O Bem do “Mal”

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Bem do “Mal”


Não se revolte contra as adversidades nem se alquebre diante delas.

Busca isto sim, o bem que nelas existe. Diz-se que elas são injustas, dolorosas: sinal de que ainda não está maduro e não compreende as Leis de Deus. Não que seja um castigo dos céus. Deus é um “Pai” perfeito e não castiga. Sua voz, dentro de nós, está constantemente a nos chamar, como o magnetismo do norte a uma agulha de bússola. Estamos aprendendo a nos orientar e temos o direito de experimentar todas as direções. Mas, verificamos que quanto mais nos afastamos para o sul, tanto mais sentimos o vazio que os prazeres do mundo não podem preencher.

As causas são seus desvios. A Lei de Consequência é automática: para cada causa, um efeito correspondente. Não pode dizer que suas vicissitudes sejam um mal. Elas o estão advertindo!

Não as escuta?

Acaso a repulsão é um mal, quando age nos planos inferiores buscando nos alertar contra os enganos?

Acaso é mau um fogo se nos queima os dedos que inadvertida ou propositadamente colocamos nele?

A lei é lei. Quanto mais nos afastamos tanto mais fortemente age, na tentativa de nos mostrar o verdadeiro sentido. Como um mero impulso, não dói. O que dói é o nosso desejo egoísta de continuar errando, de não “voltar ao norte”, de não nos conformarmos em deixarmos velhos hábitos, vícios e apegos.

Analisa sua vida. Acha ela boa? O que é o bem? E do que gosta? Ou é o que é realmente bem, independentemente de seus gostos?

O bom, o belo e o verdadeiro são objetivos, independentes de nós, míseros mortais. Quem somos nós para ditar as leis de harmonia? Estamos apenas aprendendo e quanto mais sabemos, tanto melhor vamos percebendo esses atributos, porque sendo eles eternos e perfeitos como Deus, eterna também deve ser a nossa busca.

Seja em primeiro lugar sincero contigo mesmo. Medite, e o seu Cristo Interno o iluminará. Ao perceber suas falhas terás dado o primeiro passo. Depois, se arme de coragem para se reformar, expulsando de seu templo interno, os ladrões de seu sossego.

Devemos ser Cristãos verdadeiros, intrínsecos, embora não seja fácil compreender e aplicar as Leis do Amor a Deus e ao próximo.

Não pense em si. A revolta, a incompreensão, as mágoas só existem quando julgamos estar sendo injustiçados. Mentira. Tudo aparente. Tudo egoísmo. O que nos parecem males e inimigos são instrumentos de nossas correções. O semelhante atrai o semelhante. Despoja-se do egoísmo e vive o bem, com discernimento. Difícil? Quanto mais difícil lhe parece, mais perto está da realização, porque mostra que começa a compreender a luta interna de suas naturezas opostas. Nossa natureza animal só luta quando ameaçada de extermínio. A lei de preservação existe em todos os planos.

Não desanime. Nossa vida atual é de alternâncias: noite e dia, verão e inverno, tristeza e alegria, tudo transitório, até que o eixo de nossa vida coincida com a trilha eterna da evolução. É a época decisiva! Temos de resolver; ou servimos a Deus ou ao mundo. Não podemos servir a dois senhores!

Desconfie das facilidades e comodidades da descida, porque, se continuada, poderão lhe levar aos “portais do inferno”. Alegre-se com as asperezas e dificuldades da subida, porque elas lhe levam certamente a maiores alturas. E à medida que sobe, as névoas dos vales pecaminosos vão se desanuviando e enxergará melhor, percebendo que o aparente bem era um mal e que o aparente mal lhe era um bem. Quanto mais subir, mais vastos horizontes se descortinarão ante seus olhos, lhe dando forças para prosseguir.

Além disso, não estamos sozinhos. A seu lado estão seres compassivos e sábios, deixando que aprende a andar com suas próprias pernas, porque é um Deus em formação e seu destino é glorioso. Tenha fé! “O Senhor é o Bom Pastor, não nos faltará!”.

Esqueça a si mesmo e se dê aos demais, com discernimento. Olha a seu redor, mais vale a “terra fértil do que a pedra”; mais “a árvore frutífera do que a estéril”; o grau evolutivo se mede sempre pelo serviço amoroso e desinteressado (assim, o mais anônimo possível) ao irmão e à irmã ao seu lado, focado na Divina Essência oculta em cada um de nós, que é a base da Fraternidade. A árvore dá simplesmente. Não se queixa das podas, porque não tem uma Mente enganosa como nós. E, contudo, também nós somos podados por jardineiros sábios, para que fortaleçamos em todos os pontos e possamos dar melhores frutos. Sejamos humildes! Quem somos nós para julgar?

Deus e Sua Sabedoria estão manifestos claramente. Basta que os saibamos ver. Alegre-se de suas quedas porque elas lhe ensinam mais do que os outros meios.

Leve, orgulhosamente, seus arranhões como medalhas. E quando cair outra vez, se levante sem lamúrias. Só os fortes recebem provas maiores.

O “único fracasso é deixar de lutar”! O tempo de que dispomos os recursos financeiros, sentimentais, intelectuais, físicos, tudo enfim, que temos e não nos pertencem em realidade, porque somos simples administradores e aprendizes neste mundo, todos esses valores devem ser postos conscienciosamente a serviço de nosso próximo, a começar por nossa família, prevenindo os perigos do egoísmo, da vaidade, que amiúde deturpam seu emprego. Seja, pois, compreensivo e amoroso servidor!

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – janeiro/1981 – Fraternidade Rosacruz – SP)

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