Arquivo de tag onda de vida humana

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: Um Tribunal Interno da Verdade

Outubro de 1917

Na semana passada, uma visitante que esteve em Mount Ecclesia me disse que ela passou uns vinte anos estudando todas as diferentes filosofias que conseguiu encontrar; também me disse que nos últimos anos ela havia se dedicado aos estudos dos Ensinamentos Rosacruzes, que eles a atraíam por serem a verdade absoluta. Ela naturalmente esperava que eu concordasse com esse sentimento, e não com os Ensinamentos que me foram fornecidos pelos Irmãos Maiores e que foram escritos em nossos vários livros.

Para os Bosquímanos[1] e os Kafirs[2], por exemplo, que podem desenvolver um temperamento religioso – até onde lhes seja possível entender isso – provavelmente aceitarão como uma grande verdade, que haja um ser divino de natureza superior à humana. Para tais seres humanos e para tal concepção de Religião há um avanço gradual em direção às filosofias transcendentais que despertam reverência nos espécimes mais desenvolvidos da Onda de Vida humana. Isso nos dá razão para acreditar que a evolução do ser humano requer também uma evolução da sua Religião. Subimos dos vales da ignorância infantil até o ponto em que hoje nos encontramos, e seria absolutamente contrário à Lei de Analogia supor que qualquer conquista na linha religiosa que atualmente possuímos seja a suprema; pois se não houver mais progresso religioso, também não poderá haver mais progresso humano.

Qual é, então, o caminho que conduz às alturas da realização religiosa e onde encontrá-lo? Essa parece ser uma pergunta lógica. A resposta é que ele não se encontra nos livros, nem meus nem de qualquer outra pessoa. Os livros são úteis, à medida em que nos fornecem material para reflexão sobre os assuntos abordados. Podemos ou não chegar às mesmas conclusões que o escritor dos livros, mas, desde que levemos as ideias apresentadas ao nosso interior e trabalhemos nelas com cuidado e oração, tudo o que resultar do processo será nosso, mais próximo da verdade do que qualquer coisa que possamos obter de qualquer outra pessoa ou de qualquer outra forma.

O Eu Superior, portanto, é o único tribunal digno da verdade. Se levarmos nossos problemas diante desse tribunal, de forma consistente e persistente, desenvolveremos, com o tempo, um senso da verdade tão superior que, instintivamente, sempre que ouvirmos uma ideia sendo apresentada, saberemos se ela é sólida e verdadeira ou não. A Bíblia, em várias passagens, nos exorta a ter cuidado com todos os tipos de doutrinas que flutuam no ar, porque muitas são perigosas e perturbam a Mente. Livros são lançados para promover este, aquele ou outro sistema de filosofia. A menos que tenhamos estabelecido, ou tenhamos começado a estabelecer, esse tribunal interno da verdade, podemos ser como a senhora mencionada acima – vagueando de um lugar para outro, mentalmente falando, por toda a nossa vida e não encontrando descanso, sabendo pouco mais no final do que no início, e talvez até menos.

Portanto, meu conselho ao Estudante Rosacruz seria nunca aceitar, rejeitar ou seguir cegamente qualquer autoridade, mas se para estabelecer o tribunal da verdade interiormente. Remetam todos os assuntos a esse tribunal, comprovando todas as coisas e absorvendo firmemente tudo o que nele existir de bom.

(Cartas aos Estudantes – nº 83 – do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Os “bosquímanos”, mais corretamente referidos como o povo San, são povos indígenas caçadores-coletores de longa data do sul da África.

[2] N.T.: Uma pessoa que rejeita ou descrê em Deus (Alá) como descrito pelo islã de acordo com os ensinamentos do profeta islâmico Maomé e nega o domínio e a autoridade do Deus islâmico.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: O Pão e o Vinho Místicos

Setembro de 1912

Se eu tivesse pedido aos Estudantes que me escrevessem qual era, na opinião deles, o ponto mais importante da lição do mês passado, o que você acha que teria sido respondido na maioria dos casos? Acredito que muitos sentiriam que a conexão entre o pão, o vinho e a saúde era a ideia principal; e talvez eu seja responsável por essa visão, porque escrevi essas palavras em negrito[1]. Mas, ainda que seja de suma importância essa conexão entre o pão, o vinho e a saúde, e a apliquemos em nossas vidas com o máximo da nossa capacidade, se o fizermos por uma razão menor do que a dada por Nosso Senhor, isso será essencialmente egoísta, e não promoverá nosso desenvolvimento tanto quanto se o fizéssemos como Ele pediu: “em memória de Mim”[2].

Basta olhar para a questão sob esse prisma, caro amigo ou cara amiga, você entenderá a ideia. Sob o regime de Jeová, o egoísmo cristalizou a Terra em tal extensão que as vibrações espirituais quase cessaram. A evolução estava estagnada, e o sangue estava tão impregnado de egoísmo que a Onda de Vida humana corria o perigo de degenerar. Então, o Cristo Cósmico se manifestou por meio de Jesus para nos salvar. Purificar profundamente livrando o sangue de todo o egoísmo é o Mistério do Gólgota; começou quando o sangue de Jesus fluiu, continuou através das guerras das nações Cristãs sempre que os seres humanos lutavam por um ideal, e durará até que, por contraste, os horrores da guerra tenham impressionado suficientemente a Humanidade com a beleza da Fraternidade.

Cristo entrou na Terra pelo evento do Gólgota. Ele está, novamente, fermentando o Planeta Terra e tornando-a receptiva às vibrações espirituais, mas o Seu sacrifício não foi consumado em um só momento, morrendo para nos salvar, como geralmente se crê. Ele ainda está gemendo e sofrendo, esperando pelo dia da Sua libertação[3], pela “manifestação dos filhos de Deus”; e realmente nós apressamos esse dia toda vez que participarmos do alimento para os nossos Corpos superiores, simbolizados pelos: pão e vinho místicos. Mas seríamos muito mais eficientes em acelerar a nossa própria libertação e em apressar o “dia de Nosso Senhor”, se sempre fizéssemos “em memória de Mim”.

Você se lembra da “Visão de Sir Launfal?”. Não era o tamanho da dádiva o que importava; a moeda de ouro atirada ao mendigo era materialmente mais valiosa do que a côdea de pão que ele deu mais tarde; mas a moeda foi dada com impaciência para se livrar de uma presença repugnante. A côdea de pão foi dada em memória de Cristo e por Sua causa, e nisso está toda a diferença.

E Sir Launfal lhe disse:

“Vejo em ti

a imagem d’Aquele que na cruz morreu.

Tu, também, tens a coroa de espinhos de quem padeceu,

muitos escárnios tens também sofrido

e o desprezo do mundo hás sentido.

As feridas em tua vida não faltaram

nos pés, nas mãos, no corpo, elas te machucaram.

Filho da clemente Maria reconhece quem eu sou

e vê que, através do pobre, é a Ti que eu dou.”

Quanto mais cultivarmos o espírito de tudo fazer pela causa de Cristo e Sua Libertação, melhores e mais frutíferas serão as nossas vidas aqui.

(Cartas aos Estudantes – nº 22 – do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Lição do mês passado publicada como Capítulo IV do Livro Coletâneas de um Místico – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz: O SACRAMENTO DA COMUNHÃO – “em memória de Mim” – PARTE II

“… na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão e, depois de dar graças, partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo, que é para vós; fazei isto em memória de mim”. Do mesmo modo, após a ceia, também tomou o cálice, dizendo: “Este cálice é a nova Aliança em meu sangue; todas as vezes que dele beberdes, fazei-o em memória de mim”. Todas as vezes, pois, que comeis desse pão e bebeis desse cálice, anunciais a morte do Senhor até que ele venha. Eis porque todo aquele que comer do pão ou beber do cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor. Por conseguinte, que cada um examine a si mesmo antes de comer desse pão e beber desse cálice, pois aquele que come e bebe sem discernir o Corpo, come e bebe a própria condenação. Eis porque há entre vós tantos débeis e enfermos e muitos morreram.” (ICor 11:23-30).

