Categoria Cartas Max Heindel

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: O Sufrágio Feminino e a Igualdade Moral

Junho de 1914

Pela lição do mês passado, ficará evidente, por mais estranho que pareça, que a ópera Tannhäuser [1] é o lendário apelo pelo tão discutido sufrágio feminino, do qual tanto ouvimos falar nos tempos modernos. Também é evidente, como dissemos no mês passado, que “semelhante atrai semelhante”; e uma mulher tímida e medrosa, forçada a um casamento de maneira brutal (física ou psicológica), que se sente propriedade de alguém, como se fosse uma posse, sem liberdade para expressar suas ideias e ideais, não pode gerar uma prole nobre, forte e destemida, com a coragem de defender seus ideais. Portanto, enquanto muitos homens mantiverem a mulher em cativeiro (físico ou psicológico), negando-lhe o lugar que lhe cabe no mundo como companheira e cooperadora, todos estaremos nos atrasando no nosso desenvolvimento e de toda Onda de Vida humana. Essa é a razão esotérica pela qual deve haver uma perfeita igualdade entre os todos os seres humanos que, quando renascidos aqui, se manifestam por meio do sexo.

Se todos os seres humanos que aqui renasceram com o sexo masculino compreendessem plenamente a ideia de que renascemos em Corpos Densos com sexos alternados (em um renascimento como sexo feminino e no próximo com sexo masculino), logo atenderiam aos justos pedidos das mulheres – nem que apenas pelo motivo egoísta de que, em suas vidas futuras, aqueles que agora estão ocupando um Corpo Denso masculino assumirão um Corpo Denso feminino e terão que viver sob as condições que agora criaram. Desse modo, qualquer homem que agora nega os justos privilégios às mulheres algum dia terá que viver sob essas mesmas condições. Enquanto os que atualmente se manifestam com Corpo Denso feminino desfrutarão dos mesmos privilégios pelos quais agora lutam, sem precisar pedi-los; mas o autor vê a questão não limitada a falar somente sobre o direito do voto feminino, mas sim da igualdade moral que a mulher sente que deveria ter, e certamente ela tem um direito divino a isso, assim como o homem.

Um ponto destacado por Tannhäuser deve ser particularmente interessante para aqueles que desejam viver uma vida superior espiritualmente: Tannhäuser é responsabilizado com a mesma seriedade perante seus amigos que conhecem seu crime, assim como perante a Igreja. Não há duplo padrão de moral na Natureza. Pecado é pecado, independentemente de quem o cometa, e mais do que isso, a quem muito é dado, muito será exigido.

Portanto, as pessoas que alcançaram um estado elevado de iluminação devem, acima de tudo, aprender a viver uma vida pura e honesta, em harmonia com os seus ideais elevados de iluminação. Se, por meio da iluminação nos elevamos acima da lei, que não usemos nossa liberdade como pretexto para satisfazer a “carne”, como nos ensinou S. Paulo[2]. A doutrina “das almas gêmeas”[3] e “das afinidades”[4] têm arruinado muitas vidas que, se não fosse por isso, teriam sido coroadas com grande crescimento espiritual.

O que a sombra é para a luz, o que “o diabo” é para Deus, a luxúria é para o amor. O amor é divino, uma comunhão de almas livres. A luxúria é diabólica, e o transgressor é um escravo do pecado – não importa se a transgressão foi legalizada pelo Estado ou abençoada pela Igreja.

Esforcem-nos, portanto, por amar uns aos outros segundo o Espírito, e não segundo a “carne”.

(Do Livro: Carta nº 43 do Livro “Cartas aos Estudantes” – Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Baseada numa lenda medieval, conta a história de Tannhäuser, um menestrel que se deixa seduzir por uma mulher mundana, de nome Vênus, contrariando assim a defesa do torneio dos trovadores a que ele pertence de que o amor deve ser sublime e elevado. Quando Tannhäuser defende deliberadamente o amor carnal de Vênus, é reprimido pelos trovadores e consolado apenas por Isabel, uma virgem que o ama muito. É-lhe dito que sua única chance de perdão é dirigir-se ao Vaticano e rogar o perdão do Papa. Tannhäuser segue, então, com o torneio até Roma, mas de maneira autopunitiva: dormindo sobre a neve, enquanto os demais estão no alojamento; caminhando descalço sobre o chão quente, passando fome, e ainda com os olhos vendados, para não ver as belas paisagens da Itália. Ao chegar diante do papa, em vez de obter o perdão, ouve o papa dizer que é mais fácil o cajado que ele segura florescer do que ele obter o perdão dos pecados, tanto no céu quanto na terra. Odiando a Igreja, Tannhäuser volta à Alemanha e Isabel sobe aos céus, rogando a Deus que interceda por ele. Os trovadores voltam com a notícia de que o cajado do papa floresceu, simbolizando que um pecador obteve no Céu o perdão que não obteve na Terra.

[2] N.T.: Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne. Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer. Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais sob a lei. Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam. Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito. Não nos deixemos possuir de vanglória, provocando uns aos outros, tendo inveja uns dos outros. (Gl 5:16-26)

[3] N.T.: A doutrina das “almas gêmeas” refere-se à crença de que os indivíduos têm um parceiro predestinado, perfeito e, muitas vezes, único, destinado a completá-los espiritual, física e psicologicamente. Enraizada na filosofia grega antiga e popular em contextos espirituais modernos, essa ideia enfatiza uma conexão intensa e predestinada que transcende a mera compatibilidade.

[4] N.T.: A doutrina das afinidades refere-se à relação jurídica ou canônica criada entre um cônjuge e os parentes consanguíneos do outro cônjuge por meio do casamento (sob a lei), ou, historicamente, por vezes, por meio de relações sexuais ilícitas.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: O Equilíbrio é de Grande Ajuda nos Momentos de Estresse

Setembro de 1918

Nestes tempos em que os nossos costumes, hábitos e negócios estão sendo tão radicalmente afetados pela grande guerra[1], não importa em que lugar da Terra vivamos; quando especialmente os irmãos do sexo masculino estão sendo ceifados aos milhões pelos canhões; quando até mesmo as nossas irmãs do sexo feminino têm que, além de cuidar das atribuições próprias do lar, tomar parte na titânica luta atrás das linhas de fogo; quando os irmãos e as irmãs mais vulneráveis, sejam por serem idosos ou idosas, sejam por serem crianças, sejam por estarem em condições socioeconômicas frágeis, seja por estarem com estado de saúde comprometido, sucumbem à privações; como não se sentir, em maior ou menor grau, perturbado pelo sofrimento alheio ou a proximidade com o mar agitado de ódio, de angústia e de tristeza profunda naquela que outrora foi a  bela França ou nos lugares onde se travam as batalhas dessa guerra?

