Um deus pode amar sem cessar:
Mas, sob as leis da alternância, nós, mortais, desejamos em medida mutável
Nossa parte de dor assim como de prazer.
— Tannhauser
Quando Tannhauser, impelido por sua paixão profana pela nobre, pura e virtuosa Elizabeth, vagou pelas montanhas e foi atraído para a caverna de Vênus como o aço por um ímã, não apenas lhe foi permitido, mas também incentivado a satisfazer seus desejos sensuais até o limite; naturalmente, sua alma logo se saciou da paixão e ele rezou para ser libertado da deusa Vênus e autorizado a retornar à Terra. No curso da sua súplica, ele profere a verdade expressa no início do nosso artigo: que, em seu estágio atual de desenvolvimento, o ser humano necessita tanto da alegria quanto da tristeza para sua evolução adequada.
Na Mente filosófica esse sentimento desperta assentimento imediato, porque, embora todos sejamos humanos o bastante para ansiar pela alegria e temer a tristeza, não podemos, após reflexão adequada, deixar de perceber que uma vida de alegria constante, sem a menor tristeza, seria absolutamente insípida e sem cor. É a justa combinação de luz e sombra que confere beleza a um quadro ou paisagem e um arranjo semelhante de tristeza e alegria é necessário para dar vigor à vida e torná-la digna de ser vivida.
Do ponto de vista astrológico, a luz e a sombra da vida são fornecidas pela posição e pelos Aspectos de Júpiter e Saturno no momento do nascimento, juntamente a suas Progressões e Trânsitos em relação ao horóscopo de qualquer pessoa.
O regozijo vem de Júpiter, o Planeta da benevolência e do otimismo, que nos concede os favores dos deuses na medida em que tenhamos merecido suas dádivas. Por outro lado, Saturno, o Planeta do pessimismo e da obstrução, é o dispensador dos desfavores em incorremos por meio daquelas ações que são desarmônicas com as Leis de Deus; como ainda somos ignorantes no agir em harmonia com o grande Plano divino do Universo, não é de se admirar que o açoite de Saturno seja necessário para nos trazer de volta à linha, quando nos afastamos do caminho da virtude.
Mas é um sinal profundamente significativo do amor do nosso Pai o fato de Júpiter percorrer três vezes o horóscopo, formando Aspectos e trazendo oportunidades para o bem, para cada revolução de Saturno, o que nos traz as experiências ofertadas pelos Aspectos adversos por aqueles que carecem de compreensão.
Que bênção maravilhosa é a Astrologia Rosacruz espiritual, que nos oferece uma visão do Esquema, Caminho e Obra de Evolução, pelo qual todos nós estamos sendo lentamente educados da ignorância à onisciência!
Saturno é um dos principais fatores nesse processo de iluminação. Para aqueles que não conhecem a Astrologia Rosacruz espiritual pode parecer que a tristeza e a angústia profundas lhes sobrevenham sem qualquer razão ou motivo que possa ser descoberto; assim, muitas vezes invejam aqueles que são, aparentemente, mais afortunados; contudo, uma vez que aprendem a buscar a luz por meio da Astrologia Rosacruz espiritual, toda a perspectiva da vida se transforma.
Torna-se então evidente que estamos aqui não para o prazer, mas para a experiência; por mais tristes ou desastrosas que essas experiências possam ser, o verdadeiro Estudante Rosacruz de Astrologia as acolhe e procura descobrir a razão sob o ponto de vista astrológico, bem como as lições a serem aprendidas.
Além disso, ele extrai consolo do conhecimento de que os Aspectos adversos, que produzem os efeitos desastrosos, são apenas transitórios e que, no tempo devido — que ele pode calcular com precisão — o açoite de Saturno desaparecerá e o raio benéfico de Júpiter voltará a dissipar a melancolia saturnina e a curar a dor. Esse conhecimento naturalmente lhe proporciona coragem para perseverar nos dias de provação e o mantém em uma atitude mental esperançosa, aguardando o momento em que a tribulação terminará.
Quando vivemos na ignorância do grande Plano de Deus e não temos concepção das ministrações cíclicas de tristeza e angústia profundas e alegria trazidas à nossa vida por Saturno e Júpiter, respectivamente, para o nosso bem, tendemos a ficar excessivamente exaltados ou eufóricos quando Júpiter derrama sobre nós os bons dons dos deuses — saúde, riqueza, amigos, sucesso, prosperidade — e a ficar indevidamente abatidos quando, sob o açoite de Saturno, somos privados de tudo o que torna a vida digna de ser vivida; mas, quando o Livro da Vida nos é aberto pela ciência sagrada da Astrologia Rosacruz e nele reconhecemos o propósito benevolente de Deus e Seus ministros, gradualmente aprendemos a manter o equilíbrio, de modo que, quando os regozijos de Júpiter chegam ao nosso caminho, não ficamos excessivamente alegres, mas as recebemos com espírito moderado e aprendemos a nos considerar administradores de todas as coisas boas que assim são colocadas em nossas mãos.
Aprendemos que devemos utilizá-las, não para nossos próprios interesses ou propósitos egoístas, mas para o bem de todos, e que um dia nos será exigida uma prestação de contas, onde teremos que demonstrar como usamos os bens do nosso Senhor. Por outro lado, o chicote de Saturno não será aplicado por muito tempo, nem com frequência, àquele que se dedica ao autoexame – por meio da prática constante do Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção – para notar no que está falhando e encontrar o erro que causa tribulação e sofrimento.
Essa lição certamente será encontrada pelo buscador sincero e, quando for descoberta, o regozijo por ter encontrado uma valiosa pérola de conhecimento superará amplamente a dor envolvida em aprender a lição; ao longo dos anos será desenvolvida a mais preciosa de todas as posses da alma: a equanimidade que eleva o ser humano que a possui acima do mar revolto das emoções, conduzindo ao reino da paz eterna que excede todo entendimento. Quando chega a esse ponto em seu desenvolvimento, Saturno não terá o poder de movê-lo, nem Júpiter ou quaisquer outros Espíritos Planetários, porque ele terá aprendido a governar seus Astros e regular seu destino de acordo com sua própria vontade divina
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – janeiro/1917, traduzido e atualizado pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
Frequentemente o autor recebe perguntas em relação ao benefício ou desvantagem do jejum e, portanto, pode ser bom elucidar a origem e o fundamento dessa prática para que possamos determinar qual efeito, se houver, é exercido sobre o crescimento espiritual.
