Os importantes passos da vida de nosso Salvador, Cristo, conforme narrados pelos Evangelhos, compõem o esquema geral de Iniciação para nós, enquanto desenvolvemos gradualmente o Espírito do Cristo em nosso interior, o Cristo Interno.
Os Evangelhos descrevem dramaticamente e em símbolos os incidentes que serão encontrados no Caminho da Santidade.
Havia três seres dentre os Discípulos mais íntimos do Cristo que haviam alcançado o pináculo da Iniciação. E os Evangelhos contêm um maravilhoso relato de seu elevado contato com a Memória da Natureza. Os três Discípulos eram: João, o bem-amado, ou, em outras palavras, o mais avançado; Tiago, o primeiro a sacrificar sua vida pelos preceitos da nova Religião instituída pelo seu Mestre, e Pedro, a Rocha, simbolizando o poder da fé e das obras, sobre as quais a Religião Cristã foi estabelecida. Estudamos nos Evangelhos que “Cristo Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago, e os levou, em particular, a um alto monte” (Mt 17:1). Aprendemos na Filosofia Rosacruz que esse é um termo místico significando a Iniciação.
Já, na Fraternidade Rosacruz aprendemos que podemos colher todas essas informações mencionadas através da visão espiritual e contato pessoal com a Região do Pensamento Concreto, na qual o Iniciado pode examinar as verdadeiras gravações feitas na Memória da Natureza.
Um dos mais importantes pontos desse relato é que os Discípulos averiguaram, durante a sua Iniciação, a realidade do Renascimento, uma vez que Moisés e Elias eram expressões de um mesmo espírito. Esse fato ilustrava o que o Cristo havia lhes dito a respeito de S. João Batista: “Esse é Elias, que devia vir” (Mt 17:10).
Dessa forma, fica mais e mais aparente que o Cristo ensinava reservadamente aos seus Discípulos o fato do Renascimento. Porém, essa doutrina deveria constituir um ensinamento esotérico por muito tempo, conhecido somente de alguns pioneiros. É da maior significação que o trabalho real de Cristo Jesus começou após a Transfiguração, quando preparou setenta e duas pessoas como mensageiras e as enviou em grupos de dois para cada lugar aonde Ele pretendia ir.
Nos lugares onde essas pessoas eram bem recebidas, deviam ficar, curar os enfermos e pregar as boas novas. Quando não as recebiam, deveriam “sacudir o próprio pó das suas sandálias” (Mt 10:14 e Lc 9:5). O Evangelho Segundo S. Lucas relata que as pessoas retornaram contando com muita alegria: “Senhor, até os demônios se sujeitaram a nós por causa de Teu Nome” (Lc 10:17).
O poder de ordenar aos demônios constituía o ponto central do ministério de Cristo Jesus. O Novo Testamento encontra-se repleto de narrativas alusivas ao demônio, a força do mal. Há frases nas quais são mencionados os termos: mensageiros de Satanás, o pai da mentira, o Anticristo, o iníquo, o adversário e o destruidor. Toda essa nomenclatura mostrando a existência cósmica do poder do mal. Podemos ter certeza, dessa forma, que o mal existe na realidade e que é de natureza pessoal, tendo, naturalmente, efeitos sobre nós como indivíduos.
Um dos aspectos mais impressionantes relativo ao enorme interesse por temas do pseudo-ocultismo é que pessoas que firmemente negam a existência de Deus, acreditam e parecem profundamente impressionadas com o demônio. Devemos completar essa ideia mencionando o fato de que o demônio não é, em absoluto, uma invenção da Religião Cristã. Uma das formas mais persistentemente em evidência, um ser portador de chifres, asas e garras – data pelo menos de épocas tão remotas como a antiga Mesopotâmia.
Pode-se observar, em nossos tempos, uma onda de fascinação exercida pelas forças invisíveis. O nosso mundo e a nossa arte sentem o impacto de cultos mais ou menos satânicos, sessões envolvendo bruxas e bruxaria e, como é de conhecimento de todos, drogas.