Permanecer indiferente talvez pareça impossível. Não se pode permanecer insensível de tanto sofrimento. Um Estudante Rosacruz, após descrever a devastação de uma cidade bombardeada, pergunta: “Como não se pode se sentir profundamente abalado a respeito disso?”. Não, Cristo se sentiu profundamente abalado quando chorou pelos pecados de Jerusalém[2], e Ele demonstrou sua justa indignação quando expulsou os mercadores do Templo[3]. Mas, o equilíbrio emocional é, indubitavelmente, uma das grandes lições que podemos aprender com essa guerra.

É fácil ser pacífico se alguém se refugia nas montanhas e vive a vida como um eremita. Mas, que mérito há em manter o equilíbrio sem ninguém para nos contrariar, se opor a nós ou nos aborrecer? É mais difícil, porém, manter uma atitude pacífica numa cidade industrial, onde uma guerra implacável é travada incansavelmente com a espada da competição, e onde a existência está circunscrita por leis e costumes. Mas é possível, e muitos que não pretendem desenvolver a espiritualidade na vida estão conseguindo, no entanto, descobriram que a perda do equilíbrio interfere em suas ambições. Então, eles se dedicam a se treinar na prática do equilíbrio. A experiência indiscutível dessas pessoas tem sido a de que elas se beneficiaram muito. Sua saúde melhorou, assim como a sua felicidade, e até os seus negócios prosperaram.

Se tal autocontrole ou domínio próprio pode ser alcançado por pessoas no mundo que não estão a fim de cultivar e praticar a espiritualidade em suas vidas, e se tantos benefícios podem advir disso no controle das condições normais da vida, então aqueles entre nós que aspiramos as coisas mais nobres e elevadas, os Aspirantes à vida superior, e que têm se esforçado para seguir esse caminho de espiritualidade por anos e anos, deveriam ser exemplos de fé e de esperança nestes momentos críticos, não deveriam? Devemos ser pilares de fortaleza para aqueles que não tiveram o privilégio da grande iluminação que obtivemos. E, acima de tudo, devemos exercer uma influência construtiva e edificante nesta crise mundial.

Portanto, descrevi nesta lição mensal as causas secretas pelas quais, no passado, geraram e fertilizaram as sementes que agora floresceram em nossa atual condição catastrófica, e indiquei, ainda que minimamente, como estamos semeando as sementes do nosso futuro bem-estar ou mal-estar – isso na esperança de que vocês concentrem seus pensamentos construtivamente na direção indicada e defendam, em suas esferas de vida, os pontos de vista aqui apresentados. Assim, muita dor, tristeza e angústia profundas poderá ser evitada no futuro, pois os pensamentos são coisas, e se eles estiverem em harmonia com a finalidade cósmica de fazer com que todas as coisas trabalhem juntas para o bem, certamente prosperarão.

(Do Livro: Carta nº 94 do Livro “Cartas aos Estudantes” – Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Refere-se à Primeira Guerra Mundial.

[2] N.T.: Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados, quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha recolhe os seus pintinhos debaixo das suas asas, e não o quiseste! Eis que a vossa casa vos ficará abandonada pois eu vos digo: não me vereis, desde agora, até o dia em que direis: Bendito aquele que vem em nome do Senhor!”. (Mt 23:37-39)

[3] N.T.: Estando próxima a Páscoa dos judeus, Cristo Jesus subiu a Jerusalém. No Templo, encontrou os vendedores de bois, de ovelhas e de pombas e os cambistas sentados. Tendo feito um chicote de cordas, expulsou todos do Templo, com as ovelhas e com os bois; lançou ao chão o dinheiro dos cambistas e derrubou as mesas e disse aos que vendiam pombas: “Tirai tudo isto daqui; não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio”. Recordaram-se seus discípulos do que está escrito: O zelo por tua casa me devorará. (Jo 2:13-17) (Mt 21:12-13), (Mc 11:15-16), e (Lc 19:45-48).

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: O Valor dos Sentimentos Retos

Maio de 1911

Espero que tenham gostado da lição do mês passado. Talvez tenham ficado surpresos, mas ela agradou-me inteiramente, pois elevou, de forma poderosa, a minha devoção, e pude meditar como a Vida Divina se derrama periodicamente em nós para que possamos ter uma vida mais abundante. Sem esse influxo da Vida de Deus, toda a vida, ou melhor, toda a forma deixaria de existir. Ao sentir as emoções superiores é que nos elevamos mais facilmente. É bom estudar e assim desenvolver nossas Mentes, mas há um grande perigo nos dias de hoje em sermos enredados nas malhas do intelecto. São Paulo vislumbrou isto quando disse: “O conhecimento ensoberbece, mas o amor edifica”[1]. Todos desejamos saber, e é natural que assim seja. Mas, a menos que o nosso conhecimento seja utilizado para que nos tornemos melhores homens e mulheres e melhores servos de nossos semelhantes, esse saber não nos fará melhores aos olhos de Deus. Portanto, é de enorme importância cultivarmos o sentimento reto, e sinceramente espero que tenham sentido a lição da Páscoa, pois este é o único caminho de obter pleno benefício dela.

Mentalizem a grande onda de energia divina projetada do Sol invisível, que é a manifestação do Pai. Procurem sentir o respeito que sentiriam se pudessem vê-la, tal como o sente o vidente exercitado. Acompanhem-na em sua imaginação quando ela penetra na Terra durante a Sagrada Noite de Natal. Deixem que esta energia os penetre da mesma forma que o faz na Terra e que é a causa ativa da germinação de todos os reinos. Cristo referiu-se, por analogia, às aves recolhendo seus filhotes embaixo das suas asas ao descrever Seus sentimentos para com os outros seres[2] e, se tentarmos sentir a germinação de todas as coisas da Natureza, como indicamos na lição da Páscoa, perceberemos outros aspectos do assunto.

Espero que utilizem bem esta lição como matéria de meditação, pois ela é diferente das lições intelectuais que facilmente se gravam na Mente e depois são esquecidas. Esta lição tem valor permanente, e quanto mais a estudarem, deixando-a penetrar fundo no coração, mais perto estarão do coração do todo que é Deus, o grande e amoroso Pai, que derrama igualmente a Sua vida tanto sobre a menor planta como sobre o maior espécime da floresta. Ele cuida dos animais selvagens e das aves; do pária sem lar e do potentado real em seu palácio, sem discriminação.

Que Deus os abençoe, abundantemente, revelando-lhes os tesouros de Sua riqueza, os quais ultrapassam todos os valores terrenos. Que sintam a onda de amor que Ele derrama, ano após ano, como uma realidade renovada. Assim, não se sentirão sós, mesmo estando sozinhos, e serão muito mais ricos – independentemente dos bens e do amor terreno que possuam – e mais preparados para irradiar o maior e a mais sublime de todos os sentimentos: o Amor Espiritual.

(Carta nº 5 do Livro “Cartas aos Estudantes” – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1]  (N.T.: ICor 8:6)

[2] N.T.: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados, quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha recolhe os seus pintinhos debaixo das suas asas, e não o quiseste!” (Mt 23:37). “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados, quantas vezes quis eu reunir teus filhos como a galinha recolhe seus pintinhos debaixo das asas, mas não quiseste!” (Lc 13:34).

