A Astrologia é para o estudante Rosacruz uma fase da religião, basicamente uma ciência espiritual.
Esta ciência, mais do que qualquer outro estudo, revela o ser humano a si mesmo.
Nenhuma outra ciência é tão sublime, tão profunda e tão abarcadora.
Ela revela a relação entre Deus (o Macrocosmo) e o ser humano (o Microcosmo), demonstrando que ambos são fundamentais.
1. Para fazer download ou imprimir:
2. Para estudar no próprio site (para ter as figuras, que tanto ajudam na compreensão, consulte a edição do item 1, acima):
ESTUDOS DE ASTROLOGIA
Por
Elman Bacher
Volume 3
Fraternidade Rosacruz
Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82
Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil
Traduzido e Revisado de acordo com:
Studies in Astrology
2ª Edição em Inglês, 1951, The Rosicrucian Fellowship
Estudios de Astrología
3ª Edição em Espanhol, 1981, Editorial Kier S. A.
Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
contato@fraternidaderosacruz.com
fraternidade@fraternidaderosacruz.com
Tantos foram os comentários favoráveis recebidos por nós, aos artigos astrológicos de Elman Bacher publicados em nossa revista “Rays from the Rose Cross”, durante os últimos anos, que estamos certos que haverá uma boa acolhida a esse trabalho, por parte dos Estudantes de Astrologia Espiritual.
Os profundos conhecimentos de Elman Bacher e sua devoção à ciência astral, aliados a uma extraordinária compreensão da natureza humana, permitiram-lhe apresentar temas que indubitavelmente o situam entre os melhores Astrólogos Esotéricos modernos. E como a veracidade e o valor da astrologia tornam-se, a cada dia, mais aceitos de modo geral, seus trabalhos ajudarão cada vez mais os seres humanos a conhecerem-se a si mesmos, e a realizarem seu mais alto destino.
Antes de sua transição, em 1951, Elman Bacher expressou o ardente desejo de que publicássemos seus artigos em forma de livro e, embora lamentemos profundamente não estar ele aqui para ver a concretização desse desejo, sentimos felizes por saber que sua aspiração está sendo realizada agora.
ÍNDICE
PREFÁCIO.. 4
INTRODUÇÃO.. 6
CAPÍTULO I – O ASTRÓLOGO.. 8
CAPÍTULO II – O MANDALA ASTROLÓGICO.. 18
CAPÍTULO III – A ASTROLOGIA DA LUZ BRANCA.. 38
CAPÍTULO IV – O ASTRÓLOGO TRATA SOBRE O ENSINAMENTO.. 49
CAPÍTULO V – O ASCENDENTE.. 59
CAPÍTULO VI – A SEGUNDA CASA.. 72
CAPÍTULO VII – A QUINTA CASA.. 88
CAPÍTULO VIII – A OITAVA CASA.. 96
CAPÍTULO VIII – A RETROGRADAÇÃO PLANETÁRIA.. 103
A Astrologia é para o Estudante Rosacruz uma fase da religião, basicamente uma ciência espiritual. Esta ciência, mais do que qualquer outro estudo, revela o ser humano a si mesmo.
Nenhuma outra ciência é tão sublime, tão profunda e tão abarcadora. Ela revela a relação entre Deus (o Macrocosmo) e o ser humano (o Microcosmo), demonstrando que ambos são fundamentais.
A ciência oculta, ao investigar as forças mais sutis que afetam o ser humano (o Espírito) e seus veículos, receberam seus efeitos com a mesma precisão que a ciência acadêmica fizeram com as relações do mar e do céu, da planta e do animal, dos raios do Sol e da Lua.
Com esse conhecimento podemos determinar o padrão astrológico de cada indivíduo, e conhecer a potência ou as debilidades relativas das diferentes forças atuantes em cada vida. De acordo com o que tenhamos alcançado deste conhecimento, podemos começar a formação sistemática e cientifica do caráter – caráter é destino!
Observamos os períodos e estações que são cosmicamente vantajosos para o desenvolvimento de qualidades ainda não desenvolvidas, corrigindo rasgos defeituosos e eliminando inclinações destrutivas.
A ciência divina da Astrologia revela causas ocultas que trabalham em nossas vidas. Assessora o adulto com respeito à vocação, os pais na orientação dos filhos, o mestre na orientação dos discípulos, o médico no diagnóstico das enfermidades; prestando-lhes, desta maneira ajuda a todos em qualquer situação em que precisem.
Nenhum outro tema dentro da margem do conhecimento humano, até esta data, parece conter as possibilidades estendidas aos astrólogos para ajudar aos demais na sua própria dignidade como deuses em formação, a um entendimento maior da lei universal, e a verificação de nossa eterna seguridade nos braços acariciadores da Vida Infinita e do Ser Iluminado.
O astrólogo pertence a um desses muitos grupos de pessoas que, motivadas por amor impessoal, procuram acrescentar melhoramentos às condições humanas. Ele chegou a um ponto de desenvolvimento em que seus recursos internos, destilados de encarnações passadas, são de tal qualidade e esfera de ação que precisam ser externadas; em outras palavras, uma parte de sua consciência não pode mais encontrar satisfação nos níveis de experiência puramente pessoais – ou biológicas (É claro que seu serviço impessoal é uma expressão do seu desenvolvimento e experiência como um ser humano; mas seus propósitos são dirigidos para todos os seres humanos).
Consideremos o astrólogo à luz dos “desenhos astrológicos”:
Em um círculo em branco trace os diâmetros horizontal e vertical.
A cruz formada por essas duas linhas simboliza a natureza humana do Astrólogo: um homem – ou uma mulher – encarnado com propósitos de desenvolvimento e tendo de enfrentar problemas, provas e tentações como qualquer outro; talvez sujeito a uma ou a muitas formas de provas através do sofrimento.
Tudo isso diz respeito à sua parte pessoal, mas quando acrescentamos a esse “padrão de cruz” a cúspide da nona Casa vemos o astrólogo emergir da limitação de um mero ser humano.
O símbolo de Júpiter colocado na nona Casa desse esboço, nos dá a sua identidade essencial: ele é “irmão mais velho” e mestre.
Em sua natureza humana neste plano ele é irmão de todas as pessoas que o buscam para orientação. Reconhece que palmilha as mesmas trilhas que as outras pessoas percorrem, mas o que o diferencia dos outros é um composto em que entram: sua qualidade amorosa impessoal, sua abrangência de compreensão das condições humanas e suas faculdades mentais abstratas. Esse composto eleva sua consciência a um nível que transcende as motivações biológicas básicas do pensamento e do sentimento; ele vê através dos conceitos de raça, religião, castas, modelos de famílias, padrões de relacionamento físico, e mesmo através do sexo, por si só. Sua aproximação aos “seus irmãos e irmãs mais jovens” se baseia no estudo e na compreensão dos seus padrões vibratórios – em outras palavras, baseia-se no nível de consciência deles.
Seu estudo fundamental é o da natureza vibratória da entidade que chamamos humanidade em sua miríade de expressões e variações, manifestadas por subconscientes impressões e sensações, gostos emocionais, atritos e condições físicas, e padrões de reação a todos os departamentos de experiência e relacionamento comuns a todos os seres humanos em seu processo evolutivo. A humanidade não é somente uma família; é uma coisa única, um padrão particular de expressões da vida.
O astrólogo, naturalmente, é uma faceta dessa totalidade; mas, pela percepção e compreensão, ele está em relação à maioria das outras facetas da totalidade como a pessoa no topo de uma montanha está para aqueles que estão subindo a mesma montanha ou para aqueles que ainda permanecem lá em baixo, no vale. Em seu particular nível evolutivo ele já destilou algo daquilo que as pessoas que estão escalando a montanha e os que se encontram no vale ainda estão destilando: consciência dos princípios universais e sua expressão por meio dos processos da vida humana. Ele, por sua vez, ainda tem montanhas à frente, e há outros que alcançaram culminâncias mais altas do que aquela que ele agora ocupa. Mas a consciência impessoal é o denominador comum de todos eles. Essa é a essência da fraternidade que o relaciona àqueles que ainda estão subindo e àqueles que estão à frente dele. Para os primeiros, ele é um irmão mais velho, para os que estão adiante dele é um irmão mais novo. Mas todos eles são irmãos mais velhos para aqueles que permanecem nos vales da consciência puramente biológica e materialista.
Em nosso traçado, a nona Casa simboliza o conhecimento ou aspecto sabedoria do astrólogo; seu aspecto amor é indicado pela décima primeira Casa. Acrescentamos ao mesmo o Signo de Aquário na cúspide da décima primeira Casa e coloquemos o símbolo de Urano nessa Casa; sombreie a nona e décima primeira Casas de maneira que elas se destacam na roda; “conecte” essas duas Casas acrescentando as linhas das cúspides das terceira e quinta Casas, indicando assim um composto de dois padrões de polaridade:
O aspecto amor da consciência do astrólogo – indicado pela décima primeira Casa e pela essência vibratória de Urano – é a culminância de todas as Casas de relacionamento e a mais espiritualizada expressão dos Signos de Ar. A décima primeira Casa é Relacionamento Humano, em sua expressão mais multiforme. É a destilação de todos os padrões de relacionamento – o poder do amor em sua expressão como as “águas da vida”, a panaceia de toda experiência emocional, a última meta de todo amor humano. Chamamos a esse estado: “Amizade” – a essência do melhor que pode se derivar da convivência de pessoas, não importa quem ou o que possam ser como indivíduo.
Esse aspecto do amor é, por sua própria natureza, a essência fundida dos aspectos de amor de ambos os sexos – ou polaridades. O astrólogo, por meio de sua experiência intensificada em encarnações passadas, tem destilado, até certo ponto, a compreensão das características emocionais relativas aos atributos masculinos e femininos. Para cumprir seu trabalho ele deve ser capaz de penetrar nos problemas tanto do homem quanto da mulher e perceber os rumos para a regeneração e correção.
A consciência do astrólogo, em relação a esse aspecto do amor, pode ser delineada mais claramente por outro traçado (o que estivemos considerando se refere mais particularmente aos rumos evolutivos ou caminhos que devem ser percorridos por aquele que busca prestar serviço por meio da interpretação astrológica). O florescimento da consciência amorosa do astrólogo é indicado por uma roda em branco em que as cúspides da terceira, sétima e décima primeira Casas são ligadas por linhas retas, formando um triângulo equilátero.
Interessante é que um ponto desse triângulo – a cúspide da terceira Casa – está no hemisfério inferior, ou consciência do Ego; a cúspide da sétima Casa marca um ponto de equilíbrio, sendo oposto ao Ascendente; a cúspide da décima primeira Casa, representando o ponto mais alto da consciência de relacionamento, está no hemisfério superior, ou consciência anímica. Existe um elemento – um denominador comum – “de fraternidade”, ligando essas três Casas entre si. A terceira Casa, em níveis biológicos, é “irmãos e irmãs”; em expressão mais impessoal ela é “parentes e vizinhos”; em expressão mais impessoal ainda, ela é “companheiros de estudo” – pessoas de qualquer idade ou condição que estão aprendendo na mesma fonte de conhecimento, ou pessoas que estão se espiritualizando pela mesma interpretação religiosa ou filosófica. A sétima Casa é a relação fraternal de uma pessoa – ou consciência – com uma expressão complementar – sexual ou vibratória. A “fraternidade do matrimônio” pode ser descrita deste modo: um homem e uma mulher contribuem juntos para a continuação da vida na experiência amorosa e na procriação. Marido e mulher, nesse serviço à vida, são verdadeiramente irmão e irmã como uma expressão de consciência da terceira Casa, intensificada pelos poderes compostos da atração do desejo e da liberação do amor. A décima primeira Casa, no hemisfério da consciência anímica, é a transcendência das duas primeiras, uma vez que ela é a consciência de amor expressa para a entidade total a que chamamos humanidade, e não é limitada em sua expressão por se confinar a uma só parte – ou a partes selecionadas – dessa entidade como seu objetivo.
Portanto, o astrólogo, espiritualmente motivado, deve ser como um símbolo vivente desse amor que não reconhece barreiras nem limitações de qualquer espécie à sua expressão.
Consideremos agora um traçado que pode representar um retrato simbólico do astrólogo em seus fatores compostos de consciência humana e consciência espiritual. Usando uma roda em branco com as Casas, sombreie as primeiras seis Casas com uma cor escura, marrom ou azul, etc.; dê um colorido vermelho às sétima e oitava Casas – o vermelho simbolizando os “fogos” do relacionamento e de regeneração; as restantes quatro Casas permanecerão em branco – símbolo da consciência espiritualizada.
O retrato resultante é o de um ser humano cujos elementos vibratórios e ambientais são essencialmente os de qualquer outra pessoa; ele tem experimentado muito desenvolvimento por meio da transmutação de suas vibrações inferiores pelos poderes espiritualizantes do idealismo, amor, serviço, sacrifício, da autodisciplina e do cumprimento de responsabilidades. Ele tem sido muitas coisas – como trabalhador; tem cumprido a maioria dos padrões de experiência na relação de amor – como macho e fêmea; ele é – ou tem sido – algo assim como um artista porque suas percepções mentais incluem a compreensão do simbólico e do abstrato. Está cônscio do drama da vida, e é sensível às nuanças dos pensamentos e sentimentos humanos quando se apresentam nos problemas que ele estuda. Ele conhece o mal, mas sua Mente e seu Coração se fixam no bem. Ele estuda os problemas para cumprir o propósito de achar suas soluções. Sendo sua motivação amorosa, ele irradia encorajamento, neutraliza o medo, ilumina a consciência de seus irmãos e irmãs ao alertá-los para a força e poderes que possuem. Ele é – e se dá conta de que é – uma “porta aberta” através da qual todos os que queiram podem passar da escuridão de seus padrões não regenerados para a luz do conhecimento de si mesmo. Não aprova nem desaprova qualquer coisa que vê em qualquer Carta – mantém seus sentimentos pessoais fora do quadro – porque reconhece que cada Carta é uma representação do bem em formação.
Em relação à pessoa que pede a sua ajuda, vemo-lo representado por este desenho: uma roda astrológica com as primeiras seis Casas coloridas ou sombreadas, e com as seis Casas superiores deixadas em branco.
Nesse desenho, as Casas inferiores sombreadas representam a pessoa com o seu problema; as Casas em branco representam o astrólogo e sua consciência espiritualizada. Todos os problemas humanos são originados nas expressões não regeneradas das seis primeiras Casas; eles são trazidos ao seu foco mais intenso por meio da ação conjugada da sétima e da oitava Casas, e as soluções são encontradas nos poderes regeneradores das quatro últimas Casas. Nessa representação o astrólogo reflete os potenciais de regeneração da pessoa. A ação magnética do poder do amor atrai a pessoa ao astrólogo, que espera ajudar a todos os que precisam dele e, pelos poderes destilados de sua consciência regenerada, está apto a estudar a Carta da pessoa, lançando-lhe um facho de luz nos recantos obscuros e percebendo o corretivo espiritual necessário à consciência da pessoa para o seu problema.
Em contato com a pessoa, o astrólogo tem a responsabilidade de pôr de lado todos os padrões de perturbação pessoal quando assume a tarefa de ler-lhe a Carta. Ele deve ser o hemisfério branco, e na eventualidade de estar lidando com uma perturbação pessoal profunda parece que seria melhor protelar a leitura até que possa estabilizar seu equilíbrio interno. Reconhecendo a qualidade impessoal do seu serviço, ele sabe que é um instrumento pelo qual o bem da pessoa é trazido a manifesto, e que realmente não tem o direito de impor a já perturbada ou preocupada pessoa os seus próprios atritos íntimos. Sua responsabilidade é a de refletir luz – clara, forte e firmemente.
Como todas as formas de serviço impõem certos padrões característicos de prova para os aspirantes, pode ser bom considerar algumas das principais provas que são, cedo ou tarde, enfrentadas por todos os astrólogos.
A grande responsabilidade do astrólogo é manter seu ponto de vista livre de toda falsa pretensão, de orgulho e cobiça de poder. Tais tentações são muito sutis, de maneira que pode ser muito difícil percebê-las conscientemente. O ser capaz de ler um horóscopo com sensibilidade coloca nas mãos do astrólogo um certo poder sobre a Mente ou sobre as emoções da sua pessoa; esse, sendo até certo ponto dependente do astrólogo, pode tender a sentir e expressar uma certa reverência ao astrólogo, o que pode ser muito lisonjeiro à sua humana consciência. O astrólogo deve manter respeito à sua própria instrumentação; se assim faz não cairá na armadilha de permitir que a sua habilidade se converta numa fonte de estímulos às vaidades latentes; ao invés disso, ele a conservará como uma “candeia ardendo brilhantemente no altar do serviço espiritual”.
O astrólogo serve melhor se pode manter o rendimento de seu serviço livre de todos os reclamos limitadores de remuneração financeira. Em suma, o astrólogo que mantém seus canais de serviços abertos e livres é o que serve melhor, mais completamente, mais felizmente e mais espiritualmente.
Um mandala é um desenho abstrato utilizado por um artista criativo como um foco para concentração e meditação. O mandala esboça a essência de um conceito artístico; meditando sobre ele o artista concentra suas faculdades inspiradas, às quais, posteriormente, dá forma por meio da pintura, escultura ou de qualquer outro meio que use para se expressar.
O astrólogo é um artista interpretador cujo mandala essencial é o desenho comumente conhecido como horóscopo natural. Ponha nas cúspides de uma roda astrológica, e na devida ordem, os símbolos dos Signos Zodiacais, começando naturalmente por Áries na cúspide do Ascendente, Touro na segunda cúspide e assim sucessivamente. A seguir, ponha os símbolos do Sol, da Lua e dos Astros nos Signos e Casas de suas Dignificações; Marte em Áries e Escorpião, nas primeira e oitava Casas, respectivamente; Vênus em Touro e Libra, nas segunda e sétima Casas, respectivamente; Mercúrio em Gêmeos e Virgem nas terceira e sexta Casas, respectivamente; a Lua em Câncer, na quarta Casa; o Sol em Leão, na quinta Casa; Plutão em Escorpião, na oitava Casa; Júpiter em Sagitário e Peixes, nas nona e décima segunda Casas, respectivamente; Saturno em Capricórnio e Aquário, nas décima e décima primeira Casas, respectivamente; Urano em Aquário, na décima primeira Casa; Netuno em Peixes, na décima segunda Casa.
O desenho resultante da colocação desses símbolos em volta e dentro de um círculo com doze secções iguais é considerado, pelo autor, o maior mandala criado pela Mente humana. É o símbolo composto da natureza vibratória da entidade a que chamamos humanidade. O horóscopo calculado para a encarnação de qualquer ser humano é uma variação desse mandala; os mesmos elementos essenciais são encontrados em todos os horóscopos dos seres humanos, qualificados em cálculos somente pelas diferenças de datas, horas e locais de nascimento.
Esse “Grande Mandala”, como o chamaremos, é um símbolo composto de tal magnitude e complexidade que a imaginação se embaraça quando o contempla. É bom formar o mandala passo a passo, desde o começo:
A figura, até então, representa uma irradiação de um ponto central – a Consciência, um composto dos princípios dinâmico e subjetivo, as linhas essenciais de força pelas quais a manifestação se realiza, o padrão da cruz que é o símbolo eterno da “existência objetivada”. Essa parte do desenho – um abstrato geométrico – pode ser chamada de mandala básico e pode ser usada para meditação por todos os astrólogos. É o esqueleto de toda a estrutura horoscópica, a representação da Paternidade-Maternidade de Deus e o símbolo essencial do sexo cósmico, que resulta na manifestação física.
Existe uma indefinição acerca da aparência do mandala básico descrito acima; as linhas originadas no ponto central podem prolongar-se indefinidamente – pelo que é transmitida uma impressão de caos, ou de algo sem forma. Uma vez que a manifestação (encarnação) serve ao propósito da evolução, e as forças evolutivas sempre necessitam formas específicas como seus instrumentos, vamos dar agora o próximo passo para criar, em nosso mandala básico, um campo de propósitos evolutivos:
O resultado pode ser chamado “Mandala da Encarnação”. Sua forma é definida – uma coisa fechada em que certas especificações das forças evolutivas podem atuar. Esse Mandala da Encarnação pode ser utilizado como um ponto focal para meditação sob dois pontos de vista:
O astrólogo deve flexibilizar tanto sua habilidade interpretativa que nunca perca de vista o significado espiritual de qualquer Carta que estude.
Simples como parece, o círculo com sua divisão em quadrantes por duas linhas retas é um mandala de enorme complexidade. Se considerarmos que o círculo em si é ativado ao ser bi seccionado pela linha horizontal, os dois hemisférios que resultam dessa bissecção são em si indiferenciados e inativados; sua ativação se torna possível pela linha vertical.
Cada bissecção simboliza o Princípio Cósmico de Dualidade – a duo-unidade. O “Dinâmico” e o “Subjetivo” são atributos inerentes a qualquer parte de qualquer manifestação. Como tais, essas duas palavras, em conjunto, são expressas pela palavra “sexo” quando se referem à Vida encarnada. Sexo ativado é geração e regeneração – o “prosseguimento” da Vida. Qualquer dos dois pares de hemisférios, justaposição, resulta no composto Único; nenhum dos pares pode representar a Vida funcionando criativamente sem a ignição fricativa do outro par. Para meditação, trace círculos em que estejam representadas individualmente essas bissecções; cada par de hemisférios pode ser tomado para representar uma expressão de geração cósmica.
À representação plana, bidimensional do círculo dividido em quatro será dada agora, abstratamente, uma dimensão adicional.
O Mandala da Encarnação é uma matriz essencial; mas a encarnação implica em expressão dessa matriz em forma física. Os termos comprimento, altura e profundidade são normalmente considerados expressões diferentes das dimensões físicas. Quando consideramos que toda manifestação física é tridimensional compreenderemos que comprimento, altura e profundidade são três atributos de uma dimensão essencial: a dimensão da manifestação física. Cada um dos quadrantes do Mandala da Encarnação é um nível especializado de Consciência e, correspondentemente, de experiências. Uma vez que a experiência é refletida na dimensão da manifestação física e interpretada pela consciência, aplicaremos o princípio de três dimensões em uma ao Mandala da Encarnação.
Partindo do centro do círculo, ou por meio de mais quatro diâmetros de polaridade, subdividido cada quadrante em três secções iguais. Isto constitui a divisão duodecimal da roda que usamos como Casas ambientais do horóscopo. As três dimensões de cada setor não são comprimento, altura e profundidade, mas são, em termos de Signos, dimensões de consciência refletidas pelas Casas como dimensões de experiência.
A dimensão da primeira Casa de cada quadrante (primeira, quarta, sétima e décima Casas) é a declaração do Ser – o “Eu Sou”: primeira Casa, eu sou um indivíduo; quarta Casa, eu sou um aspecto individual de uma entidade chamada grupo de família ou consciência de família; sétima Casa, eu sou um dos dois fatores de um padrão de relacionamento emocional intensamente focalizado; décima Casa, eu sou um aspecto individual da entidade chamada humanidade.
A dimensão da segunda Casa de cada quadrante (segunda, quinta, oitava e décima primeira Casas) é a posse do recurso emocional pelo qual a vida da Casa cardeal anterior é sustentada. Segunda Casa: minha vida física é sustentada materialmente pelo exercício da minha consciência de posse e capacidade administrativa e por intercâmbio com outras pessoas; quinta Casa, minha consciência de família é sustentada pelas liberações de meu recurso de amor criador; oitava Casa, minha consciência de relação é sustentada pela transmutação de minhas forças de desejo mediante o exercício da minha consciência amorosa no intercâmbio emocional com meus complementos; décima primeira Casa, minha identidade como um aspecto da entidade universal – chamada humanidade – é sustentada por meio do exercício de minha consciência amorosa impessoal, espiritualizada.
A dimensão da terceira Casa de quadrante (a terceira, sexta, nona e décima segunda Casas) é a destilação impessoal das duas Casas anteriores. Terceira Casa: faculdades intelectuais pelas quais eu identifico o mundo das formas; sexta Casa: minha criatividade expressa como serviço à vida por meio do melhor que possa como trabalhador; nona Casa: sabedoria – compreensão espiritual – destilada da regeneração do desejo mediante a relação de amor; décima segunda Casa: minha consciência de servir universalmente, minhas redenções necessárias da encarnação anterior que me impeliu à presente, o grau de consciência cósmica destilada do cumprimento perfeito de todas as responsabilidades por meio do amor espiritualizado.
A tríplice dimensão é expressa em relação à roda como um todo pelos “grandes Trígonos”; os triângulos equiláteros formados pela ligação das cúspides: 1) a primeira, quinta e nona Casas; 2) a segunda, sexta e décima Casas; 3) a terceira, sétima e undécima Casas; e 4) a quarta, oitava e duodécima Casas. Esses Trígonos referem-se, respectivamente, aos quatro elementos: 1) Fogo: Espírito; 2) Terra: Consciência da avaliação das formas; 3) Ar: Identificação da consciência de relacionamento; 4) Água: Resposta emocional – o princípio da vibração simpática.
Sugerem-se aqui alguns padrões básicos do mandala:
Doze rodas, cada uma das quais tem os Signos nas cúspides em sequência, cada uma com o Ascendente diferente; cada um desses mandalas pode ser utilizado para meditação sobre as Quadraturas entre os Signos Cardeais, Fixos e Comuns, e os Trígonos entre os Signos de Fogo, de Terra, de Ar e de Água e os setores de Fogo-Ar e Terra-Água.
Mandalas simples e complexos podem ser abstraídos de qualquer horóscopo natal. Aqui estão algumas sugestões pelas quais o estudante pode concentrar sua habilidade para sintetizar:
Os mais importantes de todos os mandalas abstraídos de um horóscopo natal são os que dizem respeito à décima segunda Casa. Em conjunto, eles dão as chaves dos porquês e para quê da presente encarnação. Sugere-se um mandala para ser aplicado a uma roda com os Signos natais nas cúspides para todo fator isolado que se refira à décima segunda Casa do horóscopo natal: posicionamento vibratório e ambiental de cada Astro que forma Aspecto ao Regente; cada condição referente a qualquer Astro na décima segunda Casa, e, por último, um mandala composto dos Signos na cúspide da décima segunda Casa e na do Ascendente e a colocação dos seus Regentes astrais.
A essência do serviço espiritual de qualquer tipo é executada pela pessoa que transmuta as áreas negativas de sua própria subconsciência, fortalece e disciplina suas faculdades mentais, mantém viva sua consciência de coração pelo poder do amor e procura sempre perceber o melhor nos outros. A percepção do bem real ou em potencial nos outros é um estímulo que, cedo ou tarde, possibilita a expressão desse bem. A essência do progresso evolutivo é a sempre crescente consciência do Bem; nós, como indivíduos, contribuímos para o progresso da raça como um todo quando, pela consciência regenerada, somos capazes de levar os outros a reconhecerem os seus mais altos potenciais para a realização de talentos e habilidades, saúde, amor e sucesso em qualquer campo de esforço.
O termo “luz branca” é uma expressão simbolizada dessa consciência. Branco é a composição de todas as refrações das cores; em sua forma mais pura, a cor branca se ergue como um símbolo da vibração da consciência que se centraliza em Deus. Suas refrações podem referir-se a, ou serem consideradas como qualidades anímicas, correspondendo espiritualmente às variações encontradas nos espectros das cores. Cada uma dessas cores manifesta o princípio da diversidade como uma expressão de unidade, em que cada qualidade tem seu âmbito vibratório desde os aspectos mais primitivos, não regenerados, até seus aspectos mais regenerados e altamente espiritualizados. Quanto maior o grau de pureza e luminosidade do composto branco, melhores as expressões vibratórias visuais como símbolo da consciência aperfeiçoada.
O astrólogo, quando estudando horóscopos de seres humanos, na realidade: estuda, analisa, sintetiza e interpreta padrões vibratórios de qualidades anímicas que representam todos os possíveis campos de desenvolvimento e seus reflexos no mundo das formas, como padrões de experiência. A consciência artística do pintor, por exemplo, é refletida por aquilo que se encontra em suas telas; a do músico manifesta-se naquilo que sai do seu instrumento.
O astrólogo, também um artista-intérprete, expressa a sua consciência pela maneira como interpreta os horóscopos dos outros; os horóscopos são seus instrumentos – correspondentes ao pincel, às tintas e telas do pintor, e ao violino do músico. A consciência do bem do astrólogo corresponde ao composto de percepções artísticas do intérprete da consciência da estética. A inspiração é a ignição de todas as consciências que se harmoniza com a verdade e com a beleza; para o astrólogo essa ignição é possibilitada quando ele carrega sua consciência com o desejo de interpretar um horóscopo consoante o melhor de toda a sua potencialidade. Isto significa que ele faz de sua meta final de interpretação o alertar o nativo para o reconhecimento daquilo que há de melhor e de mais belo nos tons e cores anímicas dele.
A impessoalidade do serviço do astrólogo torna imperativo que, quando esteja em seu trabalho, ele tire sua consciência dos padrões inferiores de sentimento e emoção pessoais. Sugerimos, como técnica preparatória para o desenvolvimento dessa faculdade, meditar sobre o seguinte mandala; um círculo em branco, mas com um ponto exatamente em seu centro. Esse mandala é a representação mais perfeitamente impessoal de um horóscopo que é possível fazer.
Ele não transmite nenhum padrão de experiência, nenhum padrão de emoção, nem atrito, sofrimento ou dificuldade. O ponto no centro pode significar o propósito da tarefa do astrólogo. É de um só ponto, condensado, e não diferenciado. Esse ponto deve ser uma fonte de iluminação espiritual para o nativo, e quando a meditação sobre esse propósito é, por si, focalizada e concentrada, as coisas inferiores pessoais se desvanecem na consciência do astrólogo. Desse modo o astrólogo faz “luz branca” em si mesmo; seu próximo passo é “iluminar de branco” o nativo. Isso ele faz acrescentando ao mandala acima os diâmetros vertical e horizontal; o resultado é o retrato mais abstrato e impessoal que pode ser feito de um ser humano.
Esse mandala é uma figura composta da consciência espiritual – o ponto central; o estado de encarnação física é a cruz formada pelas linhas retas, e o envolvimento pelo círculo perfeito é o poder divino, o amor divino e a sabedoria divina. O mandala retrata um ser humano que está cônscio de sua origem espiritual e da espiritualidade da encarnação. Da meditação sobre esse retrato revela-se a consciência de luz branca do astrólogo para o nativo.
O próximo passo do astrólogo no desenvolvimento da consciência de luz branca é acrescentar os outros diâmetros ao mandala acima, completando-se assim a roda horoscópica duodécupla.
O mandala apresenta agora a imagem do nativo como sujeito aos mesmos padrões gerais de experiência e relacionamento comuns a todos os outros seres humanos. Essas doze “casas” são os “aposentos” em que vive a entidade Humanidade durante a encarnação. Cada uma é tão necessária quanto as outras; cada uma tem seu significado particularizado na experiência e cada uma é uma oficina para criação de maior bem em todos os planos de expressão e realização humanos.
O mandala, tal como se encontra agora, é o padrão essencial de todos os horóscopos. A meditação sobre ele, como uma representação da vida humana, pode ser feita por todos os astrólogos de tal maneira que a percepção do propósito evolutivo da vida humana possa se tornar mais profunda e mais clara a cada dia. Todo horóscopo percebido como uma “expressão de variação” de seu mandala significa uma oportunidade muito melhor de ser interpretado sensitiva e intuitivamente; sem esse preparo da “Iluminação Branca” do padrão básico”, o astrólogo corre o risco de confusão mental diante de todos os fatores complexos de um horóscopo natal. Além do mais – e isto é importante – uma vez que os horóscopos representam pessoas, o astrólogo desenvolve automaticamente a reação de “iluminação branca” às pessoas, quando com essas contata em seu dia-a-dia. Isso é um desenvolvimento natural de sua meditação diária de luz branca sobre o mandala astrológico, porque ele emite para as pessoas uma consciência que se focaliza cada vez mais nas perfeições.
Partindo do desenho abstrato, começamos agora a aplicar a técnica da luz branca às variações pessoais; pomos de lado o padrão universal e passamos a considerar os padrões particulares.
A velha advertência: “A caridade começa em casa” pode ser aqui repetida desta forma: o desenvolvimento da técnica luz branca começa com a meditação do astrólogo sobre a própria Carta. Ele, um ser humano, tem o mesmo padrão essencial de qualquer outro ser humano. Mas seus particulares diferem até certo ponto dos de qualquer outro.
O fato de ser astrólogo não o exime automaticamente dos padrões de sentimentos pessoais em forma de pré-julgamentos, ressentimentos, falso orgulho, inveja, etc. Entretanto, ser astrólogo lhe impõe a responsabilidade de superar esses negativos tão cedo, e tão completamente, quanto possível. Seus negativos podem se congelar e se cristalizar exatamente como os de qualquer outra pessoa, portanto ele, o astrólogo, deve voltar sua consciência impessoal para si mesmo, o ser humano. Isto é verdade: na medida em que o astrólogo permanece fixado em padrões de reação negativos ele limita suas habilidades para interpretar. Nesse estado ele transfere seus próprios negativos para padrões semelhantes que pode achar na Carta de outrem. Por exemplo: um astrólogo masculino tem-se fixado num padrão de aversão relativo a uma específica expressão feminina na vida humana. Ele tem, para essa expressão, um profundo sentimento subconsciente de desagrado ou de animosidade – resultado de sua reação à experiência de um problema algum dia em seu passado. Nunca libertou seu subconsciente desse sentimento fricativo. Agora perguntamos: como pode ele interpretar adequadamente e resolver espiritual e psicologicamente uma condição análoga que encontra na Carta de outro homem? Existem astrólogos que, motivados por profundos impulsos de autodefesa e autojustificação, falham em interpretar corretamente certos padrões em suas Cartas, o que outros podem ver num relance. Faz-se necessário, e urgentemente, um pouco de luz branca nesse ponto.
Nós, astrólogos, geralmente, não encontramos dificuldade em “iluminar de branco” as doze Casas da Carta. As Casas se erguem como representações de padrões básicos de experiência e, como tais, transmitem mais diretamente um significado impessoal. Mas parece que alguns de nós temos, para si, que isso se deva a certos Astros e/ou Aspectos astrológicos. Por quê? Porque os Astros são os enfoques da consciência, e alguns dos padrões que formam nos relacionamentos entre si retratam os atritos e testes dos padrões de consciência. Tendemos a considerar como ruim, mal ou infeliz qualquer padrão de experiência que estimule nossos níveis não regenerados de consciência, levando-nos assim a experimentar reações dolorosas. Aqueles que estimulam nossos níveis regenerados de consciência nós interpretamos como benéficos, afortunados e felizes. O composto simbólico a que chamamos negro – mau, doloroso ou ruim – deve ser trabalhado e transmutado naquilo a que chamamos branco. Por que então não aprendermos a perceber a brancura inerente a todas as qualidades e relações astrais? Isto busca a fase interpretativa da astrologia de luz branca.
A brancura de qualquer Astro é o princípio de vida simbolizado por esse Astro. A diversidade de expressão de qualquer Astro é apenas outro modo de dizer: a diversidade de expressão da consciência humana. De acordo com a sua falta de desenvolvimento você desconhece o sentido e significado deles. O propósito de iluminar de branco qualquer coisa é torná-la mais consciente de seu sentido espiritual.
Contudo, por mais claramente que você, como astrólogo, possa delinear e compreender a Carta de outra pessoa, sugere-se que adote um plano pelo qual você se torne mais perceptivo de sua própria brancura. Esse plano envolve meditação sobre vários mandalas extraídos de sua própria Carta; um mandala para cada um dos seus Astros. Estes mandalas não implicarão no uso de quaisquer números, porque número implica em limitação e a brancura é ilimitada. Não se permita usar uma única palavra-chave negativa, degradante, nessas interpretações. Use somente palavras que transmitam níveis de consciência espiritualizada.
O mandala para a posição do seu Sol pode ser um círculo com Casas: o símbolo de Leão na cúspide de Leão; ponha o símbolo do Sol na Casa e Signo onde você o tem; coloque o símbolo do seu Signo solar na cúspide própria dele.
Essa é a imagem concentrada do seu Sol vista com luz branca. Sintetize em palavras-chaves espirituais cada fator desse quadro – ele é a essência espiritualizada de sua consciência solar, de sua força de vontade e propósitos; é a radiação do amor criador.
Mandala de seu Vênus: uma roda como a mencionada acima com os símbolos de Touro e Libra nas cúspides próprias de sua Carta; ponha o símbolo de Vênus – símbolo abstrato da consciência feminina realizada, refinamentos da alma, consciência estética, capacidade de cooperação etc. – na Carta e Signo onde você o tem; ponha o símbolo do Signo que contém a Vênus na cúspide apropriada para a sua Carta.
E assim por diante – um mandala para cada um dos outros Astros.
A impressão transmitida por cada um dos seus mandalas astrais é a de uma cor pura, uma luz brilhando sem interferências. Não existem implicadas complicações ou limitações à habilidade do Astro de irradiar no seu máximo.
Seu horóscopo de luz branca é o composto de todos os seus mandalas astrais: uma roda com seus Signos nas cúspides, seus Astros colocados de acordo com as Casas e Signos em que você os tem. Utilizando os princípios mais espirituais como palavras-chaves, interprete agora sua Carta como um retrato do mais elevado e melhor que você é capaz de experimentar e realizar nesta encarnação. Sua Carta, desse modo, é um retrato astrológico do seu eu ideal.
O próximo passo é extrair um mandala de luz branca, pelo mesmo modo descrito acima, para cada um dos Aspectos de Quadratura e/ou Oposição; chamaremos a esses padrões mandalas dos Aspectos. Não coloque os graus astrais no mandala de Aspectos, mas medite com palavras-chaves espirituais sobre os dois Astros envolvidos. Desde que cada Astro em um mandala de Aspectos brilha com a mesma pura luz essencial com que brilha em seu próprio mandala, você está agora exercitando a faculdade de síntese no iluminar de luz branca um padrão duplo.
Siga o mesmo plano na aplicação aos seus Aspectos compostos (que envolvem três ou mais Astros).
Após os preparativos de a luz branca terem sido efetuados, as Quadraturas e Oposições em sua Carta natal serão vistas clara e verdadeiramente como o processo de experiência e reações à experiência pelo qual você regenera a sua vida em todos os planos. Concluindo, oferecemos este aforismo à sua consideração espiritual: a regeneração da consciência não é para o propósito de fazer Trígonos para o futuro, mas sim para o propósito de desdobrar a consciência de Deus por meio da expressão de seus Astros de acordo com os princípios espiritualizados de luz branca deles.
Júpiter, como o Regente abstrato da nona Casa, é o símbolo astrológico da pessoa que ensina. Como o desenho, ou “a expressão por meio da figura”, facilita a compreensão de assuntos abstratos como este, sugerimos que o leitor faça quatro desenhos para melhor fixação deste tema.
O primeiro desenho será um círculo com as Casas numeradas. Coloque o símbolo do Signo de Sagitário e do Planeta Júpiter na nona Casa. A observação desse desenho nos nós achamos nosso ponto de concentração que está no hemisfério superior do horóscopo, ou, melhor dizendo, na expressão da consciência anímica do esquema da vida.
É a expressão transcendente de sua polaridade inferior: a terceira Casa. Nós poderíamos falar sobre a nona Casa e permanecer “lá no alto” para sempre, se nós não “arraigamos a nós mesmos” na consideração da terceira Casa, que é regida, abstratamente, por Mercúrio, por meio do Signo de Gêmeos.
Ao nosso desenho original, adicionemos o Signo de Gêmeos na cúspide da terceira Casa e coloquemos o símbolo de Mercúrio. Nós temos, assim, estabelecido um “projeto de polaridade, já que um ponto na metade inferior da roda é dirigido para a metade superior. Esse desenho simboliza um “caminho da evolução”, significando um aspecto da “consciência de separatividade” que ascende para a fase da consciência “anímica” ou “impessoal”.
A primeira Casa é “EU SOU” – o reconhecimento consciente da individualização do Ser. A segunda Casa tem sua expressão identificadora é “EU TENHO” – é uma identificação emocional com a Vida, por meio da consciência de “conexão da posse”. A terceira Casa é a “consciência da vida”, pelo exercício da faculdade do intelecto não emocional. Como regentes abstratos da primeira e segunda Casas, Marte e Vênus, respectivamente, são “expressões emocionais”. Mercúrio, como regente abstrato da terceira Casa, é mesmo em níveis primitivos a primeira expressão de percepção consciente do impessoal e do não emocional.
Mercúrio representa nossa capacidade de “identificação não emocional”. Por meio do seu exercício nós damos nomes às coisas, tanto concretas como abstratas. Também identificamos as coisas em termos de medida, qualidade e função. Mercúrio não é um meio pelo qual nós nos identificamos com a Vida, mas sim o meio pelo qual relacionamos as objetivações da Vida com nós mesmos para nossas utilizações e comunicações.
Considerado sob este ponto de vista, Mercúrio (como regente da terceira Casa do primeiro quadrante, ou “quadrante da colheita”, da roda) é o símbolo de todo aprendizado. É a faculdade pela qual fatos são transmitidos da mentalidade de uma pessoa à mentalidade de outra. Correspondentemente, ele é a faculdade pela qual os fatos são entendidos pela mentalidade que recebe a instrução ou a informação. Mercúrio é linguagem, expressada corretamente na palavra falada, nos gestos ou nas imagens; abstratamente, pela palavra escrita. Ele é o símbolo do relacionamento universal das pessoas entre si em termos de harmonia mental. É o símbolo de todos os estudantes, e, como tal, simboliza esotericamente a essência de todos os relacionamentos fraternais (a despeito das relações externas, todos nós andamos lado a lado uns com os outros – fraternalmente – porque somos todos aprendizes das experiências da vida).
Uma consideração a mais sobre esse desenho mostrará que todo ensinamento tem suas raízes no aprendizado, e que o desenvolvimento da habilidade como um mestre é dependente de manter viva a faculdade da aprendizagem. As correntes de polaridade (na consciência) entre os hemisférios inferior e superior devem ser mantidas sob estímulo para que as capacidades da metade superior possam florescer. Nunca estamos separados de qualquer parte do nosso horóscopo; mesmo que possamos despender vinte horas por dia na profissão do ensino, as correntes de “admissão” não devem ser enfraquecidas ou negligenciadas. Aprender é um estímulo à percepção dos fatos e identificações; pode ser comparado a uma inalação na respiração. Quem quer que esteja verdadeira e fortemente motivado para ensinar manterá viva essa “faculdade da terceira Casa”. Em outras palavras, não desperdiçará nenhuma oportunidade para aprender mais. Obstruir a “admissão” é garantir uma eventual interrupção, uma cristalização, da habilidade de ensinar (E aqui fica uma lição de sinceridade e humildade: pessoas dedicadas a ensinar tenham isso em consideração).
Se Mercúrio é o símbolo da “admissão mental”, então Júpiter – vital, radiante e dinâmico – é a abstração da “exalação”: transmissão de conhecimento ou estímulo de percepção intelectual ampliada e enriquecida pela maturidade da compreensão espiritual. Conhecimento dos fatos mais consciência dos Princípios. Em relação a isso devemos acrescentar outro fator ao nosso desenho: o Signo de Virgem na cúspide da sexta Casa, criando assim uma cruz em “T”, dois braços da qual ficam no hemisfério inferior, regido por Mercúrio.
Aqui o símbolo abstrato dos “colegas estudantes” é expresso de forma ampliada para representar a “fraternidade dos trabalhadores”. Trabalho, espiritualmente considerado, é mais que labor físico – é o serviço que cada pessoa pode prestar como contribuição ao melhoramento da Vida para todos.
Virgem, como Signo de Terra, tem uma conotação destacadamente prática: “Eu trabalho para ganhar dinheiro para sustentar minha vida física e a daqueles a quem amo”. Enquanto a atitude para com o serviço de ensino for “Eu aprendo algo para que possa ensinar algo e assim ganhar dinheiro”, o Aspecto Quadratura entre Gêmeos e Virgem ameaçará o desenvolvimento das capacidades daquele que ensina por mantê-lo identificado, em consciência e no despertar, por atrito, das “considerações práticas”. A redenção desse padrão de Quadratura se encontra no fato de que a sexta Casa é a última do hemisfério inferior e é a “modulação” para o hemisfério superior de regeneração emocional e consciência espiritual. Ela segue a quinta Casa, que é a do poder do Amor; quando a consciência de “trabalho para ganhar dinheiro” é abastecida com a criatividade do Amor e expressa como Serviço para o melhoramento da Vida, se converte em expressões de redenção. Mediante as experiências no serviço amoroso nós alcançamos tal compreensão do nosso assunto que, por comparação, faz do mero aprendizado em livros parecer uma concha sem vida. Essa compreensão é aquilo que a pessoa que verdadeiramente ensina irradia para aqueles que ela estiver ensinando.
Completemos, agora, esse desenho acrescentando o símbolo de Peixes na cúspide da décima segunda Casa e o símbolo de Netuno nessa mesma Casa: a cruz dos Signos Comuns.
Por meio do primeiro braço, Gêmeos, Mercúrio simboliza o “aprendiz”; sua “exalação” é Júpiter como abstração da nona Casa. Mercúrio, por meio de Virgem, é o “aprendiz” da experiência de Serviço; sua “exalação” é Netuno, como abstração da décima segunda Casa. Logo trataremos disso.
Para considerar o assunto mais concretamente, tenhamos em conta alguns dos problemas que, cedo ou tarde, são enfrentados por aqueles que experimentam o anelo de ensinar.
Uma vez que, em primeiro lugar, o ensino é uma expressão dinâmica de sabedoria, o motivo deve ser o de iluminação. Quem quer que responda ao impulso de iluminar deve aceitar um desafio daqueles padrões de consciência que representam a escuridão: cristalização mental, formalismo rígido de opinião e atitude, preconceito, o tipo de ignorância que forma uma base de indiferença às necessidades impessoais ou espirituais dos estudantes. Este padrão de experiência serve como um desafio à integridade e coragem da pessoa que ensina.
O anseio de realizar um serviço impessoal será testado, cedo ou tarde, pela própria consciência de fatores econômicos da pessoa. Esse teste é um dos pontos mais significativos na evolução de qualquer um que aspire à espiritualidade em qualquer padrão de trabalho. Considerando, novamente, o desenho com os Signos Comuns vemos que os Aspectos de Oposição estão “enraizados” por Mercúrio mediante Gêmeos e Virgem. Mercúrio não regenerado, em sua aliança com o primeiro setor da roda, é “praticidade”, “conveniência”, “aderência à construção concreta de algo” e “avaliação superficial”. Essas palavras-chaves se referem a níveis de consciência que, até o momento, não alcançaram o impessoal. As pessoas motivadas para a profissão do ensino e que permanecem nessa expressão de Mercúrio são aquelas cuja atitude básica é a do interesse próprio. “Qual o emprego que paga mais?”, “Qual o emprego que abre caminho para um maior prestígio acadêmico?”, “aposentadoria mais cedo”, “pensão maior”, “ambiente mais divertido”, e assim por diante. Tais considerações são mantidas por todos durante algum tempo em seu progresso evolutivo, mas o ponto de que tratamos aqui é que eventualmente a atitude, perante o trabalho, deve ser regenerada no Serviço Amoroso. Até que sejam dados esses passos, a função pedagógica não pode ser verdadeiramente cumprida. Astrologicamente, o que foi acima mencionado pode ser traduzido deste modo: enquanto o interesse próprio não for transcendido, o ciclo que começa com Mercúrio-Gêmeos não poderá encontrar sua realização espiritual em Netuno-Peixes, por meio de Júpiter-Sagitário.
Uma vez que Júpiter, como símbolo daquele que ensina, se encontra no hemisfério superior da roda, as provas para aquele que ensina, verdadeiramente motivado, são muito mais “internas” que “externas”. Seus problemas mais significativos são os problemas de alma. Algumas dessas provas surgem da necessidade de regenerar o que pode ser chamado de qualidades de um Júpiter adverso, tais como:
Orgulho intelectual, pelo qual aquele que ensina se fixa em níveis egotistas devido à sensação de ter superioridade sobre aquele a quem ensina. Essa tendência pode ser corrigida por uma “virada de consciência”, mediante a qual aquele que ensina intensifica sua percepção do que ele não é, nem nunca pode ser, um repositório de todo o conhecimento de sua matéria em particular; mas que é, de fato, um irmão mais velho para aqueles a quem ensine – e que qualquer deles pode ser seu superior inato em sabedoria essencial. Ele reconhece que é um precursor do desenvolvimento daqueles a quem ensina, e que serve como um “ponto de modulação” pelo qual eles passam dos níveis de inocência para os níveis de percepção de sua própria sabedoria. Ele jamais deve esquecer que, uma ou outra vez, tem percorrido a mesma trilha do aprendizado e, em termos do seu próprio desenvolvimento pessoal, deve ser ainda um aprendiz. Em outras palavras, em relação ao seu trabalho de ensino ele deve manter uma atitude fluídica e dinâmica – expandindo-se, melhorando-se e ampliando-se. Portanto, ele utiliza as palavras-chaves regeneradoras de Júpiter para evitar as cristalizações causadas pelo orgulho.
O engrandecimento próprio por meio do desejo de reconhecimento e elogios é uma expressão de Júpiter, como vaidade e cobiça. Nesse nível, aquele que ensina busca, continuamente, sobressair entre seus colegas para compensar a inveja que sente deles. Ele deseja adulação daqueles a quem ensina; serve-se de seu trabalho para conquistar a boa opinião das pessoas. A ânsia de melhorar sua habilidade e ampliar sua esfera de ação é motivada, basicamente, por seu desejo de que se tenha o bom conceito. Essa perspectiva “introvertida” contém as sementes de sua própria desintegração, já que resulta, automaticamente, em uma experiência que servirá para destruir a motivação fixa e limitadora.
O propósito do ensino não é o engrandecimento de si próprio, mas a iluminação da consciência dos outros. Aquele que ensina que adota uma atitude baseada em sua integridade, como um trabalhador, possui aquilo que pode ser chamado de humildade sadia – ele respeita o trabalho que está fazendo; ele cultiva sua habilidade para que o trabalho seja melhorado; ele agradece todas as sugestões que lhe são apresentadas, desejoso de dar às mesmas a sua consideração. Sua atitude para com os seus colegas é a de apreciação do valor deles para o trabalho, não o de competição, visto reconhecer que cada pessoa que ensina tem a dar a sua própria contribuição exclusiva. Ele ajuda a cada um quando pode, e se dispõe a aprender de cada um deles quanto pode. Em outras palavras, ele se utiliza da palavra-chave jupteriana “melhoramento” e mantém suas motivações espiritualizadas e regeneradas.
A legítima atitude daquele que ensina para com aqueles a quem ensina nunca é a de “exercer poder sobre eles”. É verdade que ele o exerce, já que eles são suscetíveis às suas palavras e influência, mas sua motivação é “alertá-los” para uma consciência dos seus próprios poderes e habilidades e para as maneiras e meios pelos quais eles podem expressar seus melhores potenciais. Motivado pelo amor, sua atitude para com a quem ensinam é a de benevolência; seu prazer é o progresso deles. Ele aprecia o significado da passagem daqueles a quem ensinam de um nível de compreensão para outro mais elevado. Seu desejo é ajudar a crescer – nunca “manter em submissão”. Seu “rendimento”, como uma pessoa que ensina, é respaldado pela avaliação amorosa daqueles a quem ensina – como estudantes e como pessoas – as quais, por sua vez, contribuirão para o adiantamento do trabalho que é o objeto de mútua devoção deles – o altar em que ele e eles acendem suas candeias.
O símbolo do caminho daquele que ensina, em suas expressões mais sutilmente espiritualizadas, se encontra no quarto quadrante da cruz Comum: de Júpiter na nona Casa à Netuno na décima segunda Casa. Esse é o padrão de experiência do Irmão Maior – o iluminador de Almas, a irradiação da Sabedoria das Filosofias e Artes; universal em sua esfera de poder redentor. Nesse setor de desenvolvimento, o conhecimento intelectual já foi abarcado e transcendido. Aquele que é ensinado está voltado para os Princípios da Vida e suas aspirações – não seus desejos ou ambições – são inflamadas pelo contato com a Inteligência iluminada e a consciência espiritualizada daquele que ensina.
Mais um desenho: Áries na primeira cúspide, Leão na quinta Casa e Sagitário na nona; Marte na primeira Casa, o Sol na quinta, e Júpiter na nona. Essa é a trindade dos Signos de Fogo. Marte diz: “EU SOU uma expressão manifestada do Uno”. O Sol diz: “EU SOU o poder irradiante do Amor”. Júpiter diz: “EU SOU a irradiação da Sabedoria”.
Esse desenho triangular demonstram a consciência dinâmica; Júpiter como aquele que ensina simboliza aqui paternidade espiritual: o pai que guia o desenvolvimento e ilumina a consciência evoluinte de seus “filhos”, seus “irmãozinhos e irmãzinhas”. Em termos humanos, Júpiter é visto aqui simbolizando as responsabilidades espirituais da paternidade – e a responsabilidade de todos os pais de prover alimento tanto espiritual quanto material para aqueles que encarnaram por meio deles.
Nos níveis impessoais, ele mostra a inerente paternidade espiritual de todos os que ensinam para aqueles a quem ensinam, os quais, em níveis mentais, são seus filhos. Os pais devem ser aqueles que ensinam; todos aqueles que verdadeiramente ensinam irradiam para os que são ensinados o poder do Amor, o que faz do seu Serviço de Ensino a realização mais completa.
Estudantes, essa é uma discussão de vocês.
A linha horizontal esquerda da roda horoscópica, que vai do centro até a circunferência, é a sua saída dos planos internos – como uma expressão da ideia que chamamos Humanidade – para objetivação da encarnação; o ponto Ascendente é seu aparecimento neste plano, no momento do seu nascimento.
Quando você emitiu seu primeiro grito, disse: “Olha, Mundo, aqui o EU SOU novamente!”. Aquele grito foi sua “aurora”, sua Luz aparecendo no mundo de outras Luzes humanas, como já apareceu muitas vezes no passado. Você veio para expressar uma qualidade mais brilhante e mais clara de sua Luz que jamais expressou antes, e aqueles que lhe deram as boas-vindas, com Amor assim o fizeram, realmente, por causa da promessa inerente à sua Luz, promessa de melhoramento da Vida humana durante os anos de sua encarnação. Cada encarnação é uma expressão de amor e fé da Humanidade na Luz que é sua Origem e sua Habitação.
Sua encarnação foi marcada, vibratoriamente, com uma nota-chave pelo Signo zodiacal que cobre o ponto Ascendente de seu Horóscopo. Cada um dos doze Signos é um dos três aspectos (Existência, Amor, Sabedoria) da dimensão de Polaridade (Positivo-Negativa) em termos de Gênero (Masculino/Feminino). E o principal propósito vibratório de um ser humano na encarnação é realizar, com o melhor de que seja capaz, o potencial do Signo Ascendente por meio do capítulo de experiência e situação vibratória do Astro que rege o Signo Ascendente (Por “situação vibratória” queremos significar o Signo em que esse Astro se situa; a qualidade de expressão é indicada pela natureza do Astro que o “disposita[2]”; o Regente estando em Touro ou Libra é “dispositado” por Vênus; em Aquário é “dispositado” por Urano, etc.).
Faça três mandalas, um para os Signos Cardeais, um para os Signos Fixos e outro para os Signos Comuns. Isso é feito traçando-se três círculos; cada um tem os símbolos de uma dessas três classes tal como aparecem na sequência zodiacal; os pontos dos Signos são ligados por linhas retas, o que nos dá três variações de uma Quadratura.
Os Signos Cardeais são os pontos decisivos quando circundamos a roda partindo do ponto Ascendente; eles representam os quatro pontos básicos das mudanças de estação no decorrer do ano e também representam os quatro pontos básicos da estrutura do relacionamento humano; os masculinos-femininos dos pais (Capricórnio/Câncer) e os masculino/feminino daquilo que é gerado pelos pais (Áries/Libra). As pessoas com um Signo Cardeal no Ascendente (a menos que haja interceptações e o Signo Ascendente também esteja na cúspide da décima segunda Casa) vieram desta vez para tomar uma “nova direção” em sua evolução – seu Signo Ascendente abre um novo quadrante do Zodíaco, o quadrante das três primeiras Casas (aquelas cujos Signos Ascendentes Cardeais abrangem também as cúspides da décima segunda Casa estão simplesmente continuando aquilo que foi inaugurado como ponto decisivo na encarnação anterior).
Cada um dos quatro Signos Cardeais é o aspecto “Existência”, do elemento ao qual pertence: Áries-Fogo; Câncer-Água; Libra-Ar e Capricórnio-Terra. Áries e Capricórnio são os “Signos machos”, dos quais Áries é o masculino e Capricórnio é feminino; Câncer e Libra são os “Signos fêmeas”, dos quais Libra é a masculina e Câncer a feminina.
Os Signos Fixos são o “aspecto Amor” dos elementos – sendo cada um o quinto Signo a partir do Cardeal do seu elemento. Em paralelo:
Áries-Leão[3];
Capricórnio-Touro;
Câncer-Escorpião e
Libra-Aquário.
Como todo horóscopo é o resultado do exercício da consciência na encarnação passada, e nós realmente damos “voltas e mais voltas na roda”, através de nossas encarnações, vemos que, sob um ponto de vista da evolução, Leão é o primeiro Signo Fixo, Escorpião o segundo, Aquário o terceiro e Touro o quarto. Em um mandala com os doze Signos em ordem – em volta da roda e a partir de Áries – trace quatro linhas retas, como segue:
1) de Áries a Leão (cúspide da primeira Casa à cúspide da quinta);
2) de Câncer a Escorpião (cúspide da quarta Casa à cúspide da oitava);
3) Libra a Aquário (cúspide da sétima à cúspide da décima primeira Casa);
4) Capricórnio a Touro (cúspide da décima à cúspide da segunda Casa).
Deste modo vemos um “filme” da ligação entre uma encarnação e a próxima, uma vez que a linha que liga Capricórnio a Touro retrocede ao ciclo zodiacal através da décima, décima primeira, décima segunda e primeira Casa. Na realidade nós não giramos repetidamente “em torno de um círculo”; nós nos desenvolvemos através de um processo em espiral que vai de uma “oitava” a outra oitava superior; cada “oitava” nos traz cada vez mais perto do “retorno ao Centro”, que é o nosso “Éden perdido”; de fato, nós somos, em consciência, reabsorvidos pela nossa Origem.
Os Signos Comuns são os do aspecto da Sabedoria dos elementos, porque cada Signo Comum é o nono Signo a partir do seu Cardeal inicial[4]. Traçaremos agora no mandala acima mais quatro linhas retas, como segue:
1) de Leão a Sagitário, cúspides da quinta e nona;
2) de Escorpião a Peixes, cúspides da oitava e décima segunda;
3) de Aquário a Gêmeos, cúspides da décima primeira e terceira; e
4) de Touro a Virgem, cúspides da segunda e sexta.
Temos agora a ilustração dos quatro elementos em seus aspectos de Trígono: Existência, Amor e Sabedoria das duas “expressões” de Polaridade, e as quatro “combinações” de Gênero. Aplique essa fórmula ao seu Signo Ascendente para obter uma imagem clara da “qualidade Trígono” e da “qualidade gênero” de seu Signo.
Seu Astro Regente é o significador do enfoque e, expressando a vibração do seu Signo Ascendente e seu Princípio, representa a função básica que você vai cumprir nesta encarnação. Contudo, você tem um outro Regente, o qual está correlacionado ao seu Regente astral: é o Astro que “disposita” o seu Regente; podemos denominar este Astro de “Regente vibratório” de sua Carta, já que sua qualidade de gênero é aquela através da qual seu Regente astral deve se expressar (a menos, é claro, que o Regente astral esteja em seu próprio Signo de Dignificação – caso em que é “duplo” Regente).
O requisito ambiental para o desenvolvimento e realização de seus potenciais de personalidade é indicado pela Casa em que seu Regente astral está posicionado. As palavras chaves de cada Casa devem ser dominadas pelo estudante de astrologia, caso este queira saber onde sua “essência” pessoal há de ser cumprida progressivamente. Não importa aonde vamos neste plano, levamos conosco nosso horóscopo inteiro, e dentro de nós mesmos, pela simples razão de que o horóscopo é a imagem da nossa consciência, e dela nunca podemos fugir. Podemos, todavia, permanecer firmados nos requisitos do nosso Regente astral se percebermos que qualquer lugar, ou ligação com qualquer grupo de pessoas, contém possibilidades de exercitar os potenciais do Regente astral. O ser humano deve utilizar o plano físico. Ele não deve ser utilizado pelo plano físico; mas ficará congestionado e limitado nele se não firmar sua consciência própria representada pela combinação de qualidades do Signo Ascendente, do Regente astral, qualificado por seu “dispositor”, e seu significado por posicionamento em determinada Casa.
O desenho astrológico nos mostra uma coisa estranha e maravilhosa – conhecida como “base psicológica” – a cúspide da quarta Casa natal. Esta cúspide, sob o ponto de vista oculto, pode ser estudada pela Lei de Causa e Efeito como a significadora de uma condição que liga esta encarnação a encarnação passada – mostrando-nos, assim, como poderemos fortalecer nosso sentido de “continuidade” da corporificação passada para o presente.
Lembremo-nos, primeiramente, de que nós encarnamos sem nenhuma percepção consciente de nossa procedência; o supra consciente[5] detém todas as nossas lembranças do passado, e a “revivificação” dessas lembranças é que nos possibilita “contatar”, conscientemente, com certo nível de nosso ser vibratório que está intimamente ligado às nossas memórias de progresso, alcançado na encarnação passada. Vejamos agora a representação abstrata disso como um Princípio de Vida:
Um mandala que contenha apenas as cúspides da décima segunda e primeira Casas; coloque o símbolo de Peixes na décima segunda e o símbolo de Áries na primeira; ligue os dois pontos na circunferência por uma linha reta.
Essa é a imagem essencial do resíduo de ideais não realizados que fez necessária a presente encarnação. Agora acrescente a vertical inferior – a cúspide da quarta Casa – e coloque nessa cúspide o símbolo de Câncer; ligue esse ponto, por linhas retas, às cúspides da décima segunda e primeira.
A “linha de Áries” na presente encarnação é a involução ao ponto onde se estabelece identidade com a família e a herança vibratória – o senso de “ocupação do ninho” – e a identificação de relação com a qualidade vibratória dos pais (a quarta cúspide é, naturalmente, a metade da linhagem completa dos ancestrais que, para completar, se estende até a vertical superior, ao Signo de Capricórnio, a cúspide da décima Casa).
A linha de Peixes, no mandala acima, é a matriz espiritualizada: uma das três linhas e dois dos três pontos da triplicidade de água de Câncer, Escorpião e Peixes. Por conseguinte, como o primeiro ponto “de subida” no ciclo desde o Ascendente é a cúspide da quarta Casa, vemos que a matriz espiritualizada, derivada do melhor de nós próprios no passado, é representada diretamente no melhor de nossa herança vibratória. Conhecer somente o pior de nossos pais é, em termos humanos, se tornar mais intensamente cônscios do pior em nós mesmos, porque nós encarnamos através deles pelas Leis de Causa e Efeito e de Simpatia Vibratória. Permanecermos fixados em nossos piores sentimentos acerca de nós mesmos, como “expressões” de nossos pais, é permanecermos congestionados no passado negativo. Não podemos conseguir progresso espiritual e vibratório a menos que reconheçamos nossos potenciais para progredir; alcançar tal progresso implica na necessidade de nos tornarmos cônscios de nossos recursos espiritualizados.
Agora traduza esse mandala para os termos de sua própria Carta natal – os Signos nas cúspides de suas: décima segunda, primeira e quarta Casas. A não ser que haja a complicação de interceptações em certos arranjos, os Signos nas: décima segunda e quarta Casas representarão dois aspectos de um dos quatro Trígonos elementares. Uma análise detalhada – pelos valores genérico e espiritual – desses dois Signos em relação ao Regente da Carta nos dá uma ideia de como o melhor do nosso passado deve prosseguir nesta encarnação como “pábulo” para a expressão progressiva e ascendente do Regente astral.
Gire sua Carta natal de tal maneira que a quarta cúspide se situe no Ascendente – um quarto de volta no sentido horário. A (aparente) décima segunda Casa é, na realidade, a terceira Casa da Carta natal e é a nona Casa a contar da sétima natal – a “nona Casa” representando o “aspecto Sabedoria”. Essa é a representação do recurso de sabedoria da última vez que você encarnou no sexo físico oposto ao de sua atual expressão. A terceira Casa da Carta natal é o presente desenvolvimento intelectual, mas é também, conforme visto acima, uma chave para compreender algo do melhor de sua polaridade complementar, porque reflete uma das “oitavas superiores” de você próprio expressando o sexo oposto. Sua habilidade para aprender agora está condicionada e qualificada por sua destilação de sabedoria nas encarnações passadas (aprender é, na maior parte, “recordar”), e o que você “aprendeu por experiência” (Sabedoria), no passado, tem agora uma relação direta com suas habilidades mentais.
Vemos, portanto, que a quarta Casa do horóscopo natal contém muita informação concernente ao melhor de nós mesmo, traduzida do passado para o presente. Negamos a nós próprios se ignoramos este potencial; mas se o utilizamos começamos a escalada para a maturidade psicológica.
As condições horoscópicas acima descritas se referem à Carta individualizada – o “você mesmo” de seu retrato vibratório. Mas existe outra maneira de aprender a dizer “EU SOU”, e essa maneira se encontra na consideração do fato de que, não importam quais possam ser o verdadeiro Ascendente e Regente astral, todo horóscopo tem o diâmetro Áries-Libra em algum lugar e Áries, através de sua regência pelo dinâmico e expressivo Marte, é a abstração de “EU SOU”. Em níveis primitivos de consciência, o “EU SOU” da humanidade é afirmado em termos de atrito, resistência, contenda, autodefesa e destruição daquilo que é temido porque não é compreendido. O ser humano tem lutado por sua sobrevivência – tanto contra o mundo como contra outras pessoas e condições. Na realidade ele tem resistido à exposição de sua própria ignorância dos Princípios de Vida – ele nunca lutou contra outras pessoas, mas sim contra seu medo delas, posto que elas, suas “inimigas”, nunca foram mais que espelhos para os seus negativos. Quando amar verdadeiramente aquilo que ele realmente é, e seu amor seja uma expressão daquele amor, então seus “inimigos” desaparecerão e todas as pessoas serão reconhecidas como seus irmãos, irmãs e amigos.
Marte, através de sua regência a Áries, é o Regente abstrato do horóscopo da humanidade. Mediante essa vibração nós dizemos não apenas “EU SOU”, mas “EU ESTOU determinado a sobreviver e perpetuar minha existência”. O potencial de Marte em todo horóscopo é o “sangue vermelho” da consciência, a sensação vital de Existência, a masculinidade essencial da vibração genérica, a capacidade de vitalizar, estimular, impregnar (em qualquer plano), de lidar com os arranjos internos e externos e, finalmente, por meio de suas destilações espirituais, é coragem nascida da fé – a aspiração do Espírito de progredir e viver em oitavas sempre ascendentes da consciência da Vida Una, do Amor Uno e da Sabedoria Una.
O significado da cúspide com Áries em sua Carta mostra que, não importa seu sexo físico, o pleno cumprimento dessa experiência requer o exercício da mais vital qualidade genérica masculina; você deve aprender a exercitar a coragem, deve desenvolver a autoconfiança, deve enfrentar os seus temores, aprender a entender a origem deles em sua consciência e vencê-los, mediante transmutações e expressões construtivas; você deve desenvolver e exercitar a qualidade básica Marciana da iniciativa – referente à “arrancada” de Áries como primeiro Signo do Horóscopo Abstrato; neste ponto você deve aprender – e eventualmente aprenderá – o que significa impelir a si mesmo sem esperar por sugestões, incitamentos ou encorajamentos dos outros; por meio da Casa com seu Áries na cúspide você é o “passarinho” que salta do ninho protetor e exercita sua capacidade de voar; uma vez no ar e fora de sua Casa ele voa ou cai no chão; ninguém e nada pode mantê-lo no ar, exceto sua força e sua adaptação ao elemento que vai ser seu campo natural para viver e mover-se.
Como a cúspide de Áries pode estar em qualquer lugar na roda e o potencial de Marte em qualquer Carta pode ser pequeno ou grande em esfera de ação, existe uma possível variedade infinita de “Marcialidade”. Na medida em que o seu Marte esteja “congestionado” por Aspectos de Quadratura ou Oposição, e na medida em que os Astros em Áries (dispositados por Marte) estejam congestionados, você terá de aprender a exercitar a virtude da coragem como uma expressão de seu Amor-Sabedoria interno; para lutar, não por resistência a pessoas que você pense serem “inimigas”, mas lutar irresistivelmente pelas expressões transmutadas de sua consciência; para se firmar em suas convicções (se forem autênticas) como uma expressão de sua integridade e, sobretudo, respeitar o direito de outras pessoas de se expressarem consoante seu recurso vibratório. Um Marte sadio e integrado nunca tenta congestionar, inibir, limitar ou deter a realização de outrem, mas procura sempre encorajar, com seu Amor-Sabedoria, a ignição de seus melhores e mais belos potenciais em todos os planos. A pessoa que conhece o Amor-Coragem e a Sabedoria-Coragem conhece verdadeiramente o que significa “EU SOU”; todos nós, cedo ou tarde, precisamos nos dar conta desse senso espiritualizado de identidade com nossa Origem – nosso Deus Pai-Mãe.
As condições pertinentes à segunda Casa da roda horoscópica focaliza muito daquilo que o astrólogo, em seu trabalho, é chamado a interpretar. Uma vez que cada fase do horóscopo tem seu princípio particular, é sugerido que ampliemos nosso conceito da segunda Casa mais além da abordagem tradicional que a vê como dinheiro e posses.
Em primeiro lugar, para pôr a segunda Casa no esquema das coisas, consideremos um mandala feito com uma roda e nela as Casas: coloque os símbolos de Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão e Virgem nas seis primeiras cúspides; trace uma linha reta da cúspide da primeira à cúspide da quinta; trace outra linha da cúspide da quinta à cúspide da sétima.
O setor das quatro primeiras Casas corresponde ao ensino fundamental (1º grau), que todos nós cursamos na infância como base para nossa experiência educacional. O setor adicional das quinta e sexta Casas poder-se-ia considerar correspondente ao ensino médio (2º Grau), iniciado como é pelo impulso vital da quinta Casa. O condicionamento interno indicado por essas seis primeiras Casas encontra sua expressão no hemisfério superior, iniciado pela sétima Casa, a Casa da consciência de parceria; isso é análogo à experiência no mundo em que entramos após completarmos nossa educação formal – pomos nosso conhecimento para funcionar. O composto dessas seis Casas é o que trazemos a toda experiência da maturidade para regenerar e aperfeiçoar, assim como trazemos para as nossas experiências da maturidade como adultos todo o treinamento, condicionamento e cursos que fizemos em nossos anos de crescimento. As expressões não espiritualizadas das seis Casas – particularmente das quatro primeiras – indicam a raiz quadrada essencial de todos os nossos problemas.
Quando consideramos que a consciência humana primitiva se manifesta através da quinta Casa como expressão instintiva – como um recurso da quarta Casa – ao invés de criatividade consciente, não é de admirar que a humanidade tenda a funcionar amplamente na consciência das cinco primeiras Casas. Para a maioria das pessoas, até a sexta Casa é uma expressão de sustento material, ao invés de uma expressão de contribuição impessoal em serviços. Há tanto da consciência de relacionamento humano, primariamente arraigada na consciência de identidade da quarta Casa com a família e raça, que as decisões são tomadas em termos de sentimento grupal, ao invés de sê-lo pelos requerimentos de desenvolvimento pessoal e desejo de expressar a consciência de integridade pessoal. Como a consciência física é o reino nos quais as pessoas tendem a viver, a segunda Casa focaliza muito de seus padrões de experiência e padrões de problemas, porque a segunda Casa é o símbolo essencial da consciência de sustento para toda a roda, concentrado por seu significado no setor das quatro primeiras Casas. As três primeiras Casas podem ser chamadas apropriadamente de quadrante da colheita – representando os processos do plano interno pelos quais nós nos integramos com a tríplice dimensão da manifestação física.
“Posse” e “propriedade” são palavras que identificam a consciência da maioria das pessoas com a expressão de sua segunda Casa. Contudo, o princípio real da segunda Casa se revela quando consideramos o ponto filosófico de que nós não possuímos, nem somos donos de nenhuma coisa física. A única coisa que possuímos é a consciência. A qualidade dessa posse se encontra em nossas reações a qualquer fase da vida; a regeneração depende da nossa capacidade de administrá-la. A vida da humanidade é uma coisa interna – a expressão material é seu veículo. Portanto, aquilo que chamamos “desejo de possuir coisas” é a maneira primitiva de dizer que desejamos experiências pelas quais possamos exercitar nossa faculdade de administração das formas físicas e o progresso proporcionado pela regeneração.
Uma vez que cada fator encontrado na roda horoscópica é uma coisa necessária na vida da humanidade, não existe fator que seja “errado” ou “mau”. A segunda Casa – como um capítulo de experiência e um nível de consciência – tanto quanto qualquer outra Casa é um símbolo do Espírito. Ela transmite essencialmente a consciência emocional, ou de desejo, pela qual a humanidade procura conseguir as coisas necessárias ao seu sustento. Dizer “Eu Tenho” é uma extensão da consciência da primeira Casa, a consciência de “Eu Sou”. O impulso subjacente do “Eu Sou” é sustentar a si próprio – é ser capaz de continuar dizendo “Eu Sou” e perpetuar essa consciência no mundo da forma. Para algumas pessoas, “meus filhos” ou “minha esposa” são ditos com o mesmo grau de consciência de posse que dizem “meu dinheiro”. Ambas as frases implicam em autoperpetuação e auto expressão.
A essência de qualquer fator astrológico se encontra na consideração do princípio espiritual inerente ao fator. Como a segunda Casa tem sua “espiritualidade” particular, vamos considerar três mandalas abstraídos da Carta natural ou arquetípica. (Esta é uma roda com os trinta graus de cada Signo na Casa apropriada, começando com Áries na primeira cúspide; os regentes astrais são relacionados às Casas e Signos de sua dignificação).
O primeiro mandala será uma roda em branco, exceto para as cúspides das quatro primeiras Casas que formam o primeiro quadrante. Os símbolos de Áries, Touro e Gêmeos são postos nas cúspides das três primeiras Casas, respectivamente. Nossas frases-chaves serão:
Esse quadrante de “colheita” representa nossos processos de “fincar raízes” em qualquer ciclo de evolução.
Vênus, Regente de Touro é Regente abstrato da segunda Casa; é o princípio da atração; seu significado relativo à nossa segunda Casa é o impulso de atrair para nós mesmos os meios de sustento material, ou atrair o fluxo de abundância material. De nenhum outro modo é mais evidente a afirmativa de que nós não ganhamos dinheiro. Na realidade fazemos algo em troca de dinheiro. Isso chama a nossa atenção para o arqui-princípio da vibração venusiana: equilíbrio por meio da troca. Visto como uma expressão desse arqui-princípio, o dinheiro é uma troca material entre as pessoas; não uma posse material; em outras palavras, é algo recebido como retorno de algo feito. Nesse ponto a essência do uso correto do dinheiro é o cumprimento perfeito do acordo mútuo. O Mandamento “Não furtarás” foi dado como uma regra de procedimento contra a tentação de se violar a expressão material de um princípio universal.
Para ampliar nossa apreciação da segunda Casa, vamos ligá-la agora à outra Casa que é regida abstratamente por Vênus através de Libra – a sétima Casa.
O mandala será: a roda de doze Casas; os símbolos de Touro e Libra nas cúspides das segunda e sétima Casas, respectivamente. O símbolo de Vênus em ambas as Casas; sombreie levemente essas Casas de modo que elas se destacam das demais na roda.
Temos aqui o arquétipo do mandala de Vênus – o retrato abstrato do foco de influência da deusa sobre a experiência de vida da humanidade. A segunda Casa ilustra o Princípio de Atração na consciência do ser humano para atrair material para o sustento próprio; a sétima Casa é a união de pessoas que se complementam mutuamente. Em outras palavras, a Vida, nos processos de relacionamento humano, alcança o equilíbrio mediante o intercâmbio amoroso entre os complementares.
Abstratamente, a sétima Casa identifica todos os pares dos que dão e dos que recebem. O empregado dá seu trabalho – o empregador dá o pagamento. A vida física do empregado é sustentada pelo uso do dinheiro que recebe; a vida da empresa do empregador é sustentada pelos esforços daqueles que trabalham para ele. Quando a mutualidade do bem é mantida em tais relacionamentos, todas as pessoas envolvidas se beneficiam, umas às outras através de trocas justas. Quando os princípios de qualquer dos fatores são violados, os resultados são desarmonia e desequilíbrio. Isso se evidencia em todos os planos – entre indivíduos, entre dois grupos, ou entre duas nações.
Devemos ter em mente que o dinheiro – nosso símbolo de posse material – é na realidade um “fluído”, no sentido de que alguma forma de troca entre as pessoas acontece em toda parte e a toda hora. É como o sangue circulando pelo corpo físico para sustentar a vida física. Cesse o fluxo de sangue e você cessará a expressão da vida individual. Cesse ou congestione a circulação de dinheiro na vida econômica e observe os resultados. Serão evidentes em qualquer lugar.
A circulação do sangue no corpo físico começa com “produção”; o “retorno” é feito quando o impulso inicial completa seu trabalho. A circulação do dinheiro entre as pessoas, começa, quando, primeiramente, algo é feito para que ele seja dado como pagamento. A humanidade, para funcionar com êxito financeiro, deve aprender a ter boa vontade para apresentar o melhor rendimento possível na qualidade do serviço a ser prestado. A sexta Casa forma o primeiro Aspecto de Trígono com a segunda Casa; a sexta Casa introduz a sétima, símbolo do abstrato da experiência de relacionamento.
O sucesso no ganho de dinheiro começa pela retidão mútua na consciência de troca e na consciência de serviço. A deficiência ou obscuridade dessas consciências garante eventualmente “problemas financeiros” na forma de remorso subconsciente, perda de confiança própria, desconfiança dos outros (lembranças de desonestidades passadas), avareza, e o tipo de extravagância que é toda “produção” sem levar em conta o equilíbrio da troca. Esses quadros financeiros negativos são resultados de ultrajes perpetrados no passado contra o Princípio de Intercâmbio Mútuo e são manifestações de desamor ao próximo. Esses quadros atuam como imãs para experiências negativas, perdas, limitações, e, até que sejam regenerados pelo princípio, asseguram a experiência contínua de negativos financeiros.
O mandala de Vênus é a ilustração astrológica do dito: “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males”. Não ao dinheiro em si; porque o dinheiro por si mesmo não tem poder. Mas quando a consciência de uma pessoa está “enraizada” na segunda Casa sua consciência de amor está enraizada no apego às suas posses.
Portanto, a alquimia do Amor no relacionamento dele com outras pessoas é impedida e por isso, com o tempo, se congestiona a tal ponto que qualquer coisa ou pessoa será vista como uma ameaça aos seus bens. Sua ganância, desconfiança, avareza, medo, etc. levam-no a criar imagens mentais muito deformadas das pessoas, e o leva automaticamente a afastá-las cada vez mais de si. O mal cresce a tal ponto que nossa consciência nos separa dos demais. Vemos, portanto que o dinheiro não é apenas um meio de troca material, mas pelo modo como é usado, dá uma indicação direta da consciência amorosa da pessoa.
A pessoa pode gostar mais de possuir bens do que amar e respeitar as pessoas ou em certos padrões de relacionamento – pais, esposa, filhos, etc. – pode exercitar uma bela consciência amorosa, mas nos negócios ter a consciência de um pirata; ou sua consciência pode estar integrada na finalidade de manter equilibrado e harmonioso o relacionamento com todas as pessoas. Ou servimos a Deus, exercendo o redentor poder do Amor, ou servimos a Mamon, escravizando-nos à ilusão de possuir as coisas. Enquanto essa ilusão dominar a consciência nós atrairemos experiências do tipo negativo e doloroso.
Tão logo a atitude correta para com outras pessoas e o relacionamento correto para com elas se torne o ponto focal da consciência, as correntes do poder do Amor iniciam um processo alquímico que liberta da escravidão de “ser possuído pelas posses”. A despeito do que qualquer outro faça, cada ser humano deve, no devido tempo, dar-se conta do valor espiritual do reto uso do dinheiro. Quando chega esse tempo, se torna manifesta a certeza de relacionamento correto entre as pessoas. A honestidade é um florescimento do coração humano pelo qual a consciência é capaz de interpretar as coisas da Vida pelo que elas realmente são. Um homem honesto ou uma mulher honesta veem às coisas como elas são quanto ao princípio e como expressões desses princípios. Elas, as pessoas verdadeiramente honestas, não precisam ser “legisladas” na ação honesta por leis ou pela ameaça de castigo; elas funcionam na consciência da troca respeitosa com outras pessoas, de todas as maneiras.
O processo envolvido na leitura astrológica pode ser enunciado deste modo: primeiro, uma sólida compreensão do significado abstrato ou espiritual de cada fator na Carta astrológica; então a aplicação da compreensão abstrata aos pormenores da Carta sob consideração. Isso porque cada horóscopo humano é uma variação do Horóscopo Arquetípico, que é, o Grande Símbolo Vibratório da entidade que chamamos Humanidade. Esse arquétipo é a roda de doze Casas, com os símbolos dos Signos colocados nas cúspides, começando com o grau zero de Áries na primeira, zero de Touro na segunda, e assim sucessivamente com os outros dez Signos e Casas. Completa-se o Arquétipo com a colocação dos Astros nas Casas e Signos de suas dignificações.
Cada fator é justamente tão importante quanto qualquer outro fator, uma vez que todos são expressões de consciência na encarnação. Todos são espirituais, todos são bons e todos são necessários. Todo astrólogo deve se fundamentar nessa compreensão, se deseja desenvolver a habilidade para perceber os potenciais espirituais delineados na Carta que estuda, assim como as causas e propósitos a serem descobertos.
Desvendar os segredos da segunda Casa é um dos mais significativos serviços que o astrólogo pode prestar porque a humanidade, em sua maior parte, vive escravizada ao desejo de posses. A consciência de posse é o nível primitivo do princípio da segunda Casa; o princípio em si é a capacidade administrativa – a responsabilidade do uso certo e das trocas justas. Quando um horóscopo é lido do ponto de vista das posses, o fator acúmulo é enfatizado – ou pode ser enfatizado – na Mente do nativo. O astrólogo não deve se descuidar da oportunidade de alertar nativo para o princípio. É o conhecimento do princípio que abre a consciência para as soluções e reorientações.
A faculdade da segunda Casa pode ser vista claramente ao se considerar o seguinte mandala: uma roda de doze Casas; os símbolos de Áries, Touro, Gêmeos nas cúspides da primeira, segunda e terceira Casas, respectivamente; uma linha reta liga as cúspides da primeira e quarta Casas, circunscrevendo assim as três primeiras Casas.
A segunda Casa transmite uma implicação emocional: o desejo de sustentar a vida física. A terceira Casa é mental: o processo de aprender como efetuar esse sustento. Nós sustentamos a vida física mediante o uso das coisas da Terra, não por nos apegarmos a elas. Em análise final, não podemos nos apegar a qualquer coisa física, mas o uso que fazemos das coisas físicas – inclusive o dinheiro – retrata nossa consciência de escravidão ao sentido de posse ou à liberdade íntima para usar as coisas da Terra com juízo e inteligência.
A leitura de qualquer Carta pode ser um assunto complicado. Classifiquemos os fatores que podem pertencer aos padrões da segunda Casa, considerando-os em sequência. Essa classificação envolverá a criação de vários mandalas de luz branca. Use somente as posições astrais por Signo e Casa, não os números dos graus; vamos tentar perceber o funcionamento do princípio por meio dos padrões da segunda Casa, e não queremos limitar nossa percepção pelo efeito, psicologicamente negativo, de impressionar nossas Mentes com os “maus” Aspectos.
Primeiro mandala: o símbolo do Signo da segunda Casa sobre a segunda cúspide; ponha o símbolo de seu Regente astral em seu correspondente Signo e Casa.
Esse é o “mandala essencial da segunda Casa” de qualquer horóscopo; ele transmite, pelo Signo na cúspide, a consciência da pessoa em relação ao dinheiro e às posses; a posição do seu Regente indica onde e em que capacidade essa consciência vai achar sua mais completa realização do poder de atrair os meios terrenos por meio do exercício da troca perfeita. Isso serve também para delinear o departamento de experiência que focalizará o melhor da consciência financeira da pessoa e, essencialmente, mostra até que ponto o nível espiritual de capacidade administrativa é expresso – ou pode ser expresso pela pessoa. Mostra também se a pessoa tende a expressar possessividade ou o uso da posse.
Segundo mandala (ou grupo): um mandala para cada Astro na segunda Casa e no Signo da segunda Casa. Ponha os símbolos dos Signos nas cúspides das Casas regidas por esses Astros.
Tais Astros focalizam a consciência de posse muito mais intensamente que qualquer outro padrão, pois o capítulo de experiência se sincroniza com o padrão da consciência. Esse mandala enfatiza muito fortemente as experiências financeiras; tais experiências podem incluir finanças em propriedades, finanças em investimentos – em suma, todo tipo de experiências que sejam focalizações da consciência financeira. A regeneração das Casas regidas pelos Astros depende, definitivamente, da regeneração da consciência de posse.
Terceiro mandala: um mandala para cada Astro no Signo da segunda Casa, mas na primeira Casa.
Esta é uma fase da consciência financeira em formação. O desenvolvimento pessoal – ou desenvolvimento da personalidade – nesta encarnação é preparar experiência financeira para o futuro. A habilidade financeira é vista mais com um ponto de avaliação pessoal do que como a faculdade de aquisição por si mesma.
Quarto mandala: Astros na segunda Casa, mas no Signo da terceira Casa: a educação e o desenvolvimento mental são focalizados por meio de experiências financeiras.
Disciplinas mentais vão ser encontradas em experiências relacionadas com o ganhar dinheiro. Em tal padrão a abordagem tende a ser colorida pela qualidade do desejo de obter e reter. Os terceiros e quarto mandalas são padrões de repercussão, pois os Astros assim colocados estão em Casas que precedem aquela a que estão relacionados por Signo. O quarto mandala nos informa que a pessoa ainda não está – até certo ponto – puramente integrada na mentalização abstrata ou impessoal; ela tende a “pensar em termos de seus desejos de posse e avaliação financeira”.
Esses quatro mandalas focalizam os padrões de experiência da segunda Casa. O desenvolvimento harmonioso desse fator, em nossa experiência terrena, fica demonstrado a ser de enorme significância para o crescimento anímico, quando recordamos que a segunda Casa é o primeiro passo na formação do Grande Trígono do Elemento Terra. A base desse Trígono é a horizontal que liga a cúspide da segunda Casa à cúspide da sexta Casa; a implicação simbólica é que o Princípio do Serviço Perfeito (uma fase da consciência impessoal) depende diretamente do exercício justo da consciência monetária. O ápice do Trígono de Terra é a décima Casa – a Sociedade e suas expressões aperfeiçoadas como uma entidade universal. Os defeitos da segunda e da sexta Casa asseguram defeitos na décima. A frase “Capital (segunda Casa) versus Trabalho (sexta Casa)” é tão negativa quanto qualquer coisa pode sê-lo. Deve se converter “Capital e Trabalho”, funcionando juntos na troca perfeita entre todos os fatores para que o ápice de qualquer sociedade ou civilização possa alcançar o melhor. A regência natural – ou abstrata – da décima Casa por Saturno e a exaltação desse em Libra – Signo regido por Vênus, e que também abstratamente rege a segunda Casa – é algo sobre o que todos nós podemos meditar. Ela ilustra o sentido essencial da palavra civilização: “Relacionamentos civis entre todas as pessoas em seus procedimentos com as coisas terrenas e em todas as trocas pertinentes a estas”.
Não obstante o Signo na segunda cúspide e os Astros envolvidos, devemos ter em mente que Vênus é o símbolo arquetípico da segunda Casa, como um fator de consciência espiritual. Nesse ponto é apropriado dizer que os Regentes naturais, ou abstratos, dos Signos e Casas condensam – ou concentram – o sentido esotérico das Casas como capítulos de nosso desenvolvimento. Por conseguinte, nossa consideração sobre a leitura da segunda Casa não pode ser completa sem estudarmos as posições e padrões de Vênus; além disso, devemos intensificar nossa consciência do significado de Vênus como o “Princípio do Equilíbrio” (Harmonia e Equilíbrio) mediante as trocas.
Quinto mandala – o mandala de Vênus: Touro na segunda cúspide, Libra na sétima cúspide.
Estude esse mandala girando a roda de tal maneira que cada cúspide, por sua vez, se torne o Ascendente. Observe como os dois Signos – formando o Aspecto de 150º – se relacionam à roda como um todo nessas diferentes posições. Touro e Libra compõem a “consciência do dinheiro” e a “consciência de relação”. O princípio, conforme dito antes, é “Equilíbrio através da mutualidade de dar e receber” – o Princípio do Matrimônio. Medite sobre o mandala de Vênus de qualquer Carta que lhe peçam para interpretar do ponto de vista financeiro, para chegar às raízes da consciência básica de troca do nativo. As posições de Vênus por Casa e Signo – não importando seus Aspectos – dar-lhe-ão um indício sobre as razões esotéricas para a manifestação de falta ou insuficiência de dinheiro. Os Astros que afligem Vênus devem ser regenerados se a raiz da consciência de pobreza tiver de ser removida. As aflições a Vênus mostram somente como a pessoa, em suas encarnações anteriores, expressou desequilíbrio e desarmonia em suas relações com outras pessoas. As condições referentes à segunda Casa são especialmente para esta encarnação, mas Vênus é o símbolo arquetípico do relacionamento certo em todas as fases e em todos os planos. Ajude o nativo a se tornar mais cônscio da verdade desse princípio. Fazer isso é uma de suas maiores responsabilidades.
Concluindo esta exposição: utilize as palavras-chave espirituais dos Astros quando eles expressem as condições de regência ou ocupação da segunda Casa; isso assegura a percepção do propósito esotérico do dinheiro nesta encarnação de nativo. Não o enfraqueça tomando decisões financeiras por ele – fazer isso é uma violação do seu próprio Princípio de Serviço. Alerte-o para a sua própria consciência do Princípio, e encoraje-o a tomar o seu próprio caminho (financeiro), seguir nos caminhos do exercício de sua inteligência financeira o melhor possível, com boa vontade, honestidade, e perfeito intercâmbio com todas as pessoas.
A quinta Casa do horóscopo abstrato é o segundo ponto de Quadratura do Signo Fixo e do Signo de Fogo. A descarga de seus potenciais proporciona uma canalização muito grande para o avanço espiritual.
A quinta Casa está abaixo do horizonte – no hemisfério norte – e à direita da vertical da roda, a oeste. Ela é a Casa central do quadrante iniciado pela quarta Casa; esse quadrante é chamado – ou pode ser tido como – o setor da família. Estando abaixo do horizonte, a quinta Casa fica no hemisfério que pertence à consciência do eu separado. Situando-se a oeste, ela está no hemisfério “predestinado” – aqueles capítulos de experiências que a Vida nos traz para que as vivamos da melhor maneira possível; nós não exercitamos autodeterminação nesses padrões quanto o fazemos – ou podemos fazer – com aqueles do hemisfério leste.
Os quatro Signos Fixos (Touro, Leão, Escorpião e Aquário) e suas correspondentes Casas (segunda, quinta, oitava e décima primeira) são Signos e Casas de recursos e sustentação pelos quais são “alimentados” os quadrantes iniciados pelos Cardeais. A primeira Casa inicia a consciência de “EU SOU um indivíduo”; a quarta Casa diz: “EU SOU um fator individual em um padrão de família, herança e aparência”. Os recursos possibilitados pela quinta Casa capacitam a Humanidade a convencer-se de que: “Eu tenho o poder de contribuir para a corrente da vida por meio do exercício de minha consciência de amor e para sustentar minhas criações pelo meu próprio recurso de poder amoroso”. O Sol, que rege abstratamente a quinta Casa do Signo de Leão, é o símbolo essencial do Poder de qualquer classe, exatamente como, de modo literal, o Sol é a fonte irradiante de vida para o nosso Sistema Solar, sua criação. Assim pela ação desse recurso nós somos impelidos a liberar energias fornecedoras de vida mediante o exercício do amor paterno e proporcionamos encarnação a outros Egos que nos chegam como filhos. Nós também damos vida às expressões impessoais na criatividade nas Artes. Biológica ou impessoal, amando nossos filhos ou amando a nossa criatividade e o trabalho a que nos devotamos, todas essas liberações são expressões do aspecto criador do poder do amor.
Em virtude dos recursos do imenso potencial significado pelos quatro Signos Fixos e suas Casas, os padrões não regenerados pelos envolvidos implicam numa correspondente intensidade do destino maduro. A palavra-chave essencial implicada em um Leão não regenerado é: uso indevido do poder por meio do exercício do egotismo (por “Leão não regenerado” se entenda: padrões de fricção concernentes a Astros em Leão ou ao próprio Sol, onde quer que esse se localize na Carta). O símbolo que usamos para o “aspecto Quadratura” – um quadrado com base horizontal – quando aplicado à roda fica de tal modo que os ângulos coincidem com os pontos médios da Casas fixas; o segundo desses – o ponto médio de Leão – é o ponto de convergência para cima quando percorremos a roda no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio com início no Ascendente.
Nessa figura somos alertados da importância de se regenerar a quinta Casa; até que o potencial seja regenerado, a consciência permanece fixa nos níveis da posse e do egotismo – nas segunda e quinta Casas, ambas abaixo do horizonte. Se pudermos imaginar a Quadratura fixa sendo “detida” na sexta cúspide e tendo suas correntes “cortadas”, as energias que – simbolicamente – tentassem subir para o quadrante do relacionamento, acima do horizonte, seriam frustradas, agitando-se violentamente para frente e para trás dentro das cinco primeiras Casas, e o EU SOU da primeira Casa permanece fixo na expressão limitadora do desejo de posses e do desejo de poder; as posses se convertem em objetos da consciência de amor e as pessoas que deveriam ser amadas e sustentadas pelo amor se convertem em objetos da consciência de poder, para serem dominadas e utilizadas como o são as posses, inanimadas. Esse padrão de frustração apresenta um grande símbolo: a história da desumanidade do ser humano para com a humanidade; o aprisionamento do Ser humano por si próprio.
Quando o ser humano identifica suas posses como símbolo de poder, e as crianças mais como objetos de poder do que de amor, vemos a consciência do egotismo atropelando por meio da experiência humana. Essa consciência, ativada pelas quatro primeiras Casas e sustentada – se podemos chamar a isso sustentação – por níveis não regenerados da quinta Casa, ilustra de forma simbólica o conceito de dinastia: grupos de indivíduos unidos vibratoriamente por meio de um padrão de família ou de um padrão nacional, os quais aderem a um modelo de família como uma expressão de poder e egotismo. O indivíduo e seus direitos essenciais são desprezados – na melhor das hipóteses, um penhor – na manutenção desse plano fixo, rigidamente organizado. O matrimônio é baseado na posição, na herança e nas posses; a religião é uma conformação a rituais e dogmas pela qual o poder e a supremacia do padrão são continuamente enfatizados; a educação é um instrumento para a modelagem das mentes, consoante a conveniência do plano. Com efeito, a terceira Casa, nesse símbolo, está empalada entre a primeira Casa e a quinta Casa. Não havendo liberação além da quinta Casa, a educação permanece simplesmente como uma coisa de rotina, tradição e repetição de uma organização intelectual limitada. A história se repete uma e outra vez; todos têm atravessado fases em que funcionamos como – e nos sentimos como – cifras em uma família ou padrão nacionalista; isso é realmente uma expressão da consciência tribal da humanidade. Como tal isso preenche uma necessidade evolutiva e, portanto, é bom. Contudo, e no devido tempo, deve ser superado para que a raça evolua. Aqueles que reconhecem, até certo ponto, seus próprios poderes, mas permanecem não regenerados, são os que agem como tiranos, déspotas e autocratas de famílias, grupos e nações; são os que “dão as ordens” e os que “manejam o chicote”. Aqueles que permanecem nas quatro primeiras Casas, e ainda não se deram conta de seus poderes, são as vítimas dos outros; são os supersticiosos e os crédulos, são os indivíduos servis e os escravos. Eles vivem em sua consciência superficial, em seus desejos e necessidades físicas, em sua subserviência a qualquer coisa que receiem ou que não entendem. Resumindo, eles ainda não se conscientizaram de que são recursos de poder e de autodeterminação. Estão escassamente cientes do potencial individual. Eles existem como fatores de um padrão superabrangente que existe como um modelo para suas experiências.
Quando pessoas chegam ao ponto de se sentirem insatisfeitas, inquietas e aborrecidas com os padrões cristalizados em que vivem, e desejosos de encontrar uma liberação mais satisfatória e mais ampla de suas energias, então estudarão a seu horóscopo visando analisar os potenciais da quinta Casa. Tal análise deve naturalmente incluir um estudo do Sol, porque o Sol é o símbolo abstrato da habilidade para a autodeterminação. Muitas pessoas se cristalizam porque situam suas vidas em canais que elas próprias não querem realmente; em outras palavras, elas se desviam para a artificialidade do padrão e, sendo alimentados com seu próprio erro anseiam voltar para seus “Eus” verdadeiros e começar a viver construtivamente e felizes consoantes os melhores potenciais de suas Cartas. Algumas dessas pessoas se desviam por causa de uma reação de medo, ou de subserviência, a uma vontade mais forte que visa forçá-las a errar, devido à ignorância ou a uma falta de simpatia na percepção de suas necessidades. Pode-se dizer que a autodeterminação é um aspecto da coragem – a quinta Casa é uma autoexpressão respaldada pelas qualidades regeneradas da primeira Casa. Contudo, quando o propósito é eletrificado na consciência, ocorre uma liberação de esperança, de coragem, de entusiasmo renovado, e então a pessoa sente que verdadeiramente “nasceu de novo”. Ela deve saber o que quer fazer de sua vida, e se continua a cumprir seus padrões de responsabilidade tem todo direito de determinar seu avanço para o alto. Ao lidar com uma Carta semelhante faça mandalas de cada Aspecto do Sol; determine até que ponto a pessoa pode redirecionar um novo curso de vida, e ajude-a a entender por que ela foi impelida a se desviar do caminho certo, para que possa enfrentar, no futuro e com maior êxito, os desafios de seus aspectos de consciência.
Em relação aos padrões de ficção que envolvem a quinta Casa, um em particular pode ser tratado aqui: a ajuda que o astrólogo, como amigo filósofo, pode prestar a pais chocados pelo que talvez seja a forma mais patética de sofrimento humano: sua reação de dor ao passamento de uma criança amada ou de um bebê amado. Todos os serem humanos encarnam por meio de seus pais, especificamente, pela Lei de Simpatia Vibratória. As pessoas que, como marido e mulher, convidam amorosamente outro Ego para encarnar podem ter atrás de si uma história de possessividade e dominação paternal sobre seus filhos no passado. A Mente consciente[6] pode não reconhecer isso – e geralmente não reconhece – mas se uma nova encarnação é “interrompida”, os pais, sob o ponto de vista filosófico, não precisam sentir que a sua experiência de pais foi frustrada. Essa transição foi feita pela Lei, exatamente como o foi a encarnação.
A explicação oculta é que muitos Egos encarnam por pouco tempo para restabelecer contato com esta dimensão, isso para que seu avanço possa se efetuar mais completamente. Tais crianças vêm a pais que, por alguma razão íntima, devem aprender a deixar ir. Em algum lugar no passado houve demasiada subjugação como uma expressão de autoridade ou poder dos pais, e talvez por isso o progresso da criança no passado tenha sido inibido ou frustrado. Além disso, quando um Ego efetua a transição de maneira súbita ou violenta e o corpo físico é destruído, a pessoa pode voltar a estabelecer seus elos, e então, não pretendendo permanecer por um período inteiro de experiência de encarnação, prossegue em seu progresso. Se você puder, encoraje uma dilatação de ponto de vista nas Mentes de tais pais; anime-os a renovar, se possível, a expressão de seu poder de amor em alguma forma. Estimule-os sobretudo a neutralizar tendências para prolongar a dor, o pesar tristonho e desintegrador, mostrando-lhes que enquanto estiverem encarnados não precisam suprimir todas as expressões de seu potencial de amor. Em outras palavras, tente ajudá-los a manter viva e expressiva a consciência deles respectiva quinta Casa. Manter viva a quinta Casa significa manter vivo o coração.
No mandala dos Signos de Fogo liguemos as cúspides das primeira, quinta e nona Casas, formando um triângulo equilátero, a linha “ascendente” que é a vertical da quinta à nona.
Quando o aspecto de poder da quinta Casa é ampliado pela consciência de amor o emblema simbólico vai da potencialidade ao regozijo. A sugestão nesse ponto é que nós consideramos o regozijo muito mais significativo que um simples sentimento – geralmente temporário – de bem-estar ou de satisfação. O regozijo é um estado de espírito em que – ou pelo qual – o Eu Superior da Humanidade é capaz de expressar sua liberação construtiva a despeito das condições e assuntos externos, porque alegria é um dos atributos da consciência de amor. Ela possibilita a liberação de poder para maior bem de todos os envolvidos porque o amor clareia as percepções para uma consciência do bem inerente a todas as pessoas e do melhor potencial e significado de qualquer experiência.
O melhor de Leão – e da quinta Casa – é o “coração alegre”, o entusiasmo irradiante e transbordante de espíritos elevados que animam a vida humana – e os relacionamentos – de amabilidade, alegria de viver e encanto. É o emblema do prazer e da magnificência pelo qual a consciência do ser humano expressa sua compreensão de amplitude – interna e externa. É a “Casa dos hobbies”, já que um hobby, no sentido verdadeiro da palavra, é o escape criador de um grande interesse, um querido passatempo, uma atividade recreativa e que se harmoniza. Uma nova orientação psicológica pode ser dada às pessoas que estagnaram por demasiada preocupação com a rotina, com o cumprimento de responsabilidades e com as coisas práticas. Todas podem achar uma canalização para a liberação de impulsos criativos e recreativos, se desejam muito organizar devidamente suas vidas. Repetidas vezes a psicologia tem provado o poder de um hobby vibracionalmente sincronizado para infundir na vida humana uma nova consciência de alegria, de entusiasmo e de bem-estar, em todos os planos.
A primeira Casa é autoconsciência; a quinta Casa é auto expressão criadora; a nona Casa é o aspecto criador de sabedoria destilada da experiência. A primeira Casa é o ser (Eu Sou); a quinta Casa é o ser alegre (Eu Amo) a nona Casa é o ser sadio (Eu Compreendo).
A quinta Casa é o amor em sua expressão mais particularizada. É uma irradiação da consciência individual, que é uma liberação de poderes para a pessoa de quem eles emanam, e um calor e estímulo para aqueles que o recebem. A quinta Casa é tradicionalmente chamada de “Casa dos filhos”. Essa interpretação, contudo, é um derivado. Na Carta de um indivíduo específico a quinta Casa é o emblema do seu potencial de amor criador: ela pinta o quadro de sua consciência dos filhos como um fator em sua consciência de relação – é seu potencial como um amoroso dador de vida.
O Amor pelo qual nós procriamos outros Egos é nosso nível dessa expressão de Amor Divino pelo qual um Sistema Solar é encarnado. Daí poder-se ver por que o egotismo da parte dos pais e daqueles que ensinam pode ser um agente mortífero para as vidas dos filhos e dos alunos. O egotismo é retroativo; retrocede violentamente para os níveis da autoglorificação e do interesse próprio. O Amor se interessa pelo verdadeiro bem-estar e progresso daqueles a quem dá vida. Kahlil Gibran[7] se refere aos pais que amam verdadeiramente como “arcos dos quais partem flechas” – para continuar seu desenvolvimento e cumprir seus próprios propósitos e destinos.
Vamos apreciar, mais que nunca, essa expressão de Amor que torna possível nossa encarnação. Aprendemos sobre amor de pais daqueles que o foram antes de nós, e reconheçamos que nosso avanço se tornou possível porque, ao liberarem amor, eles aproveitaram a oportunidade para liberar vida. E devemos reconhecer também que quando nós, sejamos pais ou não, criamos uma beleza maior para todos, estamos liberando nossos recursos de jovialidade; fazendo isso, pelos processos de vibração simpática, nós realmente criamos a alegria na consciência de todas as pessoas que entram em contato conosco. Queremos viver a vida em termos de alegria, corajosa, generosa e formosamente. Para isso devemos expressar o centro do coração e viver amorosamente.
A experiência da transição da dimensão física para os planos invisíveis é uma experiência que a humanidade, em sua maior parte, considera como uma sensação de ansiedade, medo e, em certos casos, de absoluto terror. Em nenhuma fase do trabalho astrológico se exige do astrólogo ser mais sensível, mais impessoalmente compadecido, e mais verdadeiramente simpático que naquelas ocasiões em que é chamado para interpretar um Mapa Astrológico de alguém cuja reação de abatimento pela transição de um ser amado neutralizou temporariamente sua capacidade de prosseguir. Uma vez que cada Casa na roda tem seus princípios básicos – como um padrão de experiência – este assunto é apresentado na esperança de que possa ajudar a todos os estudantes e praticantes de astrologia a alcançarem uma consciência mais clara da mais oculta das Casas, e assim aumentar sua capacidade de lidar com pessoas que estão “palmilhando caminhos escuros”.
O princípio da oitava Casa é regeneração; e cabe neste ponto uma palavra de esclarecimento.
Certo homem que o autor conhece demonstrou magnificamente o poder do ponto de vista regenerador diante de uma separação avassaladora. Sua esposa terminou esta encarnação no momento em que se encontrava no auge da fama e da prosperidade, amada e respeitada por muitas pessoas. Poderíamos dizer que ela tinha tudo para viver; ainda assim a Vida a levou deste capítulo sob circunstâncias drásticas e calamitosas. Há pouco mais de um ano o Mapa Astrológico dessa excelente mulher foi posta à disposição do autor, que visava desvendar o segredo daquela experiência especial de transição. Focalizando a análise do Mapa Astrológico nos padrões das sétima e oitava, e décima segunda e primeira Casas, chegou a esta conclusão: acima e além de qualquer fama mundana que tenha alcançado, essa mulher foi verdadeiramente uma grande alma que, num gesto de serviço amoroso, escolheu fazer sua transição de maneira violenta para que uma grande redenção pudesse acontecer. É muito possível que esse feito heroico lhe tenha proporcionado a possibilidade de grandes realizações no futuro. Este Mapa Astrológico é um maravilhoso exemplo do elo entre padrões de relacionamento do passado e seu cumprimento na presente encarnação. O desafio à coragem e integridade de espírito do marido foi enfrentado com galhardia e, em consequência, ele foi levado a um gesto de serviço que, tendo sido cumprido, já provou ser uma fonte de regeneração e de renovação por seu notável trabalho.
Para obter a essência da oitava Casa prepare o seguinte mandala: uma roda em branco com doze Casas; numere a primeira, a segunda, a sétima e a oitava Casas; realce o diâmetro formado pelas cúspides das segunda e oitava Casas.
Isto é uma ilustração simples da oitava Casa e de sua polaridade, a segunda Casa. Gire a roda de tal maneira que a oitava cúspide situe-se no Ascendente; desse modo a sétima Casa aparece como a décima segunda.
Os significadores essenciais da décima segunda Casa de qualquer coisa são:
Assim, nessa perspectiva, o significado da oitava Casa da presente encarnação é visto como a regeneração das imagens de desejo, que são as memórias ocultas de reações às experiências matrimoniais e de relacionamento na encarnação passada. Essas imagens de desejo têm suas raízes nos instintos sexuais e na consciência de posse, que, no relacionamento matrimonial ou sexual, alcançam um pico de intensidade maior que os alcançados mediante qualquer outra fase de experiência.
Em referência ao mandala original: a polaridade ou posição criada pelo relacionamento mútuo entre a oitava e segunda Casas pode ser interpretada deste modo: o inimigo (Aspecto de Oposição) da regeneração (oitava Casa) é o apego (fase primitiva da segunda Casa); o inimigo (Aspecto de Oposição) do princípio administrativo (segunda Casa) é o fracasso em regenerar o desejo (oitava Casa negativa). O princípio administrativo é o “uso certo dos materiais” – entrada e saída proporcionais, equilibradas; apego aos materiais é: tudo só entrando e nada saindo; um estado de desequilíbrio pelo qual a consciência se torna, no final, “presa à Terra” por sua preocupação com valorizações materiais.
Os negativos de ambas as Casas “se alimentam reciprocamente”. Desejo sem Amor, sexo sem fruição, permanecem fixos na possessividade; o desejo intenso por dinheiro e coisas, sem uma saída equilibrada pela troca, congestiona as imagens da entrada, resultando isso em um tipo de paralisia, devido às demandas sempre crescentes da natureza de desejo. A pessoa amada é considerada como uma posse; o enfoque no dinheiro ou nas posses com a exclusão do relacionamento pessoal correto neutraliza, gradualmente, o potencial de amor, e, em qualquer dos dois casos, o resultado é congestão, a qual, por sua vez, cria todo tipo de males em todos os planos da consciência humana. Os poderes simbolizados pela oitava Casa são os que produzem a descarga dessas congestões da natureza de desejos. Essa descarga é simbolizada pela vibração dinâmica de Marte: ação construtiva; através de Vênus: mutualidade.
A transição que costumamos chamar de morte é, na realidade, uma expressão do Princípio de Regeneração em larga escala que, por sua vez, é a essência da espiral, para frente e para cima, de qualquer expressão da Vida. Quando no estado de saúde, nossos Corpos são continuamente renovados e regenerados; a congestão – ou “descontinuidade” – é algo que resulta em doença. No plano da reação emocional, congestão é qualquer reação que resulte na incapacidade ou não inclinação da pessoa para se manter adaptável, sensível, receptiva e entusiástica para as novidades das experiências. Se nos apegamos, em sentimento, às coisas que já não participam de nosso viver construtivo, nós nos congestionamos de algum modo. Contudo, se nos mantemos receptivos e sensíveis ao significado das novidades, acolhemos o advento de outros moldes às nossas vidas, nos quais podemos despejar nossos potenciais.
A congestão, como uma reação à transição de um ser amado, resulta em manifestações tais como a autocompaixão, pesar mórbido sobre o passado, ressentimentos e tendência para o auto isolamento. Isso, por sua vez, acumula as energias em montanhas de pó de misantropia, desespero, tendência para fugir e confusões neuromentais. Quando nos apegamos àquilo que a vida provou ser obsoleto, nós não estagnamos, mas retrocedemos. Ou estamos com a vida na geração e regeneração, ou estamos contra ela, na degeneração congestionada. A transição da pessoa que nativo amava não é o problema do nativo; o problema dele é destampar as fontes de poder interno que resultarão na neutralização de seus padrões de reação declinantes. Uma parte importante de sua responsabilidade é ajudar tal pessoa a compreender que “a morte não existe, só existe a vida”. Fixe em sua consciência a “existência eterna” da vida e a importância de nossa responsabilidade de nos adaptar às mudanças de circunstâncias e liberarmos o melhor de nossas possibilidades de prosseguir.
Converse com essa pessoa de maneira tal que ela seja completamente uma dadora de vida; nunca prediga a morte nem mesmo tente descrever os meios pelos quais ela pode ocorrer. Não se deve satisfazer a curiosidade mórbida sobre esse assunto (De qualquer modo, e sob um ponto de vista puramente astrológico, não é sábio tentar esse tipo de interpretação; o mesmo padrão indicativo da morte indica também o despontar do novo, transmutado do velho durante a encarnação).
Você, como astrólogo, deve ter uma perspectiva clara, limpa, sobre a transição e seus significados, se quiser ajudar de algum modo. Não pode permitir que o medo da morte se aloje em seu subconsciente, se você vai se encarregar de “lançar Luz na consciência anuviada de alguém”. Firme-se completamente na consciência da continuidade eterna da vida, e se sempre experimenta uma tendência a reagir com comoção, medo ou ansiedade diante do quadro de uma morte, exercite-se em neutralizá-lo imediatamente pelos meios mais eficientes (filosóficos e psicológicos) ao seu dispor.
Podemos efetuar outra abordagem à oitava Casa se percebermos que ela fornece uma chave para solucionar todos os tipos de problemas que podem estar indicados no Mapa Astrológico. Um problema resulta de energia mal dirigida; em virtude da intensidade de qualidade implicada no padrão da oitava Casa, um pequeno redirecionamento, nesse ponto, poderia ter um notável efeito na reorientação de quase todas as outras condições negativas indicadas no Mapa Astrológico. De fato, todos os nossos padrões de relacionamento são agora sequências do passado e estão, em última análise, arraigados em nossa consciência de desejos, desde muitas encarnações de experiências de relacionamento. Nossos desejos alcançam o teclado inteiro: autopreservação e automanutenção; obsessões de todos os tipos; poder sobre coisas materiais e sobre pessoas; gratificação sexual e possessividade mútua de duas pessoas entre si; propriedade e prestígio perante o mundo; fama e renome, e assim por diante – todos esses quadros de desejos e as impressões e memórias nos têm impelido a padrões específicos de relacionamento com outras pessoas o tempo todo; congestões em quaisquer desses pontos são “mortes internas”, das quais temos precisado nos libertar, de um modo ou de outro.
Há algo no coração humano que busca, continuamente, por iluminação, de modo que quando o astrólogo precisa lidar com um “problema de aflição” ele reconhece que a sua primeira e principal responsabilidade é estimular a capacidade da pessoa desolada para a coragem e para a adaptabilidade inteligente. Quando nos damos conta de que a oitava Casa também é chamada a Casa da experiência do sono é que reconhecemos o valor do nosso período diário de sono como um meio regenerador. Melhor que continuar no miasma do medo, enquanto enfrenta o “desconhecido” (que, casualmente, tem sido enfrentado muitas vezes por todos nós no passado) é qualquer pessoa desolada buscar instintivamente compreender seu padrão de experiência de modo mais claro do que já havia conseguido antes; ela de fato continuará em sua busca até encontrar a resposta, ou nesta encarnação ou na décima a partir desta. Por conseguinte, ajude-a a ver a transição do seu ente querido sob a luz mais misericordiosa possível; relembre-o das ocasiões em que estava tão exausto, pelo esforço físico ou pela dor, que desejava umas poucas horas de sono mais que todo o ouro da terra. Então lhe apresente a imagem da consciência do ente amado (que tem se manifestado por milhões de anos) como precisando de algumas horas de sono, antes de retomar a próxima fase de experiência. Faça sua consciência conhecer a “morte” como uma fase de experiência rítmica, natural e necessária. Aí volte sua atenção para a oitava Casa do nativo, porque ele ainda está aqui e deve prosseguir em sua vida. Sugere-se que você “ilumine de branco” o regente da oitava Casa dele e, consequentemente, a posição desse regente por Signo e Casa. Isso é sugerido porque se trata de sua oportunidade de alertá-lo para o melhor de suas possibilidades de prosseguir – e você deve circunscrever esta parte do Mapa Astrológico dele do modo mais abrangente possível.
Em tais interpretações, não cometa o erro de inserir sua própria reação pessoal à interrupção do padrão de relacionamento dele. Reconheça que uma mulher pode amar a seu marido acima de todas as outras pessoas, acima até de seus filhos; um homem pode amar a sua mãe mais que a qualquer outra pessoa, mesmo sua esposa. Lembre-se de que não importa quão profundamente o nativo amava o falecido, a transição desse último proporciona mais espaço na vida do nativo para ele estender seus potenciais de amor em outras direções, e é evidente que tal extensão é necessária nesse momento. Estude os Aspectos dos eclipses solares formados antes da transição; se o eclipse ocorreu em Conjunção com um Astro, isso indicará que uma nova prova severa se manifestará entre esse eclipse e o próximo. Mas lembre-se também de que o eclipse anterior pode ter formado um Trígono ou um Sextil com algum Astro no Mapa Astrológico do nativo; isso promete uma “experiência nova” muito significativa. A transição pode ter tornado possível essa novidade de experiência.
Os Aspectos da Lua progredida no momento da transição (no Mapa Astrológico do nativo) devem ser observados bem de perto. O que ele põe em ação, durante um Aspecto da Lua progredida, produz fruto muito significativo. Se sua reação à transição o impele à ação retrógrada, ele imprime na consciência uma impressão desse Aspecto mais profunda que nunca. Portanto, nós afirmamos novamente: as pessoas devem ser encorajadas a se libertarem em ações construtiva.
A retrogradação planetária, conforme estudado em astrologia, é uma atividade periódica, rítmica, que ilustra o grande princípio evolutivo de recapitulação.
No uso mundano corrente, retrogradação é considerada sinônima de retrocesso, que implica um processo de declínio, degeneração, e seguindo para a inércia, devolução ou contra evolução. Essa interpretação, contudo, é erradamente usada quando aplicada à vida dentro da forma ou ao movimento orbital dos Planetas. É verdade que, quando um veículo da manifestação cumpriu o propósito para o qual foi criado, sua substância, forma e função orgânica entram num processo de retrogradação; a retirada das forças de Vida inicia um processo de desintegração do veículo. Mas a essência da Vida, que não pode morrer ou se desintegrar, aguarda um veículo novo e adequado a sua expressão e experiências evolutivas adicionais.
Quando observamos e consideramos, em sua inteireza, o grande princípio de recapitulação reconhecemos que ele é um padrão ou método pelo qual a Natureza garante a perfeição do processo evolutivo. Aquilo que foi alcançado em uma etapa de um dado ciclo é recapitulado ou revisado na retomada da nova atividade para que a integridade completa dos poderes orgânicos possa ser estabelecida. Quando a recapitulação se completa, aquilo que foi estabelecido se torna a base daquilo que está por se estabelecer; desse modo, o programa evolutivo do organismo ou entidade se torna contínuo, sem embaraços ou interrupções. Esse princípio é a grande segurança da Natureza para um processo evolutivo completo e perfeito. No plano da mentalidade humana, esse princípio se revela na faculdade da memória; no plano do funcionamento orgânico ele se revela no padrão cíclico do nascimento, crescimento, maturidade e transição a que se submete toda entidade evoluinte em cada encarnação ou ciclo de manifestação. Max Heindel faz a mais maravilhosa exposição deste princípio em seus escritos sobre os grandes períodos que marcam a involução e a evolução do nosso Planeta e da vida que ele nutre. No começo de cada novo Período, o Período anterior é recapitulado para que a integridade da função possa ser estabelecida.
Na atividade da oração o princípio de recapitulação é defendido por muitas escolas espirituais. Repassar na memória os pensamentos, palavras e atos do dia que se finda não significam que o aspirante anda para trás ou retrograda; ele repassa honestamente suas experiências em pensamentos, palavras e atos para obter a essência do valor espiritual. Ele analisa, compara e avalia não somente seus pensamentos, palavras e atos, mas também seus motivos; quando se dá conta de que um motivo foi impuro, ele expulsa esse motivo de sua consciência pela percepção real; a clareza da percepção real tornar-se-á alquimicamente uma força do Espírito pela qual, no futuro, ele evitará repetir isso e agir com essa particular motivação. Ele retrocede ao fazer sua revisão espiritual? Pelo contrário, ao fazer da revisão uma coisa construtiva ele avança, mesmo que a recapitulação possa incluir um exame minucioso de algo muito desagradável – até repugnante – à sua delicadíssima sensibilidade. A palavra “reconhecimento” significa “conhecer de novo”, de forma que o reconhecimento poderia muito bem ser identificado como o propósito básico de todos os processos de recapitulação. O reconhecimento, pela recapitulação, é garantido pela Natureza para todos os planos, modalidades e graus de consciência evoluinte.
