Categoria Desenvolvimento futuro do Ser Humano

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Os Pecados Capitais do Mundo Moderno

Os Pecados Capitais do Mundo Moderno

No livro Ensinamentos de um Iniciado lemos que os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz já concluíram, há tempos atrás, de que o orgulho intelectual, a intolerância e a impaciência com as restrições seriam os pecados do ser humano moderno.

Quando mais criticamente observamos o mundo ao nosso redor e o nosso próprio estado interno, nos admiramos com o prognóstico acurado dos Irmãos Maiores. O intelecto se tornou a ferramenta mais forte para o alcance do poder material. Orgulho intelectual ou amor às próprias conclusões, e próprios ditames é a causa de muita miséria social e muita tristeza e mágoa individual. A intolerância e a impaciência com as restrições também advém do amor ao nosso próprio intelecto, que tomamos como palavra final de sabedoria, equidade e justiça.

A Mente é a nossa mais recente aquisição. Enquanto que o Pai toma conta de nosso Corpo Físico, o Filho de nosso Corpo Vital e o Espírito Santo de nosso Corpo de Desejos nenhum Poder Superior toma conta de nossa Mente. Deverá ser domada e desenvolvida pelo próprio ser humano, sem ajuda exterior.

O intelecto, produto da Mente esplendidamente, fornece condições ao desenvolvimento do egocentrismo, o supremo perigo para o aspirante. Fornece um sentido falso de superioridade que facilmente vira intolerância daquilo de que não aprovamos e que não nos assemelha e que consideramos “abaixo de nossa dignidade”. O intelecto é frio e calculista tentando armazenar mais e mais conhecimento. A Mente avalia as muitas possibilidades de lucro trazidas por um vasto conhecimento ao próprio Ego. Assim o intelecto passa a ser a ferramenta, meta e fonte de motivação do egoísmo poluindo a Mente que se torna egoísta procurando o saber para a glorificação do Ego. A segunda força motivadora, o CORAÇÃO é, por definição, altruísta. Sabemos sobejamente da necessidade de equilibrar essas duas formas de motivação humana, porém, devemos lembrar que um perfeito equilíbrio só será conseguido quando atingido o “status” espiritual de Adepto.

Os que desenvolveram mais o lado do coração não são tão ameaçados pelos “pecados da época” apontados pelos Irmãos Maiores, o orgulho intelectual, a intolerância e a impaciência com as restrições. Servem obediente e eficientemente, sem necessitarem de grandes explicações metafísicas, ou informações científicas super atualizadas; simplesmente seguindo as orientações do Cristo interno, não deixando a sua Mente interferir.

Os que se desenvolvem pelo lado intelectual fazem tudo para servir, para dar vazão ao seu conhecimento, de fato se esforçam ao máximo, porém, enquanto se “esforçam” para servir, ainda não houve progresso de seu lado “coração”. O conhecimento, não cabe dúvida, especialmente hoje, é de grande utilidade. Porém, verifiquemos o uso que as pessoas fazem de seu conhecimento. Pelo uso que a pessoa dá a seu conhecimento que determina se ele está seguindo linhas de desenvolvimento material ou espiritual. Pelo nosso ritual devocional sabemos que a meta do desenvolvimento mental deverá ser a Sabedoria, isso é conhecimento temperado com amor e mesmo o conhecimento oculto de avançada ordem não é Sabedoria, até ser usado em serviço humanitário e num contexto de relacionamento fraternal.
“O conhecimento, a prudência, a discrição e a discriminação são produtos da Mente”. Pois, elas mesmas são armas do mal, e o Cristo nos ensinou a orar ao Pai Nosso para que sejamos guardados. Somente quando essas faculdades nascidas da Mente são temperadas pelo amor é que obteremos a qualidade composta que chamamos de Sabedoria.

Aqui vemos quão importante é desenvolver o amor a Deus e ao semelhante, na mesma proporção que aumentamos o nosso conhecimento. Então, o orgulho intelectual, a intolerância e a impaciência com as restrições não constituirão mais um problema, já que a dádiva espontânea de si mesmo sem reservas, sem amor ao seu pequeno eu, em completa obediência ao poder Superior que nos dirige, destroem o egoísmo. Alguma vez fomos culpados de não aceitar pontos de vista alternativos expressos e que achamos contrários à nossa opinião? Ficamos impacientes com as opiniões manifestadas, estimulados por aquele egoísmo intelectual que não permite questionamento de nossa absoluta competência? Impomos ao nosso grupo que façam as coisas só de nossa maneira?