Nas Antigas Dispensações era exigido que os sacrifícios de bovinos e caprinos fossem feitos como expiação ao pecado praticado, pois o ser humano valorizava, então, seus bens materiais, muito mais do que nos dias de hoje, sentindo profundamente sua perda, quando forçado a abrir mão deles para tal finalidade.
Mesmo nos dias modernos, as indulgências são compradas e o Perdão dos Pecados anunciado a qualquer pessoa que doe uma quantia em dinheiro a algumas Igrejas Católicas e Protestantes, para a compra de todo os tipos de acessórios necessários ao serviço.
Mas, sempre houve um ensinamento esotérico, que está sendo promulgado exotericamente hoje, e esse ensinamento não aceita o sacrifício de um animal, dinheiro ou outras posses; contudo, exige que cada um faça um sacrifício de si mesmo. Isso foi ensinado aos Aspirantes na antiga Escola de Mistérios, quando eles eram preparados para o Ritual Místico de Iniciação. A eles foram explicados os mistérios do Corpo Vital – composto pelos quatro Éteres e funções de cada Éter: o Éter Químico, que é necessário para a assimilação; o Éter de Vida, que promove o crescimento e a propagação; o Éter de Luz ou Luminoso, que é o veículo da percepção sensorial; e o Éter Refletor, em que se armazena a memória.
Eles foram, cuidadosamente, instruídos nas funções dos dois Éteres inferiores em comparação com os dois Éteres superiores. Eles sabiam que as funções puramente animais do Corpo dependiam da densidade dos Éteres inferiores, e que os dois Éteres superiores, por sua vez, formavam o Corpo-Alma, o veículo do serviço e, naturalmente, eles aspiravam cultivar essa gloriosa vestimenta, pela renúncia e refreando as propensões das naturezas inferiores, assim como fazemos hoje.
Esses fatos eram mantidos em segredo das pessoas que não estavam no Caminho da Iniciação ou, melhor dizendo, assim deveriam ter permanecido. Mas, alguns neófitos, mesmo sendo excessivamente zelosos em alcançar a Iniciação, não importando os meios, esqueceram que é somente pelo serviço e altruísmo que a veste nupcial dourada é cultivada pelos dois Éteres superiores. Eles pensaram que a máxima oculta, “ouro no cadinho, impureza no fogo; ligeiro como o vento, alçar-se cada vez mais alto”, apenas significava que, enquanto a natureza inferior, a escória, tinha sido expulsa, e não importava a maneira, mas se tivessem encontrado um método fácil, eles teriam retido apenas o “ouro” composto pelos dois Éteres superiores, o Corpo-Alma, no qual eles poderiam, com certeza, acessar os Mundos invisíveis sem obstáculo ou embaraço. Eles concluíram que, como o Éter Químico é o agente de assimilação, poderia ser eliminado do Corpo Vital, privando o veículo físico da fome.
Eles também pensaram que, como o Éter da Vida é a via de propagação, poderiam privá-lo com uma vida celibatária. Seguindo esse método, concluíram, assim, que reteriam apenas os dois Éteres superiores e, portanto, praticavam todas as austeridades que se podia pensar, entre outras práticas, o jejum. Por esse processo o Corpo Denso perdia a saúde e a sua natureza passional ficava debilitada, pois, buscava a gratificação pelo exercício da função propagativa, sendo silenciado com a punição.
Dessa maneira, horrível, é verdade que a natureza inferior parecia estar submetida e, também, é verdade que, quando as funções corporais eram reduzidas a níveis bem baixos, as visões, ou melhor dizendo, as alucinações eram frequentemente a recompensa dessas pessoas equivocadas. Outros que ouviram falar de sua suposta santidade estavam ansiosos para imitá-los; assim, seu exemplo desviou milhares de almas da busca do verdadeiro Caminho.
Mas, o resultado obtido por essas pessoas desencaminhadas e seus seguidores está longe de ser o que se pretendia pelo treinamento na Escola de Mistérios. Antes de mais nada, ao Aspirante à vida superior foi ensinado que o Corpo Denso é o “Templo de Deus” e que profaná-lo, destruí-lo ou mutilá-lo de qualquer maneira é um grande pecado. A indulgência com o apetite é um pecado, uma prática contaminadora que traz consigo certa retaliação, mas não deve ter maior repreensão do que a prática de jejuar para o crescimento da alma.
Viver corretamente não é banquetear e nem jejuar, mas dar ao Corpo os elementos necessários para mantê-lo na forma adequada de saúde, força e eficiência como um instrumento do Espírito. Portanto, jejuar para o crescimento anímico é um pseudométodo que tem o efeito, exatamente o oposto daquilo que foi projetado para ser realizado, devido à falta de visão de seus criadores. “Eu sou a porta”, disse o Cristo, “se alguém não entra pela porta, esse é ladrão e salteador”[1].
Da mesma forma, com a prática do celibato para o crescimento anímico, ou da alma, a máxima enunciada no início desse parágrafo se aplica de forma idêntica. É repreensível quando homens e mulheres, feitos à imagem de Deus, se degradam pela indulgência da natureza passional a um estado inferior ao dos animais, porém, é igualmente repreensível quando aqueles que vivem de outra forma, tendo vidas boas e sagradas, se recusam a sacrificar suas aspirações para dar a uma alma que está à espera daquele Corpo e daquele ambiente que lhe atendam, e que tenha todo aquele tempo para o próprio desenvolvimento. Eles podem, pelo jejum, atenuar o Éter Químico, e, por suas vidas fanáticas e egoístas de celibatário, podem também eliminar o Éter da Vida em grande proporção, mas essas medidas nunca irão construir a “vestimenta dourada de casamento”, que é o ‘abre-te sésamo’ para a festa do “casamento místico”; na falta desse traje, alguns que conseguirem entrar sorrateiramente, por métodos ilegítimos como jejum, castigo e celibato, serão lançados nas trevas exteriores.
(Publicado na revista Rays from the Rose Cross em dezembro/1915 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
[1] N.T.: Jo 10:1
As quatro estações do ano determinam, desde os mais remotos tempos, os mistérios da relação do ser humano com a Terra (Planeta-mãe) e de ambos com o Sol. Constituem o importante Mistério da Nona Iniciação Menor (a última dos nove Iniciações Menores).