De início, um ponto deve ser esclarecido. A astrologia não ensina que os Planetas de nosso Sistema Solar retrocedem de vez em quando. A ação retrógrada dos Planetas é um movimento periódico aparente devido à rotação axial e orbital da Terra – não é real. Todavia, em virtude das mudanças relativas de observação – relativas no sentido de que os Planetas na astrologia geocêntrica são observados zodiacalmente da Terra, em vez de o serem do Sol – cada um dos Planetas parece recuar, periodicamente, em seu percurso zodiacal, permanecer estacionário por certo tempo e então avançar novamente pela área retrocedida e daí para frente em nova área.
Como a Terra e cada Planeta têm a sua própria distância e velocidade orbital em torno do Sol, esses períodos de retrogradação e de estar estacionário obedecem a um plano rítmico de sequência regular não diferente, por exemplo, dos períodos humanos de atividade consciente no estado de vigília e de atividade subconsciente durante o sono, ou do plano rítmico das mudanças de estações, através dos anos. Devemos lembrar que todo princípio ilustrado pela astrologia tem suas correspondências na vida do universo, pois este é a criação da Consciência e a astrologia é o estudo simbólico da Consciência. A imagem de cada fator em um horóscopo natal humano é uma imagem do Princípio, ou Lei, revelado; se uma encarnação adicional se faz necessária para a evolução de um ser humano, então a encarnação é submetida às leis entendidas como Espaço e Tempo. A regulagem da hora, data e local da encarnação, que pode incluir o registro de um Planeta “retrógrado” no horóscopo natal, diz ao intérprete algo sobre a evolução de consciência da pessoa, assim como o fazem seu Signo Solar, Signo Lunar, Ascendente ou qualquer Aspecto astral.
O mais pleno significado do Princípio de Recapitulação pode ser coletado considerando-se que a evolução da consciência é representada como um processo em espiral. A mudança é a única coisa constante a ser vista através da vida e a espiral representa o composto do “para o alto, para frente e sempre” que caracteriza todos os processos da vida. A involução, que é a necessária fase preparatória, tanto quanto a evolução, é uma parte do “para o alto” – exatamente como os estudos, lições e exercícios são a fase preparatória da formação de um talento artístico ou profissional. Em qualquer linha de esforço, ou expressão de vida orgânica, os programas e objetivos involutivos e evolutivos sempre contêm áreas periódicas de recapitulação, mas o começo da primeira recapitulação é sempre uma extensão do ponto inicial e cada recapitulação seguinte é uma extensão das anteriores que lhe correspondem. Assim se formam e se integram os elos; a espiral se forma com continuidade ininterrupta, enquanto a consciência individualizada ganha consciência crescente de seu Eu por meio da experiência orgânica.
Uma questão pode ser levantada sobre esse ponto: o que dizer dos atrasados? Não estão eles retrogradando para a inércia? O fenômeno da consciência individualizada incapaz de acompanhar os passos dos companheiros da sua onda de vida deve ser considerado também sob um ponto de vista relativo. Essas entidades se atrasaram ou adiaram seu programa evolutivo por um tremendo período de tempo, mas como foram individualizados em alguma época, devem, algum dia, retornar em consciência à sua fonte. Desde sua individualização com outros de sua onda de vida, elas prosseguiram, por algum tempo, no programa evolutivo – elas têm tido alguma experiência evolutiva. Por conseguinte, quando começarem novamente, sua recapitulação inicial irá avançá-las mais rapidamente do que avançaram em sua primeira tentativa. Essas entidades não estão “perdidas para sempre”; elas são canais para a Luz e a Vida do seu Criador como o são todas as outras; elas estão retrogradando somente em relação ao processo dos seus irmãos evoluintes. Elas estão tendo a experiência certa para elas, e terão sua individualização, recapitulações e passos progressivos no devido tempo. Lembre-se: na função orgânica e na consciência, a retrogressão ou retrogradação é relativa, não absoluta.
Do ponto de vista da observação geocêntrica, o Sol e a Lua são sempre vistos em movimento “direto”; nenhum dos dois jamais faz a retrogradação periódica, que caracteriza a ação aparente dos Planetas. O Sol transita o Zodíaco uma vez por ano, e recapitula sua posição natal a cada aniversário do indivíduo; a Lua, por trânsito, recapitula sua posição natal a cada vinte e sete dias e oito horas; por progressão, a cada vinte e sete anos e quatro meses, aproximadamente. Movendo-se para a frente, a partir de sua posição natal, no fim de sua primeira volta ao Zodíaco, por progressão, ela entra no segundo ciclo e recapitula, dessa maneira, todos os Aspectos formados ao nascimento, combinados com os fatores adicionais de um “arranjo” diferente de Aspectos de Astros progredidos, trânsitos e eclipses solares.
A recapitulação solar e lunar também é revelada nos padrões formados pelos eclipses solares e Luas Cheias deste modo: por exemplo, um eclipse solar ocorrido em agosto de 1952, nos 28 graus de Leão; uma Lua Cheia em fevereiro de 1954, nos 28 graus de Leão. Esse padrão abrangeu dezoito meses, e a Lua Cheia recapitulou o eclipse. Em tal caso, os Aspectos dados na Carta natal pelo eclipse fornecerão a nota-chave da experiência da pessoa, durante esse subsequente espaço de muitos meses, e na ocasião da Lua Cheia recapitulante o astrólogo de Mente espiritualizada fará bem em revisar a avaliação de sua experiência, tirando a essência do valor construtivo, e desse modo construir seu Corpo-Alma. Os períodos caracterizados pela recapitulação de um eclipse solar, por uma Lua Cheia, geralmente cobrem um período de dezoito ou vinte e quatro meses; o eclipse solar de julho de 1953, no Signo de Câncer, foi recapitulado pela Lua Cheia no Signo de Câncer em janeiro de 1955.
O Sol e a Lua revelam um movimento de retrocesso constante deste modo: o Sol, por precessão, move-se para trás através do Zodíaco, podendo-se observar que as sucessões de eclipses, Luas Novas e Luas Cheias ocorrem em posições “contra-zodiacais”. Só os Planetas revelam o movimento periódico “recuo-estacionário-para frente”.
Todos sabemos de casos de estudantes que foram reprovados na escola devido ao que parecia ser uma dificuldade insuperável com certa matéria ou fase de alguma matéria. A necessidade de tal reprovação não indicava que a criança fosse basicamente limitada, anormal ou “má”. Indicava sim que ela ainda não estava devidamente preparada para preencher o requisito dessa aprovação nessa matéria, em particular. Portanto, já que lhe requeriam dominar esse aprendizado específico, era necessário deixá-la recapitular, voltando à fase anterior da matéria, estudando-a e assinalando-a novamente, e assim se qualificando para o progresso por ter se preparado.
Nossa experiência de encarnados é escolaridade evolutiva. Assim como não podemos assimilar toda uma dada matéria de uma só vez, do mesmo modo não podemos penetrar em todas as fases da experiência humana em uma só vida. Tudo o mais à parte, o fato de sermos organicamente polarizados como machos e fêmeos impossibilitaria a experiência total. Todavia, em virtude de uma longa sequência de encarnações durante a qual podemos encarnar como macho ou fêmea, consoante a necessidade evolutiva e a exigência do destino maduro[8], nós temos a oportunidade de cumprir todas as fases de experiências pertinentes ao gênero. Visto que a concentração de pensamento e de esforço é necessária para o êxito e realização de nossos talentos e esforços profissionais, nós usamos cada encarnação para nos especializar e poder focalizar nossa consciência, extraindo assim o máximo benefício e desenvolvimento do que fazemos no trabalho ou em outras atividades e esforços. No entanto, assim como a individualização da consciência exige eventual cumprimento evolutivo, do mesmo modo qualquer aceitação de experiência exige cumprimento. E muitas vezes o Princípio da Recapitulação deve ser utilizado quando, após aceitarmos e vivermos certa fase de experiência, deixamo-la por um pouco para focalizar nossa atenção em outras fases. Aquilo que foi deixado em suspenso não foi esquecido; antes se permitiu que ele permanecesse adormecido, esperando ser assumido e resolvido no futuro. Aqui se encontra uma chave filosófica para o estudo interpretativo da retrogradação planetária.
Retrógrado natal, permanecendo retrógrado por toda a vida: as condições indicadas pela Casa regida por este Planeta são de importância secundária para o cumprimento da presente missão de vida. Contudo, visto que todos os fatores planetários têm propósito espiritual e evolutivo e devem ser usados pela entidade, parece que alguma forma de cumprimento indireto é indicada por esse tipo de retrogradação. Em uma vida futura a plenitude de expressão significada por esse Planeta representará um fator principal da missão de vida. Na presente vida, o fator experiência, representado pelo Planeta e Casa que ele rege, é mantido em relativa suspensão, de modo a que os fatores que envolvem a principal missão evolutiva para esta vida possam ser nela concentradas.
Retrógrado natal, estacionário por progressão no fim da vida: é indicação de que a missão de recapitulação ativa será assumida na vida seguinte; o período de suspensão termina nesta vida, e a próxima encontrará a pessoa qualificada para reassumir, por recapitulação, aqueles fatores de experiência que foram mantidos em suspenso por várias vidas talvez; esse tipo de progressão indica que a pessoa assumirá um fator novo de grande significação na missão da próxima vida, sendo um que ele começou e interrompeu em alguma fase de sua vida passada; tal fator terá considerável conteúdo de destino maduro, resíduo de um passado distante, pelo que talvez possam ser necessárias várias vidas para cumprir essa missão.
Retrógrado natal, por progressão estacionária e depois direta nesta vida: indicação de que a missão de recapitulação ativa deve ser assumida na presente vida; termina o período de suspensão; a experiência representada pelo Planeta torna-se o principal fator evolutivo da atual missão de vida quando o Planeta se desloca para frente em movimento direto, a partir do período estacionário. O intérprete astrológico prestará cuidadosíssima atenção à marcação de tempo do movimento direto progredido, relacionando-o com os Aspectos astrais progredidos do momento, ciclo atual de eclipse solar, e com o quadrante da Lua progredida. Do ponto de vista evolutivo, esse tipo de progressão planetária é um dos mais importantes, pois marca a segunda tentativa da pessoa nos assuntos relacionados à Casa regida pelo Planeta, e o que seja feito nos restantes anos desta vida, a respeito disso, criará muito destino maduro obstrutor ou regenerador a ser utilizado no futuro. Esse tipo de progressão marca um principal ponto evolutivo na história cíclica da consciência individualizada.
Retrógrado natal, por progressão estacionário, direto, depois em Conjunção com o radical: fim do período de suspensão e recapitulação subjetiva, o florescimento de recapitulação ativa e expressão real, direta e criadora do poder planetário; participação direta no padrão de relacionamento e fatores de experiência representados pelo Planeta, sua Casa de regência e Casa em que se posiciona. O ponto particular ou fase da consciência anímica “alcança a si mesma”, e cada Aspecto radical de qualidade regeneradora – Sextil ou Trígono – indicado pelo Astro promete uma onda de grande alegria. As Quadraturas ou Oposições, apresentadas pelo Planeta no radical, trarão provas nesse período de vida, mas em termos de uma maior habilidade da pessoa de manejá-las, fazendo uso de todos os recursos de poder espiritual para as necessárias resoluções. Quando um Planeta está direto no radical, mas se torna retrógrado por progressão, e assim permanece, isso indica que nesta vida assistirá a uma “remoção” dos fatores representados pelo Planeta; isso parece indicar que a pessoa vai focalizar sua atenção, evolutivamente falando, em outros fatores. Se esse Planeta, retrógrado por progressão, alcança a Conjunção com a sua posição radical na presente vida, isso indica cabalmente que os fatores astrais especiais não serão de grande importância na próxima vida.
[1] N.T.: Mandala, substantivo masculino, é um diagrama, geralmente circular e com formas geométricas.
[2] N.T.: Ocorre quando dois ou mais Astros são ligados pelo regimento que forma frequentemente uma corrente. Um exemplo é Sol em Áries / Marte em Gêmeos / Mercúrio em Peixes / Netuno em Sagitário / Júpiter em Sagitário. Nesta cadeia o Sol dispõe de Marte que dispõe de Mercúrio, que dispõe de Netuno que dispõe de Júpiter. Não pode ir mais longe porque Júpiter está em seu próprio Signo. Todos os cinco desses planetas trabalham juntos e devem ser interpretados dessa maneira. A configuração de disponentes pode-se trabalhar em um tema pessoal ou entre duas ou mais pessoas.
[3] N.T.: Áries é Cardeal e do elemento Fogo. Leão é também do elemento Fogo. Contando a partir de Áries (inclusive) a Leão temos 5: 1º: Áries; 2º Touro; 3º Gêmeos; 4º Câncer; 5º Leão.
[4] N.T.: Áries é Cardeal e do elemento Fogo. Sagitário é também do elemento Fogo. Contando a partir de Áries (inclusive) a Sagitário temos 9: 1º: Áries; 2º Touro; 3º Gêmeos; 4º Câncer; 5º Leão; 6º Virgem; 7º Libra; 8º Escorpião; 9º Sagitário.
[5] N.T.: Refere-se à memória supra consciente. Essa é o repositório de todas as faculdades e conhecimentos adquiridos nas vidas anteriores, ainda que às vezes só latentes na presente vida. Esse registro é indelevelmente gravado no Espírito de Vida. Comumente se manifesta, embora não em toda extensão, como consciência e caráter, que anima todos os pensamentos-forma, umas vezes como conselheiro e outras compelindo à ação com força irresistível, mesmo contrariando a razão e o desejo.
[6] N.T.: memória consciente, voluntária, ou Mente consciente. É a nossa memória comum e acessível a todos. Imperfeita e fugitiva, ela se forma a partir das percepções dos nossos cinco sentidos.
[7] N.T.: Gibran Khalil Gibran (1883-1931), também conhecido como Khalil Gibran, foi um ensaísta, filósofo, prosador, poeta, conferencista e pintor de origem libanesa. Seus livros e escritos, de simples beleza e espiritualidade, são reconhecidos e admirados para além do mundo árabe.
[8] N.T.: Refere-se à consequência que necessariamente deverão ser vivenciadas pela pessoa. No entanto, a Filosofia Rosacruz, uma Escola de Mistérios Ocidentais, ensina-nos que sempre há certa margem para a pessoa colocar coisas novas em movimento. Em outras palavras, é possível modular a intensidade de um destino maduro, desde que a lição que se deve aprender tenha sido aprendida e o reequilíbrio com as forças da natureza, tenha sido reestruturado.
A Astrologia é para o estudante Rosacruz uma fase da religião, basicamente uma ciência espiritual.
Esta ciência, mais do que qualquer outro estudo, revela o ser humano a si mesmo.
Nenhuma outra ciência é tão sublime, tão profunda e tão abarcadora.
Ela revela a relação entre Deus (o Macrocosmo) e o ser humano (o Microcosmo), demonstrando que ambos são fundamentais.
1. Para fazer download ou imprimir:
2. Para estudar no próprio site (para ter as figuras, que tanto ajudam na compreensão, consulte a edição do item 1, acima):
ESTUDOS DE ASTROLOGIA
Por
Elman Bacher
Volume 2
Fraternidade Rosacruz
Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82
Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil
Traduzido e Revisado de acordo com:
Studies in Astrology
2ª Edição em Inglês, 1951, The Rosicrucian Fellowship
Estudios de Astrología
3ª Edição em Espanhol, 1981, Editorial Kier S. A.
Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
contato@fraternidaderosacruz.com
fraternidade@fraternidaderosacruz.com
Tantos foram os comentários favoráveis recebidos por nós, aos artigos astrológicos de Elman Bacher publicados em nossa revista “Rays from the Rose Cross”, durante os últimos anos, que estamos certos que haverá uma boa acolhida a esse trabalho, por parte dos Estudantes de Astrologia Espiritual.
Os profundos conhecimentos de Elman Bacher e sua devoção à ciência astral, aliados a uma extraordinária compreensão da natureza humana, permitiram-lhe apresentar temas que indubitavelmente o situam entre os melhores Astrólogos Esotéricos modernos. E como a veracidade e o valor da astrologia tornam-se, a cada dia, mais aceitos de modo geral, seus trabalhos ajudarão cada vez mais os seres humanos a conhecerem-se a si mesmos, e a realizarem seu mais alto destino.
Antes de sua transição, em 1951, Elman Bacher expressou o ardente desejo de que publicássemos seus artigos em forma de livro e, embora lamentemos profundamente não estar ele aqui para ver a concretização desse desejo, sentimos felizes por saber que sua aspiração está sendo realizada agora.
ÍNDICE
PREFÁCIO.. 4
INTRODUÇÃO.. 6
CAPÍTULO I – MARTE: PRINCÍPIO DA ENERGIA.. 8
CAPÍTULO II – JÚPITER – O PRINCÍPIO DO MELHORAMENTO.. 16
CAPÍTULO III – A ORDEM DE SATURNO: “TU DEVES CUMPRIR”. 37
CAPÍTULO IV – A ORDEM DE URANO: “LIBERTE-SE”. 45
CAPÍTULO V – NETUNO: O PRINCÍPIO DA INSTRUMENTAÇÃO.. 51
CAPÍTULO VI – OS PADRÕES DE NETUNO: A DÉCIMA SEGUNDA CASA.. 59
CAPÍTULO VII – NETUNO – ASPECTOS E POSIÇÕES. 66
CAPÍTULO VIII – PLUTÃO – O PRINCÍPIO DO FOGO CONGELADO.. 76
A Astrologia é para o Estudante Rosacruz uma fase da religião, basicamente uma ciência espiritual. Esta ciência, mais do que qualquer outro estudo, revela o ser humano a si mesmo.
Nenhuma outra ciência é tão sublime, tão profunda e tão abarcadora. Ela revela a relação entre Deus (o Macrocosmo) e o ser humano (o Microcosmo), demonstrando que ambos são fundamentais.
A ciência oculta, ao investigar as forças mais sutis que afetam o ser humano (o Espírito) e seus veículos, receberam seus efeitos com a mesma precisão que a ciência acadêmica fizeram com as relações do mar e do céu, da planta e do animal, dos raios do Sol e da Lua.
Com esse conhecimento podemos determinar o padrão astrológico de cada indivíduo, e conhecer a potência ou as debilidades relativas das diferentes forças atuantes em cada vida. De acordo com o que tenhamos alcançado deste conhecimento, podemos começar a formação sistemática e cientifica do caráter – caráter é destino!
Observamos os períodos e estações que são cosmicamente vantajosos para o desenvolvimento de qualidades ainda não desenvolvidas, corrigindo rasgos defeituosos e eliminando inclinações destrutivas.
A ciência divina da Astrologia revela causas ocultas que trabalham em nossas vidas. Assessora o adulto com respeito à vocação, os pais na orientação dos filhos, o mestre na orientação dos discípulos, o médico no diagnóstico das enfermidades; prestando-lhes, desta maneira ajuda a todos em qualquer situação em que precisem.
Nenhum outro tema dentro da margem do conhecimento humano, até esta data, parece conter as possibilidades estendidas aos astrólogos para ajudar aos demais na sua própria dignidade como deuses em formação, a um entendimento maior da lei universal, e a verificação de nossa eterna seguridade nos braços acariciadores da Vida Infinita e do Ser Iluminado.
Do mesmo modo que o Sol simboliza o centro criador das coisas, Marte representa a energia que flui, como o sangue, através da vida em manifestação, tornando possível todas as formas crescerem, se sustentarem e progredirem. Marte pode ser chamado de “o braço direito” do Sol. Os dois juntos sintetizam a polaridade masculina, e nos tipos primitivos ou não desenvolvidos, que vivem mais pela emoção e pelo desejo do que pela vontade, Marte toma o lugar do Sol até que certas etapas da evolução tenham sido ultrapassadas.
Marte é essencialmente egotista, separatista, friccionável e dinâmico. É a voz do: “Eu sou”, “Eu quero”, “Eu conseguirei”, “Eu me defendo”, “Eu derroto meus inimigos”, “Eu devo sobreviver”. É por meio de sua manifestação que vemos outras manifestações de vida – pessoas, experiências, coisas – como obstáculos a serem superados. Elas, em nossa consciência, representam ameaças à nossa vida, às nossas satisfações e ao nosso progresso.
Por conseguinte, Marte é visto no horóscopo como o centro a partir do qual nós lutamos pela autopreservação – em todos os planos. Ele representa o grau de nossa ânsia de viver, de nossa determinação para prosseguir, de nosso impulso para frente e para cima; ele é o olho de aço enfrentando as coisas desagradáveis que acontecem com você e que você não pode evitar de um destino ultrajante. Marte não regenerado é “Eu terei o que quero custe o que custar”; regenerado, ele é transmutado no ouro resplandecente da coragem – sua principal virtude.
Assim, vemos que Marte é o produtor do destino maduro, porque ele é a nossa projeção na vida. Ele é a base para a ação, mas não para o seu cumprimento. Ele é a objetivação da consciência, porque naquilo que fazemos nós refletimos o que somos. Através de Marte nós vivemos em e para nós mesmos, mas, quando a energia é expressa em termos de união com outros (a vibração de Vênus), Marte encontra sua regeneração.
Marte, como energia, é o princípio do trabalho. Seu grau de expressão indica como damos sabor, entusiasmo, força e impulso àquela forma de experiência que representa a nossa contribuição para a vida e os canais por meio dos quais produzimos para sobreviver. Em termos de consciência, existe uma enorme diferença entre trabalho e labor. No primeiro, nós fazemos as coisas que queremos fazer, como uma forma de auto expressão e liberação psicológica; no segundo, simplesmente fazemos algo em troca de pagamento. Ao primeiro imprimimos um impulso para fazer o melhor que podemos, em termos de ação; quanto ao segundo, a automanutenção material é só o que interessa – uma ocupação automática e rotineira para ganhar dinheiro.
Marte, como princípio de trabalho, não significa necessariamente um tipo de trabalho marciano. Um músico, poeta, filósofo, enfermeiro, professor ou qualquer coisa semelhante pode trazer para sua linha de atividade este princípio de trabalho como realização. Marte mostra quão forte é o impulso para o trabalho, para a auto expressão, para o esforço e desenvolvimento. Qualquer Aspecto aflitivo ou inibitivo com Marte no horóscopo indica um enfraquecimento de impulso, uma dispersão de energia, uma falta de coragem e uma tendência mais para sujeitar-se ao destino do que para lutar por ele.
Não devemos confundir as indicações de talento com as indicações do trabalho da vida. Uma pessoa pode ter todas as indicações para ser um artista talentoso em alguma área, mas se Marte não estiver ligado a esse padrão, a expressão artística não pode ser considerada como padrão vocacional, uma vez que o impulso de Marte não se expressa através desse padrão. Pode usá-lo como um entretenimento ou, de certo modo, como passatempo criativo, mas o padrão de trabalho de sua vida, para ser autêntico, deve incluir uma parcela da vibração de Marte, isso para lhe garantir êxito e a mais completa realização. Qualquer pessoa que exerça, como o trabalho de sua vida, alguma atividade não ligada a potencialidade de seu Marte, realmente não trabalha e nem pode trabalhar – ela só labora e luta, e se deseja saber “por quê” ele não parece avançar, assegurando ainda sua própria infelicidade. Marte como um fator do padrão de trabalho da vida, pode mostrar, por Aspecto direto com outros Astros envolvidos, ser poderoso por si mesmo ou por disponente[1] com outros.
Alinhados com os conceitos atuais de psicologia construtiva, sabemos que muitas desordens são devidas ao mau uso dirigido de Marte, porque Marte é o símbolo primordial do impulso sexual, a motivação criadora de toda vida. Na vibração de Marte a humanidade encontra uma de suas principais fontes de expressão do Ego através do intercâmbio sexual – ou, no dizer das pessoas menos desenvolvidas: da conquista sexual. Em relação à conquista, Marte é visto como uma expressão de egoísmo máximo em que a satisfação da ânsia do desejo é o único objetivo. Somente quando esta ânsia é experimentada em termos de mutualidade é que o “intercâmbio” acontece. Neste caso, Marte, através de Vênus, redime-se ou regenera-se, gradativamente, em expressões cada vez mais elevadas de amor.
Em pessoas não desenvolvidas, Marte encontra sua contraparte feminina na Lua. Um é o impulso para iniciar ou projetar a vida, a outra é o instinto de produzir e alimentar essa vida. O padrão Marte-Lua no horóscopo quer do homem ou da mulher, pode ser descrito como o potencial do desejo; Marte-Vênus é o potencial do amor, e o Sol precisa ser levado em conta na análise do potencial da paternidade. Uma síntese dos padrões de Marte, Lua, Sol e Vênus indicarão as possibilidades de realizações, tendências emocionais predominantes, e os impulsos de polaridade da natureza da pessoa. Uma cuidadosa atenção ao Aspecto aflitivo que exista entre dois de quaisquer desses Astros, e que esteja mais próximo de ser exato em graus, indicará o padrão que contém o potencial mais profundamente arraigado para frustração ou desarmonia na natureza emocional.
O espaço não permite uma discussão completa e detalhada de Marte em seus padrões com todos os outros Astros, mas, em virtude de nos interessarmos principalmente para os fatores psicológicos da astrologia, devemos, a esta altura, oferecer algum material que se refira a Marte e ao instinto sexual. Nos últimos anos o fator sexual da natureza humana tem sido objeto de intensivos estudos da parte de todas as pessoas que buscam ajudar aos outros em seu desenvolvimento, e em relação a isso o astro-analista tem uma grande contribuição a dar. Ele vê no horóscopo uma imagem semelhante de uma radiografia, das potencialidades emocionais, e não apenas como padrões estáticos de reação, mas, referentes ao destino maduro, como expressões da Lei de Causa e Efeito – desde o passado, através do presente e apontando para o futuro. Nós vamos, agora, tratar dos aspectos “aflitivos”.
Marte-Lua: A Mente subconsciente[2] está carregada de imagens sexuais não realizadas e desorganizada; as reações sexuais são estimuladas facilmente, de maneira que, quando expressas, são muito fortes. Se as instruções sexuais, científicas e espirituais forem negligenciadas, grande prejuízo pode resultar disso – as imagens subconscientes devem ser purificadas e reorganizadas. Os pais devem permitir a tais crianças estar conscientes da sexualidade em suas vidas sem receio ou “vergonha”, porque essas falsas atitudes servem apenas para tornar o problema mais difícil. Abordagens naturais, honestas e honrosas devem ser feitas tão logo a criança demonstre interesse pelo sexo. Devem-se lhe dar aplicações construtivas e produtivas às suas energias e, sem reserva ou rigor impróprio, os primeiros anos da criança devem conter certa rotina de atividades que sirvam de modelo aos seus gastos de energia. Exercícios físicos bem equilibrados são muito benéficos, uma vez que o organismo tem, então, oportunidades de se desenvolver por meio da aplicação de energia, podendo-se lhe inculcar um respeito sadio pelo corpo físico. Deve-se ensinar à criança o respeito por seu órgão sexual, e, com essa reorientação de seu subconsciente, atitudes saudáveis podem ser absorvidas. Estes fatores se tornam, comparativamente, mais importantes à medida que Marte seja forte por Signo (Áries e, especialmente, Escorpião e Capricórnio) e/ou se a Lua estiver em Escorpião e a ocupação planetária de Signos de Água for marcante.
Marte-Vênus: Os fogos de Marte (desejo-paixão), quando destilados pela alquimia de Vênus, resultam no florescimento do amor humano porque Vênus é o resultado da energia expressa em termos do outro indivíduo. Vênus no horóscopo pode ser poderoso por Signo, por Aspectos, etc., mas se Marte for fraco então o potencial de amor será fraco. Neste caso Vênus seria identificada como: cultura, habilidades artísticas ou sociais, amor ao belo, etc. O potencial de amor é demonstrado claramente como uma possibilidade de usufruto se Marte e Vênus formam Aspecto entre si – o impulso do desejo tem, então, contato direto com seu agente alquímico, mas uma síntese cuidadosa deve ser feita em relação a possíveis fatores de frustração ou inibição deste processo.
Quando Marte é forte e Vênus fraco, e se os dois formam Aspecto entre si o padrão indica uma possibilidade, nesta encarnação, de desenvolvimento da natureza amorosa. Este padrão indica a predominância do impulso masculino (iniciativa, conquista, etc.), o qual para florescer, precisa ser cultivado harmoniosamente. Quando Vênus é mais forte e Marte se encontra debilitado, então as qualidades receptivas ou femininas predominam, sendo a pessoa atraída subconscientemente para um parceiro mais positivo ou dinâmico. Marte em Quadratura com Vênus é prejudicial à expressão de Vênus, ainda que Vênus possa estar bem aspectado por outro lado, porque neste caso, Vênus não recebe o impulso dinâmico em forma construtiva ou frutífera. O resultado deste aspecto pode se apresentar como: uma profunda ânsia de amar, mas com incapacidade de expressar esse amor; tendência a exprimir amor em termos de afirmação do Ego ao invés de uma expressão do coração; predominância excessiva das qualidades masculinas básicas que criam uma insensibilidade às expressões femininas da vida – ou uma falta de compreensão delas; a pessoa pode preferir viver sua vida mais voltada ao trabalho do que ao amor.
Marte-Urano: No plano emocional é dinamite. O potencial para paixão é muito grande, e, se Vênus estiver relacionado, o amor pode se revelar em uma medida extraordinária. Intensidade é a palavra-chave, qualquer que seja a expressão. Posto que Urano seja a fusão de Marte-Vênus em criatividade, este Aspecto indica uma tremenda ânsia de criar ou inventar, de algum modo, indicando também a necessidade de muito controle e orientação. Inibidas, as energias dinâmicas podem ser acumuladas e reprimidas a tal ponto que há grande perigo de explosões destrutivas, emocionais ou físicas.
As expressões negativas das combinações Marte-Urano indicam que a energia pode ser desperdiçada ou dispersada em medida extrema; nas expressões sexuais da vida este Aspecto indica um padrão de sexo não regenerado como protesto ou desobediência à lei. Este á um símbolo de possível libertinagem – o indivíduo pode descontrolar-se quando movido pelos impulsos; ele não quer ou não pode ser submetido ao que chama de “limitações” ou “escravidão do relacionamento”. Ele é, segundo ele mesmo, uma “alma livre”; tão livre que, emocionalmente, não pode absolutamente manter seus pés parados, mas tem que movimentá-los para cá e para lá. Tal pessoa deve ser avisada de que, se seus impulsos amorosos não forem modelados em formas construtivas e frutíferas, em nada resultará a não ser no desperdício.
Se outras condições permitem, Marte-Urano podem indicar as possibilidades de poderosas sublimações, se as energias forem dirigidas. Uma causa, um ideal, um trabalho de toda vida, quaisquer dessas coisas podem se constituir num canal por meio do qual a pessoa reorienta seus potenciais sexuais para expressões impessoais. Este processo pressupõe uma poderosa força de vontade, e se essa falta no horóscopo o descontrole dessa forte expressão de energia de Marte pode resultar num destino maduro muito difícil e doloroso. Marte-Urano, também, indica a possibilidade de perversão das expressões sexuais por preponderância da polaridade masculina e dificuldade para se conseguir equilíbrio e realização emocional. Este deve ser comparado cuidadosamente com as indicações femininas para que possam determinar as possibilidades de integração emocional.
Marte-Netuno: Neste padrão aflito temos um símbolo de condições muito obscuras e difíceis de identificar, as quais têm sido objeto de pesquisas por muitos anos da parte de psiquiatras e psicólogos. É indicação de um sistema nervoso muito excitável e facilmente afetado, o que, sob certos estímulos, pode resultar em graves desvios do impulso sexual. Podemos descrever este padrão como ilusão sexual.
Acompanhada por um padrão de frustração, esta influência de Netuno pode levar o indivíduo a procurar um escape através das “liberações” da bebida e/ou das drogas. O organismo é sensível a esses estímulos, e como – ou se – o potencial amoroso é fraco, a pessoa anseia encontrar escapes sexuais através de procedimentos falsos e ilusórios. Esses escapes são doentios, destrutivos e, em razão dos contatos repetidos com as vibrações astrais inferiores, muito contaminadoras. As descargas de energia são difundidas em “sonhos” e a saúde emocional retardada – em casos extremos destruída completamente.
Contudo, as reações à bebida e às drogas podem ser corrigidas por meio de terapêuticas; Marte-Netuno pode indicar algo ainda pior – expressar a natureza e impulsos sexuais por meio de símbolos. Nessa forma de patologia surgem imagens subconscientes em que a pessoa não expressa ou não pode expressar absolutamente seus desejos sexuais com outra pessoa – só pode ser estimulada por alguma coisa inanimada que simbolize para o indivíduo um objeto de desejo. Essa forma de perversão só pode ser eliminada por cuidadosa análise e por terapêutica ou por psicologia espiritual. Algo muito “diabolicamente profundo” se converte numa realidade emocional para a pessoa que torce e desvia seus desejos de toda perspectiva normal. Examine o horóscopo cuidadosamente em cada indicação de possível expressão emocional saudável, pela qual os impulsos sexuais da pessoa podem ser adaptados à realidade dos padrões humanos.
O que foi colocado acima diz respeito a condições extremas ou complicadas envolvendo Marte e Netuno, e é claro que outros fatores devem contribuir para a indicação de tais tendências perversas. Todavia, Marte-Netuno indica algumas formas de expressões sexuais que se desviam do normal. Vamos considerar certas possibilidades de regeneração deste padrão:
Marte-Saturno: A essência da frustração emocional. Dependendo de quão Marte seja forte por Signo e Aspectos, este padrão de frustração pode criar problemas e dores, e levar a pessoa a desenvolver complexos de toda classe de inferioridade, de auto deficiência e medo. Estude o horóscopo esotericamente para determinar o propósito dessa frustração: por que a pessoa está sendo freada por Saturno? O que ela deve cumprir através de Saturno? Então, quando o cumprimento da responsabilidade tenha sido efetuado, de que avenidas Marte dispõem para um viver construtivo, criativo e saudável? Este Aspecto serve a um sério propósito, aonde quer que se encontre no horóscopo. Marte foi usado incorretamente no passado, e agora deve ser restringido por meio do destino maduro, pois suas energias são necessárias para restaurar um padrão distorcido. Apele para o respeito próprio, para a honra e para a coragem da pessoa – ela precisa compreender que deve lidar e transcender a força inibidora.
Quando nós analisamos o símbolo de Júpiter vemos um semicírculo sobrepondo-se, ou sombreando, a cruz da manifestação material. Este semicírculo pode ser interpretado como a Lua – a função de nutrir – ou como um símbolo geral do espírito. Em ambos os casos é transmitida a essência do propósito de Júpiter.
No primeiro caso vemos o “princípio de nutrição” permeando toda manifestação física – preservando, curando e ampliando as partes componentes da experiência como encarnação; no segundo caso identifica Júpiter como o agente por meio do qual as forças espirituais se manifestam na consciência terrena.
Júpiter sempre deve trabalhar através da forma; seu escopo está definitivamente condicionado pelos ditames e experiências de Saturno. Ele não é transcendente, como são Urano e Netuno; é uma “sombra antecipada” deles, já que proporciona um canal para a apresentação exotérica das verdades espirituais. Na aplicação psicológica, ele é aquelas qualidades da Mente e do Coração que proporcionam avivamento e exaltação à consciência evoluinte. Ele é o sangue arterial no corpo físico – o fluido fresco, puro e nutritivo que em seu curso efetua um trabalho de renovação e sustento. Ele é a nona Casa do horóscopo – o verdadeiro julgamento e a verdadeira compreensão que são destilados da experiência, e que fornecem o pábulo para o progresso construtivo na vida.
Sempre há uma qualidade a mais na vibração de Júpiter. Ele é “mais do que suficiente”. Ele é grandeza e amplitude em qualquer forma. Ele não é uma vibração especificamente estética, mas sua “personalidade” ressalta claramente na complexidade, magnificência e no esplendor dos cenários, do bailar e da grande ópera. Sua é a extensão da energia de Marte a que chamamos “representação”; ele é o entusiasmado, risonho, progressista e generoso amante da vida.
Se fosse necessário resumir as virtudes de Júpiter em uma palavra, por certo essa palavra deveria ser: benevolência. Júpiter é a nossa capacidade de dar – sincera, abundante e sabiamente. É através de Júpiter que nos misturamos com as vidas dos outros com o pretexto de ajudá-los, irradiando-lhes o melhor do nosso Coração, da nossa Mente e dos nossos recursos materiais. Júpiter é filantropia, ele é a beneficência da religião. Ele é qualquer meio pelo qual nós, individual ou coletivamente, melhoramos as condições deste plano. Júpiter pode ser expresso, é claro, em termos de “eu e só eu”, mas esta não é sua última capacidade. Não importa quanta riqueza um indivíduo adquira ou quão grande seja sua mansão, quão caprichado seja seu guarda-roupa, quão vasta seja sua herança, ou quão extensos tenham sido seus estudos, ele não vive à altura de seu Júpiter enquanto não der algo de sua abundância para melhorar algo fora de si mesmo. É por meio dessa expansão que Júpiter neutraliza possíveis dificuldades causadas pela cristalização de Saturno, devido ao medo de perder. Júpiter e Saturno trabalham de mãos dadas, quando a receita se faz acompanhar de uma despesa beneficente.
Psiquiatras, Psicólogos e Astro-analistas – Atenção! Júpiter nunca demonstra seu poder mais especificamente que quando a “despesa” é feita como uma expressão de gratidão pelo recebimento da “receita”. A gratidão sincera – a uma pessoa ou a Deus – proporciona um tipo de “dilatação” de consciência que a sintoniza mais e mais com o crescimento e com a abundância de expressão. Nenhum aspirante deixa passar um único dia de sua vida sem sentir e/ou expressar gratidão a alguém por alguma coisa. Esta é uma gratidão sincera, jubilosa, positiva; não é um rastejar servil, pelo qual aquele que recebe se degrada a si próprio e insulta àquele que dá. A psicologia de Júpiter – agradecimentos pela dádiva e o desejo de compartilhá-la com os outros – é algo profundo e de longo alcance. É um alimento para a Mente, para o Corpo e para a Alma, infundindo, como ele faz, um fluxo de energias renovadoras quando há condições em que a situação se torna cristalizada, mórbida e insalubre. Nosso Dia Nacional de Ação de Graças é comemorado quando o Sol transita pelo Signo de Sagitário – regido por Júpiter!
Alguns pretendem que Júpiter seja considerado um símbolo do pai – exercendo a versão masculina do impulso de nutrição. Seja como for, de uma coisa podemos ter certeza; Júpiter é o símbolo do professor ou do “pai espiritual”. Júpiter nutre a mentalidade espiritual e, como tal, é representado pelo sacerdote. Todo professor é um pai espiritual – seu trabalho e propósito é guiar a pessoa mais jovem ou menos desenvolvida ao longo de linhas de desenvolvimento não especificamente relacionadas com as necessidades físicas. Saturno é o princípio da Lei, no sentido esotérico; mas a nona Casa é a profissão da lei, como proteção às pessoas. A nona Casa é, também, a Igreja, como instituição protetora e instrutora. Então, a nona Casa, por meio da regência de Júpiter, parece resumir a “consciência do certo e do errado” não no sentido abstrato ou absoluto, mas em termos de ciclo de desenvolvimento da pessoa, de sua origem racial e do molde religioso no qual ele está se manifestando.
Júpiter é nossa expressão externa direta dessa consciência, de maneira que sua posição e seus Aspectos no horóscopo mostram como e por quais meios, se existe algum, nós sentimos o impulso de ensinar às pessoas o caminho (que nós achamos) que devem seguir. Uma nona Casa ocupada por Astros que não estão afligidos ou que o Regente da nona Casa não esteja afligido, indica que a pessoa, nessa encarnação, não terá dificuldade, em geral, para encontrar a religião que realmente necessita e quer. Ela será posta em contato com os mais adequados professores para satisfazer seus anseios espirituais. Se afligida, a nona Casa indica obstáculos para alcançar satisfações religiosas ou filosóficas. Grandes atrasos, confusões, desilusões e desapontamentos são indicados pelas aflições da nona Casa, e as aflições ao próprio Júpiter e mostram como nós, individualmente, precisamos nos disciplinar e exercitar para expressarmos nossa capacidade total como professores ou como líderes morais. Muito destino maduro pode ser entendido por meio das aflições da nona Casa, por dedução de Causa e Efeito; eles são os “desvios” cometidos pelo indivíduo no caminho do seu desenvolvimento espiritual. Este desenvolvimento de consciência e compreensão espirituais certamente comprovam a função de Júpiter como o “Princípio do Melhoramento”.
Uma das mais fascinantes fases da interpretação astrológica encontra-se nos Aspectos adversos ou de destino maduro de Júpiter. Benevolência, elevada compreensão, proteção, abundância, generosidade – como pode tal estelar representar o “mal”? Abundância, meus amigos, abundância!
No que tange a Júpiter ser “dinâmico”, suas adversidades são encontradas, como nos casos do Sol, Marte e Urano, no desequilíbrio, no descontrole e na falta de melhoramento. Quando o desejo de melhorar é pervertido, Júpiter se manifesta por muitos meios desagradáveis, sendo que o principal é interno como:
– FALSO ORGULHO: Isso representa o indivíduo cujos anseios por auto aprovação são tão fortes que ele não pode ouvir os conselhos ou a crítica sincera. Por isso ele não pode e geralmente não melhora a si mesmo por um ou outro processo, mas prossegue mantendo uma avaliação distorcida do seu próprio mérito. O astro-analista que interpreta o horóscopo de uma pessoa com esse Aspecto precisa usar de tática; você não pode ajudá-lo focalizando seus defeitos porque então ele resistirá e se ressentirá de suas observações. Você deve manter uma atitude de aprovação e, sem faltar à verdade, deve lhe adoçar o remédio. Se ele pede a “verdade nua”, lembre-se de que para ele o “disfarce” torna a verdade aceitável. Analise cuidadosamente o horóscopo de modo a encontrar algo em que ele possa sentir-se justificadamente orgulhoso de si mesmo. Ao mesmo tempo você deve verificar que tipo de obstáculo em sua vida leva-o a usar uma máscara de falsa superioridade. Como uma compensação seu orgulho pode centralizar-se na família, na posição, na nacionalidade, nos seus conhecimentos, na posse de dinheiro ou num talento genuíno. Não importa; o que quer que seja valioso para seu eu interior deve tornar-se utilizável para que se tenha valor real.
– ARROGÂNCIA: é uma variação do falso orgulho, causada por uma combinação de Marte com Júpiter aflito; uma qualidade notavelmente desagradável que leva o indivíduo a “forçar suas pretensões”. A pessoa arrogante é essencialmente indelicada – suas atitudes para com outras pessoas parecem conter condescendência, superioridade injustificável, esnobismo e certa crueldade com que expressa seu falso orgulho, não importando quem seja ofendido no processo.
– RIQUEZA: A abundância financeira é uma das armadilhas favoritas do diabo. Uma vez que o dinheiro é um meio de troca, nada mais nada menos, somente as pessoas que podem usá-lo sem ser escravizadas ou enganadas por ele é que possuem uma consciência financeira bem integrada. A riqueza para certos tipos de pessoas é sinônimo de caráter, de virtude, de espiritualidade, etc. Dizem que o êxito de um casamento é garantido se o marido em perspectiva tem “grana em abundância”. Para esses tipos, o ganho financeiro justifica a perpetração de qualquer tipo de desonestidade, injustiça ou deturpação de responsabilidade. Dizem que “homem de sorte” é o rico, é aquele que tem tanto dinheiro que não precisa trabalhar. Pode comprar tudo o que deseja, seus filhos podem ter tudo o que querem e sua esposa esbanja no luxo e na ociosidade. Ocasionalmente eles dizem que a riqueza pode compensar qualquer sofrimento ou problema nas vidas deles. Tais pessoas não podem aprender por meio de seus sofrimentos, nem podem entender ou lidar com seus problemas. Ao receberem uma herança de milhões, elas podem fazer a viagem mais curta possível para o desastre. Atribuem ao dinheiro um poder que ele não possui e assim esgotam os seus próprios poderes. O descendente de uma família fabulosamente rica, há alguns anos, herdou algo próximo a dez milhões de dólares ao completar seus vinte e um anos. Vivia cercado de luxo desde a infância – e não sabia nada mais. Aos trinta e cinco anos suicidou-se, deixando um bilhete para um amigo, em que dizia: “Restam-me somente quinze mil dólares – não tenho nada por que viver”. Isso é simbólico de um Júpiter possivelmente aflito por Netuno, regendo a casa doze – a ilusão do poder da riqueza como fonte da própria ruína. Deixemos os ricos, com Júpiter afligido, se encarregarem do uso que fazem do dinheiro e do grande poder que lhe atribuem sobre eles próprios. A riqueza implica em grande esfera de utilização – e, desde que “não podemos levá-lo conosco”, podemos ao menos aprender a aplicá-lo como expressão de um viver construtivo e produtivo.
– GENEROSIDADE: Em certos ciclos de evolução as pessoas são provadas na sinceridade com que expressam seus impulsos de dar. Pode-se pensar superficialmente que, se uma pessoa sente um impulso de dar alguma coisa, como pode haver impedimentos? Contudo, há e aqui está um exemplo hipotético: durante a encarnação passada a pessoa viveu gananciosa e miseravelmente – fazia sua doação somente quando era absolutamente necessário ou com o motivo dissimulado de obter algo em troca. Na última parte da vida ele foi alvo de um ato generoso e desinteressado praticado por outra pessoa. Seu sentimento foi de profunda gratidão, de modo que quando faleceu impressionou seu subconsciente com o desejo de viver mais para poder expressar sua gratidão. Na presente encarnação ele vem com aquele anelo à flor da pele, mas a sinceridade desse impulso em virtude de ter-se desenvolvido tardiamente, tem que ser provada para que sua realidade possa se incorporar à sua consciência. Por conseguinte, ele pode ter um pai superindulgente para com ele e que não lhe permita dar nada a ninguém – e então a pessoa vê-se envolvida numa circunstância de atrito. Se ele quer realmente expressar seu sentimento subconsciente de gratidão deve resistir à superindulgência do pai. Se permitir que a influência do pai o afaste de sua via de expressão, então ele falha na prova. À medida que permita que outras influências abafem seus generosos impulsos ele voltará a emaranhar-se, não apenas no próprio interesse, mas num complexo de frustrações muito doloroso. Seu “desejo de dar” representa um impulso de sua natureza superior – a frustração desse desejo causa uma reação especial de autodesprezo e sentimentos de indignidade e autodegradação. Se no exemplo acima, alguém com pais superindulgentes percebe que o ressentimento e o atrito aumentam e transpareça em suas atitudes para com os pais, o filho pode, com abordagens filosóficas, contrariar essa tendência e transmutá-la por meio do sentimento de gratidão aos pais por proporcionarem-lhe uma prova muito necessária, ainda que inconscientemente. Sua atitude deve “salientar-se” cada vez mais consoante seus propósitos de crescimento. Os grandes líderes religiosos ou quaisquer pessoas que “propendem para a competição” são provados dessa maneira. Elas dão o melhor de si mesmas, não importa qual seja o resultado imediato.
– EXPERIÊNCIA E IGREJA: Em seus processos de crescimento em direção ao desenvolvimento da compreensão espiritual, muitas pessoas acham que suas lições advêm do distinguir o “real do irreal” por meio de contatos com outras pessoas em atividades da igreja. Este tipo de destino maduro – Júpiter aflito regendo ou ocupando a casa doze – parece referir-se a pessoas que vieram a presente encarnação com uma “ânsia por religião” forte. Muito de suas transmutações pode ser estimulado pelo contato com hipócritas, fanáticos e por aqueles cujas ostentações espirituais não coincidem com o seu desenvolvimento. Tais pessoas – membros da mesma igreja – são objetivações dos Aspectos aflitivos a Júpiter, e suas “atuações” são por certo uma fonte de grande provação para o aspirante. Ele ama sua igreja, acredita e tem fé nos ensinamentos, procura por todos os meios possíveis estabelecer cooperação e harmonia com os outros para que a igreja possa permanecer acreditada na comunidade e como um modelo de conduta espiritual – e o que ele consegue? Cada um porfiando e lutando para ser o dirigente deste ou daquele “comitê”; crítica caluniosa o tempo todo; o pároco faz de seus ensinos religiosos flagelo e castigo; o benfeitor ameaça retirar seu apoio financeiro toda vez que seus desejos pessoais e preconceituosos parecem ser ignorados e assim por diante. Você já deve ter deparado com tal situação uma ou várias vezes. Tudo isso é representação de falso orgulho, arrogância, presunção, pretensão, blefe e falsa aparência. Não são imagens bonitas, mas, é Júpiter não regenerado. O indivíduo com a vibração de Júpiter aflito que é lesado e desiludido (provado) por tais pessoas contempla o reflexo de suas próprias experiências do passado. Ele agora é sincero e aspirante, mas nesta encarnação são dadas oportunidades à sua sinceridade, à sua fé e à sua confiança nos princípios espirituais, de ver o que é real, o que é irreal e falso. Ele poderá fracassar em sua prova se permitir que as “sombras” o desviem de seu progresso. Ele deve aprender com as sombras e não ser dominado por elas.
Na linguagem psicológica o termo “mecanismo” é usado para identificar certas tendências subconscientes profundamente arraigadas. Correlacionando isso com a astrologia, nós identificamos o “mecanismo de defesa” como Marte e o “mecanismo de fuga” como Netuno. Júpiter certamente identifica-se como o “mecanismo de compensação”. Todos e cada um de nós estamos em busca de realização, e quando os padrões da roda do destino maduro criam desordens, imperfeições, frustrações e carências sentimos, automaticamente, o impulso de “compensar a nós mesmos” naquilo que sentimos ser a nossa mais profunda perda. Em outras palavras, somos levados a estabelecer “melhoramento” e “benevolência” mesmo que tenhamos de fazê-lo no lugar de outrem. O Aspecto no horóscopo que indique a “carência” ou “frustração” mais fortemente sentida pode, por certo, envolver Júpiter, mas não necessariamente. Todavia, em virtude da própria natureza de Júpiter, não é razoável se supor que a expressão “positiva” dele fornecerá a mais direta e satisfatória “compensação”! É através de Júpiter que nós damos; quando damos abrimos, em consciência, para receber. Não podemos receber a realização de nossas mais profundas necessidades a não ser que – e até que – ponhamos em ação nossa boa vontade de tornar essa coisa possível para outros. Então entremos em “contato” com nosso Júpiter por expressão direta em termos de sua posição por Casa (fator ambiental), de Aspectos benéficos (esfera de ação construtiva) e de Astros com os quais se relaciona por Aspectos benéficos (relacionamentos, atividades). Um Júpiter sem Aspectos indica que “é tempo de começar a dar”. Enquanto pensamos em termos de “auto isolamento” estagnamos e Júpiter se torna cada vez mais obstruído pelas cristalizações de Saturno. Júpiter com múltiplos Aspectos, mas aflito, necessita de vários tipos de controle e orientação; Júpiter nessas condições pode representar muitos complexos psicológicos que a pessoa deve, para compreender claramente, abordar com a razão, os fatos, o discernimento e a análise. Mercúrio-Saturno é o corretivo mais intimamente aplicável às desordens de Júpiter.
Ao sintetizarmos os padrões de Júpiter em um horóscopo, observamos não somente seus Aspectos, a Casa que ocupa e a que rege; mas devemos estudar também correlativamente as condições da nona Casa para obtermos a imagem de Júpiter como significador espiritual. Júpiter é o nível do Espírito nas vidas das pessoas que estão se manifestando na consciência das formas. Como tal, e para isso, ele dispõe em paralelo as vibrações de Urano e Netuno nas vidas das pessoas que alcançaram em certa medida, a consciência da transcendência.
Júpiter amplia qualquer coisa que ele toque. A menos que ele esteja Dignificado – ou seja, em Sagitário – é importante analisar com cuidado as condições do Astro que está “disponente” com ele. Um Júpiter inteiramente afligido ou variável, com um Astro sem aflições e “disponente” com ele, indica que as qualidades construtivas do Astro que está “disponente” com ele podem ser usadas para ajudar Júpiter a se controlar e se disciplinar. Júpiter sem aflições e que tem um Astro afligido que está “disponente” com ele indica que esse Astro pode, em grande medida, ser redimido de suas aflições por meio da expressão das melhores qualidades de Júpiter. Nesse caso, Júpiter deve “limpar a Casa onde mora” – expressões construtivas de sua vibração proporcionam um canal de transmutação para o Astro afligido.
A Conjunção adversa de Júpiter com outro Astro[3] indica tendência desse Astro para se expressar excessivamente – implica numa qualidade de “excessiva confiança”. As expressões da pessoa, no que tange às condições e experiências do Astro em Conjunção, são desviadas, porque Júpiter afligido é “fraco em julgar” (definindo-se “julgamento” como “conhecimento da alma”, destilação de experiência e não o resultado de estudo concreto). Todavia, no caso de tal Conjunção adversa, o poder de Júpiter promete grande recompensa se o Astro em questão for expressado construtivamente; a expressão construtiva de tal Astro só pode ocorrer como resultado da destacada observação associada a uma extensa autodisciplina. A contínua expressão adversa de tal Conjunção – energias sem direção – indica um inevitável esgotamento de recursos.
As “graduações” de Júpiter mostram que suas vibrações se expressam mais puramente em Sagitário, Câncer e Peixes. Ele está em desvantagem nos Signos regidos por Mercúrio (Gêmeos e Virgem) e, na opinião do autor, Júpiter é perfeitamente menos Jupiteriano em Virgem e Capricórnio. Sendo Virgem é analítico, detalhista, meticuloso e crítico – o oposto do magnânimo e generoso Júpiter. Júpiter em Capricórnio é oportunista e tende a dar, porém visando aquilo que pode receber em troca. O impulso religioso, associado com a vibração de Saturno, tende ao formalismo e ao dogmatismo. Se Júpiter forma múltiplos Aspectos em Capricórnio e existe alguma ligação direta com a nona Casa do horóscopo, então, o impulso religioso é amplificado, mas, a pessoa deve estudar as religiões com o propósito de compreendê-las para que possa compreender outras pessoas e não com o propósito de pleitear, discutir ou forçar suas opiniões sobre os outros. Se o indivíduo é um professor, de qualquer tipo, seu Júpiter em Capricórnio enfatiza a tendência para ambição e para a ostentação. Ele deve aprender, de algum modo, a “se identificar com a Mente de seus Estudantes” para que em seus ensinamentos possa ser mais capaz de desenvolver suas capacidades latentes. Sua tendência será de tentar adaptá-los à sua particular maneira de pensar. Júpiter em Capricórnio precisa aprender como dar – e dar sem considerar a possibilidade de um retorno.
Em Leão, Júpiter brilha esplendorosamente, mas quando afligido, a autojustificativa e o amor próprio são fortes. Essa é uma “posição de nobreza”, mas se for pervertido e debilitado ele pode manifestar uma arrogância abrasiva e uma superioridade gigantesca. Em Touro, combinado com a vibração de Vênus, Júpiter se colore de “abundância financeira” – ele expressa suas qualidades em termos de coisas da terra. Em Aquário ele é muito sociável e humanitário; ele busca estabelecer e manter a abundância em seus relacionamentos com os amigos; sendo uma influência benéfica em atividades de grupo e assim com os demais Signos.
Júpiter na segunda Casa: com Aspectos benéficos é garantida abundância financeira se o indivíduo trabalha naquilo para que lhe seja destinado, o trabalho que mais ama e através do qual pode dar o melhor de si mesmo. Em outras palavras, Júpiter só pode “ter recompensa” se for expresso de tal maneira que seja capaz de irradiar o que há de melhor de si. O que levanta esta questão: Que diremos do indivíduo com Júpiter na segunda Casa que só é capaz de realizar um tipo trabalho “rotineiro dia após dia”? Ele não está consciente de amar seu trabalho, o faz para ganhar o suficiente de dinheiro para viver. No entanto, ele pode garantir para si um ganho crescente se esforçar para melhorar sua habilidade e a esfera de expressão de seu trabalho, ainda que dentro das limitações de um emprego rotineiro. Sempre há oportunidades para fazerem-se melhoramentos – e o homem que se esforça para isso, mesmo inconscientemente, contribui de modo geral para o seu emprego. À medida que melhora o trabalho como um todo, também melhora a si mesmo. Júpiter não apenas “ama ao que dá com alegria”, mas estende a mão como ajuda a todo aquele que melhora de algum modo.
Júpiter na terceira Casa: É uma expressão mental do Astro. O estudo torna-se um canal para o melhoramento e a educação uma necessidade. Fluência de expressão está indicada, mas, se aflito Júpiter precisa de método e rotina. Os Aspectos benéficos indicam felicidade através do relacionamento fraternal, o que por sua vez “alimenta” as possibilidades de êxito no relacionamento da maturidade. E geralmente indica capacidade de abundantes recursos mentais com uma Mente fértil em ideias e capaz de reter muito conhecimento. As possibilidades para expressão em público consideram-se incentivos para o estudo e o desenvolvimento intelectual.
Júpiter na quarta Casa: Cria uma condição de abundância na Casa que ocupa. Esta posição, apoiada por Aspectos benéficos promete fartura na última parte da vida e uma espécie de “florescimento” de impulsos superiores aparece como resultado de atividades construtivas durante os anos de desenvolvimento. Qualquer um pode ter que enfrentar toda sorte de dificuldades no decurso de uma encarnação, mas, Júpiter na quarta Casa faz de sua vida cotidiana um santuário. As aflições a Júpiter nesta Casa mostram quanto desgaste pode ser causado pela perda de oportunidades de crescimento e melhoramento, criando-se assim para os últimos anos da vida uma condição em que o círculo do lar torna-se o único refúgio de paz e conforto. É uma indicação de pais ricos ou pelo menos, generosos. O padrão é estampado com um colorido de abundância. A pessoa encontra em sua vida doméstica enriquecimento de coração e de espírito, e, não importa o que possa ser aos olhos do mundo ou em suas atividades profissionais, irradia o melhor de si para sua família. Quando estabelece o seu próprio lar, ela sintoniza com algo em sua natureza que representa o melhor em si mesma. A vibração de Júpiter que se expressa por meio das condições da quarta Casa pinta a imagem de um marido devotado, de um pai generoso e amoroso, e/ou de uma matrona honesta e respeitável.
Júpiter na quinta Casa: Abundante capacidade amorosa; os filhos são considerados como bênçãos da vida. As aflições podem indicar experiências pelas quais o indivíduo, como pai, deve desenvolver compreensão e capacidade de julgar, mas, no geral, ele descobre que sua vida se expande amplamente através do contato com seus filhos. Em virtude de Júpiter ser basicamente masculino, sua posição na quinta Casa no horóscopo de um ser masculino indica prazer que ele encontra na paternidade. Seu amor pelas crianças é ilimitado – ele gostaria de fazer tudo por todas elas. Max Heindel tinha Júpiter em Sagitário e na quinta Casa, era verdadeiramente um “pai espiritual”, sua capacidade para amar com devoção não tinha limites. Júpiter na quinta Casa necessita de disciplina de discernimento. Trata-se do pai que pode facilmente estragar seus filhos por excesso de complacência, ou cuja preocupação excessiva por eles pode levá-lo a protegê-lo demasiadamente. Ele precisa encontrar algum meio de desenvolver uma atitude mais desapegada, mais impessoal para com eles. Júpiter não regenerado na quinta Casa ou regendo esta indica excessivo apego aos prazeres como “mecanismo de compensação”. Trata-se do nativo que não sabe como converter suas habilidades em valores práticos, por isso melhora suas condições financeiras no jogo e na especulação barata. De mistura com a vibração de Marte, os prazeres do sexo podem ser meios usados para “compensar” impulsos amorosos não realizados. Padrões negativos de Júpiter-Netuno envolvendo a quinta Casa podem ser péssimos, uma vez que Netuno é a essência do mecanismo de escape, de modo que se os desejos de prazeres e “alegrias” são excessivos, o apetite exausto pode converter-se em sombrias compensações nas drogas e no excesso de bebidas. Este padrão exerce uma influência de perversão nas experiências do prazer – o artifício, a luxúria e a sensação mórbida podem substituir as coisas que são verdadeiramente sadias e “recreativas”. Uma vibração aflitiva de Júpiter expressando-se através da quinta Casa não pode fazer nada melhor que fixar se possível, respostas às atividades do prazer que conduzem à melhora da saúde por vias naturais. O ar livre, as caminhadas, a natação, a jardinagem, etc., poderiam ser exercitados pelo menos parcialmente, com bons resultados.
Júpiter na sexta Casa: Sem aflição, é um preservativo da saúde. Se os padrões do horóscopo mostram tendência para doenças ou desarmonias físicas, esta posição de Júpiter promete alívio se a pessoa mesma faz o que pode para estabelecer hábitos corretos e construtivos e processos salutares. Ela deve tentar melhorar suas próprias condições físicas. Aplicada ao trabalho, esta posição de Júpiter parece indicar garantia de que o indivíduo “fará o trabalho que gosta de fazer com amor”; ele tem um canal desimpedido para aplicar, em suas experiências de trabalho, seu entusiasmo e determinação para progredir e ser bem-sucedido. Aflito, Júpiter mostra tendências para desarmonias físicas em razão de excessos, e, no trabalho, inclinação para fazer o tipo de trabalho que pode lhe render maior ganho pelo menor esforço. Se a pessoa não dá através do seu trabalho, diminui suas oportunidades e esgota suas capacidades de progredir.
Júpiter na nona Casa: Ou em Sagitário ou “dispositado” por um Astro nesta Casa ou em qualquer outra ligação direta com a mesma Casa, Júpiter enfatiza a “capacidade de aspiração espiritual”. Os padrões profissionais referem-se mais especificamente à lei, à igreja e ao ensino. O próprio Júpiter mostra como expressamos nossas convicções religiosas, sendo que o Astro Regente da nona Casa indica os nossos sentimentos básicos a respeito da religião em geral e nossas atitudes quanto a isso. Uma nona Casa vazia, desocupada e com Júpiter sem Aspectos e o Regente desta Casa insignificante por esfera de ação – mostra que a pessoa ainda não se sintonizou com o lado “compreensão” da vida. Ainda está envolvido com as “coisas como coisas”. Na medida em que Júpiter e a nona Casa disponham de “esfera de ação” os padrões mostram até que ponto a pessoa já destilou compreensão a partir dos seus padrões de experiência, e até que ponto busca compreensão maior. A mentalidade de Júpiter é a Mente que antes de tudo interessa-se mais por princípios do que pelo árido conhecimento concreto. Ela vê as cerimônias e acessórios da igreja como símbolos de verdades internas e se interessa em descobrir a origem desses símbolos externos. A pessoa com uma nona Casa fortificada “buscará até encontrar” o conceito religioso que satisfaça mais plenamente suas necessidades, e quando o encontrar, reconhece-o quase imediatamente.
Quando estudamos um horóscopo do ponto de vista psicológico, é importante obter uma “imagem da habilidade da pessoa para pensar em termos de princípios – porque toda a psicologia corretiva se baseia na harmonização com os princípios do pensamento e da ação. Se a nona Casa é fraca devemos falar à pessoa em termos que ela possa entender – devemos usar “termos terrenos”. Deste modo, o astro-analista realiza seu propósito como uma expressão das faculdades da nona Casa – como um pai espiritual ele, por sua compreensão, guia “seus filhos” mediante conselhos construtivos dados de maneira simples, e sempre com a finalidade de “elevar” e encorajar. O astrólogo liga-se espiritualmente a todas as pessoas que procura de algum modo, melhorar as vidas dos outros. Sugiro ao leitor praticar síntese do Princípio de Melhoramento em relação às outras Casas.
Júpiter na décima Casa: Aflito, indica uma condição sutil que justifica uma análise cuidadosa. Na consciência de tal pessoa, “reputação” é tida como uma fonte de proteção e beneficência não importando quão ilusória seja. O “desejo de melhorar” vê-se expresso aqui como o “desejo de melhorar aos olhos das outras pessoas ou da sociedade em geral”. Esta posição é a essência da simulação, da aparência forçada, planejada e artificial que se usa para ocultar deficiências e indignidades de toda sorte. É o caso do sacerdote mundano que glorifica a Deus com a maior das catedrais e a congregação mais rica para quem a religião é um assunto de publicidade, renome e fama. É o “parasito da sociedade” que se sente feliz e à vontade somente quando visto ao lado das “pessoas de bem” que se preserva por viver na boa impressão que causa naqueles a quem admira e considera “superiores”. Júpiter aflito na décima Casa ou em Conjunção com o Regente da mesma revela muito da mesma qualidade. A reputação parece ser o foco da expressão de Júpiter em ambos os casos. Renome, sua verdadeira conquista ou o desejo de “ir fundo” para alcançá-lo é uma extensão de “reputação”. O grande ser humano pode tê-lo conferido a si sem ter qualquer desejo disso; outra pessoa pode achar que sua capacidade de melhorar a si mesma pode crescer na medida em que seja aclamada por seus êxitos; outra ainda deseja tão fortemente um tipo de auto-aprovação advindo do reconhecimento público que não tem escrúpulos de conquistá-lo a qualquer custo. Com este padrão de Júpiter aflito estude o horóscopo cuidadosamente para identificar as possíveis deficiências que a pessoa tenta encobrir, aquelas coisas que a impelem a compensar através da simulação. Se for orientada para um viver construtivo, o resíduo que atravancam sua Mente e suas reações deve ser removido e suas possibilidades de conseguir êxito verdadeiro precisam chamar-lhe a atenção.
Júpiter na décima segunda Casa: os Aspectos benéficos descrevem Júpiter como um “anjo da guarda” – uma profunda percepção subconsciente de proteção. Isto é evidência de ter “dado sigilosamente” no passado e é promessa de “sorte de último instante” nesta encarnação. Tudo parece estar perdido, então, aprece alguém em cima da hora para salvar a situação. Este é o tipo de pessoa que não deve fazer alarde de suas dádivas – se o fizer corrompe a expressão pura de Júpiter e enfraquece seu poder para fazer o bem. Não importa o Signo em que este Astro se encontre, a Casa doze está associada ao Signo de Peixes, de maneira que Júpiter nesta Casa indica, em certa medida, a posse de uma irradiação de poder curativo para aqueles que estão doentes e reclusos. Nenhuma pessoa com esta posição deve pensar que não exista ninguém que precise dela – há uma abundância delas em hospitais, orfanatos e asilos, onde podem dar o melhor de si mesmas para aliviar aos que sofrem e melhorar suas condições. Dar dinheiro para bons propósitos é muito nobre, mas quando Júpiter se encontra em suas melhores condições impele o indivíduo a dar de si mesmo – seu tempo, seu trabalho e seu interesse.
Júpiter aflito na Casa doze é a “desgraça de si mesmo através do falso orgulho” – uma condição subconsciente que “apaga” a autoperspectiva. Indica também o carma que se pode cumprir pela – ou através da – posse de riqueza, e como o mau uso dessa abundância pode conduzir a uma deterioração interna. A Casa de regência de Júpiter, em termos de experiência e/ou relacionamento é vista aqui como indicativa da condição de limitação que pode ser redimida, se não estiver ocupada pela expressão das qualidades construtivas de Júpiter. Este Astro na Casa doze lança um “manto de segredo” na Casa que tem Sagitário na cúspide, e aflições de outros Astros a Júpiter indicam uma tendência para a clandestinidade, hipocrisia e falsa aparência. Júpiter, para viver em plenitude, “não deve aparecer” – e se suas expressões externas têm que ser experimentadas em segredo ou nos bastidores, então, é melhor que seja expresso com as maiores sinceridade e autenticidade possíveis, caso contrário corrupção pode ser o resultado.
Júpiter na 12ª Casa: os Aspectos benéficos descrevem Júpiter como um “anjo guardião” – uma profunda percepção subconsciente de proteção. Essa é a evidência de ter “feito caridade em segredo” no passado e o compromisso de boa sorte no “último momento” nessa encarnação. Tudo parece estar perdido e surge alguém, justamente no momento crítico para salvar a situação. Essa é uma pessoa que não deve fazer alarde de sua caridade – porque ao faze-la a expressão pura de Júpiter se corrompe e reduz o seu poder para fazer o bem. Independentemente do Signo onde está Júpiter, a 12ª casa é afiliada ao Signo de Peixes, e a posição de Júpiter aqui é indicativa, em certo grau, que a pessoa tende a ter uma radiação de poder para curar definitivamente aqueles que estão doentes e confinados. Nenhuma pessoa com essa posição deve pensar que não exista ninguém que precise dela – há muitos deles em hospital, orfanatos e asilos, para quem ela pode dar de seu máximo e do seu melhor para aliviar o sofrimento e melhor as condições daqueles. Dar dinheiro para um bom propósito é bom, mas quando Júpiter está no seu melhor, ele insiste em dar a si mesmo – em tempo, no trabalho e em interesse. Júpiter afligido na 12ª Casa é a “própria ruína por meio do falso orgulho” – uma condição subconsciente que “apaga” a perspectiva de si mesmo. Demonstra, também, o destino maduro que pode ser experimentado por – ou através da – posse de riquezas e como o mal-uso desta abundância pode conduzir a uma deterioração interna. A Casa que está sob a regência de Júpiter, em termos de experiência e/ou relacionamento, é aqui vista como indicação de uma condição de limitação que pode ser redimida, se desocupada, pela expressão das qualidades construtivas de Júpiter. O Júpiter da 12ª Casa lança um “manto de sigilo” sobre a Casa que tem Sagitário na cúspide, e as aflições que Júpiter sofre dos outros Astros indicam uma tendência para clandestinidade, hipocrisia e falsas aparências. Júpiter, para viver em tudo, “deve sair” – e se suas expressões externas devem ser experimentadas em segredo ou nos bastidores, então, para o melhor, ele deve expressar com a maior sinceridade e genuinidade possível, ou o resultado será a corrupção.
Júpiter na 2ª Casa: com Aspectos benéficos é garantida a abundância financeira, se o indivíduo trabalha naquilo para que lhe seja destinado, o trabalho que mais ama e através do qual pode dar o melhor de si mesmo. Em outras palavras, Júpiter só pode “ter recompensa” se for expresso de tal maneira que seja capaz de irradiar o que há de melhor de si. Isso leva à seguinte questão: que diremos do ser humano, com Júpiter na 2ª Casa, que só é capaz de realizar um tipo trabalho “rotineiro dia após dia”? Ele não está consciente de amar seu trabalho – ele o faz para ganhar o suficiente dinheiro para viver. Ele pode garantir para si um ganho crescente, se se esforçar para melhorar sua habilidade e esfera de expressão de seu trabalho, ainda que dentro das limitações de um emprego rotineiro. Sempre há oportunidades para se fazer melhoramentos – e o ser humano que se esforça para isso, mesmo inconscientemente, contribui de modo geral para o seu emprego. À medida que melhora o trabalho como um todo, também melhora a si mesmo. Júpiter não apenas “ama ao que doa com alegria”, mas estende a mão como ajuda a todo aquele que melhora de algum modo.
Júpiter na 6ª Casa: Sem aflição, é um conservante da saúde. Se os padrões do horóscopo mostram uma tendência para doenças ou desarmonias físicas, esta posição de Júpiter promove o alívio se a pessoa mesma faz o que pode para estabelecer hábitos corretos e construtivos e processos saudáveis. Ela deve tentar melhorar suas próprias condições físicas. Aplicada ao trabalho, esta posição de Júpiter parece indicar a garantia de que a pessoa “fará o trabalho que gosta de fazer com amor”; ela tem um canal desimpedido para aplicar, em suas experiências de trabalho, seu entusiasmo e determinação para progredir e ser bem-sucedida. Se afligido, Júpiter mostra tendências para desarmonias físicas em razão de excessos, e, no trabalho, a inclinação para fazer o tipo de trabalho que pode lhe render maior ganho pelo menor esforço. Se a pessoa não doa por meio do seu trabalho, ela diminui suas oportunidades e esgota suas capacidades para progredir.
Júpiter na 10ª Casa: Se afligido, indica uma condição sutil que justifica uma análise cuidadosa. Na consciência de tal pessoa, “reputação” é tida como uma fonte de proteção e beneficência, não importando quão ilusória seja. O “desejo de melhorar” se vê expresso, aqui, como o “desejo de melhorar aos olhos das outras pessoas ou da sociedade em geral”. Esta posição é a essência da pretensão, um verniz artificial forçado na aparência, que é aplicado para esconder todo tipo de deficiência e indignidade. É o caso de um sacerdote mundano que glorifica a Deus, com a maior das catedrais, e a congregação mais rica, para quem a religião é uma questão de publicidade, renome e fama. Este tipo é o “parasito da sociedade” que se sente feliz e confortável somente quando é visto com as pessoas de bem, que “se preserva” vivendo na boa impressão que ela causa aos olhos daqueles que admira e considera “superiores”. Júpiter afligido na 10ª Casa, ou em Conjunção com o governante dela e afligido, traz muito dessas mesmas qualidades. A reputação parece ser o foco da expressão de Júpiter em ambos os casos. Renome, sua verdadeira conquista ou o desejo de “ir fundo” para alcançá-lo é uma extensão de “reputação”. Uma grande pessoa pode ser investida desse renome sem, particularmente, desejá-lo; outra pessoa pode achar que sua capacidade para melhorar a si mesmo pode crescer na proporção que ela é aclamada por suas realizações; outra, ainda, tem um desejo tão forte por um tipo de auto aprovação, que vem com o reconhecimento público, que ela não tem escrúpulos em alcançá-lo, de uma forma ou de outra. Com este padrão de Júpiter afligido estude o horóscopo cuidadosamente para identificar as possíveis deficiências que a pessoa tenta encobrir, ou seja, aquelas coisas que a impelem a compensar por meio da simulação. Se a pessoa for orientada para um viver construtivo, o resíduo que atravancam sua Mente e suas reações deve ser removido e suas possibilidades de conseguir êxito verdadeiro devem lhe chamar a atenção.
Júpiter na 4ª Casa: Cria uma condição de abundância na Casa que ocupa. Esta posição, apoiada pelo benefício, promete riqueza na última parte da vida, e uma espécie de “florescimento” de impulsos superiores que vêm como resultado da atividade construtiva durante os anos de crescimento. Qualquer um pode ter que enfrentar toda sorte de dificuldades no decurso de uma encarnação, mas, Júpiter na 4ª Casa faz de sua vida cotidiana um santuário. As aflições a Júpiter na 4ª Casa mostram quanto desgaste pode ser causado pela perda de oportunidades de crescimento e melhoramento, criando-se assim, para os últimos anos da vida, uma condição em que o círculo do lar se torna o único refúgio de paz e conforto. É uma indicação de parentes com grandes recursos ou, pelo menos, generosos. O padrão doméstico é carimbado com uma coloração da abundância. A pessoa encontra, em sua vida doméstica, um enriquecimento de coração e espírito, e, não importa o que ela possa ser aos olhos do mundo ou em suas atividades profissionais, irradia o melhor de si para sua família. Quando ela estabelece o seu próprio lar, sintoniza com algo em sua natureza que representa o seu melhor. A vibração de Júpiter, que se expressa por meio das condições da 4ª Casa, pinta a imagem de um companheiro devotado, de um pai generoso e amoroso, e/ou de uma companheira honesta e respeitável.
Júpiter na 5ª Casa: Uma abundante capacidade para amar; as suas crianças são consideradas como bênçãos da vida. As aflições podem indicar experiências pelas quais a pessoa, como pai, deve desenvolver compreensão e capacidade de julgar, mas, no geral, essa pessoa descobre que sua vida se expande amplamente por meio do contato com suas crianças. Em virtude de Júpiter ser basicamente masculino, sua posição na 5ª Casa, no horóscopo de um ser masculino, indica prazer que ele encontra na paternidade. Seu amor pelas crianças é ilimitado – ele gostaria de fazer tudo por todas elas. Max Heindel tinha Júpiter em Sagitário e na 5ª Casa: ele era verdadeiramente um “pai espiritual”, sua capacidade para amar com devoção não tinha limites. Júpiter afligido na 5ª Casa necessita de disciplina de discernimento. Trata-se do pai que pode, facilmente, estragar suas crianças por excesso de complacência, ou cuja preocupação excessiva por eles pode levá-lo a protegê-las demasiadamente. Ele precisa encontrar algum meio de desenvolver uma atitude mais desapegada, mais impessoal para com elas. Júpiter não regenerado[4] na 5ª Casa ou a regendo indica excessivo apego aos prazeres como “mecanismo de compensação”. Trata-se de uma pessoa que não sabe como converter suas habilidades em valores práticos, por isso ela melhora suas condições financeiras por meio do jogo e da especulação barata. Se se mistura com a vibração de Marte, os prazeres do sexo podem ser os meios usados para “compensar” impulsos amorosos não realizados. Padrões negativos de Júpiter-Netuno envolvendo a 5ª Casa podem ser muito ruins, uma vez que Netuno é a essência do mecanismo de escape, de modo que se os desejos de prazeres e “alegrias” são excessivos, o apetite exausto pode se converter em sombrias compensações nas drogas e no excesso de bebidas. Este padrão exerce uma influência de perversão nas experiências do prazer – o artifício, a luxúria e a sensação mórbida podem substituir as coisas que são verdadeiramente sadias e “recreativas”. Uma vibração aflitiva de Júpiter expressando-se por meio da 5ª Casa não pode fazer nada melhor que fixar, se possível, respostas às atividades do prazer que conduzem à melhora da saúde por vias naturais. O ar livre, as caminhadas, a natação, a jardinagem, etc., poderiam ser exercitados, pelo menos parcialmente, com bons resultados.
Júpiter na 3ª Casa: Essa é uma expressão mental de Júpiter. O estudo se torna um canal para o melhoramento e a educação, uma necessidade. A fluência em se expressar está indicada, mas, se afligido, Júpiter precisa de método e rotina. Os Aspectos benéficos indicam felicidade por meio do relacionamento fraternal, o que por sua vez “alimenta” as possibilidades de êxito no relacionamento na maturidade. E, geralmente, isso indica capacidade de abundantes recursos mentais com uma Mente fértil em ideias e capaz de reter muito conhecimento. As possibilidades para expressão em público são vistas como incentivos para o estudo e o desenvolvimento intelectual.
Júpiter na 9ª Casa: Ou em Sagitário, ou com um Astro “disponente” com ele nesta Casa enfatiza a “capacidade de aspiração espiritual”. Os padrões profissionais se referem mais especificamente à lei, à igreja e ao ensino. O próprio Júpiter mostra como expressamos nossas convicções religiosas, sendo que o Astro Regente da 9ª Casa indica os nossos sentimentos básicos e nossas atitudes a respeito da religião em geral. Uma 9ª Casa vazia, desocupada, com Júpiter sem Aspectos e o Regente desta Casa insignificante, por esfera de ação – mostra que a pessoa ainda não está sintonizada com o lado de “compreensão” da vida. Ela ainda está envolvida com as “coisas como coisas”. Na medida em que Júpiter e a 9ª Casa disponham de “esfera de ação”, os padrões mostram até que ponto a pessoa já destilou a compreensão a partir dos seus padrões de experiência, e até que ponto ela busca uma maior compreensão. A mentalidade de Júpiter é a Mente que antes de tudo se interessa mais por princípios do que pelo árido conhecimento concreto. Ela vê as cerimônias e acessórios da igreja como símbolos de verdades internas e se interessa em descobrir a origem desses símbolos externos. A pessoa com uma 9ª Casa fortificada “buscará até encontrar” o conceito religioso que satisfaça mais plenamente suas necessidades, e quando o encontrar, ela o reconhece quase imediatamente.
Quando estudamos um horóscopo do ponto de vista psicológico, é importante obter uma “imagem” da habilidade da pessoa para pensar em termos de princípios – porque toda a psicologia corretiva se baseia na harmonização com os princípios do pensamento e da ação. Se a 9ª Casa é pouca desenvolvida devemos falar à pessoa em termos que ela possa entender – devemos usar “termos terrenos”. Deste modo, o astro-analista realiza seu propósito como uma expressão das faculdades da 9ª Casa – como um pai espiritual ele, por sua compreensão, guia “suas crianças” mediante conselhos construtivos dados de maneira simples, e sempre com a finalidade de “elevar” e encorajar. O astrólogo se liga, espiritualmente, a todas as pessoas que procura de algum modo, melhorar as vidas dos outros. Sugiro ao leitor praticar a síntese do Princípio de Melhoramento em relação às outras Casas.
Esse material é oferecido a todos os Estudantes de astrologia na esperança de que sirva para esclarecer os propósitos da significância mundana das vibrações de Saturno. É de vital importância que todos os astrólogos sejam capazes de apresentar àqueles a quem ajudam um retrato construtivo do porquê e para que este Astro é como é em qualquer horóscopo.
Obstrução, cristalização, desapontamento, pobreza, frustração e coisas semelhantes são os únicos termos pelos quais alguns Estudantes identificam a vibração de Saturno. Permitam-nos perguntar: “Como, em nome de tudo que seja iluminado, podem tais termos serem usados para acalmar os nervos agitados de uma pessoa apreensiva?”. Se o padrão astrológico vai ser estudado para solucionar problemas, cada vibração astral deve ser abordada sob o ponto de vista de sua significação no Espectro Solar e de sua importância na evolução do Ego. Na medida em que possamos entender filosoficamente por que certo Astro está como está no horóscopo sob consideração, estaremos mental e psicologicamente muito melhor capacitados para lidar com os problemas e as condições representados.
Saturno é o símbolo do plano físico, por meio do qual todas as atividades da Mente, da emoção e do Espírito se manifestam com propósitos evolutivos. É a vibração da objetivação e manifestação. Sua posição no horóscopo mostra onde a expressão do Espírito está mais fortemente condensada; mostra o ponto de maior responsabilidade; a área em que não cumpriu no passado, portanto a área de maior esforço espiritual nesta encarnação (A última frase explica a exaltação de Marte – energia – em Capricórnio, Signo da regência de Saturno; Vênus, como beleza, é o princípio da Manifestação Aperfeiçoada e Saturno está exaltado em Libra, Signo da regência de Vênus). Saturno, o posto avançado das vibrações mundanas, estabelece os limites para cada experiência e para cada ciclo de experiência. Por conseguinte, a grande ordem de Saturno é “tu deves cumprir!”.
Medo é uma das palavras frequentemente usadas para indicar uma das principais qualidades de Saturno em relação a sua expressão adversa. O medo é nossa reação a qualquer ameaça à nossa sensação de segurança ou bem-estar. Aquilo que não está cumprido espiritualmente representa insegurança nos planos internos. Por isso Saturno, afligindo, indica aquilo que o Ego, ou Eu Superior, reconhece como sendo o mais incompleto ou o que mais falta para cumprir a sua expressão.
Ajudar uma pessoa a abordar suas expressões sem medo é um dos principais propósitos e deveres do astro-analista. Quando os Aspectos de Saturno são interpretados como representando necessidades de cumprimento, pode-se apelar para o senso de integridade, auto respeito, fortaleza, coragem e competência da pessoa. Ajude-o a se sentir capaz de controlar suas situações de maneira que sua atitude seja construtiva. Estude horóscopo dele cuidadosamente para que você possa descobrir os meios anímicos pelos quais os necessários cumprimentos possam ser levados a efeito com o maior êxito. Um Marte com Aspectos benéficos indica coragem e habilidade para o trabalho árduo; uma Lua bem Aspectada fornece impulso protetor; Júpiter bem Aspectado denota benevolência e abundância; Netuno bem Aspectado representa fé e inspiração, etc. Também, o ponto de vista abrangente é particularmente aplicável para mostrar soluções aos problemas de Saturno. Paciência é uma das chaves para um “Saturno bom” e a paciência, como uma qualidade, é necessária para se cumprir os Aspectos de Saturno – sejam quais forem as naturezas deles. Quando uma pessoa usa as virtudes de Saturno, ela resolve o problema em suas raízes. Na medida em que Saturno venha a representar, na Mente da pessoa, certas qualidades construtivas internas deixarão de ser confundidas com um fardo ou com uma frustração.
Saturno nunca indica uma negação total de cada fase de sua posição, conforme alguns Estudantes estão inclinados a pensar. Sua posição em qualquer Casa mostra, conclusivamente, que o cumprimento, portanto a experiência em alguma forma, é de suma importância. Existem tantas vias de experiência em cada Casa quanto são os significados da Casa. Se Saturno implicasse em alguma forma de negação, isso indicaria, automaticamente, que o cumprimento dessa Casa deveria ser levado a efeito de outro modo.
Pensar que Saturno frustra a expressão da Casa que ele ocupa ou rege é interpretar de maneira errada o propósito de sua vibração. Ele indica que o não cumprimento deve ser superado pela experiência. O efeito frustrante de Saturno é indicado pelas Conjunções, Quadraturas e Oposições que ele forma com outros Astros. É o outro Astro que deve contribuir para o trabalho de Saturno. A pessoa, nessa encarnação, é compelida, por suas necessidades espirituais, a dirigir as energias do outro Astro, desde a expressão em sua própria Casa, até a Casa ocupada por Saturno. Por isso Saturno tem sido chamado de “o castigo do destino”, “a mão pesada do destino maduro”, etc. Existindo muitos tipos de padrões de Saturno, o efeito “castigo” é mostrado em graus variáveis por diferentes tipos de Aspectos. É importante estudar o horóscopo cuidadosamente sob este ponto de vista para se compreender até que ponto a pessoa está, espiritual e psicologicamente, “presa à Terra”.
Primeiro: a maior de todas as prisões à Terra é a Conjunção de Saturno com um dos Astros dinâmicos (Marte, Sol, Júpiter e Urano) e sem nenhum auxílio de Sextis ou Trígonos. Nesse caso, um Astro que está de fora em expressão é forçado a abandonar a Casa de sua regência e se expressar em termos das exigências de Saturno, para cumprimento das condições de sua posição e regência da Casa. Desse modo o Astro dinâmico é aprisionado, é “escravizado à Terra”.
Segundo: um Astro dinâmico (Marte, Sol, Júpiter e Urano) em Quadratura ou Oposição à Saturno, sem Aspectos de auxílio; esse tipo de frustração permite muito mais margem para o Astro afligido se expressar do que no primeiro caso, porque tem seguramente, por influência da regência e ocupação da Casa, “espaço para respirar”. Em virtude de nenhum outro contato astral estar “regozijado” pelo Astro dinâmico, sua expressão tem que ser feita em termos das qualidades construtivas de Saturno, para que suas próprias expressões adversas sejam evitadas. Essa mistura de vibrações fornece, então, ao Astro um campo para se expressar em sua própria Casa e na sua Casa de regência, que se por outro lado desocupada, também é ativada. Os requisitos da Casa que Saturno ocupa são cumpridos muito mais satisfatoriamente e construtivamente, à medida que as qualidades construtivas do Astro dinâmico são “despejadas” na Casa de Saturno. Nos planos internos este processo corresponde ao desvio da água de seu fluxo original ou natural para os canais de irrigação. As energias dinâmicas do Astro são como águas vivificantes para Saturno-Terra. Até que esse processo não seja feito conscientemente, por transmutação positiva, a pessoa será obrigada a fazê-lo – inconscientemente – por suas necessidades espirituais, e o resultado será o sofrimento, a que chamamos de frustração. Nos planos internos, Saturno tem a primeira – e a última – palavra. O progresso, em sentido mais amplo, não pode ser alcançado enquanto não forem cumpridas as necessidades de Saturno e não forem aperfeiçoadas suas expressões.
Terceiro: um Astro dinâmico (Marte, Sol, Júpiter e Urano) com um Sextil e em Quadratura com Saturno, e esse sem nenhum outro Aspecto; nesse caso o Astro dinâmico tem ajuda alquímica do Astro com que forma o Sextil; mas Saturno, não tendo outras expressões, atua como um vampiro, se sustentando do “sangue vital” do Astro dinâmico. Em virtude de ser o Sextil um Aspecto suavizante, e não um Trígono, este Aspecto parece indicar uma condição crônica ou prolongada. Se esse Aspecto não for trabalhado pela pessoa, é fácil perceber a possibilidade de que na próxima encarnação Saturno afligirá, também, o Astro que forma o Sextil, bem como ao que ele aflige agora – um fardo pesado!
Quarto: um Astro dinâmico (Marte, Sol, Júpiter e Urano) em Quadratura com Saturno e em Trígono com outro Astro; isso repete, até certo ponto, o terceiro exemplo com a vantagem de que o Trígono promete muito mais a favor do Astro em Quadratura com Saturno. Este exemplo também pode indicar uma condição prolongada, mas o Astro dinâmico terá muito mais capacidade de auto expressão e fatores compensatórios para que a Quadratura de Saturno possa ser utilizada para maior felicidade e bem-estar. A pessoa ou pessoas representadas por Saturno serão os meios de restrição e responsabilidade, mas as pessoas que vibram conjuntamente com o aspecto Trígono serão aquelas que compensarão as deficiências induzidas pelos cumprimentos de Saturno. Em cada um desses padrões de Saturno, o desenvolvimento das qualidades positivas deste Astro é o objetivo dos Aspectos.
Quinto: Saturno em Conjunção ou afligindo um dos Astros negativos (Lua, Vênus, Netuno ou o neutro Mercúrio); Saturno, como a Terra, é em si mesmo negativo ou feminino. Contudo, sendo gravitacional, sua função implica ação ou processo (Capricórnio, o Signo de sua regência, é Cardeal, sendo-o igualmente Libra, seu Signo de Exaltação). Nesse tipo de aflição de Saturno, o outro Astro – particularmente Mercúrio, Vênus ou Netuno – precisa do estímulo dinâmico de outro Astro para energizar sua expressão, caso contrário o resultado pode ser uma séria cristalização. Até mesmo um Sextil ao Astro afligido deve ser considerado valioso nesse caso, pois indica um arranco, uma possibilidade de alcance para o Astro afligido.
Saturno nos fornece a mais clara imagem de nossa identidade com a experiência no plano físico, portanto, serve como medida de nosso progresso, no ciclo particular de manifestação em que nós estamos agora. Consideremos exemplos de Saturno como indicador de desenvolvimento cíclico.
Saturno sem Aspectos: o começo de um novo ciclo de experiência terrena; há pouco “lastro” na natureza, a menos que Capricórnio esteja ascendendo ou Saturno esteja na primeira Casa; a esfera de expressão é indicada pelos Astros em Capricórnio ou pelos Astros na Casa regida por Saturno. Se o horóscopo mostra estas últimas condições, a promessa de um Saturno com Aspectos benéficos, em futuras encarnações, é indicada se a Casa que Saturno ocupa e a influência de um Astro disponente forem expressas em termos de qualidades positivas e virtudes saturninas.
Saturno com um semi-Sextil[5]: um começo no caminho estreito; contato foi feito com o horóscopo por meio da expressão direta com um Astro; nascimento de um meio alquímico por meio do Astro aspectado.
Saturno com um Sextil: um membro de boa reputação da família dos Astros; um canal eficaz para transmutação; um meio de restrição se o Astro aspectado é dinâmico e não está aflito; promessa de futuro Trígono.
Saturno com uma Quadratura: já tratado, parcialmente, na primeira parte deste capítulo; um vampiro, sugando energia do Astro aspectado; necessidade de expressar qualidades construtivas duplas por meio da Casa que ocupa; esta condição de Saturno pode indicar uma bênção disfarçada, embora sentida como frustração, se o horóscopo contém muitas aflições em Casas com Signos Cardinais e/ou Fixos – caso em que as exigências de cumprimento de Saturno servem para focalizar e apontar energias que, de outro lado, seriam desordenadas e incoerentes. A pessoa que possui este tipo de configuração pode redimir o Aspecto e a si própria, se amorosa, voluntariamente e corajosamente aceita as oportunidades para trabalhar e viver com seu Saturno, mas, não em conflito com ele.
Saturno com um Trígono: o Astro aspectado vem sendo produtivo e harmoniosamente integrado à Terra; por meio da casa de Saturno a sabedoria vem sendo desenvolvida e o conhecimento pode ser beneficamente expresso a outros; pessoas mais idosas e mais maduras beneficiam ao nativo por meio da casa que Saturno ocupa – elas servem para estimular aquilo que ele já construiu em seu padrão; um neutralizador confiável para as tendências de escapar; um Trígono de Saturno com qualquer outro Astro é um ponto de maturidade para o próprio Astro; neste caso, Saturno é o mais eficiente antagonista das Quadraturas e Oposições do Astro assim aspectado; um Trígono de Saturno significa florescimento das virtudes saturninas.
Saturno com uma Oposição: um Aspecto de fricção que lança as energias do Astro aspectado ao lado oposto do horóscopo; uma polarização por meio da responsabilidade e necessidades de cumprimento; um “intercâmbio de fluxo” é indicado por este padrão – cada Astro precisa das virtudes do outro, isso para cumprimentos mútuos e para o estabelecimento de equilíbrio nos planos internos.
Saturno aflito com vários Aspectos: um desenvolvimento variado das qualidades Saturninas, representando diferentes estágios de crescimento que vem prosseguindo por longo tempo. A pessoa com este padrão está bem adiantada no ciclo, vem aprendendo muito e muito tem ainda a aprender; a integração com a Terra é feita em muitos graus diferentes, e muitos tipos de “experiências de Saturno” são indicadas para esta encarnação; as qualidades dos Astros que recebem os Trígonos e Sextis de Saturno podem ser utilizadas alquimicamente para harmonizar os Astros afligidos. A pessoa assim representada é, em relação a este ciclo, uma “alma idosa” – faça uma cuidadosa análise e considere seus Trígonos a fim de determinar sua habilidade para transmutar as Quadraturas.
Saturno sem Aspectos adversos: Saturno identificado com outros Astros por meio de Sextis e Trígonos indica grande desenvolvimento e poder da alma. Serve como um neutralizador do mal, superado em esfera de ação somente pelo Sol em Trígono com a Lua; é uma panaceia para qualquer Aspecto de fricção no horóscopo, e as virtudes Saturninas podem ser usadas como auxílios em qualquer problema psicológico indicado por outros Astros; se cadente em um horóscopo que contenha muitos Aspectos de fricção em Signos e Casas Cardinais, seu poder pode permanecer latente durante os primeiros anos de vida, mas, como promete muito de valor à vida da pessoa, cedo ou tarde ele será ativado para expressão plena; o Sol ou Marte progredido e em Quadratura ou Oposição a Saturno natal, sem Aspectos adversos, pode indicar o período de ativação – as energias dinâmicas do impulso astral podem despertar Saturno para suas objetivações. Uma pessoa com Saturno desse modo não deve ignorar qualquer responsabilidade que lhe apareça – ela tem o poder de cumpri-la, e deve utilizar essa força para dirigir e dar margem às suas outras condições astrais. O nativo com Saturno sem Aspectos adversos é abençoado com a ajuda das autoridades e daqueles que estão adiantados nos caminhos particulares de expressão de vida dele. Eles são verdadeiramente seus “irmãos em Espírito”, uma vez que ambos têm destilado Sabedoria de suas respostas à ordem de Saturno: “Tu deves cumprir”!
Como nota-chave a essa argumentação sobre Urano, nós oferecemos a seguinte definição de libertação espiritual: aqueles pontos na evolução quando o Ego, tendo cumprido completa e perfeitamente as exigências de Saturno – relacionamentos, responsabilidades, trabalhos, aproveitamentos – começa, automaticamente, a funcionar em fases de experiências cada vez mais impessoais.
A vibração de Urano provê este processo de “progresso após cumprimento”. Ele é o desintegrador das formas, o antídoto para a cristalização, o abridor de portas. Em virtude das funções intensamente dinâmicas que ele representa no plano emocional, Urano simboliza o alquimista, o mágico e o artista criativo. Representa o astrólogo, cuja sabedoria impessoal é o resultado destilado dos processos alquímicos efetuados durante o curso de amplas e variadas experiências no amor e no relacionamento.
De todos os termos abstratos, a palavra “transcendente” é a que descreve mais concisamente a natureza de Urano. Ele transcende a consanguinidade, porque ele é, em si mesmo, a fusão dos fogos da polaridade que cria o relacionamento na experiência humana (o final da tríade emocional). Ele transcende a materialidade porque seu reino é o da Alma – o “Interno” – e, assim sendo, está além e acima das ilusões da realidade que tantas vezes são atribuídas às fases materiais da vida. Ele transcende a possessividade das coisas e das pessoas, em qualquer forma, pois sua vibração possibilita o tipo de consciência que reconhece o poder da alma como a única posse verdadeira. O florescimento de sua vibração representa a transcendência do medo porque o Amor-Sabedoria, resultado da experiência, elimina o medo.
Paralelamente à síntese das posições por: Signo, Casa, regência de Casa e Aspectos de Urano em determinado horóscopo, existe outro estudo – e muito importante – de sua vibração a ser feito: em relação ou contraste às influências e poderes de Saturno. Os dois Astros, por natureza e propósitos, são opostos. Saturno, afligido, cristaliza, condensa, limita e frustra as possibilidades dos outros Astros. A posição de Saturno indica o caminho para a inércia. Urano, entretanto, proporciona libertação, como o progresso lógico e natural que se segue aos cumprimentos, mas quando existe ameaça de estagnação, ele força a abertura de caminhos que se congestionaram, e seu poder de eletrificar cria uma carga de vida renovadora. É pelo seu efeito aflitivo sobre outros Astros que ele parece atuar como um “demolidor”, um destruidor violento, um desagregador e desorganizador. A pessoa que não se alinha ou não quer se alinhar, com as medidas progressistas de vida, pelas leis do progresso evolutivo, deve ser forçada a tal.
Com esse pensamento em mente, o astro-analista perceberá que Urano não aflige qualquer Astro em um horóscopo, a menos que haja uma tendência de destino maduro para cristalização a ser neutralizada. Urano não nos “sacode”, a menos que precisemos ser sacudidos e livrar de nossa inclinação para “se apegar à forma”, em alguma parte de nossa experiência. Por conseguinte, para interpretar a função de Urano e obter um quadro completo de seu significado num horóscopo, devemos comparar seus padrões com os padrões de Saturno.
O exemplo perfeito desse conflito é visto no Aspecto de Quadratura entre Urano e Saturno, padrão que simboliza o velho contra o novo, a escravidão contra a transcendência, o medo contra a libertação, o instinto de segurança contra a ânsia de aventura, a crença e a raça contra universalidade, a tribo contra o indivíduo, a ortodoxia contra a realização.
O que se segue são alguns “indicadores” – sugestões para se ler esse Aspecto em diferentes combinações:
As pessoas representadas por Saturno no horóscopo uraniano parecerão, para ele, ser “restritores de seu estilo”, “pedras amarradas ao seu pescoço” e, de modo geral, fardos e crucificações. E assim continuarão a parecer até que ele perceba que elas servem para dar forma aos seus impulsos dinâmicos, para mantê-lo unido à corrente de vida construtiva, para imprimir propósito e direção às suas habilidades.
(Incidentalmente, a Crucificação e Ressurreição de Cristo Jesus simbolizam perfeitamente esse “conflito” de Saturno e Urano. Saturno simboliza a cristalização do medo e a ignorância estabelecida pelo “mundo” que buscou matar o Mestre e destruir Sua influência; Urano simboliza o Propósito Divino de liberação, que deverá, inevitavelmente, libertar a consciência do ser humano de conceitos estagnantes e da ignorância servil).
Urano é elétrico, magnético e o mais dinâmico de todos os Astros. Por essa razão suas “condições” jamais devem ser interpretadas como superficialidades. Sua Conjunção com qualquer Astro intensifica a qualidade de experiência representada pelo Astro, sendo que uma qualidade de “extremismo” é indicada nessa parte da vida.
A posição de Urano no horóscopo mostra a fonte do gênio em potencial; os Aspectos benéficos, as oportunidades para desenvolver essa potencialidade e culminação desses desenvolvimentos. Os Aspectos adversos indicam, basicamente, a necessidade de controle e direção, pois Urano, por natureza, é todo “saliente”, de modo que seus impulsos, se não controlados, podem resultar em desperdício em todos os planos.
Interprete as condições de Urano sob um ponto vista de “grandeza”. Os sofrimentos que ele impinge são agonias de alma; suas punições são catastróficas; seus amores nada têm a ver com as cerimônias e regulamentos feitos pelo ser humano. São vulcões do coração, cuja força pode romper qualquer padrão emocional estabelecido e lançar os amantes em um universo inteiramente novo. Urano representa a fusão intensa da polaridade emocional a que chamamos “poder criador”, e sob estímulo de sua eletrificação novas formas de arte, filosofia, áreas de pesquisa, etc., são projetadas nos assuntos humanos. Continentes são descobertos, conceitos de tempo e espaço são revisados e elaborados, e o ser humano, uma unidade dinâmica em si mesmo, descobre mundos cada vez mais novos em seu interior.
Urano significa nossa resposta àquilo que é novo para nós. Ele é “o caminho que trilhamos para a porta aberta”, nossa habilidade de ver mais longe, mais fundo, mais alto, mais baixo – e de aceitar qualquer forma de mudança (novidade) que surja em nossas vidas. Aquilo que há dez anos eram chamados radicais, extremos, “algo novo”, hoje em dia tem sido despejado no molde da experiência, tornando-se corriqueiro. Realmente novo é aquilo que reconhecemos como uma dilatação de áreas da consciência antes nunca penetradas.
Uma vez que liberação (progresso) é um princípio de vida, e não diz respeito a sexo, Urano se mostra nos horóscopos, tanto de homens quanto de mulheres, como ânsia por liberdade. Sua posição mostra em qual departamento de experiência a pessoa deve ter “amplo campo de ação”; onde a “auto expressão sem limites” é almejada e obtida. Mostra também, desde que é gênio em potencial, como a pessoa procura ajudar aos outros que buscam liberação.
De acordo com o que dissemos acima, os Trígonos com Urano podem indicar canais de precocidade nas crianças. É evidente que muitas crianças, em seus primeiros anos de vida, estão simplesmente cientes de algum conhecimento ou talento que no passado foi desenvolvido até nível muito elevado. Esses jovens nem mesmo têm que esperar a maturidade física ou cronológica – eles simplesmente desprezam a idade e dão vazão a essas surpreendentes habilidades, enquanto ainda usam calças curtas e tranças! Os Trígonos a Urano, sem levar em conta a condição evolutiva da pessoa, indicam que ela está adiante do seu tempo, lugar e da sua experiência.
As Quadraturas e Oposições de outros Astros a Urano mostram até que ponto suas energias precisam ser controladas e dirigidas. Inversamente, as Quadraturas e Oposições de Urano a outros Astros mostram como sua vibração pode descentralizar aos outros Astros, fazendo-os se expressarem de maneira confusa e caótica. Sempre que Urano e Sol, Marte ou Júpiter (os Astros dinâmicos) estiverem em relação discordante, examine cuidadosamente o horóscopo a fim de determinar até que ponto Saturno exerce uma influência controladora no mesmo. Saturno, neste caso, pode formar os padrões de cumprimento nos quais as energias dinâmicas devem ser despejadas.
O Estudante de astrologia ou o astro-analista sintoniza a vibração de Urano todas as vezes que – ele ou ela – estuda um horóscopo. Esse estudo deve ser usado, e a vibração uraniana dirigida, com o propósito de ajudar alguém a entender seus padrões de vida mais clara e impessoalmente. Desse modo a astrologia é usada como um canal de liberação e, como tal, se mantém como uma das mais elevadas expressões dessa vibração poderosa e espiritual.
SEJA FEITA A TUA VONTADE: é por essa frase, ou uma de suas muitas equivalentes, é que o ser humano reconhece ser um instrumento nas mãos das Forças Universais, sejam estas Brancas ou Negras. Numa atitude de adoração ou consagração, ele abdica de sua vontade própria para servir ao seu conceito dos propósitos daquelas Forças. Assim também aqueles que estão qualificados para atuar como agentes de liberação de Poder são levados a fazê-lo por impulsos irresistíveis, embora possam não estar conscientes de sua instrumentalidade.
Um bom exemplo do primeiro grupo é Joana D´Arc, a guerreira-santa da França. Mediante a devoção às suas “vozes” ela se tornou um instrumento nas mãos dos agentes espirituais interessados no desenvolvimento da nação francesa. Um exemplo extraordinário de instrumentação consciente foi Isadora Duncan, a bailarina americana; sua inspirada sensibilidade tornou possível a liberação dinâmica do conceito da arte da Dança nos tempos modernos. Entre as muitas pessoas que nos últimos anos demonstraram instrumentação, podemos considerar Bernadette Soubirous[9], a camponesa francesa cuja mediação tornou possível o estabelecimento da gruta de cura em Lourdes; Max Heindel; o falecido Padre Flanagan[10] e a Madre Cabrini[11] foram “instrumentos” para o estabelecimento de instituições de ensino, regeneração humana e cura.
Bons exemplos do segundo grupo são os filantropos que atuam ao longo das linhas mais seculares do governo, da ciência, da economia, etc. Entre tais podemos mencionar: Woodrow Wilson[12], Thomas Edison[13], Henry Ford[14] e Albert Schweitzer[15].
O símbolo exotérico de Netuno é o “tridente” ou lança aforquilhada do deus dos mares. Esotericamente, contudo, o símbolo representa o cálice de pé, na posição de receber o influxo das energias inspiradoras ou astrais.
Além disso, diz-se que Netuno realmente não é um membro de nosso Sistema Solar, mas que funciona como um “transmissor de energias galácticas” para o nosso Sistema. Nessa função de transmissão galáctica, Netuno se equipara, em funções, numa escala vasta e transcendente, à nossa Lua que “atua localmente” entre a Terra e o Sol.
Combinando os fatores acima, nós vemos que Netuno é uma vibração feminina, impressionável, sensitiva, reflexiva, fluídica e receptiva. Como a Lua é “mãe”, no sentido pessoal, com referência a relacionamento, lar e país, assim também Netuno é “mãe”, no sentido universal. A “Mãe Igreja”, que a todos aceita, perdoa e redime, é Netuno; o oceano abrigando, em suas profundezas, milhões de formas em evolução, é Netuno; a virtude da compaixão, que é compreensão pelo amor, não reconhece barreiras à sua expressão – alcança tudo porque tem experimentado tudo – sua universalidade é uma representação perfeita de Netuno. A magia da Arte é Netuno; sintonizando-se com essa vibração transcendente o Ser Humano dá expressão aos impulsos mais elevados de sua consciência por meio da poesia, do drama, da dança, da música, da pintura e da escultura. Por tais meios, o Ser Humano, desde seu começo, tem almejado dar “corpo” aos seus ideais mediante a direção da técnica pela Vontade, incendiado pela inspiração. “Religião” e “Arte” são duas maneiras de dizer: “Expressão do Ser Humano reconhecendo a Divindade”. Por meio dessas duas formas de expressão o Ser Humano prova a si mesmo ser “um instrumento nas Mãos Divinas”. Mediante o exercício das potencialidades de seu Netuno, ele se manifesta como um microcósmico “transmissor de forças superdimensionais” em suas habilidades como artista, curador, mestre e filantropo.
Enquanto Vênus representa a faculdade do Ser Humano de “responder à beleza” por meio de suas sensibilidades e culturas, Netuno representa a faculdade do Ser Humano de “inventar a Beleza” ou “exprimir a Beleza” por meio do exercício de seus talentos e habilidades artísticas; ele usa seus materiais como instrumentos para manifestar seus conceitos, mas por sua vez, ao responder à inspiração, ele é um instrumento por meio do qual as grandes Inteligências falam à humanidade. As duas artes que mais especificamente representam a “instrumentação” de Netuno são a Música e o Drama.
Netuno é o Astro transcendente da triplicidade mental – Mercúrio e Lua são os outros dois. Uma vez que a linguagem ou “a palavra” do plano interno é o tom (vibração rítmica do som), o músico nos “fala em melodia e harmonia tonal”. O músico interpretador atua como um instrumento para manifestar os conceitos do músico criador, o qual, por sua vez, atua como um instrumento para as vozes do plano interno. O improvisador exercitado, por sua reação sensitiva à inspiração musical e pela obediência com que seu equipamento físico responde a essa inspiração, é um canal imediato e direto para a expressão artística. No exercício de seu talento, seu corpo, seu instrumento musical, sua inteligência e sensibilidade musicais, tudo se funde em um instrumento composto através do qual nos falam as vozes do plano interno.
O ator, a partir do conhecimento interno que possui da natureza e experiência humanas, que acumulou em muitas encarnações de intensa experiência emocional, simboliza em cada caracterização certo padrão vibratório ou nível do Corpo-Alma da humanidade. Através de sua inspiração ele transmite o conceito do teatrólogo sobre a natureza humana e assume temporariamente a realidade de certo tipo de pessoa. As melhores atuações requerem, naturalmente, técnicas de observar o tempo, de leitura e de movimentação, mas a qualidade de grandeza espiritual que leva um auditório ao arrebatamento e exaltação é aquela derivada da transmissão do ator de sua própria memória interna (a supra consciente) da experiência. Ele “externa” uma faceta da memória interna de cada pessoa tocada pelo seu desempenho.
O Drama da Vida é refletido, microcosmicamente, pelo drama do teatro. Problemas humanos, relacionamentos, alegrias, amores, sofrimentos, derrotas e triunfos, tudo isso é refletido pela projeção do dramaturgo e pela interpretação instrumental do ator. Quando, como indivíduos, escolhemos fazer de nós mesmos “instrumentos do Divino” desempenhamos um papel em nosso próprio Estágio de Vida que é nobilitante, inspirador, belo e triunfante.
A “instrumentação” é uma liberação focalizada de poder. Quando usadas por pessoas centradas nas mais altas dimensões de consciência, torna-se possível um grande serviço de beleza, cura e realinhamento em todas as fases da vida – humana e subumana. Contudo, o poder não respeita pessoas ou coisas; ele apenas atua conforme é dirigido. Consequentemente, quando liberado por meio de uma consciência não regenerada ou não espiritualizada, a instrumentação se torna um processo pelo qual podem ser expostos negativos indescritíveis. O egotismo, que é auto centralizado e autoglorificação, faz da instrumentação uma coisa má porque por meio dele o Poder é desencadeado para a realização de objetivos limitadores e destrutivos. Relativamente a isto, os efeitos vibratórios de Netuno devem ser compreendidos no estudo de horóscopos de criminosos, delinquentes e psicopatas. Essas pessoas doentes são desorganizadas, as intensidades de seus desejos predominam sobre sua Vontade e/ou inteligência, com a intensidade de Propósito unida à perversão da Idealidade, e todas essas condições de desajuste tendem a desenvolver suscetibilidade às forças astrais destrutivas. Colocar tais impulsos em ação é “instrumentação negra”. A pessoa cuja sexualidade intensa, mas desorientada, a leva a cometer assassinatos e atos de crueldade como uma “válvula de escape”; isto é um instrumento de Magia Negra; o fanático religioso, que em nome do seu meigo e amoroso Mestre, abusa, aprisiona, tortura e escraviza seus semelhantes “para a glória de Deus e de sua Igreja” pode ser perfeitamente sincero em seus motivos, mas com esse tratamento aos outros ele próprio demonstra estar em baixa frequência vibratória.
Neste ponto a Inquisição Espanhola pode ser estudada brevemente, já que a organização foi um “instrumento” da “Mãe Igreja”. Havia, sem dúvida, muitos membros da Inquisição que, fervorosa e sinceramente, ultrajavam os “heréticos” motivados por esforços idealísticos em expressar “glória a Deus”, conforme a igreja deles interpretava. Atos de heroísmo, autos- sacrifício e lealdade cometidos por eles apontam para uma fé inabalável em seu conceito de retidão espiritual. Os meios usados terão de ser respondidos em encarnações subsequentes, mas não há dúvida de que a devoção sincera a um ideal edifica a Pureza nos planos internos.
A perversão extrema da vibração de Netuno é quando uma falsa idealidade é utilizada deliberadamente para o auto engrandecimento, a autoglorificação e o domínio sobre a Mente e o Corpo de outra pessoa. Isso é ilusão mascarando ilusão, é a corrupção da corrupção, uma mentira mentindo a si mesma.
Quando se inicia a regeneração e os padrões de Netuno do passado estão prontos para redenção, as pessoas são “arrastadas às situações mais impossíveis de controlar”. Elas são influenciadas sutilmente para hábitos que as destroem; pedem pão e recebem pedras; assumem amorosamente uma responsabilidade, e essa se converte em pesadíssimo fardo do qual nunca se libertam nesta vida; buscam iluminação espiritual – conseguem uma espécie de magia negra que as arruína; têm impulsos criadores intensos, mas seus esforços para a auto expressão são frustrados a cada tentativa; são dotadas de extraordinários atrativos físicos, mas nunca encontram a realização do amor que buscam acima de todas as coisas. Em cada um desses casos, a realização do Ideal sempre ilude o sofredor com uma tentação para afundá-lo aos níveis negativos do cinismo, da ira e da fúria desesperada contra a Vida, que ele começa a pensar ser algo que já não pode suportar e da qual deve fugir. Netuno negativo é a “fuga da realidade” por meio da bebida, das drogas, da intolerância, da perversão e do suicídio. A “fuga da realidade” é a tentativa de escapar da pressão da Voz Interna, que é a realidade da pessoa; ela não pode enfrentar seus fracassos passados para viver espiritualmente.
Netuno aflito no horóscopo deve ser estudado como uma indicação de destino maduro de que o Princípio foi pervertido no passado. As pessoas que tentam, de um ou outro modo, escapar dos seus problemas, fazem isso somente porque não estão conscientes do princípio que atua para o seu desenvolvimento. Elas fecharam os olhos no passado para a “consciência do Princípio” ao mascararem, deliberadamente, sua própria verdade. Em tais casos, Netuno atua objetiva ou subjetivamente, de mãos dadas com a Causa e Efeito: nublando as vidas das pessoas com ilusões, porque a Ilusão foi perpetrada.
Uma vez que o Netuno de cada pessoa é ativado de algum modo periodicamente, torna valioso para o astro analista saber algo das experiências e reações da pessoa em tais períodos. Uma pessoa que “vive com seu Netuno”, até certo ponto, se lembrará de momentos de intensa inspiração e exaltação; ele se referirá a uma pessoa altamente desenvolvida e de inclinação espiritual com quem travou conhecimento ou a uma experiência de iluminação artística. As pessoas não muitas bem relacionadas com esse Astro podem relembrar experiências que lhes causaram grandes aflições. Elas punham as coisas fora de lugar e as perdiam; os assuntos materiais lhes pareciam caóticos e confusos; coisas aconteciam e eram ditas, cujas causas não podiam ser determinadas; os relacionamentos tomavam um aspecto bizarro e coisas insuspeitadas eram reveladas. Nos planos mais sutis de estranhas experiências despertaram emoções perturbadoras, podendo ter sentido desejos complexos e êxtases peculiares; a força de vontade e o propósito pareciam se dissolver em sensações insólitas de lassidão e indiferença; ideias semelhantes à do transe e sonhos fantásticos podem ter sido experimentados. As pessoas cujos horóscopos dão acentuada ênfase ao elemento Terra ou à vibração de Saturno podem experimentar, na ativação de seu Netuno, algo realmente amedrontador: a expressão material da vida parece se tornar fluídica e todas as perspectivas aparecem fora de foco. Isso é Netuno recordando-lhes a impermanência do plano físico; pode aparecer como uma aberração temporária, mas é na realidade apenas uma mudança momentânea de consciência para um plano mais sutil.
A qualidade de “hiperpassividade” descreve claramente a “personalidade” de Netuno, e como tal enfatiza de maneira pronunciada as potencialidades receptiva e feminina do horóscopo. O Signo de regência de Netuno, Peixes, é do elemento Água e da cruz mutável[16] – o mais puramente impressionável de todo o Zodíaco.
Como a função de Netuno é “canalização”, devemos estudar cuidadosamente os padrões não regenerados dos Astros que fazem Aspectos com Netuno no horóscopo, mesmo que o próprio Netuno esteja sem aflições. Isso é importante porque, embora o “canal” possa ser eficiente em sua função, devemos entender a qualidade “daquilo que vem através desse canal”. Uma pessoa naturalmente dotada de sensibilidade psíquica ou de um elevado potencial de idealismo e devoção pode, em suas expressões não regeneradas, se abrir para todas as formas de influências perversas ou destrutivas. Assim, inundada por ondas de influxo dos planos astrais ela pode submeter seu Coração, sua Mente e sua consciência a agentes que não são nem meritórios nem proporcionadores de saúde. Netuno, mesmo sem aflição no horóscopo, é um potencial para transmutações por meio do Idealismo – ou seja, mediante o exercício da oração, da devoção ativa a elevados ideais que sejam expressões do Princípio dador de vida, da purificação do organismo inteiro por meio da regeneração da saúde física e da reação ao poder terapêutico da música e da arte em geral.
Netuno é o Regente da décima segunda Casa no horóscopo “natural” ou “cósmico”; suas vibrações transmitem uma ou outra classe de condições da décima segunda Casa para Casa que tenha Peixes na cúspide – ou que seja influenciada principalmente por esse Signo. Os Astros em Peixes – em disponente por Netuno – são “potenciais para o desenvolvimento da Consciência Cósmica por meio da redenção de destino maduro pelo Idealismo”; aspectos fricativos aos Astros em Peixes indicam os necessários “ajustes anímicos”.
A Casa que contém Netuno possui o segredo de como você expressa a consciência cósmica e, particularmente por meio de que padrões de experiência; para que fins você é utilizado pelas forças espirituais ou astrais; a fonte de sua consciência de “céu na terra”; a principal fonte ambiental de sua inspiração; o ponto em que você se sujeita mais facilmente a (seu conceito de) vontade de Deus; sua transcendência da separatividade e sua instrumentação para a verdade.
A décima segunda Casa do horóscopo forma o padrão de experiência essencial da vibração e função de Netuno. Quando consideramos um círculo astrológico em branco, vemos que essa Casa se situa no fim de um ciclo de desenvolvimento; como a Vida é um processo contínuo por encarnações, essa Casa também “tem assento atrás da primeira Casa” (a primeira Casa, naturalmente, é o primeiro fôlego da próxima fase ou ciclo em prosseguimento). Nesse “assento”, a décima segunda Casa pode ser tomada para simbolizar o “fardo de pecado” que o viajante deve carregar por algum tempo enquanto prossegue em sua jornada pelo Caminho. É a redenção desse “pecado” que impele a pessoa a encarnar novamente para um novo ciclo de experiências. A décima segunda Casa é o símbolo astrológico da frase bíblica “pecado original”; cada pessoa traz sua própria memória de pecado – ou não regeneração – de sua encarnação anterior. Em relação ao círculo astrológico como um todo, a décima segunda Casa representa o “resíduo acumulado” de um ciclo de experiências; em relação à primeira Casa. Ela representa a essência daquilo que ainda está para ser regenerado mediante o ajuste da consciência individual à Cósmica – por meio de experiências subsequentes.