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: Aumentando a Vida do Arquétipo

Dezembro de 1918

Esta é a última Carta aos Estudantes deste ano[1], e o pensamento no final de cada ciclo, naturalmente, se volta para a fugacidade do tempo e a evanescência da existência no mundo fenomênico. Também nos lembra da preciosidade do tempo e da nossa responsabilidade em usá-lo da melhor maneira para o crescimento anímico (o crescimento da alma), pois “que adianta o homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?[2] . Agora é o tempo da semeadura, e foi nos dito que “a quem muito é dado, muito será exigido[3]. Portanto, somos responsáveis pelo que fizemos ou deixamos de fazer, numa extensão muito maior do que aqueles que não tiveram o conhecimento interno do propósito de Deus, o qual nos foi concedido por meio dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz.

Nesse sentido, nós devemos compreender que cada ato de cada um de nós tem um efeito direto no Arquétipo do nosso Corpo. Se o ato está em harmonia com a Lei de Deus (que nada mais é do que a Lei da Vida e da Evolução[4]), ele fortalece o Arquétipo e proporciona um prolongamento da vida aqui, na qual podemos obter o máximo de experiência e fazer com que o crescimento da alma compatível seja compatível com o nosso estado evolutivo e com a nossa capacidade de aprendizagem. Desse modo, serão necessários menos renascimentos aqui para chegarmos à perfeição, comparado com um outro que, deliberadamente, se esforça para escapar de seus fardos, ou com outro, ainda, que aplica suas forças de forma destrutiva. Nesse último caso, o Arquétipo é tencionado e se rompe precocemente. Portanto, aqueles cujos atos são contrários à Lei de Deus encurtam as suas vidas aqui e precisam buscar novos renascimentos em um número muito maior do que aqueles que vivem em harmonia com a Lei de Deus. Esse é mais um exemplo em que a Bíblia está correta quando nos exorta a fazer o bem[5] para que possamos ter uma vida mais longa aqui na Terra.

Essa Lei se aplica a todos sem exceção, mas tem maior significado na vida daqueles que trabalham conscientemente com a Lei da Evolução do que daqueles que não trabalham. O conhecimento desses fatos deve multiplicar por dez ou cem vezes o nosso entusiasmo e nosso zelo pelo bem. Mesmo que tenhamos começado, como dizemos, “tarde na vida” podemos facilmente acumular mais “tesouros” nos últimos anos do que o obtivemos em algumas vidas anteriores aqui. E, acima de tudo, estamos nos preparando para um começo mais cedo nas próximas vidas aqui.

Esperemos, portanto, que tenhamos aproveitado da melhor maneira o ano que está terminando e nos preparemos para aumentar nossos esforços durante o próximo ano.

(Cartas aos Estudantes – nº 96 – do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: dezembro de 1918

[2] N.T.: Mc 8:36

[3] N.T.: Lc 12:48

[4] N.T.: É a Lei que rege: a Obra, o Caminho e o Esquema de Evolução, como aprendemos na Filosofia Rosacruz.

[5] N.T.: “E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos. Por isso, enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé.” (Gl 6:9-10). “Façam o bem e emprestem, sem esperar nada em troca; vocês terão uma grande recompensa e serão filhos do Altíssimo.” (Lc 6:35-36). “Quem faz o bem beneficia a si mesmo” (Pb 11:17). “Confia no SENHOR e faze o bem; habitarás na terra e, verdadeiramente, serás alimentado.” Sl 37:3)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: A Astrologia como um Auxílio na Cura para uma Pessoa Doente ou Enferma

Agosto de 1915

Você já parou para pensar na razão pela qual Cristo determinou que devíamos curar os doentes ou enfermos? Certamente uma das razões era que, ao demonstrarmos nossa capacidade de curar o corpo, aqueles que forem ajudados terão mais fé em nossa habilidade de também ajudar a alma. Quando alcançarmos a elevada estatura de Cristo, de modo que possamos ver, de um só relance, o passado e o presente; quando formos capazes de determinar, também em um só relance, as causas, as crises e as condições atuais de uma doença ou enfermidade, não precisaremos de nenhum outro auxílio para diagnosticar e aconselhar. Mas, até esse dia chegar, precisamos usar as muletas que temos, e uma delas é a Astrologia Rosacruz.

Muitas pessoas que se recusaram a trabalhar para obter resultados vem a um Centro Rosacruz e inclusive em Mount Ecclesia esperando alcançar iluminação espiritual, achando que lhes nasça asas com o objetivo de voltar ao mundo como fazedoras de milagres após alguns dias de estada. E, claro, ficaram desapontadas. Mas, sempre que alguém se dedicou honesta e sinceramente ao trabalho verdadeiro, e não somente aos cursos, seminários, palestras e leitura, por um período razoável, os resultados sempre foram alcançados. Recebemos uma carta de um amigo que esteve em Mount Ecclesia e que se dedicou profundamente aos seus estudos. Compartilhamos aqui a sua experiência como incentivo para que outros façam o mesmo:

“Queridos amigos: a proposta de trabalho que eu esperar assumir depois da minha estada em Mount Ecclesia se revelou corrupta uma exploração de pessoas e totalmente incompatível com nossos ideais, e por isso apresentei a minha demissão. Entretanto, tão depressa o fiz, recebi um convite de um eminente médico de Kansas City para trabalharmos juntos. Ele me pareceu uma pessoa confiável. Fomos literalmente assediados por pessoas doentes e enfermas. Cara Senhora Augusta Foss Heindel, é maravilhoso constatar como as pessoas anseiam por algo dessa natureza; elas buscam alguém que lhes revelem o sentido da vida e tentam receber estímulo de fontes que sejam mais fortes e dignas de confiança, do que as árduas fontes do materialismo que destroem a vida.

A Astrologia Rosacruz foi uma ajuda maravilhosa para que eu conquistasse a confiança deles e, com a ajuda de Deus, que aqui me enviou, pude diagnosticar as suas doenças e enfermidades corretamente. E, o mais surpreendente, é que nenhum deles me revelou qualquer dos seus sintomas. Localizei tanto a doença ou enfermidade como os sintomas, e quase todos concordaram que eu estava certo, e resolveram viver de acordo com os elevados princípios de humanidade que lhes indiquei.

Espero ter muito trabalho aqui, e desejo expressar os meus agradecimentos pela ajuda que recebi sobre esta matéria durante o último ano que passei em Mount Ecclesia. Gostei imensamente da minha estada com vocês e estou ansioso por colher muitos frutos do meu trabalho aí; lamento apenas não ter podido permanecer mais tempo”.