Parece de pouca consistência em nosso mundo supercientífico e supertecnológico, o exame, e reexame, tanto pelo público, como pelas elites intelectuais, das forças malignas invisíveis e suas manifestações.
Esse interesse também se reflete em nossos veículos de comunicação. A publicação de obras literárias e filmes como “O Exorcista” servem de indicadores seguros do grau de interesse pela atuação dos espíritos malignos.
Assim sendo, pode não ser coincidência o fato dos autores dos Evangelhos terem distinguido a obsessão dos outros tipos de doenças curadas. Como se sabe, grande parte das curas efetuadas por Cristo Jesus foram desse tipo. Entre as curas individuais realizadas, conforme o Novo Testamento, sete envolviam pessoas obsidiadas por demônios: cinco homens, um menino e uma menina. Em cada um desses casos, o Cristo usava de métodos específicos e diferentes para a obtenção da cura, ponto merecedor de estudo detalhado do aspirante aplicado.
Em primeiro lugar, é de se notar que todas as entidades obsessoras reconheciam o Cristo, avaliavam seu poder sobre elas e se lhe declararam sujeitas sem opor resistência (Mc 1:23-26).
Esse primeiro relato de exorcismo refere-se a um incidente ocorrida num domingo em Cafarnaum, na Galileia, no interior da Sinagoga, enquanto o Cristo ensinava.
Relata o Evangelho: “E estava na sinagoga um homem com um espírito imundo, o qual exclamou dizendo: Ah! Que temos contigo Jesus Nazareno? Vieste destruir-nos? Bem sei quem és, o Santo de Deus. E repreendeu-o Jesus dizendo: Cala-te e sai dele. Então o espírito imundo convulsionando-o, e clamando, com grande voz, saiu dele.” (Lc 4:34-35 e Mc 1:24-26). Essa cura foi espontânea e, sem dúvida, surpreendente para a multidão da sinagoga. O demônio não suportou as altas vibrações da Santa Presença e foi obrigado a se revelar, encontrando assim o destino relatado.
No Evangelho Segundo S. Mateus, Capítulo 9 e versículos de 32 a 34[1] há o caso do endemoninhado surdo e mudo, cujos órgãos vocais e auditivos estavam sendo controlados por uma entidade. Imediatamente após o afastamento dela, o indivíduo recuperou a sua fala, voltando ao normal. Porém, isso agradava aos fariseus! Dizem eles: “Ele ordena aos demônios, pelo poder do Príncipe dos demônios” (Mt 12:34, Mc 3:22 e Lc 11:15).
O livro e o subsequente filme “O Exorcista” mereceram primeiras páginas na imprensa por um longo tempo, e muitas pessoas ficaram horrorizadas por saber que se tratava de um caso autêntico de obsessão na vida real.
Existe, porém, uma narrativa de um ato de exorcismo extraordinário contido nos Evangelhos e é de se admirar que tal incidente não consiga horrorizar ninguém não havendo até hoje um escritor bastante interessado em tecer um amplo comentário a respeito, o que traria à realidade, para os seres humanos de hoje, o tremendo poder à disposição do Cristo.
E o mais impressionante ato de exorcismo relatado na Bíblia é o do homem de Gadera – também escrito como Geraseno ou Gadareno –, cujos obsessores identificaram-se a si mesmos como “legião”. Essa cura deve ter particular importância, uma vez que três dos evangelistas, S. Mateus, S. Marcos e S. Lucas escreveram a respeito, ainda com pequenas diferenças nas ênfases dos relatos[2].
O incidente ocorreu num dia em que o Cristo e os Discípulos decidiram atravessar para a costa Oeste do Lago de Tiberíades. A área se compunha, em sua maioria, de pedras calcárias dispostas em penhascos pontilhados de cavernas, lugar em que se costumava sepultar os mortos.
