Arquivo mensal junho 2026

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Cristo: Nosso Espírito Planetário Permanentemente Presente

O Filho, o Cristo Cósmico, é o mais elevado Iniciado do Período Solar, habitando o Sol Central e guiando os Planetas em suas órbitas por um Raio que emana d’Ele, o qual se torna o Espírito habitante de cada Planeta.

O mais elevado Iniciado do Período Solar evoluiu até o ponto em que se uniu ao Segundo Aspecto do Deus Trino e, portanto, Ele é o Deus-Filho. Este é o Cristo Cósmico, e um Raio que emana d’Ele foi o que ocupou o Corpo Denso e Vital de Jesus, quando teve que “estar entre nós, aqui”!

Quando o Salvador Cristo Jesus foi crucificado, Seu Corpo foi transpassado em cinco lugares… Quando o sangue fluiu desses centros, o grande Cristo Espírito Solar foi libertado do veículo físico de Jesus e se encontrou na Terra. Os veículos planetários já existentes foram permeados por Ele com Seus próprios veículos e, num piscar de olhos, difundiu Seu próprio Corpo de Desejos sobre o Planeta, o que Lhe permitiu, desde então, trabalhar sobre a Terra e sua Humanidade a partir de dentro do Planeta Terra.

O Solstício de Junho e Solstício de Dezembro, juntamente com o Equinócio de Março e o Equinócio de Setembro, formam pontos críticos ou pontos de retorno na vida do grande Espírito da Terra. Ele habita nossa Terra parte do ano e depois se retira para os Mundos superiores… Durante julho e agosto, enquanto o Sol está em Câncer e Leão, Ele está reconstruindo Seu veículo do Espírito da Vida, que Ele trará novamente aqui e com ele rejuvenescerá a Terra e os Reinos da vida que evoluem nela… No Equinócio de Setembro, quando o Sol passa de Virgem para Libra, o Espírito de Cristo, retornando à nossa Terra, toca sua atmosfera… Ele chega ao centro da Terra à meia-noite de 24 de dezembro. Lá Ele permanece por três dias e então começa a se retirar. Essa retirada se completa na Páscoa. Da Páscoa até o Solstício de Junho, Ele passa pelos Mundos superiores e chega ao Mundo do Espírito Divino, o Trono do Pai, justamente no dia do Solstício de Junho, todos os anos.

Nós, coletivamente, somos os Espíritos da Terra. Um dia, devemos guiar o veículo que criamos. Jeová nos guiou de fora por meio de Leis Jeovísticas, mas como isso não foi suficiente para nos levar ao ponto de individualização em que seremos capazes de cuidar de nós mesmos, Cristo veio como Salvador e está nos ajudando até que chegue o tempo em que teremos desenvolvido em nós mesmos uma natureza amorosa que seja suficiente para sustentar a Terra.

(por Max Heindel – Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de setembro de 1947 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Livro: Max Heindel e a Fraternidade Rosacruz – Ger Westenberg – 2ª EDIÇÃO – Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil

Aqui está a ótima obra de um trabalho histórico-jornalista que demandou 50 anos (com algumas pausas) de pesquisa, organização, datilografia e digitação feita por um Probacionista holandês, Ger Westenberg, que nos enviou os originais em holandês dessa 2ª EDIÇÃO e nos autorizou a tradução para o português e a publicação.

Nessa 2ª EDIÇÃO há complementos, correções e revisões que enriquecem de sobremaneira a 1ª EDIÇÃO.

Trata-se da história da Fraternidade Rosacruz, desde seus primórdios, ainda no século XIII, até os tempos de Max Heindel, o representante da Ordem Rosacruz do Século 20, focando aqui na sua biografia desde o seu nascimento.

O nome Rosacruzes parece mexer com a imaginação de muitas pessoas. Existem muitos grupos que utilizam esse nome em seu brasão para grande confusão dos forasteiros. Portanto, dediquei um capítulo à história da Ordem Rosacruz e um resumo das organizações mais importantes onde o nome Rosacruzes aparece de uma ou outra forma, com no final uma visão esquemática de onde se originaram. E porque a Fraternidade Rosacruz é a única que leva à Ordem Rosacruz, na Região Etérica do Mundo Físico.

A Ordem Rosacruz é uma das 7 Escolas de Mistérios Menores de Iniciação que foi especialmente desenvolvida para os Ocidentais com Religião Cristã.

Há 4 meios de você acessar esse Livro:

1. Em formato PDF (para download):

Max Heindel e a Fraternidade Rosacruz – Ger Westenberg – 2ª EDIÇÃO – Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil

2. Em forma audiobook ou audiolivro:

Max Heindel e a Fraternidade Rosacruz – por Ger Westenberg – 2ª Edição – audiobook

3. Em forma de videobook ou videolivro no nosso canal do Youtube: https://www.youtube.com/@fraternidaderosacruzcampinasbr/featured

aqui:

Max Heindel e a Fraternidade Rosacruz – por Ger Westenberg – 2ª Edição – videobook

4. Para estudar no próprio site:

MAX HEINDEL E A FRATERNIDADE ROSACRUZ

2ª EDIÇÃO

Por Ger Westenberg

Fraternidade Rosacruz

Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82

Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil

Traduzido do holandês e Revisado de acordo com:

MAX HEINDEL EN THE ROSICRUCIAN FELLOWSHIP

DOOR:  Ger Westenberg

Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

Com autorização do Autor: Ger Westenberg, que nos enviou os originais.

www.fraternidaderosacruz.com

contato@fraternidaderosacruz.com

fraternidade@fraternidaderosacruz.com

PREFÁCIO DA 1ª EDIÇÃO

Por GER WESTENBERG

Escrever esta biografia sobre Max Heindel, que era o representante da Ordem Rosacruz do Século 20, não foi um trabalho simples.

A primeira tentativa foi difícil: datilografar 133 páginas em formato A4 no ano de 1968, divulgado por meio de 120 cópias. Faltavam, ainda, muitas informações como, por exemplo, sobre sua juventude. Nos arquivos de Copenhagen não encontrei informações, nem mesmo que ele havia morado lá. Isto mudou quando o Mapa Natal de Max Heindel foi refeito e percebido que a posição da Lua não se encontrava na latitude norte de Copenhagen, mas, situava-se na região de Aarhus.

Sr. Rickelt, o arquivista da Prefeitura de Aarhus, durante seu tempo livre, fez muitas pesquisas sobre a adolescência de Max Heindel, cujos resultados estão contidos no capítulo 2. Com essas informações também foi possível continuar a pesquisa na Escócia. A filha mais velha de Max Heindel, Wilhelmina Grasshoff, nos passou informações complementares e forneceu 3 fotos do pai, mãe e 4 filhos. Nos arquivos de Berlim haviam poucas informações porque durante a guerra de 1940-45 com os bombardeios na cidade, se perdeu muito material arquivado. Nos EUA a busca foi difícil, porque sem uma informação específica é difícil conseguir achar alguma coisa. Porém, mesmo assim, consegui juntar informações, graças à ajuda benevolente de pessoas de lá.

Sou muito agradecido às pessoas que tinham informações autênticas e que me passaram; como a sobrinha da Sra. Augusta Foss Heindel, Sra. Olga Borsum Crellin, que me forneceu um relatório curto, mas completo da família Foss, juntamente com algumas fotos. O Sr. George Schwenk de Ojai, que por muitos anos foi amigo da Sra. Augusta Foss Heindel, me passou muitas informações em primeira mão, como também o Sr. e Sra. Barkhurst, que por volta de 1920 se afiliaram à Fraternidade Rosacruz, e em 1982 não só me passaram informações como também um material exclusivo sobre os exercícios espirituais e também uma cópia datilografada de “Memoirs of Max Heindel and the Rosicrucian Fellowship” da qual possuíam o original, escritos pela Sra. Augusta Foss Heindel em 1941. Ela mesma publicou uma versão simplificada no Echoes em 1948 com o título “The Early History of the Rosicrucian Fellowship”.

O manuscrito original foi doado pela família Barkhust pouco antes de morrer, à Fraternidade, que em 1997 publicou sob o título “Memórias sobre Max Heindel e a Fraternidade Rosacuz”.

Nesses 50 anos, com algumas pausas, trabalhando nesta biografia, muitas outras pessoas me forneceram informações e dados importantes. Seus nomes estão nas notas de Rodapé juntamente com o material onde aparecem.

Sobre o desenvolvimento Rosacruz na Holanda recebi muitas informações do Sr. Jaap Kwikkel que foi um dos primeiros afiliados da Holanda e testemunha de muitos acontecimentos. Também conheci a Sra. A. van Warendorp, que introduziu os estudos na Holanda, mas infelizmente já não estava mais acessível (intelectualmente).

Os últimos anos dediquei-me a fazer um esboço do movimento Teosófico na Alemanha, quando Heindel em 1907/08, passou 5 meses por lá.

Também relatei a relação entre Steiner e Heindel, e o desenvolvimento espiritual de Steiner até 1912, e naturalmente sobre algumas concordâncias e diferenças em suas visualizações que em primeira instância poderiam ter sido negligenciados, mas que são muito importantes; bem como encontrar a passagem em que Steiner numa Palestra em 11/10/1915 em Dornach cita, pessoalmente, não ser um representante dos Rosacruzes, onde a ideia de alguns de que a Antroposofia era uma metamorfose do ensinamento Rosacruzes se demonstrou errônea.

O nome Rosacruzes parece mexer com a imaginação de muitas pessoas. Existem muitos grupos que utilizam esse nome em seu brasão para grande confusão dos forasteiros. Portanto, dediquei um capítulo à história da Ordem Rosacruz e no Adendo 13 tem um resumo das organizações mais importantes onde o nome Rosacruzes aparece de uma ou outra forma, com no final uma visão esquemática de onde se originaram.

No início de 1600 os manifestos dos Rosacruzes de Fama Fraternitus R.C., de Confessio Fraternitatis R.C. e o Assertio Fraternitatis R.C., trouxeram muita comoção. No Adendo 1 traduzi novamente para o Holandês.

A Ordem Rosacruz é uma das 7 Escolas de Mistérios Menores de Iniciação que foi especialmente desenvolvida para os Ocidentais com Religião Cristã. O último capítulo foi dedicado à preparação e ao processo de Iniciação.

Laag-Soeren, julho 2003

Sumário

PREFÁCIO DA 1ª EDIÇÃO.. 2

PREFÁCIO DA SEGUNDA EDIÇÃO.. 7

Capítulo 1 – A Origem da Ordem Rosacruz.. 8

Capítulo 2 – De Carl Grasshoff à Max Heindel.. 47

Capítulo 3 – A Teosofia na Alemanha nos idos de 1900. 62

Capítulo 4 – Max Heindel na Alemanha.. 67

Capítulo 5 – Mensageiro dos Rosacruzes. 81

Capítulo 6 – Expansão da Fraternidade Rosacruz.. 90

Capítulo 7 – Aquisição de um Terreno para a Sede Central.. 106

Capítulo 8 – Construtor – Material e Espiritual.. 124

Capítulo 9 – Mais Atividades de Construção.. 136

Capítulo 10 – Ainda Mais Atividades de Construção.. 151

Capítulo 11 – Destaques Espirituais e o Falecimento de Max Heindel   162

Capítulo 12 – Augusta Foss Heindel como Sucessora de Max Heindel.. 180

Capítulo 13 – Disputa pelo Poder.. 200

Capítulo 14 – Finalmente Paz.. 217

Capítulo 15 – Em Direção a um Novo Ciclo.. 232

Capítulo 16 – Método Ocidental de Iniciação.. 250

ADENDO 1 – OS MANIFESTOS ROSACRUZES: FAMA, CONFESSIO e ASSERTIO.. 277

FAMA FRATERNITATIS R. C. ou os rumores da Fraternidade, da muito louvável Ordem Rosa Cruz  277

CONFESSIO FRATERNITATIS R.C. – Confissão a Fraternidade Rosacruz aos Estudiosos da Europa  299

ASSERTIO FRATERNITATIS – R. C. – Confirmação da Fraternidade RC, que alguns chamam de Rosacruz, escrito em versos por um dos Membros da Fraternidade. 316

Adendo 3 – FLORENCE MAY HOLBROOK.. 323

Adendo 4 – Carta de Max Heindel para C.W. Leadbeater, 1904. 327

Adendo 5 – A Família FOSS. 331

Adendo 6 – ALMA VON BRANDIS. 336

Adendo 7 – Rudolf Steiner.. 339

Adendo 8 – DIFERENÇAS IMPORTANTES ENTRE OS ENSINAMENTOS DE MAX HEINDEL E DE RUDOLF STEINER.. 353

Adendo 9 – Troca de cartas entre Max Heindel, Laura Bauer e Hugo Vollrath    368

Adendo 10 – SIMBOLISMO: Collegium Fraternitatis, O Cadinho, O Emblema Rosacruz e A Capa dos Livros. 382

COLLEGIUM FRATERNITATIS. 382

O CADINHO.. 386

O EMBLEMA ROSACRUZ.. 391

A CAPA DOS LIVROS. 397

Adendo 11 – DUAS BALADAS. 400

Adendo 12 – Mapas Natais. 414

Adendo 13 – Rosacruzes e “Rosacruzes”. 455

CRONOLOGIA.. 471

BIBLIOGRAFIA: LIVROS ESCRITOS. 485

POR MAX HEINDEL.. 485

COMPOSTOS DOS TRABALHOS DE MAX HEINDEL.. 494

POR AUGUSTA FOSS HEINDEL.. 499

DE OUTROS ESCRITORES E DE ASTROLOGIA ROSACRUZ.. 501

OUTRAS PUBLICAÇÕES DA FRATERNIDADE ROSACRUZ.. 503

PREFÁCIO DA SEGUNDA EDIÇÃO

Desde a primeira edição de 2003 consegui juntar à biografia muitas imagens e informações. Por exemplo, informações sobre a chegada de Max Heindel em Nova York; seu segundo casamento; sua estadia em Boston e muitos outros detalhes foram introduzidos no texto.

Também foram acrescentadas mais fotos como uma foto da adolescência de Max Heindel com seu irmão e mãe; da casa onde Max Heindel e sua segunda esposa, Louisa Anna Petterson, moravam em Roxbury[1] e uma foto da Alma Von Brandis que pagou a viagem de Max Heindel para a Alemanha.

Fiz uma revisão nos Aspectos astrológicos. Também recalculei todos os mapas natais e onde necessário fiz correções e, portanto, posso encerrar essa biografia.

Sou agradecido a todas as pessoas que me forneceram informações e fotos. Seus nomes aparecem nos rodapés das biografias.

Laag-Soeren, abril de 2.014

Capítulo 1 – A Origem da Ordem Rosacruz

A Fraternidade Rosacruz foi fundada em 1911 por Max Heindel – nome que foi usado por Carl Louis Fredrik Grasshoff, nos Estados Unidos. Ele foi incumbido, por um dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, de tornar público parte de seus ensinamentos, que antes eram conhecidos e divulgados apenas num círculo fechado e de forma simbólica. Para entendermos melhor é conveniente contarmos a história e o objetivo da Ordem Rosacruz.

A origem da Ordem Rosacruz, conforme Max Heindel, se inicia no passado distante, no início da Era Terrestre, mas seu arquétipo já se manifesta 3 períodos antes do nosso Período Terrestre[2].

No início do nosso desenvolvimento, no Período de Saturno, o “calor” era o único elemento e a humanidade, que naquela época tinha uma consciência semelhante aos minerais, formavam uma unidade.

No Período Solar, formou-se mais um elemento: o “ar” que se juntou ao elemento fogo do Período anterior. Isto se revelou, então, como chamas e o mundo escuro se transformou numa bola flamejante. A humanidade tinha uma consciência semelhante à das plantas, atualmente, e ainda formava uma unidade.

No Período Lunar a bola flamejante tocou no espaço frio e se desenvolveu o vapor: “água”. Uma parte dos Anjos atuais, que eram a humanidade daquele período, tinham preferência pela água, enquanto outra parte dava preferência ao fogo. A constante mudança em evaporação e condensação da humidade que envolvia o núcleo quente, formou uma crosta em volta do núcleo. Era intensão de Jeová formar esta “terra vermelha”, que na Bíblia foi chamado de “ADAM”, em formas que pudessem encarcerar e extinguir os espíritos no fogo. Para este fim, Ele pronunciou o fiat criador, e os protótipos do peixe, da ave e de todo o ser vivente apareceram, incluindo mesmo a primitiva forma humana. Ele queria que todos os seres viventes obedecessem à sua vontade. Contudo, uma parte dos Anjos se rebelou contra esta ideia. Eles tinham uma preferência muito grande pelo fogo para aceitarem a água e se recusaram a criarem formas. Portanto, privaram-se de uma oportunidade de evoluir através das linhas convencionais e se tornaram atrasados.

Porque se recusaram a obedecer a Jeová, eles precisavam tentar encontrar o desenvolvimento por conta própria; para isto escolheram como líder Lúcifer.

No início do Período Terrestre, quando vários Planetas foram formados para dar oportunidade de desenvolvimento aos diversos grupos de Espíritos Virginais, os Anjos trabalharam, juntamente com Jeová, nos diversos Planetas e Luas, enquanto os Espíritos Lucíferos, também denominados Anjos Caídos, ficaram no Planeta Marte.

O representante dos Anjos da Lua na Terra, que estão sob a liderança de Jeová, é o Anjo Gabriel. O Anjo Samael é o representante dos Anjos que estão sob a liderança de Lúcifer.

Desta forma surgiu, naquele fraco início do dia cósmico, uma rixa entre as Hierarquias do fogo e as Hierarquias da água; entre os descendentes de Caim e os de Abel, respectivamente, Seth.

A Maçonaria nos mostra – ainda conforme Max Heindel – que existem pontos comuns e pontos divergentes com a história da Bíblia. Esta tradição conta que Jeová criou Eva. Que o Anjo lucífero Samael se juntou a ela, mas foi expulso por Jeová e forçado a abandoná-la antes do nascimento de seu filho Caim, que se tornou o Filho da Viúva. Depois Jeová criou Adão para se tornar o esposo de Eva. Desta união nasceu Abel.

Desde o início deste Período Terrestre já existiram 2 tipos de seres humanos. O primeiro, meio divino, gerado pelo Anjo lucífero Samael, repleto da força condutora marciana; batalhador, inovador e possuidor da força da iniciativa, relutante à coerção e autoridade, tanto da humanidade quanto da divindade. O segundo, gerado por seres humanos com pais humanos, vive pela fé e não por ação, eles não sentem urgência ou inquietação. São mansos e dóceis, uma postura que agradou muito a Jeová, porque ele vigia escrupulosamente o seu direito de criador. Por isto a oferta de Abel que foi conseguida sem dificuldade ou iniciativa própria foi aceita por ele, com satisfação, e a oferta de Caim foi desdenhada, porque foi feita por ele por seu caráter divino como criador, relacionado ao de Jeová.

Então Caim matou Abel. Contudo, com isto ele não destruiu a linhagem obediente de Jeová. Porque na Bíblia está escrito que Adão conheceu novamente a Eva e ela gerou Seth, que tinha as mesmas características de Abel.

Por se dedicarem com zelo aos assuntos terrenos os filhos de Caim se espalharam pelo mundo e, desta maneira conquistaram, o poder. Eles são os líderes da indústria e os mestres da política.

Os filhos de Seth, que buscam a liderança de Deus, se tornaram o portal para a sabedoria divina e espiritual; eles formam o Sacerdócio.

Jeová deu a Salomão, um descendente de Seth, a ordem para construir um Templo conforme o plano dado a Davi. Contudo, Salomão não tinha a capacidade de transformar o plano divino em formas físicas e por isso solicitou ajuda ao Rei de Tiro, um descendente de Caim, que se chamava Hiram Abiff, o filho da Viúva. Nele todas as artes e ofícios dos filhos de Caim afloraram completamente. Ele sobrepujava todos os outros no manejo com o trabalho na matéria. Sem Hiram Abiff, o Mestre de Obras, o plano de Jeová teria permanecido um sonho. Para a construção do Templo, a perspicácia dos filhos de Caim era tão necessária quanto o projeto espiritual dos filhos de Seth. Portanto, ambos os grupos juntaram todas as suas forças durante a construção do Templo.

Esta foi a primeira tentativa de unificar as duas linhagens. Contudo, por traição dos filhos Seth esse plano divino de reconciliação frustrou. Eles tentaram abafar o fogo usado por Hiram Abiff com sua arma natural a água. Quase obtiveram sucesso.

O Templo de Salomão era a coroação de ambos os lados, uma personificação da espiritualidade elevada dos ideais desses líderes, os filhos de Seth, unido às habilidades excepcionais dos seres humanos de ação, os filhos de Caim.

Salomão estava satisfeito, mas a mente de Hiram não estava. Ele havia feito uma peça de inigualável habilidade, mas o projeto não estava em suas mãos. Ele foi apenas o mestre de obras do arquiteto invisível Jeová, que trabalhava por intermédio de Salomão. Ele foi impelido por uma força esmagadora a incluir algo no Templo que sobrepujaria em beleza e importância a todo o resto. Por este esforço espiritual nasceu o desejo de construir o Mar Fundido.

Quando Hiram havia quase terminado de construir o Templo, ele começou a fundir os vasos. O ponto principal era o grande lavatório, o lavabo da purificação onde todos os sacerdotes deveriam mergulhar, antes de poderem servir a Deus. Este lavatório, juntamente com todas as outras embarcações menores, Hiram fundiu com bom resultado.

Mas existe uma grande diferença entre o lavatório e o Mar Fundido, que deveria ser inserido conforme o plano de Hiram. Se não fosse fundido corretamente o lavatório não funcionaria para a operação de limpeza. Esse trabalho deveria ser a Obra de Arte de Hiram.

Se ele tivesse sido bem-sucedido nessa empreitada, este trabalho estaria acima da humanidade e ele seria considerado divino, assim como Elohim Jeová. Porque seu pai divino Samael havia garantido a Eva, que ela se tornaria igual a Deus se ela comesse da árvore do conhecimento.

Por séculos seus ancestrais trabalharam no mundo e pela sua experiência conseguiram construir uma obra, onde Jeová se escondia atrás do Véu e só conversava com seus sacerdotes, os filhos de Seth. Os filhos de Caim eram proibidos de entrar no Templo, que eles mesmos construíram. Da mesma forma que seu pai Caim foi expulso do Jardim do Éden, o Paraíso.

Hiram sentia tudo isto como um escândalo e injusto, e buscava um meio de que os filhos de Caim pudessem rasgar o Véu do Templo para abrir caminho para todos. Para atingir este objetivo enviou mensageiros para todas as partes do mundo para juntarem todos os tipos de metais existentes. Com seu martelo ele pulverizou todos os metais e os colocou num forno incandescente, para tirar todo o conhecimento possível, durante o processo alquímico. Desta forma o conhecimento de cada metal impuro iria se juntar e formar o conhecimento de sublimação espiritual e de incomparável força. Como esta sublimação seria totalmente pura e transparente, se pareceria com um mar de vidro. Todos que ali se banhassem teriam juventude eterna. Nenhum filósofo poderia se igualar a ele em sabedoria. Esse conhecimento faria com que ele conseguisse levantar o Véu invisível e contatar as Hierarquias superiores, pessoalmente.

Contudo, os trabalhadores inaptos, que Hiram fora incapaz de iniciar nos graus superiores, conspiraram para deitar Água no recipiente moldado para receber o Mar, porque eles sabiam que os filhos do fogo não sabiam lidar com esse elemento aquoso. Desta forma, frustrando o acalentado projeto de Hiram e estragando sua Obra-prima, eles aspiravam vingar-se do Mestre.

Quando Hiram, com toda a confiança, tirou o tampão do cadinho, o fogo líquido escorreu e se encontrou com a água. Enquanto os dois elementos cozinhavam e lutavam entre si houve um estrondo trovejante que estremeceu Céus e Terra.

Todos, exceto Hiram, esconderam seus rostos da devastação medonha. Então Hiram ouviu do meio do fogo furioso um chamado do seu antepassado Tubal Caim, que implorou que ele pulasse dentro do Mar Fundido. Hiram mergulhou cheio de confiança e enquanto ele foi submergindo pelo fundo dissolvido do lavabo, foi conduzido pelas nove camadas da Terra até o Centro onde se encontrou com seu antepassado que o instruiu em como misturar água com fogo e entregou um novo martelo e uma nova palavra que o ajudaria a atingir este objetivo. Caim disse a Hiram que ele estava destinado a morrer sem realizar suas expectativas. Contudo, que nasceriam muitos filhos da Viúva que iriam manter seus feitos vivos na memória. Finalmente viria um que seria maior que ele. Hiram não iria acordar até que o Leão de Judá o despertasse com sua garra poderosa. Caim também falou que ele teve agora o batismo de fogo, mas que Ele, o Cristo, iria batizá-lo com água e espírito; ele e todo filho da Viúva que vier até Ele. Este, maior que Salomão, irá construir uma nova cidade e um novo Templo onde o povo da Terra poderá adorá-Lo. Os filhos de Caim e de Seth irão encontrar lá o mar de vidro.

Quando Hiram retornou novamente à superfície da Terra e queria ir embora, os traidores o atacaram e feriram mortalmente. Entretanto, antes de morrer ele guardou o martelo e o disco onde havia escrito a palavra. Ele ficou dormindo até que renasceu como Lázaro, o filho da Viúva de Naim.

Neste mesmo período Salomão renasceu como Jesus de Nazaré para se tornar a ferramenta do altruísta, unificador Espírito de Cristo. O batismo de água que João, em sua capacidade de representante de Jeová, O fez passar, libertou-O. Naquele momento ele (Jesus) entregou seu corpo para que o Espírito de Cristo descesse nele e se reagrupou ao lado do novo Líder, Cristo, com o objetivo de terminar com a divisão entre os filhos de Seth e os filhos de Caim.

De Jesus foi dito que ele era um tekton[3], um filho de Deus, o grande Arche Tekton, o construtor primal.

Quando Lázaro é despertado da morte pela garra do Leão – o Leão de Judá, Cristo – o disco foi reencontrado e também o novo martelo, na forma de uma cruz, enquanto no disco havia o símbolo misterioso de uma rosa. Nestes dois símbolos se encontram o grande mistério da vida, a mistura do fogo e da água, como é demonstrado pelo fino líquido que nasce do solo e sobe pela haste e o cálice virado para cima, que se transforma nas cores fulgurantes das pétalas que surgiram na pureza da luz do sol, mas que até hoje são protegidas pelos espinhos dos Espíritos Lucíferos de Marte. Por esta razão Hiram toma seu lugar entre os imortais, sob o novo nome simbólico de

CHRISTIAN ROSENKREUZ

No final do século XIII Christian Rosenkreuz fundou a Ordem Rosacruz. O local onde está a Ordem não pode ser revelado publicamente, para que curiosos não atrapalhem o trabalho realizado lá. O que pode ser dito é que o Templo, como é chamado este local, fica na Erzgebirge (Montanhas de Erz), em Saksen, na Alemanha[4].

Max Heindel fala que a “casa”, onde os Irmãos Maiores moram, faz pensar em pessoas abastadas, mas discretas. Na cidade onde vivem parecem ter uma posição importante, mas utilizam essa posição apenas como disfarce, para justificar sua presença e para não despertar perguntas sobre quem ou o que eles são, ou que tenha algo incomum com eles.

Fora daquela casa e por dentro daquela casa fica o que eles chamam de Templo. Este é etérico e difere das nossas construções comuns. Este Templo pode ser comparado com a Aura do Templo de Cura de Oceanside[5] que é etérico e bem maior que o prédio em si.

Este Templo dos Rosacruzes sobrepõe tudo e não pode ser comparado a nenhuma outra coisa, mas circula e penetra a casa onde os Irmãos Maiores moram. A casa é tão permeada por espiritualidade que a maioria das pessoas não se sentiria confortável[6].

Assim como as outras Escolas de Mistérios, a dos Rosacruzes também se formou em base etérica. Assim como precisamos de 12 esferas para cobrir uma décima terceira, de mesmo tamanho, para esta não ser vista, existem 12 Signos do Zodíaco que circundam nosso Sistema Solar, 12 tons e semitons que formam a oitava, assim também é na Ordem Rosacruz que tem 12 Irmãos Maiores mais um décimo terceiro, que é a Cabeça da Ordem e fica invisível aos olhos da humanidade. Mesmo as Irmãs e Irmãos Leigos nunca o veem, mas nos serviços noturnos no Templo todos sentem sua presença quando ele entra no Templo, que é o sinal para o início da cerimônia[7].

Os números: 1, 5 e 7 também têm um significado cósmico. Assim existem 7 Escolas de Mistérios Menores, no qual os Rosacruzes fazem parte, e 5 de Mistérios Maiores. Todas fazem parte de um cabeça central que é chamado “O Libertador”.

A Ordem Rosacruz é destinada para os Ocidentais, enquanto as outras 6 escolas são destinadas para as raças do Sul e do Oriente. As 5 Escolas de Mistérios Maiores são constituídas pelos graduados nas Escolas Menores.

Dos 12 Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz – todos possuem Corpo Denso, o corpo físico – existem 7 que saem ao mundo quando houver necessidade, atuando como pessoas entre as pessoas, ou em seus veículos invisíveis. Os outros 5 Irmãos Maiores nunca abandonam o Templo. Embora eles tenham um Corpo Denso, todo seu trabalho é feito nos Mundos Suprafísicos. Os 12 Irmãos Maiores são ajudados em seu trabalho por Irmãs e Irmãos Leigos, pessoas estas que moram em diversos lugares no mundo ocidental, mas que conseguem deixar seus corpos físicos de forma consciente, acompanhar os Serviços no Templo e participar das Atividades Espirituais no Templo, porque eles, cada um de uma forma especial, foram instruídos na Iniciação por um dos Irmãos Maiores[8].

Ficará claro que isto só poderá ser confirmado por alguém que consegue ler na “Memória da Natureza”, que fica na quarta Região do Pensamento Concreto do Mundo do Pensamento[9], onde existe um registro de tudo o que aconteceu na Terra, e para isto só estão aptos os Iniciados das Escolas Menores. Este historiador, que não é um Iniciado, terá que se orientar pelo que está escrito nos arquivos e nas bibliotecas.

A seguir faço um resumo da história dos Rosacruzes que pode ser lida por completo nas obras citadas. Embora não seja um seguidor da Ordem, Simon Studion é citado, visto a grande influência de seu livro Naometria sobre Tobias Hess.

Simon Studion nasceu em 6 de março de 1543 entre 6 e 7 horas da manhã em Urach[10]. Em 1561 ele foi inscrito como estudante de teologia em Tubingen. Seu professor de ética M.S. Heyland não era apenas um excelente matemático, mas também era conhecido como astrônomo e astrólogo. Studion estudou com ele, também, cálculo místico. Em 14 de fevereiro de 1565 ele se formou Teólogo e teve a triste notícia de que não poderia ser Teólogo porque gaguejava[11]. Dois meses depois em 14 de abril de 1565 ele conseguiu um emprego no internato de Stuttgart. Em fevereiro de 1572 ele se tornou Professor na Escola Latina em Marbach, próximo a Neckar onde ficou até se aposentar em 1605.

Em janeiro de 1566 ele se casou com Anna Dietrich e tiveram 5 filhos. A partir de 1570 ele foi reconhecido como Poeta de Latim, e em Württenberg, considerado o fundador do Museu de História Antiga Romana que começou em Marbach. Ele mesmo juntou peças antigas em 2 carroças cheias que formaram a base da coleção de antiguidades de Stuttgart. Studion também escreveu um livro sobre seus achados com gravuras e fez um calendário histórico para Württenberg. O propósito de seu material histórico era destinado para o que ele considerava seu trabalho de vida, um livro com teses e previsões no qual havia começado em 1592. Os boatos sobre este fato chegaram de forma mutilada à corte de Stuttgart, onde foi dito que ele estava escrevendo um livro contra o Papa. Por esta razão em janeiro de 1593 ele foi chamado para uma audiência pela Igreja. Mesmo que sua declaração não tenha sido convincente, ele não foi mais incomodado.

O sucessor de Ludwig, Duque Friedrich, tinha uma grande preferência por ocultismo e alquimia e Studion esperava que se interessasse muito por seu trabalho, que ele chamou Naometria, ou seja: geometria do templo.  Por volta de 1600 havia na Alemanha muitas previsões de final dos tempos, que trazia muita angústia.  Studion queria, com seu livro, trazer um baluarte aos sinais, demonstrando uma solução e prenunciando a salvação.

Studion sabia de um grupo que se chamava “Crucesignati”, que havia se reunido em 1586 em Luneburg e havia inaugurado a Fraternidade Evangélica. Studion queria organizar um encontro em Konstanz, seguindo este exemplo, como um concílio de reforma.  Ali se tomariam precauções para o esperado julgamento divino. Studion esperava que o reino dos mil anos chegaria em 1621. Contudo, antes disso, iriam nascer 3 testemunhas, dos quais o primeiro nasceu em 1483 que, naturalmente, foi Martin Luther; a segunda testemunha viria em 1543, que era ele; e em 1593 Elias Artista, o alquimista, iria aparecer como o grande Anticristo.

Studion baseava seus cálculos nos do abade Joachim de Fiore que viveu de 1130 a 1202. Ele o chama, constantemente, de testemunha chave.

A Naometria atraiu a atenção do Duque Friedrich, principalmente porque continha material histórico e profecias, proveitosas favoráveis a si. De qualquer forma o trabalho circulava e também caiu nas mãos de estudantes em Tübingen.

A entrega do manuscrito ao Duque Friedrich ocorreu num período ruim, por causa da má experiência com o falso fabricante de ouro Georg Honauer, que foi preso e executado em 1597.

O Duque perguntou ao Studion se ele, com seu conhecimento de história, poderia escrever a história de Württemberg.  Assim foi escrita a história, enquanto o seu filho o substituiu na escola.

Para ter a atenção do Duque para o seu ideal, Studion escreveu, no Prefácio do seu livro de história que se chamava Ratio Nominis, uma dedicatória copiosa onde ele lembrava o Duque de seu livro principal, que o havia entregue na primavera de 1596.

O Conde Palatino Phillip Ludwig Von Neuberg ficou muito interessado na Naometria, e pretendia imprimir com gravuras de cobre. Talvez Studion tenha entendido, durante a negociação, que seu trabalho estava confuso em vários pontos. Portanto está justificado que em 1601 ele foi liberado pelo Duque de dar aulas para reescrever sua obra, o que durou até 1604. A dedicatória de 205 páginas ao Duque Friedrich, do livro de 1790 páginas, foi datada de 9 de novembro de 1604. O novo Naometria é uma melhoria muito importante pela divisão em capítulos e uma tabela de conteúdo, mas apesar disso os cálculos e a profecia obscureciam o real propósito do trabalho.

Em 19 de fevereiro de 1605, o Duque Friedrich mandou que Studion e sua esposa se mudassem para Maulbronn e que ele ganharia uma aposentadoria. O seu filho também foi realocado. Studion também ganhou um valor de 30 florins dos cofres da Igreja, que demonstra que o Duque não se esqueceu do seu trabalho de historiador. Pouco depois, Studion deve ter falecido, uma vez que era conhecido como beberrão, ficava doente e tinha um caráter difícil. Seu mapa se encontra no Adendo 12.

Max Heindel nos informa, em dois lugares diferentes, que a Ordem Rosacruz foi fundada no século XIII[12].

O famoso historiador holandês Dr. Adolf Santing escreve que o Epitáfio de Christian Rosenkreuz no Fama foi escrito em Latim do século XIII[13].

As tentativas de Luther em 1517 de limpar a Igreja Católica Romana de abuso, na verdade, só causaram uma separação, sem de fato mudar algo. Assim, no início do século XVII, as Igrejas ainda eram soberanas e estavam divididas em 2 grupos: católicos e protestantes. Este último, os Luteranos e Calvinistas, eram tão intolerantes ao pensamento divergente quanto os católicos.

Também, quanto à ciência, as Igrejas só aceitavam aquilo que encaixasse no interesse delas. Pesquisadores científicos eram forçados a rever sua forma de pensar, sendo ameaçados de prisão e várias vezes eram proibidos de publicar algo[14].

Um grupo de pessoas, em torno de Tobias Hess (1568-1614), fizeram um chamado em nome dos Rosacruzes aos líderes, clero e estudiosos da Europa, para fazerem uma reforma completa no campo da religião, política e ciência. Por volta de 1610 seu manuscrito chamado Fama Fraternitatis Roseae Crucis circulava com um chamado à reação.

A primeira resposta veio do Austríaco Adam Haslmayr (1562 – depois de 1630) que publicou, em 1612, uma resposta ao exemplar que ele leu em 1610, nomeado Antwort an die lobwurdige bruderschaft der Theosophen Von Rosencreutz[15].

Adam Haslmayr nasceu no dia 10 de novembro de 1562, em Bozen, Tyrol[16]. De profissão era organista, contador imperial e Professor de Latim na Escola Paroquial.

Depois da Primeira Guerra Mundial (1919/20) o sul do Tirol se tornou território Italiano e o nome de Bozen trocado para Bolzano. Veja seu horóscopo no Adendo 12.

No início de 1585 ele se casa com Anna Pruckhreiter de Bozen[17]. Em Bozen tiveram 5 filhos e 2 filhas, dos quais o primeiro foi Christoph Sigismund que nasceu em 10 de outubro de 1591.

Ele foi professor de latim em St. Pauls-Eppan até que, em 23 de março de 1588, ele se torna professor em Bozen.

Em 1592 foi publicado em Ausburg o livro Newe Teutsche Gesang – um canto de 4 a 6 vozes do qual existe um exemplar no museu britânico[18].

Um ano depois, em 15 de agosto de 1593, o Arquiduque Ferdinand entregou-lhe uma carta dizendo que ele podia usar um brasão de família – um galo bravo voador ou uma pequena galinha do bosque com um ramo de aveleira no bico – e foi assim que se tornou nobre[19].

Em 1586, Haslmayr ganhou um livro de Paracelsus, Philosophia Sagax do seu amigo Lorenz Lutz. Esse livro impressionou o católico Haslmayr, despertou seu ultraje, mas também iniciou um lento processo de transformação. Assim ele escreveu que em 1594, 6 anos depois, ele se converteu à nova religião Paracelsista “Sancta Theophrastica”.

Por consequência disto, em 1603 ele escreve seu primeiro de muitos tratados, com várias ideias paracelsistas que iam contra a Igreja Católica e que ele entregou ao Arqueduque Maximilian de Tirol. Por causa disso foi chamado a depor em Imsbruck e, como consequência, foi demitido da Escola Paroquial de Bozen em 10 de setembro, do qual ele ganhou uma pequena aposentadoria.

Depois de 15 anos como professor e contador imperial, e muitos anos de organista, ele se muda com sua família, da qual só 3 filhos ainda estavam vivos, para Schwaz, onde ele sobrevive como contador, tradutor de textos sobre alquimia, químico e médico espagírico.

Em 1610 ele se muda para Heiligen Kreuz, uma cidadezinha na região de Salbad Hall, um pouco ao ocidente de Imsbruck onde trabalha como contador imperial, traduz alguns livros do latim para o Alemão para o Prefeito e dá aulas de espagiria[20] (18) para seus filhos.

Em 1611 ele entra em dificuldades novamente porque o médico da cidade de Solbad Hall, Hippolytus Guarinoni (1571-1654) o denuncia às autoridades em Imsbruck. Ele recebe em 28 de janeiro de 1611 uma notificação por escrito. Assim surgiu no final de janeiro, início de fevereiro seu “Unterthemige Verantwortung” onde Haslmayr cita o Fama Fraternitatis R.C. pela primeira vez e também é o documento mais antigo arquivado que menciona os Rosacruzes.

Em 1611 Haslmayr escreve uma carta, juntamente com seu amigo Benedictus Figulus (1567-1624?), que conhece desde 1607, ao médico Dr. Karl Widemann (1555-1637)[21].

Em seguida Widemann convida Haslmayr para visitá-lo em Augsburg. Esta visita ocorreu no início de julho de 1611 e é o início de uma amizade para uma vida inteira.

Guarinoni havia escrito um livro impressionante Die Greuel der Verwustung menschlichen Geschlechts[22] (Ingolstad, 1610), onde ele liquida com Paracelsus e seus seguidores.  Haslmayr não resistiu em difamar este livro sempre que tivesse oportunidade e em outubro de 1611 escreveu Apologia em defesa de Paracelsus contra o “médico fajuto, enganador e fazedor de bebidas” Guarinoni, onde ele cita textos do Fama Fraternitatis mais de uma vez e também os Rosacruzes com textos como: O que os teósofos do R.C. não irão dizer no futuro sobre textos tão anticristãos, ridículos e criminosos?

Como dito antes por Adam Aslmayr que havia lido um exemplar de Fama Fraternitatis e formulou sua resposta[23], e enviou, em dezembro de 1611, juntamente com uma cópia do Fama, através do Widermann para o Sr. August Von Anhalt (1572-1653) em Zerbst, que publicou, em pequena escala, o Antwort an die lobwurdige Bruderschafft der Theosophen Von Rosen Creutz NN de Haslmayr, em março de 1612. É a primeira reação ao Fama, e o primeiro documento onde aparece o nome: Fraternidade Rosacruz. Haslmayr estava consciente que com a publicação de sua “resposta” iria causar muita irritação e esta publicação não ficou sem consequências.

Apesar de ter sido avisado por Widemann e de ter conversado sobre algumas rotas de fuga, Haslmayr não o ouviu. Erradamente ele achou que o Arqueduque Maximilian de Tirol ainda o protegeria e entregou sua Epístola da oratória (Epístola de exortação) para a corte de Tirol, na esperança de ser autorizado a ir para França, na região de Montpellier, à procura de uma Rosacruz. Contudo, as coisas ocorreram de forma muito diferente. Maximilian já havia dado ordens de prendê-lo no Presídio. Assim ele foi detido por acusação de ter ideias perniciosas e heréticas e concepções perigosas e que espalhava escritos maliciosos e venenosos[24].

Ele foi transferido para Gênova, Itália, onde, no dia 31/10/1612, exatamente no seu 50º aniversário, foi entregue ao alemão Adrian Von Sittinghause, que, conforme o próprio Haslmayr, o prendeu no Presídio de St. George. “Aqui tive que tirar todas as minhas roupas, rasparam a barba e o cabelo, tive que colocar as roupas de presidiário e me colocaram uma corrente no tornozelo, o que me fez sentir um cachorro acorrentado”[25].

Apesar dos apelos da esposa e dos amigos não conseguiram liberá-lo. Contudo, com o auxílio do Diretor Adrian Von Sittinghause, em Gênova, ele conseguiu antecipar sua soltura, depois de 4 anos e meio, no dia 1º de junho de 1617. Ele foi para a casa do amigo Dr. Karl Widemann, o médico de Ausburg, que o recebeu em sua casa. Durante sua estada na prisão, Widemann havia sustentado sua família.

Após seu retorno da Itália e sua mudança para Ausburg, no início de 1618, Haslmayr participou de uma furiosa controvérsia Rosacruz e escreveu vários tratados que, na maioria, se perderam. Em 1615 sua esposa faleceu. O último sinal de vida dele foi um comentário de Widemann: “abril 1618, quando ele estava aqui”[26].

Fora o conhecido manuscrito da Fama, que fazia parte da Biblioteca de Christoph Besold, e que hoje se encontra na Biblioteca de Salzburg, o Dr. Gilly conseguiu encontrar mais 3 manuscritos da Fama[27]. Na capa do exemplar de Besold está escrito: Fama Fraternitatis oder Bruderschafft dess Hochloblichen Ordens Roseae Crucis. An die Haupter, Stande und Gelehrten Europae. Neste manuscrito não aparecem os erros dos outros 3 e nem da primeira impressão de Kassel em 1614. O manuscrito também contém frases, que tanto os outros copiadores quanto a impressão de Kassel, não perceberam. Este não só ampliou as passagens, mas também os tornou legíveis. Infelizmente faltam algumas páginas neste manuscrito.

Tobias Hess foi batizado no sábado dia 10/02/1568 em Neurenberg e faleceu em 4 de dezembro de 1614 em Tubingen[28]. Ele estudou direito em Erfurt, Jena, Altdorf e Tubingen, onde se formou doutor em direito público e privado em 1592. Na sexta-feira 21/10/158 ele se casou com Agnes Kienlin (19/2/1568 – 8/1/1632) e depois no 20º domingo da trindade em 1588[29] foi celebrada a cerimônia religiosa do matrimônio. Esta união foi abençoada com 12 filhos[30], dos quais o primogênito foi Johan Conrad, nascido em 9 de junho de 1591.

Hess praticou por um tempo a advocacia, mas depois se ocupou com a arte da cura conforme Paracelso, botânica e alquimia.  Ao seu grupo de amigos íntimos pertenciam o nobre Austríaco Abraham Holzel, o Pastor Emérito Johann Vischer, o futuro Teólogo Johann Valentin Andreae, o irmão deste Johann Ludwig Andreae e o jurista Christoph Besold[31]. O Johann Valentin Andreae já conhecia Hess a muito tempo, pois este visitava os pais dele juntamente com seu pai, que faleceu em 1601, para fazer experimentos de alquimia. Também conheceu em 1606 fora ele e Johann Ludwig a irmã Margarethe. Mais tarde foi o único que conseguiu curar o Andreae de um problema no joelho.

Em 1605 a Faculdade de Teologia de Tubingen resolveu ouvir a opinião de Hess, que tinha uma grande predileção pela Naometria de Simon Studion, sobre Quiliasmo[32], e sobre a propagação da nova ideia sobre “tertio século” – o terceiro período do espírito, que começaria depois da queda, que se aproximava, do papado[33].

Neste círculo surgiu por volta de 1608[34], no primeiro decênio do século 17[35], o Fama e também o Confessio, que é citado 3 vezes no Fama[36]. Que Hess era a força motriz por trás disto e que Johann Valentin Andreae fazia parte deste grupo não era segredo nem para os que apoiavam ou eram contra o movimento.

No ano do falecimento de Hess, 1614 o Conde Moritz Von Hessen-Kassel (1572-1632) autorizou a impressão em Kassel do Fama[37], onde inclusive o “Antwort” de Haslmayr estava incluso, com o aviso que este foi aprisionado pelos Jesuítas (pelo médico da cidade de Hall, Hippolytus Guarinoni (1571-1654)), onde ficou por 4 anos e meio. Para uma história da vida deste primeiro manifestante das ideias dos Rosacruzes e seus fiéis seguidores indico sua biografia[38].

Johann Valentin Andreae (1586-1654) era de uma família tradicional de Teólogos Luteranos e nasceu em Herrenberg. Ele tinha uma saúde fraca. Seu pai faleceu no dia 19 de agosto de 1601[39]. E três semanas depois a família decidiu se mudar para Tubingen; Andreae tentou saltar da carruagem e caiu fazendo suas pernas entraram pelos raios de uma das rodas. A consequência disto foi que suas pernas torceram e pelo resto de sua vida ele andou manco. Ele entrou para a Faculdade de Artes de Tubingen em 1602 juntamente com seus dois irmãos, iniciando uma temporada extralonga de estudos, que foram interrompidas diversas vezes por investigações pessoais e devido as suas longas viagens. Ele só terminaria seus estudos em 1614.

No período de 1608 e 1612 ele conheceu o estudante de Direito Besold que deixou sua Biblioteca de 3870 livros[40] à sua disposição e também fez um contato mais próximo de Tobias Hess, que antigamente, já fazia experimentos de alquimia juntamente com o pai de Andreae. Os amigos sempre foram muito importantes para Andreae. De cada visita e encontro ele fazia anotações considerando que mantinha contato por carta com 300 pessoas. Bem cedo já ficou claro sua predileção por línguas e suas qualidades literárias. De seus muitos trabalhos o “Scheikundig huwelijk: Christiani Rosencreutz. Anno 1459”[41], que foi publicado de forma anônima em 1616, foi seu trabalho mais conhecido. Sua vida inteira ele, por medo, como mostra claramente seu horóscopo[42], tentou se manter afastado dos Rosacruzes, e até os menosprezava publicamente. Em 25 de fevereiro de 1614 ele começou sua profissão como ajudante de Pastor em Vaihingen perto de Stuttgart. Em 12 de agosto de 1614 ele se casa com Agnes Elisabeth Groniger com a qual teve nove filhos. Em 1618 começou a Guerra dos 30 anos. Por causa da Guerra sua casa queimou, primeiramente, em 19 de outubro de 1618 e depois em 20 de setembro 1634, onde se perdeu muitas obras de arte e manuscritos. Em 7 de outubro de 1641 Andreae se tornou doutor em Teologia. Após um infarto cerebral em 22 de maio ele chegou a falecer em Stuttgart no dia 7 de julho de 1654.

O Fama Fraternitatis R.C. e o Confessio Fraternitatis R.C. surgiram anonimamente. Trouxeram grande agitação porque entre 1614 e 1623 apareceram mais de 300 publicações tanto contra quanto a favor dos Rosacruzes.

Quanto aos autores do Fama e do Confessio circulavam todos os tipos de boatos e suposições. O Filólogo Prof. Dr. Richard Kinast (1892-1976) está convencido que há indícios de serem dois autores diferentes, mas não o Johann Valentin Andreae[43]. Andreae também não diz ter escrito nem o Fama nem o Confessio. Em sua biografia apenas diz ter escrito Chymische Hochzeit (Casamento Químico), mas este último trabalho não é considerado Rosacruzes pelos companheiros de época e também não o é conforme Van Dulmen e outros[44]. A ideia de que é um trabalho Rosacruz só surgiu séculos mais tarde[45].

Gilly diz em seu Cimelia Rhodostaurotica: “Apenas em seu “Indiculus Librorum de 1642” Andreae reconhece que foi o único autor do Theca e diz isso no Vita com as seguintes palavras: ‘Prodiere simul Axiomata Besoldi theologica, mihi inscripta, cum Theca gladii Spiritus, Hesso imputata, plane mea’”. (Ao mesmo tempo surgiu o Axioma theologica de Besold, atribuído a mim, com o Theca gladii spiritus (Bainha da espada espiritual), atribuído a Hess, mas é de minha plena autoria).

A publicação conjunta contém dois conjuntos de frases, dos quais o primeiro escrito por Besold foi atribuído à Andreae, e o segundo considerado um trabalho de Tobias Hess, mas que na verdade era de Andreae. Com esta última confissão Andreae não só assume ter escrito Theca, mas se implica como autor do Confessio Fraternitatis R.C.[46].

Em 1616 apareceu anonimamente em Strasburgo a obra Theca gladii spiritus: sententias quasdam breves, vereque philosophicas continens (Bainha da espada espiritual: contendo alguns breves e verdadeiros aforismos filosóficos) e começa com: Saudações ao leitor. Das anotações de Tobias Hess – um homem piedoso e muito dotado de todas as literaturas, que agora tem seu domicílio entre os santos – retiramos estes aforismos[47]. Este trabalho que consiste 800 em aforismos, contém 20 (nr 177-197) frases do Confessio, mas nenhuma, conforme Martin Brecht, do Fama, mas sim de livros posteriores de Andreae[48]. Porque no Theca aparecem 20 frases que também estão no Confessio, assim considera Brecht, e Gilly[49] concorda com isto, o Confessio foi escrito do Andreae.

Em 1610 já circulavam cópias do Fama, que foi impresso em 1614. Como já foi dito tem três referências ao Confessio que também já circulavam manuscritos[50] e foi impresso em 1615. Andreae diz que os 800 aforismos que estão no Theca vieram de anotações do Hess, porém mais tarde em seu Vita escreve que o Theca é de sua autoria.[51] Para mim isto não é uma prova convincente de que Andreae escreveu o Confessio, uma opinião que Van Dulmen também compartilha. ‘Porque’, assim diz ele, ‘não é certeza que Theca é um trabalho de Andreae; em minha opinião a ideia principal partiu de Hess, e também é conhecido que Andreae em outros escritos cita abundantemente outros autores. Usando como base a construção de Brecht acredito ser Hess o autor, a quem também o Confessio corresponde mais do que ao Andreae[52].

Sobre o fato que Andreae não pode ter sido o autor do Confessio, o Wolf-Dieter Otte diz o seguinte: ‘Pelo seu (de Andreae) tom positivo sobre a mística teologia e de pansofia de Gutmann, Khunrath e Sperber quando ele escreveu Mythologia Christiana (1619) e posteriores, que não existe dúvida. Permanece a divergência entre a pansofia Khunrath na Mythologia Christiana e o negativismo ‘Amphistheatralischen Histrio’ do Confessio. Ambos os escritos simplesmente não podem pertencer ao mesmo autor. Quem ainda considerar Johann Valentin Andreae como autor de Confessio terá se explicar esta controvérsia de forma convincente[53].

Van Dulmen escreve: ‘Para Andreae o Fama Fraternitatis era uma farsa, a Fraternidade Rosacruz uma invenção e todo o movimento Rosacruz uma baboseira’. E mais a frente: “Em seu trabalho De curiositatis pernicie syntagma (1620) Andreae chama a Fraternidade Rosacruz um pequeno truque de magia para os curiosos de seu tempo, uma armadilha e uma rasteira para os incautos”[54].

Como exemplo da riqueza de citações de Andreae de seus outros trabalhos como o Casamento Químico, veja a dissertação de Regine Frey-Jaun[55].

Outra publicação que pode ser considerado um terceiro trabalho dos Rosacruzes[56] é o Assertio Fraternitatis R.C. que surgiu em setembro de 1614, em Hagenau, escrito em versos em Latim e que consistia de 8 páginas não numeradas. Apareceu em 1614 em Frankfurt, assinado com B.M.I.

Deste surgiu uma tradução em alemão escrito em proza, em 1616 em Danzig. Também em 1616 o Assertio foi publicado na edição do Fama de Kassel (pág. 284-296) por um impressor anônimo, mas em outro dialeto.

Em 1618 foi publicado uma versão em rimas em Neuenstadt com o titulo Ara Feideris Theraphici F.R.C. der Assertio Fraternitatis R.C. etc.

Como o Assertio Fraternitatis R.C. também apareceu anonimamente muitos seguidores de Gerst, um arquivista de Ulm, que faleceu no século XIX, considera um trabalho do professor Suíço de Teologia Raphael Egli (1559-1622) sem terem qualquer prova a este respeito[57].

Resumindo podemos dizer que é certeza que o Fama e o Confessio foram concebidos no círculo íntimo de Tobias Hess e que praticamente certo é o autor de ambos; também é certo que Andreae, apesar de que em 1610 ter apenas 24 anos, pertencia a este grupo, mas considerando as controvérsias não é o autor do Fama nem do Confessio. Também é certo que Andreae escreveu o Casamento Químico, mas este não foi considerado um trabalho dos Rosacruzes pelos seus contemporâneos. Quem foi o autor de Assertio, com a iniciais B.M.I. , não é conhecido, mas estudando seu conteúdo percebemos que era alguém que sabia do que estava falando.

Para não interromper o texto de nossa história, estes três manuscritos – o Fama, Confessio e Asserio – estão no Adendo 1[58]. Quanto ao horóscopo de Johann Valentin Andreae veja adendo 12[59]. A história continua com a descrição de alguns, muito conhecidos e ligados aos Rosacruzes.

Daniel Mogling (1596-1635) – alias Theophilus Schweighardt en Valentinus de Valentia – descende de uma família de eruditos de Wurttemberg[60]. O seu avô a quem foi nomeado, nasceu em Tubingen em 1546. Era prof. Dr. em Medicina. Seu filho mais velho Johann Rudolf, nascido em 15-11-1570 em Tubingen, que também era Dr. em Medicina e médico da cidade de Boblingen, é o pai do nosso Daniel Mogling[61] o terceiro com o mesmo nome.

Seu pai faleceu em 03-01-1597 em consequência de uma infecção que pegou enquanto combatia uma epidemia em Boblingen. A mãe de Daniel, Anna Maria, que perdeu dois maridos no período de 3 anos, se casou logo depois, em 18 de junho de 1597 pela terceira vez, com Ludwig Baltz. Neste mesmo ano seu avô foi nomeado seu tutor e com seu falecimento seu filho mais velho Johann Ludwig, que também era Prof. Dr. em Medicina.

Em Abril de 1611 Daniel se inscreveu na universidade de Tubingen e em 1616 foi estudar medicina em Altdorf. Em 1617 ele estava muito ocupado com sua ‘pansophica studia’, o que quer dizer medicina, matemática, astronomia; e o problema da máquina do movimento perpétuo (moto-contínuo, ou perpetuum móbile) e a alquimia. O aparecimento do Fama Fraternitatis R.C. e do Confessio Fraternitatis R.C. em 1614 e 1615 trouxe grande agitação no mundo científico e Daniel também se sentiu chamado a entrar neste debate literário.

Mogling era conhecido de Andreae e Besold. Em sua publicação Pandora sextae aetatis em 1617 sob o pseudônimo Theophilus Schweighardt, Mogling observa que desde muito gostaria de ter enviado uma carta à Fraternidade, instigado pelo Fama. Em 1618 aparece seu Rosa Florescensens sob o pseudônimo Florentinus de Valentia, como reação aos escritos de zombaria de F.C. Menapius, ou Irenaeus Agnostus, pseudônimos de um colega de Altdorf, de Mogling, chamado Friedrich Grick. Pelo que sabemos ele descende de Wesel, pertencente ao município de Kleef e ganhava seu sustento entre outros como professor particular dos filhos patrícios de Nuremberg, Hieronymus e Christian Scheurl[62]. No Rosa Florescenses o Mogling usou pela primeira vez a palavra ‘pansophie’, antes do que Comenius: ‘Eis o Ergon Fratrum, o trabalho preliminar do Regnum Dei e da ciência superior, por eles (os Rosacruzes) chamada pansofia’[63]. Como complemento ao seu Pandora ele escreve em meio período, no início de março de 1617, para Caspar Tradel, Dr. em Direito, seu Speculium Sophicum Rhodostauroticum[64], sob o pseudônimo Theophilus Schweighardt. Neste trabalho aparecem umas 3 gravuras, das quais duas do Templo dos Rosacruzes. Para a descrição desta gravura veja Adendo 10[65].

Grick continuou atacando Mogling, apesar deste não reagir mais aos seus escritos. Por isto Grick decidiu na Páscoa de 1619 dar uma resposta ele mesmo sob o pseudônimo de F.G. Menapius[66].

No dia 1 de janeiro de 1619 Mogling se inscreveu novamente na Universidade e em 8 de março de 1621 se formou Dr. em Medicina. Em 2 de junho ele foi admitido como médico em Butzbach com a referência que seria útil também em matemática, especialmente em observações astronômicas. Um ano depois, no dia 30 de maio de 1622, ele se casa com Susanna Peszler, em Neurenberg, com a qual teve pelo menos 3 filhos. Ele faleceu no dia 29 de agosto de 1635 em Butzbach por conta de uma peste, apenas 2 meses antes de seu melhor amigo, Wilhelm Schickard (1592-1635) matemático e orientalista em Tubingen.

O Estadista Inglês Francis Bacon, que ao final de sua carreira foi nomeado Barão de Verulam e Visconde de Albans, parece ter estudado muito bem o Fama e o Confessio. A impressão que estes escritos tiveram sobre ele aparece em seu New Atlantis, escrito entre 1622 e 1624. A primeira frase: ‘Saímos navegando do Peru’, também aparece no Confessio[67]. A primeira das seis regras do Fama é curar os enfermos de forma gratuita, aparece também na casa dos estrangeiros em New Atlantis.

A informação, que mensageiros eram enviados a Bensalem para viajar pelo mundo e se informar sobre o desenvolvimento das ciências, corre de forma paralela ao Fama, onde os Irmãos, após terem se informado o suficiente, se separavam e iam para diversos Países fazer contato com os estudiosos. A descrição de Bacon sobre os estudiosos da casa de Salomão, é uma explanação sobre um esboço sobre o estudo da Fraternidade Rosacruz e do Fama. Onde a Fraternidade se estabeleceu, não é dito. No Confessio é citado no capítulo V: ‘Com sua nuvem Ele nos encobriu, que não poderá ser feito mal algum a seus servos. Por esta razão não podemos mais ser vistos por olhos humanos, a não ser aqueles que tem olhar de águia’. E no final do Fama está escrito: ‘Também o nosso edifício, mesmo que milhares de pessoas o tenham visto de perto, se manterá virgem, intacta, despercebida e totalmente escondida’. Também Bacon diz no final de seu trabalho de Tirsan de Salomão: ‘porque aqui estamos no seio de Deus, um país desconhecido’[68].

Michael Maier (1568-1622), nasceu no verão de 1568, numa família luterana de Kiel, na Província de Sleeswijk-Holstein, então dinamarquês e hoje território alemão[69]. Seu pai Peter foi um próspero bordador de ouro à serviço do cavaleiro real e governador dinamarquês Heinrich Von Rantzau (1526-1598). Por causa de sua inteligência o menino foi para a escola aos cinco anos. Por volta de 1584, quando Michael tinha 16 anos seu pai faleceu, mas com ajuda financeira ele conseguiu terminar seus estudos.

Após dois anos de ensino médio na cidade de Kiel ele se inscreveu, em fevereiro de 1587, na universidade de Rostock. Ele estudou principalmente Ciências, matemática, astronomia, grego e latim. Michael voltou, provavelmente por falta de dinheiro, sem o diploma para casa de sua mãe Anna e sua irmã em 1591, onde por um ano inteiro se dedicou à alquimia. Provavelmente com o conselho e ajuda financeira do amigo Matthias Canaris e sua família, ele decidiu, no verão de 1592, voltar a estudar na universidade de Frankfurt, no Oder. No dia 12 de outubro o jovem de 24 anos se formou doutor em Física[70]. Ele ficou um ano em Frankfurt e depois voltou para casa para, sistematicamente, estudar alquimia. Depois ele viajou para Danzig, Riga, Dorpat e algumas ilhas no Mar Báltico para, finalmente, chegar na Rússia. Após retornar a Kiel ele imediatamente iniciou uma viagem para Pádua, onde se inscreveu como estudante de Medicina no dia 4 de dezembro de 1595. Aqui foi coroado poeta laureatus caesareus [poeta imperial laureado] e visitou Bologna, Florence, Siena e Roma.

Em julho 1596 aconteceu em Pádua um incidente desagradável quando Maier entrou em conflito com um colega de Hamburgo e este se feriu seriamente. Ele foi a julgamento pelo Conselho dos Estudiosos alemães e foi condenado a pagar os custos e pedir desculpas. No dia seguinte ele fugiu escondido de Pádua para Bazel na Suíça. Aqui ele continuou seus estudos e se formou em 4 de novembro de 1596 como doutor em Medicina escrevendo uma tese sobre epilepsia. Depois retornou a sua casa.

Novamente ele viajou para os estados Bálticos e, provavelmente, abriu um consultório médico em Danzig. Aqui ele encontrou alojamento na casa de um anfitrião interessado em química e entrou em contato com alquimistas. Ele ficou rico quando encontrou um hipocondríaco asmático incurável que o empregou. Quando Danzig foi atingido pela epidemia da peste, eles fugiram para uma fazenda do anfitrião, onde eles fizeram experimentos de alquimia e Maier pode estudar a biblioteca de seu empregador por dois anos. O motivo do retorno dele para casa deve ter sido porque seu anfitrião recebeu um talco amarelo, que foi preparado por um Inglês alguns anos antes, e graças ao qual os sintomas desapareceram como por encanto. É quase certo que ele tenha recebido uma amostra do “aureum potabile”, ouro bebível, produzido pelo médico alquimista londrino Francis Anthony (1550-1623).

Em 1609 Maier entrou em contato com o Imperador Rudolf II (1552-1612), em Praga, um centro de alquimia. Em 19 de setembro 1609 ele se tornou médico da corte e em 29 de setembro ganhou o título de nobreza como Conde, mas a falta de dinheiro e o atraso nos pagamentos do seu salário o forçaram a partir. Ele viajou de Leipzig para Kassel e lá ofereceu seus serviços ao Conde Moritz van Hessel-Kassel, mas foi em vão.

No final de 1611 ele viajou para a Inglaterra, onde ficou por quatro anos. Aqui ele se dedicou, como anteriormente, à alquimia. Ele trabalhou junto com o médico alquimista Francis Anthony. Em 1613 Maier ouviu, pela primeira vez, sobre a existência da secreta fraternidade, uma tal de ‘fraternitas R.C.’ onde viu a personificação de seus ideais e expectativas da história natural. Que Maier encontrou o representante Inglês da Ordem Rosacruz Robert Fludd, como alguns escritores sugerem, mas não comprovam, é muito improvável. Em 1616 ele volta à terra firme da Europa novamente e viajou, via Colônia, para Frankfurt onde chegou em torno de agosto.

Seu livro, Jocus Severus (1617), escrito na Inglaterra, ele dedicou, durante sua viagem da Inglaterra para Boemia, “aos verdadeiros amantes da alquimia na Alemanha, conhecidos e desconhecidos, e em especial à Ordem Alemã que até agora se manteve secreta e que, com base no Fama Fraternitatis e no Confessio, pudemos admirar e ter em grande estima”.

Em Frankfurt ele ficou doente com a febre quartã (malária), que ele provavelmente pegou na Itália. Por isto teve a oportunidade de visitar a feira bienal do livro onde aprendeu mais sobre os Rosacruzes. Lá ele morou perto dos editores Johann Theodor de Bry e Lucas Jennis, que publicaram a maioria de suas obras até sua morte. No passado ele se dedicou à alquimia e a partir daqui ele se tornou um defensor da Ordem Rosacruz.

No verão de 1617 Maier se casou e em abril de 1618 ele diz que sua esposa pode dar à luz a qualquer momento. O nome de sua esposa não foi mencionado, nem se o parto correu bem.

Logo depois de abril de 1618 Maier foi trabalhar para o Conde Moritz van Hessel-Kassel (1572-1632), também chamado por Moritz, o sábio, como “médico e alquimista por nascimento”. Maier faleceu em Magdeburg no verão de 1622 de malária.

No seu Silentium post clamores (Silêncio após a tormenta) de 1617 Maier explica porque a Ordem obriga ao silêncio àqueles que a ela se candidatam. Que a Ordem é uma escola de mistérios, como na antiguidade as de Eleusis e Órfis. Que o Fama e o Confessio ‘não contêm nada contrário à razão, contra a natureza, a experiência ou da possibilidade das coisas’. Que os Irmãos seguravam a Rosa como um prêmio futuro, mas que eles impunham a todos que ingressassem a cruz. E da mesma forma que os Pitagóricos e os Egípcios, os Rosacruzes exigem um voto de silêncio e segredo. Os ignorantes a consideram-na uma fantasia, mas isto veio dos cinco anos de provas onde eles desenvolvem os iniciantes, antes de serem admitidos aos mistérios maiores[71].

Seu Themis Aurea de 1616, explica as seis leis áureas ou regras da Fraternidade que são citados no Fama[72]. Nesse livro Maier menciona que a medicina composta, que os Rosacruzes administram aos doentes é, como de fato era, a medula do grande mundo (macrocosmo). É o fogo que Prometeu roubou do Sol. Contudo, é necessário um fogo quádruplo para levar esta medicina à perfeição. Os Irmãos, contudo, são da opinião que existe uma força natural e uma predestinação, que é influenciada pelos corpos celestes.

Robert Fludd (1574-1637) – nascido no início de janeiro de 1574 em Milgate House, na província de Bearsted, no condado de Kent (Inglaterra). Após obter seu título em letras, dos 24 aos 30 anos estudou medicina. Depois viajou pela França, Espanha, Itália e Alemanha[73]. Fludd escreveu muitos livros, preenchidos com maravilhosas gravuras alquímicas. Em 1616 ele publicou em Leiden, na Holanda, sua Apologia Compendiária.

“Fraternitatem de Rosea Cruce suspiciones et infamiae maculis aspersam, veritas quasi Fluctibus abluens et abstergens”, uma pequena defesa da Fraternidade, que um ano depois também em Leiden foi publicado em formato mais completo com o título “Tractatus apologeticus integritatem Societatis de Rosea Cruce defendens”. Fludd viveu a vida inteira de forma casta porque considerava o desejo sexual a queda do ser humano.

Aos 22 anos Fludd era perito em astrologia natal e horária. Assim lemos em seu Utrisque Cosmi Historia, Tractatus Secundus o seguinte:

“Enquanto eu trabalhava na fase final do meu tratado de música não deixei o meu quarto por praticamente uma semana. Numa terça veio um rapaz de Magdalen me fazer uma visita e jantou comigo no meu quarto. No domingo seguinte fui convidado por um amigo da cidade para jantar. Enquanto me trocava para a ocasião não consegui encontrar o meu precioso cinto e bainha de espada, avaliados em 10 moedas de ouro francesas. Perguntei a todos na universidade se haviam visto meu cinto. Portanto, fiz um mapa da hora em que percebi sua falta, e me levou a observar, pela posição de Mercúrio e outros Aspectos, que o ladrão seria um jovem, morador do leste, enquanto o objeto roubado devia estar agora no sul. Enquanto pensava sobre isto lembrei da visita da terça, cujo prédio universitário ficava à leste de St. John. Depois enviei meu criado para conversar com o jovem que havia acompanhado meu visitante da terça-feira. Com palavras severas e ameaças ele conseguiu que o jovem confessasse que roubou os objetos e levou para um local que eu conhecia, nas redondezas da Igreja de Cristo, onde as pessoas ouvem música e se relacionam com mulheres. Isto confirmou minhas suspeitas que o local estava ao sul de St. John. E porque Mercúrio estava na Casa de Vênus, isto confirmou que estava associado à música e mulheres. Logo após, este jovem foi levado à presença de seu companheiro e ele se jogou ao chão. Ele jurou que cometeu o crime e implorou ao meu criado para não dizer nada. Ele prometeu devolver o cinto e a espada no dia seguinte. Ele cumpriu o prometido e recebi meus bens de volta, embrulhados em dois belos pergaminhos. Acontece que a casa de música perto da Igreja de Cristo era o lar de um receptador de bens roubados que tinha saqueado muitos estudantes corruptos, que se perdem com glutonaria e mulheres. Meu amigo me implorou para parar com o estudo de astrologia e disse que eu não poderia resolver este crime sem o auxílio de forças demoníacas. Eu agradeci seu conselho”[74].

Jacob Böhme[75] (1575-1624) nasceu na região de Alt-Seidenberg perto de Gorlitz, filho de agricultores simples e pobres. Não consegui descobrir a data de seu nascimento.

Não existe nenhum retrato feito de Jacob Böhme durante sua vida, a não ser uma descrição de seu amigo e pupilo Abraham Von Frankenberg. A sua condição física era fraca e ele parecia doente, ele era baixo de estatura e sua testa era curta, têmporas fundas, nariz encurvado, olhos cinzas quase azul celeste, uma barba curta e fina, uma voz tímida e carinhosa, ele era moderado nos gestos, modesto com as palavras, de conduta dócil, paciente e bondoso[76].

Aos 24 anos ele se casa e adquire direitos civis em Gorlitz onde se estabeleceu como sapateiro. Entre 1600 e 1606 o casal ganhou 5 filhos. Em 1612 ele escreveu Aurora do amanhecer avermelhado. Deste foram espalhadas cópias. Ele usava o nome ‘Philosophus Teutonicus’ e também era conhecido como ‘vidente’. A partir de então sua vida foi dificultada pelo pastor luterano Gregor Richter.

Em 1613, aos 38 anos, ele vendeu sua sapataria e inicia com a esposa uma loja de linhas. Naquele mesmo ano ele é proibido de escrever. Contudo, em 1619 ele volta a escrever. Mesmo em seu leito de morte ele precisou responder umas perguntas sobre sua fé para um clérigo. Este pastor se recusou a enterrá-lo, e só o fez após ser obrigado pelo administrador da cidade.

Joachim Morsius (1593-1644) que idolatrava os Rosacruzes conheceu o alquimista Balthasar Walter, o qual lhe falou do extraordinário mestre sapateiro de Gorlitz que entendia todas as artes (conhecimentos) dos Rosacruzes[77].

Johann Georg Gichtel (1638-1710)[78], nasceu em Regensburg, Alemanha, era um grande admirador e seguidor de Böhme. Ele estudou teologia e direito e trabalhava como advogado. Mais tarde quando conheceu os mundos espirituais ele fundou um movimento esotérico. Por volta de 1670 ele foi banido da igreja e sua propriedade foi confiscada e ele se refugiou na Holanda onde permaneceu os 40 anos restantes de sua vida. Sua notoriedade se deve ao fato de ter sido o primeiro a editar uma coletânea dos escritos de Böhme em 1682, em Amsterdam. As cartas de Gichtel aos amigos foi publicado em 5 volumes. De interesse especial é seu pequeno livro publicado: Theosophia practica, que foi compilado em 1696 pelo seu amigo Johann Georg Graber que completou com comentários sobre as ilustrações especiais. Em 1722 foi ampliado. O livro contém 5 gravuras coloridas, da qual a segunda ilustra os centros do Corpo de Desejos. Gichtel manteve estas gravuras em segredo desde 1695 até sua morte, e somente 10 anos após sua morte em 1723, elas foram publicadas. O teosófo C. W. Leadbeater (1854-1934) conhecia estas gravuras e insere uma gravura retirada de uma edição francesa em seu livro The Chakras[79].

O médico holandês Joannes Baptista van Helmont (1579?-1644) foi batizado no dia 22/01/1579 em Bruxelas como o mais novo de sete filhos de uma família nobre e católica romana[80].

Ele tinha 15 anos quando termina seus estudos de filosofia em Leuven e 20 quando se formou doutor em medicina. Em 1609 ele se casa com a aristocrata Marguerite van Ranst. Eles se mudam para Vilvoorde onde constituem uma família com 3 filhos. O do meio é um rapaz, Franciscus Mercurius, que após o falecimento do pai em 30 de dezembro de 1644, publica seus escritos.

Van Helmont foi o primeiro que descobriu a interligação do estômago com os outros órgãos.

Na história da química ele é considerado o descobridor dos gases. Em seu Ortus Medicinae – publicado em Amsterdam em 1648 – ele escreve em seu 14º tratado, pág. 73, parágrafo 29: ‘Este vapor, que eu chamei de gás, não está longe do Caos, sobre o qual os antigos falavam’ e no 20º tratado, pág. 106, parágrafo 14 ele escreve: ‘Ele até hoje desconhecido espírito eu chamei de gás’[81]. No Conceito Rosacruz do Cosmos, cap 11, Max Heindel explica que o Caos é considerado o Espírito de Deus, que penetra e permeia todas as partes do infinito. Tal como a antiga máxima: ‘O Caos é a sementeira do Cosmos’.

Também van Helmont teve dificuldades porque ele apoiou Rudolf Goclenius de Jonge (1572-1621) que foi acusado de idolatria e magia. Goclenius foi contratado por Moritz Von Hessen-Kassel como professor de química, matemática e medicina em Marburg. Defendia os ensinamentos de Paracelso e também se dedicava à cabala. Van Helmont escreveu um folheto em defesa do seu amigo Goclenius que foi publicado sem o seu conhecimento. Seguiu então uma investigação e em 1623 os membros da faculdade de medicina de Leuven designaram este trabalho como um panfleto monstruoso. A Inquisição espanhola em 1625 considerou 27 declarações com suspeita de feitiçaria. O tribunal eclesiástico católico romano de Mechelen decidiu processá-lo em 1627 e o intimou a repetir suas alegações em público no que ele concordou. Durante uma audiência em março de 1634, referente as anotações dele, Van Helmont também foi questionado sobre os Rosacruzes; se ele ao usar os termos “Irmãos” se referia aos Irmãos da Rosacruz. Ele respondeu que não os conhecia, e os considerava uma alucinação. Acima de tudo ele se declarava Católico Romano. Ele ficou com tanto medo que negava tudo e todos que antes havia defendido[82].

Jan Amos Komensky (1592-1670), melhor conhecido sob seu nome latinizado Iohannes Amos Comenius, nasceu no dia 28 de março em Nivnicky (Nivnice) na Moravia do Oeste, na República Tcheca[83].

Era membro da Comunidade dos Irmãos Morávios, e mais tarde bispo, um movimento dissidente dos Hussitas, e tornou-se conhecido como um dos grandes pedagogos do seu tempo. Por causa do controle que os Habsburgos (Católico Romano) tinham sobre a República Tcheca ele foi obrigado a fugir. De seus muitos livros aqui é interessante mencionar o livro: Het labyrint der wereld en Het paradijs des harten (O labirinto dos mundos e o paraíso dos corações)[84]. Foi escrito em 1623 e publicado pela primeira vez na Polônia em 1631. Conta a história de um peregrino que encontra diversos tipos de pessoas. Assim é o Cap. 13: ‘O peregrino conhece os Rosacruzes’. Na margem está escrito: “Fama fraternitatis anno 1612, latine AC germanice edita”, no latim (incorreto) e publicado na Alemanha.

Portanto ele também tinha um manuscrito do Fama publicado em 1614. Comenius faleceu no dia 25 de novembro de 1670, em Amsterdam.

No Cap. III e no Cap. XI do Conceito Rosacruz do Cosmos, Max Heindel cita Johann Wolfgang Von Goethe (1749-1832) como um Iniciado.

Sua ligação com os Rosacruzes aparece de forma especial em seu poema Die Geheimnisse, ein Fragment que foi escrito em 1784/85 e publicado em 1816. O poema, que ao todo contém 44 versos, cada um com 8 linhas, devem ter mais 2 ou provavelmente 3 versos a serem incluídos[85]. O poema conta a história de um candidato à iniciação, chamado Marcus. Goethe resumiu o poema da seguinte forma: Um jovem neófito, perdido numa região montanhosa, descobriu por fim, em um vale encantador, um belo edifício que o leva a suspeitar ser a residência de homens devotos e misteriosos. Encontrou aí doze cavaleiros, que após terem suportado uma vida tumultuada, na qual os problemas, o sofrimento e o perigo se sucederam uns aos outros, tomaram sobre si o dever de, por fim, viver aqui e servir a Deus secretamente. O décimo terceiro, que eles consideram seu líder, está a ponto de partir: de que maneira, permanece oculto. Contudo, durante os últimos dias começou a contar a história de sua vida, à qual o, recém-chegado, neófito faz uma breve alusão em termos calorosos. Uma misteriosa aparição noturna, de jovens festivos, que se apressam a iluminar o jardim com tochas indicam o final[86]. O nono verso deste poema, onde o irmão Marcus está diante da porta olhando o emblema dos Rosacruzes, diz:

Er fuhlet, was dort fur Heil entsprungen,

Den Glauben fuhlt er einer halben Welt;

Doch von ganz neuem Sinn wird er durchdrungen,

Wie sich das Bild ihm hier Augen stellt:

Es steht das Kreuz mit Rosen dicht umschlungen,

Wer bat dem Kreuze Rosen zugestellt?

Es schwillt der Kranz, um recht von allen Seiten

Das schroffe Holz mit Weichheit zu begleiten.

“De novo sente a redenção que daí irrompeu,

E sente em si próprio a fé de meio mundo;

Mas eis que um novo sentido lhe invade a alma,

Perante a cena que aos seus olhos se oferece:

Rosas abraçam em profusão a cruz!

Quem terá à cruz rosas acrescentado?

A coroa parece vicejar de todos os lados

Como que a trazer brandura ao rude madeiro”[87].

Max Heindel cita o Conde Saint Germain, que no século 18 mantinha relações diplomáticas com o Governo Francês com o objetivo de impedir a Revolução Francesa (1789-1794), uma reencarnação de Cristian Rosenkreuz[88].

A primeira prova de sua presença é uma carta que apareceu em Haia em 1735, que ele enviou de lá em 22 de novembro para o físico britânico Hans Sloane (1660-1753), cuja carta está no Museu Britânico, onde contém uma cópia no livro de Cooper-Oakley[89]. Sobre ele foi dito: ‘M. de St. Germain não comia carne, não bebia vinho e vivia conforme regras de vida muito rígidas’[90]. E mais: ‘ Ele parece ter 50 anos, não é gordo nem magro, tem um belo semblante intelectual, veste-se de forma simples, mas com bom gosto; ele usa os diamantes mais lindos em caixa de rapé, relógio e fivelas’[91]. Sua personalidade é envolvida em muitas anedotas. No registro da Igreja de Eckernforde no norte da Alemanha está escrito o seguinte: ‘Falecido em 27 de fevereiro, enterrado em 2 de março de 1784 o assim chamado Conde de St. Germain, um túmulo situado na Igreja Nicolai na sepultura nº 1; 30 anos de tempo para consumpção completa: 10 Reichsthaler[92], para abertura do mesmo: 2 Reichsthaler, no total: 12 Reichsthaler[93].

No início do século XX a Ordem Rosacruz estava procurando um candidato ideal para divulgar uma parte de seu conhecimento com o objetivo de parar o crescimento do materialismo. Para isto foi escolhido o dinamarquês Carl Louis Fredrik Grasshoff, que se mudou para a América e lá assumiu o nome de Max Heindel e cuja vida e trabalho serão descritos nos próximos capítulos.

Capítulo 2 – De Carl Grasshoff à Max Heindel

Vamos descrever a vida e trabalho de Carl Louis Fredrick Grasshoff que mais tarde, quando emigra aos Estados Unidos, muda seu nome para Max Heindel. Nasceu no início da manhã no domingo de 23 de julho às 4:32 AM em Aarhus na Dinamarca[94]. Seu pai, Frantz Louis Grasshoff, que em 1838 vislumbrou a luz da vida em Berlim, Alemanha, provavelmente veio para a Dinamarca com o exército Prussiano durante a guerra Alemã-Dinamarquesa em 1864[95]. Ali ele conheceu a dinamarquesa Anna Sorine Withen, filha do tamanqueiro Chresten Petersen Bregnetfeld Withen e sua esposa Mette Kirstine Petersen. Anna nasceu no dia 7 de fevereiro de 1842 em Frederiksgae em Aarhus. Frantz L. Grasshoff casou com ela no dia 7 de março de 1865 na Catedral de Aarhus[96].

A menos de cinquenta metros da Catedral de Aarhus, o padeiro mestre Grasshoff tinha uma padaria Vienense. Esta ficava na rua Kannikegade 2, naquele tempo também chamado de Kjodtorvet. Para aquisição desta padaria ele teve ajuda financeira do seu padrasto Volker[97] de Berlim. No andar superior da mesma ficava uma moradia de madeira. Neste endereço nasceu Carl Louis Fredrik, batizado no dia 15 de outubro de 1865 na Catedral Luterana e seu irmão, Louis Julius August no dia 20 de junho de 1867[98].

Depois de um período difícil nesta padaria – porque em 13 de setembro de 1866 foi concedido uma moratória no pagamento da hipoteca, o que normalmente significa a fase anterior de uma falência – parece que mais tarde as coisas começaram a melhorar. Porque não somente em 16 de novembro é retirada a moratória de pagamento, mas também Grasshoff abre uma segunda padaria no dia 1 de abril de 1868, em Horsens, uma cidadezinha a uns 42 km ao sul de Aarhus[99]. No dia 8 de abril acontece um acidente. Quando ele estava trabalhando com um aprendiz, logo cedo, próximo de uma caldeira à vapor, esta explodiu. Ele foi ferido, não apenas pelos fragmentos que voaram por toda a padaria, como atravessaram a porta de um estabelecimento do outro lado da rua, mas também teve sérias queimaduras, sendo levado às pressas ao hospital. O aprendiz apenas queimou os dois braços[100]. Naquela mesma tarde, após sofrer por 10 horas, Frantz Grasshoff faleceu de seus ferimentos, na jovem idade de 30 anos. Na terça-feira, dia 14 de abril, às 12 horas ele foi enterrado em Aarhus, onde o decano Boesen fez uma cerimônia de despedida consoladora[101].

A jovem viúva Grasshoff e seus dois filhos entram num período bem difícil. Ao repassar a Padaria de Horsens e vender a de Aarhus, eles são obrigados a se mudarem. No início de 1869 eles foram morar na rua Frekeriksgade 9, onde a Sra. Grasshoff sustenta a casa higienizando luvas quimicamente. No final daquele ano a família se muda para Sonder Allee 21, trabalhando como cabelereira para sustentar a casa. No dia 22 de novembro de 1870 eles mudam, novamente, para Mejgade 9 e dentro de seis meses houve nova mudança para Badstuegade 11[102].

Um ano e meio depois, no dia 6 de novembro de 1872, a família deixa Aarhus – provavelmente pelo nascimento eminente de Anna Emilie Larsen, que nasceu 3 semanas depois, no dia 26 de novembro de 1972 – eles se mudam para a Paróquia de Frederiksberg em Kopenhagen. Esta menina mais tarde se tornará uma atriz de teatro famosa e faleceu no dia 20 de janeiro de 1955[103].

Muitos anos depois Anna Grasshoff conheceu seu segundo marido, Fritz Nicolaj Povelsen, com quem se casou em 15 de junho de 1886[104].

Muito rápido depois da mudança para Copenhague, quando Carl tinha, aproximadamente, oito anos, ele teve um acidente quando estava indo com uns amigos a caminho da escola. Naquele tempo em Copenhague existiam muitos canais com beiradas altas de madeira que canalizavam a água para diversas partes da cidade. Os meninos gostavam de saltar esses canais, mas em determinadas partes estes canais eram ligeiramente largos. O jovem Carl sempre queria conseguir tudo um pouquinho melhor que os amigos, mesmo que estes fossem mais velhos. Quando chegaram numa destas partes mais largas, o Carl também ia saltar, quando com seu pé esquerdo atingiu o solo do outro lado com seu calcanhar virado ao contrário. Com isto seu pé torceu e causou uma dor muito intensa. Mesmo atrasado ele foi à escola e lá ficou com dor o dia inteiro. Naquela noite ele também teve muita dor, mas, não teve coragem de contar à sua mãe porque no dia anterior ao acorrido ele havia matado a aula com os amigos. No dia seguinte ele desmaiou na escola e seu pé estava tão inchado que tiveram de cortar seu sapato para tirá-lo.

Como consequência deste acidente ele ficou dezesseis meses acamado. Cirurgiões retiraram vários estilhaços de osso de seu pé, furaram seu calcanhar e inseriram canudos para retirar a enorme quantidade de pus que se formou lá dentro.

Quando ele, finalmente, foi autorizado a sair da cama, ele ainda precisou usar as muletas por seis meses e, por dez anos após o incidente, ele usou uma bota especial com tiras de aço para apoiar sua perna. Somente depois disso teve força suficiente, em seu pé, para andar sem estes apoios. Contudo, de um lado do pé o ferimento não sarava; lá ficou um ponto dolorido e com abertura de aproximadamente 20 cm de comprimento e 1,5 cm de largura, que o Carl tinha, de manhã e à noite, que fazer o curativo. Somente após trinta anos, depois que ele já tinha adotado o vegetarianismo há 6 meses é que o ferimento se curou[105].

A vida em casa se tornou difícil e, por isto, Carl decidiu deixar sua família e tentar a sorte na Inglaterra. Ele partiu de navio para Glasgow, onde desembarcou por volta de 1884[106]. Aqui ele encontrou um emprego numa tabacaria e morava na rua Argyle Street 438[107].

Tempos depois ele conhece sua futura esposa, Catharine Dorothy Luetjens Wallace, que trabalhava numa litografia. Ela nasceu em 4 de janeiro de 1869 em Glasgow e era filha ilegítima do construtor de caldeiras James Barr e Mary Anne Wallace[108]. Carl Grasshoff mal havia completado vinte anos quando, em 15 de dezembro de 1885, casou-se com a jovem de dezesseis anos[109]. Logo após eles deixam Glasgow e se mudam para Liverpool.

Deve ter sido neste período que o Carl comprou um exemplar da revista London Light e leu o poema ‘uma oração’ de Florence Holbrook[110]. Este poema o influenciou tanto que nunca mais o esqueceu.

Provavelmente influenciado pelo padrasto de Cathy, Henry Robinson, marinheiro mercante, Carl resolveu seguir a mesma profissão[111]. Durante o nascimento de sua primeira filha, Wilhelmina Catherine Anna, no dia 5 de novembro de 1886, falecida em 1 de abril de 1980 em Sudbury, Massachussets, ele já trabalhava na marinha mercante[112].

Dois anos depois, no dia 6 de novembro de 1888 nasceu a segunda filha, Louisa Charlotte[113]. Ela faleceu no dia 9 de julho 1960 em Reading, Massachussets. Após o nascimento dela, Carl decidiu voltar com sua família para Copenhague onde, em 5 de novembro de 1889, nasceu sua terceira filha, Nellie[114].

Uma quarta criança, desta vez um menino chamado Frank, nasceu em 15 de janeiro de 1891[115]. Durante a segunda Guerra mundial ele mudou seu nome para Frank Gordon[116].

Sobre o tempo em que Carl Grasshoff viveu em Copenhague a sua filha Wilhelmina me contou o seguinte:

“Eu me lembro que meu pai trabalhava com seu irmão Louis numa empresa de importação. Quando éramos crianças, nós vivíamos muito bem. Na Dinamarca nós tínhamos uma casa grande e empregados na casa, possuíamos telefone pelo qual eu, como criança, tinha muito interesse. Nós também tínhamos um macaco que tinha seu próprio quarto. Também tínhamos o nosso quarto de brinquedos.

O irmão do meu pai era casado. O nome da sua esposa era Yrsa. Eles tiveram um filho, Alexander, que se mudou para os EUA logo antes da primeira guerra mundial.

Tia Anna casou-se com Jorgen. Eles tiveram dois filhos, Edith e Sigaard. Sigaard faleceu na primeira guerra mundial. Tia Anna era atriz e morava na Dinamarca.

No período que meu pai esteve ausente, sua mãe, nossa avó, cuidou de nós. Para nossos cuidados ele deixou um dinheiro com ela e o que restou do dinheiro foi enviado de volta a ele quando nós fomos para os EUA”[117].

O casamento com Cathy ficou atribulado de tal forma que Carl e ela decidiram se separar. Cathy foi morar num quarto alugado, em Copenhague mesmo, e Carl queria ir para os EUA para construir um novo futuro lá[118]. Os quatro filhos ficaram, temporariamente, em Copenhague, e foram cuidados pela sua avó paterna. Foi em 1893 que Carl partiu para os EUA[119].

A primeira exigência era encontrar um trabalho, que ele acabou encontrando como corretor de seguros e, mais tarde, como mecânico da Companhia de Eletricidade de Nova York. Alguns anos mais tarde Max Heindel morava em Somerville, Massachusetts, em uma cidade próxima a Boston[120]. Lá ele trabalhava como corretor de seguros e mais tarde como mecânico em uma cervejaria[121]. Em 10 de abril de 1895 ele se casa novamente com uma dinamarquesa oito anos mais velha que ele, chamada Louisa Anna Peterson. Ela tinha quatro filhos de um casamento anterior, três filhas e um filho, dos quais o mais velho era casado[122]. Apenas o caçula tinha idade próxima a dos filhos de Max Heindel.

No dia 7 de setembro de 1898 os quatro filhos de Max Heindel partem de Copenhague com o S. S. Island para USA e se juntaram a seu pai com sua segunda esposa[123].

Também este segundo casamento não satisfez as expectativas do Max Heindel, portanto, se seguiu outra separação. Max e seus filhos se mudaram para Hillside Street 156 em Roxbury, também próximo de Boston, mas ao sul[124]. O trabalho também não estava fácil. Assim corre a história que ele trabalhou por um tempo como engenheiro num navio a vapor que navegava nos grandes rios. Seu último navio afundou, mas Max Heindel conseguiu nadar até a margem. Após este incidente ele parou de navegar e foi trabalhar como engenheiro consultor para aquecimento e refrigeração.

Neste período ele, provavelmente, se associou a Sociedade Quakers[125]. No início do século vinte a Califórnia era vista como o Eldorado, porque foi encontrado ouro lá. Também Carl Louis Fredrik Grasshoff, usando seu novo nome Max Heindel, resolveu tentar a sorte[126].

Em 1903, ele partiu para Los Angeles, enquanto seus filhos permaneciam em Roxbury. Ali ele trabalhou, por um tempo, como engenheiro, mas a adversidade o seguiu e a fome e privações eram seus companheiros diários. Quando ele caminhava, tristemente, pelas ruas de Los Angeles, em dezembro de 1903, ele viu o anúncio de uma palestra sobre reencarnação, que seria proferida pelo teósofo Charles W. Leadbeater[127]. Para passar o tempo, que para ele pesava como chumbo em seus ombros, e atraído pela promessa que qualquer pessoa possuía capacidade de clarividência, Max Heindel decide assistir a palestra. Na porta estava Augusta Foss, que na época já fazia parte da Sociedade Teosófica, a quatro anos. Ela o leva para um lugar e observa que ele é manco de uma perna. Na tarde seguinte Max Heindel vai para a biblioteca da Sociedade com o objetivo de emprestar um livro do Leadbeater, chamado “Plano Astral”. Lá ele encontra novamente a Augusta Foss, que estava ajudando a bibliotecária recebendo os novatos que viessem por causa da Palestra da noite anterior. O livro desejado não se encontrava lá e por isto ele emprestou os livros “Carma” e “Reencarnação” de Annie Besant.

Durante uma conversa com a Augusta Foss, ela percebe que ele, Heindel, mora perto da casa onde ela mora com a mãe. Ela o convida para visitá-la, o que Max Heindel aceita. A consequência disto é que ele passa diariamente na casa dela, formando uma amizade muito forte entre ele, Augusta Foss e a mãe inválida, que também se interessa por assuntos esotéricos.

Max Heindel escreve, no dia 15 de janeiro de 1904, uma carta ao Sr. Leadbeater, dizendo que ele, no início, queria ser clarividente por questões pessoais, mas lendo o livro da Sra. Besant ele aprendeu, que os poderes ocultos devem ser usados em prol da humanidade[128]. Após participar da segunda de uma série de Palestras do Sr. Leadbeater, Max Heindel, figurativamente, devora a Teosofia e ele também a coloca em prática. Ele para de fumar, não bebe mais álcool e se torna vegetariano. Ele também tenta dominar seus pensamentos e desejos mundanos e sempre falar a verdade. Ele fez uma transformação radical.

Augusta Foss era filha de William Foss e Anna Right e nasceu no dia 27 de janeiro de 1865 às 17:15 h, 18 km ao sul de Mansfield, Ohio[129]. William Foss era de Mogendorf, a este de Koblenz, Alemanha, onde nasceu no dia 6 de março de 1853 e, aos 22 anos se mudou para EUA. Seu nome era escrito Voss. Anna Marie Right nasceu em Neuwied, no dia 4 de junho de 1827, ao norte de Koblenz. Eles se casaram no dia 6 de junho de 1855 e tiveram sete filhos, todos nascidos perto de Mansfield. Augusta era a penúltima. A família Foss se mudou para Los Angeles nos anos oitenta e construíram uma casa em cima do morro em 1885, na South Bunkerhill Avenue, 315.

Augusta Foss, de família luterana, começou a estudar ocultismo e astrologia em 1898. O Sr. Hansen escreveu na Revista Rays from Rose Cross sobre este último, o seguinte: ‘Em 1898 ela se interessou pela primeira vez sobre astrologia e pagou 10 dólares por um curso de um tal de professor Baker. O bom senhor com certeza dominava o assunto, mas, assim diz a Sra. Augusta Foss Heindel: “Ele tinha Vênus na primeira Casa e tudo que recebemos pelos nossos 10 dólares foi um período legal e uma lista de Planetas com suas divisões em Sextis e Quadraturas[130].

Inicialmente ela foi membro dos Hermetistas e, aproximadamente, dois anos dos Teosofistas. Lá ela era ativa como recepcionista e depois como assistente da biblioteca.

Rapidamente Max Heindel também se associou à Loja Teosófica, onde por três anos foi um membro bem ativo; nos anos de 1904 e 1905 era vice-presidente. No tempo em que Max Heindel foi associado muitos membros demonstraram interesse por astrologia, inclusive Max Heindel. Augusta Foss os ajudou nos estudos.

Neste período ele apresentou duas Palestras pela Sociedade Teosófica em Los Angeles sobre a Madame Blavatsky e a Doutrina Secreta. Essas anotações foram, posteriormente, transformadas em livro pelo Sr. Manly Palmer Hall e publicado pela primeira vez em 1933 pela imprensa Phoenix Press em Los Angeles[131]. Também em outros lugares ele profere palestras e o Sr. Jinarãjadãsa escreve o seguinte: ‘Eu devo muito ao Max Heindel. Quando eu o conheci em Tacoma, Washington, ele era palestrante da Sociedade Teosófica e ele me contou que apresentava as palestras com uso de slides. Isto para mim era uma novidade e por solicitação minha e para me informar melhor, ele me levou ao seu quarto e me mostrou os slides e como ele com sua lanterna mágica ou projetor de slides fazia com que aparecessem numa tela branca em formato maior. Eu vi novas possibilidades de demonstrar diagramas e na minha volta para Chicago desenvolvi diversos diagramas que ficaram maravilhosos para transformar em slides. Estes diagramas, juntamente com outros retirados de livros, formaram o trabalho “First Principles of Theosophy”[132].

Pelo intenso trabalho que Max Heindel fazia para desenvolver seu imenso desejo de conhecimento oculto, ele acabou ficando muito doente no verão de 1905. Sua cardiopatia foi tão intensa que por meses sua vida ficou por um fio. Por ter ficado, algumas vezes, por até dois dias sem comer nada o seu corpo estava totalmente debilitado.

Na Sociedade Teosófica Max Heindel conheceu uma senhora pela qual ele desenvolveu sentimentos especiais. Ela se chamava Alma Von Brandis[133]. Ela nasceu em Chicago, no dia 24 de julho de 1859, era filha de um osteopata e morava em Los Angeles. Ela tinha planos de ir para a Europa para visitar sua família. No momento que o navio partiu, Max Heindel teve sua primeira experiência fora do corpo, que ele descreve da seguinte forma: “Quando falo de experiência espirituais, talvez não seja errado dizer que uma vez foi capturado por uma câmera fotográfica. Este fato ocorreu quando eu estava numa cama de hospital, me recuperando de uma cardiopatia provocada por um longo período de estudos fervorosos e muito trabalho. Antes deste momento nunca havia tido experiências psíquicas, mas numa manhã de domingo, quando minha querida amiga [Alma Von Brandis] partiu para a Europa, eu me vi em pé ao lado da cama, vendo meu corpo deitado que estava relaxado e dormindo. Contudo, eu não tive medo; parecia que estava tudo em ordem.

Depois, estimulado pelo desejo de ver minha amiga, que foi o motivo de minha libertação de meu corpo, percorri os 32 km até ao Porto de San Pedro, onde me encontrei com minha amiga a bordo do navio. O navio estava ao ponto de partir e neste momento um amigo em comum tirou uma foto. Quando o filme foi revelado, meu rosto estava claramente visível com uma barba de algumas semanas, que eu havia adquirido no hospital”[134].   

Max Heindel continua: “Meus estudos, aspirações e um exercício praticado por um longo tempo, que eu imaginava ter inventado, mas que percebi, depois, que havia trazido do passado; isto tudo fez com que fosse possível, durante esta doença, por um curto período, sair do meu corpo e depois retornar novamente. Eu não sabia como havia feito, e não estava em estado de fazer novamente por espontânea vontade. Um ano mais tarde fiz, por coincidência, novamente”[135].

Após esta doença severa, no outono de 1905, Max Heindel deixou a Sociedade Teosófica e, em abril de 1906 ele iniciava seu primeiro ciclo de palestras. Em sua viagem ao Norte, onde proferia palestras sobre Cristianismo Místico e Astrologia, ele acabou chegando em São Francisco, onde ele acreditava ter um grande terreno a ser trabalhado. Contudo, algo dentro dele dizia para não ficar. Ele decidiu obedecer à esta intuição e partiu. No dia seguinte de sua partida, em 18 de abril de 1906, São Francisco sofreu um imenso abalo sísmico e um incêndio que devastou parte da cidade.  Daqui Max Heindel foi para Seattle.

Max Heindel conta um fato onde não somente demonstra seu estado físico, mas também o que um estilo de vida vegetariano pode trazer como consequência. “Numa manhã, aproximadamente três anos após passar para uma vida vegetariana, tive um acidente e perdi uma unha pela raiz. Se isto tivesse acontecido quando eu ainda não era vegetariano teria sangrado muito, porque então meu sangue não coagulava e qualquer simples machucado sangrava longamente. Nesta ocasião perdi somente algumas gotas de sangue que coagularam rapidamente e, portanto, só necessitei de um pequeno curativo, que foi retirado mais tarde para não atrapalhar na datilografia. Normalmente quando perdemos uma unha o local infecciona, mas isto não aconteceu. A pele sarou dentro de alguns dias e durante os seis meses que levou para crescer uma nova unha, excetuando as primeiras horas, eu consegui usar meu dedo normalmente[136].

Após uma série de Palestras em Seattle, Max Heindel precisou ficar, novamente, um tempo hospitalizado, devido a uma falha nas válvulas cardíacas. Depois disto ele foi para Duluth, onde conseguiu muito sucesso com seus cursos.

Durante sua viagem pela Europa a Sra. Alma Von Brandis assistiu a palestras do Dr. Rudolf Steiner. Steiner, que no início de 1902 se tornou membro da Sociedade Teosófica e mais tarde naquele ano se tornou Secretário Nacional da Alemanha, se declarava ser um iniciado da Ordem Rosacruz[137]. Ela se tornou membro junto de Steiner e insistiu para que Heindel fosse para Viena para ouvir uma Palestra de Steiner. Contudo, devido à sua doença em Seattle ele não estava em condições de responder, e nem estava disposto a abandonar sua turnê de sucesso. Também não tinha condições financeiras para empreender uma viagem destas.

No outono de 1907 Dra. Alma Von Brandis retornou aos EUA e se encontrou com Max Heindel em Duluth. Porque ela já estava a meses tentando convencer Max Heindel, por escrito, a ir para a Europa desta vez veio tentar pessoalmente. Pela oferta dela, de pagar os custos da viagem, ela, finalmente, conseguiu convencê-lo. Com esta oportunidade, Max Heindel aproveitou para primeiro visitar sua família na Dinamarca e, depois, foi para Berlim.

Capítulo 3 – A Teosofia na Alemanha nos idos de 1900

Para colocar os acontecimentos da Alemanha no devido lugar devemos, primeiro, detalhar a organização do Movimento Teosófico, assim como a posição de Rudolf Steiner. Não é tarefa simples porque a organização do Movimento Teosófico na Alemanha, no início do século vinte, era muito complicada.

O início disto tudo ocorreu em 17 de novembro de 1875, em Nova York, quando Sra. H. P. Blavatsky, H. S. Olcott, W.Q. Judge e outros treze fundaram o Movimento Teosófico em Nova York. O objetivo do Movimento era: formar o Centro de uma Fraternidade Universal, sem diferenciar: raça, crença, sexo, casta ou cor de pele; estudar as religiões antigas e modernas, filosofias e ciências e pesquisar as inexplicáveis leis da natureza e os poderes psíquicos do ser humano[138]. Ela foi a escritora de Isis sem Véu (1877) e A Doutrina Secreta (1888). Em 1879 a Sede Central se mudou de Nova York para a Índia, em Bombay; em 1882 foi adquirido uma propriedade em Adyar, uma cidade perto de Madras e lá foi construída a Sede definitiva do Movimento Teosófico ‘Adyar Theosophical Society’[139].

No dia 27 de julho de 1884, à noite, às 19:06 horas, na cidade de Elberfeld na Alemanha, sob supervisão do Coronel H. S. Olcott, foi fundada a ‘Theosophischen Sozietat Germania’, com dr. Wilhem Hubbe Schleiden (1846-1916) como presidente. Contudo, após dois anos e meio, no dia 31 de dezembro de 1886, ela foi novamente extinguida[140]. Contudo, Hubbe Schleiden continuou trabalhando no mesmo espírito que o Movimento Teosófico, e em 1886 fundou a revista Sphinx. Quando ele percebeu que grupos em diversas cidades começavam a se formar ele decidiu fundar em 1892 a Sociedade Teosófica em Berlim e no dia 3 de novembro de 1893 a primeira ‘Roda Esotérica’[141]. Como constantemente surgiam novos associados, decidiram formar uma estrutura oficial e na presença de Olcott no dia 29 de junho de 1894 fundaram a ‘Sociedade Alemã de Teosofia’ como ramo da Teosofia Europeia[142]. O Presidente era Hugo Goring e logo depois Julius Engel que, em 1899, foi substituído por Sophie, Condessa Von Brockdorff[143]. A Presidência Nacional era de Hubbe Schleiden e Theodor Reuss (1855-1923). Com o decorrer do tempo a Condessa assumiu a dianteira, ao lado do Movimento Teosófico Alemão, apesar de Berlim ser apenas uma loja Teosófica, mesmo tempo muitos associados. Julius Engel sentiu isto como uma limitação inibidora de sua atividade que ele se retirou da Presidência Nacional e em 1899 fundou a loja de Charlottenburg. Também em outras cidades alemãs surgiram lojas depois de 1894.

O rompimento com a Sede Mundial trouxe consequências na Alemanha[144]. Katherine Augusta Tingley (1851-1926), a substituta de William Quan Judge (1851-1896) que rompeu com Adyar, viajava por sua tournée Teosófica em 1896, também pela Europa. Por sua influência, Paul Raatz fundou em 24 de junho de 1896 uma ramificação dela em Berlim com o médico Dr. Franz Hartmann (1838-1912) como Presidente. Este, por sua vez se afastou de Tingley e no dia 3 de setembro de 1897 fundou em Munique a ‘Fraternidade Internacional Teosófica’[145] que se apresentava como ‘Sociedade Teosófica Alemã’[146] e em 1898 estabeleceu sua Sede Central em Leipzig[147].

Em meados de setembro de 1900 o quase quarentão Steiner foi convidado a palestrar na casa do Conde e da Condessa Von Brockdorff em Berlim, sobre o recém falecido Nietzsche. No Adendo 7, referente Steiner, será explicado profundamente como Steiner se filiou à Teosofia. Aqui relato a relação de Steiner com os outros Teósofos.

Steiner se associou ao Movimento Teosófico no dia 11 de janeiro de 1902 e no dia 17 de janeiro se tornou Presidente da Loja de Berlim; no dia 20 de outubro se tornou Secretário Geral da Alemanha e no dia 23 de outubro se inscreveu na Escola Esotérica (Steiner tinha planos de fundar uma Roda Secreta de Rosacruzes). Klatt escreve o seguinte sobre isto: ‘Ele [Steiner] introduziu a escola ocultista dos Rosacruzes dentro do ramo alemão do Movimento Teosófico, e com isto semeou a base da ruptura que ocorreu em 1912/13. Na verdade … já era conhecido este interesse extraordinário de Steiner pelo Rosacruzes antes mesmo dele ser Secretário Geral do Movimento Teosófico da Alemanha. Prova disto é uma carta dele datada de 14 de agosto de 1902 para Hubbe Schleiden. Com ele, Steiner também havia conversado pessoalmente sobre o Rosacruzes como mostram anotações de Hubbe Schleiden para Deinhard. Neste exemplo iriam formar uma roda secreta dentro do ramo da Alemanha. Sobre isto Hubbe Schleiden escreve em sua carta, datada de 15 de outubro de 1903 para Deinhard: Precisam ser pessoas refinadas e muito cultas – uma roda silenciosa de ‘Rosacruzes’, para os de fora, desconhecidos, e sem serem reconhecidos, trabalhando em prol da humanidade e espalhando sementes’[148].

Muitos associados reclamam que Steiner não cita suas fontes de informação, porque isto era uma regra entre os Teósofos. Assim escreve, por exemplo, Max Gysi (1874-1946) no dia 14 de setembro de 1904 para Hubbe Schleiden: ‘O Sr. pode esclarecer em que tradição secreta o Dr. Steiner se baseia para fazer afirmações nas três últimas edições do Luzifer-Gnosis sobre: Como adquirir consciência nos mundos superiores? ’. Uma resposta para esta pergunta Klatt encontrou entre os pertences de Hubbe Schleiden numa carta de Georg Bruno Haucks para Felix Knoll datada de 26 de abril de 1915[149]. Lá ele escreve sobre Steiner e sua revista Luzifer: ‘Ele foi o primeiro a escrever na revista sobre “como adquirir consciência nos mundos superiores” e com isto penetrou nos ensinamentos de Blavatsky/Besant, sem informar as fontes de referência. Tudo o que ele disse e escreveu podemos ler nos escritos de ambos de forma mais clara, simples e bonita’.

Haucks, que ouviu Steiner em Berlim, escreve no dia 8 de fevereiro de 1914 para Hubbe Schleiden: ‘Eu vi como o Dr. Steiner explica as doutrinas antigas, como se fossem descobertas por ele, sem citar as fontes da literatura teosófica; e os pesquisadores como Leadbeater, Besant, etc. são ignorados de forma angustiante; nunca mencionando hierarquias ocultas e se vangloriando que é o “Místico Alemão e descobridor dos mundos espirituais”[150].

Para finalizar uma carta de Hubbe Schleiden datada de 22 de fevereiro de 1907 para seu amigo Ludwig Deinhard (1847-1917): ‘O que nos vinte anos atrás aprendemos, na verdade não era melhor do que ele [Steiner] agora ensina. Na verdade, ninguém sabe de onde ele tira sua sabedoria, que não é indiana, porque o específico Cristianismo Germânico se opõe, e não é Rosacruciana Cabalística, porque mistura as ideias indianas da teosofia moderna, enquanto ‘Sfinx’ [Sra. Blavatsky] cita sempre suas fontes[151].

Hugo Von Gizycki escreve no dia 11 de janeiro de 1909, entre outros, para Hubbe Schleiden: ‘Eu só ouvi Steiner três ou quatro vezes, mas desisti de suas Palestras. Aquilo que ele trazia só podia ter sido visto por um clarividente e com certeza por clarividência. Contudo, não vi nele um clarividente, porque ele não trazia nada além do que eu já sabia, que já me havia sido ensinado pela doutrina oculta indiana, de H.P.B. [H. P. Blavatsky]. E o público que observei eram pessoas ignorantes e sem discernimento, mas principalmente totalmente ignorantes no sentido espiritual. Steiner não dava as fontes de onde tirava suas informações, portanto o público adorava-o cegamente e o considerava um profeta’[152].

Assim estavam as condições e a situação em que Heindel encontrou a Alemanha, descrito por seus contemporâneos.

Capítulo 4 – Max Heindel na Alemanha

Quando Max Heindel chegou em Berlim, em novembro de 1907, e encontrou moradia foi necessário se inscrever na polícia, mesmo sendo tempos de paz. Isto significa que precisou entregar seus documentos e responder uma enorme lista de perguntas pessoais a funcionários que pareciam não amistosos[153]. Seu objetivo era, por cinco meses, estudar intensivamente os ensinamentos de Steiner, apoiado por Alma Von Brandis. Ela se filiou à linha Teosófica de Steiner em 1906. Steiner, apesar de ser Representante Superior do Movimento Teosófico de Adyar na Alemanha, também dizia ser dos Rosacruzes. Justamente este último era o motivo de Max Heindel ter ido para a Alemanha, novamente sob seu nome de nascimento, Grasshoff. Assim como Steiner, Heindel também esteve associado ao Movimento Teosófico de Adyar[154] e, como associado, foi Vice-Presidente da loja de Los Angeles e estudou a teosofia profundamente. Para saber o que era especificamente os ensinamentos dos Rosacruzes, nas informações de Steiner que estavam disponíveis, existiam uns sete livros, complementados com dois estudos, que surgiram mais tarde e eram considerados da Escola Esotérica; pelo que Max Heindel conseguiu se informar na época[155]. Nada mais lógico que Max Heindel fosse assistir suas palestras e participasse das duas turmas da Escola Esotérica de Steiner. Assim escreve Paula[156] para seu pai adotivo dr. Wilhelm Hubbe Schleiden, jurista e empresário (1846-1916) no dia 5 de janeiro de 1911: ‘No número de outubro do Hochland eu li o artigo contra Steiner. Driessen[157] deve ter te entregado. Eu achei interessante, o americano, que na verdade se chama Grasshoff, se saiu muito bem. Ele se inscreveu no mesmo período que eu. Ele, na verdade, é um traidor, não é mesmo? Porque ele tornou público muitas informações que ele deveria ter mantido em segredo’[158].

Pelas indicações dadas nas cartas de Gunther Wagner[159], assim menciona Klatt, podemos deduzir, que Steiner deve ter sido admitido ao Serviço Misraim, na segunda seção da Escola Esotérica no outono de 1907[160]. Steiner diz que os símbolos utilizados em seu Serviço Misraim também são encontrados na maçonaria, mas que estes não conseguem entender e explicar a profundidade destes símbolos porque os mesmos não podem ser compreendidos fora dos templos ocultistas[161]. Por este motivo, Steiner aboliu o nome FM (freemason) ou maçonaria do seu templo e diz que este ritual oculto deveria ser indicado com as letras MD (Mizraim Dienst)[162]. Por este mesmo motivo Max Heindel também diz que ele não era maçom[163].

Na carta de 11 de janeiro de 1911, portanto, três dias depois, Paula escreve para seu pai adotivo: ‘Grasshoff é americano, não o considerei judeu, mas é insuportável. Você leu seu livro? Muitas vezes ele palestrou aqui em inglês sobre Astrologia e se baseava, principalmente, na Doutrina Secreta de Blavatsky. Também já fazia Palestras na América e era muito amigo da Alma Von Brandis’[164].

Max Heindel diz que por cinco meses, do início de novembro de 1907 até final de maio de 1908, acompanhou intensivamente os ensinamentos de Steiner que naquele período esteve raramente em Berlim[165]. Max Heindel esteve pessoalmente com Steiner umas seis vezes e em três ocasiões ele pede explicações sobre: a) discrepâncias em seu livro Theosophie; b) discrepâncias em seu livro Alaska Chronik; c) o desconhecimento fisiológico de Steiner durante uma palestra em que ele apontou na parte de trás da cabeça quando falava da hipófise, que deveria estar localizada lá – uma divergência que sua clarividência deveria ter revelada para ele[166]. Em todas as ocasiões Steiner se desculpava e dava razão aos comentários de Max Heindel na presença de testemunhas. Durante sua última conversa com Steiner, Max Heindel contou que estava escrevendo um livro sobre ocultismo; um compêndio sobre os ensinamentos do Oriente e do Ocidente. Neste momento Steiner diz a Max Heindel que se fosse utilizar ensinamentos que foram trazidos por ele deveria citá-lo como fonte de informação; Max Heindel concorda com isto.

Em 1906 Alma Von Brandis se associou a Steiner. Trazendo Max Heindel até a Alemanha, ela esperava conseguir convencê-lo a ser o representante de Steiner na América[167]. Max Heindel, por outro lado, tinha esperanças que Steiner o pudesse auxiliar a seguir o caminho da espiritualidade. Contudo, concluiu que isto não seria o caso e Max Heindel ficou desanimado. Em desespero ele contou a Alma Von Brandis que queria voltar à América. Quando ele disse a ela que considerava sua ida à Alemanha como perda de tempo, surgiu uma discussão acalorada entre os dois, que fez com que seus caminhos se afastassem, definitivamente.

Depois Heindel retornou a seu quarto de hotel, abatido e desencorajado. Com a sensação de ter ido para a Europa e deixado um terreno frutífero nos Estados Unidos da América; somente para descobrir que não havia encontrado o que procurava. Entretanto preparou seu retorno aos Estados Unidos da América. Em suas próprias palavras: “Quando me sentei em uma cadeira, avaliando meu desapontamento, tive a sensação que havia mais alguém presente e que vinha em minha direção. Olhei para cima e contemplei Aquele que, a partir deste momento, se tornou meu Mestre. Lembro-me envergonhado, de como rispidamente lhe perguntei quem o havia enviado e o que queria, porque estava muito decepcionado e hesitei bastante antes de aceitar seu auxílio sobre os pontos que me trouxeram à Europa. Durante os dias seguintes meu novo amigo apareceu várias vezes em meu quarto, enquanto respondia minhas perguntas e me ajudava a resolver os problemas que anteriormente me deixavam intrigado. Contudo, porque minha clarividência não estava bem desenvolvida e nem sempre sob meu controle, eu estava bem cético a tudo isto. Não poderia ser ilusão? Eu falei sobre esta questão com um amigo. As respostas às minhas perguntas, conforme eram dadas pela visão, eram claras, concisas e muito lógicas. Eram diretas e muito além de qualquer concepção que eu fosse capaz de imaginar, daí concluímos que a experiência deveria ser real”.

Alguns dias depois meu novo amigo me contou que a Ordem da qual ele fazia parte tinha uma solução completa para o enigma do Universo, muito mais completa do que qualquer outro ensinamento. Que gostariam de compartilhar este ensinamento comigo, na condição que eu a guardaria como um segredo absoluto. Neste momento me virei com raiva dele e disse: ‘Agora vejo sua intenção real. Não, se tu possuis o que dizes e se isto é a verdade, será bom que todos o saibam. A Bíblia nos proíbe esconder a Luz, e não desejo beber da fonte enquanto tantas pessoas estão famintas para solucionar seus problemas, como eu agora’. Após isto meu visitante partiu e permaneceu ausente. Deduzi que ele era um representante dos Irmãos das Trevas.

Aproximadamente um mês depois, eu estava convencido que não encontraria mais iluminação na Alemanha e reservei a passagem no navio de retorno à Nova York. Como estava muito cheio, eu precisaria esperar mais um mês para poder partir.

Quando retornei ao meu quarto, após ter comprado a passagem, estava lá meu desprezado Mestre e novamente me propôs o ensinamento na condição de mantê-la em segredo. Desta vez minha recusa deve ter sido mais enfática do que da primeira vez, mas ele não partiu. Em vez disto ele me disse: ‘Fico feliz em ouvir sua recusa, meu irmão, e espero que sempre seja tão enfático em divulgar nossos ensinamentos, sem nenhum temor nem parcialidade, como foi nesta recusa. Esta é a real condição para receber os ensinamentos’.

Pouco importa como me foram dadas indicações de qual trem e em que estação deveria tomar para ir a um local do qual nunca havia ouvido antes. Lá encontrei o Irmão Maior em seu Corpo Denso, fui levado ao Templo e recebi as principais indicações dos conhecimentos contidos em nossa literatura. O que importa, é que se eu tivesse concordado em manter segredo, eu logicamente seria desconsiderado como propagador dos Irmãos Maiores e eles teriam que procurar outro candidato[168].

Foi durante o mês de abril e início de maio de 1908 que Max Heindel passou por esta prova. Apenas mais tarde foi contado a ele que o candidato que eles haviam considerado primeiramente era Dr. Rudolf Steiner, que estava em treinamento durante alguns anos, mas não havia passado na prova porque ele não poderia ser um líder para os Ensinamentos Ocidentais, e nem tão pouco para os Orientais. Max Heindel também estava sendo observado por alguns anos pelos Irmãos Maiores da Rosacruz como próximo candidato, se o primeiro falhasse. Depois foi contado a ele que os Ensinamentos deveriam ser divulgados antes de finalizar o primeiro decênio [9 de abril de 1910][169].

Ele foi informado como chegar ao Templo onde receberia suas instruções. Max Heindel escreve sobre isto: ‘Para chegar naquele lugar me foi orientado ir a uma determinada Estação de Berlim na manhã seguinte e comprar uma passagem para um lugar da qual eu nunca havia ouvido antes, pegar o trem que partiria numa determinada hora. Portanto, na manhã seguinte fui àquela determinada Estação e comprei a passagem e percebi que o trem partia exatamente no horário que meu visitante havia mencionado. Após chegar ao meu destino[170] me encontrei com o Irmão Maior[171], em seu Corpo Denso, e fui levado por Ele para o local onde o Templo se localiza, mas não materialmente e sim etericamente, e, portanto, invisível para as pessoas na redondeza, que não estão conscientes que a Grande Escola de Mistérios Ocidental se encontra em seu meio. No momento que o Irmão Maior estava no meu quarto e me deu as instruções de como chegar lá eu não estava dormindo e, também, não estava em condições de controlar minha visão espiritual ou de deixar meu Corpo Denso, conscientemente. Estas habilidades foram despertadas durante minha primeira Iniciação, que aconteceu pouco depois no Templo. Contudo, nestes momentos o Irmão Maior se materializava de tal forma que eu o pudesse ver’[172].

Max Heindel permanece no Templo pouco mais de um mês, em contato direto com e sob a supervisão do Irmão Maior que o transmite a maior parte dos ensinamentos que estão no Conceito Rosacruz do Cosmos.

A primeira versão do livro, que foi escrita enquanto ele estava no Templo, foi escrita em alemão. O Mestre o informou que eram apenas linhas gerais. A atmosfera pesada da Alemanha era boa o suficiente para transmitir as ideias esotéricas na consciência do candidato. Contudo, foi dito a ele que o manuscrito de 350 páginas não o satisfaria mais quando chegasse na atmosfera elétrica da América e que ele iria reescrever o livro inteiramente[173].

Em seu entusiasmo ele duvidou disto. E considerava que possuía uma mensagem maravilhosa e completa. Contudo, as previsões do Irmão Maior se confirmariam.

Finalizando, Max Heindel diz: ‘Ao deixar o Templo, os Irmãos Maiores me deram um aviso na despedida: tente nunca atrair dinheiro, nem mesmo para a construção da Ecclesia ou do Centro de Cura. Prédios são mortos, mesmo que sejam lindos. Portanto, se empenhe em conseguir o apoio de homens e mulheres íntegros para que este trabalho possa recompensar suas vidas. Porque somente desta forma poderá ser uma parte viva neste mundo. Se se mantiver a estas regras, aparecerão no momento certo, quando for necessário, os prédios nas condições necessárias. Contudo, se você fizer este ensinamento servir o Mamon, a Luz irá sumir e o movimento irá falhar’[174].

Quando Max Heindel recebeu a maior parte do conhecimento do Irmão Maior, que se tornou o Conceito Rosacruz do Cosmos, ele destruiu o manuscrito inacabado do livro que havia comentado com Dr. Steiner. Contudo, porque o Conceito Rosacruz do Cosmos confirmava os ensinamentos de Steiner, Heindel considerou que deveria fazer uma dedicatória a Steiner ao invés de ser um plagiador. Havia pouco perigo, porque um plagiador sempre tem menos informação do que o autor do qual rouba suas ideias. Em comparações com trabalhos publicados anteriormente demonstra que o Conceito Rosacruz do Cosmos contém muito mais informações[175].

O Conceito Rosacruz do Cosmos também foi recebido pelos Teósofos com muito entusiasmo. Também encontrou seu caminho para a Sra. Laura Bauer-Ficker (1874-1934), professora numa escola primária em Viena. No dia 30 de novembro de 1910 ela escreveu uma carta para Max Heindel onde solicita permissão para traduzir o livro para o Alemão, que foi concedido a ela[176].

Na carta de 14/16 de outubro de 1911 Heindel solicita que ela deixe um espaço em branco na parte “Uma palavra ao Sábio” para que ele possa incluir um agradecimento a ela. Neste texto parece que ela utilizou o pseudônimo S. Von der Wiesen. Quando a tradução estava finalizada foi oferecida ao Max Altmann, em Leipzig, para publicação. Porque ele publicava os livros de Steiner, então, escreveu uma carta ao mesmo, que por sua vez no dia 29 de janeiro de 1911, de seu quarto do Royal Hotel de Dusseldorf escreve para Marie Von Sievers: ‘… Altmann escreveu, que foi oferecido a ele publicar o livro de Heindel’[177]. Contudo, ele conseguiu convencer Altmann a não publicar o livro de Heindel. Portanto, Vollrath, também de Leipzig, teve a proposta de publicar o livro como: O Conceito Rosacruz do Cosmos; em dez lições escritas, pelo preço de 12 marcos[178].

Hugo Vollrath (1877-1943), que também era chamado por Walter Heilmann ou dr. Johannes Walther, tinha uma reputação péssima. Desta forma escreveu Deinhard em uma carta para Driessen no dia 31/08/1916: ‘Considero Vollrath um caso patológico de alguém que está sempre reclamando’[179]. Quando Vollrath foi destituído do cargo de secretário da Ordem da Estrela em novembro de 1911, ele considerava-se, ainda, secretário do que ele chamava de a Estrela da União, e distribuía cartões de sociedade com a assinatura falsa de Krishnamurti[180]. Antes de 1914 ele sempre se nomeou doutor, o que foi comprovado ser errôneo. Dr. Korsch[181] (173), um advogado de Dusseldorf, conseguiu provar após anos de pesquisa, que os papéis, que comprovariam isto, eram falsificados[182]. Portanto, é muito compreensível que Max Heindel, com um editor deste calibre, fosse confrontado com surpresas desagradáveis.

A base dos ensinamentos de Steiner era: a Teosofia de Adyar e os elementos ocidentais, que foram ensinados a ele por um Irmão Maior da Ordem Rosacruz. A base de Max Heindel também era: a Teosofia de Adyar, um estudo intensivo de cinco meses do ensinamento de Steiner e o conhecimento direto que recebeu do Irmão Maior e escreveu em um manuscrito de 350 páginas.

Chegando aos Estados Unidos da América ele quis reescrever o manuscrito. Max Heindel ainda estava convencido que Steiner divulgava os ensinamentos Rosacruzes aos alemães e que ele, Max Heindel, havia recebido os ensinamentos para divulgar aos que falavam inglês[183].

Onde era apropriado em seu livro, Max Heindel usava, com consciência tranquila, os exemplos e citações de Steiner. E porque não; se partiam da mesma fonte e eram utilizadas para o mesmo fim? Max Heindel havia prometido a Steiner que iria divulgá-lo como fonte.

Isto Max Heindel fez dedicando seu livro a Steiner. Porque ele tinha plena convicção que ambos estavam em posição de igualdade e enviou a Steiner uma cópia assinada e esperava por uma reação positiva de Steiner, que nunca veio. Max Heindel deve ter perguntado ao seu Mestre, o Irmão Maior, qual era a real posição de Steiner e recebeu como resposta que ele havia sido escolhido como o mensageiro, mas não foi considerado digno porque ele misturava o ocultismo do Oriente com o do Ocidente. Steiner deve ter compreendido, após receber o livro de Heindel, que este foi escolhido como representante da Ordem Rosacruz. Max Heindel compreendeu, após ter sido informado pelo Mestre da real posição de Steiner, que sua dedicatória a Steiner havia sido um erro e tentou em sua 2ª Edição em 1910 corrigir isto. Abaixo podemos ver a dedicatória do manuscrito em inglês, a dedicatória da primeira edição e a re-dedicatória da segunda edição[184].

No manuscrito:

Dedicated to my esteemed teacher and valued friend Dr. Rudolf Steiner and to my more than friend Dr. Alma von Brandis, in grateful recognition of the inestimable for soul-growth they have exercised in my life.

Na 1ª Edição novembro de 1908:

To my valued friend, DR. RUDOLF STEINER, in grateful recognition, of much valuable information received; and to my friend DR. ALMA VON BRANDIS, in heartfelt appreciation of the inestimable influence for soul-growth she has exercised in my life.

Na 2ª Edição, de 1910:

IN RE DEDICATION

From the beginning of November 1907, to the end of March 1908, the writer devoted his time to the investigation of the teachings of Dr. Steiner, who was absent from Berlin nearly all the time. In the last of about six personal interviews with Dr. S. the writer mentioned that he had commenced a book along occult lines; a compendium of the teachings of the East and the West.

Dr. S. then urged that, if any of the teachings promulgated by him were used he ought to be mentioned as authority and source of information. In consequence the writer agreed to dedicate the work of Dr. Steiner.

During January, February and March 1908, the Elder Brother, whom the writer now knows and reveres as Teacher, came at times clothed in his vital body and enlightened the writer on various points. In April and May, after unwittingly passing a test, the writer was invited to journey to the estate on which is found the Temple of the Rosy Cross.

There he met the Elder Brother in his dense body; there he was given the far-reaching, synthetic philosophy embodied in the present work – which in the opinion of many old students in England, on the Continent and in America, embodies everything that has been taught in public of esoterically in the past, besides much more that has never before been printed.

Therefore, the unfinished manuscript for the book mentioned to Dr. Steiner was destroyed, but as the later and more complete teaching given by the Elder Brother corroborated the teachings of Dr. S. along main lines, it was thought better to dedicate the book to Dr. S. than seem a plagiarist invariably gives less than the authority from whom he steals, and it will be found that in any case where previous works are compared with the present, this book will in all cases give more information.

The dedication has therefore been mistake; it has led many people who merely glanced at the book to infer that it embodies the teachings of Dr. S. and that he is responsible for the statements made herein. Such inference is obviously unfair to Dr. S. and a careful perusal of pages 8 and 9 will show that it was never intended to convey such an idea. The writer does not see how to convey the true idea in a dedicatory sentence, hence has decided to withdraw the same, with an apology to Dr. S. for any annoyance he may be caused by the hasty conclusion concerning his responsibility for the Rosicrucian Cosmo-Conception[185].

Ainda preciso comentar o seguinte: além do exemplar enviado por Max Heindel[186] do Conceito Rosacruz do Cosmos, ao qual Steiner nunca reagiu, ele também possuía uma segunda edição[187] que, a propósito, é praticamente igual à primeira edição, excetuando pequenas alterações, e uma adição sobre Iniciação começando na pág. 519 até pág. 529, onde as páginas 519 até 523 da primeira edição foram incluídas. Na primeira edição esta parte foi ampliada em mais 10 páginas e incluída um registro. Steiner reagiu detalhadamente ao surgimento do livro – em cinco momentos diferentes[188] – entre 1913 e 1922. Seu tom ficou cada vez mais amargo, porque Rudolf Steiner deve ter percebido que ele não poderia ser o representante da Teosofia, nem dos Rosacruzes; em 2 de fevereiro de 1913 fundou a Sociedade Antroposófica, um movimento, que conforme Rudolf Steiner, “era muito mais abrangente que os Rosacruzes e que toda a Teosofia[189].

Capítulo 5 – Mensageiro dos Rosacruzes

Max Heindel chegou à cidade de Nova York com pouquíssimo dinheiro, mas com muita motivação. Ele alugou um pequeno quarto no sétimo e último andar de uma pensão. Quando ele já estava a algumas semanas na cidade percebeu que o Irmão Maior tinha razão. O estilo da escrita do livro já não o agradava mais e ele começou a reescrevê-lo. Durante os meses mais quentes do verão de 1908, ele ficou neste quarto quente escrevendo em sua máquina de escrever Blickensderfer, das 7 horas da manhã até 9 ou 10 horas da noite sem sair para fora, nem mesmo para comer. Toda manhã o leiteiro colocava um litro de leite na porta de seu quarto. Isto, com um pouco de bolachas de trigo quebradas, era seu alimento até 9 horas da noite. Nesta hora ele saía para comer, uma refeição que normalmente era composta apenas de verduras. Após uma pequena caminhada pelas ruas quentes de Nova York, ele retornava ao seu trabalho até depois da meia noite. Com o tempo o calor ficou insuportável e ele decidiu se mudar para Buffalo, ainda no Estado de Nova York, onde ele finalizou a datilografia no dia 24 de agosto de 1908[190]. O próximo problema era a impressão de seu livro e onde encontrar os meios financeiros para tanto.

Por causa do calor ele teve dificuldades para fazer Palestras ou Cursos em Buffalo e resolveu se mudar para Columbus, Ohio, onde ele, na noite de 14 de novembro 1908, fez sua primeira Palestra e um tempo depois fundou seu primeiro Centro.  Mary E. Rath Merill, artista plástica, e a filha dela, Allene, o ajudaram com os desenhos dos diagramas para o Conceito. Aqui ele começou a espalhar o ensinamento usando um Stereopticon[191]: um par de projetores usados simultaneamente, fazendo uma imagem sumir enquanto a outra é formada.

Depois de cada Palestra ele distribuía aos ouvintes, gratuitamente, das vinte apresentações do Cristianismo Rosacruz, para que pudessem estudar em casa. Ele mesmo ficava até altas horas da noite passando no mimeógrafo[192] estas apresentações.

Armado de martelo, um pacote de pregos no bolso e uma pilha de folhetos de propaganda de 20 por 25 cm, embaixo do braço, ele andava, diariamente, quilômetros para afixar a propaganda onde aparecessem aos olhos do público. Ele escrevia seus próprios artigos para jornais e levava aos editores que muitas vezes reagiam de forma preconceituosa em relação a este novo ensinamento. Contudo, por sua personalidade cativante ele normalmente vencia suas objeções e, às vezes, conseguia até uma página inteira para seu artigo.

A maior preocupação de Max Heindel era como ele poderia publicar o Conceito Rosacruz do Cosmos. A pequena colaboração que ele recebia pelas Palestras mal dava para alimentá-lo e providenciar um abrigo.

Finalmente, ele conseguiu guardar o suficiente para ir a Seattle, no estado de Washington, onde havia feito muitos amigos desde 1906. Após o final da última das 20 palestras em Columbus, ele se mudou para Seattle, com dinheiro suficiente para um assento no trem, porque uma acomodação para dormir era muito cara.

Max Heindel tinha uma grande amiga em Portland, Oregon, a Mildred Kyle, para quem ele havia enviado uma cópia do livro. Ela estava entusiasmada sobre este trabalho maravilhoso e começou a dar aulas, utilizando este conhecimento. Quando ela recebeu a cópia ela contatou dois corretores experientes para ajudá-la na leitura e correção. Ela encorajou-o a voltar para a Costa Oeste. Ela também prometeu a Max Heindel que quando ele finalizasse o trabalho, ela encontraria dez amigas que se interessariam em doar cem dólares cada uma para a publicação.

Um dos amigos que Max Heindel tinha em Seattle era o Corretor de Imóveis William M. Patterson. No verão de 1906 Max Heindel havia prenunciado um acidente de trem. ‘Vi que ele faria uma viagem por diversão em agosto de 1909 e que teria um acidente durante esta viagem, mas que ele não se machucaria neste acidente. Contudo, também vi que um mês depois – em setembro de 1909 – faria uma longa viagem em consequência de um evento literário importante. Naquele tempo eu não poderia nem suspeitar o quanto eu estaria envolvido com esta questão. Neste meio tempo eu fui para a Alemanha, onde ganhei a encomenda de divulgar os ensinamentos dos Rosacruzes no mundo Ocidental. Após escrever o Conceito Rosacruz do Cosmos e as vinte Palestras[193], fui novamente para Seattle, durante a Exposição Alaska Yukon Pacific em 1909. Lá encontrei novamente o Senhor Patterson; em agosto, quando terminei a sessão de Palestras, ele me convidou para ir ao Parque Yellowstone. Após esta viagem agradável e uma pausa para descanso, ele sugeriu ir para Chicago para lá publicar o Conceito Rosacruz do Cosmos. Eu estava totalmente tomado pelo trabalho literário e recusei o convite de ir ao Parque Yellowstone, portanto o senhor Patterson foi sozinho. Entre Gardner Junction e o Parque, o trem descarrilou e todos os passageiros caíram de seus assentos, mas ninguém se machucou.

Após seu retorno, fomos juntos para Chicago, onde o Conceito Rosacruz do Cosmos foi publicado. O prenúncio de três anos antes foi correto. Preciso comentar que ambos havíamos esquecido o prenúncio, até que depois, quando o Senhor Patterson estava buscando alguns papéis e encontrou o horóscopo com o prenúncio’.[194]

O senhor Patterson ajudou não só com a mediação e financiamento da impressão, mas também foi revisor, juntamente com a Sra. Jessie Brewster e Kingsmill Commander.

Quando o Sr. Patterson leu o manuscrito, seu primeiro pensamento foi que o conteúdo seria muito avançado para aquela época. Ele aconselhou Max Heindel a esperar uns vinte anos para que o mundo estivesse maduro para a mensagem. Contudo, quando ele ouviu os planos das pessoas de Portland, ele imediatamente se prontificou a financiar a impressão e também de levar Max Heindel até Chicago. Isto aconteceu quando o Sr. Patterson retornou de sua viagem em outubro. Contudo, Max Heindel precisava primeiro terminar suas apresentações em Seattle. Ele estava muito ocupado porque a Exposição atraía muitas pessoas para a cidade. Max Heindel realizou vinte Palestras no Evergreen Hall do Prédio Arcade e também deu alguns cursos. Dr. George Bush manobrava o Stereopticon.

Durante sua última Palestra Max Heindel anunciou que no dia 8 de agosto de 1909 haveria um encontro especial. Naquela tarde haviam muitas pessoas e foram feitas muitas perguntas entusiasmadas, e Max Heindel solicitou aos presentes que se juntassem a ele para divulgar os ensinamentos. Quase todo mundo concordou, Max Heindel tirou seu relógio do bolso e anotou a hora, 15:00 horas, e comentou que naquele momento estava inaugurando a “Fraternidade Rosacruz”, ou palavras neste contexto[195]. Sobre isto o Sr. Moe me escreveu: ‘Oh, nós estávamos com aproximadamente cinquenta pessoas e o Sr. Heindel fundou um bom Centro para nós. O Sr. Heindel nos deixou logo em seguida. Um ano depois ele retornou e nos deu novo ânimo. Dois anos depois o Sr. Heindel retornou novamente com a Sra. Augusta Foss Heindel’.[196]

O escritório central da Fraternidade Rosacruz, que era chamado na época de Rosicrucian Fellowship Auditorium, ficava na 812 Sixth Avenue em Seattle. Durante sua estadia em Seattle, Max Heindel escreveu seu terceiro livro, Astrologia Científica Simplificada, uma brochura de 40 páginas.

Quando as Palestras de Seattle terminaram, Max Heindel e seu amigo William Patterson foram para Chicago, com a Versão datilografada do Conceito Rosacruz do Cosmos e as vinte apresentações do Cristianismo Rosacruz. Eles ficaram algum tempo em Chicago, enquanto M. A. Donahue & Co, imprimisse 2500 exemplares do Conceito Rosacruz do Cosmos.

Mas antes que o manuscrito pudesse ser entregue para publicação, Max Heindel precisava datilografar de novo tudo porque este exemplar estava repleto de anotações com quatro cores diferentes de lápis, que os corretores haviam colocado. Isto foi feito na pequena e velha máquina Blickensderfer. Jessie Brewster e Kingsmill Commander também ajudaram na correção.

Sobre este acontecimento Max Heindel diz o seguinte: ‘O Conceito Rosacruz do Cosmos foi publicado no final de novembro de 1909, aproximadamente quatro meses antes do início do novo decênio [9 de abril de 1910]. Amigos ajudaram a deixá-lo pronto para impressão e fizeram um ótimo trabalho. Contudo, eu precisava, naturalmente, corrigir tudo antes de entregá-lo para impressão. Depois lia as provas de impressão, os corrigia e devolvia e relia quando os erros haviam sido corrigidos. Eu li depois de serem colocados nas páginas e dava orientações aos grafistas onde deveriam colocar as imagens, e assim por diante. Todas estas semanas, levantava de manhã às seis horas e batalhava até meia noite, uma, duas ou três da madrugada, em meio ao barulhento e movimentado Chicago, até ao limite que meus nervos aguentavam. Mesmo assim consegui manter-me concentrado e ainda consegui inserir novos pontos dentro do Conceito Rosacruz do Cosmos. Contudo, sem o apoio dos Irmãos Maiores eu, com certeza, teria esmorecido. Era o trabalho deles e eles me ajudaram em todo o processo. Mesmo assim eu estava um caco quando finalizamos esta tarefa’.[197]

Depois deixamos todos os exemplares (2500 livros) do Conceito Rosacruz do Cosmos – excetuando 500 exemplares que levamos para Seattle – na casa de uma Sra. que comandava uma editora de livros da Teosofia, chamada Independent Book Co., na rua E. van Burenstreet 18-26. Esta mulher tinha dívidas, e ela utilizou os exemplares do Conceito para liquidar estas dívidas com outras editoras. Quando, aproximadamente, meio ano depois veio o pedido de enviar mais livros para Seattle, perceberam que a primeira edição já estava esgotada. Foi solicitada uma segunda edição com urgência na gráfica, mas o financiamento era um grande problema. Augusta Foss conseguiu dar uma pequena entrada. A demanda era tão grande que durante a impressão já havia encomendas de duas livrarias.

O Senhor Heindel escreveu em uma carta no dia 23 de dezembro de 1910 para a Sra. L. Bauer em Veneza: ‘Acabo de finalizar um registro de 64 páginas, que será impresso no próximo mês e vendido separadamente para aqueles que compraram a primeira e segunda edição do C.R.C.’[198]. A terceira edição possuía este índex da pág. 543 até 597, portanto 54 páginas. Na página não numerada 543 da primeira e segunda edições está escrito:  ‘The Rosicrucian Cosmo Conception, 544 páginas, 12mo, com 25 diagramas e ilustrações, algumas em quatro cores; uma linda capa com o Símbolo (em vermelho, preto e dourado). Bordas douradas sobre vermelho. Encadernação superforte e durável, publicado sem lucro para o escritor … $ 1,00 e frete de $ 0,15’.

E aqui também: The Rosicrucian Christianity Series. O preço destas [20] Palestras é, cada, $ 5 cents acrescido de $ 1 cent de frete’.

Na próxima página desta segunda edição: ‘Simplified, Scientific Astrology, primeira parte, de Max Heindel: ‘Este é um manual completo. Contém todas as tabelas que são necessárias para aprender a calcular um horóscopo; mais 20 ilustrações. Preço 35 c. com frete 40 c.

Estava escrito, junto, que estes livros poderiam ser comprados na Rosicrucian Fellowship, P.O. Postal 1802, Seattle, Washington; 202 East Beck Street, Columbus, Ohio; Blanchard Hall, Los Angeles, Califórnia.

Pode parecer uma catástrofe perder 2000 livros para alguém que tinha poucos meios, isto se confirmou não ser o caso. Ao contrário, porque esta senhora já estava ligada aos novos pensamentos por muitos anos, Teosofia e outros movimentos similares, e distribuía livros entre eles que ela retirava de grandes Editoras. Ela os convenceu a pegar o Conceito que naquele tempo ainda era desconhecido. Desta forma ela formou uma demanda que fez distribuir os Ensinamentos Rosacruzes por muitas partes do mundo.

Max Heindel partiu de Chicago e foi para Seattle; logo depois já saiu de lá em direção a Yakima, no estado de Washington, onde fez Palestras e fundou um Centro. Um dos que estavam lá presentes era Bessie Boyle Campbell, e conta o seguinte: ‘Me lembro do Max Heindel quando o encontrei pela primeira vez na porta de uma sala de Conferências … Quando lá cheguei estavam o Sr. e a Sra. Swigart e o Sr. Heindel. Eu achei que ele se parecia muito com um Padre, apesar de estar vestido como um homem de negócios. Depois pensei que sua grande personalidade me fez pensar que era um Padre. Mais tarde, numa aula em círculo menor, ele nos contou que ele foi um Padre Católico Romano uns 300 anos antes, quando encarnado na França, … na sala velha onde ele deu sua primeira Palestra, os ouvintes eram alguns mendigos, que por causa do frio e neve entraram … Durante suas Palestras ele, às vezes, contava piadas, mas em outros momentos ele era muito sério. Ele tinha grande compaixão por todos que sofriam’.[199]

Em um dos livrinhos de anotações da Sra. Warendorp[200], uma irmã holandesa, estava escrito o seguinte: ‘ Em sua vida anterior Max Heindel era um monge que escrevia livros sobre misticismo. Aqueles trabalhos não agradavam a ordem da qual fazia parte e a consequência foi inimizade com os irmãos. A Senhora Heindel era filha de um Italiano rico, que deixou sua família e foi ajudar os pobres e doentes com ervas. Ela leu os livros do monge e o aconselhou a fugir porque sua vida corria perigo. Ela arrumou um cavalo com o qual o monge fugiu. A Ordem enviou cães sangrentos atrás do monge, que o trucidaram. Durante esta vida, Max Heindel tinha muito medo de cachorros’.

Para concluir uma passagem da carta do Sr. George Schwenk: ‘Senhora Heindel me contou que o Sr. Heindel acreditava que todos os que estavam ativos com a Fraternidade Rosacruz, também estiveram ativos com ele na Igreja Católica 300 anos atrás’.[201]

Depois de Yakima, Heindel foi para Portland, onde também deu Palestras e fundou um Centro.

Capítulo 6 – Expansão da Fraternidade Rosacruz

Em novembro de 1909, Max Heindel deixou Seattle[202] para continuar seu trabalho em Los Angeles. Naturalmente ele fez, primeiro, uma visita a Augusta Foss que, depois que ele havia deixado Seattle e partido para suas palestras ao norte (isso antes de sua viagem à Berlim) não havia visto mais Max Heindel por dois anos, e estava com medo que ele a tivesse esquecido. Ela ficou muito surpresa quando ele apareceu. Max Heindel contou para ela que agora ele representava a Ordem Rosacruz, que havia escrito um livro e que se preparava para fazer apresentações em Los Angeles. Ela contou que teve uma gravíssima pneumonia dupla, como consequência de uma pesada gripe que pegou no dia 21 de janeiro de 1909[203]. Isto levou-a à beira da morte, no dia 28 do mesmo mês. À 1:00 hora da madrugada, ela saiu de seu corpo e se viu deitada na cama, onde os gritos das enfermeiras que a tentavam reanimar fizeram com que voltasse à vida. A doença fez com que sua resistência caísse e, com os pulmões afetados, ela não tinha mais condições de sair de casa à noite. Por este motivo deixou de frequentar o Movimento Teosófico.

Mas quando ela ouviu que Max Heindel pretendia dar palestras, imediatamente ofereceu sua ajuda. Algumas casas adiante da casa dela, Max Heindel alugou um quarto. E após aceitar a proposta de ajuda da senhorita Augusta Foss, seu estoque de livros e outros materiais de estudos foram colocados na garagem da casa dela.

Max Heindel alugou o grande Blanchard Hall, o mesmo salão onde em 1903 ele havia ouvido o ciclo de Palestras de Leadbeater. Havia lugar para 1300 pessoas. Aí veio para ela a grande surpresa. Antes de conhecer Max Heindel, ela havia estudado Astrologia por quatro anos. Quando ele passou uma tarde inteira na casa dela, ele perguntou a ela se no mapa dele mostrava se ele seria bom palestrante. Naquele tempo ele ainda falava com um forte sotaque dinamarquês, e ela acreditava que isto seria um grande obstáculo. Então ela respondeu que ele poderia ser um ótimo autor, mas que fazer palestras talvez não fosse seu ponto forte. Contudo, o conhecimento que ele trazia à luz do dia e as perguntas que ele respondia de improviso foram uma surpresa total para ela. Ele era outra pessoa.

Três noites por semana Max Heindel dava Palestra para 800 pessoas ou mais, e nas outras duas noites ele dava cursos tanto dos Ensinamentos Rosacruzes quanto de astrologia. Sua primeira turma de astrologia, em Los Angeles, era de 125 alunos. No dia 27 de fevereiro de 1910, um grupo muito entusiasmado formou o Centro. Max Heindel preparou professores que estavam em condições de dar continuidade aos ensinamentos quando ele partisse, porque ele havia prometido aos amigos de Portland[204] e Seattle que retornaria, assim que seu trabalho em Los Angeles tivesse terminado.

Para economizar os altos custos de propaganda e dar o máximo de divulgação possível, Max Heindel encomendou centenas de cartazes do tamanho de 20 por 25 cm e mandou imprimir neles os endereços das salas, datas e títulos das Palestras. Como havia feito em Columbus[205], saía toda manhã, armado de martelo, pregos e, embaixo do braço, os cartazes que espalhava por diversas regiões da cidade. O dia inteiro ele caminhava com sua perna esquerda manca e machucada, por vários quilômetros, para a noite estar no palco ou na sala de aula. Contudo, isto parece que teve sucesso, porque em pouco tempo, as salas estavam repletas, principalmente após sua primeira Palestra[206]. Amigos levavam amigos, fazendo com que faltasse lugar para sentar. Por isso ele começou a entregar cartões a todos que entravam. Estes cartões davam a garantia de ter lugar para sentar na próxima Palestra. O grande interesse fez com que Max Heindel também fizesse Palestras e aulas aos domingos à tarde. Isto continuou até 17 de março de 1910. No dia seguinte ele queria partir para Seattle e Portland para lá dar algumas aulas de novo. Na noite anterior à sua partida, ele orientou a Sra. Clara Gidding a dar continuidade nos Ensinamentos Rosacruzes, uma amiga que já havia trabalhado com ele em anos anteriores, em Los Angeles. Na noite seguinte ele anunciou que a senhorita Augusta Foss iria continuar com as aulas de Astrologia, dizendo que ela havia sido a professora dele neste quesito. Para estes cursos haviam 125 alunos inscritos.

Na manhã seguinte ele ficou muito doente, em consequência de seus problemas cardíacos e foi levado ao Hospital Angelus[207]. Aqui ele permaneceu beirando a morte por algumas semanas. Durante esta doença, Max Heindel alcançou sua segunda Iniciação e conta o seguinte sobre isto: “Na noite de 9 de abril, quando a Lua Nova estava em Áries, meu Mestre entrou em meu quarto e disse que naquela noite iniciava-se o novo decênio”[208], e que seria meu privilégio conhecer um novo método de Cura durante os próximos 10 anos. A Fraternidade iria providenciar os ajudantes para este novo trabalho. Esta foi a primeira indicação que recebi de que um serviço desta forma era planejado. “Na noite anterior, o meu trabalho, com o recém-inaugurado Centro de Los Angeles, havia terminado. Seis das sete noites eu havia caminhado e dado Palestras e, também, várias tardes, desde a minha experiência em Chicago. Eu fiquei doente e havia me retirado para me recuperar. Eu sabia quão perigoso é deixar o corpo conscientemente quando se está doente, porque o Corpo Vital está extremamente enfraquecido, e o Cordão Prateado pode ser rompido mais facilmente. Em tais situações a morte provocaria as mesmas consequências que o suicídio, por isto o Auxiliar Invisível é aconselhado a permanecer com seu Corpo Denso quando está adoecido. Contudo, por solicitação do meu Mestre, eu estava em condições de deixar meu Corpo Denso e fazer uma viagem astral para o Templo. Foi deixado um guarda para cuidar de meu corpo adoecido.

Como já foi dito anteriormente em nossa literatura, são 9 os graus de Mistérios Menores de qualquer Escola na Terra, e a Ordem Rosacruz não é exceção. A primeira Iniciação é equivalente ao Período de Saturno, e os exercícios relacionados a ela são realizados à meia noite dos sábados. A segunda Iniciação é equivalente ao Período Solar, e o Rito especial é realizado à meia noite dos domingos. A terceira Iniciação é relacionada ao Período Lunar, e é realizado à meia noite da segunda-feira e, assim, sucessivamente com as primeiras sete Iniciações. Cada Iniciação equivale a um Período e seu rito é realizado no dia específico. A oitava Iniciação é realizada nas noites de Lua Cheia e Lua Nova, e a nona Iniciação tem seu ritual nas noites dos Solstícios de Dezembro e Junho. Quando um Discípulo se torna Irmão ou Irmã Leigo (a), ele (a) recebe o convite para participar do Rito que acontece aos sábados à meia noite. A próxima Iniciação lhes dá o direito de participar dos Ritos que acontecem aos domingos e, assim, sucessivamente. Devo salientar que embora todos os Irmãos e Irmãs Leigos (as) tenham livre acesso ao Templo em seu Corpo Vital, em qualquer dia, eles serão impedidos de participar dos Rituais aos quais ainda não fazem parte. Não há um guarda visível na porta e que pede a Palavra Chave para cada um que chegar. Contudo, em volta do Templo existe um muro invisível, mas impenetrável para aqueles que não receberam a Palavra de Passe. Este muro é diferente a cada noite, para que um estudante que por acidente ou por esquecimento, tente entrar no Templo quando estiver ocorrendo um   Rito acima de seu grau de Iniciação, irá experimentar como se batesse com a cabeça contra uma muralha espiritual e que esta experiência é tudo, menos agradável.

Como eu falei, a oitava Iniciação tem seus Ritos nas noites de Lua Nova e Lua Cheia, e todos, inclusive eu, que ainda não chegaram nesta Iniciação, são impedidos de participar do Rito da Meia Noite. Porque não são Ritos Simbólicos, onde qualquer um que pagar algumas peças de dinheiro possa participar. Eles exigem um desenvolvimento espiritual, muito acima do meu atualmente, um desenvolvimento que em algumas vidas ainda não atingirei, mesmo que não me falte esforço, vontade e aspiração.

Está claro que naquela noite de Lua Nova em 1910, quando meu Mestre veio me buscar, não foi para me levar àquele Rito da Oitava Iniciação, mas para uma reunião diferente. Mesmo que esta reunião fosse realizada quando na Califórnia já era noite, o Rito com a diferença horária com a Alemanha, já havia ocorrido horas antes, tanto, que quando cheguei ao Templo com o meu Mestre, o sol já estava alto no céu.

Quando entramos no Templo tive primeiro uma reunião somente com o meu Mestre, onde ele explicou o trabalho da Fraternidade, conforme os Irmãos Maiores gostariam que isto fosse desenvolvido.

A base desta conversa foi me desonerar o máximo possível quanto a organização, ou pelo menos deixá-la o mais simples possível. Foi comentado que por melhor que fosse a intenção no começo, a vaidade das pessoas é atingida, e para a maioria, a tentação fica muito grande e acaba acontecendo disputa por posições e poder. Quando a livre iniciativa dos associados é ferida ou influenciada aí o objetivo da Ordem Rosacruz – que é criar independência e autoconfiança – será perdido. Leis e regras são restritivos e, portanto, devem ser mínimos. O Mestre pensava que seria possível fazer tudo sem regra nenhuma.

Foi conforme esta linha de pensamento que imprimi em nosso papel carta o cabeçalho: ‘Uma Associação Internacional de Cristãos Místicos’. Pois existe uma diferença enorme em uma associação que é totalmente voluntária e uma organização que prende seus sócios por juramentos, promessas e coisas do tipo. Os Probacionistas sabem que a promessa que fazem é uma promessa a eles mesmos e não à Ordem Rosacruz. A mesma preocupação da total liberdade pessoal é encontrada em toda a Escola de Mistérios do Ocidente. Nós não temos Mestres; eles são nossos amigos e Professores e nunca exigem – sob nenhuma condição – obediência a qualquer regra que seja. No máximo eles nos advertem, nos deixando livres para seguir ou não tal conselho.

Posso dizer aqui, que a linha geral de não organizar, foi seguida nos Centros de: Columbus, Seattle e Los Angeles. Contudo, desde então continuei nesta linha tentando passar os ensinamentos a pessoas diversas de um Centro Mundial, preferencialmente do que fundar Centros em diversos estados. Em alguns lugares, grupos de estudantes demonstraram interesse em se juntar para estudar ou formar um elo espiritual. Para este fim toda a ajuda é disponibilizada. Contudo, como foi dito, não fiz mais esforços para formar Centros de Estudos; deixo aos estudantes fazerem aquilo pelo qual se sentem chamados.

O novo Trabalho de Cura, do qual falarei mais à frente, exigiria um local fixo para a Sede Central. Porque vivemos num mundo físico, sob condições materiais, me parece necessário que a Sede Central seja uma Pessoa Jurídica reconhecida conforme as leis do país onde for constituída, para que aquilo que seja necessário ao trabalho, permaneça disponível para a humanidade, após os atuais líderes terem deixado esta vida terrena. Com uma Sede Central não poderemos deixar de ter regras e uma organização. Contudo, a Fraternidade, em geral, deve permanecer livre de regras para que o crescimento anímico possa perdurar pelo maior tempo possível. Na verdade, é triste imaginar que enquanto isto são minhas intenções, a Fraternidade Rosacruz seguirá o caminho de todas as outras Instituições. Irá se prender a regras e terá disputas de poder que irão cristalizá-la e fará com que caia em pedaços. Contudo, aí teremos o consolo de que nos destroços dela irá nascer algo maior e melhor, como nasceu em cima de construções que já responderam ao seu destino e, agora, estão no caminho da decadência.

Após a reunião citada acima, entramos no Templo, onde os doze Irmãos Maiores estavam reunidos. Estava arranjado de forma diferente que da outra vez, mas por falta de espaço[209] não me permite uma explicação mais detalhada. Eu mencionarei apenas três esferas ou bolas que estava ao centro do Templo, penduradas uma acima da outra, a bola do meio, aproximadamente, a meia distância do chão e do teto. Esta esfera era bem maior do que as outras duas penduradas acima e abaixo da mesma[210].

Dentro da esfera maior havia um pequeno recipiente, que continha alguns pacotes preenchidos por uma substância, onde o Espírito Universal poderia ser misturado tão facilmente quanto uma quantidade de amoníaco com água. Quando os Irmãos Maiores se posicionaram de uma determinada forma, e após a harmonia de uma determinada música ter preenchido o ambiente, as três esferas, de repente, começaram a fluir nas três cores primárias: azul, amarelo e vermelho. Para minha concepção ficou claro que após dizer a palavra mágica, o recipiente com os pacotes foi preenchido por uma essência espiritual que fez as esferas brilharem. Alguns pacotes foram utilizados com muito sucesso pelos Irmãos Maiores. Como por encanto, as partes cristalizadas que preenchiam o centro do Corpo Vital do paciente, se partiam e o doente acordava com a consciência de estar saudável e bem”[211].

“Além da visão física, há outras formas de visão: a visão etérica ou raio-X; a visão da cor, que nos abre o Mundo do Desejo, a visão tonal que revela a Região do Pensamento Concreto, conforme é explanado detalhadamente no livro ‘Os Mistérios Rosacruzes’. Meu desenvolvimento da visão espiritual da última região mencionada era, naquele momento, muito insuficiente. De fato, quanto melhor for a nossa saúde, mais firmes estamos ancorados em nosso Corpo Denso e maior dificuldade teremos de entrar em contato com os reinos espirituais.  Pessoas que dizem que nunca em suas vidas ficaram doentes revelam, desta forma, que estão muito bem sintonizadas com o mundo material e, portanto, menos capacitadas para ingressar nos reinos espirituais. Isto era para mim, também, o caso até 1905, apesar de ter sofrido dores atrozes minha vida inteira, como consequência de uma cirurgia realizada na perna esquerda na minha infância. A ferida só cicatrizou quando passei a viver uma vida vegetariana e a dor passou. Contudo, em todos os anos anteriores minha saúde era de tal forma, que ninguém poderia ver em meu rosto que eu sentia dor. No geral gozava de boa saúde. É importante comentar que quando eu sofria algum acidente, do corte saía muito sangue e não coagulava, e, portanto, eu perdia sempre muito sangue. Contudo, dois anos de alimentação sem carne a perda de uma unha inteira numa manhã, mal fez perder algumas gotas de sangue. Naquela mesma tarde eu já estava em condições de datilografar normalmente. Quando a unha nova nasceu não houve nenhuma ulceração.