Nos trechos acima há um significado esotérico profundamente oculto que é particularmente obscuro na tradução inglesa, mas em alemão, latim e grego o Estudante Rosacruz ainda tem um indício do que realmente foi pretendido com essa última admoestação do Salvador a Seus Discípulos. Antes de examinar esse aspecto do assunto, vamos considerar primeiro as palavras: “em memória de Mim”. Estaremos, então, talvez em melhores condições para compreender o que significa o “cálice” e o “pão”.

Suponhamos que uma pessoa procedente de um lugar distante venha ao nosso país e viaje através dele, visitando vários lugares. Por toda parte verá pequenas comunidades se reunindo ao redor da Mesa do Senhor para celebrar esse rito mais sagrado para todos os Cristãos, e se perguntasse a razão de fazerem isso, as pessoas lhe responderiam que elas faziam isso em memória d’Aquele que viveu uma vida mais nobre do que qualquer um que já viveu nesta Terra; d’Aquele que foi a bondade e o amor personificados; d’Aquele que foi o servo de todos sem se preocupar em ganhar ou perder. Se esse estranho comparasse a atitude dessas comunidades religiosas aos domingos na celebração desse rito com as vidas deles durante o restante da semana, o que veria?

Cada um de nós sai para o mundo para batalhar pela existência. Sob a lei da necessidade, esquecemos o amor que deveria ser o fator principal nas vidas Cristãs. A mão de uma pessoa está sempre contra seu irmão ou sua irmã. Todos lutam por posição, riqueza e pelo poder que advém com esses atributos. Esquecemos na segunda-feira o que, reverentemente, relembramos no domingo e, em consequência, todo o mundo é digno de pena por isso. Fazemos, também, uma distinção entre “o pão e o vinho” que bebemos na chamada “Mesa do Senhor” e o alimento que comemos ou bebemos durante os intervalos entre o comparecimento à Comunhão. Porém, nada é mencionado nas Escrituras que justifique tal distinção, como qualquer um pode verificar mesmo na versão inglesa, que omite as palavras impressas em itálico inseridas pelos tradutores para dar o que pensavam ser o sentido da passagem. Pelo contrário, é-nos dito que tudo o que comermos, bebermos ou qualquer coisa que fizermos, deveria ser feito para a glória de Deus. Todos os nossos atos deveriam ser uma oração. A “ação de graças” superficial que fazemos às refeições é, na realidade, uma blasfêmia e o pensamento silencioso de gratidão Àquele que nos dá o pão de cada dia está longe de ser o suficiente. Quando lembramos, à cada refeição, que o alimento retirado da substância da Terra é o corpo do Espírito de Cristo que ali habita, que aquele corpo está sendo repartido para nós diariamente, podemos compreender apropriadamente a bondade amorosa que O impele a Se dar por nós; por isso vamos, também, relembrar que não há um momento, dia ou noite, que Ele não esteja sofrendo por estar aprisionado a esta Terra. Portanto, quando comemos e percebemos a verdadeira situação, de fato estamos proclamando a morte do Senhor Cristo, cujo Espírito está gemendo e labutando, esperando pelo dia da libertação, quando não haverá necessidade de uma envoltura tão densa como a que necessitamos agora.

Mas há um outro mistério, maior e mais maravilhoso ainda, oculto nessas palavras de Cristo. Richard Wagner, com a rara intuição do gênio do músico, percebeu essa ideia quando, sentado em meditação à beira do Lago de Zurique numa Sexta-Feira Santa, sentiu brotar em sua Mente um pensamento: “Que conexão há entre a morte do Salvador e os milhões de sementes que germinam na terra nessa época do ano?”. Se meditarmos sobre aquela vida que anualmente brota na primavera, vemo-la como algo gigantesco e inspirador; uma intensidade enorme de vida que transforma o globo, de um momento próximo à morte congelante a uma vida rejuvenescida, em um curto espaço de tempo; e a vida que assim se propaga nos brotos de milhões e milhões de plantas é a vida do Espírito da Terra.

Dela vem tanto o trigo como a uva. Esses representam o corpo e o sangue do aprisionado Espírito da Terra, incumbido de sustentar a Humanidade durante a presente fase da evolução dela. Nós repudiamos a argumentação daqueles que alegam que o mundo tem a obrigação de lhes dar uma vida boa, sem que eles se esforcem e onde não tenham nenhuma responsabilidade material da parte deles; no entanto, nós insistimos que há uma responsabilidade espiritual conectada com “o pão e o vinho” servidos na Última Ceia do Senhor: devem ser ingeridos dignamente, caso contrário, causarão problemas de saúde e até mesmo a morte. Superficialmente lido, poderá parecer um conceito forçado, porém, quando meditamos à luz do esoterismo, examinando outras traduções da Bíblia e observando as condições atuais do mundo, veremos que não é assim tão forçado.

Retornemos ao momento na Evolução em que o ser humano vivia sob a guarda dos Anjos, construindo, inconscientemente, o Corpo que agora ele usa. Isso foi na antiga Época Lemúrica. Era necessário um cérebro para evolução do pensamento e uma laringe para expressão verbal desse mesmo pensamento. Portanto, metade da força criadora foi dirigida para cima e usada pelo ser humano para formar esses órgãos. Por isso, a Humanidade se tornou separada em sexos masculino e feminino, e foi forçada a procurar um complemento quando foi necessário criar um outro novo Corpo Denso e um Corpo Vital para servir como um instrumento numa fase mais elevada da evolução.

Enquanto o ato do amor era consumado sob a sábia custódia dos Anjos, a existência do ser humano estava livre de angústias e tristezas profundas, e de dores e da morte. Mas quando, sob a tutela dos Espíritos Lucíferos, ele comeu da árvore do Conhecimento e perpetuou a raça, sem levar em conta as linhas de forças interplanetárias, transgrediu a lei e os Corpos assim formados se cristalizaram excessivamente e se tornaram sujeitos à morte, de uma maneira muito mais perceptível do que haviam estado até então. Por isso, foi forçado a criar Corpos novos mais frequentemente, à medida que seu período de vida aqui se encurtava. Os guardiães celestiais da força criadora expulsaram o ser humano do jardim de amor para o deserto do mundo, e ele se tornou responsável por suas ações sob a lei cósmica que governa o universo. Desde então, por um longo tempo, o ser humano continua essa luta difícil e esgotante para conseguir sua própria salvação, e a Terra, em consequência disso, se cristalizou cada vez mais.

Hierarquias divinas, incluindo o Espírito de Cristo, trabalharam sobre a Terra externamente, assim como o Espírito-Grupo guia os animais sob sua proteção; mas, como diz S. Paulo tão corretamente: “Ninguém pode ser justificado sob a lei, pois sob ela todos pecaram e todos devem morrer” Rm (2:12). Não há no antigo pacto nenhuma esperança além da presente, salvo um presságio de alguém que há de vir e que restaurará o agir de acordo com a Lei Divina, livre de culpa ou pecado. Por isso, S. João proclama que a lei foi dada por Moisés e a graça veio por meio de Cristo (Jo 1:17). Mas, o que é a graça? Ela pode trabalhar contra a lei e revogá-la completamente? Certamente não. As Leis de Deus são imutáveis e firmes, ou o universo se tornaria um caos. A lei de gravidade mantém nossas casas em posição relativa às outras casas e por isso, quando saímos delas sabemos, com certeza, que as encontraremos no mesmo lugar ao retornarmos. Pelo mesmo princípio, todas as outras divisões no universo estão sujeitas a leis imutáveis.

