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porFraternidade Rosacruz de Campinas

Nosso Pai

Com que frequência repetimos estas palavras, mas quão pouco refletimos sobre elas ou as compreendemos. No atual estágio de evolução, é muito mais fácil conceber “Meu Pai” e sentir a união entre “meu Pai e eu”. Mas dizer “Nosso Pai” de forma verdadeira é algo tão imensa que se treme só de pensar.

“Nosso”, sendo o plural de “meu”, significa que o “meu” se funde no “nosso”; que a minha Personalidade já não existe como uma unidade isolada das demais, mas que cada um e todos nós estamos abrangidos pela palavra “nosso”. Portanto, ao nos dirigirmos ao Autor do nosso ser — n’Ele em quem literalmente vivemos e nos movemos — como “Nosso Pai”, expressamos tacitamente a nossa crença de que Ele é o Pai de todos nós, como uma Humanidade unida; Pai também daqueles a quem, infelizmente e com demasiada frequência, detestamos ou desprezamos, demonstrando assim que somos todos irmãos.

Neste tempo de guerras, em que as paixões se desenfrearam, paremos para recordar que, na expressão “Nosso Pai”, estão incluídos os nossos supostos inimigos; que eles são tão preciosos para Ele quanto nós, e que são Seus filhos tanto quanto nós. Embora denunciemos e repudiemos atos de crueldade e opressão, venham de quem vierem, saibamos distinguir entre o Ego e a Personalidade. É esta última que peca, por ter assumido o controle. Quando ela for superada, o Ego brilhará em todo o seu esplendor e poderemos, então, dizer do fundo do coração, tal como fez o Cristo: “Nosso Pai”.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de dezembro de 1917 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Uma Delineação do Caminho Iniciático: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida – ninguém vem ao Pai senão por Mim”

Essa frase de Cristo, encontrada no 14º Capítulo do Evangelho segundo S. João, é algo transcendentalmente profundo e significativo a ponto de merecer zelosos estudos e reverente meditação por parte do estudante esotérico. É uma delineação do Caminho para a Iniciação.

Em virtude de S. João ter conhecimentos atinentes ao Período Júpiter e pelo fato de ter sido o “Discípulo amado” de Cristo podemos imaginar a grandiosidade de seus ensinamentos. A interpretação dos ensinamentos de Cristo, tais como os apresentados por S. João, à luz do ocultismo, distancia-se muito do significado pretendido pelos Cristãos populares. Após essa ligeira apreciação, vamos considerar essa frase pelo seu revestimento eminentemente transcendental.

Surge imediatamente dentro da unidade da frase uma trindade. A unidade é o “Eu Sou”, desdobrando-se na trindade “o Caminho, a Verdade e a Vida”. Sabemos que o “Eu Sou” é o Cristo. Os três aspectos acham-se na Trindade.

O que é o “Caminho”? Sem dúvida é o “Eu Sou”, o Espírito perfeito e absoluto em quem não há trevas, como afirma S. João na sua Primeira Epístola, ao expressar a verdade de que “Deus é Luz”. Também encontramos referência análoga nos primeiros versículos do Evangelho já mencionado, onde lemos algo a respeito do Verbo (o Logos), de quem foi feito tudo o que existe. O “Eu Sou” é o Espírito absoluto pelo qual o Aspirante à vida superior deve encontrar o Caminho. Por meio do nosso Espírito caminhamos no Espírito de Cristo.

A segunda pergunta é esta: o que é a Verdade do “Eu Sou”? Ele intenta dizer a nós que ninguém conhece a Verdade Absoluta. Ele tinha em si a Verdade, pois se achou no “Absoluto”. Temos então de encontrar o “Absoluto” que sempre existiu em Cristo desde o princípio das coisas. O “Absoluto” se apresenta pela existência da Eternidade. Essa é a Verdade de que Cristo fala, da existência desde a eternidade do passado para a eternidade do futuro. Assim, a Verdade é a eternidade.

Chegamos assim ao terceiro aspecto da frase: “Eu Sou a Vida”. Coincide novamente com os primeiros versículos do primeiro Capítulo: “…e a Luz era a vida dos homens”. Cristo é a vida, o terceiro aspecto do “Eu Sou” no Espírito infinito do Poder, da Sabedoria e da Criação. A Criação coincide com a vitalidade manifesta, objetiva em todas as criações; por isso o Caminho, a Verdade e a Vida se manifestam objetivamente. O universo é vitalizado por intermédio de Cristo. “Na Casa de Meu Pai há muitas Moradas e Ninguém vem ao Pai senão por Mim” (Jo 14:2).

Resumindo: o “Eu Sou” é o “Espírito Absoluto””. Seu primeiro aspecto é o Caminho, que é o Seu Espírito. Seu segundo aspecto é a Verdade, que é a Eternidade. Seu terceiro aspecto é a Vida, que é a Sua manifestação objetiva.

Como os três aspectos divinos se encontram na Centelha Divina de cada um de nós, deduz-se que ao seu devido tempo o candidato reconheça a união dos aspectos em si mesmo, o que o leva à união com o Cristo e, consequentemente, com o Pai.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro de 1970-Fraternidade Rosacruz-SP)

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