade e exercício mental apropriados. Uma vez obtida esta graça, acharemos nossas vidas mais ricas e desenvolvidas, e ficaremos surpreendidos em ver o tempo que desperdiçamos, quando fugimos de fazer este esforço mental.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – junho/1981 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Cura e o Perdão dos Pecados

Pouca gente imagina a possibilidade de uma relação entre a cura e o Perdão dos Pecados. Aliás, quase ninguém sequer cogita dessa realidade que é o Perdão dos Pecados.

Para começar, veja o que S. João relata no seu Evangelho (5:6-9): “Jesus, vendo-o deitado e sabendo que já estava assim havia muito tempo, perguntou-lhe: ‘Queres ficar curado?’. Respondeu-lhe o enfermo: ‘Senhor, não tenho quem me jogue na piscina, quando a água é agitada; ao chegar, outro já desceu antes de mim’. Disse-lhe Jesus: ‘Levanta-te, toma o teu leito e anda!’. Imediatamente o homem ficou curado. Tomou o seu leito e se pôs a andar.”.

Mas, como se define o pecado?

Objetivamente podemos afirmar que é uma ação contrária à lei. Se você pensou que estamos falando da Lei de Moisés, os Dez Mandamentos, pensou corretamente. A Lei, em verdade, é algo muito mais amplo e profundo do que o decálogo recebido por Moisés na montanha. É tão importante que o Cristo asseverou categoricamente que não viera revogá-la, mas cumpri-la. Ele a observou, mas propôs dois mandamentos que a abrangem e transcendem: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a Si mesmo.

Do ponto de vista esotérico, o pecado é uma transgressão a uma Lei da Natureza que é uma Lei de Deus. As Leis da Natureza se harmonizam e mantêm o equilíbrio no Cosmos. Toda vez que alguém as transgrida provoca um desequilíbrio e em consequência uma reação em forma de sofrimento e/ou dor. Portanto, a dor e/ou o sofrimento é uma maneira de aprendermos a lição da harmonia. S. Paulo, em sua Epístola aos Gálatas (6:7), afirmou: “O que o homem semear, isso mesmo ele colherá”.

A luz do ocultismo, se cometemos um erro somos inexoravelmente penalizados? Realmente não. O Perdão dos Pecados é um fato. Entretanto, há pré-requisitos para que ele opere. Um deles é a vontade aliada à iniciativa. Há necessidade de ação que se manifeste através do arrependimento, reforma e restituição.

Primeiro, o arrependimento. S. João Batista não pregou filosofias ou doutrinas. Sua mensagem era o arrependimento dos pecados cometidos. Era um meio de preparar as pessoas para o Cristianismo. Sabia que o Cristo ofereceria a Graça, o Perdão dos Pecados, mas isto depende da transformação da consciência de cada um. Arrependimento é uma mudança da Mente e do Coração em relação ao ato pecaminoso. Porém, o remorso exagerado é nocivo, debilitando as correntes do Corpo de Desejos e afetando as Glândulas Endócrinas. Vemos, então, como tudo depende de um processo interno.

Em segundo, a reforma íntima, pois só o arrependimento não é suficiente para o recebimento da Graça. Quem para no arrependimento fica apenas na intenção. É necessária uma ação efetiva, dinâmica, que se consubstancie na reforma de caráter. Isso ocorre quando transmutamos nossos maus hábitos nas virtudes opostas. Reforma íntima significa restauração, renovação e reconstrução. Envolve discernimento (e só conseguimos fazer isso se praticarmos cotidianamente o Exercício Esotérico Rosacruz de Observação e o seu complemento, o do Discernimento). É uma prova de valor e paciência. Quando nos transformamos internamente tudo se modifica em nossa vida.

Em terceiro, a restituição que é quando prejudicamos alguém devemos promover a restituição, a compensar, de alguma forma, o mal que lhe fizemos. Se não pudemos reparar, pela ausência do prejudicado ou outra razão qualquer, podemos fazê-lo servindo a outra pessoa. Eis porque a tônica da Fraternidade Rosacruz — serviço — tem um cunho libertador. O serviço focado na Divina Essência do irmão ou da irmã, prestado de uma forma amorosa e desinteressada (portanto, o mais anônimo possível) nos envolve na consciência da unidade. Através dele nos sentimos unos com toda a criação, nos tornando incapazes de ferir, ofender ou prejudicar qualquer ser vivo.

Libertamo-nos dos pecados quando em nossa consciência admitimos ter errado e nos propomos a não mais repetir a falta cometida. A evolução é fundamentalmente uma questão de consciência. O desenvolvimento dessa consciência ocorre principalmente através do Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção. Quando estudamos o Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, descobrimos “que talvez esse seja o mais importante Ensinamento Rosacruz”.

O Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção nos oferece uma visão objetiva de nós mesmos. A constância e sinceridade com que é praticado acaba por limpar o nosso Átomo-semente do Corpo Denso das gravações indesejáveis ali impressas ensejando, assim, a evitar o sofrimento purgatorial. Se praticamos com fidelidade Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção, partindo decididamente para: o arrependimento, a reforma e a restituição, demonstraremos ter aprendido as lições nesse renascimento aqui, não necessitando fazê-lo futuramente. Isto é o Perdão dos Pecados!

O ensinamento alusivo ao Carma, ensinado pelas escolas orientais, não satisfaz plenamente as necessidades humanas de quem escolheu nascer no ocidente! Os princípios Cristãos abrangem tanto a Lei de Causa e Efeito como o Perdão dos Pecados e satisfaz plenamente todas as necessidades que precisamos.

Esse ato volitivo começa com o Corpo Vital. Na Oração do Senhor (o Pai-Nosso) encontramos uma oração exclusiva para o Corpo Vital: “Perdoai as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores”. Através da repetição se forma a Alma Intelectual, importante no processo de criação de bons hábitos.

Um bom hábito é não reagir emocionalmente diante de uma situação ou circunstância desequilibrante ou de uma provocação. Se não reagirmos emocionalmente não estaremos implicados na questão e em suas consequências, além do que tudo isso diz respeito à nossa saúde. O pecado ou transgressão afeta a saúde.

Cristo deixou bem claro que o que quer que aconteça no exterior tem sua origem no padrão existente na Mente da pessoa. Se analisarmos todas as Curas efetuadas por Cristo verificaremos que três são as condições para que se realizem: 1) Não pecar mais; 2) Ter bom ânimo; 3) Ter fé. Portanto, tudo depende do estado de consciência de cada um, principalmente o Perdão dos Pecados e a saúde física, mental e emocional.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – janeiro/fevereiro/1988-Fraternidae Rosacruz-SP)

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