Quando ligamos o ferro elétrico e ele não funciona, examinamos a resistência, o fio ou os fusíveis. Não desesperamos diante do ferro, exclamando: “Ó eletricidade, por favor, desça ao meu ferro e faça-o funcionar”.
Sabemos muito bem que embora o mundo todo esteja cheio daquela força misteriosa a que chamamos de eletricidade, somente aquela porção que flui ao encontro da resistência do ferro é que o faz funcionar.
O mesmo princípio se aplica à energia criadora de Deus. Todo o universo está cheio dela, mas apenas a porção que flui através de nosso ser realmente nos beneficia.
Muitas vezes tentamos fazer essa energia criadora operar em nós por meio de preces e pedidos a Deus para que faça isto ou aquilo. E como Ele não faz nem uma coisa e nem outra, nós concluímos que não há valor na oração, uma vez que Deus age como entende, sem consultar aos nossos desejos. Em outras palavras, duvidamos da disposição ou da habilidade divina em realmente produzir em nossas vidas os resultados que desejamos. Não duvidamos de nossa própria habilidade em chegarmos à Sua presença e nos enchermos d’Ela, mas sim de Sua Disposição em se chegar a nós e encher-nos d’Ele.
Deus está tanto dentro de nós como em nosso redor. Afinal, Ele é onisciente, onipotente e onipresente. Ele é a Fonte de toda a Vida, o Criador do Universo com as inimagináveis profundidades interastrais. Mas Ele é também a vida que habita em nós. E, assim como todo o mundo cheio de eletricidade não iluminará uma casa a menos que a casa esteja preparada para receber eletricidade, assim a vida infinita e eterna de Deus não nos pode ajudar, a menos que estejamos preparados para receber aquela vida em nós mesmos. Somente a quantidade de Deus que pode caber em nós, a nosso proveito, operará.
“O Reino de Deus está no meio de vós” (Lc 17:21), disse Cristo-Jesus. E a Luz Interna que em nós habita, o lugar secreto da Consciência do Altíssimo em nossos corações é que constituem o Reino de Deus em sua manifestação terrena. Aprender a viver no Reino dos Céus é aprender a acender a luz de dentro de nós.
Devemos aprender que Deus não é um soberano irracional e impulsivo, que quebra suas próprias Leis de Deus à vontade. Logo que aprendemos que Deus faz coisas por nosso intermédio e não para nós, o assunto se torna tão simples e impressivo como o nascer do Sol.
“Mas Deus é onipotente!”, dizem alguns. “Ele pode fazer o que quiser!”. Certamente, mas Ele criou um mundo que se rege por Leis de Deus e Ele não gosta de quebrar essas suas Leis de Deus!
Ele pode produzir viçosas respostas à nossa oração, se nós adaptarmos os tabernáculos terrestres de nossa habitação às Suas Leis de Amor e Fé, de forma que se estabeleçam os pré-requisitos da oração respondida.
Algum dia o mundo virá a entender esse fato da mesma forma que hoje entende o milagre das ondas sonoras, pois, os milagres de uma geração são os lugares comuns da geração seguinte.
Algum dia nós entenderemos os princípios científicos que subjazem aos poderes milagrosos de Deus, e aceitaremos Sua intervenção com tanta naturalidade como aceitamos o rádio.
Muitos verdadeiros milagres sempre ocorrem! E nenhum deles quebram as Leis Deus. O que ocorrem é que muitas das Leis de Deus nós ainda não conhecemos. Sempre que ocorre é uma superimposição duma Lei de Deus mais alta da vida sobre outra mais baixa. Foi, portanto, o cumprimento das Leis da Natureza, que nada mais são do que as Leis de Deus. Se se pensa sobre o milagre não como a quebra das leis de Deus, mas como o uso que Ele mesma faz de Suas Leis, então o mundo está cheio de milagres.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de janeiro/1970-Fraternidade Rosacruz-SP)
Essa frase de Cristo, encontrada no 14º Capítulo do Evangelho segundo S. João, é algo transcendentalmente profundo e significativo a ponto de merecer zelosos estudos e reverente meditação por parte do estudante esotérico. É uma delineação do Caminho para a Iniciação.
Em virtude de S. João ter conhecimentos atinentes ao Período Júpiter e pelo fato de ter sido o “Discípulo amado” de Cristo podemos imaginar a grandiosidade de seus ensinamentos. A interpretação dos ensinamentos de Cristo, tais como os apresentados por S. João, à luz do ocultismo, distancia-se muito do significado pretendido pelos Cristãos populares. Após essa ligeira apreciação, vamos considerar essa frase pelo seu revestimento eminentemente transcendental.
Surge imediatamente dentro da unidade da frase uma trindade. A unidade é o “Eu Sou”, desdobrando-se na trindade “o Caminho, a Verdade e a Vida”. Sabemos que o “Eu Sou” é o Cristo. Os três aspectos acham-se na Trindade.
O que é o “Caminho”? Sem dúvida é o “Eu Sou”, o Espírito perfeito e absoluto em quem não há trevas, como afirma S. João na sua Primeira Epístola, ao expressar a verdade de que “Deus é Luz”. Também encontramos referência análoga nos primeiros versículos do Evangelho já mencionado, onde lemos algo a respeito do Verbo (o Logos), de quem foi feito tudo o que existe. O “Eu Sou” é o Espírito absoluto pelo qual o Aspirante à vida superior deve encontrar o Caminho. Por meio do nosso Espírito caminhamos no Espírito de Cristo.
A segunda pergunta é esta: o que é a Verdade do “Eu Sou”? Ele intenta dizer a nós que ninguém conhece a Verdade Absoluta. Ele tinha em si a Verdade, pois se achou no “Absoluto”. Temos então de encontrar o “Absoluto” que sempre existiu em Cristo desde o princípio das coisas. O “Absoluto” se apresenta pela existência da Eternidade. Essa é a Verdade de que Cristo fala, da existência desde a eternidade do passado para a eternidade do futuro. Assim, a Verdade é a eternidade.
Chegamos assim ao terceiro aspecto da frase: “Eu Sou a Vida”. Coincide novamente com os primeiros versículos do primeiro Capítulo: “…e a Luz era a vida dos homens”. Cristo é a vida, o terceiro aspecto do “Eu Sou” no Espírito infinito do Poder, da Sabedoria e da Criação. A Criação coincide com a vitalidade manifesta, objetiva em todas as criações; por isso o Caminho, a Verdade e a Vida se manifestam objetivamente. O universo é vitalizado por intermédio de Cristo. “Na Casa de Meu Pai há muitas Moradas e Ninguém vem ao Pai senão por Mim” (Jo 14:2).
Resumindo: o “Eu Sou” é o “Espírito Absoluto””. Seu primeiro aspecto é o Caminho, que é o Seu Espírito. Seu segundo aspecto é a Verdade, que é a Eternidade. Seu terceiro aspecto é a Vida, que é a Sua manifestação objetiva.
Como os três aspectos divinos se encontram na Centelha Divina de cada um de nós, deduz-se que ao seu devido tempo o candidato reconheça a união dos aspectos em si mesmo, o que o leva à união com o Cristo e, consequentemente, com o Pai.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro de 1970-Fraternidade Rosacruz-SP)
Ao ler um livro, você não interpreta tudo ao pé da letra se a essência da obra for poética. Você percebe o absurdo dessa interpretação literal da Bíblia quando se depara com passagens que dizem que as árvores cantam ou que os montes dançam, pois sabe que, na verdade, os montes não dançam, nem as árvores cantam ou riem. Você se conecta com o sentimento do poeta, mas desconsidera tais expressões como termos poéticos, que não devem ser interpretados literalmente.