O que um ser humano faz, outro ser humano pode fazer.  A Senhora Augusta Foss Heindel e eu não adquirimos nosso conhecimento nessa área sem esforço. Tivemos que trabalhar arduamente por ele; e outros que trabalharam com a mesma dedicação, com os mesmos ideais espirituais, ou seja, ajudando na elevação da Humanidade, encontraram e encontram uma iluminação que não é concedida àqueles que só procuram as recompensas materiais da vida e seu próprio engrandecimento. Parece-me que já é hora da Fraternidade Rosacruz despertar e divulgar este estudo seriamente, com o fim de estabelecer Centros de Auxílio de Cura em todas as cidades do mundo.

Criamos na nossa Revista Rays from the Rose Cross uma seção em que delineamos os horóscopos das crianças para, assim, ajudar os pais ou responsáveis a conhecer as características latentes de seus filhos. Também oferecemos Cursos por correspondência para principiantes, além do Curso de Astrodiagnose e Astroterapia para Probacionistas e, aos que ainda não começaram, aconselhamos que o façam.

(Cartas aos Estudantes – nº 57 – do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: A Iniciação não pode ser alcançada por meio de Exercícios Respiratórios

Agosto de 1914

É com considerável relutância que retorno a questão dos exercícios respiratórios e seus efeitos sobre o Corpo Denso, mas a necessidade urgente me obriga a reiterar a advertência contra os ensinamentos falsos e perigosos que são promulgados por pessoas que são ignorantes ou inescrupulosas na sua ânsia pelo lucro. Os exercícios respiratórios são absolutamente contrários aos Ensinamentos da Fraternidade Rosacruz, pois, de acordo com tais Ensinamentos, os resultados espirituais só podem ser conseguidos por métodos espirituais e não por exercícios físicos. Infelizmente, o grande desejo dos Estudantes de alcançar resultados rapidamente faz com que muitos dele se tornem presas fáceis dessas pessoas desonestas. Um dos nossos Estudantes mais promissores está agora num hospital psiquiátrico para o tratamento de transtornos mentais, por ter dado ouvidos às promessas de um charlatão que se ofereceu para iniciá-lo em troca da quantia de vinte e cinco dólares.

Acabei de saber que num dos Centros da Fraternidade Rosacruz, um homem que nem é Estudante Rosacruz está cobrando uma determinada importância para levantar horóscopos, o que é totalmente contrário aos nossos Ensinamentos. Anualmente devolvemos muita quantia em dinheiro a pessoas que nos procuram solicitando que levantemos os seus horóscopos, assim como previsões de futuro, pois defendemos o princípio de que uma Ciência Espiritual, como a Astrologia Rosacruz, não pode ser prostituída por nenhuma quantia de dinheiro, ainda que este nos seja muito necessário; e nos entristece profundamente descobrir que tais pessoas, que admitem ter conhecimento que essas práticas são contrárias aos princípios da Fraternidade Rosacruz, estejam à frente de Centros de Estudo e se apresentam como divulgadores e expoentes dos Ensinamentos Rosacruzes. Esta mesma pessoa também copiou, de livros indianos, que custam alguns centavos, exercícios de respiração que vende por um dólar às vítimas incautas.

Queridos amigos, acreditem na palavra de alguém que percorreu o caminho e sabe, por experiência própria, que não há trem expresso para o Templo de Iniciação. O Caminho é lento, íngreme e acidentado; deve ser percorrido passo a passo, ainda que os pés sangrem e o coração se encha de tristeza e sofrimento. O Corpo-Alma – a Veste Nupcial Dourada ou o Dourado Manto Nupcial – que a única palavra-passe pela qual podemos entrar, é tecido pelas boas ações praticadas, dia após dia, com paciente perseverança em fazer o bem, e por nenhum outro método. Os exercícios respiratórios não podem substituir as boas ações. Vocês não podem compreender isso? Eu sei o que estou dizendo, porque no princípio dos meus esforços na busca por caminhos espirituais, também me deparei com estes exercícios de respiração hindus. Experimentei-os por dois dias e meu Corpo Vital foi parcialmente expulso do meu Corpo Denso; então me ocorreu que estava em situação perigosa e suspendi os exercícios. Mas precisei de duas semanas para me restabelecer, durante as quais me senti como se não conseguisse firmar os pés no chão, como se estivesse caminhando no ar, e durante duas semanas sofri muito. Outros podem não ter a capacidade de recuperação que eu tive e, em consequência, ficarem predispostos a doenças mentais. Portanto, é muito perigoso tentar. Pode haver, é claro, outros em que não sentirão esses efeitos. Mas é sempre muito, muito perigoso brincar com fogo e você não deve tentar. Por outro lado, se você se esforçar dia após dia para servir na “Vinha de Cristo” e se empenhar em praticar atos, ações e obras de misericórdia, então o “Dourado Manto Nupcial”, o Corpo-Alma, será seguramente tecido e com ele, um dia, todos seremos admitidos no Templo.

(Cartas aos Estudantes – nº 45 – do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: Os Auxiliares Invisíveis e o Trabalho Deles nos Campos de Batalha de uma Guerra

Outubro de 1914

Mais um mês se passou e ainda a guerra europeia[1] continua em toda a sua intensidade. Milhares e milhares de pessoas cruzam a fronteira para o reino invisível, e a angústia lá, assim como aqui, é sem precedentes na história do mundo. Como você aprendeu em nossa literatura, o Mundo do Desejo é o mundo da ilusão e da desilusão; e aquelas pobres pessoas que foram transferidas tão repentinamente para aquele reino com ferimentos terríveis sobre seus Corpos Densos, também imaginam (como é muito frequente no caso aqui de pessoas que sofreram acidentes) que as lesões do Corpo Denso ainda estão com elas, e elas sofrem intensamente lá com esses ferimentos imaginários, como sofreriam aqui. Isto é, claro, inteiramente desnecessário. Muitas dessas pessoas estão se dirigindo para lá com ferimentos terríveis em seus corpos, principalmente aqueles causados por explosões de projéteis e por baionetas. Certamente que é uma atividade fácil para os Auxiliares Invisíveis mostrarem a qualquer uma dessas pessoas que seus ferimentos são somente imaginários, mas quando há tantos milhares delas, a tarefa se torna gigantesca, e nossos Auxiliares Invisíveis estão tendo um período de atividade sem precedentes neste conflito avassalador.

Entretanto, não é tanto a angústia resultante dessas lesões corporais imaginárias que torna o trabalho mais difícil. A angústia mental – a preocupação por aqueles que foram deixados para trás, o medo dos pais em relação aos seus filhos pequenos e a tristeza das mães que ficaram sozinhas para criar uma família de crianças pequenas – é o obstáculo mais terrível para uma solução desse terrível estado de coisas que os Auxiliares Invisíveis precisam enfrentar, e é nesse ponto que eu gostaria de pedir a sua sincera cooperação.