Durante qualquer encarnação usamos as vibrações astrais como “ferramentas” para o nosso desenvolvimento. Os Aspectos astrais de fricção representam nossa necessidade de lições no uso de nossas faculdades – eles são a maneira da Vida para “nos alertar” sobre as necessidades de desenvolvimento. A décima segunda Casa indica, essencialmente, o que fomos como personalidades no passado. Ela conta a história de como contemplamos a vida na vez passada e até que ponto nós, subconscientemente, tendemos a viver esta encarnação em termos do que fomos no passado. Essa figura, caso a décima segunda Casa esteja ocupada ou seu Regente esteja “atado” por Aspectos de fricção ou gravitacionais, pode ser tomado como uma chave explicativa para a mania de muita gente tender a viver em “termos de retrocesso”. Essas pessoas atravessam as progressivas fases físicas da infância, adolescência e maturidade como todos fazem, mas as fortes figuras de memória do passado tornam quase impossível para elas se expressarem ou compreenderem suas experiências em termos daquilo que é representado por seus Signos Ascendentes – o presente. Consideremos sob esse ponto de vista, os diferentes tipos de padrões do Ascendente na décima segunda Casa para aplicação aos diferentes horóscopos.
Padrão I: O mesmo Signo na cúspide da décima segunda Casa e do Ascendente; Signo subsequente na cúspide da segunda Casa. Isto é análogo ao Estudante perder um ano de escolaridade. Significa que a pessoa está continuando, nesta encarnação, uma fase de experiência ligada diretamente ao seu ponto de vista no passado; sugere que tal pessoa esteve fora de se encarnar por um tempo relativamente curto – e volta exatamente para o que ela foi; no grau em que o Regente da Carta esteja afligido, o indivíduo se torna seu próprio inimigo secreto – uma vez que esse Astro rege também sua décima segunda Casa; por esse padrão a Vida diz: “Dar-te-ei mais uma oportunidade para fazeres o bem”.
Padrão II: O mesmo que o Padrão I, exceto em que o Signo subsequente fica interceptado na primeira Casa: isto sugere que a pessoa esteve fora de se encarnar por um tempo maior que o normal; ela precisa estabelecer seu vínculo com as condições do passado vivendo parte desta encarnação em termos do passado, e de tal modo que, por meio de experiência objetivas, possa ficar ciente de suas potencialidades para a própria desgraça, e assim reconhecer sua necessidade de regeneração e reorientação; o Signo interceptado na primeira Casa é o companheiro de viagem que vai à frente, mas que espera tranquilamente à beira da estrada para que a pessoa do Ascendente o alcance. Quando as experiências que refletem a consciência da vida passada tenham sido vividas e a pessoa levada a uma aparente parada em seu desenvolvimento, a consciência do Signo interceptado é trazida à sua atenção para alertá-la a prosseguir; o Signo interceptado brada ou exclama: “Olá! Estou alegre por me ter encontrado finalmente; dê-me a mão e vamos embora”. Se um Astro se encontra no Signo interceptado, estude-o cuidadosamente por sua qualidade e Aspecto; como “os Astros são seres”, e esse Astro descreverá o tipo de pessoa que possa refletir as qualidades de prosseguimento da pessoa. Esse padrão promete progresso nesta encarnação – a “atração do passado” pode ser superada; se o Signo interceptado não está ocupado, seu Regente por posição e Aspectos servirá para descrever o “companheiro que espera adiante”.
Padrão III: A décima segunda Casa contém um Signo interceptado: é uma combinação muito complexa de “memórias”; os Astros em ambos os Signos da décima segunda Casa objetivarão as condições passadas; dada a intensidade de seus Aspectos de fricção ou gravitacionais, a pessoa enfrentará suas “flores do mal” por meio de experiências dolorosas – as sementes podem ter sido plantadas mesmo antes da última encarnação. Esse padrão significa “prazo de pagamento vencido há muito tempo”; tem a mesma natureza de uma “ordem de despejo” – não redimida nesta encarnação, a conta terá que ser ajustada em um ciclo de experiências futuras.
Padrão IV: O mesmo Signo nas cúspides da décima primeira e décima segunda Casa: qualquer que seja o “nível da espiral”, este padrão vincula o potencial para autodesgraça secreta com as áreas de consciência não redimida pertencentes aos relacionamentos em geral. A décima primeira Casa, em relação a um ciclo, é o ponto culminante da consciência de relacionamento; chamamo-la de “Casa dos Amigos” porque a amizade é a essência do Amor que foi destilado mediante o cumprimento de toda experiência de relacionamento em determinado ciclo. Os Aspectos não regenerados aos Regentes astrais dessas Casas – ou, caso não estejam afligidos, aos seus “dispositores”[17] astrais – indicarão como a pessoa tende a “se bloquear” na consciência de relacionamento; um estudo cuidadoso dos padrões de relacionamento paternal-maternal e conjugal pode revelar o tipo de experiência que a pessoa mais precisa “exercitar” para poder cumprir seu ciclo pelo Amor. Esse padrão tem também a mesma natureza do “dia de pagamento”, já que a décima primeira Casa é o ponto culminante no ciclo.
Padrão V: Aspecto que aflige ao Regente da décima segunda Casa – nenhuma interceptação: é indicação de porquê, o que, como e através de quem a pessoa expressa seu passado não redimido no prosseguimento desta encarnação; significa “o que faz se lembrar do passado”, e um estímulo forte e crucial do Astro pode “arrastar o indivíduo ao seu subconsciente”, mas a regeneração do padrão através dos elementos construtivos do horóscopo garante um prosseguimento direto.
Padrão VI: Um Astro na décima segunda Casa, mas no Signo Ascendente: esse é o mais puro significador de avanço dentre todos os padrões dessa Casa. Existe um “segredo” sobre a expressão ambiental desse Astro, mas, em virtude de sua posição no Signo Ascendente a pessoa tende, automaticamente, a expressar a vibração em termos da consciência de sua atual personalidade. As forças não regeneradas que atuam sobre ou através desse Astro podem naturalmente serem reorientadas em termos do bem essencial próprio do Astro; outro meio de reorientação é garantido pela qualidade regenerada ou Aspectos do Regente do horóscopo, já que ele está disponente com o Astro da décima segunda Casa e é o foco para a expressão e cumprimento da personalidade nesta encarnação. Os Aspectos adversos do Astro da décima segunda Casa e/ou os padrões dos Aspectos adversos pertinentes à Casa que ele rege indicarão as condições e relacionamentos que a pessoa tende, subconscientemente, a considerar “inimigos”, porque focalizados através de seu Signo Ascendente, eles “desafiam seu avanço”; ela tem que usar as forças vibratórias do seu atual Ascendente para redimir ou transmutar essas condições.
Padrão VII: A primeira Casa desocupada, o Regente do horóscopo na décima segunda Casa e no Signo da décima segunda Casa: os Aspectos adversos que afligem ao Regente nesse padrão representam ajustes de destino maduro a serem feitos através de condições ambientais limitadoras e confinadoras; os Aspectos regenerados mostram os potenciais para florescimento das qualidades da personalidade em trabalhos ou atividades ligadas a doentes, reclusos ou “infortunados de modo geral”; é uma aderência ao passado – a pessoa ainda não está pronta para estabelecer uma expressão de personalidade ou progresso; essa pessoa parece ter nascido “atrás de seus contemporâneos” – não é “moderna” em seus pontos de vista. Certas elaborações desse padrão podem indicar que a pessoa, sendo muito dotada de algum modo, expressa no mundo moderno “algo maravilhoso de uma época passada” – a pessoa vive no mundo do “agora”, mas simboliza o mundo daquele “então”.
Padrão VIII: O Regente da décima segunda Casa no Signo Ascendente, na primeira Casa, ou interceptado na primeira Casa: esse é o “não” da astrologia ao ensino de que as condições ambientais dos primeiros anos são a causa básica das dificuldades posteriores. Por essa posição do Regente da décima segunda Casa as influências ambientais dos primeiros anos são vistas como efeitos do passado não regenerado. A pessoa encarna por meio de certos pais, em certo lugar, e vive sob certas condições na infância porque uma área não regenerada de sua consciência precisa desse tipo de começo para avançar nesta encarnação. As “más recordações” são imediatamente objetivadas no princípio da vida; analisar a Carta aplicando “causa e efeito” dará uma pista sobre a razão íntima da pessoa para encarar sob circunstâncias particulares. Esse padrão significa “segredos trazidos à plena luz do dia” – se a décima segunda Casa não está ocupada, o destino maduro secreto manifesta-se na infância da pessoa pelos efeitos combinados da vida doméstica nos primeiros anos, arredores do lar e companheiros. As influências adversas que parecem “desviar a pessoa” são simplesmente objetivações da superfície de seu subconsciente; esse padrão pode apontar para uma atitude de maldade deliberada no passado, e de tal natureza que a pessoa é “arrastada para” o mesmo tipo de quadro tão cedo nesta encarnação que não chega a ter força ou inteligência para combater a má influência: simplesmente “cai nela”.
Padrão IX (cíclico): Quaisquer de duas Casas adjacentes cobertas pelo mesmo Signo, portanto regidas pelo mesmo Astro: onde quer que esteja colocado no horóscopo, esse padrão efetua o princípio “presente em termos do passado”. Qualquer Signo do Zodíaco pode estar na décima segunda Casa; qualquer Signo pode estar no Ascendente. O padrão cíclico da décima segunda Casa em relação ao Ascendente pode ser descrito como: aquela área de consciência não regenerada que impele para a reencarnação; o padrão cíclico do Ascendente em relação à décima segunda Casa pode ser descrito como: o meio progressivo pelo qual o destino maduro regenerado é redimido pela reencarnação. Como padrão composto de símbolo Cósmico, as frases acima podem ser aplicadas a qualquer parte da Carta que mostre uma ligação do passado com o presente.
A respeito desse padrão IX, podemos dizer que a Casa com o maior grau na cúspide representa o departamento de vida a ser cumprido por essa particular vibração astral nesta encarnação; a Casa com grau menor (a anterior) representa uma experiência ou relacionamento que ainda espera cumprimento ou regeneração. Posto que a terceira, quinta, sétima, nona e décima primeira Casa são as Casas dos padrões de relacionamento progressivo (sendo que, a quarta e décima Casa são a Casa dos pais) podemos determinar – no Padrão IX – o que no passado impeliu ao atual relacionamento ou como o relacionamento estabelecido no passado vai ser cumprido nesta encarnação. Mercúrio, Vênus e Marte normalmente regem dois Signos cada; envolvidos nesse padrão e é claro que esses Astros estendem sua influência a uma terceira Casa que serve para “completar seu quadro”; os outros Astros, regendo normalmente uma Casa, podem reger duas no Padrão IX.
Padrão X (cíclico): Um Astro na Casa que rege, mas no Signo seguinte: vemos nesse padrão a “relação da décima segunda Casa com o Ascendente” expressa em termos da vibração própria do Astro, não por posição na Casa. Se o Astro tem um Aspecto adverso, isso indica que a expressão contínua de sua vibração no Signo da cúspide “prende a pessoa no passado aflito” e causa enfraquecimento da expressão construtiva ou regenerada. A indicação ambiental ou modalidade de expressão é a mesma do passado, mas nesta encarnação busca expressão por meio da vibração astral progressista; é claro que esta última se refere ao Astro que está disponente ao Astro em questão. Potencialmente esse padrão significa muito progresso, posto que a pessoa, desde as experiências passadas, está acostumada a expressar o Astro particularmente nessa Casa. Pode indicar também uma grande possibilidade de que o ambiente dos primeiros anos ou a influência dos pais pode tender a enfatizar a expressão do Signo da cúspide; os pais, nesse caso representariam a “atração do passado”. O padrão exige que a pessoa exercite a expressão de sua própria personalidade e integridade para “abrir seu próprio caminho” nesse departamento de sua vida.
Todos os padrões são variações daquilo que foi dito: “… e Ele tomou a semelhança de um ser humano”; “redenção do mundo” (consciência não regenerada a ser redimida pela experiência da encarnação) pelo Espírito (aqueles níveis de consciência que foram harmonizados com a Verdade). Estudemos nossos horóscopos com a renovada consciência de que cada configuração astral nos mostra – em todas as fases de nossas vidas – por que nascemos e como, pela regeneração, podemos conseguir o “segundo nascimento”, que é a superação do passado.
É interessante notar a correlação de Netuno, Regente de Peixes, com os outros dois Signos da triplicidade de Água. Câncer, Signo Cardeal e regido pela Lua, é a água como geradora de força – rios, correntezas, cachoeiras e chuva; Escorpião, Signo Fixo, é o gelo – comprimido e estático – simbolizando recurso para a força; Peixes, Signo Comum, é a água como meio envolvente – névoa, neblina, miasmas e, acima de tudo, o poderoso oceano que circunda todo o corpo da terra.
Câncer é o corpo maternal que gera sustento para a nova encarnação. Escorpião, regido por Plutão, é o “inconsciente coletivo” – o vasto oceano de forças astrais que envolvem o corpo da humanidade. Peixes é o “Grande Eclipse”, a Vida Divina em que nos movemos e temos o nosso ser. Netuno representa a nossa capacidade de nos fazer “receptivo” ou de “sintonizar” com o reconhecimento das Forças Superiores e de descobrir nossa consciência da divindade da Vida. Através da “faculdade de instrumentação” de Netuno, e dependendo de nosso estado de consciência, nós podemos contatar as fontes de inspiração exaltada ou abrir a porta para o reino de Plutão e palmilhar as cavernas das nossas condições não regeneradas.
Esse “eclipse” de Netuno já foi tratado nas interpretações dos padrões que envolvem a décima segunda Casa – o “eclipse” de nossa encarnação passada que deve, até certo modo, ser redimida na presente encarnação. Contudo, a variação pessoal da influência direta de Netuno pode ser vista no horóscopo na Casa que tem o Signo de Peixes na cúspide – ou esse Signo interceptado – e na Casa ocupada pelo próprio Netuno. A Casa que tenha Peixes na cúspide mostra onde a ilusão e a desilusão estão concentradas; mostra o canal de experiência que indica sua necessidade de desenvolver Fé; se Netuno está afligido, a Casa onde está Peixes indica onde e como, no passado, você traiu sua Fé e agora precisa realinhar-se com o Princípio. A Casa de Peixes pode indicar um padrão de relacionamento de profundo valor espiritual ou um padrão que esteja mascarado e encoberto – sua realidade interna não é reconhecida externamente pelos outros. É bom dar-se conta de que a Casa de Peixes no horóscopo será aquela que você mesmo pode compreender menos – suas realidades são mais “ocultas” que objetivas em qualidade e significado. É a Casa em que você pode se enganar, porque ela mostra como, no passado, você enganou aos outros. Em suas dificuldades extremas a Casa de Peixes pode mostrar-lhe o que, mui provavelmente, o impelirá a buscar ajuda Divina; vendo esse capítulo da vida através de óculos escuros, será levado a pedir orientação a Ele, que vê claramente.
A Casa que contém Netuno é a sua expressão direta de consciência espiritual, o departamento da vida em que poderá ser qualificado para conduzir outros à Fé, o ponto focal do próprio idealismo, da capacidade para estabelecer o Céu na Terra. Através da Casa de Netuno, o Divino diz: “Que sejas a voz para as minhas palavras e as mãos para o meu trabalho”. Mostra onde e como se expressa a compreensão de “Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu”.
Em virtude da afinidade de Netuno com o elemento água e com a quarta, oitava e décima segunda Casas, pode-se compreender que Netuno seja o mais “apropriado” para o posicionamento. Essas virtudes representam o nível emocional e astral de consciência, pelo que, nelas posicionado, a sensibilidade de Netuno é mais definitivamente enfatizada. Os Signos de Peixes e Câncer são considerados os dois “melhores Signos” de Netuno, em virtude de sua qualidade fluídica, emocional. Além disso, consideremos que a Lua e Netuno sejam a “mãe pessoal” e a “mãe universal”, respectivamente; o Signo da Lua corresponde mais a qualidade de Netuno do que qualquer outro, com exceção de Peixes. Portanto, Câncer é considerado o “Signo de exaltação” de Netuno – as qualidades dinâmicas e cardeais do Signo amplificam a mutabilidade sensitiva de Peixes. Netuno nesse Signo se expressa com mais “força” do que em sua própria dignidade.
A marcha lenta de Netuno mostra ser de grande valor do ponto de vista da pesquisa cíclica. Milhões de encarnações ocorrem durante o trânsito de Netuno em qualquer Signo; cada grupo é como uma “onda de vida” em miniatura sintonizada com certas expressões de consciência cósmica. A correlação de Urano com Netuno a esse respeito é de especial valor. Consideremos o seguinte:
Durante os últimos anos do século XVIII ocorreu um evento astral de grande magnitude – a conjunção de Urano com Netuno no Signo de Sagitário. Nasceram novos conceitos, novos ideais, novas visões e foram projetadas novas profecias de uma humanidade liberta no esquema humano evolutivo. Ocorreram revoluções, o velho foi despedaçado por golpes de efeito desintegrador. Essa Conjunção alcançou Capricórnio nos primeiros anos do século XIX. Ensinos de metafísica vieram a público, novos conceitos de arte e moralidade foram promulgados.
Essa ativação por Urano e Netuno teve a natureza de uma “lunação cósmica” – o dinâmico Urano e o espiritualizante Netuno proporcionaram um “novo nascimento” para toda a raça humana. A “Lua Cheia” dessa “lunação” foi a Oposição de Urano em Sagitário-Capricórnio a Netuno em Gêmeos-Câncer durante os primeiros anos do século XX. Uma guerra mundial de significado devastador revelou os níveis de inquietação e de mudanças que haviam estado em “gestação” durante todo o último século. Em outras palavras, Urano havia retornado ao “ponto de lunação” e Netuno, como a Lua Cheia depois da lunação Sol-Lua, havia alcançado o ponto de sua meia-revolução. As pessoas que encarnam durante uma oposição planetária principal fazem-no para uma maior conscientização de certos princípios anímicos; Urano em Oposição a Netuno é conscientização para a família humana inteira – um ponto crítico em nossa evolução.
As pessoas que encarnaram enquanto Netuno estava em Áries foram a geração de pioneiros visionários, especialmente aqueles que tinham Netuno em Áries e Urano em Câncer – almas tumultuosas que se ocuparam em estabelecer um “novo Aspecto” nos assuntos humanos: ensinos de metafísica, direito de voto para mulher, controle da natalidade, e todos os outros meios de libertar a humanidade de conceitos antiquados e cristalizados. Nós, que encarnamos durante a Oposição dos dois gigantes planetários, viemos a um mundo repleto de inquietação e perturbação. Pelo desenvolvimento interno e compreensão, podemos ocupar nosso legítimo lugar no esquema das coisas e oferecer nossa contribuição à Nova Era, ou, por falta de desenvolvimento interno, podemos viver – ou tentar viver – por abordagens que pertencem a uma época passada e assim nos encontrar “em desacordo” com o aspecto mutável das coisas. Estude Netuno nos horóscopos para determinar como as pessoas implicadas podem ser consideradas desta época, não simplesmente estar nesta época. Estude as condições da décima segunda Casa, as condições de Saturno e as aflições a Netuno ou a Netuno-Urano, conseguindo, desse modo, algum tipo de configuração de como a pessoa está – ou não – ciclicamente “à vontade neste século”.
Netuno posicionado na quarta, oitava e décima segunda Casas, respectivamente, transmite certa sensibilidade natural mesmo se estiver sem Aspectos – esse círculo contém a promessa de que algum dia nesta encarnação ocorrerão experiências ocultas, com as quais terão que lidar. Seguem-se naturalmente os Aspectos que afligem a Netuno quando nessas Casas são particularmente agudas.
Netuno sem Aspectos, como qualquer outro Astro sem Aspectos, num dado ciclo é um “viajante iniciando sua jornada”. Se o viajante não é guiado ou instruído apropriadamente, corre o risco de enveredar-se por caminhos errados, dando assim muitas voltas e demorando a alcançar seu destino. Posto que Netuno é a expressão transcendente da “triplicidade mental” (sendo Lua, Mercúrio e Netuno a “triplicidade da transmissão”), o começo de sua nova jornada deve ser preparado por:
(1) disciplina e transmutação de sentimentos subconscientes e “reorientação” dos padrões femininos – simbolizados pela Lua
(2) conhecimentos adquiridos de fatos pertinentes à vida espiritual, como expressão das faculdades intelectuais, simbolizadas por Mercúrio.
Netuno mal dirigido pode resultar em perversão de compreensão, o que pode pôr a pessoa em contato com as forças da magia negra; tais experiências resultam em várias formas de desintegração e perda da “percepção do plano interno”. Isto, por sua vez, produz experiências muito difíceis – em vidas posteriores – pelo fato de que o nativo deve realinhar-se com a Verdade. Estude cuidadosamente a posição nas Casas e a Casa de regência de Netuno sem Aspectos para determinar, tão claramente quanto possível, qual direção deve tomar Netuno para seu desenvolvimento imediato.
Uma vez que a vibração de Netuno é fluídica, feminina e impressionável, estude cuidadosamente o Astro que o “disposita”[18] (Vênus para Touro e Libra; Mercúrio para Gêmeos e Virgem; Lua para Câncer e Sol para Leão) – porque a condição do disponente indicará a essência “do que vem através de Netuno”. Por exemplo, se Netuno está em Câncer – onde é, de qualquer modo, particularmente sensitivo – e a Lua recebe uma vibração que aflige de Marte, a indicação é que o desejo sexual e o potencial para destruição podem ser fortemente estimulados pelas atividades de Netuno nas lunações, nas progressões da Lua etc. Se Netuno está em Touro, e Vênus está sem aspectos adversos, então a pessoa pode ser um ponto focal para uma irradiação amorosa muito espiritual, bem como um instrumento artístico. Sintetize muito cuidadosamente o disponente de Netuno em sua ajuda aos outros; planeje seu “mapa de estrada” de tal maneira que a pessoa possa saber, antecipadamente, quando certas tendências subconscientes serão ativadas e, assim, possa preparar suas defesas internas. Ajude a entender a sutilidade das expressões de Netuno – as pessoas que entram em cena, quando seu Netuno é ativado negativamente, simplesmente objetivam seus próprios níveis subconscientes internos. Tais pessoas podem “tentá-la”, podem experimentar desencaminhá-la para seus próprios propósitos egoístas, ou podem dar-lhe instruções falsas. Portanto, para melhores resultados ela deve “purificar seus pensamentos e reações” e estabelecer consciência do que ela é realmente, porque é, e o que pode vir a ser.
As observações citadas aplicam-se também a Netuno com Sextis, Trígonos e Conjunções benéficas. Esses padrões prometem certa realização espiritual nesta encarnação, mas ainda assim a Lua, Mercúrio e o disponente devem ser estudados. Durante os anos da infância e adolescência muitos negativos subconscientes podem ser intensificados por reação repetida, enquanto a plena expressão de um Trígono a Netuno pode ser que não se realize até mais tarde na vida. Netuno “flutua nas ondas do sentimento e do pensamento” – se as faculdades e capacidades mentais estão indisciplinadas e reações subconscientes não regeneradas têm sido intensificadas, pode prevalecer um estado de consciência que obscureça a plena realização do potencial de Netuno. Para sermos justos com aqueles a quem procuramos ajudar, não podemos tomar por certos os Sextis e Trígonos a Netuno, já que eles são o florescimento de consciência redirecionada.
Netuno, onde quer que esteja posicionado e qualquer que seja o Aspecto que ele forma, exerce decisiva influência nas tendências femininas, ou passivas, do horóscopo. Se existe um “mais” dos elementos Terra e Água e se a Lua e Vênus estiverem em maior evidência que o Sol e Marte, então o horóscopo inteiro leva uma qualidade “hiperfeminina”. Netuno sozinho não atua dinamicamente; somos como padrões de consciência que “atua através de Netuno”; se esses canais estão claros e limpos, tornamo-nos receptivos aos impulsos inspiradores e espirituais; do contrário, ocorre o oposto.
A pessoa que encarna com Netuno no Ascendente atrai, evidentemente, uma experiência difícil. Mesmo tendo os melhores Aspectos, o corpo físico é sensitivo a um grau extremo; suscetível a todas as classes de pensamentos-formas, atmosferas e vibrações emocionais. Essa posição de Netuno é o arqui-símbolo do “instrumentalista”; o veículo pode ser usado formosamente pelas Forças Brancas ou desastrosamente pela Magia Negra. Tal horóscopo deve ser abordado com grande cuidado; é aconselhável descobrir algumas coisas da pessoa para obter-se uma perspectiva do “quadro de Netuno”. Um Ego altamente desenvolvido pode ser representado por essa posição, e as aflições astrais a Netuno poderiam representar as dificuldades que ele pode ter em “manter os pés no chão” para ajustar-se às fases práticas da vida. Esses Aspectos podem contar uma história de destino maduro: as fases da vida humana em que a pessoa pode regenerar por sua própria espiritualidade. Uma vez que “os Astros são Seres”, cada Quadratura ou Oposição a Netuno-Ascendente pode simbolizar as pessoas que precisam de influência que espiritualiza ou aquelas que servem como “provadores” da pessoa de Netuno. Essa pessoa, para neutralizar os efeitos adversos de influências não regeneradas, deve manter-se “animada internamente” por repetidas recargas espirituais. Particularmente difícil é o padrão de Netuno-Ascendente recebendo Quadratura ou Oposição do Regente do horóscopo, seja qual for esse Astro. O Ascendente e seu Regente são “o agora” da personalidade – seu ponto focal de expressão para esta encarnação. Esse padrão apresenta uma imagem do corpo físico sendo por si mesmo especialmente sensitivo às Forças Negras, e indica claramente que só com um treinamento psíquico, do tipo mais espiritualmente elevado, pode ser resolvido isso. Essa pessoa precisa de alinhamento contínuo com as Forças Brancas por meio de serviço dedicado, oração, pureza e meios inspiradores, tais como a música. Se ela escolhe trilhar a senda espiritual nas atividades de sua vida, seus motivos e propósitos devem ser imaculados, devendo alcançar compreensão consciente da natureza psíquica do organismo humano – ela deve chegar a compreender sua própria sensitividade e a responsabilidade que tem perante aqueles que a rodeiam para “ser uma luz”. Sem a compreensão de sua própria natureza e de seus potenciais poderá se desviar para expressões negativas e, eventualmente, se atrasar.
Netuno em Conjunção com a Lua é o arqui-símbolo da sensitividade psíquica – especialmente quando se encontra em horóscopos de mulheres. Se as circunstâncias a permitem, em algum período de suas vidas, as mulheres com essa posição fariam bem em superar as fases puramente pessoais de experiência feminina, se esforçando “de todo coração” para expressar a maternidade em termos de bem-estar daqueles não ligados a elas por relação consanguínea. Essa posição intensifica o impulso maternal, e as qualidades de simpatia e ternura são muito fortes e profundas. Concentrada na esfera relativamente estreita do círculo doméstico ela pode ser muito limitada. Tais mulheres chegaram a um ponto de partida no viver impessoal, de maneira que “todos que precisam de alimentação podem ser seus filhos”. Fortificada por Aspectos fortes, essa Conjunção de Netuno-Lua pode indicar o “médium nato” – a faculdade de viver conscientemente nas dimensões superiores de realização através da clarividência ou clariaudiência. Mas, conforme observado acima, deve-se estabelecer um sólido fundamento – pessoa tão sensitiva não pode arriscar-se com aquilo que é falso e desorientador.
As combinações entre Netuno e Saturno são muito importantes – e muito interessantes. Esses dois Astros representam os “extremos” da polaridade feminina; Saturno é a vibração mais condensada do espectro planetário; gravitacional na função, ele simboliza a vibração da Terra. Netuno, todavia, é o mais sensitivo, o mais etéreo e “menos Terra” do espectro. Os Aspectos Quadratura e Oposição desses dois Astros devem primeiramente ser analisados determinando-se qual dos dois é mais forte por posição, Signo e esfera de influência no horóscopo. Deve-se fazer também uma comparação sob o ponto de vista do qual é o mais “afligido” por outros Astros. Quaisquer dos dois que esteja sem aflições pode ser a chave para a solução do “problema” da Quadratura ou da Oposição, uma vez que, sendo um agente livre, ele serve para neutralizar as negativas do outro. Netuno em demasia, desorientado e indisciplinado, significa “dar o fora deste mundo” – irresponsável, não prático, talvez inspirado, mas provavelmente quase “precioso” demais; Saturno em demasia, com sua mão pesada, “obscurece a luz das estrelas”, a consciência é presa ao mundo das formas e efeitos, o idealismo é estrangulado pelo peso dos fardos a carregar e pelas responsabilidades a serem cumpridas. A Oposição de Saturno a Netuno é muito significativa – indica que esta encarnação proporciona oportunidades para a espiritualização de atitudes que visem o cumprimento de responsabilidades pela Fé e Idealismo e a demonstração de consciência espiritual, como redenção de destino maduro de responsabilidade. Ambas as vibrações devem ser usadas para estabelecer equilíbrio entre essas duas forças – vivendo uma expressão sincronizada de ambas, a melhor pode ser utilizada. Saturno em Aspecto favorável com Netuno afligido, por outro lado, é um maravilhoso antídoto contra um lodaçal de condições astrais; esse padrão promete também uma relação – ou relações – com pessoas que objetivam as admiráveis qualidades de Saturno; elas serão as pessoas que atuam como “agentes estabilizadores” na vida do indivíduo e por meio das quais ele será – ou poderá ser – alertado para a maturidade do cumprimento de responsabilidade. Elas vibrarão harmoniosamente com os Aspectos sérios de sua natureza, e, mediante a associação com elas, as qualidades mais belas de seu caráter poderão ser acrescidas em profundidade e expressão.
Um Netuno sem aflição e em bom Aspecto com Saturno “carregado” é como água fresca num jardim seco. As pessoas representadas por Netuno serão uma fonte de inspiração e refrigério espiritual para o indivíduo, o qual, pelas aflições de Saturno, pode achar a vida muito enfadonha por causa das responsabilidades e de sua própria “consciência de limitação”. Se tal horóscopo está fortemente caracterizado pelas vibrações do elemento Terra, e se Urano não está em grande evidência, o indivíduo pode ter a impressão de que seus amigos de Netuno são muito estranhos – ele pode não ser capaz de entendê-los muito bem, mas reconhecerá que precisa do “toque estimulante” deles em sua vida. Ele precisa da realização que eles têm da vida interna – a sua própria vida interna é tão preocupada com a externa – e, basicamente, o Aspecto promete que, por meio deles, ele pode nesta vida dar os passos no sentido de libertar sua consciência dos pesados grilhões da forma.
Netuno é o clamor da consciência humana por “Shangri-La[19] – o lugar da Paz, a fonte das águas da Vida”. A paz é estabelecida no coração humano quando se vive por meio de devoção as melhores, mais belas e mais perfeitas realizações. O aperfeiçoamento é primeiro sonhado, depois visualizado, e depois abordado mediante processos de transmutação, e, quando a atração da consciência da Terra é superada, abrem-se os portões da verdadeira realização para a Beleza, Paz Interior e o Conhecimento da Verdade.
Esse assunto é apresentado na esperança de que seja uma contribuição útil àqueles Estudantes de Astrologia que se interessam por psicologia, a fim de permitir-lhes compreender melhor os aspectos de desejo da consciência humana. Nós somos malsucedidos na nossa tarefa como “iluminadores”, a menos que façamos um acordo interno para procurar soluções para as emoções complexas e tortuosas resultantes de confusões e frustrações da consciência sexual das pessoas. A evolução é geração e regeneração; fobia, psicose, ideias fixas, etc., e outras coisas semelhantes são termos usados para indicar os níveis de consciência emocional que, devido à falta de liberação construtiva tem permitido a estagnação, cristalização, o congestionamento e “um pé atrás”.
Na aplicação das interpretações astrológicas para as descobertas da moderna psicologia, vemos que nenhum símbolo é mais significativo que o Signo de Escorpião, em seu papel como significador vibratório da oitava Casa do horóscopo abstrato.
Como Signo Fixo de Água, Escorpião se assemelha ao gelo comprimido e imóvel. Como significador emocional expressa sentimento na mais intensa forma. Ele é o grande oceano do poder-desejo que move a humanidade inteira e a leva a extrair o pábulo, para ser transmutado por meio do amor para a regeneração da Vida (Fisiologicamente, Escorpião representa todas as funções excretoras do corpo – a liberação dos materiais em estado fluídico, que durante o estado de saúde, deve sair do Corpo, de modo que os processos transmutativos e regenerativos do Corpo funcionem).
A referência ao Amor citado acima poderá ser mais bem compreendida se adotarmos um desenho ilustrativo. Façamos um círculo em branco e coloquemos o símbolo de Áries na cúspide da primeira Casa, e Touro na cúspide da segunda Casa. Esse é o retrato do “EU SOU” – a expressão da consciência do ser – e do “EU TENHO” – o reconhecimento da relação com as coisas da Vida por meio da consciência de posse. Touro, cujo Regente é Vênus, Signo de Terra e frutífero, simboliza a manutenção e sustentação da vida física; é, pois, nossas “raízes na Terra”, por meio das quais, pelo sentido de ter, mantem nosso apego na vida de experiências. Nos níveis primitivos, a segunda Casa não – e não precisa – necessariamente, implicar a consciência de relacionamento com outras pessoas, senão apenas um “sentimento” ou “emoção” de propriedade, pela qual esculpimos nosso destino, de acordo com nossa consciência de “avaliar as coisas da Terra”.
Acrescentemos em nosso desenho o símbolo de Libra na cúspide da sétima Casa. Isso mostra que o “EU SOU” da primeira Casa, Áries, encontra sua realização, ou transcendência, em o “NÓS SOMOS” da associação, do matrimônio ou outro qualquer relacionamento. O conhecimento isolado da primeira Casa se amplia por meio da mutualidade da experiência “união com outras pessoas”.
A sétima Casa é a primeira Casa do hemisfério superior do horóscopo, a iniciação nos níveis da consciência anímica, por meio do amor-reconhecimento, do amor que se comunica mediante os mecanismos do relacionamento. A manutenção e sustentação da sétima Casa, por sua vez, alicerça-se na oitava Casa, a “polaridade da consciência anímica” da segunda Casa. É, como já foi dito, a “mola do desejo”, os “fogos da polaridade de troca”.
Coloquemos o símbolo de Escorpião na cúspide da oitava Casa, para completar a figura da expressão individual nos níveis evolucionários da experiência por meio do poder do amor para a transmutação e regeneração da consciência dele (sugerimos que todos os Estudantes de Astrologia meditem nesse desenho; é o quadro simbólico do Jardim do Éden, o nascedouro da consciência do sexo e da iniciação do matrimônio. A interpretação pervertida dessa alegoria, através de milhões de anos de experiência humana, tem sido causa de mais tragédias e sofrimentos do que qualquer outro fator. “Eva” é a consciência anímica ou a consciência do hemisfério superior do horóscopo. “Ela” surge da necessidade de cada indivíduo transcender as condições da primeira Casa (isolamento para automanutenção, inocência ou ignorância). Cada ser humano real é um composto vibratório de “Adão e Eva”; o sexo é mera especialização da polaridade expressa em termos físicos durante uma dada encarnação para as necessidades específicas da geração evolutiva. Não há superioridade de macho sobre a fêmea, todos nós, em consciência e subconsciência, somos ambas as coisas. Os Astrólogos devem compreender isso).
Nós iremos, agora, criar outro desenho em nosso estudo do Signo de Escorpião.
Em um círculo em branco conecte os pontos médios das Casas Fixas – 2ª, 5ª, 8ª e 11ª – usando linhas retas. Temos a forma geométrica perfeita de uma “Quadratura estática”, repousando na sua base (Esse é o símbolo com que representamos o Aspecto da Quadratura – um relacionamento adverso entre dois Astros que se encontram dentro de uma órbita de noventa graus, um do outro). Considerando que os significadores vibratórios dessas Casas são todos Signos de poder emocional, estudaremos o relacionamento-polaridade desses Signos, aos pares. Conectando o ponto mediano da 5ª Casa com a 11ª Casa, temos a polaridade Leão-Aquário, que exprime o poder do amor criador pessoal, conducente ao relacionamento entre pai e filhos, sendo espiritualmente realizado dentro da vibração do poder-amor impessoal de Aquário, no qual estão incluídos todos os padrões de relacionamento, nas expressões de amizade e de fraternidade. Esses dois Signos são poder-amor como radiações. Já o padrão Touro-Escorpião representa recursos de poder-amor que se expressam como “desejo de posse de coisas” e do “desejo de posse da experiência amorosa”.
A “Quadratura estática” que traçamos aqui nos dá a chave para o significado real do “Aspecto Quadratura” que nós usamos na Astrologia. Padrões de fricção mostrados em um horóscopo simboliza potencialidade para sofrimento – “problemas” – devido às frustrações e/ou expressões não espiritualizadas do poder-desejo. Explicamos:
Nossos problemas se agitam na consciência – como dor – pelo contato que fazemos com outras pessoas e por meio da nossa reação vibratória perante os padrões de consciência dessas pessoas. Isso só pode ser possível por meio de experiências delineadas pela 7ª e 8ª Casas, pois ambas constituem o “setor vibratório da troca”. Nossos estados não regenerados de consciência ou os desejos não expressos, sincronizam-se com um padrão complementar da outra pessoa e nossa experiência-relacionamento se realiza. Considerando que essa fase de vivência nos vem sempre por meio de outra pessoa, examinemos o desenho da Quadratura estática, começando com Escorpião.
O círculo, como sabemos, é uma figura abstrata dos processos evolucionários por meio de sucessivos renascimentos. O nascimento físico é simbolizado, em cada reencarnação, pelo Ascendente, a cúspide da primeira Casa. Contudo, em cada encarnação, um “segundo nascimento” é iniciado pela primeira reação à conscientização do sexo: o reconhecimento do complemento de alguém, o “outro eu” de alguém, o símbolo de vida do cumprimento desejado e necessário. Então, podemos pensar no círculo como iniciando suas revoluções desde o momento em que a humanidade – no abstrato (Adão e Eva) – tornou-se consciente do desejo de realização mediante o processo da polaridade de troca. Aí começou a troca vibracional da experiência de todos os estágios de desenvolvimento de trocas mentais, criadoras e de relacionamentos biológicos e não biológicos.
Então, Escorpião é visto como um recurso vibratório do poder-desejo para essa entidade que chamamos humanidade, e da qual todas as coisas viventes derivam as suas expressão e perpetuação criativas. Como somos apoiados por muitas, muitas encarnações de termos expressado esse poder de certas maneiras, podemos pensar que cada ser humano se assemelha, simbolicamente, a um iceberg que mostra acima da superfície apenas uma pequena fração de todo o seu volume. Cada um de nós possui “uma grande área” de potencial desejo submergida ou não reconhecida nesse grande depósito de nosso passado evolutivo. E os nossos depósitos acumulados constituem o que muitos pensadores chamam de “inconsciente coletivo”. Cada ser humano em dado momento, por afinidade, vibra dentro de certo nível desse “Corpo de Desejos coletivo” (Similar – ou devemos dizer análogo – à relação de qualquer vibração específica de cor com todo o espectro, ou a de qualquer tom para o “corpo da vibração tonal”.)
Em termos e pontos de vista tradicionais e ortodoxos, poderíamos dizer que Escorpião representa a “fonte do mal”. O demônio é o eterno tentador, o eterno impulsionador para a direção errônea; a eterna armadilha para o incauto; o arquidestruidor; o inimigo do bem; o adversário do ser humano, e um “fedor nas narinas do Altíssimo”. Não queremos discutir com os ortodoxos, mas essas frases representam as atitudes simplistas das pessoas que veem a vida – e seus capítulos – como “preto ou branco”, “essencialmente bom ou essencialmente mal”, o “alto ou o baixo”, “dia ou noite”, e assim por diante. Esses conceitos têm sido e ainda são necessários porque servem como definidos indicadores de conduta da humanidade comum em evolução. Deve haver moldes de algum tipo em que o ser humano encha com suas expressões de si mesmo, senão toda a vida em evolução seria caótica e sem sentido. O desejo, em si, não teria nenhum propósito evolutivo para ajudar além da satisfação das necessidades mais primitivas.
No entanto, um processo alquímico funciona ao longo da evolução de qualquer indivíduo ou par ou grupo de indivíduos pela espiritualização da consciência do amor e pelo desenvolvimento e expressão da inteligência. O amor próprio se torna amor de companheiro e progênie; a autoproteção torna-se a devoção à família, tribo e ao estado; as forças da sexualidade são criadas em qualidade vibratória para se estenderem em níveis de criatividade e poder mental. Por meio de tudo, a consciência do indivíduo amadurece em desejo de melhoria, expansão em um conhecimento mais vasto e amplo com o universo de outras pessoas e, em última instância, para sabedoria e realização de ideais. Assim, Escorpião, por meio dos padrões da oitava Casa, possibilita a extensão da experiência nas expressões transcendentes das Casas: nove, dez, onze e doze. Escorpião é maligno apenas para a mente que vê o mal como uma “entidade estática”. No entanto, a partir das abordagens feitas pela realização dinâmica, Escorpião é a fonte de todo amor, toda aspiração e, através do cumprimento da relação-experiência, a fonte de toda a sabedoria.
Uma vez que o Escorpião é um Signo Fixo de grande poder em potencial, os posicionamentos Astrais ou padrões envolvendo sua vibração podem ser interpretados como sendo apoiados por recursos intensos, e o resultado de uma “compressão de longo prazo” da força do desejo naquele ponto. Padrões de Escorpião – e tipos de Escorpião – nunca são superficiais ou insignificantes. Dê uma atenção especial a qualquer Aspecto natal relacionado a este Signo, porque os seus potenciais são muito grandes, “grandes para o bem ou grandes para a adversidade”. O desejo está concentrado lá e sua liberação e expressão construtiva é um “algo a mais” nesta encarnação. O destino doloroso e insuficiente é assegurado para o futuro. Nenhuma inibição emocional pode comparar com Saturno em Escorpião por intensidade de medo ou fixação; sem potencial propósito é mais inabalável do que o Sol em Escorpião. Marte em Escorpião pode representar o desejo sexual em sua mais estridente necessidade de expressão. Mercúrio em Escorpião deve observar suas expressões – apoiadas por impulsos não regenerados de ciúmes, frustração, medo, etc. Suas palavras podem ter um efeito devastador sobre as Mentes e os sentimentos de outras pessoas. Lua e Vênus in Escorpião intensificam, em alto grau, os padrões que pertencem especificamente aos níveis de consciência feminina de qualquer um, masculino ou feminino. Há, ou pode ser, uma certa implacabilidade, crueldade ou tendências para “expressar através da dominação” quando esses fatores não são liberados satisfatoriamente. Todas essas posições Astrais exigem a expressão transmutada através de libertações tornadas possíveis pela consciência amorosa da reciprocidade no relacionamento, relação sexual satisfatória e geração frutífera ou, em níveis impessoais, em um serviço de trabalho amoroso ou criatividade de algum tipo. Estes são incêndios que não podem, indefinidamente, permanecerem em um estado reprimido; eles devem ser autorizados a “lançar chamas como Fogos de Vida”.
Já que estamos à procura de compreensão, há um fator psicológico envolvido na vibração de Escorpião que devemos considerar como algo desagradável. Esse fator, e é um estado emocional individual e coletivo, é o resultado essencial da incapacidade de liberar, de forma construtiva, os desejos mais intensos. Porque o corpo físico é uma expressão externa do interior, vamos ver como esse problema se manifesta no plano físico.
Como dissemos anteriormente, Escorpião representa todas as funções de excreção do corpo físico. Quando se falha em fazer isso de maneira necessária se produz a condição de congestionamento com todas as suas possibilidades de desarmonia física.
Quão difícil é remediar o congestionamento da natureza do desejo. Qualquer Estudante pode, por meio de alguns momentos de reflexão, reconhecer as condições de congestionamento de desejo em si mesmo ou nas naturezas daqueles que conhece bem. Às vezes, essas congestões tomam formas muito trágicas e devemos aprender a reconhecê-las.
A tragédia básica essencial de um Escorpião não libertado é a frustração do desejo generativo. A partir desse congestionamento particular deriva uma miríade de males emocionais, nervosos e mentais que afligem a humanidade em quase todas as fases do desenvolvimento. É verdade que há algumas pessoas que a nenhum momento não exigem essa forma particular de liberação, mas essas pessoas são poucas e distantes. É natural e saudável que as pessoas, em geral, vivenciem o cumprimento do desejo de acasalamento relacionamento amoroso. Na falta dessa realização, quando sua necessidade é sentida profundamente, se apresenta uma imagem horrível de sofrimento e perpetuação de erros nos outros. Escorpião não cumprido – onde quer que seja colocado no tema astrológico – nos dá uma imagem da possibilidade do nativo ceder à expressão de crueldade, desonestidade, assassinato e toda a destruição como satisfação substitutiva da sua natureza de desejos.
Como o corpo físico pode entrar em erupção com furúnculos devido a condições tóxicas inéditas, do mesmo modo a consciência pode entrar em erupção com todos os tipos de impulsos negros a fim de obter alguma forma de liberação. A história do desenvolvimento da humanidade, como organismo sexual, está repleta de capítulos de medo, perversão, doenças e loucura devido a tantos seres humanos “concordarem” em viver, emocionalmente, por padrões totalmente ausentes de processos de experiência natural e satisfações saudáveis e amorosas.
O casamento, que deve ser uma resposta natural de duas pessoas, um para o outro, em termos de relacionamento emocional, é uma ferramenta para servir os interesses familiares, a aquisição de propriedade, fortuna, poder temporal, dinastia e sabe lá o que mais. Toda forma religiosa se baseava na atitude de que o ser humano, sendo um verme e digno de um castigo eterno, não tinha direito ao prazer espontâneo e ao cumprimento de seus desejos e sua vida. Essa “filosofia” manchou as Mentes e as emoções de milhões de pessoas por muitas centenas de anos. Estamos, nestes tempos, começando a ter raízes dessas doenças emocionais e, ao estudá-las, somos forçados a concluir que a vida não pode ser vivida, a não ser que seja baseada em uma filosofia de vida saudável, construtiva, amorosa e de felicidades liberadas.
Alguns resultados onde Escorpião foi instrumento para desviar a vida emocional e a felicidade dos outros:
Pessoas cujas vidas parecem estar consagradas ao sofrimento devido à falta de experiência amorosa; matrimônios em que os cônjuges parecem viver em permanente atrito – antiga inimizade; filhos são fontes de contínua ansiedade e cuidados em virtude de doenças mentais ou físicas – ou deficiências essenciais de caráter; mulheres persuadidas a se casarem com homens que as mantêm em contínua escravidão aos seus impulsos de desejos, sem resultados frutíferos; homens que não se livraram das amarras psicoemocionais da mãe; crianças que nascem de pais que não as desejam e não as tratam com afeição e consideração; pessoas que passam uma encarnação inteira com medo da própria sexualidade, envergonhando-se até de pensar em “fazer algo a respeito”.
E assim segue: o tormento, a dor, o medo, os sentimentos de inferioridade, a crueldade, a dominação, a autodestruição e até a loucura: todas evidências da congestão da natureza de desejos. O remédio se encontra na educação esclarecedora e espiritualizada, somada a determinação vitalizada em viver sadia, expressiva, bela e amorosamente no relacionamento consigo mesmo e com as demais pessoas. Assim o recurso de desejo é transmutado e expresso em termos que contribuem para a evolução, bem como para a redenção de padrões de destino maduro que se convertem em consciência espiritualizada.
Achamos que a meditação sobre um Signo ou um Astro que se relacione com o “horóscopo abstrato” é uma base confiável para todo estudo da ciência astrológica interpretativa. Por “horóscopo abstrato” queremos significar uma roda astrológica com Áries na cúspide da primeira Casa, Touro na cúspide da segunda Casa, e assim por diante em torno da roda. Isto coloca os trinta graus de cada Signo na sua Casa correspondente. O posicionamento dos Astros nos Signos e Casas de suas Dignificações completa o quadro.
Na primeira parte deste capítulo nós consideramos o Signo de Escorpião em sua “relação de Quadratura” com os outros três Signos Fixos – os Signos do “recurso de poder emocional”, que constituem a sustentação dos Signos Cardeais que os precedem.
Agora devemos considerar Escorpião em sua relação com os outros dois Signos de seu elemento – Água. Nosso desenho será um círculo em branco com Câncer na cúspide da quarta Casa, Escorpião na cúspide da oitava Casa e Peixes na cúspide da décima segunda Casa. Ligue estas cúspides por linhas retas, de maneira que formem um triângulo equilátero. Dos três Signos de Água e respectivas Casas, a quarta Casa está no hemisfério inferior ou hemisfério de consciência do Ego; as outras Casas (8ª e 12ª) estão no hemisfério de consciência anímica.
Consideremos agora a quarta Casa: o segundo aspecto da consciência Cardeal é “EU SOU”; é o “EU SOU” em termos do relacionamento do Ego com heranças, familiares, consciência racial e identificação com as correntes da Vida. Câncer, Signo Cardeal-Água, é gerador no sentido de que é a nossa consciência de “formação de lar”; é a base (o ponto mais inferior do círculo) a partir da qual nos levantamos através de sucessivos padrões evolutivos.
Escorpião e a oitava Casa sustentam a sétima Casa, que é o ponto focal de nossa mais intensa consciência de relação no matrimônio (amor) ou na inimizade (amor não realizado). Consequentemente, o intenso poder emocional concentrado de Escorpião – através do impulso sexual e de suas derivações – é necessário aqui. Escorpião é geração e suas espiritualizações por meio da regeneração no amor.
Peixes e a décima segunda Casa simbolizam a Água como um meio envolvente. Considerado abstratamente, é a essência do passado trazido para o presente. Todos os Signos Comuns e respectivas Casas são “modulações” de um quadrante vibracional ou ambiental ao quadrante seguinte. Assim, a décima segunda Casa é a modulação de uma encarnação para a encarnação que se segue ou – considerado inversamente – é a chave essencial para se compreender o que, no passado, impeliu à encarnação presente. Simboliza a emotividade dos Signos de Água em seus aspectos. Mais transcendentes e impessoais da universalidade do Amor, da Simpatia e da Compaixão-Compreensão. Câncer é identificação emocional com a família; Escorpião é identificação emocional na parceria; Peixes é identificação emocional com as causas mundanas, bem-estar universal e progresso evolutivo como expressões das faculdades e consciência mais espiritualizadas.
Os Signos de Água em conjunto simbolizam as nossas faculdades como “placas de ressonância”; nossa “reação vibratória aos padrões vibratórios de outras pessoas”; “sentimentos familiares subconscientes instintivos”, “impulsos de desejo subconscientes” e “recordações subconscientes de encarnações anteriores”.
Uma vez que a base de toda interpretação astrológica é “Conhece-te a ti mesmo”, sugiro-lhe familiarizar-se com o padrão do Signo de Água girando o desenho que fizemos de modo que o seu Ascendente fique na cúspide da primeira Casa. Mesmo que seu horóscopo Natal tenha Signos interceptados, este giro da roda mostrará um quadro de como, em geral, a consciência do Signo aquoso se aplica à sua variação astrológica individual. Estude cuidadosamente, dando ênfase à cúspide que comporta Escorpião para prosseguimento desta discussão. Aborde-o desta maneira: “Escorpião indica a concentração da minha consciência de desejo em tal e qual Casa em tal e qual quadrante do mapa astrológico”. Medite retrospectivamente sobre suas experiências passadas que se relacionem com este padrão. Aplique esta técnica colocando Escorpião de outro modo, em todas as cúspides da roda. Prolongue sua abordagem mental aplicando o Trígono dos Signos de Água e a Quadratura dos Signos Fixos às doze possíveis posições abstratas.
Nossa próxima consideração sobre o Signo de Escorpião será a sua relação com Libra, o Signo Cardeal que o precede. Em uma roda astrológica em branco ponha Libra na cúspide da sétima Casa e Escorpião na cúspide da oitava Casa. Partindo do centro da roda escureça as linhas que representam as cúspides das sétima e oitava Casas, e então, sombreie estas mesmas Casas de modo a se destacarem das outras Casas. Isto é feito com o propósito de alertá-lo para o intenso significado emocional destes setores das duas Casas e dois Signos na roda.
Libra, Cardeal-Ar, é a correspondência vibratória da primeira Casa do hemisfério da consciência anímica; ela inicia o terceiro setor da roda pela ação dinâmica da atração magnética entre duas pessoas.
O egoísta, individualista, “EU SOU” – Adão – da primeira Casa, prolongado até o “Eu sou uma unidade no relacionamento familiar” da quarta Casa, converte-se na sétima Casa em “Eu sou um dos dois fatores complementares de um padrão de experiência emocional intensamente focalizado”. Vênus, como Regente de Libra, é o símbolo abstrato da “consciência de Eva” de todo ser humano, o meio de redenção do egoísmo isolador inerente em todos nós, e o canal essencial pelo qual todos nós encontramos a fonte de nossos melhoramentos e refinamentos através de intercâmbios na mutualidade – em todas as fases e níveis.
Escorpião, seguindo-se a Libra é o alimento do desejo pelo qual essa experiência é sustentada, e a oitava Casa é o processo de geração, regeneração, renovação e transmutação pelo qual o Entendimento é destilado – levando da oitava Casa às transcendências das quatro Casas restantes da roda. Acrescente ao nosso desenho uma linha reta desde a nona cúspide até o Ascendente, abarcando as últimas quatro Casas. Este setor de quatro Casas é a consciência resultante de expressões transmutadas da natureza de desejos; espiritualizações sendo possível pelo amor.
Aplique este desenho ao seu próprio mapa para meditação. Vá além: estude este desenho aplicando-o às doze posições possíveis do horóscopo abstrato. Utilize a abordagem da palavra-chave básica para os setores e Casas individuais, tendo em mente que Escorpião transmite:
Mantém-se aqui o ponto de vista de que Plutão é o Regente de Escorpião; Marte é o co-Regente como expressão ativa de Plutão. E por estas razões:
Voltemos ao desenho de Libra–Escorpião com a linha traçada da nona cúspide ao Ascendente. O que transmite essencialmente este desenho?
Em retornos periódicos – volta após volta da roda – o desenho simboliza a necessidade de reencarnação para maior espiritualização da consciência, devido a fracassos ou não cumprimento dos padrões de regeneração por parceria da encarnação anterior ou ciclo de encarnações. O Ascendente carrega nas costas o setor completo de quatro Casas que inclui a nona, a décima, a décima primeira e a décima segunda Casa. Plutão, como Regente de Escorpião, coloca-se no portal da vida espiritual, em qualquer fase, de relacionamento a relacionamento – e isso é significativo – da essência de relação do passado ao presente e do presente ao futuro. As últimas quatro Casas da roda representam o “Vinho do Espírito”, destilado de todas as relações cumpridas.
Agora, se no começo da encarnação o Ego é incapaz de afirmar “EU SOU”, de que vale a encarnação? O fato de que a encarnação se efetua é prova de que a Centelha da Consciência eterna e indestrutível estando buscando mais espiritualização, não importa quão limitada possa ser a capacidade de auto expressão. O deficiente congênito, o cego, o deficiente mental e todas as pessoas com defeitos semelhantes são personificações da expressão do hemisfério inferior da roda – considere isto cuidadosamente – liberação sem amor dos fatores geradores e regeneradores. O progresso da vida é regeneração; aquelas vidas que parecem retroceder são elas próprias objetos de devoção, sacrifícios e amor por parte dos pais ou de outros, que necessitam de medidas extremas para liberar seus recursos de conhecimento, compaixão e simpatia; assim os processos de melhoramento e regeneração são mantidos e perpetuados. As nona, décima, décima primeira e décima segunda Casa não apenas representam pessoas que vivem uma consciência espiritualizada, mas que também representam padrões de trabalho ou serviço prestados àqueles que personificam um mau destino em suas aflições de sofrimento e ignorância. Em outras palavras, aqueles que aprenderam as lições da oitava Casa destilam, para serviço a todos, os poderes espiritualizados pelos quais as aflições e sofrimentos podem ser e são redimidos. Por conseguinte, as pessoas iluminadas consideram toda encarnação significativa e valiosa; seus pontos de vista estendem-se além do superficial e transitório; elas percebem as Leis da Vida se expressando e reconhecem que há possibilidade de regeneração em qualquer e em todas as fases da existência humana.
A abordagem feita pela moderna psicologia corretiva – permita nos referir outra vez ao nosso desenho – é para ajudar as pessoas que estão aflitas física, emocional, mental e psiquicamente a restabelecer sua habilidade de dizer “EU SOU” em termos de:
(1) cura física e melhoria da capacidade física;
(2) compreensão de seus padrões emocionais de fixação, medo, frustrações ou inibições de forma que seus complexos e compressões internos possam ser liberados e se estabeleça um despontar de autoconfiança, saúde sexual-emocional, reajuste de relacionamentos, otimismo, alegria e amor;
(3) disciplinas e diretrizes para uma percepção mental mais forte e mais eficiente de modo que a pessoa possa ajustar-se melhor com as coisas e pessoas que o rodeiam. Todos esses fatores apontam diretamente para um nível mais elevado de consciência do “EU SOU”. Não há outra base para viver a vida em termos construtivos e frutíferos.
Devemos considerar agora que de encarnação a encarnação começa uma vida interna com cada despontar da consciência sexual e com o reconhecimento da experiência sexual. Mais destino pode ser criado a partir do padrão de uma experiência conjugal do que de qualquer outro fator isolado no desenvolvimento humano. Todos os fatores essenciais são envolvidos: intercâmbio sexual, criação de filhos, problemas econômicos, complicação no relacionamento, etc., formando-se assim um conjunto de padrões de reação emocional bastante complexo. Como todos somos individuais, a despeito de quão íntimos ou ligados aos nossos cônjuges possamos nos sentir, não podemos, no final das contas, e nem devemos tentá-lo pôr de lado a consciência de “EU SOU”. Até mesmo o tentar efetuar esta divisão interna causa, até certo ponto, o naufrágio da integridade, o enfraquecimento da autoconfiança e o esgotamento das expressões de habilidade. O “EU SOU” de Marte-Áries seria – e consequentemente deve ser – assunto de autoconsciência honesta, integridade e saúde emocional. Até que esse trampolim se torne a base de nosso “salto à vida” arriscamos a atolar nos pântanos da indecisão, da falsidade, e em todas as formas de complicações trágicas. Plutão, como Regente de nossa intensa capacidade de desejo, libera-se através de Marte quer como meio de destruição, dominação, ganância, crime, perversão e doença querem como uma expressão de coragem, autoconfiança, atividade e trabalhos construtivos, ardor de impulso amoroso e verdadeiro, mutualidade sexual sadia e recompensadora, e como centelha luminosa pela qual a vida se expressa com calor e luz, alegria e progresso.
Quando sua vida parece chegar a um ponto de estagnação e, através de uma sensação de inércia ou enfraquecimento, sentir que desconhece novas direções e novos caminhos de crescimento, mas quer continuar progressivamente, olhe seu mapa astrológico e detenha sua atenção na cúspide que tem Escorpião, isto para alertar a você mesmo seus recursos. Então, considerando a Casa em que encontra Áries e o potencial indicado por seu Marte, descubra como posso dizer “EU SOU” em termos mais grandiosos e melhores do que até então. Este é o processo nos planos internos:
Você está consciente de um forte desejo de adiantar sua vida de algum modo. O desejo não liberado e não expresso se acumula até estabelecer-se uma congestão; esta congestão resulta em desejos e ciúmes dos outros, autocompaixão e diminuição do autor respeito e autoconfiança. Recorre então a futilidades e superficialidades para preencherem o “vazio doloroso”, e sua vida prossegue vagueando por toda sorte de (realmente indesejáveis) caminhos secundários e desvios. Assim, pois, você sabe que deve fazer algo por você mesmo a partir do seu centro de consciência. Seu começo de qualquer coisa é feito com a consciência de seu Áries e/ou sua primeira Casa; uma consciência ampliada ou dilatada do potencial de seu Áries-Marte é a chave para uma maior liberação do seu desejo de progredir. Não é o que alguém pense que você possa fazer, deve ou não deve fazer, mas vale o que diz seu horóscopo sobre seu padrão de progresso. Sem fugir às legítimas responsabilidades ou maltratar injustamente a quem quer que seja, responderá à primeira oportunidade que sincronize com o seu propósito progressista. Sua resposta será em termos de um “bom Marte” – ansiosamente, entusiasticamente, corajosamente e positivamente. Você diz, com efeito, “Eu desejo liberar algo de melhor que tenho a oferecer para a minha própria vida e para minhas relações com as outras pessoas – algo dos recursos profundos, ocultos, de minha consciência e de minhas habilidades. Estou determinado a fazer disto uma contribuição valiosa e construtiva a ser expressa e realizada com honestidade, integridade e coragem”. Por tal atitude e sentimento íntimo, os recursos de Plutão, o Corpo de Desejos coletivo, são liberados na vida através de ti, servindo para estimular as vibrações espirituais e a consciência de todos os que entram em contato contigo. Isto, em suma, é a redenção do relacionamento, a essência da experiência amorosa.
[1] N.T.: Disponente ocorre quando dois ou mais Astros são ligados pelo regimento que forma frequentemente uma corrente. Um exemplo é Sol em Áries / Marte em Gêmeos / Mercúrio em Peixes / Netuno em Sagitário / Júpiter em Sagitário. Nessa cadeia o Sol dispõe de Marte que dispõe de Mercúrio, que dispõe de Netuno que dispõe de Júpiter. Não pode ir mais longe porque Júpiter está em seu próprio Signo. Todos esses cinco Astros trabalham juntos e devem ser interpretados dessa maneira. A configuração de disponentes pode-se trabalhar em um tema pessoal ou entre duas ou mais pessoas.
[2] N.T.: A memória involuntária ou Mente Subconsciente está, atualmente, fora de nosso controle. Do mesmo modo que o Éter leva à sensível película da máquina fotográfica uma impressão da paisagem fidelíssima nos menores detalhes, sem ter em conta se o fotógrafo os observou ou não, assim o Éter, contido no ar que aspiramos, leva consigo uma imagem fiel e detalhada de tudo o que está em volta de nós. Não só das coisas materiais, mas também das condições existentes em nossa aura a cada momento. O mais fugaz sentimento, pensamento ou emoção é transmitido aos pulmões, de onde é injetado no sangue. O sangue é um dos produtos mais elevados do Corpo Vital, tanto por ser o condutor de alimento para todas as partes do Corpo quanto por ser o veículo direto do Ego. As imagens nele contidas imprimem-se nos átomos negativos do Corpo Vital, para servirem como árbitros do destino do ser humano no estado pós-morte.
[3] N.T.: entendendo aqui que são as seguintes Conjunções de Júpiter com: Saturno, Plutão, com Urano – somente se ambos estiverem em Detrimento, em Queda ou afligidos e com Netuno – somente se ambos estiverem em Detrimento, em Queda ou afligidos.
[4] N.T.: somente com Aspectos adversos, ou seja: sem nenhum Aspecto benéfico.
[5] N.T.: Aspecto de menor importância: 30 graus, aqui usado como comparação somente.
[6] N.T.: quando no seu Signo Regente
[7] N.T.: quando próximo do Meio do Céu (MC)
[8] N.T.: quando na 1º, 4º, 7º ou 10º Casa
[9] N.T.: Marie-Bernard Soubirous ou Maria Bernarda Sobeirons em occitano (1844-1879) foi uma religiosa francesa, cujo corpo está incorruptível.
[10] N.T.: Edward Joseph Flanagan (1886-1948). Sacerdote católico que dedicou toda sua vida à educação de crianças e jovens delinquentes e abandonados.
[11] N.T.: Francisca Xavier Cabrini (em inglês: Frances Xavier Cabrini), conhecida como Madre Cabrini que dedicou toda sua vida à educação de crianças órfãs por todo o continente americano.
[12] N.T.: Thomas Woodrow Wilson (1856-1924) foi um político e acadêmico americano que serviu como o 28º Presidente dos Estados Unidos de 1913 a 1921.
[13] N.T.: Thomas Alva Edison (1847-1931) foi um empresário dos Estados Unidos que patenteou e financiou o desenvolvimento de muitos dispositivos importantes de grande interesse industrial.
[14] N.T.: Henry Ford (1863-1947) foi um empreendedor estadunidense, fundador da Ford Motor Company, e o primeiro empresário a aplicar a montagem em série de forma a produzir em massa automóveis em menos tempo e a um menor custo.
[15] N.T.: Albert Schweitzer OM (1875-1965) foi um teólogo, músico, filósofo e médico alemão.
[16] N.T.: Signo Comum
[17] N.T.: Disponente ocorre quando dois ou mais Astros são ligados pelo regimento que forma frequentemente uma corrente. Um exemplo é Sol em Áries / Marte em Gêmeos / Mercúrio em Peixes / Netuno em Sagitário / Júpiter em Sagitário. Nessa cadeia o Sol dispõe de Marte que dispõe de Mercúrio, que dispõe de Netuno que dispõe de Júpiter. Não pode ir mais longe porque Júpiter está em seu próprio Signo. Todos os cinco desses planetas trabalham juntos e devem ser interpretados dessa maneira. A configuração de disponentes pode-se trabalhar em um tema pessoal ou entre duas ou mais pessoas.
[18] N.T.: Disposta, quer dizer que está disponente, ou seja: ocorre quando dois ou mais Astros são ligados pelo regimento que forma frequentemente uma corrente. Um exemplo é Sol em Áries / Marte em Gêmeos / Mercúrio em Peixes / Netuno em Sagitário / Júpiter em Sagitário. Nessa cadeia o Sol dispõe de Marte que dispõe de Mercúrio, que dispõe de Netuno que dispõe de Júpiter. Não pode ir mais longe porque Júpiter está em seu próprio Signo. Todos os cinco desses Astros trabalham juntos e devem ser interpretados dessa maneira. A configuração de disponentes pode-se trabalhar em um tema pessoal ou entre duas ou mais pessoas.
[19] N.T.: Criação literária de 1925 do inglês James Hilton, Lost Horizon (Horizonte Perdido), é descrito como um lugar paradisíaco situado nas montanhas do Himalaia, sede de panoramas maravilhosos e onde o tempo parece deter-se em ambiente de felicidade e saúde, com a convivência harmoniosa entre pessoas das mais diversas procedências.
A Astrologia é para o estudante Rosacruz uma fase da religião, basicamente uma ciência espiritual.
Esta ciência, mais do que qualquer outro estudo, revela o ser humano a si mesmo.
Nenhuma outra ciência é tão sublime, tão profunda e tão abarcadora.
Ela revela a relação entre Deus (o Macrocosmo) e o ser humano (o Microcosmo), demonstrando que ambos são fundamentais.
1. Para fazer download ou imprimir:
2. Para estudar no próprio site (para ter as figuras, que tanto ajudam na compreensão, consulte a edição do item 1, acima):
ESTUDOS DE ASTROLOGIA
Por
Elman Bacher
Volume 1
Fraternidade Rosacruz
Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82
Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil
Traduzido e Revisado de acordo com:
Studies in Astrology
2ª Edição em Inglês, 1951, The Rosicrucian Fellowship
Estudios de Astrología
3ª Edição em Espanhol, 1981, Editorial Kier S. A.
Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
contato@fraternidaderosacruz.com
fraternidade@fraternidaderosacruz.com
Tantos foram os comentários favoráveis recebidos por nós, aos artigos astrológicos de Elman Bacher publicados em nossa revista “Rays from the Rose Cross”, durante os últimos anos, que estamos certos que haverá uma boa acolhida a esse trabalho, por parte dos Estudantes de Astrologia Espiritual.
Os profundos conhecimentos de Elman Bacher e sua devoção à ciência astral, aliados a uma extraordinária compreensão da natureza humana, permitiram-lhe apresentar temas que indubitavelmente o situam entre os melhores Astrólogos Esotéricos modernos. E como a veracidade e o valor da astrologia tornam-se, a cada dia, mais aceitos de modo geral, seus trabalhos ajudarão cada vez mais os seres humanos a conhecerem-se a si mesmos, e a realizarem seu mais alto destino.
Antes de sua transição, em 1951, Elman Bacher expressou o ardente desejo de que publicássemos seus artigos em forma de livro e, embora lamentemos profundamente não estar ele aqui para ver a concretização desse desejo, sentimos felizes por saber que sua aspiração está sendo realizada agora.
ÍNDICE
PREFÁCIO.. 3
INTRODUÇÃO.. 5
CAPÍTULO I – A EXATIDÃO DA ASTROLOGIA.. 7
CAPÍTULO III – OS ASTROS SÃO SERES. 16
CAPÍTULO IV – O SOL: O PRINCÍPIO DO PODER.. 32
CAPÍTULO V – A LUA: O PRINCÍPIO DA MATERNIDADE.. 40
CAPÍTULO VI – VÊNUS: O PRINCÍPIO DA MANIFESTAÇÃO APERFEIÇOADA.. 52
CAPÍTULO VII – O PLANETA MERCÚRIO.. 61
A Astrologia é para o estudante Rosacruz uma fase da religião, basicamente uma ciência espiritual. Esta ciência, mais do que qualquer outro estudo, revela o ser humano a si mesmo.
Nenhuma outra ciência é tão sublime, tão profunda e tão abarcadora. Ela revela a relação entre Deus (o Macrocosmo) e o ser humano (o Microcosmo), demonstrando que ambos são fundamentais.
A ciência oculta, ao investigar as forças mais sutis que afetam o ser humano (o Espírito) e seus veículos, receberam seus efeitos com a mesma precisão que a ciência acadêmica fizeram com as relações do mar e do céu, da planta e do animal, dos raios do Sol e da Lua.
Com esse conhecimento podemos determinar o padrão astrológico de cada indivíduo, e conhecer a potência ou as debilidades relativas das diferentes forças atuantes em cada vida. De acordo com o que tenhamos alcançado deste conhecimento, podemos começar a formação sistemática e cientifica do caráter – caráter é destino!
Observamos os períodos e estações que são cosmicamente vantajosos para o desenvolvimento de qualidades ainda não desenvolvidas, corrigindo rasgos defeituosos e eliminando inclinações destrutivas.
A ciência divina da Astrologia revela causas ocultas que trabalham em nossas vidas. Assessora o adulto com respeito à vocação, os pais na orientação dos filhos, o mestre na orientação dos discípulos, o médico no diagnóstico das enfermidades; prestando-lhes, desta maneira ajuda a todos em qualquer situação em que precisem.
Nenhum outro tema dentro da margem do conhecimento humano, até esta data, parece conter as possibilidades estendidas aos astrólogos para ajudar aos demais na sua própria dignidade como deuses em formação, a um entendimento maior da lei universal, e a verificação de nossa eterna seguridade nos braços acariciadores da Vida Infinita e do Ser Iluminado.
Milhões de palavras impressas ou verbais são usadas como argumentação para saber se a Astrologia é ou não “exata” e “científica”. As pessoas não solidárias à Astrologia (os que não a estudam, os religiosos exotéricos e os que não se aventuram a pensar no assunto) apresentam argumentos que servem, no final das contas, apenas como reflexões depreciativas sobre as habilidades daqueles estudantes que “interpretam horóscopos”. Alegam que, se a Astrologia fosse cientificamente exata, isso seria provado por uma perfeita concordância de todos os astrólogos em qualquer ponto sobre o assunto. Todos esses argumentos são ilegítimos, ilegais e perda de tempo, uma vez que esses não são pertinentes à essência profunda sobre o estudo da Astrologia.
Para aquelas pessoas que são contrárias à Astrologia, se faz necessário esclarecer um pouco mais sobre a “argumentação”, dando a seguinte explicação: todos os cristãos concordam com o significado das mensagens de seu Sacerdote; todos os músicos estão de acordo quanto a “correta” interpretação das sinfonias de Brahms; todos os médicos estão de acordo em relação ao tratamento empregado da paralisia infantil, e todos os pais estão de acordo quanto à maneira “perfeita” de criar seus filhos.
Cada protagonista da Astrologia difere de outros astrólogos em sua capacidade para interpretar horóscopos. Veremos isto na abordagem, na habilidade de entender a simbologia, na exatidão dos cálculos matemáticos, na habilidade de sentir a essência dinâmica do horóscopo, na habilidade de compreender os problemas psicológicos apresentados e de seus potenciais para solução. Chamamos a isto de “alternativa humana”.
A Astrologia é uma ciência exata, porque cada fator encontrado num horóscopo, corretamente calculado, é uma representação simbólica de um efeito exato e imparcial de uma causa específica. Representa a lei cósmica e imutável conhecida como a Lei de Causa e Efeito, que atua nas condições e experiências da vida de um ser humano no seu progresso em muitos renascimentos.
Num horóscopo corretamente calculado não existe acaso, acidente, hereditariedade ou capricho do destino. Cada Posição e Aspecto entre o Sol, Lua e Planetas é um fator do Corpo-Alma[1] do indivíduo, uma fase de sua consciência ou um marco em seu caminho espiritual.
Na medida em que um astrólogo interpreta todas as influências astrológicas de um horóscopo, e identifica com a lei de “aquilo que semeares, colherá”[2], ele estará apto para sintetizar a leitura em seu todo corretamente, quando poderá orientar no sentido de abrandar as causas passadas às condições presentes, e para determinar as soluções em potencial das dificuldades presentes.
O termo astrologia dinâmica é usado para indicar o estudo do horóscopo sob o ponto de vista das influências astrológicas que diminuem ou aumentam segundo as reações do nativo às suas experiências durante determinada encarnação. As funções cíclicas das forças da vida dão ênfase periódica a cada influência e Aspecto planetário, e na medida em que cada ênfase é utilizada construtivamente efetua-se a transmutação alquímica. À medida que expressamos os pontos negativos estamos enfraquecendo os pontos positivos e nos tornando menos eficientes para o crescimento. Isto pode ser facilmente compreendido se considerarmos que nenhum ser humano jamais poderá separar-se de qualquer parte de seu horóscopo. Não existe nada parecido como “interrupção” de influência astrológica. Mesmo os inibidores e restritivos raios de Saturno seriamente afligidos continuam se “expressando” na consciência da pessoa para que ela possa desta forma expiar seu destino maduro[3].
Uma aplicação prática de astrodinâmica pode ser assim expressada: qualquer pessoa que consulta um astro-psicólogo faz isso porque está “em dificuldades”. Isto porque tem vivido por meio de seus negativos e sem uma abordagem dinâmica para interpretação. O astrólogo pode facilmente se confundir ao interpretar os Trígono e Sextis de um horóscopo como “estaticamente bom”. Um Trígono ou Sextil somente é “bom” se tiver como função a expressão concreta de neutralizante daquilo que é destrutivo ou regressivo na natureza da pessoa. Pobreza, doença, impulsos amorosos não satisfeitos ou distorcidos, temores e coisas do gênero são evidências de que a pessoa não tem aplicado o desejo para que se cumpram às promessas de seus Sextis ou os benefícios de seus Trígonos, mas tem expressado suas energias através das Quadraturas e Oposições, esgotando assim suas possibilidades para o bem no decorrer da vida. Se a pessoa expressa continuamente seus Aspectos negativos, isto resultará no enfraquecimento do desejo de regeneração, criando-se, assim um vínculo mais estreito à Roda da Vida.
O termo usado na linguagem musical para indicar um acorde é “modulação”, que serve como ponte de uma seção a outra em diferentes escalas ou tonalidades. Esse termo também pode ser usado, na terminologia astro dinâmica, para descrever as propriedades dos Aspectos Sextil e Oposição. No horóscopo, esses Aspectos podem ser considerados como os “pontos de transmutação” quando os dois Astros de uma Oposição recebem o Trígono e o Sextil de um terceiro Astro e também quando um Astro com a formação de um Sextil forma Quadratura com um terceiro Astro. Nos dois casos, o Astro que está formando o Aspecto benéfico com o adverso representa o meio pelo qual a pessoa encontra a sua “redenção do mal”. Assim, por meio do exercício dessa energia planetária efetua-se a transmutação, diminuindo-se e neutralizando-se o poder da Quadratura e da Oposição em exprimir discórdia.
As combinações dos Aspectos citados representam a forma “mais fácil” de alquimia espiritual. Contudo, existem outros Aspectos que devem ser considerados: é bem provável que uma Quadratura sem auxílio torna a transmutação muito mais difícil do que qualquer outra experiência na vida. Isto é, dois Astros em Quadratura entre si e sem nenhum Trígono ou Sextil com outros Astros. Superficialmente falando essa configuração representa um Aspecto de “destino maduro grave”, indicando um problema sério por meio do qual o nativo deve aprender uma lição muito importante e necessária. Apesar de saber que cada um destes dois Astros poderá ser ativado por Aspectos favoráveis no seu trânsito de tempos em tempos por lunações, progressões lunares, etc., onde existirá uma porção favorável de “auxílio”. Pelo fato deste Aspecto indicar a possibilidade de grande sofrimento ou dificuldade, o nativo deve ser informado sobre as qualidades básicas e positivas de ambos os Astros. O nativo deve utilizar de atenção, de força de vontade e de muita paciência quando o Aspecto for ativado, por exemplo, uma Quadratura sem auxílio. Seu esforço deverá ser grande para expressar as qualidades positivas dos dois Astros ou no mínimo daquele que está se manifestando mais diretamente. Por outro lado, se os dois Astros em Quadratura estiverem se afetando constantemente, os Aspectos adversos de um intensificarão os Aspectos adversos do outro Astro, e como resultado desta configuração poderá haver um resultado danoso no futuro. Porém, se por disciplina espiritual e/ou psicologia corretiva o nativo se permite apenas expressar as vibrações construtivas (qualidades positivas) de cada Astro, então haverá um estímulo positivo de um sobre o outro, facilitando assim, a transmutação desta configuração e com o tempo, o destino maduro será amenizado ou superado.
No Aspecto Oposição existe um “vaivém” de modo que se um dos Astros é enfatizado à custa do outro, poderá resultar em condição de desequilíbrio, isto é, dificilmente teremos um resultado de harmonia e equilíbrio. Em outras palavras, os Astros tende a bloquear o uso das expressões do outro ou as qualidades adversas de um Astro bloqueia a expressão das características do outro.
Uma coisa de suma importância que o astro-psicólogo precisa ter em mente em relação ao nativo é que na maioria dos casos, esses Aspectos adversos são devidos as expressões adquiridas de vidas anteriores e que a maiorias das pessoas na vida presente não tem ciência da capacidade de realização que elas têm. Pois a humanidade se identifica tanto com seus problemas, receios, maus hábitos, frustrações e sordidez que a maioria encontra uma maneira de se conformar com a situação e muitas expressam desta maneira: “Essa é minha maneira de ser, e não posso fazer nada a respeito”. São atitudes absurdamente errôneas, pois sempre existe uma solução para cada problema humano. O que se taxa de “problema”, nada mais é do que energia mal direcionada do indivíduo. Porém, tendo o horóscopo como ponto de orientação fica fácil encontrar nos Aspectos benéficos os meios para solução do “problema” ou das energias mal direcionadas.
A abordagem dinâmica para interpretação astrológica revela sua obra-prima como uma orientação para as crianças. O Ego recém-encarnado, menino ou menina, vem ao Mundo Físico escolhendo e sendo escolhido por pais que assumem a sagrada responsabilidade de guiá-los. Esses podem ter ideias preconcebidas daquilo que gostariam para seus filhos no futuro, mas se quiserem ser verdadeiros pais deverão orientá-los através de direções e orientações para formar o melhor caráter nesta criança. Isto mostra que os pais deverão atuar como meios neutralizantes nos pontos adversos indicados no horóscopo de seus filhos. Nenhuma mãe, tendo em mãos o horóscopo de seu filho, e certificando que existe um Marte adverso (Quadratura) a Lua do filho jamais deverá irritar-se na presença dele. E sabe por quê? Porque toda vez que isto acontecer a mãe estará enfatizando e fortalecendo a vibração discordante no subconsciente da criança, e a irritabilidade instintiva desta vibração intensificará, e uma “imagem de crueldade” será lançada mais profundamente no padrão vibratório do filho. Sabendo disto e também pelo fato de que toda criança reage a tudo que acontece em sua volta, então, a mãe deverá utilizar-se de toda manifestação de tranquilidade, equilíbrio, afabilidade e consideração para neutralizar parte destes impulsos brutais de Marte em Quadratura com a Lua, dando possibilidade à criança de lidar com esses impulsos muito mais facilmente na medida em que cresce. Assim, ela representará algo bom na vida do filho.
Esse assunto dever ser apreciado pelos Estudantes avançados na prática da Astrologia. Trata-se de um tema que correlaciona os fatores dinâmicos da transmutação alquímica com os cálculos matemáticos e a tabulação dos Aspectos progredidos.
A astrologia dinâmica é resultado da abordagem quando dizemos o “horóscopo jamais deixa de funcionar”. Não existe na Natureza ou no horóscopo a manifestação “do nada”, “do vazio” ou “sem atividade”. O que existem são períodos de quietude, atividade rotineira, e uma calma geral. Podemos observar, contudo, pontos culminantes, experiências intensas, cumprimento de mudanças drásticas e/ou quedas aparentes.
Existe um propósito na astrodinâmica que é estudar os Aspectos progredidos sob o ponto de vista de que esses representam estímulos não apenas a um Astro por vez, mas a uma “área” inteira do horóscopo.
A natureza da vibração astrológica cria um “campo de extensão” que chamamos de “órbita”. Essa esfera de influência para os Planetas: Vênus, Mercúrio, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão é de 6º graus antes ou depois da culminação deste Aspecto entre dois desses Planetas, porém, em se tratando do luminar Sol e Lua, esta extensão é de 8º graus antes ou depois da culminação entre esses ou com os demais Planetas. Quando os Astros entram nesta órbita dizemos que a “vida” do horóscopo é ativada.
Normalmente, na preparação de uma análise astrológica, deve-se fazer uma lista dos Aspectos progredidos para o ano em curso ou para o ano seguinte, com o propósito de determinar as principais fontes de experiências na vida da pessoa naquele momento. Em astrologia dinâmica fazemos a mesma coisa, exceto que nesta lista utilizamos os Aspectos progredidos por “grupos” ou “áreas”. Esta abordagem é que indica mais claramente as possibilidades para processos alquímicos. Onde se faz um contraste dos Aspectos benéficos e adversos que estão sendo estimulados simultaneamente ou em sequência, e assim poderá determinar quais os fatores disponíveis para a regeneração das emoções e redirecionamento das reações.
Independente dos cálculos matemáticos que possa estar envolvido neste tipo de “tratamento no horóscopo” não é tão compensador como os Aspectos progredidos. É destes Aspectos que faz com que o horóscopo tome outra dimensão, transformando numa representação de algo vivo, brilhante e vitalizante.
Quando o assunto for problema conjugal e um deles pede ajuda, deve-se levantar o horóscopo de ambos, fazendo a tabulação dos Aspectos pertinentes a cada um. O que requer uma particular atenção quando houver Conjunções mútuas, pois, são elas que formam a base para análise do problema conjugal.
No horóscopo do esposo encontramos Peixes no Ascendente; Mercúrio, Regente da sétima Casa, se encontra a 9º de Aquário e na décima-primeira Casa. Marte está a 12º de Escorpião e na oitava Casa em Quadratura com Mercúrio. Agora descobriremos uma Conjunção mútua unindo os dois horóscopos. No horóscopo da esposa o Planeta Marte está em 10º de Aquário, formando uma Conjunção com Mercúrio dele e Marte em Quadratura com a Lua em Touro e essa forma uma Oposição ao Marte dele em Escorpião. A Conjunção do Marte dela ao Aspecto da sétima Casa dele (Mercúrio) é a chave da difícil situação conjugal, caracterizada pela vibração de Marte não-regenerado (Seu meio alquímico é o Sextil de Vênus a Mercúrio sem Aspecto adverso).
Ao tabular as progressões do esposo, veremos que desde a Data de Cálculo Ajustada (DCA) anterior até a Data de Cálculo Ajustada (DCA) seguinte, a Lua se deslocou treze graus e trinta e oito minutos. A divisão deste resultado (13 graus) por doze mostra que o deslocamento mensal da Lua progredida é de um grau e oito minutos. O DCA é o décimo quinto dia do mês. O deslocamento lunar a cada quinze dias é de trinta e quatro minutos.
Fazendo uma tabela das posições mensais da Lua progredia para o período de um ano – a partir do décimo quinto dia de cada mês – encontraremos nas duas últimas semanas de março de 1947 a Lua progredida formando uma Conjunção exata com o Mercúrio dele. No início de junho formará uma Quadratura exata com seu Marte e no começo de agosto forma um Sextil exato com seu Vênus (procure marcar essas posições lunares na parte externa do Mapa-Exercício. Ponha-os entre parênteses de modo a gravar na mente o fato de que estamos lidando com um “campo de estímulos”).
A Quadratura Mercúrio-Marte mostra que, da segunda metade de março à primeira metade de junho, o problema conjugal vai ser estimulado de maneira decisiva (nesse caso hipotético estamos lidando apenas com o horóscopo do marido e neste caso em particularmente não é necessário concentrar-se no horóscopo da esposa. São as reações dele que estão sendo vistas. O que quer que seja que a esposa possa fazer durante esses meses ligar-se-á ao Aspecto dele). Contudo, pela Conjunção a Mercúrio e o Sextil a Vênus começa a vibrar, simultaneamente, com a Quadratura de Marte, porque Vênus está em órbita dentro de 6 graus formando um Sextil no horóscopo do nativo. Portanto, Vênus é o agente alquímico para que esse homem deva usar durante esse período de, aproximadamente, quatro meses para que possa neutralizar a vibração de Marte (que é muito forte em Escorpião) com o princípio da vibração de Vênus. Esta é a sua redenção para esse período. Se usar estas vibrações persistentemente nestes dias de dificuldades resultará em grande crescimento anímico e o esposo estará mais apto para dirigir sua vida a dois construtivamente à medida que cresce em experiência conjugal.
Veremos agora um resumo do que foi exposto acima. Consideremos agora, que marido e mulher estejam querendo saber sobre seus Temas astrológicos e ansiosos para entender como harmonizar suas experiências conjugais. Sendo assim, levanta o tema dos dois e faça-se a combinação dos Aspectos de ambos e descobre que a esposa tem Saturno em Gêmeos sem Aspecto adverso, formando um Trígono com seu Marte em Aquário e no horóscopo dele o Saturno dela forma um Sextil com Vênus sem Aspecto adverso.
Nesse caso vamos tabular os Aspectos progredidos da esposa por área e para os mesmos meses que fizemos dele. Cada um proporciona ao outro um estímulo adverso de Marte. Porém, cada um tem um agente alquímico ou regeneração com que trabalhar. Isto é, para que haja um entendimento mútuo, os dois precisam usar certa dose de vibração construtiva para neutralizar e harmonizar as discórdias que possam atravessar neste período de tribulação, tendo a certeza de que esta ajuda mútua, consequentemente, trará uma certeza maior de felicidade conjugal.
No horóscopo da esposa, já dito antes, encontramos Marte em Quadratura com a Lua e por isso ela deve, com muita paciência, buscar o equilíbrio de Saturno em Gêmeos, que é transmutar essa tendência de discórdia mental por meio da profunda afeição e efusão amorosa. Cada pessoa encontrará sua própria maneira para lidar com essa disposição violenta, mas pode alcançar esse crescimento mútuo desde que estejam juntos nesta luta.
A ilustração dada neste horóscopo é uma abordagem simples e direta. Entretanto, o procedimento para qualquer complexidade de Aspectos progredidos é o mesmo utilizado. Os princípios de transmutação e alquimia requerem que busquemos soluções para todos os problemas, mas, as soluções podem não ser tão evidentes se considerarmos cada Aspecto progredido como “uma coisa em si mesma”.
A identidade dos relacionamentos através do estudo de um horóscopo é um dos problemas mais sutis e difíceis com que o astrólogo psicológico tem de lidar. Esta dificuldade está no fato de que a realidade do relacionamento entre duas pessoas não é uma coisa física ou de leis estabelecidas, mas da essência de sentimentos de duas pessoas entre si. Quando existir intensa atração ou inimizade entre pessoas mostra que essa “essência de sentimento mútuo” nada mais é do que a continuação de contatos estabelecidos em encarnações passadas e que pode manifestar-se independente de idade, sexo ou relacionamento mundano. Para o ocultista é fácil observar que o primeiro contato destas pessoas aconteceu em vidas passadas e o relacionamento, quer seja, amor ou ódio terá continuidade nesta vida como se nunca tivesse havido uma interrupção no relacionamento.
O objetivo final para qualquer relacionamento entre duas pessoas é o cumprimento. Pelas leis divinas nenhum vínculo de ódio jamais será “pendurado ao vento”, pois isto negaria a Lei do Amor. O sentimento de ódio é “amor ao contrário” ou “amor na contramão”. É a consciência de contato com o Universo que volta para si mesma por meio de outra pessoa. Enquanto não houver uma expressão ou transmutação de energia Superior a consciência continuará expressando tudo aquilo que é negativo e destrutivo.
Mostraremos agora alguns exemplos hipotéticos de relacionamentos e experiências que, sob o ponto de vista de destino maduro, representam fontes de ódio, medo e cobiça. Esses sentimentos estão presentes na vida de homens e mulheres do mundo inteiro e nas mais diversas épocas.
Em qualquer campo de esforço o individualista original e criativo representa uma ameaça à pessoa ortodoxa cristalizada. Esses protótipos podem ser descritos ou simbolizados por Urano e Saturno, respectivamente. Urano pode temer e odiar Saturno porque esse reprime e frustra sua liberdade; Saturno pode temer Urano como uma ameaça ao seu “status quo”. Quando Urano perde a liberdade ou quando Saturno perde a segurança, o resultado é o ódio. E o conflito permanecerá até que cada um possa aprender algo de valor com o outro.
As fases conflitantes da natureza feminina são ilustradas pela “mulher maternal” e pela “mulher namorada”. A velha luta de guerra com o macho da espécie é um objeto de conquista acossado e desnorteado. A senhora Lua-Júpiter-Saturno desenvolve implacável ódio por aquela sapeca senhorita Vênus-Urano e vê uma ameaça à paz do lar e à vida respeitável. Esta última considera sua operosa e deselegante irmã uma pobre antiquada que esqueceu o significado do romance.
Um problema trágico – e existem muitos – é representado pela interferência paterna. A pessoa que no passado negligenciou suas oportunidades pode ser atraída, por destino maduro, para um pai muito egoísta e possessivo. O pai, desconsiderando os anseios intrínsecos do filho, procura torná-lo a sua réplica ou de um parente admirado. Toda a experiência de vida do filho torna-se, então, uma distorção que resulta em frustração. Isto, por sua vez, resulta em ressentimento e ódio amargo ao pai. O pai é nutrido por seu próprio egoísmo possessivo quando faz do filho um escravo de seus anseios. À medida que passa o tempo aumenta a fixação do pai em sua realização vicária através do filho. Neste caso, o filho acaba por ignorar outras fontes de experiências em sua vida, como as amizades que se tornam insignificantes, o afeto e o companheirismo são descuidados e o resultado desta atitude nada mais é do que uma atrofia espiritual, mental e psicológica. E o que poderia ter sido uma fonte de inspiração, entusiasmo e realizações converte-se em um horror mortal.
O filho erra em permitir a outrem viver a sua própria vida. Como foco principal, o pai erra ao usar o poder com o desejo de dominar. Como as emoções negativas e dolorosas apoderam-se cada vez mais dessas pessoas, elas tornam-se incapazes na vida de expressar o bem. E é melhor nem mencionar o destino maduro destes dois, para as próximas vidas.
Na medida em que a validade, a realidade ou a importância de uma experiência depende das reações da pessoa ao evento em questão, e que as nossas experiências vêm a nós como objetivações do que é indicado em nossos horóscopos através do nosso “intercâmbio” com outras pessoas, não é lógico interpretar os Aspectos do horóscopo como seres? Na vibração anímica da outra pessoa é encontrada uma correspondência com algo em sua própria natureza que é indicado em seu horóscopo.
Caso o Aspecto seja adverso (Quadratura ou Oposição) o relacionamento com esta pessoa resultaria em uma reação adversa ou destrutiva. Isto poderia ser chamado de “medo”, “inveja” ou ódio. Qualquer pessoa nessa situação poderia dizer: “tenho medo daquele indivíduo” ou “invejo aquela pessoa” ou “odeio aquele indivíduo”. Porém, à luz da Astrologia, isso não é o que realmente o indivíduo queria dizer. Ele gostaria de se expressar da seguinte maneira: “Aquela pessoa me faz lembrar algo adverso que existe em minha natureza. Sinto que ela pode me fazer algum mal que eu recordo já ter feito a alguém. Meu sentimento é de medo. Sei que a pessoa alcançou algo que eu devia ter alcançado. Meu sentimento é de inveja. O mal que aquela pessoa faz aos outros me lembra a minha própria maldade no passado. Meu sentimento é de ódio”.
Quando descrevemos uma pessoa como o pior inimigo, o horóscopo dela corresponde como o seu pior Aspecto. Esta pessoa, tida como inimiga, pode ser pai, mãe, irmã, irmão, filho, esposo, esposa, amante ou patrão. Do mesmo modo que um diapasão faz vibrar em uníssono outro do mesmo tom, assim também o estado negativo do seu “inimigo” estimula o seu negativo e traze para a sua consciência com dor. Utilize essa reação dolorosa como um barômetro de sua própria condição espiritual. Ela indica uma lição muito importante. Serve para mostrar a necessidade de dar um passo muito importante no desenvolvimento. O seu “inimigo” não é seu inimigo. Ele ou ela é seu professor. Aprenda por meio desta pessoa, de si mesmo.
Contudo, não devemos parar neste ponto. Ao identificar seus “inimigos”, por meio de suas reações e pela troca de experiências, você obterá uma perspectiva, a partir de si mesmo, como um fator no círculo de relações e veja como você se torna um “inimigo” dos outros pela expressão dos seus próprios Aspectos adversos. O próximo passo é você se tornar “amigo” de todos. Na medida em que você expressa, cada vez mais, as possibilidades positivas indicadas no horóscopo, você fará de si mesmo um imã para atrair tudo o que é bom e belo latente nos outros.
À medida que você estimular o bem nos outros, no sentido de regeneração, automaticamente eles vão se tornando conscientes da própria natureza benéfica existente neles. Eles gostam de você. Eles admiram você. Eles se sentem confortáveis e felizes com a sua presença. Eles se sentem em sua melhor disposição: mais corteses, mais atenciosos, mais corajosos, mais fortes. Eles dizem que o amam, que você é seu amigo. Isso não significa exatamente o que eles realmente querem dizer. O que eles querem dizer é que seu Eu Superior é atraído à sua consciência por meio do contato com você. Eles realmente não “o amam”. Eles simplesmente se fazem mais conscientes de seu próprio Deus interno, por meio do qual expressam reações harmoniosas e construtivas
O resultado das suas reações com a outra pessoa é que constitui o fator determinante deste relacionamento. Use seus “Aspectos benéficos” para transmutar os “Aspectos adversos” e derrote seus “inimigos” eliminando o “inimigo” que existe dentro de si mesmo.
Desde os primórdios tempos, o artista existente dentro do ser humano tem sido interpretado em versos, canções e telas e seu conceito de vida é tido como uma Grande Batalha. Os escritos mostram a história em símbolos e alegorias dos ataques violentos das Forças das Trevas contra a Fortaleza da Luz; a contenda do Diabo contra Deus pela alma do ser humano; a incessante fricção entre o Mal e o Bem; o Tentador buscando eternamente destruir aquilo que o coração humano aspira.
Os ataques a partir dos pontos de defesa, as escaramuças e os combates até a morte – tudo são fases desse Conflito – são mostrados em cada horóscopo. O Aspirante tem, dentro de si, o campo sobre os quais as demandas do destino lutam contra tudo em sua natureza que o impulsiona para frente e para cima. Para triunfar precisa alcançar uma compreensão, a mais clara possível, da natureza do inimigo que habita em seu subconsciente. Esse inimigo tem como ajudantes de campo as Quadraturas e Oposições, mas seu Quartel General é a décima-segunda Casa. Aqui é onde os planos são arquitetados e as armadilhas preparadas; os grilhões são forjados e as malhas da ilusão são tecidas. A luz do dia dificilmente penetra nessa caverna, pois o inimigo e seus lacaios preferem trabalhar na escuridão. O Aspirante só pode dissipar a sombra com a luz do “autoconhecimento”.
Cada experiência na vida representa um triunfo ou uma derrota, mesmo que seja temporariamente, na batalha. E toda experiência é fruto do contato com outra pessoa ou pessoas, cujas energias astrais servem para estimular o Regente afligido ou o Astro da décima-segunda Casa do Aspirante. Esse deve estudar esta Casa com seus Aspectos e trabalhar para que suas atitudes objetivem as mais íntimas possibilidades para derrotar a si mesmo. Estas pessoas podem ser qualquer um: os pais, um filho, um amigo, uma namorada, a esposa ou o marido podem se ajustar a esse padrão. O Aspirante, ao usar seu horóscopo como um “mapa” no caminho de sua vida, deve compreender e estudar seu relacionamento com o ponto de vista de sua reação subconsciente e não pela reação mundana que esse tenha. A medida que transmute suas reações, acaba por melhorar a qualidade de seu relacionamento.
O método sugere o seguinte: o Aspirante faz um estudo detalhado das condições de sua décima-segunda Casa, sob o ponto de vista das Conjunções adversas, Quadraturas e Oposições. Então, relaciona, tanto quanto possível, os Temas dessas pessoas que têm influências em sua vida. Estuda particularmente os horóscopos que tenha qualquer Astro ou Ascendente em Conjunção com o Regente afligido ou com o ocupante da sua décima-segunda Casa; neste ponto ele faz um resumo mental de suas experiências com essas pessoas e daí conscientiza-se dos Aspectos adversos em sua própria natureza que foi estimulada pelo contato com elas. Sem levar em conta a severidade e condições dolorosas das experiências, ele então libertará todo o ódio. Dar-se-á conta de que cada uma dessas pessoas serviu para objetivar uma fase de seu próprio subconsciente negativo e não mais pensará delas como “perpetradoras do mal” contra si, mas sim como lições práticas para seu aprendizado e iluminação.
O Sol afligido, Regente da décima-segunda Casa: O Poder é a chave para esta lição de destino maduro. O Aspirante, nesta vida, sofre abusos e injustiças da parte daqueles que possuem autoridade, isto mostra que no passado ele abusou do poder. Usou sua posição e influência para escravizar outras pessoas e por isso deve aprender que o poder precisa ser expresso em termos de justiça e misericórdia. O pai ou um irmão mais velho pode ser o instrumento usado durante a infância do Aspirante para reparar o erro do passado. Mais tarde na vida adulta os chefes ou patrões, já que exercem autoridade sobre ele, podem chamar-lhe a atenção para esta lição de que necessita. O poder expresso em vitalidade física pode ser indicado de forma contrária, isto é, num corpo fraco e ineficiente, atraído nesta vida para um pai muito sujeito a doenças e debilidades físicas.
A Lua afligida, Regente da décima-segunda Casa: Feminilidade é a chave para o problema de destino maduro nesta vida. Representa para esta encarnação o momento de ajustar toda teia do destino não redimido que se originou quando o Aspirante usava um corpo feminino; destino esse, relativo às experiências no lar, às oportunidades para desenvolver, por meio dos sentimentos, uma faculdade maior de simpatia e ternura. A Lua simboliza a polaridade feminina da psique humana, e quer o Aspirante seja homem ou mulher esse Aspecto indica desordens e insuficiências nesta faculdade. “Dificuldades através da mãe” é a interpretação clássica das aflições à Lua. Neste sentido, a mãe do Aspirante é vista como sua “inimiga”. Sendo esse o caso, ele pode dar-se conta de que a influência dela em sua vida é igual à dele mesmo sobre outra pessoa em uma vida passada. Sua grande responsabilidade por ela, nesta encarnação, preenche aquilo que ele deixou de fazer no passado. Sua afeição por ela nunca é adequadamente correspondida, pelo que ele aprende o que significa negar o amor. Ele agora está preso às condições do lar, porque tinha em vista fugir delas no passado. As mulheres o confundem, de modo que ele parece nunca conseguir entendê-las bem. Ele nunca tratou de ser “verdadeira mulher” no passado ou tratou as mulheres com indiferença. O Aspirante pode compreender que as mulheres não são suas “inimigas”. Ele precisa, contudo, cultivar uma simpatia e uma compreensão mais profunda dos elementos básicos da “natureza feminina” se quiser redimir-se dessa condição marcada pelo destino maduro.
Saturno afligido Regente da décima-segunda Casa: O destino maduro é repressão e o “inimigo” é cristalização. As pessoas que representam esta posição são como que nocivas à vida do Aspirante. Elas estimulam sua sensação de insegurança; conduzem-no a veredas de supressão e negação; bloqueiam (aparentemente) o fluxo de Vida. Através do relacionamento com elas recebe a mais severa disciplina e, por meio delas ele cumpre suas responsabilidades mais profundas e gradualmente atrasadas. Elas servem para recordar-lhe tudo em sua natureza que não é prático; elas o detêm na terra enquanto ele anseia por liberdade.
Ele é individualista enquanto elas são fanáticas; ele se inclina para o misticismo, elas são ortodoxas e observantes das formas; ele não dá nenhum significado particular ao dinheiro, elas interpretam tudo na vida em termos financeiros. Sua tendência e o seu desejo instintivo é se libertar delas e escapar dos grilhões de sua influência. A tendência permanecerá até que ele perceba que não pode escapar das suas legítimas responsabilidades; que deve aprender a utilizar inteligentemente as coisas da terra; que o dinheiro, ainda que não tenha poder em si mesmo, todavia é um meio de troca entre pessoas, devendo também aprender a usá-lo apropriadamente. O Aspirante filosófico pode compreender que não está preso a relações difíceis e desapontadoras que ele próprio não tenha criado, mas tratará de dar o melhor de si mesmo a essas condições e aprender daqueles com quem se relaciona tudo o que exista para ser aprendido por ele.
Netuno afligido Regente da décima-segunda Casa: O inimigo é decepção. Esse “inimigo”, em razão de sua sutileza, é difícil de derrotar. A infidelidade, a traição, a confusão mental e a perversão constituem sua armadura. Os oponentes do Aspirante que têm esta posição são dissimulados e furtivos, “não jogam limpo”. Bem… o Aspirante não jogou limpo no passado, e agora precisa aprender o que significa receber tal tratamento. Ele dizia uma coisa e fazia outra; pedia que confiassem nele e traia aquela confiança; pretendia ou usava as coisas espirituais como uma cortina de fumaça para o poder ou ganhos que almejava; traficava – não sabiamente, mas muito bem – com as forças astrais; deturpava e enganava. Os Aspectos a esse Netuno afligido representam os tipos de pessoas por meio das quais se efetua esse retorno para cumprir o destino plantado no passado. Uma pessoa pode influenciá-lo a um hábito destrutivo; outra pode participar com ele de uma maldade – e deixá-lo sozinho com a culpa de tudo; sua fé e seu mais profundo amor podem ser dirigidos a alguém que não merece uma grande consideração de ninguém. As duas melhores armas para o Aspirante combater esse particular “inimigo” são: fé nos princípios espirituais e conhecimento. Com o conhecimento ele pode aproximar-se de um alinhamento mais perfeito com a honestidade espiritual – o melhor corretivo para essa forma de condicionamento subconsciente, que resulta em ilusão e decepção.
O mesmo se dá com os outros Planetas: Urano (desequilíbrio), Júpiter (extravagância e ganância), Vênus (possessão), Mercúrio (pensamento) e Marte (masculinidade e sexo). Cada um como Regente afligido ou como ocupante da décima-segunda Casa indica certo grupo de pessoas que servem, embora inconscientemente, como nossos mais valiosos mestres.
O mecanismo do relacionamento proporciona ao Estudante de ocultismo um perfeito “campo de pesquisas” para o estudo da alquimia. O intercâmbio de relações entre duas pessoas “intimamente ligadas” é o pábulo que ambas ou uma delas pode utilizar para “tecer o Dourado Manto Nupcial”. Do metal básico da mistura subconsciente de atrações e repulsões, cada pessoa pode destilar, por suas próprias transmutações, a essência chamada amor. O Grande Mestre recomendou-nos: “Amai aos vossos inimigos e fazei o bem àqueles que te perseguem”. Por que? Porque Ele sabia que a reação de ódio ou de vingança cria um vínculo entre o que recebe e o que perpetra uma má ação, e que somente quando a reação negativa é neutralizada pelo bem poderá ser dissolvido o vínculo.
Quão verdadeiro é que nós tão frequentemente, mesmo sem intenção, causamos dor àqueles a quem reconhecemos amar, iludimos àqueles que poderíamos ajudar, e prejudicamos àqueles por quem alimentamos as “melhores intenções”! Existem muitas relações nas quais podemos expressar facilmente, tanto nossos Aspectos adversos como os Aspectos benéficos. Geralmente tais relações são das mais íntimas, aquelas em que o contato de outra pessoa estimula várias fases de nossa natureza. O estudo comparativo dos horóscopos de duas pessoas “muito íntimas entre si” revelará o significado da relação a cada uma das pessoas implicadas – as harmonias mútuas, os problemas mútuos e os meios mútuos para transmutação alquímica. Nesta aplicação, a ciência dos Astros oferece, de fato, uma chave à elucidação de mistérios. Nenhuma fase da vida é mais ilusória que o relacionamento; em nenhuma outra coisa se faz mais necessário o olho perspicaz da abnegação para “ver através” das névoas do desejo, do medo, da inimizade e do conflito.
Ao alcançarmos um ponto de vista imparcial e impessoal do relacionamento, nós compreendemos que termos tais como: “marido e mulher”, “pai e filho”, “irmão e irmã” e “amante e amado” são vestimentas que se usa para identificação no plano físico. A essência dessas relações encontra-se no plano suprafísico, isto é, nos planos: mental, emocional e espiritual.
Esta essência, seu propósito e sua realidade encontram-se nas Conjunções mútuas dos dois horóscopos. Dois instrumentos do Espírito encontram suas expressões por meio do mesmo grau, aproximadamente, sendo os horóscopos, portanto, pregados juntamente como duas tábuas, tornando-se um prego para cada Conjunção mútua. Exemplo clássico e perfeito de “alquimia por meio das relações” é aquele em que cada Astro envolvido tem uma Quadratura e um Sextil. Cada um destes relacionamentos entre estas duas pessoas estimula a desarmonia latente que existe na outra, mas, cada uma delas tem dentro de si os meios para transmutar essa desarmonia. A Casa em que se encontra a Conjunção em cada horóscopo indicará, naturalmente, o departamento da vida no qual a relação será expressa e qual dos dois será mais diretamente afetado por ela. Um completo “quadro da desarmonia” obtém-se ao combinar os Aspectos de Quadratura encontrado num horóscopo com suas posições no da outra pessoa. Então o efeito de cada pessoa sobre a outra, por ruim ou infeliz que seja tal efeito, é visto em sua plenitude.
O “quadro alquímico” é obtido, do mesmo modo, no que tange aos Astros que formam Aspectos de Sextis em cada carta e a posição e efeito no horóscopo da outra pessoa. Quando se “utiliza” o Sextil, a Quadratura em cada horóscopo é transmutada até certo ponto, o Sextil no outro horóscopo é estimulado por simpatia e as Casas envolvidas são estimuladas favoravelmente; o relacionamento, como um todo, melhora em qualidade e as possibilidades de se prejudicarem mutuamente ficam, portanto, reduzidas. Pela contínua aplicação deste processo, a relação torna-se cada vez mais uma relação de amor – desde que cada uma das pessoas envolvidas ajude a outra a conscientizar-se de seu Eu Superior.
Porém, quando somente uma das duas pessoas “usa seu Sextil” cria-se uma função de astrologia alquímica de natureza das mais difíceis e intensas. Quando isto acontece, o “mal”, que a outra expressa seguidamente por estímulo da Conjunção mútua, é “enfrentado construtivamente” pelo alquimista na expressão do seu Aspecto Sextil. O “malfeitor” intensifica sua tendência adversa pela repetida expressão do seu Aspecto de Quadratura e o resultado é o enfraquecimento da capacidade para se fazer o bem. Falando em termo médico, esta condição pode ser descrita como uma “Sextil-anemia”. Nada menos que uma tragédia. Isso é trágico para o malfeitor e é a condenação do relacionamento. Chegará o momento em que a pessoa negativa não poderá mais responder às possibilidades do seu Sextil. Então as relações, como intercâmbio entre duas pessoas, não mais poderão existir. O relacionamento se dissolve e cada um segue o seu caminho. O alquimista prossegue na expressão de uma vida superior e a outra pessoa deve enfrentar os resultados de sua maldade.
À medida que as relações se complicam por uma variedade de Aspectos mútuos, podem complicar-se também em suas expressões. Pode haver duas ou três Conjunções mútuas, uma das quais pode ser adversa, outra benéfica e outra mista. Semelhantes relações, como essas, continuam por anos e anos – ou vidas e vidas. Além disso, e desde que nenhuma vida comporta somente uma relação significativa, cada um desses Aspectos em uma Carta representa relações com outras pessoas. O indivíduo que tem de lidar com uma relação complexa com outra pessoa pode, para melhor entendimento, estudar seu “intercâmbio” com outras pessoas representadas por seus vários Aspectos. Ele pode aprender com cada uma delas – e deve – se quiser fazer dessa relação um objeto de completa harmonia. As pessoas representadas pelas Conjunções mútuas benéficas são aquelas por meio das quais “ele se sintoniza” com o melhor de si mesmo e por meio das quais compreende mais e mais claramente que pode contribuir para o relacionamento que contém muitas relações mistas. Seus Trígonos simbolizam expressões do seu Eu Superior – as pessoas que refletem seus Trígonos mostram-lhe sua melhor contribuição para qualquer relacionamento.
É interessante notar que as Casas ímpares do horóscopo terminam na décima-primeira Casa e são designadas “Casas das relações”, e que a décima-primeira Casa é a “Casa dos amigos”. Desde a primeira até a nona Casa nós expressamos as relações “pessoais”, “fraternais”, “pais-filhos”, “conjugais” e “pedagógicas”. Então, a essência cultivada, destilada de todas as nossas relações é mostrada pela nossa capacidade de expressar a décima-primeira Casa.
O amor sem paixão, afeição sem possessividade, intimidade sem sufocar, auxílio e encorajamento sem abuso, cooperação sem dominação nem subordinação, diversões saudáveis sem prazeres loucos; simpatia sem sentimentalismo negativo; intercâmbio mútuo sem qualquer perda da liberdade mútua de pensamento e ação – tais são os atributos de toda relação harmoniosamente praticada. Chamamos de Amizade a essência desses atributos, o impulso para a Fraternidade Universal.
Em virtude da décima-primeira Casa representar nossos impulsos mais altamente espiritualizados com respeito ao relacionamento, ela pode ser estudada como um dos “barômetros espirituais” do horóscopo. Qualquer problema de relações pode ser solucionado na medida em que a décima-primeira Casa seja “benéfica”. Todo problema irmão-irmã, pais-filhos e marido-mulher podem ser “desatado”, até certo ponto, pela aplicação dos impulsos da décima-primeira Casa expressos harmoniosamente.
Pode-se dizer então que a Amizade é a panaceia para as “feridas da relação”.
Essas “feridas” são as frustrações daquelas qualidades essenciais peculiares a cada tipo de relacionamento. As relações, ou irmão-irmã, fraternais são experimentados durante a infância e os anos de formação e representam o primeiro passo para as realizações da décima-primeira Casa. Na intimidade da vida doméstica e guiada pelos pais, meninos e meninas aprendem a cooperar, compartilhar e desfrutar os prazeres em grupo. As reações mútuas entre irmãos e irmãs e seus pais constituem os elementos básicos de suas tendências no relacionamento. Naturalmente, quando as relações fraternais estão repletas de discórdia, medo e ódio na maturidade, as realizações posteriores, muitas vezes, são inibidas e distorcidas.
Muitos homens e mulheres experimentam a miséria e a desarmonia no casamento devido aos negativos subconscientes oriundos das relações fraternais na infância. A competição pelo favoritismo dos pais, a rivalidade em talentos e conquistas, as aversões, os ressentimentos e todas as outras formas de conflito, se não transmutadas podem muito facilmente ser – e geralmente o são – transportadas para padrões conjugais e paternais, causando fracasso no relacionamento mais tarde na vida.
É evidente que as condições variam e assim também acontece nos horóscopos. Um indivíduo pode ter a “terceira Casa difícil” e a “sétima Casa afortunada”. Em outras palavras, suas experiências na infância com os irmãos e/ou irmãs podem ter sido muito infelizes e sua companheira de casamento pode ser a maior bênção de sua vida. Contudo, se mais tarde ele transfere para o seu casamento aquelas reações sombrias, poderá não corresponder à ajuda que sua esposa possa lhe dar.
Outro indivíduo pode desfrutar de um companheirismo do tipo mais harmonioso e produtivo com seus irmãos e irmãs. Não obstante, no casamento enfrenta as suas maiores provações. Todavia, em virtude das relações harmoniosas exercidas na infância, ele conhece muito mais do significado da vida. As imagens do seu relacionamento são pintadas com Alegria, Companheirismo, Dar-e-Receber, Confiança Mútua e coisas do gênero, de forma que por meio da expressão desses poderes espirituais ele pode lidar com os seus problemas conjugais.
Nenhum Estudante de astrologia precisa suportar dor e sofrimento por anos e anos em razão de seu relacionamento infeliz com o irmão ou irmã. Essa infelicidade é resultado apenas de uma coisa: da expressão contínua de uma fase negativa da terceira Casa. Conforme essa fase negativa seja transmutada o relacionamento é melhorado e a dor neutralizada. O relacionamento fraternal é, de todos os relacionamentos, o único que pode ser mais diretamente convertido em Amizade. Uma vez que geralmente não envolve os elementos possessivos da paternidade e nunca envolve o intercâmbio sexual do casamento, a relação contém muito mais do elemento de liberdade.
Num Aspecto o relacionamento fraternal é particularmente importante do ponto de vista psicológico. Referimo-nos à experiência da responsabilidade de destino maduro de uma pessoa por um irmão ou irmã mais jovem ou menos evoluído. Neste caso o relacionamento nos planos internos torna-se o de pai para filho, e as reações negativas da pessoa mais idosa podem ser transmutadas mais eficazmente por meio dos impulsos paternos-maternos do que por meio da décima-primeira Casa. Em outras palavras, os impulsos paterno-maternais constituem o “caminho de transcendência”, ou da “redenção do destino maduro”. Uma lição séria de paternidade é indicada por tal condição – seu cumprimento libertará a pessoa para expressar a verdadeira paternidade com muito mais êxito. Em virtude de sua qualidade sutil e ilusória, esse tipo de “paternidade de destino maduro” geralmente contém muito sofrimento em sua expiação, mas seu cumprimento resulta numa grande recompensa em sabedoria e fortalecimento espiritual – o que, em seu todo, representa vantagens para a pessoa no relacionamento com os seus próprios filhos.
A queda e fracasso das relações pai e filho, quer reais ou esotéricas, deve-se mais ao egoísmo e possessividade dos pais do que a qualquer outra coisa, de maneira que em nenhum relacionamento na vida o ponto de vista impessoal se faz mais vitalmente necessário. Nenhum pai ou mãe pode ser “bom” – no sentido espiritual – a menos que os atributos da amizade sejam expressos no relacionamento. Deve haver reconhecimento do valor intrínseco e tendências do filho. Deve haver disciplina e orientação, mas em termos das necessidades da criança. Nenhum pai ou mãe é bom quando faz da vida do seu filho uma realização vicária de suas próprias frustrações. O pai ou mãe, que é amigo ou amiga, guia seu filho para a melhor expressão do seu próprio padrão de vida.
Observe sua décima-primeira Casa e procure sua “chave da Amizade”. Esta é o Astro que, sem aflição, rege a décima-primeira Casa ou é aquele Astro que forma o melhor Aspecto com o Regente. Os Astros que se encontram na décima-primeira Casa indicam condições que são interpretadas por meio da amizade, mas o Regente é a chave para a expressão de amizade e fraternidade.
O Regente da décima-primeira Casa pode ter muitos Aspectos, tanto harmoniosos quanto desarmoniosos. Neste caso, contudo, se um Astro não afligido forma um bom Aspeto com o Regente, tal Astro representa puramente um canal de “transmutação-de-relação”. Esse é o Astro que, se aplicado, pode anular os obstáculos e desfazer o emaranhamento de qualquer problema no relacionamento. Representa o melhor que você tem a oferecer no intercâmbio espiritual com outras pessoas.
Combine a vibração deste Astro com a do Signo na cúspide da décima-primeira Casa e com a vibração do Regente desta. Esta é à base de sua “Casa dos Amigos”. Ela mostra um composto de como você ama seus amigos, o que deseja fazer por eles, o que pode fazer por eles, e o que eles veem de melhor em você.
As pessoas identificadas por Aspectos mútuos, com os Trígonos nas condições de sua décima-primeira Casa são aquelas que estimulam a sua mais profunda capacidade de amar. É por meio delas que você estabelece contato com o melhor do seu próprio ser e expressa o que há de mais puro em você em todas as relações. Por meio delas é que você encontra seu mais claro reconhecimento da Fraternidade Universal.
As pessoas identificadas por Aspectos mútuos, com as Quadraturas ao Regente da décima-primeira Casa são “inimigos de suma importância”. Elas externam ou objetivam suas reações que frustram ou destroem a amizade. Em virtude dos impulsos transcendentes da décima-primeira Casa, os Aspectos adversos (que representam frustrações e dificuldades) podem manifestar-se como: ódios, temores, e conflitos intensos. Toda relação em sua vida é manchada ou desvirtuada na medida em que essas aflições permaneçam inalteradas. Nenhum Estudante de ocultismo ou de astrologia deve ignorar essas “advertências” do horóscopo.
Concluindo, aqui vai um exemplo que ilustra o inter-relacionamento da Astrodinâmica com “Os Astros são Seres”. Para melhor entendimento, expomos um exemplo bastante simples.
Duas pessoas se conhecem na maturidade da vida, e então se estabelece de imediato uma amizade profunda e feliz entre elas. Cada uma tem uma Quadratura e um Sextil ao Regente da décima-primeira Casa, e o contato é representado pela Lua progredida em Trígono com o Regente da décima-primeira Casa de uma delas, o qual está em Conjunção com outro Astro no “padrão” da décima-primeira Casa da outra pessoa. Em outras palavras, o relacionamento entre as duas “floresce sob as melhores condições”.
Cada pessoa reagiu, durante um período de muitos anos, a todas as fases do padrão de sua décima-primeira Casa, e a força comparativa, naquele período de vida, exercida pelas influências do Sextil e da Quadratura foi um teste perfeito para essa amizade. Na medida em que o Aspecto adverso de uma pessoa seja expresso será dada à outra, oportunidade de transmutação; na medida em que ambas respondem à Quadratura, a amizade pode deteriorar e romper-se e a medida em que cada pessoa transmuta esses Aspectos adversos a outra pessoa será “elevada” espiritualmente.
Este tipo de relacionamento representa uma oportunidade perfeita para a prática da alquimia. Aquilo que seja adversamente inclinado nas relações pode ser neutralizado pelas expressões mais elevadas de ambas as pessoas unidas amorosamente.
Existe expressão de amizade mais perfeita?
Considerando a simplicidade da estrutura de um horóscopo, não podemos deixar de impressionarmo-nos pela profundidade de seu simbolismo. Um centro e doze divisões rodeadas por um círculo – isso é o tudo. Isto é a representação do Cosmos. Nada na simbologia representa tanto por tão poucos meios.
