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porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Equinócio de Setembro – Seu Significado Espiritual

Em todas as Religiões antigas, os quatro festivais solares que marcam os pontos equinociais e solsticiais do Sol no Zodíaco sempre foram considerados períodos sagrados. Portanto, ao abordar este estudo, não estamos aprendendo uma nova fé, mas apenas reaprendendo uma muito antiga.

No antigo Egito, esses festivais eram celebrados com grande pompa e esplendor; em procissões impressionantes, os sacerdotes carregavam os livros sagrados de astrologia. Esses sacerdotes ensinavam que tanto Libra quanto Escorpião eram Signos do “Equinócio de Setembro”. As almas, segundo a crença deles, desciam através da serpente para serem regeneradas no “Equinócio de Março” pelo poder do Cordeiro — o que, notamos, guarda grande semelhança com o nosso atual ensinamento Cristão.

No Egito, a origem do mal também era atribuída ao “Equinócio de Setembro”. Como estavam no hemisfério norte, acreditava-se que, assim como essa estação inaugurava o frio e a escuridão do inverno, ela também trazia a tentação e o pecado ao ser humano.

Todos os povos adoraram um deus cuja força e fraqueza eram vistas como simbolizadas pela luz e pela escuridão, bem como pela alternância entre calor e frio, marcadas pela passagem do Sol pelos doze Signos do Zodíaco.

Hércules foi reverenciado por séculos antes do estabelecimento do Império Grego; seus doze trabalhos descrevem com precisão a passagem do Sol pelos doze Signos do Zodíaco.

O mesmo ocorre com a história de Jacó e seus doze filhos[1], conforme apresentada na Bíblia. O “Equinócio de Setembro” era celebrado pelos antigos hebreus e é mencionado no Antigo Testamento como a Festa dos Tabernáculos ou a Festa da Colheita[2].

Nas Escrituras Cristãs, também observamos a referência de Ezequiel às donzelas de Israel que choravam e olhavam para o norte à espera do retorno de Tamuz, o deus solar sírio[3].

Astrologicamente, o assassinato de Hiram Abiff também é uma história relacionada ao “Equinócio de Setembro”. Os três assassinos são Libra, Escorpião e Sagitário. Hiram representa o Sol, que é ressuscitado no “Equinócio de Março” pela palavra do Mestre — ou seja, o Sol em Áries.

Muitas histórias ocultistas desses autores abordaram os festivais solares sob uma perspectiva puramente astronômica. Interpretar seu significado espiritual e Cristão é a tarefa da nossa Escola de Misticismo Cristão, a Fraternidade Rosacruz. O Cristo é uma figura cósmica, e Sua vida está delineada nestes festivais solares. A Iniciação é um processo cósmico de desenvolvimento. O ser humano é um epítome de Deus. “Assim como é em cima, é embaixo”.

Todo ser humano é um Cristo em formação, e as estrelas contêm uma biografia antecipada de nossas próprias vidas. O despertar do Cristo Interno constitui a consumação perfeita do nosso atual estágio de evolução.

Na época do “Equinócio de Março”, que a Igreja cristã celebra como a Páscoa, o Sol cruza o equador, passando das latitudes austrais para as boreais. A Ordem Rosacruz reconhece esse evento como o momento da Grande Libertação, quando o Espírito Solar — o Cristo — é libertado de seu aprisionamento na Terra.

No “Solstício de Junho”, quando o Sol atinge o ponto mais alto de sua declinação boreal, ele se encontra em Câncer, o grande Signo feminino ou de Água. É então que o Espírito Crístico alcança o trono do Pai e banha-se no êxtase de Sua vibração. O Sol passa, então, para Leão, o grande Signo masculino e de Fogo. Para os Cristãos Místicos, este é, de fato, um período sagrado.

