Os filhos aprendem dos pais as primeiras ideias do bem e do mal, do certo e do errado. Para as crianças, os pais são os modelos de quem aceitam, sem hesitar, os conceitos que mais tarde lhes vão sedimentar o caráter. Eminentemente ensináveis, dóceis e sensitivas, as crianças gravam vividamente as lições e como “vídeo-tape” vão mais tarde relacionando fatos e modelando juízos.
Disse um famoso educador: “Dá-me uma criança até sete anos; a influência que lhe incutirei nesse período será decisiva para o resto de sua existência”. Avaliem, pois, a responsabilidade dos pais perante os Egos (Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui) a quem deram oportunidade de renascer e ajudar. Se de um lado há o fator destino, fazendo com que cada um nasça no lugar mais adequado as suas necessidades internas, por outro lado os pais respondem, perante a Lei de Causa e Efeito, pela forma como educam. Pestalozzi[1] afirmou com muito acerto: “primeiramente é necessário educar os pais”. Seu sentido de educação era integral: intelectual, física e moral.
Sabemos que uma criança, à semelhança de um “iceberg”, revela apenas uma pequena parte de sua natureza. O tema astrológico poderá mostrar as tendências que trouxe ao nascer. Essa é a parte submersa no passado. O “meio ambiente” acrescentará algo mais, modificando ou reforçando os diversos aspectos de seu modo de ser. Educar é tarefa delicada e espinhosa. Não se trata, como vemos, de somente das escolas. É, principalmente, o exemplo dos pais, suas reações perante a vida, seus conceitos etc. Olhos atentos os observam e os imitam. São pequenas lições diárias a influir poderosamente no pai ou mãe de amanhã. De fato, o futuro é a soma de pequenos “agoras”.
Só podemos dar aos filhos o que temos e o que somos. Embora não tenhamos a intenção de prejudicar-lhes a formação, é o que muitas vezes fazemos, por falta de preparo ou só egoísmo.
Vejamos um fato comum e diário: a criança comete um deslize e o pai ou a mãe a corrige. Se a falta trouxe algum prejuízo material (rasgar ou sujar a roupa, gastar sem permissão, estragar qualquer coisa) a mãe fica furiosa e depois de gritar-lhe muito que o dinheiro é duro de se ganhar, que ela é ingrata, etc., põe-se no castigo. Quando a falta implica, porém, em dano moral (mentira, deslealdade, desobediência) o castigo é menor ou nenhum. Então a criança associa as duas coisas e conclui: “O que traz prejuízo material é mais grave. Portanto, o dinheiro é mais importante”.
Admiramo-nos, hoje, de que nossos filhos não se dedicam a espiritualidade deles e julgue muito mais importante ganhar dinheiro, lutar pelo supérfluo, pensar mais em “gozar a vida”? Fomos nós mesmos que lhes incutimos, sem o perceber, esse conceito. E quem sabe se no íntimo de nosso ser essa falha, ainda hoje, nos impede prestar justa colaboração à obra de divulgação e dedicação aos Ensinamentos Rosacruzes? Analisem-se. Vejam se não é verdade.
Este é apenas um dos inúmeros pontos que trazemos do passado. É preciso rever, reanalisar, reexaminar tudo o que temos dentro de nós. Nossas capacidades de análise e o nosso conhecimento das premissas Cristãs, hoje, nos permitem “separar o joio do trigo”, isto é: distinguir o que é bom do que é ruim. Isto foi o que disse Cristo, quando os discípulos, notando a presença do joio entre o trigo, se dispuseram a expurgá-lo: “Agora não, pois, haveria o período de cortarem o trigo, pensando ser joio”[2].
Separar, cortar o errado, o falso em nosso modo de pensar e sentir é tarefa que devemos fazer, quando devidamente orientados por sãos princípios, como os da Filosofia Rosacruz.
Hoje os Estudantes Rosacruzes dedicados podem e devem expurgar o joio, sem esperar que a Lei de Repulsão o faça, contra sua vontade, no estado post-mortem. O que conta em nosso favor, como conquista anímica, é o que realizamos aqui renascidos nessa escola da vida.
E ao mesmo tempo em que nos regeneramos, tanto mais capacitados estaremos para orientar e ajudar nossos semelhantes, a começar por nossos filhos.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – outubro/1966 – Fraternidade Rosacruz – SP)
[1] N.R.: Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827) foi um pedagogista suíço e educador pioneiro da reforma educacional. Pestalozzi foi um dos pioneiros da pedagogia moderna, influenciando profundamente todas as correntes educacionais, e longe está de deixar de ser uma referência. Fundou escolas, cativava a todos para a causa de uma educação capaz de atingir o povo, num tempo em que o ensino era privilégio exclusivo. “A vida educa. Mas a vida que educa não é uma questão de palavras, e sim de ação. É atividade.”.
[2] N.R.: Propôs-lhes outra parábola, dizendo: O Reino dos céus é semelhante ao homem que semeia boa semente no seu campo; mas, dormindo os homens, veio o seu inimigo, e semeou o joio no meio do trigo, e retirou-se. E, quando a erva cresceu e frutificou, apareceu também o joio. E os servos do pai de família, indo ter com ele, disseram-lhe: Senhor, não semeaste tu no teu campo boa semente? Por que tem, então, joio? E ele lhes disse: Um inimigo é quem fez isso. E os servos lhe disseram: Queres, pois, que vamos arrancá-lo? Porém ele lhes disse: Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele. Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: colhei primeiro o joio e atai-o em molhos para o queimar; mas o trigo, ajuntai-o no meu celeiro. (Mt 13:24-30)
Em visões, enquanto eu descansava em minha cama e meditava sobre as coisas reais da vida, vi uma escada luminosa que descia dos céus até a terra, sobre a qual, subindo e descendo, estavam os Espíritos Mestres em seus corpos glorificados; alguns estendiam a mão aos seus irmãos trabalhadores da Terra, ajudando-os a subir na escada sobre a qual eles mesmos se mantinham.
E eu vi uma segunda escada cujo pé parecia estar na Terra, mas era curta e alcançava os Céus, assim como a primeira e luminosa, que era larga, reta e ia do Céu à Terra, tendo seu início do alto — porém a base da segunda escada estava na Terra.
A construção de uma escada era semelhante à da outra, pois eu vi que ambas eram feitas de grandes cruzes — a cabeça de uma cruz estendia-se até o pé da cruz acima, cujos braços estavam firmemente presos a ela, seu pé também estava firmemente preso aos braços da cruz seguinte, tanto acima quanto abaixo de si mesma, formando uma escada larga e com degraus na qual homens e mulheres da Terra subiam para alcançar os Céus.
As duas escadas eram contrapartes uma da outra, pois ambas eram feitas de grandes cruzes, mas a escada luminosa era reta, íngreme e difícil de ser escalada pelos homens e pelas mulheres da Terra sem a ajuda dos Irmãos Maiores, que são os Espíritos Mestres — ao passo que a outra era escura devido às manchas da Terra e tinha sua fundação no topo de uma montanha, onde estavam três cruzes antigas, muito antigas; ao redor da cruz do meio havia um halo de luz semelhante àquele que vinha do alto e envolvia a escada luminosa; a escada escura não era reta como a escada luminosa, mas formava uma espiral que alcançava alturas cada vez maiores à medida que os homens e as mulheres da Terra a construíam.
E os rostos dos homens e das mulheres que traziam as cruzes para serem incorporadas à escada tornavam-se luminosos como os rostos e corpos dos Espíritos Mestres que estavam sobre a escada luminosa e ensinavam ao povo como usar suas cruzes para construir uma escada forte e eficaz.