O crescimento do meu lado espiritual causou uma desarmonia em meu Corpo Denso: ficou mais sensível para as condições do ambiente. O resultado foi um esgotamento. Isto foi mais intensificado por minha, já citada, persistência, que me manteve de pé por meses a mais do que se eu tivesse me dado o direito de descansar. Com a consequência que a morte esteve perto. Porque a morte é a permanente ruptura do elo entre o Corpo Denso e o Corpo Vital. Na aproximação desse estado especial de transição, na iminência de ocorrer o desligamento da matéria, podemos receber instruções sobre a ciência de retirar-se do corpo. Goethe, o grande poeta alemão, recebeu sua primeira Iniciação quando seu corpo se achava debilitado e à beira da morte.

Eu ainda não havia progredido o suficiente no caminho espiritual. Contudo, a dedicação aos estudos, aspirações e um exercício praticado por muito tempo, e que naquela época acreditava tê-lo inventado, mas agora já sei, vem de tempos remotos, contribuíram para que pudesse abandonar o meu corpo, por um curto espaço de tempo e regressar logo em seguida. Não sei como fazia isso, e nem podia fazê-lo voluntariamente. Contudo isto não vem ao caso.

Um ponto relevante que quero ressaltar é que uma perturbação de uma perfeita saúde é necessária antes que seja possível permanecer em balanço nos Mundos Espirituais. Quanto mais forte e vigoroso for o Corpo Denso, mais drástico terá de ser o método para debilitá-lo. Depois seguem-se anos de saúde oscilante até que se tenha condições de viver bem, tanto no Mundo Físico com saúde, enquanto adquire a capacidade de atuar nos reinos superiores.

Assim aconteceu comigo. A sobrecarga de trabalho tanto físico como mental, sem trégua até hoje, tem deixado o meu Corpo Denso longe de um estado saudável. Amigos me alertaram e tenho tentado considerar suas preocupações. Contudo, o trabalho precisa ser feito. Até que venha ajuda, eu preciso continuar trabalhando, sem me preocupar com a saúde. A Sra. Augusta Foss Heindel, como em tudo, também me apoia neste ponto. Nesta condição precária de saúde desenvolvi uma capacidade crescente de funcionar no mundo espiritual.

Como já afirmei, minha visão tonal era mediana e, principalmente, limitada às subdivisões inferiores da Região do Pensamento Concreto. Uma pequena ajuda dos Irmãos Maiores, naquela noite, permitiu-me entrar em contato com a quarta região, o lar dos Arquétipos. Lá aprendi e compreendi as lições relativas ao mais alto elevado ideal da Fraternidade Rosacruz e também sobre sua missão na Terra.

Vi nossa Sede Mundial, e uma multidão de pessoas vindas de todas as partes do mundo para receber os ensinamentos. E vi muitos partirem de lá para levar alento aos sofredores. Enquanto neste mundo é necessário fazer investigações para descobrir alguma coisa, lá o tom, que cada arquétipo possui quando tocado com o conhecimento espiritual, dá a característica do que representa. Portanto, naquela noite, adquiri uma visão que não consigo descrever em palavras, porque o mundo em que vivemos é baseada no tempo, enquanto no reino superior dos Arquétipos, tudo é um eterno AGORA”[212].

Durante esta segunda Iniciação, os Irmãos Maiores disseram à Heindel que deveria ser construído uma Sede Central e uma Ecclesia ou Templo, onde se alcançaria uma panaceia espiritual. Dois ingredientes foram revelados ao Max Heindel, mas o terceiro deveria ser formado conforme a vida dos Probacionistas, pois era de conteúdo espiritual.

Max Heindel, ainda no hospital, deveria pedir auxílio de um médico para obedecer aos regulamentos do hospital. Contanto que sua doença estivesse alcançando uma crise, ele não se desesperou. Ele sabia que sua situação não se alteraria até que viesse a Lua Nova. Ele estava tranquilamente esperando, porque sua Mente estava tão exaurida que não conseguiria trabalhar. Ele acreditava que a Lua faria tudo acontecer na hora certa.

Mas os médicos não estavam satisfeitos sobre sua condição física, e três deles estavam em volta de sua cama conversando sobre sua situação, acreditando que seu paciente estivesse fora de consciência. Contudo, ele ouviu que os três médicos acreditavam que ele não alcançaria a manhã do dia seguinte. Quando Max Heindel ouviu isto, começou a trabalhar nele mesmo a tal ponto, que o edema que estava alcançando seu coração, dentro de poucas horas, desapareceu. Quando, como de costume, Augusta Foss veio lhe fazer uma visita à 1 hora da tarde, ele perguntou se ela poderia levá-lo numa cadeira de rodas ao jardim, para tomar um pouco de ar fresco. Quando eles estavam lá sentados, numa sombra embaixo de uma maravilhosa magnólia em flor, ele ficou bem melhor. Dois médicos que passavam ficaram surpreendidos de ver seu paciente sorridente e em boa saúde.

Max Heindel pediu a Augusta Foss para alugar um quarto para ele perto da casa dela, porque ele poderia deixar o hospital dentro de alguns dias. Ela morava onde na época era conhecido como Bunker Hill District, de Los Angeles.

Após deixar o hospital e seguir de bonde até seu novo quarto, ele publicou um anúncio no jornal para um estenógrafo[213] com a intenção de utilizar o espaço da Fraternidade, que ficava a algumas quadras abaixo, para ditar um livro. Ele mesmo viu que não seria possível assim surpreender seus amigos e alunos desta forma. Portanto solicitou a Augusta se ela teria um quarto livre na casa que ele poderia usar para ditar o seu livro.

Um antigo colega de quarto de Max Heindel, Carl Oscar Borg, que depois se tornou um conhecido pintor de quadros de paisagens, havia alugado o quarto da frente da casa dela. Naquele momento ele estava numa turnê para se inspirar, portanto Max Heindel conseguiu consentimento para usar aquele quarto. Então, Heindel comprou uma máquina de escrever e contratou um estenógrafo.

Enquanto dava suas Palestras, ele reuniu perguntas de seus ouvintes por escrito e com estes no bolso, ele andava pelo quarto de um lado a outro, ditando as respostas sem consultar qualquer trabalho ou fazer qualquer pesquisa. Esse quarto ficava a uns três metros da calçada e por sua voz alta e forte, muitas vezes, atraía várias pessoas que ficavam ali, parados ouvindo. Uma das ouvintes era a idosa mãe de Augusta Foss, que tinha a idade de 84 anos e gostava de sentar na varanda para poder ouvir Max Heindel. O livro que o Max Heindel ditou foi a primeira parte do “ Perguntas e Respostas”. Quando o livro estava finalizando, Max Heindel fez planos para fazer uma viagem ao Norte, que ele foi obrigado a adiar por causa de sua doença.

Neste meio tempo a segunda edição do Conceito Rosacruz do Cosmos estava pronto, e o manuscrito do “Perguntas e Respostas” [214], um livro com 428 páginas, estava nas mãos da gráfica.

O dia anterior à sua partida aconteceu um maravilhoso evento. No dia 10 de agosto de 1910, Max Heindel se casa pela terceira vez em Santa Ana, desta vez com Augusta Foss[215].

Ela estava com medo de deixar sua mãe idosa, que já havia tido um pequeno derrame, por isto o casamento foi feito em segredo. No dia seguinte Max Heindel partiu para Seattle, de barco, enquanto a Sra. Augusta Foss Heindel permaneceu em Los Angeles. Após ter se despedido de seu marido no porto, ela alugou um carro para retornar a Los Angeles. Aos poucos ela foi se conscientizando onde havia se metido e que agora o trabalho dele também se tornou o dela. Portanto ela parou numa loja e comprou uma máquina de escrever Underwood de segunda mão. No dia seguinte ela escreveu uma carta para seu marido nesta máquina e não conseguia encontrar uma única letra maiúscula.

Quando Heindel desceu do navio recebeu a carta dela. Quanto ele não riu dela! Em sua carta expressa que ela recebeu no dia seguinte, ele explicou como ela fazia para encontrar as letras maiúsculas.

Max Heindel não havia consultado seu Mestre quanto ao fato de seu casamento, e não sabia como isto influenciaria os planos dos Irmãos Maiores. Contudo, durante sua viagem, o Mestre veio sorridente até ele, e aqui trazemos a carta de Max Heindel datada de 21 de agosto de 1910 para sua esposa[216]: “O Mestre me parabenizou, e disse que ele gostaria de algum dia também receber você no Templo como filha. Ele me chamou de filho, o que nunca havia feito antes, e Ele estava mais carinhoso do que nunca”.

No dia do trabalho (1 de setembro de 1910), ele escreveu para sua esposa: “Eu me senti tão entusiasmado com o que meu Mestre falou, que ele gostaria de te receber como filha no Templo. É o meu maior desejo poder ver este dia, quando pudermos estar juntos lá e receber a benção dos Irmãos Maiores”[217].

O Mestre contou a ele que sua esposa esteve por alguns anos sob a observação e orientação deles, mesmo que ela não soubesse disso; e que este casamento espiritualmente iria se confirmar muito útil, e serviria como uma garantia para sua saúde física.

Max Heindel estava planejando viajar para os Estados do Norte e depois seguir pela rota para o Oeste. Contudo, após ter estado por seis semanas em Seattle, Yakima[218] e Portland dando Palestras, ele novamente teve problemas com seu coração e foi obrigado a interromper sua viagem.

A Sra. Augusta Foss Heindel preparou uma de suas casas de praia de Ocean Park[219] para aguardar o retorno de seu marido adoentado. A sua mãe idosa foi deixada aos cuidados de outra filha.

Por volta de 22 de novembro, Max Heindel chegou tão adoentado nesta casa de três cômodos, que ele desmaiou. Durante três meses ele foi cuidado por sua esposa dia e noite.

Em Seattle, Max Heindel havia comprado uma pequena impressora de segunda mão. Esta impressora estava pronta para uso e a Sra. Augusta Foss Heindel recebeu de seu marido – enquanto este estava apoiado por travesseiros em sua cama – orientações de como manejá-la. Apesar da Sra. Augusta Foss Heindel ser habilidosa por natureza, não foi fácil para ela. As letras devem ser colocadas de forma espelhada para que no papel apareça de forma correta. Após as corretas instruções, ela estava em condições de, ainda em novembro, imprimir a primeira Carta aos Estudantes nesta máquina.

Antes de Heindel deixar Seattle para retornar ao sul, o Secretário, William M. Patterson, havia falado aos amigos de Columbus, Seattle, Yakima, Duluth, Portland e Los Angeles, que Max Heindel iria começar um Curso por escrito a partir da Sede Central de Ocean Park, Caixa Postal 866. Com esta informação houveram muitas reações. Pode se concluir que a Sra. Augusta Foss Heindel esteve bem ocupada neste período. Ela cuidava de seu marido doente, tinha que limpar a casa, cuidar da comida, colocar as letras, imprimir as folhas, escrever todos os envelopes aos cursistas e estudantes e, ainda, responder muitas cartas.

Neste período a Fraternidade Rosacruz foi denominada: “Uma Associação Internacional de Cristãos Místicos”, e o lema: “Mente pura, coração nobre e corpo são” foi inserido.

O médico disse à Sra. Augusta Foss Heindel, após visitar seu marido, que ele provavelmente não alcançaria o final do ano seguinte. Contudo, esta notícia desencorajadora ela não aceitou, porque ela sentia que esta doença era mais uma lição que seu marido deveria passar. Ele estava a ponto de passar por sua terceira Iniciação.

Apesar de Heindel estar doente por três meses, também havia dias em que ele, vestido de roupão, conseguia se sentar e escrever algumas coisas. Levado por um espírito indomável, ele fazia planos de escrever seu quinto livro: Os Mistérios dos Rosacruzes[220]. Também, agora, ele colocou no jornal uma vaga para estenógrafo a quem ele ditaria o livro.

Até este momento ninguém estava ciente da presença de Max Heindel em Ocean Park. Contudo, sua voz alta e forte chamou a atenção de várias pessoas que passavam por ali e também dos vizinhos. Ao lado de Max Heindel morava um médico que, após ter lido o Conceito Rosacruz do Cosmos, procurou estreitar relacionamentos, apesar de que ele tinha pouquíssimo tempo disponível para contatos sociais.

Capítulo 7 – Aquisição de um Terreno para a Sede Central

Em meados de fevereiro de 1911, Max Heindel recebeu a visita do seu amigo do peito William M. Patterson e esposa, que insistiram em fazer a compra de um terreno para uma futura Sede Central. Também desta vez, como no momento da publicação do Conceito Rosacruz do Cosmos e dos 20 folhetos do Cristianismo Rosacruz, ele estava disposto a ajudar financeiramente.

Após um tempo de procura, encontraram um pedaço de terra de 16 hectares num morro, ao norte de Los Angeles, entre Brentwood Park e Hollywood. Um lugar muito lindo com vista sobre todo o vale e o mar. O Sr. Patterson sugeriu comprar esta terra; ele queria doar 4 hectares para a Sede Central e manter o resto para si, como um investimento imobiliário, para poder vender para associados.

Após assinarem o contrato de compra e venda e terem pago um valor de US$ 100,00, como adiantamento, descobriram que era exigido a assinatura dos quatro herdeiros antes de registrarem no cartório. Demorou dois meses para que o herdeiro, que morava na Europa, respondesse.

Nesse meio tempo chegou aos ouvidos do corretor de imóveis de que havia planos de se construir um Centro de Cura neste local, fazendo com que por milhas em torno do terreno, os preços das terras duplicassem. Isto chegou aos ouvidos dos dois herdeiros que moravam nos estados do Leste, que então se recusaram a vender, não sabendo que a subida dos preços se devia ao fato da provável venda da terra deles para a Fraternidade Rosacruz. Após isso se tornou impossível comprar um pedaço de terra na região de Los Angeles, sem que os corretores percebessem e por conta disto subissem o preço.

Quando em maio retomaram a busca por uma terra, foi decidido entrar na próxima cidade de forma discreta e comprar a terra de forma incógnita. Sra. Augusta Foss Heindel sugeriu irem para San Diego, pois ela, anos atrás, ficou admirada pelas lindas árvores e pelo ambiente. Quando compraram as passagens, o Sr. e a Sra. Patterson pediram para fazer conexão em San Juan Capistrano, onde ficava uma velha missão, e em Oceanside. Queriam procurar um pedaço de terra nestas duas cidades. Fazer conexão em San Juan Caprino não era possível, mas em Oceanside não havia restrições.

Quando, numa manhã de domingo, chegaram na Estação de Trem de Oceanside foram recebidos por um menino pequeno e cheio de sardas de aproximadamente 10 anos, chamado Tommy Draper. Além dele não havia ninguém na Estação. ‘Olá, o que os senhores querem? ’, foi seu comprimento sorridente. Max Heindel, que tinha um apreço por crianças, respondeu a este pequeno escoteiro, que ele gostaria de comprar um pedaço de terra, e perguntou se ele poderia vender algum. A resposta surpreendente foi um dedo apontando para um homem grisalho, que estava do outro lado da Estação saindo de um lote vazio, dizendo: ‘Lá vem o homem que pode vendê-lo ao senhor’.

Descobriram que o Sr. Chauncey Hayes era o único corretor de imóveis daquela cidadezinha[221]. Após terem contado a ele o que procuravam, ele acenou para um homem que não estava longe na abertura da porta de um estábulo, chamado Couts. Quando este homem chegou perto, foi perguntado a ele se poderia acompanhar o grupo à terra da ‘Reserva’. O Dr.  Couts se retirou e voltou um pouco depois com uma carruagem puxada por dois cavalos, chamado “surrey”. Após uns vinte minutos chegaram ao topo do morro, que dava uma vista maravilhosa sobre o vale San Luis Rey.

Eles estavam num terreno plano coberto de Artemísia, uma verdadeira selva, com uma área de 16 hectares.  Apesar de ao norte se destacarem dois reservatórios de água feios, que forneciam a água de Oceanside, a vista era muito linda. Ao Nordeste montanhas e ao sudeste o oceano, assim como os Irmãos Maiores haviam mostrado à Max Heindel. “Este é o lugar” exclamou Max Heindel.

Em 1886 a Califórnia viveu um período que ficou conhecido como ‘o boom do papel’. O fato era que muitos terrenos mudavam de dono no papel, mas nunca em realidade, porque em alguns anos os preços implodiram e os compradores podiam pagar um pouco mais do que a entrada.

A terra que eles resolveram comprar era um desses terrenos de papel, onde haviam estradas, mas não existiam casas e que o banco havia tomado por falta de pagamento. Oceanside estava morto e não tinha meios financeiros para vender este terreno por falta de água potável; o distrito inteiro tinha paralisado. A Sra. Augusta Foss Heindel viu imediatamente a segurança desta escolha, e percebeu que ninguém iria comprar uma terra numa cidadezinha tão morta e seca – onde não existia mercado ou algo que pudesse ser produzido nesta terra.

Os Heindel tomaram o trem da tarde para San Diego e a Sra. Augusta Foss Heindel convenceu o marido a ir ao cinema para se distraírem à noite. Durante o filme Heindel falou: ‘Estou preocupado se o terreno ainda não foi vendido’ e ‘devíamos ter dado uma entrada para ter certeza que não será vendido’.

Na segunda de manhã eles tomaram o primeiro trem para Oceanside e pagaram cem dólares para segurar a compra, até que os papéis estivessem prontos. Max Heindel fez isso porque tinha prometido ao seu amigo William Patterson que iria ajudar na compra do terreno. A compra foi efetivada no dia 3 de maio de 1911, às 15h30m, quando o Sr. Patterson pagou os primeiros mil dólares, e deu ordens para assinar os documentos. Os outros quatro mil dólares seriam pagos em quatro parcelas anuais.

Para termos uma visão justa de Mount Ecclesia – assim foi batizada por Max Heindel, como uma logo marca indicando o local na Alemanha onde o Templo está localizado – segue aqui uma descrição transcrita do Echoes. ‘Com o objetivo de tornar prático ao público nossos ensinamentos e cura, compramos um pedaço de 16 h hectares de terras, na cidadezinha de Oceanside, 145 km ao sul de Los Angeles. É um dos lugares mais lindos no ensolarado sul da Califórnia, situada numa planície alta. De Mount Ecclesia, como chamamos a nossa Sede Central, temos uma vista sem obstáculos sobre o maravilhoso e azul Oceano Pacífico. A oeste fica, a 120 km a ilha San Clemente. Com frequência vemos ao horizonte a silhueta de navios passando. A 46 km ao sul aparece La Jolla, uma cidade vizinha de San Diego, a cidade mais ao sul do espaçoso reino do Tio Sam.

129 km ao norte de Mount Ecclesia vemos a querida ilha Catalina com sua água cristalina, e seus maravilhosos jardins submarinos, tão estranhos e fantásticos que sobrepõe nossa imaginação e contos de fadas.

Exatamente abaixo de Mount Ecclesia fica o sorridente vale de San Luis Rey, com seus frutíferos campos verdes, sua histórica e velha Missão. Um pouco a frente ficam os morros com suas milagrosas brincadeiras de sombra e luz. Depois as montanhas com seus contornos acidentados. Mais ao Oeste vemos os picos cobertos de neve das montanhas San Bernardino, Greyback e San Jacinto. O primeiro fica a 160 km, e o último a 120 km da costa.

Portanto a nossa vista de Mount Ecclesia tem 240 km de leste a oeste, da montanha de San Jacinto até a ilha San Clemente, e 190 km de norte a sul, de Catalina à La Jolla.

O clima é tão agradável quanto a vista, e inacreditável para aqueles que nunca moraram aqui. Durante o inverno podemos usar roupas leves e arejadas. E apesar de a água de nosso tanque aquecido pelo sol ficar tão quente que quebraria um copo, nós não chegamos a transpirar nos dias mais quentes do verão, porque a brisa do mar que vem todos os dias das 10 h às 17 h sobre Mount Ecclesia, resfriando a atmosfera e preenchendo nossos pulmões com fortalecedor ozônio, refrescante do peito arfante do Oceano Pacífico. É um elixir de vida frutífero. Por isto este local nos dá condições extraordinárias para a cura que provavelmente não tenha outro igual’[222].

Em setembro de 1911, Max Heindel e sua esposa fizeram uma tournée pela costa Oeste, onde Heindel fez palestras em San Francisco, Sacramento, Seattle e Yakima. Ele estava feliz em poder dizer no palco, que a Fraternidade havia adquirido um pedaço de terra em Oceanside para construir a Sede Central.

Aproximadamente um mês após esta viagem, a Sra. Augusta Foss Heindel recebeu visitas em Ocean Park enquanto seu marido estava em Los Angeles, aproximadamente 30 km de distância. Eram duas damas e um cavalheiro que tinham interesse pela casa de praia e queriam comprá-la. Para a Sra. Augusta Foss Heindel esta casinha, onde agora era a Sede Central – com uma casinha menor aos fundos – representava uma fonte de renda e ela não estava disposta a vendê-la. Talvez porque ela não soubesse aonde ir com todos os livros e manuscritos, que a 11 meses estavam guardados lá. A oferta era muito tentadora e tão acima do que ela achava que a casa valia, que ela pediu aos visitantes um   tempo para poder pensar no assunto, e conversar com seu marido porque não iria vender sem o consentimento dele.

Dentro de uma hora Max Heindel chegou em casa, e a primeira coisa que ele disse foi: ‘Oi, você tem a chance de vender esta casa e qual é a oferta? ’ Quando ele ouviu o valor atraente ele respondeu: ‘Bem-querida, esta é a oportunidade que estávamos esperando. Irá nos trazer aquilo que precisamos para construir em Oceanside!’.

A venda foi fechada e os compradores pagaram $ 2.000 à vista, enquanto para o resto foi fechado uma hipoteca, com a condição de que os Heindel iriam sair da casa em 10 dias e entregar as chaves.

Com a ajuda da Estenógrafa e uma dama que havia chegado a poucos dias em Portland – Sra. Ruth Beach e Rachel Cunningham – imediatamente começaram a empacotar as coisas e preparar toda a mudança para Oceanside. Enquanto isto Max Heindel foi para Oceanside alugar uma casa.

Na manhã de 27 de outubro de 1911, eles partiram da casinha na praia para Oceanside. As senhoras Beach e Cunningham, foram de trem, enquanto o Sr. e a Sra. Augusta Foss Heindel seguiram num carro pequeno de dois lugares, um Franklin, que eles reformaram[223]. Este carro foi comprado por $ 300, um valor que foi pago com o dinheiro da venda das casinhas. O carro estava supercarregado na parte traseira com máquinas de escrever e malas. No início da manhã, às 5:00 h, o Sr. e Sra. Augusta Foss Heindel estavam prontos para partir.

Quando eles chegaram em Whittier, uma cidadezinha a 50 km de Los Angeles, caiu uma tremenda chuva. Como o carro era aberto por cima, eles ficaram felizes em encontrar uma palmeira grande onde podiam se abrigar. Depois de finalizada a tempestade, ligaram novamente o carro. Entretanto já era início de tarde. O azar era que a estrada entre Whittier e Fullerton havia sido recém plainada e não havia outra estrada. Então eles foram obrigados a seguir com um carro muito pesado por uma estrada de terra solta que com a chuva tinha virado um barreiro. Quando com muito custo eles haviam andado alguns km, Bedelia[224], como Max Heindel havia apelidado o carro, se recusava a continuar. Não havia como conseguir movimento no veículo, de tal maneira que não sobrou alternativa aos Heindel de ir buscar ajuda. Quando a Sra. Augusta Foss Heindel havia caminhado por volta de 1,5 km ela viu uma fazenda. Após explicar a situação, o fazendeiro estava disposto a puxar o carro até Fullerton contra um certo pagamento. O pequeno carro dos Heindel foi acoplado ao carro do fazendeiro, que os arrastou até Fullerton, onde colocaram o carro defeituoso numa oficina. Eles precisavam alcançar Oceanside decididamente naquele dia, pois havia sido comunicado aos associados que no dia seguinte, sábado 28 de outubro de 1911, às 12h40, a terra da nova Sede Central seria inaugurada.  Correndo eles pegaram em cima da hora, o trem que já estava a ponto de partir. Você pode imaginar o que um dia assim significa para um homem com problemas no coração.

Quando eles estavam no trem, Heindel mostrou à sua esposa um lindíssimo arco-íris duplo, que estava do lado oeste, e a extremidade ao sul parecia estar exatamente sobre Oceanside[225]. ‘Olhe’, falou Max Heindel, ‘o que o futuro nos reserva, apesar deste dia cheio de dificuldades!’.

Após o anoitecer eles chegaram em Oceanside, uma cidade com aproximadamente 600 habitantes. Heindel havia alugado alguns dias antes, uma casa de quatro cômodos. Estava mobiliado de forma simples. No chão haviam esteiras e tinha camas de beliches. Pelo fato da casa ter estado vazia por uns tempos, os Heindel foram recebidos por pulgas e ratos.

No dia seguinte, sábado, 28 de outubro, o Sr. e Sra. Augusta Foss Heindel estavam acompanhados das Sras. Beach e Cunningham, na Estação de Oceanside, e aguardavam os associados que chegariam no trem das 12h00. Quando o trem finalmente chegou à Estação, desceram dele os três associados de Los Angeles: Rudolf Miller, John Adams e George Cramer; William Patterson de Seattle e Annie R. Atwood de San Diego. Usando duas carruagens da única estalagem que havia em Oceanside, partiram nove pessoas para a ‘planície’ para inaugurar a terra. Para este fim trouxeram de Ocean Park uma pá e uma cruz preta onde nos três braços superiores haviam pintado com letras douradas: C.R.C., as iniciais de Christian Rosenkreuz.

Exatamente às 12h40 horário do Pacífico, iniciou-se a Cerimônia. Max Heindel descreveu este acontecimento em sua 12ª Carta aos Estudantes, e na aula de estudantes de novembro de 1911 da seguinte forma:  ‘Era nossa intenção não fazermos nenhuma demonstração ou formalidade. Queríamos economizar cada gasto inútil, porque nossas fontes nem agora são suficientes para terminar a parte interna dos prédios. E por hora devemos deixar isto inacabado, até que as condições melhorem. Era meu plano ir lá sozinho e em pensamento fazer uma cerimônia. Contudo, não ter a companhia de nenhum amigo nesta solenidade para poder se alegrar comigo, nem mesmo minha querida companheira de vida, Sra. Augusta Foss Heindel, me pareceu tão frio, triste e solitário.

Por ser um evento tão importante para a Fraternidade Rosacruz, achei melhor convidar os membros para que pudessem estar presentes. Este pensamento se tornou cada vez mais forte, portanto resolvi questionar o Mestre a respeito. Como ele concordou de forma calorosa, resolvemos organizar o evento de forma simples, mas também apropriada, e comunicamos os amigos das redondezas. Fizemos uma grande cruz [aprox. 2,75 m] no formato do nosso emblema e pintamos em letras douradas C.R.C. nos três braços superiores. Os senhores sabem que estas três letras simbolizam o nome do nosso Maior representante, e nosso emblema significa ‘Cristão Rosa Cruz’, que inclui um pensamento de beleza e vida superior, tão diferente da melancolia da morte, pela qual a cruz preta normalmente é associada.

Decidimos colocar esta cruz juntamente com uma trepadeira de rosa no chão, no mesmo momento em que colocávamos a primeira pedra para a construção, para que ambas simbolizassem a verdejante vida dos diferentes reinos, que se encaminham às esferas superiores pelo caminho em espiral de evolução.

 No dia 27 de outubro, minha esposa e eu, partimos para Oceanside, cansados do trabalho extenuante de empacotar tudo para a viagem. Começou a primeira chuva da estação e nós estávamos preocupados com a consequência disto na Cerimônia. Contudo, quando olhamos para as montanhas que se escondiam atrás das nuvens ao oeste, vimos o maior e mais lindo Arco-íris duplo que jamais vimos antes e cuja extremidade sul finalizava exatamente sobre Mount Ecclesia.

Nossa responsabilidade   em auxiliar   milhares de corações exaustos, a carregarem suas dificuldades de forma mais corajosa e com mais força, parecia muitas vezes superar nossas forças. Mesmo assim sempre foram renovadas por olharmos internamente; e desta vez parecia que toda a natureza queria nos animar dizendo: ‘Mantenha-se firme, lembre-se que não é seu o trabalho, mas sim de Deus. Confie plenamente N´Ele; Ele vos mostrará o caminho. ’

Portanto juntamos nossas mãos e renovamos nossa coragem, para com forças novas darmos continuidade ao belíssimo trabalho, de onde Mount Ecclesia será o ponto central.

O dia em que a Cerimônia foi realizada, era um dia ideal na Califórnia; o sol brilhava num céu sem nuvens. Para onde nós olhássemos de Mount Ecclesia, parecia que mar, vales e montanhas estavam sorrindo. Tanto os cooperadores como os sócios presentes estavam extasiados pela beleza deslumbrante do local da Sede. Os presentes eram: Annie R. Atwood de San Diego, Ruth E. Beach de Portland, Rachel M. Cunningham, Rudolph Miller e John Adams de Los Angeles, George Cramer de Pittsburg, William M. Patterson de Seattle, minha esposa e eu.

No momento estipulado, eu coloquei a primeira pedra no chão. Todos ajudaram a fazer o buraco para a cruz, que foi colocada por William Patterson[226]. Minha esposa plantou a roseira, que foi irrigada por todos os presentes. Que ela possa crescer e florescer para enfeitar a simplicidade da cruz, e possa inspirar a pureza da vida que irá apagar todos os pecados passados, não importa quão obscura a vida possa ter sido. ’

Discurso de Max Heindel quando colocou ao solo a primeira pedra da construção de Mount Ecclesia:

Cristo disse: “Onde dois ou mais estiverem presentes em Meu nome, Eu estarei no meio deles”. Essa declaração era a expressão da mais profunda sabedoria divina, assim como todos os Seus ensinamentos. Ela se apoia sobre uma lei da natureza, tão imutável como o próprio Deus.

Quando os pensamentos de dois ou três focalizam-se sobre qualquer objeto ou pessoa determinada, gera-se um poderoso pensamento-forma. Resultado da bem definida projeção de suas mentes conjuntamente ajustadas para o propósito almejado. Seus efeitos ulteriores, dependerão da afinidade entre os pensamentos e a natureza do alvo que os recebe. Pois, para gerar uma correspondência vibratória sobre a nota soada por um diapasão, é necessário outro diapasão afinado no mesmo tom.

Se forem projetados pensamentos e preces de natureza inferior e egoísta, apenas criaturas inferiores e egoístas responderão a eles. Essa espécie de oração nunca chegará até Cristo, como a água não pode subir montanha acima. Ela gravita em torno de demônios ou elementais; criaturas totalmente indiferentes às sublimes aspirações manifestadas pelos que estão reunidos em nome de Cristo.

Estamos aqui reunidos hoje, neste lugar, com a finalidade de assentar a pedra fundamental para a construção da Sede de uma Associação Cristã. Tão certo como a gravidade atrai uma rocha em direção ao centro da terra, o fervor de nossas unidas aspirações atrairá a atenção do Fundador de nossa fé (Cristo). Estamos confiantes que Ele está entre nós. Com a mesma certeza na qual diapasões com a mesma afinação vibram em uníssono, também o augusto Cabeça da Ordem Rosacruz (Christian Rosenkreuz) empresta sua presença nessa solene ocasião, quando a Sede da Fraternidade Rosacruz está tendo início.

O Irmão Maior inspirador deste movimento está presente e visível, pelo menos para alguns de nós. Somando o número dos presentes nesta maravilhosa ocasião, todos diretamente engajados no projeto, temos como resultado o número perfeito, 12. Isto é, há três Guias Invisíveis que estão além do estágio da humanidade comum, e nove membros da Fraternidade Rosacruz. Nove é o número de Adão, ou humanidade. Destes nove membros, cinco (número ímpar masculino) são homens, e quatro (número par feminino) são mulheres. O número três, relativo aos Guias Invisíveis, apropriadamente representa a Divindade assexuada.

O número dos que atenderam ao convite não foi programado pelo orador. Os convites para tomar parte desta cerimônia foram enviados a muitas pessoas, mas apenas nove compareceram. E, como não acreditamos no acaso, a presença deve ter sido conduzida de acordo com os desígnios de nossos Guias Invisíveis.

Esse sincronismo também revela a força espiritual por trás deste movimento. Como prova evidente desse argumento, observemos a extraordinária expansão dos Ensinamentos Rosacruzes. Nos últimos anos disseminaram-se por todas as nações da Terra. Despertam aprovação, admiração e amor nos corações das pessoas das mais variadas classes e condições, especialmente entre os homens.

Enfatizamos isto por ser um fato notável. Todas as outras organizações religiosas compõem-se majoritariamente por mulheres. Entretanto, os homens são maioria entre os membros da Fraternidade Rosacruz. Também é significativo que os membros da área médica sejam mais numerosos em relação às demais profissões, e em seguida encontram-se os Ministros das igrejas. Isso demonstra a crescente conscientização da estreita relação entre desenvolvimento espiritual e saúde. A fraqueza do corpo reflete a fraqueza da alma. Muitos estão se esforçando para compreender essas relações e, assim, garantir melhor assistência aos enfermos.

Demonstra que os orientadores espirituais, cuja tarefa consiste em zelar pela saúde das almas, estão também empenhados em socorrer mentes exigentes e inquiridoras. Dessa forma podem recuperar o vigor da fé, por vezes já muito empobrecida, das mentes inquietas que anseiam por explicações consistentes sobre os mistérios espirituais.

Explicações não sustentadas pela razão, que apelam para máximas inquestionáveis e dogmas inflexíveis, abrem totalmente as comportas para o mar agitado do ceticismo. Afastam aqueles que procuram a luz através do porto seguro da Igreja. Lamentavelmente arrasta-os para a escuridão do desespero materialista.

A Fraternidade Rosacruz recebeu o abençoado privilégio de poder atender às necessidades dos irmãos que buscam sinceramente a verdade. Com entusiasmo procuram a luz, guiados pelo intelecto. São incapazes de acreditar por imposição e aceitar explicações incompatíveis com a razão. Contudo, quando podem compreender que o conjunto de dogmas e doutrinas apresentadas pela Igreja, está em fundamental harmonia com as leis da natureza, então, muitos retornam mais fortalecidos à sua congregação. Enriquecidos pela luz, convertem-se nos melhores e mais ativos membros. Compartilham alegria e entusiasmo com seus companheiros.

Qualquer movimento para perdurar deve possuir três qualidades divinas: Sabedoria, Beleza e Força.

Ciência, arte e religião, cada um possui, por sua natureza, uma dessas correspondentes qualidades. O objetivo da Fraternidade Rosacruz é uni-las em um conjunto harmonioso. A religião deve ser tanto científica como artística. Todas as Igrejas devem se unir numa só grande Irmandade Cristã. Presentemente, o relógio do destino, marca um momento auspicioso para o início das atividades da construção da Sede. Então, vamos erigir um centro visível de onde os Ensinamentos Rosacruzes possam irradiar uma benéfica influência. Seu propósito é elevar o bem-estar de todos que estão físicas, mental e moralmente enfermos.

Agora, cavemos a primeira pá de terra no local da construção, acompanhada de uma prece de Sabedoria, para guiar esta grande escola no caminho certo.  Cavemos o solo uma segunda vez, com uma súplica ao Mestre Artista, pelo direito de introduzir aqui, a Beleza da vida superior, de tal maneira a torná-la atrativa para toda humanidade. Rasguemos o solo pela terceira e última vez, nesta cerimônia, suspirando uma prece pela Força; para que assim, com serenidade e diligência, sejamos dignos de prosseguir no bom e perseverante trabalho de converter este lugar num prodigioso fator de elevação espiritual, superando o resultado dos seus antecessores.

Já escavado o local do primeiro prédio, continuemos agora plantando o maravilhoso símbolo da Vida e do Ser, o emblema da Escola de Mistérios Ocidentais. Agora descreveremos seu simbolismo. A cruz representa a matéria. As rosas envolvendo e rodeando o tronco, sugerem a vida em evolução subindo cada vez mais alto através da cruz.

Cada um de nós, os nove membros, participará deste trabalho de escavação, para este primeiro e mais importante elemento distintivo de Mount Ecclesia. Vamos fixá-lo numa posição onde os braços apontem um para Leste e outro para Oeste, enquanto o Sol meridional projeta-o inteiramente em direção Norte. Assim, ele estará alinhado com as correntes espirituais que vitalizam as formas dos quatro reinos de vida: mineral, vegetal, animal e humano.

Sobre os braços, na parte superior da cruz, podemos divisar três letras douradas, “C.R.C.”, Christian Rosenkreuz, as iniciais do Augusto Chefe da Ordem.

O simbolismo da cruz está parcialmente elucidado aqui como também em nossa literatura. Contudo, seriam necessários volumes para dar uma explicação completa. Vamos lançar o olhar para adiante, vejamos o significado da lição oferecida por este maravilhoso emblema.

Quando vivíamos na densa atmosfera aquosa da antiga Atlântida, estávamos submetidos a leis completamente diferentes das que vigoram hoje. Quando deixávamos o corpo, não o percebíamos, pois, nossa consciência estava mais focalizada no mundo espiritual do que nas densas condições da matéria. Nossa vida não sofria quebras de continuidade: ‘Não percebíamos nem o nascimento nem a morte’.

Ao emergirmos para as condições aéreas da Época Ária, o mundo atual, nossa consciência do mundo espiritual desvaneceu-se, e a percepção da forma tornou-se mais proeminente. Teve início uma existência dupla. Cada fase bem delimitada e diferenciada. O nascimento e a morte demarcavam seus limites. Numa etapa o espírito vivia em liberdade no reino celestial. Na outra encontrava-se aprisionado no corpo terrestre. Essa etapa pode ser considerada como a morte virtual do Espírito. Assim está também simbolizado na mitologia grega, nas figuras de Castor e Pólux, os gêmeos celestiais.

Já foi elucidado em diversos pontos de nossa literatura, como o espírito livre ficou emaranhado na matéria pelas maquinações dos Espíritos Lucíferos. Cristo classificou-os de falsas luzes. Isso ocorreu na ígnea Lemúrica. Portanto, Lúcifer pode ser chamado o Gênio da Lemúrica.

O efeito da intervenção dos Anjos Lucíferos ganhou maior transparência na Época de Noé, abrangendo o final da Época Atlante e o início da presente Época Ária.

O arco-íris não podia ganhar forma sob as condições atmosféricas da Lemúrica. Entretanto, inaugurou o céu cristalino da Época de Noé, coloriu o fundo azul e elevou-se acima das nuvens. Imprimiu nas alturas uma inscrição mística proclamando o início dos ciclos alternantes, enchente e vazante, verão e inverno, nascimento e morte. Durante a vigência desta era, o espírito perdeu sua ampla liberdade e devia permanecer confiando num corpo mortal.

Agora os corpos são gerados sob a influência da paixão satânica engendrada por Lúcifer. O espírito empreende repetidas tentativas de regresso à Casa Paterna, no anseio de permanecer no seu verdadeiro lar celestial. Contudo, é frustrado pela lei dos ciclos alternantes, pois, ao livrar-se de um corpo pela morte será novamente conduzido ao renascimento quando o ciclo se completar.

Engano e ilusão não podem perdurar eternamente. Nasceu entre nós, então, o Redentor para purificar o sangue cheio de paixão e para pregar a verdade, que nos libertará deste corpo de morte. Veio para instaurar a Imaculada Concepção, em harmonia com a evolução dos conhecimentos sobre a ciência genética e a erradicação das deformações físicas. Profetizou uma nova era, um novo Céu e uma nova Terra, onde Ele, a verdadeira Luz, será o novo Gênio. A humanidade encontrará a plena realização de seus anseios nessa nova era onde florescerão a virtude e o amor.

Tudo o que dissemos e o nosso caminho evolutivo, estão representados na cruz de rosas diante de nós. Na rosa a seiva de vida está inativa no inverno e ativa no verão. Ela bem ilustra o efeito da lei dos ciclos alternantes. A tonalidade da flor e seus órgãos reprodutores, lembram o nosso sangue. No entanto, sua seiva flui com pureza e sua semente é gerada imaculadamente, sem paixões.

Quando também alcançarmos tal pureza, tão bem simbolizada, estaremos libertos da cruz da matéria. As futuras condições etéricas do novo milênio já estarão presentes.

A aspiração da Fraternidade Rosacruz é abreviar os dias para celebrarmos a chegada desse feliz momento, quando a tristeza, a dor, o pecado e a morte desaparecerão. Estaremos, enfim, redimidos das fascinantes, porém escravizantes, ilusões da matéria. Despertaremos para a suprema verdade da realidade do Espírito. Que Deus frutifique nossos esforços e antecipe esse dia[227].

Após esta cerimônia todos voltaram para a casa em Oceanside, onde consumiram um almoço leve e depois os convidados logo foram embora.

Anos depois, em 1917, Jim Heath, um repórter de San Diego Union, contou a Max Heindel, que ele esteve presente na Cerimônia de Inauguração da terra e do plantio da cruz, e que parecia como se estivessem plantando um pedaço de madeira no deserto[228].

Capítulo 8 – Construtor – Material e Espiritual

Na segunda-feira, 30 de outubro de 1911, Max Heindel se deixou levar, pelo cocheiro, juntamente com alguns marceneiros para a Fraternidade, a uns 2 km de distância[229].

No dia seguinte apareceu, como primeiro membro para ajudar, Rollo Smith, que esteve, por um tempo, na lista de cura[230]. Um tempo depois, Charles Warmholz também se ofereceu para ajudar na construção.

Enquanto os homens passavam o dia inteiro no campo, as três mulheres se concentravam na casinha sobre as muitas cartas e encomendas. Enquanto isso, vieram de Ocean Park as cartas com as encomendas da primeira edição do livro Os Mistérios dos Rosacruzes e da terceira edição do Conceito Rosacruz do Cosmos. Como houve atrasos na publicação dos mesmos havia se acumulado encomendas por três meses.

Era um quebra cabeça guardar os quatro mil exemplares na casinha de quatro cômodos, ainda mais porque lá também moravam quatro pessoas. As caixas pesadas contendo os livros foram guardadas num ranchinho que era acoplado a casa através de um corredor. Uma a uma as caixas foram abertas pelas damas e os livros amontoados e preparados para envio. Quando uma grande parte já estava empacotada, foram levados por uma carroça, puxada por um cavalo já bem velho e sarnento, para o escritório de expressos do correio que ficava junto ao correio normal. A Sra. Augusta Foss Heindel se sentava ao lado do cocheiro num assento alto da carroça para ajudar a descarregar os pacotes no escritório do correio na Estação de Santa .

As pessoas de Oceanside não estavam acostumadas a ver esta quantidade de pacotes que chegavam e saíam pelo correio e, curiosas, foram pesquisar. Em Oceanside moravam poucos estranhos e os que moravam lá não eram bem-vindos. A cidadezinha foi fundada por duas famílias que se casavam entre si, e todos que não faziam parte de uma destas duas famílias não eram bem-vindos. Seu estado de espírito foi tipificado pela resposta de um dos donos da loja mais importante da cidade quando foi perguntado: ‘E, senhor X, o senhor não acha bom que venham estranhos para se fixarem na cidade?’. O empresário respondeu: ‘Ah, não. Não desejamos estranhos em nosso meio. É tão bom quando todo mundo conhece todo mundo; isto nos dá a sensação de sermos uma grande família’.

Neste meio tempo Bedelia ficou arrumada, e Max Heindel, vestido com seu conjunto Manchester marrom de US$ 10, acompanhado de Rollo Smith, com seus lanches do almoço no bolso, foram buscá-la e voltaram para Mount Ecclesia. Rollo Smith fez a maioria dos móveis. Assim ele fez as mesas e cadeiras para o escritório e as mesas do refeitório; todas de madeira vermelha. A mesa do quarto do Sr. e Sra. Augusta Foss Heindel também foi feito desta madeira vermelha de árvore de sequoia.

Dentro de 28 dias o primeiro prédio estava parcialmente pronto para moradia, portanto no sábado dia 25 de novembro, mas eles já se mudaram no dia 22 de novembro. O madeiramento ainda não estava pintado e só tinha janelas nos quartos de dormir, o resto do prédio ainda estava aberto, sem portas ou janelas. Quando à noite, a lua brilhava por entre as janelas sem cortinas, os coiotes ou lobos da planície faziam a sua serenata. Às vezes, eram de 15 a 20 que entoavam sua melodia chorosa em direção à lua. Apesar destes animais dificilmente atacarem um humano davam um prejuízo enorme entre os animais pequenos.

O Sr. Smith conseguiu ficar tempo suficiente para terminar as obras mais urgentes, mas rapidamente foi solicitado a voltar para casa, pois sua esposa havia adoecido.

Sobre Rollo Smith lemos na carta aos estudantes de 1º de maio de 1938 o seguinte: “Ele [Smith] era um Probacionista avançado que desde o primeiro início se envolveu com o trabalho da construção. Quando o prédio estava quase pronto, pode ficar em um dos quartos do andar superior. Uma certa manhã, durante o café da manhã, ele estava muito perturbado, e quando perguntado se ele estava doente, ele respondeu que durante toda a noite ele passou um tempo horrível com um demônio que não o deixava dormir. Ele estava com muito medo e brigou com todas as forças contra ele. Ele achou que era um elemental. Max Heindel imediatamente tomou a palavra e contou que era o Guardião do Umbral, e que ele, Max Heindel, tentou chamar sua atenção para dizer para não ter medo, mas o Smith por temor estava cego para qualquer tipo de ajuda. Então Smith perguntou quais eram as consequências de seu temor, de sua luta e de não querer reconhecer seu Guardião. O Sr. Heindel respondeu que ele havia deixado passar a oportunidade de enfrentar seu Guardião e que nesta vida ele não o incomodaria mais[231].

Todas as portas e janelas foram colocadas e, das sobras da madeira vermelha, ainda foram feitos alguns móveis simples para a cozinha e sala de jantar.

O prédio estava dividido da seguinte forma: na parte Oeste estavam dois quartos separados por grandes guarda-roupas. As camas foram feitas de tal forma que ficavam em cima de pés de 10 cm que dobráveis tinham rodinhas de dois lados e, durante o dia, podiam ser empurrados para dentro do armário. À noite estes quartos eram usados pelo Sr. e Sra. Augusta Foss Heindel como quartos de dormir e durante o dia eram sua sala de estar e onde recebiam os visitantes e realizavam seus trabalhos de escrita. Para se tomar um banho precisavam, primeiro, esquentar a água num fogão à gasolina, pois nesta região ainda não havia gás ou eletricidade. Na parte do meio do prédio ficavam a sala de jantar e a cozinha.  Por fim, em cima ficavam mais cinco quartos que continham cada um uma cama, uma mesa de lavar e uma pia. O Sr. Smith havia feito todos os móveis da madeira da sequoia vermelha.

Os móveis foram pintados de marrom com a sobra da tinta que foi usada no lado de fora da casa.

Quando na segunda-feira seguinte iria ser dado início na colocação dos postes de telefone, houve um problema. A telefônica havia sido solicitada a colocar uma ligação telefônica lá, mas isto só seria possível com uma ligação rural. Eles mesmos deveriam colocar os postes e comprar a fiação, que depois seriam ligados a uma linha que seria dividida com outros quatro produtores rurais. Um dos produtores se recusou a deixar a Fraternidade fazer uso desta linha. Contudo, no final conseguiram tirar suas preocupações e fazer a ligação da linha telefônica.

E, novamente a Bedelia, o carro, estava em manutenção. O que causava muitos incômodos, pois, por exemplo, o verdureiro se recusava a fazer entrega em local tão distante.

O prédio que foi construído numa encosta, tinha do lado inferior um espaço ideal para armazenagem e assim foi decidido deixar a Bedelia embaixo do prédio. O carro não tinha motor de partida e para o coração de Heindel não era ideal ter de fazer a ligação manual. Não sobrava alternativa para a Sra. Augusta Foss Heindel do que caminhar até Oceanside e fazer suas compras no verdureiro. Por 10 cents de dólar o motorista do correio estava disposto a levar as compras dela no carro quando fosse levar o correio. Podiam buscar leite num vizinho. Conseguir o alimento certo que fosse vegetal não era muito fácil. Portanto a Sra. Augusta Foss Heindel decidiu comprar sementes de melão, pepinos e outros vegetais, que ela plantou em um espaço sombreado onde a umidade não diminuísse tão rápido. Na Califórnia chove bastante no inverno, mas no inverno de 1911/12 a Califórnia sofreu com uma seca. Por meses não caiu uma gota de água, com a consequência que aquela safra falhou.

À nordeste de Mount Ecclesia haviam dois tanques (reservatórios) que continham a água de Oceanside. Contudo, por causa da seca estes tanques estavam bem vazios, portanto Mount Ecclesia não tinha agua para encher um balde, quando se abria a torneira. Para terminar com esta situação de carência Max Heindel, após pensar alguns dias sobre o problema, decidiu colocar um tanque de 50 galões, aproximadamente 190 litros, que ficava ligado por canos ao registro central. Tendo um tanque no piso inferior, que através de uma bomba levava a outro tanque no piso superior.

Na primavera quando já havia chovido algumas vezes, a Sra. Augusta Foss Heindel semeou novamente tomates e cenouras, onde a terra era mais produtiva. Quando as sementes brotaram parecia que as ervas daninhas queriam sufocá-las, obrigando a Sra. Augusta Foss Heindel a limpar os canteiros. Porque a mão direita dela estava inchada, e quase sem forças por causa do trabalho de datilografia, embrulhar pacotes e fazer faxina, ela só conseguia usar a mão esquerda. Quando Max Heindel passou por lá não aguentou o que viu e resolveu oferecer ajuda. Como morador de cidade que nunca viu uma horta primeiramente foi necessário explicar a ele o que era tomate e cenouras e o que eram as ervas daninhas. Por causa de seu coração ele não podia arquear muito para frente e por isto resolveu sentar numa caixa. Contudo, ele arrancava mais cenouras e tomates do que ervas daninhas e ele mesmo chegou à conclusão que ele mais atrapalhava do que ajudava e que era melhor parar com isso. Contudo, felizmente chegou outra ajuda.

O Secretário Charles Swigert, de Yakima, veio fazer uma visita e tirou todas as ervas daninhas. Depois as plantinhas teriam que ser replantadas (espaçadas).

Um vizinho foi contratado que preparou um pedaço de terra num lugar onde a encosta era bem íngreme. Depois as plantinhas foram replantadas e irrigadas. Contudo, uma decepção os aguardava na manhã seguinte: só havia duas cenouras solitárias sobrando, o resto havia sido comido por coelhos. Para proteção, colocaram um alambrado de aproximadamente 90 cm de altura.

A falta de água foi resolvida plantando na beira da encosta para que durante a noite a água fosse descendo devagar por entre as leiras. O resultado foi uma boa safra de verduras.

Do quarto do Sr. Heindel podia se ver o jardim e o Vale de San Luis Rey. Quando numa manhã ele estava se vestindo, ele chamou sua esposa em seu quarto para olhar pela janela. Eles viram uma enorme lebre, chamado Jack Rabbit, que é muito visto no Norte dos Estados Unidos, sentado no jardim. A lebre é muito maior que os coelhos selvagens, e também não é comum e, portanto, não esperavam esta visita. Novamente as cenouras foram comidas. A Sra. Augusta Foss Heindel desceu as escadas rapidamente, pegou uma lasca de madeira embaixo da casa para espantar a lebre. A lebre estava assustada demais para pular por cima do alambrado e levou uma baita surra. Deduziram que ela havia aprendido a lição, mas não, na manhã seguinte ela estava novamente na horta. Para acabar de vez com esta praga decidiram arrumar um cachorro que protegeria a horta.

Dois sobrinhos da Sra. Augusta Foss Heindel pegaram um cachorro na rua em Los Angeles. Era um cãozinho branco muito simpático com um olhar que fazia derreter qualquer coração. Ele foi chamado ‘Smart’, esperto, e este nome tinha tudo a ver com ele. Ele perseguia os coelhos morro abaixo no meio do matagal, mas nunca pegava nenhum. Depois retornava cheio de picões que ele não conseguia tirar. Por isto a Sra. Augusta Foss Heindel precisava tirá-los e dar banho nele. Sua maior alegria, que ele nunca deixava passar, era o passeio noturno com seus donos. Mais tarde Smart acabou se tornando uma praga ao invés de uma ajuda, por isto em 1913 ele foi adotado por uma das estudantes do curso de verão, Sra. Kittie Skdmore Cowen e foi levado para Mountain Home, em Idaho.

No dia antes da Páscoa as duas ajudantes deixaram a Sede Central, portanto o Sr. e a Sra. Augusta Foss Heindel ficaram sozinhos. Foi um dia lindo e ensolarado de Páscoa. Após a cerimônia religiosa passaram o resto da manhã pintando e lixando os móveis e, à tarde, se dedicaram as pendências do escritório.

Em março de 1912 contrataram um jardineiro para que Mount Ecclesia pudesse ficar autossuficiente em frutas e verduras. O jardineiro formou um pomar e começou a cuidar do jardim. Foram plantadas uvas e rosas. Também começou o plantio de uma fileira de eucaliptos, para dar uma visão mais amigável.

Diversos tipos de flores começaram a enfeitar os caminhos e também o círculo onde se encontrava o emblema da inauguração. Uma fileira de gerânios floriu rapidamente, porque na Califórnia os gerânios crescem como ervas daninhas. Os tomates também cresceram bem e deram uma grande safra.

Os Probacionistas de Seattle, Washington, fizeram, em 1912, um emblema iluminado que foi enviado por trem para a Sede Central.

No final do outono o Mestre solicitou que Heindel iniciasse, no verão de 1913, uma escola de verão. Visto que só havia um prédio, com no total sete quartos, precisaria ser feito muita coisa para realizar o evento.

Neste meio tempo, já era 13 de dezembro de 1912, O Sr. e a Sra. Augusta Foss Heindel haviam decidido formar uma pessoa jurídica para dar uma segurança nas propriedades e dar continuidade à Mount Ecclesia. Para esta finalidade o advogado Payne, com três assistentes, veio de San Diego para elaborar o Contrato Social. Desta forma foi decidido que o nome seria ‘The Rosicrucian Fellowship’ e o objeto social um colégio ou escola para os estudos da Filosofia Rosacruz.

Neste período foram colhidos os tomates maduros e também os verdes e cuidadosamente colocados num banco embaixo da casa. Na horta havia verduras suficientes para passar o inverno. Contudo, mais uma travessura os aguardava.

No dia 2 de janeiro de 1913 a temperatura caiu tanto que a Califórnia viveu sua noite mais fria, desde 1848. Os canos de água congelaram tanto do banheiro quanto das pias e também todas as verduras na horta, excetuando uma fileira de ervilhas que ficou em flor. As videiras, roseiras, e gerânios também morreram todas, e os tomates embaixo da casa viraram pedras de gelo. Tudo deveria ser plantado novamente e porque havia pouca água, isto foi uma situação desanimadora. Contudo, logo após esta geada se seguiram algumas boas chuvas que deixaram o solo pronto para novo plantio.

No mês de janeiro também foi impressa a primeira lição do curso de astrologia.

De Oceanside chegou a notícia que a única gráfica e editora da cidade não poderia mais imprimir as lições, porque o dobrar e grampear tomava muito tempo. Por isto Max Heindel decidiu assumir ele mesmo esta parte. Primeiramente foi utilizado a impressora velha para isto, mas porque era um método muito ultrapassado, o Sr. e Sra. Augusta Foss Heindel foram para Los Angeles e compraram, em parcelas, uma pequena impressora Gordon que funcionava com pedais.

Quando, alguns meses mais tarde, a impressora chegou perceberam que ela não passava pela porta.  De qualquer forma que Heindel e o rapaz da entrega tentassem, eles não conseguiram fazê-la entrar e, portanto, por falta de opção, ficou do lado de fora.

Na manhã seguinte Max Heindel estava sentado na varanda pensando em como conseguir colocar a máquina para dentro, enquanto sua esposa cuidava do café da manhã. A única solução seria deixar vir de Oceanside um marceneiro que tirasse a porta do lugar, para poder colocar a impressora. Enquanto Max Heindel pensava na solução chegou da estrada um mendigo e perguntou se havia algo para ele comer lá. Quando ele foi convidado a esperar pelo café da manhã na varanda ele olhou atentamente para a impressora. ‘Nossa, o Sr. tem uma Gordon novinha. Já trabalhei na fábrica dessa impressora’. Então, Max Heindel contou sua dificuldade e o homem sorriu. ‘Mas isto é simples’, ele disse, ‘se soltar este parafuso e tirar aquela alavanca, ela entrará facilmente pela porta’. Após o café da manhã o homem ajudou a colocar a impressora no lugar e deixá-la pronta para funcionar.

O fato de preparar a impressão, imprimir, dobrar e grampear as lições mensais e carta aos estudantes dava muito trabalho. Isto, também, porque usavam a impressora para imprimir outros folhetos e literaturas da Fraternidade.

Após terem trabalhado alguns meses com essa impressora apareceu em Mount Ecclesia um rapaz que gostaria de ajudar, por alguns meses, em troca de moradia e comida. Martin Hill, assim era seu nome, e Max Heindel decidiram colocar um motor embaixo da impressora, no andar de baixo. Fizeram um buraco no chão, por onde o fio passava para a impressora. Para fazer funcionar a impressora, agora, só precisava ligar o motor no andar inferior.

Quando, num certo dia, os dois homens estavam trabalhando no andar inferior, Max Heindel chamou sua esposa para ver se ela também queria ver o gato lindo que estava lá. O gato lindo era, na verdade, um gambá que ainda não havia espalhado seu perfume pelo local. Quando os homens ouviram da Sra. Augusta Foss Heindel que aquele gato era um gambá, eles não sabiam quão rápido sumir de lá. Nos primeiros anos estes gambás, que durante a noite ficavam na parte inferior da casa, eram realmente uma praga.

‘Bedelia’, que estava embaixo da casa, precisava de uma revisão completa, e também de um motor de partida. Para fazer este trabalho na Sede Central precisaram chamar um mecânico. Após alguns dias ele foi substituído por um colega de Los Angeles e o serviço foi finalizado, rapidamente.

No dia seguinte, logo cedo, os Heindel saíram com seu carro novinho para Los Angeles, para poderem fazer as compras. Contudo, pela centésima vez o mecanismo deu defeito, fazendo com que passassem a maior parte do dia na beira da estrada. Precisamos pensar que naquele tempo entre Los Angeles e San Diego ainda não havia asfalto e a estrada era poeirenta e tão estreita que dois carros mal podiam se ultrapassar. No final da tarde chegaram em Los Angeles.

Após uma noite de descanso, fizeram as compras na manhã seguinte e a viagem de volta iniciou às 14 horas. O carro estava carregado com temperos, verduras e pequenas coisas para a impressão do material. Contudo, a sessenta e cinco km de Mount Ecclesia, a Bedelia começou a reclamar de novo e parou. Tentativas de Max Heindel de encontrar o defeito falharam; o motor não ligou mais. Um carro grande, tipo perua, para turistas parou e ofereceu para puxá-los por uma corda. Após prender a corda no carro, partiram. Max Heindel estava atrás do volante. O motorista da perua não percebeu que o carro pequeno não conseguia fazer todas as curvas na mesma velocidade que a dele, com a consequência que Bedelia saiu da estrada e se prendeu entre dois morrinhos. Pelo fato da parte superior do carro ser aberta, Max Heindel foi arremessado para fora e caiu em cima de um monte de feno que aliviou sua queda. Por meia hora ele esteve lá, inconsciente. Quando Max Heindel acordou, ele conseguiu ir rapidamente em direção à Perua. Ao anoitecer chegaram em Mount Ecclesia, agradecidos de estarem vivos. O braço do Max Heindel estava luxado e ele precisou ficar alguns dias acamado para se recuperar da queda. No dia seguinte a Sra. Augusta Foss Heindel tomou o trem até Capistrano para dar fim aos destroços da Bedelia.

Capítulo 9 – Mais Atividades de Construção

No capítulo anterior foi dito que os Irmãos Maiores da Rosacruz falaram a Max Heindel em novembro para fazer uma Escola de Verão. Na Carta aos Estudantes de março de 1913 este plano foi pronunciado aos membros, e que aqueles que tivessem interesse iriam receber um prospecto com mais detalhes, se assim o solicitassem. No prospecto estava escrito que no dia 4 de junho de 1913 iria abrir a Escola de Verão e todos que gostariam de participar deveriam se inscrever imediatamente e pagar uma taxa de inscrição de US $ 5. Informando que ficariam alojados em barracas.

Quarenta e um estudantes responderam pelo correio. Dentre eles, Rollo Smith foi o primeiro que se propôs a vir antes e ajudar gratuitamente na construção. Contudo, a compra do material era um quebra-cabeças. No banco só havia US $ 85, acrescentado de US $ 205 pago pelos estudantes. Com este dinheiro precisavam comprar: barracas, camas de acampamento, colchões e roupas de cama. Também precisariam de uma cozinha.

Sra. Augusta Foss Heindel tinha um parente que trabalhava como vendedor numa empresa de barracas em Los Angeles e ele estava disposto a garantir o pagamento junto à empresa que trabalhava, se dessem um crédito de 60 dias para a compra de 20 barracas, 40 camas de exército com colchões e 50 cadeiras dobráveis.

Com a ajuda de uma amiga, que coordenava o setor de entregas de um supermercado grande, também conseguiram um crédito de 60 dias para a compra de lençóis, fronhas e cobertores. Neste supermercado também compraram as mesas e material de cozinha. Alguns membros de Los Angeles fizeram os acolchoados no escritório. Antes disso tudo era pago à vista, mas agora tudo dependia do pagamento de US $ 25 que cada participante teria que pagar para alojamento e alimentação.

O primeiro e único prédio estava construído numa encosta e possuía um grande espaço abaixo da construção, onde Bedelia ficava. Este espaço, Rollo Smith transformou em cozinha. As paredes e piso foram feitos de madeira rústica. Compraram um fogão à óleo de segunda mão onde fariam a comida dos 46 presentes. Foi muito agradável que, Fred Carter, um jovem enfermeiro que fez um curso de culinária vegetariana no Centro de Saúde de Battle Creek, se ofereceu para cozinhar de graça. Assim tudo foi se encaixando da melhor forma.

Mount Ecclesia fica a aproximadamente 2 km de Oceanside. Porém, o gás, eletricidade e gelo faltavam. Para a iluminação utilizaram gasolina crua e para o fogão, purificada. Tudo ficou pronto para a Escola de Verão.

No dia 25 de maio[232], exatamente uma semana antes da abertura da Escola de Verão, Max Heindel disse a sua esposa que o Mestre lhe contou que precisariam iniciar com encontros de Probacionistas, e perguntou se ela naquela noite conseguiria fazer um emblema. Um marceneiro havia feito duas cruzes. Um deles ela pintou de preto de um lado e do outro lado branco com uma borda preta. Contudo, Max Heindel disse que agora precisaria ser inteiramente branco, com sete rosas vermelhas e algumas brancas. Portanto ela pintou a outra cruz de branco e pegou três rosas brancas. No escritório dela, que também servia como quarto e como sala de visitas, seria, então, a reunião às 20:00 horas. Ela colocou a cruz branca sobre uma estrela dourada que ela pintou numa cortina azul. Heindel sugeriu colocar as três rosas brancas por dentro do círculo de rosas vermelhas artificiais que vieram de Los Angeles.

O nome “The Rosicrucian Fellowship” numerologicamente dá nove e assim como na inauguração do solo, também esta noite, havia nove pessoas presentes. Dessas nove pessoas algumas estavam lá para ajudar na Escola de Verão: M. Mason, Alice Gurney, Sr. Phillip Grell, Flora Kyle, Rollo Smith, Fred Carter, Eugene Miller e o Sr. e a Sra. Augusta Foss Heindel. Eles estavam sentados em um círculo em volta do emblema. Após uma pequena concentração as três rosas brancas começaram a se mexer. Uma escorregou um pouco para baixo, mas durante a descida foi segurada por uma folha da segunda. Aí esta segunda rosa começou a mexer como se um dedo invisível a tocasse, até que esta ficou pendurada a uma folha da terceira rosa. Assim ficou a mais bonita das rosas brancas no centro do emblema e sobre a cruz.

As duas rosas brancas que escorregaram, não caíram na mesa, mas ficaram alguns centímetros abaixo dos braços da cruz. A vibração no quarto ficou tão forte que alguns ficaram paralisados. Max Heindel queria se levantar para falar, mas estava tão emocionado que a voz o abandonou e as lágrimas saltaram em seus olhos. Todos os presentes estavam convencidos que o décimo terceiro Irmão Maior, Christian Rosenkreuz, estava presente em seu Corpo Vital. Após algumas palavras de Max Heindel todos se retiraram em silêncio.

Em junho de 1913 iniciou a edição de uma revista nova, chamada Echoes from Mount Ecclesia. Na primeira edição, que continha 700 palavras aproximadamente, Heindel escreveu o porquê do nome “Echoes from Mount Ecclesia”: “Apesar dos estudantes estarem espalhados pelo mundo todo, não estão ligados por um juramento ou promessa no que se refere a seu envolvimento com a Fraternidade Rosacruz, todos se unem numa força imensa de querer construir um Templo da alma ‘sem o ruído de um martelo’, que é a verdadeira Ecclesia (Igreja). Portanto, olham para Mount Ecclesia como um foco físico que leva todos a desejarem ser iguais ao Cristo, o amigo dos seres humanos. Todos desejam ter notícias da Sede Central, principalmente no que se refere ao Curso em desenvolvimento para a Filosofia e a Cura, que está a ponto de começar. As cartas e lições mal tem espaço para os ensinamentos, por isso, esta revista será para as notícias. Guarde-as! Depois de alguns anos, quando tivermos grandes jornais e Revistas, será uma lembrança valiosa dos primeiros tempos.

Muitos acreditam que aqueles que se dedicam às coisas espirituais são parasitas, que não fazem nada, além de meditarem e levitarem nos mundos espirituais. Se estas pessoas pudessem ouvir os barulhos de nossas máquinas – o bater das prensas, os toques das máquinas de escrever, onde ainda se acrescenta o barulho dos martelos dos marceneiros – iriam perceber logo que a parte terrena de construir um Templo é o oposto tanto da preguiça como do silêncio. Para um sonhador preguiçoso, Mount Ecclesia é o último lugar na Terra. A todos, de Max Heindel até o mais recém-chegado aguarda aqui trabalho duro, do nascer ao pôr do sol. Trabalhamos fisicamente e espiritualmente e não conseguimos fugir do ‘barulho’ e, portanto, chamamos esta revista de Echoes. Algum dia poderá ser uma ferramenta muito útil no crescimento espiritual do mundo, porque o Sr. H. (Heindel) pretende publicar um jornal diário que contenha notícias do mundo todo, tanto boas quanto ruins, com a ‘lição espiritual’ que cada notícia contém, mas sem a ‘etiqueta’ de pregação, que é tão repugnante. Pensamos que vestindo o ponto de vista do bom senso, podemos soar o Eco em milhares de corações. Para realizar este plano será exigido tantas pessoas, quanto tempo e dinheiro, mas será realizado”[233].

Pouco antes de abrir a Escola de Verão, Max Heindel passou por dificuldades com alguns visitantes. Após eles partirem ele teve um forte ataque cardíaco. De princípio sua esposa pensou que ele a deixaria de vez. Contudo, após um tempo em que ela cuidou muito bem dele, se recuperou. A primeira reação dela para ele foi: ‘Amor, o que eu teria feito se você tivesse me deixado? ’. Ele a olhou com um sorriso carinhoso e respondeu: ‘Amor, se eu tivesse partido você teria continuado, mas se você me deixasse; sem você eu não conseguiria dar conta’[234]. Este ataque cardíaco foi o precedente para sua quarta Iniciação que aconteceu por volta de 6 de julho de 1913.

Na quarta-feira, 4 de junho de 1913, a primeira Escola de Verão se iniciou. Os 41 integrantes foram alojados em barracas. Cada barraca continha duas camas, um tapete de grama e uma pequena penteadeira com um espelho. Um lampião e duas cadeiras de acampamento completavam o mobiliário. Para tomar um banho precisavam caminhar 2 km por uma estrada empoeirada até o oceano.

À tarde e à noite eram dados os cursos. Alice Gurney ajudava Max Heindel a ministrar as aulas de Filosofia; senhorita Elizabeth MacDuffee de Filadélfia dava aula de anatomia; e Sra. Fannie Rockwell orientava no curso de iniciação de Astrologia. Max Heindel dava aulas de Filosofia e de Astrologia avançada e dava um curso onde respondia perguntas. Todas as aulas eram ministradas na grande Tenda-Refeitório. Para cada curso arrastavam as mesas de fabricação própria para os cantos. A lona fina, que protegia o refeitório, refletia a intensa luminosidade do sol californiano nos olhos. A brisa do oceano, que iniciava por volta das 11:00 horas, era tão intensa que fazia a lona bater e fazia tanto barulho que teriam que fazer um telhado de verdade. Rollo Smith fez uma esquadria e os voluntários martelaram as tábuas contra ela; assim o sofrimento acabou logo!

Mas no mês quente de julho surgiu outra dificuldade: ao norte de Mount Ecclesia ficavam dois reservatórios de água de Oceanside. Contudo, toda vez que precisavam de água em Mount Ecclesia, seja para cozinhar ou para molhar as plantas, esta água parava de chegar. Após muitas solicitações, a Prefeitura de Oceanside ainda se recusava a encher os tanques em volume suficiente para que também a Fraternidade Rosacruz ganhasse sua parte. Portanto, num certo dia, 40 estudantes foram juntamente com um advogado participar da reunião da Câmara para dar seu voto por mais água. O pedido teve sucesso reprimido; o antagonismo geral contra estranhos não diminuiu.

A falta de água forçou Mount Ecclesia a providenciar sua própria reserva. O Probacionista F. H. Kennedy, que era diretor do ‘Moline Plow Company’ em Stockton na Costa do Pacífico, doou uma instalação que conseguia bombear 30 litros de água por minuto do poço. Heindel encontrou um homem, Frank English, que estava disposto a cavar um poço. No vale, 72 m abaixo, em um terreno de 6.100 m², o poço foi construído no canto. Para alegria de todos foi encontrado água a uma profundidade de 12 m. No topo do morro foi feito um reservatório, com muros de cimento. Depois deveriam transferir a água deste reservatório para outro tanque, que ficaria a 6 m de altura para poder dar pressão suficiente para abastecer a cozinha e o banheiro. Naturalmente que esta construção foi pesada para a situação financeira, mas agora eles tinham água.

Às vezes, Max Heindel precisava percorrer esses 72 m de descida íngreme e difícil acesso por três vezes no dia para inspecionar a bomba.

A alegria de ter uma instalação própria de água durou pouco. Pela pouca profundidade do poço e a proximidade do oceano, a água tinha alto teor alcalino, portanto o crescimento das plantas estava difícil. Em poucos meses os morangos, alfaces e todas as plantas sensíveis morreram. A água era inadequada para consumo e só poderia ser utilizada para regar as plantas mais fortes e tomar banho. Portanto, solicitaram novamente ao Conselho da Câmara para melhorar o abastecimento de água da cidade. Esta questão trouxe um problema sério com a Prefeitura. A Prefeitura exigia que os acessos aos reservatórios da cidade continuassem livres. Porque por esta estrada precisava passar todos os dias um velho em sua carroça puxado por um cavalo para verificar o nível da água. Max Heindel queria fechar esse acesso porque o gado que pastava no vale passava pelo terreno da Fraternidade e destruía as verduras e plantas. Contudo, todas as manhãs o velho deixava a passagem aberta, nem se importando com a solicitação de fechar. Esse problema perdurou até novembro de 1918, mas sobre isso falarei depois.

Como dito anteriormente, Max Heindel tinha planos de construir um Centro de Cura desde 1911. Um projeto desses exigia muito capital e funcionários de nível profissional. Portanto, para alcançar este objetivo Max Heindel desenvolveu o seguinte projeto. No Echoes de 10 de agosto de 1913 está escrito o seguinte sobre o projeto:

“No dia 6 de agosto [1913 às 14:00 horas] colocamos a base para nosso Centro de Cura. Max Heindel disse nesta ocasião: ‘Se falamos do Centro de Cura do qual eu sonhei, fica difícil nos soltarmos da ideia de prédios imponentes, contendo todas as facilidades modernas. Um dia este sonho se tornará realidade, mas enquanto isto a humanidade sofre e fisicamente não fazemos nada para cuidar dos doentes. Isto não me veio à mente até que o Irmão Maior me aconselhou a construir umas casinhas pequenas, começar pequeno e seguir a mesma forma que foi tão bem-sucedida no início da Fraternidade Rosacruz, portanto, remar com os remos que temos, ao invés de esperar por aquilo que pensamos que precisamos ou desejamos. Desta forma poderemos começar ajudando alguns pacientes. Quando os tivermos ajudado, eles seguirão seu caminho, e contentes irão contar a outros que estão sofrendo, que a seu tempo virão e nos dará o privilégio de ajudar a seguir a Vontade de Cristo … Ajudando os doentes a recobrarem a saúde e por ensiná-los a viver em harmonia com as leis da natureza, apressamos o dia da volta do Cristo. Que Deus abençoe nossas tentativas e fortaleça nossas mãos pelo trabalho realizado’[235].

Seguindo o conselho do Irmão Maior descrito acima, no dia 4 de julho de 1914, construíram três casinhas. Estas foram usadas por algum tempo como um Centro de Cura. Mais tarde houve a necessidade de oferecer estadia aos trabalhadores e a ideia do Centro de Cura foi temporariamente posta de lado.

Após a Escola de Verão havia vários estudantes que gostariam de ficar. E para alocar estas pessoas foram construídas algumas casas.

Nas barracas fizeram piso de madeira no lugar das lonas para proteger os integrantes da Escola de Verão do frio. Max Heindel decidiu usar estes pisos de, aproximadamente, 3,65 por 5,25 metros para piso das casinhas. Com a ajuda dos estudantes colocaram as fundações e depois carregaram estes pisos pelos morros e colocaram no lugar. Colocaram dois pisos encostados e com a ajuda de Rollo Smith fizeram três casinhas, cada um com dois quartos.

Em junho de 1913 Mount Ecclesia possuía abelhas e uma vaca, chamada Josie. Contudo, como aumento da população houve a necessidade de adquirir mais uma vaca. Em Oceanside as vacas eram escassas, portanto o Sr. e a Sra. Augusta Foss Heindel alugaram uma charrete com cavalo e percorreram a vizinhança para achar uma boa vaca, e finalmente encontraram uma “holstein”[236] que estava à venda. O animal, que era o preferido da fazendeira, não queria ir com eles, portanto colocaram feno na parte traseira da charrete para atrair a vaca a segui-los até em casa. Após percorrerem a metade dos 19 km da estrada, a vaca se recusou a continuar andando porque o feno havia acabado. O pesado animal ficava berrando alto fazendo o cavalo parar. Por isso, Max Heindel ficou na charrete conduzindo o cavalo e a Sra. Augusta Foss Heindel andava atrás tocando a vaca. Exaustos da viagem chegaram ao anoitecer em Mount Ecclesia. Ela foi chamada Josefine homenageando a grande, famosa vaca leiteira do ‘State Agriculture College’ do Missouri, na esperança que ela a igualasse. Também em julho, o Sr. Joel Hawkins comprou a terceira vaca no vale de San Luis Rey, chamada Bessie, uma vaca já premiada mais de uma vez.

Até aquele momento os rituais eram feitos na parte frontal do prédio que servia como refeitório. Este quarto, de 3,65 por 4,25 metros, ficou muito pequeno e por conselho do Mestre decidiram construir outro prédio que servisse exclusivamente para os rituais. Um dos membros de Nova York, senhorita Frances Lyon, que tinha alguma experiência em desenho artístico e arquitetônico, se ofereceu para assumir os custos por sua conta. Ela também comprou nas redondezas terras e construiu uma casa para ela e a mãe, viúva de um Pastor Episcopal. Esta pequena senhora era totalmente contra que a filha quisesse se mudar para Mount Ecclesia. Para protegê-la decidiu ir junto. Contudo, depois de um mês esta senhora se tornou uma entusiástica seguidora do Ensino Rosacruz, não apenas disposta, mas desejando passar o resto de sua vida em Mount Ecclesia.

O plano de construir uma capela estava apenas sendo vinculado quando um construtor, o Probacionista William Koening, apareceu. Ele era o homem que iria comandar a construção da Pequena Capela.

No dia 27 de novembro de 1913 iniciaram as obras da Pro Ecclesia[237]. Se tornou uma construção pequena, aproximadamente 5 por 11 metros, dando lugar para 75 pessoas, construída no estilo Mourisco-Espanhol. O esboço era de Max Heindel, e Frances Lyon desenvolveu o desenho. Ela e o Sr. Stewart Louis Vogt fizeram os enfeites de dentro e pintaram o emblema.

Por US $ 23 compraram um órgão de segunda mão e numa noite de Natal, 24 de dezembro de 1913, a Capela estava pronta para ser inaugurada.

Na inauguração estavam presentes 36 membros, cabalisticamente novamente o número 9, e Max Heindel disse o seguinte: ‘Estamos aqui reunidos para inaugurar a primeira construção, que será exclusivamente para Deus, conforme o ensinamento Rosacruz. Esta construção será de auxílio inestimável pelo qual não conseguiremos agradecer o suficiente. Mesmo que nossos corações se derretam a Deus com amor e agradecimento por esta capela, tão linda por sua simplicidade, não podemos esquecer as palavras ditas quando colocada a primeira pedra. Porque é um amontoado de pedras mortas e madeira sem vida. Deus não mora em prédios feitos pelas mãos humanas. Caso queiramos encontrar a Deus, precisamos fazer dentro e em volta deste local, o Templo invisível e espiritual que tão lindamente foi pintado por Kennedy no The Servant in the House[238]. Assim como Manson diz: ‘Algumas pessoas nunca conseguirão ver’. Contudo, é algo vivo, e somente em algo vivo assim pode a fé viva – se precisamos viver neste mundo – morar e fazer parte no trabalho do Cristo; que por nós está, agora, gemendo e labutando, esperando nossa manifestação como Filhos de Deus.

‘Quando entramos’, diz Manson, ‘ouve-se o ruído de uma linda canção …, se tiver ouvidos’. Para os sensitivos espirituais todos os Templos têm um som vibrante, uma harmonia espiritual que se espalha por uma grande área, fortalecendo tudo de bom em todos que a circundam. Contudo, apenas quando aprendemos a cantar músicas de amor em nosso coração, e não somente com os lábios, será ouvida esta poesia de Mount Ecclesia. Portanto, é necessário que todos aprendamos a cantar de tal forma – se um dia pudermos nós mesmos ouvir esta música – que ela possa se espalhar pelo mundo e reconfortar as almas sofredoras, sem que elas percebam de onde está vindo.

‘Em breve você mesmo verá a Igreja, um mistério iminente de muitas formas e sombras que do nada pulam do piso ao teto… Não é obra de um construtor comum’, diz Manson, e mais à frente: ‘Ainda assim é construção’.

Isso é a verdade. Porque mesmo vendo a construção física acabada, que chamamos Casa de Deus, como terminamos a construção deste Prédio, a obra do verdadeiro Templo, que não é construída pelas mãos, mas, por diversas obras de amor e amizade, deve ser trabalhada constantemente.

Este monte de material físico, que juntamos aqui, já começa a se deteriorar. Contudo, a Igreja invisível, construída por obras imortais, cresce sem ruído, pois dia a dia juntamos novas ações de amor àquelas que já existem.

Não nos deixemos enganar; este trabalho não é apenas alegria. Da mesma forma que Manson fala: ‘Às vezes o trabalho entra em escuridão profunda e às vezes sob luz tão intensa que cega. Agora sob uma inexprimível angústia, depois com um grande gargalhada e aclamações heroicas como o grito do trovão’.

Existem tantos dias como noites da alma. Não é sempre Domingo de Ramos, quando o mundo aclama o portador das boas novas; mas cada um tem, de tempos em tempos, seu próprio Getsemani. O que tiraríamos de crédito se trabalhássemos duramente sempre rodeados com os sorrisos de aprovação. Ou quando sentimos dentro de nós a maravilhosa sensação de paz, que acontece quando fazemos o trabalho de Deus com grandes passos e com vigor inquebrantável, satisfeitos e contentes, guiados por um estimulante impulso interior?

Mas não podemos esperar que estejamos vivendo sempre em tais circunstâncias. E é durante a noite que a crucificação surge para nós, quando os amigos próximos parecem ter nos abandonados, nos deixando no jardim do Getsemani, que devemos nos demonstrar trabalhadores fiéis, olhar para o Pai, preparados para qualquer oferta que Ele nos peça e dizer: “Que seja feita a Vossa vontade”.

É uma característica para esta noite da Alma que a força interior ao trabalho geralmente falha. Portanto, não sentimos o desejo de servir a Deus, mas somos inclinados a seguir pelo caminho mais largo. Devemos pensar que por sermos fiéis até o final, nós estaremos em condições de um dia dizer: “Está consumado”. Que cada um de nós possamos ser Auxiliares Visíveis e construtores de Templos, para que, quando tivermos esgotado as possibilidades do nosso ambiente atual, possamos merecer uma esfera mais ampla de sermos úteis como Auxiliares Invisíveis da Humanidade[239].

O texto a seguir foi ditado por Max Heindel e copiado no Echoes de janeiro de 1914:

‘A Pro Ecclesia foi construída no chamado Estilo Missão, com três sinos acima da entrada, assim como em diversas Missões da Califórnia. O telhado também tem a bonita telha curva das Missões, e as janelas são num desenho de losango muito artístico. Como está situada no ponto mais alto de Mount Ecclesia, pode ser vista a quilômetros de distância e é notada por todos os que passam. Pela Mission Avenue, a Avenida que passa pela nossa Sede Central, passa muitos carros, pois, é uma das rodovias principais da Califórnia.

A acústica da Pro Ecclesia é muito boa. Cada palavra pronunciada, mesmo em tom silencioso, pode ser bem ouvida por todos. A ressonância do órgão é de tal forma que deve ser ouvida atentamente para que se possa dar o devido valor. O teto é pintado de um tom bem claro de creme, e todo o madeiramento foi acabado com uma cor natural. Portanto o esquema de cores é muito bonito e discreto e, portanto, um calmante para os nervos.

A iluminação é indireta. A luz entra pelo teto e reflete até no salão, se espalhando suavemente sem o efeito brilhante, que incomoda tanto na luz artificial. O púlpito está situado a oeste. Um nicho no meio da parede do lado oeste onde fica o emblema Rosacruz, que foi feito com uma linda estrela num fundo azul e uma cruz branca com sua beirada preta e as rosas vermelhas-sangue. Este emblema é aberto somente durante os rituais e está sempre coberta por uma cortina. Esta cortina tem o seguinte ditado: ‘Deus é Luz; quando andamos na Luz como Ele na Luz está, seremos fraternais uns com os outros’.

Durante os rituais a luz do corredor fica apagada e o Emblema é iluminado por todos os lados com luz indireta.

Em frente desta cortina tem um aparador com uma linda Bíblia, que nos foi cedida por um estudante. Acima deste nicho tem a inscrição ‘Christian Rose Cross’. Ao lado esquerdo deste nicho tem uma cópia da pintura de Hofman do Cristo jovem, feito de forma muito artística pela Gertrude Jarret, uma de nossas muito apreciadas auxiliares de escritório. Acima desta imagem está escrito: ‘Vós sois meus amigos’. Ao lado direito também tem uma imagem do Cristo, ajoelhado no Getsemani, no início de sua Paixão. Acima desta imagem tem a inscrição: ‘Aguardando o dia da libertação’. Esta linda imagem é de Stewart Vogt, um artista famoso, membro da Fraternidade. Ambas as imagens demonstram o amor dos estudantes. Também preciso mencionar que muitas atividades de construção foram feitas pelos estudantes na sede Central.

Portanto, este prédio foi feito com amor, na forma mais ampla da palavra, e é por esta razão que o valor é inestimável, do que quando o trabalho é feito apenas por trabalhadores em base comercial. Naturalmente será mais fácil construir o Templo invisível e espiritual, desta forma’[240].

Em dezembro foi construída uma estrada principal chamada ‘Ecclesia Drive’. O Sr. Stewart Louis Vogt, um membro de Cincinnati, Ohio – a mesma pessoa que ajudou a enfeitar a Pro Ecclesia – fez o projeto desta estrada e comprou as primeiras quatro palmeiras. Pouco tempo depois o Sr. E.W. Ogden de Knoxville, Tennessee, veio fazer uma visita a Mount Ecclesia e ofereceu 74 lindas palmeiras. Para plantar estas palmeiras, que mediam entre 1,80 m e 3 m de altura, precisavam fazer buracos com dinamite. Contudo, no dia 9 de dezembro estavam 78 palmeiras lindamente plantadas ao lado desta estrada, dando um novo visual ao terreno’.

Capítulo 10 – Ainda Mais Atividades de Construção

Em janeiro de 1914 foi construída, em Mount Ecclesia, uma casinha de três quartos. Era destinada para Dr. Partridge, sua esposa, filho e filha.

Porque o Sr. Dean Rockwell havia sido escolhido como membro do Conselho Administrativo e devia cuidar de serviços organizacionais, fizeram para o Max Heindel um escritório no andar de cima, para poder trabalhar sem ser interrompido. Nos meses de fevereiro e março Max Heindel estava ocupado com a correção da brochura escrita pela Sra. Annet C. Rich de Seattle com o título: “Cristo ou Buda? ”. Ao mesmo tempo estava corrigindo “Os sete raios do Rosacruz”, que fala sobre “Maçonaria e Catolicismo”, o qual, naquele momento, havia se esgotado a primeira edição. Uma Palestra que ele havia dado no Centro de Los Angeles também estava sendo reescrita e ganhou o título de: “Como reconheceremos Cristo quando Ele Voltar? ”.

Nestes meses o membro William Koenig, arquiteto de San Francisco, desenvolveu um projeto para um prédio onde pudessem ter exposições de literatura, teatro e música. O projeto era de tal forma que poderia ser ampliado futuramente. No projeto deveria constar um salão que tivesse lugar para cento e cinquenta pessoas, uma biblioteca e uma sala de aulas. A sala de aula era construída de tal forma que com algumas movimentações poderia se transformar num palco.

Como era difícil contratar um estenógrafo compraram, no dia 1º de março, alguns ditafones[241]. Eram aparelhos que funcionavam manualmente, mas em contrapartida ficavam disponíveis dia e noite.

Antes do amanhecer do dia 12 de abril os membros da redondeza chegaram de carro para participar da primeira celebração de Páscoa em Mount Ecclesia. A descrição foi transcrita do Echoes de maio de 1914:

Celebração de Páscoa em Mount Ecclesia

“Na manhã de Páscoa era importante para todos nós em Mount Ecclesia levantarmos antes do nascer do sol. Depois fomos para a Pro Ecclesia onde tivemos a Cerimônia da manhã. A leitura, que estava programada para esta ocasião, era a história da Bíblia que narrava a Ressureição.

Após a cerimônia nos juntamos diante do círculo que ficava em frente à Administração, onde três anos antes havia sido plantada a cruz, antes de começar qualquer outra coisa em Mount Ecclesia. A cruz havia sido pintada novamente e estava linda em sua nova roupagem. Também havia rosas recém-colhidas do jardim das abelhas que foram trançadas em uma linda coroa e foi pendurada em volta do símbolo. A estrela de cinco pontas dentro do círculo estava resplandecente com as margaridas do Egito, que formavam o fundo amarelo para completar o símbolo. A roseira, que foi plantada juntamente com a Cruz, estava também em flor. Para esta ocasião estava tudo preparado para que pudéssemos começar imediatamente a reimplantar a cruz, que havia sido retirada do local para ser pintada.

Quando a cerimônia havia terminado, Max Heindel falou o seguinte: ‘Conforme a lenda, Adão levou três estacas da Árvore da Vida com ele, quando teve que sair do Paraíso. Seth, seu filho, plantou estas três estacas e elas cresceram. Mais tarde uma delas foi usada para fazer o cajado de Aarão, com o qual ele fez milagres perante o Faraó. O outro foi levado ao Templo de Salomão com o objetivo de fazer um pilar com ele, ou usar para alguma outra coisa. Contudo, não conseguiram encontrar um lugar para o mesmo; não se encaixava em nenhum lugar e por isto foi usado como ponte sobre um riacho que ficava do lado de fora do Templo. A terceira estaca foi usada para fazer a Cruz de Cristo, na qual Ele sofreu por nós e foi libertado, entrou na Terra e se tornou o Espírito do nosso Planeta, onde Ele ainda suspira e sofre até o dia da libertação. Nesta lenda se esconde um profundo significado.

A primeira estaca representa a força espiritual, desempenhada pelas Hierarquias Divinas nos dias em que a humanidade vivia sua infância e, para seu benefício, era dominada por outros.

A segunda estaca seria utilizada no Templo de Salomão. Ninguém sabia avaliar seu valor, excetuando a Rainha de Sabá. Para ela não foi encontrada um lugar adequado, porque o Templo de Salomão era a perfeição da arte e do ofício e num ambiente materialista não se dá valor às coisas espirituais. Os filhos de Caim conquistam sua evolução pelas obras e não conseguem utilizar forças espirituais. Portanto foi utilizada como uma ponte sobre um riacho. Sempre existem almas, os verdadeiros maçons místicos, que tinham condições de transformar esta ponte – que ia do visível ao invisível. Que conseguiam atravessar esta ponte para regressar ao Jardim do Éden, ao Paraíso.

Foi a terceira estaca da árvore que formou a Cruz do Cristo. Ao subir nesta Cruz, Ele se libertou da existência física e entrou em esferas superiores. Da mesma forma que nós também desenvolveremos nossa força espiritual – quando tomarmos a nossa cruz e O seguirmos – e entraremos em uma esfera de maior de utilidade nos mundos invisíveis.

Possamos todos nós almejar para que dia a dia possamos ser encontrados ajoelhados, subjugados e unidos à cruz de Cristo; para que um dia, não muito distante, possamos subir em nossa própria cruz e conquistar a nossa gloriosa libertação, a Ressurreição da vida da qual Cristo foi e é o primeiro fruto.

Esta é a verdadeira mensagem da Páscoa. Todos devemos perceber que somos Cristos em formação, se o Cristo realmente nasceu dentro de nós, Ele nos mostrará o caminho para a Cruz onde poderemos alcançar e avançar da Árvore do Conhecimento, que trouxe a morte, até a Árvore da Vida no Corpo Vital que trouxe a imortalidade. ”’

No dia 1º de junho de 1914 iniciou a segunda Escola de Verão. Também desta vez foram ministradas palestras sobre a Filosofia Rosacruz, astrologia, expressão, anatomia e oratória, e também sobre as peças de Wagner e Goethe. Havia 300 slides para ilustrar os cursos de Astrologia, anatomia e os grandes mestres.

Na terça-feira dia 23 de junho, quando a Lua estava no Signo de Câncer, fizeram o primeiro Ritual de Cura e, assim, sucessivamente quando a Lua entrava num Signo Cardinal (Áries, Câncer, Libra e Capricórnio).

A cozinha e refeitório, improvisados, estavam em estado deplorável e, portanto, em outubro começaram a construção de um restaurante, que continha uma cozinha e um refeitório. Era um prédio térreo, sem piso superior, à prova de fogo e com lugar para 100 pessoas. A ideia era um restaurante tipo “self-service”, onde as pessoas podiam pegar uma bandeja com a comida numa abertura de janela e após consumir a comida devolvia a bandeja com o prato e talheres em outra janela.

No dia 26 de novembro este prédio estava pronto e foi inaugurado. Esta data é especial porque neste dia também foi feita a pedra fundamental da futura Ecclesia ou Templo e também foi hasteada a bandeira com o Símbolo da Fraternidade, que foi oferecida pelos membros do Centro de Los Angeles. O texto a seguir foi retirado do Echoes de dezembro de 1914:

Era um dia bonito e às 11:00 horas nos juntamos em frente ao novo refeitório, preparados para hastear a bandeira com o Símbolo da Fraternidade e Max Heindel disse:

‘Apesar de sermos poucos em quantidade, muitos olhos estão voltados nesta direção esta manhã e um acontecimento muito importante está para acontecer. Seiscentos anos antes do Cristianismo iniciou-se uma onda de esforço espiritual na costa da Ásia. O Confucionismo começou a iluminar os problemas das pessoas que ali viviam naquela época. Para eles era o primeiro passo para mais conhecimento, pois este era destinado para a raça asiática. Então, de outra forma, esse esforço espiritual se moveu em direção a Leste sobre a Península do Hindustão[242] e a Pérsia para a Galileia, onde vestiu o robe do Cristianismo atual e foi difundida sobre o mundo ocidental. Contudo, toda religião teve sempre seu lado escondido. Leite para os fracos e alimento sólido para os fortes era e ainda é a regra em todo lugar. Os símbolos místicos que estes ensinamentos mais profundos davam seguiram seu fluxo em seu caminho ao Ocidente. Seiscentos anos atrás o mais avançado ponto de Mistérios ao Leste foi fixado na Alemanha. A Ordem Rosacruz começou a ensinar aos poucos que, então, estavam maduros para isto. Agora, o então implantado posto da Ordem, quase terminou seu trabalho, para o quanto é possível avançar naquele ponto. Eles enviaram um ponto mais avançado para a costa do Oceano Pacífico. Aqui no ponto mais ocidental do nosso continente foi constituída a Fraternidade Rosacruz como um centro exotérico para preparar o caminho para a Ordem Rosacruz. E em certo dia, nós não sabemos quando, mas talvez seja quando o Sol, por Precessão, entrar no Signo de Aquário [em torno de 2600 D.C.] a Irmandade irá nos seguir e se estabelecer por aqui. Esta é a última mudança no continente atual. Qual movimento espiritual também possa se instalar, terá seu início em um novo ciclo e em outro continente, para de lá seguir para o Leste e Sul. Portanto, estamos agora ao final do ciclo e ao início de um novo ciclo.

Chegamos ao momento de hastear a bandeira da Fraternidade Rosacruz, que é o símbolo mais alto e mais espiritual na terra: a linda cruz branca com suas rosas vermelhas, sua estrela dourada e o fundo azul celeste. As cores primárias em seu incomparável relacionamento – representando o Pai, o Filho e o Espírito Santo – irão tremular até que seu trabalho tenha terminado e uma forma mais alta se inicie. Que Deus permita que uma multidão possa se apoiar na bandeira e lutar contra as forças mais inferiores, e almejar a vida mais elevada, para trazer luz e cura ao mundo daqueles que agora gemem de dor e sofrimento’. Então a bandeira foi hasteada”.

Em Mount Ecclesia já haviam chegado algumas pequenas doações para construir o Centro de Cura. O Sr. George Wiggs, um membro de Chicago, iniciou um fundo. Como reação a isto, Max Heindel decidiu colocar a pedra fundamental. Ele continua seu discurso neste mesmo dia 26 de novembro da seguinte forma:

“Bem, apesar de confiarmos que um dia a escuridão, a tristeza e o sofrimento irão acabar e que chegará o glorioso reino de mil anos, o Reino do Cristo do qual a Bíblia fala e que na realidade a fé sem obras é morta. Nós, construtores de Templos, devemos realizar nosso trabalho para que estes ideais, pelo qual nós esperamos, se realizem. Por isto, nos reunimos hoje para um acontecimento importante: colocar a pedra fundamental, o primeiro pedaço de cimento, para que o último Templo material possa ser construído neste continente, que agora é povoado pela humanidade. Preste atenção no que digo: o último Templo material. Porque para a nossa atual condição de desenvolvimento é necessário ter um Templo que seja palpável, antes de construirmos o verdadeiro Templo em volta, feito dos corações humanos do qual já falamos tantas vezes antes. Um dia, como dito anteriormente, quando o Sol por precessão atingir Aquário [em torno de 2600 D.C.], a Ordem Rosacruz irá seguir. Eles também construirão um Templo aqui, um Templo com uma força muito maior do que nós esperamos um dia poder construir. Neste local o trabalho dos Rosacruzes irá continuar o que agora acontece no Templo na Alemanha. Talvez o Templo seja transportado para cá. Não tenho certeza disso. Contudo, aquela construção é inteiramente etérica.

Nós que não temos condições de ver a Igreja como ela aparece para a espiritualidade somos obrigados, primeiro, a formar uma construção material como moldura para o verdadeiro prédio espiritual que depois se torna uma força para o mundo. Se nós construirmos este prédio palpável de forma bonita e inspiradora, a inspiração que tirarmos deste prédio servirá de espelho para o prédio invisível e espiritual. Assim o prédio físico servirá para formar o prédio espiritual.

Se nós compreendêssemos as regras das forças cósmicas estaríamos em condições de ver como os Irmãos Maiores, e não seria necessário primeiro construir um prédio material e esperar um tempo para que a matéria seja alocada em suas posições. Contudo, poderíamos começar imediatamente a trabalhar construindo da forma correta. Iríamos ser imediatamente uma força poderosa para o bem no mundo para a rápida libertação do Cristo. Na verdade, como não conseguimos fazer isto, devemos nos empenhar ao máximo para fazer tudo o que é possível. Isto é, colocar linhas e princípios cósmicos em forma material para que todos que entrarem em seus portais sejam inspirados. Assim cada um de nós irá ajudar a formar o Templo Vivo e invisível, que é a verdadeira Igreja.

Nesta manhã nos reunimos para implantar a primeira pedra, a pedra que representa todas as cartas e todos os documentos, juntamente com os escritos e a literatura que temos até hoje aqui na Fraternidade Rosacruz. Mais tarde isto será a motivação para a construção deste prédio e o porquê de permanecer em pé. Permita Deus que esta pedra logo possa ser seguida por muitas outras. Que logo possamos começar e estar em condições de construir a verdadeira Sede Central de Mount Ecclesia.

A Bíblia nos conta da visita dos Reis Magos ao nosso Libertador. A lenda nos complementa dizendo que Gaspar, Belquior e Baltasar – os nomes destes sábios – pertencem às três raças que existiam na Terra. É muito interessante dizer isto, porque neste momento importante também estão presentes representantes das raças Lemúrica, Atlante e Ária.

A presença das diferentes raças no nascimento de Jesus foi esclarecedora para não ter preconceitos e provar que a Religião que Ele veio trazer é Universal. Como agora, inesperadamente e até o momento presente não foi notado a presença das três grandes raças em Mount Ecclesia, para prenunciar que este grande movimento também será universal, trazendo uma mensagem alegre, de uma compreensão melhor e uma sensação justa de fraternidade a todos que vivem na Terra.

Os membros foram, então, para um lugar onde havia areia e cimento e todos juntos, homens e mulheres, ajudaram a misturar o cimento e trazer a uma forma que estava enfeitada com folhas de palmeira e fizeram uma pedra que deverá ser o canto da Ecclesia quando nela for começada”.

A Companhia Elétrica de Oceanside era uma central pequena de energia e fornecia energia de baixa tensão para Mount Ecclesia três vezes ao dia. Isto era uma situação complicada, pois trazia muitos custos extras com ela. Assim a iluminação era feita por lâmpadas de óleo, os ditafones tinham motores que eram ligados de forma manual e a impressora era abastecida por um motor a gasolina. Contudo, em novembro de 1914 isto mudou. O Sr. F. H. Kennedy, o doador da bomba da água, ofereceu a Mount Ecclesia um motor à dínamo, para que pudessem construir uma própria central de energia. Max Heindel era um engenheiro experiente que, no início de 1900 quando chegou, trabalhou na Central Elétrica de Nova York. A instalação foi feita na parte subterrânea onde durante a primeira Escola de Verão serviu como refeitório, mas naquele momento estava sendo usado como depósito. Foi feito um quadro central com portas laterais. Max Heindel mesmo colocou os fios, porque em Oceanside morava apenas um eletricista amador e não havia dinheiro para chamar um profissional de San Diego.

Em dezembro as lâmpadas de óleo foram substituídas por lâmpadas elétricas e os ditafones, que deviam ser ligados manualmente, foram substituídos por aparelhos mais modernos. No dia 24 de dezembro Mount Ecclesia tinha um mar de luzes com energia da própria central.

Em fevereiro de 1915 não podiam mais ser colocadas as letras em Los Angeles para serem impressas em Mount Ecclesia. Era impossível fazer este serviço manualmente na Sede Central e, portanto, compraram uma máquina de composição.

A pequena revista Echoes from Mount Ecclesia, que estava sendo distribuída gratuitamente a dois anos, se tornou maior, mas os custos altos de postagem que se seguiram se tornaram um peso muito grande. Portanto, na edição de maio, como experimento, saiu um comunicado que a assinatura anual custaria US$ 1,00. A revista continha 43 páginas numeradas e o nome mudou para Rays from the Rose Cross.

Por causa do barulho a impressora foi transferida para a área sob a casa, e em junho compraram também uma prensa cilíndrica.

Durante a primeira Guerra Mundial (1914-1918) não houve Escolas de Verão em Mount Ecclesia e também não houve atividades para fora. Contudo, foram dadas aulas e Palestras aos soldados que estavam em Kamp Kearny – aproximadamente 32 km de Oceanside – e depois alguns soldados se tornaram membros da Fraternidade.

Durante os anos de Guerra, Mount Ecclesia teve dificuldades financeiras. Na Europa muitos estudantes foram obrigados a parar com a ajuda financeira, a venda dos livros diminuiu e os preços subiram.

Mesmo assim no dia 4 de julho houve festa. A última parcela de US$ 1000,00 havia sido paga e no dia 4 de julho o documento da hipoteca foi queimado, enquanto Max Heindel fazia a seguinte palestra intitulada: “Nossa Associação, seu progresso e florescimento”.

A casa onde os Heindel moravam era muito barulhenta e atrapalhava Max Heindel em seus afazeres. Ao mesmo tempo era de fácil acesso aos visitantes. Por isso fizeram uma casinha de três quartos ao pé do morro onde Max Heindel podia trabalhar sem ser incomodado.

Do livro ‘Mensagem das Estrelas’, que era pequeno e costurado, havia aparecido duas publicações. Contudo, nesta casinha ao pé do morro este trabalho foi revisto e ampliado. À noite, quando a Sra. Augusta Foss Heindel se juntava ao marido – após passar o dia recebendo os visitantes, fazendo os trabalhos de escritório, orientado os cozinheiros e jardineiros – ela ouvia o que seu marido havia colocado no ditafone. Isto era então discutido e a Sra. Augusta Foss Heindel depois complementava com seu conhecimento. O resultado foi um livro de 700 páginas.

Um dos trabalhadores que se juntou à Fraternidade Rosacruz através de uma agência de empregos foi Alfred Adams. Um homem de meia idade com uma saúde fraca, mas simpático, agradável e eficiente. Com o tempo melhorou sua saúde e ele se interessou mais pelos ensinamentos. Apesar de ter sido admitido para fazer a administração geral ele acabou ficando em Mount Ecclesia. De contador e estenógrafo ele chegou a gerente em 1919, quando Max Heindel faleceu. Neste tempo ele se tornou um grande apoio para a Sra. Augusta Foss Heindel até 17 de março de 1931, quando ele faleceu de um problema cardíaco aos 72 anos. Com o passar dos anos havia 8 funcionários no escritório. Eles não sabiam dos ensinamentos Rosacruzes e a maior parte do dia era usada para instruir e gerenciar estas pessoas.

Após reescrever o “Mensagem das Estrelas”, o livro “Astrologia Científica Simplificada” foi revisto. Este livrinho pequeno e costurado, Max Heindel havia escrito em 1909 quando estava morando em Seattle. Após a conclusão o livro ficou com 198 páginas e foi impresso em 1916.

Capítulo 11 – Destaques Espirituais e o Falecimento de Max Heindel

No dia 13 de março a mãe de Max Heindel faleceu[243]. Ele escreve o seguinte sobre isto: “Alguns meses atrás, quando minha mãe – que morava em Copenhague, Dinamarca – faleceu, recebi cartas, do meu irmão e da minha irmã cartas, cheias de dor pela ‘perda’. Para mim ocorreu exatamente o oposto”.

 “Eu a visitava, algumas vezes por ano, em meu Corpo Vital, por alguns instantes, mas eu não tinha coragem de me materializar ou de falar com ela, pois, poderia produzir um choque; que poderia resultar na morte, como consequência deste encontro. Além do mais, o uso tão egoísta dessa faculdade é estritamente proibido. Ou seja: eu estava longe da minha mãe, enquanto meu irmão e minha irmã estavam sempre convivendo com ela. Quando a morte veio, isto mudou: ela não estava mais em condições de se mostrar presente para eles; não podia conversar com eles ou confortá-los e dizer que não estava ‘morta’, como eles acreditavam. Contudo, ela aprendeu logo que bastava um simples PENSAR em mim, que já levava a vir para a Califórnia; e depois que ensinei a ela um determinado sinal, ela tinha acesso imediato a mim, a qualquer momento. Agora que ela está morta para o meu irmão e a minha irmã, ela está viva para mim, que tenho o privilégio de ajudá-la nesta difícil transição, mesmo vivendo ainda neste mundo. Por isto eu não sinto a dor da perda”[244].

Mas o falecimento se torna difícil se as pessoas que estão em volta o impedem, e isto foi provocado pela meia irmã de Max Heindel. Max Heindel nos conta o seguinte a respeito disto: “Esta classe [pessoas falecidas onde seu Corpo Vital e seu Corpo de Desejos estão tão interlaçados devido a sua maldade que são forçados a permanecerem nas regiões inferiores dos mundos invisíveis] pode ser encontrada por muitos anos após seu falecimento. É um fato curioso que essas pessoas, às vezes, são procuradas por antigos amigos, que já faleceram, porque necessitam de ajuda para entrar em contato com o Mundo do Físico. Eu lembro de um caso assim, que aconteceu alguns anos atrás, quando uma parente idosa [a mãe de Max Heindel] estava a ponto de falecer.  Ela queria muito ver seu [2º] marido que tinha falecido alguns anos antes. Contudo, ele já alcançara o Primeiro Céu, seus membros e seu corpo já se haviam dissipado, ficando apenas a cabeça. Portanto, dificilmente ele poderia mostrar-se a ela quando da sua chegada, e muito menos influir nas condições de seu passamento, que não eram inteiramente do seu agrado. Certas coisas estavam sendo feitas a fim de retardar a separação do Espirito e da carne, o que ocasionou uma tremenda angustia à pessoa moribunda. Em sua ansiedade como marido, ele apelou para um amigo cuja união entre o Corpo Vital e o Corpo de Desejos permitia manifestar-se mais facilmente. Este Espírito pegou uma pesada bengala num canto do quarto e com um forte golpe arrancou um livro das mãos da filha da agonizante, o que apavorou de tal forma os presentes, que estes pararam com as lamentações, permitindo que a mãe passasse para o além”[245].

Na primavera de 1916 a antiga máquina de impressão foi substituída por uma mais moderna. Desta forma foi permitido dar um formato maior à revista Rays from the Rose Cross. À princípio Max Heindel tinha a ideia de escrever um jornal diário Rosacruz, mas, devido à Guerra muitos membros foram enviados para lá, onde alguns morreram. Também subiram os preços dos maquinários, papéis e similares, enquanto os salários dos tipógrafos eram muito altos. E como não havia membros que pudessem assumir esta função, este desejo ficou sem ser realizado.

Na última página da edição de maio de 1916 Max Heindel escreveu: “Contestando o Simbolismo! No lado interno da capa se encontra um símbolo antigo dos Rosacruzes que os Irmãos Maiores chamam de CADINHO. Usando a imagem, durante a meditação, poderá entender-se o seu significado … Quando publicarmos as descrições que merecerem prêmio, eu escreverei mais sobre este símbolo”.

Esta imagem também aparece nas edições de junho até outubro. Contudo, poucas pessoas parecem ter reagido ao convite, pois Max Heindel escreve na edição de setembro de 1916 na página 160: “Eu me pergunto se os estudantes perceberam o convite para a contestação de ‘símbolos’, pois, só recebemos algumas respostas e a data final de 1º de agosto já passou”.

Na edição de outubro de 1916, na página 169, Max Heindel escreve o seguinte: “A seguinte explicação do símbolo Rosacruz da contracapa feita por um estudante é, até o momento, a mais valiosa tentativa que recebemos. Eu confio que possa incentivar outros a cavar na mina dos mistérios escondidos e encontrar mais tesouros”. Para não interromper a biografia, esta explicação está no Adendo 10. Parece que Max Heindel não achou necessário ele mesmo escrever sobre o assunto como havia anunciado.

No vale San Luis Rey, aproximadamente uns 60 metros abaixo de Mount Ecclesia, fica a linha do trem de Santa , que vai de Fallbrook até Bonsall. O vale tinha uma plantação de beterrabas do tipo para fazer açúcar que quando colhidas eram transportadas até os vagões, por trilhos laterais, e depois transportados até a fábrica de açúcar. Contudo, como consequência de uma enchente os trilhos, com suas ramificações, foram levados pelas águas, assim como fazendas, árvores e vegetação. Era horrível ver como barracões, galinheiros, cavalos, vacas e casas foram levados pelas águas turbulentas. Todas as pontes entre Los Angeles e San Diego foram levadas pela água. Oceanside parecia uma ilha e ninguém conseguia chegar até ela. Também não era possível enviar uma mensagem, pois todas as linhas telefônicas e de telegrama foram rompidas. Cinco pessoas faleceram com esta enchente e demorou três semanas para que Mount Ecclesia recebesse correspondência de novo.

Houve necessidade de um curso por escrito da Filosofia Rosacruz, porém, devido a muitas atividades Max Heindel não conseguia encontrar uma chance de iniciar o curso. Portanto ele se dirigiu a Sra. Kittie Skidmore Cowen que morava em Montana Home, em Idaho, que escrevia artigos baseado no Cosmo[246] para a revista Rays. Ele pediu que montasse um curso de 12 lições com perguntas. No início de 1917 este curso, introdutório no ensinamento Rosacruz, ficou pronto.

Para se tornar membro o aspirante deve primeiro terminar este curso, para que a pessoa saiba onde está se associando.

Em março de 1917 a poetisa Ella Wheeler Wilcox visitou Mount Ecclesia. Na Rays de maio de 1917 Max Heindel escreveu o seguinte:

“Autora Encontrada!

Em sua visita a Mount Ecclesia, ela me contou em uma conversa que era a autora deste maravilhoso poema:

Um barco navega para leste e outro para oeste,

Empurrados pelo mesmo vento;

É a posição das velas e não o sopro do vento

Que determina a direção em que eles vão.

Assim como os ventos do mar, são os caminhos do destino,

Onde o sol reaparece após a tempestade.

É a ação da alma que determina a meta

E não a calmaria nem a luta.

Alguns anos atrás encontrei esta poesia sem que o autor estivesse mencionado. Eu o citei com frequência, e muitas vezes me desculpando por não saber quem era o autor. Portanto, fiquei muito feliz em saber quem era o autor e a Sra. Wilcox também me contou a história de como chegou a ideia do poema. Ela contou que estava velejando de Nova York para Boston e enquanto estava sentada ao deck com o marido este comentou: ‘Não é interessante Ella, que vemos os barcos indos para as duas direções e todos são impulsionados pelo mesmo vento? ’. E a Sra. Wilcox reagiu, dizendo: ‘Oh, Robert, que tema interessante para um poema! Dê-me rápido um pedaço de papel para que eu possa escrever’. E em dez minutinhos ela escreveu este poema. ‘Isto’, assim falou ela, ‘aconteceu aproximadamente uns 20 anos atrás e foi publicada pela primeira vez no Munsey´s Magazine’.

Também é interessante saber que o Sr. Wilcox é o ‘pai’ de várias ideias espirituais que a Sra. Wilcox tão lindamente transformou em poemas.

Conforme disse ela, o casamento deles era a união perfeita, uma amizade forte entre duas almas, que somente aqueles que tiveram o privilégio de vivenciar podem apreciar. Não é uma pena que uma união ideal assim seja uma exceção e não uma regra? Talvez fosse interessante saber que a Sra. Wilcox há alguns anos estuda os ensinamentos Rosacruzes e aprecia muito o Conceito Rosacruz do Cosmos. Ela contou que combinou com o marido algum tempo antes dele falecer de ler um capítulo do livro todas as noites antes de irem dormir. Contudo, devido partida dele, este plano nunca foi realizado. O que a deixou com remorsos, porque esses ensinamentos seriam de maravilhoso proveito para o seu o marido na vida post-mortem”.

Pouco antes da Sra. Wilcox falecer, em 1919, foi publicado seu livro: “The Worlds and I”. Aqui está escrito que ela nasceu em 1855 em uma fazenda no Wisconsin, como a caçula de quatro filhos. A condição física dela na adolescência deixava a desejar, mas o desenvolvimento mental, emocional e espiritual era satisfatório. Em idade bem jovem ela começou a escrever poemas. Quando obteve seu diploma do ensino médio ela já era conhecida como poetisa em sua cidade natal. Com aproximadamente 28 anos ela se casou com Robert Wilcox. Eles tiveram um filho, que faleceu logo após o nascimento. Após o casamento entraram em contato com a Teosofia e já aderiram ao movimento. Durante toda a sua vida mantiveram interesse por assuntos psíquicos e espirituais. Pouco depois do casamento prometeram um ao outro que aquele que falecesse primeiro iria tentar voltar para se comunicar com o outro – se isto fosse possível; mas eles não duvidavam desta possibilidade. Em 1916 Robert Wilcox faleceu, após 30 anos de união e companheirismo com sua esposa. Ela sofreu muito, e esse sofrimento ficou cada vez mais forte conforme as semanas iam passando e ela não recebia uma mensagem dele. Ela visitou médiuns famosos em todo o país e alguns “sábios” de várias religiões e filosofias. Ela ficou em um retiro Teosófico e isto ajudou a acalmar, enquanto bons amigos a aconselharam a não confiar cegamente no espiritismo. Neste período ela foi para a Califórnia, porque havia ouvido dizer que lá as energias espirituais são mais fortes. Ainda em busca de ajuda em sua tristeza, fez uma visita a Max Heindel, não entendendo porque ainda não havia tido um contato do Robert. Ela descreve o encontro com Heindel da seguinte forma: “Durante uma conversa com Max Heindel, um líder da Filosofia Rosacruz na Califórnia, ele deixou claro para mim as consequências do meu sofrimento. Ele me garantiu que encontraria com o espírito do meu marido assim que aprendesse a controlar meu sofrimento. Eu respondi que me parecia estranho que o Todo Poderoso Deus não enviasse uma luz a uma alma sofredora para confortá-la quando mais precisava. Max Heindel me perguntou: ‘Você já esteve perto de um lago transparente e viu as árvores refletidas na água? E você já jogou uma pedra naquela água e viu como ficou turbulenta e deixou de refletir a imagem? Mesmo assim acima da água esperavam a luz e as árvores para se refletirem novamente, quando a água se acalmasse. Desta mesma forma Deus e a alma do seu marido estão esperando você se acalmar para poderem se mostrar a você’”.

Depois desta conversa ela retornou para casa e passou horas em oração e meditação. Após alguns meses as palavras de Max Heindel se tornaram em realidade’[247].

Os escritórios ficaram tão lotados, que foi necessário fazer um prédio separado para esta atividade. No dia 13 de março de 1917, às 14:00 horas (02:00 PM), após uma pequena cerimônia feita por nove Probacionistas, foi dado início à construção. Contudo, na metade perceberam que financeiramente não conseguiriam continuar e isto só seria possível se conseguissem arrumar uns mil dólares.

Em San Diego não foi possível fazer um empréstimo diretamente. A Sra. Augusta Foss Heindel, que fazia a administração financeira para sua mãe, esperava poder fazer um empréstimo dando os bens dela em garantia, mas para isto necessitava da autorização de sua irmã. Este foi concedido, resolvendo, assim, este problema e o prédio da administração pode ser finalizado.

O prédio da administração foi feito em alvenaria. Quando ficasse pronto teria um andar superior com uma área de 446 m². A intenção era colocar a sala de impressão no piso inferior e os escritórios em cima. Neste andar superior também iria ficar um quarto grande – separado em dois por meio de um biombo – para servir como quarto de dormir para o Sr. e a Sra. Augusta Foss Heindel.  Isto para que Max Heindel não precisasse mais se cansar subindo e descendo para o bangalô ao pé do morro. Neste quarto não havia água, mas se fossem até à recepção havia uma torneira. Para tomar um banho precisavam ir por fora, até a torneira no refeitório. Quando o prédio ficou pronto Max Heindel conseguia chegar na sala de impressão, ao refeitório e comparecer aos rituais na capela, descendo apenas alguns lances de escada, o que antes custava um esforço enorme para ele.

Em maio o Sr. F. H. Kennedy veio fazer uma visita em Mount Ecclesia. Quando chegou à porta de entrada do escritório perguntou por Max Heindel. O pessoal o encaminhou à sala de impressão. Como de costume a máquina de linotipo estava quebrada. O Sr. Kennedy entrou na sala de impressão, que ainda estava na parte inferior do primeiro prédio. Lá ele viu Max Heindel deitado sob a máquina, enquanto o suor banhava seu rosto. O Sr. Kennedy cumprimentou seu amigo com um sorriso e um olhar de compaixão.

Após conversarem um tempinho, o Sr. Kennedy voltou para o escritório da Sra. Augusta Foss Heindel. Ela disse que nunca havia visto o rosto de alguém tão transtornado como o do Sr. Kennedy naquele momento. As lágrimas brilhavam em seus olhos pelo jeito que havia visto Max Heindel, e doía nele o fato de um homem tão culto ser forçado a deitar embaixo de uma máquina para fazer a manutenção necessária. Havia um rapaz mais jovem, mas ele não tinha o menor conhecimento de encaixar as letras e muito menos de fazer a manutenção. O Sr. Kennedy perguntou à Sra. Augusta Foss Heindel o endereço de alguém que fosse membro e que pudesse vir para Mount Ecclesia para ajudar na impressão. Ela conhecia apenas uma pessoa que tinha um pequeno conhecimento de tipografia. Contudo, era um homem pobre, pai de família com cinco filhos. Seu endereço foi anotado e o Sr. Kennedy tomou imediatas providências para trazer este homem com sua família para lá. Contudo, para que isto fosse possível precisava primeiro mandar construir uma casa [que mais tarde foi chamada de Ecclesia Cottage] e garantir um salário de um ano para ele.

Em junho de 1917 o novo prédio administrativo estava pronto. O Sr. Phillip Grell e a família vieram justamente em tempo de ajudar na mudança e instalar as máquinas na sala de impressão. Seu conhecimento, de fato, do trabalho e da manutenção das máquinas era muito pouco. E também não entregava um trabalho muito limpo. Após oito meses a família Grell deixou Mount Ecclesia e Max Heindel deitava novamente embaixo das máquinas.

Como agora havia mais espaço na sala de impressão compraram uma impressora maior e foi possível aumentar o tamanho da revista mensal. Tinham salas de depósito onde os livros ficavam bem guardados, sem ficarem misturados e amontoados. Portanto, eles mesmos começaram a encapar, em pequena escala, os livros.

Durante os anos da guerra [1914-1918] era muito difícil conseguir funcionários. O Sr. e a Sra. Augusta Foss Heindel iam pessoalmente para Los Angeles para procurar cozinheiros, ajudantes de cozinha, estenógrafos, jardineiros e auxiliares de impressão. Financeiramente isto também era inviável porque as viagens para Los Angeles aconteciam de uma a duas vezes por quinzena e eram caras no transporte e estadia em hotel. As pessoas que vinham desta forma nunca ficavam muito tempo, porque a vida no campo para eles era muito chata e o vegetarianismo não era desejável. Praticamente a cada três meses tinha um cozinheiro novo, que primeiro devia ser ensinado no vegetarianismo e logo depois partia. O mesmo problema acontecia com os ajudantes de impressão, que ou levavam bebida forte e perdiam o controle ou não se adaptavam a vida fora da cidade.

No dia 15 de julho de 1917 o casal Heindel saiu de férias[248]. Esta foi a primeira vez desde que a Fraternidade foi fundada há sete anos. Eles partiram no domingo à noite após o ritual no Pro Ecclesia. Eles entraram no ‘Carita’, um carro modelo Overland. Com este carro foram pelas estradas, que já haviam percorrido em outra ocasião. Pela linda San Luis Rey, passando pela velha Missão Franciscana, por sobre o Red Mountain e pelo lago Elsinore. Contudo, esta estrada não era a mesma de antes. Havia paz e alegria no ar, calma e sossego, um bálsamo para seus corpos e mentes cansados. Algo, interiormente, tinha mudado: eles se sentiam jovens, riam, brincavam e cantavam como crianças.

De Elsinor, sobre o asfalto lisinho, fizeram o percurso até Colton, a fonte principal de cimento da Califórnia. Depois para Riverside com seus laranjais imensos, onde o ar ficava impregnado com o cheiro de sua florada que ficava ao lado das frutas douradas. Isto é com toda a certeza uma região de muita beleza. Isto não era por causa das construções, apesar de serem em sua maioria muito artísticas e bonitas, mas pela natureza. Porque toda esta região do Sul da Califórnia é por direito um paraíso frutífero com suas lindas palmeiras, belíssimas magnólias, laranjeiras douradas e a profusão de flores variadas que alegravam à vista para onde se olhasse.

Cinquenta anos antes [aproximadamente 1870] não havia nenhuma árvore nesta região. A região entre Los Angeles e San Bernardino tinha o nome The Sixty Mile Desert [o deserto de 90 km], um terreno de caça para os colonizadores que moravam na redondeza.

De Riverside não fica longe ir para Redlands, uma cidadezinha turística. Aqui eles passaram pela famosa ‘smily heights’ situada numa montanha fina a uma altura de 150 m, que divide a região em dois vales amplos rodeados por montanhas de todos os lados. Quando se passa por esta costa, que tem vários pedaços com apenas 60 m de largura, não precisavam sair do carro para ter uma vista ampla sobre os dois vales com suas laranjeiras e outros pomares frutíferos, que se espalhavam até a encosta da montanha.

Eles visitaram San Bernardino, a cidade mais antiga da região, e um centro mineiro. Contudo, bastante desapontados, retornaram à costa procurando um pouco de ar mais fresco.

Neste ponto a Califórnia é única, pois mesmo sabendo onde se está pode se encontrar todas as temperaturas que desejar, tanto no verão como no inverno, e também não precisa ir longe para isso. Em Mount Ecclesia, por exemplo, é agradavelmente refrescante. Se quiser um lugar mais quente basta ir para o lago Elsenore a uns 70 km de Oceanside. Para brincar de jogar bolas de neve pode se ir, numa manhã de inverno, saindo de Los Angeles com um carrinho elétrico, para Mount Lowe a 1800 m acima do nível do mar. Ou, na volta, passar por Pasadena onde chapéu de palha e camisetas são o traje do dia. Ou para Venice-by-the-Sea, onde o oceano é azul, o sol brilha na praia e o visitante é convidado a dar um mergulho refrescante.

O retorno foi por Los Angeles e um de seus distritos mais belos, Hollywood. Depois subiram por Cohengue e logo já passavam pelo vale frutífero de San Fernando para as montanhas que os afastavam da costa. Universal City foi o primeiro ponto que chamou a atenção deles. Lá eles viram como os artistas faziam as filmagens. Imitações de castelos antigos espalhados pelas colinas para dar cor às histórias do tempo dos cavaleiros. Um contraste imenso entre o mundo velho e o novo formavam os caubóis que cavalgavam entre as colinas e o gado. Seguindo em frente passaram pelas cidades floridas como Lankershim, Van Nuys e Owensmouth do seu lado direito, aquecidas ao sol entre os bosques com frutas.

No princípio foi o ouro que atraiu as pessoas até Califórnia. Apesar de nesta região ter muitos minerais, isto se anula com a abundância dos grãos dourados, que é produzida nas grandes fazendas. Ou das frutas douradas: laranjas, limões e toranjas; ou o petróleo, que tem mais valor que o ouro.

A caminho de Santa Bárbara eles passaram por uma estrada longa, íngreme e cheia de curvas – chamada Conejo Grade – em direção à costa, onde, após um tempo, alcançaram Ventura, uma cidade importante do petróleo. Saindo de lá, seguiram pela rodovia, num comprimento de 38 km beirando o oceano. Neste trecho o ponto mais interessante para eles foi Summerland, assim chamado por ter sido um refúgio espiritual. Depois encontraram petróleo. Ao invés de subirem a região etérica dos Anjos, as pessoas foram cavar, com ganância e mãos pretas, no reino de Plutão para trazerem a substância viscosa para cima e alimentarem as fábricas.

Em Santa Barbara eles procuraram um lugar para ficar, pois queriam ficar um tempo lá, porque tinham ouvido falar muito desta redondeza.

A sobrinha deles, Olga [Borsum Crellin], os acompanhou nesta viagem e queria ser a motorista. Ela já havia tido algumas aulas no Maxwell que era usado para levar as correspondências para o correio de Oceanside. Rapidamente ela descobriu os segredos para dirigir a Carita, e Max Heindel achava isso cada vez mais fácil. Entre os trajetos curtos e longos períodos de descanso os dias passaram voando, proporcionando nova energia para voltar a Oceanside.

Em 1917 era impossível, para os astrólogos, conseguirem a Efemérides Inglesa, sendo que muitos fizeram essa queixa em Mount Ecclesia. Num dia quando Max Heindel e sua esposa estavam passando pelos trabalhos diários como de costume, Max Heindel disse a ela: “Bem, querida, o que mais nos falta? Será que você e eu, com nosso conhecimento de astrologia e matemática e nossa gráfica, não poderíamos fazer uma Efemérides Americana? ”.

Com este objetivo adquiriram o Nautical Almanac americano e francês e passaram as noites calculando as Efemérides. Max Heindel calculava as longitudes e sua esposa as declinações. Na revista de fevereiro de 1918 foi comunicado que as Efemérides tinham sido impressas; e no dia 10 de fevereiro que a Tabela de Casas para as longitudes de 47-48 e 49-60 graus estavam prontas, e iriam calcular as Efemérides a partir de 1860.

Com a publicação das Efemérides e da Tabela de Casas houve uma procura maior pelo livrinho Astrologia Científica Simplificada e cresceu o interesse pelo estudo de astrologia.

Em maio de 1918 Max Heindel tinha planos de instalar uma encadernadora de livros e começou a comprar as máquinas necessárias. O plano era ir de carro para San Francisco e lá visitar as lojas com máquinas de segunda mão. Depois de Bedelia, eles tinham comprado outro carro de segunda mão, um Paige de 7 lugares, espaçoso e grande. Para esta viagem convidaram duas senhoras, Dra. Ruth Woods e Sra. Mary L. Lyon. Max Heindel dirigia o carro, pois ele tinha medo que sua esposa fizesse estragos no mesmo. Depois de uma semana eles retornaram a Mount Ecclesia, após conseguirem encontrar uma máquina a custo muito reduzido. O casal Heindel e o Sr. Grell instalaram a máquina, e logo depois o Sr. Grell e família deixaram Mount Ecclesia.

Depois de algum tempo o Sr. e a Sra. Augusta Foss Heindel conseguiram encontrar um homem e uma mulher para a sala de impressão, por meio da agência de empregos, que já vieram imediatamente com eles no retorno para Mount Ecclesia. Eram ótimos funcionários que entendiam muito bem do tipógrafo e da máquina de encadernação. Infelizmente o homem era um alcoólatra e depois de alguns meses deixaram Mount Ecclesia.

Novamente, colocaram um anúncio para um tipógrafo. Neste anúncio foi colocado o endereço da irmã da Sra. Augusta Foss Heindel, que morava em Los Angeles. Neste endereço Max Heindel encontrou um tipógrafo de confiança, o Sr. N. W. Caswell. Juntamente com a jovem senhora Ethel Lanning deram seguimento ao trabalho na sala de impressão. Após alguns anos eles se casaram, e permaneceram trabalhando na sala de impressão.

Como mencionado anteriormente, em 1913, começaram os problemas com o fornecimento da água. Os problemas se complicaram com o não fechamento do portão para os reservatórios, fazendo com que o gado que pastava no vale, se espalhasse por Mount Ecclesia e acabava com a plantação lá. Max Heindel não queria começar uma disputa jurídica. E somente em 1918 a Administração conseguiu uma intimação judicial proibindo Max Heindel de fechar o portão e impedir a passagem. A intimação veio num sábado à tarde e ordenava o comparecimento ao tribunal na segunda-feira seguinte pela manhã. Max Heindel ligou para o advogado em San Diego solicitando que o defendesse.

Naquela segunda às 10:00 horas o Sr. e a Sra. Augusta Foss Heindel estavam no tribunal, mas o advogado não apareceu. Max Heindel precisou ir ao escritório dele para chamá-lo. Quando ele lá chegou ouviu a voz do seu conselheiro na sala ao lado. A secretária disse que o Sr. Adam Thompson havia saído da cidade. Ouvindo isto Max Heindel retornou ao tribunal, onde sua esposa o encorajou que ele mesmo fizesse sua defesa. O Juiz estava ciente que o Sr. Thompson havia saído da cidade e quando sua causa veio à tona pareceu estar a favor de Max Heindel, que venceu o processo contra a cidade de Oceanside. O Juiz não gostava da Administração, porque deram a entender que haviam comprado o advogado.

O fechamento das estradas que estava no terreno como o caminho que dava para os reservatórios ainda não havia totalmente finalizado quando chegou o Sr. Graves no escritório para trabalhar lá. Hiram Graves tinha sido detetive e tinha vários amigos em Oceanside e logo deixou perceber que muitas coisas, no que se referia à Administração da Cidade, não estavam em ordem. Ele juntou provas e os trouxe à tona, fazendo com que fossem obrigados a se retirar. Com isto escolheram novos representantes que estava muito disposto a compensar as falhas do passado, fazendo com que este caso finalmente se resolvesse em novembro de 1918.

Na sala de impressão também se trabalhava à noite para prepararem vários anos de Efemérides. Também foi empenhado muito trabalho nos escritos do Livro Mensagem das Estrelas,pois estava escrito na revista que já estava disponível.

Sem conversar antes sobre isto com sua esposa, Max Heindel foi até o advogado em San Diego em novembro e passou os direitos autorais dos livros e gravuras que estavam em seu nome para os de sua esposa.

Numa noite, no início de dezembro de 1918, durante os cálculos das Efemérides de 1920, Max Heindel insistiu com sua esposa que ela fizesse todos os cálculos da Efeméride sozinha. Ela estranhou isto, pois era costume que ela calculava as declinações e ele as longitudes. Então, ela perguntou: “Querido, porque você quer que eu faça todo o trabalho sozinha? Você está pensando em me abandonar? ”. Max Heindel respondeu: “Que nada querida, apenas quero poder dizer para as pessoas que você fez o cálculo totalmente sozinha. Quero que se orgulhem de você”. Isto a preocupou, porque ele também começou a organizar todos os seus papéis.

Depois que a família Grell havia deixado a Sede Central houve um período difícil, e não sobrou alternativa para Max Heindel a não ser ele mesmo fazer a manutenção. Ele estudou a encadernadora até conhecer minuciosamente o mecanismo. Para ter mais experiência ele mesmo manuseou a máquina no final de novembro.

Max Heindel estava começando a se animar, novamente, com o assunto da impressão, quando a impressora quebrou e, por isso, teve que procurar um profissional que entendesse disso. Parecia que todos os homens habilidosos tinham falecido na guerra. Por isto o Sr. e a Sra. Augusta Foss Heindel foram, numa quarta-feira dia 1º de janeiro em seu Paige, chamado Carita, para Los Angeles na tentativa de encontrar um novo tipógrafo. Eles conseguiram encontrar um casal. O homem era um experiente tipógrafo e a mulher tinha conhecimento na encadernadora.

Na sexta, dia 3 de janeiro às 5:00 horas da manhã, eles partiram de Los Angeles para parar no mercado e comprar verduras. Com o bagageiro lotado com verduras e outras coisas que já haviam comprado antes, chegaram ao final da tarde, famintos e cansados, na Sede Central.

No sábado, dia 4 de janeiro, tinha festa em Mount Ecclesia; festejaram o “Ano Novo” atrasado. Alguns amigos da redondeza também estavam lá, portanto, a biblioteca estava repleta de rostos felizes. Max Heindel também estava bem animado e cantou com sua voz forte, profunda e melodiosa algumas canções. Uma música que ele gostava bastante se chamava Ben Bolt[249]. Ele também cantou uma música conhecida dos marinheiros, Where are you going, my pretty maid, uma balada antiga que ele regia gesticulando[250]. Ele contou histórias e acontecimentos engraçados e surpreendeu os presentes com sorvete e bolo que havia comprado em Oceanside.

Domingo dia 5 de janeiro Max Heindel estava silencioso e pensativo, mas estava em bom estado de saúde. Sua atenção estava voltada para as lições dos estudantes. À noite ele fez uma palestra na Pro Ecclesia.

Também, na segunda-feira dia 6 de janeiro ele estava silencioso, mas em paz e feliz. Ele organizou os papéis em sua escrivaninha e fez anotações referente ao estoque da sala de impressão. Ele também queria que sua esposa estivesse com ele em seu escritório e, muitas vezes, pediu a ela para se sentar e conversar com ele. Quando ela disse que não queria atrapalhá-lo em seu trabalho ele respondeu: “Eu acho muito gostoso ter você aqui comigo e quando você me visita”.

Por volta das 16:00 horas Max Heindel havia escrito uma carta para a agência de correios para que entregassem uma vez ao dia as correspondências em Mount Ecclesia. Com esta carta ele foi ao escritório de sua esposa para mostrar a ela. Por volta de 16:30 horas, enquanto sua esposa lia a carta, ele estava se apoiando na escrivaninha dela com uma mão e, de repente, caiu ao chão, atacado por um mal súbito. Foi um tombo estranho, pois parecia que mãos invisíveis o seguravam e suavemente o colocavam no tapete. Quando a Sra. Augusta Foss Heindel se inclinou sobre ele, ouviu suas últimas palavras: “Comigo está tudo bem, querida”.

Ele perdeu a consciência e foi carregado ao seu quarto, que era ao lado do escritório da Sra. Augusta Foss Heindel. Enquanto ela ficou com ele, os funcionários foram para a Pro Ecclesia fazer o Ritual de Cura, para ele. Às 20:25 horas ele ainda abriu seus olhos e sorriu para sua esposa e, logo depois, faleceu.

Seu corpo foi deixado, durante três dias e meio, sem gelo e sem embalsamar, no escritório. Misteriosamente o corpo não demonstrava mudanças externas, e as bochechas mantinha sua cor natural, rosada como se em vida. Alguns amigos acreditavam que Max Heindel não tinha falecido. Sra. Augusta Foss Heindel tomou a decisão de que se não houvesse mudança até chegaram ao crematório de San Diego, ela deixaria o corpo por mais alguns dias no porão. Contudo, isto não foi necessário, porque quando fizeram o ritual na Pro Ecclesia, Max Heindel apareceu para sua esposa e garantiu a ela que tudo estava em ordem. Depois, o corpo foi cremado e suas cinzas enterradas junto às raízes da roseira, ao pé da Cruz.

Capítulo 12 – Augusta Foss Heindel como Sucessora de Max Heindel

Podemos comparar as pessoas com as ondas do mar: quando no mar uma onda se quebra e retorna, sempre se segue outra para tomar o seu lugar. Não faz diferença se a pessoa é ou não importante, sempre haverá outra pessoa que tome seu lugar para que o trabalho continue fluindo. Assim após o falecimento de Max Heindel sua esposa ganhou a liderança e foi apoiada pelo Sr. Alfred Adams.

Em novembro de 1918 Max Heindel tinha ido para San Diego para passar os direitos autorais dos livros e gravuras para sua esposa por meio de uma doação judicial. Quando após o falecimento de Max seu testamento foi oficialmente reconhecido, ficou claro que ele havia comprado a terra antes da Fraternidade se tornar uma pessoa jurídica. No documento estava escrito que ele administrava a terra para a Fraternidade. Contudo, quando este foi analisado e o testamento legitimado, o Juiz declarou que as terras da Fraternidade pertenciam a Sra. Augusta Foss Heindel, como herdeira, usando o fato que quando o testamento foi assinado a Fraternidade ainda não era uma Pessoa Jurídica.

Na primavera de 1919 vieram algumas pessoas, que já eram membros há algum tempo, para Mount Ecclesia. Eram: o Sr. W. J. Darrow, Contador, membro do Centro de Nova York, que ajudou na construção de um tanque de compostagem – mais tarde ele ajudou no escritório e na revista mensal; Sra. Netty Lytle, de Seattle: ajudou no setor da cozinha e mais tarde se tornou secretária esotérica; Sra. Mary B. Roberts, de Nova York: cuidou das atividades domésticas; Sra. Margareth Wolff: ficou com liderança do Setor de Cura e após seu falecimento foi substituída pela Sra. Roberts; um rapaz, Joseph Hoheisel, membro de Chicago e bom mecânico de automóveis – era o único que conseguia dirigir e fazer a manutenção da Paige; e Sam Erret[251] – ele, em especial, foi um achado que por muitos anos cuidou da sala de impressão, em particular da nova máquina de encadernação, a de dobrar e costurar livros que dava muitos problemas. Em Oceanside não havia ninguém que soubesse lidar com máquinas tão complicadas. Contudo, com a chegada do Sr. Erret isto ficou em ordem. Ele era quem deixava as coisas rodando.

O cachorrinho branco, chamado Smart, que Max Heindel havia adquirido em 1913 para espantar os coelhos da horta e mais tarde foi adotado pela Sra. Kitty Skidmore Cohen, uma estudante que veio na primeira Escola de Verão, voltou para Mount Ecclesia em 1919. A Sra. Cohen ficou viúva e decidiu retornar para permanecer na Sede Central e trouxe Smart com ela[252]. Ele dividia seu tempo entre os dois quartos, da Sra. Cohen e da Sra. Augusta Foss Heindel. Ele sempre permaneceu fiel à sua primeira dona, principalmente depois de uma experiência que ele teve quando a Sra. Cohen ficou umas semanas fora. Um vizinho tinha um buldogue muito agressivo que ficava acorrentado em seu quintal e onde Smart o atacou para pegar um pouco de ração. Após essa briga com o animal maior o Smart saiu muito machucado, e foi levado como uma massa sangrenta para o quarto da Sra. Augusta Foss Heindel. Uma enfermeira que estava de visita ajudou a cuidar dos ferimentos do pobre coitado, e enfaixar sua pata traseira quebrada. Depois disso a Sra. Augusta Foss Heindel cuidou dele; ele até podia ficar num cesto ao lado da cama dela durante a noite. Numa manhã ele estava andando sobre duas patas pelo quarto dela e foi engraçado de ver. Em pouco tempo ele ficou bom de novo. Smart ainda ficou alguns anos com eles e de repente sumiu.

Em novembro de 1919 mais um livro foi publicado. Foi a nova edição do livrinho: Astrologia Científica Simplificada.

A terra que foi comprada por Heindel consistia em 40 acres, aproximadamente 16 hectares, mas não chegava até a rodovia. Por volta de 1920 veio um novo fazendeiro como vizinho, que estava com problemas financeiros. Ele vendeu um pedaço de suas terras à Fraternidade que ficava exatamente entre rodovia e a Fraternidade. Assim a Fraternidade ganhou uma estrada diretamente até a ‘Highway to the Stars’, que vai até o famoso observatório Mount Palomar.

Após a compra deste pedaço de terra, alguns membros do conselho insistiram com a Sra. Augusta Foss Heindel para passar os 16 hectares que estavam no nome dela para o nome da Fraternidade. Mesmo o advogado desaconselhando, ela consentiu.

Em maio de 1920, Max Heindel apareceu para sua esposa e disse que, conforme solicitado pelo Mestre, era tempo de construir a Ecclesia ou Templo[253]. Enquanto Max Heindel vivia, alguns estudantes já haviam iniciado um fundo para a construção do Templo. Contudo, após juntarem alguns mil dólares, a maioria parou de contribuir. Quando em maio foi anunciado esta mensagem, o dinheiro começou a fluir de novo. Com isto o Sr. Lester Cramer, um arquiteto de Nova York, foi convidado a vir para Oceanside. Alguns anos antes ele também já havia estado em Mount Ecclesia e havia feito o desenho para o Templo, conforme indicações de Max Heindel.

No dia 29 de junho de 1920, numa quinta-feira bem cedo pela manhã, as pessoas começaram a chegar de carro de San Diego, Los Angeles e até da longínqua Sacramento. Alguns convidados já haviam chegado domingo e segunda-feira. Como não havia moradia suficiente, eles foram colocados em barracas.

No total eram 65 pessoas que, às 11:45 horas, se juntaram no ‘Ecclesia Point’ para inaugurar o terreno do Templo. Após cantar o hino de abertura, a Sra. Augusta Foss Heindel deu uma pequena introdução, dando ênfase a este sagrado passo.

Exatamente às 12:00 horas a Sra. Augusta Foss Heindel, os Discípulos, Probacionistas e Estudantes retiraram, cada um, uma pá de terra do local.

Após esta cerimônia a Sra. Augusta Foss Heindel falou sobre a construção do Templo de Cura que deveria ser construído em volta do Templo Simbólico, a Ecclesia.

As semanas que seguiram a inauguração do terreno foram de intensa atividade cavando buracos, preenchendo com concreto – misturando cimento, pedras, areia e água – até fazerem a fundação. Quase um mês depois, no dia do aniversário de Max Heindel, dia 23 de julho, exatamente ao meio dia, colocaram a pedra fundamental do Templo. Max Heindel já tinha feito a pedra no dia 26 de novembro de 1914. Na pedra foi colocada uma caixa com dizeres da Fraternidade. A Sra. Augusta Foss Heindel proferiu as seguintes palavras:

“Amigos, hoje estamos reunidos para dar continuidade ao que nosso querido líder, Max Heindel, começou no dia 26 de novembro de 1914. Naquele momento nos reunimos para fazer a pedra fundamental que hoje colocamos no lugar. O Templo é um símbolo físico que, quando nós entrarmos nele, nos dará um exemplo do que nós, como construtores do Templo Divino, tentamos alcançar. Nós conhecemos o uso simbólico do instrumento de construção. O pedreiro é descrito como aquele que mistura o cimento, coloca os tijolos e trabalha com as ferramentas que são de sua profissão. Dessa forma o prédio se constrói.

Nós também somos pedreiros (phree messen), usando outro material. Nós construímos com o material que os Irmãos Maiores nos fornecem e que nós acabamos de colocar nesta caixa, a gloriosa mensagem que nos foi passada pelos Irmãos Maiores por meio desse grande espírito cujo aniversário homenageamos hoje: nasceu em 23 de julho de 1865 e que era predestinado a dar uma visão mais ampla ao mundo, e que jamais foi transmitida anteriormente, dos ensinamentos de Cristo. Uma religião que será a pedra angular da nova raça que surgirá na Era de Aquário. Esse mensageiro nos contou que este será o último Templo Físico a ser construído sob orientação dos Irmãos Maiores.

A humanidade irá chegar a um estado de desenvolvimento, e, agora, está trabalhando com o objetivo de alcançá-lo, para que possa adorar no Templo verdadeiro: o Templo de Deus, não feito por mãos humanas, eterno nos Céus, que não foi feito com pedras, tijolos e argamassa, mas de corações amorosos, e com a sublimação de nossas naturezas inferiores para sermos pedras vivas.

É um privilégio ser um dos trabalhadores, ser uma das pedras vivas, escolhidos a obedecer aos últimos mandamentos do Cristo: ‘Pregar o Evangelho e curar os enfermos’. Este último mandamento já foi esquecido pela humanidade a muitos, muitos anos. Nós anunciamos o Evangelho, mas fizemos [com isto] apenas a primeira parte do mandamento que Ele deu a seus Discípulos. Na Igreja fracassamos em curar os enfermos. Havia uma divisão entre a ciência e a religião. Esta divisão originou o materialismo atual. Restabelecer esta divisão, a reaproximação da ciência com a religião é o que nós, trabalhadores e seguidores dos ensinamentos da Fraternidade Rosacruz, tentamos colocar em prática. Nós colocamos a pedra angular de um enorme e futuro trabalho. Os poucos de nós que agora aqui estão mal percebem o que isto vai significar para a humanidade. Muitos anos após nós termos abandonado estes corpos mortais, o conteúdo desta caixa continuará existindo. As vibrações que serão construídas junto com este prédio serão sentidas até os confins do mundo.

Dizem que quando Salomão construiu o Templo de Jerusalém, as vibrações de toda a cidade se purificaram e mudaram. Nós estamos nas mãos de Saturno, num ambiente cristalizado. Para nós era importante aprendermos nossas lições, porque nos encontramos neste mundo cristalizado e, portanto, necessitamos usar de cimento visível. Contudo, com este trabalho atingimos um estado onde será inútil lutarmos por mais tempo, pois o fundamento está colocado. Hoje colocamos esta pedra fundamental, que com seu conteúdo permanecerá intacto por muitos anos.

Amigos, vamos sair hoje daqui, novamente imbuídos de nos tornarmos instrumentos mais puros, melhores e limpos, onde possamos transmitir os Ensinamentos dos Rosacruzes ao mundo.

Nós estamos aqui, porque fomos escolhidos neste imenso trabalho de Cristo. Estamos aqui para prepararmos este Templo Invisível, usando o Templo visível apenas como instrumento de trabalho. Nós ainda não deixamos nossos corpos físicos, mas estamos nos preparando para encontrar o Cristo. Porque Ele prometeu que em seu retorno ‘Iremos encontrá-lo no Céu’. O que isto significa? Que precisamos preparar o ‘Traje Dourado de Bodas’, o Corpo-Alma onde todos nós possamos encontrar o Cristo em seu retorno.

Amigos, vamos cada um com uma pá cobrir esta pedra de cimento, com uma prece de agradecimento e pedir por forças, pureza e conhecimento para que possamos ser instrumentos para dar continuidade neste trabalho e podermos divulgar ao mundo a mensagem da Fraternidade, sabendo que Cristo é a verdadeira Pedra Angular[254].

Rollo Smith também estava, novamente, presente na construção do Templo. Durante a construção as doações eram frequentes, o que garantia que os salários dos pedreiros fossem pagos à vista; conclusão: o trabalho fluiu rapidamente. O objetivo era terminar o templo antes do início do segundo decênio [18 de abril de 1920].

Para alojar os trabalhadores extras, compraram barracas de exército. Neles foram colocados pisos de madeira para que pudessem ser habitados durante todo o inverno.

Também foram ministrados cursos: Sra. Arline D. Cramer dava aulas da Filosofia Rosacruz e Sra. Margaret Wolff curso de Astrodiagnose. Também havia aulas de Astrologia e Expressão.

No Echoes de novembro está escrito que 5500 exemplares do Conceito Rosacruz do Cosmos, 5000 exemplares de Astrologia Científica Simplificada e 4000 exemplares de A teia do Destino foram impressos e encadernados.

As lições mensais que Max Heindel havia enviado aos estudantes, também, foram impressos em forma de livro, com os títulos: A Teia do Destino e Interpretação Mística do Natal, enquanto que o Livro Maçonaria e Catolicismo estava pronto para ser impresso.

Financeiramente, 1920 foi um ano difícil, pois em comparação a 1918 os preços triplicaram.  Em 1918, por exemplo, a capa de um livro custava 7 centavos de dólar e uma resma de papel 11³/4 de centavos; e em 1920 a capa do livro custava 20 centavos e uma resma de papel 31¹/4 de centavos.

No dia 24 de dezembro os Discípulos e Probacionistas se reuniram no Templo às 22:30 horas para a inauguração do Templo e o Ritual da Lua Cheia. Depois disto o coral cantou, às 23:45 horas, ‘Venham todos reunidos’ enquanto os membros e visitantes saíam da Pro Ecclesia em direção ao Templo.

A Sra. Frances Ray tocou no pequeno harmônio[255] – pois não havia dinheiro para comprar um órgão grande – Parsifal, ‘a Marcha dos Cavaleiros do Graal’. Depois as pessoas cantaram ‘Noite Feliz’ com as palavras que Max Heindel colocou nesta melodia, onde se seguiu a história bíblica desta noite. Durante a leitura foram mostrados slides por cima do harmônio, em sua maioria reproduções dos grandes mestres. Depois a Sra. Louise D´Artell cantou com uma voz linda de contralto[256] ‘Abram as portas do Templo’. Logo após a Sra. Augusta Foss Heindel falou sobre o objetivo do trabalho e a necessidade de envolvimento pessoal; seguida por uma maravilhosa seleção musical na flauta pelo Sr. Moro, onde todos se prepararam para a prece silenciosa que foi acompanhada pelo solo na cítara de Eugene Miller. Depois disto todos cantaram ‘Oh, pequena cidade de Belém’, seguido da palavra de fechamento da Sra. Augusta Foss Heindel e as pessoas se retiraram em silêncio, enquanto a organista tocava suavemente.

O Templo ainda não estava inteiramente pronto, porque a encomenda das janelas, que já havia sido feita em setembro, ainda não tinha sido entregue. Contudo, chegou alguns dias após o Natal. Então foram colocados os lindos vitrais, e também a iluminação central de teto.

O Sr. Camille Lambert, um artista de Lille, França, enviou doze quadros a óleo para Mount Ecclesia para serem colocadas nas doze paredes acima dos vitrais. Estes quadros representam os doze Signos do Zodíaco. O Signo de Leão, que foi colocado acima do Altar, é um maravilhoso nascer do Sol com um esplêndido e pacífico leão que está deitado vigiando atentamente. Touro tem um lindo touro numa pastagem com árvores a florir na primavera. O Signo de Aquário, o aguadeiro, fica acima da porta de entrada.

Os bancos são de um branco puro. Nas extremidades laterais e no centro está o símbolo de um Signo em dourado. Cada Probacionista ou Discípulo deve se sentar no banco onde marca seu Signo solar. Estes bancos devem manter o mesmo lugar enquanto estiverem dentro do Templo. A grande cadeira de braços, onde a pessoa que vai fazer a leitura se senta, tem acima no encosto, um leão pintado de dourado. O piso é pintado de linóleo verde e o tapete marrom fica no piso do altar.

Alguns homens que ajudaram na construção do Templo ficaram tão entusiasmados com Mount Ecclesia que queriam permanecer lá. Contudo, havia uma falta grande de acomodações, tanto para funcionários como para visitantes, e também não havia dinheiro para construir mais. Havia sobras de madeira das estalagens que foram usadas para fazer o teto da Ecclesia. Por isto foi decidido que na casa “Ecclesia Cottage”, onde primeiramente a família Grell havia morado, iria ser construído mais um andar. O piso e a fundação eram firmes o bastante para tal.

Este andar foi finalizado pelo lado de dentro com painéis de madeira e na parte exterior com telhas que cobriam a maioria das tábuas reutilizadas. Depois ligaram o encanamento da água e assim esta casa tinha, no andar de baixo, seis quartos para os cavalheiros e no andar de cima sete quartos para as damas.

Nesse meio tempo o trabalho continuava, mas um ponto fraco que permanecia eram as acomodações. Como os funcionários aumentavam em número e a quantidade de visitantes, também, aumentava constantemente, precisava ser feito alguma coisa para fornecer a estas pessoas uma acomodação decente. Novamente foi solicitado o auxílio do Sr. Lester A. Cramer, que desenvolveu um alojamento moderno com vinte quartos, dos quais oito tinham banheira no quarto. A construção de um prédio assim demandava altos custos e, também, existia o medo de não se conseguir finalizar a obra. Felizmente o banco de Oceanside estava disposto a emprestar US$ 7.000,00, que foram liquidados em dois anos.

Em julho de 1922, a Sra. Maria Lange, de Los Angeles, faleceu com a idade de sessenta e oito anos. Devido a sua saúde ela tinha se mudado para Mount Ecclesia no início de 1920, onde permaneceu até falecer; ela trabalhava nas atividades domésticas[257].

Na quinta-feira, dia 7 de agosto de 1923 às 16:24 horas, foi inaugurado o terreno ao lado do Ecclesia Cottage. O Prédio – de princípio denominado ‘dormitório’, depois Guest Hall e por fim Rose Cross Lodge – foi construído de forma simples, ‘estilo missionário’ e tinha as medidas de 10,67 por 25 metros. Tinha um andar superior e foi feito com tijolos vazados que foram rebocados do lado de dentro e de fora. O custo total foi de US$ 15.000,00. No primeiro andar foi construído uma marquise, que por causa do tamanho serviria como sala de reunião para os encontros. Antes disso o refeitório era utilizado para este fim, mas parecia atrapalhar aqueles que trabalhavam na cozinha.

Neste período Mount Ecclesia recebia a eletricidade, gás e água da ‘San Diego Gas and Electric Company’ e as dificuldades neste setor ficaram para sempre no passado. Também o fornecedor de gelo, o verdureiro e padeiro estavam dispostos a entregar os produtos em Mount Ecclesia. Uma outra melhoria foi a estrada que, da Rodovia, vinha até a Sede Central.

Neste mesmo ano de 1923, o vizinho do lado leste do terreno vendeu alguns pedaços de terra. Para proteger Mount Ecclesia daquele lado, de outros vizinhos, conseguiram comprar, por um preço bem baixo, um lindo bosque de eucaliptos com o tamanho de 4 acres e meio.

No mesmo tempo foi construído do lado nordeste do Templo uma casa-germinada, cada uma com três quartos e uma garagem embaixo. Ganhou o nome de ‘Temple Cottage’ e era destinada aos casais: Swigart e Wilson. O Sr. Swigart e sua esposa Perl vinham de Yakima, Washington. Ele se tornou diretor geral, enquanto sua esposa ajudava no setor de cura.

Alguns meses antes o Sr. e Sra. Wilson chegaram. Harry Wilson, no setor financeiro, e Vera como secretária central. Após o falecimento do Sr. Swigart, em 1929, ele foi substituído pelo Sr. Wilson, que faleceu em 1939.

Em 1923, a Sra. Lida West, membro do Centro de Long Beach, começou a transcrever todos os livros da Fraternidade para o Braille, que foi oferecida de forma gratuita para os cegos e deficientes visuais dos Estados Unidos da América.

Em 1924, foi comprado uma nova impressora. Era uma impressora Stonemetz, com a finalidade especial de imprimir o Rays from the Rose Cross.

Também, em 1924, o Sr. Charles D. Cooper escreveu para a Sede Central uma carta onde incluía um cheque no valor de US$ 100,00, com o objetivo de comprar um órgão de tubos para o Templo. A chegada desta carta foi anunciada na revista de novembro, com a solicitação do mesmo para que os membros e amigos se juntassem a este projeto.

Um ano depois, em setembro de 1925, a Sra. Augusta Foss Heindel foi para vinte grandes cidades ao norte, leste e oeste, para dar cursos e Palestras. Pouco antes de sua partida, Max Heindel apareceu para ela e disse que assim que fosse financeiramente possível precisavam começar a construção de uma escola infantil, para que fosse inaugurada antes de 1930[258].

Em 1925, aumentou mais um pouco o terreno de Mount Ecclesia. Este se ligava ao pedaço adquirido em 1923, do bosque de eucaliptos. Neste mesmo ano foi montado – devido a intenso pedido – um curso complementar de 14 lições dos Ensinamentos Rosacruzes; alguns anos depois ainda foram acrescidos mais 7 lições neste curso.

Alguns anos antes já haviam iniciada a impressão das lições que, mensalmente, Max Heindel enviava aos estudantes. Estas lições foram compiladas em cinco livros diferentes, a saber: A Teia do Destino [1920]; Ensinamentos de um Iniciado [1927]; Coletâneas de um Místico [1922]; Os Mistérios das Grandes Óperas [1921]; Maçonaria e Catolicismo [1914], e uma brochura: A Interpretação Mística do Natal [1920].

Na revista de janeiro de 1926 foi anunciado que o Livro Cartas aos Estudantes também iria ser publicado no formato de livro, enquanto uma brochura de 24 páginas, das mãos da Sra. Augusta Foss Heindel, chamado: Evolução no ponto de vista Rosacruz, também publicado.

Na primavera de 1926 o Sr. E. W. Ogden doou à Sede Central um canteiro de cactos que foi comprado por ele e o Sr. Charles Swigard, em Pasadena.

Devido ao fato do Sr. Heindel ter aparecido para sua esposa em agosto de 1925 com a solicitação de que a Escola infantil fosse construída assim que fosse financeiramente possível, ela procurou os meios para conseguir isto[259]. Uma doação do casal J. C. Jenssen fez com que a construção fosse possível. Em setembro de 1926 a Escola Infantil foi inaugurada e oferecia lugar para vinte crianças entre a idade de quatro e sete anos. No início havia tanto interesse, que foi feita uma lista de espera, mas depois, quando no início da década de trinta chegou a crise, o interesse diminuiu; por este motivo a Escola foi fechada em 31 de março de 1931. Pouco depois da inauguração da escola a Sra. Augusta Foss Heindel partiu por dez meses, até 21 de julho de 1927, para dar cursos e palestras em diversos centros da América do Norte.

Na primavera de 1927 foram construídas duas casinhas para acomodar estudantes que vinham para Mount Ecclesia durante a Escola de Verão, oferecendo acomodação mais barata que na Rose Cross Lodge. Essas casinhas foram construídas ao longo de uma estradinha lateral que saía da Ecclesia Drive e circundava o jardim. Naquele tempo tinham incluindo as construções grandes e pequenas, construídas desde a inauguração, um total de trinta e dois prédios.

Um dos membros, o Sr. J. C. Stroebel, diretor da Estação de Rádio W. W. V. A. em West Virginia, ofereceu, na primavera de 1928, um tempo gratuito para a Fraternidade, para dar conhecimento aos ensinamentos em escala maior. O Presidente do Centro de Nova York, o Sr. Theodore Heline, deu uma apresentação na rádio do dia 15 a 19 de abril às 12:00 horas e às 19:30 horas. Era o mesmo Heline que depois se casou com uma membra da Fraternidade Rosacruz: Corinne Smith Dunklee[260]. Durante a vida de Max Heindel essa jovem senhora escreveu lindos artigos bíblicos. Por conselho de Max Heindel ela escreveu, mais tarde, com ajuda do marido, um curso bíblico sistemático em formato de livro[261].