Durante os meses de julho e agosto — ou enquanto o Sol transita de Câncer para Leão —, o Espírito Crístico funde os princípios do Fogo e da Água no Corpo Espírito de Vida renovado, radiante e glorioso, que Cristo está construindo como Sua dádiva à Terra para a Noite Santa, ou seja, a época do “Solstício de Dezembro”. É sobre esse grande Corpo de luz, provido pelo Cristo, que todas as quatro Ondas de Vida que evoluem neste Planeta — mineral, vegetal, animal e humana — são sustentadas ao longo do ano. S. Paulo enunciou uma profunda verdade oculta ao dizer: “N’Ele vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”[4].

À medida que o Sol entra em Virgem, esse grande Raio de vida descendente toca as esferas superiores da Terra. Místicos e pessoas sensíveis percebem uma compaixão terna e envolvente — uma beleza divina e etérea que permeia toda a Natureza — quando o Sol ingressa neste signo da Mãe Divina, Virgem. Nesta estação, toda a Natureza é impregnada pelo amor avassalador e pela glória sublime de Seu grande sacrifício anual pela Humanidade.

Nas palavras de Longfellow, é o momento em que o ar se enche “de uma luz mágica e onírica” e quando o grande Sol contempla a Terra “com o olhar do amor, através dos vapores dourados que o cercam.”[5]

Na Igreja Cristã, lamentamos, oramos e O louvamos porque Ele morreu uma vez por nós na cruz. Nessa concepção mais ampla do Cristianismo que aqui consideramos, passamos a compreender que Ele se sacrifica por nós anualmente e que deve continuar a fazê-lo até que tenhamos aprendido a desenvolver os poderes do Cristo em nós mesmos, ou seja, o Cristo Interno. Somente dessa forma podemos auxiliar em Sua libertação final e completa.

Quando o Sol entra em Libra, esse raio da Vida Crística toca definitivamente a superfície da Terra. É esse grande influxo que o Cristão Místico observa com tanta reverência no “Equinócio de Setembro”.

Eventos importantes na vida de Cristo estão em perfeita harmonia com os significados espirituais desses grandes pontos de virada das estações. Nas santas alegrias da Anunciação, encontramos um paralelo com os segredos da nova vida do “Equinócio de Março”. No santo mistério da Imaculada Conceição, o Sol toca a atmosfera da Terra no “Equinócio de Setembro” e, no “Solstício de Dezembro”, celebramos o Santo Nascimento, ou a época do Natal.

Libra é o local de prova ou a roda de equilíbrio. Saturno, que está Exaltado em Libra, coloca a Terra sob o domínio das trevas e, também, faz com que sejamos provados ao máximo. Mas, como Vênus — o Planeta do amor — também rege Libra, descobrimos que, na divina providência da infinita misericórdia e sabedoria de Deus, também é providenciado um meio de escape para cada tentação trazida pelo Grande Provador.

À medida que o Sol passa do “Equinócio de Março” para o “Equinócio de Setembro”, ou de Áries para Libra, a Vida Crística atua através dos veículos superiores da Terra.

À medida que o Sol passa do “Equinócio de Setembro” para o “Equinócio de Março”, ou de Libra para Áries, a Vida Crística atua através dos Estratos físicas ou materiais do Planeta. Ao meditarmos em espírito de oração sobre essas verdades espirituais sublimes, encontramos um significado novo, mais profundo e mais santo na bênção final de Cristo, proferida pouco antes da Ascensão, quando Ele disse: “Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28:20).

