Os importantes passos da vida de nosso Salvador, Cristo, conforme narrados pelos Evangelhos, compõem o esquema geral de Iniciação para nós, enquanto desenvolvemos gradualmente o Espírito do Cristo em nosso interior, o Cristo Interno.
Os Evangelhos descrevem dramaticamente e em símbolos os incidentes que serão encontrados no Caminho da Santidade.
Havia três seres dentre os Discípulos mais íntimos do Cristo que haviam alcançado o pináculo da Iniciação. E os Evangelhos contêm um maravilhoso relato de seu elevado contato com a Memória da Natureza. Os três Discípulos eram: João, o bem-amado, ou, em outras palavras, o mais avançado; Tiago, o primeiro a sacrificar sua vida pelos preceitos da nova Religião instituída pelo seu Mestre, e Pedro, a Rocha, simbolizando o poder da fé e das obras, sobre as quais a Religião Cristã foi estabelecida. Estudamos nos Evangelhos que “Cristo Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago, e os levou, em particular, a um alto monte” (Mt 17:1). Aprendemos na Filosofia Rosacruz que esse é um termo místico significando a Iniciação.
Já, na Fraternidade Rosacruz aprendemos que podemos colher todas essas informações mencionadas através da visão espiritual e contato pessoal com a Região do Pensamento Concreto, na qual o Iniciado pode examinar as verdadeiras gravações feitas na Memória da Natureza.
Um dos mais importantes pontos desse relato é que os Discípulos averiguaram, durante a sua Iniciação, a realidade do Renascimento, uma vez que Moisés e Elias eram expressões de um mesmo espírito. Esse fato ilustrava o que o Cristo havia lhes dito a respeito de S. João Batista: “Esse é Elias, que devia vir” (Mt 17:10).
Dessa forma, fica mais e mais aparente que o Cristo ensinava reservadamente aos seus Discípulos o fato do Renascimento. Porém, essa doutrina deveria constituir um ensinamento esotérico por muito tempo, conhecido somente de alguns pioneiros. É da maior significação que o trabalho real de Cristo Jesus começou após a Transfiguração, quando preparou setenta e duas pessoas como mensageiras e as enviou em grupos de dois para cada lugar aonde Ele pretendia ir.
Nos lugares onde essas pessoas eram bem recebidas, deviam ficar, curar os enfermos e pregar as boas novas. Quando não as recebiam, deveriam “sacudir o próprio pó das suas sandálias” (Mt 10:14 e Lc 9:5). O Evangelho Segundo S. Lucas relata que as pessoas retornaram contando com muita alegria: “Senhor, até os demônios se sujeitaram a nós por causa de Teu Nome” (Lc 10:17).
O poder de ordenar aos demônios constituía o ponto central do ministério de Cristo Jesus. O Novo Testamento encontra-se repleto de narrativas alusivas ao demônio, a força do mal. Há frases nas quais são mencionados os termos: mensageiros de Satanás, o pai da mentira, o Anticristo, o iníquo, o adversário e o destruidor. Toda essa nomenclatura mostrando a existência cósmica do poder do mal. Podemos ter certeza, dessa forma, que o mal existe na realidade e que é de natureza pessoal, tendo, naturalmente, efeitos sobre nós como indivíduos.
Um dos aspectos mais impressionantes relativo ao enorme interesse por temas do pseudo-ocultismo é que pessoas que firmemente negam a existência de Deus, acreditam e parecem profundamente impressionadas com o demônio. Devemos completar essa ideia mencionando o fato de que o demônio não é, em absoluto, uma invenção da Religião Cristã. Uma das formas mais persistentemente em evidência, um ser portador de chifres, asas e garras – data pelo menos de épocas tão remotas como a antiga Mesopotâmia.
Pode-se observar, em nossos tempos, uma onda de fascinação exercida pelas forças invisíveis. O nosso mundo e a nossa arte sentem o impacto de cultos mais ou menos satânicos, sessões envolvendo bruxas e bruxaria e, como é de conhecimento de todos, drogas.
Parece de pouca consistência em nosso mundo supercientífico e supertecnológico, o exame, e reexame, tanto pelo público, como pelas elites intelectuais, das forças malignas invisíveis e suas manifestações.
Esse interesse também se reflete em nossos veículos de comunicação. A publicação de obras literárias e filmes como “O Exorcista” servem de indicadores seguros do grau de interesse pela atuação dos espíritos malignos.
Assim sendo, pode não ser coincidência o fato dos autores dos Evangelhos terem distinguido a obsessão dos outros tipos de doenças curadas. Como se sabe, grande parte das curas efetuadas por Cristo Jesus foram desse tipo. Entre as curas individuais realizadas, conforme o Novo Testamento, sete envolviam pessoas obsidiadas por demônios: cinco homens, um menino e uma menina. Em cada um desses casos, o Cristo usava de métodos específicos e diferentes para a obtenção da cura, ponto merecedor de estudo detalhado do aspirante aplicado.
Em primeiro lugar, é de se notar que todas as entidades obsessoras reconheciam o Cristo, avaliavam seu poder sobre elas e se lhe declararam sujeitas sem opor resistência (Mc 1:23-26).
Esse primeiro relato de exorcismo refere-se a um incidente ocorrida num domingo em Cafarnaum, na Galileia, no interior da Sinagoga, enquanto o Cristo ensinava.
