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porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Equinócio de Setembro – Seu Significado Espiritual

Em todas as Religiões antigas, os quatro festivais solares que marcam os pontos equinociais e solsticiais do Sol no Zodíaco sempre foram considerados períodos sagrados. Portanto, ao abordar este estudo, não estamos aprendendo uma nova fé, mas apenas reaprendendo uma muito antiga.

No antigo Egito, esses festivais eram celebrados com grande pompa e esplendor; em procissões impressionantes, os sacerdotes carregavam os livros sagrados de astrologia. Esses sacerdotes ensinavam que tanto Libra quanto Escorpião eram Signos do “Equinócio de Setembro”. As almas, segundo a crença deles, desciam através da serpente para serem regeneradas no “Equinócio de Março” pelo poder do Cordeiro — o que, notamos, guarda grande semelhança com o nosso atual ensinamento Cristão.

No Egito, a origem do mal também era atribuída ao “Equinócio de Setembro”. Como estavam no hemisfério norte, acreditava-se que, assim como essa estação inaugurava o frio e a escuridão do inverno, ela também trazia a tentação e o pecado ao ser humano.

Todos os povos adoraram um deus cuja força e fraqueza eram vistas como simbolizadas pela luz e pela escuridão, bem como pela alternância entre calor e frio, marcadas pela passagem do Sol pelos doze Signos do Zodíaco.

Hércules foi reverenciado por séculos antes do estabelecimento do Império Grego; seus doze trabalhos descrevem com precisão a passagem do Sol pelos doze Signos do Zodíaco.

O mesmo ocorre com a história de Jacó e seus doze filhos[1], conforme apresentada na Bíblia. O “Equinócio de Setembro” era celebrado pelos antigos hebreus e é mencionado no Antigo Testamento como a Festa dos Tabernáculos ou a Festa da Colheita[2].

Nas Escrituras Cristãs, também observamos a referência de Ezequiel às donzelas de Israel que choravam e olhavam para o norte à espera do retorno de Tamuz, o deus solar sírio[3].

Astrologicamente, o assassinato de Hiram Abiff também é uma história relacionada ao “Equinócio de Setembro”. Os três assassinos são Libra, Escorpião e Sagitário. Hiram representa o Sol, que é ressuscitado no “Equinócio de Março” pela palavra do Mestre — ou seja, o Sol em Áries.

Muitas histórias ocultistas desses autores abordaram os festivais solares sob uma perspectiva puramente astronômica. Interpretar seu significado espiritual e Cristão é a tarefa da nossa Escola de Misticismo Cristão, a Fraternidade Rosacruz. O Cristo é uma figura cósmica, e Sua vida está delineada nestes festivais solares. A Iniciação é um processo cósmico de desenvolvimento. O ser humano é um epítome de Deus. “Assim como é em cima, é embaixo”.

Todo ser humano é um Cristo em formação, e as estrelas contêm uma biografia antecipada de nossas próprias vidas. O despertar do Cristo Interno constitui a consumação perfeita do nosso atual estágio de evolução.

Na época do “Equinócio de Março”, que a Igreja cristã celebra como a Páscoa, o Sol cruza o equador, passando das latitudes austrais para as boreais. A Ordem Rosacruz reconhece esse evento como o momento da Grande Libertação, quando o Espírito Solar — o Cristo — é libertado de seu aprisionamento na Terra.

No “Solstício de Junho”, quando o Sol atinge o ponto mais alto de sua declinação boreal, ele se encontra em Câncer, o grande Signo feminino ou de Água. É então que o Espírito Crístico alcança o trono do Pai e banha-se no êxtase de Sua vibração. O Sol passa, então, para Leão, o grande Signo masculino e de Fogo. Para os Cristãos Místicos, este é, de fato, um período sagrado.

Durante os meses de julho e agosto — ou enquanto o Sol transita de Câncer para Leão —, o Espírito Crístico funde os princípios do Fogo e da Água no Corpo Espírito de Vida renovado, radiante e glorioso, que Cristo está construindo como Sua dádiva à Terra para a Noite Santa, ou seja, a época do “Solstício de Dezembro”. É sobre esse grande Corpo de luz, provido pelo Cristo, que todas as quatro Ondas de Vida que evoluem neste Planeta — mineral, vegetal, animal e humana — são sustentadas ao longo do ano. S. Paulo enunciou uma profunda verdade oculta ao dizer: “N’Ele vivemos, nos movemos e temos o nosso ser[4].

À medida que o Sol entra em Virgem, esse grande Raio de vida descendente toca as esferas superiores da Terra. Místicos e pessoas sensíveis percebem uma compaixão terna e envolvente — uma beleza divina e etérea que permeia toda a Natureza — quando o Sol ingressa neste signo da Mãe Divina, Virgem. Nesta estação, toda a Natureza é impregnada pelo amor avassalador e pela glória sublime de Seu grande sacrifício anual pela Humanidade.

Nas palavras de Longfellow, é o momento em que o ar se enche “de uma luz mágica e onírica” e quando o grande Sol contempla a Terracom o olhar do amor, através dos vapores dourados que o cercam.[5]

Na Igreja Cristã, lamentamos, oramos e O louvamos porque Ele morreu uma vez por nós na cruz. Nessa concepção mais ampla do Cristianismo que aqui consideramos, passamos a compreender que Ele se sacrifica por nós anualmente e que deve continuar a fazê-lo até que tenhamos aprendido a desenvolver os poderes do Cristo em nós mesmos, ou seja, o Cristo Interno. Somente dessa forma podemos auxiliar em Sua libertação final e completa.