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de setembro-outubro de 1997 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)


[1] N.T.: 1Jacó chamou seus filhos e disse: “Reuni-vos, eu vos anunciarei o que vos acontecerá nos tempos vindouros. 2Reuni-vos, escutai, filhos de Jacó, escutai Israel, vosso pai: 3Rúben, tu és meu primogênito, meu vigor, as primícias de minha virilidade, cúmulo de altivez e cúmulo de força, 4impetuoso como as águas: não serás colmado, porque subiste ao leito de teu pai e profanaste minha cama, contra mim! 5Simeão e Levi são irmãos, levaram a cabo a violência de suas intrigas.6Que minha alma não entre em seu conselho, que meu coração não se una ao seu grupo, porque na sua cólera mataram homens, em seu capricho mutilaram touros. 7Maldita sua cólera por seu rigor, maldito seu furor por sua dureza. Eu os dividirei em Jacó, eu os dispersarei em Israel. 8Judá, teus irmãos te louvarão, tua mão está sobre a cerviz de teus inimigos e os filhos de teu pai se inclinarão diante de ti. 9Judá é um leãozinho: da presa, meu filho, tu subiste; agacha-se, deita-se como um leão, como leoa: quem o despertará? 10O cetro não se afastará de Judá, nem o bastão de chefe de entre seus pés, até que o tributo lhe seja trazido e que lhe obedeçam aos povos. 11Liga à vinha seu jumentinho, à cepa o filhote de sua jumenta, lava sua roupa no vinho, seu manto no sangue das uvas, 12seus olhos estão turvos de vinho, seus dentes brancos de leite. 13Zabulon reside à beira-mar, é marinheiro sobre os navios, tem Sidônia a seu lado. 14Issacar é um jumento robusto, deitado no meio dos cerrados. 15Ele viu que o repouso era bom, que a terra era agradável, baixou seu ombro à carga, e sujeitou-se ao trabalho escravo. 16Dã julga seu povo, como cada tribo de Israel. 17Dã é uma serpente sobre o caminho, uma cerasta sobre a vereda, que morde os talões do cavalo e o cavaleiro cai para trás! 18Em tua salvação eu espero, ó Iahweh! 19Gad, guerrilheiros o guerrilharão e ele guerreia e os fustiga. 20Aser, seu pão é abundante, ele oferece manjares de rei. 21Neftali é uma gazela veloz que tem formosas crias.22José é um rebento fecundo perto da fonte, cujas canas ultrapassam o muro. 23Os arqueiros o exasperaram, atiraram e o aborreceram. 24Mas seu arco foi quebrado por um poderoso, foram rompidos os nervos de seus braços pelas mãos do Poderoso de Jacó, pelo Nome da Pedra de Israel, 25pelo Deus de teu pai, que te socorre, por El Shaddai? que te abençoa: Bênçãos dos céus no alto, bênçãos do abismo deitado embaixo, bênçãos das mamas e do seio, 26bênçãos dos espinhos e das flores, bênçãos das montanhas antigas, atração das colinas eternas, que elas venham sobre a cabeça de José, sobre a fronte do consagrado entre seus irmãos! 27Benjamim é um lobo voraz, de manhã devora uma presa, até à tarde reparte o despojo”. 28Todos estes formam as tribos de Israel, em número de doze, e eis o que lhes disse seu pai. Ele os abençoou: a cada um deu uma bênção que lhe convinha. (Gn 49:1-28)

[2] N.T: “E falou o SENHOR a Moisés, dizendo: Fala aos filhos de Israel, dizendo: Aos quinze dias deste mês sétimo, será a Festa dos Tabernáculos ao Senhor, por sete dias.” (Lv 23:33-34)

[3] N.T.: Levou-me à entrada da porta da Casa do SENHOR, que está no lado norte, e eis que estavam ali mulheres assentadas chorando a Tamuz. (Ez 8:14)

[4] N.T.: At 17:28

[5] N.T.: do poema Evangeline — Um Conto de Acádia, um clássico épico de Henry Wadsworth Longfellow

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Cura e o Perdão dos Pecados

Pouca gente imagina a possibilidade de uma relação entre a cura e o Perdão dos Pecados. Aliás, quase ninguém sequer cogita dessa realidade que é o Perdão dos Pecados.