Usando o nosso lado devocional interno, que está em ligação com Deus através do Cristo Interno, não seremos vencidos pelos perigos apontados pelos Irmãos Maiores e submeteremos a atividade de nossos intelectos ao Ego Superior que a usará no serviço altruísta. A humildade intelectual representará a nossa vitória maior e seremos uma ajuda e não um empecilho à raça humana, exemplos vivos de tolerância que os nossos semelhantes poderão seguir proveitosamente em sua evolução.

(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 09/82 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Uma Verdadeira Transfiguração

Uma Verdadeira Transfiguração

O Caminho Rosacruz compreende sete etapas de desenvolvimento: Estudante Preliminar, Estudante Regular, Probacionista, Discípulo, Irmão Leigo, Adepto e Irmão Maior. A superação de cada um desses estágios corresponde a uma verdadeira Transfiguração.

Durante as primeiras etapas, de Estudante a Probacionista, o Aspirante cursa as matérias básicas e edifica os fundamentos da sabedoria e da disciplina de seus Corpos. Assimilando o valor educativo dos ensinamentos Rosacruzes, adquire a capacidade de direcionar suas energias e talentos a propósitos cada vez mais elevados. Consciente de seus deveres morais e espirituais, procura dominar as forças obscuras de sua vida inferior, até conhecer os primeiros vislumbres da expansão do Eu.

Muitos anos e, às vezes, vidas de trabalho, de sacrifícios e esmorecimentos, de coragem e desânimo, de quedas e levantamentos, de regozijo e desespero, marcam essa fase preparatória. Há momentos de ofuscante luz que sucedem densas trevas, em ciclos de aprendizagem.

Mas, todos os esforços e o progresso obtido são observados desde os Mundos invisíveis pelos exaltados Guias. Um dia, os vislumbres convertem-se em viva realidade, os obscuros contornos da visão de Probacionista, adquirem a nitidez do Discípulo. Surge um ser humano novo em novidade de espírito.

As obras da carne, os zelos excessivos, o amor próprio, a vaidade, o espírito sectarista, ontem propriedades características do ser humano primário, desvanecem-se aos poucos.

Não imaginemos, contudo, que atingido o grau de Discípulo, o novo ser humano entra num período de contemplação estática e absorvente. Pelo contrário, os poderes da ação e do trabalho estão presentes e mais atuantes do que nunca. Seu pensamento permanece ocupado às vinte e quatro horas do dia, com “tudo o que é verdadeiro, honesto, justo, santo, amável e de boa fama” (Filipenses 4-8).

É um novo ser desabrochando. Seus familiares e amigos sentem a força propulsora de sua vontade na dedicação às causas justas e nobres. Beneficiam-se desses esforços admiráveis, dispendidos a custa de, não raro, verdadeiros holocaustos e da extrema renúncia aos frutos do êxito.

Que poderemos, agora, imaginar das três etapas superiores a do: Irmão Leigo, Adepto e Irmão Maior? Iluminados nas transcendentes alturas do Bem, do Belo e do Verdadeiro, são inconcebíveis as vivências e sublimidades de seus Espíritos. Max Heindel nos deixa antever algo da fecundidade de suas vidas: “Os Irmãos Leigos vivem em diferentes partes do mundo ocidental, recebendo uma ou mais Iniciações nas Escolas de Mistérios Menores”. São capazes de abandonar o Corpo Físico conscientemente, para assistir ou participar dos trabalhos no Templo da Ordem Rosacruz. Os Adeptos são graduados de uma Escola de Mistérios Menores, e passaram pela primeira das quatro grandes Iniciações. Segundo os ensinamentos Rosacruzes, o Adepto pode construir novos Corpos físicos por processos ocultos de alquimia espiritual.

Os Irmãos Maiores são graduados das Escolas de Mistérios Menores, e também dos Mistérios Maiores. Seres de sublime espiritualidade fazem parte da Hierarquia Planetária.

É um íngreme caminho a ser percorrido, porém, não há outro mais dignificante. O sofrimento pode vir a ser um companheiro constante nessa gloriosa ascese, surgindo, não obstante, como o prenúncio da morte do velho ser humano.

Max Heindel afirma em sua obra INICIAÇÃO ANTIGA E MODERNA: “O ser humano passa, continuamente, por um processo de purificação, erradicador das substâncias mais inferiores e grosseiras que fazem parte de seus veículos. Com o tempo e mediante a evolução, esse trabalho de espiritualização tornará “nossa carne” transparente e radiante. Radiante como o rosto de Moisés, o corpo de Buda e o Cristo na Transfiguração”.