Ademais das influências zodiacais, que levaram os Líderes-Iniciados a estabelecer as formas religiosas (Religião do Touro, Religião do Cordeiro, Religião dos Peixes) houve, desde recuados tempos, uma tradição esotérica ligada aos Equinócios e Solstícios. Encontramos essa tradição, velada por mitos, nas várias civilizações que nos precederam.
A passagem pelo Mar Vermelho e a travessia de Quarenta Anos pelo Deserto, na história dos hebreus, relatadas na Bíblia, é um simbolismo da evolução através do Signo de Áries, cuja cor é o vermelho e cujo Signo é o Cordeiro, tomado por adoração em lugar do bezerro.
Quando Moisés negociava com o Faraó a libertação de seu povo, este lhe resistiu, e o Senhor fez cair sobre o Egito as famosas pragas, que culminaram na matança dos primogênitos. Para preservar seus lares, os israelitas sacrificaram o Cordeiro e pintaram com sangue as ombreiras das portas. Por essas casas a morte não passou. É um símbolo de que, na transição evolutiva de uma para outra Era, aqueles que resistem acabam se cristalizando e ficando para trás.
O cordeiro é o emblema da Dispensação (a terceira Dispensação – a primeira Cristã – de um total de quatro) que deveria suceder à do boi Ápis. Na pressa de deixar suas casas, quando o Faraó finalmente cedeu, os israelitas esqueceram o fermento em casa e tiveram que fazer seus pães sem fermento. Daí se originam os pães ázimos, lembrança da libertação do Egito. Como símbolos, o sangue derramado do cordeiro representa a expiação; e os pães sem fermento, a pureza decorrente dela.
De toda a maneira, antes do êxodo, os Solstícios e Equinócios já haviam influído na determinação dos principais festejos, em todos os povos. A libertação do Egito ocorreu na Páscoa e a ela está associada, pela razão esotérica já exposta, a transição evolutiva para a Era de Áries. Mais tarde, o sacrifício do Cristo ocorreu na mesma Era, para designar a transição para a Era de Peixes.
Herdeira dos mistérios astrológicos ocultos, a tradição Cristã-Esotérica nos conserva o Cristo Solar, com seus doze Apóstolos, substituindo a epopeia de Sansão e a história de Jacó e seus filhos.
Desde Seu sacrifício, pelo qual o Cristo se crucificou à cruz da Terra, para redimi-la dos registros negativos dos pecados dos seres humanos, Ele desenvolve uma sublime e penosa missão, em ciclos correspondentes aos Equinócios e Solstícios.
No Cristianismo Popular este mistério remanesce como tradição, nos festivais Cristãos (Natal, Páscoa, Festas juninas de S. João, S. Paulo e S. Pedro e Imaculada Conceição).
Hoje a Igreja Católica – que preconiza o Cristianismo Popular – volta a considerar, com razão, a Páscoa, como o mais importante acontecimento do ano Cristão. Nela o Senhor demonstrou o triunfo do Espírito imortal, levantando-se do túmulo, ressurgindo dos mortos e dando o modelo do que todos nós, ao devido tempo, devemos individualmente alcançar. O fato é relacionado com o dia de Pentecostes, o Batismo de Fogo prometido, que o Messias interno há de nos dar, para abertura interna e comunhão com todos os seres, além de todas as línguas, limitações e preconceitos.
Os Cristãos Esotéricos (como o é o Estudante Rosacruz ativo e fiel) comemoram a Páscoa na entrada no Equinócio de Março[1], com um ritual adequado que nos relembra a missão do Salvador, e a tarefa individual de libertação, de si e da Terra, em colaboração com o Cristo. Adverte, mais, que Ele, na Páscoa, uma vez mais deixa a cruz do Planeta, onde voluntariamente se cravou, desde o último Natal, a fim de insuflar um renovado impulso de Sua Luz e Amor, que eleve vibracionalmente a Terra em seus nove Estratos, além de suscitar o altruísmo de todos os homens e mulheres, na medida da receptividade deles.
Recomendamos aos Estudantes Rosacruzes estudar e meditar profundamente sobre os mistérios dos Solstícios e Equinócios, em ligação com a Missão do Cristo. Por eles, poderão compreender como, desde o dilúvio que abriu os portais do Arco-Íris para a Época Ária, as estações do ano constituíram os ciclos alternados, em graus maiores e menores, de todos os fatos evolutivos, começando com a Festa das Primícias (uma celebração bíblica que marca a oferta dos primeiros frutos da colheita de cevada a Deus, simbolizando gratidão, confiança e reconhecimento da provisão divina), início do ano solar, no Equinócio de Março.
Ao conscientizarmos, ainda que em pequeno grau, os ciclos da vida do Cristo, assumimos um dever inegável, prazeroso e caloroso, de colaborar no Plano de Salvação do Mundo, começando conosco mesmos – que é de nosso exclusivo interesse – pois não temos feito tudo o que poderíamos fazer em prol de nossa libertação.
Ao começarmos uma vida nova, o ano também se torna novo para nós – um convite desdobrado em quatro etapas de realização trimestral, nas quais somos desafiados a “tomar a nossa cruz”, a assumir conscientemente nosso destino e caminhar para a libertação, seguindo a meta do Cristo. Então estaremos atuando em ritmo e harmonia com o Universo. Deixaremos de ser um peso a mais para o Cristo. Ao contrário, nos converteremos em Simão Cireneu – aquele que ajudou a carregar a cruz do Senhor. Com isso estaremos abreviando o tempo para nosso interno Pentecostes, cuja abertura e despertar nos traçarão o umbral para uma vida mais ampla. Será o cumprimento: “rasgou-se o véu do Templo de alto abaixo” (Mt 27:51, Mc 15:38, Lc 23:45). Será o romper do “ovo[2] da Páscoa” individual, para que o “novo nascido”, havendo cumprido o período de amadurecimento interno (3×7); havendo realizado o trabalho de dentro para fora, pode nascer como pintinho. Mas será ainda um pintinho, convidado a se tornar um galo – símbolo da vigilância, do ser realizado – pelas Iniciações que o esperam.