Para começar, veja o que S. João relata no seu Evangelho (5:6-9): “Jesus, vendo-o deitado e sabendo que já estava assim havia muito tempo, perguntou-lhe: ‘Queres ficar curado?’. Respondeu-lhe o enfermo: ‘Senhor, não tenho quem me jogue na piscina, quando a água é agitada; ao chegar, outro já desceu antes de mim’. Disse-lhe Jesus: ‘Levanta-te, toma o teu leito e anda!’. Imediatamente o homem ficou curado. Tomou o seu leito e se pôs a andar.”.

Mas, como se define o pecado?

Objetivamente podemos afirmar que é uma ação contrária à lei. Se você pensou que estamos falando da Lei de Moisés, os Dez Mandamentos, pensou corretamente. A Lei, em verdade, é algo muito mais amplo e profundo do que o decálogo recebido por Moisés na montanha. É tão importante que o Cristo asseverou categoricamente que não viera revogá-la, mas cumpri-la. Ele a observou, mas propôs dois mandamentos que a abrangem e transcendem: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a Si mesmo.

Do ponto de vista esotérico, o pecado é uma transgressão a uma Lei da Natureza que é uma Lei de Deus. As Leis da Natureza se harmonizam e mantêm o equilíbrio no Cosmos. Toda vez que alguém as transgrida provoca um desequilíbrio e em consequência uma reação em forma de sofrimento e/ou dor. Portanto, a dor e/ou o sofrimento é uma maneira de aprendermos a lição da harmonia. S. Paulo, em sua Epístola aos Gálatas (6:7), afirmou: “O que o homem semear, isso mesmo ele colherá”.

A luz do ocultismo, se cometemos um erro somos inexoravelmente penalizados? Realmente não. O Perdão dos Pecados é um fato. Entretanto, há pré-requisitos para que ele opere. Um deles é a vontade aliada à iniciativa. Há necessidade de ação que se manifeste através do arrependimento, reforma e restituição.

Primeiro, o arrependimento. S. João Batista não pregou filosofias ou doutrinas. Sua mensagem era o arrependimento dos pecados cometidos. Era um meio de preparar as pessoas para o Cristianismo. Sabia que o Cristo ofereceria a Graça, o Perdão dos Pecados, mas isto depende da transformação da consciência de cada um. Arrependimento é uma mudança da Mente e do Coração em relação ao ato pecaminoso. Porém, o remorso exagerado é nocivo, debilitando as correntes do Corpo de Desejos e afetando as Glândulas Endócrinas. Vemos, então, como tudo depende de um processo interno.

Em segundo, a reforma íntima, pois só o arrependimento não é suficiente para o recebimento da Graça. Quem para no arrependimento fica apenas na intenção. É necessária uma ação efetiva, dinâmica, que se consubstancie na reforma de caráter. Isso ocorre quando transmutamos nossos maus hábitos nas virtudes opostas. Reforma íntima significa restauração, renovação e reconstrução. Envolve discernimento (e só conseguimos fazer isso se praticarmos cotidianamente o Exercício Esotérico Rosacruz de Observação e o seu complemento, o do Discernimento). É uma prova de valor e paciência. Quando nos transformamos internamente tudo se modifica em nossa vida.

Em terceiro, a restituição que é quando prejudicamos alguém devemos promover a restituição, a compensar, de alguma forma, o mal que lhe fizemos. Se não pudemos reparar, pela ausência do prejudicado ou outra razão qualquer, podemos fazê-lo servindo a outra pessoa. Eis porque a tônica da Fraternidade Rosacruz — serviço — tem um cunho libertador. O serviço focado na Divina Essência do irmão ou da irmã, prestado de uma forma amorosa e desinteressada (portanto, o mais anônimo possível) nos envolve na consciência da unidade. Através dele nos sentimos unos com toda a criação, nos tornando incapazes de ferir, ofender ou prejudicar qualquer ser vivo.

Libertamo-nos dos pecados quando em nossa consciência admitimos ter errado e nos propomos a não mais repetir a falta cometida. A evolução é fundamentalmente uma questão de consciência. O desenvolvimento dessa consciência ocorre principalmente através do Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção. Quando estudamos o Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, descobrimos “que talvez esse seja o mais importante Ensinamento Rosacruz”.

O Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção nos oferece uma visão objetiva de nós mesmos. A constância e sinceridade com que é praticado acaba por limpar o nosso Átomo-semente do Corpo Denso das gravações indesejáveis ali impressas ensejando, assim, a evitar o sofrimento purgatorial. Se praticamos com fidelidade Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção, partindo decididamente para: o arrependimento, a reforma e a restituição, demonstraremos ter aprendido as lições nesse renascimento aqui, não necessitando fazê-lo futuramente. Isto é o Perdão dos Pecados!

O ensinamento alusivo ao Carma, ensinado pelas escolas orientais, não satisfaz plenamente as necessidades humanas de quem escolheu nascer no ocidente! Os princípios Cristãos abrangem tanto a Lei de Causa e Efeito como o Perdão dos Pecados e satisfaz plenamente todas as necessidades que precisamos.

Esse ato volitivo começa com o Corpo Vital. Na Oração do Senhor (o Pai-Nosso) encontramos uma oração exclusiva para o Corpo Vital: “Perdoai as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores”. Através da repetição se forma a Alma Intelectual, importante no processo de criação de bons hábitos.

Um bom hábito é não reagir emocionalmente diante de uma situação ou circunstância desequilibrante ou de uma provocação. Se não reagirmos emocionalmente não estaremos implicados na questão e em suas consequências, além do que tudo isso diz respeito à nossa saúde. O pecado ou transgressão afeta a saúde.

Cristo deixou bem claro que o que quer que aconteça no exterior tem sua origem no padrão existente na Mente da pessoa. Se analisarmos todas as Curas efetuadas por Cristo verificaremos que três são as condições para que se realizem: 1) Não pecar mais; 2) Ter bom ânimo; 3) Ter fé. Portanto, tudo depende do estado de consciência de cada um, principalmente o Perdão dos Pecados e a saúde física, mental e emocional.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – janeiro/fevereiro/1988-Fraternidae Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Cidade Quadrangular de Ezequiel

Nas épocas pré-cristãs, os mais aptos receberam grandes ensinamentos por meio das Iniciações de então. Grandes templos foram erguidos, nos quais celebravam-se os rituais Iniciáticos. As ruínas encontradas nas margens do Nilo revelam as características de um momento nesse Esquema de Evolução em que as Iniciações se processavam aqui na Região Química do Mundo Físico.

Com o advento do Cristianismo, surgiu uma nova fórmula de Iniciações. Durante os três primeiros séculos “depois de Cristo”, a Religião Cristã foi a guardiã das Iniciações ocidentais. S. Paulo, na Primeira Epístola aos Coríntios, diz: “Leite vos dei a beber; não vos dei alimento sólido porque ainda não o podereis suportar” (ICor 3:2). Tendo o mundo submergido cada vez mais no materialismo, tais ensinamentos foram sendo relegados ao esquecimento. Os Templos para Iniciações, porém, ainda subsistem na Região Etérica do Mundo Físico.

Cada grande Religião tem o seu Templo, sendo por ele inspirada e dirigida em seu serviço. A Bíblia indica o lugar onde se encontra o Templo Místico de nossa época, quando faz referência à Nova Jerusalém.

A quadrangular cidade de Ezequiel e a das revelações são descrições dos Templos da Nova Época, como também dos corpos sublimados das pessoas pioneiras que neles servirá.

Ezequiel viu uma cidade formada de essência sublimada dos Elementos: Fogo, Ar, Água e Terra. Essa cidade tem doze portões de entrada, sendo três de cada lado.

Cada um identifica-se com um dos Signos do Zodíaco. Conjuntamente simbolizam o Corpo-Alma, o qual nos habilitará ao encontro com Cristo nas nuvens da Cidade Santa. São as doze rosas na Cruz da Humanidade, cujo desabrochar será realidade naquele glorioso porvir.

