Resposta: Quando a Terra emergiu do caos, inicialmente se encontrava no estágio vermelho escuro conhecido como Época Polar. Ali, a Humanidade desenvolveu pela primeira vez um Corpo Denso, nada parecido com o nosso veículo atual, é claro. Quando a condição da Terra se tornou ígnea, como na Época Hiperbórea, o Corpo Vital foi adicionado e o ser humano se tornou semelhante a uma planta, ou seja, ele possuía os mesmos veículos que as nossas plantas têm hoje e, também, uma consciência semelhante, ou melhor, inconsciência, àquela que temos no sono sem sonhos, quando os Corpos Densos e Vitais são deixados sobre a cama.
Naquela época, na Época Hiperbórea, o Corpo Denso do ser humano era como um enorme saco de gás, flutuando fora da Terra ígnea, e expelindo esporos semelhantes a plantas, que então cresciam e eram usados por outras seres humanos que chegavam. Naquela época, o ser humano era bissexual, um hermafrodita.
Na Época Lemúrica, quando a Terra havia esfriado um pouco e ilhas de crosta começaram a se formar em meio a mares ferventes, o Corpo Denso do ser humano também havia se solidificado um pouco e se tornado mais parecido com o Corpo Denso que vemos hoje. Era semelhante ao de um animal antropoide inferior, com um tronco curto, braços e membros enormes, os calcanhares projetando-se para trás e quase nenhuma cabeça — pelo menos a parte superior da cabeça estava quase totalmente ausente. O ser humano vivia na atmosfera de vapor que os ocultistas chamam de nevoeiro de fumaça (partículas ou texturas de fumaça volumétrica iluminada pelo fogo) e não tinha pulmões, mas respirava por meio de tubos. Ele possuía um órgão semelhante a uma bexiga em seu interior, que inflava com ar aquecido para ajudá-lo a saltar enormes abismos quando erupções vulcânicas destruíam a terra em que vivia. Da parte de trás de sua cabeça projetava-se um órgão que agora foi retraído para dentro da cabeça e é chamado pelos anatomistas de Glândula Pineal, ou terceiro olho, embora nunca tenha sido um olho, mas um órgão localizado de sensibilidade. O Corpo Denso era então desprovido de sensações, mas quando o ser humano se aproximava demais de uma cratera vulcânica, o calor era registrado por esse órgão para alertá-lo antes que seu Corpo Denso fosse destruído.
Naquele momento, o Corpo Denso já estava tão solidificado que era impossível para o ser humano continuar a se propagar por esporos, sendo necessário que ele desenvolvesse um órgão de pensamento, um cérebro. A força sexual criadora que hoje usamos para construir ferrovias, navios a vapor, etc., no Mundo exterior, era então usada internamente para a construção de órgãos. Como todas as forças, ela era positiva e negativa. Um dos polos foi voltado para cima para construir o cérebro, deixando o outro polo disponível para a criação de outro Corpo Denso. Assim, o ser humano deixou de ser uma unidade criadora completa. Cada um possuía apenas metade da força sexual criadora e, portanto, era necessário que buscasse seu complemento fora de si.
Mas naquele momento, “seus olhos ainda não haviam sido abertos”[1], e os seres humanos daquele tempo não tinham consciência uns dos outros no Mundo Físico, embora estivessem bem conscientes e despertos nos Mundos espirituais. Portanto, sob a orientação dos Anjos, que eram particularmente capacitados para ajudá-los com relação à propagação, eles eram reunidos em grandes Templos em certas épocas do ano, quando as linhas de força que corriam entre os Astros (Sol, Lua e Planetas) eram propícias, e ali o ato criador era realizado como um sacrifício religioso. E quando esse homem primordial, Adão, entrou em contato sexual íntimo com a mulher, o Espírito por um instante penetrou a carne e “Adão conheceu (ou tomou consciência de) sua esposa”[2]; ele a sentiu fisicamente. É isso que a Bíblia registrou, usando essa expressão casta em todas as suas páginas, pois nos é dito que “Elcaná conheceu sua esposa Ana, e ela deu à luz Samuel”[3]. Mesmo no Novo Testamento, quando o Anjo vem a Maria dizendo-lhe que ela será a mãe do Salvador, ela responde: “Como isso será possível, visto que não conheço homem?”[4].
Pecado é a ação contrária à Lei de Deus, e enquanto a Humanidade se propagava sob a orientação dos Anjos, que compreendiam as linhas de força cósmicas, o parto era indolor, como o é agora entre os animais selvagens, que se reproduzem apenas na época apropriada do ano sob a orientação do Espírito-Grupo. Mas quando o ser humano, agindo sob o conselho de certos Espíritos que se encontram evolutivamente entre a humanidade e os Anjos, decidiu criar em qualquer época do ano, independentemente das linhas de força cósmicas, esse pecado, ou “comer do fruto da Árvore do Conhecimento”, causou o parto doloroso que o Anjo anunciou a Eva. Ele não a amaldiçoou, mas simplesmente declarou qual seria o resultado do uso ignorante e indiscriminado da força sexual criadora.
(Pergunta nº 85 do Livro: Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Gn 3:7
[2] N.T.: Gn 4:1
[3] N.T.: ISm 1:19-20
[4] N.T.: Lc 1:34
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