Relata o Evangelho: “E estava na sinagoga um homem com um espírito imundo, o qual exclamou dizendo: Ah! Que temos contigo Jesus Nazareno? Vieste destruir-nos? Bem sei quem és, o Santo de Deus. E repreendeu-o Jesus dizendo: Cala-te e sai dele. Então o espírito imundo convulsionando-o, e clamando, com grande voz, saiu dele.” (Lc 4:34-35 e Mc 1:24-26). Essa cura foi espontânea e, sem dúvida, surpreendente para a multidão da sinagoga. O demônio não suportou as altas vibrações da Santa Presença e foi obrigado a se revelar, encontrando assim o destino relatado.
No Evangelho Segundo S. Mateus, Capítulo 9 e versículos de 32 a 34[1] há o caso do endemoninhado surdo e mudo, cujos órgãos vocais e auditivos estavam sendo controlados por uma entidade. Imediatamente após o afastamento dela, o indivíduo recuperou a sua fala, voltando ao normal. Porém, isso agradava aos fariseus! Dizem eles: “Ele ordena aos demônios, pelo poder do Príncipe dos demônios” (Mt 12:34, Mc 3:22 e Lc 11:15).
O livro e o subsequente filme “O Exorcista” mereceram primeiras páginas na imprensa por um longo tempo, e muitas pessoas ficaram horrorizadas por saber que se tratava de um caso autêntico de obsessão na vida real.
Existe, porém, uma narrativa de um ato de exorcismo extraordinário contido nos Evangelhos e é de se admirar que tal incidente não consiga horrorizar ninguém não havendo até hoje um escritor bastante interessado em tecer um amplo comentário a respeito, o que traria à realidade, para os seres humanos de hoje, o tremendo poder à disposição do Cristo.
E o mais impressionante ato de exorcismo relatado na Bíblia é o do homem de Gadera – também escrito como Geraseno ou Gadareno –, cujos obsessores identificaram-se a si mesmos como “legião”. Essa cura deve ter particular importância, uma vez que três dos evangelistas, S. Mateus, S. Marcos e S. Lucas escreveram a respeito, ainda com pequenas diferenças nas ênfases dos relatos[2].
O incidente ocorreu num dia em que o Cristo e os Discípulos decidiram atravessar para a costa Oeste do Lago de Tiberíades. A área se compunha, em sua maioria, de pedras calcárias dispostas em penhascos pontilhados de cavernas, lugar em que se costumava sepultar os mortos.
Quando o pobre homem obsedado avistou Cristo Jesus, veio correndo e se prostrou diante d’Ele gritando “O que temos a haver contigo Filho do Altíssimo? Não nos atormente”. Cristo Jesus reconheceu de imediato o grande mal que havia naquele homem e ordenou: “Saia desse homem espírito imundo”. Em seguida formulou uma pergunta que poderia parecer até irrelevante: “Qual é o seu nome?”. A resposta foi: “É legião, porque somos muitos”.
Há vários pontos a serem considerados nesse relato de exorcismo. O mais importante é que imediatamente após o afastamento das entidades obsessoras, o ser voltava de imediato à condição de ser humano normal. Do ser bestial, demente, cuja presença afastava a todos, surgia o ser humano absolutamente normal e comum, que só rogava a Ele e a seus Discípulos que ficassem com ele. O Cristo disse, porém, que era mais útil levar o conhecimento dessa cura para o seu círculo de amigos como testemunho da dádiva recebida por ele de Deus. Tarefa não muito fácil, de fato, pois a família e os amigos representam, às vezes, a maior dificuldade a ser enfrentada por aquele que foi purificado pelo amor de Cristo, e quer segui-lo.
O Cristo instruía Seus Discípulos num método muito avançado de exorcismo. Mostrava-lhes que tão logo o exorcista estivesse de posse do nome da entidade, ela se encontrava debaixo de Seu poder. Nesse tipo de exorcismo os Discípulos recebiam instruções reservadas sobre o poder das vibrações contidas em nomes e como ele deveria ser usado nas curas comuns ou no exorcismo, bem como para finalidades superiores a outros.
O relato bíblico envolvendo o demônio chamado “Legião” acaba por evidenciar que as entidades receberam “a permissão de Cristo para entrar numa manada de porcos levada a um abismo”.
Com referência a esse ato de destruição, é interessante voltar à antiga simbologia egípcia. Naqueles tempos, os porcos eram simbolicamente identificados com o Planeta Marte, ou seja, a natureza inferior e passional do ser humano.
Há, aqui, indicação simbólica do poder de Cristo em purificar os seres, enviando as entidades inferiores para o seu próprio elemento inferior, simbolizado na narrativa pela manada de porcos.
Parece quase certo que a cura de obsessões por intermédio de entidades desencarnadas será o ministério de maior importância no setor de cura durante a Nova Era.
S. Paulo aconselha que oremos sem cessar, cobrindo-nos assim da aura protetora da oração. Isso é assaz importante para o aspirante à vida espiritual, uma vez que a legião de pensamentos, palavras e atos negativos, constantemente gerados em nosso Planeta, fica incorporada no plano mais inferior do Mundo do Desejo, podendo perfeitamente obsedar qualquer indivíduo que não foi treinado a controlar ou destruir o seu impacto. Assim, “legião” passa a ser um espelho da luta que se trava no interior de cada ser humano e que só pode ser acalmada pelo poder do espírito unificador e purificador de Cristo-Jesus. A abordagem intelectual dessa situação só poderá frustrar os esforços de melhorar o estado do paciente.