O Presidente Wilson, dos Estados Unidos, instituiu o dia 4 de outubro como um dia de oração pela paz. É sempre bom nos unirmos a tais movimentos, porque os nossos pensamentos canalizados terão um efeito considerável e fortalecerão extraordinariamente o apelo global. Todo Estudante fervoroso deve dedicar este dia para a oração pela libertação do mundo dessa matança terrível. Nesse momento, seus pensamentos devem ser particularmente direcionados para confortar aqueles que estão nesse mundo e, também, para aqueles estão aflitos nos Mundos invisíveis devido a separação dos laços familiares. Cada um deve manter o pensamento de que, embora a guerra atual seja dolorosa, esse é apenas um incidente em um longo período de tempo que não tem princípio nem fim. Como Espíritos somos imortais, e essas coisas que agora nos parecem de tão grande importância, quando vistas do ponto de vista espiritual e quando considerarmos o fato de que somos realmente imortais, terão uma importância menor nesse momento do que agora parece ser nesse caso para nós. O que quer que aconteça, será incorporado à natureza espiritual como uma lição para nos dar um sentido de horror dessa carnificina que agora está devastando o mundo.

Vamos esperar, fervorosamente, que essa guerra seja a última que manchará a paz da terra; que, tendo aprendido essa custosa lição, a Humanidade destrua, de uma vez por todas, os arsenais de guerra e transforme “suas espadas em arados[2]. Que essa ideia esteja na Mente de todos os Estudantes no dia 4 de outubro; mas como essa data está tão próxima que, provavelmente, essa carta não chegará a todos a tempo, pedimos a todos os Estudantes da Fraternidade Rosacruz que dediquem o domingo, dia 18, a oração pela paz. Nessa altura, todos os nossos Estudantes terão recebido essa mensagem e, novamente, nós estaremos unidos desde a manhã até a noite, nesse esforço para ajudar a restabelecer a paz no mundo. Que o Reino de Cristo, em breve, substitua o “reino dos homens”, pois esses, certamente, têm se mostrado governantes ineficientes.

(Cartas aos Estudantes – nº 47 – do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Refere-se à Primeira Guerra Mundial

[2] N.T.: Is 2:4

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: Um Tribunal Interno da Verdade

Outubro de 1917

Na semana passada, uma visitante que esteve em Mount Ecclesia me disse que ela passou uns vinte anos estudando todas as diferentes filosofias que conseguiu encontrar; também me disse que nos últimos anos ela havia se dedicado aos estudos dos Ensinamentos Rosacruzes, que eles a atraíam por serem a verdade absoluta. Ela naturalmente esperava que eu concordasse com esse sentimento, e não com os Ensinamentos que me foram fornecidos pelos Irmãos Maiores e que foram escritos em nossos vários livros.

Para os Bosquímanos[1] e os Kafirs[2], por exemplo, que podem desenvolver um temperamento religioso – até onde lhes seja possível entender isso – provavelmente aceitarão como uma grande verdade, que haja um ser divino de natureza superior à humana. Para tais seres humanos e para tal concepção de Religião há um avanço gradual em direção às filosofias transcendentais que despertam reverência nos espécimes mais desenvolvidos da Onda de Vida humana. Isso nos dá razão para acreditar que a evolução do ser humano requer também uma evolução da sua Religião. Subimos dos vales da ignorância infantil até o ponto em que hoje nos encontramos, e seria absolutamente contrário à Lei de Analogia supor que qualquer conquista na linha religiosa que atualmente possuímos seja a suprema; pois se não houver mais progresso religioso, também não poderá haver mais progresso humano.

Qual é, então, o caminho que conduz às alturas da realização religiosa e onde encontrá-lo? Essa parece ser uma pergunta lógica. A resposta é que ele não se encontra nos livros, nem meus nem de qualquer outra pessoa. Os livros são úteis, à medida em que nos fornecem material para reflexão sobre os assuntos abordados. Podemos ou não chegar às mesmas conclusões que o escritor dos livros, mas, desde que levemos as ideias apresentadas ao nosso interior e trabalhemos nelas com cuidado e oração, tudo o que resultar do processo será nosso, mais próximo da verdade do que qualquer coisa que possamos obter de qualquer outra pessoa ou de qualquer outra forma.

O Eu Superior, portanto, é o único tribunal digno da verdade. Se levarmos nossos problemas diante desse tribunal, de forma consistente e persistente, desenvolveremos, com o tempo, um senso da verdade tão superior que, instintivamente, sempre que ouvirmos uma ideia sendo apresentada, saberemos se ela é sólida e verdadeira ou não. A Bíblia, em várias passagens, nos exorta a ter cuidado com todos os tipos de doutrinas que flutuam no ar, porque muitas são perigosas e perturbam a Mente. Livros são lançados para promover este, aquele ou outro sistema de filosofia. A menos que tenhamos estabelecido, ou tenhamos começado a estabelecer, esse tribunal interno da verdade, podemos ser como a senhora mencionada acima – vagueando de um lugar para outro, mentalmente falando, por toda a nossa vida e não encontrando descanso, sabendo pouco mais no final do que no início, e talvez até menos.

Portanto, meu conselho ao Estudante Rosacruz seria nunca aceitar, rejeitar ou seguir cegamente qualquer autoridade, mas se para estabelecer o tribunal da verdade interiormente. Remetam todos os assuntos a esse tribunal, comprovando todas as coisas e absorvendo firmemente tudo o que nele existir de bom.

(Cartas aos Estudantes – nº 83 – do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Os “bosquímanos”, mais corretamente referidos como o povo San, são povos indígenas caçadores-coletores de longa data do sul da África.

[2] N.T.: Uma pessoa que rejeita ou descrê em Deus (Alá) como descrito pelo islã de acordo com os ensinamentos do profeta islâmico Maomé e nega o domínio e a autoridade do Deus islâmico.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: Construindo para a Vida Futura

Setembro de 1916

Você sabe, é claro, que a Fraternidade Rosacruz ensina o renascimento é um fato na Natureza, e você acredita nessa doutrina porque ela explica tantos fatos da vida que, de outra forma, não conseguiríamos explicar. Mas, eu me pergunto quantos Estudantes realmente levaram a sério o uso prático dessa verdade e estão fixando sua atenção sobre ela, moldando-se consciente e sistematicamente na construção do seu ambiente para vidas futuras?

É verdade que no Segundo Céu dedicamos todo o nosso tempo criando o ambiente para nossa vida futura, moldando a terra e o mar, provendo as condições para a flora e fauna e, de modo geral, dando forma as coisas que nos proporcionarão um ambiente propício para a nossa próxima vida aqui. Mas, fazemos tudo isso de acordo com a maneira como tenhamos vivido aqui nesta vida presente. Se temos sido preguiçosos, descuidados e negligentes, vivendo de uma maneira despreocupada, é improvável que, quando chegarmos no Segundo Céu, tenhamos cuidado para formar um solo fértil, que possamos cultivar mais tarde. Assim, na nossa próxima existência – ou renascimento aqui – nos encontraremos, provavelmente, com precários meios de existência e, sob o açoite da necessidade, aprenderemos a agir melhor, a nos esforçar.

