Lições Aprendidas

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Lições Aprendidas

Uma pequena menina estava diante da sua mãe quando bateu o pé no chão e sacudiu seus cachos dourados. Seu rostinho infantil estava retorcido, expressando o mais terrível mau humor. A mãe pegou aquele pequeno e animado feixe de temperamento no colo e a colocou diante de um espelho.

— Olhe só essa boca, minha filha. Veja como os cantos ficam voltados para baixo, tão feios e zangados. Agora vire os cantinhos para cima e os faça apontar para o Céu, onde vivem as crianças boas e felizes.

A menina esqueceu sua raiva; sua curiosidade foi despertada. Seus olhos se arregalaram de admiração ao ver um pequeno sorriso surgir, formar covinhas e se espalhar até terminar em uma alegre gargalhada.

— Mas, mamãe, que engraçado! Eu tenho que sorrir para fazer os cantinhos da boca virarem para cima! — exclamou, maravilhada — Claro, minha querida. E quando você está alegre sua boca aponta para o feliz Reino dos Céus — respondeu a mãe.

A pequena era uma menina esperta, pois frequentava a escola dominical. Ela sabia que o Céu, com suas ruas de ouro e seus Anjos brilhantes que cantavam, ficava em algum lugar no azul do firmamento, junto de Deus. Também aprendera sobre a região de fogo e enxofre, situada nas profundezas da Terra. Esse lugar era governado por uma terrível criatura chamada Satanás, que frequentemente a encarava com um sorriso malicioso das páginas de um grande livro chamado O Peregrino.

Ela ficou pensando por um momento…

— Mamãe, quando eu fico zangada, para onde a minha boca aponta? — perguntou.

— Para onde você imagina que ela aponte, minha querida? — respondeu a mãe, sabiamente deixando que a própria filha encontrasse a resposta.

Então começou uma divertida brincadeira na qual a menina investiu muito tempo diante do espelho. Por mais que tentasse, ela nunca conseguia fazer cara feia e, ao mesmo tempo, fazer aqueles teimosos cantinhos da boca apontarem para cima. Por fim, desistiu da tentativa, concluindo que, de qualquer forma, era muito mais fácil sorrir. Além disso, a menina do espelho ficava muito mais bonita quando sorria.

À medida que os meses e os anos passaram, a criança aprendeu a se divertir observando as pessoas. Ela as dividia em duas categorias: aquelas cujas bocas se curvavam para cima e aquelas cujos cantos se voltavam para baixo. Embora suas ideias sobre Céu e Inferno tenham mudado com o tempo, ela sempre se alegrava ao ver o Céu que algumas pessoas haviam criado para si mesmas refletido em seus rostos e sentia pena da infelicidade das outras.

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Uma menina de oito anos subia lentamente a escada… Seus olhos estavam fixos na escuridão do corredor lá em cima. Quem poderia saber que coisas terríveis estariam escondidas nas sombras ou atrás das portas, prontas para atacar qualquer pessoa desprevenida? Talvez houvesse um urso, um ladrão ou até mesmo um fantasma. O que seria aquele ponto de luz naquela escuridão? Um reflexo de alguma luz do lado de fora ou o olho brilhante de algum monstro assustador?

Por fim, sua subida hesitante parou completamente. Ela se inclinou sobre o corrimão para verificar se a luz acolhedora e o calor alegre do andar de baixo ainda eram reais.

— Papai! — suplicou. — Por favor, venha acender uma lâmpada.

(Eram os tempos da iluminação a gás, quando meninas pequenas precisavam subir em cadeiras para alcançar os interruptores ou registros das lâmpadas).

Lá de baixo surgiu uma voz forte, alegre e bem-humorada. Só de ouvi-la, pelo menos metade dos terrores imaginários desapareceu.

— Continue subindo e faça você mesma a sua própria luz, minha filha. Você não encontrará aí em cima algo mais assustador do que você mesma.

Naquela época, isso lhe pareceu um consolo muito pequeno. Mas quantas vezes ao longo da vida a lembrança daquele episódio ajudou aquela menina a criar sua própria luz nos lugares escuros da existência e a vencer a única coisa que realmente encontrou para temer: ela própria.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de agosto de 1920 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)

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