O pintinho não pode abreviar sua gestação de 21 dias, porque está inteiramente sujeito a um trabalho externo. Mas o ser humano pode abreviar seu amadurecimento interno, porque atua de dentro – quando assume conscientemente a tarefa evolutiva. O tempo de romper o ovo depende de cada um.
Você, agora, está dentro do ovo de seus Corpos. Esperamos que aproveite a oportunidade que está recebendo e se esforce devidamente, para abreviar o tempo de maturação e possa romper a casca de seu ovo, nascendo para uma vida nova.
Cada Iniciado e mesmo cada Estudante Rosacruz ativo e sincero que trabalha conscientemente na Missão do Cristo é um carvão a mais, para aumentar em progressão geométrica, o Fogo e a Luz redentora – até que um número suficiente de seres humanos possa manter a Terra em todos os seus movimentos (rotação, translação, precessão, nutação e outros).
Será, então, a última Páscoa do Cristo; a consumação dos séculos (tempos profanos); e o definitivo “está consumado” (Jo 19:30)! “E ao subir, Ele a todos nos elevará também.” (At 1:9-11)
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – abril/1976 – Fraternidade Rosacruz – SP)
[1] N.R.: Vamos ver aqui o porquê, então, para muitos, a data da Páscoa é móvel. Afinal se contemplarmos um calendário, é fácil notar uma diferença entre como é a data do Natal e a da Páscoa. O Natal acontece sempre em uma data fixa, enquanto a Páscoa cai, às vezes, tão cedo como em meados de março e, por outras vezes, tão tardio como em meados de abril.
A causa dessa variação está em que o Domingo de Páscoa acontece, sempre, no primeiro domingo depois da primeira Lua Cheia que segue ao Equinócio de Março. E quem estabeleceu isso? Foi estabelecido por pessoas que compreendiam perfeitamente o esoterismo da estação pascal. E por que esse procedimento? A Páscoa real ocorre no Equinócio de Março, quando o Sol passa da latitude sul para a latitude norte, e Cristo se liberta do Seu trabalho. Então, esse Ser radiante penetra nos planos espirituais da Terra para trabalhar ali com as Hierarquias celestiais e com os membros da Humanidade que foram transportados pela morte à mais altas esferas de atividade. Durante essa elevada estação, as forças de Peixes (março) e Áries (abril) se fundem em uma maravilhosa combinação de Água (Peixes) e Fogo (Áries) que possui, em todos os planos da existência, a chave do Matrimônio Místico. Toda a natureza conhece o regozijo dessa união. Esses poderosos impulsos de fogo estão sob a supervisão das Hierarquias de Áries e de Leão. Esses impulsos, no entanto, de muitíssima potência para ser enfocados diretamente na Terra, se encomendam à Hierarquia de Sagitário, que os distribui entre a Humanidade. As grandes Águas da Vida dessa união mística estão sob a orientação da Hierarquia de Câncer, os Querubins, que entregam essas forças às Hierarquias de Escorpião e Peixes, as que, por sua vez, dispersam sobre a Terra.
Note bem: as Hierarquias Criadoras, acima referidas, que disseminam esse poderoso impulso transmutador sobre a Terra, o fazem dirigindo do Sol para baixo sobre a orientação do Espírito Solar, o Cristo. No entanto, essa força não é suficientemente potente para produzir seu efeito total sobre a Humanidade. E é por isso a Lua Cheia se converte no canal para sua disseminação final. Assim, o Domingo de Páscoa só se celebra corretamente depois da Lua Cheia que segue o Equinócio de Março. A Páscoa se celebra no domingo, que é o dia do Sol, e o Sol é o lar do Cristo Arcangélico. A projeção sobre a Terra dos poderosos raios espirituais do Sol, o domingo, proporciona maior impulso vibratório ao ser humano do que em qualquer outro dia da semana. Ou seja, a grande maioria da Humanidade, em seu conjunto, ignora o grande influxo direto do Sol, que nós conhecemos como a celebração do período entre o Domingo de Páscoa e o Domingo de Pentecoste, até que a Lua Cheia aconteça depois do Equinócio de Março. Repare, então, que essa grande maioria da Humanidade continua respondendo, amplamente, a esse influxo como a uma tendência instintiva ou um desejo de participar de alguma reunião espiritual. Muitos dizem que “vão à Igreja” só uma vez ao ano, e é na Páscoa. Existe, também, o impulso de vestir roupas diferentes, com a mesma natureza, se cobrir com novos tecidos e se pintar com cores para participar de algum tipo de serviço comemorativo ou desfile. Isso é, em grande parte, o conceito que o mundo moderno tem da Páscoa. No entanto, seja como seja, as Hierarquias Criadoras, responsáveis pela evolução do ser humano, são persistentes e infalíveis em Seu ministério para o Planeta Terra e, ano após ano, esse poderoso impulso espiritual eleva e espiritualiza, gradualmente, a Terra e tudo que nela vive. Um dia a Humanidade comprovará que, graças ao processo de transmutação que ocorre na época do período entre o Domingo de Páscoa e o Domingo de Pentecoste, será possível, não só se vestir com um novo traje, mas, como S. Paulo disse, “a remover o homem velho e revestir-vos do Homem Novo” (Ef 4:22-24). Esses são o verdadeiro e elevado significado e, também, o objetivo da estação pascal; e todo ano, uma maior quantidade de seres desinteressados aprendem a se tornar servidores mais eficientes de Cristo em Seu grande trabalho, quando canta Sua triunfante canção de Páscoa: “Eu sou a Ressurreição e a vida” (Jo 11:25).
[2] N.R.: Mas o que tem a ver o “ovo” aqui? Entre os símbolos cósmicos conservados desde a antiguidade, seguramente o mais popular é o ovo. O Simbolismo do Ovo permeia as Religiões. O simbolismo relativo do ovo conservou seu lugar na Simbologia Sagrada até hoje, muito embora a imensa maioria dos seres humanos seja cega ao Grande Mistério que ele encerra e revela: “O Magno Mistério da Vida”.
