As linhas irradiantes de força, invisíveis à visão física, permeiam o Corpo Denso e formam a nossa Aura. A coloração dessa Aura é distinta em cada pessoa em um matiz fundamental e demonstra o grau de evolução de cada um.
Para muitas pessoas esse matiz fundamental é vermelho, semelhante ao de um fogo lento; é um sinal da índole emotiva e passional.
A Aura das pessoas em elevados graus na escala da evolução que já estão em altos níveis do Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz apresenta um matiz fundamental de cor alaranjada, o vermelho das emoções, mesclado com o amarelo do intelecto. Entretanto, como resultado da consciente ou inconsciente alquimia espiritual que realizam ao longo do caminho do progresso e das experiências da vida, experiências que ensinam a sujeitar as emoções ao domínio da Mente, acabam por se emancipar dos marcianos Espíritos Lucíferos, cujas cores são escarlates e vermelhas. E, assim, esmaece o matiz fundamental da Aura, na medida em que, consciente ou inconsciente, vão se identificando com o Espírito unificador e altruísta de Cristo que vibra em áurea cor.
O nimbo de luz amarelada com que os artistas dotados de visão espiritual aureolavam a cabeça dos santos é a representação física de uma promessa espiritual que se cumprirá em todos os seres humanos, embora só aqueles a quem chamamos “Santos” verdadeiros o tenham conseguido. Depois de lutar durante muitas vidas contra as próprias paixões, perseverar pacientemente em boas obras, constância em propósitos elevados, os verdadeiros santos atuais conseguiram ultrapassar o raio vermelho e se encontram imersos nas vibrações douradas do raio de Cristo.
Os pintores medievais dotados de visão espiritual, ao representarem a citada transmutação, rodearam as cabeças dos Santos de uma auréola dourada, como sinal de libertação do poder lucífero de Marte, assim como do poder de Jeová, com a função de Deus de Raça, e seus Arcanjos como Espíritos de Raça, pertencentes a uma etapa de evolução da Onda de Vida humana e do nacionalismo (povo, nação, patriotismo).
Os Espíritos Lucíferos encontram sua expressão no ferro do sangue. O ferro é um metal marciano, tão difícil de colocar em alta vibração que é necessário o penoso esforço de muitas vidas para que o produto da sua combustão tome a cor dourada da Aura pura dos Santos. Quando tal se consegue, se consuma o magno processo da alquimia ou transmutação do metal inferior em ouro, ao mesmo tempo que os resíduos da Terra se convertem na maravilhosa liga do Mar de Bronze (aquele que no Tabernáculo no Deserto era também chamado de Lavabo da Purificação e que, já no Templo de Salomão era um imenso reservatório de água, usado simbolicamente para representar a união espiritual e a purificação da Humanidade). Então, só faltará abrir as comportas para que o jorro flua.
A cor natural do ouro é o raio de Cristo, que encontra sua expressão química no elemento Solar chamado oxigênio. No Caminho de Evolução para a Fraternidade Universal, todos nós, mesmo os que não professem uma Religião determinada, teremos em nossas Auras o matiz dourado, sob impulsos de altruísmo partidos do ocidente. S. Paulo dá a entender isso, ao dizer: “Cristo há de formar-se em vós” (Gl 4:19).
Quando soubermos formar a “liga” por meio de vidas espiritualizadas e vibrarmos em completa harmonia com Cristo, seremos semelhantes a Ele e estaremos aptos a abrir os crisóis do Mar de Bronze.
Cristo, na cruz, Se libertou por meio dos centros espirituais situados nos lugares onde lhe pregaram os cravos e de outros centros ainda. Aquele que prepare o Mar de Bronze receberá instruções quanto ao modo de romper os laços e se elevar as esferas superiores. Essa frase está de acordo com a admonição de Cristo, quando disse que, para chegar a ser seu Discípulo é preciso deixar pai e mãe. Essa é uma das mais simbólicas frases do Evangelho e geralmente mal interpretada, porque a reportam aos pais vida após vida física, quando, na verdade, significa algo muito diferente no ponto de vista esotérico.
Para bem compreender, recordemos que quando o ferro foi introduzido no nosso organismo físico e, com isso, produzimos o sangue vermelho e quente e nós, o Ego, pudemos ter controle sobre o nosso Corpo. Assim, quando o sangue vermelho se desenvolveu, na última parte da Época Lemúrica, nosso Corpo Denso se tornou ereto e, então, chegou o momento em que nós pudemos penetrar no nosso Corpo e governá-lo, de dentro.
O Sol, o centro da vida, governa o gás vivificante chamado oxigênio que se combina com o ferro, metal marciano. Cristo, o senhor do Sol, é também o Senhor da vida. Quando pela alquimia espiritual, chegarmos a ser como Ele, alcançaremos a imortalidade. A morte não terá mais domínio sobre nós. Isso não significa que os Corpos de quem alcança a imortalidade não tenham que morrer. Nós, o Ego, dominaremos completamente o nosso Corpo, usando-o durante séculos, até que nos convenha tomar outro. Outrossim, pelo mesmo processo de alquimia espiritual, teremos a capacidade de formar um novo Corpo Denso, se desprendendo do já velho e gasto.
A passagem do Adepto dos domínios da morte para o reino da imortalidade está simbolizada no arrojado salto de Hiram Abiff, ao se precipitar no mar ardente de metais fundidos e na passagem pelos nove Estratos do Planeta Terra que também fazem parte do Caminho da Iniciação. Também está simbolizado no batismo de Jesus, e depois do Gólgota, na descida à região subterrânea onde o seu Corpo Vital está esperando o dia do segundo e definitivo advento de Cristo.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de maio/1979 – Fraternidade Rosacruz – SP)