Resposta: Sim e não. Para entender a questão, é necessário retroceder na história da Humanidade. Houve um tempo em que a Humanidade era bissexual e capaz de gerar um Corpo Denso sem a ajuda de outro. Mas quando se tornou necessário construir o cérebro para que pudesse criar pelo pensamento e manifestá-lo no Mundo Físico, metade da força sexual criadora foi retida para construir um órgão físico para tal. Então, tornou-se necessário que cada um buscasse a cooperação de outro que expressasse o polo oposto da força sexual criadora que ele próprio tinha disponível para fins sexuais. Sem cérebro, e como “seus olhos não haviam sido abertos”[1], cada um estava, naturalmente, inconscientes no Mundo Físico e incapaz de se guiar. Portanto, os Anjos os reuniam em certas épocas do ano, quando as forças astrais eram propícias para a realização do ato gerador como um sacrifício religioso, pelo qual eles entregavam parte de seus Corpos para a geração de um veículo físico para outro Ego que precisava renascer. Nesse abraço íntimo, o Espírito primeiro penetrou o véu da carne e Adão “conheceu” sua esposa. Mais tarde, quando a consciência da Humanidade se voltou um pouco mais para o Mundo Físico e alguns entre eles começaram a perceber vagamente os Corpos dos quais agora temos tanta consciência, esses pioneiros começaram a pregar o evangelho do Corpo, dizendo aos outros que possuíam um Corpo Denso, pois a maioria então desconhecia esse instrumento, assim como nós hoje desconhecemos ter um estômago quando estamos saudáveis.
Então, percebeu-se que esses Corpos morriam, e surgiu entre os pioneiros a questão de como um Corpo assim poderia ser substituído. A solução foi dada ao ser humano por uma certa classe de Espíritos que eram remanescentes da evolução dos Anjos, semideuses, por assim dizer. Esses Espíritos Lucíferos, ou doadores de luz, iluminaram a Humanidade nascente a respeito de seus poderes de gerar um Corpo a qualquer momento. Mas esses Corpos não eram perfeitos naquela época, não são perfeitos hoje e, é claro, a geração sem levar em consideração as condições astrais produziu Corpos ainda inferiores aos que teriam sido gerados de outra forma, além do parto doloroso profetizado pelo Anjo.
Desde então, a função sexual criadora tem sido exercida irrestritamente pela Onda de Vida humana ignorante. Mas, pelo fato da morte, foi possível aos Anjos ensinar à Humanidade, entre a morte e um novo nascimento, como construir um Corpo que se aprimora gradualmente. Se o ser humano tivesse aprendido, naquele passado remoto, como renovar seu Corpo Vital, assim como foi ensinado a gerar um veículo denso à sua vontade, então a morte teria sido de fato uma impossibilidade e o ser humano teria se tornado imortal como os Deuses. Mas ele teria imortalizado suas imperfeições e tornado o progresso uma impossibilidade. É a renovação deste Corpo Vital que é expressa na Bíblia como “comer da Árvore da Vida”[2]. Na época de sua iluminação a respeito da geração, o ser humano era um ser espiritual cujos olhos ainda não estavam cegos pelo Mundo material, e ele poderia ter aprendido o segredo de vitalizar seu Corpo à vontade, frustrando assim a evolução. Assim, vemos que a morte, quando ocorre naturalmente, não é uma maldição, mas nossa maior e melhor amiga, pois nos liberta de um instrumento do qual não podemos mais aprender. Isso nos tira de um ambiente que já não nos serve mais, para que possamos aprender a construir um Corpo melhor em um ambiente de maior alcance, no qual possamos progredir mais em direção à perfeição.
Nessa peregrinação, chega finalmente o momento em que o ser humano está apto a possuir os poderes da vida. O Corpo que ele criou para si mesmo se torna puro e útil por muito mais tempo do que antes. Então, ele começa a buscar a pedra filosofal, o elixir da vida, ou qualquer outro nome que escolha usar. Os alquimistas almejavam fabricar esse veículo puro e sagrado, mas não por meio de um processo químico em laboratório, como supunha a multidão ignorante. A nomenclatura que dava cor a essa ideia tornou-se necessária porque eles viviam em uma época em que uma Igreja dominante e apóstata os teria levado à morte se a verdade fosse conhecida. Quando falavam em transmutar metais comuns em ouro, falavam a verdade não apenas do ponto de vista material, mas também do espiritual, pois o ouro sempre foi o símbolo do Espírito e esses alquimistas buscavam espiritualizar seus Corpos, que são de natureza mais vil.
Em todos os lugares, o símbolo puro e belo da transparência foi dado para designar o poder da pureza. No Antigo Testamento, ouvimos falar do Templo de Salomão[3], que foi “construído sem o som de martelo”. O ornamento mais belo ali era o mar de lava. Hiram Abiff, o mestre artesão, como sua conquista final, conseguiu fundir todos os metais da Terra em uma liga tão transparente quanto o vidro. No Novo Testamento, lemos sobre uma bela cidade que tinha em seu meio um mar de vidro. No Oriente, o iniciado almeja se tornar a alma diamante, pura e transparente. No Ocidente, a Pedra Filosofal é o símbolo da alma purificada extraída dos Corpos que foram transmutados e espiritualizados. A alma que peca, essa morrerá, mas a alma pura é imortalizada pelo elixir da vida, a “Árvore da Vida”, em um Corpo Vital que durará milênios como um veículo para o Espírito.
(Pergunta nº 86 do Livro: Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Gn 3:7
[2] N.T.: Gn 3:22
[3] N.T.: 15Hiram, rei de Tiro, enviou seus servos a Salomão, ao saber que este fora sagrado rei em lugar de seu pai; pois Hiram sempre tinha sido amigo de Davi. 16E Salomão mandou esta mensagem a Hiram: 17 “Bem sabes que Davi, meu pai, não pôde construir um templo para o Nome de Iahweh, seu Deus, por causa das guerras que o importunavam de todos os lados, até que Iahweh submetesse os inimigos a seus pés. 18Agora, porém, Iahweh meu Deus me deu tranquilidade por todos os lados: não tenho adversário nem infortúnio. 19Por isso resolvi construir um Templo ao Nome de Iahweh meu Deus, conforme o que disse Iahweh a Davi, meu pai: ‘Teu filho, que colocarei no trono e em teu lugar, é quem construirá um Templo para meu Nome.’ 20Ordena, pois, que cortem para mim cedros do Líbano; meus operários juntar-se-ão aos teus e eu pagarei o trabalho dos teus operários conforme pedires. Sabes, com efeito, que não há entre nós ninguém que entenda de corte de madeira como os sidônios”. 21Quando Hiram ouviu a mensagem de Salomão, ficou cheio de grande alegria e disse: “Bendito seja hoje Iahweh, que deu a Davi um filho sábio que governa este grande povo!”. 22E Hiram mandou responder a Salomão: “Recebi tua mensagem. Atenderei a todo o teu desejo referente às madeiras de cedro e de cipreste. 23Meus servos as descerão do Líbano até o mar e as farei transportar pelo mar, até o lugar que me indicares; ali, eu as desembarcarei e tu as receberás. Por tua vez, fornecerás víveres para minha casa, conforme eu desejar”. 24Hiram forneceu a Salomão madeiras de cedro e de cipreste na quantidade que ele quis, 25e Salomão pagou a Hiram vinte mil coros de trigo para o sustento de sua casa e vinte mil medidas de azeite virgem. Era isso que Salomão pagava a Hiram cada ano. 26Iahweh concedeu a Salomão a sabedoria, conforme lhe prometera; houve bom entendimento entre Hiram e Salomão e os dois fizeram uma aliança. 27O rei Salomão recrutou em todo o Israel mão-de-obra para a corvéia; conseguiu reunir trinta mil operários. 28Mandou-os para o Líbano, dez mil cada mês, alternadamente; eles passavam um mês no Líbano e dois meses em casa; Adoram era o mestre-de-obras. 29Salomão tinha ainda setenta mil carregadores e oitenta mil cortadores na montanha, 30sem contar os chefes dos prefeitos, em número de três mil e trezentos, que dirigiam os trabalhos e comandavam a multidão empenhada nas obras. 31O rei mandou extrair grandes blocos de pedra escolhida e lavrada, para construir os alicerces do Templo. 32Os operários de Salomão e os de Hiram e os giblitas cortaram e prepararam as madeiras e as pedras para a construção do Templo.
6— 1No ano quatrocentos e oitenta após a saída dos filhos de Israel da terra do Egito, no quarto ano do reinado de Salomão sobre Israel, no mês de Ziv, que é o segundo mês, ele construiu o Templo de Iahweh. 2O Templo que o rei Salomão edificou para Iahweh tinha sessenta côvados de comprimento, vinte de largura e vinte e cinco de altura. 3O Ulam diante do Hekal do Templo tinha vinte côvados de comprimento no sentido da largura do Templo e dez côvados de largura no sentido do comprimento do Templo. 4Fez no Templo janelas oblíquas com grades. 5Encostado à parede do Templo, ele fez um anexo em torno do Hekal e do Debir, e fez aposentos laterais ao redor. 6O andar térreo tinha cinco côvados de largura, o intermediário seis côvados e o terceiro sete côvados, pois ele tinha feito encostas em torno do Templo do lado de fora, de modo que as vigas não se prendiam às paredes do Templo. 7(O Templo foi construído com pedras já talhadas; de modo que não se ouviu barulho de martelo, de cinzel, nem de qualquer outro instrumento de ferro no Templo, durante sua construção). 8A entrada para o andar inferior situava-se no ângulo direito do Templo e por meio de escadas em caracol subia-se ao andar intermediário e, deste, ao terceiro. 9Terminada a construção do Templo, cobriu-o com um teto de pranchões de cedro. 10E construiu um anexo a todo o Templo; tinha cinco côvados de altura e estava ligado ao Templo por traves de cedro. 11A palavra de Iahweh foi então dirigida a Salomão: 12”Quanto a esta casa que estás construindo, se procederes segundo os meus estatutos, se observares as minhas normas e seguires fielmente os meus mandamentos, eu cumprirei em teu favor a minha palavra, que dei a teu pai Davi, 13e habitarei no meio dos filhos de Israel e não abandonarei meu povo, Israel”. 14Salomão edificou o Templo e o concluiu.