Assim como a lei, separada do amor, originou o pecado, assim também a lei temperada com amor é a graça. Tomemos um exemplo de nossas condições sociais concretas: temos leis que decretam uma certa penalidade para uma ofensa específica e, quando a lei é observada, chamamos isso de justiça. Porém, a longa experiência está começando a nos ensinar que justiça, pura e simples, é como os dentes do dragão Colchian (No mito grego, os dentes do dragão aparecem com destaque nas lendas do príncipe fenício Cadmo e na busca de Jasão pelo Velocino de Ouro. Em cada caso, os dragões estão presentes e cospem fogo. Seus dentes, uma vez plantados, se transformariam em guerreiros totalmente armados. Cadmo, o portador da alfabetização e da civilização, matou o dragão sagrado que guardava a fonte de Ares. A deusa Atena disse-lhe para semear os dentes, de onde surgiu um grupo de guerreiros ferozes chamados spartoi – um povo mítico que surgiu dos dentes do dragão semeados por Cadmo e foram considerados os ancestrais da nobreza tebana. Ele jogou uma joia preciosa no meio dos guerreiros, que se viraram na tentativa de se apoderar da pedra. Os cinco sobreviventes juntaram-se a Cadmo para fundar a cidade de Tebas. Da mesma forma, Jason foi desafiado pelo Rei Aeëtes da Cólquida a semear dentes de dragão – daí dragão de Colchian – em Atenas para obter o Velocino de Ouro. Medea, filha de Aeëtes, aconselhou Jason a jogar uma pedra entre os guerreiros que surgiram da terra. Os guerreiros começaram a lutar e matar uns aos outros, não deixando nenhum sobrevivente além de Jason. As lendas clássicas de Cadmo e Jasão deram origem à frase “semear dentes de dragão”. Isso é usado como uma metáfora para se referir a fazer algo que tem o efeito de fomentar disputas.) que gera disputas e lutas cada vez maiores. O chamado criminoso permanece criminoso e se torna cada vez mais embrutecido pelas penalidades da lei; mas, quando um regime menos rigoroso, nos tempos atuais, permite que a sentença imputada àquele que transgrediu a lei seja suspensa, então ele estará sob a graça e não sob a lei. Também, o Cristão que procura seguir os passos do Mestre é emancipado da lei do pecado pela graça, desde que abandone o caminho do pecado.

Esse foi o pecado dos nossos progenitores na antiga Época Lemúrica que eles espalharam suas sementes independentemente da Lei e sem o amor. Mas é o privilégio do Cristão se redimir pela pureza da sua vida, em memória do Senhor. S. João diz: “Sua semente permanece nele” (IJo 3:9) e esse é o significado oculto do “pão e vinho”. Na versão inglesa lemos simplesmente: “Esse é a taça do Novo Testamento”, mas no alemão, a palavra que designa cálice é “Kelch” e em latim é “Calix” (Na língua portuguesa temos a tradução como cálice), ambas significando a parte externa que envolve a semente da flor. Em grego temos um significado mais sutil ainda, não expresso em outras línguas, na palavra “poterion”, um significado que se torna evidente quando consideramos a etimologia da palavra “pot”. Isso nos fornece, imediatamente, a mesma ideia de cálice ou “calix” – um receptáculo; e verbo latino “potare” (beber) também mostra que a “taça” é um receptáculo capaz de reter um líquido. As palavras inglesas “potente” e “impotente”, designando possuir ou ter falta da força viril, mostra o significado dessa palavra grega que indica a evolução do “homem para um super-homem”.

Já vivemos existências semelhantes ao mineral, à planta e ao animal, respectivamente, antes de nos tornarmos humanos como o somos hoje e, diante de nós existem ainda outras evoluções até nos aproximarmos cada vez mais do Divino. Prontamente aceitamos como verdade e válido que são nossas paixões animais que nos retêm no caminho da realização; a natureza inferior está constantemente em luta com o “eu superior”. Isso acontece, pelo menos, com os que já experimentaram um despertar espiritual; uma guerra está sendo travada silenciosamente no interior e pior seria se isso fosse reprimido. Goethe (Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832) foi um polímata, autor e estadista alemão do Sacro Império Romano-Germânico que também fez incursões pelo campo da ciência natural. Como escritor, Goethe foi uma das mais importantes figuras da literatura alemã e do Romantismo europeu, nos finais do século XVIII e inícios do século XIX.), com arte magistral, exprimiu esse sentimento nas palavras de Fausto, a alma aspirante, ao se dirigir a seu amigo materialista, Wagner:

“Por um só impulso tu estás possuído,

Inconsciente do outro permaneces, ainda não o tens sentido.

Duas almas, oh! moram dentro do meu peito,

E aí lutam por um indivisível reino;

Uma aspira pela terra, com vontade apaixonada

Às íntimas entranhas ainda está ligada.

Acima das névoas, a outro aspira, de certeza,

Com ardor sagrado por esferas onde reine a pureza”.

Foi o conhecimento dessa necessidade absoluta de castidade (exceto quando o objetivo é a procriação) por parte daqueles que já haviam tido um despertar espiritual, que inspirou as palavras de Cristo e o Apóstolo S. Paulo exprimiu uma verdade esotérica quando disse que aqueles que tomam a comunhão sem viver a vida, estão em perigo de doença e morte. Assim como, sob uma tutela espiritual, a pureza de vida pode elevar o Discípulo de uma maneira maravilhosa, assim também a falta de castidade produz um efeito muito maior sobre os Corpos mais sensibilizados do que sobre aqueles que estão ainda sob a lei e não se tornaram participantes da graça, pelo cálice da Nova Aliança.

[2] N.T.: Lc 22:19

[3] N.T.: Rm 8:19-23

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Nova Palavra-Chave para Evoluirmos aqui

Os Estudantes Rosacruzes mais familiarizados com o estudo deste assunto conhecem os efeitos desastrosos provocados por uma crise de ansiedade ou medo. Estas emoções alteram a digestão, interferem no metabolismo e na eliminação dos detritos. Em suma, transtornam todo o organismo, tanto que em determinados casos a pessoa se vê obrigada a guardar leito por maior ou menor lapso de tempo, dependendo da intensidade da crise e de sua resistência orgânica.

Existe, porém, um efeito oculto, tão sério que mais ainda e, geralmente, pouco compreendido. Cremos ser imensamente benéfico examinarmos os efeitos ocultos do equilíbrio, da ira, do amor, do pessimismo, do otimismo e afins.

Pelo estudo do Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, sabemos que o germe do Corpo de Desejos nos foi dado no Período Lunar. Para se obter uma imagem mental da forma humana no referido Período, basta observar uma ilustração do feto em um livro de Biologia. Constataremos a existência de três partes principais: a placenta, o cordão umbilical e o feto.

Imagine agora, naquele longínquo Período, o firmamento como uma imensa placenta da qual pendiam miríades de cordões umbilicais, cada um com seu apêndice fetal. Pelo total da família humana, então em formação, circulava somente a essência universal do desejo e da emoção gerando, em todos, os impulsos necessários à ação, agora se manifestando em todas as fases do trabalho do mundo. Aqueles cordões umbilicais e apêndices fetais eram formados de uma matéria de desejos úmida, pelas emoções dos Anjos Lunares.

As correntes ígneas de desejos, responsáveis pela vida latente na Humanidade, então em formação, eram geradas pelos Espíritos marcianos de Lúcifer. A cor da primeira e lenta vibração que estes Espíritos infundiram naquela matéria emocional foi o vermelho.

Enquanto aquela “tonalidade de distúrbio” (pois é assim realmente esta corrente constante, esta eterna intranquilidade que impulsiona os seres humanos) achava-se circulando em nosso interior, o Planeta, sobre o qual nos encontrávamos, também circundava o Sol, que não deve ser confundido com o atual dador da luz, mas compreendido como uma passada encarnação da substância componente do nosso atual Sistema Solar. E nós, circundávamos o Planeta no qual habitávamos, da luz às trevas, do calor ao frio.