Enquanto eu observava, vi outros homens e outras mulheres à distância e entre eles havia também muitas crianças cujos rostos estavam muito tristes, com dor e sofrimento estampados em suas feições, de modo que olhavam sempre para baixo e não viam os construtores da escada nem o modo de usar as cruzes pesadas, que estavam ensinando.
E, por serem ignorantes do caminho melhor, continuavam a carregar suas cruzes nas costas e nos ombros, e os fardos eram muito penosos, até que mãos auxiliares se estenderam a eles, dizendo-lhes para trazer seus fardos até o pé da escada e entregá-los à construção. Esses estavam feridos, tomados pela dor, e seus fardos constantemente os faziam tropeçar e cair por terra, mal conseguindo se levantar novamente, depois. No entanto, à medida que continuavam lutando, finalmente se aproximaram do lugar onde a escada estava sendo construída; então eles também aprenderam a usar suas cruzes como um meio de ascender.
Ao ouvirem os Seres Luminosos que lhes diziam como o Mestre, Ele mesmo, queria que construíssem a escada, perceberam que, durante toda a vida, viveram sob uma falsa crença — que não fora o Mestre quem colocara as cruzes sobre seus ombros, mas eles próprios haviam forjado cada um o seu fardo e se apegado às suas próprias crenças erradas; assim, cada um carregava sua própria cruz nas costas — mas o Mestre queria que fossem livres — livres para servir com amor.
Então seus rostos se iluminaram com uma luz interior, seus corpos se endireitaram e eles desprenderam as cruzes de seus ombros, ajudando com entusiasmo a colocá-las no lugar e firmemente amarrá-las para que a escada se elevasse ainda mais. Em seguida, subiram pela escada que haviam ajudado a construir. Com a luz de uma nova alegria em seus rostos, olhavam constantemente para trás enquanto subiam, para ver se alguém precisava de ajuda e para mostrar o caminho àqueles que ainda eram ignorantes. Servir era uma alegria e ensinar era um prazer.
Alguns, que eram fortes e destemidos, passaram da escada em espiral, cuja fundação estava sobre o Monte, para a escada reta e luminosa, cujo início vinha do alto, sendo apoiados e auxiliados pelos Irmãos Maiores, que subiam e desciam à vontade, ocupados com várias missões de serviço útil a seus irmãos e suas irmãs mais jovens.
Gradualmente, muitos aprenderam o caminho, mas não importava quantos subiam pelas duas escadas, pois sempre havia espaço e aqueles que ascendiam aos Céus eram recebidos e saudados pelos Espíritos dos que haviam vencido e se tornado Auxiliares de seus Irmãos. E a luz de uma grande alegria brilhava em todos os seus rostos e através de suas vestes: essa luz era a luz do Cordeiro, Ele mesmo, que também trabalhava entre eles, orientando todos os que necessitavam de conselho.
Ele também tocava com mão piedosa alguma alma sobrecarregada e a mandava olhar para cima para ver como seus irmãos e suas irmãs estavam construindo a escada. Ordenava-lhe que fosse e fizesse o mesmo. Então, seu rosto também se iluminava com uma luz interior e prontamente retirava o fardo das próprias costas para colocá-lo no chão e sobre ele subir para ascender.
À medida que todos aprenderam o caminho melhor, cada um o informou a outro e se tornou um Auxiliar de seus Irmãos. E os muitos tornaram-se uma multidão e a multidão tornou-se uma multidão que ninguém podia contar, cujos rostos brilhavam cada vez mais enquanto cantavam o cântico do cordeiro — digno é o cordeiro que foi morto para receber poder e riquezas, sabedoria, força, honra, glória e bênção (Apo 5:12) … Amém, Amém.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de setembro/1916 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
Prosseguindo em nossas explanações por meio de estudos cosmológicos espirituais, voltemos ao Período de Saturno, quando principiávamos a nossa marcha. Nesse Período surgiram os Grandes Luminares, as Hierarquias Criadoras, que estavam acima desse Globo, e que nos auxiliaram por meio da Luz inferente a Seus Corpos, promovendo uma lenta densificação das partículas desse Globo nascente que, posteriormente, transformou-se em Luz. A nossa alimentação nessa época era constituída de calor e, posteriormente, passou a ser Luz. Se aceitarmos tal fato como verdade, teremos que convir, que essa mesma Luz, ainda hoje, nos serve de alimentação.
Não é possível haver vida sem essa Luz que se encontra tanto dentro, como fora de nosso organismo. Não somos mais tão ingênuos a ponto de acreditarmos que o mundo não seja uma expressão da Luz de Deus, pois “Deus é Luz” (IJo 1:5), da qual tudo foi feito, e que se propaga e tem sua eterna existência.
Assim, toda nossa alimentação é um produto da Luz que produz em nós o calor existente desde os primórdios do Período de Saturno. Esse calor se manifesta em nosso sangue sem o qual, nós, o Ego (o Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui), não teríamos possibilidade de manifestação. Lembremo-nos que o calor do sangue é a nossa posição vantajosa em nossos veículos. Os quatro Éteres que fazem parte da constituição do nosso Corpo Vital estão intimamente ligados à nossa existência física densa (ao Corpo Denso), bem como às funções puramente transcendentais.
Assim compreendemos claramente o seu valor cooperante, intrínseco, desde o Período de Saturno (calor sanguíneo), Período Solar (Luz, transformação de calor em Fogo, concordante com o Éter de Vida, Éter Luminoso e com a formação do sistema nervoso) e, finalmente, o Éter Refletor, que traz ao nosso cérebro físico a percepção do Universo fora de nós. Notamos haver, portanto, um alimento concordante com as quatro modalidades de Éteres que sustentam o organismo humano. Através de etapas, de uma aprendizagem pelos Períodos, Épocas e Revoluções, o ser humano, quando atinge o grau de Adepto no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, consegue dispensar os alimentos desses Períodos, pois, as forças criadoras passam a atuar nele com todo seu potencial.
Por isso nos torna compreensível que o espiritualista tenha que se abster de carne animal (mamíferos, aves, peixes, crustáceos, anfíbios, frutos do mar e afins), procurando uma dieta mais natural, concordante com a finalidade que tem em vista. À nossa disposição estão os alimentos vegetais, as frutas, os legumes, verduras, mel, ovos, leites e afins; todos eles fontes excelentes de energias solares.
Podemos, ainda, juntar o seguinte: O Espírito Universal é um alimento perfeito, como bem o expressou Cristo, o Senhor: “Nem só de pão Vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4:4).
Isso significa que da boca de Deus sai o alento, a Vida que sustenta a todos nós que viemos a este mundo.
Este é o verdadeiro alimento; e outro não há, pois, mesmo apresentando-se sob várias formas e aspectos, o Espírito é “um” e sempre o mesmo. A todo aquele que desejar futuramente habitar nos Céus, ou seja, a Celeste Jerusalém, exorta-se a alimentar-se, desde já, do maná dos céus, isto é, do Espírito.
Deste mesmo Espírito testificam todas as Escrituras Sagradas. Não resta nenhuma dúvida de que aquele que não se alimentar desse “Pão de Vida”, futuramente não terá condições de habitar nas novas condições do próximo Período, pois não será encontrado vestido com suas Vestes Nupciais. Estará, segundo as Escrituras, desnudado.
