Julho de 1915
Ao reler a lição mensal que acompanha essa carta – a qual sintetiza o resultado de investigações realizadas há algum tempo –, fui novamente impactado, e com redobrada intensidade, pelo fato de existirem ao nosso redor condições tão terríveis. Neste momento, em que os horrores da grande guerra[1] aumentam, em proporções sem precedentes, o número daqueles que transitam deste mundo para os Mundos invisíveis sob condições angustiantes, parece que um esforço adicional deveria ser empreendido para contrabalançar e minimizar esse mal. A Fraternidade Rosacruz é, ainda, apenas uma gota no oceano da Humanidade; contudo, se fizermos a nossa parte, conquistaremos uma oportunidade maior de servir.
Não há remédio para as condições atuais que se equipare ao conhecimento da continuidade da vida e do fato de que renascemos periodicamente sob a imutável Lei de Causa e Efeito. Se esses grandes fatos, com tudo o que implicam, pudessem ser transmitidos de forma convincente a um grande número de pessoas, esse fermento acabaria por atuar de tal maneira que transformaria as condições em todo o mundo. Um único homem, Galileu[2], mudou a perspectiva mundial sobre o Sistema Solar e, embora sejamos apenas alguns milhares, não seria possível exercermos influência sobre a opinião pública mundial, visto que sabemos ser isso a verdade?
Costuma-se dizer que as pessoas não se interessam por assuntos espirituais, que não se consegue a atenção delas; mas, na realidade, não é bem assim. Notem o caso de centenas de milhares de pessoas que foram ouvir Billy Sunday[3], o notável evangelista: muitas tenham sido movidas pela curiosidade ou ido para zombar e escarnecer, havia também milhares delas que nutriam um forte desejo por algo que talvez nem soubessem definir, mas que constituía a verdadeira motivação. Recentemente, houve um debate entre um evangelista de Nova York e um advogado sobre o tema: “Onde Estão os Mortos?”. Esse debate ocorreu em um grande auditório, com capacidade para milhares de pessoas, e estendeu-se por três dias. Todos os assentos estavam ocupados e, se bem me lembro, houve muitas pessoas que nem sequer conseguiram encontrar lugar para ficar de pé no recinto. Não; o mundo busca algo – busca-o com um coração faminto –, e cabe apenas a nós fazer a nossa parte, apresentando ao mundo a explicação racional da vida que nos chegou por meio dos Irmãos Maiores. É um grande privilégio, e certamente devemos aproveitá-lo.
Mas a questão é: como? Permita-me perguntar: o seu jornal não aceitaria publicar, ocasionalmente, um artigo sobre este assunto? Certamente há, na Fraternidade Rosacruz, várias pessoas capazes de escrever tais artigos. Poderia ser formado um comitê para receber os artigos e fornecê-los aos membros que os solicitassem — membros que concordassem em levá-los aos editores dos jornais de suas respectivas cidades e em procurar divulgar os Ensinamentos Rosacruzes por esse meio. Se um artigo for bem escrito, raramente é recusado quando há espaço disponível; afinal, os editores ficam muito satisfeitos em obter algo que julguem poder interessar ao público leitor, mesmo que eles próprios não simpatizem com o conteúdo.
Poderiam alguns dos Estudantes Rosacruzes, que sabem escrever bem, enviar pequenos artigos sobre “A Continuidade da Vida”? E aqueles que estiverem dispostos a providenciar a publicação desses artigos nos jornais de suas localidades poderiam escrever e registrar seus nomes, para que possamos dar andamento à iniciativa? Enviem suas comunicações sobre este assunto ao “Departamento de Publicidade”, em Mt. Ecclesia.
Espero que este apelo receba uma resposta entusiástica.
(Carta nº 56 do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Refere-se à Primeira Guerra Mundial
[2] N.T.: Galileo di Vincenzo Bonaulti de Galilei (1564-1642), mais conhecido como Galileu Galilei, foi um astrônomo, físico e engenheiro florentino, às vezes descrito como polímata. Frequentemente é referenciado como “pai da astronomia observacional”, “pai da física moderna”, “pai do método científico” e “pai da ciência moderna”.
[3] N.T.: William Ashley Sunday (1862-1935) era um atleta americano que, depois de ser um popular defensor da Liga Nacional de beisebol durante a década de 1880, se tornou o evangelista americano mais célebre e influente durante as duas primeiras décadas do século XX.
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