Uma pequena menina estava diante da sua mãe quando bateu o pé no chão e sacudiu seus cachos dourados. Seu rostinho infantil estava retorcido, expressando o mais terrível mau humor. A mãe pegou aquele pequeno e animado feixe de temperamento no colo e a colocou diante de um espelho.
— Olhe só essa boca, minha filha. Veja como os cantos ficam voltados para baixo, tão feios e zangados. Agora vire os cantinhos para cima e os faça apontar para o Céu, onde vivem as crianças boas e felizes.
A menina esqueceu sua raiva; sua curiosidade foi despertada. Seus olhos se arregalaram de admiração ao ver um pequeno sorriso surgir, formar covinhas e se espalhar até terminar em uma alegre gargalhada.
— Mas, mamãe, que engraçado! Eu tenho que sorrir para fazer os cantinhos da boca virarem para cima! — exclamou, maravilhada — Claro, minha querida. E quando você está alegre sua boca aponta para o feliz Reino dos Céus — respondeu a mãe.
A pequena era uma menina esperta, pois frequentava a escola dominical. Ela sabia que o Céu, com suas ruas de ouro e seus Anjos brilhantes que cantavam, ficava em algum lugar no azul do firmamento, junto de Deus. Também aprendera sobre a região de fogo e enxofre, situada nas profundezas da Terra. Esse lugar era governado por uma terrível criatura chamada Satanás, que frequentemente a encarava com um sorriso malicioso das páginas de um grande livro chamado O Peregrino.
Ela ficou pensando por um momento…
— Mamãe, quando eu fico zangada, para onde a minha boca aponta? — perguntou.
— Para onde você imagina que ela aponte, minha querida? — respondeu a mãe, sabiamente deixando que a própria filha encontrasse a resposta.
Então começou uma divertida brincadeira na qual a menina investiu muito tempo diante do espelho. Por mais que tentasse, ela nunca conseguia fazer cara feia e, ao mesmo tempo, fazer aqueles teimosos cantinhos da boca apontarem para cima. Por fim, desistiu da tentativa, concluindo que, de qualquer forma, era muito mais fácil sorrir. Além disso, a menina do espelho ficava muito mais bonita quando sorria.
À medida que os meses e os anos passaram, a criança aprendeu a se divertir observando as pessoas. Ela as dividia em duas categorias: aquelas cujas bocas se curvavam para cima e aquelas cujos cantos se voltavam para baixo. Embora suas ideias sobre Céu e Inferno tenham mudado com o tempo, ela sempre se alegrava ao ver o Céu que algumas pessoas haviam criado para si mesmas refletido em seus rostos e sentia pena da infelicidade das outras.
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Uma menina de oito anos subia lentamente a escada… Seus olhos estavam fixos na escuridão do corredor lá em cima. Quem poderia saber que coisas terríveis estariam escondidas nas sombras ou atrás das portas, prontas para atacar qualquer pessoa desprevenida? Talvez houvesse um urso, um ladrão ou até mesmo um fantasma. O que seria aquele ponto de luz naquela escuridão? Um reflexo de alguma luz do lado de fora ou o olho brilhante de algum monstro assustador?
Por fim, sua subida hesitante parou completamente. Ela se inclinou sobre o corrimão para verificar se a luz acolhedora e o calor alegre do andar de baixo ainda eram reais.
— Papai! — suplicou. — Por favor, venha acender uma lâmpada.
(Eram os tempos da iluminação a gás, quando meninas pequenas precisavam subir em cadeiras para alcançar os interruptores ou registros das lâmpadas).
Lá de baixo surgiu uma voz forte, alegre e bem-humorada. Só de ouvi-la, pelo menos metade dos terrores imaginários desapareceu.
— Continue subindo e faça você mesma a sua própria luz, minha filha. Você não encontrará aí em cima algo mais assustador do que você mesma.
Naquela época, isso lhe pareceu um consolo muito pequeno. Mas quantas vezes ao longo da vida a lembrança daquele episódio ajudou aquela menina a criar sua própria luz nos lugares escuros da existência e a vencer a única coisa que realmente encontrou para temer: ela própria.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de agosto de 1920 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)
Há muitos anos os ensinamentos dos Irmãos Maiores foram publicados, pela primeira vez, no livro Conceito Rosacruz do Cosmos-Max Heindel-Fraternidade Rosacruz. Desde então, nossa literatura ampliou-se bastante. Parece-nos oportuno fazer um levantamento do nosso trabalho para avaliar como estamos empregando os talentos a nós confiados.
Em primeiro lugar, devemos averiguar a razão de ingressarmos na Fraternidade Rosacruz. A principal razão baseia-se na insatisfação. Não encontrávamos as respostas adequadas para nossas perguntas sobre os enigmas fundamentais da vida e da morte em outras instituições.
Todos procuram a luz, mas alguns agem como ilustra uma parábola bíblica. Narra-se a história de um homem que vendo uma pérola de grande valor vendeu todas as posses para comprar a joia. A pérola simboliza o conhecimento do Reino dos Céus[1]. Em outras palavras, alguns dentre nós estão tão determinados a encontrar a luz, e ficam tão radiantes quando a encontram, que dedicam toda a vida, pensamentos e disposição a essa tarefa.
A rede de compromissos assumidos impossibilita a maioria de gozar deste grande privilégio. No entanto, estamos imersos numa teia de relações: se recebemos ajuda somos obrigados, pela lei da compensação, a dar algo em reciprocidade. Intercâmbio e circulação preenchem todos os espaços e promovem a vida. A estagnação conduz à morte.
Não é possível ingerir alimento físico e retê-lo no organismo. O processo de eliminação é fundamental para manter o equilíbrio e a saúde afastando a doença e a morte. Da mesma maneira, não podemos impunemente nos fartar com uma alimentação mental. Devemos compartilhar nosso tesouro com os outros e empregar os conhecimentos adquiridos nas obras do mundo. Caso contrário, corremos o risco de estagnação no pântano da especulação metafísica.
Nos anos que se seguiram desde a publicação do livro Conceito Rosacruz do Cosmos-Max Heindel-Fraternidade Rosacruz, os Estudantes dispuseram de bastante tempo para conhecer e praticar seus ensinamentos. Não há expediente para desculpas, alegando ignorância ou falta de tempo para compenetrar-se no estudo. Não podem usar como pretexto insuficiência ou incapacidade pessoal para divulgar seu conteúdo.
Mesmo aqueles que têm pouco tempo disponível para estudar, devido aos deveres desempenhados no mundo, deveriam estar agora suficientemente posicionados “para dar um sentido à sua fé”[2], como S. Paulo nos exortou a fazê-lo. Mesmo que não consigamos mostrar a luz a todos que solicitam, devemos praticá-la na intimidade, em gratidão aos Irmãos Maiores e de maneira impessoal a toda Humanidade. O desenvolvimento de nossa própria alma depende do grau de participação e empenho no fortalecimento do movimento ao qual estamos ligados. Portanto, é conveniente que compreendamos detalhadamente qual a missão da Fraternidade Rosacruz.
Isto está inteira e claramente elucidado no capítulo introdutório do livro Conceito Rosacruz do Cosmos-Max Heindel-Fraternidade Rosacruz. Em resumo, sua missão concentra-se em proporcionar uma explicação sobre as questões da vida capaz de contemplar tanto as necessidades da Mente como do Coração. Com a finalidade de remover as confusões inerentes a duas classes de pessoas: os eclesiásticos e os cientistas. Ambos seguem tateando nas trevas pela carência de um conhecimento unificador e podem ser muito beneficiados com nossa literatura.
Designamos eclesiásticos todos os que são guiados por uma sincera devoção ou bondade natural, pertençam ou não a alguma igreja. No âmbito dos cientistas incluímos os que encaram a vida de um ponto de vista puramente mental, sejam atuantes ou não no campo da ciência.
É propósito e objetivo do livro Conceito Rosacruz do Cosmos-Max Heindel-Fraternidade Rosacruz ampliar o campo de ação espiritual de um número sempre crescente dessas duas classes que pressentem, com maior ou menor clareza, a falta de algo de grande importância em sua concepção da existência.
Devemos lembrar o episódio do Rei Davi. Quando desejou construir um templo a Deus foi-lhe negado esse privilégio[3]. Isso por ter empunhado armas como guerreiro de sua tribo. Sempre houve organizações a combater outras organizações. Apontando erros e buscando meios de destruir as rivais, guerreando tanto quanto Davi o fez outrora. Com essa atitude, não se conquista a permissão para construir o templo que é feito de pedras vivas de homens e mulheres. Esse templo ao qual o personagem Manson se refere com tão belas palavras no livro “O Servo da Casa” (The Servant in the House)[4].
Portanto, quando tentamos divulgar as verdades dos Ensinamentos Rosacruzes, devemos sempre ter em mente que não podemos impunemente depreciar a Religião de quaisquer outros nem os antagonizar. Não é nossa missão lutar contra seus erros. Eles infalivelmente manifestar-se-ão no devido tempo.
Quando Davi morreu Salomão reinou em seu lugar. Este teve uma visão de Deus em sonho e Lhe pediu sabedoria! Foi-lhe dada oportunidade de pedir o que bem quisesse, e Salomão pediu sabedoria para guiar seu povo. Na verdade, foi esta a resposta recebida:
“Porque em teu coração pediste sabedoria, porque não pediste riquezas ou vida longa ou vitória sobre os teus inimigos ou qualquer coisa semelhante, mas pediste sabedoria, ser-te-á concedida essa sabedoria e muito mais do que isso.”[5].
Portanto, devemos seguir o exemplo de Salomão e orar sinceramente por sabedoria. Mas, é importante dispor de critérios para reconhecê-la. Portanto convém comentar o que é a verdadeira sabedoria.
Diz-se, e é verdade, que saber é poder. Saber, embora não seja nem o bem nem o mal em si mesmo, pode ser usado tanto para um como para o outro fim. O gênio apenas mostra a propensão para o saber, mas o gênio pode também ser bom ou mau. Falamos de um gênio militar, dotado de maravilhoso conhecimento sobre táticas de guerra. Tal homem, porém, não pode ser verdadeiramente bom, pois está destinado a ser impiedoso e destrutivo ao manifestar sua genialidade.