Expliquemos, portanto, o desenrolar do processo que nos leva a atingir o estágio mencionado por Cristo, com as palavras: “Vós sois deuses” (Sl 82:6). Os deuses vivem no Paraíso, conforme descreve a Bíblia no Gênesis, ao se referir aos seres que constituíam a Humanidade nesta fase, com os nomes simbólicos de Adão e Eva, luzes que existiam antes que o mundo fosse feito, de acordo com as palavras de Cristo em Sua oração sacerdotal. Já mencionamos essa passagem. À Porta desse Paraíso se postam Querubins trazendo em Suas mãos alguns lírios. Isto significa que não podem franquear passagem para esse Reino Celestial àquele que não trouxer em si os lírios espirituais. Aqui não se trata de flores comuns, tampouco de “salvação”, pois já “está salvo” pela Luz Branca e transparente, o que significa que na Alma já não se encontra mácula alguma. Cristo é a Luz e a Porta do Paraíso, no que se vive em perfeita Unidade com o Absoluto. Humanamente não temos outra palavra à disposição para designar o Paraíso, mas temos, internamente, qualidades condizentes com esse estado paradisíaco, conhecido também como a Nova Jerusalém que desce dos Céus para dentro da Alma Humana, conforme as palavras do Apocalipse.
Nesta Nova Jerusalém, o Senhor, a Nova Alma, ceia conosco em uma Mesa, do mesmo manjar. Cristo é Quem nos dá manjar espiritual, na expressão mais exata d’Ele mesmo, quando na Santa Ceia fala aos Seus discípulos com as seguintes palavras: “‘Tomai, comei, este é o meu Corpo“. “E tomando o cálice, dando graças, disse: Bebei todos. Porque isto é o meu Sangue, o Sangue da Nova e Eterna Aliança, que é derramado por muitos, para a remissão dos pecados.” (Mt 26:26, Mc 14:22 e em ICor 11:24).
Se imaginarmos a Santa Ceia em que Cristo presidiu à mesa, e se tivermos um pouco de percepção espiritual, nos será possível encontrar uma ação impressionante, pois o Pão que entregou aos Discípulos não era um pão comum: era a própria Luz que o Senhor entregava. Ele mesmo disse: “Isto é o meu Corpo” – isto é – a Luz Solar, a Luz do Espírito de Vida, a Água da Vida ou Árvore da Vida que estava plantada no Centro do Paraíso, mencionada no Livro do Gênesis e no Livro do Apocalipse. Logo, deve-se compreender que a Luz de Cristo foi derramada abundantemente sobre o pão do qual todos eram transformados pela aliança do Novo Testamento, a Luz das Alturas em que Cristo tem Sua Morada. Aqueles que se dirigem ao Adeptado devem, por ordem espiritual, quando comem, sentir a Presença, a imensa Luz que se derrama sobre eles. Na essência do pão e no suco dos frutos maduros, tomamos como alimento, o próprio Corpo de Deus que é Luz.
No Apocalipse lemos: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, o primeiro e o derradeiro” (Ap 22:13). Uma ligeira análise das palavras acima nos mostra a finalidade de Cristo e de todos que estão e estarão aptos a viverem na Nova Jerusalém, que desce do Infinito, e na qual Cristo habita juntamente com a Humanidade. Se configurarmos as palavras “Alfa e Ômega”, entrelaçadas, formando um círculo, isto é, se sobre a letra Alfa, “A”, colocarmos a última letra do alfabeto grego, Ômega (Ω), praticamente não saberemos onde começa nem onde terminam “A” ou “Ω”. Deus não tem começo e nem fim. O Alfa está no Ômega, e vice-versa. Partindo dessas explicações podemos, agora, estudando o capítulo 14, versículo 1 do Livro do Apocalipse, aprendemos que: “E olhei, e eis que estava o Cordeiro sobre o Monte Sião e com Ele 144.000 que em suas testas tinham o nome d’Ele e de seu Pai“. No versículo 2 aprendemos que: “Ouvi uma voz de muitas águas, como voz de trovão; também a voz que ouvi era como de harpistas quando tangem as harpas“. O que nos surpreende nesses versículos, e aliás em todo o Livro, é a sua construção e a clareza de seus dizeres místicos. Nos últimos dois versículos está explicado que o Pai, o Filho, a Humanidade e o Universo em seu movimento (Atividade), o Espírito Santo, formam, em conjunto, uma grande sonoridade. A Humanidade é representada pelo número 144.000 que, cabalisticamente, simboliza a Humanidade. O nome em hebraico é ADM ou ADAM: Aleph é o número 1; Daleth é número 4; Mem o número 40. ADAM, portanto, é igual ao número 144; adicionando-se os três algarismos, teremos o número nove. Os três zeros finais querem significar que a Humanidade já passou por três grandes Período de desenvolvimento: Saturno, Solar e Lunar, tendo entrado para o quarto grande Período denominado Terrestre. Nos versículos acima, representa-se uma Humanidade redimida, perfeita, pois todos trazem em suas testas o Sinal do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Nas três vezes em que se refere à voz, o Apocalipse queria significar a Harmonia Absoluta dentro de toda Criação, pois todos serão salvos por Cristo, o “Alfa e o Ômega”, o Princípio e o Fim, na Unidade Perfeita: o Absoluto. Ainda analisando o número 9 de ADAM, ou seja, daqueles que trarão em suas testas o Sinal do Pai, Filho e Espírito Santo, o Consolador prometido por Cristo em Sua despedida, encontramos três Trindades; no princípio das coisas como “Aleph”, do qual tudo foi feito, e que se desdobra para o nove. Se aceitamos que no Pai está o Filho e o Espírito Santo, deparamos com o número três. Se olharmos para o Filho, encontramos o Pai e o Espírito Santo, o número três, no UNO. Se olharmos para o Espírito Santo, encontramos o Pai e o Filho, que nos levam novamente para o número três, no UNO. Assim temos: 3 +3 + 3 = 9.
Voltemos, ainda, ao 14º capítulo, versículo 1 do Apocalipse, em que está escrito: “E olhei, e eis que estava o Cordeiro sobre o Monte Sião e com Ele 144.000 que em suas testas tinham escrito o nome d’Ele e de seu Pai“. Lembremo-nos, antes de mais nada que o Espírito Santo foi enviado por Cristo, que voltou ao Pai, depois de deixado o mundo, tendo sido imolado como um Cordeiro no Altar da Humanidade, a fim de salvar o gênero humano decaído, por meio de Seu Sangue, a Luz de Deus. Daí o Espírito Santo ter sido enviado a fim de continuar o trabalho de salvação, até que Cristo volte novamente para uma Humanidade gloriosa, aperfeiçoada. Por essa ocasião todos deverão trazer nas testas o Sinal do Pai e do Filho. Que configuração poderá ser este Sinal? Falemos antes da Trindade. Nessa Trindade manifesta-se o “Uno”. Haverá, então, uma estrela nas testas daqueles que se salvarem. Isso encontra-se descrito no capítulo 22, versículo 16: “Eu Jesus, enviei o meu Anjo, para vos testificar estas coisas às Igrejas. Eu sou a raiz da geração de Davi, a brilhante Estrela da Manhã“. Resta-nos somente, dizer o seguinte, juntamente com o versículo 17 que diz: “O Espírito (Ego Humano, a Centelha Divina) e a Noiva (Alma) dizem: Vem. Aquele que ouve diga: Vem. Aquele que tem sede, venha, e quem quiser receba de graça a Água da Vida“.