No dia 23 de julho de 1965, em homenagem ao centenário do nascimento de Max Heindel, foi feito um banquete em Mount Ecclesia, onde a Sra. Heline fez uma homenagem a Max Heindel. Aqui segue a maior parte de seu discurso: “Prezados amigos, meu coração canta porque posso estar com vocês aqui hoje neste evento e posso fazer minha pequena homenagem ao nosso querido Max Heindel. Eu quero contar a vocês sobre o primeiro dia que estive com esse homem maravilhoso. Para contar isso preciso brevemente contar a minha história. Talvez vocês já desconfiaram que, devido ao meu sotaque, nasci no interior do Sul e sempre vivi lá. Eu era filha única e em minha juventude adorava a minha querida mãe. Ela sempre foi a minha fada-princesa. Ela era muito fraca e eu sempre tive medo de perdê-la um dia. Por isto eu tomei a decisão que se ela se fosse, eu tiraria a minha vida e a seguiria. Vocês entendem que eu não sabia nada sobre Renascimento e da Lei de Causa e Consequência. Eu procurava por respostas as perguntas que não sabia formular. Eu não sabia exatamente o que estava procurando e, portanto, não tinha a menor ideia de onde encontrar a resposta. Como vocês sabem o Sul é muito ortodoxo e conservador. Contudo, eu sabia que em algum lugar encontraria respostas mais corretas sobre as perguntas da vida e morte, do que a ortodoxia me dava, e estava convencida a encontrar estas respostas. Neste meio tempo minha mãe foi ficando cada vez mais fraca e eu tinha um medo constante de perdê-la. Alguns meses antes da sua última doença uma amiga me ligou e contou que havia encontrado um novo livro maravilhoso e estava convencida que era exatamente o que eu estava procurando todo esse tempo. Naquela mesma tarde fui à casa dela, e como vocês devem desconfiar, o livro era ‘O Conceito Rosacruz do Cosmos’.

Quando vi a imagem da Rosacruz na capa e li que nós mesmos, pela nossa vida pessoal, devemos aprender a transformar a rosa vermelha em branca, eu sabia que finalmente havia encontrado a mim mesma. Naquela noite, antes de ir dormir, a encomenda para este livro maravilhoso estava na caixa do correio, a caminho de Oceanside. Contei os dias para a chegada da encomenda e justamente neste período o médico veio dizer que minha mãe deveria fazer uma operação muito perigosa. Por isto eu vivia todos os dias com este livro. Eu dormia com ele embaixo do meu travesseiro, pois este livro parecia ser o único consolo que eu encontrava nesta vida.

Após a cirurgia o médico me contou que não havia mais esperança; que ela viveria mais alguns meses.

Eu permaneci fiel a meu livro. Então veio num certo dia um pensamento estranho em minha cabeça. Eu deveria tirar a minha vida e seguir a minha mãe, como eu havia planejado todos esses anos, ou deveria ir para Oceanside e dedicar a minha vida aos ensinamentos de Max Heindel? A pergunta já continha sua resposta. Eu tomei a decisão e dez dias após o falecimento da minha mãe eu tomei o trem, ‘O Conceito Rosacruz do Cosmos’ embaixo do meu braço, a caminho da Califórnia e de Max Heindel. Ele parecia ser o único consolo na face da terra para a minha tristeza.

Oh! Eu gostaria de descrevê-lo de forma justa de como eu o vi naquele primeiro dia aqui em Mount Ecclesia. Ele veio de braços abertos em minha direção e seu rosto atraente estava iluminado de ternura, simpatia e compaixão. Vocês devem saber que eu nunca havia tido contato pessoal com ele. Eu só o conhecia através do seu livro. Vocês conseguem entender minha surpresa e perplexidade quando ele pegou minhas mãos e ternamente disse: ‘Minha criança, estive muitas vezes com você, tanto durante o dia quanto à noite, durante esta prova tão difícil que você acabou de deixar para trás. Eu sabia que quando terminasse, você viria até mim. De agora em diante você sempre trabalhará neste meu projeto’.

Isto, amigos, foi um dia muito importante na minha vida. Este foi o dia que me entreguei inteiramente à vida espiritual e ao Ensinamento Rosacruz. Era meu direito conhecer este homem tão sábio e ser instruída sob sua liderança. Eu sempre considerei estes cinco anos como os mais bonitos e espiritualmente frutíferos anos da minha vida. Eu gostaria de estar em condições de descrever este homem maravilhoso, como eu o conheci. Quando penso em suas qualidades admiráveis; a qualidade que eu mais admirava nele era sua total humildade. Enquanto ele sempre, onde possível, queria ajudar e ser útil, ele sempre manteve a pessoa de Max Heindel apagada. Enquanto eu observava esta sua total dedicação a uma vida simples, eu pensava muito nas palavras de Cristo: ‘De mim mesmo eu nada sou; é o Pai que faz as obras! ’.

Queridos amigos, eu acredito que Max Heindel demonstrava a simbiose perfeita do místico e do prático. As tarefas menos importantes e mais simples ele realizava com tanto entusiasmo e alegria. Se fosse necessário ele descia e ia até no estábulo para ordenhar a vaca; porque, como vocês sabem, nós tínhamos naquele tempo em Mount Ecclesia somente um estábulo e uma vaca. Ele colhia o mel, porque nós tínhamos abelhas. Ele subia nos postes de telefone para consertar um fio quebrado. Ele plantava flores no jardim, tirava ervas daninhas e buscava as verduras. Ele fazia todas as coisas simples com a mesma atenção e espírito do que quando ia para o escritório, a sala de aula ou suas Palestras, para lá partilhar sua sabedoria. Ou talvez quando ia ao encontro de seu Mestre que o orientava em seu grande trabalho.

Normalmente era seu hábito aos sábados à noite ir à biblioteca para ter um encontro de “Perguntas e Respostas”. Lá tinha uma mesa enorme que ocupava toda a largura da sala e os estudantes se amontoavam naquela mesa, com Max Heindel, em pé em frente, respondendo às perguntas. Cada estudante podia fazer uma pergunta e devia ser por escrito. Então, Max Heindel juntava as perguntas e ia respondendo uma por uma. Por observá-lo atentamente me parecia que ele sempre sabia intuitivamente quem havia feito a pergunta e ele falava diretamente para a pessoa que havia feito a pergunta. No período que eu participei desses encontros maravilhosos ele nunca fez um erro quanto a identificação da identidade de quem fez a pergunta. Ele era sempre cuidadoso e atencioso para nunca ir a pergunta seguinte sem ter certeza que aquele que fez a pergunta estava totalmente satisfeito com a resposta. Foi durante um desses encontros esclarecedores, que eu percebi, pela primeira vez, a importância que as cores e a música iriam tomar no mundo, para preparar a chegada da nova Era. Max Heindel havia anunciado que estes encontros de perguntas e respostas iriam durar uma hora. Esta hora se estendia muitas vezes para duas, duas e meia, às vezes, três horas. Eram horas tão estimulantes, que parecia que o tempo voava.

Amigos, eu gostaria de poder dizer a vocês o que Mount Ecclesia significava para Max Heindel, do jeito que eu o conheci. Quanto ele amava este lugar. Ele conhecia o destino que estava planejado para seu trabalho. Em seu tempo havia um banco embaixo do Emblema Rosacruz iluminado. Era seu costume ir lá todas as noites antes de se deitar, ficar sentado lá por alguns minutos ou uma hora em meditação ou oração, espalhando amor e bênçãos e agradecendo este solo sagrado, e a todos que aqui moravam e tão fielmente cumpriam seu trabalho.

Eu gostaria de poder descrever o alívio em seu iluminado rosto quando ele olhava com tanta dedicação e admiração para o Emblema Rosacruz iluminado, que significava tanto para ele. Nunca o incomodava o fato de nos contar as coisas maravilhosas que estão predestinadas à Mount Ecclesia.

Muitas vezes ele falava da panaceia, da qual os Irmãos da Rosacruz são os guardiões da fórmula, que discípulos merecedores poderão utilizar para curar e confortar muitos que virão do mundo todo para este local.

Ele nos contava sobre seu sonho de um lindo teatro Grego, em pensamento construído no vale abaixo da Capela, onde poderão ser apresentadas obras com mensagens espirituais e verdades ocultas como as grandes obras de Shakespeare e outros inspiradores clássicos.

Ele também via o tempo em que Mount Ecclesia teria sua própria orquestra, de estudantes que ficariam aqui. E que neste mesmo teatro iriam apresentar obras dos mestres compositores, em especial Beethoven e Wagner, pois ele sabia que eram grandes Iniciados musicais. Ele também falou que aqui teriam aulas de Iniciação Musical.

Max Heindel gostava de falar dos Irmãos Maiores e de como eles, estudando a Memória da Natureza, podiam ver séculos atrás e ver como era o mundo. Foi por esta razão, como vocês sabem, que O Conceito Rosacruz do Cosmos foi divulgado”[262].

Em 1928 o harmônio, que era o órgão utilizado no Templo, estava difícil de ser tocado, por estar muito velho. O assim chamado ‘fundo do órgão’, que foi iniciado pelo Sr. Charles D. Cooper em novembro de 1924, tinha US$ 3.800,00, e, portanto, foi decidido comprar outro órgão com este dinheiro. No início de março foi comprado por US$ 4.000,00, em Santa Monica, na “Artcraft Organ Co.” um órgão, que o organista Francis Ray indicou. Demorou quatro semanas para o órgão ser montado no local e na Sexta-feira Santa, dia 6 de abril de 1928, o órgão estava pronto para ser inaugurado.

Em agosto de 1928 surgiu o livro ‘Astrodiagnose, um guia para a Cura’ escrito por Max Heindel e sua esposa. Max Heindel também foi mencionado nesta obra como autor, porque o livro foi escrito baseado em material diagnosticado por ele. Sua esposa preencheu apenas com o conhecimento dela do horóscopo, que ela utilizava para este fim. O ‘Conceito Rosacruz do Cosmos’, que logo após seu surgimento já extrapolou as divisas dos Estados Unidos da América foi, ao correr dos anos, traduzido para vários idiomas, assim como outras obras da Fraternidade. Isto teve como consequência que em Mount Ecclesia chegavam com frequência solicitações de cursos por escrito tanto da Filosofia quanto de Astrologia na língua do solicitante. Por este motivo foram contratadas secretárias internacionais e em 1925 eram cinco: duas espanholas, uma holandesa, uma alemã e uma francesa.


[1] N.T.: Boston, EUA

[2] N.T.: Trecho dos primeiros 4 capítulos do Livro Maçonaria e Catolicismo de Max Heindel – Fraternidade Rosacruz

[3] N.T.: Mt 13:55 e Mc 6:3 – tekton na Bíblia é traduzido como carpinteiro.

[4] Essa conclusão foi tirada do Assertio Fraternitatis R.C. quam Rosae vocant a quodam fraternitatis eius sócio carmine expressa, assinado por B.M.I. Frankfurt 1.614, dados que aparecem nas anotações de Max Heindel e pesquisa própria.

[5] N.T.: Fraternidade Rosacruz em Oceanside, Califórnia, chamado Mount Ecclesia.

[6] N.T.: Max Heindel – Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas Vol. 2 – Pergunta nº 134

[7] N.T.: Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Cap. XIX.

[8] N.T.: Do Livro Conceito Rosacruz do Cosmos – “O Cristão Rosacruz” – Max Heindel

[9] N.T.: Do Diagrama 2 do Livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel

[10] Todas as informações são de Walter Hagen, “Magister Simon Studion”, em Max Miller e Robert Uhland – Schwabische debensbiderband 6, Stuttgart 1.957, pág. 86-100.

[11] A interdição do acesso às ordens sacerdotais a quem tenha certos defeitos físicos é comum tanto às principais Igrejas Cristãs como à Maçonaria. As antigas Constituições desta última, em língua francesa, enumeram os sete interditos da letra B, ou as sete categorias de pessoas que não são passíveis de Iniciação: (1) Gago; (2) Bastardo; (3) Zarolho; (4) Estrábico; (5) Coxo; (6) Corcunda; (7) Libertino, devasso.

[12] N.T.: Veja os Livros: Filosofia Rosacruz Perguntas e Respostas – Volume 1 – Pergunta nº 126 e Conceito Rosacruz do Cosmos – Cap. XIX.

[13] A.A. Santing. “De historische Rozenkruisers en hun verband met de vrymetselary” (NT: A história dos Rosacruzes e sua relação com a Maçonaria) uma revista trimestral de 5 de abril de 1930 até 1932. Depois impresso em forma de livro com o título: De historische Rozenkruisers per A.A. W Santing, Amsterdam sem ano pág. 108.

[14] Para uma visão completa daquele tempo veja: Die Utopie einer Christlichen Gesellschaft; Johann Valentin Andreae (1586-1654) parte 1. Stuttgart – Bad Canmstatt 1978, pág. 15-22. Também G.H.S. Snoek. De Rosenkruisers in Nederland; principalmente no início do século 17, pág. 5-8.

[15] Gilly, Carlos. Adam Haslmayr; Der erste Verkunder der Manifeste der Resenkreuze (NT: o primeiro manifesto dos Rosacruzes conhecido), Amsterdam: em de Pelikaan, 1994, pág. 32. Ver também: Cimelia Rodostanrotica; Der Rosenkreuzer im Spiegelder zwischen 1610 und 1660 enstandenen Handschriften und Drucke, catálogo de uma exposição da Biblioteca Philosophica Hermetica, Amsterdam e a Duke August Library in Wolfenbuttel: em de Pelikaan, 1995. Isso foi arranjado por Dr. Carlos Gilly, bibliotecário da primeira biblioteca mencionada, que desde 1985 trabalha numa “Bibliografia dos Rosacruzes”, multipartida, que compreenderá cerca de 1700 títulos, e este catálogo pode ser considerado o seu precursor.

[16] O próprio Haslmayr diz que no seu quinquagésimo aniversário ele se tornou presidiário do Presídio de St. Georgii. Isto foi no dia 31 de outubro de 1612, portanto, ele nasceu no dia 31/10/1562, conforme o calendário Juliano, o sistema antigo. Veja Gilly, Cimelia Rhodostaurotica, pág. 34. Conforme o novo sistema, o Calendário Gregoriano, o sistema atual era 10 dias depois, portanto, em 10 de novembro de 1562. A Áustria começou a utilizar o novo sistema por volta de 1584. Veja C.C. de Glopper-Zijderland, In tijd gemeten; Inleiding tot de chronologie (NT: A medição do tempo; Prefácio até cronologia), Den Haag 1999, pág. 17.

[17] Estas informações adicionais são de Schneider, Walter. “Der Schlern”, I. Innsbruck, 1996, Adam Haslmayr, ein Bozener Schulmeister, Musiker und Theosoph, PP. 42-51.

[18] Britisch Museum, London NR 19 JY 62

[19] J. Siebmachers großes und allgemeines Wappenbuch, IV, 5, rewritten by A. von Starkenfels, Nuremberg: 1904, pág. 105.

[20] N.T.: A arte espagiria significa: arte hermética, alquimia, arte de separar e unificar.

[21] Veja uma biografia curta em: Paulus, Julian “Alchemie und Paracelsus um 1600, Siebzig Portrats” em Telle, Joachim. Analecta Paracelsica, Stuttgart: Franz Steiner, 1994, PP. 335-342. Ainda: Hoppe, Gunther. “Zwischen Ausburg und Anhalt. Der rosenkreuzerische Briefwechsel dês Augsburger Stadtarztes Carl Wiedemann mit dem Plotzkauer Fursten August Von Anhalt” in Historische Verein fur Schwaben, Band 90, Augsburg 1997, pp. 125-157.

[22] N.T.: A abominação da devastada raça humana

[23] Antwort an die lobwurdige Bruderschafft der Theosophen Von Rosen Creutz N.N. von Adam Haslmayr – Resposta muito apreciada à Fraternidade de Teosóficos dos Rosacruzes.

[24] Gilly, Adam Haslmayr. Pág. 60

[25] Gilly, Adam Haslmayr. Pág. 34

[26] Gilly, Adam Haslmayr. Pág. 159

[27] Biblioteca Universitária Salzburg, MS MI 463, pág. 1-35, numa coletânea de informações R.C. das antigas possessões do advogado Christoph Besold. Como dito acima, infelizmente, faltam algumas páginas do manuscrito que, comparados com a primeira impressão da versão do Fama de 1615 de Kassel, correspondem às págs. 8 (parcialmente), 9-12 e 13 (parcialmente) e 33 (parcialmente) até 38 (parcialmente). Este texto contém frases e a forma correta de se escrever algumas palavras, conforme Gilly, Johann Valentim Andreae 1586-1986, catálogo de uma apresentação na Biblioteca Philosophica Hermetica, Amsterdam 1986, pág. 25-29. Veja, também, Pleun van der Kooij, Fama Fraternitatis. Het oudste manifest der Rozenkruisers Broderschap, bewerkt aan de hand van teruggevonden manuscripten, ontstaan voor 1614 (NT: o manifesto mais antigo da Fraternidade Rosacruz, trabalhado conforme manuscritos antigos encontrados e escritos antes de 1614), Haarlem 1998, pág. 11.

[28] Veja Julian Paulus, “Alchemie und Paracelsismus um 1600, Siebzig Portrats” in Joachim Telle, Analecta Paracelsica, Stuttgart 1994, pag 364. Também: Gilly, Cimelia Rhodostaurotica, pag 46-47. Também: Richard van Dulmen, Die Utopie einer christlichen Gesellschaft, Johann Valentin Andreae (1586-1654), Stuttgart-Bad Cannstatt 1978, pag 56-58. E Pleun van der Kooij, Fama Fraternitatis, pag 19. A Igreja Católica Romana no Sul da Alemanha começou a seguir o calendário Gregoriano à partir de 14/11/1583. O novo sistema ou calendário atual. Os protestantes somente em 15/11/1699. Hess, Andreae e Mogling eram luteranos. As datas do século 16 e 17 devem ser considerados 10 dias depois. Para evitar confusões todas as datas foram transpostas para o calendário atual.

[29] O 20º domingo da trindade é o 20º domingo após Pentecostes e coincide com 11 de outubro (respectivamente 21 de outubro no sistema atual) veja C.C. de Glopper-Zuiderland, In tijd gemeten (N.T.: Medindo no tempo), pág. 66-72.

[30] Julian Paulus, Alchemie und Paracelsismus um 1600, pag. 364 fala “funf sohne und funf tochter” (N.T.: cinco filhos e cinco filhas), portanto, 10 crianças. Aqui ele cita a certidão de óbito de Tobias Hess. Contudo, numa página do arquivo da Biblioteca Universitária de Tubingen que me foi fornecida pelo Dr. Gilly em 9/1/2000 com a constituição familiar de Hess, são citados 12 filhos com nome e datas de nascimento e falecimento, 6 rapazes e 6 garotas.

[31] Hans Schick, Die Geheime Geschichte der Rosenkreuzer, Ansata-Verlag, Schwarzenburg, Suíça 1980, pág. 107. É uma tese defendida em Estrasburgo em março de 1942, publicado em Berlim com o título Das altere Rosenkreuzertum; ein Beitrag zur Entstehungsgeschichte der Freimaurerei. Em 1984 apareceu uma edição fac-símile em Bremen-Huchting. Veja também, Utopie einer christlichen Gesellschafft pág. 56-59 e Paulus, Alchemie und Paracelsismus um 1600, pág. 364.

[32] N.T.: Quiliasmo: o mesmo que “milenarismo”. É a crença de que haverá no futuro, de acordo com o Apocalipse, um período dourado de 1000 anos que será regido por um governo divino.

[33] Brecht, Martin “Quiliasmus in Wurttenberg im 17, Jahrhundert” In Augsgewahlte Aufsatze, Band 2: Pietismus, Stuttgart: Calwer Verlag 1997, pág. 124 em diante.

[34] Gilly, Cimelia Rhodostaurotica, pág. 1

[35] Max Heindel precisava divulgar o conhecimento da Filosofia Rosacruz dentro do primeiro decênio do século 20. Veja Heindel, Leeringen van een Ingewijde (N.T.: Ensinamentos de um Iniciado), Haarlem 1931, pág. 115, 117.

[36] Fama Fraternitatis R.C., Kassel 1615, in Adolf Santing. De manifesten der Rozenkreusers, Amesfoort 1930, pág. 22, 26 e 29.

[37] Heiner Borggrefe, “Moritz der Gelehrte als Rosenkreuzer und die General-reformation der gantzen Welt” em: Moritz der Gelehrte; Ein Renaissancefurst in Europa. Begleitpublikation aus Anlass der Ausstellung in Lemgo, 1997 und Kassel 1998, pág. 339-344. Heiner Borggrefe, “Die Rosenkreuzer und ihr Umfeld” em: Moritz, etc. pág. 345-356. Bruce Th Moran, “Moritz von Hessen und die Alchemie” em: Moritz etc. pág. 357-360. Heiner Borggrefe, “Alchemie und Medizin” em: Moritz etc. pág. 361-369.

[38] Gilly, Adam Haslmayr. Veja também: Gilly, Cimelia Rhodostaurotica, pág. 30-39. Veja para a biografia de Guaranoni: Anton Dorrer, Franz Grass, Gustav Sauser und Karl Schadelbauer, “Hippolytus Guarinonius (1571-1654). Zur 300 Wiederkehr seines Todestag, Mit 17 Abbildungen” em: Schlern-Schriften, nr. 126, Herausgeber R. Klebelsberg, Innsbruck 1954.

[39] Da mesma forma que ocorreu com Tobias Hess também com Andreae e todas as outras datas foram transpostas para o Calendário Gregoriano, o novo estilo ou calendário atual.

[40] R. van Dulmen, Utopie, pág. 59

[41] N.T.: Casamento químico: Cristian Rosenkreuz. Ano 1459

[42] Veja o Adendo 12, Mapas Natais

[43] R. Kienast, Johann Valentin Amdreae und die vier echten Rosenkreutzer-Schriften, Leipzig 1926, pág. 139-142.

[44] R. Dulmen, Utopie. Pág. 65. Veja para melhor análise de Chymische Hochzeit: Regine Frey-Jaun, Die Berufung dês Turbutters, Zur “Chymische Hochzeit Christiani Rosencreutz” vom Johann Valentin Andreae (1586-1654), Bern 1989 e Heleen M. E. de Jong. ‘The Chymical Wedding in the Tradition of Alchemy’ em Das Erbe dês Christian Rosenkreutz, Johann Vanlentin Andreae 1586-1986 und Manifeste der Rosenkreuzerbruderschaft 1614-1616, Vortrage gehalten anlasslich des Amsterdamer Symposiums 18-20 November 1986, Amsterdam 1988, pág. 115-142.

[45]  Em 1781 F. Nicolai de Berlim publicou uma coletânea com o Fama, Confessio e Chymische Hochzeit. ‘Nicolai escreve em seu Versuch uber die Beschuldigungen, welche dem Tempelherrn-Orden gemacht worden, und uber dessen Geheimniss, etc. (Berlim 1782) que Andreae é o autor de Allgemeine Reformation, o Fama e o Chymische Hochzeit e quando em 1799 apareceu a tradução em alemão feita por Seybold do Vita (autobiografia) de Andreae, onde reconhece que foi o autor de Chymische Hochzeit, confirmando assim as suposições de Nicolai. Veja Santing, Historische Rozenkruisers, pág. 95. A partir daí o Chymische Hochzeit também é considerado um manifesto dos Rosacruzes.

[46] Gilly, Cimelia Rhodostaurotica, pág. 49

[47] Tradução em holandês do original em Latim retirado da Biblioteca Philosophica Hermetica de Amsterdam.

[48] Martin Brecht, ‘Recht und Programm eines Reformes zwischen Reformation um Moderne’ em: Ausgewahlte Aufsatze, Band 2, Pietismus, Stuttgart 1979, pág. 47-48 e as notas 44-48 pág. 105: Conforme o livro de Andreae: De Christiani Cosmoxeni genitura Judicium, 1615, em 2 e 705-733. Seu Invitationes Fraternitatis Christi, parte 1, 1617 pág. 475-501 e 2, 1618, pág. 117-167. Seu Menippus, 1617, na última parte ‘Institutio mágico pro curiosis’ pag 237-279, no Theca pag 518-560, e também no seu Veri christianismi solidaeque philosophiae libertas, 1618, pág. 367-452.

[49]  Gilly, Cimelia Rhodostaurotica, pág. 49.

[50] Gilly, Cimelia, pág. 73 diz que August Von Anhalt recebeu de Karl Widemann uma cópia do manuscrito do Confessio em agosto de 1614 que pertencia a M.L.H. Borggrefe, ‘Moritz der Gelehrte als Rosenkreuzer und die Generalreformation der gantzen weiten Welt’ ´prova na pág. 341 que M.L.H. também M.L.z.H. são as iniciais de ‘Moritz Landgravius Hassus’, Moritz Von Hessen, também chamado de Moritz o sábio. A conclusão que o Confessio circulava como manuscrito, foi deduzido por Santing em Manifesten, pág. 25-26, pelo fato que Gotthardus Arthusius de Danzig, mestre no Gymnasium (Escola Secundária) de Frankfurt escreveu seu ‘Antwort’ (NT: Resposta) datado do ‘finais de novembro de 1614’. Contudo, também pode ser, como diz Santing, o que naquele tempo acontecia, que o ano seguinte era registrado na página de título ou que Arthusius viu as provas de impressão do Kassel de 1915.

[51] Gylli, Cimelia, pág. 49

[52] R.van Dulmen, Utopie, pág. 224, anotação 16.

[53] Wolf-Dieter Otte, ‘Ein Einwand gegen Johann Valentinn Andreaes Verfasserschaft der Confessio Fraternitatis R.C.’ in Wolfenbutteler Beitrage; Aus den Schatzen der Herzog August Bibliothek, Herausgegeben Von Paul Raabe, Band 3, Frankfurt am Main 1978, pág. 103.

[54] R. van Dulmen, Utopie, pág. 93

[55] Regine Frey-Jaun, Die Berufung der Turbuters. Zur ‘Chymischen Hochzeit Crhiani Rosencreutz’ von Johann Valentin Andreae (1586-1654), Bern 1989.

[56] Adolf Santing diz no De historische Rozenkruisers, pág. 99-100, que o Assertio é um verdadeiro manuscrito dos Rosacruzes

[57] As informações sobre o Assertio vieram de: Santing, De Historische Rozenkruizers, pág. 267-270. Veja para Raphael Egli(nus): Manuel Bachmann e Thomas Hofmeier, Geheimniste der Alchemie, Bazel/ Muttenz 1999, pág. 233-242. Catálogo com o mesmo nome guardado em Basel, St. Gallen e Amsterdam na Biblioteca Philosophica Hermetica.

[58] Veja Adendo 1: Fama Fraternitatis R.C., Confessio Fraternitatis R.C. e Assertio Fraternitatis R.C.

[59] Veja Adendo 12: Mapas Natais, o mapa natal de Andreae.

[60] As informações bibliográficas vieram de Ulrich Neumann, ‘Olim, da die Rosen-Creutzerij noch florist, Theophilus Schweighart gennant, Wilhelm Schickards Freund und Briefpartner Daniel Mogling (1696-1635) em Friedrich Seck, Heraugsgeber, Zum 400. Geburtstag von Wilhelm Schickard, Sigmaringen 1995, pág. 93-115. Veja também Neue Deutsche Biographie, Band 7, pág. 613-614.

[61] Daniel foi batizado em 4 de maio de 1596. Também aqui todas as datas foram atualizadas pelo sistema atual, ou seja, calendário gregoriano.

[62] Neumann, Daniel Mogling, pág. 103,104

[63] R. van Dulmen, Utopie, pág. 227, anotação 21

[64] Neumann, Daniel Mogling, pág. 104

[65] Adendo 10, Símbolos, veja: a Het Collegium Fraternitatis

[66] [Pseudo] Theophilus Schweighardt [Friedrich Grick] Menapius, Rosae Crucis, Das ist Bedencken […], Z. pl. [Nurnberg] 1619. Veja Neumann, Olim, da die RosenCreutzerij noch florist, Theophilus Schweigart genannt, pág. 107.

[67] Confessio, Kassel 1615, pág. 80

[68] Francis Bacon, Het Nieuwe Atlantis. Traduzido, introduzido e providenciado com anotações por A.S.C.A. Muijer, Baarn 1988. Veja Santing, De historische Rozenkruisers, pág. 76 e Frances A. Yates, The Rosicrucian Enlightenment, Londres e Boston 1972, pág. 125-129.

[69] Karin Figala, Ulrich Neumann, ‘Ein Fruher Brief Michael Maiers (1568-1622) an Heinrich Rantzau (1526-1598), Einfuhrung, lateinischer Originaltext und deutsche Ubersetzing’ in Festschrift fur Helmut Gericke (Reihe ‘Boethius’, Band 2) Stuttgart 1985, pág. 327-357. Veja também Neue Deutsche Biographie, Dl. 15, pág. 703-704 e K. Figala e U. Neumann, ‘Author, cui nome Hermes Malavici. New Light on the bibliography of Michael Maier (1569-1622)

[70] Maier era luterano, portanto protestante. Como Maier circulava tanto em ambiente protestante como católico não ficou claro qual o calendário utilizado por ele. Portanto as datas, neste caso, não foram alteradas.

[71] J.B. Craven, Count Michael Maier, Dortor of Philosophy and of Medicine, Alchimist, Rosicrucian Mystic, 1568-1622. Life and Writings, Kirkwall 1910, reprinted 1968, London, pág. 65-67.

[72] Michael Maier, Laws of the Fraternity of the Rosie Crosse (Themis Aureae), Fac-símile reimpresso do original em inglês da edição de 1656, Los Angeles 1976; Craven, M. Maier, pág. 98-104.

[73] William H. Huffman, Robert Fludd and the end of the Renaissance, London en New York 1988, pág. 4-14. Veja também J. B. Craven, Dotor Robert Fludd (Robert du Fluctibus), The English Rosicrucian, Life and Writtings, Kirkwall 1902, reprint z.p. [Amsterdam] z.j.

[74] Robert Fludd, alias de Fluctibus, Utrisque Cosmi Historia , Tractatus secundus, DE NATURAE SIMIA SEU Technica macrocosmi historia. Oppenheim, 1618. Tratado 2, capítulo 6, parte 1. O texto em inglês pode ser encontrado em: Jocelyn Godwin, Robert Fludd, Boulder 1979, pag 6. A tradução francesa da segunda edição é de Pierre Piobb, Robert Fludd, Etude Du Macrocosme, Traite d´Astrologie Generale (De Astrologia), Paris 1907, onde o texto se encontra no livro 6, pág. 258-260.

[75] N.T.: por vezes grafado como Jacob Boehme

[76] Abraham Von Frankenberg, ‘Ausfuhrlicher Bericht’, em J. Böhme, Samtliche Schriften, Band 10, Stuttgart 1961, pág. 20-21, 27

[77] Will-Erich Peuckert, Die Rosenkreuzer, Jena 1928, pág. 288. Para uma descrição completa e documentada veja: Ernst-Heinz Lemper, Jakob Bohme, Leben und Werk, Berlim 1976. Também Gerhard Wehr, Jakob Bohme, Rohwohlt, Reinbek perto de Hamburgo 1971.

[78] Johann Georg Gichtel, Theosophia Practica (1º edição 1696), Swarzenburg 1979, com um prefácio de Agnes Klein. Prefácio pag 7-8. Veja também: Bernard Gorceix, Johann Georg Gichtel, Theosophe d´Amsterdam, Bordeaux 1974.

[79] C. W. Leadbeater, De chakra´s, Amsterdam z.j., pág. 40

[80] Seu batismo foi registrado, mas seu nascimento é incerto. Veja: Le Folklore Brabançon, 13º ano, nr 75-76. Dez 1933 e fev 1934. Número dublo inteiramente devotado a J.B. Helmont. Paul Neve de Mevergnies, Jean Baptiste van Helmont, philosophe par Le feu. Faculte de Philosophie et Lettres, Luik 1935.

[81] J.B. Helmont, Ortus Medicinae, Amsterdam 1648

[82] Snoek, Rozenkruisers, pag 96-100. Outra literatura consultada: M. Louis Stroobant, M. Nauwelars, M. Behaeghel, “J. B. van Helmont”, em Le Folklore Brabançon, dezembro 1933 e fevereiro 1934. Walter Pagel, Jo. Bapt. Von Helmont, Einfubrung in die philosophische Medizin dês Barocks, Berlim 1930. Paul Neve de Mevergnies, Jean-Baptiste von Helmont; Philosophe par le feu, Paris e Luik 1935.

[83] Veja para as datas: Milada Blekastad, Comenius Versuch eines Umrisses vom Leben, Werk und Schicksal des Jan Amos Komensky. Oslo 1969, pág. 16.

[84] Rozekruis Pers, Haarlem 1993. Literatura consultada: Milada Blekastad, Comenius.

[85] Ver a edição de Weimar, 1980, volume 16, pág. 436-437.

[86] Sammtlichte Werke de Goethe, em quarenta volumes. Segundo volume. Stuttgart e Augsburg: F. G. Cotta, 1855, pág. 360-363.

[87]  A tradução portuguesa segue a tradução direta do alemão feita por Raul Guerreiro, um dos fundadores do Centro Rosacruz da Fraternidade Rosacruz em São Paulo, SP, Brasil.

[88] Max Heindel, Conceito – Cap. XIX – Existem várias biografias do Conde de St. Germain, como: Isabel Cooper-Oakley, The Comte de St. Germain, Londres, 1912, reeditado em 1927. Gustav Berthold Volz, Der Graf Von Saint-Germain, Paris, 1982. Jean Overton Fuller, The Comte de Saint Germain; last Scion of the House of Rakockzy, Londres, 1988.

[89] Cooper-Oakley, após a introdução

[90] Idem, pág. 5

[91] Idem, pág. 7

[92] N.T.: moeda padrão do antigo Sacro Império Romano-Germânico

[93] Idem, pág. 135

[94] Cartas do Sr. Peter Litrup, 6/11/1972 e 12/03/1975, funcionário do arquivo de Aarhus – Landsarkivet for Norrejylland, te Viborg – Arquivo de nascimentos da Catedral Luterana de Aarjus. Veja mais no livro “Mensagem das Estrelas, horóscopo nº 3 e Adendo nº 2” de Max Heindel.

[95] Landsarkivet for Norrejylland te Viborg. Não havia mais informações em: Geheimes Staatsarchiv Preussischer Kulturbesitz em Berlim; het Evangelisches Zentralarchiv em Berlim; e no Berliner Stadt Bibliothek em Berlim.

[96] Veja nota 96.

[97] Veja nota 97

[98] Veja nota 96. Ele faleceu em 18 de janeiro de 1929 em Copenhague, na Aboulevarden 29.

[99] Veja nota 96.

[100] Veja nota 96.

[101] Veja nota 97.

[102] Veja nota 97.

[103] Carta de Staden Kobenhavns statistiske kontor, folkeregistret, Kobenhavn. O último endereço de Anna Emilie foi Godshabsvej 83, Kopenhagen.

[104] Veja nota 18. Sra. Grasshoff faleceu em 13 de março de 1916 em Kopenhagen.

[105] Revista: Rays from the Rose Cross, março de 1966, pág. 38. Ensinamentos de um Iniciado, Londres 1955, pág. 153. Manuscrito da Sra. Heindel: Memoirs of Max Heindel and the Rosicrucian Fellowship, Oceanside, 1941.

[106] Veja nota 105. A data precisa não foi encontrada.

[107] The Corporation of Glasgow, Registration of births, deaths and marriages, Glasgow. Certidão retirada do cartório de Registros, datada de 22 de outubro de 1970, do casamento entre Charles Grasshoff e Catharine Wallace.

[108] Veja nota 109. Certidão retirada do cartório de Registros datada de 21 de outubro de 1970. O nascimento da Cathy foi às 9 horas da manhã.

[109] Veja nota 109.

[110] Veja Adendo 3: Florence Holbrook.

[111] Veja nota 100: – Cunard Line Limited, Southampton, England, carta de 12 de julho de 1968. ‘Nós pesquisamos todos os nossos arquivos, mas não encontramos nenhum homem comestes dois nomes [Grasshoff/Heindel] que serviu esta companhia como engenheiro conforme descrito pelo senhor. Uma das regras de nossa companhia é que os oficiais devem ser britânicos e, portanto, pode ser o caso de o Sr. Grasshoff/Heindel ter mudado seu nome para assumir a nacionalidade britânica, isto seria necessário se fosse trabalhar em nossa empresa na categoria de Engenheiro ou Eletricista Chefe. Provavelmente encontrará mais informações sobre este homem escrevendo para Summerset House em Londres’.

– Home Office, Londres, datado de 16 de agosto de 1968. ‘Fizemos uma busca profunda nas informações de naturalização, mas uma busca pelo nome britânico de uma pessoa sob o nome de [Grasshoff/Heindel] entre os anos de 1844-1914 não trouxe nenhuma informação.

– Board of Trade, General Register and Record Office of Shipping and Seaman, Cardiff, England. Carta de 17 de novembro de 1967. ‘Sentimos muito informar que não encontramos dados sobre Carl Louis von Grasshoff em nossos registros de Oficiais Engenheiros Certificados’.

– E uma carta de 14 de junho de 1968. Nossos registros de Oficiais Certificados foram pesquisados e infelizmente não encontramos nenhuma informação sobre Max Heindel’.

[112] Superintendent Registrar´s Office, Liverpool. Certidão datada de 8 de outubro de 1970 do nascimento de Wilhelmina Catherina Anna Grasshoff.

[113] Veja nota 109 para o nascimento de Louisa Charlotte Grasshoff. Ela faleceu em 9 de julho de 1960 em Reading, por trombose no cérebro, conforme informações do Reading Public Library, Massachusetts, USA datado de 2 de janeiro de 1970.

[114]  Veja nota 14 para este nascimento. Nellie faleceu em 26 de fevereiro de 1951, em Reading, devido a um entupimento da artéria coronária, conforme um escritor do Reading Public Library, datado de 2 de janeiro de 1970.

[115] Veja nota 14 para informações das certidões de nascimento.

[116] Cartas da Sra. Wilhelmina Grasshoff e do Sr. Frank Crawford Reed, de Sudbury, Massachusetts, datado de 19 de junho de 1970 e dezembro de 1971.

[117] Veja nota 118.

[118] Lansarkivet for Sjaelland m.m., Kobenhavn; o arquivista Niels Rickelt comunicou no dia 1 de novembro de 1968 o seguinte: ‘Cathy Grasshoff, nascida Wallace, nasceu no dia 4 de janeiro de 1869 em Glasgow. Em 1897 aparece seu nome pela primeira vez como ‘esposa abandonada’. Seus endereços em Copenhague foram: 1897 1-9 de Korsgade 47 para Bangertsgade 5 em Sorensen. 1897 18-7 para Mollegade 3º andar a direita com Ruttgers. 1898 1-11 Jaegergade 10. Ela faleceu no dia 14 de outubro de 1902 no Hospital Frederiks com o endereço Jaegergade 10. A divisão da herança está no registro de heranças de Copenhague sob o nº 1900-2 afd K prot. 1ª pág. 529 nr. 912 e pág. 311. ‘A falecida morava junto com um trabalhador Carl Larsen, que, após o falecimento, saiu do apartamento. Ele pagou os custos do funeral e por isto ficou com os poucos móveis e a poupança no valor de 25 Kronen. No final do relatório consta o seguinte: (traduzido): O companheiro (Carl Larsen) acredita que o marido da falecida, Carl Grasshoff, está nos EUA’.

[119] The Boston Public Library, Census 1900 para Carl Grasshoff, via Sr. Ricardo Bianca de Mello do Brasil.

[120] Veja também nota 120, Engineering Societies Library, New York, 26 de agosto de 1968: ‘Sentimos muito dizer que não possuímos nenhuma informação a este respeito’. – Sra. Heindel; “The Birth of the Rosicrucian Fellowship; The History of Its Inception, Oceanside, dezembro de 1923, pág. 4. ‘ Entre os anos de 1895 e 1901 ele trabalhou como engenheiro consultor na cidade de Nova York’. [A primeira publicação surgiu em 1 de dezembro de 1923 e foi reeditada no Echoes de maio de 1952 até janeiro de 1953. As citações nas primeiras páginas contêm muitos erros, conforme consta de fontes oficiais].

[121] Veja nota 118.

[122] The Boston Public Library, Casamentos 10 de abril de 1895; e Censo de 1 de junho de 1900, via Sr. Ricardo Bianca de Mello, Brasil. Veja, também, nota 118.

[123] Veja nota 14. “The above children [Wilhelmina, Louisa, Nellie and Frank] went to New York on the S. S. (Significa Steam Schip; navio a vapor) Island the 7th of September 1898”.

[124] Veja nota 118.

[125] Conforme informações do Sr. J. Darrow e do próprio Max Heindel. O Sr. Theodore Heline escreveu isto em novembro de 1970.

[126] Clerk of San Diego County, San Diego, C.A., Deputy Clerk Barbara J. Kiya informou no dia 6 de novembro de 1969, cópia do testamento de Max Heindel e Augusta Foss Heindel onde se encontra esta informação.

[127] Sra. Augusta Foss Heindel, ‘The early History of the Rosicrucian Fellowship’, em Echoes from Mount Ecclesia, 1 de janeiro de 1948 até 1 fevereiro 1952.

[128] C. Jinarãjadãsa, ‘How Max Heindel came to Theosophy’, in The Theosophist Vol. 70, Nº 7, april 1949, pag 17 – “Letter from Max Heindel to Mr. C. W. Leadbeater on January 15, 1904”. Veja, também, Adendo 4: Carta de Max Heindel para Leadbeater, 1904.

[129] Carta da Sra. Olga Borsum Crellin, Venice, Califórnia em 9 de janeiro de 1970 – Veja também Adendo 5 – Sobre a casa da família Foss; veja: Leo Politi, Bunker Hill, Los Angeles; reminiscences of bygone days; Best West Publications, Palm Desert, Califórnia 1969 [3ª impressão], pág. não numerada. O livro contém outra foto da casa com uma curta descrição. O comentário que Max Heindel tenha escrito sobre astronomia é incorreta.

[130] Thomas G. Hansen, ‘Zodiacal Hierarchies’ na Rays from the Rose Cross, fevereiro 1981, pág. 72.

[131] Max Heindel, Blavatsky and The Secret Doctrine, Including an introduction by Mandy P. Hall, and a Biographical Skets of Max Heindel. 2nd ed., Santa Monica, Califórnia 1972.

[132]  Veja nota 130. O Sr. Jinarãjadãsa palestrava em Chicago em 1909. A primeira edição de seu livro foi em 1921.

[133] Veja Adendo 6: Alma Von Brandis.

[134]  Revista: Rays from Rose Cross, janeiro de 1916, pág. 18. Max Heindel fala aqui na terceira pessoa, que foi modificado na primeira pessoa do singular. Assim será todas as vezes subsequentes.

[135] Max Heindel, Livro: Teachings of an Iniciate, Oceanside 1955, pág. 154.

[136] Revista Rays from the Rose Cross, março de 1916, pág. 38,39.

[137]  Veja capítulo 4.

[138] Sylvia Cranston & Carey Williams, assistente de pesquisa: A vida extraordinária e a influência de HELENA BLAVATSKY fundadora do movimento moderno teosófico. Den Haag 1995, pág. 28

[139] Idem, pág. 195 e 224.

[140] Norbert Klatt, Theosophie und Anthroposophie, Neue Aspekte zu ihre Geschichte, oGottingen 1993, pág. 61-64

[141] Klatt, pág. 64.

[142] Deutsche Theosophische Gesellschaft, (D.T.G.)

[143] Klatt, pág. 65.

[144] Klatt, pág. 66.

[145] Internationale Theosophische Verburderung, (I.T.V.)

[146] Theosophische Gesellschaft in Deutschland, (T.G.in D.)

[147] Veja descrição completa em Klatt, 61-67.

[148] Klatt, pág. 71-72.

[149] Klatt, pág. 83. Veja, também, The Inner Group Teachings of H.P. Blavatsky, Compiled and Annotated by Henk J. Spierenburg, San Diego 1995.

[150] Klatt, pág. 84.

[151] Klatt, pág. 87-88.

[152] Klatt, pág. 83-84.

[153] Max Heindel, do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Volume II.

[154] Emmet A. Greenwalt, California Utopia, Point Loma 1897-1942. San Diego 1978, pág. 121.

[155] Veja Adendo 7: Rudolf Steiner.

[156] Pauline Martha Styczek, (1868-1945), professora de ensino para crianças. Ela foi adotada como filha por Hubbe Schleiden, em 1908.

[157] Clemens Heinrich Ferdinand Driessen, (1857-1941), Juiz de Aalten (Holanda), advogado em Schenklengsfeld e, a partir de 1901, em Witzenhausen.

[158] Norbert Klatt: Theosophie und Anthroposophie, Neue Aspekte zur ihre Geschichte, Gottingen 1993, pág. 111, anotação 422.

[159] Gunther Karl Wagner, 1842-1930, químico, fundador da Pelikan Werke em Hannover.

[160] Klatt, pág. 11, nota 422.

[161] Zur Geschichte und aus den Inhalten der erkenntniskultischen Abteilung der Esoterischen Schule Von 1904, [GA 265], Dornach 1987, pág. 93/94.

[162] N.T.: Serviço Misraim

[163] Max Heindel, Livro Maçonaria e Catolicismo.

[164] Klatt, pág. 111, note 422.

[165] Max Heindel, Conceito Rosacruz do Cosmos 2ª Edição, Chicago 1910 na re-dedicatória. Para verificação ver: Christoph Lindenberg, Rudolf Steiner, Eine Chronik, 1861-1925, Verlag Freies Geistesleben, Stuttgart 1988; pág. 263-269, novembro 1907 a março 1908.

[166] Carta de Max Heindel para Sra. Laura Bauer, datada de 14/16 de outubro de 1911. Veja Adendo 9: Troca de cartas entre Max Heindel, Laura Bauer e Hugo Vollrath.

[167] Informações recebidas oralmente de Irene Murray e Gene Sande, em abril de 1984.

[168] Max Heindel, Livro Ensinamentos de um Iniciado, Capítulo XX.

[169] Max Heindel, Livro Ensinamentos de um Iniciado, Capítulo XX.

[170] A tradição oral diz que uma carruagem aguardava Heindel na Estação. Informado por telefone pelo Sr. Harry Gelbfarb, no início de outubro de 2000.

[171] Ann Barkhurst, que em 1920 chegou à Fraternidade e que é muito bem informada, fala na Revista Rays from the Rose Cross, de abril de 1963, pág. 190-191 que o Irmão Maior que orientou Max Heindel se chamava George.

[172] Revista Rays from the Rose Cross, janeiro 1916, pág. 17.

[173] Boletim Echoes de Mount Ecclesia – The Rosicrucian Fellowship, junho 1914.

[174] Boletim Echoes de Mount Ecclesia – The Rosicrucian Fellowship, julho 1913.

[175] Veja re-dedicatória nas páginas adiante.

[176] Veja Adendo 9: Troca de cartas entre Heindel, Laura Bauer e Hugo Vollrath.

[177] Steiner, Marie, Rudolf Steiner, Marie Von Sivers, Briefwechsel und Dokumente, 1901-1925, [GA 262], Dornach 1967, pág. 123.

[178] Veja entre outros: Dr. Franz Hartmann, Ein Abenteuer unter Rosenkreuzern, Leipzig, a última (advertência) pág.: ‘Die Weltanschauung der Rosenkreuzer. In zehn Unterrichtsbriefe Von Max Heindel. Preis M. 12’

[179] Klatt, pág. 109.

[180] Klatt, pág. 113.

[181] Hans Hinrich Taeger, (Hrsg): Internationales Horoskope Lexikon, Freiburg i. Br. 1992, Band 2, pág. 873: ‘Hubert Korsch, 1883-1943, jurista, astrólogo, editor. Zenith (1930-1938)’

[182] Ellic Howe, Urania´s Children. The Strange World of the Astrologers, Londres 1967, pág. 115

[183] Max Heindel, Livro Coletâneas de um Místico, Capítulo I

[184] De fotocópia do texto original escrito à mão em Inglês. O original está na The Rosicrucian Fellowship

Headquarters, em Oceanside, CA, USA.

[185] N.T.: (traduzido para o português)

No manuscrito:

Dedicado ao meu estimado professor e valioso amigo, Dr. Rudolf Steiner e à minha mais que amiga, Dra. Alma Von Brandis, com reconhecida gratidão pela inestimável influência de crescimento anímico que exerceram na minha vida.

Na 1ª Edição: de novembro de 1909:

Ao estimado amigo, DR RUDOLF STEINER, com reconhecida gratidão pela valiosa informação recebida; e à minha amiga, Dra. Alma Von Brandis, com sentido agradecimento pela inestimável influência de crescimento anímico que exerceu na minha vida.

Na Re-dedicatória da 2ª Edição em 1910:

EM RE DEDICATÓRIA

“Do início de novembro de 1907 até final de marco de 1908, o escritor dedicou seu tempo à investigação dos ensinamentos do Dr. Steiner, que esteve ausente de Berlim praticamente todo o período. No último de seis contatos pessoais com Dr. S. o escritor mencionou que havia começado um livro sobre ocultismo; um compêndio sobre os ensinamentos do Oriente e do Ocidente.

Dr. S. exigiu que se algum dos ensinamentos por ele divulgados fosse usado, ele teria que ser mencionado como autoridade e fonte de informação. Consequentemente o escritor concordou em dedicar seu trabalho ao Dr. Steiner.

Durante janeiro, fevereiro e março de 1908, o Irmão Maior, a quem o escritor agora conhece e reverência como Mestre, apareceu algumas vezes em seu Corpo Vital e iluminou o escritor em vários pontos. Em abril e maio, após passar num teste – sem ter conhecimento do fato – o escritor foi convidado a viajar a um lugar onde se encontra o Templo da Ordem Rosacruz.

Lá ele encontrou o Irmão Maior em Corpo Denso, lá o conhecimento mais abrangente, filosófico sintético, presente neste livro – que na opinião de muitos estudantes da Inglaterra, do Continente e da América, engloba tudo o que foi ensinado publicamente sobre esoterismo no passado, além disso, muitos ensinamentos nunca antes publicados.

Portanto o manuscrito mencionado ao Dr. Steiner foi destruído, mas como o ensinamento mais completo dado pelo Irmão Maior complementa os ensinamentos do Dr. S. em muitas linhas, foi considerado melhor dedicar o livro ao Dr. S. do que parecer um plagiador. Para tanto havia pouco perigo porque um plagiador sempre tem menos informação do que o autor do qual rouba suas ideias, e será demonstrado que em comparação com trabalhos publicados anteriormente, este livro contém muito mais informações.

A dedicatória foi, portanto, um erro; induziu muitas pessoas que meramente lhe deram uma vista de olhos a deduzir que continha os ensinamentos do Dr. S., e, que este era o responsável pelo que aí estava escrito. Esta conclusão é obviamente injusta para o Dr. S. e uma leitura cuidadosa das páginas 8 e 9, demonstram que nunca houve a intenção de transmitir esta ideia. “O escritor não vê como transmitir em uma dedicatória a ideia real, portanto, decidiu retirar a mesma, com um pedido de desculpas ao Dr. S. por qualquer inconveniente que lhe possa ser causado pelas conclusões precipitadas relativamente à sua responsabilidade no Conceito Rosacruz do Cosmos”.

[186] Veja Adendo 9: a carta a Sra. Bauer datada de 14/16 de outubro de 1911.

[187] Isto se deduz do que Rudolf Steiner escreveu na pág. 305 em Die Verantwortung des Menschen fur die Weltentwicklung, Dornach, 1989. Veja também Adendo 7: Rudolf Steiner.

[188] Veja Adendo 7: Rudolf Steiner.

[189] Rudolf Steiner, Von Jesus zu Christus, [GA 131] Karlsruhe 6-10-1911, Dornach 1988.

[190] Nas anotações não publicadas de Max Heindel lemos o seguinte: ‘Na Alemanha e no navio, atravessando o Oceano Atlântico, fiz um esquema do Conceito Rosacruz do Cosmos. Em Nova York comecei a escrever, com a intenção de lá permanecer até finalizar o trabalho e encontrar um editor, para poder permanecer lá enquanto estivesse sendo impresso. O barulho desta cidade me forçou a sair de Nova York e me mudar para os arredores silenciosos dos Pitorescos Parques Nacionais em Buffalo. Lá terminei de escrever no dia 24 de agosto de 1908 e enviei cópias para diversos editores. A Broadway Publishing Co., de Nova York, se propôs a fazer a impressão. A proposta era mais do que satisfatória, mas o valor da venda estava muito alto. Portanto solicitei uma qualidade mais econômica’.

[191] Um projetor de slides que tem 2 lentes, normalmente uma em cima da outra. Apareceu em meados no século XIX.

[192] Equipamento que produz cópias a partir de matriz perfurada (estêncil) afixada em torno de pequena bobina de entintamento interno e acionada por tração manual ou mecânica.

[193] Max Heindel, Livro Cristianismo Rosacruz. Oceanside, CA, 1939.

[194] Boletim Echoes de Mount Ecclesia – The Rosicrucian Fellowship, setembro 1956, pág. 35.

[195] Veja para o Horóscopo da Constituição no Adendo 12, horóscopos.

[196] Carta do Sr. Edwin Moe de Seattle, datada de 7 de setembro de 1959.

[197] Max Heindel, do Livro Ensinamentos de um Iniciado, cap. 20.

[198] Veja Adendo 9: Cartas entre Max Heindel, Laura Bauer e Hugo Vollrath.

[199] Revista: Rays from the Rose Cross, outubro de 1955, pág. 482.

[200] Agatha Zegwaard (1882-1970), professora de Inglês, casada com o professor de matemática Martinus van Warendorp; começou a estudar os ensinamentos Rosacruzes em 1 de outubro de 1916. Por volta de 1920 ela inaugurou o primeiro Centro em Amsterdam – Holanda. Veja mais informações no Adendo 12.

[201] O Senhor George Schwenk (1896-1972) Sr., Ojai, CA numa carta datada de 15 de junho de 1968.

[202] N.R.: cidade portuária e sede do Condado de King, no estado norte-americano de Washington

[203] Max Heindel e Augusta Foss: Livro Astrodiagnose e Astroterapia, um guia de saúde. Cap. XI – uma lição como guia.

[204] N.R.: Cidade no noroeste dos Estados Unidos, no estado do Oregon.

[205] N.R.: Columbus é a capital do estado norte-americano do Ohio.

[206] 29 de novembro 1909.

[207] N.R.: em Los Angeles

[208] Max Heindel, Livro Ensinamentos de um Iniciado, cap. 20.

[209] ‘Falta de espaço’ logicamente não faz sentido. Max Heindel não queria ou não podia dar maiores explicações a respeito.

[210] Max Heindel, Livro Ensinamentos de um Iniciado, cap. 20 e 21.

[211] Max Heindel, Livro Ensinamentos de um Iniciado, cap. 22.

[212] Max Heindel, Livro Ensinamentos de um Iniciado, cap. 21

[213] N.T.: indivíduo que sabe estenografia ou que a pratica profissionalmente; taquígrafo, braquígrafo, logógrafo

[214] Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – de Max Heindel.

[215] Na certidão de casamento está escrito segundo casamento; mas foi considerado o segundo casamento como Max Heindel, na América.

[216] Boletim Echoes de Mount Ecclesia – The Rosicrucian Fellowship, março 1948.

[217] Boletim Echoes de Mount Ecclesia – The Rosicrucian Fellowship, abril 1948.

[218] Cidade localizada no estado norte-americano de Washington

[219] Região censo-designada localizada no estado norte-americano de Washington

[220] Livro Mistérios Rosacruzes – Primeira Edição, Chicago, 1911.

[221] Retirado do livro Oceanside, Crest of the Wave, Oceanside 1988, pág. 29 e 30 de Langdon Sullly e Taryn Bigelows. ‘Juiz J. Chauncey Hayes nasceu em Los Angeles em 1 de junho de 1852. Ele se mudou para San Luis Rey quando tinha 15 anos e, interrompendo apenas no período que estudou no Colégio de Santa Clara, passou os próximos 66 anos estimulando e desenvolvendo San Diego Country. Como único corretor de imóveis na região de Oceanside, ele vendia as parcelas de terras. Tinha pouca coisa que Hayes não sabia fazer. Ele era corretor de imóveis e A. J. Meyers o fundador da cidade. Anos depois ele foi banqueiro, editor do jornal local, agente cartorário, secretário geral da cidade, advogado, fornecedor de água e, por vinte anos, Juiz de Paz. Ele faleceu entre 1933/34 ’.

[222] Echoes from Mount Ecclesia, 10 de janeiro de 1914, nº 8, pág. 1 e 2.

[223] O Sr. A.H. Amick, o redator de Air Cooled News, a revista de Clube H.H. Franklin, escreveu para mim em 1972 que o modelo 1903 era o único que não tinha motor de partida. Pela amigável ajuda do Sr. Amick, recebi do médico Dr. George S. Boyer de Allentown, Pensilvânia, também sócio do Clube H. H. Franklin, no dia 15 de maio de 1972 a foto do carro dele de 1903 restaurado.

[224] O Sr. Heindel tinha n o costume de dar nomes de campeões para as coisas. As vacas foram nomeadas com nomes de vacas famosas, e o Franklin foi chamado de ‘Bedelia’ um carro francês de três rodas leves. Duas ‘Bedelias’ conquistaram o primeiro lugar em sua classe no Grand Prix em Le Mans, França, em 1912. A velocidade máxima era 110 km/h conforme Hans Kuipers em Old Racers, parte 2, Deventer 1967.

[225] Os Americanos consideram ver um Arco-íris como um sinal de sorte.

[226] Veja figura 62. Atrás da foto não tem os nomes. O Sr. Charles Weber escreveu em uma carta datada de 17 de maio de 2002, que a Sra. Marie-José Clerc contou a ele, que ela soube que o homem com o aparelho auditivo devia ter sido o Sr. Patterson e este está ao lado de Heindel. Com a ajuda de um mapa astrológico, indica que é o segundo homem depois de Heindel, o qual aparece a cabeça por cima da cruz.

[227] Max Heindel, do Livro: Ensinamentos de um Iniciado, Cap. 19

[228] Veja também a página de capa do Jornal San Diego Union, de 30 de outubro de 1911, seção 2, pág. 1, coluna 1, de Union-Tribune Publishing Co, San Diego.

[229] N.T.: Esses textos também podem ser encontrados no livro: Memórias sobre Max Heindel e a Fraternidade Rosacruz de Augusta Foss Heindel

[230] Veja seu horóscopo no Adendo 12.

[231] Título: Anjo ou Satanás?

[232] Esta data provavelmente não está correta. A Escola de Verão foi iniciada em 4 de junho; uma semana antes seria dia 28. Contudo, os encontros de Probacionistas são sempre na véspera da Lua Cheia ou Nova. A Lua Nova era no dia 4 de junho, portanto, a Reunião deve ter sido no dia 3 de junho.

[233] Echoes from Mount Ecclesia, 10 de junho de 1913, nr 1, pág. 1-2.

[234] Echoes, janeiro 1951.

[235] Echoes, 10 de agosto de 1913, nº 3, pág. 4.

[236] N.T.: também referido como Holstein-Frísia e popularmente conhecido como Gado Holandês, é uma raça de gado bovino.

[237] Echoes dezembro de 1913

[238] Charles Rann Kennedy: O Servo na Casa, uma peça em 5 atos, Amsterdam 1926.

[239] Echoes, janeiro de 1914, pág. 3-4

[240] Echoes, janeiro 1914, pág. 1-2.

[241] N.T.: é um aparelho fonográfico com fins comerciais, inventado por Thomas Edison, que grava em tubos de cera o ditado de cartas, que devem ser reproduzidas por datilografia.

[242] N.T.: região peninsular do Sul da Ásia onde se situam os estados da Índia, Paquistão, Bangladesh, Nepal e Butão. Esta região do sul da Ásia foi historicamente conhecida por Hindustão ou Indostão, nomenclatura hoje apenas utilizada no contexto da história da relação entre os povos europeus e o subcontinente.

[243] Staden Kobenhavns Statistiske Kontor, Folkeregistret, numa carta de 14 de outubro de 1970.

[244]  Revista: Rays from the Rose Cross, julho 1916, pág. 73-74.

[245] Max Heindel do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Parte I; pergunta 47.

[246] Cosmo: na abreviação do Livro The Rosicrucian Cosmo-Conception; em Português: O Conceito Rosacruz do Cosmos.

[247] Revista: Rays from the Rose Cross, julho 1959, pág. 11. Ela nasceu no dia 5 de novembro de 1850 e faleceu de câncer no dia 30 de outubro de 1919.

[248] Veja: Revista Rays de setembro 1917, pág. 198 e seguintes.

[249] N.T.: O poema Ben Bolt foi composto por Thomas Dunn English (1819-1902) em 1842, de Filadélfia. Foi musicado, em 1848, por Nelson Kneass (1823-1868 ou 1869), um compositor de Filadélfia.

[250] Veja o Adendo 11.

[251] O Sr. Paul R. Grell, filho de Phillip Grell escreveu para o autor em 1989 que o havia conhecido pessoalmente e que seu nome se escrevia Erret e não Ehret. Veja a Revista Echoes, fevereiro de 1951, pág. 2.

[252] Ela faleceu no dia 16 de abril de 1951 após uma doença que durou por meses, está escrito na Rays de junho de 1951, pág. 243-245. Seu nascimento não é conhecido.

[253] Revista Rays, abril de 1931, pág. 222

[254] Que o leitor entenda que foi traduzido diretamente do texto em inglês. Que o texto é confuso, provavelmente, devido às emoções da Sra. Heindel, no dia do aniversário de seu marido recém-falecido.

[255] N.T.: Um harmônio ou harmónio é um instrumento musical de teclas, cujo funcionamento é muito similar ao de um órgão, mas sem os tubos que caracterizam este último.

[256] N.T.: Tipo de voz feminina mais baixo e pesado, com menor tessitura e também a mais rara.

[257] Veja: Rays setembro de 1922, pág. 199

[258] Veja: Rays from the Rose Cross, abril de 1931, pág. 222.

[259] Veja: Rays from the Rose Cross, abril de 1931, pág. 222

[260] Corinne Smith nasceu no dia 13 de agosto de 1882 às 15:15 L.M.T. em Atlanta, Fulton County, Georgia 33.44.56 N; 84.23.17 W. Os dados do nascimento me foram fornecidos pelo Sr. e Sra. Barkhurst.

[261] Estes seis livros, denominados New Age Bible Interpretation, estão disponíveis na Sede Central.

[262] Revista Rays from the Rose Cross, outubro de 1965, pág. 435 e seguintes

Capítulo 13 – Disputa pelo Poder

Antes mesmo da construção da Sede Central, Max Heindel tinha intenção de construir um Sanitarium[1]. No dia 6 de agosto de 1913 este plano foi iniciado em pequena escala. Com este objetivo foram construídas três casinhas, cada uma com dois quartos. Contudo, logo estas casinhas tiveram que servir para alojar pessoas que trabalhavam em Mount Ecclesia. Demorou até abril de 1929 para que, sob direção da Sra. Augusta Foss Heindel, e pelo Membros da Curadoria[2], fosse nomeado um comitê para avaliar a possibilidade de construir um Sanitarium.

O desenho mostra uma parte central com espaço para o escritório de administração, uma recepção, quatro quartos de tratamento, uma cozinha, um refeitório e no andar superior acomodação para os enfermeiros. Esta ala central continha em ambos os lados os alojamentos para pacientes, tendo oito quartos privativos e quatro quartos coletivos com capacidade para quatro camas cada. Cada ala era circundada por terraços em três lados. O desenho continha a primeira parte onde poderiam ficar vinte e quatro pacientes. Esta primeira parte foi desenhada de tal forma que facilmente poderia ser ampliada, se as condições assim exigissem.

Era intenção que o Sanitarium fosse administrado conforme as terapias naturais com atenção especial para fisioterapia, hidroterapia, luz e eletroterapia e massagem. Contudo, também osteopatia e tratamentos quiropráticos, banhos de sol, etc. Tudo isto baseado no método Rosacruz de Cura.

Um instituto que segue estas regras é, comparativamente falando, mais barato que um Sanitarium que tenha setor cirúrgico e médicos caros no quadro de funcionários. Foi feita uma estimativa que com a construção e a garantia de funcionamento pelo primeiro ano seria necessário um valor de US$ 50.000,00. A comissão acreditava que não seria ajuizado começar com menos da metade deste capital em mãos.

O local que planejavam construir o Sanitarium era entre Carey Road e Ecclesia Drive, onde também havia espaço para crescer de ambos os lados, conforme mostra o desenho[3].

No dia 11 de dezembro de 1929, às 10:46 horas, fizeram a pedra angular para o Sanitarium. Como é mostrado no desenho seria um bloco de cimento de aproximadamente 60 cm de comprimento, 40 cm de largura e 40 cm de altura. Visto por cima haveria uma abertura no centro de aproximadamente 40 cm de comprimento, 30 cm de largura e 18 cm de profundidade. Esse espaço era destinado a colocar uma caixinha de cobre onde ficariam as informações sobre o Sanitarium. No ato de fazer esta pedra estavam presentes 99 pessoas, que, durante a Cerimônia, ouviram o discurso do Sr. Prentiss Tucker.

Em janeiro de 1931 foi editado um pequeno jornal mensal chamado The Mount Ecclesia Herald. Os membros recebiam o jornal gratuitamente e os não membros podiam se abonar no jornal por um valor de 50 centavos de dólar ao ano. Foi considerado um jornal familiar onde todas as notícias que não cabiam na Rays seriam publicadas. Apesar de todo o entusiasmo o Herald [Heraut] teve vida curta. No número de dezembro de 1932 está escrito que o jornal existe pela graça dos leitores e que os meios financeiros acabaram, e que também os funcionários diminuíram pela metade. Provavelmente em março de 1933 foi publicado o último número. Abaixo do nome do jornal está escrito: ‘Quando tivermos alguma informação importante, especialmente para os estudantes, faremos pelo Herald. Ainda não estamos em condições de fazer o Herald [Heraut] ser publicado regularmente, mas faremos isso de tempos em tempos, conforme as circunstâncias assim pedirem’.

Na Rays from the Rose Cross está escrito que no dia 6 de janeiro de 1932 iniciaram as obras do Sanitarium. Contudo, que devido à falta de dinheiro, começaram apenas na primeira parte.

“No domingo à tarde do dia 7 de fevereiro de 1932 às 12:00 horas, a Pedra Fundamental foi colocada. Estavam presentes mais de 125 pessoas, entre os quais o Prefeito Martin e outros notáveis de Oceanside, e alguns maçons. O Diretor da Fraternidade, Juiz Carl A. Davis, liderou o encontro e fez a abertura. Depois houve diversos discursos pelas seguintes pessoas: Mary Roberts, a líder do Setor de Cura, Dr. J. A. Balsey, do Centro de Los Angeles e o Sr. William Albert, do Centro de San Diego.  Logo após o arquiteto, Lester A. Cramer, ajudado por alguns maçons, colocou a pedra fundamental, que depois foi cimentada”.

Através dos jornais Rays e do Herald de 1932 vemos que a construção seguia rapidamente. Na Rays de julho de 1932, pág. 389, tem uma imagem do prédio quase acabado. Abaixo está escrito: “Em reunião extraordinária do Conselho de Mount Ecclesia realizada em 4 de junho, foi definido que a abertura oficial do Sanitarium será em dezembro. Esperamos que até lá e talvez antes disto, toda a mobília, com todos os equipamentos, incluindo funcionários, estejam concluídos. O prédio está praticamente pronto. Os terraços foram deixados para depois, pois não são necessários no início. Dentro de algumas semanas o acabamento será feito, incluindo o plantio do jardim. O prédio está bonito tanto por dentro como por fora. O lado de fora foi rebocado e pintado com tinta branca, a entrada principal de pedra artificial com pilares; arquitrave, friso e cornija. Os instrumentos e artigos hospitalares mais modernos serão adquiridos. Tem um sistema elétrico de chamada para os enfermeiros, e postos de enfermagem, uma cozinha hospitalar, etc.

O setor de obstetrícia ainda não está pronto, porque foi projetado para o futuro quando o médico e a enfermeira-chefe assim decidirem que é o momento. Na construção do prédio usamos US$ 21.000 e temos, aproximadamente, US$ 5.000 para o mobiliário, aparelhos fisioterápicos e reserva.

O médico e a enfermeira-chefe que irão assumir o comando já foram escolhidos; seus nomes serão divulgados em futuro próximo. Esperamos que alguns Centros queiram mobiliar um quarto específico. Estes quartos serão nomeados aos doadores. Também pensamos que alguns Centros queiram instalar as ‘camas de caridade’, pois virão pessoas que não possuem as possibilidades financeiras de pagarem seu tratamento e devemos tomar providências para isto. O Instituto inicia com uma reserva mínima e, portanto, não poderá dar tratamento gratuito, pelo menos, no começo, a não ser que isto seja possibilitado por meio de doações. Solicitamos a nossos membros e amigos, bem como aqueles não ligados a algum Centro, que façam agora e até o dia da inauguração, em dezembro, suas orações e meditações em direção ao Centro para que o arquétipo da inauguração possa ser realizado, o que será uma ajuda muito grande para fazer deste Instituto um sucesso após sua abertura. Por favor, não se esqueçam disto, porque é muito importante.

O material de propaganda, incluindo os preços para internação, tratamento e etc., ficarão prontos no verão e no outono serão enviadas informações a todos os estudantes, que tenham endereços de contato, para que possam se envolver, seja no encaminhamento de pacientes. Essas atitudes são muito apreciadas e necessárias de fato. A Instituição deverá se sustentar sozinha, pois não poderá ser financiado pelas doações que são utilizados para o trabalho em geral da Fraternidade.

As reservas atuais não serão suficientes, a não ser que seja complementada com doações, ou que nós consigamos pacientes suficientes para cobrir os custos e manter a Instituição funcionando. Por isso solicitamos a colaboração de todos, tanto por orações como por apoio material”.

Provavelmente foi devido à crise mundial e também o esgotamento das reservas, o motivo para que o Sanitarium não fosse inaugurado na data prevista em dezembro. Somente no Natal de 1938, portanto, sete anos depois, houve a inauguração, mas sobre isto escreverei mais à frente.

Além das dificuldades financeiras em Mount Ecclesia também havia dificuldades espirituais que, em 1931, chegaram a um clímax. Para dar a imagem completa da situação retornaremos a 1910. Naquele momento Max Heindel foi avisado pelo seu Mestre que: “por mais que as intenções sejam boas no início, assim que houver posições e poder, a vaidade das pessoas será tocada e, para muitos, a tentação será demais”[4].

Ainda durante a vida de Max Heindel já havia pessoas de olho nos direitos autorais dos livros dele. Por este motivo ele fez o testamento. Quando este foi aberto em 1919 apareceu que a Sra. Augusta Foss Heindel era a herdeira dele, também das terras da Fraternidade. Alguns membros do conselho insistiram com ela de fazer uma doação do terreno para a Fraternidade. Apesar do advogado da Sra. Augusta Foss Heindel aconselhá-la a manter o terreno em seu nome enquanto ela vivesse, ela aceitou fazer a doação, porque ela tinha toda a confiança no conselho.

No dia 10 de janeiro de 1913 Max Heindel fundou uma Corporação, conforme as leis da Califórnia, pois ele considerava que seria a melhor forma de proteger os direitos autorais e posses materiais da Fraternidade contra os apelos da família de sua primeira esposa. Os Membros da Curadoria[5] tinham o controle e seus sucessores eram nomeados por ELES MESMOS e não por VOTAÇÃO. Eles não tinham responsabilidade nenhuma de seus atos perante os outros Membros. Se ocorresse cristalização, ou Membros duvidosos entrassem nesse comitê, não poderiam ser removidos por Probacionistas. Sra. Augusta Foss Heindel se arrependeu logo de não ter seguido o conselho de seu advogado.

Após o falecimento de Max Heindel, o Sr. Alfred Adams estava ao lado da Sra. Augusta Foss Heindel no comitê. Após o falecimento do Sr. Kennedy e da Sra. Lyon, ambos Membros da Curadoria, empossaram dois novos em seus lugares. Após a escolha destes novos Membros houve desarmonia em Mount Ecclesia. Numa tentativa de retornar a harmonia acrescentaram mais dois Membros, para dar um total de sete. Contudo, a harmonia não se restabeleceu.

Em 1926 foi construída a Escola Infantil, e alguns dos Membros da Curadoria não concordavam com isto. Eles queriam primeiro construir o Sanitarium. Sra. Augusta Foss Heindel escreveu sobre isto em uma carta aberta datada de 13 de maio de 1931:

“Naquele tempo o espírito de trabalho contrário se mostrou de forma brutal. Desde outubro de 1929 um Membro da Curadoria [Pearl Williams] ganhou uma influência dominante sobre dois outros Membros. Apesar de ser um Membro fiel e eu mesma tentar impedir, foi feita uma autorização de US$ 50.000 para a construção do Sanitarium. Eu fui contra devido ao fato que o mundo todo estava atravessando uma crise financeira. Além disso, eu sabia que somente alguns doentes poderiam tirar proveito disto, enquanto em todos os lugares havia uma falta de professores e palestrantes. Para podermos instruí-los necessitávamos de mais salas de aula, assim como espaço no escritório e quartos para que pudéssemos alojá-los aqui na Sede Central. Assim surgiu uma divisão na Curadoria e desde este momento três Membros fizeram de tudo que estivesse em seu poder para me oprimir”.

Numa carta escrita em 1930, pelo Juiz Carl A. Davis e o Sr. Starret, Membros da Curadoria, foi oferecida à Sra. Augusta Foss Heindel um valor anual de US$ 2.500,00, mas ela não aceitou esta oferta.

No dia 17 de março de 1931 o Sr. Alfred Adams faleceu com a idade de 72 anos, o Membro de confiança que apoiou a Sra. Augusta Foss Heindel, após o falecimento de seu marido. A partir deste momento as dificuldades ficaram maiores. Um mês depois, em abril de 1931, a Sra. Augusta Foss Heindel declarou, na reunião da Curadoria, que ela não enviaria mais suas cartas e lições de Mount Ecclesia, e também não teria mais nenhuma participação ativa nos trabalhos. Ela iria continuar da Curadoria, mas agora não mais como Presidente e também não ficaria mais morando em Mount Ecclesia. A função de presidência foi assumida por Carl A. Davis.

Provavelmente, em maio a Sra. Augusta Foss Heindel ficou doente. Tão doente, que por quatro dias esteve entre a vida e a morte. No mês que ela se restabeleceu, em junho de 1931 ela decidiu não retornar a Mount Ecclesia. Ela alugou uma casa em Oceanside, onde a Associação por ela fundou e estabeleceu o Centro: Max Heindel’s Rose Cross Philosophies.

No dia 13 de julho de 1931 a Sra. Augusta Foss Heindel denunciou a Fraternidade perante a Justiça Federal de San Diego por usarem os direitos autorais sem permissão. O resultado disto foi que em outubro eles assinaram um contrato para regularizar esta controvérsia sobre os direitos autorais. Aqui ficou definido que ambos os lados discordavam sobre quem tinha os direitos autorais e que a Sra. Augusta Foss Heindel já havia constituído outra Associação para divulgar os ensinamentos. Foi decidido que a Fraternidade teria uma licença “irrefutável, irrevogável direito e autorização” para publicar, vender, etc. todos os livros, e que a Sra. Augusta Foss Heindel, durante sua vida, seria a proprietária dos escritos, e após o falecimento dela seriam de posse da Fraternidade. Nenhum dos dois lados poderia dar procuração para outra instituição, sem a autorização do outro. Com a exceção que a Sra. Augusta Foss Heindel poderia dar uma procuração a uma instituição fundada por ela mesma. A Fraternidade deveria pagar um valor de US$ 125,00 por mês, de forma vitalícia, para a Sra. Augusta Foss Heindel. Se ela terminasse o litígio com a Fraternidade, antes de 15 de janeiro de 1934, o valor subiria para US$ 208,33 por mês. Após isto foram tomadas medidas para mediação e foi avisado a todos os membros da Fraternidade que a questão estava solucionada.

Em 9 de outubro de 1934 foi assinado um outro acordo entre ambos os lados, no qual foram mantidos vários pontos do contrato de 1931: Que a Sra. Augusta Foss Heindel formou uma Associação chamada de ‘Max Heindel Rose Cross Philosophies’ que distribui os ensinamentos e tem 2050 membros; que a Fraternidade, após a ruptura, continua suas atividades com 4500 membros; que cada qual tem ativos; que a Sra. Augusta Foss Heindel e seus membros estão convidados a retornarem à Fraternidade. Isto foi aceito e ambas as partes decidiram se unirem novamente, e por consideração pagaram US$ 1,00 um ao outro, para compensar os prejuízos. Ficou decidido que a Sra. Augusta Foss Heindel transferia seus livros e outros equipamentos para a Fraternidade, por um valor acordado.

O contrato de 1931 foi prorrogado, com a exceção que a Sra. Augusta Foss Heindel não poderia mais ceder os direitos autorais a nenhuma outra instituição. O valor mensal pago para a Sra. Augusta Foss Heindel ficou estipulado em US$ 125,00 por mês. Além disso, ela teria direito a morar em Mount Ecclesia, sem custo, e seria a Presidente do Conselho e Editor Chefe da Revista mensal, e, ainda, assinaria todas as lições e cartas em nome da Fraternidade.

Também foi divulgado que: ‘Todas as partes têm o mesmo pensamento sobre a questão, que a separação foi um grande equívoco por uma grande parte das pessoas, que prejudicou e atrasou o andamento do trabalho. Para todos os envolvidos ficou claro que a repetição das condições desta separação deveria ser evitada no futuro devido ao fato de que Max Heindel foi escolhido pelos Irmãos Maiores da Ordem, para passar estas lições à humanidade e que a Sra. Augusta Foss Heindel dedicou anos de sua vida ajudando com a construção desta instituição. A ela foi garantido, com este acordo, que se ela não fizesse mais parte do trabalho no futuro e se retirasse desta responsabilidade seria ainda ‘Presidente Emérita’ e que o pagamento mensal, sua estadia e manutenção iria continuar enquanto ela vivesse. Que ela iria trabalhar juntamente com a Fraternidade para que os ensinamentos possam ser divulgados por todo o mundo da melhor forma”.

No dia 25 de dezembro, em homenagem ao retorno da Sra. Augusta Foss Heindel à Mount Ecclesia foi feita uma festa ‘encontro de boas-vindas e retorno a casa’. Depois a Sra. Augusta Foss Heindel foi nomeada Chairman e o Juiz Carl A. Davis manteve sua posição de Diretor e Presidente.

Não apenas na Sede Central, mas em outros lugares do mundo os membros tentaram chegar ao poder. Contudo, não iremos nos aprofundar nisto.

Quando Mary Hanscom, a pequena ajudante da Sra. Augusta Foss Heindel, caminhava pelo terreno num dia de 1935, ela encontrou um animal que se comportava de forma muito estranha. Era um cachorro, que estava petrificado, no meio do caminho. Seus olhos estavam marejados de sangue e seu corpo tenso de medo. Mary precisou conversar docemente com ele várias vezes até que ele teve coragem de reagir ao seu chamado amigável. Ele foi levado para os fundos do refeitório e alimentado. Ele devorava a comida, pois, o animal estava faminto. Após lhe darem um banho e escovarem, ele aparentou ser um cachorro bonito, e parecia com um misto de cão policial e airedale terrier[6]. Contudo, o cão estava doente e precisava ser operado de uma hérnia, o que foi realizado em 1936. Os custos desta cirurgia foram divididos entre os funcionários. Este querido cão de guarda foi chamado Plato, pois era muito esperto, bastava um pensamento para fazê-lo entender. Ele faleceu nos anos quarenta.

Mary Hanscom era artista. Ela pintou a figura do “auxiliar invisível”. Os rostinhos foram tirados de fotos de bebês de funcionários de Mount Ecclesia. Ela também esculpiu os dois painéis da porta do Templo. Ela faleceu no início dos anos oitenta.

No dia 5 de setembro de 1936 a Sra. Gertrude Smith, de Canandaigua, Nova York, perdeu a vida dela num acidente de carro e deixou para a Fraternidade um valor considerável, que deveria ser utilizado integralmente para o Sanitarium. O Setor de Cura havia trazido muito alívio para ela e em agradecimento ela queria concretizar o ideal de Max Heindel, e construir um grande Sanitarium. Demorou mais de um ano para que o dinheiro fosse repassado à Fraternidade.

Em março de 1937 deram início ao curso Bíblico, que quando finalizou continha 28 lições. É um curso por escrito baseado nos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental.

Quando a Sra. Augusta Foss Heindel, no final de 1934, saiu de Oceanside e retornou para Mount Ecclesia, ela foi morar na casinha no pé do morro, conhecida como ‘The Heindel Cottage’, onde já havia morado com seu marido. Contudo, em 1937, a então saudável e ativa Sra. Augusta Foss Heindel de 72 anos, tornou-se um tanto difícil para ela subir e descer algumas vezes a ladeira que a separava do escritório e do refeitório. Por isso ela deixou construir, com suas economias, ao leste de Rose Cross Lodge, uma casinha branca. Esta casinha tinha quatro quartos e uma sala de estar grande. Em junho de 1937 esta casinha ficou pronta e, então, se mudou para lá. Com a inauguração ela ganhou dos trabalhadores de Mount Ecclesia um conjunto de persianas que ela desejava. Sua antiga moradia serviu para outros trabalhadores.

Em março de 1938 compraram uma nova impressora. Era um equipamento caro, o mais novo Heidelberg com injeção de tinta automático. Também em 1938 foi publicado: Princípios Ocultos de Saúde e de Cura, de Max Heindel.

Além do Sanitarium também havia necessidade de um Departamento de Cura, um espaço separado onde as cartas e solicitações dos pacientes pudessem ser recebidos e organizados por Signo Solar. Em abril foi iniciado a construção do mesmo. Contudo, também fizeram os preparativos para a construção do Sanitarium, do qual a grande maioria já havia sido construída em 1932. O primeiro passo foi reformar o prédio agradável que ficava no canto do terreno, que antes era a Escola Infantil, como alojamentos para os enfermeiros, que trabalhariam para o Sanitarium.

No dia 6 de julho de 1938 foi reiniciado a construção do prédio do Sanitarium que foi possibilitado pelo legado da Sra. Gertrude Smith. Agora havia dois prédios a serem construídos, sendo que o Departamento de Cura deveria ser o primeiro a ficar pronto. Isto se tornou possível em agosto. No sábado, dia 27 às 11 horas, houve a abertura oficial e os membros podiam visitar o prédio.

O Departamento de Cura foi construído no formato de uma cruz. No centro, onde os braços se encontram tem uma pequena capela redonda e no telhado foi inserido um vitral, com o desenho da estrela de cinco pontas, e no centro dela tem cinco rosas vermelhas. Composta de doze salas para as secretárias, e cada uma representa um Signo do Zodíaco. Os pedidos de cura e as cartas dos pacientes são separados por signo solar.

Também foi trabalhado com muito empenho no Sanitarium e as pessoas esperavam poder inaugurá-lo em dezembro. Realmente isto pareceu possível, e no domingo dia 25 de dezembro de 1938, de manhã às 10:00 horas, depois de terem se passado sete anos do início da obra, o Sanitarium foi inaugurado. Na Rays de 1938 e 1939 está escrito o seguinte sobre o prédio: “O Sanitarium é um prédio de um andar. A parte que foi construída em 1932, mas não finalizada e que tem o formato de uma cruz, foi ampliada. Pelo fato das leis estaduais não permitirem que em ambos os lados de Hospitais e Sanatórios tenha um declive, não será possível fazermos as asas da cruz como havíamos planejado. Mesmo assim seguiremos o desenho original da paisagem.

No piso térreo são os escritórios para recebimento e administração, as salas de tratamento – como de hidroterapia, massagem, música e cor, e ultravioleta, e o setor de coordenação física e a sala de Raio X, um laboratório de metabolismo e laboratório geral. Também há uma Capela onde poderá ter os rituais diários; um refeitório para os pacientes e também visitantes, e uma cozinha para o preparo das dietas. Os setores para diagnóstico médico e Astrodiagnose também ficam no piso inferior.

O piso superior tem quartos individuais e de duas pessoas para os pacientes, alguns com chuveiro, outros com banheira. Esses quartos olham para o oceano ao sul e ao norte para as montanhas de San Jacinto. Neste andar também tem uma biblioteca para os pacientes. Os três terraços com tetos solares são confortáveis e tem vista para Oeste, Sul e Leste”[7].

Durante a inauguração a Sra. Augusta Foss Heindel fez um discurso. Depois a Sra. Dorothy Whitelock descreveu as coisas práticas e o Juiz Carl A. Davis finalizou com uma prece. Dr. L. B. Rogers foi nomeado diretor do Sanitarium. Antes disto ele havia sido, por seis anos, diretor do Hospital de Hollywood e, antes ainda do Hospital São Francisco em São Francisco. Contudo, ele ficou apenas até julho de 1938, por meio ano, e depois o casal Patton-Sheppard ganhou a direção. Dr. Charles Sheppard, e sua esposa Dra. Elsa Patton Sheppard eram cirurgiões e haviam trabalhado em Portland, Oregon.

No dia 29 de janeiro de 1939 a Sra. Mary B. Roberts, que por dez anos havia trabalhado no setor de Cura, faleceu. Alguns dias depois o Sr. Stewart Louis Vogt, de Cincinnati, Ohio, que depois foi morar em Oceanside, também faleceu de ataque cardíaco no hospital local. Este homem era um artista que desenhou o ‘Ecclesia Drive’, o caminho que vai para o Templo, ele também ajudou a pintar o interior do Pro-Ecclesia e fez a pintura do que fica do lado direito: ‘Cristo ajoelhado no Getsemani’.

Durante a Escola de Verão o Sr. Lynn Vivian doou para a Sede Central 100 pés de laranja e toranja, que foi plantado por um dos estudantes da Escola de Verão, o Sr. Karl Stebbinger.

Em 1939 o refeitório também foi restaurado e aumentado e foram comprados novos equipamentos, entre os quais um refrigerador.

Em 1940 os estatutos foram modificados, para poder incluir que a associação seria regida conforme as leis de associações – “non-profit college incorporation Law” – o que significa que a associação não tiraria proveito financeiro de sua constituição. O nome, que em 1935 tinha mudado para ‘The Rosicrucian College’ voltou a ser ‘The Rosicrucian Fellowship’ e, novamente, foi tomada a decisão de ser uma igreja ou organização religiosa que divulga os ensinamentos Rosacruzes.

Um dos desejos de Max Heindel era ter sua própria orquestra. Este desejo também se realizou porque em novembro de 1940 Mount Ecclesia tinha sua própria orquestra, da qual Ernst R. George era o dirigente.

Em dezembro de 1940, o Sr. Charles D. Cooper, que foi membro da fraternidade por 42 anos, faleceu. Ele conheceu Max Heindel pessoalmente e assistia suas Palestras. Ele iniciou, em 1924, o fundo para o órgão de tubos e a tela de projeção.

No dia 28 de fevereiro de 1941, o Dr. Leon Patrick foi recepcionado com uma festa juntamente com sua esposa, porque a partir de 1º de março ele seria o novo diretor do Sanitarium. O Dr. Patrick tinha graduação de M.D. do ‘Californisch Eclectic Medical College’ de Los Angeles e uma graduação de D. O. no ‘Los Angeles College of Osteopathic Physicians and Surgeons’. No ‘Los Angeles Country Hospital’ ele era assistente cirurgião. Ele tinha vinte anos de experiência em Orange, Califórnia, e fez uma boa reputação como médico, nutrólogo e escritor.

Quando, em fevereiro de 1942, a Sra. Augusta Foss Heindel se afastou da posição de Presidente do Conselho houve novamente divisão e as dificuldades retornaram. No dia 16 de abril os membros de Non-sectarian Church, Weaver, Munson e Grow, começaram um processo judicial em San Diego. O processo era contra a Fraternidade Rosacruz. Eles representavam quinhentos membros e queriam uma explicação, que eles e outros membros tinham o direito de participar da escolha dos Membros da Curadoria e tentavam conseguir uma devolução de US$ 41.936,56, dizendo que os Membros da Curadoria[8] desfalcaram do Sanitarium no período de 1939-1942. O Juiz declarou que eles, como seguidores da “Fellowship”, tinham o direito de verificar a contabilidade, mas devido ao fato de não serem membros da ‘The Rosicrucian Fellowship’ não poderiam participar das eleições da Curadoria, e que o afastamento da Sra. Augusta Foss Heindel como Presidente era um ato legal.

Entre os dois partidos não existia divergência de opiniões sobre a melhor forma de divulgar os ensinamentos. A questão era somente sobre quem tinha o direito de usar a propriedade e ensinar a filosofia. Juntamente com o direito de usar a propriedade estão os direitos de incluir novos membros, receber as colaborações destes membros e da venda dos livros.

Em janeiro, alguns seguidores da Sra. Augusta Foss Heindel queriam constituir uma Organização Religiosa, o que foi realizada em 6 de julho de 1944. Então, a Sra. Augusta Foss Heindel fundou a “The Rosicrucian Fellowship Non-Sectarian Church”. Três meses depois, no dia 7 de outubro, a Sra. Augusta Foss Heindel declarou que o contrato, mencionado anteriormente, com “The Rosicrucian Fellowship” havia sido cancelado.

No dia 12 de janeiro de 1946 Mount Ecclesia ganhou uma linha de ônibus para Oceanside. O ônibus passava a cada quarenta e cinco minutos das seis da manhã até à meia noite. Isto foi uma grande melhoria, pois os visitantes não dependiam mais somente de táxis e os moradores de Mount Ecclesia também conseguiam chegar mais facilmente na cidade.

Em muitos aspectos a Sra. Augusta Foss Heindel passou por um período de adversidades. Assim no dia 21 de maio de 1943 ela teve um sério acidente de carro e ficou por três semanas no hospital, enquanto alguns membros assumiram a tarefa esotérica dela.

Apesar de não haver melhoramentos no relacionamento, a Sra. Augusta Foss Heindel continuou vivendo em Mount Ecclesia. Não apenas nas condições emocionais, mas também nas físicas ela tinha dificuldades, pois após o acidente não houve uma melhora completa e ela vivia com dor constante no ferimento dos quadris. Por isto ela caminhava com dificuldade e ela se movimentava em Mount Ecclesia com o auxílio de uma cadeira motorizada. A dor permaneceu até seu falecimento, em 9 de maio de 1949.

No Echoes de junho de 1949 lemos o seguinte: “Mais de quarenta anos esta alma corajosa direcionou todos os seus pensamentos e ações à divulgação dos ensinamentos.  Nós, que ficamos para trás, não podemos lamentar egoisticamente sobre a sua libertação de um corpo que no correr dos anos foi se tornando flagelado pela dor, apesar de estarmos tristes de perder seus sábios conselhos, seu toque suave, e a coragem intrépida da nossa ‘mãe’ Heindel”.

Após a cremação, em San Diego, as cinzas foram enterradas ao pé da Cruz do Fundador em Mount Ecclesia.

Capítulo 14 – Finalmente Paz

Após a partida da Sra. Augusta Foss Heindel, no dia 9 de maio de 1949, a liderança ficou com os Discípulos e Probacionistas. Isto significa que nada mudou e que as controvérsias continuavam existindo.

No dia 20 de junho de 1952, após 7 anos, o Juiz se pronunciou sobre o caso que foi iniciado em 1945. A deliberação foi que a ‘Non-Sectarian Church’ teria o direito de:

  1. Fazer uso das acomodações de Mount Ecclesia para fazer os rituais religiosos, conforme os Ensinamentos Rosacruzes.
  2. Usar o nome ‘Rosicrucian Fellowship Non-Sectarian Church’ como nome da Associação.
  3. Usar o emblema Rosacruz e outros símbolos.
  4. Publicar o Conceito Rosacruz do Cosmos e todos os outros livros de autoria do Sr. e Sra. Augusta Foss Heindel, assim como distribuir e utilizar.
  5. Utilizar o arquivo dos nomes e endereços de todos os Estudantes, Probacionistas e Discípulos, e que a ‘Curadoria’ não tem o direito de liderar os rituais religiosos ou usar os meios materiais para este fim.

Ambas as partes, que tinham plena convicção de estarem agindo corretamente, pareciam, no verão de 1952, estarem dispostos a iniciar negociações para uma fusão. As chances pareciam favoráveis. Contudo, quando, em agosto, um dos antigos membros da Curadoria [Pearl Williams], que era um dos instigadores contra a Sra. Augusta Foss Heindel, reapareceu, as esperanças foram por água abaixo. Ela tenta convencer o Conselho a reabrir o processo judicial. Contudo, isso não é feito.

Porque os membros americanos não viam como chegar a um acordo, os Centros Europeus, no inverno de 1952, decidiram enviar o Sr. Lachambre, Presidente do Centro de Paris, para a Sede Central, como representante deles com o objetivo de ajudar a encontrar a união. O Sr. Lachambre era advogado e conhecia as Leis da França e também as da Califórnia. No início de março de 1953 o Sr. Lachambre partir em direção a Mount Ecclesia para permanecer lá por quinze dias. Após sua chegada solicitou um encontro com ambas as partes, que ficou marcada para dia 8 de março. No início desta importante reunião o Sr. Lachambre pediu o auxílio dos Irmãos Maiores da Rosacruz. As vibrações eram tão fortes que ele não conseguiu proferir nenhuma palavra, e por isto, iniciaram com um minuto de silêncio.

Sua proposta era dissolver os dois grupos, determinar uma comissão de arbitragem que daria seguimento às questões em andamento e depois constituir uma nova Fellowship. Desta forma a confusão que o nome ‘Church’ [Igreja] iria se desfazer e a palavra ‘Corporation’ [Corporação] que provocou as complicações, também iria se desfazer.

Foi instituída uma comissão de arbitragem sendo: 2 integrantes da Corporação, o senhor Omar D.  Dodson e a senhorita Perl Williams; 2 integrantes da Non-Sectarian Church, senhora Helen E. Cash e o senhor L. Johnson e como 5º integrante: o senhor Lachambre. O relatório da comissão de arbitragem foi elaborado no dia 15 de março em reunião geral dos Discípulos e Probacionistas [somente os que tinham direito a voto], 34 no total, que foram desta forma: 28 votos a favor, 1 contra (a presidente da Corporação, Perl Williams) e 5 abstinências.

Depois disso enviaram uma carta para todos os Discípulos e Probacionistas solicitando seu voto. Enquanto isto o senhor Lachambre voltou a Europa e pessoalmente comunicou aos Centros Europeus o ocorrido. 

Infelizmente, pelo menos por enquanto, a fusão não se concretizou. Novamente a Corporação solicitou a revisão ao Juiz, mas este se recusou a rever sua decisão. 

Neste meio tempo foi contratado um novo diretor para o Sanitarium, Dr. Raymond H. Houser D.C. Seu nome aparece pela primeira vez na Rays de julho de 1954, portanto sua contratação deve ter ocorrido em maio de 1954.

Aproximadamente dois anos após a tentativa de unificação do Sr. Lachambre, parece que em agosto de 1955 que ambas as partes manifestaram desejo de se reunificar, pelo menos conforme anunciado no Echoes de novembro de 1955. Parece que o primeiro passo foi dado pela Non-Sectarian Church. No Echoes de março de 1956 está escrito que um avanço positivo da reunificação com a Corporação estava agendado.

E no Echoes de abril de 1956 foi notificado que em 25 de março de 1956, às 12:00 horas, seria a assinatura da fusão. A Corporação seria fechada e a Non-Sectarian Church continuaria existindo enquanto seu nome se modificaria para: “The Rosicrucian Fellowship”. 

No Echoes de maio foi reimpresso um artigo do jornal de Oceanside, o ‘Blade-Tribune’, e a última página do Echoes citado foi dedicado aos acontecimentos deste 25 de março:

“No domingo, dia 25 de março de 1956 às 11:00, horas iniciou-se o encontro dos administradores da Corporation, os administradores do Non-Sectarian Church e os advogados de ambos os grupos. Havia muitos membros presentes, que se encontravam no Sanitarium, na recepção e perto das janelas do lado de fora para tentar ver e ouvir o desenrolar dos fatos. O Sr. Dodson, presidente da Corporação, abriu o evento e logo passou a palavra para o Sr. Frank Bowman, Presidente da Non-Sectarian Church. Senhorita Pearl Williams fez a cerimônia de abertura e logo após o Sr. Bowman solicitou que cada integrante do Conselho da Corporação e da Non-Sectarian Church falasse umas palavras. Cada um disse o seu ponto de vista sobre a importância da assinatura dos papéis da unificação.

Astrologicamente, o melhor horário para a assinatura era exatamente às 11:57 horas. Conforme esta hora se aproximava a tensão aumentava. O horário foi observado com todo o cuidado e exatamente às 11:57 horas as assinaturas se iniciaram. Os Senhores Bowman e Dodson assinaram os primeiros papéis que depois foram entregues a Sra. Scarborough e o Sr. Robinson, os secretários dos respectivos grupos, que acrescentaram suas assinaturas. Também era necessário assinarem todas as cópias necessárias o que foi feito o mais rapidamente possível. As assinaturas tomaram exatamente dois minutos e finalizaram às 11:59 horas.

O Prefeito de Oceanside, o Sr. Richardson, fez um pronunciamento aos presentes. Ele fez uma bela explanação do relacionamento de Oceanside com a Rosicrucian Fellowship. Logo após o evento foi finalizado.

Após um almoço na Cafeteria [antes chamada de Refeitório] houve um momento de confraternização onde todos participaram. Foi servido sorvete com bolo apreciado por todos. Na lateral da Cafeteria tem uma torre onde fica pendurado o sino. Todos se reuniram lá e o primeiro de dois atos simbólicos foi realizado. Foi o enterro do machado. Fizeram um buraco fundo onde colocaram um machado, que foi muito bem enterrado lá no fundo. A ideia era, futuramente, fazer uma placa de reconhecimento, para marcar para sempre que as dificuldades na Sede Central fazem parte do passado[9].

Logo depois foi realizado o segundo ato simbólico. Na entrada do terreno, abaixo da placa do ‘The Rosicrucian Fellowship’ tem duas estátuas, representando leões, cada um de um lado da entrada. O Sr. Bowman colocou suas roupas de trabalho e começou a pintar os leões. Ele declarou que estava fazendo este ato simbólico para mostrar que ninguém é bom demais para trabalhar, pois estamos aqui todos juntos com o mesmo objetivo: trabalhar pela Fraternidade para dar ao mundo um verdadeiro conceito espiritual, e fazer que a visão de Max Heindel tenha um final bem-sucedido. Os leões ficaram bem mais bonitos; que eles nunca mais fiquem maculados.

Isto fechou os acontecimentos do dia. Um dia que nunca mais esqueceremos, um dia de valor histórico na história da Fraternidade”.

Aqui a controvérsia duradoura chegou ao final definitivo, que devem ter custado, para ambas as partes, mais de US$ 100.000,00, em custos processuais.

Em dezembro de 1957 foi colocado um órgão novo na Pro-Ecclesia, pois o antigo estava em tal estado que necessitava ser substituído. Não era um órgão de tubos, mas era um Hammond[10], um órgão elétrico no valor de US$ 1360,00. Foi pago US$ 600,00 à vista e o restante em valores mensais.

Para irrigar para os gramados, flores, arbustos e árvores compraram uma nova tubulação. Esta tem um comprimento de 120 m, saindo do ponto central. Esta tubulação foi uma doação dos amigos de Porto Rico.

Após esta ligação da tubulação de água foi colocada uma rede de esgotos saindo da parte que foi comprada de 1,2 ha do bosque de eucaliptos, na parte baixa do terreno, que ainda não fazia parte quando Heindel comprou o terreno. Esta rede de esgotos vai do Centro de Cura, para o Cottage do Templo até Carey Road. O cano tem um diâmetro de 20 cm. Os custos foram orçados por US$ 4000,00 e a mão de obra ficaria US$ 300,00. Em 1961, quando o trabalho foi finalizado, constataram que os custos totais ficaram em US$ 7.500,00. Praticamente todos os prédios foram ligados a esta rede de esgotos, exceto Heindel Cottage, a biblioteca e cinco casinhas, que estavam construídas num nível do terreno muito baixo.

Também, em janeiro, uma das estudantes aposentadas doou um ônibus de 12 lugares para substituir o velho. Isto em homenagem ao seu falecido marido.

No Echoes de junho de 1960 foi anunciado que Heindel Cottage, a casinha onde o Sr. e a Sra. Augusta Foss Heindel moraram um tempo, não estava mais em condições de moradia, mas seria reformado para servir de museu. Nesta casinha Heindel escreveu as lições aos Estudantes, que mais tarde formaram alguns livros.

O museu iria conter a escrivaninha de Heindel e outros objetos que lembravam ele e a esposa. Assim que fosse possível a casa e os arredores seriam reformados. No Echoes de março de 1962 está citado que Heindel Cottage foi demolida em fevereiro, apesar da dor no peito e algumas lágrimas de antigos funcionários.

Após a fusão houve um período tranquilo no que se refere à parte espiritual, mas financeiramente estava muito difícil. Em primeiro lugar havia uma dívida muito alta perante a justiça. Em segundo lugar era necessário muito dinheiro para fazer a manutenção dos prédios e terrenos. Em terceiro lugar havia o aumento constante do material, maquinário para a impressão e distribuição; e por último os custos de impostos que subiram muito. Por estas razões, em novembro de 1959, foi enviado aos membros com direito a voto uma solicitação de autorização para arrendar alguns acres de terra, um pouco mais de um hectare. A maioria votou a favor.

Em 1960, a Califórnia necessitou de um pedaço de terra para duplicar a Mission Avenue e a Fraternidade receberia uma compensação pelo Estado. Juntamente com isto veio a notícia que Mount Ecclesia ficaria isenta do pagamento de impostos sobre o patrimônio.

Mas em meados de 1961 a Fraternidade recebeu o comunicado que todos os prédios deveriam seguir as normas do “Oceanside Code Requirement”, as leis orgânicas de Oceanside às quais novos e velhos prédios construídos deveriam seguir. Isto significava um valor considerável em manutenção e reformas, pois antes desta Lei Mount Ecclesia tinha controle próprio sobre seus prédios, esgoto, eletricidade etc. Agora não podiam mais fazer tudo sozinhos, pois deveriam ser feitos por empreiteiras registradas ou pessoas diplomadas.

Devido à falta de moradia o Conselho de Mount Ecclesia, no dia 14 de outubro de 1961, decidiu que qualquer Probacionista que assim quisesse poderia construir (no máximo cinco) casinha, atrás do Edifício da Biblioteca – que era o primeiro prédio.  Com a construção destas casinhas seria demolida Ecclesia Cottage.

Depois de ter sido feito a rede de esgoto no bosque dos eucaliptos e alguns membros se prepararem para construir algumas casinhas lá, a cidade de Oceanside recusou a autorizar qualquer nova construção, enquanto não estivessem todos os outros prédios de Mount Ecclesia conforme a nova Lei do Município e do Estado; ou que fossem demolidos. Rapidamente ficou claro que isto traria um enorme gasto. Contudo, antes desta proibição já tinham começado as obras. Com a ajuda de boas doações e empréstimos de associados puderam fazer os pagamentos.

Mas em junho de 1962 ficou claro que – para fazer as devidas restaurações, incluindo a demolição e reconstrução de alguns prédios – seria necessária mais ajuda financeira. Novamente, veio a ideia de arrendar os 3 acres, 1,2 hectare de terra no canto onde Carey Road e Mission Avenue se cruzam. Após uma pesquisa descobriram que se arrendassem este pedaço de terra iriam perder o direito de não pagar o Imposto sobre Patrimônio, enquanto que se fosse vendido isto não aconteceria. Portanto foi enviado aos associados, com direito a voto, uma carta explicativa e solicitando seu voto, onde mais da metade se manifestou favorável. O advogado de Mount Ecclesia recebeu a ordem do Conselho para conseguir autorização do Supremo Tribunal para negociar com uma refinadora uma área de 1.350 m² para construção de um Posto de Abastecimento e 3 acres ao lado de Carey Road para empreiteiros locais.

A venda de 1.350 m² ao Hancock Oil Co., rendeu US$ 35.000,00 menos 10% de comissão. No contrato de compra e venda tinha uma cláusula que o posto de gasolina não poderia ter uma oficina de conserto junto. Os empreiteiros compraram 2 acres pelo valor de US$ 30.000,00.

No dia 13 de janeiro de 1962 a Sra. Ethel Caswell, que foi funcionária da gráfica e setor de redação por muitos anos, faleceu. Ela ajudou Heindel a tipografar o Livro “Mensagem das Estrelas” e vários outros livros. Ela era casada com Ned Caswell, que conheceu em Mount Ecclesia. Com alguns intervalos, eles moraram por anos seguidos em Mount Ecclesia. 

Alguns dias depois, no dia 18 de janeiro de 1962, Esther Kristina Kjellberg faleceu. Em 1927 ela foi diretora da Escola Infantil e em 1932 ela se tornou estudante. Mais tarde ela foi secretária dos departamentos: sueco, alemão e francês.

Nem todos os prédios podiam ser restaurados a ponto de satisfazerem a Lei, ou os custos eram tão altos, que economicamente era inviável. Por esta razão, em fevereiro de 1962, Heindel Cottage foi demolida, a casinha que Heindel e sua esposa haviam morado. Em julho de 1962 a biblioteca, o primeiro prédio construído em Mount Ecclesia, também foi demolido.

No dia 26 de janeiro de 1963 o Conselho decidiu destinar a parte ao norte da Guest House[11] e ao leste do – logo depois demolido – Temple Cottage para construção de casas. Seria permitido a alguns Probacionistas construírem neste local, mas após seu falecimento as casas seriam de propriedade de Mount Ecclesia para servir de moradia aos funcionários.

Também seria definida, pelo Estado, a parte do terreno que ficaria disponível para a duplicação da Rodovia. Esta linha vai de um determinado ponto na entrada da Carey Road, até o caminho que vai até o bosque dos eucaliptos e a antiga entrada. Amic Street, o antigo caminho que vai até o bosque de eucaliptos, deveria permanecer, mas seria prolongada até onde agora é terreno da Fraternidade. A Rodovia seria duplicada, o que significa que seria construída uma nova entrada. 

No dia 1º de junho de 1963 o Conselho decidiu parar de usar o ônibus. Com isto houve uma economia anual de US$ 500,00 em seguro e manutenção. Após ser avaliado por um corretor local o ônibus foi vendido para um dos funcionários.

Em meados de 1963, Ecclesia Cottage foi demolida. Em setembro de 1964 a impressora Stonemetz foi substituída por uma Kelly de segunda mão. A partir de outubro até final de dezembro de 1964 a Fraternidade produziu uma série de doze “quinze minutos” de emissão de rádio na estação XEMO[12]. As emissões eram aos domingos, às 15:45 horas. No futuro esperavam também aparecer na TV.

No dia 7 de novembro de 1964 o Conselho se reuniu, principalmente para decidir sobre a oferta de US$ 35.345,00 feita pelo Departamento Estadual de Rodovias pelo pedaço de terras de Mount Ecclesia, que o departamento necessitava para duplicar a Mission Avenue. O caso já estava nas mãos do advogado da Fraternidade, que já havia feito uma cotação por um corretor de imóveis para definir se o preço estava de acordo com o mercado. Apesar do contrato ainda não estar assinado, o Conselho estava de acordo que o máximo possível do valor deveria ser utilizado para construir uma nova biblioteca, pois a antiga deveria ser demolida. O novo prédio seria de um único piso e teria espaço para a biblioteca, local para aulas e local para Palestras. Um prédio assim seria usado durante o ano todo, mas em especial para as Escolas de Verão e em ocasiões especiais, como, por exemplo, encontros de música ou apresentações.

Na reunião de 9 de janeiro de 1965 foi decidido aceitar a oferta de US$ 35.345,00 do Departamento Estadual de Rodovias. Também foi aceita a oferta de vender os livros do New Age sobre a Bíblia, escritos pela Sra. Corinne Smith Heline. Seria feito um acordo com o Sr. e Sra. Heline, da New Age Press, onde a Fraternidade se comprometia, no futuro, imprimir e distribuir estes livros juntamente com os da Fraternidade. Como na Fraternidade as interpretações da Bíblia tomam um lugar tão importante, isto foi considerado um acordo muito favorável e teve grande apoio. Durante cinco anos a Sra. Heline foi uma das estudantes de Max Heindel e suas interpretações das leituras sagradas eram baseadas no Conceito Rosacruz do Cosmos e outros livros escritos por Max Heindel. São três livros sobre o Antigo Testamento, três livros sobre o Novo Testamento e um sétimo livro: “Os Mistérios de Cristos”.

No final de 1964, início de 1965, foram construídas cinco casinhas para membros. No lugar onde antes estava Valley View Lodge, beirando o bosque dos eucaliptos, foi construído uma casinha com quatro quartos para quatro pessoas, com uma garagem no andar inferior.

Logo seria construído, onde antes havia casinhas, perto da Cafeteria, três alojamentos para solteiros, contendo: quarto, banheiro, chuveiro e cozinha. Entre a Cafeteria e estes alojamentos ainda tinha lugar para, no futuro, se construir mais casinhas, que teriam, como vantagem, a bela vista para o Templo e para as montanhas de San Jacinto.

Na primavera de 1966 o Estado começou a duplicar a Mission Avenue. No pedaço de terra que foi vendido as árvores foram leiloadas e as moitas removidas. A entrada também seria demolida, pois não era possível removê-la. Já havia desenhos para a nova entrada aproximadamente no mesmo local, mas um pouco mais distante da Avenida. Para aqueles que visitam o terreno ficaria praticamente igual ao que quando Max Heindel lá vivia, com o Prédio da Administração à esquerda e à direita o Emblema da Fraternidade iluminada. A nova entrada ficou pronta em janeiro de 1967.

No Echoes de setembro de 1967 está escrito que no outono os desenhos do novo Auditório ficariam prontos. O prédio seria destinado, principalmente, para apresentações musicais, teatrais e para recepções, etc.

Em fevereiro de 1968 a casinha atrás do Rose Cross Lodge, onde a Sra. Augusta Foss Heindel viveu seus últimos anos, foi demolida. Um incêndio na cozinha, provavelmente ocasionado por um curto circuito, destruiu parte da casinha e a parte sanitária já deixava a desejar há algum tempo. Por conselho da Seguradora o Conselho decidiu que era melhor demolir, pois reformá-la, conforme as leis atuais, seria muito caro. 

No lugar onde esteve Templo Cottage foi construída uma casa nova. Num futuro próximo pretendiam construir mais uma casa ao lado. Também iriam começar logo com a plantação de uma cerca viva de oleandros[13] beirando Amick Street e Mission Avenue.

Mas o plantio foi adiado até aproximadamente abril de 1970, pois deveria primeiro ser colocados tubos, para irrigar esta área. Foi definido por plantar uma espécie de Pittosporum[14], porque formam uma cerca fechada e tem flores com um cheiro que lembra as laranjeiras.

Por volta de fevereiro de 1968 foi adquirida uma nova impressora, chamada ‘kwickprint’. Foi uma doação de dois Probacionistas. Desta forma ficou mais barato para imprimir em cores, os panfletos e outros materiais.

No Echoes de agosto de 1968 foi anunciado um novo livro com o título: O Cordão Prateado e o Átomo-semente. Este livrinho de 50 páginas é uma compilação das lições dos estudantes baseados nos escritos de Max Heindel. Contém algumas ilustrações interessantes, feitas de slides que foram usadas por Max Heindel e seus estudantes, antigamente.

Aproximadamente um ano depois, em julho de 1969, dois novos livros ficaram prontos para distribuição gratuita: A Força do Pensamento, uma compilação retirada de livros de Max Heindel. O segundo se chamava O Planeta Plutão.

Apesar das brochuras divergirem em cor e tamanho, todos os livros da Fraternidade são costurados com fios verdes e impressos com o emblema e letras nas cores vermelho e dourado. Este era um plano do Max Heindel. Dois livros com exatamente o mesmo formato, costura e emblema irão chamar mais atenção e interesse. Uma fileira inteira desta forma iria chamar mais atenção ainda. Sobre o significado dos símbolos nos livros, a Sra. Lizzie Graham escreveu na Rays de janeiro de 1919, na página 358[15]

No Echoes de março de 1971 foi anunciado uma nova publicação: é um livro contendo 100 páginas com horóscopos interpretados por Max Heindel, que foram publicados primeiramente na Rays. Estas explanações não haviam sido publicadas antes. 

Na segunda-feira dia 15 de fevereiro de 1971, às 6:00 horas um dos antigos Probacionistas e colaboradores, Theodore Heline, foi libertado de seu corpo mortal.

Naquele momento ele estava internado no Hospital de Oceanside, onde estava internado a alguns dias.

Ele nasceu em 1883 em Marcus, Iowa, onde ele cresceu e se tornou ator de peças de Shakespeare. Já na juventude ele se interessou por assuntos ocultistas e em 1921, quando morava em Nova York, ele conheceu os Ensinamentos Rosacruzes. Em 1922 se tornou estudante e numa visita à Sede Central conheceu Corinne Smith Dunklee, Kitty Cowen, Mary Roberts e outros que lá trabalhavam ativamente. Em 1925 ele se tornou Probacionista e dedicou alguns anos dando aulas no Centro da Fraternidade, palestrando e dando entrevista em estações de Rádio. Em 1932 ele voltou a visitar a Sede Central, e iniciando com a edição de agosto ele foi, por um ano, redator da Revista: Rays from the Rose Cross. Neste período ele fez amizade com Corinne Smith, que trabalhava como assistente na redação, e logo depois se casaram. Após se mudarem para Los Angeles, ambos dedicaram seu tempo a escrever, fazer palestras, divulgar e publicar os livros da “New Age Bible Interpretation”. Em 1965 eles se mudaram para Oceanside onde viveram até o falecimento do Sr. Heline em 1971. Logo depois a Sra. Heline se mudou para Glendale, na Califórnia, e de lá para Santa Monica, onde faleceu em 26 de julho de 1975.

Os escritos de Theodore Heline descrevem sobre a explicação das peças de Shakespeare e sobre a visão ocultista sobre os negócios do Mundo e outros assuntos; dão um testemunho de sua habilidade como escritor, a sua intensa aproximação aos mistérios ocultos, e a sua dedicação como aspirante espiritual.

Em 1971 e 1972 foram divulgadas mais algumas publicações, como um cartão gráfico que dava as posições de: Saturno, Urano, Netuno e Plutão entre os anos de 1800 e 2000. Uma série de desenhos dos Signos do Zodíaco, em preto e branco. Um panfleto para distribuição gratuita com o título: Retrospecção e Concentração. Um livro de, aproximadamente, 60 páginas que contém todos os diagramas do Conceito, e uma brochura com quarenta e uma páginas com o título: A Morte e a Vida depois Dela e uma brochura com o título: Retardamento Mental.

Em 1972 surgiram mais publicações, onde a principal delas é o Conceito em Braille.

Em junho de 1972 adquiriram uma impressora offset. Para dar uma dimensão da quantidade de livros vendidos naquele ano, seguem aqui alguns números: The Rosicrucian Cosmo Conception: 4.646 exemplares; New Age Vegetarian Cookbook: 4.437 exemplares; Tables of Houses: 15.947 exemplares; Ephemerides: 4.437 exemplares e formulários de horóscopos: 286.000 exemplares. 

De tempos em tempos são necessários concertos e manutenções. Assim, na primavera de 1971 pintaram, novamente, a Cafeteria e fizeram as manutenções necessárias na Entrada Principal. No verão de 1973, no Prédio da Administração e, em outubro de 1974, o antigo Sanitarium, que virou Casa de Hóspedes. Contudo, o acontecimento maior foi na quinta-feira dia 12 de novembro de 1974, às 12:45 horas, quando colocaram a primeira pá no chão para a construção do novo Prédio da Administração, exatamente a oeste do anterior que foi construído em 1917. Em tempo recorde de três meses, no dia 18 de fevereiro de 1975, ele foi inaugurado.

No prédio inteiro tem carpete em tons de azul, enquanto os funcionários podiam escolher a cor das paredes e cortinas. Principalmente tons pastel entre o verde claro e amarelo.

Capítulo 15 – Em Direção a um Novo Ciclo

No Echoes de maio de 1975 está escrito: “O Conselho de Administração tomou a decisão de um dos passos mais importantes para a Fraternidade desde a compra desta terra feita por Max Heindel. Foi enviado à Comissão de Planejamento da Cidade de Oceanside um plano de desenvolvimento geral. Tudo o que o Conselho de Administração sugeriu foi aceito. Isto significa que todas as construções no futuro podem continuar sem serem bloqueadas pelo Município.

Cada centímetro do terreno tem um plano para que qualquer desenvolvimento ocorra de forma ordenada e estética. O plano será executado nos próximos dez a quinze anos.

Já estamos felizes com o novo prédio da administração, e agora, que ainda cheira a novo e estamos mobiliando, já começamos com a construção dos apartamentos dos funcionários. Deve ser uma construção com um andar superior, com seis quartos individuais, quitinetes e um banheiro. Terá um terraço ao norte onde poderão se sentar e observar a paisagem”.

O novo prédio da administração foi uma doação do Sr. Gene Franzman. O Sr. David Johnson me escreveu: “Este prédio foi uma doação de um amigo meu, o Sr. Gene Franzman. Ele era Probacionista e participava do Conselho de Administração, morava em Mount Ecclesia e trabalhava na Biblioteca da Fraternidade Rosacruz. Ele doou milhares de dólares para construir este prédio e morava dentro dele até que se mudar para San Diego. Ele era músico de profissão e empregou seu dinheiro da aposentadoria neste prédio para os funcionários. Ele tinha 90 anos quando faleceu em San Diego. Nos anos 70 e 80 ele trabalhava na Sede Central. Eu o conheci em Tucson, quando nós seguíamos os cursos do Rosacruz nos anos de 1967-1969. Ele se interessou tanto pelos ensinamentos que ele comprou uma igreja velha e a doou ao Centro, até que em 1970 ele deixou o Arizona. Como o número de estudantes diminuiu a igreja voltou para Gene, que a vendeu por volta de 1971. Naquele tempo ele se mudou para a Sede Central levando com ele o dinheiro da venda para construir este prédio”[16].

O Echoes de maio de 1975 continua: “Com o tempo será construído mais um prédio para os funcionários. Também tem espaço para mais trinta e duas casas ou chalés. Finalmente será construída uma nova biblioteca, um prédio para educação, uma de uso multifuncional – que poderá servir como local de aulas – e cafeteria ou uma combinação de ambas com portas dobráveis que quando necessário poderá aumentar o tamanho. Pense que tudo isto já está autorizado pelo Município e o alvará de construção já foi concedido. O Município solicitou que colocássemos encanamentos para água com 15 cm de diâmetro para melhorar a defesa contra incêndios. Logicamente faremos isto com prazer. Também foi decidido fazer uma nova entrada.

A parte exterior não foi esquecida. Com este plano que prevê todas as obras futuras, assim como onde se localizarão estradas e prédios, também é possível determinar o local de todas as árvores e o paisagismo. Incluindo aqui um parque para meditação, onde as pessoas podem ir para curtir a tranquilidade e a natureza. Também haverá, para os que tiverem mais disposição, um centro de recreação, uma quadra de tênis e basquete”.

Numa determinada noite, perto do final de abril de 1975, houve um incêndio no depósito, separado da grande parte central no prédio antigo da administração. Os bombeiros cobriram todas as máquinas de impressão e papéis para evitar danos de inundação. Isso foi feito com sucesso, como ficou claro na manhã seguinte quando todas as máquinas funcionaram normalmente. Felizmente todos os escritórios já haviam mudado para o prédio novo quando este incêndio aconteceu. É preciso pouca imaginação para saber o que aconteceria se ainda estivessem no prédio antigo.

Em março de 1976 foi construído um prédio anexo ao norte da Administração, porque a encadernadora e expedição necessitavam de mais espaço, e também para a estocagem dos livros.

Em 1963 Oceanside havia declarado que Rose Cross Lodge estava inabitável e depois disto foi se deteriorando cada vez mais, portanto, no verão de 1977 tomou-se a decisão de demolir o prédio. Em outubro as estradas asfaltadas no terreno ganharam uma nova camada de asfalto conforme as normas.

No Echoes de fevereiro de 1982 foi declarado que no quarto escuro da gráfica havia sido instalado uma nova câmera vertical. Este aparelho moderno permitia imprimir fotos tanto em preto e branco, quanto coloridas na Rays. Esta nova câmera podia fazer fotos de 7,5 cm até 50 X 60 cm.

Em setembro de 1981 iniciou em Mount Ecclesia o período do computador. Todos os dados dos membros efetivos, simpatizantes, doadores e os que compravam livros foram inseridos num computador de dez milhões de bytes.

No sábado, dia 2 de setembro de 1978, faleceu um rico senhor de Portland, Oregon, aos 92 anos, chamado Fred Meyer. O Sr. Meyer, que conheceu Max Heindel em meados de 1909, sempre fez doações para a Sede Central e após seu falecimento ele deixou US$ 200.000,00 para a Fraternidade, o valor mais alto do seu testamento. Conforme os dados do tribunal ele deixou um milhão de dólares para sua família e funcionários enquanto os outros US$ 48 milhões eram para formar um fundo de caridade. Este fundo era para fins religiosos, caridade, pesquisa, literatura e educacionais e dos quais uma parte era dirigida à Fraternidade Rosacruz. A Fraternidade não tinha conhecimento disto, até que um repórter do Blade-Tribune, no sábado dia 9, os comunicou disto, pois não haviam sido comunicados pelo executor do testamento de Oregon.

Em junho de 1982 veio uma doação de US$ 100.000,00 que deveria ser aplicada conforme algumas condições em um documento anexo que foi enviado no dia 14 de junho. A Associação Beneficente de Fred Meyer informou a Fraternidade Rosacruz que poderia haver uma doação regular para financiar projetos, prioritariamente no noroeste dos Estados Unidos.

Após analisarem cuidadosamente diversas ideias o Conselho de Administração decidiu aplicar os US$ 100.000,00 da seguinte forma:

  1. Comprar uma impressora Offset que teria capacidade de aumentar a quantidade de livros da Fraternidade de alta qualidade e com o preço menor possível.
  2. Comprar uma máquina de tipografia computadorizada moderna para o departamento editorial. Esta tipografia nova era, em princípio, um computador muito potente que pode fazer várias funções de computador quando não usada como tipógrafo e através de cabos ou linhas telefônicas ser conectada a outros computadores e fazer interligações com membros espalhados pelo mundo todo.
  3. Também foi autorizada uma campanha de publicidade numa estação de rádio local para transmitir na região de San Diego.

No Echoes de fevereiro de 1983 foi anunciado que: “este ano, durante o encontro da Escola de Inverno, abriremos o ‘The Rosicrucian Fellowship Museum’ distribuído por três recintos na Casa de Hóspedes. Durante muitos anos juntamos várias peças utilizadas pelo Sr. e Sra. Augusta Foss Heindel e de outros pioneiros que trabalharam em Mount Ecclesia. Contudo, até pouco tempo não havia espaço para montar um Museu. Agora isto ficou possível. O Museu será aberto para membros e amigos da Fraternidade”.

Em fevereiro de 1983 foi colocada uma nova placa perto da entrada, que era vista a distância por quem caminhava e pelos carros que passavam na rodovia.

Em março a Fraternidade ganhou de presente da Jackson & Perkins Company de Medford, Oregon, 180 roseiras. Estas foram plantadas perto do Templo e do Departamento de Cura.

Em junho de 1983 decidiram publicar um ‘jornal de visão e introvisão espiritual’, chamado Mystic Light. Foi pensado em um jornal de qualidade com oito páginas, que conteria um artigo de Max Heindel, um artigo sobre astrologia e outros artigos que seriam para estimular tanto a Mente quanto o Coração. O preço da anuidade era US$ 10,00 e para dois anos US$ 18,00. Era intenção que uma parte desta publicação do Mystic Light fosse enviado pelo computador para milhares de pessoas que tivessem interesse em receber desse modo.

Isto durou até dezembro de 1983. Por questões financeiras e técnicas precisaram parar com a publicação. Contudo, Rays from the Rose Cross, que desde janeiro de 1982 era publicado a cada dois meses, voltou a ser mensal e encadernado em formato novo e chamativo.

No início de 1984 foram escritos alguns livros para crianças: O Horóscopo da Sua Criança – parte 1 e 2, de Max Heindel, e Histórias Aquarianas para Crianças.

Uma nova jardinagem, desenvolvida por paisagista, incluindo projeto de irrigação, foi colocada na primavera de 1986, em frente à Casa de Hóspedes. Todo este trabalho foi realizado pelos membros e funcionários da Fraternidade.

No outono de 1986 a Fraternidade ganhou outra doação de US$ 100.000,00 do Fundo Fred Meyer de Portland. Esta doação foi utilizada para fazer um novo sistema de distribuição de água.

No verão de 1987 o Centro New Age Bible de Santa Barbara ponderou sobre o fato de deixar a Fraternidade imprimir os livros de Corinne Heine. Aceitaram a oferta, porque a Sra. Heline havia sido estudante de Max Heindel.

Em janeiro de 1989 foi anunciado um novo livro. Foi escrito por Robert Lewis e o título era: “The Sacred Word and its Creative Overtones”. O escritor tenta, com a ajuda da música, colocar uma conexão entre a religião e a ciência através da música. Em abril foram impressos 1500 exemplares.

Na primavera de 1987 faleceram algumas pessoas que eram membros por muitos anos. Eram: Hede Deen, que foi secretária de Alemão por dezesseis anos e que era membro ativo no Centro de Nova York antes de se mudar para a Sede Central em 1960.

Pearl Williams veio em 1928 para a Sede Central e alguns anos depois retornou e permaneceu lá o resto de sua vida. Em verdade ela cobriu todas as funções em Mount Ecclesia. Senhorita Williams começou como secretária de Espanhol e por muitos anos foi redatora da Rays, Presidente e mais tarde Membro do Conselho.

Richard Parson se associou a Fraternidade Rosacruz no início dos anos trinta e trabalhou lá por vários anos. Ele e sua esposa Roma voltaram para a região de Oceanside em 1974. Richard Parson esteve no Conselho, fazia palestras durante as Escolas de Inverno e Verão e era tesoureiro, quando faleceu no início da manhã de Páscoa.

Um ano depois em maio de 1988, Hans Mader faleceu, deixando sua esposa Frieda. Por mais de quinze anos foi funcionário em Mount Ecclesia.

No verão de 1987 a sala da História, situada na ala norte da Casa de Hóspedes, ficou totalmente pronta. Esta sala continha muitas fotos, livros, manuscritos e artigos sobre o crescimento de Mount Ecclesia durante os anos que se passaram.

O jornal mensal Rays from the Rose Cross voltou a ser bimestral em janeiro-fevereiro de 1988. O conteúdo mudou de 48 para 64 páginas.

Em 1988 Oceanside comemorou seu centenário. Em homenagem a esta festa, a Historical Society de Oceanside fez um lindo livro de capa dura. Neste livro tem uma página inteira sobre a história de Mount Ecclesia e uma página dupla com a foto colorida do Templo de Cura.

A Cruz original, que foi plantada no dia 28 de outubro de 1911, foi totalmente renovada na primavera de 1991. Também o emblema iluminado – que foi inicialmente doado por Probacionistas de Seattle, Washington, transportado por trem em 1912 para a Sede Central – foi lindamente reproduzido, colocaram lâmpadas novas e uma estrela reluzente.

Também o topo do Templo de Cura foi trazido abaixo. Ele praticamente caiu em pedaços quando foi colocado na mesa que estava pronta para sua reforma. Após estudo cuidadoso e de olho no desenho original, este também foi substituído e colocado novamente em cima do Templo. Simbolicamente este emblema representa a Terra na próxima Era. Com suas nove luzes circundantes representam a condição do ser humano com o Traje de Bodas desenvolvido e substituindo o Cristo como espírito planetário.

A Cidade de Oceanside fez uma nova lei no dia 24 de abril de 1991 sobre terremotos, com o objetivo de proteger os moradores e propriedades de Oceanside. Relatórios científicos sobre possíveis terremotos na Califórnia de amplitude catastrófica originaram esta nova Lei.

A Prefeitura declarou que três prédios de Mount Ecclesia eram inseguros. Para contestar até que ponto a Prefeitura tinha razão os proprietários poderiam fazer seu próprio relatório. Isto significava que a Sede Central, assim como vários moradores de Oceanside, deveria contratar um engenheiro e os serviços de laboratório, para fazerem os relatórios que demonstravam que os prédios já continham aço suficiente em suas construções para contestar as exigências da Prefeitura. Se a Sede Central não fizesse isto dentro do tempo determinado teria apenas duas opções: ou demolir os prédios ou conseguir o valor necessário para deixar os prédios em condições adequadas conforme as exigências da Lei de Terremotos. Um engenheiro, que tinha as qualificações exigidas, fez um orçamento de US$ 11.000,00 para fazer os testes nestes prédios.

Foi comunicado aos membros em março-abril de 1992 que um pedaço das terras conhecido como ‘the Carpenter Property’ havia sido vendida. Era localizada na parte do pé do morro onde se localiza Mount Ecclesia. Este pedaço já estava arrendado a muito tempo para um Ferro Velho e estava na lista de impostos de patrimônio. O Conselho nunca considerou este pedaço de terra como pertencente a Mount Ecclesia.

No Echoes de março-abril de 1993 foi anunciado que a Sede Central adquiriu um sistema de Computador no valor de US$ 12.000,00 para substituir o velho sistema Micro V.

No Echoes de julho-agosto de 1994 foi anunciado que a restauração do Templo ficou pronta, com uma nova cúpula e topo. Os profissionais que trabalharam na reconstrução do metal contaram que perceberam que saía uma energia “elétrica” dela o que eles acharam muito interessante e incomum.

A Capela e a Cafeteria também ganharam nova pintura. Em dezembro também ficaram prontas as novas instalações de irrigação e o asfalto das estradas.

Em fevereiro de 1995 foi concedido o direito de inscrever o Templo de Mount Ecclesia como Monumento Histórico dos Registros Estaduais da Califórnia. O Templo foi construído em 1920, portanto, setenta e cinco anos antes.

Em julho de 1997 foi anunciado um novo livro chamado “Memoirs about Max Heindel and The Rosicrucian Fellowship”. Augusta Foss Heindel escreveu este livro em 1941 e foi, mais ou menos, publicado em quarenta e nove edições no Echoes, iniciando em 01 de janeiro de 1948. A publicação foi possibilitada por uma doação. O livro contém 125 páginas e com noventa fotos preto-branco e oito fotos coloridas.

Novo também era o livro Echoes from Mount Ecclesia 1913-1919, que foi possibilitado por uma doação em fevereiro de 1998. O Echoes tem 608 páginas e cinquenta e uma fotos históricas em preto-branco; à maioria diferente das que estão no Memoirs.

Em março de 2001 o administrador do website da Fraternidade começou com a publicação dos relatórios das reuniões da Curadoria, tanto o Executivo quanto o Esotérico que se tornou uma fonte de muita informação, incluindo os livros de Max Heindel e os panfletos da Fraternidade Rosacruz. Na reunião de março de 2002 foi decidido que estes relatórios seriam disponibilizados para os que tivessem a senha, mas os documentos legais, como o Estatuto e regulamento interno estariam disponibilizados para todos. Também foi decidido publicar no Echoes um relatório periódico da situação financeira. Para economizar nos custos de correio o Conselho decidiu diminuir o tamanho do Echoes, que continha oito páginas e também fotos coloridas.

No dia 13 de julho de 2002 Kenneth Ray deixou de ser o paisagista do terreno para se dedicar a um jardim especial como memória de Max e Augusta Heindel.

No verão de 2002 houve nova crise econômica que também foi sentida por Mount Ecclesia. No Echoes foi anunciado que no dia 15 de julho o Conselho enviaria uma carta para os 7000 membros dizendo que apesar de todas as tentativas de diminuir os custos ainda seria obrigado a vender ou arrendar uma parte das terras compradas (1,8 ha) em 1928. Por insistência dos Irmãos Maiores a Fraternidade nunca pediu dinheiro para se associar, fornecer informações ou promover o ensino. Tudo é financiado com doações, legados ou no lucro da venda dos livros, o aluguel dos quartos para funcionários ou visitantes, e a receita do Restaurante. A Fraternidade sempre ficou na beira do sustento, de modo que uma crise econômica causa consequências catastróficas para uma instituição que nunca focou no material.

No Echoes de jan-fev 2003 está escrito que do total de 5527 membros apenas 13% moram nos EUA. Mais adiante que 25% dos membros falam inglês e que do total de membros apenas 20% fazem aportes mensais.

No outono de 2003 Elizabeth Ray e seu marido Kenneth deixaram suas funções como secretária esotérica e jardineiro e se mudaram para Wisconsin.

Vemos pelo mundo que existem três grandes tentações que a maioria das pessoas consegue resistir com dificuldade: dinheiro, poder e sexo. Durante a candidatura da Curadoria em 2003 o Sr. Francisco Nacher de Madri, Espanha, conseguiu convencer uns vinte Probacionistas do Centro de Los Angeles para votarem nele. O resultado foi catastrófico. Dentro de pouquíssimo tempo aquela Curadoria demitiu alguns trabalhadores eficientes e confiáveis e em seu lugar colocaram outras pessoas. A Curadoria demitiu Charles Weber sem aviso prévio, suspendeu-o de ser membro pelo prazo mínimo de 5 anos e tirou-o da casa onde morava, acusando-o de “injúria e difamação de Max e Augusta Heindel”.Pelo fato de demitir Charles Weber a revista Rays from the Rose Cross deixou de ser publicada. Pela primeira vez em 91 anos desde que Max Heindel em junho de 1913 publicou seu primeiro Echoes from Mount Ecclesia, a Fraternidade Rosacruz não tinha mais jornal periódico dos Ensinamentos Ocidentais Ocultos. As flores e plantas tropicais do jardim secaram e morreram e o mato tomou conta. Pouco depois Mary Reed, da contabilidade, foi demitida e ninguém a substituiu.

Quando a situação foi comunicada aos membros através de e-mail, estes expressaram sua indignação parando com as contribuições voluntárias. Para obter dinheiro a Curadoria vendeu, em junho de 2004, quatro palmeiras enormes. Mais tarde estas palmeiras foram reconhecidas sendo plantadas ao longo da Rodovia. Em 2007 foi comunicado que todas estas palmeiras que vieram das Ilhas Canárias sofriam de uma doença incurável e que iriam sucumbir a isto.

Como consequência da insatisfação, Nadine de Galzain entregou uma petição ao Tribunal no dia 29 de abril de 2004, por má administração. No dia 1º de junho de 2004 o Tribunal enviou o Juiz aposentado David Moon para montar uma Comissão de arbitragem em Mount Ecclesia. Por força da Lei a Curadoria vigente foi desfeita e uma nova Curadoria temporária foi instituída com três membros de cada lado, para dar continuidade até que um definitivo fosse escolhido, o que aconteceria em 25 de fevereiro de 2005. O prazo de início da nova Curadoria seria dia 09 de abril de 2005.

Conforme o julgamento do Tribunal no dia 1º de junho de 2004, que entrou em vigor no dia 1º de julho de 2004, foi definido o seguinte: Os três escolhidos que tiverem mais votos ficarão na Curadoria por três anos. Os três que se seguirem em número de votos ficarão por dois anos na Curadoria e o restante permanecerá por um ano.

Esta Curadoria Temporária assinou um acordo em dezembro de 2004 que o Projetista Dan Jensen teria o direito de arrendar uma parte do terreno por 99 anos e lá construir um condomínio de flats.

No Echoes de abril de 2005 tem a boa notícia que a Fraternidade recebeu uma doação de US$ 13.000,00 em debêntures. Em um e-mail datado de 29 de dezembro de 2005 para a Curadoria está escrito: “Doação para a Fraternidade Rosacruz no valor de US$ 15.000,00.

Na carta tem, entre outros, o seguinte:

“É bom recebermos, mas, agora temos que dar. A Sede Central foi novamente atacada por Marie José Clerc, que fez um processo contra a Fraternidade e a maioria da Curadoria de 2004, e que neste ano em julho iniciou mais uma vez entrou com uma ação contra a Fraternidade e sete dos Membros da Curadoria. Como consequência destas ações na justiça foi e está sendo dispendido muito tempo e dinheiro em custas judiciais.

O objetivo principal de ambas as ações é destituir a Curadoria escolhida legalmente com base em tecnicidades obscuras e de menor importância.

…. Ainda que a Fraternidade possa usar esta doação onde melhor lhe convier, é desejo do doador que seja considerado preferencialmente o uso do dinheiro como se segue:

  1. Para ajudar a pagar a parte da defesa legal da Fraternidade contra as ações judiciais apresentadas por Marie-José Clerc, pela parte que não estejam cobertas por seguro da instituição.
  2. Para ajudar a pagar os custos legais e de consultoria necessários para encontrar uma fonte de renda alternativa para a Fraternidade.

Sinceramente, um doador anônimo”.

Também foi anunciado neste Echoes de abril de 2005 que em janeiro de 2005 foi recebido um legado de uma herança de um velho membro no valor de US$ 93.000,00, o que significava que teria dinheiro suficiente para pagar todas as dívidas.

Charles Weber colocou de julho a dezembro 52 números do Rays from the Rose Cross que ele mesmo havia editado em seu website. No final de dezembro foi enviado a ele uma carta do advogado da Curadoria, ordenando que fossem retirados imediatamente esses Rays do seu website e que também não poderia utilizar o emblema Rosacruzes, consequentemente estes números foram retirados.

Na reunião extraordinária de 22 de outubro de 2006, Renate Shoemacker foi escolhida como Presidente substituindo Virgilio Rodriguez; Louis Blanco ficou Vice-Presidente, no lugar de Danielle Chavalarias, e Alexandra Porter substituiu a Danielle Chavalarias, como Presidente da Curadoria; com isso duas pessoas malquistas nesta história saíram de cena. Elas foram os líderes que tentaram vender uma grande parte das terras de Mount Ecclesia e ofereceram um contrato de arrendamento para um empreiteiro por 99 anos para construir flats. Montaram um contrato, sem o conhecimento dos membros da Fraternidade. Membros das famílias Chavalarias, Rodriguez e Manimat foram intimados a deixar suas moradias até 31 de dezembro. Daniella Chavalarias e Virgilio Rodriguez mantiveram suas posições como Membros da Curadoria. No outono de 2006 haviam apenas dez funcionários pagos trabalhando em Mount Ecclesia, dos quais três não eram membros, e mais cinco voluntários, dos quais quatro não eram membros. Dois voluntários eram pagos por um programa de subsídio para funcionários antigos de entidades sem fins lucrativos. Em janeiro de 2007 os funcionários registrados em Mount Ecclesia recebiam US$ 8,00 por hora, o salário mínimo da Califórnia.

O autor recebeu uma notícia de Marie-José Clerc, que no dia 5 de dezembro de 2006 ela ouviu o seguinte:

“- Que o caso judicial só seria finalizado quando ela assinasse os últimos documentos que foram enviados por e-mail.

– O acordo foi assinado e enviado para San Diego para ser registrado. Portanto, atingi meu objetivo principal: defender as terras da Fraternidade.

– Até este momento a ação judicial custou US$ 16.000,00. Ainda assim, terei de pagar os custos do Tribunal, mais alguns mil dólares”.

No Echoes de julho-setembro de 2007, Alexandra Porter, a Presidente da Curadoria, cita alguns pontos financeiros que estão programados. Como segundo ponto ela comenta a doença das palmeiras das Ilhas Canárias. Ela escreve que trinta Palmeiras das Ilhas Canárias estão infectadas desde 2004, e das quais sete já morreram. A Curadoria decide vender a maioria das palmeiras para a Junglescape Company, que também retiraria as palmeiras doentes para cobrir os custos. No início de novembro Ken Ray manda uma reação à Curadoria, por e-mail, com cópia a vários membros, que nos últimos quatro a cinco anos só morreram 5 palmeiras devido a doença Fusarium Wilt. Que não existe remédio contra esta doença, mas que com um cuidado especial poderia prolongar a vida das palmeiras infectadas por vários anos. Um membro havia deixado um especialista inspecionar as palmeiras e este não havia encontrado sinais da doença. Todas as árvores retiradas, excetuando as cinco mortas, foram vendidas. O empreiteiro que retirou as plantas comentou com um membro que elas não estavam doentes. Se conforme o Membro da Curadoria, Luis Blanco, foram retiradas 62 palmeiras, das quais cinco estavam mortas, significa que foram vendidas 57 por um preço médio de US$ 3.500,00 significando uma receita de US$ 199.500,00, descontando os custos das árvores mortas. Em julho foram vendidas mais, no mínimo, dez árvores.

No Echoes de julho-setembro de 2008 tem um demonstrativo financeiro do último trimestre, de março-maio 2008. Aqui aparece que a Sede Central finalmente gastou menos, US$ 50.819,00, do que arrecadou: US$ 67.846,08. Isto parece uma notícia muito boa, mas é realmente assim?

Por alguns anos já estava economizando o máximo. Está se trabalhando com falta de funcionários, não fazem mais cursos e também não estão mais imprimindo livros em Inglês ou Espanhol. Sob a liderança de Alexandra Porter vários membros americanos foram expulsos com uma atitude positiva. Cursos e Escolas de Verão não são mais organizados. No tempo de Max Heindel os Probacionistas e Estudantes recebiam lições mensais com uma carta anexa. Sra. Augusta Foss Heindel deu continuidade a isto. Mais tarde só havia uma carta mensal aos Probacionistas e Estudantes. Desde 2006 estas cartas se tornaram trimestrais. Portanto, não há motivo nenhum para contentamento. No dia 5 de julho de 2008 foi escolhido um novo Conselho com o Sr. Edgar Anderson como Presidente, o Sr. Jim Noel como Vice-Presidente, Sra. Madeline Burgess como tesoureira e o Sr. Jean de Galzain como secretário. A Srta. Alexandra Porter foi forçada a deixar a Sede Central e não poderá mais exercer nenhuma função lá. Com esta alteração chegou ao fim vários anos de má administração e podemos esperar que 2009 será um ano festivo para relembrar que um século atrás – no dia 8 de agosto de 1909 – The Rosicrucian Fellowship foi fundada e em novembro deste mesmo ano The Rosicrucian Cosmo Conception foi publicado.

Para os membros americanos da Fraternidade a situação sempre foi totalmente diferente do que dos outros membros. Muito rapidamente após a fundação da The Rosicrucian Fellowship os livros em Inglês de Max Heindel foram traduzidos para holandês, francês, alemão, italiano, português, espanhol e outras línguas e nos diversos Centros vendidos aos membros que tivessem interesse. Por este motivo, e porque os interessados podiam conseguir as lições em sua própria língua, a relação com Mount Ecclesia era mais uma formalidade do que uma necessidade.

Nos Estados Unidos os livros eram impressos e distribuídos pela Sede Central e que também poderiam ser comprados em livrarias. Apesar dos Centros nos Estados Unidos, a Sede Central permaneceu realizando uma função central. A forma como os americanos consideram Mount Ecclesia é, portanto, totalmente diferente do que, por exemplo, os europeus a veem. De fato, os Centros Europeus são autônomos e independentes da Sede Central, e por isso se sentem, financeiramente falando, menos responsáveis do que pelo próprio Centro. Também estão menos interessados pelo que acontece na Sede Central, porque também não tem a visão sobre o que acontece. Com a vinda do computador muita coisa mudou. Pela internet os trabalhos de Max Heindel foram traduzidos para muitas línguas, entre as quais: inglês e espanhol, ficando disponíveis para muitas pessoas. Membros e interessados começaram a trocar informações e também os membros americanos foram estimulados a fazerem sua parte. Além dos livros de Heindel em inglês, que se encontram na Internet, nove membros se dedicaram a redigitar a revista Rays from the Rose Cross e o jornal Echoes from Mount Ecclesia, que foram escritos sob a orientação de Max Heindel, fizeram um novo formato, mas tentaram manter o mais próximo possível do original. Para isto podemos agradecer, citando em ordem alfabética: Antonio Ferreira, Jamis Lopez, Margie Petit, Alexandra Porter, Elizabeth Ray, Jorge Rey e Lynne Ross que digitaram os textos e Allen Edwall pela informação técnica e Charles Weber pela formatação. Max Heindel considerava o Rays como um meio muito importante para divulgar os Ensinamentos Ocultos do Ocidente. A este desejo foi dado ouvidos através da Internet. Sem dúvida alguma, muitas outras iniciativas neste sentido serão tomadas no futuro. Até que ponto a Sede Central pode e quer dar sua colaboração para isto está fora de perspectiva. Ela é apenas um auxílio que tem o direito de existir enquanto cumprir com a sua função. As pessoas não devem se apoiar nisto. Max Heindel mesmo disse: “A Fraternidade Rosacruz não é apoiada e nem animada pelos Irmãos Maiores. Eles me deram os ensinamentos, com a condição que eu os espalharia com os meus melhores meios. Eles declararam que iriam também ajudar outros que se prontificaram a este objetivo. Pesquisadores destes ensinamentos se juntaram para um bem comum. Contudo, não existe nenhuma linha totalmente definida, nem organização fixa, e também não há intenção de formar uma, mas as pessoas podem adquirir este conhecimento onde acharem melhor”[17]. A Sede Central também não é uma obrigatoriedade para os membros e cada um faz as coisas à sua maneira, e aquilo que está ao seu alcance, de uma forma que no passar dos séculos, sempre foi trabalhado. Uma instituição como a Sede Central não pode funcionar sem regras, prédios e pessoas e para isto necessita de dinheiro. Contudo, aqui também estão suas restrições. Max Heindel também fala: “Nós não podemos deixar de ter uma organização na Sede Central. Contudo, a sociedade deve se manter livre disto, para que possamos ter o maior crescimento anímico possível e uma longa existência possa ser assegurada. É triste pensar que mesmo sendo este nosso ideal, a Fraternidade Rosacruz irá seguir o mesmo caminho que qualquer outra organização. Ela irá se prender a leis e abuso de poder irá fazer com que cristalize e caia em pedaços. Temos como consolo que em seus destroços algo maior e melhor irá nascer como em outras construções que já atingiram seus objetivos e agora estão em estado de declínio”[18].

Mas Heindel também nos diz que “um dia … no futuro, provavelmente quando o Sol estiver em Aquário[19], a Ordem Rosacruz nos seguirá. Ela também irá construir um Templo aqui, muito mais influente que nós um dia esperamos conseguir construir. O trabalho que agora é feito no Templo dos Rosacruzes, que está situado na Alemanha, irá prosseguir; talvez este Templo será realocado. O escritor [Heindel] não sabe com certeza, mas aquela estrutura é totalmente etérica”[20].

O futuro distante irá determinar onde será este lugar. Talvez seja no lugar que tenha o mesmo nome onde o Templo que hoje está na Montanha de minério, em Saksen, na Alemanha.

Mount Ecclesia fica a aproximadamente 3,5 km de Oceanside. Saindo da Estação deve se andar pela Main Street que se torna a State Highway 76. Antigamente esta estrada se chamava Mission Avenue. Perto da entrada tem uma bifurcação. A antiga Mission Avenue agora se chama Amick Street. A partir da entrada principal, ao lado de 2, 7 e 8 fica a Ecclesia Drive. A parte curta e reta a seguir se chama Temple Drive. A parte entre Ecclesia Drive e Temple Drive, onde tem algumas casas, se chama Melody Lane. O pinheiro em frente a 10 e 12 foi plantado por Max Heindel.

Na Figura 102, o mapa de Oceanside, pode se ver quase acima olhando da esquerda para a direita uma linha preta escura; esta é a Rodovia 76. Onde a curva dobra para baixo fica ao norte, nesta curva da Rodovia, Mount Ecclesia.

Capítulo 16 – Método Ocidental de Iniciação

A maioria das pessoas pensa na “Iniciação” como uma cerimônia específica, muitas vezes pagando um valor expressivo, de uma ou outra Sociedade. Aqui não é assim. Aqui queremos dizer algo bem diferente, uma experiência interna com consciência absoluta que o candidato adquire a capacidade de entrar nos mundos espirituais conscientemente, em qualquer momento que ele ou ela desejar.

Max Heindel descreve a Iniciação da seguinte forma: “Quando chega o momento [da Iniciação] o candidato esteve cultivando internamente certas faculdades, acumulando certos poderes para servir e ajudar, dos quais é quase sempre inconsciente ou não sabe como usar corretamente. A tarefa do iniciador é, então, muito simples: mostra ao candidato as faculdades latentes, os poderes adormecidos, e inicia-o no seu uso, explicando-lhe ou demonstrando-lhe, pela primeira vez, como o candidato pode despertar essa energia estática, convertendo-a em poder dinâmico”[21].

Iniciação, portanto, é o resultado final de um processo espiritual curto ou longo no qual o ser humano com sua própria força entra nos mundos espirituais com a mesma consciência que se vive no Mundo Físico; também o candidato desenvolve a clarividência, mesmo que este último ainda não esteja sob seu controle.

Faz muita diferença se o candidato seguir o Método Ocidental da Escola de Pensamento Rosacruz ou de uma das outras seis Escolas dos Mistérios Menores. O Método Ocidental de Iniciação é baseado no Cristianismo e ensina o candidato desde o princípio a ficar sobre seus próprios pés e ser independente de outros. O candidato tem um Mestre que é mais considerado como um amigo, um orientador. Esse método também é para construir o Corpo Vital. Este Corpo Vital é uma cópia exata do Corpo Denso, que o interpenetra, mas estende-se uns 4 cm do Corpo Denso. O Corpo Vital tem em sua composição material da Região Etérica e é constituído por 4 Éteres:

          Éter Refletor   – memória

          Éter de Luz     – percepção sensorial

          Éter de Vida   – propagação

          Éter Químico – assimilação e eliminação

O método oriental de Iniciação é baseado no Hinduísmo ou Budismo. O candidato tem um Mestre a quem deve obediência sem questionamento. Por eles o Corpo Vital é visto como algo insignificante, pois eles consideram que não pode ser desenvolvido como um corpo de consciência. Eles acreditam que devem desenvolver o Corpo de Desejos. O Corpo de Desejos tem o formato de um ovoide e interpenetra o Corpo Denso e estende-se em uns 40 a 50 cm. Não contém órgãos como o Corpo Vital. O Corpo de Desejos é composto de vórtices e ainda está em um estágio rudimentar[22].

Em seu livro Maçonaria e Catolicismo, Max Heindel descreve o caminho do Ocultismo Cristão ou Esotérico[23], guiado pelo seu conhecimento, em contrapartida do Cristão Místico[24] que é guiado pela sua fé. Ambas as formas são unilaterais e um dia terão de ser unificadas. Por este motivo a Fraternidade Rosacruz aconselha fortemente e tenta equilibrar o pensar e sentir e unificá-los.

Existem sete Escolas de Mistérios Menores que correspondem aos sete raios em que a humanidade está dividida. Cada Escola ou Ordem corresponde a um destes sete raios que podem ser comparados às sete cores do espectro.  De fato, é nossa “Estrela-Pai[25] que nos faz escolher de nosso interior para uma determinada forma de desenvolvimento pelo qual Max Heindel observa: ‘Em geral podemos dizer que todas as pessoas do Ocidente pertencem a Escola do Ocidente dos Rosacruzes e que elas cometem um engano quando vão a outra Escola – que pertence ou se orienta em base do Ensinamento Oriental[26]. As Escolas de Mistérios de cada Religião contêm as necessidades de seus membros pela raça ou povo que consideram elas como um ensinamento maior para levar seus praticantes para uma esfera maior, pelo menos se elas viverem a vida com esse intuito.

Todas estas sete Escolas dos Mistérios Menores compõem-se de doze irmãos, chamados Irmãos Maiores, e um décimo terceiro, que é o “cabeça”, e um número não determinado de Irmãos e Irmãs Leigos. Cada uma destas escolas tem nove graus. Se o Irmão ou Irmã Leigo passou pelas nove Iniciações ele (a) pode ser admitido em uma das cinco Escolas de Mistérios Maiores. Após a primeira das quatro Iniciações Maiores o candidato passa a ser chamado de Adepto. Após o Adepto ter passado as quatro Iniciações Maiores ele se encontra com o “Cabeça Central”, também chamado de “O Libertador”. Então o Adepto se torna um Irmão Maior.

Os “Cabeças” das sete Escolas de Mistérios Menores formam a Loja Branca enquanto os Hierofantes das 5 Escolas de Mistérios Maiores formam o Conselho Central[27].

Vamos descrever agora como a Fraternidade Rosacruz, como escola representante da Ordem Rosacruz, trabalha. Quando Max Heindel fala do ‘Mestre’ ele quer dizer um dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz que tem uma atenção especial para a Fraternidade Rosacruz. A Fraternidade Rosacruz é formada por todos os membros, que moram espalhados por todo o mundo. A Sede Central em Oceanside foi chamada à vida para espalhar o Ensinamento por meio de livros e lições. Não é um organismo que tenha autoridade sobre seus membros.

Após a fundação da Ordem, no final do século XIII, potenciais Iniciados foram inspirados pessoalmente pelos Irmãos Maiores. Os Iniciados a seu modo indicavam outros que liam seus escritos de como seguir o caminho. Pelo fato da Igreja Católica Romana, e depois as outras Igrejas Cristãs, não aceitarem outra opinião que não fosse a sua, como foi escrito no Capítulo 1, era perigoso demais falar publicamente a sua opinião. Por esta razão isto ocorria às escondidas, através de símbolos alquímicos. Apesar de serem homens que escreviam estes textos, não significa que não havia mulheres que eram iniciadas. Contudo, o Iniciado que puder escolher virá em corpo feminino ou masculino, e é inclinado a escolher este último; pois aí terá um Corpo Denso positivo e um Corpo Vital negativo.

No início de 1600 o tempo parecia maduro para dar mais conhecimento à Ordem e seus Ensinamentos, e a partir de 1900 parecia necessário que se espalhasse de forma aberta e clara. Desde aquele momento Max Heindel falou, de forma clara, o que este ensinamento abrange e todo aquele que tiver interesse pode se associar para aprendê-lo, apesar de que é também possível através de auto estudo adquirir este conhecimento.

Quando o candidato decide se associar é preciso completar doze lições[28], baseadas no Conceito Rosacruz do Cosmos. O objetivo é que aí o candidato tenha conhecimento dos objetivos e metas da Fraternidade antes de dar o próximo passo.

Quando estas doze lições foram finalizadas o candidato pode se cadastrar como Estudante Regular. Neste período, que dura dois anos, é esperado que ele se aprofunde mais nos Ensinamentos Rosacruzes. Se houver interesse após estes dois anos o candidato pode se candidatar a Probacionista.

Este é o primeiro momento que o candidato à Iniciação, mesmo sendo inconsciente, entra em contato com um dos Irmãos Maiores.  Um deles era o Mestre, que Max Heindel comenta. Para o momento do compromisso de Probacionista o candidato mesmo faz uma escolha entre duas até quatro opções de horário que são calculados astrologicamente a partir de seu mapa natal.

Depois de ter escolhido o momento mais propício, o futuro Probacionista, na presença do (não visível) Irmão Maior, faz um juramento a SI MESMO, NÃO à Ordem Rosacruz. Esta promessa inclui se tornar vegetariano (inclui aqui não comer carne animais: mamíferos, aves, peixes ou outros tipos quaisquer), não usar couro, penas e nem peles animais ou qualquer outra parte dos corpos de animais, bebidas alcóolicas, cigarros, qualquer tipo de fumo ou drogas lícitas ou ilícitas; e tentar viver a vida de acordo com os princípios promulgados pela Religião Cristã. No exato momento em que o candidato lê o juramento em voz alta, na privacidade de seu quarto, o Irmão Maior está presente, embora invisível para o candidato. O Irmão Maior não só atua como testemunha, mas durante a leitura do juramento a mão direita do Mestre está sobre a do candidato, fazendo com que os seus Éteres se misturem, e permitindo a este, até certo ponto, vibrar de acordo com aquele simultaneamente. Se o Probacionista efetua fielmente os seus exercícios diários, mantém a sua ligação com o Mestre, por meio do seu relatório mensal que dever ser feito a tinta permanente – não esferográfica – o que ajuda a manter este vínculo.

Também aqueles que não são membros, mas conscientemente buscam viver a vida superior, ou aqueles que inconscientemente o fazem, como, por exemplo, os eruditos, os comerciantes, ou aqueles que administram um empreendimento, estão no caminho do desenvolvimento espiritual e encontrarão o caminho para o Templo, conforme diz Max Heindel. Pois, apesar da Fraternidade Rosacruz ser um instrumento especial da Ordem Rosacruz para o crescimento anímico e um dos Irmãos Maiores dedicar atenção especial a ela, a Fraternidade não tem a exclusividade, conforme diz Max Heindel.

Depois segue um período de no mínimo cinco anos onde o candidato deve continuar se desenvolvendo e que também será provado. As provas são necessárias para dar a chance de melhorar seus pontos fracos. Sobre estes cinco anos de provas que o Michael Maier já falava em 1617[29].

O candidato deve tentar levantar seu nível vibratório e isto acontece através de purificação de seu Corpo Vital. Para auxiliá-lo nesta tarefa o Probacionista é aconselhado a fazer dois exercícios que no Conceito Rosacruz do Cosmos estão descritos como Retrospecção e Concentração[30].

O exercício de Retrospecção, que Pitágoras[31] já conhecia, é feito antes de dormir. É uma retrospectiva em ordem contrária dos acontecimentos do dia que passou. Aqui o candidato se julga a si mesmo. Sentindo arrependimento ou alegria sobre os acontecimentos, vivendo assim aqui na terra o Purgatório e o Primeiro Céu. Desta forma, após a morte sobra mais tempo para se trabalhar nos mundos espirituais.

O exercício de Concentração é realizado ao acordar. Sem fazer movimentos desnecessários, inicia-se fazendo uma meditação sobre algum assunto, que pode ter como consequência o aparecimento de imagens do Mundo do Desejo e assim aumentar a compreensão deste determinado objeto: uma visão clarividente, pode-se dizer.