Desse modo, éramos manipulados por fora e por dentro, num esforço para excitar nossa adormecida consciência. Houve, naturalmente, um despertar, pois ainda que nenhum dos espíritos pudesse sentir aqueles impactos, apesar de serem muito fortes, as sensações acumuladas de miríades de semelhantes Espíritos eram sentidas como um som no Universo — um grito cósmico, a primeira nota da harmonia das esferas — tocada numa única corda.

Entretanto, foi bastante expressiva às necessidades da Onda de Vida humana naqueles tempos distantes. Desde então, esta natureza de desejos tem evoluído e o ígneo substrato marciano da paixão e as bases aquosas lunares da emoção, têm-se tornado suscetíveis de numerosas combinações. Da mesma forma que o pensamento sulca o cérebro com circunvoluções, e o rosto com linhas, também as paixões, os desejos e as emoções estão modelando a matéria em linhas curvas, em espirais, redemoinhos, parecendo uma torrente no momento em que se encontram na maior agitação, sendo raríssimo encontrarem-se em repouso relativo.

A matéria de desejos, em sucessivos períodos de sua evolução, vem respondendo gradativamente às vibrações astrais do Sol, da Lua, de Mercúrio, Vênus, Marte, Saturno, Júpiter e Urano. Cada Corpo de Desejos individual durante esse tempo foi formado conforme um único modelo. Como a lançadeira do tempo corre incessantemente de um lado para outro sobre a Teia do Destino, esse modelo cresceu, embelezado e melhorado, mesmo que não possamos percebê-lo. Assim como o tapeceiro realiza seu trabalho no avesso do tapete, assim nós estamos tecendo, sem compreender realmente o desígnio final, nem observar a sublime beleza do mesmo, porque ainda se encontra oposto às limitações humanas o lado oculto da natureza. Para que possamos compreendê-lo melhor, tomemos alguns desses fios de paixão e emoção, e vejamos seu efeito nesta forma, nessa imagem a que Deus, o Mestre fiandeiro, deseja nos converter.

Seguindo o Esquema de Evolução, muitos de nós caíram no evento a “Queda do Homem” e, por consequência, escolheram o caminho da dor e do sofrimento para evoluir. Desde aqueles tempos os Anjos lunares têm se encarregado do aquoso e úmido Corpo Vital, composto de quatro Éteres, e que se relaciona com a propagação e sustentação das espécies. Os Espíritos de Lúcifer, por outro lado, encarregam-se dos secos e ígneos veículos de desejos, o Corpo de Desejos.

A função do Corpo Vital é de construir e manter o Corpo Denso, enquanto o Corpo de Desejos envolve a destruição dos tecidos. Há, dessa forma, uma batalha constante entre o Corpo Vital e o Corpo de Desejos. Essa luta nos Céus produz a consciência física na Terra.

Durante épocas inumeráveis temos vivido em variados lugares e climas, é de cada vida extraímos experiências, reunidas como forças vibratórias nos Átomos-sementes de nossos veículos. Por conseguinte, somos todos construtores e edificamos o templo do Espírito imortal “sem ruído de martelos”. Cada um de nós é um Hiram Abiff, reunindo material para o desenvolvimento da alma, atirando-o no forno da experiência de sua própria vida, para ali manipulá-lo mediante o fogo da paixão e do desejo.

Todo o material está sendo fundido, lenta, porém seguramente. A escória vai sendo expurgada em cada existência purgatorial, quintessência do desenvolvimento da Alma está sendo extraída como consequência de nossos numerosos renascimentos.

Através esse processo, cada um de nós prepara-se para a Iniciação, aprendendo, quer tenha consciência disso ou não, a combinar as paixões do fogo com as suaves e gentis emoções. Isso nos leva a nova palavra-chave para evoluirmos aqui e essa é o autodomínio.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de março/1977-Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Semente de um Novo Ser Humano: Nossas Crianças Atuais

É interessante observar que a semente de um novo ser humano está começando a nascer entre nós. Olhem as crianças! Como são diferentes se nós a comparamos com nós próprios quando éramos jovens. Elas têm uma nova mentalidade, uma nova resistência nervosa e novas qualidades espirituais. Não os levemos para trás com nossas ideias fixas e antiquadas.

As crianças deste novo dia têm olhos mais brilhantes, um aspecto mais claro, a Mente mais perspicaz; elas não são absolutamente do tipo musculoso. São mais vivas e interpretam a vida sob um ponto de vista mais espiritual. Elas aplicam a inteligência nos seus trabalhos diários. Elas têm os mesmos problemas que nós tivemos, mas elas os veem sobre um plano mais elevado. Elas têm um entendimento intuitivo maior e mais profundo sobre a vida e nós devemos estar preocupados com o nosso próprio desenvolvimento se quisermos acompanhá-los. Devemos ainda dar-lhes instrução espiritual, conselhos e ensinar-lhes a pureza do coração.

Se entendermos que cada um de nós é uma parte componente da Onda de Vida humana, nossa visão da vida mudará completamente. Trazer crianças para este mundo é uma boa maneira de fazer-nos sentir ligados à Humanidade como um todo.

Alguns nunca conceberiam crianças se dependesse meramente do instinto primitivo da multiplicação. Eles desejariam trazer uma criança para este mundo se por esse meio sentissem que estavam fazendo uma contribuição para a Onda de Vida humana, como uma coisa perfeita é mais refinada do que antes. A pessoa altamente desenvolvida tem sempre o desejo de levar adiante alguma coisa nova e sentir a responsabilidade de fazer o melhor para ajudar o aprimoramento e a perfeição da Onda de Vida humana.

Tudo o que fizermos sinceramente em serviços elevados – tanto no trabalho de um ideal como para um ser humano – se reflete sobre nós mesmos, não somente agora, como nas vidas que virão.

Se pudermos educar nossas crianças, despertando-as para o sentido da responsabilidade tanto individual como racial, estaremos inspirando-as a viver saudável, bela e inteligentemente para benefício das futuras gerações. Devemos trabalhar continuamente através dessas.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – junho/1985 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Cordão Prateado humano, do animal e relações com Espírito-Grupo e Espírito de Raça

Três Períodos de evolução precederam o nosso atual Período Terrestre. Durante o Período de Saturno, éramos semelhantes aos minerais (na constituição de Corpo e de Consciência); no Período Solar, tínhamos uma constituição similar à das plantas (na constituição de Corpos e de Consciência); no Período Lunar, desenvolvemos veículos parecidos com o dos animais atuais (na constituição de Corpos e de Consciência). Dizemos parecidos, pois a constituição do mundo era tão diferente que uma construção idêntica teria sido impossível. Nesse Período Lunar, imagine agora um imenso globo circulando no espaço como um satélite ao redor do seu Sol. Esse é o corpo de um Grande Espírito, Javé ou Jeová. Assim como temos carne macia e ossos duros no nosso Corpo Denso, também a parte central do Corpo de Javé é mais densa que a externa, que é enevoada e semelhante a uma nuvem.

Embora Sua consciência permeie tudo, Javé aparece principalmente na nuvem e com Ele estão Seus Anjos e outras Hierarquias Criadoras. Dessa grande abóbada de nuvens pendem milhões e milhões de cordões, cada um com seu saco fetal, pairando próximo à parte central e densa; assim como o fluxo vital da mãe humana circula através do cordão umbilical até que o feto possa viver independentemente, quando o período de gestação se completa, assim também a vida divina de Javé flutuava sobre nós na nuvem e fluía por toda a família da Onda de Vida humana durante esse estágio embrionário da evolução dela — éramos tão incapazes de iniciativa como os fetos.

Desde então, o Maná (Manas, mens, Mensch ou “Homem”) caiu do céu, do seio de Deus-Pai, e agora, já na quarta Revolução no Globo D do Período Terrestre está ligado pelo Cordão Prateado ao Corpo Denso durante as horas de vigília; e mesmo durante o sono, ele forma o elo de ligação que conecta os veículos superiores aos inferiores, sendo essa conexão rompida apenas pela morte.