Com essas palavras podemos compreender que uma Humanidade perfeita trará, como Sinal de Salvação, a brilhante Estrela da Manhã de nove pontas em sua testa. O Espírito uniu-se em matrimônio à sua noiva, a Alma, para receber a Água da Vida, para nunca mais sair do Corpo do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
(Publicada na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – novembro/1973 – Fraternidade Rosacruz – SP)
O processo de preparação para a Era de Aquário já começou e, como Aquário é um Signo do Ar, científico e intelectual, é inevitável que a nova fé deva estar enraizada na razão e ser capaz de resolver o enigma da vida e da morte de uma maneira que satisfaça tanto a Mente quanto o instinto religioso, a devoção, o Coração.
Assim é os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental promulgados pela Fraternidade Rosacruz, como o fermento no pão: ela está quebrando o medo da morte gerado pela incerteza que cerca a existência post-mortem. Ela está mostrando que a Vida e a consciência continuam sob Leis tão imutáveis quanto as de Deus, que tendem a nos elevar a estados de espiritualidade cada vez mais elevados, nobres e sublimes.
Acende a luz da esperança nos nossos corações com a afirmação de que, assim como desenvolvemos no passado os cinco sentidos pelos quais contatamos o Mundo visível presente (a Região Química do Mundo Físico), também desenvolveremos, em um futuro não distante, outro sentido que nos permitirá ver os habitantes da Região Etérica do Mundo Físico, bem como nossos entes queridos que deixaram o Corpo Denso e habitam a Região Etérica e as Regiões inferiores do Mundo do Desejo, durante o primeiro estágio de sua carreira nos reinos espirituais.
Portanto, a Fraternidade Rosacruz foi incumbida pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz da missão de promulgar o Evangelho da Era de Aquário e de conduzir uma campanha de educação e esclarecimento, para que o mundo esteja preparado para o que está por vir. O mundo deve ser fermentado com estas ideias:
(1) As condições na terra dos mortos-vivos não estão envoltas em mistério, mas o conhecimento a respeito delas está tão disponível quanto o conhecimento sobre países estrangeiros a partir dos contos de viajantes.
(2) Estamos agora próximos do limiar onde todos conheceremos essas verdades.
(3) E, o mais importante de tudo, apressaremos o dia em nosso próprio caso, adquirindo conhecimento dos fatos relativos à existência post-mortem e às coisas que podemos esperar ver, pois então saberemos o que procurar e não ficaremos assustados, surpresos ou incrédulos quando começarmos a obter vislumbres dessas coisas.
(Por Max Heindel, publicado na Revista Rays from the Rose Cross de novembro/1944 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
Qualquer que seja a nossa posição, temos direito a tudo o que podemos apreciar, apropriar e usar; e sabemos que quanto mais desenvolvemos o poder de apreciar aquilo que tem valor genuíno, mais desenvolvemos o poder de conferir qualidade a tudo o que fazemos; e, ao conferir qualidade adicional a cada pensamento, desejo, emoção, palavra, ato, obra e ação produziremos e nos apropriaremos naturalmente de todas aquelas qualidades das quais continuamos conscientes.
Portanto, é claramente evidente que o poder de aumentar aquilo a que temos direito advém, em grande parte, do aumento da consciência do valor real, bem como da vida real — sendo a vida real, em todos os lugares, a qualidade real; e a consciência da qualidade real e da vida real se desenvolve natural e perfeitamente naquele que vive para viver uma vida grandiosa.
Sabemos que a essência da grandeza está latente em todas as coisas; e aquele que pensa profunda e construtivamente na essência da grandeza, ao pensar nas coisas, abrirá sua Mente ao influxo desse poder que pode produzir grandeza em sua própria Mente. Em resumo, o que ele continua a ver em todas as coisas despertará em seu próprio mundo mental.
Para a Mente que vive na alma do grandioso, do belo e do maravilhoso, tudo é uma inspiração para coisas maiores, melhores e mais maravilhosas. Para tal Mente, todas as coisas têm valor, porque viver na alma das coisas é encontrar o verdadeiro valor que permeia todas as coisas. E, novamente, encontramos ou vemos em todas as coisas que tendemos a desenvolver em nossas próprias Mentes, observando aqui a grande Lei de Deus de que invariavelmente crescemos à semelhança, em Mente e caráter, daquelas coisas em que mais pensamos.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de julho/1916 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
Os Estudantes Rosacruzes mais familiarizados com o estudo deste assunto conhecem os efeitos desastrosos provocados por uma crise de ansiedade ou medo. Estas emoções alteram a digestão, interferem no metabolismo e na eliminação dos detritos. Em suma, transtornam todo o organismo, tanto que em determinados casos a pessoa se vê obrigada a guardar leito por maior ou menor lapso de tempo, dependendo da intensidade da crise e de sua resistência orgânica.
Existe, porém, um efeito oculto, tão sério que mais ainda e, geralmente, pouco compreendido. Cremos ser imensamente benéfico examinarmos os efeitos ocultos do equilíbrio, da ira, do amor, do pessimismo, do otimismo e afins.
Pelo estudo do Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, sabemos que o germe do Corpo de Desejos nos foi dado no Período Lunar. Para se obter uma imagem mental da forma humana no referido Período, basta observar uma ilustração do feto em um livro de Biologia. Constataremos a existência de três partes principais: a placenta, o cordão umbilical e o feto.
Imagine agora, naquele longínquo Período, o firmamento como uma imensa placenta da qual pendiam miríades de cordões umbilicais, cada um com seu apêndice fetal. Pelo total da família humana, então em formação, circulava somente a essência universal do desejo e da emoção gerando, em todos, os impulsos necessários à ação, agora se manifestando em todas as fases do trabalho do mundo. Aqueles cordões umbilicais e apêndices fetais eram formados de uma matéria de desejos úmida, pelas emoções dos Anjos Lunares.
As correntes ígneas de desejos, responsáveis pela vida latente na Humanidade, então em formação, eram geradas pelos Espíritos marcianos de Lúcifer. A cor da primeira e lenta vibração que estes Espíritos infundiram naquela matéria emocional foi o vermelho.
Enquanto aquela “tonalidade de distúrbio” (pois é assim realmente esta corrente constante, esta eterna intranquilidade que impulsiona os seres humanos) achava-se circulando em nosso interior, o Planeta, sobre o qual nos encontrávamos, também circundava o Sol, que não deve ser confundido com o atual dador da luz, mas compreendido como uma passada encarnação da substância componente do nosso atual Sistema Solar. E nós, circundávamos o Planeta no qual habitávamos, da luz às trevas, do calor ao frio.
Desse modo, éramos manipulados por fora e por dentro, num esforço para excitar nossa adormecida consciência. Houve, naturalmente, um despertar, pois ainda que nenhum dos espíritos pudesse sentir aqueles impactos, apesar de serem muito fortes, as sensações acumuladas de miríades de semelhantes Espíritos eram sentidas como um som no Universo — um grito cósmico, a primeira nota da harmonia das esferas — tocada numa única corda.
Entretanto, foi bastante expressiva às necessidades da Onda de Vida humana naqueles tempos distantes. Desde então, esta natureza de desejos tem evoluído e o ígneo substrato marciano da paixão e as bases aquosas lunares da emoção, têm-se tornado suscetíveis de numerosas combinações. Da mesma forma que o pensamento sulca o cérebro com circunvoluções, e o rosto com linhas, também as paixões, os desejos e as emoções estão modelando a matéria em linhas curvas, em espirais, redemoinhos, parecendo uma torrente no momento em que se encontram na maior agitação, sendo raríssimo encontrarem-se em repouso relativo.
