As árvores de todos os tamanhos são Formas de manifestação no Mundo Físico dos mais adiantados Espíritos da Onda de Vida vegetal, ainda não individualizados, e por esta razão evoluindo sob a custódia de Espíritos-Grupo.
Poetas e prosadores cantam a beleza e exaltam sobremaneira os benefícios que auferimos a custo das árvores. Afinal, a cópia do Universo é toda serenidade, beleza e harmonia. Os ecologistas se destacam, atualmente, como vanguardeiros na luta pela preservação do verde. Não só exaltam a magnitude da proteção ao Reino vegetal como propõem as mesmas atenções a todos os Reinos da Natureza.
A Fraternidade Rosacruz também se manifesta a respeito em seus profundos ensinamentos, dando um enfoque todo especial ao tema. A Vida no Mundo Físico se expressa por meio da Forma, sendo mister que essa só aprimore para aquela manifestar-se com mais desenvoltura. Nossa ação é importante no aperfeiçoamento de tudo quanto nasce, cresce e se transforma na face da Terra. Partindo do princípio de que somos representantes de um Reino superior ao mineral, vegetal e animal, assumimos a responsabilidade de contribuir para a manifestação da Vida através daqueles Reinos em ascensão constante.
A diligência e o esmero empregados no trabalho executado com os minerais determinam suas possibilidades de evolução. O Reino vegetal, nós o sabemos, é extremamente dadivoso. Contudo, quando se fala em proteção aos Reinos inferiores, nossa atenção volta-se para o Reino animal, talvez a maior vítima da ignorância humana.
Sob o pretexto de obter alimentos, o ser humano dedica-se a matança dos mais elevados representantes da escala animal. E o faz com isenção plena de compaixão, às vezes com frieza e sadismo deploráveis. Não temos o direito de restringir a vida a seres prestes a individualizar-se. Se necessitarmos de alimentos, os mais adequados a nossa constituição encontram-se no Reino vegetal, pródigo em variedade e qualidade. Os Ensinamentos Rosacruzes afirmam: toda partícula alimentar ingerida contém vida. Antes que ela possa ser agregada ao nosso organismo pelo processo da assimilação, é necessário que a dominemos e sujeitemos. Isso trará harmonia ao nosso Corpo Denso. Quanto mais individualizada for à partícula, tanto mais difícil se tornará sua assimilação.
O animal possui Corpo de Desejos. Cada célula componente de seu Corpo Denso possui uma alma individual, compenetrada pelas suas paixões, emoções e desejos. Eis porque a carne animal (mamíferos, aves, peixes, anfíbios, crustáceos, frutos do mar e afins), como alimento, requer intenso esforço orgânico no processo da assimilação. Inclusive a própria constituição da arcada dentária humana não a recomenda a preparar tal tipo de alimento para ser trabalhado pelo aparelho digestivo.
Seremos coerentes com a nossa condição de seres racionais procurando alimentos no Reino vegetal. Menos individualizados e amplamente adequados as nossas necessidades, substituem com inúmeras vantagens, os elementos oriundos da dieta carnívora, principalmente pela facilidade com que são assimilados.
Analisando os fatos à luz da Ciência Oculta, não nos causa estranheza que inúmeras doenças e enfermidades venham afligindo a Humanidade. As consequências só podem ser funestas quando os atos humanos colidem com as Leis da Natureza, as Leis de Deus. Estas regem a conservação da vida, da espécie e da saúde. Muitas debilidades orgânicas poderiam ser sanadas pela adoção da dieta vegetariana.
Alguém pode objetar estas considerações afirmando que também truncamos o desenvolvimento de um vegetal tirando-lhe a vida para usá-lo como alimento. Porém, isso pode ser esclarecido. Quando a fruta está madura, realizou o seu propósito de servir como matriz para o amadurecimento da semente. Se não é utilizada como alimento, apodrece e perde-se. Além disso, está destinada a servir de alimento ao animal e ao ser humano, proporcionando-se, assim, a semente, oportunidade de crescimento ao espalhar-se em solo fértil. Deste modo não se arrebata a vida, mas ampliam-se as possibilidades de que ela se manifeste.