Quando o Sol entra em Libra, esse raio da Vida Crística toca definitivamente a superfície da Terra. É esse grande influxo que o Cristão Místico observa com tanta reverência no “Equinócio de Setembro”.

Eventos importantes na vida de Cristo estão em perfeita harmonia com os significados espirituais desses grandes pontos de virada das estações. Nas santas alegrias da Anunciação, encontramos um paralelo com os segredos da nova vida do “Equinócio de Março”. No santo mistério da Imaculada Conceição, o Sol toca a atmosfera da Terra no “Equinócio de Setembro” e, no “Solstício de Dezembro”, celebramos o Santo Nascimento, ou a época do Natal.

Libra é o local de prova ou a roda de equilíbrio. Saturno, que está Exaltado em Libra, coloca a Terra sob o domínio das trevas e, também, faz com que sejamos provados ao máximo. Mas, como Vênus — o Planeta do amor — também rege Libra, descobrimos que, na divina providência da infinita misericórdia e sabedoria de Deus, também é providenciado um meio de escape para cada tentação trazida pelo Grande Provador.

À medida que o Sol passa do “Equinócio de Março” para o “Equinócio de Setembro”, ou de Áries para Libra, a Vida Crística atua através dos veículos superiores da Terra.

À medida que o Sol passa do “Equinócio de Setembro” para o “Equinócio de Março”, ou de Libra para Áries, a Vida Crística atua através dos Estratos físicas ou materiais do Planeta. Ao meditarmos em espírito de oração sobre essas verdades espirituais sublimes, encontramos um significado novo, mais profundo e mais santo na bênção final de Cristo, proferida pouco antes da Ascensão, quando Ele disse: “Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28:20).

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de setembro-outubro de 1997 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)


[1] N.T.: 1Jacó chamou seus filhos e disse: “Reuni-vos, eu vos anunciarei o que vos acontecerá nos tempos vindouros. 2Reuni-vos, escutai, filhos de Jacó, escutai Israel, vosso pai: 3Rúben, tu és meu primogênito, meu vigor, as primícias de minha virilidade, cúmulo de altivez e cúmulo de força, 4impetuoso como as águas: não serás colmado, porque subiste ao leito de teu pai e profanaste minha cama, contra mim! 5Simeão e Levi são irmãos, levaram a cabo a violência de suas intrigas.6Que minha alma não entre em seu conselho, que meu coração não se una ao seu grupo, porque na sua cólera mataram homens, em seu capricho mutilaram touros. 7Maldita sua cólera por seu rigor, maldito seu furor por sua dureza. Eu os dividirei em Jacó, eu os dispersarei em Israel. 8Judá, teus irmãos te louvarão, tua mão está sobre a cerviz de teus inimigos e os filhos de teu pai se inclinarão diante de ti. 9Judá é um leãozinho: da presa, meu filho, tu subiste; agacha-se, deita-se como um leão, como leoa: quem o despertará? 10O cetro não se afastará de Judá, nem o bastão de chefe de entre seus pés, até que o tributo lhe seja trazido e que lhe obedeçam aos povos. 11Liga à vinha seu jumentinho, à cepa o filhote de sua jumenta, lava sua roupa no vinho, seu manto no sangue das uvas, 12seus olhos estão turvos de vinho, seus dentes brancos de leite. 13Zabulon reside à beira-mar, é marinheiro sobre os navios, tem Sidônia a seu lado. 14Issacar é um jumento robusto, deitado no meio dos cerrados. 15Ele viu que o repouso era bom, que a terra era agradável, baixou seu ombro à carga, e sujeitou-se ao trabalho escravo. 16Dã julga seu povo, como cada tribo de Israel. 17Dã é uma serpente sobre o caminho, uma cerasta sobre a vereda, que morde os talões do cavalo e o cavaleiro cai para trás! 18Em tua salvação eu espero, ó Iahweh! 19Gad, guerrilheiros o guerrilharão e ele guerreia e os fustiga. 20Aser, seu pão é abundante, ele oferece manjares de rei. 21Neftali é uma gazela veloz que tem formosas crias.22José é um rebento fecundo perto da fonte, cujas canas ultrapassam o muro. 23Os arqueiros o exasperaram, atiraram e o aborreceram. 24Mas seu arco foi quebrado por um poderoso, foram rompidos os nervos de seus braços pelas mãos do Poderoso de Jacó, pelo Nome da Pedra de Israel, 25pelo Deus de teu pai, que te socorre, por El Shaddai? que te abençoa: Bênçãos dos céus no alto, bênçãos do abismo deitado embaixo, bênçãos das mamas e do seio, 26bênçãos dos espinhos e das flores, bênçãos das montanhas antigas, atração das colinas eternas, que elas venham sobre a cabeça de José, sobre a fronte do consagrado entre seus irmãos! 27Benjamim é um lobo voraz, de manhã devora uma presa, até à tarde reparte o despojo”. 28Todos estes formam as tribos de Israel, em número de doze, e eis o que lhes disse seu pai. Ele os abençoou: a cada um deu uma bênção que lhe convinha. (Gn 49:1-28)

[2] N.T: “E falou o SENHOR a Moisés, dizendo: Fala aos filhos de Israel, dizendo: Aos quinze dias deste mês sétimo, será a Festa dos Tabernáculos ao Senhor, por sete dias.” (Lv 23:33-34)

[3] N.T.: Levou-me à entrada da porta da Casa do SENHOR, que está no lado norte, e eis que estavam ali mulheres assentadas chorando a Tamuz. (Ez 8:14)

[4] N.T.: At 17:28

[5] N.T.: do poema Evangeline — Um Conto de Acádia, um clássico épico de Henry Wadsworth Longfellow

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