A matéria de desejos, em sucessivos períodos de sua evolução, vem respondendo gradativamente às vibrações astrais do Sol, da Lua, de Mercúrio, Vênus, Marte, Saturno, Júpiter e Urano. Cada Corpo de Desejos individual durante esse tempo foi formado conforme um único modelo. Como a lançadeira do tempo corre incessantemente de um lado para outro sobre a Teia do Destino, esse modelo cresceu, embelezado e melhorado, mesmo que não possamos percebê-lo. Assim como o tapeceiro realiza seu trabalho no avesso do tapete, assim nós estamos tecendo, sem compreender realmente o desígnio final, nem observar a sublime beleza do mesmo, porque ainda se encontra oposto às limitações humanas o lado oculto da natureza. Para que possamos compreendê-lo melhor, tomemos alguns desses fios de paixão e emoção, e vejamos seu efeito nesta forma, nessa imagem a que Deus, o Mestre fiandeiro, deseja nos converter.
Seguindo o Esquema de Evolução, muitos de nós caíram no evento a “Queda do Homem” e, por consequência, escolheram o caminho da dor e do sofrimento para evoluir. Desde aqueles tempos os Anjos lunares têm se encarregado do aquoso e úmido Corpo Vital, composto de quatro Éteres, e que se relaciona com a propagação e sustentação das espécies. Os Espíritos de Lúcifer, por outro lado, encarregam-se dos secos e ígneos veículos de desejos, o Corpo de Desejos.
A função do Corpo Vital é de construir e manter o Corpo Denso, enquanto o Corpo de Desejos envolve a destruição dos tecidos. Há, dessa forma, uma batalha constante entre o Corpo Vital e o Corpo de Desejos. Essa luta nos Céus produz a consciência física na Terra.
Durante épocas inumeráveis temos vivido em variados lugares e climas, é de cada vida extraímos experiências, reunidas como forças vibratórias nos Átomos-sementes de nossos veículos. Por conseguinte, somos todos construtores e edificamos o templo do Espírito imortal “sem ruído de martelos”. Cada um de nós é um Hiram Abiff, reunindo material para o desenvolvimento da alma, atirando-o no forno da experiência de sua própria vida, para ali manipulá-lo mediante o fogo da paixão e do desejo.
Todo o material está sendo fundido, lenta, porém seguramente. A escória vai sendo expurgada em cada existência purgatorial, quintessência do desenvolvimento da Alma está sendo extraída como consequência de nossos numerosos renascimentos.
Através esse processo, cada um de nós prepara-se para a Iniciação, aprendendo, quer tenha consciência disso ou não, a combinar as paixões do fogo com as suaves e gentis emoções. Isso nos leva a nova palavra-chave para evoluirmos aqui e essa é o autodomínio.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de março/1977-Fraternidade Rosacruz-SP)
Nós, Estudantes Rosacruzes, a despeito dos quadros não muito animadores que o mundo nos oferece, mantemos inabalável a fé no futuro da Humanidade.
Quando instituições, dogmas e estruturas das mais diversas parecem encontrar-se a beira de um colapso, prestes a fundirem-se num caos total, nossa maneira de encarar as coisas, por paradoxal que possa parecer, é otimista.
Nossa visão dos fatos não é apocalíptica, no sentido exotérico do termo. Cremos estar próximo o fim, não do mundo, mas de uma Era, de um estado de coisas.
Toda essa confusão prenuncia o desabamento de estruturas obsoletas, de sectarismos, de preconceitos. Esse sofrimento vivido na época atual nos compelirá a nos desapegar, de uma vez por todas, de um estilo de vida já inadequado as nossas necessidades evolutivas.
Eis que as coisas se farão novas. Encontramo-nos em fase de transição. Será que estamos conscientes do significado dessas transformações?
Já em 1918 Max Heindel escreveu: “O trabalho de preparação para a Era de Aquário já se iniciou. Como se trata de um Signo de Ar, científico, intelectual, depreende-se que a nova Religião deverá se alicerçar em bases racionais, sendo capaz de resolver o enigma da Vida e da Morte de tal forma a satisfazer tanto o intelecto como o coração”.
Abriu-se, então, o caminho para o alvorecer da Era de Aquário. Sobre os escombros da Era atual, florescerão um ideário mais avançado, estruturas mais dinâmicas e, consequentemente, uma nova Humanidade.
Lembramos, também, que dia a dia surgem condições favoráveis ao desenvolvimento das nossas (do Ego, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui) faculdades latentes. O gradativo crescimento da quantidade de Éter no Planeta Terra já está afetando as pessoas mais sensíveis. Não constitui exagero afirmar que a própria ciência já se encontra no umbral da Região Etérica.
Desde as primeiras Eras viemos desenvolvendo os cinco sentidos através dos quais nos foi possível contatar e conhecer a Região Química do Mundo Físico. Da mesma forma, futuramente, desenvolveremos outro sentido, que deverá nos capacitar a perceber a Região Etérica, seus habitantes, inclusive aqueles entes queridos desencarnados e que permanecem no Mundo do Desejo durante os estágios iniciais nos planos internos.
As pessoas mais evoluídas já estão, mesmo que tênue e esporadicamente, ensaiando seus primeiros passos no Éter.
Os dilúvios, responsáveis pela submersão da Atlântida, tornaram mais seca a atmosfera, fazendo baixar sua umidade para o mar. Quando o Sol, por Precessão dos Equinócios, entrar em Aquário, a eliminação da umidade será bem maior. As vibrações mais facilmente transmissíveis através do Éter serão mais intensas, gerando condições para a sensibilização do nervo ótico, requisito necessário à abertura de nossa visão a Região Etérica.
Mesmo não tendo concluído suas pesquisas sobre os Éteres, Max Heindel legou-nos conhecimentos notáveis a respeito desse elemento.
Em verdade, estamos próximos a grandes transformações, principalmente no campo das ideias. Cabe-nos, portanto, mantermo-nos atentos às mudanças que se operarão, preparando-nos para interpretá-las e, posteriormente a elas nos integrarmos.
Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz não limitam suas atividades aos Estudantes e Probacionistas Rosacruzes, nem a nenhum outro grupo especifico. Trabalham também por meio dos cientistas, embora estes nem sempre estejam conscientes disso. O propósito dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz é estabelecer a Fraternidade Universal. Sendo assim, o campo de ação deles é de uma amplitude inimaginável!
Max Heindel afirmou, certa vez, num círculo mais íntimo, que na aurora da Era de Aquário apareceria um ser humano que nos ajudará diretamente naquela empreitada. Será o reaparecimento do grande Ego outrora conhecido na Europa como Christian Rosenkreuz e, também, como Conde de Saint Germain.
Além desse ser humano será enviado um mensageiro, como ocorre a cada cem anos, pelo “Governo Invisível do Mundo.
Segundo Augusta Foss Heindel, “a Nova Era mostrará a verdade indiscutível do espaço interestelar, novas aventura cósmicas para o Espírito Humano e uma Filosofia Cósmica mais extensa”.
Você está cultivando uma sincera e verdadeira afinidade com o ideal aquariano?
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de fevereiro/1980 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Há uma vida que podemos viver que ultrapassa os limites das possibilidades aparentes. Como Jacob Boehme[1] o nomeou, vida suprassensorial, ou seja, a vida que está acima e é independente dos sentidos. Estes se ligam e nos afastam de uma vida cheia de alegria e conhecimento definido de um futuro ilimitado. Atingimos uma pequena apreciação dessa vida em momentos em que nossas Mentes estão desocupadas com as demandas dos sentidos. Na natureza, por exemplo, sobre a vasta extensão do oceano, em meio às colinas e montanhas. Então nós nos tornamos possuidores de uma paz maravilhosa que acalma a turbulência da Mente. Os caprichos e as necessidades da existência nos impedem de desfrutar continuamente essa bela paz; mas quando nos tornamos conscientes da sua mensagem, as coisas da vida, que eram consideradas tão vitais para a felicidade real, assumem um aspecto diferente. Elas se tornam marcos em nosso caminho pela vida, através dos quais medimos o nosso progresso.