(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 10/82 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Um Trabalho Sublime: uma obra Aquariana

Um Trabalho Sublime: uma obra Aquariana

Convém, sempre que possível, meditarmos sobre a Fraternidade Rosacruz como uma obra Aquariana. Nesta época difícil, onde até os governantes das nações mais poderosas não escondem sua preocupação e impotência diante das crises, os povos ainda procuram apoiar-se em lideranças ditas carismáticas. É um erro. Vivemos a aurora de novos tempos; a única saída é a somatória de esforços visando o bem coletivo. A figura do líder se extingue aos poucos, dando lugar a mentalidade cooperativista. Não há outro caminho conducente à uma paz duradoura.

Entretanto, somente a pessoa livre interiormente despojada de preconceitos e crenças ultrapassadas mantém-se sintonizadas com as vibrações da nova Idade.

A Fraternidade Rosacruz foi concebida dentro desse espírito futurista. Sua orientação respeita acima de tudo o livre arbítrio de cada um. Procura emancipar o aspirante de toda limitação personalista e dependência externa, objetivando se dar condições de tornar-se um “perfeito cidadão do mundo e um pregador do bem”.

Entenda-se o Movimento Rosacruz não como uma escola onde os aspirantes são dirigidos e guiados cegamente, sem lastro iniciático, senão que reúne princípios superiores, inalteráveis ao nosso esforço Crístico. Ao mesmo tempo, por trás de toda atividade individual ou grupal, há uma ajuda esclarecida, um observador consciente, respeitando-se a liberdade, estimulando-nos, compreendendo-nos como um pai maravilhoso, um pedagogo incomparável: é o Irmão Maior.

A Fraternidade Rosacruz é isso, mas não apenas isso. A Fraternidade não são as Sedes, nem as obras, nem diretorias, se bem que elas sejam instrumentos necessários de ação, com os quais, às vezes, podemos até discordar por motivos pessoais, indiossincrásicos ou coisa que o valha.

A Fraternidade é algo interno, vivente, formado com a aspiração, com o esforço, com o pensamento convergente e harmonioso de todos os seus membros na consecução de um Ideal Superior.

Isso não invalida a Sede Mundial como um suporte físico. Max Heindel, Iniciado pelos Irmãos Maiores, escolheu aquele lugar por saber tratar-se de um dos sete centros espirituais da Terra. Essa escolha favoreceu a difusão do Movimento, de uma forma que não seria possível com apenas os recursos de seus membros.

Além disso, como Max Heindel o testemunhou, a Sede Mundial corresponde a um arquétipo, previamente formado nos planos mentais pelos Irmãos da Rosacruz, com o propósito de fortalecer o nosso ideal até o tempo previsto na Idade Aquariana. Há uma força espiritual mantenedora da Fraternidade, nutrindo-se e fortalecendo-se com o nosso esforço. Entretanto, não depende apenas de nós para a sua sobrevivência.

A Sede Mundial corresponde a um moderno Tabernáculo, com especialíssima missão de fazer florescer no coração da humanidade as bases do Cristianismo Esotérico, a Religião do futuro. Foi engendrada com e por amor. O amor une e edifica. Quem vive em amor vive em Deus e Deus nele.

(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 12/82 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Fraternidade Universal: Acalentemos esse sonho

Fraternidade Universal: Acalentemos esse sonho

Max Heindel nos relata que, em seu esforço de divulgação, sempre encontrava boa receptividade nos jornais. Quando seus artigos abordavam temas como: “Os mundos Suprafísicos”, “Teoria do Renascimento”, Metafísica e Ocultismo em geral, chegavam a merecer dos editores, páginas inteiras. Quando, porém, se discorria sobre a Fraternidade Universal, não raro, iam parar na cesta de lixo, pois o interesse era bem menor.

Naqueles dias sombrios em que se travou a Primeira Guerra Mundial, Max Heindel lamentou também a atitude de alguns membros da Fraternidade, quando expressavam, notoriamente, simpatia por alguma das facções em luta.

Ainda nos dias de hoje nota-se como o sentimento de nacionalidade, o apego à raça, o fanatismo ideológico e o religioso encontram-se arraigados no íntimo das pessoas, tornando-as cegas a realidade. O ser humano não logrou libertar-se totalmente da influência separatista do Espírito de Raça. Mesmo assim houve algum progresso. O trabalho do Cristo, como regente de nossa evolução vem produzindo frutos positivos.