O mesmo acontece com outras afirmações contrárias aos fatos comprovados. Quando alguém desenvolve a visão espiritual, se torna evidente que a consciência não começa com o nascimento nem termina com a morte. Na realidade, a consciência desperta do Mundo Físico, que consideramos tão primordial e importante durante a vida, é bastante limitada quando comparada à consciência espiritual. Somos mais conscientes antes do nascimento e depois da morte, porque estamos mais próximos da Fonte espiritual do nosso ser, no qual reside toda a consciência.
Os Espiritualistas e a Sociedade de Pesquisas Psíquicas têm contribuído muito para apresentar ao público evidências concretas da continuidade da consciência após a morte. Embora tenha havido muitas fraudes nessas demonstrações, também houve uma enorme quantidade de verdades reveladas, em condições que tornaram o engano ou fraudes impossíveis. Mensagens foram recebidas de pessoas que já partiram desta vida, demonstrando que um estado como o descrito nessa passagem de Jó é absolutamente falsa. Se você ler os livretos da Fraternidade Rosacruz: “O Enigma da Vida e da Morte – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz” e “A Luz Além da Morte – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz” encontrará a questão do renascimento discutida de uma forma muito completa.
Tanto exemplos bíblicos e quanto históricos – como o de Joana d’Arc, a libertadora francesa, que era uma camponesa ignorante, mas que, guiada por vozes do Espírito, manobrou inteligentemente os generais ingleses e trouxe a vitória aos exércitos franceses – provam que aqueles que partem desta vida não estão em estado de inconsciência, nem perdem sua inteligência em nenhum grau.
Além disso, não é necessário depender de Espíritos que ultrapassaram o véu da morte para nos comunicarem os fatos sobre a existência no além. Cada um de nós possui latente dentro de si um sexto sentido que, quando desenvolvido, nos permite penetrar conscientemente nesse campo e ver, conhecer e funcionar nesse plano de vida e existência junto com aqueles Espíritos que já partiram desta vida. Podemos, então, conversar com eles, caminhar com eles e, em todos os aspectos, entrar em suas vidas, de maneira que possamos saber por nós mesmos, sem depender de ninguém, que a consciência que temos na vida é, se possível, ampliada pelo abandono deste invólucro mortal.
É necessário treinamento e esforço para despertar essa faculdade espiritual, e usar esse sentido, assim como é preciso tempo, esforço e dedicação para aprender a arte, por exemplo, de tocar piano ou fabricar um relógio. No entanto, todos possuem essa faculdade latente e podem desenvolvê-la, se assim o desejarem.
Com o passar do tempo, todo ser humano terá essa faculdade, além dos nossos cinco sentidos atuais. É isso que o Livro do Apocalipse quer dizer quando afirma que no Novo Céu e na Nova Terra não haverá morte. Jó fala do Corpo e dos Céus atuais. Esses passam, mas o Apocalipse fala de um Novo Céu e de uma Nova Terra onde habita a qualidade de ser moralmente reto e justo. O último inimigo a ser conquistado será a morte. Quando tivermos desenvolvido essa faculdade espiritual de maneira a ser possível, a qualquer momento, focalizar a nossa visão naquele plano de existência onde aqueles que chamamos de “mortos” agora vivem, os veremos com a mesma aparência que tinham antes e perceberemos que, na realidade, a morte não existe. Essa é a melhor prova.
(Pergunta nº 103 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Resposta: Essa pergunta revela um equívoco por parte de quem a fez. Isso nunca foi afirmado dessa forma nos Ensinamentos Rosacruzes, mas algo foi dito que pode ter sido mal interpretado. A verdade é que a Evolução se move em espiral e nunca há uma repetição da mesma condição. Os Anjos representam uma corrente evolutiva anterior a nossa, sendo alcançaram o nível de Humanidade em um Período anterior ao atual Período Terrestre, chamado de Período Lunar na Terminologia Rosacruz. Os Arcanjos alcançaram o nível de Humanidade no Período Solar, e os Senhores da Mente, chamados por S. Paulo de “Poderes das Trevas”, alcançaram o nível de Humanidade do sombrio Período de Saturno. Nós somos a Humanidade do quarto Período do presente do atual Esquema de Evolução ou de manifestação, o Período Terrestre. Assim como todos os seres do universo estão progredindo ou evoluindo, a Humanidade dos Períodos anteriores também progrediu, de forma que agora se encontram em um estágio mais elevado ao que tinham quando alcançaram o nível de Humanidade deles – eles são “sobre-humanos”. Portanto, é verdade que Deus nos criou um pouco inferior aos Anjos. Mas, como tudo está em constante progressão espiralar, também é verdade que nós, que estamos no nosso nível de Humanidade atual, somos superiores e mais evoluídos do que os Anjos o foram (quando esses estavam no nível de Humanidade deles); e que os Anjos eram de uma ordem mais elevada quando atingiram o nível de Humanidade do que os Arcanjos, quando esses atingiram o nível de Humanidade. Na próxima etapa alcançaremos algo semelhante ao atual estágio dos Anjos, mas seremos superiores ao que eles são agora.
(Pergunta nº 2 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Sl 8:5 e Hb 2:7
Resposta: Era missão de Jeová e dos seus Anjos multiplicar tudo o que existe sobre a Terra. Em outras palavras, Ele era o doador de filhos. Veja o anúncio do Anjo à Maria: “O Espírito Santo virá sobre ti e conceberás”[1]. Aí você já tem uma ligação; mas como há sempre dois lados em toda questão, também há dois lados no que se refere ao Espírito Santo. Uma fase da Sua obra é realizada de fora para dentro, como um doador de Leis, e a Lei, quando aplicada de fora para dentro, é como um feitor que nos impulsiona a fazer isto ou aquilo, ou nos proíbe de fazer outras coisas. Exige olho por olho e dente por dente[2]. Eis aí Jeová, o criador da Lei; mas, quando chega o tempo em que recebemos a Lei dentro de nós e não somos mais impelidos por meios externos, o feitor se torna o Consolador. Todo universo é regido por Leis. Tudo no mundo se baseia em Leis, e elas são tanto nossa proteção quanto nosso feitor.
Pela manhã, deixamos os nossos lares sem nos preocuparmos, confiantes na lei da gravidade que manterá tudo nos seus devidos lugares durante a nossa ausência. Sabemos que, ao retornarmos, encontraremos tudo como deixamos, embora o nosso Planeta esteja se movendo em sua órbita a uma velocidade em torno de 105 mil quilômetros por hora. Nossa força motriz depende da expansão dos gases. Na verdade, tudo na Natureza é regido por Leis e, quer o saibamos ou não, somos seus escravos até que, por meio do conhecimento, aprendamos a usá-las, a cooperar com elas e, assim, fazê-las cumprir nossas ordens e nos poupar trabalho.