O próximo passo é separar os dois Éteres superiores dos dois Éteres snferiores[32]. Os dois Éteres inferiores são necessários para manter o Corpo Denso e por isso devem permanecer sempre com o Corpo Denso, senão traria a morte como consequência. Os dois Éteres superiores – por São Paulo chamados de Corpo-Alma[33], e no Evangelho Segundo São Mateus 22:11-12 de Traje de Bodas – servem como veículo nos Mundos espirituais. Após cinco anos o candidato pode pessoalmente pedir este exercício ao Irmão Maior. Quando Max Heindel era vivo, este questionamento era feito a ele, e Max Heindel, por sua vez, pedia ao Irmão Maior. O Sr. e a Sra. Barkhurst se filiaram à Fraternidade em 1922 e guardaram tudo sobre o discipulado do que ouviram nestes longos anos. Em 1984 eles me passaram estas informações. Neste dossiê do casal Barkhurst eu acrescentei uma carta da Sra. Juanita M. Owen de Los Angeles para o Sr. F.H.C. Kreiken de Den Haag, datada de 28 de agosto de 1960. Nesta carta tem o seguinte: ‘Uma pessoa que recebeu seu exercício de discipulado de Max Heindel em Seattle me contou como aconteceu. Ele tinha dois quartos num hotel e levava uma pessoa de cada vez para seu quarto. Ali ele fazia o mapa natal e enquanto fazia a estrela ele a virava para o Mestre e conversava em voz alta com ele. Este o mostrava como fazer a estrela de cinco pontas, iniciando num ponto determinado e não voltando neste ponto até que a estrela estivesse completa. Ela mesma não conseguia naturalmente ver o Mestre, já que este estava em seu Corpo Vital, mas Max Heindel se virava para ele e falava em voz alta’.

Quando em 1911 a Fraternidade Rosacruz tinha sua própria Sede Central os Discípulos recebiam suas lições em casa. Um exemplo disto é uma carta que Max Heindel escreveu para o Sr. J. H. M. Laurenze, 812, South Figueroa Street, Los Angeles. Max Heindel já tinha contato com ele há muito tempo e avisou o Sr. Laurenze de um acidente de trem que ele não seria ferido. Veja mais informação: Conceito Rosacruz do Cosmos, Cap. 16; Cristianismo Rosacruz, Cap. 10; Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume I, pergunta 153; Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II, pergunta 117:

“Oceanside, Califórnia, 8 de dezembro de 1908.

Prezado Sr. Laurenze,

Recebi seu pedido para instrução individual, e verifico que já enviou os doze boletins mensais requeridos. Por isto estou feliz em repassar ao Irmão Maior, depois que você fizer o que Ele solicita.

Durante o último ano você foi ensinado, por meio dos exercícios noturnos, a julgar a si mesmo e eu espero que em seu comportamento tenha mais a elogiar do que a censurar. Para testar seu julgamento o Mestre quer que você lhe escreva uma carta na qual irá contar de forma sincera o que você acha de seus atos. Você deve se julgar por cada ato de louvor de ajuda ao próximo e pelo seu crescimento espiritual no último ano, e também se censurar onde foi negligente.

Não tenha escrúpulos para falar de suas boas ações, e deixe a modéstia à parte. Também não deve se julgar mais pesadamente do que seus defeitos o merecem. Escreva como se estivesse falando de outra pessoa, totalmente imparcial. Pois, o objetivo não é informar o Mestre, Ele já sabe, mas ele quer lhe testar até que ponto seu julgamento pessoal tem pré-julgamentos. Ele terá o mesmo tratamento se você diminuir seus louvores ou se supervalorizar seus defeitos.

O Mestre tem dois motivos para este julgamento de si mesmo. O primeiro é que o Mundo do Desejo é extremamente enganador. Portanto é necessária uma percepção absoluta da verdade. Se pudermos AQUI julgar-nos o nosso envolvimento com outros, LÁ teremos menos problemas com desilusões.

Se o Irmão Maior nos inicia nos mundos invisíveis é para nos dar mais possibilidades de ajudar outras pessoas do que quando estamos confinados pelas nossas condições atuais. É lógico que, se não utilizarmos nossas chances AQUI, provavelmente também não sejamos úteis LÁ. Se AQUI não ajudamos e sermos atenciosos com os outros, provavelmente LÁ também nós esqueceremos de ajudar. A carta que nós escrevemos ao Mestre irá nos mostrar em quais pontos podemos melhorar.

Quando escrevo sobre “ajudar outros” quero dizer, principalmente, por meio de serviço. Quem é rico pode escrever um cheque volumoso para a caridade, e ainda assim ser um cidadão indesejado. Um pobre pode ajudar um vizinho com algumas moedas e conquistar grandes tesouros no céu. O tamanho da doação não importa. O que importa é se damos de uma carteira recheada ou de um coração recheado, pois com a mesma medida que nós medimos seremos medidos.

Outra pergunta que devemos responder, se conseguimos diminuir nossas faltas: somos menos impacientes em relação à nossa família? Somos melhores pais e mães que antes? Somos menos exigentes tanto no trabalho quanto em casa? Somos mais leais em relação ao nosso patrão? Etc.

Nos assuntos espirituais nós nos sentimos realmente interessados nas coisas superiores? Realmente abandonamos a satisfação dos desejos inferiores? Alguns param de comer carne por motivos egoístas de saúde; isto deve ser para o Discípulo algo de pouca importância. Ele deve parar esta prática por compaixão as pobres criaturas que são torturadas, e depois sacrificadas, para satisfazer as necessidades dos comedores de carne. Os estimulantes têm um efeito degenerativo ao nosso sistema nervoso: Você já os superou?

Quanto ao trabalho para a Fraternidade Rosacruz: você colaborou com uma pedrinha para a causa? Nós não queremos dizer apenas em dinheiro – cada um que se dedica de coração não irá esquecer esta parte – mas também com ajuda pessoal. O que você fez para espalhar o conhecimento dos Rosacruzes? Você ainda é uma pessoa que consegue se desenvolver independentemente, que não está presa a alguma outra ordem?

Da mesma forma que um navio é preparado para navegar os oceanos soltando as cordas que o prendem ao cais, assim também o Discípulo é preparado a soltar as amarras físicas por meio de um exercício que será dado pelo Mestre. Se um capitão inexperiente conduzir o navio irá bater nos rochedos. Apenas quando o candidato estiver em condições de conduzir seu próprio navio, ele terá menos chance de naufragar nas ilusões do Mundo do Desejo. O capitão será testado para ter certeza que é alguém de confiança para conduzir o navio e, provavelmente, não se tornar uma ameaça para outros navios. O (a) candidato (a) também é questionado a provar que é uma pessoa de confiança antes que o Irmão Maior confie a deixá-lo (a) navegar sozinho (a), desimpedido pelo Corpo Denso.

Queira, por favor, ler esta carta diariamente, até o dia 22 de dezembro. Naquele dia escreva sua carta ao Mestre. Conte a ele o que tem feito para merecer instruções individuais. Não se sinta intimidado, pois não é esperado que sejas um santo, mas sim que mostre que tem feito o melhor que pode.

Escreva sua carta em duplicidade, mantenha uma cópia consigo e guarde esta carta consigo para que possa ler várias vezes o que escreveu. Mande o original, num envelope selado para mim. Eu o enviarei ao Mestre. A resposta poderá levar meses para ser enviada pois se espera o momento mais propício astrologicamente. Portanto, mantenha a tranquilidade, continue seus exercícios. Assim que eu receber instruções eu o encaminharei para você.

Sinceramente,

            Max Heindel”

Após o falecimento de Max Heindel a Sra. Augusta Foss Heindel assumiu esta função. Ela não era iniciada e por aconselhamento de outros fez algumas alterações e mesmo assim, consequências danosas não deixaram de acontecer. Sobre o exercício do Discípulo, Max Heindel fala o seguinte: “Os raios de Sol são absorvidos pelo espírito humano, que tem seu acento na parte central da testa; os dos Astros são absorvidos pelo cérebro e pela medula espinhal, enquanto os raios da Lua penetram nosso corpo através do baço. Estes raios são tricolores. Nos raios da Lua que nos fornece a força vital, é o feixe azul a vida do Pai, que causa a germinação; o raio amarelo é a vida do Filho, que é o princípio ativo da nutrição e crescimento, e o raio vermelho é a vida do Espírito Santo que estimula à ação, e espalha a energia que foi acumulada pelo raio amarelo. Este princípio é principalmente ativo na propagação.

Os vários reinos absorvem esta força vital de forma diferente, conforme sua constituição. Os animais têm 28 nervos espinhais[34]. Eles estão sintonizados com o mês lunar de 28 dias e são dependentes do Espírito-Grupo, que lhes infunde os raios dos Astros necessários para desenvolver a consciência. Eles [os animais] não têm a menor capacidade de absorver os raios solares diretamente.

O ser humano está num estado de transição: tem 31 pares de nervos espinhais[35] que o sintonizam com o mês solar. Contudo, os nervos da cauda equina (literalmente cauda de cavalo), ao final da nossa espinha, ainda são muito subdesenvolvidos para servir como entrada do raio espiritual solar. Na medida em que desenvolvemos nossa força criadora, elevando nossos pensamentos, desenvolvemos estes nervos e despertamos os poderes do espírito. Sem a liderança de um Mestre é perigoso experimentar este desenvolvimento. O leitor é aconselhado a não tentar seguir alguma instrução em livros publicados ou métodos conseguidos em troca de dinheiro, porque estes exercícios normalmente levam à demência”.

Max Heindel diz que nunca devemos temer que o Mestre se esqueça de alguém, e isto ficou claro para mim quando na manhã do dia 10 de julho de 1987 às 7:00 horas o Mestre em seu Corpo Vital me mostrou o exercício no meu corpo.

Nas últimas duas páginas de Iniciação Antiga e Moderna, Max Heindel resume o exercício do discipulado da seguinte forma: “Este estágio do desenvolvimento do místico, exige uma reversão do percurso normalmente seguido pela força criadora, que é descendente, para a dirigir no sentido inverso, fazendo-a ascender. Fluirá então para cima, ao longo da medula espinhal, cujos três segmentos são regidos, respectivamente, pela Lua, Marte e Mercúrio. Na medula espinhal onde os raios de Netuno ascendem o fogo regenerador espiritual, que fará vibrar a glândula pituitária e a glândula pineal, levando-as a uma vibração maior. Esta vibração fará despertar a visão Etérica. E, repercutindo nos seios da face queima a ligação com o Corpo Denso. O sagrado fogo espiritual que desperta este centro da sua milenar letargia, começa a vibrar em direção aos outros centros da estrela estigmatizada de cinco pontas, que são a cabeça, as mãos e os pés. Também eles são vitalizados, e todos os veículos se iluminam [separando os dois Éteres superiores, o Corpo-Alma] o “Dourado Manto Nupcial”. Então num esforço final, o grande vórtice do Corpo de Desejos, localizado no fígado, liberta-se da energia marciana contida nesse veículo e impulsiona para cima o veículo sideral, que se projeta através do crânio (Gólgota) e ascende, então, para as esferas mais sublimes”[36].

Após ter passado por uma prova que acontece de forma inconsciente, o Irmão Maior faz o exercício no corpo do candidato para o discipulado, numa manhã, logo ao acordar. Esse exercício deve ser feito todas as manhãs uma ou mais vezes, conforme o tempo disponível, a partir de então. Pois, da mesma forma que um esportista treina e alimenta seu corpo regularmente, o candidato à Iniciação faz os exercícios espirituais e cuida para que tanto seu corpo espiritual quanto seu Corpo Denso ganhem a alimentação necessária.

Após um determinado tempo, e também após passar por uma determinada prova que para cada pessoa é diferente[37], chega o momento em que o candidato pode ser iniciado no primeiro grau dos Mistérios Menores. Contudo, antes que esta Iniciação possa ocorrer, o candidato encontra, no Umbral dos Mundos Espirituais, um demônio, construído por ele mesmo, e chamado “Guardião do Umbral”. Esta criatura é a somatória de todas as más ações cometidas nas vidas passadas e ainda não redimidas. O candidato deve primeiro reconhecer que este monstro é parte dele (a) mesmo (a) e prometer dissolvê-lo o mais rápido possível. Para um homem este monstro tem a forma de uma mulher, e para uma mulher a de um homem. Bulwer Lytton dá uma boa descrição das características físicas deste Guardião do Umbral em seu romance Zanoni[38]. Max Heindel dá uma explicação bem detalhada do significado esotérico do Guardião do Umbral no terceiro capítulo do livro A Teia do Destino, onde cita o seguinte: “O verdadeiro Guardião do Umbral é um ser Elemental que é a soma de todos os maus pensamentos e ações durante toda a nossa evolução. Este Guardião guarda a entrada para os mundos invisíveis e desafia o nosso direito de entrar neles. Este Elemental deve ser redimido ou transmutado. Nós devemos gerar a força de vontade de tal forma que possamos enfrentá-lo e dominá-lo antes de podermos entrar nos Mundos Invisíveis de forma consciente[39].

Apenas uma vez na vida o candidato tem a chance de ver e enfrentar este Elemental. Se isto, por qualquer razão, não for conseguido, deverá esperar uma próxima vida antes de ter a chance de enfrentá-lo novamente. Um exemplo disto já foi mencionado no capítulo oito, quando Rollo Smith encontrou este Guardião e não conseguiu enfrentá-lo. Aqui segue novamente o texto deste acontecimento que está descrito na lição dos Estudantes de maio de 1938: “Ele, Smith, era um Probacionista bem desenvolvido que desde o início ajudou nas construções. Quando o primeiro prédio estava quase pronto [por volta de novembro de 1911] ele podia ocupar um quarto no andar superior. Numa certa manhã, durante o café da manhã, ele estava muito abatido. Quando perguntaram se ele estava doente Smith respondeu que havia passado uma noite terrível com um demônio que não o queria deixar dormir. Ele estava com muito medo e brigou com o monstro com todas as suas forças. Ele achou que era um Elemental. Max Heindel então falou que era seu Guardião do Umbral e que ele, Max Heindel, tentou chamar sua atenção para dizer para não ter medo, mas que Smith ficou cego pelo medo e não aceitou sua ajuda. Então Smith perguntou quais eram as consequências de seu medo, por ter lutado e se recusado a reconhecer o Guardião. O Sr. Heindel respondeu, que ele perdeu a chance de vencer o Guardião e que nesta vida não o incomodaria mais”[40].

Até aqui, em grandes linhas, a descrição de um processo que leva vários anos, às vezes uma vida ou até mais, antes do candidato chegar ao momento de sua primeira Iniciação, que depende do desejo do candidato e do destino que lhe é reservado para esta vida. Assim como diz na Bíblia: “São muitos os convidados, mas poucos os escolhidos” (Mt 22:14).

No final, todos chegaremos à perfeição[41], e todos, estando conscientes disto ou não, seguimos o caminho em espiral para cima. Aqueles que querem ir mais rápido tentam encurtar o caminho, procurando um atalho. Desta forma o candidato segue um caminho íngreme para cima, que é bem difícil de seguir. As qualidades que devemos adquirir nos mostra Cristo Jesus por sua forma de viver. As duas qualidades principais são altruísmo e serviço. Contudo, se a pessoa auxilia alguém e pensa em depois ser retribuído, já não existe mais o altruísmo. Outro seria se a pessoa se sentir ofendida porque aquele que ajudou não a agradece. Isto significa que o candidato irá cair muitas vezes, mas na mesma quantidade de vezes terá que se levantar para seguir adiante, e isto requer coragem e persistência. Max Heindel descreve, em seu trabalho, vários dilemas nos quais o candidato irá confrontar, e conforme for seguindo o caminho ficarão cada vez mais sutis. Também parece que o candidato será colocado em prova cada vez mais e de forma inconsciente antes de dar o próximo passo.  Cada pessoa ganhou o livre arbítrio e precisa usá-lo. Max Heindel diz, com insistência, que o Irmão Maior desde o princípio faz questão de deixar o candidato em seus próprios pés. Por isto todos os exercícios são feitos de forma individual e nunca em grupo. Os resultados conquistados desta forma são também pessoais que podem ser utilizados a qualquer momento.

Quando o candidato alcança um ponto é uma arte não retroceder e esta chance existe; daqui a pouco mostrarei um triste exemplo disto.

O que Max Heindel fala sobre Iniciação está descrito em seus livros, principalmente nos capítulos 16 e 17 do Conceito Rosacruz do Cosmos. É impossível dar todas as facetas disto em uma biografia. Contudo, algumas questões serão iluminadas, que conforme o tempo vai passando ficarão mais difíceis de acessar ou poderão se perder.

Max Heindel tentou verificar se determinados pontos teriam uma chave astrológica. Algumas vezes ele as encontrava, mas outras vezes não[42]. Já foi falado que para determinar o momento em que o candidato faz seu juramento de Probacionista é calculado com base em seu Mapa Natal. São dados, ao Candidato, duas ou até quatro datas propícias onde ele (a) possa escolher o que for mais conveniente para fazer o juramento a si próprio, na presença do Mestre, que está invisível, mas, às vezes, perceptível. Aqui se procura uma posição da Lua em graus e minutos e sua correspondência com o Sol do Mapa Natal. Muitas vezes a Lua encontra-se no mesmo Signo do Sol, na sua Triplicidade, ou então em um Signo pelo qual existe afinidade. Assim um Signo de Fogo tem afinidade com Signos de Ar, também com um de Terra, mas nunca com um de Água. O horário é arredondado para quinze minutos e pela luz, pelo menos no que se refere à Europa, entre 6:00 e 22:30 horas, horário do Meio da Europa. Se a Lua está no seu fluxo lunar negativo ou positivo não importa. Dois de meus conhecidos fizeram uma escolha num horário que foi calculado de forma errada. Um deles fez um procedimento errado durante o processo e foi corrigido pelo Mestre. Podemos nos perguntar se faz sentido o cálculo do melhor horário. A resposta me parece confirmatória. O que transparece é que do cálculo da progressão do candidato o MC[43] estava harmônico com o Sol, ao Regente da 8ª Casa ou do co-Regente da 8ª Casa. Caso o Ascendente primário não faça Aspecto, pode ser que esteja em desarmonia com o Sol ou Marte. O Sol progredido está harmônico com Saturno, ou o Regente da 8ª Casa. O Astro progredido da 8ª Casa está harmônico com o Ascendente, ou o Regente do Ascendente ou com a Lua. O Astro progredido da 8ª Casa estava em harmonia com um Astro da 12ª Casa, ou do Sol, ou não fazia Aspecto.

A solicitação para o discipulado, no tempo de Max Heindel, sempre acontecia perto do Natal, mas o momento que o candidato podia começar com os exercícios acontecia em qualquer dia do ano conforme mostram as informações[44]. Porque a Sra. Augusta Foss Heindel trouxe algumas mudanças nos exercícios, e eu apenas tenho as informações da Sra. Barkhurst e minha própria data, não consigo tirar nenhuma regra geral. Foi encontrado que o Ascendente primário fazia um Aspecto harmônico com o Sol, o Sol Progredido fazia um Aspecto harmônico com a cúspide da 8ª Casa e também Aspecto harmônico com o Ascendente e o Regente da 8ª Casa, às vezes, harmônico com a cúspide da 12ª Casa.

Encontrar os dados sobre Rollo Smith (oficialmente Ralph) não foi uma tarefa fácil. Nos EUA, Rollo não é um nome raro, e Smith é um sobrenome muito comum. Felizmente obtive ajuda de Norman Schwenk nesta busca. Primeiramente parecia que moravam dois Rollo Smith em Los Angeles. Em sua Certidão de Casamento[45], datada de 17 de junho de 1903, o procurado Smith diz que naquele momento estava com 35 anos e que nasceu em Ohio; e sua esposa Pearl Blythe, que ela tinha 21 anos e nasceu em Texas. Daqui tiramos que ele nasceu por volta de 1867/68. Durante o Censo de 1910[46] foi declarado que Rollo Smith tinha 41 anos, Pearl 28 anos, que estavam casados há seis anos e não tinham filhos. Conforme esta informação Rollo Smith também devia ter nascido por volta de 1867/68.

No ‘The Hemet News’ de 10 de janeiro de 1930 tem a seguinte notícia:

ANÚNCIO DE FUNERAL DE RALPH SMITH

No domingo às 11:45 horas será realizado na Capela do Kingham Funeral Company uma cerimônia para Ralph Smith, 68 anos, que faleceu quinta-feira às 10:30 horas em sua casa na North Franklin Street. O Sr. Smith já sofria de tuberculose a mais de 20 anos. Por 19 anos ele foi um fiel membro da Fraternidade Rosacruz. A Cerimônia será ministrada por J. H. Exon.

Quando faleceu, em 9 de janeiro de 1930, ele, conforme o jornal, tinha 68 anos. Portanto ele deveria ter nascido por volta de 1862 e ser cinco anos mais velho do que considerado anteriormente, conforme sua certidão de óbito[47]. Um conhecido, do qual não é possível ler o nome e endereço na Certidão de Óbito, declarou que Rollo Smith nasceu em 9 de novembro de 1862 em Clarkville, no Município de Clinton em Ohio. Que ele era divorciado, seu pai se chamava Sidney e sua mãe Saun, que era comerciante de profissão e faleceu de tuberculose.

No livro Mensagem das Estrelas e Astrodiagnose não encontramos seu horóscopo. Foi questionado diversas vezes, durante vários anos para a Sede Central em Oceanside, onde poderia encontrar seu horóscopo, sem resultado.

Na foto de grupo vemos que Smith é alto, magro o que faz pensar em um Ascendente de Aquário ou Gêmeos. No Adendo 12 o Mapa Natal é o resultado usando as progressões de sua data de casamento e de óbito.

Na Revista Rays from the Rose Cross de maio de 1916 na página 9 e 10 tem uma pergunta que está no Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, volume II, pergunta 138[48] e cuja história também se encontra no Livro Princípios Ocultos de Saúde e Cura, capítulo 7. Na citado Rays de maio de 1916 tem, nas páginas 16 e 17, a descrição de dois mapas de um casal, onde após pesquisas chega-se à conclusão que o Sr. X é a mesma pessoa que o Dr. W. Seu Mapa também está no Adendo 12. Deixamos agora o próprio Max Heindel falar e fazemos um resumo do que está escrito nas fontes acima:

“Uma vez um Estudante e Irmão Leigo de uma Escola de Mistérios, sempre será Estudante e Irmão Leigo”. Falarei de um caso que demonstra isto. Muitos anos atrás vi numa reunião de ocultismo [Teosofia] na Costa do Oceano Pacífico [Los Angeles] um homem que chamarei de X. Ele era visivelmente rico e importante, enquanto eu era pobre e insignificante, portanto, habitávamos lugares diferentes e não nos conhecíamos. Anos depois, quando fui levado para o Templo, na Alemanha, após minha Iniciação, eu encontrei alguns Irmãos Leigos, dentre os quais o Sr. X. Conversamos por um tempo sobre assunto de interesse de ambos. Ele me contou onde morava e que gostaria de me receber, como convidado, o que também era do meu interesse. Quando voltei à América eu estava bem ansioso para encontrá-lo em seu Corpo Denso, já que ele poderia ensinar a mim e explicar muitas coisas, já que eu, um jovem neófito, ainda não tinha condições de trazer para minha consciência física as minhas experiências espirituais.

Quando um ano depois eu cheguei à cidade do Sr. X, amigos em comum me contaram que ele me aguardava e desejava muito me conhecer. Imagine que eu conhecia o Sr. X, mas ele, o Sr. X, nunca havia se encontrado comigo fisicamente. Quando nos encontramos caminhamos um em direção ao outro, como velhos amigos, e nos cumprimentamos. Ele parecia também me reconhecer e me chamou pelo nome. Tudo mostrava que ele sabia o que havia acontecido quando ambos estávamos fora do corpo. Pois, no Templo ele havia me contado que ele se lembrava de tudo o que acontecia com ele fora do corpo. Isto eu acreditei logicamente, pois ele tinha um grau muito mais elevado do que eu, que havia chegado ao primeiro há pouco. Algum tempo depois eu disse algo que fez ele me olhar interrogativamente, pois eu havia mencionado algo que aconteceu enquanto estávamos no Templo. Ele deixou claro que não sabia do que eu estava falando. Eu já havia dito tanto, que deveria contar o resto para não ser considerado um louco. Eu contei então que ele garantiu que se lembrava de tudo, o que ele negou.

No final de nossa conversa ele me pediu para com urgência descobrir que se ele era um Irmão Leigo da Ordem Rosacruz, porque ele não se lembrava do que acontecia fora do corpo.

Eu sabia que ele estava presente em vários Rituais do Templo; ele havia participado. Ainda assim em seu Corpo Denso ele não se lembrava de absolutamente nada do que acontecia fora do seu corpo.

Um tempo depois de perguntar e pesquisar descobriu-se que em uma vida anterior ele havia conquistado a admissão ao Templo. Contudo, o uso dos cigarros, álcool e uso de drogas nesta vida haviam adormecido tanto seus sentidos que para ele era impossível trazer à consciência física as experiências dos mundos invisíveis.

Quando estava de novo em meu Corpo Denso e contei isto a ele, ele fez um esforço grande para se livrar destes maus hábitos. Após um tempo ele percebeu que não conseguia ficar sem os cigarros, álcool e as drogas.

Fora de seu corpo ele ainda pode ir e vir para onde quiser e ainda participar junto com os outros Iniciados da Ordem. Contudo, em seu corpo ele está debilitado devido a seu cérebro doentio. Parece-me que levará várias vidas vivendo da forma correta para que ele esteja novamente em estado de formar um cérebro sensitivo que permita as transmissões espirituais”.

No mesmo exemplar da Rays de maio de 1916[49] tem a descrição do mapa do Sr. X, que é chamado de Sr. W, e sua esposa. Acima do artigo tem os dois mapas com o título ‘O laço que une’. Que aqui se fala da mesma pessoa fica claro rapidamente pela descrição de Max Heindel sobre o mapa. Assim ele diz o seguinte:

“O homem tem tanto a fisionomia de Libra quanto de Escorpião. Marte e Mercúrio o fazem maior do que um típico escorpiano e Mercúrio faz a fronte mais escura. A Oposição de Netuno e Marte faz sua pele ser flácida. Todo o Signo de Sagitário está na 2ª Casa, portanto Júpiter é seu Regente, que está em Trígono com o Sol. Também Vênus está na 2ª Casa e este é um dos Aspectos mais favoráveis no que se refere às finanças em todo o Zodíaco. Podemos, portanto, considerar que, quaisquer que sejam os problemas nesta família, a causa não será a falta de dinheiro, o que em muitas vezes é a questão. A profissão deste homem é dada pelo Ascendente Escorpião com o Sol e Marte nele. Marte é o Regente da 6ª Casa, que dá o tipo de trabalho. Ele é médico, cirurgião, mas é estranho um homem de uma profissão tão estudada com os dois indicadores da Mente – isto quer dizer a Lua e Mercúrio – sem Aspectos. Quanto à Mente tem que haver alguma coisa errada e este é o fato. Isto mostra que a Mente vai para esta direção [da doença]. Fora isto, a Quadratura de Urano e Vênus mostra que ele tem um caráter muito nervoso e Netuno em Touro, o Regente da garganta, mostra que ele toma seu próprio remédio… algo que todos os médicos sabem ser muito perigoso. Ele, portanto, é viciado em morfina. Ele já foi internado algumas vezes em uma clínica, mas nesta parte ele é doente mental”.

Este homem nasceu em 1882. Quando Max Heindel o conheceu na Teosofia, em 1904, ele tinha aproximadamente 22 anos, em 1908, 26 anos.

Aqui o resultado, ao que se refere à Iniciação que foram tirados dos Mapas, está no Adendo 12. O momento da prova ou o momento em que a Iniciação ocorre, ou não, logo depois, é possível verificar em várias pessoas. Assim Steiner falhou quando colocou a Teosofia acima dos Ensinamentos Rosacruzes, e isto foi em 20 de outubro de 1902[50]. Max Heindel diz, ele mesmo, que foi ‘provado’ em abril e maio de 1908[51]. E também cita e descreve a data e os acontecimentos onde ele recebeu suas Iniciações. O momento da prova de Rollo Smith foi aproximadamente 25 de novembro de 1911.

Após analisar as progressões no que se refere à Iniciação destes mapas, podemos concluir o seguinte:

Rudolf Steiner: Prova por volta de 20-10-1902, quando ele se tornou Secretário Geral da Sociedade Teosófica da Alemanha. Mercúrio progredido a 149:58 do MC (Meio do Céu ou 10ª Casa); Vênus progredido 149:40 do Ascendente (ASC); Marte progredido 105:09 de Vênus; Urano progredido 72:24 do MC (vai para 72) e 72:26 no ponto médio de Mercúrio/Netuno. Saturno progredido, a 156:29 de Mercúrio, é o Guardião do Umbral, o provador, e Mercúrio, que é o Regente da 8ª Casa da Iniciação, e Netuno é o Planeta dos Mundos espirituais e da Iniciação.

Rollo Smith: esteve diante de seu Guardião do Umbral, que impede a passagem para os Mundos Espirituais, um dos últimos dias em que ajudava Max Heindel na sua primeira construção. Isto deve ter acontecido por volta de 24 de novembro de 1911. Naquela data havia as seguintes progressões: o Ascendente primário, Touro 12:04:16 estava, então, 40:16 da Lua e 139:51 de Saturno. Saturno progredido em Sagitário 5:16:00 estava no Ascendente, que deve ser considerado de forma bem ampla, mas o Sol progredido em Sagitário 6:53:21 estava a 84:29 de Netuno e 90:06 de Marte, portanto praticamente em Quadratura (desarmônico).

Max Heindel:

Iniciação, aproximadamente, em 20 de maio de 1908: Arco primário 2:41:40; Hora Sideral primária 3:17:24. Ascendente primário Virgem 3:11:45 em Semi-Sextil (harmônico) com o ponto médio Ascendente/Sol em 3:27. A cúspide da 8ª Casa, Áries, 4:02:35 está a 40:09 de Plutão. Os Planetas Progredidos: Sol em Virgem 11.25.18 estava a 35.51 da Lua. A Lua 18.55.10 estava a 167.13 do ponto médio da Lua/Ascendente; Mercúrio Progredido em Virgem 18:05:27, retrógrado, estava a 44:38 do ponto médio do Sol/Ascendente e 12:15 de Marte. Vênus Progredido em Leão 1:05:26 estava a 19:53 de Mercúrio. Marte Progredido 2:56:27 estava em Sextil exato (harmônico) com o ponto médio Sol/Lua.

Iniciação em 9 de abril de 1910: Arco primário 2:48:18; Hora Sideral primária 3:24:02. O MC primário de Touro 23:23:58 está 71:57 da Lua. O Ascendente Virgem 4:19:59 estava a 143:43 de Netuno. Cúspide da 8ª casa Áries 5:17:25 estava a 119:43 da Lua e 105:15 de Júpiter. Os Astros Progredidos: O Sol em Virgem 13:15:05, nada. A Lua em Peixes 17:20:36, nada. Mercúrio em Virgem 16:16:15 estava a 74:46 de Urano e 155:42 de Netuno. Vênus Progredido em Leão 3:15:42 estava em Conjunção com o ponto médio Sol/Ascendente (está 3:27) e 17:42 de Mercúrio. Marte Progredido em Libra 4:09:50 estava a 20:01 de Saturno.

Iniciação, aproximadamente, 22 de novembro de 1910: (portanto apenas 7 meses depois da 2ª Iniciação); Arco primário 2:50:33; Hora Sideral 3:26:17. O Ascendente primário Virgem 4:39:11, estava então 79:55 de Vênus e 144:05 de Netuno. A Cúspide da 8ª casa, Áries 5:42:52 estava em Trígono (harmônico) com a Lua 5:34:23 em Leão. O Sol Progredido 13:51:17 em Virgem estava 20:40 de Saturno e 96:11 de Júpiter. A Lua Progredida 26:18:56 em Peixes estava 159:31 de Marte e 96:17 de Júpiter. Vênus Progredido 3:58:43 em Leão estava então a 80:12 de Saturno e 79:50 de Plutão. Marte Progredido 4:34:03 em Balança estava, portanto a 140:26 de Plutão.

Iniciação, aproximadamente, 6 de julho de 1913: Arco primário 2:59:59; Hora Sideral 3:35:43. Ascendente Primário, Virgem 6:11:56, estava então 47:59 de Saturno. A Cúspide da 6ª casa, Sagitário 28:31, estava 72:03 de Netuno. O Sol Progredido, 15:24:01 Virgem, estava 39:43 do Ascendente em 75 graus de Urano. Urano Progredido, Câncer 3:30:46, estava então no ponto médio Sol/Ascendente, Leão 3:28:03, enquanto o Saturno em trânsito estava a 54:26 do Ascendente, 83:34 de Marte e 47:59 da Lua.

No que se refere às provas, que antecedem a primeira Iniciação serão citados aqui somente as Progressões que se aplicam a situação:

STEINER: Regente da 8ª Casa, Mercúrio, está desarmônico com a 10ª Casa. Vênus, Regente da 12ª Casa está desarmônico com o Ascendente. Marte, Regente do Ascendente, está desarmônico com Vênus que é Regente da 12ª Casa. Urano que é Regente da 4ª Casa, está harmônico com a 10ª Casa e harmônico com o ponto médio entre Mercúrio e Netuno. Saturno, o provador, está harmônico com o ponto médio de Mercúrio e Netuno.

SMITH: O Ascendente primário está harmônico com Saturno, o provador. O Sol, que está na 8ª Casa, está harmônico com Netuno, e desarmônico com Marte, que é o Regente da 8ª Casa.

MAX HEINDEL: Seu Ascendente está harmônico com o ponto médio Ascendente/Sol. A cúspide da 8ª Casa está harmônico com Plutão, que é o Regente da 10ª Casa.  O Sol está harmônico com o ponto médio entre Lua e Ascendente. Mercúrio está desarmônico com o Sol e o ponto médio entre Sol e o Ascendente. Mercúrio, do Ascendente está harmônico com Marte. Vênus, que é Regente da 4ª Casa, está harmônico com Mercúrio. Marte, por fim está harmônico com o ponto médio entre Sol e Lua.

REGRA: A 8ª Casa simboliza o Mundo espiritual; a 12ª Casa a Iniciação, assim como Netuno. O Ascendente significa o Corpo Denso e a 10ª Casa também está envolvido com o desenvolvimento Espiritual. Pode ser que isto seja apenas com Steiner e Max Heindel, pois iria significar uma manifestação pública. Pode se concluir que sempre faz parte: o Regente da 8ª Casa ou Astro ali localizado, ou a Cúspide da 8ª Casa. Aspectos com a 10ª Casa ou Netuno. A 12ª Casa, ou Astro na 12ª Casa com o Ascendente. O Ascendente, o Regente do Ascendente ou o Astro no Ascendente com Saturno.

Sempre tem uma relação com o Ascendente, a 8ª Casa e 12ª Casa, talvez também com a 10ª Casa, e com Saturno, o provador. Isto também é visto na 2ª e 3ª Iniciação de Max Heindel.

ADENDO 1 – OS MANIFESTOS ROSACRUZES: FAMA, CONFESSIO e ASSERTIO

 

FAMA FRATERNITATIS R. C.[52] ou os rumores da Fraternidade, da muito louvável Ordem Rosa Cruz

Aos Líderes, classes[53] e estudiosos da Europa.

Nós, Irmãos da Ordem Rosacruz, oferecemos a todos que leem este, nosso Fama em mente Cristã, nosso cumprimento, amor e oração.

O único sábio e misericordioso Deus nestes últimos dias derramou abundantemente a Sua graça e clemência sobre a Humanidade, conduzindo-nos cada vez mais ao conhecimento perfeito de Seu Filho, Jesus Cristo, e da natureza, para que possamos justificadamente bendizer o tempo venturoso em que vivemos. Não só nos revelou a metade até então desconhecida e oculta do mundo, mas também muitas obras e criaturas da natureza, jamais vislumbradas anteriormente. Além disto, favoreceu a emergência de seres humanos de grande sabedoria para renovar, transformar e aperfeiçoar todas as artes (tão maculadas e imperfeitas de nossa época)[54], para que o ser humano possa finalmente compreender sua própria nobreza e dignidade, e por que é chamado de Microcosmos, e até onde se estende seu conhecimento da natureza.

O mundo inculto não ficará muito satisfeito com isto, preferindo zombar e escarnecer.  Também o orgulho e a vaidade dos eruditos são tão grandes que não conseguirão entrar em acordo. Se pudessem se reunir e examinar a multiplicidade de revelações brindadas ao nosso século, poderiam compilar um Livro sobre a Natureza ou um método perfeito de todas as Artes.  Porém, tamanha é a oposição entre eles que se mantêm ao curso antigo e temem abandoná-lo, estimando ao Papa, a Aristóteles e Galeno; se tais autores que tinham apenas uma pequena amostra de conhecimentos em lugar da clara e manifestada Luz e Verdade estivessem vivos, agora deixariam com alegria suas falsas doutrinas. Porém, aqui há demasiada debilidade para semelhante grande obra. Ainda que em teologia, física e matemática a verdade se manifeste por si mesma, o velho inimigo se mostra com sutileza e artimanhas, quando obstaculiza todo bom propósito com seus instrumentos e criaturas vacilantes.

Visando uma reforma geral, o muito piedoso e altamente iluminado Pai, nosso Irmão C.R.C., um alemão, o chefe e fundador da nossa Fraternidade, trabalhou muito durante muito tempo para realizar uma reforma tão grande.

Devido a sua pobreza (embora descendesse de pais nobres), aos cinco anos de idade foi posto em um convento, onde aprendeu os idiomas: grego e latim. Ainda em sua fase de crescimento, por seu próprio desejo e pedido, se associou a um Irmão P. a. L., que decidira viajar para a Terra Santa.

Apesar do Irmão P.a. L. jamais ter chegado a Jerusalém, pois faleceu na Ilha de Chipre, nosso Irmão C.R.C., também não retornou, mas continuou sua viagem e seguiu para Damasco, com a intenção de alcançar Jerusalém.

Todavia, devido a fadiga do corpo provocada pela longa viagem, prolongou a sua estada naquela cidade e, graças à sua perícia em Medicina, foi bem acolhido entre os turcos.

Por acaso, ele ouviu falar dos sábios de Damcar[55] na Arábia, das maravilhas de que eles eram capazes, e das revelações que lhes haviam sido feitas sobre toda a natureza. Tal notícia despertou o espírito nobre e culto do Irmão C.R.C., que se interessou, bem menos por Jerusalém do que por Damcar. Também não conseguiu refrear seu desejo, e se colocou ao serviço dos mestres árabes, sendo negociada uma determinada soma para conduzi-lo a Damcar.

Chegou a Damcar com apenas 16 anos, e tinha uma estatura característica da Alemanha. Como ele mesmo testemunha, os sábios o receberam não como um desconhecido, mas como alguém que há muito era esperado. Chamaram-no pelo seu nome, e revelaram-lhe certos segredos do seu período no Monastério, sobre os quais ele só podia ter conjeturado e isto o surpreendeu. Ali ele aprendeu melhor o idioma árabe; e, assim, no ano seguinte, traduziu o Livro M. para o latim clássico, que depois carregou consigo. Nesta cidade desenvolveu sua Medicina e sua Matemática, de que o mundo teria justo motivo para se alegrar, se houvesse mais amor e menos inveja.

Decorridos três anos, tornou a embarcar com a devida aprovação, no Sinus Arabicus para o Egito, onde apesar de não permanecer por muito tempo, aprendeu algo mais sobre plantas e criaturas. Depois navegou todo o Mar Mediterrâneo e chegou a Fez, no Marrocos, para onde os árabes o tinham enviado.

Deveríamos nos envergonhar diante da atitude benevolente desses homens sábios, que ainda que distantes compartilhavam as mesmas ideias, desprezando todos os libelos, e compartilhando a sua ciência benevolentemente através do selo do segredo.

Anualmente, os árabes e os africanos enviam emissários uns aos outros, procurando compartilhar uns com os outros as suas artes, e conhecer seus resultados; se tivessem a felicidade de descobrir coisas melhores, ou então, suas experiências teriam enfraquecido suas razões. A cada ano algo era esclarecido, pelo qual a Matemática, a Medicina e a Magia (na qual os de Fez, no Marrocos, eram muito hábeis) eram corrigidas.

Atualmente, a Alemanha não carece de homens eruditos, magos, cabalista, médicos e filósofos, mas falta amor e bondade entre eles, e a grande maioria monopoliza tais segredos em proveito próprio.

Na cidade de Fez, nosso Irmão C.R.C. entrou em contato com os chamados Habitantes Elementares, que lhe revelaram muitos de seus segredos. Igualmente poderíamos nós os seres humanos recolher muitas coisas se houvesse uma unidade semelhante, e um desejo de investigar e compartilhar os segredos existentes em redor de nós e dentro de nós mesmos.

Sobre Fez, ele confessava frequentemente; que a magia por eles praticada não era, todavia, pura e que sua Cabala fora profanada por sua religião; porém apesar disto ele sabia como fazer um bom uso dos conhecimentos que eles possuíam e encontrou ainda um melhor fundamento para sua fé; em tudo de acordo com a harmonia do mundo e maravilhosamente dentro dele em todos os períodos do tempo.

Por isso ele reconhecia que em cada semente de qualquer classe existe interiormente uma árvore inteira e boa, ou então frutos; assim de forma semelhante está incluído dentro do pequeno corpo do ser humano um grande e completo mundo cuja religião, saúde, partes do corpo, natureza, linguagem, palavras e trabalhos estão de acordo, simpatizando, em igual melodia com DEUS, o Céu e Terra. Aquilo que não está de acordo com isto é erro, falsidade e do Diabo, que é a única causa primeira, média e última de hostilidades, cegueira e obscuridade no mundo. Também alguém pode examinar várias e até mesmo todas as pessoas sobre a face da terra e descobrir que o bom e o justo está sempre em harmonia consigo mesmo, porém que tudo o resto é manchado por milhares de equivocadas falsidades.

Após dois anos em FEZ, nosso Irmão C.R.C. viajou em um veleiro com muitas coisas valiosas para a Espanha, alimentando a esperança de poder compartilhar as experiências proveitosas de suas viagens com os ilustres homens da Europa, que o acolheriam com alegria, e passariam a ordenar e dirigir seus estudos de acordo com aquelas bases firmes e eficazes. Por conseguinte, debateu com os alumbrados eruditos da Espanha, mostrando-lhes os erros de suas Artes, como deveriam ser corrigidos, e de onde colheriam o verdadeiro indício do erro no futuro, e em que ponto deveria concordar com as fontes do passado; e também como os erros da Igreja e de toda a Philosophia Moralis deveriam ser reformadas. Ele lhes mostrou ainda novas plantas, novos frutos e animais, os quais estavam de acordo com o que ensinava a filosofia antiga e propôs para eles, uma nova axiomática[56], com a qual tudo podia ajustar-se completamente.

Porém, para eles tudo isso era motivo de zombaria. E por ser algo novo para eles, temiam que, se agora tivessem que aprender coisas novas e reconhecer seus muitos anos de erros, aos quais já estavam acostumados e com os quais havia ganho tanto dinheiro, sua fama de sábio poderia sucumbir-se. Aqueles que amam a inquietude poderiam muito bem responder.

Ouvia sempre a mesma antífona que lhe era entoada também por outras nações, e sua emoção foi tanto maior porque ocorria ao contrário de suas expectativas e por estar disposto a comunicar graciosamente todas as suas artes e segredos aos eruditos; se pelo menos aspirassem empenhar-se para haurir no conjunto das faculdades, das ciências, das artes, em toda a natureza, uma axiomática precisa e infalível. Tal axiomática, como um globo, devia orientar-se de acordo com um centro único, e seria utilizada pelos sábios, como era costume entre os árabes, como uma regra. Deveria existir na Europa uma sociedade que possuísse bastante ouro e pedras preciosas que poderia conceder aos reis, para suas utilidades imprescindíveis e objetivos lícitos. Tal sociedade também se encarregaria da educação dos príncipes, que aprenderiam tudo o que Deus concedeu aos humanos de saber, a fim de habilitá-los, em todas as ocasiões de necessidade, a dar um conselho àqueles que dele precisassem, tal qual os oráculos pagãos.

Na verdade, devemos reconhecer que o mundo já estava gerando uma grande reviravolta, e sentia as dores do parto. Engendrava também gloriosos e virtuosos homens que rompiam com as trevas e a barbárie, deixando-nos um rastro a seguir. Eram a ponta do triângulo de fogo[57], o brilho de cujas chamas não cessam de aumentar e que, indubitavelmente, iluminará o último incêndio que abrasará o mundo.

Outrossim, um destes Theophrastus[58] (Paracelso), o fora por tendência e vocação, embora não tivesse aderido à nossa Fraternidade, lera zelosamente o livro M, iluminando e aguçando sua genialidade. Também foi interceptado em sua marcha por uma multidão confusa de homens eruditos e pseudo-sábios. Nunca pode transmitir em paz sua meditação sobre a natureza, precisando consagrar mais espaço em suas obras para desacreditar os imprudentes do que para revelar-se em toda a sua completude.  Todavia, encontramos, nele, profundamente, a harmonia que comentamos. Indubitavelmente, teria comunicado aos homens de ciência, se fossem mais dignos, uma arte superior às sutis vexações. Assim buscou uma vida livre e reservada, distante dos prazeres e da insensatez mundana.

Porém, não esqueçamos nosso Amado Pai, Irmão C.R.C. que após duras e penosas viagens, constatando que suas verdadeiras instruções não foram aceitas, regressou à Alemanha, país que amava cordialmente. Neste país, ainda que pudesse ter se vangloriado com sua arte, especialmente com a transmutação dos metais[59], estimava muito mais o Céu, seus habitantes e a humanidade, do que glórias e pompas mundanas.

Entretanto, construiu para si uma confortável morada onde meditava e refletia sobre Filosofia e suas viagens, sintetizando tudo num verdadeiro memorial. Nesta casa envolveu-se por muito tempo com pesquisas matemáticas e construiu muitos instrumentos de precisão, dos quais poucos foram para nós conservados, conforme compreenderão mais adiante.

Após cinco anos, tornou a aspirar a reforma nas artes e nas ciências. Duvidando da possibilidade de qualquer outra ajuda e de qualquer outro apoio, de espírito assíduo, pronto e perseverante, ele decidiu empreendê-la por sua conta, na companhia de um pequeno número de adjuntos e colaboradores. Para lograr este fim convidou três Irmãos de seu antigo convento (que ele amava tanto); o Irmão G.V., o Irmão J.A. e o Irmão J.O., cujos conhecimentos, ultrapassavam o saber daquela época. Tais Irmãos prestaram um juramento supremo de fidelidade, diligência e silêncio, rogando-lhes que registrassem cuidadosamente por escrito todas as instruções que lhes transmitisse, a fim de que os futuros membros, cuja admissão deveria efetuar-se depois graças a uma revelação particular, não se equivocassem a respeito de uma letra sequer.

Desta maneira teve início a Fraternidade dos Rosacruzes, com apenas quatro pessoas, que desenvolveram a linguagem e escrita mágicas, com um grande dicionário, o qual ainda usamos diariamente para louvar e glorificar a Deus, extraindo daí uma grande sabedoria. Escreveram também a primeira parte do Livro Mysterium. Porém, devido ao seu trabalho ser excessivamente árduo, a grande afluência de enfermos em busca de cura começava a estorvá-los e ainda que seu novo edifício (chamado Sancti Spiritus) já estava concluído, resolveram ampliar sua confraria e para este fim foram escolhidos como novos membros o primo-irmão do Fra. Rosa-Cruz, um pintor de talento, Fr. B., seus secretários, G.G. e P.D., todos de nacionalidade alemã, com exceção de I.A.; no total, oito membros, todos virgens que fizeram o voto do celibato. Eles deviam escrever um livro onde deviam registrar todas as aspirações, desejos e esperanças que a humanidade jamais foi susceptível de alimentar.

Ainda que livremente reconheçamos que o mundo tenha evoluído bastante nos últimos cem anos, estamos seguros que nossa axiomática não será superada até o final do mundo e que também o mundo em suas eras futuras não verá nada diferente, porque nossa rota[60] abarca tanto o dia em que Deus pronunciou “Fiat” (Faça-se) quanto o dia em que Ele pronunciou pereat (Pereça). Por isto não precisamos nos preocupar com o Diabo. O relógio de Deus marca com precisão cada minuto, quando nossos relógios escassamente marcam as horas precisas.

Também cremos firmemente que nossos irmãos e nossos pais se houvessem vivido nesta época haveriam tratado com mais rigor ao Papa, a Mahomet (Islam), e aos escritores, artistas e sofistas; não simplesmente com suspiros desejando o fim da miséria.

Estes oito Irmãos catalogaram e ordenaram todas as coisas de forma harmônica. Não se demandava então outro trabalho de grande vulto. Cada qual havia sido bem instruído, estando qualificado para ministrar os segredos de sua arte e filosofia. Ainda que desejassem compartilhar por mais tempo a companhia uns dos outros, haviam combinado, a princípio, que deveriam separar-se e dirigir-se a vários países distintos; não apenas para compartilhar sua axiomática com outros homens ilustres, senão para que eles próprios, noutros países, observassem algo ou algum equívoco, devendo comunicá-los uns aos outros.

Seu acordo era o seguinte:

  1. Que nenhum deles deveria fazer nada mais que curar os enfermos e feito gratuitamente.
  2. Que nenhum deles nem os que os seguiam; deveriam jamais usar certa classe de vestimenta, isto é, vestir-se segundo o costume do país em que residissem.
  3. Que a cada ano no dia C. deviam reunir-se na casa Sanctus Spiritus, ou justificar por escrito sua ausência.
  4. Que cada Irmão deveria buscar uma pessoa merecedora, que depois de sua morte pudesse substituí-lo.
  5. Que a palavra R.C. devia ser o selo, marca e caráter deles.
  6. A Fraternidade deveria permanecer secreta por cem anos.

Comprometeram-se mutuamente a observar esses seis artigos. Cinco Irmãos partiram para diversas partes. Somente permaneceram os Irmãos B. e D. com o Pai, Fra. R.C. durante um ano inteiro. Quando, ao cabo de um ano, eles também partiram, J.O. e seu primo ficaram junto dele, para que assim em todos os dias de sua vida tivesse a companhia de dois de seus Irmãos.

E, por mais maculada que estivesse a Igreja, sabemos que os Irmãos nela pensavam e aspiravam profundamente pela purificação da mesma.

Todos os anos se reuniam com alegria e faziam uma coletânea completa do que haviam feito. Havia um grande júbilo entre eles, em compartilhar o relato verídico e sem artifícios de todas as maravilhas e milagres que Deus não cessou de espalhar pelo mundo. Todos podem estar certos que pessoas como estas, cujo encontro era obra da máquina celeste, escolhidas pelo espírito mais sábio que viveu em séculos, viveram entre eles e em sociedade na mais perfeita concórdia, na mais total discrição, o mais caridosamente possível.

Vivendo tal estilo de vida, ainda que suas existências transcorressem livres de dores e enfermidades não podiam viver por mais tempo que o determinado por Deus.

O primeiro Irmão desta augusta Fraternidade que morreu, e isto ocorreu na Inglaterra, foi o Irmão J.O., tal como o Irmão C. há tempos havia-lhe predito. Ele era muito culto e conhecia com profundidade a Cabala, como demonstra o livro H., de sua autoria. Na Inglaterra era muito famoso, pois havia curado o jovem Conde Earl de Norfolk que sofria de lepra. Os Irmãos decidiram que o lugar de seus enterros devia permanecer secreto, até onde fosse possível. Atualmente não sabemos nada do que sucedeu a alguns deles, mas, o posto que desempenhado por eles era ocupado por um sucessor competente. Porém, confessaremos publicamente por essas dádivas para a glória de Deus, que seja qual for o segredo que tenhamos aprendido no livro M. (ainda que nossos olhos contemplem a imagem e configuração de todo o mundo), não nos foram revelados nossos infortúnios, nem a hora da morte, que somente é conhecida pelo próprio Deus, o qual desta maneira nos conservaria num estado contínuo de preparação. Esta questão será tratada mais explicitamente em nosso Confessio na qual também enunciaremos as 37 causas pelas quais revelamos agora nossa Fraternidade, fazendo a oferta livre, espontânea e gratuita de mistérios tão profundos, e a promessa de mais ouro do que o fornecido pelas duas Índias ao rei da Espanha: porque a Europa está grávida, e ela vai dar à luz um robusto rebento que seus padrinhos cobrirão de ouro.

Após a morte do Irmão J.O., o Irmão R.C. não cessou suas atividades, e assim que pôde convocou os demais Irmãos, e supomos que foi nesta época que foi feita a sua tumba. Embora nós, os mais jovens, ignorássemos até então, absolutamente, a data da morte do nosso bem-amado Pai R.C., e não estivéssemos de posse a não ser dos nomes dos fundadores e de todos aqueles que os sucederam até nós, soubemos, todavia, guardar em memória um mistério que A., o sucessor de D., o último representante da segunda geração, que viveu com muitos dentre nós, confiou a nós, representantes da terceira geração, num misterioso discurso sobre os cento e vinte anos.

Confessamos, aliás, que após a morte de A. nenhum de nós conseguiu o menor detalhe a respeito de R.C. e sobre seus primeiros irmãos, exceto o que é relatado em nossa Biblioteca Filosófica, entre outras, nossa Axiomática, obra capital para nós, o Rota Mundi, a obra mais sábia, e Proteus[61], a mais útil. Não sabemos, portanto, com certeza se os representantes da segunda geração possuíam a mesma sabedoria que os da primeira, e se tiveram acesso a todos os mistérios.

Contudo, lembremos ainda ao atento leitor que foi Deus quem preparou, aprovou e ordenou o que aprendemos aqui mesmo, sobre a sepultura de Fr.C., e que proclamamos agora publicamente. Nós lhe somos tão fielmente dedicados que não tememos a revelação, numa obra impressa, de nossos nomes de batismo, de nossos pseudônimos, de nossas assembleias, de tudo o que se deseja saber de nós, contando que, em contrapartida, as pessoas se dirijam a nós, com modéstia, e que as respostas sejam cristãs.

Agora vem o verdadeiro e fundamental relato do altamente iluminado homem de Deus, Fra. C.R.C., que é o seguinte:

Após a morte física de A., na Gallia Narbonensis[62], sucedeu-o nosso amado Irmão N.N., que adotou seu nome, após vir a nosso encontro para fazer o solene juramento de fidelidade e segredo, nos informando confidencialmente que A. lhe havia assegurado, que esta Fraternidade não permaneceria tão oculta, mas que seria benéfica, útil e recomendável a toda a nação alemã; que de forma alguma envergonhava-se de seu estado[63].

No ano seguinte após N.N. haver concluído seu aprendizado, planejou viajar, munido de tão respeitável viático e da bolsa de um Fortunato, todavia, sendo um bom arquiteto idealizou restaurar e modernizar esta morada para torná-la mais adequada aos propósitos da Irmandade. Nesta reforma, interessou-se por uma placa memorial que havia sido fundida em bronze (messing)[64] e sobre a qual estava inscrito os nomes dos primeiros membros da Ordem e algumas outras inscrições. Pretendia deslocá-la para uma câmara mais conveniente, pois onde ou quando Fra. C.R.C., nosso amado pai e fundador havia morrido ou em que país fora enterrado fora conservado em segredo pelos Irmãos que nos antecederam sendo por nós desconhecido.

Na placa mencionada estava cravado um grande prego, maior que os outros; assim quando foi arrancada com força, trouxe consigo uma grande pedra proveniente da parede fina, o rebote de uma porta escondida, destapando-a. Então derrubamos com alegria e esperanças o resto da parede, desobstruindo a porta. Sobre a porta estava escrito em caracteres de grande formato: post 120 annos patebo (após 120 anos serei aberto), seguido da data antiga.

Demos graças a Deus e, aspirando consultar em primeiro lugar, a Rota, nossa obra sobre os Ciclos, detivemos nosso trabalho.

Mas tornamos a nos referir à nossa Confessio Fraternitatis[65], pois o que aqui publicamos é para auxiliar aqueles que são dignos, contudo para os indignos (segundo a vontade de Deus) ela terá pouca utilidade.  Da mesma forma como nossa porta se abriu de modo maravilhoso ao cabo de tantos anos, na Europa, uma porta também deverá se abrir, logo que o muro de tijolos seja afastado: ela já é visível; são muitos os que as esperam com intensidade.

Na manhã seguinte abrimos a porta, e aos nossos olhos surgiu uma galeria abobadada de sete lados e cantos, cada um deles medindo, aproximadamente, 1,5 metros de largura por 2,5 metros de altura. Embora o Sol jamais brilhasse dentro dela, estava iluminada com uma outra luz, a qual aprendera a fazê-lo com o próprio Sol, e estava situada na parte superior e no centro do teto. No meio, e em vez de lápide, havia um altar redondo coberto por uma chapa de bronze, tendo nela gravado:  A.C.R.C hoc universi compendium vivus mihi sepulcrum feci (Este compêndio do universo, construí durante minha existência para ser meu túmulo).

A volta do primeiro círculo, ou borda, constava: Jesus mihu omnia (Jesus é meu tudo). No centro viam-se quatro figuras encerradas em círculos, cujas inscrições eram as seguintes:

  1. Nequaquam vaccum (Em nenhuma parte existe um vácuo)
  2. Legis Jugum (O Jugo da Lei)
  3. Libertas Evangelli (A Liberdade do Evangelho)
  4. Dei Gloria Intacta (A Glória Íntegra de Deus).

Estava tudo claro e resplandecente como também os sete lados e os dois heptágonos; então, reunidos, ajoelhamo-nos e rendemos graças ao único, sábio e poderoso Deus, que nos ensinara mais do que poderia haver descoberto todas as mentes humanas e então glorificamos seu Santo Nome.

A galeria foi dividida em três partes: a superior ou teto, a parede ou lado e o piso ou chão. Em relação ao teto, não nos deteremos muito por enquanto, porém estava dividido em triângulos, dispostos nos sete lados até o centro luminoso, porém o que  nele estava contido , vós,  se de acordo com a vontade de Deus aspireis pertencer a nossa Fraternidade, contemplareis com seus próprios olhos; contudo cada lado ou parede estava subdividido em dez figuras, cada qual com suas várias estampas e sentenças particulares, conforme  fielmente exibido e explicado no Concentratum (Compendium) , aqui em nosso livro.

O piso também estava dividido em triângulos, porém devido estar descrito nele o poder e a regência dos governantes inferiores (os Astros) não podemos descrever isto por recear o abuso de um mundo cheio de maldade e afastado de Deus. Porém, aqueles que estão previstos e têm o antídoto celestial, que sem medo pisam e destroem a cabeça da velha e maligna serpente que nos nossos dias está muito presente.

Cada lado ou parede possuía uma porta ou armário onde estavam diversos objetos especialmente todos os nossos livros que de todas as formas já possuímos. Entre eles estava o Vocabulário de THEOP: PAR.HO. (Teofrastus Paracelsus de Hohenheim) e com os quais, sem artifícios, estudamos diariamente. Também encontramos o Itinerariom e Vitam (O livro de viagem e Biografia de C.R.C.), dos quais muito deste relato é baseado. Em outro armário estavam espelhos de várias virtudes, como noutro lugar havia pequenos sinos, lâmpadas acesas e mais que tudo havia maravilhosos cantos artificiais que foram construídos com o objetivo de que se algo chegasse a suceder com a Ordem ou a Fraternidade, acabando-se depois de centenas de anos, poderia tudo restaurar-se novamente por meio desta única abóbada.

Como até aquele momento ainda não havíamos percebido os restos mortais do corpo de nosso cuidadoso e sábio pai, removemos o altar a um dos lados e levantamos uma forte placa de bronze. Encontramos um corpo perfeitamente conservado, intacto e sem deterioração alguma. Artificiosamente parecia como se estivesse vivo com todos seus ornamentos. Em sua mão portava um livro de pergaminho, com letras douradas, chamado T (296), que depois da Bíblia, é nosso maior tesouro e compreensivelmente não está sujeito ao julgamento do mundo.  Ao final deste livro acha-se o seguinte:

Elogium: Granum Pectori Jesus Insitum

C. Ros. C. ex nobili atque splendida Germaniae R.C. familia oriundus, vir sui seculi divinis revelationibus subtilissimis imaginationibus, indefessis laboribus ad coelestia, atque humana mysteria ; arcanave admissus postquam suam (quam Arabico, & Africano itineribus Collegerat) plusquam regiam, atque imperatoriam Gazam suo seculo nondum convenientem, posteritati eruendam custo divisset et jam suarum Artium, ut et nominis, fides acconjunctissimos herides instituisset, mundum minutum omnibus motibus magno illi respondentem fabricasset hocque tandem preteritarum, praesentium, et futurarum, rerum compendio extracto, centenario major non morbo (quem ipse nunquam corpore expertus erat, nunquam alios infestare sinebat) ullo pellente sed spiritu Dei evocante, illuminatam animam (inter Fratrum amplexus et ultima oscula) fidelissimo creatori Deo reddidisset, Pater dilectissimus, Fra: suavissimus, praeceptor fidelissimus amicus integerimus, a suis ad 120 annos hic absconditus est.

Tradução:

Uma semente foi plantada no peito de Jesus

C. Ros. C. originou-se na nobre e famosa família alemã da R.C.; um homem aceito nos mistérios e segredos do céu e da terra através das revelações divinas, cogitações sutis e da persistente labuta de sua vida. Em suas viagens pela Arábia e África, reuniu um tesouro ultrapassando o dos Reis e Imperadores; não o achando, porém, adequado para a sua época, conservou-o secreto para ser descoberto pela posterioridade, e nomeou os herdeiros leais e fiéis de suas artes, e também de seu nome. Edificou um microcosmo correlacionado em todos os movimentos ao macrocosmo, e finalmente redigiu este compêndio das coisas passadas, presentes e futuras. Em seguida, tendo já ultrapassado um centenário, embora não atribulado por nenhuma enfermidade, que jamais sofrera em seu próprio corpo e tampouco permitirá que outros a sofressem, mas chamado pelo Espírito de Deus, entre os últimos amplexos de seus irmãos, entregou sua alma iluminada a Deus seu Criador. Um pai amado, um Irmão afetuoso, um Mestre leal, um Amigo sincero, aqui permaneceu oculto por seus discípulos durante 120 anos.

Haviam assinado, logo abaixo:

  1. Fra: I.A. Fr.C.H. (escolhido por C.R. chefe da Fraternidade)
  2. Fr: G.V. M.P.C.
  3. Fra: R.C. Iunior haeres S. spiritus. (O mais jovem herdeiro do Espírito Santo)
  4. Fra: B.M. P.A. Pictor et Architectus. (Pintor e arquiteto)
  5. Fr: G.G. M.P.I. Cabalista.

Secundi Circuli. (Do segundo círculo):

  1. Fra: P.A. Successor, Fr: I.O. Mathematicus. (Matemático, sucessor do Irmão I.O.)
  2. Fra: A. Successor, Fra. P.D.
  3. Fra: R. Successor patris C.R.C. cum Christo triumphant. (Sucessor do Pai C.R.C., triunfador no Cristo)

Ao final estava escrito o seguinte:

Ex Deo Nacimur, in Jesu Morimur, per Spiritum Sanctum Reviviscimus

(De Deus nascemos, em Jesus morremos, pelo Espírito Santo revivemos)

 O Irmão C.R.C. nasceu em 1378 e viveu 106 anos. Assim, morreu em 1484. Sua tumba foi descoberta 120 anos depois, ou seja, no ano 1604.

Nessa época já havia morrido os Irmãos O. e D., porém, onde se encontrará o lugar de suas sepulturas? Não duvidamos que o mais velho dos irmãos, no instante de seu sepultamento, foi objeto de cuidados especiais e que também teria tido uma sepultura secreta.

Também esperamos que o nosso exemplo estimulará outros irmãos, a procurar com mais cuidado pelos nomes que revelamos com tal finalidade, e a encontrar o local de suas tumbas. Célebres e apreciados, geralmente, por sua arte médica, nas mais antigas gerações, eles podem talvez, com efeito, contribuir para ampliar nosso Gaza[66], ou pelo menos para compreendê-lo melhor.

Quanto ao Minutum Mundom (pequeno mundo), nós o encontramos conservado noutro pequeno altar. Realmente mais admirável do que possa ser imaginado por qualquer homem de discernimento. Todavia nós não o descreveremos enquanto não tiver creditado um voto de confiança a nossa Fama Fraternitatis. Em seguida tornamos a cobrir o túmulo com as placas, e sobre elas colocamos o altar e tornamos a fechar a porta, fechando todos os nossos selos, antes de decifrar algumas obras, baseando-nos nas diretrizes de nossa Rota – nosso tratado sobre os ciclos – (entre outros, sobre o livro M. Hoh[67], cujo autor é o doce M.P., e que é útil como um tratado de atividades domésticas). Em seguida, segundo o nosso costume, separamo-nos novamente, deixando nossas joias a seus herdeiros naturais. E assim aguardamos a resposta e julgamento dos eruditos e dos não eruditos sobre as nossas revelações.

Ainda que conheçamos a amplitude de uma reforma geral divina e humana que contentará tanto os nossos desejos quanto as esperanças de todos os seres humanos, não é mau, com efeito,  que o Sol, antes de seu despertar, projete no céu uma luminosidade mais clara ou escura; que alguns se anunciem e se reúnam para promover nossa irmandade pelo seu número e pelo prestígio do cânon filosófico idealizado e ditado pelo nosso  Pai C., ou mesmo para deleitar-se com humildade e amor de nossos alienáveis tesouros, curando as misérias deste mundo e não lidando com tanta cegueira com as maravilhas divinas.

Porém, para que cada Cristão também possa apreciar a nossa piedade e probidade, professamos publicamente o conhecimento de Jesus Cristo nos termos claros e nítidos em que Ele, nesta época tem sido proclamado na Alemanha e onde certas províncias famosas o mantêm e o proclamam atualmente contra todos os entusiastas, heréticos e falsos profetas. Nós também celebramos os Sacramentos instituídos pela primeira Igreja reformada, com as mesmas fórmulas e cerimônias.

Na política reconhecemos o Império Romano e a IV Monarquia[68], como nosso regente e como regente dos cristãos.

Apesar do conhecimento que possuímos em relação às mudanças que irão ocorrer e de nossa profunda aspiração em divulgá-las àqueles que são instruídos por Deus, eis nosso manuscrito, que está em nosso poder. Nenhum ser humano nos colocará fora da lei, nem nos entregará aos indignos, sem a permissão do Deus único.

Colaboraremos secretamente com esta causa benéfica segundo a Vontade divina. Porque nosso ouro não é cego como acreditam e profetizam os pagãos, porém, Ele é a joia da Igreja e a Honra do Templo.

Nossa filosofia não é tampouco nenhuma novidade: ela é conforme a que herdou Adão após a queda e que foi praticada por Moisés e Salomão. Ela não questiona ou refuta diferentes teorias porque a verdade é única, sucinta, sempre idêntica a ela própria, pois, adequando-se a Jesus em todas as suas partes e em todos os seus membros, ela é a imagem do Pai como Jesus é seu retrato, é um equívoco dizer que o que é verdadeiro em Filosofia é falso em Teologia. O que Platão, Aristóteles e Pitágoras estabeleceram, o que Enoch, Abraão, Moisés e Salomão confirmaram, naquilo que está em concordância com a Bíblia, o grande livro das maravilhas, corresponde e descreve uma esfera, ou um globo em que todas as partes estão equidistantes do centro, ciência em que trataremos mais profundamente na Conferencia Cristã.

Quanto ao que se refere em nossa época ao enorme sucesso da arte ímpia e maldita dos fazedores de ouro, que incita de forma muito singular uma multidão de lisonjeadores evadidos das prisões e maduros para o cadafalso a cometer grandes vilezas abusando da boa-fé e da ingenuidade de muitos indivíduos, a ponto de alguns acreditarem em sua probidade, que a transmutação metálica é o ápice e o cimo da Filosofia, que é necessário dedicar-se completamente a ela e que a fabricação de massas e de lingotes de ouro agrada de forma especial a Deus – mediante preces irrefletidas, mediante expressões doentias e inúteis, eles esperam conquistar um Deus cuja onisciência penetra em todos os corações, eis o que proclamamos publicamente: tais concepções são falsas. Testificamos que para os verdadeiros filósofos, a fabricação de ouro não é senão um “parergon”, um trabalho preliminar, de pouca importância, um entre milhares de outros tantos os que têm em seu repertório, e que são muito mais importantes.

Assim afirmamos as palavras de nosso bem-amado Pai C.R.C.: phy:aurum nici quantum aurum (Oh! Ouro, nada mais do que ouro!). Aquele a cujos olhos toda a natureza se revela não se deleita por poder fabricar ouro e domesticar demônios, mas segundo as palavras de Cristo: se alegra por contemplar o céu abrir-se, os Anjos do Senhor subir e descer, e seu nome inscrito no Livro da Vida.

Também testificamos que sob o nome de Chymia (Alquimia) foram apresentados muitos livros e ilustrações no Contumeliam Gloriae Dei (para a Glória de Deus), como os denominaremos em sua devida época, dando aos puros de coração um Catálogo, ou registro deles.

E rogamos a todos os homens de ciência que redobrem sua prudência à leitura destes livros: o inimigo não cessa de semear seu joio, até encontrar alguém mais forte que os extirpe.

Assim, de acordo com a vontade e pensamentos do nosso Pai C.R.C., nós seus Irmãos pedimos novamente aos sábios e eruditos de toda a Europa que leiam estas nossas Fama, traduzidos em cinco idiomas, y Confessio, em latim, e que, se lhes aprouver, poderão deliberar considerando essa nossa oferta, e julgarem a época atual com todo o desvelo, e declararem a sua opinião por impresso, seja como uma Communicatio consilio, ou sigulatim (conjuntamente ou isoladamente).

Ainda que neste momento não tenhamos mencionado nossos nomes e reuniões, as opiniões de todos, não importa a língua que professem, chegarão com certeza até as nossas mãos. E todos aqueles que indicarem seu nome receberão uma resposta de alguma forma, ou pessoalmente ou, se tiverem algum problema com isto, por escrito. Proclamamos que aquele que nutra a nosso respeito seriedade e cordialidade, ao dirigir-se a nós será por isso beneficiado em corpo e alma; todavia aquele que seja falso em seu coração, ou os ambiciosos de riquezas, não nos causará nenhum mal, mas atrairá para si a ruína e a destruição absoluta.

Em relação a nossa morada, ainda que cem mil pessoas tenham dela se aproximado e quase a contemplado de perto, permanecerá para sempre intocável, indestrutível e oculta para o mundo perverso. Sub Umbra Alarum Tuarum Jehova (À sombra de Tuas Asas, oh! Jeová).

OS IRMÃOS DA FRATERNIDADE ROSACRUZ

CONFESSIO FRATERNITATIS R.C.[69]Confissão a Fraternidade Rosacruz aos Estudiosos da Europa

Estimado leitor,

Aqui, caro leitor, deverá encontrar, incorporado em nossa Confessio, trinta e sete razões sobre o nosso propósito e intenção, as quais, se for de teu agrado, poderá procurá-las e compará-las em conjunto, levando em conta dentro de ti mesmo se elas são suficientes para te atrair. Em verdade, é nossa maior preocupação induzir qualquer pessoa a acreditar naquilo que ainda não é aparente, mas quando isso for revelado no total resplendor do dia, suponho que estaremos envergonhados de tais questionamentos.

Como agora, de fato, podemos chamar o Papa de anticristo, sem receio de punição capital, assim, certamente, sabemos que o que aqui mantemos secreto, no futuro será trovejado em alta voz. Deseje conosco, caro leitor, de todo coração, que isso ocorrerá rapidamente.

A Fraternidade da Rosacruz

Capítulo 1

Não considere apressadamente, ó mortais, o que vocês tenham ouvidos sobre à nossa do Fama R.C. sobre nossa Fraternidade; não acredite, nem obstinadamente duvide. É Jeová quem, vendo como o mundo está desabando em ruínas, e perto de seu fim, de fato o apressou novamente para seu início, invertendo o curso da Natureza e, assim, o que até aqui tem sido buscado com grande esforço e com trabalho diário Ele deverá deixar exposto para aqueles que não pensam em tal coisa, oferecendo-o ao desejoso e forçando-o ao relutante, para que ele possa se tornar para os bons aquilo que suavizará os problemas da vida humana e romperá a violência dos golpes inesperados da Fortuna, mas para o ímpio se tornará aquilo que aumentará seus pecados e suas punições.

Nós acreditamos que tenhamos suficientemente revelado para você no Fama a natureza de nossa Ordem, na qual seguimos a vontade de nosso mais excelente Pai, nem possamos ser por qualquer pessoa suspeita de heresia, nem de qualquer tentativa contra a comunidade, nós, por meio disto, de fato condenamos o Oriente e o Ocidente (significando o Papa e Maomé) por suas blasfêmias contra Nosso Senhor Jesus Cristo, e oferecemos ao chefe principal do Império Romano nossas preces, segredos e grandes tesouros de ouro. Contudo, por causa dos eruditos, pensamos melhor em adicionar algo mais a isto, e dar uma melhor explanação, se houver qualquer coisa demasiadamente profunda, oculta e assentada na obscuridade no Fama, ou por alguma razão não conseguiu ser traduzido adequadamente em alguma língua, por meio do que esperamos que os eruditos estejam mais afeitos a nós, e mais dispostos a aprovar nosso desígnio.

Capítulo 2

Concernente ao aperfeiçoamento e acréscimos da filosofia temos – tanto quanto no momento é necessário – declarado que a mesma está doente; ou melhor, embora muitos (não sei como) debatem que ela esteja sadia e forte; para nós é certo que ela dá seu último suspiro.

Mas, como usualmente, até no mesmo lugar onde surge uma nova doença, a Natureza descobre um remédio contra a mesma, assim, em meio a tantas enfermidades da filosofia, de fato aparecem os meios corretos, e que são para nossa Pátria, suficientemente oferecidos, pelos quais ela poderá se tornar sadia novamente, e poderá parecer nova ou renovada para um mundo renovado.

Não existe para nós, entretanto, nenhuma outra filosofia daquela que é a mais importante de todas as faculdades, ciências e artes, a qual (se contemplarmos nossa época) contém muito da Teologia e da Medicina, mas pouco da Jurisprudência; a qual pesquisa o Céu e a Terra através de primorosa análise, ou, para dela falar com brevidade, a qual de fato manifesta suficientemente o ser humano Microcosmos, a respeito do que, se alguns dos mais bem dispostos na multidão dos eruditos responderem ao nosso fraternal convite, deverão encontrar dentre nós muitas outras e maiores maravilhas do que aquelas em que de fato até agora acreditavam, se maravilhavam e professavam.

Capítulo 3

Se nós declaramos brevemente nosso propósito acerca disso significa que devemos trabalhar cuidadosamente para que a surpresa de nosso desafio possa lhe ser tomada, para mostrar claramente que tais segredos não são frivolamente estimados por nós, e para não propagar amplamente uma opinião entre os incultos de que a narrativa que diz respeito a esses segredos é uma tolice. Pois não é absurdo supor que muitos estejam confundidos pelo conflito de pensamentos que é ocasionado por nossa inesperada afabilidade, para os quais (até agora) são desconhecidas as maravilhas da Sexta Época, ou que, em razão do curso retrógrado do mundo[70], não conseguem ver nem o futuro e nem o passado. Preenchidos pelas preocupações de seu tempo vivem de nenhuma outra maneira no mundo a não ser como pessoas cegas, que, à luz, nada discernem a não ser o que podem tocar.

Capítulo 4

Nossa opinião, sobre a primeira parte, é que as meditações de nosso pai Cristian acerca de todos os assuntos que a partir da criação do mundo foram inventados, produzidos e propagados pela engenhosidade humana, através da revelação de Deus, ou através do serviço dos Anjos ou dos Espíritos, ou através da sagacidade do entendimento, ou através da experiência da longa observação são tão grandes, que se todos os livros perecessem, e pelo consentimento de Deus todo-poderoso todos os escritos e todo saber se perdessem, ainda assim, a posteridade seria capaz de lançar uma nova base para as ciências e de erigir uma nova cidadela pelo arco triunfal da verdade; o que talvez seja fácil de fazer, como se alguém começasse a lançar abaixo e destruir o velho edifício em ruínas, e então aumentar o pátio de entrada, trazendo depois luz para dentro dos aposentos privativos, mudando então as portas, as escadarias e outras coisas de acordo com nossa intenção.

Como conceitos tão exaltados poderiam parecer a nós tão humildes? Não nos foram oferecidas para apenas tomarmos conhecimento? Não foram intencionadas como ornamento de seu tempo? Não gostaríamos de encontrar a Paz, na única verdade, que os mortais tanto buscam por caminhos tortuosos ou labirintos, se Deus realmente quisesse que o sexto candelabro acendesse apenas para nós? Não nos seria suficiente não temer nem a fome, pobreza, doenças, nem a idade? Não seria algo excelente sempre viver como se você tivesse vivido desde o começo do mundo, e fosse ainda viver até o fim dele? Viver igualmente em um lugar em que nem os povos que habitam além do Ganges pudessem ocultar qualquer coisa, nem aqueles que vivem no Peru pudessem ser capazes de manter seus desígnios em segredo de ti? Igualmente ler em um único livro para discernir, compreender e lembrar de tudo o que em outros livros (que até aqui existiram, existem agora, e daqui para frente deverão surgir) esteve, está e deverá ser aprendido a partir deles? Igualmente tocar e cantar de forma que em vez de pedras rochosas você pudesse extrair pérolas, em vez de animais selvagens, espíritos, e em vez de Plutão[71], você pudesse acalmar os poderosos príncipes do mundo?

Ó mortais, os desígnios de Deus são diferentes e também é diferente seu benefício.  Em benefício de vós foi decretado que se aumentasse e se expandisse o número de nossa Fraternidade neste tempo, o que com muita alegria empreendemos, pois obtivemos até aqui este grande tesouro sem nossos méritos, sim, sem qualquer esperança ou expectativa. O mesmo, pretendemos com tal fidelidade colocar em prática, de forma que nem a compaixão, nem a piedade por nossos próprios filhos (que alguns de nós na Fraternidade, tem) deverão nos mover, uma vez que sabemos que estas coisas boas inesperadas não podem ser herdadas, nem promiscuamente conferidas.

Capítulo 5

Se, agora, houver alguém que, por outro lado, reclame de nossa discrição – considerando a segunda parte, [da primeira frase do capítulo 3] – de que oferecemos nossos tesouros tão espontânea e indiscriminadamente, e de que em vez disso não damos maior consideração aos devotos, aos sábios ou às pessoas principescas do que às pessoas comuns, com ele não estamos de nenhuma maneira zangados. Pois, a acusação não é sem importância, mas, além disso, afirmamos que de nenhuma forma fizemos de nossos segredos propriedade comum, ainda que eles ressoem em cinco línguas dentro dos ouvidos dos incultos. Tanto porque, como bem sabemos, eles não farão juízos grosseiros, como também porque o valor daqueles que deverão ser aceitos em nossa Fraternidade não será medido por sua curiosidade, mas pela regra e padrão de nossas revelações.

Mil vezes os indignos poderão clamar, mil vezes se apresentarem, contudo, Deus ordenou a nossos ouvidos que eles não ouvissem nenhum deles, e circundou a nós, Seus servidores, de tal forma com Suas nuvens, que contra nós nenhuma violência pode ser feita; pelo que agora não mais somos contemplados por olhos humanos a menos que tenham recebido força emprestada de uma águia.

O Fama tinha que ser publicado na língua mãe de todos, para que estes não fossem privados do conhecimento dele, os quais (embora sejam iletrados) Deus não excluiu da felicidade desta Fraternidade, que é dividida em graus; como aqueles que vivem em Damcar, que têm uma ordem política muito diferente dos outros árabes; pois lá de fato governam apenas pessoas de discernimento, os quais, com a permissão do rei, fazem leis particulares, de acordo com cujo exemplo o governo também deverá ser instituído na Europa (de acordo com a descrição estabelecida por nosso Pai Cristian), quando ocorrerá aquilo que deve preceder.

Quando nossa Trombeta ressoar a plena voz e com nenhuma prevaricação de significado; quando, a saber, aquelas coisas sobre as quais alguns poucos agora sussurram e obscurecem com enigmas, abertamente preencherão a Terra, mesmo como após muitos secretos aborrecimentos de pessoas pias contra a tirania do papa, e após tímida reprovação, ele com grande violência e através de uma grande investida foi derrubado de seu assento e pisoteado copiosamente; cuja queda final está reservada para uma época em que ele deverá ser rasgado em pedaços com garras, e um gemido final deverá encerrar seu zurro de jumento, o que, como sabemos, já está manifesto para muitos homens eruditos na Alemanha, conforme as suas indicações e secretas congratulações prestam testemunho.

Capítulo 6

Vale a pena relatar e proclamar o que aconteceu durante todo o tempo desde o ano de 1378, o ano quando nosso Pai Cristian nasceu, até agora, quais alterações no mundo ele viu nesses cento e seis anos de sua vida, o que ele deixou para ser empreendido por nossos Pais e por nós após sua feliz morte.

A brevidade, que de fato observamos, não permitirá neste momento fazer um relato detalhado disso; é suficiente para aqueles que não desprezam nossa proclamação, termos tocado nisso, para desta forma preparar o caminho para sua maior associação e união conosco. Verdadeiramente, para quem é permitido contemplar, ler e a partir daí ensinar a si mesmo aqueles grandes caracteres que o Senhor Deus inscreveu no mecanismo do mundo, e que Ele repete através das mutações dos Impérios, e com base neste conhecimento, se desenvolve, sem sombra de dúvida, mesmo não estando consciente disto, já é um dos nossos. E como sabemos que ele não negligenciará nosso convite, assim, de maneira semelhante, juramos de nosso lado que ele não será iludido. Prometemos ainda que a retidão e as esperanças de nenhum ser humano deverão enganar aquele que se fizer conhecido para nós sob o selo do sigilo e desejar nossa familiaridade. Contudo, para o falso e para os impostores, e para aqueles que buscam outras coisas que não a sabedoria, testemunhamos publicamente por estas dádivas, não podemos, em nosso prejuízo, ser a eles revelados, nem sermos por eles conhecidos sem a vontade de Deus, mas eles deverão certamente ser participantes daquela terrível cominação mencionada no Fama, e seus desígnios ímpios deverão cair para trás sobre suas próprias cabeças, enquanto nossos tesouros deverão permanecer intocados, até que o Leão surja e os reclame como seu direito, receba-os e os empregue para o estabelecimento de seu reino.

Capítulo 7

Então, nós mortais devemos estar seguros de uma coisa: Deus decretou para o mundo antes de seu fim, o que atualmente em consequência disso deverá suceder, um influxo de verdade, luz, e grandeza tal como Ele ordenou que deveria acompanhar Adão ao partir do Paraíso e abrandar a miséria do ser humano. Pelo que deverá cessar toda falsidade, escuridão e escravidão que pouco a pouco, com a revolução do grande globo, se infiltrou nas artes, nas obras e na governança dos seres humanos, obscurecendo a maior parte delas.

De lá surgiu essa inumerável diversidade de opiniões, falsidades e heresias que tornam a escolha difícil para os seres mais sábios, vendo que por um lado, foram estorvados pela reputação dos filósofos e por outro, a verdade das descobertas os colocam em dúvida. Se, portanto, todas estas coisas, como cremos, puderem ser definitivamente removidas, e em vez delas uma única e mesma regra for instituída, então, realmente restarão agradecimentos para eles que se esforçaram nisso, mas o resultado de tão grande obra deverá ser atribuído à bem-aventurança de nossa época.

Como agora confessamos que as muitas elevadas inteligências através de seus escritos serão um grande auxílio para esta Reforma que está por vir, assim de maneira nenhuma arrogamos a nós esta glória, como se tal obra fosse somente imposta a nós, mas testemunhamos com nosso Cristo Salvador que tão logo as pedras se ergam e ofereçam seu serviço, não haverá então falta de executores do desígnio de Deus.

Capítulo 8

Para fazê-Lo conhecido, Deus enviou mensageiros à frente que deveriam testemunhar Sua vontade, a saber, algumas novas estrelas que apareceram em Serpentarius e Cygnus[72] (303), cujos poderosos sinais de um grande Conselho demonstraram como para todas as coisas que a engenhosidade humana descobre, Deus invoca seu conhecimento oculto. Igualmente o Livro da Natureza, que embora permaneça aberto verdadeiramente diante de nossos olhos, pode ser lido somente por muito poucos, menos ainda compreendido.

Como na cabeça humana há dois órgãos de audição, dois de visão e dois de olfato, mas apenas um de fala, e sendo inútil esperar a fala a partir dos ouvidos, ou a audição a partir dos olhos, assim existiram épocas que o ser humano via, outras que ouvia, outras ainda que sentia o cheiro e o sabor. Agora, resta que em um curto tempo que se aproxima velozmente, distinção deva igualmente ser dada à língua, para que o que anteriormente viu, ouviu e sentiu o cheiro deva finalmente falar, depois que o mundo tiver superado a intoxicação de seu envenenado e entorpecido cálice, e com um coração aberto, de cabeça descoberta e pés descalços vá feliz e alegremente adiante para encontrar o sol se erguendo pela manhã.

Capítulo 9

Do mesmo modo que Deus espalha esses caracteres e letras, em Suas Sagradas Escrituras, igualmente Ele os imprime muitíssimo manifestadamente na maravilhosa obra da criação, nos Céus, na Terra, e em todos os animais, da mesma forma que o matemático prevê os eclipses, nós prognosticamos os obscurecimentos da igreja, e quanto tempo eles deverão durar.

Tomamos emprestado dessas letras nossa escrita mágica e, por conseguinte construímos para nós mesmos uma nova linguagem, na qual a natureza das coisas também é expressa. De forma que não é de se admirar que não sejamos tão eloquentes em outras línguas, muito menos neste latim. Pois sabemos que de maneira nenhuma estão em conformidade com aquela de Adão e Enoch, mas que foi contaminado pela confusão de Babel.

Capítulo 10

Nós não podemos de mencionar que, embora ainda existam algumas penas de águia[73] em nosso caminho, as quais de fato obstruem nosso propósito, de fato exortamos ao exclusivo, único, assíduo e contínuo estudo das Sagradas Escrituras.  Aquele que extrai todo seu prazer desta forma, deverá saber que preparou para si mesmo uma excelente maneira de entrar em nossa Fraternidade.  Pois este é o teor total de nossas Leis, que como não há nenhum aspecto naquele grande milagre do mundo que não esteja relacionado à memória, assim estão mais próximos e são mais parecidos conosco aqueles que de fato fazem da Bíblia a regra de sua vida, o fim de todos os seus estudos e o compêndio do mundo universal.

Destas pessoas exigimos não que isso devesse estar continuamente em sua boca, mas que deveriam apropriadamente aplicar sua verdadeira interpretação a todas as épocas do mundo. Não é nosso costume assim depreciar o oráculo divino, pois, embora haja inumeráveis comentadores do mesmo, alguns aderem às opiniões de seu grupo, alguns zombam da Escritura como se ela fosse um tablete de cera, para ser utilizado indiferentemente pelos teólogos, filósofos, doutores e matemáticos.

Em vez disso, somos testemunhas que desde o começo do mundo não foi oferecido ao ser humano um mais excelente, admirável e benéfico livro do que a Bíblia Sagrada. Abençoado é aquele que a possui, mais abençoado é aquele que a lê, mais abençoado de todos é aquele que verdadeiramente a estuda profundamente e a compreende, pois está mais relacionado com Deus aquele que tanto a compreende quanto a obedece.

Capítulo 11

O que nós dizemos com horror, devido à aversão aos impostores, contra a transmutação dos metais e a medicina suprema do mundo, desejamos ser assim compreendidos que esta tão grande dádiva de Deus, nós de nenhuma maneira desprezamos, mas como ela nem sempre traz consigo o conhecimento da Natureza, embora esse conhecimento produza tanto isso quanto um número infinito de outros milagres naturais, é correto que estejamos antes determinados a obter o conhecimento da filosofia, nem tentemos obter excelente aptidão com a tintura dos metais antes de obtê-la com a observação da natureza.

Deve necessariamente ser insaciável aquele que nem a pobreza, nem a doença, nem o perigo podem mais alcançar, que, como alguém elevado acima de todos os humanos, dominou aquilo que de fato angustia, aflige e atormenta os outros. Alguém assim, contudo se voltará novamente para coisas vãs, construirá prédios, fará guerras e tiranizará, porque possui suficiente ouro e uma fonte inesgotável de prata.

Deus julga de uma maneira completamente diferente, exaltando o humilde e lançando o orgulhoso na obscuridade; ao silente ele envia seus Anjos para com eles conversar, mas, os tagarelas ele os dirige ao deserto, que é o julgamento devido ao impostor romano que agora despeja suas blasfêmias de boca aberta contra Cristo, e que não ainda em plena luz do dia, através do que a Alemanha detectou suas cavernas e passagens subterrâneas, não para de mentir, para que por meio disso possa completar a medida de seu pecado e ser considerado digno do machado.

Portanto, um dia ocorrerá que a boca dessa víbora deverá ser cerrada, e sua tripla coroa deverá ser reduzida a nada, acerca dessas coisas trataremos mais completamente quando nos encontrarmos.

Capítulo 12

Concluindo nosso Confessio, devemos seriamente adverti-lo que descarte, se não todos, pelo menos a maioria dos livros imprestáveis de pseudo-alquimistas. Para eles é um jogo de abuso da Santíssima Trindade a coisas vãs, ou enganar os seres humanos com símbolos e enigmas monstruosos, ou lucrar com a curiosidade dos crédulos. Nossa época de fato produz muitos desses, um dos maiores sendo um ator de palco[74], um homem com suficiente engenhosidade para a fraude.

O inimigo da felicidade humana se mistura com a boa semente, para desta forma, tornar a verdade mais difícil de ser acreditada, que em si mesma é simples e despojada, enquanto a falsidade é orgulhosa, arrogante e colorida com um brilho de aparente sabedoria divina e humana.

Fuja dessas coisas, você que é sábio, e recorra a nós, que não buscamos seu dinheiro, mas o oferecemos de muito boa vontade nossos grandes tesouros. Não andamos a caça de seus bens com tinturas mentirosas inventadas, mas desejamos torná-lo coparticipante de nossos bens. Não rejeitamos as parábolas, mas o convidamos às simples e claras explicações de todos os segredos. Não buscamos ser recebidos por você, mas o convidamos para nossas casas e palácios mais do que majestosos. Através de nenhum impulso próprio, mas (para que você não desconheça) como que forçados a isto pelo Espírito de Deus, comandados pelo testamento de nosso mais excelente Pai, e impelidos pela ocasião deste momento presente.

Capítulo 13

Vocês, mortais, para quem Deus irradia uma luz similar àquela que Ele gera e vendo que sinceramente reconhecemos Cristo, execramos o papa, nos entregamos à verdadeira filosofia, levamos uma vida digna, e diariamente chamamos, suplicamos, e convidamos muitos mais para nossa Fraternidade, para os quais a mesma Luz de Deus igualmente se mostrou?

Não considera que, tendo ponderado acerca dos dons que estão em você, tendo medido sua compreensão da Palavra de Deus, e tendo avaliado as imperfeições e inconsistências de todas as artes, poderá finalmente no futuro deliberar conosco acerca da remediação delas, cooperar na obra de Deus e ser útil para a constituição de sua época?

Em cuja obra estes proveitos se seguirão, de forma que todos esses bens que a Natureza dispôs em todas as partes da Terra deverão totalmente em algum momento lhe serão dados, como ponto central entre o Sol e a Lua. Então deverá ser você capaz de expulsar do mundo todas aquelas coisas que obscurecem o conhecimento humano e retarda a ação, tal como descrito pelo caminho circular[75].

Capítulo 14

Você, contudo, para quem é suficiente ser útil apenas por curiosidade de qualquer prática, ou que está deslumbrado com o brilho do ouro, ou que embora agora íntegro, poderia ser desviado por inesperadas grandes riquezas para uma vida efeminada, ociosa, luxuosa e pomposa, não disturbe nosso silêncio sagrado com o seu clamor.

Mas, pense que embora haja um remédio que poderia curar totalmente todas as doenças, aqueles que, contudo, Deus deseja testar ou punir não deverão ser favorecidos com tal oportunidade, de forma que se fôssemos capazes de enriquecer e instruir o mundo todo, e liberá-lo de inumeráveis tribulações, nós, contudo, nunca nos manifestaríamos para qualquer ser humano, a menos que a Deus isso favorecesse. Isto estará tão longínquo daquele que contra a vontade de Deus pensa em ser um coparticipante de nossas riquezas, que mais rapidamente perderá sua vida nos buscando, do que atingirá a felicidade por nos encontrar.

FRATERNIDADE ROSACRUZ

ASSERTIO FRATERNITATIS – R. C.[76] – Confirmação da Fraternidade RC, que alguns chamam de Rosacruz, escrito em versos por um dos Membros da Fraternidade

Ao leitor: Quem quer que seja você, que duvida da Ordem dos Irmãos da Rosacruz; leia isto, e que lendo este poema[77] ficará convencido.

Frankfurt[78], da gráfica de Johannes Bringer, 1614

Muitos duvidam da existência dos Irmãos da Rosacruz. Eles não querem acreditar no Fama, que foi espalhado por toda a Terra e assim torna conhecido o trabalho de nossos irmãos por toda a parte. Contudo, aquele que não quer acreditar na pura verdade não poderá ver, apesar de ser uma tarde ensolarada. Veja, eu que estou escrevendo sou um dos Irmãos. Eu faço parte, apesar de pequena, desta piedosa Irmandade. Nossa Ordem existe escondida, no interior da Alemanha, mas também é conhecida no exterior. Esta Ordem é recentemente – muito poucos a formavam inicialmente – formada por dez homens, grandes em conhecimento e habilidades.  Porque a Ordem tem novas regras e por isso, você poderia dizer que é uma nova Ordem. Muitos querem participar da nossa comunidade, mas poucos o conseguem, e ainda com dificuldade.  Nós escolhemos apenas aqueles, que passaram por um longo período de provas, aqueles que passaram pela sua própria justiça. A Ordem os prende por fortes disposições, para que sempre cumpram suas promessas com fidelidade. Um amigo pode, se quiser, ser nosso companheiro, sendo ele merecer de nossa amizade. Nós vivemos em um convento. E quando nosso Pai o fundou há muito tempo lhe deu o nome de ‘Espírito Santo’. Com o passar dos anos ela mudou, mas ainda assim nossas memórias o guardam bem. Aqui vivemos juntos com vestes sagradas. A autoridade do Papa já não repousa mais sobre nós, como antigamente. Somos rodeados por bosques e propriedades: um rio conhecido corre lentamente perto de nossa propriedade. Não longe de nós fica uma cidade conhecida que nos fornece tudo que necessitamos. Com toda a liberdade vivemos aqui, em nosso terreno. Mesmo assim nós não somos totalmente conhecidos, nem pelos vizinhos. Apesar de diariamente pessoas virem à nossa porta para mendigar, todos, sempre, partem com uma rica esmola; sim, mesmo aqueles que sofrem com uma doença séria são, muitas vezes, ajudados com nossa assistência médica. Por este motivo toda a redondeza nos quer bem e ninguém iria danificar nossas posses. Quase citei o lugar onde vivemos, mas por motivos óbvios não irei traí-lo. Para que não fiquemos desconhecidos do mundo, viajamos muito pelas regiões do mundo e retornamos. Acabei de concluir minha terceira viagem e permaneço na não insignificante Hagenau[79].

Chuva e neblina me mantiveram aqui, portanto, não consigo prosseguir minha viagem planejada. Dentro de um ano terei completado esta viagem, a mim atribuída, onde visitarei determinados povos e regiões. Neste meio tempo serão enviadas várias cartas aos Irmãos, em sinais secretos, contando o que descobrimos, nos diversos lugares. Quando viajamos não incomodamos ninguém. Aqueles, dos quais podemos utilizar de sua hospitalidade por uma noite, compensamos sempre com muita gratidão, com presentes e dinheiro, para que bons anfitriões sempre queiram fazer algo mais por nós. Ricos quiseram carregar este fardo e também pobres, que são recompensados com a devida assistência, até que os Irmãos enfim, por razões fundadas, mereçam o descanso para em seguida continuarem sua vida em paz.

Nós gostamos de aprender. Para adquirirmos conhecimento procuramos, secretamente, por tudo o que há de bom. Assim não acontece nada na Europa que nossos olhos não vejam claramente. Todos os novos livros, que possam ser publicados, onde quer que seja, chegam por meio dos vendedores de livros em nossas mãos. Nós executamos vários tipos de artes, tanto para nossa aprendizagem, como para transformar o ócio em: pensar, falar e escrever. Também temos bastante tempo para aprender línguas; sim, gostamos de ouvir uma língua diferente. Com os franceses, italianos, espanhóis, poloneses e outros povos conversamos em sua própria língua. Acima de tudo deixamos nos guiar por observar atenciosamente a natureza, que nos ensina muito, também porque fazemos experiências. O que uma cabeça inteligente descobre é observado minuciosamente pelos nossos Irmãos. Temos muito em nossa posse, que foi obtido de antepassados em árduo trabalho, que se poderia exceder a compreensão dos outros. Às vezes me inspiro na antiga arte da poesia e incluo, para me manter ocupado, mais palavras. Vivemos conforme regras acordadas entre nós, e uma paz abençoada nos une em amor fraternal. Somos todos, um em espírito e um em vontade, e nossos corações batem em unanimidade piedosa. Se ninguém sabe algo, mas logo os outros sabem, nenhum entende isso como sua propriedade exclusiva. Diariamente o nosso líder nos chama em determinada hora e diz que cada um de nós deve trazer uma ideia ao centro. Sobre isso rapidamente são discutidos os prós e os contras; o que é bom e imediatamente é reforçado por todos e o que é mau, rejeitado. Então, cada um conta o que viu, leu, pensou e ouviu, sendo um de cada vez, para depois registrar, minuciosamente, em um livro para que os descendentes possam tomar conhecimento. O Pai reconhece uma competência específica para um determinado trabalho que precisa ser feito. Aí um irmão vai executar o trabalho com zelo e obedientemente o que foi especificado para ele. Contudo, aos outros Irmãos eles podem pedir conselho; que não os deixam na mão, mas os ajudam tanto quanto podem com palavras e ações. Sim, também tem para eles uma biblioteca muito bem equipada disponível e que contém milhares de livros. Nenhum esforço, por mais pesado e cuidadoso que possa ser, nos cansa. Cada um realiza a tarefa que lhe foi incumbida. Não nos falta nada, tudo está disponível em abundância, porque nós nos satisfazemos com muito pouco, cuidamos de nosso corpo de uma forma consistente com a natureza. Por isto somos saudáveis e temos uma vida longa. No entanto, se as condições e desgaste nos forçarem a uma questão legítima, você verá que tudo será resolvido de uma forma discreta e digna. Ah, se todas as pessoas que desejam viver em comunidade se portassem de forma semelhante. Com certeza iriam melhorar em benevolência e amor. Não iriam mais cometer tantos erros e nem ações vergonhosas. Nós criticamos de forma injusta, e o que falamos, mesmo sendo bom, é compreendido de forma errônea. Por todos os lados somos caluniados. Nós sabemos isto, mas deixamos de lado. Ele, quem disse a todos os cantos sobre as nossas artes mágicas, se enganam e não sabem nada sobre nossa vida. Eu não nego que, às vezes, fazemos coisas que surpreende as pessoas, mas tudo isto acontece conforme as leis da natureza. Por exemplo, o que fazemos com a química é estudado por nós todos os dias. Se alguém pensa que isto se dá com a ajuda do diabo, ai! Quanto ele se engana com isto. Pois esta forma [de trabalhar] é, para nós, limpeza da alma e das mãos, de preferência, que possa servir, solenemente, à Deus. Nós vivemos uma vida cheia de respeito à Deus; somos obedientes a todas as pessoas. O que mais você quer? Nosso colégio é uma forma de academia, com desejo à ciência, repleto de santa piedade. Virá um tempo em que a utilidade de nossa Ordem será consciente, em todos os lugares da Terra onde o povo de Deus está. Nós fazemos grandes coisas que, no tempo certo, serão admiradas, e que apenas pela sua utilidade irão provar sua confiança. Nós não somos gastrônomos ou nuvens imóveis, mas em nosso descanso nos reforçamos trabalhando duro. E este trabalho tem como objetivo o bem comum e serve no mais alto grau em louvor ao Cristo. Contudo, não quero esconder que abusaram do nome de nossos Irmãos, e divulgaram algumas coisas, dizendo que é de nossa autoria; mas nós negamos isto. Quem ler estes textos atenciosamente logo perceberá o engano, pois não correspondem com o nosso Fama. Talvez alguém tenha se dito um Irmão, enquanto não faz parte de nosso círculo. Assim, há algum tempo um impostor em Neurenberg[80] disse muitas coisas falsas perante a população, até que foi desmascarado como ladrão e enganador; foi pendurado, como uma carga triste, a uma cruz. Um outro exemplo: em Augsburg prenderam um vagabundo, que foi flagelado e lhe tiraram as orelhas. Aqui também acrescento que o povo fala mal dos Rosacruzes, pois assim nos chamamos, homenageando nosso primeiro Pai, e dizem que é uma seita. Com que nome ele, nosso primeiro Pai era chamado, nós queremos manter em segredo – e temos motivos para isto – e não vamos traí-lo. Quem também invente fábulas sobre nosso nome, não se fazem por merecer. Parem de perturbar aqueles que moram em outros lugares; as falsidades são trazidas à luz, com pequenas indicações com grandes prejuízos para os falsários. Seja cuidadoso ao acreditar o que se fala sobre nós, se não quiser ser enganado. Porque, afinal, quem não sabe que tudo está cheio de astúcia e que um enganador coloca em todos os lugares seus males. Também a Ordem Jesuíta nos coloca emboscadas e espreita dia e noite por nossa moradia. Quando conseguimos escapar a estes olhares sanguinários destes lobos, precisamos nos manter por dias a fio cautelosamente escondidos. Santo Deus proteja e preserve nosso grupo enquanto eles O adoram corretamente e faz o trabalho ficar agradável.  Afastam de nós os inimigos ferozes e furiosos, para que eles não consigam prejudicar os muito bons. Realmente, queremos ficar conhecidos no mundo todo e esperamos que isto possa ser realizado em breve. Contudo, muitas coisas impedem este desejo. Por enquanto é aconselhável continuar sendo desconhecidos, mas que aqui e lá tenhamos muitos amigos entre os quais nossa virtude e confiabilidade sejam conhecidas. Assim nós, enquanto eles não nos conhecem, entramos em contato com os estudiosos. Filósofos, médicos, teólogos e que fazem a química, os conhecem bem. Se eu divulgar seus nomes, ah! Qual valor teria o meu livro. Enquanto você não quer ser acusado por um veredito mais pesado, negando a mim e meus amados do Rosacruz. Contudo, o que eu faço? Para que as pessoas não digam que fiz algo não permitido, coloco aqui minha caneta e levanto minha mão da mesa. B.M.I. o mais novo Irmão da Rosacruz escreveu isto, enquanto ele estava em Hagenau, onde permaneceu alguns dias devido a chuva constante, 22 de setembro no ano de Cristo 1614.

Adendo 2 – Certidão de Nascimento de Max Heindel

Adendo 3 – FLORENCE MAY HOLBROOK

Max Heindel escreve, no Livro Cristianismo Rosacruz, Conferência nº 17 – O Mistério do Santo Graal: ‘O verso a seguir apareceu alguns anos atrás na Revista London Light, e foram guardados por mim como um tesouro’. Com a ajuda da: British Library, in Londres, Biblioteca da Universidade de Washington, Seattle, e Biblioteca da Universidade de Chicago, Illinois, foi possível encontrar a autora do Poema abaixo e sua biografia.

Florence May Holbrook nasceu em 1860 em Peru, no Estado Illinois, EUA, sendo filha de um Juiz Edmund S. Holbrook e de Anna Case Holbrook. Ele foi um dos pioneiros na região de Peru e fez parte do desenvolvimento da Cidade. Ele recebeu muito dinheiro como Corretor de Imóveis, igualmente seus dois irmãos que também eram pioneiros em Peru. Entre 1862 e 1865 a família se mudou de Peru.

Florence teve sua educação em Peru, Joliet e Chicago, incluindo um curso na Universidade de Chicago onde se formou em Literatura em 1879. Foi professora entre 1879 e 1889 na Escola Secundária de Oakland em Chicago, onde, nos últimos três anos, foi diretora. Também foi Diretora da Escola Primária Forestville, em Chicago, de 1889 a 1924, onde tinha um grupo de 27 professores e tinham mais de mil e trezentos alunos; e, por algum tempo, no Colégio de Phillips Junior, em Chicago. Como Pacifista ela foi uma das integrantes em 1917 do Navio da Paz de Henry Ford que viajou à Europa. Também insistiu com os Americanos que quando encontrasse alguém pronunciar a palavra ‘paz’ ao invés do coloquial “hello” ou “howdy”.

Após a Primeira Guerra Mundial ela viajou à Europa e, em 1929, ela foi à Rússia em viagem de estudos, juntamente com a Comissão John Dewey.

Ela era muito conhecida na Literatura Educacional em seus dias. Seus trabalhos mais conhecidos são: Book of Nature´s Mith; Round the year in Mith and Song; Northland Heroes; Elementary Geography; The Hiawatha Alphabet e uma dramatização de Hiawatha. Após uma doença de vários meses ela faleceu em casa, em Chicago, no dia 30 de setembro de 1932.

O Poema: A PRAYER, tem 6 estrofes. Pode ser encontrado em Al Bryants Sourcebook of Poetry, Zondervan Publishing House, Grand Rapids 1968, pág. 547, mas faltam as estrofes 4 e 6.

O mesmo Poema, mas com outro título: Understanding (Compreensão), foi publicado anonimamente em Poems that Touch the Heart, por A. L. Alexander (compilador), 1956, pág. 372. Contudo, aí faltam as estrofes 5 e 6.

O texto completo foi publicado por Max Heindel no livro mencionado acima, e diz o seguinte:

A PRAYER

Not more of light I ask, O God,

But eyes to see what is:

Not sweeter songs, but ears to hear

The present melodies:

Not more of strength, but how to use

The power that I possess:

Not more of love, but skill to turn

A frown to a caress:

Not more of joy, but how to feel

Its kindling presence near,

To give to others all I have

Of courage and of cheer.

Not other gifts, dear God, I ask,

But only sense to see

How best these precious gifts to use

Thou hast bestowed on me.

Give me all fears to dominate,

All holy joys to know;

To be the friend I wish to be,

To speak the truth I know.

To love the pure, to seek the good,

To lift with all my might

All souls to dwell in harmony,

In freedom´s perfect light.

ORAÇÃO ROSACRUZ

Não te pedimos mais luz, ó Deus.

Senão olhos para ver a luz que já existe;

Não te pedimos canções mais doces,

Senão ouvidos para ouvir as presentes melodias;

Não te pedimos mais força,

Senão o modo de usar o poder que já possuímos;

Não mais Amor, senão habilidade

Para transformar a cólera em ternura;

Não mais alegria, senão como sentir

Mais próxima essa inefável presença,

Para dar aos outros tudo o que já temos

De entusiasmo e coragem.

Não te pedimos mais dons, amado Deus,

Mas apenas senso para perceber

E melhor usar os dons preciosos

Que já recebemos de Ti.

Faze que dominemos todos os temores,

Que conheçamos todas as santas alegrias,

Para que sejamos os Amigos que desejamos ser,

Para transmitir a Verdade que conhecemos;

Para que amemos a pureza,

Para que busquemos o Bem,

E, com todo o nosso poder, possamos elevar

Todas as Almas, a fim de que vivam em

Harmonia e na Luz de uma Perfeita Liberdade.

A foto de Florence May Holbrook – fornecida pela Universidade de Washington Libraries, Seattle, Washington, EUA – é originalmente do Educational History of Illinois, enviada por John Williston Cook: The Henry O Shepard Company, Illinois 1912.

As informações vieram de:

  • Educational History of Illinois, Chicago 1912.
  • The American Literary Yearbook, 1919.
  • The Daily Post-Tribune, La Salle, Peru; Sexta-feira, 30 de setembro de 1932.

The British Library escreveu para o autor em 8 de fevereiro de 1983: “O Periódico chamado London Light, nº 1, volume 1, de 28 de agosto de 1880, tem como subtítulo: ‘Um período ilustrado sobre: política, teatro, música, comédia, esporte e sociedade’”.

O exemplar de posse da Biblioteca do Jornal tem doze páginas, que contém assuntos de interesse comum ao público em geral. Relatórios sobre a sociedade, militares e casamentos, juntamente com histórias curtas. Os editores eram as Sras. Allingham & Holloway, 108 Shoe Lane, Fleet Street, London, E.C.

 

Adendo 4 – Carta de Max Heindel para C.W. Leadbeater, 1904

Tradução em português: Los Angeles, Califórnia, 15 de janeiro de 1904. Ao Sr. C. W. Leadbeater Prezado Sr.: Antes que o Sr. deixe a Califórnia, gostaria de agradecê-lo pelas suas Palestras, pois tirei muito proveito de todas elas. Curiosidade me levou a assistir a primeira palestra; sua declaração de que todo ser humano tem dentro de si o poder da clarividência – que, assim eu pensava, poderia ser de grande utilidade para mim – me fez ir assisti-la. A segunda Palestra assisti na esperança de conseguir alguma informação de como desenvolver essa capacidade tão desejada. Contudo, quando o Sr. disse, em sua segunda Palestra, que este poder não poderia ser usado para benefício próprio – eu falei internamente – que bem faria a um ser humano se não puder tirar proveito próprio disto. No dia seguinte pedi na biblioteca o livro Astral Plane, este era o plano que eu queria descobrir para onde as pessoas poderiam ir, para com vantagem para elas mesmas, poder descobrir os segredos dos outros. Não consegui este livro. A bibliotecária não tinha um, nem para empréstimo e nem para venda. Mas consegui o Karma e o Reincarnation com a Sra. Besant. Quando terminei de ler estes trabalhos, entendi porque as qualidades ocultas devem ser utilizadas com respeito, como meio de ajudar a humanidade e não para ganhos pessoais. Eu vi que tinha um lugar neste grande plano cósmico, e isto tudo se tornou tão real para mim, que não necessitava de mais nenhuma prova. Acreditei em cada palavra que li. Estava, então, totalmente mudado quanto a forma de mentalidade do que nas duas primeiras Palestras, quando assisti sua Palestra sobre Reencarnação. Desde então, eu literalmente devorei a Teosofia. E também a coloquei em prática na minha vida parando de usar álcool e tabaco, apesar de até pouco tempo não saber, que era uma das prescrições de Buda, mas pior que isto; eu era um sensualista e um mentiroso. E eu nunca tomei consciência de que poderia fazer algo a respeito. E que meus pensamentos poderiam causar danos e que eu poderia bani-los. Contudo, quando descobri que poderia controlar meus pensamentos, comecei com um objetivo claro à minha frente. E me alegro em dizer que em minhas horas de vigília estou praticamente livre destes pensamentos. Quando puder dizer o mesmo de minhas horas de sono estarei realmente feliz. Contudo, não duvido, que com a persistência, isto tudo será eliminado. Especialmente porque a alguns dias iniciei a prática de viver com alimentação vegetariana, após ter lido seus argumentos em Glimpses of Occultism. Espero que minha longa carta não o tenha entediado. Pois, apesar do tamanho não contém um décimo do que gostaria de dizer, se eu pudesse encontrar as palavras para me expressar. É maravilhoso, que mal posso realizar, que eu pensava ser apenas um verme vivendo hoje e, como eu acreditava estaria morto para toda a eternidade quando viesse a falecer, que viverei eternamente.  Pode imaginar que eu me sinto grato e sinto a necessidade de expressar a minha gratidão a você que abriu meus olhos para o alto e nobre destino à minha frente? Quero agradecer novamente e desejar uma boa viagem.             Sinceramente,                                     Max HeindelOriginal em Inglês: Los Angeles, Cal., Jan. 15. 1904   Mr. C.W. Leadbeater: Dear Sir. Before you leave California I desire to thank you for your lectures, all of which I have attended with great benefit to myself. Curiosity drew me to hear your first lecture; your statement that every man had in him clairvoyant faculties – which I reasoned would benefit me personally – prompted me to attend. Your 2nd lecture, in the hope of getting some information on how to develop this much desired and desirable power and when in your 2nd lecture you said that this faculty should not be used for selfish purposes. – I sneered inwardly – what good would it do a man if he did not use it to his own interests.   The next day I applied for the Astral Plane at the library, that was the plane I wanted to find out about where one could go and, with advantage to himself, learn other people’s secrets. However, I did not get it – the librarian had none to loan or for sale; they were all out. But I got Mrs Besant’s Karma and Reincarnation and when I had read them I understood why occult powers must be used reverently as a help to humanity and not for personal gain. I saw that I had a place in this great cosmic scheme and it seemed all so real to me that I needed no argument. I believed every word I read and it was in a frame of mind very different indeed from what it had been at the first two lectures that I presented myself at your lecture on Reincarnation.     I have since then been literally devouring Theosophy and I have put in practice in my life by discontinuing the use of intoxicants and tobacco, though I did not know until the other day that that was one of the Buddha’s precepts, but worse than that I was a sensualist and a liar and I never had any idea that I could help it or that my thoughts did any harm or that I could banish them, but when I found out that I could control my thoughts I set out with a steady purpose and rejoice to say that my waking hours are very nearly free from obscene thoughts; if I could but say the same of my sleeping hours I would be happy indeed but I have no doubt that by persistent effort I shall soon have it entirely obliterated, specially as I have started a few days ago to live on a vegetable diet after reading your argument in Glimpses of Occultism.     I hope my long letter has not tired you, for long as it is it does not cover a tenth of what I would like to say if I could find words to express myself. It is wonderful I can scarcely realize it that I who thought myself a mere earthworm living today and as I believed dead for all eternity when I died, that I am to live forever. Do you wonder that I feel grateful and feel the need of expressing my gratitude to you who opened my eyes to the high and noble destiny in front of me?     Once more, I thank you and wish you god speed. Yours truly                                               Max Heindel

Retirado de: The Theosophist, ano 70, nº 7, abril de 1949, pág. 17 até 19.

Solicitado uma cópia da carta original ao arquivo da Sociedade Teosófica de Adyar, Madras em 1983 e novamente em 1991, e também à Sociedade Teosófica da Austrália, em Sydney, em 1996, infelizmente não trouxeram resultados. A carta não foi encontrada.

Adendo 5 – A Família FOSS

[Traduzido do Inglês]

Sra. Olga B. Crellin

822 Pacific Avenue

Venice, California 90291

9 de janeiro 1970.

Ao Sr. Ger Westenberg

Galjoenstraat 51

Zaandam, Nederland

         Prezado Sr. Westenberg,

         Eu sou Olga Borsum Crellin, a sobrinha da Sra. Augusta Foss Heindel, e moro em 822 Pacific Avenue, Venice, California.

         Augusta Foss Heindel nasceu em Mansfield, Ohio, no dia 27 de janeiro de 1865, às 20:35 horas. Ela se casou com Max Heindel no dia 10 de agosto de 1910. Ela faleceu no dia 9 de maio de 1949, em Oceanside. Ela era filha de William e Anna Richt Foss. Ela tinha cinco irmãs e um irmão. Eles eram:

         Anna Marie (nascida em 24 de maio de 1857; falecida em 16 de janeiro de 1859).

         Henriette Foss Knoth (nascida em 8 de março de 1859; falecida em 20 de outubro de 1914).

         Catherine Foss Borsum (nascida em 19 de janeiro de 1861; falecida em 30 de janeiro de 1949).

         Anna Magdaline Foss (nascida em 21 de setembro de 1862; falecida em 14 de junho de 1946).

         John Henry Foss (nascido em 8 de julho de 1867; falecido em 2 de agosto de 1933).

         Louisa Foss Brockway (nascida em 28 de novembro de 1869; falecida em 19 de junho de 1946).

         Todos nasceram em Mansfield, Ohio. Nos anos de 1880 se mudaram para Califórnia.

         O pai da Sra. Augusta Foss Heindel nasceu em Morgendorf [81], Nassau, na Alemanha. Ele nasceu no dia 6 de março de 1831 e faleceu no dia 18 de janeiro de 1896, em Los Angeles. Ele se mudou para a América em 1853, quando tinha 22 anos. Seu nome era escrito inicialmente como Voss[82]. A mãe dela nasceu no dia 4 de junho de 1827, como Anna Marie Richt, em Neuwid[83] Alemanha. Ela faleceu em 2 de maio de 1912 em Los Angeles. Se casou com William Foss em 6 de julho de 1855.

         Anna Foss faleceu em Los Angeles; Henriette Knoth e Henry Foss em Santa Monica; Augusta Heindel em Oceanside; Catherine Borsum, em Venice e Louisa Brockway, em Los Angeles. A primeira Anna Marie faleceu como criança em Mansfield, Ohio.

         A casa da família ficava em 315 South Bunker Hill Avenue, em Los Angeles, Califórnia. William e Anna moraram lá até o falecimento, assim como sua filha Anna Magdaline. Uma foto e pintura da casa estão no livro de Leo Politis ‘Bunker Hill Los Angeles’, juntamente com uma descrição: reminiscences of bygone days [lembranças de dias passados], publicado por Desert-Southwest, Inc. em 1964. Uma segunda edição deste livro, em maio de 1965, tem uma descrição corrigida da casa de William Foss.

         Espero que isto o possa ajudar.

                                                         Atenciosamente,

                                                         Olga Borsum Crellin

Artigo do jornal: ‘Town and Country Review’, [data desconhecida], “Biographical Sketches” [página 30]: “A vida de Augusta Foss Heindel (Sra. Max Heindel) ”, do arquivo de Harry Gelbfarb. O Oceanside Public Library informou no dia 4 de abril de 2007 que eles não possuíam o jornal, mas que no New York Public Library havia uma microfilmagem do mesmo.

“A dezoito quilômetros ao sul da cidade de Mansfield, Ohio, havia uma cabana feita de toras, abandonada por vários anos, à venda. Esta cabana ficava no meio de um pomar de macieiras numa fazenda afastada. Ninguém queria comprar ou alugar a propriedade porque as pessoas falavam que havia fantasmas que a assombravam. Em 1860 um casal corajoso comprou a fazenda. William Foss e sua esposa Anna Marie Right e seus três filhos pequenos não tinham medo de fantasmas. A saúde precária dele moveu estas pessoas da cidade para a vida no campo. No ano após o início da Guerra Civil, para estes dois inexperientes era muito difícil assumir esta responsabilidade de agricultores. Para manter a pobreza longe o marido trabalhava numa ferraria nas proximidades e, às vezes, passava dias fora de casa para trabalhar em sua profissão de veterinário, enquanto sua esposa, de temperamento forte e enérgica, ficava sozinha cuidando da fazenda. Anna Foss nunca reclamava sobre a vizinhança, pois em tudo ela via a beleza. Quando terminava sua longa jornada diurna ela passava suas noites solitárias sentada na varanda olhando as estrelas ou lendo, à luz de uma vela feita por ela mesma, no único livro que possuía: a Bíblia. Para ela parecia que o livro e as estrelas traziam uma mensagem misteriosa.

No dia 27 de janeiro de 1865 nasceu sua quarta filha. Como um raio de sol Augusta Foss entrou nesta família. Ela estava sempre feliz, saudável e personalidade adorável. Era uma criança incomum, esta filha, que nasceu nestas condições. Ela cresceu com uma ânsia incomum para pesquisar o mistério da vida e da existência. Na escola se destacava em todas as classes. Seu pai, de origem alemã, achou que sua filha era inteligente demais e dava importância demais a seus livros para ser uma boa dona de casa. Por isto, aos catorze anos foi tirada da escola para ajudar sua mãe com o preparo da comida e a limpeza da casa. Quando ela completou vinte anos a saúde do pai dela piorou drasticamente o que fez a família decidir se mudar para a Califórnia. Lá a vida se abriu para a Augusta quando foi trabalhar no comércio para sustentar a si e seus pais. Durante o dia ela trabalhava como vendedora e à noite ela se fazia perguntas como: porque estamos aqui? De onde viemos? E para onde vamos? Isto fez com que se associasse ao Hermetismo, onde conheceu a astrologia e a teosofia.

Augusta Foss era ativa na comunidade de Oceanside, onde morou desde 1911. Ela era membro do comitê de Planejamento, Presidente do Clube de Beleza, membro de honra do Clube de Senhoras do Comércio, o Clube das Senhoras de Oceanside, da liga dos escritores do Ocidente, o Bosque de Peter Pan e escrevia muitos artigos para revistas de astrologia e ocultismo”.

Adendo 6 – ALMA VON BRANDIS

De seu testamento sabemos que Alma Von Brandis nasceu no dia 24 de julho de 1859, em Chicago, Illinois.  Por causa de um incêndio que devastou Chicago em 1871, o Chicago Historical Society não pode fornecer o momento exato de seu nascimento, mas sim por outra fonte de informação dos registros da Igreja. Fora a foto que me foi enviada em fevereiro de 2012, o genealogista Chris Aprato de Los Angeles me forneceu vários documentos em 2003, onde consta que o nome de solteira dela era Wunsche (Wuensche).

O pai dela era o farmacêutico Charles Wunsche, que nasceu em 1826, em Saksen, Alemanha. Lá ele se casou com Dorotte, nascida em 1816 em Hannover. Eles tiveram um filho, August O., que foi eletricista em Chicago e uma filha, chamada Alma. Alma se casou no dia 4 de maio de 1886 em Los Angeles com Gottfried Von Brandis, que nasceu na Alemanha em 1852. Ele era comerciante que tinha uma bicicletaria, por um tempo teve um varejo em artigos de decorações de interiores e era vendedor de seguros. Ele faleceu em 18 de fevereiro de 1904, aos 52 anos, em South Pasadena, de nefrite crônica.

A Faculdade Estadual de Qualidade da Competência Médica [The California State Board of Medical Quality Assurance] confirmou que ela era uma osteopata reconhecida em 1905, na Califórnia. Alma Von Brandis se tornou membro da Sociedade Teosófica de Los Angeles em 1904. No verão de 1905 ela foi à Europa e assistiu palestras do Dr. Steiner. Ela ficou muito impressionada pelos ensinamentos de Steiner, que naquele tempo dizia fazer parte da Ordem Rosacruz, e insistiu para que Heindel fosse para Viena conhecê-lo. Contudo, devido a seu problema no coração e falta de interesse, Max Heindel não se interessou. Em 1907 ela voltou à América e conseguiu convencê-lo. Pagou sua viagem e ambos partiram para a Europa. Em 1908 esta amizade sincera foi desfeita.

Seu testamento foi feito em 12 de setembro de 1946 em Los Angeles. Ela declarou ser viúva e não ter filhos, irmãos, irmãs ou outros parentes próximos. Faith Verhaar, proprietária da casa e amiga, iria cuidar do serviço de funeral e cremação. O Security-First National Bank de Los Angeles era o responsável para executar o testamento. Seus escritos deveriam ser entregues para a Sra. Steiner-von Sievers, em Dornach.

O Sr. Norman Macbeth de Springfield Valley, no estado de New York, que a conheceu pela primeira vez em 1945, me informou por carta datada em 15 de setembro de 1983, o seguinte: ‘Por volta de 1948 ela contratou o Sr. Arnold Wadler para trabalharem juntos nas anotações que ela fazia, enquanto trabalhava com Rudolf Steiner. Ele chegou a conclusão que os papéis estavam terrivelmente misturados e na maioria ilegíveis, e ela também não tinha mais lucidez o suficiente para contar-lhe algo confiável. Ela tinha uma amizade com um ou dois membros da Sociedade Antroposófica de Los Angeles, mas nunca participava de reuniões. Por volta de 1948, a Sra. Brandis fez seu testamento deixando tudo para a Sociedade. Entretanto, pouco depois ela refez o testamento deixando tudo para a dona da casa. Quando ela faleceu seus pertences foram avaliados em poucos mil dólares, que foi dividido ao meio, em comum acordo entre a Sociedade e a dona da casa. Seus papéis não foram guardados e pelo que entendi poucos anos antes de sua morte se perderam ou foram destruídos’. Ela faleceu em 16 de novembro de 1950, aos 91 anos de idade de pneumonia, em Los Angeles.

No nr. 264 da coletânea de trabalhos de Rudolf Steiner: Zur Geschichte und aus den Inhalten der ersten Abteilung der Esoterische Schule 1904-1914 [sobre a história e o conteúdo da primeira parte da Escola Esotérica 1904-1914], Dornach 1984, lemos na pág. 449: ‘Alma Von Brandis (data de nascimento e morte desconhecidos). Membro da Sociedade Alemã desde 1906 e estudante esotérica de Rudolf Steiner. Morou primeiramente em Berlim e depois na América e por um tempo também em Dornach. No ano de 1919 ela doou, juntamente com amigos americanos, um valor considerável em dinheiro para a continuação dos trabalhos do grupo de plásticos e madeiras’.

Aqui segue a dedicatória de um dos livros de capa vermelha de primeira edição do The Rosicrucian Cosmo-Conception, feita por Max Heindel, oferecida a Alma Von Brandis. Depois este livro foi do Sr. Ernst Esch, morador de Amorbach, Alemanha. Ele faleceu em 1968. Sua viúva deu o livro em 2004 ao marido de sua sobrinha, Ronald R. Kistner de Kirchhain, Alemanha, que a seu tempo doou o livro para a Sra. Elizabeth C. Ray, moradora de Sun Prrie, Wisconsin, USA.

Tradução:

À

Minha querida amiga

Dra. Alma Von Brandis

Uma oferta de agradecimento

Thanksgiving 1909 [Dia Nacional de Ação de Graças, na 4ª quinta-feira de novembro]

Max Heindel.

Adendo 7 – Rudolf Steiner

Rudolf Joseph Lorenz Steiner nasceu no dia 25 de fevereiro de 1861, em Donji-Kraljevec. Naquele tempo ficava na Hungria; agora na Croácia. No dia 27 ele foi batizado; ele faleceu em 30 de março de 1925, em Dornach na Suíça. Ele era doutor em filosofia e estudou Goethe e Nietzsche.

Ele estudou em Viena e conheceu, durante suas viagens para lá, um homem chamado Felix Koguzki (1833-1909). Este colecionava ervas nas montanhas que desidratava e vendia aos farmacêuticos de Viena. Ele era correto, possuía um ‘quarto repleto de literatura de misticismo-ocultismo’, e possuía, conforme Steiner, um ‘conhecimento dos tempos primitivos’, que ele passou para Steiner[84]. Com ele aprendeu muitos segredos da natureza. Ele é considerado o que auxiliou, inicialmente, o desenvolvimento ocultista de Steiner; naquele tempo Steiner devia ter uns 19 anos.

Por volta dos seus 21 anos, próximo do inverno de 1881/82, ele conheceu a pessoa que ele considera seu mestre. Sobre a identidade desta pessoa Steiner é muito reservado. Apenas em cinco[85] locais é feito um comentário, de forma resumida, que sintetizou assim: ‘Felix foi de certa forma apenas o precursor de outra pessoa, que funcionou como um agente intermediário para atingir a alma do jovem [Steiner] – que já tinha pé firme no mundo espiritual – que ativou as coisas regulares e sistemáticas, que as pessoas devem conhecer do mundo espiritual. Ele utilizou os trabalhos de Fichte para dar forma a algumas reflexões, de onde resultou a semente do livro De Wetenschap van de geheimen der ziel[86], que ele [Steiner] escreveu posteriormente… ‘e todas as coisas que cresceram para o De Wetenschap van de geheimen der ziel foram, naquele tempo, discutidos em conexão com as proposições de Fichtes. Um homem de profissão incomum e considerado tão insignificante quanto Felix … Era um desses homens poderosos que, desconhecidos para o mundo, vivem sob uma ou outra profissão para cumprirem com uma missão’. Para a pergunta do jovem Steiner de como devemos espiritualizar as coisas materiais, ele respondeu que para vencer o inimigo devemos primeiro compreendê-lo’.

Em Viena havia uma loja da Sociedade Teosófica, onde Steiner passou algum tempo no verão de 1880 para conhecer seus ensinamentos; ele tinha então 19 anos.

No verão de 1882, com 21 anos, Steiner ganhou a incumbência de publicar os escritos científicos de Goethe; em 1886 foi procurado, pela Editora Weimar, para fazer a publicação dos trabalhos completos de Goethe. No dia 30 de setembro de 1890 ele se torna funcionário do Goethe e Arquivo de Pintores, em Weimar.

Em 1891 ele se torna Doutor em Filosofia com a Tese: Die Grundfrage der Erkenntnistheorie mit besonderer Rucksicht auf Fichtes Wissenschaftslehre [A questão básica da epistemologia com especial referência à teoria da ciência de Fichte].

No verão de 1892, quando tinha 31 anos, ele se mudou de um lugar sombrio de dois quartos, onde morou por dois anos, para o piso térreo da casa de uma viúva chamada Eunike e seus cinco filhos, para auxiliá-la na educação. Rapidamente surgiu uma amizade profunda com uma mulher, oito anos mais velha que ele, Anna Eunike Schultz (1853-1911). No dia 31 de outubro de 1899 os dois se casaram[87].

Na primavera de 1894 Steiner tinha 33 anos, quando, então, ele fez contato com a irmã de Friedrich Nietzsche, Elisabeth Forster-Nietzsche, para escutar a opinião dele, o que resultou em um livro no ano seguinte, Friedrich Nietzsche, ein Kampfer gegen seine Zeit (Friedrich Nietzsche, um lutador contra o tempo).

Em 1896 finaliza o trabalho de Steiner na obra de Goethe e Arquivo de Pintores; no ano seguinte ele deixa Weimar e se muda para Berlim.

Em meados de setembro de 1900, Steiner tem, então, quase 40 anos, quando, por incumbência dos Teósofos de Berlim, foi solicitado pela Sra. Swiebs para fazer uma Palestra sobre Nietzsche, no dia 22 de setembro, falecido em 25 de agosto, na casa do Conde e Condessa von Brockdorff, na rua Kaiser Friedrichstrasse 54ª, onde também ficava a Biblioteca da Teosofia. Daqui originou uma série de Palestras no inverno, que prosseguiram nos invernos de 1901/02. Isto levou a ser convidado a assumir a liderança da Sociedade Teosófica de Berlim no final de 1901. Após aceitarem sua condição de que Marie von Sivers[88] estivesse a seu lado, Steiner também se associou à Sociedade Teosófica em Adyar[89], no dia 11 de janeiro de 1902. No dia 17 de janeiro de 1902 ele assumiu a presidência da Sociedade de Berlim.

Em 1902, na Alemanha, havia várias cidades onde existiam Lojas da Sociedade Teosófica em Adyar: Tingley e de Franz Hartmann, principalmente em Leipzig. Então Richard Bresch, um membro da Loja de Leipzig, sugeriu ao Conde Von Brockdorff o seguinte: ‘Agora que Dr. Steiner é Presidente do Centro de Berlim, ele também pode ser o Secretário Geral da Alemanha’. Steiner aceitou esta oferta e assim foi fundado, no dia 20 de outubro de 1902, a filial da Alemanha com cem integrantes e com ele como Secretário Geral[90]. Em comemoração à essa ocasião Annie Besant veio para Berlim, Rudolf Steiner e Marie von Sivers foram inscritos, por ela, no dia 23 de outubro de 1902 como alunos na Escola Esotérica[91]. Rapidamente[92] após a fundação, mas antes de ser oficialmente Diretor, em maio de 1904[93], Steiner foi solicitado a dar aulas de Esoterismo, para pessoas que já estavam inscritas na EST (Escola Esotérica de Teosofia). Steiner acreditava[94]que deveria trabalhar com simbolismo-cultual, isto como um meio prático para adquirir confiança no mundo astral ou de desejo. Marie von Sivers diz, em seu ensaio Era Rudolf Steiner Maçom[95], sobre uma pessoa, que tinha dado a impressão à Steiner, que ele sabia das coisas espirituais mais do que todos os Maçons. Particularmente, ela disse que se tratava de um tcheco. Que esta pessoa era ligada ao Memphis-Mizraim-Maçonaria fica claro no Mein Lebensgang. ‘Se a oferta, a partir da Sociedade, foi retraída, então, eu obtive o fornecimento do simbolismo-cultual, sem um ponto de conexão histórico’. Esta oferta deve ter ocorrido por volta de 1903/04, pois a partir de maio de 1904, iniciou-se uma forma de trabalhar com simbolismo-cultual por meio de suas Palestras[96].

Steiner afirma, enfaticamente, que não existe outra maneira de entrar nos mundos superiores a não ser pelas representações simbólicas. Literalmente ele diz: ‘Nas diversas correntes de ocultismo contemporâneas permanece, frequentemente, a opinião, como se houvesse em nosso tempo outro modo de atingir os mundos superiores além da utilização do imaginário e do simbólico[97].

Que Steiner escolhe a Maçonaria Egípcia de Yarker (1833-1913) não é surpreendente, porque Yarker participou da inauguração da Sociedade Teosófica em 1875 e a Sra. Blavatsky o nomeia Membro Honorário. Ele, por seu lado, a nomeia o mais alto grau da Maçonaria Egípcia, em homenagem ao livro dela Isis Ontsluierd (Isis revelada) em 1877. Também houve negociações conjuntas para instalar um ritual para a Sociedade Teosófica, mas este plano não se materializou[98].

No dia 24 de novembro de 1905 tanto Steiner como Marie von Sivers se associaram, pagando 45 Marcos, cada um, à Ordem John Yarkers Memphis e Mizraim[99]. O representante para a Alemanha era Theodor Reuss (1855-1923). No dia 3 de janeiro de 1906 Steiner fechou um acordo com ele sobre ‘as modalidades para formar uma oficina de trabalho independente’[100]. Esse acordo incluía, entre outros, que Steiner era aquele que determinaria quem poderia participar da Mystica Aeterna Kapittel; que Steiner deveria pagar para Reuss 40 marcos por cada novo integrante; que após o pagamento do 100º membro, Steiner ganharia a jurisdição sobre toda a Ordem[101]. O 100º membro se associou no final de maio de 1907 e, no dia 24 de junho a liderança do Rito Mizraim, na Alemanha, passou para Steiner. Isto durou até agosto de 1914, quando houve a eclosão da Primeira Guerra Mundial.

Numa carta para A. W. Sellin, datada de 15 de agosto de 1906, em Berlim, Steiner diz entre outros: ‘Este ritual não é outro, do que um espelho do que é o Mundo Superior. Este ritual não é outro do que é reconhecido pelo ocultismo desde 2300 anos e que foi preparado pelos Mestres da Rosacruz para os Europeus. Minhas fontes são apenas o ocultismo e o Mestre’.

Assim surgiu, na Escola Esotérica, uma segunda divisão, onde todos os membros pertenciam à primeira divisão, mas não o contrário. E também tinha uma terceira divisão na Escola Esotérica do qual temos conhecimento que lá só tinham doze estudantes provados (que passaram por provas) de Steiner[102].

O que Steiner entendia por Iniciação ele diz no Philosophie und Anthroposophie: ‘Iniciação significa nada menos que a habilidade da pessoa para subir cada vez mais degraus de conhecimento e por meio disto adquirir uma visão mais profunda da essência do Ser no Mundo’[103].

Assim como foi descrito no Capítulo 3, alguns membros da Teosofia estavam bastante críticos em relação ao que Steiner divulgava, pois isso não era nem teosófico e nem dos Rosacruzes, mas uma mistura. Também o fato de não informar suas fontes não foi bem aceito. Aqui também se acrescenta que, em 1909, apareceu o livro The Rosicrucian Cosmo Conception (O Conceito Rosacruz do Cosmos) de Max Heindel, que deixou Steiner irado, atestado nos cinco comentários citados detalhadamente de Steiner logo a seguir. Parece que este incidente, vendo seus comentários em 1913, 1914, 1917, 1918 e 1921, o perseguiu sua vida inteira – Steiner faleceu em 1925 – e o deixou amargurado. Steiner se conscientizou que não poderia ser representante nem da Teosofia e nem dos Rosacruzes e fica claro, primeiramente, quando ele funda a ‘Sociedade Antroposófica’, e em segundo com seu comentário: ‘Nosso movimento, que inclui uma área muito mais ampla que a dos Rosacruzes, deve simplesmente ser caracterizado como o espírito de comunidade do século XX’[104]. E em terceiro e último, um comentário que Steiner fez em uma Palestra, feita em Dornach no dia 11 de outubro de 1915: ‘Também me aconteceu que uma fraternidade ocultista, um dia, me fez uma proposta de me envolver com a propagação de uma mensagem ocultista tipo Rosacruciana; eu a deixei sem resposta, apesar de ser um movimento Ocultista muito respeitado. Preciso dizer isto para demonstrar que conosco existe um caminho independente que encaixa nos tempos atuais’[105].

O Rito Mizraim, que foi proibido em agosto de 1914 devido à Primeira Guerra Mundial, provavelmente não teve o efeito que Steiner esperava, porque depois da Guerra, em 1918, não voltou a ser praticado.

Abaixo segue os cinco comentários, citados anteriormente, de Steiner:

  1. MITTEILUNGEN fur die Mitglieder der Anthroposophischen Geselschaft (Theosophischen Gesellschaft). (NT: AVISOS para membros da Sociedade Antroposófica (Sociedade Teosófica).) Nr. 1, primeira parte, Colonia, março de 1913, pág. 23 e 24.

“Houve… um anúncio de uma livraria com as seguintes palavras: ‘Dr. Steiner já deu um início na Alemanha, mas por sua representação com direção plutocrática e autocrática devido a sua unilateralidade não é possível desenvolver seu progresso social e mental. Por isto foi necessário encontrar uma forma mais moderna e popular, que torna possível, estes tesouros antigos, ficarem menos dogmáticos, de livre acesso e sem tutela clerical, se tornarem acessíveis para a opinião geral. Estas aulas escritas da Pesquisa dos Rosacruzes dão uma visão geral dos Ensinamentos Rosacruzes e do Conceito Rosacruz do Cosmos. A origem de seu surgimento se deu em solo alemão. Por ter uma atmosfera muito mais propícia, os Ensinamentos Rosacruzes foram elaborados na Califórnia’.

É necessário que fiquem atentos, que abram os olhos e como teosóficos não fiquem dormindo. Aqui se aconselha para ver o que realmente foi elaborado na Califórnia. Que se possa, se assim quiser, fazer um julgamento justo, enquanto eu leio aqui uma carta de alguém que abriu seus olhos.

‘Prezado Senhor. Posso me atrever a me dirigir ao Senhor com uma, ou talvez mais perguntas? Primeiramente quero comunicar, que estou aqui por pouco tempo e minha moradia é Salina, Kansas, USA. Lá, duas amigas e eu deixamos, um tempo atrás, nos enviar um livro recomendado pela uma biblioteca esotérica de Washington, DC, que se chama: Rosicrucian Cosmo-Conception or Christian Occult Science, de Max Heindel. Na introdução, nos chamou a atenção pela forma notável que o Sr. Max Heindel se refere ao nome Rudolf Steiner, qual ensinamento, em linhas gerais, se compara ao seu ensinamento, etc., etc. Em resumo, a introdução me deu, e também às minhas amigas, indicação para ler seu livro Teosofia e Iniciação e seus resultados. É um mistério para nós que algumas frases inteiras do Cosmo-Conception, quase palavra por palavra, com frases que se encontram em seu livro. Assim, nos veio a seguinte ideia: O Sr. Heindel por acaso tirou do Sr. os ensinamentos que ele tenta divulgar na América, especificamente na Califórnia? ’.

Esta é uma carta de alguém que pesquisa os fatos e chega a uma conclusão. Isto deve ser respondido por mim com o fato que o Max Heindel, sob outro nome, como Grashoff, esteve entre nós, acompanhou e anotou tudo de muitas das minhas palestras. E realmente é assim, que iniciou na Alemanha uma direção, e depois de uma forma notável foi encontrada por Max Heindel uma forma mais moderna…

Depois esta pessoa foi embora e de seu modo, transformou as minhas palestras, e a trouxe como algo novo a público.

Nós passamos por coisas excêntricas. Nosso trabalho é considerado plutocrático, autocrático e é proposto que a atmosfera etérica da Califórnia as fez amadurecer, e ser transmitida de uma forma totalmente diferente. Provavelmente irão traduzir este livro de Max Heindel para o Alemão e me enfrentar com palavras que são minhas; por isto, solicito que pesquisem as coisas de forma mais profunda”.

  • Rudolf Steiner, Aus der Akasha-Forschung. Das funfte Evangelium. Achtzehn Vortrage, gehalten 1913-1914 in verschiedenen Staten, Dornach, 1922[106], pág. 97 GA 148; Tb. 678.

 “Mas com isto também veio à luz, partindo de um lugar, de onde as pessoas ficaram muito ferozes contra o encolhido, errado, repreensivo, e nosso ensinamento foi falsificado sem nosso conhecimento. Um homem, que veio da América, após várias semanas e meses, tomou conhecimento dos nossos ensinamentos, copiou-os e depois, em forma diluída, levou para a America e lá divulgou uma Teosofia Rosacruciana, que copiou de nós. Ele mesmo disse, que aprendeu muito conosco, depois foi chamado ao encontro do Mestre e aprendeu mais com ele. Este profundo conhecimento, que ele aprendeu nas não publicadas palestras, ocultou a informação que aprendeu de nós. Que algo assim aconteça na América … as pessoas podem ficar como o velho Hillel[107] e ser indulgente; não podemos nos despojar disto, mesmo que isto volte para a Europa. Num lugar onde as pessoas mais se viraram contra nós, foi feita uma tradução, e sem o nosso conhecimento foi levado para a América. E esta tradução foi introduzida da seguinte forma: ‘É verdade, uma filosofia Rosacruz foi trazida à luz na Europa, mas de uma maneira intolerante, jesuítica. E isso só poderia prosperar, ainda mais, no ar puro da Califórnia’”.

  • Rudolf Steiner, Die gestigen Hintergrunde des Ersten Weltkriesges. Zehn Vortrage, gehalte in Stuttgart zwischen dem 30. September und dem 26. April 1918 und am 21. Marz 1921. (NT: O fundo espiritual da Primeira Guerra Mundial. Dez palestras, realizada em Stuttgart, entre 30 de setembro e 26 de abril 1918 e em 21 de março de 1921) Dornach, 1974, pág. 200-201. GA 174b.

“Isto me faz pensar em outra situação, isto [o acontecido] é apenas uma miniatura daquilo. O fato mais genial é este, que um senhor, que vivia na América, mas é um bom Europeu, e foi chamado por um velho membro para vir à Alemanha e por aqui ficou e assistiu todas as possíveis palestras, ainda com todo o zelo, tentou pegar todas as anotações possíveis de palestras anteriores, pedindo para este e aquele. Após ter guardado bem tudo o que conseguiu juntar partiu para a América. Lá ele disse, que esteve aqui, que me conheceu, mas que não conseguiu satisfazer suas perguntas e queria se aprofundar mais. Por isto pode se encontrar com ele mais coisas, que ainda não existe em meus livros. Pois quando ele havia esgotado tudo o que conseguiu adquirir comigo, ele foi chamado por um Mestre, que mora em algum lugar dos Alpes da Transilvânia. Este deve ter ensinado muito a ele, que ele acrescentou a seu livro. Na verdade, tudo o que ele acrescentou a seu livro veio do que ele ouviu e copiou das minhas palestras! Então, o livro foi denominado O Conceito Rosacruz do Cosmos. Surgiu na América e chamou muito a atenção; este livro, que era um resumo de tudo que ele ouviu de mim, e daquilo que o Mestre dos Alpes da Transilvânia o contou. As pessoas não precisavam controlar o que era meu; não poderiam, pois foi falado em nossas palestras mais restritas. Não foi suficiente que este livro surgiu em inglês-americano, mas também houve uma Editora Alemã que traduziu este livro e publicou como Weltanschauung der Resonkreuzer. O editor é dr. Vollrath”.

  • Rudolf Steiner, Charakteristisches zur Kennzeichnung der Gegenwart Wirklichkeits-Entfremdung (NT: Características para a identificação da alienação da realidade contemporânea), Leipzig, 10 de junho de 1917, pág. 33-35.

“Em nossa Sociedade se junto um certo Sr. Grasshoff. Ele seguiu, por um tempo longo, nossas palestras em várias cidades: estava presente em todas. Pode se levantar a pergunta de porque este homem foi aceito. Veja bem, não é possível excluir determinadas pessoas, ainda mais quando são apresentadas por pessoas de confiança. Deveria se poder antecipar os tempos! Imagine que entra um Sr. Grasshoff, e eu diria: ‘Não podemos aceitá-lo. Contudo, porque não? Bem, porque você no futuro irá trair nossa Sociedade’. Isso não pode ser dito assim, pois, isto só aconteceria no futuro, e ainda não aconteceu. – Portanto estas pessoas são aceitas na Sociedade; isto fala por si.

Este Sr. Grasshoff assistiu todas as palestras que ele conseguiu assistir. Ele emprestava todas as anotações que foram feitas pelos membros. Ele copiava tudo. O que as pessoas não queriam emprestá-lo ele conseguia através de sua pessoa de confiança [Alma von Brandis] que o introduziu. Depois, passado algum tempo, ele voltou para a América, de onde veio e escreveu um lindo livro. Neste livro ele colocou tudo em seu devido lugar o que ele havia ouvido em todas as palestras, e o que havia encontrado nos livros; também o que havia compilado das palestras restritas. Contudo, não foi isto que ele disse. Ele escreveu uma introdução para o livro onde explicou tudo: Eu ouvi isto do Dr. Steiner, mas senti que ainda não estava pronto. Então recebi a incumbência de visitar um Mestre nos Alpes da Transilvânia e este Mestre, então, me ensinou o mais profundo, o que ainda me faltava. Contudo, como já disse, antes de tudo, o que contém neste livro saiu de minhas palestras e livros e, também, das anotações que outros membros forneceram a ele.

Este livro surgiu na América. Contudo, o que aconteceu? Este livro – tinha o título Rosicrucian Cosmo-Conception, até o título era roubado! – Surgiu na América. Agora, as pessoas podem dizer: ‘Ah, isto é a América; as pessoas não podem esperar algo diferente de lá longe’. Contudo, apareceu uma Editora aqui na Alemanha, dirigida por alguém chamado Hugo Vollrath. Este estava disposto a traduzir o livro para o alemão e publicar em lições diversas. E acrescentaram uma introdução, que uma parte do conteúdo também veio à luz na Alemanha, mas, necessitava amadurecer na América, mais precisamente na atmosfera da Califórnia! Um escândalo desses não seria possível na vida literária daqui. Eu contei estas coisas em palestras públicas. É um escândalo que deveria ser publicado em todos os lugares, se tivesse sido examinado com o devido cuidado que deveria ter sido. Eu gostaria de juntar o nome das pessoas que sabem disto! Poucos se interessam por isto. Desta forma, na verdade estes fatos podem voltar a se repetir”.

  • Rudolf Steiner, Die Verantwortung des Menschen fur die Weltentwickluncg, Acht Vortrage, gehalte in Stuttgart, Dornach und Den Haag, zwischen dem 1 Januar und 1 April 1921 (NT: A responsabilidade humana para o desenvolvimento mundial, oito palestras, realizou-se em Stuttgart, Dornach e Haia, entre 1 de janeiro e 01 de abril de 1921), Dornach, 1989, pág. 305. GA 203.

“Assim, por exemplo, viveu entre nós uma pessoa… boa, como ele se chamava naquele tempo? Em seus livros ele dizia ser Max Heindel, mas aqui tinha outro nome, Grasshoff ele se chamava. Este homem copiou tudo que podia de minhas palestras e dos livros. Disto ele escreveu algo místico, um livro Rosicrucian Cosmo-Conception. Depois ele incluiu numa segunda edição, também o que estava em meu ciclo de palestras e que ele havia copiado como anteriormente. Então ele contou a seus compatriotas lá na América, que ele realmente havia adquirido o primeiro nível aqui, mas para atingir o segundo, ele esteve nas profundezas da Hungria, com um Mestre. Dele, ele declarou então, recebeu o conhecimento, que na realidade apenas foi copiado do ciclo de palestras que ele conseguiu, pela astúcia e que é puro plágio! Alguns de vocês deve se lembrar que, então, aconteceu algo engraçado, que isto foi retraduzido para o alemão, com a observação que algo parecido poderia ter na Europa também, mas que era melhor recebido quando surge embaixo do sol da América”.

Para finalizar uma citação de uma carta de Steiner, provavelmente no final de fevereiro de 1911, enviada para Eduard Selander em Helsinki:

“Pois, existem realmente motivos para perigo, quando [publicar ao mundo exterior o que foi divulgado em um ciclo de Palestras] isto não pode acontecer. Eu só relato este perigo devido ao que aconteceu nos últimos tempos, do lado americano, uma grande parte de minhas comunicações teosóficas foram publicadas, simplesmente de forma inédita e não autorizada. Isto não é um problema, apesar de ser plágio. Isto me deixa indiferente, por mim as pessoas podem plagiar tanto quanto quiserem. No que se refere à teosofia, nem chega perto. O que realmente incomoda, é que minhas comunicações foram de tal maneira modificadas e a visão tão distorcida que é escandaloso. Se eu não puder publicar as coisas como realmente devem ser, então sim, será uma grande perda. Também fica a dúvida, que nem todos os nossos teósofos conseguem discernir e que na Europa Ocidental tenham teósofos que consideram verdadeira esta forma distorcida”[108].

Adendo 8 – DIFERENÇAS IMPORTANTES ENTRE OS ENSINAMENTOS DE MAX HEINDEL E DE RUDOLF STEINER

Antes de Max Heindel ir para a Alemanha, por causa de sua fome espiritual, por seu longo vínculo com a Sociedade Teosófica e por seu afinco nos estudos dos escritos Teosóficos, ele tinha conhecimento profundo de seus ensinamentos. Da mesma forma que as pessoas citadas no capítulo 3 tinham conhecimento para formarem uma opinião, o próprio Max Heindel também estava em condições de formar sua opinião. Esta opinião ele deu a Alma von Brandis quando disse que sua ida à Alemanha para conhecer os ensinamentos de Rudolf Steiner havia sido sem êxito.

Max Heindel foi abençoado com um ótimo raciocínio e uma memória excelente. Seu intuito de escrever um livro sobre o ocultismo do Oriente e do Ocidente fez com que juntasse a maior quantidade de material possível. Uma comparação do livro Conceito Rosacruz do Cosmos de Heindel com os trabalhos e palestras de Steiner até maio de 1908 – uma pesquisa feita pelo Senhor Charles Weber[109] – demonstra que existem várias passagens que também tem nos escritos de Steiner – literalmente ou similarmente. Contudo, são passagem dos escritos de Steiner que não são de Steiner. Alguns exemplos: A lenda dos Maçons – a história de Hiram Abiff e a construção do Templo de Salomão – Max Heindel descreve em Maçonaria e Catolicismo; Steiner em Die Tempellegende und die Goldene Legende [GA 93]. Esta história pode ser encontrada na Bíblia [IICr 2-9]; na maçonaria, e nos trabalhos de Charles William Heckethorn Secret Societies of All Ages and Contries[110], London, 1875. A versão em alemão surgiu em Leipzig em 1900[111]. Aqui também tem a descrição dos mistérios escandinavos e dos Druidas. Steiner possuía este livro. Em GA 93, na pág. 358 está escrito: ‘O livro, que se encontra na biblioteca de Rudolf Steiner, possuía anotações feitas por ele, e provavelmente foi utilizado por ele em suas palestras’.

Max Heindel diferencia Estudantes, Probacionistas e Discípulos. Esta divisão também se encontra em Steiner. Sua origem está na Teosofia, entre outros no The Inner Groupteachings of H. P. Blavatsky to her personal pupils[112] (1890-1891), Henk J. Spierenburg, San Diego, 2ª Edição de 1995.

E quanto ao exercício noturno – que é encontrado tanto em Max Heindel e Steiner – este se origina de Pitágoras. Em 1904 foi Florence M. Firth, que depois surgiu sob o pseudônimo de Dion Fortune, e editou novamente o De Gulden Verzen van Pythagoras[113], com uma introdução de Annie Besant. Versos 40 até 46: ‘Não deixe que o sono sele seus olhos após ter se deitado, até que tenha revisado todos os seus atos do dia. Onde agi de forma errada? O que eu fiz? O que deixei de fazer? Se durante esta pesquisa descobrir o que fez de errado, se repreenda seriamente sobre isto. E se tiver feito algo de bom, então, se rejubile. Faça todas estas coisas de forma rigorosa, meditem bem sobre elas; você deve se amar de todo o seu coração. Elas te levarão ao caminho da virtude piedosa’[114]. Existe uma grande diferença, na verdade. Os Rosacruzes fazem o exercício de trás para frente – da noite para o amanhecer – para que a pessoa veja, primeiramente, as consequências e depois a causa.

Devemos ter em mente que tanto Steiner quanto Max Heindel se baseiam na literatura Teosófica; que Steiner tinha informações sobre o Rosacruzes por meio do seu contato com o Irmão Leigo que ele chama de ‘Mestre’; e que Max Heindel também teve acesso à fonte dos Rosacruzes por meio do Irmão Maior no Templo, que fica ao pé das Montanhas Erz. Estas informações, colocadas de forma organizada na América, parecem, quando olhadas de forma superficial, com os ensinamentos de Steiner; o próprio Max Heindel diz isso em sua 2ª Edição do Conceito Rosacruz do Cosmos. Estudando minuciosamente observa-se que existem grandes diferenças[115].

Se for correto, como Max Heindel diz, que Steiner não poderia ser representante da Ordem Rosacruz, porque ele misturava as orientações Oriental e Ocidental e que Max Heindel foi aceito, devem aparecer provas sobre isto[116]. Neste ponto teria sido mais fácil se as anotações feitas em Alemão do Manuscrito que Max Heindel escreveu no Templo estivessem disponíveis.

Como apologia, seguem aqui alguns exemplos:

“Eu”, a primeira pessoa do singular, a persona, vem da palavra Grega egó e do Latim ego, como está descrito no Groot Woordenboek der Nederlandse Taal[117]. O Filósofo alemão Gotlieb Fichte (1762-1814) partiu de uma ‘consciência’, o eu consciente, o ego. Contudo, aqui não considera como sinônimo de ‘pensamento’, a ‘inteligência’.  No The Theosophie des Rosenkreuzers[118] de Steiner está descrito os sete aspectos e nove estágios da pessoa. Abaixo traduzidos, com as denominações dadas por Max Heindel no Conceito Rosacruz do Cosmos[119]. Observe que a Constituição do Ser Humano, por Max Heindel, utiliza sete e dez!

Rudolf SteinerMax HeindelRudolf SteinerMax Heindel
1 Corpo FísicoCorpo Denso10 ———Mente
2 Corpo Etérico/VitalCorpo Vital9 Homem EspiritualEspírito Divino
3 Corpo AstralCorpo de Desejos8 Espírito de VidaEspírito de Vida
4 o EUMente7 Próprio EspíritoEspírito Humano
5 Próprio EspíritoEspírito Humano6 Alma ConscienteAlma Consciente
6 Espírito de VidaEspírito de Vida5 Alma IntelectualAlma Intelectual
7 Homem Espiritual            Espírito Divino4 Alma EmocionalAlma Emocional
  3 Corpo AstralCorpo de Desejos
  2 Corpo VitalCorpo Vital
  1 Corpo FísicoCorpo Denso

Sobre isto Steiner ainda cita o seguinte: “O ‘Eu’ fica no Espírito, só depois começa o trabalho nos corpos”.

Max Heindel considera a Mente como um elo, um foco ou um espelho do Triplo Espírito, o EGO. No Diagrama 5[120] Max Heindel ainda escreve: ‘O ser humano é um Espírito Tríplice que possui uma Mente, com o qual governa um Tríplice Corpo, que emanou de si mesmo, para adquirir experiência.  Este Tríplice Corpo se transmuta em uma Tríplice Alma da qual se alimenta, elevando-se, por esta forma, da impotência à onipotência’.

No livro citado[121] Steiner diz sobre o caminho Rosacruz: ‘Este é um caminho que foi indicado pelo fundador do movimento esotérico Rosacruz, denominado, exteriormente, como Christian Rosenkreuz. Este não é um caminho não-Cristão; é apenas um caminho Cristão conforme as relações modernas, que fica, na verdade, entre o Cristão e o caminho da Yoga. … O caminho puramente Cristão é um caminho difícil para o ser humano atual; por isto este caminho dos Rosacruzes foi instituído para este ser humano, que precisa viver nos tempos atuais’[122].

Em sua Palestra de 1907 Steiner diz o seguinte: ‘Mas o estudante Rosacruz ganhou e continua ganhando suas determinadas instruções, e ele tinha que respirar de uma determinada maneira, em um determinado ritmo e ter formas bem detalhada de pensamento. Assim, seu modo de respirar é modificado’[123].

Max Heindel diz o seguinte: ‘O método [da Fraternidade Rosacruz] é definido, cientifico e religioso. Eles foram pensados pela Escola Ocidental da Ordem Rosacruz e por isto são particularmente adequados para os ocidentais’[124].

Max Heindel, em seu livro Cristianismo Rosacruz publicado em 1909, avisa exatamente dos perigos de exercícios respiratórios para o desenvolvimento espiritual[125].

No Capítulo 18 do Conceito Rosacruz do Cosmos, Max Heindel explana sobre os dez estratos da Terra; isto quer dizer: o coração da Terra e nove estratos em volta dele. Além de falar de cada um dos nove estratos, que envolvem o coração ou o centro da Terra, Max Heindel também conecta esses nove estratos às nove Iniciações de Mistérios Menores. E tem mais quatro Iniciações nos Mistérios Maiores, que também são descritas no Capítulo 18.

No Vor dem Tore der Theosophie de 1906, Steiner dá uma exposição da constituição da Terra. Ele dá uma constituição de nove camadas, da qual a nona é chamada de Centro da Terra. Portanto, uma camada a menos do que a de Max Heindel. Apesar de ambos darem praticamente o mesmo nome a cada camada e também o mesmo significado, Steiner fala da nona camada, que ele chama de Centro: ‘O Centro da Terra: é essencialmente o que, pela influência dele nasce a magia negra na Terra. Daqui sai o espírito do mal’[126].

Max Heindel fala do décimo estrato, o Centro: ‘O Centro do Ser do Espírito da Terra: nada mais pode ser dito presentemente a respeito, salvo que é a semente primeira e última de tudo quanto existe tanto dentro como sobre a Terra, e corresponde ao Absoluto[127].