Um guerreiro, seja ele Napoleão ou um simples soldado, nunca poderá ser sábio, porque deliberadamente deve esmagar todos os bons sentimentos. Vale lembrar-se do coração como símbolo dos mais nobres sentimentos. Um governante sábio tem um grande coração, assim como tem uma inteligência superior. Tem o coração e o intelecto em harmonioso equilíbrio para promover o desenvolvimento de seu povo.
Mesmo o mais profundo conhecimento sobre assuntos Religiosos ou ocultos não é sabedoria, como nos ensina São Paulo no seu magnífico 13º Capítulo da Primeira Epístola S. Paulo aos Coríntios: “Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência, se não tiver amor, nada serei”.
Somente quando o conhecimento se mesclar com o amor poderá realmente se converter em sabedoria. Amor-Sabedoria é a expressão do princípio Crístico, o segundo aspecto da Divindade Trina.
Deveríamos ser muito cautelosos para compreender e discernir corretamente. Só assim podemos eleger caminhos vantajosos para alcançar um determinado objetivo e evitar ciladas que causam atrasos e angústia. Podemos optar por um caminho de sofrimento no presente visando futuras realizações, mas não é necessariamente sinônimo de sabedoria. Conhecimento, prudência, discrição e discriminação são próprios da Mente. Em si mesmo, todos são tentações do mal. Cristo na Oração do Senhor nos ensinou a pedir: “Livrai-nos do mal”. As faculdades inatas da Mente devem ser temperadas com a qualidade inata do coração, o amor. Dessa mescla resulta a sabedoria.
Se lermos o 13º Capítulo da Primeira Epístola de S. Paulo aos Coríntios[6], substituindo a palavra caridade ou amor pela palavra sabedoria, entenderemos o significado dessa grande qualidade e a desejaremos ardentemente.
Portanto, é missão da Fraternidade Rosacruz divulgar uma doutrina capaz de unir o intelecto com o coração. Esta é a única verdadeira sabedoria. Nenhum ensinamento genuinamente sábio pode prescindir de um destes elementos. Do mesmo modo, não podemos fazer soar um acorde musical com apenas uma corda. Assim como a natureza humana é complexa, também os ensinamentos que contribuem para esclarecer, purificar e elevar esta mesma natureza devem ter aspectos múltiplos. Cristo seguiu este princípio quando nos legou aquela prece magnífica que, em suas sete estrofes, atinge a nota-chave de cada um dos sete veículos do ser humano e os agrupa nesse magistral acorde de perfeição mais conhecido e popularizado como Oração do Senhor (Pai-Nosso).
Mas, como transmitiremos ao mundo essa maravilhosa doutrina que recebemos de nossos Irmãos Maiores? A resposta a esta pergunta é: Agora e sempre vivendo a vida.
Diz-se, para o eterno mérito de Maomé, que sua esposa foi sua primeira discípula. Com toda certeza não foram apenas seus ensinamentos, mas a vida que vivia no lar, dia a dia, ano após ano, que conquistou a confiança de sua companheira, de tal modo que ela não hesitou em depositar em suas mãos seu destino espiritual.
É relativamente fácil permanecer diante de estranhos que desconhecem nossas mazelas e para quem nossos defeitos não são visíveis, e pregar por uma ou duas horas cada semana. Mas é muito diferente pregar vinte e quatro horas por dia dentro do lar, como Maomé deve ter feito vivendo a vida.
Para obtermos o mesmo êxito de Maomé devemos principiar pelo exemplo na própria casa. Demonstrar aos irmãos mais próximos, no exercício do cotidiano, os ensinamentos que norteiam nossa existência. Isso é realmente sabedoria. Diz-se que a caridade começa em casa. Esta é a palavra que deveria ser traduzida por “amor” no 13º Capítulo da Primeira Epístola de S. Paulo aos Coríntios. Mude isto também para sabedoria e leia: a disseminação da sabedoria começa em casa. Que seja este o nosso lema através dos anos.
Vivendo a vida em nosso lar, promoveremos nosso ideal, de forma mais eficaz do que por qualquer outro método. Muitas pessoas céticas se converteram à Fraternidade Rosacruz através da conduta de seus maridos, esposas ou familiares. Possam os demais segui-los.
(Dropes do Livro Ensinamentos de um Iniciado publicado na Revista Serviço Rosacruz de Junho/1965 – Fraternidade Rosacruz-SP)
[1] N.R.: O Reino dos Céus é ainda semelhante a um negociante que anda em busca de pérolas finas. Ao achar uma pérola de grande valor, vai, vende tudo o que possui e a compra. (Mt 13:45-46)
[2] N.R.: Hb 11:1 e IICor 5:7
[3] N.R.: — 2Davi mandou reunir os estrangeiros que se achavam na terra de Israel, e depois designou talhadores para trabalharem as pedras para a construção da casa de Deus. 3Davi arranjou também muito ferro para os cravos dos batentes das portas e para os ganchos, bem como uma quantidade incalculável de bronze 4e troncos de cedro sem conta, pois os sidônios e os tírios tinham enviado a Davi troncos de cedro em abundância. 5Depois Davi disse: “Meu filho Salomão é jovem e franzino; e esta casa que ele deve construir para Iahweh deve ser magnífica, deve ter renome e glória em todas as terras. Farei para ele os preparativos”. Assim Davi, antes de morrer, fez grandes preparativos; 6em seguida chamou seu filho Salomão e ordenou-lhe que construísse uma casa para Iahweh, o Deus de Israel. 7Davi disse a Salomão: “Meu filho, estava nos meus planos construir uma casa para o nome de Iahweh meu Deus. 8Mas a palavra de Iahweh me foi dirigida: ‘Tu derramaste muito sangue e travaste grandes batalhas; tu não construirás uma casa ao meu nome, pois derramaste muito sangue sobre a terra, diante de mim. 9Eis que te nasceu um filho; ele será um homem de paz e dar-lhe-ei a paz com todos os seus inimigos ao redor, pois Salomão será o seu nome e é em seus dias que darei a Israel paz e tranquilidade. 10Ele construirá uma casa a meu nome; será para mim um filho e eu serei para ele um pai; firmarei para sempre o trono de sua realeza sobre Israel.’ 11Ó meu filho, que Iahweh esteja contigo agora e te faça concluir com êxito a construção da casa de Iahweh teu Deus, como ele o disse a teu respeito. 12Que ele te dê, no entanto, perspicácia e discernimento, que ele te dê suas ordens sobre Israel para que observes a Lei de Iahweh teu Deus! 13Só prosperarás se observares e puseres em prática os estatutos e as normas que Iahweh prescreveu a Moisés para Israel. Sê forte e corajoso! Não temas, nem te amedrontes! 14Eis que, mesmo sendo pobre, pude reservar para a casa de Iahweh cem mil talentos de ouro, um milhão de talentos de prata, e uma quantidade de bronze e de ferro que não se pode avaliar. Preparei também madeira e pedras e tu ainda acrescentarás mais. 15Haverá a teu dispor uma multidão de operários: talhadores, escultores, carpinteiros, toda espécie de artesãos de todos os ofícios. 16Quanto ao ouro, à prata, ao bronze e ao ferro, existem em quantidade incalculável. Avante! Mãos à obra e que Iahweh esteja contigo”. 17Davi ordenou então a todos os oficiais de Israel que ajudassem seu filho Salomão: 18 “Iahweh, vosso Deus, não está convosco? Pois ele vos deu o descanso por toda parte, já que entregou nas minhas mãos os habitantes da terra e a terra foi submetida a Iahweh e a seu povo. 19Agora, aplicai vosso coração e vossa alma na procura de Iahweh, vosso Deus. Ide, construí o santuário de Iahweh vosso Deus, a fim de conduzirmos para esta casa construída em nome de Iahweh a Arca da Aliança de Iahweh e os objetos sagrados de Deus”. (1Cro 22)
[4] N.R.: de Charles Rann Kennedy (1871-1950): foi um escritor anglo-americano
[5] N.R.: 2Cr 1:11-12
[6] N.T.: 1Ainda que eu falasse línguas, as dos homens e as dos Anjos, se eu não tivesse o amor, seria como um bronze que soa ou como um címbalo que tine.2Ainda que eu tivesse o dom da profecia, o conhecimento de todos os mistérios e de toda a ciência, ainda que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tivesse o amor, eu nada seria. 3Ainda que eu distribuísse todos os meus bens aos famintos, ainda que entregasse o meu corpo às chamas, se não tivesse o amor, isso nada me adiantaria. 4O amor é paciente, o amor é prestativo, não é invejosa, não se ostenta, não se incha de orgulho. 5Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. 6Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. 7Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. 8O amor jamais passará. Quanto às profecias, desaparecerão. Quanto às línguas, cessarão. Quanto à ciência, também desaparecerá.9Pois o nosso conhecimento é limitado, e limitada é a nossa profecia. 10Mas, quando vier a perfeição, o que é limitado desaparecerá. 11Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Depois que me tornei homem, fiz desaparecer o que era próprio da criança. 12Agora vemos em espelho e de maneira confusa, mas, depois, veremos face a face. Agora o meu conhecimento é limitado, mas, depois, conhecerei como sou conhecido. 13Agora, portanto, permanecem fé, esperança, amor, estas três coisas. A maior delas, porém, é o amor.
Resposta: A parte fundamental dos Ensinamentos Rosacruzes é o evangelho do serviço.
Que tipo de serviço? O serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) ao irmão e a irmã que lhe estão próximos, focados na divina essência oculta em cada um de nós, que é a base da fraternidade.
Afinal, por nossa causa, a Divindade manifestou o Universo. Todas as Hierarquias Criadoras foram — e algumas ainda são — nossas servidoras. Os luminosos Espíritos Planetários diante do Trono, cujos corpos ígneos vemos girando pelo espaço, trabalharam conosco por eras e, no devido tempo, Cristo veio trazer o impulso espiritual necessário naquele momento.
Isto é extremamente significante que, pois na Parábola do Juízo Final, Cristo não disse: “Muito bem, tu grande e erudito filósofo, que conheces a Bíblia, a Cabala, o Cosmo e toda a outra literatura misteriosa que revela os intrincados funcionamentos da natureza”, mas disse: “Muito bem, bom e fiel servo… entra no regozijo do teu Senhor… pois tive fome e me deste de comer; tive sede e me deste de beber…” (Mt 25:21).