Da mesma forma, o mesmo ocorre com as Leis morais fornecidas por Jeová no Monte Sinai. Elas foram designadas para nos conduzir a Cristo, e quando Cristo nasce dentro de nós, a Lei do Espírito Santo também penetrará. O ser humano é, então, simbolizado pela Arca da Aliança que ficava no Sanctum Sanctorum e que continha dentro de si as Tábuas da Lei[3]. Observe que o Consolador que veio para os seres humanos de outrora não era um Consolador externo, mas alguém que operava internamente, alguém que entrava neles e se tornava parte deles. Quando o Espírito da Lei, o Espírito Santo, entra em nós, Ele é o Consolador, porque fazemos de boa vontade as coisas que são impulsionadas por esse estímulo interno, enquanto nos ressentidos e nos queixamos de cumprir as ordens do feitor externo.
(Pergunta nº 72 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Lc 1:35
[2] N.T.: Ex 21:24 e Lv 24:20
[3] N.T.: no Tabernáculo no Deserto
O “tempo antigo ou passado” refere-se ao regime jeovístico, predominante antes de Cristo tornar-se o Regente da Terra. Era a época de Jeová. Os indivíduos viviam debaixo da Lei, debaixo do preceito do “olho por olho, dente por dente”. Era ensinado aos judeus que um juramento não feito em nome de Deus não era válido (vide Mt 23:16-20).
Qualquer um que fizesse um juramento apelava a Deus como testemunha para julgar a veracidade de suas palavras e, portanto, ficando sob uma obrigação “ante o Senhor”. Fazer isso sem sinceridade era (“abjurar”) renegar ou tomar o nome do Senhor em vão. Admite-se a ocorrência de tal fato durante a onda de egoísmo que floresceu sob o regime de Jeová, a despeito da (injunção) imposição contrária. Daí tornar-se meio de fraude e de (eivar) contaminar a nossa linguagem com imprecações.
Cristo-Jesus nos deu um ensinamento superior: “Não jurar”. A palavra do verdadeiro Cristão é suficientemente verdadeira para dispensar o uso do juramento. Daí a admoestação: “Seja o teu falar: ‘Sim, sim. Não, não’” como aprendemos nos Estudos Bíblicos Rosacruzes nesse trecho do Evangelho Segundo S. Mateus, capítulo 5 e versículos de 33 a 37:
“Outrossim, ouvistes o que foi dito aos antigos: ‘Não perjurarás, mas cumprirás teus juramentos ao Senhor’. Eu vos digo, porém, que de maneira nenhuma jureis: nem pelo Céu, porque é o trono de Deus; nem pela Terra, porque é o escabelo de Seus pés; nem por Jerusalém, que é a cidade do grande Rei; nem jurarás pela tua cabeça, porque não podes fazer um cabelo branco ou preto. Seja, porém, o teu falar: ‘Sim, sim. Não, não’. Porque o que passa disso é de procedência maligna”.
A interligação de ideias nos leva mais além. O tema em pauta é juramento. Juramento sugere palavra. E, para penetrarmos com maior profundidade no assunto, devemos compreender o significado completo do poder da palavra. À luz da Filosofia Rosacruz, a palavra falada por nós se manifesta como um microcosmos da palavra macrocósmica (que trouxe à existência o nosso Mundo). Daí a natureza sagrada do som articulado. Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que o uso das palavras para exprimir o pensamento é o mais alto privilégio humano, exercitado somente por uma entidade racional e pensante como somos nós. Um dos objetivos a se ter em vista pelo Estudante Rosacruz é aprender a falar a “Palavra de Vida e Poder”, o que todos nós concretizaremos em tempos futuros.
A Filosofia Rosacruz nos ensina também que no Período de Júpiter um elemento de natureza espiritual será adicionado à linguagem, afastando toda e qualquer possibilidade de equívocos. Quando um indivíduo dos tempos jupterianos disser “vermelho” ou pronunciar o nome de um objeto, uma reprodução clara e exata da tonalidade particular do vermelho a respeito do qual esteja pensando, ou do objeto referido apresentar-se-á à sua visão espiritual interna, se tornará também visível para aquele que o ouve.
O novo cálice mencionado como um ideal da época futura é um órgão etérico, construído dentro da cabeça e da laringe pela força sexual não empregada de forma egoísta. Tal órgão, à vista espiritual, aparecerá como o caule de uma flor ascendendo da parte inferior do tronco. Esse cálice ou semente do cálice é realmente o órgão criador capaz de emitir a Palavra de Vida e Poder. Esse órgão, estamos atualmente construindo por meio do serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) focado na Divina Essência oculta em cada um de nós, ao irmão e a irmã ao nosso lado, conforme preconiza o Ritual do Serviço Devocional do Templo da Fraternidade Rosacruz.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de setembro/1970-Fraternidade Rosacruz-SP)
Alguém já escreveu a sua biografia? Alguém já escreveu uma peça teatral baseada na sua realidade cotidiana, tendo você como protagonista? Provavelmente você dirá que não. Entretanto, sua história é bem antiga e já foi escrita. Ela se encontra na Bíblia. Aliás, a Bíblia contém sua história desde os primórdios de sua manifestação aqui na Terra. E já vai tempo, muito tempo. É um relato sem ficção ou fantasia. É a pura realidade abrangendo tudo a seu respeito: suas quedas, lutas, alegrias, tristezas, enfermidades, frustrações e vitórias. Os símbolos e alegorias bíblicos falam sobre esses momentos de suas existências. Um símbolo é um sinal de uma ideia. Não é a coisa em si, porém representa-a.
Tudo na Bíblia é significativo. Todos os personagens ilustram e dramatizam certos estados de espírito que podem acontecer e acontecem às pessoas nos dias de hoje, em qualquer lugar do mundo.
Todos os personagens das Sagradas Escrituras simbolizam um estado de nossa alma: Maria, Herodes, Pedro, O Filho Pródigo, Lázaro, Zaqueu, etc. Veja como Herodes se manifesta por meio do egoísmo. O desprendimento de alguém nos faz lembrar a viúva pobre e sua oferenda humilde, mas altruísta.
Contudo, os fatos bíblicos também significam alguma coisa ou algo que pode nos ocorrer: a peregrinação pelo deserto, a tentação, o Getsemani, S. Paulo na estrada de Damasco. Por exemplo, veja como você já foi tentado em sua vida. Você nunca derrotou o Golias? Sim, o Golias, representação de sua natureza inferior, que aos olhos do mundo parece invencível.
Os nomes da Bíblia não fogem dessa regra. Indicam certas faculdades ou condições da alma humana, Moisés, para exemplificar, significa “salvo das águas”. As águas esotericamente simbolizam o Mundo do Desejo, a natureza emocional. Quem consegue dominar suas paixões é um “salvo das águas” e por certo se fará merecedor de cumprir uma elevada missão, tal como Moisés.
Na Bíblia, os rios, as montanhas, lagos e desertos representam certos estados de consciência. Cristo-Jesus foi tentado no deserto. Moisés recebeu o decálogo na montanha.
Fixemo-nos agora em um personagem da Bíblia: Zaqueu, o publicano. Analise-o. Observe-o. Veja como você tem algo a ver com ele. Veja se você se encontra nele.
Leia esse trecho, que está no Evangelho Segundo São Lucas, Capítulo 19, para conhecê-lo:
“Entrando em Jericó, atravessava Jesus a cidade. Eis que um homem chamado Zaqueu, maioral dos publicanos e rico, procurava ver quem era Jesus, mas não podia, por causa da multidão, por ser ele de baixa estatura. Então, correndo adiante, subiu a um sicômoro a fim de vê-Lo, porque por ali havia de passar. Quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, pois me convém ficar hoje em sua casa. Ele desceu a toda pressa e o recebeu com alegria. Todos os que viram isto murmuravam, dizendo que Ele se hospedara com homem pecador. Entrementes, Zaqueu se levantou e disse ao Senhor: Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e se alguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais. Então Jesus lhe disse: Hoje houve salvação nesta casa, pois que também este é filho de Abraão. Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido”.