Da mesma forma acontece com a nossas qualidades morais. Quando estivermos prontos para descer ao próximo renascimento, só podemos incorporar em nossos novos veículos o que acumulamos nesse renascimento presente. Por conseguinte, é sábio começarmos agora essa tarefa, quando a nossa próxima vida está, ainda, no estágio de moldagem a transformar os nossos ideais no que gostaríamos que fossem e a criar o ambiente no qual gostaríamos de ser colocados.

Em primeiro lugar e sem dúvida alguma, estamos de acordo que os nossos Corpos atuais não são como desejaríamos que fossem. Doenças de todos os tipos atormentam a maioria das pessoas; algumas estão sujeitas a dores por toda a vida e ninguém consegue atravessar a vida, desde o berço até o túmulo, sem ter experimentado, pelo menos, algum sofrimento. Por isso, cada um de nós pode muito bem se imaginar em uma existência futura provido de um Corpo pleno de saúde, livre das doenças que constituem agora a nossa pior herança.

Em relação às nossas faculdades morais e mentais, também estamos longe da perfeição, portanto, e cada um de nós pode, portanto, abordar com proveito o tema do aperfeiçoamento dessas faculdades. Percebemos que temos um espírito crítico, uma língua afiada, um temperamento impetuoso ou outras falhas semelhantes que nos indispõem com os outros e tornam a vida ao nosso redor pouco agradável? Pois bem, ao mantermos em mente e visualizarmos o nosso próprio ideal para o futuro – conservando o equilíbrio em todas as circunstâncias, ser dóceis e comedidos no falar, gentil e afetuosos, etc. – construiremos esses ideais como pensamentos-forma que levaremos, já formados dentro de nós para a próxima vida. E o resultado será de acordo com a intensidade da concentração que aplicarmos ao assunto. Na medida em que nos esforçarmos agora para cultivar e aspirar tais virtudes, nós a possuiremos então; e isso também se aplica às faculdades. Se agora somos desleixados, pela aspiração de manter a ordem em nossa vida, mais tarde recuperaremos essa virtude. Carecemos do senso de ritmo? Muito bem, ele pode ser nosso no futuro, se o pedirmos agora. A habilidade mecânica ou qualquer outra aptidão que seja necessária para nos fornecer uma experiência de vida que buscamos pode ser adquirida da mesma forma.

Portanto, devemos, sistematicamente, reservar um certo tempo nos intervalos dos nossos deveres, tão compatíveis com nossos outros deveres, para pensar no futuro e planejar para o próximo renascimento – que tipo de Corpos, quais faculdades, virtudes e que ambientes desejamos. Quando estivermos aptos para fazer, inteligentemente, a nossa escolha, sem dúvida, teremos muito mais liberdade do que se não tivéssemos pensado sobre o assunto.

Você entende, é claro, que a forma mais elevada de aspirar à virtude é o esforço constante em praticá-la em nossa vida diária. Mas, enquanto nos esforçamos para cultivar as virtudes, como devemos, pela prática, é científico planejar, com antecedência, o uso que faremos da vida futura, assim como planejamos agora o uso do dia que está diante de nós. Confio que essa ideia se enraíze em cada Estudante e que seja consistentemente levada a sua consumação legítima, pois, dessa forma, certamente, terá um efeito maravilhoso sobre o nosso próprio futuro e o mundo ao nosso redor.

(Cartas aos Estudantes – nº 70 – do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: O Pão e o Vinho Místicos

Setembro de 1912

Se eu tivesse pedido aos Estudantes que me escrevessem qual era, na opinião deles, o ponto mais importante da lição do mês passado, o que você acha que teria sido respondido na maioria dos casos? Acredito que muitos sentiriam que a conexão entre o pão, o vinho e a saúde era a ideia principal; e talvez eu seja responsável por essa visão, porque escrevi essas palavras em negrito[1]. Mas, ainda que seja de suma importância essa conexão entre o pão, o vinho e a saúde, e a apliquemos em nossas vidas com o máximo da nossa capacidade, se o fizermos por uma razão menor do que a dada por Nosso Senhor, isso será essencialmente egoísta, e não promoverá nosso desenvolvimento tanto quanto se o fizéssemos como Ele pediu: “em memória de Mim[2].

Basta olhar para a questão sob esse prisma, caro amigo ou cara amiga, você entenderá a ideia. Sob o regime de Jeová, o egoísmo cristalizou a Terra em tal extensão que as vibrações espirituais quase cessaram. A evolução estava estagnada, e o sangue estava tão impregnado de egoísmo que a Onda de Vida humana corria o perigo de degenerar. Então, o Cristo Cósmico se manifestou por meio de Jesus para nos salvar. Purificar profundamente livrando o sangue de todo o egoísmo é o Mistério do Gólgota; começou quando o sangue de Jesus fluiu, continuou através das guerras das nações Cristãs sempre que os seres humanos lutavam por um ideal, e durará até que, por contraste, os horrores da guerra tenham impressionado suficientemente a Humanidade com a beleza da Fraternidade.

Cristo entrou na Terra pelo evento do Gólgota. Ele está, novamente, fermentando o Planeta Terra e tornando-a receptiva às vibrações espirituais, mas o Seu sacrifício não foi consumado em um só momento, morrendo para nos salvar, como geralmente se crê. Ele ainda está gemendo e sofrendo, esperando pelo dia da Sua libertação[3], pela “manifestação dos filhos de Deus”; e realmente nós apressamos esse dia toda vez que participarmos do alimento para os nossos Corpos superiores, simbolizados pelos: pão e vinho místicos. Mas seríamos muito mais eficientes em acelerar a nossa própria libertação e em apressar o “dia de Nosso Senhor”, se sempre fizéssemos “em memória de Mim”.

Você se lembra da “Visão de Sir Launfal?”. Não era o tamanho da dádiva o que importava; a moeda de ouro atirada ao mendigo era materialmente mais valiosa do que a côdea de pão que ele deu mais tarde; mas a moeda foi dada com impaciência para se livrar de uma presença repugnante. A côdea de pão foi dada em memória de Cristo e por Sua causa, e nisso está toda a diferença.

E Sir Launfal lhe disse:

“Vejo em ti

a imagem d’Aquele que na cruz morreu.

Tu, também, tens a coroa de espinhos de quem padeceu,

muitos escárnios tens também sofrido

e o desprezo do mundo hás sentido.

As feridas em tua vida não faltaram

nos pés, nas mãos, no corpo, elas te machucaram.

Filho da clemente Maria reconhece quem eu sou

e vê que, através do pobre, é a Ti que eu dou.”

Quanto mais cultivarmos o espírito de tudo fazer pela causa de Cristo e Sua Libertação, melhores e mais frutíferas serão as nossas vidas aqui.