A estrutura de um horóscopo simboliza a base da manifestação de qualquer coisa: um ser humano, um evento, uma nação ou um Sistema Solar. Cada objetivação tem seu próprio padrão ou frequência vibratória, e o simples traçado de um círculo com divisões partindo de seu centro pode ser usado para representar o “corpo” dessa objetivação.
Consideremos um Sistema Solar: dizemos que o Logos, tendo selecionado uma área esférica de espaço na aurora da manifestação, verte suas energias no centro, objetivando assim um Sol – ou centro de manifestação. A Vontade do Logos interpenetra essa imensa esfera em todas as suas partes. Partindo do centro – ou Sol – irradiam-se vários campos para a atividade evolutiva. Chamamos a esses “campos” de Astros, sendo que cada um provê um lar para o desenvolvimento de vários tipos de Seres. Cada Astro está em relação ao Criador tanto quanto cada cor está em relação ao Princípio da Luz ou cada tom está em relação ao Princípio do Som. O Sol, como corpo central, é a Vontade do Logos objetivada, e os corpos do sistema são as expressões dessa Vontade em manifestação.
O horóscopo, como um mapa dos céus, deveria realmente mostrar o Sol no centro. Contudo, em relação à Terra, que é nosso campo de evolução, e para propósitos astrológicos, incluímos o Sol na família dos Astros porque, em termos humanos, a expressão da Vontade ainda está para ser desenvolvida pelos processos evolutivos. A humanidade, em sua maior parte, vive negativamente em sentimentos, temores e desejos. Consequentemente, a dominação pela experiência é inevitável. Viver na “consciência Solar” implicaria em uma completa identidade com a Fonte, completo desapego das exigências do sentimento, completo controle e direção de todas as faculdades expressas pelo ser humano. Isto, em outros termos, é Maestria. Em outras palavras um Mestre, mesmo encarnado, determina suas experiências pela irradiação do seu próprio centro, não pela resposta aos impulsos e tendências dos seus Astros. Ele então, e tanto quanto possível, é verdadeiramente um criador – vive em sua consciência Solar.
Mesmo do ponto de vista da mais mundana abordagem à astrologia, usa-se o mesmo traçado. O local do nascimento é o centro do qual se irradiam as várias experiências da vida em termos de pessoas, lugares e coisas. O mesmo traçado é usado para representar o “Ego objetivado”, o Eu Superior – ou o “Deus em potencial” é o centro do círculo, e os diversos estados ou expressões dessa potencialidade são as posições dos Astros e seus Aspectos. Deste modo o horóscopo é visto, seja qual for sua aplicação, como o símbolo de uma manifestação de Deus.
Uma vez que o Sol representa o mais elevado estado de consciência conhecido pelo ser humano, o princípio envolvido é o Poder – o primeiro aspecto do Logos. Como astro-analistas, devemos prestar muita atenção aos Aspectos do Sol no horóscopo, uma vez que esses representam os “graus de consciência de Deus” que a pessoa alcançou até aqui em seu atual ciclo de desenvolvimento. Cada Aspecto benéfico[4] do Sol que indique uma aplicação harmoniosa ou construtiva do princípio de Poder é uma redenção. E cada Aspecto adverso[5] é visto, portanto, como um obstáculo ou perversão do Poder. O Sol é a síntese de todos os Astros, de modo que qualquer Astro identificado com o Sol por Aspecto, por disponente[6], etc., ganha, por conseguinte, em poder e esfera de expressão, quer espiritual ou mundanamente. Os Astros, especialmente os dinâmicos, posicionados em Leão, indicam que sua expressão construtiva deve basear-se no uso correto do poder; as aflições indicam tendências para pervertê-lo.
Um interessante estudo é o de Mapas Natais que têm o Sol sem Aspectos. Tal padrão nos diz que, neste ciclo, o nativo que tem esse mapa natal está iniciando sua consciência de poder. O Signo onde o Sol está nos revela o caminho espiritual ou esotérico desse desenvolvimento. A Casa em que o Sol se posiciona nos revela onde ele começa esse caminho, nesta encarnação. Os Astros e seus Aspectos em Leão indicam por meio dos quais ele procura expressar o Princípio de Poder, e por quais canais será expressa no futuro sua consciência de Poder. O Sol na quarta Casa, quaisquer que sejam os seus Aspectos com os outros Astros, mostra as possibilidades de expressão do Poder na maturidade da vida. Os Aspectos adversos, a esta posição, indicam as pessoas ou experiências e reações que ameaçarão essa realização durante os anos de crescimento.
Fixemos em nossas Mentes a ideia de que os Aspectos adversos que envolvem o Sol representam problemas graves. Os outros Astros podem estar conflitantes entre si, podendo resultar disso muitos problemas, mas quando o crescimento e o propósito da consciência do poder são impedidos, a habilidade da pessoa para lidar com suas dificuldades Astrais fica grandemente limitada. As soluções ficam, portanto, muito mais difíceis de serem encontradas e aplicadas. Em outras palavras, o horóscopo inteiro é enfraquecido, na medida em que a consciência Solar é inibida ou debilitada. E, consequentemente, as aflições dinâmicas no horóscopo ficam com muito maior poder para “afligir dinamicamente”. Força, ou energia de qualquer tipo, deve, numa análise final, ser controlada pelo poder que se irradia do centro. Aclare esta ideia imaginando a posição do Sol como o centro de atividades no horóscopo, irradiando suas energias em todas as direções. As Quadraturas e Oposições ao Sol podem ser vistas como linhas de força dos Astros, que interceptam ou interrompem essas irradiações em ângulos retos ou frontalmente, desde o lado oposto do círculo.
Basicamente, a Casa que tem Leão na cúspide mostra o departamento da vida que contém sua fonte de experiência de Poder ou “lição de Poder”. Sejam quais forem às condições adversas indicadas nessa Casa – e podem haver muitas – expressam o seu poder e autoridade nos assuntos dessa Casa que você possui melhores habilidades. Os Astros nela indicam o que você deseja expressar, mas Leão, na cúspide, mostra como você pode expressar melhor esses impulsos. A posição do Sol indica onde procuramos dominar diretamente e governar nossas condições. Por conseguinte, ela é nosso “centro” para esta encarnação. Naturalmente é possível ter uma grande variedade de “condições solares”. Contudo, qualquer Astro em Aspecto favorável com o Sol – e deste modo integrado com poder, até certo ponto – pode ser utilizado como um neutralizador de Aspectos adversos em outras partes do horóscopo. Qualquer que seja esse Astro é automaticamente muito influente no Tema, podendo ajudar a resolver as desarmonias.
Uma consideração sobre os Aspectos adversos do Sol: infunde poder ao Astro que aflige e o faz perceber adversamente; deste modo encontra-se a essência de tais Aspectos.
Sol-Marte – Poder-Desejo: O poder se expressa por meio do conflito, da competição, dominação, conquista sexual, impiedade e crueldade. Marte é auto expressão básica ou primitiva, de maneira que quando se abusa do poder, por meio dele, sua vibração libera uma tremenda energia que tende a resultar em alguma forma de destruição, dores aos outros, ou “dominação a qualquer custo”. O poder se expressa aqui como egotismo. Esses Aspectos adversos simbolizam a polaridade masculina não regenerada. Até certo ponto, o Sol adversamente aspectado em Áries ou em Escorpião contém muito da mesma coloração; também, qualquer aflição ao Sol em Conjunção com Marte, em qualquer Signo. Já que esse Aspecto é tão basicamente masculino em qualidade, sua redenção pode ser encontrada em alguma aplicação construtiva da polaridade feminina: Lua, Vênus ou Netuno.
Sol-Júpiter – Poder-Orgulho: Aqui o poder se expressa em várias formas de auto aprovação negativa ou falsa. Estas formas de “batidinhas em suas próprias costas” podem ser atribuídas ao tipo de consciência que fornece muito valor indevidamente a abundância financeira, à posição social ou profissional, ao conceito da própria família, que se gaba de seus talentos e habilidades e do tipo de benevolência que geralmente é expresso visando o reconhecimento ou os aplausos. Um aspecto de “falsa aristocracia”, símbolo de esnobismo e pretensão. A pessoa assim condicionada tende a exagerar aquilo que supõe valioso em sua própria natureza e condições e reage com raiva ou com ofensas a qualquer insinuação de que ele não é absolutamente o que presume ser. Sob crítica aberta e franca, fecha os ouvidos e a consciência e se retira para a torre de marfim de sua imponente dignidade ofendida; mas se permitam ouvir a ele, indiretamente, que se esperam dele certas coisas boas e ele se voltará para apoiar a bela opinião que aprecia. Em outras palavras, ele vai “derramar seu poder” em melhoria se ele sente que vale a pena o esforço, mas, em sentido inverso, ele vai derramar os mesmos fluxos de poder em seu orgulho, se ele for menosprezado. Ele deve manter sua boa opinião de si mesmo! Tal pessoa não poderia fazer nada melhor para harmonizar suas desarmonias internas do que criar um padrão regular de atos benevolentes – e não falar sobre eles.
Sol-Saturno – Poder-Irrealização: esta é, talvez, o mais “doloroso” de todos os tipos de conjunto de Aspectos adversos ao Sol. Indica uma área de experiência tão carente de realizações que as energias do próprio Centro são exigidas para redenção do destino maduro. Em um horóscopo predominantemente dinâmico, esse conjunto enfatiza fortemente a ambição e na realização de alguma forma. A “ânsia de subir” é sentida intensamente e o poder é utilizado em grande escala para vencer os obstáculos. Aparentemente esse padrão representa um passado em que as oportunidades de desenvolvimento foram negligenciadas ou desperdiçadas. Assim, nessa encarnação, o tempo perdido precisa ser redimido. Num horóscopo predominantemente passivo, esse conjunto é fortemente gravitacional, em seu efeito: as exigências de Saturno prendem a pessoa à Terra. Em tal caso, examine cuidadosamente o horóscopo para ver se descobre qualquer impulso dinâmico que possa proporcionar uma possível liberação de poder nos canais de crescimento. As pessoas representadas por Saturno neste conjunto são aquelas que tendem a reprimir ou inibir a pessoa em questão. Elas ameaçam a própria individualidade desta, e embora ela possa ter que redimir-se de uma experiência de responsabilidade muito necessária, para o bem de seu próprio viver construtivo e saudável, não deve permitir ser tão influenciada por outra pessoa que a sujeite ao desespero, ao enfraquecimento da própria confiança ou a outros possíveis negativos psicológicos.
Sol-Urano – Poder-Ilegalidade: esse é tipo de conjunto de Aspectos adversos ao Sol do anarquista. Em razão da natureza e propósito de Urano, sua Quadratura ao Sol, ou Conjunção adversa é um potencial, em alguma forma, de terrível destruição. Tão grandes são as possibilidades de liberação de energia indicadas por esta combinação que se deve achar e analisar cuidadosamente todo meio de controle. Enorme tendência para cristalizar-se de alguma maneira está automaticamente implicada como um fator concomitante a esse conjunto – examine, cuidadosamente, as condições de Saturno e daí determine em que parte de sua experiência a pessoa tende a rebelar-se com tal intensidade – e possivelmente até com violência. Uma característica de gênio em potencial é indicada por qualquer Aspecto de Urano com Sol, mas a Quadratura e a Oposição parecem indicar a possibilidade de considerável destruição na expressão dessa genialidade. Se “bem aproveitado”, esse conjunto lança tremendas cargas magnéticas e dinâmicas em outros Astros envolvidos e, consequentemente, quando dirigido construtivamente pode resultar em grandes empreendimentos e habilidades.
Sol-Netuno – Poder-Ilusão: esse tipo de conjunto de Aspectos adversos ao Sol é muito sutil e difícil. O poder de visualizar – e sonhar – é intenso, mas desde que esse conjunto indica perpetração de ilusão no passado, demonstra um padrão de desilusão na atual encarnação. O instinto dramático é pronunciado; com efeito, tão pronunciado que às vezes a pessoa vive seu sonho de “coisas como poderiam ser”, ao invés de realizá-las como elas são.
Num artista, particularmente das artes regidas por Netuno – música e drama – esse conjunto é muito inspirador; mas é inspiração sem controle. Quando estimulada, a pessoa pode “sintonizar”, sem esforço, as influências sutis e tornar-se um instrumento. Todavia, o preço pago por um excesso desta “sintonia” é o esgotamento físico, psíquico e nervoso – perda de força, vitalidade e de saúde em geral. A pessoa representada por Netuno neste padrão – em suas fases adversas – são as que podem induzir o indivíduo a hábitos debilitantes e, portanto, enfraquecê-lo quanto aos seus propósitos.
Se o horóscopo for eminentemente passivo em qualidade, com fraca fonte de estímulos ou “impulsos”, esse conjunto, se fortemente marcado, pode indicar um indivíduo que passa a vida sonhando, sem propósitos nem realizações. Cedo ou tarde, ele deverá cair na realidade e, até certo ponto, juntar seus esforços aos canais do viver construtivo. Quando seus sonhos se desfizerem e sua torre de marfim desmoronar, e aqueles a quem amava e admirava se converter em fonte máxima de sua dor, então ele há de encarar essas experiências com uma aplicação construtiva de Netuno – fé, conhecimento espiritual, amor puro e, sobretudo, aprender daqueles que o iludiram. Esses refletiram apenas aquilo que, no passado, foi falso nele. Esse conjunto indica sintonia com forças superiores, ou no mínimo com forças invisíveis, as quais, em expressão negativa, produzem experiências com o raio astral inferior. Para reconstruir seu padrão ele precisa purificar e depurar suas “imagens internas”, por meio de meditações construtivas ou orações – e converter suas inspirações e sonhos em realidades, por meio de alguma forma de trabalho ou realizando propósitos autodirigidos de concretizar ideais verdadeiramente elevados.
Sol-Lua – Poder-Sentimento: pais com inclinação astrológica que tenham um filho com Sol e Lua em Aspectos adversos devem tentar adotar uma atitude impessoal para com ele. Esse conjunto indica que sua Mente subconsciente é muito facilmente impressionável, e que “quadros” de sentimentos negativos, formados na infância, podem obscurecer a consciência de si mesmo e criar-lhe confusão pelo resto da vida. O estudo de tal Mapa Natal da criança revelará aos pais as direções que eles precisam tomar; mas, se em sua excessiva preocupação por cada momento da existência dele, eles o impressionam com essas preocupações, com seus temores e ansiedades, o que podem causar-lhe um grande mal – embaraçando o subconsciente dele com seus próprios Aspectos adversos e afirmando a incapacidade dele em “abrir seu próprio caminho”, enquanto cresce. A criança com esse conjunto deve ser guiada construtivamente para tomar suas próprias decisões, nunca forçada contra sua vontade. Isto se aplica, naturalmente, a coisas relativamente sem importância. É claro que uma criança não pode crescer desenfreada, mas aquelas coisinhas que são de seu interesse pessoal devem ser respeitadas pelos outros para que ela possa, no mínimo até certo ponto, formar consciência do seu pequeno mundo. Tem-se verificado que o impacto de alguma influência na infância sobre o subconsciente da criança causa-lhe um conflito interno que resulta em desarmonia e fracasso na vida adulta. Quando a criança aprende a conhecer o seu próprio poder sem influências impróprias, ou negativas, sobre seu subconsciente, é muito mais capaz de prever, planejar, criar e realizar seus propósitos. Afinal, diz-se que o Sol representa o florescimento da personalidade e da habilidade, de maneira que, a consciência do eu como um criador do bem pode ser melhor estimulada já no começo. Se um adulto, que tenha o Sol em Quadratura ou Oposição à Lua procura solucionar uma tendência desintegradora em sua vida, faça o que pode ser feito para induzi-lo de algum modo à psicanálise, de forma a trazer à superfície de sua Mente consciente as compulsões que podem ter-lhe sido impressas quando era pequeno. Ele deve lançá-las para cima e para fora para limpar seus canais a favor de uma expressão de vida mais construtiva.
Quando estudamos as posições do Signo e dos Aspectos da Lua em um horóscopo lidamos com um dos fundamentos da expressão da vida: a base da polaridade feminina. A Lua é uma das pedras angulares de um horóscopo; é a raiz de onde brotam todas as outras variações das fases passivas, receptivas e emocionais da personalidade. O significado mais completo da vibração Lunar só pode ser compreendido quando se entende que cada ser humano possui dentro de si as essências de ambas as polaridades; todo horóscopo tem Sol-Marte, bem como Lua-Vênus, em um ou outro padrão.
O sexo físico, no mundo das formas, é uma ênfase específica de ambas as polaridades para os propósitos de perpetuação. Contudo, nos planos internos das impressões subconscientes, dos sentimentos, das memórias de destino maduro e dos padrões raciais a influência da Lua prevalece. Vê-se assim que a realização dos processos evolutivos se efetua nos aspectos físicos de ambas as polaridades, geralmente se alternando, e desde que o sexo físico se faz acompanhar de uma especialização de experiências, todos os seres humanos precisam conhecer a vida, como ser masculino e como ser feminino. Esta “especialização” não é só de expressão, mas também, e automaticamente, de destino maduro; portanto, certas lições só podem ser aprendidas por meio da encarnação como ser feminino. Em relação a isto, grande parte do destino maduro do ser masculino pode ser atribuída, por causa e efeito, a descumprimentos e desvios dos impulsos femininos em encarnações passadas, sendo a Lua, em tal horóscopo, a chave desses padrões de destinos maduros. O destino maduro que o homem expia através das mulheres é meramente a objetivação de sua própria polaridade feminina não regenerada; ele se manifesta como ser masculino, mas, por reflexo, através de seus contatos e trocas com “a mulher de sua vida” essas desordens internas são manifestadas.
Marte, dinâmico e vitalizante, é a função fecundante, a essência do sexo masculino; a Lua é a que recebe essa energização e converte a semente adormecida em forma. Portanto, a Lua é o elo entre o Ego e um grupo intitulado família. Esse grupo é o agente pelo qual o ser masculino, como macho, projeta-se na corrente de vida.
Portanto, a Lua é vista como o Princípio da Maternidade e, na astrologia mundana ou objetiva, esse é seu significado básico. Por meio da experiência como mãe, a humanidade recebe lições inigualáveis em alcance, profundidade e importância. É como mãe que os potenciais do egoísmo e egotismo, da dominação e destruição de Marte recebem suas primeiras transmutações alquímicas, através da iniciação do auto sacrifício exigido pelas funções da maternidade.
Muito se tem dito, desde épocas passadas, sobre a santidade da maternidade; quão poucas pessoas percebem que o mesmo impulso que leva uma mulher primitiva, semelhante ao animal, a ceder seu corpo à dor para que a corrente de vida possa ser perpetuada é, no microcosmo, idêntico àquele impulso pelo qual um Mestre, por meio de formas de transmutação e alquimia altamente desenvolvidas, “nutre” a vida espiritual da raça. A mulher primitiva responde instintivamente aos apelos do sangue e do desejo; o Mestre realiza suas aspirações transcendentais com amor impessoal. Quando se trata de nutrir a vida de outro – ou de outros – o princípio da maternidade é expresso (Astrologicamente, é claro, a mulher do exemplo acima é Lua-Marte; o Mestre, como uma expressão de Luz espiritual, sintetiza o espectro astral. No caso dele, a Lua é expressa, cosmicamente, como Netuno e Marte é expresso como Urano).
Como, poderia se perguntar, pode cada criança, em uma família grande, ter a Lua em um Signo diferente, uma vez que todos têm a mesma mãe? Em virtude da qualidade de experiência envolvida na maternidade, e das variações de “capacidade”, em níveis psicológicos e emocionais, e em situações domésticas que podem ocorrer durante os anos de fruição, uma mulher, quando mãe de uma sexta criança, não é a mesma que era quando era mãe só da primeira. Cada criança, em uma família, tem um padrão individual, e a sua Lua reflete ou indica um “quadro materno” individual. Consequentemente, ainda que a mãe seja a mesma pessoa, ela é “vista” diferentemente por cada criança, de acordo com a consciência ou subconsciência de cada uma. E isso é muito importante: ela pode ter um tipo diferente de vínculo de destino maduro – alguma expressão de atração ou repulsão básica – com cada filho. Portanto, a Lua de cada criança indica um padrão diferente de reações e sentimentos no relacionamento deles com a mãe.
A posição da Lua no Signo no horóscopo de uma menina – uma mãe em potencial – mostra, basicamente, o tipo de mãe que será ou poderá ser; os Aspectos da Lua descrevem suas experiências básicas de maternidade. No horóscopo de um menino, por reflexo, a Lua descreve a tendência geral de suas experiências domésticas e a essência de suas atitudes para com as mulheres, em geral. Aqui, há um importante ponto a ser levado em conta: em virtude da transição da mãe de uma família, o pai pode ter que tomar seu lugar na vida de seus filhos; sua Lua, então, indica sua habilidade para assumir esta responsabilidade. Em outras palavras, ele deve ser tanto mãe quanto pai, e não apenas seu Sol-Marte, mas também sua Lua recebe toda expressão direta. A recíproca é verdadeira: o Sol-Marte de uma mulher indica sua habilidade para exercer o poder e tomar iniciativas para criar sua prole, se o pai morre. Ambos padrões de polaridade são então sintetizados por meio da vibração de Urano para a transcendência das responsabilidades nas relações e destino maduro de família.
A Lua como um fator mental: ela simboliza os processos da “mente de sentimentos” subconsciente, não do pensamento impessoal separado. Ela é opinião, baseada em padrões familiares ou raciais que podem ou não ter muita relação com a realidade. Em outras palavras, ela é o “pensamento motivado por reações sentimentais”. Aqui a Lua é vista como “ponto de vista pessoal” que certamente se torna evidente quando a pessoa discute com qualquer outra pessoa ou questiona qualquer coisa em um estado de perturbação emocional. Como fator básico da triplicidade mental – Lua, Mercúrio e Netuno – a Lua encontra sua regeneração por meio de processos de disciplina e controle emocional e de desenvolvimento do desprendimento pessoal. Estamos ligados a pessoas e coisas de acordo com a intensidade e de sentimentos que nutrimos por elas. São nossos sentimentos que contribuem para a realidade tanto quanto se referem às relações pessoais. Só quando o sentimento é eliminado, o preconceito suprimido, as influências dos pais e da família transcendidos, e o equilíbrio interno desenvolvido é que “as coisas são vistas” – por meio de Mercúrio – “como são em si mesmas”.
Assim Mercúrio diz: “Este chapéu é azul”. Um fato impessoal. A Lua pode dizer: “Eu penso que esse chapéu é encantador – sua cor é exatamente como a dos olhos do meu bebê”. Sentimento pessoal. Esses são naturalmente exemplos triviais, mas servem para indicar como os sentimentos pessoais podem influenciar a nossa interpretação dos fatos.
Esta artimanha da Lua para perturbar, pelo sentimento, nossas percepções podem se manifestar de modo mais amplo para produzir resultados trágicos. Um rapaz rompe o namoro com sua jovem namorada; ela reage, emotivamente, com grande ressentimento e sofre durante anos com a convicção (subconsciente) de que “todos os homens são enganadores e mentirosos” (Até podemos ver seu rosto tenso e ouvir sua voz estridente). Ela então não está pensando com sua inteligência, mas com o sentimento de decepção, orgulho ferido e solidão. Um indivíduo sofre ofensas e injustiças por parte de outro de etnia ou nacionalidade diferente. Ele reage com amargura e essa recai sobre seus filhos. Um desses filhos absorve essa infeliz impressão, e, em virtude de uma pessoa ter prejudicado seu pai, ele, filho, adota dali por diante uma atitude de prevenção contra as pessoas daquela nacionalidade e sente o forte impulso de condená-las a todas, sem exceção, à desgraça. Neste exemplo fica revelada uma fraqueza na atitude do filho. Aqui ele não usa sua própria habilidade para pensar, mas se permite sujeitar-se inteiramente aos impulsos negativos das emoções perturbadoras do seu pai. E enquanto não fortalecer seu poder de discernir e pensar – conscientemente – ele continuará vitimando a si próprio por meio de seus sentimentos descontrolados nas atitudes relativas a essa particular nacionalidade.
Esta retenção de padrões subconscientes, por meio dos sentimentos, representa, em larga escala, aquilo que é conhecido como “memória” de raça e neste contexto a Lua, como “mãe”, significa a identificação do indivíduo com a sua nacionalidade ou etnia. Marte nos impele a lutar por nosso país, mas por meio da Lua amamos nossa pátria, como um filho ama sua mãe. O simbolismo é exatamente paralelo. Contanto que a consciência de raça seja pertinente aos padrões subconscientes de uma pessoa, ela se encontra na mesma classe de submissão aos seus “sentimentos nacionalistas” que uma criança quando, “presa à sua mãe”, vê na segurança protetora do seu amor a razão do seu viver. Esses estados mentais são idênticos em essência; um é infantilismo com respeito a um indivíduo, o outro é infantilismo com respeito a um padrão de raça. Quando a emotividade amadurece, todas as mães são Mães, as pessoas de quaisquer nacionalidades são Irmãos e Irmãs, e qualquer ou todas as nações podem ser o Lar. Contudo, na escala das coisas, cada padrão racial provê uma “matriz de nutrição” – ou lar – para um propósito específico e evolutivo. Cada uma é “boa em seu próprio tempo e para seu próprio propósito”, justamente como cada mãe é “a mãe certa para cada criança”.
Uma vez que a Lua, como um fator mental, se refere a interpretações do horóscopo sob um ponto de vista psicológico e psiquiátrico, não podendo, portanto, ser tratada detalhadamente aqui, oferecemos alguns pontos de interpretação básica da Lua, como Maternidade, em combinação com os outros Astros.
O grau ou intensidade de capacidade maternal é indicado pelo Signo em que a Lua se posiciona, os “padrões de experiência” pelos Aspectos que a Lua recebe dos outros Astros. No Signo de Câncer a Lua está em sua posição mais maternal; o impulso para nutrir é aqui acentuado ao máximo. Os dois outros melhores Signos para capacidade maternal são: Touro e Peixes. Em Leão, o Signo solar, a Lua brilha com calor e poder, mas com uma qualidade positiva que contrasta com a sua passividade básica de natureza. Em Libra ela se mistura lindamente com a vibração Venusina do Signo das sociedades, o que enfatiza os impulsos da sétima Casa. Em Gêmeos e Aquário ela está em seu mais puro mental; e em Aquário a Lua é tão impessoal quanto ela pode ser – desprendida, científica, e em sentimento é amigável, ao invés de simplesmente maternal. Em Capricórnio ela se mistura com o lado da forma da vida, por meio da vibração de Saturno; aqui ela é prática, capacitada, fidedigna ou confiável, mas algo carente da sensibilidade e simpatia que marcam o instinto maternal. Em Escorpião ela é intensamente emocional e fecunda, mas a vibração de Marte aquático enfatiza a força e a severidade. Esta posição é considerada desfavorável para a Lua, sob o ponto de vista psicológico. No horóscopo de um homem ela não reflete uma “imagem das mulheres” particularmente harmoniosa ou feliz. Em Áries, a Lua definitivamente não é ela mesma. Aqui ela se expressa com uma qualidade dinâmica, egoísta e masculina que é a antítese de sua natureza feminina – a palavra-chave é “autoafirmação”.
Deve-se enfatizar que a Lua focaliza o instinto maternal, mas existem diversas classes de “variação de experiência”. Estas são indicadas pelos Astros que se encontram no Signo de Câncer, regido pela Lua; diz-se que esses Astros estão disponentes[7] pela Lua. Também os Astros que se acham na quarta Casa – não importa o Signo – indicam, em grande medida, o lado objetivo da “consciência doméstica”; é através da “experiência do lar” que esses Astros encontram seus principais canais de expressão e o mais elevado potencial para realização.
A faculdade do instinto é uma das palavras-chaves da função da Lua. A esse respeito, a Lua simboliza o “instinto racial”, a “compulsão biológica”. Ela representa a expressão mais profundamente enraizada da força da polaridade feminina. Embora de natureza passiva e receptiva, a Lua encontra sua regência e seu detrimento em Câncer e Capricórnio, respectivamente, ambos os Signos Cardeais; vê-se assim certa faculdade dinâmica ou geradora na atuação da Lua.
Na medida em que a Lua esteja aliada a Signos que lhe sejam afins, ela expressa, com poderoso impulso, profundas necessidades de realização; quando está aliada a Signos com os quais não tem afinidade, ela deve expressar seus impulsos por meio de qualidades incompatíveis com a sua nota-chave básica; na medida em que esteja bem aspectada, ela promete realizações, harmonia nas experiências de dar-e-receber e saúde; na medida em que esteja com Aspectos adversos, ela indica: “destino maduro feminino”, tanto objetiva quanto subjetivamente, as necessidades para transmutação e regeneração de sentimentos, desarmonias físicas – especialmente nas mulheres; e as indicações de transmutação da expressão feminina são mostradas em qualquer Aspecto adverso da Lua, tanto nos horóscopos dos homens quanto nos das mulheres.
As notas interpretativas que se seguem devem, necessariamente, permanecer básicas e simples, para maior clareza. Lembre-se de que a Lua rege a função da Mente Subconsciente[8], e que qualquer Aspecto adverso representa uma “imagem” negativa que, trazida do passado, está “próxima à superfície da consciência”, podendo manifestar-se definitivamente na infância. A transmutação de um horóscopo começa com a transmutação dos Aspectos adversos da Lua.
Lua-Sol: O impulso maternal é aqui identificado, de algum modo, com o Poder. Afligidos, o sentimento e o propósito entram em conflito – um ou outro tende a predominar; o excesso de influência da Lua tende a determinar a força interna; com excesso de influência do Sol a maternidade se expressa em termos de dominação e tirania. Esse é um aspecto desintegrante porque a pessoa, por meio de “sentimentos sobre si própria”, não é totalmente consciente das capacidades internas, carecendo, portanto, de autoconfiança; para regenerar esse aspecto, o poder, na experiência doméstica, deve ser redirigido para as realizações da Lua, não se expressar apenas por se expressar. Sentimentos e propósitos benéficos são harmoniosos; a experiência maternal é expressa e cumprida com eficiência; certa “positividade” é encontrada, assim indicando a possibilidade de que a mãe seja a “líder” da família. A Lua em bom Aspecto com o Sol é redenção em qualquer horóscopo, pois mostra uma integração básica de polaridade.
Lua-Mercúrio: Com Aspectos adversos, sentimento e interesse maternal entram em conflito com o pensamento; a mãe com esta configuração adversa necessita de disciplina mental porque tende a “interpretar” de acordo com os seus sentimentos do momento, e não de acordo com a realidade. Ela deve se vigiar cuidadosamente quanto às suas palavras, não se permitindo falar demais quando estiver emocionalmente perturbada porque então é capaz de dizer inverdades e cometer injustiças. “Parar para pensar” é uma boa política para redirecionar esse impulso, e, quando esta configuração adversa for encontrada no horóscopo de uma criança, a mãe deve reconhecer que o filho é muito impressionável às suas palavras, ela não deve infligir na Mente dele seus impulsos e pensamentos negativos. Muitas pessoas com esta configuração têm sido, por destino maduro, impressionadas com as expressões negativas das emoções de suas mães, e têm vivido infelizes por muitos anos devido às “imagens” que, na infância, foram impressas em sua Mente Subconsciente. Tanto no caso da mãe quanto no da criança, a disciplina mental e o equilíbrio emocional são da maior importância para criar felicidade e êxito. Estabeleça o hábito de “averiguar os fatos” (Mercúrio), e agindo de acordo com eles, os sentimentos podem ser controlados.
Lua-Vênus: Estas duas formam a base da polaridade feminina realizada, no sentido de que elas indicam as emoções da mulher como mãe e como companheira. Sabendo que Vênus é “cultura e refinamento”, seus padrões discordantes com a Lua indicam falta de sentimento harmonioso; dependendo de qual dos dois está mais fortemente enfatizado na Carta Natal[9], o instinto maternal pode obscurecer a “reação ao outro indivíduo”, ou o impulso estético ou de companheirismo pode obscurecer aos reclamos da maternidade. Esta é uma configuração que simboliza relacionamento desarmonioso com a mãe, em termos de emoção. E na Carta Natal, quer do homem quer da mulher, representa a necessidade de equilíbrio e de completar os padrões femininos. Esse processo pode ser realizado (para a Lua) aproveitando-se as oportunidades para expressar o instinto de criança e (para Vênus) desenvolver a cortesia, a cooperação, o “pensar em termos da outra pessoa”, o que afinal é a base de todo viver civilizado (Vênus). Os Aspectos benéficos entre Lua e Vênus indicam um cultivo básico da natureza emocional. O refinamento e a graça, a cortesia e o bom gosto foram cultivados: estas qualidades podem ser refletidas fisicamente como beleza e encanto. Relações harmoniosas com a mãe, ou com as mulheres em geral, estão prometidas. O cultivo de faculdades estéticas também está indicado, desde que a Mente Subconsciente tenha sido fortemente impressa pelo fator de redenção de “pensar e agir em termos de harmonia”.
Lua-Marte: Como quer que se apresente, esta é uma configuração delicada, uma vez que os dois formam base da “emoção primitiva”. Indica impressionabilidade subconsciente intensa e os sentimentos maternais são sobrecarregados. Se o Aspecto é adverso, especialmente se uma Quadratura, isto significa “violência”, irritabilidade, ciúme e ressentimento. A ânsia de dominar é forte, sendo que estas mães tendem a “comandar seus filhos à sua vontade”. Esse Aspecto indica a possibilidade de ambição e da “ânsia de conseguir” serem estimuladas pela experiência da maternidade – tais mulheres sentem o desejo de “lutar por suas crianças”. Nos Aspectos adversos esse desejo é expresso com grande força; destaca-se então a “lei de unhas e dentes”. Ódios e inimizades em potencial são fortemente evidenciados por Marte afligindo a Lua, já que a Mente Subconsciente é profundamente impressionada pela “ânsia de defender e derrotar”. Padrões harmoniosos de Marte-Lua indicam possibilidades de ação construtiva muito maior – a energia é expressa por meio da ânsia de conseguir, ao invés de fazê-lo pelo impulso de destruir. Esta é a mãe corajosa, intrépida e valente, capaz de viver suas experiências maternais em termos de positividade e trabalho duro. Um Aspecto benéfico de Saturno, Vênus e/ou Júpiter com a Lua – paciência, harmonia e benevolência – são bons corretivos para as aflições Marte-Lua.
Lua-Júpiter: O instinto maternal se expressa por meio da benevolência e da abundância. Com Aspectos adversos a mãe pode se inclinar para um excesso de tolerância – ela busca “superproteger” suas crianças; o Aspecto adverso também indica uma superabundância de preocupação materna, e embora os motivos possam ser absolutamente sinceros e desinteressados, a mãe com a Lua afligida por Júpiter carece da capacidade de julgar – seus sentimentos obscurecem suas avaliações sensatas e tende a enfraquecer suas crianças, por tornar as coisas “demasiado fáceis para eles”. Ela precisa se disciplinar, até certo ponto, disciplinando suas crianças. Deve lhes permitir o privilégio de se desenvolverem por meio do exercício de sua própria iniciativa e do cumprimento de suas responsabilidades. “Libertando-se” deles por esse modo, até certo ponto, ela ganha em perspectiva e em controle emocional. Aspectos benéficos entre Lua e Júpiter formam um belíssimo padrão de amplitude, generosidade, sinceridade, e julgamento equilibrado. Tal mãe expressa a si mesma abundante e saudavelmente. Ela irradia calor e conforto; é uma fonte de bem-estar para a família, tanto fisicamente quanto psicologicamente. Esse Aspecto é um retrato astrológico de Ling Sao, a mãe no livro “A Semente do Dragão”, obra de Pearl Buck.
Lua-Saturno: Aqui a experiência materna identifica-se com o lado da forma da vida, através da Responsabilidade. A Conjunção de Saturno com a Lua faz da experiência maternal algo como uma crucificação – muito além do significado comum da palavra. A maternidade, neste caso, “crava” a mulher às exigências da vida, e por meio das experiências domésticas ela deve realizar-se através de muitos obstáculos que podem ser reais, mas que também podem não ser, em virtude do seu ponto de vista subconsciente. Esse é um padrão de “estreitamento” – muito tem de ser feito por meio de uma limitação de esfera. Vênus e/ou Júpiter afligindo a Lua em Conjunção com Saturno apresenta um quadro um tanto triste – experiência doméstica vivida mais sem alegrias e em termos de limitação de meios. Saturno e/ou Marte afligindo, a vitalidade e o “ímpeto” ficam enfraquecidos – a realização é alcançada com medidas neutralizadoras de restrições e inibições. Saturno em Quadratura ou Oposição à Lua firma o temperamento e pode resultar em um necessário neutralizador de aflições dinâmicas, mas a influência de Saturno pode ser sentida como impedimento, restrição ou inibição. A posição de Saturno mostrará um canal através do qual o instinto maternal se expressará para o cumprimento de responsabilidade. Os Aspectos benéficos entre a Lua e Saturno indicam controle de sentimento e integração de habilidades práticas. Esta é a mãe forte, competente que vive ordenada e metodicamente. É um pilar de confiabilidade e, se é ou não particularmente emotiva ou carinhosa, ela ainda é confiável e capaz de colocar o lado doméstico de sua vida sobre uma base segura e prática. Talvez algo carente de “expressividade”, ela é, porém, uma mãe leal e devotada, que expressa seu amor materno no desejo de proteger e estabilizar.
Lua-Urano, Lua-Netuno: Nesses padrões há uma indicação pela qual o instinto materno básico pode ser redimido por canais espirituais impessoais, universais ou criativos. Em contato com Urano e Netuno, as indicações da Lua ocupam um espaço que ela não tem com os Astros menores. A Mente Subconsciente é sensibilizada e vitalizada por sintonizar-se com o que pode ser chamado de “padrões cósmicos”, onde a intuição e as faculdades psíquicas podem ser desenvolvidas. A Lua-Urano é muito mais dinâmica e criativa; a Lua-Netuno é mais sensitiva, emotiva, receptiva e compassiva. Contudo, as abordagens interpretativas a estas configurações devem ser feitas a partir da comparação dos Aspectos da Lua com os Astros menores – já que eles constituem os “primeiros degraus da escada”. A Lua em Trígono com Urano e Quadratura com Marte não é tão fácil como quando está em Sextil ou Trígono com Marte. Neste exemplo requer-se muito controle e direção de Marte antes do Trígono de Urano poder se expressar construtivamente. De outro modo, Urano respaldado por Marte desordenado, pode se expressar destrutivamente. A Lua em Trígono com Netuno e Quadratura com o Sol é muito melindrosa, impressionável e psíquica; mas com desordem entre Propósito e Sentimento ou com vitalidade esgotada; a sensitividade de Netuno pode resultar em alguma forma de psiquismo negativo e confusões mentais. Estude os Aspectos Lua-Urano pela síntese da Lua com os outros Astros dinâmicos que ela pode formar Aspectos; Lua-Netuno – compare seus padrões com Vênus e Saturno. Devemos saber como a Mente Subconsciente está alinhada com a polaridade masculina ou com a polaridade feminina – isto nos dá a chave da qualidade subconsciente básica. A Lua em Aspecto com Urano ou com Netuno é um indício de “universalidade latente”, já que esses Aspectos mostram a direção em que os impulsos primitivos, básicos, “carne e sangue” da Lua poderão, com o tempo, ser expressos em termos de realizações impessoais ou cósmicas.
Vênus, feminina e magnética, é a consciência da harmonia resultante da alquimia de transmutações emocionais.
A harmonia pode ser definida como “consciência de união consumada” – antítese de Ego-separação. Através do primitivo Marte, nós como indivíduos, vivemos em e para o eu; Marte regenerado é aquela expressão do eu que se baseia na coragem da integridade pessoal. Um ser humano não pode “dar aos outros” se não tem uma consciência estabelecida “de que” e “de quem” ele é internamente, uma consciência de suas potencialidades e a determinação de realizá-las. Esse impulso de Marte no sentido da autopreservação é a etapa de que o Ego necessita para identificar-se com as correntes de vida através de “projeção” e do destino maduro resultante. Cada um de nós tem que formar um Corpo-Alma; não podemos formá-lo para outrem, e ninguém pode formá-lo para nós. Cada um de nós tem – em cada encarnação – no mínimo uma etapa do Corpo-Alma para desenvolver; não podemos desenvolver os dos outros e os outros não podem desenvolver o nosso. Isto, em essência, é o propósito da vibração de Marte – consciência da individualidade.
Entretanto, achamos que as experiências são objetivações de nossos próprios estados internos, os quais são “ligados” pelos nossos contatos com as outras pessoas. Quando a vibração de Marte tende a predominar, somos impelidos a usar nossa autoconsciência para interferir na vida do outro, sacudi-lo, para subjugá-lo para os nossos próprios propósitos. Isto é Marte como um rompedor de relações; o relacionamento consumado é a auto expressão que contribui, ao mesmo tempo, para o bem do outro. A vibração de Vênus é a nossa capacidade de agir – de atrair para nós – em termos de intercâmbio harmonioso com outras pessoas, cooperando e ajudando com boa vontade e propósitos construtivos. Deste modo nossas projeções são frutíferas e a mutualidade de desenvolvimento fica assegurada. As correntes de experiência são estimuladas e sustentadas progressivamente.
A palavra “manifestação”, do título, pode ser considerada sob duas abordagens. Saturno é Manifestação como forma física, a objetivação do Espírito. Nos processos do relacionamento, Saturno é visto como “responsabilidade”. Existe uma importante qualidade terrena acerca de responsabilidade que reflete perfeitamente a natureza essencial de Saturno.
Foi observado e psicologicamente provado, que o impulso amoroso proporciona a base mais satisfatória para o cumprimento de obrigações e responsabilidades. Quando amamos, descobrimos recursos de coragem e fé mais profundas, expressões que tendem a “aliviar a carga”. Além disso, o cumprimento é executado de modo muito mais completo e satisfatório quando uma atitude carinhosa, alegre e entusiasmada forma a base do esforço. Daí a derivação do nosso título – a consciência Venusiana como base de aperfeiçoamento do corpo das relações. A exaltação de Saturno no Signo de Vênus, que é Libra, é o correlativo astrológico. Além do mais, a experiência de relacionamento (Vênus) implica, automaticamente, na responsabilidade (Saturno) do cumprimento.
Nós temos dito que “Urano é a oitava superior de Vênus”. A triplicidade emocional é composta de: Marte, Vênus e Urano. Enquanto Marte é a projeção masculina, individualista e Vênus simboliza a transmutação dele em refinamento, por meio dos relacionamentos, Urano é a “fusão” dos dois dentro do indivíduo. Por conseguinte, a frequência vibratória mais elevada de Urano é a mistura das polaridades masculina e feminina conhecida como “Casamento hermético”, sendo que a expressão criativa dessa vibração manifesta sua realização sem necessidade de parceiro. Do estudo deste processo podemos ver que Urano representa a expressão da união suprema, que não depende das ilusões do relacionamento emocional; pois, em relacionamento, o cruzamento de intercâmbio, macho-fêmea é sempre evidente. As polaridades fundidas permitem à pessoa criar, a partir do seu próprio centro, em um nível de consciência emocional mais elevado do que aquele que Marte ou Vênus podem conseguir sozinhos, ou em intercâmbio entre si através de duas diferentes pessoas. Vênus no Signo de Urano, que é Aquário, é uma expressão transcendente de amor baseado no desprendimento e na liberdade.
Vênus está em sua Queda no Signo de Virgem. Virgem é um Signo mental, analítico e crítico. Quando você analisa, desmonta um objeto em partes para observar as partes em separado. Isto, na esfera de experiências de Vênus, serve para dar ênfase às coisas. A afeição é expressa em termos de “certo e errado”, “dever” e “adaptabilidade”, no sentido superficial. Vênus em Virgem é mais amor como “algo a ser feito” do que amor como fonte de experiências vivificantes e enriquecedoras que refrescam o coração e iluminam a Mente.
Uma expressão adicional de Vênus em Virgem pode ser descrita como amor ao seu trabalho, mas em escala menor ou em experiências domésticas em geral, a expressão parece mostrar-se uma preocupação com assuntos práticos da vida cotidiana: casa limpa e bem arrumada, bom talento culinário e fazer coisas graciosas. A redenção de Vênus em Virgem pode ser encontrada no estabelecimento de atitudes harmoniosas (belas) para com outras pessoas. Virgem transmite um talento crítico, mas Vênus impulsiona na expressão do tato e da cortesia; a compreensão simpática deve substituir a inclinação para descobrir e propalar os erros dos outros. Uma casa limpa e bem arrumada é algo belo e admirável, mas uma casa em que também contém uma vibração alegre, confortável e agradável é uma representação cheia de experiência do coração, uma cultura de Vênus.
Vênus, em qualquer horóscopo, é o símbolo da faculdade estética, bem como do amor em potencial. O ritmo, o equilíbrio, a proporção e o gosto são tão evidentes nas relações cultivadas como são nas qualidades das coisas a que chamamos belas.
Vênus é a reação estética instintiva – resultado do refinamento interno que se segue aos processos de transmutações emocionais. Ela é tida como a nossa habilidade inata para perceber e apreciar as cores, contornos, modulações e proporções. Ela é gosto cultivado – avaliação discriminatória.
Netuno, por outro lado, é a nossa reação à beleza não espontânea – em outras palavras, é a nossa capacidade para reagir à arte. Muitas pessoas têm uma sensibilidade aguda para as belezas da Natureza e de outras pessoas, mas sem Netuno elas não podem responder às expressões abstratas ou simbólicas das formas artísticas. Então, existem aquelas que possuem um alto grau de desenvolvimento – grande talento ou talvez até um gênio – ao longo de linhas de alguma arte em particular, que não apreciam a beleza em outras formas e podem demonstrar sua “falta de Vênus”, pela rudeza de sua aparência pessoal, falta de sociabilidade e deficiência de: desenvolvimento emocional e do cultivo de relacionamentos.
Vênus tende a fornecer, à pessoa, uma aparência encantadora; seja por um corpo gracioso, bem proporcionado, seja por uma voz expressiva – elas são belas naturalmente. Netuno é o uso habilidoso de cosméticos que criam a ilusão de beleza, são as lições de dança e de canto, pelas quais as pessoas forjam um grau de beleza maior do que possuem naturalmente. Vênus é o bom-gosto instintivo por meio do qual a mulher se adorna de acordo com os seus próprios requisitos pessoais; é a escolha de roupas que, por seu estilo e cor, combinem com a sua aparência – ela e suas roupas formam um conjunto harmonioso. Netuno é moda, onda e artifício pelos quais as pessoas, sem gosto próprio, seguem um padrão inventado, artificial. Seguir a moda pode ser – embora muitas vezes não seja – sinônimo de bom-gosto.
Netuno é arte – seja qual for a forma, é a invenção de um símbolo para expressar uma ideia ou ideal estético. De todas as formas de arte, a música instrumental e o drama são, de modo particular e peculiarmente, Netunianos. As qualidades especiais de Vênus são evidenciadas nas artes da Dança e do Canto. Isto se diz em referência à “base natural” destas duas artes; ambas são manifestações altamente cultivadas de funções corporais notavelmente desenvolvidas. É necessária alguma combinação ou relação entre Netuno e Vênus para que se verifiquem indicações astrológicas de talento artístico. Algum outro Astro pode indicar uma qualificação especial, mas esses dois formam a “base estética”.
Nos Signos Libra e Peixes, Vênus encontra as expressões mais puras de sua natureza essencial; Libra, o Signo da sétima Casa, é o símbolo do relacionamento, enquanto Peixes é a essência do amor espiritualizado. Em Touro, Vênus encontra a forte expressão de sua potencialidade emocional, porém mais em termos terrenos. Em Gêmeos e Aquário, se misturam com os impulsos de relação fraternal e amor-amizade. Em Sagitário, combinando-se com as qualidades de Júpiter da nona Casa, Vênus é considerado muito favorável, já que implica numa harmonia de espiritualidade e idealismo. Em Câncer é maternal e amante do lar, com intensa receptividade às necessidades daqueles a quem ama. Em Leão resplandece calorosa e dramaticamente – Vênus em Leão é o símbolo superior do amor romântico. Em Escorpião é intensamente magnética; a vibração de Marte é indicativa do amor como expressão sexual. Contudo, esta posição de Vênus é considerada desfavorável – para ela – porque “a parceria fica ameaçada pelo desejo pessoal”, e sob o ponto de vista fisiológico, a respeito do organismo físico feminino, as aflições de Vênus em Escorpião podem ameaçar realizações no inter-relacionamento sexual. Todavia, em pessoas avançadas, esta posição de Vênus pode prometer um potencial para grandes transmutações de emoções por meio da devoção consagrada – isso pode ser muito espiritual. Em Capricórnio, assim como em Virgem, parecem predominar as considerações de ordem material ou prática. Vênus afligido em Capricórnio é relacionamento – ou amor ou seu fingimento – como apoio à ambição e posição. Esta fraqueza de Vênus indica o egoísmo consumado – no sentido frio e calculista da palavra. Em Áries, Vênus é “amor como expressão própria” – exercendo a influência egoística e dinâmica de Marte.
Em um horóscopo, a esfera do potencial de Vênus pode ser encontrada determinando-se os Aspectos harmoniosos, assim como os Astros que estão disponentes[10] por Vênus. Esta última frase é importante porque Vênus pode estar sem Aspectos ou fraco por posição ou afligido por Aspecto; mas os Astros em Touro e/ou em Libra “se expressam por meio de Vênus”, estendendo a influência desta no horóscopo. Uma vez que Vênus é passivo – o resultado de processos transmutativos é afligido – e ela não aflige a outro Astro. As Quadraturas e Oposições a Vênus ou Conjunções adversas representam:
Vênus em Sextil com um Astro que, pelo contrário, esteja afligido mostra a necessidade de usar Vênus como um agente alquímico para redimir o outro Astro de sua aflição. Os Trígonos a Vênus representam florescimentos da alma; o cultivo de graças internas mentais e emocionais e a capacidade para um viver harmonioso e alegre.
Quando Vênus está sem Aspecto, devemos considerar a Casa onde se encontra no horóscopo como ponto focal do impulso social; o Signo onde Vênus se encontra indica o potencial esotérico da natureza amorosa. Podemos interpretar esse padrão como representando uma encarnação na qual está sendo feita uma preparação alquímica para o futuro. Embora Vênus, neste caso, acene para uma pequena “promessa de recompensa” nesta vida, todavia, se estabelecem padrões de reação pelos quais os impulsos auto isolantes sejam transmutados em atos de dar ou em devoção a um ideal ou, ainda, a uma obra ou ao cultivo de uma compreensão simpática, o processo resultará numa recompensa de Vênus no futuro. A pessoa com Vênus sem Aspecto pode possuir uma disposição particularmente infeliz ou insociável, mas se ela fizer alguma coisa, uma vez ou outra, para tornar alguém feliz ou motivada, ela estará se expressando em termos de Vênus – uma emanação de boa-vontade que, infalivelmente, deve render seu prêmio.
Se Vênus é forte por influência, mas aflita por Aspectos então é “impulso sem cultivo”; o homem sociável que não pode distinguir amigos de conhecidos; a mulher que só gosta de cores bonitas – ela usa um chapéu vermelho, um casaco púrpuro, um vestido amarelo e sapatos cor-de-rosa; o “artista” que cantará ao menor desafio – sua voz irrita a todos os que o escutam; a mulher viciada em colecionar “coisas finas” – seu lar é uma selva de quinquilharias incoerentes. esses são exemplos-caricaturas de Vênus que encontramos em vários lugares e situações. Tais pessoas demonstram uma decidida falta de seleção discriminativa ou de senso de conveniência das coisas. Vênus é sempre “a maneira mais refinada de fazer qualquer coisa”.
Nesse ponto, nós sugerimos um resumo de Vênus com os três “primitivos” – Marte, Lua e Saturno. esses três formam os fundamentos de experiência nos planos emocional, mental e físico, e a relação deles com Vênus nos dá o como e o porquê de sua esfera e influência no horóscopo.
Marte-Vênus: esse é o padrão “amor-desejo”; o impulso sexual e seu refinamento por meio da união; a autoafirmação e sua conclusão através do relacionamento; a projeção do impulso dinâmico e sua realização aperfeiçoada; na experiência conjugal – companheirismo realizado através da integração das polaridades masculina e feminina. A despeito do sexo físico da pessoa, a predominância quer de Marte quer de Vênus no horóscopo indica a tendência da polaridade predominante. Se ambos estão fracos, os potenciais de emoção são baixos, o fogo sexual está ausente, e as expressões de vida puramente mentais ou puramente físicas predominarão nas experiências da pessoa. Se Marte aflige Vênus é necessário comparar, cuidadosamente, a esfera de ação de cada um.
Lua-Vênus: Esta é a base feminina do horóscopo. A mulher como mãe e como companheira; a polaridade feminina latente no homem indica os seus relacionamentos e experiências com as mulheres em geral. As aflições entre a Lua e Vênus no horóscopo de uma mulher indicam distúrbios fisiológicos, possíveis frustrações dos impulsos maternais e conjugais; irrealizações das capacidades afetivas. No horóscopo de um homem, a Lua afligindo Vênus indica seu destino maduro feminino, desarmonias nas relações com a mãe, esposa e/ou sócias mulheres. esse é o homem que desconhece a maneira de ser do sexo feminino – seus padrões femininos estão em desordem, não regenerado, prometendo desapontamentos e atritos; através da “ignorância do coração” ele cria um doloroso destino maduro para o futuro. esse homem precisa cultivar compreensão e simpatia; até lá, sua consciência permanece rude em certa medida, particularmente se Marte e Saturno estão fortes, independentemente dos Aspectos que formem.
Saturno-Vênus: Aspectados desarmoniosamente, isto indica o prazer sacrificado pela responsabilidade, o amor dominado pelo dever ou o amor debilitado pela introversão, ignorância ou pelo temor; disciplina forçada dos impulsos estéticos ou amorosos como uma retribuição de destino maduro de excessos do passado; Vênus, pelo contrário, se bem Aspectado e forte, a Quadratura com Saturno pode indicar limitação de esfera de ação para o aperfeiçoamento da qualidade. Harmoniosamente Aspectados entre si, Saturno e Vênus significam expressão do amor por meio da responsabilidade; o cumprimento de responsabilidade é um canal para o florescimento de capacidades amorosas; o amor é visto aqui como uma âncora, um meio de restrição benéfica e direção de energia e trabalho. esse é “o amor que deve ser manifestado” – o sonho que deve ser realmente vivido. Constância e fidelidade são as palavras-chave deste Aspecto – o amor se aprofunda e dura muito. A união serve para estimular talentos práticos e a experiência de amar forma uma base sólida para um viver construtivo e bem-equilibrado.
É atribuída, simbolicamente, a faculdade do intelecto ao Planeta Mercúrio, por meio do qual interpretamos, identificamos, classificamos, analisamos e avaliamos as coisas da Terra. Como princípio de identificação, ele representa a “denominação”, a “criação de palavras” e a objetivação dos pensamentos em palavras faladas e escritas. É o símbolo da percepção e da comunicação conscientes. É nossa consciência quando estamos livres de congestões emocionais ou perturbações de sentimentos subconscientes.
A substância a que chamamos Mercúrio é pesada, ainda que seu estado, em condições normais, seja líquido; nossos pensamentos, quando desorganizados ou desfocados são também como que líquidos, transitórios, passando rapidamente de uma impressão a outra, “para cima e para baixo”, “sim-e-não”, “ora-quente-ora-frio”. Contudo, quando nossos padrões de pensamento estão organizados, temos a faculdade de decidir definitivamente e de incorporá-los em algum tipo de exteriorização concreta definida, em palavras isoladas ou no prolongamento destas em sentenças. Esta exteriorização é o que chamamos “linguagem” – a faculdade universal de corporificação do pensamento. A qualidade líquida de Mercúrio é vista nas muitas maneiras pelas quais se podem identificar uma coisa específica; sua exatidão pode ser vista na “solidez” com que essa coisa é identificada por uma palavra ou sentença específica.
Mercúrio identifica tanto o abstrato quanto o concreto. É por meio de Mercúrio que compreendemos o concreto, mas é por meio das faculdades dos outros Astros que compreendemos o abstrato. Mercúrio, entretanto, é a raiz básica de nosso desenvolvimento de compreensão, do concreto mais literal ao abstrato mais intangível. Analisemos o símbolo planetário: uma cruz (matéria, manifestação, estrutura, o concreto, encarnação), sobre ela um círculo (perfeição, o completo) que, por sua vez, tem sobre si um semicírculo voltado para cima (instrumentalidade, receptividade de instrução ou inspiração).
Sintetizando esses fatores simbólicos, vemos que pelo exercício da faculdade de Mercúrio aprendemos sobre os princípios da vida por meio de sua expressão na Região Química do universo. Esse símbolo pode ser chamado de “Vênus com os cornos da Sabedoria”, e a dignidade aérea de Mercúrio, Gêmeos, é o Signo da nona Casa (oitava da Sabedoria) do Signo de Libra de Vênus. Foi-nos dito que os Senhores de Vênus e os de Mercúrio foram os Mestres que instruíram a Humanidade incipiente nos princípios da linguagem, dos ofícios, das artes e ciências, pelo que a Humanidade aprendeu a funcionar com eficiência sempre crescente no mundo material. Em suma, Mercúrio é o elo (mensageiro) entre os deuses (princípios) e a humanidade. É por meio de Mercúrio que nós aprendemos, em primeiro lugar, a natureza objetiva e a qualidade das coisas, depois a percepção dos princípios abre nossa consciência para a realidade subjetiva; em ambas as oitavas nós aprendemos, mas na primeira nos integramos através da identificação; na segunda conhecemos através da experiência que a Compreensão proporciona.
Já que o símbolo de Vênus esteja incluído no símbolo de Mercúrio, pode-se supor que todas as expressões artísticas da humanidade estiveram baseadas no desejo de comunicação. O semicírculo voltado para cima, que Mercúrio tem em comum com Netuno, representa uma forma microcósmica da instrumentação, que é um dos principais significados de Netuno.
O ser humano primitivo desenhava um pequeno quadro de algo para comunicar seu pensamento a outra pessoa. Partindo desse nível, ele desenvolve um sistema de símbolos para comunicar seus “pensamentos-imagens” – ideogramas, letras e suas combinações em palavras, e destas para sentenças. A expressão que a humanidade dá de seus conceitos, realizações, sonhos e aspirações – destiladas da experiência evolutiva – são o que nós chamamos de BELAS ARTES; todas elas, não importam os materiais ou técnicas usadas, é a faculdade Mercurial tornada extensiva por Vênus-Netuno, como comunicações simbólicas partindo dos recursos da consciência. Nem todos compreendem uma tela, uma peça musical, um poema ou uma escultura; aqueles que compreendem estão simpaticamente sintonizados com a consciência do artista. Todavia, todo aquele que possui um grau normal de mentalidade pode compreender o “simbolismo relativamente literal” da linguagem e expressar-se por ele – pelo menos falando. Aprender a falar é algo que todos temos feito em cada encarnação desde o princípio; fazemo-lo e aprendemo-lo instintivamente. esse instinto é simbolizado pela região da vibração da Lua – aquilo que conhecemos ou aprendemos por meio da faculdade memória subconsciente[11]. Portanto, considera-se o falar tão instintivamente natural quanto andar ou dormir. Ler e escrever, contudo, são extensões da Lua através de Mercúrio. A Mente consciente[12] deve ser treinada para entender a técnica dos símbolos representada pela língua particular com que se nasce. Você aprendeu português na sua infância, mas pode não ter conhecido esta língua em qualquer encarnação anterior. Você aprendeu a falar em português imitando, instintivamente, aqueles ao seu redor, como a recapitulação de uma faculdade que você exercitou em cada encarnação; mas pode ser que somente dentro da esfera de um passado relativamente recente você tenha adquirido fluência na palavra escrita, e pode ser que o português, sua língua vernácula, seja a única em que você tem agora alguma habilidade para ler e escrever. Destacada ilustração da “maturidade” de Mercúrio observa-se no talento natural para aprender a falar, ler e escrever em outros idiomas. A posse desse talento evidencia que a pessoa tem exercido suas potencialidades Mercuriais durante muitas encarnações; sua Mente adquiriu uma receptividade tal que a capacita a compreender uma variedade de técnicas de símbolos; a compreensão de vocabulário, de gramática, etc., tornou-se uma faculdade especializada que está integrada na consciência. A “mercurialidade” de Mercúrio, em nenhum caso, é mais bem ilustrada que a “magia” que ocorre na consciência de uma pessoa para outras pessoas quando aquela aprende a se comunicar na linguagem destas – ou vice-versa. O “espaço psicológico” que tende a existir entre as pessoas desconhecidas é, portanto, em certa medida, desintegrado e uma sensação de “entrosamento mútuo” toma seu lugar. De “Mercúrio como palavra” nós passamos para os “números” e em seguida para os símbolos abstratos. Nesses três estágios a Mente consciente é exercitada em três níveis específicos, sendo os dois primeiros os canais mais concreto e direto para o aprendizado. É verdade que cada Astro tem seu efeito especial sobre as faculdades mentais, mas, além de Mercúrio, outros três Astros referem-se especificamente a “oitavas mentais”. São esses: Lua, Netuno e Júpiter. A Lua, Regente de Câncer, é a Mente “instintiva”; por meio desta oitava nós pensamos pelos “padrões herdados”, “pensamos como pensa a tribo”, pensamos por meio do sentimento, temor, desejo, preconceito e dos padrões instintivos de segurança. Mercúrio é nossa “escolha e seleção individual”, é o “pensamento livre de congestões de sentimentos ou de negativos subconscientes”. Netuno é a Mente psíquica, a Mente telepática; é aquela parte da mentalidade pela qual nos tornamos instrumentos. Júpiter é a Mente da moralidade; é “o pensamento elevado ao nível de conceito”; é a decisão que se baseia não apenas na conveniência, mas na compreensão de princípios. Por meio de Mercúrio nós aprendemos pelo estudo e pela observação; por meio de Júpiter aprendemos pela experiência, da qual destilamos melhoramento e crescimento. Os símbolos Astrais de todos os quatro envolvem o semicírculo, que é o símbolo da Lua.
Júpiter é “a Lua posta na cruz da encarnação”; Mercúrio e Netuno têm o semicírculo voltado para cima, mas o símbolo de Netuno não ostenta a cruz – ele é o genuíno símbolo do “cálice”, o “receptáculo perfeito”, a “receptividade baseada na fé” e é o símbolo da faculdade oitava superior que denominamos instrumentação.
Atribuímos a Mercúrio a regência de dois Signos Comuns; Gêmeos e Virgem, de Ar e de Terra, respectivamente. Como Regente de Gêmeos, Mercúrio está exaltado (maduro) em Virgem, porque o conhecimento amadurece ao ser posto em uso; o conhecimento, como tal, permanece em sua infância se não é projetado ou expresso para o progresso da encarnação. Somente por meio do conhecimento pode o serviço ser realizado e os assuntos materiais melhorados. Qualquer coisa que seja “conhecida perfeitamente” pode ser “usada corretamente”; a ignorância é o caminho para o “mau uso” e para a corrupção do serviço.
Mercúrio é a mais plástica de todas as vibrações Astrais. Isto significa que “ele” é o mais facilmente afetado – ou qualificado – pelo Signo em que se encontre. Ambos os Signos de sua dignificação são Signos Comuns; um (Gêmeos) é a feminino-masculino, o outro (Virgem) é o masculino-feminino. Mercúrio, como intelecto, é não-emotivo ou neutro, no que concerne a gênero. Por regência do Signo ele é a raiz dos padrões de relacionamentos fraternais e a androginia de sua natureza é revelada claramente na natureza de Urano, Regente do Signo da nona Casa de Gêmeos que é o símbolo da bipolaridade criativa. O intelecto também é uma faculdade bipolar, posto que ambos os sexos devam exercitá-lo em cada encarnação. No que concerne a “qualidade genérica”, esta faculdade não é nem masculina nem feminina, mas tampouco é peculiar a um ou a outro gênero. Uma das evidências da fusão de polaridades é o desenvolvimento e exercício do intelecto pelos seres humanos encarnados como mulheres; assim como o cultivo da simpatia representa um “aperfeiçoamento” da natureza masculina. A Mente deve ser treinada para coordenar as condições e expressar os poderes de emoção, do sentimento e desejo em todas as oitavas evolutivas.
Como faculdade da razão, Mercúrio representa a raiz na consciência pela qual se aprende a Lei de Causa e Efeito. A Mente consciente observa o mundo material, evoluindo daí uma percepção da exteriorização de causas internas. Na mitologia, o Mercúrio de pés alados era o mensageiro dos deuses para a humanidade. “Os deuses” são simplesmente uma maneira simbólica de referência aos princípios da vida. Quando a humanidade emerge de uma reação puramente de sentimento para a vida e a experiência, ela abre caminho para o desdobramento de sua consciência do mundo material e dos princípios que esse expressa e pelos quais funciona. O ser humano aprende sobre uma ação quando percebe seu efeito; partindo disso, ele aprende sobre a sua própria consciência como sendo ela a fonte de todas as suas ações e expressões. O indivíduo irracional – se é que alguém pode sê-lo inteiramente – é assim porque recusa abrir sua consciência à voz de Mercúrio. Ele não estuda a si próprio em relação aos efeitos que tem causado. Ele não estuda as coisas e as outras pessoas como manifestações da lei, por conseguinte ele não se integra na forma. Permanece em um redemoinho desfocado de reações de sentimento; sem controle, sem padrão e sem rumo. As Quadraturas entre os Astros e Mercúrio representam o potencial do indivíduo para ser irracional. Tenha isto em mente quando analisar um horóscopo – é muito importante. Mercúrio é o meio pelo qual aprendemos a desintegrar congestões e realizar ideais.
Um ponto psicológico que pode ser de interesse: quando a Virgem de Mercúrio está no Ascendente, sua outra dignificação, geralmente, se encontra no Meio-do-Céu. A introversão que, portanto, é frequentemente atribuída a Virgem no Ascendente se descreve assim: o autodesenvolvimento é o foco da realização da ambição. As complexidades da personalidade de Virgem no Ascendente e de Peixes no Ascendente (são os últimos dos Signos de semicírculos inferiores e superiores) são representadas pela polaridade de Capricórnio-Câncer, sincronizando com a quinta e décima-primeira Casa – as Casas do amor criativo. Sempre que Capricórnio-Câncer são focalizados na quinta Casa, percebemos o potencial amoroso misturado com a consciência genealógica; tais pessoas estão, muito provavelmente, sujeitas aos complexos emocionais de natureza do destino maduro nos relacionamentos com seus pais.
Mercúrio, variável e impressionável, está à mercê de “excesso de ação”, “excesso de fixidez” e “excesso de adaptabilidade”. Uma vez que esse Astro rege os dois Signos mutáveis básicos (Comuns), seu potencial para integração é amplamente qualificado pelo relativo dinamismo ou condição estática do horóscopo, como um todo. Gêmeos e Virgem iniciam, cada um, um quadrante zodiacal; por conseguinte eles iniciam um quadrante de Casas que totalizam, juntas, um semicírculo inteiro de Casas ou um diâmetro completo da roda. Portanto, qualquer Aspecto de congestão ou de atrito a Mercúrio tem o efeito direto de prejudicar a habilidade da pessoa para aprender das experiências representadas por esses dois quadrantes – onde quer que estejam colocados no horóscopo. A particular localização de Mercúrio, como “focalizador” das vibrações Gêmeos-Virgem, mostra o departamento de experiência que provê o exercício das faculdades mentais para a “reabilitação” das desarmonias e a coordenação da Mente com os sentimentos. O Signo em que Mercúrio se posiciona identifica essa “coloração genérica” particular – expressivo-dinâmica ou reflexiva-absorvente. O fator mais importante na análise dos padrões de Mercúrio encontra-se no Astro que rege o Signo em que Mercúrio se posiciona. Esse Astro é o disponente de Mercúrio e tem muito a ver com o modo pelo qual a pessoa desenvolve – ou deixa de desenvolver – sua capacidade de raciocinar.
“Mente versus emoção” é representado por um Mercúrio descongestionado, disponente por um Astro congestionado. As congestões que envolvem o disponente representam – é claro – problemas que são levantados por reações emocionais negativas para outras pessoas, eventos, etc. Mercúrio limpo, descongestionado, torna relativamente fácil para a pessoa aprender de suas experiências e exercitar o controle racional de suas emoções e reações de sentimentos. Se Mercúrio e seu disponente estiverem descongestionados, você pode estar seguro de uma coisa: não importa que outras dificuldades possam estar configuradas no horóscopo, a pessoa tem uma habilidade natural e impulso para ser prática no aprender como realizar seus ideais e mais profundos anelos, a despeito do que sejam esses ideais ou do que ela, em sã consciência, chama de “realização” ou “êxito”. Seu ideal pode ser abundância financeira, pode ser popularidade e admiração, pode ser realização profissional de um talento, pode ser poder sobre outras pessoas; podem ser centenas de outras coisas, mas um Mercúrio limpo, descongestionado – tanto por Aspecto quanto por vibração – torna-lhe possível ver claramente o caminho para a realização do seu sonho.
Mercúrio congestionado com um disponente descongestionado promete desintegração de uma congestão mental, se o princípio do disponente é exercitado em relação aos problemas de Mercúrio. As “virtudes” do disponente Astral são os “agentes alquímicos” pela qual aquela particular qualidade genérica de Mercúrio pode ser “purificada” e as qualidades mentais harmonizadas e organizadas. Qualquer Aspecto de um Astro a Mercúrio é melhor do que nenhum, porque todo Aspecto é uma “canalização” para o treinamento das faculdades mercuriais. Mercúrio em Signo Cardeal, Fixo ou mutável (Comum) deve ser sintetizado com a cruz que esteja mais fortemente enfatizada no horóscopo, porque, por exemplo, um Mercúrio Cardeal ou Comum pode servir como um neutralizador muito eficaz de muitos Astros em Signos Fixos – e assim por diante. Mercúrio Cardeal enfatiza a expressão; Mercúrio Fixo enfatiza a retenção e Mercúrio Comum ou mutável enfatiza a adaptabilidade.
Para continuarmos com essa matéria vamos usar uma cópia do Grande Mandala – uma roda de doze Casas com os Signos zodiacais em sequência, começando com Áries no Ascendente. Coloque os símbolos Astrais nos Signos e Casas de suas Dignificações. Destaque as terceira e sexta cúspides, porque elas pertencem à Dignificação de Mercúrio em Gêmeos e Virgem.
A natureza andrógina (bipolar) de Mercúrio nota-se em seus atributos de “entrada, aprendizado e rendimento” (expressão do pensamento). Aprender tudo e expressar nada é usar apenas a metade da faculdade de Mercúrio; inversamente, as pessoas mentalmente desorganizadas revelam apenas a “metade de Mercúrio” quando se expressam continuamente sem concentração, reflexão ou entrada mental. Como expressão, Mercúrio não pode produzir nada válido se a entrada não for resultado de uma concentração e esclarecimento dos poderes mentais. Nós nos expressamos para o mundo consoante à imagem mental que temos dele; pontos de vista baseados primariamente em congestões de sentimentos e desejos não “veem” – nem podem ver – o mundo com clareza nem expressar o pensamento com verdade e justiça.
Um Aspecto de Quadratura ou Oposição de um Astro com Mercúrio pode atuar como um estímulo à expressão, mas a expressão em si mesma tenderá a exteriorizar um negativo na consciência. Isso é o que se entende por congestões a Mercúrio. Estados de sentimentos subconscientes baseados na ignorância, desarmonia, e assim por diante, desviam as faculdades mercuriais da verdadeira percepção; consequentemente, o que se expressa por meio de Mercúrio pode ser um “mensageiro falso” para outras pessoas. A respeito do Grande Mandala, vejamos como os potenciais de Mercúrio podem ser distorcidos e corrompidos pela má interpretação de outros princípios Astrais. Interpretação errada significa simplesmente falso conhecimento – portanto, falsa compreensão.
A “criminalidade” tradicionalmente atribuída à Quadratura entre Marte e Mercúrio se deve à coloração mental de egotismo negativo. “Eu primeiro” é a palavra-chave desta combinação. O Grande Mandala nos diz que “EU SOU” (a consciência do Ser individualizado) é a palavra-chave da regência de Marte sobre Áries. A mistura congestiva da vibração de Áries com Mercúrio, como Regente de Gêmeos, é uma representação de “Eu penso em termos do que é conveniente para mim – primeiro e último”. Um indivíduo é criminoso porque não está ciente e nem respeita o “EU SOU” do outro indivíduo. Mercúrio, pois, funciona correspondentemente; ele “avalia os ângulos”, “prepara as cartas” e “joga a partida”, de acordo com a sua limitada compreensão do “EU SOU” e do “EU QUERO”. Esta preocupação negativa com o “EU SOU” sem consideração ao “Você É” cria congestões no pensamento, porque nós estamos aqui para aprender a utilizar os recursos dos três primeiros Signos para a expressão evolutiva. A mente criminosa e antissocial não está ciente do princípio do sexto Signo, Virgem, a dignidade-Terra de Mercúrio, porque Virgem é a aplicação dos poderes mentais, na realização dos padrões de serviço. Por sua vez, o serviço (Virgem) emana do centro do coração de Leão, e Leão é o primeiro Trígono (Aspecto do Amor) da trindade do fogo, iniciada por Áries de Marte. Os Aspectos harmoniosos entre Marte e Mercúrio representam uma integração prática no pensamento. A pessoa pode projetar seus pensamentos na forma e dar-lhes objetividade. Esse é um dos melhores padrões de representação da habilidade de “conseguir que se façam as coisas”, pois o pensamento geralmente está integrado à ação e expressão físicas. Esse padrão enfatiza as áreas masculinas da consciência, porque acrescenta um colorido dinâmico aos processos do pensamento.
Vênus e Mercúrio só podem fazer entre si os Aspectos de Conjunção e Sextil. A vibração de Vênus, por meio do Sextil, atua como uma transmutação refinadora para qualquer congestão de Mercúrio por outros Astros. Uma vez que Gêmeos de Mercúrio e Libra de Vênus estão em Trígono um com o outro, esse Aspecto entre esses dois Planetas aponta, inquestionavelmente, para um recurso vibratório pelos quais as desarmonias de relacionamento podem ser convertidas em intercâmbio construtivo e em benefício de ambos. O Sextil de Vênus indica que a expressão artística também é uma transmutação para a harmonia dos poderes mentais. Vênus-Mercúrio, em Conjunção ou Sextil, acrescenta um toque de refinamento à personalidade inteira, o que pode aumentar com a maturidade espiritual. Desde que o Virgem de Mercúrio é o Signo da décima-segunda Casa de Libra, esse Aspecto entre os dois Planetas indica o melhoramento das experiências de relação, quando se presta serviço e quando a consciência de fraternidade é um dos mais significativos “ajustadores” para todos os tipos de congestão de relacionamento ou dificuldade. Esse Aspecto indica claramente que quando a pessoa procura aprender (Gêmeos) do relacionamento, desenvolve um potencial de fogo certeiro para harmonizar o relacionamento por meio da transmutação da mutualidade. Vênus em Conjunção com Mercúrio e em Quadratura com um terceiro Astro é como aninhar passarinho em um ninho de espinhos. A delicadeza e o refinamento da Conjunção são – até certo ponto – congestionadas em expressão pelo terceiro Astro; esse Astro pode representar um fator ambiental ou um fator de relacionamento, mas o Aspecto em si mesmo indica que a pessoa precisa refinar sua consciência para aquela situação ou relação, devendo redimi-la pela expressão por meio de Vênus. O princípio representado pelo “Astro da Quadratura” deve ser desenvolvido em níveis conscientes pela alquimia do exercício de Vênus-Mercúrio.
A Lua em Quadratura com Mercúrio certamente ativa bastante as faculdades mentais, mas a grande necessidade indicada é concentração. Esse é o Aspecto da distração e do descuido. A referência ao Grande Mandala é muito iluminadora: Gêmeos é o Signo da décima-segunda Casa desde Câncer, por conseguinte o conhecimento e a organização mental são as “redenções” dos “sentimentos instintivos” de Câncer. Um horóscopo que tenha esse Aspecto nos diz que o Princípio da Maternidade é um dos importantes “estudos” para a pessoa nesta encarnação; a qualidade desorganizada de Mercúrio, neste padrão, se deve a uma fragilidade na base psicológica do sentimento subconsciente, ficando demonstrada a necessidade de aprender a lição de disciplina mental contra as investidas de negativos ao sentimento subconsciente. A mãe desta pessoa pode ter um efeito muito pronunciado sobre a Mente e – posto que a Lua é o arquissímbolo da polaridade feminina básica – o Aspecto representa uma forma de pensamento e expressões negativas, por parte da pessoa, em uma encarnação anterior como mulher. Portanto, agora quer seja homem quer seja mulher, com esse Aspecto a pessoa é suscetível às influências mentais da verdadeira mãe ou das pessoas que tomem o lugar da mãe na sua vida. A Lua é também a “mente pública” – a Mente instintiva coletiva das massas de pessoas que são magnetizadas em conjunto por denominadores comuns de nacionalidade, religião, vibração emocional ou atividade mútua. A pessoa com a Lua em Quadratura com Mercúrio que procura se expressar publicamente deve organizar seus pensamentos para ser eficiente. A “mentalidade das massas” é afetada – benéfica ou adversamente – somente pela concentração de poder. Para efetuar tal padrão de trabalho, a disciplina requerida para planejar, organizar, etc., é o meio pelo qual a pessoa é induzida a corrigir a desintegração ou “distração” do Aspecto de Quadratura. Virgem de Mercúrio é o Signo da terceira Casa desde Câncer; então Virgem é Terra – e, portanto, uma expressão mais concreta dos potenciais de Mercúrio – o capítulo de experiência representado pela localização de Virgem no horóscopo, pode ser a canalização mais objetiva para corrigir a Quadratura de Mercúrio. Se Gêmeos é conhecimento, então Virgem é conhecimento posto a serviço de maneira prática. Os instintos representados pela Lua devem ser organizados e focalizados, se o conhecimento é para ser colocado em prática.
O Grande Mandala mostra Capricórnio na cúspide da roda; seu Regente, Saturno, é o Guardião desse portal; ele diz: “Cumpra suas responsabilidades para com você mesmo e para com os outros ou não poderá passar por Aquário e Peixes”. Num horóscopo que mostre Saturno em Quadratura ou Oposição a Mercúrio vemos uma representação de “organize sua Mente nesta encarnação – senão! “. Esse Aspecto é peculiar porque ilustra, talvez, mais claramente que qualquer outro, a bondade intrínseca em um Aspecto “adverso”. Capricórnio é o Signo da oitava Casa desde Gêmeos; a regeneração se efetua por meio da disciplina e da ordem. A frustração que parece ser representada por esse Aspecto é focalizada, evidentemente, nas condições da Casa em que Gêmeos se encontra, porque Gêmeos é o Signo Comum (mutável) de Mercúrio e, por conseguinte, aquele que mais necessita de organização. Esse Aspecto, em um horóscopo que seja basicamente Cardeal ou Comum por posições Astrais, é um foco de organização; ele detém as condições de Mercúrio somente porque estas condições precisam ser mais bem ordenadas e sistematizadas mais claramente. A pessoa Cardeal que só “se expressa sem planejamento” ou a pessoa Comum/mutável que “só flutua”, precisa focalizar-se em pontos de necessários para a realização. A pessoa Fixa que tem Saturno em Quadratura com Mercúrio pode, se quiser, usar seu Mercúrio para aprender sobre os resultados da inadaptabilidade. No passado ela “se enterrou fundo” em padrões de pensamento e reação; consequentemente, no tempo designado para as “coisas novas”, ela tende a resistir e se ressentir da mudança de suas condições. Esta pessoa pode estar – e geralmente está – altamente concentrada, talvez em um admirável foco de mentalidade, mas tende a pensar sobre as coisas ou aprender qualquer coisa, a partir de uma abordagem muito fixa. Com o tempo ela pode adoecer internamente na cristalização de suas condições e assuntos, pelo que buscará expandir-se por meio de mudanças. Saturno em Quadratura com Mercúrio, em um horóscopo fixo, pode representar receio mental ou intelectual e experimentar o desejo de saber mais, o que resultará numa descarga eficaz das congestões mentais e, a partir desse nível, numa melhora das condições psicológicas. Qualquer horóscopo com Saturno em Quadratura com Mercúrio terá que ser sintetizada e analisada cuidadosamente para determinar se o propósito do Aspecto é organizar tendências que inclinam para a dispersão ou observar os resultados de uma hipercristalização. A vida é uma sequência de emanações: o melhor do passado (Saturno) providencia sua contribuição ao melhor do presente. O indivíduo com Saturno em Quadratura com Mercúrio pode inclinar-se a resistir e ressentir-se do passado (o velho, o cristalizado e antiquado) como impraticável e desnecessário. Todavia, se ele usar seu Mercúrio poderá estudar o velho para determinar seu valor construtivo no presente. Isso descristaliza o sentimento de frustração e resulta na conversão dos poderes combinados de Saturno e Mercúrio para um bom proveito.
Além disso, Saturno rege o Signo Cardeal que inicia a trindade de Terra – a terceira oitava da qual é Virgem de Mercúrio. A lição espiritual é esta: desde que “terceira oitava” significa “Sabedoria”, a realização perfeita em qualquer nível se soma ao recurso da sabedoria – uma vez que a sabedoria é destilada da experiência. O conhecimento livresco (Gêmeos) é o primeiro passo para a compreensão, mas toda pretensão de compreensão é posta à prova concreta nos processos do viver. Portanto, nas contribuições válidas ao serviço nós provamos se sabemos ou não daquilo que falamos. Assim, com Saturno em Quadratura com Mercúrio, o conhecimento deve ser demonstrado em um tipo de vida que seja verdadeiro serviço; esta é a evidência da oitava-sabedoria da vibração de Mercúrio.
Urano, Regente de um Signo Fixo é exaltado em outro, quando em Quadratura com Mercúrio acrescenta um toque do que pode ser chamada “implacabilidade”. Urano “inspira” Mercúrio com o gênio inventivo, porque Urano é o símbolo da individualidade que se expressa criativamente. Contudo, esse Aspecto pode significar “maxilar preso” para Mercúrio, porque os processos do pensamento são filtrados por meio de um recurso intenso de emotividade. Uma obstinação inalterável é representada por esse Aspecto – é a representação da Mente fanática. O gênio pode precisar desta certeza profunda para realizar seus grandes propósitos; ele focaliza uma grande realização e não pode, em muitos casos, ser demasiado sensível e deixar-se influenciar pelos pensamentos dos outros. Deve viver e realizar através de sua individualidade não importa quão ortodoxo ou excêntrico que possa parecer. Ele pode ser um tirano ou um déspota, um mestre no crime ou inspirado cientista, mas sua Mente, contudo é revolucionária em seus efeitos; suas expressões mentais são carregadas de poder – para o bem ou para o mal. Todavia, os gênios são poucos e distantes uns dos outros; a pessoa comum com esse Aspecto pode estar desenvolvendo uma potencialidade de gênio, mas a adaptabilidade mental é uma das coisas necessárias aos processos evolutivos – precisamos estar livres interiormente para aprender mais e mais enquanto subimos a escada. Uma pessoa medíocre que tenha Urano em Quadratura com Mercúrio pode sentir “Eu sei tudo, não me diga nada”. A vida, pela ativação de Urano, pode se tornar elástica de maneira radical, efetuando mudanças de forma tão brusca que o mundo da pessoa expande com a vida ou se desintegra pela resistência as mudanças necessárias. Gêmeos é a raiz da consciência fraternal; o Aquário de Urano é a sua oitava espiritualizada; quando os dois Regentes estão em Quadratura temos o possível retrato de uma pessoa cuja experiência nesta encarnação sintoniza-a, pela primeira vez, com o conceito de irmandade universal, e esta é sua oitava de consciência que está bem acima da Mente e do Coração da pessoa comum. Assim, “captando um primeiro vislumbre” a pessoa pode falar de fraternidade além de sua habilidade de entendê-la e vivenciá-la – exceto de maneira “simulada”. Ela pode conseguir muitos partidários para a causa e bater sua cabeça contra a parede dura do conservadorismo. Esse Aspecto é o símbolo, por excelência, do “extremista-aliciador”; é também o símbolo – vamos enfrentá-lo – de uma pessoa que está entrando em contato com o pensamento astrológico ou psicológico pela primeira vez. A vibração de Urano insere novidades nas perspectivas mentais. Podemos ser lançados abruptamente numa vibração de Urano no curso de uma encarnação, mas não nos ajustaremos a essa vibração antes que decorram vários renascimentos. Urano em Quadratura com Mercúrio significa simplesmente que nesta encarnação os poderes mentais e as capacidades intelectuais deparam com uma novidade jamais conhecida antes. Urano em Trígono com Mercúrio é um ajuste mental estabelecido para um padrão impessoal; a individualidade é aqui aprazada para “florescimento”, e a pessoa expressa naturalmente nesta vibração transcendental aquilo que se refere “ao que é progressivo”. Esta pessoa pode aprender da representação universal – pode pensar em termos da raça, não das limitadas condições do grupo local. Esse Aspecto, seja qual for o nível evolutivo, é uma abertura para o gênio em potencial porque, com o Trígono, Mercúrio está organizado para a expressão.
Concluindo, ligue as cúspides da terceira, sexta, nona e décima-segunda Casas do Grande Mandala por linhas retas; o resultado será a Quadratura dos Signos Comuns/mutáveis, as congestões de Mercúrio através das deficiências de Júpiter e Netuno, e as potencialidades negativas de Júpiter e Netuno criados pelas bases de um Mercúrio desorganizado. Se Mercúrio é “falar, dizer e comunicar”, Júpiter é “ensinar” e Netuno é “inspirar”. Nós informamos através de Mercúrio, mas irradiamos sabedoria – destilada de nossas experiências – através de Júpiter para acender a Sabedoria latente de nossos irmãos e irmãs mais jovens. Por meio de Netuno nós “incendiamos as almas das pessoas” e esse incêndio só pode ser irradiado por uma consciência que esteja centralizada na verdadeira percepção; esta percepção, por sua vez, é evoluída pelos exercícios construtivos de Mercúrio. As oitavas superiores de Mercúrio, quando congestionadas, representam potenciais para a “perversão da verdade”; quando elas congestionam Mercúrio, então a faculdade de organização intelectual é “adulterada” sutilmente por falsos conceitos gerados em encarnações anteriores. Todas as condições representadas num horóscopo por Júpiter e Netuno congestionados representam a necessidade de se obter informações verdadeiras de fatos pertinentes àquelas condições e experiências; que significa usar Mercúrio objetivamente, sem emoção e concisamente. Fatos, não crenças; demonstrações, não implicações; provas demonstráveis, não apenas aceitas cegas e credulamente por preguiça mental, são os corretivos de Mercúrio para as congestões de Júpiter e Netuno. A “base” da cruz Comum é formada por dois Signos Mercuriais para dar apoio confiável às autênticas realizações de Júpiter e Netuno; esses, por sua vez, devem fornecer escopo em oitavas cada vez mais abstraídas para o exercício das faculdades de Mercúrio. Nós compreendemos uma imagem literal, depois uma palavra, a seguir um número, então um símbolo, depois um conceito, a seguir um princípio, e depois um ideal. Compreender a natureza dos ideais (Netuno) é o florescimento dos potenciais de Mercúrio, porque nos ideais é que se encontra a realidade esotérica de toda vida manifestada.
[1] N.T.: O Corpo-Alma não é um extrato, como o é a Alma. É um dos veículos do Espírito, ou um dos seus Corpos. É composto dos dois Éteres Superiores do Corpo Vital: Éter Luminoso e Éter Refletor. O Corpo-Alma é construído por meio de uma vida abnegada de Amor e Serviço em favor da humanidade. Essa vida abnegada é que atrai e aumenta os Éteres Superiores. Com a união do Pensamento, poder do Amor, a ação correta e da constante repetição estamos realmente construindo e revestindo-nos com o Dourado Traje Nupcial, o qual ainda não pode ser visto pela maioria dos olhos mortais. Nenhum conceito humano nos pode dar uma ideia aproximada do que é o Corpo-Alma.
[2] N.T.: Gl 6:7
[3] N.T.: Refere-se à consequência que necessariamente deverão ser vivenciadas pela pessoa. No entanto, a Filosofia Rosacruz, uma Escola de Mistérios Ocidentais, ensina-nos que sempre há certa margem para a pessoa colocar coisas novas em movimento. Em outras palavras, é possível modular a intensidade de um destino maduro, desde que a lição que se deve aprender tenha sido aprendida e o reequilíbrio com as forças da natureza, tenha sido reestruturado.
[4] N.T.: Trígonos, Sextis e algumas Conjunções.
[5] N.T.: Quadraturas, Oposições e algumas Conjunções.
[6] N.T.: Disponente ocorre quando dois ou mais Astros são ligados pelo regimento que forma frequentemente uma corrente. Um exemplo é Sol em Áries / Marte em Gêmeos / Mercúrio em Peixes / Netuno em Sagitário / Júpiter em Sagitário. Nesta cadeia o Sol dispõe de Marte que dispõe de Mercúrio, que dispõe de Netuno que dispõe de Júpiter. Não pode ir mais longe porque Júpiter está em seu próprio Signo. Todos os cinco desses Astros trabalham juntos e devem ser interpretados dessa maneira. A configuração de disponentes pode-se trabalhar em um tema pessoal ou entre duas ou mais pessoas.
[7] N.T.: Disponente ocorre quando dois ou mais Astros são ligados pelo regimento que forma frequentemente uma corrente. Um exemplo é Sol em Áries / Marte em Gêmeos / Mercúrio em Peixes / Netuno em Sagitário / Júpiter em Sagitário. Nesta cadeia o Sol dispõe de Marte que dispõe de Mercúrio, que dispõe de Netuno que dispõe de Júpiter. Não pode ir mais longe porque Júpiter está em seu próprio Signo. Todos os cinco desses Astros trabalham juntos e devem ser interpretados dessa maneira. A configuração de disponentes pode-se trabalhar em um tema pessoal ou entre duas ou mais pessoas.
[8] N.T.: A memória involuntária ou Mente Subconsciente está, atualmente, fora de nosso controle. Do mesmo modo que o Éter leva à sensível película da máquina fotográfica uma impressão da paisagem fidelíssima nos menores detalhes, sem ter em conta se o fotógrafo os observou ou não, assim o Éter, contido no ar que aspiramos, leva consigo uma imagem fiel e detalhada de tudo o que está em volta de nós. Não só das coisas materiais, mas também das condições existentes em nossa aura a cada momento. O mais fugaz sentimento, pensamento ou emoção é transmitido aos pulmões, de onde é injetado no sangue. O sangue é um dos produtos mais elevados do Corpo Vital, tanto por ser o condutor de alimento para todas as partes do Corpo quanto por ser o veículo direto do Ego. As imagens nele contidas imprimem-se nos átomos negativos do Corpo Vital, para servirem como árbitros do destino do ser humano no estado pós-morte.
[9] N.T.: Horóscopo
[10] N.T.: Disponente ocorre quando dois ou mais Astros são ligados pelo regimento que forma frequentemente uma corrente. Um exemplo é Sol em Áries / Marte em Gêmeos / Mercúrio em Peixes / Netuno em Sagitário / Júpiter em Sagitário. Nesta cadeia o Sol dispõe de Marte que dispõe de Mercúrio, que dispõe de Netuno que dispõe de Júpiter. Não pode ir mais longe porque Júpiter está em seu próprio Signo. Todos os cinco desses Astros trabalham juntos e devem ser interpretados dessa maneira. A configuração de disponentes pode-se trabalhar em um tema pessoal ou entre duas ou mais pessoas.
[11] N.T.: A memória subconsciente, involuntária, ou Mente subconsciente. Ela é impressa sobre o nosso Corpo Vital. O Éter contido no ar que nós respiramos registra a cada instante de tudo que nos acontece e tudo que nós desejamos, sentimos e pensamos. Essas imagens passam pelo sangue, por intermédio dos pulmões e são impressas no Éter Refletor do Corpo Vital. Todas as nossas ações, nossos desejos, emoções, sentimentos e pensamentos são, assim, fielmente conservados. Após a morte, eles determinarão nossas condições de existência no Purgatório e no Primeiro Céu.
[12] N.T.: A memória consciente, voluntária ou Mente consciente. É a nossa memória comum e acessível a todos. Imperfeita e fugitiva, ela se forma a partir das percepções dos nossos cinco sentidos.
Cristo-Jesus nos ordenou: “Pregai o Evangelho e curai os doentes”.
A cura permanente demanda que esses dois mandamentos sejam obedecidos.
Por meio do “Evangelho” nós temos uma compreensão interna das leis da vida e do ser.
O propósito da vinda de Cristo foi ensinar ao ser humano como se salvar por meio da regeneração, e isto Ele ensinou tanto por exemplos assim como por preceitos, pois, de outra forma, seus ensinamentos não seriam bem-sucedidos.
“Todos as faltas, falhas, todos os erros praticados hoje se cristalizarão como doenças no amanhã. O Espírito é o construtor de seu próprio Corpo.
Os milagres de cura do Mestre são apenas para aqueles que têm ouvidos para ouvir e olhos para ver”.
Assim escreveu o grande Paracelso.
1. Para fazer download ou imprimir:
Os Milagres de Cura de Cristo Jesus – Corinne Heline
2. Para estudar no próprio site:
OS MILAGRES DE CURA DE CRISTO JESUS
Por
Corinne Heline
Fraternidade Rosacruz
Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82
Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil
Traduzido e Revisado de acordo com:
The Healing Miracles of Christ Jesus
1ª Edição em Inglês, 1951, editada por Corinne Heline
O conteúdo desse livro é idêntico ao do Capítulo do mesmo nome na obra New Age Bible Interpretation, Vol. IV, New Testament, Part II de Corinne Heline
Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
contato@fraternidaderosacruz.com
fraternidade@fraternidaderosacruz.com
SUMÁRIO
“A PATOLOGIA OCULTA E A TEOLOGIA SÃO UMA SÓ”
A Cura de um Endemoninhado aos Pés do Monte Hermon
A Cura Definitiva da Sogra de Pedro
Cura da Filha de uma Mulher Cananeia
A Cura Definitiva de um Homem com a Mão Atrofiada
A Cura do Servo de um Centurião
A Elevação do Filho da Viúva de Naim
Cristo-Jesus nos ordenou: “Pregai o Evangelho e curai os doentes”. A cura permanente demanda que esses dois mandamentos sejam obedecidos. Por meio do “Evangelho” nós temos uma compreensão interna das leis da vida e do ser. Os primeiros seres humanos conheciam a si mesmos como Espíritos Virginais, feitos à imagem e semelhança de Deus. Encontravam-se sob a guarda dos Anjos e viviam em harmonia com a música das esferas. O parto era indolor, a juventude eterna e a morte desconhecida. Então, vieram os Espíritos Lucíferes e impregnaram o Corpo de Desejos do ser humano com um novo impulso – a força inferior e destrutiva do fogo; como resultado o ser humano perdeu, gradualmente, o contato consciente da Lei Cósmica. Ele se vestiu com “roupas de pele” e sua consciência focou-se apenas na vida pessoal, ao invés de focar na vida universal, como até então. E isto lhe abriu o caminho do sofrimento, por meio da doença, pobreza e morte.
O Antigo Testamento nos conta a história da vinda de Lúcifer, a Falsa Luz. O Novo Testamento nos apresenta a história de Cristo, a Verdadeira Luz, o Salvador do Mundo, que nasceu de uma Imaculada Concepção e que veio com a cura em Suas Asas.
O propósito da vinda de Cristo foi ensinar ao ser humano como se salvar por meio da regeneração, e isto Ele ensinou tanto por exemplos assim como por preceitos, pois, de outra forma, seus ensinamentos não seriam bem-sucedidos. Pelo despertar do Cristo dentro de si mesmo, o ser humano se ergue sobre e além de todas as limitações, dentro de uma consciência de paz, harmonia e plenitude. Aí então, ele se dará conta de uma nova vida, onde não existe mais o “sofrimento, nem lágrimas, nem morte, porque todas as coisas anteriores terão passado”[1].
O Supremo curador foi, também, o Mestre Ocultista. Seu ministério de cura leva em si um duplo propósito: curar o doente e ensinar, ao mesmo tempo, lições de profunda importância metafísica aos Seus Discípulos. Todas as curas bíblicas contêm uma chave de Iluminação ou Iniciação espiritual.
Se nós estudarmos, cuidadosamente, os vários métodos e palavras que Cristo empregou em Suas curas, nós descobriremos que ele utilizou todas as fases mais importantes de uma lei oculta. Ele não se concentrava somente nas imperfeições do instrumento físico exterior, mas tinha em conta, também, os corpos invisíveis, onde se encontram as origens de todas as doenças, assim como o início de todos os processos de cura.
Qualquer tipo de doença é o esforço da natureza em focalizar a atenção no elo frágil na corrente da perfeita harmonia entre o transformar e o ser. Se nós aprendermos a lição corretamente, a cura permanente é o resultado inevitável. A doença jamais nos deixará, se permanecermos onde atualmente nos encontramos. Esta verdade é enfatizada por meio do ministério de Cristo Jesus. Aquele que se recusa em dar atenção a isto permanecerá doente, “por causa da sua incredulidade”[2]. À luz desse entendimento, lembre-se que não existe esta tal coisa de doença incurável.
(Mc 8:22-25[3])
Todo órgão do corpo físico é uma réplica de uma concepção mental e é a projeção dessa concepção dentro de uma manifestação física. Os olhos representam a consciência do saber do Espírito. O Ego em suas muitas peregrinações terrestres frequentemente se esquece da perfeita consonância com o Mundo Ideal que ele uniu antes de sua descida ao renascimento, e a visão imperfeita que normalmente acompanha o amadurecimento através dos anos atestam este fato. Trancafiando-se deliberadamente longe das verdades espirituais, durante uma ou mais vidas, tenderá à cegueira física mais adiante em futura encarnação.
Cristo Jesus prefaciava cada uma de suas restaurações de visão com uma lição, que expressava a importância do conhecimento espiritual. “Tens olhos e não vês? E tendo ouvidos não ouvis? E não te recordas?”[4]. Estas Suas palavras precedem a cura de um homem cego, como nos está descrito no Evangelho segundo São Marcos 8: 22-25.
João se refere ao Cristo como o Pão da Vida. Os Discípulos lamentavam não entendê-Lo melhor porque eles não tinham pão – que é símbolo de sua falta de conhecimento espiritual.
Betsaida significa “a casa ou o lugar de pesca” e o peixe é a representação do Iniciado na Nova Dispensação inaugurada por Cristo Jesus e sublinhada no Novo Testamento. Que esta cura de um homem cego de Betsaida lida com o processo iniciatório é evidente, desde que observado o rito empregado pelo Mestre no evento. O homem cego (ou neófito) foi levado a um lugar sagrado fora da cidade e, ali, o Mestre focou sobre ele Suas grandes forças vitais. Sua visão abriu-se para as épocas evolutivas passadas e ele foi capaz de traçar o caminho da humanidade através das brumas do passado até a clara luz da presente Época Ária, e ele “viu todos os homens claramente”.
(Mc 10:46-52[5])
Das quatro curas de cegueiras, uma é relatada por São Mateus, como ocorrida em Cafarnaum, uma por São Marcos em Betsaida, uma por São João em Jerusalém, e a que vamos considerar agora é descrita nos três Evangelhos[6], como ocorrida em Jericó.
Jericó é a Cidade da Lua, símbolo da vida de sentidos. Aqui se conta a história de um Bartimeu, cego pela intensidade de suas reações emocionais: observe-se que ele lança de si sua capa antes de receber a cura. Então, imediatamente, “ele recebeu sua visão e seguiu Jesus no Caminho”. Através da purificação ele se tornou um dos seguidores do Mestre e iniciou sua caminhada nas sendas do discipulado. A cura em Betsaida e esta (em Jericó) representam graus diferentes de avanço espiritual. Uma, lida com a preparação para o noviciado e a outra define a consecução do desenvolvimento direto.
A promessa do Mestre ao neófito precedeu-se então, como agora e sempre, pelas palavras: “Aquele que quiser ser o primeiro entre vós, seja o servo de todos”[7].
(Mt 9:27-31[8])
Ninguém é tão cego como aquele que não despertou para as verdades espirituais. A fé é enfatizada muito mais no Novo Testamento porque seu atributo é uma das necessidades essenciais para a iluminação das verdades dos planos interiores; não no sentido da cegueira intelectual de reconhecer determinadas colocações supostamente autoritárias, mas no silêncio, na profunda convicção de que as coisas espirituais realmente existem, e que elas representam o Bem Definitivo.
Sem esta convicção nós não temos o incentivo suficiente para colocar em ação o necessário esforço para alcançar a liberação.
“Seja feita segundo a vossa fé”: assim disse o Grande Médico. Lembrando que em Nazaré Ele não foi capaz de realizar muitos trabalhos por causa da incredulidade do povo de lá.
Os praticantes de todas as escolas de cura definitiva percebem o poder curador da fé, e que a cura permanente é obtida pelo nível que a consciência do paciente vai se tornando centrada na realização do poder do Espírito para a cura.
Vontade, Imaginação e Fé são as três forças por meio das quais as maravilhas da mágica são realizadas.
Colocando-as em ação, a doença pode ser curada. Elas devem, entretanto, serem suficientemente desenvolvidas para alcançar tal resultado, mas nós lembramos que se nós temos uma fé do tamanho de uma semente de mostarda nós podemos efetuar milagres.
No acontecimento que estamos discutindo, a restauração da visão dos dois homens cegos ocorreu imediatamente após a “ressurreição” (ascensão, elevação) da Filha de Jairo, e se refere ao equilíbrio entre os dois polos do Espírito no ser humano, por meio da qual a escuridão da cegueira material e a ignorância são dissipadas para sempre e os poderes da vida eterna se manifestam aqui e agora.
(Jo 9:1-41[9])
A doença não é uma punição, mas é o inevitável resultado de uma violação das Leis da Natureza. O sofrimento que ela carrega provará, no seu devido tempo, ser uma restauração que nos iluminará no caminho das leis superiores. Quando o Ego desperta sua consciência para a sua falta de sintonia com as Leis Cósmicas, as doenças desaparecem e a harmonia, ou saúde, é restaurada. Este é o significado do evento vivido pelo Mestre relatado no capítulo 9, versículos de 1-7 do Evangelho segundo São João: “Ao passar, Ele viu um homem, cego de nascença. Seus Discípulos Lhe perguntaram: ‘Rabi, quem pecou, ele ou seus pais, para que nascesse cego?’. Jesus respondeu: “Nem ele nem seus pais pecaram”.
“Mas”, continuou o Mestre, “é para que nele sejam manifestadas as obras de Deus. Enquanto é dia, temos de realizar as obras daquele que me enviou; vem a noite, quando ninguém pode trabalhar. Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo. Tendo dito isso, cuspiu na terra, fez lama com a saliva, aplicou-a sobre os olhos do cego e lhe disse: ‘Vai lavar-te na piscina de Siloé – que quer dizer ‘Enviado’’. O cego foi, lavou-se e voltou vendo”.
“O corpo mostra os defeitos da alma”. A cegueira é também o resultado do abandono de esforços para pensar corretamente, no passado. A perversão e a deturpação do ponto de vista mental produzirão sempre condições similares na visão física; assim como a surdez, de certo modo, resulta da recusa às instruções espirituais.
“O corpo sempre representa o passado; mas o passado pessoal de todo ser humano é um fragmento microcósmico de seu passado macrocósmico, e ambos estão impressos em seu corpo”. O Supremo Médico jamais observou as aparentes limitações do Corpo físico. Ele trabalhou sempre com o ser humano interior, lembrando que o espírito exerce seus próprios poderes dados por Deus, pois só desta forma pode manter-se em saúde permanente. Segundo a versão bíblica de Tyndale[10], Sua primeira pergunta ao homem foi: “Você realmente quer ter tudo?” A vontade é o polo masculino do Espírito. A fé pertence ao princípio feminino, simbolizado pela água limpa e pura. Quando estes dois se unem revela-se: “Tudo o que pedires em Meu nome, ser-te-á dado”.
Em todas as cerimônias de Iniciação pré-cristãs eram recomendados ao neófito como exercícios de preparação de purificação o lavar-se em um lago ou poço. Aquelas águas sagradas eram encontradas próximo ao Templo ou lugar santo. O poço de Siloé é um velho Templo Egípcio, termo familiar a todos os aspirantes ao Templo.
Familiar também ao antigo noviciado era ungir os olhos com lama que depois eram lavados nas águas sagradas. Este gesto ritualístico referia-se à abertura dos órgãos internos da visão, por meio dos quais o neófito capacitava-se em ver por sua própria vontade os mundos espirituais, embora não tivesse ainda a capacidade de neles atuar (Isto requer, ainda, preparação maior). A Glândula Pineal é também chamada de terceiro olho, mas a visão equilibrada requer um funcionamento harmonioso entre a Glândula Pineal e o Corpo Pituitário. Destas glândulas, Urano rege o Corpo Pituitário e Netuno a Pineal: o Corpo Pituitário é, em potencial, predominantemente feminino, enquanto a Pineal é masculina. Seu despertar e forma de desenvolvimento determinam a natureza da visão interior que é alcançada pelo neófito.
O trabalho de transfiguração ou regeneração, do qual estas faculdades supranormais são mais que simples sinais, devem acontecer enquanto o Ego habita o Corpo físico. Todo Ego após estar fora da vestimenta carnal, devido ao processo denominado morte, desperta nos Mundos espirituais, e, portanto, possui o mesmo grau de força para ver e experimentar as realidades desses Mundos. Entretanto, este não é o mesmo poder daquele que é Iniciado nos Mistérios de Cristo e que, enquanto em seu Corpo físico, alcançou a consciência da alma separada do Corpo, antes que ocorresse o processo natural da morte. Para que isto ocorra, o neófito deve limpar suas naturezas moral e mental por seus próprios esforços, pois, de outra forma, somente limpará sua natureza inferior quando de sua estada no Purgatório. Então o Iniciado vive tanto o seu Purgatório e o seu Paraíso, enquanto ainda na Terra em seu Corpo de barro. Daí as palavras do Cristo: “Importa que façamos nossas obras enquanto é dia; vem a noite (a morte) quando ninguém pode trabalhar”.
Sua triunfante proclamação final ressoará através de toda a eternidade, um clarim chamará todo aquele que desejar seguir o Caminho do Cristo, o Caminho da Iniciação, que foi aberto pelo Grande Iniciador de todos, o Supremo Mestre da Terra, quando Ele declarou: “EU SOU A LUZ DO MUNDO”.
(Mt 8:1-4[11]; Mc 1:40-44[12] e Lc 5:12-14[13])
A lepra[14], cuja causa foi o uso desenfreado das forças sexuais criadoras nas remotas Lemúria[15] e Atlântida[16], é uma das mais terríveis entre todas as doenças.
“Um laço íntimo une o gerador com o que é gerado. As gerações passadas são utilizadas na construção do futuro corpo; estão entrelaçadas no corpo como as tendências a alguma enfermidade, influindo tanto na sua formação como nas forças vitais. O veneno das vidas passadas tem que ser, em algum tempo, trocado por sanidade. Esta batalha vem através de infecções. As epidemias das raças são os males do passado materializados. A Praga da Morte Negra[17] teve sua maior incidência nos países onde a prática da magia negra floresceu, através de feitiçarias e encantamentos passionais” (Paracelso[18]).
Talvez não haja uma fase mais interessante no renascimento do que aquela na qual se revelam as causas passadas das enfermidades. Toda doença é o resultado de uma causa anterior existente. Citando novamente o celebrado médico suíço Paracelso, que nos deu muita luz sobre o problema das doenças em relação ao renascimento, nós lemos: “Nenhum médico deve presumir conhecer o tempo da convalescença, porque não é dado ao ser humano julgar a ofensa de outro, e o templo interior contém mistérios os quais nenhum estranho não Iniciado é permitido enxergar. Se o julgamento terminou, DEUS enviará o Curador: se o paciente se recupera é sinal de que a ajuda foi enviada por DEUS. Se a recuperação não é conseguida, DEUS não enviou o médico”.
A lepra e o câncer são “doenças do fogo”, e têm sua matriz no Corpo de Desejos. Ambas as doenças são consequência de um desejo de natureza desgovernada, na presente encarnação ou em encarnações passadas. O câncer tem grande incidência na vida moderna, enquanto a lepra teve no passado, e pelas mesmas razões.
Ambos os Corpos e Mente do ser humano são compostos de átomos rotativos e circulantes. O mais forte controla o mais fraco. A Mente é superior à matéria, esta é a lei da natureza.
Quando há saúde, os átomos do Corpo giram positivamente da esquerda para a direita. Na matriz de uma doença, como o câncer ou a lepra, por exemplo, eles giram negativamente da direita para a esquerda. No último caso a taxa de rotação é muito baixa, e os átomos também se diferenciam na coloração daqueles que estão em estado saudável. Os átomos negativos da Mente produzem a destruição, a pobreza, a doença, a anarquia e a morte. Os átomos mentais positivos manifestam paz, saúde, felicidade, harmonia e plenitude. Todas as coisas ou evoluem ou involuem. A morte é a dissolução dos átomos do Corpo. A vida é evolução, e sua meta, em ciclos inter-relacionados, é o ser humano espiritualizado.
Durante a Dispensação do Antigo Testamento, a lepra era conhecida como “o dedo de DEUS”. O povo em geral conhecia sua antiga origem e a tornara familiar com sua gente – a função que você usa mal, torna-se sua inimiga. E dessa forma eles entendiam que a lei Jeovística era a reguladora da relação entre o ser humano e seu próprio corpo (Nm 12:10)
A Nova Dispensação, sob a égide do Cristo, trouxe a Graça para substituir a Lei, o Amor para suplantar e tomar o lugar do medo. “E tomado pela compaixão, Ele estendeu a mão e tocou-o, dizendo: Eu quero, sê limpo. E a lepra desapareceu dele e ele tornou-se limpo”. E o leproso, banido da sociedade e isolado devido ao mortal conceito chamado de incurável e intocável, foi capaz, por meio de sua fé, humildade e devoção ao Mestre, de separar os elos do passado e seguiu limpo dali em diante.
Que esta cura é uma simbólica e exaltada preparação espiritual está evidenciada pelo fato de que no Evangelho de São Mateus ela ocorre logo após as palavras do Sermão da Montanha, e pertence a uma das fases mais elevadas no ensinamento esotérico. São Marcos a inclui entre os primeiros trabalhos que sucedem o Rito do Batismo, e São Lucas a coloca logo a seguir ao trabalho profundamente esotérico da Pesca Maravilhosa.
Nem todos os leprosos que se aproximaram do Grande Curador alcançaram a cura, como veremos no caso dos dez leprosos como relatado em São Lucas. Nós podemos entender somente o fato sob a luz de causas passadas. Alguns não foram capazes de quebrar seus elos e ninguém pode fazer isso por nós. Os outros podem nos mostrar o caminho, mas nós mesmos devemos realizar o trabalho individualmente. Não foi difícil para o Mestre ler a aura do pedinte diante de Si e, então, saber que ele estava preparado para saldar seus débitos.
(Lc 17:11-19[19])
Nesse caso, o Mestre fez uma demonstração do fato familiar a todos os esoteristas que o ser humano decreta sua própria doença e seu próprio tempo para a cura. Os dez leprosos se aproximaram do Mestre e pediram a Sua misericórdia. Seu amor e sua ternura compassiva os envolveram a todos igualmente, mas apenas um voltou – curado.
Paracelso atesta a universalidade da Lei da Cura quando ele declara: “Nenhuma doença é incurável, exceto quando a morte está presente. Na sabedoria do futuro todas as doenças terão um fim. Os processos regenerativos em uma doença são devidos ao Eterno que existe no ser humano”.
A cura dos dez leprosos é registrada apenas no Evangelho de Lucas. Dez (10) é o número de equilíbrio e o Evangelho de Lucas é um tratado importante sobre o assunto para o esoterista.
(Mc 1:23-26[21] e Lc 4:31-37[22])
Há muita controvérsia entre os estudiosos da Bíblia sobre o aumento da crença da possessão demoníaca ocorrido na Palestina, no tempo de Cristo. Os ocultistas sabem, todavia, e não é sem fundamento histórico, que a demonologia era um tema muito familiar dos judeus daquele tempo, como também o era o conhecimento dos seus efeitos sinistros e de longo alcance. Os membros do Sinédrio[23] eram obrigados a conhecer trabalhos de magia, assim como saber lidar com as questões a ela concernentes. A possessão demoníaca estava incluída nessa categoria, além de ser bem conhecida como a causa de muitas doenças. Rabinos e sacerdotes eram instruídos nas artes do exorcismo. E mais, devido a isto, através de todo o Império Romano, a palavra “Judeu” era sinônimo de “mágico”, o que nos ajuda a compreender as frequentes cargas de feitiçarias que eram lançadas contra as nascentes comunidades Cristãs.
A obsessão era prevalecente e de crescimento marcante no mundo inteiro (e não só na Palestina), que estava entre as sete grandes razões para a vinda do Cristo, particularmente naquele tempo, a fim de quebrar o elo entre os seres humanos e os maus espíritos desencarnados, bem como com os espíritos elementais, limpando e purificando as correntes do Mundo do Desejo, e tornando assim a humanidade mais suscetível a um novo e mais elevado impulso evolutivo. A expulsão de demônios ocupou, consequentemente, um lugar de destaque no ministério de cura definitiva[24] do Messias, e sua importância é acentuada como essencial para o elevado treinamento de Seus Discípulos.
Os escritores dos Evangelhos trataram a obsessão de forma particular, sob diferentes aspectos e de modo variado, entre cada descrição daquele mal. As obsessões são, ainda hoje, males predominantes entre povos primitivos, e reconhecidas frequentemente por missionários, muito dos quais têm descoberto o poder do exorcismo usando o nome de Cristo-Jesus. A Senhorita Mildred Cable[25], uma missionária na China, fez observações muito interessantes relativas à obsessão, descritas como se segue:
“Nossa primeira paciente mulher em Hwochou Opium Refuge ficou interessada pelos Evangelhos, e em seu retorno para casa destruiu as imagens, reservando, entretanto, os santuários de ídolos belamente esculpidos que ela colocou no quarto do seu filho. Depois de, aproximadamente, seis meses nós fomos enviados por um mensageiro especial para ver a esposa do filho que tinha ocupado esse quarto. Quando nós chegamos, a garota estava cantando a estranha nota menor do possuído, a voz, como em todos os casos que eu vi, distinguindo-a claramente da loucura. Isso pode, talvez, ser melhor descrita como uma voz distinta da personalidade de alguém possuído. Parece como se o demônio usasse os órgãos da fala da vítima para o transporte da sua própria voz. Ela recusava usar roupas ou se alimentar, e por meio da sua violência aterrorizava a comunidade. Imediatamente quando nós entramos no quarto, ela parou de cantar, e bem devagar apontou o seu dedo para nós, permanecendo nessa postura, durante um tempo. Como nós nos ajoelhamos sobre o kang[26] para orar, ela tremeu e disse: ‘o quarto está cheio de givei (um termo usado pelas pessoas comuns de lá para indicar desencarnados que recebem de cada família certas oferendas)’. ‘Assim que um vai, outro chega’, ela disse. Nós nos esforçamos para acalmá-la e fazê-la repetir conosco: ‘Senhor Jesus, salve-me’. Depois de um esforço considerável, ela conseguiu pronunciar essas palavras, e quando ela assim o fez, nós ordenamos que o demônio a deixasse; seu corpo tremia, e ela espirrou umas cinquenta ou sessenta vezes; então, de repente, ela veio a si mesma, pediu roupas e comida e parecia perfeitamente ter retomado bem o seu controle. Tão insistentemente reiterou a afirmação de que os demônios estavam usando o santuário do ídolo como refúgio, que durante o processo que acabamos de mencionar, seus pais entregaram voluntariamente aos Cristãos presentes essas esculturas, e se uniram a eles para destruí-las. Daí em diante ela estava perfeitamente bem, uma jovem normal e saudável”.
Entre as curas definitivas individuais realizadas por Cristo-Jesus, e descritas no Novo Testamento, sete são de endemoninhados: cinco homens, um menino e uma menina. Em cada um desses casos o Mestre usou métodos específicos e diferentes para obter a cura, os quais enriquecem os estudos cuidadosos do curador definitivo espiritual. Como foi dito anteriormente, Cristo estava empenhado não só em curar definitivamente os enfermos, mas, ao mesmo tempo, em instruir Seus Discípulos como desenvolverem o mesmo trabalho por Ele realizado, e quando Ele os enviou dois a dois nos longos caminhos do serviço, Ele deu-lhes o poder sobre os espíritos impuros (Mc 6:7).
O primeiro ato de exorcismo é relatado por São Marcos e São Lucas, e ambos o citam entre os primeiros eventos do ministério da cura definitiva. Ocorreu em um domingo, na sinagoga, em Cafarnaum na Galileia. Cafarnaum era também conhecida como cidade de Jesus, porque Ele a utilizava como lar sempre que saía de Nazaré. Tornou-se também a cidade de quatro de Seus mais chegados Discípulos, e cenário de muitos de Seus grandes trabalhos.
As palavras que o Mestre endereçava aos endemoninhados mostram-nos, claramente, que ele falava não ao homem propriamente dito, mas a outro ser que, temporariamente, se apossara interiormente daquele homem.
É certamente digno de nota que todas as entidades obsessoras conheciam o Cristo, reconheciam Seu poder sobre elas, e sentiam que elas teriam que sujeitar-se-á Sua vontade para sempre. Essa entidade clamou: “Que temos nós contigo, Jesus de Nazaré?” E, em resposta a firme determinação do Cristo, “Cala-te e sai dele!”, a entidade obedeceu-O e, de acordo com São Lucas, o médico, deixou o corpo daquele homem. Então, todos os que viram este fato falavam sobre uma nova autoridade, e sobre a lei de cura definitiva introduzida por Cristo, dizendo: “Ele ordena aos espíritos imundos e eles O obedecem”.
Neste caso, o espírito obsessivo parecia ter a inteligência de um ser humano, ainda apegado à Terra e aos prazeres dos sentidos, o que conseguiria somente usurpando os órgãos de um Ego incorporado. Daí poder utilizar-se da laringe humana e falar, além de usando o corpo possuído, parecer um humano, embora repleto de maldade.
(Mt 9:32-33[27])
No caso do surdo-mudo endemoninhado o demônio possuidor controlava os órgãos da fala e da audição, privando-o de seu uso. Tão logo expulso o mal, o homem pode falar e ouvir de novo normalmente. Então as pessoas que assistiram o evento chamarem Jesus de “Filho de Daniel” e de “Filho de Deus”.
A cura da obsessão ou expulsão de demônios acontecerá novamente, como nos tempos de Cristo, e transformar-se-á em um dos principais ministérios de cura definitiva[28] na Nova Era. Atualmente a obsessão é raramente curada definitivamente, porque é muito pouco entendida, em geral sendo classificada erroneamente como insanidade ou como várias desordens nervosas. Para obter sucesso com esta forma de doença, o curador deve possuir um elevadíssimo grau de espiritualidade. Muitas pessoas que estão confinadas, hoje em dia, em asilos para doentes mentais são deploráveis exemplos de obsessão. Geralmente este terrível mal é fruto de uma causa passada e frequentemente o resultado direto da prática do hipnotismo. Não há pecado maior que a privação, ainda que momentaneamente, da livre vontade de um Ego, sua mais inestimável herança.