Max Heindel fala que o fogo espiritual sobe através da espinha, faz com que a hipófise e a epífise entrem em vibração originando, assim, a clarividência, e atingindo o seio frontal queima a conexão com o Corpo Denso e depois atinge os centros das mãos e dos pés. Depois, com um último impulso, quando a grande espiral do Corpo de Desejos no fígado for liberada, a energia marciana, que a continha, empurra o veículo sideral através do crânio para cima, para sair para os Mundos Invisíveis.

O Cordão Prateado, diz Max Heindel, prende o Espírito ao seu Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos e Mente por meio de seu Átomo-semente que fica no coração, plexo solar, fígado e seio da face, respectivamente. Se este Cordão se romper na ponta do coração, este cessa de bater. Assim que o panorama da vida passada for gravado no Corpo de Desejos o Cordão Prateado irá se romper no ponto dos dois seis. A parte inferior do Corpo Vital voltará ao Corpo Denso, e só depois disto o ser humano estará realmente morto[128].

Steiner diz, em sua Palestra de 29 de dezembro de 1903, em Berlim: ‘O que prende o Corpo Astral com o Corpo Físico e seus órgãos, e o que os conduz novamente de volta? Existe um tipo de ligação, que é uma união entre o material físico e astral. Isto é chamado de fogo kundalini[129]. Se você tiver uma pessoa dormindo, então consegue seguir no Mundo Astral este Corpo Astral. Você tem uma conexão de Luz para lá, que é onde fica o Corpo Astral.  Assim este lugar sempre será encontrado. Se o Corpo Astral se afasta, então o fogo kundalini ficará cada vez mais fino’[130].

Destas palavras tiramos que Steiner apelida o Cordão Prateado como um fogo espinhal. Conforme o antropósofo Sr. A. Dooyes de Bussum, que me indicou este texto, é a única vez que Steiner cita o Cordão Prateado.

Em 1911 Steiner diz: ‘Em sentido mais restrito o movimento Rosacruz teve seu início no Século XIII. Então, esses poderes trabalhavam com muita força e desde aquele tempo existe uma corrente que diz que Christian Rosenkreuz continua trabalhando nos mundos espirituais. … isto agora aparece no movimento Teosófico. Em sua última discussão exotérica o próprio Christian Rosenkreuz disse isto’[131].

Na mesma Palestra: ‘Assim vem do Corpo Vital de Christian Rosenkreuz uma grande força que pode trabalhar em nossa alma e em nosso espírito. É nossa função conhecer esta força. E como Rosacruzes nós apelamos a esses poderes[132]’.

Também em 1911 Steiner diz: ‘Nosso movimento, que é muito mais amplo que o Rosacruzes, deve simplesmente ser a Ciência Espiritual do Presente, como ciência com orientação Antroposófica do Século Vinte’[133].

Devido à grande procura pelo Conceito Rosacruz do Cosmos na América, a 3ª Edição surgiu em novembro de 1911 com um índice e uma revisão ampliada do capítulo 19. Onde está escrito: ‘No Século XIII surgiu, na Europa, um Mestre muito elevado cujo nome simbólico é Christian Rosenkreuz – Cristão; Rosa; Cruz’.

Max Heindel diz: ‘[J.B.] van Helmont não se intitulou um Rosacruz; nenhum verdadeiro Irmão faz isto publicamente’[134].

Ele continua nas páginas 429/430: ‘Para evitar más interpretações desejamos esclarecer aos estudantes que não somos Rosacruzes pelo fato de estudarmos seus ensinamentos, nem tampouco nossa admissão ao Templo qualifica-nos a adotarmos esse título … Os graduados nas várias escolas de Mistérios Menores escalam as cinco escolas de Mistérios Maiores. … Os Irmãos da Rosacruz estão entre estes compassivos seres, de modo que é um sacrilégio arrastar o nome Rosacruz no lodo, usando-o como título próprio, quando nada mais somos do que estudantes de suas elevadas doutrinas’.

Max Heindel continua: ‘Os Irmãos Maiores aprendem que Christian Rosenkreuz tem um Corpo Denso … apesar do escritor [Max Heindel] ter conversado pessoalmente com os Irmãos Leigos de alto grau, nunca um deles disse que viu Christian Rosenkreuz. Nós todos sabemos que ele é o 13º integrante da Ordem e com sua entrada no Templo a sua presença é sentida, mas não se vê ou o ouve, isto conforme informaram as pessoas às quais o escritor teve a coragem de perguntar’[135].

Para concluir, Max Heindel diz em 1915: ‘A Fraternidade Rosacruz é a precursora da Era de Aquário. Ela divulga a Sabedoria da Religião Ocidental conforme formulado pelos Irmãos Maiores da Rosacruz e editado por Max Heindel no Conceito Rosacruz do Cosmos[136].

Steiner separa dois Guardiões do Umbral, a saber: um pequeno e um grande Guardião[137]. O pequeno Guardião que se encontra na porta do Mundo Espiritual, conforme Steiner, nosso sósia, também chamado o ‘sétimo ser’. Também o encontramos quando morremos fisicamente. Ele também se manifesta entre a morte e o novo nascimento, mas aí não consegue afligir o ser humano. Sua função é cuidar para que a pessoa não seja extraviada no Mundo Espiritual. Após o encontro com o pequeno Guardião, encontramos o Grande Guardião no Umbral. Este impulsiona o estudante a continuar a trabalhar energicamente. Ele se torna um exemplo para ser seguido e se transforma finalmente na figura do Cristo.

Max Heindel diz: ‘O verdadeiro Guardião do Umbral é um ser elemental que é uma composição de todos os nossos pensamentos e ações negativas, de toda a nossa evolução, que não transmutamos e criamos nas regiões invisíveis’[138]. E em outro lugar: ‘Este sempre aparece como um ser do outro sexo, porque todas as nossas tentações e o mal que fazemos, tudo o que é condenável, do nosso lado escondido vem de nós’[139].

Em Aus der Akasha Forschung. Das Funfte Evangelium[140], Steiner dá sua orientação sobre Jesus. Ele distingue um Jesus do Evangelho de Lucas, o assim chamado Jesus de Nathan, uma alma primordial que viveu apenas uma única vez na Terra e teve como pais José e Maria[141]. E, outro Jesus do Evangelho de Mateus, o assim chamado Jesus de Salomão que viveu mais vezes na Terra e também teve como pais José e Maria. Neste último Jesus, o ‘EU’ de Zaratustra estava encarnado, por isto quando tinha aproximadamente doze anos rapidamente conseguia absorver tudo o que os outros à sua volta sabiam. A mãe deste Jesus de Salomão faleceu, assim como o pai do Jesus de Nathan, quando este tinha 24 anos. Os José e Maria que permaneceram se casaram e os dois Jesus se fundiram em um Jesus que, por volta dos trinta anos, recebeu o Espírito de Cristo.

No Capítulo 15 e 19 do Conceito Rosacruz do Cosmos Max Heindel escreve que Jesus pertence à nossa onda de vida, por volta do tempo que é descrito nos Evangelhos, foi filho único de José e Maria, após muitas vidas na Terra, foi regenerado e é o mais elevado de nossa humanidade. Próximo em estatura espiritual é Lázaro, que no final do Século XIII nasceu como Christian Rosenkreuz. Durante o batismo no Jordão Cristo desceu ao corpo de Jesus e trabalhou por aproximadamente três anos em seu corpo como Cristo Jesus. Por isto Jesus se tornou o mais alto Iniciado da onda de vida humana e depois vem Lázaro que foi Iniciado por Cristo quando ‘ressuscitou dos mortos’.

Para finalizar esta somatória: Steiner distingue dois lugares onde fica a ‘Memória da Natureza’, que ele chama de ‘Akashico’. Ele diz: ‘Enquanto o Akashico é encontrado no devachan [Região Divina] ele se estica para baixo até o Mundo Astral [Desejos], fazendo com que aqui, frequentemente, tenha imagens do Akashico como um tipo de fata Morgana espelhado. Contudo, estas imagens são muitas vezes inconsistentes e pouco confiáveis…’[142].

Max Heindel diz que há três lugares onde se encontra a ‘Memória da Natureza[143]. A primeira na 7ª Região do Mundo Físico, o Éter Refletor, onde os médiuns e iniciantes ‘veem’. A 2ª Região fica na 4ª Região do Mundo do Pensamento Concreto. Aqui os Iniciados ‘veem’. A 3ª encontra-se na 7ª Região do Mundo do Espírito de Vida. Aqui só os Adeptos e Irmãos Maiores conseguem ‘ver’. Veja o diagrama 2 para ter uma visão sobre estas regiões[144].

No Adendo 7 foram transcritas cinco citações onde Steiner se refere à Max Heindel. Embora eles falem por si, mais alguns comentários: ‘O Templo dos Rosacruzes se encontra na Alemanha, ao pé das Montanhas Erz. Max Heindel, portanto, não saiu da Alemanha. Como Steiner chega aos Alpes da Transilvânia, que fica no meio da Romênia, é desconhecido’.

O Conceito Rosacruz do Cosmos nunca teve grandes alterações. Na segunda edição apenas em um lugar, no capítulo 19, foram acrescentadas seis páginas – sobre atuação na Iniciação. Em três lugares na terceira edição onde no subtítulo foi alterado de ‘Ciência Oculta Cristã’ para ‘Cristianismo Místico’ e ‘pesquise todas as coisas – Paulo’ foi alterado para ‘Sua Mensagem e Missão: Mente Pura, Coração Nobre e Corpo São’; o último capítulo foi novamente ampliado com 4 páginas; e foi acrescentado um índice. Max Heindel nunca, como Steiner reivindica, acrescentou coisas depois que foram ensinadas em sua Escola Esotérica. O que foi ensinado lá para Max Heindel em seu período na Alemanha pode ser lido em dois livros[145].

Steiner diz que até o título ele copiou dele. Aqui ele quer dizer seu livro chamado Kosmogonie, em Inglês seria ‘Cosmogony’ o que é bem diferente de ‘Cosmo-Conception’.

Em três lugares Max Heindel diz que Steiner não foi escolhido como mensageiro da Ordem Rosacruz.

Primeiramente: ‘Um mensageiro provou em 1905 que não era de confiança’[146].

Em Segundo: ‘Para divulgar os ensinamentos, composto de tal forma que satisfaz tanto a Mente quanto o Coração, deveria ser encontrado e preparado um mensageiro. Deveria possuir algumas qualidades especiais. O primeiro escolhido falhou ao passar por uma prova após terem sido investidos vários anos em seu preparo para um determinado serviço…. Sua segunda escolha para um enviado recaiu sobre o escritor [Max Heindel], apesar dele mesmo não saber disto… Três anos depois quando ele foi para a Alemanha… os Irmãos da Ordem Rosacruz o colocaram à prova para ver se ele seria um mensageiro de confiança para divulgar os ensinamentos que eles estavam dispostos a confiá-lo’[147].

E em sua carta para a Sra. Bauer, datada de 14/16 de outubro de 1911: ‘Desde que o Dr. Steiner se tornou Secretário Geral da Sociedade Teosófica[148], ele deixou de ter relacionamento com os Rosacruzes. Antes deste tempo ele recebia algumas orientações de um Irmão Leigo, assim como eu desde então, e ele nunca teve contato direto com os Irmãos Maiores e nesta vida ele nunca terá este contato…’[149].

Que Steiner não irá conseguir isto nesta vida, vem do fato que a pessoa só passa pela prova uma vez a cada vida, e respectivamente se encontra com o Guardião do Umbral. Para maiores informações veja o último capítulo deste livro: MÉTODO OCIDENTAL DE INICIAÇÃO.

Em suas primeiras Lições aos Estudantes parece que Max Heindel ainda não sabia nem da posição de Steiner e nem da dele mesmo. Diz ele – isto se passou quando ele no verão de 1908 deixou o Templo na Alemanha: ‘A este respeito [não desperdiçar os dons espirituais para ganhos materiais] recebi dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz a Missão Especial de Mensageiro ao Mundo da Língua Inglesa’[150]. Então, ele ainda devia ver Steiner como o mensageiro para os que falavam Alemão[151]. Somente depois ele recebeu informações sobre isto. Inicialmente foi dito a ele que os Irmãos já o observavam há alguns anos como possível mensageiro, caso o primeiro falhasse. Max Heindel considerou alguns anos literalmente e achou que era em 1907, o ano em que foi para a Alemanha. Contudo, algum tempo depois ele ouviu como realmente foi. Que Steiner não foi considerado ineficaz em 1905, mas quando foi escolhido como Secretário Geral da Teosofia, e isto ocorreu em 20 de outubro de 1902.

Adendo 9 – Troca de cartas entre Max Heindel, Laura Bauer e Hugo Vollrath[152]

[O original está em inglês]                                           

Viena, 30 de novembro de 1910.

The Rosicrucian Fellowship

Seattle, Washington, USA

PO Box 105

Prezados Srs.

         Há vários anos sou muito interessada no tema dos Rosacruzes. A, aproximadamente, uma semana recebi um comunicado sobre o anúncio do livro Conceito Rosacruz do Cosmos de Max Heindel. Eu foquei no título e solicitei à minha livraria para encomendar o livro. Dentro de alguns dias devo recebê-lo. Contudo, eu gostaria de poder traduzir este livro para o alemão, para que meus compatriotas possam aproveitar esta informação. Por esta razão solicito as condições para poder traduzi-lo, na esperança de que suas condições sejam admissíveis para a publicação na Alemanha.

         Aguardo sua resposta favorável o mais rápido possível.

                                                         Atenciosamente,

                                                         Laura Bauer

Viena, XIX/I. Iglaseegasse 13, Áustria

Laura Bauer

Iglasseegasse 13

Viena

 [O original está em Inglês]                                                                 

20 de dezembro de 1910.

Cara Senhora,

         Sua carta do dia 30, com a solicitação de traduzir o Conceito Rosacruz do Cosmos para o alemão, chegou às minhas mãos. Esta autorização eu a dou com prazer, mas com a condição de que me seja enviada uma cópia do manuscrito, para que eu possa fazer sugestões de algumas denominações. Por exemplo: O Corpo Vital deve ser traduzido como ‘Lebensleib’ e o Éter Vital como ‘Lebensether’.

         Quanto aos direitos de publicação; eu não estou interessado no dinheiro, como a senhora pode perceber comparando o livro com o seu preço. Eu aceito um diminuto valor do lucro, mas a Editora deve aceitar publicar um livro bom por um preço razoável para que possa ser acessível às pessoas de baixa renda. Se o livro for muito caro, muitas almas famintas ficarão sem e, então, o seu trabalho e o meu não farão todo o bem que poderia.

         Acabo de fazer um registro de 64 páginas, que será publicado no próximo mês e poderá ser vendido separadamente para aqueles que já adquiriram a primeira ou segunda edição do Conceito Rosacruz do Cosmos. Solicitarei uma terceira edição, onde acrescentarei um índice. Portanto será possível para a senhora fazer a primeira edição no alemão, igual à terceira do americano, traduzindo cada página numa folha separada. A Página 20 será igual nas duas línguas e terá, nos dois livros, as mesmas palavras e a paginação será na mesma sequência tanto no índice americano quanto no alemão, para que, quando em trabalhos futuros indicar uma determinada página, um estudante alemão possa buscar, na versão alemã do Conceito Rosacruz do Cosmos, a mesma página mencionada que foi sugerida no artigo.

         Eu confio que se fizer o trabalho que pretende realizar, estas orientações lhe serão úteis.

                                                         Seu, em fraternidade,

                                                         Max Heindel

[O original é em inglês]                                                  

Viena, 26 de janeiro de 1911.

Prezado Senhor,

         Antes que minha segunda carta pudesse chegar até você, já havia recebido sua resposta amigável. Fiquei muito feliz com o conteúdo. Esta é a língua de um verdadeiro Rosacruz; sua carta e seu trabalho confirma isto, quanto mais eu leio, mais valioso se torna para mim. Eu quero traduzi-lo. Eu já havia conversado com um Editor alemão[153] antes de escrevê-lo a primeira carta. Eu contei então que havia enviado uma carta ao senhor e coloquei as minhas condições para aceitar. Ontem recebi a resposta dele de que não está interessado em publicar o livro porque temia os custos. Na mesma noite escrevi para o meu Editor[154], com quem eu sempre faço parceria, e ofereci minha tradução. Nosso preço acordado é 16 páginas por 25 marcos.

O trabalho que inclui 542 páginas, sem o índice (na qual o senhor agora está trabalhando) totaliza, sem a diagramação, 850 marcos. Como gostaria de seguir seu exemplo ofereci minha tradução por 650 marcos, incluindo os diagramas, que eu mesma posso desenhar, porque tenho boas habilidades em desenho. Não sei como é o mercado americano e se este preço é razoável para um Editor americano.

         Como escrevi ontem só receberei a resposta dentro de alguns dias. Contudo, não gostaria de deixá-lo esperando por tanto tempo. Eu gostaria de pedir, prezado senhor, se o meu Editor alemão também estiver apreensivo quanto aos custos, se o senhor conseguiria encontrar um Editor para publicar a versão em alemão, pois tenho certeza que aí, também, devem existir editores alemães. Talvez o senhor possa cuidar disso já que eu não conheço o mercado americano.

         Então gostaria de fazer mais uma proposta. Não seria mais fácil para o senhor me dar o direito de traduzir todos os seus trabalhos? Pelo fato de estar tão interessada em todos os seus trabalhos penso que poderemos, de forma excelente e proveitosa, trabalhar juntos, já que há diferenças no modo e nos sentimentos quando suas obras são apresentadas em alemão.

         Espero, prezado senhor, que o senhor não encontre muitos problemas com a minha tradução, e que a enviarei sem falta. Se meu próprio conhecimento for falho, eu tenho um conhecido próximo que, tem conhecimento e tem habilidade com estes termos.

         Eu mal posso contar como me sinto feliz que, por meio do seu trabalho, eu possa estar em condições de trabalhar com algo da linha dos Rosacruzes. Dentro de alguns dias enviarei a resposta do meu Editor.

         Espero ter conseguido expressar em inglês o que quero dizer,

                                                         Sua, muito devotadamente,

                                                         Laura Bauer.

[PS] Meu primeiro Editor solicitou o valor exato que o senhor deseja receber. Provavelmente, o segundo Editor também irá questionar isto. Por gentileza, poderia me passar esta informação?

Laura Bauer, Viena, XIX/1, Iglaseegasse 13.

Em agosto de 1911 a Sra. Bauer enviou as primeiras cem páginas de sua tradução para Max Heindel, que ele recebeu na primeira semana de outubro. Algumas semanas depois, no dia 19 de setembro de 1911, ela enviou uma segunda remessa, acompanhada de uma carta, onde consta o seguinte, entre outros: ‘De um estudante do Dr. Rudolf Steiner ouvi uma objeção, feita contra o emblema da rosa cruz, na parte superior do seu trabalho, o mesmo que está no cabeçalho das cartas enviadas pelo senhor; que a grinalda de rosas está de cabeça para baixo, e que as pessoas dizem que a ponta apontando para baixo é sinal de magia negra. Para dirimir diferenças de opinião sobre o assunto, quando fizermos a publicação em alemão, espero que o senhor não tenha objeção se virarmos a grinalda e colocarmos a rosa no lado de cima’.

A resposta de Max Heindel para ela foi a seguinte:

14 de outubro de 1911.

                                                                            16 de outubro de 1911.

Prezada Sra. Bauer,

         As primeiras 100 páginas do manuscrito eu recebi uma semana atrás e nesta manhã terminei a revisão. Por meio desta envio-as de volta. Hoje já chegou a segunda remessa e a retornarei o mais breve possível, mas estou muito ocupado com o início das construções de nossa nova sede e outras atividades, portanto é difícil encontrar tempo para fazer tudo o que deve ser feito.

         Deixe-me parabenizá-la com a tradução. Achei que a senhora o fez de forma brilhante, em especial quanto ao poema de Sir Launfal[155]. Eu solicito que a última frase da página 9 e todas as da página 10 a senhora deixe sem traduzir. Então usarei esta página para fazer uma declaração de reconhecimento pelo seu trabalho, pois sou da opinião que os alemães precisam saber que eles devem muito agradecer o seu trabalho.

         Quando escrevi o livro[156], era meu objetivo usar apenas as palavras mais simples do inglês e sempre usar a mesma palavra para o mesmo significado. A mesma ideia eu gostaria que fosse utilizada com o idioma alemão e fiz melhoramentos neste sentido, com a qual eu espero que a senhora seja gentil de aceitar. A senhora sabe que não é a ‘letra’ que importa e sim o espírito ou significado da frase. Pelo resto percebi que os cristãos aceitam melhor ‘Wiedergeburt’[157] do que ‘Reinkarnation’[158]. Shakespeare diz: ‘Se a rosa tivesse outro nome, ainda assim teria o mesmo perfume’. Eu sou do tipo que me adapto aos costumes gerais, pelo menos enquanto não forem contra os meus princípios. Por favor, utilize ‘Wiedergeburt’, onde isto for possível.

         ‘Samenatom’[159] é bom, mas me parece que ‘Keimatom’[160] expressa melhor a ideia de ‘Sprießungsfähigkeit’[161], e que é o princípio básico.

         ‘Leib’, ‘Träger’ e ‘Körper’[162] são preferíveis do que ‘Vehikel’[163], pelo fato desta denominação ser mais compreensível para as pessoas.

         ‘Bildende Urkräfte’[164], conforme a senhora usou duas vezes, é uma ótima tradução para Forças Arquetípicas; por favor, utilize em todos os lugares onde aparecem.

         Nós falamos de ‘Floresta Virgem’ quando a senhora escreve ‘Ur-wald’[165] e da mesma forma dizemos ‘Espíritos Virginais’ como ‘Ur-geister’.

         Sua expressão ‘Äther-Zone’[166] é realmente uma expressão melhor do que ‘Äther-region’[167]; mas a não ser que utilizemos em todo o contexto e retiremos totalmente a palavra ‘Region’, eu acredito que é melhor não alterar, para não confundir a forma de pensar do estudante utilizando duas expressões.

         Sua expressão ‘Verstand’[168] é talvez a melhor forma de expressar ‘mind’, mas, então, devemos traduzir ‘Intellectual Soul’ como ‘Verstandes-seele’[169] para evitar confusão.

         Na página 63 do livro fiz uma correção, pois emitia uma alegação negativa à profissão médica e soava negativamente sobre sua elaboração. A senhora perceberá que na 3ª Edição foi colocado a mesma ideia, mas com outras palavras que irão atrair o apoio e a benevolência dos médicos.

         Em relação ao que o aluno do Dr. Rudolf Steiner disse: não me importo nem um pouco! Desde que ele se tornou Secretário Geral da Teosofia o Dr. Rudolf Steiner não tem mais relação nenhuma com os Rosacruzes[170]. Antes deste tempo, ele recebia alguma orientação de um Irmão Leigo, assim como eu tenho recebido; desde então ele nunca esteve em contato com os Irmãos Maiores e nunca mais irá conseguir isto durante esta vida, porque seu desejo excessivo à posição e poder o fez abandonar os ensinamentos ocidentais e a largar o trabalho pioneiro que eu estou fazendo agora para destituir da Sra. Besant – que apenas no nome é cabeça de uma organização e absolutamente não tem controle sobre sua ‘escola interna’. Quando publiquei a primeira edição do Conceito, ainda não tinha total conhecimento de sua posição, e seu ciúme fez com que esquecesse totalmente das normas gerais de cortesia de um cavalheiro. Pois ele nunca me agradeceu pela versão autografada do livro que enviei a ele.

         Portanto não aceitarei nenhuma alteração no símbolo, em especial dar uma concessão às ideias de um homem que absolutamente não tem conhecimento da Ordem da qual ele, falsamente, se diz membro. ‘Ninguém pode servir a dois senhores’, disse Cristo, e quando ele [Dr. Rudolf Steiner] aceitou o ensinamento hindus da Teosofia, e tentou misturá-la com o conhecimento superficial da Sabedoria Ocidental, que ele havia aprendido do Irmão Leigo citado anteriormente, ele se lançou no oceano da especulação. Em três ocasiões em que eu pude questionar sobre: 1º, sobre contradições em seu livro Theosofie; em 2º, em uma contradição sobre seu Akasha Kroniek e; em 3º, sobre seu desconhecimento de fisiologia comum, que foi repetido várias vezes numa palestra onde ele apontava para a parte de trás da cabeça toda vez que falava da hipófise, como se ficasse lá, sendo que sua clarividência deveria mostrar a ele este equívoco. Em todas estas ocasiões ele se desculpou perante mim diante de várias pessoas por seu equívoco, confirmando sua absoluta inconfiabilidade. Acima disso ele avisou a mim e a outros que ele não é responsável pelo que seus estudantes dizem. Se o símbolo for modificado por causa do que um de seus estudantes disse, o Dr. Rudolf Steiner, provavelmente, iria declarar que está incorreto e por isso repito que não aceitarei nenhuma alteração.

         Eu acredito que não teremos problemas em conseguir a autorização para traduzir o poema de Lowell e fico feliz que queira traduzir tudo isto. Eu irei verificar tudo o mais rápido possível. Se eu esquecer, por favor, lembre-me novamente.

         Ao que se refere a traduzir outros trabalhos, penso que provavelmente deixarei a seus cuidados, mas vamos primeiro terminar este livro, para que eu possa ver como o Editor irá fazer seu trabalho.

         Com os melhores cumprimentos,                                            

Max Heindel

A primeira versão de Die Weltanschauung der Rosenkreuzer foi publicada pelo ‘Theosophisches Verlagshaus’ em Leipzig, Alemanha. Sem data, mas foi em outubro de 1912. No final da Introdução ‘Aan de goed verstaander’[171] traduzido erradamente como ‘Ein Wort na den Weisen’[172] Max Heindel escreveu na pág. 10: ‘Para finalizar esta introdução, aproveito para apreciar o trabalho de tradução, que eu corrigi e melhorei no aspecto dos termos técnicos, para que fossem usados os mesmos termos que os Irmãos Maiores – a quem devo todo o meu conhecimento – me ensinaram originalmente na Alemanha. Eu sinto a necessidade de agradecer a maravilhosa tradução dos poemas; ela conseguiu manter o espírito, quanto as palavras e o ritmo, uma obra de arte de difícil realização’.

                                                                  Max Heindel

Abaixo do ‘Credo ou Cristo’ do Die Weltanschauung der Rosenkreuzers lemos o pseudônimo da Sra. Bauer: S. von Wiesen; em holandês S. van der Weiden. Não muito distante do próprio nome que significa Agricultor.

Laura Bauer-Ficker nasceu no dia 27 de janeiro de 1874, em Viena, Áustria. Ela era Católica Romana, separada e mãe de ‘alguns’ filhos e trabalhava como professora em uma escola primária. Faleceu no dia 6 de fevereiro de 1934, aos 60 anos, de edema pulmonar e encefalomalacia. No dia 9 de fevereiro de 1934 ela foi enterrada em Dobling em Viena em sepultura própria[173].

Hugo Vollrath era proprietário do ‘Theosophisches Verlagshaus’ [Editora Teosófica] em Leipzig, Alemanha. Ele se tinha dado um título de Doutor ilegalmente e se chamava Walter Heilmann e Dr. Johannes Walther. Ele adquiriu uma má reputação por causa de falsificação e fraude.

A partir do primeiro momento que ele foi indicado para publicar o Conceito Rosacruz do Cosmos em alemão, ele começa a pechinchar o preço. Primeiramente a Sra. Bauer pediu 25 marcos pela tradução das 16 páginas, o que para 542 páginas chegava a 850 marcos, sem incluir os diagramas. Contudo, ela acaba concordando com 650 marcos e Vollrath tenta tirar mais 50 marcos de Max Heindel, mas não consegue.

Da Editora Inglesa Fowler & Co, assim como da Francesa e Holandesa, Max Heindel recebe, como royalty, 50 exemplares por 1000 livros publicados, e ainda 45% de desconto.

Após ter conseguido permissão de Max Heindel, na carta datada de 23 de dezembro de 1910, para traduzir o Conceito para o alemão, a Sra. Bauer pergunta em sua próxima carta, datada de 26 de janeiro de 1911, se pode ter o direito de traduzir os próximos livros, mas Max Heindel ainda quer esperar um pouco mais.

No dia 30 de janeiro de 1912 a Sra. Augusta Foss Heindel escreve para a Sra. Bauer que no dia 2 de junho de 1911 Max Heindel tinha recebido uma carta do Sr. Vollrath onde ele pergunta se ele pode publicar o livro Conceito Rosacruz do Cosmos. É dada a autorização à Vollrath para publicar 2000 exemplares, entretanto: a execução, o preço e a data de publicação deveriam ser acertados com a Sra. Bauer. No entanto, eles ainda não haviam recebido nenhum exemplar como prova de que havia sido publicado. Max Heindel tinha direito a um royalty de 100 exemplares, mas Vollrath só queria enviar 10. E também queria dividir o livro em 10 partes, vendendo por 1 marco cada parte, ou todo o livro por 10 marcos, o que deixou Max Heindel furioso. A situação piorou quando Vollrath alegou que tinha até 25 de março de 1912, para lançar o livro no mercado e enviar à Max Heindel os 10 exemplares.

Quando a Sra. Augusta Foss Heindel, em sua carta datada de 19 de julho de 1912 à Vollrath, ameaça procurar outro Editor – que já havia demonstrado interesse – se Vollrath não publicar os livros imediatamente. Ele responde em 5 de agosto de 1912 que a Sra. Bauer já está corrigindo a prova do livro, e que é esperado que o Conceito seja publicado em novembro, o que parece ter acontecido no final de outubro de 1912. Contudo, Max Heindel não recebe nenhum exemplar como prova disto.

Em sua carta para Max Heindel, Vollrath reclama constantemente que não apenas a Sociedade Antroposófica, mas também ambas as organizações Teosóficas na Alemanha, reagiram de forma fulminante contra o livro e que ele mal consegue vender um exemplar.

Em sua carta de 9 de outubro de 1912, de Vollrath para Max Heindel, ele mostra um seu outro lado. Em uma carta em separado, fechada Vollrath diz que Heilmann tinha estabelecido um “Rosenkreuzer Gesellschaft” (Fraternidade Rosacruz), de acordo com o exemplo da Fraternidade Rosacruz. Também pergunta sob quais as condições para que membros possam se associar à Fraternidade. Ele também solicita o envio de outros livros de Max Heindel, para que ele possa traduzi-los. Ainda escreve que ele, Heilmann, fez um acordo com Vollrath para que as pessoas que não consigam pagar possam adquirir o Conceito por um preço reduzido.

No dia 29 de janeiro de 1913 a Sra. Augusta Foss Heindel escreve para Vollrath que se antes de 25 de março de 1913 ele não enviar exemplares, como prova de que o livro foi publicado, eles irão tomar medidas para bloquear o direito dele de publicar o Conceito.

Como prova que realmente foi publicado, Max Heindel finalmente recebe no dia 1º de março de 1913 os 10 exemplares prometidos. Contudo, não eram livros encadernados, conforme combinado. Vollrath havia separado o Die Weltanschauung der Rosenkreusers em 10 livrinhos separados, com capa de papel. Estes, ele vendia a 1,50 marcos cada, ou todos os 10 por 15 marcos. Em comparação: 15 marcos era equivalente a $ 4 dólares. Enquanto um livro encadernado americano (3ª edição) custava $ 1,50.

Em sua carta de 8 de abril de 1913, Max Heindel confirma o recebimento e conta que um estudante já traduziu, gratuitamente, alguns capítulos do livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas e, dentro de alguns meses, esperava estar completa toda a tradução. Ele oferece a Vollrath a autorização para publicar 2000 exemplares, encadernados conforme o modelo americano, que deveriam estar prontos dentro de um ano e que não poderiam custar mais do que $2 cada, e que deveria enviar 100 exemplares gratuitamente, sem custos de transporte.

Em sua carta datada de 29 de abril de 1915, Vollrath reclama pela enésima vez que o Conceito na Alemanha tem uma venda péssima e solicita autorização para publicar uma versão mais ‘popular’ e barata pelo preço de 6 marcos. Ele promete dar a Heindel 40% de desconto. Posteriormente fica claro que estes livros já haviam sido publicados fazia muito tempo e estavam sendo vendidos de forma completa.

Mais duas vezes ouvimos a Sra. Bauer: numa carta datada de 7 de maio de 1920 ela pede dinheiro à Sra. Augusta Foss Heindel para os filhos dela e para ela mesma. Sra. Augusta Foss Heindel a envia um cheque de $ 50 para auxílio.

Pela última vez, ouvimos dela em uma carta da Sra. Augusta Foss Heindel datada de 2 de fevereiro de 1921 onde ela responde a Sra. Bauer que assim como na Europa, também na América a situação econômica havia piorado. Que ela sentia muito que não poderia mais ajudá-la financeiramente porque a doação anterior havia sido feita de uma propriedade pessoal em Los Angeles, que agora ela não possuía mais. E que ela não poderia fazer uma doação do dinheiro recebido como auxílio voluntário dos membros. Para finalizar, Augusta Foss escreve que ela esperava que Vollrath fosse imprimir os outros livros de Heindel, apesar dele não ter sido correto em relação a eles. Excetuando a segunda edição do Conceito Rosacruz do Cosmos e A Mensagem das Estrelas, que já haviam sido traduzidos gratuitamente por um membro, e que já estavam nas mãos de outra Editora.

Adendo 10 – SIMBOLISMO: Collegium Fraternitatis, O Cadinho, O Emblema Rosacruz e A Capa dos Livros

 

COLLEGIUM FRATERNITATIS

Como complemento ao seu Pandora, Mögling escreveu ‘no período de meio dia’, no início de março de 1617, para Caspar Tradel, Dr. em Direito, seu Speculum Sophicum Rhodostauroticum, sob o codinome Theophilus Schweighardt[174]. Neste trabalho tem três gravuras, dos quais dois representam o Templo dos Rosacruzes. A descrição do simbolismo destas gravuras foi descrita em sua maior parte por Wilhelm Begemann[175] e em parte por Peter Huijs[176].

No meio da parte superior está escrito ‘oriens’, o Leste, o lugar onde o sol nasce. Abaixo, numa nuvem com asas as letras hebraicas HVHJ para Jeová, sob quais asas a Fraternidade fica à sombra. Desta nuvem sai uma mão segurando uma corda, fixa em um prédio quadrado sobre quatro rodas, o Templo, no Fama denominado como ‘Sancti Spiritus’[177]. Entre duas rodas tem a palavra ‘moveamur’, que significa: vamos continuar. Do lado esquerdo da porta tem o desenho de uma rosa e do lado direito uma cruz. Acima das duas janelas redondas, encontram-se duas janelas quadradas, encostadas ao lado uma da outra. Na janela da esquerda encontra-se um homem apontando, com seu dedo indicador direito, para um globo. Desta janela saiu um pássaro com uma carta com a inscrição ‘ad I.D.C.’ que significa ‘Julianus de Campis’. Na janela da direita pode se ver alguns utensílios alquímicos. Desta janela também partiu um pássaro com uma inscrição ‘Nostro T.S.’, ‘Nosso Theophilus Schweighardt’, que parece ter sido aceito pela Ordem. Acima das duas janelas está escrito ‘Jesus nobis omnia’, Jesus é nosso tudo.

Do lado esquerdo das duas janelas quadradas tem uma janela redonda da qual se projeta um braço direito segurando uma espada. Acima da espada tem a palavra ‘cavete’, cuidado. Abaixo do braço está escrito: ‘Jul. de Campi.’, Julianus de Campis escreveu em 1615 uma Sendbrief oder Berricht An alle welche von der Neuen Bruderschafft des Ordens vom Rosen Creutz genannt, etwas gelesen, oder von andern per modum discursus der sachen beschaffenheit, vernommen, portanto uma ‘Carta ou recado para todos os que leram ou ouviram de outros por meio de uma conversa sobre a Nova Fraternidade, nominada Ordem Rosacruz, ou da natureza da coisa’.

Do lado direito do prédio tem uma ponte levadiça erguida pela metade. Abaixo dela está escrito ‘SI DIIS PLACET’, por favor Deus. A porta está aberta com uma brecha e acima dela está escrito ‘VENITE DIGNI’ ‘entrem quem são dignos’. Projetado de uma janela redonda do lado direito tem uma trombeta ressoa abaixo as letras C.R.F., Christian Rosenkreuz Frater, Irmão Cristão Rosacruz.

Nas torres nos cantos tem homens com uma folha de palmeira na mão direita; na antiguidade clássica significava vitória, e na mão esquerda um escudo com as letras hebraicas de Jeová.

No telhado tem uma cúpula oitavada guarnecida de asas. Acima dela tem um campanário, com um sino pendurado dentro dela.

Acima do Templo tem escrito ‘Collegium Fraternitatis’ e o ano 1618. Collegium significa um grupo de pessoas com as mesmas intenções ou interesses e que para isto formam um corpo, que aqui se chama ‘Fraternidade’.

Nos dois cantos superiores brilham as estrelas em Serpentarius, a Serpente, e Cygna, o Cisne, e abaixo escrito ‘VIDEAMINI’, mostre-se agora. A Constelação da Serpente tem o ano de 1604. Naquele ano Kepler descobriu uma nova estrela no extremo inferior   da Serpente, que faz parte desta Constelação; em 1602 já haviam descoberto uma estrela nova na Constelação do Cisne. Conforme a predição no Fama, 1604 também foi o ano em que o túmulo de Christian Rosenkreuz foi encontrado pelos Irmãos, descrito na pág. 114 da primeira edição.

No meio da parte inferior tem a palavra ‘occidens’, o Oeste ou terra da noite onde ficam aqueles a quem o Fama se dirige. Estes são os Chefes de Estado e estudiosos da Europa, dos quais a maioria não vê e nem compreende do que se trata. Assim anda o poder do mundo, na forma de um soldado, diante do edifício. O cavaleiro nobre tem a cabeça totalmente virada. O caminhante estudioso ou mascate à esquerda, com seu conhecimento como sobrecarga em suas costas, tem seu chapéu de tal forma na cabeça que não consegue ver o edifício.

Apenas três pessoas percebem o edifício. A pessoa em baixo ajoelhada, à direita, e tem sua esperança, sua âncora, fincada em Deus. Ele vê o edifício como complemento de sua viagem à sua frente. Toda a presunção está longe dele, porque ele diz: ‘ignorantiam meam agnosco’, eu reconheço minha ignorância. E ele implora: ‘Juva Pater’, ajude-me Pai.

A segunda pessoa que percebe o edifício é o homem, abaixo à esquerda, que está segurando uma corda e sendo puxado para cima do ‘puteus opinionum’, poço das opiniões, onde ‘per multa discrimina rerum’, ele caiu devido a várias causas.

A terceira pessoa que percebe o edifício é o homem, à direita, onde está escrito ‘Festina Lente’, apresse-se lentamente, tenha calma, mas jogou este aviso ao vento e caiu.

Do lado esquerdo no meio tem a Arca de Noé em cima do monte Ararat, conforme descrito na Bíblia, no Livro do Gênese, Capítulo 8, de onde voam duas pombas. No texto do livro mostra que aqui há uma comparação. Assim como Noé deixou voar as pombas para receber o recado, assim também o candidato para Iniciação deve enviar sua carta e esperar até que ele ou ela receba a resposta.

De ‘septentrio’, o Norte, à esquerda, um pássaro voa em direção aos Irmãos e também de ‘meridies’, o Sul, à direita, com cartas e inscrições ‘Ad Fratres’, aos Irmãos, e ‘Fratri’ Irmãos.

Do lado esquerdo do Templo tem uma casa, com as letras maiúsculas escritas ‘NOTA’. Esta palavra tem muitos significados. Assim como ‘colocar sua atenção em algo’, ou como ‘indicação’. Contudo, também significa ‘criptografia’. Talvez aqui signifique o que Max Heindel disse, a saber, que ‘os Irmãos moram em uma casa, mas fora desta casa e dentro desta casa e através desta casa, tem o que as pessoas chamam de Templo’[178].

O templo fica perto de uma cidade, circundada por bosques, e à esquerda do Templo corre um rio, que está descrito no Assertio.

O CADINHO

A figura 109 é um símbolo antigo dos Rosacruzes que os Irmãos Maiores chamam de ‘O Cadinho’. Nas publicações de maio até outubro de 1916 da revista Rays from the Rose Cross este símbolo estava no lado interno da capa. Era o assunto de uma competição para explicar seu significado. Em outubro foi publicada a explicação, fornecida por um dos estudantes.

A declaração significativa de ‘O Cadinho’ – um verdadeiro recipiente para derretimentos – parece advir de uma máxima antiga: ‘Per ignem ad lucem’ (através do fogo à luz). O significado deste velho símbolo Rosacruz é tanto microcósmico como macrocósmico, assim como demonstra a junção das estrelas de cinco e seis pontas. A junção de cinco e seis mostra o décimo primeiro Signo do Zodíaco, que representa Era de Aquário, e uma junção dos Estados Unidos da América que mostra a transição para uma nova Era.

As sete pontas do Cadinho podem simbolizar os Períodos; a constituição Setenária do ser humano; o espectro de cores visíveis; a escala musical; ou as Sete Hierarquias que estavam presentes no início do Período Terrestre e que estão descritas no Conceito Rosacruz do Cosmos (diagrama 9).

Quando nós somamos a estas sete (7) pontas piramidais, os dois (2) triângulos internos, lembrando das 2 Hierarquias sem nome, temos o total de nove (9) ou o ‘número da humanidade (144), que é o número dos Anjos’ da revelação, que em hebreu significa ADM ou Adão; e na tradução grega do Velho Testamento, o Septuaginta, dos 12 vezes 6 tradutores tribais e os 72 dias necessários para fazer a tradução. O número da humanidade também é encontrado no total das linhas de divisórias internas.

Um bom nome para ‘O Cadinho’, considerando numericamente, é “Acre de Deus[179]. Um olhar sobre as figuras que compõem esta medida de superfície em varas quadradas (160) e os pés quadrados (43.560) abre o resultado de 7 e 9. E o título não é enterrado na terra para alcançar o seu renascimento.

Como o pentagrama, ‘O Cadinho’ também é um esboço do ser humano – braços cruzados e pernas aqui manifestando o Andrógino para o espírito – uma reconciliação das leis opostas, ou paz na unidade. Observe o seu lugar no círculo celeste com a cabeça em Áries, o ombro esquerdo e direito em Touro-Peixes, as mãos em Câncer-Capricórnio, e os pés em Virgem-Escorpião. Como um todo, que é indicação para Aquário como indicado pela sua estrutura serrilhada.

A rosa selvagem perfumada, com suas potências mágicas, substituiu a espada flamejante do Jardim do Éden. A flor pode denotar a Rosa de Natal (Helleborus Niger), às vezes, chamada da erva de Cristo, que mais tarde dá lugar à Pasque Flower[180], ou a Estrela de Lírio de Belém, formas de plantas que não são apenas significativas no nome, mas cuja disposição das partes florais segue a ordem do cinco e seis. Ou, se preferir, deixe a flor aberta com o seu coração virado para o sol, símbolo da flor do casamento místico sobre a Árvore da Vida (prenúncio de frutos de ouro), não muito diferente daquele emblema da pureza da flor de laranjeira, um primo da rosa.

Referindo-se ao recinto delimitado pelo hexágono, no centro da qual está colocado o coração cruzado no cálice; sua forma não faz recordar uma das celas do grupo dos favos formado por aquela criatura do ar, Hymenopterous[181], Apis mellifica[182]? Estas denominações clássicas da abelha doméstica pareceram interessante em conexão com a orientação do regente de Touro [Vênus] e a Lua na oitava esfera em Escorpião, marcando as fases do passado e condições atuais que devem ser substituídas pelos ideais de serviços Mercúrio-Júpiter, intuitivamente percebido por muitos. Dentro da área do Número Seis Perfeito, os elementos carbonizados tornam-se o cristal tingido de azul – ou rosa diamante – e os metais mais básicos submetidos a uma sublimação similar. Os desejos naturais e emoções conflitantes são transmutadas na unificação do amor Crístico. O tronco ereto é o estandarte[183], o alcance da chama que indica para o céu.

Ao estudar este símbolo, lembra-se do Caduceu na sua polaridade eletromagnética. Podemos identificar ainda mais a tocha ou vara, com a vara de Aarão que floresceu.

Agora, por um momento, virando a figura de cabeça para baixo, você vai discernir a cabeça de bode como do Sátiro[184] e seu atributo Tirso[185] da equipe de Baco. Nesta posição, a planta é invertida, a tocha virada, revelando o ser humano em seu estado não regenerado – um deus caído.

Novamente na posição vertical – a partir de ângulos diversos – ‘O Cadinho’ apresenta várias superfícies refletoras ou espéculos como exemplificado quando o pássaro de Júpiter quer ver sua imagem no espelho. Marte como um reflexo para trás e fase inferior de Vênus, com o ideal de Saturno espelhado em Júpiter, um planeta por sua vez que aumenta a energia dinâmica e bruta de Marte para a maior motivação do que Vênus eleva e ilumina as sombras de Saturno. A Mente incipiente (Saturno) e a luz da razão (Mercúrio) têm uma relação, como também os símbolos generativos Marte e da Lua. Marte-Mercúrio mostra o ponto que a divisão do Período Terrestre mais definitivamente indicado no Caduceu – um processo emancipador do animal para a alma intelectual – de servidão a autodomínio, como explicado na Filosofia Rosacruz. Mercúrio e a Lua (significadores da Mente) estão em proximidade. E a Lua (a Mente inferior instintiva) representa uma revolução com o mesmo nome, na última parte do qual, a humanidade do Período de Saturno dotado da parte superior do Corpo de Desejos do ser humano em formação com o núcleo de uma personalidade separada. A Lua reflete os raios do Sol (sua oitava) e Mercúrio executa um serviço semelhante que está sendo designado como o Sol físico portador da Luz.

Além dos Astros em vista, Urano e Netuno são, respectivamente, simbolizados pelo coração crucificado da Terra (afeição altruísta) e a tocha acesa (consciência cósmica) ou Divindade. O deus da guerra, semeador discordante no espaço, e o Ceifador Cronos ou TEMPO, são a ocasião em ambos os lados da câmara de aço desse vaso alquímico, caso contrário o campo hexagonal de simpatia e antipatia correlacionada com o Sexto Estrato da Terra (Veja Conceito Rosacruz do Cosmos – Diagrama 18).

 O Mensageiro dos Deuses, Mercúrio e nosso satélite que vagueia, a Lua, estão devidamente posicionados nos instrumentos de movimento, os pés. As luzes caídas na figura são obviamente o Astro Lucífero (Marte) e a oitava esfera (Lua), enquanto o refletor mais exaltado é Mercúrio apesar da sua posição serviente.

Misturando as auras nesta atmosfera ensanguentada (ou ar), vemos os Espíritos Lucíferos marciais (reforçados pelas Forças das Trevas) dispostos contra as Legiões Lunares sob a Deus de Raça Jeovístico, e dentro da esfera de influência dos Mercurianos (Iniciadores): promovendo a mais importante ajuda para permitir ao Ego a aliar-se à sua natureza superior e, assim, manter o equilíbrio de poder.

Os Astros que difundem mais luz do Sol em nosso ser – o amor (Vênus) e a benevolência (Júpiter) – estão perto do trono da estrela do dia: radiante Vênus e com proporções generosas Júpiter, cujos nomes são dados para os próximos Períodos evolutivos – Júpiter seguinte ao Terrestre. Como focos, eles transmitem à humanidade receptiva, as ondas de sabedoria radioativas, e são liberadas enfrentando um pentágono (o caldeireiro do Cadinho) correspondente na terminologia Rosacruz ao Quinto ou Estrato Germinal da Terra (a Região do Pensamento Abstrato) em que queima a chama do criativo Espírito Humano – uma chama que é alimentada e vitalizada pelo altar – ou óleo essencial da planta.

Preeminente, acima de todos, o Sol, uma expressão física do Deus Trino no nosso Sistema Solar, acelerando em seu curso em espiral, a própria evolução e uma emanação de V-U-L-C-A-N-O (como os místicos dizem), a fonte invisível de vida – e LUZ.


[1] N.T.: Ou Sanatorium: se refere a um centro médico para tratamento de doenças diversas não contagiosas.

[2] N.T.: Board of Trustees

[3] Retirado do Rays from the Rose Cross, dezembro de 1929, pág. 598.

[4] Max Heindel no Livro Ensinamentos de um Iniciado, Cap. II

[5] N.T.: Board of Trustees

[6] N.T.:  airedale terrier, oriunda do Reino Unido, é a maior raça entre os cães do tipo terrier.

[7] Rays, novembro 1938, pág. 515; fevereiro 1939, pág. 92.

[8] N.T.: Board of Trustees

[9] Nunca foi feito esta placa de reconhecimento

[10] Órgão eletromecânico desenvolvido e construído por Laurens Hammond.

[11] O antigo Sanitarium

[12] XEMO, que se designava a si própria como: “O grande farol Cristão da costa do Pacífico”, uma estação de Rádio que tinha orientação religiosa, que alcançava de Tijuana, Baja Califórnia, México e todo o sul da Califórnia.

[13] O oleandro (Nerium oleander), também conhecido como loendro, loandro, aloendro, loandroda-índia, alandro, loureiro-rosa, adelfa, espirradeira, cevadilha ou flor-de-são-josé, é uma planta ornamental extremamente tóxica. Suas flores podem ser brancas, róseas ou vermelhas. É uma planta pouco exigente se tratando de temperatura e umidade.

[14]  Gênero que agrupa cerca de 200 espécies de fanerógamas da família Pittosporaceae. São árvores e arbustos que crescem de 2–30 m de altura.

[15] Veja o Adendo 10: O Símbolo da Capa dos Livros.

[16] Esta informação me foi passada por e-mail no dia 27 de janeiro de 2007 pelo Sr. David B. Johnson.

[17] Do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume I, pergunta 180 – Max Heindel.

[18] Do Livro Ensinamentos de um Iniciado – Capítulo XXI – Max Heindel.

[19] Conforme cálculos de Max Heindel, no Livro Astrologia Cientifica Simplificada, a Era de Peixes começou aproximadamente a 498 A.c. e a Era de Aquário iniciará aproximadamente 2.156 anos depois, portanto, por volta de 2.654. Esta data foi calculada pela International Astronomical Union em 1929 em Leiden – Holanda, também por volta de 2600.

[20] Echoes, dezembro de 1914

[21] N.T.: Do Capítulo XIX, Iniciação do Livro O Conceito Rosacruz do Cosmos de Max Heindel

[22] O desenvolvimento e características do Corpo Vital e do Corpo de Desejos estão explicados em dois livros de Max Heindel: The Vital Body (O Corpo Vital) e The Desire Body (O Corpo de Desejos).

[23] Na primeira e segunda edição do ‘Conceito Rosacruz do Cosmos’ tem o título The Rosicrucian Cosmo Conception or Occult Christianity (1909 e 1910) e 3ª (1911) e outras edições como subtítulo: Mystic Christianity. De fato, a última é errônea, mas foi escolhida a palavra Mística porque naquele tempo, e hoje ainda, com a palavra ocultismo imediatamente se pensa em espiritismo, uma forma negativa de desenvolvimento. Por isto aqui utilizo a palavra ‘esotérico’ como sinônimo de ocultismo.

[24] Max Heindel, no Livro: Iniciação Antiga e Moderna, Parte 2 – Capítulo: 1 e 7.

[25] Max Heindel, no Livro: Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas Volume II – Pergunta 156.

[26] Idem, pág. 441

[27] Veja capítulos 18 e 19 do Livro O Conceito Rosacruz do Cosmos para mais detalhes.

[28]  NT: é o Curso Preliminar de Filosofia

[29] Michael Maier, Silentium post Clamores etc., Frankfrut 1617, citado por J. B. Craven em Count Michael Maier, Kirkwall 1910, pág. 67. “Igualmente aos Pitagóricos, os Rosacruzes também pedem um juramento de silêncio e segredo. Os ignorantes consideram isto uma ficção; mas isto vem dos cinco anos de provas onde aqueles, mesmo que candidatos especiais, são submetidos antes de serem admitidos aos mistérios maiores …”.

[30] Max Heindel, Conceito Rosacruz do Cosmos. Veja também de Max Heindel, Cristianismo Rosacruz, Conferência 11.

[31] Dion Fortune [sinônimo de Florence M. Firth]: Os versos dourados de Pitágoras, vers. 40-46; veja Adendo 8.

[32] Max Heindel, do Livro: Coletâneas de um Místico, Capítulo 1.

[33] I Coríntios 15:44-46

[34] ‘O número de nervos espinhais nos mamíferos é muito variável’. Escreveu o Prof. Dr. Wensing do Grupo de Investigadores de Morfologia de Utrecht, Holanda em junho de 1983. ‘Todos os mamíferos têm sete vértebras cervicais e oito nervos cervicais, a quantidade de vértebras torácicas e, portanto, os nervos torácicos variam muito. O cavalo, por exemplo, tem 18 nervos torácicos enquanto muitos outros animais têm 13 e o ser humano tem 12. Também a quantidade de nervos lombares e sagrados varia. Assim os carnívoros têm 7, o cavalo e o bovino 6, e o ser humano tem 5 nervos lombares. O número de nervos e ossos do sacro é 5 no ser humano, 4 nos bovinos e cavalos e 3 nos carnívoros. A quantidade de nervos e ossos da cauda é considerável em muitos animais. Conclusão: no ser humano o número de nervos raquidianos não é notavelmente grande. Outros mamíferos têm mais de 31-33 (dependendo das vértebras do cóccix) nervos raquidianos do que encontrados nos seres humanos. O cavalo, por exemplo, tem mais de 40 nervos espinhais’.

[35] Max Heindel, no Livro: Os Mistérios Rosacruzes

[36] O mesmo texto é encontrado no Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Volume II, pergunta 78.

[37] Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Volume II

[38] Sir Edward Bulwer Lytton, Zanoni, Amsterdam, 1924, pág. 249-250.

[39] Max Heindel, no Livro: A Teia do Destino.

[40] Chamado: Anjo ou demônio?

[41] Max Heindel, no Livro Cristianismo Rosacruz, Conferência nº 9, primeira página

[42] Max Heindel, no livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Volume II

[43] N.T.: Meio do Céu

[44] O dossiê do Sr. e Sra. Barkhurst.

[45] Mariage License of the County of Los Angeles; datada de 23 de junho de 1903.

[46] Thirteenth Census of the United States: 1910 – Population; for the township or other division of county: ‘San Antonio Township’, district 336, Location 522, number of family 528. (2 de maio de 1910).

[47] Certification of Vital Record; State of California; Department of Health Service; County of Riverside, City Hemet certificate 80-001120, local registered No 4 Full Name: Rollo Smith.

[48] A pergunta 25 é sobre o mesmo assunto.

[49] Rays from the Rose Cross, May 1916, páginas: 16 e 17. “The tie that binds”.

[50] Veja Adendo 9 a carta para Sra. Bauer, datada de 14-16 de outubro de 1911. ‘Desde que ele assumiu como Secretário Geral da Sociedade Teosófica perdeu sua relação com os Rosacruzes’.

[51] Livro Conceito Rosacruz do Cosmos, 2ª Edição, 1910

[52] Traduzido da versão de Kassel 1615: foi utilizado a tradução para Holandês de 1617, ambos impressos por Adolf Santing, Os Manifestos dos Rosacruzes, Amersfoort 1930; a versão revisada e acrescentada do texto em Alemão de Kassel 1914 com tradução para o Holandês por Pleun van der Kooij em: Fama Fraternitaties, Haarlem 1998.

[53] Naquela época havia 4 ‘classes’: nobreza, clero, burgueses e camponeses.

[54] Toda a Ciência naquela época era chamada de ‘arte’.

[55] R. Kienast escreve em seu livro: Johann Valentin Adreae und die vier echten Rosenkreutzer-Schriften, Leipzig 1926, pág 113,114, que Damcar, naquela época era escrito como Damar, fica em Iémen, um pouco ao sul de Sana e perto de Orthelius na Carta 113 e Carta Mercator 3c [duas cartas do início do século 17]. Adolf Santing no De Manifesten der Rozenkruisers, Amersfoort 1930, pag 58, acrescenta que Ortelius é um pseudônimo de Abraham Wortels e Mercator de Gerard Kremer. Gilly em Cimelia Rhodostaurotica, pág 80, acrescenta que uma famosa Carta Marina de Martin Waldseemuller, Strassburg 1516, tem escrito a palavra Damar. ‘Em tempos depois’, fala Santing, ‘o nome se muda para Dsemar, Dsimar e Damar’. Agora, 2009, se chama Dhamar, situado no Iémen, 14.33.03 N. Br. e 44.23.31 O.I.

[56] Pode ser traduzido como máximas.

[57] Os Signos do Zodíaco podem ser divididos pela Astrologia em 4 grupos de 3 Signos, denominados: Fogo, Terra, Ar e Água. Aqui se fala da Conjunção de Júpiter e Saturno no triângulo de fogo que são os Signos de: Áries, Leão e Sagitário.

[58] Philippus Aureolus Theophrastus Bombastus Von Hohenheim (1493-1541) que se nomeou depois Paracelsus. Assim, Paracelso ou Paracelsus é o pseudônimo de Philippus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim; ele foi um médico, alquimista, físico, astrólogo e ocultista suíço-alemão.

[59] Através da alquimia podia transmutar um metal nobre em, por exemplo, ouro.

[60] Rota Mundi, a roda do Mundo; uma cronologia harmoniosa do mundo em forma de uma tabela do tempo artística na qual todos os fatos históricos ocorridos estavam desenhados como também as profecias das que ainda virão. Isto foi descrito pela primeira vez por Raimundus Lullis (1235-1315) em seu Ars Magna.

[61] Deus Grego que conhecia o futuro, mas só revelava seu conhecimento se fosse forçado a isto.

[62] Gallia Narbonensis era uma província Romana no Sudeste da França. Narbona é hoje a cidade Narbonne.

[63] N.T.: A Alemanha, naquela época, era protestante e sofria o ataque dos exércitos católicos que vinham do Sul da Europa.

[64] Messing é uma junção de cobre e zinco. Quando tem de 30-40% de zinco é chamado de cobre amarelo; com no máximo 15% é chamado de cobre vermelho.

[65] No Fama o Confessio é mencionado três vezes; essa é a segunda vez.

[66] ‘Tesouro’, conforme a tradução holandesa de 1617. Veja Santing, De Manifesten der Rozenkruizers, pág. 228, linha 10 de cima.

[67] Mystische Hochzeit, O casamento místico.

[68] A IV Monarquia, era na época a Alemanha, Borgondia, Lombardia e Sicília com a liderança pelo Ksar Alemão, conforme Ir. A. A. W. Santing, com uma nota pessoal na pág. 121 em seu livro: De Manifesten der Rozenkruizers, Amersfoort 1930.

[69] Traduzido da Edição em Latim de Kassel 1615. Aqui foi usado: 1- A tradução em Holandês do Latim de E. Tinga, 1953/54; 2- A tradução em Alemão do Latim de Dr. F. Sander 1955; 3- A tradução em Alemão do Latim de K. Wurffel, 1978; 4- A tradução em Alemão do Latim de Karl Krane, 1978; todos conhecidos do Sr. P. van der Kooij. 5- A compilação em Holandês de P. van der Kooij, 1984.

[70] Precessão dos Equinócios; na Astrologia elas determinam as Eras, por exemplo, a próxima será a Era de Aquário em 2.360.

[71] Aqui, o senhor das profundezas

[72] A Serpente e o Cisne – A constelação de Serpentarius e Cygnus. Em 1602 foi encontrada uma nova estrela no Cisne e em 1604, Kepler descobriu uma nova estrela no pé da Serpente.

[73] Gilly diz em Joh. Valentin Andreae, Katalog einer Ausstellung, Amsterdam 1986, pág. 61: ‘As penas de águia, escritas no Confessio Fraternitatis, simbolizam naturalmente a Dinastia Austríaca, o que quer dizer principalmente a Monarquia Espanhola, como único e último pilar de apoio ao papado decadente. Veja também o livro apócrifo Ezra IV, capítulo 11 e 12.

[74] Aqui se refere ao médico Alemão de Hannover, Heinrich Khunrath (1560-1605) e seu livro: Amphiteatrum Sapientiae Solius Verae, Christiano-Kabbalisticum, Divino-Magicum, nec non Physico-Chymicum, que em 1609 apareceu em Hanau.

[75] Epiciclos e excêntricos (astronômicos).

[76] Traduzido da versão em Latim de Frankfort 1614. Aqui foi usada a tradução em holandês do Latim de A. A. W. Santing de seu De historische Rozenkruisers, Amsterdam [1977]. 2 Tradução do alemão Assertio oder Betatigung der Fraternitat R.C., Danzig 1616.

[77] O Assertio foi escrito originalmente como um poema em Latim.

[78] Frankfurt am Main, Frankfurt sobre o Meno ou Francoforte do Meno, mais conhecida simplesmente como Frankfurt ou Francoforte, é uma cidade alemã

[79] Aproximadamente 30 km ao norte de Strasbourg ou Estrasburgo, agora francesa, antigamente território alemão.

[80] Nurenberg, Nuremberga ou Nurembergue é uma cidade independente alemã.

[81] Morgendorf perto de Koblenz 50.29 N.B., 7.46.30 O.L. Nassau perto de Koblenz 50.18 N.B., 7.36 O.L.

[82] N.T.: Aquele S esquisito do alemão que parece um B.

[83] Neuwied perto de Koblenz 50.26 N. Br., 7.28 O.L.

[84] Rudolf Steiner, Beelden uit mijn jeugd (Imagens da minha adolescência), Zeist 1991, pág. 23. Rudolf Steiner, Mein Lebensgang (Minha jornada de vida) [GA 28] Dornach 1982, pág. 61.

[85] F. Rittelmeyer, Mein lebensbegegnung mit Rudolf Steiner (Início da minha vida com Rudolf Steiner), 1928, 10ª edição, 1983, pág. 103; Rudolf Steiner/Marie Steiner-von Sievers, Briefwechsel und Dokumente (Rudolf Steiner/Marie Steiner-von Sievers, troca de cartas e documentos) 1901-1925 [GA 262], Dornach 1967, Aufzeichnungen Rudolf Steiners geschrieben fur Edouard Schrure in Barr im Elsass, setembro de 1907, pág. 7, 8; Beitrage zur Rudolf Steiner Gesamtausgabe. Zur Kindheit und Jugend Rudolf Steiner. (Contribuições para despesas totais de Rudolf Steiner. Para a infância e juventude Rudolf Steiner) Nº 83/84, Dornach, Ostern 1984; Rudolf Steiner, Beelden uit mijn jeugd, (Imagens da minha juventude) Zeist 1991, pág. 23, 24; Rudolf Steiner, Briefe Band II (Rudolf Steiner, Coletânea de cartas) 1890-1925, Dornach 1987, pág. 50, carta nr. 269 para Friedrich Eckstein, Weimar, [fim] novembro 1890; Rudolf Steiner, Het Kristendom als mystiek feit (O Cristianismo como fato místico) e De mysterien van de oudheid (Os mistérios da antiguidade), com introdução de Eduard Schuré, Amsterdam 1912, página da introdução XV.

[86] Die Geheimwissenschaft im Umriss (A Ciência Secreta em esboço), Leipzig 1910, GA 13.

[87] O trabalho cooperativo intenso entre Steiner e Marie von Sivers foi o motivo dela se afastar de Steiner, na primavera de 1904, mas não se divorciou dele. Veja Christoph Lindenberg: Rudolf Steiner, Reinbek [rororo], 3ª edição 1994, edição de bolso, pág. 62.

[88] Marie von Sivers, também escrito como Sievers (1867-1948). Steiner se casa com ela no dia 24 de dezembro de 1914. Ela faleceu no dia 27 de dezembro de 1948.

[89] Norbert Klatt, Theosophie und Anthroposophie (Teosofia e Antroposofia), pág. 75.

[90] Hella Wiesberger, Rudolf Steiner esoterische Lehrtatigkeit (Ensinamento Esotérico de Rudolf Steiner), Dornach 1997, pág. 10 e 107.

[91] Rudolf Steiner, Mein Lebensgang (Minha jornada de vida), [GA 28], Dornach 1982, Capítulo 32, pág. 103.

[92] Wiesberger, pág. 11 e 107.

[93] Wiesberger, pág. 108.

[94] Wiesberger, pág. 239.

[95] Citado de Wiesberger, pág. 169.

[96] Veja Rudolf Steiner, Die Tempellegende und die Goldene Legende (A legenda do Templo e a legenda Dourada), [GA 93] Dornach 1982, 9 de dezembro de 1904, pág. 91 e seguintes.

[97] Rudolf Steiner: Mythen und Sagen. Okkulte Zeichen und Symbole (Mitos e Lendas. Sinais e Símbolos Ocultos), [GA 101], Keulen 29-12-1907, Dornach 1987, pág. 242.

[98] Wiesberger, pág. 170/1 e 280/1.

[99] Em: Zur Geschichte und aus den Inhalten der Erkenntniskultischen Abteilung der Esoterischen Schule (Sobre a história e os conteúdos da Escola Esotérica de conhecimento – Departamento de culto) 1904-1914, [GA 265], Dornach 1987, tem na pág. 79 uma cópia do recibo.

[100] Wiesberger, pág. 169.

[101] Zur Geschichte, etc., pág. 68.

[102] Wiesberger, pág. 23.

[103] Philosophie und Anthroposophie, GA 35, 24-10-1908.

[104] Rudolf Steiner, Von Jesus zu Christus (De Jesus para Cristo), [GA 11], Karlsruhe 6-10-1911, Dornach 12, pág. 58.

[105] Rudolf Steiner, Die okkulte Bewegung im neunzehnten Jahrundert, mit ihre Beziehung zur Weltkultur. (O movimento oculto no século XIX, com a sua relação com a cultura mundial.) [GA 254] Treze Palestras ministradas em Dornach entre 10 de outubro a 7 de novembro de 1915, Dornach 1986, pág. 49.

[106] N.T.: Rudolf Steiner, a partir da pesquisa Akasha. O Quinto Evangelho. Dezoito palestras, ou realizadas entre 1913-1914 em vários Estados, Dornach, 1922)

[107] N.T.: O ancião

[108] Rudolf Steiner/Marie Sivers, Briefwechsel und Dokumente (NT: Rudolf Steiner/Marie Sivers, Troca de cartas e documentos) 1901-1925, [GA 262] Dornach 1967, pág. 302.

[109] Charles Weber, The Heindel-Steiner Connection (N.T.: A Conexão Max Heindel-Steiner), Oceanside, California, 2ª Edição 2000.

[110] N.T.: Sociedades Secretas de todas as Épocas e Países

[111] C.W.Heckethorn, Geheime Gesllschaften, Geheimbund und Geheimlehren (N.T.: Sociedades secretas, estados secretos e ensinamentos secretos), Leipzig 1900; em 1997 surgiu uma réplica da edição de 1900, em Stuttgart.

[112] N.T.: Os Ensinamentos de grupos internos de H. P. Blavatsky para seus alunos pessoais

[113] N.T.: Os versos dourados de Pitágoras

[114] De Gulden Verzen van Pythagoras en andere Pythagoreesche fragmenten, uitgezocht em gerangschikt door Florence M. Firth, Amsterdam 1921, pág. 9. Título original The Golden Verses of Pythagoras and other Pythagorean Fragments, selected and translated by Florence M. Firth, London 1905. (N.T.: Os versos dourados de Pitágoras e outros fragmentos Pitagóricos, selecionados e organizados por Florence M. Firth).

[115] Os leitores aqui interessados são indicados ao trabalho de H. J. Spierenburg, um Teósofo de Den Haag, que fez uma pesquisa muito ampla entre outros sobre as denominações das Regiões Cósmicas e Hierarquias com as denominações feitas por A.A. Bailey, Dr. A. Besant, H.P. Blavatsky, F.L. Gardner, M. Heindel, C. Jinarajadasa, Dr. G. de Purucker, A.P. Sinnet, Dr. R. Steiner, K. Tingley e os cabalistas. Veja mais em três artigos dele: Dr. Steiner over Helena Petrovna Blavatsky, em Teosofia de outubro de 1985; Dr. Rudolf Steiner over de Mahatma´s, parte I e parte II, em Teosofia, de maio 1986 e agosto 1986. E Dieter Ruggeberger, Theosophie und Anthroposophie im Licht der Hermetik (N.T.: Teosofia e Antroposofia na luz da Hermética), Wuppertal 1999.

[116] Max Heindel, Leeringen van een Ingewijde (N.T.: Ensinamentos de um Iniciado), Haarlem 1931, pág. 115. E na carta à Sra. Bauer datada de 14/16 de outubro de 1991; veja: Adendo 9. Veja também: Rudolf Steiner, Vor dem Tore der Theosophie (N.T.: Ante os Portões da Teosofia), [Tb 659 & GA 95]. Dornach 1991 – Edição de bolso – pág. 49.

[117] Van Dale, Groot woordenboek der Nederlandse Taal (N.T.: O Grande Dicionário da Língua Holandesa), Utrecht 1999.

[118] Rudolf Steiner, Die Theosophie des Rosenkreuzers, Vierzehn Vortrage, gehalte in Munchen vom 22. Mai bis 6. Juni 1907 (N.T.: Teosofia dos Rosacruzes, catorze palestras; realizou-se em Munique de 22 de maio até 06 de junho de 1907), [GA 90], Dornach 1962, pág. 30-31.

[119] Diagramas 4 e 5 (em todas as Edições) do Livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Fraternidade Rosacruz.

[120] N.T.: do Livro: O Conceito Rosacruz do Cosmos – Fraternidade Rosacruz

[121] N.T.: Die Theosophie des Rosenkreuzers

[122] Rudolf Steiner, Die Theosophie des Rosenkreuzers, pág. 151

[123] Rudolf Steiner, Die Erkenntnis des Ubersinnlichen in unserer Zeit und deren Bedeutung fur das heutige Leben. (N.T.: O conhecimento do suprassensível em nosso tempo e sua importância para a vida contemporânea) [GA 55], Dornach 1959, pág. 199

[124] Max Heindel, Sprokkelingen van een mysticus (N.T.: Livro Coletâneas de um Místico), Haarlem 1934, pág. 219.

[125] Max Heindel, Rozekruiserschristendom (N.T.: Cristianismo Rosacruz), Rotterdam mesmo ano, introdução 11, pág. 4-7.

[126] Na 14ª Palestra, Stuttgart, 4 de setembro de 1906. Edição de bolso nº 659, 1991, pág. 147. Em uma Palestra, dada quatro meses antes, no dia 21 de abril de 1906 em Munique, sobre ‘o interior da Terra’, Steiner explica primeiro as sete camadas da Terra. Quando ele as explicou, em relação às sete Iniciações (nos Mistérios Menores), ele fala que existem mais duas camadas. A 8ª ‘fragmentada’. ‘Nesta região é onde está todas as coisas que são discordantes, tudo o que é imoral, todo o descontentamento. Tudo lá se separa. É o oposto do amor. Se o Mago Negro consegue entrar lá – e do que está dentro de seu alcance – então, o mal nele ficará ainda maior …  A nona e última camada é, como se fosse, a moradia do Espírito Planetário’ – R. Steiner, Das christlische Mysterium (Os Mistérios Cristãos), [GA 97], Dornach 1981, pág. 279-282.

[127] Livro: O Conceito Rosacruz do Cosmos, Capítulo 18.

[128] Veja: Iniciação Antiga e Moderna, as últimas duas páginas; Conceito Rosacruz do Cosmos, Capítulo III e Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Parte I, pergunta nº 113 – Max Heindel, O Cordão Prateado e o Átomo-semente, Capítulo 4.

[129] N.T.: Kundaliní é uma energia física, de natureza neurológica, concentrada na base da coluna; O termo é feminino, deve ser sempre acentuado e com pronúncia longa no í final. Muitos por a considerarem sagrada, grafam o nome com “K” maiúsculo.

[130] Uber die astrale Welt und das Devachan (Sobre o mundo astral e o Devachan), [GA 88], Dornach 1999, pág. 237-238.

[131] Rudolf Steiner, Das esoterische Christentum und die geistige Fuhrung der Menschheit (N.T.: Cristianismo Esotérico e a liderança espiritual da humanidade), [GA 130], Dreiundzwanzig Einzelvortrage aus dem Jahren 1911 und 1912, gehalten in verschiedenen Stadten (N.T.: Vinte e três palestras individuais a partir de 1911 e 1912, realizada em diferentes cidades), Dornach 1995, Das rosenkreuzerische Christentum (O Cristianismo Rosacruz), Neuchatel, 27 de setembro de 1911, pág. 58.

[132] A mesma fonte citada no item anterior, pág. 57.

[133] Em: Rudolf Steiner, Von Jesus zu Christus (N.T.: De Jesus para Cristo), [GA 131], Ein Zyklus von zehn Vortragen mit einem vorangehenden offentlichen Vortrag gehalte in Karlsruhe vom 4. bis 14. Oktober 1911 (N.T.: Um ciclo de dez palestras com uma palestra pública anterior realizada em Karlsruhe outubro 04-14, 1911), pág. 58.

[134] Max Heindel, De Wereldbeschouwing der Rozenkruisers (N.T.: Conceito Rosacruz do Cosmos), Den Haag 2000, pág. 209.

[135] Max Heindel, De Wijsbegeerte der Rozenkruisers in Vragen en Antwoorden deel 2 (NT:  Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, volume 2), Den Haag 1990, pág. 201.

[136] Max Heindel, De Wijsbegeerte der Rozenkruisers in Vragen en Antwoorden deel 2 (NT:  Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, volume 2), Den Haag 1990, pág. 410.

[137] Rudolf Steiner, Wie erlangt man Erkenntnisse der hoheren Welten (N.T.: Como saber o conhecimento dos mundos superiores). [GA 10] 1903/04. Os últimos dois capítulos. E Rudolf Steiner, De wetenschap van de geheimen der ziel (N.T.: A Ciência dos segredos da Alma), [Tb 601] Capítulo 5.

[138] Max Heindel, Het web van het lot (N.T.: A Teia do Destino), Amsterdam 1928, Capítulo 3, pág. 21.

[139] Max Heindel, Vragen en Antwoorden (N.T.: Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas), Volume 2, pág. 404.

[140] N.T.: A partir de pesquisas Akasha. O Quinto Evangelho

[141] Palestras dadas em 1913, em Kristiana [GA 148]

[142] Die Theosophie des Rosenkreuzers, Pág. 43.

[143] Max Heindel, Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Volume 2, pergunta 66.

[144] No Livro: Conceito Rosacruz do Cosmos.

[145] Rudolf Steiner, Zur Geschikte und aus den Inhalten der ersten Abteilung der Esoterische Schule, 1904-1914. (N.T.: Sobre a história e os conteúdos da Escola Esotérica, 1904-1914 Primeira Divisão) [GA 264] Dornach 1984. E: Zur Geschikte und aus den Inhalten der erkenntniskultischen Abteilung der Esoterische Schule, 1904-1914. (N.T.: Sobre a história e os conteúdos da Escola Esotérica, 1904-1914 de conhecimento Departamento de culto) [GA 265], Dornach 1987.

[146] Do Livro Ensinamentos de um Iniciado – Max Heindel.

[147] Max Heindel, De mysterien van het Rozenkruis (N.T.: Os Mistérios Rosacruzes), Amsterdam 1926, pág. 6.

[148] Isto foi em 20 de outubro de 1902.

[149] Veja esta carta no Adendo 9 – Troca de cartas entre Max Heindel, Laura Bauer e Hugo Vollrath.

[150] Max Heindel, Sprokkelingen van een mysticus (N.T.: Coletâneas de um Místico), Haarlem 1934, pág. 13.

[151] Veja Adendo 9, a carta para a Sra. Bauer, datada de 14/16 de outubro de 1911

[152] Uma cópia das 2 cartas datadas 23-12-1910 e 14/16-10-1911 já estavam em meu poder, mas no dia 24-12-2002 recebi do Sr. Charles Weber, de Oceanside, cópias da troca completa de cartas.

[153] Max Altmann em Leipzig, o editor de Steiner que, após conversar com Steiner sobre isto, foi obrigado a se retirar. Veja capítulo 4 para mais informações.

[154] Hugo Vollrath, em Leipzig.

[155] N.T.: Escrito por James Russell Lowell (1819-1891) foi um poeta romântico, crítico, satírico, escritor, diplomata e abolicionista dos Estados Unidos da América.

[156] The Rosicrucian Cosmo-Conception, ou O Conceito Rosacruz do Cosmos.

[157] N.T.: Renascimento

[158] N.T.: Reencarnação

[159] N.T.: Átomo-semente

[160] N.T.: Átomo de germe

[161] N.T.: habilidade de brotar

[162] N.T.: Carne, Transporte, Corpo

[163] N.T.: Veículo

[164] N.T.: Forças Construtoras

[165] N.T.: Selva

[166] N.T.: Zona do Éter

[167] N.T.: Região do Éter

[168] N.T.: Mente

[169] N.T.: Alma Intelectual

[170] No dia 20 de outubro de 1902

[171] N.T.: Ao bom entendedor

[172] N.T.: Uma Palavra ao Sábio

[173] Uma cópia dos dados originais me foi dada pelo Sr. A. G. Gstaltner, Jr. de Viena.

[174] U. Neumann, Daniel Mogling, pág. 104.

[175] W. Begemann, ‘Bemerkungen zu einigen Rosenkreuzerschriften’ in Felix Seckt (Herausgeber), Zirkelcorrespondenz unter den Johannis-Logenmeister der Grossen Landesloge der Freimaurer von Deutschland, (N.T.: ‘Comentários sobre alguns escritos Rosacruzes’ em Felix Seckt (Editor), Correspondência circular entre Johannis- Mestre da Loja do Grande National Lodge dos Maçons da Alemanha), Berlin 1896, Heft 4, pág. 249-299.

[176] P. F. W. Huijs, ‘Compêndio dos Escritos Rosacruzes em Imagens’, uma introdução, de John van Schaik, De Rozekruisers ontsluierd, (N.T.: Rosacruzes desvendados) Zeist 1994, pág. 88-91.

[177] Fama Fraternitatis R.C. etc, Kassel 1615, pág. 102.

[178] Veja: Max Heindel, no Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas parte II, pergunta 134.

[179] N.T.: Acre de Deus é um termo em Inglês para um cemitério, especificamente terra de enterro. A palavra vem do Alemão Gottesacker (Campo de Deus) uma designação antiga para um cemitério. A utilização de “acre” não está relacionada com a unidade de medição “acre” e pode ser de qualquer tamanho. No início do século 17, o termo foi usado como uma tradução do alemão, mas até o final do século, ela foi aceita como um termo em Inglês.

[180] N.T.: nome comum de flores pertencentes à família da Pulsatilla.

[181] N.T.: A ordem Hymenoptera é um dos maiores grupos dentre os insetos, compreendendo as vespas, abelhas e formigas.

[182] N.T.: a abelha-europeia

[183] N.T.: Labarum: a bandeira de Constantino o Grande, com a coroa, a cruz e o nome de Jesus enfeitado.

[184] N.T.: Sátiro  na mitologia grega, era um ser da natureza com o corpo metade humano e metade bode. Equivale ao fauno da mitologia romana.

[185] N.T.: Um tirso era um bastão envolvido em hera e ramos de videira e encimado por uma pinha.

O EMBLEMA ROSACRUZ[1]

“Quando investigamos o significado de qualquer mito, lenda ou símbolo de valor oculto é absolutamente necessário entendermos que, assim como todo objeto do mundo tridimensional deve ser examinado de todos os ângulos para dele obtermos uma compreensão completa, igualmente todos os símbolos têm também certo número de aspectos. Cada ponto de vista revela uma fase diferente das demais, e todas merecem igual consideração. 

“Visto em toda sua plenitude, este maravilhoso símbolo contém a chave da evolução passada do ser humano, sua presente constituição e desenvolvimento futuro, mais o método de sua obtenção. Quando ele se apresenta com uma só rosa no centro simboliza o espírito irradiando de si mesmo os quatro veículos: os Corpos Denso, Vital, de Desejos e a Mente significando que o espírito entrou em seus instrumentos, convertendo-se em Espírito Humano interno. Contudo, houve um tempo em que essa condição ainda não havia sido alcançada, um tempo em que o Tríplice Espírito pairava acima dos seus veículos, incapaz de neles entrar. Então a cruz erguia-se sem a rosa, simbolizando as condições prevalecentes no começo da terça parte da Época Atlante. Houve também um tempo em que faltava o madeiro superior da cruz. A constituição humana era, pois, representada pela Tau (T), isto na Época Lemúrica, quando o ser humano só dispunha dos Corpos Denso, Vital e de Desejos e carecia da Mente. O que predominava, então, era a natureza animal. O ser humano seguia os seus desejos sem reserva. Anteriormente ainda, na Época Hiperbórea, só possuía os Corpos Denso e Vital, faltando o de Desejos. Então o ser humano, em formação, era análogo às plantas: casto e sem desejos. Nesse tempo sua constituição não podia ser representada por uma cruz; era simbolizada por uma coluna reta, um pilar (I).

“Este símbolo foi considerado fálico, indicando a libertinagem do povo que o venerava. Por certo é um emblema de geração, mas geração não é absolutamente sinônimo de degradação. Longe disso. O pilar é o madeiro inferior da cruz, símbolo do ser humano em formação, quando era análogo às plantas. A planta é inconsciente de toda paixão ou desejo e inocente do mal. Gera e perpetua sua espécie de modo tão puro, tão casto, que propriamente compreendida, é um exemplo para a decaída e luxuriosa humanidade, a qual deveria venerá-la como um ideal. Aliás, o símbolo foi dado às raças primitivas com esse objetivo. O Falo e o Yona, empregados nos Templos de Mistério da Grécia, foram dados pelos Hierofantes com esse espírito. No frontispício do templo colocavam-se as enigmáticas palavras: “Ser humano, conhece a ti mesmo”. Este lema, bem compreendido, é análogo ao da Rosacruz, pois mostra as razões da queda do ser humano no desejo, na paixão e no pecado, e dá a chave de sua liberação do mesmo modo que as rosas sobre a cruz indicam o caminho da libertação.

“A planta é inocente, porém, não virtuosa. Não tem desejos nem livre escolha. O ser humano tem ambas as coisas. Pode seguir seus desejos ou não, conforme queira, para aprender a dominar-se.

“Enquanto foi como as plantas, um hermafrodita, ele podia gerar por si, sem cooperação de outrem; mas ainda que fosse tão inocente e tão casto como as plantas, ele era também como elas: inconsciente e inerte. Para poder avançar, necessitava que os desejos o estimulassem e uma Mente o guiasse. Por isso, a metade de sua força criadora foi retida com o propósito de construir um cérebro e uma laringe. Naquele tempo o ser humano tinha a forma arredondada. Era curvado para dentro, semelhante a um embrião, e a laringe atual era, então, uma parte do órgão criador, aderiu à cabeça quando o corpo tomou a forma ereta. A relação entre as duas metades pode-se ver ainda hoje na mudança de voz do rapaz, expressão do polo positivo da força geradora, ao alcançar a puberdade. A mesma força que constrói outro corpo, quando se exterioriza, constrói o cérebro quando retida. Compreende-se isso claramente ao sabermos que o excesso sexual conduz à loucura. O pensador profundo sente pouquíssima inclinação para as práticas amorosas, de modo que emprega toda sua força geradora na criação de pensamentos, ao invés de desperdiçá-la na gratificação dos sentidos.

“Quando o ser humano começou a reter a metade de sua força criadora para o fim já mencionado, sua consciência foi dirigida para dentro, para construir órgãos. Ele podia ver esses órgãos, e empregou a mesma força criadora, então sob a direção das Hierarquias Criadoras, para planejar e executar os projetos dos órgãos, assim como agora a emprega no mundo externo para construir aeroplanos, casas, automóveis, telefones, etc. Naquele tempo o ser humano era inconsciente de como a metade daquela força criadora se exteriorizava na geração de outro corpo.

“A geração efetuava-se sob a direção dos Anjos, que em certas épocas do ano, agrupavam os humanos aptos em grandes templos, onde se realizava o ato criador. O ser humano era inconsciente desse fato. Seus olhos ainda não tinham sido abertos, e embora fosse necessária a colaboração de uma parceira, que tivesse a outra metade ou o outro polo da força criadora indispensável à geração, cuja metade ele retinha para construir órgãos internos, em princípio não conhecia sua esposa. Na vida ordinária o ser humano estava encerrado dentro de si, pelo menos no que tangia ao Mundo Físico. Isto, porém, começou a mudar quando foi posto em íntimo contato, como acontece no ato gerador. Então, por um momento, o espírito rasgou o véu da carne e Adão conheceu sua esposa. Deixou de conhecer-se a si mesmo, quando sua consciência se concentrou mais e mais no mundo externo, perdendo ele sua percepção interna, a qual não poderá ser readquirida plenamente enquanto necessitar da cooperação de outro ser para criar, e não tenha alcançado o desenvolvimento que lhe permita utilizar, de novo e voluntariamente, toda sua força criadora. Então voltará a conhecer-se a si mesmo, como no tempo em que atravessava o estágio análogo ao vegetal, mas com esta importantíssima diferença: usará sua faculdade criadora conscientemente, e não será restringido a empregá-la só na procriação de sua espécie, mas poderá criar o que quiser. Outrossim, não usará os seus atuais órgãos de geração: a laringe, dirigida pelo espírito, falará a palavra criadora através do mecanismo coordenador do cérebro. Assim, os dois órgãos, formados pela metade da força criadora, serão os meios pelos quais o ser humano se converterá finalmente em um criador independente e autoconsciente.

“Mesmo presentemente, o ser humano já modela a matéria pela voz e pelo pensamento ao mesmo tempo, como vimos nas experiências científicas em que os pensamentos criaram imagens em placas fotográficas, e noutras em que a voz humana criou figuras geométricas na areia (em cima de uma placa de vidro), etc. Em proporção direta ao altruísmo que demonstre, o ser humano poderá exteriorizar a força criadora que retiver. Isto lhe dará maior poder mental e o capacitará a utilizar-se de tal poder na elevação dos demais, ao invés de tentar degradá-los e sujeitá-los à sua vontade. Aprendendo a dominar-se, cessará de tentar dominar aos outros, salvo quando o fizer temporariamente para o bem deles, jamais para fins egoísticos. Somente aquele que se domina está qualificado para orientar aos demais e, quando necessário, é competente para julgá-los no modo que melhor lhes convenha.

“Vemos, portanto, que, a seu devido tempo, o atual modo passional de geração será substituído por um método mais puro e mais eficiente que o atual. Isto também está simbolizado pela Rosacruz, em que a rosa se situa no centro, entre os quatro braços. O madeiro mais comprido representa o corpo; os dois horizontais, os dois braços; e o madeiro curto superior representa a cabeça. A rosa está colocada no lugar da laringe.

“Como qualquer outra flor, a rosa é o órgão gerador da planta. Seu caule verde leva o sangue vegetal, incolor e sem paixão. A rosa de cor vermelho-sangue mostra a paixão que inunda o sangue da raça humana, embora na rosa propriamente dita o fluido vital não seja sensual, mas sim casto e puro. Ela é, por conseguinte, excelente símbolo dos órgãos geradores em seu estado puríssimo e santo, estado que o ser humano alcançará quando haja purificado e limpo seu sangue de todo desejo, quando se tenha tornado casto e puro, análogo a Cristo.

“Por isso os Rosacruzes esperam, ardentemente, o dia em que as rosas floresçam na cruz da humanidade; por isso os Irmãos Maiores saúdam a alma aspirante com as palavras de saudação Rosacruz: “Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz”; e é por este motivo que essa saudação é usada nas reuniões dos Núcleos da Fraternidade pelo dirigente, ocasião em que os Estudantes, Probacionistas e Discípulos presentes respondem à saudação dizendo: “E na vossa também”.

“Ao falar de sua purificação, São João (IJo 3: 9) diz que aquele que nasce de Deus não pode pecar, porque guarda dentro de si a sua semente. Para progredir é absolutamente necessário que o aspirante seja casto. Todavia, deve-se ter bem presente que a castidade absoluta não é exigida enquanto o ser humano não tenha alcançado o ponto em que esteja apto para as Grandes Iniciações, e que a perpetuação da raça é um dever que temos para com o todo. Se estivermos aptos: mentalmente, moralmente, fisicamente e financeiramente, podemos executar o ato da geração, não para gratificar a sensualidade, mas como um santo sacrifício oferecido no altar da humanidade. Tampouco deve ser realizado austeramente, em repulsiva disposição mental, mas sim numa feliz entrega de si mesmo, pelo privilégio de oferecer a algum amigo que esteja desejando renascer, um corpo e ambiente apropriados ao seu desenvolvimento. Desse modo estaremos também o ajudando a cultivar o florescimento das rosas em sua cruz”[2].

A CAPA DOS LIVROS

Sobre os símbolos nos livros, a senhorita Lizzie Graham escreveu, na Rays de janeiro de 1919 na página 358, o seguinte: “Quantas vezes não olhamos para a capa do Conceito Rosacruz do Cosmos e as outras publicações e percebemos que é um bom projeto e bem singular. E nos perguntamos quem o desenvolveu e se tem algum significado. O que segue são os pensamentos de alguém que, por várias vezes, tentou interpretá-lo.

Do lado inferior da capa tem duas flores-de-lis, simbolizando a Trindade Divina: Pai, Filho e Espírito Santo. Contudo, como na Época aqui proposta somente o Pai e o Espírito Santo estavam ativos, temos apenas duas folhas da flor pintadas de vermelho e, portanto, indicando energia.

Vemos os seres criados como duas linhas subindo, por um tempo, com dois Corpos ativos, os Corpos Denso e Vital. Contudo, depois de um tempo o Corpo de Desejos é acrescentado, representado pelo vermelho das linhas que sobem[3].

Apesar das linhas parecerem iguais, elas são totalmente diferentes. A do lado esquerdo, em nossa literatura conhecidos como os filhos de Caim, estão repletos de energia positiva e são os artesãos no mundo, os maçons, que abrem o seu caminho através da vida ultrapassando os obstáculos, pois sabem que isso reforça o caráter. Eles trabalham com o intelecto, demonstrado pela lâmpada que tem nove raios saindo da chama, que escolheram o caminho positivo, por meio do estudo esotérico.

O outro lado desenvolve o lado coração da vida. A chama divina tem apenas oito raios, um caminho negativo (passivo). Eles, que seguem este caminho, querem um líder, alguém para seguir, alguém para adorar. Eles são as pessoas da Igreja e que obedecem aos ensinamentos de seus líderes.

As linhas de vida seguem para cima, lado a lado, até que chega um ponto em que os sábios e os amorosos que lideram a nossa evolução decidem que, para continuar esta evolução, é necessário unir as duas linhas, e tem o plano de conseguir isto por meio da construção de um Templo, para os crentes, pelos artesãos e que as duas linhas irão se unir em um místico mar fundido. Podemos ver este impulso maravilhoso pelo cálice que em ambos os lados sobe, preenchido com o vermelho do vinho da vida. Pode se ler esta história na construção do Templo do Rei Salomão. Este plano foi frustrado pela traição dos filhos de Seth que ficam do lado direito. A seguir eles se afastaram um do outro mais do que em qualquer tempo antes.

Um estado grave é demonstrado pelo fato de alguns caírem no materialismo. Contudo, a raça humana continua vivendo e progredindo, o crente e o cientista, o místico e o ocultista, cada um seguindo seu caminho, independente do outro, até que foi atingido um estado tal de materialismo que os líderes espirituais viram um grande perigo para o futuro. Para impedir que o plano de desenvolvimento fosse frustrado, foi permitido a destruição em massa de corpos dos seres humanos. Veja a ruptura em ambos os lados. Contudo, este desastre tem o efeito desejado; vemos, agora, uma grande força e ambos os lados se viram novamente em direção um do outro, onde logo conseguirão se unir.

Embaixo vemos mais um símbolo, tão pequeno que pode ser negligenciado facilmente. Aqui está uma cruz preta pequena, que representa o Corpo Denso. Numa ampliação da cabeça da cruz vemos um coração. Coração e Cabeça se reconciliaram, e a consequência pode ser vista no feixe de propagação, no Corpo-Alma resultante.

Mas, outro símbolo está bem no meio, a Rosacruz. O braço inferior representa a vida vegetal, que recebe o alimento pela raiz. Um dia, fomos como as plantas. Os braços que cruzam são o símbolo de nossa passagem pelo estágio animal, com sua espinha horizontal. O braço superior representa a Mente que é a característica do ser humano, e a linda estrela simboliza o Dourado Manto Nupcial que nos tornará divinos”.

Como a Sede Central recebeu algumas perguntas de porque a rosa branca não está desenhada na versão do Emblema da Fraternidade que aparecem nos livros, cartas, envelopes e etc., foi explicado na edição do Echoes de julho de 1985: “A rosa branca simboliza pureza de coração e também a laringe com a qual o ser humano, quando estiver puro, falará a palavra criadora; é a parte mais sagrada do emblema. Ela atrai e emite uma força que deve ser admirada com muito respeito. Por esta razão consideramos inadequado imprimir a rosa branca na versão do emblema que é utilizado em produtos materiais, comerciais e anexos dos trabalhos da Fraternidade. O emblema que permanece na Capela e no Templo em Mount Ecclesia, que contém a rosa branca, é coberto por uma cortina que a tira da vista, e apenas durante algumas ocasiões como nos rituais do templo e de cura. O emblema na Capela do Setor de Cura, que também contém uma rosa branca, está constantemente descoberto. Contudo, esta capela é visitada apenas por pessoas que sinceramente e conscientemente rezam pela sua cura, ou por aqueles que urgentemente pedem por auxílio espiritual”.

Adendo 11 – DUAS BALADAS

Where are you going my pretty Maid?[4]

Celebrated

English Ditty

Of the olden time

With

New symphony & accompaniment

By

R. Gaythorne

London                                                           composed by I. Nathan.

W. Marshall & Co.

7 Prince St.

Oxford Circus. W.

‘Where are you going, my pretty maid?

Where are you going, my pretty maid?’

‘I´m going a milking’, ‘sir’, she said,

‘sir’, she said, ‘sir’, she said.

‘I´m going a milking’, ‘sir’ she said.

‘Shall I come with you, my pretty maid?

Shall I come with you, my pretty maid?’

‘Oh, yes, if you please’, kind ‘sir’, she said.

‘sir’, she said, ‘sir’, she said.

‘Oh, yes, if you please’, kind ‘sir’, she said.

‘What is your father, my pretty maid?

What is your father, my pretty maid?’

‘My father ´s a farmer’, ‘sir’, she said.

‘sir’, she said, ‘sir’, she said.

‘My father ´s a farmer’, ‘sir’, she said.

‘Shall I marry you, my pretty maid?

Shall I marry you, my pretty maid?’

‘Oh, yes, if you please, kind sir’, she said.

‘sir’, she said, ‘sir’, she said.

‘Oh, yes, if you please, kind sir’, she said.

‘And what is your fortune, my pretty maid?

And what is your fortune, my pretty maid?’

‘My face is my fortune, sir’, she said,

‘sir’, she said, ‘sir’, she said.

‘My face is my fortune, sir’, she said.

‘Then I can´t marry you, my pretty maid,

Then I can´t marry you, my pretty maid.’

‘Nobody axed you, sir’, she said,

‘sir’, she said, ‘sir’, she said.

‘Nobody axed you, sir’, she said.

TRADUÇÃO

Para onde está indo, minha querida menina?

“Para onde está indo, minha querida menina?”

“Para onde está indo, minha querida menina?”

“Eu vou tirar leite, senhor”, disse ela.

“Senhor”, ela disse, “senhor”, ela disse

“Posso ir com você, minha querida menina?

Posso ir com você, minha querida menina?”

Claro, se o senhor assim quiser, senhor, disse ela.

O que o seu pai faz, minha querida menina?

Meu pai é fazendeiro, senhor, disse ela.

Posso me casar com você, minha querida menina?

Com certeza, se o senhor assim quiser, senhor, disse ela.

E qual é a sua fortuna, minha querida menina?

Meu rosto é a minha fortuna, senhor, disse ela.

Então não poderei me casar com você, minha querida menina.

Ninguém pediu isto, senhor, disse ela.

BEN BOLT[5] Or Oh! Don´t you remember

A

Ballad

Ent. Sta. Hall

London

Published by R. Mills,

140 New Bond St.

Oh! Don´t you remember sweet Alice, Ben Bolt,

Sweet Alice with hair so brown;

She wept with delight when you gave her a smile,

And trembled with fear at your frown:

In the old churchyard, in the valley, Ben Bolt,

In a corner obscure and alone,

They have fitted a slab of granite so grey,

And sweet Alice lies under the stone.

Oh! Don´t you remember the wood, Ben Bolt,

Near the green sunny slope of the hill;

Where oft we have sung ‘neath its wide spreading shade,

And kept time to the click of the mill:

The mill has gone to decay, Ben Bolt,

And a quiet now reigns all around,

See the old rustic porch with it roses so sweet,

Lies scatter´d and fallen to the ground.

Oh! Don´t you remember the school, Ben Bolt,

And the master so kind and true;

And the little nook by the clear running brook,

Where we gather´d the flow´rs as they grew:

On the master´s grave grows the grass, Ben Bolt,

And the running little brook is now dry,

And of all the friends, who were school mates then,

There remain Ben, but you and I.

TRADUÇÃO

BEN BOLT

Ou

Oh, você não se lembra?

Uma balada

Oh, você não se lembra da doce Alice, Ben Bolt,

A doce Alice dos cabelos castanhos?

Ela chorou de alegria quando você lhe deu um sorriso,

E tremia de medo de seu olhar severo:

No antigo cemitério, no vale, Ben Bolt,

Em um canto escuro e sozinho,

Colocaram uma laje de granito tão cinza,

E Alice se encontra sob aquele granito.

Oh! Você não se lembra do bosque, Ben Bolt,

Perto da encosta verde da colina ensolarada;

Onde várias vezes cantamos em sua sombra tão ampla,

E marcávamos o tempo com o clique do moinho:

O moinho está em decadência, Ben Bolt,

E agora domina o silêncio por toda parte,

O antigo portão rústico com suas rosas

Agora está caído no chão.

Oh! Você não se lembra da escola, Ben Bolt,

E o mestre tão amável e sincero

E o pequeno recanto junto ao rio de águas límpidas

Onde nós colhíamos as flores, que cresciam lá?

Na sepultura do mestre cresce a grama, Ben Bolt,

E o riozinho agora está seco

E de todos os amigos, que foram colegas de escola,

Somos nós Ben, os únicos que sobramos.

Adendo 12 – Mapas Natais

Aqui segue alguns mapas natais de pessoas e acontecimentos presentes nesta biografia, pelo que eu primeiramente focalizo ao leitor que é conhecedor de Astrologia[6].

Deve se notar que foi utilizado o sistema de Casas de Campanus, que Plutão é conhecido como pertencente à Áries, e é utilizado 35 Aspectos, onde o funcionamento é demonstrado da melhor forma possível. Estes Aspectos estão fundados no trabalho de Johannes Kepler ‘A Harmonia do Mundo’, livro 4, capítulo 5[7].

A Lua foi calculada para sua posição exata (eliminação da paralaxe); os Mapas de: Studion, Hess, Haslmayr, Andreae e Fludd foram calculados com o ajuste do tempo, o que é necessário para aquele período, e as datas foram transformadas para o calendário gregoriano ou tempo moderno.

Na tabela acima estão exibidos: os graus, símbolos, operação + ou – e a órbita. Os símbolos dos Aspectos, para os que não existiam, foram desenvolvidos por mim. As progressões e eventuais correções do momento do nascimento foram calculados pela chave: 1 ano tropical ou solar é igual a 1 dia solar.

Adendo 12 – Mapas Natais: Simon Studion

Simon Studion nasceu, pelo calendário antigo, no dia 6 de março de 1543, entre 6 e 7 horas em Urach, 48.30.00 N.Br. e 9.24.12 O.L. Conforme nosso tempo moderno isto foi 10 dias depois, portanto, no dia 16 de março de 1543. Oficialmente o calendário antigo ou Juliano terminou em 15 de outubro de 1582. Então entrou o calendário gregoriano, ou moderno, porque o antigo estava 10 dias atrasado. Embora nem todos os países fizesse a mudança para o calendário moderno, todos os programas de computador calculam automaticamente os nascidos antes de 15 de outubro de 1582 para o calendário moderno. Isto significa que para Simon Studion devemos inserir a data conforme o calendário antigo, e também suas progressões.

Para calcular a data exata do nascimento foram utilizadas as seguintes informações:

  1. Sua formatura como magistrado em Teologia no dia 14 de fevereiro de 1565. Arco primário 1:19:40. Seu progredido Júpiter, Regente da 9ª Casa, estudos elevados, e do MC[8], a posição social, estava, então, em 29º11’ M, exatamente em Trígono com o MC.
  2. Seu primeiro emprego, como auxiliar, no Instituto de Pedagogia em Stutgart em 14 de abril de 1565. Arco primário 1.20.32. O MC primário estava, então, faltando apenas 2 minutos, portanto, quase perfeito, 75 graus no ponto central Mercúrio/Lua, um Aspecto adverso. Tanto Mercúrio quanto Lua pertencem à 6ª Casa, a do trabalho. Quando se formou em Teologia, Studion ouviu que nunca poderia ser palestrante porque gaguejava. Seu primeiro trabalho, portanto, foi uma decepção.
  3. Seu casamento em 7 de janeiro de 1566. Arco primário 1.23.13.Mercúrio, o Regente da 7ª Casa, representando o cônjuge, estava, então, 44:05 (adverso) em seu Ascendente e harmônico (Sextil, 60:17) na cúspide da 5ª Casa, de sua noiva. Vênus, o Planeta do amor, estava adverso (74.49) com a cúspide da Casa 5: indicação de um casamento de sentimentos mesclados.
  4. No dia 8 de fevereiro de 1572, 6 anos depois, ele se tornou professor na Escola de Latim em Marbach. Arco primário 1.42.25. Então o progredido Saturno (co-regente do MC), a posição social, estava harmônico (19.50) em relação a Júpiter, o regente da Casa 10. O MC primário estava, então, exatamente em Sextil com Saturno. Aqui ele permaneceu até sua aposentadoria.
  5. Em 9 de novembro de 1604 ele terminou de escrever seu trabalho Naometria[9]. Arco primário 5.38.18. O Ascendente primário estava, então, harmônico (108.05) com Mercúrio, o regente da 3ª Casa, o da escrita.
  6. Em 19 de fevereiro de 1605 ele recebeu um salário anual. Arco primário 5.39.14. O MC primário estava harmônico (Trígono, 120.06) com Saturno, o Regente de seu MC ou a 10ª casa. Isto dá LMT[10] de 6:14:21 horas, 5.36.44 GMT[11] e 17.45.40 ST, fazendo com que o horóscopo fique como acima descrito.

Adendo 12 – Mapas Natais: Tobias Hess

Em seu elogio a Tobias Hess – um homem sem igual-imortal[12] – Johann Valentin Andreae escreveu sobre seu amigo Tobias Hess: ‘É preciso imaginar um homem de postura ereta, com uma testa sem rugas, olhos vivos, nariz afilado, um rosto amigável, mãos delicadas, membros poderosos e sempre cheio de movimento’. Ele nasceu em 10 de fevereiro de 1568[13], em Neurenberg. Seu pai era Frederik Hess, senador em Neurenberg. Ele estudou direito e seguiu esta profissão por um tempo. Ele também aprendeu Hebreu, Grego e Latim e se dedicava à poesia, história, mecânica e matemática. Ele também tentou construir um movimento perpétuo. Sua mãe despertou nele o interesse pela medicina, por meio de seu farmacêutico. Ele também se tornou um excelente teólogo. Ele tinha uma memória louvável e citava páginas inteiras da Bíblia, tanto em Alemão quanto em Latim. ‘Nesse meio tempo sua Casa se tornou bem povoada, graças à fertilidade de sua esposa’, conforme Andreae, pois ele teve 12 filhos. Ele tinha diversos problemas com as autoridades, tanto por suas ideias quanto pelas práticas ilegais dos métodos de cura de Paracelso. Apesar de até o fim estar bem mentalmente, ele fica acamado. Ele permanece muito tempo doente, se definha totalmente e acaba falecendo no dia 4 de dezembro de 1614.

O Senhor Gilly fez todo o possível para descobrir se em algum lugar estava mencionado o horário de nascimento, infelizmente não conseguiu descobrir. Ele conseguiu me enviar as informações sobre Hess e sua família que se encontravam nos arquivos da Biblioteca da Universidade de Tübingen.

Não foi encontrada nenhuma gravura de Tobias Hess; a descrição acima de Andreae faz pensar em um Ascendente de Signo de Ar. De seu casamento é falado que não era feliz. Tendo Aquário como Ascendente tem o regente da Casa 7 na 1, o que indica uma esposa dominante. Tentamos corrigir seu mapa com auxílio dos acontecimentos. Isto parece especulativo para os céticos, mas os Astros e seus Aspectos sugerem muito sobre este homem especial. Tendo Sagitário no MC com Júpiter nele demonstra seu interesse em estudar direito, enquanto o regente (naquela época co-regente) de Aquário em Virgem demonstra interesse em medicina; e com Marte na 6ª Casa, a prática para isso. O Sol na primeira Casa demonstra que ele não tinha medo. A 9ª Casa é a dos processos, ações judiciais. O regente desta, Marte na 6ª Casa (160 graus) está harmônico com o Ascendente demonstrando que ele como advogado estava pronto para lutar. Também mostra que por meio de seu trabalho, praticar a medicina sem autorização, também teria problemas com a justiça.

Andreae descreve Hess como uma pessoa muito pacífica, sempre disposto a ajudar outras pessoas e tido como alguém que perdoava seus oponentes. Aqui acrescentamos Netuno harmônico ao Ascendente que traz a ideia de que ele era um Irmão Leigo da Ordem Rosacruz e, igualmente a Max Heindel, tinha uma mensagem a trazer por meio do Fama Fraternitatis RC e do Confessio Fraternitatis RC. Se Hess escreveu totalmente sozinho ou com a ajuda de Andreae e outros, sobre isto os historiadores não são unânimes. Contudo, o que todos concordam é que Hess era o ponto central em todo caso.

Tobias Hess nasceu no dia 10 de fevereiro de 1568 em Neurenberg, que fica 49:47:10 LN e 11:04:40 LE. O horário do nascimento é desconhecido. Conforme as descrições pessoais de Andreae, Aquário pode ser seu Ascendente. Então Sagitário estaria no MC o que encaixa muito bem, tanto para um advogado quanto um médico. Se isto é certo vai aparecer nas Progressões. Como o tempo, naquela época, era determinado por meio de um relógio de sol, devemos aplicar corretores de horário. Considerando um nascimento às 7:12:04 LMT encontramos as seguintes Progressões para umas quatro ocasiões onde as datas são conhecidas:

  1. Promoção a Doutor em Direito no dia 20 de maio de 1592. Arco primário 1:32:52 de Marte, regente da 9ª Casa, a Casa da Educação Superior, está na 6ª Casa, Casa da saúde, e estava adverso (126:16) com a cúspide da 9ª Casa. O estudo deve ter custado o máximo de sua saúde. Também, Júpiter, que está na 9ª Casa, progredido em Conjunção com MC, a Posição Social e Profissão, e também progredido harmônico (71:21) com Sol, que está no Ascendente. O Ascendente primário também está harmônico (24:50) com Mercúrio, o que indica o sucesso com trabalhos mentais, e também está harmônico (72:39) com Lua que faz parte de nosso instinto ou pensamento primitivo. A cúspide primária da 9ª Casa também estava harmônica (99:26) com Lua.
  2. O Casamento na Igreja com Agnes Kienlin, datada de 23 de outubro de 1588, dois dias após terem assinado o casamento civil perante o Juiz. Arco primário 1:19:34. A Lua simboliza a esposa, no mapa natal de um homem, e por progressão ela estava (de 24:34 de Sagitário) em Conjunção com o progredido Urano, que é o regente da 7ª Casa, do cônjuge. Vênus, o Planeta do amor, estava exatamente a 48 graus (harmônico) com Urano. O MC primário estava a 20:28 (harmônico) com Júpiter e indica a prestigiosa situação social de Hess, enquanto a primária cúspide da 7ª Casa, que significa a esposa, estava em Sextil (harmônico) com Marte, a atração física.
  3. O nascimento do primeiro filho, Johann Conrad no dia 9 de junho de 1591. Arco primário 1:29:21. A paternidade é indicada pela quase exata Conjunção (estava 25:21 de Capricórnio) da progredida Lua com Mercúrio, que é regente da 5ª Casa, indicando o primeiro filho.
  4. Seu falecimento em 4 de dezembro de 1614, após sua permanência na cama por doença em Tübingen. Arco primário 2:25:20. Marte, o regente da 8ª Casa, a da morte, estava harmônico (131:49) com a Lua, a regente da 6ª Casa, a da saúde e doença. E também progredida harmônico (132:01) com Júpiter, o médico. Todo o possível tinha sido feito. O Ascendente, o Corpo Denso, estava primário (107:30) em Mercúrio, regente da 4ª Casa, o final da vida. O Ascendente primário também estava harmônico (Sextil, 59:42) com Lua, de modo que seu falecimento deve ter sido uma libertação de um corpo angustiado. Segundo Max Heindel suas Iniciações sempre eram acompanhadas de fortes dores no coração e confinamento na cama. Neste caso é notável que pouco antes do falecimento de Tobias Hess o progredido Marte, regente da 8ª Casa, estava harmônico (40:30) com Netuno, que rege a Iniciação. Qual Iniciação era, não é indicado na história.

Após encontrar estas progressões seu nascimento deve ter sido às 7:12:04 LMT, gerando o Mapa Natal acima. Isto coincide com um GMT de 6:27:46 e uma Hora Sideral de 16:29:16.

Adendo 12 – Mapas Natais: Adam Haslmayr

Adam Haslmayr nasceu no dia 31 de outubro de 1562, conforme o calendário antigo em Bozen no Tirol, que hoje se chama Bolzano, 46.29.13 NL e 11.23.09 LL Conforme nosso calendário o nascimento foi 10 dias depois, portanto, em 10 de novembro de 1562, Áustria, onde o Sul do Tirol pertencia então, mudou para o calendário novo por volta de 1584.

Encontrar o horário do nascimento de Haslmayr é dificultado porque não existe nenhuma gravura dele, e também não há uma descrição de sua personalidade. Apenas sabemos que ele foi organista por profissão, professor, contador e praticava o método de cura de Paracelso.

Para determinar o horário do nascimento foram usados os seguintes dados:

  1. Nascimento do primeiro filho no dia 10 de outubro de 1591 (NS). Arco primário 2:02:09. A Cúspide primária da 5ª Casa, simbolizando o primeiro filho estava 35:30 com Júpiter, que está na 4ª Casa, a da vida familiar. Também a Cúspide primária da Casa 5 está adversa, 104:27 com Mercúrio, que é o Regente da 5ª Casa e quase exato, faltando 7 minutos, Quadratura com o ponto médio entre Mercúrio e Marte. A Lua progredido estava 29:31, portanto quincúncio com Vênus, que é co-Regente da 7ª Casa, simbolizando sua esposa. É conhecido que de seus sete filhos, que nasceram em Bozen, quatro faleceram jovens, entre eles o mais velho.
  2. Sua admissão como professor em Bozen, no dia 23 de março de 1588 (NS). Arco primário 1:45:40. O MC primário estava, então, 132:07, portanto, quase exato e harmônico com Netuno, o Regente do Ascendente. Vênus progredido, que está na 10ª Casa, estava a 28:50 de MC.
  3. Conquista de um brasão da nobreza em 15 de agosto de 1593. Arco primário 2:10:05. O Sol progredido estava a 155:45, portanto, quase 156 graus de Júpiter, o Regente da 10ª Casa, a da posição social.
  4. Demitido como professor em Bozen no dia 10 de setembro de 1603. Arco primário 2:54:49. O MC primário estava então, a 160:05, portanto adverso a Saturno, que sempre indica uma ‘armadilha’. O Sol primário estava em Conjunção, 29:10, com Vênus, o Regente da 2ª Casa, a das finanças, uma indicação da pequena aposentadoria que ele recebeu. O Vênus primário por sua vez estava 39:48 com a Luz e 47:56 do MC.
  5. A prisão em 21 de agosto de 1612. Arco primário 3:34:32. O Saturno progredido, o Regente da 12ª Casa, da prisão e inimigos ocultos, estava harmônico com a cúspide da Casa 12, 168:17, Sextil com Júpiter/Urano e Trígono com Netuno/MC; enquanto o Ascendente primário, por 8 minutos, estava em quincúncio com Saturno. Ele não tinha a menor ideia da travessura que iria acontecer a ele. Esse desastre é indicado pela adversidade entre MC 105:31 com Netuno, 135:54 com Júpiter, quincúncio, a menos de 9 minutos, com Saturno, e 84:05 com Mercúrio.
  6. Liberdade antecipada em 1 de junho de 1617. Arco primário 3:55:39. Neste momento praticamente só tem Aspectos harmônicos: MC primário 100:06 com Netuno; o Ascendente primário 19:48 com Netuno, o Regente do Ascendente; o Sol primário 15:06 da cúspide da Casa 12 e 40:04 com Mercúrio, enquanto o Mercúrio, faltando 26 minutos para uma Conjunção com Vênus. Apenas o Ascendente primário estava em quincúncio com Mercúrio.

Adendo 12 – Mapas Natais: Johann Valentin Andreae

Johann Valentin Andreae nasceu, conforme nosso tempo atual ou calendário Gregoriano, no dia 27 de agosto de 1586, em Herrenberg 48.35.25 NL, 8.52.15 EL. Conforme sua autobiografia Vita, foi entre as 6 e 7 horas. Este mesmo horário encontramos na Bíblia da Família e no registro do Batismo. Schick diz que Andreae tinha contato por escrito com Johannes Kepler[14]. O desenho do Mapa Natal no Collectaneorum mathematicum de Andreae foi, provavelmente, calculado por Kepler, e, portanto, para 6:30 h[15].

Para determinar a hora correta foram utilizados os seguintes acontecimentos, todos calculados conforme o calendário Gregoriano, que são dez dias depois porque Württemberg só mudou para o Calendário Gregoriano em 1700.

  1. O falecimento de seu pai, por hidropisia, em 19 de agosto de 1601. Arco primário 0:54:16. O MC ou a 10ª Casa significa, para um rapaz, seu pai. O MC primário estava então adverso (104:22) para Urano, que é o Regente da 8ª Casa do pai, indicando morte.
  2. Seu casamento em 12 de agosto de 1614. Arco primário 1:40:52. A Lua progredida, indicando a esposa, estava exatamente em quincúncio (adverso) com Marte, o planeta da paixão, e harmônico (140:18) com Vênus, o planeta do amor. O Netuno progredido, Regente da 7ª Casa, a esposa, estava harmônico (48:17) com o Asc. O Asc. Primário, Libra 1:52, estava então harmônico (72:07) com Marte.
  3. Primeira vez que sua casa é destruída pelo fogo em 19 de outubro de 1618, durante a Guerra dos 30 anos de 1618-1648. Arco primário 1:55:57. O Sol progredido estava então adverso (74:03) com Marte, representando o Deus da Guerra e fogo. O Marte progredido estava desarmônico (36:30) com o Asc, enquanto o IC (Imum Coeli) primário, o Lar, estava harmônico (165:04) com Marte.
  4. Sua casa se queima pela segunda vez no dia 20 de setembro de 1634 e um filho também encontra a morte. Arco primário 2:24:19. Marte progredido estava então harmônico (40:27) com Vênus e adverso (162:42) com Urano. O Asc. Primário estava harmônico (84:31) com Marte, adverso (96:26) com Júpiter, Regente da Casa 4, o Lar, e o IC Primário ou 4ª Casa, harmônico (47:58) com Urano. A morte de seu filho é indicada pelo Aspecto adverso (162:50) com Saturno, que está na 8ª Casa, a da morte.
  5. Seu falecimento em 7 de julho de 1654, às 19:00 horas. Arco primário 4:09:35. Saturno progredido (28:12:1), o velho senhor com a foice, estava na 8ª Casa, a da morte, Quadratura com Netuno, o Planeta Regente da 6ª Casa, a da saúde e doença. Plutão, o Regente da 8ª Casa, estava progredido (90:18) e adverso com Júpiter, Regente da Casa 4, o final da vida. E o Sol, significando a vida, estava harmônico com o ponto médio de Asc/Mercúrio. Isto dá o horário de nascimento em 6:29:09 LMT ou 5:53:40 GMT e Hora Sideral de 4:29:24.

Mais duas considerações:

  1. Preste atenção à constante e adversos Aspectos entre Marte – Urano – Sol – Marte. Eles se relacionam com: fogo, guerra, violência e destruição. Quando aparecer um Aspecto progredido, tanto harmônico quanto adverso, com um ou mais destes Astros, irá colocar em atividade esta influência adversa, como percebemos nas duas vezes que sua casa foi destruída pelo fogo.
  2. No MC, significando sua profissão, está Gêmeos e no Ascendente, seu Corpo Denso, está Virgem. Ambos têm como Regente o Planeta Mercúrio. Saturno, o Planeta do medo, que simboliza a morte está na 8ª Casa, também a Casa da morte, está adverso com Mercúrio e o Ascendente. O homem estava, portanto, literalmente “morrendo de medo” de perder sua posição e sua vida.

Adendo 12 – Mapas Natais: Carl Louis Fredrik Grasshoff (Max Heindel)

Conforme o registro do batismo de Aarhus na Dinamarca, Carl Grasshoff – que na América mudou seu nome para Max Heindel – nasceu no dia 23 de julho de 1865. Não foi indicado um horário, mas isto pode ser tirado de seu próprio cálculo de Mapa Natal, que se encontra no Mensagem das Estrelas, traduzido para o holandês com o título Astrologiehandkboek; de boodschap der sterren[16] e também Handboek voor astrologie[17], mapa natal número 3. Para o correto cálculo de suas três Iniciações, foi utilizado, primeiramente, as informações dos acontecimentos abaixo para o cálculo da hora exata de seu nascimento. Para tanto foram utilizados:

  1. O falecimento de seu pai no dia 8 de abril de 1868. Arco primário 0:10:44. O Sol progredido de Heindel estava, então, em Conjunção com o ponto médio de Sol/Lua; Mercúrio, Regente da 12ª Casa, estava então em Sesquiquadratura (aspecto adverso) com o MC, que simboliza o pai. Vênus progredido estava a 48 graus, harmônico, com Lua. O MC primário estava 108 graus, adverso, com o Sol, enquanto o Ascendente primário estava 12 graus, harmônico, com Mercúrio.
  2. Seu casamento com Cathy Wallace no dia 15 de dezembro de 1885, um casamento ‘forçado’. Arco primário 1:18:25. O Ascendente primário estava, então, 48:05 (um Aspecto adverso) com Urano, o Regente da 7ª Casa, que simboliza a Cathy. Urano progredido estava 17:47 (adverso) com Vênus. Vênus, o Planeta do amor, estava 59:50 (harmônico) com Marte, o Planeta do erotismo, e Semisextil com o Ascendente. Contudo, Marte progredido estava 48:20 (adverso) com o Sol. Para o ajuste fino: o Ascendente secundário estava 108:06 (harmônico) com Lua, que simboliza a mulher no horóscopo de um homem.
  3. Seu casamento com Louisa Anna Peterson, sua 2ª esposa, no dia 10 de abril de 1895. Arco primário 1:53:39. Na 7ª Casa temos tanto Aquário quanto Peixes. Aquário é um Signo de Ar, e olhemos então para o próximo Signo de Ar, Gêmeos, do qual Mercúrio é o Regente. Primeiramente vemos que Vênus progredido, o Planeta do amor, está em Quadratura (adverso) com Mercúrio e 75:27 (75 é adverso) com o Ascendente. O Ascendente primário, Leão, 25:20:48, estava Sesquiquadratura, adverso, com Netuno, o 2º casamento. Isto dá uma previsão nada boa. O Ascendente primário estava harmônico com Vênus 70:37 (72), o amor e 19:56 (20) com Lua, que simboliza a mulher no horóscopo de um homem, pelo que o casamento foi realizado mesmo assim.
  4. Seu casamento com Augusta Foss, sua terceira esposa, no dia 10 de agosto de 1910. Arco primário 2:49:26. Na 7ª Casa não tem Astros. Aquário é um Signo de Ar e o terceiro Signo de Ar é Libra, cujo Regente é Vênus. O Ascendente primário estava então 79:44 com Vênus, e o MC 71:53 (harmônico) com Lua. A Lua, por sua vez, estava progredida em Conjunção da cúspide da 9ª Casa. Max Heindel partiu sozinho em uma longa tournée para os Estados do Nordeste, de navio no dia seguinte ao casamento.
  5. Finalmente seu falecimento, de ataque cardíaco, no dia 6 de janeiro de 1919. Arco primário 3:19:45. O Sol, que simboliza o coração, estava 45:04 primário com o Ascendente, portanto adverso com seu corpo. O Ascendente primário estava 44:45 (adverso) com &Saturno, que no Mapa de Max Heindel está na 4ª Casa, o final da vida.

O resultado destas correções dá a hora de nascimento em 4:32:08 LMT, 3:51:20 GMT e 00:35:44 ST; uma hora que é praticamente a mesma que o próprio Max Heindel utilizou. Seu Mapa Natal é o demonstrado acima.

Baseado neste Mapa, acertado pelo horário, segue então o cálculo das progressões durante suas Iniciações, dos quais infelizmente nem todas as datas são conhecidas.

Iniciação: aproximadamente em 20 de maio de 1908 – Arco primário: 2:41:40; Hora Sideral (ST) progredida: 3:17:24; Ascendente primário Virgem 3:11:45 Semisextil Ascendente/Sol = 3:27; Cúspide 8: Áries 4:02:35 estava 40:09 em Plutão. Os Astros progredidos: Sol em Virgem 11:25:18, estava 35:51 com a Lua. A Lua 18:55:10 estava 167:13 de Lua/Ascendente; Mercúrio progredido em Virgem 18:05:27, Retrógrado, estava 44:38 Sol/Ascendente e 12:15 de Marte. Vênus progredido em Leão 1:05:26 estava 19:53 de Mercúrio. Marte progredido 2:56:27 estava em exato Sextil de Sol/Lua.

Iniciação: aproximadamente, em 19 de abril de 1910 – Arco primário 2:48:18; Hora Sideral (ST) progredida 3:24:02. O MC primário em Touro 23:23:58, estava 71:57 com a Lua. O Ascendente Virgem 4:16:59, estava 143:43 com Netuno. Cúspide 8, Áries 5:17:25 estava 119:43 com Lua e 105:15 com Júpiter. Os Astros progredidos: Sol em Virgem 13:15:05, nada. Lua em Peixes 17:20:36, nada. Mercúrio em Virgem 16:16:15, estava 74:46 com Urano e 155:42 com Netuno. Vênus primário em Leão 3:15:42 estava em Conjunção com Sol/Ascendente. (3:27) e 17:42 Mercúrio. Marte primário em Libra 4:09:50 estava 20:01 com Saturno.

Iniciação: aproximadamente 22 novembro de 1910 (portanto apenas 7 meses após a 2ª Iniciação) – Arco primário: 2:50:33; Hora Sideral (ST): 3:26:17. O Ascendente primário em Virgem, 4:39:11, estava a 79:55 de Vênus e 144:05 de Netuno. A Cúspide da 8ª Casa, Áries 5:42:52, estava em Trígono com a Lua (5:34:23 Leão. O Sol primário (13:51:17 Virgem) estava 20:40 de Saturno e 96:11 de Júpiter. A Lua primária (26:18:56 Peixes) estava 159:31 de Marte e 96:17 de Júpiter. Vênus primário (3:58:43 Leão) estava 80:12 de Saturno e 79:50 de Plutão. Marte primário, finalmente, estava 4:34:03 Libra, portanto 140:26 de Plutão.

Iniciação: aproximadamente 6 de julho de 1913 – Arco primário: 2:59:59; Hora Sideral (ST): 3:35:43. O Ascendente primário: Virgem 6:11:56, estava 47:56 Saturno. A cúspide da 6ª Casa, Capricórnio 28:31, estava 72:03 de Netuno. O Sol primário, 16:24:01 Virgem, estava 39:43 com o Ascendente e 75 graus com Urano. Urano   primário, Peixes 3:30:46, estava Semisextil com o ponto médio de Sol/Ascendente (Leão 3:28:03), enquanto Saturno, em trânsito, estava 54:26 com Ascendente, 83:34 com Marte e 47.59 com a Lua.

Adendo 12 – Mapas Natais: Cathy Wallace

Conforme o ‘Registro de Nascimentos do Distrito de Clyde’ Cathy Wallace nasceu no dia 4 de janeiro de 1869, às 9:00 h GMT na Carrick Street 63, em Glasgow, 55:51:29 NL; 4:15:58 WL. Como de conhecimento geral, naquele tempo, os horários de nascimento eram arredondados e muito duvidosos. Por este motivo corrigimos o Mapa Natal dela utilizando as seguintes informações:

  1. Seu casamento no dia 15 de dezembro de 1885, em Glasgow, com Carl Grasshoff, mais tarde Max Heindel. Arco Primário 1:07:44. A cúspide primária da sétima Casa, 62:06, estava Mercúrio cravado na sétima Casa dela, daquela do seu marido. Vênus, o Planeta do amor, estava então progredido em um quase exato Trígono (Escorpião 4:44) com o Planeta da atração física, Marte e a 100o com Netuno. Marte Progredido (1:55 Virgem) estava 100 o do ponto médio de Vênus/Saturno, que estava a 12:44, Sagitário. O Ascendente primário (Aquário 12:05) estava em Semiquadratura com Saturno, Regente do Ascendente e 40 graus com a Lua, Regente do Descendente.
  2. O nascimento da primeira filha Wilhelmina, no dia 5 de novembro de 1886. Arco Primário estava a 54 graus, harmonioso, em Quadratura com o Regente da quinta Casa, a primeira filha. A cúspide primária da quinta Casa estava (164:43) 165 em Quadratura, o Regente da quinta Casa. A progressiva Quadratura, regente da quinta Casa estava (131:56) 132 graus cravado durante o parto.
  3. Seu falecimento no dia 14 de outubro de 1902, em Kopenhagen. Arco Primário 2:22:19. O Ascendente progredido (Áries 0:58:23), estava à 108:43 (+) com o Regente da 8ª Casa, a morte, Marte. A cúspide Progredida da oitava casa em Sagitário, 12:33, estava em Conjunção com Saturno, Regente do Ascendente, e o Sol estava em Semiquadratura da Cúspide da 4ª Casa, o fim da vida. Isto dá uma hora de nascimento de 9:34:30 GMT e como Hora Sideral 16:13:34.

Adendo 12 – Mapas Natais: Augusta Foss

Ela nasceu no dia 27 de janeiro de 1865, às 17:15:37 LMT (Hora Local), 22:45:40 GMT e 1:44:29 Hora Sideral, a 18 km ao Sul de Mansfield (Bellville?), no Estado de Ohio (40:37:12 N.L. e 82:30:39 W.L.. O Mapa Natal dela está no Livro Astrodiagnose e Astroterapia, Capítulo XI. Neste capítulo a Sra. Heindel, como se chama posteriormente, descreve as progressões de um resfriado que ela pegou e que se tornou uma pneumonia dupla. Uma situação muito crítica, dado que o médico britânico Dr. Alexander Fleming ainda tinha que descobrir a penicilina em 1929. Ela cita como causa disto a progressão da Lua em Virgem (28:26) em Quadratura com Urano (25:55) em Gêmeos, em uma órbita bem ampla. Como a Lua caminhava quase 11:49 por ano, ou 1 grau por mês, a duração foi, aproximadamente, de 2 meses e meio. Depois ela cita Marte Progredido 21:01 em Gêmeos em Quadratura com Vênus em Peixes à 22:32. Marte, então, caminhava 1 grau por ano, o que significa uma duração de 1 ano e meio. O Mapa também não está calculado de forma correta; por exemplo: Mercúrio está conforme os cálculos dela em Capricórnio à 13:44, que deveria ser 13:09. Por isto o Mapa será corrigido considerando os seguintes acontecimentos.

  1. Ela pegou um resfriado em 21 de janeiro de 1909, que evoluiu para uma pneumonia dupla, e ela teve um sério risco de vida. Arco Primário 2:49:52. Mercúrio, que representa o resfriado e os pulmões, estava exatos 54 graus (adverso) com Plutão, Regente da Casa 1, que causa da inflamação. A Lua, Regente da 12ª Casa, estava progredida 134:43 (adverso) com Mercúrio.
  2. No dia 10 de agosto de 1910 ela se casou com Max Heindel. Arco Primário 2:55:31. O Ascendente Primário estava então 143:58 (harmônico) com Sol, que simboliza o homem. O Sol estava, no Mapa Natal dela, em Conjunção com a cúspide da Casa 7, o marido. Vênus, o Planeta do amor, 3 meses depois, viria a ficar em Quadratura com o Ascendente, portanto novembro de 1910, o mês em que Max Heindel ficou seriamente doente e o médico esperava que ele falecesse. Vênus estava na 8ª Casa, que simboliza a morte.
  3. Em maio de 1943 ela teve um acidente de carro, depois do qual ela terminou numa cadeira de rodas. Arco Primário 4:55:18. Mercúrio Progredido, Regente da 3ª Casa (que está na 12ª) simbolizando o tráfego, estava então 144:19 (harmônico) com Júpiter. O Ascendente Primário estava 95:16, adverso com Mercúrio, e Mercúrio Progredido estava em Quadratura com a Lua, enquanto Vênus Progredido estava em Quincúncio com Urano.
  4. Falecimento em 9 de maio de 1949. Arco Primário 5:17:16. Vênus, que estava na 8ª Casa, então progredido a 74:45 (adverso) com o Ascendente. O Ascendente Progredido estava 90:24 (adverso) com Mercúrio, que estava na 6ª Casa. Mercúrio, Regente da 6ª Casa, saúde, estava progredido 131:56 (harmônico) com Vênus na 8ª Casa, que simboliza uma morte ‘suave’. O Ascendente Primário estava 17:28, adverso com Saturno, que está na 4ª Casa, que simboliza o fim da vida.

Adendo 12 – Mapas Natais: Rudolf Joseph Lorenz Steiner

Rudolf Steiner nasceu no dia 25[18] de fevereiro de 1861 em Donji-Kraljevec, antigamente na Hungria, hoje na Croácia em 45:59:02 L.N. e 15.43.37 L.E. Allan Leo publicou em A Thousand and One Notable Nativities[19] os dados no nascimento de Steiner e cita Marie von Sivers como fonte de informação. Na Croácia tem três cidades com o nome Kraljevec, mas a revista Rudolf, da Antroposofia de junho de 2011, fornece na pág. 14 seu local de nascimento e também a casa. Em 1861 valia o LMT (Hora Local). O Mapa Natal foi corrigido utilizando os seguintes acontecimentos e Aspectos.

  1. Primeiro casamento no dia 31-10-1899 com, a oito anos mais velha, Anna Eunike. Arco Primário 2:21:58. Vênus Progredido (Áries, 6:22) a 134:43 do MC, e 48:01 Vênus. O Ascendente Primário (Sagitário, 7:20) a 107:57 de Mercúrio, Regente das Casas: 5 e 7. Com ajuste fino encontramos o Ascendente Secundário (Sagitário 11:08:26) 84 de Urano. 
  2. Segundo casamento no dia 24-12-1914 com Marie von Sievers. Arco Primário 3:18:06. Urano Secundário estava então em (Gêmeos 9:43:58) 71:54 com MC; o Ascendente Primário a Sagitário 99:38 com Netuno. Ascendente Secundário em Virgem 105:00 com Urano, 48 com Sol e 18 com Saturno.
  3. Incêndio Réveillon: 31-12-1922. Arco Primário 3:48:15. MC Progredido a 167:42 de Marte, 135:15 de Urano; Vênus Progredido a 105:07 de Júpiter, Marte a 80 de Saturno e Progredido 80 de (Netuno/Mercúrio).
  4. Seu falecimento em 30-03-1925. Arco Primário 3:56:36. Ascendente Progredido (Sagitário 26:54) em Quadratura com Mercúrio/Netuno (26:25); Mercúrio é Regente da 8ª Casa, a morte, e Marte em Quadratura com Lua, Regente da 8ª Casa, a morte; Ascendente Secundário 54 de Mercúrio/Netuno. 5º Membro da Sociedade Teosófica: 11-01-1902. Arco Primário 2:30:18. Sol Progredido em Sextil com Vênus, que é o Regente da 7ª Casa, associação. 6º Secretário Geral da Sociedade Teosófica na Alemanha: 20-10-1902. Arco Primário 2:33:03. Vênus Progredido 149:40 do Ascendente; Marte Progredido 105:09 de Vênus, Regente da 7ª Casa, associação e Marte é Regente do Ascendente.

Os seis acontecimentos descritos foram utilizados para calcular a hora exata do nascimento, o que confirma ser 23:15:00 LMT, com 22:08:24 GMT e ST 9:37:59. O que dá o Mapa Natal acima.

Ainda uma sucinta explicação: Anna Eunike, a primeira esposa, é indicada por Vênus. O Ascendente e Vênus indicam o casamento. Vênus Progredido em Quincúncio com o MC mostra que o casamento, com uma mulher mais velha naquele tempo, deve ter dado um rebuliço. O segundo casamento com Marie von Sievers é indicado pelo Ascendente Progredido, Sagitário 107:57 com Mercúrio, que está na 5ª Casa, namoro, e é Regente da 7ª Casa, casamento. A destruição com o incêndio no Réveillon é demonstrada bem significativamente por MC Progredido 167:42 com Marte, fogo. Para o falecimento olhamos para a 8ª Casa, com seus Regentes Mercúrio e Lua. Naquele momento Marte, Regente do Ascendente, estava em Quadratura com Lua; o Ascendente Progredido em Quadratura com Mercúrio/Netuno. Steiner falou que ele foi envenenado3. De qualquer forma, Netuno simboliza o secreto e o veneno.

Os Irmãos Maiores da Rosacruz provaram Steiner. Max Heindel diz que Steiner falhou na prova quando ele escolheu ser o Secretário Geral da Sociedade Teosófica na Alemanha, e isto aconteceu em 20 de outubro de 19024. Naquele dia haviam muitos Aspectos progredidos ativos, mas se destaca o Aspecto Ascendente Progredido 105:45 de Mercúrio e 108:45 de Netuno. Vênus em Quincúncio com Ascendente, mas principalmente Saturno Progredido (Virgem 3:14:33 R) 106:45 com o ponto médio de Mercúrio e Netuno. Saturno é o Guardião do Umbral, o provador, e Mercúrio, que pertence a 8ª Casa do ocultismo, e Netuno é o Astro dos Mundos Espirituais e da Iniciação.

Adendo 12 – Mapais Natais: Fraternidade Rosacruz – SEDE MUNDIAL – Fundação da Fraternidade Rosacruz

A Fraternidade Rosacruz foi fundada durante uma Palestra de Max Heindel no domingo à tarde, 8 de agosto de 1909, às 15.00.00 PST em Seattle, WA, EUA, 47:36:23 N. L., 122:19:51 O.L. A GMT era então 23:00:00 e a ST 11:57:54.

Adendo 12 – Mapais Natais: Fraternidade Rosacruz – Compra do Terreno, em Oceanside, Califórnia, EUA

O terreno, onde pouco tempo depois se encontraria a Sede Central da Fraternidade Rosacruz, Mount Ecclesia, foi comprada no dia 3 de maio de 1911 às 15:30 horas PST, que é 23:30:00 GMT e ST 6:23:27; no banco de Oceanside, 33:11:45 N. L. e 117:22:43 W.L.

Adendo 12 – Mapais Natais: Fraternidade Rosacruz – Cerimônia de Inauguração de Mount Ecclesia

No dia 28 de outubro de 1911 às 12:40 PST (20:40:00 GMT e 15:14:55 ST) o terreno foi inaugurado ficando uma Cruz. Mount Ecclesia fica à 33:11:45 N.L. e 117:22:43 W.L.

Adendo 12 – Mapas Natais: Rollo Smith

Conforme sua certidão de óbito[20], Ralph Smith nasceu no dia 9 de novembro de 1862 em Clarksville, no Município de Clinton, em Ohio (39:24:05 N.L e 83:58:53 O.L.). Naquele tempo não havia o costume de se anotar o horário do nascimento. Na foto de grupo, Rollo se destaca bem acima das outras pessoas. Ele era bem comprido e magro, sofreu por mais de 20 anos de tuberculose, do que faleceu no dia 9 de janeiro de 1930. De resto era de conhecimento que ele tinha a profissão de marceneiro; mais tarde se tornou empresário e que se casou no dia 17 de junho de 1903. Seu Mapa Natal não aparece nem na Mensagem das Estrelas e nem no Astrodiagnose e também não consta dos arquivos de Mount Ecclesia. Para o cálculo de seu horário de nascimento existem apenas dois eventos conhecidos.

  1. Seu casamento no dia 17 de junho de 1903 com, a vinte anos mais jovem, Pearl Blythe[21]. Arco Primário 2:53:47. No Mapa, jovens são indicados por Mercúrio. O Ascendente Primário estava então em Oposição (28:14) com Mercúrio, que é o Regente da 5ª Casa, amores, e da 7ª Casa, a Esposa. O Sol Primário estava em 28:17 em Sagitário e estava em Sextil com Mercúrio e 72:06 de Júpiter, que entre outros é Regente do MC, a Posição Social. Vênus, o Astro do amor, estava progredido 47:35 (harmônico) com o Ascendente; 74:23 (adverso) com Júpiter; e 74:46 com a cúspide da Casa 8, sexo dentro do casamento.
  2. Seu falecimento de tuberculose no dia 9 de janeiro de 1930. Arco Primário 4:50:30. O Ascendente Primário estava então exatamente em Sextil com Marte, Regente da 8ª Casa, a Morte; 15:19 da Lua, Regente da 6ª Casa, Doença; e 160:09 do Sol. Marte Progredido estava 72:08 com o Ascendente. Júpiter estava progredido 24:22 de Saturno, o Ceifador; 126:33 de Urano e 160:42 de Marte. Os vários Aspectos harmônicos indicam que a morte deve ter sido um livramento para alguém com um corpo que sofria de tuberculose há 20 anos.

O Resultado dá o Mapa acima com uma LMT de 13:00:00, GMT de 18:35:56 e Hora Sideral de 16:14:42.

Rollo Smith enfrentou seu Guardião do Umbral, que barra o acesso aos Mundos Espirituais, em um dos últimos dias em que ajudava Max Heindel com a construção do primeiro Prédio. O que deve ter sido por volta de 24 de novembro de 1911. Arco Primário 3:31:15. Então estavam ativas as seguintes progressões: Ascendente Primário, Touro, em 12:04:16, estava então a 40:16 da Lua e 139:51 de Saturno. Saturno Progredido, Libra 5:16:00, estava 132:34 do Ascendente, o que deve ser considerado de forma ampla, mas o Sol Progredido em Capricórnio 6:53:21 estava 84:29 de Netuno e 90:06, portanto quase exato em Quadratura com Marte.

Adendo 12 – Mapas Natais: Sr. X, alias Dr. W

Este Mapa, com sua descrição, está publicado na Rays from Rose Cross de maio de 1916, nas páginas 16 e 17. Com o recálculo aparecem alguns erros de distração. Quando o Mapa é calculado para 38 N.L, e 94 O.L. às 6:00 LMT, dá uma GMT de 12:16:00 e uma Hora Sideral de 8:26:57, e aparece que no cálculo feito na Rays from Rose Cross houve um erro de soma na posição da Lua que foi arredondado não para 00:41 e sim para 00:51, e com Marte não com 17:20, mas está 17:30. Na 11ª e 12ª Casas, conforme o sistema de Placidus, nunca pode ter 0 grau com a Hora Sideral e Latitude Norte. Arredondando deveria ser na 7 Virgem na 11ª Casa (Libra) e na 12ª Casa.

Calculando o Mapa novamente conforme Campanus e corrigindo a Lua para Parallax fica conforme acima. A posição geográfica mostra que ele nasceu na região de Hutchinson, Kansas, EUA, que fica ao norte de Wichita.

No Ascendente está 29:46 Libra, com o Regente Vênus. Este faz um Aspecto (harmônico) de 165 graus com Júpiter, que está em Câncer. Júpiter, por sua vez, está em Trígono com o Ascendente, o que demonstra o interesse, entre outros, pela profissão de médico. Contudo, também Escorpião está no Ascendente, com seu Regente Marte nele e o Sol, o que demonstra interesse em cirurgias. O Aspecto harmônico (164:53) entre Vênus e Júpiter, que está em Câncer, faz com que a pessoa goste de comer bem, portanto este homem tinha uma postura “rechonchuda”, conforme Max Heindel escreve. Contudo, este Aspecto também dá, com Vênus, que está na 2ª Casa, a das Finanças, com o Sol também harmônico, que o homem tinha abundância em dinheiro.

Netuno é o Astro que simboliza os Mundos espirituais. Netuno harmônico com Mercúrio (156 graus) demonstra poder espiritual neste homem. Netuno está adverso com o Ascendente, o que demonstra seu vício em estimulantes e anestésicos fazendo com que ele não conseguisse lembrar o que acontecia à noite, quando ele deixava seu Corpo. Netuno também está em Oposição à Marte, o Regente do Ascendente. Uma Oposição é um aspecto de escolha entre o bem e o mal. Se Netuno estivesse em Quadratura com Marte, com certeza, este homem teria se sentido atraído para a magia negra.  Por sorte, este não é o caso, mas sim é um sinal de que este homem precisa tomar muito cuidado para não escorregar para este lado.

Adendo 12 – Mapas Natais: um Guardião do Umbral

Este Horóscopo número 2, do Livro Mensagem das Estrelas, considerando o assunto único, merece ser comentado aqui. Resumidamente Max Heindel diz: “Este Horóscopo demonstra um dos estados mentais mais marcantes que eu já encontrei. No outono de 1910 um amigo me contou uma história triste de um jovem que estava entravado em sua cama, ficava deitado de bruços e apoiado nos cotovelos, olhando fixamente para um canto de seu quarto, como que hipnotizado enquanto seu corpo tremia e ele soluçava e gemia. Atendendo ao pedido do meu amigo fui visitar o infeliz jovem e vi que o objeto que atraía tanto sua atenção, com a mesma força que uma serpente enfeitiça um pássaro para depois devorá-lo, era um elemental, tão terrível, como nunca havia visto antes. Parecia uma massa gelatinosa e disforme, com vários pontos onde havia olhos verdes enormes. Em intervalos de alguns segundos saía algo pontiagudo de pontos inesperados, parecendo espadas, que perfuravam o jovem. Depois, mesmo o monstro não tendo boca para poder rir, parecia convulsionar de prazer pela dor e pavor que provocava. Em outro momento parecia que um dos olhos se transformava em uma tromba que se aproximava do jovem e fixava seu olhar com uma força vinculativa e intensidade aterrorizante”.

“De pé ao lado da cama, enviei uma corrente de força para a base do crânio da pobre vítima e o atraí para mim com muita força para tentar quebrar o encantamento. Contudo, o demônio tinha a consciência do jovem tão forte em seu poder que havia o risco de romper a ligação entre a alma e o Corpo. Por isto parei com a minha tentativa de ajudá-lo, apoiado pela minha inexperiência de lutar com o elemental em seu próprio terreno. Contudo, naquela noite os Irmãos Maiores me aconselharam a ser cuidadoso e pesquisar primeiro a natureza do monstro antes de tomar qualquer ação. Pesquisando na ‘Memória da Natureza’ trouxe à luz que numa vida anterior o espírito do jovem havia sido um Iniciado da Ordem Jesuíta. Que então ele era um fanático fervoroso, muito cruel e insensível, mas muito impessoal, com nenhum outro objetivo em sua vida a não ser servir à Ordem. Sacrificava, sem qualquer escrúpulo, a saúde, a riqueza, a reputação ou a vida de outros para que a Ordem fosse beneficiada. Ele mesmo teria se imolado de livre vontade, pois era sincero até o âmago de sua alma. O amor era tão estranho à sua natureza quanto o ódio, mas o sexo tinha um poder desmedido sobre ele. Isto dilacerava sua alma forte, embora nunca o tenha dominado. Era demasiado orgulhoso para mostrar sua paixão, mesmo para quem o pudesse satisfazê-la. E assim desenvolveu o vício secreto. Não se deve pensar que ele se tornou um escravo daquele vício. Ele, o espírito imortal, lutava contra sua natureza inferior com preces, castigos, jejuns e todos os outros meios concebíveis. Às vezes, achava que havia dominado, porém, quando menos esperava, o animal dentro dele se reanimava e a guerra se travava mais violenta do que nunca. Muitas vezes ele ficou tentado a mutilar-se, mas desprezava este método por considerá-lo indigno de um homem, especialmente quando esse homem havia tomado os votos do sacerdócio. Finalmente sucumbiu ao esforço. O vigor da virilidade foi seguido do período da meia-idade, com saúde delicada. Dores constantes aumentavam seu sofrimento mental, e a compaixão surgiu do sofrimento. Não era mais indiferente às torturas das vítimas do Santo Ofício. Sendo por natureza fanática e entusiasta em qualquer sentido que despendesse energias, o pêndulo logo oscilou para o outro extremo. À semelhança de São Paulo, lutou para proteger aqueles a quem ele próprio havia perseguido anteriormente, o que lhe valeu reprovação do Santo Ofício. Finalmente, com o corpo alquebrado, mas com o espírito corajoso, caiu vítima da tortura que infligira a muita gente”.

“Pela sinceridade de sua natureza, e pela última parte de sua vida, ele conquistou o direito de ser admitido em uma Escola de Mistérios, e preparou-se para o privilégio de trabalhar como Auxiliar Invisível em vidas futuras. A Lei de Associação levou-o a renascer no seio de uma família americana, de que antes fora amigo, dela recebendo uma constituição nervosa adequada ao elevado grau vibratório requerido para sua experiência. Ele se tornou vítima da corporificação demoníaca de seus antigos atos, a terrível criatura conhecida pelos místicos como ‘Guardião do Umbral’. Pelo qual o neófito deve passar para poder entrar conscientemente nos Mundos invisíveis. Esta pavorosa forma extraiu o seu ser dos atos cruéis cometidos pelo homem em sua vida passada. Alimentou-se das maldições de suas vítimas torturadas e saturou-se com o odor do sangue e suor delas, como é costume dos elementais. Era um monstro, no pleno sentido da palavra. A morte de seu progenitor deixou-o latente, mas, no novo horóscopo estava marcado o tempo para retribuição no relógio do destino”.

Para finalizar Heindel diz: “Com tantos bons Aspectos [em seu horóscopo] para ajudá-lo, é provável que ele não sucumba, de forma que quando o Sol progredido alcançar o Aspecto de Conjunção com Júpiter radical no horóscopo, e quando a Lua tiver saído da Quadratura com o Sol radical, uma condição evidentemente melhor pode ser esperada. Entretanto, o jovem deverá lutar sozinho contra o demônio criado por ele mesmo. Se o vício secreto não tivesse exaurido a vitalidade em sua vida anterior, o nascimento sob um Signo mais forte ter-lhe-ia proporcionado maior poder de resistência física e vitória mais certa”[22].

Então, este jovem de dezessete anos, nasceu no dia 3 de abril de 1893, às 9:00 CTS, o que resulta em uma GMT de 14:57:00 e uma Hora Sideral de 21:45:38. Ele nasceu em 43:00 N. L. e 90.50 W. L., o que confere com Dodgeville, um pouco ao leste de Madison, no Estado do Wisconsin. 

Adendo 12 – Mapas Natais: Agatha van Warendorp-Zegwaard

Agatha Zegwaard nasceu, conforme a Certidão, no dia 24 de agosto de 1882 às 21:00 horas LMT em Nieuwer-Amstel, então chamada de Amstelveen, localizada em 52:18:24 N. L e 4:51:16 L.L. Isto dá um GMT de 20:40:35 e Hora Sideral de 19:12:04.

Ela era professora de inglês e se casou no dia 25 de julho de 1907, em Amsterdam, com Marinus van Warendorp que era professor de matemática e nascido em 21 de junho de 1877, às 2:00 horas LMT, em ´s-Gravendeel. Conforme era costume na época de um casal de professores, apenas um deles poderia continuar lecionando.

No dia 1 de setembro de 1910 a Senhora Van Warendorp se tornou vegetariana. Juntamente com uma amiga ela lia livros em inglês, mas queria parar com isso. O último livro em inglês que decidiram ler juntas, iniciando no dia 1 de outubro de 1916, foi O Conceito Rosacruz do Cosmos. Um ano depois a Senhora Van Warendorp se tornou membro da Rosicrucian Fellowship; no dia 2 de junho de 1919 ela se tornou Estudante Regular e adquiriu o direito de iniciar um Centro de Estudos[23].

Em 1913, quatro anos após o surgimento na América, a holandesa e teosofista, Senhorita A.J.J. Hattinga Raven, já havia traduzido o The Rosicrucian Cosmo-Conception para o holandês[24]. Apesar de já terem holandeses como membros da Sede Central, ainda não existia um Centro de Estudos[25].

Por volta de 1920, a data exata não é conhecida, ela iniciou um Grupo de Estudos em Amsterdam. Este Grupo de Estudos, que mais tarde se tornou um Centro, ficava na Overtoom 534. Senhora Van Warendorp liderava, com o apoio de seu marido. A relação com os membros era muito amigável; eles as chamavam de ‘moeke en onkel’ (NT: mãezinha e tio). Os primeiros membros da Holanda foram: André Peters, Klaas Wout e Jaap Kwikkel e o alemão Hugo Petzold, que em 1921 se filiou ao Centro de Amsterdam. Lá ele seguia as lições em holandês[26]. Em 1925 ele retornou a Dusseldorf e junto com Adolf Brinkmeyer – que até então era o único membro da Alemanha – Wilhelm Teich e Ernst Huser, fundaram o primeiro Centro da Alemanha.

No dia 14 de fevereiro de 1955 o Sr. Van Warendorp faleceu de leucemia. No início dos anos vinte a Senhora Van Warendorp começou com experimentos de contemplação de cristais o que resultou em uma confusão mental e ataques epiléticos. Quando eu a conheci em 1956, onde ela morava com a família Brohm na Vogelenzangstraat 45 em Amsterdam, não era mais possível ter uma conversa normal com ela. Ela faleceu no dia 14 de janeiro de 1970.

Por volta de abril/maio de 1924 os irmãos Jan e Wim Leene, que moravam em Haarlem, se filiaram para estudarem os Ensinamentos Rosacruzes sob a liderança da Sra. Van Warendorp. O mais velho Zwier Willem Leene nasceu no dia 7 de maio de 1892 às 15:30 horas em Haarlem; ele faleceu no dia 9 de março de 1938 de um ataque cardíaco. Seu irmão mais novo Jan Leene, também nasceu em Haarlem, no dia 16 de outubro de 1896, às 20:00 horas; ele faleceu no dia 17 de julho de 1968 por atrofiamento das forças. O pai deles, Hendrik Leene, que era comissionário, e sua mãe, Elsina Arp, moravam então em Korte Heerenstraat 18 em Haarlem[27].

A quantidade de associados do Centro de Amsterdam, tanto quanto dos outros Centros pelo País, cresceu rapidamente. Por isto foi decidido em 1925 fazer uma Editora com uma Livraria anexa, que ficava na Alberdingk Thijmstraat 4, em Amsterdam. No dia 15 de fevereiro de 1928 esta deixou de existir. Em seu lugar surgiu, na mesma data, a ‘Publicatie-Bureau van het Rozekruisersgenootschap’ (NT: Serviço das Publicações da Fraternidade Rosacruz), situado na Engelszstraat 11, em Haarlem. O segundo departamento era a Redação da Revista mensal, iniciada em dezembro de 1927: Het Rozekuis. Este departamento ficava em Kleverlaan 90, em Haarlem. Como terceiro departamento o ‘Abonnement em Advertentie administratie HET ROZEKRUIS’ (NT: Administração de Assinaturas e Anúncios da ROSACRUZ), situada em Kweektuinstraat 18, em Haarlem. Neste tempo havia na Holanda quatro Centros: Amsterdam, Haia, Haarlem (por volta de 1927, Kleverlaan 90, sob liderança de Jan Leene e seu irmão Wim[28]) e Baarn.

Em dezembro de 1929 a Senhora Van Warendorp precisou ser internada no hospital por causa de uma infecção nos rins e os irmãos Leene assumiram a liderança do Centro de Amsterdam, em 1930. Quando a Senhora Van Warendorp, após algumas semanas, retornou do hospital, os irmãos se recusaram em devolver a administração, que havia levado para Haarlem. Sobre esta questão a Sra. Augusta Foss Heindel foi questionada e esta deu seu apoio aos irmãos Leene.

Como dito anteriormente, havia um Centro em Haarlem, situado na Kleverlaan 90, depois na Hedastraat 36 e em 31 de agosto de 1929 na Bakenessergracht 13, onde mais tarde foram adquiridos mais prédios na Bakenessergracht, onde hoje ainda existe a Lectorium Rosicrucianum.

Pelo trabalho intenso que isto trazia consigo e porque o atacado em têxtil, que os irmãos haviam herdado do pai, não rendia mais, Jan Leene e, mais tarde, também o Wim, decidiram se dedicar exclusivamente ao trabalho da Fraternidade e também se sustentavam através dela. As propriedades no Centro de Haarlem e os planos de ampliação fizeram com que se formasse uma empresa jurídica. Assim em 1933 foi que surgiu a ‘Max Heindel Stichting’ (NT: Fundação Max Heindel).

Em 1919, logo após o falecimento de Max Heindel, que foi sucedido por sua esposa, surgiram dificuldades na Sede Central da Rosicrucian Fellowship e se formaram dois partidos. Cada um dos partidos tentava convencer os membros, tanto nos Estados Unidos da América quanto fora dela, que tinham o direito tanto à distribuição quanto à literatura. Em outubro de 1934 houve uma tentativa de finalizar a questão, pois, se esse problema realmente piorasse, implicaria em dificuldades para o quase autônomo Centro de Haarlem. Portanto foi decidido pelos membros que o Sr. Damme, Presidente do Centro de Haia, como representante da Holanda, fosse aos Estados Unidos da América.

Da Sede Central de Oceanside foi enviada uma carta no dia 25 de janeiro de 1935 para todos os Estudantes, Probacionistas e Discípulos da Holanda e também àqueles que seguiam o Curso Preliminar[29]. Nesta continha, entre outros, o seguinte:

“O Sr. C.L.J. Damme, Presidente do Centro de Haia, que neste momento visita a Sede Central, nos trouxe um relatório verbal e por escrito da situação atual da Holanda e ele nos deixa levando as seguintes instruções:

É desejo da Sede Central e do Conselho Administrativo, que o Sr. C.L.J. Damme leve um relatório completo da situação atual da Sede Central.

O Conselho Administrativo também o incumbiu de fazer uma Reunião Geral onde ele pode repassar o Relatório da Sede Central. Nós solicitamos a todos os nossos amigos a ouvirem este convite e colocar de lado todos os sentimentos de divisão. Isto se refere a todos os Estudantes, Probacionistas e Discípulos[30]. Nesta grande reunião que será no Centro de Haarlem na Bakenessergracht 13, o Sr. Damme tem a incumbência de trazer a solicitação da Sede Central e nos relatar a reação dos presentes.

Nós definimos o dia 5 de abril de 1935, às 8 horas, para esta Conferência no local citado acima.

Ao Sr. Damme foi passada uma lista completa de todos os membros da língua holandesa para que ele possa enviar uma cópia desta carta para todos os amigos que tem amor pelos nossos ensinamentos”.

O Centro de Haarlem também enviou, em janeiro de 1935, a todos os membros de língua holandesa do Rosicrucian Fellowship onde estava escrito, entre outros, o seguinte:

“Dando ouvidos a uma solicitação interna por volta do Natal [1934], anunciamos que a Fundação da Sede Central da Fraternidade Rosacruz da Holanda como primeiro passo decidiu se decentralizar definitivamente da The Rosicrucian Fellowship”.

As três figuras líderes deste ato foram os senhores J. Leene, seu irmão Z.W. Leene e o Sr. C.L.L. Damme. Numa carta aos membros datada de 27 de março de 1935 escreveram, entre outros, o seguinte:

“À Sede Central da Holanda foi solicitado uma ajuda internacional para salvar a Fellowship de uma queda. Cada Estudante e Probacionista deve se filiar a nós sem demora para o serviço de limpeza, que se tornou possível pelo mandato que o Conselho Holandês da Ordem Rosacruz na qual a liderança esotérica será temporariamente concentrada na Holanda”.

Algumas semanas antes, no dia 11 de março, a Fellowship dirigiu uma carta aos membros de língua holandesa onde estava escrito que o Centro de Haarlem NÃO a representava e que agia por iniciativa própria e, provavelmente, estavam iniciando um movimento separatista, o que se tornou fato. Pois, no dia 25 de setembro de 1935 o Centro de Haarlem ganhou, por Decreto Real, o reconhecimento de seus estatutos e, portanto, direitos reconhecidos. Os membros que permaneceram fiéis à Fellowship queriam tomar medidas para brigar juridicamente contra o nome ‘Fraternidade Rosacruz’ – que Jan Leene continuou usando – mas a Sra. Augusta Foss Heindel os desaconselhou a fazê-lo. Portanto existiam dois movimentos na Holanda: The Rosicrucian Fellowship e separada dela ‘Rozekruisers genootschap’ (NT: Fraternidade Rosacruz).

Jan Leene, alias John Twine, Jan van Rijckenborgh

Conforme o Registro Civil Jan Leene nasceu no dia 16-10-1896, às 20 horas AMT em Haarlem, 52:22:54 N. L. e 4:38:00 L.L. O Ascendente estava então em Gêmeos, 29:51, no limite com Câncer. A hora do nascimento foi corrigida utilizando os seguintes acontecimentos:

  1. Casamento com Johanna Ames no dia 9 de agosto de 1923 em Haarlem. O Arco Primário estava então 1:44:43, com o Ascendente em Câncer 20:27:28. Estava então em Trígono com Vênus, o Planeta do amor, e 140° com a Lua, que simboliza a esposa. Júpiter primário em Virgem, 26:48, Regente de Libra, o cônjuge, estava 72° com Vênus.
  2. Nascimento do filho Hendrik [Henk] no dia 24 de agosto de 1924 em Haarlem. O Ascendente Primário, com o Arco Primário de 1:49:02, estava então em Câncer 21:15:58, com uma diferença mínima de apenas 23 segundos, de 48° de Mercúrio. Este Astro é o Regente da 5ª Casa, a Casa que simboliza este primeiro filho.
  3. Seu falecimento em 17 de julho de 1968 em Santpoort. Com um Arco Primário de 4:59:16 estava o Ascendente em Leão 24:50:04, então harmônico, isto é 84° com Saturno, o Regente da 8ª Casa, que indica a morte. A Cúspide progredida da 8ª Casa, Peixes 24:22:53, estava a 11 segundos de 162°, um Aspecto adverso, de Sol, simbolizando o coração da vida. Isto dá uma hora de nascimento de 19:55:48 AT, que equivale a 19:36:16 GMT e Hora Sideral de 21:38:03.