15Forrou com placas de cedro o lado interno das paredes do Templo — desde o pavimento até as vigas do teto, revestiu com madeira o interior — e cobriu com tábuas de cipreste o assoalho do Templo. 16Construiu os vinte côvados a partir do fundo do Templo com tábuas de cedro, desde o pavimento até as vigas, e eles foram separados do Templo para formarem o Debir, ou Santo dos Santos. 17O Templo, isto é, o Hekal, diante do Debir, tinha quarenta côvados. 18No interior do Templo, o cedro era esculpido com flores e festões; tudo era de cedro e não se via pedra alguma. 19Salomão dispôs um Debir no interior do Templo, para nele colocar a Arca da Aliança de Iahweh. 20O Debir tinha vinte côvados de comprimento, vinte côvados de largura e vinte côvados de altura; revestiu-o de ouro puríssimo. Fez um altar de cedro 211 diante do Debir e o revestiu de ouro. 22Ele revestiu de ouro o Templo todo, que ficou inteiramente coberto de ouro.
23No Debir, ele fez dois querubins de oliveira selvagem..”. Ele tinha dez côvados de altura. 24Uma asa do querubim tinha cinco côvados e a outra asa do querubim também tinha cinco côvados, ou seja, de uma extremidade à outra das asas havia a distância de dez côvados. 25O segundo querubim tinha também dez côvados; ambos os querubins tinham a mesma dimensão e o mesmo formato. 26A altura de um querubim era de dez côvados, e essa também era a altura do outro. 27Colocou os querubins no meio da sala interior; tinham as asas estendidas, de sorte que a asa de um tocava uma parede e a asa do outro tocava a outra parede e suas asas se tocavam uma na outra, no meio da sala. 28Revestiu de ouro os querubins. 29Em todas as paredes do Templo, ao redor, tanto no interior como no exterior, mandou esculpir figuras de querubins, palmas e flores. 30Cobriu de ouro o pavimento do Templo, no interior e no exterior.
31Ele fez a porta do Debir com vigas de madeira de oliveira selvagem; seu enquadramento tinha cinco ângulos; 32os dois batentes eram de oliveira selvagem. Mandou esculpir neles figuras de querubins, palmeiras e flores e cobriu-as de ouro; mandou cobrir de ouro os querubins e as palmeiras. 33Da mesma forma, para a porta do Hekal, fez vigas de madeira de oliveira selvagem; seu enquadramento tinha quatro ângulos; 34os dois batentes eram de cipreste: tanto um como o outro tinham painéis giratórios. 35Mandou esculpir neles querubins, palmeiras e flores, revestidos de ouro ajustado sobre a escultura. 36Construiu o muro do pátio interior com três fileiras de pedra talhada e uma fileira de pranchões de cedro.
37No quarto ano, no mês de Ziv, foram lançados os alicerces do Templo; no décimo primeiro ano, no mês de Bui — oitavo mês —, o Templo foi concluído em todas as suas partes, conforme o projeto. Salomão levou sete anos para construí-lo.
7— 1Para construir seu palácio, Salomão levou treze anos, até seu completo acabamento. 2Construiu a Casa da Floresta do Líbano, com cem côvados de comprimento, cinquenta côvados de largura e trinta de altura, sobre quatro fileiras de cedro, com pranchões de cedro sobre as colunas”. 3Ela era revestida de cedro na parte superior até os pranchões que estavam sobre as colunas. 4Havia três fileiras de arquitraves, quarenta e cinco ao todo, ou seja, quinze em cada fileira, que se correspondiam três vezes. 5Todas as portas e as vigas tinham um enquadramento retangular, correspondendo-se frente a frente três vezes. 6Fez o vestíbulo das colunas, com cinquenta côvados de comprimento e trinta de largura… com um pórtico na frente. 7Fez o pórtico do trono, onde ele administrava a justiça, chamado pórtico do julgamento; era revestido de cedro desde o pavimento até o teto. 8Sua morada particular, no outro pátio, atrás do pórtico, era construída da mesma forma; Salomão fez também uma casa, semelhante a esse pórtico, para a filha de Faraó, que ele tinha desposado. 9Todos os edifícios eram feitos de pedras escolhidas, talhadas sob medida, serradas por dentro e por fora, desde os fundamentos até a madeira das cornijas”. — 10Tinham nos alicerces pedras selecionadas, enormes blocos de dez e de oito côvados, 11e em cima, pedras escolhidas, talhadas sob medida, e madeira de cedro —, 12e, do lado externo, o grande pátio era cercado por três fileiras de pedra talhada e por uma fileira de tábuas de cedro; assim também eram feitos o pátio interno do Templo de Iahweh e o pórtico do Templo.
13Salomão mandou chamar Hiran de Tiro, 14filho de uma viúva da tribo de Neftali e cujo pai era natural de Tiro e trabalhava em bronze. Era dotado de grande habilidade, talento e inteligência para executar qualquer trabalho em bronze. Apresentou-se ao rei Salomão e executou todos os seus trabalhos.
15Fundiu duas colunas de bronze; a altura de uma era de dezoito côvados e sua circunferência media-se com um fio de doze côvados; assim também era a segunda coluna. 16Fez dois capitéis de bronze fundido, colocando-os no topo das colunas; um capitel tinha cinco côvados de altura e a altura do outro era a mesma. 17c Fabricou duas redes para cobrir os dois rolos dos capitéis que encimavam as colunas, uma rede para cada capitel. 18aFez as romãs; havia duas fileiras de romãs em torno de cada rede, 19bquatrocentos ao todo, 20aplicadas no centro que ficava por detrás das redes; havia duzentas romãs em torno de um capitel, 18be o mesmo número em torno do outro. 19aOs capitéis que encimavam as colunas eram em forma de flores. 21Ergueu as colunas diante do pórtico do santuário; ergueu a coluna do lado direito, à qual deu o nome de Jaquin; ergueu a coluna da esquerda e chamou-a Booz.22 Assim ficou pronto o serviço das colunas.
23Fez o Mar de metal fundido, com dez côvados de diâmetro. Era redondo, tinha cinco côvados de altura; sua circunferência media-se com um fio de trinta côvados. 24Havia por baixo da borda coloquíntidas em todo o redor: rodeavam o Mar pelo espaço de trinta côvados, dispostas em duas fileiras e fundidas numa só peça com o Mar. 25Este repousava sobre doze touros, dos quais três olhavam para o norte, três para o oeste, três para o sul e três para o leste; o Mar se elevava sobre eles e a parte posterior de seus corpos estava voltada para o interior. 26Sua espessura era de um palmo e sua borda tinha a mesma forma que a borda de uma taça, como uma flor. Sua capacidade era de dois mil batos.
27Fez as dez bases de bronze, tendo cada uma quatro côvados de comprimento, quatro côvados de largura e três côvados de altura. 28Eis como foram feitas: tinham molduras que estavam entre as travessas. 29Sobre as molduras que estavam entre as travessas havia leões, touros e querubins, e sobre as travessas havia um suporte; abaixo dos leões e dos touros havia volutas à maneira de… 30Cada base tinha quatro rodas de bronze e eixos também de bronze; seus quatro pés tinham suportes, por baixo da bacia, e esses suportes eram fundidos… 31Seu encaixe, a partir do cruzamento dos suportes até o alto, tinha um côvado; seu encaixe era redondo, em forma de suporte de vaso; tinha um côvado e meio e sobre o encaixe, também, havia esculturas; mas os painéis eram quadrangulares e não redondos. 32As quatro rodas estavam sobre os painéis. Os eixos das rodas estavam no pedestal; a altura das rodas era de um côvado e meio. 33A forma das rodas era a mesma da de uma roda de carro: eixos, aros, raios e cubos, tudo era fundido. 34Havia quatro suportes, nos quatro ângulos de cada base: a base e seus suportes formavam uma só peça. 35Na parte superior da base havia um suporte de meio côvado de altura, de ferro circular; no topo da base havia esteios; os painéis formavam uma só peça com a base. 36Sobre os painéis das travessas e sobre as molduras mandou gravar querubins, leões e palmas… e volutas ao redor.37Assim fez as dez bases: todas fundidas da mesma maneira e do mesmo tamanho. 38Fez dez bacias de bronze, contendo cada uma quarenta batos; cada bacia tinha quatro côvados e repousava sobre uma das dez bases. 39Dispôs as bases, colocando cinco perto do lado direito do Templo e cinco perto do lado esquerdo do Templo; quanto ao Mar, colocara-o do lado direito do Templo, a sudoeste.
40Hiran fez os recipientes para as cinzas, as pás e as bacias para a aspersão. Ultimou toda a obra de que o encarregara o rei Salomão para o Templo de Iahweh: 41duas colunas; os dois rolos dos capitéis que estavam no alto das colunas; as duas redes para cobrir os dois rolos dos capitéis que estavam no alto das colunas; 42as quatrocentas romãs para as duas redes: as romãs de cada rede estavam em duas fileiras; 43as dez bases e as dez bacias sobre as bases; 44o Mar único e os doze touros debaixo do Mar; 45os recipientes para as cinzas, as pás, as bacias para a aspersão. Todos esses objetos que Hiran fez para o rei Salomão, para o Templo de Iahweh, eram de bronze polido. 46Foi na planície do Jordão que ele os fundiu, em terra argilosa, entre Sucot e Sartã; 47 por causa de sua enorme quantidade, não se pôde calcular o peso do bronze. 48Salomão depositou no Templo de Iahweh todos os objetos que mandara fazer: o altar de ouro e a mesa de ouro, sobre a qual estavam os pães da oblação; 49os candelabros, de ouro puríssimo, cinco à direita e cinco à esquerda, diante do Debir; as flores, as lâmpadas, as tenazes, de ouro; 50as bacias, as facas, as bacias para a aspersão, as taças e os incensórios, de ouro puríssimo; os gonzos para as portas da sala interior — é o Santo dos Santos — e do Hekal, de ouro. 51Assim ficou terminada toda a obra que o rei Salomão executou para o Templo de Iahweh; e Salomão mandou trazer o que seu pai Davi havia consagrado: a prata, o ouro e os utensílios, e colocou-os no tesouro do Templo de Iahweh.
8— 1Então Salomão congregou em Jerusalém os anciãos de Israel, para trasladar da Cidade de Davi, que é Sião, a Arca da Aliança de Iahweh. 2Todos os homens de Israel reuniram-se junto do rei Salomão, no mês de Etanim, durante a festa (este é o sétimo mês),3 e os sacerdotes carregaram a Arca 4e a Tenda da Reunião com todos os objetos sagrados que nela estavam.5O rei Salomão e todo o Israel com ele imolaram diante da Arca ovelhas e bois em quantidade tal que não se podia contar nem calcular. 6Os sacerdotes conduziram a Arca da aliança de Iahweh ao seu lugar, ao Debir do Templo, a saber, ao Santo dos Santos, sob as asas dos querubins. 7Com efeito, os querubins estendiam suas asas sobre o lugar da Arca, abrigando a Arca e seus varais. 8aEstes eram tão compridos que do Santo, diante do Debir, se podia ver sua extremidade, mas não se podiam ver de fora. 9Na Arca nada havia, exceto as duas tábuas de pedra, que Moisés, no Horeb, aí tinha colocado — a saber, as tábuas da Aliança que Iahweh concluíra com os filhos de Israel quando saíram da terra do Egito; 8baí elas ficaram até hoje.