O Cordão Prateado não é feito de um único tipo de material, mas é bastante complexo em sua constituição. Uma extremidade está enraizada no Átomo-semente do Corpo Denso que está na posição relativa do ápice no coração e é feita de Éter. Uma segunda parte, feita de substância de desejo, cresce na posição relativa do lóbulo superior do fígado, local onde está o Átomo-semente do Corpo de Desejos e, também, o grande vórtice do Corpo de Desejos. Quando essas duas seções do Cordão Prateado se unem no Átomo-semente do Corpo Vital, localizado no Plexo Celíaco ou Solar, essa junção dos três Átomos-semente marca o momento da animação, ou vivificação, do feto.

Mas há ainda outro segmento do Cordão Prateado, feito de substância mental, que cresce a partir do Átomo-semente da Mente e está localizado na posição relativa do que do seio frontal (na testa). Essa parte se estende entre as Glândulas pituitária e a Glândula pineal, descendo e se conectando às Glândulas Tiroide e Glândula Timo, além da Glândula Baço e das duas Glândulas Suprarrenais, para finalmente se unir à segunda parte do Cordão Prateado, no Átomo-semente do Corpo de Desejos.

O caminho ao longo do qual essa parte do Cordão Prateado crescerá é indicado no Arquétipo, mas requer aproximadamente 21 anos para completar a junção. A união da primeira com a segunda divisão do Cordão Prateado marca a vivificação física, que depende da destruição completa dos glóbulos sanguíneos nucleados que carregam a vida da mãe física e da emancipação da sua interferência por meio da gaseificação do sangue, que se torna então o veículo direto do Ego. A junção da segunda com a terceira parte do Cordão Prateado sinaliza uma vivificação mental e a consequente emancipação da mãe Natureza, que então completou o processo de gestação necessário para estabelecer os alicerces e a estrutura do templo do Espírito — que, a partir desse período, pode construir como quiser, limitado apenas por suas ações passadas.

Durante o período que estamos acordados no Mundo Físico, o Cordão Prateado é tríplice e fica enrolado em espiral dentro do Corpo Denso, principalmente ao redor do Plexo Celíaco. Mas à noite, quando o Ego se retira e deixa o Corpo Denso e o Corpo Vital dormindo em um leito, para que o Corpo Vital possa recuperar o Corpo Denso, esse Cordão se projeta para fora do crânio e o Corpo de Desejos, em forma oval, flutua acima da ou próximo à forma adormecida, assemelhando-se a um balão preso por um fio. Nessa condição, no caso das crianças e das pessoas pouco desenvolvidas, o Ego permanece ali, pensando sobre os acontecimentos do dia até que impactos do Mundo Físico, como o toque de um despertador, uma chamada ou algo semelhante, façam o Cordão Prateado vibrar, atraindo a atenção do Ego para seus veículos abandonados e fazendo com que ele retorne a eles.

Nenhum desenvolvimento oculto é possível até que a terceira parte do Cordão Prateado seja desenvolvida; contudo, após esse evento, o Ego pode deixar seu Corpo Denso e vagar pelos Mundos espirituais, seja conscientemente após o devido treinamento esotérico e/ou Iniciação, ou inconscientemente e, nesse caso, com a ajuda de outros ou acidentalmente como um sonâmbulo que deixa seu leito e retorna sem saber para onde foi ou o que fez. Em qualquer um desses contextos, a maleabilidade e elasticidade da terceira parte do Cordão Prateado, que é feita de substância mental, serve como ligação com os veículos inferiores.

A qualidade da consciência do Ego, quando está afastado do seu Corpo Denso, depende da formação, ou não, de um Corpo-Alma, que é feito de Éter de Luz e Éter Refletor e é o veículo da percepção sensorial e da memória, suficientemente estável para ser carregado. Se tiver formado, o processo de Iniciação terá sido ensinado como proceder e o Ego terá consciência plena enquanto estiver fora do Corpo Denso, além de memória confiável sobre o que ocorreu durante o “voo da alma”, ao retornar. Caso contrário, tanto a consciência quanto a memória estarão ausentes ou serão falhas em algum grau.

Depois de nos familiarizarmos com a construção e a função do Cordão Prateado como ligação entre o Ego e seus veículos para a Onda de Vida humana, iremos estudar sua constituição e uso em relação ao animal e seu Espírito-Grupo. Foi ensinado no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz que os hábitos, gostos, as preferências e aversões de cada espécie derivam do Espírito-Grupo que atua através deles.

Todos os esquilos acumulam uma reserva de nozes para o uso no inverno; todos os ursos engordam em preparação para o período de hibernação; todos os leões desejam carne, enquanto os cavalos, sem exceção, comem feno, grama, mato — mas o que é alimento para uma pessoa pode ser veneno para outra. Se conhecemos os hábitos de um animal, conhecemos os hábitos de todos os que pertencem à mesma família, mas seria inútil investigar, por exemplo, a família Edison para descobrir a origem do gênio de Thomas A. Edison.

Um tratado sobre os hábitos de um cavalo se aplicará a todos os outros, mas a biografia de um ser humano difere completamente da de qualquer outro, porque cada um age sob as diretrizes de um Ego que trabalha com seus Corpos e veículo a partir do seu interior e individual, enquanto os animais de um determinado grupo são dirigidos por uma inteligência comum, o Espírito-Grupo, a partir de fora e por meio do Cordão Prateado.

Cada animal possui seu próprio e individual Cordão Prateado, em relação às duas partes que conectam o Corpo Denso, Corpo Vital e Corpo de Desejos; mas a terceira parte, que está ligada ao vórtice central do Corpo de Desejos, localizada na posição relativa do fígado, pertence ao Cordão Prateado do Espírito-Grupo. Por meio desse vínculo elástico, este Espírito-Grupo governa os animais da sua espécie, independentemente de onde estejam, com igual facilidade. A distância não existe nos Mundos internos e os animais não possuem Mente própria; assim, eles obedecem sem questionar às sugestões do Espírito-Grupo.

Nisso, as crianças são uma anomalia, pois elas também têm apenas as duas partes do Cordão Prateado desenvolvidas e possuem uma Mente na qual a terceira parte está em formação. Assim, o Ego não tem comunicação direta com seus veículos e, portanto, a prole humana, que possui o maior potencial, é, ao mesmo tempo, a mais indefesa de todas as criaturas da Terra, estando sujeita principalmente à autoridade dos seus guardiões físicos.

Embora o ser humano agora seja individualizado e emancipado da interferência direta em suas ações pelo “cordão de condução” com o qual o Espírito-Grupo força (não há outra palavra que transmita melhor o sentido) o animal a obedecer à sua vontade, ele ainda não está apto a governar a si mesmo, assim como a criança sobre a qual mantemos autoridade até atingir a maioridade não está pronta para cuidar de seus próprios assuntos; assim, os Espíritos de Raça ainda continuam a governar muitas nações. Cada uma tem seu próprio Espírito de Raça, que plana sobre a porção da Terra onde reside as pessoas daquela nação em forma de nuvem, e é nele que vivem, movem-se e têm o seu ser. Eles são o seu povo peculiar e Espírito de Raça é um deus ciumento. A cada respiração, eles inalam esse Espírito de Raça e, se forem levados para longe da porção da Terra onde reside as pessoas daquela nação vão desejar sua terra natal, porque em qualquer outro local o ar é diferente e carrega a vibração de outra Hierarquia Arcangélica que tem a função de Espírito de Raça.

Com o passar do tempo, à medida que avançamos, também as nações são emancipadas da influência do Espírito de Raça, que tem vivido por meio da respiração desde que Javé-Elohim soprou o nephesh, o ar vital, nas narinas das pessoas que compõe tais nações. Esses Espíritos de Raça atuam no Corpo de Desejos e no Espírito Humano, fomentando o egoísmo e o egocentrismo. Sua mais alta realização é o patriotismo.