Em redor dessa cidade não há fortificações ou armamentos, pois não existirão contendas. Será habitada por uma Humanidade renovada. A Nova Cidade será construída da essência sublimada dos quatro Elementos. Tem a mística medida de 144 côvados (1 + 4 + 4 = 9, o número da Humanidade). São doze portões guardados por doze Anjos. Nesses portões acham-se inscritos os nomes das doze “tribos de Israel”, simbolizando o elevado impulso das doze Hierarquias Criadoras.

Os doze fundamentos ou essências dessa cidade têm os nomes dos doze Apóstolos de Cristo. Simbolizam o “o ser humano integral”.

(Traduzido por F. P. Preuss da Revista Das Rosenkreuz e publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – março/1973 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Faça-se a Luz: o fogo que está em tudo!

Faça-se a Luz

Da Universidade de Colúmbia nos Estados Unidos, foi divulgada uma notícia que poderá ter, sobre o futuro estado da humanidade, um efeito mais importante do que todas as bombas de hidrogênio.

Quando as primeiras bombas atômicas foram lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki, o que pôs fim à segunda Guerra Mundial, todos ficaram espantados e fascinados pelo enorme poder que o ser humano conseguiu pôr sob seu controle. Desde então, os aperfeiçoamentos da bomba (bomba de hidrogênio) libertaram forças que, em comparação fizeram a bomba atômica parecer brinquedo de crianças. Grandes ilhas foram volatilizadas com os átomos de hidrogênio. Quando sua força inerente foi libertada, tais ilhas desapareceram sendo a explosão acompanhada de vastíssima luz. Estando a atenção do ser humano sempre voltada para cada engenho de guerra de maior poder não percebeu a descoberta básica que lhe proporcionaria a utilização dessa força e que lhe mostraria como sair do seu atual dilema.

Como resultado do desenvolvimento da força atômica com a sua recente aplicação, e a consequente corrida pela supremacia, por terra, no mar, no ar e no espaço, por nações de ideologias contrárias, a humanidade está se consumindo de medo, de dúvida e de incerteza quanto ao futuro. O ser humano parece ter perdido sua esperança e perspectivas e ter colocado sua fé nas ações humanas. Por toda a parte há uma necessidade irresistível de re-estimar nosso senso de valores, baseados no novo conceito de matéria, pois a ciência tornou-se mística; na realidade confirmou a religião, e assim, também a religião tem se tornado científica.

Já se sabe que a matéria consiste de átomos, sendo cada um uma exata réplica do sistema solar, com um sol central (próton ou eletricidade positiva) em torno do qual giram os elétrons (eletricidade negativa). Sabe-se que o próton tem temperatura semelhante à da superfície do Sol, 10.000 graus centígrados, estando esta temperatura contida no interior do próprio átomo.

Sabe-se também que os elétrons giram em torno do próton com velocidade superior a 9.977,66 quilômetros por segundo, e que o número de elétrons varia de acordo com o elemento atômico, tendo o átomo de hidrogênio – o mais baixo da escala – dois elétrons.

Os cientistas da Universidade de Colúmbia mediram agora este próton ou núcleo do átomo e verificou-se que tem 500 bilionésimos de uma polegada de espessura (2,54 centímetros divididos por 500.000.000.000 metros, divididos por 500.000.000 centímetros, ou seja, aproximadamente 0,000000000005 centímetros ou seja ainda 0,00005 mícron de espessura). Permanece em pé, girando como um pião a velocidade de milhões de rotações por segundo, e o que é de significância transcendental, é um foco de luz branca! Qualquer átomo de matéria possui este mesmo fogo, branco giratório no seu núcleo. Esses centros atômicos de prótons constituem os 99% de toda à matéria do Universo. Não está sendo provado em cada nova descoberta da ciência que toda criação é nosso próximo, e nosso irmão? Por esta revelação não se tornou espiritualizada a matéria, ou não podemos ver que o bem de um é o bem de todos e que o sofrimento de um é sofrimento de todos. É por isso que é tão importante este novo conceito de matéria. Porque agora, nossa Bíblia pode tornar-se uma realidade viva para todos nós, como o foram as bolas de fogo giratório para Ezequiel e a sarça ardente para Moisés, porque eles penetraram no mistério da matéria e nela viram Deus manifestado, a Substância Única, o fogo giratório branco, a luz sem-calor.