Não há uma única palavra sobre conhecimento; toda a ênfase foi colocada sobre fidelidade e serviço.
Existe uma profunda razão ocultista para isso: o serviço constrói o Corpo-Alma, a gloriosa veste nupcial sem a qual nenhum de nós pode entrar no Reino dos Céus, ocultamente denominado “Nova Galileia”; e não importa se estamos conscientes do que está ocorrendo, desde que realizemos o nosso trabalho aqui.
Além disso, à medida que o luminoso Corpo-Alma cresce dentro e ao redor de nós, essa luz nos ensinará os Mistérios ocultos sem a necessidade de lermos e estudarmos livros, e se assim somos ensinados por Deus, sabemos mais do que todos os livros do mundo podem conter. No devido tempo, a visão interna será aberta e o Caminho até o Templo será mostrado para quem fizer a sua parte.
Se deseja passar para as pessoas os Ensinamentos Rosacruzes, não importa quão céticos sejam, eles acreditarão em você se pregar o evangelho do serviço. Porém, deve pregar pela prática. Deves se tornar você mesmo um servo da Humanidade se deseja que acreditem em você. Lembre-se: “vós sois a cidade edificada sobre o monte” (Mt 5:14), e quando fizer declarações sobre o que você acredita, eles têm o direito de lhe julgar pelos seus frutos; portanto, fale pouco e sirva muito.
(de “Frequently Asked Questions” – Rosicrucian Fellowship – Traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
Quanto mais órgãos tiver um corpo para a recepção, o desenvolvimento e a propagação de diversas influências, mais certamente sua existência será rica e perfeita, porque terá um maior potencial de vida; mas, muitas forças para as quais não temos órgãos podem estar adormecidas em nós e, por conseguinte, não podem agir. Essas forças latentes podem ser despertadas, isto é, nós mesmos podemos nos organizar, para que elas se tornem ativas em nós.
O órgão é uma forma na qual age uma força; mas toda forma consiste na direção determinada das partes – ligadas à força atuante. O organizar-se para a ação de uma força quer dizer simplesmente: dar às partes uma tal forma ou situação que permita que a força possa agir nelas. É nisso que consiste a organização. Assim como para um ser humano que não tem órgãos para ter o sentido da visão e, portanto, não vê a luz visível aqui, ela não existe realmente para ele, enquanto todos os outros que têm esses órgãos pode apreciar a luz, assim também muitos indivíduos podem não conseguir ver coisas que outros conseguem ver. Eu quero dizer que um ser humano poderá ser organizado de tal maneira que sentirá, escutará, verá e apreciará coisas que um outro não poderá sentir, nem ouvir, nem ver, nem apreciar, porque lhe falta o órgão de percepção para tal.
Assim, neste caso, todas as explicações lhe seriam inúteis, porque ele juntaria sempre as ideias que teria de receber por seu órgão particular às ideias de outrem, não podendo apreciar e compreender, senão o que se aproximasse das suas próprias sensações.
Assim como formamos todas as nossas ideias pelos sentidos e todas as operações da nossa razão são abstrações de impressões sensíveis, assim também não podemos fazer nenhuma ideia de muitas coisas, porque ainda não temos um órgão adequado.
Daí parece estar demonstrado que os indivíduos organizados para o desenvolvimento das forças superiores não podem dar aos que não estão organizados para isso nenhuma ideia da verdade superior, a não ser muito vagamente.
Assim, todas as nossas controvérsias e nossos escritos de pouco servem. Os seres humanos devem, primeiramente, se organizar para a percepção da Verdade.
Mesmo que nós explicássemos tudo a respeito da luz, os cegos não a veriam mais claro. É necessário que eles adquiram, primeiramente, os órgãos para o sentido da visão.
Eis a pergunta: em que consiste o órgão da percepção da Verdade? O que fornece a nós a capacidade de a perceber?
A resposta é: “A simplicidade do Coração”. Porque a simplicidade coloca o Coração numa situação ajustada para receber o raio puro da razão, e esse raio prepara o Coração para a percepção da luz. “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5:3).
E que instrumento é necessário para isso? A resposta é: o Corpo-Alma!
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – janeiro/fevereiro-1987 – Fraternidade Rosacruz-SP)
“Há alguns anos, uma senhora idosa, velha conhecida da autora, passou para o Reino dos Céus. Tinha alcançado uma idade avançada e sua vida havia sido pura e altruísta; por causa de um corpo frágil, tinha passado muitos anos sentada tranquilamente em meditação.
Quando veio a falecer poderia ser comparada a um fruto muito maduro, que não pode mais manter-se preso à árvore; portanto, o rompimento do Cordão Prateado, que comumente leva três dias e meio, no seu caso, levou menos de três horas.
Durante sua última doença e no seu delírio, ela pedia uma bengala que tinha pertencido a seu marido, o qual já havia passado a uma vida mais elevada vinte anos antes; ela habituou-se a usar essa bengala, desde então. Morreu com a bengala, segurando-a firmemente com ambas as mãos e os parentes ficaram relutantes em separá-la de algo que tanto tinha amado em vida, de tal modo que a bengala foi cremada com seu corpo. Pouco tempo após seu desaparecimento, ela voltou para uma visita a autora; vê-la, foi, na verdade, uma visão magnífica.
Seu Corpo de Desejos consistia somente dos braços, mãos e a cabeça e ela segurava a bengala (que tinha o aspecto tão natural como qualquer bengala de madeira poderia ter) com ambas as mãos. Ela parecia uma leve pena branca tentando levantar voo, porém, presa por uma pedra. Era tão etérea que, se não fosse pela bengala que segurava firme com as duas mãos e que era como um peso a retê-la, teria passado pelo Purgatório no Mundo do Desejo em poucos dias.
Quando pedimos a ela que largasse a bengala, segurou-a com força, dizendo: “Não, eu preciso ficar mais um pouco”. A tristeza de uma de suas filhas mantinha-a presa à Terra.
Ela queria muito consolar a filha, mas depois de cerca de seis semanas tornou-se impossível para ela continuar.
A bengala etérica foi vista depois na sua casa, em seu lugar favorito, quebrada em três pedaços, onde ela a havia deixado antes de passar para os planos superiores”.
(Livreto Apegados à Terra – de Augusta Foss Heindel – Traduzido pelos Irmãos e pelas Irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
O Cristo Interno é quando nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui), nos realizamos na plenitude, nos fazendo consciente no Mundo Físico por meio da Mente, com a certeza de estarmos aqui para obter experiência e, assim conseguindo operar o nosso Tríplice Corpo para extrair a Tríplice Alma, a que nós amalgamamos, tornando esse pábulo parte de nós.
Na Humanidade comum e corrente, que vive unicamente para a vida material, o Cristo Interno permanece adormecido, como em letargia; mas quando o ser humano começa a transitar pelo Caminho Espiritual, esforçando-se em viver uma vida pura e limpa, então começa o Cristo Interno a despertar, à medida que vai recebendo alimento espiritual.
Nesse enorme processo de nutrição espiritual, o qual pode durar várias vidas, o Cristo Interno vai desenvolvendo em nós os poderes latentes de cada corpo a seu cargo. Paralelamente, se vão desenvolvendo os Éteres superiores: o Luminoso e o Refletor, os quais, ao amalgamarem-se formam o Corpo-Alma, o radiante Vestido de Bodas.
Desta maneira, o Cristo Interno desperta seu poder em nós, equipando-nos com dois veículos, cuja posse nos converte em cidadãos de dois Mundos: o Mundo Físico e o Mundo de Desejo. Ou seja, nos faz capazes de funcionar com plena consciência em ambos os Mundos. Recordemos que a maioria dos seres humanos só estão conscientes do Mundo Físico, no que concerne aos desejos egoístas.
Sir Launfal, na busca pelo Santo Graal em terras distantes, o encontrou no final de seus dias na porta de seu Castelo, quando sua alma já estava desligada das coisas materiais, mas havia-se desenvolvido mediante o seu próprio sacrifício, o Cristo Interno, cuja voz escutou: “Olha, sou Eu. Em muitas terras gastastes sua vida sem proveito, buscando o Santo Graal. Olha, aqui está: Este pedaço de pão que me destes, é meu corpo, e esta taça que enchestes no arroio, é o sangue que por ti derramei no madeiro.“
Na interpretação esotérica: Sir Launfal encontrou-se frente a frente com seu Cristo Interno, o qual havia estado alimentando na última parte de sua vida, participando das necessidades dos demais, dando-se a si mesmo.
Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que se lêssemos a Bíblia com o Coração e não com a Mente, a Fraternidade Universal seria realizada agora mesmo.
O Coração é o foco do amor altruísta, no qual tem seu assento o segundo aspecto do Tríplice Espírito, o Espírito de Vida. No Coração se encontra o Átomo-semente de nosso Corpo Denso, chamado o livro da vida, onde estão gravadas todas as nossas ações, obra e nossos atos conscientes ou inconscientes.
Para que possamos “ler com o coração”, é importante despertar o Cristo Interno em nós. Esta “visão” é ocultada pelo “eu inferior” (a Personalidade), que temos estado alimentando através de nossas vidas. Mas quando por nosso sacrifício e dedicação a nosso Grande Ideal, fazemos estremecer nossos poderes latentes, notaremos que o “eu inferior” não tem forças para nublar nossa visão.
Então nos assombraremos ao encontrar tantos tesouros escondidos, que seremos como o ser humano que vai por um caminho e a cada curva encontra uma pepita de ouro. Então não nos será necessário devorar quantidades de livros buscando a verdade, porque a encontraremos diante de nossos próprios narizes.
Quando o Cristo Interno se encontra em processo de realização, pode emitir sinais, os quais podemos captar, se somos suficientes sensíveis. Por exemplo, quando somos tentados a cair em atividades que podem afetar-nos espiritualmente, esta voz pode ser percebida como uma aura de calor que aquece nosso próprio coração.
Essa reação física, produto de uma reação espiritual, é como um grito do Cristo Interno, o qual chega a sentir-se quando queremos dizer ou dizemos algo injurioso contra alguém, que todos sabem, não merece o trato que queremos lhe dar. Mas, em todo o caso, é necessário que a “persona” não esteja muito agitada ou encolerizada.