É bem verdade que as guerras continuam, o terrorismo ocupa as manchetes dos jornais, a violência urbana desafia a tudo e a todos, a humanidade permanece cindida entre explorados e exploradores. Mas cresce também a consciência de que isso não pode perdurar. Envidam-se esforços no sentido de manter a paz através de organismos internacionais. O desenvolvimento espantoso dos meios de comunicação e transporte nas últimas décadas reduziu as distâncias, pondo-nos a par dos problemas mundiais com rapidez admirável. As nações, hoje, já formam a chamada “aldeia global”. Estabeleceu-se, entre elas, uma relação de interdependência a ponto de os problemas de uma afetar as outras, de alguma forma.

Quando tomamos conhecimento de uma catástrofe que se abateu hoje sobre algum país, sentimo-nos envolvidos por um sentimento de solidariedade e empatia. Sentimos um incontido desejo de ajudar. Vemos, com satisfação, outras nações mobilizarem pessoas e recursos para aliviar o sofrimento das populações vitimadas.

Se de um lado as lutas prosseguirem, de outro rejubila-nos com a intensificação dos intercâmbios culturais científicos e comerciais entre agrupamentos de ideologias políticas até conflitantes, num esforço por superar diferenças que, na verdade, inexistem. Isso nos deixa esperançoso quanto à realização da Fraternidade Universal, mesmo que em futuro ainda longínquo.

Max Heindel no Conceito Rosacruz do Cosmos nos oferece ensinamentos lapidares sobre a Fraternidade Universal: “A vinda de Cristo preparou o caminho para a emancipação da humanidade para libertá-la da influência dos Espíritos de Raça ou de família, unindo toda a família humana numa Fraternidade Universal”.

“Enquanto amarmos somente a própria família ou nação seremos incapazes de amar aos demais. Rompamos os laços de sangue, ainda limitados pelos laços de parentesco e da pátria; afirmemo-nos e bastemo-nos. Assim poderemos nos converter em servidores desinteressados da humanidade”.

“O ser humano deve primeiramente cultivar um ‘eu’ antes de poder compreender o aspecto superior da Fraternidade Universal, que exprime unidade de propósitos e interesses”.

Cada povo, cada ser humano em particular, tem um incomensurável potencial a oferecer aos demais. Somente essa disposição será capaz de promover uma paz duradoura. Temos muita fé no ser humano, na essência superior que subjaz em seu íntimo. Ela, seguramente, será o fator de sua redenção.

De uma coisa Max Heindel nos assegura: a Fraternidade Universal será erigida sobre as ruínas do egoísmo. Em nossas práticas devocionais não esqueçamos de orar pela paz mundial.

(Revista Serviço Rosacruz – 08/81 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Bem e o Mal: agindo justamente porque é correto

O Bem e o Mal: agindo justamente porque é correto

Para Paracelso o autoconhecimento representava mais do que uma compreensão completa do ser; incluía, também, uma compreensão completa do vir a ser. O que nós somos neste momento – espiritual, moral, mental e fisicamente – é menos do que pode ser e será no futuro.

O Ser Raiz do Universo, disse Paracelso – e, por analogia, o Deus de nosso Sistema Solar – não está, de forma alguma, terminado e completo para sempre. A Divindade está no processo de contínuo vir a ser. Do mesmo modo também está o ser humano. Portanto, o Divino é continuamente criativo, e da mesma maneira o é também o ser humano. O indivíduo, portanto, tem um papel ativo na construção do Universo – um papel que, na terminologia dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, é caracterizado pela palavra “Epigênese”.

Parte do processo do autoconhecimento é a compreensão do problema do bem e do mal, e como se aplica a nós, individualmente. Em que extensão nos esforçamos ao máximo por obter aquele, e em que extensão nós permitimos ser seduzidos por este, em que extensão os aspectos superiores e inferiores de nossas naturezas estão lutando pela posse de nossa submissão; tudo tem grande relação com o que somos.

Jacob Boehme, que devotou considerável atenção aos problemas do bem e do mal e autoconhecimento em geral, anunciou, como postulado, a teoria de que o mal é determinado pela forma na qual o bem vive. “Assim como a luz só está apta a brilhar quando penetra na escuridão, assim o bem só pode nascer quando penetra através de seu opositor. Através dos abismos insondáveis e sem fundo da escuridão, brota a luz; da falta de motivos e carência de fundamentos dos medíocres, nasce o bem. Todo o ser humano tem nele próprio o bem e o mal e no seu desenvolvimento, à medida que passa através das divisões torna-se uma contradição de qualidades, na medida em que um procura vencer o outro”.