A Filosofia Rosacruz foi dedicada ao mundo ocidental por causa do monopólio exercido pelo intelectualismo sobre os indivíduos dessa parte do globo. Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que é uma dura tarefa para intelectuais cultivar a compaixão, que deve temperar o seu conhecimento e ser o guia, realmente, no uso desse conhecimento.
É isso que o Método Rosacruz de Desenvolvimento pelo Conhecimento Direto almeja por realizar, levando o candidato à compaixão, por meio do conhecimento. Esse método procura cultivar dentro do Aspirante à vida superior as faculdades latentes de visão e audição espirituais, já desde o começo de sua carreira como Aspirante à vida superior. Ensina-o a conhecer os mistérios ocultos do ser e da Natureza e a perceber intelectualmente a unidade de cada um com todos, para que, finalmente, mediante o conhecimento, possa desabrochar dentro dele o sentimento que o que faz um com o Infinito.
Há três passos importantes nesse caminho: o primeiro, quando o Estudante Rosacruz dá o primeiro passo, por meio do estudo persistente, diligente, disciplinado e obediente; o segundo, quando é admitido para o Probacionismo e assume a solene obrigação de servir a Humanidade por meio do sacrifício de sua natureza inferior ao “Eu superior”, ocasião em que a sua aura se mescla com a do Mestre. O próximo passo é o Discipulado: não poderá mais voltar atrás. O caminho do Discipulado foi comparado com a torre de uma igreja – estreita-se gradativamente até o topo, encontrando a solitária cruz.
Aí é o ponto máximo de provação do Aspirante à vida superior e os grandes problemas de disciplina espiritual são dificílimos. No entanto ele deve continuar a trabalhar consciente e inconscientemente “para frente e para cima”, para o grande clímax que na história do mais nobre de todos que tenham percorrido o Caminho do Cristão Místico, foi chamado de Transfiguração.
A Transfiguração representa uma ocorrência, durante a qual um processo de transfiguração se efetua no Corpo do Iniciado. A essência das experiências vividas e a união com o Coração, produzem uma luz radiante que penetra todo o seu Corpo.
Temos agora uma melhor compreensão a respeito da Transfiguração, conforme narrada nos Evangelhos. Devemos lembrar que foram os veículos de Jesus que ficaram temporariamente afetados pelo Espírito de Cristo na Transfiguração. Por isso é que aprendemos na Filosofia Rosacruz que a Transfiguração, de acordo como é revelada na Memória da Natureza, mostra o Corpo do Cristo de um branco deslumbrante, assim evidenciando Sua ligação com o Deus-Pai, o Espírito Universal. Não há nada no mundo tão raro e precioso como aquele extrato do ser humano: o Cristo Interno. E quando cresce ele brilha através do corpo transparente como a Luz do Mundo.
O estudo cuidadoso da vida de Cristo Jesus, conforme relatada pelos Seus Discípulos, S. Mateus, S. Marcos, S. Lucas e S. João, mostrará que Ele deixou a Sua orientação para qualquer tipo de problema que nós, como Aspirantes à vida superior, finalmente encontraremos no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz. Derramando a Sua enorme força espiritual sobre nós, Ele acalma as tempestades do excesso emocional, cura a grande enfermidade que é a ignorância, devolve a visão aos cegos pelo materialismo, expulsa os demônios do ódio e do egoísmo, derrotando o último grande adversário: o medo da morte. Aqui temos o verdadeiro sentido da redenção: a vitória sobre a alienação do ser humano dele mesmo, dos outros e de Deus!
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ de outubro/1975 – Fraternidade Rosacruz-SP)
[1] N.T.: 32Logo que saíram, eis que lhe trouxeram um endemoninhado mudo. 33Expulso o demônio, o mudo falou. A multidão ficou admirada e pôs-se a dizer: “Nunca se viu coisa semelhante em Israel!”. 34Os fariseus, porém, diziam: “É pelo príncipe dos demônios que ele expulsa os demônios”.