Zaqueu tinha consciência de sua baixa estatura, mas almejava ver o Cristo. Para tanto deveria subir, elevar-se ao nível daquele Ser Superior. Procurou um meio de atingir seu objetivo, empenhou-se a fundo e encontrou um sicômoro. O Mestre é sempre atraído pela luz que o discípulo irradia. O Cristo observou Zaqueu no sicômoro e correspondeu àquela procura: ”Zaqueu desce depressa, pois me convém ficar hoje em tua casa”.
Casa, templo, tabernáculo, tudo isso simboliza o próprio ser humano. A partir daquele momento decididamente o Cristo foi despertado no íntimo de Zaqueu.
“Hoje houve salvação nesta casa”. Salvação esotericamente quer dizer evolução. O esforço de Zaqueu em elevar-se à altura do Cristo representa um grande passo no Caminho de Evolução. Às vezes o indivíduo está pronto. Basta apenas a sintonia com o ideal, o encontro. O mesmo ocorre com todo Estudante Rosacruz sincero. Quando estiver pronto e resolver subir no sicômoro, seguramente viverá a maior experiência de sua vida: o encontro com Cristo, o Cristo no seu íntimo.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – março-abril/1988 – Fraternidade Rosacruz-SP )
Resposta: Se você ler atentamente os Ensinamentos Rosacruzes, verá que neles se faz uma distinção entre Jesus e Cristo. Jesus era um homem entre os homens. Quando pesquisamos na Memória da Natureza, podemos encontrar suas vidas anteriores, da mesma forma que a dos outros seres humanos, embora ele seja, provavelmente, a maior e mais nobre alma que já viveu num Corpo Denso humano. Cristo é o mais elevado iniciado do Período Solar e jamais havia vivido num Corpo Denso terreno antes de assumir o Corpo Denso de Jesus por ocasião do Batismo, para ensinar diretamente aos seres humanos o caminho do Reino de Deus. Assim, tanto Jesus quanto Cristo estão imensamente acima dos grandes e nobres mestres mundiais, como Buda, Maomé, Confúcio e outros.
Você está certo ao afirmar que a versão autorizada da Bíblia diz que Cristo é o Filho unigênito de Deus, mas entender isso não basta confiar na tradução da Bíblia para o inglês. A expressão usada no grego é ton monogene, e pode ser traduzida por “o único gerado”, assim como nas plantas, onde ocorre a monogênese[1]. Ou seja, muitas plantas têm flores tanto masculinas como femininas e são capazes de fertilizar suas próprias sementes, de forma que essas sementes crescerão e se tornarão plantas iguais àquela que as gerou, a planta-mãe. Sabemos pela Bíblia que o ser humano era macho-fêmea, um hermafrodita e, então, era capaz de gerar outro ser a partir de si mesmo, sem a cooperação de outro, ao contrário do que acontece atualmente devido à divisão dos sexos. Portanto, a ideia que a Bíblia deseja transmitir não é que o Cristo foi o único e exclusivo gerado pelo Pai. Isso pode ser verdade, ou não. Não temos conhecimento a respeito do assunto, mas sabemos pela passagem bíblica é que o Cristo foi gerado pelo próprio Pai – sem qualquer outro intermediário – por algo como “monogenia”, o mesmo processo pelo qual uma planta possuindo flores masculinas e femininas, como já foi dito, pode reproduzir a sua espécie. Mas isso não se aplica ao Corpo Denso, pois o revestimento denso que Cristo durante o Seu ministério entre nós foi o Corpo Denso de Jesus, nascido da maneira habitual e cuja linhagem remonta de David, como ancestral da sua Raça, segundo os historiadores da genealogia encontrada na Bíblia.
Também é verdade o que a Bíblia diz que “não há, debaixo do céu, outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” e, também, quando disse: “Ninguém vem ao Pai senão por mim”. Contudo, devemos também lembrar que essas duas declarações dizem respeito ao Espírito de Cristo que habitou o Corpo de Jesus durante os anos do ministério de Cristo aqui.
(Pergunta nº 102 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: ou monogenia que em biologia, também descreve um tipo de reprodução assexuada ou geração direta, onde o novo indivíduo se desenvolve sem metamorfoses complexas.
Os Sacramentos foram fornecidos aos Apóstolos pelo próprio Cristo e, justamente como invocamos aos Anjos todas as vezes que estudamos a Bíblia, assim atraímos o Raio do Cristo quando quer que observemos Seus Sacramentos.
Ao todo são sete os Sacramentos Cristãos: Batismo, Confirmação, Sagrada Comunhão (ou Eucaristia), Matrimônio, Penitência, Ordem Sacerdotal e Extrema-Unção.
Os Sacramentos são simbolizados por rituais externos de curta duração e o seu propósito é o de nos prover de uma contínua ajuda no exercício para o nosso crescimento espiritual.
Portanto, os Sacramentos não são meras cerimônias, mas Exercícios Espirituais de grande poder, relacionados com os Átomos-sementes dos nossos: Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos e o veículo Mente.
Já a origem da palavra Sacramento sugere isso. SACR VA N’ CABAH. SACR quer dizer: portador do gérmen e N’ CABAH que quer dizer mãe.
Todos eles estão, também, relacionados com algum ponto do nosso Ciclo de Vida aqui no Mundo Físico.
Senão vejamos:
Quando renascemos, mais uma vez, nesse Mundo Físico, pouco após o nascimento do nosso Corpo Denso, muitos de nós somos admitidos em uma Religião Exotérica, por meio do Batismo.
Mais tarde, quando já desenvolvemos em parte o nosso Corpo Vital, nosso Corpo de Desejos e a nossa Mente, ratificamos essa admissão através de um Rito de Comunhão.
Logo após, nos é ensinado o valor da Penitência, que tem efeitos semelhantes aos Exercícios Esotéricos, no sentido de que nos leva a aprender a importância do arrependimento sincero por todos os pecados cometidos e da retirada da quintessência de toda lição aprendida.
Em seguida, dada a necessidade de continuar a prover Corpos Densos para irmãos que precisam renascer, somos dirigidos ao Matrimônio, onde temos a oportunidade de cooperar com a continuidade da Evolução aqui na Terra, através da procriação.
Uma vez atendida a necessidade de ajudar a continuidade da nossa Evolução terrena, voltamo-nos mais para o desejo de dedicar todas as nossas energias à vida superior. Aqui, o Sacramento da Ordem Sacerdotal – que nada tem a ver com a formação de pastor, padre ou ministro de igrejas –, por meio de suas meditações e disciplinas, auxilia o Aspirante à vida superior a se elevar acima de qualquer necessidade de expressão inferior das energias criadoras.
E, finalmente, quando chega o momento que determina o fim de mais essa jornada aqui no Mundo Físico, passamos para os Mundos espirituais levando a benção por meio da Extrema Unção, descartando o nosso Corpo Denso e levando as lições aqui aprendidas para serem assimiladas durante a nossa estada nos Mundos espirituais.