(Cartas aos Estudantes – nº 22 – do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Lição do mês passado publicada como Capítulo IV do Livro Coletâneas de um Místico – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz: O SACRAMENTO DA COMUNHÃO – “em memória de Mim” – PARTE II

… na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão e, depois de dar graças, partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo, que é para vós; fazei isto em memória de mim”. Do mesmo modo, após a ceia, também tomou o cálice, dizendo: “Este cálice é a nova Aliança em meu sangue; todas as vezes que dele beberdes, fazei-o em memória de mim”. Todas as vezes, pois, que comeis desse pão e bebeis desse cálice, anunciais a morte do Senhor até que ele venha. Eis porque todo aquele que comer do pão ou beber do cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor. Por conseguinte, que cada um examine a si mesmo antes de comer desse pão e beber desse cálice, pois aquele que come e bebe sem discernir o Corpo, come e bebe a própria condenação. Eis porque há entre vós tantos débeis e enfermos e muitos morreram.” (ICor 11:23-30).

Nos trechos acima há um significado esotérico profundamente oculto que é particularmente obscuro na tradução inglesa, mas em alemão, latim e grego o Estudante Rosacruz ainda tem um indício do que realmente foi pretendido com essa última admoestação do Salvador a Seus Discípulos. Antes de examinar esse aspecto do assunto, vamos considerar primeiro as palavras: “em memória de Mim”. Estaremos, então, talvez em melhores condições para compreender o que significa o “cálice” e o “pão”.

Suponhamos que uma pessoa procedente de um lugar distante venha ao nosso país e viaje através dele, visitando vários lugares. Por toda parte verá pequenas comunidades se reunindo ao redor da Mesa do Senhor para celebrar esse rito mais sagrado para todos os Cristãos, e se perguntasse a razão de fazerem isso, as pessoas lhe responderiam que elas faziam isso em memória d’Aquele que viveu uma vida mais nobre do que qualquer um que já viveu nesta Terra; d’Aquele que foi a bondade e o amor personificados; d’Aquele que foi o servo de todos sem se preocupar em ganhar ou perder. Se esse estranho comparasse a atitude dessas comunidades religiosas aos domingos na celebração desse rito com as vidas deles durante o restante da semana, o que veria?

Cada um de nós sai para o mundo para batalhar pela existência. Sob a lei da necessidade, esquecemos o amor que deveria ser o fator principal nas vidas Cristãs. A mão de uma pessoa está sempre contra seu irmão ou sua irmã. Todos lutam por posição, riqueza e pelo poder que advém com esses atributos. Esquecemos na segunda-feira o que, reverentemente, relembramos no domingo e, em consequência, todo o mundo é digno de pena por isso. Fazemos, também, uma distinção entre “o pão e o vinho” que bebemos na chamada “Mesa do Senhor” e o alimento que comemos ou bebemos durante os intervalos entre o comparecimento à Comunhão. Porém, nada é mencionado nas Escrituras que justifique tal distinção, como qualquer um pode verificar mesmo na versão inglesa, que omite as palavras impressas em itálico inseridas pelos tradutores para dar o que pensavam ser o sentido da passagem. Pelo contrário, é-nos dito que tudo o que comermos, bebermos ou qualquer coisa que fizermos, deveria ser feito para a glória de Deus. Todos os nossos atos deveriam ser uma oração. A “ação de graças” superficial que fazemos às refeições é, na realidade, uma blasfêmia e o pensamento silencioso de gratidão Àquele que nos dá o pão de cada dia está longe de ser o suficiente. Quando lembramos, à cada refeição, que o alimento retirado da substância da Terra é o corpo do Espírito de Cristo que ali habita, que aquele corpo está sendo repartido para nós diariamente, podemos compreender apropriadamente a bondade amorosa que O impele a Se dar por nós; por isso vamos, também, relembrar que não há um momento, dia ou noite, que Ele não esteja sofrendo por estar aprisionado a esta Terra. Portanto, quando comemos e percebemos a verdadeira situação, de fato estamos proclamando a morte do Senhor Cristo, cujo Espírito está gemendo e labutando, esperando pelo dia da libertação, quando não haverá necessidade de uma envoltura tão densa como a que necessitamos agora.

Mas há um outro mistério, maior e mais maravilhoso ainda, oculto nessas palavras de Cristo. Richard Wagner, com a rara intuição do gênio do músico, percebeu essa ideia quando, sentado em meditação à beira do Lago de Zurique numa Sexta-Feira Santa, sentiu brotar em sua Mente um pensamento: “Que conexão há entre a morte do Salvador e os milhões de sementes que germinam na terra nessa época do ano?”. Se meditarmos sobre aquela vida que anualmente brota na primavera, vemo-la como algo gigantesco e inspirador; uma intensidade enorme de vida que transforma o globo, de um momento próximo à morte congelante a uma vida rejuvenescida, em um curto espaço de tempo; e a vida que assim se propaga nos brotos de milhões e milhões de plantas é a vida do Espírito da Terra.

Dela vem tanto o trigo como a uva. Esses representam o corpo e o sangue do aprisionado Espírito da Terra, incumbido de sustentar a Humanidade durante a presente fase da evolução dela. Nós repudiamos a argumentação daqueles que alegam que o mundo tem a obrigação de lhes dar uma vida boa, sem que eles se esforcem e onde não tenham nenhuma responsabilidade material da parte deles; no entanto, nós insistimos que há uma responsabilidade espiritual conectada com “o pão e o vinho” servidos na Última Ceia do Senhor: devem ser ingeridos dignamente, caso contrário, causarão problemas de saúde e até mesmo a morte. Superficialmente lido, poderá parecer um conceito forçado, porém, quando meditamos à luz do esoterismo, examinando outras traduções da Bíblia e observando as condições atuais do mundo, veremos que não é assim tão forçado.

Retornemos ao momento na Evolução em que o ser humano vivia sob a guarda dos Anjos, construindo, inconscientemente, o Corpo que agora ele usa. Isso foi na antiga Época Lemúrica. Era necessário um cérebro para evolução do pensamento e uma laringe para expressão verbal desse mesmo pensamento. Portanto, metade da força criadora foi dirigida para cima e usada pelo ser humano para formar esses órgãos. Por isso, a Humanidade se tornou separada em sexos masculino e feminino, e foi forçada a procurar um complemento quando foi necessário criar um outro novo Corpo Denso e um Corpo Vital para servir como um instrumento numa fase mais elevada da evolução.

Enquanto o ato do amor era consumado sob a sábia custódia dos Anjos, a existência do ser humano estava livre de angústias e tristezas profundas, e de dores e da morte. Mas quando, sob a tutela dos Espíritos Lucíferos, ele comeu da árvore do Conhecimento e perpetuou a raça, sem levar em conta as linhas de forças interplanetárias, transgrediu a lei e os Corpos assim formados se cristalizaram excessivamente e se tornaram sujeitos à morte, de uma maneira muito mais perceptível do que haviam estado até então. Por isso, foi forçado a criar Corpos novos mais frequentemente, à medida que seu período de vida aqui se encurtava. Os guardiães celestiais da força criadora expulsaram o ser humano do jardim de amor para o deserto do mundo, e ele se tornou responsável por suas ações sob a lei cósmica que governa o universo. Desde então, por um longo tempo, o ser humano continua essa luta difícil e esgotante para conseguir sua própria salvação, e a Terra, em consequência disso, se cristalizou cada vez mais.