[2] N.T.: 28Ao chegar ao outro lado, ao país dos gadarenos, vieram ao seu encontro dois endemoninhados, saindo dos túmulos. Eram tão ferozes que ninguém podia passar por aquele caminho. 29E eis que se puseram a gritar: “Que queres de nós, Filho de Deus? Vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?”30Ora, a certa distância deles havia uma manada de porcos que estava pastando. 31Os demônios lhe imploravam, dizendo: “Se nos expulsas, manda-nos para a manada de porcos”. 32Cristo Jesus lhes disse: “Ide”. Eles, saindo, foram para os porcos e logo toda a manada se precipitou no mar, do alto de um precipício, e pereceu nas águas. 33Os que os apascentavam fugiram e, dirigindo-se à cidade, contaram tudo o que acontecera, inclusive o caso dos endemoninhados. 34Diante disso, a cidade inteira saiu ao encontro de Cristo Jesus. Ao vê-lo, rogaram-lhe que se retirasse do seu território. (Mt 8:28-34)
1Chegaram do outro lado do mar, à região dos gerasenos. 2Logo que Cristo Jesus desceu do barco, caminhou ao seu encontro, vindo dos túmulos, um homem possuído por um espírito impuro: 3habitava no meio das tumbas e ninguém podia dominá-lo, nem mesmo com correntes. 4Muitas vezes já o haviam prendido com grilhões e algemas, mas ele arrebentava os grilhões e estraçalhava as correntes, e ninguém conseguia subjugá-lo. 5E, sem descanso, noite e dia, perambulava pelas tumbas e pelas montanhas, dando gritos e ferindo-se com pedra. 6Ao ver Cristo Jesus, de longe, correu e prostrou-se diante d’Ele, 7clamando em alta voz: “Que queres de mim, Jesus, Filho de Deus altíssimo? Conjuro-te por Deus que não me atormentes! 8“Com efeito, Cristo Jesus lhe disse: “Sai deste homem, espírito impuro! 9 “E perguntando-lhe: “Qual é o teu nome?” Respondeu: “Legião é o meu nome, porque, somos muitos”. 10E rogava-lhe insistentemente que não os mandasse para fora daquela região. 11Ora, havia ali, pastando na montanha, uma grande manada de porcos. 12Rogava-lhe, então, dizendo: “Manda-nos para os porcos, para que entremos neles”. 13Ele o permitiu. E os espíritos impuros saíram, entraram nos porcos e a manada — cerca de dois mil — se arrojou no mar, precipício abaixo, e eles se afogavam no mar. (Mc 5:1-13)
26Navegaram em direção à região dos gerasenos, que está do lado contrário da Galileia. 27Ao pisarem terra firme, veio ao seu encontro um homem da cidade, possesso de demônios. Havia muito que andava sem roupas e não habitava em casa alguma, mas em sepulturas.28Logo que viu a Cristo Jesus começou a gritar, caiu-lhe aos pés e disse em alta voz: “Que queres de mim, Cristo Jesus, filho do Deus Altíssimo? Peço-te que não me atormentes”. 29Cristo Jesus, com efeito, ordenava ao espírito impuro que saísse do homem, pois se apossava dele com frequência. Para guardá-lo, prendiam-no com grilhões e algemas, mas ele arrebentava as correntes e era impelido pelo demônio para os lugares desertos. 30Cristo Jesus perguntou-lhe: “Qual é o teu nome?”. — “Legião”, respondeu, porque muitos demônios haviam entrado nele. 31E rogavam-lhe que não os mandasse ir para o abismo.32Ora, havia ali, pastando na montanha, uma numerosa manada de porcos. Os demônios rogavam que Cristo Jesus lhes permitisse entrar nos porcos. E ele o permitiu. 33Os demônios então saíram do homem, entraram nos porcos e a manada se arrojou pelo precipício, dentro do lago, e se afogou. (Lc 8: 26-33)
Resposta: Em cada um dos quatro Evangelhos vemos que Cristo pregou o Evangelho da saúde. Curou a todos os que chegaram a Ele e enviou aos seus Discípulos ao mundo com dois mandamentos: Pregar o Evangelho e Curar ao Enfermo.
Estes dois mandamentos são dados também aos Rosacruzes, que são médicos da alma, porque a enfermidade se manifesta primeiro no Corpo Vital, que é o veículo da alma, e a cura se manifesta mais por meio deste veículo invisível aos olhos físicos.
Durante o sono, quando nos libertamos do nosso Corpo Denso e podemos funcionar nos Mundos espirituais, a cura é mais rapidamente adquirida. Os Estudantes Rosacruzes, a partir do nível de Probacionistas, podem ser treinados para esse trabalho particular.
Vamos aqui contar um evento que ocorreu em Mount Ecclesia, lá pelos idos de setembro de 1914:
“Você não pode me vender vinte e cinco libras de sua farinha de trigo integral?”, disse uma vozinha melancólica, vinda de uma jovem que parou com o seu cavalo em frente ao prédio da Administração; “Mamãe está doente, e não há outra ajuda para ela.” A falante era filha de um homem de Oceanside, cuja esposa sofreu por muitos anos de constipação crônica (que é uma condição caracterizada por dificuldade persistente em evacuar, com fezes duras e ressecadas, e sensação de bloqueio no trato gastrointestinal inferior), a quem o médico havia dito que havia apenas um remédio para ela, ou seja, ir para outro lugar; ele havia esgotado toda sua habilidade com ela e não podia fazer mais nada. Algum tempo antes, dissemos ao homem para usar farinha de trigo integral e, como resultado, sua filha nos disse que sua mãe estava bem desde então. Mas o único empório em Oceanside não encomenda farinha de trigo integral moída para ninguém, exceto quando recebe um pedido grande de Mount Ecclesia. Como consequência, o suprimento da família não pôde ser reposto e o problema retornou. A menina também nos disse que toda a família se sentiu muito melhor desde que eles adotaram a dieta que havíamos prescrito para sua mãe, e é claro que não podíamos nos recusar a dar a farinha, embora nosso próprio suprimento estivesse escasso. Também demos a ela um remédio para aliviar a condição em que a mãe se encontrava, e ela foi embora feliz.”.
Estamos dizendo isso para que você saiba algo sobre como fazemos a cura. Não é totalmente uma questão espiritual. Usamos meios físicos, sempre que possível. Há momentos até mesmo em que enviamos nossos pacientes a um médico para que eles possam obter alívio rápido dele por um certo tratamento, que não podemos dar tão prontamente por outros métodos.