Essa voz do Cristo Interno pode chegar a converter-se em algo assim como um “radar” que nos diz o que soa verdadeiro ou falso. Desde logo, quando o fato já está consumado, só fica o fogo do remorso que nos queima o coração. Mas ainda neste caso, a memória da reação física faz que tenhamos mais precaução na próxima vez.
Este fogo do remorso é o mesmo que durante a retrospecção apaga a impressão que estampou nossas más ações no Átomo-semente do coração, aumentando sua intensidade, à medida que ganhamos em espiritualidade.
Também nosso Cristo Interno se regozija enormemente quando realizamos uma ação de serviço dando-nos a nós mesmos, e pela gratidão que sentimos pelo que outros tem feito por nós. Neste caso, o efeito é sentido como um grato aroma que brota de nosso coração.
Como pudemos apreciar, os lamentos de tristeza ou regozijos de alegria ou gratidão podem ser percebidos em nosso próprio coração. Não devemos confundir isto como ouvir de vozes com os ouvidos físicos, o qual pode provir de entidades negativas do mundo do Desejo, o que deve ser recusado categoricamente por nós.
Como aspirantes espirituais, estamos laborando o despertar do Cristo Interno através de nossas vidas passadas, em maior ou menor grau, de acordo com nossa aplicação. Assim, na medida de nosso esforço na presente vida, dependerá o despertar do Cristo Interno nesta vida ou em outras.
Não existe nenhum processo rápido na natureza, e nós não somos nenhuma exceção. Nossa capacidade para apreciar nosso grau de progresso espiritual se deve principalmente a que a falta de persistência tem alterado nosso estado de consciência.
Antes de Max Heindel ter tido contato com o Mestre, já era um Clarividente, ainda que nem sempre esta Clarividência estava sob seu controle, segundo ele mesmo nos relata em seu encontro com o Mestre, em seu livro Ensinamentos de um Iniciado.
Logicamente, entendemos que Max Heindel havia estado desenvolvendo seu Cristo Interno e com ele sua clarividência durante várias vidas, na última das quais, havia sido um sacerdote católico na França, entre 1600 e 1700.
Max Heindel nos diz que os Evangelhos (que são fórmulas de Iniciação) começam com o “relato da Imaculada Concepção e terminam com a crucificação”; ideias maravilhosas às quais chegaremos algum dia, pois somos Cristo em formação, e teremos que passar pelo nascimento místico e pela morte mística.
Nos nossos Estudos Bíblicos Rosacruzes aprendemos que na passagem do Evangelho de S. Mateus 18:1-4: “E naquele momento os discípulos se acercaram de Jesus e lhe disseram: Quem é, pois, o maior no Reino dos Céus?”. Ele chamou a uma criança e a colocou entre eles e disse: “Eu vos asseguro, se não mudais e fizerdes como as crianças, não entrareis no Reino dos Céus. Assim, pois, quem se fizer pequeno como esta criança, esse será o maior no Reino dos Céus.“, Cristo, ao colocar uma criança como exemplo, nos quis mostrar a condição requerida para aquele que desenvolveu o Cristo Interno, o Cristo Criança, por meio de uma vida de pureza e de serviço.
Para entrar no Reino dos Céus, ou seja, conseguir o estado de consciência apropriado para desenvolver o Cristo Interno, é necessário fazer-se como uma criança pequena, mas uma criança sábia. Por isso também Cristo nos ensinou a sermos “mansos como as pombas e sábios como as serpentes” (Mt 10:16).
Recordemos que o Céu está dentro de nós. Tendo extraído a essência dos três Corpos – a Tríplice Alma – durante o processo de desenvolvimento do Cristo Interno, o Estudante Rosacruz conquista o Reino dos Céus (Templo do Espírito), e se converte no maior em si, mas ao mesmo tempo se faz pequeno como uma criança, ao fazer-se servidor de todos.
As afirmações dos parágrafos precedentes ficam corroboradas com as palavras do Cristo, quando lhe foram apresentadas algumas crianças, e Ele disse a Seus Discípulos: “Deixai que as crianças venham a mim, e não as impeçais, porque daqueles que são como elas é o Reino do Céus.” (Mt 19:13-15).
Sobre esse assunto, também, nos nossos Estudos Bíblicos Rosacruzes aprendemos que na passagem do Evangelho de S. Mateus 18:5-7 “E aquele que recebe uma criança como essa em meu nome, a mim recebe. Mas aquele que escandalize a um desses pequenos que creem em mim, mais vale que lhe amarrem ao pescoço uma pedra de moinho que os asnos movem, e lhe atirem-no profundo dos mares. Ai do mundo pelos escândalos, mas aí daquele ser humano por quem o escândalo vem.”, não é o mesmo escandalizar a uma pessoa comum e normal, que não tem nenhum sentido da vida espiritual, que escandalizar a uma pessoa que está despertando ou despertou o Cristo Interno. A palavra escandalizar é usada para significar o fato de querer destruir um núcleo ou levedura espiritual, seja individual ou coletivo, em qualquer grau de desenvolvimento em que se encontre.
Não é um segredo como se protege de estorvos físicos ou suprafísicos ao sincero aspirante espiritual, principalmente quando está realizando seus serviços devocionais; ou como se protege a uma congregação em suas atividades espirituais, salvo casos em que se tenha estimulado a lei de causa e efeito, individual ou coletivamente.
Já na Filosofia Rosacruz aprendemos que “quando o menino Jesus foi perseguido por Herodes com intentos criminosos, sua segurança se baseou na fuga, e assim se preservou sua vida e seu poder para desenvolver-se e cumprir sua Missão. Similarmente, quando Cristo nasce dentro do aspirante, pode preservar melhor sua vida espiritual, fugindo do ambiene dos degenerados, buscando um local entre os ideais semelhantes sempre que se tenha liberdade para fazê-lo.” Se desejamos acelerar o despertar do Cristo Interno em nós, devemos, com persistência, nutri-lo com pensamentos de pureza e serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível), focando na divina essência oculta em cada um de nós – que é a base da Fraternidade –, aos nossos irmãos e às nossas irmãs. Desta maneira, nossos diferentes veículos começam a brilhar com o ouro espiritual que atrai infalivelmente a atenção do Mestre, nos capacitando assim para poder servir em uma esfera mais elevada, onde realmente “caminharemos na luz” (IJo 1:7), uma luz que, lamentavelmente, a maioria não vê, ao menos por enquanto.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – setembro/1988 – Fraternidade Rosacruz)
Quando ligamos o ferro elétrico e ele não funciona, examinamos a resistência, o fio ou os fusíveis. Não desesperamos diante do ferro, exclamando: “Ó eletricidade, por favor, desça ao meu ferro e faça-o funcionar”.
Sabemos muito bem que embora o mundo todo esteja cheio daquela força misteriosa a que chamamos de eletricidade, somente aquela porção que flui ao encontro da resistência do ferro é que o faz funcionar.
O mesmo princípio se aplica à energia criadora de Deus. Todo o universo está cheio dela, mas apenas a porção que flui através de nosso ser realmente nos beneficia.
Muitas vezes tentamos fazer essa energia criadora operar em nós por meio de preces e pedidos a Deus para que faça isto ou aquilo. E como Ele não faz nem uma coisa e nem outra, nós concluímos que não há valor na oração, uma vez que Deus age como entende, sem consultar aos nossos desejos. Em outras palavras, duvidamos da disposição ou da habilidade divina em realmente produzir em nossas vidas os resultados que desejamos. Não duvidamos de nossa própria habilidade em chegarmos à Sua presença e nos enchermos d’Ela, mas sim de Sua Disposição em se chegar a nós e encher-nos d’Ele.
Deus está tanto dentro de nós como em nosso redor. Afinal, Ele é onisciente, onipotente e onipresente. Ele é a Fonte de toda a Vida, o Criador do Universo com as inimagináveis profundidades interastrais. Mas Ele é também a vida que habita em nós. E, assim como todo o mundo cheio de eletricidade não iluminará uma casa a menos que a casa esteja preparada para receber eletricidade, assim a vida infinita e eterna de Deus não nos pode ajudar, a menos que estejamos preparados para receber aquela vida em nós mesmos. Somente a quantidade de Deus que pode caber em nós, a nosso proveito, operará.
“O Reino de Deus está no meio de vós” (Lc 17:21), disse Cristo-Jesus. E a Luz Interna que em nós habita, o lugar secreto da Consciência do Altíssimo em nossos corações é que constituem o Reino de Deus em sua manifestação terrena. Aprender a viver no Reino dos Céus é aprender a acender a luz de dentro de nós.
Devemos aprender que Deus não é um soberano irracional e impulsivo, que quebra suas próprias Leis de Deus à vontade. Logo que aprendemos que Deus faz coisas por nosso intermédio e não para nós, o assunto se torna tão simples e impressivo como o nascer do Sol.
“Mas Deus é onipotente!”, dizem alguns. “Ele pode fazer o que quiser!”. Certamente, mas Ele criou um mundo que se rege por Leis de Deus e Ele não gosta de quebrar essas suas Leis de Deus!
Ele pode produzir viçosas respostas à nossa oração, se nós adaptarmos os tabernáculos terrestres de nossa habitação às Suas Leis de Amor e Fé, de forma que se estabeleçam os pré-requisitos da oração respondida.
Algum dia o mundo virá a entender esse fato da mesma forma que hoje entende o milagre das ondas sonoras, pois, os milagres de uma geração são os lugares comuns da geração seguinte.
Algum dia nós entenderemos os princípios científicos que subjazem aos poderes milagrosos de Deus, e aceitaremos Sua intervenção com tanta naturalidade como aceitamos o rádio.
Muitos verdadeiros milagres sempre ocorrem! E nenhum deles quebram as Leis Deus. O que ocorrem é que muitas das Leis de Deus nós ainda não conhecemos. Sempre que ocorre é uma superimposição duma Lei de Deus mais alta da vida sobre outra mais baixa. Foi, portanto, o cumprimento das Leis da Natureza, que nada mais são do que as Leis de Deus. Se se pensa sobre o milagre não como a quebra das leis de Deus, mas como o uso que Ele mesma faz de Suas Leis, então o mundo está cheio de milagres.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de janeiro/1970-Fraternidade Rosacruz-SP)
Fraternidade é: harmonia, amizade, irmandade e parentesco entre irmãos e irmãs.