Quando quebramos a casca de um ovo, achamos apenas fluídos viscosos de coloração variada e consistência diversa. Mas, quando submetido a uma temperatura adequada, logo observamos uma série de mudanças. Assim, em pouco tempo, uma criatura viva pode romper a casca e surgir pronta para assumir seu lugar entre os de sua espécie. Os “magos” dos laboratórios podem sintetizar as substâncias do ovo e injetá-las numa casca. Uma réplica perfeita do ovo natural pode ser produzida, conforme as experiências realizadas até hoje. Contudo, o ovo artificial difere do ovo natural em um ponto fundamental: nenhuma coisa viva pode ser incubada no ovo obtido artificialmente. Fica evidente, portanto, que alguma coisa intangível deve estar presente em um e ausente noutro.
Esse mistério primordial que anima todas as criaturas é o que nós chamamos Vida. A Vida não pode ser detectada em meio às substâncias do ovo, nem mesmo através do mais potente microscópio, ainda que ela esteja ali presente para produzir as notáveis mudanças. Pode-se assim concluir que a Vida tem a propriedade de existir independentemente da matéria. Aprendemos através do sagrado simbolismo do ovo que, apesar da Vida ser capaz de modelar a matéria, não depende dela para existir. A Vida é autoexistente. Não tendo princípio não pode também ter fim. Essa ideia está bem representada pela geometria ovoide presente na própria forma do ovo.
Estamos estarrecidos com a carnificina nos campos de batalha da Europa. Somando a maneira atroz como as vítimas são arrancadas da vida física. Vamos considerar que a média da expectativa de vida aqui é de uns 70 a 80 anos, mais ou menos, e que, em meio século, a morte ceifa a vida de cento e cinquenta milhões de irmãos. Três milhões por ano. Duzentos e cinquenta mil a cada mês. Podemos ver que, afinal de contas, o total não foi tão expressivamente aumentado. Vamos refletir sobre o verdadeiro conhecimento contido no simbolismo do ovo, isto é, que a Vida não pode ser criada, nunca teve princípio e nunca terá fim. Assim estamos prontos para encarar os fatos e admitir: aqueles que são agora retirados da existência física estão apenas atravessando uma jornada cíclica idêntica à da vida do Cristo Cósmico. Vida que interpenetra a Terra nos meses de Setembro, Outubro e Novembro e retira-se na Páscoa. Aqueles que morreram estão apenas indo para os reinos invisíveis. De onde mais tarde, e em novo ciclo mergulharão na matéria densa, interpenetrando, como todas as coisas vivas, o óvulo da futura mãe. Após um período de gestação, reingressarão na vida física para aprender novas lições na grande escola.
Assim, vemos como a grande lei da analogia opera em todas as fases e sob todas as circunstâncias da vida. O que acontece ao Cristo no grande mundo vai acontecer também na vida particular (pequeno mundo) daqueles que caminham para converterem-se em Cristos. Encarando os desafios humanos dessa maneira podemos enfrentar o presente conflito com mais ânimo.
Além disso, devemos compreender que a morte é uma necessidade cósmica nas circunstâncias atuais, pois se estivéssemos aprisionados em um corpo como o que usamos hoje e colocados em um ambiente como o que encontramos hoje, para vivermos para sempre, as enfermidades do corpo e a natureza insatisfatória do ambiente logo nos cansariam tanto da vida que clamaríamos por libertação.
Um corpo imortal bloquearia todo o progresso e tornaria impossível a nossa evolução para patamares mais elevados, como os que podemos alcançar por meio do renascimento em novos veículos e da colocação em novos ambientes que nos oferecem novas possibilidades de crescimento.
Assim, podemos agradecer a Deus por, enquanto o nascimento em um corpo concreto for necessário para o nosso desenvolvimento posterior, a libertação pela morte ter sido providenciada para nos libertar do instrumento ultrapassado, enquanto a ressurreição e um novo nascimento sob os céus auspiciosos de um novo ambiente nos proporcionam outra chance de começar a vida com oportunidades inéditas e aprender as lições que não conseguimos dominar antes. Por esse método, algum dia nos tornaremos perfeitos, assim como o Cristo ressuscitado. Ele ordenou isso e nos ajudará a alcançá-lo.
Nós somos um Ego, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui, nesse Esquema de Evolução. Nossa manifestação nesse Esquema de Evolução é tríplice – do mesmo modo que Deus, que nos criou. Assim, nos manifestamos por meio dos seguintes veículos espirituais: Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano.
Pode-se comparar o Ego a uma pedra preciosa, a um diamante bruto. Quando este é retirado da terra está muito longe de ser formoso. Uma crosta grosseira oculta o esplendor que ela encerra, e antes que o diamante possa converter-se em uma gema, deve ser polido sobre uma pedra duríssima de esmeril. Cada aplicação contra o esmeril arranca uma parte da crosta e modela uma faceta através da qual entra a luz, refratando-se em ângulo diferente pela luz que as outras facetas refletem.
O mesmo acontece com o Ego. Como diamante bruto, entra na escola da experiência, sua peregrinação através da matéria. Cada vida terrestre é como uma aplicação da gema à pedra de esmeril. Cada vida na escola da experiência arranca uma parte da crosta do Ego e permite a entrada da luz da inteligência sob um ângulo novo, dando uma experiência diferente. Assim como os ângulos da luz variam nas muitas facetas do diamante, assim também, o temperamento, o caráter do Ego difere em cada vida.
Desde a infância até aos 14 anos a medula dos ossos não forma todos os corpúsculos sanguíneos. A maioria deles é subministrada pela Glândula Timo, que é maior no feto, e gradualmente vai diminuindo conforme vai-se desenvolvendo a faculdade individual de produzir sangue, ao crescer a criança. A Glândula Timo contém, por assim dizer, certa existência de corpúsculos proporcionados pelos pais. A criança que haure o sangue dessa fonte não compreende sua individualidade. Até que a própria criança elabore seu sangue, não pensará em si mesmo como um “eu”, mas como “filho da mamãe”, “filha do papai”.
Quando a Glândula Timo quase que desaparece aos 14 anos, o sentimento do “eu” expressa-se plenamente, pois então o sangue é produzido e dominado inteiramente pelo Ego.
Contrariamente à ideia geralmente aceita, o Ego é bissexual. Se o Ego fosse assexual o Corpo Denso seria também necessariamente assexual, porque não é mais que o símbolo externo do Espírito interno.