10Ora, quando os sacerdotes saíram do santuário, a Nuvem encheu o Templo de Iahweh 11e os sacerdotes não puderam continuar o seu serviço, por causa da Nuvem: a glória de Iahweh enchia o Templo de Iahweh! 12Então disse Salomão: “Iahweh decidiu habitar a Nuvem escura. 13Sim, eu construí para ti uma morada, uma residência em que habitas para sempre”.
14Depois o rei se voltou e abençoou toda a assembleia de Israel e toda ela mantinha-se de pé. 15Ele disse: “Bendito seja Iahweh, Deus de Israel, que realizou por sua mão o que, com sua boca, prometera a meu pai Davi, dizendo: 16’Desde o dia em que fiz sair meu povo Israel do Egito, não escolhi uma cidade, dentre todas as tribos de Israel, para nela se construir uma casa onde estaria meu Nome, mas escolhi Davi para comandar Israel, meu povo! 17Meu pai Davi teve a intenção de construir uma casa para o Nome de Iahweh, Deus de Israel, 18mas Iahweh disse a meu pai Davi: ‘Planejaste edificar uma casa para meu Nome e fizeste bem. 19Contudo, não serás tu quem edificará esta casa, e sim teu filho, saído de tuas entranhas, é que construirá a casa para meu Nome.’ 20Iahweh realizou a palavra que dissera: sucedi a meu pai Davi e tomei posse do trono de Israel como prometera Iahweh, construí a casa para o Nome de Iahweh, Deus de Israel, 21e nela preparei um lugar para a Arca, na qual se acha a Aliança que Iahweh concluiu com nossos pais quando os fez sair da terra do Egito”.
22Em seguida, Salomão postou-se diante do altar de Iahweh, na presença de toda a assembleia de Israel; estendeu as mãos para o céu 23e disse: “Iahweh, Deus de Israel! Não existe nenhum Deus semelhante a ti lá em cima nos céus, nem cá embaixo sobre a terra; a ti, que és fiel à Aliança e conservas a benevolência para com teus servos, quando caminham de todo coração diante de ti. 24Cumpriste a teu servo Davi, meu pai, a promessa que lhe havias feito, e o que disseste com tua boca, executaste hoje com tua mão. 25E agora, Iahweh, Deus de Israel, mantém a teu servo Davi, meu pai, a promessa que lhe fizeste, ao dizer: ‘Jamais te faltará um descendente diante de mim, que se assente no trono de Israel, contanto que teus filhos atendam ao seu procedimento e caminhem diante de mim como tu mesmo procedeste diante de mim.’ 26Agora, pois, Deus de Israel, que se cumpra a palavra que disseste a teu servo Davi, meu pai! 27Mas será verdade que Deus habita com os homens nesta terra? Se os céus e os céus dos céus não te podem conter, muito menos esta casa que construí! 28Sê atento à prece e à súplica de teu servo, Iahweh, meu Deus, escuta o clamor e a prece que teu servo faz hoje diante de ti! 29Que teus olhos estejam abertos dia e noite sobre esta casa, sobre este lugar do qual disseste: ‘Meu Nome estará lá.’ Ouve a prece que teu servo fará neste lugar.
30”Escuta as súplicas de teu servo e de teu povo Israel, quando orarem neste lugar. Escuta do lugar onde resides, no céu, escuta e perdoa. 31Se alguém pecar contra seu próximo e este pronunciar sobre ele um juramento imprecatório e o mandar jurar ante teu altar neste Templo, 32escuta do céu e age; julga teus servos: declara culpado o mau, fazendo recair sobre ele o peso de sua falta, e declara justo o inocente, tratando-o segundo sua justiça. 33Quando Israel, teu povo, for vencido diante do inimigo, por haver pecado contra ti, se ele se converter, louvar teu Nome, orar e suplicar a ti neste Templo, 34escuta no céu, perdoa o pecado de Israel, teu povo, e reconduze-o à terra que deste a seus pais. 35Quando o céu se fechar e não houver chuva por terem eles pecado contra ti, se eles rezarem neste lugar, louvarem teu Nome e se arrependerem de seu pecado, por os teres afligido, 36escuta no céu, perdoa o pecado de teu servo e de teu povo Israel — tu lhes indicarás o caminho reto que devem seguir — e rega com a chuva a terra que deste em herança a teu povo. 37Quando a terra sofrer a fome, a peste, a mela e a ferrugem; quando sobrevierem os gafanhotos ou os pulgões; quando o inimigo deste povo cercar uma de suas portas; quando houver qualquer calamidade ou epidemia, 38seja qual for a oração ou a súplica de qualquer um, que sente remorso de consciência, se ele erguer as mãos para este Templo, 39escuta no céu, onde moras, perdoa e age; retribui a cada um segundo seu proceder, pois conheces seu coração — és o único que conhece o coração de todos —, 40a fim de que te respeitem por todos os dias que viverem sobre a terra que deste a nossos pais.
41”Mesmo o estrangeiro, que não pertence a Israel, teu povo, se vier de uma terra longínqua por causa de teu Nome — 42porque ouvirão falar de teu grande Nome, de tua mão forte e de teu braço estendido —, se ele vier orar neste Templo, 43escuta no céu onde resides, atende todos os pedidos do estrangeiro, a fim de que todos os povos da terra reconheçam teu Nome e te temam como o faz Israel, teu povo, e saibam eles que este Templo que edifiquei traz o teu Nome. 44Se o teu povo sair à guerra contra seus inimigos, pelo caminho que o enviares e ele orar, voltado para a cidade que escolheste e para o Templo que construí para teu Nome, 45escuta no céu sua prece e sua súplica e faze-lhe justiça. 46Quando tiverem pecado contra ti — pois não há pessoa alguma que não peque —, e, irritado contra eles, os entregares ao inimigo e seus vencedores os levarem cativos para uma terra inimiga, longínqua ou próxima, 47se eles caírem em si, na terra para onde houverem sido levados, se arrependerem e te suplicarem na terra de seus vencedores, dizendo: ‘Pecamos, agimos mal, nós nos pervertemos’, 48se retornarem a ti de todo o coração e de toda a sua alma na terra dos inimigos que os tiverem deportado, e se orarem a ti voltados para a terra que deste a seus pais, para a cidade que escolheste e para o Templo que construí para o teu Nome, 49escuta do céu onde resides, 50perdoa a teu povo os pecados que cometeu contra ti e todas as revoltas de que foram culpados, faze-os encontrar graça diante de seus vencedores, de modo que tenham deles compaixão; 51pois são teu povo e tua herança, são os que fizeste sair do Egito, daquela fornalha de ferro.
52 “Que teus olhos estejam abertos para as súplicas de teu servo e de teu povo Israel, para ouvires todos os apelos que lançarem a ti. 53Pois foste tu que os separaste como tua herança, dentre todos os povos da terra, como declaraste por meio de teu servo Moisés, quando fizeste sair do Egito nossos pais, Senhor Iahweh!”. 54Quando Salomão acabou de dirigir a Iahweh toda essa prece e essa súplica, levantou-se do lugar onde estava ajoelhado, de mãos erguidas para o céu, diante do altar de Iahweh, 55e pôs-se de pé. Abençoou em alta voz toda a assembleia de Israel, dizendo: 56 “Bendito seja Iahweh, que concedeu o repouso a seu povo Israel, conforme todas as suas promessas; de todas as boas promessas que fez por meio de seu servo Moisés, nenhuma falhou! 57Que Iahweh, nosso Deus, esteja conosco, como esteve com nossos pais, que não nos abandone nem nos rejeite! 58Incline para ele nossos corações, a fim de que andemos em todos os seus caminhos e guardemos os mandamentos, os estatutos e as normas que ele prescreveu a nossos pais. 59Que estas palavras por mim pronunciadas em oração diante de Iahweh fiquem presentes dia e noite diante de Iahweh nosso Deus, para que faça justiça a seu servo e a Israel, seu povo, conforme as necessidades de cada dia. 60Assim, todos os povos da terra reconhecerão que somente Iahweh é Deus e que não há outro além dele, 61e o vosso coração pertencerá totalmente a Iahweh, nosso Deus, observando seus estatutos e guardando seus mandamentos como o fazeis agora”.
62O rei e todo o Israel com ele ofereceram sacrifícios diante de Iahweh. 63Salomão imolou, para o sacrifício de comunhão que ofereceu a Iahweh, vinte e dois mil bois e cento e vinte mil ovelhas. Assim o rei e todos os filhos de Israel consagraram o Templo de Iahweh. 64No mesmo dia, o rei consagrou o interior do pátio que está diante do Templo de Iahweh; pois foi lá que ofereceu o holocausto, a oblação e as gorduras dos sacrifícios de comunhão, uma vez que o altar de bronze, que estava diante de Iahweh, era pequeno demais para conter o holocausto, a oblação e as gorduras dos sacrifícios de comunhão. 65Nesta ocasião, Salomão celebrou a festa, e todo o Israel com ele; houve uma grande assembleia, desde a Entrada de Emat até a Torrente do Egito, diante de Iahweh, nosso Deus, por sete dias. 66No oitavo dia despediu o povo; eles bendisseram o rei e voltaram para suas casas, alegres e de coração contente por todo o bem que Iahweh fizera a seu servo Davi e a Israel, seu povo.
9— 1Depois que Salomão acabou de construir o Templo de Iahweh, o palácio real e tudo o que tencionava realizar, 2Iahweh lhe apareceu uma segunda vez, como lhe aparecera em Gabaon. 3Iahweh lhe disse: “Ouvi a oração e a súplica que me dirigiste. Consagrei esta casa que construíste, nela colocando meu Nome para sempre; meus olhos e meu coração aí estarão para sempre. 4Quanto a ti, se procederes diante de mim como teu pai Davi, na integridade e retidão do coração, se agires segundo minhas ordens e observares meus estatutos e minhas normas, 5firmarei para sempre teu trono real sobre Israel, como prometi a Davi, teu pai, dizendo: ‘Jamais te faltará um descendente sobre o trono de Israel’; 6porém, se vós e vossos filhos me abandonardes, não observando os mandamentos e os estatutos que vos prescrevi e indo servir a outros deuses e prestar-lhes homenagem, 7então erradicarei Israel da terra que lhes dei; rejeitarei para longe de mim este Templo que consagrei a meu Nome e Israel será objeto de escárnio e de riso entre todos os povos. 8Este Templo tão sublime será para todos os transeuntes motivo de espanto; assobiarão e dirão: ‘Por que Iahweh tratou assim esta terra e este Templo?’ 9E responderão: ‘Porque abandonaram Iahweh, seu Deus, que fez sair seus pais da terra do Egito, porque aderiram a outros deuses e lhes prestaram homenagem e culto, por isso Iahweh fez cair sobre eles todas estas desgraças.’”