A dieta dos pacientes também recebe atenção cuidadosa, pois naturalmente, como o Corpo Denso é construído de substâncias físicas (Sólidos, Líquidos e Gasosos), estamos fornecendo “remédios” por meio do alimento certo. Mas, além disso, a cura é realizada pelos Irmãos Maiores, por meio de um grupo de Auxiliares Invisíveis, que eles estão instruindo.
Quem, então, são esses Auxiliares Invisíveis? Seria a próxima pergunta; e a isso podemos responder que eles são Probacionistas ativos, fiéis e Cristãos que durante o dia vivem uma vida digna de utilidade e, assim, se adaptam ou ganham para si o mérito de poderem ser úteis por meio da instrumentalidade dos Irmãos Maiores à noite, quando estão dormindo. Esses Probacionistas são reunidos em grupos de acordo com as Leis de Compatibilidade e de Receptividade Sistemática e, claro, de suas habilidades. Eles estão sob a instrução de outros Probacionistas que são profissionais da saúde (médicos, médicas, enfermeiros, enfermeiras, terapeutas e afins), e todos eles trabalham sob a orientação dos Irmãos Maiores, que naturalmente são os que lideram todo o trabalho. Certas qualificações são necessárias antes que esse grupo de Auxiliares Invisíveis possa trabalhar com um paciente. Em primeiro lugar, eles devem ter parte do eflúvio do Corpo Vital do paciente.
Isso é obtido fazendo com que o paciente escreva, toda semana, uma data (na “Data de Cura”) e uma assinatura, podendo, adicionar uma pequena carta consistindo de algumas palavras ou algumas linhas com caneta à base de tinta nanquim líquida que tem uma ponteira em forma de uma fenda cônica ou paralela no centro (que serve para transportar a tinta para baixo) – ou uma caneta tipo “mosquitinho”, que é conhecida como canetas bico de pena, que utilizam uma ponteira chamada de pena para imitar o efeito da escrita do antigo bico de pena); isso garante a gravação do eflúvio do Corpo Vital no papel em uma quantidade adequada para permanecer por mais de um mês em um grau suficiente para poder ser “lido”. Isso é importante, pois o eflúvio do Corpo Vital é um condutor maior de magnetismo e eletricidade do que se um lápis ou outro tipo de caneta fosse usado. O Éter, que assim impregna o papel no qual o paciente escreve semana após semana, dá uma indicação de qual é a condição naquele momento específico e fornece uma chave de entrada para o organismo do paciente. É algo que ele deu voluntariamente e com o propósito expresso de fornecer acesso para os Auxiliares invisíveis. Sem que o paciente faça sua parte a esse respeito, os Auxiliares Invisíveis são incapazes de fazer qualquer coisa com ele ou ela; por isso que é da maior importância manter as assinaturas semanais e o envio ao fim das Datas de Cura do mês para o Departamento de Cura da Fraternidade Rosacruz.
Os Auxiliares Invisíveis também são obrigados a fazer algo semelhante e pelo mesmo motivo. No momento em que assumem o compromisso, eles juram naquele casamento místico dos “Eu superior” e “eu inferior” que dedicarão suas vidas, na medida em que forem consistentes com seus deveres no mundo, para ajudar a Humanidade; e por esse voto eles ficam sob a proteção dos Irmãos Maiores, que estão na mesma posição em relação a essa dupla: o “Eu superior” e o “eu inferior”, sendo assim que os Irmãos Maiores concordam em preservar a integridade da união, desde que as condições sejam mantidas.
Uma das obrigações que os Probacionistas ativos, fiéis e Cristãos assumem é enviar a cada mês à Mount Ecclesia um relatório dos Exercícios que realizaram, e esse relatório, se escrito em caneta à base de tinta nanquim líquida que tem uma ponteira em forma de uma fenda cônica ou paralela no centro, absorve os eflúvios de suas mãos diariamente quando entram em contato com o papel e isso fornece aos Irmãos Maiores a chave pela qual eles são capazes de direcionar os Probacionistas durante o sono.
Somos exatamente os mesmos depois que dormimos, como somos durante nossas horas de vigília. Se durante o dia tentamos se esquivar de tudo que deveríamos fazer e não fazemos, a fim de obter tudo para nós mesmos, para cultivar em todas as ocasiões a natureza inferior e seguindo agindo de formas afins a isso, não somos selecionados como Auxiliares Invisíveis só porque simplesmente nos retiramos para dormir à noite; mas se durante o dia nos esforçamos sinceramente e com todo o nosso coração e alma para agarrar cada oportunidade que surge em nosso caminho para servir amorosa e desinteressadamente (portanto, o mais anônimo possível), esquecendo os defeitos dos nossos irmãos e das nossas irmãs, focando na divina essência oculta neles e em nós – que é a base da fraternidade, ou melhor, se procuramos oportunidades para ajudar aos outros — se, em vez de perguntar: “O que posso obter com isso?”, tentamos ver em cada fase da vida uma oportunidade de ajudar; se, em vez de dizer: “Por que devo fazer isso, aquilo ou aquela outra coisa?” aprendemos a dizer: “Se uma coisa tem que ser feita, por que eu não deveria fazê-la?; se aprendermos a considerar todas as coisas como honrosas na linha de trabalho e do serviço e nunca menosprezamos nada como servil, mas estivermos tão prontos para ir e fazer o serviço mais inferior quanto o serviço mais elevado, como o vemos — então também à noite ganharemos a oportunidade de entrar em contato com o trabalho sob a orientação dos Irmãos Maiores nesta gloriosa obra de Cura Rosacruz.