Antes de detalhar o significado de cada Sacramento vamos relembrar o propósito da nossa evolução:
Quando Deus criou-nos como Espíritos Virginais e criou todos os 7 Mundos que divide o Universo, quais sejam: Mundo Físico, Mundo do Desejo, Mundo do Pensamento, Mundo do Espírito de Vida, Mundo do Espírito Divino, Mundo dos Espíritos Virginais e Mundo de Deus, Ele nos disse: “Caros Filhos. Criei-os a minha imagem e semelhança para que tornem como a Mim, criadores de novos Sistemas Solares. Para tal, aqui está a nossa casa, composta desses Mundos. Cabe a vocês conhecê-los, dominá-los, aprendendo a criar em cada um deles conscientemente. Vocês têm todos os Poderes da Criação, mas estão latentes, cabendo a esse Esquema de Evolução transformá-los em Poderes dinâmicos. O Mundo mais denso à que descerão será o Mundo Físico, onde alcançarão o Nadir da Materialidade, esquecerão a sua origem divina a fim de dominar tal Mundo, e se tornarem indivíduos criadores conscientes e separados. Após isso retornarão à Casa do Pai, conquistando os demais Mundos, de baixo para cima, novamente unidos numa Fraternidade Universal, mas agora como criadores dinâmicos, conscientes em todos os Mundos da nossa Casa”.
Vamos falar sobre o Sacramento do Batismo.
Etimologicamente quer dizer imersão (do grego baptizein, mergulhar na água, banhar).
Era um rito religioso usado por S. João Batista para excitar a contrição interna de seus Discípulos, preparando-os para a vinda do Messias e para receber o Sacramento do Batismo, instituído por Cristo, pois como lemos no Evangelho Segundo S. Marcos 1:8, quando S. João Batista, pregando dizia: “Eu tenho-vos batizado em água, porém Ele batizar-vos-á no Espírito Santo”.
Para obtermos uma verdadeira ideia do Batismo, temos de retroceder na história da Humanidade.
No início do Período que estamos atualmente vivenciando, o Período Terrestre, estávamos evoluindo na região polar do Sol, daí essa época ser conhecida como Época Polar. Esta é descrita no Livro do Gênesis 1:9. Construímos o primeiro Corpo que se tornaria o nosso Corpo Denso.
Inconscientes, mas dirigido de fora por Hierarquias Criadoras, no caso os Senhores da Forma, fomos aprendendo a construir de dentro para fora esse nosso primeiro Corpo, órgão a órgão, tecido a tecido.
Toda nossa atenção e consciência estavam voltadas para dentro. Nada sabíamos do nosso exterior, nem do nosso redor.
Na segunda Época, a Hiperbórea, a Terra foi arrojada do Sol. No início era obscura e fria. Com o tempo ela saiu do caos, obscura e informe, como diz a Bíblia.
Aos poucos, os Seres Espirituais responsáveis por nós nessa Época, geraram calor e a Terra foi se tornando incandescente.
Então, Deus proferiu as palavras: “Faça-se a Luz”, como lemos no Livro do Gênesis 1:14-19.
Foi o trabalho da Criação no seu quarto dia.
Na terceira Época, a Lemúrica, continuávamos guiados em tudo pelas Hierarquias Criadoras, mais precisamente nessa época, pelos Senhores da Forma e pelos Anjos, fomos envolvidos, cada um, com um incipiente Corpo Vital. Possuíamos Corpos enormes.
Assimilávamos alimentos por osmose e propagávamos por cissiparidade: nos dividíamos em duas partes desiguais. Ambas cresciam até adquirir o tamanho daquela parte inicial.
Continuávamos com a nossa atenção voltada para o nosso interior, no afã de desenvolver, então nossos dois Corpos: Denso e Vital.
Entretanto, ao redor dessa conhecida massa incandescente, estava o frio espaço. O contato entre esses dois ambientes gerou a umidade. A névoa ígnea foi rodeada pela água que fervia e o vapor era projetado na atmosfera. A atmosfera da Terra era densa. Havia uma crosta terrestre que começava a adquirir dureza e solidez. Mas havia muita ebulição, vulcões e cataclismos.
Vivíamos sobre as partes mais duras e relativamente resfriadas, entre bosques gigantescos e animais enormes.
Deus proferiu as palavras: “Faça-se um firmamento entre as águas e separe ele umas das outras”, como lemos no Livro do Gênesis 1:6-7.
Foi o trabalho de Criação do quinto dia.
Nessa Época apareceram os Arcanjos e os Senhores da Mente e envolveram nossos Corpos Denso e Vital com um Corpo de Desejos e, nos adiantados, com uma Mente.
Ainda continuávamos inconscientes, voltados para o desenvolvimento dos nossos Corpos. Entretanto, nessa Época começamos a perceber nossos semelhantes.
A fim de podermos ter instrumentos de construção nesse Mundo Físico houve a necessidade da divisão da nossa força criadora sexual. Metade dela nós utilizamos para construir o cérebro e a laringe, dois órgãos criadores.
Com isso, teve origem a divisão sexual onde surgiu o homem e a mulher. Quando renascíamos com o sexo masculino passávamos a expressar mais acentuadamente o polo positivo da força criadora sexual, a Vontade, e quando renascíamos com o sexo feminino passávamos a expressar mais acentuadamente o polo negativo, a Imaginação.
Essa percepção foi se tornando mais clara, principalmente após a separação dos sexos, embora sua percepção predominante ainda fosse interna.
Também não éramos conscientes da morte. Descartávamos nossos Corpos como hoje trocamos de roupa.
Já na próxima Época, a quarta, denominada Época Atlante, referenciada como o trabalho executado no sexto dia da Criação, explicitado no Livro do Gênesis 1:24-27, tínhamos uma atmosfera sempre sobrecarregada de uma espécie de neblina espessa e pesada.
A água não era tão densa como agora, continha maior proporção de ar. O Sol aparecia como rodeado de uma aura de luz vaga. Guiávamo-nos mais pela percepção interna do que pela visão externa. Víamos a qualidade da Alma de todos que viviam a nossa volta, e os percebíamos mais como seres espirituais do que materiais.
Essa percepção nos dava a possibilidade de saber logo das disposições, amigáveis ou agressivas, do outro ser humano que observávamos, e assim saber, como devíamos tratar os demais e como podíamos escapar aos perigos.
Nesse tempo ainda não existiam as nações, pois toda a Humanidade se constituía numa vasta fraternidade.
Daí para frente, devido à necessidade de aperfeiçoar o pensamento e a razão, fomos nos tornando cada vez mais separatistas, com o desenvolvimento da Personalidade, e esquecemos a Fraternidade, mergulhando no egoísmo.
Portanto, quando uma pessoa é admitida numa Religião Exotérica, que é uma instituição espiritual, onde o amor e a fraternidade são os incentivos principais para a ação, é levada às águas do Batismo como simbolismo da formosa condição da inocência da criança e do amor que prevalecia quando vivíamos sob a névoa, naquela remota Época Atlante.
Lembrando que naquela Época nossos olhos ainda não tinham sido “abertos às vantagens materiais” deste Mundo Físico.
Hoje a criança que é levada à uma Religião Exotérica, ainda não está consciente das tentações da vida, e são outros os que se obrigam a guiá-la, para que leve uma vida sagrada de acordo com a melhor habilidade, porque a experiência do Dilúvio ensinou-nos que o largo caminho do mundo está semeado de dores, tristezas e desenganos e só seguindo o Caminho reto e estreito, obedecendo as Leis de Deus, que podemos escapar da morte aqui na Terra e entrar na vida eterna.