Resposta: O consulente está sob uma compreensão errônea. A Bíblia diz que Deus viu sua obra, e que ela era “boa”, mas não perfeita. Se fosse perfeita, não haveria mais nada a fazer, e a evolução teria sido supérflua. A Onda de Vida humana não se tornou definitivamente “humana” até a última parte da Época Lemúrica, quando o Espírito começou a habitar os Corpos dele. A Humanidade daquela Época, “Adão e Eva”, era muito diferente da nossa Humanidade atual. Ela também foi produtos da evolução, pois não existe criação instantânea. Esses seres haviam progredido através de estágios de desenvolvimento semelhantes a plantas e aos animais, partindo do Reino mineral em que se originaram, e não se tratava de um único par, como geralmente se entende pelos religiosos ortodoxos, mas sim de uma Humanidade composta por indivíduos masculinos e femininos na época mencionada na Bíblia. Diz-se que Ele criou o homem e a mulher; além disso, não era a primeira vez que o ser humano estava na Terra, ou que a Terra era povoada, como se pode ver em Gênesis 1:28[1], onde lhes foi ordenado que saíssem e repovoassem a Terra, mostrando que a Terra havia sido a morada de certos outros seres humanos antes do advento daqueles que são chamados “Adão e Eva”. Josephus[2] afirma que Adão significa “terra vermelha” e o termo hebraico “Admah”, do qual Adão deriva, significa “solo firme”; isso descreve muito bem o estado da Terra. Adm (como consta no texto hebraico) não veio à Terra até que ela se solidificasse e se tornasse firme, mas veio antes que a Terra esfriasse completamente como está agora, e por isso a Terra estava realmente em um estado vermelho e incandescente naquele momento. Ele já havia estado aqui antes. Durante as Épocas anteriores à Lemúrica, os Espíritos pairavam sobre a Terra incandescente e ajudavam a moldá-la como a conhecemos hoje. Os Espíritos humanos estavam, naquela época, aprendendo lições com as quais não temos interesse atualmente. Estávamos inconscientes naquele momento, mas realizávamos o trabalho tão bem quanto, por exemplo, nossos órgãos digestivos executam as operações químicas necessárias à digestão e assimilação, embora não tenhamos consciência desses processos em nossa Mente consciente. Deve ficar claro, no entanto, que, assim como o trabalho das crianças no jardim de infância e no ensino fundamental é a base fundamental para os ensinamentos posteriores do ensino médio e da faculdade, as Épocas anteriores foram os alicerces de nossas condições atuais. Elas foram tão necessárias quanto aprender o alfabeto antes de tentarmos ler.
(Pergunta nº 84 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: “Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra…”
[2] N.T.: Flávio Josefo, ou apenas Josefo (em latim: Flavius Josephus; 37 ou 38-ca. 100), também conhecido pelo seu nome hebraico Yosef ben Mattityahu (“José, filho de Matias” – Matias é variante de Mateus) e, após se tornar um cidadão romano, como Tito Flávio Josefo (latim: Titus Flavius Josephus), foi um historiador e apologista judaico-romano, descendente de uma linhagem de importantes sacerdotes e reis, que registrou in loco a destruição de Jerusalém, em 70 d.C., pelas tropas do imperador romano Vespasiano, comandadas por seu filho Tito, futuro imperador. As obras de Josefo fornecem um importante panorama do judaísmo no século I.
Resposta: Não, o Espírito é bissexual e geralmente se expressar em suas vidas sucessivas aqui alternadamente, uma vez como homem e outra como mulher. Há, no entanto, casos em que, de acordo com a Lei de Consequência, é preferível que um Espírito se manifeste em várias vidas sucessivas com um sexo determinado.
A lei é a seguinte:
À medida que o Sol se move em sentido retrógrado (aparentemente para trás) entre as doze Constelações zodiacais, com um movimento que chamamos de Precessão dos Equinócios, o clima da Terra, a flora e a fauna mudam gradualmente, criando assim um ambiente diferente para a Onda de Vida humana e cada Era subsequente. O Sol leva cerca de dois mil anos para percorrer um dos Signos astrológicos pelo movimento da Precessão dos Equinócios e, nesse tempo, o Espírito nasce geralmente duas vezes, um como homem e outro como mulher. As mudanças que ocorrem nos aproximadamente mil anos decorridos entre os renascimentos aqui não são tão grandes que o Espírito não possa extrair as experiências daquele ambiente, tanto da perspectiva do homem ou quanto da perspectiva da mulher.
Contudo, pode haver casos em que o tempo também seja alterado. Nenhuma dessas leis são inflexíveis como as leis dos Medos e dos Persas[1], pois elas são administradas por Grandes Inteligências[2] para o benefício da Humanidade, de modo que as condições possam ser alteradas para se adequarem às exigências de casos individuais. Por exemplo, no caso de um músico. Ele não encontra em qualquer lugar o material necessário para construir o seu Corpo Denso. Ele necessita de ajuda específica para construir os três canais semicirculares do seu ouvido, de modo que eles apontem, tão próximos quanto possível, para as três direções do espaço: ele também precisa também de ajuda para construir as delicadas fibras de Corti[3], pois sua capacidade de distinguir nuances de tons depende dessas características.
Nesse caso, quando uma família de músicos com quem ele tenha ligação estiver em condições de dar à luz a uma criança, ele poderá ser conduzido para lá, embora devesse permanecer nos Mundos Celestes ainda por uns cem anos, pois, talvez outra oportunidade para renascer aqui não se apresentasse antes de duzentos ou trezentos anos, se a lei fosse cumprida. Então, é claro, tal pessoa está à frente de seu tempo e não é apreciada pela geração com a qual convive. Ela é incompreendida, mas, mesmo isso é melhor do que se tivesse nascido mais tarde do que deveria, pois, então estaria atrasada em relação ao seu tempo.
Assim, vemos com frequência gênios desvalorizados por seus contemporâneos, embora altamente valorizados pelas gerações seguintes, que conseguem compreender o ponto de vida deles.
(Pergunta nº 14 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Medos e Persas foram povos da antiguidade. A “lei dos medos e persas” refere-se à tradição jurídica do Antigo Império Medo-Persa (Medo-Pérsia) onde, uma vez que um decreto era assinado pelo rei, ele se tornava irrevogável e imutável. Nem mesmo o próprio monarca podia anular uma sentença estabelecida, como ilustrado no relato bíblico de Daniel na cova dos leões.
[2] N.T.: são as Hierarquias Criadoras.
[3] N.T.: Ou órgão de Corti é o receptor sensorial auditivo situado na cóclea, no ouvido interno de mamíferos, responsável pela transdução de energia sonora em impulsos nervosos. Ele contém células ciliadas (receptores) que se movem com vibrações, enviando sinais ao cérebro. Danos a essas estruturas resultam em perda auditiva, pois não se regeneram.
Junho de 1914
Pela lição do mês passado, ficará evidente, por mais estranho que pareça, que a ópera Tannhäuser [1] é o lendário apelo pelo tão discutido sufrágio feminino, do qual tanto ouvimos falar nos tempos modernos. Também é evidente, como dissemos no mês passado, que “semelhante atrai semelhante”; e uma mulher tímida e medrosa, forçada a um casamento de maneira brutal (física ou psicológica), que se sente propriedade de alguém, como se fosse uma posse, sem liberdade para expressar suas ideias e ideais, não pode gerar uma prole nobre, forte e destemida, com a coragem de defender seus ideais. Portanto, enquanto muitos homens mantiverem a mulher em cativeiro (físico ou psicológico), negando-lhe o lugar que lhe cabe no mundo como companheira e cooperadora, todos estaremos nos atrasando no nosso desenvolvimento e de toda Onda de Vida humana. Essa é a razão esotérica pela qual deve haver uma perfeita igualdade entre os todos os seres humanos que, quando renascidos aqui, se manifestam por meio do sexo.
Se todos os seres humanos que aqui renasceram com o sexo masculino compreendessem plenamente a ideia de que renascemos em Corpos Densos com sexos alternados (em um renascimento como sexo feminino e no próximo com sexo masculino), logo atenderiam aos justos pedidos das mulheres – nem que apenas pelo motivo egoísta de que, em suas vidas futuras, aqueles que agora estão ocupando um Corpo Denso masculino assumirão um Corpo Denso feminino e terão que viver sob as condições que agora criaram. Desse modo, qualquer homem que agora nega os justos privilégios às mulheres algum dia terá que viver sob essas mesmas condições. Enquanto os que atualmente se manifestam com Corpo Denso feminino desfrutarão dos mesmos privilégios pelos quais agora lutam, sem precisar pedi-los; mas o autor vê a questão não limitada a falar somente sobre o direito do voto feminino, mas sim da igualdade moral que a mulher sente que deveria ter, e certamente ela tem um direito divino a isso, assim como o homem.
Um ponto destacado por Tannhäuser deve ser particularmente interessante para aqueles que desejam viver uma vida superior espiritualmente: Tannhäuser é responsabilizado com a mesma seriedade perante seus amigos que conhecem seu crime, assim como perante a Igreja. Não há duplo padrão de moral na Natureza. Pecado é pecado, independentemente de quem o cometa, e mais do que isso, a quem muito é dado, muito será exigido.
Portanto, as pessoas que alcançaram um estado elevado de iluminação devem, acima de tudo, aprender a viver uma vida pura e honesta, em harmonia com os seus ideais elevados de iluminação. Se, por meio da iluminação nos elevamos acima da lei, que não usemos nossa liberdade como pretexto para satisfazer a “carne”, como nos ensinou S. Paulo[2]. A doutrina “das almas gêmeas”[3] e “das afinidades”[4] têm arruinado muitas vidas que, se não fosse por isso, teriam sido coroadas com grande crescimento espiritual.
O que a sombra é para a luz, o que “o diabo” é para Deus, a luxúria é para o amor. O amor é divino, uma comunhão de almas livres. A luxúria é diabólica, e o transgressor é um escravo do pecado – não importa se a transgressão foi legalizada pelo Estado ou abençoada pela Igreja.
Esforcem-nos, portanto, por amar uns aos outros segundo o Espírito, e não segundo a “carne”.