Escrevi este pequeno artigo para responder a uma pergunta que nos chegou de várias fontes. Parece ser a impressão geral de que a Cura Rosacruz é executada por Max Heindel e por Augusta Foss Heindel, mas essa é uma impressão absolutamente errada. Pessoalmente, somos apenas os representantes dos Irmãos Maiores. Mount Ecclesia é o foco por onde eles trabalham, mas são eles que fazem o trabalho. O resto de nós trabalha apenas sob a orientação deles. Claro, no final, reconhecemos também que eles são servos e que, na análise final, é nosso Pai Celestial que é o Grande Médico, e a quem devemos dar todo o louvor.[1]
(Publicado na Revista Echoes from Mount Ecclesia de 10 de setembro de 1914 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
[1] N.T.: Quer saber mais sobre a Cura Rosacruz? Encontre material para estudos aqui: https://fraternidaderosacruz.com/category/cura/como-curam-os-rosacruzes-os-enfermos/
Vamos tratar aqui da Astrologia Rosacruz, como nos fornecida pela Fraternidade Rosacruz, a fim de demonstrar a veracidade da Astrologia Rosacruz, não apenas como Ciência positiva, possível de ser comprovada na vida quotidiana, mas principalmente como Ciência espiritual. Oportunamente, todos poderão verificar que a Astrologia Rosacruz é, na realidade, uma fase da Religião, dela não se podendo separar e, por isso nós, os Estudantes Rosacruzes, a consideramos como sagrada, não a desvirtuando fazendo dela passatempo, nem meio divinatório (ou seja: usada para adivinhação ou aos instrumentos desta prática).
Vamos hoje apresentar uma interessante conferência pronunciada pelo nosso muito estimado Max Heindel, que consideramos como o maior conhecedor de Astrologia Rosacruz, sob o ponto de vista espiritual. Max Heindel jamais profanou os seus conhecimentos de Astrologia Rosacruz, dela se servindo apenas para explicar os “Mistérios” religiosos e para cumprir o sagrado mandamento de Cristo Jesus: “Curar os Enfermos”. Essa é, por certo, a mais recomendável e a mais legítima das aplicações da Astrologia Rosacruz. Mas deixemos esse assunto para quando chegar sua oportunidade e passemos à conferência de Max Heindel:
“Em nossos tempos se começou a considerar a Astrologia como uma superstição, assim como o Clarividente e o Astrólogo são considerados como charlatões, não sem razão, muitas vezes. Na maioria dos veículos de imprensa e mídia se encontram anúncios oferecendo horóscopos que abarquem desde o nascimento até o túmulo, pela ínfima soma de $ 10,00 e, às vezes, até em troca de um selo do correio.
O propósito dessa conferência é mostrar outro aspecto da Astrologia Rosacruz que, geralmente, é desconhecido: mostrar suas possibilidades e limitações.
Há duas classes de Astrologia e duas classes de astrólogos: uns não levantam nunca o horóscopo do solicitante, senão que somente perguntam o mês do nascimento para saber em que Signo estava o Sol quando nasceu a pessoa. Então copiam de um livro ou tomam uma série de doze folhas mimeografadas que correspondem aos doze meses do ano, e que dão a ‘sorte’ da pessoa.
Para qualquer Mente que raciocine é evidente que há mais do que doze classes de pessoas no mundo, e de acordo com esse método haveria completa semelhança de vida no caso de cada doze pessoas, porém sabemos que nem duas pessoas têm as mesmas experiências, que cada vida é diferente de todas as demais e que quaisquer métodos que não façam tais distinções devem ser completamente falso.
O ‘astrólogo’ de $ 10,00 é uma boa pessoa de negócios. Seus horóscopos mimeografados, escritos à mão, desenhados, gastos de correio, etc., não vão além de $ 5,00 ou menos; assim ela tira um bom lucro em cada horóscopo (?). Porém embora seja esse um bom negócio, não é o mais importante. O fato é que quando esses “astrólogos” obtêm a direção de uma pessoa qualquer inexperiente, se aproveitarão para iniciar um negócio muito mais rendoso. De tempos a tempos notificam aos seus clientes que certos fatos futuros irão ocorrer, e que mediante o pagamento de uma certa importância ele poderá revelá-los e ensinar como evitá-los. Continuam assim explorando as suas vítimas, sistematicamente, até que a experiência tenha ensinado a esses pobres ingênuos o valor nulo dessas predições. Essas vítimas são as que depois gritam contra a Astrologia, taxando-a de fraude, de charlatanismo e de loucura.
O método científico exige em primeiro lugar o dia, o mês e o ano do nascimento, pois leva em conta todos os nove corpos celestes do Sistema Solar, e sabe que em cada momento eles ocupam entre si certas posições relativas. A mesma posição não se repetirá outra vez senão depois de um Ano Sideral, que compreende uns 25.868 anos comuns. Assim, se uma criança nascesse hoje, seria necessário esperar uns 25.868 anos antes que pudesse nascer outra com o mesmo horóscopo. Porém esses dados ainda não são suficientes, pois, se calcularmos que em cada segundo nasce uma criança, em um dia teriam nascido 86.400 crianças, cujas experiências na vida seriam iguais, se fosse tomado em consideração apenas a data do nascimento. Por conseguinte, o Astrólogo científico pede também o horário e o lugar do nascimento, além do dia, mês e ano, pois há pessoas que nascem na mesma hora, mas em lugares muito afastadas um do outro; até mesmo os gêmeos podem nascer com diferenças de minutos e mesmo de horas, e isso produz, também, uma grande diferença.