Além do que foi elucidado, também há razões de ordem moral. Os Ensinamentos Rosacruzes apelam para a razão e sentimento das pessoas, no sentido de que seja observada a primeira lei da Ciência Oculta: “Não matarás”. Cada um deve compenetrar-se de sua responsabilidade como protetor dos mais fracos, inspirando-se nas belas lições de Max Heindel e nas piedosas palavras de Ella Wheeler Wilcox: “Eu sou o defensor do meu irmão e lutarei a sua luta; falarei a palavra em nome do animal e da ave, até que o mundo saiba o que deve fazer”.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – setembro/1982, Fraternidade Rosacruz – SP)
Entre as várias instruções que são dadas pela Filosofia Rosacruz encontramos sempre as que nos dizem: “orar constantemente“; “Estar receptivo à Força Curadora do Pai“; “Faça-se a Tua Vontade e não a minha“.
Quando nos é dito: “Orar constantemente”, compreendemos ser uma referência ao alimento que devemos dar ao nosso Cristo Interno, o Cristo que habita em nós. O eterno que está dentro de nós deve ser alimentado com o nosso trabalho diário; com a responsabilidade pelos deveres assumidos; com amor, perdão e alegria; com o encanto para o bem; com o respeito a todos os Reinos da Natureza; com o cultivo das artes; com os sentimentos e emoções positivos; com o conhecimento aplicado, com todas as manifestações de Deus.
Quando nos é dito: “Estar receptivo”, compreendemos ser uma referência a estarmos abertos, preparados, dispostos para receber a Força Curadora do Pai. Para que o Sol entre em um ambiente é necessário abrir a janela, assim como para receber um cumprimento é necessário estender e abrir a mão. É o estar receptivo a algo que nos vai favorecer, que realmente desejamos – é o esforço que temos de fazer, é a nossa própria participação necessária no processo de Cura Rosacruz. Se você almeja ser curado, então faça sua parte, exatamente como o Cristo mandava o doente ou enfermo fazer em todos os Seus Milagres de Cura.
Quando nos é dito: “Faça-se a Tua vontade e não a minha”, estamos colocando toda a nossa fé e confiança na Sabedoria de Deus-Pai, pois não sabemos os desígnios que nos foram reservados e o porquê do nosso sofrimento ou da nossa dor. Mas sabemos que em todo o mal há sempre um bem em gestação e a força do nosso pedido, a sinceridade das nossas intenções pode, muitas vezes, modificar uma condição de sofrimento ou de dor, pois Deus é infinitamente misericordioso.
A força que nos leva a Deus é a fé e o ato de se integrar na espiritualidade, é um ato tranquilo, de puro amor e confiança. O processo é interno e íntimo.
“Deus é amor” e é através desse amor é que atingimos a plenitude de nossa consciência e evolução.
Que a paz de Deus e as doces bênçãos divinas encontrem, em cada um de nós, a receptividade e o alimento para permanecerem em nos ajudando nessa mais uma vida aqui!
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – outubro/1985 – Fraternidade Rosacruz – SP)
As transformações são uma consequência lógica da evolução. Isso ocorre em todos os Reinos da Natureza, mas a incidência é maior nos mais desenvolvidos. Nos Reinos não individualizados, as modificações sucedem mais por força de fatores externos. O ser humano, ao contrário, possuidor da Mente, consegue transformar as coisas, e a si mesmo.
A transformação pessoal causa um impacto maior nos relacionamentos do que em qualquer outro campo. Melhoram ou pioram, raramente mantêm-se os mesmos. As mudanças são gratificantes nesse aspecto. Um relacionamento transformador é um todo maior que a soma de suas partes. É sinérgico, holístico.
Sinergia quer dizer convergência de esforços, de energia. Nada cresce no Universo, a não ser por convergência. “Onde dois ou mais se reunirem em Meu nome, entre eles estarei.” (Mt 18:20). É a alegoria dos carvões no Serviço do Templo Rosacruz.
Para manter um relacionamento transformador, temos de ser abertos e vulneráveis. As pessoas, geralmente, agem e se manifestam em suas periferias.
Encontrar uma pessoa em seu centro é passar através de uma revolução em nós mesmos. Se desejamos encontrar alguém em seu centro, teremos que permitir que ela atinja também o nosso centro. Isso é servir a divina essência. É atingir o seu centro, além das enganosas aparências.
(Publicado no Ecos da Fraternidade Rosacruz de São Paulo – SP de novembro-dezembro/1992)