Intimamente relacionado com o problema do bem e do mal está o grau de liberdade atualmente possuído pelo Ego. Quão melhor compreendamos quanto somos influenciados pelo mal, e quão verdadeiramente nos devotemos ao bem, melhor será nossa aptidão para avaliar a extensão de nossa liberdade em relação à sujeição.

Como Pitágoras disse, e muitos outros repetiram desde então: a liberdade humana não existe para aqueles que são escravos de suas paixões, ou para aqueles que não acreditam no Espírito ou em Deus. Aqueles vivem no cativeiro do eu inferior; estes vivem na escravidão da inteligência limitada ao Mundo Físico.

O Espírito tutelar da humanidade é a liberdade, continua Pitágoras, porque no momento em que o ser humano percebe a verdade e o erro – ou o bem e o mal – ele é livre para escolher. Ele pode associar-se, conscientemente, com os Elevados Poderes na realização da verdade, ou, expandindo-se no erro, submeterem-se às chicotadas do destino. Todos os Egos, acreditava Pitágoras, percebem intuitivamente, numa certa extensão, um fato que alguns Egos percebem intelectualmente; ou seja, que o mal faz o ser humano descer para a fatal influência da matéria, e o bem é o que o faz subir em direção à Divindade. O seu verdadeiro destino é subir sempre mais alto como resultado de seus esforços próprios, mas para que seja livre para fazê-lo ele deve, também, ser livre para descer ao mais baixo, desde que seus esforços o levem nessa direção. O círculo de liberdade alarga-se até ao infinitamente grande, à medida que o Ego ascende; e encolhe-se até ao infinitamente pequeno à medida que desce.

Quanto mais uma pessoa evolui, mais livre se torna, porque quanto mais penetra na Luz, mais poder para o bem adquire. Em contraste, quanto mais a pessoa desce, mais escravizada se torna, porque cada queda no mal diminui mais a capacidade de compreender a verdade e seguir o bem. O destino, em consequência, reina sobre o passado e a Liberdade sobre o futuro.

Podemos continuar esta linha de pensamento, então, para dizer que só com completo autoconhecimento pode o ser humano elevar-se a uma total liberdade de ação. A ação humana, presentemente, é largamente determinada por motivos. A maior parte dos motivos, como sabemos, são baseados no interesse próprio ou na incorreta suposição da separatividade individual. Aquela rara pessoa que atingiu o autoconhecimento e, assim elevou-se em pensamento do nível do eu individual àquele do Eu Universal, é completamente livre em suas ações. As motivações de separatividade que anteriormente o limitavam, não mais existem. Ele sobe cada vez mais alto, iluminado pela Luz e fortalecido pelo poder espiritual, para fazer o bem.

Ele aprende a exercer a Vontade Universal para o Bem Universal, e fará livremente e espontaneamente, sem nenhum pensamento ou sentimento de interesses conflitantes.
Ele aprende, em outras palavras, a agir justamente porque é correto, e, em assim fazendo, ele sente-se em harmonia com o Ser Universal.

(Revista Serviço Rosacruz – 05/80 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Fraternidade Rosacruz como Impulso Espiritual para o Mundo e os Dez Primeiros Anos de um Século

A Ordem Rosacruz é uma das Sete Grandes Escolas de Mistérios do Ocidente. Seus representantes escolheram Max Heindel como mensageiro de Sua admirável Filosofia, que tem por finalidade lançar luz sobre o lado científico e espiritual dos problemas relacionados a origem e evolução do ser humano e do Universo. Desde a publicação do livro “Conceito Rosacruz do Cosmos” um novo impulso espiritual foi lançado ao mundo, sendo que muitos avanços foram realizados por aqueles que responderam ao mesmo. Entretanto, há ainda muito trabalho para ser feito, e se deixarmos de empregar nossos talentos em prol dessa Grande Obra “o trabalho ficará incompleto e seremos servos improdutivos dos Irmãos Maiores”. Além disso, tal obra necessita de muitos colaboradores e a não ser que tomemos consciência de sua importância e da melhor época para semearmos novas ações que fortaleçam o mencionado impulso, a colheita para o próximo século será pouco produtiva. Vamos ver a importância e papel da Fraternidade Rosacruz no mundo, do período referente aos dez primeiros anos de um século e da responsabilidade de cada Aspirante neste processo.