Percebemos que os assuntos materiais não têm importância em si mesmos, mas são valiosos como lições das quais devem ser extraídas a verdade. Podemos falhar em um empreendimento, mas isso não significa que a depressão deva surgir. Há uma lição a ser aprendida com a experiência. Por causa de nossas próprias falhas, nós nos tornamos solidários com outras pessoas que falharam em sua própria direção particular. Quem tem uma boa apreciação das esperanças humanas e pode tão prontamente dar ao coração fraco essa alegria de conforto, senão alguém que falhou com frequência e ainda manteve o senso de proporção entre o fracasso e o significado interior da vida? Erros nos ensinam muitas coisas. Eles nos tornam infinitamente mais simpáticos e compassivos.
Mas, acima de tudo, o conhecimento de que todo evento em nossas vidas tenha um grande valor intrínseco, que nunca pode ser diminuído, faz com que derivemos um grande benefício de todas as ocorrências e vicissitudes materiais.
As pessoas que conhecem o excelente trabalho que continua depois que saímos dessa existência terrena (e são milhões!), sabem que a vida após a morte do Corpo Denso está cheia de energia latejante, planejamento, erros de retificação, preparação e oportunidades de estudos. O verdadeiro significado da vida, com suas tristezas, sucessos, falhas, medos, esperanças, alegrias e assim por diante, será mostrado de maneira abrangente: a obtenção do conhecimento sobre nós mesmos e os problemas externos, o que nos leva ao autocontrole e à capacidade criativa.
O vasto Esquema de Evolução em que todos estamos inseridos (saibamos ou não) está gradualmente sendo desdobrado diante da nossa Mente. Naturalmente, essa manifestação transcendental de poderes inteligentes só pode ser concebida de forma aproximada. Os Irmãos Maiores estão atualmente dando à Humanidade um esboço desse Esquema por meio dos Ensinamentos Rosacruzes. A vida suprassensorial é hoje vivida por muitos milhares de seguidores que perceberam as verdades eternas, embora muitas vezes ocultas, da vida. Quantas vezes uma verdade é percebida pela intuição!
Viver a vida necessária nos dá direito a provar tudo o que nos é ensinado e ajuda a acelerar nossa evolução sob a orientação de Deus.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – julho /1916 – Traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
[1] N.T.: Jakob Böhme, por vezes grafado como Jacob Boehme (1575-1624) foi um filósofo e místico luterano alemão. Böhme passou por experiências místicas em toda a sua juventude, culminando em uma epifania no ano de 1600, a qual ter-lhe-ia revelado a estrutura espiritual do mundo, assim como as relações entre o Bem e o Mal. Na época, ele decidiu não divulgar a sua experiência e continuou trabalhando como sapateiro na cidade de Goerlitz, na Silésia, constituindo família e tendo quatro filhos. Entretanto, após uma outra visão em 1610, ele começou a escrever sua primeira obra, Aurora (Die Morgenroete im Aufgang), resultante dessa iluminação.
Quando renascemos neste Mundo Físico, estamos dotados de forças e poderes. É nosso dever, assim como também nossa oportunidade, desenvolvê-los durante a nossa vida aqui na Terra, e utilizá-los em nosso caminho para cima, na perfeição, em nossa jornada de retorno a Deus. Por isso, é nos ensinado: “E não sejas conformado a este mundo, mas sê transformado pela renovação da tua Mente, para que possas comprovar que essa é boa, aceitável, e a perfeita vontade de Deus.” (Rm 12:2).
Quando olhamos o diminuto, terno e quase desamparado Corpo Denso de uma criancinha, é para nós difícil imaginá-lo um indivíduo crescido, e capacitado para usar livre e poderosamente seu organismo. No começo da nossa existência terrena há pouca evidência dos poderes latentes espirituais e morais deste ser pequeno. Porém, ainda quando são invisíveis estas forças, estão prontas para manifestar-se no tempo apropriado.
O Corpo Denso renova-se a cada sete anos. Por analogia podemos deduzir que veículos sutis, têm que renovar-se também. É a presença desses poderes latentes que faz possível a evolução. Conforme renovamos nossos Corpos de Desejos, e os redirigimos, podemos mudar e enriquecer nossa existência fazendo com que a nossa vida se reflita nos Mundos superiores. Quanto mais muda para melhor, mais pertos da perfeição e mais amplos horizontes abrem-se ante nós.
Quando essas forças ocultas dentro de nós, são libertadas, podem produzir um efeito tremendo. Nada permanece estacionário. Nada há em estado permanente. “Nada é mais certo que a mudança”. Temos que escolher, e por um esforço determinado da vontade, cuidadosamente, eleger o caminho que desejamos percorrer.
Depois que a opção tenha sido feita, o investigador da verdade se esforça conscientemente, em trabalhar com as forças ocultas.
O aspecto mais valioso de todas as coisas criadas é a possibilidade de sua mudança para melhor; a potencialidade para seu crescimento e a habilidade para compreender e realizar a verdade. Existe em toda a criação um movimento contínuo para a perfeição. Na Filosofia Rosacruz ensina-se que podemos conseguir a perfeição com a ajuda daqueles que pisaram antes neste caminho: nossos Irmãos Maiores, que estão sempre empenhados em nos ajudar no nosso progresso.
A habilidade criadora é inseparável em nós. Fomos feitos à imagem e semelhança do nosso Criador, Deus. “N’Ele vivemos, nos movemos, e temos o nosso ser” (At 17:28). Com o auxílio da Oração e da Meditação, temos o poder de nos abrirmos às benéficas influências do Universo. Nosso Sistema Solar com tudo o que está em cima e dentro dele, provém do Sol. E recebemos nosso impulso espiritual por meio dos raios espirituais originários do Sol espiritual que vive atrás da órbita física solar. Muito depende da nossa habilidade, para responder a estas emanações.
Temos que saber como receber esse bem que está a nossa volta. Devemos anelá-lo, antes que seja possível utilizar essas forças superiores. Conforme pedimos, assim obteremos, é uma resposta a nossa própria procura.
Os raios que vêm do Sol transmitem iluminação espiritual. Aqueles raios enviados pelos Planetas promovem inteligência, moral e crescimento anímico. E os raios refletidos por nosso satélite, a Lua, assistem o crescimento físico.
Progredimos constantemente, de vida em vida. Conforme mudam os costumes sociais e ambientes físicos, de idade em idade, tornamos a estar em contato com a vida. Com o auxílio e orientação das Hierarquias Criadoras encontramos condições e circunstâncias úteis na obtenção das experiências necessárias. Deste modo temos a oportunidade de desemaranhar o novelo em que nos enrolamos em vidas anteriores. Ao mesmo tempo podemos colocar novas causas em ação. Estudamos nas Epístolas de S. Paulo aos Coríntios: “O homem interior é renovado dia por dia” (IICor 4:16).
No Livro A Teia do Destino – Fraternidade Rosacruz – Max Heindel, aprendemos que desde a puberdade, e durante toda a vida, uma força sexual criadora é gerada internamente em nosso organismo. Esta força pode ser usada para três fins: geração, degeneração ou regeneração. Depende de nós qual dos três métodos escolher. Porém, qualquer que escolhamos terá uma orientação importante em nossa vida, pois o uso dessa força sexual criadora não está limitado em seu efeito ao tempo ou ocasião em que se dispõe dela. Cobre cada um dos momentos de nossa existência e determina nossa atitude em cada uma das fases particulares da vida aqui.