Hierarquias divinas, incluindo o Espírito de Cristo, trabalharam sobre a Terra externamente, assim como o Espírito-Grupo guia os animais sob sua proteção; mas, como diz S. Paulo tão corretamente: “Ninguém pode ser justificado sob a lei, pois sob ela todos pecaram e todos devem morrer” Rm (2:12). Não há no antigo pacto nenhuma esperança além da presente, salvo um presságio de alguém que há de vir e que restaurará o agir de acordo com a Lei Divina, livre de culpa ou pecado. Por isso, S. João proclama que a lei foi dada por Moisés e a graça veio por meio de Cristo (Jo 1:17). Mas, o que é a graça? Ela pode trabalhar contra a lei e revogá-la completamente? Certamente não. As Leis de Deus são imutáveis e firmes, ou o universo se tornaria um caos. A lei de gravidade mantém nossas casas em posição relativa às outras casas e por isso, quando saímos delas sabemos, com certeza, que as encontraremos no mesmo lugar ao retornarmos. Pelo mesmo princípio, todas as outras divisões no universo estão sujeitas a leis imutáveis.

Assim como a lei, separada do amor, originou o pecado, assim também a lei temperada com amor é a graça. Tomemos um exemplo de nossas condições sociais concretas: temos leis que decretam uma certa penalidade para uma ofensa específica e, quando a lei é observada, chamamos isso de justiça. Porém, a longa experiência está começando a nos ensinar que justiça, pura e simples, é como os dentes do dragão Colchian (No mito grego, os dentes do dragão aparecem com destaque nas lendas do príncipe fenício Cadmo e na busca de Jasão pelo Velocino de Ouro. Em cada caso, os dragões estão presentes e cospem fogo. Seus dentes, uma vez plantados, se transformariam em guerreiros totalmente armados. Cadmo, o portador da alfabetização e da civilização, matou o dragão sagrado que guardava a fonte de Ares. A deusa Atena disse-lhe para semear os dentes, de onde surgiu um grupo de guerreiros ferozes chamados spartoi – um povo mítico que surgiu dos dentes do dragão semeados por Cadmo e foram considerados os ancestrais da nobreza tebana. Ele jogou uma joia preciosa no meio dos guerreiros, que se viraram na tentativa de se apoderar da pedra. Os cinco sobreviventes juntaram-se a Cadmo para fundar a cidade de Tebas. Da mesma forma, Jason foi desafiado pelo Rei Aeëtes da Cólquida a semear dentes de dragão – daí dragão de Colchian – em Atenas para obter o Velocino de Ouro. Medea, filha de Aeëtes, aconselhou Jason a jogar uma pedra entre os guerreiros que surgiram da terra. Os guerreiros começaram a lutar e matar uns aos outros, não deixando nenhum sobrevivente além de Jason. As lendas clássicas de Cadmo e Jasão deram origem à frase “semear dentes de dragão”. Isso é usado como uma metáfora para se referir a fazer algo que tem o efeito de fomentar disputas.) que gera disputas e lutas cada vez maiores. O chamado criminoso permanece criminoso e se torna cada vez mais embrutecido pelas penalidades da lei; mas, quando um regime menos rigoroso, nos tempos atuais, permite que a sentença imputada àquele que transgrediu a lei seja suspensa, então ele estará sob a graça e não sob a lei. Também, o Cristão que procura seguir os passos do Mestre é emancipado da lei do pecado pela graça, desde que abandone o caminho do pecado.

Esse foi o pecado dos nossos progenitores na antiga Época Lemúrica que eles espalharam suas sementes independentemente da Lei e sem o amor. Mas é o privilégio do Cristão se redimir pela pureza da sua vida, em memória do Senhor. S. João diz: “Sua semente permanece nele” (IJo 3:9) e esse é o significado oculto do “pão e vinho”. Na versão inglesa lemos simplesmente: “Esse é a taça do Novo Testamento”, mas no alemão, a palavra que designa cálice é “Kelch” e em latim é “Calix” (Na língua portuguesa temos a tradução como cálice), ambas significando a parte externa que envolve a semente da flor. Em grego temos um significado mais sutil ainda, não expresso em outras línguas, na palavra “poterion”, um significado que se torna evidente quando consideramos a etimologia da palavra “pot”. Isso nos fornece, imediatamente, a mesma ideia de cálice ou “calix” – um receptáculo; e verbo latino “potare” (beber) também mostra que a “taça” é um receptáculo capaz de reter um líquido. As palavras inglesas “potente” e “impotente”, designando possuir ou ter falta da força viril, mostra o significado dessa palavra grega que indica a evolução do “homem para um super-homem”.

Já vivemos existências semelhantes ao mineral, à planta e ao animal, respectivamente, antes de nos tornarmos humanos como o somos hoje e, diante de nós existem ainda outras evoluções até nos aproximarmos cada vez mais do Divino. Prontamente aceitamos como verdade e válido que são nossas paixões animais que nos retêm no caminho da realização; a natureza inferior está constantemente em luta com o “eu superior”. Isso acontece, pelo menos, com os que já experimentaram um despertar espiritual; uma guerra está sendo travada silenciosamente no interior e pior seria se isso fosse reprimido. Goethe (Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832) foi um polímata, autor e estadista alemão do Sacro Império Romano-Germânico que também fez incursões pelo campo da ciência natural. Como escritor, Goethe foi uma das mais importantes figuras da literatura alemã e do Romantismo europeu, nos finais do século XVIII e inícios do século XIX.), com arte magistral, exprimiu esse sentimento nas palavras de Fausto, a alma aspirante, ao se dirigir a seu amigo materialista, Wagner:

“Por um só impulso tu estás possuído,

Inconsciente do outro permaneces, ainda não o tens sentido.

Duas almas, oh! moram dentro do meu peito,

E aí lutam por um indivisível reino;

Uma aspira pela terra, com vontade apaixonada

Às íntimas entranhas ainda está ligada.

Acima das névoas, a outro aspira, de certeza,

Com ardor sagrado por esferas onde reine a pureza”.

Foi o conhecimento dessa necessidade absoluta de castidade (exceto quando o objetivo é a procriação) por parte daqueles que já haviam tido um despertar espiritual, que inspirou as palavras de Cristo e o Apóstolo S. Paulo exprimiu uma verdade esotérica quando disse que aqueles que tomam a comunhão sem viver a vida, estão em perigo de doença e morte. Assim como, sob uma tutela espiritual, a pureza de vida pode elevar o Discípulo de uma maneira maravilhosa, assim também a falta de castidade produz um efeito muito maior sobre os Corpos mais sensibilizados do que sobre aqueles que estão ainda sob a lei e não se tornaram participantes da graça, pelo cálice da Nova Aliança.

[2] N.T.: Lc 22:19

[3] N.T.: Rm 8:19-23

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