Adendo 13 – Rosacruzes e “Rosacruzes”

O nome ‘Rosacruzes’ não é protegido. Ele teve um poder de atração irresistível sobre muitas pessoas e ainda tem. Existem, portanto, várias organizações que utilizaram o nome ‘Rosacruzes’. Para alguém de fora fica difícil saber a qual tipo de movimento ele se refere. Por esta razão segue aqui um pequeno resumo das principais organizações que utilizam o nome Rosacruzes em seu brasão.

  1. A ORDEM ROSACRUZ.

Esta é a Escola de Mistérios Ocidental da Rosacruz, que foi fundada por CHRISTIAN ROSENKREUZ por volta de 1290 no centro da Alemanha, que após ter trabalhado em silêncio por três séculos, divulgou mundialmente sua existência por volta de 1600 através do Fama Fraternitatis R.C., o Confessio Fraternitatis R.C. e o Assertio Fraternitatis R.C., conforme descrito detalhadamente no Capítulo 1.

Max Heindel escreve: “No século XIII um elevado instrutor espiritual, usando o simbólico nome Christian Rosenkreuz – Cristão Rosacruz – apareceu na Europa para iniciar esse trabalho. Fundou a misteriosa Ordem dos Rosacruzes objetivando lançar uma luz oculta sobre a mal-entendida Religião Cristã, e para explicar o mistério da Vida e do Ser do ponto de vista científico, em harmonia com a Religião.

Muitos séculos decorreram desde o seu nascimento como Christian Rosenkreuz, o Fundador da Escola de Mistérios Rosacruzes, cuja existência é, por muitos, considerada um mito. Todavia, seu nascimento como Christian Rosenkreuz marcou o princípio de uma nova era na vida espiritual do mundo ocidental. Esse Ego excepcional tem estado, desde então, em contínuas existências físicas, num ou noutro dos países europeus. Toda vez que seus sucessivos veículos perdem sua utilidade, ou as circunstâncias tornam necessária uma mudança de campo em suas atividades, toma um novo Corpo. Ainda mais, hoje em dia está encarnado. É um Iniciado de grau superior, ativo e potente fator em todos os assuntos do Ocidente, se bem que desconhecido para o mundo.

Trabalhou com os alquimistas séculos antes do advento da ciência moderna. Foi ele que, por um intermediário, inspiraram as, agora mutiladas, obras de Bacon[31]. Jacob Boehme[32] e outros receberam dele a inspiração que tão espiritualmente iluminou suas obras. Nos trabalhos do imortal Goethe[33] e nas obras-primas de Wagner[34] encontramos a mesma influência. Todos os espíritos intrépidos, que se recusam subordinar-se a qualquer ciência ou religião ortodoxa, que fogem das escravidões e procuram penetrar nos domínios espirituais sem pretensões de glória ou de vaidade, tiram sua inspiração da mesma fonte, como fez e faz o grande espírito que animou Christian Rosenkreuz.

Seu próprio nome é a Corporificação da maneira e dos meios pelos quais o ser humano atual é transformado em Divino ‘Super Ser Humano’”[35].

  • Fratres Roseae et Aureae crucis, ou Rosacruzes Dourados, de 1710

Uma organização de alquimistas. Também eles se tornaram conhecidos do público através de um livro intitulado: Die Warhaffte und volkommene Bereitung des Philosophischen Steins, Der Bruderschaft aus dem Orden des Gülden – und Rosen-Creutzes, etc.[36], Breslau 1710 (2ª Edição 1714), por S. R. uma abreviação do nome de ordem de Sincerus Renatus [o renascido sincero], pseudônimo do pastor Silesiano Samuel Richter de Hattmoansdorf, perto de Landshut, na Alemanha, que era seguidor de Paracelsus e Boëhme. O livro não foi escrito pelo próprio Richter, mas por um ‘Professor de Arte’ como ele o chama, mas que permanece anônimo. Carlos Gilly descobriu que os estatutos, contidos ali, são uma tradução de um manuscrito datado de 1678 de Andreas Segura, Osservationi inviolabili da osservarsi dalli Fratelli dell’ Aurea Croce o vero dell” Aurea Rosa Precedeni La solita professione. Eles não são de origem alemã, mas sim italiana[37]. Os Rosacruzes Dourados consideram sua origem dos antigos alquimistas, que, conforme eles, já se reuniam em algum tipo de associação. Entre eles era obrigatório o sigilo. A posição social dos candidatos não era relevante, apesar de procurarem um maior respeito. Eles tinham nove graus e 52 regras. O livro é um tratado da alquimia. Eles queriam continuar em silêncio, individualmente, com o objetivo de conseguir “a fabricação do pó vermelho de projeção”, ou a chamada “pedra da sabedoria”. Isto através do êxtase ou pesquisa experimental. Na liderança estava um imperador ou czar, e os membros estavam divididos entre estudantes-herdeiros e irmãos[38].

  • Gold-und Rosenkreutzer des Alten Systems, por volta de 1750, uma imitação da Maçonaria

A História de sua Ordem está impressa no prefácio do Compass der Weisen, Berlim, 1779. Este inicia com Adão e continua com Noé, Enoc, Moisés, Hermes, etc., da qual a Constitutions (1723) de James Andersons (Pastor e Maçom 1678-1739) utilizou como exemplo. O Prefácio fala da história dos Rosacruzes e de Christian Rosenkreuz: ‘Todos os meus Irmãos mais velhos sabem, que Christian Rosenkreuz é na verdade um de nossos mais importantes irmãos, mas não era o fundador de nossa ordem. Esta já foi fundada há milhares de anos antes de Rosenkreuz nascer’.

À cabeça estava o Superior Desconhecido. A célula matriz era denominada ‘o círculo’, que era constituído de 9 membros. Seus membros eram divididos em nove graus. O objetivo era fazer ouro e eles trabalhavam em grupos. Eles desenvolviam receitas alquímicas que vieram do Superior Desconhecido[39].

  • Antoine Fabre d´Olivet (1768-1825) nasceu em uma família de protestantes em Cévennes, França

Em sua juventude iniciou a escrita de seus poemas, peças de teatro e romances. Em 1797 fundou uma revista política, L´Invisible, que sobreviveu por 107 números, graças a um anel mágico, conforme d´Olivet, que o fazia ficar invisível para observar o trabalho do legislador e as intrigas do palácio real. Em 1800 ele se apaixonou, mas dois anos depois a jovem senhorita faleceu. Ele pensou em suicídio, até que recebeu a visita de sua falecida amada. Em seu manuscrito ele relata como este choque o levou a buscar o ocultismo. Em 1805 ele se casou com a diretora da escola de meninas que tinha três filhos. Contudo, parece que o espírito da primeira amada assombrava este casamento. Em 1811 ele curou, por meio da hipnose, Rodolpho Grival que em sua vida inteira havia sido surdo-mudo. Em 1813 ele publicou sua tradução de “Os Versos Dourados” de Pitágoras, e acrescentou comentários. Outro trabalho dele é denominado A Recuperação da Língua Hebraica, onde ele desenvolveu suas ideias sobra a língua original. Em 1824 ele escreveu sua obra prima, Histoire philosophique du genre humain [História Filosófica do Gênero Humano].

Finalmente Fabre d´Olivet se ‘reconectou’ com o espírito de sua amada, e inspirado por ela ele funda em 1824 o Universal Theodoxical Cult, uma ordem com ritos próprios, graus e parâmetros.

Em 19 de outubro de 1824 ele declarou, em um de suas reuniões, que sua amada Julie havia renascido e estava no corpo de uma menina de doze anos e passou o resto de sua vida procurando por ela[40]. Seus livros inspiraram Josephin Péladan[41].

  • Dr. med. Pascal Beverly Randolph (1825-1875)

Ele fundou, em 1858, na Philadelphia, a Ordem Templária dos Rosacruzes. Randolph pode ter sido filho de uma dançarina negra e de um médico branco da Virgínia. Contudo, também existe a história que seu pai era um empresário importante que se casou com uma linda mulher de Madagascar e que pertencia à família Real de Madagascar. E outra história que ele era um filho ilegítimo de um aventureiro branco da Virgínia e da mais bonita do que virtuosa negra. Seu verdadeiro pai nunca se identificou. Com cinco anos ele se tornou órfão e foi criado por sua meia irmã. Ele gostava do mar; primeiro ele foi camareiro num navio, mais tarde se tornou proprietário de um navio. Ele fez longas viagens. Ele escreveu alguns romances, entre os quais Master Passion e Asrotis.  Em 1840 ele se filiou à ‘Hermetic Brotherhood of Luxor’, defensores do espiritismo, que então se difundia na América. Na Guerra Civil ele se aliou ao Norte. Seus dados heroicos chamaram a atenção até de Abraham Lincoln. Após algumas viagens pela França, Eliphas Levi lhe concedeu o mais alto grau do Fraternitas Rosae Crucis. Por esse meio, ele se relacionou com Papus. Randolph fundou o Hermetic Brotherhood of Light na América. Em 1868 ele se desligou e fundou seu próprio círculo mágico Eulis Brotherhood, que foi fortemente influenciado pelo O.T.O. [OrdoTempli Orientis; Ordem Templária do Oriente][42] e logo atraiu muitos seguidores. Excetuando a influência por Levi e Kenneth R. Mackenzie, ele também foi influenciado pelo romance Rosacruciano The Salamandrine, de Charles Mackay, que foi publicado em 1852. Suas visualizações ele descreveu no manuscrito Magia Sexualis, que somente em 1931 foi traduzido para o francês, e em 1972 surgiu uma impressão em holandês. Conforme o título sugere o assunto é magia sexual. Sobre sua morte em 1875 existem duas versões: a primeira que durante um experimento mágico ele teve um choque de retorno (o que quer que isso possa significar); a outra é que ele tentou, através de uma maneira mágica, atirar em sua inimiga mortal Sra. Blavatsky, o que com o conhecimento dela teve um efeito contrário e provocou sua própria morte[43].

  • Influenciado pela Fratres Roseae et Aureae Crucis ou Rosacruzes Dourado de 1710, o maçom Robert Wentworth Little (1840-1878) fundou em 1866 o Societas Rosicruciana in Anglia (SRIA)[44].

Podia haver no máximo 144 membros e todos deveriam ser maçons. Membros Honorários eram, entre outros, Kenneth R. H. Mackenzie, Hargrave Jennings (1817-1890), Edward Bulwer Lytton (1813-1873)[45], escritor de Zanoni (1842); Eliphas Levi, pseudônimo do ex-padre Alphonse Beverly Constant (1810-1875), escritor de livros sobre magia, Pascal Beverly Randolph[46], praticante de magia sexual; Arthur Edward Waite (1857-1942); Dr. med. William Wynn Wetscott (1848-1925), F. Leigh Gardner (1857-19?); Theodor Reuss (1855-1923).

  • Em 1880 surgiu o ramo americano da inglesa Societas Rosicruciana in Anglia (SRIA) [Rosecrucian Society of the United States of America][47].
  • Saindo da SRIA, o Dr. med. William Wynn Westcott (1848-1925) fundou em 1887 a Hermetic Order of the Golden Dawn.

Um grupo de alemães Rosacruzes fictício, sob a liderança de Anna Sprengel, que forneceu todo o material para ele. Os membros eram: Dr. med. William Robert Woodman (1828-1891), Samuel Liddell MacGregor Mathers (1856-1918), o poeta William Butler Yeates (1865-1939), Aleister Crowley (1875-1947), praticante de magia negra; Arthur Machen (1863-1947), poeta e escritor de histórias de fantasmas; Bram Stoker (1847-1912), escritor de Drácula[48].

  • Em 1901 o maçom e teósofo/rosacruciano vienense Doutor em Filosofia Carl Kellner (1850-1905), que era amigo do Dr. med. Franz Hartmann (1838-1912), fundou a Ordo Templi Orientalis (O.T.O.).

Kellner nasceu em Viena, onde tinha uma enorme fábrica de químicos. Ele pesquisava principalmente a celulose, um produto que extraído da lignina[49], chamado lignosulfato, era usado para tratamento de tuberculose. Seu amigo Franz Hartmann utilizava em sua clínica. Kellner era membro de várias vertentes. Provavelmente também da Hermetic Brotherhood of Luxor e ele deve ter sido iniciado no lado “esquerdo” (magia negra) do tantrismo. Sua morte prematura em 1905 em seu laboratório, em casa, é atribuída às práticas mágicas e alquímicas. Nos anos de 1890 ele planejou, juntamente com alguns amigos (entre eles Franz Hartmann e Theodor Reuss), formar uma organização secreta conforme a ideia da tradição mágica dos rosacruzes e dos maçons místicos. Assim, em segredo, no dia 1 de setembro de 1901 fundaram a Ordem dos Templários Oriental. Parece que até o dia de sua morte ele foi o líder da Ordem. Ele também cuidou da base financeira. E para a ordem externa Reuss e Hartmann devem ter utilizado, para este fim, o Memphis-Mizraim-Ritus de Yarker da Grã-Bretanha, de forma ampliada. Kellner também entrou neste Rito e atingiu o mais alto grau (90º ou 95º). Primeiramente após o falecimento de Kellner e após Reuss assumir o O.T.O., este se tornou público em 1906. Kellner foi sucedido por Carl Albert Theodor Reuss (1855-1923), com o pseudônimo de Merlin Peregrinus[50]. Ele nasceu em Augsburg, onde seu pai era negociante, depois de ter gerenciado uma loja de miudezas. Reuss finalizou seu curso de farmacêutico, mas se tornou cantor de ópera e deve ter conhecido Richard Wagner e suas crenças místicas em 1873 e, através de Wagner, deve ter sido apresentado a Ludwig II, o Rei de Beieren (sobre isto faltam comprovações históricas). Por razões desconhecidas Reuss perdeu sua voz (provavelmente por falta de talento) e ele se tornou jornalista, político e escritor.

Aos 21 anos, durante sua estadia em Londres, ele se tornou maçom da Pilger Loge, mas pela sua linha política de esquerda, foi expulso quatro anos depois, com idade de 25. Ele trabalhou (não durante a Guerra de 1914-18) como correspondente externo e redator de diversos jornais ingleses e alemães. Excetuando seu interesse na linha esquerda radical ele tinha interesse em movimentos esotéricos – e igualmente a Annie Besant, da Inglaterra, que também era da Esquerda Radical – ele se tornou membro da Teosofia em 1885, após um encontro com a Sra. Blavatsky. Em 1896 ele esteve presente na inauguração do Movimento Teosófico na Alemanha, sob liderança de Franz Hartmann como Vice-Presidente. Reuss fez renascer nos anos 1890 a Ordem dos Illuminaty do Século 18 e tentava reunir todas as direções, inclusive Rosacruzes sob o mesmo teto e fundou, com auxílio de amigos, em 1901, a Grosse Freimaurerloge von Deutschland des Illuminaten-Ordens. Na virada do século Reuss havia se tornado membro na Inglaterra da Societas Rosicruciana in Anglia (SRIA), e maçom de alto grau (Royal-Arch) no sistema do John Yarker (1833-1913), cujos ritos Reuss incluiu no OTO. Existem muitas conexões cruzadas invisíveis. Por exemplo: Yarker e o Movimento Teosófico. Yarker conheceu a Sra. Blavatsky na América, em 1879. Quando ela tornou Yarker Membro Honorário (Honorary Fellow) da Associação dela, Yarker em contrapartida deu a ela, após Isis Revelada, o título de ‘princesa coroada’, o grau mais elevado para membros femininos do Memphis-Mizraim-Ritus. Por volta de 1905 Steiner se tornou membro. Alguns outros membros eram Crowley, Papus e Spencer Lewis.

  1. Em 1888 a Ordre Kabbalistique de La Rose-Croix foi fundada por Josephin Péladan (1859-1897) e o Marquês Marie Victor Stanislav de Guaïta (1861-1897).

Esse havia lido livros de Eliphas Levi e o Le vice suprême de Péladan e sua aproximação com o ocultismo era para ele uma revelação. Ele conheceu Péladan e seu irmão, o médico Adrien, que tinha contato com os Hermetistas em Toulouse, que se auto denominavam um grupo Rosacruz. Juntamente com seu secretário Oswald Wirth ele adquiriu uma maravilhosa coleção de livros esotéricos e manuscritos. Para ‘abrir’ seu espírito ele usava morfina e cocaína e desta forma entrou no ‘caminho da esquerda’ da magia negra, sobre a qual ele escreveu vários livros.

Na direção desta organização tinha um conselho com doze membros onde, entre outros, o Papus (pseudônimo de Gérard Analect Vincent Encausse, 1865-1919), J. Péladan e, mais tarde, Marc Haven (pseudônimo do médico Dr. Emmanuel Lalande, 1868-1926) e Paul Sédir (pseudônimo de Yvon Le Loup, 1871-1926) fizeram parte. Eles tinham graus universitários e títulos de doutor[51].

  1. Os livros de d´Olivet tiveram grande influência sobre Joséphin Aimé Péladan (1859-1918) que se chamou, em 1892, Sâr Mérodak. Juntamente com De Guaïta ele fundou, em 1888, a Ordre Kabbalistique de La Rose-Croix[52].

Ele se distanciou dela em 1890 porque ele achava o grupo muito oriental, anticatólico Romano e de magia negra, e fundou, juntamente com seus seguidores em março de 1892, a Ordre de La Rose-Croix Du Temple et Du Gral, de onde surgiu a Ordre de La Rose-Croix Catholique. Péladan se tornou o Imperador. Uma organização parecida foi apareceu pelo médico alquimista Lapasse em Toulouse em 1850. O Salão Rosacruz, estabelecido por Péladan, em Paris, em março de 1892, se tornou um ponto de encontro de escritores e artistas, como o compositor Erik Satie (1866-1925), que se distanciou do grupo mais tarde. Péladan escreveu alguns livros onde tentou juntar, em um único ensinamento, as ideias cabalísticas, bramânicas, islamíticas, cristãs e filosóficas. Ele era um admirador de Wagner, praticava magia sexual e, em 1908, se entregou para o Catolicismo Místico[53].

  1. Desde o início de 1900, o filósofo Dr. Rudolf Steiner (1861-1925) foi observado pela Ordem Rosacruz como possível representante de seus ensinamentos.

Ele recebe instruções de um Irmão Leigo da Ordem até o período de outubro de 1902, mas decidiu no dia 20 de outubro de 1902 se tornar Secretário Geral da Alemanha do Movimento Teosófico, pelo qual a Ordem se distanciou dele e decidiram testar outro candidato. Contudo, também a Teosofia mostrou sua mistura dos ensinamentos Orientais com os Ocidentais. Por este motivo Steiner fundou, em 1913, o Movimento Antroposófico. Através do símbolo dos Maçons da Ordem Memphis-Mizraïm de John Yarker, e com Theodor Reuss (1855-1923), como representante na Alemanha, Steiner tinha a ideia, em 1903/4, que os membros podiam atingir a Iniciação e fez um acordo com Reuss, em 1906. Contudo, este método aparentava não trazer resultado, porque após a Guerra (1918), o Rito Mizraïm, que foi proibido durante a Guerra, não foi mais reintroduzido[54].

  1. Antiquus Arcanus Ordo Rosae Rubeae et Aureae Crucis (Ancient Mystical Order Rosae Crucis; AMORC)

Baseado em: Fratres Roseae et Aureae Crucis ou Rosacruzes Dourado de 1710 e a Escola de Mistérios do Egito (aprox. 1500 a.C., o período de Tutmosis III); o O.T.O., uma iniciação no ‘Grupo Rosacruz’ de Toulouse; graus adquiridos no Rito Escocês (Maçonaria), o Teósofo Dr. Harvey Spencer Lewis (1883-1936) fundou, em 1916, o Antiquus Arcanus Ordo Rosae Rubeae et Aureae Crucis (Ancient Mystical Order Rosae Crucis; AMORC), em San José, Califórnia, de onde ele foi o primeiro Imperador[55]. Este é um movimento humanitário que tenta dar ao ser humano, enquanto encarnado, saúde, felicidade e paz. Tenta passar conhecimento sobre psicologia e ciências naturais.

  1. Fraternitas Rosae Crucis (FRC)

Reuben Swinburne Clymer (1878-1966) fundou em, aproximadamente, 1920, perto de Quakertown o grupo: Fraternitas Rosae Crucis (FRC) de Rosicrucian Fraternity na America.

Ele tirou seu sistema de Pascal Beverly Randolph[56].

  1. Het Rozekruisers Genootschap

No dia 25 de setembro de 1935 o Centro da Fraternidade Rosacruz de Haarlem conquistou por Decreto Real reconhecimento de seu Estatuto e também seu direito de existência e, assim, Jan Leene (pseudônimo John Twine e Jan van Rijckenborgh), seu irmão Zwier Wim Leene e o Sr. C.L.J. Damme fundaram Het Rozekruisers Genootschap. Este nome era utilizado pela Fraternidade na língua holandesa desde seu início, mas nunca haviam registrado. Foi cogitado brigar na justiça pelo nome, mas por conselho da Sra. Augusta Foss Heindel desistiram da ideia. Com o passar do tempo este nome teve alterações: em 1936 ‘Orde der Manicheeën’ (Ordem dos Maniqueus); em 1941 Jacob Boëhme gezelschap (Companhia de Jacob Boëhme); em 1946 Lectorium Rosicrucianum, Geestesschool van het Gouden Rozekruis (Escola Espiritual da Rosacruz Dourada).

Jan Leene trabalhava junto com Hendrikje Huizer (Sra. Henry Stok-Huyzer), que nasceu às 3:00 horas (a.m.) no dia 5 de fevereiro de 1902 em Rotterdam na Slotboomstraat[57]. Ela usava o pseudônimo Catharose de Petri. À procura de vestígios restantes de Katharen ela viajou diversas vezes para o Sul da França. Em 1956 Jan van Rijckenborgh e Catharose de Petri encontraram o Sr. Antonin Gadal, que se auto denominava último patriarca dos Katharen através dos séculos que mantinham a sequência em segredo. O Sr. Gadal passou a mestria ao Sr. Van Rijkenborgh e o Diaconato a Sra. De Petri[58]. Após o falecimento do Sr. Jan Leene/Jan van Rijkenborgh, no dia 17 de julho de 1968, a liderança espiritual passou a ser da Sra. Stok/Catharose de Petri, o que durou até seu falecimento no dia 10-09-1990. Desde 22 de março de 1970 a administração diária está numa ‘Liderança Espiritual Internacional’ de sete senhores de diversos países Europeus, juntamente com a Sra. E.T. Hamelink-Leene, a filha do Sr. Jan Leene.

Jan Leene vem de uma família de Protestantes; seu pai era de uma vertente de protestantes e sua mãe de outra[59]. O Teólogo Prof. Dr. A. H. de Hartog teve grande influência sobre ele, o pai do escritor Jan de Hartog. Este era um pensador livre e através dele conheceu os trabalhos de Jacob Boëhme. Os Ensinamentos Rosacruzes de Max Heindel também o atraíram. Ele pensava, entretanto, que devia ir além. Ele foi muito influenciado pela Hermetismo e abraçou os trabalhos da teósofa Alice Ann Bailey (1880-1949). Os ensinamentos dos Katharen já foram mencionados, mas também os Gnósticos estão misturados em seus ensinamentos. Jan Leene faleceu em 1968[60].

CRONOLOGIA

186523/julhoNascimento de Carl Louis Grasshoff em Aarhus
 15/outubroBatizado na Catedral Luterana de Aarhus
186720/julhoNascimento de Louis Julius August, irmão de Carl
18688/abrilFalecimento do seu pai por uma explosão na padaria
18726/novembroMudança para Copenhague
 26/novembroNascimento de Anna Emilie, meia-irmã de Carl
1873aproximadamenteAcidente quando pulava por sobre uma calha
1884aproximadamenteMudança para Glasgow, Escócia, trabalhando em loja de tabaco
188515/dezembroCasamento com Cathy Wallace, nascida em 4/1/1868; mudança para Liverpool
188615/junhoSra. Grasshoff casa com Fritz Povelsen
 5/novembroNascimento da filha Wilhelmina; Carl se torna marinheiro
18886/novembroNascimento da filha Louise
 aproximadamente dezembroMudança para Copenhague
18895/novembroNascimento da filha Nelly
189115/janeiroNascimento do filho Frank
1893 Carl se muda sozinho para a América e começa     trabalhando em uma Central Elétrica em Nova York. Depois se muda para Somerville perto de Boston onde primeiro é corretor de seguros e mais tarde mecânico de uma cervejaria
189510/abrilCarl se casa com Louisa Anna Peterson que é oito anos mais velha, dinamarquesa e com quatro filhos                            
18987/setembroSeus quatro filhos partem de Copenhague em direção à América.
1899aproximadamenteSeparação; Carl se muda com os quatro filhos para Roxbury
1903 Carl vai para Los Angeles em busca de emprego e muda seu nome para Max Heindel
 dezembroAssiste palestras de Leadbeater em Los Angeles; se torna membro do Movimento Teosófico; se torna vegetariano; amizade com Augusta Foss, nascida em 27/01/1865 em Mansfield, Ohio
1904/5 Vice-Presidente do Movimento Teosófico em Los Angeles
1905VerãoFicou muito doente; amiga Alma von Brandis vai para Europa
  Após se recuperar da doença Heindel deixa o Movimento Teosófico
1906abril   Própria tournée de palestras sobre Cristianismo Místico e Astrologia
1907OutonoMax Heindel vai junto com Alma von Brandis para a Europa
1908abrilBriga com Alma von Brandis
 abril/maioMax Heindel passa por sua prova pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz
  Primeira Iniciação; escreve o Conceito Rosacruz do Cosmos
 VerãoRetorno à América e reescreve o manuscrito do Conceito
 setembroMax Heindel se muda para Buffalo e termina o seu manuscrito
 novembroFundação do Primeiro Centro Rosacruz em Buffalo
1909VerãoViagem por Seattle
 8/agostoFundação da ‘The Rosicrucian Fellowship’ às 15:00 horas.
  Max Heindel e William Patterson vão para Chicago para impressão do Conceito e Cristianismo Rosacruz
 novembroPublicação do The Rosicrucian Cosmo-Conception e as Palestras de Cristianismo Rosacruz. Palestras, e fundação do Centro em Yakima
1910 Impressão de Astrologia Científica Simplificada
  Viagem para Portland, Palestras e Fundação de um Centro
 fevereiroViagem a Los Angeles; visita a Augusta Foss
 27/fevereiroFundação do Centro de Los Angeles
 abrilMax Heindel fica seriamente doente; 2ª Iniciação em 9/abril. Escreve Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Vol. I
 10/agostoCasamento com Augusta Foss em Santa Ana. Max Heindel escreve Os Mistérios dos Rosacruzes
 novembroEstabelecimento da Sede Central em Ocean Park. Heindel fica seriamente doente. Aproximadamente em 22/novembro tem a 3ª Iniciação
1911fevereiroPlaneja a aquisição de um terreno para Sede Permanente em Los Angeles
 3/maioAquisição de 40 acres (16 ha) às 15:30 horas em Oceanside
  Os Mistérios dos Rosacruzes de Max Heindel é publicado
 28/outubroPrimeira estaca no solo às 12:40 horas e plantaram a Cruz.
 30/outubroInício das obras no primeiro prédio
1912PrimaveraInstalação própria de água.
  Probacionistas de Seattle, Washington, fazem um emblema iluminado para a sinalização e transportam por trem para a Sede Central.
 13/dezembroThe Rosicrucian Fellowship se torna Pessoa Jurídica
19133/junhoPrimeiro Encontro de Probacionistas (Não em 25/maio?)
  Mudança da Cruz de preta para branca
 4/junhoPrimeira Escola de Verão
 JunhoInício da Publicação do Echoes
 aproximadamente 6/julho Max Heindel tem a 4ª Iniciação.
 6/agostoFabricada a pedra fundamental do Sanatório (Centro de Cura)
 27/novembroInício da obra da Pro-Ecclesia; esta fica pronto em 24/dezembro.
 24/dezembroInauguração da Pro-Ecclesia
191412/abrilPrimeira Celebração de Páscoa em Mount Ecclesia
 23/junhoPrimeiro Ritual de Cura. Publicação de: “Como reconheceremos Cristo em seu retorno?” e “Maçonaria e Catolicismo”
 26/novembroInauguração do Restaurante; Colocação da Pedra Fundamental da Ecclesia ou Centro de Cura; Central de energia própria
1915julhoPagamento da última parcela da hipoteca do terreno
 VerãoConstrução do Heindel’s Cottage. Nova Edição de Mensagem das Estrelas e Astrologia Científica Simplificada; Publicada em 1916
191613/marçoFalecimento da mãe de Max Heindel.
 maioInício da publicação de Rays from the Rose Cross
1917marçoMax Heindel se encontra com a poetisa Ella Wheeler Wilcox
 13/marçoInício da construção da nova administração. Finalizado em junho
 maioInício da construção da Ecclesia Cottage
 15/julhoViagem de Férias. Cálculo das Efemérides e das Tabelas de Casas.
1918maioPlanejamento de Instalações de Encadernadora de livros. Na Rays é Publicado As últimas horas de um espião.
19196/janeiroMax Heindel faleceu de ataque cardíaco às 20:25 horas. Sra. Augusta Foss Heindel é a sucessora.
192029/janeiroÀs 11:45 horas a primeira estaca colocada no chão do Centro de Cura.
  Publicado O Significado Místico do Natal e A Teia do Destino.
 23/julhoColocação da Pedra Angular feita por Max Heindel em 25/11/1914.
1921 Impresso Os Mistérios das Grandes Óperas
192224/dezembroInauguração do Templo. Publicação de Contos de um místico.
19237/agostoInício da construção da Rose Cross Lodge; aquisição de 4,5 acres (20 ha) terras de um vizinho
 1/dezembroPublicado o livro da Sra. Augusta Foss Heindel O surgimento da Fraternidade Rosacruz, em inglês.
1924março/abrilNovo sistema de eletricidade
 novembroAquisição de um órgão para o Templo
1925 Planejamento de construção de uma escola para crianças; ficou pronto em setembro/1926 e fechou em março de 1931. Depois o prédio se chamou West Hall.
 setembroSra. Augusta Foss Heindel faz uma tournée de palestras em 20 grandes capitais nos Estados do Nordeste e Oeste. Aquisição de mais um pedaço de terra.
1926janeiroPublicação de Evolução sob o ponto de vista de um Rosacruzes da Sra. Augusta Foss Heindel. Em inglês e holandês: Cartas aos Probacionistas de Max Heindel e em inglês Ensinamentos de um Iniciado.
1928agostoAstro-diagnose da Sra. Augusta Foss Heindel é publicado em inglês e o livro de Max Heindel Princípios ocultos de saúde e cura.
192911/dezembroColocada a pedra fundamental do Sanatório.
1931abrilSra. Augusta Foss Heindel se retira da função de Presidente e se muda para Oceanside. Publicado em inglês Iniciação Antiga e Moderna de Max Heindel.
 maioSra. Augusta Foss Heindel fica muito doente.
 junhoSra. Augusta Foss Heindel funda a ‘Max Heindel Rose Cross Fellowship’.
19326/janeiroInício da construção do Sanatório; a abertura foi no Natal de 1938.
1933 Duas Palestras de Max Heindel de 1905 publicadas: Sra. Blavatsky e o Ensinamento Oculto e Explicação Mística da Páscoa.
193425/dezembroAs partes fazer as pazes e a Sra. Augusta Foss Heindel volta para a Sede Central
  Ela manda construir uma casa que fica pronta em junho de 1937.
1937 Da coletânea de trabalhos de Max Heindel surge Espíritos e Forças Naturais.
1938abrilInício da construção do Setor de Cura
  Retomada da construção do Sanatório que foi iniciado em 1932.
 27/agostoInauguração do Setor de Cura
 25/dezembroInauguração do Sanatório
1939 Pela primeira vez publicado, em inglês, e em forma de livro as Palestras sobre Cristianismo Rosacruz de Max Heindel.
1940 Da coletânea de trabalhos de Max Heindel surge Os Mistérios das Glândulas endócrinas.
1941 Sra. Augusta Foss Heindel escreve Lembranças de Max Heindel e da Fraternidade Rosacruz, que foi publicado em 1997.
1942fevereiroSra. Augusta Foss Heindel foi retirada de suas funções.
194321/maioSra. Augusta Foss Heindel tem um acidente de automóvel e se torna cadeirante.
19446/julho‘The Rosicrucian Fellowship Non-Sectarian Church’ fundada por Sra. Augusta Foss Heindel e seus seguidores em janeiro de 1943 foi reconhecida como Pessoa Jurídica.
1947 Publicado o Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas Volume II
19499/maioFalecimento da Sra. Augusta Foss Heindel
1950 Da coletânea de trabalhos de Max Heindel surge o Corpo Vital e Arquétipos.
1951 Entre 1951 e 1971 foram publicadas sete partes de Histórias Aquarianas para crianças.
1953 Da coletânea de trabalhos de Max Heindel surge o Corpo de Desejos.
195625/marçoFinal do conflito; às 12:00 horas é enterrado o machado de luta.
1959janeiroDoação de um ônibus para 12 lugares para a Sede Central
1960 A Sede Central é isentada de pagar o IPTU
1961 Membros podem construir casas no terreno da Sede Central
1962fevereiroA Heindel’s Cottage é demolida.
 VerãoVenda de 2,3 acres de terra
1963 Existem planos de duplicar a rodovia e fazer uma nova entrada, que fica pronta entre 1965/67.
 VerãoDemolida a Ecclesia Cottage
1964novembroConstrução de 5 casas
1965 Da coletânea de trabalhos de Max Heindel surge Visão Etérica e o que Ela revela.
1968 Da coletânea de trabalhos de Max Heindel surge Cordão Prateado e Átomo-semente.
1968/72 São publicados diversos livros.
1971 Falecimento de Theodore Heline aos 87 anos
  Publicação de O Horóscopo de seu filho, de Max Heindel, em duas partes e A morte e a vida após.
197412/novembroInício da construção do prédio da Administração, finalizada em 18/2/75.
197526/junhoFalecimento da Sra. Corinne Heline.
1976marçoO prédio da Administração é ampliado.
19782/setembroDoação do Sr. Fred Meyer de Portland no valor de $ 200.000.
1982VerãoInstalação de três painéis solares para aquecimento da água
  Aquisição do primeiro computador
1983janeiroAbertura do ‘Museu Rosicrucian Fellowship’
 fevereiroColocado uma nova placa na entrada.
 junhoSurge o primeiro número do jornal Mystic Light, mas em dezembro do mesmo ano parou de ser editado por dificuldade financeira.
1986abrilImpresso o livro de Robert C. Lewis: The Sacred World and its Creative Overtones
 OutonoMais uma doação do Fred Meyers Fonds no valor de $100.000 para Nova tubulação de água.
1987VerãoA Fellowship decide publicar os livros de Corinne Heline
  Também o Quarto de ‘Antiguidades’ ficou pronto.
1988 A cidade de Oceanside comemora seu centenário.
199124/abrilOceanside emite uma Lei de Terremotos; Mount Ecclesia deve demolir três prédios devido esta Lei e realizar algumas obras de manutenção de alto custo.
1992abrilVenda de um terreno situado na baixada
1993PrimaveraSubstituição do computador velho.
1994VerãoA restauração do Centro de Cura ficou pronto.
1995fevereiroOceanside declara o prédio de 75 anos do Centro de Cura como Monumento Histórico
1997VerãoPublicação de Memórias de Max Heindel e a Fraternidade Rosacruz, escrito pela Sra. Augusta Foss Heindel em 1941, que contém 90 fotos históricas.
  Os livros de Max Heindel também são colocados em CD-ROM e também um programa de astrologia e as efemérides de 1900-2000.
1998fevereiroPublicado Echoes from Mount Ecclesia de 1913-1919 que contém 51 fotos do passado.
2001marçoO administrador da website começou a publicar num site oficial os Relatórios das Reuniões e também os livros de Max Heindel e panfletos.
20027/marçoA diretoria decide proteger os Relatórios por uma senha de proteção, mas os documentos legais como Ata de Constituição e Regulamentos Internos ficaram disponíveis. Também é decidido publicar um resumo Financeiro regularmente.
 2/abrilA diretoria decide economizar nos custos de correio e decide diminuir o Echoes de oito para no máximo quatro páginas.
 13/julhoKenneth Ray decide deixar de ser jardineiro para dedicar todo o seu Tempo desenvolvendo um jardim em homenagem a Max e Augusta Heindel.
 VerãoDevido a problemas financeiros são implementadas medidas drásticas de economia. A diretoria analisa a possibilidade de vender ou alugar 1.8 ha de terras adquiridas em 1925.
2003outubroKenneth e Elizabeth Ray se demitem das funções de jardineiro e Secretária esotérica.
 OutonoUm golpe do espanhol Francisco Nacher resultou em demissão imediata e expulsão de Charles Weber no dia 24/novembro, que durante 9 anos havia sido o redator da Rays e também responsável pela manutenção do jardim. Também foram   retiradas mais dez pessoas de suas funções e a publicação da Rays foi descontinuada.
 junhoNadine de Galzain entra com um processo contra a Fraternidade.
  Diretoria foi dissolvida legalmente e foi nomeado um Juiz para fazer mediação; foi nomeada uma comissão intermediária. A Diretoria vendeu quatro grandes palmeiras que foram retiradas em 8/6.
 julhoPor maioria dos votos os membros aprovaram o novo regulamento.
 dezembroMount Ecclesia recebe uma doação de $ 12.000.
2005janeiroMount Ecclesia recebe uma herança de $ 93.800.
 fevereiroNo dia 28/fevereiro é escolhida uma nova Diretoria que assumiria a função em abril. O prazo é de um, dois ou três anos, dependendo da quantidade de votos.
 dezembroEntre julho e dezembro Charles Weber publica as 52 edições da Rays, editados por ele em seu Site pessoal. No final de dezembro a Diretoria ordenou que fosse imediatamente retirado do site e que ele deixasse de usar a logomarca, o que ele obedeceu.
2006julhoAlguns membros digitam o Echoes e a Rays de 1913-1919 e publicam na Internet.
 22/outubroA Diretoria retira Danielle Chavalarias e Virgilio Rodriguez de suas funções de Presidente e Vice-Presidente. Membros das famílias Chavalarias, Rodriguez e Manimat são retirados de suas funções e solicitados a deixar suas moradias até dezembro. D. Chavalarias e V. Rodriguez permaneceram membros da Diretoria.
 OutonoA equipe de Mount Ecclesia era de 10 funcionários pagos (dos quais 3 não eram membros) e 5 voluntários, dos quais 2 recebem subsídio.
 5/dezembroMarie-José Clerc declarou que a ação contra a Diretoria não foi receptiva e que ela atingiu seu objetivo assinando um acordo, a saber a proteção das terras contra arrendamento ou venda.
2007VerãoA presidente Alexandra Porter e a Comissão decidem vender as 5 palmeiras que estavam mortas por causa de Fusarium Wilt para cobrir as despesas com a retirada delas.
2008PrimaveraA Presidente demite alguns funcionários de confiança, se recusa a fazer a Escola de Verão e proíbe alguns membros a fazerem cursos ou Palestras em Mount Ecclesia. A constante contenção de custos faz com que tenham poucos funcionários, não conseguem mais dar cursos e acaba o estoque de livros em Inglês e Espanhol para vender.
 5/julhoÉ escolhida uma nova Diretoria onde, entre outros, Edgar Anderson é Presidente e Jim Noel Vice-Presidente enquanto Alexandra Porter é mandada embora, fazendo com que um novo caminho seja trilhado.
N.T.:
2009 Comemorado o Centenário da The Rosicrucian Fellowship
20113/17 julhoComemorado o Centenário de Mount Ecclesia, celebrado de três modos: 1.) A Aquisição do terreno, em 3 de maio de 2011; 2.) O Centenário da Escola de Verão, em julho de 2011; 3.) A Centésima Consagração das terras à Grande Obra dos Irmãos Maiores da Rosa Cruz, de 28 a 30 de outubro de 2011. Reconsagraremos as terras pelos próximos cem anos à Grande Obra de promover os Ensinamentos Rosacruzes para ajudar no desenvolvimento espiritual da humanidade.
201128 outubroComemorado o Centenário do Dia do Fundador: plantação de 2 palmeiras em frente à Casa de Hóspedes
201228 outubroDia do Fundador: plantação de 28 palmeiras, 16 árvores frutíferas e vários arbustos
2013 Comemoração dos 700 anos de fundação da Ordem Rosacruz. Max Heindel nos disse em uma palestra proferida em 10 de dezembro de 1914 (Echoes 19) que uma onda de desenvolvimento espiritual foi iniciada na Ásia Oriental cerca de 600 anos antes de Cristo, influenciando todas as religiões, antes de chegar à Galileia onde tomou a forma presente da Religião Cristã, que se espalhou no Mundo Ocidental para prover os símbolos místicos que explicariam seus mistérios mais profundos aos pioneiros que estão trilhando o caminho em direção ao oeste. Cerca de 700 anos atrás, um posto avançado dos Mistérios Cristãos foi então fixado nos Éteres sobre a Alemanha, onde a Ordem da Rosa Cruz foi fundada em 1313, e começou a ensinar aos pioneiros que já estavam prontos. Quando Max Heindel hasteou a Bandeira Rosacruz sobre Mount Ecclesia, na fronteira mais ocidental do Novo Mundo (Costa do Pacífico), ele compartilhou a notícia que a Fraternidade Rosacruz tinha sido criada como o Centro Exotérico encarregado de preparar a transferência da Ordem Rosacruz em direção ao oeste. Ele disse que quando o Sol atingisse Aquário, em cerca de 480 anos, a própria Ordem realocar-se-ia em algum ponto da vizinhança. À medida que lemos sobre outros movimentos Rosacruzes e grupos metafísicos, podemos reconhecer a influência da Ordem a partir do início dos anos 1300. Contudo, a Fraternidade Rosacruz é a única associação com a missão específica de preparar pioneiros para o trabalho do Pai, do Filho e do Espírito Santo e para a Iniciação à Vida Eterna.
201327 fevereiroO Centro Rosacruz de Los Angeles, EUA, celebra 100 anos. O Centro de Los Angeles teve início em 27 de fevereiro de 1913. Foi o primeiro Centro na Califórnia onde Max Heindel, ele mesmo, fez várias conferências antes de fundar Mount Ecclesia. Os Irmãos Maiores lhe disseram que ali não seria a Sede da Associação, embora suas conferências fossem sempre assistidas por um auditório cheio. Desde então, nesse magnífico Centro, muitos seguidores continuaram esse grande trabalho, por meio de serviços, aulas e oficinas, sempre se esforçando em disseminar os Ensinamentos
2013junhoO Echoes From Mount Ecclesia celebra 100 anos. Em junho de 1913, Max Heindel fez o primeiro registro dos acontecimentos em Mount Ecclesia nas páginas do boletim que ele denominou “The Echoes From Mount Ecclesia”. Essa tradição de compartilhar as notícias da Sede e do mundo com nossos membros continuou ininterrupta até os dias de hoje. Lembremos as palavras de Max Heindel: “Embora o corpo de estudantes da FR esteja espalhado pelo mundo, livre de juramentos ou promessas no que diz respeito à sua vinculação com a Fraternidade, a força titânica de uma ardente aspiração nos une em um mesmo propósito: construir, sem o ruído de martelos, o Templo da Alma que é a verdadeira Igreja. Por conseguinte, todos olham para Mount Ecclesia como o foco físico das forças que objetivam elevar todos à estatura de Cristo, o “Amigo do Homem”, e todos estão ansiosos por notícias sobre as atividades da Sede, particularmente em relação à Escola de Filosofia e de Cura pronta a ser aberta. Há pouco espaço nas cartas e lições para conter os Ensinamentos. Portanto, este boletim será dedicado a notícias”.
2014junhoSubstituição da linha principal de gás, de 70 anos atrás, que se rompeu.
2015dezembroNovos Estatutos foram votados.
2016agostoConstruída a sala que foi batizada como Sala de Conferências Max Heindel (sala multiuso, adicionando duas portas e uma parede, para uso em cursos, oficinas, seminários e aulas e também como um local para atividades de levantamento de fundos, venda de livros usados e outras), depois que o canto noroeste de nossa Loja de Livros de 4.000 pés quadrados foi esmagado por um antigo pinheiro, que foi arrancado do solo por uma violenta ventania.

BIBLIOGRAFIA: LIVROS ESCRITOS

POR MAX HEINDEL

Senhora Blavatsky e a Doutrina Secreta

  • O manuscrito era originado das anotações para duas Palestras dadas para o Movimento Teosófico em 1905, em Los Angeles, e continha 57 páginas impressas.
  • O conteúdo conta como surgiu a Doutrina Secreta, sob qual plano e um resumo do conteúdo da Doutrina.
  • A primeira edição em Inglês surgiu em 1933.
  • A primeira edição em holandês surgiu em Rotterdam em 1934.

Cartas aos Probacionistas

  • Este livro contém oitenta e oito cartas, de janeiro de 1911 até dezembro de 1918, que Max Heindel escreveu para seus estudantes esotéricos: Probacionistas e Discípulos.
  • A primeira edição em inglês surgiu em 1926.
  • A primeira edição em holandês surgiu em Oceanside em 1926.

Cartas aos Estudantes

  • Este livro contém noventa e sete cartas, escritas de forma confidencial de um mestre para seus estudantes. Estas cartas escritas entre Natal de 1910 até janeiro de 1919; surgiram em forma de livro após seu falecimento.
  • A primeira edição em inglês surgiu em 1925.
  • A primeira edição em holandês surgiu em Haarlem por volta de 1934.

Como reconheceremos Cristo em seu retorno?

  • Esta brochura nos conta que Cristo retornará em seu Corpo Vital e não em um Corpo Denso. Por isto devemos desenvolver este Corpo Vital até um ponto em que consiga funcionar nele de forma consciente, antes do retorno do Cristo. Então teremos a percepção espiritual para reconhecê-LO.
  • É um relatório estenografado de uma palestra dada no Centro de Los Angeles no dia 18 de maio de 1913 por Max Heindel.
  • A primeira edição em inglês surgiu em 1914.
  • O surgimento da primeira edição em holandês é desconhecido e a 2ª Edição surgiu em Zeist sem constar o ano.

As últimas horas de um espião

  • Uma brochura de 15 páginas, de uma história da Revista Rays from de Rose Cross, de fevereiro de 1918, pág. 145.
  • A primeira versão em holandês surgiu sem data e local.

Ensinamentos de um Iniciado

  • Este livro contém uma série de lições que Max Heindel enviou a seus estudantes, juntamente com várias palestras. Alguns capítulos:
    • O método científico de desenvolvimento espiritual;
    • A morte da Alma;
    • Nosso trabalho no mundo;
    • A luz mística sobre a Primeira Guerra Mundial;
    • O Segredo do Sucesso;
    • O sinal do Mestre;
    • Religião e Cura.
  • A primeira edição em inglês surgiu em 1917;
  • A primeira edição em holandês surgiu em Haarlem em 1931.

Mistérios das Grandes Óperas

  • Fausto, Parsifal, o Anel do Nibelungos, Tannhauser, Lohengrin. Qual o verdadeiro caráter da música em si? Por que devem existir tanto dissonantes quanto harmonia? De onde vem a música?
  • Mitos – Lendas – Histórias Populares
  • Por que histórias antigas são utilizadas para enquadrar as melhores músicas de todos os tempos? Qual é o link entre a Mente humana e a música?
  • Conteúdo:
    • Fausto: Dissonância Divina; A tristeza da alma que busca; A venda de sua alma ao diabo; o custo do pecado e os caminhos da redenção.
    • Parsifal: Drama musical de Wagner.
    • O anel dos Nibelungos: As Virgens do Reno; O anel dos Deuses; As Valquírias; Siegfried o buscador da verdade; O Crepúsculo dos Deuses.
    • Tannhauser: o pendulo entre alegria e sofrimento; Menestréis, os Iniciados da Idade Média; O Pecado Imperdoável; o bastão que floriu.
    • Lohengrin: O Cavaleiro dos Cisnes.
  • A primeira edição em inglês surgiu em 1921.
  • A primeira edição em holandês surgiu em Rotterdam sem data.

Os Mistérios dos Rosacruzes

  • Neste livro Max Heindel conta, em forma de histórias, as verdades sublimes dos Ensinamentos Ocidentais com um objetivo principal de dar uma solução ao ser humano que busca – conforme os Ensinamentos Rosacruzes – e que satisfaça tanto a cabeça quanto o coração e referente aos problemas da vida.
  • Capítulo 1 – A Ordem Rosacruz e a Fraternidade Rosacruz: Movimento Espiritual; Christian Rosenkreuz; A escolha da Ordem por Max Heindel como mensageiro dos Irmãos Maiores da Rosacruz.
  • Capítulo 2 – O problema da vida e sua solução; A necessidade de pensar independentemente; Três teorias de vida; Alma e respiração.
  • Capítulo 3 – O mundo visível e os invisíveis; A atmosfera química; O Mundo do Desejo; O Mundo do Pensamento; A Palavra e ‘In den Beginne’.
  • Capítulo 4 – A constituição do ser humano; O Corpo Vital; O Corpo de Desejos; A Mente; Diferença entre Alma e Espírito.
  • Capítulo 5 – A vida e a morte; Auxiliares invisíveis e médiuns; a interpenetração dos veículos; Morte; Motivos para a busca de uma vida longa; O panorama da vida que se findou; O rompimento do cordão prateado; Método para deixar a vida passada ser revista novamente; o purgatório; Como o mal é purgado; Um lugar de limpeza e não de castigo; O primeiro Céu; A colheita dos bons atos; O cumprimento do desejo construtivo; Crianças; Luz e cor; O segundo Céu: ‘O grande silêncio’; Preparação do futuro ambiente; O terceiro Céu; Ver antecipadamente a próxima vida na terra; Preparação para reencarnação; Nascimento e vida como criança; O mistério da luz, cor e consciência; Educação das crianças. Mount Ecclesia, uma descrição da Sede Central da Fraternidade Rosacruz.
  • A primeira edição em inglês surgiu em 1911.
  • A primeira edição em holandês surgiu em Amsterdam em 1926.

Significação Mística do Natal

  • Este tratado disserta sobre o significado do Natal e o sacrifício anual do Cristo. Narra a explicação astrológica até a simplificação a natureza da religião e pinta uma bela concepção dos tempos vindouros.
  • A primeira edição em inglês surgiu em 1920.
  • A primeira edição em holandês surgiu em Amsterdam em 1927.

Iniciação Antiga e Moderna

  • Este livro mostra a diferença entre o método antigo de Iniciação, no tempo antes de Cristo, e o de Cristo para o ser humano moderno.
  • Introdução: Parte 1. O Tabernáculo no Deserto; O Templo de Mistério da Atlântida; A Arca do pacto; A santa Glória de Shekinah; Lua Nova e Iniciação.
  • Parte 2. A Iniciação Mística Cristã; O Anúncio e a Imaculada Conceição; O rito do Batismo, a tentação; a Glorificação; A última ceia e o lava pés; Getsêmani, o Jardim da tristeza; os Estigmas e a Crucificação.
  • A primeira edição em inglês surgiu em 1931.
  • A primeira edição em holandês surgiu em Rotterdam em 1952.

Palestras do Cristianismo Rosacruz

  • Uma das primeiras atividades de Max Heindel foi dar estas vinte palestras. Um esboço completo, com aplicações modernas das verdades antigas dos Rosacruzes. Título das Palestras:
  • O mistério da vida e da morte.
  • Onde estão os mortos?
  • Visão Espiritual e Mundos Espirituais.
  • Sono, sonho, transe, hipnotismo, mediunidade e loucura.
  • Morte e a vida no Purgatório.
  • Vida e trabalhos no Céu.
  • Nascimento, um acontecimento quádruplo.
  • A Ciência da nutrição, saúde e prolongamento da juventude.
  • Alegorias astronômicas na Bíblia.
  • Astrologia: seu alcance e limitações.
  • Visão Espiritual e discernimento.
  • Parsifal: O drama Místico de Wagner.
  • Os Anjos como fator de evolução.
  • Lúcifer, sedutor, benfeitor ou ambos?
  • O Mistério do Gólgota e o sangue purificador.
  • A Estrela de Belém: um fato místico.
  • O mistério do Santo Graal.
  • O Pai Nosso.
  • A Força vindoura. Vril ou o que?
  • Fraternidade e a Raça vindoura.
  • A primeira edição em inglês surgiu em 1909; em 1939 foi editada em formato de livro.
  • A primeira edição em holandês surgiu em Haarlem em 1929.

A Teia do Destino

  • Este livro contém dezesseis das vinte e nove lições mensais que Max Heindel escrevia para seus estudantes regulares. É o fruto de verdadeira pesquisa esotérica. O livro se subdivide em quatro partes e dezesseis capítulos:
  • Investigação Espiritual, o Corpo Vital; O Cristo Interno, a Memória da Natureza; O Guardião do Umbral; Espíritos apegados à Terra; O corpo de pecados; Possessões por demônios autocriados; Elementais; Obsessão de seres humanos e animais; Criação do ambiente; Gênese das enfermidades mentais e físicas; A causa das enfermidades; Tentativas do Ego para escapar do corpo; Efeitos da lascívia; Os raios de Cristo constituem o “Impulso Interno”; Visão Estérea; Destino coletivo.
  • A Função do Desejo; Efeitos da cor da emoção nos encontros de massas de pessoas; O efeito isolante da preocupação; Efeitos da Guerra sobre o Corpo de Desejos; O Corpo Vital afetado pelas detonações dos grandes canhões; Contrição; Os perigos dos excessos de banhos.
  • A natureza da preparação da Oração; As asas e as Forças Axiais; A Invocação; O Clímax.
  • Métodos práticos para alcançar o Sucesso baseados na conservação da força sexual.
  • Primeira edição em inglês surgiu em 1920.
  • Primeira edição em holandês surgiu em Amsterdam em 1928.

A Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas 1

  • Este livro responde 189 perguntas partindo de um ponto de vista ocultista conforme foram feitas a Max Heindel.
  • Alguns assuntos: O objetivo da vida na Terra; Divisão dos Sexos; Casamento; Crianças; Sono e Sonhos; Saúde e doença; O Purgatório; A Queda; A Imaculada Conceição; Iniciação; Astrologia; Espíritos de grupo animais; O Santo Graal; A Pena de Morte.
  • A primeira edição em inglês surgiu em 1910.
  • A primeira edição em holandês surgiu em Amsterdam em 1927.

A Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas 2

  • Esta parte contém perguntas e respostas das antigas edições do Echoes e Rays from the Rose Cross, que, com algumas exceções nunca apareceram antes em forma de livro. Portanto este livro contém informações que para todos os pesquisadores de ocultismo é de altíssimo valor. O livro trata de 165 assuntos que da forma usual e profunda de Max Heindel são divididos nos seguintes capítulos: Vida após a morte; Renascimento; Saúde e doença; Os Mundos Invisíveis; Visão Etérica; Iniciação; Explicações da Bíblia; Astrologia; Perguntas diversas.
  • A primeira edição em inglês surgiu em 1947.
  • A primeira edição em holandês surgiu em Den Haag em 1990.

O Conceito Rosacruz do Cosmos

  • Este manual descreve o esquema completo dos Ensinamentos de Sabedoria Ocidental até o ponto que atualmente pode ser divulgado abertamente. Contém uma explanação detalhada, tanto religiosa quanto científica, do desenvolvimento do ser humano e do universo. Max Heindel recebeu estes ensinamentos pessoalmente dos Irmãos Maiores da Rosacruz.
  • Parte um contém uma descrição dos Mundos Visível e Invisíveis; O ser humano e seu desenvolvimento; Renascimento e a Lei de Causa e Consequência.
  • Parte dois descreve o esquema de evolução no geral e de nosso sistema solar e a Terra em especial.
  • Parte três trata de Cristo e sua Missão; Desenvolvimento Futuro e Iniciação; Instrução Esotérica e método para adquirir o conhecimento direto.
  • A primeira edição em inglês surgiu no final de novembro de 1909.
  • A primeira edição em holandês surgiu em Amsterdam em 1913.

Ensinamentos de um Iniciado

  • Capítulos: O dias de Noé; O Sinal do Mestre; O que é o trabalho espiritual; O Caminho da Sabedoria; O Segredo do Sucesso; A Morte da Alma; O Novo sentido da Nova Era; O Povo escolhido de Deus; Luz Mística na Guerra Mundial; O Significado Esotérico da Páxão e o Ponto de Partida de Partida da Filosofia Rosacruz; Método Científico para o Desenvolvimento Espiritual; Os Céus proclamam a Glória de Deus; Religião e Cura; Discruso na colocação da Pedra Fundamental em Mount Ecclesia; Nosso Trabalho no Mundo; Condenação Eterna e Salvação; O Arco nas Nuvens; A Responsabilidade do Conhecimento A Jornada no Deserto. O livro contém 24 capítulos.
  • A primeira edição em inglês surgiu em 1922.
  • A primeira edição em holandês surgiu em Haarlem em 1934.

Maçonaria e Catolicismo

  • Em termos maçons esotéricos, Max Heindel explica neste livro o conflito entre os filhos de Caim e os filhos de Seth e desvenda a alegoria que a relação entre o Templo de Salomão, a Rainha de Sabá e o mestre Hiram Abiff.
  • A primeira edição em inglês surgiu em 1914.
  • A primeira edição em holandês surgiu em Haarlem em 1929.

COMPOSTOS DOS TRABALHOS DE MAX HEINDEL

O Corpo de Desejos

  • O Corpo de Desejos do ser humano é o veículo de desejos e sentimentos. Quando isto é controlado de forma correta é o meio em que pode se conseguir um crescimento espiritual imenso. A mudança dos desejos é a primeira exigência para cada um que tem objetivos espirituais.
  • O livro contém: O Mundo do Desejo Planetário; Origem e desenvolvimento do Corpo de Desejos do ser humano no mundo físico; O Corpo de Desejos do ser humano nos mundos invisíveis; A espiritualização do Corpo de Desejos.
  • A primeira edição em inglês surgiu em 1953.
  • Ainda não traduzido para o holandês.

Algumas questões da primeira parte do Conceito Rosacruz do Cosmos de Max Heindel

  • Em 1917 Max Heindel pediu para Kittie Skidmore Cowen de Montana, Idaho, EUA, montar um curso para iniciantes contendo 12 lições, com perguntas e respostas, da primeira parte do Conceito Rosacruz do Cosmos. Este livrinho tem por objetivo ajudar as pessoas que corrigem as lições de Estudantes Regulares e nunca foi colocado à venda no mercado. O livrinho contém 66 páginas e foi publicado uma única vez em Bandoeng em 1924.

Visão Etérica e o que ela revela

O Corpo Vital

  • As Escolas de Sabedoria Ocidental ensinam o preceito que ‘o desenvolvimento oculto começa no Corpo Vital’. Este livro oferece fatos referentes a:
  • A primeira edição em inglês surgiu em 1950.
  • Ainda não traduzido para o holandês.

O Mistério das Glândulas Endócrinas

  • O funcionamento espiritual das glândulas endócrinas baseado nos escritos de Max Heindel; a estrutura fisiológica e o funcionamento baseados no manual sobre glândulas endócrinas do Dr. Louis Berman.
  • A primeira edição em inglês surgiu em 1940.
  • A primeira edição em holandês surgiu em Rotterdam sem data.

 Interpretação Mística da Páscoa

  • Este livrinho trata da ascensão anual de Cristo. Esclarece o significado esotérico deste acontecimento e aponta para a lição pessoal que pode ser adquirida com isto. Informações valiosas referentes à cruz e o que acontecia com o Corpo Denso de Jesus.
  • A primeira edição em inglês surgiu em 1933.
  • A primeira edição em holandês surgiu em [Zeist] sem referência de local ou data.

Espíritos e Forças da Natureza

  • Conteúdo: Sete Capítulos. Os Éteres e as leis naturais. Atividades no Mundo Espiritual e as forças naturais. A Missão de Cristo e a Festa das Fadas. Forças dos diversos períodos. O Espírito da Terra. Duas perguntas e respostas. A composição da Terra e as explosões vulcânicas.
  • A primeira edição em inglês surgiu em 1937.
  • Ainda não traduzido para o holandês.

Princípios Ocultos de Saúde e Cura

  • O núcleo dos Ensinamentos Rosacruzes sobre este assunto importante foi selecionado dos livros e artigos de Max Heindel. Alguns capítulos: O Ser humano e seus veículos. Hereditariedade e doença. Causas gerais e específicas de doenças. O método Rosacruz de cura. O pensamento e a cura. A ciência da alimentação. Efeitos da retirada de órgão. A base terapêutica da luz, cor e som. A extensão da cura. A verdadeira natureza da morte. Como podemos ajudar o falecido.
  • A primeira edição em inglês surgiu em 19?? (2ª edição em 1928)
  • A primeira edição em holandês surgiu em Zeist em 1954.

Arquétipos

  • Os grandes problemas e tensões da atualidade estimulam o crescimento de nosso poder de pensamento, nosso próximo poder. Gradualmente cada ser humano se torna um pensador e, portanto, trabalhador no Mundo do Pensamento. Se o ser humano construir de forma sábia e justa, como um criador, ele deve primeiramente saber sobre o caráter e a grande importância dos arquétipos, embora eles façam o trabalho dos Seres Superiores, ou de seus próprios poderes, menos desenvolvidos.
  • A primeira edição em inglês surgiu em 1950.
  • Ainda não traduzido para o holandês.

Princípios dos Rosacruzes  para a Educação Infantil

  • Uma compilação sobre educação infantil conforme os princípios dos Rosacruzes. Conteúdo: Capítulo 1: Educação de crianças; Método de educação. Capítulo 2: Hereditariedade e o problemas da infância. Capítulo 3: Motivos de falecimentos na infância. Capítulo 4: Astrologia e a criança. 
  • A primeira edição em inglês surgiu em 1928.
  • A primeira edição em holandês surgiu em Rotterdam sem data.

A Escala Musical e o Esquema de Evolução

  • Correlação entre os ensinamentos ocidentais e os princípios cósmicos onde a música é baseada. Um assunto particularmente interessante descrito de uma forma fascinante e iluminadora.
  • A primeira edição em inglês surgiu em 1949.
  • Ainda não traduzido para o holandês.

A Missão de Nosso Senhor Jesus Cristo

  • A primeira edição em inglês surgiu em 1940.
  • Ainda não traduzido para o holandês.

O Cordão Prateado e os Átomos-sementes

  • Este livrinho importante contém quatro ilustrações de slides que Max Heindel utilizava, e um diagrama do Cordão Prateado triplo. Trata do Cordão Prateado e dos Átomos-sementes no nascimento e morte; durante o sono, seu crescimento e evolução durante toda a evolução. Contém material que atualmente não é muito acessível.
  • A primeira edição em inglês surgiu em 1968.
  • Ainda não traduzido para o holandês.

POR AUGUSTA FOSS HEINDEL

Aprisionados à Terra

  • Este folheto descreve a ligação ao mundo material após a morte de pessoas que viveram uma vida licenciosa ou criminosa ou que cometeram suicídio. Conhecimento sobre o caráter inconveniente e dolorido do estado de estar preso à terra, destina-se a estimular a ação correta nesta vida.
  • A primeira edição em inglês surgiu antes de 1931.
  • A primeira edição em holandês surgiu em Zeist em 1956.

Evolução sob o Ponto de Vista dos Rosacruzes

  • Este livrinho descreve o estado importante do desenvolvimento da humanidade durante o Período Terrestre. Mostra o desenvolvimento dos quatro veículos do ser humano e compara o Darwinismo com a teoria do desenvolvimento dos Rosacruzes. Discute o desenvolvimento material e espiritual do ser humano e a matriz para um novo Corpo Vital que está sendo formado agora.
  • A primeira edição em inglês surgiu em 1925.
  • Ainda não traduzido para o holandês.

O Surgimento da Fraternidade Rosacruz

  • Neste folheto a Sra. Augusta Foss Heindel descreve as condições de Max Heindel quando teve o primeiro contato com os Irmãos Maiores da Rosacruz; escreveu o Conceito Rosacruz do Cosmos e fundou a Fraternidade Rosacruz.
  • A primeira edição em inglês surgiu em 1 de dezembro de 1923.
  • A primeira edição em holandês surgiu em Amsterdam em 1925.

Memórias de Max Heindel e a Fraternidade Rosacruz

  • Estas lembranças foram escritas em 1941 e publicadas em 1997. O livro contém 94 fotos em preto e branco e 7 fotos coloridas.
  • A primeira edição surgiu em 1997.
  • Ainda não traduzido para o holandês.

DE OUTROS ESCRITORES E DE ASTROLOGIA ROSACRUZ

Histórias Aquarianas para Crianças

  • Histórias, poemas e peças interessantes dedicadas ao departamento ‘infantil’ do Rays from the Rose Cross e coletados em sete partes com ilustrações atraentes.
  • A primeira edição em inglês surgiu em:
    • Parte 1 1951
    • Parte 2 1953
    • Parte 3 1958
    • Parte 4 até 7 em 1970.
  • Ainda não traduzido para o holandês

Cristo ou Buda?

  • Annet C. Rich, com um prefácio de Max Heindel.
  • Neste livrinho a Sabedoria Ocidental dos Rosacruzes, conforme colocada em livro por Max Heindel, é comparada com os ensinamentos do ocultismo oriental. É demonstrado a imensurável diferença entre Cristo, o Espírito Planetário do Mundo, com Buda, o Mestre inspirador dos Hindus.
  • A primeira edição em inglês surgiu em 1914.
  • A primeira edição em holandês surgiu em Amsterdam em 1926.

Na Terra dos Mortos que Vivem

  • Uma história ocultista escrita por Prentiss Tucker.
  • O romance de um jovem estudante. Sua experiência nas trincheiras durante a primeira Guerra Mundial foi apenas uma introdução às suas aventuras na quarta dimensão. Uma aventura que é uma resposta clara à pergunta de Jó: ‘Quando uma pessoa morre, continua vivendo normalmente? ’
  • É apenas uma ‘história’, mas verdadeira para o ensinamento ocultista.
  • Conteúdo: Uma visita aos Mundos Invisíveis. A experiência de um sargento após sua morte. Fuga da alma. A concepção de um jovem sobre a fé. Um soldado assassinado consola sua mãe. Um estudo das auras. Uma experiência dos seres da natureza. Uma crise no amor. Novamente luz.
  • Após a primeira edição do Rays de outubro de 1918 (pág. 202) a primeira edição do livro em inglês surgiu em 1921.
  • Ainda não traduzido para o holandês.

Rex e Zendah

  • Histórias para crianças escritas por Esme Swainson.
  • A Palavra Sagrada e a conotação criadora, a relação entre religião e ciência através da música
  • Escrito por Robert C. Lewis.
  • A primeira edição em inglês surgiu em 1986.
  • Ainda não traduzido para o holandês.


OUTRAS PUBLICAÇÕES DA FRATERNIDADE ROSACRUZ

Echoes de Mount Ecclesia 1913-1919

  • Esta revista, que antecedeu a revista Rays from the Rose Cross, foi encadernada em forma de livro. Contém 574 páginas e 51 fotos histórias em preto e branco.
  • A primeira edição em inglês surgiu em 1998.
  • Ainda não traduzido para o holandês.

Manual dos Rituais da Fraternidade Rosacruz

  • Contém os textos dos rituais de Serviço, de Cura e rituais de Casamento e Falecimento. Também a Oração Rosacruz e cantos de abertura e encerramento e uma explicação de como cuidar dos falecidos.
  • A primeira edição em inglês surgiu em 1940.
  • Traduzido para o holandês sem data e local.

Cantos de Luz

  • Uma coletânea com 56 páginas de músicas e hinos que são cantados durante os rituais surgiu sem data.
  • Ainda não traduzido para o holandês.

Livro de Culinária Vegetariana da Nova Era

  • Um livro para vegetarianos e outros que tenham interesse em comida saudável. Contém receitas, menus e informações valiosas sobre minerais, vitaminas, valor nutricional, como cozinhar, cozimento na pressão, congelamento, etc. Também tem uma parte com temperos como medicamentos e para utilizar no preparo de menus para boa alimentação. O livro contém 492 páginas.
  • A primeira edição em inglês surgiu em 1968.
  • Ainda não traduzido para o holandês.

Rays from the Rose Cross [Raios da Rosacruz]

  • Uma revista bimestral de 60 páginas, que surgiu pela primeira vez em 1915.

Saladas e Menus Vegetarianos

  • Um livrinho com 41 páginas sem data.
  • Ainda não traduzido para o holandês.

Registro total dos livros de Max Heindel

  • Este livro contém 278 páginas com o registro completo dos assuntos conforme aparecem nos livros de Max Heindel.
  • A primeira edição em inglês surgiu em 1930.
  • Ainda não traduzido para o holandês.

Anotações Científicas

  • Explicação resumida sobre as partes e forças primitivas que estão subjacentes no Universo. Descobertas científicas referente aos átomos e suas forças em forma de diagramas.
  • Um folheto com 7 páginas (3ª edição de 1974, da Sra. Ann Barkhurst).
  • Ainda não traduzido para o holandês.

Lições da Escola Dominical da Fraternidade Rosacruz

  • São doze livrinhos encadernados, para cada mês solar, com um manual. No total de 390 páginas.
  • Mais tarde reescrito e dividido em seis partes, total de 516 páginas sem data.
  • A primeira edição em inglês surgiu sem data [1925??]
  • Ainda não traduzido para o holandês.

Rituais de Solstícios e Equinócios

  • Contém os textos dos Rituais de Março, Junho, Setembro e Dezembro.
  • A primeira edição em inglês surgiu em 1955.
  • Traduzido para o holandês sem data e local.


ASTROLOGIA

Astrodiagnose, um Manual de Cura

  • Escrito por Max Heindel e Augusta Foss Heindel.
  • Tem um capítulo para cada parte do corpo com uma explicação de como ‘ler’ o mapa natal para formar um diagnóstico.
  • Também são descritos métodos naturais de cura conforme as doenças. O livro contém 107 mapas natais e tem 492 páginas.
  • A primeira edição em inglês surgiu em 1928.
  • A primeira edição em holandês surgiu em Amsterdam em 1932.

Astrologia e as Glândulas Endócrinas

  • Este livrinho contém 34 páginas e descreve as regras astrológicas das diversas glândulas endócrinas e demonstram suas funções. Conteúdo: A Época Polar; o Jardim do Éden; Duas glândulas endócrinas; O gás espinhal.
  • A primeira edição em inglês surgiu em 1936.
  • Ainda não traduzido para o holandês.

 Ajudas Astrológicas

  • Um folheto de 23 páginas.
  • A primeira edição em inglês surgiu sem data.
  • Ainda não traduzido para o holandês.

A Mensagem das Estrelas

  • Escrito por Max Heindel.
  • Alguns capítulos:
  • Capítulo 1: é dedicado especialmente à astrologia espiritual sobre a evolução conforme descrito no zodíaco. Princípio da Época Atlante; Metade da Época Atlante; Final da Época Atlante; A Época Ariana; Idade Pisciana; Idade Aquariana.
  • Capítulos 2–7: O grau de suscetibilidade às vibrações planetárias; você nasceu sob uma boa estrela?; A influência dos 12 Signos no Ascendente; A natureza intrínseca dos Astros.
  • Capítulos 8–12: Para cada Astro é dedicado um capítulo; uma análise das 12 Casas; 12 Signos; e em Aspectos com os Astros.
  • Um capítulo sobre as oitavas planetárias; breve descrição; as palavras-chave; A Mente e o Astro regente; Sorte na vida; Saúde; Finanças; Profissão; Casamento; Filhos; O Segundo Casamento.
  • Capítulos 22-27: Diferentes métodos de Progressão; cálculo ajustado da Data; Progressões dos Ângulos; Direções Solares progredidas; Direções lunares progredidas; Aspectos mútuos dos Astros; Trânsitos.
  • Capítulos 28-30: Astrologia Médica; Diagnose; Efeitos patológicos dos Doze Signos; as glândulas endócrinas; 36 horóscopos de exemplos.
  • A primeira edição em inglês era não mais que uma brochura, foi escrito por volta de 1910. O livro foi completamente revisado e ampliado em 1916.
  • A primeira edição em holandês surgiu em Amersfoort em 1924.

O Horóscopo de seu Filho, parte 1

  • Uma compilação da descrição do horóscopo conforme escritos de Max Heindel na Rays from the Rose Cross. Pelo fato de faltar os horóscopos que estão na Rays o livrinho perde muito de seu valor, contém 97 páginas.
  • A primeira edição em inglês surgiu em 1971.
  • Ainda não traduzido para o holandês.

O Horóscopo de seu Filho, parte 2

  • Igualmente a parte 1, faltam os horóscopos também. Este livrinho contém 96 páginas.
  • A primeira edição em inglês surgiu em 1984.
  • Ainda não traduzido para o holandês.

Sistema de Palavras-Chave

  • Escrito por J. D. [Joseph Darrow]
  • O folheto contém 16 páginas e surgiu em 19??
  • A primeira edição em holandês surgiu em Den Haag sem data.

Estudos de Astrologia

  • Escrito por Elman Bacher.
  • Contém 9 partes com um total de 907 páginas. É um estudo aprofundado dos diversos Aspectos astrológicos. Astros, Signos, Casas, influências astrológicas sobre as artes e outros terrenos da vida. Relaciona os horóscopos e os diferentes ciclos da vida e outros aspectos.
  • A primeira edição em inglês surgiu a partir de 1962 até 1968.
  • Ainda não traduzido para o holandês.

Astrologia Científica Simplificada

  • Um manual simples e fácil para iniciantes sobre a forma de cálculo dos mapas natais. Contém também uma descrição com lista de nomes e tabela de horas planetárias.
  • O livrinho contém 198 páginas. A primeira edição surgiu em Seattle em 1909 e foi ampliada em 1916.
  • A primeira edição em holandês surgiu em Amsterdam em 1928.

Efemérides Científica Simplificada

  • Com tamanho de letra grande, resumida e de fácil utilização. Indica as luas cheias e novas, eclipses, os nodos lunares e o cumprimento e declinações, acrescentado de uma tabela logarítmica de 24 horas.
  • Eles começaram em 1923. A partir de 1936 os dados de Plutão também foram incluídos.

Tabela de Casas Científica Simplificada

  • A Tabela de Casa conforme Placidus a partir de 0 até 66 graus (para graus maiores 66-90 este sistema não funciona). Também fornecendo as coordenadas de 4500 cidades do mundo

F I M


[1] Com um fundo de azul celeste, na parede ocidental, encontra-se uma estrela dourada de cinco pontas, e cada ponta contém treze raios. Nela está fixada uma cruz branca, com uma guirlanda contendo sete rosas vermelhas. No centro da cruz, uma rosa branca. Somente durante os rituais o emblema é aberto. Em outros momentos é mantido coberto por uma cortina.

[2] Texto Retirado do Livro: Conceito Rosacruz do Cosmos, O Simbolismo da Rosacruz, de Max Heindel.

[3] Algumas palavras nestes parágrafos foram escritas no singular e foram alteradas para o plural.

[4] N.T.: Canção popular tradicional ou canção de ninar conhecida no Reino Unido. De acordo com o Dicionário Oxford de Citações (5º ed. 1999), uma impressão inicial do texto está contida em Archaeoligica Cornu-Britannica (1790) por William Pryce. O cenário musical por Isaac Nathan, da melodia habitual para esta canção, antecede 1864, o ano da sua morte. É possível que Nathan tenha composto a melodia, no entanto, poderia ser um arranjo de uma melodia preexistente.

[5] N.T: Escrita pelo americano Nathaniel Parker Willis (1806-1867) e musicada pelo americano Thomas Dunn English (1819-1902).

[6] Os cálculos astrológicos foram executados com o auxílio do programa Astrolab 3.008 de Ole Eshuis, Amsterdam.

[7] Este livro surgiu primeiramente em latim com o título Harmonice Mundi em Linz em 1619. Uma tradução para o Alemão feita por Max Caspar surgiu em 1940 como banda 6 do Gesammelte Werken von Johannes Kepler. Uma re-edição surgiu com o título: Was die Welt im Innersten Zusammenhalt. Antworten aus Kepler Schriften. Mit einer Einleitung, Erlauterungen und Glossar. Herausgegeben von Fritz Krafft, Wiesbaden 2005 [ISBN 3-86539-015-3]. Uma tradução em inglês surgiu como: The Harmony of the World, by Johannes Kepler, traduzido por E.J. Aiton; A.M. Duncan; J.V. Field; em Philadelphia em 1997 [ISBN 0-87169-209-0]. É o quarto livro, capítulo 5 denominado: ‘Sobre os efeitos dos aspectos influentes e seus graus em número e ordem de influência’.

[8] N.T.: Meio do Céu – cúspide da 10ª Casa

[9] N.T.: Naometria (“medição do templo”) é um livro de profecias atribuídas a Simon Studion e publicado em 1604. Suas duas mil páginas cobrem previsões baseadas em numerologia que incluem a destruição do Papado. Foi dedicado a Frederico I, duque de Württemberg.

[10] N.T.: LMT (Local Mean Time) – Tempo Médio Local é uma forma de tempo solar que corrige as variações de tempo aparente local; a formação de uma escala de tempo uniforme a uma longitude específica. Esta medição do tempo foi utilizada, para o uso diário, durante o século 19, antes de que os fusos horários fossem introduzidos, a partir do final do século 19; ele ainda tem alguns usos na astronomia e navegação.

[11] N.T.: GMT ou TMG é um acrônimo para Greenwich Mean Time, que, em português, significa Hora Média de Greenwich (mais comumente chamado de Hora de Greenwich), e que é conhecido como o marcador oficial de tempo. O fuso horário é contabilizado a partir do meridiano de Greenwich: para oeste, o fuso é negativo; para leste, será positivo.

Assim, num lugar do planeta onde o fuso-horário é GMT-02:00, o horário GMT será diminuído de 2 horas. Desta forma, 17h GMT numa região GMT-02:00 será 15h no horário local desta região. No dia 1 de Janeiro de 1972, o GMT foi substituído pelo UTC, como referencial de tempo universal.

[12] Johann Valentin Andreae, Memorialia, benevolentium honori, amori et condolentiae data. Argentorati, sumptibus haeredum Lazari Zetneri, Anno M.DC.XIX. Tobiae Hessi, viri incomparabilis, immortalitas, MDCXIX. A tradução em holandês foi fornecida pela Bibliotheca Philosophica Hermetica em Amsterdam.

[13] Isto é conforme o calendário Gregoriano ou atual; conforme o calendário Juliano é 10 dias antes. Isto também vale para o século XVII.

[14] Hans Schick, Die geheime Geschichte der Rosenkreuzer (A História Secreta dos Rosacruzes), Schwarzenberg CH 1980, pág. 116.

[15] J.V. Andreae, Collectaneorum mathematicum decades XI, Tubingen 1614, figura 42 (e não 36 como J.W.. Montgomery em Cross and Crucible, Den Haag 1973, escreveu em sua nota de rodapé 120 da pág. 51).

[16] N.T.: Manual de Astrologia: A Mensagem das Estrelas

[17] N.T.: Manual de Astrologia

[18] Steiner não nasceu no dia 27, neste dia ele foi batizado. Veja entre outros: Christoph Lindenberg; Rudolf Steiner, Rowohlt pocket, nr. 1090, Stutgart 1988, pág. 8.

[19] Londres, mesmo ano, 3ª Edição, pág. 42 sob o nr. 753. Leo informa que recebeu o momento do nascimento de von Sievers e também referência seu livro How to judge a Nativity, parte 2, 388 e 247. Este livro mais tarde foi intitulado como The Art of Synthesis, Londres 1912. Na pág. 206-211 tem o Mapa de Steiner e descrição, calculado para 27 de fevereiro de 1861.

[20] Do Estado da Califórnia, departamento de Health and Services, County of Riverside, ato 3355 (Com agradecimentos a Norman Schwenk).

[21] Do Estado da Califórnia, County of Los Angeles, Marriage License nr 1337 (Com agradecimentos a Norman Schwenk).

[22] Do Livro Mensagem das Estrelas, horóscopo número 2, de Max Heindel e Augusta Foss Heindel. Veja também o livro A Teia do Destino, parte 3 e 4, de Max Heindel – Fraternidade Rosacruz.

[23] As informações sobre Martinus van Warendorp são do Registro de Cidadãos de Amsterdam, do Registro de Cidadãos de s-Gravendeel e do Serviço Central de Genealogia em Haia. As informações de Agatha Zegwaard são, para o nascimento e falecimento, do Cartório de Amstelveen e Bussum. A data em que se tornou vegetariana, associação, etc. foram retirados de seu caderno de anotações, que estavam na posse de Jaap Kwikkel, que eu recebi posteriormente ao seu falecimento e que depois foram doados à Biblioteca Philosophica Hermetica em Amsterdam. Muitos dados eu recebi do Sr. Jaap Kwikkel e também retirei de sua biografia denominada Herinneringen (NT: Lembranças), escrito em Nijverdal de 1986-1988. Datilografado em 442 páginas em formato A4 e distribuído com algumas cópias somente para os filhos. Seu filho Michel me permitiu fazer uma cópia. Aqui são importantes: páginas 141-153: Membro dos Rosacruzes; pág. 208-215: As intrigas de Jan Leene; páginas 308-310: Senhora Van Warendorp. Jaap Kwikkel nasceu em 23-03-1896 às 1:15 horas conforme sua mãe, às 4:00 horas conforme os dados do Registro e conforme ele mesmo às 3:00 horas em Zaandam, onde ele possuía uma loja de ervas. Ele faleceu no dia 1-12-1990 no meio da tarde em Nijverdal.

[24] O título era: Rozenkruizers Cosmologie, of Mystiek Christendom (NT: Cosmologia dos Rosacruzes ou Cristianismo Místico) traduzido do Inglês por A. J. J. Hattinga Raven, editado em 1913 por: N.V. Editora Teosófica, Amsteldijk 79, Amsterdam. A 2ª Edição de 1924 foi publicada pela mesma Editora, mas se chamava então “Gnosis”, situada em Celebesstraat 65, em Amsterdam. O proprietário era o Sr. W. Symons. Mais tarde a Editora se mudou para o Voltaplein 1.

[25] Quando o Centro da The Rosicrucian Fellowship de Amsterdam se tornou um charter (com certificado de reconhecimento) não é conhecido. Existiam alguns pequenos grupos que se denominavam “The Rosicrucian Fellowship”, mas não eram filiados e tiveram uma existência curta. Veja Ferdinand Maack, “Das Rosenkreuz”, A. A. W. Santing, Notities bij de geschiedenis der R + Cr beweging in de 20e eeuw (NT: Anotações da história de R + Cr no início do Século 20), Hamburg 1923, pág. 15-16. Jaap Kwikkel, Herinneringen, Nijverdaal 1988, pág. 142, 153. Rays from the Rose Cross, julho de 1921, pág. 119.

[26] Veja também: 1927-1967, 40 Jahre Rosenkreuzer-Bewegung in Deutschland (NT: 1927-1967, 40 anos do Movimento Rosacruzes na Alemanha). Eine Denkschrift der Rosenkreuzer-Gemeinschaft, Deutsche Zentralstelle Darmstadt, Fruhjahr 1967 (NT: um pensamento da Comunidade Rosacruz, Central Alemã em Darmstad, no ano de 1967), Pág. 3.

[27] Dados de nascimento fornecidos pelo Cartório de Registros de Haarlem. Veja também a genealogia Leene/Leenties, levantada por Jan Jans Leenties, 25 de março de 2002 na internet.

[28] Jan e Wim foram, em 1924, seguir as lições, o que durou meio ano. Após terem feito isto se tornaram “Estudantes Regulares” o que durou 2 anos. Depois puderam se tornar Probacionistas. Isto deve ter ocorrido por volta de 1927/28. Como Probacionista pode iniciar um Centro de Estudos.

[29] Todas as cartas sobre esta questão estão em meu arquivo pessoal.

[30] O fato de citar os Estudantes é uma exceção, porque apenas os Probacionistas e Discípulos têm direito a voto.

[31] N.T.: Francis Bacon (1561-1626) – político, filósofo e ensaísta inglês.

[32] N.T.: por vezes grafado como Jacob Boëhme (1575-1624) – filósofo e místico luterano alemão

[33] N.T.: Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832) –  autor e estadista alemão que também fez incursões pelo campo da ciência natural

[34] N.T.: Wilhelm Richard Wagner (1813-1883) – maestro, compositor, diretor de teatro e ensaísta alemão

[35] Max Heindel, no Livro: Conceito Rosacruz do Cosmos, Cap. XIX

[36] NT: O Warhaffte e preparação perfeita da Pedra Filosofal, A Irmandade da Ordem do florim – e Rosa Cruzes, etc.

[37] Catálogo da Exposição Magia, alchemia, scienza dal ‘400 al ‘700 L´influsso di Ermete Trismegisto em maio de 2002 em Veneza, parte 2, págs. 225-228. Este manuscrito (BN codex XII – E – 30 ff. 226r-242v), que se encontra na Bibliotheca Nazionale em Nápoles, é descrito por Gilly no mesmo catálogo sob o número 87, pág. 221-224.

[38] Adolf A.W. Santing, ‘Os Rosacruzes históricos e sua conexão com os maçons’ em Bouwstenen, ano 5, nr. 1, abril de 1930 até ano 7, nr. 4, julho de 1932. Também foi reeditado sob o título: ‘Os Rosacruzes Históricos’, pela Editora W.N. Schors, Amsterdam mesmo ano [1977], pág. 130-162.

[39] Idib, pág. 195-254. Veja também Karl R. H. Frick, Die Erleuchleten, Graz 1973, pág. 419-424.

[40] Karl R.H. Frick, Licht und Finsternis II, pág. 402-404, 429-430.

[41] Veja item 10.

[42] Veja item 9.

[43] Frick, Licht und Finsternis II, Pág. 429-437.

[44] Frick, Licht und Finsternis II, pág. 346.

[45] No que se refere a Bulwer Lytton não existe arquivo histórico de filiação à maçonaria e nem a qualquer grupo de Rosacruzes. Parece não ter tido nada contra ser membro honorário da SRIA. Veja Frick, Licht und Finsternis II, Pág. 350.

[46] Veja item 5.

[47] Frick, Licht und Finsternis II, pág. 355.

[48] Literatura: Licht und Finsternis II, pág. 452-355; Ellic Howe, The Magicians of the Golden Dawn, Oxford 1972; R.A. Gilbert, The Golden Dawn; Twilight of the Magicians, Welling-borough, Northamptonshire 1983 e R.A. Gilbert, The Golden Dawn Scrapbook; The Rise and Fall of a Magical Order, York Beach 1997.

[49] N.T.: A lignina é uma macromolécula tridimensional amorfa encontrada nas plantas terrestres, associada à celulose.

[50] Literatura: Helmut Moller e Ellic Howe, Merlin Peregrinus; Von Untergrund des Abendlandes, Wurzburg 1986. Karl R.H. Frick, Licht und Finsternis II, pág. 462-475.

[51] Frick, Licht und Finsternis II, pág. 391, 393.

[52] Veja item 10.

[53] Frick, Licht und Finsternis II, pág. 393.

[54] Veja para uma explicação completa Adendo 7.

[55] H. Spencer Lewis, Rosicrucian Questions and Answers; with complete history of the Rosicrucian Order, San Jose 1954, Capítulo 8. A Ordem foi fundada no Canadá.

[56] Christopher McIntosch, The Rosicrucians, Northamptonshire 1987, pág. 135.

[57] Dados de nascimento adquiridos no Registro Civil de Rotterdam, com agradecimentos ao Sr. F. Vermeulen.

[58] Konrad Dietzfelbinger, Die Geistesschule des Goldenen Rosenkreuzes – Lectorium Rosicrucianum; eine spirituelle Gemeinschaft der Gegenwart (A escola de pensamento do Rosacruz Dourado – Lectorium Rosicrucianum; uma comunidade espiritual da presença), Andechs 1999, pág. 96 e Antonin Gadal, Op Weg naar de heilige Graal (A Caminho do Santo Graal), Haarlem 1960, pág. 148.

[59] Entrevista com Henk Leene, o filho de Jan Leene, em 24 de agosto de 1998 em Oz, França por Frans Smit.

[60] Veja também o Adendo 12 ‘Agatha van Warendorp-Zegwaard’.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Nossa Vida Aqui, nossa Vida Lá; Nossos Poderes Aqui, Nossos Poderes Lá

Cedo ou tarde chegará um momento em que a consciência será forçada a reconhecer o fato de que a vida aqui, como a conhecemos, é passageira e que, em meio a todas as incertezas da nossa existência, há apenas uma certeza — a Morte!

Quando a Mente é despertada pelo pensamento desse salto no escuro, que em algum momento deve ser tomado por todos, as grandes perguntas “De onde viemos? Por que estamos aqui? Para onde vamos?” devem inevitavelmente surgir. Esse é um problema fundamental com o qual todos devem, mais cedo ou mais tarde, lidar e é da maior importância como resolveremos isso, porque a opinião que adotarmos vai colorir toda a nossa vida.

Somente três teorias dignas de reconhecimento foram apresentadas para resolver esse problema. Para nos situarmos em um dos três grupos da Humanidade que foram separados por sua aderência a uma dessas hipóteses é necessário conhecê-las, analisar calmamente, comparar umas às outras e a fatos estabelecidos. A Conferência nº 1, publicada no Livro Cristianismo Rosacruz – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz[1]faz exatamente isso e, concordando ou não com suas conclusões, certamente teremos uma compreensão mais abrangente dos vários pontos de vista envolvidos para podermos formar uma opinião inteligente, quando lermos o texto da Conferência nº 1: O Enigma da Vida e da Morte.

Se chegarmos à conclusão de que a morte não acaba com a nossa existência, será muito natural perguntar: “onde estão os mortos?”. Essa questão importante é tratada na Conferência nº 2[2] do livro supracitado. A lei de conservação da matéria e energia impede a aniquilação, mas vemos que a matéria está constantemente mudando do estado visível para o invisível e vice-versa, como, por exemplo, no caso da água que é evaporada pelo Sol, parcialmente condensada em forma de nuvem e depois cai de novo na terra, como chuva.

Também a consciência pode existir e não ser capaz de fornecer qualquer sinal disso, como nos casos onde as pessoas foram consideradas mortas, porém acordaram e disseram tudo o que foi falado e feito em sua presença e que a Ciência material chama de Experiência Quase Morte (EQM).

Portanto, deve haver Mundos invisíveis feitos de força e matéria que seja tão independente da nossa cognição quanto a luz e a cor independem do fato de não serem percebidas pelos irmãos ou irmãs que não possuem o sentido da visão física.

Nesses Mundos invisíveis, os chamados “mortos” vivem em plena posse de todas as faculdades mentais e emocionais. Vivem aí uma vida tão real quanto a existência aqui, no Mundo visível.

Os Mundos invisíveis são conhecidos por meio de um sexto sentido desenvolvido por alguns, mas latente na maioria das pessoas. Pode ser desenvolvido por todos; no entanto, métodos diferentes produzem resultados variados.

Essa faculdade compensa a distância de um modo bem superior aos melhores telescópios e a falta de tamanho é contrabalançada em um grau inacessível ao microscópio mais poderoso. Ela penetra onde o raio-X não pode. Uma parede ou uma dúzia de paredes não são mais densas para a visão espiritual do que o cristal é para a visão comum.

Na Conferência nº 3 do livro acima supracitado, Visão Espiritual e os Mundos espirituais[3], essa faculdade é descrita e a Conferência nº 11 do livro supracitado, Visão e Intuição Espirituais[4], fornece um método seguro para o seu desenvolvimento.

Os Mundos invisíveis são divididos em diferentes domínios: Região Etérica do Mundo Físico, Mundo do Desejo e Mundo do Pensamento, dividido em Região do Pensamento Concreto e Região do Pensamento Abstrato.

Essas divisões não são arbitrárias, mas necessárias porque a substância de que são compostas obedece a leis diferentes. Por exemplo, a matéria física está sujeita à lei da gravidade; no Mundo do Desejo, porém, as formas levitam tão facilmente quanto gravitam.

O ser humano precisa de vários veículos para funcionar nos diferentes Mundos, do mesmo jeito que necessita de veículo térreo para andar sobre a terra, de um barco para o mar e uma aeronave para o ar.

Sabemos que ele precisa de um Corpo Denso para viver no Mundo visível. Ele também tem um Corpo Vital, composto de Éter, que lhe permite ter a vitalidade e sentir as coisas ao seu redor. Um Corpo de Desejos que permite ter desejos, emoções e sentimentos, o que lhe confere uma natureza apaixonada e o incita à ação. A Mente é formada pela substância da Região do Pensamento Concreto e atua como um freio por impulso: ela fornece propósito à ação. O ser humano real, o Pensador ou Ego, age na Região do Pensamento Abstrato, operando sobre e por meio de seus vários instrumentos.

A Conferência nº 4 do livro supracitado trata das condições normais e anormais da vida como Sono, Sonhos, Transe, Hipnotismo, Mediunidade e Insanidade[5]. Os veículos mais refinados mencionados anteriormente são todos concêntricos ao Corpo Denso, no estado de vigília, quando estamos ativos em pensamentos, palavras e ações aqui; contudo, as atividades do dia fazem com que o Corpo Denso fique cansado e com sono.

Quando o desgaste causado pelo uso de um edifício torna necessários reparos exaustivos, os inquilinos precisam sair para que os trabalhadores possam ter espaço total para a restauração. Portanto, quando o desgaste do dia esgota o Corpo Denso, é necessário que nós, o Ego, saiamos. Essa retirada torna o Corpo Denso inconsciente, sendo necessário um trabalho preciso para restaurar seu tom e ritmo. Durante a noite, o Ego paira ao lado de fora do Corpo Denso, envolto no Corpo de Desejos e na Mente. Às vezes, o Ego retira-se apenas parcialmente, tendo uma das metades dentro do Corpo Denso e a outra, fora; quando isso ocorre, ele “vê” o Mundo do Desejo e o Mundo Físico, mas de forma confusa como em um sonho.

O hipnotismo é um ataque mental. A vítima desavisada é expulsa do seu Corpo Denso e o hipnotizador obtém o controle. As vítimas do hipnotizador são libertadas com a morte dele; no entanto o médium não tem tanta sorte. Os espíritos que o controlam, chamados de Espíritos de Controle, são realmente hipnotizadores invisíveis. Essa invisibilidade oferece grandes possibilidades de enganar e após a morte eles podem tomar posse do Corpo de Desejos do médium e usá-lo por séculos, impedindo que sua infeliz vítima progrida no caminho da evolução. Essa última fase da Clarividência involuntária, como por exemplo, a mediunidade é elucidada na Conferência nº 5 do livro supracitado, Morte e Vida no Purgatório[6].

O que chamamos de morte é, na realidade, apenas a mudança de consciência de um Mundo para outro. Temos uma Ciência do Nascimento com profissionais de saúde treinados, obstetras, antissépticos e todos os outros meios de cuidar do Ego que chega; contudo, precisamos muito de uma Ciência da Morte, pois quando um amigo ou uma amiga está saindo da existência concreta, permanecemos impotentes, ignorantes em relação a como ajudar; ou pior, fazemos coisas que tornam a passagem infinitamente mais difícil do que se estivéssemos apenas ociosos. Dar estimulantes é uma das piores ofensas contra os moribundos, porque atrai novamente o Espírito ao Corpo Denso e o faz com a força de uma catapulta.

Depois que o coração parou e houve a ruptura parcial do Cordão Prateado (que unia os veículos superiores do ser humano aos inferiores durante o sono e, após a morte, permanece indiferente por um tempo que varia de algumas horas a três dias e meio), o Ego ainda pode sentir o embalsamamento do Corpo Denso, sua abertura para exames post-mortem ou a cremação. Esse Corpo Denso não deve, portanto, ser incomodado, porque o Ego que passa de um Mundo ao outro está empenhado em revisar as imagens de sua vida passada (que são vistas em um lampejo por pessoas que se afogam). Essas imagens são impressas diariamente e a cada hora no Éter do Corpo Vital, independentemente da nossa observação, assim como uma imagem detalhada é impressa na placa fotográfica pelo éter, ainda que o fotógrafo não tenha observado seus detalhes. Elas formam um registro absolutamente verdadeiro da nossa vida passada, que podemos chamar de Memória Subconsciente (ou Mente Subconsciente) e é muito superior à visão que armazenamos conscientemente em nossa Memória (na Mente).

Sob a imutável Lei da Consequência, que decreta que aquilo que nós semearmos nós colheremos, os atos da vida são a base da nossa existência após a morte. O Panorama de Vida passada é o livro dos Anjos do Destino, os organizadores da partitura que fazemos junto à Lei da Consequência.

A revisão do Panorama de Vida logo após a morte registra as imagens no Corpo de Desejos, que é o nosso veículo normal no Mundo do Desejo, onde o Purgatório e o Primeiro Céu estão localizados.

Esse Panorama de Vida é o fundamento da purificação do mal, no Purgatório, e da assimilação de boas ações, no Primeiro Céu. É da maior importância que ele seja profundamente gravado no Corpo de Desejos, porque se a gravação for profunda e clara, o Ego sofrerá mais acentuadamente no Purgatório, e experimentará alegrias mais intensas no Primeiro Céu. Tais sentimentos permanecerão como consciência nas vidas futuras, impulsionando as boas ações e desencorajando os maus atos.

Se deixarmos o Ego em paz, tranquilo, para se concentrar no Panorama de Vida, a gravação será clara e nítida; no entanto, se os parentes ou os presentes desviarem sua atenção com altas e histéricas lamentações durante os primeiros três dias e meio, período onde o Cordão Prateado ainda está intacto, uma impressão superficial ou borrada fará com que o espírito perca muitas das lições que deveriam ter sido aprendidas. Para corrigir essa anomalia, os Anjos do Destino são frequentemente forçados a terminar a próxima vida dele na Terra durante a primeira infância, antes que o Corpo de Desejos tenha nascido, conforme descrito em Nascimento, um Acontecimento Quádruplo[7] (Conferência nº 7 do livro supracitado), pois o que não foi vivificado não pode morrer; assim, a criança entra no Primeiro Céu e aprende as lições que não aprendeu anteriormente, tornando-se dessa forma equipada a passar pela Escola da Vida.

Como tais Egos mantêm o Corpo de Desejos e a Mente que tinham na vida em que morreram quando crianças, é comum que se lembrem dessa existência, porque só permanecem fora da vida terrena de um a 20 anos.

O sofrimento no Purgatório surge por duas causas: os desejos que não possam ser satisfeitos e a reação às imagens do Panorama de Vida — o bêbado, por exemplo, sofre as “torturas de Tântalo”[8], porque não tem meios de obter ou reter a bebida. O avarento sofre porque lhe falta a mão para impedir que seus herdeiros dissipem seu estimado tesouro. Assim, a Lei da Consequência elimina os maus hábitos até que o desejo se esgote.

Se tivermos sido cruéis, o Panorama de Vida irradia sobre nós a imagem de nós mesmos e de nossas vítimas. As condições são revertidas no Purgatório: nós sofremos como eles sofreram. Assim, com o tempo, somos expurgados do pecado. A matéria grosseira do desejo que forma a personificação do mal é expelida pela força centrífuga da Repulsão, no Purgatório, e retemos unicamente o puro e o bem, que são corporificados em matéria de desejo mais sutil que é dominada pela força centrípeta — Atração, que no Primeiro Céu une o que é bom, quando o panorama retrata cenas de nossas vidas passadas em que ajudamos outras pessoas ou nos sentimos gratos pelos favores recebidos, conforme descrito na Conferência nº 6 do livro supracitado, Vida e Atividade no Céu[9], que também fala da estadia no Segundo Céu, localizado na Região do Pensamento Concreto.

Esse também é o reino do tom, como o Mundo do Desejo é da cor e o Mundo Físico, da forma. O tom, ou som, é o construtor de tudo o que existe na Terra, como aprendemos no Evangelho Segundo S. João: “No princípio era o Verbo (o som), e o Verbo se fez carne”, a carne de todas as coisas, “Sem Ele nada do que foi feito se fez[10]. A montanha, o musgo, o rato e o ser humano são encarnações dessa Grande Palavra Criadora que desceu do céu.

Lá, o ser humano se torna um com as Forças da Natureza; Anjos e Arcanjos o ensinam a construir um ambiente conforme o que mereceu sob a Lei da Consequência. Se ele gastou seu tempo na especulação metafísica, igual aos hindus, deixou de construir um bom ambiente material e renascerá em uma terra árida, onde inundações e fome o ensinarão a voltar sua atenção às coisas materiais. Quando ele focaliza sua Mente no Mundo Físico, aspirando à riqueza e ao conforto material, constrói no Céu um inigualável ambiente material, uma Terra rica com instalações que lhe trarão facilidade e conforto, como o mundo ocidental tem feito. Mas, dado que sempre ansiamos pelo que nos falta, as posses que temos nos saciam para além do conforto e estamos começando a desejar novamente a vida espiritual, como os hinduístas, nossos irmãos e nossas irmãs mais novos, querem agora a prosperidade material que temos e estamos deixando para trás, o que é mais bem explicado na Conferência nº 19 do livro supracitado, A Força Futura — Vril?[11], que mostra por que as práticas de ioga hinduísta são prejudiciais aos ocidentais: eles estão atrás de nós nesse Esquema de Evolução.

Depois que o Ego ajuda a construir o Arquétipo criador para o ambiente de sua próxima vida terrena, no Segundo Céu, ascende ao Terceiro Céu, localizado na Região do Pensamento Abstrato. Mas poucas pessoas aprenderam a pensar de forma abstrata aqui; portanto, a maioria está inconsciente, como no sono, aguardando o Relógio do Destino — os Astros (Signos, Sol, Lua e Planetas), para indicar a hora em que os efeitos gerados pela ação das vidas passadas possam ser calculados. Quando os responsáveis pelo tempo celestial, o Sol, a Lua e os Planetas, alcançam uma posição adequada, o Ego acorda com o desejo de um novo nascimento.

Os Anjos do Destino examinam o registro de todas as nossas vidas passadas, estampadas na Mente Supraconsciente toda vez que o Ego vai para o Terceiro Céu, conforme descrito na Conferência nº 7 do livro supracitado, Nascimento, um Evento Quádruplo. Quando não há uma razão específica para a tomada de um determinado ambiente, o Ego tem várias opções de renascimento aqui. Elas são mostradas a ele em uma visão geral, exibindo o grande esboço de cada vida proposta, mas deixando espaço para o livre-arbítrio individual nos detalhes.

Depois que uma escolha é feita, o Ego deve liquidar as causas maduras que foram selecionadas pelos Anjos do Destino e qualquer tentativa de escapar será frustrada. Deve-se notar cuidadosamente que o mal seja erradicado no Purgatório. Somente as tendências restam para nos tentar, até que, de forma consciente, nós as vençamos. Assim, nascemos inocentes e pelo menos todo ato maligno é um ato de livre-arbítrio.

Quando o Ego desce em direção ao renascimento, reúne os materiais para seus novos corpos, mas eles não nascem ao mesmo tempo. O nascimento do Corpo Vital inaugura um rápido crescimento entre os sete anos e os 14, desenvolvendo também a faculdade de propagação. O nascimento do Corpo de Desejos, aos 14 anos, dá origem ao período impulsivo que vai dos 14 aos 21. Nessa idade, o nascimento da Mente fornece um freio ao impulso e concede a base para uma vida séria.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross em maio/1915 – traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)


[1] N.T.: CONFERÊNCIA Nº 1 – O ENIGMA DA VIDA E DA MORTE

Em cada nascimento, vem ao mundo o que aparenta ser uma “nova” vida. Pouco a pouco, a pequenina forma cresce, vive, movimenta-se entre nós e torna-se um fator em nossas vidas. Mas chega finalmente um momento em que a forma cessa de mover-se e morre. A vida que veio – de onde não sabemos – volta novamente ao invisível “Além”. Então, amargurados e perplexos, fazemos a nós mesmos as três grandes perguntas relativas à nossa existência: “De onde viemos?” – “Por que estamos aqui?” – “Para onde vamos?”

Através de cada umbral, o pavoroso espectro da Morte lança sua sombra. E visita igualmente tanto o palácio quanto o casebre. Dela, ninguém está a salvo: velhos e jovens, sãos e doentes, ricos e pobres. Todos, sem exceção, devem passar por sua sombria porta e, das mais remotas eras ao longo dos tempos, tem soado o pungente clamor por uma solução ao enigma da vida e ao enigma da morte.

Infelizmente, vagas têm sido as especulações por parte de pessoas que pouco sabem. Em virtude disso, tornou-se popularmente aceita a opinião de que nada em definitivo se pode saber acerca da mais importante parte de nossa existência: a Vida antes de manifestar-se pelo nascimento e além dos umbrais da Morte.

Tal ideia é errônea. O conhecimento direto, bem definido, está ao alcance de todo aquele que queira se dar ao trabalho de desenvolver o “sexto sentido”, latente em todos. Quando alcançamos tal percepção, abrem-se os nossos olhos espirituais, com os quais podemos então perceber tanto os Espíritos próximos a entrar na vida física pelo nascimento, quanto aqueles que acabam de reentrar no além após a morte. Vemo-los tão clara e nitidamente como podemos ver os seres físicos com nossos olhos terrenos. Mas não é necessária a investigação direta nos mundos internos para satisfazer a Mente indagadora, do mesmo modo que não é necessário ir-se à China para conhecer suas condições. Conhecemos as nações estrangeiras através de informações e de relatos de quem as visitou. E há tanta informação sobre os mundos internos quanto há sobre o interior da África, da Austrália ou da China.

A solução do problema da Vida e do Ser, indicada nas páginas seguintes, baseia-se no testemunho concordante de muitos que já desenvolveram a faculdade acima mencionada e que, por isso mesmo, tornaram-se aptos para investigar cientificamente os reinos suprafísicos. Isto está em harmonia com os fatos científicos e é uma verdade eterna na Natureza, governando o progresso humano, do mesmo modo que a Lei de Gravidade também o é na manutenção dos astros, dentro de suas próprias órbitas, em volta do Sol.

Três teorias foram formuladas para deslindar o enigma da vida e da morte, parecendo ser crença universal que uma quarta concepção é impossível. Assim sendo, uma dessas três teorias deve ser a verdadeira solução, de outro modo o problema permaneceria insolúvel, pelo menos para o homem.

O enigma da vida e da morte é um problema básico. Temos que resolvê-lo algum dia, e a aceitação de uma dessas três teorias torna-se então importantíssima para cada um dos seres humanos, já que a escolha determinará os rumos de suas vidas. Para que possamos fazer uma escolha inteligente, necessitamos conhecê-las todas, analisá-las, compará-las e pesá-las, conservando a Mente aberta e livre da influência de ideias preconcebidas, prontos a aceitar ou rejeitar cada teoria segundo seus méritos.

Citemos primeiramente essas três teorias e depois vejamos sua concordância com os fatos estabelecidos da vida, e até que ponto elas se harmonizam com as outras leis da Natureza já conhecidas. Se verdadeiras, podemos racionalmente esperar que se harmonizem, pois a discordância não tem lugar na Natureza.

1) TEORIA MATERIALISTA – Assegura que a vida é uma grande jornada do ventre materno ao túmulo; que a Mente é produto da matéria; que o homem é a mais elevada inteligência do Cosmos e que sua inteligência perece quando o corpo se desintegra pela morte.

2) TEORIA TEOLÓGICA – Afirma que a cada nascimento mais uma alma recém-criada por Deus penetra na arena da vida; que ao fim de um breve período de existência no mundo material, ela passa ao invisível Além através dos portais da morte, para lá ficar, e que sua felicidade ou desgraça nesse Além são determinadas para sempre pela crença que alimentou antes de morrer.

3) TEORIA DO RENASCIMENTO – Ensina que cada Espírito é parte integrante de Deus, contendo em si todas as possibilidades divinas, do mesmo modo que a semente contém as possibilidades da planta; que, por meio de repetidas existências em corpos físicos de crescente perfeição, esses poderes latentes gradualmente se convertem em energia dinâmica; que nesse processo ninguém se perde e que todos os Egos alcançarão finalmente a meta da perfeição e religação com Deus, levando consigo as experiências acumuladas como fruto de sua peregrinação através da matéria.

Comparando a teoria materialista com as conhecidas leis da Natureza, constatamos ser tal teoria contrária a essas leis devidamente estabelecidas, que declaram ser a matéria e a força indestrutíveis. De acordo com essas leis, a Mente não pode ser destruída pela morte, como afirma a teoria materialista, porque, uma vez que nada pode ser destruído, a Mente tampouco pode.

Além disso, está claro que a Mente é superior à matéria, pois modela a face de tal maneira que esta pode refleti-la. Sabemos também que as partículas do nosso corpo estão sendo constantemente trocadas, e que uma substituição completa delas ocorre, no mínimo, a cada 7 anos. Se a teoria materialista fosse verdadeira, nossa consciência deveria igualmente ser submetida a uma completa mudança a cada período desses, nada restando das recordações anteriores. Assim sendo, ninguém poderia relembrar qualquer acontecimento ocorrido há mais de sete anos. Sabemos, porém, que isto não acontece. Podemos de fato recordar toda a nossa vida; o mais insignificante incidente, ainda que esquecido na vida ordinária, é vividamente recordado por uma pessoa que se afoga. O mesmo acontece no estado de transe. O materialismo não leva em conta esses estados de subconsciência ou supraconsciência e, por não poder explicá-los, simplesmente os ignora. Mas, em face das investigações científicas que já estabeleceram a veracidade dos fenômenos psíquicos além de qualquer dúvida, a política de ignorar ao invés de refutar ou discutir essas afirmações da ciência, é uma imperdoável falha numa teoria que proclama ter solucionado o maior problema da vida: a própria Vida. A teoria materialista tem ainda muitas outras falhas que a impedem de ser aceita. Mas, já dissemos o bastante para justificar-nos e, pondo-a de lado, passar às outras duas.

Uma das maiores dificuldades na doutrina dos teólogos consiste em ser ela total e reconhecidamente inadequada. De acordo com essa teoria, de que uma nova alma é criada a cada nascimento, miríades de almas têm sido criadas desde o princípio do mundo – mesmo supondo que esse começo se deu há apenas 6.000 anos atrás. Segundo certas seitas, apenas 144.000 dessas almas serão salvas; as demais serão torturadas para sempre. E isso é chamado “Plano Divino de Salvação”, exaltado como prova do maravilhoso amor de Deus.

Suponhamos que uma mensagem telegráfica seja recebida em Nova York informando que um enorme transatlântico está afundando em Sandy Hook e que 3.000 pessoas estão na iminência de morrer afogadas. Consideraríamos um glorioso plano de salvação enviar em seu socorro um pequeno barco a motor que pudesse recolher apenas dois ou três náufragos? Certamente que não. Somente quando algum outro meio mais adequado, que pudesse salvar pelo menos a grande maioria, fosse providenciado, é que poderíamos considerá-lo um bom “plano de salvação”.

O “plano de salvação” que os teólogos oferecem é ainda mais precário do que aquele de enviar um só barquinho para salvar uma multidão de náufragos, porque dois ou três salvos para três mil perdidos é uma proporção muito maior do que 144.000 para as muitas miríades de almas criadas, segundo os próprios teólogos. Se Deus tivesse realmente elaborado esse plano, pareceria à Mente lógica que ele não seria onisciente, e, se ele deixa ao diabo a melhor parte, como nesse plano, permitindo assim que a grande maioria da Humanidade seja atormentada, então Ele não pode ser bom. Se não pode ajudar-se a si mesmo, também não é onipotente. Em nenhum caso, portanto, ele pode ser Deus. Tais suposições são absurdas como realidades, pois isso não pode ser plano de Deus, e seria uma rude blasfêmia atribuir-se a Ele tal coisa.

Se nós voltarmos para a doutrina do renascimento, que postula um lento processo de desenvolvimento levado a efeito com inabalável persistência através de repetidos renascimentos em formas humanas de crescente eficiência, pelo qual todos alcançarão no devido tempo uma estatura espiritual inconcebível à nossa limitada compreensão atual, prontamente poderemos perceber a sua harmonia com os métodos da Natureza. Em toda parte, encontramos na Natureza essa lenta, mas persistente luta pela perfeição. E em nenhum lugar vemos um processo súbito, quer de criação quer de destruição, análogo àquele que os teólogos e materialistas querem fazer-nos crer.

A ciência reconhece que o processo de evolução como método de desenvolvimento da Natureza é igual tanto para a estrela do céu quanto para a estrela do mar, tanto para o micróbio quanto para o homem. É o progresso do espírito no tempo. E, conforme olhamos em volta e notamos a evolução no nosso universo tridimensional, não podemos furtar-nos à evidência de que o seu caminho também é tridimensional: é uma espiral. Cada espiral é um ciclo, e os ciclos se seguem em ininterrupta progressão, da mesma forma que as espirais se sucedem umas às outras, cada ciclo sendo o produto melhorado do precedente e a base do progresso dos ciclos subsequentes.

Uma linha reta nada mais é que a extensão de um ponto, e assim também as teorias dos materialistas e dos teólogos: a linha materialista de existência vai do nascimento à morte; a linha dos teólogos começa em um ponto imediatamente anterior ao nascimento e prolonga-se para lá da morte, ao invisível “Além”. Não há retorno possível. A existência assim vivida extrairia apenas um mínimo de experiência da Escola da Vida, como se o homem fosse apenas um ser unidimensional, incapaz de expandir-se ou de alcançar as sublimes alturas da realização.

Um caminho em ziguezague, de duas dimensões, não seria o melhor. Um círculo significaria voltear infindavelmente sobre as mesmas experiências. Tudo na Natureza tem um propósito, inclusive a terceira dimensão. Para que possamos viver as oportunidades de um universo tridimensional, o caminho evolutivo deve ser espiral. E assim é de fato: em toda parte, quer nos Céus quer na Terra, todas as coisas caminham para a frente, para o alto e para sempre.

A tenra planta do jardim e a sequoia gigante da Califórnia com seu tronco de treze metros de diâmetro mostram igualmente a espiral na ordenação de seus ramos, talos e folhas.

Se estudamos a grande abóboda celeste e examinamos a nebulosa espiralada, que são mundos em formação, ou os caminhos percorridos pelos sistemas solares, fica evidente que a espiral é o caminho do progresso.

Temos outra ilustração do progresso espiral no curso anual de nosso planeta. Na primavera, ele sai do seu período de repouso, desperta de seu sono hibernal, quando então podemos ver a vida brotando por toda a parte e a Natureza empregando todos os seus esforços para criar. O tempo passa. Os cereais e as uvas amadurecem e são colhidos. De novo, o silêncio e a inatividade do inverno substituem a atividade do verão. E, outra vez, o manto de neve envolve a Terra. Mas ela não dormirá para sempre. Despertará novamente ao canto de uma nova primavera, havendo progredido um pouco mais na trilha do tempo.

É possível que uma lei, tão universal em todos os demais reinos da Natureza, seja revogada apenas no reino humano? Pode a Terra despertar todos os anos do seu sono hibernal, podem a árvore e a flor viver novamente e só o homem morrer? Isto é impossível num universo governado por lei imutável. A mesma lei que desperta a vida na planta deve despertar também o ser humano para mais um passo rumo à perfeição. Portanto, a doutrina do renascimento – ou repetidos renascimentos em veículos de crescente perfeição – está de pleno acordo com a evolução e com os fenômenos da Natureza, quando afirma que nascimento e morte se seguem um ao outro em contínua sucessão. E isto acha-se em completa harmonia com a Lei dos Ciclos Alternantes que estabelece uma sequência ininterrupta, um após o outro: atividade e repouso, fluxo e refluxo, verão e inverno. Está também em perfeito acordo com a fase espiral da Lei de Evolução quando declara que, todas as vezes que o Espírito retorna a um novo nascimento, toma um corpo mais perfeito e, à medida que o homem progride em conquistas mentais, morais e espirituais em consequência das experiências acumuladas em vidas passadas, alcança também um melhor meio ambiente.

Quando procuramos solucionar o enigma da vida e da morte; quando buscamos uma resposta que satisfaça tanto à Mente quanto ao coração sobre as diferenças nos dons ou condições dos seres humanos, achando uma razão para a tristeza e a dor; quando indagamos por que um indivíduo nada em riqueza enquanto outro tem de resignar-se com as míseras migalhas que lhe atiram; por que este recebe uma educação moral enquanto aquele é ensinado a roubar e a mentir; por que uma pessoa nasce com uma feição e imagem venusianas enquanto outra nasce com uma cabeça de Medusa; porque uma desfruta da mais perfeita saúde enquanto outra jamais conhece um momento de alívio de suas enfermidades; e por que este possui o intelecto de um Sócrates enquanto aquele mal sabe contar “um, dois ou muitos”, como os aborígenes australianos, nem os materialistas nem os teólogos nos podem esclarecer. O materialismo atribui à Lei de Hereditariedade as causas das enfermidades. Com relação às condições econômicas, um Spencer nos diz que no mundo animal a Lei de Sobrevivência é “comer ou ser comido”. E na sociedade civilizada, a Lei é “enganar ou ser enganado”.

A hereditariedade explica parcialmente a constituição física. Pelo menos, no que concerne à forma, semelhante produz semelhante. Mas a hereditariedade não explica as tendências morais e inclinações mentais, as quais diferem em cada Ser humano. Hereditariedade é um fato nos reinos inferiores, onde todos os animais de uma mesma espécie parecem ser iguais, comem o mesmo alimento e agem do mesmo modo em idênticas circunstâncias, porque não têm vontade própria, mas são dominados por um Espírito-Grupo comum. No reino humano é diferente. Cada homem age à sua própria maneira. Cada um requer uma dieta própria. Conforme passam-se os anos de infância e de adolescência, o Ego vai moldando o seu instrumento de tal forma a nele refletir as suas características. Assim sendo, não existem duas criaturas exatamente iguais. Mesmo os gêmeos, que não podem ser distinguidos na infância, diferenciam-se gradativamente ao crescerem e à medida que seus particulares comportamentos expressem o pensamento do Ego interno.

No plano moral, prevalecem idênticas condições. Os registros policiais demonstram que, apesar dos filhos de criminosos incorrigíveis geralmente possuírem tendências para o crime, quase sempre se conservam afastados dele e que, nas “galerias de criminosos” da Europa e da América, é impossível achar-se pai e filho ao mesmo tempo. Assim, os criminosos são filhos de gente honrada, sendo, portanto, a hereditariedade incapaz de explicar as inclinações morais.

Quando consideramos as elevadas faculdades intelectuais e artísticas, descobrimos que os filhos de um gênio são muitas vezes medíocres ou até idiotas. O cérebro de Cuvier foi o melhor cérebro analisado pela ciência. Seus cinco filhos morreram de paresia. O irmão de Alexandre, o Grande, era idiota. Como estes, muitos outros casos podiam ser citados de passagem para mostrar que a hereditariedade explica apenas parcialmente a similaridade da forma, mas nada esclarece sobre as condições morais e mentais. A Lei de Atração, que junta músico a músico, literato a literato etc., em razão de suas semelhanças e gostos, e a Lei de Consequência, que leva aqueles que desenvolvem tendências criminosas a associar-se com criminosos a fim de que possam aprender a praticar o bem, sofrendo as consequências do mal agir, explicam mais logicamente do que a hereditariedade os fatos de associações e de caráter.

Os teólogos explicam que todas as condições são criadas pela vontade de Deus que, em Sua insondável Sabedoria, houve por bem tornar alguns ricos e a maior parte pobre; alguns argutos e outros tolos, etc.; que Ele proporciona dificuldades e provas a todos, muitas a uma maioria e poucas a uma minoria favorecida, dizendo ainda que devemos aceitar nossa parte sem se queixar. Mas é quase impossível olhar-se para o céu com amor quando se pensa que de lá vem, por capricho da divindade, todas as nossas desgraças, sejam grandes ou pequenas. E a bondosa Mente humana revolta-se ao pensamento de um pai que dispensa amor, conforto e riqueza a uns poucos e envia tristeza, sofrimento e miséria a milhões. Certamente deve haver uma outra solução, diferente desta, para os problemas da vida. Não é mais razoável supor que os teólogos interpretam mal a Bíblia do que atribuir tão monstruosa conduta a Deus?

A Lei do Renascimento oferece uma solução razoável a todas as desigualdades da vida, às tristezas e sofrimentos, quando se une à sua companheira, a Lei de Consequência, mostrando ambas, além disso, o caminho da emancipação.

A Lei de Consequência é a Lei da Justiça da Natureza. Ela decreta que aquilo que o homem semear, isso mesmo colherá. Aquilo que somos, o que temos, todas as nossas boas qualidades são resultados de nosso trabalho no passado. Daí, nossos talentos. O que nos falta física, moral ou mentalmente é devido a termos negligenciado certas oportunidades no passado, ou mesmo não as termos tido; algum dia e em algum lugar, teremos outras possibilidades certamente, e então recuperaremos o perdido. Quanto às nossas obrigações para com os demais e seus débitos para conosco, a Lei de Consequência também prevê. O que não pode ser liquidado em uma só vida passa para as seguintes. A morte não cancela nossas obrigações, da mesma forma que mudando para outra cidade não liquidamos os débitos contraídos nesta em que vivemos. A Lei do Renascimento nos provê um novo ambiente, mas nele vamos encontrar nossos velhos amigos e antigos inimigos. Reconhecemos todos, pois, quando encontramos uma pessoa pela primeira vez e sentimos como se já a conhecêssemos, isso não é mais do que um reconhecimento do Ego que penetra o véu da carne e descobre o antigo amigo. Quando, por outro lado, nos deparamos com uma pessoa que imediatamente nos inspira medo ou repulsa, novamente isso representa uma mensagem do Ego, advertindo-nos contra o velho inimigo de vidas passadas.

O ensino oculto relativo à vida, que baseia suas soluções nas Leis gêmeas de Consequência e Renascimento, diz simplesmente que o mundo que nos rodeia é uma escola de experiências; que assim como enviamos uma criança à escola dia após dia e ano após ano, para que aprenda mais e mais conforme avance através dos diferentes graus, do jardim de infância à faculdade, assim também o Ego humano, como filho do Pai, vai à Escola da Vida, dia após dia. Só que nessa vida mais ampla do Ego, cada dia de escola é uma vida terrestre, e a noite que cai entre dois dias de aula corresponde ao sono da morte numa vida mais ampla do Ego Humano (o Espírito no homem).

Na escola, existem muitos graus. As crianças mais velhas, que assistiram a muitas aulas, precisam aprender lições diferentes daquelas que aprendem no jardim de infância. Assim também na Escola da Vida: aqueles que ocupam elevadas posições, dotados de grandes faculdades, são nossos Irmãos Maiores, enquanto os selvagens ainda estão ingressando nas classes mais primárias. O que eles são agora nós também já fomos, e todos alcançarão, no devido tempo, um ponto em que serão mais sábios do que aqueles a quem agora atribuímos sabedoria. Nem deve surpreender ao filósofo que o poderoso oprima o fraco; as crianças mais velhas são cruéis com seus companheiros mais jovens em certa fase de seu crescimento, porque ainda não desenvolveram o verdadeiro senso de justiça. Mas, à medida que crescem, aprenderão a proteger os mais fracos. O mesmo acontece com as crianças de maior idade. O altruísmo floresce mais e mais em toda parte, e dia virá em que todos os homens serão tão bons e benevolentes quanto os maiores santos.

Só existe um pecado – a Ignorância. Só existe uma salvação – o Conhecimento Aplicado. Toda tristeza, sofrimento e dor provém da ignorância de como agir e a Escola da Vida é tão necessária ao desenvolvimento de nossas capacidades latentes quanto a escola o é para a criança despertar suas faculdades.

Quando nos dermos conta de que isso é assim, a vida logo tomará outro aspecto. Não importarão então as condições em que nos encontrarmos; o saber que NÓS as criamos ajudar-nos-á a suportá-las com resignação. E, melhor que tudo, o glorioso sentimento de que somos senhores de nosso destino e de que podemos fazer o nosso futuro como bem o desejarmos, o que seria em si mesmo um poder. Resta-nos desenvolver o que precisamos. Naturalmente, temos ainda que levar em conta nosso passado, e é possível que muitos infortúnios possam dele resultar em consequência de más ações. Se cessarmos, porém, de praticar o mal, poderemos contemplar com alegria qualquer aflição, considerando que ela saldará velhas dívidas e nos aproximando do dia em que dela teremos uma boa recordação. Não é válida a objeção de que frequentemente o mais correto é o que mais sofre. As grandes Inteligências, que dão a cada homem a soma de suas dívidas passadas – as quais devem ser liquidadas em cada vida – sempre o ajudam a liquidá-las sem lhes acrescentar novas, mas apenas dando-lhe tanto quanto ele possa suportar para apressar o dia de sua emancipação. E neste sentido, é estritamente verdadeiro que “O Senhor castiga a quem ama”.

A doutrina do Renascimento é muitas vezes confundida com a teoria da transmigração que ensina que o espírito humano pode encarnar em um animal. Isto não encontra apoio na Natureza. Cada espécie animal é emanação de um Espírito-Grupo o qual as governa de fora por sugestão. O Espírito-Grupo funciona no Mundo do Desejo onde a distância não existe. Por isso, ele pode influenciar qualquer membro da espécie que dirige em qualquer lugar em que este se encontre. Por outro lado, o Espírito humano, o Ego, penetra dentro de um Corpo Denso. Assim, em cada pessoa, há um Espírito individual habitando em seu instrumento particular e guiando-o de dentro. Estes dois estágios evolutivos são inteiramente diferentes, sendo tão impossível para o homem encarnar um corpo animal quanto para um Espírito-Grupo tomar a forma humana.

A pergunta “Por que não recordamos nossas vidas passadas?” é outra aparente dificuldade. Mas, se compreendermos que a cada nascimento temos um cérebro totalmente novo, e que o Espírito humano é fraco e se acha absorvido pelo seu novo ambiente, não nos deve surpreender afinal que ele não possa impressionar fortemente o cérebro nos dias da infância, quando ele é mais sensível. Algumas crianças recordam seu passado, especialmente nos primeiros anos, e é coisa das mais patéticas o fato de tais crianças serem totalmente incompreendidas nessas ocasiões pelas pessoas mais velhas. Quando falam da vida passada, elas são ridicularizadas e até punidas por serem “fantasistas”.

Se as crianças falam de seus companheiros invisíveis e de que “veem coisas” – porque muitas crianças são Clarividentes – defrontam-se com o mesmo rude tratamento. E o inevitável resultado é que elas aprendem a calar-se até perderem por completo aquela faculdade. Acontece, porém, que algumas vezes, quando a afirmação da criança é ouvida, resultam espantosas revelações, como as do caso que se segue e que o autor ouviu há alguns anos na costa do Pacífico.

Certo dia, na cidade de Santa Bárbara, Califórnia, EUA, uma criança vendo um cavalheiro chamado Roberts que passava, pôs-se a correr na sua direção, gritando “Papai”. A seguir, continuou insistindo em afirmar que vivera com ele e com “a outra mãe” em uma casinha perto de um riacho; que, certa manhã, ele as deixara para não mais voltar e que ela e sua mãe haviam morrido de fome. Finalizou dizendo estranhamente: “Mas eu não morri. Eu vim para cá”. A história toda não foi contada de um só fôlego, nem resumidamente, mas sim a intervalos, por uma tarde inteira e em resposta a perguntas.

A história do senhor Roberts é a da precipitada fuga de dois jovens namorados, de seu casamento e migração da Inglaterra para a Austrália, da construção de uma casinha num lugar ermo, próximo a um arroio, da sua saída de casa certo dia deixando sua mulher e o bebê, e de sua prisão, sem que fosse concedida permissão para avisar a sua esposa – os agentes temiam a fuga do prisioneiro; de como foi levado sob a mira das armas até o litoral e embarcado para a Inglaterra, acusado de assalto a um banco na mesma noite em que viajara para a Austrália; de como, chegado à Inglaterra, conseguiu provar sua inocência e de como, só então, atendendo aos insistentes rogos sobre sua esposa e filha que àquela altura deviam estar morrendo de inanição, as autoridades concordaram em organizar e enviar um grupo de salvamento em seu socorro e de como , por último, ele soube que o grupo encontrara apenas os ossos de uma mulher e de uma criança. Todas essas coisas corroboraram a história da menininha de três anos. E, sendo-lhe mostradas algumas fotografias ao acaso, ela pôde apontar as do Sr. Roberts e as de sua esposa, ainda que o Sr. Roberts tivesse mudado bastante nos dezoito anos decorridos desde a tragédia até aquele incidente em Santa Bárbara.

Não se deve supor, contudo, que todos os que atravessam os portais da morte renasçam em tão pouco tempo como aconteceu à menina. Tão curto intervalo tiraria ao Ego a oportunidade de realizar o importante trabalho de assimilar experiências e preparar-se para uma nova vida terrena. Mas, uma criança de três anos não tem ainda experiências significativas, podendo, portanto, buscar logo a seguir um novo corpo físico para renascer, geralmente na mesma família. Muitas vezes, uma criança morre porque alguma modificação nos hábitos dos pais frustra o cumprimento do destino resultante de seus atos passados. Então, é necessário aguardar outra oportunidade. Mas, também elas podem nascer e morrer a seguir para ensinar aos pais uma lição de que precisem. Houve um caso em que um Ego encarnou oito vezes na mesma família com tal propósito, antes que a mesma aprendesse a lição. Então, renasceu em outro lugar. Era um amigo da família que amealhou grande mérito ajudando-a deste modo.

A Lei do Renascimento, quando não alterada pela Lei de Consequência em tão grande extensão como no caso acima, trabalha consoante o movimento do Sol conhecido por “Precessão dos Equinócios”, pelo qual o grande astro retrocede através dos doze Signos Zodiacais no assim chamado Ano Sideral ou Mundial que compreende 25.868 anos solares ordinários.

Assim como os movimentos da Terra em sua órbita ao redor do Sol produzem as mudanças climáticas conhecidas como estações, as quais, por sua vez, alteram as nossas condições e atividades, da mesma forma o movimento do Sol por Precessão dos Equinócios nos grandes anos siderais produz mudanças ainda maiores nas condições climáticas e topográficas, relacionadas com a civilização, sendo necessário que o Ego experimente todas em seu aprendizado.

Por conseguinte, o Ego renasce duas vezes durante o tempo em que o Sol percorre cada Signo do Zodíaco, e que é aproximadamente 2.100 anos. Transcorrem, pois, normalmente, perto de 1.000 anos entre duas encarnações, e como as experiências de um homem diferem grandemente das de uma mulher – não se modificam materialmente em um milhar de anos as condições terrestres – assim, o Espírito geralmente renasce ora como homem, ora como mulher. Mas isto não significa ser a regra rígida ou inflexível. Ela está sujeita a modificações sempre que a Lei de Consequência exija.

Na busca de experiências da parte do Ego, a ciência oculta encontra e soluciona o enigma da vida. E todas as condições têm a experiência por objetivo, sendo tudo automaticamente determinado pelos méritos de cada um. Isto arranca da morte o seu aguilhão e o terror que inspira, pondo-a no lugar que merece e considerando-a tão somente simples incidente numa vida que é mais ampla, analogamente ao fato de nos mudarmos para outra cidade por algum tempo. Isto torna menos triste a partida daqueles a quem amamos, pois nos garante que o mesmo amor que lhes devotamos será o elemento que a eles nos unirá outra vez. E ainda nos proporciona esperança maior: a de que alcançaremos algum dia o conhecimento que solucionará todos os problemas; que ligará todas as nossas vidas; e, melhor que tudo – conforme nos ensina a ciência oculta — que através de sua aplicação, temos nela o poder de apressar o glorioso dia em que a fé será absorvida pelo conhecimento. Então, poderemos compreender em seu sentido mais profundo a beleza do poético enunciado da doutrina do renascimento de Sir Edwin Arnold:

O Espírito jamais nasceu!

E jamais deixará de existir!

Jamais houve tempo em que deixou de ser,

princípio e fim são sonhos no sentir.

O Espírito permanece sempre sem nascer e sem morrer.

A Morte jamais o tocou,

embora possa parecer

morta a casa em que habitou.

Não! Simplesmente como alguém que tira

uma roupa usada e a joga além

e ao vestir outra, diz:

Hoje, essa veste eu vou usar.

Assim também, o Espírito põe à margem

uma transitória e carnal roupagem

e prossegue, para então herdar

outra morada, outro novo lar!

[2]N.T.: CONFERÊNCIA II – ONDE ESTÃO OS MORTOS?

Um pouco de reflexão logo tornará evidente a qualquer pesquisador que vivemos em um mundo de efeitos, os quais resultam de causas invisíveis. Podemos ver a MATÉRIA e a FORMA, mas a FORÇA que modela e anima a matéria está invisível para nós. A vida não pode ser conhecida diretamente através dos sentidos, pois é invisível e existe por si mesma, independentemente da variedade de formas que vemos como manifestações suas.

Eletricidade, magnetismo e vapor são nomes dados a forças que os olhos físicos nunca podem ver, embora, em conformidade a certas leis descobertas por experiências, possamos torná-las nossas mais valiosas servidoras. Vemos sua manifestação nos movimentos dos ônibus elétricos, dos trens, dos navios a vapor; elas iluminam nossos caminhos à noite e levam nossas mensagens ao redor do globo a uma velocidade que anula o espaço, trazendo os antípodas ao nosso alcance em questão de segundos. Elas estão às nossas ordens a todo e qualquer tempo, infatigáveis e fiéis na execução de inúmeras tarefas mesmo que, conforme foi dito, nunca tenhamos podido ver essas valiosas servidoras.

Essas Forças da Natureza não são nem cegas nem destituídas de inteligência, como erradamente cremos. Há várias classes delas, e operam ao longo de diversas correntes de vida. Talvez uma ilustração esclareça melhor o seu estado em relação a nós.

Suponhamos que um carpinteiro esteja construindo uma cerca e um cachorro o observe. O cão vê ambos, o ser humano e seu trabalho, apesar de não compreender perfeitamente o que ele faz. Se o carpinteiro lhe fosse invisível, ele, o cão, veria a cerca erguer-se lentamente, veria os pregos nela se introduzindo, enfim, perceberia a manifestação e não a causa. Estaria, pois, em relação ao carpinteiro como estamos em relação às forças da Natureza que se manifestam ao nosso redor como gravidade, eletricidade e magnetismo.

Durante os últimos séculos – particularmente nos últimos sessenta anos – a ciência deu gigantescos passos na investigação do mundo em que vivemos, e o resultado tem sido o de revelar, em todos os sentidos, um mundo até aqui invisível. Com telescópios de crescente poder, os astrônomos vêm vasculhando o espaço e descobrindo mais e mais mundos. Com admirável engenhosidade, têm acoplado câmeras aos telescópios, fotografando assim sóis a tão grandes distâncias que seus raios nem sequer chegam a impressionar nossos olhos, só podendo ser captados através da exposição da chapa fotográfica por várias horas.

Na direção do infinitesimal, a crescente perfeição do microscópio tem alcançado análogos resultados; um mundo até agora invisível para nós foi descoberto, o qual contém uma atividade extraordinária de VIDA, e que é marcado por uma diversidade de formas raramente menos complexas do que as do mundo que percebemos apenas através de nossos sentidos.

O esforço de tais pesquisas através das lentes de um microscópio é muito grande, chegando a causar fadiga aos olhos, mas aqui também a câmera empresta seu auxílio ao ser humano. Com os acessórios mecânicos apropriados e com projeções rápidas de luz, pode-se conseguir o registro permanente dos fenômenos microscópicos à razão aproximada de setenta negativos por segundo. Estes podem ser então ampliados e projetados sobre telas como películas cinematográficas, para também serem vistos de modo simultâneo por centenas de pessoas confortavelmente instaladas.

Podemos assim ver como a seiva circula lentamente através dos veios de uma folha ou observar o percurso da corrente sanguínea através das semitransparentes veias das pernas de uma rã. Os vermes do queijo aparecem como enormes caranguejos cinzentos movendo-se de um lado para outro em busca de presas. Uma gota d’água contém uma multidão de bolas coloridas, as quais crescem e explodem, lançando de si miríades de minúsculas esferas que, por sua vez, se expandem e lançam outras de si. O Dr. Bastian, de Londres, chegou a ver uma pequena mancha preta no dorso de um ciclope (e existem muitos em uma gota d’água) desenvolvendo-se até alcançar as proporções de um parasita, o qual passava a se alimentar do próprio ciclope.

Por meio do Raio-X, a ciência tem sido capaz de penetrar no mais recôndito do corpo denso do ser humano, fotografando a estrutura óssea ou quaisquer substâncias estranhas que nele possam ter-se alojado eventualmente.

Deste modo, um mundo até aqui invisível tem-se revelado aos olhos dos persistentes investigadores. Quem poderá dizer que se chegou ao fim? que não existem outros mundos no espaço além destes agora fotografados pelos astrônomos? que não existe vida em formas mais infinitesimais do que aquelas descobertas pelos melhores microscópios de hoje? Pode-se amanhã inventar um instrumento que tenha maior alcance que os atuais e que mostre muito do que hoje ainda permanece oculto. O infinito do espaço, do grande e do pequeno, parece estar além de qualquer dúvida e independe do nosso conhecimento.

Considerando as maravilhosas conquistas da ciência física, existe uma característica particularmente digna de nota: cada nova descoberta tem-se efetuado através da invenção de um novo instrumento ou do aperfeiçoamento dos anteriores para ajudar os sentidos. Por essa razão, as pesquisas da ciência têm-se limitado ao mundo dos sentidos – ao denso Mundo Físico. Os cientistas lidam com os elementos químicos – sólidos, líquidos e gases – mas não alcançam o que se encontra além desses estados de matéria, simplesmente por não disporem de instrumentos capazes disso, ainda que forçados a admitir a existência de uma matéria ainda mais sutil a que chamam de “éter”, sem a qual seria impossível explicarem a propagação da luz, da eletricidade, etc. Vemos, pois, que a ciência material reconhece indubitavelmente a existência de um mundo invisível como uma necessidade na economia da Natureza.

Ambas as ciências – a física e a oculta – concordam nesse ponto, e ambas buscam no mundo invisível a solução dos problemas. Diferem apenas quanto aos métodos de investigação e no crédito dado aos resultados assim obtidos. A ciência material procura explicar os problemas insolúveis só em bases puramente físicas, tais como a propagação de ondas luminosas através do vácuo, ou a semelhança das flores da presente estação com as dos verões passados. Em tais casos, ela prontamente admite algo invisível e intangível como o éter ou a hereditariedade, e se orgulha de sua perspicácia e do engenho de suas explicações.

A ciência oculta afirma que há uma causa invisível na raiz de TODO fenômeno visível, a qual, quando conhecida, proporciona compreensão dos fatos da vida mais completamente do que um simples conceito mecânico, e que essa compreensão é obtida por meio do estudo de ambos: o fenômeno, relativo ao visível, e o número, ou causas subjacentes do mundo invisível. Ela, portanto, investiga os Mundo invisíveis e oferece uma solução mais completa e razoável aos problemas da vida do que simples fatos científicos derivados apenas da observação dos fenômenos físicos.

A ciência material admite o éter e a hereditariedade como soluções aos problemas acima, mas é incapaz de oferecer uma prova real da verdade de suas hipóteses a não ser sua aparente razoabilidade. Não obstante, quando a ciência oculta, empregando os mesmos métodos, declara a existência do Espírito, sua imortalidade, sua pré-existência ao nascimento e continuação após a morte, sua independência do corpo, etc., a ciência física escarnece e fala incoerentemente de superstição e ignorância. E requer provas, ainda que a evidência oferecida seja no mínimo tão satisfatória quanto a que é dada pelos cientistas sobre a existência do éter, da hereditariedade e de muitas outras ideias por eles sustentadas, implicitamente aceitas pela multidão que, admirada, curva-se ante qualquer sentença emanada da mágica palavra: Ciência.

Ninguém pode demonstrar a verdade de uma proposição geométrica a uma pessoa não familiarizada com os princípios matemáticos. Por análogas razões, os fatos dos mundos internos não podem ser provados aos cientistas materialistas. Se a pessoa que ignora a matemática, estudando-a, será fácil para ela ter a solução do problema, quando o cientista físico se prepara para a compreensão dos fatos suprafísicos, ele terá a prova e ver-se-á compelido a defender as mesmas teorias que agora combate como superstição.

A ciência oculta começa suas investigações no ponto em que a ciência material cessa de pesquisar: às portas dos reinos suprafísicos – indevidamente chamados sobrenaturais. Nada existe que seja “sobrenatural”, ou “inatural”; nada que possa estar fora da Natureza, mesmo sendo suprafísico, porque o Mundo Físico é a porção menor da Terra. Diferentemente do cientista materialista, porém, o cientista ocultista não realiza suas pesquisas valendo-se de instrumentos mecânicos, mas sim através do autoaperfeiçoamento. Ele cultiva faculdades de percepção latentes em todo ser humano que podem ser despertadas mediante exercícios apropriados. As palavras de Cristo “buscai e achareis” referem-se particularmente a qualidades espirituais, e são endereçadas a “todos os que queiram”. Tudo depende do indivíduo. Não há ninguém para impedir, mas existem muitos dispostos a ajudar o aspirante sincero que busca o conhecimento. Discutir os meios e caminhos está, contudo, fora do presente tópico, e devem ser deixados para elucidação em futuros ensaios (números III e XI).

“Mas” – dirá alguém – “por que nos preocuparmos com um mundo invisível?” “Se fomos postos neste mundo material, o que temos a ver com esses mundos suprafísicos? E mesmo que seja verdadeiro que iremos para lá após a morte, por que não nos ocuparmos de um mundo por vez? `Se basta a cada dia seu mal´, por que então acrescentar-lhe mais preocupações?”

Tal ponto de vista é, por certo, dos mais limitados. Em primeiro lugar, o conhecimento do estado post-mortem afastaria de nós o medo de morrer, que apavora tanta gente, mesmo as pessoas mais saudáveis. Mesmo na vida mais despreocupada há momentos em que o pensamento vai até aquele salto no escuro, o que deve algumas vezes lhe perturbar a alegria de viver. Então, qualquer explicação que ofereça um definido e seguro conhecimento sobre tão importante assunto certamente deve ser muito bem recebida.

Além do mais, quando contemplamos o mundo em volta de nós, vemos que existe uma lei que deve ser evidente até para os mais indiferentes: a Lei de Consequência. A cada dia, o nosso trabalho e condições dependem daquilo que fizemos ou deixamos de fazer no dia anterior. É-nos absolutamente impossível nos desligarmos do nosso passado e “iniciar outra vez”. Não podemos executar qualquer ação que não esteja de algum modo ligada aos nossos atos anteriores, limitados e cercados por nossas antigas condições. E, por certo, deve parecer razoável supor que, qualquer que possa ser o modo de expressão de Vida no mundo invisível, isso será de alguma forma determinado pela nossa atual maneira de viver. Igualmente lógico é afirmar que, se existe uma informação segura sobre esse mundo invisível, seria prudente interessarmo-nos por ela, do mesmo modo que quando desejamos viajar para um país estrangeiro, procuremos conhecer sua geografia, leis, costumes, língua ou outras informações necessárias. Fazemos isto porque sabemos que quanto mais preparados estivermos, mais aproveitaremos nossa viagem e menos aborrecimentos teremos pelas mudanças de condições. Logicamente, o mesmo deve ser dito com relação ao estado post-mortem.

Novamente alguém dirá: “Sim, mas aí é que está o problema! Quaisquer que sejam as condições após a morte, ninguém as conhece com certeza. Todos aqueles que têm afirmado conhecê-las diferem em suas descrições, muitas das quais chegam a ser irrazoáveis, impossíveis”.

Em primeiro lugar, nenhum ser humano tem moralmente o direito de afirmar que ninguém sabe, a menos que seja onisciente e conheça a extensão do conhecimento de todos os que vivem. E é o cúmulo da arrogância tentar julgar a capacidade mental dos demais através da estreitíssima mentalidade que geralmente têm os pretensiosos que fazem tais afirmações. O sábio sempre tem os ouvidos abertos para novas evidências, que investigará com renovada ansiedade. E ainda que houvesse apenas um ser humano declarando conhecer os Mundo invisíveis, isso não provaria necessariamente que ele estivesse errado. Não estava Galileu sozinho quando afirmou sua teoria relativa aos movimentos dos corpos celestes, à qual todo o mundo ocidental aderiu mais tarde?

Quanto a diferirem os relatos daqueles que afirmam conhecer os Mundo invisíveis, isto é tão normal quanto valioso, conforme a ilustração abaixo nos mostrará:

Suponhamos que a cidade de São Francisco tenha sido totalmente reconstruída em grande estilo, com os mais modernos aperfeiçoamentos, e tenha-se decidido celebrar o acontecimento com um grande festival. Milhares de pessoas aglutinar-se-iam na ponte Golden Gate a fim de regozijar-se pela nova Fênix renascida das cinzas da formosa cidade tão subitamente destruída pelo fogo. Entre outros, achar-se-iam provavelmente um número considerável de jornalistas, repórteres das mais diversas partes do país, com o propósito de enviarem notícias aos seus respectivos periódicos. A conclusão inevitável é que, embora os repórteres sejam observadores treinados, nem duas daquelas reportagens seriam iguais. Algumas conteriam os mesmos pontos de vista gerais. Algumas seriam diferentes das outras em cada pormenor. Tudo pela simples razão de que cada repórter teria observado a cidade do seu próprio e particular ponto de vista, e anotado apenas aquilo que lhe chamara a atenção. Assim, ao invés de serem as diversidades de informações um argumento contra a sua veracidade e exatidão, prontamente perceber-se-ia que cada uma tinha seu valor como um diferente aspecto do todo, podendo-se acrescentar que um ser humano que lesse todas as diferentes reportagens teria uma ideia mais completa sobre São Francisco do que tivesse lido apenas uma reportagem assinada pela totalidade dos repórteres.

O mesmo princípio pode ser aplicado aos diferentes relatos sobre os Mundo invisíveis. Eles não são propriamente inverídicos por diferirem, mas formam em conjunto uma descrição mais completa.

Quanto aos relatos “impossíveis”, suponhamos que um dos nossos repórteres de São Francisco, ao invés de observar a cidade, houvesse gastado o seu tempo se divertindo, enviando depois ao seu jornal uma reportagem imaginária. Certamente que tal reportagem não iria invalidar as autênticas. Ou suponhamos que um deles estivesse usando um par de óculos amarelos sem disso se aperceber e enviasse ao jornal uma reportagem informando que em São Francisco as casas e ruas eram todas douradas. Isso por certo apenas mostraria sua ignorância quanto ao fato de que eram os óculos e não a cidade que tinham aquela cor, não devendo, portanto, seu relatório prejudicar a veracidade dos demais. Finalmente, recordemos que, ainda que algumas coisas estejam presentemente além de nosso poder de raciocínio, isto não prova que as mesmas sejam irrazoáveis. O fato de que uma criança não possa entender raiz quadrada não constitui argumento válido contra a matemática. Em suma, os materialistas não podem apresentar nenhum argumento razoável como prova da não existência dos Mundo invisíveis, da mesma forma que um cego de nascença não pode argumentar seriamente contra a existência da luz e das cores no mundo ao seu redor. Se este recuperar a visão, poderá vê-las. Por conseguinte, nenhum argumento dos que são cegos para o mundo invisível pode convencer o clarividente da não existência daquilo que ele vê. Se o sentido apropriado é despertado em tais pessoas, elas também poderão perceber um mundo para o qual haviam sido insensíveis até ali, ainda que tal mundo já existisse em sua volta, da mesma forma que a luz e a cor interpenetram todo o mundo dos sentidos quer sejam percebidos ou não.

Passando deste testemunho da existência dos reinos suprafísicos a uma evidência mais positiva, um exemplo tomado do cotidiano mostrar-nos-á como na Natureza a matéria muda constantemente de estados mais densos para estados mais sutis.

Se tomamos um bloco de gelo, temos um “sólido”. Aplicando calor a esse bloco, elevamos as vibrações dos átomos que o constituem e aí ele se torna um “líquido” – a “água”. Se aquecemos a água ainda mais, se aumentamos a tal grau as vibrações dos seus átomos, ela alcança um ponto que se torna invisível aos nossos olhos: transformar-se-á num “gás” que chamamos “vapor”. Assim, a mesma matéria que era visível na forma de gelo e na forma de água sai de nossa visão, mas não deixa de existir. Se a esfriamos outra vez, ela se condensa, voltando ao estado líquido e, prosseguindo o resfriamento, ela poderá alcançar de novo o estado sólido, como gelo.

Ainda que a matéria possa ultrapassar o alcance de nossa percepção, ela continua existindo. O mesmo se passa com a consciência: continua existindo mesmo que não dê nenhum sinal de existência. Isto tem sido provado nos casos em que pessoas aparentemente mortas – coração e órgãos respiratórios sem o menor sinal de alento – no momento de serem sepultadas, voltaram à vida. Tais pessoas puderam então repetir cada palavra e descrever todos os atos daqueles que as rodeavam enquanto se achavam inconscientes.

Portanto, perguntamos: sabendo-se que a matéria – que é indestrutível – pode existir em estados invisíveis e intangíveis, e que a consciência permanece alerta e até mesmo mais desperta no estado de transe do que no estado de vigília, não é razoável supor-se que essa consciência possa modelar a matéria invisível para nós, e nela funcionar quando desencarnada – do mesmo modo que modela a matéria deste mundo durante a vida terrena – produzindo assim um outro mundo de forma e consciência tão real para o espírito desencarnado como este mundo o é aos sentidos físicos?

Mesmo durante a vida no corpo denso, lidamos com o mundo invisível a cada momento de nossa existência, e a vida que nele vivemos é a mais importante para o nosso ser – é a base de nossa vida no Mundo Físico.

Todos temos uma vida interna, a qual vivemos envoltos em nossos pensamentos e sentimentos, em meio e sob condições desconhecidas ao nosso ambiente externo. Ali, a Mente converte as nossas ideias em pensamentos-forma, que a seguir expressamos. Tudo o que vemos em volta de nós, que impressiona nossos sentidos e que denominamos real, nada mais é senão a evanescente sombra do mundo intangível e invisível. O Mundo visível é a cristalização dos Mundo invisíveis, da mesma forma que a dura e pétrea concha do caracol é a cristalização da seiva do seu corpo flácido. Além disso, assim como a concha do caracol é inerte e permaneceria imóvel se o caracol não a movimentasse, igualmente os corpos vegetais, animais e humanos, sendo apenas emanações inertes do espírito invisível, seriam também incapazes de se mover não fosse a galvanização da forma pela vida latente que neles existe. Esses corpos são conservados apenas enquanto servem aos propósitos do espírito. Quando este os abandona, já não há nada que possa manter a forma agregada, portanto ela se decompõe.

Outrossim, tudo o que vemos em torno de nós – casas, automóveis, navios, telefones, em suma, tudo o que foi feito pela mão do ser humano – é IMAGINAÇÃO cristalizada, a qual se originou no mundo invisível. Se Graham Bell não tivesse sido capaz de imaginar o telefone, este jamais teria chegado a existir. Foi a “vida interna” de Fulton quem concebeu e trouxe à luz o primeiro barco a vapor, muito antes dele se concretizar no visível “Clermont”.

Quanto à realidade e continuidade das coisas no mundo invisível, isto chega a ultrapassar as condições visíveis do Mundo Físico que julgamos erradamente ser o máximo de “realidade”. Costumamos considerar nossas imagens mentais e idealizações ainda menos reais do que uma miragem, a elas nos referindo superficialmente como “simples pensamentos” ou “apenas uma ideia”, quando, na verdade, elas são as realidades básicas de tudo o que vemos neste mundo. Uma ilustração esclarecerá melhor o assunto:

Quando um arquiteto deseja construir uma casa, não requer de início que sejam logo levados ao local da construção o madeirame e outros materiais, nem contrata trabalhadores e ordena-lhes começarem imediatamente a erguer a habitação! Em lugar disso, ele primeiro formula a ideia, medita sobre ela, constrói a casa “em sua Mente” com o máximo de detalhes possível e, por este modelo mental, a casa poderia ser edificada se pudesse ser vista pelos trabalhadores. Mas o modelo ainda está no mundo invisível. E ainda que o arquiteto a perceba claramente, “o véu da carne” impede que outros possam vê-la. Assim, torna-se necessário trazê-la ao mundo dos sentidos através de um esboço ou planta visível que orienta os trabalhadores. Esta é, pois, a primeira cristalização da imagem mental do arquiteto, e quando finalmente a casa é construída, podemos ver em madeiras e pedras aquilo que primeiro foi uma ideia em sua Mente, embora invisível para nós.

Quanto à relativa estabilidade da ideia e da casa construída – uma em relação à outra – é claro que a segunda pode ser destruída por dinamite ou por outro processo, mas a ideia na Mente do arquiteto nem ele próprio é capaz de destruí-la, podendo assim utilizá-la novamente para construir outra idêntica àquela em qualquer tempo e enquanto viva. Mesmo depois da morte deste, a ideia pode ainda ser encontrada na Memória da Natureza por quem quer que esteja habilitado a tanto, pois não importa há quanto tempo tenha sido ali impressa, pois a ideia jamais se perde ou é destruída. Voltaremos a falar desta Memória no próximo Capítulo.

Se bem que possamos deste modo, por “inferência”, concluir sobre a existência de um mundo invisível, este não é o único meio de prová-lo. Existe abundância de testemunhos diretos provando que tal mundo é real. São testemunhos de homens e mulheres de indiscutível integridade, cuja veracidade e exatidão jamais foram postas em dúvida em qualquer outra área, os quais atestam que esse mundo invisível é habitado por aqueles a quem chamamos mortos, que ali vivem na posse plena de suas faculdades mentais e emocionais e vivendo sob condições tais que suas vidas tornam-se tão verdadeiras e proveitosas quanto as nossas, talvez até mais. É possível demonstrar que pelo menos alguns deles alimentam considerável interesse pelos assuntos do Mundo Físico. Bastam para isso dois exemplos dos mais conhecidos no mundo inteiro.

Primeiramente, o testemunho de Joana D´Arc, a “Donzela de Orleans”, que ouvia “vozes que lhe falavam e guiavam”. Consideremos sua história e vejamos se essa vida estampou ou não a verdade.

Moça pura, simples e sem sofisticação, pouco mais que uma criança, nunca antes saíra ela de sua cidadezinha natal até encetar sua “missão”. Era extremamente tímida, receosa de desobedecer a seu pai. Contudo, as “vozes” imperiosas levaram-na à inusitada audácia de contrariá-lo e sair em busca do rei da França. Após muitas dificuldades – mas constantemente guiada pelas vozes – foi-lhe finalmente assegurada uma audiência com o rei. Quando ela entrou, o rei se encontrava numa roda de cortesãos e, sentado no trono, via-se apenas um vulto disfarçado, um boneco. Todos esperavam vê-la confundida, pois ela jamais havia visto o rei. Contudo, guiada pelas fiéis vozes, Joana D´Arc caminhou resolutamente até ele e o saudou. Então, conseguiu convencê-lo da autenticidade de sua missão, sussurrando-lhe ao ouvido um segredo por demais íntimo que só a ele pertencia e que só ele conhecia.

Como resultado dessa prova, o comando do exército francês foi tirado das mãos de experientes generais que haviam sido derrotados pelos ingleses em todas as batalhas, e entregue a essa criança que nada sabia de estratégia militar. E ela, ainda que orientada por seus invisíveis guias, conduziu as tropas francesas à vitória. Seu conhecimento de tática militar era motivo de constante admiração de seus companheiros, mas por si só foram a prova da orientação que ela afirmava receber.

Depois, foi presa e sujeita a anos de sofrimentos, torturas e ameaças da parte de seus cruéis perseguidores, visando fazê-la confessar que não ouvia vozes. Porém, os arquivos em que estão registrados seus numerosos julgamentos mostram em suas respostas uma tal singeleza de Mente, uma tal inocência e honestidade, de fato inigualáveis nos anais da história, ao ponto de confundir seus juízes em cada um desses julgamentos. Nem a morte na fogueira pôde fazê-la abjurar a verdade que conhecia. E até hoje seu testemunho sobre as vozes orientadoras do mundo invisível permanece inabalável, selado com seu sangue. Esta mártir da verdade foi recentemente canonizada pela mesma igreja que a condenou à morte.

“Oh! Sim” – poderia alguém ponderar – “mas ainda que não pairem dúvidas sobre sua honestidade, ela não era mais que uma simples camponesa, inconsciente, portanto, de que sofria alucinações!” Estranhas alucinações aquelas que a capacitaram a distinguir sem hesitação o rei que nunca vira antes; a sussurrar-lhe um segredo só dele conhecido; e a descrever em minúcias as batalhas que estavam sendo travadas a muitas milhas de distância, conforme corroborado mais tarde pelos que delas haviam participado.

Mas passemos ao segundo testemunho, que de nenhum modo se relaciona com uma “mente simples”. A esse respeito, Sócrates foi a perfeita antítese de Joana D´Arc, porque foi a mais penetrante inteligência, a maior mentalidade que já conhecemos, inexcedível até os dias de hoje. Este também selou com seu sangue seu testemunho sobre uma voz-guia do mundo invisível. E podemos considerar evidente por si mesmo o fato de que essa voz devia ter sido extraordinariamente inteligente, caso contrário não teria sido capaz de aconselhar tão grande sábio quanto Sócrates

Afirmar que ele era louco ou sofria de alucinações seria totalmente impróprio, porque um ser humano como Sócrates, que abordava todos os demais assuntos com tanto equilíbrio, está acima de qualquer suspeita nesse particular. De forma que o mais razoável é reconhecermos que “existem muito mais coisas nos céus e na terra” que individual ou coletivamente desconhecemos, e então passarmos a investigá-las.