Quando o pobre homem obsedado avistou Cristo Jesus, veio correndo e se prostrou diante d’Ele gritando “O que temos a haver contigo Filho do Altíssimo? Não nos atormente”. Cristo Jesus reconheceu de imediato o grande mal que havia naquele homem e ordenou: “Saia desse homem espírito imundo”. Em seguida formulou uma pergunta que poderia parecer até irrelevante: “Qual é o seu nome?”. A resposta foi: “É legião, porque somos muitos”.
Há vários pontos a serem considerados nesse relato de exorcismo. O mais importante é que imediatamente após o afastamento das entidades obsessoras, o ser voltava de imediato à condição de ser humano normal. Do ser bestial, demente, cuja presença afastava a todos, surgia o ser humano absolutamente normal e comum, que só rogava a Ele e a seus Discípulos que ficassem com ele. O Cristo disse, porém, que era mais útil levar o conhecimento dessa cura para o seu círculo de amigos como testemunho da dádiva recebida por ele de Deus. Tarefa não muito fácil, de fato, pois a família e os amigos representam, às vezes, a maior dificuldade a ser enfrentada por aquele que foi purificado pelo amor de Cristo, e quer segui-lo.
O Cristo instruía Seus Discípulos num método muito avançado de exorcismo. Mostrava-lhes que tão logo o exorcista estivesse de posse do nome da entidade, ela se encontrava debaixo de Seu poder. Nesse tipo de exorcismo os Discípulos recebiam instruções reservadas sobre o poder das vibrações contidas em nomes e como ele deveria ser usado nas curas comuns ou no exorcismo, bem como para finalidades superiores a outros.
O relato bíblico envolvendo o demônio chamado “Legião” acaba por evidenciar que as entidades receberam “a permissão de Cristo para entrar numa manada de porcos levada a um abismo”.
Com referência a esse ato de destruição, é interessante voltar à antiga simbologia egípcia. Naqueles tempos, os porcos eram simbolicamente identificados com o Planeta Marte, ou seja, a natureza inferior e passional do ser humano.
Há, aqui, indicação simbólica do poder de Cristo em purificar os seres, enviando as entidades inferiores para o seu próprio elemento inferior, simbolizado na narrativa pela manada de porcos.
Parece quase certo que a cura de obsessões por intermédio de entidades desencarnadas será o ministério de maior importância no setor de cura durante a Nova Era.
S. Paulo aconselha que oremos sem cessar, cobrindo-nos assim da aura protetora da oração. Isso é assaz importante para o aspirante à vida espiritual, uma vez que a legião de pensamentos, palavras e atos negativos, constantemente gerados em nosso Planeta, fica incorporada no plano mais inferior do Mundo do Desejo, podendo perfeitamente obsedar qualquer indivíduo que não foi treinado a controlar ou destruir o seu impacto. Assim, “legião” passa a ser um espelho da luta que se trava no interior de cada ser humano e que só pode ser acalmada pelo poder do espírito unificador e purificador de Cristo-Jesus. A abordagem intelectual dessa situação só poderá frustrar os esforços de melhorar o estado do paciente.
A Filosofia Rosacruz foi dedicada ao mundo ocidental por causa do monopólio exercido pelo intelectualismo sobre os indivíduos dessa parte do globo. Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que é uma dura tarefa para intelectuais cultivar a compaixão, que deve temperar o seu conhecimento e ser o guia, realmente, no uso desse conhecimento.
É isso que o Método Rosacruz de Desenvolvimento pelo Conhecimento Direto almeja por realizar, levando o candidato à compaixão, por meio do conhecimento. Esse método procura cultivar dentro do Aspirante à vida superior as faculdades latentes de visão e audição espirituais, já desde o começo de sua carreira como Aspirante à vida superior. Ensina-o a conhecer os mistérios ocultos do ser e da Natureza e a perceber intelectualmente a unidade de cada um com todos, para que, finalmente, mediante o conhecimento, possa desabrochar dentro dele o sentimento que o que faz um com o Infinito.