(Do Livro: Carta nº 43 do Livro “Cartas aos Estudantes” – Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Baseada numa lenda medieval, conta a história de Tannhäuser, um menestrel que se deixa seduzir por uma mulher mundana, de nome Vênus, contrariando assim a defesa do torneio dos trovadores a que ele pertence de que o amor deve ser sublime e elevado. Quando Tannhäuser defende deliberadamente o amor carnal de Vênus, é reprimido pelos trovadores e consolado apenas por Isabel, uma virgem que o ama muito. É-lhe dito que sua única chance de perdão é dirigir-se ao Vaticano e rogar o perdão do Papa. Tannhäuser segue, então, com o torneio até Roma, mas de maneira autopunitiva: dormindo sobre a neve, enquanto os demais estão no alojamento; caminhando descalço sobre o chão quente, passando fome, e ainda com os olhos vendados, para não ver as belas paisagens da Itália. Ao chegar diante do papa, em vez de obter o perdão, ouve o papa dizer que é mais fácil o cajado que ele segura florescer do que ele obter o perdão dos pecados, tanto no céu quanto na terra. Odiando a Igreja, Tannhäuser volta à Alemanha e Isabel sobe aos céus, rogando a Deus que interceda por ele. Os trovadores voltam com a notícia de que o cajado do papa floresceu, simbolizando que um pecador obteve no Céu o perdão que não obteve na Terra.
[2] N.T.: Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne. Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer. Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais sob a lei. Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam. Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito. Não nos deixemos possuir de vanglória, provocando uns aos outros, tendo inveja uns dos outros. (Gl 5:16-26)
[3] N.T.: A doutrina das “almas gêmeas” refere-se à crença de que os indivíduos têm um parceiro predestinado, perfeito e, muitas vezes, único, destinado a completá-los espiritual, física e psicologicamente. Enraizada na filosofia grega antiga e popular em contextos espirituais modernos, essa ideia enfatiza uma conexão intensa e predestinada que transcende a mera compatibilidade.
[4] N.T.: A doutrina das afinidades refere-se à relação jurídica ou canônica criada entre um cônjuge e os parentes consanguíneos do outro cônjuge por meio do casamento (sob a lei), ou, historicamente, por vezes, por meio de relações sexuais ilícitas.
Estamos nos aproximando do Natal, época de grande significado para nós, Estudantes Rosacruzes. Façamos um pequeno histórico da nossa vida e de nossa relação com o acontecimento ocorrido há mais de dois mil anos, a fim de entendermos a ligação entre Deus, nós e as outras coisas.
Por certo, já devemos ter pensado no significado mais profundo do Natal e na sua importante ligação com a nossa vida. De fato, existe algo de profundamente grande nesse elo entre o Natal e nós.
Falam os Evangelhos de um ser de elevada evolução, Jesus de Nazaré, nascido em Belém, cidade da Palestina. Ele nasceu, por falta de estalagem, em lugar humilde, uma manjedoura onde se dava alimento aos animais.
Pensemos no que isso representa em nossa vida. Não é só um fato ocorrido há mais de dois mil anos, encarado apenas historicamente e sem relação alguma com a atualidade. Nada disso. Pensemos bem nessas coisas e não nos será difícil descobrir que elas dizem respeito a nós mesmos.
Em primeiro lugar, o nascimento de Jesus em uma manjedoura simboliza a profunda humildade que nós devemos considerar em nossa vida. Jesus foi o perfeito exemplo e Cristo demarcou, com os fatos do Seu ministério, os passos que todos nós, ao nosso tempo, deveremos percorrer conscientemente para voltar ao Deus-Pai.
Desde o Período de Saturno, nós, os Espíritos Virginais da Onda de Vida humana (ou a Hierarquia Zodiacal de Peixes) temos, vida após vida, desenvolvido e aperfeiçoado nossos veículos, inclusive a Mente, que nos proporcionará cada vez mais a consciência de nós mesmos como um indivíduo. Através da Mente e do desenvolvimento da razão, chave dessa Época, a Ária, iremos descobrir dentro de nós uma réplica da história de Jesus e mais profundamente sentiremos a relação que existe entre nossas vidas e a daquele amado Irmão Maior da Humanidade.
A meditação sobre o Natal vai nos levar a reconhecer algo muito sério que a grande maioria dos irmãos e das irmãs não alcançou ainda e o Cristianismo popular, por isso (em parte), não explica.
Bethlehem (Belém) significa “casa de carne” em hebraico (“casa do pão” em grego antigo) e é o símbolo do corpo material – o Corpo Denso –, que é composto de elementos químicos. Mesmo já domesticados, dentro desse Corpo existem os “animais dos nossos instintos”, porque a manjedoura do nosso coração não abriga apenas sentimentos elevados. Ali, sob o influxo divino evolutivo, destinado um dia a abrigar um “Cristo adulto”, nasce “Jesus”, o Espírito interno que surge mais definidamente dentro de nós, após tantos anos de escravidão (e que se tornará o Cristo Interno), filho de José, a Vontade educada, e de Maria, a Imaginação pura. Desses dois atributos primeiros da Divindade surge o Verbo que se fez carne.
Quanto mais não podemos deduzir de tão sublimes ensinamentos à luz da Filosofia Rosacruz, que tudo nos alumia? Em tão curto espaço não poderíamos nos estender.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de dezembro/1966-Fraternidade Rosacruz-SP)
Mais uma vez, a dança circular mística revelada do Sol vai sendo executada em sua órbita e, novamente, ficamos aguardando com um regozijo antecipado o nascimento de um novo Sol para nos levar ao próximo ano. Não obstante a Grande Guerra[1], o Espírito do Natal está no ar, o Espírito da expectativa, o sentimento de que algo novo está entrando em nossas vidas e que o futuro será mais brilhante do que o passado e isso tudo será para todos. Embora todas as calamidades e sofrimentos contidos na Caixa de Pandora[2] pareçam estar no lado de fora nesse momento, a Esperança, o presente celestial dos Deuses, sorri nos encorajando, enquanto ela aponta para o revestimento prateado da grande nuvem da guerra e, nos diz que, por trás dessa nuvem, o Sol da paz e alegria será mais luminoso do que nunca, e que atualmente iluminará a Terra com um esplendor tal que nunca foi apreciado por nós.
Contudo, existem alguns que são fisicamente cegos e, embora o Sol nunca brilhe tão intensamente, eles não o percebem. Também, existem aqueles que são espiritualmente cegos e, consequentemente, incapazes de ver a grande onda espiritual que desce anualmente sobre a Terra. Devemos ter dentro de nós esse órgão de percepção, pois, como diz Angelus Silesius:
“Embora Cristo nasça mil vezes em Belém,
Se não nascer dentro de ti, tua alma seguirá extraviada.
Olharás em vão a cruz do Gólgota,
Enquanto ela, também, não se erguer em teu coração”.
Ano após ano, o Místico iluminado vê esse grande Drama Cósmico, da descida do Espírito na matéria, ocorrendo ante sua visão espiritual. Não é uma visão vaga e indefinida e dependente de certos sentimentos, mas é uma apresentação clara e precisa nos mínimos detalhes. Não é necessário que o Espírito nos Mundos invisíveis assuma uma determinada forma definida, exatamente como fazemos no Mundo Físico, pois, qualquer forma que tenha um certo contorno nítido implica em limitação.
Um Espírito pode permitir que sua forma se misture com às formas de outros Espíritos, podendo permear até os Corpos Densos de outros e ainda reter sua própria Individualidade, porque ele vibra em um certo tom ou nota-chave diferente daquela de todos os outros. Assim, em setembro, o Clarividente Voluntário treinado e iluminado percebe o Espírito Crístico Cósmico como uma poderosa Onda de Luz de supremo esplendor, descendo sobre a Terra que Ele permeia.
Em torno do dia 21 de dezembro, essa luz celestial alcança o centro de nossa esfera terrestre. Então os dias são mais curtos, as noites são mais longas e mais escuras, “mas a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a apreenderam”[3]. Os impulsos vibratórios motrizes fornecidos à Terra, durante os primeiros meses de cada ano, quase se esgotaram; no Natal, a Terra está cristalizada, morta e fria, e se essa nova vida do Espírito de Cristo não fosse derramada na Terra para renovar suas energias por mais um ano, toda a vida em nosso Planeta pereceria.
Sempre houve muita especulação sobre a natureza da “estrela” que brilhou em Belém à meia-noite. A opinião ortodoxa[4] sustenta que a Imaculada Concepção e o Nascimento de Jesus são os únicos na história da Onda de Vida humana; ela supõe que a “Estrela de Cristo” foi vista no firmamento apenas naquela ocasião; mas os Sábios que, pela alquimia do crescimento anímico, estão se esforçando para construir dentro de si a pedra angular que foi rejeitada pelos construtores, mas que é valorizada por todos os filósofos, sabem que a Luz de Cristo não pode ser encontrada fora de nós.
Eles sabem que o axioma hermético que expressa a lei da analogia “como acima é embaixo” também se aplica nesse caso, e que o Cristo formado dentro deles deve procurar a Estrela do Cristo dentro da Terra, pois, novamente citando Angelus Silesius, “seria impossível para um Cristo salvar o Mundo, estando fora da Terra, como é para um Cristo no Gólgota nos salvar”. Até que o Cristo nasça dentro de nós, e até que o Cristo nasça dentro da Terra, Ele não pode realizar Sua missão.
Portanto, na noite mais longa e mais escura de cada ano o Místico se ajoelha em silenciosa adoração, olhando internamente por meio da visão espiritual. Cultivada por ele, em direção ao centro da Terra, onde a maior e mais elevada Luz que já brilhou na terra ou no mar, ilumina o mundo inteiro com resplendor e luminosidade que são avassaladores.
E então, o ser humano sábio traz seus dons e os oferece aos pés do recém-nascido Salvador. Ele pode ser pobre diante dos bens materiais do mundo; pode até não ter um lugar para descansar a cabeça, no entanto, seus dons são mais preciosos do que qualquer quantia extremamente grande de dinheiro que se possa imaginar. Durante sua vida de Aspiração, ele cultivou bens preciosos e o primeiro a ser oferecido no Altar do Sacrifício é o Amor.
“O amor não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconveniente, não busca os seus interesses, (…) não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; (…) se houver profecias, falharão, e se houver ciência desaparecerá, porque agora permanecem a Fé, a Esperança e Amor, mas, a maior das virtudes é o amor”[5]. “Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que n’Ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”[6]. E esse grande presente não foi dado para sempre, mas, a cada ano o Filho de Deus renasce, novamente na Terra, para vivificar esse Planeta com Suas vibrações superiores, para que possamos ter vida e vida em abundância.