Com efeito, isto é justamente o que a maior parte das pessoas avançadas estão fazendo em nossos dias, convencidas de que é tão tolo ser-se demasiado cético para investigar, quanto ser-se demasiado crédulo para tomar como artigo de fé tudo quanto se ouve. Somente informando-nos de modo apropriado, é possível chegarmos a uma conclusão digna de nossa condição humana, não importa o caminho pelo qual nos decidimos.

Reconhecendo esse princípio e a grande importância do assunto, fundou-se há mais de um quarto de século a “Society for Psychical Research” (Sociedade de Investigações Psíquicas), a qual conta entre seus membros as mais brilhantes inteligências de nosso tempo. Elas não pouparam esforços para separar a verdade do erro em milhares de casos que lhe foram apresentados, e, como resultado, o presidente da Sociedade – Sir Oliver Lodge – , um dos mais proeminentes cientistas da nossa época, declarou ao mundo, há alguns anos atrás, que “a existência de um mundo invisível, habitado pelos que chamamos mortos e que têm o poder de se comunicar com este mundo, foi estabelecida acima de qualquer equívoco em tão grande número de casos que não deixa margem à qualquer dúvida”.

Vindo essa afirmação de um dos maiores cientistas modernos, de alguém que aplicou em seus estudos psíquicos uma Mente burilada pela ciência, e que se mantinha sempre muito bem prevenido contra qualquer engano ou farsa, o testemunho acima deve merecer o mais profundo respeito de todos aqueles que buscam a verdade.

Havendo examinado indutiva, dedutiva e diretamente as evidências, podemos acrescentar que a existência de outro mundo, intangível para os cinco sentidos, mas facilmente investigáveis por meio do “sexto sentido”, é – reconheçamos ou não – um fato, uma realidade natural, do mesmo modo que é real a existência da luz e da cor tanto em volta do “cego” quanto ao redor “daquele que vê”. É a cegueira que impede o ser humano de ver a luz e a cor em torno de si. De maneira idêntica, é a nossa “cegueira” que nos impede de perceber os reinos suprafísicos. Mas, para todo aquele que se der ao trabalho de despertar suas faculdades latentes, o desenvolvimento do sentido apropriado à dita percepção não é senão uma questão de tempo, podendo ele então ver que os chamados “mortos” se encontram todos ao seu redor, e que de fato “a morte não existe”, conforme disse John Mc Creery em seu formoso poema:

A morte não existe. As estrelas descem

e em outras plagas irão se levantar,

radiantes, adornando a coroa celeste,

para sempre irão brilhar.

A morte não existe. As folhas da floresta,

o ar invisível em vida transformam;

as rochas se desintegram para alimentar

o musgo faminto que nelas se agarram.

A morte não existe. O pó que pisamos

irá transformar-se, pelas chuvas de verão,

em flores com as cores do arco-íris,

em frutos saborosos ou em dourado grão.

A morte não existe. As folhas podem cair,

as flores podem murchar e sumir,

esperam apenas nas horas hibernais

pelo alento quente da Primavera que há de vir.

A morte não existe, embora lamentemos

quando as belas formas familiares

que aprendemos a amar são arrancadas

de nossos amorosos braços tutelares.

Embora com roupas de luto e em silencioso passo,

com o coração partido e tão contritos,

levemos seus restos para o descanso

dizendo que eles estão mortos.

Eles não estão mortos. Passaram apenas

para além das névoas que aqui nos cegam,

para que em esferas mais serenas

uma nova e maior vida tenham.

Apenas se despojaram de seus mantos de barro

e vestiram trajes mais brilhantes;

não foram para longe, nem nos deixaram,

não estão “perdidos” ou “distantes”.

Embora invisíveis aos olhos mortais,

ainda estão aqui e continuam amando

os entes queridos que para trás deixaram,

jamais os olvidando.

Por vezes, sobre nossa fronte febril,

sentimos um afago, um balsâmico alento;

nosso espírito os vê e nossos corações

sentem-se confortados e calmos, no momento.

Sim, sempre perto de nós, embora invisíveis,

esses queridos e imortais espíritos caminham forte

pois tudo, neste Universo infinito de Deus,

é vida – NÃO EXISTE A MORTE.

[3] N.T.: CONFERÊNCIA III – VISÃO ESPIRITUAL E MUNDOS ESPIRITUAIS

Vimos na Conferência nº 1 que a única teoria sobre a vida que suporta o foco luminoso da razão é a de que o Ego humano é imortal, que a vida terrena é uma escola à qual esse Ego retorna, vida após vida, para aprender suas lições por força das Leis gêmeas da Natureza – as Leis de Consequência e Renascimento – progredindo assim seguramente em direção à meta da Perfeição.

Esta solução ao enigma da vida leva naturalmente à pergunta: Se os que chamamos mortos estão realmente vivos, por que não os vemos? E onde se acham eles? A pergunta foi respondida na Conferência anterior, em que demonstramos através de incontestáveis testemunhos – indutivos, dedutivos e diretos – que existe um Mundo invisível em torno de nós, habitado pelos chamados mortos, os quais aí vivem em plena posse de todas as faculdades, e que a única razão pela qual deixamos de percebê-los é faltar-nos o necessário sentido para tal. O cego não consegue perceber a luz e a cor por carecer de visão física. Do mesmo modo, não conseguimos ver os Mundos espirituais por nos faltar a visão espiritual. Cada um de nós possui esse “sexto” sentido em estado latente e, em todos, sem exceção, ele pode ser despertado mediante métodos adequados, conforme Conferência nº 11 desta série.

Na presente Conferência, estudaremos os Mundos internos, e poderemos ter uma ideia geral de como o Clarividente conhece tais Mundos e ver demonstrados o alcance e as limitações da clarividência.

“Clarividente” é o nome dado às pessoas que veem objetos invisíveis ao ser humano comum. O nome significa simplesmente “visão clara”. E, ao contrário da ideia geralmente aceita, existem diferentes classes de Clarividentes. Alguns, à semelhança de um prisioneiro por trás das grades, só podem ver o que está dentro do seu limitado campo visual, o qual depende se as grades dão para o pequeno pátio interno da prisão ou para uma ampla área externa. Se, além da limitação das grades, o prisioneiro tem ainda sua visão estorvada por um postigo que ele não pode controlar e que abre e fecha por si, independentemente de sua vontade, compreenderemos que suas observações pouco valem, quer para ele próprio quer para outrem.

Alguns Clarividentes são como este prisioneiro. Quando o postigo se abre, eles podem ver o que está acontecendo naquela área dos Mundos internos, que eles tiveram a oportunidade de ver em um determinado tempo e lugar. Não podem evitar ver, quer a visão os agrade ou não; eles têm de suportá-la até que se desvaneça. Tais pessoas são chamadas de negativas ou Clarividentes involuntários.

Outros, contudo, ainda que limitados em seu campo de visão, são capazes de controlar o postigo, abrindo-o ou fechando-o à vontade e vendo qualquer coisa dentro daquela área. Estes também são negativos, porém, são capazes de ver “à vontade”. Por isso, são conhecidos como Clarividentes voluntários. Há também alguns que possuem a faculdade que pode ser comparada ao estado de um prisioneiro num cárcere de vidro, situado no topo de uma colina, tendo à sua disposição telescópios do mais longo alcance, equipados de obturadores tais que se abrem ou se fecham instantaneamente ao simples desejo do prisioneiro de continuar ou não olhando através deles. Deste modo, ele exerce um perfeito controle sobre sua visão, sendo capaz de dirigi-la para quaisquer objetos que deseje investigar. Estes, pois, são os Clarividentes voluntários treinados.

Existe ainda um grau mais elevado em que as portas do cárcere se abrem e o ser humano é capaz de abandonar seu Corpo Denso à vontade, penetrar nos Mundos invisíveis e ali estudar de perto aquilo que deseje conhecer, coisas que a última classe acima só consegue ver de longe. Sair do Corpo Denso à vontade é naturalmente o método ideal, porque, deste modo, o ser humano não apenas é um Clarividente, mas torna-se um cidadão de dois ou mais Mundos. Este grau, contudo, e de modo geral, não pode ser alcançado pelo investigador comum, mas sim por aqueles que se comprometem a dedicar suas vidas ao serviço da Humanidade. Estes são chamados Auxiliares Invisíveis. Seu trabalho é feito sob a direção dos grandes Guias da Humanidade – nossos Irmãos Maiores.

Assim como há muitas pessoas que cometem o erro de descrer da existência dos Mundos suprafísicos, há também aquelas que vão ao outro extremo – quando convencidas da veracidade dos Mundos invisíveis – crendo que qualquer um que consiga “ver” Clarividentemente pode também distinguir toda a verdade, conhecendo então de imediato tudo a respeito desses Mundos superiores.

Nada mais errôneo, e a aparência ilusória de tal ideia é facilmente compreensível se comparada aos fatos da vida terrena. Não podemos conceber que um ser humano nascido cego passe a conhecer de imediato todas as coisas visíveis no Mundo Físico logo após adquirir a visão. Melhor ainda, sabemos que, mesmo qualquer um de nós que desfrutou de uma visão perfeita por toda a vida, está longe de possuir um conhecimento universal das coisas que nos rodeiam! A lógica e a analogia seriam violadas se tais suposições fossem aplicadas aos Mundos internos. A verdade é que nenhum Clarividente – mesmo que seja desenvolvido – conhece tudo ali, mas tão somente aquilo que tenha investigado. Um cego que tenha recobrado sua visão precisa aprender a usar seus olhos para medir distâncias etc., do mesmo modo que uma criança. Assim também deve o Clarividente ser treinado antes que sua faculdade possa ser realmente útil. Convém notar que geralmente os Clarividentes mais aptos são sempre os mais comedidos em seus relatos e os mais dispostos a dar ouvidos às versões alheias, sabendo quanto existe ainda por conhecer e quão pouco dos múltiplos aspectos de uma coisa pode um investigador abarcar isoladamente.

Além disso, no Mundo Físico, as formas são estáveis, não mudam facilmente, enquanto, nos Mundos internos, tudo se encontra no mais intenso movimento. As formas mudam de tal maneira e com tanta facilidade que só os contos de fada podem fazer disso uma pálida ideia. Assim, não é de admirar que o Clarividente involuntário ou não treinado confunda frequentemente as coisas. O treinamento consiste em ensinar-se ao neófito como ver além da forma. A forma é evanescente, ilusória, mas a vida é a mesma seja qual for a “forma” que ocupe. E, somente quando a “vida” puder ser vista, estará seguro contra enganos.

Antes de prosseguir neste assunto, faz-se mister primeiramente que consideremos o Conceito Rosacruz sobre o Mundo Físico, já que ele difere algo das ideias geralmente aceitas.

A REGIÃO QUÍMICA DO MUNDO FÍSICO

Na vida comum, costuma-se fazer distinção entre sólidos, líquidos e gases. A ciência os agrupa em cerca de setenta elementos inorgânicos[3], tais como hidrogênio, nitrogênio, oxigênio. Carbono, etc. Todas as Formas estruturam-se a partir desses elementos.

Distinguimos também quatro Reinos: mineral, vegetal, animal e humano. Esta distinção refere-se às quatro ondas de vida de espíritos em evolução em diferentes estados de desenvolvimento, os quais se manifestam como Vida e modelam os elementos químicos nas múltiplas Formas que vemos em torno de nós.

Esta quádrupla manifestação de vida está de certo modo firmemente aderida às formas que construiu, e de acordo com o grau de desenvolvimento alcançado pelas várias classes de Espíritos.

Os Espíritos que compõem a Onda de Vida Mineral são tão débeis e, portanto, tão identificados com a matéria que eles moldam em cristais inorgânicos que até parecem inseparáveis dela. Esta manifestação de vida é conhecida como força química.

Os Espíritos da Onda de Vida Vegetal assimilam os elementos químicos cristalizados e transformam os cristais em cristaloides para construir seus corpos mais complexos.

Quando, por sua vez, essas formas vegetais são utilizadas pelas ondas de vida Animal e Humana, agrupam-se nas células e órgãos que coletivamente passam a constituir os veículos ainda mais complexos desses dois Reinos superiores.

Enquanto as três ondas de vida mais evoluídas trabalham com a matéria química, a vida mineral, nesta impregnada, torna-se inerte ou, em certo sentido, morre. Mas, desde o momento em que a vida vegetal, a vida animal ou a vida humana abandona uma forma, então dizemos que está “morta” – a vida mineral inerente à matéria química mais uma vez se liberta para se autoafirmar e se manifestar como forças químicas, provocando então nas formas a decomposição e fazendo-as retornarem aos seus constituintes originais.

Alguns cientistas atribuem a faculdade de sensação aos minerais e aos tecidos “mortos” – tanto dos vegetais quanto dos animais. As observações da ciência estão corretas, mas é sério equívoco chamar-se de sensação ao que não é mais que mera resposta a impactos da vida mineral que anima a forma, quando esta não está sendo utilizada por uma Onda de Vida superior. A Onda de Vida mineral inerente aos tecidos submetidos a testes pelos cientistas permite registrar tão somente uma impressão, nunca uma verdadeira sensação como a de prazer ou de dor. Tais qualidades são anímicas e indicam uma consciência “interna” capaz de “dominar” as impressões que recebe. Isto se encontra ainda muito distante da vida mineral. Portanto, todas as formas – e apenas como formas – carecem de sensação tanto quanto os elementos químicos que as compõem. A ciência reconhece isto quando afirma que não há sensação alguma no dedo que se fere, mas – e incoerentemente – que a dor é sentida pelo cérebro. O cientista ocultista sustenta que todas as formas, inclusive cérebros, músculos ou ossos são igualmente desprovidos de sensação, já que este atributo é um processo de vida não inerente aos sólidos nem aos líquidos nem aos gases. Sustenta igualmente que tampouco a faculdade em questão é adquirida por estes enquanto estão sendo utilizados pelas ondas de vida em desenvolvimento, as quais apenas ocupam tais substâncias para poderem expressar-se no Mundo Físico visível e denso nas mais variadas formas.

Portanto, se o ser humano possuísse somente Corpo Denso, seria incapaz de manifestar vida, tanto quanto seriam as substâncias químicas que compõem aquele corpo. E, se existisse somente o Mundo Físico visível, jamais poderiam existir outras formas além dos cristais inertes. Então, os vegetais, os animais e o próprio ser humano teriam sido realizações impossíveis na Natureza.

A REGIÃO ETÉRICA DO MUNDO FÍSICO

Os Rosacruzes, em harmonia com outras escolas de ocultismo, dividem cada Mundo em sete “Regiões” ou estados de matéria. A parte visível do nosso Mundo já abrange três desses estados de matéria, a saber: a região dos sólidos, a região dos líquidos e a região dos gases. O invisível Éter ocupa as quatro regiões restantes, e é na investigação desse quádruplo Éter que as pesquisas da ciência oculta se iniciam.

Estes quatro estados do Éter constituem a Região Etérica. O Éter é o meio pelo qual a energia solar flui nos corpos densos do vegetal, do animal e do ser humano, constituindo-se assim numa base para a manifestação da vida e da vitalidade. Os nomes e funções específicas desses quatro Éteres são os seguintes, na ordem decrescente:

Éter Químico – É o meio de manifestação das forças químicas que formam os cristais, manifestando-se quais amores e ódios dos átomos a “afinidade facultativa” referida por Goethe – pelo que se pode observar que álcool e água prontamente se misturam, enquanto óleo e água recusam-se a fazê-lo. Outras forças expressam-se neste Éter para promover a assimilação, o crescimento e a excreção que vemos nos Reinos vegetal, animal e humano. O Éter Químico é o único ativo nos elementos químico-minerais em estado primitivo.

Éter de Vida – O peixe pode viver e mover-se na água, mas o animal e o ser humano não o conseguem. Estes vivem pela respiração do ar que asfixia o peixe. Assim, cada reino da Natureza é um meio de manifestação de inteligências diferentemente constituídas e em diversos graus de desenvolvimento, também com diferentes missões na economia da Natureza. Enquanto as forças que atuam pelo Éter Químico dizem respeito somente à manutenção da forma separada, o Éter de Vida é a avenida da força propagadora cujo objetivo é a perpetuação das espécies ou raças, e agem, por conseguinte, nos vegetais, nos animais e no ser humano.

Éter de Luz – É o meio de manifestação das forças que produzem o calor, o movimento e a circulação do sangue nos animais e no ser humano, e a circulação da seiva nas plantas. Através deste Éter, a verde clorofila é depositada sobre as folhas e, também, as cores sobre as flores, animais e ser humano. Ele é a avenida de ingresso para a força solar que constrói os olhos, assim como é também o veículo da visão. As forças deste Éter encontram-se apenas parcialmente ativas nos vegetais, mas plenamente atuantes nos animais e no ser humano.

Éter Refletor – É a substância da mais elevada região do Mundo Físico, e onde podem ser encontradas as imagens ou memórias de tudo o que é ou foi, está ou esteve neste mesmo Mundo. Por isso, dizemos que este Éter contém a “Memória da Natureza”. Aqui, a ideia já citada da casa projetada pelo arquiteto pode ser recobrada a qualquer tempo, esteja ele morto ou vivendo ainda. Mas o Éter Refletor tem este nome por mais de um motivo: as imagens que ali se encontram, ainda que reproduzam as coisas do Mundo Físico, não são mais que reflexos das imagens que se acham em um Mundo muito mais elevado, onde as memórias são permanentes, muito mais claras e definidas. Só os Clarividentes involuntários e os psicômetras leem os registros de tal Éter, já que não têm outra escolha, mesmo que tenham ouvido falar da existência de registros superiores. Por vezes, o incipiente discípulo de uma escola de mistérios também procura ler no Éter Refletor, mas é advertido quanto ao seu alcance a fim de que não pense ser ele o máximo em fidelidade, e aprenda no devido tempo a utilizar os registros mais elevados. Este Éter é um dos mais importantes domínios da Natureza. É a vida de ingresso do Ego para manipulação de seu cérebro e sistema nervoso e controle do seu Corpo Denso. Ainda no Éter Refletor, o Ego humano grava as suas experiências, gravação essa que chamamos memória.

A ciência ensina que, tanto no sólido mais denso, quanto no gás mais rarefeito, nem dois átomos se tocam, mas que todos flutuam, por assim dizer, num mar de Éter. Isto é uma verdade, embora parcial. Mas, se essa verdade fosse tudo, impossível seria explicar-se logicamente as diferenças entre os quatro Reinos.

Sabemos que para funcionar no Mundo visível, é necessário ter-se um Corpo Denso. Sem tal corpo, seríamos como “fantasmas”, invisíveis aos demais seres físicos.

A mesma coisa é verdade para os outros Mundos. Para que possamos funcionar neles ou expressar suas qualidades peculiares, devemos antes de tudo possuir um veículo feito de seus materiais. Por conseguinte, assim como necessitamos de um Corpo Denso para atuar no Mundo Físico, do mesmo modo precisamos de um Corpo Vital para podermos expressar vida, assimilar, crescer e propagar a espécie. A Onda de Vida mineral, presentemente imersa na matéria da Região Química, não tem Corpo Vital separado. Mas a planta, o animal e o ser humano possuem esse corpo, embora diferentemente formados como seus respectivos corpos densos, variando os mesmos em qualidade, quantidade e organização da matéria etérea que os constitui.

Todavia, apenas a posse de um Corpo Denso e de um Corpo Vital não é suficiente para explicar todos os fatos da vida. Se na Natureza não houvesse outros Reinos, corpos animais e humanos com mobilidade seriam impossíveis. E mesmo que tais corpos tivessem sido criados com a capacidade de mover-se e agir, mesmo assim seriam carentes do necessário incentivo para tal. Portanto, o ocultista científico afirma que a ação parte do Mundo do Desejo.

O MUNDO DO DESEJO

Como o Mundo Físico, este reino da Natureza também se compõe de sete regiões que dividem a matéria, consoante sua relativa densidade e outras qualidades.

A matéria a que nos referimos aqui é algo muito diferente daquela existente no Mundo Físico. E a diferença é muito difícil de descrever por que toda a nossa linguagem foi estruturada com referência ao Mundo dos sentidos. Deste modo, o melhor a fazer é dar uma ideia aproximada por comparação de semelhança.

Em primeiro lugar, ainda que a matéria de desejos seja um grau menos densa do que a matéria física, não é de modo nenhum um tipo de matéria física “mais sutil”. É verdade que o átomo último de todas as formas físicas é o mesmo: que a montanha e a flor de maio, o rato e o ser humano, todos são formados pela mesma categoria de átomos. Mas, apesar disso, nunca se diz que o rato é um grau “mais sutil” que a montanha. Idêntica diferença encerra o enunciado da densidade relativa das duas classes de matéria, a qual sujeita uma a leis inoperantes na outra.

A matéria de desejos é particularmente caracterizada pela facilidade com que pode ser modelada nas mais diferentes formas, e pela capacidade de mudar de uma forma a outra. Plasticidade está muito longe de ser um termo adequado para esta qualidade. Além disso, a matéria de desejos é também um manancial de luz e cores cintilantes de tal brilho e fulgor que as nossas mais belas cores e os nossos mais gloriosos crepúsculos chegam, por comparação, a parecerem inexpressivos e sem vida. Foi essa deslumbrante luminosidade que levou os alquimistas medievais a chamarem-na de “astral” (relativo a astro, estrela), embora ela nada tenha a ver com as estrelas. Pode-se ter uma pálida ideia dessa iridescência tomando-se uma concha de nácar e observando-se a variedade de cores mutáveis que ela exibe quando exposta à luz do Sol e sob ligeiros movimentos.

Para que possamos entender razoavelmente o Mundo do Desejo, devemos compreender que ele é o Mundo do sentimento, dos desejos e das emoções. Assim como os nossos ossos, sangue e carne são formados de matéria química, igualmente nossos desejos e emoções são formados de matéria do Mundo do Desejo. E, do mesmo modo que nossos corpos densos estão sujeitos à gravidade e a outras leis físicas, assim também nossos desejos, etc., estão sujeitos a duas grandes forças do Mundo do Desejo: Atração e Repulsão.

A Força de Repulsão predomina nas três regiões inferiores ou mais densas. A força de Atração predomina exclusiva nas três regiões superiores em que a matéria é mais sutil, mas também se acha presente em certo grau nas três regiões inferiores, onde se opõe à força de Repulsão.

A Região central é a Região do “Sentimento”. Aqui, o Interesse ou a Indiferença por algum objeto ou ideia rompe o equilíbrio em favor de uma das forças – Atração ou Repulsão – que impelem o objeto ou ideia geratriz do sentimento às três regiões superiores ou às três inferiores, ou ainda, conforme o caso, expulsam-nos de nossas vidas. Uma ilustração demonstrará esse princípio e, também, como esses “sentimentos gêmeos” são molas-mestras que acionam o Mundo mediante as “forças gêmeas”.

O animal e o ser humano têm ambos um Corpo de Desejos, achando-se, portanto, sob o domínio desses dois sentimentos e dessas duas forças. Uma tigresa na selva olhará, de passagem, para um pedaço de pão com indiferença, mas sentir-se-á interessada pelo dono do pão. Seu interesse despertará a força de Atração e aí tentará matá-lo. Esse ato destrutivo, contudo, não seria um fim nem um objetivo, mas tão somente um passo necessário ao animal rumo à sua digestão. Se essa mesma fera, de tocaia, visse outra tentando atacar o animalzinho que ela já tem como sua presa, isso também despertaria nela o sentimento de interesse, mas, neste caso, o interesse despertaria a força de Repulsão e haveria uma luta. A destruição de seu adversário seria então um fim em si mesmo. No caso acima e naqueles em que os fatores são os desejos animais do ser humano, as forças gêmeas e os sentimentos gêmeos atuam analogamente. Porém, há uma diferença de composição entre o Corpo de Desejos do ser humano e o do animal.

O Corpo de Desejos de um animal é composto somente de matéria das quatro regiões inferiores do Mundo do Desejo. Daí, ele ser incapaz de outro sentimento além do desejo animal de alimento, abrigo, etc. Um santo sentiria o mais profundo remorso por lhe escapar uma palavra colérica. A tigresa conserva-se imperturbável ante o sentido de certo-ou-errado, ainda que mate todos os dias. A razão é que o Corpo de Desejos do ser humano é composto de matéria de todas as sete regiões do Mundo do Desejo, de modo que é capaz de ter sentimentos mais elevados que o animal. Outra ilustração esclarecerá este ponto.

Três homens vão andando por uma estrada. Avistam a certa altura um cão doente, coberto de feridas, sofrendo evidentemente intensas dores e fome.

Isso é bastante evidente para os três homens. É o testemunho dos seus sentidos. Agora, vem o Sentimento. Um deles sente Indiferença para com o animal e segue em frente sem mais olhá-lo, abandonando o cão ao seu destino. A mesma coisa não se dá com os outros dois. Ambos se interessam e se detêm. Mas o Sentimento de Interesse se manifesta diferentemente em cada um.

O interesse em um deles é de simpatia, de ajuda, impelindo-o a cuidar do infeliz animal, a fazer algo para amenizar suas dores e lhe restaurar a saúde. Neste ser humano, o Sentimento de Interesse despertou a Força de Atração.

O interesse do outro ser humano é de natureza oposta. Este vê apenas um objeto repugnante que ofende o seu senso estético, e deseja então livrar-se a si e ao Mundo de tal pestilência o mais depressa possível. Entende que o animal deve ser morto e enterrado imediatamente. Nele, o Sentimento de Interesse despertou a destrutiva Força de Repulsão.

Vemos assim que toda ação ou refreamento desta (que é ação negativa) deve-se aos Sentimentos gêmeos: Interesse, que põe em ação as Forças gêmeas de Atração e Repulsão, e Indiferença, que simplesmente corta nossa relação com o objeto ou ideia aos quais se dirige. Se nosso interesse por um objeto ou ideia desperta a Repulsão, naturalmente isso nos leva a algum esforço para expulsá-lo de nossas vidas, mas, conforme já exemplificado, há uma grande diferença entre a ação da força de Repulsão e o sentimento de Indiferença.

Vemos, pois, que um Corpo Denso constituído de substância inerte da Região Química, animado e vitalizado por um Corpo Vital composto de Éteres da Região Etérea, recebe do Corpo de Desejos o incentivo para a ação, incentivo esse que os animais obedecem irrestritamente, mas que o ser humano pode reprimir em decorrência de outro fator: a Razão, que muitas vezes o leva a agir contrariamente ao desejo. Se não houvesse outros Mundos além do Mundo Físico e do Mundo do Desejo, esse fator não existiria. Poderiam existir os minerais, os vegetais e os animais, mas o ser humano – um ser racional e pensante – seria uma impossibilidade na Natureza.

O MUNDO DO PENSAMENTO

Para que se possa explicar o ser humano, o Mundo do Pensamento deve ser levado em consideração. De sua substância é que se forma a Mente para agir como um freio sobre os impulsos do Corpo de Desejos, ditando ações contrárias aos apelos dos sentimentos gêmeos, dado o maior descortino alcançado pela razão.

O Mundo do Pensamento também compreende sete regiões em que a matéria é classificada de acordo com a sua densidade e qualidade. Além disso, divide-se em duas grandes partes: Região do “Pensamento Concreto” e Região do “Pensamento Abstrato”.

Nas três regiões inferiores da Região do Pensamento Concreto encontram-se os arquétipos de tudo o que vemos no Mundo Físico: minerais, vegetais, animais e o ser humano; arquétipos dos continentes, rios e oceanos. Aqui, o Clarividente exercitado, cuja faculdade capacita-o a alcançar estes planos mais elevados, pode ver também o oceano universal de vida fluente no qual todas as formas estão imersas. E pode ver o mesmo impulso vital movendo-se de forma em forma, em ciclos rítmicos, mantendo a forma especializada pelo Ego humano ou pelo Espírito-Grupo do animal ou da planta.

Tais arquétipos não são meramente modelos no sentido geral do termo, algo assim como uma coisa em miniatura ou de material mais refinado. São, isto sim, arquétipos criadores que modelam todas as Formas visíveis tais como as vemos no Mundo, à sua própria imagem e semelhança. Ou melhor, às suas próprias semelhanças, pois, frequentemente, muitos arquétipos trabalham juntos para formarem certas espécies, dando cada um parte de si mesmo a fim de construírem determinada forma. São dominados e dirigidos pelas “Forças Arquetípicas” situadas na quarta divisão. Nossa Mente é formada da substância das quatro divisões inferiores, capacitando também o ser humano a gerar pensamentos e criar imagens que depois pode reproduzir no ferro, na pedra ou na madeira. Assim, por meio da Mente obtida desse Mundo, o ser humano torna-se um criador no Mundo Físico, de modo análogo às forças arquetípicas.

Mas, o que dirige a Mente, assim como as forças arquetípicas dirigem os arquétipos? É o Ego, o qual obtém suas vestimentas das três regiões superiores que formam a chamada Região do Pensamento Abstrato. Ou Região da Ideia.

Vemos, portanto, que o ser humano é um ser muito complexo e um cidadão de três Mundos, aos quais ele se correlaciona por uma cadeia ininterrupta de quatro veículos, o que lhe proporciona uma total consciência de vigília. Esta condição capacita-o a ver os objetos no espaço, de fora de si, em claros e nítidos contornos.

O animal ainda não tem Espírito “Individual”, mas tem o chamado Espírito-Grupo que guia todos os membros de uma espécie. Os animais têm três corpos – um denso, um vital e um de desejos – mas falta-lhes um elo da cadeia: a Mente. Daí que os animais ordinariamente não pensem. Contudo, do mesmo modo que se “induz” eletricidade em um fio somente por aproximá-lo de outro que esteja carregado, assim também algo muito semelhante a pensamento é “induzido”, pelo contato com o ser humano, em certos animais domésticos superiores como o cão, o cavalo e o elefante. Os outros animais obedecem ao impulso (que nós chamamos de instinto) do Espírito-Grupo animal. Não veem os objetos tão distintamente quanto o ser humano. Nas espécies inferiores, a consciência animal se traduz mais e mais como “consciência pictórica”, semelhante ao estado de sonho no ser humano, exceto em que, para o animal, os quadros não são confusos, mas transmitem-lhe os impulsos do Espírito-Grupo.

As plantas só têm Corpo Denso e Corpo Vital. Daí, que não possam sentir nem pensar: falta-lhes Corpo de Desejos e Mente. Há, por conseguinte, uma ligação menos estreita entre o vegetal e seu Espírito-Grupo do que entre o animal e seu Espírito-Grupo. A consciência do vegetal é consequentemente mais vaga ou obscura, assemelhando-se ao estado de sono sem sonhos.

O mineral tem apenas Corpo Denso. Carece de três elos da cadeia que o ligaria ao seu Espírito-Grupo. É inerte, portanto, e sua inconsciência assemelha-se ao corpo humano nas condições de “transe”, quando o Espírito Humano – o Ego – encontra-se totalmente fora de seus veículos.

Concluindo, notemos que os três Mundos em que vivemos não estão separados pelo espaço. Estão perto de nós, envolvendo-nos como a luz e a cor, imersos ou compenetrados na matéria física como as linhas de força nos minerais. Se congelarmos a água contida num prato e então a examinarmos com um microscópio, veremos pequeninos cristais de gelo separados uns dos outros por várias linhas. Estas linhas encontravam-se presentes como linhas de força, mas invisíveis, até que as condições apropriadas as revelassem. Do mesmo modo, cada Mundo acha-se compenetrado pelo imediatamente superior e invisível para nós até que criemos as condições apropriadas para revelá-los. E, quando nos tenhamos preparado para isso, a Natureza – sempre pronta a desvendar-nos suas maravilhas – expressará sua calorosa alegria sobre cada um que, como auxiliar da evolução, alcance a cidadania nos Reinos invisíveis.

[4] N.T.: CONFERÊNCIA Nº 11 – VISÃO E PERCEPÇÃO ESPIRITUAL

Quando nós falamos de visão espiritual, não estamos falando simbolicamente, ou de uma maneira vaga, como um sentimento de êxtase ou algo semelhante, mas de uma faculdade definida tão real como a visão física, e tão necessária à percepção dos mundos espirituais e à verdadeira habilidade para compreender as qualidades internas das condições suprafísicas, como a visão física é indispensável para uma ampla cobertura de todos os pontos importantes das coisas materiais.

A visão espiritual de que falamos não é para ser confundida com a Clarividência desenvolvida em alguns nos meios espiritualistas. Essa última depende de um estado negativo da Mente onde os Mundos internos são refletidos na consciência do receptor, da mesma forma que uma paisagem é refletida em um espelho. Tal método produz uma visão, mas não há a ampla cobertura indispensável e necessária de todos os pontos importantes do que está sendo visto no Clarividente involuntário, do mesmo modo que não há no espelho. Ele está em uma posição similar àquela de um homem preso a um cavalo sem rédeas nem freios, podendo assim ser levado de um lado para outro, dependendo da vontade do cavalo. Tal faculdade é uma maldição. O clarividente devidamente desenvolvido não está preso: pode ver ou deixar de ver à vontade; maneja as rédeas do seu cavalo; é dono de sua faculdade, enquanto o outro é tão somente escravo dela.

Certas fases negativas de Clarividência são também desenvolvidas através de drogas, bola de cristal, etc. Em todos esses casos, a faculdade torna-se perigosa e prejudicial, uma vez que não se acha sob o controle do espírito. As drogas têm efeito terrivelmente destruidor sobre os diferentes veículos do ser humano. Porém, o mais perigoso de todos os métodos de desenvolvimento é a prática de exercícios respiratórios aplicada de modo indiscriminado. Muitos indivíduos acham-se hoje em manicômios ou até morreram tuberculosos por haverem praticado tais exercícios em aulas de desenvolvimento dirigidas por pessoas tão ignorantes quanto eles mesmos. Exercícios respiratórios, quando necessários, jamais devem ser feitos em conjunto, uma vez que cada discípulo tem constituição diferente dos demais. Assim, cada um requer exercícios individuais, particulares, bem como diferentes exercícios mentais para acompanhar aqueles.

Somente através de instruções individuais dadas por um instrutor competente, pode-se desenvolver com segurança a visão e a compreensão espirituais. Estas advertências referem-se exclusivamente aos exercícios respiratórios como método de desenvolvimento oculto, e nunca aos exercícios físicos que são excelentes quando praticados com moderação.

Surge daí a pergunta: Como achar um instrutor autêntico e como distingui-lo de um impostor? É uma pergunta muito importante, porque quando o aspirante encontra tal mestre, pode considerar-se em perfeita segurança e protegido contra a grande maioria dos perigos que cercam aqueles que, por ignorância ou egoísmo, traçam seus próprios rumos e buscam poderes espirituais, mas sem qualquer esforço para desenvolver fibra moral.

É uma verdade axiomática que os seres humanos são conhecidos “por seus frutos” e, como o mestre esotérico exige de seu pupilo desinteresse nas motivações, infere-se justamente que o instrutor deve possuir esse atributo em grau ainda maior. Portanto, se alguém se arvora em ser instrutor e oferece seus conhecimentos em troca de dinheiro, a tanto por aula, mostra assim que está abaixo do padrão que exige de seus discípulos. Alegar que precisa de dinheiro para viver, ou apresentar outros motivos semelhantes para cobrar pelo ensino, tudo não passa de sofismas. As leis cósmicas cuidam de todo aquele que trabalha com elas. Qualquer ensino oferecido em bases comerciais não é ensino superior, porque este jamais é vendido ou envolve considerações materiais, pois, em todos os casos, chega ao recebedor como um direito em função do mérito. Assim, mesmo que o verdadeiro instrutor tentasse negar o ensino a determinada pessoa que o merecesse, pela Lei de Consequência, seria um dia compelido a ministrar-lhe o mesmo.

No entanto, tal atitude seria inconcebível porque os Irmãos Maiores sentem uma grande e indizível alegria toda vez que alguém começa a palmilhar a senda da vida eterna. Por outro lado, embora ansiosos por tal, eles a ninguém podem revelar seus segredos antes que cada um tenha dado provas de sua constância e altruísmo, pois só assim poderá alguém ser um firme guardião dos imensos poderes resultantes, que tanto podem servir ao bem como podem ser usados para o mal. Se permitimos que nossas paixões se imponham descontroladamente, e se a avareza ou a vaidade são as molas de nossas ações, apenas sustamos o progresso de nosso semelhante ao invés de ajudá-lo. E, até que aprendamos a usar apropriadamente os poderes que possuímos, não estaremos em condições de realizar o trabalho ainda maior exigido daqueles que têm sido ajudados pelos Irmãos Maiores a desenvolverem sua visão espiritual latente, e a conseguirem compreensão espiritual, que é o que torna valiosa aquela faculdade como fator de evolução.

Portanto, a “Senda da Preparação” antecede o “Caminho da Iniciação”. A perseverança, a devoção, a observação e o discernimento são os meios de alcançá-lo, porque tais qualidades sensibilizam o Corpo Vital. Através da perseverança e da devoção, os Éteres Químico e de Vida capacitam-se a cuidar das funções vitais do Corpo Denso durante o sono. E uma separação entre estes dois Éteres e os dois superiores – Éter de Luz e Éter Refletor – acontece. Quando os dois últimos se espiritualizam suficientemente mediante a observação e o discernimento, uma simples fórmula dada pelo Irmão Maior capacita o Discípulo a separá-los e a levá-los consigo, à vontade, juntamente com seus veículos superiores. Deste modo, ele fica equipado com um veículo de percepção sensorial e memória. Qualquer conhecimento que possua no mundo material pode, então, ser utilizado nos Reinos espirituais, como também pode trazer ao cérebro físico recordações das experiências por que passou enquanto esteve fora de seu Corpo Denso. Isto nos é necessário para funcionarmos separados do Corpo Denso, plenamente conscientes tanto do Mundo Físico quanto do Mundo do Desejo, pois o Corpo de Desejos ainda não está organizado e, se o Corpo Vital não transferisse suas impressões no momento da morte, não poderíamos ter consciência no Mundo do Desejo durante a existência post-mortem.

Os exercícios respiratórios indiscriminados não produzem a divisão acima descrita, mas apenas tendem a separar o Corpo Vital do Corpo Denso. Por isso, as ligações entre os centros etéricos dos sentidos e as células cerebrais rompem-se ou deformam-se em certos casos, resultando ao final em vários tipos de insanidade mental, como a loucura. Em outros casos, o rompimento ocorre entre o Éter de Vida e o Éter Químico e, como o primeiro responde pela assimilação orgânica dos alimentos e é a avenida particular para a especialização da energia solar, essa ruptura resulta em tuberculose. Somente através de exercícios apropriados pode-se efetuar a separação correta. Quando a pureza de vida permite que a força sexual, que é criadora, gerada no Éter de Vida eleve-se até o coração, essa força encarrega-se de manter a quantidade de circulação necessária ao estado de sono. Deste modo, as funções físicas e o desenvolvimento espiritual correm paralelamente ao longo de linhas harmoniosas.

Temos, pois, aí a razão para o voto de celibato feito por aqueles que se dedicam inteiramente à vida superior. Não é necessário que o principiante se torne um asceta. A castidade absoluta por enquanto é só para poucos, especificamente, para aqueles que já alcançaram as Iniciações Maiores. Atualmente, o ato sexual é o método normal de procriação. Não existe outro meio de prover-se Corpos Denso aos Egos que precisam renascer – pois a fila é enorme! –, e é dever de todo aquele que é mental, moral e fisicamente sadio proporcionar veículo e ambiente apropriado a Espíritos, irmãos e irmãs, que desejam e precisam renascer aqui, isto de acordo com seus meios e oportunidades. Deveríamos encarar o ato da procriação como um Sacramento, não um ato para simples gratificação dos sentidos, mas para ser realizado com espírito de oração. A força sexual é exigida para geração apenas umas poucas vezes na vida de qualquer pessoa, de modo que o excedente pode ser legitimamente aproveitável ao autodesenvolvimento, já que ela é criadora.

Discernimento é a faculdade – e um importante Exercício Esotérico, como nos ensinado no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – que nos permite distinguir aquilo que é essencial daquilo que não tem importância, separando a realidade da ilusão, e o que é duradouro daquilo que é efêmero. Na vida comum, acostumamo-nos a pensar que somos só corpo. O discernimento ensina-nos que somos Espíritos e que nossos corpos e veículos nada mais são que moradas provisórias, instrumentos para nosso uso. O carpinteiro usa martelo e serra que são importantes instrumentos. Contudo, nunca lhe ocorre que ele próprio seja essas ferramentas. Jamais devemos identificar-nos com o nosso Corpo Denso ou Corpo Vital ou ainda Corpo de Desejos, mas sim aprender, pelo discernimento, a considerá-lo um servidor, valioso tão somente enquanto obedeça a nossas ordens. Quando o considerarmos assim, descobriremos que somos capazes de fazer com facilidade muitas coisas que até então julgávamos impossível realizar. O discernimento gera a Alma Intelectual e imprime em nós o primeiro impulso em direção à vida superior.

A observação – além de ser mais um importante Exercício Esotérico, como nos ensinado no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – é o uso dos sentidos como meio de obter-se informações a respeito dos fenômenos que ocorrem ao nosso redor. A observação e a ação geram a Alma Consciente. É de máxima importância para o nosso desenvolvimento que observemos minuciosamente tudo o que se passa em torno de nós; caso contrário, as imagens da nossa Memória Consciente deixam de coincidir com aquelas de nossa Memória Subconsciente ou automática. O ritmo e a harmonia do Corpo Denso são perturbados em proporção à superficialidade de nossa observação durante o dia. Nossas atividades durante o sono restauram parcialmente a harmonia, mas o entrechoque de vibrações dia após dia e ano após ano é uma das causas que, gradualmente, endurecem e destroem nosso organismo até torná-lo impróprio para o uso do Espírito que, então, precisa abandoná-lo e buscar nova oportunidade de desenvolvimento em um corpo novo e melhor. Na mesma proporção em que aprendemos a observar atentamente, ganharemos em saúde e longevidade e precisaremos de menos repouso e sono. Este último é um ponto muito importante, como veremos.

Devoção – além de ser mais um importante Exercício Esotérico, como nos ensinado no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – aos elevados ideais restringe os instintos animais, gera e desenvolve a Alma Emocional. O cultivo, pois, dessa faculdade é essencial. Para algumas pessoas, essa é a linha de menor resistência; eis porque são aptos a se converterem em místicos sonhadores. As energias do Corpo de Desejos expressam-se então na forma de entusiasmo e êxtase religioso. Outros há que desenvolvem anormalmente a faculdade de discernimento que os leva ao longo das frias linhas intelectuais da especulação metafísica. Em ambos os casos há desequilíbrio e existe perigo. O sonhador místico pode tornar-se joguete de toda sorte de ilusões por estar dominado pela emoção. Ao intelectual ocultista isso nunca pode acontecer, mas pode terminar na magia negra se perseguir a senda do conhecimento só por desejo de conhecimento e não para poder servir. O único meio seguro é desenvolver simultaneamente a “Cabeça e o Coração”.

O Ocultista desenvolve-se ao longo de linhas intelectuais; procura a verdade pela observação e pelo discernimento, observa e raciocina sobre tudo o que vê. Assim, ele alcança o conhecimento, mas, como diz o apóstolo São Paulo: “O conhecimento ensoberbece, mas o amor edifica.”[4]. Portanto, antes que seu conhecimento possa ser útil ao próprio desenvolvimento espiritual, precisará aprender a senti-lo, pois, de outro modo, não poderá vivê-lo. Quando tiver feito isto, será tanto Cristão Ocultista quanto Cristão Místico.

O Cristão Místico desenvolve especialmente a faculdade de devoção. Ele sente a verdade sem precisar raciocinar. Sabe, mas não tem meios para explicar a razão de sua fé, de modo ajudar os outros. Deve, pois, desenvolver o lado intelectual de sua natureza, a fim de ser o mais útil possível na elevação da Humanidade. Assim, o intelecto pode agir como um freio sobre as emoções, e a devoção pode guiar o intelecto com segurança. Se seguirmos unicamente uma das linhas, teremos mais tarde que seguir a outra, caso queiramos ter um desenvolvimento completo e harmonioso. Por isso, é melhor tentar desenvolver agora a faculdade que nos falta, pois assim progrediremos mais rapidamente em direção à meta final e em perfeita segurança.

A clareza e a nitidez de uma fotografia dependem do modo do fotógrafo focalizar as lentes. Uma vez ajustada a objetiva, o foco se conserva. Todavia, se a máquina tivesse vida e vontade próprias, se pudesse modificar sua direção e focalização, as imagens captadas apareceriam sem nitidez. A Mente encontra-se em situação análoga: vagueia sem objetivo como se estivesse literalmente com “dança de São Vito”[4] e resistindo tenazmente a qualquer restrição. Mas ela pode e deve ser subjugada, e a perseverança é o meio de conseguir. Na proporção em que a Mente é aquietada, o Espírito pode refletir-se no Tríplice Corpo, segundo o princípio de que os raios do Sol não se podem refletir num mar encapelado, mas somente em águas tranquilas.

O Corpo Vital é como um espelho, ou melhor, como uma película cinematográfica em movimento: filma o mundo mesmo que esteja em desacordo com a nossa faculdade e observação e com as ideias que brotam do Espírito interno, conforme a clareza e o treinamento mentais. A devoção e o discernimento, ou em outras palavras, a emoção e o intelecto, decidem nossa atitude face a essas imagens, e o equilíbrio entre as ações de ambos conduz a um desenvolvimento perfeito. Alcançado certo grau de aperfeiçoamento, elas realizam inevitavelmente o processo de purificação. O ser humano precisa compreender que, para alcançar a meta, deve pôr de lado tudo o que possa entravar a roda do progresso. O bom mecânico prefere sempre as melhores ferramentas e esmera-se em conservá-las perfeitas, porque sabe quão importantes são para realizar um bom trabalho. Nossos Corpos são as ferramentas de nós, o Espírito, de modo que, na medida em que elas se encontrem obstruídas, estorvam a nossa manifestação. O discernimento aponta-nos o que obstrui. A devoção à vida superior ajuda-nos a eliminar maus hábitos e traços de caráter indesejáveis, suplantando o simples desejo.

A carne animal (mamíferos, aves, peixes, anfíbios, répteis, frutos do mar e afins) obtida à custa da vida e sofrimento de outros seres e, que além de estar impregnada dos desejos e paixões do animal encontra-se já em estado de decomposição, não é um alimento puro. Nenhum sincero Aspirante à vida superior e aos poderes superiores deve escolher este tipo de alimento. Deve estudar, sim, para aprender como atender às necessidades do seu organismo com alimentos puros. Deve também se dar conta da importância de manter seu cérebro lúcido para que sua consciência possa abrir-se completamente à influência espiritual, concluindo-se daí que abandonará o uso do fumo (seja de qualquer espécie e das bebidas alcoólicas que estimulam e entorpecem o cérebro. Moderação é um termo impróprio com relação à bebida alcoólica). O uso do álcool, em qualquer escala, é desastroso ao desenvolvimento espiritual.

Perder a serenidade é prejudicial ao crescimento interno, além de dissipar, em grande escala, utilíssima energia que poderia ser utilizada beneficamente; a raiva envenena o organismo, inutiliza-o e retarda enormemente o progresso espiritual.

Da mesma forma, pensamentos de crítica nos prejudicam, por isso deve o Aspirante à vida superior evitá-los tanto quanto possível. O discernimento ensina-nos, de modo impessoal, o que é bom e o que é mau, mas não imprime em nós nenhum sentimento sobre isso, e isto é um ponto muito importante. O exame de um fato, de uma ideia ou objeto, seguido de uma decisão relativa ao seu valor, é necessário e não deve ser evitado. Porém, os pensamentos não caridosos devem ser evitados, uma vez que geram pensamentos em forma de flecha que, conforme se exteriorizam, atingem e bloqueiam o fluxo de bons pensamentos emanados constantemente dos Irmãos Maiores e atraídos por todos os seres humanos bons.

Dois exercícios específicos são dados ao Aspirante à vida superior que inicia a jornada preparatória. Ambos conduzem ao desenvolvimento da visão e da compreensão espirituais. Um eles levam ao caminho reto e apela mais para o Ocultista, que trabalha mais com o intelecto, mas é de grande valor para o Místico porque desenvolve nele a qualidade que mais lhe falta — a razão. Esse exercício é chamado de Exercício Esotérico matutino de Concentração e produz “poder mental”. O outro produz resultado semelhante de maneira indireta. Agrada mais ao Místico, mas é extremamente necessário ao intelectual Ocultista porque proporciona-lhe o senso da verdade, que está além da razão. Tal exercício é o Exercício Esotérico noturno de Retrospecção, que desenvolve o “poder da devoção”. Ambos são necessários para garantir um desenvolvimento completo e harmonioso.

A filosofia da conquista da visão e compreensão espirituais resume-se em obrigar o Corpo de Desejos a efetuar, dentro do Corpo Denso e em completo estado de vigília, — ou seja, positivo e consciente — o mesmo trabalho que realiza quando se encontra fora durante o sono, ou no estado post-mortem.

Existem certas correntes no Corpo de Desejos de todos. São fortes, bem definidas, e formam sete grandes vórtices nos clarividentes, mas são fracas, descontínuas e destituídas de vórtices no ser humano comum, naquele que não pode “ver”. O desenvolvimento dessas correntes e vórtices conduzem à visão espiritual. Durante o dia, enquanto somos absorvidos pelos nossos interesses materiais, essas correntes fluem muito vagarosamente. Mas, tão logo nos retiramos do Corpo Denso ao dormir, iniciamos o trabalho de restauração, conforme descrito na Conferência nº 4 do Livro Cristianismo Rosacruz, as correntes reativam-se e os vórtices também, fulgurando como se fossem incandescentes, porque então o Corpo de Desejos se encontra no seu elemento de origem, livre do peso embaraçante do Corpo Denso.

O tempo de que o Corpo de Desejos precisa para restaurar o ritmo do Corpo Vital e do Corpo Denso depende do modo que usamos esse último durante o dia. Se o extenuamos nesse período, as desarmonias criadas serão naturalmente maiores, e isso exigirá a maior parte da noite para o Corpo de Desejos poder restaurar a harmonia e o ritmo. Assim, vive o ser humano preso ao seu Corpo Denso, dia e noite. Mas quando ele aprende a controlar a ação, a controlar gastos de energia nas atividades diárias, cessando de malbaratá-las em palavras e atos vãos, quando começa a dominar seus impulsos e a impedir novas desarmonias resultantes de uma observação imperfeita, então o Corpo de Desejos não precisa trabalhar o período inteiro do sono noturno para restaurar o Corpo Denso. Uma parte da noite pode ser empregada para se trabalhar fora. Se os centros sensoriais do Corpo de Desejos estão suficientemente desenvolvidos — como regra geral estão na maioria dos indivíduos inteligentes — o ser humano pode então desatar o cabo e elevar-se ao Mundo do Desejo. Lá ele tem uma visão do que se passa nesse plano, embora geralmente não consiga recordar depois de nada do que viu, até que consiga efetuar a separação entre as partes superior e inferior do Corpo Vital, conforme já explicado.

Vemos, pois, a grande importância da observação correta, da devoção aos elevados ideais, da pureza de alimentação, etc., tudo isso tendendo a harmonizar as vibrações internas com as vibrações externas. Na mesma proporção em que progredimos nessa direção, o tempo empregado na restauração dos veículos é abreviado, sobrando-nos, portanto, uma margem para trabalharmos no Mundo do Desejo.

EXERCÍCIO NOTURNO

O Exercício Esotérico noturno de Retrospecção é o mais eficiente dos métodos existentes para fazer o Aspirante à vida superior avançar na senda da realização espiritual. Seu efeito tem tal alcance que permite ao indivíduo aprender agora não apenas as lições dessa vida, mas também lições que normalmente lhe estariam reservadas para existências futuras.

Após deitar-se à noite, o Aspirante à vida superior relaxa o Corpo Denso e começa a recordar os acontecimentos do dia na ordem inversa, partindo dos da noite, em seguida os da tarde, e depois os da manhã. Deve esforçar-se para “rever” cada cena com a máxima fidelidade e procurar reproduzir ante seus olhos mentais tudo o que aconteceu em cada uma delas, a fim de poder julgar seus atos e certificar-se de que suas palavras transmitiram o sentido desejado ou deram uma impressão falsa, como também se exagerou ou foi omisso ao relatar experiências a outrem. Deve examinar sua atitude moral relativa a cada cena. E quanto aos alimentos, verificar se “comeu para viver” ou “viveu para comer”, para gratificar o paladar. Durante todo o Exercício Esotérico noturno de Retrospecção, o Aspirante à vida superior vai julgando a si mesmo, censurando-se onde couber reprovação e elogiando-se onde couber o louvor.

Os Probacionistas acham, às vezes, difícil permanecer acordados até o fim do Exercício Esotérico noturno de Retrospecção. Em tais casos, é permitido que se sentem na cama, até que lhes seja possível seguir o método comum.

O valor do Exercício Esotérico noturno de Retrospecção é imenso. Vai muito além de nossa imaginação. Em primeiro lugar, realizamos o trabalho de restauração da harmonia conscientemente e em tempo muito mais curto do que o Corpo de Desejos pode fazê-lo durante o sono, sobrando assim uma maior porção da noite para trabalhos fora do corpo. Em segundo lugar, vivemos nosso Purgatório e Primeiro Céu cada noite, incorporando a nós, o Espírito, o senso de retidão como essência das experiências do dia. Escapamos, assim, do Purgatório depois da morte, economizando também o tempo que despenderíamos no Primeiro Céu.

Por último, e não menos importante, tendo dia após dia extraído a essência das experiências que produzem o crescimento anímico, e havendo incorporado essa essência em nós, o Espírito, passamos a vivenciar realmente uma nova atitude mental e a nos desenvolver por linhas que normalmente estariam reservadas a vidas futuras.

Executando fielmente esse Exercício Esotérico noturno de Retrospecção, dia após dia, apagamos de nossa Memória Subconsciente o registro de fatos desagradáveis e eliminamos os nossos pecados, nossas auras começam a reluzir com o ouro espiritual extraído das experiências diárias pela Retrospecção, e aí começamos a atrair a atenção do Irmão Maior.

“Os puros verão a Deus.”[4], disse Cristo, e o Irmão Maior abrirá nossos olhos quando estivermos prontos para entrar no “Templo do Saber” — o Mundo do Desejo — onde obtemos nossas primeiras experiências de vida consciente fora do Corpo Denso.

EXERCÍCIO MATUTINO

O Exercício Esotérico matutino de Concentração, o segundo exercício, é executado pela manhã, tão logo o Aspirante à vida superior desperta. Ele não precisa levantar-se para abrir as janelas ou fazer qualquer coisa desnecessária. Sentindo o Corpo Denso confortável, deve relaxar e começar imediatamente a se concentrar. Esse momento é muito importante porque nós, o Espírito, acabamos de regressar do Mundo do Desejo, podendo termos contato consciente com esse Mundo, bem mais facilmente do que em qualquer outra hora do dia.

Se o Corpo Denso está em desconforto, o Aspirante à vida superior deve se mexer com o objetivo de acomodá-lo melhor antes de iniciar a Concentração, mas muito da eficácia do exercício é perdida em razão de se iniciá-lo com atraso.

Vimos na Conferência nº 4 do Livro Cristianismo Rosacruz que, durante o sono, as correntes do Corpo de Desejos fluem e seus vórtices movem-se e giram com enorme rapidez. Porém, tão logo ele interpenetra o Corpo Denso, suas correntes e vórtices são quase paralisados pela matéria densa e pelas correntes nervosas do Corpo Vital que levam e trazem mensagens ao cérebro. A finalidade deste exercício é levar o Corpo Denso ao mesmo grau de inércia e insensibilidade do estado de sono, embora com o Espírito dentro dele e conservando-se totalmente acordado, alerta, consciente. Deste modo, cria-se uma condição em que os centros sensoriais do Corpo de Desejos podem começar a girar no interior do Corpo Denso.

Concentração é uma palavra enigmática para muitos, por isso tentaremos esclarecer seu significado. O dicionário dá-nos diversas definições, todas aplicáveis à nossa ideia. Uma é “convergir para um centro”, enquanto outra, uma definição química, é “reduzir à extrema pureza e potencialidade pela eliminação de constituintes inúteis”. Aplicada ao nosso problema, uma das definições faz-nos ver que, se convergimos nossos pensamentos para um centro, para um ponto, podemos aumentar sua força, segundo o princípio que estabelece que a força dos raios solares é multiplicada quando focalizada num ponto através de uma lente de aumento. Eliminando-se de nossa Mente todos os demais assuntos, todo o nosso poder mental pode ser completamente aproveitado na consecução de um objetivo ou solução do problema em que nos concentramos. Podemo-nos absorver em nosso assunto a tal ponto que, mesmo um canhão sendo disparado, não o ouviremos. Há pessoas que podem concentrar-se numa leitura de tal maneira que são capazes de esquecer tudo mais. O Aspirante à vida superior deve, igualmente, ser capaz de abstrair-se numa ideia, objeto de concentração, a ponto de fechar por completo sua consciência ao mundo dos sentidos e atentar exclusivamente para os Mundos espirituais.

Quando aprender a fazer isso, ele verá o lado espiritual de um objeto, ou ideia, iluminado por uma luz espiritual e, assim, ele alcançará o conhecimento da natureza interna de coisas nem sequer sonhadas pelo ser humano mundano.

Quando se chega a esse ponto de abstração, os centros sensoriais do Corpo de Desejos começam a girar lentamente no interior do Corpo Denso e a se acomodarem por si mesmos. Com o tempo, esses centros tornam-se cada vez mais definidos e passam gradativamente a exigir menos esforço para pô-los em movimento.

O tema da concentração pode ser um ideal elevado e sublime, mas preferivelmente que seja de uma natureza tal que consiga situar o Aspirante à vida superior acima do tempo e do espaço, afastando-o das sensações ordinárias do Mundo material. Para isto, não há melhor fórmula do que os cinco primeiros versículos do primeiro Capítulo do Evangelho Segundo São João. Tomando-os como base, sentença por sentença, manhã após manhã, com o tempo, o Aspirante à vida superior terá adquirido uma admirável compreensão do princípio do nosso universo e do método da criação — compreensão que está muito longe de ser alcançada em livros.

Depois de algum tempo, quando o Aspirante à vida superior já tenha aprendido a manter sem oscilações, ininterruptamente por uns cinco minutos, a ideia na qual venha se concentrando, pode, um dia, tentar lançar fora repentinamente essa ideia, deixando a Mente “em branco”. Em nada deve pensar então, mas simplesmente esperar que algo venha preencher aquele vazio mental. Com o tempo, as visões e cenas do Mundo do Desejo deverão ocupar essa lacuna. Após ter-se acostumado a essa prática, o Aspirante à vida superior pode desejar que algo se apresente ante seus olhos mentais. A coisa virá e então ele poderá investigá-la à vontade.

Mas o ponto principal é que, seguindo as instruções acima, o Aspirante à vida superior vai purificando a si mesmo. Sua aura começa a brilhar e isso atrairá infalivelmente a atenção do Irmão Maior, que designará alguém para ajudá-lo, quando necessário, a dar o passo seguinte.

Mesmo que passem meses ou anos sem resultados visíveis, estejamos certos de que não nos esforçamos em vão; os Irmãos Maiores veem e apreciam nossos esforços, e vivem eles tão ansiosos por nossa colaboração quanto nós por trabalhar. Os Irmãos Maiores podem ver razões que nos impeçam de empreender o trabalho pela Humanidade no momento presente ou mesmo por toda esta vida. Mas, tão logo essas razões desapareçam, poderemos ser admitidos à luz, onde seremos capazes de ver por nós mesmos.

Uma antiga lenda diz que escavações em busca de tesouros devem ser feitas somente na calada da noite e no mais absoluto silêncio; falar uma só palavra antes de os descobrir fará com que desapareçam inevitavelmente. Trata-se de uma parábola mística relativa à busca da iluminação espiritual. Se tagarelarmos ou contarmos a outrem as experiências de nossos momentos de concentração, poderemos perdê-las. Antes de extrairmos delas, pela meditação, pleno conhecimento das leis cósmicas subjacentes, tais experiências podem reduzir-se a nada, uma vez que esta classe de experiências não pode suportar a transmissão oral. A experiência em si, portanto, não conta muito, pois, afinal, não é mais do que uma casca envolvendo e ocultando saboroso fruto. A lei tem valor universal, como vai ficar evidente, porque ela explica os fatos da vida, ensina-nos como tirar vantagem de certas condições e o modo de evitar outras. Em benefício da Humanidade, ela pode ser livremente revelada, à vontade de seu descobridor. Então, a experiência que a revelou parecerá, em sua verdadeira luz, apenas uma coisa passageira que dispensa maiores considerações. Por conseguinte, tudo o que aconteça durante o Exercício Esotérico matutino de Concentração deve ser considerado sagrado e guardado no mais absoluto sigilo pelo aspirante.

Finalmente, evitemos considerar os Exercícios Esotéricos Rosacruzes como tarefas desagradáveis. Estimemo-los em seu verdadeiro valor, pois eles são nossos mais altos privilégios. Somente quando assim os considerarmos, poderemos fazer-lhes justiça e colher todo o benefício de sua prática.

*****

Na Fraternidade Rosacruz, os Irmãos Maiores distinguem três classes:

1) Estudantes Preliminares e, depois Estudantes Regulares, aqueles que simplesmente estudam a Filosofia. Pessoas das mais variadas denominações entram em instituições de ensino tais como as Universidades de Harvard ou Yale e ali estudam mitologia, psicologia e Religião comparada sem prejuízo de suas filiações religiosas. Nestas mesmas bases, os candidatos a estudos podem inscrever-se na Fraternidade Rosacruz. Qualquer um pode candidatar-se, se não for hipnotizador ou não esteja profissionalmente comprometido como médium, quiromante ou astrólogo.

2) Probacionistas, que são Estudantes Rosacruzes que aspiram o conhecimento direto a fim de se capacitarem para o serviço. Ao fim de dois anos na condição de Estudante Regular Rosacruz, e caso tenha já se convencido da veracidade dos Ensinamentos Rosacruzes e esteja decidido a cortar toda ligação que eventualmente ainda tenha com qualquer outra entidade esotérica ou ordem religiosa — exceto as igrejas e irmandades Cristãs — o Aspirante à vida superior pode assumir o Compromisso que o fará ser admitido no grau de Probacionista. A estes, a Sede Mundial fornece um formulário mediante o qual o Aspirante à vida superior promete a si mesmo praticar fielmente os dois Exercícios Esotéricos Rosacruzes (noturno de Retrospecção e matutino de Concentração), e registrá-los todos os dias em outro formulário especial que deve ser devolvido mensalmente à Sede. As provas duram no mínimo cinco anos e seu propósito é testar a dedicação e a persistência do Aspirante à vida superior, dando-lhe a oportunidade de purificar-se a si próprio antes de passar aos métodos de treinamento mais diretos pertinentes ao Discipulado. Esse registro diário destina-se também a ajudar o Aspirante à vida superior a fazer os Exercícios Esotéricos Rosacruzes. É próprio da natureza humana tentar fazer o melhor sempre que tenha de mostrá-lo, portanto, sabendo-se observado, o Aspirante à vida superior procura esmerar-se nesses Exercícios Esotéricos Rosacruzes.

Longe estamos de insinuar que as demais escolas de ocultismo não devam ser consideradas. Muitos são os caminhos que levam a Roma, mas lá chegaremos com menos esforço se seguirmos por um só deles ao invés de ziguezaguear de um a outro.

Em primeiro lugar, nosso tempo e energia são limitados e são reduzidos ainda mais pelos deveres sociais e familiares, que não devem ser negligenciados em favor do autodesenvolvimento. Portanto, só com o propósito de economizarmos essa limitada energia — a qual podemos usar de modo mais legítimo — e evitar o desperdício do reduzido tempo à nossa disposição, é que os Irmãos Maiores insistem para renunciarmos a todas as outras ordens.

O mundo é um agregado de oportunidades, mas para aproveitá-las é necessário possuirmos eficiência em certa linha de esforços. O desenvolvimento dos poderes espirituais pode nos capacitar a ajudar ou prejudicar aos nossos irmãos mais fracos. E esses poderes só se justificam quando o objetivo é Servir à Humanidade.

O método de realização Rosacruz difere dos outros sistemas por um pormenor especial: procura desde o princípio emancipar o Discípulo de toda dependência dos outros, tornando-o autoconfiante no mais alto grau, de maneira a poder permanecer só em todas as circunstâncias e enfrentar todas as condições. Somente aquele que for tão bem equilibrado pode ajudar ao débil.

Quando certo número de pessoas se reúne em classe ou círculo objetivando o autodesenvolvimento, mas por meio de métodos negativos, geralmente os resultados são conseguidos em pouco tempo, seguindo o princípio de que é mais fácil deixar-se levar pela corrente, do que lutar contra ela. O médium, contudo, não é senhor dos seus atos, mas escravo do espírito que o domina. Por isso tais reuniões devem ser evitadas pelos Probacionistas.

Mesmo as reuniões em que se mantenha uma atitude mental positiva não são aconselhadas pelos Irmãos Maiores, porque os poderes latentes de todos os membros são amalgamados. Então as visões dos Mundos internos obtidas por quaisquer deles apenas resultam parcialmente da influência das faculdades dos demais. O calor de um carvão no centro de uma fogueira fica aumentado pelo dos carvões que o rodeiam. O Clarividente originado num círculo, mesmo que esse seja positivo, é como uma planta na estufa – demasiado dependente para que se lhe possa confiar os cuidados dos demais.

Portanto, todo Probacionista da Fraternidade Rosacruz efetua seus exercícios sozinho, no isolamento do seu lar. Seguindo esse método, obtêm-se resultados mais lentamente. Porém, quando tais resultados aparecerem, manifestar-se-ão como poderes cultivados por ele mesmo, e poderão ser empregados independentemente dos demais. Além disso, os métodos Rosacruzes constroem o caráter, ao mesmo tempo em que desenvolvem as faculdades espirituais, resguardando assim o Discípulo da tentação de perverter seus poderes divinos em busca de prestígio mundano.

Do que foi dito acima, não se conclua que o candidato deva empregar todo o seu tempo em esforços espirituais. Se não podemos dispor de muito tempo, cinco minutos pela manhã e quinze minutos à noite é quanto basta. De fato, dedicar ao desenvolvimento de faculdades espirituais um tempo que precisaria ser legitimamente usado em responsabilidades materiais é decididamente um erro. Antes de nos entregarmos ao serviço nos mundos espirituais, precisamos cumprir todos os nossos deveres no mundo material. Não se pode esperar fidelidade no trabalho espiritual de quem é infiel aos seus deveres terrenos.

Após a remessa de sessenta relatórios consecutivos, o candidato pode solicitar instruções individuais, as quais, se possível, lhes serão dadas.

3) Discípulos, composta de pessoas que, havendo completado a fase de Probacionista, são consideradas aptas para receberem instruções individuais dos Irmãos Maiores. O ensino é gratuito.

A Filosofia Rosacruz tem conquistado adeptos por toda parte, os quais se mantêm em estreito contato com o movimento e que trabalham para difundir as profundas verdades concernentes à Vida e ao Ser que os estão ajudando.

[5] N.T.: CONFERÊNCIA IV – SONO, SONHOS, TRANSE, HIPNOTISMO, MEDIUNIDADE E INSANIDADE

Vimos que o ser humano é um organismo muito complexo, compondo-se de:

1) Corpo Denso, que é seu instrumento de ação;

2) Corpo Vital, o veículo da “vitalidade” que torna possível a ação;

3) Corpo de Desejos, de onde parte o desejo que impele à ação;

4) Mente, um freio sobre os impulsos, que dá propósito à ação;

Que são instrumentos do Ego[5], que atua colhendo experiências de seus atos.

O propósito da vida é transformar os poderes latentes do Ego em energia dinâmica para que possa controlar perfeitamente seus veículos e agir por sua vontade. Sabemos que, por enquanto, o Ego ainda não conseguiu esse domínio, caso contrário não haveria luta em nosso íntimo entre o Espírito e a carne, como se costuma dizer, uma luta que, na realidade, se trava entre o Espírito e o Corpo de Desejos. Esta “luta” é o que desenvolve o músculo espiritual, assim como a luta Corporal desenvolve o músculo físico. É muito fácil mandar os outros fazerem isto ou aquilo, mas impor obediência a si próprio é a tarefa mais difícil do mundo. Na verdade, diz que “o ser humano que conquista a si mesmo é maior do que aquele que conquista uma cidade”. Goethe, o grande poeta Iniciado, nos dá a razão disto nestes versos:

De todo o poder que mantém o mundo agrilhoado

O ser humano se liberta quando o autocontrole houver conquistado.

Tal ser humano está acima de todas as leis, quer humanas quer divinas – não que ele as desobedeça, mas justamente o contrário, pois sua total obediência a elas torna-as todas supérfluas, do mesmo modo que a lei “não furtarás” é desnecessária a todo aquele que aprendeu a respeitar a propriedade alheia.

O pecado ou a atitude contrária à vontade de Deus ou às Leis da Natureza existia antes de toda Lei, e S. Paulo aprecia muito bem sua benéfica ação quando diz que “a lei é o feitor que nos conduz a Cristo, porque sem a `Lei´ não conheceríamos o pecado[5].

Todas as vezes que violamos uma das Leis da Natureza, tal transgressão, como uma causa, traz-nos a correspondente retribuição como efeito. Se comemos em demasia ou indevidamente, o resultado pode ser uma indigestão. Se o distúrbio for mais sério, talvez seja necessário a Natureza queimá-lo por meio de uma febre. Se pecamos contra as leis da moralidade, podemos esperar o ostracismo social como correspondente retribuição ao erro nos planos morais. Mas o ser humano que usa levianamente seus poderes mentais é o pior e o mais perigoso, porque glutão pode ser, sob outros aspectos, uma pessoa admirável e digna de todo respeito, que praticamente não prejudica ninguém, a não ser a si mesmo. A pessoa imoral, os desordeiros e bisbilhoteiros vulgares são cancros sociais, perigosos para todos. Mas podem ser isolados e evitados, minimizando-se assim os perigos de seu contato. Podem também se arrepender e até regenerar-se. Porém, o mais insidioso de todos os males é aquele que se refere ao plano mental de ação em que o ser humano, sob a máscara da perfeita respeitabilidade e muitas vezes sob o disfarce da benevolência, pode dominar a vida do semelhante, dirigir-lhe a vontade e ainda assim continuar parecendo impecável, não raro sendo até considerado por suas vítimas um amigo e benfeitor.

Deste modo, sem nenhum risco de prisão, ele alcança o seu objetivo, seja este dinheiro ou engrandecimento pessoal.

Sua transgressão é raramente castigada na mesma vida em que a cometeu, mas, nas vidas posteriores, ele encontra uma expiação na forma de idiotice congênita, portanto sem oportunidade para arrepender-se e ser perdoado como acontece quando o arrependimento é acompanhado de regeneração. O crime do hipnotizador é de fato um aspecto daquilo que a Bíblia chama de “pecado contra o Espírito Santo” – a maldade espiritual mais perigosa à sociedade.

O Espírito Santo é o princípio criador da Natureza, e a força sexual criadora no ser humano é a sua expressão direta. A mesma força expressa-se através dos órgãos geradores para gerar um novo Corpo e através do cérebro para manifestar novos pensamentos que depois se cristalizam em “coisas”.

Quando alguém se torna vítima de um hipnotizador, deixa de ser senhor de si próprio e perde a faculdade de pensar por si mesmo, subjugado que fica pelas sugestões do hipnotizador, que na realidade são ordens, já que a vítima não tem outra alternativa senão obedecer.

Por conseguinte, uma vez que o hipnotizador interfere na expressão da faculdade criadora de pensamentos de sua vítima, cuja finalidade é uma expressão direta do Espírito Santo, comete um pecado contra este.

Para esclarecer melhor e reforçar as descrições de condições anormais tais como existem no sonho, transe, hipnotismo, mediunidade, obsessão e insanidade, começaremos com uma explanação das condições do ser humano nos estados normais de vigília e sono, sob o ponto de vista oculto.

O Estado de Vigília

Neste estado, todos os veículos do ser humano acham-se confinados dentro do mesmo espaço. Assim como os ossos, a carne e os vários líquidos do organismo estão confinados dentro da pele, também todos os Corpos do ser humano mantêm-se juntos dentro de uma espécie de nuvem ovalada, que envolve totalmente o Corpo visível desde acima da cabeça até abaixo dos pés. Não importa a posição que assuma, o Corpo Denso sempre permanece no centro dessa Aura, do mesmo modo que a gema está sempre no centro do ovo. A Aura envolve o Corpo Denso humano como a clara envolve a gema do ovo. Mas isso não é tudo, porque essa Aura, composta dos veículos sutis do ser humano, não somente envolve o Corpo Denso como compenetra cada partícula deste, de maneira um tanto semelhante ao sangue permeando todo o Corpo Denso.

Vemos assim que tais Corpos estão mais perto de nós do que nossas mãos e pés, e ainda que tão invisíveis quanto nossa respiração, nem por isso são menos reais ou menos necessários. Durante a vida, o ser humano normalmente não pode separar-se deles e, a não ser que estejam todos juntos, ele não pode se mover nem agir conforme faz na vida diária.

Durante o estado de vigília, há uma constante guerra entre o Corpo Vital e o Corpo de Desejos. Os apelos e impulsos do segundo instigam constantemente o Corpo Denso, impelindo-o à ação para gratificar esses desejos apesar dos danos que podem resultar ao último. É o Corpo de Desejos que incita o bebedor a saturar seu organismo com bebidas alcoólicas, a fim de que a combustão química do espírito do álcool eleve as vibrações do Corpo Denso a tal ponto que este se torne dócil instrumento a qualquer impulso baixo, no que desperdiça grandes parcelas de suas reservas de energia.

O Corpo Vital, pelo contrário, não tem outro interesse senão o de preservar o veículo denso. Por meio do baço, ele especializa energia solar incolor que permeia o espaço e, mediante estranho processo químico, transforma-a em eflúvio vital solar de formosa cor rosa-pálido, espalhando-a a seguir por todo o sistema, em cada nervo e fibra do organismo. O Corpo Vital cuida sempre de economizar a energia que armazena no Corpo Denso. E trabalha constantemente na reconstrução dos tecidos danificados ou destruídos pelas poderosas investidas do dominador Corpo de Desejos.

O eflúvio vital solar tem função idêntica à da eletricidade num sistema telegráfico, pois mesmo que este sistema seja constituído de fios que ligam entre si diversas estações com telegrafistas operantes, seria, no entanto, totalmente ineficaz se não houvesse a corrente elétrica circulante que transportasse as mensagens. Assim também acontece com o Corpo Denso: só é útil quando o eflúvio vital solar lhe percorre os nervos. Quando isso cessa – no todo ou em parte – dizemos que o Corpo está de certo modo imprestável. Notamos esse efeito, mas não vemos sua causa no Mundo material.

Temos em nosso Corpo dois sistemas nervosos: o voluntário e o involuntário. O primeiro é dirigido diretamente pelo Corpo de Desejos e comanda os movimentos do Corpo Denso; tende a obstruir e destruir e é refreado pela Mente apenas em parte. O sistema nervoso involuntário tem seu vantajoso e particular terreno no Corpo Vital e governa os órgãos digestivos e respiratórios que reconstroem e restauram o Corpo Denso.

Essa guerra entre o Corpo Vital e o Corpo de Desejos é o que produz a consciência no Mundo Físico. Mas, se a Mente não atuasse como um freio sobre o Corpo de Desejos, nossas horas de vigília seriam muito mais curtas, e bem mais curtas também nossas vidas, porque o Corpo Vital e sua benéfica atuação logo seriam vencidos pelo desenfreado Corpo de Desejos, como mostra a exaustão que se segue a uma explosão de ira. A ira é um estado em que o ser humano, “perdendo o controle”, permite ao Corpo de Desejos dominar livremente.

Sono e Transe Profundo

Apesar de todos os seus esforços, o Corpo Vital gradualmente vai perdendo terreno à medida que o dia passa. Os venenos resultantes dos tecidos destruídos acumulam-se e impedem o fluxo de eflúvio vital solar. Então, os movimentos tornam-se cada vez mais lentos e, em consequência, o Corpo visível mostra sinais de exaustão. Por fim, o Corpo Vital entra, por assim dizer, em colapso; o eflúvio vital solar cessa de circular pelos nervos em quantidade suficiente para manter o equilíbrio do Corpo Denso. Aí, este se torna inconsciente e, portanto, impróprio ao uso do Espírito. Isto é o sono.

Muitos pensam que o sono é um estado passivo ou negativo. Nada mais incorreto. Se assim fosse, o Corpo físico (o Corpo Denso) despertaria tão cansado quanto estava quando adormeceu. Ou melhor, nunca mais despertaria, pois foi sua incapacidade para receber eflúvio vital solar (por estar obstruído com toxinas deteriorantes) que o levaram a dormir. E se o único efeito desse estado fosse uma negativa cessação de desgaste de energia, as condições permaneceriam em status quo, e o Corpo continuaria dormindo. Às vezes, acontecem casos que chegam a durar semanas e até meses. Aos que assim dormem, diz-se que estão em “transe”. Para que tal estado seja mantido por algum tempo sem que resulte em morte, o Corpo Vital não deve suspender inteiramente suas funções: precisa, até certo ponto, efetuar a digestão.

O que faz então do sono um estado restaurador? No próprio termo “restaurador” está implícita uma atividade. Se um prédio vai ser restaurado, é necessário que seus moradores o desocupem, cessando já aí o desgaste pelo uso. Mas não é o bastante. Os operários precisam reparar os danos consequentes do uso do edifício. Somente quando este trabalho tenha sido feito, estará a restauração completa e o prédio pronto para ser reocupado por seus moradores.

O mesmo ocorre com o templo do Ego – nosso Corpo Denso – quando fica exausto. Nessas ocasiões, é preciso que o Ego, a Mente e o Corpo de Desejos se retirem, deixando o Corpo Vital totalmente à vontade para que possa Restaurar o tom do Corpo Denso. Assim, quando o Corpo Denso adormece, há uma separação. O Ego e a Mente, revestidos pelo Corpo de Desejos, retiram-se dos dois Corpos que interpenetravam – o vital e o denso – permanecendo estes na cama enquanto os veículos superiores flutuam próximo e sobre o Corpo adormecido.

Inicia-se aí o processo de restauração. Em qualquer combate no Mundo Físico, os ferimentos nunca acontecem só a uma das partes contendoras. O vencedor também sempre recebe algumas lesões. Quanto mais feroz a luta e quanto mais valentes os lutadores, mais ferimentos de ambos os lados. A mesma coisa se dá com os Corpos vital e de desejos em seu combate: o Corpo de Desejos ganha todas as vezes, muito embora suas vitórias sejam sempre derrotas, já que ele é forçado a abandonar o campo de batalha e o prêmio, o Corpo Denso, nas mãos do vencido Corpo Vital, retirando-se a seguir para Restaurar sua própria harmonia desfeita.

Quando se retira do Corpo adormecido, o Corpo de Desejos penetra num oceano de força e harmonia chamado Mundo do Desejo. Ali, o Ego revive os acontecimentos do dia, mas na ordem inversa, isto é, dos efeitos para as causas, deslindando o emaranhado do dia e formando imagens verdadeiras que substituem as falsas impressões devido às limitações da vida no Corpo físico. E, como as harmonias do Mundo do Desejo compenetram o Corpo de Desejos, e a Sabedoria e a Verdade substituem o erro, este recobra seu ritmo e tom. O tempo necessário para tal restauração varia, dependendo de quão ilusória, impulsiva e extenuante tenha sido a vida nesse dia.

Então, e só então, inicia-se o trabalho de restauração dos veículos deixados no leito. O Corpo de Desejos restaurado começa a reanimar o Corpo Vital, inundando-o de energia rítmica. Este, por seu turno, começa a trabalhar sobre o Corpo Denso, eliminando os produtos do desgaste, principalmente através do sistema nervoso simpático. Como resultado, o Corpo Denso fica restaurado e outra vez repleto de vida. É quando o Corpo de Desejos, a Mente e o Ego reentram nele pela manhã, fazendo-o despertar.

Sonhos

Acontece, porém, às vezes, que nos absorvemos e nos interessamos tanto pelos assuntos mundanos que, mesmo após o Corpo Vital ter entrado em colapso e tornado o Corpo Denso inconsciente, não podemos fazer nossa Mente deixá-lo para iniciar o trabalho de restauração. O Corpo de Desejos adere como se fosse sombria mortalha, é talvez retirado parcialmente pelo Ego e começa a ruminar os acontecimentos do dia naquela posição.

É evidente que tal condição é anormal. Primeiramente, porque a relação apropriada entre os diferentes veículos é rompida pelo colapso do Corpo Vital. Depois, porque a posição relativa dos veículos superiores se desconectou parcialmente os centros dos sentidos do último, e o resultado inevitável são aqueles sonhos confusos em que os sons e visões do Mundo do Desejo confundem-se com os acontecimentos da vida diária de modo mais absurdo e grotesco.

Às vezes, quando algum acontecimento do dia agitou sobremaneira o Corpo de Desejos, e este já se desligou dos veículos inferiores para se entregar à atividade restauradora, através da retrospecção, pode acontecer que um penoso incidente daquele dia surja, e o Corpo de Desejos veja a solução. Então, ele volta repentinamente ao Corpo Denso a fim de imprimir as ideias no cérebro, levando, portanto, o veículo denso a acordar bruscamente. Em raros casos, porém, ele é capaz de recordar a solução que parecia tão clara no Mundo do Desejo, e, ainda que consiga imprimi-la no cérebro, geralmente ela é esquecida ao amanhecer.

Sabendo disso, muitas pessoas, ao se recolherem, deixam papel, lápis e luz ao alcance da mão. E por tal precaução, são frequentemente recompensadas ao se encontrarem pela manhã com a solução de seus problemas sem nem mesmo precisarem rever seus escritos. É uma boa ideia a ser seguida.

Sob tais condições, em que a separação dos veículos não é completa, fica evidente que a perda de energia prossegue e que a restauração é impedida. O Corpo Denso revolve-se sobre o leito em casos extremos e, em consequência, levanta-se pela manhã com uma certa sensação de cansaço depois de um sono repleto de sonhos e pouco reparador devido à separação imperfeita dos veículos.

Mas nem todos os sonhos são confusos. Aqueles, por exemplo, que nos apontam soluções lógicas a certos problemas, ou aqueles premonitórios que nos advertem de um perigo iminente, muitas vezes nos possibilitam evitar ou prevenir um desastre. Tais sonhos ocorrem geralmente um pouco antes do despertar e, também, só quando tenha havido uma completa separação dos veículos, pois só nesta última condição é possível haver lógica no sonho, ou melhor, é possível ao Ego perceber no Mundo do Desejo o desastre iminente e transmiti-lo com clareza ao cérebro. Para que tais sonhos prossigam na noite seguinte, ajuda muito ir deitar-se com este último pensamento: “Quero saber isto e vou me recordar de tudo ao amanhecer”. Se for este o último pensamento antes de dormir, as respostas virão e serão lembradas ao despertar.

Ocupar o tempo citando exemplos para provar o valor dos sonhos seria desperdiçá-lo numa conferência. A imprensa diária frequentemente cita casos de escapadas providenciais atribuídas a avisos por sonhos. Os arquivos da Sociedade de Pesquisas Psíquicas podem fornecer abundantes evidências a quem queira sem maiores dificuldades.

Hipnotismo

É característica dos Corpos invisíveis do ser humano só atuarem sob os ditames da Vontade. Cada impulso para agir que venha de dentro origina-se na vontade do próprio indivíduo, ao passo que o incentivo à ação proveniente de fontes externas, geralmente chamado de “circunstâncias”, origina-se na vontade alheia. A diferença entre o ser humano de forte caráter, seja bom ou mau, e o ser humano fraco reside no fato de que o primeiro é impelido por sua própria vontade, agindo por si mesmo, o que, a despeito das circunstâncias eventuais, capacita-o a dirigir sua vida conforme decida.

Por outro lado, o fraco, o carente de vontade, é apenas um desamparado joguete das circunstâncias, dominado pela vontade dos outros, um náufrago desgarrado no mar da vida.

Controlar outras pessoas pelo poder da vontade é um assalto mental, ato mais condenável até que um assalto físico. A essa agressão mental chamamos “hipnotismo”. Um ser humano robusto pode, com um tapinha amigável, induzir outro a satisfazê-lo, ou pode espancá-lo até torná-lo inconsciente. O vendedor hipnotizador também aplica a exata força para induzir o cliente a comprar algo que ele não quer ou não pode comprar, e ilude-se a si próprio denominando isso de negócio legal.

Por mais nociva e difundida que seja essa prática, seus efeitos posteriores, no entanto, nem se aproximam daqueles resultantes da prática de submeter-se “pacientes” ao sono hipnótico. A enormidade desse crime só é mais bem apreciada quando se podem ver os efeitos sobre os Corpos invisíveis da vítima.

Nenhuma pessoa de forte vontade pode ser dominada por um hipnotizador a ponto de ser posta a dormir, e ninguém que mantenha uma atitude mental positiva pode ser subjugado. Daí que ele, de início, solicite à vítima confiante conservar-se perfeitamente negativa e desejosa de ser posta a dormir. Os passes do hipnotizador são então endereçados à cabeça, atingindo a cabeça do Corpo Vital e deslocando-a da física. A esta altura, a cabeça etérea “cai” como uma grossa dobra em volta do pescoço do paciente, semelhante a uma gola de um suéter.

Desta maneira, a ligação que existe entre o Ego e o Corpo Denso é cortada, como no sono, e os veículos superiores se retiram. Mas a condição agora é diferente daquela do estado de sono. A cabeça do Corpo Vital não se encontra no devido lugar envolvendo e compenetrando a cabeça física. Esta agora é compenetrada pelo éter do Corpo Vital do hipnotizador que, deste modo, consegue o domínio sobre a vítima.

Se conhecêssemos um meio de “interceptar a linha”, teríamos a chave da relação entre o hipnotizador e sua vítima, pelo menos até certo ponto. Se alguém dispõe de uma linha telefônica particular entre o próprio lar e seu escritório, e outro alguém faz uma ligação de escuta entre os dois pontos, poderá o segundo interceptar qualquer conversa, como poderá ainda fazer-se passar pelo negociante, emitindo ordens, etc. O hipnotizador faz algo assim. Intercepta a linha de comunicação entre o Ego e o Corpo da sua vítima pela interposição de parte de si mesmo na linha. Assim, ele pode forçar o Ego a sair para os Mundos invisíveis e obter tanto quanto possível qualquer informação que deseje ou pode obrigar aquele Corpo a práticas fúteis ou até a atos criminosos.

Mas isso ainda não é o pior do hipnotismo. O mais grave perigo para a vítima reside neste fato: uma vez que parte do Corpo Vital do hipnotizador foi introduzida no dela, tal parte não pode ser expulsa dali completamente ao despertar. Sempre uma pequena parcela do Corpo Vital fica aderida ao Corpo da vítima, formando um núcleo através do qual o hipnotizador nela pode ingressar mais vezes e submetê-la mais facilmente daí por diante. Em cada uma dessas ocasiões, esse núcleo sofre um acréscimo de tal modo que, pouco a pouco, a pobre vítima fica totalmente desamparada, sujeita à vontade do seu dominador, independentemente da distância, até que a morte de um dos dois rompa a ligação.

Esse remanescente do Corpo Vital do hipnotizador é também um repositório de ordens a serem executadas no futuro, e que implicam na realização de certos atos em determinado dia e hora. Quando chega esse tempo, o impulso é liberado à semelhança de um despertador. Então, a vítima deve executar a ordem, mesmo que seja um assassinato, sem saber sequer que está sendo influenciada por alguém. O hipnotismo é, portanto, o maior dos crimes sobre a Terra e o maior dos perigos para a sociedade.

Alega-se, às vezes, que o hipnotismo pode ser usado beneficamente para curar o alcoolismo e outros vícios, e isto, sob o ponto de vista material, é prontamente admitido e aceito. Mas, sob o prisma do conhecimento oculto, o argumento está longe de ser verdadeiro. Como todos os outros desejos, a ansiedade por bebidas alcoólicas reside no Corpo de Desejos, sendo dever do Ego dominá-la pela sua própria força de vontade. Eis porque ele se encontra nesta Escola da Experiência chamada vida. E ninguém pode processar esse crescimento moral em seu lugar, do mesmo modo que ninguém pode digerir o alimento que ele ingere. Não se pode burlar a Natureza. Cada um deve resolver seus próprios problemas, corrigir suas próprias falhas por sua própria vontade. Se um hipnotizador dominar o Corpo de Desejos de um bêbado, o Ego desse viciado terá de aprender sua lição numa próxima existência, caso morra antes do hipnotizador. Se, porém, este morrer primeiro, o viciado certamente voltará a beber, pois, em tais casos, a parte do Corpo Vital do hipnotizador que sustava aquele desejo inferior voltará à origem, anulando-se então a cura. Portanto, a única maneira de se dominar permanentemente um vício é pela aplicação da própria vontade.

Com a morte de um hipnotizador, todas as suas vítimas ficam livres e nenhuma outra sugestão posterior poderá influenciá-las.

Mediunidade ou qualquer Pessoa que se submete a ser Controlada, Parcial ou Totalmente por Outra Entidade, Humana ou Elemental

Para que se compreenda Clarividência involuntária, como por exemplo, a mediunidade, é necessário saber que na morte efetua-se a mesma separação de Corpos como no sono, só que de modo permanente. Os chamados mortos possuem Ego, Mente e Corpo de Desejos, e muitas vezes permanecem conscientes do Mundo exterior que acabam de deixar, ainda por algum tempo. Alguns se apegam à vida terrena e não podem ajustar suas Mentes ao aprendizado de novas lições. A esses chamamos “Espíritos apegados à Terra”. Tais Espíritos, impossibilitados de funcionar no Mundo visível sem um Corpo, aproveitam-se vantajosamente do fato de que nem todos os Espíritos estão confinados com o mesmo rigor à prisão do Corpo Denso. Aqueles que se acham mais fortemente aderidos aos seus Corpos são os materialistas. E aqueles cujos liames não os prendem tão fortemente são os “sensitivos”, capazes, até certo ponto, de responder às vibrações espirituais. As pessoas de caráter positivo, caso se desenvolvam, podem sensibilizar-se por sua própria vontade, tornando-se assim ocultistas exercitados. Os de vontade fraca só se podem desenvolver com a ajuda de outros e de maneira negativa. Estes são presas dos Espíritos apegados à Terra, os quais, denominando-se a si mesmos “Guias espirituais”, desenvolvem suas vítimas como “médiuns de transe”, ou como “médiuns materializantes” se as conexões entre os Corpos denso e vital das vítimas são fracos.

O controle desses Espíritos Apegados à Terra é, sob vários aspectos, idêntico ao dos hipnotizadores, salvo no fato de que os primeiros são invisíveis às suas vítimas e sobre estas exercem maior poder, já que são vistos como “seres superiores”, “anjos” sem maldade, que visam apenas proporcionar a felicidade e ministrar sabedoria de modo abnegado.

Na realidade, não existe nenhum poder transformador na morte. O pecador não se transforma em santo nem o ignorante se converte num Salomão por haver morrido. E é simplesmente chocante para o Clarividente voluntário e treinado desenvolvido ver as imposições desses desclassificados Espíritos sobre as suas ingênuas vítimas, tão inexperientes que não conseguem distinguir o verdadeiro caráter dos impostores, e vão aceitando suas duvidosas frases como sublime sabedoria. É verdade que, apesar de tudo, eles têm ocasionado algum bem provando a realidade da existência post-mortem, mas é certo também que têm prejudicado muito mais os médiuns.

O “modus operandi” do invisível controlador consiste simplesmente em expulsar os veículos superiores dos ditos inferiores do passivo médium (ou qualquer pessoa que se submete a ser controlado, parcial ou totalmente por outra entidade, humana ou elemental), tomar-lhe o lugar e assumir o controle. Quando o abandona, leva consigo uma parcela de seu Corpo Vital para usar posteriormente como uma chave ou alavanca.

Em alguns casos, não satisfeito em tomar emprestado um Corpo, o Espírito chega a roubar algum, mantendo seu dono fora dele permanentemente. Podemos ver o mesmo Corpo, mas com uma alma que tem hábitos e gostos diferentes. Isto é conhecido como obsessão, que pode ser identificada pelo fato de a íris não reagir nem à luz nem à distância pelas suas contrações ou dilatações, porque o olho é a janela da alma e somente seu dono pode controlá-lo verdadeiramente. Em consequência, os olhos dos médiuns sob controle permanecem sempre fechados ou mostram um olhar vidrado.

Existem certos meios de se afastar um Espírito obsessor, devolvendo-se o Corpo ao seu dono, mas isto não pode ser revelado publicamente.

Vimos que, no estado de vigília, os Corpos Denso e Vital estão envolvidos e interpenetrados por uma espécie de nuvem de forma ovalada, constituída pelo Corpo de Desejos e pela Mente. Estes veículos são todos concêntricos e formam os elos de uma cadeia. A interpolação de um com outro, de tal maneira que os centros sensoriais de um coincidam com os centros sensoriais do outro, é o capacita o Ego a dirigir seu complexo organismo e a realizar de modo ordenado os processos vitais que conhecemos como razão, linguagem e ação. Se há um desajuste em qualquer parte, o Ego ver-se-á tolhido correspondentemente em sua expressão. Esse equilíbrio perfeito é saúde; o oposto é doença.

A doença adquire muitas formas. Uma delas apresenta-se como insanidade mental que também se classifica em diferentes tipos. Onde a conexão entre os centros sensoriais do Corpo Denso e do Corpo Vital se dá obliquamente, quando, por vezes, a cabeça do Corpo Vital sobressai da cabeça densa ao invés de situar-se concentricamente a esta, fica o Corpo Vital desentrosado tanto dos veículos superiores quanto do Corpo Denso. Temos então o idiota dócil. Quando o Corpo denso e Corpo Vital acham-se entrosados, mas existe ruptura entre o Corpo Vital e Corpo de Desejos, as condições são semelhantes. Mas, quando o rompimento se dá entre o Corpo de Desejos e a Mente, temos o maníaco desvairado que é mais incontrolável que um animal selvagem, pois este ao menos é governável por seu Espírito-Grupo. Neste caso, todas as tendências animais são seguidas cegamente.

Quando a ruptura ocorre entre o Ego e a Mente, a última encarrega-se dos outros três veículos e aí temos a astúcia consumada que caracteriza certa classe de insanos. Os de tal categoria saberão ocultar muito bem seus maléficos propósitos e ludibriar a todos para poder vingar-se de uma ofensa apenas imaginária ou para realizar algum desejo inferior, até que a vítima caia em seu poder. Então, a natureza brutal do Corpo de Desejos entregar-se-á totalmente a alguma horrenda atrocidade ou poderá a Mente dominar o Corpo de Desejos e exercitar sua diabólica astúcia em lenta tortura, antes que o Corpo de Desejos se liberte, pondo fim aos sofrimentos da vítima, talvez de modo brutal, porém bem mais misericordioso que o prolongamento das torturas.

A lição que nos fica da matéria acima é que devemos sempre manter-nos senhores de nós mesmos e nunca, sob nenhum pretexto, permitirmos que qualquer agente externo nos hipnotize ou controle. O autodomínio é nossa meta e não o domínio sobre os outros.

[6] N.T.: CONFERÊNCIA V – MORTE – VIDA NO PURGATÓRIO

Entre todas as incertezas que caracterizam este mundo, uma coisa apenas é certa: a Morte. A qualquer momento, após uma vida mais curta ou mais longa, chega o fim desta fase material de nossa existência, que é um nascimento em um novo mundo, assim como o que ordinariamente denominamos “nascimento” não é mais que “um esquecimento do passado”, segundo os belos versos de Wordsworth:

Nosso nascimento não é mais que um sonho

e um esquecimento:

a alma que conosco se eleva, nossa Estrela da vida,

teve seu pôr-do-sol em qualquer outro lugar,

e tendo vindo de muito longe,

não está em completo esquecimento,

nem em total nudez parece estar.

Arrastando nuvens de glória,

de Deus viemos, que é nosso lar:

o céu está perto de nós em nossa infância!

Sombras da prisão vão-se fechar

sobre o Menino que vai crescendo.

Mas a luz emana e ele põe-se a contemplar,

e em sua alegria ele a está vendo.

O Jovem que vem de longe, do Oriente,

e que é ainda o sacerdote da natureza, deve prosseguir,

e pela esplêndida visão

protegido é, no seu seguir.

E ao longo do caminho, o Ser humano percebe o que esmaece,

e na luz de um dia comum se desvanece.

Nascimento e morte podem, portanto, ser considerados como transferência de atividades de um mundo a outro, e depende de nossa própria posição designar tal mudança como nascimento ou morte. Se um ser humano entra no mundo em que vivemos, dizemos que ele nasceu, mas, se ele deixa o nosso plano de existência para ingressar em outro, dizemos que ele morreu. Ao próprio indivíduo, contudo, a passagem de um mundo para outro é apenas algo como a mudança de uma cidade para outra. Ele vive imutável; somente mudam seu meio ambiente e suas condições.

A passagem de um mundo a outro dá-se com frequência de modo mais ou menos inconsciente – como um sono, no dizer de Wordsworth – e, por tal motivo, nossa consciência pode fixar-se sobre o mundo que acabamos de deixar. Na infância, o céu está como um fato real perto de nós: após o nascimento, todas as crianças são clarividentes e assim permanecem por um maior ou menor período de tempo. Os que passam ao Além pela morte continuam vendo o mundo material por algum tempo. Se passamos para o Além em pleno vigor físico, com fortes laços de família e de amizades ou com outros interesses, o mundo denso continuará a atrair nossa atenção por um tempo muito maior do que se a morte tivesse ocorrido na “velhice consumada”, quando os laços terrenos já foram cortados antes da mudança a que chamamos morte. É o mesmo princípio que leva a semente a aderir à polpa de uma fruta verde, ao passo

E que é muito fácil separá-la da fruta madura. Por isso, é bem mais fácil morrer-se em idade avançada do que na juventude.

A inconsciência que geralmente acompanha o Espírito que chega na mudança chamada nascimento e, também, por ocasião da morte, é devida à incapacidade de ajustarmos de imediato nosso foco, analogamente à dificuldade que experimentamos ao sairmos de um compartimento escuro para o ar livre, à luz do dia, ou vice-versa. Sob tais condições, algum tempo deve transcorrer antes que possamos distinguir os objetos à nossa volta. A mesma coisa se dá com o recém-nascido e com o recém-morto: ambos precisam reajustar seus pontos de vista às novas condições.

Chegado o momento que assinala o fim da vida no Mundo Físico, termina a utilidade do Corpo Denso. Então, o Ego dele se retira pela cabeça, levando consigo a Mente e o Corpo de Desejos conforme fazia todas as noites durante o sono. Como agora o Corpo Vital é inútil, também ele se retira. E o Cordão Prateado, que ligava os veículos superiores aos inferiores, rompe-se de uma vez para sempre.

Recordemos que o Corpo Vital é composto de Éter e interpenetra os corpos densos da planta, do animal e do ser humano durante a vida. O Éter é matéria física e, portanto, ponderável. A única razão pela qual os cientistas não podem pesá-lo deve-se ao fato de serem incapazes de isolá-lo em certa quantidade que possa ser posta numa balança. Mas, quando, pela morte, o Corpo Vital abandona o Corpo Denso, uma diminuição de peso é verificada em todos os casos, provando que algo ponderável – ainda que invisível – deixa o Corpo Denso nessas condições.

Em 1906, o Dr. McDougall, de Boston, pesou certo número de pessoas agonizantes, pondo-as com suas camas sobre balanças equilibradas com pesos. Observou-se, então, que o lado com os pesos baixava com rapidez surpreendente no instante em que os moribundos exalavam o último suspiro. Daí, espalhou-se a notícia de que haviam pesado a alma, façanha que jamais poder-se-á realizar porque a alma não está sujeita às leis do Mundo Físico. Mais tarde, o Professor Twining, de Los Angeles, supôs haver pesado a alma de um rato. Na realidade, o que esses cientistas pesaram foram corpos vitais abandonando, pela morte, os respectivos corpos densos.

Cabe aqui uma palavra com referência ao tratamento dado aos agonizantes, que, em muitos casos, sofrem indizíveis angústias em razão da equivocada solicitude dos amigos. Administrar estimulantes ao moribundo causa-lhe mais sofrimento do que qualquer outra coisa. Não é doloroso abandonar o Corpo Denso. Os estimulantes, contudo, forçam o Ego em retirada a voltar ao seu corpo com o efeito de uma catapulta, para experimentar novamente os sofrimentos dos quais estava quase livre. Almas que se foram frequentemente reclamam disto aos investigadores. Uma afirmou que jamais sofrera tanto em toda sua vida como quando tentaram lhe sustar a morte durante muitas horas. Quando se percebe que o fim é inevitável, o mais sensato é deixar que a Natureza siga o seu curso.

Outro pecado – maior ainda – contra o Espírito que se vai é dar expansão aos choros ou lamentações no aposento em que se encontra o morto ou mesmo nas imediações. Logo após libertar-se, o Ego empenha-se – desde algumas horas antes até dias depois – num assunto de suma importância. Muito do valor da vida recém terminada depende, pois, da atenção que a ela der o Espírito que está saindo do corpo. Se distraído pelos soluços e lamentações dos que o amam, grande perda poderá sofrer conforme veremos. Mas, se fortalecido pela oração e ajudado pelo silêncio, muito prejuízo futuro será evitado. Nunca podemos ajudar tanto a nosso irmão como quando ele passa através desse Getsêmani, e isso se constitui numa das maiores oportunidades para servi-lo e acumularmos para nós mesmos tesouros celestiais.

Tem-se estudado o fenômeno do nascimento e chegou-se a inventar uma Ciência do Nascimento. Tem-se formado obstetras e preparado parteiras com o fito de proporcionar o máximo conforto à mãe e à criança, mas é lamentável – muito lamentável mesmo – que ainda nos falte uma Ciência da Morte. Quando uma criança vem ao mundo, desdobramo-nos em esforços inteligentes, mas quando um velho amigo está para nos deixar, ficamos impotentes ao seu lado, ignorando como ajudá-lo. E, pior que tudo, tentando às vezes essa ajuda, mas sem conhecimento, lhe causamos ainda maior sofrimento.

A ciência física sabe que qualquer que seja a força que impulsiona o coração não vem de fora, mas sim de dentro dele. A ciência oculta vê uma câmara no ventrículo esquerdo, perto do ápice, onde um pequeno átomo nada num oceano do mais sutil dos Éteres. A força desse átomo, como a força de todos os demais é a vida não diferenciada de Deus. Sem essa força, a matéria não se converteria em cristais no reino mineral e os reinos vegetal, animal e humano seriam incapazes de formar seus corpos. Quanto mais fundo penetramos, tanto mais clara se faz para nós a verdade fundamental de que em Deus vivemos, nos movemos e temos o nosso ser.

Este átomo é chamado Átomo-Semente. A força que nele existe aciona o coração e mantém o organismo vivo. Todos os demais átomos do corpo devem vibrar harmoniosamente com aquele. As forças do átomo-semente subsistem imanentes em todos os corpos densos possuídos em cada Ego em particular, e sobre a sua superfície plástica estão gravadas todas as experiências porque passa o Ego em todas as vidas. Quando retornarmos a Deus, quando todos nos tenhamos tornado um com Ele mais uma vez, esses registros – que são gravações peculiares de Deus – subsistirão ainda, e assim nossa individualidade será mantida. Nossas experiências serão transmutadas em faculdades conforme veremos adiante. O mal é transmutado em bem e este nós retemos como força para um bem maior, mas o registro das experiências é de Deus, e está em Deus, no mais profundo sentido do termo.

O Cordão Prateado que liga os veículos superiores aos inferiores termina no átomo-semente no coração. Quando a vida material chega ao fim de modo natural, as forças no átomo-semente se libertam, retirando-se pelo nervo pneumogástrico e saindo pela parte posterior da cabeça, ao longo do Cordão Prateado, juntamente com os veículos superiores. Essa ruptura no coração é que marca a morte física, mas o Cordão Prateado não se rompe de imediato: em alguns casos, mantém a conexão por vários dias.

O Corpo Vital é o veículo da percepção sensorial e, como permanece ainda unido ao corpo das sensações, ligados ambos ao abandonado Corpo Denso pelo cordão etéreo, é evidente que, até o cordão partir-se, o Ego poderá experimentar, até certo ponto, as sensações resultantes de injúrias corporais. Assim, a extração do sangue, a injeção do fluido embalsamante, a autópsia e a cremação causam-lhe dores.

O autor sabe de um caso em que um cirurgião amputou, sob anestesia, três dedos de uma pessoa viva. A seguir, lançou os dedos decepados ao fogo. Imediatamente, a paciente pôs-se a gritar em desespero. A rápida desintegração dos dedos densos produzia igual e rápida desintegração dos dedos etéreos, os quais permaneciam ligados aos veículos superiores. De maneira idêntica, qualquer injúria ao Corpo Denso afeta ao Espírito desencarnado desde umas poucas horas até três dias e meio após a morte, quando toda a ligação é cortada e tem início a decomposição do corpo.

É preciso, pois, o máximo cuidado para não prejudicarmos o Espírito que se vai. Se as leis ou outras circunstâncias não permitem manter o cadáver tranquilamente por alguns dias no aposento onde se deu a morte, que ao menos permaneça enterrado durante aquele espaço de tempo, dando-lhe a seguir o tratamento que se queira. Serenidade e oração são benefícios inigualáveis nesses momentos. Se amamos sabiamente o Espírito que parte, podemos vir a ser credores de sua perene gratidão apenas pela observância do que acima ficou recomendado.

Vimos na Conferência III que o Corpo Vital é o repositório das memórias conscientes. Neste corpo, ficam gravados indelevelmente cada ato e experiência da vida passada, à semelhança do que acontece numa chapa fotográfica exposta. Quando o Ego se retira do Corpo Denso, a vida inteira – tal como foi registrada pela memória subconsciente – abre-se aos olhos da Mente. É a parcial retirada do Corpo Vital que leva alguém que se afoga a ver toda a sua vida passada, só que então apenas a vislumbra, como um relâmpago, e antes de perder a consciência por completo. Nesses casos, o Cordão Prateado permanece intacto, senão seria impossível a reanimação da pessoa.

No caso de um Espírito que atravessa o umbral da morte, o movimento é mais lento: o ser humano permanece como um espectador enquanto as imagens se sucedem umas após outras, mas na ordem inversa, isto é, da morte ao nascimento. Deste modo, ele contempla primeiro os acontecimentos imediatamente anteriores à morte; a seguir, os anos da maturidade; depois a juventude, a adolescência e a infância até o nascimento. Contudo, nesse momento, tais imagens não despertam no ser humano nenhum sentimento. O objetivo aí é simplesmente gravar o panorama no Corpo de Desejos, que é o acento do sentimento. Dessa impressão, o sentimento brotará quando o Ego entrar no Mundo do Desejo, mas devemos anotar aqui que a intensidade de sentimento despertado depende do espaço de tempo utilizado no processo da gravação e da atenção a ela prestada pelo ser humano. Se ele não foi perturbado por agitação e histeria durante algum tempo, uma impressão nítida e clara efetuar-se-á no Corpo de Desejos. Consequentemente, sentirá o mal praticado com muito mais intensidade no Purgatório, e fortalecerá muitíssimo mais suas boas qualidades no Céu.

E ainda que as experiências disso não se façam presentes na vida futura, os sentimentos, todavia, subsistirão como “a pequena voz silenciosa”. Quando o sentimento é fortemente gravado no Corpo de Desejos do Ego, essa voz sempre falará em termos precisos e claros. Impele o ser humano irresistivelmente, forçando-o a desistir daquilo que lhe causou sofrimento na vida anterior e compelindo-o a fazer aquilo que é bom. Portanto, o panorama se desenrola PARA TRÁS, a fim de que o Ego veja primeiramente os efeitos e depois as causas geradoras.

Quanto ao que determina a duração do panorama, recordemos que é o colapso do Corpo Vital que obriga os veículos superiores a se retirarem. Igualmente, após a morte, quando o Corpo Vital se paralisa, o Ego tem de retirar-se, encerrando-se aí o panorama. A duração deste depende, portanto, do tempo que a pessoa pode permanecer desperta. Algumas só conseguem por poucas horas, enquanto outras podem resistir acordada por vários dias, dependendo isso do vigor do Corpo Vital de cada um.

Quando o Ego abandona o Corpo Vital, este é atraído de volta ao Corpo Denso e fica flutuando sobre a sepultura, decompondo-se sincronicamente com este. Ao clarividente que passa por um cemitério e vê todos esses corpos vitais – cujo grau de decomposição indica o de putrefação do corpo sepultado – tal visão é de efeito nauseante. Se existissem mais clarividentes, mais cedo seria a cremação adotada, se não por razões sanitárias, ao menos como uma medida de proteção aos nossos sentimentos.

Quando o Ego se liberta do Corpo Vital, seu único laço com o Mundo Físico se desfaz. Então, ele penetra no Mundo do Desejo. O ovoide Corpo de Desejos muda agora sua forma e assume a do Corpo Denso descartado. Existe, contudo, uma peculiar combinação na matéria de que ele é formado, a qual tem grande significação com respeito ao tipo de vida que aquele que partiu terá ali.

O Corpo de Desejos do ser humano é composto de matéria de todas as sete regiões do Mundo do Desejo, assim como o Corpo Denso é constituído de sólidos, líquidos e gases deste Mundo Físico. Mas a quantidade de matéria de cada região que entra na formação do Corpo de Desejos depende da natureza dos desejos que o ser humano acalentou. Desejos grosseiros são formados da mais grosseira matéria de desejos, que pertence à região mais inferior do Mundo do Desejo. Se um ser humano cultiva tais desejos, está construindo para si próprio um Corpo de Desejos grosseiro, no qual predominará a matéria das regiões inferiores. Mas, se ele persistentemente repele de si esses desejos inferiores, cedendo apenas aos puros e bons, seu Corpo de Desejos passará a incorporar em si matéria das regiões superiores.

Presentemente, nenhum ser humano é totalmente mau, e nenhum é totalmente bom. Somos todos uma mistura de ambas as qualidades, mas há uma diferença na composição de cada um, a saber: no corpo de desejo de uns predomina a matéria grosseira, no de outros predomina a matéria refinada. Isto é o que estabelece toda a diferença de ambiente e de condições entre os homens logo que entram no Mundo do Desejo após a morte, porque então a matéria do seu Corpo de Desejos, tomando a forma e semelhança do Corpo Denso abandonado, organiza-se de tal modo que a matéria mais sutil pertencente às regiões superiores do Mundo do Desejo forma o centro do veículo, enquanto a matéria das três regiões mais densas forma a periferia.

Quando a vida do Ego termina, ele emprega a força centrífuga para libertar-se de seus veículos. Segundo a mesma Lei pela qual um planeta lança de si ao espaço aquela parte que ficou mais densa e cristalizada, o Ego descarta primeiro o seu Corpo Denso. Quando ele entra no Mundo do Desejo, esta força centrífuga atua igualmente para lançar fora do Corpo de Desejos a matéria mais grosseira, e assim o ser humano vê-se forçado a permanecer nas regiões inferiores até que seja purgado dos baixos desejos que foram incorporados à matéria de desejos mais densa. A matéria mais grosseira, portanto, sempre fica na periferia de seu Corpo de Desejos enquanto atravessa o Purgatório, sendo gradualmente eliminada pela purificadora força centrífuga.

A Força de Repulsão, que erradica do ser humano o mal, permite-lhe ascender ao Primeiro Céu – parte superior do Mundo do Desejo – onde só a Força de Atração atua e, também, onde o poder anímico extraído do bem da vida passada é acrescentado ao Ego. A parte descartada do Corpo de Desejos é então abandonada como um “cascão” vazio.

Quando o Ego abandona seu Corpo Denso, este morre rapidamente. A matéria física torna-se inerte a partir do momento em que é privada da estimulante e vitalizante energia, e desfaz-se como forma. A mesma coisa não se dá com a matéria do Mundo do Desejo: uma vez que se lhe tenha comunicado vida, essa energia subsiste ainda por considerável tempo, mesmo após haver cessado o influxo vitalizante, dependendo sua duração da intensidade do impulso. O resultado é que, após terem sido abandonados pelo Ego, esses “cascões” subsistem por um tempo maior ou menor. Vivem uma vida independente, e, se o Ego ao qual pertenceram era muito apegado aos desejos mundanos e se tenha desligado do plano físico no apogeu da vida, com fortes ambições não realizadas, então esses corpos sem alma, muito frequentemente, esforçam-se de modo frenético para retornar ao Mundo Físico. Muitos dos fenômenos verificados em sessões espíritas devem-se a eles. O fato de muitas comunicações recebidas desses assim chamados Espíritos serem totalmente destituídas de sentido é facilmente compreendido quando nos damos conta de que não se trata absolutamente de Espíritos, mas tão somente de partes sem alma das vestimentas do Espírito que se foi, carentes portanto de inteligência. Recordam a vida passada em virtude do panorama neles impresso logo após a morte, o que frequentemente capacita-os a se afirmarem ante os parentes relatando fatos só deles conhecidos. A realidade, porém, é que eles nada mais são do que uma roupa velha do Ego, dotada de vida independente por algum tempo.

Contudo, nem sempre esses “cascões” permanecem sem alma. No Mundo do Desejo, existem diferentes classes de seres cuja evolução se processa naturalmente ali, havendo entre eles, conforme aqui, os bons e os maus. De modo geral, eles são classificados sob o nome de “elementais”, ainda que difiram grandemente entre si em aparência, inteligência e características. Deles ocupar-nos-emos apenas no quanto sua influência afeta o estado post-mortem do ser humano.

Acontece às vezes – especialmente quando uma pessoa tem o hábito de invocar Espíritos – que esses seres se apoderam de seu Corpo Denso na vida terrena e convertem-no num médium irresponsável. De modo geral, primeiramente eles o atraem com ensinamentos de aparência elevada, mas, aos poucos, conduzem-no à crassa imoralidade e, pior que tudo, podem apoderar-se de seu Corpo de Desejos após ele o abandonar para entrar no Céu. Como os impulsos contidos no Corpo de Desejos são as bases da vida no Céu e, também, as molas de ação que levam o ser humano a renascer para continuar seu desenvolvimento, este é, com efeito, um assunto muito sério, pois toda a evolução de uma pessoa pode estacionar por épocas inteiras antes que o elemental abandone seu Corpo de Desejos.

São esses elementais os causadores de muitos fenômenos espirituais onde se nota mais inteligência além daquela que pode ser manifestada por esses “cascões” sem alma, particularmente, e pelo menos nas materializações. Ainda que tais “cascões” possam participar, os fenômenos sempre são dirigidos por um ser inteligente. A diferença entre um médium materializante e uma pessoa comum é que a aderência do Corpo Vital ao Corpo Denso é mais frouxa no médium, e de tal forma que parte de seu Corpo Vital pode ser extraída. Parcelas de gases e mesmo de líquidos do Corpo Denso do médium também podem ser usadas para formar os corpos das aparições. Essa extração e a prática de vestir-se com “cascões” geralmente são realizadas pelos elementais, que extraem o Corpo Vital do médium pelo baço. Regra geral e em consequência, o corpo do médium encolhe horrivelmente. Quando o Corpo Denso é por este modo privado de seu princípio vital, sofre a exaustão. Então, e infelizmente, ele procura, geralmente, restaurar seu equilíbrio tomando bebidas fortes até que, com o tempo, converte-se num alcoólatra.

Na Conferência IV, foram apontados os perigos de se permitir a um hipnotizador dominar nossa vontade e privar-nos de nossa liberdade, mas, neste caso, a vítima ao menos pode vê-lo, como também pode formar sua própria opinião sobre aquele que o controla. No caso do médium, o perigo é mil vezes maior, porque a influência dominante não pode ser vista. A morte do hipnotizador liberta suas vítimas, mas, para o médium, o maior perigo verifica-se depois da morte.

Portanto, um estado negativo em que todo o corpo, ou mesmo só a mão de uma pessoa seja usada – como um autômato – independentemente de sua própria vontade, é muito arriscado. Não negamos que, às vezes, possa haver autênticas comunicações do Espírito que se foi e que existam casos de benfazejos comunicados da parte de seres que não estão sujeitos à nossa vontade. Mas nosso propósito é indicar os perigos que correm aqueles que se envolvem com o que não conhecem. Positivamente, estes seres que estão no Mundo do Desejo não são nem grandes nem bons. Tampouco são anjos, uma vez que se divertem afundando chapéus nas cabeças dos assistentes, derramando-lhes água colarinho abaixo, ou fazendo quaisquer outras das tolas brincadeiras que se verificam nas sessões espíritas comuns. Tais seres são enfaticamente tanto “cascões” sem alma de depravados ou elementais pregando peças.

Quando um ser humano desperta no Mundo do Desejo, exceto por um pormenor, ele é em tudo o mesmo ser humano que era antes de morrer. Qualquer pessoa que o tenha conhecido aqui pode conhecê-lo lá. Não há nenhum poder transformador na morte. O caráter do ser humano não muda. O viciado e o alcoólatra continuam tão viciados e dissipadores quanto eram aqui; o avaro continua mesquinho; o ladrão ainda tão desonesto quanto antes. Mas, há uma grande e importante mudança em todos eles: é que todos perderam seus corpos densos, residindo nisso toda a diferença relativa à gratificação dos seus vários desejos.

O alcoólatra não pode beber – falta-lhe o estômago. E mesmo que ele possa entrar, o que geralmente faz, num tonel de vinho de uma taberna, nenhuma satisfação encontra nisso porque o vinho embarricado não produz vapores alcoólicos como no tubo digestivo pela combustão química. Tenta, então, obter o efeito adentrando o Corpo Denso de algum bêbedo da Terra. Isto ele consegue com facilidade, porque o Corpo de Desejos é de tal natureza que ocupar o mesmo espaço com outra pessoa não lhe causa nenhum incômodo.

Os “mortos” aborrecem-se, a princípio, quando algum de seus amigos vem sentar-se na mesma cadeira que eles estão ocupando. Contudo, depois de certo tempo, aprendem que não é preciso apressar-se em sair da cadeira quando o amigo terrenal se aproxima para ali sentar-se. Ter alguém “sentado sobre” o Corpo de Desejos não o incomoda. Ambas as pessoas podem ocupar a mesma cadeira sem se tolherem mutuamente os movimentos. O alcoólatra pode assim ter acesso ao corpo de outrem que esteja bebendo, mas nem por isso consegue a satisfação desejada. Em consequência, ele sofre os Suplícios de Tântalos até que afinal o desejo se extingue por falta de gratificação, conforme acontece com todos os desejos, mesmo no plano físico.

Isso é o “Purgatório”. Convém notar que não existe nenhuma deidade vingativa nos julgando e avaliando o sofrimento que merecemos, nem qualquer diabo para executar a sentença. Os maus desejos cultivados nesta vida e impossíveis de serem satisfeitos no Mundo do Desejo é que causam tais sofrimentos, até se extinguirem com o tempo. O sofrimento é estritamente proporcional à força do mal hábito.

Tomemos como exemplo o caso do avarento: ele ama o ouro tão intensamente depois da morte quanto o amava antes de morrer, porém, já não pode mais amealhá-lo. Já não tem mãos físicas para tocá-lo e, pior que tudo, não pode mais proteger o que havia entesourado. É capaz de sentar-se de guarda à porta do cofre-forte, mas seus herdeiros poderão vir, “atravessá-lo” com as mãos e levar todo o seu querido ouro, rindo-se talvez do “velho mesquinho e tolo”, enquanto este, a tudo assistindo, entre colérico e humilhado, sofre terrivelmente porque é incapaz de detê-los. Por fim, ele aprende a resignar-se. Então, é automaticamente purgado ou purificado de sua avareza – como o alcoólatra o foi das bebidas – pela Lei de Consequência que erradica as falhas de cada pessoa de modo impessoal.

Em verdade, não há castigo. Todo sofrimento é devido aos nossos hábitos adquiridos, aos quais é também exatamente proporcional. Benevolamente, ele nos liberta de nossas imperfeições de modo que, em consequência dessa purificação, renascemos inocentes, podendo assim mais facilmente adquirir virtudes ao ser de novo tentados, se dermos ouvidos à voz que nos previne. Portanto, cada ato malévolo é no mínimo um ato voluntário.

Enquanto nossos maus hábitos são de modo geral tratados dessa maneira, nossas específicas más ações da vida passada são tratadas com idêntico automatismo mediante o panorama da vida gravado no Corpo de Desejos. Ao entrarmos no Mundo do Desejo, esse panorama começa a desenrolar-se para trás, da morte ao nascimento. E retrocede numa velocidade três vezes superior à da vida física, de modo que um ser humano que haja morrido aos sessenta anos de idade reviverá sua vida passada no Mundo do Desejo em cerca de vinte anos.

Recordemos que, ao contemplar esse panorama logo após morrer, nenhum sentimento é despertado no Ego, que então permanece como simples espectador, vendo as imagens se desenrolarem. A mesma coisa não se dá quando elas despontam em sua consciência no Purgatório. Ali, o bem não causa impressão, mas o mal atua sobre ele de tal maneira que nas cenas em que tenha feito outros sofrerem, ele próprio sofrerá no lugar do ofendido. Sofrerá todas as dores e angústias que suas vítimas sentiram na vida. E por ser triplicada a velocidade da vida nesse plano, o sofrimento é proporcional. É até mais agudo porque o Corpo Denso vibra tão lentamente que entorpece até mesmo o sofrimento. Mas, no Mundo do Desejo, onde estamos sem veículo físico, o sofrimento é mais intenso, e quanto mais nítido tenha sido o panorama da vida passada gravado no Corpo de Desejos ao morrer, tanto mais o ser humano sofrerá, como também mais claramente sentirá nas vidas futuras que o erro deve ser evitado.

Há um aspecto peculiar nesse sofrimento que também se acrescenta ao seu caráter desagradável. Se na vida o indivíduo ofendeu a dois homens simultaneamente – sendo que um vive no Maine e o outro na Califórnia – quando o ofensor está submetido às suas experiências purgatoriais pelo sofrimento que lhes causou, ele sentir-se-á como estando na presença de ambos ao mesmo tempo, uma parte no Maine e outra na Califórnia. Isto lhe provoca uma estranha e indescritível sensação de estar feito em pedaços.

Existem duas classes de pessoas para quem o processo purgatorial não começa de imediato: os suicidas e as vítimas de assassinato. No caso do suicida, o processo não se inicia até que se complete o tempo em que o corpo deveria morrer por decurso natural, mas, nesse ínterim, ele sofre por seu ato de um modo tão terrível quão peculiar. Tem a sensação de estar oco, por assim dizer, e de habitar num doloroso vazio, uma vez que o arquétipo de sua forma continua ativo na Região do Pensamento Concreto.

Quando uma pessoa jovem ou velha morre naturalmente ou em consequência de acidente, cessam aí as atividades arquetípicas. Os veículos superiores sofrem então uma mudança, de sorte que a perda do Corpo Denso em si mesmo nenhuma sensação de desconforto produz. O suicida, porém, não experimenta tal mudança até que o arquétipo do seu corpo deixe de atuar por decurso de tempo, isto é, por morte natural. O espaço que seu Corpo Denso devia ocupar está vazio, porque o arquétipo é oco e isso o faz sofrer indescritivelmente. Assim, ele aprende também que não é possível cabular aulas na Escola da Vida sem atrair desagradáveis consequências. E em suas vidas futuras, quando o caminho lhe parecer muito áspero, ele recordará em sua alma que a covarde tentativa de fugir pelo suicídio só pode acrescentar-lhe maiores sofrimentos.

Há pessoas que se suicidam por razões altruístas, para aliviar outros de um fardo. Estes naturalmente são recompensados de outra maneira, mas não escapam do suplício do suicida da mesma maneira que aquele que entra num edifício em chamas para salvar outros não está isento de se queimar.

A vítima de assassinato escapa a esse sofrimento porque, geralmente, fica num estado de coma até o tempo em que a morte natural devia ocorrer. E a tal respeito deve-se ter o mesmo cuidado que se tem com as vítimas dos chamados acidentes, só que estas últimas ficam conscientes imediatamente ou pouco depois da morte. Se o assassino é executado entre a época do crime e aquela em que sua vítima deveria morrer em circunstâncias naturais, o Corpo de Desejos comatoso do último é atraído magneticamente ao seu matador, seguindo-o onde quer que ele vá, sem um momento de trégua. A cena do assassinato passa então a apresentar-se sempre a ele, assassino, causando-lhe os dolorosos sofrimentos e angústias que inevitavelmente acompanham essa permanente reapresentação de seu crime em todos os horríveis detalhes. Isso continua por um tempo que corresponde ao período de vida do qual privou sua vítima. Se o assassino escapou da forca, de maneira que sua vítima tenha passado além do Purgatório antes da sua morte, o “cascão” da sua vítima subsiste para representar a parte de Nêmesis no drama do crime revivido.

Assim, é o Ego purgado de toda classe de males pela ação impessoal da Lei de Consequência, ficando apto para entrar no Céu e fortalecer-se no bem, tal como foi enfraquecido no mal.

[7] N.T.: CONFERÊNCIA Nº 7 – NASCIMENTO: UM ACONTECIMENTO QUÁDRUPLO

Quando o Ego, em sua peregrinação através dos Mundos invisíveis, alcança o ponto em que ele ingressa no Terceiro Céu, após ter abandonado: o Corpo Denso ao morrer, o Corpo Vital logo a seguir, o Corpo de Desejos ao deixar o Purgatório e o Primeiro Céu e, por último, a Mente, ao deixar o Segundo Céu para ingressar no Terceiro Céu, está absolutamente livre de quaisquer empecilhos. Todos os veículos abandonados se desfazem, subsistindo apenas os Átomos-sementes de cada um, e ele permanece por algum tempo no grande reservatório espiritual de força a que chamamos Terceiro Céu, a fim de se fortificar para o próximo renascimento na vida terrena.

A Lei de Consequência determina nossa existência post-mortem consoante a vida que vivemos aqui. Se nessa vida nós fizemos mais concessões aos desejos inferiores e paixões, nossa existência purgatorial será a parte mais vívida do nosso estado post-mortem; a existência nos vários céus será insípida. Se vivemos emoções superiores, a vida no Primeiro Céu será a mais rica dos diferentes estágios. Gostávamos de planejar melhoramentos e foi nossa Mente bastante construtiva no plano físico? Então, colheremos grandes benefícios ao estagiarmos no Segundo Céu, onde o pensamento concreto é a base das coisas concretas na Terra. Contudo, para usufruirmos uma existência consciente no Terceiro Céu, devemos ter dedicado muito do nosso tempo e do nosso esforço a pensamentos abstratos que não se relacionam com tempo ou espaço.

A maioria de nós não consegue pensar abstratamente e, portanto, carecemos de consciência no Terceiro Céu. Se pensamos em “Amor”, logo o associamos a alguém. Não gostamos de matemáticas porque são áridas, sem emoções e abstratas. Nenhum sentimento está ligado à conclusão de que dois mais dois são quatro, mas, precisamente nisto é que está o seu valor, porque quando nos elevamos acima dos sentimentos, nossos preconceitos ficam para trás e a verdade revela-se imediatamente. Ninguém diria que duas vezes dois são cinco, nem discutiria sobre a proposição de que o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos outros lados de um triângulo. Essa é a razão de Pitágoras e outros mestres ocultistas exigirem dos seus discípulos um prévio conhecimento de matemática antes de ministrar-lhes seus ensinamentos. A Mente habituada a lidar com matemáticas está treinada no pensamento sequencial e lógico, sendo, portanto, capaz de examinar e distinguir a verdade sem prevenção. Só a esta classe de Mente pode o ocultismo ser ensinado com segurança.

A grande maioria das pessoas ainda não alcançou o estágio em que se progride adequadamente seguindo as chamadas “linhas práticas”. Para tais pessoas, o Terceiro Céu é meramente um lugar de espera, onde ficam inconscientes – como no sono – até a oportunidade de um novo nascimento físico. Por exemplo: a pessoa que tenha levado uma vida grosseira, voltada para a gratificação dos sentidos e que tenha sido extremamente destrutiva terá uma dolorosa existência no Purgatório. Passará inconsciente e rapidamente pelo Primeiro Céu por não ter praticado o bem. Sua destrutividade tornará sua existência no Segundo Céu quase inconsciente e não terá absolutamente vida no Terceiro Céu, onde os Egos avançados criam ideias originais que, mais tarde, na vida terrena manifestam-se como gênios. Portanto, esse atrasado Ego permanecerá adormecido até que um novo nascimento o desperte para um novo dia na Escola da Vida com outra oportunidade para aperfeiçoamento.

Ouvimos muitas vezes alguém dizer após ouvir esta doutrina pela primeira vez: “Oh! Mas eu não quero voltar”. Tal protesto parte só do cansado e extenuado corpo como consequência de uma vida árdua. Contudo, tão logo as experiências desta vida tenham sido assimiladas nos céus, a Lei de Consequência e o desejo de novos conhecimentos atraem o Ego de volta à Terra do mesmo modo que um ímã atrai uma agulha. Então, ele começa outra vez a contemplar seu renascimento.

Aqui, novamente a Lei de Consequência é o fator determinante: o novo nascimento está condicionado pelas nossas vidas passadas. Tendo vivido muitas vidas, é evidente que tenhamos conhecido muitas e diferentes pessoas, ligando-nos a elas nas mais variadas relações, afetando-as para o bem ou para o mal ou sendo assim por elas afetados. Causas foram então geradas entre elas e nós, e assim muitas dívidas – impossíveis de serem logo liquidadas por um ou outro motivo – ficaram pendentes.

A invariabilidade da Lei requer que essas causas tenham sua consumação durante algum tempo e assim os Anjos do Destino, que são as Grandes Inteligências encarregadas da Lei do Equilíbrio, examinam o passado de cada pessoa quando essa está preparada para renascer, verificando quais dos seus amigos ou inimigos estão vivendo naquele tempo e onde se encontram. Como fizemos no passado um número muito grande de tais relações, geralmente numerosos são também os grupos de tais pessoas que se acham na vida terrena, de forma que, se não existir uma razão especial que obrigue a imposição de um deles, os Anjos do Destino permitirão ao Ego escolher as oportunidades que se lhe ofereçam. Selecionam, então, em cada caso, uma quantidade de causas maduras que o Ego pode assumir e mostram-lhe, em uma série de quadros, o panorama de cada vida proposta – com tudo o que nelas sucederá – permitindo-lhe escolher. Tais panoramas desenrolam-se no sentido berço-túmulo e só mostram a vida em linhas gerais. Os detalhes dessa vida no plano físico são deixados ao Ego preencher, com uma boa margem de aplicação de seu livre arbítrio.

Vemos, pois, que o Ego tem certa liberdade quanto ao lugar do nascimento. Pode-se dizer, por conseguinte, que, na grande maioria dos casos, estamos onde estamos por nossa própria escolha. Não importa que não o saibamos intelectualmente. O Ego ainda é fraco. Não pode romper livremente o véu da carne e, também, depende em grande parte da personalidade inferior para ajudá-lo a crescer. Porém, quanto mais nos decidirmos intelectualmente a viver para o Eu superior, tanto mais aproximar-nos-emos do dia em que o Ego resplandecerá. Então, saberemos.

Quando o Ego faz sua escolha, a ela fica preso para o ajuste de contas – para o pagamento de dívidas contraídas em vidas anteriores – agora amadurecidas para a liquidação. É isto que forma o destino, ou as condições difíceis e fáceis da vida, impossível de ser modificado. Qualquer tentativa nessa direção será, por certo, frustrada, mas que ninguém jamais cometa o erro de pensar que seu destino o conduzirá à prática do mal. Como já vimos, as leis atuam apenas para o bem. O mal em qualquer vida é a primeira coisa purgada após a morte, permanecendo no ser apenas a tendência para esse tipo de mal, junto com o sentimento de aversão gerado pelo sofrimento experimentado no processo purificador. Quando, na vida seguinte, surge a tentação para cometer-se o mesmo erro, esta sensação de dor do passado a que chamamos consciência adverte-nos a não ceder, despertando ainda em nós a repulsa ao ato. Contudo, se, a despeito dessa advertência, caímos alguma vez, o sofrimento que experimentamos no Purgatório aumenta a intensidade da antiga aversão, até que a consciência desenvolva a necessária firmeza para resistir àquele tipo de erro, a partir do que cessa a tentação.

Vemos, pois, que nenhuma pessoa jamais é destinada a errar, e que pelo menos cada ação má é fruto de sua livre vontade, mesmo cometido contra a resistência da consciência desenvolvida anteriormente e relativa a esse mesmo erro.

Havendo-se, portanto, decidido a respeito do próximo renascimento, o Ego desce primeiro à Região do Pensamento Concreto e começa a atrair para si o material indispensável à formação da nova Mente.

Conforme dissemos, a pessoa se retira de seus diferentes Corpos no curso do seu trajeto post-mortem. Esses Corpos desfazem-se, mas, de cada um deles, inclusive da Mente, fica com o Ego Átomo-semente. Esses Átomos-sementes constituem o núcleo das novas roupagens com que o Espírito aparecerá na próxima vida.

Quando, então, o Ego desce à Região do Pensamento Concreto, as forças latentes no Átomo-semente mental de suas vidas anteriores entram em atividade e começam a atrair material para uma Mente nova, do mesmo modo que o ímã atrai aos seus polos a limalha de ferro. Se passamos um ímã sobre um depósito de limalhas de latão que contenha também as de ouro, ferro, chumbo, prata, madeira, etc., veremos que ele atrai somente as de ferro, e só na quantidade proporcional à sua força de atração. Tal força é limitada a uma certa quantidade de determinada classe de elementos. O mesmo acontece com o Átomo-semente: só consegue atrair, de cada região, o material com que tenha afinidade e na quantidade definidamente exata. Este material toma então a forma de um grande sino, aberto na base e com o Átomo-semente no topo.

Podemos compará-lo a um sino-mergulhador que afunda gradualmente num mar de crescente densidade. Os materiais atraídos de cada Região vão-se entrelaçando dentro do sino e aumentando seu peso de tal maneira que ele afunda cada vez mais até alcançar a base.

É assim que o Ego submerge na Região do Pensamento Concreto e, de passagem, o Átomo-semente recolhe material para a nova Mente.

A descida continua. Vestido em sua roupagem de matéria mental, com aparência de sino, o Ego submerge no Mundo do Desejo. As forças preservadas do Átomo-semente do seu antigo Corpo de Desejos são despertadas e colocadas no topo do sino, no lado de dentro. Daí, começam a atrair o material com a qualidade e na quantidade requerida pelo Ego para voltar com um novo Corpo de Desejos apropriado às suas necessidades particulares. Assim, quando a região mais densa do Mundo do Desejo é alcançada, o sino já possui duas camadas: a de matéria mental por fora e a de matéria de desejos por dentro.

Em seguida, o Espírito desce à Região Etérica, onde colhe matéria para o novo Corpo Vital. De uma parte dessa matéria, os agentes dos Anjos do Destino fazem uma matriz ou modelo para proporcionar ao novo Corpo Denso a forma apropriada, a qual depositam no útero materno quando o Átomo-semente é posto no sêmen do pai. Sem a presença desses dois fatores, nenhuma união sexual produziria resultados. Assim, quando um matrimônio se revela estéril, ainda que o casal seja saudável e anseie por filhos, isto significa simplesmente que nenhum Ego se sente atraído por eles.

Tão logo o Corpo Vital é depositado, o Ego retornante, envolto na roupagem parecida com um sino, fica flutuando constantemente próximo à sua futura mãe, que sozinha trabalha sobre o novo Corpo Denso nos primeiros dezoito ou vinte e um dias após a fertilização. Aí então, ele entra no corpo materno, cobrindo o feto com o molde do sino que se fecha por baixo e o encarcera mais uma vez na casa-prisão do Corpo Denso.

O momento de entrada no útero é um dos mais importantes da vida, pois, quando o Ego se põe em contato pela primeira vez com a já mencionada matriz do Corpo Vital, novamente contempla o Panorama de Vida que tem pela frente e que foi impresso naquela matriz pelos Anjos do Destino, com o objetivo de dar-lhe as necessárias inclinações para liquidar as causas maduras na vida futura.

A esta altura, o Ego já se encontra tão cego pelo véu da matéria que não pode mais reconhecer, de modo tão claro, o bem final visado conforme o podia por ocasião da sua escolha na Região do Pensamento Abstrato. Então, quando uma vida particularmente penosa se revela nessa visão ao Ego retornante no momento de sua entrada no útero, muitas vezes ele se apavora e, assim assustado, procura escapar da nova prisão. Porém, já não pode romper a conexão. Mas pode forçá-la, e o faz de tal maneira que a cabeça do Corpo Vital, que deveria permanecer concêntrica com a do Corpo Denso, fica deslocada, sobressaindo para cima da cabeça densa. Isso produz o idiota congênito.

Mesmo sob as mais favoráveis condições, passar pelo útero representa sempre uma grande e penosa tensão para o Ego. Por isso, tudo deve ser feito pelos pais no sentido de evitar que essa temporária permanência se torne ainda mais difícil para ele. Nunca é demais enfatizar este ponto. A desarmonia entre os futuros pais nos períodos críticos da gestação, especialmente no primeiro, muitas vezes põe tudo a perder.

Antes do acontecimento que denominamos nascimento, o futuro ser humano é encerrado em outro corpo (o materno), impossibilitando, portanto, de contatar com o mundo dos sentidos. Esta reclusão é necessária a fim de que o organismo se desenvolva até o ponto adequado de maturidade para receber por si mesmo essas impressões. Quando tal ponto é alcançado, o abrigo protetor, que é o útero, abre-se, e aí o novo ser humano entra na arena deste mundo.

Como vimos, o ser humano é muito mais que simples Corpo Denso. Por isso, não se deve pensar que, quando ele nasce para o Mundo Físico, todos os seus veículos estão igualmente amadurecidos. Na realidade, ainda não estão. O Corpo Vital cresce e amadurece dentro do seu envoltório etéreo até os sete anos, na troca dos dentes; o Corpo de Desejos requer proteção contra os perigos do Mundo do Desejo até próximo aos quatorze anos, nascendo no período a que chamamos puberdade; e a Mente não está suficientemente amadurecida para libertar-se de seu envoltório protetor até que o ser humano alcance a maioridade, aos vinte e um anos. Esses períodos são apenas aproximados, pois sua duração exata varia de pessoa para pessoa. Os períodos acima mencionados estão, porém, bem próximos da realidade.

A razão do lento desenvolvimento dos veículos superiores reside no fato de que esses veículos são adições relativamente recentes ao patrimônio do Ego, enquanto o Corpo Denso tem uma evolução muito mais longa, sendo, por conseguinte, o instrumento mais perfeito e valioso que possuímos. Quando as pessoas que só recentemente vieram a saber da existência dos veículos superiores pensam e falam constantemente de quão maravilhoso seria voar no Corpo de Desejos, pondo de lado o “baixo” e “vil” corpo físico, demonstram que ainda não aprenderam a apreciar a diferença entre “superior” e “perfeito”. O Corpo Denso é uma maravilha de perfeição, com seu forte esqueleto articulado, seus delicados órgãos de percepção e seu mecanismo nervoso de coordenação motora e cerebral que o torna superior a qualquer outro mecanismo do mundo. Visto em detalhes, tomemos para exemplo o longo osso da coxa, o fêmur, e examinemos suas rotundas extremidades. Partindo-o, podemos ver que somente uma delgada camada externa é feita de osso compacto, e que é reforçado internamente por um espesso entrecruzamento de delgados filetes ósseos, que o torna tão prodigiosamente forte quanto leve. A projeção de uma estrutura tal acha-se ainda tão distante da capacidade do mais competente engenheiro desta geração, quanto o cálculo diferencial encontra-se de uma formiga.

Portanto, mesmo sabendo que algum dia, num porvir distante, nossos veículos superiores alcançarão uma perfeição bem maior que a do nosso Corpo Denso, não devemos esquecer que presentemente eles ainda se acham desorganizados até certo ponto, sendo por isso de pouco valor quando estão separados do organismo físico perfeito. Deveríamos em tudo agradecer aos exaltados Seres por nos terem ajudado a desenvolver este esplêndido instrumento no qual agora funcionamos no mundo como seres humanos autoconscientes para cumprir nosso destino, vida após vida, tornando-nos a cada passo mais e mais semelhantes ao nosso Pai que está no Céu.

Vemos, pois, que o nascimento é um evento quádruplo, e que para cumprirmos por completo nossos deveres como educadores é de todo necessário que conheçamos isso, como também os fatos consequentes.

Não se deve simplesmente arrancar o bebê do útero materno e expô-lo aos impactos do mundo externo. Isto o mataria. Igualmente perigoso é violar as matrizes dos corpos invisíveis, expondo o ser imaturo aos impactos do mundo moral e mental. E, muito embora tal violência não mate o corpo físico, quase sempre obstrui sua capacidade, pois o que é prejudicial a um corpo o é também a todos os outros veículos. Para educar a criança devidamente faz-se, pois, necessário conhecer-se os efeitos da educação sobre os diferentes veículos e os métodos adequados a serem empregados, sem esquecer-se, entretanto, que nem sempre as regras gerais podem ser aplicadas em casos individuais.

Vimos que quando o Ego termina seu dia na escola da vida, a Força centrífuga de Repulsão leva-o a abandonar o Corpo Denso ao morrer e a seguir também o Corpo Vital, que é o mais próximo em densidade. Depois, no Purgatório, a matéria de desejos mais inferior, acumulada pelo Ego como incorporação dos seus desejos inferiores, é purgada pela mesma força centrífuga. Nas regiões superiores, somente a Força de Atração atua, conservando o bem pela sua ação centrípeta a qual atrai tudo da periferia para o centro.

A Força centrípeta de Atração atua também no regresso do Ego ao renascimento. Sabemos que podemos lançar à maior distância uma pedra do que uma pena. Pelas mesmas razões, a matéria mais inferior é lançada para fora após a morte, pela Força de Repulsão, e, pela mesma razão, a matéria mais grosseira, por meio da qual o Ego encarna a tendência para o mal, é precipitada para dentro, para o centro, pela Força centrípeta de Atração, resultando que quando a criança nasce, só o que ela tem de melhor e de mais puro aparece no exterior. O mal latente, de modo geral, não se manifesta até que o Corpo de Desejos nasça próximo aos quatorze anos, e suas correntes comecem a fluir para fora do fígado. É então que o Ego começa a “viver” sua vida individual e mostrar o que está no íntimo.

As estrelas são o Relógio do Destino, e mostram as tendências ocultas em cada ser humano. Os astrólogos podem falhar na previsão de acontecimentos, mas um Astrólogo bom e cuidadoso é capaz de determinar com precisão o caráter de uma pessoa em 99 por cento dos casos. E é desta maneira que os pais podem ter uma visão do lado oculto da natureza da criança. Mas como é relativamente fácil aprender a levantar o Tema Natal, sempre é melhor para os pais fazerem o horóscopo de seus filhos do que recorrerem a um estranho. Conseguirão, deste modo, uma visão mais profunda do seu caráter.

Com o nascimento físico, o Corpo Denso começa a sentir os impactos do mundo externo, os quais atuam sobre ele como atuavam anteriormente as forças do corpo materno. O que lhe fizeram estas durante a vida pré-natal, os impactos dos elementos continuam fazendo por toda a vida física. Até os sete anos, ou na mudança dos dentes, existe uma atividade especial, bem diferente de qualquer outra das fases seguintes. Os órgãos dos sentidos tomam formas definidas que já lhes dão as tendências estruturais básicas e determinam suas linhas de desenvolvimento em uma ou outra direção. Depois, ainda crescem, mas sempre em obediência às linhas previamente estabelecidas nesses sete primeiros anos, de modo que qualquer erro ou negligência no seu uso de modo correto nesse período, mui dificilmente poderá ser corrigido mais tarde. Se os membros e órgãos tomarem, pelo correto uso, a forma apropriada, todo o crescimento posterior será harmonioso; mas se houve uma formação imprópria nesse período, o pequeno corpo crescerá deformando-se em maior ou menor escala. É dever do educador proporcionar à criança um ambiente adequado, conforme faz a Natureza na fase pré-natal, pois só assim tem o sensitivo organismo condições de desenvolver-se na direção certa.

Há duas palavras mágicas que indicam a maneira pela qual a criança entre em contato com as influências formadoras do seu ambiente: exemplo e imitação. Nenhuma criatura debaixo dos céus é mais imitativa do que a criança e, nessa imitação, temos a força que pode dar as tendências e direção ao pequeno organismo. Tudo no ambiente da criança deixa-lhe uma impressão para o bem ou para o mal. Devemos, portanto, nos convencer de que o mais insignificante ato pode causar incalculável mal ou bem à vida de nossos filhos, e que nunca devemos fazer em sua presença algo que não desejemos absolutamente que eles imitem. É inútil ensinar à criança moralidade ou a raciocinar neste período. Exemplo é o único mestre que a criança necessita e segue. Não pode furtar-se à imitação, do mesmo modo que a água não pode evitar de correr encosta abaixo, porque este é o único método de desenvolvimento nesta fase. Instruções morais e sobre raciocínio ficam para mais tarde. Ensiná-las agora equivale a extrair o feto do útero prematuramente. Tudo o que a criança tem que adquirir em termos de pensamento, ideia e imaginação deve vir por si mesmo, do mesmo modo que os olhos e ouvidos desenvolvem-se naturalmente antes do nascimento do Corpo Denso.

Deve-se dar à criança brinquedos com os quais possa exercitar suas faculdades de imitação – algo com vida ou uma boneca articulada que possa ser posta em diferentes posições, permitindo-se que sua dona lhe troque as roupinhas sem nenhum auxílio. Assim, ela exercita sua força formadora de maneira correta. Ao menino, deem-se ferramentas, modelos e massas. Nunca se deve dar às crianças brinquedos terminados, de modo que elas nada mais tenham a fazer senão olhá-los. Isso tira do cérebro a oportunidade de desenvolvimento. O cuidado e objetivo do educador neste período deve ser o de proporcionar meios para um desenvolvimento harmonioso dos órgãos físicos.

No que tange aos alimentos, grande cuidado precisa ser tomado nesta fase, pois um apetite normal ou anormal nos anos seguintes dependerá de como a criança foi alimentada no primeiro período setenário. Aqui também o exemplo é o melhor mestre. Pratos excessivamente condimentados prejudicam o organismo. Quanto mais simples e fácil de mastigar, mais o alimento conduz ao apetite saudável, que norteará o ser humano quanto à nutrição durante sua vida e proporcionar-lhe-á um corpo sadio e uma Mente pura que o glutão desconhece. Não façamos um prato para nós e outro diferente para o nosso filho. Podemos assim evitar que ele coma certos alimentos em casa, mas despertamos nele certo desejo secreto pelo alimento “proibido”, e cuja satisfação buscará quando se tenha tornado adulto suficiente para ter vontade própria. Aí, sua capacidade de imitação se manifestará espontaneamente.

Quanto às roupas, certifiquemo-nos de que sejam sempre folgadas, e possam ser substituídas antes de se tornarem pequenas a fim de não irritar. Muito da natureza imoral que põe uma vida a perder tem sido despertado, primeiramente, pelas fricções causadas pelo uso de peças muito justas, particularmente em se tratando de meninos. A imoralidade é um dos piores e mais persistentes flagelos de nossa civilização. Lembrando disso, procuremos, por todos os meios, manter nossas crianças inconscientes de seus próprios órgãos sexuais antes dos sete anos. O castigo corporal é também um fator preponderante no despertar da sexualidade, nunca sendo demais condená-lo.

Com relação à educação do caráter, sabemos que a tal respeito as cores assumem a maior significação, se bem que o assunto envolve não somente o conhecimento do efeito das cores como, particularmente, das cores complementares, posto que são estas que atuam no organismo da criança. Se temos de lidar com o temperamento ardente de uma natureza impetuosa, façamos o vermelho predominar no ambiente, e assim conseguiremos abrandá-lo. Aposentos, móveis e roupas na cor vermelha produzir-lhe-ão o refrescante efeito da cor verde, lhe acalmando os nervos. O melancólico e de natureza letárgica terá melhor disposição se o rodearmos de azul ou azul-verde, que geram nos seus órgãos infantis o calor do vermelho e do laranja.

As cantigas de ninar são de maior importância nesse período. Não importa o sentido que tenham. De suma importância é seu ritmo, pois este constrói os órgãos mais harmoniosamente que qualquer outro fator. Portanto, isto e a manutenção de uma atmosfera alegre constituem os dois mais excelentes métodos educacionais, e continuam válidos e eficientes mesmo na falta de outros.

Por volta dos sete anos, o Corpo Vital da criança atingiu uma perfeição suficiente que lhe permite receber os impactos do mundo externo. Difundirá sua capa protetora de éter e, começa sua vida livre. É aí que se deve iniciar o trabalho do educador sobre esse Corpo Vital, auxiliando-o na formação da memória, consciência, bons hábitos e temperamento harmonioso. autoridade e discipulado passam a ser as palavras chaves desta época, em que a criança vai aprender o significado das coisas. Na primeira época, ela aprende o que são as coisas, não se importando com o seu significado, a não ser aquilo que entende a seu modo. Na segunda, porém, dos sete aos quatorze anos, é essencial que aprenda o que essas coisas significam, contudo sempre sob a supervisão de seus pais e mestres, mais memorizando suas explicações ou definições do que raciocinando sobre elas, posto que a razão pertence a um período de desenvolvimento posterior. E ainda que possa fazê-lo a seu modo, com proveito, não deixa de ser prejudicial neste período forçá-la a pensar.

Para que a criança em desenvolvimento possa melhor colher os benefícios decorrentes da instrução de seus pais e professores, é necessário, evidentemente, que sinta a maior veneração por eles e que admire sua sabedoria. Cabe a nós, por conseguinte, comportarmo-nos convenientemente, pois, se ela observa em nós frivolidade, ouve conversas levianas e presencia algum comportamento duvidoso, privamo-la por isso mesmo da maior força em sua vida: abalamos-lhe a fé e confiança nos outros. É nesta idade que se forjam os cínicos e céticos. Somos responsáveis perante Deus pelas vidas a nós confiadas, e temos de responder ante a Lei de Consequência pelo nosso descaso, ou por havermos negligenciado a grande oportunidade de guiar, em seus primeiros passos, um companheirinho de jornada no caminho certo. E exemplo é sempre melhor que preceito.

De pouca utilidade são os conselhos. Mostremos à criança exemplos vivos dos efeitos da virtude e do vício. Representemos ante sua fantasia juvenil as imagens do ébrio e do ladrão, e outra como a do santo. Isto afetará seu Corpo Vital a um ponto em que passará a ter aversão aos primeiros e um decidido propósito de imitar o segundo.

Neste período, a criança precisa ser ensinada sobre a origem do seu ser, a fim de que possa estar preparada para os vendavais de paixões que fazem a adolescência tão perigosa. Esta informação também pode ser dada através de figurações mentais e exemplos da natureza, mas de tal modo que ela fique totalmente impressionada da santidade da função. É inelutável dever daqueles que educam esclarecer devidamente a criança. Neste ponto, equivale a deixá-la cruzar de olhos vendados uma área cheia de armadilhas com a recomendação: Não caia. Ao menos, se retirem dele a venda e, mesmo assim, ela estará bastante coibida.

O instrutor que tome uma flor, que é o órgão gerador da planta, para ensinar o objetivo do ato criador, é capaz de fazê-lo compreensível no animal e no ser humano. Mas evitemos o erro de confundir a criança com muitos nomes tais como “estames”, “anteras” ou “flores pistiladas”, “flores estaminadas”. Isso frustraria o nosso objetivo, além de cansar as crianças no estudo.

Como as crianças se encantam com os contos de fadas, o instrutor engenhoso pode tornar uma história de flores mais fascinante que qualquer desses conhecidos contos, podendo ainda acrescentar um halo de beleza e santidade no ato gerador que envolverá a criança por toda a vida e a protegerá contra as tentações e provas quando se acenderem as chamas das paixões.

Sabemos que estame e pólen são masculinos, e que pistilo e óvulo são femininos. Também sabemos que algumas flores têm somente um gênero, como há outras que têm tanto o estame como o pistilo. Sabemos também que as abelhas têm cestas de pólen em suas patas, e nelas carregam pólen para os pistilos de outras flores. Nestas, o pólen trabalha sobre o óvulo, que então é fertilizado e capaz de crescimento em nova planta florida.

Com estes dados e algumas flores, juntemos as crianças e tentemos mostrar-lhes como as flores assemelham-se às famílias. Em algumas (as estaminadas), só há meninos; em outras (as pistiladas), só há meninas; e em outras, meninos e meninas. As flores-menino (pólen) são aventureiras como os meninos: cavalgam os corcéis alados (abelhas) mundo afora, à semelhança dos cavaleiros de antanho, em busca de princesa aprisionada em seu castelo mágico (o óvulo no pistilo); conta-se como o minúsculo cavaleiro flor-rapaz audaciosamente salta de seu corcel (a abelha) e avança em direção ao aposento secreto onde se acha a princesa (o óvulo); então, se casam e têm muitas pequenas flores – meninos e meninas.

Este conto pode variar e ser enriquecido à vontade à fantasia dos educadores, como ainda pode ser suplementado por histórias em que figurem só animais e pássaros. Isso despertará na criança a compreensão da origem de seu próprio corpo, o que emprestará à história de amor do papai e da mamãe todo o romantismo das flores-meninos e flores-meninas, e evita o mais leve pensamento de ódio ligado com nascimento na Mente da criança.

O Corpo de Desejos nasce aproximadamente aos quatorze anos, na puberdade. É tempo em que os sentimentos e paixões começam a exercer poder sobre o adolescente, posto que a matriz da matéria de desejos que até então protegia o Corpo de Desejos é removida. Na maioria das vezes, este é um período de provas para o jovem que aprendeu a reverenciar seus pais e mestres, pois estes podem então ser para ele uma espécie de âncora contra o influxo de sentimentos. Se habituar-se a confiar na palavra dos mais velhos e estes sempre lhe falarem sabiamente, o moço, no mínimo, terá desenvolvido um inerente senso da verdade que o guiará seguramente. Se, porém, houver uma falha, ele poderá desnortear-se.

É o tempo em que deve ser ensinado a investigar as coisas por conta própria para que aprenda a formar opiniões individuais. Procuremos imprimir-lhes a necessidade de pesquisar cuidadosamente antes de julgar e, também, quanto mais fluídicas ele puder conservar suas opiniões, mais capacitado estará também para examinar novos fatos e adquirir novos conhecimentos. Deste modo, alcançará sua maioridade aos vinte e um anos, quando a Mente se libertar também, e será capaz de ocupar o seu lugar no mundo como um cidadão íntegro e probo, graças àqueles que dele cuidaram amorosamente em seus anos de desenvolvimento: um homem ou uma mulher bem-educados.

[8] N.T.: As torturas de Tântalo (ou o “suplício de Tântalo”) referem-se a uma punição eterna da mitologia grega onde alguém deseja intensamente algo que está ao seu alcance, mas que se torna eternamente inacessível.

[9] N.T.: CONFERÊNCIA VI – VIDA E ATIVIDADE NO CÉU

Vimos, no Conferência anterior, como nossas más ações e hábitos indesejáveis são tratados pela impessoal Lei de Consequência que favorece o bem nas vidas futuras. Para ilustrar a atuação desta Lei, servimo-nos de casos tais como o do assassino, do suicida, do alcoólatra e do avaro. Porém, esses casos são extremos, pois há muitos que viveram uma existência terrena de boa moralidade, comprometida mais por pecadilhos e pequena dose de egoísmo que é o pecado mais comum da atualidade, do que pela real e decidida maldade, e para os quais o estágio nas regiões purgatoriais do Mundo do Desejo é naturalmente reduzido e o sofrimento menos penoso. Deste modo, e no devido tempo, todos passam às regiões superiores do Mundo do Desejo, onde situa-se o Primeiro Céu, a “Terra de Veraneio” dos Espiritualistas.

Da matéria dessa Região, os pensamentos e fantasias das pessoas construíram durante a vida as formas reais que veem na sua imaginação. Uma característica dos mundos internos é que sua matéria é facilmente moldável pelo pensamento e pela vontade, sendo que todas essas fantásticas formas assim criadas se movimentam animadas por elementais e duram tanto quanto o pensamento ou o desejo que as gerou. Na época de Natal, por exemplo, Papai Noel vive realmente e guia seu trenó. E aí é visto em todas as variedades, robusto e saudável, por um mês ou mais, até que os desejos das crianças que o criaram cessem de fluir nessa direção. Então, ele esmaece e dissolve-se, até ser recriado no ano seguinte. A Nova Jerusalém – com suas ruas de pérolas e mar de cristal – e todas as demais ideias piedosas e morais das pessoas religiosas também se encontram ali. O Purgatório tem seu demônio em pensamento-forma, dotado de chifres e cascos fendidos, criado pelo pensamento humano. Mas, nas Regiões superiores do Mundo do Desejo, somente encontramos o que de bom e desejável existe nas aspirações humanas. Aqui, o estudante tem à sua disposição toda sorte de bibliotecas, e pode dedicar-se aos seus estudos de modo muito mais eficaz do que quando se achava no Corpo Denso. Se deseja um livro de imediato, logo o tem à mão. O artista, mediante sua imaginação, cria seus modelos perfeitamente e os pinta em cores luminosas e vivas, ao invés de fazê-lo nas cores inexpressivas e mortas da Terra, coisa que sempre o desespera, porque, na vida terrena, lhe é impossível reproduzir os tons que capta com sua visão interna, pois consegue a realização dos anelos do seu coração no Primeiro Céu, onde recebe inspiração e forças para continuar seu trabalho nas vidas futuras.

De maneira idêntica, o escultor encontra satisfação e elevação nesse estágio de vida post-mortem. Com a maior facilidade, ele trabalha sobre a plástica matéria desse mundo, modelando as imagens com que mais sonhou na vida terrena. O músico também é beneficiado, embora não se ache ainda no verdadeiro mundo do som. Este oceano de harmonia – onde a celestial “música das esferas” é ouvida – situa-se na Região do Pensamento Concreto, conhecida como Segundo Céu entre os Cristãos-esotéricos. Aí, o músico ouve apenas ecos das melodias celestiais, ainda assim muito mais sublimes que quaisquer jamais ouvidas na Terra. E sua alma deleita-se nessa primorosa harmonia, prenúncio de melhores coisas que virão.