Há três passos importantes nesse caminho: o primeiro, quando o Estudante Rosacruz dá o primeiro passo, por meio do estudo persistente, diligente, disciplinado e obediente; o segundo, quando é admitido para o Probacionismo e assume a solene obrigação de servir a Humanidade por meio do sacrifício de sua natureza inferior ao “Eu superior”, ocasião em que a sua aura se mescla com a do Mestre. O próximo passo é o Discipulado: não poderá mais voltar atrás. O caminho do Discipulado foi comparado com a torre de uma igreja – estreita-se gradativamente até o topo, encontrando a solitária cruz.
Aí é o ponto máximo de provação do Aspirante à vida superior e os grandes problemas de disciplina espiritual são dificílimos. No entanto ele deve continuar a trabalhar consciente e inconscientemente “para frente e para cima”, para o grande clímax que na história do mais nobre de todos que tenham percorrido o Caminho do Cristão Místico, foi chamado de Transfiguração.
A Transfiguração representa uma ocorrência, durante a qual um processo de transfiguração se efetua no Corpo do Iniciado. A essência das experiências vividas e a união com o Coração, produzem uma luz radiante que penetra todo o seu Corpo.
Temos agora uma melhor compreensão a respeito da Transfiguração, conforme narrada nos Evangelhos. Devemos lembrar que foram os veículos de Jesus que ficaram temporariamente afetados pelo Espírito de Cristo na Transfiguração. Por isso é que aprendemos na Filosofia Rosacruz que a Transfiguração, de acordo como é revelada na Memória da Natureza, mostra o Corpo do Cristo de um branco deslumbrante, assim evidenciando Sua ligação com o Deus-Pai, o Espírito Universal. Não há nada no mundo tão raro e precioso como aquele extrato do ser humano: o Cristo Interno. E quando cresce ele brilha através do corpo transparente como a Luz do Mundo.
O estudo cuidadoso da vida de Cristo Jesus, conforme relatada pelos Seus Discípulos, S. Mateus, S. Marcos, S. Lucas e S. João, mostrará que Ele deixou a Sua orientação para qualquer tipo de problema que nós, como Aspirantes à vida superior, finalmente encontraremos no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz. Derramando a Sua enorme força espiritual sobre nós, Ele acalma as tempestades do excesso emocional, cura a grande enfermidade que é a ignorância, devolve a visão aos cegos pelo materialismo, expulsa os demônios do ódio e do egoísmo, derrotando o último grande adversário: o medo da morte. Aqui temos o verdadeiro sentido da redenção: a vitória sobre a alienação do ser humano dele mesmo, dos outros e de Deus!
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ de outubro/1975 – Fraternidade Rosacruz-SP)
[1] N.T.: 32Logo que saíram, eis que lhe trouxeram um endemoninhado mudo. 33Expulso o demônio, o mudo falou. A multidão ficou admirada e pôs-se a dizer: “Nunca se viu coisa semelhante em Israel!”. 34Os fariseus, porém, diziam: “É pelo príncipe dos demônios que ele expulsa os demônios”.