No meio científico, antes que um novo método possa ser empregado como parte da solução de um problema, requisitos básicos devem ser preenchidos. Dentre estes, dois se destacam:

(1) provas de que o método seja eficaz e eficiente;

(2) e garantias sobre a replicabilidade de seus resultados.

Do mesmo modo, verdadeiros ensinamentos espirituais destinados a contribuir com o avanço espiritual do ser humano devem, antes de serem ministrados à maioria, produzir resultados seguros a uma minoria e, ainda, que as experiências espirituais sejam totalmente subjetivas, sua replicabilidade se refere ao desenvolvimento seguro de todos aqueles que legitimamente seguiram seus procedimentos. A Fraternidade Rosacruz possui e disponibiliza um método espiritual seguro, eficaz e eficiente, capaz de despertar em qualquer Aspirante suas potencialidades latentes em poderes dinâmicos, de modo a torná-lo um verdadeiro Discípulo de Cristo.

O Fundador da Ordem Rosacruz, juntamente com os Doze Irmãos Maiores, realizou profundas pesquisas relacionadas às tendências pelas quais as Mentes da humanidade atual respondem, bem como a provável direção que elas seguirão no futuro. Estas pesquisas indicaram que as principais necessidades espirituais ou fontes de pecado da humanidade provavelmente seriam: “o orgulho intelectual, a intolerância e a impaciência diante das limitações e restrições”. Por isso, um método de desenvolvimento espiritual capaz de satisfazer tanto o exigente intelecto, como o anseio do coração foi desenvolvido, ensinando o ser humano como vencer suas próprias limitações, por meio do autodomínio e da compreensão dos mistérios do ser e do Universo.

Períodos propícios para iniciar um trabalho espiritual como o acima mencionado ocorrem apenas duas vezes durante um século. São exatamente durante as primeiras e sextas décadas de um século que um novo ciclo espiritual dá início, e a possibilidade de pôr em movimento novas forças nesses períodos traz, ao mundo, muitos benefícios que em outros é raro conseguir. Esse é o motivo pelo qual a publicação do método Rosacruz de desenvolvimento ocorreu durante a primeira década do séc. XX. O fato é que estamos presentemente vivenciando os últimos 12 meses relacionados a um novo ciclo como esse e, como representantes do impulso espiritual que a Fraternidade Rosacruz estabeleceu há 100 anos, não há momento mais propício para empregarmos nossos talentos em prol dessa Grande Obra.

O Aspirante sincero pode, neste momento, estar se perguntando qual seria a linha de ação eficaz que poderia auxiliá-lo a fortalecer ainda mais esse impulso. Como o método Rosacruz é ausente de fórmulas prontas ou mestres externos, uma breve recapitulação do caminho pelo qual o ser humano percorreu no passado e das lições que ele deveria ter aprendido durante as Era que viveu pode fornecer direções úteis que o auxilie nessa busca.

Quando Deus criou o ser humano (a Sua Imagem e Semelhança), a humanidade era um Grande Todo e sem a separatividade. Um grande trabalho, então, para que cada ser humano adquirisse uma consciência separada teve início. Para isso, o meio pelo qual isso poderia ocorrer era construindo veículos separados por cujo intermédio seu Espírito poderia se manifestar. O período em que ocorreu esse trabalho é denominado, na Filosofia Rosacruz, como período de “Involução”. Como efeito deste processo, o ser humano foi gradativamente percebendo a realidade do mundo exterior e vislumbrando a diferença entre si, o “eu” e os outros. Então, compreendeu que era separado e, desde então, a consciência do “eu”, o egoísmo, predominou.

No final deste período de Involução o ser humano tinha conquistado uma constituição de Corpos completa e estava apto para iniciar uma nova jornada: a de transformar suas potencialidades divinas latentes em poderes dinâmicos. Este segundo período é denominado, pela Filosofia Rosacruz, de período de “Evolução”. Assim, o ser humano iniciou sua jornada para aprender lições que o tornará uma Grande Inteligência Criadora. Entretanto, tais lições não eram dadas de uma vez, mas seguindo uma espécie de cronograma (ou Eras) que obedece ao movimento de precessão do Sol no Zodíaco.

Além disso, conforme um número mínimo necessário de seres humanos completava seu aprendizado, novas lições eram gradativamente sendo apresentadas. Até o presente, duas Eras foram completamente vivenciadas e uma terceira está chegando ao fim.