Algumas vezes podemos perder nosso rumo aqui na Terra, e os valores reais e eternos são esquecidos em presença de tantas coisas desanimadoras e transitórias.
É quando nos damos conta desta condição, devemos parar, fazer o inventário da nossa existência, e procurar melhores meios de vida, procurando os valores superiores e a maneira para renovar nossa força.
Esta possibilidade é mencionada de modo bem claro nas Sagradas Escrituras, na Parábola do Filho Pródigo[1]. Ele tinha que dar-se conta por si mesmo do seu estado indigno, método insatisfatório de vida, e deveria procurar internamente, para encontrar a força que o faria retornar ao Pai. E, em verdade, o Pai contava com seu retorno. É evidente que o cultivo de forças e poderes espirituais, requer que também sejam adquiridas sabedoria e compreensão, pois os poderes espirituais não são nem maus nem bons em si, senão o motivo e o caráter de quem os possui, fazem-nos merecer esse qualificativo. Sabemos que as distinções entre o uso legítimo e ilegítimo dos poderes espirituais são superiores e sutis.
Sempre devemos recordar que poder é força para realizar, e o que com ela fazemos, depende de nós. A direção que lhe dermos é de nossa própria e pessoal responsabilidade.
Foi poder sobre todas as coisas o que o diabo, o tentador, prometeu ao Cristo Jesus, quando estiveram juntos no deserto. Sabemos que Cristo Jesus triunfou de todas as tentações e respondeu: “Não tentarás ao Senhor teu Deus.” Neste, como em todas as demais veredas, Ele é nosso único Ideal e Caminho.
Se perdemos nosso rumo, isto é só temporário. As asas cortadas podem crescer de novo, e quando encontrarmos outra vez nosso caminho, aprenderemos também que só o Bem, a Verdade e o Belo sobrevivem afinal, pois um dia seremos testemunhas desse fato: “E aquele que estava sentado no trono disse: E daqui eu faço novas todas as coisas.” (Apo 21:5).
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de agosto/1974 pela Fraternidade Rosacruz-SP)
[1] N.R.: Lc 15:11-32 – “Um homem tinha dois filhos. O mais jovem disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me cabe’. E o pai dividiu os bens entre eles. Poucos dias depois, ajuntando todos os seus haveres, o filho mais jovem partiu para uma região longínqua e ali dissipou sua herança numa vida devassa. E gastou tudo. Sobreveio àquela região uma grande fome e ele começou a passar privações. Foi, então, empregar-se com um dos homens daquela região, que o mandou para seus campos cuidar dos porcos. Ele queria matar a fome com as bolotas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. E caindo em si, disse: ‘Quantos empregados de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome! Vou-me embora, procurar o meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como um dos teus empregados’. Partiu, então, e foi ao encontro de seu pai. Ele estava ainda ao longe, quando seu pai o viu, encheu-se de compaixão, correu e lançou-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. O filho, então, disse-lhe: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos seus servos: ‘Ide depressa, trazei a melhor túnica e revesti-o com ela, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o novilho cevado e matai-o; comamos e festejemos, pois, este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi reencontrado!’ E começaram a festejar. Seu filho mais velho estava no campo. Quando voltava, já perto de casa ouviu músicas e danças. Chamando um servo, perguntou-lhe o que estava acontecendo. Este lhe disse: ‘É teu irmão que voltou e teu pai matou o novilho cevado, porque o recuperou com saúde’. Então ele ficou com muita raiva e não queria entrar. Seu pai saiu para suplicar-lhe. Ele, porém, respondeu a seu pai: ‘Há tantos anos que eu te sirvo, e jamais transgredi um só dos teus mandamentos, e nunca me deste um cabrito para festejar com meus amigos. Contudo, veio esse teu filho, que devorou teus bens com prostitutas, e para ele matas o novilho cevado!’ Mas o pai lhe disse: ‘Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas era preciso que festejássemos e nos alegrássemos, pois, esse teu irmão estava morto e tornou a viver; ele estava perdido e foi reencontrado!’”
No texto do Ritual do Serviço Devocional do Templo da Fraternidade Rosacruz encontramos uma frase de transcendental importância para aqueles que ingressaram no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz: “O reconhecimento da unidade fundamental de cada um com todos, é a realização de Deus”. Porém, tal não poderá ser conseguido até que reconheçamos a unidade de todos nós, sem distinções. Sendo assim, é mister que eliminemos de nossas vidas, tanto quanto seja possível, pensamentos e ideias que suscitem o sentimento de separatividade para com nossos semelhantes. Esse é o conteúdo da magnificente mensagem que o Cristo trouxe a nós, encerrando o reinado do Deus de Raça, Jeová, sob cuja influência e individualização de cada um de nós se processou de um modo integral, e inaugurando a nova Era durante a qual devemos realizar a nossa unidade por meio do fato em que todos nós somos Espíritos Virginais da Onda de Vida humana, manifestados aqui como Egos, e assim Filhos de Deus. Examinemos o progresso já realizado nesse campo e os obstáculos que ainda deverão ser superados.
Quando os três homens sábios vindos do Leste, para ofertar dádivas e por prestar homenagens ao recém-nato Salvador, cumpriram sua missão na Palestina, ninguém sabia qual a distância que haviam percorrido, nem de quais longínquos países eram originários, países estes pertencentes aos três continentes conhecidos de então. A locomoção naqueles tempos, via de regra, processava-se a cavalo, por via fluvial ou marítima, se bem que os homens do mar não se aventuravam longe de suas costas litorâneas.
Assim verificamos que o mundo conhecido ao tempo do nascimento do Salvador era assaz limitado. De certo modo é interessante conjecturar a esse respeito, porque Max Heindel expressou a sua desaprovação aos esforços missionários, afirmando que Cristo enviou seus Discípulos para que pregassem o Seu Evangelho ao mundo conhecido de então, o que não queria dizer que ele fosse disseminado por toda a Terra, inclusive aos povos primitivos que não podiam compreender aqueles avançados conceitos de moral. O mundo conhecido naquela época compreendia a área adjacente ao Mediterrâneo ao Mar Vermelho, o sul da Europa, o norte da África e a Península Arábica, e alguns distantes trechos do interior da Ásia. A Inglaterra e a norte da Europa eram praticamente desconhecidos até muito tempo depois. Alexandre, o Grande, na tentativa de estender seu império até a Índia em 300 AC, demonstrou ser impossível manter o comércio e comunicações com esses longínquos países, o que tornou impraticável mantê-los sob seu governo.
A China e o Japão estiveram desconhecidos até 1275 d.C. (depois de Cristo), quando os irmãos Polo, em memorável jornada, atingiram a terra de Kublai Khan, a fabulosa Cathay. Em 1492, Cristóvão Colombo, em seu esforço no sentido de encontrar um caminho mais curto para atingir a Índia, iniciou a sua épica viagem pelo Atlântico, descobrindo um novo continente e novos povos. Mais tarde, Fernão de Magalhães realizou a viagem de circunavegação, e muitos aventureiros começaram a velejar através do oceano, em busca de riquezas e de novas terras a fim de anexá-las a seus países, ao passo que a China e o Japão permaneceram praticamente afastados até o século passado.
Cristo veio inaugurar um novo conceito de fraternidade, introduzindo a doutrina do amor em substituição à da Lei, mantida pelas Religiões de Raça. A aplicação desse princípio de fraternidade e amor, atualmente, é indispensável, embora o problema para a sua realização tenha aumentado em complexidade.