Mas quando aprendermos a construir a gloriosa veste nupcial, o Corpo-Alma, que é tecido através do Serviço amoroso e desinteressado (o mais anônimo possível) focado na Divina Essência oculta em cada pessoa – que é a base da fraternidade – a cada irmão e irmã, e o matrimônio místico foi consumado, quando o Cristo nascer imaculadamente dentro de nós – o Cristo interno –, então o Amor Universal nos emancipará para sempre da Lei Universal e seremos perfeitos como nosso Pai nos Céus é perfeito.

De todo poder que mantém o mundo em correntes,

O homem se liberta quando domina a si mesmo.

                                                                       Johann Wolfgang von Goethe

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de agosto/1918 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Você afirma que o Adepto é capaz de construir um novo Corpo, enquanto ocupa o antigo e então transferir sua consciência para o novo Corpo, evitando a necessidade de nascer. Por que Cristo, que é muito mais elevado em evolução do que um Adepto, não fez a mesma coisa?

Resposta. Nenhum Ego pode construir um Corpo de substância com a qual não tenha tido experiência na evolução. Cristo nunca teve experiência em construir Corpos em qualquer uma das Regiões abaixo do nível do Mundo do Desejo; portanto, Ele não pôde construir um Corpo Vital ou Denso e precisou da assistência de um Ego com experiência na construção desses Corpos inferiores, que os prepararia para Ele, a fim de usá-los no Seu ministério de três anos.

O Adepto, por outro lado, pertence à nossa Onda de Vida e teve experiência em construir todos os veículos inferiores. Ele é, portanto, capaz de construir um novo Corpo quando chega a certo estágio de Iniciação, no caso, Iniciação Maior ou Cristã.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – março /1926 – Traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Qual a natureza e finalidade das Escolas de Mistérios e onde se encontram no mundo?

Resposta: As Escolas de Mistérios (ou Escolas de Iniciações) têm como finalidade ensinar as verdades profundas a respeito da vida e do ser. Dentre tais Escolas destacamos a Ordem Rosacruz. O Templo da Escola de Mistério da Ordem Rosacruz é etérico, ou seja, se encontra na Região Etérica do Mundo Físico. Não temos nenhuma informação definida quanto à localização das demais Escolas.

Todas as comunidades ocultas refratam-se em sete, tal como os Raios de vida, os Espíritos Virginais, etc. Cada Escola ou Ordem pertence a um desses sete Raios.

As Escolas de Mistérios de cada Religião proporcionam ensinamentos mais profundos aos membros mais avançados da Onda de Vida humana. Tais ensinamentos colocados em prática nos conduzem a uma esfera superior de espiritualidade ainda não alcançada por quem não alcançou as Iniciações.

Há sete Escolas de Mistérios Menores e cinco de Mistérios Maiores, ficando o conjunto sob a égide de um Líder Central, chamado “O Libertador”.

Os Mistérios (ou Iniciações) Menores surgiram em várias épocas e em diferentes partes do mundo; na Índia, no Egito, na Grécia, etc. Os Druidas da Irlanda e os Trotters do Noroeste da Rússia foram escolas esotéricas onde o Irmão Maior Jesus trabalhou durante a chamada “Idade das Trevas”.

A Escola de Mistérios, em si mesma, se reveste da descendente influência planetária do Fogo do Pai, a Estrela Paterna da qual se originou.

Devemos distinguir entre Escolas de Mistérios e associações tais como a Fraternidade Rosacruz, a qual é uma Escola Preparatória para ingressar na Escola de Iniciação Ordem Rosacruz.

(Publicada na Revista Rays from the Rose Cross de setembro/1918 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Formação das Almas: você está focando na formação das suas?

Dentro da Filosofia Rosacruz, Alma é definida como o extrato espiritualizado ou a quintessência de cada um dos nossos três Corpos de Desejos, Vital e Denso.

Estes três Corpos são projeções materiais, alguns os chamam de reflexos, outros de sombras dos nossos três poderes essenciais na qualidade de Espírito (Tríplice Espírito).

Assim podemos dizer que faz parte do Plano Divino tornar a matéria física, a matéria etérica e a matéria de desejos espiritualizada. Portanto, esses estados de matéria devem ser espiritualizados. Esse trabalho gera a Tríplice Alma, correspondentes a cada veículo, a saber: Alma Consciente resultante da espiritualização do Corpo Denso; Alma Intelectual constituindo-se no extrato espiritualizado do Corpo Vital; Alma Emocional como sendo a quinta essência do Corpo de Desejos.

Nós, como um Espírito emanado de Deus, possuímos também as três qualidades inerentes: ao Poder Divino, expresso como Espírito Divino; o Amor-Sabedoria, que se manifesta como Espírito de Vida; o Movimento ou Atividade, manifestando-se como Espírito Humano.

Essa herança Divina de Deus para com seus filhos se manifesta de acordo com o grau de nossa consciência espiritual, de onde concluímos que no atual estado evolutivo da nossa Onda de Vida, a humana, essa manifestação se opera de uma maneira ainda imperfeita. Torna-se necessário um esforço no sentido de dinamizar e ativar tais poderes para que a nossa real natureza se manifeste em toda sua plenitude. A vida é um “vir a ser” constante, nos levando a realizar esse objetivo. Os preceitos Cristãos, como são apresentados pela Fraternidade Rosacruz, constitui meios seguros para se conseguir isso. Esse alvo deve ser atingido por etapas, etapas estas que determinam estados de consciência.

Por meio das nossas inúmeras existências estamos desenvolvendo e passando por estados sucessivos de consciência, desde a mais completa inconsciência à plena consciência de vigília.

Esses estados de consciência foram desenvolvidos através de diversas etapas. Assim é que no Período de Saturno o estado de consciência predominante era o de transe profundo; no Período Solar, sono sem sonhos; no Período Lunar, sono com sonhos. Na metade Marciana do Período Terrestre houve uma recapitulação dos Períodos anteriores, sendo que na Época Atlante houve a aquisição da Mente instintiva e na presente Época Ária surgiu o estado de consciência apoiado na razão e no pensamento. Não podemos pensar em formação de Almas sem considerarmos as faculdades de raciocinar e de pensar, as quais bem desenvolvidas equivalem a um processo iluminador, ou ainda, a ter mais consciência de vigília.

A presente etapa nos habilitará a alcançar a luminosidade e transparência da Sexta Época – a Nova Galileia. A nossa consciência deverá se sincronizar com esse processo de iluminação, de aparecimento gradual da transparência, processo iniciado no Período de Saturno, devendo atingir o seu ponto alto na Sexta Época.

Dentro do aspecto que nos caracterizará Época Nova Galileia devemos ressaltar o fato de que a vigília tenderá a se prolongar, o que implicará numa redução das horas de repouso e consequente aumento de atividade. Então chegaremos ao ponto essencial no cumprimento da finalidade da existência humana: a Atividade. Dessa forma nos sincronizaremos com Deus, que é sempre ativo.

Como não podemos fugir a essa conjuntura, nos tornaremos consciente de nossa filiação Divina, nos tornando luminosos, porque “Deus é Luz”. É óbvio que para alcançar esta fase gloriosa, necessitaremos de meios apropriados; auxílio este que em última análise é representado pelo Cristianismo Esotérico. Começamos a praticá-lo de modo imperfeito, restringindo o seu alcance e limitando, a princípio, a universalidade própria dos princípios outorgados pelo Grande Arcanjo, Cristo, aos nossos próprios interesses. Gradualmente, porém, a amplidão dos conceitos Cristãos vai se alargando na nossa consciência, e isto se evidencia mais ainda no Estudante Rosacruz ativo, que de início procura tornar a sua própria vida num serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível), focando na divina essência oculta em cada um de nós, para com os irmãos e as irmãs no seu entorno.

Desde os primeiros Períodos sempre houve um propósito: o alargamento da consciência. Esta expansão é uma constante. Todo processo de ampliação da nossa consciência depende de um veículo de expressão. A consciência de vigília, nossa característica na Época Ária, não seria possível ou não teria nenhuma utilidade se não existisse o Corpo Denso.