Quais são as Eras e suas respectivas lições? As Eras são: Era de Touro, de Áries e de Peixes, e suas lições incluem tanto aprendizado de conceitos e experiências do Mundo Físico (incluído o aprimoramento de seus Corpos e do Planeta Terra como campo de evolução), como o aprendizado espiritual que o ser humano deveria alcançar. Seus detalhes são descritos abaixo.

A primeira Era, ou Era de Touro, tinha o objetivo de tornar o ser humano ainda mais consciente da Região Química do Mundo Físico. Para isso ele deveria conquistar e dominar esta Região, pelo acúmulo de bens materiais e domínio dos elementos químicos que constituem Mundo Físico. Por meio destas lições, incorporou o primeiro e então necessário valor: EU TENHO. A prática espiritual desta Era constituía-se da seguinte maneira: o ser humano separava-se em castas que serviam de Sacerdotes nos Templos (Tabernáculo do Deserto) e buscava o lado oculto das coisas disponíveis apenas a estes (sacerdotes tinham acesso à iniciação e a população geral não; por isso o restante seguia a orientação daqueles e sacrificavam suas melhores posses).

A segunda Era, ou Era de Áries, tinha o propósito de ensinar o ser humano a deixar de TER, e desenvolver a capacidade de SER. Foi-lhe, então, ensinado os conceitos de pioneirismo, iniciativa e ambição. Correlato bíblico desta época refere-se à resposta que Deus deu a Moisés, quando este último não acreditava que poderia influenciar as grandes massas daquela época: Resposta: “EU SOU AQUELE QUE SOU”. “Eis como responderás aos israelitas: EU SOU, envia-me junto de vós.” (Ex 2:12-14). No entanto, nem todos os seres humanos tinham acompanhado o percurso natural da evolução, sendo que o valor EU TENHO estava tão enraizado em sua identidade que se recusava aceitar qualquer nova lição ou convite para dar esse novo passo. O Estudante Rosacruz pode compreender o quão difícil deveria ser deixar esse antigo valor de lado, pois as reminiscências desta Era ainda persistem até os dias atuais. Concomitante a essas novas lições, as condições da Terra estavam mudando e somente àqueles que tinham se adaptado às novas lições espirituais aprenderam a aprimorar seus veículos para sobreviver sobre a nova Terra. Aqueles que persistiam em não dar o próximo passo acabaram por sucumbir e atrasaram todo o progresso da humanidade. O correlato bíblico que descreve essa transição é: “Eles comiam, bebiam, casavam-se e davam-se em casamento”, até ao dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio e consumiu a todos (Lc 17:27). Como ideais espirituais da segunda Era estavam: a justiça, a perfeição, o coração justo e reto. Um exemplo Bíblico destes valores está na seguinte passagem: “Esta é a história de Noé. Noé era um homem justo e perfeito no meio dos homens de sua geração. Ele andava com Deus.” (Gn 6:1-9).

A terceira Era (atual) ou Era de Peixes convida o ser humano a aprender incorporar em seu Ser a compaixão para com seus irmãos e irmãs, o desenvolvimento do senso da unidade com toda a vida, de inspiração e renúncia. Os ideais espirituais que deveria desenvolver era o de serviço, da pureza, do discernimento e da análise. Muitos desses ideais são muito bem promulgados pelo Cristianismo Exotérico das Igrejas. Contudo, novamente, as reminiscências das duas Eras anteriores estavam (e ainda estão) frustrando o desenvolvimento espiritual do ser humano. É isso o que a afirmação “vivemos na Era de Touro e Áries durante a Era de Peixes” quer dizer.

Atualmente, a Era de Peixes está chegando ao fim, sendo possível sentir as influências da quarta Era ou Era de Aquário. Nessa nova Era, será possível dar significados mais lógicos a muitos dos mistérios da vida e do universo. Entretanto, a persistência em conquistar o Mundo Físico, de acumular bens materiais (Era de Touro), da ambição pessoal (Era de Áries) e do egoísmo faz com que as Mentes atuais incorporem tais significados lógicos como “orgulho intelectual, intolerância e impaciência diante das limitações e restrições” dos outros.