(Mt 8:28-32[30]; Mc 5:1-20[31] e Lc 8:26-39[32])
“Seu nome é Legião”. Esta cura é de especial interesse uma vez que é descrita em São Mateus, São Marcos e São Lucas, com ligeiras variações de acordo com a fase de desenvolvimento que cada escritor deseja enfatizar. São Paulo aconselha os neófitos orarem sem cessar e, novamente, a vestirem completamente a armadura de Deus, ou em outras palavras, manterem-se totalmente envoltos na aura da oração. Isto é muito necessário ao aspirante quando inicia suas primeiras investigações nos planos internos. Este, então, é confrontado por testes muito mais sutis do que aqueles que ele enfrentou no mundo físico exterior, onde os maus impactos são amortecidos pela matéria densa. Nos planos interiores não existe esta barreira protetora. Há uma profusão de pensamentos, palavras e atos negativos que são constantemente gerados e postos em movimento sobre a Terra, enquanto outros são fortalecidos e usados como canais magnéticos de aproximação a espíritos terrestres que estão ainda imersos no mal de suas recentes vidas físicas.
Sucede que, frequentemente, essas entidades obsessoras apossam-se de alguém que não sabe como controlá-los ou comandá-los. A ajuda do Mestre é então necessária como neste exemplo bíblico: “Sai deste homem, espírito impuro”, ordenou o Cristo. Os maus espíritos não causam danos àqueles que são corajosos e amorosos e àqueles que sabem como usar o Nome de Cristo Jesus, o Sagrado NOME que é um talismã, quer nos planos internos, quer nos externos.
Assim que o Mestre soube o nome do espírito obsessor, este ficou totalmente sob Seu poder, e não teve escolha senão obedecê-Lo. Este foi um caso mais difícil que os anteriormente discutidos, onde o grande Mestre estava instruindo Seus Discípulos no poder secreto (vibração) existente nos nomes e como esse poder pode ser usado na cura e na elevação (física e/ou espiritual).
O homem de Gerasa (ou Jerasa) era controlado alternativamente por muitos demônios, todos exibindo as mais destrutivas características. A pobre vítima, em sua agonia e desespero, cortava-se com pedras, afligia e dilacerava seu próprio corpo. A transformação foi instantânea e completa. Com violência, a besta demoníaca foi possuída de grande medo e retirou-se; e o homem transformou-se em um ser humano normal, e sentou-se como uma criança aos pés de Jesus. Quando o Mestre retornou ao barco, ele O seguiu, somente pedindo-Lhe para permanecer perto de Sua maravilhosa Presença. Reconhecendo sua total dedicação, o Mestre indicou-o como Seu apóstolo e testemunha entre as pessoas daquelas terras; e em obediência aos desígnios do Mestre ele testemunhou em Gerasa e em todas as outras cidades de Decápolis as maravilhosas coisas que aprendeu com Cristo-Jesus e Seus trabalhos.
No antigo simbolismo Egípcio, o suíno era identificado como Marte, a natureza inferior e passional do ser humano. A presença de uma enorme quantidade de porcos, neste caso, talvez seja mais uma reminiscência de um ritual de cura para a obsessão, da antiga Babilônia, na qual a imagem de um animal, usualmente um porco, era colocada ao lado do paciente antes de o curador iniciar o exorcismo; esta inclusão tinha como finalidade determinar que o demônio penetrasse na imagem, que posteriormente era destruída. O Grande Senhor da Vida e do Amor jamais condenaria inocentes animais à morte. O que ele fez foi com que os maus espíritos retornassem ao seu próprio elemento, simbolizado pelo bando de porcos (vara). Ele não veio para destruir o mal, mas para ensinar-nos como elevá-lo com grande poder e transmutá-lo em bem, pois o maior pecador deve, certamente, transformar-se no maior santo.
Este acontecimento da legião de demônios ocorreu quase que imediatamente após o Mestre haver mostrado os poderes de Sua altíssima Iniciação sossegando as águas e acalmando a tempestade.
(Mt 17:14-21[33]; Mc 9: 14-29[34] e Lc 9:37-42[35])
Imediatamente após o glorioso Rito da Transfiguração (que foi testemunhado somente pelos mais avançados Discípulos: Pedro, Tiago e João), ocorreu a mais difícil de todas as curas de obsessão, e que os Discípulos, por si sós, seriam incapazes de realizar.
Embora os Discípulos já houvessem exorcizado com êxito muitos espíritos maus, eles ainda não tinham força suficiente diante desse último. “Frequentemente, tem-se que atirá-lo ao fogo e dentro da água, a fim de destruí-lo”. Eis uma chave mística. Esse menino, na vida anterior, fora um seguidor dos Mistérios, trabalhando nos Templos com os dois elementos: fogo e água. Sem sombras de dúvidas ele fez mal-uso de seus poderes e dedicou-se à magia negra, daí nessa vida, “desde criança” ter ficado sob o controle das poderosas forças do mal emanadas das Irmandades Negras. Por essa razão os Discípulos, apesar de seu elevado desenvolvimento, não podiam livrá-lo daqueles laços. Somente o Mestre, superior a todas as artes negras, podia realizá-lo.
“Por que não pudemos expulsá-lo?” – Perguntaram-Lhe os Discípulos quando Ele retornou. “Esta casta não é expulsa senão com muita oração e jejum”. Em outras palavras, é somente por meio de uma vida de completa dedicação à pureza que o tenaz aperto dos magos negros pode ser quebrado.
Este caso é, geralmente, conhecido como epilepsia. É significativo, neste momento, notar que Areteu[36], em seu Tratado sobre Doenças Crônicas considera a epilepsia como uma doença infame, porque ele pensava ser ela infligida somente sobre as pessoas que houvessem pecado contra a lua. Em seu livro “Os dias críticos”, Galen[37] afirma que a lua governa os períodos de ataques epiléticos (Os Milagres e a Nova Psicologia, Micklen).
(Mt 9:2-7[38]; Mc 2:3-12[39] e Lc 5:18-26[40])
Estudando a Bíblia vemos que o ensinamento explicita que o pecado, ou o agir erroneamente, é a causa direta das doenças. De acordo com o Livro do Levítico, a lepra era o resultado da calúnia. Miriam, certa feita, viu surgir-lhe a lepra logo depois de ter falado mal de Moisés durante os anos no deserto (Num 12).
Entre os primeiros cristãos acreditava-se que “as doenças provinham de sete pecados: calúnia, derramamento do sangue no fluxo menstrual, falso testemunho, falta de castidade, arrogância, roubo e inveja”. Cristo Jesus enfatizava, frequentemente, as mesmas verdades em Suas conversas com os Doze Apóstolos, como no caso em que, após curar um paralítico disse: “Tem ânimo, meu filho, teus pecados estão perdoados. Levanta-te toma o teu leito e vá para tua casa”, “Ele lhes perguntou: “O que é mais fácil dizer: teus pecados estão perdoados ou dizer levanta-te e anda?”.
A cura definitiva[41] só é alcançada no final do ciclo de causa, onde a doença é a parte conclusiva. Cristo-Jesus podia facilmente, devido aos Seus poderes cósmicos, curar instantaneamente qualquer pessoa de qualquer doença. Entretanto, se o enfermo não houvesse aprendido a lição concernente aos seus erros, sua enfermidade cedo ou tarde reapareceria. Somente quando o Átomo-semente no coração, que carrega a gravação de todos os esforços mal direcionados (pecados), tiver sido purificado pela repetição, reforma e restauração, Cristo dirá “Levanta-te, estás livre”. Isso porque o Mestre pode mandar “Levanta-te e anda”, mas somente o próprio ser humano pode tornar isso possível, a fim de que Ele declare: “Teus pecados estão perdoados”.
A paralisia, como todos os curadores espirituais sabem, é o resultado de alguma forma de medo. Um profundo e intenso medo centrado na Mente subconsciente[42], talvez por muitas vidas, impede e diminui as funções vitais, até que, finalmente, o corpo físico torna-se inerte e não responde mais às comunicações do Ego: ele se transforma em um paralítico.
Foi imediatamente após essa inspirada cura que aconteceu a chamada de São Mateus, que, entusiasmado com essa sublime manifestação do grande poder de cura do Mestre, renunciou, por vontade própria, à todas as coisas pertencentes a vida pessoal dele anterior, e alegremente O seguiu. Os posteriores eventos ocorridos em sua vida de apostolado dão ênfase e evidência de quão completa e inalterável foi sua dedicação.
(Mt 8:14-15[43])
Após a cura definitiva[44] do endemoninhado na sinagoga, em Cafarnaum, em um Dia do Sabbath, Cristo-Jesus retornou à casa com Pedro e André, acompanhado de Tiago e João. A casa estava toda enfeitada e o candelabro de sete braços estava aceso para a Santa Ceia, o almoço ao meio-dia. Essa festividade semanal fora idealizada especialmente para homenagear a presença do amado Mestre. Todavia, quando eles chegaram à casa, como Lucas descreve em seu Evangelho, “a sogra de Pedro estava acamada ardendo em febre”. Ele “acercou-Se dela e desaprovou a febre e essa a deixou, e tomando a mulher pela mão levantou-a, e ela imediatamente passou a servir a todos”.
Em cada evento de cura definitiva o grande Médico utilizava a Palavra de Poder, e, algumas vezes, aumentava esse Poder com o toque de Suas mãos. As mãos são portadoras da cura definitiva e do serviço. Quando o centro do coração é despertado, as mãos tornam-se poderosos canais para as forças de curas definitivas interiores.
Lágrimas, frio e condições físicas semelhantes pertencem ao elemento água, podem ser traços da falta de controle da natureza emocional. A febre relaciona-se com o elemento fogo e origina-se na falta de controle da natureza passional. Pensamentos destrutivos ou negativos, e mesmo a insanidade, pertencem ao elemento ar e representam uma falha no controle de algum processo mental (especialmente a imaginação), e estão intimamente ligados às energias criadoras. O corpo físico é a placa de ressonância dos veículos internos que registra fielmente tanto as notas dissonantes como as harmoniosas.
Cada enfermidade se correlaciona com um dos quatro elementos. Nenhuma doença do fogo pode existir nas forças da água, nem pode qualquer fraqueza relativa à água existir no elemento fogo. Todos os venenos originam-se no fogo e estão centrados no Corpo de Desejos, motivo pelo qual o espírito desses venenos não tem nenhuma força quando os desejos inferiores são transmutados. Para tal, aos Discípulos de Cristo que tinham completado a transmutação, Ele dizia: “Vocês poderão ingerir qualquer bebida mortal e ela não lhes fará mal algum”[45].
A febre é um meio de purificação por meio do Fogo, um processo de purificação da natureza dos desejos carnais. A experiência da sogra de Pedro foi uma dedicatória daquela mulher que imediatamente “levantou-se e pôs-se a servir”.
O amor, o serviço e o sacrifício formam o tríplice caminho que conduz ao trabalho de criação da espiritualidade do verdadeiro discipulado.
(Mt 15:21-28[46] e Mc 7:24-30[47])
Cristo-Jesus se retirou por um tempo e desejava que ninguém soubesse onde Ele tinha ido. São Marcos escreve que embora Cristo-Jesus tenha se isolado, pois “entrou em uma casa e não queria que ninguém O visse”, ainda assim, “Ele não pôde Se ocultar”. A compaixão de Seu grande coração sempre abarcava todo infortúnio e sofrimento e, então, Ele não podia permanecer distante quando Seu socorro fosse requisitado. E Ele jamais se ocultaria daqueles que O buscavam sinceramente, nem deixaria de dar atenção a um honesto pedido de ajuda em qualquer plano. “Creiam-Me, Eu estarei sempre com vocês”; é Sua promessa.
Uma mulher fenícia, de nome Justa, de acordo com os escritos de Clementino, viajara cerca de duzentos e cinquenta quilômetros ou mais em busca de Sua ajuda para a filha dela. Ela era seguidora do culto de Astarte, a deusa Lua, mas a fama do Divino Curador chegara até ela em sua longínqua moradia, e quando ela chegou ao local onde estavam os Discípulos, implorou-lhes que intercedessem por ela junto ao Mestre.
Ela foi levada diante de Sua Presença. Em resposta aos seus rogos, disse-lhe Ele: “Não fica bem tirar o pão dos filhos e atirá-lo aos cachorrinhos” – e nessas palavras podemos notar o nível espiritual daquela mulher. Ela não pertencia ao círculo interno de Estudantes, portanto, não estava preparada para receber o pão (ensinamentos profundos) dos filhos (grupo fechado). Ela havia feito, entretanto, a completa renúncia, e seguiria no Caminho que a levaria àquele círculo hermético, haja vista sua reposta: “Isso é verdade, Senhor, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos!”.
Sua dedicação foi aceita e sua filha foi instantaneamente curada, tendo em vista o que declarou o Mestre: “Mulher, grande é a tua fé! Seja feito como queres!”. Estas palavras carregam a elevada promessa da conquista que mais tarde ela alcançaria.
Nesta cura Cristo-Jesus demonstrou aos Seus Discípulos que, em verdade, o Espírito é todo-poderoso e que transcende a todas as barreiras de tempo e espaço. A menina foi curada por Sua palavra, muito embora ela estivesse a centenas de quilômetros de distância, e sem que Ele tivesse tido qualquer contato anterior com ela.
Fé, humildade e devoção sem reservas, abrirão sempre a porta para todo o aspirante neófito: “Grande é a tua fé! Seja feito como queres!”.
(Lc 14:1-6[48])
Cristo-Jesus, o Senhor do Amor, centralizou Seu serviço na suprema Lei que é o AMOR. Ele não perdia nenhuma oportunidade de ensinar e demonstrar esta verdade fundamental sempre e onde Ele podia. Nesta ocasião, como no Sabá[49] anterior, Ele procurou ensinar aos literalistas a preeminência do Amor sobre o código rígido e formal que continha somente a Lei que eles conheciam. Isso Ele conseguiu curando definitivamente um homem com hidropisia, contrariando as leis sabáticas que os literalistas interpretavam como proibição de qualquer tipo de trabalho no Sabá, ainda que fosse o divino serviço de qualquer tipo de cura.
A observância do Sabá foi um dos muitos costumes que os Hebreus herdaram da Caldéia. Os caldeus contavam cinco Sabás por mês e foram eles que dividiram o período semanal em sete dias, dedicando-os ao Sol, à Lua e aos demais Planetas. Essa divisão de tempo era usada na Caldéia desde os tempos de Abraão, que, como Príncipe dos Caldeus, deve ter-se familiarizado com isso antes de ouvir a Voz da Nova Revelação, chamando-o para seguir para a nova terra. Um calendário Assírio explica que Sabá significa “a conclusão de um trabalho, o dia de descanso da alma”. E determina que é ilegal cozinhar, trocar de roupas ou mesmo oferecer qualquer sacrifício no Sabá; e ao rei era proibido falar em público, dirigir sua carruagem, ou executar qualquer tipo de dever militar ou civil e ainda tomar remédio nesse dia.
Como havia cinco Sabás Babilônicos em cada mês, algumas vezes havia mais de um em uma só semana. Estes Sabás, entretanto, não eram dedicados a nada em particular, mas caíam, regularmente, nos sétimos, décimo quarto, décimo nono, vigésimo primeiro e vigésimo oitavo dia do mês, indiferentemente do dia da semana em que essas datas caíssem. Então as deidades astrais recebiam suas homenagens em sucessão regular, obedecendo a sequência de um Sabá mais sagrado do que um outro, em que uma especial reverência era devida a determinados deuses nos locais a eles sagrados desde remota antiguidade. Não só os assírios e judeus, mas também os fenícios mantinham a observância do Sabá babilônico.
É significativo que desses Sabás os judeus selecionaram para uma observância especial somente o Dia de Saturno (em inglês: Saturday e em português Sábado), o sétimo dia da semana. Sete é o número do término, envolvimento, descanso e da assimilação. Então, com o passar do tempo, suas leis Sabáticas expressaram mais e mais a rigidez dos princípios Saturninos em seus aspectos negativos ou formais. Cristo-Jesus veio trazer uma nova declaração, o poder e a luz de um Novo Dia e de uma Nova Era, baseada no Princípio Solar. Geralmente, é notado pelos Estudantes de astrologia que, na matéria em questão, a palavra “Satã” é derivada de Saturno, e no idioma árabe, “Shaitan” que significa “Aquele que se desespera”. O Árabe e o Hebreu têm muita semelhança assim como acontece com o Espanhol e o Português.
O Dia do Sol, regido pelo Cristo, carrega consigo um profundíssimo significado que a maioria dos indivíduos não compreende. O Sol é o centro da vida, da luz e do amor para o Sistema Solar inteiro e ao qual o Planeta Terra pertence. O Dia do Sol, portanto, deveria ser o dia em que nós nos dedicássemos em nos transformar em sóis em miniatura, centros de irradiação de amor, luz e felicidade tão extensa quanto nossa influência alcançasse.
Domingo é o primeiro dia, o Novo Dia, o princípio de uma nova semana, um momento para a assimilação das essências da alma extraídas das experiências da semana anterior; e essa assimilação é o ponto de partida de um novo processo, para o qual a pedra alquímica é um extrato. As novas Leis Solares de fraternidade, igualdade e unicidade que o Mestre defendeu, e que Ele imortalizou nos Sermão da Montanha, são ainda, mesmo tendo passado mais de dois mil anos, o centro de controvérsias onde quer que haja um indivíduo ou um grupo de indivíduos que tenha captado a visão de seu sentido e tenha conseguido colocá-lo em prática todos os dias de suas vidas. Tivesse a humanidade seguido as Leis Solares de Cristo em lugar das leis de Saturno dos escribas e fariseus o mundo não seria um lugar tão penoso como o é hoje.
Em outro Sabá, o Mestre tentava ensinar a supremacia do Amor sobre a Lei quando ele curou definitivamente e em público um homem com a mão atrofiada. Neste dia de Sabá Ele procurava atenuar o obscurantismo farisaico, curando definitivamente um homem com hidropisia na casa de um dos líderes fariseus, onde Ele fora participar do sagrado almoço de Domingo, mas seus corações e suas mentes estavam fechados para Seus ensinamentos, daí seu destino foi o de terem perdido todas as coisas colocadas diante deles pelo Cristo. A mesma sina aguarda os atuais seguidores das leis farisaicas, sejam judeus, cristãos ou pagãos.
Na lição que o Cristo provê imediatamente após a cura definitiva do homem com hidropisia Ele transmite e fornece a sutil ideia sobre sua causa e sua cura final. E isto é encontrado na parábola da humildade onde Ele adverte aqueles que vêm ao banquete para se contentar com os lugares mais inferiores até serem convidados pelo anfitrião para ocuparem lugares mais elevados. Ele, então, adiciona a fórmula para alcançar a verdade espiritual que todos os Senhores da Sabedoria têm guardada desde o princípio dos tempos, mas que, mesmo nos dias de hoje, é a mais difícil para o aspirante aceitar e seguir: “Pois todo aquele que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado” (Lc 14:11).
(Mc 3:1-5[50] e Lc 6:6-10[51])
Complementando os ensinamentos das profundas verdades ocultas através dos Seus serviços de cura definitiva[52], o Mestre também deixou algumas verdades práticas consistentes com a vida diária, como no caso do homem com a mão atrofiada. Suas palavras e atos não eram apenas para as pessoas de Seu tempo, mas para serem igualmente aplicados às necessidades do ser humano atual.
Os escribas e fariseus estão sempre conosco, e algumas vezes eles estão até dentro de nós. A intolerância e a condenação da ação dos outros são farisaicas. Ao vivermos apenas em estrito acordo com a letra da lei, nós estamos relegando o perdão, a compaixão e o amor a um segundo plano, que é a característica daqueles literalistas que o Mestre reprimia tão frequente e severamente.
Porque era Sabá, os fariseus se opuseram às atividades de cura definitiva que estavam sendo realizadas. O compassivo Mestre ficou triste devido à dureza de seus corações e os inquiriu: É permitido, no sábado, fazer o bem ou fazer o mal? Salvar a vida ou destruí-la?”. Eles, porém, permaneceram calados diante da Sua questão. Muitas vezes o poder de nosso Cristo interno é subjugado pela rígida aderência à regulamentos que excluem a equação pessoal de piedade, amor e serviço exterior como preceitua o Caminho.
Em toda cura espiritual definitiva a fé é a essência primordial. Foi com muita frequência que Cristo usava esta palavra em Suas atividades; em outros casos, Ele fazia com que o paciente a demonstrasse. Ao homem com a mão atrofiada foi dito: “estenda-a”. Sem qualquer pensamento de recusa, o esforço foi feito – e sua mão se moveu e foi restabelecida completamente.
Nos anais da Maçonaria Mística conta-se esse mesmo caso como relatado por São Lucas, mas adicionando que a mão afetada e sem utilidade era a mão direita. As duas mãos simbolizam os dois caminhos do serviço nos Mundos ocultos. O ser humano, em seu estágio materialista atual, assassinou violentamente a força do Amor, permitindo-a murchar com o desuso. Quando o Supremo Senhor do Amor apareceu, Ele despertou o coração, e assim o fogo daquele coração como que queimou seus caminhos para fora até as mãos, e seu membro atrofiado foi curado definitivamente e tornou possível, uma vez mais, a manifestação do construtivo trabalho no mundo.
É significante notar essa conexão de que a mão atrofiada foi curada no interior do Templo.
(Mt 8:5-13[53] e Lc 7:1-10[54])
A história do Centurião de Cafarnaum está relatada tanto em São Mateus como em São Lucas. Este homem, investido de autoridade militar do governo romano, já havia aprendido, em seus contatos mundanos, a praticar dois princípios que o Mestre agregara aos ensinamentos de seus Discípulos, a saber, humildade ou auto esquecimento e fé vigorosa; verdadeiramente uma conquista inigualável. Assim, ele se qualificara também para seguir o Caminho, e fazer-se, imediatamente, recebedor da atenção e as mercês do Mestre. “Eu vos afirmo que nem mesmo em Israel vi tanta fé” foram as palavras do Mestre, descritivas do Centurião. O servo do Centurião, a quem este queria muito bem, encontrava-se doente, e ele havia enviado amigos para pedirem ajuda ao Grande Curador, uma solicitação prontamente atendida. Quando os mensageiros retornaram a casa, eles encontraram o servo com saúde.
Uma vida dedicada e centrada na humildade e serviços aos demais é a fórmula de trabalho para ao sucesso do discipulado, e seus resultados são sempre produtivos como demonstrado na resposta do Mestre à solicitação do Centurião.
Neste caso, nós temos outra instância de cura à distância, como vimos na história da mulher Cananéia e sua filha. O Espírito envolve todas as coisas e todos os lugares em sua manifestação ativa ou positiva, e a matéria é também Espírito, e a forma dos seres é o resultado das cristalizações em torno do polo negativo do Espírito, que é o Espaço. Por este motivo, os ocultistas declaram que Deus é Espírito e que nenhum ser humano pode ser, em realidade, d’Ele separado. A separação do Ser Humano de Deus, Matéria do Espírito, nada mais é que uma ilusão; a Unidade é a realidade, e o conceito de Unidade desenvolve-se em consciência, e daí a cura torna-se possível. Isto é o que Cristo demonstrou e ensinou aos Discípulos quando efetuou curas, mesmo estando o paciente bem distante.
O versículo oito[55] é uma descrição esotérica do longo e crescente treinamento preparatório que leva à conquista de si mesmo. Os soldados e servos são as faculdades interiores de cada ser humano. Quando um aspirante hodierno afirma: “Eu digo a alguém, vá e ele vai: e a outro vem, e ele vem; e ao meu empregado faça isto, e ele faz”, então ele também está preparado para receber as graças e benesses do Mestre e tornar-se consciente de que sua vida e seu serviço têm-se tornado fortalecidos a tal ponto de penetrar na aura de Sua divina e protetora Presença.
(Lc 13:10-13[56])
Novamente o ministério de cura continuou em um Sabá[57], em uma Sinagoga, e uma vez mais os líderes cegos pela cegueira espiritual continuaram a demonstrar sua rígida aderência às letras da lei enquanto se olvidavam do Espírito nela contido.
Esta cura refere-se a uma mulher que era incapaz de se manter em posição normal, ereta, havia já dezoito anos. Esotericamente, as curas que ocorreram na Sinagoga e no recinto do Templo têm todo um significado especial oculto não encontrado em outras ocasiões. Cabalisticamente, dezoito é a soma de um mais oito, que dá nove, que é o número da liberdade, da liberação e da iluminação. Essa mulher vivia inclinada para a terra (mortalidade), mas, agora, tendo encontrado o Cristo ela se liberta, se ergue, centrada não mais na vida mortal, mas no caminho do Espírito. “Ele lhe impôs as mãos e, instantaneamente, ela se endireitou e glorificava a Deus”.
Na escolha de Seus Discípulos, invariavelmente, as Escrituras dizem: “Ele os chamou e eles vieram até Ele”. É nessa passagem que nós descobrimos o primeiro requisito do Discipulado. Ele chamou e essa mulher veio e ela encontrou a “Luz que ilumina todos os homens”. Ele a chamou, Ele lhe falou, Ele lhe ensinou. Esses são os três primeiros passos dados por quem está preparado para receber um elevadíssimo acréscimo de consciência, e esses passos indicam abertura de seus sentidos às faculdades espirituais por meio dos quais o neófito descobre um novo mundo dentro de si mesmo e dentro da natureza.
(Mt 9:20-22[58], Mc 5:25-34[59] e Lc 8:43-48[60])
São Mateus, São Marcos e São Lucas contam a estória de uma mulher que sofria de uma enfermidade já por doze anos, e que se encontrava entre as muitas pessoas que se acercavam e se aglomeravam esperando que o Mestre passasse a caminho da casa de um nobre chamado Jairo.
“Se eu puder tocar suas vestes eu estarei totalmente curada”. Essas palavras atribuídas à mulher fazem parte de um mantra iniciatório. As vestes representam o Corpo-Alma em contraparte à personalidade. Para a cura total é necessário passar-se por meio dos portais da Iniciação, onde o neófito não mais “vê através de um espelho escurecido, mas face a face”.
Essa mulher e sua cura representam a elevação do polo feminino e com toda legitimidade pertence ao processo iniciatório, simbolicamente descrito na ressurreição da filha de Jairo. No mesmo sentido, a ressurreição do Filho da Viúva lida com o soerguimento do polo masculino e é uma parte do processo iniciatório descrito na Ressurreição de Lázaro.
A filha de Jairo tinha doze anos de idade. A mulher enferma foi afligida por sessenta e dois anos. As duas ocorrências são relatadas juntas nos três Evangelhos sinóticos.
A fim de entendermos o significado esotérico sublinhado na cura dessa mulher que foi afligida com um fluxo de sangue durante a maior parte de sua vida, vamos dar uma olhada no antigo ensinamento sobre o mistério do sangue. Goethe[61] nos diz que “o sangue é a mais peculiar de todas as essências”, e sua taxa vibratória indica o estado esotérico de cada indivíduo. O fluxo de sangue é o grande higienizador e purificador da natureza dos desejos. Aquele que está preparado para o elevado trabalho espiritual como um profeta, professor ou curador, frequentemente, suporta alguma experiência onde há uma grande perda de sangue. Após essa limpeza, ele encontra menos dificuldades para acalmar a natureza sensual, e silenciar os clamores de seu apetite. O sangue vermelho representa a natureza carnal e materialista do ser humano. Ao final, através da transmutação, o sangue se transformará em uma brilhante essência branca.
Toda doença no sangue se correlaciona com o elemento Fogo, e sempre resulta de uma estimulação demasiada do Corpo de Desejos, seja na presente encarnação ou em alguma anterior.
O Iniciador é sempre muito consciente de Suas responsabilidades, quando Ele instrui alguém sobre essas verdades veladas. Essa é a única passagem gravada onde Cristo-Jesus chamou uma mulher de “filha”. O Mestre se torna um verdadeiro pai e protetor desse “recém-nascido”.
São Mateus escreve Sua saudação a ela como “Ânimo, minha filha”. São Marcos e São Lucas, “Vá em Paz”. Essa Paz que ultrapassa todo entendimento, posto que só é encontrada como o centro do Bem Onipotente e Onipresente.
Eusébio[62], no sétimo volume de seu livro História Eclesiástica[63], nos diz que ele viu em Cesareia de Filipe[64] uma estátua erigida por essa mulher no portão de entrada de sua casa, representando o Cristo com suas mãos estendidas sobre ela ajoelhada em súplicas diante d’Ele.
(Mt 9:18-19[65], 23-26, Mc 5:22-24, 35-43[66] e Lc 8:41-42,49-55[67])
Essa linda história, que oculta o processo de Iniciação do leitor comum, é pontuada nos três Evangelhos de São Mateus, São Marcos e São Lucas.
A Iniciação é, verdadeiramente, morrer para a antiga vida pessoal e nascer para uma nova. São Lucas nos informa que a filha de Jairo, uma menina de doze anos, “estava à beira da morte”. Mas Cristo disse: “A menina não está morta, mas dorme”. Não existem colocações contraditórias quando interpretadas à luz dos Ensinamentos Ocultos, mas se referem à mesma experiência.
Cristo-Jesus procurou mostrar aos Discípulos a cura de muitas e variadas formas de doenças, suas causas pré-existentes e o método de lidar com cada uma. Na presença de Seus Discípulos mais avançados Ele deu assistência a três outros a alcançarem o iluminado estado da Iniciação.
O Ego que habitava o corpo da filha de Jairo era muito adiantado na evolução. Nela nós encontramos um Iniciado dos Antigos Mistérios, retornando como um dos pioneiros da Dispensação Cristã. Ela fora levada aos planos internos, recebendo os sagrados ensinamentos pertencentes ao mais elevado despertar de consciência, enquanto seus amados parentes mantinham sagrada vigília ao lado de seu invólucro físico. E, no devido tempo, Cristo, na presença dos pais da menina adormecida e de Pedro, Tiago e João (evidentemente aqueles que estavam preparados para entender essas verdades ocultas), assistiram a jovem no retorno e reentrada em seu corpo físico.
O Mestre recebeu a menina, quando esta retornou, com uma expressão de infinita beleza e ternura, revelando uma riqueza de entendimento ao ocultista. São Marcos nos diz que Ele disse: “Talita kum. A palavra ‘Talita’ em Aramaico é um diminutivo que significa “pequena ovelha”. Suas palavras para ela foram, pois “Pequena ovelha, levanta”. Cordeiro ou carneiro são usados nos Antigo e Novo Testamentos para descrever os Iniciados. A maioria dos grandes videntes da Era Mosaica era composta de “Pastores”. O Próprio Mestre veio como o Cordeiro de Deus, e na última Iniciação de São Pedro, Sua nota chave soou como “Alimenta minhas Ovelhas”[68].
No ciclo de vida de um indivíduo, a idade simbólica de doze anos é um ponto crucial para a criança. É quando a natureza dos desejos da juventude inicia seu despertar e as tendências e inclinações de vidas passadas começam a se manifestar. E num momento como esse, como na vida da filha de Jairo, uma “alma velha”, para alguém que teve muitas vidas de experiências na escola terrestre, essa idade marca o desenvolvimento definitivo da natureza espiritual. Em vez de despertar os desejos físicos, ocorre um avivar definitivo dos poderes passados na alma. Assim como alguém que trabalhou definitiva e conscientemente com o processo de transmutação por muitas vidas passadas. Esse foi a caso do menino Samuel quando começou a profetizar, e o caso do Mestre Jesus, quando, também com doze anos, ensinava aos anciãos no Templo. Experiências inspiradoras são claramente comuns mesmo entre adolescentes comuns, e psicólogos têm observado que se um indivíduo não se converte a uma religião nesse período da vida será como ele jamais tivesse tido tal experiência.
É significante observar-se que nos três Evangelhos sinóticos a elevação da filha de Jairo é precedida por casos de exorcismo de maus espíritos.
Nas experiências de Iniciação, a expulsão de demônios nada mais é que o “enfrentamento” com o Guardião do Umbral, que é uma entidade formada pela essência de todo o mal ou ações negativas de vidas passadas, e que o novo Iniciado deve encarar, vencer e dissolver (ao menos em parte) pela transmutação, antes que possa passar aos “reinos de luz” e ser agraciado com um “novo nascimento”.
Jairo era um nobre, um administrador da Sinagoga e, portanto, um homem com muita autoridade. Quando alguém alcança o grau que aquela jovem Iniciada alcançou, quase sempre é filho ou filha de um rei ou de um nobre por ter encontrado e reivindicado a verdadeira herança do Espírito, uma verdadeira demonstração de afinidade com o Pai: “Tudo o que é do Pai é meu”[69].
Tudo o que, nas escrituras, se relaciona com a elevação se refere, na verdade, à latente divindade interior do ser humano, que, quando despertada, transforma-o em um iluminado ou um ser espiritualmente esclarecido. Contudo, muitas das referências bíblicas de pessoas “mortas” ou “adormecidas” se referem às inclinações à materialidade.
Quando o Cordão Prateado, que liga o Ego ao corpo, se romper não será mais possível reanimar o corpo. O Mestre explicava claramente esse fato quando dizia quem tem olhos para ver, quem tem ouvidos para ouvir: “a menina não está morta, apenas dorme”, indicando que o Ego estava ainda unido ao Corpo, e, consequentemente, vivo.
(Jo 4:46-53[70])
Vimos que os Evangelhos de São Mateus, São Marcos e São Lucas contêm a história da cura da filha de Jairo, que são narrativas semelhantes, uma vez que simbolizam um dos primeiros e mais importantes trabalhos de purificação a serem alcançados. Não há, entretanto, nenhuma menção deste fato, em São João, porque seu Evangelho, o mais profundo e esotérico dos quatro, lida com trabalhos de importância maior ainda. Em lugar da ressurreição da filha de Jairo, São João nos apresenta a do filho de um homem nobre.
Os Evangelhos, quando estudados esotericamente, revelam o caminho da Iniciação nos Mistérios Cristãos, cada sinal representando algum atributo particular no processo de desenvolvimento. O filho de um homem nobre não é mencionado nos trabalhos de São Mateus, São Marcos e São Lucas. A razão disto pode ser encontrada no fato de que no processo de elevação espiritual o princípio feminino deve ser elevado e restaurado a partir de sua queda, como notado na restauração da filha de Jairo. Uma vez isto acontecido, então segue-se o estabelecimento de seu equilíbrio com o masculino. Os três primeiros Evangelhos dedicam-se ao primeiro caso, São João ao último.
A mística festa de casamento em Caná da Galileia, com que São João abre seu Evangelho, contém profundos ensinamentos considerando-se a harmonização desses dois princípios internos no Corpo do Aspirante à Iniciação. O filho do nobre representa alguém que em sua própria vida tinha realizado o serviço dado pelo Cristo. As Escrituras estabelecem que após a ressurreição o nobre e todos os ligados à sua casa tornaram-se seguidores de Cristo-Jesus.
Através de toda a Bíblia os mais profundos ensinamentos encontram-se ocultos sob uma gravação literal que forma a base dos credos ortodoxos.
Quando o princípio masculino (a cabeça: Hermes), representado pela ressurreição do filho do nobre, que não estava morto, mas próximo da morte, e o princípio feminino (o coração: Afrodite), tipificado na filha de Jairo, que não estava morta, mas dormindo, estão novamente em equilíbrio, a Cruz não estará mais longe de se ser o símbolo do Cristianismo. Ela será representada pelas duas colunas, Joaquim e Boaz, que adornam a entrada do Templo de Salomão e representam o Divino Hermafrodito. O neófito ou candidato não será mais o “Filho da Viúva”, mas se tornará o Mestre que encontrou a Luz no Leste.
(Jo 11:1-44)[71]
Os nove Mistérios Menores, também chamados de Mistérios Lunares, nos têm sido dados em algum momento da história do ser humano. A vinda do Cristo introduziu as novas ou Iniciações Solares no mundo, e é a essas grandes verdades, destinadas a servirem à humanidade durante o Grande Ano Sideral que se inicia com o Sol em sua última passagem por precessão através de Áries, que esses Mistérios pertencem. A religião do Cordeiro traz um profundo e enorme significado que, geralmente, não é entendido atualmente.
Lázaro era o mais avançado espiritualmente de todos os Discípulos que estiveram sob a tutela de Cristo-Jesus (Os demais só alcançaram esse estágio no Dia de Pentecostes).
Os religiosos exotéricos atrapalham-se em dizer que Cristo “atrasou-se dois dias” antes de ir socorrer Lázaro. O ocultista sabe que Cristo estava ciente de que somente o corpo de Lázaro estava no túmulo, enquanto o espírito dele se encontrava nos planos interiores recebendo o trabalho iniciatório nos profundíssimos Mistérios Cristãos. O Mestre Jesus fora iniciado nesses Mistérios no Rito do Batismo, e Lázaro, o seguinte em consecução espiritual, quando na passagem de sua suposta morte.
Cristo-Jesus descreveu essa Iniciação nas palavras: “Esta doença não leva à morte, mas à Glória de Deus”. Em outras palavras, Lázaro se tornou o canal mais perfeito para receber e disseminar a glória de Deus sobre a Terra.
Maria e Marta, as duas irmãs de Lázaro, estavam entre as mais avançadas espiritualmente entre as mulheres Discípulas de Cristo. Por isso, estavam habilitadas a tomar parte nessa Iniciação ou Rito da Ressurreição de seu irmão, assim como ocorreu com o pai e a mãe da filha de Jairo. Maria simboliza o caminho místico, ou a fé no coração; Marta, o caminho do ocultismo, ou a mente racional. A união do coração (amor) com a cabeça (conhecimento) gera a Sabedoria, a verdadeira essência da alma. Lázaro representa essa dupla combinação harmônica, que eleva o neófito a um estado de consciência que é o mais transcendental já possuído pela humanidade comum.
“Marta foi encontrá-lo, porém Maria permaneceu na casa (João 11:20). Marta, a Mente, está sempre procurando a luz através de exterioridades. Maria, o coração, em silêncio, volta-se para seu interior para encontrar os Reinos dos Céus.
Cristo-Jesus disse para Marta: “Eu sou a ressurreição e a vida; aquele que crê em Mim, ainda que morto, viverá; e aquele que vive e crê em Mim, jamais morrerá. Crês nisto? “.
E Marta respondeu: “Sim, Senhor. E acredito que Tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo”.
Dito isso, ela se retirou e foi chamar, secretamente, sua irmã, Maria, e lhe disse: “O Mestre está aqui, e te chama”.
Essas palavras do Mestre para Marta são chamadas de passaporte humano para a imortalidade. Elas não são palavras dirigidas somente para Marta, irmã de Lázaro; elas são o chamado do Cristo à razão ou Mente racional ou concreta de toda a humanidade. “Transforme-se pela renovação de sua Mente”. Essa é a execução para unir a Mente com o “Eu Sou”, a consciência onde reside a realização da ressurreição à vida eterna.
A gloriosa mensagem da interpretação da Bíblia para a Nova Era é que essa consciência pode ser despertada aqui e agora; não é necessário aguardar a morte para trabalhar nessa transformação. “Aquele que crê em Mim, ainda que esteja morto (para a materialidade) viverá” – em um renovado: corpo, ambiente e conceito de vida – uma ressurreição em um novo ser em todos os planos de consciência. Verdadeiramente um passaporte humano para a imortalidade.
Em João 11:38-39; 41-44 lemos:
38 Comoveu-se de novo Jesus e dirigiu-se ao sepulcro. Era uma gruta, com uma pedra sobreposta. 39 Disse Jesus: “Retirai a pedra! “ (…) 41 Retiraram, então, a pedra. Jesus ergueu os olhos para o alto e disse: “Pai, dou-te graças porque me ouviste. 42 Eu sabia que sempre me ouves; mas digo isso por causa da multidão que me rodeia, para que creiam que me enviaste”. 43 Tendo dito isso, gritou em alta voz: “Lázaro, vem para fora!” 44 O morto saiu, com os pés e mãos enfaixados e com o rosto recoberto com um sudário. Jesus lhes disse: “Desatai-o e deixai-o ir embora”.
Todo grande nascimento tem lugar em uma gruta ou em um estábulo: o Cristo pode nascer interiormente somente por meio de um trabalho de regeneração do “homem inferior”. Em Capricórnio, o Cristo nasce na gruta da natureza inferior pela purificação. Em Virgem, Ele nasce na gruta do coração através da transmutação. “Lazare deuro exo! – Lázaro vem para fora! Desatai-o e deixai-o ir”. Essas palavras místicas carregam a mensagem da vitória espiritual de Lázaro.
Os fariseus e sacerdotes estavam cientes da extensão dos Ensinamentos dos Mistérios. Na verdade, Arthur Weigall, mundialmente renomado egiptologista, já falecido, declarou que suas pesquisas sobre religiões antigas o convenceram que o Novo Testamento descreve um ritual no qual um criminoso condenado foi executado como um sacrifício, como na antiga Babilônia, e que Jesus, quando condenado à morte, foi crucificado de acordo com os mandamentos daquele ritual.
Um caso idêntico na história da Grécia fala-nos de Ésquilo que, embora avisado em sonho por Dionísio por escrever uma tragédia, não obstante foi ameaçado de morte por uma multidão irada onde uma de suas peças estava sendo produzida, sob a acusação de que ele havia revelado alguns segredos dos Mistérios. Ele salvou sua vida refugiando-se no altar de Dionísio na orquestra, e mais tarde, obteve sucesso em provar, diante do Areópago, que ele não tinha conhecimento de que o que dissera era secreto. Jesus, entretanto, não procurou Se defender, uma vez que Ele, propositalmente, revelou os Segredos de Israel, e por sua própria vontade sofreu a extrema punição.
(Lc 7:11-15)[72]
A elevação do Filho da Viúva, como contada por São Lucas, contém também contornos da iluminação ou cristianização de Lázaro. Naim (o nome de uma cidadezinha) significa Nove, e a morte do Filho da Viúva é mística fraseologia descritiva de alguém que havia trilhado o Caminho tortuoso que o levara da morte (do pessoal) à ressurreição (do impessoal). Daí uma pessoa não ser mais “o filho da viúva”. São Lucas explicitamente estabelece que após ele se elevar Cristo “o entregou à sua mãe”. O equilíbrio entre os dois polos do Espírito, masculino e feminino, foi alcançado. Essa é a suprema conquista dos Mistérios Cristãos, demonstrado nos Ritos dos tempos de outrora, mas consumados nos Mistérios estabelecidos por Cristo. Por isso é que Cristo é a Luz do Mundo, a meta de todos os Ensinamentos antigos. O equilíbrio do Espírito foi perdido sob o velho regime; mesmo os Mistérios se degeneraram tornando-se quase que, em muitos casos, inexpressivos (e frequentemente cruéis) rituais. Cristo-Jesus pontuou o caminho de volta: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. Tornar-se Cristianizado ou Iniciado em Seu nome é o supremo propósito da evolução na Terra.
O filho da viúva é uma expressão alegórica que faz referência a alguém que se esforça em desenvolver as polaridades do Espírito interno. Desde os dias do antigo Egito até nossos dias, os membros da Ordem Maçônica são assim conhecidos.
O “filho da viúva de Naim” se refere a alguém que tenha passado pelos nove Mistérios Menores e agora está preparado (como estava Lázaro) para ser elevado por Cristo às Grandes Iniciações dos Mistérios Cristãos. Isto é ultimado no trigésimo terceiro grau (33; 3 x 3=9). É prefigurado no décimo oitavo grau (18; 1+8=9).
Iniciando com o Grau da Rosacruz (18º grau) e continuando através do 33º grau, o Candidato trabalha definitivamente na transmutação de sua própria personalidade, em seu Templo feito sem mãos, mas eterno nos céus. Esse é seu manto dourado de bodas, ou o perfeito Corpo-Alma. Com a consumação desse Trabalho ele não é mais o Filho da Viúva. A Polaridade é alcançada e sua “cura definitiva” é completa.
(Mc 7:31-35[73])
Nós estamos sob o jugo da Lei enquanto permanecemos na ignorância de sua verdadeira natureza, mas na sabedoria do Cristo nós nos tornamos livres, porque não existe mais nenhuma dissonância entre nossa nota-chave e a nota- -chave do Universo. Esse é o entendimento dos ensinamentos de São Paulo, o grande metafísico bíblico.
“Eis que Eu faço todas as coisas novas”[74], declarou Cristo. Quando formos suficientemente dignos para nos livrarmos das ligações do destino maduro[75] passado, contataremos a Lei da Libertação. A escolha é nossa, rejeitar ou aceitar, permanecermos sob o jugo ou sermos livres. Todas as curas definitivas[76] bíblicas foram ordenadas de acordo com o merecimento do beneficiário.
“Todos as faltas, falhas, todos os erros praticados hoje se cristalizarão como doenças no amanhã. O Espírito é o construtor de seu próprio Corpo. Os milagres de cura do Mestre são apenas para aqueles que têm ouvidos para ouvir e olhos para ver”. Assim escreveu o grande Paracelso[77].
O impedimento da fala deve-se ao mau uso da sagrada força da vida. Um defeito ou a perda da linguagem é a consequência da blasfêmia, ou injúria lançada contra outros por meio de maledicências, ou a traição à crença sagrada. “A língua é um pequeno órgão repleto de males mortais”[78]. Outras mostras da aplicação da Lei podem ser observadas na perda de dedos, como um resultado de destino maduro, consequência de práticas desonestas; a perda das mãos, como resultado da devassidão cometida, frequentemente, durante as guerras, por exemplo; a perda dos pés é resultante de se ter andado por caminhos errados e liderando outras pessoas para tais caminhos; a deformação do corpo se deve à perpetração de crueldades, tais como as hediondas punições nas câmaras dos horrores da Inquisição; defeitos de coluna, pelo uso das forças espirituais para propósitos de magia negra ou coisa semelhante; problemas no estômago ou digestivos, por gulodice ou apetite descontrolado; desordens cardíacas são devidas ao enorme egoísmo e amor pessoal com o qual se falhou no atendimento ao bem-estar dos outros; e a tuberculose é resultante de pensamentos e vida materialistas. Muitas vezes as consequências derivadas do destino maduro ocorrem no período da vida seguinte; na maioria das vezes elas acontecem nas encarnações posteriores, depois dos intervalos pós-morte, quando, então, o indivíduo pode nascer inocente quanto a um período de vida conhecido por ele já sofrendo dessas retribuições trazidas do passado.
No caso do homem surdo e gago, descrito no Evangelho de São Marcos, Cristo-Jesus tocou seus ouvidos e sua língua, e olhando para os céus (símbolo do Eterno), Ele exclamou: “Efatá”, que significa “Abre-te”. E ele escolheu seguir o Cristo no céu de uma nova vida, livre das limitações e restrições da velha vida. Sua escolha pode também ser a nossa com os mesmos resultados.
“Efatá” ou “abre-te”, esotericamente se refere à clarividência, à clariaudiência e ao poder de falar a Palavra despertada no Discípulo. Esse ato simbólico do Cristo é relembrado tanto na Igreja Grega como na Romana no Rito do Batismo, onde o sacerdote toca os ouvidos e a boca do penitente com o dedo com que tocou seus próprios lábios, pronunciando a palavra: Efatá.
A Igreja primitiva se referia a Efatá como o mistério de Apertio, ou Abertura, e o conectava aos Mistérios de Cristo-Jesus com o Rito do Batismo, onde o Discípulo recebia também os poderes de estender sua visão e audição. Era possível para o Arcanjo, que nós conhecemos como o Cristo, envolver todos os átomos cristalizados com os poderes de seu próprio Mundo, o Reino do Espírito de Vida, onde tudo é vida, luz e amor. Por isso as curas foram instantâneas em todos os casos em que Ele escolheu realizá-las. Tais eram as forças que emanavam d’Ele e suas radiações tão poderosas que mesmo quem tocasse apenas em suas vestes se curava. Esse fato se evidencia novamente na cura da orelha de Malco[79], quando da prisão do Mestre no Getsemani.
Após o exercício prolongado de Seus poderes, o glorioso Espírito Cristo se afastava para um período de solidão no convívio dos Essênios, a fim de que Suas poderosas vibrações não esmagassem o corpo humano de Jesus, que Ele adotara, quando do Batismo, e o utilizou durante todo o Seu ministério sobre a Terra. Durante esses recolhimentos do ministério público, Ele se afastava daquele corpo mortal, deixando-o aos cuidados dos Essênios, que trabalhavam sobre ele em Sua ausência. Isso era um trabalho especializado dos Essênios, pois eles eram capazes de fazê-lo, em face dos poderes espirituais que irradiavam de si mesmos. Almas avançadas invariavelmente trabalham por projetar suas forças vibratórias. Ora, Cristo também expulsou os maus espíritos com a palavra, curou a todos os que estavam doentes e aqueles cujo destino maduro os dava como curáveis, e isso pode ser entendido por meio do que diz Isaías, o profeta: “Ele tomou sobre Si nossas enfermidades e curou nossas doenças” (Mt 8:17).
Paracelso nos adverte para que nos lembremos que o motivo da doença e da cura definitiva pode ser compreendido somente quando considerado à luz do destino maduro, e seus efeitos não só no corpo físico, mas também nos diversos veículos invisíveis que o interpenetram. “Há um duplo poder ativo no ser humano”, diz ele, “um visível e um invisível. O corpo visível tem suas forças naturais e o corpo invisível tem, também, suas forças naturais – e o remédio para toda doença ou injúria que possa afetar o veículo físico está contido no corpo invisível, porque esse é o assento das forças que infundem vida naquele e sem o qual a forma não teria vida”.
A formação dos corpos visível e invisíveis está dividida em sete ciclos. O primeiro dos sete é pertinente, principalmente, à formação dos Corpos Denso (físico) e Vital, que se correlaciona com o desenvolvimento do sistema glandular. O segundo ciclo se refere ao desenvolvimento do Corpo de Desejos. É ígneo, e se correlaciona com a química do sistema circulatório sanguíneo. O terceiro ciclo é alusivo ao desenvolvimento da Mente. É aéreo. O pensamento agora se torna o supremo poder criador. No subconsciente ele estabelece hábitos, que são uma tendência à cristalização do Corpo etéreo ou Vital. O quarto ciclo é um resumo ou síntese de todos os sete. Ele recapitula o passado e, agindo dessa forma, ele normalmente toca o destino maduro que foi formado durante as existências anteriores na Terra, e que agora são “agendados para serem pagos”.
Os vinte e oito anos de idade marcam o completar desses quatro ciclos setenários quando, no sentido oculto, se considera que a verdadeira vida mental do Ego começou. Marca o final do amadurecimento dos quatro “invólucros” etéreos, que são a matriz do crescimento físico.
“Porque você deve entender que existem sete vidas no ser humano, das quais nenhuma delas alcança a verdadeira vida que está na alma”. Essas sete vidas são os sete períodos setenários desde nascimento até os quarenta e dois anos de idade, conhecida como “meia idade” pelo ocultista, e marca o tempo de profundas e fundamentais mudanças dirigidas a uma nova visão em que se encontrou “a verdadeira vida que está na alma”. Os sete devem ser transformados antes que o total desenvolvimento se realize. Cristo-Jesus expulsou sete demônios de Maria Madalena, o que traz uma referência a esse alcance sétuplo. Após essa experiência ela se transformou na mais adiantada entre os Discípulos do Mestre e foi a primeira de todos eles a ser capaz de elevar sua consciência suficientemente para reconhecê-Lo, quando Ele retornou para as bênçãos do Dia da Páscoa.
“O verdadeiro médico deve entender e perceber”, escreveu ainda Paracelso. “Se ele não enxerga o paciente de maneira astral ele não poderá prescrever qual será a força oposta curativa, que deverá despertar no interior do espírito do paciente. O verdadeiro curador não olha apenas para as causas no visível, ele procura entender o invisível”. Verdadeiramente, o ser humano jamais conhecerá a perfeita saúde, até que aprenda a viver em harmonia com as leis da vida. Ainda nas palavras de Paracelso: “A doença é a expressão de luta que está sendo travada entre o ser humano oculto contra as condições degeneradas de sua natureza”.
Toda verdade é una e eterna, e os ensinamentos do Cristo atravessaram os séculos nos testemunhos dos sábios e dos virtuosos até os nossos dias. As seguintes palavras do Dr. Alexis Carrel[80], um verdadeiro professor da Nova Era, em seu livro tão popular, “O Homem esse Desconhecido”, vão diretamente ao ponto em estudo: “A ciência” – diz ele – “estuda intensivamente o fígado, os rins e todas as funções físicas do ser humano, tudo enfim, exceto sua única e mais importante função, que é o Pensamento”. Isso soa como uma nota-chave para o processo da Nova Era. “Cristianizai vossas mentes”[81], exortou São Paulo. Quando isso é feito, seguem-se a purificação e a perfeição do Corpo. As correntes das causas passadas e jugo da hereditariedade nos prenderão tão somente se nós permitirmos que tal aconteça. Nós estamos sob o jugo da lei; nós seremos livres em Cristo.
“Vai e não peques mais para que mal pior não caia sobre ti”[82]. Essas palavras bem expressam a íntima conexão existente entre a doença e o pecado, sendo o pecado, neste caso, tudo aquilo que não está de acordo com os poderes construtivos da natureza, ou, em outras palavras, com a Lei Divina. Iluminação e regeneração são unas no processo de cura. Conhecer a saúde contínua e radiantemente é viver em constante comunhão com a divindade interior. Essa foi a mensagem do Cristo, assim como é a de todos os verdadeiros Mestres que tanto O precederam como os que vieram após Ele.
Este corpo físico é reflexo do Plano Divino, assim como o universo que se manifesta ao nosso redor. Ele é composto de moléculas envoltas por um ponto central de luz ou poder espiritual que controla as taxas vibratórias ou movimento. Todos os elementos do Universo estão dentro do ser humano. O microcosmo é a criança do macrocosmo. A interação desarmoniosa, ou doença, manifesta-se no Corpo Vital antes de ser notada no Corpo Denso. O tom do veículo vitalizante é reduzido; ele é “dissonante” por parar de vibrar em harmonia com a nota-chave de seu padrão arquetípico.
Atitudes positivas e pensamentos construtivos rapidamente restauram o tom normal do Corpo Vital, e, por outro lado, o medo é o maior inimigo para a restauração da saúde. O Salmo 23[83] nos dá o mágico poder para eliminar o medo. Deixe o ritmo de suas declarações conferir suas harmonia e poder em todo o teu ser. Ele o tornará saudável e curado. “O Senhor é meu pastor… não temerei…Não temerei mal algum porque Tu estás comigo”.
O verdadeiro curador espiritual possui faculdades com as quais os veículos internos do paciente e suas relações com o físico podem ser examinados. “Se nossos Estudantes de medicina” – escreve Franz Hartmann[84], notável escritor ocultista e médico –, “empregasse uma parte do tempo aplicado no estudo das ciências externas, que praticamente não usam, no desenvolvimento de suas percepções interiores, eles se tornariam capazes de ver determinados processos dentro do organismo do ser humano, que são para eles meras matérias especulativas e que não são discerníveis por meios físicos”.
Não está tão distante o dia em que a medicina ortodoxa, como a ciência ortodoxa como um todo, e também a religião ortodoxa, experimentarão o despertar espiritual que os guindará a novos elevados serviços. Uma ativa aceleração está a caminho. Cada vez maior é o número de almas que despertam esforçando-se grandemente para seguir na direção do ideal enunciado pelo Nosso Abençoado Senhor quando Ele nos diz:
“Sê perfeito, como é
FIM
[1] N.T.: Apo 21: 4
[2] N.T.: Mc 6:6
[3] N.T.: 22E chegaram a Betsaida. Trouxeram-lhe então um cego, rogando que Ele o tocasse. 23Tomando o cego pela mão, levou-o para fora do povoado e, cuspindo-lhe aos olhos e impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe: “Percebes alguma coisa?”. 24E ele, começando a ver, disse: “Vejo as pessoas como se fossem árvores andando”. 25Em seguida, Ele colocou novamente as mãos sobre os olhos do cego, que viu distintamente e ficou restabelecido e podia ver tudo nitidamente e de longe.
[4] N.T.: Mc 8: 18
[5] N.T.: 46Chegaram a Jericó. Ao sair de Jericó com os seus Discípulos e grande multidão, estava sentada à beira do caminho, mendigando, o cego Bartimeu, filho de Timeu. 47Quando percebeu que era Jesus, o Nazareno, que passava, começou a gritar: “Filho de Davi, Jesus, tem compaixão de mim! ”. 48E muitos, o repreendiam para que se calasse. Ele, porém, gritava mais ainda: “Filho de Davi, tem compaixão de mim! ”. 49Detendo-se, Jesus disse: “Chamai-o! ”. Chamaram o cego, dizendo-lhe: “Coragem! Ele te chama; levanta-te”. 50Deixando a sua capa, levantando-se e foi até Jesus. 51Então Jesus lhe disse: “Que queres que Eu te faça? ”. O cego respondeu: “Rabbuni! Que eu possa ver novamente! ”. 52Jesus lhe disse: “Vai, a tua fé te salvou”. No mesmo instante ele recuperou a vista e seguia-O no caminho.
[6] N.T.: Mt 20:29-34; Mc 10: 46-52 e Lc 8:35-43
[7] N.T.: Mt 20:27
[8] N.T.: 27Partindo Jesus dali, puseram-se a segui-lo dois cegos, que gritavam e diziam: “Filho de Davi, tem compaixão de nós!”. 28Quando entrou em casa, os cegos aproximaram-se dele. Jesus lhes perguntou: “Credes vós que tenho poder de fazer isso?”. Eles responderam: “Sim, Senhor”. 29Então tocou-lhes os olhos e disse: “Seja feito segundo a vossa fé”. 30E os seus olhos se abriram. Jesus, porém, os admoestou com energia: “Cuidado, para que ninguém o saiba”. 31Mas eles, ao saírem dali, espalharam sua fama por toda aquela região.
[9] N.T.: Ao passar, Ele viu um homem, cego de nascença. 2Seus Discípulos Lhe perguntaram: “Rabi, quem pecou, ele ou seus pais, para que nascesse cego?” 3Jesus respondeu: “Nem ele nem seus pais pecaram, mas é para que nele sejam manifestadas as obras de Deus. 4Enquanto é dia, temos de realizar as obras daquele que me enviou; vem a noite, quando ninguém pode trabalhar. 5Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo. 6Tendo dito isso, cuspiu na terra, fez lama com a saliva, aplicou-a sobre os olhos do cego 7e lhe disse: “Vai lavar-te na piscina de Siloé – que quer dizer ‘Enviado’”. O cego foi, lavou-se e voltou vendo. 8Os vizinhos, então, e os que estavam acostumados a vê-lo antes, porque era mendigo, diziam: “Não é esse que ficava sentado a mendigar? “. 9Alguns diziam: “É ele”. Diziam outros: “Não, mas alguém parecido com ele”. Ele, porém, dizia: “Sou eu mesmo”. 10Perguntaram-lhe, então: “Como se abriram os teus olhos?” 11Respondeu: “O homem chamado Jesus fez lama, aplicou-a nos meus olhos e me disse: ‘Vai a Siloé e lava-te’. Fui, lavei-me e recobrei a vista”. 12Disseram-lhe: “Onde está ele?” Disse: “Não sei”. 13Conduziram o que fora cego aos fariseus. 14Ora, era sábado o dia em que Jesus fizera lama e lhe abrira os olhos. 15Os fariseus perguntaram-lhe novamente como tinha recobrado a vista. Respondeu-lhes: “Ele aplicou-me lama nos olhos, lavei-me e vejo”. 16Diziam, então, alguns dos fariseus: “Esse homem não vem de Deus, porque não guarda o sábado”. Outros diziam: “Como pode um homem pecador realizar tais sinais?” E havia cisão entre eles. 17De novo disseram ao cego: “Que dizes de quem te abriu os olhos?” Respondeu: “É um profeta”. 18Os judeus não creram que ele fora cego enquanto não chamaram os pais do que recuperara a vista 19e perguntaram-lhes: “Este é o vosso filho, que dizeis ter nascido cego? Como é que agora ele vê?” 20Seus pais então responderam: “Sabemos que este é nosso filho e que nasceu cego. 21Mas como agora ele vê não o sabemos; ou quem lhe abriu os olhos não o sabemos. Interrogai-o. Ele tem idade. Ele mesmo se explicará”. 22Seus pais assim disseram por medo dos judeus, pois os judeus já tinham combinado que, se alguém reconhecesse Jesus como Cristo, seria expulso da sinagoga. 23Por isso, seus pais disseram “Ele já tem idade; interrogai-o”. 24Chamaram, então, uma segunda vez, o homem que fora cego e lhe disseram: “Dá glória a Deus! Sabemos que esse homem é pecador”. 25Respondeu ele: “Se é pecador, não sei. Uma coisa eu sei: é que eu era cego e agora vejo”. 26Disseram-lhe, então: “Que te fez ele? Como te abriu os olhos?” 27Respondeu-lhes: “Já vos disse e não ouvistes. Por que quereis ouvir novamente? Por acaso quereis também tornar-vos seus Discípulos?” 28Injuriaram-no e disseram: “Tu, sim, és seu Discípulo; nós somos Discípulos de Moisés. 29Sabemos que Deus falou a Moisés; mas esse, não sabemos de onde é”. 30Respondeu-lhes o homem: “Isso é espantoso: vós não sabeis de onde ele é e, no entanto, abriu-me os olhos! 31Sabemos que Deus não ouve os pecadores; mas, se alguém é religioso e faz a sua vontade, a este ele escuta. 32Jamais se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos de um cego de nascença. 33Se esse homem não viesse de Deus, nada poderia fazer”. 34Responderam-lhe: “Tu nasceste todo em pecados e nos ensinas?” E o expulsaram. 35Jesus ouviu dizer que o haviam expulsado. Encontrando-o, disse-lhe: “Crês no Filho do Homem?” 36Respondeu ele: “Quem é, Senhor, para que eu nele creia?” 37Jesus lhe disse: “Tu o estás vendo, é quem fala contigo”. 38Exclamou ele: “Creio, Senhor!” E prostrou-se diante dele. 39Então disse Jesus: “Para um discernimento é que vim a este mundo: para que os que não veem, vejam, e os que veem, tornem-se cegos”. 40Alguns fariseus, que se achavam com ele, ouviram isso e lhe disseram: “Acaso também nós somos cegos?” 41Respondeu-lhes Jesus: “Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas dizeis: ‘Nós vemos!’ Vosso pecado permanece.
[10] N.T.: A Bíblia de Tyndale geralmente se refere ao conjunto de traduções bíblicas de William Tyndale. A Bíblia de Tyndale é creditada como sendo a primeira tradução para o inglês a trabalhar diretamente com os textos hebraico e grego.
[11] N.T.: 1Ao descer da montanha, seguiam-no multidões numerosas, 2quando de repente um leproso se aproximou e se prostrou diante dele, dizendo: “Senhor, se queres, tens poder para purificar-me”. 3Ele estendeu a mão e, tocando-o disse: “Eu quero, sê purificado”. E imediatamente ele ficou livre da sua lepra. 4Jesus lhe disse: “Cuidado, não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e apresenta a oferta prescrita por Moisés, para que lhes sirva de prova”.
[12] N.T.: 40Um leproso foi até Ele, implorando-lhe de joelhos: “Se queres, tens o poder de purificar-me”. 41Movido de compaixão, estendeu a mão, tocou-o e disse-lhe: “Eu quero, sê purificado”. 42E logo a lepra o deixou. E ficou purificado. 43Advertindo-o severamente, despediu-o logo. 44dizendo-lhe: “Não digas nada a ninguém; mas vai mostrar-te ao sacerdote e oferece por tua purificação o que Moisés prescreveu, para que lhes sirva de prova”. Ele, porém, assim que partiu, começou a proclamar ainda mais e a divulgar a notícia, de modo que Jesus já não podia entrar publicamente numa cidade: permanecia fora, em lugares desertos. E de toda parte vinham procurá-Lo.
[13] N.T.: 12Estava Ele numa cidade, quando apareceu um homem cheio de lepra. Vendo a Jesus, caiu com o rosto por terra e suplicou-lhe: “Senhor, se queres, tens poder para purificar-me”. 13Ele estendeu a mão e, tocando-o, disse: “Eu quero. Sê purificado!” E imediatamente a lepra o deixou. 14E ordenou-lhe que a ninguém o dissesse: “Vai, porém, mostrar-te ao sacerdote, e oferece por tua purificação conforme prescreveu Moisés, para que lhes sirva de prova”. 15A notícia a Seu respeito, porém, difundia-se cada vez mais, e acorriam numerosas multidões para ouvi-Lo e serem curadas de suas enfermidades. 16Ele, porém, permanecia, retirado em lugares desertos e orava.
[14] N.T.: Lepra, hanseníase, morfeia, mal de Hansen ou mal de Lázaro é uma doença infecciosa causada pelo bacilo Mycobacterium leprae (também conhecida como bacilo-de-hansen) que causa danos severos a nervos e à pele. A denominação hanseníase deve-se ao descobridor do microrganismo causador da doença, dr. Gerhard Hansen. O termo lepra está em desuso por sua conotação negativa histórica.
[15] N.T.: tempo na evolução onde passamos pela Época Lemúrica.
[16] N.T.: tempo na evolução onde passamos pela Época Atlante.
[17] N.T.: Peste negra é o nome pela qual ficou conhecida, durante a Baixa Idade Média, a pandemia de peste bubônica que assolou a Europa durante o século XIV, e dizimou entre 25 e 75 milhões de pessoas (mais ou menos um terço da população europeia), sendo que alguns pesquisadores acreditam que o número mais próximo da realidade é de 75 milhões, aproximadamente metade da população daquela época.
[18] N.T.: ou Paracelsus – Philippus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim (1493-1521) – físico, botânico, alquimista, astrólogo e ocultista suíço-germânico.
[19] N.T.: 11Como ele se encaminhasse para Jerusalém, passava através da Samaria e da Galileia. 12Ao entrar num povoado, dez leprosos vieram-lhe ao encontro. Pararam à distância 13e clamaram: “Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!”. 14Vendo-os, ele lhes disse: “Ide mostrar-vos aos sacerdotes”. E aconteceu que, enquanto iam, ficaram purificados. 15Um dentre eles, vendo-se curado, voltou atrás, glorificando a Deus em alta voz, 16e lançou-se aos pés de Jesus com o rosto por terra, agradecendo-lhe. Pois bem, era um samaritano. “Tomando a palavra, Jesus lhe disse: “Os dez não ficaram purificados? Onde estão os outros nove? 18Não houve, acaso, quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?”. 19Em seguida, disse-lhe: “Levanta-te e vai; a tua fé te salvou”.
[20] N.T.: Peste negra é o nome pela qual ficou conhecida, durante a Baixa Idade Média, a pandemia de peste bubônica que assolou a Europa durante o século XIV e dizimou entre 25 e 75 milhões de pessoas (mais ou menos um terço da população europeia), sendo que alguns pesquisadores acreditam que o número mais próximo da realidade é de 75 milhões, aproximadamente metade da população da época.
[21] N.T.: 23Na ocasião, estava na sinagoga deles, um homem possuído de um espírito impuro, que gritava 24dizendo: “Que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para arruinar-nos? Sei quem tu és: o Santo de Deus” 25 Jesus, porém, o conjurou severamente: “Cala-te e sai dele”. 26Então o espírito impuro, sacudindo-o violentamente e soltando grande grito, deixou-o.
[22] N.T.: 31Desceu então a Cafarnaum, cidade da Galileia, e ensinava-os aos sábados. 32Eles ficavam pasmados com seu ensinamento, porque falava com autoridade. 33Encontrava-se na sinagoga um homem possesso de um espírito de demônio impuro, que se pôs a gritar fortemente: 34”Ah! Que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para arruinar-nos? Sei quem tu és: o Santo de Deus”. 35Mas Jesus o conjurou severamente: “Cala-te, e sai dele!” E o demônio, lançando-o no meio de todos, saiu sem lhe fazer mal algum. 36O espanto apossou-se de todos, e falavam entre si: “Que significa isso? Ele dá ordens com autoridade e poder aos espíritos impuros, e eles saem!” 37E sua fama se propagava por todo lugar da redondeza.
[23] N.T.: O Sinédrio é o nome dado à associação de 20 ou 23 juízes que a Lei judaica ordena existir em cada cidade.
[24] N.T.: Cura do Corpo, da Alma e do Espírito
[25] N.T.: Alice Mildred Cable (1878-1952) nasceu em Guildford, Inglaterra. Ela foi uma missionária protestante cristã na China.
[26] N.T.: O kang é uma tradicional e longa (2 metros ou mais) plataforma para uso geral: trabalho, entretenimento e dormir, usado na parte norte da China.
[27] N.T.: 32 Logo que saíram, eis que lhe trouxeram um endemoninhado mudo. 33 Expulso o demônio, o mudo falou. A multidão ficou admirada e pôs-se a dizer: “Nunca se viu coisa semelhante em Israel!”.
[28] N.T.: a cura do Corpo, da Alma e do Espírito.
[29] N.T.: também escrito como: Gadarenos
[30] N.T.: 28Ao chegar ao outro lado, ao país dos gadarenos, vieram ao seu encontro dois endemoninhados, saindo dos túmulos. Eram tão ferozes que ninguém podia passar por aquele caminho. 29E eis que se puseram a gritar: “Que queres de nós, Filho de Deus? Vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?”30Ora, a certa distância deles havia uma manada de porcos que estava pastando. 31Os demônios lhe imploravam, dizendo: “Se nos expulsas, manda-nos para a manada de porcos”. 32Jesus lhes disse: “Ide”. Eles, saindo, foram para os porcos e logo toda a manada se precipitou no mar, do alto de um precipício, e pereceu nas águas.
[31] N.T.: 1Chegaram do outro lado do mar, à região dos gerasenos. 2Logo que Jesus desceu do barco, caminhou ao seu encontro, vindo dos túmulos, um homem possuído por um espírito impuro: 3habitava no meio das tumbas e ninguém podia dominá-lo, nem mesmo com correntes. 4Muitas vezes já o haviam prendido com grilhões e algemas, mas ele arrebentava os grilhões e estraçalhava as correntes, e ninguém conseguia subjugá-lo. 5E, sem descanso, noite e dia, perambulava pelas tumbas e pelas montanhas, dando gritos e ferindo-se com pedra. 6Ao ver Jesus, de longe, correu e prostrou-se diante d’Ele, 7clamando em alta voz: “Que queres de mim, Jesus, Filho de Deus altíssimo? Conjuro-te por Deus que não me atormentes! “ 8Com efeito, Jesus lhe disse: “Sai deste homem, espírito impuro! “ 9E perguntando-lhe: “Qual é o teu nome? “ Respondeu: “Legião é o meu nome, porque, somos muitos”. 10E rogava-lhe insistentemente que não os mandasse para fora daquela região. 11Ora, havia ali, pastando na montanha, uma grande manada de porcos. 12Rogava-lhe, então, dizendo: “Manda-nos para os porcos, para que entremos neles”. 13Ele o permitiu. E os espíritos impuros saíram, entraram nos porcos e a manada — cerca de dois mil — se arrojou no mar, precipício abaixo, e eles se afogavam no mar. 14Os que os apascentavam fugiram e contaram o fato na cidade e nos campos. E correram a ver o que havia acontecido. 15Foram até Jesus e viram o endemoninhado sentado, vestido e em são juízo, aquele mesmo que tivera a Legião. E ficaram com medo. 16As testemunhas contaram-lhes o que acontecera com o endemoninhado e o que houve com os porcos. 17Começaram então a rogar-lhe que se afastasse do seu território. 18Quando entrou no barco, aquele que fora endemoninhado rogou-lhe que o deixasse ficar com Ele. 19Ele não deixou, e disse-lhe: “Vai para tua casa e para os teus e anuncia-lhes tudo o que fez por ti o Senhor na sua misericórdia”. 20Então partiu e começou a proclamar na Decápole o quanto Jesus fizera por ele. E todos ficaram espantados.
[32] N.T.: 26Navegaram em direção à região dos gerasenos, que está do lado contrário da Galileia. 27Ao pisarem terra firme, veio ao seu encontro um homem da cidade, possesso de demônios. Havia muito que andava sem roupas e não habitava em casa alguma, mas em sepulturas.28Logo que viu a Jesus começou a gritar, caiu-lhe aos pés e disse em alta voz: “Que queres de mim, Jesus, filho do Deus Altíssimo? Peço-te que não me atormentes”. 29Jesus, com efeito, ordenava ao espírito impuro que saísse do homem, pois se apossava dele com frequência. Para guardá-lo, prendiam-no com grilhões e algemas, mas ele arrebentava as correntes e era impelido pelo demônio para os lugares desertos. 30Jesus perguntou-lhe: “Qual é o teu nome?” — “Legião”, respondeu, porque muitos demônios haviam entrado nele. 31E rogavam-lhe que não os mandasse ir para o abismo.32Ora, havia ali, pastando na montanha, uma numerosa manada de porcos. Os demônios rogavam que Jesus lhes permitisse entrar nos porcos. E ele o permitiu. 33Os demônios então saíram do homem, entraram nos porcos e a manada se arrojou pelo precipício, dentro do lago, e se afogou.34Vendo o acontecido, os que apascentavam os porcos fugiram, contando o fato na cidade e pelos campos. 35As pessoas então saíram para ver o que acontecera. Foram até Jesus e encontraram o homem, do qual haviam saído os demônios, sentado aos pés de Jesus, vestido e em são juízo. E ficaram com medo. 36As testemunhas então contaram-lhes como fora salvo o endemoninhado. 37E toda a população do território dos gerasenos pediu que Jesus se retirasse, porque estavam com muito medo. E ele, tomando o barco, voltou. 38O homem do qual haviam saído os demônios pediu para ficar com ele; Jesus, porém, o despediu, dizendo: 39”Volta para tua casa e conta tudo o que Deus fez por ti”. E ele se foi proclamando pela cidade inteira tudo o que Jesus havia feito em seu favor.
[33] N.T.: 14Ao chegarem junto da multidão, aproximou-se dele um homem que, de joelhos, lhe pedia: 15”Senhor, tem compaixão de meu filho, porque é lunático e sofre muito com isso. Muitas vezes cai no fogo e outras muitas na água. 16Eu o trouxe aos teus Discípulos, mas eles não foram capazes de curá-lo”. 17Ao que Jesus replicou: “Ó geração incrédula e perversa, até quando estarei convosco? Até quando vos suportarei? Trazei-o aqui”. 18Jesus o conjurou severamente e o demônio saiu dele. E o menino ficou são a partir desse momento. 19Então os Discípulos, procurando Jesus a sós, disseram: “Por que razão não pudemos expulsá-lo?”. 20Jesus respondeu-lhes: “Por causa da fraqueza da vossa fé, pois em verdade vos digo: se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta montanha: transporta-te daqui para lá, e ela se transportará, e nada vos será impossível”. [21] “Quanto a essa espécie (de demônio), não é possível expulsá-lo senão pela oração e pelo jejum”
[34] N.T.: 14E, chegando junto aos outros Discípulos, viram uma grande multidão em torno deles e os escribas discutindo com eles. 15E logo que toda a multidão O viu, ficou admirada e correu para saudá-lo. 16Ele perguntou-lhes: “Que discutíeis com eles?”. 17Alguém da multidão respondeu: “Mestre, eu te trouxe meu filho que tem um espírito mudo. 18Quando ele o toma, atira-o pelo chão. e ele espuma, range os dentes e fica ressequido. Pedi aos teus Discípulos que o expulsassem, mas não conseguiram”. 19Ele, porém, respondeu: “Ó geração incrédula! Até quando estarei convosco? Até quando vos suportarei? Trazei-o a mim”. 20Levaram-no até Ele. O espírito, vendo a Jesus, imediatamente agitou com violência o menino que, caindo por terra, rolava espumando. 21Jesus perguntou ao pai: “Há quanto tempo lhe sucede isto?”. — “Desde pequenino, respondeu; 22e muitas vezes o atira ao fogo ou na água para fazê-lo morrer. Mas, se tu podes, ajuda-nos, tem compaixão de nós”. 22Então Jesus lhe disse: “Se tu podes! …Tudo é possível àquele que crê!”. 24Imediatamente, o pai do menino gritou: “Eu creio! ajuda a minha incredulidade!”. 25Vendo Jesus que a multidão afluía, conjurou severamente o espírito impuro, dizendo-lhe: “Espírito mudo e surdo, Eu te ordeno: deixa-o e nunca mais entres nele!”. 26E, gritando e agitando-o violentamente, saiu. E o menino ficou como se estivesse morto, de modo que muitos diziam que ele tinha morrido. 27Jesus, porém, tomando-o pela mão, ergueu-o, e ele se levantou. 28Ao entrar em casa, perguntaram-lhe os seus Discípulos, a sós: “Por que não pudemos expulsá-lo?”. 29Ele respondeu: “Essa espécie não pode sair a não ser com oração”.
[35] N.T.: 37No dia seguinte, ao descerem da montanha veio ao seu encontro uma grande multidão. 38E eis que um homem da multidão gritou: “Mestre, rogo-te que venhas ver o meu filho, porque é meu filho único. 39Eis que um espírito o toma e subitamente grita, sacode-o com violência e o faz espumar; é com grande dificuldade que o abandona, deixando-o dilacerado. 40Pedi a teus Discípulos que o expulsassem, mas eles não puderam”. 41 Jesus respondeu: “Ó geração incrédula e perversa, até quando estarei convosco e vos suportarei? Traze aqui teu filho”. 42Estava ainda se aproximando, quando o demônio o jogou por terra e agitou-o com violência. Jesus, porém, conjurou severamente o espírito impuro, curou a criança e a devolveu ao pai.
[36] N.T.: Areteu da Capadócia, é um dos mais notórios médicos da Grécia Antiga; no entanto, apenas alguns detalhes de sua vida são conhecidos. Existe alguma incerteza com relação à sua idade e país de origem, mas parece provável que exerceu a Medicina no século I, durante o reinado de Nero ou Vespasiano. É geralmente denominado “o Capadócio”.
[37] N.T.: de Galen’s Critical Days (De diebus decretoriis) era um texto que fundamenta a medicina astrológica.
[38] N.T.: 2Aí lhe trouxeram um paralítico deitado numa cama. Jesus, vendo tão grande fé, disse ao paralítico: “Tem ânimo, meu filho; os teus pecados te são perdoados. “ 3Ao ver isso alguns dos escribas diziam consigo: “Está blasfemando”. 4Mas Jesus, conhecendo os seus pensamentos, disse: “Por que tendes esses maus pensamentos em vossos corações? 5Com efeito, que é mais fácil dizer ‘Teus pecados são perdoados’, ou dizer ‘Levanta-te e anda’? 6Pois bem, para que saibais que o Filho do Homem tem poder na terra de perdoar pecados. . . “ disse então ao paralítico: “Levanta-te, toma tua cama e vai para casa”. 7Ele se levantou e foi para casa.
[39] N.T.: 3Vieram trazer-lhe um paralítico, transportado por quatro homens. 4E como não pudessem aproximar-se por causa da multidão, abriram o teto à altura do lugar onde Ele se encontrava e, tendo feito um buraco, baixaram o leito em que jazia o paralítico. 5Jesus, vendo sua fé, disse ao paralítico: “Filho, os teus pecados estão perdoados”. 6Ora, alguns dos escribas que lá estavam sentados refletiam em seus corações: 7”Por que está falando assim? Ele blasfema! Quem pode perdoar pecados a não ser Deus? “ 8Jesus imediatamente percebeu em seu espírito o que pensavam em seu íntimo, e disse: “Por que pensais assim em vossos corações? 9O que é mais fácil dizer ao paralítico: ‘Os teus pecados estão perdoados’, ou dizer: ‘Levanta-te, toma o teu leito e anda?’ 10Pois bem, para que saibais que o Filho do Homem tem poder de perdoara pecados na terra, 11Eu te ordeno — disse Ele ao paralítico — levanta-te, toma o teu leito e vai para a tua casa”. 12O paralítico levantou-se e, imediatamente, carregando o leito, saiu diante de todos, de sorte que ficaram admirados e glorificaram a Deus, dizendo: “Nunca vimos coisa igual!”.
[40] N.T.: 18Vieram então alguns homens carregando um paralítico numa maca; tentavam levá-lo para dentro e colocá-lo diante dele. 19E como não encontravam um jeito de introduzi-lo, por causa da multidão, subiram ao terraço e, através das telhas, desceram-no com a maca no meio dos assistentes, diante de Jesus. 20Vendo-lhes a fé, ele disse: “Homem, teus pecados estão perdoados”. 21Os escribas e os fariseus começaram a raciocinar: “Quem é este que diz blasfêmias? Não é só Deus que pode perdoar pecados?” 22Jesus, porém, percebeu seus raciocínios e respondeu-lhes: “Por que raciocinais em vossos corações? 23Que é mais fácil dizer: Teus pecados estão perdoados, ou: Levanta-te e anda? 24Pois bem! Para que saibais que o Filho do Homem tem o poder de perdoar pecados na terra, eu te ordeno — disse ao paralítico — levanta-te, toma tua maca e vai para tua casa”. 25E no mesmo instante, levantando-se diante deles, tomou a maca onde estivera deitado e foi para casa, glorificando a Deus. 26O espanto apoderou-se de todos e glorificavam a Deus. Ficaram cheios de medo e diziam: “Hoje vimos coisas estranhas!”
[41] N.T.: Cura do Corpo, da Alma e do Espírito
[42] N.T.: A memória involuntária ou Mente Subconsciente está, atualmente, fora de nosso controle. Relaciona-se totalmente com as experiências desta vida. Consiste das impressões dos acontecimentos no Corpo Vital. Tais impressões podem ser modificadas ou até apagadas, utilizando a doutrina do perdão dos pecados.
[43] N.T.: 14Entrando Jesus na casa de Pedro, viu a sogra deste, que estava de cama e com febre. 15Logo tocou-lhe a mão e a febre a deixou. Ela se levantou e pôs-se a servi-lo.
[44] N.T.: Cura do Corpo, da Alma e do Espírito
[45] N.T.: Mc 16:18
[46] N.T. 21Jesus, partindo dali, retirou-se para a região de Tiro e de Sidônia. 22E eis que uma mulher cananeia, daquela região, veio gritando: “Senhor, filho de Davi, tem compaixão de mim: a minha filha está horrivelmente endemoninhada”. 23Ele, porém, nada lhe respondeu. Então os seus Discípulos se chegaram a ele e pediram-lhe: “Despede-a, porque vem gritando atrás de nós”. 24Jesus respondeu: “Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel”. 25Mas ela, aproximando-se, prostrou-se diante dele e pôs-se a rogar: “Senhor, socorre-me!” 26Ele tornou a responder: “Não fica bem tirar o pão dos filhos e atirá-lo aos cachorrinhos”. 27Ela insistiu: “Isso é verdade, Senhor, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos!” 28Diante disso, Jesus lhe disse: “Mulher, grande é a tua fé! Seja feito como queres!” E a partir daquele momento sua filha ficou curada.
[47] N.T.: 24Saindo dali, foi para o território de Tiro. Entrou numa casa e não queria que ninguém soubesse, mas não conseguiu permanecer oculto. 25Pois, logo em seguida, uma mulher cuja filha tinha um espírito impuro ouviu falar d’Ele, veio e atirou-se a seus pés. 26A mulher era grega, siro-fenícia de nascimento, e lhe rogava que expulsasse o demônio de sua filha. 27Ele dizia: “Deixa que primeiro os filhos se saciem porque não é bom tirar o pão dos filhos e atirá-lo aos cachorrinhos”. 28Ela, porém, lhe respondeu: “É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos comem, debaixo da mesa, as migalhas das crianças! “ 29E Ele disse-lhe: “Pelo que disseste, sai: o demônio saiu da tua filha”. 30Ela voltou para casa e encontrou a criança atirada sobre a cama. E o demônio tinha ido embora.
[48] N.T.: 1Certo sábado, ele entrou na casa de um dos chefes dos fariseus para tomar uma refeição, e eles o espiavam. 2Eis que um hidrópico estava ali, diante dele. 3Tomando a palavra, Jesus disse aos legistas e aos fariseus: “É lícito ou não curar no sábado?” 4Eles, porém, ficaram calados. Tomou-o então, curou-o e despediu-o. 5Depois perguntou-lhes: “Qual de vós, se seu filho ou seu boi cai num poço, não o retira imediatamente em dia de sábado?” 6Diante disso, nada lhe puderam replicar.
[49] N.T.: Sabá ou sabat é o dia semanal de descanso e/ou tempo de adoração que é observado em diversas crenças. O termo deriva do hebraico shabat, “cessar”, que foi pela primeira vez usado no relato bíblico do sétimo dia da Criação. A observância e lembrança do sabá é um dos Dez Mandamentos (o quarto na tradição original judaica, a cristã ortodoxa e maioria das tradições protestantes, o terceiro nas tradições luterana). Tido como sábado, dia do descanso da religião judaica.
[50] N.T.: 1E entrou de novo na sinagoga, e estava ali um homem com uma das mãos atrofiada. 2E o observavam para ver se o curaria no sábado, para o acusarem. 3Ele disse ao homem da mão atrofiada: “Levanta-te e vem aqui para o meio”. 4E perguntou-lhes: “É permitido, no sábado, fazer o bem ou fazer o mal? Salvar a vida ou matar?”. Eles, porém, se calavam. 5Repassando estão sobre eles um olhar de indignação. E entristecido pela dureza do coração deles, disse ao homem: “Estende a mão”. Ele a estendeu, e sua mão estava curada.
[51] N.T.: 6Em outro sábado, entrou ele na sinagoga e começou a ensinar. Estava ali um homem com a mão direita atrofiada. 7Os escribas e os fariseus observavam-no para ver se ele o curaria no sábado, e assim encontrar com que o acusar. 8Ele, porém, percebeu seus pensamentos e disse ao homem da mão atrofiada: “Levanta-te e fica de pé no meio de todos”. Ele se levantou e ficou de pé. 9Jesus lhes disse: “Eu vos pergunto se, no sábado, é permitido fazer o bem ou o mal, salvar uma vida ou arruiná-la”. 10Correndo os olhos por todos eles, disse ao homem: “Estende a mão”. Ele o fez, e a mão voltou ao estado normal.
[52] N.T.: Cura do Corpo, da Alma e do Espírito
[53] N.T.: 5Ao entrar em Cafarnaum, chegou-se a ele um centurião que lhe implorava e dizia: 6“Senhor, o meu criado está deitado em casa, paralítico, sofrendo dores atrozes”. 7Jesus lhe disse: “Eu irei curá-lo”. 8Mas o centurião respondeu-lhe: “Senhor, não sou digno de receber-te sob o meu teto; basta que digas uma palavra e o meu criado ficará são. 9Com efeito, também eu estou debaixo de ordens e tenho soldados sob o meu comando, e quando digo a um ‘Vai!’, ele vai, e a outro ‘Vem!’, ele vem; e quando digo ao meu servo: ‘Faze isto’, ele o faz”. 10Ouvindo isso, Jesus ficou admirado e disse aos que o seguiam: “Em verdade vos digo que em Israel não achei ninguém que tivesse tal fé. 11Mas eu vos digo que virão muitos do oriente e do ocidente e se assentarão à mesa no Reino dos Céus, com Abraão, Isaac e Jacó, 12enquanto os ‘filhos do Reino’ serão postos para fora, nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes”. 13Em seguida, disse ao centurião: “Vai! Como creste, assim te seja feito!” Naquela mesma hora o criado ficou são (Mt 8:5-13).
[54] N.T.: 1Quando acabou de transmitir aos ouvidos do povo todas essas palavras, entrou em Cafarnaum. 2Ora, um centurião tinha um servo a quem prezava e que estava doente, à morte; 3Tendo ouvido falar de Jesus, enviou-lhe alguns dos anciãos dos judeus para pedir-lhe que fosse salvar o servo. 4Estes, chegando a Jesus, rogavam-lhe insistentemente: “Ele é digno de que lhe concedas isso, 5pois ama nossa nação, e até nos construiu a sinagoga”. 6Jesus foi com eles. Não estava longe da casa, quando o centurião mandou alguns amigos lhe dizerem: “Senhor, não te incomodes, porque não sou digno de que entres em minha casa; 7nem mesmo me achei digno de ir ao teu encontro. Dize, porém, uma palavra, para que o meu criado seja curado. 8Pois também eu estou sob uma autoridade, e tenho soldados às minhas ordens; e a um digo: ‘Vai!’, e ele vai; e a outro ‘Vem!’, e ele vem; e a meu servo ‘Faze isto!’, e ele o faz”. 9Ao ouvir tais palavras, Jesus ficou admirado e, voltando-se para a multidão que o seguia, disse: “Eu vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé”. 10E, ao voltarem para casa, os enviados encontraram o servo em perfeita saúde (Lc 7:1-10).
[55] N.T.: em São Lucas. Note: em São Mateus é versículo 9.
[56] N.T.: 10Ora, ele estava ensinando numa das sinagogas aos sábados. 11E eis que se encontrava lá uma mulher, possuída havia dezoito anos por um espírito que a tornava enferma; estava inteiramente recurvada e não podia de modo algum endireitar-se.12Vendo-a, Jesus chamou-a e disse: “Mulher, estás livre de tua doença”, 13e lhe impôs as mãos. No mesmo instante, ela se endireitou e glorificava a Deus. 14O chefe da sinagoga, porém, ficou indignado por Jesus ter feito uma cura no sábado e, tomando a palavra, disse à multidão: “Há seis dias para o trabalho; portanto, vinde nesses dias para serdes curados, e não no dia de sábado!” 15O Senhor, porém, replicou: “Hipócritas! Cada um de vós, no sábado, não solta seu boi ou seu asno do estábulo para levá-lo a beber? 16E esta filha de Abraão que Satanás prendeu há dezoito anos, não convinha soltá-la no dia de sábado?” 17Ao falar assim, todos os adversários ficaram envergonhados, enquanto a multidão inteira se alegrava com todas as maravilhas que Ele realizava.
[57] N.T.: Sabá ou sabat é o dia semanal de descanso e/ou tempo de adoração que é observado em diversas crenças. O termo deriva do hebraico shabat, “cessar”, que foi pela primeira vez usado no relato bíblico do sétimo dia da Criação. A observância e lembrança do sabá é um dos Dez Mandamentos (o quarto na tradição original judaica, a cristã ortodoxa e maioria das tradições protestantes, o terceiro nas tradições luterana). Tido como sábado, dia do descanso da religião judaica.
[58] N.T.: 20Enquanto ia, certa mulher, que sofria de um fluxo de sangue fazia doze anos, aproximou-se dele por trás e tocou-lhe a orla da veste, 21pois dizia consigo: “Será bastante que eu toque a sua veste e ficarei curada”. 22Jesus, voltando-se e vendo-a, disse-lhe: “Ânimo, minha filha, a tua fé te salvou”. Desde aquele momento, a mulher foi salva.
[59] N.T.: 25Ora, certa mulher que havia doze anos tinha um fluxo de sangue 26e que muito sofrera nas mãos de vários médicos, tendo gasto tudo o que possuía sem nenhum resultado, mas cada vez piorando mais, 27tinha ouvido falar de Jesus. Aproximou-se d’Ele, por detrás, no meio da multidão, e tocou-lhe a roupa. 28Porque dizia: “Se ao menos tocar as suas roupas, serei salva”. 29E logo estancou a hemorragia. E ela sentiu no corpo que estava curada de sua enfermidade. 30Imediatamente, Jesus, tendo consciência da força que d’Ele saíra, voltou-se à multidão e disse: “Quem tocou minhas roupas? “ 31Os Discípulos disseram-lhe: “Estás vendo a multidão que Te comprime e perguntas: ‘‘‘Quem me tocou ?’ 32Jesus olhava em torno de si para ver quem havia feito aquilo. 33Então a mulher, amedrontada e trêmula, sabendo o que lhe tinha sucedido, foi e caiu-lhe aos pés e contou-lhe toda a verdade. 34E Ele disse a ela: “Minha filha, a tua fé te salvou; vai em paz e esteja curada desse teu mal”.
[60] N.T.: 43Certa mulher, porém, que sofria de um fluxo de sangue, fazia doze anos, e que ninguém pudera curar, 44aproximou-se por detrás e tocou a extremidade de sua veste; no mesmo instante, o fluxo de sangue parou. 45E Jesus perguntou: “Quem me tocou?” Como todos negassem, Pedro disse: “Mestre, a multidão te comprime e te esmaga”. 46Jesus insistiu: “Alguém me tocou; eu senti que uma força saía de mim”. 47A mulher, vendo que não podia se ocultar, veio tremendo, caiu-lhe aos pés e declarou diante de todos por que razão o tocara, e como ficara instantaneamente curada. 48Ele disse: “Minha filha, tua fé te salvou; vai em paz”.
[61] N.T.: Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832) – autor e estadista alemão que também fez incursões pelo campo da ciência natural.
[62] N.T.: Eusébio de Cesareia (ca. 265-339) (chamado também de Eusebius Pamphili, “Eusébio amigo de Pânfilo”) foi bispo de Cesareia e é referido como o pai da história da Igreja porque nos seus escritos estão os primeiros relatos quanto à história do cristianismo primitivo.
[63] N.T.: A História Eclesiástica (em latim: Historia Ecclesiastica ou Historia Ecclesiae) de Eusébio de Cesareia foi uma obra pioneira do século IV por tratar de um relato cronológico do desenvolvimento do cristianismo primitivo entre o primeiro e o quarto século. Ela foi escrita em grego koiné e sobreviveu também em manuscritos em latim, siríaco e armênio. O resultado foi a primeira narrativa extensiva escrita de um ponto de vista cristão
[64] N.T.: Cesareia de Filipe (em latim Caesarea Philippi) era uma antiga cidade, localizada no sopé sudoeste do monte Hermon na atual região arqueológica de Banias. Por volta do ano 20 a.C. o rei Herodes, o grande, construiu aos pés do monte Hermon um templo branco de mármore, e dedicou a César Augusto. Quando Herodes morreu a cidade ficou nas mãos de seu filho, Herodes Filipe, que a ampliou, e embelezou, e a chamou de Cesareia de Filipe, para alcançar graça diante seu imperador Tibério César, e distingui-la da outra Cesareia, a capital romana na Judeia e porto marítimo muito mais conhecida, que ficava na costa. É hoje um local arqueológico perto da fronteira Israel-Síria, junto à nascente do rio Jordão.
[65] 18Enquanto Jesus lhes falava sobre essas coisas, veio um chefe e prostrou-se diante dele, dizendo: “Minha filha acaba de morrer. Mas vem, impõe-lhe a mão e ela viverá”. 19Levantando, Jesus o seguia, juntamente com os seus Discípulos. (…) 23Jesus, ao entrar na casa do chefe e ver os flautistas e a multidão em alvoroço, disse: 24”Retirai-vos todos daqui, porque a menina não morreu: está dormindo”. E caçoavam dele. 25Mas, assim que a multidão foi removida para fora, Ele entrou, tomou-a pela mão e ela se levantou. 26A notícia do que aconteceu espalhou-se por toda aquela região.
[66] 22Aproximou-se um dos chefes da sinagoga, cujo nome era Jairo, e vendo-O, caiu a seus pés. 23Rogou-lhe insistentemente, dizendo: “Minha filhinha está morrendo. Vem e impõe sobre ela as mãos, para que ela seja salva e viva”. 24Ele o acompanhou e numerosa multidão O seguia, apertando-O de todos os lados. (…) 35Ainda falava, quando chegaram alguns da casa do chefe da sinagoga, dizendo: “Tua filha morreu. Por que perturbas ainda o Mestre?”. 36Jesus, porém, tendo ouvido a palavra que acabava de ser pronunciada, disse ao chefe da sinagoga: “Não temas; crê somente”. 37E não permitiu que ninguém o acompanhasse, exceto Pedro, Tiago e João, o irmão de Tiago. 38Chegaram à casa do chefe da sinagoga, e Ele viu um alvoroço. Muita gente chorando e clamando em voz alta. 39Entrando, disse: “Por que este alvoroço e este pranto? A criança não morreu; está dormindo”. 40E caçoavam d’Ele. Ele, porém, ordenou que saíssem todos, exceto o pai e a mãe da criança e os que o acompanhavam, e com eles entrou onde estava a criança. 41Tomando a mão da criança, disse-lhe: “Talitha Kum” — o que significa: “Menina, Eu te digo, levanta-te”. 42No mesmo instante, a menina se levantou, e andava, pois já tinha doze anos. E ficaram extremamente espantados. 43Recomendou-lhes então expressamente que ninguém viesse a saber o que tinha visto. E mandou que dessem de comer à menina.
[67] 41Chegou então um homem chamado Jairo, chefe da sinagoga. Caindo aos pés de Jesus, rogava-lhe que entrasse em sua casa, 42porque sua filha única, de mais ou menos doze anos, estava à morte. Enquanto Ele se encaminhava para lá, as multidões se aglomeravam a ponto de sufocá-lo. (…) 49Ele ainda falava, quando chegou alguém da casa do chefe da sinagoga e lhe disse: “Tua filha morreu; não perturbes mais o Mestre”. 50Mas Jesus, que havia escutado, disse-lhe: “Não temas; crê somente, e ela será salva”. 51Ao chegar à casa, não deixou que entrassem consigo senão Pedro, João e Tiago, assim como o pai e a mãe da menina. 52Todos choravam e batiam no peito por causa dela. Ele disse: “Não choreis! Ela não morreu; está dormindo”. 53E caçoavam d’Ele, pois sabiam que ela estava morta. 54Ele, porém, tomando-lhe a mão, chamou-a dizendo: “Criança, levanta-te!”. 55O espírito dela voltou e, no mesmo instante, ela ficou de pé. E ele mandou que lhe dessem de comer.
[68] N.T.: Jo 21:17
[69] N.T.: Jo 16:15
[70] N.T.: 46Ele voltou novamente a Caná da Galileia, onde transformara água em vinho. Havia um funcionário real, cujo filho se achava doente em Cafarnaum. 47Ouvindo dizer que Jesus viera da Judéia para a Galileia, foi procurá-lo, e pedia-lhe que descesse e curasse seu filho, que estava à morte. 48Disse-lhe Jesus: “Se não virdes sinais e prodígios, não crereis”. 49O funcionário real lhe disse: “Senhor, desce, antes que meu filho morra!”. 50Disse-lhe Jesus: “Vai, o teu filho vive”. O homem creu na palavra que Jesus lhe havia dito e partiu. 51Ele já descia, quando os seus servos lhe vieram ao encontro, dizendo que o seu filho vivia. 52Perguntou, então, a que horas ele se sentira melhor. Eles lhe disseram: “Ontem, à hora sétima, a febre o deixou”. 53Então o pai reconheceu ser precisamente aquela a hora em que Jesus lhe dissera: “O teu filho vive” e creu, ele e todos os da sua casa.
[71] N.T.: 1 Havia um doente, Lázaro, de Betânia, povoado de Maria e de sua irmã Marta. 2 Maria era aquela que ungira o Senhor com bálsamo e lhe enxugara os pés com seus cabelos. Seu irmão Lázaro se achava doente. 3 As duas irmãs mandaram, então, dizer a Jesus: “Senhor, aquele que amas está doente”. 4 A essa notícia, Jesus disse: “Essa doença não é mortal, mas para a glória de Deus, para que, por ela, seja glorificado o Filho de Deus”. 5 Ora, Jesus amava Marta e sua irmã e Lázaro. 6 Quando soube que este se achava doente, permaneceu ainda dois dias no lugar em que se encontrava; 7 só depois, disse aos Discípulos: “Vamos outra vez até a Judéia!” 8 Seus Discípulos disseram-lhe: “Rabi, há pouco os judeus procuravam apedrejar-te e vais outra vez para lá?”. 9 Respondeu Jesus: “Não são doze as horas do dia? Se alguém caminha durante o dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo, 10 mas se alguém caminha à noite, tropeça, porque a luz não está nele”. “Disse isso e depois acrescentou: “Nosso amigo Lázaro dorme, mas vou despertá-lo”. 12 Os Discípulos responderam: “Senhor, se ele está dormindo, vai se salvar!” 13 Jesus, porém, falara de sua morte e eles julgaram que falasse do repouso do sono. 14 Então Jesus lhes falou claramente: “Lázaro morreu. 15 Por vossa causa, alegro-me de não ter estado lá, para que creiais. Mas vamos para junto dele!” 16 Tomé, chamado Dídimo, disse então aos outros Discípulos: “Vamos também nós, para morrermos com ele!” 17 Ao chegar, Jesus encontrou Lázaro já sepultado havia quatro dias. 18 Betânia ficava perto de Jerusalém, a uns quinze estádios. 19 Muitos judeus tinham vindo até Marta e Maria, para as consolar da perda do irmão. 20 Quando Marta soube que Jesus chegara, saiu ao seu encontro; Maria, porém, continuava sentada, em casa. 21 Então, disse Marta a Jesus: “Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. 22 Mas ainda agora sei que tudo o que pedires a Deus, ele te concederá”. 23 Disse-lhe Jesus: “Teu irmão ressuscitará”. 24 Sei, disse Marta, que ele ressuscitará na ressurreição, no último dia!” 25 Disse-lhe Jesus: “Eu sou a ressurreição. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. “ 26 E quem vive e crê em mim jamais morrerá. Crês nisso?” 27 Disse ela: “Sim, Senhor, eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus que vem ao mundo”. 28 Tendo dito isso, afastou-se e chamou sua irmã Maria, dizendo baixinho: “O Senhor está aqui e te chama!” 29 Esta, ouvindo isso, ergueu-se logo e foi ao seu encontro. 30 Jesus não entrara ainda no povoado, mas estava no lugar em que Marta o fora encontrar. 31 Quando os judeus, que estavam na casa com Maria, consolando-a, viram-na levantar-se rapidamente e sair, acompanharam-na, julgando que fosse ao sepulcro para aí chorar. 32 Chegando ao lugar onde Jesus estava, Maria, vendo-o, prostrou-se a seus pés e lhe disse: “Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido”. 33 Quando Jesus a viu chorar e também os judeus que a acompanhavam, comoveu-se interiormente e ficou conturbado. 34 E perguntou: “Onde o colocastes?” Responderam-lhe: “Senhor, vem e vê!” 35 Jesus chorou. 36 Diziam, então, os judeus: “Vede como ele o amava!” 37 Alguns deles disseram: “Esse, que abriu os olhos do cego, não poderia ter feito com que ele não morresse?” 38 Comoveu-se de novo Jesus e dirigiu-se ao sepulcro. Era uma gruta, com uma pedra sobreposta. 39 Disse Jesus: “Retirai a pedra!” Marta, a irmã do morto, disse-lhe: “Senhor, já cheira mal: é o quarto dia!” 40 Disse-lhe Jesus: “Não te disse que, se creres, verás a glória de Deus?” 41 Retiraram, então, a pedra. Jesus ergueu os olhos para o alto e disse: “Pai, dou-te graças porque me ouviste. 42 Eu sabia que sempre me ouves; mas digo isso por causa da multidão que me rodeia, para que creiam que me enviaste”. 43 Tendo dito isso, gritou em alta voz: “Lázaro, vem para fora!” 44 O morto saiu, com os pés e mãos enfaixados e com o rosto recoberto com um sudário. Jesus lhes disse: “Desatai-o e deixai-o ir embora”.
[72] N.T.: 11Ele foi em seguida a uma cidade chamada Naim. Seus Discípulos e numerosa multidão caminhavam com ele. 12Ao se aproximar da porta da cidade, coincidiu que levavam a enterrar um morto, filho único de mãe viúva; e grande multidão da cidade estava com ela. 13O Senhor, ao vê-la, ficou comovido e disse-lhe “Não chores!” 14Depois, aproximando-se, tocou o esquife, e os que o carregavam pararam. Disse ele, então: “Jovem, eu te ordeno, levanta-te!” 15E o morto sentou-se e começou a falar. E Jesus o entregou à sua mãe.
[73] N.T.: 31<Cristo Jesus> Saindo de novo do território de Tiro, seguiu em direção do mar da Galileia, passando por Sidônia e atravessando a região da Decápole. 32Trouxeram-Lhe um surdo que gaguejava, e rogaram que impusesse as mãos sobre ele. 33Levando-o a sós para longe da multidão, colocou os dedos nas orelhas dele e, com saliva, tocou-lhe a língua.34Depois, levantando os olhos para o céu, gemeu, e disse Effatha, que quer dizer “Abre-te!” 35Imediatamente abriram-se -lhe os ouvidos e a língua se lhe desprendeu, e falava corretamente.
[74] N.T.: Apo 21:5
[75] N.T.: Destino maduro refere-se à consequência que necessariamente deverão ser vivenciadas pela pessoa. No entanto, a Filosofia Rosacruz, uma Escola de Mistérios Ocidentais, ensina-nos que sempre há certa margem para a pessoa colocar coisas novas em movimento. Em outras palavras, é possível modular a intensidade de um destino maduro, desde que a lição que se deve aprender tenha sido aprendida e o reequilíbrio com as forças da natureza, tenha sido reestruturado. Ver mais no Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Vol. II.
[76] N.T.: Cura do Corpo, da Alma e do Espírito.
[77] N.T.: ou Paracelsus – Philippus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim (1493-1521) – físico, botânico, alquimista, astrólogo e ocultista suíço-germânico.
[78] N.T.: Tg 3:5
[79] N.T.: Malco é um personagem secundário no Novo Testamento da Bíblia, mencionado em Jo 18:10 como o servo do sumo sacerdote Caifás que havia sido golpeado na orelha por Simão Pedro durante a prisão de Cristo Jesus no Getsemani. De acordo com os evangelhos, quando Jesus estava para ser preso, um dos Discípulos puxou a espada e feriu o servo de Caifás que estava entre os soldados. No entanto, Cristo Jesus repreendeu ao seu Discípulo, curou a orelha de Malco.
[80] N.T.: Alexis Carrel (1873-1944) foi um biologista francês. Nasceu em Lyon, estudou medicina na Universidade de Lyon e graduou-se em 1900. Depois emigrou para os Estados Unidos.
[81] N.T. Ef 4:23
[82] N.T. Jo 5:14
[83] N.T.: “O Senhor é meu pastor, não me faltará”.
[84] N.T.: Franz Hartmann (1838-1912) escritor e médico alemão, estudioso das doutrinas de Paracelso, Jakob Böehme e a Tradição Rosacruz.
[85] N.T.: Mt 5:48
O “Sermão da Montanha” é um dos mais importantes trechos da mensagem Cristã; um código universal de conduta, cabível a qualquer Religião ou credo.
Cabe a cada um de nós, segundo o nível de compreensão, extrair desses princípios gerais as consequências práticas.
As Bem-aventuranças são uma síntese do espírito Cristão e não meramente da letra.
É uma sinopse espiritual e não literária.
Uma súmula geral, que sintetizavam os ensinamentos religiosos e filosóficos.
1. Para fazer download ou imprimir:
Por um Probacionista – As Bem-aventuranças
2. Para estudar no próprio site:
Revisado de acordo com:
1ª Edição em Português, editada pela Fraternidade Rosacruz do Centro de São José dos Campos – SP
Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
contato@fraternidaderosacruz.com
fraternidade@fraternidaderosacruz.com
Felicidade é SER.
Ser o que?
Ser o que essencialmente somos, mas sem condicionamentos da persona; uma Centelha Divina sem deturpações da natureza inferior.
Quando conseguirmos SER, nossa evolução decorrerá sem dores e muito mais rapidamente.
No entanto, estamos fascinados pelo materialismo; condicionados pelos conceitos falsos de que somos uma personalidade à parte e separada de Deus, dependentes de nossos recursos pessoais e externos.
Isso nos vem desviando e retardando a evolução. Urgente se faz retornar ao próprio íntimo, e lá encontrar e desenterrar o “tesouro escondido”, que dissolverá o sentido humano e nos devolverá a verdadeira identidade, na unidade do Espírito.
Mas há um caminho a percorrer; há uma verdade a realizar acerca de nós mesmos, como já enunciada naquela antiga frase (a um tempo convite e desafio), inscrita na fachada do templo de Delfos: “Homem, conhece-te a ti mesmo”.
Os enganos e a astúcia estão no labirinto da personalidade falsa. O “fio de Ariadne” que nos orientara nesse labirinto, para descobrirmos a ilusão e retornar à liberdade é o “Sermão da Montanha”, notadamente as “bem-aventuranças”, que são como “setas nas encruzilhadas” do Peregrino, em busca do próprio SER.
Neste amoroso desejo de SERVIR, o CRISTIANISMO ESOTÉRICO, exposto pela Fraternidade Rosacruz, fundada por Max Heindel, lhe oferece este trabalho.
Nota: não leia de um fôlego só. Medite uma por uma das exposições e acrescente sua própria experiência e sentir, valorizando-as com seu dom epigenético; pois, são temas inesgotáveis.
Oração do Estudante Rosacruz
“Aumenta o meu amor por ti, Ó Deus
Para que eu possa servir-Te melhor a cada dia que passa
Faze que as palavras de meus lábios
E as meditações do meu coração
Sejam agradáveis a Tua presença
Ó Senhor, minha força e meu redentor.”
ÍNDICE
Oitava e Nona Bem-Aventuranças. 73
O “Sermão da Montanha” é um dos mais importantes trechos da mensagem Cristã; um código universal de conduta, cabível a qualquer Religião ou credo.
Mahatma Gandhi o considerou “o documento máximo da espiritualidade”. Outros seres humanos ilustres são de opinião que ele unirá, futuramente, todas as religiões e filosofias, concretizando o ideal do Cristo: “Um só rebanho e um só Pastor”. Disseram mais: se se perdessem todos os documentos do mundo e apenas se salvasse o “Sermão da Montanha”, a humanidade não ficaria prejudicada, porque ele constitui, por si só, um completo método de orientação espiritual.
De fato: qual a solução para a paz mundial? Qual o modo de restabelecer a harmonia entre os seres humanos? Só mesmo levando cada indivíduo a conhecer-se, reconduzindo-o ao próprio íntimo, para retomar contato com sua Divina Essência, e entrar na posse de sua herança de Filho de Deus. Mas isto pressupõe – como sugerem as bem-aventuranças – que sejamos:
Segundo as normas atuais de conduta, isto parece impossível de ser praticado. Pedimos que o leitor conserve a Mente livre e caminhe conosco através desta análise. Depois, meditando, certamente concordará conosco, dispondo-se a praticar também, com nova compreensão, estes maravilhosos princípios.
Notem que, ao contrário das diversas religiões e correntes espiritualistas, Cristo não dá instruções pormenorizadas acerca do que devemos ou não fazer. Ele foi antiritualístico e antidogmático. Rebatia severamente os fariseus, esclarecendo que as normas externas de nada valem. Sua mensagem se constitui de princípios gerais, para educar nosso estado mental. Ele mostrou que a causa da ação humana está na Mente: se o pensamento (a causa) é puro, logicamente os atos (os efeitos) serão corretos e edificantes.
Cabe a cada um de nós, segundo o nível de compreensão, extrair desses princípios gerais as consequências práticas.
Dos quatro Evangelistas que recolheram material para instituir seus métodos de Iniciação, foi São Mateus quem nos deu a versão mais completa do “Sermão da Montanha”, iniciando pelas bem-aventuranças.
Segundo São Mateus, as bem-aventuranças se constituem de nove passos. Nove é um número cabalístico, representativo do gênero humano, do que se deduz tratar-se de uma síntese para a libertação humana. Por seu profundo sentido, é compreensível que a maioria não a possa penetrar inteiramente. É um desafio, mesmo aos mais preparados internamente, porque sua prática prevê o despojamento do sentido humano vicioso.
As bem-aventuranças são uma síntese do espírito Cristão e não meramente da letra. É uma sinopse espiritual e não literária. Uma súmula geral, semelhante àquelas que, na velha maneira oriental, sintetizavam os ensinamentos religiosos e filosóficos, tais como: os oito caminhos de Buda; os dez mandamentos de Moisés, etc.
Em comparação a São Mateus, São Lucas omite a 3ª, 5ª, 6ª e 7ª bem-aventuranças. Só apresenta as demais, com as respectivas condenações: “ai de vós…”.
Salmo da Segurança pela União com o Cristo Interno
Aquele que habita no esconderijo secreto do Altíssimo,
à sombra do Onipotente descansará.
Direi ao meu Senhor: És o meu Deus, meu refúgio,
minha fortaleza; em ti confiarei!
Tu me livras do laço do passarinheiro
e da peste perniciosa.
Tu me cobrirás com tuas penas!
Debaixo de tuas asas estarei seguro:
tua verdade é escudo e broquel!
Não temerei espanto noturno,
nem seta que voe de dia;
nem peste que ande na escuridão;
nem mortandade que assole ao meio-dia.
Mil cairão ao meu lado
e dez mil à minha direita,
mas nunca serei atingido!
Somente com meus olhos olharei,
e verei a consequência dos ímpios.
Porque Tu, ó meu Deus, és meu refúgio
E o Altíssimo é Tua habitação.
Nenhum mal me sucederá,
nem praga alguma chegará à minha tenda.
Porque aos Anjos darás ordem a meu respeito,
para me guardarem em todos os meus caminhos.
Eles me sustentarão nas suas mãos,
para que eu não tropece em pedra alguma.
Pisarei o leão e o áspide;
calçarei aos pés o filho do leão e a serpente.
Pois tão encarecidamente Te amei
Também Tu me livrarás!
Pôr-me-ás num alto retiro
porque conheci o Teu Nome!
Eu Te invocarei e Tu me responderás.
Estarás comigo na angústia;
livrar-me-ás e glorificar-me-ás;
dar-me-ás abundância de dias
e mostrar-me-ás a Tua salvação!
“Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.” (Mt 3:5)
“Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus.” (Lc 6:20)
“Mas, ai de vós, ricos, porque já tendes a vossa consolação!” (Lc 6:24)
São Jerônimo[1] fez constar na “Vulgata”: “pobres PELO espírito” ou “pobres SEGUNDO o espírito”. Talvez desejasse evitar a palavra “mendigos”, mas com isso induziu a um afastamento maior do sentido real, pois as versões atuais ao português registram: “Bem-aventurados os pobres EM espírito”.
Na linguagem corrente, “pobre em espírito” é um indivíduo tolo. Ninguém poderá supor que seja esse o sentido. Todavia, na melhor das hipóteses, nas mãos de pessoas simples, a leitura dessa bem-aventurança poderá sugerir que a pobreza é uma virtude e a riqueza um pecado. Não é de admirar que, ante essas traduções, os comunistas acusem os Cristãos de estarem disseminando o conformismo à miséria, para servirem aos poderosos.
Nada mais errado. A tradução exata do texto original grego do primeiro século é: “pobres em espírito” (ptôchoi tôi pnêumati), como fizemos constar acima. “Ptôchoi” quer dizer: “aquele que caminha a mendigar”. É o mesmo que dizer: “O indivíduo internamente aberto para receber de seu Espírito interno o de que necessita para sua evolução diária”. O Cristo não se refere, pois, a pobrezas ou riquezas materiais, senão, à necessidade de a pessoa se abrir à Fonte interna para dela receber mais amplos e justos recursos. Se Ele ensinou isso é porque NOS fechamos. Vejamos como e porque acontece isto, a fim de tomarmos consciência e buscarmos a solução indicada nesta bem-aventurança.
O ser humano é uma Centelha Divina em evolução, ou, como disse São Paulo, um “Cristo em formação”. O Gênesis ensina que “fomos feitos a Imagem e Semelhança de Deus” – o que levou os esoteristas a compreenderem que o ser humano é um microcosmo, tendo em si, em potencial, tudo o que tem o Macrocosmo. A evolução consiste em dinamizar ou transformar em consciência, as faculdades que se acham adormecidas no íntimo. Todos receberam igual herança divina, inesgotável, infinita. Mas a quantidade maior ou menor que cada um de nós dinamiza em seu íntimo, dessas faculdades divinas, é o que determina o grau de evolução. Ainda mais: cada qual desperta e utiliza esses talentos de um modo próprio, original. A isso os Rosacruzes chamam individualidade, consequência da Epigênese.
Acontece que o ser humano foi induzido a transgredir as leis da Natureza. Influenciado pela “falsa luz”, se tornou egoísta e pretensioso. Caiu (vibracionalmente) e perdeu contato com sua essência. Assim viciado, uniu a Mente Concreta ao Corpo de Desejos e formou uma espécie de “alma animal”, uma personalidade que, embora dependendo do Espírito para viver e atuar neste plano tem a ilusão de ser Algo à parte, separada e independente do Espírito.
Nesta ilusão condicionadora, toma os recursos evolutivos já dinamizados (Alma) como seus (da persona) e os usa segundo seus interesses deturpados.
Fá-lo por ignorância – o único pecado. Simplesmente não percebe que o Espírito é a CAUSA e os seus veículos (a Mente, o Corpo de Desejos, o Corpo Vital e o Corpo Denso) são MEIOS de expressão. Julga-se a persona (a máscara) e se arroga o DONO, com o direito de conceder ou negar, de dar ou reter, de reclamar honrarias e retribuições. Sua consciência comprometida, instintivamente, teme a morte. Ouve falar de um céu e procura fazer caridades que, ao mesmo tempo, promovam sua “fama de bom”. A estas pessoas – uma grande maioria, infelizmente – são bem oportunos e atuais os símbolos evangélicos: “tendes olhos e não vedes” (cegos que não veem as realidades suprafísicas circundantes); “tendes ouvidos e não ouvis” (surdos que não ouvem as verdades a respeito de seu próprio ser). Daí que sejam também “coxos” (vacilantes), “paralíticos” (que não caminham pela reta senda), “leprosos” (moralmente impuros), obsessionados (condicionados pelos vícios) etc.
Ora, se todos têm uma Alma – que é a soma das faculdades despertadas, do “tesouro desenterrado”, que convertemos em consciência, para uso do Espírito – todos podemos e devemos SERVIR. SERVIR é verter os recursos internos, para edificação dos outros e, em última análise, para nossa evolução.
É verdade que estamos em níveis evolutivos diferentes e variados; é verdade que, os que mais têm deveriam dar mais, como foi dito: “Ao que mais é dado (o que mais evoluiu) mais lhe será exigido” (tem maior responsabilidade no uso de seus talentos). Mas não temos nada com a vida dos outros; cada qual responde por seus atos e não pelos dos outros. Em vez de estarmos de mãos vergonhosamente estendidas, sempre a pedir aos mais aquinhoados, sempre a depender de sua proteção e ajuda, façamos nossa parte e recebamos por nossos esforços o que nos é devido, pois “digno é o trabalhador de seu salário”.
Se nos colocamos na consciência da verdadeira identidade, isto é, UM ESPÍRITO, AGINDO COMO UMA PESSOA – e não uma pessoa a depender de seu espírito (muito menos uma pessoa a depender de outras pessoas), NÃO PRECISAMOS DESTA BEM-AVENTURANÇA. Cristo endereçou este ensino àqueles que se situam na persona, que pensam ser uma pessoa a depender de um Divino separado e distante, para mostrar-lhes que eles SÃO UM COM O DIVINO, QUE AGE COMO OU SENDO ELES. Portanto, é apenas questão de romper a ilusão da separatividade. Este esforço, para a religação exige persistência, anelo, ardente aspiração, esforço metódico. A isto é que se chama MENDIGAR O ESPÍRITO, expressão forte para esclarecer que nessa busca devemos ter consciência de que, como pessoa, não somos nada e que dependemos inteiramente d’Ele, que não é Ele, mas é EU, verdadeiro e superior, único.