É a identificação de seres oriundos de um Pai comum, Divino ou humano.
Os “filhos da carne” são “irmãos de carne”; os “filhos de Deus” são irmãos em Espírito.
Os Anjos, hábeis manipuladores de Éter, conseguem por meio do sangue, que é o mais elevado meio de expressão do Corpo Vital, a ligação entre irmãos e irmãs. Muitos de nós renascemos sob tais circunstâncias para harmonização de desentendimentos passados. Porém, muitas vezes nem a ligação do sangue é capaz de promover em nós a harmonia que uma Fraternidade mais elevada, a espiritual, reclama.
Mesmo sem causa remota de destino, ocorre amiúde a desavença entre irmãos e/ou irmãs por motivos egoístas, como por exemplo, em partilhas de herança.
Bem se disse que a “carne e o sangue não podem herdar o Reino dos Céus” (ICor 15:50), e que “o nascido de carne é carne, e o que é nascido do Espírito é Espírito” (Jo 3:6). Importa-nos em verdade nascer de novo, nos regenerar, nos despirmos do “homem velho e revestirmo-nos do homem novo” (Ef 4:22), em novidade de Espírito, transcendermos os limites da carne, se desejamos sinceramente estabelecer uma verdadeira Fraternidade.
Ninguém tem autoridade, se esta não lhe for dada pelos céus. As verdades cósmicas são eternas e essencialmente as mesmas através dos tempos. A Humanidade é que, segundo os seus conhecimentos, recobrem-nas com sua Epigênese, dão-lhe nome e roupagens diferentes.
Recorro novamente a Cristo para dizer: “qualquer que fizer a vontade do Pai celestial, esse é meu irmão e irmã.” (Mt 12:50), ou ainda: “Meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a praticam.” (Lc 8:21).
Quem pode contestar-lhe? Os sábios materialistas? A que nos tem levado suas descobertas? Guerras mercenárias! Guerras fraticidas! Escravização de povos! Angústias e temores!
Repouso na confiança de Deus. Ele nos guia. Ele é Amor, Ele é Luz. Por mais que nossos potentes telescópios devassem a imensidão do espaço, até milhões de anos-luz encontrarão sempre para amesquinhar a pretensão intelectual dos seres humanos, a Luz, a Harmonia e a Sabedoria a reger as esferas em sua matemática procissão. Que é a Terra diante dessa grandiosidade inteira? E quem somos nós, senão poeirinhas pretenciosas?
Entretanto, Deus-Pai nos ama e com simpatia nos acompanha os esforços, ajudando-nos em tudo, mesmo que pensemos ser o mérito apenas nosso. E toma também suas medidas quando seus filhinhos infantis estão em vias de se machucar com suas “invenções”.
Partamos da convicção do que realmente somos. Isso é humildade!
Tenhamos confiança incondicional no Pai Celeste. Essa é a maneira de nos sintonizarmos com Sua Luz, com Seu Amor, com Sua Verdade, a fim de que nos ajude a sobrepor-nos a nós mesmos e tenhamos a possibilidade de sermos verdadeiros irmãos e irmãs.
Nossa Natureza inferior divide, critica, ambiciona, disputa e prejudica. Nossa Natureza superior não. Ela é Atração, é Amor, é Luz, é Vida e Poder Anímico. Ela nos guinda sobre nós mesmos e nos impele a amar o próximo, acima de todos os preconceitos, das barreiras de sangue, de raça, de credo, na vivência de um verdadeiro Cristianismo (aquele que Cristo trouxe e que ainda não se realizou na sua plenitude).
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – agosto/1966 – Fraternidade Rosacruz – SP)
O Reino dos Céus! Quem, em nossos dias, venderia tudo o que tem para possuí-lo? Acreditamos que bem poucos. Tesouro menosprezado, esse Reino dos Céus. Por ele se trocam as ninharias do mundo. Arrefeceu-se o ardor dos trovadores do Eterno; extingue-se, quase que totalmente, a pequena chama do Santuário, pois não há mais ninguém, exceto uma minoria a protegê-la contra os ventos borrascosos do cego materialismo. Encontram-se espalhados, por esse mundo de Deus, milhares de sociedades, mestres e guias (?) oferecendo a seus candidatos o Reino dos Céus, extorquindo, mercadejando falsas pérolas; ludibriando; esquecidos, ou fazendo-se de esquecidos, que tal Reino não se alcança a peso de ouro. As ovelhas incautas, de olhos vendados pelos seus pseudomestres não entenderam ainda que têm que vender tudo (vaidade, egoísmo, apego, personalismo), esvaziarem-se de si mesmas, fazer uma revolução interna, para receber as chaves do Reino (Iniciação).
Pois, como Cristo nos ensinou: “O Reino dos Céus é semelhante a um mercador que buscava pérolas, e que uma vez achou uma pérola de grande valor. Foi e vendeu tudo o que possuía e a comprou” (Mt 13:45-46). Homem extraordinário esse! Encontrando uma pérola de grande valor, vendeu tudo o que possuía para adquiri-la. Talvez seja essa a mais bela parábola contida nos Evangelhos. Muitos há que passam os olhos sobre essas palavras e não se importam com o seu significado interior.
Muitos cobiçaram essa pérola de grande valor. Tentaram obtê-la, mas ao se aperceberem de que deveriam vender tudo, o mundo lhes falou mais alto. Suas posses, suas ânsias de glória e honra, suas afeições desordenadas, colocaram-nos na situação do moço, que, tendo muitos bens, não quis se desfazer deles, e contrariado não seguiu Cristo (Mc 10:22).
O Reino dos Céus! Com que singeleza e facilidade nos dá o Cristo a conhecê-lo, fazendo-o semelhante a uma pérola de grande valor. Porém, existe um problema. Consiste na distinção entre a pérola verdadeira e a falsa. Mas, atentemos bem para o seguinte: a pérola falsa é adquirível facilmente com dinheiro sonante. Custa pouco. Dela faz-se muito alarde, muitas ofertas. A verdadeira, só pode ser obtida mediante muita busca, esforço, sofrimentos. Só a recebe quem vende tudo o que tem de inferior. Ninguém pode servir a dois senhores simultaneamente. De que lado você está, amigo leitor?
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de janeiro/1970-Fraternidade Rosacruz-SP)
O que devemos fazer para viver uma vida espiritual? Neste artigo consideraremos alguns dos Exercícios Esotéricos que são importantes para o Aspirante à vida superior, o Estudante Rosacruz ativo. Na introdução do livro “O Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz” lemos: “O ser humano que se conscientiza de sua ignorância deu o primeiro passo na direção do conhecimento. O caminho para o conhecimento direto não é fácil. Nada realmente valioso se obtém sem esforço persistente. Nunca será demasiado repetir que não existem coisas tais como “dons” e “sorte”. Tudo o que somos ou possuímos é resultado de esforço. O que falta a um, em comparação com outro, está latente em si mesmo e pode ser desenvolvido quando se empregam os meios apropriados”.
“Se o leitor, que compreendeu bem essa ideia perguntar o que deve fazer para obter o conhecimento direto, terá na seguinte história a ideia fundamental do ocultismo:
Certo dia um jovem foi visitar um sábio, a quem perguntou: ‘Senhor, o que devo fazer para tornar-me um sábio?’. O sábio não se dignou responder. Depois de repetir a pergunta certo número de vezes sem melhor resultado, o jovem foi embora, mas voltou no dia seguinte com a mesma pergunta. Não obtendo resposta ainda, voltou pela terceira vez e novamente fez a pergunta: ‘Senhor, o que devo fazer para tornar-me um sábio?’.
Finalmente o sábio lhe deu ouvidos, e então desceu a um rio próximo. Entrou na água convidando o jovem e levando-o pela mão. Quando eles alcançaram certa profundidade o sábio, pondo todo seu peso sobre os ombros do rapaz, submergiu na água, apesar dos esforços que esse fazia para se livrar. Por fim o sábio largou-o, e quando o jovem recuperou alento lhe perguntou:
‘Meu filho, quando estavas debaixo d’água o que mais desejavas?’.
O jovem respondeu sem hesitar: ‘Ar, ar! Eu queria ar!’.
‘Não terias antes preferido riquezas, prazeres, poder ou amor, meu filho? Não pensaste em nenhuma dessas coisas?’ – Indagou o sábio.
‘Não, senhor! Eu desejava ar, só pensava no ar que me faltava’ – Foi a resposta imediata.
‘Então’, disse o sábio, ‘para te tornares sábio deves desejar a sabedoria com a mesma intensidade com que desejavas o ar. Deves lutar por ela e excluir de tua vida qualquer outro objetivo. Essa e só essa deve ser, dia e noite, tua única aspiração. Se buscares a sabedoria com esse fervor, meu filho, certamente tornar-te-ás sábio’”.
Aqueles que querem viver uma vida espiritual devem procurá-la da mesma maneira que o pobre rapaz procurava ar. Devemos querê-la com toda a nossa vontade.
Há algumas coisas que devemos conservar na nossa Mente em relação com os Exercícios Esotéricos e com a prática de uma vida espiritual. Nós estamos desejando nos integrar em uma Escola Cristã de ocultismo, que é a Fraternidade Rosacruz. Uma das mais importantes virtudes do ocultismo ocidental é a confiança em si próprio. Existe, todavia, um paradoxo. Somos instados a cultivar a confiança em nós próprios e, no entanto, ao mesmo tempo, dizem-nos que Cristo é o poder por detrás de tudo que fazemos. Muitas pessoas, na realidade, nunca pensaram sobre isto. Mas temos que pensar acerca desse paradoxo se quisermos viver uma vida espiritual: vamos tentar fazer tudo que nos for possível por nós próprios, mas ao mesmo tempo não podemos fazê-lo sozinhos.
Existe uma solução simples para esse paradoxo. Muitas pessoas encaram Cristo só como uma pessoa fora de nós. Quando estudamos os Ensinamentos Rosacruzes como se deve, porém, nós descobrimos que há algo mais poderoso do que simplesmente o Cristo externo. É verdade que Ele existe em todo o mundo. Como está escrito no Evangelho Segundo de S. João: “Eu sou a videira e vós os ramos” (Jo 15:5). A mesma seiva que corre através da videira corre também pelos ramos.