Nós, em nossa cegueira, não vemos que o mundo é um fogo. Que o fogo está na água; que ele queima continuamente nas rochas, nas plantas, no animal e no ser humano. Sim; nada existe no mundo que não seja animado pelo fogo. E a ciência agora confirma esse fato.

A razão pela qual não percebemos essa grande verdade é porque não aprendemos a diferenciar o fogo da chama;-o fogo está para a chama na mesma relação que o espírito para a matéria. O fogo é a força invisível para a visão física.

O fogo “veste-se” da chama somente quando consome matéria física. O fogo surgirá da pedra quando esta for atritada. Um fio conduzindo eletricidade permanecerá frio, mas emitirá chama se forem violadas algumas de suas leis. Assim, para qualquer lado que nos voltemos, encontramos a confirmação das sublimes palavras do Evangelho segundo São João de que “DEUS É LUZ”. Até os mais possantes telescópios modernos fracassaram quando procuraram encontrar os limites da luz, mesmo penetrando no espaço em milhões de anos-luz. A ciência nos diz que temos a manifestação da forma somente porque uma espécie de fogo, uma energia elétrica, mantém os átomos em seus lugares uns em relação com as outros. Sabe-se que luz e vida são termos sinônimos porque, por toda parte encontramos a vida e onde há vida, aí existe luz. Isso é inacreditável para a nossa consciência densa, material, humana, embora tenha sido provado agora ser verdade. Para quem tem olhos de ver, cada manifestação de vida é como facho de esplendor, imortal. Luzes com mil cores de arco-íris, luzes, mil vezes mais variadas do que o nosso espectro solar, com cores não imaginárias. E o próprio ser humano fez música; o nosso espectro solar, sua vibração, produzindo luz e cores de beleza indescritível.

Tudo, em toda parte, está no fogo com Deus. Do Centro do ser humano, do centro da terra, de toda manifestação irradia luz; mesmo o vácuo está cheio de luz, este esplendor vivo, universal, o símbolo vivo de Deus. Não fomos ensinados que “Deus disse; Faça-se a Luz e a Luz foi feita”, a primeira manifestação do Absoluto do Ser Imanifestado? A Terra, literalmente, está cheia de céu. Como disse Pitágoras, “O Corpo de Deus é composto da Substância da Luz”.

Nenhum símbolo se concebeu mais conveniente para o Pai Universal do que essa glória radiante, viva, vibrante, que chamamos fogo. Pouco nos surpreende que os antigos admitissem o fogo ou luz como o mais sagrado dos elementos. Como símbolo supremo da força universal onipotente. O sangue era considerado pelos antigos alquimistas como luz cristalizada, e os magos da Idade Média tinham de controlar qualquer pessoa se possuíssem pequena quantidade do seu sangue.

Se um copo com água for deixado durante a noite num quarto onde durma alguém, pela manhã a água estará impregnada das radiações psíquicas desta pessoa em tal grau que qualquer um que seja apto poderá nela encontrar uma gravação da vida e do caráter da pessoa que ocupou o quarto devido à luz ou fogo onipotente por meio do qual essas gravações são transmitidas e preservadas.

É sabido que os padres nos templos antigos faziam lâmpadas que podiam queimar durante séculos sem precisar ser reabastecidas. Hargrave Jenning escreveu acerca dessas lâmpadas: “Diz-se que os antigos romanos preservavam as luzes nos seus sepulcros muito tempo pelo nível de álcool do ouro (um dos segredos da arte dos Rosacruzes) transformada por métodos herméticos em uma substância líquida; e está escrito: que, por ocasião da dissolução dos mosteiros, no tempo de Henrique VIII, foi encontrada uma lâmpada que vinha queimando num túmulo desde 300 anos antes.”