E na Sexta Época como será expressa a nossa consciência? A Filosofia Rosacruz nos ensina que se expressará em uma forma mais elevada do que aquela que expressamos no Período Solar – consciência de sono com sonhos – mas, conscientemente, isto é, nossa visão será interna e externa, simultaneamente.

E como cada estado de consciência pressupõe o uso de um novo veículo, a Filosofia Rosacruz nos ensina que para a Sexta Época necessitaremos de um novo veículo, o Corpo-Alma, o Vestido Dourado de Bodas, formado pelos dois Éteres Superiores do Corpo Vital (Éter Luminoso e Refletor). Este Corpo luminoso está se formando pela ação Crística do amor, isto é, justa e somente pelo serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível), focando na divina essência oculta em cada um de nós, para com os irmãos e as irmãs no seu entorno. S. Paulo designou essa forma de serviço quando afirmou: “Não sou eu que vivo, mas Cristo vive em mim” (Gl 2:20). A perfeita luminosidade vivia nele!

A fórmula número um está expressa por: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei” (Jo 15:12), representando uma forma de vivência que elabora o Corpo-Alma. Portanto, o amor será uma atividade peculiar à Sexta Época.

(Publicada na Revista Serviço Rosacruz de junho/1967 – Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Para que serve a Reforma do Nosso Caráter

O estudo da Filosofia Rosacruz, além de facilitar a aquisição de um conhecimento profundo e lógico sobre a nossa origem, o nosso estado presente e futuro do nosso desenvolvimento e de todo o Universo, pressupõe também algo que consideremos de suma importância: uma reforma de caráter. Se o conhecimento não nos torna religiosos, naquela acepção ampla de nos religar à nossa essência espiritual (que é Deus), não está atingindo o seu objetivo. Não consideramos o conhecimento como um fim em si mesmo, mas, como uma fonte que nos proporciona meios valiosos de crescimento anímico.

Nossos atos provam o que realmente somos. Podemos nos tornar gradativamente um imenso repositório de Ensinamentos Rosacruzes, e podemos até expô-los publicamente de uma maneira brilhante, porém, se não procurarmos vivê-los em essência, sentindo as verdades que encerram seremos, quanto muito, intelectuais. O empenho sincero no sentido de uma transformação interna determina a utilização que fazemos dos Ensinamentos Rosacruzes. Esses só têm valor quando serve ao aperfeiçoamento do nosso caráter, despertando em nós sentimentos, desejos e emoções de amor Crístico, altruísmo, compreensão, sacrifício, disciplina, dever, enfim somente de desejos, sentimentos e emoções produzidos a partir de materiais das três Regiões superiores do Mundo do Desejo.

Em via de regra, a maioria de nós deixamos esse plano terreno quase com o mesmo caráter com que nos adentráramos a ele! Ligeiras transformações se observam, porquanto a Lei de Consequência, por meio do látego da dor e do sofrimento, demonstra cabalmente que o “salário do pecado é a morte” (Rm 6:13). Infelizmente, as experiências dolorosas constituem o meio padrão de aperfeiçoamento moral da quase totalidade de nós, seres humanos. Este processo regenerativo é lento, pois, não decorre de uma vontade própria, consciente de renovação interna.

Poucos são aqueles dentre nós que reconhecendo os próprios erros e defeitos, dispõem-se corajosamente a transmutá-los em virtude. Estes poucos sempre se constituíram nos vanguardeiros da Onda de Vida humana. Que busquemos sempre ser um deles!

Nunca é demais repetir que a evolução é o resultado de um esforço persistente. Tal esforço dever ser consciente e incomensurável, pois a mais disputada batalha que podemos travar é contra nossa própria natureza inferior. S. Paulo reconhecia perfeitamente a natureza dessa luta contra nossos inimigos internos ao afirmar: “Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo” (Rm 7:19).

A transformação interna demanda boa vontade e aplicação de conhecimento. Max Heindel sempre insistia em que “a única salvação é o conhecimento aplicado”. Reforma de caráter é conhecimento aplicado. É sempre é bom lembrar que caráter é destino!

Podemos e devemos modificar o nosso caráter, aprimorando-o. Lograremos êxito em tal mister, se inteligente e diligentemente procurarmos descobrir onde residem nossas falhas e como poderemos, paulatinamente, saná-las. Procuremos avaliar e determinar a extensão dos nossos defeitos para encontrarmos os meios de cultivar as virtudes diametralmente opostas.

Podemos engendrar um destino melhor, se nos propusermos a modificar nosso caráter. Os meios estão ao nosso alcance, e se não o utilizarmos é porque somos vencidos pela inércia e pelo comodismo. Renovemo-nos, “tornando-nos dia a dia melhores homens e mulheres, a fim de sermos utilizados como colaboradores conscientes na obra benfeitora dos Irmãos Maiores, a serviço da Humanidade.“.

Não resta a menor dúvida que reforma de caráter exige um esforço racional!

(Publicada na Revista Serviço Rosacruz – maio/1968 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A importância em nos dedicarmos aqui à Tríplice Alma

No princípio, Deus diferenciou dentro de Si uma hoste de Espíritos como faíscas de um fogo. Esses Espíritos não eram chama, embora dotados de consciência total – omnisciência –, não tinham autoconsciência. Eles tinham todas as possibilidades de ser, mas não eram realmente onipotentes como Deus, porque não tinham o poder dinâmico disponível para uso, a qualquer momento, de acordo com sua vontade. Para que pudessem desenvolver essas qualidades, começaram sua peregrinação pela matéria.

Aprendemos na Filosofia Rosacruz que o nome deles é Espírito Virginal e que nós, Espíritos Virginais da Onda de Vida humana estamos manifestados em um Tríplice Espírito — Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano — (como Deus, nosso criador, está manifestado também: de forma Tríplice), possuímos um veículo Mente, por meio da qual estamos aprendendo a governar um Tríplice Corpo — Corpo Denso, Corpo Vital e Corpo de Desejos — cujo germe ganhamos de Hierarquias Criadoras e por meio do nosso trabalho (Tríplice Espírito) sobre esse Tríplice Corpo fomos enriquecendo os Átomos-sementes de cada um desses três Corpos, com o propósito de coletar experiência. E, aos poucos, vamos transmutando esse Tríplice Corpo em uma Tríplice Alma por meio da qual iremos da impotência à onipotência.

Durante a Involução (a primeira das duas partes desse Esquema de Evolução), nós – o Ego, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana – progredimos construindo um Tríplice Corpo e vamos conquistando o controle sobre esses Corpo por meio do elo da Mente. A Mente é o ponto básico sobre o qual a Involução se transforma em Evolução e nós, que entramos em nossos veículos (o Tríplice Corpo), começamos a desenvolver a Tríplice Alma — Alma Consciente, Alma Intelectual e Alma Emocional.

E o processo é o seguinte: toda atividade que executamos via nosso veículo Espírito Divino sobre o nosso Corpo Denso, que resulta em observação e ação retas, promove o crescimento da Alma Consciente, alimento para aumentar a consciência do veículo Espírito Divino, a fim de um dia termos um Corpo Espírito Divino.

O Corpo Denso é trabalhado pelo Espírito Divino porque ele é a oitava inferior desse Espírito Divino. A Alma Consciente cresce pela observação, ação, pelos impactos externos e experiência. Essas são as lições que nos são dadas na grande Escola de Deus, o ambiente diário que nos cerca e do qual frequentemente reclamamos amargamente; ainda assim, quando corretamente enfrentadas, na realidade elas se tornam nossas maiores bênçãos, pois são o alimento que nutre a Alma Consciente e ela aumenta a consciência do Espírito Divino porque ela é a quintessência do Corpo Denso, que é a contraparte inferior – ou oitava inferior – do Espírito Divino.