Entretanto, quando duas crianças nascem ao mesmo tempo e no mesmo lugar há também uma semelhança marcada em suas vidas. São conhecidos vários casos desses. Um exemplo bastará: um senhor chamado Samuel Hemmings nasceu no mesmo lugar, em Londres, e na mesma hora e quase no mesmo minuto em que nascia o Rei Jorge III, em 4 de junho de 1738. Estabeleceu-se como negociante em ferragens no mesmo dia em que o Rei Jorge III foi coroado, casou-se no mesmo dia que Sua Majestade, morreram ambos no mesmo momento, e todos os acontecimentos das suas vidas se pareceram uns com os outros. A diferença de estado social impediu que ambos fossem reis, porém no mesmo dia que um era coroado como monarca de um reino, o outro se convertia num homem de negócios independente.
A Astronomia difere da Astrologia tanto quanto a Anatomia da Fisiologia. A Anatomia nos diz onde se encontram os órgãos do Corpo Denso, nos ensina a sua estrutura, e a Astronomia nos informa a respeito dos corpos celestes. Porém compete ao fisiólogo explicar a utilidade das diferentes partes orgânicas do Corpo Denso, porque isso é a única coisa que pode dar valor àquele conhecimento. E assim também é a parte que corresponde à Astrologia: explicar os significados das mudanças das posições relativas dos corpos celestes e a influência que elas possam ter sobre os atos da Humanidade.
Não se necessita de nenhuma argumentação para provar que as condições químicas da atmosfera terrestre durante a manhã diferem das da tarde, ou das do meio-dia. Vemos também as mudanças que se produzem nas diversas estações do ano, e sabemos que são devidas às mudanças de posição do Sol. Todos reconhecem o efeito da Lua sobre as marés. Esses corpos celestes movem-se muito depressa e estão produzindo constantemente mudanças nas condições atmosféricas da Terra. Nos dias de hoje, em que se verificam os extraordinários fenômenos do rádio, não é difícil compreender que outros corpos celestes também produzem seus efeitos. Como já vimos, essas alterações são tão numerosas que as mesmas condições químicas não se repetem senão depois de um intervalo de 25 mil e tantos anos. Vemos, pois, que as condições eletrostáticas da atmosfera quando a criança aspira o seu primeiro alento imprime em cada átomo do pequeno Corpo sensitivo uma característica individual. É como se se carregasse uma bateria elétrica nova, qualquer mudança nas condições atmosféricas afetará esse cérebro diferentemente de todos os demais, porque sua característica ou condição original é distinta da de todos os outros.
Muitas pessoas pensam que a Astrologia Rosacruz é fatalista. Se bem que possa parecer assim à primeira vista, um estudo mais aprofundado demonstrará que essa ideia é errônea, que todas as nossas penas e tristezas são o resultado da ignorância e que o conhecimento poderá prevenir qualquer infortúnio, se for aplicado em tempo. Com o objetivo de compreender a finalidade do nosso livre arbítrio, devemos reconhecer o fato de que o resultado de nossas ações passadas é obtido mediante um tríplice processo de amadurecimento.
Em primeiro lugar, há causas que seguiram o seu curso sem serem modificadas por outros atos, e estão tão próximas de produzir efeitos, que são semelhantes à bala disparada de uma arma: está fora do nosso alcance poder detê-la, e temos de deixar que siga o seu curso, para o bem ou para o mal. A isso se chama em ocultismo uma ‘causa madura’, que produz um Destino Maduro, que pode ser vista claramente no horóscopo quando ele é levantado devidamente. Assim, nem sempre nos será de benefício conhecê-las quando não podemos evitá-las, porém algumas vezes podemos alterar as condições pelas quais essa ‘causa madura’ se esgota a si mesma, e nisso reside a nossa maior esperança. Vemos as nuvens passageiras, sabemos quando terminará a sua fúria, e isso nos dá novas esperanças, que não teríamos a não ser pelo estudo do nosso horóscopo.
A segunda classe de causas gera-se e produz seus efeitos cada dia: é uma espécie de ‘negócio à vista’. Essas causas podem anular-se ou modificar-se, quando se conhece a Astrologia Rosacruz. As tendências individuais também podem ser vistas no horóscopo.
A terceira classe de causas é a que estamos pondo em movimento, porém, que não podemos notar os seus efeitos por agora. Dessas, podemos nos salvar mediante o cuidado apropriado nos últimos anos da vida, e em vidas futuras, quando chega o momento do ajuste das contas.
O horóscopo nos ajudará, mostrando-nos nossas tendências, de maneira tal que possamos ter cuidado nos momentos críticos, trabalhando com todo o nosso poder para aproveitar as boas oportunidades, e fazendo os esforços possíveis para livrar-nos de qualquer tendência adversa.
Para dar um exemplo de como age a Lei de Consequência, com relação às predições, podemos citar alguns casos que conhecemos pessoalmente.