A propósito, lembramos que há muito espiritualista sincero que tropeçando nesta e noutras bem-aventuranças, como o mancebo rico, cumprem a Lei, mas não querem deixar suas riquezas. Estão ricos de verdades espirituais, de idealismo, de boa vontade e até de desprendimento material; mas, por falta de um paralelo cultivo interno caíram na vaidade intelectual e outras manhas da personalidade. O Cristo ama-os, porque realizam bom serviço; mas lamenta que se afastem, com seus muitos bens, da verdadeira realização.
Este ponto nos lembra de um formoso relato Rosacruz: um ser realizado, iluminado, chegou ao cimo da montanha e bateu à porta do “Castelo”, o “Guardião” apareceu, levou-o para dentro, mostrou-lhe as acomodações vazias.
– Vai ficar?
– Não. Quero voltar para encaminhar os que veem atrás.
– Compreendo Irmão. Quando se alcança a realização, não se quer usufruí-la. Essa renúncia é superior à renúncia do sentido humano.
É preciso meditar nisto todos os dias, até que uma nova consciência nos torne administradores fiéis, isto é, sabendo que todos têm, podem e devem DAR: amor altruísta, experiência, conhecimento, dons, habilidades várias e até recursos materiais, de modo JUSTO, AMOROSO, DESPRENDIDO, DISCRETO – reservando para nossa manutenção o que as justas necessidades reclamam. Entendamos bem: isto não é indiferença para as coisas do mundo nem omissão nas atividades. Ao contrário, é trabalhar como um ambicioso, mas estar desapegado dos resultados; administrar seriamente, de modo competente e equilibrado, corrigindo falhas, aprimorando normas, sem nos considerarmos DONOS, mas simplesmente administradores, com responsabilidade proporcional ao que recebemos, de fazer fluir os recursos na edificação de todos.
Já imaginaram um mundo assim? Já viram pessoas agirem assim? Houve e há muitos servos e amorosos; firmes e serviçais; justos e nobres. São pobres porque se sentem desapegados, isentos do sentido de POSSE. Não buscam glorificação por meio das realizações e se a fama os distingue, não se deixam corromper por ela. Fazem o melhor que podem e se o poder os bafeja, não o usam para benefício próprio ou de seus apadrinhados. Ao contrário, usam a fama e o poder para promover o progresso coletivo, sofrendo coações dos que se sentem prejudicados por sua atuação honesta. Estes “acumulam tesouros no céu” (Alma), mas “não entesouram na Terra (personalidade), que o ladrão rouba, a ferrugem corrói e a traça destrói”. Eles têm a serena convicção de que, o que é plantado na persona, com ela morre e nada acrescenta a sua evolução. Não se apoiam no externo, mas permanecem internamente abertos ao fluxo interno da única Fonte. Isto é ser autossuficiente, apoiado em SI (no “Eu” real e não na persona). Se algumas coisas recebem de fora, é aparente: receberam realmente de dentro, indiretamente, como resposta de sua atuação correta: “O que dá, recebe”.
Guardemos bem: não há virtude na pobreza nem pecado na riqueza. Os valores materiais, morais, mentais, etc., em si mesmos não são bons nem maus; são apenas MEIOS evolutivos: dependem do USO que deles se faça. O dinheiro pode ser maldito ou abençoado; a inteligência pode ser maquiavélica ou serviçal. A pobreza pode ser sinônimo de preguiça, de um mal-entendido desapego, de indiferença, de omissão de responsabilidade ou omissão de esforço ante as inúmeras possibilidades do mundo moderno. As restrições mentais, morais e físicas são meros efeitos de abusos anteriores e reclamam ainda mais um esforço de recuperação. Neste sentido é que devemos ajudar os carentes: a não precisarem dos outros; a servirem, em vez de serem servidos; a carregarem, em vez de serem carregados. Se desvirtuarmos o uso de nossos recursos diversos, eles se tornam um entrave e um prejuízo para nós e, às vezes, para os outros também, a quem eventualmente prejudicarmos. Se omitirmos a aplicação de nossos talentos, deixamos de evoluir, cristalizamo-nos e cortamo-nos da “videira” interna: deixamos de receber-lhe a seiva renovadora do progresso.
Um rico pode ser muito virtuoso, quando vence a tentação da POSSE egoísta e bem emprega o que o Divino lhe deu para administrar. Neste caso será um rico na Terra e um rico no céu. Inversamente, um pobre pode ser mesquinho e mau, invejoso e desonesto, avaro e egoísta. Em tal hipótese, será um pobre na Terra e um pobre no céu.
Grande é a tentação dos quatro gigantes do mundo: o Poder, a Fama, o Dinheiro e o Amor.
Daí que o Cristo tenha dito: “Quão difícil é, para os que confiam nas riquezas, entrar no Reino de Deus”. Ele se referia genericamente ao sentido de apego e de posse (minhas ideias, meu prestígio, minha inteligência, meus bens, etc.) em relação ao que o Espírito põe como meios evolutivos. Não quis dizer que devamos fugir a essas tentações. Isto seria covardia, omissão comodista. É preferível cair em tentação a omitir-se. A omissão não faz evoluir; ao contrário, anestesia e cristaliza. O erro ensina profundamente, pela dor. Marca mais a consciência do que os êxitos. No entanto, o normal é evoluir sem dor. E há mais mérito no que tem e usa bem.
De toda maneira, independentemente das riquezas morais, mentais e materiais que estejamos a gerenciar (por mérito, é lógico, mas não da persona), é importante compreendermos que TUDO nos vem do Divino interno, que somos NÓS, num correto sentido. Se agirmos como Espíritos, SOMOS POBRES (referidos por São Lucas). Mas se humanamente nos apegamos e nos arrogamos os possuidores, somos ricos, sofrendo (“ai de vós…”) as consequências de seu uso egoísta e prejudicial. O dinamismo, a confiança em si, deve estar firmemente alicerçado nesta compreensão.
A virtude não está só no fazer grandes bens; o crime não está só no praticar grandes males. Além do fator quantidade, pesa muito a intenção. Os Evangelhos ensinam que o óbolo da viúva foi mais valioso do que as vultosas ofertas dos ricos, porque estes, além de darem do que sobrava, fizeram-no com ostentação; já a viúva deu com amor o pouco que tinha e lhe fazia falta. O dar de si, com sacrifício e amor, valoriza os pequenos atos. O bom observador, pelas pequenas coisas conhece as pessoas. A sabedoria popular o comprova: “ladrão de tostão; ladrão de milhão”. Não que “a ocasião faça o ladrão”, mas, sim, que a oportunidade enseja os pendores (bons e maus).
Há pessoas que trazem grandes conquistas espirituais de outras vidas ou já alcançaram o contato com o Eu real ou falta pouco. Com pequeno esforço o conseguem. Outras, que se empenharam menos no cultivo interno, têm maior caminho a percorrer se bem que isto dependa, também, da proporção do empenho, na intensidade da busca, até que se torne, no dizer de São Francisco de Assis: “um instrumento do Espírito”.
A parábola do fariseu e do publicano ilustra bem que o reconhecimento dos erros, o sincero propósito de emenda, a conscientização dos limites e funções da persona, face ao Espírito, ajudam a alcançar o contato e o influxo do Divino. O fariseu, de pé no templo, proclamava suas condições de bom religioso e a contrastava com o publicano, que considerava indigno. O publicano se ajoelhou e rogou misericórdia reconhecendo suas faltas. Com a pretensão e a crítica o fariseu se fechou internamente à graça. Pela humildade e sincero reconhecimento, o publicano esvaziou sua personalidade, formando um vácuo de aspiração que o Divino preencheu de luz. A genuflexão é interna: não importa o lugar nem a postura o essencial é que a personalidade se torne passiva, fiel, obediente, amorosa para reconhecer e honrar o “Único”.
Somos sementes divinas. Trazemos no íntimo as potencialidades divinas, cujo despertar far-nos-á “perfeitos como o nosso Pai celestial”, conforme o convite evangélico. Assim como a semente tem em si a árvore mãe em potencial, mas precisa mergulhar na terra e nela transformar-se, para converter-se, no devido tempo, numa árvore igual, assim também somos nós em relação ao Criador. Devemos igualmente deixar-nos transformar pelo Divino interno para alcançar essa gloriosa meta evolutiva. Identificar-se com a personalidade; julgar-se algo à parte e separado de Deus; condescender com a personalidade nos abusos, vícios e auto endeusamento é negar-se a transformação e retardar a evolução. Corresponde ao fato da semente permanecer na superfície; procurando ser ela, para não ser árvore, acaba se ressecando e nada produzindo. Felizmente, a dor nos protege da própria ignorância e seus prejuízos. A vida se incumbe de nos fazer evoluir contra vontade, embora lentamente. Felizes os que SE AJUDAM pela compreensão, ou melhor: “felizes os que mendigam o espírito”.
Se vocês meditarem seriamente sobre “Os dez mandamentos” e o magnífico resumo que deles fez o Cristo em Mt 22:37-40, poderão tomar consciência de como ainda vivemos a incensar nossa persona, julgando-nos bons e virtuosos; arrepiando-nos com os elogios, em verdade estamos morrendo em idolatria, adorando um falso deus e pondo-o acima de nosso Eu verdadeiro e superior.
Observemos como vive o mundo e quais as consequências: conflitos, doenças, preocupações, ansiedades, dores, etc.
Não nos deixemos condicionar pelos métodos comuns de vida. Os erros dos outros não justificam o nosso. Tenhamos a coragem de ser autênticos; de viver em coerência e harmonia com o Cristo Interno.
Certa vez uma pessoa me disse: “há muita gente que goza a vida toda, explora, prejudica os outros e depois morre feliz”. Engano! São Paulo diz claramente na Epístola aos Gálatas 6:7: “Não se deixem enganar; de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá”. Em algum tempo, em algum lugar, colheremos os frutos de nossas ações, boas e más. Se não nesta vida, nas vindouras. A morte não cancela dívidas. Isso explica porque nascem crianças com restrições físicas, morais ou mentais. Deus não castiga. Se for verdade que a ciência explica as anomalias e tendências buscando suas razões nos “gens”, a ciência oculta acrescenta: MAS NÃO POR ACASO…
Ninguém pode fugir de seu próprio bem. Ninguém pode escapar a Deus, pois “n’Ele vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”. É mais fácil conhecermos a natureza e buscarmos trabalhar em harmonia com ela, para que ela trabalhe a nosso favor, do que a desafiarmos. Ninguém jamais levou qualquer vantagem nisso. É teimosia estúpida.
Cumpre-nos, pois, conhecer a verdade a respeito de nosso ser, nossa relação com Deus e empreender decididamente a regeneração. Feliz de quem chegou a esse ponto, como diz este passo: “Bem-aventurados os pobres em espírito!”. Não que precisamos mendigar ao Eu superior a religação consciente conosco.
Ao contrário: ele a deseja ardentemente. A personalidade é que, ignorantemente, se esquiva, vencida pelos condicionamentos; ela é que SE nega à religação. Por isso que o encontro se protela. Ele respeita nosso livre arbítrio. Como no famoso quadro de Sallman[2]: “Ele está sempre à porta de nossa consciência e bate. SE… ouvirmos; SE… abrir-lhe-emos a porta, Ele entra e se une conosco (vislumbres) e até pode ficar morando conosco (contato permanente)”. A relutância é nossa. Por fraqueza, Lhe fazemos ouvidos moucos. Só quando as coisas apertam é que nos lembramos dele. Então, supondo que esteja fora de nós olhamos para cima e rezamos, fazendo pedidos egoístas. E os Evangelhos explicam: “Pedis e não recebeis, porque pedis mal”. “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus…”. “Ele está dentro de vós”. Ora existe algo que o Divino interno não esteja fazendo, aqui e agora mesmo? Se não faz mais é porque não Lho permitimos, com nossa resistência, com nossos bloqueios, com nossos desvirtuamentos e egoísmos! Basta desejar Deus e buscá-Lo dentro de nós, pelo prazer de sentir-Lhe a Presença. Existe algo maior que possamos desejar?
Tudo depende da regeneração e aspiração do encontro. O Cristo jamais falha. Ele está buscando sempre a manifestação em e através de nós, ou melhor, COMO ou SENDO realmente nós, UNO. O galho e a videira são um, a menos que o galho se negue e se feche ao fluxo da seiva: então seca e é cortado. Mas o galho que se abre internamente recebe na proporção de sua abertura. Recebe amor para compreender e aceitar tudo como é, sem mágoas nem ressentimentos; amor para fazer sua parte independentemente da conduta dos demais; intuição para agir cada vez mais corretamente, segundo a circunstância; desapego para não atribuir a personalidade a que pertence ao Divino em cada um; etc. Por isso é que foi dito: “Ele sabe o que melhor lhe convém, antes mesmo de pedir-lhe”.
Busquemos equilíbrio de ação, sem cair nos extremos de omissão e de comissão viciosa; façamos fluir os recursos de nossa ação como um rio que se une a outros, para dessedentar, fertilizar, produzir, no curso que nos leva ao grande mar. Saibamos: tudo o que oferecemos aos demais e deles recebemos é mútua edificação e trabalho do Divino. É sempre o Divino quem dá e quem recebe, no intercâmbio de recursos individuais, para que se cumpra a divina lei de DAR e RECEBER. É claro que devemos ser gratos à pessoa que serviu de Canal ao divino suprimento. A gratidão se torna virtude quando o Divino em nós rende reconhecimento ao Divino de nosso irmão. Não se trata de enaltecer a personalidade de quem ajudou, mas ao Divino que dá e que recebe em cada um, realizando a ética do DAR.
Finalizando: a mensagem desta bem-aventurança define o conceito de SER e de TER.
O que julga TER é o que deseja “ser visto pelos homens”. Mas o que sabe SER é mendigo de espírito; anseia LUZ, almeja e busca o influxo da Graça. O que TEM sacia-se no que acumulou e se fecha ao Cristo interno vindo a sofrer insatisfação, que lhe advém da mais atroz das fomes: a fome d’alma. Mas o que é, deixa de sê-lo humanamente, sendo e tendo para o seu Senhor.
Termino contando uma pergunta que um garoto de oito anos me fez há alguns anos:
– De quem são as casas e terras desta cidade?
– São da Prefeitura, dos moradores da cidade.
– E daqui a mil anos, de quem serão?
Lembrei-me de um passo bíblico: “A Terra é do Senhor e sua plenitude também”.
E respondi-lhe:
– Tudo, sempre, é do Pai do céu.
Esperamos que até lá as pessoas já tenham entendimento para tudo atribuir ao Divino.
“Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados.” (Mt 5:5)
“Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque haveis de rir.” (Lc 6:21)
“Ai de vós, que agora rides, porque conhecereis o luto e as lágrimas!” (Lc 6:25)
Vejamos, primeiramente, o sentido esotérico de CHORAR e RIR. Logicamente o Mestre não se referia aos choros superficiais e astutos, como o “choro chantagem”, o “choro-moleza”, o “choro masoquista” e outros choros bem conhecidos, com seu fundo vicioso. Chorar por chorar não conduz a nada. Se o chorar valesse, os que choram para não enfrentar um desafio necessário; os que choram para atrair atenção e consolo; os que choram para diluir resistências; os que choram por males imaginários; etc. seriam os mais aquinhoados por Deus e os mais perfeitos dentre os humanos.
Nada disso. Este passo refere-se ao choro redentor, ao choro transformador, marcado pela consciência que reconhece e aceita seus erros; aquele que dissolve a crosta da relutância egoísta e abre a alma para nova e melhor etapa. São as lágrimas que extravasam dos olhos ao coração, amolecendo a carapaça do egoísmo para que a semente do amor possa germinar e produzir a cento por um.
E o RIR? Será o rir sem motivo; a alegria solta dos instintos? A euforia suscitada pelo álcool? O riso malicioso e turvo provocado por uma piada indecente? Será o sorriso hipócrita? O bom humor daquele que se sente mui seguro com seus recursos materiais? Será a alegria superficial, efêmera, das diversões mundanas? Esse rir é o condenado pelo versículo 25 de São Lucas.
Mas há um riso legítimo, uma alegria sã, natural, desejável, citada por Cristo: “Dou-vos a minha paz para que minha alegria esteja em vós e seja perfeita a vossa alegria e ninguém mais tire de vós a vossa alegria”! Chama-se alegria perfeita a esta alegria interna, pura, saudável, para destacar da outra alegria imperfeita que brota da natureza inferior. Essa alegria do Cristo interno pode ser experimentada por todos; suposto que se sobreponham aos aspectos viciosos do ser. O mundo é um “vale de lágrimas”, porque é uma escola de experiências. Mas é também um monte ensolarado de alegrias. Tristeza de constatar a resistência dos condicionamentos viciosos; alegria pelos lampejos de natureza real. Tudo o que passar desses naturais e compreensíveis estados, de tristeza e alegria conscientes, é manifestação do vício, dos instintos, da malícia. Sócrates[3] observou sabiamente: “As expressões ruidosas de alegria são outra forma de violência”. Ora, tudo o que seja vicioso há de ser corrigido no decorrer da evolução humana. Infelizmente, como os maus hábitos são, regra geral, muito velhos e profundamente enraizados, resistem à correção. Não que estejamos recomendando a violência com eles. Seria desastroso: violência gera violência. O Cristo recomendou: “Não resistir ao maligno”[4] (em nós). Quer dizer: não lutar contra os vícios de nossa natureza inferior; apenas tomar consciência deles para saber que eles existem em nós; para reconhecer que são indesejáveis e retardantes da evolução, e não permitirmos que nos prejudiquem. Por outro lado, buscar, paciente, diária e persistentemente, cultivar novos e melhores hábitos.
Disse São João Batista: “Lançai o machado à raiz da árvore”[5] (que não dá frutos: as vivências que não edificam). Se cortarmos apenas os galhos, tornam a crescer. A natureza inferior é muito astuta e, como a Hidra de Lerna[6] derrotada por Hércules, tem muitas cabeças falsas e apenas uma verdadeira. Às vezes pensamos haver superado um mau hábito e, na verdade, apenas fomos induzidos a substituí-lo por outro igualmente vicioso: cortamos uma cabeça falsa e nasce outra. O egoísmo é assim: a única real cabeça da Hidra; com essas camuflagens e trocas provisórias nos ilude. E continuamos a sofrer.
“O único pecado é a ignorância; a única salvação é o conhecimento aplicado”. A verdade nos liberta quando a cultivamos na espiritualidade autêntica pelo estudo, meditações, observação de si. Só assim podemos dissolver, aos poucos, nossas limitações (cegueira, surdez da persona às realidades espirituais), abrindo-nos à intuição, à Verdade que nos iluminará de dentro.
Para o ser de nível comum (nos quais incluímos os espiritualistas teóricos) só a dor, o sofrimento, são os meios frequentes de despertar. Não que Deus castigue; não que Deus imponha o sofrimento; senão que há leis universais mantenedoras da Harmonia e, onde quer que haja uma quebra dessa Harmonia, tais Leis buscam restaurá-la. A isso chamamos dor, sofrimento, mal, porque pretendemos que nosso egoísmo prevaleça sobre a Ordem Universal. Ninguém pode alegar ignorância das leis: quer do ponto de vista humano, jurídico, quer do espiritual. Mas, como a liberdade é um sagrado direito através dela exercemos nossa ação e vamos aprendendo a fazer parte do Macrocosmo divino. Deus não nos quer títeres ou fantoches, senão seres conscientes que se convertam em Filhos destinados a tomar posse, (quando maduros internamente) da herança que Ele nos destina. Ora, nessa liberdade de ação só podemos nos certificar de nossa correção pelas consequências que atraímos à nossa experiência. A consequência é da mesma natureza da causa. Não há consequência sem causa. As leis divinas, atuando fielmente pelas árvores, fazem-nas produzir os frutos conforme as sementes. Não há o caso de plantarmos limão e colhermos abacaxi.
Assim, relacionando os efeitos às causas, podemos compreender que, se nossa vida anda mal, o motivo está nas causas, nos atos passados. E o único modo de melhorá-la é corrigir as falhas.
Para darmos uma ideia global da humanidade ante as Leis divinas, consideremo-la em três grupos:
Em relação a cada um desses graus de consciência, há um CHORAR e um RIR de naturezas diferentes.
O ser comum é triste porque não goza de harmonia interior. Não conhece a meditação. Evita o isolamento e silêncio porque, neles, afloram nitidamente as desarmonias – as preocupações, as ansiedades, as frustrações, galopando em sombrios pensamentos. Por isso, busca as alegrias externas, as distrações ruidosas, as músicas estimulantes, o sensacionalismo, programas movimentados de rádio e TV – em grande maioria tola e vazia – numa fuga constante de si mesmo. Em fase mais aguda, recorre a tratamentos condicionadores com psicanalistas ou a um vício. Atualmente, a sede de sensação conduz aos entorpecentes, de efeitos ruinosos sobre as glândulas, a psique e a vontade; termina em suicídio, ponto extremo da capitulação e da fuga. Outras vezes acabam numa instituição de moléstias mentais.
Há, sim, um valor pedagógico da dor, como sábia advertência e prevenção dos abusos humanos. De fato, que seria do corpo se a dor não fizesse tirar a mão que inadvertidamente pusemos numa chapa quente? Que seria da saúde se os órgãos não acusassem pelas cólicas e incômodos nossos abusos? Sem essa amorosa advertência pereceríamos pelas transgressões convertidas em males sorrateiros. Isso se aplica aos males físicos, morais e mentais. A dor, a adversidade, é sempre um convite e um desafio para descobrirmos a causa viciosa e eliminarmos seu efeito.
Mas a maioria das pessoas é teimosa e fraca. Apegam-se desarrazoadamente aos vícios e condicionamentos, malgrado os conselhos dos outros e as consequências da própria vida. Estão sempre enfermando por causa dos abusos ou negligências. A sabedoria de sua natureza instintiva luta, mas acaba fracassando e “entregando os pontos”. Aí, que fazem? Vão fazer um acurado estudo das causas de sua enfermidade? Vão programar um esforço de regeneração? Longe disso! Vão à farmácia e pedem algo que ponha termo à dor, ao incomodo, à fraqueza. Querem um paliativo de efeito rápido. A questão é simplesmente esta: “não quero sofrer; não quero dores” – como se a dor fosse um inimigo e não uma conselheira extraordinária. Aí amordaçam a dor e VOLTAM AS MESMAS CAUSAS ERRÔNEAS, que fatalmente provocarão os mesmos efeitos dolorosos – ainda mais agravados, até que sejam mutilados numa operação ou “obrigados a perder tempo” num hospital.
O certo é que, em proporção à teimosia, serão a sua dor e prejuízos, até que despertem para uma vida equilibrada. Felizes dos que ouvem de início as advertências da dor! São poucos. Outros ouvem um pouco tarde e salvam-se estropiados, contentando-se em viver com suas deficiências para o resto da vida. Outros, enfim, acabam com o corpo – uma maneira lenta de suicídio. Não obstante, todos eles são bem-aventurados, até mesmo os últimos, porque a infalível lei do renascimento fá-los-á renascer de “gens” doentios, para continuarem a lição da regeneração, num corpo cheio de problemas, em circunstâncias morais e mentais limitadoras – até finalmente retornarem ao ajustamento consciente com o Cosmos de que fazem parte.
Os consagrados, do segundo grau de consciência, geralmente passaram pelo primeiro grau e subiram mercê da dor. Poucos, como dissemos, não precisam de extremas advertências – enveredando pela via mais curta e mais racional do entendimento. Como diz o ditado: “viram as barbas do vizinho arder e puseram as suas de molho”. Estes, vendo os benefícios de sua conduta, buscam orientar os demais à mesma desejável condição. É o que fazem as Escolas espirituais, mostrando que não há necessidade de sofrer se aprendemos a exercitar nosso livre arbítrio dentro das leis divinas, das quais ninguém pode fugir.
Todavia, como o erro é natural no curso da ação humana; como os condicionamentos viciosos são muito fortes – a dor é quase sempre inevitável e nos açoita com frequentes advertências, até que alcancemos a perfeição. Por isso, as pessoas do 2º e 3º graus também sofrem, uma vez que se encontram em pleno processo de regeneração. Sem serem masoquistas, eles compreendem e aceitam a função da dor, como um termômetro para avaliar as deficiências pessoais.
Aceitam e carregam a cruz de suas deficiências, mas aspiram e procuram a glória da ressurreição que um dia lhes virá. Com vistas ao amanhecer, suportam estoicamente as longas trevas da noite. Daí não se revoltarem, como os do primeiro grau, que não sabem ou teimam em não saber por que sofrem, queixando-se de que Deus não lhes deu um corpo de ferro, nervos de aço e um coração de pedra, para poderem gozar impunemente as delícias da vida mundana. Ainda bem que as divinas Leis lhes impedem o retrocesso e a perdição. Os consagrados (segundo grau) aprendem a fazer o exame retrospectivo noturno de seus atos, para conscientizarem as intenções; as causas das falhas e dos êxitos do dia – entregando os despojos da luta diária a seu Melquisedeque – o Cristo interno. Pela manhã concentram-se e meditam sobre assuntos elevados – predispondo-se a servir de canais conscientes à orientação divina interna – como fazem os membros do Probacionismo Rosacruz.
Mantém-se em vigilância e oração. Após cada fracasso, sofrimento ou discórdia, acalmam-se e buscam a Essência, para intuírem a causa da falha, que deve ser removida. Reconhecem-na humildemente, sem justificações e, no sincero propósito de emenda, alcançam a graça de dissolver o erro e retornar à paz.
Eles sabem que a Lei conduz à Graça. Estão alertas contra o perigo do orgulho da personalidade, que reclama razões e procura atribuir as falhas a outrem. Eles sabem que o simples fato de termos experiências negativas com alguém já revela que nos sintonizamos com ele, através de algo parecido e inferior; o semelhante atrai o semelhante. Eles sabem que, se se mantivessem harmoniosos e prudentes, suscitariam algo semelhante nos outros e promoveriam neles a paz.
Se alguém retrucar que o Cristo e santos foram perseguidos e judiados, lembraremos que isso pertence à etapa superior, em que ainda não estamos. Trataremos deste ponto mais adiante.
As pessoas do terceiro grau estão quase aptas para a união com o “Eu” real. Estão plenamente convictas da Verdade Espiritual. Cultivaram o discernimento para separar o joio do trigo; as motivações egoístas da persona e os reclamos superiores do espírito. É o fio da navalha, a nítida distinção do que lhes convém ou não. Este contraste lhes produz sofrimento. Desejam ardentemente alcançar a libertação dos condicionamentos viciosos, sabendo que “lá onde habita o Espírito, lá é que existe liberdade”. Mas sentem os esforços de sobrevivência da personalidade viciosa e astuta. Aí choram! Choram sentidamente, pedindo a Graça do Alto e do íntimo. Pedem-na com toda a alma, esforçando-se para que seus atos diários sejam uma reiterada confirmação desse anseio. Seus pequenos desvios são, proporcionalmente à sua consciência, grandemente dolorosos. E choram a hemorragia branca, na crucifixão da personalidade. São Paulo, Apóstolo, nos deu uma amostra eloquente desse estado. Depois de iluminado às portas de Damasco e de haver recebido “uma nova visão da realidade”, experimentou os ataques de sua antiga natureza, do “velho homem”, e exclamou cheio de angustia: “Realmente não consigo entender o que faço; pois não pratico o que quero, mas faço o que detesto. Ora, se faço o que não quero, eu reconheço que a Lei é boa. Na realidade, não sou mais eu que pratico a ação, mas o pecado que habita em mim. 18Eu sei que o bem não mora em mim, isto é, na minha carne. Pois o querer o bem está ao meu alcance, não, porém o praticá-lo. Com efeito, não faço o bem que eu quero, mas pratico o mal que não quero. Ora, se eu faço o que não quero, já não sou eu que estou agindo, e sim o pecado que habita em mim. Verifico, pois, esta lei: quando eu quero fazer o bem, é o mal que se me apresenta. Eu me comprazo na lei de Deus segundo o homem interior; mas percebo outra lei em meus membros, que peleja contra a lei da minha razão e que me acorrenta à lei do pecado que existe em meus membros. Infeliz de mim! Quem me libertará deste corpo de morte? Graças sejam dadas a Deus, por Jesus Cristo Senhor nosso.” (Rm 7:15-25).
Quanto tempo durou isto? Sabemos que São Paulo esteve três anos num mosteiro Essênio da Arábia e, depois, sete anos em Tarso, sua cidade natal. Dois números cabalísticos: 3 (relativo aos três corpos e sua regeneração) e 7 (natureza integral), mostrando um período variável, segundo o empenho de cada Aspirante para, como Arjuna, recuperar o “reino perdido” e nele reinar com o Divino, como atestou São Paulo desta vez aos Gálatas (2:19-20): “Se torno a edificar o que arrasei, constituo-me prevaricador. Pela lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus. JÁ NÃO SOU EU QUEM VIVE – CRISTO É QUE VIVE EM MIM!”.
Tal é o CHORAR consciente, seguido do RIR triunfante. A Chama divina que nos anima reclama o despertar e nos move irresistivelmente ao Destino evolutivo, como a Prometeu encadeado, que ansiava voar e finalmente foi libertado por Hércules.
“Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra” (Mt 5:4)
Por que São Lucas não incluiu essa bem-aventurança, tão afim a seu misticismo? Justamente ela, que figura entre a meia dúzia de textos mais importantes da Bíblia – pois encerra o segredo para dominar todas as espécies de dificuldades!
Parece-nos que seja porque o método de Iniciação de São Lucas já é, todo ele, MANSIDÃO. Ao método ocultista de São Mateus é que falta esse princípio e ele o inclui para equilibrar sua forma dinâmica de preparação.
Salienta essa bem-aventurança que a mansidão ou doçura (pralís, no grego), dá-nos a herança da Terra. Já o Velho Testamento o prometera também: “Os mansos herdarão a Terra e se deleitarão na abundância da paz” (Sl 37:11). Mais tarde escreveu Isaias: “Meus escolhidos herdarão a Terra e meus servos nela habitarão” (Is 65:9). Há, pois, uma constante no Antigo e Novo Testamento: uma Terra, cheia de paz, reservada aos mansos. Por que não prometem o céu, mas a Terra? É porque o “Reino dos Céus está dentro de nós” aqui mesmo, na Terra, para ser desfrutado, se formos mansos.
Querem alguns estudiosos, que essa bem-aventurança se refere a um estado evolutivo futuro, quando aprendermos, por meio de muitos renascimentos, a ser mansos. Então, faremos jus à herança de paz.
Não estamos de acordo com eles porque sempre haverá os malvados, que não serão expulsos do planeta, senão que todos continuaremos “viajando no mesmo trem”, provando-nos e ajudando-nos. Só que os malvados se consumirão ante as consequências das próprias maldades, pois as reações da lei se tornam proporcionalmente mais fortes, na medida da evolução.
Essa mansidão não tem sentido geral nem externo: ela deve ser individual e interna. A heterogênea massa humana, em evolução na Terra, apresentará sempre as diferenças de níveis evolutivos, tal como os alunos de uma escola ou de uma classe. Conforme esse nível e índice individual é que essa mansidão vai sendo conquistada.
Para compreendermos o sentido dessa bem-aventurança, analisemos as palavras-chave: MANSOS e TERRA.
O vocábulo “manso” pode sugerir, a um leitor contemporâneo, um indivíduo “mole”, “morno”, que se omite ou não se arrisca a contraditar ninguém; uma pessoa falta de coragem e de dignidade, servil e até hipócrita, empenhada em cultivar um relacionamento sem conflito, ainda que isso exija a bajulação, mentiras “brancas” etc.
Alguns agem assim, buscando não se chocar com ninguém, julgando ser um esforço virtuoso. Em Verdade é uma sutil manobra da persona: de parecer bonzinho.
Não! Jamais poderíamos atribuir ao Cristo essa deformação. O verdadeiro significado da palavra MANSO vem de uma atitude mental de “não resistência” recomendada pelo Cristo no “Sermão do Monte”: “Não resistais ao maligno (ou ao mal)” (Mt 5:39). É a mesma atitude inofensiva que os orientais chamam AHIMSA ou “não violência”, com a qual Gandhi venceu a Inglaterra e libertou a Índia.
A psicologia afirma que a agressividade é sinal de complexo, de recalque. E é mesmo. Só é manso quem se baseia no “Eu” real – aquele que se mantém num estado de receptividade, de Mente aberta, de canal consciente, numa amorosa atitude de entrega; no desejo de que o Divino interno se lhe manifeste; intuindo-o em tudo. Ora, toda solução que nos venha da Fonte interna será melhor do que a melhor solução meramente humana, mental, ditada pelas conveniências. Além disso, as circunstâncias e as pessoas em jogo estão sempre a compor situações diferentes.
Só o Divino interno pode intuir-nos e harmonizar cada necessidade, conduzindo cada dia do melhor modo. Tal atitude, complexa em sua análise, mas simples em si mesma, é a CHAVE DO ÊXITO NA VIDA.
Mais uma vez confirmamos: o que interessa ao Cristo, é a CAUSA interna: se o íntimo é manso, é doce, é receptivo à sabedoria interna, os atos – que são os efeitos, logicamente serão acertados e conducentes a infalível êxito.
Agora vejamos o sentido de “Terra”. Significa a esfera material, o exterior, a manifestação, a consequência, o lado humano pelo qual o Eu real se expressa. No “Pai Nosso”, a frase: “Seja feita a tua vontade, assim na Terra como no céu,” – por exemplo – indica que a vontade do Cristo interno deve ser feita nos assuntos externos da personalidade (pelos pensamentos, palavras, emoções e atos); que são a Terra como já é feita, de modo perfeito, no aspecto espiritual do ser; pois “o Reino dos Céus está dentro de nós”[7].
Desse modo se completa o sentido, para uma coerente cadeia de ação: se revelamos mansidão interna, pela reverente entrega (“Seja feita a Tua vontade”), o Cristo interno intuir-nos-á, assegurando-nos êxito através de correto agir. Não obstante sua franqueza, coragem, decisão e estoicismo, São Paulo foi manso: “Quando sou fraco é que sou forte”[8], “não eu quem vive, mas o Cristo vive em mim”[9]. Sua personalidade se despojava de qualquer pretensão e se submetia, como canal consciente e fiel, ao Espírito. Cristo, a mais esplendorosa Luz que jamais conhecemos; pois é o mais alto Iniciado dos Arcanjos, em perfeita unidade com o Pai – atribui toda a Sua imensa possibilidade ao Divino: “Não eu quem faz as Obras, mas o Pai, que habita em mim, é quem faz as obras”[10]. Isso revela que, na medida em que reconhecemos nossa real Identidade (Divina), vamos diluindo todo sentido humano de ser pela evidência da UNIDADE no Divino interno e, uma vez como Espírito, unimo-nos essencialmente a todos os semelhantes, a toda a Criação e ao Pai Universal.
A parábola da videira é um convite dos mais expressivos, nos Evangelhos, para alcançarmos essa mansidão e, por meio dela, realizarmos uma intensa e frutífera ação em prol da elevação do mundo (e, em última análise, em prol de nós mesmos). Aqueles que se apoiam nos recursos humanos egoístas e violentos tornam-se um galho separado da videira interna do Cristo e só podem colher os frutos de discórdia e ignorância que geraram, porque não são frutos do Espírito. Mas o “manso” liga-se internamente a Videira e recolhe a seiva que o sustenta numa ação reta e edificante. Ele sabe que o Eu real é quem pensa, ama, fala e age em e através dele, ou melhor, COMO ELE – sendo ele. Para chegar a essa entrega não é fácil; deve haver um total despojamento do sentido humano egoísta, separatista, criado pela “falsa luz”.
Felizmente os falsos frutos são ilusórios, transitórios e só vivem enquanto alimentados por nossa ignorância. Já os frutos espirituais são eternos porque nascem da essência imortal.
Regra geral, desvirtuamos as mensagens internas, verdadeiras e mansas, do Cristo interno: colhemos repetidos fracassos e teimamos em não compreender e aceitar os claros ensinamentos do Messias. Fazemo-lo por pura ignorância, como disse Sócrates: “o homem faz o mal porque não conhece o bem”. De fato, se confiássemos que, ao seguir os ditames do Espírito poderíamos “herdar a Terra”, ou seja, alcançar êxito autêntico em todas as circunstâncias, por certo procuraríamos com mais afinco, alcançar essa “mansidão”. Temos tido mostras disto pela ação de pessoas conhecidas com alguma dose dessa mansidão – elas se destacam nos trabalhos de equipe, nos conclaves, nas mesas-redondas, nos difíceis misteres de conduzir homens –, possibilitando que o bom senso prevaleça em benefício de todos.
Alguém pode objetar que essa mansidão é impraticável no mundo egoísta, competitivo, materialista, agressivo, interesseiro, de nossos dias. Dizem que a ideia pode parecer muito bonita em teoria, no papel, na boca do filósofo, e, todavia, inexequível. Analisemos esse argumento que naturalmente há de acorrer a muitos leitores. O reino animal é dominado pela lei de “sobrevivência dos mais aptos”; a supremacia do mais forte. E a que sabemos existir na vida da floresta e do oceano: a maior, a mais forte, domina e devora o menor e mais fraco. Spencer diz que na sociedade humana é a mesma coisa. Mas, é esse o padrão ideal? A mansidão não pode medrar e levar ao êxito?
Relanceando os olhos pelo panorama mundial, vemos agrupamentos humanos em vários estágios de desenvolvimento nos mais variados graus de consciência desde as selvagens, próximos aos irracionais – que se regem pela força – até os ditos civilizados que apenas sofisticaram sua forma de violência: a violência mental, conhecida por eufemismos curiosos, tais como: sagacidade, astúcia, diplomacia, inteligência. Em todos esses degraus há uma constante: essas diferentes classes servem, de modo variado, a PERSONALIDADE EGOÍSTA. Todos se situam em nível puramente humano, separatista, anticristão.
Esse egoísmo, na busca de todos os recursos, tem invadido a espiritualidade, para ver em que medida os fenômenos, as forças psíquicas e mentais podem servir a seus propósitos. Atualmente existem muitos movimentos e líderes que ministram cursos (bem caros) para alcançar êxito através de poderes.
Esclareçamos bem: isso não é espiritualidade, e, sim, materialidade, de desastrosas consequências porque a maioria não tem base moral para bem empregar poderes. Em primeiro lugar o Reino dos Céus e o ajustamento às leis…
Ora, toda forma de egoísmo é manifestação da persona, com sua crença de separatividade. Toda forma de egoísmo é violenta, de algum modo.
À medida que o ser humano evolui, reconhece que a violência é sinal de fraqueza. É preciso ser forte para diluir o egoísmo e sua violência inerente. O ser humano verdadeiramente forte é manso e, portanto, inofensivo. Requer muito mais de nós dominarmos os impulsos do que os seguir. Nisso se inclui a magia negra, uma forma personalista e covarde de interferir no livre arbítrio de outrem.
São Paulo comparou: “Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Depois que me tornei homem, fiz desaparecer o que era próprio da criança.”[11]. Ele se referiu aos graus de consciência evolutiva: há crianças, há rapazes e há adultos espirituais. Tal como o livre arbítrio vai sendo concedido aos filhos, na medida em que se processa seu desenvolvimento interno, até que possam responder juridicamente por seus atos, exercendo direitos e deveres; assim na espiritualidade. Quando necessária, as crianças e rapazes são punidos pedagogicamente pelos pais; quando precisa também os adultos são punidos pela lei social e até perdem seus direitos de cidadão. São formas de educar o egoísmo e a violência.
A história nos ensina que a violência jamais dominou, senão temporariamente, ao passo que a força mansa do Espírito exerce domínio permanente. Onde está o domínio de Dario[12], de Alexandre Magno[13], de Júlio Cesar[14], de Gêngis Khan[15], de Napoleão[16], de Hitler[17] e outros adeptos da força e da agressão? Comparem-se esses feitos militares com o espírito de mansidão e de amor de Cristo, de São Francisco de Assis, de Mahatma Gandhi e outros. “Violenta non durant” – diziam os romanos; e eles mesmos o comprovaram.
A diferença entre a mansidão espiritual e a violência da persona é clara: a mansidão conquista mansamente, a pouco e pouco, seguramente, ao passo que a violência domina pela destruição. Hoje em dia, arrasando uma cidade em pouco tempo, com uma bomba de alto potencial. Mas, domina? Conquista?
Dirão alguns: “se a violência é própria do egoísmo humano, porque seres iluminados usaram de violência? A Bíblia relata inúmeros casos de agressão, como, por exemplo, as pragas do Egito, a destruição de Sodoma e Gomorra etc. o próprio Cristo expulsou os vendilhões do templo a chicote!”.
Aproveitemos essas dúvidas e pela meditação alcançaremos compreensão mais profunda.
O plano divino de manifestação e evolução se desenvolve em ciclos de CRIAÇÃO, PRESERVAÇÃO E DESTRUIÇÃO. Tudo, seja uma coisa, uma ideia, um sentimento, uma circunstância – tudo – é criado, e preservado para cumprir sua tarefa e colher os frutos de experiência e, finalmente, é destruído, quando se torna ultrapassado e inútil; porque a natureza não conserva o que seja inútil. Ora, tudo o que é criado e mantido, luta para conservar-se, mormente no campo humano, em que o “instinto de conservação” é o mais poderoso. Luta um governo para manter-se; luta uma ideia para prevalecer; luta um hábito para não morrer. E essa luta gera uma consequência cósmica: a dissolução violenta. Não que a violência venha do Divino, mas da resistência ao Divino, pela coisa criada.
Se o ser humano não resistisse ao Divino, jamais haveria destruição, mas apenas transformação constante para melhor.
A lei de evolução não permite que algo ultrapassado venha comprometer o natural desenvolvimento; que venha entravar a necessária e constante renovação. Ela interfere e quebra a resistência e cristalização. Quanto mais forte seja a resistência, mais dor. Isto ocorre em tudo. Até nas menores coisas da vida.
Pois bem, todas as aparentes agressões e violências bíblicas foram motivadas pela resistência do egoísmo humano, que buscava impedir as indispensáveis transições. As pragas do Egito não se referem a simples libertação de um povo cativo, senão a mudança de uma época evolutiva para outra. A destruição de Sodoma e Gomorra foi provocada pelo materialismo – como o foi à queima da Lemúria e o afundamento da Atlântica. Foi a culminância de um destino coletivo, de extrema desobediência às leis evolutivas. Assim também na esfera individual; muitas vezes recusamos as oportunidades e convites de elevação; então nos sobrevêm circunstâncias adversas que nos obrigam a mudar: depois vemos que foi para nosso próprio bem. Outras vezes chegamos a extremos de abuso e, como um fogo, a força divina surge como enfermidade, queimando as cristalizações acumuladas em nosso organismo, por causa de nossos desvios das leis naturais.
O Novo Testamento não diz que o Cristo chicoteou os vendilhões do templo: diz que Ele fez e usou o chicote, do que se infere que expulsou os homens com palavras e os animais com o chicote, porque não podiam compreender as palavras. Num sentido interno significa a decisão serena que não exclui a mansidão para expulsar do templo de nosso corpo, os instintos (animais) e egoísmos (mercadores).
Moisés e outros iluminados usaram de poder espiritual, mas não a serviço da personalidade deles, senão a mandato divino, pois eram fieis mensageiros, mandatários para cumprir difíceis missões. Pessoalmente foram mansos. Lot não pode converter os cidadãos de Sodoma e Gomorra para evitar a destruição dessas cidades. Não os forçou. Respeitou-lhes o livre arbítrio. Nem mesmo pode converter sua mulher, que, contrariando a recomendação dos Anjos, olhou para trás, para ver as cidades em chamas: é símbolo do apego ao passado vicioso que nos cristaliza; por isso ela se converteu numa estatua de sal.
O Direito na esfera humana; o legislativo na constituição busca preservar o interesse coletivo. Erram porque são humanos e agem em função da personalidade, ao passo que a Lei divina é infalível, é sábia.
Assim, a Deus cumpre a justiça; aos seres humanos a mansidão – se bem que a mansidão perfeita seja muito rara, porque pressupõe a orientação global do Eu divino, sem interferência egoísta da persona. Mas é um dever nosso buscar atingi-la, cultivando-a pouco a pouco, pois, só ela nos pode assegurar a verdadeira posse, a herança da Terra.
Entende-se por posse o agarrar, segurar, apropriar-se, isolar algo para nós, seja pessoa, direito ou coisa. Não é isso. A verdadeira posse subentende a concordância de ambas as pessoas na união: os dois são possuidores e possuídos, ao mesmo tempo. Não se trata de dominar externamente, como o domínio militar, a força para assegurar a posse. Já vimos que essa conquista é ilusória, transitória, porque suscita insatisfação e reação contrária. Também não é conquista a sedução egoísta, porque o egoísmo tem curta duração. Só possui quem conquista o íntimo e internamente se dá voluntariamente. E só permanece a conquista mútua quando cada parte procura edificar a outra, em vez de explorá-la, pois a mansidão é baseada no Amor e o Amor sempre dá: é centrífugo e altruísta.
Ser manso é viver em amor, estabelecendo harmonia conosco mesmos e daí com os demais e o Universo. Damos inofensividade e recebemo-la de volta, como um eco, de todos os reinos, infra e supra-humanos. Tal era a linguagem de São Francisco de Assis, que os pássaros entendiam, que os peixes escutavam; é a ação do que dá mansidão e a recebe, numa posse autêntica e efetiva.
Isso é herdar a Terra, para glória de Deus.
“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.” (Mt 5:6)
“Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis saciados.” (Lc 6:21)
“Ai de vós, que agora estais saciados, porque tereis fome!” (Lc 6:25)
Atualmente para nós a palavra justiça sugere o sentido jurídico. Em francês, “justice” tem igualmente o sentido de JUSTESSE – em português: JUSTEZA ou AJUSTAMENTO. Tal é o exato sentido do texto original grego dos evangelhos (1º século). Daí havermos preferido adotar: “famintos e sequiosos de perfeição”, para remover qualquer dúvida – advertindo que o significado é: “felizes os que têm fome e sede de ajustamento”.
Ajustamento a que? Está claro: às divinas leis; à vontade divina em nós. Neste verdadeiro sentido, a palavra JUSTIÇA é uma das chaves com a qual o leitor poderá desvelar o sentido esotérico de muitas passagens da Bíblia.
Justiça não é meramente uma conduta reta, mas, sobretudo, uma INTENÇÃO reta, em cada assunto e aspecto da vida. Notem a reiteração de Cristo: o que interessa é a causa, o pensamento, a intenção. Se esta é reta, os efeitos (impulsos sentimentais, palavras e atos) também o serão. O ser humano interno se expressa (ex + pressar ou impulsionar para fora) e retrata sua intenção – pressupondo coerência e sinceridade, conforme a citação evangélica: “Assim como o ser humano pensa em seu coração (íntimo) assim ele é”. Caso contrário, a pessoa pensa ou sente uma coisa, mas fala ou age diferentemente. Nesse caso é insincera e hipócrita. A manifestação está em desacordo com a intenção.
Esta bem-aventurança é prometida e assegurada aos que têm fome e sede (forte aspiração, sincero propósito) de verdade. Ora, como que as bem-aventuranças constituem um conjunto completo de condições interdependentes deduzimos que a realização da justiça depende também de “sermos mansos”, “mendigos de espírito”, “chorando” sinceramente quando obstados por nossos condicionamentos viciosos. Buscando sinceramente viver as bem-aventuranças podemos receber os lampejos do Eu real, cuja vontade desejamos OUVIR e CUMPRIR em todas as nossas manifestações. Com a prática sincera os contatos se amiudarão, até que ocorra o Pentecostes. Todavia, as práticas iniciais, se bem-feitas, trarão as primeiras respostas da “pequenina e silenciosa voz”, em forma de intuição ou sabedoria interna, se preenchermos este anseio de ajustamento.
O divino Mestre proclama felizes os que têm essa fome e sede da experiência de Deus; um forte e sincero propósito de cumprir Sua vontade na vida de todos os dias.
Muitos podem pensar: “Ainda estou verde; longe da meta; como saber se estou fazendo a vontade de meu Eu real ou de minha personalidade?”.
Até que alcancemos a iluminação, não é fácil distinguir. O que importa, no entanto, é que cada um aja segundo seu nível de consciência. Se preenchermos os requisitos de humildade, desapego, sinceridade, exame de nós mesmos, mansidão etc., os resultados virão. Além disso, há sempre um “sabor interno”, um senso intuitivo do que é certo ou não. Vamos usando do melhor modo nossos recursos atuais e desenvolvendo outros, para atingir a meta. Importante, nesta bem-aventurança, é cultivar o hábito da coerência, pois, como bem observou Emerson[18]: “O que um homem é, grita tão alto, que não chegamos a ouvir o que ele mesmo diz”. A incoerência, mentira, hipocrisia têm pernas curtas. A convivência desmascara as intenções. Mas, os que se ajustam ao íntimo, em coerência consigo mesmos, serão saciados, satisfeitos, em todos os sentidos.
São Lucas registrou: “ter fome” e “estar farto”. Apenas isso. Referiu-se especialmente a “ter fome” do Divino interno, para experimentar a satisfação, gradativamente maior, da religação. Ao mesmo tempo desaprova os que se satisfazem, intensa e exclusivamente nos gozos da personalidade, lhe prevendo pela Lei de Consequência, a insatisfação, o vazio, a frustração e até mesmo a carência, a miséria, pelo uso injusto e egoísta dos recursos que o Cristo interno lhes deu para administrar.
A maioria dos ocidentais vive engolfada nos afazeres de sua vida predominantemente materialista. Não sentem necessidade de Deus, nem tem problemas de consciência com seus egoísmos, hipocrisias, deslealdades e desonestidades. Acostumaram-se a ver tudo isso como “males necessários” da vida moderna. Ora, o apego material é escravizador. Ele nos envolve num ciclo de progressão geométrica: se temos 1, queremos 2; se temos 2, esforçamo-nos para conseguir 4; se temos 4, tudo fazemos para conquistar 8; e assim por diante. Se há ‘X’ de prazeres, o usufruto aumenta o desejo de gozos maiores. Desse modo, vão se entretendo com seus pequenos finitos, sem desejar nem buscar o infinito em si mesmo, que é o objetivo da evolução: “Sede vós perfeitos, como é perfeito o vosso Pai Celestial”. Permanecem na faixa grosseira da personalidade e pagam um alto preço por essa degradação do ser; não raro perecem com um infarto ou um derrame. Quando são mais felizes, uma úlcera nervosa ou um esgotamento nervoso os lança num hospital. Inútil, ficam remoendo mentalmente suas preocupações; pensando nas contas, nos negócios etc., sem ajudar o organismo em seu desesperado esforço de restauração.
Quem não conhece esses casos? Essas pessoas? São muito comuns! E todas elas se julgam insubstituíveis!
Certa vez ouvi uma estória de um homem assim: não tinha tempo para nada sério ou elevado a que um bom amigo o convidava. Um dia esse amigo insistiu: “Dê-me, pelo menos, dez minutos, agora!”. O homem ascendeu com relutância e o amigo o levou de carro, encosta acima, até que pararam defronte ao cemitério”. O homem o olhou com estranheza e perguntou: “Que é isto? Por que me trouxe ao cemitério?”. Sem responder, o amigo o levou para dentro e, estendendo os braços, apontou para os túmulos e disse: “Todos eles se julgavam eternos e insubstituíveis! Como você! E a maioria deles só viveu para a carcaça! Agora voltemos e em cada enterro em que for obrigado a ir, lembre-se de minhas palavras”.
Felizmente, o egoísmo, a desonestidade, a mentira, os abusos e orgias, pela lei de atração dos semelhantes, se incumbem de aproximar pessoas de índole igual ou pior, para que ambos se tornem fartos de tudo isso. Deus não tem pressa. Seus moinhos moem devagar, mas moem fino, “É da vontade d’Ele que ninguém se perca”. Mas, felizes dos que acordam mais cedo à realidade de si mesmos. Aí chorarão arrependidos, e serão consolados; tornar-se-ão mansos e verão a promessa de Deus cumprida; ficarão famintos e sequiosos de perfeição a mendigar o Espírito, alcançando a satisfação do Reino.
Há outra classe de “fartos” ou “satisfeitos” que se encontra numa perigosa estagnação. Referimo-nos aos espiritualistas e religiosos que SE JULGAM superiores, “filhos de Deus” realizados; julgam estar em dia com sua consciência e com Deus. Pecam por orgulho espiritual, por uma presunção luciferina.
A meta é a perfeição. Ninguém deve estar satisfeito com o que é sob pena de estagnar. Estagnar é retroceder, porque a natureza não conserva coisas paradas. No rio da vida, ou remamos e subimos, ou a correnteza nos carrega.
No livro e no filme de “Fernão Capelo Gaivota”[19] há um pormenor que se adapta a este ponto quando o mestre Chang disse a Jonathan: “Todo limite é um limite; até mesmo o voar a velocidade da luz é um limite; a meta é a perfeição! Não podemos parar nos limites, por altos que sejam”!
Bem-Aventurados os famintos e sequiosos como a mulher samaritana que, tendo capacidade para retirar a profunda sabedoria tradicional (tirar água do poço de 33 metros: veja o símbolo: 3 x 3 = 9) buscou e entrou em contato com o Cristo interno, pedindo-lhe da água Viva, para que não mais tivesse sede das coisas e verdades humanas. Isto é normal no caminho da Espiritualidade: um constante esforço de superação. A cada lance de subida abrem-se novos horizontes, que nos suscitam o desejo de mais subir.
O impossível é alcançado por pequenos e sucessivos possíveis. Eis o convite da persistência diária, do esforço de aprimoramento, que tem feito os grandes atletas, os grandes artistas, os grandes seres humanos. Em todos eles havia, em comum, um desejo de perfeição, uma insatisfação pelo que haviam realizado antes.
Há seres humanos ultrapassados, mas não ideias ultrapassadas – diz uma norma da moderna empresa. Tudo pode e deve ser constantemente aprimorado. Quem para de criar, de crescer, de inovar, de ampliar é logo substituído numa empresa. Há sempre ideias novas no ar, a nossa espera.
Do ponto de vista espiritual é a mesma coisa. Max Heindel diz que a Epigênese (ou gênio) é o mais importante fator evolutivo.
Abordemos, a seguir, a relação desta Bem-aventurança com as atividades mentais:
É uma lei universal: o que concebemos em nossa Mente é automaticamente expresso em nossa experiência diária. Iludem-se e prejudicam-se aqueles que julgam pensar impunemente. Aqueles que tenham estudado o “Conceito Rosacruz do Cosmos” hão de lembrar-se de que tudo o que existe na natureza, ao nosso redor, bem como aquilo que compõe nossa atmosfera ou circunstâncias, é o resultado de um pensamento. Cada pensamento cultivado forma um arquétipo na região mental: um modelo vivo que sustenta vibracionalmente a forma criada. Se penso em miséria, acabo construindo a mesma. Se penso que estou doente, acabo gerando a doença.
Sabendo que ao pensar estamos formando um arquétipo mental – algo que vai influir em nosso destino futuro, porque criará e sustentará a condição mentalizada (seja de bem, seja de mal) – podemos avaliar a responsabilidade no ato de pensar.
Somos seres racionais. Nisto nos distinguimos dos reinos inferiores. Mas também assumimos com a capacidade da razão, uma responsabilidade maior. Somos os criadores de nosso destino, pelo ato de pensar e de exteriorizar os pensamentos na vida. Portanto, PODEMOS E DEVEMOS APRENDER A PENSAR CORRETAMENTE, conforme as leis divinas para nosso próprio bem.
As coisas e circunstâncias são obras do pensamento. Se desejarmos mudá-las, é preciso deixar de alimentar o pensamento que as sustentam, para que se dissipem com o tempo. A citação evangélica: “Se tiveres fé do tamanho de um grão de mostarda e disseres a um monte: remove-te para lá! Crendo em teu coração, crê que assim será feito”[20], tem explicação esotérica: sendo uma manifestação material de um arquétipo mental, só modificando PRIMEIRAMENTE o arquétipo é que podemos mudar o monte, fisicamente. Isto se aplica a tudo! Mas leva algum tempo.
As profecias e premonições se baseiam nisto: se a pessoa tem vidência ou sensibilidade para sentir a mudança arquetípica, pode anunciar antecipadamente o fato, que depois ocorrerá no plano físico.
Agora, tome esta chave esotérica e aplique-a na regeneração mental: os arquétipos são alimentados pela repetição do pensamento que o criou. Eles se debilitam quando o deixamos de alimentar e podem ser dissolvidos pela conscientização da falha, pelo sincero desejo de emenda, pela correção e compensação no diário viver.
Troquemos em miúdos: não se pode pensar uma coisa e criar outra. É absurdo. Pensamos numa casa e construímos uma casa. Pensamos e criamos algo correspondente. Só podemos mudar nossa vida quando mudamos nossos pensamentos. Pretender que nossa vida mude, sem a transformação de nossos hábitos mentais, seria o mesmo que imaginar uma favela e criar um palacete. Impossível. Aqui está a raiz da infelicidade humana. Se estivermos sofrendo carências, infortúnios, enfermidades, depressões, pessimismo, fracassos etc., a causa é mental. É sinal vermelho! Temos de parar e retomar o caminho certo. Isto se chama conversão. Temos de reconsiderar nosso modo de pensar, para que mudem nossos hábitos e, desse modo, cheguemos um dia a SER BEM-AVENTURADOS PELA FOME E SEDE DE AJUSTAMENTO às leis de harmonia.
Aparentemente é muito simples. Mas a prática não é fácil como se nos afigura. Por que? A explicação está no extraordinário poder do hábito, no automatismo dessa segunda natureza que nos exige conscientização cuidadosa. Assim, o estudo do hábito é fundamental no processo da iniciação ou comunhão com Deus.
Como se forma o hábito? Pela REPETIÇÃO. Como enfraquecemos um hábito? Deixando de repeti-lo, ao mesmo tempo em que o substituímos por outro hábito melhor. Mas aí está a dificuldade. O hábito é o que está “farto” e não deseja ser privado de sua satisfação. No esforço de alimentar-se pela repetição, desencadeiam as mais curiosas reações como medos, intimidação, dores, etc., através de nosso corpo etérico. É uma reação de sobrevivência.
Por isso, antes de inteligentemente encetar nossa reforma, tornemos nítida consciência mental do que é certo. Enchamo-nos de convicção e confiança. Depois podemos começar a formar os novos hábitos tomando muita consciência para não cair no automatismo dos hábitos antigos. É questão de persistente conscientização e de observação de nós mesmos. Saibamos que o Cristo interno está dirigindo esse esforço de transformação, pois Ele mesmo no-lo suscitou. Deste modo, estejamos seguros, iremos levando de vencida os pequenos hábitos inconvenientes. A promessa é bem clara: SERÃO SATISFEITOS!
Não nos impacientemos com a aparente lentidão. Uma transformação efetiva exige segurança; consolidação de cada passo. Não nos detenhamos a lamentar nossas falhas. Isto é masoquismo, sofrimento falso. Conscientizemos o melhor e busquemo-lo. Cada vez que pensamos no passado estamos a alimentá-lo. É o que ele quer. O exame noturno de Retrospecção é de outra natureza: é tomar consciência de nosso comportamento mental e emocional, para desarraigar as falhas no próprio ato em que desejam medrar.
Saiba compreender e aceitar os outros como eles são e não como desejaria que eles fossem. Sobretudo, compreenda e se aceite, em cada nível de consciência, a realidade é que devemos partir do que somos para algo sempre melhor! Se você vê os erros do passado é sinal de que se elevou um pouco e de lá os vislumbra. Você é o hoje e não o ontem. Não lamente.
Livre-se dos pensamentos negativos, em relação aos outros e a si mesmo. Você não sabe como isso influi em sua felicidade, em sua harmonia interna e como se reflete em seu lar!
Se você tem real fome e sede de ajustamento ao Cristo esteja seguro; passo a passo, grau a grau, será satisfeito o seu anseio. Não é possível que a busca da verdade e da justeza, com todo o coração, com persistência, observação de si, conscientização imparcial e serena das falhas, não seja coroada de êxito. Não se zomba de Deus nem Ele zomba de seus filhos!
“Felizes os misericordiosos, porque eles obterão misericórdia.” (Mt 5:7)
Também essa bem-aventurança não foi incluída por São Lucas, pela mesma razão que seu evangelho, como método de Iniciação e místico, já a subentende.
Aqui fala Cristo dos misericordiosos, isto é, daqueles que, segundo São Paulo “se revestem das entranhas da misericórdia” (Col 3:12). É o amar, pelo amar espontâneo; é o SERVIÇO altruísta em seu mais amplo sentido. Esta bem-aventurança constitui um sumário da Lei da Vida, que o Cristo apresentou no próprio Sermão do Monte (Mt 5:1-5).
A semelhança das anteriores bem-aventurança, o essencial desta, é a causa, a intenção, o íntimo. Importa que sejamos misericordiosos em PENSAMENTO, em SENTIMENTO, já que o pensar e o sentir precede o agir amoroso: uma Mente Pura e um Coração amoroso, unidos no propósito de SERVIR. Infelizmente, muitas vezes o coração pede misericórdia e compreensão, mas a Mente discorda e impõe pela fria e egoística argumentação, o “olho por olho e dente por dente”. O coração vai à frente, com o novo mandamento do Cristo: “amai os vossos inimigos”!
A Mente fica atrás, no Velho Testamento, na “lei de Talião”[21]. É preciso conciliá-los, estabelecendo uma ponte que os ligue, no abismo que se criou. E essa ponte é a misericórdia, que compreende e aceita cada um, como ele é, fazendo o que pode para edificá-lo.
Cristo deixou bem claro a transição da Lei à Graça: “Ouvistes o que foi dito aos antigos” (Lei mosaica); porém, eu vos digo...” (Cristo)[22]. Se ficamos na Lei, recebemos o efeito doloroso da Lei; se vamos para o Amor, para a Graça, então, recebemos a Graça. Não há como fugir: “SÓ OBTÉM MISERICÓRDIA O QUE DÁ MISERICÓRDIA”.
As ações e as atitudes podem ser delicadas e jeitosas; mas, se estiverem ligadas a pensamentos maldosos, hipócritas, ditados pelo medo ou o desejo de ser “bem-visto pelos homens”, são falsas e não abençoam ninguém: nem ao que dá, nem ao que recebe. O amar não são palavras, nem atitudes, nem gestos vazios. “Deus é Amor”. Portanto, o amor é divino, é nossa própria Essência. A personalidade não pode ser misericordiosa, senão como canal consciente do Cristo interno.
Sabemos que a personalidade é falha. Humanamente falando, quem é bom? Quem é perfeito? Como disse Cristo: “Por que me chamas bom? Bom é só um, a saber: o Pai celestial”[23]. Ele queria significar justamente isso: só o divino expressa amor.
Estamos todos na escola do mundo, num processo evolutivo, num desdobramento de faculdades latentes e aprendizagem de seu justo uso. Ora, a espiritualização do ser é o atingimento gradativo do amor; a vivência cada vez mais autêntica desse amor, que é o Eu verdadeiro e superior.
Quem julga se julga, porque será fatalmente julgado segundo o julgamento que faz. Devemos manter, vigilantemente, nosso pensamento na verdade do ser: o VERDADEIRO ser é espiritual, é divino, é eterno, imagem e semelhança de Deus e, portanto, é AMOR. Já a personalidade, como explicamos, está presa na ignorância; ofuscada pela falsa luz; condicionada pela ilusão de separatividade – apesar de mantida pela Centelha que a criou: o Espírito interno. A personalidade constitui a Mente concreta, o Corpo de Desejos, o Corpo Vital e o Corpo Denso. Ela está se debatendo entre os pares de opostos de bem e de mal, até que se situe no convicto SER que ele é em unidade com o Eu verdadeiro e superior, nem bem nem mal, senão simplesmente a expressão da justiça e do amor.
Todos, sem exceção, podemos e devemos dar e receber misericórdia, na mútua edificação. Para receber é preciso, primeiramente, dar; a causa gera o efeito. Se a misericórdia está na origem, na causa, no pensamento, se continuar nos sentimentos e terminar coerentemente, fielmente, nas palavras e ações, então, é autêntica; não foi desvirtuada pela personalidade. Tal como a recebeu do Espírito, assim a revelou.
Observem o próprio comportamento. Notem quantas vezes somos faltos de misericórdia, sobrecarregando, com a influência de nosso pensar, de nosso sentir, de nossos comentários desamorosos, um pobre semelhante curvado ao peso da tentação, da aflição. Ao contrário, se pelo menos, buscarmos ver o Cristo dentro dele – que o torna nosso irmão – já estaremos contribuindo para que nele se desperte a vontade espiritual de erguimento; ficaremos livres de atrair sobre nós a falta de misericórdia de outras pessoas.
Quando exercemos misericórdia autentica, profunda, nascida de um pensamento de compreensão e de bondade, por certo, colheremos os frutos de misericórdia que plantamos, segundo a lei infalível que diz: “Aquilo que o homem semear, isso mesmo colherá”[24]. Não que exerçamos a misericórdia interesseira, premeditada; fazer PARA receber; PARA parecer bom. Não! Em tal caso ela já está viciada. A personalidade nada tem a reclamar, porque a misericórdia nasce do Espírito. O entregador não tem méritos. Deixemos de lado a motivação interesseira.
Exerçamos espontaneamente a misericórdia como uma fonte que jorra, como incontida manifestação do Divino interno. Que mérito tem o cano por conduzir a água? Foi o cano que a produziu? Deve receber gratidão por isso? Tomemos nítida consciência disto para não cairmos no auto-endeusamento e nem nos revoltarmos “quando o ingrato não soube nos retribuir”. Só a ilusão de separatividade nos pode presumir autores das manifestações do Espírito. À medida que nós vamos RE-ligando ao Divino interno, esse sentido humano vai desaparecendo. Sentimo-nos felizes por agir em unidade com Ele, como canais conscientes de serviço. Nessa atitude somos abençoados. Então, a água viva que conduzimos aos outros, molha-nos PRIMEIRAMENTE, purificando-nos para servirmos cada vez mais fielmente.
Enquanto estivermos agindo como se fôssemos uma persona à parte e separada do Espírito, expressaremos, inevitavelmente, os vícios a ela inerentes. Estaremos de olho nos frutos da colheita, reclamando sempre o que não nos pertence. Mas quando começamos a nos situar como Seres espirituais em evolução, compreendemos o que disse Cristo: “Assim também vós, quando tiverdes cumprido todas as ordens, dizei: Somos servos inúteis, fizemos apenas o que devíamos fazer.”[25]. De fato, estamos dinamizando as faculdades potenciais do Espírito. Disso depende nossa evolução. Assim, quando expressamos misericórdia, estamos dinamizando nosso Amor, para alcançarmos a vivência e a realização do Amor – o Amor que devemos ser como Deus é. Logo, o Amor é a própria recompensa.
Aquele que está buscando compreender as Leis divinas e agir em harmonia com elas, tem responsabilidade maior que as pessoas comuns, que ainda vivem na ignorância delas, sofrendo-lhes as reações. Se nossa personalidade, por seus “eu’s” viciosos, vê um erro ou nota uma falha em alguém, que isto nos sirva de alerta: é um chamado do Cristo interno, apelando para nossa misericórdia e dizendo mudamente em nós: “Aquele que não tiver pecado atire a primeira pedra”[26]. Se não exercemos a misericórdia quando ela se faz necessária, quando vamos pô-la em ação? Com nossos amigos e entes queridos? Que mérito há em tolerar, em compreender e aceitar os que agem da mesma forma conosco? “.
Cristo não veio trazer normas de conduta. Sua mensagem é de AJUSTAMENTO ao Divino interno, pelo caminho das BEM-AVENTURANCAS. Nesta sequência maravilhosa, vemos que não é possível sermos MISERICORDIOSOS se, PRIMEIRAMENTE, não formos MENDIGOS DE ESPÍRITO; FAMINTOS E SEDENTOS DE DEUS; MANSOS, etc. As bem-aventurança constitui uma escada de realização e um degrau pressupõe, necessariamente, o outro. Um se completa com o outro. Não é possível sermos misericordiosos sem que Deus se expresse em e pela personalidade. Deus, na medida em que se expressa COMO ou SENDO nós, é que nos torna bons. E se somos realmente bons, não podemos evitar expressarmo-nos em bem. Relembremos a ética do DAR: se Deus age no que dá e no que recebe, sua unidade de amor se refrata na Trindade da ação; um só Deus é o que dá e o que recebe.
Todos teremos algo para dar, porque, como seres espirituais possuímos uma riqueza conquistada pela evolução. Basta expressá-lo, trazê-lo a atividade. Os talentos de Deus abrangem tudo, não apenas os bens materiais, não só o prestígio, a fama, a inteligência como, principalmente, o AMOR, com seu corolário de bênçãos. A personalidade se restringe às coisas de seu imediato interesse; enquanto não se sente um CANAL desvirtua fatalmente as coisas, com seu egoísmo. Mas quando Deus dá em nós, também recebe através da personalidade tudo o que pode torná-la um meio mais eficaz do Espírito; tal é a razão do ser humano na Terra; tal o sentido de fraternidade.
É uma benção ser um canal divino. No mito musicado por Wagner[27] (A “Tetralogia”), as Valquírias, filhas da verdade, iam buscar com seus corcéis brancos, os heróis que haviam sustentado até o fim o “bom combate da vida”, no propósito de autossuperação constante. Era desonra morrer na cama, isto é, desistir ou fugir desse objetivo essencial. Esses heróis eram levados ao Valhala, a terra da BEM-AVENTURANÇA, onde eram alimentados com a carne do javali SCRIMNER (símbolo da Sabedoria). A cada naco que tiravam do javali, nascia imediatamente outro no lugar, de sorte que ele se mantinha sempre inteiro.
Assim é a misericórdia. Ao expressá-la, em seus inumeráveis matizes, jamais ficamos diminuídos do que saiu. Os dons espirituais se alimentam de si mesmos. Se dermos corretamente, recebemos os juros de uma consciência aumentada. Aqui estamos para crescermos (animicamente). Cada vez que o Espírito desce ao renascimento, deve voltar com uma consciência maior, através da qual possa expressar mais dons divinos. Em espiral menor, cada vez que o Espírito desce à personalidade (em cada dia, em cada ato), é para subir a um nível de consciência um pouco mais alto. Como um carro que aproveita a descida para tomar impulso e alcançar um pico mais alto, assim o Espírito nas atividades cíclicas de inspirar e expirar; de plantar e colher. Ora, não é possível que o Espírito se manifeste sem que, naturalmente, SIRVA, a si mesmo e aos outros, na edificação evolutiva. A vida é um SERVIR, uma expressão de MISERICÓRDIA, quando o Espírito, que é Amor, Se exprime puramente.
Fixemos, pois, este ponto: esta bem-aventurança (como as demais) abrange a totalidade de nosso ser, como ESPÍRITO e como PERSONA, desde que haja a unidade e coerência entre esses dois polos do Espírito encarnado. Como Espíritos, somos necessariamente bons; sendo bons, somos decorrentemente misericordiosos. Como diz São João evangelista: “Quem vive em amor vive em Deus e Deus nele; quem ama Deus, ama também o seu irmão”[28]. E nisto não há mérito; é simplesmente e naturalmente, ser o que somos: Espíritos.
Ora, o que se faz com amor leva o caráter de gratuidade atendendo ao princípio espiritual: “Dai de graça o que de graça recebestes”[29]. Este princípio identifica a verdadeira escola e o verdadeiro instrutor. Não nos referimos à profissão como um médico ou uma enfermeira, podem exercer a sua profissão com ou sem amor. Mas é o amor que valoriza o seu trabalho. Melhor ainda; é o amor que justifica uma atividade qualquer. E toda profissão deve reservar tempo e energia ao SERVIR gratuito, misericordioso que constitui o DÍZIMO, depositado no Banco Divino, a nosso crédito e da humanidade.
“Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.” (Mt 5:8)
Outra bem-aventurança omitida por São Lucas, cujo método, predominantemente místico, constitui, por si, a limpeza de coração.
Vejamos, inicialmente, o sentido esotérico das palavras-chave desse passo: “puros”; “coração”; e “ver”.
PUROS – Não se trata meramente de pureza no sentido de castidade, de não contato sexual, como querem muitos. O sentido é mais amplo e abrange as manifestações todas do ser. A palavra “Katharós”, do original grego, tem sentido de “puro” por não ter mistura; “puro” porque é limpo ou isento de qualquer agregação.
A expressão “limpos de coração” (Katharoi tèi Kardíai) já aparece no Salmo 24:4. Ali surge a pergunta: “Quem subirá ao monte de YHVW e quem estará no lugar santo?”, ou seja: “Quem obterá a realização do encontro com o Divino interno, ultrapassando o véu da personalidade e permanecendo com Ele na “Sancto Sanctorum?”. A resposta diz: “Será aquele que é inocente (sem culpa, limpo) nas mãos (nos atos) e Limpo de Coração”; pureza mental e emocional para não desvirtuar os propósitos do Eu verdadeiro e superior. É o que se sobrepôs aos condicionamentos da personalidade egoísta e a converteu numa serva passiva e fiel do Espírito, tal como Kundry, a serviço dos cavaleiros do Graal, depois que Parsifal[30] dissolveu a ilusão do castelo de Klingsor. Isto só acontecerá quando nos convertermos, de Amfortas em Parsifal, o puro.
CORAÇÃO – tem o sentido que a psicologia moderna chama de “Mente subconsciente”. Comparando-se o ser humano a um “iceberg”, a Mente consciente é a parte menor, visível sobre as ondas, ao passo que o subconsciente constitui a parte maior, mergulhada no oceano – uns 80% de nossa atividade mental. O Mestre mostra o quão importante é a conscientização e limpeza desses “porões da personalidade”. Ele disse: “Assim como o homem pensa em seu coração, assim ele é”[31]. Chamando a atenção para o mesmo ponto, escreveu Salomão: “Guarda com toda a diligência o teu coração, pois dele procedem às fontes da vida”[32].
As psicanálises buscam interpretar, nas ações humanas, as poderosas influências do subconsciente. Estão certos os psicólogos ao buscarem “reeducar o subconsciente humano”. No entanto, alcançariam maior êxito se conhecessem e aplicassem os conhecimentos esotéricos do “Sermão da Montanha”. Não basta a mera apreciação intelectual das falhas e o ajustamento da pessoa aos padrões sociais, que estão longe de ser um modelo de vida. Não é suficiente definir as causas subconscientes de nossos erros atuais e indicar soluções. Muito mais do que isso, é preciso VIVER, REALIZAR a “nova criatura em Cristo”; transformar as verdades intelectuais em CARÁTER; iluminar o subconsciente e convergir os hábitos todos na decidida e persistente regeneração do ser.
Sem essa reforma de base não terminarão as angústias, as insatisfações, as neuroses, as frustrações. E o melhor método de reforma é a prática da conscientização da Divina Presença interna, que deve dirigir o exercício retrospectivo noturno, para assegurar-lhe impessoalidade e eficácia.
VERÃO – Futuro do verbo grego “haráô”, que significa “ver”, não no sentido físico, pois, o Espírito é intangível e invisível. O sentido é interno, isto é: sentir; vivenciar, experimentar a Presença do Cristo interno e vislumbrá-lo entre os olhos de cada semelhante.
Não basta crer. Crer é um estágio inicial e insuficiente para liberar o indivíduo de suas limitações e contatá-lo com a divina Presença. Todos os iluminados atingiram essa meta. O testemunho deles é um aval para nosso empenho e persistência no mesmo sentido.
Moisés “viu” o Senhor na montanha – quer dizer, experimentou o influxo da Presença interna, quando se elevava vibracionalmente. Ele foi incumbido de libertar o “povo eleito”. Todos nós, também, quando chegarmos a esse contato, seremos incumbidos de redimir todos os pequenos “eu’s”, ou hábitos que ainda se encontram sob o jugo da personalidade (Faraó); libertar todos os medos; os apoios nos recursos exteriores; diluir todas as ilusões.
Como Parsifal, em sua primeira visita ao Castelo do Graal, o ser humano era primitivamente puro e inocente. Nada sabia e, por isso, não podia dirigir o Castelo de seu ser. A esse estado de consciência, no início da Época Atlante, a Bíblia chama de Éden ou Paraíso.
Era amorosamente dirigido, de fora, pelas Hierarquias, principalmente os Anjos. Depois foi induzido a transgredir as leis da natureza e comeu da simbólica “árvore do conhecimento, do bem e do mal”. Sob a ilusão da falsa luz luciférica, a consciência humana foi mergulhada em vibrações cada vez mais baixas, até que perdeu a visão primitiva dos mundos espirituais. Perdemos a visão global do Universo e ficamos limitados à grosseira faixa vibratória deste plano material, que passamos a considerar como a única realidade.
Isolados numa personalidade, desenvolvemos a noção falsa do “eu” separado com seu inerente egoísmo e egolatria. Conhecendo as consequências de nossos desvios como um MAL e os prazeres como um BEM, construímos uma cultura baseada nos “pares de opostos”. Estamos sofrendo essas condições e cultivando o discernimento entre “o joio e o trigo”. Essa capacidade de discernimento será o “grande prêmio” que levaremos em nossa libertação final deste período tenebroso. A formação do “eu” personalístico é relatada na Bíblia, pela construção da “Torre de Babel”: o homem tinha a pretensão de forjar os tijolos e edificar uma torre que chegasse ao céu, isto é, a insinuação de Lúcifer de nos igualarmos a Deus com os recursos meramente humanos. Para castigar-nos (castigar significa “tornar casto”, purificar), fez Deus que falássemos individualmente línguas diferentes: a língua do egoísmo que ergue muralhas entre o eu e o tu, entre o meu e o teu.
Essa é a condição ainda prevalecente na grande maioria da humanidade, em graus diversos. A personalidade se tornou ativa e assumiu o comando da ação. Na ilusão de um “eu” separado, julgamos não precisar de Deus, ignorando que somos sustentados nesse “trono” pela ação do Espírito a quem traímos. Assemelhamo-nos a um cego cercado de luz e cores por todos os lados (a ilha da psicologia). E como não vemos a luz nem a cor, negamo-las. O Cristo referiu a essa limitada relação do ser humano comum com o Universo, dizendo: “Tendes olhos e não vedes; tendes ouvidos e não ouvis”. Realmente assim é, embora Deus seja Onipresente, patente em tudo: “mais próximo de nós do que nossos pés e mãos; mais perto do que nossa respiração”. Não o percebemos em nós. Por isso mesmo não o vislumbramos nos demais, nem na Natureza. Ora, para percebê-lo em nós e nos outros, é preciso que tiremos o véu dos olhos, para ver “face a face”. É preciso que sejamos PUROS DE CORAÇÃO, isto é, que nos despojemos de todas as escórias acumuladas em nosso íntimo, através das idades, a fim de revelarmos o brilhante oculto no diamante bruto. São Paulo acena a esse renascer, quando diz: “Desperta tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e o Cristo te alumiará”[33].
Nos primórdios do teatro grego, havia um relator a representar todos os personagens, num púlpito aberto, no meio do salão. Para facilitar a identificação de cada personagem, quando representava um deles, usava a máscara adequada, a entonação de voz indicada, o porte, os trejeitos próprios etc. Se era a rainha a falar, o intérprete punha a máscara da rainha, falava como rainha, assumia porte e atitude de rainha. Se era um vilão, punha a máscara do vilão, falava como vilão, assumia atitudes de vilão etc. E, dentre as máscaras diversas, havia uma espécie de “coringa”, que o relator podia usar para representar qualquer personagem numa dificuldade. Essa máscara era lisa (sem feições) e se chamava HIPÓCRITA.
Atualmente acontece o mesmo. A maioria entra no palco do mundo para representar seu papel e acaba se identificando tanto com ele que esquece sua origem e identidade própria, de Centelha Divina que é. Torna-se uma personalidade (persona significa “máscara”). Muitas vezes assumimos uma máscara especial: a do hipócrita. Etimologicamente, a palavra “hipócrita” quer dizer: “o que está oculto sob”, o que desvirtua os propósitos do Espírito.
Todos estão representando um papel, um estado de consciência, uns níveis evolutivos. Todos têm qualidades boas e más; hábitos nobres e inferiores; impulsos elevados e vis. A tudo isso a psicologia chama de “máscaras”. Cada indivíduo tem muitas máscaras ou “eu’s” e as usa segundo as circunstâncias e conveniências. Ignoramos ou fingimos ignorar que somos um SER divino, um “Cristo em formação”, que transita por essas aparências ou máscaras. Somos maus artistas porque nos identificamos com o papel; julgamos ser o papel. E cada vez que deixamos o palco (pela chamada morte) e voltamos aos bastidores, tiramos o “traje” e, livres de sua vibração rebaixada percebemos que somos o ARTISTA, bem distinto dos papéis. Infelizmente, quando renascemos e mergulhamos no corpo físico ainda embrutecido, de baixa vibração, esquecemos nossa identidade celestial, como bem exprime Fernando Pessoa, de alguém que pôs a máscara e ela se ajustou tão bem a face que grudou e não mais pode tirá-la.
É mais fácil nos desligarmos do “meu” do que do “eu”. O “meu” a gente vê, administra e, sem muita dificuldade pode renunciar a ele. Mais difícil é deixar o “eu”, renunciar à personalidade, porque nosso sentido humano é muito forte e tal despojamento se nos afigura um aniquilamento, por falta de conhecimento espiritual. Quando vivenciamos a verdade do Ser sabemos que não existem dois (o Espírito e a persona) senão Um – o Espírito atuando por dois polos, como vida (pura) e matéria (vida cristalizada); como Ser e não ser, como Consciência atuando numa personalidade. Religar-se pela renúncia ao humano é, simplesmente, submeter a persona ao Espírito; e mudar a polaridade da persona, tornando-a, de ativa que é atualmente, em passiva serva do Eu verdadeiro e Superior.
Não desanimemos, pensando que essa libertação é superior às nossas forças. Não é o humano quem vai realizá-la, senão o Divino em nós, como bem disse Cristo: “Não eu quem faz as obras, mas o Pai, que habita em mim, Ele é quem faz as obras”. “Eu, de mim mesmo (como humano) nada posso, mas tudo posso n’Aquele que me fortalece”.
Toda grande dificuldade pode e deve ser decomposta, subdividida em pequenas dificuldades, facilmente vencíveis. Essa cristificação do Ser deve basear-se, em primeiro lugar, na confiante e esclarecida ENTREGA ao Divino interno.
“A batalha não é nossa” (do interprete), mas de Deus (o Diretor da peça). Só Ele pode pôr fim à trágica comédia humana, quando não mais prescindirmos dos aplausos do mundo. Em segundo lugar, a espiritualização se realiza através do Corpo Vital, nosso veículo de hábitos, por meio da repetição sistemática de meios adequados (os exercícios diários de retrospecção noturna, a concentração e meditação matinais, os exercícios de conscientização da Divina Presença em nós, o estudo constante das verdades espirituais, as preces, as músicas elevadas etc.).
Devemos aprender a humilhar-nos, a assumir nossa real pequenez humana, MENDIGANDO o Espírito, despojando-nos do sentido de posse e do senso personalístico, até compreendermos e aceitarmos que “Eu e o Pai somos UM” e não dois. Purifiquemo-nos para nos elevarmos vibratoriamente e atingir verdades mais profundas. Se realizamos as “bem-aventuranças”, o Divino, em nós, seguramente faz o resto. O Cristo interno está sempre à porta de nossa consciência e bate. Ele respeita nosso livre arbítrio. A relutância é nossa e não d’Ele. Segundo seja a colaboração, será o resultado. Como a maioria não faz um décimo do que poderia fazer, a realização se protela para outras vidas. Nem os mais esforçados se empenham como deveriam. É pena que negligenciemos tão raras oportunidades!
Todavia, o que fizermos será contado e conservado, para renascermos em melhores condições e reencetarmos a cristificação iniciada.
Em “Parsifal”, Amfortas sofre porque não soube confiar em Deus; porque não soube manter a mansidão da não resistência; porque usou a lança do poder espiritual para vencer uma ilusão. Lembremos que Hércules (o “homem” realizado) não pôde exterminar a Hidra de Lerna enquanto não lhe atingiu a cabeça verdadeira: a personalidade egoísta. As outras inúmeras cabeças eram falsas, eram as manifestações sem-conta das “máscaras”, das dissimulações.
É mister encarar honestamente nosso íntimo e repetidamente perguntar: “quem sou eu?”. Das profundezas do Ser nos chegarão as respostas para libertar-nos da “caverna de Platão” e mostrar-nos as realidades que interpretamos atualmente de modo errado, porque são projeções, reflexos distorcidos, de nossa real natureza. Agora “vemos como por espelhos, em enigmas – mas depois veremos face a face” (I Cor 13).
A magia dos sentidos deve ser quebrada. Estamos como num “vestíbulo de espelhos”, cercados de imagens ilusórias, porque não sabemos ver objetivamente, senão que enxergamos as projeções de nosso íntimo condicionado. É uma hipnose de que nós devemos despertar. Se não dedicamos o devido interesse a essa libertação, continuaremos dormindo, como a “Branca de Neve” em seu caixão de Cristal (o corpo) sob o efeito anestésico da “maça” (materialismo) até que o Cristo interno nos possa despertar com seu contato.
Quando fomos expulsos do “Paraíso” ficou um Querubim guardando a entrada com uma espada flamígera. Agora, para regressarmos conscientemente ao Paraíso (em nosso íntimo), devemos levar a senha da PUREZA, como indica o Templo de Salomão, a cuja entrada de novo aparece o Querubim, não mais com a espada flamígera: agora segura uma FLOR, formoso símbolo da pureza. Tal é o requisito para nossa RE-ligação; para atingirmos conscientemente o “lugar secreto do Altíssimo”, subindo com a força criadora, pela coluna, ao MONTE de nossa cabeça, o “lugar das caveiras”, o “sancto sanctorum” de nosso tabernáculo corporal. Despertaremos a visão espiritual pela união vibratória dos centros espirituais da pineal e pituitária.
Essa iluminação era muito difícil antes de Cristo. Só depois que Ele purificou a Terra, liberando-a para mais alta vibração e permitiu a formação de veículos mais refinados (aos mais adiantados) é que a iniciação foi aberta a todos, indistintamente (rasgou-se o véu do Templo).
Saímos da escravidão da Lei (ouvistes o que foi dito aos antigos) e entramos no reino da Graça e do Amor (porém, eu vos digo…). A Lei se torna colaboradora e poder, que o Amor utilizará no SERVIÇO amoroso e altruísta.
Salmo do Bom Pastor
O Senhor é meu pastor: não me faltará!
Deitar-me faz em verdes pastos;
guia-me mansamente a águas tranquilas;
refrigera a minha alma;
orienta-me pelas veredas da justiça,
por amor de Seu Nome.
Ainda que eu andasse
pelo vale da sombra da morte,
não temeria mal algum,
porque Tu estás comigo!
Tua vara e teu cajado me consolam.
Preparas uma mesa perante mim,
na presença de meus inimigos;
unges a minha cabeça com óleo;
o meu cálice transborda.
Certamente que a bondade e a misericórdia
me seguirão todos os dias da minha vida:
e habitarei na casa do Senhor
por longos dias!
“Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.” (Mt 5:9)
A palavra “pacificadores” tem o sentido de ‘FAZEDORES DE PAZ’.
A tradução: “pacíficos”, em vez de “pacificadores”, que consta de muitas versões portuguesas não corresponde ao sentido do original grego eirênopoioi e tampouco ao latim “pacifici”. Ser pacífico – conforme essas falhas versões induzem a pensar, seria um estado passivo de paz. Mas o significado original indica um processo ATIVO e dinâmico de “exercer a paz”, de manifestar a paz, de “estabelecer a paz”.
Todavia, essa paz dinâmica ativa e INTERNA, consoante o princípio esotérico: “Tudo vai de dentro para fora”. Daí que o Cristo ensine a irmos da causa para o efeito. Ninguém pode dar o que não tem: só comunica paz aquele que a estabeleceu primeiramente dentro de si. O inverso é verdadeiro: todo conflito exterior nasce dos conflitos interiores: “A boca fala do que está cheio o coração[34]”. Sejam os conflitos individuais, sejam os familiares, os regionais, os nacionais como os mundiais, todos eles são filhos de conflitos internos não pacificados. A paz efetiva é assinada no Tribunal da Consciência. Os acordos externos, assinados pela personalidade falsa, são instáveis como ela. São meros armistícios (repouso de armas), tréguas maiores ou menores entre duas guerras.
É comum interpretarem exotericamente esta bem-aventurança, citando-a para exaltar os que se esforçam por estabelecer a paz e concórdia nas relações individuais, na família, no trabalho, numa pendência jurídica e até estender sua influência à Nação e ao Mundo. Nesse pensamento é que se instituiu o Prêmio Nobel da Paz.
Não se pode negar o mérito de alguém procurar conciliar interesses e dissolver desavenças, num sentido externo. Mas a prática da vida nos tem demonstrado a quão difícil e delicada é essa tarefa. Quase sempre a interferência de terceiros piora as coisas em vez de melhorá-las. Além disso, é humano que o conselheiro se deixe influenciar por seus próprios pontos de vista, levando mais falhas a questão. Melhor seria que, chamados a ajudar, pudéssemos, SEM OPINAR, convencer as partes a sinceramente buscarem um novo ponto de vista. Isso é melhor que convencê-las a um acordo, às vezes com alguma coação; aí a pendência será apenas remendada na superfície; não houve paz; as partes ficaram insatisfeitas e não se perdoarão. Ora, o que vale é o íntimo!
A nosso ver, a ideal atuação do pacificador nessas questões externas é a da ORAÇÃO verdadeira. Se o “conselheiro” tem paz interna poderá aquietar-se, não permitindo que suas próprias opiniões interfiram, não importa o que suceda e malgrado as aparências do caso. Ele pede às partes que se acalmem e orem sinceramente por solução com ele. Essa é a norma: ORAR POR E COM ELAS, para que se estabeleça a regra de Cristo: “Se dois ou três se reunirem EM MEU NOME, ali estarei NELES”[35]. O “pacificador” ergue, então, um silencioso pensamento ao PAI, pedindo-lhe sabedoria às partes. Permanecem alguns minutos no anseio e expectativa da luz, sem permitir que os canais internos fiquem “entupidos” com teimosias, opiniões ou com “ordens a Deus”. Então, o que melhor atenda às partes, manifestar-se-á. Em tal caso, essa pacificação tornar-se-á ATIVA.
Devemos adquirir experiência do poder da oração e da conscientização da Divina Presença. Em muitas situações difíceis, entre discussões desagradáveis, em meio a desarmonias, quase sempre se dissolvem as tensões e se estabelece um clima de concórdia, sem que se proclame qualquer solução nem se pronuncie qualquer opinião. O importante, indispensável é que o “pacificador” o seja INTERNAMENTE, em boa medida.
Uma boa ajuda que podemos prestar a muitas pessoas carentes de paz e de equilíbrio, que recorrem à nossa oração é mostrar que a única fonte de luz e de paz é o CRISTO INTERNO. Qualquer pessoa pode ter acesso a essa graça, se buscá-la sinceramente, dentro de si. No entanto, até que a pessoa se equilibre, é mister atendê-la e mostrar como, com sua indispensável colaboração, a “coisa funciona”. Depois elas farão isso sozinhas e, com a devida orientação e assistência podem chegar a serem também outras PACIFICADORAS a serviço do Alto. Infelizmente, a maioria abandona a prática quando se encontra melhor ou vê solucionadas as pendências. Paciência. Não compreenderam ainda a necessidade de uma pacificação permanente, mediante a regeneração do caráter.
Voltemos à consideração da PAZ interna, referida pelos místicos como “o melhor passaporte para Deus”.
Quem nô-la pode dar? A personalidade? Jamais!
A personalidade é incoerente e egoísta, geradora de conflitos e divisões. Só o Cristo nô-la pode dar. É uma verdadeira GRAÇA. Num momento grave, em vésperas de sua crucifixão, Ele declarou: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo dá. Não se perturbe nem se intimide vosso coração.”[36]. “Dou-vos a minha paz para que a minha alegria esteja em vós e seja perfeita a vossa alegria; e ninguém mais vos tire a vossa alegria”[37].
Consideremos seriamente essas palavras, embora não as possamos avaliar profundamente, enquanto não as vivermos. É uma “paz que ultrapassa todo o humano entendimento”.
No esoterismo as emoções são representadas pelas águas; e os pensamentos pelos ventos. Todos conhecemos inúmeros casos de pessoas que, num momento difícil, clamaram com toda a alma aos céus e foram assistidas “milagrosamente”. Em qualquer ocasião, como há dois mil anos, o Cristo interno pode erguer-se do fundo da barca de nossos corpos e, estendendo os poderosos braços, comandar: “Ondas, acalmai! Ventos, cessai!”. E, voltando-se, pode recriminar-nos como outrora: “homens de pouca fé!”.
Realmente, aquele que se habitua a buscar silenciosamente o Cristo, várias vezes ao dia, numa serena comunhão, alcança a imperturbável sensação de PAZ.
O Cristo adverte: “Pedis e não recebeis porque pedis mal”[38]. A maioria ora apenas para pedir a satisfação de desejos egoístas. Vivem imersos nas atividades materiais, que constituem a motivação de sua vida. Só se lembram de Deus nos momentos difíceis e oram para livrar-se dos incômodos e provas, não percebendo que são advertências para corrigirem seu modo de viver.
Oremos corretamente. Pratiquemos a conscientização da Presença, acima de instabilidade emocional: relaxando-nos e acalmando-nos para que vibratoriamente nosso elevador nos conduza internamente a Ele. Então, o Cristo se nos manifestará de algum modo, como outrora, andando sobre as águas e dizendo: “Não temas! Sou Eu!”[39]. Tenhamos a coragem e confiança de também pedir-Lhe para andar sobre as ondas (sobrepor-nos ao humano, ultrapassar a Mente concreta) sem vacilar como São Pedro.
Até que essa PAZ estável se estabeleça em nós, aqui e agora, devemos tratar de ir conquistando uma paz relativa e crescente, por meio das práticas espirituais recomendadas na parte final do “Conceito Rosacruz do Cosmos”, além das indispensáveis e preciosas práticas devocionais: conscientização da presença, orações etc. Não importa que durante muito tempo não tenhamos “sinal”. A semente enterrada deve sofrer um período de transformação e de preparação até que assome à superfície para alegrar-nos a visão. Mas durante todo o tempo ela exige nosso cuidado e colaboração. Assim a prece. A natureza divina, como a Terra, jamais deixa de fazer Sua parte. O Cristo nos ouve e age. Isso nos basta. Os “sinais” são muitas vezes prejudiciais porque excitam o Aspirante e prendem-no em curiosidade estéril e até na vaidade.
É preciso considerar igualmente outros fatores de PAZ, nos intervalos das práticas espirituais, todos os dias. Seja no trabalho, seja no lazer, numa roda de conversa, vigiemos para que essa PAZ continue presente em nosso íntimo e possa ajudar silenciosamente, onde estivermos. Isto exige “orai e vigiar”, ou seja, uma atitude CONSCIENTE, de observação de si, para não permitir a influência e contaminação de fatores negativos da má leitura, da má TV, do sensacionalismo, das piadas maliciosas, das rodas de crítica, cujas impressões nos invadem os sentidos e vão se acumulando em nosso subconsciente, quase sempre como impressões mal digeridas, mal conscientizadas, em quantidade e qualidade prejudiciais à psique humana. O tempo é um talento divino precioso em nossa evolução: não deve “ser morto” em atividades fúteis e negativas. É preciso aproveitar o tempo sobrante de modo mais legítimo. Higiene mental não é malgastar negativa e indolentemente as folgas, senão “fazer coisas que nos edifiquem”.
À medida que vamos conquistando a PAZ interna, sentimos impulso espontâneo de comunicá-la e, com isso, prestar um valioso SERVIÇO. Mas tenhamos cuidado em não a proclamar. Estejamos alerta com a personalidade! Não precisamos buscar oportunidades, porque o Cristo interno atrairá, automaticamente, as pessoas carentes. Nessas ocasiões devemos deixar que a PAZ do Cristo em nós serene as pessoas. Nem precisamos dizer nada. Só devemos saber que não é a persona quem faz. Não devemos “nos esforçar”. O importante é estar vigilante para que não nos deixemos contaminar pelos aspectos negativos da questão exposta pela pessoa. Não nos devemos identificar com o “caso”. Até é melhor que ela não diga de que se trata. Apenas silenciar e orar conosco. Mas se tem necessidade de “desabafar”, não nos deixemos contaminar, por meio és de nossos “eu’s” negativos. Nem permitamos que os encontros de ajuda sejam meros desabafos. A pessoa deve colaborar para que haja uma solução.
Se agirmos firmemente dessa maneira, nossa ajuda começa a ser solicitada. Devemos concedê-la amorosa e desinteressadamente, sem permitir, no entanto, que ela nos prejudique as tarefas essenciais. E que nossa humilde alegria seja a de nos sabermos “canais conscientes do Cristo, a Quem devemos dirigir todo o mérito”.
A pessoa que se abre internamente à sua videira alcança a paz e essa lhe vem como influxo de GRAÇA, com irresistível tendência para jorrar, transbordando em amoroso SERVIR, não apenas aos parentes e amigos, mas a todos com que se põe em contato, inclusive os animaizinhos e plantas. Aí nos tornamos como o “menino do dedo verde”[40], de mão abençoada, cuja imposição tira uma dor de cabeça. Mas é preciso que toda nossa vida seja uma expressão de PAZ, pela qual conquistamos tudo e todos, ao contrário da violência, que gera violência e enfraquece uma defesa justa.
O filósofo americano, Emerson, disse certa vez a um homem que falava muito em paz (mas que não a possuía dentro de si): “Não posso ouvir o que dizes, porque aquilo que realmente és, troveja muito alto”. De fato, ninguém nos pode convencer com palavras. É indispensável que nosso viver seja um testemunho e aval do que dizemos. O exemplo é o mudo e convincente argumento.
Ainda mais: todo sentimento personalístico de vaidade, de atribuir o mérito à persona, tem o efeito de fechar os canais da graça interna.
A conquista gradativa da PAZ interna resulta de um vigilante, persistente e bem orientado esforço. Não é a personalidade quem vai conquistá-la. Ao contrário: impede-a. É mister dissolver as nuvens da personalidade para que o sol brilhe.
Embora sejamos aparentemente pequenos e débeis como David; sempre que nos defrontemos com um desafio materialmente maior (gigante Golias), se temos a pedra da realização interna e a arrojamos para dissolver a ilusão, prostraremos os embaraços e alcançaremos a vitória pela paz. Até chegarmos a esse ponto, de conquistar sem violência as injustiças e dissolvê-las, experimentaremos muitos malogros. Não têm importância: “O único fracasso é deixar de lutar”.
Desses embates, os mais árduos são os internos. Trava-se uma luta real entre as duas naturezas opostas do ser humano, tanto mais árdua quanto mais apercebidos estejamos de nossas tendências viciosas. Elas lutam para sobreviver, como se relata na obra ocultista “Baghavad-Gita”[41]. Mas a vitória é alcançada sem violência, como já mostramos na terceira bem-aventurança. Essa batalha interna, pela regeneração do Ser e soberania de nosso Melquisedeque, é o tema constante de todas as religiões e filosofias, porque constitui a medula da evolução e o interesse maior do ser evoluinte. Entre os Maniqueus, o ensinamento principal é a lenda da guerra entre os filhos das trevas e os filhos da Luz. Entre os manuscritos essênios encontrados em 1947, há um que trata do mesmo assunto. No Velho Testamento há diversas passagens simbólicas, de lutas entre os filisteus (filhos das trevas) contra os filhos de Deus. No evangelho de João há o embate entre as trevas e a luz. Esses são alguns exemplos desse tema fundamental.
Encerraremos este passe com uma lição de São Paulo, acerca de nosso modo de viver, na conquista gradativa e segura da PAZ:
“Finalmente, irmãos, ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, honroso, virtuoso ou que de qualquer modo mereça louvor. O que aprendestes e herdastes, o que ouvistes e observastes em mim, isso praticai. Então o Deus da paz estará convosco”. (Fp 4:8-9).
***
Lema Rosacruz: “Uma Mente Pura, Um Coração Puro e um Corpo São”.
“Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. “Bem-aventurados sois, quando vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e regozijai-vos, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois foi assim que perseguiram os profetas, que vieram antes de vós.” (Mt 5:10-12)
“Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem, quando vos rejeitarem, insultarem e proscreverem vosso nome como infame, por causa do Filho do Homem. Alegrai-vos naquele dia e exultai, porque no céu será grande a vossa recompensa; pois do mesmo modo seus pais tratavam os profetas.” (Lc 6:22-23)
“Ai de vós, quando todos vos bendisserem, pois do mesmo modo seus pais tratavam os falsos profetas.” (Lc 6: 26)
As sete primeiras bem-aventuranças, anteriormente expostas, representam sete passos definidos na cristificação do ser humano. São os meios para a criação religar-se à sua Fonte, como disse São Paulo: “até que alcancemos todos nós a unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, o estado de Homem Perfeito, a medida da estatura da plenitude de Cristo”. (Ef 4:13)
Essas duas últimas, 8ª e 9ª bem-aventuranças, representam as PROVAS indispensáveis para CONFIRMAR as sete primeiras. Serve de TESTE à legitimidade da evolução alcançada nos sete primeiros passos.
Se o candidato falhar nessas duas últimas bem-aventuranças, deverá voltar e REVIVER as sete primeiras, porque será “sinal” inequívoco de fracasso em um ou mais dos sete passos essenciais. Daí a necessidade de analisarmos cuidadosamente o sentido desses dois passos finais.
São Lucas inclui em seu método místico esse arremate, terminando por uma condenação (versículo 26) ou advertência, à tentação da personalidade aceitar falsa honra. O que a maioria aprova, quase sempre não é o melhor.
Confrontemos os dois sinóticos:
São Mateus fala de perseguição, injúria e mentira.
São Lucas refere-se a ódio, excomunhão, ultraje, rejeição e indignidade.
Que significa tudo isso? É preciso ter muito cuidado com as palavras porque podemos atribuir-lhes sentidos falsos. A personalidade falsa, em nós, é multo hábil para justificar-se e guardar o seu prestígio. Há sempre uma grande dificuldade para admitirmos imparcialmente as próprias falhas, justificando-as com eufemismos curiosos, no esforço de “sermos bem vistos pelos seres humanos”. O trecho é claro: o que se faz contra o Eu real, o que fere os interesses superiores da essência humana. Somos simples aspirantes, pessoas comuns ainda. É preciso cautela para não nos incluir entre os “justos”. As reações desagradáveis que provocamos nos demais têm, quase sempre, uma CAUSA INTERNA. O mal que vemos fora é, muitas vezes, um espelhismo. Se vemos ou suscitamos algo negativo, é sinal de que essa mesma falha se projetou de nós. Nosso “Eu” real a vê e chama nossa atenção para ela, convidando-nos a conscientizá-la e não mais a alimentarmos. Nada surge em nossa experiência, de bem ou de mal a não ser que algo semelhante, em nosso íntimo, o atraia. Assim como um imã atrai apenas as coisas de ferro ou aço (que lhe são semelhantes), também nós atraímos o que nos é afim. Somos como um aparelho transmissor e receptor: transmitimos a mensagem silenciosa de nosso modo de ser e captamos do exterior o que nos é semelhante. É a sintonia automática e fiel da “onda” ou “faixa” vibratória que nos corresponde.
As pessoas imaturas (os espiritualmente infantes) sofrem repetidamente pelas mesmas falhas, porque não as conscientizam e nem as sobrepõem. Então, como a Hidra de Lerna de cabeças falsas, aquela deficiência ressurge disfarçada, em nova curva do caminho, desafiando-as outra vez. Estão cegas, e surdas às advertências da vida; aos convites de regeneração. Querem colher o que não plantam. Gostariam de ser tratadas com simpatia e consideração e como não recebem esse tratamento dos outros, queixam-se de que são invejadas e perseguidas, tanto no trabalho como na sociedade. Para suprir a subconsciente falha (que lhes dá complexo de inferioridade) esforçam-se por demonstrar sua superioridade em alguma coisa, alegando esta e outras razões, como causa dessa atitude hostil dos outros, em relação a elas. “É despeito…” – dizem.
Simples camuflagem. Grande ilusão! Benditas desilusões que vêm demolir essas tolas justificativas da personalidade falsa. Não há justificação. Ninguém pode impedir de recebermos o que o destino traz a nosso encontro, como eco de nosso caráter. Tudo é produto do mérito ou demérito. Se desejarmos Deus em nossa vida; se almejarmos paz e harmonia; se aspirarmos “herdar a terra”, deveremos exercer, conscientemente, as bem-aventuranças descobrindo e levando os evangelhos aos pequenos “eu’s” não regenerados de nosso íntimo, que são as CAUSAS das perseguições, da hostilidade, frustrações, injúrias e calúnias de nossa experiência.
A personalidade é ardilosa no refugiar-se em justificações. Gostamos de nos enganar e nos enfurecemos quando alguém nos desmascara. Podemos perdoar tudo: perda de bens, de amizades etc., mas nunca perdoamos a quem nos desmascare. A psicologia diz que é muito comum uma pessoa ficar inimiga gratuita de outra a quem, num impulso de sinceridade, confessa um segredo importante de sua vida; porque ela se torna depositária de um ponto fraco. Estamos sempre a camuflar nossos vícios, sem coragem de olhá-los de frente e tomar consciência de sua real natureza: uma ilusão. Por isso é que o desmascaramento constitui o maior crime. Por isso condenaram Sócrates a beber cicuta e o Cristo a morrer na cruz.
Soltem Barrabás!
Compreendamos: a origem, a causa de toda adversidade, é INTERNA.
– Contudo – dirá o leitor – parece haver contradição em tudo isso! Se o Cristo manifestou Seu Amor e boa vontade em dar-nos o Reino, assegurando-nos, nas sete primeiras bem-aventuranças, que podemos ganhar o Reino dos Céus mediante o esvaziamento da personalidade e aspiração do Eu superior; que por meio da conscientização das falhas seremos consolados, que pela mansidão (não resistência) podemos alcançar a felicidade aqui e agora mesmo; que a ardente aspiração de aprimoramento ser-nos-á atendida; que pela misericórdia exercida em relação aos outros (e a nós mesmos) estabeleceremos um reino do amor; que, pela limpeza interna alcançaremos a união com o Eu Superior; que ao realizarmos a paz, seremos chamados filhos de Deus – por que é que, nessas duas últimas bem-aventuranças Ele considera uma felicidade sermos perseguido, injuriados, caluniados, odiados, excomungados, ultrajados, rejeitados e desprestigiados? Por que é que o próprio Cristo, sendo perfeito, sofreu essas coisas todas, se as causas das perseguições são internas? Esclareçamos essa aparente contradição para que o assunto se torne definidamente lógico. Para isso, dividamos a humanidade em três categorias de pessoas:
Agora, raciocinemos: a violenta resistência da natureza inferior se dá DENTRO DE NÓS, na fase de aprimoramento; e acontece FORA, vinda de outros, quando um ser iluminado procura libertá-los. Portanto, ela sempre nasce da personalidade viciosa.
Entre duas pessoas condicionadas, uma vê e atrai, na outra, aquilo que está em si. E quando ela supera todas as limitações, a resistência vem APENAS como reação da natureza inferior, na pessoa a quem se deseja libertar. Ao mesmo tempo, isso serve de teste para o ser iluminado. Nada, nele, a esta altura, deve identificar-se com o mal dos outros. Ele não se deve entristecer pela ingratidão. Ele atribui tudo ao Eu real: êxitos e fracassos aparentes, pois, em realidade, tudo converge para o bem.
Há duas regras esotéricas que deveríamos guardar e praticar, em nossa espiritualização:
As injustiças, a agressividade das atitudes e palavras, os agravantes vários em que a outra pessoa tenha incorrido, ficam por conta dela. Ninguém responde pelos erros dos outros. O destino é individual. “A doçura amansa a ira” (Salomão). Se aproveitarmos estar com a razão para amesquinhar a outra pessoa, nossa violência e grosseria debilitam nossas razões.
Também, nesse caso, é preciso ponderar honestamente se a crítica é fundada ou não. Se de algum modo contribuímos para essa atitude hostil, tenhamos a nobreza de pedir desculpas. Se não temos culpa, esclareçamos a coisa com mansidão e firmeza. Se a pessoa está emocionalmente descontrolada, aguardemos ocasião para esclarecê-la. E se, finalmente, não podemos provar nossa inocência tenhamos confiança de que “nada há em oculto que não venha a ser revelado”. De toda forma, não há motivo de mágoa senão na persona orgulhosa. E se há meios para se ajudar alguém ou esclarecer situações, só pode ser pela verdade AMOROSA.
É interessante observar as reações da personalidade falsa no período de aprimoramento. Ela usa dos mais astuciosos meios e justificações e reclamos, chegando a apelar para reações biológicas: asma, bronquite, diarreias, erupções de pele – de natureza alérgica, como choros e esperneios de uma criança caprichosa e mal-educada. Por quê? Porque deseja sobreviver. Quem está no “trono” luta para permanecer.
Enquanto atendemos aos velhos hábitos arraigados, alimentando-os com a repetição, tudo vai bem – exceto nas pessoas elevadas, nas quais a “pequenina e silenciosa voz” reclama por libertação. Por isso, toda mudança de hábitos é difícil. Os “poderes constituídos” resistem, o que é compreensível, conhecendo-se o instinto de conservação. Daí que toda reforma de caráter deva estar claramente delineada nas verdades do ser, usando-se adequadamente os conhecimentos, a observação de si, a não resistência e persistente realização da “nova criatura”. Não se trata de combater – no sentido comum – e matar a natureza inferior, mas, sim, transmutá-la, despindo-a dos condicionamentos e ilusões de que a revestimos com a “falsa luz”. A resistência, o combate, dão forças à ilusão. Quando combatemos algo é porque o julgamos real. Mas a única realidade é o Espírito. Não se trata de resistir, porque isso põe no palco de nossa consciência os chamados males e eles se fortalecem na luz de nossa atenção. Quanto mais pensamos em nossas falhas mais as alimentamos. Contudo, se lhes observamos as reações, na convicção de que são apenas realidades transitórias, agindo com a vida que lhes emprestamos, deixamos de alimentá-las e elas vão depauperando pela falta do alimento da repetição e da crença nelas.
A reação dos velhos hábitos é bom sinal. É prova de que estamos nos transformando para melhor; por isso reagem. Mas pode ocorrer o contrário, que bons hábitos reclamem dentro de nós, quando começamos a substituí-los por outros piores, numa queda de caráter ao condescender com uma vida fútil e viciosa. Aí já é outro caso. Devemos discernir. O critério seguro é consultar as verdades espirituais que os Iluminados deixaram, como setas nas encruzilhadas. São guias seguros.
O certo é que, na transformação para melhor começarmos a sentir uma alegria pura. Nosso relacionamento melhora, mas também sentimos prazer em ficar a sós, num desejo de comunhão interna. Tornamo-nos sensíveis a um pôr-do-sol, à beleza singela de uma flor, à simplicidade de uma criança. Compreendemos e aceitamos melhor cada pessoa como ela é sem nos deixarmos afetar por suas expressões negativas.
É o abrir-se à graça: as janelas d’alma estão abertas à luz, esperando até que o Sol nos visite. Fazemos o que nos incumbe, e Deus jamais falha em realizar a Sua parte. Depois vemos que foi só Deus Quem agiu; que não somos dois, mas UM.
Automaticamente vamos deixando velhos hábitos; já não nos apetecem. É um subir gradativo de escala vibratória, onde as consonâncias e dissonâncias vão se alterando. Não são as coisas que mudam; nós é que mudamos. Antigos amigos já não se comprazem em nossa companhia e novas pessoas surgem à nossa experiência pela lei de atração dos semelhantes. Não nos entristeçamos nem os seguremos. É preciso que se vão. E recebamos os novos amigos e sua contribuição. Cada encontro é um mistério insondável, de resultados imprevisíveis. Deixemos que o “rio da vida” corra. É claro que estamos em estado de oração, cada vez mais conscientes de nós mesmos, sem perder a visão da meta: um olho no presente e outro na eternidade, mas confiantes na lei divina que assegura a cada grau o suprimento exato.
Essa gradativa cristificação do ser vai alterando nossa relação com o destino passado. À medida que conscientizamos e superamos níveis inferiores de consciência, eles deixam de agir sobre nós como limitações do destino maduro[42]. Há uma gradual libertação e um conquistar de luz, porque somos como um parêntesis na eternidade, deslocando-nos para frente e acima, guardando uma individualidade, um modo próprio de ser.
Contudo, se inversamente deixamo-nos arrastar e escravizar pela “velha criatura com seus vícios”, as reações da Lei serão muito mais severas, como ensina a parábola do “credor incompassivo” (Mt 18:23-34).
Fixemos o brocardo: “o preço da liberdade é a eterna vigilância”.
Finalmente, vamos abordar o caso das perseguições externas. Distingamos as duas razões por que um iluminado é perseguido pela sociedade.
O nível de ser, o grau de consciência de cada indivíduo, mostra, em menor ou maior grau, suas tendências viciosas e nobres. O Divino, em cada pessoa, sempre invoca um desejo de aprimoramento, ao passo que a natureza inferior, para justificar-se, reage violentamente contra qualquer coisa que ameaça os velhos hábitos. A simples presença de um indivíduo justo, bom, iluminado, brilhante, assume o caráter de uma ofensa. É um contraste entre o que sabemos ser e o que desejamos ser. Reagimos porque desejamos. É como se a presença da pessoa nos lembrasse: “Se você não é, ainda, a culpa é sua”. É claro que não há palavras, senão uma “conversa interior”, a que podemos denominar inveja, “dor de cotovelo” etc. É uma defesa psicológica, por falta de compreensão. É a personalidade que gostaria de ser destacada, de ser bem vista, prestigiada. Uma reação curiosa: anseio de aprimoramento do Divino que a personalidade desvirtua com uma reação de inveja, de agressão, para justificar-se. Então, que faz a persona? Procura um defeito, “arranja” um ponto fraco na outra pessoa e procura diminuí-la. Para que? Para que ela não seja maior que ela. Os pequenos procuram sempre pisar nos grandes para terem a ilusão de que são maiores que eles. Entre os “civilizados” essa reação assume caráter mais sofisticado, mas igualmente violento e egoísta.
Há também a reação positiva que um ser elevado suscita: sentimos o desejo e fazemos o esforço de também sermos elevados, à nossa maneira.
A segunda razão por que um iluminado é perseguido, é esta: porque abala os fatores “massa” e “tradição” em que se apoia a sociedade.
Essa reação surge em maior grau nos meios religiosos, filosóficos e científicos. É inevitável que, no curso da evolução e dentro do Esquema Divino, de vez em quando surjam luminares para provocar mais um grande avanço. Aparece uma mentalidade brilhante e original, uma “exceção à regra”, um “metido” que se atreve a pôr em dúvidas os conceitos estabelecidos e fica procurando novidades para dar “panca de gênio”.
Ora, o ser humano comum, comodamente ilhado em sua personalidade, vibrando apenas na esfera de sua percepção, sente-se seguro nos condicionamentos, nos costumes ancestrais. Ao mesmo tempo, como uma criança que se amedronta quando não vê conhecidos, nos sentimos seguros em pertencer à nossa massa social. Os fatores tradição e massa nos dão segurança, porque somos dependentes, porque estamos ligados, subconscientemente, por cordões umbilicais, a esses poderosos fatores.
Por isso, quando um indivíduo liberto mostra não necessitar desses fatores e “começa a inventar moda”, provoca um terremoto em nossa estrutura. É um revolucionário! Todos se voltam contra ele, exceto uma elite menor (elite real) que não ousava externar seus pontos de vista, mas que admira um autêntico líder. Não foi o que sucedeu a todos os grandes inovadores? Muitas vezes as grandes ideias nasceram do sangue desses mártires da evolução, destemidos seres que tiveram a coragem de cumprir desígnios superiores para assegurar à evolução humana a rota prevista. A missão tinha de ser realizada. Agindo pelo Divino permanente, mesmo à custa da personalidade transitória, tais seres constituem (talvez uma centena apenas que renasce de tempos em tempos, segundo a necessidade) as molas da evolução humana.
Todas as coisas deste mundo se sucedem umas às outras, como as ondas do oceano que se desfazem na praia. Nascem, crescem, cumprem seu papel e depois começam a cristalizar-se, porque se conservam e não se renovam. Aí se tornam ultrapassadas. Ficam anacrônicas. Então surgem esses grandes seres para cumprir a demolição do velho e lançar as bases da edificação do novo.
Eles constituem o “Governo Oculto do Mundo”. Quando pensamos neles, nossa alma se reabastece na esperança; nossa fé em Deus se reafirma, e dizemos: “BEM-AVENTURADOS OS QUE SÃO PERSEGUIDOS POR CAUSA DA JUSTIÇA!”.
FIM
[1] N.T.: Jerônimo (347-420), também conhecido por Jerônimo de Estridão, foi um sacerdote Cristão ilírio, destacado como teólogo e historiador. Filho de Eusébio, da cidade de Estridão, na fronteira entre a Dalmácia e a Panônia, é mais conhecido por sua tradução da Bíblia para o latim (conhecida como Vulgata) e por seus comentários sobre o Evangelho dos Hebreus, mas sua lista de obras é extensa.
[2] N.R.: Warner Sallman (1892-1968) foi um pintor americano de Chicago mais conhecido por suas obras de imagens religiosas Cristãs. Ele está mais associado ao seu retrato de Jesus, Cabeça de Cristo, dos quais mais de 500 milhões de cópias foram vendidas.
[3] N.R.: Sócrates (469 a.C.-399 a.C.) foi um filósofo ateniense do período clássico da Grécia Antiga. Creditado como um dos fundadores da filosofia ocidental, é até hoje uma figura enigmática, conhecida principalmente através dos relatos em obras de escritores que viveram mais tarde, especialmente dois de seus alunos, Platão e Xenofonte, bem como pelas peças teatrais de seu contemporâneo Aristófanes.
[4] N.R.: Mt 5:39
[5] N.R.: Lc 6:3
[6] N.R.: Na mitologia grega era um monstro que habitava um pântano junto ao lago de Lerna. A Hidra tinha corpo de dragão e 3 cabeças de serpente (quando uma delas era cortada cresciam 2 no lugar da cortada) cujo hálito era venenoso e que podiam se regenerar.
[7] N.R.: Lc 17:21
[8] N.R.: IICor 12:10
[9] N.R.: Gl 2:20
[10] N.R.: Jo 14:10
[11] N.R.: ICor 13:11
[12] N.R.: Dario I (“que possui a bondade”) (550 a.C.-486 a.C.), cognominado o Grande, foi o terceiro rei do Império Aquemênida.
[13] N.R.: Alexandre III da Macedônia (356 a.C-323 a.C.), comumente conhecido como Alexandre, o Grande ou Alexandre Magno foi rei (basileu) do reino grego antigo da Macedônia.
[14] N.R.: Caio Júlio César (100 a.C- 44 a.C.) foi um patrício, líder militar e político romano.
[15] N.R.: Grafado também como Genghis Khan (1162-1227) foi o título de um conquistador mongol.
[16] N.R.: Napoleão Bonaparte (1769-1821) foi um líder político e militar durante os últimos estágios da Revolução Francesa. Adotando o nome de Napoleão I, foi Imperador dos Franceses.