Aqui, encontram-se também todas as criancinhas que passam direto a este plano após morrerem. Se seus familiares pudessem vê-las, então, por certo, não mais lamentariam sua partida, pois veriam que ali elas desfrutam de uma vida verdadeiramente invejável. Sempre são atraídas por parentes ou amigos que morreram antes e que delas passam a cuidar. Lá também, estão aqueles que acumulam tesouros celestiais empregando o melhor do seu tempo em inventar recreações e criar brinquedos para esses pequeninos. E, assim, a vida no Primeiro Céu transcorre de modo maravilhoso para as crianças, sem que sua educação seja negligenciada. São conduzidas em classes – não somente por idade e capacidade, mas também de acordo com o temperamento – todas são particularmente instruídas sobre os efeitos dos desejos e emoções, o que se consegue com toda facilidade num mundo onde tais condições podem ser demonstradas objetivamente. Deste modo, ensinam-lhe através de lições objetivas o benefício de cultivar o bem e os desejos altruísticos. Muitas almas que agora vivem aqui uma invejável vida moral devem isso a terem morrido na infância e vivido de quinze a vinte anos no Primeiro Céu antes de renascerem outra vez.

Muito se pergunta por que as crianças morrem. Existem muitas razões, entre as quais estão a morte sob a aflitiva tensão de um pavoroso acidente, morte pelo fogo e morte em campo de batalha. Em tais circunstâncias, o Ego não pode concentrar-se devidamente no panorama de sua vida passada. É também o caso em que a perturbação das lamentações dos familiares muito prejudica o recente falecido. O resultado é uma impressão fraca das experiências terrenas no Corpo de Desejos e, consequentemente, uma insípida existência no Purgatório e no Primeiro Céu. Em tais casos, o Ego não colhe o que semeou, e assim poderia cometer os mesmos pecados ou tolices vida após vida. Para evitar essa contingência, o novo Corpo de Desejos, atraído pelo Ego antes de renascer, deve ser impresso com as necessárias lições. A caminho do renascimento, o Ego fica sempre inconsciente, cego pela matéria que ele atrai ao seu redor, assim como nada podemos enxergar quando entramos numa casa escura num dia de Sol. Somente após o nascimento, a consciência retorna em certa medida. Então, quando, pela morte, ele passa ao Primeiro Céu, são-lhe ensinadas, objetivamente e de modo diferente, as lições que deveria ter aprendido em sua retirada da vida anterior. Quando tais lições tenham sido ensinadas e impressas sobre o futuro Corpo de Desejos, aí pode o Ego renascer sobre a Terra para uma vida ordinária que seguirá seu curso normal.

As crianças que morrem antes dos sete anos de idade não são responsáveis perante a Lei de Consequência, uma vez que só chegaram a possuir corpos denso e vital. E até mesmo aos doze ou quatorze anos – enquanto o Corpo de Desejos acha-se em fase de gestação, conforme será esclarecido na próxima Conferência. E, como o que não nasceu não pode morrer, somente os corpos denso e vital desfazem-se quando a criança morre, retendo seus corpos de desejo e corpo mental para o renascimento seguinte. Deixa, portanto, de palmilhar todo o caminho que o Ego geralmente percorre num ciclo de vida, indo somente para o Primeiro Céu a fim de aprender as lições de que precisa. Após um intervalo, variável entre um e vinte um anos, renasce como criança quase sempre na mesma família.

É um erro pensar-se que o céu é um lugar de perfeita felicidade para todos. Ninguém pode colher mais felicidade além daquela que semeou na Terra. A medida da nossa felicidade serão as boas ações que praticamos na vida terrena. O panorama da vida, impresso em nossos corpos de desejos logo após a morte, constitui a base de nossa felicidade no Céu, da mesma forma que o foi para o nosso sofrimento no Purgatório.

Recordemos que, no Purgatório, enquanto desenrola-se o panorama da vida passada, só as cenas em que ofendemos alguém nos causam sofrimentos. No Primeiro Céu, apenas os bons sentimentos e atos altruístas causam-nos sensações. Quando contemplamos uma cena em que ajudamos alguém, lhe suavizando as dores ou lhe amenizando os sofrimentos, não apenas sentimos a mais intensa satisfação pessoal, como também tudo aquilo que o favorecido sentiu em termos de alívio corporal e mental, mais a gratidão deste naquele momento. Não importa que ele tenha ou não conhecido aquele que o ajudou. O sentimento que ele emitiu a nós quando o ajudamos estará presente independente de outras circunstâncias. Por outro lado, se somos gratos aos nossos benfeitores, sentiremos o mesmo sentimento de alívio de angústia e gratidão por aquele que nos beneficiou. Como todos esses sentimentos e desejos são incorporados ao Ego pelas forças espirituais alquímicas geradas pela manifestação deles ali, transmutando-se tudo em faculdades a serem utilizadas em futuros renascimentos, percebe-se facilmente quão importante é para o nosso próprio crescimento anímico que sempre sintamos e expressemos gratidão aos favores recebidos. Assim procedendo, lançaremos as bases para a recepção de novos favores, tanto nesta quanto nas futuras vidas.

Diz-se que o Senhor ama ao que dá com alegria. Igualmente certo é que a “Lei” (de Consequência) ama um coração reconhecido.

Quando consideramos “dádivas”, devemos acautelar-nos contra a ideia falaciosa de que somente pode dar quem possui dinheiro. Donativos em dinheiro feitos de modo indiscriminado representam uma desgraça tanto para o doador quanto para o receptor. Somente quando o primeiro acrescenta à dádiva seu pensamento e seu coração, pode o ouro ter algum valor. Mas o que é o ouro dado indiferentemente comparado à solidariedade? Expressão de fé em um ser humano pode incutir-lhe coragem para avançar e vencer. Estimulando sua ambição, ajudamo-lo a ajudar-se a si mesmo, ao passo que a ajuda financeira o submete à dependência de nossa generosidade. Quando dermos, demo-nos a nós mesmos primeiramente.

A ética de dar, com o efeito de lição espiritual sobre o doador, é admiravelmente demonstrada em A Visão de Sir Launfal, de Lowell. O jovem e ambicioso cavalheiro Sir Launfal, envergando brilhante armadura e montando magnífico corcel, parte de seu castelo em demanda do Santo Graal. Em seu escudo brilha a cruz, símbolo da benevolência e ternura do nosso humilde e meigo Salvador. Mas o coração do cavalheiro está repleto de orgulho e altivo desdém para o pobre necessitado. Ele encontra um leproso pedindo esmola. Com expressão de repulsa, atira-lhe uma moeda num gesto de desprezo, assim como alguém que joga um osso a um cão faminto. Contudo –

O leproso não ergueu o ouro do pó, e disse:

“Melhor para mim é a côdea de pão que o pobre me dá,

e melhor sua mão que me abençoará,

ainda que de mãos vazias de sua porta me deva afastar.

As esmolas que só com as mãos são ofertadas,

não são verdadeiras.

Inúteis são o ouro e as riquezas dadas

apenas como um dever a cumprir.

A mão, porém, não consegue a esmola abarcar,

quando vem daquele que reparte o pouco que tem,

que dá o que não é possível visualizar,

– esse fio de beleza que tudo sabe unir,

que tudo sustenta, penetra, mantém.

O coração ansioso estende a mão

quando Deus acompanha a doação,

alimentando a alma faminta,

que sucumbia só, na escuridão.

Ao regressar, Sir Launfal encontra seu castelo ocupado por outro, sendo impedido de nele entrar.

Já velho, claudicante e alquebrado,

da busca do Santo Graal, ele voltou

pouco lhe importando o que para trás deixou.

Não mais luzia a cruz sobre seu manto

mas fundo em sua alma a marca ficou:

a divisa do pobre e seu triste pranto.

De novo encontra o leproso que, outra vez, lhe pede uma esmola. Mas o cavalheiro agora responde de outro modo:

E Sir Launfal lhe disse:

“Vejo em ti

a imagem daquele que na cruz morreu.

Tu tens a coroa de espinhos de quem padeceu,

muitos escárnios tens também sofrido

e o desprezo do mundo hás sentido.

As feridas em tua vida não faltaram

nos pés, nas mãos, no corpo, elas te machucaram.

Filho da clemente Maria, reconhece quem eu sou

e vê que, através do pobre, é a Ti que eu dou!”

Um olhar aos olhos do leproso traz-lhe recordações e reconhecimento, e

Seu coração era só cinza e pó.

Ele partiu em duas, sua única côdea de pão,

ele quebrou o gelo da beira do córrego

e ao leproso deu de comer e beber pela mão.

Uma transformação teve lugar:

Não mais o leproso ao seu lado se curvava

mas, à frente dele, glorioso se levantava.

………………………………………………………………

E a voz ainda mais doce que o silêncio:

“Vê, Sou Eu, não temas!

Na busca do Santo Graal, em muitos lugares

gastaste tua vida, sem nada lucrares.

Olha! Ei-lo aqui: o cálice que acabaste de encher

com a límpida água do regato que Me deste de beber.

Esta côdea de pão é Meu corpo

que foi para ti partido.

Esta água é Meu sangue

que na cruz para ti foi vertido.

A Santa Ceia é mantida, na verdade,

por tudo que ajudamos o outro em sua necessidade.

Pois a dádiva só tem valor

quando com ela vem o doador;

e a três pessoas ela alimenta assim:

ao faminto, a si própria e a Mim.

Há duas classes para quem a existência post-mortem é particularmente vazia e monótona: o materialista e aquele que de tal modo deixou-se absorver pelos negócios mundanos que nunca pôde pensar nos mundos espirituais. Não é difícil descobrir-se a razão: eles viveram uma vida de boa moralidade, jamais cedendo aos vícios dos quais purificar-se-iam nas regiões purgatoriais, o Mundo do Desejo inferior, mas tampouco praticaram aquelas boas ações que resultam em sensações de felicidade no Primeiro Céu. O haver dado grandes somas em dinheiro para a construção de igrejas, bibliotecas ou parques de nada lhe servirá ali, a menos que o doador se tenha interessado particularmente em suas dádivas, dando-se deste modo a si mesmo com seu dinheiro. Dar dinheiro simplesmente atrairá mais dinheiro na próxima existência. Dar a si mesmo é mais do que dinheiro: produz crescimento anímico. O materialista ser humano de negócio, portanto, vai para a quarta região, que é uma espécie de fronteira entre o Purgatório e o Primeiro Céu. Ele é bom demais para sofrer no Purgatório, mas não o suficiente para desfrutar o Primeiro Céu. Mesmo ali, anseia ardentemente prosseguir em seus negócios, mas sem nenhum outro interesse além daqueles que ali não podem ser gratificados, sua vida é de uma monotonia nada invejável, ainda que nada mais sofra.

O materialista convicto que negou a Deus e pensou que a morte é uma aniquilação fica em pior situação. Pode ver seu erro, mas, estando ainda divorciado de ideias espirituais, muitas vezes não pode crer que aquilo seja o prólogo do aniquilamento. Pavorosa expectativa pesa terrivelmente sobre essas pessoas, de sorte que é comum vê-las perambular murmurando: Quando acabará isto? E, pior que tudo, se alguém tenta esclarecê-las, continuarão negando a existência do espírito tão veementemente quanto o faziam na vida terrena, chamando esse alguém de visionário por acreditar na existência do Além.

A natural tendência do Corpo de Desejos é endurecer e consolidar tudo o que com ele se põe em contato. Pensamentos materialistas acentuam esta tendência a tal ponto que, muitas vezes, produzem em vidas subsequentes a terrível enfermidade conhecida como tuberculose que não é mais que o endurecimento dos pulmões. Estes deviam permanecer moles e elásticos. E ainda acontece frequentemente que o Corpo de Desejos pressiona demasiado o Corpo Vital nessas seguintes existências e, a tal ponto, que se torna impossível para o último resistir ao processo de endurecimento. Temos então a tuberculose aguda. Em alguns casos, o materialismo debilita, por assim dizer, o Corpo de Desejos, impedindo-o de realizar por completo o seu trabalho de endurecimento do Corpo Denso. O resultado então é o “raquitismo” que se caracteriza pela fragilidade dos ossos. Vemos, pois, quanto perigo envolve o alimentar-se tendências materialistas: ou endurecem as partes tenras do corpo, como na tuberculose, ou debilitam a dura parte óssea, como no raquitismo. Naturalmente, nem todos os casos de tuberculose significam que o doente era materialista na vida anterior, mas a ciência oculta afirma ser esse o resultado que, de modo geral, segue-se ao materialismo. Na Idade Média, foi gerada outra causa para essa horrenda enfermidade.

Após algum tempo, todo ser humano se prepara para ascender ao Segundo Céu, situado na Região do Pensamento Concreto. Todas as boas aspirações e desejos da vida passada são gravados na Mente, que contém todos os valores perenes. O Ego abandona então o Corpo de Desejos que é então um invólucro vazio e envolvido apenas pela Mente, e passa ao Segundo Céu.

Convém recordar que, ao término do panorama post-mortem, o Ego se retira do Corpo Vital e atravessa um período de inconsciência antes de despertar no Mundo do Desejo. Há também um intervalo entre o abandono do Corpo de Desejos no Primeiro Céu e o despertar no Segundo Céu. Mas agora não há consciência. Todas as faculdades encontram-se alertas, num estado de hiperconsciência, durante este intervalo que é chamado “O Grande Silêncio”. Não importa quão materialista tenha sido um ser humano sobre a Terra, esse estado mental agora se desvanece. E o ser humano sabe que ele é inerentemente divino ao alcançar esse Grande Silêncio, o portal de sua morada celeste. É como quando alguém desperta de um pesadelo e, com um profundo suspiro de alívio, dá-se conta de que o que aconteceu foi sonho, não foi realidade. Assim acontece com o Ego ao penetrar no Grande Silêncio. Desperta das ilusões e desilusões da vida terrena com uma sensação de infinito alívio e imensa segurança, e é invadido pela serena e repousante sensação de estar novamente nos eternos braços do Grande Espírito Universal.

Então, chegam-lhe aos ouvidos as indescritíveis harmonias da música celestial que incessantemente inunda essa região. Não é produto de imaginação ou fantasia o falar-se de música celestial, ainda que seja inverídico de que pessoas mortas, que pouca ou nenhuma habilidade musical adquiriram na vida física, subitamente possam despertar o gosto pela música e até a capacidade de expressá-la depois da morte. A verdade é que o Mundo do Pensamento – onde se situa o Segundo Céu – é também o reino do som, assim como o Mundo do Desejo é o mundo da luz e da cor, e o Mundo Físico, o reino da forma. O artista extrai suas nuances de cor e efeitos de luz do Mundo do Desejo, porém, o músico obtém sua inspiração no Mundo do Pensamento, bem mais sutil, e nisso reside o motivo de ser a música a mais elevada de todas as artes. O pintor extrai sua inspiração de um mundo muito mais próximo, e ao seu alcance, portanto pode fixar permanentemente suas criações em telas para serem vistas em qualquer tempo por todo aquele que tenha olhos. A música não pode ser assim fixada; é mais fugaz e precisa ser recriada a cada vez para, em seguida, desvanecer-se no silêncio. Mas, em troca, tem muito maior poder para falar-nos do que a mais inspirada tela, pois ela vem diretamente do mundo celeste, fresca e fragrante, como ecos do lar do Ego, despertando recordações e pondo-nos outra vez em contato com aquilo que frequentemente esquecemos em nossa existência material. Portanto, só a música, de todas as demais artes humanas, tem tal poder de pacificar e de nos afetar que nenhuma outra consegue.

Goethe era um Iniciado. Em seu “Fausto”, enfatiza ele por duas vezes o fato de que, nos reinos celestiais, todas as coisas se reduzem a termos de som. A primeira cena passa-se no Céu, com o Arcanjo Rafael dizendo:

“O Sol entoa sua velha canção

entre os cânticos rivais das esferas-irmãs.

Seu caminho predestinado vai trilhar,

através dos anos, em retumbante marchar.”

Novamente, na segunda parte:

“O som que penetra no ouvido do espírito

proclama a aproximação de um novo dia.

Portas de ferro gemendo, rangendo,

rodas de Febo girando e cantando,

que som intenso está a luz trazendo!”

A “música das esferas”, de que fala Pitágoras, é uma realidade no Segundo Céu. Para alguns músicos, esta ideia não é, de modo algum, absurda, pois sabem que cada cidade, lago e floresta tem seu tom próprio e peculiar. O murmúrio do regato e a brisa estival que agita as frondes do bosque falam a linguagem da alma Universal. O verdadeiro músico ouve sua grande e majestosa voz na torrente da montanha e na tempestade que se abate sobre o abismo. Nenhuma simples concepção intelectual de Deus, da vida ou das coisas suprafísicas pode jamais alcançar as sublimes alturas que tal músico atinge, pois ele sabe.

No Purgatório, os maus hábitos e atos da vida produzem sofrimento que é transmutado em Reto Sentimento no Primeiro Céu. O bem da vida passada é extraído no Primeiro Céu e, quando o Ego entra no Segundo Céu, assimila esse bem de modo a transmutá-lo em Reto Pensamento, que atuará como um guia nas futuras vidas terrenas. Assim, a cada novo nascimento, o Ego traz consigo – como capital – um acúmulo de sabedoria extraído das experiências de todas as vidas passadas, que é sua reserva ou capital realizável. As experiências em cada nova vida são juros que, no Segundo Céu, acrescentam-se ao capital.

O ser humano ali prepara-se também para o seu próximo mergulho na matéria, qualificando-se para a nova batalha contra a ignorância na próxima vida na grande escola de Deus. Se falhou em realizar uma ambição superior, vê onde se encontra a falha e aprende a superá-la para, na próxima vez, alcançar seu objetivo de modo mais seguro. O músico traz consigo as mais belas melodias quando regressa para alegrar o coração do ser humano em seu exílio de condições terrenas. O pintor traz novas inspirações, pois não se deve supor que no Segundo Céu não haja cor só pelo fato de ser chamado de região do som. Cor e forma, ambas existem ali como no Mundo Físico, mas o som é a característica predominante do Mundo do Pensamento. A cor é mais acentuada no Mundo do Desejo, enquanto a forma o é mais no Mundo Físico. Contudo, é certo também que as cores e formas do Segundo Céu são muito mais belas que as dos outros dois mundos.

Dissemos desse processo de assimilação da parte boa e duradoura, extraída das experiências de vidas passadas, como se fosse um processo negativo. Por isso, muitos estudantes podem pensar que a vida no Segundo Céu é uma ilusória experiência de sonhos. Nada mais errôneo, pois são múltiplas e reais as atividades da vida no Céu. O ser humano não apenas revisa ou vive seu passado como também prepara ativamente seu futuro.

Falamos muito de evolução, mas já analisamos alguma vez o que a produz? E por que não cessa ou entra em estagnação? Se analisássemos o assunto, dar-nos-íamos conta de que por trás do visível existem forças que produzem alterações na flora e na fauna e que as mudanças climáticas e topográficas prosseguem continuamente. Daí surgir muito naturalmente a pergunta: Que ou quem são as forças ou agentes da evolução?

Naturalmente, sabemos que os cientistas dão certas explicações mecânicas. E merecem grande crédito; eles conseguiram muito, se levarmos em consideração que a ciência se acha ainda em sua infância, e que os mesmos dispõem apenas de cinco sentidos e de engenhosos instrumentos ao seu dispor. Suas deduções são maravilhosamente corretas, mas isto não significa que não possa haver causas subjacentes, impossíveis por enquanto de serem por eles detectadas, mas que proporcionam uma compreensão mais perfeita do assunto do que meramente suas mecânicas explicações. Um exemplo esclarecerá este ponto.

Dois homens estão conversando quando, subitamente, um deles abate o outro com um soco. Temos aí uma ocorrência, um fato, que podemos explicar mecanicamente assim: “Vi um homem contrair os músculos de seu braço e derrubar outro com um violento murro”. Esta versão é correta, de modo geral, mas o cientista oculto vê também o pensamento de raiva que inspirou o murro. Portanto, numa versão mais completa, teríamos de dizer que o homem foi derrubado por um pensamento, uma vez que o punho cerrado não foi mais que o irresponsável instrumento da agressão. Faltando a força impulsora do pensamento de raiva, a mão teria ficado inerte e o murro jamais teria sido dado.

Deste modo, o cientista oculto atribui todas as causas à Região do Pensamento Concreto e diz-nos como ali são elas geradas pelos Espíritos humanos e sobre-humanos.

Recordando que os arquétipos criadores de todas as coisas que vemos no mundo visível acham-se no Mundo do Pensamento, que é o reino do som, estamos preparados para compreender que as forças arquetípicas estão constantemente agindo através desses arquétipos, que então emitem um certo tom, ou quando certo número deles agrupa-se para criar uma espécie de forma vegetal, animal ou humana, os diferentes sons fundem-se em um grande coro. Esse tom singular ou coro, conforme o caso, é, pois, a nota-chave da forma assim criada, de maneira que, enquanto soem, a forma ou as espécies perdurarão e, cessando, também cessará a simples forma ou as espécies.

Uma confusão de sons não é música, do mesmo modo que umas tantas palavras juntadas ao acaso não formam uma frase. Mas o som rítmico ordenado é o construtor de tudo o que existe conforme diz São João nos primeiros versículos de seu evangelho: “No princípio era o Verbo, … e sem Ele nada se fez”. Diz também que “o Verbo se fez carne”.

Vemos assim que o som é o criador e o mantenedor de todas as formas, sendo que, no Segundo Céu, o Ego torna-se UM com as forças da Natureza. Com elas, trabalha então sobre os arquétipos da terra e do mar, da flora e da fauna, provocando mudanças que gradualmente alteram a aparência e as condições da Terra, deste modo proporcionando um novo ambiente feito por ele próprio – para colher novas experiências.

Nesse trabalho, o Ego é dirigido por grandes instrutores pertencentes às Hierarquias Criadoras – chamadas Anjos, Arcanjos e outros nomes – constituídos como ministros de Deus para ensinar-lhe, de modo consciente, a divina arte de criar tanto o mundo quanto suas coisas. Ensinam-lhe como construir uma forma para si mesmo, dando-lhe para auxiliares os chamados “Espíritos da Natureza”. Desta maneira, todas as vezes que vai ao Segundo Céu, o ser humano aprende para ser um criador. Ali, ele constrói o arquétipo da forma que posteriormente, ao renascer, exteriorizará.

Na Conferência III, falamos dos quatro éteres, bem como das forças de assimilação que atuam no éter químico. Tais forças são os próprios Egos no mundo celeste, de modo que as pessoas a quem chamamos mortos são as mesmas que constroem nossos corpos e nos ajudam a viver. Convém notar também que ninguém pode ter um corpo melhor que aquele que é capaz de construir. Se comete erros no Céu, percebê-los-á depois quando tiver de usar tal corpo defeituoso na Terra, aprendendo, portanto, a corrigir a falha da próxima vez.

Isto recorda-nos um interessante aspecto da Lei de Consequência: o caso dos Egos que precisam de um corpo peculiar, como os músicos, nos quais não somente as mãos, mas também os ouvidos, precisam estar especialmente ajustados para que os três canais semicirculares apontem com precisão para as três dimensões do espaço, e que as fibras de Corti tenham extraordinária sensibilidade. Tal instrumento não pode ser formado de materiais grosseiros; eis por que tal Ego deve nascer em uma família onde outros Egos tenham trabalhado obedecendo a idênticas linhas, o que nem sempre acontece.

Supondo-se, então, que tal ocasião surja 100 anos antes do tempo em que esse Ego normalmente deva renascer, e que os Anjos do Destino – encarregados da Lei de Consequência – percebam que outra oportunidade não ocorrerá antes de 300 anos, esse Ego pode então ser levado ao renascimento 100 anos antes do tempo devido, compensando-se esta perda no céu em outra oportunidade. Vemos, pois, que os vivos e os chamados mortos agem e reagem constantemente uns sobre os outros em sua jornada ao longo do caminho evolutivo.

Havendo, deste modo, progredido através do Segundo Céu, o Ego finalmente descarta-se da Mente que fora até ali a sua roupagem. E assim, inteiramente livre e desembaraçado, entra no Terceiro Céu, que é o ponto mais elevado já atingido pelo ser humano em seu presente estágio de desenvolvimento. Segui-lo-emos até lá na próxima Conferência.

[10] N.T.: Jo 1:1-3

[11] N.T.: CONFERÊNCIA XIX – A FORÇA FUTURA – VRIL! O QUE SERÁ?

Tanto se tem falado dos Mundos internos sob o ponto de vista oculto, tanta ênfase tem-se posto no fato de que possuímos veículos superiores e de que somos capazes de desenvolvê-los e neles funcionar conscientemente, que parece necessário, de tempos em tempos, ressaltar o enorme valor do Corpo Denso e do Mundo visível ao qual ele nos correlaciona, isto para que se neutralize tanto quanto possível o menosprezo de algumas pessoas ao Mundo Físico em que vivemos.

Podemos estar certos de que, por trás de todo o processo evolutivo, estão Grandes e Exaltadas Inteligências, as quais ordenam todas as coisas com uma sabedoria tal que nenhum fator é negligenciado, e, assim, podemos tentar compreender o alvo e o propósito de nossa atual existência. Logo veremos, pois, que tudo está certo, que existem boas e suficientes razões para estarmos situados na presente fase de vida concreta e para as limitações disso resultantes.

Vemos que atualmente o mundo ocidental atravessa uma fase de desenvolvimento material e muitos dentre nós, que se agarram às coisas do espírito, inclinam-se a olhar “de cima para baixo”, a considerar as atividades do ser humano comum com um sentimento de “graças a Deus que sou mais santo do que ele”, atitude que é inteiramente sem sentido.

Por seu turno, o tão desdenhado “indivíduo comum” olha desconfiado para nós que falamos muito familiarmente do céu e do inferno, mas que vivemos pouco atualizados com os assuntos materiais. Ele sente que nosso primeiro e mais importante dever é conhecer o mundo material e cumprir as obrigações terrenas com o melhor de nossa capacidade aqui, antes de nos alçarmos às nuvens. Para enfatizar este argumento, ele aponta como exemplo o povo da Índia, que morre de fome em razão de pouca disposição para o trabalho: que tal povo pensa muito no Nirvana, mas esquece-se de suas condições terrenas.

O indivíduo comum poderá nos mandar contemplar as condições de atraso desses orientais, atribuindo tais condições à sua crença na doutrina do renascimento, que lhes inculca uma desconsideração natural à presente fase da existência. Então, sustentará que o desenvolvimento espiritual – especialmente o que não segue os métodos da igreja reconhecida – é nocivo no mais alto grau. E estará com toda a razão, mas há também um ponto de vista mais profundo que abordaremos depois.

A fim de que possamos nos desenvolver de maneira sadia e segura, é preciso apreciarmos corretamente a missão deste mundo no plano divino, denominado evolução, e fazer toda a nossa parte no trabalho do mundo. Por outro lado, pode-se dizer também que o ponto de vista oculto proporciona uma visão mais profunda e um campo de aplicação mais útil do que considerações meramente superficiais. Examinemos, pois, a senda do progresso no Mundo material sob os dois ângulos.

Dissemos na Conferência II que todas as coisas do Mundo material visível são pensamentos-forma cristalizados, e ilustramos a asserção mostrando como o arquiteto forma a casa em sua Mente, e como, desse pensamento-forma, ele desenha a planta pela qual os carpinteiros e pedreiros constroem a habitação. A imaginação de Graham Bell cristalizou-se no telefone; a de Fulton cristalizou-se no navio a vapor, etc. Mas aquelas ideias, naturalmente, não surgiram perfeitas. Muitas experiências se fizeram necessárias antes que os inventos fossem dados como bastante eficientes para serem utilizados pelo ser humano.

Supondo que este Mundo Físico em que vivemos fosse como o Mundo do Pensamento, onde pudéssemos formar imagens como retratos mentais, mas que não proporcionasse nenhum meio de concretizarmos nossas imagens em metais ou madeiras, conforme costumamos fazer aqui, o que seria do telefone e do navio a vapor? Os inventores concluiriam seus inventos num abrir e fechar de olhos por não haver condições materiais que lhes apontassem as imperfeições do pensamento. Em consequência, eles não aprenderiam a raciocinar corretamente.

É missão do concreto Mundo material tornar manifestos os nossos erros. Estamos desenvolvendo dentro de nós mesmos uma força extraordinária e, no Mundo Físico, temos as condições mais ideais de aperfeiçoar a necessária habilidade para usá-la convenientemente. Sem tal habilidade, e dadas a ilusórias condições da matéria, esse poder seria imensamente maléfico. O que vem a ser essa força futura podemos saber se lançarmos um olhar ao desenvolvimento passado, que nos dará o padrão da verdadeira perspectiva.

Na aurora da existência humana, o ser humano lidava principalmente com os sólidos. Seus primeiros utensílios eram de pedras agudas ou rombudas, conforme achavam-nas à mão. Mais tarde, passou a confiar nos líquidos, quando pela primeira vez transportou-se em seu tosco barco sobre a água ou fez esta mover seu primeiro moinho. Depois, ele aprendeu a usar os gases – os ventos – como força propulsora em embarcações e moinhos.

Este foi um grande avanço, porque possibilitou pela primeira vez aos povos mais diferentes e distantes, nas diversas partes do mundo, comunicarem-se entre si, e ampliou desmesuradamente a área do conhecimento humano. O progresso alcançado pelo uso da força do ar, contudo, tornou-se insignificante diante do passo muito maior que pudemos dar ao começarmos a utilizar um gás mais sutil – a força do vapor. Isto fez girar as rodas do progresso a tal velocidade que nos deixou mudos de assombro. Mas até as maravilhas alcançadas através do vapor nada são comparadas aos mil e um melhoramentos – quer nas comunicações, quer na ampliação de conhecimentos – proporcionados pela descoberta e uso de uma força ainda mais sutil: a força elétrica, que circunda o globo com uma mensagem em menos segundos do que gastariam, em anos, os veículos sob os antigos meios de propulsão.

Vemos, pois, que o progresso humano tem sido alcançado pelo uso de forças cada vez mais sutis, e que, todas as vezes que aprendemos a empregar uma nova energia, damos novo e maravilhoso passo no caminho da civilização.

Este ângulo de visão do progresso humano é algo a que comumente não estamos acostumados. Geralmente, associamos solidez à fortaleza, como se ambos os termos fossem sinônimos. Um rápido exame, porém, mostrará a falácia dessa ideia.

As ondas do mar, apesar de líquidas, podem arrasar o tombadilho de um navio em poucos minutos; podem torcer ou curvar a mais forte viga de aço como se esta fosse apenas um arame. O vento pode partir o mastro de um navio num piscar de olhos e, no entanto, não passa de ar – um gás. A água, um líquido, está desmoronando as colinas de Seattle, Washington, EUA, fazendo no chão da cidade o que as sólidas picaretas e a pá não conseguiriam. Quando vemos uma grande locomotiva com seus vagões extremamente pesados, admirando o enorme volume da composição, damo-nos conta de que a razão pela qual o trem precisa ser assim solidamente construído reside no fato de que ele tem de ser movido por um invisível gás elástico, o vapor.

A roda hidráulica seria inútil como geradora de força se não tivesse contato direto com uma fonte de energia estacionária: a cachoeira. A força do vento era melhor e pôde ser usada como força propulsora por todo o mundo, mas era instável e incerta. O vapor era quase um ideal, pois podia-se consegui-lo à vontade e praticamente em qualquer lugar, mas exigia um maquinário considerável para funcionar, a exemplo da locomotiva, que é uma usina de força móvel. A eletricidade pode percorrer milhares de quilômetros através de fios e, ao longo de toda a linha formada, pode ser usada em qualquer lugar; ela pode ser armazenada, envasilhada de fato para uso a qualquer instante; pode até ser transmitida de um a outro lugar através do onipresente éter, sem necessidade de quaisquer fios.

Mostramos, pois, que o progresso do ser humano no passado foi alcançado por meio da utilização de forças de crescente sutileza – a água, o ar, o vapor, a eletricidade, e que a crescente utilidade de cada uma dessas forças é aumentada ainda mais em função da facilidade com que podem ser transmitidas e empregadas nos mais diversos lugares. O mais recente avanço nessa área é a transmissão de energia de uma fonte central a vários pontos sem a utilização de um condutor material visível, como é o caso do telégrafo sem fio.

Havendo revisto as conquistas do passado, fica evidente que o progresso ulterior da Raça humana depende da descoberta e utilização de uma energia ainda mais sutil, essa transmissível com facilidade ainda maior que as forças já conhecidas.

Qual será essa nova força, em que contribuirá ela para o progresso da Raça humana, e através do que chegaremos a descobri-la? Esta é a tríplice e natural pergunta que tentaremos responder.

O autor e sua obra: Sir Edward Bulwer-Lytton e a Capa da edição de 1871 da obra The Coming Race (A Raça Futura)

Em sua obra “A Raça Futura”, Bulwer Lytton¹ nos dá um vislumbre do que será essa força futura. Tal como ocorre a todas as histórias no gênero, essa também não foi levada a sério, mas considerada apenas como fantasia de um talentoso escritor. As histórias de Julio Verne emprestaram análoga atitude de admiração da parte do público em razão de sua vívida fantasia. No entanto, não é verdade que muitas coisas delas já se realizaram? “A Volta ao Mundo em Oitenta Dias” é agora lenta demais para um corre-mundo do século XX. A navegação submarina e a aérea são realidades nos dias de hoje.

Em verdade, a Mente humana é incapaz de imaginar qualquer coisa que não possa alcançar. Isto parece uma afirmação absurda, mas acaso não estará justificada por aquilo que já foi conseguido? E, voltando à diretriz do nosso argumento, podemos dizer que algo semelhante ao Vril de Bulwer precisa ser descoberto para que o ser humano possa dar seu próximo grande passo no caminho do progresso. É verdade, grandes e maravilhosas descobertas estão à nossa frente pela exploração das forças que já possuímos, mas o próximo grande passo depende da descoberta da força futura, bem como da preparação para seu emprego. Tentativas para descobrir-se a máquina a vapor foram levadas a efeito pelos antigos, muitos séculos antes do sucesso alcançado nos últimos tempos. A eletricidade também já era um pouco conhecida por eles, mas passou-se muito tempo até que suas ideias amadurecessem suficientemente para converterem-se em algo utilizável na prática. De igual modo, ao mesmo tempo que prosseguimos explorando as forças já conhecidas, precisamos também preparar-nos para a força futura, a fim de que, quando a descobrirmos, sejamos capazes de achar também o meio de a utilizar o mais depressa possível. Olhemos mais de perto a Vril de Bulwer Lytton porque é possível que, por baixo de sua fantástica roupagem, encontremos valiosíssima chave.

Vril era uma força gerada dentro de cada um dos seres da história de Bulwer, e que independia de custosa aparelhagem externa, só possível de ser adquirida por uns poucos privilegiados, mas não pela maioria. Ao contrário, todos sem exceção, do berço ao túmulo, tinham esse poder.

Esta é por certo uma fonte ideal superior mesmo a uma usina central de força. Ninguém precisava de elevadores porque todos podiam levitar à vontade; dispensavam os bondes e trens porque cada um podia locomover-se veloz e facilmente em razão de sua própria força; não havia necessidade de navios porque o ser humano podia viajar pelo ar, dispensando as lentas e pesadas máquinas de transporte terrestre e marítimo; e, viajando através do ar, tinha de vencer uma resistência bem menor – conforme se dá com as aves – do que através de outros meios e dependendo de aviões ou invenções afins.

Como qualquer outra força, Vril podia ser usada como meio de destruição. Nisto, era também muito sumária, de modo que o máximo cuidado era exigido daquele que a empregava. Seu uso requeria autodomínio no mais alto grau, pois perder a calma poderia certamente resultar em desastre. Se tivermos de usar tal força, pelo visto é absolutamente essencial que sejamos bons, afetuosos e que não façamos inimigos. Nossas vidas estariam, pois, nas mãos dos outros a tal ponto que nem poderíamos imaginá-lo presentemente.

Quando olhamos para dentro de nós, a ver se existe possibilidade de tal energia começar a desenvolver-se, somos forçados a reconhecer o fato de que ali se encontra uma força de vastíssimas possibilidades: o Poder Mental. Nossas ideias tomam forma como imagens mentais, as quais criamos com grande facilidade e, a seguir, cristalizamos em coisas materiais de maneira extremamente lenta e laboriosa, tais como cidades, casas, móveis, etc. Tudo o que é feito pelas mãos do ser humano é pensamento cristalizado.

Não devemos considerar esse modo lento do pensamento manifestar-se na matéria como uma medida de sua possibilidade, nem nos desanimar pelo fato de ser ele instável e efêmero. Tem sido assim com as outras forças que já atrelamos às rodas do progresso. Por incontáveis eras, as ondas do mar têm desperdiçado energia chocando-se de encontro às costas, mas agora os engenheiros começam a aproveitar a força da água fazendo cachoeiras moverem geradores elétricos. Por igual período, os ventos varreram terras e mares antes que o ser humano aprendesse a utilizá-los como propulsores do barco à vela e veículo do comércio do mundo. Por muitas eras, o vapor escapou-se dos caldeirões ferventes da Humanidade primitiva, antes que esta aprendesse a concentrá-lo e usá-lo na indústria. De maneira idêntica, assim como o vapor escapava-se inutilmente dos caldeirões da antiguidade, igualmente a energia mental radiante da Humanidade de hoje ainda não está sendo utilizada. E assim como precisou-se concentrar o vapor para poder utilizá-lo, assim também precisamos concentrar essa mais sutil e muitíssimo mais poderosa força mental, a fim de podermos utilizá-la para fazer nosso trabalho mundano com uma facilidade impossível de imaginar-se, mesmo por comparações, às forças conhecidas, pois estas operam meramente com as coisas já existentes, enquanto o Poder Mental é uma força criadora.

Sabemos quão perigosas são as outras forças quando utilizadas e concentradas. Quando o vapor se escapa normalmente do caldeirão, nenhum mal sério pode causar. A eletricidade gerada pela fricção de uma correia ou de um pedaço de âmbar não é perigosa a ninguém. Mas, quando uma grande quantidade de vapor se acumula sob pressão numa caldeira, esta pode explodir nas mãos de um operário incompetente; o mesmo se dá com a eletricidade acumulada sob tensão em um cabo: pode matar quem inadvertidamente toque no cabo. Podemos inferir, por analogia, que o Poder Mental mal dirigido, ou empregado ignorantemente, produziria efeitos bem mais desastrosos, porque trata-se de uma força bem mais sutil. Portanto, é preciso que o ser humano frequente uma escola onde possa aprender e usar essa enorme força de um modo seguro e eficiente e, quer nos demos conta disso quer não, os sábios guias invisíveis, que trabalham poderosamente pela Humanidade, já nos deram tal escola quando nos puseram nesta existência concreta – o Mundo Físico. Saibamos ou não, todos os dias, a toda hora, aprendemos aqui a lição do Reto Pensar. E, à medida que aprendemos essa lição, tornamo-nos mais e mais semelhantes ao nosso Pai Celestial.

Vemos assim quão grande erro cometemos ao menosprezar esta existência concreta para viver nas nuvens de esperanças e aspirações da vida e dos Mundos superiores, negligenciando nossos deveres na presente vida material concreta.

Deve ser igualmente claro, contudo, que também é errado confinarmo-nos tão somente na vida material, excluindo o lado espiritual da nossa natureza. Os extremos são perigosos. Se reconhecemos os dois polos do nosso ser e nos esforçamos por guiar nossa existência material pela luz de nossa percepção espiritual, podemos aprender as lições maravilhosamente ministradas na escola da experiência em um tempo bem mais curto do que o requerido para aprender indo-se aos extremos.

Os resultados de seguir-se quaisquer dos extremos pode ser visto por comparação – sob o prisma ocultista – entre os indianos e os ocidentais.

Conforme já dissemos, as pessoas de tendência materialista, para justificarem sua indiferença aos assuntos espirituais, apontam nações e indivíduos que seguem esse caminho – particularmente o povo indiano – fazendo-nos notar suas condições de atraso, bem como a indolência do oriental, atribuindo tudo isso à sua orientação religiosa. Outros tentam defender aquele povo, apoiados no fato de que eles vivem aglomerados em uma vasta região árida e montanhosa, que não pode produzir suficiente alimento para os milhões de criaturas que a superpovoam, pelo que a doença e a fome se tornam inevitáveis. Assinalam o sol causticante e as devastadoras inundações da Índia em contraste com a nossa terra fértil e pouco populosa, onde a abundância é para todos, o que implica, segundo eles, numa injustiça da parte de Deus, o qual estaria dando a uns o que estaria negando a outros mais merecedores.

Que a condição dos indianos é tal como a descrita, e até pior do que poderíamos imaginar, é seguro afirmar-se. Considerando-se a vida sob o ponto de vista comum e ocidental, que admite uma só existência, poder-se-ia lamentar esse povo como vítima do capricho de um deus injusto. Mas, quando admitimos as Leis de Consequência e do Renascimento e as atividades levadas a efeito no Segundo Céu, prontamente compreendemos a razão espiritual para as diferenças de condições tanto das nações como dos indivíduos.

O Sol causticante, o solo estéril e as inundações devastadoras da Índia são apenas efeitos do Mundo material de causas geradas nos Reinos espirituais, conforme acontece em todos os atos da Natureza e do ser humano. Existe uma explicação espiritual para cada fenômeno, que é muito mais profunda que o fato material. Existe uma razão espiritual para a pobreza e para as condições climáticas da Índia, assim como há um profundo propósito para a nossa prosperidade. Para compreendermos tal razão, é necessário manter bem clara na Mente a distinção entre o Corpo e o Espírito que nele habita. Todos os Espíritos são idênticos, exceto que alguns progrediram mais do que outros. As Raças são apenas Corpos criados pelos Espíritos e, ao evoluir, cada classe destes passa de uma Raça a outra. Os mais desenvolvidos fazem o trabalho pioneiro e conduzem a Raça ao seu mais alto grau de perfeição. Quando isto é alcançado, forma-se uma nova Raça. Os Corpos de Raça, então abandonados, são aproveitados por Espíritos menos evoluídos e começam a degenerar. Quando, pois, tais Corpos tornam-se também inúteis para esta classe, os Espíritos já mais avançados abandonam-nos a uma outra classe de Espíritos ainda menos evoluída. Sob sua influência, a Raça degenera ainda mais até que, finalmente, por não existirem Espíritos tão atrasados que possam adquirir experiência através de Corpos tão degenerados, os homens tornam-se estéreis e a Raça morre. Serviu ao seu propósito.

Nós, das nações ocidentais, já ocupamos no passado Corpos indianos. Isso foi quando a Índia atravessava sua fase gloriosa, quando a Raça evoluía tanto física quanto espiritualmente. Foi na chamada Época de Ouro, quando surgiram as sagradas escrituras, quando se ergueram os grandes templos e quando a evolução espiritual e material da Índia alcançou seu apogeu.

Mas o ser humano estava destinado a dominar por completo o Mundo material. enquanto ele pensou ser única e principalmente um Espírito, e teve uma fé absoluta e firme na continuidade da vida. Enquanto ele soube positivamente que o renascimento se seguia à morte de modo tão certo quanto a morte seguia-se ao nascimento, sentiu também que tinha pela frente um tempo ilimitado para progredir, e, em consequência, pouco esforçou-se para aperfeiçoar os recursos do Mundo material.

Foi necessário, portanto, que ele esquecesse por algum tempo a doutrina do renascimento e acreditasse que vivia apenas uma vez, a fim de que pudesse concentrar todos os seus esforços no aproveitamento das oportunidades de avanço material. O modo pelo qual chegou a isso encontra-se nos primeiros capítulos desta obra e, também, mais detalhadamente, no livro: “Conceito Rosacruz do Cosmos-Max Heindel-Fraternidade Rosacruz”.

Assim, nós – Espíritos que habitamos Corpos de Raças ocidentais – abandonamos os Corpos indianos e construímos em troca os Corpos das Raças subsequentes, atingindo gradualmente níveis de desenvolvimento material cada vez mais elevados durante a vida terrena. E, como a vida no Céu entre os renascimentos é sempre o resultado da vida anterior e um preparativo para a seguinte, em cujo estágio construímos nossos futuros Corpos e nosso futuro país sob a direção de grandes Hierarquias Criadoras – conforme descrito na Conferência VI do livro Cristianismo Rosacruz – assim pois temos construído gradualmente esse nosso atual Corpo altamente organizado; o nosso rico e belo país com os seus magníficos recursos naturais, seu clima propício, etc., pelo que podemos agora gozar dos frutos de nosso trabalho de existências anteriores tanto no céu quanto na Terra.

A Raça indiana foi a primeira da Época Ária e vem se degenerando desde que abandonamos seus Corpos, que agora são habitados pelos Espíritos mais atrasados nascidos em Corpos arianos. E, como lhe imprimimos essa fortíssima tendência espiritual, a hereditariedade tem preservado esses traços nos Corpos indianos, de modo que eles são mais suscetíveis aos impactos espirituais do que os Corpos mais materializados das Raças posteriores, muito embora não seja uma categoria de espiritualidade tão elevada quanto a expressa quando habitávamos os mesmos Corpos. Tais Corpos têm-se degenerado e os Espíritos evoluíram menos que nós, de forma que a Raça se destaca mais por uma Mente muito analítica do que propriamente por uma verdadeira espiritualidade.

Havendo retido plena compreensão e fé implícita na doutrina do renascimento, a qual os ocidentais perderam temporariamente, e sendo atrasados, os indianos são também naturalmente indolentes e não procuram melhorar suas condições físicas nem na vida terrena nem entre os renascimentos. Em consequência, o país também se degenera com os Corpos. e o sofrimento resultante tem por propósito despertar seu povo para a necessidade de concentrar-se nas coisas materiais, a fim de que aprenda a conquistar a Terra conforme fazemos. Eles terão de seguir nossos passos e esquecer por algum tempo sua natureza espiritual, para que possam aprender as importantes lições deste Mundo material. A carência de bens de consumo e conforto materiais os levará a abandonar o lado espiritual de seu desenvolvimento e os introduzirá na fase material. Nossa plenitude e prosperidade material têm em vista um fim oposto: destinam-se a provocar-nos a náusea da sociedade, levando-nos deste modo a compreender a inutilidade das coisas materiais e fazendo-nos retornar ao espiritual, de maneira que, na medida em que novos inventos e melhores meios de distribuição tornam a vida mais fácil, a aspiração pela vida superior enfraquecerá a ânsia por sucesso mundano.

Nossa concentração sobre as coisas materiais e consequente êxito mundano deu-nos gradativamente um tal ímpeto em direção ao material que chegamos a considerar nossa natureza espiritual uma supersticiosa falácia desacreditada pelos fatos científicos.

Nossa atitude “científica” ultra-materialista é verdadeiramente oposta à atitude dos indianos. E, como os extremos se unem, o ultra-materialismo do pensamento ocidental atua destrutivamente sobre as terras do ocidente, assim como a indolência oriental devasta as Índias Orientais.

Há uma relação entre materialismo, abalos sísmicos e outros cataclismos.

No livro “Conceito Rosacruz do Cosmos” dedicou-se um capítulo à descrição das diferentes camadas da Terra, tanto quanto permitido e possível sem a Iniciação. Basta dizer aqui que há nove dessas camadas de diferentes espessuras, e que o núcleo ou centro constitui a décima parte. Este é o assento da consciência do Espírito da Terra.

É um fato evidente para todo investigador ocultista que o Espírito da Terra sente tudo o que fazemos. Assim, quando no outono os ceifadores colhem os grãos maduros, Ele sente prazer, sente alegria por haver produzido. É uma sensação idêntica à da vaca quando o bezerro lhe suga o úbere cheio de leite. Quando as flores são colhidas, dá-se o mesmo, mas, quando as árvores e as plantas são arrancadas pela raiz, o Espírito da Terra experimenta dor, porque o reino vegetal é para Ele o que para nós são os cabelos.

Mas o Espírito da Terra não é afetado só por nossos atos. Ele sente do mesmo modo nossa atitude mental. Há uma camada da Terra que reflete particularmente nossas paixões, sentimentos e emoções de maneira a mais surpreendente, fazendo-os retroagir sobre nós, na forma de tempestades, inundações e tremores de terra.

O materialismo causa erupções vulcânicas de forma que, quanto mais prevaleçam as condições espirituais, menos cataclismos deverão ocorrer no mundo.

Este é um fato difícil de constatar pelo ser humano comum, e não teria sido afirmado se não fosse possível dar pelo menos uma evidência circunstancial de sua veracidade. Esta evidência deriva de um estudo da tendência do pensamento na ocasião em que ocorreu a erupção do Vesúvio. A lista de cataclismos que tiveram lugar em nossa era começou com a erupção que destruiu Herculano de Pompéia no ano 79 D.C. e em que pereceu Plínio, o Velho. A seguir, em 203, 472, 512, 652, 982, 1036, 1158, 1500, 1631, 1737, 1794, 1822, 1855, 1872, 1885, 1891, 1906.

Houve, portanto, 18 erupções em 1900 anos. A primeira metade (nove) ocorreu em 1600 anos, durante a chamada “Era da Escuridão”, quando o ser humano era suficientemente ignorante e supersticioso para crer em Deus, e até em duendes, fadas e “outras tolices”.

Desde que o advento da ciência moderna “iluminou” o mundo ocidental tentando demonstrar a superfluidade de Deus e ensinando que somos a mais alta inteligência do cosmos; que “o cérebro é uma glândula que segrega pensamento assim como o fígado segrega bile”; que “para andar empregamos a mesma força que usamos para pensar” e muitas outras coisas do gênero, tais reações cataclísmicas têm aumentado correspondentemente. Houve nove erupções nos últimos 300 anos em que a ciência moderna tem procurado iluminar-nos, contra igual número de catástrofes na “Era da Escuridão”, mas em 1600 anos. As seis primeiras ocorreram nos primeiros mil anos de nossa era, as cinco últimas dentro de um período de 51 anos. Se contarmos os passos dados pela ciência no último século, particularmente nos últimos sessenta anos, a conclusão é óbvia: quanto mais cresce o materialismo, mais numerosas se tornam as erupções; quanto mais se alastra o materialismo, mais pontos da Terra são afetados.

Não se conclua do exposto que a ciência é prejudicial aos olhos do ocultista. Ela ocupa legitimamente o posto de instrutora da Raça humana, mas, quando se divorcia da religião e se torna materialista, conforme se dá nos tempos modernos, então ela passa a ser uma ameaça à Humanidade. Houve um tempo em que a religião, a arte e a ciência estavam unidas, sendo ensinadas simultaneamente nos templos de Mistérios, e até bem tarde na Grécia. Mas como o plano físico é o da separatividade e especialização, elas tiveram que ser propositalmente separadas por algum tempo, a fim de que pudessem alcançar uma maior perfeição. No devido tempo, as três voltarão a juntar-se. Então, e somente então, teremos completa satisfação através do coração, do intelecto e dos sentidos. O coração se deleitará com o cerimonial religioso; o intelecto encontrará satisfação no lado científico; e a parte estética da natureza do ser humano desfrutará das diversas artes, que serão utilizadas nos serviços de templos do futuro.

Quando o ser humano haja espiritualizado seu ser sob a influência dessa religião científico-artística do futuro, terá ele aprendido o autodomínio e ter-se-á tornado um auxiliar altruísta de seu semelhante. Poderá então ser um firme guardião do poder mental, pelo qual será capaz de formar ideias exatas e prontas para serem cristalizadas de imediato em coisas úteis. Isto se efetuará por meio da laringe, que emitirá a Palavra Criadora.

Todas as coisas da Natureza vieram à existência pelo “Verbo que se fez carne” (Jo 1:14). O som, ou pensamento falado, será a nossa próxima força a manifestar-se, uma força que nos fará homens-deuses criadores quando, mediante nosso atual aprendizado, nos tivermos capacitado para o uso de tão grande poder para o bem de todos, a despeito dos nossos próprios interesses.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Utilizando os Exercícios Esotéricos Rosacruzes de maneira eficiente para alcançar Nossos Objetivos Espirituais

Pouco antes de ter sentado para estudar, em uma dessas tardes, liguei o interruptor e imediatamente a luz inundou o quarto. Apanhei o livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz e, abrindo, deparei com um trecho que tratava do trabalho executado pelos Adeptos — seres humanos avançados que conseguem pronunciar a Palavra Criadora.

Veio-me então à minha Mente o desejo de me tornar idêntico a eles e servir como fazem os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, levando luz à consciência da Humanidade. O que deveria fazer para me tornar igual a Eles?

Pensativamente, contemplei a lâmpada próxima a mim: a pressão sobre o interruptor não a criou; ele meramente tornou o dispositivo (a lâmpada) apto a transmitir luz, a contatando com certos itens (fios, ligações, cabos) que transportam a energia elétrica gerada pela fonte central (o gerador). O que aconteceria, se a lâmpada fosse feita de madeira? Quando eu apertasse o interruptor, poderia a luz inundar o meu quarto? Poderá o meu ser físico, tal como é agora, transmitir a Luz de Deus?

Se as linhas elétricas fossem defeituosas, a pressão do meu dedo sobre o interruptor poderia proporcionar luz perfeita em meu quarto? Terei eu uma conexão apropriada com a fonte de energia espiritual para torná-la usável? Ou o que ocorreria, se o gerador funcionasse imperfeitamente? Para que serviriam os fios, os cabos, as ligações, as lâmpadas ou quaisquer outros dispositivos para a produção da luz, se o gerador não produzisse energia? Estarei eu, uma célula no Grande Corpo de Deus, produzindo e liberando energia para as mais altas funções dos meus veículos?

Essa auto-pesquisa me conduziu a uma revisão sobre o procedimento ensinado pela Filosofia Rosacruz para o aperfeiçoamento de nós mesmos, no sentido de nos tornar um “canal consciente” para o trabalho daqueles Elevadíssimos Seres, de modo a poder aplicar-me com renovado zelo ao trabalho indispensável para o crescimento da alma. O método: “Serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) ao meu irmão e a minha irmã, próximos a mim, focando na Divina Essência oculta em cada um de nós, que é a base da fraternidade” então me veio à Mente como linha de conduta a ser sempre observada e lembrada. Ao mesmo tempo, eu me recordei de certas instruções específicas para a espiritualização de nossos veículos e, consequentemente, do crescimento da alma. O que me ocorreu foi o seguinte:

A Filosofia Rosacruz ensina que “o ser humano é um Tríplice Espírito” que possui uma Mente por meio da qual governa seu Tríplice Corpo, que ele emanou de si mesmo para obter experiências. Esse Tríplice Corpo, ele transmuta em Tríplice Alma da qual ele se nutre a fim de ir da impotência para a onipotência. O Espírito Divino emana de Si mesmo o Corpo Denso, extraindo como pábulo a Alma Consciente; o Espírito de Vida emana o Corpo Vital, extraindo a Alma Intelectual; e do Espírito Humano deriva o Corpo de Desejos, para extração da Alma Emocional.

Nosso desafio, como Aspirantes espirituais, então é planejar e controlar nossas atividades diárias de modo que, por meio delas, possamos extrair maior quantidade de poderes conscientes, intelectuais e emocionais dos nossos corpos. Uma vez que nossos veículos estão intimamente interrelacionados, a melhora de um automaticamente produz a evolução dos outros. Porém certas atividades afetam determinado corpo mais definidamente do que os outros.

O Corpo Denso, nosso corpo físico, é um maravilhoso instrumento mecanizado para a ação no plano material e é por meio das experiências que obtemos por seu intermédio, nossas retas ações em relação aos impactos externos, e pela observação acurada que o transformamos em Alma Consciente. Quanto mais ativos formos e mais retas forem nossas ações, maior crescimento de Alma Consciente alcançaremos. Basicamente, para a reta ação tornam-se necessários a higiene, o exercício, o ar fresco, uma dieta simples e constante à base de alimento integral e o altruísmo, o desejo de ajudar, a boa vontade.

Em relação à observação correta, ensina-nos a Filosofia Rosacruz o seguinte: é da mais alta importância ao nosso desenvolvimento que observemos os fatos e as cenas ao nosso redor acuradamente. Do contrário, as impressões em nossa memória consciente não coincidirão com os registros automáticos e subconscientes. Por isso a observação é um dos Exercícios Esotéricos Rosacruzes. O ritmo do Corpo Denso perturba-se na proporção da incapacidade da nossa observação durante o dia. Na proporção em que aprendemos a observar acuradamente, ganharemos saúde, longevidade e necessitaremos de menos descanso e sono. O Aspirante à vida superior sistematicamente deve tudo observar, retirar conclusões das ações, cultivar a faculdade do raciocínio lógico, pois a lógica é o melhor mestre no plano físico e o guia mais seguro e certo em qualquer Mundo. Ao praticarmos esse método de observação, devemos sempre ter em Mente que ele deve ser usado apenas para reunir fatos e não com o propósito de criticismo, pelo menos não o azedo criticismo. A crítica construtiva que assinala defeitos e dá os meios de remediá-los é a base do progresso.

O Corpo Vital, o veículo do hábito, o armazém da Memória Consciente e Subconsciente, é composto de quatro Éteres: o Éter Químico, o Éter de Vida, o Éter de Luz ou Luminoso e o Éter Refletor. Os dois primeiros constituem a matriz na qual o Corpo Denso é construído. A repetição é a nota-chave desse Corpo Vital. Daí o valor da repetição dos impactos espirituais do estudo, dos sermões, das conferências e leituras. Também a arte e a religião são de primeira importância no refinamento do Corpo Vital, bem como o cultivo da memória e da discriminação, particularmente efetivas na geração da Alma Intelectual. A memória liga as experiências passadas às experiências presentes e aos sentimentos por elas engendrados, criando “simpatia” e “antipatia” que, de outro modo, não poderiam existir.

O discernimento é a faculdade por meio da qual distinguimos aquilo que não é importante, não é essencial, separando o real da ilusão, o duradouro do evanescente, por isso é um dos Exercícios Esotéricos Rosacruzes!

Na vida comum, muitos pensam em si mesmos como se fossem o Corpo Denso. O discernimento nos orienta no sentido de que somos Espíritos e que os nossos Corpos são temporariamente lugares residenciais, instrumentos de uso. Pelo discernimento aprendemos a “considerar o corpo um servo valioso, na medida em que se torna dócil às nossas ordens; assim considerando, veremos ser possível fazer muitas coisas que de outro modo pareceriam impossíveis”.

Os dois Éteres superiores do Corpo Vital, o Luminoso e o Refletor, são os que compõem o Corpo-Alma e em cada vida são renovados por meio do “Serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) ao meu irmão e a minha irmã, próximos a mim, focando na Divina Essência oculta em cada um de nós, que é a base da fraternidade”. A quintessência desses atos de bem deles extraídos determina a qualidade dos átomos estacionários e prismáticos de que são compostos os dois Éteres inferiores na vida seguinte. Esse Corpo-Alma é a parte do Corpo Vital que o Aspirante à vida superior imortaliza como Alma Intelectual.

O Corpo de Desejos é nosso veículo dos desejos, das emoções e dos sentimentos. Durante o estado de vigília, ele se encontra constantemente em luta contra o Corpo Vital. O Corpo Vital constrói e suaviza, ao passo que o Corpo de Desejos cristaliza e destrói. Por meio da devoção persistente aos suaves ideais da vida superior, dominamos nossos instintos animais, eliminando os traços indesejáveis do hábito e do caráter resultantes da geração e do desenvolvimento da Alma Emocional. A importância do cultivo da faculdade da devoção dificilmente é enfatizada; assim, um dos melhores sistemas de desenvolvimento desse poder é o Exercício Esotérico Rosacruz de Retrospecção – esse exercício noturno ensinado pela Escola Rosacruz por meio do qual nos lembramos, em ordem inversa, dos acontecimentos do dia, cuidadosa e adequadamente nos louvando ou reprochando.

Uma explosão temperamental é detrimento para o crescimento da alma — é a dissipação em larga escala de uma energia que possa ser usada de forma proveitosa. Tal evento envenena o corpo, deixa-o alquebrado e impede enormemente o seu desenvolvimento. O Aspirante deve, sistematicamente, controlar todas as tentativas do Corpo de Desejos de sair de controle, o que poderá ser feito pela concentração em elevados ideais, que fortalece o Corpo Vital e é muito mais eficiente do que as orações comuns, usadas nas igrejas. Quando ditada pela devoção pura e altruísta a altos ideais, porém, a oração é muito superior à fria concentração.

Em nossos esforços para transmutar o Corpo de Desejos em Poder Anímico, devemos também nos lembrar de que o Espírito Humano, que está correlacionado com o Corpo do Desejos, é a contraparte do Espírito Santo — a energia criadora da Natureza que o Aspirante à Vida superior deve aprender a usar nos processos mentais e emocionais superiores para regeneração. Ao vivermos castamente, a força criadora sobe, pelo trabalho mental e espiritual, e nos refinamos, eterizando nosso Corpo Denso e, ao mesmo tempo, fortalecemos os veículos superiores. Dessa maneira, alargamos materialmente nossa vida e aumentamos nossas oportunidades de crescimento anímico, avançando em graus definidos.

É-nos ensinado que a Mente é o elo entre nós, o Ego e nossos Corpos, sendo também real que “a Mente é o instrumento mais importante que nós, o Ego, possuímos”. Um dos principais alvos da evolução, durante este Período, é aprender a controlar o pensamento, o que será conseguido por meio do exercício do princípio da nossa vontade. Possuindo a prerrogativa divina da livre volição, podemos nos treinar habitualmente a pensar como quisermos; dessa forma, se persistentemente continuarmos em nossos esforços de espiritualização dos nossos Corpos pela reta ação de sentimento e pensamento, tempo virá no qual seremos Auxiliares Visíveis altruístas do nosso próximo e guardiães do poder do pensamento. Tendo-nos, então, adaptado ao uso desse tremendo poder para o bem de todos, indiferentes ao interesse próprio, estaremos aptos a formar ideias acuradas que se cristalizarão em coisas úteis. Por meio da laringe perfeita falaremos a Palavra Criadora e, assim, atingiremos o ambicionado lugar na escada evolucionária.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de dezembro/1965 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Respeito do Ser Humano pelo Ser Humano

O respeito do ser humano pelo ser humano, como semelhante centelha espiritual, deixa muito a desejar ou é muito insuficiente.

Nunca o mundo precisou tanto de amor como nos atuais tempos de materialismo, tão perigoso ao nosso normal desenvolvimento interno. Por isso, o mais deplorável na hora presente é o desânimo dos seres humanos de boa vontade.

Profissionais de Saúde e irmãos e irmãs dedicados à educação estudam as causas dos problemas sociais, mas não podem perscrutar profundamente o problema, enquanto não considerarem o ser humano em sua integralidade, como ser humano complexo, composto de um Corpo Denso (que vemos com a nossa visão física) e com outros veículos que compõe a parte não visível à visão física (Corpo Vital, Corpo de Desejos e a Mente), ou seja: uma parte material e uma parte espiritual.

A menos que sejamos alimentados em todos os aspectos, haverá fome de algum lado: haverá deficiências, haverá doenças e enfermidades jamais sonhadas pelos materialistas ou por aqueles que acham que só tratando o Corpo Denso é suficiente ou, ainda, que só tratando a partir do Corpo Denso (de “fora para dentro”) é mais do que suficiente, é a solução!

Porque a “função faz o órgão” e a negligência de certos aspectos, justamente os mais complexos e elevados da natureza humana, trará consequências desastrosas!

A técnica moderna, em vez de servir ao ser humano, veio escravizá-lo, em benefício de alguns. As máquinas, os equipamentos, as tecnologias avassalaram os “operários”, reduzindo-os a peças, cujos movimentos são estudados para cada vez mais produzir. As vidas egoístas e intensas das grandes cidades ilham os seres humanos num círculo vicioso pouco edificante. Assemelha-se a uma indústria de neuróticos. Os hospitais de doenças nervosas ou chamadas psicológicas se multiplicam. Contam as estatísticas que, dentre as pessoas com cursos superiores, os que mais se suicidam são os profissionais de saúde; e dentre eles os profissionais especialistas em saúde mental!

Estudos periódicos indicam alarmante o número das pessoas que morrem de enfarte nervoso, antes dos 50 anos. Na Europa, justamente nos países mais adiantados ocorrem os maiores índices de suicídios. Por quê? Se o objetivo do ser humano fosse meramente material, se o ser humano fosse apenas um conjunto orgânico que se desfaz na morte, por que essa angústia?

A resposta é simples: estão esquecendo o ser humano real! As criaturas andam famintas de amor, de apreciação, de estímulo, de criatividade, de motivação! O ser humano precisa ser compreendido em sua inteireza. De novo surge, do fundo das idades, a Esfinge gigantesca e repete o desafio: “ou me decifras, ou te devoro”! De novo, o Cristo dentro de nós – o Cristo Interno – inquire a nossa consciência: “Tu me amas? Então, apascenta as minhas ovelhas!” (Jo 21:15).

O Cristianismo Esotérico tem uma tremenda responsabilidade, um grande dever:  divulgar, por todos os meios ao seu alcance, os aspectos integrais do ser humano e o modo de torná-lo realmente feliz, realizado, segundo não o ponto de vista material que é imediatista, porém, segundo um ponto de vista amplo, que atente todos os veículos do ser humano e não só ao presente, como ao futuro.

Não só de pão vive o homem” (Mt 4:4). O dia em que se ensejarem a cada ser humano os meios e motivações de crescimento interior, se ver à que eles hão de florescer a dimensões jamais sonhadas, em todos os aspectos.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de janeiro/1975 – Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Ecos da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil – Maio de 2026

Ecos de um Centro Rosacruz tem como objetivo informar as ATIVIDADES PÚBLICAS realizadas pelos Estudantes Rosacruzes, bem como fornecer material de estudo sobre os assuntos que foram objetos de exposições, publicações e em Reuniões públicas de Estudos durante o mês anterior.

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1.Para acessar a Edição digital (com a formatação e as figuras em melhor qualidade)

clique aqui: Ecos da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil – Maio de 2026

2. Para acessar somente os textos (sem a formatação e as figuras) é só ler aqui:

ECOS-no-120-jun-2026_page-0001-725x1024 Ecos da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil – Maio de 2026
ECOS-no-120-jun-2026_page-0002-725x1024 Ecos da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil – Maio de 2026

SUMÁRIO

Nossas Reuniões de Estudos Semanal 7

O Calendário do Estudante Rosacruz na Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil para JUNHO de 2026. 8

Atividades gerais que executamos em nosso Centro da Fraternidade Rosacruz, no mês de MAIO/2026: 11

Reuniões de Estudos: 11

DOMINGO, 10. 11

DOMINGO, 17. 11

DOMINGO, 24. 11

DOMINGO, 31. 11

Publicações de Textos DIÁRIOS e SEMANAIS: 12

Correção de Lições dos Cursos de Capacitação dos Ensinamentos Rosacruzes: 12

Respostas às dúvidas dos leitores, Estudantes Rosacruzes ou não: 12

Oficiação dos Rituais do Serviço Devocional do dia: Templo, Cura e Específicos: 12

Departamento de Cura, recebendo novas Solicitações ou continuando o Tratamento: 12

Trânsito do Sol: Transitando pelo Signo de Gêmeos (MAIO-JUNHO) 13

Conteúdo Rico para os Estudos Rosacruzes gerado nas Reuniões de Estudos. 16

03/05 – 16h – Reunião de Estudos Bíblicos Rosacruzes – Evangelho Segundo São Matheus Capítulo 8 versículos: 16 a 17. 16

Primeiro vamos ver a Significância Esotérica desse trecho: “‘Senhor, permite-me ir primeiro enterrar meu pai.’”: 17

Passamos para a Significância Esotérica desse trecho: “As raposas têm tocas e as aves do céu, ninhos…”: 18

O próximo trecho que vamos buscar a Significância Esotérica é: “Filho do Homem”: 19

10/05 – 17h – Reunião de Estudos de Filosofia Rosacruz por meio do Conceito Rosacruz do Cosmos – Capítulo XVI – Desenvolvimento Futuro e Iniciação – A Palavra Criadora – Termos Rosacruzes: Mente e Imaginação. 32

Termo Rosacruz: Mente. 33

Termo Rosacruz: Imaginação. 41

17/05 – 17h – Reunião de Estudos de Filosofia Rosacruz por meio do Conceito Rosacruz do Cosmos – Capítulo XVI – Desenvolvimento Futuro e Iniciação – Os Primeiros Graus – Ego – P.1. 43

Termo Rosacruz: Ego. 43

24/05 – 17h – Reunião de Estudos de Filosofia Rosacruz por meio do Conceito Rosacruz do Cosmos – Capítulo XVI – Desenvolvimento Futuro e Iniciação – Os Primeiros Graus – Ego – P.2. 47

Termo Rosacruz: Ego. 47

31/05 – 17h – Reunião de Estudos de Filosofia Rosacruz por meio do Conceito Rosacruz do Cosmos – Capítulo XVI – Desenvolvimento Futuro e Iniciação – Primeiros Passos: Palavra Criadora. 55

Termo Rosacruz: Deus de Raça. 55

Alguns Artigos Publicados nas nossas redes sociais no mês de ABRIL: 57

Perigos em Praticar a Clarividência Involuntária ou Negativa. 57

A Continuação da Vida quando, mais uma vez, Morremos Aqui! 59

A Origem da Ordem Rosacruz e a Fundação da Fraternidade Rosacruz aqui 61

O Altruísmo trazido por Cristo para Nós aplicarmos aqui 66

Quer ver mais postagens diárias de lindos e práticos textos nas nossas Redes Sociais?. 67

Fraternidade Rosacruz – As Cinco Perguntas selecionadas do mês que recebemos e que talvez possam estar inseridas nas suas dúvidas também: 68

1. Pergunta: Quem nasce no Ocidente já nasceu inúmeras vezes no Oriente e não vai nascer lá de novo? Por que alguns ocidentais se sentem tão atraídos pelo Hinduísmo ou Budismo?. 68

2.Pergunta: É verdade que os infelizes que têm a Cauda do Dragão em Escorpião (indicando vidas anteriores nas trevas do abuso sexual, da magia negra, do homicídio e suicídio) são confrontados com as lições cármicas mais difíceis do Zodíaco?. 69

3.Pergunta: O ser humano sente sono e dorme por causa da cansativa luta entre o seu Corpo de Desejos e o seu Corpo Vital, um tentando destruir e o outro tentando restaurar o seu Corpo Denso. Os animais dormem pelo mesmo motivo?. 69

4.Pergunta: Em algumas respostas sobre a Terra, vocês disseram que antes do Cristo se tornar o seu Espírito Planetário, ela não tinha um. Mas em uma resposta recente foi dito que todos os planetas, quando criados, têm um Espírito. Afinal, antes do Cristo se tornar o Espírito Planetário do nosso Planeta, a Terra tinha ou não um Espírito? Se tinha, onde Ele está?. 70

5.Pergunta: Avatares do Oriente como Ramana Maharshi ou Nisargadatta Maharaj defendem que o único Deus seja o Eu Sou. Não é exatamente isso que a Bíblia ensina? Não foi esse o Nome que o próprio Cristo usou para Se revelar a Moisés? Oriente e Ocidente não ensinam, portanto, a mesma Verdade usando terminologias diferentes? O que a Sabedoria Ocidental chama de Libertação não é justamente o Nirvana oriental?. 70

O CÍRCULO DE CURA ROSACRUZ. 72

Reuniões de “Cura Rosacruz”. 72

Datas de Cura. 74

Ritual do Serviço Devocional de Cura. 74

Se você está doente e entende que precisa de ajuda. 75

Nossas Reuniões de Estudos Semanal

As Reuniões de Estudos abertas ao público ocorrem na nossa Sede própria situada na Avenida Francisco Glicério, 1326 – Centro – Conj. 82 – Campinas – SP – Brasil, aos domingos às 16 h e/ou às 17 h até às 18h30.

Em seguida temos a oficiação do Ritual do Serviço Devocional do dia.

Se você quiser participar presencialmente é só nos avisar antecipadamente pelo WhatsApp: 55 19 99185-4932 ou pelo e-mail: fraternidade@fraternidaderosacruz.com

É uma oportunidade ímpar de você estar estudando com pessoas que têm o mesmo ideal Rosacruz!

Para esse mês de JUNHO de 2026, aqui estão as Reuniões que teremos:

 

O Calendário do Estudante Rosacruz na Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil para JUNHO de 2026

Nesse Calendário você encontra:

1- Os DIAS de Ofícios de cada Ritual do Serviço Devocional que qualquer um pode oficiar

2- Os melhores Períodos para Tratamentos de Saúde usando a Astroterapia e Astrodiagnose Rosacruz

3- Os melhores Períodos que ajudam você a assimilar melhor os resultados dos seus Estudos Espirituais

4- Os melhores Períodos que ajudam você a executar as Atividades Materiais

5- Os assuntos que nós estudaremos nas nossas Reuniões Públicas Dominicais de Estudos (tanto com participação local como remota) no Centro Rosacruz em Campinas-SP-Brasil

6- As datas que ocorrerão as Reuniões reservadas Dominicais de Estudos também no Centro Rosacruz em Campinas-SP-Brasil

7- Os assuntos que você poderá utilizar para a sua reflexão e para os Exercícios Esotéricos Rosacruzes (seja pelo Trabalho do Cristo nesse Período, seja pelo Trânsito do Sol pelas Hierarquias Criadoras)

**** Informações adicionais sobre esse Calendário você encontra no nosso site:

Atividades gerais que executamos em nosso Centro da Fraternidade Rosacruz, no mês de MAIO/2026:

Reuniões de Estudos:

DOMINGO, 3

DOMINGO, 10

DOMINGO, 17

DOMINGO, 24

DOMINGO, 31

Publicações de Textos DIÁRIOS e SEMANAIS:

Correção de Lições dos Cursos de Capacitação dos Ensinamentos Rosacruzes:

Filosofia, Estudos Bíblicos e Astrologia Rosacruzes que estão sendo feitos pelos Estudantes Rosacruzes por esse Centro Rosacruz

Respostas às dúvidas dos leitores, Estudantes Rosacruzes ou não:

via e-mail, no site, nas redes sociais

Oficiação dos Rituais do Serviço Devocional do dia: Templo, Cura e Específicos:

incluindo Hino de Abertura, do Signo solar do mês e Hino de Encerramento

Departamento de Cura, recebendo novas Solicitações ou continuando o Tratamento:

Para os irmãos e as irmãs inscritos (Estudantes Rosacruzes ou não) no Departamento de Cura desse Centro Rosacruz.

Trânsito do Sol: Transitando pelo Signo de Gêmeos (MAIO-JUNHO)

Aproveitemos o mês e unamos os Ensinamentos Rosacruzes de Filosofia, Bíblia e Astrologia Rosacruz para  praticarmos durante TODOS OS DIAS DE MAIO. Esse mês solar de JUNHO, nesse ano, que vai de 20 de MAIO a 21 de JUNHO, corresponde à Hierarquia Zodiacal de Gêmeos.

O modelo cósmico para a Terra, projetado por essa Hierarquia, é o de uma grande paz, uma paz que sobre passa toda a compreensão e que será a herança da vindoura Humanidade Crística.

As características que devem ser cultivadas durante o Período de Gêmeos são a mesma paz e o mesmo equilíbrio que se refere S. Paulo e que lhe permitiram dizer: “Nenhuma dessas coisas (do mundo externo) me comovem”.

Quando o Sol transita pelo Signo de Gêmeos, a constelação imprime no Corpo-templo humano uma dupla influência. Governa todas as dualidades do Corpo: Pulmões, ombros, braços e mãos, em particular.

Contém, também, o Arquétipo cósmico do perfeito andrógino, onde as potencialidades masculinas e femininas estão em equilíbrio. Essa é a consecução dos Iniciados nos Grandes Mistérios de Cristo.

Essa aquisição produz a imunidade ante a enfermidade e a passagem do tempo. E como sua consciência não se interrompe, esteja ou não na carne, nunca experimentam a morte, tal como nós a concebemos, já que sua consciência está centrada na imortalidade ininterruptamente.

Hierarquia Criadora – A Hierarquia Zodiacal de Gêmeos é a Hierarquia Criadora dos Serafins.

Os Serafins despertaram o germe do terceiro aspecto do Espírito – o Espírito Humano, durante a quinta Revolução do Período Lunar.

Uma das palavras-chave de Gêmeos é a atividade; essa é, também, a palavra-chave do Espírito Santo. Por meio da sua atividade, os Serafins transpassam os mistérios do Espírito Santo ao Signo oposto, Sagitário, os Senhores da Mente. Ali esperam que o ser humano desenvolva sua iluminação até ser capaz de compreender e aplicar o imenso poder do Espírito Santo em sua vida diária. Ainda assim a Humanidade só é capaz de perceber debilmente os mistérios relacionados com o princípio e os poderes do Terceiro Aspecto da Trindade.

Atividades do Cristo – Enquanto o Sol transita pelo Signo de Gêmeos, a luz de Cristo se difunde em uma aura esférica ao redor da Terra, o que capacita os Iniciados na Trilha da Santidade a alcançar a presença de poderosos seres, conhecidos como Serafins, cuja grandeza e poder sobrepassam qualquer descrição. Sob seu sublime ministério, os ensinamentos relativos ao mistério da polaridade são transmitidos, com que se aprende a interação entre as energias masculinas e femininas (os elementos positivos e negativos da natureza), e constituem a força motriz de tudo, desde o átomo até o Planeta.

Atividades do Aspirante à vida superior – Durante o Período de trânsito do Sol pelo Signo de Gêmeos, o Discípulo fará bem ao dedicar o maior tempo possível a meditar sobre o princípio da polaridade, pois é o mês mais apropriado do ano para receber as revelações esotéricas sobre essa matéria profundíssima. Se for possível, o Zohar, “o Livro da Luz”, como foi inicialmente conhecido, é recomendável para os estudos sobre esse tema.

No Corpo Denso – O Signo de Gêmeos rege as mãos. Essas são visualizadas como centros florais, fragrantes, luminosos e adornados com preciosos dons de cura e concedendo bênçãos.

Recomenda-se ao Estudante visualizar as mãos com seus órgãos espirituais despertos e iluminados, e com todas as suas faculdades e funções totalmente desenvolvidas.

Dentre os 12 Apóstolos – O Discípulo correlacionado com Gêmeos é S. Tomé. Tão intimamente se identificou com Cristo que suas dúvidas, próprias em uma Mente mortal, foram transcendidas por meio de uma dinâmica realização dos poderes crísticos latentes dentro dele. Realizou muitos e maravilhosos milagres logo depois de ter havido essa transformação.

Passagem da Bíblica correlacionada – enquanto os ritmos vibratórios de Gêmeos impregnam a Terra, e durante o mês solar de JUNHO, se tem o seguinte pensamento-núcleo bíblico: “Tranquilizai-vos e reconhecei: Eu sou Deus(Sl 46:11). Faça isso em cada um dos dias em que Gêmeos enfoca seu ritmo sobre a Terra, e os significados ocultos dessa passagem lhe aclarará a Mente e o Coração sobre sua significância esotérica.

Conteúdo Rico para os Estudos Rosacruzes gerado nas Reuniões de Estudos

03/05 – 16h – Reunião de Estudos Bíblicos Rosacruzes – Evangelho Segundo São Matheus Capítulo 8 versículos: 16 a 17

O texto da Bíblia sob estudo está aqui:

Vendo Jesus que estava cercado de grandes multidões, ordenou que partissem para a outra margem do lago. Então chegou-se a ele um escriba e disse: “Mestre, eu te seguirei para onde quer que vás”. Ao que Cristo Jesus respondeu: “As raposas têm tocas e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”. Outro dos discípulos lhe disse: “Senhor, permite-me ir primeiro enterrar meu pai”. Mas Cristo Jesus lhe respondeu: “Segue-me e deixa que os mortos enterrem seus mortos”.

Estudemos alguns Termos Rosacruzes que aparecem no texto sob estudo:

Primeiro vamos ver a Significância Esotérica desse trecho: “‘Senhor, permite-me ir primeiro enterrar meu pai.’”:  

Reparem que esse trecho vem depois do que Cristo ordenou (como ordena até hoje): “Segue-me”. No trecho Ele diz para um discípulo (ou seja, que já adotou o Cristianismo e já está trilhando o Caminho de Preparação e Iniciação naquele tempo).

Ou seja: para uma pessoa que despertou em si a espiritualidade Cristã.

Exemplo?

Um Estudante Rosacruz – o que muitos de nós respondemos?

•”permite-me ir primeiro enterrar meu pai”

•O que simboliza ou significa essa desculpa ou justificativa?

Simplesmente TUDO que nos impede de progredir espiritualmente na construção e na utilização do Corpo-Alma para vivermos nos Mundos espirituais (como Cristo ensinou).

Exemplos?

•Subordinação à lei dos homens

•Prisão aos costumes

•Apegos materiais

•Perigosa e ilusória zona de conforto

E o que o próprio Cristo nos ensina como solução para conseguirmos progredir espiritualmente pelo método Cristão?

(…) “Segue-me e deixa que os mortos enterrem seus mortos”.

E será que somos também “mortos” que nos ocupamos em enterrar os “nossos mortos”?

Aqui alguns exemplos para ver se somos, ainda que parcialmente:

•Os que estão “mortos” para espiritualidade

•Os que estão acham que “morreu, acabou”

•Os que estão acham que temos só essa vida

•Os que vivem a base de dogmas

•Os que vivem dependentes de outros, senão Cristo

•Os que acham que conseguem enganar a Deus!

E a lista continua, não?

Passamos para a Significância Esotérica desse trecho: “As raposas têm tocas e as aves do céu, ninhos…”:  

A raposa aqui simboliza a astúcia que aprendemos a aplicar na Época Atlante e que até hoje usamos e abusamos! Já as aves aqui simbolizam os pensamentos que, contaminados pelo Corpo de Desejos, vão de um lado para outro.

E completando a frase: “…, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”.

Ou seja: os Ensinamentos d’Ele não estavam nos Corações e nas Mentes humanas…e ainda não estão!

O próximo trecho que vamos buscar a Significância Esotérica é: “Filho do Homem”:  

Reparem bem: o próprio Cristo Jesus se intitula “Filho do Homem”: o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.

Resumindo: Referência oculta ao Signo de Aquário. Para compreendermos essa fortíssima correlação: “Filho do Homem” e o Signo Astrológico de Aquário temos que explicar um pouco o que é um dos Movimentos da Terra chamado “Precessão dos Equinócios”.

•Para isso desenhemos uma linha que chamaremos de Linha do Equador da Terra e coloquemos o Planeta Terra no meio dessa linha, assim como está nessa figura.

•Agora coloquemos o Sol alinhado à Terra.

•Só que devido ao eixo da Terra em relação ao Sol não estar, hoje, perpendicular, ou seja, estar inclinado, então o Sol não pode estar alinhado ao Equador da Terra, ou seja há um ângulo entre o Equador da Terra e o Equador do Sol (uns 23 graus). Mais ou menos assim nessa figura:

Agora se ao invés de trabalharmos em duas dimensões, onde usamos linhas, vamos trabalhar em 3 dimensões e usar planos.

Ficaria mais ou menos assim:

Plano do Equador da Terra e Plano do Equador do Sol em ângulo de separação de em torno de 23 graus. Vamos marcar 4 pontos que são de extrema importância para quem estuda a Filosofia Rosacruz.

Primeiro, o do Equinócio de Março que é bem aqui. Ou seja, quando, estando nós na Terra, parece que o Sol – que se move no seu Plano – cruza o Equador terrestre em março.

Segundo o do Equinócio de Setembro que é bem aqui. Ou seja, quando, estando nós na Terra, parece que o Sol – que se move no seu Plano – cruza o Equador terrestre em setembro.

Terceiro o do Solstício de Junho que é bem aqui. Ou seja, quando, estando nós na Terra, parece que o Sol – que se move no seu Plano – atinge um ponto mais longe da Terra em junho.

Quarto o do Solstício de Dezembro que é bem aqui. Ou seja, quando, estando nós na Terra, parece que o Sol – que se move no seu Plano – atinge um ponto mais longe da Terra em dezembro.

Sabemos que a nossa volta, em volta de todo o nosso Sistema Solar temos os 12 Signos do Zodíaco.

Pois quando falamos, p. exe. que o Sol está em Peixes, é porque se olharmos para o Sol, atrás dele está o Signo de Peixes, como nos ensina a Astrologia Rosacruz.

Então, coloquemos os 12 Signos do Zodíaco na sua sequência. Fica mais ou menos assim:

Note um ponto muito importante que servirá para a nossa explicação: HOJE o Sol cruza o Equador terrestre em março, no Equinócio de Março, no Signo de Peixes.

Vamos pegar justamente essa parte da figura e escrevê-la de outra forma.

•Aqui está uma escala de 60 graus, 30 mais 30.

•Aqui está o Signo de Áries nos seus 30 graus.

•E aqui o Signo de Peixes nos seus 30 graus.

Agora vem a constatação de como o movimento de Precessão dos Equinócios ocorre.

Todos os anos, em março, quando o Sol cruza o Equador terrestre, ele sempre cruza em um valor que é anterior ao ano passado.

Exemplo: se ele cruzou esse ano em 7 graus, 22 minutos e 9 segundos de Peixes, no ano passado ele cruzou em 7 graus, 22 minutos e 59 segundos.

Alguns exemplos no passado:

•no ano 1 d.C. o Sol estava cruzando em torno de 7 graus de Áries:

•já no ano 498 d.C. o Sol estava cruzando em torno de 2 graus de Áries:

•e hoje o Sol estava cruzando em torno de 7 graus de Peixes:

Estendamos a escala para mais 30 graus. Note: temos 3 conjuntos e assim podemos projetar 3 Signos: Peixes, Áries e Touro.

Quando o Sol cruzava o Equador terrestre no Signo de Touro estávamos na Era de Touro.

No Signo de Áries, estávamos na Era de Áries.

E, hoje, cruzando no Signo de Peixes, estamos na Era de Peixes.

Na Era de Touro estávamos na 3ª parte da Época Atlante.

Na Era de Áries estávamos na 1ª parte da Época Ária.

Na Era de Peixes estamos na 2ª parte da Época Ária.

Agora notem bem: o Antigo Testamento cobre os 23 graus enquanto estávamos na Era de Áries.

Já o Novo Testamento cobre os 7 graus enquanto estávamos na Era de Áries e, assim, já na Órbita de Influência da Era de Peixes.

Na Era de Touro tínhamos uma Religião onde adorávamos o Touro ou o “bezerro de ouro”. Foco era na conquista da Região Química do Mundo Físico e conquistas materiais sob as Religiões de Raça.

Na Era de Áries, até os 23 graus, estávamos em uma transição que tínhamos que adorar o Cordeiro e o sangue do Cordeiro nos protegia, ainda sob as Religiões de Raça. Alusões aos Pastores do Antigo Testamento de carneiros e cordeiros.

Após os 8 graus, começamos a adorar o Cordeiro de Deus que ia vir e veio! Daí Cristo ser chamado de Cordeiro de Deus que tirou os pecados do mundo. Apresentação da Religião Cristã a quem quisesse.

Como estávamos já na Órbita de Influência da Era de Peixes, o peixe, conhecido como Ichthys se torna um dos símbolos mais antigos do Cristianismo. Cristo faz dos Discípulos “pescadores de homens”. Alusões a rede de pesca e peixes.

Continuemos estendendo a nossa escala para mais um Signo além de Peixes. Lembrando: estamos hoje na 2ª parte da Época Ária ou na Era de Peixes, pois o Sol, quando no Equinócio de Março cruza o Equador, atrás dele está o Signo de Peixes. E estamos em direção à 3ª parte da Época Ária ou Era de Aquário:

Reparem que o Signo de Aquário é o único que tem como símbolo um homem inteiro.

Em referência à Aquário Cristo se intitulou “Filho do Homem”, pois ele trouxe a Religião da Era de Aquário, onde a Fraternidade e o altruísmo reinarão no nosso cotidiano.

Ou seja; Ele nos disponibilizou a verdadeira Religião Cristã (bem diferente do que vemos hoje propagandeadas pelas Religiões exotéricas, católicas e protestantes).

E ao disponibilizar para quem quisesse, muitos de nós já a vivencia na prática do seu dia a dia.

Na Fraternidade Rosacruz temos, por exemplo, os irmãos e as irmãs que já alcançaram os níveis de Adepto e Irmão Maior, na sua plenitude; os Irmãos e as Irmãs Leigas na maior parte do tempo; os Discípulos que sabem o que é e se esforçam para vivenciá-la; e os Probacionistas ativos e sinceros que a praticam por meio das lições não escritas que lhe são fornecidas.

Aqui são somente algumas significâncias esotéricas desse trecho. Como visitaremos novamente esses trechos em outros Evangelhos teremos a oportunidade de nos aprofundar mais.

Para saber mais, assista o vídeo da 29ª Reunião Mensal de Estudos Bíblicos Rosacruzes da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil no nosso Canal do YouTube:

29ª-Reunião de Estudos Bíblicos Rosacruzes-FRC-Campinas SP-3mai268ºC. S. Mateus-18-22-Filho do Homem

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10/05 – 17h – Reunião de Estudos de Filosofia Rosacruz por meio do Conceito Rosacruz do Cosmos – Capítulo XVI – Desenvolvimento Futuro e Iniciação – A Palavra Criadora – Termos Rosacruzes: Mente e Imaginação

Estudemos dois Termos Rosacruzes importantíssimos que aparecem no texto sob estudo:

Termo Rosacruz: Mente

A Mente é o meio pelo qual nós (Tríplice Espírito, a Individualidade) conseguimos trabalhar com o nosso Tríplice Corpo, a Personalidade). Antes para contextualizarmos precisamos entender, quando passamos a possuir a Mente e o marco que ela trouxe, o que mudou a partir dela, e para isso vamos dar uma rápida passada pelo Esquema de Evolução:

•É um grande Dia de Manifestação que compreende 7 Períodos. Cada Período é composto por 49 voltas.

•São 7 Globos que completam 7 Revoluções cada, seguido de 49 Repousos e 1 Noite Cósmica.

•O “Fio de Ariadne” que nos guiará através desse labirinto de Globos, Mundos, Revoluções e Períodos.

•Um Globo é um Campo de Evolução, ou seja, um local com um ambiente completo e condições perfeitas para a EVOLUÇÃO de inúmeras Ondas de Vida.

•Repouso ocorre todas as vezes em que migramos de um Globo para outro, essa não é uma fase de inércia e sim de assimilação e preparação do novo ambiente.

Revolução, passando pelos sete Globos que a compõe, depois de completar essa primeira Revolução, vamos para uma Recapitulação dessa Revolução e depois vamos para a segunda Revolução, passando pelos sete Globos que a compõe.

•Noite Cósmica que ocorre entre dois Períodos também não é um Período de inércia, e sim de assimilação e preparação. Quando isso ocorre o cosmo converte-se em ‘Caos’ novamente e partimos para um novo Período.

-Quais são as ajudas que tivemos das Hierarquias?

No trajeto da nossa Evolução tivemos muitas ajudas das Hierarquias Criadoras, algumas pertencentes a nossa Evolução e outras voluntariamente nos ajudaram. No primeiro capítulo do Gênesis essas Hierarquias são chamadas Elohim. Esse nome significa uma hoste de Seres duplos ou bissexuais. Vamos falar do primeiro lá no Período de Saturno.

Senhores da Chama; essa Hierarquia prestou grande auxílio à nossa Onda de Vida nos dando um germe de um Corpo e despertando em nós o Espírito Divino. Vale ressaltar que tal Hierarquia não tinha compromisso ou obrigação nenhuma, que os levasse a nos auxiliar, nem nos em nada poríamos acrescentar à evolução dos mesmos, nenhum novo conhecimento, nenhuma nova habilidade, aprendizado ou experiência, nada poderíamos acrescentar à essa elevada Hierarquia, seu auxílio foi desinteressado (aquilo que não se tem ganho, necessidade ou obrigação), sendo assim, seu auxílio foi essencial para nossa evolução.

Durante a 1° Revolução do Período de Saturno, os Senhores da Chama conseguiram implantar na vida evolucionante o germe do nosso atual Corpo Denso.

Esse germe foi se expandindo durante as próximas 6 Revoluções, onde obteve a capacidade de desenvolver os órgãos do sentido, especialmente o ouvido. Desde quando nos proporcionou o germe do Corpo Denso os Senhores da Chama se fizeram inativos em nossa evolução retomando somente no final do Período para, mais uma vez, nos ajudar. Na metade da 7° Revolução do Período de Saturno os Senhores da Chama se fizeram ativos novamente, nos proporcionado dessa vez o princípio espiritual mais elevado, despertando o Espírito Divino no ser humano.

No Período de Solar, a Hierarquia que atuou diretamente com o ser humano foi a dos Senhores da Sabedoria. Os Senhores da Sabedoria, foram responsáveis por proporcionar o germe da Corpo Vital, estabelecendo a base para a futura evolução do ser humano. Durante o Período Solar, tivemos outra grande realização que foi a contraparte do Corpo Vital, foi o despertar do Espírito de Vida, isso foi feito por uma Hierarquia chamada Querubins. Neste Período o ser humano era análogo aos vegetais, a consciência dos seres humanos no Período Solar era semelhante a um estado de sono profundo. Nesse estado, não havia autoconsciência nem a capacidade de perceber o mundo externo de maneira consciente, como fazemos hoje. – Nesse estágio, a consciência humana estava em grande parte fundida com o ambiente ao seu redor. Não havia uma distinção clara entre o “eu” e o “não-eu”. Essa fusão com o ambiente é comparável ao estado de consciência das plantas, que vivem e crescem de acordo com os ritmos naturais, mas sem consciência própria ou Individualidade.

O foco principal no Período Solar era o desenvolvimento do Corpo Vital. Esse Corpo é responsável pelos processos vitais e pelo crescimento, e durante este Período, a Humanidade estava fortemente influenciada por essas forças vitais. – A consciência era, portanto, principalmente ligada às funções vitais e de crescimento, semelhante à vida das plantas, que são guiadas pelas forças do Corpo Vital. – Embora não houvesse autoconsciência, havia uma sensação básica de vida, um sentimento de vitalidade. Isso se manifestava como um tipo de percepção interna, uma sensação de estar vivo, mas sem a complexidade das emoções ou do pensamento consciente.

No Período Lunar, a Hierarquia que atuou diretamente com o ser humano foi a dos Senhores da Individualidade.

Os Senhores da Individualidade foram responsáveis por proporcionar as “sementes” do germe de Corpo Desejos. Já outra Hierarquia chamada de Serafins nos proporcionou o despertar do Espírito Humano, a contraparte do Corpo de Desejos. Neste Período o ser humano era análogo aos animais pois possuía uma consciência e estava em um estado de sono com sonhos, onde havia uma percepção rudimentar de imagens e formas. No entanto, essa consciência era instável e fragmentada.

Os seres neste estágio podiam perceber imagens e formas, mas essas percepções eram vagas e fluidas, sem a clareza e a definição da percepção consciente atual.

Neste Período o foco principal do desenvolvimento era o desenvolvimento do Corpo de Desejos. Este Corpo é responsável pelas emoções e sentimentos. Os seres começaram a experimentar emoções primitivas e sensações, mas sem uma compreensão clara ou controle sobre elas.

A reconstrução do Corpo Denso, na Revolução de Saturno do Período Terrestre, teve a finalidade de torná-lo apto para ser interpenetrado pela Mente. Recebeu o primeiro impulso para a construção do Sistema Nervoso, onde começaram a se objetivar o Sistema Nervoso Voluntário e o Simpático. O Sistema Nervoso Simpático já havia sido obtido no Período Lunar, mas o Sistema Nervoso Voluntário foi exatamente no atual Período Terrestre. E por intermédio do Sistema Nervoso Voluntário, o Corpo Denso, que era um mero autônomo agindo somente em função de estímulos exteriores, como uma marionete, se transformou num instrumento extraordinariamente adaptável podendo ser guiado e governado pelo Ego, de dentro. Assumimos o controle.

O trabalho principal de tal reconstrução foi executado pelos Senhores da Forma. Esta Hierarquia é a mais ativa no atual Período Terrestre, assim como as mais ativas do Período de Saturno foram os Senhores da Chama; no Período Solar os Senhores da Sabedoria e no Período Lunar os Senhores da Individualidade. O Período Terrestre é, sem sombra de dúvida, o Período da Forma. Aqui, a parte material da evolução está em seu grau máximo o mais elevado, ou mais pronunciado. Em contrapartida, o Espírito está mais abandonado, mais distante e coibido. A Forma é o fator mais dominante, daí o predomínio dos Senhores da Forma. Se os Senhores da Forma é a Hierarquia predominante do Período, sugere-se que ela tenha despertado algo, dado alguma parte do nosso Corpo Denso ou nos proporcionado algum germe, sim ou não?

A grande pergunta é o que foi, e qual foi o germe que Senhores da Forma nos proporcionou? Além é claro de a finalidade de torná-lo apto para ser interpenetrado pela Mente.

Os Senhores da Forma não nos “deram” nada; nem germe e nem partes do nosso Corpo Denso. Eles nos dão (e a todas as Ondas de Vida que precisam) os ensinamentos para construirmos formas, sejam químicas, etéricas, de desejo e/ou de pensamento, e por isso são os responsáveis por todas as atividades no Período Terrestre.

Mas então se os Senhores da Forma não nos deram nenhum germe, nem parte alguma do nosso Corpo Denso? Isso quer dizer que no Período Terrestre não recebemos nenhum tipo de germe, o que além dos Senhores da Forma outra ou outras Hierarquias, também nos ajudaram com o despertar de algum germe, se sim qual foi esse germe e qual foi a Hierarquia?

Os Senhores da Mente, especialistas em matéria mental, nos deram o germe do veículo Mente aqui na 4ª Revolução do Período Terrestre.

Com esse acréscimo completamos a reconstrução final do Corpo Denso, ou ainda teremos a frente mais aperfeiçoamento, do e no, Corpo Denso?

Após recebermos o germe da Mente completamos a reconstrução final do Corpo Denso, capacitando-o a alcançar o mais alto grau de eficiência possível a tal veículo.

E quando fazemos uma Recapitulação podemos enxergar como fomos sendo preparados. Para tornamo-nos autoconscientes, sabemos que no Período de Saturno éramos inconscientes estando no nível de consciência correspondendo ao transe profundo No Período Solar éramos inconscientes correspondendo ao sono sem sonhos. No Período Lunar possuíamos a consciência pictórica correspondendo ao sono com sonhos. Somente no Período Terrestre obtivemos a consciência de vigília. Até aqui, aprendemos sobre as ajudas que recebemos e quando as recebemos. Porém precisamos ter um pouco mais de clareza em saberemos que parte do Período Terrestre essa consciência foi adquirida, logo que entramos no Período Terrestre ou no meio.

Quando chegamos exatamente aqui no Globo D do Período Terrestre, deu início as chamadas Épocas. Aqui é o ponto mais baixo da Involução e o início da Evolução. E foi exatamente aqui em uma das Épocas que os Senhores da Mente nos deram o germe do veículo Mente, na 4ª Revolução do Período Terrestre.

As Épocas se fizeram necessárias por um motivo, e qual foi esse motivo? Para uma recapitulação dos Períodos anteriores.

Qual o grande objetivo das Épocas? Devido a lei de espirais dentro de espirais, um novo passo nunca é dado antes que seja recapitulado todos os passos anteriores.

Em qual Época recebemos o Germe da Mente? O Germe da Mente começou a ser dado aos mais avançados da Humanidade no final da Época Lemúrica, mas o desenvolvimento e a manifestação de forma mais ampla da Mente ocorreram na Época Atlante. Antes disso, o ser humano era mais instintivo, funcionando sem razão desenvolvida, sem intelecto completo e sem consciência individual como conhecemos hoje. O cérebro estaria em formação há muito tempo, mas ainda não plenamente conectado à Mente racional.

• Na Época Polar → o ser humano tinha apenas algo equivalente ao Corpo Denso.

• Na Época Hiperbórea → desenvolveu o Corpo Vital.

• Na Época Lemúrica → desenvolveu o Corpo de Desejos (emoções e impulsos).

• Na Época Atlante → recebeu a Mente. Os “Senhores da Mente” teriam dado ao ser humano o “germe da Mente”, permitindo o surgimento da Individualidade e da autoconsciência. O grande marco foi que a partir daí:

– o ser humano passou a desenvolver razão;

 – começou a pensar de forma individual;

– adquiriu consciência do “eu”;

– passou a escolher entre o certo e o errado;

– e iniciou o desenvolvimento intelectual.

“A Mente é o foco em que o Tríplice Espírito […] reflete-se no Tríplice Corpo.”. “O intelecto do ser humano teve sua origem durante o quarto Dia da Criação, o Período Terrestre em que vivemos agora, porque antes dele a vida do ser humano atual não tinha nem cérebro e nem Mente”.

Quem veio primeiro o cérebro ou a Mente? O cérebro físico surgiu antes da Mente racional completa. O cérebro seria preparado ao longo da evolução para depois receber o germe da Mente. Tudo, antes, existe uma preparação, uma construção.

No atual Período Terrestre o veículo mais Denso é o Corpo Denso. No Período de Jupiter será o Corpo Vital. No Período de Vênus será o Corpo de Desejos, e no Período de Vulcano será um Corpo Mental. E agora vamos dar uma olhada nas formas que hoje temos de alimentar e cultivar o atual e futuros Veículos.

Mente Concreta → ligada aos desejos, emoções, sentimentos, interesse pessoal e pensamento voltado ao mundo material. A Mente Concreta está contaminada pelos desejos.

Mente Abstrata → ligada às ideias puras, princípios universais, pensamento elevado, impessoal e espiritual. A Mente Abstrata trabalha acima da contaminação emocional que está a Mente Concreta.

•As atividades e disciplinas que ajudam no desenvolvimento da Mente Abstrata são: estudo da matemática, música elevada em harmonia, melodia e ritmo, meditação em assuntos elevados, Astrologia Rosacruz, estudo do Esquema de Evolução, pensamento ordenado e consecutivo, esforço mental contínuo, reflexão filosófica e espiritual.

O Pensamento Abstrato […] não está contaminado pelas emoções. A maioria da Humanidade é incapaz de se abstrair porque não formou a Mente Abstrata.

Termo Rosacruz: Imaginação

A imaginação surgiu como parte necessária do processo evolutivo do ser humano. Ela não apareceu por acaso, mas porque o ser humano precisava deixar de ser apenas um ser guiado automaticamente, para se tornar um criador consciente. No início da evolução, nos Períodos e Épocas já apresentados, o ser humano ainda não possuía pensamento consciente do Mundo Físico. Éramos autômatos, guiados em tudo. Sem a Mente, vocês acreditam que nós tínhamos a capacidade para criar algo, ‘sim ou não? Se sim, o que criávamos?

Nessa fase antiga, o ser humano criava inconscientemente apenas seus Corpos, mas ainda não conseguia pensar, experimentar ideias ou criar conscientemente no Mundo Físico.

Então surgiu uma necessidade evolutiva, acabou a involução e já tínhamos tudo o que precisávamos, agora era hora de começar a subir; desenvolver consciência, experimentar pensamentos, aprender a criar, desenvolver a Individualidade e crescer espiritualmente.

E para tudo isso acontecer, ocorreram mudanças profundas durante a Época Lemúrica e depois na Época Atlante. A principal delas foi a construção do cérebro e da laringe.

“A necessidade de se ter um instrumento, formou o cérebro.” O cérebro seria o instrumento da Mente para pensar no Mundo Físico, enquanto a laringe permitiria expressar os pensamentos. E para que isso fosse possível, parte de uma força precisou ser desviada. Qual foi essa força?

A força sexual criadora, da reprodução, direcionada para cima, onde formou o cérebro e a laringe. Foi nesse contexto que apareceram as duas grandes forças criadoras humanas.

– A imaginação passou a ser uma faculdade criadora do Ego, responsável por formar imagens mentais e permitir ao ser humano criar conscientemente. O ser humano deveria desenvolver a criatividade, invenção e a capacidade de transformação.

O gênio é a expressão de uma Mente divina e, em conexão com a imaginação, faz do ser humano um criador dentro de si mesmo.

Ou seja; a imaginação surgiu para tornar o ser humano um criador consciente, ela nasceu junto ao desenvolvimento da Mente, do cérebro e da Individualidade, foi necessária para o crescimento anímico e espiritual e, permitiu que o ser humano deixasse de agir apenas por instinto e começasse a criar novas possibilidades.

•Sem imaginação não existiria civilização humana

•Sem a Imaginação seríamos ainda selvagens

•E tudo aquilo que a Humanidade construiu primeiro foi imaginado mentalmente, antes de se tornar realidade concreta.

Resumidamente: 

A Mente é o instrumento de pensamento do Ego, funcionando como elo entre o espírito e os Corpos do ser humano. Ela permite raciocinar, formar ideias, adquirir consciência e direcionar a Vontade e a Imaginação para a criação e evolução do ser humano.

Imaginação é o poder do sexo feminino, e é ligada às forças lunares. É a força criadora da Mente, responsável por formar imagens, ideias e possibilidades que podem se manifestar na realidade. Ela foi desenvolvida para transformar o ser humano em um criador consciente, auxiliando sua evolução material, mental e espiritual.

Para saber mais, assista ao vídeo da 265ª Reunião de Estudos de Filosofia Rosacruz por meio do Conceito Rosacruz do Cosmos – Capítulo XVI – Desenvolvimento Futuro e IniciaçãoAlquimia e Crescimento da Alma – Termo Rosacruz: Alma, em nosso canal do YouTube aqui:

265ª Reunião Dominical-FRC em Campinas-SP-10mai26-C.XVI-Desenvolvimento Futuro: Mente-Imaginação

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17/05 – 17h – Reunião de Estudos de Filosofia Rosacruz por meio do Conceito Rosacruz do Cosmos – Capítulo XVI – Desenvolvimento Futuro e Iniciação – Os Primeiros Graus – Ego – P.1

Estudemos um Termo Rosacruz importantíssimo que aparece no texto sob estudo:

Termo Rosacruz: Ego

Vamos começar de baixo para cima, para melhor compreender o Termo Rosacruz: “Ego”.

Somos um ser composto que, quando estamos aqui renascidos somos um microcosmo composto dos seguintes instrumentos: um Corpo Denso, um Corpo Vital, um Corpo de Desejos e uma Mente. Esses instrumentos se interpenetram, assim como no macrocosmo os Mundos se interpenetram.

•Assim, nós também somos um pequeno mundo, um microcosmo

•Nosso “Mundo Físico” é composto do Corpo Denso e Corpo Vital

•Nosso “Mundo do Desejo” é composto do Corpo de Desejos

•Nossa “Região do Pensamento Concreto do Mundo do Pensamento” é composto da Mente

•Cada um de nós somos um Mundo diferente e devemos ser respeitados como tal

Trabalharmos sobre os nossos Corpos através da nossa Mente para retirarmos dos nossos Corpos as lições que aprendemos.

Para isso nos alimentamos da Alma Consciente por meio da quintessência de todo trabalho executado por nosso Espírito Divino no Corpo Denso.

Nos alimentamos da Alma Intelectual por meio da quintessência de todo trabalho executado no nosso Espírito de Vida no Corpo Vital.

E nos alimentamos da Alma Emocional por meio da quintessência de todo trabalho executado no nosso Espírito Humano no Corpo de Desejos.

•do Corpo Denso: todas as nossas ações corretas, honestas e sinceras

•do Corpo Vital: toda a memória das ações retas praticadas e todos os bons hábitos formados

•do Corpo de Desejos: todos os desejos, sentimentos e emoções de fé, altruísmo, filantropia, serviço, amor

Damos o nome de Personalidade ao conjunto: Corpo Denso, Corpo Vital e Corpo de Desejos

Damos o nome de Ego ao conjunto: Espírito Humano, Espírito de Vida e Espírito Divino

•E é através da Mente que podemos atuar nos nossos Corpos

•Ela é que transmite a nossa vontade para colocar em ação os nossos Corpos

•E é por ela que pedimos na Oração do Pai Nosso: livrai-nos do mal

Percebam nas figuras, que o Ego humano separado é segregado definitivamente dentro do Espírito Universal, na Região do Pensamento Abstrato.

E vejam que unicamente nós possuímos a cadeia completa de veículos que nos correlaciona com todas as divisões dos três Mundos, ou seja, nos fornece a capacidade de funcionar em todas as Regiões desses três Mundos que compõe atualmente, o nosso campo de aprendizagem no “Ciclo de Nascimentos e Mortes”.

A figura acima deixa claro também que é o Ego que, por exemplo, move o Corpo Denso à vontade e não o Corpo Denso que governa os movimentos do Ego. Quanto mais estreitamente o Ego pode se pôr em contato com o seu veículo, mais pode dominá-lo e se expressar por seu intermédio, e vice-versa. Essa é a chave do nosso nível de Consciência de Vigília atualmente!

Para saber mais, assista ao vídeo da 266ª Reunião de Estudos de Filosofia Rosacruz por meio do Conceito Rosacruz do Cosmos – Capítulo XVI – Desenvolvimento Futuro e Iniciação – Os Primeiros Passos – Termo Rosacruz: Ego – Parte 1 em nosso canal do YouTube aqui:

266ª Reunião Dominical-FRC em Campinas-SP-17mai26-C.17-Método para o Conhecimento Direto_Ego-P.1    

24/05 – 17h – Reunião de Estudos de Filosofia Rosacruz por meio do Conceito Rosacruz do Cosmos – Capítulo XVI – Desenvolvimento Futuro e Iniciação – Os Primeiros Graus – Ego – P.2

Continuemos o estudo de um Termo Rosacruz importantíssimo que aparece no texto sob estudo:

Termo Rosacruz: Ego

Ao contrário da ideia geralmente aceita, nós, Egos, somos bissexuais. Se fôssemos assexuais, o Corpo Denso seria necessariamente assexual também, por ser o símbolo externo de nós, um Espírito interno.

Isto explica o predomínio da Imaginação quando renascemos aqui como mulher e o poder especial que a Lua exerce sobre o organismo feminino.

E, também, explica o predomínio da Vontade quando renascemos aqui como homem e o poder especial que o Sol exerce sobre o organismo masculino.

Assim, aprendemos que fomos criados bissexuais, como um Espírito Virginal da Onda de Vida humana, manifestado aqui como Ego, e que, até a Época Hiperbórea deste Período Terrestre, quando renascíamos aqui na Região Química do Mundo Físico, cada um de nós era capaz de propagar a nossa espécie humana sem a cooperação de outro, como hoje é o caso de algumas plantas.

Cada um de nós é um Espírito Virginal, criado “à imagem e semelhança de Deus”, como estudamos na Bíblia. Quando, em um Esquema de Evolução, nos manifestamos, somos um Ego. Assim, um Ego é um Espírito Virginal Manifestado durante um Esquema de Evolução.

Antes do início de sua peregrinação através da matéria, nós, o Espírito Virginal, nos encontramos no Mundo dos Espíritos Virginais, o mais próximo ao mais elevado dos sete Mundos. Possuíamos a Consciência Divina, mas não consciência de nós mesmos. A Consciência Divina, o Poder Anímico e a Mente Criadora são faculdades que se adquirem pela evolução.

Vamos ver a Composição do Ego em cada Período na parte da Involução desse Esquema de Evolução:

– Na 7ª Revolução nós, o Ego, éramos compostos somente do Espírito Divino

– A partir da 6ª Revolução nós, o Ego, éramos compostos do Espírito Divino e do Espírito de Vida

– A partir da 5ª Revolução nós, o Ego, éramos compostos do Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano

– Daqui para frente, nossa manifestação se completou como um Tríplice Espírito

Durante a Involução, as Hierarquias Criadoras nos ajudaram a despertar a atividade do Tríplice Espírito, que é o que somos; um Ego, para construirmos o nosso Tríplice Corpo e adquirirmos a ligação por meio da nossa Mente, que também nos foi dada.

Empregando a linguagem bíblica, no “sétimo dia Deus descansa”. O que isso significa?

Que agora, durante a parte “Evolução” desse Esquema de Evolução, devemos trabalhar por nossa “própria salvação”. Nós, o Tríplice Espírito, devemos completar a Obra do Plano iniciado por Deus.

Os nossos três aspectos Divinos, ou seja, nossos três veículos divinos: Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano, estão em atividade durante toda a parte “Evolução”, mas a atividade principal de cada aspecto é desenvolvida em cada Período particular.

A Obra que ali executará será seu trabalho especial. Vamos ver com detalhes o nosso trabalho, o trabalho do Ego nos Períodos de Júpiter, Vênus e Vulcano:

– Trabalharemos mais afincamente usando nosso Espírito Humano no Período de Júpiter.

Por quê? Porque o Espírito Humano, despertado durante a Involução no Período Lunar, é o Período correspondente ao Lunar no arco ascendente da espiral. Reparem que os Globos são compostos dos mesmos materiais. Ou seja, os Campos de Evolução são similares. Lá trabalhamos inconscientemente, no Período de Júpiter trabalharemos conscientemente.

Trabalharemos mais afincamente usando nosso Espírito de Vida no Período de Vênus.

Por quê? Porque o Espírito de Vida, despertado durante a Involução no Período Solar, é o Período correspondente ao Solar no arco ascendente da espiral. Reparem que os Globos são compostos dos mesmos materiais. Ou seja; os Campos de Evolução são similares. Lá trabalhamos inconscientemente, no Período de Vênus trabalharemos conscientemente.

E trabalharemos mais afincamente usando nosso Espírito Divino no Período de Vulcano.

Por quê? Porque o Espírito Divino, despertado durante a Involução no Período de Saturno, é o Período correspondente ao de Saturno no arco ascendente da espiral. Reparem que os Globos são compostos dos mesmos materiais. Ou seja, os Campos de Evolução são similares. Lá trabalhamos inconscientemente, no Período de Vulcano trabalharemos conscientemente.

Deus se manifestou e se tornou três em um único Ser, os três aspectos de Deus: Pai, Filho e Espírito Santo.

Como fomos feitos a sua imagem, também nos manifestamos em três aspectos: Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano.

Deus se manifesta quando está criando, como agora, um Sistema Solar (e torna-se três aspectos).

Nós nos manifestamos quando estamos aprendendo no que Ele está criando, como agora nesse Esquema de Evolução (nos tornamos em três aspectos). Assim: “em Deus vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”.

Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que não existe contradição alguma em atribuir multiplicidade a Deus. Não pecamos contra a “unidade” da luz por distinguirmos as três cores primárias em que se divide.

Reparem que Deus, o Arquiteto do nosso Sistema Solar, Fonte e Meta da nossa existência, se manifestou e se tornou três em um único Ser, os três aspectos de Deus: Pai, Filho e Espírito Santo.

Não são três Seres, senão três Atributos de um só Ser. Quando este Ser, em Sua permanente atividade, põe em Manifestação mais densa, com o propósito de criar e crescer, eles se manifestam em: Vontade, Sabedoria e Atividade.

À semelhança de Deus, nosso Criador, nós fomos criados a Sua imagem e semelhança temos três atributos, ou emanações de Deus, que são: o Espírito Divino, o Espírito de Vida e o Espírito Humano, respectivamente; três aspectos de Uma mesma divindade interna, nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui). Assim, nos manifestamos de forma tríplice, isto é, Consciência (Pai), Vida (Filho) e Forma (Espírito Santo). Não são três “pessoas”, senão três manifestações de uma só “pessoa”. Se faltasse uma destas três manifestações não poderíamos evoluir, mostrando assim que depende de uma cadeia completa de veículos correspondentes aos atributos superiores.

Resumindo então:

Deus se manifesta de forma tríplice:

Juntos formam a Santíssima Trindade

Nós Espíritos Virginais também nos manifestamos de forma Tríplice:

Vamos resumir o nosso trabalho, como Espírito Virginal que somos, desde a nossa manifestação como Ego, o despertar de cada um dos nossos veículos divinos, a aquisição e desenvolvimento de cada Corpo, a produção do alimento que desenvolve cada um dos nossos veículos divinos que são as respectivas Almas e o objetivo final de tudo isso.

Durante a vida o Tríplice Espírito, o Ego, trabalha sobre e no Tríplice Corpo, ao qual está ligado pelo elo da Mente. Este trabalho traz à existência a Tríplice Alma. A Alma é, pois, o produto espiritualizado do Corpo.

A Tríplice Alma, por sua vez, amplia a consciência do Tríplice Espírito.

Ou em outras palavras: o Tríplice Espírito através da Mente, governa um Tríplice Corpo, que é emanado de si mesmo para obter experiências. Este Tríplice Corpo, o Espírito transmuta para uma Tríplice Alma, sobre a qual nós nos nutrimos da impotência para a Onipotência.

Aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e fará obras ainda maiores, porque eu vou para o Pai.” (Jo 14:12). Entre os poderes que Cristo Jesus possui, como temos conhecimento através de Sua obra, estavam a clarividência, profecia, ensino, cura, expulsão de demônios e o controle dos elementos.

Por fim, lembremo-nos que durante a fase de Involução, nesse Esquema de Evolução, progredimos através da formação e aperfeiçoamento dos nossos Corpos, mas a partir da fase de Evolução dependemos do crescimento da Alma, isto é, da transformação dos nossos Corpos em Alma. A Alma é, por assim dizer, a quintessência, o poder ou força dos nossos Corpos.

Esse é o caminho que todos nós seguimos da Impotência para a Onipotência.

Para saber mais, assista ao vídeo da 267ª Reunião de Estudos de Filosofia Rosacruz por meio do Conceito Rosacruz do Cosmos – Capítulo XVI – Desenvolvimento Futuro e Iniciação – Os Primeiros Passos – Termo Rosacruz: Ego – Parte 2 em nosso canal do YouTube aqui:

267ª Reunião Dominical FRC em Campinas SP 24mai26 C 17 Conhecimento Direto Ego P 2  

 

31/05 – 17h – Reunião de Estudos de Filosofia Rosacruz por meio do Conceito Rosacruz do Cosmos – Capítulo XVI – Desenvolvimento Futuro e Iniciação – Primeiros Passos: Palavra Criadora

Estudemos um Termo Rosacruz que aparece no texto sob estudo e que deve ser muito bem compreendido por nós, a fim de distinguirmos bem a que “Deus” realmente estamos adorando e buscando seguir.

Termo Rosacruz: Deus de Raça

Como definimos o Deus de Raça? É uma das funções de Jeová, o mais elevado iniciado do Período Lunar.

Jeová pertence a Onda de Vida dos Anjos. Alcançou o mérito de ser o atributo Espírito Santo de Deus.

Ele é o criador e Regente das Religiões de Raça. E nos guiou, no passado, por meio de Religiões Separatistas. Jeová dividiu a Humanidade em diferentes povos, colocando cada um sob a direção de um grande Arcanjo, com a função de Espírito de Raça (um Arcanjo). Nós ainda não tínhamos desenvolvido Consciência Espiritual suficiente para agir de acordo com a vontade do Pai, e não conseguíamos controlar nossos desejos. Por isso surgiu a primeira ajuda para a Humanidade se voltar para Deus, cultivando a espiritualidade: as Religiões de Raça!

O que são Religiões Separatistas? São aquelas focadas em regras e divisões baseadas em raças, nações ou dogmas exclusivos – também chamadas de Religiões de Raça.

O que são Religiões de Raça? Religiões criadas por Jeová e praticada pela Humanidade. É baseada nas Leis Jeovísticas, por exemplo: “Olho por olho, dente por dente”. Os Dez Mandamentos resumem essas Leis.

Como as Religiões nos educavam? De “fora para dentro”. Por meio das Leis, do temor a Deus e da punição, nos ensinando a controlar nossos desejos. As Leis nos ajudavam a perceber quando pecávamos, ou seja, quando fazíamos algo errado — algo contra as Leis de Deus. Esse processo nos ajudou a desenvolver o controle sobre os nossos desejos e na evolução da nossa Consciência.

Já nos libertamos dos Espíritos de Raça? Não – até agora, a maioria de nós está sob a influência do dominante Espírito de Raça e das reminiscências que muitos criaram a partir deles: Espírito de Tribo e Espírito de Família.

E quando nos libertaremos? A Bíblia diz que a Lei nos foi dada até que o amor de Cristo viva em nós e direcione nossas ações, ou seja, até que o Cristo Interno nasça e se desenvolva em nós, tornando assim a Lei externa desnecessária, pois a Lei estará dentro de nós!

As Religiões de Raça foram etapas necessárias de preparação para a vinda de Cristo. Todas elas apontavam para a vinda de um grande Ser que traria uma nova forma de Evolução. Cristo veio com a missão de superar a separação entre os povos e promover a Fraternidade Universal.

268ª Reunião Dominical-FRC em Campinas-SP-31mai26-C.17-Conhecimento Direto_Deus de Raça

Alguns Artigos Publicados nas nossas redes sociais no mês de ABRIL:

Perigos em Praticar a Clarividência Involuntária ou Negativa

Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que há sim um grande perigo de praticarmos a Clarividência involuntária ou negativa, seja para conhecer os Mundos invisíveis (Mundos espirituais), seja para trabalhar diretamente neles.

Afinal, quando estudamos o assunto sobre desenvolvimento da visão espiritual não há nada de simbólico, nem se refere a algo vago – como um estado de êxtase ou coisa semelhante.

O que há, de fato, é o desenvolvimento de uma faculdade real, tal como temos a visão física, pois a visão espiritual é tão necessária à percepção dos Mundos espirituais e à verdadeira compreensão das condições suprafísicas, como o é a visão física indispensável a uma mais ampla compreensão das condições materiais (ou seja, aqui na Região Química do Mundo Físico).

Agora, somos alertados nos Ensinamentos Rosacruzes, para que não confundamos a visão espiritual (ensinada aqui) com a Clarividência desenvolvida de uma maneira involuntária ou negativa, pois nessa há a dependência de um estado negativo da nossa Mente (ou seja, a nossa disposição em nos deixar levar, seja pela possessão do nosso Corpo Denso, seja por seguir as “orientações” de um irmão ou uma irmã desencarnada).

Nesse caso tais irmãos e irmãs “clarividentes” podem ser comparados às pessoas presas “em seus cavalos sem selas e com as rédeas soltas, ou seja, são levadas de um lado para outro, à vontade dos cavalos”. Nesse caso é um grande perigo!

Esse grande perigo também ocorre em certas fases de Clarividência negativa que são desenvolvidas com o uso de drogas, instrumentos materiais, assim como por meios de exercícios respiratórios

E por quê? Porque em todos esses casos de Clarividência negativa ou involuntária, não está sob controle do Ego (o dono do Corpo Denso e todos os veículos que ele usa aqui, renascido)!

Aprendemos que um Clarividente voluntário, devidamente desenvolvido, nunca está preso!

Ele pode ver ou deixar de ver à sua vontade, com segurança, diretamente (sem intermediários). Ele é dono das suas faculdades espirituais. Ele não é escravo de nada nem de ninguém.

Na Fraternidade Rosacruz aprendemos a usar apropriadamente os poderes espirituais que possuímos.

É por isso que aqui podemos realizar atividades espirituais ainda maiores.

Para isso contamos com o auxílio diretos dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz.

Usando o método deles tornamos a nossa visão espiritual latente em dinâmica.

Só assim, como uma grande compreensão espiritual, é o que tornamos valiosa a aplicação da Clarividência voluntária como um fator da nossa evolução, e muito segura!

O método começa trilhando um Caminho de Preparação, que nada mais é do que Treinamento Esotérico preparatório.

Essa parte antecede o Caminho da Iniciação Rosacruz, onde aplicamos o que aprendemos antes e continuamos a aprender para seguir adiante em outros patamares.

Para isso precisamos aplicar muito da nossa força de vontade, persistência, perseverança, devoção, observação, nosso discernimento e muito, mas muito, na prática do que aprendemos aqui, por meio do “serviço amoroso e desinteressado”.

Seguindo esses passos o Estudante Rosacruz, capacitado e treinado, trabalha nos Mundos espirituais e traz todo o conhecimento adquirido para aplicar aqui no seu cotidiano, aumentando sua eficiência no “servir”, na colaboração com o Plano de Salvação do Cristo e, assim se tornando um Auxiliar Invisível Consciente.

Façamos do modo correto, sem queimar etapas, sem querer pular níveis (claro, aqui não se consegue!), “tudo tem o seu tempo e a sua hora”.

Façamos tudo conscientemente!

Pois há uma máxima oculta Rosacruz que diz: “não há pecado maior que a privação, ainda que momentaneamente, da livre vontade de um Ego, sua mais inestimável herança.”

A Continuação da Vida quando, mais uma vez, Morremos Aqui!

A Fraternidade Rosacruz nos ensina tudo sobre a continuação da nossa vida, quando mais uma vez morremos aqui, na Região Química do Mundo Físico!

Depois que morremos (e isso só ocorre após o rompimento do Cordão Prateado) passamos para o Purgatório (situado nas 3 Regiões inferiores do Mundo do Desejo), depois Primeiro Céu (nas 3 Regiões superiores), depois Segundo Céu (nas 3 Regiões inferiores do Mundo do Pensamento – Região Concreta) e, finalmente, no Terceiro Céu (nas 3 Regiões superiores do Mundo do Pensamento – Região Abstrata).

No Purgatório permanecemos cerca de 1/3 da vida que vivemos aqui em nossa vida recém-finda (depende, claro, da quantidade de mal que fizemos aqui “por querer ou sem querer”). Lá iremos ver e viver tudo o que fizemos de mal para os outros aqui na Terra, com uma intensidade de sofrimento e de dores triplicada em relação ao que provocamos aqui. Por quê? Porque isso confere a qualidade da retidão que atuará para o bem e a repulsão para o mal em nossas vidas futuras. Assim, cria a consciência para nas próximas vidas termos a chance de não repetir o erro e sublimar, criando a virtude que se opõe ao vício.

O Primeiro Céu é onde a quintessência do que produzimos como consciência no Purgatório se incorpora no Átomo-semente do Corpo de Desejos. Aqui o bem que fizemos na vida recém-finda, é à base dos sentimentos que revivemos. 

O Segundo Céu se encontra na Região do Pensamento Concreto.

A vida no Segundo Céu é extraordinariamente ativa e variada em numerosos sentidos. O Ego assimila os frutos de sua última vida terrena e prepara o ambiente para uma nova existência física.

É o nosso verdadeiro e lindo lar. Temos lá uma intensa e importante atividade, nos preparando para o nosso próximo Renascimento aqui no Mundo Físico. Preparamos as condições terrestres mais apropriadas para o nosso próximo passo de progresso, o retorno à Terra. Trabalhamos aqui junto aos Espíritos da Natureza para alterar a aparência, a fauna e, também, a flora da Terra, de maneira a proporcionar um ambiente ao redor, requerido para o próximo passo em direção à perfeição, e até para ajudar na construção de novos Corpos.

O Terceiro Céu está localizado na mais elevada Região do Mundo do Pensamento, ou seja, a Região Abstrata do Mundo do Pensamento. Aqui por meio da harmonia inefável desse Mundo superior, se fortalece para sua próxima imersão na matéria.

Depois de estar lá por algum tempo, temos o desejo de novas experiências, com a contemplação de um novo nascimento, feito com a ajuda dos Anjos do Destino. Estes evocam uma série de quadros ante a nossa visão, ou seja, um Panorama da próxima vida que nos espera. Este Panorama, claro, contém somente os acontecimentos principais, temos a plena liberdade quanto aos detalhes.

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A Origem da Ordem Rosacruz e a Fundação da Fraternidade Rosacruz aqui

A origem da Ordem Rosacruz, conforme Max Heindel, se inicia no passado distante, no início do Período Terrestre, mas seu arquétipo já se manifesta 3 Períodos antes do nosso Período Terrestre.

A Ordem Rosacruz é uma antiga Fraternidade Mística fundada em 1313 por um elevado ser espiritual com o nome simbólico de “Christian Rosenkreuz”; Cristão Rosacruz.

Sua missão é preparar uma nova fase da Religião Cristã Esotérica para ser utilizada na próxima Era, a Era de Aquário, que se aproxima, pois, à medida que o Mundo e o ser humano evoluem, a Religião também deve evoluir.

Existem 7 Escolas de Mistérios (ou Iniciações) Menores, no qual a Ordem Rosacruz faz parte, e 5 de Mistérios (ou Iniciações) Maiores. Todas fazem parte de um líder central que é chamado “O Libertador”.

A Ordem Rosacruz é destinada para os ocidentais, enquanto as outras 6 escolas são destinadas para os povos do oriente e do sul do oriente. As 5 Escolas de Mistérios Maiores são constituídas pelos graduados nas Escolas Menores.

O Templo da Ordem Rosacruz fica na Região Etérica do Mundo Físico. O Estudante Rosacruz tem acesso a ele a partir do nível de Irmão Leigo ou Irmã Leiga, que se alcança a partir da Primeira Iniciação Menor.

A Fraternidade Rosacruz, que promulga os Ensinamentos Rosacruzes aqui na Região Química do Mundo Físico, foi fundada em 1911 por Max Heindel.

Ele foi incumbido, por um dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, de tornar público parte dos Ensinamentos Rosacruzes, que antes eram conhecidos e divulgados apenas num círculo fechado e de forma simbólica.

Os Ensinamentos Rosacruzes são inteiramente Cristãos, buscando tornar a Religião Cristã Esotérica um elemento vivo na sociedade, e conduzir a Cristo aqueles que não conseguem encontrá-Lo somente pela fé dogmática, mas que, como ensina S. Paulo, constrói e pratica a fé racional, a fé alimentada por obras, atos e ações bons de serviço ao próximo.

A Fraternidade Rosacruz é ‘Uma Associação Internacional de Cristãos Místicos’.

Existe uma diferença enorme em uma associação, que é totalmente voluntária, e uma organização que prende seus sócios por juramentos, promessas e coisas do tipo.

Os Estudantes Rosacruzes que alcançaram o nível de Probacionistas sabem que a promessa que fazem é uma promessa a eles mesmos e não à Ordem Rosacruz.

Na Fraternidade Rosacruz, o Estudante Rosacruz não tem mestre, guru, instrutor ou quaisquer outras pessoas que diria ser responsável pelo desenvolvimento espiritual dele.

E qual é a relação dos Irmãos Maiores com os Estudantes Rosacruzes? Eles são nossos amigos e professores e nunca exigem – sob nenhuma condição – obediência a qualquer regra que seja. A partir do nível de Probacionistas, no máximo eles nos advertem, nos deixando livres para seguir ou não tal sugestão lançada no nosso campo egóico.

Cura Definitiva das Nossas Doenças e Enfermidades: Atacando a Causa e não os Efeitos

Todos nós um dia ficamos doentes ou enfermos.

Muitas vezes temos que enfrentar duras provas, dores fortes, muitas limitações, incertezas, enfim, fases difíceis, mas temos que enfrentar.

Ter um desejo sincero de passar essa fase sabendo os porquês, das transgressões nas Leis de Deus que fizemos, e buscar ajuda, muito nos ajuda!

Pedir ajuda para que alcancemos a Cura definitiva – atacando a causa e não os efeitos – (a Fraternidade Rosacruz conta com um Departamento de Cura) é, efetivamente, contatar com o que há de mais elevado em nós, é se sintonizar com a Luz Divina e a vibração de harmonia que rege a vida interior de cada um de nós.

O nosso Corpo Denso é o Templo de Deus, mas sabemos que é bem limitado (devido as nossas imperfeições). Precisa ser bem cuidado tanto no físico quanto no espiritual.

Nesses momentos devemos recordar que as provas, as doenças e as dúvidas que nos atormentam, têm a finalidade espiritual de nos tornar mais fortes, mais conscientes da verdadeira razão do nosso ser.

E, também, mais firmes na resolução de seguir a via da libertação do “Eu Superior”, e viver na Luz com autenticidade, verdade e abnegação (a famosa auto-renúncia).

Ao estudarmos e entendermos a Lei de Causa e Efeito, já damos um passo largo para sabermos passar essas provas.

As nossas provas, as nossas doenças (que nós mesmos ativamos!) sempre nos ajudam a compreender melhor a razão profunda delas e aceitá-las, porque sabemos que elas são o resultado, doloroso muitas vezes, de erros e hábitos negativos que cometemos no passado.

A chave de toda evolução é a experiência, e todos nós somos livres para escolher a maneira como as assimilamos, como as tornamos partes integrantes da nossa consciência.

É possível originar grandes e boas transformações em nossas vidas e no nosso meio.

Precisamos viver na Luz e “Deus é Luz”, tenhamo-lO como nosso aliado, façamos sempre muitas orações, falemos sempre com Ele, sejamos humildes.

Tenhamos a compreensão dos fatos que nos levaram a adoecer, a passar por duras provas, pois tivemos sim a ausência da Luz, da harmonia, da simplicidade, da falta de servir, e, claro, porque transgredimos as Leis da Natureza, ou seja, as Leis de Deus.

Lembremos também que fomos corajosos (lá no Terceiro Céu) ao escolher nossas provas, nossas doenças, nossas dificuldades, nosso Espírito teve coragem e fé suficientes para aceitar enfrentar os problemas que agora parecem terríveis.

Temos em nosso interior o Poder de Deus que está focado e canalizado para nós, somente aguardando que o reconheçamos e o utilizemos. Tudo o que desejamos ardentemente atingir é possível e requer apenas esforço e persistência da nossa parte.

Tudo tem uma causa e um efeito, nada é gratuito no Universo.

O aperfeiçoamento, a saúde, a regeneração, a paz, requerem esforço e persistência.

Mantenhamos firmes de que estamos sob a proteção divina.

Sigamos sem receio as linhas que nós mesmos traçamos, certos de que todas as nossas dificuldades passam, são momentâneas, tudo no tempo de Deus, então façamos bem a nossa parte.

Mantenhamos firmes e confiantes no auxílio espiritual que invocamos, e que nos é concedido sempre que fizermos um esforço para vivermos com simplicidade, na verdade, com muita tolerância e sem egoísmo, mas também com muita fé.

O Altruísmo trazido por Cristo para Nós aplicarmos aqui

Quando estudamos o tempo anterior à primeira vinda de Cristo até aqui, entre nós, verificamos que o altruísmo em qualquer sentido da palavra era desconhecido. Havia sim um materialismo muito grande e uma cristalização enorme em muitos que viviam Religiões que foram moldadas para privilegiar uns e excluir outros.

As pessoas só pensavam em si mesmas, eram gananciosas, indiferentes e egoístas.

E o que é realmente ser altruísta, como o Cristianismo Esotérico nos ensina?

 Primeiramente é priorizar o bem-estar dos outros, está associado à generosidade e à solidariedade. É agir com empatia, é “ver” o outro, ou seja, é ajudar nossos irmãos e nossas irmãs, sem distinção, servindo a Divina Essência oculta em cada um de nós, que nada mais é do que a base da Fraternidade.

É sempre fazer ao irmão ou a irmã exatamente o que gostaríamos que fizesse com a gente, independentemente de como eles realmente fazem!

É a disposição ou comportamento de agir em benefício de outras pessoas, de uma forma totalmente amorosa e desinteressada, ou seja, sem esperar recompensas, retribuições ou qualquer benefício pessoal e muito menos material.

É compartilhar recursos com pessoas do seu convívio, quer sejam eles em termos financeiros, materiais, de habilidades ou até mesmo um pouco do seu tempo, sempre priorizando o bem-estar dos outros, jamais colocando seus interesses em primeiro lugar.

Há tantas maneiras de ser altruísta; podem ser em pequenos gestos cotidianos, trabalhos voluntários, doações filantrópicas, até cumprimentar colegas de trabalho com um sorriso, cumprimentar vizinhos, pessoas na rua, na caminhada, ouvir as pessoas.

Ser altruísta é sentir amor Crístico pelo próximo, é amar a todos como irmãos e irmãs, mesmo tendo recursos financeiros, jamais se sentir melhor que as outras pessoas, praticando, aqui, o que Cristo nos ensinou: “Aquele que quiser ser o maior dentre vós, seja este o servo de todos”.

Com a presença do Cristo, hoje nosso único Ideal, aqui na Terra, os raios benéficos foram atraídos, e lentamente, mas com segurança, as boas vibrações começaram a se manifestar, o amor e a generosidade começaram se fazer mais presentes, mesmo que muitos de nós teimam em não perceber (“tem olhos, mas não veem; tem ouvidos, mas não escutam”). À medida que crescemos espiritualmente, que fazemos o bem pelo simples prazer de fazer o bem, de ajudar, de servir, damos mais um passo no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, absorvemos uma quantidade cada vez maior da Luz de Cristo, e, em troca, consequentemente aumentamos nossa Luz, nossa Aura.

Não deixemos passar nenhuma oportunidade de ser altruísta, estejamos sempre atentos! Todos temos algo de bom dentro de nós, então podemos e devemos ser altruístas.

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Fraternidade Rosacruz – As Cinco Perguntas selecionadas do mês que recebemos e que talvez possam estar inseridas nas suas dúvidas também:

1. Pergunta: Quem nasce no Ocidente já nasceu inúmeras vezes no Oriente e não vai nascer lá de novo? Por que alguns ocidentais se sentem tão atraídos pelo Hinduísmo ou Budismo?

Resposta:  Ou já renasceu inúmeras vezes no Oriente e, depois de aprender todas as lições inerentes à Corpos e veículos feitos para viver naquelas vibrações, alcançou o processo de renascer no Ocidente, construindo Corpos e veículos feitos para viver nessas vibrações mais elétricas e próximas à Era de Aquário. Ou quando todo o Campo de Evolução, a Terra, estava naquele momento da evolução que hoje encontramos somente na parte Oriental (Época Lemúrica e Atlante) aprendeu todas as lições dessas 2 Épocas. Nesse último caso não precisou renascer atualmente no Oriente e segue par e passo na Época Ária.

A atração de muitos irmãos e irmãs para com movimentos e Religiões orientais são explicados pela Fraternidade Rosacruz, por vários motivos. Os principais são: reminiscências das vidas passadas que tentam a pessoa e, caindo na tentação, renunciam a aprendizagem das lições que ela mesma escolheu no Terceiro Céu, e buscam reviver o que já aprendeu (é mais cômodo, confortável e dá uma ilusão de “progresso espiritual”). A segunda é a mesma que levam irmãos e irmãs no Ocidente buscarem o desenvolvimento negativo espiritual, a mediunidade, os búzios, o tarô, o reiki, a bola de cristal, a borra de café, as entranhas de animais, os rituais de sacrifícios (animal ou humano), os vudus, as bruxarias, a magia negra. Todos esses meios nós já passamos em nossos momentos evolutivos passados na Época Atlante. Sabemos fazer, e sabemos o quanto mal isso provoca (pois já fizemos o mal e já sentimos o mal), mas é muito mais fácil fazer do que buscar o conhecimento direto Cristão e caminhar somente no bem. Assim, muitos caem no caminho “mais fácil” e iludidos, utilizando a astúcia até para dizer que “fazem o bem”, gastam sua vida aplicando o que já aprendeu e o que, agora, é prejudicial para quem pratica e para quem participa.

2.Pergunta: É verdade que os infelizes que têm a Cauda do Dragão em Escorpião (indicando vidas anteriores nas trevas do abuso sexual, da magia negra, do homicídio e suicídio) são confrontados com as lições cármicas mais difíceis do Zodíaco?

Resposta: Primeiro de tudo, não existem “infelizes que têm a Cauda do Dragão em Escorpião”! Aprendemos na Astrologia Rosacruz que determinar o estado de uma pessoa somente por uma configuração ou posição de Astro ou de Signo é cometer um erro gigante, ou demonstra que não conhece a Astrologia Rosacruz. A questão de ter vivido em vidas passadas condições de “trevas do abuso sexual, da magia negra, do homicídio e suicídio”, é determinada por várias configurações e posições de Astros e Signos, e somente o levantamento de todo o horóscopo é que conseguimos determinar isso e qualquer outro tipo de comportamento.

Tomemos cuidado quando utilizamos o conceito “cármico” em uma Escola de Ensinamentos da Sabedoria Ocidental que, por ser Cristã, advoga a doutrina do Perdão dos Pecados, oposta à Escolas Orientais que advoga o karma (sem a opção de exercer essa doutrina nos trazida por Cristo na sua primeira vinda).

3.Pergunta: O ser humano sente sono e dorme por causa da cansativa luta entre o seu Corpo de Desejos e o seu Corpo Vital, um tentando destruir e o outro tentando restaurar o seu Corpo Denso. Os animais dormem pelo mesmo motivo?

Resposta: A questão aqui é o nível de consciência. O nosso é de Consciência de Vigília que, por deficiência nossa no seu uso, causa o desgaste do nosso Corpo Denso e, consequentemente, a necessidade de revitalizá-lo todas as noites.

Na Fraternidade Rosacruz é nos ensinado a buscar o domínio próprio que nada mais é do que utilizar o Corpo de Desejos de modo a populá-lo somente com material das três Regiões superiores do Mundo do Desejo. Ao conseguir isso não há mais “desgaste do nosso Corpo Denso”. Por exemplo, um Irmão ou Irmã Leiga dorme, em média, de 1 a 2 horas por noite e se sente tão restabelecido ou restabelecida quanto uma pessoa adulta que dorme 8 horas de um sono tranquilo!

Já os nossos irmãos menores, os animais, possuem um nível de consciência chamada de Consciência de Sono com Sonhos e que não resulta nesse desgaste.

4.Pergunta: Em algumas respostas sobre a Terra, vocês disseram que antes do Cristo se tornar o seu Espírito Planetário, ela não tinha um. Mas em uma resposta recente foi dito que todos os planetas, quando criados, têm um Espírito. Afinal, antes do Cristo se tornar o Espírito Planetário do nosso Planeta, a Terra tinha ou não um Espírito? Se tinha, onde Ele está?

Resposta: Antes do Cristo se tornar o Espírito Planetário da Terra, essa não tinha um Espírito Planetário que teria que fazer o trabalho de elevado sacrifício que Cristo fez, e se mantém fazendo todos os anos: limpar o Mundo do Desejo, descristalizar a matéria física que estava rapidamente atingindo níveis de cristalização de baixíssima vibração (o suficiente para se continuasse, deixar de ser um Campo de Evolução para muitos seres que necessitam desse tipo). O Espírito Planetário que a Terra tinha antes da vinda de Cristo era do tipo do Espírito Planetário (um dos 7 Espíritos diante do Trono de Deus) que mantém o Campo de Evolução (o Planeta) em funcionamento perfeito até que os seres que estão evoluindo em seu “estágio de Humanidade” sejam em número suficiente desenvolvidos para manter o Campo de Evolução, quando então o Espírito Planetário se retira, mas mantém o cuidado de longe (como os pais fazem com os filhos quando crescem). Lembrando: os 7 Espíritos diante do Trono ou os 7 Espíritos Planetários é uma classe de seres que também estão em evolução nesse Esquema de Evolução criados por Deus. São tão elevados (em relação a nós) que são chamados “ministros de Deus”.

5.Pergunta: Avatares do Oriente como Ramana Maharshi ou Nisargadatta Maharaj defendem que o único Deus seja o Eu Sou. Não é exatamente isso que a Bíblia ensina? Não foi esse o Nome que o próprio Cristo usou para Se revelar a Moisés? Oriente e Ocidente não ensinam, portanto, a mesma Verdade usando terminologias diferentes? O que a Sabedoria Ocidental chama de Libertação não é justamente o Nirvana oriental?

Resposta: nossos irmãos e nossas irmãs do Oriente ainda estão na fase de evolução que aprendemos nos Ensinamentos Rosacruzes chamado de Involução. A direção aqui é “para baixo e para frente” com o objetivo de conquistar a Região Química do Mundo Físico (dê uma pesquisada na internet em vários povos daquela parte e veja a enorme dificuldade que eles têm em lidar com esses materiais sem ter que ter vidas miseráveis, cristalizadas, confusas em termos de espiritualidade, improdutivas e muitas vezes escravizantes).

Já nossos irmãos e nossas irmãs do Ocidente – na qual estamos incluídos, pois escolhemos renascer nessa porção do Campo de Evolução que chamamos de Terra – estão na fase de evolução que aprendemos nos Ensinamentos Rosacruzes chamado de Evolução. A direção aqui é “para cima e para frente” com o objetivo de conquistar a Região Etérica do Mundo Físico.

Note: é impossível “comparar” os dois tipos de ensinamentos espirituais. Some-se a isso que a Religião que um irmão ou uma irmã da porção ocidental desse Campo de Evolução deve aprender, praticar, desenvolver e se realizar espiritualmente é a mais elevada, a disposição que é a Religião do Filho, a Religião Cristã.

Já nossos irmãos e nossas irmãs da porção oriental desse Campo de Evolução ainda estão aprendendo as lições da Religião do Espírito Santo, as Religiões de Raças Jeovísticas. Quanto a comparação que você tenta fazer é mera especulação, perda de tempo ou reminiscência de nossos renascimentos anteriores que pode levar somente a alguma satisfação momentânea intelectual, mas que não acrescentará nada na busca do nosso desenvolvimento espiritual.

O CÍRCULO DE CURA ROSACRUZ

Reuniões de “Cura Rosacruz”

As Reuniões de “Cura Rosacruz” são realizadas na Pro-Ecclesia (Chapel) da The Rosicrucian Fellowship quando a Lua está em torno dos 15 graus de um dos quatro Signos Cardeais ou Cardinais do Zodíaco (Áries, Câncer, Libra ou Capricórnio) o que ocorre, normalmente, uma vez por semana.

A Capela Pro-Ecclesia é o edifício original e mais antigo da Sede internacional da Fraternidade Rosacruz, em Mount Ecclesia, em Oceanside, Califórnia. Construído em 1913, este pequeno edifício térreo de estuque foi dedicado ao fundador da Fraternidade, Max Heindel, na véspera de Natal daquele ano. Desde então, são oficiados os Rituais do Serviço Devocional diários, incluindo ofícios matinais e vespertinos, e o Ritual do Serviço Devocional de Cura. Ou seja, o Templo principal (Ecclesia), maior, é uma estrutura dodecagonal usada principalmente para as Reuniões de Cura exclusivas para os Probacionistas e Discípulos, a Pro-Ecclesia serve como capela diária e é uma parte essencial das estruturas devocionais Cristãs e de Cura Rosacruz.

A Pro-Ecclesia possui um telhado de quatro águas feito de telhas e apresenta um campanário em estilo Missão com três sinos acima da porta da frente.

O nome “Pro-Ecclesia” significa “Para a Igreja” ou “Antes da Igreja”, indicando seu papel como o primeiro local dos Ofícios, Palestras, Seminários e Serviços.

image-3-1024x692 Ecos da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil – Maio de 2026

O horário do ofício dos Rituais do Serviço Devocional (diários e semanais de Cura) é 18h30, horário local.

Por que fazer as Reuniões de Cura Rosacruz, com o ofício do Ritual do Serviço Devocional de Cura quando a Lua transita pelos Signos Cardeais ou Cardinais?

Porque a virtude dos Signos Cardeais ou Cardinais (Áries, Câncer, Libra e Capricórnio) é a energia dinâmica que eles infundem em cada coisa ou empreendimento iniciado sob sua influência e, portanto, os pensamentos de cura dos Auxiliares Visíveis e Invisíveis em todo o Mundo são dotados de poder adicional quando lançados em suas missões de misericórdia sob essa influência cardinal.

Datas de Cura

Se você gostaria de participar deste trabalho então, nas Datas de Cura (vide tabela ao lado) sente-se em silêncio quando o relógio no local onde você se encontra apontar para o horário: 18h30 (excepcionalmente pode ser em qualquer horário que melhor seja para você, desde que seja todos os dias no mesmo horário).

image-2 Ecos da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil – Maio de 2026

E por que excepcionalmente pode ser qualquer horário? Porque a “coleta” é feita 24 horas por dia em todos os lugares do mundo – e a todo momento sempre é 18h30 em algum lugar da Terra.

O efeito não tem o grau de eficiência maximizado como quando é oficiado às 18h30 local, mas é sempre melhor contribuir, pois “a messe é grande e os operários são poucos”), e oficie o 𝗥𝗶𝘁𝘂𝗮𝗹 𝗱𝗼 𝗦𝗲𝗿𝘃𝗶ç𝗼 𝗗𝗲𝘃𝗼𝗰𝗶𝗼𝗻𝗮𝗹 𝗱𝗲 𝗖𝘂𝗿𝗮.

Ritual do Serviço Devocional de Cura

Esse Ritual é dividido em três partes bem distintas:

1ª –Preparação – composto por músicas e textos que visam preparar o ambiente, separando o ambiente externo (de onde vem o Estudante) do interno (para o interior do Estudante);

2ª – Concentração – é o clímax do Ritual, onde o Estudante se dedica a se concentrar com toda a sua dedicação, foco, disposição e vontade na Cura, como é feita pela Fraternidade Rosacruz: o Poder Curador de Deus Pai – abundante e sempre presente, pois n’Ele vivemos, nos movemos e temos o nosso ser; o Curador – um ser humano, selecionado utilizando as Leis Divinas de Semelhança e da Receptividade Sistemática, que será o ponto focal de transmissão do excesso do seu fluído vital, à noite, para o paciente; e o Paciente (que NÃO tem que ser nominado em hipótese alguma, pois a Cura será feita por quem deve ser curado, por quem já aprendeu a lição que a doença e o sofrimento está apontando), colaborativo, participativo, que tenha muita fé e que também está disposto a ajudar aos outros que também estão sofrendo tanto quanto ou até mais que ele;

3ª – Saída – composto de música e admoestação de saída que visam preparar o Estudante para internalizar tudo o que aqui falou, ouviu, participou e se concentrou, recebendo toda a força espiritual gerada durante a oficiação do Ritual, a fim de aplicá-la no seu dia a dia, se esforçando para o cumprir no tema concentrado: a sua participação no processo de Cura Rosacruz.

image-1 Ecos da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil – Maio de 2026

“Se podes?”, disse Cristo-Jesus. “Tudo é possível àquele que crê.” (Mc 9:23)

Se você está doente e entende que precisa de ajuda

…recorra ao Método de Cura Rosacruz, já utilizado por milhares de pessoas.

O processo começa com o preenchimento de um Formulário que deve ser preenchido com caneta à base de tinta nanquim LÍQUIDA.

 As instruções detalhadas se encontram aqui: https://fraternidaderosacruz.com/category/cura/formulario-para-solicitacao-de-auxilio-de-cura-fraternidade-rosacruz/

**Se você conhece alguém que esteja doente e quer ajudá-lo (a), comece por oficiar o Ritual do Serviço Devocional de Cura nas Datas de Cura. As instruções detalhadas se encontram aqui:

https://fraternidaderosacruz.com/category/treinamento-esoterico/rituais-diario-e-semanal/ritual-de-cura

image Ecos da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil – Maio de 2026
porFraternidade Rosacruz de Campinas

Alcoolismo – Uma Doença Mental

É difícil controlar ou superar uma doença cuja causa é desconhecida. O alcoolismo é uma doença pura e simples, mas não uma doença da moral ou do corpo. É uma doença da Mente.

Todas as pregações de moralidade, condenação eterna, e assim por diante, ou proibir a venda de bebidas alcoólicas ou álcool, poderia ter apenas uma influência superficial no desejo de beber ou na causa desse desejo.

Instrua nossos filhos sobre a causa do alcoolismo e eles olharão para a bebida alcoólica como uma expressão distinta de inferioridade e não desejarão usá-la.

Em três gerações, o consumo de bebidas alcoólicas poderia ser reduzido àqueles indivíduos adultos irremediavelmente fracos, que buscam no álcool a necessidade se sentir socialmente em igualdade.

Isso, precisamente, explica a causa do alcoolismo. De fato, a ingestão do primeiro gole pode ser atribuída a um sentimento de inferioridade, não querer ser diferente, não querer ser menos do que o outro sujeito ou querer ser ou fazer tanto quanto ele. Nós desprezamos o primeiro gole com: “Ele bebeu para ser sociável, ou para ser inteligente”. Mas isso não é verdade.

A bebida alcoólica é ingerida quase sempre para alcançar um nível de igualdade, se não, como no caso do bebedor experiente, para alcançar um estado de superioridade temporária, pelo menos em sua própria Mente.

Algumas bebidas alcoólicas são para afogar os problemas, para esquecer, porque não se tem a coragem para enfrentar seu problema, não importa o que seja, analisá-lo e resolvê-lo com o melhor de sua capacidade individual. A bebida parece dar coragem. Na verdade, se revestem ou se afundam no sentimento de inferioridade. Quando o efeito do álcool desgasta o indivíduo, fica pior do que antes, então ele bebe novamente até que, eventualmente, tenha desenvolvido uma alcoolfilia ou uma obsessão por bebidas alcoólicas.

O alcoolismo repetitivo ou mesmo o consumo moderado regular de cerveja, vinhos, licores e outras bebidas alcoólicas, mais cedo ou mais tarde, trazem consigo distúrbios da garganta e do estômago, nefrite e cirrose ou endurecimento do fígado. As alterações cardíacas são dilatação, degeneração muscular e hipertrofia ou aumento anormal. —Dr. Jesse Mercer Gehman em Nature’s Path, dezembro de 1939.

Aparentemente, nunca antes foi tão predominantemente a tolerância a bebidas alcoólicas como é agora no mundo. Os meios de comunicação e os outdoors de rodovias são financiados por propagandas de bebidas alcoólicas; expõem suas virtudes 24 horas por dia, utilizando imagens que glorificam isso, mostrando atores e atrizes famosos em quase todas as ocasiões.

Para o cientista ocultista essa condição é a mais deplorável, pois ele sabe que até a morte não alivia a garra desse monstro quando ele se apodera de sua vítima.

Depois da morte, aqueles que se intoxicam de bebidas alcoólicas desejam obter seus efeitos da mesma maneira que quando estão encarnados em um Corpo Denso; porque não é o veículo físico que anseia pelo álcool. De fato, em muitos casos, ele fica doente por causa disso e em vão protesta de várias maneiras. É o Corpo de Desejos do alcoólatra que anseia por bebida e força o Corpo Denso a participar dela, para que o Corpo de Desejos possa ter a sensação temporária de prazer resultante do aumento da vibração, e esse desejo permanece após a morte do Corpo Denso. Mas o ser humano, depois da morte, não tem mais a boca física para beber, nem o estômago para conter a bebida física e gerar os desejados gases criados pelo aparato digestivo.

Consequentemente, ele aprende a inutilidade de desejar aquilo que não pode obter, e seu desejo por bebida finalmente cessa por falta de oportunidade de satisfazê-lo. Enquanto isso, ele sofre uma agonia indescritível, e o processo de desgaste é muito lento.

Que as Rosas floresçam em Vossa Cruz

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Auxílio para Utilizar na Cura – Melhores e Adversos Períodos e Dias para Tratamentos e Cirurgias – Agosto de 2026

Auxilio-para-Utilizar-na-Cura-Melhores-e-Adversos-Periodos-e-Dias-para-Tratamentos-e-Cirurgias-Agosto-de-2026 Auxílio para Utilizar na Cura – Melhores e Adversos Períodos e Dias para Tratamentos e Cirurgias – Agosto de 2026

INFORMAÇÕES IMPORTANTES PARA UTILIZAR MELHOR ESSAS INFORMAÇÕES:

  1. Fornece muitas informações importantes para que você possa escolher os melhores períodos, dias e até horas para tratar as doenças ou enfermidades que lhe acometem.
  2. Logicamente, uma doença ou enfermidade que está latente e se torna ativa leva em conta outros fatores, como por exemplo o Destino Maduro da pessoa. No entanto, ela se esforçando para ajudar a si mesma no tratamento, já demonstrará que está a fim de aprender à lição que a doença ou a enfermidade lhe está “informando”.
  3. O horário: está no fuso horário de São Paulo-SP-Brasil. Assim, você deve ajustar para a hora padrão de onde você está.
  4. Essas informações combinadas com o tratamento via Departamento de Cura da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil produzirão um efeito muito mais eficaz. Mais informações? É só clicar AQUI
  5. Tem dúvidas? É só nos escrever: cura_rosacruz@fraternidaderosacruz.com
porFraternidade Rosacruz de Campinas

Auxílio para ser Utilizado na Cura – Partes do Corpo que Não Se Deve Mexer – Agosto de 2026

Auxilio-para-Utilizar-na-Cura-Partes-do-Corpo-que-Nao-Se-Deve-Mexer-Agosto-de-2026 Auxílio para ser Utilizado na Cura – Partes do Corpo que Não Se Deve Mexer – Agosto de 2026

INFORMAÇÕES IMPORTANTES PARA UTILIZAR MELHOR ESSAS INFORMAÇÕES:

  1. Descreve as partes principais do nosso Corpo Denso. Repare que detalhes da parte são subconjunto da parte. Exemplo: músculos de uma determinada parte, considere o nome da parte. Músculos que estão no estômago, considere o estômago.
  2. O conceito de “não se deve mexer” significa: cirurgia, tratamento invasivo, operação. Massagens, colocação de medicamento e outros tratamentos não invasivos podem ser feitos.
  3. O horário: está no fuso horário de São Paulo-SP-Brasil. Assim, você deve ajustar para a hora padrão de onde você está.
  4. Essas informações combinadas com o tratamento via Departamento de Cura da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil produzirão um efeito muito mais eficaz. Mais informações? É só clicar AQUI
  5. Tem dúvidas? É só nos escrever: cura_rosacruz@fraternidaderosacruz.com

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Signos – Segmentados pelo Poder das Suas Vibrações (Tabela das Potências): Forças Astrais

Tabela-de-Forcas-Astrais-1024x521 Signos - Segmentados pelo Poder das Suas Vibrações (Tabela das Potências): Forças Astrais

A delineação anterior dos efeitos e das influências dos Astros nas várias Casas e Signos, também pelos Aspectos e pelas posições, tais como Paralelo, Conjunção, Sextil, Quadratura, Trígono e Oposição, está sujeita a amplas modificações, conforme outras configurações do horóscopo e, caso os Astros estejam Essencialmente Dignificados (que é exatamente quando eles estão nos seus Regentes) ou em Detrimentos, Exaltados ou em Queda, ou situados em Graus Críticos.

A Tabela das Potências de cada Astro – Forças Astrais – acima mostra, em um relance, os Signos nos quais os vários Astros são fortes ou fracos, e quando o Estudante sabe em que Signo um Astro é Regente ou está Exaltado, é necessário apenas lembrar que ele está em Detrimento ou em Queda, respectivamente, no Signo oposto.

Assim, o Sol é Regente de Leão e está Exaltado em Áries; consequentemente é muito poderoso naqueles Signos e, como os Signos opostos são Aquário e Libra, é imediatamente evidente que quando o Sol está nestes Signos, ele é comparativamente fraco.

Memorizando essa tabela o Estudante será capaz de formar um juízo muito mais acurado do efeito dos Astros em qualquer horóscopo, do que se isso não fosse levado em consideração.


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