Assim existe um profundo e maravilhoso significado no Sacramento do Batismo e isso é para nos recordar as bênçãos que acompanham aqueles que são membros de uma Fraternidade, em que o proveito próprio é posto de lado e onde o serviço aos outros é a nota-chave e principal incentivo a ação.
Agora vamos falar do Sacramento da Comunhão.
Para obter um completo conhecimento do profundo alcance desse Sacramento consideremos a evolução do nosso Planeta e a nossa composição, aqui envolvidos em um Esquema de Evolução.
Continuando na Época Atlante, mencionada anteriormente, recebemos dos Senhores da Mente o incipiente veículo Mente, que nos possibilita termos domínio sobre as nossas ações.
Então, chegou o momento em que nós devíamos nos guiar por nós mesmos, a fim de prosseguir no desenvolvimento futuro.
Devíamos aprender a ser independente e assumir a responsabilidade dos nossos próprios atos.
Ao invés de adorar os “deuses visíveis”, devíamos, agora, adorar o Deus invisível, criador dos Céus e da Terra, mas adorá-lo em Espírito e Verdade.
O aperfeiçoamento do pensamento e da razão se deu na próxima Época, conhecida como Época Ária, a quinta, a que estamos atualmente.
Isso foi o resultado do nosso trabalho sobre a Mente, a fim de conduzir o nosso Corpo de Desejos à perfeição espiritual.
Infelizmente, tudo isso conseguimos à custa do domínio das forças vitais, ou seja: à custa do nosso poder sobre a Natureza. Hoje podemos exercitar o nosso poder mental, o pensamento, nos minerais e nas substâncias químicas, mas não sobre a vida animal ou vegetal.
Com a Mente, fomos desenvolvendo, usando a nossa própria vontade, a malícia e a astúcia, o egoísmo e a ambição em possuir. Descobrimos que o cérebro é superior aos músculos. Fomos separados em Raças a fim de facilitar o desenvolvimento dessa incipiente Individualidade e atender os diversos graus de evolução de cada um.
A fim de não nos deixar se perverter, o que poderia colocar todo o Esquema de Evolução em risco de ser atrasado a um grau muito perigoso, através do excessivo uso do pensamento contaminado pelo egoísmo, pela paixão, astúcia, malícia, sensualidade e outros fatores que cristalizam os nossos Corpos, foram instituídas as Religiões de Raça que tinham como guia o Deus de Raça Jeová, o mais elevado Iniciado entre os Anjos.
Este nos deu a Lei que nos ajudou a frear os nossos inferiores anseios. Afinal se seguíssemos os Seus preceitos, Ele nos abençoaria abundantemente e nos cumularia de bens. Se nos afastássemos dos Seus caminhos, os males viriam sobre nós. Portanto, a escolha era nossa. Éramos livres, mas sofríamos as consequências dos nossos próprios atos. E essas consequências por desobediência são conhecidas como pecado. Portanto, como todas as Religiões de Raça são baseadas em Leis, são originadores do pecado, como consequência da desobediência a essas Leis.
Fazíamos sacrifícios oferecendo os nossos melhores bens materiais em adoração ao nosso Deus de Raça. Todo o Antigo Testamento descreve a Lei que impera nas Religiões de Raça. Era, por exemplo, a Lei do: “olho por olho, dente por dente”.
Mas nós não fomos criados para sermos subjugados a qualquer tipo de autoridade.
Devemos nos transformar num criador, a semelhança de quem nos criou, afinal fomos criados à imagem e semelhança de Deus!
Foi quando apareceram os Espíritos Lucíferos e explicaram como podíamos nos tornar cientes dos nossos Corpos Densos, o que era a morte nesse Mundo Físico e, como, utilizando da nossa força sexual criadora, podíamos construir novos Corpos quando quiséssemos.
Explicaram-nos que a morte não podia mais nos dominar porque, como Jeová, teríamos o poder de criar à vontade.
Então começamos a nos “conhecer” ou a perceber uns aos outros e, também, ao Mundo Físico. Tornamo-nos conscientes da morte e da dor, aprendendo a diferenciar nós, o ser humano interno, da roupagem que usávamos e renovávamos cada vez que era preciso dar um novo passo na evolução. Deixamos de ser um autômato.
Convertemo-nos num ser que podia pensar livremente, à custa de nossa imunidade à dor, ao sofrimento, às enfermidades. Como diz na Bíblia: comemos do fruto da Árvore do Conhecimento; o conhecimento do bem e do mal.
Mas Jeová sabia que nós, agora com a atenção fixada em nossa roupagem física, perceberíamos a morte, e que, não tendo ainda sabedoria para refrear as paixões e regular a relação sexual pelas posições dos Astros, o abuso da força sexual criadora produziria o parto com dor. Esse é o momento conhecido como a “Queda do Homem”.
Afinal nós temos dentro de nós o desejo de conhecer, de experimentar. E esses nossos progressivos passos não foram dados facilmente, sem rebeliões ou desobediências. Houve muitos fracassos e retrocessos.
No Antigo Testamento temos inúmeros exemplos de como nos esquecemos dos nossos deveres e de como o Espírito de Raça nos encaminhou, persistentemente, uma e outra vez.
Considerando essas desobediências à Lei, mais os abusos cometidos em nome do egoísmo, do separatismo, conducente ao benefício próprio – ou, no máximo, ao benefício exclusivo da Raça, podemos deduzir duas coisas:
Por esses dois motivos foi necessária a intervenção de Cristo, o mais elevado Iniciado entre os Arcanjos. E quando Cristo Jesus foi crucificado, o sangue que fluiu dos seis centros por onde fluem as correntes do Corpo Vital, o grande Espírito Solar Cristo, se libertou do veículo físico do ser humano Jesus.
Nesse momento, encontrando-se na Terra com Seus veículos individuais, compenetrou os veículos do nosso Planeta, já existentes, e num abrir e fechar de olhos difundiu o Seu próprio Corpo de Desejos pelo Planeta Terra, o que permitiu, daí por diante, trabalhar sobre o Planeta Terra e sobre toda a Humanidade de dentro. Tornou-se o Regente do Planeta Terra.
Com isso purificou o Mundo do Desejo, limpando-o de todo o material cristalizante inferior que lá existia. Por isso se diz que “Cristo lavou os pecados do Mundo”, não do indivíduo.
Com isso ganhamos a possibilidade de atrair para os nossos Corpos de Desejos matéria emocional mais pura que antes.
Também Cristo nos deu a Doutrina do Perdão dos Pecados e a possibilidade da Lei, agora temperada com o Amor, por meio da Graça de Deus.
Com isso também, Ele inaugurou a Religião Cristã, baseada no Amor e as Raças e nações separadas devem se unir numa Fraternidade Universal. Esse é o trabalho anual do Cristo e de todos nós. Por isso que lemos na Bíblia: “Na mesma noite que Jesus Cristo foi traído tomou o pão e depois de dar graças, partiu-o dizendo: ‘Tomai e comei, este é o Meu corpo que se parte para vós. Fazei isso em Minha memória’. Da mesma maneira depois de haver ceado tomou o cálice, dizendo: ‘Este é o cálice do Novo Testamento em Meu Sangue’. Fazei isto toda vez que beberdes em Minha memória. Pois, todas as vezes que comeis deste pão ou bebeis deste cálice, anunciareis a morte do Senhor, até que Ele venha. Por conseguinte, quem quer que coma deste pão e beba desse cálice indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor… O que comer e beber indignamente, come e bebe sua própria condenação… Por essa causa muitos estão débeis e sem força entre vós e muitos dormem” (ICor 11:23-30).
