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porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: O Mito de Fausto e a Lenda Maçônica

Outubro de 1913

Na lição do mês passado terminamos a nossa análise do Mito de Fausto[1]; e ao revisá-lo como um todo, notamos que ele transmite a mesma ideia da lenda maçônica. De um lado, temos Fausto e Lúcifer; do outro, Margarida e os sacerdotes. Margarida demonstra a fé na Igreja, mesmo nas horas mais sombrias. Essa fé é o seu conforto e o seu amparo e, por fim, ela alcança o objetivo do Espírito. Ela alcança seu lar celestial pela fé. Seus pecados de omissão e comissão são devidos à ignorância; mas quando ela vê o poder maligno personificado no personagem de Lúcifer e lhe é oferecida a liberdade da prisão e da morte, ela se recusa a fugir em tal companhia; com isso ela se redimiu o suficiente para merecer um lugar no Reino celestial. Da mesma forma, uma ala da Igreja, os Filhos de Seth, hoje dependem da expiação, ao invés de suas próprias obras. Eles buscam a salvação por meio da fé, pois seus poderes para demonstrar por obras são pequenos.

Em Lúcifer e Fausto encontramos a réplica dos Filhos de Caim, que são construtivos, fortes e ativos no trabalho do mundo. O mesmo espírito que incutiu em Caim o desejo de fazer com que “duas folhas de relva crescessem onde antes havia apenas uma” – o instinto criador divino e independente que levou os Filhos de Caim, em todas as épocas, a continuar a obra do mundo – também é forte em Fausto; e o uso glorioso com ele faz dos poderes do mal – a saber, fazê-los construir uma nova terra, uma terra livre, onde um povo feliz e livre possa habitar em paz e regozijo –, nos oferece uma visão do que o futuro nos reserva.

Por meio de nossas próprias obras – ao canalizar as forças do mal para fazer o bem –, acabaremos por nos libertar das limitações tanto da Igreja quanto do Estado, que atualmente nos mantêm em servidão. Embora as convenções sociais e as leis terrenas sejam necessárias neste momento, para impedir que violemos os direitos alheios, chegará o dia em que o espírito nos animará e nos purificará – tal como o amor de Fausto por Helena o purificou e lhe deu o impulso para utilizar as forças luciferianas da maneira correta. Quando tivermos vencido o desejo de trabalhar em benefício próprio, quando nos gratificarmos pelo serviço que prestamos aos outros – assim como Fausto se regozijou ao contemplar, com o olhar de quem está à beira da morte, a terra que se emergia do mar –, então jamais precisaremos do caráter restritivo das leis e convenções terrenas, pois teremos transcendido tais normas ao cumprir integralmente todas as suas exigências. Somente dessa maneira poderemos alcançar a verdadeira liberdade. É muito fácil dizer aos outros o que devem ou não fazer, mas é muito difícil impor obediência a nós mesmos, ainda que concordemos intelectualmente com as normas convencionais. Como diz Goethe:

“De todo poder que o mundo em correntes retém,

O homem se liberta quando o autocontrole obtém.”.

O mito de Fausto nos diz que há tal estado utópico reservado para nós, quando tivermos conquistado nossa salvação ao utilizar as forças titânicas que habitam nosso interior para nos tornarmos verdadeiramente livres. Que todos nós nos empenhemos, por meio das nossas ações cotidianas, em apressar a chegada desse dia.

(Cartas aos Estudantes – nº 35 – do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Fausto (em alemão Faust) é um poema trágico do escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe, dividido em duas partes. Está redigido como uma peça de teatro com diálogos rimados, pensado mais para ser lido que para ser encenado. É considerado uma das grandes obras-primas da literatura alemã.

A criação da obra ocupou toda a vida de Goethe, ainda que não de maneira contínua. A primeira versão foi composta em 1775, mas era apenas um esboço conhecido como Urfaust (Proto-Fausto). Outro esboço foi feito em 1791, intitulado Faust, ein Fragment (Fausto, um fragmento) e, também, não chegou a ser publicado. A versão definitiva só seria escrita e publicada por Goethe no ano de 1808, sob o título Faust, eine Tragödie (Fausto, uma tragédia). A problemática humana expressada no Fausto foi retomada a partir de 1826, quando ele começou a escrever uma segunda parte. Esta foi publicada postumamente sob o título de Faust. Der Tragödie zweiter Teil in fünf Akten (Fausto. Segunda parte da tragédia, em cinco atos) em 1832.

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