Assim como o Espírito Humano morre no plano espiritual quando nasce no Mundo Físico, também o Espírito de Cristo morre na Esfera Solar quando, por nossa causa, nasce na Terra na época do Natal. É confinado pelo ambiente de cristalização que criamos. Verdadeiramente, “ninguém tem maior amor do que dar a vida por seus amigos”[7], e Cristo disse: “Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu mando, (…) e esse é o meu mandamento: amar uns aos outros” [8].
Portanto, o amor do Místico, oferecido sobre o Altar do Sacrifício no grande festival da Noite Santa, não é abstrato, mas se expressa em atos concretos para com todos com quem ele entra em contato durante o ano seguinte. Seu segundo presente para o recém-nascido Salvador é a devoção. O fogo do entusiasmo deve arder no peito de todo Aspirante à vida superior, pois nenhuma observância fria dos ritos religiosos, nenhuma entrega de presentes sem esse sentimento intensamente devocional pode ter qualquer valor na luz espiritual. Foi dito que um dos antigos Reis Israelitas praticou o mal com ambas as mãos avidamente; assim também o Aspirante à vida superior deve praticar o bem com ambas as mãos avidamente: todo o seu coração, toda a sua alma e toda a sua Mente devem ser oferecidos sobre o Altar do Sacrifício, e como se diz: do mesmo modo que o incenso dos sábios, mencionados na Bíblia, encheu o lugar da natividade com perfume, assim também, deve esse fogo de entusiasmo acender nossa devoção, para que o “incenso” possa penetrar em todo o ambiente com a devoção para a causa dos Irmãos Maiores.
Contudo, o amor, a devoção e o entusiasmo oferecidos pelo Místico sobre o altar do recém-nascido Cristo não são separados e afastados de d’Ele mesmo. Ele não pode dar sem incluir o maior e melhor de todos os presentes, o único presente valioso; ou seja, Ele mesmo. Não importa qual seja sua posição na vida, elevada ou baixa, rica ou pobre, essa não é uma preocupação de Cristo. O Espírito falando com ele sempre lhe diz: “Filho, eu não desejo aquilo que é teu, pois isso já é Meu; a Terra e a sua plenitude, o gado nas mil colinas, todos foram feitos por Mim e através de Mim[9], contudo, o que eu desejo é você mesmo, o seu coração. Dá-me o teu coração, Filho, e eu te darei o que é mais do que tudo, a Paz que supera todo o entendimento”[10]. E possa a “Pomba da Paz”, o Amor de Cristo, logo encontrar um novo apoio em nosso mundo desgastado por essa guerra.
(De Max Heindel, publicado na Revista Rays from the Rose Cross de janeiro de 1916 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)
[1] N.T.: Refere-se à Primeira Guerra Mundial
[2] N.T.: Caixa de Pandora é um artefato da mitologia grega, tirada do mito da criação de Pandora, que foi a primeira mulher criada por Zeus. A “caixa” era na verdade um grande jarro dado a Pandora, que continha todos os males do mundo.
[3] N.T.: Jo 1:5
[4] N.T.: ou exotérica
[5] N.T.: ICor 13:4-13
[6] N.T.: Jo 3:16
[7] N.T.: Jo 15:13
[8] N.T.: Jo 15:14-17
[9] N.T.: Sl 50:10
[10] N.T.: Pb 23:26 e Fp 4:7
Resposta: Demonstra-se o triste estado da sociedade quando uma questão como esta pode ser relevante, como, infelizmente, é. O propósito fundamental do casamento é a perpetuação da Onda de Vida humana aqui, na Região Química do Mundo Físico, e as pessoas que não estão dispostas a se tornarem pais não têm o direito de se casar. Deveria ser direito de toda criança ser bem-nascido e bem-vindo.
Mas, embora tenhamos o cuidado de procurar a melhor linhagem nos animais que usamos para fins de reprodução, para que possamos obter os mais resistentes e de melhor qualidade, geralmente, não costumamos pensar na aptidão física, moral e mental daquele ou daquela que escolhemos para ser o pai ou a mãe dos filhos que queremos aqui. Na verdade, normalmente, é considerado indelicado, senão impróprio, e quando elas chegam, apesar dos preventivos, os pais, muitas vezes, ficam perturbados e desgostosos. Mas, a Lei de Causa e Efeito não pode ser contrariada. “Os moinhos de Deus moem devagar, mas moem extraordinariamente bem”, e embora os séculos possam passar, chegará o momento em que aquele que foi um pai ou uma mãe relutante procurará, novamente, renascer aqui, e talvez renasça numa família onde não seja bem-vindo. Ou, ao pai ou a mãe relutante numa vida, poderá ser estéril numa outra. O autor tomou conhecimento de vários casos, como o de um casal que tinha sido abençoado com a vinda de numerosos filhos muito desejados, que amaram intensamente, mas que morreram durante a infância, um após o outro, para o grande desespero dos pais.
(Pergunta nº 28 do livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Vol. I” – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Outubro de 1917
Na semana passada, uma visitante que esteve em Mount Ecclesia me disse que ela passou uns vinte anos estudando todas as diferentes filosofias que conseguiu encontrar; também me disse que nos últimos anos ela havia se dedicado aos estudos dos Ensinamentos Rosacruzes, que eles a atraíam por serem a verdade absoluta. Ela naturalmente esperava que eu concordasse com esse sentimento, e não com os Ensinamentos que me foram fornecidos pelos Irmãos Maiores e que foram escritos em nossos vários livros.
Para os Bosquímanos[1] e os Kafirs[2], por exemplo, que podem desenvolver um temperamento religioso – até onde lhes seja possível entender isso – provavelmente aceitarão como uma grande verdade, que haja um ser divino de natureza superior à humana. Para tais seres humanos e para tal concepção de Religião há um avanço gradual em direção às filosofias transcendentais que despertam reverência nos espécimes mais desenvolvidos da Onda de Vida humana. Isso nos dá razão para acreditar que a evolução do ser humano requer também uma evolução da sua Religião. Subimos dos vales da ignorância infantil até o ponto em que hoje nos encontramos, e seria absolutamente contrário à Lei de Analogia supor que qualquer conquista na linha religiosa que atualmente possuímos seja a suprema; pois se não houver mais progresso religioso, também não poderá haver mais progresso humano.
Qual é, então, o caminho que conduz às alturas da realização religiosa e onde encontrá-lo? Essa parece ser uma pergunta lógica. A resposta é que ele não se encontra nos livros, nem meus nem de qualquer outra pessoa. Os livros são úteis, à medida em que nos fornecem material para reflexão sobre os assuntos abordados. Podemos ou não chegar às mesmas conclusões que o escritor dos livros, mas, desde que levemos as ideias apresentadas ao nosso interior e trabalhemos nelas com cuidado e oração, tudo o que resultar do processo será nosso, mais próximo da verdade do que qualquer coisa que possamos obter de qualquer outra pessoa ou de qualquer outra forma.
O Eu Superior, portanto, é o único tribunal digno da verdade. Se levarmos nossos problemas diante desse tribunal, de forma consistente e persistente, desenvolveremos, com o tempo, um senso da verdade tão superior que, instintivamente, sempre que ouvirmos uma ideia sendo apresentada, saberemos se ela é sólida e verdadeira ou não. A Bíblia, em várias passagens, nos exorta a ter cuidado com todos os tipos de doutrinas que flutuam no ar, porque muitas são perigosas e perturbam a Mente. Livros são lançados para promover este, aquele ou outro sistema de filosofia. A menos que tenhamos estabelecido, ou tenhamos começado a estabelecer, esse tribunal interno da verdade, podemos ser como a senhora mencionada acima – vagueando de um lugar para outro, mentalmente falando, por toda a nossa vida e não encontrando descanso, sabendo pouco mais no final do que no início, e talvez até menos.
Portanto, meu conselho ao Estudante Rosacruz seria nunca aceitar, rejeitar ou seguir cegamente qualquer autoridade, mas se para estabelecer o tribunal da verdade interiormente. Remetam todos os assuntos a esse tribunal, comprovando todas as coisas e absorvendo firmemente tudo o que nele existir de bom.
(Cartas aos Estudantes – nº 83 – do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Os “bosquímanos”, mais corretamente referidos como o povo San, são povos indígenas caçadores-coletores de longa data do sul da África.
[2] N.T.: Uma pessoa que rejeita ou descrê em Deus (Alá) como descrito pelo islã de acordo com os ensinamentos do profeta islâmico Maomé e nega o domínio e a autoridade do Deus islâmico.
Setembro de 1912
Se eu tivesse pedido aos Estudantes que me escrevessem qual era, na opinião deles, o ponto mais importante da lição do mês passado, o que você acha que teria sido respondido na maioria dos casos? Acredito que muitos sentiriam que a conexão entre o pão, o vinho e a saúde era a ideia principal; e talvez eu seja responsável por essa visão, porque escrevi essas palavras em negrito[1]. Mas, ainda que seja de suma importância essa conexão entre o pão, o vinho e a saúde, e a apliquemos em nossas vidas com o máximo da nossa capacidade, se o fizermos por uma razão menor do que a dada por Nosso Senhor, isso será essencialmente egoísta, e não promoverá nosso desenvolvimento tanto quanto se o fizéssemos como Ele pediu: “em memória de Mim”[2].
Basta olhar para a questão sob esse prisma, caro amigo ou cara amiga, você entenderá a ideia. Sob o regime de Jeová, o egoísmo cristalizou a Terra em tal extensão que as vibrações espirituais quase cessaram. A evolução estava estagnada, e o sangue estava tão impregnado de egoísmo que a Onda de Vida humana corria o perigo de degenerar. Então, o Cristo Cósmico se manifestou por meio de Jesus para nos salvar. Purificar profundamente livrando o sangue de todo o egoísmo é o Mistério do Gólgota; começou quando o sangue de Jesus fluiu, continuou através das guerras das nações Cristãs sempre que os seres humanos lutavam por um ideal, e durará até que, por contraste, os horrores da guerra tenham impressionado suficientemente a Humanidade com a beleza da Fraternidade.
Cristo entrou na Terra pelo evento do Gólgota. Ele está, novamente, fermentando o Planeta Terra e tornando-a receptiva às vibrações espirituais, mas o Seu sacrifício não foi consumado em um só momento, morrendo para nos salvar, como geralmente se crê. Ele ainda está gemendo e sofrendo, esperando pelo dia da Sua libertação[3], pela “manifestação dos filhos de Deus”; e realmente nós apressamos esse dia toda vez que participarmos do alimento para os nossos Corpos superiores, simbolizados pelos: pão e vinho místicos. Mas seríamos muito mais eficientes em acelerar a nossa própria libertação e em apressar o “dia de Nosso Senhor”, se sempre fizéssemos “em memória de Mim”.