[2] N.T.: 28Ao chegar ao outro lado, ao país dos gadarenos, vieram ao seu encontro dois endemoninhados, saindo dos túmulos. Eram tão ferozes que ninguém podia passar por aquele caminho. 29E eis que se puseram a gritar: “Que queres de nós, Filho de Deus? Vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?”30Ora, a certa distância deles havia uma manada de porcos que estava pastando. 31Os demônios lhe imploravam, dizendo: “Se nos expulsas, manda-nos para a manada de porcos”. 32Cristo Jesus lhes disse: “Ide”. Eles, saindo, foram para os porcos e logo toda a manada se precipitou no mar, do alto de um precipício, e pereceu nas águas. 33Os que os apascentavam fugiram e, dirigindo-se à cidade, contaram tudo o que acontecera, inclusive o caso dos endemoninhados. 34Diante disso, a cidade inteira saiu ao encontro de Cristo Jesus. Ao vê-lo, rogaram-lhe que se retirasse do seu território. (Mt 8:28-34)
1Chegaram do outro lado do mar, à região dos gerasenos. 2Logo que Cristo Jesus desceu do barco, caminhou ao seu encontro, vindo dos túmulos, um homem possuído por um espírito impuro: 3habitava no meio das tumbas e ninguém podia dominá-lo, nem mesmo com correntes. 4Muitas vezes já o haviam prendido com grilhões e algemas, mas ele arrebentava os grilhões e estraçalhava as correntes, e ninguém conseguia subjugá-lo. 5E, sem descanso, noite e dia, perambulava pelas tumbas e pelas montanhas, dando gritos e ferindo-se com pedra. 6Ao ver Cristo Jesus, de longe, correu e prostrou-se diante d’Ele, 7clamando em alta voz: “Que queres de mim, Jesus, Filho de Deus altíssimo? Conjuro-te por Deus que não me atormentes! 8“Com efeito, Cristo Jesus lhe disse: “Sai deste homem, espírito impuro! 9 “E perguntando-lhe: “Qual é o teu nome?” Respondeu: “Legião é o meu nome, porque, somos muitos”. 10E rogava-lhe insistentemente que não os mandasse para fora daquela região. 11Ora, havia ali, pastando na montanha, uma grande manada de porcos. 12Rogava-lhe, então, dizendo: “Manda-nos para os porcos, para que entremos neles”. 13Ele o permitiu. E os espíritos impuros saíram, entraram nos porcos e a manada — cerca de dois mil — se arrojou no mar, precipício abaixo, e eles se afogavam no mar. (Mc 5:1-13)
26Navegaram em direção à região dos gerasenos, que está do lado contrário da Galileia. 27Ao pisarem terra firme, veio ao seu encontro um homem da cidade, possesso de demônios. Havia muito que andava sem roupas e não habitava em casa alguma, mas em sepulturas.28Logo que viu a Cristo Jesus começou a gritar, caiu-lhe aos pés e disse em alta voz: “Que queres de mim, Cristo Jesus, filho do Deus Altíssimo? Peço-te que não me atormentes”. 29Cristo Jesus, com efeito, ordenava ao espírito impuro que saísse do homem, pois se apossava dele com frequência. Para guardá-lo, prendiam-no com grilhões e algemas, mas ele arrebentava as correntes e era impelido pelo demônio para os lugares desertos. 30Cristo Jesus perguntou-lhe: “Qual é o teu nome?”. — “Legião”, respondeu, porque muitos demônios haviam entrado nele. 31E rogavam-lhe que não os mandasse ir para o abismo.32Ora, havia ali, pastando na montanha, uma numerosa manada de porcos. Os demônios rogavam que Cristo Jesus lhes permitisse entrar nos porcos. E ele o permitiu. 33Os demônios então saíram do homem, entraram nos porcos e a manada se arrojou pelo precipício, dentro do lago, e se afogou. (Lc 8: 26-33)
O Estudo Bíblico Rosacruz é fundamental para o Estudante Rosacruz a fim de ajudá-lo a equilibrar cabeça-coração, intelecto-coração, razão-devoção, ocultista-místico Cristão.
Sabemos que os eventos na vida de Cristo representam etapas sucessivas no Caminho da Iniciação para os Cristãos (Místicos e Ocultistas) que estão trilhando esse caminho, que na Fraternidade Rosacruz é o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz.
Nesse Estudo vamos detalhar a significância esotérica de mais um Milagre de Cura feito por Cristo-Jesus.