[17] N.R.: Adolf Hitler (1889-1945) foi um político alemão que serviu como líder do Partido Nazista, Chanceler do Reich (de 1933 a 1945) e Führer (“líder”) da Alemanha Nazista de 1934 até 1945. Como ditador do Reich Alemão, ele foi o principal instigador da Segunda Guerra Mundial na Europa e figura central do Holocausto.
[18] N.R.: Ralph Waldo Emerson (1803-1882) foi um famoso escritor, filósofo e poeta estadunidense.
[19] N.R.: um romance de Richard Bach, publicado em 1970. Publicado originalmente nos Estados Unidos com o título de “Jonathan Livingston Seagull — a story”, foi lançado neste mesmo ano no Brasil como “A História de Fernão Capelo Gaivota”.
[20] N.R.: Mc 11:23
[21] N.R.: A lei de talião, também dita pena de talião, consiste na rigorosa reciprocidade do crime e da pena — apropriadamente chamada retaliação. A perspectiva da lei de talião é o de que uma pessoa que feriu outra pessoa deve ser penalizada em grau semelhante, e a pessoa que infligir tal punição deve ser a parte lesada. Ela pode ser encontrada nos livros do Antigo Testamento do Êxodo, Levítico e Deuteronômio. Mas, originalmente, a lei aparece no código babilônico de Hamurabi (datado de 1.770 antes de Cristo), que antecede os livros de direito judeus por centenas de anos. O rei Hamurabi foi responsável pela compilação dessas leis de forma escrita (em pedras), quando ainda prevalecia a tradição oral. Ao todo, o código tinha 282 artigos a respeito de relações de trabalho, família, propriedade, crimes e escravidão. Dentre elas, a lei do talião.
[22] N.R.: Mt 5:21-48
[23] N.R.: Mc 10:18
[24] N.R.: Gl 6:7
[25] N.R.: Lc 17:10
[26] N.R.: Jo 8:1-11
[27] N.R.: Wilhelm Richard Wagner (1813-1883) foi um maestro, compositor, diretor de teatro e ensaísta alemão, primeiramente conhecido por suas óperas (ou “dramas musicais”, como ele posteriormente chamou). As composições de Wagner, particularmente essas do fim do período, são notáveis por suas texturas complexas, harmonias ricas e orquestração, e o elaborado uso de Leitmotiv: temas musicais associados com caráter individual, lugares, ideias ou outros elementos. Por não gostar da maioria das outras óperas de compositores, Wagner escreveu simultaneamente a música e libreto, para todos os seus trabalhos.
[28] N.R.: IJo 4:8
[29] N.R.: Mt 10:8
[30] N.T.: Parsifal é uma ópera de três atos com música e libreto do compositor alemão Richard Wagner. Estreou no Bayreuth Festspielhaus em Bayreuth no mês de julho de 1882. É vagamente baseada em Parzival, atribuído a Wolfram von Eschenbach, um poema épico do século 13 do cavaleiro arturiano Parzival (Percival) e sua busca pelo Santo Graal (século XII).
[31] N.R.: Pb 23:7
[32] N.R.: Pb 4:23
[33] N.R.: Ef 5:14
[34] N.R.: Mt 12:34
[35] N.R.: Mt 18:20
[36] N.R.: Jo 14:27
[37] N.R.: Jo 15:11
[38] N.R.: Mc 10:38
[39] N.R: Jo 6:20
[40] N.R.: Tistou les pouces verts (O Menino do Dedo Verde) é um livro infanto-juvenil escrito por Maurice Druon em 1957, sendo este o único livro fictício e de linguagem infantil que o autor escreveu. Foi traduzido para o português por Dom Marcos Barbosa, o mesmo escritor/poeta que traduziu O Pequeno Príncipe. Tistu, desde pequeno era especial, de um modo que ninguém sabia, nem ele mesmo.
Como não conseguiu ficar na escola, Dona Mãe e Sr. Papai (seus pais) resolveram ensinar-lhe tudo que precisava saber na “prática”.
Seu primeiro professor, Bigode (jardineiro da casa de Tistu), descobriu que Tistu tinha o polegar verde, isso significa que onde ele colocasse o polegar iriam nascer flores, pois em cada canto do mundo há sementes, só esperando que um menino especial como Tistu faça elas se transformarem em flores. Por fim, Bigode disse a Tistu que não poderia contar isso a ninguém.
Seu segundo professor, Sr. Trovões, lhe mostrou o que era ordem e onde havia desordem, mostrando-lhe a favela de Mirapólvora, um lugar barrento e nojento. Tistu, achando a favela um lugar sem alegria, não perdeu tempo! Onde passava pela favela colocava seu dedo verde! Fez isso também no lugar onde levavam-no para aprender como na prisão e no hospital.
Um dia, no entanto, Tistu passou dos limites! Estava havendo uma guerra entre duas cidades, e Tistu não querendo que isso acontecesse, fez crescer flores em todos os canhões, o que causou a ira de todos em Mirapólvora, a cidade onde morava. Não havendo escolha, Tistu contou a todos que tinha polegar verde! Todos ficaram surpresos no começo, mas depois, acreditaram.
Após um tempo, uma coisa horrível aconteceu! O grande amigo de Tistu, Bigode faleceu. Como falaram a Tistu que Bigode estava no céu, Tistu fez crescer uma grande planta para que ele pudesse subir e buscar Bigode ou que Bigode pudesse descer.
Enquanto Tistu subia, seu pônei Ginástico, corroía a planta.
Quando Tistu se deu conta, estava subindo sem tocar em nada e viu que em si havia lindas asas brancas!
[41] N.R.: Bhagavad Gita (“canção do bem-aventurado) é um texto religioso hindu.
[42] N.R.: Destino maduro refere-se a consequência que necessariamente deverão ser vivenciadas pela pessoa. No entanto, a Filosofia Rosacruz, uma Escola de Mistérios Ocidentais, ensina-nos que sempre há certa margem para a pessoa colocar coisas novas em movimento. Em outras palavras, é possível modular a intensidade de um destino maduro, desde que a lição que se deve aprender tenha sido aprendida e o reequilíbrio com as forças da natureza, tenha sido reestruturado.
A matéria contida neste livro foi compilada de trabalhos de Max Heindel e contém informações muito valiosas de como nosso Sistema Solar e tudo que está dentro dele foi criado pelo grande Ser solar, que conhecemos pelo nome sagrado de Deus.
Informações, até agora desconhecidas, nos foram fornecidas em relação às várias ondas de vida que surgiram, incluindo a nossa, sua evolução passada e futura, seu destino final, e o papel que a música desempenhou, desde o início, no desenvolvimento do grande esquema cósmico, e que continuará a desempenhar até que o som final seja emitido e a perfeição realizada.
1. Para fazer download ou imprimir:
A Escala Musical e o Esquema de Evolução – Compilado por Um Estudante – Fraternidade Rosacruz
2. Para estudar no próprio site:
A ESCALA MUSICAL
E O
ESQUEMA DE EVOLUÇÃO
Compilado por
Um Estudante de Max Heindel
Fraternidade Rosacruz
Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82
Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil
Traduzido e Revisado de acordo com:
The Musical Scale and the Scheme of Evolution
1ª Edição em Inglês, 1949, The Rosicrucian Fellowship
1ª Edição em Português, Fraternidade Rosacruz-SP.
Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
contato@fraternidaderosacruz.com
fraternidade@fraternidaderosacruz.com
Este pequeno volume é dedicado a Max Heindel, em reconhecimento aos maravilhosos ensinamentos transmitidos por ele a seus estudantes, que não conseguem como expressar em palavras sua gratidão.
ÍNDICE
DEDICATÓRIA.. 3
MAX HEINDEL.. 3
PREFÁCIO.. 5
Capítulo I – Assim como era no Princípio. 6
Capítulo II – O Monocórdio do Ser Humano. 11
Capítulo III – O Poder da Música. 14
Capítulo IV – A Correlação da Música com o Deus Solar 19
Capítulo V – Nossos Arquétipos Musicais. 26
Capítulo VI – As Oitavas Musicais e o Esquema Cósmico. 32
Capítulo VII – Nosso Espírito-Grupo, Jeová e Nossa Própria Onda de Vida 43
Capítulo VIII – A Harmonia das Esferas. 51
Capítulo IX – O Arquétipo e o Corpo Denso. 56
Capítulo X – O Poder Curador da Música. 59
Capítulo XI – Os Auxiliares Invisíveis e a Cura. 63
Capítulo XII – A Música como um Poder Construtor 69
Capítulo XIII – O Cérebro, a Oficina Física do Ser Humano. 74
Capítulo XIV – Desenvolvendo a Eficiência da Mente e do Cérebro. 80
Capítulo XV – Os Veículos do Ser Humano, um Instrumento Musical Composto 89
A matéria contida neste livro foi compilada de trabalhos de Max Heindel e contém informações muito valiosas de como nosso Sistema Solar e tudo que está dentro dele foi criado pelo grande Ser solar, que conhecemos pelo nome sagrado de Deus. Informações, até agora desconhecidas, nos foram fornecidas em relação às várias ondas de vida que surgiram, incluindo a nossa, sua evolução passada e futura, seu destino final, e o papel que a música desempenhou, desde o início, no desenvolvimento do grande esquema cósmico, e que continuará a desempenhar até que o som final seja emitido e a perfeição realizada.
Mount. Ecclesia
Novembro 1949
Todo o Sistema Solar é um imenso instrumento musical, citado na mitologia grega como sendo a “Lira de Sete Cordas de Apolo”. Os Signos do Zodíaco podem ser considerados como a caixa sonora da harpa cósmica e os sete Planetas são as cordas; emitem sons diferentes conforme passam pelos diversos Signos e, portanto, influenciam a Humanidade de diferentes maneiras. Se essa harmonia falhasse por um só instante ou se se produzisse a menor dissonância nessa orquestra celestial, todo o Universo será destruído.
Max Heindel
O método usado pelas Hierarquias Criadoras para ajudar o ser humano a desenvolver seus poderes latentes foi planejado de acordo com os veículos que ele necessitava para contatar as várias Regiões, onde o trabalho ligado ao seu desenvolvimento devia ser realizado. Os veículos necessários eram um Corpo Denso, um Corpo Vital, um Corpo de Desejos e uma Mente; e o método usado pelos grandes Seres para construir esses veículos estava e está correlacionado com os diferentes Períodos evolucionários na Terra, e cada um foi e continua sendo permeado por uma determinada nota‑chave.
A arquitetura, que se relaciona com a construção das formas, foi a primeira lição dada à Humanidade. O ser humano iniciou essa tarefa no Período de Saturno, quando começou a reunir o material necessário para construir um Corpo Denso. Nesse período, sua consciência era o mais profundo estado de transe. Ele trabalhava, automaticamente, sob a direção dos Senhores da Chama, a Onda de Vida de Leão, cuja nota‑chave é Si bemol Maior (Bb ou Sib M). A arquitetura está, portanto, correlacionada com o Período de Saturno da existência terrestre, e o Corpo Denso, que começou a se desenvolver no início daquele Período, foi impregnado daquele tom particular.
Toda construção arquitetônica, desde a mais diminuta célula até Deus, está baseada na lei cósmica e é executada consoante a certos modelos prescritos, e qualquer desvio do plano geral é a causa das anomalias e incongruências. Tais desvios produzem o mesmo efeito que tocar uma nota falsa em um acorde musical.
A escultura, que determina o contorno das formas, foi a segunda tarefa de desenvolvimento dada à Humanidade. Esse trabalho teve seu início no Período Solar da existência do mundo, quando a formação do Corpo Vital se tornou necessária para dar forma ao Corpo Denso.
A consciência do ser humano, naquela época, era de sono profundo e ele desempenhava seu trabalho, automaticamente, sob a direção das seguintes Ondas de Vida: os Senhores da Chama (Leão), os Senhores da Sabedoria (Virgem) e os Querubins (Câncer). A escultura está correlacionada ao Período Solar e ao Corpo Vital; e esse veículo sempre determina a direção em que uma determinada força é usada e, portanto, ela procura dar o contorno correto para todas as formas. A nota‑chave de Leão é Si bemol Maior (Si bemol Maior (B flat Major ou Bb ou Sib Maior)), a de Virgem é Dó natural (C ou Do), e a nota‑chave de Câncer é Lá bemol Maior (A flat Major ou Ab ou Lab Maior).
A pintura foi a terceira arte que o ser humano começou a desenvolver. Seu impulso se deve à tentativa de reproduzir os quadros vistos no Período Lunar da existência da Terra, dos quais o ser humano se recorda vagamente através da sua visão de consciência pictórica. O trabalho do Período Lunar era feito, automaticamente, sob a direção das seguintes Ondas de Vida: os Senhores da Sabedoria (Virgem), os Senhores da Individualidade (Libra) e os Serafins (Gêmeos). A nota‑chave de Virgem é Dó natural (C ou Do), a de Libra é Ré Maior (D ou Ré), e a de Gêmeos é Fá Sustenido Maior (F sharp ou F# ou Fá sustenido).
A pintura está correlacionada ao Período Lunar e ao Corpo de Desejos, e ambos começaram seu desenvolvimento neste Período. Pitágoras, um mestre ocultista, afirmou que o mundo surgiu do caos pela harmonia do som e foi construído de acordo com os princípios da escala musical: que os sete Planetas, que regem o destino dos mortais, têm um movimento harmonioso e intervalos que correspondem aos intervalos musicais, tornando os vários sons tão perfeitamente harmonizados que eles produzem a mais doce melodia, que é de tal grandeza sonora que se torna inaudível para o ser humano, pois sua audição é incapaz de recebê‑la.
Pitágoras representou a distância da Terra à Lua como um tom inteiro; da Lua a Mercúrio um semitom; de Mercúrio a Vênus um semitom; de Vênus ao Sol um tom inteiro e um semitom; do Sol a Marte um tom inteiro; de Marte a Júpiter um semitom; de Júpiter a Saturno um semitom; de Saturno ao Zodíaco um tom inteiro e um semitom. Isso forma um intervalo de sete tons, a base da harmonia universal.
Max Heindel afirmou que Pitágoras não estava romanceando quando falava da Música das Esferas, pois cada uma das órbitas celestes tem seu tom definido, e juntas entoam uma sinfonia celestial. Ele corrobora as declarações de Pitágoras, isto é, que cada estrela tem sua própria nota‑chave e viaja ao redor do Sol em velocidades tão variadas, que sua posição não pode ser repetida a não ser depois de aproximadamente vinte e seis mil anos. A harmonia celeste muda a cada momento da vida. À medida que ela muda, também as pessoas no mundo alteram suas ideias e ideais. O movimento circular dos Planetas ao redor do Sol, no tom da sinfonia celestial criada por eles, marca o progresso do ser humano ao longo do caminho da evolução. Os ecos, desta música celestial, chegam até nós aqui no Mundo Físico. São nossas posses mais preciosas, muito embora sejam tão fugazes quanto uma quimera e não possam ser permanentemente criados. No Primeiro Céu, esses ecos são, naturalmente, muito mais belos e permanentes, e no Mundo do Pensamento, onde o Segundo e Terceiro Céus estão localizados, se encontra a esfera do som.
Em nossa vida terrena estamos tão imersos nos pequenos ruídos e sons de nosso limitado meio‑ambiente, que somos incapazes de ouvir a música produzida pelas esferas em marcha. O verdadeiro músico, quer consciente ou inconscientemente, sintoniza‑se com a Região do Pensamento Concreto[1], onde ele pode ouvir uma sonata ou uma sinfonia inteira como um único acorde resplandecente que, mais tarde, transpõe para uma composição musical de sublime harmonia, graça e beleza. O ser humano tem sido comparado a um monocórdio – instrumento musical de uma única corda – que se estende da Terra aos confins longínquos do Zodíaco.
A vontade do ser humano teve sua origem na vontade de Deus, e o músico, por meio de sua própria força de vontade, ouve esse poder da vontade de Deus, expressa em sons e tons, permeando o Sistema Solar. E, através de sua própria habilidade criadora, nascida da vontade e da imaginação, ele é capaz de reproduzir em sons e tons, tanto os tons do poder‑vontade de Deus, que criou o Sistema Solar, quanto Suas ideias tonais imaginativas, por meio das quais Ele materializou o Sistema Solar. A Arquitetura, a escultura e a pintura foram impressas no ser humano pelos grandes Seres espirituais, e essas artes se tornaram parte da sua natureza. Entretanto, é através do poder da própria vontade do ser humano que o músico é capaz de perceber os tons expressos pela vontade de Deus e, até certo ponto, reproduzi‑los. Essa é a origem de nossa música no Mundo Físico, criação própria do ser humano.
A música produz expressões de tom que procedem do poder mais elevado de Deus e do ser humano, isto é, da vontade e, portanto, podemos facilmente ver que o ser humano está construindo para si uma terrível causa, ao profanar a música, ao introduzir nela todos os tipos de dissonâncias, ruídos estridentes e penetrantes, gemidos e desarmonias que afetam os nervos. Um conhecido filósofo expressou bem uma grande verdade cósmica quando disse: “Deixem‑me escrever a música para uma nação e não me preocuparei com quem faça suas leis”. O termo músico aqui usado não se aplica ao cantor ou ao executante musical comum, mas a mestres criadores de música, tais como Beethoven[2], Mozart[3], Wagner[4], Liszt[5], Chopin[6] e outros da mesma classe. A arquitetura pode ser comparada à música congelada; a escultura à música aprisionada; a pintura à música lutando para se libertar; a música à livre e flutuante manifestação do som.
A corda única do monocórdio encontra sua contraparte na medula espinhal do ser humano, cuja parte inferior está conectada aos órgãos de reprodução, e a parte superior ao cérebro, órgão físico que está relacionado ao pensamento. Os Espíritos de Lúcifer estão trabalhando particularmente com a medula, e governam a parte da medula espinhal que controla os nervos motores (ação) e que consomem a energia dinâmica armazenada no corpo pelo sangue. A seção da medula que governa a função responsável pela manutenção e o bem-estar do corpo está sob controle dos Anjos. A parte da medula que marca e registra as sensações transmitidas pelos nervos é controlada pelos Mercurianos. O gás espiritual espinhal, que enche o canal central da medula espinhal, é o campo de ação da grande Hierarquia espiritual de Netuno.
Os Espíritos Lucíferos fazem seus trabalhos através do poder da nota chave soada por Marte. Os Anjos fazem seu trabalho através do poder da nota chave soada pela Lua. Os Netunianos fazem através do poder da nota chave soada por Netuno. As vibrações produzidas por essas quatro notas chave estão, continuamente, interferindo na medula espinhal e com a essência do espírito espinhal, no canal central da medula. Na Humanidade comum, o fogo espiritual espinhal se encontra, por assim dizer, adormecido, e permanecerá assim até que o Espírito seja capaz de obter melhor controle de dois de seus veículos, o Corpo de Desejos e a Mente; e essa essência ígnea é uma força de vida que constrói ou destrói, dependendo da maneira como é usada.
De acordo com o precedente, é fácil perceber que os Astros que mais rigorosamente afetam a medula espinhal – o monocórdio do ser humano – na parte física são Marte, Lua e Mercúrio; e que, nos mais avançados da raça Ária, a vibração de Netuno está começando a ser sentida. A música é composta de três elementos primários: melodia, harmonia e ritmo. A melodia se compõe de uma sucessão de sons harmoniosos sentidos pelos nervos auditivos que estão conectados ao cérebro – um órgão físico que contata a Mente. Portanto, é através do veículo Mente que o Espírito é capaz de sentir a melodia produzida no plano físico. Um idiota ou uma pessoa insana não respondem à melodia.
A harmonia consiste em uma agradável mistura de tons e está relacionada aos sentimentos ou emoções. Sentimentos ou emoções são expressões do Corpo de Desejos, em consequência, a harmonia pode ter um efeito tanto sobre o ser humano como sobre os animais, pois ambos possuem Corpos de Desejos. O ritmo é um movimento medido e balanceado, e é expresso pela força vital que aciona gestos e outros movimentos físicos. O Corpo Vital absorve uma superabundância de força vital (energia solar) que transmite ao Corpo Denso para mantê-lo vivo e em funcionamento. Assim, o ritmo está correlacionado ao Corpo Vital. As plantas têm um Corpo Vital e, portanto, são sensíveis ao ritmo.
O ser humano tem dentro de seu cérebro sete cavidades que durante a vida são comumente consideradas vazias. Na realidade, essas cavidades estão cheias de uma essência do espírito, sendo que cada cavidade tem seu próprio tom e cor. Os tons produzidos por essas cavidades estão correlacionados àqueles dos Sete Espíritos diante do Trono: Urano, Saturno, Júpiter, Marte, Terra, Vênus e Mercúrio. As cavidades ou ventrículos, começando pela frente do cérebro, são:
(1) ventrículo olfativo,
(2) ventrículo lateral,
(3) terceiro ventrículo,
(4) quarto ventrículo,
(5) Corpo Pituitário,
(6) Glândula Pineal.
A sétima cavidade é o crânio, que reúne todos os elementos em um grande todo.
O sistema solar é um vasto instrumento musical. Assim como existem doze semitons na escala cromática, temos no céu doze Signos do Zodíaco e, assim como temos as sete teclas brancas ou tons no teclado do piano, temos os sete Planetas. Os Signos do Zodíaco podem ser considerados como a caixa de ressonância da harpa cósmica, e os sete Planetas são as cordas influenciando a Humanidade de diversas maneiras. Na Bíblia notamos como a lira de sete cordas de Davi representa, astrologicamente, as notas chave da corrente planetária sétupla. A nota chave de cada Planeta é composta da quintessência de seus sons agregados.
Uma amalgamação das tristezas e alegrias de nossa Terra, os sons de seus ventos e mares, o ritmo de toda as suas forças viventes combinadas, formam seu tom ou nota-chave. Da mesma maneira, e em escala sempre ascendente, soam as notas de toda a corrente planetária, sendo que sua união constitui a sublime Música das Esferas … “Não existe a menor orbe que observes que, em seu movimento, não cante como um Anjo”. Assim escreveu o grande poeta iniciado, Shakespeare. Essa música celestial é o produto daquele Verbo ao qual São João se referia quando escreveu: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus … e nada do que foi feito, foi feito sem Ele” (Jo 1:1-3).
A música é, portanto, na saúde a mestra da perfeita ordem e é a voz da obediência dos Anjos, a companheira do curso das esferas celestes; e na depravação, ela é também a mestra da perfeita desordem e desobediência.
Ruskin
Na música, entre a melodia e o ritmo, encontramos a harmonia, que pode ou se elevar e se misturar com a vibração do pensamento puro, melodia, ou descer se misturando com o movimento puro da atividade impulso. Se o puro elemento melódico na música, que carrega a vibração da vontade de Deus e do Espírito, for omitido em uma composição, então, o poder diretor não estará lá para controlar as atividades dos Corpos de Desejo e Denso e, então, os desejos se revelam em excitação e, estando sem o poder controlador da razão, o resultado provavelmente será um desastre. É a probabilidade da harmonia se misturando com o impulso que explica a razão pela qual é possível para a chamada música moderna, que tende a trazer confusão ao invés de coerência unificante, poder se tornar realidade.
Antes da 1ª Guerra Mundial, as condições psíquicas do ser humano eram tão malignas, e suas emoções tão inconscientemente excitadas e a um nível tão alto, que foram compelidas a encontrar uma saída e se exteriorizar em ação, mas de alguma forma intensificada. Como os Espíritos de Lúcifer se regozijam e crescem por meio da intensidade de sentimentos, foi essa a sua oportunidade de penetrar e insinuar na consciência humana uma forma intensificada de atividade rítmica e, como um resultado, apareceu o “ragtime”[7]. A guerra chegou. As emoções se elevaram ainda mais e condições desconcertantes introduziram o “blues”[8] – reclamações, prantos e lamentos; tudo agitando febrilmente. A tendência descendente estava agora em plena liberdade de ação, e o “jazz”[9] apareceu como música – afoitamente fantástico e delirantemente grotesco.
O “swing”[10], considerado um degrau mais baixo, seguido do “jazz”, vindo depois o “jitterbug”[11] que, em toda sua atordoante e maníaca histeria de massa, arrebatou o país. Desde então, esses barulhentos ruídos, mais ou menos demoníacos, têm, gradualmente, tomado o lugar da música celestial, e os nervos das vítimas, desgastados e estimulados, devido a esses barulhos cruciantes, rapidamente se rompem, causando uma variedade de formas sem esperanças de demência. Agora, a menos que alguma força seja acionada em uma ação que, literalmente force as massas a um estado de espírito de mais tranquilidade e reflexão, certamente condições ainda piores prevalecerão. Se isso não puder ser feito, ou for considerado desaconselhável pelos grandes Seres que estão dirigindo a evolução da Humanidade, então, alguma forma de salvação terá que ser providenciada para os que a merecem. E os restantes serão simplesmente eliminados por uma tremenda conflagração cósmica de algum tipo, em data mais adiante – possivelmente em um outro Dia de Manifestação, e a estes desafortunados serão fornecidas oportunidades para recuperar suas perdas.
Enfrentando tais fatos tremendamente aterrorizantes, em que direção o ser humano deverá procurar o remédio e o mais rapidamente possível? É possível procurar e encontrar no passado ou no futuro, podendo encontrar uma pista que, quando aplicada, salvará a situação.
A história sempre se repete. O continente lemuriano foi destruído por cataclismos vulcânicos, quando uma parcela de seu povo deixou de progredir. A Atlântida foi destruída pela água quando seu povo mergulhou de tal forma no mal, que se tornou insensível para receber às instruções que lhe foram dadas por seus líderes sábios. A Época Ária se ergueu do grande abismo, e outra oportunidade foi dada à Humanidade para continuar com sua evolução. Agora, o ser humano, novamente se vê escorregando perigosamente próximo ao final de uma descida. Pitágoras, considerado um dos maiores videntes, dizia a seus alunos que a lira era o símbolo secreto da estrutura humana – que o Corpo representava a forma física, as cordas, os nervos e o músico que a reproduziu, representavam o Espírito do ser humano. “Tocando em seus nervos”, ele dizia, “o Espírito criou uma função harmoniosa e normal que, porém, a qualquer momento, pode ser facilmente modificada para a dissonância, se a natureza do ser humano se tornar corrompida”. Nota‑se aqui o aviso oculto.
Novamente, Platão, um grande filósofo grego e estudante dos Mistérios, desaprovou a ideia de que a música se destinava unicamente a criar emoções alegres e agradáveis, contudo sustentou que ela deveria inculcar o amor por tudo que é nobre, e uma aversão por tudo que é mesquinho, degradante e baixo, e que nada poderia influenciar mais fortemente o íntimo do ser humano do que a melodia e o ritmo. Estava tão firmemente convencido desse fato, que não concordou com a introdução de uma nova e presumivelmente enervante escala musical, pois acreditava que ela iria pôr em perigo o futuro de toda uma nação; que não era possível alterar uma única nota, sem abalar os próprios alicerces do Estado.
Mais tarde, Platão afirmou que a música que enobrece a Mente (melodia) é de uma categoria mais elevada do que aquela que simplesmente apela para os sentidos. Insistiu, energicamente, que era dever supremo da Legislatura suprimir toda música de caráter lascivo, e encorajar somente a que fosse pura e dignificante. O máximo cuidado deveria ser tomado na seleção de toda música instrumental, porque a ausência de palavras poderia tornar seu significado duvidoso, tornando difícil prever se ela exerceria uma influência benéfica ou prejudicial sobre as pessoas; o gosto popular, sempre sendo estimulado para a parte sensual e, aparentemente atraente, mas tendo na realidade nenhum valor ou integridade (barulhento), devia ser tratado com o merecido desprezo. Temos aqui a resposta para a maneira sensível de mudar as condições indesejáveis: substituir as práticas do mal, às quais produzem resultados mais ou menos calamitosos, por atividades positivas, de vibrações elevadas, que levem maiores benefícios para um maior número de pessoas.
Evitando o “ragtime”, o “jazz”, o “swing”, o “bebop”[12] e outros sons, nada da verdadeira música seria perdida. Em seu apelo para os desejos sensuais e sentimentais, por meio de uma variedade excessiva das denominadas combinações harmônicas, de sucessões dissonantes de intervalos entre notas, provenientes da complexidade da música moderna e seus acordes perturbadores, nenhum elemento novo foi realmente introduzido, mas simplesmente uma confusão e um excesso de elaboração dos elementos antigos. No elemento musical rítmico, super-enfatizado, encontrado em certos tipos da chamada música popular, a verdadeira experiência musical não pode descer, por meio da harmonia, para uma atividade de movimento artístico, mas é forçada a baixar para rotações físicas ao extremo.
As três divisões primárias da música – melodia, harmonia e ritmo – estão correlacionadas aos três poderes primários de Deus: Vontade, Sabedoria e Atividade. A Vontade, que inclui intelecto e razão, unida ao Sabedoria, produz um modo de Atividade correlacionado ao equilibrado, balanceado ritmo (atividade) celestial de Deus, que ordenou os átomos de nosso Sistema Solar, na matriz das várias formas preparadas para elas pelos poderes da energia de amor do Criador. Separando‑se a Vontade (melodia) do Sabedoria (harmonia), e se unindo a Sabedoria com a Atividade (ritmo), e os dois, sendo privados do poder dirigente da Vontade (intelecto e razão), podem produzir qualquer tipo de monstruosidade que as forças do mal podem desejar formar. Descontroladas, suas atividades maléficas certamente poderão destruir, com o tempo, uma nação. Nenhuma tentativa de revolucionar a arte da música pode produzir resultados desejados, a menos que comece com o princípio artístico de coerência, e com um equilíbrio correto dos três elementos dos quais a música é composta: melodia, harmonia e ritmo.
| Elementos da Música | Triplicidade de Deus | Aspectos de Deus | Expressão |
| 1 – Melodia | Pai | Vontade | Inteligência |
| 2 – Harmonia | Cristo | Sabedoria | Sentimento |
| 3 – Ritmo | Jeová | Atividade | Movimento |
Melodia, o mais elevado poder da música, inclui razão, intelecto e julgamento. Quando a harmonia e o ritmo se unem e se divorciam da melodia, temos uma sucessão de tons não dirigidos pela inteligência, que despertam os sentimentos (harmonia) e se expressam em uma série de movimentos (moções) giratórios, fora da realidade e sensuais. Isso pode levar à forma mais baixa de excessos emocionais (atividade), alguns dos quais o regente de banda de jazz, Benny Goodman[13], descreve como o tipo de indivíduo que chuta o que encontra pela frente; o tipo valentão que arremessa garrafas, que grita, que parece ter a doença de São Vito[14]; quando os pés sapateiam fora do tempo e os braços se sacodem com o ritmo, girando como um moinho de vento em um furacão; e a histeria das massas, um tipo de pesadelo – e tudo como reação da música que está sendo tocada em algumas de nossas escolas, na maioria das vezes em lugares públicos e universalmente nos salões de dança.
Exatamente aqui se situa a forma de música enervante (que reduz o vigor da força mental ou moral) mencionada por Platão, como um perigo para o futuro de qualquer nação. O Sr. Goodman menciona, particularmente, como quando Ziggy Elman[15], ao soprar em seu trompete “uma nota aguda e prolongada que penetrava na pessoa, lhe arrepiando a espinha”, fazia os dançarinos perderem o autocontrole, e quando Gene Krupa[16] produzia uma série de notas em sua bateria, semelhantes a uma metralhadora, eles agitavam seus olhos esbugalhados e começavam a sacudir freneticamente a cabeça e os braços.
Do ponto de vista físico, há um grande perigo em tocar uma nota prolongada e aguda em um instrumento.
Cada pessoa tem sua própria nota-chave localizada na parte inferior detrás da cabeça, na base do cérebro. Se essa nota for tocada lenta e calmamente, ela construirá e descansará o Corpo, tonificará os nervos e restaurará a saúde. Se, por outro lado, se esta nota-chave for tocada de uma maneira dominante, barulhenta e prolongada, ela matará, do mesmo modo que uma bala disparada de uma arma; portanto, em uma multidão, existe sempre o perigo de ser tocada uma nota aguda, dominante e prolongada em qualquer instrumento; e o contínuo ruído das explosões de jazz nos tímpanos das crianças, provavelmente, desenvolverá uma raça de neuróticos.
Notemos que a chamada música “jazz” é uma profanação da força de Cristo (harmonia) e da Egoística energia criadora (ritmo). A primeira profanação da força Jeovística ocorreu durante a Época Lemúrica e é designada como a “Queda do Homem”. Esse desvio do caminho da evolução, projetada e apresentada por Jeová foi causado pelos Espíritos Lucíferos (prestemos atenção) que se revelam e evoluem por meio da intensidade do sentimento. A natureza de uma emoção não lhes é tão essencial como a intensidade, de acordo com seu propósito. Portanto, eles excitam as paixões humanas de natureza inferior, que são mais intensas em nosso estágio atual de evolução do que os sentimentos de alegria e amor.
Consequentemente, esses seres não hesitam em profanar ambas as forças de Deus, da sabedoria (Cristo) e as da vida (Jeová), para realizar seus propósitos. Eles são hábeis ao apresentarem, inteligentemente, discórdias dissimuladas em nossa música, e enfatizando-as com instrumentos de sons altos e barulhentos como corneta, trompete, trombone, saxofone, bateria e outros. Quando conseguem introduzi-las, vemos sua influência nefasta se manifestando em todos os lugares. Em nossa literatura, encontramos essas dissonâncias mostradas nas formas de sexo e em todos os tipos criminosos de histórias excitantes; na pintura, em figuras distorcidas e grotescas de todos os tipos; na escultura, a nudez desnecessária retratando toda sorte de incongruências. A beleza, habilidade artística e estética, em todos os lugares induzindo para o mau gosto e indo para o lado grosseiro – muitas vezes se aproximando da verdadeira vulgaridade, na forma mais baixa de indecência.
À medida que a visão espiritual do ser humano se torna mais clara e sua vontade individual mais forte, ele vai, gradualmente, se libertando da influência dos Espíritos Lucíferos e se alinhando com a força de Cristo, que é o Amor. Então, a Vontade (melodia) e o Amor (harmonia) desenvolverão a Atividade (ritmo), um novo poder (Epigênese), cuja força promoverá o progresso espiritual do ser humano com uma rapidez até agora desconhecida. Os Espíritos Lucíferos percebem que a Humanidade, por meio do poder combinado da Vontade e do Amor, será capaz de se libertar de suas influências e do seu controle parcial.
Eles sabem, também, que o corpo do ser humano é construído e sustentado pelo poder da música. Agora, se os seres humanos podem perverter essa música até ao ponto em que desordene seu Corpo Denso por meio do sistema nervoso, não sendo mais capaz de obter a quantidade necessária da essência da Alma Consciente para desenvolver seu poder de vontade, esses seres podem continuar a retê-lo em parcial servidão e usá-lo para seu próprio benefício; e isso é, exatamente, o que eles têm feito. Esses seres não têm qualquer desejo de prejudicar a Humanidade, mas como precisam dos corpos dos seres humanos para trabalhar, não pretendem liberá-los enquanto necessitarem desses veículos e tiverem o poder de dominá-los. Aqueles que aceitam a chamada nova música e permitem que ela penetre neles, são os que terão seu desenvolvimento espiritual atrasado.
Aqueles que se recusam a aceitá-la e permanecem fora de sua influência, o quanto for possível, terão seu progresso espiritual pouco ou nada prejudicado. Os que são responsáveis pela produção dessa chamada música, e aqueles cujos nervos se tornaram irremediavelmente alterados por ouvi-la, serão permitidos a irem para a guerra como soldados e enfermeiras a fim de serem afastados das atuais condições terrestres e lhes dar uma oportunidade futura para recomeçar a vida em um ambiente melhor. Os Espíritos Lucíferos, através da desobediência absoluta ao plano cósmico, malograram enormemente seu esquema de evolução, e agora estão aproveitando todos os meios possíveis para reaver seu estado perdido.
Toda essa informação foi dada à Humanidade por meio dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, e uma libertação do domínio de Lúcifer é oferecida a todos por meio do desenvolvimento do poder do amor de Cristo e da sua união com a vontade do Pai, ambos encontrados, como réplica, em toda a Humanidade. Relembremos que o “Conceito Rosacruz do Cosmos”, o livro dado à Humanidade pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz que, dirigidos pelo Arcanjo Cristo, estão incumbidos da atual evolução da Humanidade, e este livro foi miraculosamente espalhado pelo mundo, e seu preço foi mantido tão baixo que está disponível para todos que estejam prontos para receber as verdades reveladas nele.
A Vontade melódica do Pai, unindo-se com o Amor harmônico do Cristo tem o poder de produzir uma ativa vibração rítmica, cuja força não pode ser detida e nem seu objetivo desviado, pois é essa mesma energia manifestada pelo Deus de nosso Sistema Solar que trouxe tudo o que É como criação, e tem o poder de levar tudo ao Caos a qualquer momento que Ele o desejar. Portanto, é absolutamente impossível para qualquer das criações de Deus, das mais avançadas em Suas Ondas de Vida até as mais jovens em evolução, definitivamente frustrar o pleno desenvolvimento de Seus planos, pois eles são tão eternos e inabaláveis em Seus processos como o é Deus em Si mesmo.
É possível, no entanto, que membros de uma determinada Onda de Vida, ou mesmo indivíduos dela, se rebelem e, consequentemente, frustrem seu próprio progresso evolutivo, apesar de toda a assistência que lhes está sendo dispensada por aqueles que são mais sábios e mais avançados que essa Onda de Vida. Em tais casos, os responsáveis por essa evolução, às vezes, permitem que esses seres prossigam e destruam seus próprios físicos por sua própria desobediência, causada pela própria ignorância dos resultados benéficos obtidos por meio da administração divina; tudo isso acontece para que possam retornar à Terra em uma data futura, sob uma influência melhor e um ambiente mais aperfeiçoado, isento de todo ódio e do desejo de destruir seus semelhantes. Essas mudanças são realizadas na Região do Purgatório[17], por agentes benfeitores, purificadores e ativos.
Quando uma Onda de Vida, uma nação, uma comunidade ou mesmo um indivíduo se esforçam ao máximo para seguir o exemplo do Cristo, manifestando Seus preceitos em suas vidas diárias, todos podem ficar certos de que as coisas necessárias para ajudar no seu próprio desenvolvimento, sejam, aparentemente boas ou más, virão até eles. Se as lições são aprendidas e praticadas corretamente resultarão em um bem inestimável e num efeito benéfico, não só para si próprio como também para as pessoas que se relacionam nas suas vidas diárias.
Todas as condições no mundo de hoje estão sendo levadas a mudanças enormes, tão grandes em sua magnitude que quase não podem ser concebidas por nossa atual consciência limitada. Mais duas sub-raças vão evoluir e cada uma irá trilhar seu próprio percurso, que será curto; os preparativos já começaram para o desenvolvimento dos precursores da sexta grande raça, cujo aumento de consciência, desenvolvimento físico e mental, e surpreendentes realizações espirituais os colocarão na dianteira dos super-seres humanos da Terra. Então, um grande continente certamente emergirá do leito do Oceano Pacífico, cuja vastidão, beleza tropical e abundância material que não podem ser concebidas e nem imaginadas pelo atual ser humano mortal.
Como existe uma razão definida entre a quantidade de terra e de água a ser mantida para que a Terra preserve seu equilíbrio gravitacional, será necessário que certa quantidade de terra imerja no oceano para equilibrar o que emergiu dele. Essa terra levará consigo muitos de seus habitantes, que se envolveram na materialidade e tal método terá que ser aplicado para quebrar essa condição cristalizada e adaptar o ser humano para um crescimento futuro. No entanto, nada é perdido no Reino de Deus. Os atrasados e mesmo fracassados poderão retornar, pois tão generoso é o Criador que, na plenitude do tempo, Ele reúne até mesmo aqueles desafortunados e os ajuda a começar, novamente, em um ambiente apropriado sob a direção de grandes Seres que, com infinita paciência tomaram a seu cargo a tarefa hercúlea de redimir e reconstruir aquilo que parecia estar perdido.
Antes de prosseguirmos, é conveniente explicar algo do processo de criação em relação ao nosso Sistema Solar, como foi revelado pela Ordem Rosacruz, que diz o seguinte: o Deus do nosso Sistema Solar criou sete Regiões distintas, nas quais Ele está conduzindo a evolução de todas as coisas criadas por Ele. Os nomes dessas Regiões (dito Mundos), começando com os primeiros desenvolvidos são: o Mundo de Deus, o Mundo das Espíritos Virginais, o Mundo do Espírito Divino, o Mundo do Espírito de Vida, o Mundo do Pensamento, o Mundo do Desejo e o Mundo Físico. O Mundo do Pensamento é dividido em duas partes: Região do Pensamento Abstrato e Região do Pensamento Concreto. O Mundo Físico também tem duas divisões: Região Etérica e Química.
O Deus do nosso Sistema Solar cria Ondas de Vida que consistem em um incontável número de Espíritos Virginais e classificados por Ele de acordo com a época em que foram criadas. O nome da primeira Onda de Vida criada por Ele é Áries, a segunda Touro, a terceira Gêmeos, a quarta Câncer, a quinta Leão, a sexta Virgem, a sétima Libra, a oitava Escorpião, a nona Sagitário, a décima Capricórnio, a décima primeira Aquário, e a décima segunda Peixes. Esses mesmos nomes são, também, usados no Zodíaco, mas se referem a um esquema de criação totalmente diferente. As mencionadas Ondas de Vida dos seres estão espalhadas pelos sete Mundos. A décima segunda Onda de Vida, a Pisciana, é composta da nossa atual Humanidade, e quando habitam os Corpos Densos se encontram no Região Química do Mundo Físico. O tempo necessário para prosseguir o trabalho de certas fases da evolução é dividido em períodos: o Período de Saturno, seguido do Período Solar, Período Lunar, Período Terrestre, Período de Júpiter, Período de Vênus, e por último, o Período de Vulcano, que é seguido por uma noite cósmica de repouso.
No alvorecer da criação nada existia, até que um Arquétipo foi construído pela primeira vez. Ao formar um Sistema Solar, o primeiro poder de Deus é a Vontade, desejo de criar, e ela desperta o segundo poder, Sabedoria. Esta segunda força, através do poder da Imaginação, concebe a ideia (Arquétipo) de um Sistema Solar; então, o terceiro poder, Atividade, trabalhando na substância Cósmica, produz o movimento, e o poder melódico, harmônico e rítmico constrói um Arquétipo distinto para tudo que adquire forma, desde o barro até Deus. Na Quarta Região do Pensamento Concreto são encontrados os Arquétipos de todas as formas que se manifestam aqui no Mundo Físico. Lá, porém, todos os objetos sólidos da Terra aparecem como cavidades vazias (oca), de onde o som de uma nota chave básica é continuamente emitido. Um Arquétipo é uma cavidade oca que vibra e canta, que vive, se move e cria, da mesma forma que um instrumento mecânico produzido pelo ser humano que trabalha sem ter compreensão disso. Parece como um molde de gesso aqui nesse Mundo. Assim como o gesso é colocado no molde de gesso e ali forma uma estátua, também os átomos físicos são dispostos em um molde idêntico e formam um corpo vivente, seja ele de uma planta, de um animal ou de um ser humano. Cada Arquétipo emite um tom musical harmonioso, e é esse som que atrai e modela os átomos físicos, dando-lhes a forma.
Em todo ser humano, na Região da medula oblongada[18], na parte superior da medula espinhal, há uma chama que pulsa e vibra de uma maneira maravilhosa. É colorida, com raios diferentes de acordo com a natureza individual de cada ser humano. Esse fogo emite um som cantante como o zumbido de uma abelha, e este som é a nota chave do Corpo Denso, emitida também pelo Arquétipo. O tom do Arquétipo muda durante a vida e, como ele muda, assim também o Corpo Denso sofre certas mudanças.
Todo ato do ser humano tem um efeito direto sobre o Arquétipo de seu corpo. Se o ato praticado está em harmonia com as leis da vida e evolução, ele fortalecerá o Arquétipo e o proporcionará uma vida mais longa, na qual o indivíduo terá o máximo de experiência e alcançará o crescimento anímico em proporção à sua condição de vida e à sua capacidade de aprender. Assim, uma menor quantidade de renascimentos será necessária para que ele alcance a perfeição que para alguém que se esquiva do desafio da vida e tenta escapar de suas responsabilidades ou empregam seus esforços de maneira destrutiva. Nesse último estilo de vida, o Arquétipo é forçado e se rompe mais cedo. Como foi citado, aqueles cujos atos são contrários à lei, abreviam suas vidas e têm que procurar novos renascimentos, muito mais vezes do que os que vivem em harmonia com a lei. Isso é aplicado a todos, sem exceção, mas tem maior significado nas vidas daqueles que estão trabalhando conscientemente com as leis da evolução do que na dos outros que não estão. O conhecimento desses fatos deveria aumentar uma centena de vezes o nosso zelo e entusiasmo para fazer o bem. Mesmo que comecemos, como se pode dizer, “tarde na vida”, ainda assim podemos facilmente acumular mais “tesouros” nesses últimos poucos anos do que o fizemos em muitas vidas anteriores. Acima de tudo, também estamos nos preparando para começar mais cedo na próxima vida.
Existem doze Ondas de Vida distintas, que trabalham com a Humanidade, algumas, desde o início do Período de Saturno. Seus nomes são: Áries (sem nome), Touro (sem nome), Gêmeos (Serafins), Câncer (Querubins), Leão (Senhores da Chama), Virgem (Senhores da Sabedoria), Libra (Senhores da Individualidade), Escorpião (Senhores da Forma), Sagitário (Senhores da Mente), Capricórnio (Arcanjos), Aquário (Anjos), Peixes (Espíritos Virginais, ou Humanidade). Cada uma dessas Ondas de Vida tem uma nota-chave diferente: Áries, Ré bemol Maior (D flat Major, Db ou Reb Maior); Touro, Mi bemol Maior (E flat Major ou Eb ou Eb Maior); Gêmeos é Fá sustenido Maior (F sharp Major ou F# ou F# Maior), Câncer é Lá bemol Maior (A flat Major ou Ab ou Lab Maior), Leão é Si bemol Maior (B flat Major ou Bb ou Sib Maior), Virgem Dó natural (C ou Do), Libra é Ré Maior (D ou Re), Escorpião Mi Maior (E ou Mi), Sagitário Fá Maior (F ou Fá), Capricórnio Sol Maior (G ou Sol), Aquário Lá Maior (A ou Lá), Peixes Si Maior (B ou Si). A nota-chave de uma peça musical é a tônica ou o tom fundamental sobre o qual a composição musical é construída.
Todo o período da involução e evolução do ser humano está fundamentado na escala musical, que é de origem celestial. Max Heindel nos diz que a Humanidade passou por três estágios elementares antes do Período de Saturno, e esses estágios estão representados no lado esquerdo do teclado do piano por Lá, Lá sustenido e Si. O Período de Saturno começa com o som representado por Dó baixo no teclado do piano e sobe até Si, cujo tom está incluído, perfazendo 12 notas, 7 das quais são brancas e 5 pretas[19]. Os Sete Irmãos da Ordem da Rosacruz saem pelo mundo e trabalham entre a Humanidade. Cinco não são vistos no mundo. Antes da Humanidade perder o contato com a Região Espiritual do Pensamento Concreto, ela sabia que essa era uma Região de tons musicais e que esses tons permeavam e construíam todos os Arquétipos de todas as coisas existentes nos mundos inferiores, incluindo ela própria; portanto, tinha todos esses tons dentro de si mesma. Sabia que todos os seres humanos eram instrumentos musicais vivos, cujos tons eram ouvidos por eles próprios através de um tipo de percepção sensorial interna.
A superconsciência do ser humano sabe tudo isso, como também conhece o poder tremendo contido nesses tons musicais. Tendo perdido o poder de controlar essa força interior ou mesmo de contatá-la verdadeiramente dentro de si, o ser humano procurou, por meio de instrumentos musicais, reproduzir os tons vagamente percebidos em sua memória meio submersa. No lugar do ser humano, um instrumento musical internamente consciente, temos agora instrumentos musicais criados pelo ser humano; e esses instrumentos expressam alguma fase de sua natureza interna. Os instrumentos de sopro estão correlacionados à melodia – a vontade o intelecto, a cabeça, o pensamento – e o ar ou a melodia que emitem é facilmente memorizada. Os instrumentos de cordas estão correlacionados à harmonia – a emoção, a imaginação, o coração – e despertam sentimentos de felicidade, alegria, prazer, dor, tristeza, saudade e arrependimento. Os instrumentos de percussão estão correlacionados com o movimento do ritmo – músculos, ação dos membros superiores e inferiores – e estimulam, em seus ouvintes, o desejo da ação, tais como marchar, dançar, bater palmas, bater os pés em tempo rítmico.
O próprio ser humano é realmente um tríplice instrumento musical, mas, em seu estado atual de consciência, ele perdeu o contato com o conhecimento de seus poderes internos temporariamente. No entanto, em algum ponto no futuro, ele irá restabelecer esse contato, primeiro pelo sentido, depois por uma percepção interna, ouvindo realmente a nota chave de seu próprio Corpo Denso soando na parte de trás e inferior de sua cabeça. Esse tom o conectará com a lira de sete cordas localizada no cerebrum[20]. Portanto, somente é uma questão de tempo de desenvolvimento até que ele seja capaz de criar por meio do poder musical da palavra falada. Além do mais, será capaz de contatar os tons musicais usados na construção dos seus Corpos Vital e de Desejos e, através de uma consciência objetiva de seu trabalho, se tornará tão consciente desses veículos e de como eles funcionam, como agora o é de seu Corpo Denso.
É o Espírito que vê, ouve, cheira, saboreia e sente, e não os seus órgãos dos sentidos. Na verdade, eles são totalmente inúteis para tais propósitos quando o Espírito está ausente do Corpo. Eles são apenas instrumentos por meio dos quais o Espírito entra em contato com o Mundo Físico; contudo, o Espírito em si mesmo é dotado de todas essas faculdades, e mais ainda quando está funcionando nos planos invisíveis, durante o tempo em que o Corpo está dormindo, ou ainda quando, como um Iniciado, deixa o Corpo conscientemente e funciona nas Regiões mais elevadas. Quando a consciência de vigília diária contatar, conscientemente, os sentidos do Espírito, o ser humano estará preparado para iniciar o trabalho referente à Iniciação, pois os sentidos de seu Espírito vão lhe revelar, passo a passo, conscientemente, tudo o que se passou desde que iniciou seu trabalho de desenvolvimento no Período de Saturno, e tudo isso será realizado por meio do poder da palavra falada – som musical.
Então, o ser humano aprenderá, conscientemente, por meio da visão, como os grandes Anjos Estelares, dirigidos e auxiliados pelo Deus do Sistema Solar, criaram tudo o que nele existe. Verá como, pelo poder do som musical, as várias Ondas de Vida foram criadas e trazidas até seu atual estado de evolução. Ele não deve parar aqui, pois, por seus próprios esforços, poderá progredir e aprender sobre o desenvolvimento futuro que está reservado a futuras revoluções e períodos. Todo o Sistema Solar é um vasto instrumento musical, que é Deus. No Período de Saturno, os tons emitidos por Ele e Seus auxiliares são representados pelos sons produzidos pela oitava mais baixa da escala musical. Foram esses tons, começando com o mais baixo, que construíram sucessivamente os sete Globos nos quais toda a vida existia e iniciou, assim, seu lento desenvolvimento.
As teclas brancas de todas as oitavas musicais produzem os tons construtores, positivos; e as teclas pretas produzem os tons assimilativos, negativos; ambos os tons são necessários para produzir os resultados (vontade, sabedoria, atividade pai, mãe, filho/filha; assim como é em cima, assim é embaixo). As Ondas de Vida que trabalharam conosco durante o Período de Saturno foram Áries, Touro e Leão. A nota-chave de Áries é Ré bemol Maior (D flat Major, Db ou Reb Maior). A nota chave de Touro é Mi bemol Maior (E flat Major ou Eb ou Eb Maior) e a nota chave de Leão é Si Maior. Note que as teclas pretas no piano são assimilativas, e foi durante a Primeira Revolução do Período de Saturno que os leoninos, Senhores da Chama, conseguiram implantar na estrutura evoluinte do ser humano, o germe do Corpo Denso. Nessa época, o ser humano era Espírito diferenciado puro, colocado na Região do Espírito Divino, que é a Região da vontade pura.
São os sentidos internos do ser humano, tomados coletivamente, que no tempo devido, o capacitarão para se manifestar em qualquer plano, sem ajuda de órgãos especializados que tenham relação com esse plano, e o farão compreender a consciência objetiva de vigília. Quando esse estado de desenvolvimento for alcançado, o ser humano poderá ver, ouvir, cheirar, degustar e sentir o tato com todo o seu Corpo Denso. Mais tarde, ele será capaz de exercitar os mesmos sentidos da mesma maneira (controle pela vontade) em relação ao seu Corpo Vital, depois em relação ao seu Corpo de Desejos e, ainda mais tarde, em relação ao seu veículo mental. Todo esse desenvolvimento se manifestará por meio do poder da palavra falada de Deus, o Criador do nosso Sistema Solar.
O primeiro sentido interno ou espiritual a ser contatado pela consciência objetiva de vigília do ser humano será a audição (som); em seguida o tato, depois o paladar, o olfato, e finalmente a visão. O método usado para fazer esse contato com os sentidos internos ou espirituais, é a concentração. A concentração é uma manifestação unidirecional, realizada pelo Espírito por meio do poder de sua vontade, pelo qual o Espírito é capaz de excluir, absolutamente, todas as condições físicas da consciência objetiva de vigília e de fazer essa consciência ciente de seus (do Espírito) poderes espirituais internos, enquanto o Espírito ainda está dentro de seus quatros veículos interpenetrados – os Corpos Denso, Vital, de Desejos e a Mente.
O piano não é o resultado do esforço do ser humano para reproduzir os tons do seu próprio eu interior, mas é um produto da percepção do ser humano materializada na música, e, consequentemente, é um instrumento puramente terrestre. Portanto, não é apenas um instrumento interessante, mas um instrumento valiosíssimo para aqueles verdadeiros músicos que são capazes de contatar a autêntica música do mundo celestial, trazê-la à Terra e fazendo com que o ser humano produza um instrumento capaz de reproduzi-la[21]. Ainda que todos os instrumentos mecânicos e o rádio sejam de grande utilidade, nunca substituirão o piano, para aqueles que aprenderam o valor dos acordes correlacionados ao desenvolvimento do Espírito e de todos os seus veículos.
O teclado do piano disponibiliza, bem à frente do músico, suas 88 teclas (52 brancas e 36 pretas), que produzem 124 tons. As teclas brancas produzem 52 (7[22]) dos 124 (7[23]) tons e as teclas pretas produzem 72 (9[24]) tons. Nove (9) é o número da Humanidade e sete (7) é o número dos três (3) poderes espirituais do ser humano[25], mais seus quatro (4) veículos: Mente, Corpo de Desejos, Corpo Vital e Corpo Denso. Existem cinco (5) linhas na pauta musical e quatro (4) espaços – novamente, cinco (5) e quatro (4) igual a nove (9), o número da Humanidade. Há sete (7) letras na escala musical: C, D, E, F, G, A, B[26]; que ocupam a mesma posição na pauta musical. Há 7 notas na escala musical, Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si; que mudam de posição na pauta. Por exemplo, se a escala é Dó natural, o primeiro Dó é encontrado na linha abaixo da pauta.
Se há um sustenido do Dó[27], ele pode ser colocado na segunda linha da pauta. Se assim o for, então um bemol do Dó[28] deve ser colocado no primeiro espaço da pauta, etc. Cada uma das Ondas de Vida pertencente ao nosso Sistema Solar -Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Libra, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes – tem sua própria nota-chave.
A nota-chave de Áries é Ré bemol Maior (D flat Major, Db ou Reb Maior) que tem cinco bemóis, a saber: Sol bemol, Lá bemol, Si bemol, Ré bemol e Mi bemol.
A nota-chave de Touro é Mi bemol Maior (E flat Major ou Eb ou Eb Maior), que tem 3 bemóis, a saber: Lá bemol, Si bemol e Mi bemol.
A nota-chave de Gêmeos é Fá sustenido Maior (F sharp Major ou F# ou F# Maior), que tem 6 sustenidos, a saber: Lá sustenido, Dó sustenido, Ré sustenido, Mi sustenido, Fá sustenido e Sol sustenido.
A nota-chave de Câncer é Lá sustenido Maior, que tem 4 bemóis, a saber, Lá bemol, Si bemol, Ré bemol e Mi bemol.
A nota-chave de Leão é Si sustenido Maior, que tem 2 bemóis, a saber, Si bemol e Mi bemol.
A nota-chave de Virgem é Dó natural Maior e não tem sustenido ou bemol.
A nota-chave de Libra é Ré Maior, e tem 2 sustenidos, ou seja, Fá sustenido, Dó sustenido.
A nota-chave de Escorpião é Mi Maior e tem 4 sustenidos, a saber, Fá sustenido, Dó sustenido, Sol sustenido e Ré sustenido.
A nota-chave de Sagitário é Fá Maior e tem 1 bemol, a saber, Si bemol.
A nota-chave de Capricórnio é Sol Maior e tem 1 sustenido, a saber, Fá sustenido.
A nota-chave de Aquário é Lá Maior e tem 3 sustenidos, Fá sustenido, Dó sustenido e Sol sustenido.
A nota-chave de Peixes é Si Maior, e tem 5 sustenidos, a saber, Fá sustenido, Dó sustenido, Sol sustenido, Ré sustenido, Lá sustenido (Mi e Si são as únicas não sustenidos).
Os 12 semitons da oitava estão em conformidade com os 12 meses do ano e as 12 Ondas de Vida criadas pelo Deus do nosso Sistema Solar, como, também as 12 Hierarquias Criadoras que compõem o Zodíaco. Os 7 tons, representados por Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si, estão de acordo com os 7 Espíritos diante do Trono. As 5 teclas escuras na oitava representam as cinco ondas da vida, Áries, Touro, Gêmeos, Câncer e Leão, que primeiro trabalharam com nossa Humanidade. As 7 teclas claras representam as Ondas de Vida hierárquicas, Virgem, Libra, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes, que ainda estão trabalhando com a Humanidade durante o Período Terrestre. À medida que os mistérios ocultos são revelados, compreendemos, de imediato, o significativo fato de que, do princípio ao fim das complexidades do mundo, existe um princípio metódico verdadeiro que nunca se desvia nas suas manifestações.
Uma das primeiras coisas a se tornar aparente para o verdadeiro estudante do ocultismo é o fato de que o Cosmos é construído sobre os aspectos 1-3-5-7-10 e 12, e que os 12 semitons da oitava musical correspondem, em todos os detalhes, ao esquema cósmico – de fato, isso confunde um pouco: quando lembramos que na oitava musical é necessário contatar o mundo do tom, o Segundo Céu, localizado na Região Concreta do Mundo do Pensamento, que, embora comparativamente intangível aos sentidos físicos, ainda é a verdadeira base da manifestação material. Vemos esse mesmo esquema numérico representado tanto no Espírito individualizado como em Deus, o Criador do nosso Sistema Solar. Por exemplo: Deus é um (1). Seus três (3) poderes são Vontade, Sabedoria e Atividade. Seus sete (7) auxiliares planetários, na Bíblia, são chamados os Sete Espíritos diante do Trono.
O ser humano possui três (3) poderes, designados como Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano, um elo (1) da Mente, e seus três (3) veículos inferiores – os Corpos de Desejos, Vital e Denso – dos quais ele extrai uma essência Tríplice (3) chamada Alma[29]. Antes de prosseguir, é bom rever os seguintes fatos: a escala cromática inclui todos os tons da oitava, tanto as teclas brancas como pretas, tomadas em ordem regular começando pelo Dó. O Dó está sempre antes de duas teclas pretas agrupadas no piano. Existem doze (12) tons na escala cromática[30]. A escala diatônica é composta apenas pelos tons produzidos pelas teclas brancas do piano – nenhuma tecla preta. Há sete (7) tons (teclas) na escala diatônica[31]. Notemos outras semelhanças com essas escalas: existem doze (12) cores, sete (7) visíveis e cinco (5) invisíveis à visão física. Existem doze (12) orifícios no corpo, sete (7) visíveis e cinco (5) invisíveis.
Existem doze (12) grandes Ondas de Vida evoluindo em nosso esquema de evolução, cinco (5) das quais completaram seu trabalho e se retiraram da manifestação: Áries, Touro, Gêmeos, Câncer e Leão. As outras sete (7) estão ativas durante o Período Terrestre: Virgem, Libra, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes. A regra geral para um acorde na música é: duas notas na clave de Fá (positiva e negativa) e três na clave de Sol, a trindade. Dois mais três (2+3) somam cinco (5), o número dos sentidos do ser humano, como estão desenvolvidos atualmente. Um acorde na música é composto de uma combinação de tons que se misturam harmoniosamente quando tocados juntos, sendo que o tom mais baixo é a raiz ou nota-chave, e as outras duas notas, que formam o acorde, devem estar em harmonia com essa determinada nota, do contrário o resultado será uma dissonância.
Em toda parte da natureza encontramos o tom manifestado, como também o número, a cor e a forma; e isso sem exceção. A primeira oitava completa da escala cromática contendo 12 tons, dos quais procedem todos os temas celestiais, forneceu os tons usados durante o Período de Saturno. Durante cada um dos Sete Períodos, nossa Onda de Vida mergulha na matéria e sai dela novamente sete (7) vezes. Na aurora do Período de Saturno os Senhores da Mente (Onda de Vida de Sagitário) eram a Humanidade; a Onda de Vida Arcangélica estava em um estágio semelhante à do animal; a Onda de Vida Angélica estava no estágio semelhante à do vegetal e a nossa própria Onda de Vida estava em um estágio semelhante aos minerais. O veículo mais inferior de cada Onda de Vida era constituído da substância da Região do Pensamento Concreto, e o único veículo do ser humano, o germe de seu atual Corpo Denso, também era feito dessa substância.
A Onda de Vida de Áries trabalhou com os vários veículos dessas quatro Ondas de Vida – Senhores da Mente, Arcanjos, Anjos e nossa própria Onda de Vida (Peixes) – por meio do poder incorporado no tom Ré bemol, a Onda de Vida Taurina pelo poder produzido por Mi bemol, e a Onda de Vida Leonina pela força contida em Lá sustenido. As Ondas de Vida de Áries e de Touro foram as primeiras a aparecer, preparando as condições apropriadas para o futuro desenvolvimento das quatro Ondas de Vida que evoluíram durante o Período de Saturno. Então, durante a primeira imersão (Revolução) de nossa própria Onda de Vida (Pisciana), quando ela tinha alcançado o ponto mais inferior (Região do Pensamento Concreto), por meio do poder da nota-chave Lá sustenido, os Leoninos[32] irradiaram de seus próprios corpos para os nossos, o germe do nosso atual veículo Denso. Mais tarde, durante nossa sétima imersão (Revolução) na Região do Pensamento Concreto, essa mesma Onda de Vida dos Leoninos, pelo poder da nota-chave Lá sustenido, despertaram a passiva força do nosso Espírito Divino.
Assim, a Humanidade, ao final do Período de Saturno, possuía o germe do Corpo Denso, construído da substância da Região do Pensamento Concreto, e um Espírito Divino desperto, que mais tarde se desenvolveria no poder da Vontade. Durante o Período de Saturno, as várias Ondas de Vida envolvidas começaram a trabalhar no Mundo do Espírito Divino, depois entraram no Mundo do Espírito de Vida, em seguida na Região do Pensamento Abstrato e, finalmente, na Região do Pensamento Concreto (4). Após cada imersão completa (Revolução) na matéria que foram 7 em 7 globos, descansaram no Mundo dos Espíritos Virginais (1) assimilando tudo o que tinham contatado e preparando-se para outro Dia de Manifestação. Quatro (4) Mundos e mais um são cinco (5), o número de Cristo, indicando o tremendo poder que esse grande Ser se tornou no esquema da evolução.
Depois que todas as sete (7) imersões (revoluções) se completaram ao longo período de assimilação e descanso, onde toda a vida evoluinte se juntou, se misturando livremente desde a mais elevada até a mais inferior, as altas vibrações, por indução, elevaram as mais inferiores a um grau considerável. Isso aconteceu entre cada um dos Sete Períodos: Saturno, Solar, Lunar, Terrestre, de Júpiter, de Vênus e de Vulcano. A segunda oitava da escala cromática forneceu os sons musicais usados durante o Período Solar, e as primeiras Ondas de Vida a aparecer foram as de Leão, Senhores da Chama, nota-chave Lá sustenido, Virgem, Senhores da Sabedoria, nota-chave Dó em segunda oitava; Libra, Senhores de Individualidade, nota-chave Ré; Escorpião, Senhores da Forma, nota-chave Mi. Seguiram-se as de Sagitário, Senhores da Mente, nota-chave Fá, depois Capricórnio, Arcanjos, nota-chave Sol; Aquário, Anjos, nota-chave Lá, e depois Peixes, nossa própria Onda de Vida, nota-chave Si. Os Arcanjos foram a Humanidade do Período Solar.
Durante a sexta imersão (Revolução) na matéria de nossa atual Humanidade, a Onda de Vida de Câncer, os Querubins, cuja nota-chave é Sol sustenido, reapareceu e por meio do poder incorporado em sua nota-chave, despertou a passiva força do nosso Espírito de Vida. Ao final do Período Solar, nossa Onda de Vida possuía o germe aperfeiçoado do que se tornaria um Corpo Denso; depois o germe de um Corpo Vital, um Espírito Divino que despertou e um Espírito de Vida também despertado, que mais tarde se manifestaria como poder do Sabedoria. Durante o Período Solar, as várias Ondas de Vida começaram seu trabalho no Mundo do Espírito de Vida, depois entraram na Região do Pensamento Abstrato, depois na Região do Pensamento Concreto e, por último, no Mundo do Desejo. Após cada imersão completa na matéria (Revolução) – 7 delas sobre 7 globos – todas descansaram no Mundo do Espírito Divino, novamente assimilando tudo o que haviam contatado, e se preparando para outro Dia de Manifestação.
O veículo mais inferior da Onda de Vida evoluinte era, então, composto de substância do Mundo do Desejo. Notemos que, após o término do Período Solar, seguiu outro grande período de descanso assimilativo. A terceira oitava da escala cromática forneceu os sons musicais usados durante o Período Lunar. Na aurora do Período Lunar, começaram a aparecer as várias Ondas de Vida em evolução. Primeiro surgiram os Senhores da Sabedoria, Virgem, trazendo consigo os veículos germinais do ser humano em evolução; os Senhores da Individualidade, Libra, foram os seguintes imediatos e tiveram a tarefa especial da evolução material do Período Lunar. Durante o Período de Saturno, o Corpo Denso germinal do ser humano começou a desenvolver os órgãos dos sentidos. A música era no tom Lá sustenido, a nota-chave de Leão (Si bemol Maior (B flat Major ou Bb ou Sib Maior)). Para sustenizar uma letra (ou nota), toca-se a tecla preta logo acima dela.
Para bemolizar uma letra (ou nota), toca-se a tecla preta logo abaixo dela. Se a chave de Lá sustenido (ou Si bemol) foi usada para desenvolver os órgãos dos sentidos no germe do Corpo Denso, então, os tons da escala de Lá sustenido (ou Si bemol) podem ser usados para fornecer a continuidade desse desenvolvimento. A escala Lá sustenido contém quatro notas sustenidas: Lá sustenido, Si sustenido, Ré sustenido, Mi sustenido e três notas dobradas sustenidos: Fá dobrado sustenido, Dó dobrado sustenido, Sol sobrado sustenido. Os acordes são:
A escala Si bemol contém duas notas bemolizadas, mas observem que as notas, exceto os sustenidos e bemóis, são exatamente as mesmas. As notas são bemolizadas são Si e Mi.
Os Senhores da Chama exerceram a liderança durante o Período de Saturno; e como sua escala musical, Lá sustenido (ou Si bemol), continha os tons usados para despertar o poder do Espírito Divino, que é a Vontade, então, esses mesmos tons possuem um imenso valor para futuramente desenvolver ainda mais esse poder tão elevado do Espírito, a Vontade.
Na segunda imersão (Revolução) na matéria, no Período Solar, a Onda de Vida de Virgem (Senhores da Sabedoria) irradiou de seus próprios corpos o germe do Corpo Vital do ser humano, incluindo todas as possibilidades que ele possuía, e o implantou no próprio corpo do ser humano. A Onda de Vida de Virgem tem Dó natural como sua nota-chave; e consequentemente, os acordes pertencentes a essa escala, a escala de Dó natural, quando tocados, ajudarão no desenvolvimento futuro das potencialidades do Corpo Vital. Esses acordes são:
Algumas das potencialidades do Corpo Vital são crescimento, desenvolvimento das percepções sensoriais, propagação, desenvolvimento e ação das glândulas e de todos os órgãos físicos, que utilizem da substância etérica, possuídos pelo Corpo Denso. Durante a sexta imersão (Revolução) na matéria, no Período Solar, a Onda de Vida de Câncer despertou o germe do Espírito de Vida. A nota-chave de Câncer é Sol sustenido Maior (Lá bemol), e os tons de acordes pertencentes a essa Onda de Vida é que foram usados para obter os resultados.
Os acordes pertencentes a Sol sustenido Maior são:
Se os tons de Sol sustenido Maior (Lá bemol) despertaram o germe do Espírito de Vida, esses mesmos tons musicais ajudarão a estimular e a desenvolver poderes potenciais do Espírito de Vida. A terceira oitava da escala cromática forneceu os tons musicais usados durante o Período Lunar. No Período Lunar, durante a terceira imersão (Revolução) em substância mais densa do corpo, a Onda de Vida de Libra, Senhores da Individualidade, irradiaram de si mesmos o germe que mais tarde se desenvolveu no Corpo de Desejos do ser humano. O nota-chave de Libra é Ré Maior, e os tons pertencentes a essa escala, representados pelos seus acordes, é que foram usados para realizar esse trabalho. Os acordes, pertencentes a Ré Maior, são encontrados na escala que usa dois sustenidos. As notas sustenidas são Dó e Fá.
Os acordes dessa escala são:
Os tons encontrados nos acordes em Ré Maior ajudarão a desenvolver o Corpo de Desejos, de acordo com o perfeito padrão cósmico. Durante a quinta imersão (Revolução) em substância mais densa no Período Lunar, a Onda de Vida de Gêmeos, os Serafins, reapareceram e despertaram, até então passivo, o Espírito Humano. A nota-chave da Onda de Vida de Gêmeos é Fá sustenido Maior (F sharp Major ou F# ou F# Maior). As notas sustenidas são: Lá, Dó, Ré, Mi, Fá e Sol (todas sustenidas, exceto o Si). Os acordes de Fá sustenido Maior (F sharp Major ou F# ou F# Maior) são:
Os tons usados para estimular e ajudar a promover o desenvolvimento do Espírito Humano são encontrados nos tons de acordes pertencentes à tonalidade de Fá sustenido Maior (F sharp Major ou F# ou F# Maior).
No final do Período Lunar, o terceiro grande Dia Cósmico, encontramos as seguintes condições: as Ondas de Vida, por meio do poder de seus respectivos tons musicais incorporados em escalas e acordes, trabalharam sobre o desenvolvimento do ser humano: Áries Ré bemol; Touro, Mi bemol; Gêmeos, Fá sustenido; Câncer, Sol sustenido Maior; Leão, Lá sustenido; Virgem, Dó natural; Libra, Ré Maior. Como resultado de seus trabalhos, o espírito-ser humano possuía despertos os poderes do Espírito: Divino e de Vida e Humano os Corpos: Denso, Vital e de Desejos, muito pouco desenvolvidos, e que estavam ainda no início de sua manifestação. Os tons usados pelas Ondas de Vida em seus trabalhos são encontrados no piano, começando com Ré bemol na extremidade inferior do teclado e se estendendo até ao Dó central, no meio do teclado. Nessa época, o ser humano ainda estava fora de seus veículos e, todo o trabalho que executava era automático e dirigido pelos grandes Seres mencionados acima, que estavam encarregados de sua evolução.
No final do Período Lunar houve uma divisão no Globo ou no Planeta na qual estávamos evoluindo, e esse Planeta menor foi arremessado ao espaço. Esse Planeta se condensou muito rapidamente e permanecendo o campo da nossa evolução até o final do Período Lunar. Com relação a essa época, Max Heindel diz: “Imagine um imenso globo girando no espaço como um satélite ao redor de globo de origem. É o Corpo do Grande Espírito, Jeová. Assim como agora somos constituídos de carne macia e ossos duros, assim também a parte central do Corpo de Jeová era mais densa que a externa, que era nebulosa e semelhante à nuvem. Embora sua consciência interpenetrasse o todo, ele próprio aparecia principalmente na nuvem, juntamente com seus Anjos e outras Hierarquias Criadoras. Desse grande firmamento de nuvens pendiam milhões de cordões, cada um com sua própria bolsa fetal, pairando próximo à densa parte central da nuvem. E, assim como a corrente vital da mãe humana circula por meio do cordão umbilical, nutrindo o embrião durante a vida pré-natal com o propósito de desenvolver um veículo onde o espírito possa habitar independentemente quando o período de gestação for completado, também, a vida divina de Jeová nos cobria na nuvem e acompanhou toda a família humana durante aquele estágio embrionário de nossa evolução. Éramos, então, tão incapazes de iniciativa como o feto o é hoje”.
No final do Período Lunar, as partes divididas do globo original foram dissolvidas e imersas no Caos geral, que precedeu a reorganização do globo para o Período Terrestre. No Período Terrestre, a Onda de Vida de Virgem, os Senhores da Sabedoria, nota-chave Dó natural (também Dó central do Piano), se encarregaram do desenvolvimento do Espírito Divino, o poder-vontade do ser humano. Os acordes de Dó natural são encontrados no Capítulo VI. A Onda de Vida de Libra, os Senhores da Individualidade, estava suficientemente avançada para despertar o segundo poder do ser humano, o poder do amor do Espírito de Vida de atração e coesão, colocado sob seus cuidados. Sua nota-chave é Ré Maior e, também, os acordes de Ré Maior podem ser encontrados no Capítulo VI.
A Onda de Vida de Escorpião, os Senhores da Forma, se encarregaram do terceiro poder do ser humano, o Espírito Humano, que é o poder da sua atividade e se manifesta como fecundação – o poder de produzir e crescer. A nota-chave de Escorpião é Mi Maior, e tem 4 sustenidos, a saber, Dó sustenido, Ré sustenido, Fá sustenido e Sol sustenido. Os acordes são:
Durante a quarta imersão na matéria (ou Revolução), na Época Atlante, a Onda de Vida de Sagitário, os Senhores da Mente, irradiaram de si mesmos para o interior do nosso ser, o núcleo do material com o qual estamos, agora, procurando construir uma Mente organizada. A Mente é formada pela substância das quatro Regiões do Pensamento Concreto. A segunda Região contém os Arquétipos da vitalidade universal; a terceira contém os Arquétipos do desejo e da emoção; a quarta Região contém as forças arquetípicas da mente humana, sendo que a primeira, ou Região mais inferior, contém os Arquétipos da forma.
A Região das Ideias Germinais, na Região do Pensamento Abstrato, é refletida na primeira Região do Pensamento Concreto. As Ideias Germinais de Vida, na Região do Pensamento Abstrato, são refletidas na segunda Região do Pensamento Concreto, e a Região das Ideias Germinais Abstratas do Desejo e das Emoções são refletidas na terceira Região de Pensamento Concreto. Na última parte da Época Lemúrica uma pequena parte da nossa Humanidade estava suficientemente desenvolvida para que pudesse receber o germe da Mente. A nota-chave de Sagitário é Fá Maior e tem um bemol, que é o Si. Os acordes são:
Observe que esse acorde está correlacionado com a Mente, o último veículo adquirido pelo ser humano e o menos desenvolvido dos quatro que possui: Denso, Vital, de Desejos e Mente. Aqui temos a chave para o rápido desenvolvimento mental, os acordes de Fá Maior, que contém Si bemol (Sib). Max Heindel afirma que as tonalidades musicais ou encantamentos são usadas em todas as ordens ocultas e para todos os propósitos. Nas ordens ocultas, como a dos Rosacruzes, a nota-chave do encantamento entoado em cada grau é de uma medida vibratória diferente da nota-chave de todos os outros graus e aquele que não possuir a chave é incapaz de se harmonizar nesse grau, se sentindo paralisado, como se houvesse uma muralha invisível de vibração circundando o Templo.
Max Heindel afirma ainda que a música tem uma missão maior do que simplesmente a de nos proporcionar prazer. De fato, a Harmonia das Esferas é a base de toda evolução, pois sem ela não poderia haver qualquer progresso; e no momento em que nossos ouvidos estabelecem harmonia com ela, alcançaremos a “chave” para todo avanço. Ele diz que no Segundo Céu o Espírito possui o conhecimento dos sete Planetas, que formam a caixa de ressonância e as sete cordas da lira de Apolo. Os Senhores da Mente, Sagitário, só trabalham com a Humanidade no plano terrestre, pois não tratam com nada que seja inferior à substância mental. Os Arcanjos são especialistas em construir Corpos a partir da substância do desejo e, portanto, são capazes de ensinar o ser humano e aos animais a moldar e usar o Corpo de Desejos. A nota-chave dos Arcanjos, a Onda de Vida de Capricórnio, é Sol Maior. Sua escala tem um sustenido, a saber, Fá sustenido (Fá#). Seus acordes são:
Os Anjos são extremamente experientes na construção do Corpo Vital, pois no Período Lunar, quando eram humanos, o Éter era o estado mais denso da matéria. Devido a sua habilidade de construir e modelar o Éter, eles são realmente os instrutores do ser humano, do animal e das plantas, em relação às funções vitais, incluindo a propagação e nutrição. A nota-chave dos Anjos, os Aquarianos, é Lá Maior. Sua escala tem 3 sustenidos, ou seja, Fá sustenido (Fá#), Dó sustenido (Dó#), Sol sustenido (Sol#). Seus acordes são:
Nossa própria Onda de Vida humana está aprendendo a se tornar perita na construção de Corpos a partir da substância física e, portanto, as pessoas estão ficando aptas a se tornarem instrutoras para o reino mineral, quando os membros desse reino estiverem suficientemente individualizados para utilizar formas distintas.
Já estamos começando a modelar vários minerais em formas individuais. A nota-chave da Humanidade, os piscianos, é Si Maior. Sua escala tem 5 sustenidos, a saber, Fá sustenido (Fá#), Dó sustenido (Dó#), Sol sustenido (Sol#), Ré sustenido (Ré#) e Lá sustenido (Lá#). Seus acordes são:
A nota-chave da Onda de Vida de Áries é Ré bemol Maior (D flat Major, Db ou Reb Maior). Sua escala contém 5 bemóis, a saber, Sol bemol (Solb), Si bemol (Sib), Ré bemol (Réb), Mi bemol (Mib), Lá bemol (Láb). Seus acordes são:
A nota-chave da Onda de Vida de Touro é Mib maior. Sua escala contém 3 bemóis, a saber, Láb, Sib, Mib. Seus acordes são:
Cada parte do corpo do ser humano foi construído pelas notas-chave vibratórias das doze grandes ondas da vida assistidas pelos Sete Espíritos diante do Trono: Urano, Saturno, Júpiter, Marte, Terra, Vênus, Mercúrio, mais a ação de Netuno, Lua terrestre. Os poderes espirituais do ser humano foram despertados por algumas das doze grandes ondas da vida, como mencionado nos capítulos anteriores.
Esse trabalho foi e continua sendo executado em toda a Humanidade, independentemente do Signo Solar planetário do indivíduo. Todos esses grandes Auxiliares Invisíveis estavam, ou estão agora, executando suas atividades sob a direção do Deus do nosso Sistema Solar, e são, por assim dizer, Seus embaixadores terrestres. O Deus do nosso Sistema Solar cria em Ondas de Vida, como já mencionado. Doze dessas Ondas de Vida têm os mesmos nomes que os Signos do Zodíaco e serão usadas mais tarde por Eles como Signos de Seu próprio Zodíaco, quando Ele se dissolver na unidade para formar o invólucro de um Sistema Solar para um outro Deus.
As Ondas de Vida de Áries e Touro estão agora no Mundo de Deus; as Ondas de Vida de Gêmeos, Câncer e Leão estão no Mundo dos Espíritos Virginais; a Onda de Vida de Virgem está no Mundo Espírito Divino; a Onda de Vida de Escorpião está na Região do Pensamento Abstrato do Mundo do Pensamento; a Onda de Vida de Sagitário está na Região do Pensamento Concreto no Mundo do Pensamento; a Onda de Vida de Capricórnio está no Mundo do Desejo; a Onda de Vida de Aquário está na Região Etérica do Mundo Físico; e a Onda de Vida de Peixes está na Região Química do Mundo Físico. Isso não significa que os seres pertencentes a essas doze Ondas de Vida estejam confinados dentro dos limites de uma determinada Região ou Mundo.
Essas Regiões são simplesmente seus lares; eles estão livres para prestar serviço em muitas outras localidades ou em outros planos, da mesma forma que nossa própria Onda de Vida, durante a atual manifestação, funciona em Mundos tão elevados quanto o Mundo do Pensamento Abstrato. Quanto mais compreendermos a criação, melhor entenderemos a música e vice-versa. Por exemplo, um acorde perfeito é formado da primeira, terceira e quinta letras ou notas na escala. As letras são C, E, G; as notas são Dó, Mi, Sol, sendo que tanto as letras quanto as notas representam o mesmo tom. Para sabermos qual a Onda de Vida planetária que rege espiritualmente um Período devemos primeiro atentar para a Onda de Vida humana daquele período.
Os Sagitarianos ou Senhores da Mente eram a Humanidade do Período de Saturno. Agora, começando por Sagitário conte mais cinco Ondas de Vida para cima e chegaremos à Onda de Vida de Leão ou Senhores da Chama, que tinham aos seus cuidados os impulsos espirituais começando a agir sobre a Humanidade do Período de Saturno. Lembremos que a nota-chave de Leão é Lá sustenido (musicalmente usado: Sib Maior – Bb Major), cuja música está relacionada com o trabalho feito para o crescimento do Corpo Denso e o despertar do Espírito Divino. Assim, qualquer música escrita na tonalidade de Lá sustenido (Bb Major) favorecerá o trabalho executado durante o Período de Saturno. A Humanidade do Período Solar eram os Capricornianos ou Arcanjos.
Começando aqui e contando para cima até cinco, encontramos os Virginianos ou Senhores da Sabedoria, como a Onda de Vida encarregada dos impulsos espirituais que estavam começando a atuar sobre a Humanidade do Período Solar. A nota-chave de Virgem é Dó natural. O trabalho especial que estava sendo feito se relaciona com o crescimento do Corpo Vital e o despertar do Espírito de Vida. Consequentemente, qualquer música escrita na tonalidade de Dó natural ajudará o trabalho iniciado no Período Solar. A Humanidade do Período Lunar era a dos Aquarianos ou Anjos. Começando com eles e contando para cima até cinco, encontramos a Onda de Vida de Libra ou dos Senhores da Individualidade, encarregados dos impulsos espirituais que estavam agindo sobre a Humanidade do Período Lunar. A nota-chave de Libra é Ré Maior. O trabalho especial que estava sendo feito se refere ao crescimento do Corpo de Desejos e o despertar do Espírito Humano.
Consequentemente, qualquer música escrita na tonalidade de Ré Maior ajudará o trabalho iniciado no Período Lunar. A Humanidade do Período Terrestre é a dos Piscianos, nossa própria Onda de Vida. Começando com Peixes e contando para cima até cinco, encontramos as Ondas de Vida de Escorpião ou Senhores da Forma, encarregados dos impulsos espirituais que agora estão sendo dirigidos para nós, a Humanidade do Período Terrestre. A nota-chave de Escorpião é Mi Maior. O trabalho especial que está sendo feito durante o Período Terrestre se refere ao desenvolvimento do veículo Mente. Consequentemente, qualquer música escrita na tonalidade de Mi Maior ajudará o crescimento da Mente, que é o trabalho do Período Terrestre. O propósito da regência espiritual é principalmente dar os impactos necessários para que atuem como um estímulo de ação na Onda de Vida inferior, sobre a qual o impacto é dirigido, pois todo desenvolvimento é o resultado de algum tipo de atividade musical.
Resumindo o que foi dito, encontramos:
Os acordes relacionados aos três poderes do Espírito e aos quatro veículos do ser humano, como também, toda música escrita na nota-chave dos acordes, podem ser efetivamente usados para desenvolver os três poderes espirituais do ser humano e os seus quatro veículos.
A Harmonia das Esferas não está composta de tom único; varia de dia a dia e de mês a mês, conforme o percurso do Sol e dos Planetas através de cada Signo. Há, também, variações anuais periódicas devido à Precessão dos Equinócios. Há real e uma infinita variedade na Música das Esferas, e que realmente deve acontecer, pois a constante mudança da vibração espiritual é a base de toda a evolução física e espiritual. Nos meses de março e abril predominam os tons de Áries e Marte, propícios à germinação, renovação de vida e crescimento nos reinos humano e vegetal. Se pudéssemos ter uma leve ideia da Música das Esferas nessa época, ouviríamos canções de Páscoa como:
Jesus Cristo ressuscitou hoje, Aleluia!
Nosso dia sagrado e triunfante, Aleluia!
Aquele que na Cruz pregado, Aleluia!
Sofreu para nos resgatar da perdição, Aleluia![33]
Cristo Jesus é a personificação do amor espiritual; portanto, a música composta na tonalidade de Libra (Ré Maior), regida por Vênus, o Planeta do amor, está em total harmonia com a Sua vibração, e com a desse grande Ser. Em junho e julho, os tons produzidos por Câncer e pela Lua predominam, auxiliados pelos tons de Leão e pelo Sol, os quais tendem a amadurecer os processos iniciados pelos tons energizantes de março, abril, maio e junho. Durante junho, julho, agosto e setembro, o amor e a vida agem intensamente nos corações em regozijos, pois são Mestres na luta pela existência, enquanto o Sol é exaltado nos céus do norte até ao máximo de seu poder na época do Solstício de Junho. Essa é a época em que o Cristo, tendo alcançado o trono do Pai (o Mundo do Espírito Divino), depois de ter completado Seu trabalho terrestre por mais um ano, é saudado pelas hostes celestiais, os Senhores da Sabedoria, que também habitam lá.
Em honra a esse grande Ser, que deu a Sua vida até a exaustão, é apropriado nos juntarmos àquele coro celeste cantando:
Aclamem todos o poder do nome de (Cristo) Jesus!
Deixe os Anjos prostrarem-se;
Tragam o diadema real
E como o Senhor de todos, coroem-No[34].
A nota-chave de Leão é Lá sustenido Maior (musicalmente Si bemol). O Sol, seu Regente, e sua palavra-chave é Vida. A nota-chave de Câncer é Sol Maior e sua palavra-chave é a fecundação. Em setembro, outubro, novembro e dezembro os tons de Virgem, cuja nota-chave é Dó natural, e a palavra-chave de Mercúrio, razão energizada pelos tons de Escorpião, nota-chave é Mi Maior e pela palavra-chave de Marte, energia dinâmica, se prepararam para o encontro com a força dos raios do Cristo que se aproxima, na sua descida anual à Terra, e cujas poderosas vibrações espirituais estão na atmosfera da Terra e a Humanidade seria capaz usá-las, com maior proveito, se conhecesse os fatos e redobrasse seus esforços para prestar o serviço amoroso e desinteressado aos seus semelhantes.
Apresentamos aqui a letra e a música que podem ser de grande valia a cada um de nós para o seu desenvolvimento evolutivo:
Oh, adorem o Rei, todos que são gloriosos no além,
E com gratidão, cantem Seu maravilhoso amor;
Nosso Amparo e Defensor, o Venerável dos Dias vem,
Envolvido em grande luz e cingido com louvor[35].
Verdadeiramente é assim; pois a medida em que Cristo desce para à Terra, uma canção harmoniosa, rítmica e vibratória, uma hosana é cantada pelas hostes celestiais enchendo a atmosfera da Terra e atuando sobre todos, como um impulso em direção à aspiração espiritual. Durante dezembro, janeiro, fevereiro e março, os tons do filantrópico Sagitário, nota-chave Fá Maior, regido pelo otimista e benevolente Planeta Júpiter, cuja palavra-chave é idealismo, e o quieto e metódico Capricórnio, nota-chave Sol Maior, regido pelo conservador e perseverante Saturno, cuja palavra-chave é obstrução, com suas sistemáticas atividades construtivas, preparam a Terra para receber o raio do amor de Cristo e nutri-la, até que esteja preparada para a liberação, até o centro da Terra e, então, começa sua viagem para fora, em direção a periferia da Terra, alcançando-a na época do Equinócio de Março.
Quando os dias são curtos e as noites longas, na Noite Santa[36], o raio do Espírito de Cristo alcança o centro da Terra. Aqui Ele permanece por três dias e três noites liberando de Si mesmo a germinante força do Espírito Santo que, lentamente, vai permear a Terra e frutificá-la para o próximo ano. Sem esse poder vitalizante e energizante liberado pelo Cristo, a Terra permaneceria fria, estéril e sombria; todos os seres viventes pereceriam e todo progresso ordenado seria frustrado, no que se refere ao nosso atual esquema de desenvolvimento. Portanto, seria mais apropriado que na época Santa do Natal emanássemos nosso sincero reconhecimento e adoração, juntando-nos às hostes celestiais, entoando canções de louvor sintonizadas à música celestial, dada a nós pelo grande músico e mestre Felix Mendelssohn[37]:
Ouçam! Os Anjos mensageiros cantam;
Glória ao recém-nascido Rei;
Paz na Terra e suave misericórdia,
Deus e pecadores reconciliados;
Alegre, que todas as nações se elevam,
Junta-te ao triunfo dos céus; com a hoste angelical proclamar, Cristo nasce em Belém.[38]
As Ondas de Vida Hierárquicas e os Signos zodiacais não são os únicos auxiliares da Humanidade para ajudá-la em sua evolução. Os Sete Espíritos ante o Trono: Marte, Mercúrio, Vênus, Terra, Saturno, Júpiter e Urano prestaram e estão prestando um grande serviço à Humanidade e, no momento, em contato muito íntimo com a Humanidade. Cada um desses Planetas têm uma nota-chave própria, e é através do poder vibratório delas que os Planetas são capazes de prestar auxílio. Quando o Espírito inicia os preparativos para o renascimento, ele constrói o Arquétipo criativo de sua forma física no Segundo Céu, a Região do Pensamento Concreto do Mundo do Pensamento, com a assistência dos Sete Espíritos ante o Trono. Esse Arquétipo é um modelo ou um molde sonoro, vibrante, uma cavidade oca posta em ação pelo Espírito, com uma certa força que é proporcional ao tempo a ser vivido na Terra.
Até que o Arquétipo cesse de vibrar, a forma correspondente, construída dos elementos químicos da Terra, continuará a existir. A Região do Pensamento Concreto é o reino do som, onde a Harmonia das Esferas, uma música verdadeiramente celestial, impregna tudo que lá existe, assim como a atmosfera da Terra circunda e envolve tudo aqui. Podemos dizer que todas as coisas nessa Região estão envolvidas e permeadas por música – vivem e crescem por meio da música. Tudo isto demonstra, claramente, que nossa música terrena não aconteceu por acaso, mas foi estabelecida sobre bases encontradas nos Mundos espirituais mais elevados, cuja origem está na palavra falada de Deus, o Criador do nosso Sistema Solar.
Observemos que as notas da escala musical são: Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si[39], que formam um intervalo de sete tons, a base da Harmonia das Sete Esferas. As vibrações de Urano e Netuno só atuaram no progresso material do ser humano muito depois da época de Pitágoras, quando começou a sentir suas vibrações. Os tons desses dois Planetas, acrescentados aos sete, perfazem nove, o número da Humanidade.
Os sete tons maiores da escala, quando tocados corretamente, possuem dentro de si os poderes criativos e construtores de Deus. A manifestação dos tons menores é subjetiva ou assimilativa por natureza, portanto, não criativa. O lar dos cinco tons menores é o Terceiro Céu (Região do Pensamento Abstrato).
Quando o Espírito abandona o Corpo Denso (físico) no momento da morte, ele passa pelo Mundo do Desejo, Mundo do Pensamento Concreto (Segundo Céu) e Mundo do Pensamento Abstrato (Terceiro Céu), onde permanece algum tempo antes de voltar a renascer na Terra. Quando chega o momento do renascimento, ele deixa o Mundo do Pensamento Abstrato e penetra no Mundo do Pensamento Concreto. Ali, a Música das Esferas põe, imediatamente, o Átomo-semente do Corpo Denso em vibração, e um desses sete Planetas vibra, em particular harmonia com o Átomo-semente do Corpo Denso do Espírito. Cada tom planetário é modificado para se adaptar ao tom básico desse Planeta, em harmonia com o denso Átomo-semente do Corpo Denso do Espírito, tornando-se, assim, o Regente planetário dessa próxima vida terrena do Espírito.
Quando os tons dos vários Planetas se chocam com o Átomo-semente do Corpo Denso, cada um deles ajuda a construir o Arquétipo do Espírito, e mais tarde, as linhas de força vibratórias formadas no Arquétipo, atraem e ordenam adequadamente os átomos densos do Corpo Denso. Assim, tanto o Arquétipo quanto o Corpo Denso expressam, de forma acurada, a Harmonia das Esferas exatamente como foi tocada durante o período da construção arquetípica. O período de tempo transcorrido desde o momento em que o Espírito deixa o Terceiro Céu (Região do Pensamento Abstrato do Mundo do Pensamento), até que penetre no Corpo de sua futura mãe, é muito mais longo do que o período de gestação (9 meses) e varia de acordo com a complexidade da estrutura necessária pelo Espírito que procura renascer.
Nem o processo da construção do Arquétipo é contínuo; pois sob certos Aspectos (Quadraturas, Oposições, Trígonos, Sextis, Conjunções e Paralelos), os Astros podem produzir notas às quais os poderes vibratórios do Átomo-semente podem não responder; e, mais uma vez, o Espírito simplesmente sussurra tons que já aprendeu e, assim empenhado, aguarda um novo tom que possa utilizar para construir melhor o organismo pelo qual deseja se expressar. Também é necessário tempo para atrair o material que se precisa nas várias Regiões do Mundo do Desejo (7 Regiões), para construir um novo Corpo de Desejos, onde o Arquétipo controla a quantidade do material e o Átomo-semente do Corpo de Desejos controla a sua qualidade.
Na Região Etérica do Mundo físico, esse material precisa ser atraído para um novo Corpo Vital, mas fica a cargo do Anjos do Destino e seus agentes a separação de uma parte desse material para formar a matriz etérica para o Corpo Denso, que será construído mais tarde. Lembremo-nos de que estamos agora trabalhando sob influência dos sete tons no meio do teclado do piano, que é a oitava do meio, havendo três oitavas de cada lado dela. As lições pertencentes às três oitavas abaixo devem ser, por nós, completadas. As lições pertencentes à oitava do meio são as que estamos aprendendo. Note que as lições pertencentes aos tons da oitava mais inferior no teclado do piano – Período de Saturno – estavam empenhadas na construção do Corpo Denso e no despertar dos poderes negativos do Espírito Divino. As lições pertencentes à segunda oitava do teclado do piano – Período Solar – estavam correlacionadas aos tons produzidos por essa oitava e estavam empenhadas na construção do Corpo Vital (Virgem, nota-chave Dó natural), e no despertar dos poderes negativos do Espírito de Vida, a Onda de Vida de Câncer, nota-chave Sol sustenido Maior (musicalmente Lá bemol). As lições, pertencentes aos tons da terceira oitava no teclado do piano – Período Lunar – estavam correlacionadas aos tons produzidos por essa oitava. Elas dizem respeito à construção do Corpo de Desejos (Libra, nota-chave Ré Maior) e ao despertar dos poderes negativos do Espírito Humano (Gêmeos, nota-chave Fá sustenido Maior (F sharp Major ou F# Maior)). As lições pertencentes aos tons da quarta ou oitava do meio – Período Terrestre – se relacionam com a construção do veículo Mente e com o seu desenvolvimento; o mais importante desses tons para a Humanidade atual é Fá Maior, a nota-chave dos Senhores da Mente, os Sagitarianos.
O ser humano tendo adquirido seus Corpos: Denso, Vital, de Desejos e o veículo Mente, precisa aprender a cuidar deles e mantê-los em condições saudáveis durante o Período Terrestre, o que depende quase inteiramente do estado da Mente. Em geral, a Mente forma uma perfeita conexão entre o Espírito e seus quatro veículos, mas é possível que essa conexão se torne falha ou mesmo completamente rompida, e então, sérios transtornos mentais poderão advir. As doenças mentais podem ocorrer na união da Mente descontrolada com o Corpo de Desejos, ou pelo prolongado som violento de uma ou de todas as vibrações astrais, sejam da Lua, de Mercúrio, Urano ou Netuno. Usadas dessa maneira, elas têm o poder de destruir não só a própria Mente, mas também o Corpo Denso, Vital e de Desejos, enquanto vibrações de baixa intensidade, suaves e rítmicas desses Astros suavizam e curam.
A vibração é vida manifestada, e é a origem de todas as coisas criadas que existem ou sempre existiram. A inércia, seu oposto, resulta em separação, desintegração e deterioração. Música e cor, ambas, são o produto de certos graus do poder vibratório. Os graus vibratórios harmoniosos são saudáveis, criadores e construtivos; os discordantes são destrutivos, fazem perder a integridade e são susceptíveis à dissolução. O som é a origem da cor e tão somente um som claro e melodioso pode produzir uma cor bela, atraente e inspiradora.
O espectro solar reflete sete cores distintas: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, índigo e violeta. Existem sete tons produzidos no teclado do piano pelas teclas brancas de uma oitava. Dó corresponde ao vermelho, Ré ao laranja, Mi ao amarelo, Fá ao verde, Sol ao azul, Lá ao índigo e Si ao violeta. Quando uma oitava musical termina, outra começa e progride exatamente com duas vezes mais vibrações que as usadas na primeira oitava, e as mesmas notas são repetidas em uma escala mais delicada. É o mesmo que ocorre com o olho normal: quando essa escala é completada na cor violeta, outra oitava mais delicada de cores, invisíveis, com duas vezes mais vibrações, terá início e progredirá de acordo com a mesma lei. Áries tem a regência geral da cabeça e dos vários órgãos dentro da cabeça e sobre os olhos; mas o nariz está sob a regência de Escorpião. Assim, uma doença de algum desses órgãos, exceto o nariz, será beneficiada pela música tocada suavemente na escala de: Ré bemol Maior (D flat Major, Db ou Reb Maior). Algumas das doenças atribuídas às partes do Corpo regidas por Áries são: a dor de cabeça, a nevralgia, o coma e as condições de transe, as doenças do cérebro e hemorragias cerebrais. O tratamento para combater essas doenças é a música tocada suavemente na tonalidade de: Ré bemol Maior (D flat Major, Db ou Reb Maior). Touro rege o pescoço, a garganta, o palato, a laringe, as tonsilas, a mandíbula inferior, os ouvidos, a Região occipital do cérebro, o cerebelo, a vértebra atlas[40], as vértebras cervicais, as artérias carótidas, as veias jugulares e os vasos sanguíneos menores. A música tocada suavemente na tonalidade de Mi bemol Maior (E flat Major ou Eb ou Eb Maior) é de grande benefício quando um desses órgãos começa a mostrar sinais de doença. Algumas das doenças atribuídas às partes do Corpo regidas por Touro são: o bócio, a difteria, a crupe e a apoplexia. Como cada Signo sempre reage sobre o Signo oposto, as aflições em Touro também podem produzir as doenças venéreas, a constipação ou menstruação irregular. Gêmeos rege os braços e as mãos, os ombros, os pulmões, a glândula timo e a caixa torácica superior. Qualquer doença em uma dessas partes pode ser tratada por música tocada suavemente na tonalidade de Fá sustenido Maior (F sharp Major ou F# ou F# Maior). Algumas das doenças atribuídas às partes do Corpo regidas por Gêmeos são: a pneumonia, as doenças pulmonares, a pleurisia, a bronquite, a asma e a inflamação do pericárdio. Música tocada suavemente na nota-chave de Fá sustenido Maior (F sharp Major ou F# ou F# Maior) é benéfica para neutralizar a atividade dessas doenças. Câncer rege o esôfago, o estômago, o diafragma, o pâncreas, as mamas, os vasos lácteos, os lóbulos superiores do fígado e o ducto torácico. Algumas das doenças atribuídas às partes do Corpo regidas por Câncer são a indigestão, o gás no estomago, a tosse, os soluços, a hidropisia, a melancolia, a hipocondria, a histeria, os cálculos biliares e a icterícia. Doenças mencionadas sob a regência de Câncer são neutralizadas por música tocada suavemente em Sol sustenido (musicalmente: Lá bemol) Maior[41]. Leão rege o coração, a Região dorsal da coluna vertebral, a medula espinhal e a aorta. Algumas das doenças atribuídas às partes do Corpo regidas por Leão são: a regurgitação, a palpitação, os desmaios, o aneurisma, a meningite espinhal, a curvatura da coluna vertebral, a arteriosclerose, a angina do peito, a hiperemia, a anemia e a hidremia. Música tocada suavemente na nota-chave de Lá sustenido (musicalmente Si bemol) Maior[42] traz alívio para quem sofre dessas doenças. Virgem rege a Região abdominal, os intestinos grosso e delgado, os lobos inferiores do fígado e o baço. Algumas das doenças atribuídas às partes do Corpo regidas por Virgem produzem: a peritonite, a tênia e desnutrição, a interferência na absorção do quilo, a febre tifoide, a cólera e o apendicite. A melhor música tocada para aliviar qualquer uma das aflições mencionadas é a de Dó natural[43] suavemente executada. Libra rege os rins, as suprarrenais e a Região lombar da espinha, o sistema vasomotor e a pele. Algumas das doenças atribuídas às partes do Corpo regidas por Libra são: a poliúria ou supressão da urina, a inflamação dos ureteres, que conectam os rins com a bexiga, a doença de Bright[44], o lumbago, a eczema e outras doenças de pele. A música para o tratamento dessas doenças deve ser tocada suavemente na tonalidade de Ré Maior[45]. Escorpião rege: a bexiga, a uretra, os órgãos genitais em geral, também o reto e o cólon descendente, a flexura sigmoide, a próstata e os ossos nasais. Algumas das doenças atribuídas às partes do Corpo regidas por Escorpião são: o catarro nasal, as adenoides, o pólipo, as doenças do útero e dos ovários, as várias doenças venéreas, o estrangulamento e alargamento da glândula da próstata, as irregularidades da menstruação, a leucorreia, a hérnia, os cálculos renais e a litíase. A nota-chave de Escorpião é Mi Maior[46]. Música tocada suavemente nesse tom dissipa as doenças de Escorpião. Sagitário rege: os quadris e as coxas, o fêmur, o íleo, as Regiões do cóccix e sacral da coluna vertebral, as artérias e veias ilíacas e os nervos ciáticos. Música tocada suavemente na tonalidade de Fá Maior[47] é o melhor tratamento quando alguma dessas partes do corpo sofrem das doenças próprias dessas partes. Capricórnio rege: a pele, os joelhos e tem também uma ação reflexa sobre o estômago, que é governado pelo Signo oposto, Câncer. Música tocada suavemente na tonalidade de Sol Maior[48] é melhor para curar as doenças atribuídas às partes do Corpo regidas por Capricórnio, que são: o eczema e outras doenças de pele, a erisipela, a hanseníase e os distúrbios digestivos. Aquário rege: os tornozelos, os membros desde os joelhos até os tornozelos, e tem uma ação reflexa em seu Signo oposto, Leão; daí aflições em Aquário produzirem as varizes, provocar a entorse de tornozelo, as irregularidades da ação do coração e a hidropisia. A nota-chave de Aquário é Lá Maior[49]. Música tocada suavemente nesse tom é melhor para curar as doenças atribuídas às partes do Corpo regidas por Aquário. Peixes governa os pés e os dedos dos pés. Também exerce efeito reflexo sobre Região abdominal governada pelo Signo oposto Virgem; portanto, as aflições neste Signo indicam os problemas e as deformações dos pés, as doenças intestinais e a hidropisia; também desejo por bebida e drogas que podem levar ao delirium-tremens. Música tocada suavemente na tonalidade de Si Maior[50] é melhor para as doenças atribuídas às partes do Corpo regidas por Peixes.
O Serviço de cura espiritual da Fraternidade Rosacruz é realizado pelos Probacionistas que trabalham à noite, enquanto estão fora de seus Corpos Densos que ficam adormecidos. Eles são chamados de Auxiliares Invisíveis porque não podem ser vistos pela visão física. Seu trabalho de cura depende dos seguintes fatores principais: o tom do Corpo Vital do paciente e do Probacionista Auxiliar Invisível curador devem estar em perfeita harmonia (isso está sob os cuidados dos Irmãos Maiores).
O Probacionista Auxiliar Invisível, em sua consciência de vigília, deve ter decidido se tornar um Auxiliar para a cura no plano invisível. Esses Auxiliares Invisíveis devem ser Probacionistas, porque ao estarem nesse degrau eles começam a vibrar em uníssono com os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz e, a cada manhã, quando realizam seu exercício matinal de Concentração, eles fortalecem essa vibração.
Os Auxiliares Invisíveis são de valor inestimável pela seguinte razão: o Corpo Vital do paciente, sobre o qual os Auxiliares Invisíveis trabalham, tem um tom particular (que é determinado pelo Signo Ascendente), e os Auxiliares Invisíveis são selecionados pelos Irmãos Maiores e enviados para trabalhar nos pacientes cujo grau de vibração, ou tom do Corpo Vital, esteja em perfeita harmonia com o do Auxiliar Invisível. Essa é a chave para o sucesso do trabalho efetuado pelos Auxiliares Invisíveis.
O Probacionista Auxiliar Invisível, em sua consciência de vigília, conformou sua Mente para estar disposto a ser um trabalhador no plano invisível, e estando sintonizado com a vibração dos Irmãos Maiores, estes supervisionam o seu trabalho. Essa é a razão pela qual um (a) enfermeiro (a) Probacionista, em nosso estabelecimento para o tratamento de pessoas que estão convalescendo ou estão doentes (ou enfermo), é de valor inestimável, pois esse (a) enfermeiro (a) está sintonizada tanto com a nota-chave do Corpo Vital do paciente, como com a vibração (o tom) dos Irmãos Maiores, que são os mentores de todo o trabalho espiritual realizado aqui.
Como ninguém nunca se torna um Auxiliar Invisível até que conforme a sua Mente para se tornar um, e uma vez que o desenvolvimento da Mente é o principal trabalho do Período Terrestre, é absolutamente necessário considerarmos como esse desenvolvimento mental é alcançado. Nenhum desenvolvimento espiritual pode ser alcançado sem a ajuda da Mente, pois a Mente é o elo entre o Espírito e seus veículos inferiores. Os poderes do Espírito são desenvolvidos pela essência da alma, pábulo, alimento extraído do Tríplice Corpo; a Mente é o único meio de transmitir essa essência alimentar para o Espírito.
Quanto mais desenvolvida for a Mente, mais eficiente ela se tornará como condutora do pábulo dos três veículos – Corpo Denso, Vital e de Desejos – para o Espírito. No Período Terrestre, os Senhores da Mente irradiaram de si mesmos para dentro dos seres humanos, o germe da Mente. A nota-chave dos Senhores da Mente (Sagitarianos) é Fá Maior. Sua escala tem um bemol, a saber, Si bemol. Qualquer música escrita no tom de um bemol tenderá a influenciar e a desenvolver os poderes mentais da Humanidade. Exemplos: America; Work, for the Night is Coming[51]; Where He Leads Me I Will Follow[52].
Os acordes de Fá Maior são:
O Espírito está inteiramente no Mundo Físico enquanto vive sua vida terrena, exceto quando o Corpo está adormecido ou inconsciente por qualquer causa. Durante as horas de vigília, o Espírito está habitando e contatando conscientemente o Mundo exterior por meio do poder da Mente. Quanto mais desenvolvida for a Mente, melhor o Espírito será capaz de contatar o Mundo exterior. No momento atual, a Mente é uma nuvem disforme, que penetra e circunda a cabeça.
A Mente ainda não desenvolveu nenhum órgão. Age como um espelho que reflete o Mundo exterior e capacita o Espírito a transmitir seus comandos por meio de pensamentos e palavras, e compelir à ação. O Espírito gera o pensamento e injeta-o na Mente, a Mente passa-o para os centros cerebrais e estes transmutam-no em incentivos à ação. Entretanto, atualmente, a Mente não está focada de um modo a ser capaz de dar uma clara e verdadeira imagem daquilo que o Espírito imagina. Não está concentrada em um ponto, excluindo todo o resto. Consequência: produz imagens distorcidas e nebulosas.
Daí a necessidade de experiências para mostrar as imperfeições de uma primeira concepção, e em seguida, efetuar novas concepções e ideias, até que a imagem produzida pelo Espírito na substância mental, seja reproduzida na substância física. Na melhor das hipóteses, somos capazes de moldar por meio da Mente apenas aquelas imagens relacionadas à forma, porque a Mente só começou a atuar no Período Terrestre e, portanto, está agora em sua forma ou estágio mineral, daí; portanto estamos limitados às formas minerais em nossas ações.
Podemos imaginar maneiras e meios de trabalhar com as formas minerais dos três reinos inferiores, mas pouco ou nada podemos fazer com Corpos vivos. É certo que enxertamos galhos vivos em árvores vivas, partes vivas de animais ou seres humanos em outras partes vivas, mas não é com a vida que estamos trabalhando; é somente com a forma. Na verdade, estamos fazendo condições diferentes, mas a vida, que já habitou a forma, faz as conexões permanentes e não é o ser humano que faz.
Todas as formas criadas pelo ser humano são inanimadas e, continuarão a ser assim até que a Mente se torne viva – isto é, até que alcance um estágio semelhante ao da planta em seu desenvolvimento. Três das Glândulas Endócrinas estão intimamente ligadas à Mente do ser humano. As sete Glândulas Endócrinas, mencionadas por Max Heindel como as sete rosas na cruz do Corpo Vital, são centros espirituais correlacionados com Netuno, Urano, Mercúrio, Vênus, Sol e Júpiter. Netuno é o regente da Glândula Pineal[53], Urano da Pituitária[54], Mercúrio da Tiroide, Vênus do Timo, Sol do Baço e Júpiter das duas Suprarrenais.
A nota-chave de cada um desses Astros, ao tocar continuamente seu tom, aos poucos está despertando o centro espiritual correspondente à Glândula com o qual está relacionado. Quando o centro espiritual em cada uma dessas Glândulas se tornar desperto e em atividade dinâmica, as sete Glândulas endócrinas conectarão o Espírito ao plano invisível com o qual cada Astro está correlacionado.
O tom de Júpiter, regente das duas suprarrenais, despertará e desenvolverá gradualmente os poderes espirituais em potencial dessas duas Glândulas e, assim, ajudará o ser humano a aprender a lição pertencente à Região Química do Mundo Físico.
O tom do Sol, regente do baço, despertará e desenvolverá gradualmente os poderes espirituais em potencial dessa Glândula e, assim, ajudará o ser humano a aprender as lições pertinentes à Região Etérica do Mundo Físico.
O tom de Vênus, regente da Glândula timo, despertará e desenvolverá gradualmente os poderes espirituais em potencial dessa Glândula e ajudará o ser humano a aprender as lições pertinentes ao Mundo do Desejo. O tom de Mercúrio, regente da Glândula tiroide, despertará e desenvolverá gradualmente os poderes espirituais em potencial dessa Glândula e, assim, ajudará o ser humano a aprender as lições pertinentes ao Mundo do Pensamento.
O tom de Urano, regente do Corpo Pituitário, despertará e desenvolverá gradualmente os poderes espirituais em potencial dessa Glândula e, assim, ajudará o ser humano a aprender as lições pertinentes ao Mundo do Espírito de Vida.
O tom de Netuno, regente da Glândula Pineal, despertará e desenvolverá gradualmente os poderes espirituais em potencial dessa Glândula e, assim, ajudará o ser humano a aprender as lições pertinentes ao Mundo do Espírito Divino.
No progresso evolutivo da Humanidade existem, atualmente, quatro classes distintas de pessoas, a saber: os fracassados, que são aqueles que definitivamente fracassaram no esquema atual e terão que voltar ao início (em outro Período de Saturno) e começar tudo novamente; os atrasados, que se trabalharem com afinco o suficiente, terão a oportunidade de alcançar nosso atual esquema de evolução e prosseguir nele; as massas, que estão lentamente aprendendo suas lições e, sem dúvida, serão bem sucedidas; e os pioneiros, aqueles que avançaram e, consequentemente, são a vanguarda da evolução.
Os seres do último grupo estão se tornando instrutores e líderes da Humanidade. Os principais, entre eles, são os Irmãos Leigos, os Adeptos e os Irmãos Maiores que compõem os membros das sete Escolas de Mistérios Menores e as cinco de Mistérios Maiores que hoje existem na Terra. No passado longínquo, as principais lições do ser humano estavam relacionadas à construção do Corpo, incluindo os Corpos Denso, Vital e de Desejos, e enquanto realizava esse trabalho, ele era dirigido e ajudado pelas onze Hierarquias Criadoras das Ondas de Vida que precederam as suas próprias, e pelas mais avançadas pertencentes a ela também.
Do Período de Saturno até a Época Lemúrica do Período Terrestre o ser humano era hermafrodita e capaz de produzir Corpos por meio do duplo poder de sua própria força criadora, isto é, seu poder de atividade germinadora. Ele era insensato e, portanto, fazia seu trabalho de forma automática, estando o Espírito inteiramente fora de seus veículos. Um registro de todo o trabalho feito era fielmente impresso nos Átomos-semente de seus três veículos: Corpos Denso, Vital e de Desejos, que ele então possuía.
Havia somente três Átomos-semente, um para cada um de seus três veículos, até que lhe foi dado o germe da Mente, o que resultou em quatro veículos e quatro Átomos-semente. Todos os Corpos são construídos por meio do poder incorporado dentro de seu próprio Átomo-semente, que é uma partícula minúscula, invisível e sonora da substância do Espírito, e é propriedade exclusiva daquele a quem foi dada.
Quando os membros da nossa Onda de Vida progrediram o suficiente para estarem prontos para o próximo passo na evolução, houve uma separação dos poderes positivos e negativos da força da atividade germinadora em cada um deles, sendo que metade dessa força foi dirigida para cima, para construir um cérebro e uma laringe, e o ser humano, então, cessou de ter o poder de produzir novos corpos sem o auxílio de outro ser humano. Na metade da Onda de Vida, a força vital positiva foi dirigida para cima e, na outra metade, a força negativa foi canalizada para cima. Aqueles em que a força positiva foi dirigida para cima foram chamadas fêmeas, e aqueles em que a força negativa foi voltada para cima, foram denominados machos.
Como resultado, a mulher é positiva no plano mental (Região Concreta do Mundo do Pensamento), e o homem é negativo; enquanto a mulher é negativa no plano físico, o homem é positivo. Uma das razões para construção de um cérebro e de uma laringe era que a Humanidade estava prestes a receber o germe da Mente e precisava de um veículo físico com o qual pudesse conectá-lo com o Mundo Físico, pois, o Espírito ainda não havia sido capaz de contatá-lo, exceto em uma consciência de sono com sonhos.
Outra razão foi que a força geradora também tinha que ser elevada à cabeça e os atuais órgãos da geração iam se atrofiar e, gradualmente, se tornarem extintos. O Espírito, então, reproduziria o seu veículo denso através do poder do pensamento e da palavra falada, usando o cérebro e a laringe como seus instrumentos. O Espírito, guiado e dirigido pelos Anjos, construiu o cérebro e a laringe pelo poder do amor. A nota-chave da Humanidade é Si Maior (5 sustenidos).
A nota-chave dos Anjos é Lá Maior (3 sustenidos), e a nota-chave dos Senhores da Mente (Sagitário), que irradiaram o germe da Mente de si próprios para dentro de nós, é Fá Maior (1 bemol). Portanto, estas notas-chave, seus acordes e qualquer música escrita na escala pertencente à nota-chave de Fá Maior, Si Maior e Lá Maior ajudarão o desenvolvimento dos poderes da Mente e do cérebro, de maneira que possam expressar as coisas que o Espírito deseja objetivar no Mundo Físico.
Os Senhores da Mente (Sagitário), nota-chave Fá Maior (1 bemol), os acordes e a canção, Nearer, my God, to Thee[55]:
A Onda de Vida Angélica, nota-chave Lá Maior (3 sustenidos), os acordes e canção, The Home Over There[56]:
A nota-chave da Humanidade é Si Maior (5 sustenidos), e os acordes e canção, Star-Spangled Banner[57]:
Músicas escrita no tom de Si Maior (5 sustenidos) é difícil de ser encontrada.
Exemplos de música escrita em Lá Maior (3 sustenidos), nota-chave da Onda de Vida Angélica) são: Will There Be Any Stars in My Crown?[58],O Think of a Home Over There[59] e O Come All Ye Faithful[60]. Era intenção das Hierarquias Criadoras que quando o cérebro do ser humano estivesse completo, os Senhores de Mercúrio, Irmãos Maiores de nossa atual Humanidade que sobressaíram em inteligência, deveriam ensinar a Humanidade a usar o cérebro como um veículo da Mente; mas esse plano foi frustrado pelos Espíritos Lucíferos, que eram os atrasados da Onda de Vida Angélica.
Esses seres de Marte obtiveram acesso ao cérebro do ser humano por meio da medula espinhal, na qual eles, por serem etéricos, entraram; e agora regem o hemisfério esquerdo do cérebro. Esta parte da Onda de Vida Angélica que manteve seu trabalho na evolução no Período Lunar, desenvolveu o poder de raciocínio e o de obter conhecimento sem o uso de um cérebro; mas os atrasados da Onda de Vida Angélica, tendo se rebelado contra o plano evolucionário de Jeová, não desenvolveram esse poder.
No Período Terrestre, as condições haviam mudado; para desenvolver o poder da razão e obter conhecimento, era necessário um cérebro para associar os Lucíferos com as atividades do Mundo Físico, a fim de desenvolver neles esse poder. Assim, após a Humanidade desenvolver um cérebro, os Lucíferos entrando no canal espinhal da Humanidade e, dessa maneira, ganharam acesso ao seu cérebro (que os associou ao Mundo Físico) e assim, atraíram a atenção do ser humano para seu Corpo Denso, do qual não havia ainda tomado consciência, bem como para o Mundo Físico ao seu redor, onde agora iria ganhar conhecimento para progredir em seu desenvolvimento.
Eles assim procederam para que pudessem se beneficiar, pois, estando ligados ao cérebro do ser humano, estavam capacitados a ganhar o conhecimento que o ser humano adquiriu e, assim, evoluir através dele.
Marte trabalha com as forças solares, e seus raios agem diretamente sobre o terceiro poder da Humanidade, a atividade. Esses raios, sendo positivos, desenvolvem uma forte constituição, resistência física, energia, coragem e autoconfiança.
Uma das manifestações da atividade é a germinação – uma força vital – na qual os marcianos instilaram intenso desejo e paixão que, por sua vez, despertaram essas emoções na Humanidade. Fizeram isso com um propósito egoísta. Os Espíritos Lucíferos deleitam-se com a intensidade de sentimento e desenvolvem-se por meio dessa vibração. A natureza do desejo ou da emoção não tem importância para eles, mas a intensidade sim. Portanto, eles excitam as paixões humanas de natureza inferior, que são mais intensas em nosso atual estágio de evolução do que nossos sentimentos de regozijo ou amor.