Você se lembra da “Visão de Sir Launfal?”. Não era o tamanho da dádiva o que importava; a moeda de ouro atirada ao mendigo era materialmente mais valiosa do que a côdea de pão que ele deu mais tarde; mas a moeda foi dada com impaciência para se livrar de uma presença repugnante. A côdea de pão foi dada em memória de Cristo e por Sua causa, e nisso está toda a diferença.
E Sir Launfal lhe disse:
“Vejo em ti
a imagem d’Aquele que na cruz morreu.
Tu, também, tens a coroa de espinhos de quem padeceu,
muitos escárnios tens também sofrido
e o desprezo do mundo hás sentido.
As feridas em tua vida não faltaram
nos pés, nas mãos, no corpo, elas te machucaram.
Filho da clemente Maria reconhece quem eu sou
e vê que, através do pobre, é a Ti que eu dou.”
Quanto mais cultivarmos o espírito de tudo fazer pela causa de Cristo e Sua Libertação, melhores e mais frutíferas serão as nossas vidas aqui.
(Cartas aos Estudantes – nº 22 – do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Lição do mês passado publicada como Capítulo IV do Livro Coletâneas de um Místico – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz: O SACRAMENTO DA COMUNHÃO – “em memória de Mim” – PARTE II
“… na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão e, depois de dar graças, partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo, que é para vós; fazei isto em memória de mim”. Do mesmo modo, após a ceia, também tomou o cálice, dizendo: “Este cálice é a nova Aliança em meu sangue; todas as vezes que dele beberdes, fazei-o em memória de mim”. Todas as vezes, pois, que comeis desse pão e bebeis desse cálice, anunciais a morte do Senhor até que ele venha. Eis porque todo aquele que comer do pão ou beber do cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor. Por conseguinte, que cada um examine a si mesmo antes de comer desse pão e beber desse cálice, pois aquele que come e bebe sem discernir o Corpo, come e bebe a própria condenação. Eis porque há entre vós tantos débeis e enfermos e muitos morreram.” (ICor 11:23-30).
Nos trechos acima há um significado esotérico profundamente oculto que é particularmente obscuro na tradução inglesa, mas em alemão, latim e grego o Estudante Rosacruz ainda tem um indício do que realmente foi pretendido com essa última admoestação do Salvador a Seus Discípulos. Antes de examinar esse aspecto do assunto, vamos considerar primeiro as palavras: “em memória de Mim”. Estaremos, então, talvez em melhores condições para compreender o que significa o “cálice” e o “pão”.
Suponhamos que uma pessoa procedente de um lugar distante venha ao nosso país e viaje através dele, visitando vários lugares. Por toda parte verá pequenas comunidades se reunindo ao redor da Mesa do Senhor para celebrar esse rito mais sagrado para todos os Cristãos, e se perguntasse a razão de fazerem isso, as pessoas lhe responderiam que elas faziam isso em memória d’Aquele que viveu uma vida mais nobre do que qualquer um que já viveu nesta Terra; d’Aquele que foi a bondade e o amor personificados; d’Aquele que foi o servo de todos sem se preocupar em ganhar ou perder. Se esse estranho comparasse a atitude dessas comunidades religiosas aos domingos na celebração desse rito com as vidas deles durante o restante da semana, o que veria?
Cada um de nós sai para o mundo para batalhar pela existência. Sob a lei da necessidade, esquecemos o amor que deveria ser o fator principal nas vidas Cristãs. A mão de uma pessoa está sempre contra seu irmão ou sua irmã. Todos lutam por posição, riqueza e pelo poder que advém com esses atributos. Esquecemos na segunda-feira o que, reverentemente, relembramos no domingo e, em consequência, todo o mundo é digno de pena por isso. Fazemos, também, uma distinção entre “o pão e o vinho” que bebemos na chamada “Mesa do Senhor” e o alimento que comemos ou bebemos durante os intervalos entre o comparecimento à Comunhão. Porém, nada é mencionado nas Escrituras que justifique tal distinção, como qualquer um pode verificar mesmo na versão inglesa, que omite as palavras impressas em itálico inseridas pelos tradutores para dar o que pensavam ser o sentido da passagem. Pelo contrário, é-nos dito que tudo o que comermos, bebermos ou qualquer coisa que fizermos, deveria ser feito para a glória de Deus. Todos os nossos atos deveriam ser uma oração. A “ação de graças” superficial que fazemos às refeições é, na realidade, uma blasfêmia e o pensamento silencioso de gratidão Àquele que nos dá o pão de cada dia está longe de ser o suficiente. Quando lembramos, à cada refeição, que o alimento retirado da substância da Terra é o corpo do Espírito de Cristo que ali habita, que aquele corpo está sendo repartido para nós diariamente, podemos compreender apropriadamente a bondade amorosa que O impele a Se dar por nós; por isso vamos, também, relembrar que não há um momento, dia ou noite, que Ele não esteja sofrendo por estar aprisionado a esta Terra. Portanto, quando comemos e percebemos a verdadeira situação, de fato estamos proclamando a morte do Senhor Cristo, cujo Espírito está gemendo e labutando, esperando pelo dia da libertação, quando não haverá necessidade de uma envoltura tão densa como a que necessitamos agora.
Mas há um outro mistério, maior e mais maravilhoso ainda, oculto nessas palavras de Cristo. Richard Wagner, com a rara intuição do gênio do músico, percebeu essa ideia quando, sentado em meditação à beira do Lago de Zurique numa Sexta-Feira Santa, sentiu brotar em sua Mente um pensamento: “Que conexão há entre a morte do Salvador e os milhões de sementes que germinam na terra nessa época do ano?”. Se meditarmos sobre aquela vida que anualmente brota na primavera, vemo-la como algo gigantesco e inspirador; uma intensidade enorme de vida que transforma o globo, de um momento próximo à morte congelante a uma vida rejuvenescida, em um curto espaço de tempo; e a vida que assim se propaga nos brotos de milhões e milhões de plantas é a vida do Espírito da Terra.
Dela vem tanto o trigo como a uva. Esses representam o corpo e o sangue do aprisionado Espírito da Terra, incumbido de sustentar a Humanidade durante a presente fase da evolução dela. Nós repudiamos a argumentação daqueles que alegam que o mundo tem a obrigação de lhes dar uma vida boa, sem que eles se esforcem e onde não tenham nenhuma responsabilidade material da parte deles; no entanto, nós insistimos que há uma responsabilidade espiritual conectada com “o pão e o vinho” servidos na Última Ceia do Senhor: devem ser ingeridos dignamente, caso contrário, causarão problemas de saúde e até mesmo a morte. Superficialmente lido, poderá parecer um conceito forçado, porém, quando meditamos à luz do esoterismo, examinando outras traduções da Bíblia e observando as condições atuais do mundo, veremos que não é assim tão forçado.
Retornemos ao momento na Evolução em que o ser humano vivia sob a guarda dos Anjos, construindo, inconscientemente, o Corpo que agora ele usa. Isso foi na antiga Época Lemúrica. Era necessário um cérebro para evolução do pensamento e uma laringe para expressão verbal desse mesmo pensamento. Portanto, metade da força criadora foi dirigida para cima e usada pelo ser humano para formar esses órgãos. Por isso, a Humanidade se tornou separada em sexos masculino e feminino, e foi forçada a procurar um complemento quando foi necessário criar um outro novo Corpo Denso e um Corpo Vital para servir como um instrumento numa fase mais elevada da evolução.
Enquanto o ato do amor era consumado sob a sábia custódia dos Anjos, a existência do ser humano estava livre de angústias e tristezas profundas, e de dores e da morte. Mas quando, sob a tutela dos Espíritos Lucíferos, ele comeu da árvore do Conhecimento e perpetuou a raça, sem levar em conta as linhas de forças interplanetárias, transgrediu a lei e os Corpos assim formados se cristalizaram excessivamente e se tornaram sujeitos à morte, de uma maneira muito mais perceptível do que haviam estado até então. Por isso, foi forçado a criar Corpos novos mais frequentemente, à medida que seu período de vida aqui se encurtava. Os guardiães celestiais da força criadora expulsaram o ser humano do jardim de amor para o deserto do mundo, e ele se tornou responsável por suas ações sob a lei cósmica que governa o universo. Desde então, por um longo tempo, o ser humano continua essa luta difícil e esgotante para conseguir sua própria salvação, e a Terra, em consequência disso, se cristalizou cada vez mais.
Hierarquias divinas, incluindo o Espírito de Cristo, trabalharam sobre a Terra externamente, assim como o Espírito-Grupo guia os animais sob sua proteção; mas, como diz S. Paulo tão corretamente: “Ninguém pode ser justificado sob a lei, pois sob ela todos pecaram e todos devem morrer” Rm (2:12). Não há no antigo pacto nenhuma esperança além da presente, salvo um presságio de alguém que há de vir e que restaurará o agir de acordo com a Lei Divina, livre de culpa ou pecado. Por isso, S. João proclama que a lei foi dada por Moisés e a graça veio por meio de Cristo (Jo 1:17). Mas, o que é a graça? Ela pode trabalhar contra a lei e revogá-la completamente? Certamente não. As Leis de Deus são imutáveis e firmes, ou o universo se tornaria um caos. A lei de gravidade mantém nossas casas em posição relativa às outras casas e por isso, quando saímos delas sabemos, com certeza, que as encontraremos no mesmo lugar ao retornarmos. Pelo mesmo princípio, todas as outras divisões no universo estão sujeitas a leis imutáveis.