As pessoas que aspiram a viver uma vida espiritual descobrem que despertaram dentro de si mesmo, exatamente o ideal a que aspiram. Cristo disse “Procurai primeiro o Reino dos Céus” (Mt 6:33) e Ele disse que o Reino dos Céus está dentro de nós. Do mesmo modo, Cristo está dentro de todos e cada um de nós. O Poder e a Força com os quais cada indivíduo pode obter confiança em si próprio vêm de Cristo.
Aquilo a que estamos aspirando com a ajuda da confiança em nós próprios é a mesma coisa que nos ajudará a obter a autoconfiança. Cristo é a força e o poder por detrás de nossas atividades espirituais. Os indivíduos que aspiram à compreensão do Cristo dentro de suas próprias almas terão o amparo, o apoio e a força necessários para obter essa autoconfiança e serem os indivíduos que querem ser — e não aquilo que o mundo tenta fazer deles.
O que podemos então fazer para nos tornarmos mais espiritualizados na nossa vida? Podemos começar com três passos, o primeiro dos quais é o pensamento. A nossa capacidade de pensamento é a ponte entre os Mundos espirituais e o material. Através do nosso pensamento podemos pôr em contato tanto a parte interna como externa do nosso irmão ou da nossa irmã. Assim devemos começar por compreender Cristo em nossos pensamentos. Nós estudamos, vemos, escutamos. Obtemos e criamos ideias. Estudamos o Conceito Rosacruz do Cosmos e tentamos compreender o Cristo como um poder cósmico espiritual.
Começamos a compreendê-lo em pensamento. Compreendemos que Ele é um Ser cósmico. Ele veio à Terra para fazer algo por nós: nos ensinar como sair dessa materialidade e cristalização que nós próprios nos enfiamos. Quando o compreendermos mentalmente, daremos um grande passo na vivência de uma vida espiritual.
Mas isto não é suficiente. Devemos também sentir. Nossos pensamentos, em certo sentido, atingem o cosmos e atraem as coisas para baixo na nossa direção, ou penetram no mundo e extraem as coisas para nós. Nossos sentimentos vêm de nossos corações, de dentro de nós. Então consideramos nossos pensamentos — nossas ideias sobre o que Cristo representa, nossas ideias sobre o que significa viver uma vida espiritual — e tentamos impregná-los com os nossos próprios sentimentos. Afinal: “Como o ser humano pensa assim é no seu coração” (Pb 23:7).
Estudando a Filosofia Rosacruz aprendemos que o nosso desejo ou a nossa emoção é a mola propulsora da ação. O próximo passo, portanto, é a ação. Quando pensamos a respeito de algo e impregnamo-lo com nossos sentimentos, estamos prontos a pô-lo em ação. De que nos vale demonstrar amor se não o sentimos? Essas coisas, então, são as molas mestras das nossas atividades: o modo como pensamos; o modo como sentimos; o modo como agimos. Se vamos compreender o que Cristo significa para nós sob o ponto de vista espiritual, temos que pensar nele, senti-lo e temos que agir como Ele agiu.
A nossa capacidade para viver uma vida espiritual é proveniente do sacrifício de Cristo, a mais de dois mil anos atrás. Em virtude do poder que Ele infundiu no mundo, temos nos tornado cada vez mais forte em nossa Individualidade (sobrepondo a nossa Personalidade, o “eu inferior”). Em virtude da nossa Individualidade espiritualizada, podemos dizer, como Cristo disse “Alegrai-vos, porque Eu venci o mundo” (Jo 16:33). Cristo nos deu o poder com que podemos vencer o mundo: não deixar o mundo, mas vencê-lo e espiritualizá-lo — para o transformar.
Daqui damos outro passo para compreender e crescer na vida espiritual. Vamos a um Exercício Esotérico Rosacruz: o Exercício Esotérico noturno de Retrospecção deve ser feito ao mesmo tempo em que se intentam os outros. Os alquimistas aqueciam os metais no fogo do cadinho e de todas as vezes que assim o faziam tiravam as escórias. Isso era um processo de purificação. Os metais eram então muito puros. O nosso Corpo é um cadinho e o fogo que ateamos sob ele é a nossa Consciência. O Exercício Esotérico noturno de Retrospecção, que fortalece a nossa Consciência, é parte do nosso processo de purificação.
Para que o Aspirante à vida superior possa se tornar um canal efetivo para as forças espirituais, deve ser purificado. O Exercício Esotérico noturno de Retrospecção é um exercício que cada pessoa pode usar para tornar seus pensamentos, sentimentos, desejos, suas emoções, ações, obras e seus atos mais puros. O Exercício Esotérico noturno de Retrospecção é um exercício fornecido pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, mas não pode ser considerado um exercício novo. Era usado na Escola Pitagórica como um guia seguro para a autocompreensão, ainda que ligeiramente diferente. Mesmos as Igrejas que professam o Cristianismo Exotérico têm orientado, ainda que algumas diferenças, a sua prática há longo tempo sob o nome de “Confissão”. O Exercício Esotérico noturno de Retrospecção, na Escola Fraternidade Rosacruz é, porém, um pouco mais científico.
É feito à noite, antes de dormir. Relembre os acontecimentos do dia em ordem inversa, desde a hora em que se deitou até à hora em que acordou de manhã. Não é um exercício de memória! O que você se lembrará serão os eventos que lhe impactou e que, portanto, “reaparecerá” para ser lembrado. Há muitos eventos que não “reapareceram”, porque simplesmente não lhe impactou.
Nós devemos, como S. Paulo nos ensinou, “Eu morro todos os dias” (ICor 15:31). O Exercício Esotérico noturno de Retrospecção é um método de “morrer diariamente”. Se morrermos diariamente, sob o ponto de vista espiritual, adquiriremos a capacidade de viver. Cristo morreu e Ele viveu. Ele foi ressuscitado através do poder da morte e ficou mais forte em virtude dele. Com isto queremos dizer que através de Sua capacidade em aceitar a morte e fazê-lo voluntariamente, Ele foi capaz de usar as forças criadas pelo morrer e transmutá-las no poder de viver, só que em grau mais elevado. Cada vez que nos deixamos morrer para um velho hábito que seja de natureza negativa e o vencemos, o poder que tinha sobre nós é transformado no poder de fazer o bem, de forma ainda melhor. Através do morrer, transmutamos o velho poder em novo poder que é vida. Tal como S. Paulo fazia quando morria diariamente. A seguinte citação do livro de George McDonald “A Chave de Ouro” é uma excelente ilustração desse ponto.
“Vós que sentistes o gosto da morte”, disse o ancião – “como é ele?”
“É bom”, disse Mossy “é melhor do que a vida”.
“Não”, disse o ancião; “é só mais vida”.
Quando revisamos os acontecimentos em ordem inversa, estamos seguindo um padrão cósmico. Após a morte, revemos o Panorama da Vida que recém terminou aqui e em ordem oposta, desde que morremos até a data do nosso nascimento. Este desenrolar tem um efeito poderoso sobre nossos veículos espirituais. Se revemos os acontecimentos do dia em ordem oposta, como no Panorama da Vida, libertamos as forças internas e purificamos nossos veículos. É verdade que “um vaso sujo não pode conter água pura e saudável”. Nós devemos, no fim das contas, nos purgar de tudo que for negativo, lenta, mas seguramente.
Se fizermos o Exercício Esotérico noturno de Retrospecção corretamente, aprendemos a sentir em nossos corações o perdão aos nossos inimigos. Do mesmo modo, aprendemos a reconhecer o que fizemos de mal. Isto é um dos mais poderosos argumentos a favor do Exercício Esotérico noturno de Retrospecção. Nós não sentimos somente dor pelas coisas erradas que fizemos. Também tentamos sentir o que a outra pessoa sentiu. Além disso, tentamos sentir o bem que fizemos, por pouco que tenha sido. Se fizermos algo que possa ter dado a alguém felicidade, tentamos senti-la. Nós experimentamos como ela se sentiu em sua satisfação.
O fato importante é que o Exercício Esotérico noturno de Retrospecção é impessoal. Quando estamos sentindo o que outra pessoa sentiu, estamos pensando em outrem e não em nós próprios. Eis uma das razões por que o Exercício Esotérico noturno de Retrospecção é importante. Quando pensamos no próximo, começamos a compreendê-lo.
O Exercício Esotérico noturno de Retrospecção é um exercício para uma vida inteira. Quanto mais fazemos esse Exercício Esotérico, mais desenvolvemos a nossa capacidade de conhecer as pessoas que nos rodeiam. Quanto mais puros nos tornemos, mais claras enxergamos as coisas ao nosso redor, tanto as visíveis como as invisíveis aos olhos físicos.
Além da purificação, esse exercício traz-nos muitos benefícios. A falta de Concentração é, talvez, para qualquer um de nós, a coisa mais difícil de dominar. A despeito das dimensões de nossos Corpos Densos, nossas Mentes ainda flutuam lá longe nas nuvens. A Concentração, no mundo ocidental, é uma das coisas mais difíceis de conseguir. Por quê? Sabê-lo-emos se olharmos ao redor de nós próprios. Na televisão, por exemplo, de instante a instante surge um comercial. Na internet, por exemplo, em site de notícias há muitos artigos superficiais em suas páginas — na escola somos obrigados a aprender inúmeros pequenos fatos e informações.
Esse tipo de dispersão vai insidiosamente enfraquecendo a nossa capacidade de se concentrar. Devemos fazer tudo que nos seja possível para combater isso. A ideia dos Exercícios Esotéricos Rosacruzes é que obtenhamos controle sobre nós próprios, que aprendamos a não permitir que circunstâncias exteriores controlem nossas vidas. Quando seguimos os acontecimentos do dia em ordem inversa, durante o Exercício Esotérico noturno de Retrospecção, tal prática exige Concentração. A Mente se torna mais perspicaz. A Concentração, então, é um dos benefícios paralelos do Exercício Esotérico noturno de Retrospecção. É difícil no início, mas quanto mais uma pessoa persiste, mais capaz se tornará. A palavra-chave de todo o Exercício Esotérico é a persistência.