O Ego tem vários instrumentos: um Corpo Denso, um Corpo Vital, um Corpo de Desejos e uma Mente. Estes são seus instrumentos, e de sua qualidade e seu estado depende a obra que poderá realizar para adquirir experiências.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – setembro/1972 – Fraternidade Rosacruz– SP)
Feliz Páscoa! – Dizemos todos os anos, trocando cartões, coelhinhos e ovos. Mas, aproveitemos a pausa da semana santa e meditemos seriamente: por que “Feliz Páscoa”? Que sentido tem a Páscoa para nós?
Um irmão ou uma irmã de uma Religião Cristã nos dirá: “Comemoramos gratamente a Páscoa, em homenagem Àquele que se sacrificou por nós; que demonstrou a vitória sobre a morte, ao ressurgir do túmulo, três dias depois da crucifixão, conforme prometera; que, finalmente, ascendeu aos céus, quarenta dias após. Está à direita de Deus-Pai, intercedendo por nós”.
Insatisfeitos, perguntamo-nos: que significa isto para nós?
A Filosofia Rosacruz nos ensina que a Iniciação é um processo cósmico de iluminação e evolução do poder; portanto, as experiências de todos são semelhantes nas principais características. Também nos ensina que há a Iniciação Cristã Mística, onde o candidato geralmente está inconsciente do fato de que está tentando atingir algum objetivo definido, pelo menos durante os primeiros estágios de seus esforços, e há nessa nobre Escola de Iniciação tão somente um Mestre, o Cristo, que está sempre diante da visão espiritual do candidato como o Ideal e a Meta de todo o seu empenho. A meta alcançada por meio da Iniciação Cristã Mística é a mesma, porém o método é inteiramente diferente da Iniciação Cristã Ocultista. Na primeira se aprende que é infinitamente melhor ser capaz de sentir emoções nobres, do que ter o intelecto tão aguçado e hábil para definir todas as emoções.
Há nove degraus definidos na Iniciação Cristã Mística, começando com o Batismo, que é introdutório.
1. Batismo;
2. Tentação;
3. Transfiguração;
4. Última Ceia e Lavapés;
5. Getsemani ou Jardim da Agonia;
6. Estigmata;
7. Crucifixão;
8. Ressurreição; e
9. Ascensão.
Para a Iniciação Cristã Mística da Transfiguração até à Ascensão é conhecida como Mistérios Pascoais.
Em todos esses Mistérios (Iniciações) temos que seguir o Caminho da Santidade, que o Cristo percorre anualmente, durante Seu ministério em favor desse mundo e sua Humanidade. Note em sua volta que a Natureza – que, em sua totalidade, constitui o Corpo dessa Terra – se altera harmonicamente com a subida e a descida de Cristo, e o Caminho do Progresso Espiritual ou Iniciação para o ser humano, segue o mesmo processo. Por isso, quando aprendemos a nos pôr em uma mais estreita e íntima relação com Cristo, nos encontramos, consequentemente, mais harmonizados com o Espírito interno das mudanças de estação, e melhor realizamos o trabalho particular em cada uma das quatros estações do ano.
Temos uma correlação positiva e fortíssima entre a Iniciação Cristã Mística e a Iniciação Cristã Ocultista. Vamos resumi-la aqui:
Duas etapas se distinguem nessa luminosa ascese:
a) a primeira vai da 1ª à 5ª Iniciação Menor. Corresponde à conscientização de toda a evolução humana, desde o Período de Saturno até meados da Época Atlante ou metade do atual Período Terrestre. É a tomada de consciência do que acumulamos na Memória Supraconsciente, contida no Átomo-semente, da primeira metade deste Grande Dia de Manifestação. No fim desta etapa o candidato atinge o grau de primogênito.
b) a segunda vai da 6ª à 9ª Iniciação Menor (a última). Este período corresponde ao desabrochar da consciência do Iniciado, para o trabalho a ser desenvolvido na metade Mercurial (segunda metade) deste Período Terrestre.
A penetração da consciência do Iniciado na obra evolutiva referente aos Períodos de Júpiter, Vênus e Vulcano, dizem respeito às 1ª, 2ª e 3ª Iniciações Maiores. Na 4ª Iniciação Maior, o Iluminado candidato atinge a condição de Libertador, optando entre permanecer ajudando seus irmãos na Terra ou partir para uma evolução mais alta, em Júpiter. A Páscoa trata da segunda etapa. É o processo de libertação do Período Terrestre. É a superação de todo o trabalho deste Período. É o cortar do cordão umbilical que nos condiciona ao Planeta, quando nos conscientizamos de todas as suas leis ou mistérios.
Começa a Páscoa quando o candidato, no plano mental abstrato, na 5ª Iniciação, deve transcender sua Personalidade. S. Paulo, o Apóstolo que conheceu essa experiência, que dura mais ou menos tempo, conforme o Candidato. Ele se refere a si próprio quando diz “conhecer um homem que foi arrebatado ao 3º céu e lá viu e ouviu coisas que não lhe é lícito contar” (IICor 12:1-6). Estava no plano mental abstrato ou Região Abstrata do Mundo do Pensamento, onde a universalidade do Espírito se limita a uma consciência egóica.
S. Paulo sentiu agudamente o Horto da Agonia, nos embates entre a Personalidade e o Divino interno, a Individualidade. Mas venceu a prova, pois afinal exclama triunfante: “Não mais eu quem vivo, mas o Cristo vive em mim!” (Gl 2:20).
O próximo passo – a 6ª Iniciação Menor – foi vivenciada, por exemplo, por S. Francisco de Assis, que apresentou os sinais interiores das estigmatas (dos ferimentos), naqueles pontos físicos em que o Espírito fica preso ou crucificado à cruz do Corpo Denso.
Na 7ª Iniciação Menor, o Candidato experimenta o morrer para o sentido humano. Esse processo dura certo período, simbolizado pelos três dias no túmulo. São três etapas em que dissolvemos os traços humanos dos corpos físico, emocional e mental. Então elevamos o grau vibratório de nossa tripla instrumentação e podemos ressurgir para mais alto estado. Não que a gente suba aos céus. Isto é um sentido simbólico. Não subimos para nenhum lugar, senão que experimentamos uma expansão de consciência e alcançamos mais profundamente os mistérios de nosso ser e de nosso Planeta.