Para saber mais sobre esses assuntos é só clicar aqui: Estudos Bíblicos Rosacruzes: Algumas Significâncias Esotéricas sobre: “Os Endemoninhados Gadarenos”
Você encontra mais material sobre Estudos Bíblicos Rosacruzes para o Evangelho Segundo S. Mateus aqui
Então trouxeram-lhe um endemoninhado cego e mudo. E ele o curou, de modo que o mudo podia falar e ver. Toda a multidão ficou espantada e pôs-se a dizer: “Não será este o Filho de Davi?”. Mas os fariseus, ouvindo isso, disseram: “Ele não expulsa demônios, senão por Beelzebu, príncipe dos demônios”. Conhecendo os seus pensamentos, Cristo Jesus lhes disse: “Todo reino dividido contra si mesmo acaba em ruína e nenhuma cidade ou casa dividida contra si mesma poderá subsistir. Ora, se Satanás expulsa a Satanás, está dividido contra si mesmo. Como, então, poderá subsistir seu reinado? Se eu expulso os demônios por Beelzebu, por quem os expulsam os vossos adeptos? Por isso, eles mesmos serão os vossos juízes. Mas se é pelo Espírito de Deus que eu expulso os demônios, então o Reino de Deus já chegou a vós. Ou como pode alguém entrar na casa de um homem forte e roubar os seus pertences, se primeiro não o amarrar? Só então poderá roubar a sua casa. Quem não está a meu favor, está contra mim, e quem não ajunta comigo, dispersa.” (Mt 12:22-30).
Aqueles engajados no trabalho de cura — os profissionais da saúde, bem como o curador mental e espiritual — estão se tornando cada vez mais conscientes da realidade da “possessão”. Eles estão percebendo que uma entidade desencarnada pode tomar posse parcial ou total do corpo de alguém que vive no plano terrestre. A medicina tem vários nomes para tal condição: neurose, psicose, esquizofrenia… E usa vários tipos de tratamentos para efetuar a cura. Em alguns casos, a entidade que causou obsessão parcial pode ser desalojada por meios físicos, mas o curador espiritual tem a verdadeira chave para a dificuldade.
Cristo Jesus, Mestre expoente do Amor Divino, naturalmente tinha o poder de afastar os “demônios” ou “diabos” de sua vítima, como está registrado, muitas vezes, nos Evangelhos. Seu nome pode ser usado ainda hoje para comandar esses seres rebeldes, por aqueles qualificados a fazê-lo. Tais casos devem servir como advertências impressionantes para “aqueles que têm ouvidos para ouvir” — advertências contra a vida negativa que torna a pessoa suscetível à obsessão parcial ou completa. Não há perda mais terrível do que a do Corpo Denso para outra entidade e isso só pode acontecer pela transgressão séria das Leis de Deus.
No incidente relatado acima encontramos, novamente, os fariseus reacionários, aqueles opositores astutos do novo regime de Cristo, buscando alguma razão para acusar o novo Mestre de transgredir a lei sacerdotal, para que O afastassem do povo. Entre si, eles inventaram a acusação de que Ele usou o poder de “Beelzebu, príncipe dos demônios”, para efetuar Seus resultados.
Mas, Cristo Jesus conhecia seus pensamentos, o que deve ter espantado seus acusadores nesse e em muitos outros casos semelhantes, e começou a usar Sua lógica soberba para responder à acusação deles (Podemos notar, de passagem, que esse poder do Mestre de ler pensamentos era uma indicação de uma faculdade que eventualmente será possuída por todas as pessoas. Observamos uma percepção crescente desse poder em nosso mundo moderno, mesmo entre os cientistas materialistas). Ele ensinou a doutrina indiscutível de que “Se uma casa estiver dividida contra si mesma, essa casa não poderá subsistir.” (Mc 3:25). Muitas vezes ouvimos nessa afirmação a necessidade de unidade no plano material, mas o significado mais vital é de natureza espiritual: “Aquele que não está comigo está contra mim” significa que deve haver uma dedicação completa à vida espiritual, para que o verdadeiro progresso possa ser efetuado no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de outubro/1978 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
(*) A pintura é de Gustave Doré