A Ordem Rosacruz envia um impulso espiritual diário que estimula, de forma direta e indireta, o desenvolvimento espiritual do ser humano e o influencia contra essas tendências intelectuais egoístas. Por exemplo, o avanço da ciência faz com que os níveis de exigência para novas descobertas sejam tão altos que é praticamente impossível uma pessoa realizá-las sozinha. Ainda que haja muitas Mentes brilhantes coordenando diversos laboratórios experimentais no mundo, tais Mentes sabem que sem a ajuda de uma rede de ação harmoniosa, que conta com o trabalho coletivo de diversos integrantes e parceiros, é impossível atingir progresso. Do mesmo modo, muitas empresas já compreenderam que quanto mais assistência se dá a seus clientes (servindo-os quase que incondicionalmente), mais retorno e maiores probabilidades de vendas ocorrem.

Esse serviço, ainda que não aceito ou percebido por empresários que apenas visam lucros e acumular bens, constitui um preceito básico Cristão: “Aquele que quiser o maior entre vós, seja o servo de todos”. Em nossas vidas pessoais, todas as vezes que sentimos medo ou ambição, e acabamos por acumular riquezas, poderes e bens com a justificativa de termos que estabelecer uma condição financeira estável, dar o melhor para nossos filhos, suprir as necessidades e imprevistos e que temos que acumular para poder gozar de boa vida durante a velhice, indubitavelmente estamos vivendo as lições do passado (Era de Touro e de Áries) no presente.

Obviamente que todos necessitam de bens materiais, de estudo e de bons empregos e não há nenhum problema moral em possuir tudo isso. Entretanto, todas as vezes que nossas ações são direcionadas apenas a esses propósitos, não há como negar que estamos respondendo as reminiscências passadas. O fato é que muitas das dádivas materiais que Deus nos fornece acabam por não ser suficiente para suprir os padrões ilusórios de necessidade e conforto que queremos ter. Uma reflexão sincera sobre quais são os reais motivos que constituem os fatores motivacionais de nossos pensamentos e comportamentos revelará que a astúcia taurina e a ambição ariana estão mais do que presentes em nossas vidas, e representam boa parte do conjunto de nossas ações.

É tempo de responder ao impulso espiritual que nos convida a dar novo significado aos valores da vida, a afinar nossas ações com o propósito do Esquema da Evolução e a perceber que as falhas e restrições de nossos irmãos são, em realidade, nossas próprias falhas. Isto porque o esforço individual terá pouco efeito se não aprendermos a progredir conjuntamente. É uma verdade indiscutível que todas as vezes que auxiliamos nosso próximo, também progredimos na senda do desenvolvimento. Contudo, devemos ir além de um conceito intelectual a respeito das necessidades espirituais do ser humano. Todo esse conhecimento é bastante interessante para brincarmos com nossas Mentes e para fazermos profundas discussões metafísicas com nossos amigos. Porém, esse saber intelectual não nos ajudará no caminho da evolução, a menos que saibamos utilizá-lo na prática. Quando aprendemos um novo ideal espiritual não devemos utilizá-lo apenas algumas vezes ou quando for conveniente. Devemos tratá-lo com profundo respeito e utilizá-lo em todos os momentos de nossas vidas, como parte de nós.

Tão certo como transformações ocorreram no passado, são iminentes as transformações futuras. Tão certo como os pioneiros da Era de Touro foram salvos na “Arca” por terem desenvolvido pulmões necessários para que pudessem respirar sob as novas condições de Áries, tempo virá em que somente aqueles que possuam um Corpo-Alma poderão viver sob as condições da Nova Terra, da qual São João fala no Livro do Apocalipse. É somente por meio do Serviço amoroso e desinteressado que podemos construir esse Corpo-Alma (Lições das Eras de Peixes e Aquário).

Nos próximos 12 meses que constituem o último ano propício para alimentarmos o impulso espiritual, reservemos um tempo em nossos tumultuados dias para empregar nossos talentos e habilidades para elevação de nossos irmãos. O objetivo principal do Aspirante Cristão é (ou deveria ser) alcançar a UNIÃO COM CRISTO. Max Heindel fez um trabalho digno de reverência nos últimos anos que compuseram a primeira década do séc. XX. Esse trabalho despertou novo impulso espiritual e iluminou muitas almas sedentas durante todo o século que passou. Os próximos 12 meses são “momentos de ouro” e temos uma maravilhosa oportunidade para plantar sementes espirituais que florescerão no futuro. Possam nossos esforços ser abundantes neste período e que possamos estar aptos para contribuir com esse abençoado impulso espiritual. Se assim o fizermos, temos a certeza de que um maravilhoso crescimento anímico pessoal e coletivo ocorrerá e, deste modo, poderemos adiantar o dia da libertação de Nosso Senhor.

Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz

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