Vem a Ressurreição – a 8ª Iniciação – na qual o Candidato adquire a capacidade de sutilização do Corpo, a faculdade plena de materializar-se e desmaterializar-se, mediante o domínio da vontade e poder excepcional de concentração. Eis a explicação do Mestre haver passado através das paredes e entrado na habitação fechada onde se achavam reunidos dez Apóstolos (S. Tomé estava ausente); e depois aos onze (S. Tomé junto). Mas ainda remanescem os sinais da estigmata – os últimos vestígios de influência terrena, que devem ser definitivamente dissolvidos, nos simbólicos quarenta dias (período indeterminado de tempo).
Aí vem a última etapa ou 9ª Iniciação Menor, em que estava João Batista: a Ascensão. Seu mesmo Espírito havia animado, em anterior renascimento, a expressiva figura de Elias – o profeta – que subiu aos céus num carro de fogo (IIRs 2:11) (Ascensão). João Batista, estava a ponto de passar à primeira Iniciação Maior, como Adepto. Por isso foi dito dele, por Cristo: “Dos nascidos de mulher, João Batista é o maior” (Mt 11:11) – isto é, dos que ainda têm de nascer do ventre materno, porque ligado às leis da Terra, João Batista era o mais alto Iniciado. Quando o Iniciado passa à primeira Iniciação Maior, adquire o mistério da Alquimia Espiritual. Ele domina todas as leis da matéria, e pode reunir elementos restantes da assimilação dos alimentos e conservá-los, para ir formando outro corpo, além do que ocupa. Quando ele termina sua missão num certo país e deve começar outra num país diferente, deixa o Corpo Denso antigo e toma o novo, para surgir como uma nova pessoa. Então se diz que “fulano morreu”. Esses elevados Iniciados trabalham no mundo, em missão de equilíbrio, para assegurar os rumos do destino evolutivo humano, dentro de certos limites de respeito ao livre arbítrio.
Todos teremos de passar, a nosso modo, por esses estágios.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – abril/1976 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Aquele que deseja servir como Auxiliar Invisível deve, durante o dia, cultivar uma atitude benevolente e, à noite, ao se deitar, depois de feito o Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção, rogar ao Adorável Espírito de Cristo, que enquanto o seu Corpo Denso repousar dormindo, lhe seja concedida a graça de cooperar na seara espiritual em benefício dos seus semelhantes.
Agora, para isso, é importantíssimo compreender os termos Rosacruzes: Alma e Corpo-Alma e como desenvolvê-los. Assim:
Vemos, pois, que a Alma se atrofia quando deixamos de alimentá-la, e que as ações bondosas, pensamentos de amor Crístico e serviço aos irmãos e às irmãs são o alimento para o crescimento dela. A ação tem três principais campos de operação, ainda que ela derivasse seu poder do que realmente somos, o Ego, por raios de energia. A ação no plano mental é o pensamento abstrato, a ação na natureza emocional é o sentimento, a emoção e o desejo, a ação na natureza física é movimento e a ação com o propósito de alcançar todas as relações da vida. O propósito de cada ato, seja mental, emocional ou físico, é induzido pelos pares de opostos como o amor e o ódio, altruísmo e egoísmo, generosidade e avareza, atividade e indolência etc., e seu fruto é incorporado na Alma, como consciência, que nos avisa em tempo de tentação ou nos provê do dinamismo para tudo quanta é Bom, Reto e Altruísta.
Há em todos nós duas naturezas inteligentes e distintas, chamadas o “Eu Superior” e o “eu inferior”, ou Individualidade e Personalidade, respectivamente. O “Eu Superior” ou Individualidade é o que realmente somos, um Ego que nos manifestamos de forma tríplice: um Tríplice Espírito – Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano, alimentado pela Tríplice Alma – Alma Consciente, Alma Intelectual e Alma Emocional, respectivamente. Enquanto a Personalidade, ou “eu inferior” é o que achamos que somos realmente – mas não somos –, é composta dos três Corpos: Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos. O Elo entre a Individualidade e a Personalidade é o veículo Mente. Quando respondemos ao impulso do “Eu Superior”, renunciamos ao que nos é cômodo e útil a favor do que é proveitoso a muitos. Antepomos o Serviço de Deus a todos os valores materiais. Buscamos em todas as coisas e em tudo os valores eternos. Porém, respondemos ao impulso do “eu inferior”, a renúncia nos é desagradável, preferimos mais receber ao que dar, cuidar mais dos bens materiais e transitórios do que dos espirituais, e o resultado é um grande obstáculo ao nosso desenvolvimento espiritual.
Sim, é algo bastante deplorável se encontrar com algum irmão ou alguma irmã, fracassado ou fracassada – que perdeu todos os seus Átomos-sementes – em um estado de inércia durante inconcebíveis milhões de anos, até que, em um novo Esquema, Obra e Caminho de Evolução chegue ao estado de se unir ao ciclo evolutivo e prosseguir em sua tarefa.
Conforme aprendemos na Filosofia Rosacruz por meio do Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, unicamente três quintas partes do número total de Espíritos Virginais que começaram a evolução no Período de Saturno passarão o ponto crítico da próxima Revolução e continuarão até ao fim. Por fim, sempre nos lembremos: a finalidade da Fraternidade Rosacruz é nos mostrar o caminho da iluminação para nos ajudar a construirmos nosso Corpo-Alma e desenvolvermos as potências de nossa Alma que nos permitirão entrar conscientemente no Reino de Deus por meio do Conhecimento Direto. É uma longa tarefa, porém se continuarmos com fé e persistente perseverança alcançaremos o nosso Divino Objetivo.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – abril/1983 – Fraternidade Rosacruz– SP)
A tendência natural no atual momento desse Esquema de Evolução no qual todos nós estamos inseridos é: “de dentro para fora”, “de baixo para cima”, “para frente e para cima”. Por isso a Filosofia Rosacruz leva o Estudante Rosacruz a se redescobrir, a se conhecer e, tomando conhecimento de seu relativo estado de consciência, empreenda a tarefa de reeducação, de transmutação e libertação das sujeições da matéria da Região Química do Mundo Físico.
Tomando o axioma hermético: “assim como é em cima é embaixo” podemos apurar a veracidade do que dissemos. A analogia é a chave de maiores recursos e se consideramos que somos um microcosmo, parte do macrocosmo que é a Terra, e como ambos seguem linhas idênticas, numa perfeita reflexão evolutivas, veremos quão profunda é nossa Filosofia e como ela concilia, magistralmente: a Ciência, a Religião e a Arte.