A separatividade e a exclusividade das Raças permaneceram durante muitos séculos, como um problema difícil de se equacionar, pois as diferenças da cor da pele, da aparência e dos costumes criaram barreiras gigantescas ao propósito da unidade. À medida que foram descobertos e aperfeiçoados inúmeros meios de transportes, inúmeras viagens foram realizadas, muitas terras foram colonizadas, e para tanto muitos meios foram aplicados.
Um processo lento de amalgamação entre Raças, do qual surgirá à raiz de uma nova Raça, está acontecendo. Nesse ponto as guerras representam um favor importante de integração racial, compreendido pelo envio de jovens a terras estranhas, onde muitas vezes unem-se em matrimônio as mulheres desses países. Aqueles que assim procedem, encontram pela frente os obstáculos naturais impostos pela sociedade que não admite miscigenação, porém, gradualmente tais barreiras irão desaparecendo. Vemos ainda hoje as tensões raciais revelarem a trágica rigidez engendrada em inúmeras almas que ainda se encontram ligada ao Espírito de Raça. Entretanto, as Raças estão também divididas em nações, que se diferenciam pelo desenvolvimento de um Espírito Nacional, de acordo com pensamentos, ações e costumes dos respectivos povos. As nações, como os indivíduos, buscam de um modo geral suas próprias vantagens, pouco se importando com a mal que possam causar ao bem estar alheio. Em geral, os crimes cometidos contra outras nações são registrados nos compêndios de história como atos de patriotismo, numa demonstração de amor e lealdade ao próprio país. Contudo, tempo virá no qual os povos de todas às nações compreenderão que o verdadeiro patriotismo se estabelece na aceitação da responsabilidade em relação às ações de seus próprios países, que o mundo deve se tornar uma fraternidade e que o bem-estar de cada um diz respeito a todos. Isto já está se tornando evidente, pelo modo de proceder das nações mais adiantadas no que diz respeito à guerra, tanto que existe certa tendência à preservação da paz, o que não devemos considerar única e exclusivamente como temor aos efeitos da bomba atômica, tanto que tanto que esse sentimento vem se acentuando desde a Primeira Conflagração Mundial. O velho espírito marcial, que se revela nas guerras e nos triunfos, vai desaparecendo aos poucos, dando lugar ao sentimento de amizade e compaixão para com aqueles que sofrem.
Assim como dependemos do funcionamento harmonioso dos órgãos do nosso Corpo Denso, da mesma forma o Planeta, para o seu bem-estar, depende da existência de harmonia entre nações. Todos os eventos concorrem para que as nações trabalhem em conjunto para o bem de todos ao invés de agirem em seu benefício próprio. Possuímos uma ONU, que embora não funcionando perfeitamente, tornou-se um fator da preservação da paz.
A Religião não tem sido um meio eficaz como deveria ter sido na eliminação do pecado da separatividade. A doutrina da fraternidade entre os indivíduos é fundamentada em cada uma das Religiões, porém isso não erradicou os antagonismos gerados pela divisão de credos. OCristianismo popular (ou exotérico) tem sido tão exclusivista como qualquer outro credo, quase sempre devido à própria atitude de seus praticantes que por séculos vem mantendo a crença de que somente eles possuem o caminho do céu. Isso originou guerras trágicas, as Cruzadas, a Santa Inquisição, etc.
Contudo existem indícios de que as Igrejas já estão começando a compreender que manter-se nessa atitude é ser incoerente com os próprios preceitos que apregoam, e já aceitam a necessidade do trabalho em conjunto, demonstrado pelo “Concílio das Igrejas”, por exemplo.
Apesar de alguns progressos animadores, outros problemas ainda suscitam a separatividade, como por exemplo, observamos o abismo entre o rico e o pobre. O fluxo do dinheiro pode ser comparado à circulação do sangue no Corpo Denso humano, mesmo porque o dinheiro supre as necessidades das várias partes da Terra, tal como faz o sangue ao Corpo Denso. A superabundância em determinada área terrestre poderá ser comparada a um congestionamento ou a uma inflamação no Corpo Denso, ao passo que a pobreza representa os males da desnutrição. A posse de grandes riquezas materiais implica em grande responsabilidade, pois quando riquezas materiais são acumuladas e não utilizadas para o bem comum, constituem uma dívida espiritual a ser resgatada oportunamente pela pessoa. Porém, o conhecimento dessa responsabilidade está se fazendo sentir, haja vista as inúmeras fundações instituídas por pessoas abastadas, a fim de proporcionar maior assistência ao menos favorecidos. Os inúmeros serviços grupais que estão se formando em quase todas as comunidades, no sentido de solucionar problemas locais, também são elementos indicadores do sentimento de união e solidariedade entre as pessoas.
Outro fator negativo na vida dos povos são as campanhas empreendidas pelos nossos partidos políticos. As expressões extremas de sentimentos gerados por essas campanhas exercem uma influência muitas vezes nefasta sobre o equilíbrio emocional, indispensável para o desenvolvimento espiritual. Entretanto, podemos esperar confiantes, de que o tempo irá dignificando essas campanhas, para que sejam conduzidas dentro de um sistema mais honroso, substituindo a forma presente de vituperações e ataques pessoais.
O trabalho e a indústria estão se tornando cientes de sua dependência mútua pelo labor conjunto. Um grande e louvável passo para frente já se terá dado, se o propósito do capital e da indústria se tornar um meio de fornecer emprego e melhores condições de vida para muitas pessoas, do que se ater ao único e egoísta objetivo de arrecadar dinheiro. Os detentores do capital não deixarão de ser beneficiados, mas o objetivo primeiro será sempre o bem-estar de muitos em relação a poucos, pois onde a doutrina dos serviços se encontra acima de todos os negócios, nada poderá ocasionar falhas na prosperidade.
Tempo virá em que uma vida bem-sucedida não será avaliada em relação ao dinheiro depositado no banco ou à mercadoria estocada, mas pelas virtudes de amor e caridade que nela são expressas. Vivemos atualmente sob um sistema rígido de competição, mas é mister que essa competição se transmute em cooperação para o bem de cada um de nós. O nosso ineficiente método de distribuição dos produtos do trabalho, a capacidade de alguns poucos e a exploração de muitos, constituem verdadeiros crimes sociais que provocam a depressão industrial, os distúrbios trabalhistas, a destruição da paz interna.
Aqueles que como nós estudam a Filosofia Rosacruz e de alguma forma vivem diferentemente dos demais, deverão conservar certa vigilância para que essas diferenças não os isolem do resto da Humanidade. Sejamos cuidadosos em relação a outros modos de vida, não criticando ou desaprovando-os intransigentemente, pois a autossatisfação ou o sentimento de superioridade não devem se constituir num obstáculo ao avanço espiritual.
A unidade racional, tribal e familiar deverá ser rompida antes que a Fraternidade Universal possa se tornar uma realidade. O paternalismo do grupo tem sido amplamente superado pelo reinado da Individualidade. As nações estão atualmente trabalhando para a Fraternidade Universal, de acordo com o desejo dos nossos líderes invisíveis, os quais não são os menos potentes na modelação dos eventos por não estarem oficialmente ocupando cargos no governo das nações. Esses são os meios lentos pelos quais o Tríplice Corpo de cada pessoa no mundo vai sendo gradativamente purificado. Porém, o Estudante Rosacruz trabalha conscientemente para atingir esses fins por meio dos métodos bem definidos e de acordo com a sua constituição.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – julho/1967 – Fraternidade Rosacruz- SP)