Quantas pessoas têm uma memória fraca? As nossas memórias também estão sendo seriamente enfraquecidas. Estamos tão imbuídos com a ideia de que devemos ser como gravadores e computadores que nos esquecemos de nossa própria Humanidade. Em consequência, nossas memórias se tornam gradualmente enfraquecidas. A memória não é uma fita de gravação! A memória é uma coisa viva!
O Exercício Esotérico noturno de Retrospecção trabalha sutilmente na memória. Esta não é mais simplesmente um repositório de conceitos intelectuais. Devemos também lembrar os desejos, as emoções e os sentimentos que circundam nossas ações. Devemos lembrar as ações em si e os pensamentos por detrás delas. No pensamento temos a razão por que fazemos alguma coisa. No desejo, na emoção e no sentimento temos o incentivo para a ação que cometemos. Então, finalmente, temos a ação. A pessoa que persistir no Exercício Esotérico noturno de Retrospecção verificará como sua memória se torna mais aguda e clara. Ele não mais verá o mundo em esboços vagos e nebulosos ou com a consciência normalmente confusa, ao contrário, o Mundo Físico começará a ter mais sentido, a ser mais claro. Afinal, nós só vemos o mundo claramente, quando é claro o nosso interior.
Um outro benefício paralelo é a organização — algo que, frequentemente, achamos muito difícil. Nos negócios pode ser que seja fácil nos organizarmos, mas para organizar nossas vidas requer-se uma grande faxina. No Exercício Esotérico noturno de Retrospecção também aprendemos organização porque, novamente, também temos de seguir uma sequência.
Exercício Esotérico noturno de Retrospecção ajuda a organizar a Memória Consciente (ou Mente Consciente) em relação à Memória Subconsciente (ou Mente Subconsciente).
Se começarmos conscientemente a controlar nossas vidas e tentar ver tão claramente quanto possível aquilo em que o nosso procedimento foi correto e não mais tentar nos justificar relativamente às coisas erradas que fizemos, a verdadeira memória que faz parte do nosso Corpo Vital começará a se organizar-se com a consciência. Nós, afinal, teremos mais controle sobre nossos impulsos subconscientes. Muito de nossas vidas é controlado por pensamentos reprimidos e indisciplinados. Purificando-nos, lenta, mas seguramente, desses pensamentos e organizando à nossa maneira de pensar, podemos começar a viver melhores vidas espirituais.
Para nos ajudar a elevar o nosso nível de Concentração a um Exercício Esotérico que também resulta no desenvolvimento da visão e da compreensão espirituais. Esse exercício é chamado de Exercício Esotérico matutino de Concentração que produz “poder mental”.
O Exercício Esotérico matutino de Concentração deve ser executado pela manhã, tão logo o Aspirante à vida superior desperta (sem abrir os olhos físicos!). Ele não se deve se levantar para abrir as janelas ou fazer qualquer coisa desnecessária. Sentindo o seu Corpo Denso confortável, ele deve relaxar e começar imediatamente a se concentrar. Esse momento é muito importante porque nós acabamos de regressar do Mundo do Desejo, podendo termos contato consciente com esse Mundo, bem mais facilmente do que em qualquer outra hora do dia.
Se o Corpo Denso está em desconforto, o Aspirante à vida superior deve se mexer, o mínimo possível, com o objetivo de acomodá-lo melhor antes de iniciar o Exercício Esotérico matutino de Concentração, mas muito da eficácia desse exercício é perdida em razão de se iniciá-lo com atraso.
O tema que deve ser utilizado para o Exercício Esotérico matutino de Concentração pode ser um ideal elevado e sublime, mas preferivelmente que seja de uma natureza tal que consiga situar o Aspirante à vida superior acima do tempo e do espaço, afastando-o das sensações ordinárias do Mundo material.
Para isto, não há melhor fórmula do que os cinco primeiros versículos do primeiro Capítulo do Evangelho Segundo S. João: “No princípio era o Verbo. E o Verbo estava com Deus. E o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Tudo foi feito por Ele, e nada do que foi feito, foi feito sem Ele. Nele estava a vida. E a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas. E as trevas não a compreenderam.”. Tomando-os como base, sentença por sentença, manhã após manhã, com o tempo, o Aspirante à vida superior terá adquirido uma admirável compreensão do princípio do nosso universo e do método da criação. Essa compreensão adquirida está muito longe de ser alcançada em livros!
Agora, se achar muito difícil começar por aquele assunto, então escolha qualquer assunto, de acordo com o seu temperamento e as suas convicções, desde que seja puro e consiga elevar a sua Mente. Uns se concentram em Cristo; outros, que tenham predileção por flores, encontrarão mais facilidade tomando-as como assunto da concentração. “O objeto em si pouco importa, mas qualquer que seja, precisa ser imaginado vivente em todos os pormenores. Se for o Cristo, devemos imaginar um Cristo real, movendo-se: vida em Seus olhos, e uma expressão não petrificada ou morta. Devemos, enfim, construir um ideal vivente, não uma estátua. Se for uma flor, imaginemos que plantamos a semente no solo, fixando bem nossa Mente sobre ela. Observemos a seguir o seu desenvolvimento, ao deitar raízes que penetram na Terra em forma espiral. Das raízes principais vejamos sair uma grande e indeterminada quantidade de pequenas raízes se ramificando em todas as direções. Então o caule começa a surgir, rompendo a superfície da terra, aparecendo como uma pequenina haste verde. Cresce mais: surge um botão, e dois pequenos raminhos brotam do talo. Continua crescendo, outro jogo de raminhos aparece, e desse brotam pedúnculos com folhinhas. Surge um botão na ponta que cresce até abrir-se, dele surgindo uma formosa rosa vermelha por entre o verde das folhas. Esta continua a desabrochar, exalando delicioso perfume que sentimos perfeitamente como se chegasse até nós, trazido pela balsâmica brisa estival que balança suavemente a bela criação ante nossos olhos mentais.”
Uma observação muito importante que vale tanto para o Exercício Esotérico de Concentração como para todos os outros Exercícios Esotéricos Rosacruzes: não conte a ninguém as experiências de nossos momentos durante a execução dos Exercícios Esotéricos Rosacruzes, pois se contar tais experiências se perderem muito da sua potência de se ter aprendido. Antes de extrairmos delas, pela meditação, pleno conhecimento das Leis Cósmicas subjacentes, tais experiências podem reduzir-se a nada, uma vez que esta classe de experiências não pode suportar a transmissão oral.
Assim, tudo o que aconteça durante a execução dos Exercícios Esotéricos Rosacruzes deve ser considerado sagrado e guardado no mais absoluto sigilo pelo Aspirante à vida superior.
O próximo Exercício Esotérico Rosacruz a considerar é o Exercício Esotérico de Meditação. A meditação é uma palavra não muito usada atualmente a não ser combinada com uma moldura oriental de referência. Todavia, os verdadeiros fundamentos do Cristianismo têm a sua base na Meditação. Por exemplo, a Meditação e a Oração são as duas coisas que ajudaram os verdadeiros monges, como Cristãos Místicos, a obterem o discernimento espiritual que lhes era peculiar. Mas, agora, fora da Meditação transcendental e de alguns exercícios de ioga, a Meditação, sob o ponto de vista ocidental, é quase inexistente.
Uma observação bastante importante: tendo praticado o Exercício Esotérico de Concentração durante algum tempo, enfocando a Mente sobre um objeto simples, construindo um pensamento-forma vivente por meio da faculdade imaginativa, o Aspirante à vida superior pode aprender pelo Exercício Esotérico de Meditação tudo o que se refere ao objeto assim criado.
O Exercício Esotérico de Meditação inclui uma forma muito mais profunda de pensar e de sentir do que o que estamos habituados. Existem muitas experiências individuais como resultado do Exercício Esotérico de Meditação que não podem ser definidas, mas os seus benefícios rapidamente se tornam óbvios, nas vidas daqueles que a praticam.
O Exercício Esotérico de Meditação, podemos dizer, é a Concentração sobre uma ideia, em tal grau, que a sentimos como uma ideia externa e, simultaneamente, como uma realidade interna. Uma pessoa pode meditar numa frase como “Deus é Luz” ou “Deus é Amor”. Existe muito poder nessas frases que pode, seguramente, dar uma força interna para enfrentar a vida.
O Aspirante à vida superior pode meditar sobre uma frase elevada, como as que se encontram na Bíblia ou em livros devocionários. Essa não é a espécie de Meditação através da qual obtemos sabedoria. Em vez disso, ela é uma Meditação de suporte, de amparo, de apoio — a Meditação que nos dá o poder e a capacidade de viver no mundo físico ao mesmo tempo que estamos sintonizados com o mundo e a vida do Cristo.
O Exercício Esotérico de Meditação para ser eficiente, porém, não deve ser praticada irregularmente. A persistência é a chave. Devemos fazê-la todos os dias, se queremos tirar algum benefício.
Deve-se reservar uma determinada hora diariamente, de maneira disciplinada, para fazer o Exercício Esotérico de Meditação. A disciplina está na base de uma vivência espiritual efetiva. Sem disciplina não teríamos arte ou música, nem roupas ou mobílias. Para adquirir disciplina no Exercício Esotérico de Meditação devemos efetuá-la à mesma hora, diariamente. Uma vez de manhã e uma vez antes de deitar são boas horas para fazê-lo — mais particularmente de manhã, que é quando precisamos de mais força.
Vamos a alguns exemplos sobre assuntos a meditar: “suponhamos que o Aspirante à vida superior evocou, no Exercício Esotérico de Concentração, a imagem do Cristo. É muito mais fácil reproduzir no Exercício Esotérico de Meditação os incidentes de Sua vida, Seus sofrimentos e Sua ressurreição. Isso é muito mais aprendido por esse Exercício Esotérico de Meditação. Um conhecimento jamais sonhado inundará o Aspirante à vida superior com uma luz gloriosa. É melhor praticar com algo que não desperte tanto interesse e não sugira nada de maravilhoso. Procure descobrir tudo o que se refere, digamos, a um fósforo ou a uma mesa comum.