Certa vez, um conferencista muito popular, o Sr. L. que não havia nunca estudado a Astrologia, sentiu interesse por ela e veio pedir que lha ensinássemos. Para que ele tivesse maior interesse, aproveitou-se como base o seu próprio horóscopo, pois dessa maneira ele poderia comprovar as interpretações do passado e chegar assim a uma melhor compreensão do assunto, do que se fosse empregado o horóscopo de qualquer outra pessoa. No curso dos cálculos, se comprovou que o Sr. L. estava sujeito a frequentes acidentes. Figuravam nos cálculos acidentes já passados, com indicação dos dias em que tais acidentes teriam acontecido, o que foi confirmado e impressionou muito o Sr. L.
Depois, viu-se que a 21 de julho de 1906 teria lugar outro acidente que afetaria a parte superior do peito, os braços, o pescoço e a parte inferior da cabeça e, também, que esse acidente se daria no curso de uma viagem curta. Foi, pois, recomendado ao Sr. L. que durante a Lua Nova, que teria lugar naquele dia e que era o fator que produziria o acontecimento, ficasse em sua casa e que também ficasse em casa no sétimo dia posterior, sendo esse último ainda mais perigoso que o primeiro. Ficou ele tão impressionado que prometeu atender ao conselho.
Um pouco antes do tempo crítico escrevemos ao Sr. L. para recordar-lhe o assunto e respondeu ele que se recordava muito bem e que teria todo o cuidado.
A próxima notícia que se teve, por intermédio de um amigo comum, dizia que no dia crítico, 28 de julho, o Sr. L. havia saído para uma viagem à Serra Madre, em um bonde, e que ao cruzar as linhas da estrada de ferro foi o bonde apanhado por um trem. O Sr. L. foi cuspido por uma janela, ficando ferido nas partes indicadas pela predição, sofrendo além disso uma lesão em um tendão, que não havia sido predita.
Era muito difícil compreender, entretanto, como o Sr. L. havia se descuidado da advertência, tendo ficado antes tão impressionado pela realidade do que havia sido predito. A resposta se obteve três meses depois, quando ele pôde escrever-nos. Dizia ele: ‘eu julguei que o dia 28 era 29’. Este é um caso de Destino Maduro, que não podia ser evitado.
Em outra ocasião, prevenimos outras pessoas contra acidentes: elas puderam escapar deles por seguirem as instruções dadas, porém tais pessoas costumam dizer: ‘você acredita mesmo que eu seria atingido se não seguisse os seus conselhos?’. Aí está toda a dificuldade! Ninguém considera uma predição seriamente, senão quando a experiência amarga os atinge, como aconteceu ao Sr. L. Ele nos escreveu depois: “esses acidentes fizeram-me ter um profundo respeito pela Astrologia Rosacruz”. Porém, se a amarga experiência é o único meio que aceitamos para aprender, então tanto pior para nós mesmos.
É uma verdade dizer-se que ‘nenhum homem vive para si mesmo’ (Rm 14:7). Todos nos afetamos uns aos outros e isso também se pode ver no horóscopo. A morte dos pais pode-se ver particularmente no próprio horóscopo, pois aqueles foram a fonte do Corpo Denso em que vivemos; e em geral, quando não se conhece o horário do nascimento, um bom astrólogo pode comprová-la, deduzindo-a dos principais acontecimentos da vida, especialmente se é indicado o tempo em que morreram os pais. O marido e a esposa estão também tão ligados, que os grandes acontecimentos da vida de um se veem no horóscopo do outro.
Há alguns anos prevenimos uma senhora para o perigo assinalado, em seu horóscopo, sobre a ruptura de relações com o seu marido. Eram pessoas da alta sociedade, e as indicações diziam que teriam de desistir de uma viagem, o que ela certificou imediatamente dizendo que realmente tinham planejado uma viagem à Europa, porém, como não tinha nenhuma intenção de abandonar o seu marido, perguntou se, por acaso, não estava ele em perigo de morte. A nossa resposta foi: ‘Pior do que isso!’. Porém como era assunto delicado e ela era uma estranha, não se podia dizer nada mais, salvo que o desastre teria lugar no mês de novembro. No dia 14 desse mês, o marido dela foi sentenciado a cinco anos de penitenciária por haver cometido um crime infame. A viagem foi suspensa e o ostracismo social se fez sentir imediatamente.
Esse caso demonstra particularmente a delicada posição do astrólogo. Ainda que possa ver e deseje ajudar, os convencionalismos o impedem de dizer o que vê. No caso mencionado isso foi evidente. Desejando impedir o sofrimento, não lhe foi possível evitá-lo. Portanto, sustentamos o princípio de que todos devem estudar a Astrologia Rosacruz. Nem o melhor astrólogo, que no fim das contas não é mais do que um estranho, pode olhar tão bem as nossas vidas e a dos nossos queridos como nós mesmos, que conhecemos já muito do caráter deles, nem os convencionalismos seriam obstáculo, como quando acontece quando tratamos com um estranho. Além disso ‘comprar um horóscopo’ não poderá nunca engendrar em nós mesmos a capacidade real de auxiliar os outros, que certamente alcançaríamos com o conhecimento pessoal da Astrologia Rosacruz.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de maio/1978-Fraternidade Rosacruz-SP)