Quando estávamos na Época Lemúrica e construíamos Corpos Densos como lemurianos vivíamos muito próximos do centro ígneo da Terra. Já quando estávamos na Época Atlante e construíamos Corpos Densos como atlantes habitávamos nos vales profundos, já afastados do centro ígneo da Terra. Agora estamos na Época Ária e quando construímos Corpos Densos como arianos somos impelidos, no princípio por meio dos dilúvios para as mesetas, os planaltos, onde hoje vivemos.
Analogamente, seguindo a mesma direção, quando estivermos na Era de Aquário e construirmos Corpos Densos como aquariano viveremos “no ar”. Porém, como sabemos que os nossos Corpos Densos, como massa, estão sujeitos à Lei de Gravidade que os atrai para o centro da Terra, uma transformação deverá, necessariamente, ocorrer. S. Paulo nos ensinou que “a carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus” (ICor 15:50). Mas diz, também, que temos uma soma psuchicon, mal traduzido por “corpo natural” e que significa realmente um “corpo espiritual”, constituído pelos dois Éteres superiores do nosso Corpo Vital, mais ligeiro do que o ar e, por isso, capaz de levitação. Este Corpo é o áureo “Trajes de bodas”, a Pedra Filosofal ou Pedra Viva que algumas filosofias antigas designam por Alma Diamante, por ser luminoso, refulgente e cintilante como aquela inestimável joia. Esse Corpo é o Corpo-Alma!
Essa espécie metamorfose toda e sair para o alto e para fora pode se comparar, por exemplo, a transformação do girino em rã (trânsito da Humanidade desde a Época Atlante até à irisada Época Ária) e da lagarta que se arrasta pela terra na mariposa que fende os ares (símil do futuro trânsito do nosso presente estado e condição para as da Época Nova Galileia, onde ficará estabelecido o Reino de Cristo).
Sobre isto, Cristo manifestou, implicitamente, que o “novo Céu” e a “nova Terra” não estavam preparados, quando disse aos discípulos: “Para onde Eu vou não podeis vós ir agora, porém, hei de aparelhar-vos lugar e virei outra vez e vos tomarei comigo para que, onde Eu esteja, estejais vós também” (Jo 14:2-3). Posteriormente, em visão, o apóstolo S. João viu a Nova Jerusalém que descia do Céu e S. Paulo escreveu aos Tessalonicenses dizendo-lhes, por palavras do Senhor, que: “Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens” (1Tess 4:17), na Sua segunda vinda, para receber o Senhor no ar e estarão para sempre com Ele. Isto tudo concorda com as tendências expressas na passada evolução da Humanidade.
(Publicada na Revista Serviço Rosacruz – abril/1964 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Resposta: Não, o Espírito é bissexual e geralmente se expressar em suas vidas sucessivas aqui alternadamente, uma vez como homem e outra como mulher. Há, no entanto, casos em que, de acordo com a Lei de Consequência, é preferível que um Espírito se manifeste em várias vidas sucessivas com um sexo determinado.
A lei é a seguinte:
À medida que o Sol se move em sentido retrógrado (aparentemente para trás) entre as doze Constelações zodiacais, com um movimento que chamamos de Precessão dos Equinócios, o clima da Terra, a flora e a fauna mudam gradualmente, criando assim um ambiente diferente para a Onda de Vida humana e cada Era subsequente. O Sol leva cerca de dois mil anos para percorrer um dos Signos astrológicos pelo movimento da Precessão dos Equinócios e, nesse tempo, o Espírito nasce geralmente duas vezes, um como homem e outro como mulher. As mudanças que ocorrem nos aproximadamente mil anos decorridos entre os renascimentos aqui não são tão grandes que o Espírito não possa extrair as experiências daquele ambiente, tanto da perspectiva do homem ou quanto da perspectiva da mulher.
Contudo, pode haver casos em que o tempo também seja alterado. Nenhuma dessas leis são inflexíveis como as leis dos Medos e dos Persas[1], pois elas são administradas por Grandes Inteligências[2] para o benefício da Humanidade, de modo que as condições possam ser alteradas para se adequarem às exigências de casos individuais. Por exemplo, no caso de um músico. Ele não encontra em qualquer lugar o material necessário para construir o seu Corpo Denso. Ele necessita de ajuda específica para construir os três canais semicirculares do seu ouvido, de modo que eles apontem, tão próximos quanto possível, para as três direções do espaço: ele também precisa também de ajuda para construir as delicadas fibras de Corti[3], pois sua capacidade de distinguir nuances de tons depende dessas características.
Nesse caso, quando uma família de músicos com quem ele tenha ligação estiver em condições de dar à luz a uma criança, ele poderá ser conduzido para lá, embora devesse permanecer nos Mundos Celestes ainda por uns cem anos, pois, talvez outra oportunidade para renascer aqui não se apresentasse antes de duzentos ou trezentos anos, se a lei fosse cumprida. Então, é claro, tal pessoa está à frente de seu tempo e não é apreciada pela geração com a qual convive. Ela é incompreendida, mas, mesmo isso é melhor do que se tivesse nascido mais tarde do que deveria, pois, então estaria atrasada em relação ao seu tempo.
Assim, vemos com frequência gênios desvalorizados por seus contemporâneos, embora altamente valorizados pelas gerações seguintes, que conseguem compreender o ponto de vida deles.
(Pergunta nº 14 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Medos e Persas foram povos da antiguidade. A “lei dos medos e persas” refere-se à tradição jurídica do Antigo Império Medo-Persa (Medo-Pérsia) onde, uma vez que um decreto era assinado pelo rei, ele se tornava irrevogável e imutável. Nem mesmo o próprio monarca podia anular uma sentença estabelecida, como ilustrado no relato bíblico de Daniel na cova dos leões.
[2] N.T.: são as Hierarquias Criadoras.
[3] N.T.: Ou órgão de Corti é o receptor sensorial auditivo situado na cóclea, no ouvido interno de mamíferos, responsável pela transdução de energia sonora em impulsos nervosos. Ele contém células ciliadas (receptores) que se movem com vibrações, enviando sinais ao cérebro. Danos a essas estruturas resultam em perda auditiva, pois não se regeneram.