Quando a imagem da mesa se formar com precisão na Mente, pense na espécie de madeira de que é feita e de onde veio. Volte até ao tempo em que, como delicada semente, caiu na terra do bosque, se desenvolvendo depois na árvore da qual a madeira foi cortada. Observe-a crescer, ano após ano, coberta pelas neves do inverno e acalentada pelo Sol estival, crescendo continuamente enquanto as raízes penetram incessantemente na terra. A princípio é um tenro broto, balançado pela brisa. Depois, um arbusto que gradualmente cresce e se torna cada vez mais alto, buscando o ar e os raios do Sol. Com o passar dos anos a copa e o tronco se tornam cada vez maiores. Por fim chega o lenhador, com seu machado e serra brilhando aos raios do Sol invernal. A árvore é derrubada e despojada da ramagem, ficando só o tronco que logo é cortado em toras e arrastado pelos caminhos gelados para a margem do rio. Ali tem que esperar a primavera, quando a neve derretida aumenta a correnteza. Faz-se um grande amarrado de toras, entre as quais estão os pedaços da nossa árvore. Conhecendo todas as suas pequenas peculiaridades, reconhecemo-la imediatamente entre milhares de outras, tão claramente temo-la gravado em nossa Mente! Seguimos o curso da balsa pela correnteza, observando as paisagens e familiarizando-nos com os homens que cuidam da balsa e dormem em pequenas barracas sobre a carga flutuante. Por fim, vemo-la chegar a uma serraria. Então, uma a uma as toras são presas a uma cadeia sem fim e içadas da água. Aqui vem uma das nossas toras, de cuja parte mais larga será feito o tampo da nossa mesa. É erguida com alavancas pelos homens e arrastada para o galpão. Ouvimos o ávido chiado das grandes serras circulares. Giram tão rapidamente que parecem torvelinhos aos nossos olhos. A tora, posta sobre um carro, é conduzida a uma dessas serras, e num momento os dentes penetram na madeira, dividindo-a em tábuas e pranchas. Algumas madeiras são separadas para formar parte de algum edifício, mas as melhores são levadas às fábricas de móveis. Metidas em estufas, são secadas pelo vapor para não empenarem depois de feito o móvel. Depois são alisadas por uma grande plaina, provida de muitas lâminas afiadas. Finalmente são cortadas em diversos tamanhos e coladas, para formar os tabuleiros das mesas. As pernas são torneadas das peças mais grossas e encaixadas na armação que suporta o tabuleiro. A seguir todo o móvel é alisado novamente com papel-lixa, envernizado e polido, ficando assim acabada, em todos os seus pormenores. Por último é enviada à loja junto com outros móveis, onde a compramos. Transportada para nossa casa, deixamo-la na sala de jantar.
Dessa maneira, por meio da Meditação, familiarizamo-nos com os vários ramos da indústria, necessários para converter uma árvore da floresta numa peça de mobiliário. Observamos todas as máquinas, os homens e as peculiaridades dos diferentes lugares. Até seguimos o processo da vida que fez surgir a árvore da delicada semente, e aprendemos que atrás de toda aparência, por simples que seja, há uma grande e absorvente história interessante. Um alfinete; o fósforo com que ascendemos o gás; o próprio gás; e o aposento em que acendemos o gás; tudo tem histórias muito interessantes que vale a pena aprender.”
Com o Exercício Esotérico de Meditação plantamos sementes para o futuro. O nosso desenvolvimento é muito sutil. Não mudamos de um dia para o outro. As nossas vidas têm sido endurecidas através dos anos com muitas tendências cristalizantes. Vivemos num mundo físico que basicamente não compreende a alma do ser humano e frequentemente a nega. Vivemos num mundo onde a tecnologia, gradativamente, está tomando conta do desenvolvimento da consciência do ser humano. Agora existem máquinas que, dizem-nos “ajudá-lo-ão a desenvolver-se espiritualmente”. É impossível que máquinas façam isso. Elas podem fazer algo por nossa natureza psicológica, mas não podem fazer-nos crescer espiritualmente. Espiritualidade é um assunto do Espírito manifestando-se através da consciência, e nenhuma máquina pode acordar o Espírito em quem quer que seja, a menos que o faça através do sofrimento. Então o Espírito clama.
Pelo Exercício Esotérico de Meditação vamo-nos lentamente afastando de todas as coisas artificiais que temos edificado através de nossas vidas. Pode ser que, por vezes, meditemos sobre algo durante meses e nada aconteça. Mas depositamos a semente e um ano mais tarde, ou mais ou menos talvez, subitamente nós podemos perceber e experimentar o sentimento que estávamos perseguindo.
O próximo Exercício Esotérico Rosacruz a considerar é o Exercício Esotérico de Observação. É um dos mais importantes auxílios ao Aspirante à vida superior que se esforça é a observação!
É por meio desse Exercício Esotérico que deixamos de se comportar como aqueles que: “têm olhos e não veem… têm ouvidos e não ouvem” (Mt 13:13-14).
A observação é também importante na compreensão de certos conceitos. Por exemplo, nós podemos imaginar uma rosa e visualizá-la. Isso pode ajudar no controle da imaginação que é, também, muito descontrolada, atualmente. Quando meditamos, pela primeira vez, muitas figuras, imagens e ideias podem passar por nossas Mentes como água por uma peneira. Se persistirmos, porém, podemos gradualmente aprender como reter um pensamento particular. Para algumas pessoas as frases funcionam muito bem. Outras são mais visuais, portanto, para elas as visualizações funcionam muito bem. Através da visualização, pode-se criar certos sentimentos e efeitos sutis. Quando meditamos sobre a rosa branca, por exemplo, começamos a ter consciência da pureza da planta e a alcançar o significado de nossa própria pureza potencial.
O próximo Exercício Esotérico Rosacruz a considerar é o Exercício Esotérico de Discernimento. O Aspirante à vida superior deve observar sistematicamente todas as coisas e todas as pessoas, e tirar conclusões dos fatos a elas relacionadas, a fim de cultivar a faculdade do raciocínio lógico. Afinal, sabemos que a lógica é o melhor instrutor no Mundo Físico, assim como é o guia mais seguro em qualquer um dos sete Mundos!
Quando se pratica o Exercício Esotérico de Observação, é necessário ter bem presente que deve ser empregado exclusivamente para agrupar fatos, não com o propósito de criticar, nem que seja por brincadeira. “A crítica construtiva, que assinala os defeitos e o modo de remediá-los, é a base do progresso. Contudo, a crítica destrutiva, sem nenhuma finalidade superior, que destrói de modo vandálico tudo quanto toca de bom ou de mau, é uma úlcera do caráter que deve ser extirpada. As conversações frívolas e os mexericos são estorvos, obstáculos. Se bem que não é necessário dizer que o branco é negro, e dissimular que não se vê a má conduta alheia. A crítica sempre deve ser feita com propósitos de ajudar, não com o de manchar, irresponsavelmente, o caráter do nosso próximo quando nele encontramos alguma pequena nódoa.
Ninguém é tão perfeito que não necessite melhorar. Quanto mais impecável é o ser humano menos se inclina a encontrar faltas nos demais e atirar a primeira pedra nos outros. Ao assinalarmos alguma falta e indicarmos o meio de corrigi-la, devemos fazer isso impessoalmente. Procuremos sempre o bem que se acha oculto em tudo. O cultivo desta atitude de discernimento é especialmente importante.”
A intenção dos Exercícios Esotéricos Rosacruzes não é nos fazer retirar do mundo, mas nos tornar melhores pessoas. Que bem colhemos em fazer os nossos trabalhos no mundo se não há nenhuma força interior nossa por traz de nossos esforços? O Exercício Esotérico de Observação nos dá a força para suportar o Mundo Físico — e nós devemos sofrê-lo. Estamos aqui para ficar muito tempo e temos muitas lições para aprender. Não podemos fazê-lo sozinhos. Devemos sintonizar-nos com as forças espirituais que nos deem a força para ser como Cristo, pois como Ele nos ensinou: “Pois no mundo haveis de ter tribulações; mas alegrai-vos, pois, eu venci o mundo” (Jo 16:33).
Os Exercícios Esotéricos de Meditação e Retrospecção e a atenção aos nossos pensamentos, desejos, sentimentos, as nossas emoções, palavras, ações, obras e atos são os meios pelos quais seremos amparados para vencer o Mundo Físico e quebrar as cadeias que nos sujeitam. Devemos fazer o Exercício Esotérico de Retrospecção e o Exercício Esotérico de Concentração antes que possamos colher os benefícios do Exercício Esotérico de Meditação. Precisamos de purificação porque, se meditamos sem estar purificados, chamamos a nós forças espirituais que só intensificarão nossa impureza. Assim, antes de nos dedicarmos francamente ao Exercício Esotérico de Meditação é aconselhável a prática de, pelo menos, seis meses do Exercício Esotérico de Retrospecção e do Exercício Esotérico de Concentração.
A nossa consciência é como um campo. As terras foram-nos dadas por Deus, mas depende de nós cultivá-las. Isto é o que estes Exercícios Esotéricos fazem. Primeiro fazemos o Exercício Esotérico de Retrospecção e aramos o campo. Livramo-nos dos pedregulhos e das ervas daninhas. Preparamos um bom solo e regamo-lo. Então, através do Exercício Esotérico de Meditação plantamos as sementes, fileira por fileira. E, lenta, mas seguramente as sementes começam a produzir fruto. É lento, mas seguro. Novamente, a persistência é a palavra-chave.
Em conclusão, devemos reiterar que as coisas espirituais não são uma fuga. O Exercício Esotérico de Meditação não é para ser algo com o qual se fuja do mundo. O Mundo ocidental tem de fazer como Cristo fez: vencer o mundo e não o deixar, ou escapar dele. Assim, o Exercício Esotérico de Retrospecção e o Exercício Esotérico de Meditação e os outros Exercícios Esotéricos Rosacruzes são processos que usamos para fortalecer-nos, para nos amparar e dar-nos a força para vencer o mundo físico e ingressar no mundo espiritual.
Finalmente, evite considerar os Exercícios Esotéricos Rosacruzes como tarefas desagradáveis.
Estimemos cada um deles no verdadeiro valor que cada um deles tem, pois eles são nossos mais elevados privilégios. Somente quando assim os considerarmos, poderemos lhes fazer justiça e colher todo o benefício da prática de cada um deles.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de abril/1978-Fraternidade Rosacruz-SP)