De acordo com os mistérios, tempo virá, no desenvolvimento espiritual do ser humano, em que o óleo misterioso que sobe lentamente pela espinha vertebral entrará afinal no terceiro ventrículo do cérebro onde se tornará em bela cor dourada e irradiará em todas as direções. Cristo Jesus conhecia este destino final do ser humano, pois dele são estas palavras: “agora não me podeis seguir, mas seguir-me-eis mais tarde”.

E já foi demostrado pelos nossos seres humanos de ciência que força maravilhosa permanece oculta no calor branco deste diminuto átomo de matéria física que nunca um olho humano viu: e o átomo físico possui a menor vibração de tudo que o espírito humano percebe no seu regresso à sua origem.

Não resta dúvida que existem vários graus na nossa manifestação. A substância de cada plano, acima do físico, torna-se muito mais sutil com o consequente aumento de poder. Assim, se a força no interior de um átomo de matéria física está além da compreensão da maioria dos seres humanos, que dizer da força inerente à substância do Mundo do Pensamento, que é o mais elevado dos quatro planos nos quais se processa a nossa evolução? Não nos faz isto hesitar, quando consideremos a absoluta falta de direção na maioria dos nossos pensamentos?

Podemos ver facilmente como a inabilidade de controlar os processos de pensamento resulta em geral atrair para as nossas vidas e nosso ambiente aquelas experiências que em oração pedimos para que não nos atinjam: má saúde, falta de sucesso, amigos desleais, desarmonias.

Não precisamos blasfemar contra um destino cruel; precisamos somente dirigir esta força por canais construtivos para mudarmos nosso destino.

Por analogia, torna-se cada vez mais aparente que o mundo da ciência, nas suas últimas pesquisas sobre a estrutura do átomo, confirma os milagres da Bíblia. Desses mesmos seres humanos de ciência aprendemos não somente que esta partícula infinitesimal de matéria, esta abrasadora de luz e calor, tendo elétrons girando em torno de seu centro com velocidade fantástica, como que as distâncias, neste minúsculo universo, são proporcionais às que se encontram na abóboda estrelada dos céus.

Lembram-se da história bíblica de como foram alimentadas as 5000 pessoas? Não se torna simples e compreensível agora, à luz da nova revelação da natureza de todas as coisas? Cristo Jesus, que sabia que todas as formas procediam da substância Única, que são, portanto, espírito cristalizado dominava todas as coisas de acordo com o santo propósito de Deus.

Agora poderemos compreender melhor porque o rosto de Moisés brilhava quando ele desceu da montanha, de modo que o povo baixava a cabeça de terror diante dele; e também como a face de Jesus tornou-se brilhante; como Elias foi arrebatado em um carro de fogo e trasladado do visível ao invisível por meio deste turbilhão de fogo que nunca destrói e que protegeu os três hebreus na fornalha ardente. Esta é a herança de todos os filhos de Deus que chegam à realização da sua Divindade.

Nossa compreensão da mensagem gloriosa e vital da Santa páscoa aumenta infinitamente quando contemplamos o significado oculto da ressurreição e da ascenção em termos desta energia incrível, inexaurível, incessante, que nós chamamos Luz.

Como é fácil, para um ser da estatura espiritual de Cristo, passar de um corpo de luz para outro na fase seguinte de existência, isto é a ressurreição e, quando as vibrações se tornam mais elevadas, ascende, sobe, desaparece da vista dos seres humanos mortais.

Não é, pois, o Cristo quem mostra o caminho para toda humanidade e não foi dito d’Ele: “Nele estava a Vida e a Vida era a Luz dos homens”?

(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 06/73 – Fraternidade Rosacruz – SP)

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