Ao recordarmos em cada refeição, em ação de graças, a natureza do alimento procedente da substância da Terra sendo o Corpo do Espírito do Cristo que habita dentro dela, compreendemos como aquele Corpo se divide diariamente para nos alimentar, tanto fisicamente como espiritualmente.
Pois, as plantas, os grãos e as frutas e tudo que há na Terra são cristalizações verdadeiras do Corpo Vital da Terra, o etérico Princípio Crístico que absoluta e literalmente é o Corpo de Cristo.
Apreciaremos, assim, a bondade amorosa que O levou a tal sacrifício e, recordaremos também que não há um momento diuturnamente, em que Ele não sofra por estar confinado a essa Terra com suas baixíssimas vibrações.
Ainda nesse ponto, Cristo nos deu qual seria o nosso trabalho daqui para frente. O cálice, ou conhecido como Santo Graal, onde continha o suco da videira e onde disse que é “o cálice do Novo Testamento em Meu sangue”, é simplesmente o símbolo do novo Veículo que estamos a construir: o Corpo-Alma, composto dos dois Éteres superiores da Região Etérica do Mundo Físico: Éter Luminoso ou Éter de Luz e Éter Refletor.
Senão vejamos: no Reino Vegetal, a atividade geradora de novos Corpos é feita de maneira pura, casta e imaculada, executada através dos seus órgãos geradores contidos numa parte chamada cálice. Não há a menor paixão nesse Reino.
Nos Reinos Superiores ao nosso, o Humano, também se tem todo o processo de regeneração puro e santo. Somente nos Reinos Humano e Animal é que se tem paixão no processo de geração. Portanto, nós, seres humanos, somos uma planta invertida. A planta é inocente e dirige seus órgãos criadores para o Sol. Não tem paixão, é pura e casta. Nós dirigimos nossos órgãos criadores para a Terra; temos paixão!
No devido tempo, nos converteremos em um Deus, e então empregaremos nossa capacidade geradora em benefícios dos outros e não para gratificar nossos sentidos.
Para isso estamos construindo um novo veículo que tem a forma do cálice da planta. Ou seja: o cálice do Graal é o cálice da planta. Estamos aprendendo, como a planta, a absorver a força solar, que é construtora de todas as formas; a empregar o poder criador, a força sexual criadora, sem paixão.
Foi por S. Paulo conhecer essa necessidade de castidade (salvo quando o objetivo seja a procriação) com respeito aos que tiveram um despertar espiritual, que o levaram a se expressar: “Aqueles que participassem da Comunhão sem viver a vida estariam em perigo de enfermidade e de morte” (ICor 11:27). Já que conforme os Corpos dos dedicados Aspirantes a vida superior, por exemplo os Estudantes Rosacruzes ativos, vão se tornando cada vez mais sensitivos, mais danosos são os efeitos produzidos pela incontinência, comparados com os Corpos que ainda estão debaixo da Lei e não conseguiram ser participantes da graça pelo Cálice do Novo Testamento.
Agora vamos falar do Sacramento do Matrimônio.
O Espírito é bissexual. Nós nos manifestamos como seres masculinos e femininos em cada renascimento, aqui na Região Química do Mundo Físico, com o objetivo de alcançarmos um desenvolvimento completo dos nossos poderes criadores em nossos polos positivo (ou masculino) e negativo (ou feminino). Os caracteres de ambos os sexos estão em cada Corpo Denso de cada sexo.
Quando renascemos em um Corpo Denso masculino, os caracteres masculinos (ou positivos) estão ativos e os femininos (ou negativos) inativos. Quando renascemos em um Corpo Denso feminino, os caracteres femininos (ou negativos) estão ativos e os masculinos (ou positivos) inativos.
Vimos anteriormente que houve um tempo onde se deu a separação dos sexos a fim de que metade da força sexual criadora fosse dirigida para a criação do cérebro e da laringe, órgãos criadores do pensamento e da fala, necessários para expressar o poder de criação nesse Mundo Físico.
Assim surgiram o ser masculino e o ser feminino e a necessidade de se unirem para procriar e manter a espécie humana provida de Corpos Densos, a fim de poderem renascer aqui, na Região Química do Mundo Físico. Naqueles tempos de inconsciência e automaticidade, nós, encarnados em seres de ambos os sexos, éramos reunidos em determinadas épocas do ano para a procriação.
Como cada ser humano de cada sexo possui metade da força sexual criadora, também possui as características positivas e negativas dessa força.
Ou seja: a mulher possui mais proeminentemente a Imaginação (polo negativo) e o homem, a Vontade (polo positivo).
Vimos anteriormente que houve um tempo em que ganhamos o germe do Corpo Denso e começamos a desenvolvê-los. Depois ganhamos o germe do Corpo Vital, incorporamos ao Corpo Denso e trabalhamos no desenvolvimento dos dois. Mais tarde, ganhamos o germe do Corpo de Desejos, incorporamos aos outros dois e trabalhamos nos três. E por fim, ganhamos o germe da Mente, incorporamos nos outros três Corpos e trabalhamos nos quatro.
Entretanto, o incentivo à ação, o desejo e a consciência resultaram numa guerra sem fim entre o Corpo Vital, que constrói, e o Corpo de Desejos, que destrói o Corpo Denso.
Assim, a cristalização, dissolução e decrepitude do Corpo Denso apareceram como efeito dessas ações nos Corpos o que levou à necessidade, de tempos em tempos, de trocarmos o nosso Corpo Denso. Para isso foi instituído o Matrimônio e o Nascimento repetidos nesse Mundo Físico.
O princípio do Sacramento do Matrimônio pode ser encontrado no Evangelho Segundo S. Mateus 19: 4-6: “Não lestes que o Criador, no começo, fez o homem e a mulher e disse: ‘Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher; e os dois formarão uma só carne? Assim, portanto, já não são dois, mas uma só carne’”.
Entretanto, além da união necessária para a procriação, o Matrimônio tem outro propósito que só se descobre quando percebemos o maravilhoso mistério do amor – não da paixão. Somente aí olhamos o Matrimônio sob outro ponto de vista. Somente aí entendemos que o Matrimônio verdadeiro é a união de duas almas, antes que a união de dois sexos. É a união de duas almas que conseguem anular o sexo.
Afinal, estamos destinados a evoluir os elementos negativos e positivos de nossa natureza. Esta mescla dos aspectos masculinos e femininos é facilitada grandemente por meio da íntima relação do estado do Matrimônio.
Cristo também indicou o fim do Matrimônio quando disse: “Na ressurreição, os homens não terão mulheres, nem as mulheres maridos; mas serão como os anjos de Deus no céu” (Mt 22:30).
E isso ocorrerá quando, desenvolvendo nosso Corpo-Alma, de que fala S. Paulo, viveremos na Região Etérica do Mundo Físico e não mais teremos a necessidade de usar somente esse Corpo Denso, tal como agora. Nesse tempo não existirá mais a divisão entre sexos, nem a necessidade de trocar de Corpo Denso de tempos em tempos. Portanto, o Matrimônio, como meio de procriação, não será mais necessário.
Vamos, agora, falar sobre o Sacramento da Penitência ou, como é mais prático e completo conhecido na Filosofia Rosacruz como Exercício Esotérico noturno de Retrospecção.
