“Há alguns anos, uma senhora idosa, velha conhecida da autora, passou para o Reino dos Céus. Tinha alcançado uma idade avançada e sua vida havia sido pura e altruísta; por causa de um corpo frágil, tinha passado muitos anos sentada tranquilamente em meditação.
Quando veio a falecer poderia ser comparada a um fruto muito maduro, que não pode mais manter-se preso à árvore; portanto, o rompimento do Cordão Prateado, que comumente leva três dias e meio, no seu caso, levou menos de três horas.
Durante sua última doença e no seu delírio, ela pedia uma bengala que tinha pertencido a seu marido, o qual já havia passado a uma vida mais elevada vinte anos antes; ela habituou-se a usar essa bengala, desde então. Morreu com a bengala, segurando-a firmemente com ambas as mãos e os parentes ficaram relutantes em separá-la de algo que tanto tinha amado em vida, de tal modo que a bengala foi cremada com seu corpo. Pouco tempo após seu desaparecimento, ela voltou para uma visita a autora; vê-la, foi, na verdade, uma visão magnífica.
Seu Corpo de Desejos consistia somente dos braços, mãos e a cabeça e ela segurava a bengala (que tinha o aspecto tão natural como qualquer bengala de madeira poderia ter) com ambas as mãos. Ela parecia uma leve pena branca tentando levantar voo, porém, presa por uma pedra. Era tão etérea que, se não fosse pela bengala que segurava firme com as duas mãos e que era como um peso a retê-la, teria passado pelo Purgatório no Mundo do Desejo em poucos dias.
Quando pedimos a ela que largasse a bengala, segurou-a com força, dizendo: “Não, eu preciso ficar mais um pouco”. A tristeza de uma de suas filhas mantinha-a presa à Terra.
Ela queria muito consolar a filha, mas depois de cerca de seis semanas tornou-se impossível para ela continuar.
A bengala etérica foi vista depois na sua casa, em seu lugar favorito, quebrada em três pedaços, onde ela a havia deixado antes de passar para os planos superiores”.
(Livreto Apegados à Terra – de Augusta Foss Heindel – Traduzido pelos Irmãos e pelas Irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
Muitas vezes para que se possa alcançar uma certa evolução é necessário que se quebre a robustez da saúde física e quanto mais forte e vigoroso seja o instrumento físico, tanto mais drástico deverá ser o método para quebrantá-la. A essa fase pode seguir-se outra menos dura em que a saúde se encontra em estado de “flutuação”, até que finalmente possamos reajustar-nos de tal forma que consigamos manter a saúde no Mundo Físico e até, se nos capacitarmos para isso, obter faculdades que nos permitem atuar nos Planos Superiores.
Quando compreendermos a filosofia superior e vivermos a vida que é ensinada por ela, nosso corpo se tornará extremamente sensível e precisará de muito mais cuidado do que os povos que não seguem esse caminho espiritual. Eles não possuem um sistema nervoso tão delicadamente organizado. Os que se interessam pelas questões espirituais têm uma sensibilidade extraordinária e, portanto, conforme progredirmos, temos que cuidar mais e mais desse instrumento. Mas também aprendemos as leis da natureza dele e como nos ajustarmos a elas. Se aplicarmos nosso conhecimento, será possível termos um instrumento sensível e mantê-lo em boa saúde.
Há casos, todavia, em que a enfermidade é necessária para produzir certas mudanças no Corpo Denso. São os precursores de uma elevação no desenvolvimento espiritual e, nessas condições, naturalmente, a enfermidade é uma benção e não uma infelicidade. Em geral, todavia, pode-se dizer que o estudo da filosofia superior tende sempre a melhorar a própria saúde, porque “conhecimento é poder” e quanto mais soubermos tanto mais capazes seremos de dominar a situação, sempre que pusermos nossos conhecimentos em prática e viver a vida, que não sejamos simples ouvintes da palavra, mas seus executores, porque nenhum ensino nos pode beneficiar se não o pusermos em prática em nossa existência e o vivenciarmos diariamente.
(Publicado no ECOS da Fraternidade Rosacruz-SP em julho-agosto/2005)