Assim como a lei, separada do amor, originou o pecado, assim também a lei temperada com amor é a graça. Tomemos um exemplo de nossas condições sociais concretas: temos leis que decretam uma certa penalidade para uma ofensa específica e, quando a lei é observada, chamamos isso de justiça. Porém, a longa experiência está começando a nos ensinar que justiça, pura e simples, é como os dentes do dragão Colchian (No mito grego, os dentes do dragão aparecem com destaque nas lendas do príncipe fenício Cadmo e na busca de Jasão pelo Velocino de Ouro. Em cada caso, os dragões estão presentes e cospem fogo. Seus dentes, uma vez plantados, se transformariam em guerreiros totalmente armados. Cadmo, o portador da alfabetização e da civilização, matou o dragão sagrado que guardava a fonte de Ares. A deusa Atena disse-lhe para semear os dentes, de onde surgiu um grupo de guerreiros ferozes chamados spartoi – um povo mítico que surgiu dos dentes do dragão semeados por Cadmo e foram considerados os ancestrais da nobreza tebana. Ele jogou uma joia preciosa no meio dos guerreiros, que se viraram na tentativa de se apoderar da pedra. Os cinco sobreviventes juntaram-se a Cadmo para fundar a cidade de Tebas. Da mesma forma, Jason foi desafiado pelo Rei Aeëtes da Cólquida a semear dentes de dragão – daí dragão de Colchian – em Atenas para obter o Velocino de Ouro. Medea, filha de Aeëtes, aconselhou Jason a jogar uma pedra entre os guerreiros que surgiram da terra. Os guerreiros começaram a lutar e matar uns aos outros, não deixando nenhum sobrevivente além de Jason. As lendas clássicas de Cadmo e Jasão deram origem à frase “semear dentes de dragão”. Isso é usado como uma metáfora para se referir a fazer algo que tem o efeito de fomentar disputas.) que gera disputas e lutas cada vez maiores. O chamado criminoso permanece criminoso e se torna cada vez mais embrutecido pelas penalidades da lei; mas, quando um regime menos rigoroso, nos tempos atuais, permite que a sentença imputada àquele que transgrediu a lei seja suspensa, então ele estará sob a graça e não sob a lei. Também, o Cristão que procura seguir os passos do Mestre é emancipado da lei do pecado pela graça, desde que abandone o caminho do pecado.
Esse foi o pecado dos nossos progenitores na antiga Época Lemúrica que eles espalharam suas sementes independentemente da Lei e sem o amor. Mas é o privilégio do Cristão se redimir pela pureza da sua vida, em memória do Senhor. S. João diz: “Sua semente permanece nele” (IJo 3:9) e esse é o significado oculto do “pão e vinho”. Na versão inglesa lemos simplesmente: “Esse é a taça do Novo Testamento”, mas no alemão, a palavra que designa cálice é “Kelch” e em latim é “Calix” (Na língua portuguesa temos a tradução como cálice), ambas significando a parte externa que envolve a semente da flor. Em grego temos um significado mais sutil ainda, não expresso em outras línguas, na palavra “poterion”, um significado que se torna evidente quando consideramos a etimologia da palavra “pot”. Isso nos fornece, imediatamente, a mesma ideia de cálice ou “calix” – um receptáculo; e verbo latino “potare” (beber) também mostra que a “taça” é um receptáculo capaz de reter um líquido. As palavras inglesas “potente” e “impotente”, designando possuir ou ter falta da força viril, mostra o significado dessa palavra grega que indica a evolução do “homem para um super-homem”.
Já vivemos existências semelhantes ao mineral, à planta e ao animal, respectivamente, antes de nos tornarmos humanos como o somos hoje e, diante de nós existem ainda outras evoluções até nos aproximarmos cada vez mais do Divino. Prontamente aceitamos como verdade e válido que são nossas paixões animais que nos retêm no caminho da realização; a natureza inferior está constantemente em luta com o “eu superior”. Isso acontece, pelo menos, com os que já experimentaram um despertar espiritual; uma guerra está sendo travada silenciosamente no interior e pior seria se isso fosse reprimido. Goethe (Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832) foi um polímata, autor e estadista alemão do Sacro Império Romano-Germânico que também fez incursões pelo campo da ciência natural. Como escritor, Goethe foi uma das mais importantes figuras da literatura alemã e do Romantismo europeu, nos finais do século XVIII e inícios do século XIX.), com arte magistral, exprimiu esse sentimento nas palavras de Fausto, a alma aspirante, ao se dirigir a seu amigo materialista, Wagner:
“Por um só impulso tu estás possuído,
Inconsciente do outro permaneces, ainda não o tens sentido.
Duas almas, oh! moram dentro do meu peito,
E aí lutam por um indivisível reino;
Uma aspira pela terra, com vontade apaixonada
Às íntimas entranhas ainda está ligada.
Acima das névoas, a outro aspira, de certeza,
Com ardor sagrado por esferas onde reine a pureza”.
Foi o conhecimento dessa necessidade absoluta de castidade (exceto quando o objetivo é a procriação) por parte daqueles que já haviam tido um despertar espiritual, que inspirou as palavras de Cristo e o Apóstolo S. Paulo exprimiu uma verdade esotérica quando disse que aqueles que tomam a comunhão sem viver a vida, estão em perigo de doença e morte. Assim como, sob uma tutela espiritual, a pureza de vida pode elevar o Discípulo de uma maneira maravilhosa, assim também a falta de castidade produz um efeito muito maior sobre os Corpos mais sensibilizados do que sobre aqueles que estão ainda sob a lei e não se tornaram participantes da graça, pelo cálice da Nova Aliança.
[2] N.T.: Lc 22:19
[3] N.T.: Rm 8:19-23
Os Estudantes Rosacruzes mais familiarizados com o estudo deste assunto conhecem os efeitos desastrosos provocados por uma crise de ansiedade ou medo. Estas emoções alteram a digestão, interferem no metabolismo e na eliminação dos detritos. Em suma, transtornam todo o organismo, tanto que em determinados casos a pessoa se vê obrigada a guardar leito por maior ou menor lapso de tempo, dependendo da intensidade da crise e de sua resistência orgânica.
Existe, porém, um efeito oculto, tão sério que mais ainda e, geralmente, pouco compreendido. Cremos ser imensamente benéfico examinarmos os efeitos ocultos do equilíbrio, da ira, do amor, do pessimismo, do otimismo e afins.
Pelo estudo do Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, sabemos que o germe do Corpo de Desejos nos foi dado no Período Lunar. Para se obter uma imagem mental da forma humana no referido Período, basta observar uma ilustração do feto em um livro de Biologia. Constataremos a existência de três partes principais: a placenta, o cordão umbilical e o feto.
Imagine agora, naquele longínquo Período, o firmamento como uma imensa placenta da qual pendiam miríades de cordões umbilicais, cada um com seu apêndice fetal. Pelo total da família humana, então em formação, circulava somente a essência universal do desejo e da emoção gerando, em todos, os impulsos necessários à ação, agora se manifestando em todas as fases do trabalho do mundo. Aqueles cordões umbilicais e apêndices fetais eram formados de uma matéria de desejos úmida, pelas emoções dos Anjos Lunares.
As correntes ígneas de desejos, responsáveis pela vida latente na Humanidade, então em formação, eram geradas pelos Espíritos marcianos de Lúcifer. A cor da primeira e lenta vibração que estes Espíritos infundiram naquela matéria emocional foi o vermelho.
Enquanto aquela “tonalidade de distúrbio” (pois é assim realmente esta corrente constante, esta eterna intranquilidade que impulsiona os seres humanos) achava-se circulando em nosso interior, o Planeta, sobre o qual nos encontrávamos, também circundava o Sol, que não deve ser confundido com o atual dador da luz, mas compreendido como uma passada encarnação da substância componente do nosso atual Sistema Solar. E nós, circundávamos o Planeta no qual habitávamos, da luz às trevas, do calor ao frio.
Desse modo, éramos manipulados por fora e por dentro, num esforço para excitar nossa adormecida consciência. Houve, naturalmente, um despertar, pois ainda que nenhum dos espíritos pudesse sentir aqueles impactos, apesar de serem muito fortes, as sensações acumuladas de miríades de semelhantes Espíritos eram sentidas como um som no Universo — um grito cósmico, a primeira nota da harmonia das esferas — tocada numa única corda.
Entretanto, foi bastante expressiva às necessidades da Onda de Vida humana naqueles tempos distantes. Desde então, esta natureza de desejos tem evoluído e o ígneo substrato marciano da paixão e as bases aquosas lunares da emoção, têm-se tornado suscetíveis de numerosas combinações. Da mesma forma que o pensamento sulca o cérebro com circunvoluções, e o rosto com linhas, também as paixões, os desejos e as emoções estão modelando a matéria em linhas curvas, em espirais, redemoinhos, parecendo uma torrente no momento em que se encontram na maior agitação, sendo raríssimo encontrarem-se em repouso relativo.
A matéria de desejos, em sucessivos períodos de sua evolução, vem respondendo gradativamente às vibrações astrais do Sol, da Lua, de Mercúrio, Vênus, Marte, Saturno, Júpiter e Urano. Cada Corpo de Desejos individual durante esse tempo foi formado conforme um único modelo. Como a lançadeira do tempo corre incessantemente de um lado para outro sobre a Teia do Destino, esse modelo cresceu, embelezado e melhorado, mesmo que não possamos percebê-lo. Assim como o tapeceiro realiza seu trabalho no avesso do tapete, assim nós estamos tecendo, sem compreender realmente o desígnio final, nem observar a sublime beleza do mesmo, porque ainda se encontra oposto às limitações humanas o lado oculto da natureza. Para que possamos compreendê-lo melhor, tomemos alguns desses fios de paixão e emoção, e vejamos seu efeito nesta forma, nessa imagem a que Deus, o Mestre fiandeiro, deseja nos converter.
Seguindo o Esquema de Evolução, muitos de nós caíram no evento a “Queda do Homem” e, por consequência, escolheram o caminho da dor e do sofrimento para evoluir. Desde aqueles tempos os Anjos lunares têm se encarregado do aquoso e úmido Corpo Vital, composto de quatro Éteres, e que se relaciona com a propagação e sustentação das espécies. Os Espíritos de Lúcifer, por outro lado, encarregam-se dos secos e ígneos veículos de desejos, o Corpo de Desejos.
A função do Corpo Vital é de construir e manter o Corpo Denso, enquanto o Corpo de Desejos envolve a destruição dos tecidos. Há, dessa forma, uma batalha constante entre o Corpo Vital e o Corpo de Desejos. Essa luta nos Céus produz a consciência física na Terra.
Durante épocas inumeráveis temos vivido em variados lugares e climas, é de cada vida extraímos experiências, reunidas como forças vibratórias nos Átomos-sementes de nossos veículos. Por conseguinte, somos todos construtores e edificamos o templo do Espírito imortal “sem ruído de martelos”. Cada um de nós é um Hiram Abiff, reunindo material para o desenvolvimento da alma, atirando-o no forno da experiência de sua própria vida, para ali manipulá-lo mediante o fogo da paixão e do desejo.
Todo o material está sendo fundido, lenta, porém seguramente. A escória vai sendo expurgada em cada existência purgatorial, quintessência do desenvolvimento da Alma está sendo extraída como consequência de nossos numerosos renascimentos.
Através esse processo, cada um de nós prepara-se para a Iniciação, aprendendo, quer tenha consciência disso ou não, a combinar as paixões do fogo com as suaves e gentis emoções. Isso nos leva a nova palavra-chave para evoluirmos aqui e essa é o autodomínio.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de março/1977-Fraternidade Rosacruz-SP)