Como diz Max Heindel no Conceito Rosacruz do Cosmos: “É, talvez, o ensinamento mais importante dessa obra”. Esse Exercício tem uma descrição muito simples: à noite ao se deitar, feche os olhos e contemple todos os acontecimentos do dia em ordem inversa, ou seja: primeiros aqueles que ocorreram imediatamente antes de se deitar, depois o anterior e assim por diante até o primeiro acontecimento do dia, quando você se levantou. Mas não fixe no acontecimento em si, mas especialmente no seu aspecto moral.
Considerando se agiu corretamente ou não, em pensamento, palavra e ação.
Censure a si mesmo quando agiu mal, arrependendo-se e procurando sinceramente se corrigir da próxima vez.
E se enalteça aprovando toda vez que praticou o bem, procurando a satisfação por assim ter feito e repetir tal ação toda vez que houver oportunidade.
Com isso, fortalecemos o bem pela aprovação e enfraquecemos o mal pela reprovação.
Assim, compreendendo o mal que fizemos e reafirmando o propósito de desfazer o mal cometido, apagamos as imagens da memória do subconsciente.
Após a morte elas já não estarão mais lá para nos julgarmos no Purgatório.
Portanto, gastaremos menos tempo no Purgatório, onde devemos sofrer todo mal que fizemos os nossos irmãos e nossas irmãs sofrerem, com o objetivo de aprendermos, pela dor e sofrimento, o que nos negamos a aprender pelo amor.
Afinal: lição aprendida, ensino suspenso.
Do mesmo modo, enaltecendo e reforçando o bem em tudo que fazemos e, principalmente, quando revivemos os acontecimentos nesse Exercício, estamos extraindo a quinta essência da lição aprendida.
Com isso gastaremos menos tempo no Primeiro Céu, onde devemos extrair a quinta essência de todo bem praticado.
A soma dessas duas economias de tempo poderá ser utilizada, no Segundo Céu, para trabalhar mais na reconstrução das condições futuras de nossa Terra para futuros renascimentos e, também, para trabalharmos com mais tempo na reconstrução dos próximos Corpos a serem utilizados nos próximos renascimentos.
Além disso, muitas lições que lhe estavam reservadas para vidas futuras poderão ser antecipadas e aprendidas nessa vida, já que se mostra receptivo em assimilar as lições que você mesmo se propôs a aprender.
Que as Rosas floresçam em Vossa Cruz
De vez em quando grandes pintores retrataram o nascimento do Menino Jesus em Belém, e muitas dessas representações foram verdadeiramente belas. Tal é o caso da pintura de Burne-Jones (pintor britânico), cuja mãe morreu ao dar à luz. Ele nunca conheceu o amor de uma mãe, mas imprimiu um toque maravilhoso de ternura no rosto do Menino, que se agarra firmemente ao vestido da mãe enquanto está sentado em seu colo e se vira timidamente para ver os três Reis Magos que lhe apresentam seus presentes.
– “Você realmente acha que a história dos Reis Magos é verdadeira?”, perguntei a um amigo enquanto observava Burne-Jones pintar “A Estrela de Belém”.
“É tão belo que parece mentira”, foi a resposta do artista.
Hoje, infelizmente, algumas pessoas questionam a autenticidade de muitas histórias bíblicas, mas o significado esotérico jamais poderá ser outra coisa senão a verdade.
Todos os dias, crianças nascem entre nós; almas jovens e velhas retornam à vida terrena para adquirir mais experiência, quitar dívidas antigas e ajudar seus irmãos e suas irmãs. Cada ano de suas vidas lhes oferece oportunidades de crescimento, físico e espiritual, e às vezes, em sua cadeia de vidas, um novo nascimento, mais profundo e misterioso, se realizará: o nascimento do Cristo Interior. Mas isso só pode ocorrer quando a pureza reina no coração, como reinava no de Maria, quando todos os desejos são para ajudar os outros, e não para ganho próprio. Nesse momento, desejaremos oferecer ao Salvador recém-nascido ouro, mirra e incenso, que esotericamente representam Espírito, Alma e Corpo, respectivamente, todos os quais são dados ao novo Rei, o Cristo.
Espírito é simbolizado como ouro. É assim que se fala no Anel dos Nibelungos, um anel que foi feito com o ouro roubado por Alberico. O Espírito foi assim degradado e tem a sua oitava inferior no Corpo Denso.
Os alquimistas são descritos como aqueles que transmutam metal vil em ouro, e nós devemos, por meio da alquimia espiritual, purificar o Corpo Denso para que ele possa se tornar novamente ouro (Espírito) e assim apresentá-lo ao Cristo recém-nascido.
A mirra é o extrato de uma planta aromática que cresce na Arábia. É rara e representa a Alma, uma essência, extraída por meio de experiências no Corpo.
O incenso foi um presente do terceiro Rei Mago. É uma substância física frequentemente usada em rituais espirituais. Encontramos seu uso no Tabernáculo no Deserto como um meio para criar certas condições e proporcionar um caminho para as forças espirituais. (Mas o incenso só deve ser manuseado por um “Homem Sábio” (Apo 8:3). Só era permitido usá-lo pelo sumo sacerdote e era queimado para ajudar a transmutar os pecados do povo.
O primeiro presente ao Rei recém-nascido, o Cristo Interior, é o controle do Corpo Denso. Pedimos que Ele reine sobre todos os reinos da nossa Terra e nos ajude a colocar todas as partes pagãs, ou errantes, completamente sob o Seu domínio. O segundo presente é a Alma, extraída das ações realizadas em nossos Corpos. A Alma é a essência espiritual do nosso trabalho na Terra, seja ele bom ou mau, mas o mal passará e somente o bem será preservado para ser transmitido de vida em vida.
O terceiro presente é o aroma agradável, o incenso feito por nossas súplicas pelos outros, nossas orações por aqueles em quem o Cristo ainda não nasceu.
É significativo que Jesus tenha nascido na noite mais longa do ano, e geralmente é quando tudo parece mais sombrio ao nosso redor e estamos em desespero que oferecemos nossos corações a Cristo por Seu trono.
Ele vem como um doce bebê e nos acalma com Seu toque amoroso, mas como um bebê, devemos alimentá-Lo; devemos cuidar d’Ele com ternura, ou Ele poderá ser forçado a nos deixar por um tempo. Chegará um tempo em que as circunstâncias ao nosso redor poderão nos levar a “esconder a criança e fugir para o Egito”, mas lembrem-se de que houve um tempo na história bíblica em que todos aqueles que buscavam a vida da criança estavam mortos. Assim é conosco. Se guardarmos fielmente aquilo que nasceu dentro de nós, poderemos defender nossas crenças sem medo; então, rapidamente, a criança crescerá até que um dia desejará “estar envolvido nos negócios do meu Pai” (Lc 2:49) e ouviremos o chamado: “Venham trabalhar hoje na Minha Vinha” (Mt 21:28). Então poderemos ir trabalhar, clamando aos nossos semelhantes: “Levantem as suas cabeças, ó portas, para que o Rei da Glória entre. Quem é este Rei da Glória? O Senhor dos Exércitos, o Senhor poderoso na batalha. Ele é o Rei da Glória. Ele é o Rei da Paz.” (Sl 24:7).
(De Max Heindel, publicado na Revista Rays from the Rose Cross de dezembro de 1921 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)
(*) Pintura The Star of Bethlehem por Edward Burne-Jones c.1885-1890