Toda atividade que executamos via nosso veículo Espírito de Vida sobre o nosso Corpo Vital, que resulta em memória da observação e ação retas e dos desejos, sentimentos e emoções superiores, promove o crescimento da Alma Intelectual, alimento para aumentar a consciência do veículo Espírito de Vida, a fim de um dia termos um Corpo Espírito de Vida.

Repare que a Alma Intelectual, como mediadora entre a Alma Consciente e a Alma Emocional, cresce pelo exercício do discernimento e da memória pela qual ela liga experiências passadas e presentes às ações feitas pelo Corpo Denso, pelos desejos, sentimentos, emoções do Corpo de Desejos, pensamentos e ideias, criando simpatia e antipatia; isso não poderia existir sem a memória, porque os sentimentos resultantes apenas da experiência seriam evanescentes.

O Corpo Vital é trabalhado pelo Espírito de Vida porque ele é a oitava inferior desse Espírito de Vida. A Alma Intelectual fornece poder adicional ao Espírito de Vida, porque ela é extraída do Corpo Vital, que é a contraparte inferior – ou oitava inferior – do Espírito de Vida.

Toda atividade que executamos via nosso veículo Espírito Humano sobre o nosso Corpo de Desejos, que resulta em desejos, sentimentos e pelas emoções superiores (ou seja: criados por nós usando somente materiais das três Regiões superiores do Mundo do Desejo) promove o crescimento da Alma Emocional, alimento para aumentar a consciência do veículo Espírito Humano, a fim de um dia termos um Corpo Espírito Humano.

Ou seja: o Corpo de Desejos é trabalhado pelo Espírito Humano, porque ele é a oitava inferior desse Espírito Humano. Repare que os desejos, sentimentos e as emoções inferiores não fazem crescer a Alma Emocional. A Alma Emocional, que é o extrato do Corpo de Desejos, é acrescentada à eficiência do Espírito Humano, que é a contraparte espiritual – ou oitava superior – do Corpo de Desejos.

A Alma é, por assim dizer, a quintessência, o poder ou força do Tríplice Corpo; quando um Corpo é completamente construído e levado à perfeição através das Épocas e Períodos, como descrito previamente, a Alma é totalmente extraída dele para ser absorvida por um dos três aspectos do Espírito.

O Espírito Divino, que tem a sua contraparte o Corpo Denso, promove o crescimento da Alma Consciente; essa Alma será absorvida pelo Espírito Divino na sétima Revolução do Período de Júpiter. O Espírito de Vida, que tem a sua contraparte o Corpo Vital, promove crescimento da Alma Intelectual; essa Alma será absorvida pelo Espírito de Vida na sexta Revolução do Período de Vênus. O Espírito Humano, que tem a sua contraparte o Corpo de Desejos, promove crescimento da Alma Emocional, que será absorvida pelo Espírito Humano na quinta Revolução do Período Vulcano.

Quanta ou quão pouca Alma um ser humano tem depende da quantidade de trabalho que ele realizou em seu Tríplice Corpo, pois a Alma é o produto espiritualizado do Corpo. É importante enfatizar demais a extrema importância desta parte do nosso trabalho, porque é a parte em que estamos realmente engajados hoje. Agora mesmo, cada um de nós está construindo, ou então negligenciando construir, esta Tríplice Alma.

E lembre-se de que os esforços necessários para que possamos promover o crescimento da Alma são os seguintes: observação, ações corretas, a memória dessas ações, desejos, sentimentos e emoções superiores, tais como: gratidão, olhares gentis, expressões de confiança, simpatia, ajuda amorosa, discernimento, esforço para ajudar os necessitados a se ajudarem, boas ações, firme contenção de tendências ao autoritarismo, o esforço para conter o apetite e as paixões animais, devoção, serviço prestado independentemente de conforto e prazer pessoal e coisas afins a essas. Nessas qualidades são encontrados todos os elementos necessários para o crescimento da Alma. Cada ato e cada pensamento são fatores determinantes na construção da Tríplice Alma

Não devemos prolongar a nossa estada no Purgatório – quando terminar mais uma vida terrestre –, pois não podemos deixar esta Região enquanto uma única propensão ao mal não for purgada. E assim nossa permanência no Purgatório depende não do desejo de Deus de nos punir pelos erros cometidos enquanto estamos vivendo aqui, mas inteiramente de cada um de nós e do tempo que usamos para nos apegar às práticas malignas que apreciávamos enquanto estávamos revestidos com nossa vestimenta de carne. Pois, sabemos que “a morte não tem poder de limpeza”. Se nos deleitávamos em fazer o mal ou em nada fazer de bom (“deixa a vida me levar”) enquanto levávamos nossa vida terrena, então temos exatamente os mesmos gostos e inclinações após a morte, pois sempre somos nós e não o nosso Corpo Denso quem sentia prazer em fazer o mal ou em se deleitar em nada fazer de bom. O Corpo Denso por si só não tem vontade para o certo nem para o errado; ele é simplesmente um veículo através do qual funcionamos na Região Química do Mundo Físico, e quando nos retiramos, ele rapidamente perde toda sua forma e retorna aos seus elementos originais na Natureza.

Há uma classe de pessoas que se esforçam para se esquivar, por assim dizer, da Lei de Causa e Efeito, tomando uma espécie de rota intermediária entre o bem e o mal. Essas pessoas não são malfeitoras, em sentido geral. Nem estão preocupadas com o trabalho de construir a Tríplice Alma. Elas são honestas, corretas e não são injustas com os outros; mas estão profundamente imersas nos negócios delas aqui e não pensam sobre a vida espiritual e, logicamente, nem sobre o que realmente estamos fazendo aqui e nem para onde vamos depois daqui. Este mundo é suficientemente bom para elas. Elas sentem que se deva ser decente para não desejar prejudicar outros e o principal negócio da sua vida é prover abundantemente para si e para a família; quiçá para alguns no seu entorno que, logicamente, interessa a ela. São os que tem estada garantida na Região Limítrofe. O Purgatório ocupa as três Regiões inferiores do Mundo do Desejo. O Primeiro Céu está nas três Regiões superiores. A Região central – Região Limítrofe – é uma espécie de terra de fronteira — não é o Purgatório nem o Céu; aqui encontramos essas pessoas após a morte. Para elas o Mundo do Desejo é um estado de monotonia indescritível.

Não há “negócios” naquele lugar nem algo que seja parecido; então essas pessoas têm muita dificuldade para pensar em coisas mais elevadas do que resultados financeiros, contas no banco ou ganhos monetários. Aqueles que pensaram no problema da vida e chegaram à conclusão de que “a morte acaba com tudo”, que negaram a existência de coisas fora do mundo material-sensorial, esses também sentem essa terrível monotonia. Eles esperavam que a morte implicasse a aniquilação da consciência e do Corpo; mas em vez disso eles se percebem com uma percepção aumentada de pessoas e objetos ao seu redor. Estavam acostumados a negar a realidade espiritual tão veementemente na Terra que, muitas vezes, imaginam que o Mundo do Desejo é uma alucinação e podem ser ouvidos frequentemente exclamando no mais profundo desespero: “Quando isso vai acabar? Quando vai acabar?”.

Essas pessoas estão realmente em um estado lamentável. Geralmente, estão além do alcance de qualquer ajuda e sofrem muito mais do que qualquer outra pessoa. Além disso, elas têm pouca coisa a fazer nos Mundo celestes, onde a construção de Corpos para uso futuro é ensinada; logo, projetam todos os seus pensamentos cristalizantes no Corpo que será construído para sua vida futura; um Corpo assim moldado tem as tendências de endurecimento que vemos, por exemplo, em doenças consultivas, como por exemplo a tuberculose, pneumonia e afins. Às vezes, o sofrimento de tais Corpos decrépitos eleva os pensamentos das entidades que os animam para Deus e sua evolução pode prosseguir; mas na Mente materialista reside o maior perigo de perder o contato entre o Ego (o que realmente ele é) e os Corpos e se tornar um pária nessa vida.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de maio de 1916, e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)

Idiomas