De acordo com o exposto, observamos que os Lucíferos se associaram à Humanidade por duas razões principais, a saber: para obterem contato com seu cérebro e assim adquirirem conhecimento através de suas experiências no Mundo Físico, e para poderem induzir forte paixão e assim, fazê-la evoluir pela intensidade do sentimento despertado.
O cérebro está dividido em três partes principais: o cérebro (grande cérebro superior), o cerebelo (pequeno cérebro central) e a medula oblongata (pequeno cérebro inferior). O cérebro é usado pelo Espírito para expressar a consciência física e pensamento direto. É o instrumento usado pelo Espírito para expressar seus poderes mais elevados no plano físico – a vontade. O cerebelo é a parte do cérebro que o Espírito usa para realizar a coordenação em relação aos movimentos do corpo, ligando as separadas atividades nervosas a uma ação equilibrada e harmoniosa através do poder unificante da coesão.
O cerebelo está correlacionado ao segundo aspecto do ser humano, o poder do Sabedoria. A medula oblongata é aquela parte do cérebro usada pelo Espírito para controlar o batimento cardíaco, a contração dos vasos sanguíneos e a respiração. Sem essa atividade cerebral, os processos da vida física não poderiam continuar. A medula oblongata é, portanto, ligada ao terceiro poder do ser humano, sua atividade em manifestação. O cérebro é permeado pela substância do Corpo Vital, do Corpo de Desejos e pela substância do Pensamento Abstrato e Concreto.
É, portanto, a oficina física particular do Espírito com seu material próprio e com todos os seus vários veículos, convenientemente reunidos e prontos para serem usados. Impressões causadas pelo Mundo exterior atingem o Espírito por meio de um ou dos cinco sentidos físicos, por meio do canal do Corpo Vital.
O Espírito, o ser humano real, é o pensador. O processo de pensar é o seguinte: a vontade desperta a imaginação e visualiza uma ideia composta de substância de Pensamento Abstrato, que permeia o cérebro; essa ideia de Pensamento Abstrato é então projetada pelo poder da vontade na lente da Mente, que transfere a ideia para a substância de Pensamento Concreto contida naquela parte do veículo mental do indivíduo, que permeia o cérebro.
Aqui, a ideia é revestida pela substância do Pensamento Concreto e é agora um Pensamento-forma. O Pensamento-forma, assim criado, é projetado na substância do Mundo do Desejo, que permeia o cérebro. Essa substância do Mundo do Desejo dá ao Pensamento-forma poder para agir, o que geralmente resulta em algum tipo de manifestação. No estudo do pensamento e da Mente, lembremo-nos que o pensamento é um poder do Espírito, e o veículo mental ou Mente – composto de substância do Pensamento Concreto – é o veículo que liga o Espírito ao seu cérebro etérico e físico. O veículo mental está harmonizado com Fá Maior ou um Bemol, e sua escala começa com Fá. O Corpo Vital está harmonizado com Dó natural e sua escala começa com Dó.
O Corpo Denso está em sintonia com Lá Sustenido Maior, que tem dois bemóis. Portanto, toda música escrita nesses três tons tem um efeito decisivo sobre a Mente, sobre o cérebro do Corpo Vital e sobre o cérebro do Corpo Denso, e todos estão intimamente conectados com o Espírito e com o desenvolvimento de seus poderes potenciais que são: vontade (poder do Espírito Divino), Sabedoria (poder do Espírito de Vida) e atividade de germinação (poder do Espírito Humano). O pensamento está correlacionado com a vontade, o primeiro poder do Espírito. Ele se expressa primeiro como uma ideia, que ainda não adquiriu forma. Depois o segundo poder do Espírito, o amor, atrai substância do Pensamento Concreto para a ideia e, então, temos um Pensamento-forma.
Um Pensamento-forma pode ser puramente mental, se não for alterado pelo desejo. No entanto, no nosso presente estágio de evolução, poucos pensamentos estão isentos de algum grau de desejo. O Mundo do Pensamento é o reino da música e o lar da Onda de Vida Sagitariana, os Senhores da Mente; consequentemente, seria completamente impossível produzir um Pensamento-forma separado da música. Quando o Pensamento-forma está revestido pela substância de desejo, a cor é acrescentada a ele, uma vez que o Mundo do Desejo é o reino da cor. Para resumir a construção do Pensamento-forma: o Espírito desperta sua vontade. O poder da vontade produz uma vibração irradiante, musical, que se manifesta como som. O som produz uma ideia.
A ideia toma forma e um pensamento passa a existir. O Pensamento-forma é colorido pela substância do desejo. Uma forma flutuante colorida é produzida. Os pensamentos não são silenciosos. Eles falam em uma linguagem inconfundível e transmitem com muito mais precisão do que com as palavras, e permanecem até que a força que seu criador empregou para produzi-los tenha sido gasta. Como eles soam em um tom peculiar à pessoa que os deu o gerou, é comparativamente fácil para o ocultista treinado descobrir sua procedência, buscando a fonte que os originou. Falta espontaneidade aos pensamentos-forma; eles agem mais ou menos como autômatos. Eles se movem e atuam somente em uma direção, de acordo com a vontade do pensador, que é o poder motivador interno. Quem estudou este assunto, sabe quantas pessoas são ativadas pelos pensamentos-forma que pensam ser delas mesmas, mas que, na verdade, se originaram na Mente de outra pessoa.
É dessa maneira que o que chamamos de opinião pública é formada. Pensadores poderosos que possuem determinadas ideias sobre algum assunto em particular, criam e irradiam pensamentos-forma de si próprios, e outros menos positivos ou simpatizantes à ideia expressa naqueles errantes pensamentos-forma, julgam que os pensamentos se originaram dentro deles e os adotam como seus. Assim, gradualmente, um certo sentimento cresce até que o pensamento original iniciado por um único indivíduo pode se tornar não somente aceito, mas também defendido por toda uma comunidade, um estado ou mesmo uma nação. Pensamentos expressos em palavras faladas se tornam muito mais poderosos, particularmente, se pronunciados por um orador vigoroso.
Os Pensamentos-forma diminuem em poder, na proporção da distância percorrida por eles. A distância percorrida e a persistência que os tornam efetivos dependem da força, da exatidão e clareza do pensamento original. De maneira geral, os Pensamentos-formas podem ser agrupados em três classes específicas:
Pensamento-forma construído pela inveja e cobiça
Oração e a Resposta ao Alto
Pensamentos-forma dirigidos a um indivíduo produzem um resultado muito interessante. Ou eles encontram entrada na aura do indivíduo, ou ricocheteiam da aura daquela pessoa e retornam ao remetente. Todo Pensamento-forma carrega um determinado grau de vibração, e só pode afetar o indivíduo que tenha uma vibração semelhante. Se um Pensamento-forma é gerado por um motivo maligno e é enviado a uma determinada pessoa, se não há nenhuma vibração semelhante dentro da aura dessa pessoa, então ela não pode, de maneira alguma, afetar a aruá dela. Consequentemente, ela retorna ao seu criador, ricocheteando com a mesma força com que foi enviado. Todos os impactos externos alcançam o Espírito de um indivíduo através do Corpo Vital, cujos dois Éteres superiores, o Luminoso e Refletor, formam o Corpo-Alma.
É este veículo que repele todos os maus pensamentos, contanto que esteja suficientemente organizado, pois ele age como um bumerangue, isto é, reverte para aquele que enviou o mau pensamento, o mesmo mal que desejou provocar na pessoa alvejada. Se os frequentadores de certos ambientes que são alimentados por pensamentos e/ou desejos inferiores pudessem ver o enxame de maus Pensamentos-formas arremessando-se de um lado para outro, e ouvir os tons barulhentos, sensuais, insinuantes, emitidos por eles, abandonariam tais lugares tão rapidamente como sairiam de um hospital ou de um edifício infectado por doenças transmissíveis pelo ar. Esses lugares devem ser evitados, pois essas vibrações pervertidas só servem para instigar o mal e fortalecê-lo.
Infelizmente, na atualidade, nenhum de nós é completamente bom, e não podemos esconder de nós mesmos o fato que, muitas vezes, o bem que deveríamos fazer, não o fazemos, e os atos maus que deveríamos evitar, frequentemente os praticamos. Com muito mais frequência, nossas boas resoluções não são cumpridas, e agimos erradamente porque julgamos mais fácil ou mais agradável fazê-lo assim; tudo isso realça o fato de que, até certo ponto, somos todos ativados pelo “eu inferior”; isso abre caminho para que os maus pensamentos nos atinjam e procure nos influenciar. A principal questão a ser lembrada aqui é que todo ato, seja bom ou mau, é dirigido pelo pensamento.
Portanto, cada indivíduo está auxiliando no trabalho executado pelas forças do bem ou do mal. Consequentemente, cabe a nós mantermos uma vigilância constante sobre nossos pensamentos, pois se eles são íntegros, nossos atos serão sempre dirigidos para o bem. Existem quatro maneiras pelas quais a Mente, dirigida pelo Espírito, usa o cérebro como um veículo de expressão do pensamento:
O cérebro é construído, praticamente, pelas mesmas substâncias que as outras partes do Corpo, com a adição do fósforo que é uma característica peculiar do cérebro. A proporção e variação que essa substância é encontrada é proporcional ao estado e estágio de inteligência do indivíduo, que supra seu cérebro com essa substância necessária. A maioria das verduras e frutas contém uma certa quantidade de fósforo, que também é encontrado nas uvas, cebolas, sálvia, feijão, cravo da índia, abacaxi e nas folhas e talos da beterraba, da cenoura, da linhaça e nas folhas do nabo. O método para assimilar o fósforo em maior quantidade não é pelo metabolismo químico, mas por um processo alquímico de crescimento da alma.
O fósforo no cérebro é a avenida de ingresso do impulso divino. Literalmente, é o portador da luz, mas não a luz propriamente dita, é aquela luz que vem do Espírito. Consequentemente, à medida que nos tornamos capazes de assimilar aquela substância (fósforo), ficamos plenos de luz e começamos a brilhar internamente. Note, no entanto, que o fósforo é somente um meio físico que capacita a luz espiritual a se expressar utilizando o cérebro físico. A luz, propriamente dita, é o produto do Espírito, e se torna mais intensa com o crescimento da alma, que capacita o cérebro a assimilar uma quantidade crescente de fósforo. O crescimento da alma é conseguido por meio do serviço amoroso e desinteressado para com os outros. A Bíblia declara que, “Pois, quem faz o mal odeia a luz e não vem para a luz <que o revelará>. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, para que se manifeste que suas obras são feitas em Deus <por uma consciência iluminada>” [62].
Em seguida, vamos ver como a Mente, que é o elo entre o Espírito e o cérebro, pode ser aperfeiçoada:
Pensamentos-forma poderosos, sejam bons ou maus, com muita frequência, se tornam animados por elementais[64] que, por sua natureza, atraem o bem ou o mal para nós, causando um efeito realmente poderoso sobre o nosso bem-estar. Na música, os tons maiores expressam júbilos, alegrias, esperança, satisfação, aspiração, etc.; enquanto os tons menores produzem um lamento de tristeza, um gemido de mágoa, um suspiro de depressão, etc. Naturalmente, os elementais brilhantes e alegres são atraídos pelos bons pensamentos-forma, que são sempre simétricos e vivazes em suas colorações; enquanto os elementais de baixa vibração são atraídos por pensamentos-forma melancólicos, insípidos, repugnantes em forma e sombrios na cor.
Então, eles tocam suas notas-chave individuais no interior da nossa aura, enchendo nossa atmosfera imediata com luminosidade e alegria, ou então, com tristeza, temor, malícia, etc., conforme o caso. Além disso, os elementais desprendem um odor muito particular. Os elementais de escala maior exalam certos perfumes semelhantes àqueles desprendidos pelas flores de cheiro doce. Os de tom menor desprendem um tipo de odor depressivo, debilitante similar àquele do gambá, e alguns deles cheiram quase tão mal quanto corpos em decomposição. Nesses momentos, alguns destes pensamentos-forma são vistos nas auras das pessoas e muitos deles já foram sentidos pelo olfato. Eis um fato que vale a pena saber. Pensamentos-forma são mantidos vivos e fortalecidos pela repetição dos mesmos pensamentos, os quais originalmente os construíram.
Pensamento-forma originado por uma bênção
Se os pensamentos não são repetidos, as formas gradualmente se desintegram e os elementais, que os animam, vão para outro lugar onde estabelecerão morada. Portanto, nós temos isso em nosso poder para nos livrarmos de ambos: tanto dos pensamentos-forma como dos elementais que não desejamos que permaneçam ao nosso redor. O medo, a preocupação, a melancolia, as queixas, as manifestações temperamentais, etc., podem encher tanto uma aura com visões e cheiros desagradáveis, que pode tornar uma pessoa um incômodo público. À luz do que foi dito, é fácil compreender o porquê da presença de algumas pessoas nos encorajam, enquanto outras causam um efeito desanimador aos que entram em contato com elas.
Não devemos pensar que todos os pensamentos-forma que vibram em tons maiores ou menores são animados por elementais, mas alguns deles certamente são e quando um elemental anima um Pensamento-forma, se sua própria vibração for maravilhosa, alegre e vibrante, o Pensamento-forma vibra em um tom maior. No entanto, se sua vibração for sombria, melancólica, morosa, triste, deprimida, é atraída para pensamentos-forma que vibram em um tom menor. Tudo isso está em harmonia com a lei cósmica de que semelhante atrai semelhante. Assim, é evidente que todo indivíduo tem dentro de si uma galeria de imagens e um instrumento musical muito complexo. Na verdade, ele leva consigo duas distintas galerias de imagens: uma no Átomo-semente do seu Corpo Denso e a outra em sua aura.
A primeira galeria mencionada ele é capaz de esconder dentro de si próprio, mas a segunda está à vista de todos os clarividentes que são capazes de ver as auras e os pensamentos-forma. A qualidade do instrumento musical do ser humano depende do seu estágio de desenvolvimento. Os elementais, como vimos, respondem a um único tom, seja maior ou menor. O ser humano, por outro lado, se tornou capaz de responder a sete tons distintos, representados pelos sete tons da escala musical, ou seja, Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si, e muitas de suas variações, tanto na escala maior, quanto na menor. Sabemos que a aura é composta dos veículos Vital, de Desejos e Mental. Cada aura tem uma cor básica.
Max Heindel afirma que a cor básica do americano (raça branca) é laranja. A cor, no entanto, varia continuamente de acordo com o estado emocional do ser humano. Por exemplo, tomemos um indivíduo belicoso que está tentando incitar uma greve em uma indústria. Naturalmente, ele está muito excitado, e embora a cor básica de sua aura seja laranja escura, essa cor, naquele momento, irá ser substituída por uma tonalidade escarlate brilhante. O contorno de seu Corpo de Desejos será como o corpo de um porco espinho, com seus espinhos saindo em todas as direções, prontos para atacar. Pensamentos de medo e preocupação dão à aura uma cor cinzenta, semelhante ao aço. Aqueles que possuem tais auras são chamados de homens ou mulheres de aço.
Eles têm medo de milhares de coisas que nunca acontecem, cristalizando uma armadura ao seu redor que parece protegê-los de interferências externas, mas que, na realidade, encerram os próprios pensamentos-forma perturbadores dentro de sua própria aura e lá são alimentados e avivados por cada pensamento semelhante gerado por eles. Tais auras estão afinadas em um tom menor, que soa como uma canção triste que pode ser sentida pelas pessoas sensitivas e, frequentemente, leva algum tempo para que elas se livrem do sentimento de depressão que isso gera. Essa barreira áurica saturnina é tão forte que é preciso um choque violento para rompê-la; às vezes, é até necessário retirar tais pessoas de seu antigo ambiente e colocá-las em outros lugares totalmente diferentes.
Pensamento-forma originado pelo medo
Elas parecem estar dentro de uma concha, por assim dizer, e suas conchas saturninas precisam ser quebradas para podermos ter acesso a essas pessoas e tirá-las de seu estado deplorável. Muitas vezes, um susto repentino pode formar essa concha instantaneamente, como frequentemente acontece durante batalhas terríveis. Então, a vítima entra em estado de choque, o que na verdade é, na maioria dos casos, o repentino medo sofrido pela vítima ofendem certos nervos, resultando em uma ausência do poder de coordenação, necessário para pensar claramente, deixando a pobre vítima tão incapaz de se ajudar, como seria incapaz de fugir se estivesse trancada em uma cela de prisão.
Há ocasiões em que outro forte choque pode quebrar a concha e restabelecer a ordem e o ritmo harmonioso no desordenado sistema nervoso. Mais uma vez, o tempo sabe fazer o ajuste necessário. Toda vez que pensamentos de preocupação e medo são aceitos, eles diminuem a vibração de todos os veículos do indivíduo, o que tende a congelar as correntes do Corpo de Desejos e a construir uma concha azul de aço, na qual a pessoa que, habitualmente, alimenta o medo e a preocupação, algum dia se encontrará isolada do amor, da compaixão e da ajuda de todo o mundo. Portanto, devemos nos esforçar para sermos bem-dispostos, mesmo sob circunstâncias adversas, caso contrário, estaremos na séria condição descrita acima.
Podemos observar, pelo que foi dito, que existem diferentes graus nos quais esse envoltório da concha pode ser cristalizado e o correspondente alívio pode ser dado; mas a única segurança positiva reside em jamais permitir que isso se inicie. O efeito do medo e da preocupação sobre o Corpo de Desejos é diferente de todas as outras emoções. Geralmente, a emoção tende a excitar o Corpo de Desejos e a formar suas correntes em algum padrão específico, que persistem até que essa emoção cesse. O efeito da preocupação no Corpo de Desejos pode ser comparado à água que está prestes a se congelar sob uma temperatura em declínio. O medo pode ser comparado a essa mesma água quando congelou, pois, as correntes do Corpo de Desejos estão quase imóveis e é praticamente impossível despertar qualquer outra atividade emocional nelas.
Não há nada mais eficaz quanto uma música alegre para elevar a vibração das vítimas que estão com medo e preocupadas, pois é necessária uma vibração acelerada para dissolver a concha de aço, construída por elas mesmas. Nenhum indivíduo consegue permanecer melancólico por muito tempo, se seu ser estiver inundado por música inspiradora. Outro tipo de pensamentos-forma assustadores de se ver são os criados pela raiva, ódio, ira, fúria, cólera, etc. Esses pensamentos-forma produzem correntes vermelhas sinuosas no Corpo de Desejos, cheias de objetos pontiagudos, semelhantes a adagas que se contorcem e se retorcem, e finalmente explodem na aura, enchendo-a de formas rodopiantes de uma cor vermelha escura e sombria. A raiva desperta a vibração do Corpo de Desejos sem que o veículo tenha controle de si mesmo, causando uma ruptura temporária entre o Ego e a Mente de um lado, e o Corpo de Desejos, o Corpo Vital e Corpo Denso, de outro.
Todos os tipos de música marcial são dominados pelo ritmo e tendem a excitar o Corpo de Desejos em atividades erráticas. A música onde a melodia e a harmonia predominam são as adequadas para acalmar o Corpo de Desejos, quando esse está recebendo estímulos nocivos e restitui-lo à normalidade. Maus pensamentos-forma, na aura, têm um movimento centrífugo. Bons pensamentos-forma têm um movimento centrípeto. Tanto os bons como os maus, geralmente, são compostos em tons maiores, exceto os de melancolia, depressão, medo, preocupação, tristeza, etc., que são em tons menores, na sua expressão.
Como os pensamentos-forma de cada indivíduo são compostos de acordo com a sua nota-chave particular, tempo virá em que seremos capazes de descobrir o criador de cada Pensamento-forma que contatamos, por meio do próprio tom específico. Na verdade, como afirma a Bíblia, as coisas que nos parecem estar ocultas serão proclamadas, não do alto dos telhados, mas da nossa própria aura individual.
O pensamento pertence ao mais elevado poder do Espírito, que é a vontade. Portanto, à medida que os poderes potenciais da vontade se desenvolvem, assim também acontece com o poder do pensamento; e tempo virá em que o ser humano, por meio do poder de pensamento e da imaginação, será capaz de criar coisas por meio da palavra falada. Todas as coisas na natureza foram criadas por meio da Palavra de Deus, que se fez carne. O som (a música), ou pensamento falado, será a próxima força da Humanidade em manifestação, uma força que fará da Humanidade seres humanos criadores como Deus.
No entanto, esse passo para frente não pode ser realizado até que o desenvolvimento do ser humano, na escola da vida, o tenha preparado para usar esse enorme poder para o bem de todos, independentemente do interesse próprio. Portanto, é extremamente necessário que cada indivíduo aprenda, por si mesmo, como realizar esse desenvolvimento da maneira mais rápida e segura. O ser humano tem conhecimento do método, mas depende especificamente dele se colocará isso em prática ou não. Os poderes potenciais do ser humano, o Espírito, são: a Vontade, que é o poder de fazer, instigar a ação; a Sabedoria, que é, conjuntamente, o poder de atração, coesão e união e a Atividade, que é o poder da germinação, criação e desenvolvimento.
Um dos maiores auxiliares do Espírito, no desenvolvimento de seus poderes potenciais para a eficiência dinâmica, é a música, pois manifesta esses mesmos poderes de Deus em um estado aperfeiçoado. Seu poder da vontade está expresso na melodia; seu poder de Sabedoria está expresso na harmonia e seu poder de Atividade está expresso no ritmo. O poder do Espírito Divino do ser humano está correlacionado com a Vontade, e o desenvolvimento desse poder significa o aprimoramento de sua vontade. O Espírito de Vida do ser humano está correlacionado com o Sabedoria e o desenvolvimento desse poder significa o aprimoramento de suas potencialidades de Sabedoria. O poder do Espírito Humano do ser humano desenvolve sua habilidade para criar.
O poder ou a Vontade do Espírito Divino do ser humano está correlacionado com o Corpo Denso; o poder do Espírito de Vida está correlacionado com o Corpo Vital e o poder do Espírito Humano está correlacionado com o Corpo de Desejos. Isso fornece três fontes diretas, das quais o Espírito obtém ajuda no desenvolvimento dos seus poderes potenciais. Não há ajuda maior no desenvolvimento dos poderes potenciais do Espírito do que a música, pois ela é composta das três partes, que a correlacionam aos poderes potenciais do Espírito.
A boa música eleva a vibração de cada uma das fontes de desenvolvimento do Espírito, a saber, o Espírito Divino, o Espírito da Vida, o Espírito Humano e o elo da Mente, que conecta o Espírito aos seus: Corpo Denso, Corpo Vital e Corpo de Desejos. O despertar da vibração dessas sete fontes de poder desenvolve os poderes do Espírito. Porém, a chamada música discordante reduz suas vibrações, e a continuação desse tipo de música resultará na perda de poder e desintegração dos quatro veículos inferiores.
Faremos, a seguir, um resumo da causa e de como a música ajuda a desenvolver os poderes potenciais do Espírito:
Já o Corpo Denso ou Físico de cada indivíduo vibra em uníssono com a vibração da Onda de Vida de Leão. Portanto, a nota-chave do Corpo Denso é Lá sustenido Maior (musicalmente, Si bemol Maior) e toda a música escrita nesse tom ajuda a desenvolver o Corpo Denso do ser humano. Os principais acordes de Lá sustenido Maior (musicalmente, Si bemol Maior) são encontrados no Capítulo VI.
O germe do Corpo Vital foi dado à Humanidade pela Onda de Vida de Virgem. Consequentemente, o Corpo Vital vibra com a nota-chave dessa Onda de Vida que é Dó natural. Toda música cuja nota-chave é Dó natural ajuda a desenvolver os poderes do Corpo Vital. Os acordes de Dó natural são encontrados no Capítulo VI.
O germe do Corpo de Desejos foi uma dádiva da Onda de Vida de Libra e carrega a vibração de Libra que é sintonizada em Ré maior. Portanto, toda música escrita nesse tom ajuda a desenvolver os poderes do Corpo de Desejos. Os acordes de Ré maior são encontrados no Capítulo VI.
O germe da Mente foi dado à Humanidade pela Onda de Vida sagitariana e, portanto, vibra na sua nota-chave, que é Fá Maior. Toda música escrita na tonalidade do Fá Maior ajuda a desenvolver os poderes da Mente, cujo desenvolvimento é uma das maiores realizações a serem alcançadas durante a presente Época Ária. Muitas das músicas escritas nesse tom, são, particularmente, canções populares e religiosas; duas delas são: Work, for the Night I Coming[67], e America, My Country, ‘Tis of Thee[68]. Os acordes de Fá Maior são encontrados no Capítulo VII.
A música contém, dentro de si, os três grandes poderes primários de Deus: Vontade, Sabedoria e Atividade; e são esses poderes dinâmicos combinados que têm sido usados pelo Criador desde o início da manifestação.
S. João, o grande revelador, cita que no princípio era o Verbo; e Max Heindel afirma que foi o majestoso ritmo da Palavra de Deus que transformou a substância primitiva, Arche, nas numerosas formas que compõem o mundo dos fenômenos; e além disso, que essa Palavra de Deus ainda soa para manter as órbitas em marcha e para impeli-las à frente em seus caminhos circulares; e que a Palavra Criadora continua a produzir formas de eficiência cada vez maiores como um meio de expressar a vida e a consciência. É a enunciação harmoniosa das sílabas consecutivas na Palavra Criadora Divina que marca os estágios sucessivos no desenvolvimento, tanto do mundo quanto do ser humano; e quando a última sílaba for soada e a Palavra completa pronunciada, a Humanidade terá alcançado o grau mais próximo da perfeição, tanto quanto é possível no atual esquema de evolução.
Todo o Sistema Solar é um vasto instrumento musical, fato este conhecido por todos os estudantes ocultistas avançados. Eles percebem que os doze semitons na escala cromática estão correlacionados com os doze Signos do Zodíaco, e que as sete teclas brancas, ou tons inteiros, no teclado do piano estão correlacionados com os Sete Espíritos diante do Trono, comumente designados como: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno e Urano, que trabalham por meio das vibrações enviadas por eles mesmos. O ocultista avançado estabelece uma relação entre: os Signos do Zodíaco, a caixa de ressonância da harpa cósmica e os sete Planetas para com as cordas, cujos planetas emitem sons diferentes à medida que passam pelos vários Signos Zodiacais e, portanto, influenciam a Humanidade de várias maneiras.
Um fato surpreendente, até desconhecido e não percebido, é que cada indivíduo é, em si mesmo, um instrumento musical, onde várias partes de sua composição total estão correlacionadas, através de tons vibratórios, aos Sete Espíritos diante do Trono e aos doze Signos do Zodíaco, todos os quais são guiados e dirigidos pelo Criador do nosso Sistema Solar. É por essa razão que a música é um fator de grande poder no desenvolvimento das potencialidades do ser humano. Sem isso, não poderia haver manifestação e, portanto, nenhum progresso. Aqui encontramos a razão oculta para a admoestação dos iluminados: “Homem, conhece a si mesmo”. Assim que cada indivíduo chegar à compreensão consciente de sua verdadeira natureza, ele possuirá a chave de todo o progresso futuro.
Quando a Luz sua face radiante revelou,
E, em seu abraço o mundo acalentou,
Quando no espaço os Planetas a girar,
Esta canção o coro celestial cantou:
“Oh sagrada vibração! Oh divina lei!
Todo propósito e todo o poder é vosso,
A vida para sempre vai continuar”.[69]
FIM
[1] N.T.: No Mundo do Pensamento
[2] N.T.: Ludwig van Beethoven (1770-1827) foi um compositor alemão, do período de transição entre o Classicismo (século XVIII) e o Romantismo (século XIX). É considerado um dos pilares da música ocidental, pelo incontestável desenvolvimento, tanto da linguagem como do conteúdo musical demonstrado nas suas obras, permanecendo como um dos compositores mais respeitados e mais influentes de todos os tempos.
[3] N.T.: Wolfgang Amadeus Mozart, batizado Johannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus Mozart (1756-1791) foi um prolífico e influente compositor austríaco do período clássico.
[4] N.T.: Wilhelm Richard Wagner (1813-1883) – maestro, compositor, diretor de teatro e ensaísta alemão
[5] N.T.: Franz Liszt (1811-1886) foi um compositor, pianista, maestro e professor e terciário franciscano húngaro do século XIX. Seu nome em húngaro é Liszt Ferenc.
[6] N.T.: Frédéric François Chopin, também chamado Fryderyk Franciszek Chopin (1810-1849), foi um pianista polonês-francês radicado na França e compositor para piano da era romântica. É amplamente conhecido como um dos maiores compositores para piano e um dos pianistas mais importantes da história.
[7]N.T.: É um gênero musical norte-americano que teve seu pico de popularidade entre os anos 1897 e 1918.
[8] N.T.: gênero e forma musical originado por afro-americanos no extremo sul dos Estados Unidos em torno do fim do século XIX. O gênero se desenvolveu a partir de raízes das tradições musicais africanas, canções de trabalho afro-americanas, spirituals e música tradicional. O blues incorporou spirituals, canções de trabalho, canto de campo, ring shout, chant e baladas narrativas simples e rimadas.
[9] N.T.: uma manifestação artístico-musical originária de comunidades de Nova Orleans, nos Estados Unidos. Tal manifestação teria surgido por volta do final do século XIX na Região de Nova Orleans, tendo origem na cultura popular e na criatividade das comunidades negras que ali viviam, um de seus espaços de desenvolvimento mais importantes.
[10] N.T.: é um estilo de jazz que foi muito popular na década de 1930, usualmente arranjado para grande orquestra dançante, caracterizado por uma batida menos acentuada que a do estilo tradicional do Sul dos EUA, e menos complexo, rítmica e harmonicamente falando, do que o jazz moderno.
[11] N.T.: um tipo de dança popularizado nos Estados Unidos no início do século XX, e está associado a vários tipos de danças do balanço, como o Lindy Hop, Jive e Leste Coast Swing.
[12] N.T.: representa uma das correntes mais influentes do Jazz.
[13] N.T.: Benjamin “Benny” David Goodman (1909-1986) foi um clarinetista e músico de jazz norte-americano.
[14] N.T.: Coreia reumática de Sydenham (do grego khorea, dança) ou a dança de São Vito é um distúrbio neurológico que afeta a coordenação motora de 20 a 40% dos portadores de febre reumática; mais frequente entre meninas e/ou crianças e adolescentes.
[15] N.T.: Harry Aaron Finkelman (1914-1968), mais conhecido pelo nome artístico Ziggy Elman, era um trompetista de jazz americano, associado a Benny Goodman, embora também liderasse seu próprio grupo conhecido como Ziggy Elman e Sua Orquestra.
[16] N.T.: Gene Krupa (1909-1973) foi um influente baterista de jazz e compositor estadunidense, famoso por seu estilo enérgico e extravagante.
[17] N.T.: Localizada nas três Regiões inferiores do Mundo do Desejo.
[18] N.T.: Também conhecido como: Bulbo raquidiano, bolbo raquidiano, medula oblongata, medula oblonga ou simplesmente bulbo é a porção inferior do tronco encefálico, juntamente com outros órgãos como o mesencéfalo e a ponte, que estabelece comunicação entre o cérebro e a medula espinhal. A forma do bulbo lembra um cone cortado, no qual a substância branca é externa e a cinzenta, interna. É um órgão condutor de impulsos nervosos.
[19] N.T.: brancas: teclas brancas do piano; pretas: teclas pretas do piano
[20] N.T.: Ou telencéfalo: conhecido informalmente como o cérebro, que envolve todo o córtex cerebral (fina capa de tecido cinzento, arrugado em estrias e dobras), o hipocampo e os gânglios basais.
[21] N.T.: o piano é o instrumento que preenche quase todo o espectro de frequência, e é um dos únicos!
[22] N.T.: 5+2=7
[23] N.T..: 1+2+4=7
[24] N.T.: 7+2=9
[25] N.T.: Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano
[26] N.T.: As notas musicais são: DÓ – RÉ – MI – FÁ – SOL – LÁ – SI; que na notação inglesa é C – D – E – F – G – A – B, respectivamente.
[27] N.T.: Dó sustenido, Do# ou C#.
[28] N.T.: Dó bemol, Dob ou Cb.
[29] N.T.: Alma Emocional, Alma Intelectual e Alma Consciente, respectivamente.
[30] N.T.: Dó, Réb, Ré, Mib, Mi, Fá, Solb, Sol, Láb, Lá, Sib, Si
[31] N.T.: Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si
[32] N.T.: também chamados de Senhores da Chama.
[33] N.T.: de autoria desconhecida, datada de cerca de 1372.
[34] N.T.: de autoria de Edward Perronet (1726-1792), compositor inglês.
[35] N.T. de autoria de Robert Grant (1779-1838) que foi um advogado e político inglês.
[36] N.T.: referindo-se ao hemisfério norte.
[37] N.T.: Jakob Ludwig Felix Mendelssohn Bartholdy conhecido como Felix Mendelssohn (1809-1847) foi um compositor, pianista e maestro alemão do início do período romântico. Algumas das suas mais conhecidas obras são a suíte Sonho de uma Noite de Verão (que inclui a famosa marcha nupcial), dois concertos para piano, o concerto para violino, cerca de 100 Lieder, e os oratórios São Paulo e Elijah entre outros.
[38] N.T. Cantam anjos harmonias (Hark! The herald angels sing). Famosa em português: Eis dos anjos, a harmonia! / Cantam glória ao Rei Jesus. / Paz aos homens! Que alegria! / Paz com Deus em plena luz.
[39] N.T.: na notação inglesa: C – D – E – F – G – A – B; e na alemã: C – D – E – F – G – A – H
[40] N.T.: Atlas é a primeira vértebra cervical e também a primeira das 33 vértebras da coluna vertebral.
[41] N.T.: em inglês G sharp major e A flat major, respectivamente
[42] N.T.: em inglês A sharp major e B flat, respectivamente
[43] N.T.: em inglês: C
[44] N.T.: é um termo antigo que já não é usado nos nossos dias, mas que enaltece o médico e cientista que a estudou e descreveu pela primeira vez, Richard Bright. Hoje falamos de insuficiência renal crónica (IRC).
[45] N.T.: em inglês: D major
[46] N.T.: em inglês: E major
[47] N.T.: em inglês: F major
[48] N.T.: em inglês: G major
[49] N.T.: Em inglês: A major
[50] N.T.: Em inglês: B major
[51] N.T.: um hino escrito em Fá maior: Letra de Anna Louisa Walker Coghill (1836-1907) e música de Lowell Mason (1792-1872)
[52] N.T.: um hino escrito por: Ernest W. Blandy, 1890
[53] N.T.: Também conhecida como conarium, Epífise cerebral ou simplesmente pineal.
[54] N.T.: Também é conhecida como Corpo Pituitário, Hipófise e Glândula mestra.
[55] N.T.: um hino cristão do século 19, composto por Sarah Flower Adams, baseado em Gn 28:11-19, a história do sonho de Jacó.
[56] N.T.: um hino cristão de DeWitt Clinton Huntington, de 1873.
[57] N.T.: é o hino nacional dos Estados Unidos. A letra da canção foi escrita em 1814 por Francis Scott Key.
[58] N.T.: um hino cristão escrito por John R. Sweney, 1897.
[59] N.T.: um hino cristão escrito por DeWitt Clinton Huntington, 1873.
[60] N.T.: um hino cristão atribuído a John Francis Wade.
[61] N.T.; também chamado de nervo vago, nervo vagal ou nervo parassimpático. Trata-se de um nervo muito longo e localizado de cada lado do organismo, percorrendo do crânio até o abdômen.
[62] N.T.: Jo 3:20-21
[63] N.T.: do Esquema de Evolução, detalhados no Livro O Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz.
[64] N.T.: onda de vida sub-humana.
[65] N.T.: um hino cristão criado pelo escocês anglicano Henry Francis Lyte, em 1847.
[66] N.T.: um hino inglês do século XIX, escrito por Sabine Baring-Gould e música de Arthur Sullivan, em 1865.
[67] N.T.: um hino cristão criado por Mrs. Harry Coghill, escrito em 1854.
[68] N.T.: um hino cristão criado por Samuel Francis Smith, escrito em 1832.
[69] N.T.: do poema Song of Life de Edson B. Russell.
George du Maurier descreve nesse Livro: “Peter Ibbetson” como um prisioneiro pode reviver as ocorrências de sua infância, se vendo a si mesmo, a seus companheiros de brinquedo, a seus pais, a todo o seu ambiente pela reprodução do registro etérico de sua vida infantil, e até de vidas passadas.
Qualquer um que conheça o segredo de como se colocar em contato com tais imagens, pode encontrar e ler a vida das pessoas com as quais mantém contato.
Sobre isso, podemos ler no Livro O Conceito Rosacruz do Cosmos: “Quando chega o tempo de passar ao segundo grau (a segunda Iniciação Menor), ao neófito é solicitado dirigir sua atenção às condições da segunda Revolução do Período Terrestre, conforme registradas na Memória da Natureza. Então, em plena consciência, observa os progressos alcançados nesse tempo pelos Espíritos Virginais, tal como Peter Ibbetson (o herói da obra “Peter Ibbetson”, de George du Maurier[1], cuja leitura recomendamos por ser uma descrição gráfica de certas fases de subconsciência) observava sua vida infantil durante as noites em que ‘sonhava de verdade’.”.
E isso só é possível porque, do mesmo modo que sabemos que os movimentos da humanidade de hoje podem ser reproduzidos, graças à câmara cinematográfica, mesmo depois que se tenham transcorridos muitos anos da morte de seus verdadeiros atores, também, iluminados pelas últimas descobertas, podemos preparar nossas Mentes para aceitar a ideia de que existe um registro automático de cada vida humana e também das vidas de comunidades, preservado, no que podemos chamar, por falta de melhor denominação, na Memória da Natureza.
Essa nos mostra os estados de evolução alcançados por todos os seres viventes e proporciona aos ministros de Deus, os Anjos Relatores, a perspectiva necessária de nos ajudar no esforço para alcançarmos a sabedoria, o conhecimento e o poder; eis os motivos pelos quais estas lições são necessárias para nosso avanço no Caminho.
[1] N.R.: George du Maurier (1834-1896) – cartunista e autor franco-britânico
George Du Maurier – Peter Ibbetson -Em apenas cinco pontos podemos, simplesmente, nos tocar
George Du Maurier – Peter Ibbetson -Mais sucesso com as damas do que com os cavalheiros
George Du Maurier – Peter Ibbetson -Amor entre Amigos como “Davi amava Jônatas” na Bíblia
George Du Maurier – Peter Ibbetson -Decepções nos Relacionamentos Amorosos
George Du Maurier – Peter Ibbetson -Aventurando-se em Versos e Prosas
George Du Maurier – Peter Ibbetson -Um Bom Gosto pelos Escritores e Pintores
George Du Maurier – Peter Ibbetson -Um Bom Gosto por Música e seus Compositores
George Du Maurier – Peter Ibbetson -As Músicas sem Palavras
George Du Maurier – Peter Ibbetson – O Primeiro Vislumbre do que era a “Sociedade” de fato
George Du Maurier – Peter Ibbetson – Uma ideia fixa que domina toda uma vida
George Du Maurier – Peter Ibbetson – Voltando para o presente na Clínica Psiquiátrica
George Du Maurier – Peter Ibbetson – Somente quando nossa loucura está em nós
George Du Maurier – Peter Ibbetson – Quase esqueci que eu era eu
George Du Maurier – Peter Ibbetson – As coisas velhas se passaram
George Du Maurier – Peter Ibbetson – O Arrependimento do Coração
George Du Maurier – Peter Ibbetson – Vol. II – 4ª Parte – Será que morri e não sei? Como descobrir?
George Du Maurier – Peter Ibbetson – Vol. II – 4ª Parte – Porque e como eu matei o tio Ibbetson
George Du Maurier – Peter Ibbetson – Vol. II – 5ª Parte – Momentos que antecederam meu enforcamento
George Du Maurier – Peter Ibbetson – Vol. II – 5ª Parte – Pronto para Morrer
George Du Maurier – Peter Ibbetson – Vol. II – 6ª Parte – A Morte da Duquesa de Torres
George Du Maurier – Peter Ibbetson – Vol. II – 6ª Parte – Vendo e Participando de Cenas do Passado
George Du Maurier – Peter Ibbetson – Vol. II – 6ª Parte – Finalmente, o fim de mais uma vida aqui
“Todos admitem que seja necessária prática para aprender-se a tocar piano, e que seria inútil pretender-se ser relojoeiro sem antes passar-se pelo aprendizado. Mas quando se trata da alma, da morte, do além ou das origens do ser, muitos creem saber tanto quanto qualquer outro e avocam-se o direito de emitir opinião, apesar de nunca terem consagrado a tais assuntos ao menos uma hora de estudo.”
Alcance aqui um excelente material para estudar sobre: o falecimento, o que acontece depois e até onde chegaremos antes de pensar em renascer.
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Há 3 meios de você acessar esse Livro:
1.Em formato PDF (para download:
2.Em formato de audiobook ou audiolivro:
Audiobook – Falecimento e a Vida depois dele – Max Heindel
3. Para estudar no próprio site:
O FALECIMENTO E A VIDA DEPOIS DELE
Por
Max Heindel
Fraternidade Rosacruz
Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82
Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil
Traduzido e Revisado de acordo com:
1ª Edição em Inglês, 1971, The Passing – and Life Afterward, editada por The Rosicrucian Fellowship
Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
contato@fraternidaderosacruz.com
fraternidade@fraternidaderosacruz.com
ÍNDICE
INTRODUÇÃO
O Falecimento
O Panorama da Vida
A Missão no Purgatório – Retrospecção – o Valor do Arrependimento e da Reforma Íntima
Vida no Mundo do Desejo, depois da morte aqui
O Mundo do Desejo: A Região Limítrofe
O Mundo do Desejo: O Primeiro Céu
O Mundo do Pensamento: O Segundo Céu – Região do Pensamento Concreto
O Terceiro Céu na Região Abstrata do Mundo do Pensamento
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A maioria das pessoas tem um interesse instintivo no que acontece após a morte do Corpo físico, embora as ideias a esse respeito possam variar infinitamente. Infelizmente, muitos declarados como cristãos são bastante temerosos sobre a morte e a olham com medo. Esse é um grande erro e um grande obstáculo ao ser humano, pois seus pensamentos inferiores o afetam de uma maneira muito prejudicial sobre o valor que ele dá ao que realmente ocorre.
Que existe uma vida definitiva e maravilhosa para o Espírito depois que ele deixa o seu corpo físico não é mais uma questão de fé cega. Há muitas pessoas que se tornaram clarividentes voluntários capazes de observar as condições do outro lado do “véu” e, portanto, tiram qualquer dúvida sobre esse assunto importantíssimo. De fato, a humanidade em geral está lentamente desenvolvendo a visão etérica, de modo que, com a aproximação da Era Aquariana o conhecimento sobre as condições na terra dos mortos que vivem estará tão disponível como agora está o conhecimento de quaisquer países estrangeiros aqui na Terra.
A vida na Terra é somente uma fase de um ciclo evolutivo recorrente em que todos nós experimentamos e aprendemos em nossos Corpos físicos na Terra, deixando o plano físico, em seguida, para assimilar a essência do que aprendemos, reconstruir nossos Corpos, repousar e retornar à Terra para repetir o ciclo. O trabalho feito pelo ser humano nos Mundos superiores tem muitas facetas, e em um sentido mais abrangente que seu trabalho na Terra. A vida do ser humano não é, ao que parece, uma existência inativa, sonhadora ou ilusória. É um período da maior e da mais importante atividade na preparação para a vida futura, como o nosso sono diário o é na preparação ativa para o trabalho do dia seguinte.
Entre aqueles que desenvolveram suas faculdades de Clarividência positiva, isto é, sobre o controle das suas vontades, e podem observar, acuradamente, o que acontece nos Mundos invisíveis, está Max Heindel, um Iniciado da Ordem Rosacruz e fundador da Fraternidade Rosacruz. No seu livro “O CONCEITO ROSACRUZ DO COSMOS”, ele descreve, com detalhes, o que acontece no momento do falecimento e depois desse, entre vidas na Terra nos Mundos superiores. A maior parte do que segue daqui para frente é tirada, literalmente, deste iluminante livro.
O ser humano, o Espírito individualizado, é um ser complexo. Ele possui não somente um Corpo Denso, físico, que utiliza aqui, neste Mundo, para se mover e agir, e que, muitas vezes, pensa que isso é o ser humano completo; mas também tem um Corpo Vital composto de Éter, que permeia o Corpo Físico visível e é um instrumento que especializa a energia do Sol. Além disso, ele possui um Corpo de Desejos, sua natureza emocional, que permeia ambos os Corpos: Denso e Vital, e se estende cerca de quarenta e um centímetros além do Corpo Físico. E há também a Mente, que é um espelho, refletindo o Mundo exterior e permitindo ao Espírito ou ao Ego transmitir seus comandos como pensamento e palavra, e que o incentiva a ação.
Durante a vida na Terra, o ser humano constrói e semeia até chegar o momento da morte. Então o tempo da semeadura e os períodos de crescimento e amadurecimento ficaram para trás. Chegou o tempo da colheita, quando o espectro da morte chega com sua foice e sua ampulheta. Esse é um símbolo adequado. O espectro simboliza a parte do Corpo que é relativamente permanente. A foice representa o fato que essa parte permanente, que está a ponto de ser colhida pelo Espírito, é a frutificação da vida que agora está se aproximando do fim. A ampulheta em sua mão indica que a hora não chegará senão até que o curso completo tenha ocorrido em harmonia com leis invariáveis.
Quando este momento chega ocorre uma separação dos veículos. Como sua vida no Mundo Físico terminou, não há necessidade que o ser humano conserve o Corpo Denso. O Corpo Vital, também pertencente ao Mundo Físico, é retirado pela cabeça, deixando inanimado o Corpo Denso.
Os veículos superiores – Corpo Vital, Corpo de Desejos e Mente – são vistos (pelo Clarividente) deixando o Corpo Denso em um movimento espiral, levando consigo a ALMA de um átomo denso – não o átomo em si, mas as FORÇAS que trabalham através dele. Os resultados das experiências passadas por meio do Corpo Denso, durante a vida que terminou, foram impressos neste átomo específico. Enquanto todos os outros átomos do Corpo Denso se renovam de tempos em tempos, este átomo permanente se mantém intacto. Ele permanece estável, não só durante uma vida, mas faz parte de todos os Corpos Densos usados pelo Ego em todas as sucessivas encarnações. É retirado na morte e só desperta na aurora de outra vida física para servir, outra vez, como um novo núcleo em torno do qual é construído o novo Corpo Denso a ser usado pelo mesmo Ego. É, por isso, chamado de “Átomo-semente”. Durante a vida, o Átomo-semente está situado no ventrículo esquerdo do coração, perto do ápice. Na morte, ele sobe ao cérebro, passando pelo nervo pneumogástrico, deixando o Corpo Denso juntamente com os veículos superiores, pelo caminho das suturas entre os ossos parietal e occipital (a sutura sagital).
Quando os veículos superiores deixaram o Corpo Denso, eles ainda estão conectados por um fino, brilhante e prateado Cordão em forma muito parecida a dois seis invertidos, uma na vertical e outra na horizontal, conectados nas extremidades do gancho.
“Antes que o cordão prateado se rompa e o copo de ouro se parta, antes que o jarro se quebre na fonte e a roldana rebente no poço, antes que o pó volte à terra de onde veio e o sopro volte a Deus que o concedeu” (Ecl 12:6-7).
Um extremo desse Cordão prende-se ao coração por meio do Átomo-semente. É a ruptura do Átomo-semente que produz a paralisação do coração. O Cordão só se rompe depois que todo o panorama da vida passada, contido no Corpo Vital, foi contemplado.
Todavia, deve-se ter muito cuidado em não cremar ou embalsamar o corpo antes de decorridos, no mínimo, três dias e meio após a morte, porque enquanto o Corpo Vital e os corpos superiores permanecerem unidos ao Corpo Denso por meio do Cordão Prateado, o ser humano, em certa medida, sentirá qualquer exame post-mortem ou ferimento no Corpo Denso. A cremação deveria ser evitada nos três primeiros dias e meio depois da morte porque tende a desintegrar o Corpo Vital, que deve permanecer intacto até que se tenha imprimido, no Corpo de Desejos, o panorama da vida que passou.
O Cordão Prateado rompe-se no ponto de união dos dois seis, metade permanecendo com o Corpo Denso e a outra metade com os veículos superiores. A partir do momento que o Cordão se rompe o Corpo Denso fica completamente morto.
Quando o Cordão Prateado se desprende do coração e o ser humano se liberta do seu Corpo Denso, chega para o Ego o momento da mais alta importância. Nunca se repetirá suficientemente às pessoas da família de um agonizante, que é um grande crime contra a alma que parte, se entregarem às lamentações e manifestações de sofrimento. Isso justamente porque naquele momento ele está entregue a um ato de suprema importância, já que o valor de sua vida passada depende, em grande parte, da atenção que a alma possa prestar a esse ato. Isto será mais bem esclarecido quando descrevermos a vida do ser humano no Mundo do Desejo.
É também um crime contra o agonizante lhe ministrar estimulantes, cujo efeito é o de forçar os veículos superiores a entrarem, abruptamente, no Corpo Denso produzindo no ser humano um choque enorme. A passagem para o além não é tortura. Mas arrastar a alma de volta ao corpo para que continue sofrendo, isto sim é tortura. Há casos de mortos que contaram aos investigadores o quanto sofreram agonizando durante horas por esse motivo, rogando às famílias que cessassem seu mal-entendido carinho e os deixassem morrer.
Quando o ser humano se liberta do Corpo Denso, que era o mais considerável empecilho ao seu poder espiritual (como as luvas grossas nas mãos do músico, do exemplo anterior), tal poder volta-lhe de novo até certo ponto. Com isso ele pode ler as imagens contidas no polo negativo do Éter Refletor do seu Corpo Vital, que é o assento da memória subconsciente.
Toda sua vida passada desfila nesse momento ante sua visão como um panorama, apresentando os acontecimentos em ordem inversa. Os incidentes do dia que precedeu a morte vêm em primeiro lugar, e assim seguem para trás através da velhice, idade viril, juventude, meninice e infância. Tudo é revisto.
O ser humano permanece como espectador ante esse panorama da vida passada. Vê as cenas conforme se sucedem e que se vão imprimindo nos seus veículos superiores, mas nesse momento fica impassível ante elas. O sentimento está reservado para quando chegar a hora de entrar no Mundo do Desejo, que é o mundo do sentimento e da emoção. Por enquanto ele se encontra apenas na Região Etérica do Mundo Físico.
Esse panorama perdura de algumas horas até vários dias, dependendo isso do tempo que o ser humano possa manter-se desperto, se necessário. Algumas pessoas podem manter-se assim somente doze horas, ou menos ainda; outras podem manter-se, segundo a ocasião, por certo número de dias. Mas enquanto o ser humano puder se manter desperto esse panorama prossegue.
Esse aspecto da vida depois da morte é semelhante ao que acontece quando alguém se afoga ou cai de uma grande altura. Em tais casos o Corpo Vital também abandona o Corpo Denso. Então o ser humano vê a sua vida num relâmpago, pois em seguida perde a consciência. Naturalmente não há rompimento do Cordão Prateado, porque se tal se desse não haveria ressurreição possível.
Quando a resistência do Corpo Vital alcança o seu limite máximo, entra em colapso na forma descrita no fenômeno do sono. Durante a vida física, quando o Ego controla os seus veículos, esse colapso termina as horas de vigília. Depois da morte, o colapso do Corpo Vital encerra o panorama e força o ser humano a entrar no Mundo do Desejo. O Cordão Prateado rompe-se então no ponto onde se unem os “dois seis” (veja-se o Diagrama 5-A) efetuando-se a mesma divisão como durante o sono, porém com esta diferença importante: ainda que o Corpo Vital volte para o Corpo Denso, não mais o interpenetra. Simplesmente fica flutuando sobre a sepultura e desagregando-se sincronicamente com o veículo denso. Por isso o cemitério é um espetáculo repugnante para o clarividente desenvolvido. Bastaria que algumas pessoas a mais pudessem vê-lo, e não seria preciso maior argumentação para convencer a trocar o mau e anti-higiênico método de enterrar os mortos pelo método mais racional da cremação, que restitui os elementos à sua condição primordial sem que o cadáver alcance os desagradáveis aspectos inerentes ao processo da decomposição lenta.
Quando o Espírito deixa o Corpo Vital, o processo é muito parecido ao que se verifica ao deixar o Corpo Denso. As forças vitais de um átomo (do Corpo Vital) são levadas para serem empregadas como núcleo do Corpo Vital na futura encarnação. Deste modo, ao entrar no Mundo do Desejo o ser humano leva os Átomos-sementes dos Corpos: Vital e Denso, além do Corpo de Desejos e da Mente.
Se o ser que está morrendo pudesse deixar todos os desejos para trás, o Corpo de Desejos muito rapidamente se libertaria, deixando-o livre para prosseguir para o Primeiro Céu, mas isso normalmente não acontece. A maioria das pessoas, principalmente se elas morrem ainda jovens, possui muitos laços e interesses na vida na Terra. Elas não modificam seus desejos só porque perderam seu corpo físico. De fato, seus desejos são até aumentados pela vontade intensa de retornar. Isso as prende mais ao Mundo do Desejo de forma desagradável, embora, infelizmente, elas não entendam a realidade desse fato. Por outro lado, os velhos, decrépitos e aqueles enfraquecidos por longa enfermidade se libertaram da vida e passaram rapidamente.
O assunto pode ser ilustrado pelo caroço que se desprende da fruta madura onde nenhuma parte da polpa se adere, enquanto que, na fruta verde, o caroço se adere à polpa tenazmente. Assim, é muito difícil para as pessoas que morrem de acidente, estando em plena saúde e força física, ligadas à esposa, família, parentes, amigos e à procura de negócios e prazer.
Enquanto o ser humano manifesta seus desejos ligados à vida na Terra, ele tem que permanecer em seu Corpo de Desejos e à medida que o progresso do indivíduo requer que ele alcance regiões mais superiores, a existência no Mundo do Desejo tem que ser necessariamente purgatorial, tendendo a purificá-lo de seus pecados. Como isso acontece, pode ser melhor compreendido tomando alguns exemplos radicais.
O avarento, que amou seu ouro na vida terrena, continua a amá-lo após a morte, mas, em primeiro lugar, ele não pode adquirir mais porque não tem mais o Corpo Denso para agarrá-lo, e, pior que tudo, não pode sequer manter o que acumulou durante a vida. Ele irá, talvez, sentar-se perto do seu cofre e olhar o ouro e as ações guardadas por ele com tanto carinho. Mas os herdeiros aparecem e talvez zombando do “velho tolo avarento” (que eles não veem, mas que os vê e ouve), abrirão seu cofre e, embora ele se jogue sobre o ouro para protegê-lo, eles passarão suas mãos através de seu corpo, sem perceber ou sentir que ele está ali e irão gastar sua fortuna, enquanto ele sofre de tristeza e impotente raiva.
Ele sofrerá intensamente e seu sofrimento é ainda mais terrível por ser inteiramente mental, porque o Corpo Denso amortece o sofrimento de certa forma. No Mundo do Desejo, no entanto, esse sofrimento tem força total e o ser humano sofre até aprender que o ouro pode ser uma maldição. Assim, ele, gradualmente, se contenta com sua sorte e, finalmente, se liberta do Corpo de Desejos e está pronto para prosseguir.
Com certeza é possível evitar esse problema, enquanto encarnado, procurando descartar os bens materiais. Se usarmos o julgamento, quando verificamos que nossas vidas foram úteis até o fim, podemos dizer: Aqui estão coisas das quais não mais utilizarei, e sabendo que o tempo é curto; podemos procurar o que fazer com eles, saber a quem poderá ser útil, ou a quem posso ajudar a fazer uso dele para estabelecer algo para si mesmo?
O mesmo é verdadeiro em relação às afeições; devemos nos policiar para que não amemos ninguém com um amor desmedido – amor como aquele a quem se idolatra e os coloca acima de tudo. Se nos libertamos de todos os laços terrestres, então, estamos prontos para seguir adiante e não poderemos ser mantidos aqui.
Tomemos o caso do alcoólatra. Ele continua gostando de beber após a morte tanto quanto gostava anteriormente. Não é o Corpo Denso que anseia pela bebida. Ele se torna doente pelo álcool e não gostaria de passar sem ele. Em vão, protesta de diversas maneiras, mas o Corpo de Desejos do alcoólatra anseia pela bebida e força o Corpo Denso a ingeri-la, para que o Corpo de Desejos possa ter a sensação de prazer resultante do aumento da vibração. Aquele desejo permanece após a morte do Corpo Denso, mas o alcoólatra não tem em seu Corpo de Desejos nem boca para beber nem estômago para conter a bebida. Ele procura os bares onde interpenetra os corpos dos que bebem para conseguir um pouco de vibração por indução, porém, isso é demasiadamente fraco para trazer-lhe alguma satisfação. Ele, muitas vezes, entra na garrafa de uísque, mas isso não lhe traz proveito porque não há na garrafa os gases que são gerados pelos órgãos digestivos do beberrão. Não há nenhum efeito que possa sentir e ele é como um ser humano num barco no meio do oceano: “Água, água, para todos os lados, mas nem uma gota para beber”. Em consequência, ele sofre intensamente. Em tempo, no entanto, ele aprende a perda de tempo que é ansiar pelo que não pode conseguir. Como tantos outros desejos aqui na vida terrena, os desejos no Mundo do Desejo morrem por não poderem ser satisfeitos. Quando o alcoólatra purgou o vício, ele está pronto para deixar esta fase do “Purgatório” e sobe para o mundo celestial.
Assim, nós vemos que não é uma vingativa Divindade que faz o Purgatório ou o inferno para nós e, sim, nossos hábitos e atos inferiores. De acordo com a intensidade de nossos desejos, será o tempo de nosso sofrimento justo em sua purgação. Nos casos mencionados anteriormente, não haveria sofrimento para o alcoólatra se ele fosse privado de suas riquezas materiais. Se ele tivesse algumas, não ligaria para elas. Também não causaria ao avaro nenhuma dor ao ser privado de beber. Pode-se afirmar que ele não se importaria se não existisse uma única gota de bebida no mundo. Porém, ele defenderia seu ouro e o alcoólatra, sua bebida e, desta forma, a lei infalível dá a cada um, o que ele necessita para purgar seus desejos profanos e hábitos inferiores.
Esta é a lei simbolizada na foice do ceifador, a Morte, a lei que diz que “tudo que o ser humano semear, ele também colherá”. É a Lei de Causa e Efeito que regula todas as coisas nos três mundos e em todos os reinos da Natureza – físico, moral e mental. Em todos eles, ela trabalha inexoravelmente ajustando todas as coisas, restaurando o equilíbrio, em qualquer lugar onde, por sua simples ação, um distúrbio tenha sido provocado. O resultado pode ser manifestado imediatamente ou pode ser retardado por anos ou vidas, porém, em algum tempo, em algum lugar, uma justa e adequada retribuição será feita. O estudante deve particularmente observar que esse trabalho é absolutamente impessoal. Não há no universo nem prêmio nem punição. Tudo é o resultado da lei invariável. Esta é a Lei de Consequência.
No Mundo do Desejo, ela opera purgando o ser humano dos desejos mais grosseiros e corrigindo fraquezas e vícios que impedem seu progresso, fazendo-o sofrer de forma a alcançar o objetivo. Se ele fez outros sofrerem ou se agiu injustamente com eles, irá sofrer de modo idêntico. É preciso notar, entretanto, que, se uma pessoa foi sujeita a vícios e se arrependeu e o mais rápido possível corrigiu seu erro, este arrependimento e reforma a purgou dos vícios e atos inferiores. O equilíbrio foi restaurado e a lição aprendida durante sua vida terrena e, desta forma, não haverá nenhum sofrimento após a morte.
Uma palavra deve ser dita aqui sobre o suicida, que tenta fugir da vida, apenas para descobrir que está tão vivo como sempre. É a situação mais lamentável. Ele é capaz de assistir aqueles a quem ele tem, talvez, desonrado por seu ato, e pior de tudo, ele tem uma sensação indescritível de estar “esvaziado”. A parte da aura ovoide, onde o Corpo Denso costumava estar contido, está vazia e, apesar do Corpo de Desejos tomar a forma do Corpo Denso descartado, ainda assim, ele se sente parecido como uma concha vazia, porque o arquétipo criador do corpo na Região do Pensamento Concreto persiste como um molde vazio, por assim dizer, enquanto que o Corpo Denso deveria ter vivido adequadamente. O arquétipo – o “modelo” do Corpo Denso de cada Ego, em torno do qual o corpo toma forma – é feito de coisas mentais e configurado para vibrar por um período de tempo previamente determinado. Quando uma pessoa morre naturalmente, mesmo no auge da vida, a atividade do arquétipo cessa, e o Corpo de Desejos se ajusta para ocupar toda a forma. No caso do suicida, no entanto, esse horrível sentimento de “vazio” permanece até o momento em que, no curso natural dos acontecimentos, sua morte teria ocorrido. A impressão desta experiência particularmente desagradável permanece com o Ego, e é fundamental para impedi-lo de ficar preso à tentação do suicídio em vidas futuras.
No Mundo do Desejo, a vida passa aproximadamente três vezes mais rápido do que no Mundo Físico. Um ser humano que tenha vivido até os cinquenta anos no Mundo Físico levará para passar pelos mesmos eventos no Mundo do Desejo aproximadamente dezesseis anos. Este é, naturalmente, um exemplo genérico. Há pessoas que permanecem no Mundo do Desejo muito mais tempo do que o período de sua vida física. Outros, que viveram com poucos desejos inferiores, despendem muito menos tempo, mas a média dada anteriormente está muito próxima da realidade dos seres que vivem atualmente.
Devemos lembrar que, quando o ser humano deixa o Corpo Denso na morte, sua vida passada se apresenta à sua frente em imagens, porém, neste momento, não há nenhum sentimento envolvido.
Durante sua vida no Mundo do Desejo, estas imagens da vida também se desenrolam de trás para frente como antes; porém, agora, o ser passa por todos os sentimentos, um por um, à medida que as cenas se apresentam. Cada incidente de sua vida passada é vivido e, quando chega a uma cena em que tenha feito mal a alguém, ele mesmo sente a dor que a pessoa sentiu. Ele vivencia toda dor e sofrimento que causou aos outros e aprende quão dolorosa foi a ferida e quão difícil foi suportar o mal que ele causou. Além disso, há ainda o fato já mencionado de que o sofrimento é ainda mais agudo porque ele não tem mais o Corpo Denso que entorpece a dor. Talvez seja essa a razão de a vida lá ser três vezes mais rápida – o sofrimento perde em duração o que ganha em intensidade. As medidas da Natureza são maravilhosamente justas e verdadeiras.
A Natureza, que é a manifestação de Deus, visa sempre à conservação da energia, alcançando os maiores resultados com o mínimo de força e de desperdício de energia. Se estudarmos o efeito da mudança no Mundo Físico, devemos aprender algo de sua consequência no reino acima de nós. Uma pessoa que sofre agudamente durante um curto período de tempo, geralmente, sente dor de forma muito intensa; enquanto aqueles que sofrem por anos ininterruptos, não parecem sentir o sofrimento na mesma medida, apesar da dor que lhes é atribuída possa ser tão grave. Eles têm, por assim dizer, utilizando deste quadro no sentido de tornarem-se emaciados e ajustados à dor; portanto, o sofrimento não é tão intenso quanto à pessoa no primeiro caso.
A missão do Purgatório é erradicar os hábitos injuriosos, fazendo sua gratificação impossível. O indivíduo sofre exatamente como ele fez os outros sofrerem através de sua desonestidade, crueldade, intolerância e outras coisas mais. Devido a este sofrimento, ele aprende a agir gentilmente, honestamente e com paciência com os outros no futuro. Assim, em consequência desse estado benéfico, o ser humano aprende a virtude e a ação correta. Quando renasce, pelo menos está livre de hábitos doentios e todo ato que venha a ser cometido é de livre arbítrio. As tendências em repetir o mal de vidas passadas permanecerão, pois, é através de nossa força de vontade que deveremos aprender a fazer o que é certo conscientemente. Na ocasião propícia estas tendências chegarão oferecendo-nos, então, a oportunidade de nos mantermos do lado da misericórdia e da virtude contra o vício e a crueldade. Mas, para indicar a ação correta e a ajuda necessária a resistir a estas armadilhas e as ciladas da tentação, teremos como resultado o sentimento da expiação dos hábitos e dos atos errados de vidas passadas. Se observarmos esse sentimento e abstermo-nos, particularmente, deste mal a tentação cessará. Assim, nos libertamos disso para sempre. Do contrário, se cedermos, teremos um sofrimento mais intenso do que antes, até que finalmente aprendemos a viver pela Regra de Ouro, porque o caminho do transgressor é difícil. E mesmo assim, não chegamos ao nosso melhor. É egoísmo de nossa parte fazer o bem aos outros porque queremos que eles façam o mesmo conosco. Com o tempo devemos aprender a fazer o bem independentemente da maneira que somos tratados pelos demais; como Cristo Jesus disse, devemos amar até os nossos inimigos.
Há um inestimável benefício quando conhecemos o método e o objeto dessa purgação, porque assim, somos capazes de nos prevenir e viver nosso Purgatório aqui e agora diariamente, portanto, progredindo muito mais rápido do que de outra forma. O exercício de Retrospecção é dado na última parte do CONCEITO ROSACRUZ DO COSMOS, cujo objetivo é a purificação, como auxílio ao desenvolvimento da visão espiritual. Consiste em pensar sobre os acontecimentos do dia após se deitar à noite. Devemos revisar cada incidente do dia, em ordem inversa, considerando se agimos corretamente ou não em cada caso particular em relação às ações, atitudes mentais e hábitos. Ao nos julgar diariamente, tentando nos corrigir em nossos hábitos e ações erradas enquanto encarnados, poderemos reduzir ou até eliminar o tempo do Purgatório e assim, passaremos, diretamente, ao Primeiro Céu após a morte. Se, conscientemente superarmos nossas fraquezas, poderemos ter um avanço muito bom materialmente falando na escola da evolução. E mesmo que não consigamos corrigir todas as nossas ações, obtemos um benefício imenso de julgar-nos, gerando assim aspirações para o bem, que com o tempo certamente dará frutos numa ação correta.
Ao analisar os acontecimentos do dia e nos arrependermos pelos erros cometidos, não devemos nos esquecer da aprovação IMPESSOAL ou de nos regozijarmos pelo bem praticado e nos determinarmos a fazê-los melhor. Desta forma, nos fortalecemos pelo bem praticado e, também nos julgamos pela prática do mal.
O arrependimento também é um fator poderoso para encurtar a existência no Purgatório, pois a Natureza nunca desperdiça esforços em processos inúteis. Quando percebemos o errado de certos hábitos ou ações em nossa vida passada, e determinamos erradicar os hábitos e corrigir os erros cometidos, estamos eliminando estas imagens da memória subconsciente e, portanto, não estarão ali mais como árbitro para nos julgar após a morte. Mesmo que não possamos fazer a restituição por algo cometido, a sinceridade do nosso arrependimento será suficiente. A natureza não visa “se equilibrar”, nem se vingar. A recompensa para aqueles a quem prejudicamos pode ser dada de outras maneiras.
Muitos progressos reservados para vidas futuras, normalmente serão realizados pelo ser humano, uma vez que ele deve aproveitar o tempo e viver cada momento, julgando-se e erradicando os vícios na reformulação de seu caráter. Esta é a prática fervorosamente recomendada.
Para os Egos habitantes do Mundo do Desejo é possível moldar material de desejos pelo pensamento, da maneira desejada por ele. Por exemplo, eles podem formar vários artigos de vestuários empregando a força do desejo. Geralmente, eles se imaginam vestidos com o traje costumeiro que usavam antes de passarem para o Mundo do Desejo e, portanto, se veem vestidos sem nenhum esforço do pensamento em particular. Mas, quando eles desejam obter algo novo ou outra vestimenta não usual, naturalmente eles têm que usar o poder da vontade para realizar tal coisa; e este pensamento de desejo só durará enquanto a pessoa se sustentar vestida naquela maneira.
Esta facilidade de moldagem do material de desejo utilizando o poder do pensamento também é usada em outras direções. De um modo geral, quando uma pessoa deixa o mundo presente em consequência de um acidente, ela se vê de maneira desfigurada devido ao acidente, talvez sem uma perna ou braço ou com um buraco na cabeça. Isso não a incomoda; pois pode se mover tão facilmente sem braços ou pernas entre eles, mas mostra a tendência do pensamento em moldar o Corpo de Desejos. No início da Primeira Guerra Mundial, houve um grande número de soldados com lesões horríveis que passaram para o Mundo do Desejo, quando os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz e seus alunos ensinaram a estes homens que simplesmente mantendo o pensamento de que os membros de seus corpos eram sadios, então, eles seriam curados de suas formas desfiguradas. Isso se fez imediatamente. Agora, todos os recém-chegados, quando são capazes de entender o que acontece no Mundo do Desejo são curados de suas feridas e amputações desta maneira, e ao vê-los, ninguém pensaria que passaram por um acidente no Mundo Físico.
Outra evidência da disponibilidade com que as matérias de desejos são moldadas pelo pensamento é tido por muitas pessoas na Terra que seguem linhas semelhantes. Em tais casos, seus pensamentos se amontoam e formam um grande todo.
Assim, nas regiões inferiores do Mundo do Desejo, os pensamentos das pessoas que pressupõe estar em um calor ardente, como o inferno, fazem do desejo um lugar de tortura. Podemos ver demônios com chifres, cascos e caudas, estimulando os pecadores infelizes com tridentes e, muitas vezes, quando as pessoas desmaiam, depois de ter vivenciado esta crença, eles se encontram em um triste estado de medo ao contemplar este lugar que eles mesmos ajudaram a criar. Também há nas regiões superiores do Mundo do Desejo uma Nova Jerusalém com portões perolados, com cristais e com um grande trono branco sobre o qual está assentado o pensamento-forma de Deus, criada por essas pessoas e aparecendo ser semelhante a um homem velho. Esta é uma característica permanente do Mundo do Desejo, e permanecerá assim para que as pessoas continuem a pensar sobre a Nova Jerusalém como o caminho. Essas formas não têm vida além dos pensamentos sustentados pelo ser humano, e quando a humanidade superar essa crença, a cidade criada por seus pensamentos deixará de existir.
O Purgatório ocupa as três Regiões inferiores do Mundo do Desejo. O Primeiro Céu está localizado nas três Regiões Superiores do Mundo do Desejo. A Região Central é uma espécie de fronteira – nem céu nem inferno. Nesta região, encontramos pessoas honestas e corretas; que não causaram danos a ninguém, mas que estiveram tão
Intensamente imersos nos seus negócios que não tiveram tempo de pensar na vida superior. Para estas pessoas, o Mundo do Desejo é um estado indescritível de monotonia. Não há “negócios” nesse mundo, e, para este tipo de ser humano não existe qualquer coisa para se ocupar. Ele tem um tempo muito difícil até que aprenda a pensar em coisas mais elevadas do que livros e projetos. Os seres humanos que pensavam no problema da vida e chegaram à conclusão de que “a morte acaba com tudo”, que negaram a existência de coisas fora do mundo material – esses, certamente, também sentem essa terrível monotonia. Eles têm esperado a aniquilação da consciência, mas em vez disso, se encontram com uma percepção aumentada das pessoas e coisas sobre elas. Eles estavam acostumados a negar essas coisas tão veementemente que muitas vezes eles fantasiam o Mundo do Desejo como alucinação, e muitas vezes são ouvidos exclamando com o mais profundo desespero: “Quando terminará? Quando terminará?”
Essas pessoas estão realmente em um estado lamentável. Eles geralmente estão fora do alcance de qualquer ajuda e sofrem muito mais do que qualquer outra pessoa. Além disso, eles não têm nenhuma vida no mundo celeste, onde a construção de corpos futuros é ensinada, então eles colocam todos os seus pensamentos cristalizantes em qualquer corpo que possam formar para uma vida futura. Assim, um corpo é construído devido as tendências de endurecimento que temos, como no consumo a estas necessidades. Às vezes, o sofrimento que incide em tais corpos decrépitos transformará os pensamentos das pessoas que emanam de Deus, e assim, sua evolução pode prosseguir; mas na mente materialista encontra-se o maior perigo de perder contato com o Espírito e se tornar um pária.
Quando termina a existência purgatorial, o espírito purificado ascende ao Primeiro Céu, que está situado nas três Regiões mais elevadas do Mundo do Desejo. Os resultados dos sofrimentos são incorporados ao Átomo-semente do Corpo de Desejos, o que lhe comunica a qualidade de reto sentimento que atuará, no futuro, como impulso para o bem e repulsão ao mal. Aqui o panorama do passado se desenrola de novo para trás, mas então as boas obras da vida são à base dos sentimentos. Ao chegarmos às cenas em que ajudamos a outrem, viveremos de novo toda a alegria que isto nos proporcionou, como também sentiremos toda a gratidão emitida por aqueles a quem ajudamos. Quando contemplamos de novo as cenas em que fomos ajudados por outros, voltamos a sentir toda a gratidão que emitimos ao nosso benfeitor. Deste modo vemos a importância de apreciar os favores com que outros nos cumularam, porque a gratidão produz crescimento anímico. Nossa felicidade no céu depende da felicidade que tenhamos proporcionado a outros, e do valor que demos àquilo que outros fizeram por nós.
Deve-se sempre recordar que o poder de dar não pertence exclusivamente ao ser humano rico. Dar dinheiro sem discernimento pode ser até um mal. É um bem dar dinheiro para um propósito que consideremos benéfico, porém um serviço prestado vale mil vezes mais. Um olhar carinhoso, expressões de confiança, uma simpática e amorosa ajuda são coisas que todos podem dar, seja qual for a fortuna de cada um. Todavia devemos ajudar o necessitado de maneira que ele possa ajudar a si próprio, seja física, financeira, moral ou mentalmente, para que não dependa mais de nós nem dos outros.
O Primeiro Céu é um lugar de alegria, sem vestígios sequer de amargura. O Espírito está além das influências materiais e terrestres, e, ao reviver sua vida passada, assimila todo o bem nela contido. Aqui se realizam em toda amplitude todos os empreendimentos nobres a que o ser humano aspirou. É um lugar de repouso, e quanto mais dura tenha sido a vida maior será o descanso que gozará. Enfermidade, tristeza e dor são coisas desconhecidas no Primeiro Céu. É a pátria de veraneio dos espiritualistas. Os pensamentos do devoto cristão construíram ali a Nova Jerusalém. Formosas casas, flores, etc., são o prêmio dos que a elas aspiraram, e que eles mesmos construíram com o pensamento, utilizando-se da sutilíssima matéria de desejos. Contudo são para eles tão reais e tangíveis como são para nós as casas materiais. Todos desfrutam ali a satisfação daquilo que não puderam alcançar na vida terrestre.
Este céu é também lugar de progresso para todos os estudiosos, para os artistas e para os altruístas. O estudante e o filósofo têm acesso instantâneo a todas as bibliotecas do mundo. O pintor observa, com inefável delícia, as combinações de cores sempre cambiantes. Logo aprende que seus pensamentos formam e misturam essas cores à vontade. Suas criações brilham e cintilam com uma vividez impossível de ser conseguida pelos que trabalham com as monótonas cores da Terra. Está, por assim dizer, pintando com matéria viva, resplandecente, sendo por isso mesmo capaz de executar suas obras com uma facilidade que lhe inunda a alma de deleite.
O poeta encontra uma inspiração magnífica nas imagens e cores, que são as características principais do Mundo do Desejo. Dali tomará os materiais para usá-los em sua próxima incorporação. De maneira idêntica o escritor acumula material e faculdade. O filantropo concebe seus planos altruístas para a elevação do ser humano. Se falhou em uma vida, verá a razão do fracasso no Primeiro Céu, e aprenderá ali a superar os obstáculos e a evitar os erros que tornaram seus planos impraticáveis.
Nossa vida no Primeiro Céu é sempre abençoada e preenchida pela presença daqueles que amamos, sejam parentes ou amigos. Portanto, aqueles que se amam e são necessários para a felicidade uns dos outros estão unidos por um vínculo de amizade mais próxima durante a permanência no Primeiro Céu, isto se eles estiverem lá ao mesmo tempo. Pois, se alguém permanece no Corpo Denso por determinados anos e o outro já passou, certamente, o que está no mundo celestial, com seu pensamento amoroso criará uma imagem do outro e dotá-la-á de vida; pois devemos lembrar que o Mundo do Desejo está devidamente constituído e que somos capazes de dar forma corporal a tudo que pensamos. Assim, esta imagem só será dotada de vida por seu pensamento e os pensamentos da outra pessoa que ainda vive no Mundo Físico, quando ela incorporar todas as condições que são necessárias para preencher o cálice de felicidades deste habitante do mundo celestial.
Da mesma forma, quando a segunda pessoa passar pelo Primeiro Céu e a primeira não estiver mais lá e já ascendeu ao Segundo Céu, o Corpo de Desejos desintegrado desta pessoa permanecerá vivo no Primeiro Céu e parecerá perfeitamente real para a segunda pessoa até que a sua vida aqui, realmente, tenha terminado. Não se deve pensar que esta imagem seja puramente ilusão, pois a pessoa que chegou ao Primeira Céu será animada pelo amor e amizade enviada pela pessoa que já ascendeu ao Segundo Céu, mas que ambos fazem parte deste céu.
Assim, quando, respectivamente, eles passam para o Segundo e Terceiro Céu, o esquecimento do passado vem sobre eles, e se separam por uma ou mais vidas sem dívidas a saldar. Mas, em algum tempo e em algum lugar, eles se encontrarão novamente, e a força dinâmica que geraram no passado por meio de seus anseios entre ambos, invariavelmente os atrairá para que o amor alcance o que é legítimo para sua consumação.
Crianças no Primeiro Céu levam uma vida particularmente bela. Se pudéssemos ver, rapidamente cessaríamos nossa dor. Quando uma criança morre antes do nascimento do Corpo de Desejos, isto é, antes dos quatorze anos, não vai além do Primeiro Céu, porque não é responsável pelos seus atos, do mesmo modo que o feto que se contorce no útero não é responsável pelo incômodo que causa à mãe. Portanto, a criança não tem existência purgatorial. O que não é vivificado não pode morrer, portanto, o Corpo de Desejos de uma criança, junto com a Mente, persistirá até o novo nascimento. Por essa razão, essas crianças são capazes de recordar suas vidas anteriores.
Para tais crianças, o Primeiro Céu é uma sala de espera onde permanecem de um a vinte anos, até que se apresente uma nova oportunidade para renascerem. Entretanto, é algo mais do que uma simples sala de espera, porque, nesse ínterim realiza-se ali um grande progresso.
Quando uma criança morre há sempre alguém da família à sua espera, mas na falta disto, sempre existe quem a adote com sentimento maternal porque gostava também de fazê-lo em sua existência terrena, satisfazendo-se em cuidar de um pequeno desamparado. A extrema plasticidade da matéria de desejos permite formar com a maior facilidade maravilhosos brinquedos viventes para as crianças, tornando suas vidas um formoso divertimento: contudo sua instrução não fica descuidada. Elas são agrupadas em classes de acordo com os seus temperamentos, sem considerar-se a idade. No Mundo do Desejo é muito fácil ministrar-se lições objetivas da influência do bem e das más paixões sobre a conduta e a felicidade. Estas lições imprimem-se indelevelmente sobre o sensitivo e emotivo Corpo de Desejos da criança e acompanham-na depois do renascimento. Assim, muitos dos que levam uma vida nobre devem-na ao fato de terem sido submetidos a esse treinamento. Muitas vezes, quando nasce um espírito débil é comum os Compassivos Seres (os Guias Invisíveis que dirigem nossa evolução) fazerem-no morrer em tenra idade para que possa ter este treinamento extra, ajudando-o a adaptar-se ao que talvez possa ser para ele uma vida dura. Parece ser este o caso especialmente quando a impressão no Corpo de Desejos foi fraca, em decorrência de perturbações das lamentações dos parentes em volta do moribundo, ou por ter morrido em acidente ou num campo de batalha. Sob tais circunstâncias ele não pode experimentar, em sua existência pós-morte, a intensidade de sentimentos apropriados, por isso quando nasce e morre a seguir, em tenra idade, a perda se recobra na forma acima indicada. Muitas vezes, o dever de cuidar dessas crianças na vida celeste recai sobre aqueles que foram causa dessas anomalias, pois assim são-lhes proporcionadas oportunidades para repararem uma falta e aprenderem a agir melhor. Ou talvez venham a ser os pais daquele que prejudicaram, devendo cuidar dele nos poucos anos que viva. Nesse caso não importará que se lamentem histericamente por causa de sua morte porque não há imagens no Corpo Vital infantil que produzam consequências.
Com o tempo, chega-se a um ponto em que o resultado da dor e do sofrimento no purgatório, junto ao sentimento feliz extraído das boas ações da vida passada, integram-se ao Átomo-semente do Corpo de Desejos. Juntos eles constituem o que chamamos consciência, essa força propulsora que nos põe em guarda contra o mal, o produtor de sofrimentos, e nos inclina para o bem, o gerador de felicidade e alegria. Tal como abandonou os Corpos Denso e Vital, assim o ser humano abandona seu Corpo de Desejos, que se desintegra. Dele, leva consigo unicamente as forças do Átomo-semente, que formarão o núcleo do futuro Corpo de Desejos, como o foi a partícula permanente de percepção dos seus veículos anteriores.
Finalmente o ser humano, o Ego, o Tríplice Espírito, entra no Segundo Céu. Está envolto na Mente, que contém os três Átomos-sementes – a quintessência dos três veículos abandonados.
Quando o ser humano, ao morrer, perde seus Corpos Denso e Vital, encontra-se nas mesmas condições de uma pessoa adormecida. O Corpo de Desejos, conforme explicado, não possui órgãos próprios para uso. De um ovoide transforma-se então numa figura parecida com o Corpo Denso abandonado. Facilmente se compreende que deve haver um intervalo de inconsciência semelhante ao sono antes de o ser humano despertar no Mundo do Desejo. Por conseguinte, não é raro acontecer a certas pessoas permanecerem, durante longo tempo, incertas do que se passou com elas. Notam que podem pensar e mover-se, mas não compreendem que morreram. Às vezes é até muito difícil conseguir fazê-las crer que estão realmente “mortas”. Compreendem, sim, que algo está diferente, mas não são capazes de entender o que seja.
Tal não acontece quando se efetua a passagem do Primeiro Céu – no Mundo do Desejo, para o Segundo Céu – na Região do Pensamento Concreto. Abandonando seu Corpo de Desejos, o ser humano está, então, perfeitamente consciente. Passa a um grande silêncio, e durante esse intervalo tudo parece desvanecer-se, ele não pode pensar. Nenhuma das suas faculdades acha-se ativa, mas sabe que é. Tem a sensação de encontrar-se no “Eterno Agora”, de achar-se completamente só, todavia sem temor. Então sua alma inunda-se de uma paz inefável, “que sobre passa todo o entendimento”. A ciência oculta chama isso “O Grande Silêncio”.
Então, vem o despertar. O Espírito está agora em sua pátria, seu lar – o mundo celeste. E o despertar traz-lhe ao espírito o som da música das esferas.
Na existência terrena vivemos tão absorvidos pelos pequenos ruídos e sons do nosso restrito ambiente, que somos incapazes de ouvir a música dos astros em movimento, mas o ocultista ouve-a. Ele sabe que os doze signos do Zodíaco e os sete Planetas formam a caixa de ressonância e “as sete cordas da lira de Apolo”. Sabe também que um simples desacorde na harmonia celestial desse grande Instrumento poderia produzir “um aniquilamento da matéria e uma colisão de mundos”. A música celeste é um fato e não mera figura de retórica. Pitágoras não fantasiava quando falou da música das esferas, porque cada um dos corpos celestiais tem seu tom definido e, juntos, formam a sinfonia celestial que Goethe, também menciona no prólogo do seu “Fausto”.
Os ecos dessa música celeste chegam até nós, aqui no Mundo Físico, e são o nosso bem mais precioso, ainda que fugazes como o fogo-fátuo. A música não pode ser criada permanentemente, a exemplo de outras obras de arte – uma estátua, um quadro, ou um livro. O Mundo do Pensamento, onde estão localizados o Segundo Céu e o Terceiro Céu, é a esfera do Som, e o músico aqui, finalmente, chega ao lugar em que sua arte se expressa a si mesma em toda a extensão.
Não basta dizer que as novas condições serão determinadas pela conduta e atos da última vida. É necessário que os frutos do passado sejam aplicados no Mundo Físico, que será o próximo campo de atividade do Ego, e onde este estará adquirindo novas experiências físicas e colhendo mais frutos. Portanto, todos os habitantes do Mundo Celeste trabalham sobre os modelos da Terra – a totalidade dos quais se encontra na Região do Pensamento Concreto – lhe alterando as formas físicas e produzindo-lhe mudanças graduais no aspecto. Assim, em cada retorno à vida física eles encontram um ambiente diferente onde podem adquirir novas experiências. O clima, a flora e a fauna são alterados pelo ser humano sob a direção de Seres elevados que mais tarde descreveremos. Por conseguinte, o mundo é exatamente o que nós próprios, individual e coletivamente, temos feito dele, e será tal e qual como o fizermos. Em tudo quanto ocorre, o ocultista vê uma causa de natureza espiritual manifestando-se a si mesma, inclusive o alarmante aumento de frequência das perturbações sísmicas, que têm origem no pensamento materialista da ciência moderna.
O trabalho do ser humano no Mundo Celeste não se limita apenas à alteração da superfície da Terra, que será o campo de suas futuras lutas para dominar o Mundo Físico. Ele ocupa-se também, ativamente, em aprender como construir um corpo que tenha os melhores meios de expressão. O destino do ser humano é converter-se em Inteligência Criadora e para tal aplica-se à sua aprendizagem todo o tempo. Durante a vida celeste aprende a construir toda classe de corpos, inclusive o humano.
Instrutores das mais elevadas Hierarquias Criadoras dirigem o trabalho do ser humano. Ajudaram-no a construir seus veículos antes de ter alcançado consciência de si mesmo, do mesmo modo que ele próprio constrói atualmente seus veículos durante o sono. Mas no transcurso de sua vida celeste esses instrutores ensinam-no conscientemente. Ao pintor, ensinam como construir um olho apurado, capaz de captar perspectivas perfeitas, e distinguir cores e matizes em um grau inconcebível para os que não se interessam por cor ou luz.
Ao matemático que tem de lidar com o espaço, ensinam o delicado ajuste dos três canais semicirculares, os quais estão situados dentro do ouvido interno, que apontando, cada um, em uma das três direções do espaço, dão a faculdade da percepção abstrata. O pensamento lógico e a habilidade matemática estão em proporção à precisão do ajuste desses canais semicirculares. A habilidade musical depende também do mesmo fator, mas além da necessidade do devido ajuste dos canais semicirculares, o músico precisa do órgão de Corti extremamente delicado. Há no ouvido humano cerca de dez mil dessas fibras, e cada uma pode diferençar cerca de vinte e cinco gradações de tons. No ouvido da maioria das pessoas essas fibras não respondem senão de três a dez das gradações possíveis. Entre os músicos comuns o maior grau de eficiência é de uns quinze sons por fibra, mas um maestro, que é capaz de interpretar e traduzir a música do Mundo Celeste requer maior grau de acuidade para distinguir entre as diferentes notas e perceber a mais ligeira desarmonia nos mais complicados acordes.
O ser humano percebe a música através do mais perfeito órgão dos sentidos do corpo humano. A visão pode não ser perfeita, mas a audição o é, no sentido de não deformar o som que ouve, enquanto o olho altera muitas vezes o que vê.
Além do ouvido musical, o músico deve também aprender a construir mãos finas e delicadas, dedos ágeis e nervos sensitivos. Caso contrário não poderia reproduzir as melodias que ouve.
E lei da natureza: ninguém pode habitar um corpo mais eficiente do que aquele que é capaz de construir. Aprende-se, primeiramente, a construir uma determinada classe de corpo e depois a viver nele. Desta maneira percebem-se os defeitos e aprende-se a corrigi-los.
Todos os seres humanos trabalham inconscientemente na construção dos seus corpos durante a vida pré-natal, até chegar o momento em que a retida quintessência dos corpos anteriores seja neles amalgamada. Então passam a trabalhar conscientemente. Compreende-se, pois, que quanto mais o ser humano avança e quanto mais trabalha em seus veículos, tornando-os assim imortais, mais poder tem de construí-los para uma nova vida. O discípulo avançado de uma escola oculta, às vezes, começa a construir por si mesmo tão logo se complete o trabalho das três primeiras semanas de vida pré-natal (que pertence exclusivamente à mãe). Assim, passado o período inconsciente, apresenta-se ao ser humano uma oportunidade de exercer seu nascente poder criador, e aí começa o verdadeiro processo criativo, “original”, a “Epigênese”.
Vemos, pois que o ser humano aprende a construir seus veículos no Mundo Celeste e a usá-los no Mundo Físico. A Natureza fornece toda classe de experiências de maneira tão maravilhosa e com sabedoria tão consumada que, quanto mais profundamente penetramos nos seus segredos, mais impressionados ficamos com a nossa própria insignificância e mais cresce nossa reverência a Deus, cujo símbolo visível é a Natureza. Quanto mais aprendemos Suas maravilhas, mais compreendemos que esta estrutura universal não é a vasta e perpétua máquina em movimento, que os irrefletidos querem fazer crer. Seria tão pouco lógico como imaginar que, atirando-se ao ar uma caixa de tipos, os caracteres se organizassem por si sós quando caíssem ao chão, formando um formoso poema. Quanto maior a complexidade do plano mais poderoso o argumento em favor da teoria de um Inteligente e Divino Autor.
Tendo assimilado todos os frutos de sua vida passada e alterado a aparência da Terra de maneira a proporcionar-lhe o ambiente requerido em seu próximo passo em busca da perfeição; tendo também aprendido, pelo trabalho nos corpos dos outros, a construir um corpo apropriado à sua manifestação no Mundo Físico; e tendo, por último, dissolvido a Mente na essência do Tríplice Espírito, o espírito individual sem envolturas sobe a mais elevada Região do Mundo do Pensamento – o Terceiro Céu. Aqui, pela harmonia inefável deste mundo superior, fortifica-se para a próxima imersão na matéria.
Depois de algum tempo, vem o desejo de novas experiências e a contemplação de um novo nascimento. Isto evoca uma série de quadros ante a visão do espírito – um panorama da nova vida que o espera. Contudo, note-se bem, este panorama contém somente os acontecimentos principais. Quanto aos detalhes, o espírito tem plena liberdade. É como se um ser humano, para ir a uma cidade distante, tivesse uma passagem com tempo determinado para lá chegar, mas com liberdade inicial de escolher o caminho. Depois de tê-lo escolhido e começado a viagem já não poderia mudar de caminho durante a jornada. Poderia deter-se em todos os lugares que quisesse dentro do tempo marcado, mas não poderia voltar atrás. Assim, cada avanço na viagem limitaria ainda mais as condições da escolha feita. Se escolheu viajar num vapor carvoeiro, seguramente chegará ao seu destino sujo e manchado. Se, ao contrário, tivesse escolhido uma condução elétrica, chegaria mais limpo. Assim acontece com o ser humano em cada nova vida. Talvez encontre pela frente uma vida muito dura, porém pode escolher entre vivê-la limpamente ou chafurdar-se na lama. Outras condições estão também sob o seu arbítrio, embora igualmente sujeitas às limitações das escolhas e ações passadas.
Os quadros do panorama da próxima vida, que acabamos de mencionar, começam no berço e terminam na sepultura. Seguem em direção oposta aquelas do panorama que se segue à morte, como já foi explicada, imediatamente após o espírito libertar-se do Corpo Denso. A razão desta diferença radical entre os dois panoramas é que no panorama pré-natal o objetivo é mostrar o Ego que regressa como certas causas ou atos produzem sempre certos efeitos. No caso do panorama pós-morte o objetivo é oposto, isto é, mostrar como cada acontecimento da vida que findou foi efeito de alguma causa anterior da vida. A Natureza, ou Deus, nada faz sem uma razão lógica, de modo que quanto mais investiguemos mais se evidencia que a Natureza é uma mãe sábia, empregando sempre os melhores meios para a realização dos seus fins.
FIM
Como indicado no Livro: Mensagem das Estrelas, Capítulo XVIII, A Doutrina da Delineação em Poucas Palavras (para acessá-lo clique aqui), Max Heindel utilizou a técnica da combinação das palavras-chave de todos os outros Astros e Aspectos da Tabela que consta naquele capítulo para fazer as interpretações desses horóscopos e sugere que os Estudantes Rosacruzes também o façam. Nas palavras dele: “Isso os capacitará a uma boa leitura de qualquer horóscopo, mesmo com pouca prática. Para mais demonstrações práticas desse método sugerimos aos Estudantes que examinem os horóscopos de crianças publicados nos Livros Interpretações Astrológicas de Temas de Criança. Esses horóscopos constituem uma fonte de ensino que nenhum Estudante Rosacruz desejoso de se aperfeiçoar na ciência estelar pode dispensar. As palavras-chave proporcionarão o que foi dito a respeito da natureza geral dos Astros sob consideração; isso ele poderá combinar com a natureza dos Signos e das Casas em que os Astros estão, caso queira uma interpretação completa.”.
Essas interpretações astrológicas dos horóscopos feitas por Max Heindel, mensageiro dos Irmãos Maiores da Rosacruz e fundador da Fraternidade Rosacruz, foram publicadas primeiramente na Revista da Fraternidade Rosacruz, Rays from the Rose Cross, durante os meses de setembro de 1915 a outubro de 1916.
Não foram impressas anteriormente em formato de livro, mas a base espiritual de sua apresentação, juntamente com sua clareza e concisão, as fez merecedoras de uma audiência maior.
Acreditamos que todos os Estudantes de Astrologia irão achar o estudo dessas vinte e oito delineações de um valor especial para aprender a interpretar corretamente os diferentes Aspectos dos Astros, assim como a sintetizar o mapa como um todo.
O conselho sábio dado aos pais das crianças representadas é outro recurso valioso dessas leituras.
“Se você é um pai ou uma mãe o horóscopo ajudará você a detectar as más intenções em seu filho ou sua filha e ensinará você como é melhor “prevenir do que remediar”. Também mostrará a você os pontos positivos nele ou nela, de modo que você possa ajudar a formar, a partir do seu filho ou filha, um homem ou uma mulher bem melhor, com o Ego que lhe foi confiado. O horóscopo lhe revelará fraquezas sistemáticas e permitirá que você proteja a saúde do seu filho ou da sua filha; mostrará quais talentos existem e como a vida pode ser vivida em toda a sua plenitude. Portanto, a mensagem dos Astros que estão em marcha é tão importante que você não pode se dar o luxo de ignorar isso tudo.”
Max Heindel
Oceanside CA, Setembro de 1915
1. Para fazer download ou imprimir:
Interpretações Astrológicas de Temas de Crianças – Vol. II
2. Para estudar no próprio site:
INTERPRETAÇÕES ASTROLÓGICAS DE TEMAS DE CRIANÇAS
Por
Max Heindel
VOLUME 2
Fraternidade Rosacruz
Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82
Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil
Traduzido e Revisado de acordo com:
1ª Edição em Inglês, Your Child’s Horoscope Vol. 2 editada por The Rosicrucian Fellowship
Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
contato@fraternidaderosacruz.com
fraternidade@fraternidaderosacruz.com
Esse é o segundo volume das interpretações astrológicas dos horóscopos feitas por Max Heindel, mensageiro dos Irmãos Maiores da Rosacruz e fundador da Fraternidade Rosacruz. Elas foram publicadas primeiramente na Revista da Fraternidade Rosacruz, Rays from the Rose Cross, durante os meses de outubro de 1916 a julho de 1917.
Não foram impressas anteriormente em formato de livro, mas a base espiritual de sua apresentação, juntamente com sua clareza e concisão, as fez merecedoras de uma audiência maior. Acreditamos que todos os Estudantes de Astrologia irão achar o estudo dessas vinte e oito delineações de um valor especial para aprender a interpretar corretamente os diferentes Aspectos dos Astros, assim como a sintetizar o mapa como um todo. O conselho sábio dado aos pais das crianças representadas é outro recurso valioso dessas leituras.
“Se você é um pai ou uma mãe o horóscopo ajudará você a detectar as más intenções em seu filho ou sua filha e ensinará você como é melhor “prevenir do que remediar”. Também mostrará a você os pontos positivos nele ou nela, de modo que você possa ajudar a formar, a partir do seu filho ou filha, um homem ou uma mulher bem melhor, com o Ego que lhe foi confiado. O horóscopo lhe revelará fraquezas sistemáticas e permitirá que você proteja a saúde do seu filho ou da sua filha; mostrará quais talentos existem e como a vida pode ser vivida em toda a sua plenitude. Portanto, a mensagem dos Astros que estão em marcha é tão importante que você não pode se dar o luxo de ignorar isso tudo.”
Max Heindel
Oceanside CA, Setembro de 1915
ÍNDICE
virginia e. s. – Nascida em 4 de maio de 1910. 6
CLARENCE W. J. – Nascida DIA 3 de SETEMBRO de 1914. 9
WOLCOTT B. – NascidO DIA 28 de JUNHO de 1905. 12
marie elizabeth h. – Nascida DIA 31 de julho de 1911. 15
DONALD E. B. – Nascido DIA 26 de MAIO de 1912. 18
alice lousie j. – NascidA DIA 3 de maio de 1910. 22
harold a. b. – Nascido DIA 6 de novembro de 1918. 26
ELIZABETH B. B. – Nascida DIA 19 de NOVEMBRO de 1910. 29
JAMES M. J. – NascidO DIA 19 de NOVEmbro de 1911. 32
STEPHANA ENDORA H. – Nascida DIA 14 de JANEIRO de 1913. 35
JOHN ALLEN HEINE – NascidO dia 4 de AGOSTO de 1913. 39
janet barara h. – Nascida dia 1 de janeiro de 1904. 42
VICTOR L. S. – Nascido dia 17 de SETEMBRO de 1913. 45
DÓRIS A. – nascidA dia 26 de MARÇO de 1915. 49
LINZEE G. – Nascida DIA 1 de ABRIL de 1911. 52
MARION S. – Nascida em 16 de ABRIL de 1904. 56
CARLOS DE U. – Nascido dia 18 de abril de 1915. 60
HENRY F. – Nascido DIA 4 de JULHO de 1905. 63
josephine m. – Nascida DIA 10 de maio de 1905. 66
FRANCES W. – Nascido DIA 15 de SETEMBRO de 1903. 69
HENRY B. W. – Nascido DIA 6 de NOVEMBRO de 1914. 72
MILDRED COSTA I. – Nascida DIA 20 de JANEIRO de 1916. 75
ROBERT LEONARD L. – NascidO EM 18 de OUTUBRO de 1907. 78
ARMINAE B. – NascidO EM 11 de JUNHO de 1915. 81
SARAH JUNE W. – NascidA EM 14 de JUNHO de 1914. 84
HARRIET JOSEPHINE B. – NascidA EM 31 de JANEIRO de 1904. 88
albert p. – NascidO EM 18 de julho de 1911. 91
ALBION WARWICK L. – NASCIDO EM 4 DE MAIO DE 1905. 95
NICHOLAS ANTONIO D. – NascidO EM 10 de JUNHO de 1908. 98
carl r. m. – NascidO EM 25 de março de 1916. 101
HOMER H. m. – NascidO EM 5 de março de 1915. 104
VIRGINIA H. – NascidA EM 17 de JANEIRO de 1912. 107
RICHARD L. – NascidO EM 20 de FEVEREIRO de 1916. 110
EDMOND A. W. – NascidO EM 13 de DEZEMBRO de 1911. 113
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VIRGINIA E. S. – NASCIDA EM 4 DE MAIO DE 1910
12:30 A. M.
Em Schenectady, N.Y., EUA
Na época em que Virgínia nasceu o Signo saturnino de Capricórnio estava ascendendo com Urano, o errático e espasmódico Planeta, em Sextil com Vênus e em Quadratura com Saturno, o Planeta da obstrução. Os Signos Cardeais sempre proporcionam muita energia e isso se gasta sem problemas, desde que seja permitido seguir seu ritmo; mas quando em seu fluxo é afetado pelas vibrações espasmódicas de Urano, se torna como um cavalo preso em seu freio, esfolado e puxando a corda; impaciente e fora de controle. Assim é com Virginia: há uma grande quantidade de energia latente em sua natureza que é uma expressão negada pela obstrução de Saturno, e isso prepara o caminho para as vibrações irritáveis de Urano, de modo que ela é, muitas vezes, sombria e impaciente com tudo e todos da sua vida.
É um privilégio e o dever dos pais ajudá-la a cultivar o hábito da alegria; acima de tudo, ela não deveria ser repreendida enquanto houver qualquer possibilidade de corrigi-la pela razão, pois as palavras duras farão com que ela reflita sobre ferimentos reais e imaginários e, se assim vocês procederem, ela cultivará um mau hábito. A Lua está em Quadratura com Mercúrio, o Planeta da Mente, mas em Trígono com Marte, o Planeta da energia dinâmica; assim, vemos que existe uma luta interior da Mente e uma aspiração, que busca uma via de expressão.
Isso também é mostrado por Júpiter em Trígono com Mercúrio; e que a natureza básica é benevolente, podemos julgar pelo fato dessa configuração, pois Júpiter representa o lado idealista mais elevado do ser. Vênus é o Planeta da atração e beleza; Vênus está no seu Signo de Exaltação, o aquático Peixes, um fato que acentua as características básicas de sua natureza. Vênus também está na segunda Casa, que lida com finanças; assim, podemos julgar que a Virgínia sempre atrairá dinheiro.
Ela não terá nenhuma razão para se preocupar com a quantia de dinheiro que pode gastar, mas Vênus está em Quadratura com Marte, o Planeta de energia dinâmica, mostrando que Virgínia vai querer jogar o dinheiro pela janela tão rápido ou mais rápido que pode entrar pela porta; também ela vai gastá-lo em roupas finas. Essa é uma tendência que os pais devem desencorajar nela por todos os meios ao seu alcance.
O vestir-se serve para um propósito útil no desenvolvimento da natureza artística, mas é ruim quando é exagerado e se torna uma mania. Há muitas outras coisas na vida de maior importância que exigem atenção. A Lua é o principal significador de saúde para uma mulher, e encontramos no caso da Virgínia que a Lua está em Trígono com Marte, o Planeta da energia dinâmica; portanto, podemos concluir que ela terá um considerável estoque de vitalidade, o que é algo incomum para uma pessoa capricorniana, pois geralmente não têm força vital devido à obstrução saturnina. Saturno, o Planeta da obstrução, também está em Sextil com Marte, garantindo à Virgínia uma rápida recuperação quando a doença a domina.
CLARENCE W. J. – Nascida DIA 3 de SETEMBRO de 1914
5:30 P. M.
Em Winifred, Montana, EUA
Aqui temos um jovem dotado de boa e gentil disposição, pois Júpiter, o Planeta da benevolência, está no Ascendente no Signo humanitário de Aquário. Júpiter está em Trígono com Marte, o Planeta da energia dinâmica, e que mostra a tendência em ficarmos nervosos de repente ou facilmente, caso atendamos a essa tendência. Contudo, no caso de Clarence a influência de Marte é atenuada porque ele está no gentil Signo de Vênus, Libra. Portanto ele não expressará essa tendência em ficar nervoso de repente ou facilmente, mas sua energia será empregada em canais benevolentes, como indicado pelo Trígono com Júpiter.
Essa é uma configuração extremamente feliz, pois quem tem o espírito de filantropia, que faz com que ame fazer o bem, atrai o mesmo dos outros e, portanto, viverá uma vida extremamente feliz e próspera. Existe apenas uma falha nessa questão: Marte é impulsivo, e Urano é ainda mais, e nós encontramos Urano em Conjunção com Júpiter, e em Trígono com Marte. Essa configuração de Urano com Marte e Júpiter proporcionará a Clarence a tendência de discriminar a qualquer um abruptamente e sem pensar, e o que ele dá ou faz para as pessoas, provavelmente, não será nem a metade do bem que poderia fazer, se tivesse mais cuidado. Contudo, ser filantrópico de uma maneira mais ampla custa, e, portanto, a pergunta que cabe aqui é: é “Onde ele vai conseguir exercer esse cuidado para fazer o máximo do bem que é capaz?”.
Os mesmos Astros que mostram como ele é tendencioso a gastar, também indicam a fonte de suprimento. Marte em Libra, e não-afligido, é muito maravilhosamente construtivo: tende a fazer aquilo que deve ser feito. Seu Trígono com Urano, o Planeta que governa a eletricidade, o Éter e todas as novas invenções que tornarão a Era de Aquário mil vezes mais deslumbrante que os sonhos de Júlio Verne, que já estão ultrapassados, colocarão Clarence em contato com o Mundo do Pensamento Abstrato e com as ideias. E da Mente Cósmica ele aprenderá princípios e leis dos quais nem sonhamos e, também, como incorporar tais coisas nas invenções criadas nessa época.
Além disso, ele não está sozinho nessa posição, pois durante os sete anos que Urano passará pelo Signo de Aquário, nascerá um novo tipo de seres humanos com capacidade de fazer tais maravilhas. Quando atingirem a idade de 15, 20 ou 25 anos, o mundo ouvirá deles coisas que nunca imaginamos em nossos sonhos mais otimistas e que farão parte de nossa vida cotidiana e, provavelmente, as atuais maravilhas do mundo estarão completamente desatualizadas[1].
Marte, que proporciona a Clarence a energia necessária para elaborar seus planos, é o regente da 2ª Casa, que governa as finanças; seu Trígono com Júpiter, o Planeta da opulência, garante abundância de recursos e, como Júpiter é Regente de Sagitário, que está na 10ª Casa, indicando honra social, também podemos julgar que Clarence será altamente estimado no mundo. Encontramos outro Trígono entre Saturno, Vênus e a Lua; cada um está colocado de tal maneira que faz a configuração de Trígono entre si.
A Lua é significadora da Mente, está em Conjunção com a benéfica Cabeça de Dragão na 1ª Casa e em Trígono com Saturno. Isso acrescenta profundidade à Mente instintiva e provavelmente agirá como um freio necessário para o impulso, pois a Conjunção fechada de Mercúrio, o Planeta da razão, com o Sol, assegura que ele nunca aprenderá pela lógica, mas que fará o ele acha que é certo. A Cauda do Dragão saturnina em Conjunção com o Sol, no Signo de Virgem, que governa a região intestinal, proporciona uma tendência a problemas digestivos; esse testemunho é aumentado ainda mais pela Quadratura de Netuno com Vênus.
Netuno está no limite entre Câncer, que governa o estômago, e Leão, que governa o coração. Isso mostra que Clarence vai gostar demais de coisas atrativas para comer, e que o seu sistema está sujeito a ficar entupido, em consequência disso. O estômago distendido que pressiona o coração irá aumentar o sofrimento. A dispepsia é a ruína de muitas vidas que, de outro modo, seriam felizes, e os pais deveriam praticar a frugalidade para que Clarence pudesse aprender na infância, pelo seu exemplo, a formar bons hábitos e, assim, evitar muito sofrimento.
WOLCOTT B. – NascidO DIA 28 de JUNHO de 1905
0:45 P. M.
Na cidade de Nova York, N. Y., EUA
O editor sempre considerou que os chamados Aspectos “adversos” em um horóscopo são os nossos melhores instrutores na Escola de Vida, porque eles realçam em nós as mais nobres virtudes, quando recebemos seus açoites; além disso, em horóscopos em que não há Aspectos “adversos”, a pessoa é tão boa que acabada sendo indolente e inútil. Olhando para o horóscopo de Wolcott e vendo os vários Aspectos esplêndidos, a princípio, ficamos assustados com o fato de que não havia nada de “adverso”, até que encontramos Urano em Oposição ao Sol e Netuno e, também, Saturno em Conjunção com a Cauda do Dragão. Isso o salva e sabemos que ele ficará bem.
A primeira coisa que notamos no horóscopo de Wolcott são os dois grupos de três Astros cada, nas 8ª e 9ª Casas, bem elevados acima da Terra e, portanto, em fortes posições para afetá-lo tanto para o bem como para o mal, de acordo com os Aspectos. Veja Mercúrio, o Planeta da razão, em Conjunção com Netuno, sua oitava superior, o que lhe proporciona uma visão profunda das coisas espirituais e que é muito maior do que a intuição gerada por Urano, a oitava de Vênus. Mercúrio também está em Conjunção com o Sol, a fonte de toda Luz e conhecimento, mas não tão perto a ponto de estar em “combustão”[2].
Assim, temos a força total desses três Astros concentrados na 9ª casa, que governa a Mente e a religião. Além disso, estão todos em Trígono com Marte, o Planeta da energia dinâmica, e dois deles estão em Trígono com Saturno, o Planeta do tato e da diplomacia, proporcionando a Wolcott uma Mente ativa e equilibrada de um calibre fora do comum. Como essa configuração poderosa ocorre na 9ª casa, é uma questão de saber se a mentalidade buscará sua expressão a serviço do poder público, como juiz ou legislador, ou, na Igreja, como sacerdote. Júpiter e Vênus, os Planetas de ritmo e beleza, em Conjunção entre si e ambos em Conjunção com a Lua no Signo de Touro, que governa o órgão vocal, mostram que ele tem uma bela voz para falar ou cantar.
Assim, ele tem o poder oratório necessário para revestir seus pensamentos ao se expressar, de tal maneira que ele atrairá a atenção em qualquer área de sua preferência. Contudo, Netuno, o Planeta místico, em Conjunção com Mercúrio e com o Sol no Signo psíquico de Câncer, inevitavelmente levará Wolcott à igreja, mas não para uma diversidade ortodoxa, e nessa área ele será um líder poderoso. Júpiter, o Planeta da opulência, costuma ser generoso em todas as direções. Isto tende a fazer com que ele se sinta que tem muito e que não precisa ser mesquinho. Vênus também está favorecendo a que ele tenda a ser generoso, e essas características podem ser expressas diretamente à própria pessoa, bem como em relação aos outros. Aqui Júpiter, Vênus e a Lua estão em Touro, o Signo que rege o paladar. Wolcott, portanto, gostará muito das, assim chamadas, coisas “boas” para comer. Ele gosta de sua comida muito temperada, rica e generosamente energética.
Isso, inevitavelmente, o levará a ter problemas. Saturno, o Planeta da obstrução, está em Conjunção com a Cauda do Dragão saturnina, em Peixes. Isso reflete no Signo oposto, Virgem, que rege os intestinos e interfere no processo de digestão, tornando-o um dispéptico infeliz. Pelo menos, essa é a tendência, se vocês não tomarem as medidas adequadas para evitá-lo. Vocês devem refrear seu apetite e lhe ensinar o autocontrole a esse respeito. Ele pode ser adepto a modismos na alimentação e isso pode aumentar o problema, como mostrado por Urano em Oposição ao Sol, e Netuno em Câncer, o Signo que rege o estômago. É dever dos pais darem um bom exemplo para ele. Estudem a ciência dos alimentos e ajam de maneira correta. Júpiter, Vênus e a Lua, na 8ª Casa, mostram que Wolcott está nessa vida para resgatar algumas dívidas. Marte, Essencialmente Dignificado, à beira da 2ª Casa, que governa as finanças, e em Trígono ao Sol, mostra que ele terá uma excelente capacidade de ganho financeiro. Entretanto, também mostra que ele vai gastá-lo, impulsivamente, tão rápido quanto possível.
MARIE ELIZABETH H. – Nascida DIA 31 de julho de 1911
Em Newton, Massachusetts, EUA
Aqui temos uma garotinha bastante delicada que precisará de cuidados especiais de seus pais, pois Câncer, um Signo de baixa vitalidade, está no Ascendente, e a Lua, que governa o Ascendente, está em Quadratura com Netuno e Urano. O Sol, que é o grande doador de vida, também está em Quadratura com Marte, o Planeta da energia dinâmica. Contudo, não tenham medo achando que ela não possa sobreviver, pelo fato de enumerarmos todas essas influências adversas; apenas, estamos fazendo um balanço e olhando os fatos de frente, para que possamos nos conduzir de acordo.
Uma pessoa pode começar a vida com uma grande fortuna e em poucos anos pode dissipar tudo, se levar uma vida desenfreada, enquanto outra, que tem pouco para começar, habilmente pode ser muito cuidadosa na maneira que utiliza as suas finanças e não a esbanjar, e adquirir um conhecimento para isso antes do fim da vida. Assim como é com o dinheiro, assim também é com nossos Corpos e com a nossa força vital; a vida desenfreada minará a saúde mais forte, e o cuidado inteligente tornará um corpo frágil fortalecido. Milhares e milhares de pessoas arrastam suas vidas de invalidez miserável ou morrem prematuramente, porque seus pais ignoraram a necessidade de fortalecer seus corpos na tenra infância; pensando talvez que, de alguma maneira, elas “superariam isso”, porém, se eles soubessem que o horóscopo delas mostrava uma constituição basicamente fraca, poderiam fortalece-las por esforços sistemáticos persistentes nos anos da infância, pois, quanto mais cedo melhor.
A raiz do problema de Elizabeth é um coração fraco e uma má circulação do sangue, como mostra a Quadratura do Sol com Marte, o energizador, e Júpiter, que governa a circulação arterial. Exercícios muito vigorosos farão seu coração palpitar e, portanto, devem ser evitados, mas os movimentos calistênicos[3] moderados e cuidadosamente elaborados, praticados diariamente sob a devida orientação, farão maravilhas. Ao mesmo tempo, cuidadosa atenção deve ser dada à sua dieta, pois Netuno está em Câncer, o Signo que rege o estômago, e a Lua, que governa Câncer, está em Quadratura com Libra, o Signo que governa os rins. Isto mostra, como resultado que a vitalidade está prejudicada, então a digestão será fraca e a eliminação de fluidos por meio dos rins não será boa. Ela precisa de boa nutrição, que, ao mesmo tempo, seja facilmente digerida; se vocês puderem obter, sugerimos leite fresco de vaca ou, melhor ainda, leite fresco de cabra. Não há nada igual para fortalecê-la.
Também é necessário pão de trigo 100% integral, tanto por suas qualidades nutritivas, quanto por seu efeito estimulante na ação peristáltica. Marte, em Oposição a Júpiter, que está em Escorpião, o Signo que rege o reto, e em Conjunção com a Cauda do Dragão, mostra a necessidade disso.
Também descobrimos que o Sol está em Conjunção com o Ascelli, um ponto nebuloso em Leão (a seis graus de Leão) e em Quadratura com Marte. A Lua, o outro luminar, está em Quadratura com Netuno. Isso indica que se deve ter cuidado com os olhos de Elizabeth durante a infância. Proteja-os contra a luz solar forte e vá com ela até a escola para ver o posicionamento da luz para que não afete seus olhos. Essa configuração também indica que sua visão espiritual pode ser facilmente desenvolvida, contudo, os Aspectos adversos mostram que isso não seria desejável. Ela nunca deveria ter permissão para frequentar lugares onde se trabalhe com possessão do seu corpo ou parte dele por espíritos (exe.: centros espíritas, Reiki, Constelação Familiar, etc.) ou práticas semelhantes. Para resumir, vocês têm uma filha que precisa de todo o cuidado que vocês podem fornecer em todas as direções, por isso fiquem avisados antecipadamente; não há motivo para alarme se precauções razoáveis forem tomadas antes que o problema se desenvolva.
DONALD E. B. – Nascido DIA 26 de MAIO de 1912
7:50 A. M.
Em Tonopah, Nevada, EUA
No nascimento de Donald, o Signo zodiacal de Câncer estava no Ascendente; esse é um Signo de escassa vitalidade, mas como Marte, o grande energizador, está na 1ª Casa e em Sextil com o Sol, o Doador da Vida, Donald terá muita vitalidade apesar de tudo. Essa configuração fortalecerá o coração, pois Marte está na cúspide de Leão, o Signo que rege o órgão vital. Se não fosse por esse Sextil, a Oposição de Marte, a partir do Signo do coração, com Urano, o Planeta da irregularidade, teria causado palpitações, as quais são, felizmente, evitadas. Seria bom, no entanto, protegê-lo contra o esforço prolongado durante os anos de crescimento.
Quanto à saúde e a capacidade do seu corpo em combater as doenças e enfermidades podemos, também, notar a Conjunção de Saturno e Vênus em Touro. Touro rege a garganta e Saturno, o Planeta de obstrução, também é naturalmente frio; portanto, essa configuração nos adverte que Donald estará sujeito a tonsilas inflamadas que obstruirão a garganta, e esse é o motivo pelo qual ele pode contrair gripes. Quando ele tiver dezesseis ou dezessete anos de idade, essa condição piorará, porque então a Lua estará passando por Touro e vivificando a aflição. Contudo, não se assustem, os Astros lhe mostraram os pontos fracos e vocês terão bastante tempo e as melhores oportunidades para fortalecer essa parte da capacidade do seu corpo em combater as doenças e enfermidades. É melhor proteger a garganta do frio desde a infância e, acima de tudo, não permitir que as tonsilas sejam removidas; elas servem a um propósito no corpo e, por meio de um tratamento racional, como a massagem, a circulação pode ser mantida livre nos primeiros anos, até que essa debilidade seja superada.
Geralmente, uma aflição em um Signo traz consigo uma debilidade na região governada pelo Signo oposto. Assim, uma aflição em Touro, que governa a garganta, também afetaria a parte do corpo regida por Escorpião, ou seja, os órgãos excretores, causando obstrução da urina ou constipação, mas nesse horóscopo encontramos o fator perturbador Saturno, beneficamente configurado com Marte[4], o Regente de Escorpião, e podemos, portanto, estimar que Donald não será perturbado por essa ação reflexa, e esse é um grande ponto na preservação da saúde, pois onde há eliminação regular e completa dos resíduos do corpo, a doença não cria raízes facilmente.
Donald nunca será um bom raciocinador, pois Mercúrio, o Planeta da lógica, está em um Signo interceptado e sem Aspectos, mas a Lua, que governa a Mente instintiva, está em um Aspecto benéfico com Júpiter[5], o Planeta da benevolência; o doador da Luz Cósmica; o Sol também está com um Aspecto benéfico com Urano[6], o Planeta da intuição. Assim Donald será guiado pela impressão e pelos sentimentos; sua natureza será psíquica e sensível, como mostrado também por Netuno na 1ª Casa no Signo psíquico de Câncer. Ele será, portanto, incapaz de se adaptar à vida mundana comum, e se isolará dos outros em um ponto inicial da vida. Ele será um garoto solitário, incompreendido pelo ambiente que o rodeia, e por causa disso precisará do cuidado amoroso de seus pais em um grau maior do que a maioria das crianças com o mesmo problema.
Essa infância solitária e introspectiva irá prepará-lo para o seu trabalho no mundo, um importante trabalho humanitário, mostrado pela 2ª, 6ª e 10ª Casas. Na 2ª Casa, que rege as finanças, encontramos Leão, o Signo do coração, e você já conheceu alguém com um grande coração que também tivesse uma carteira cheia no bolso? Esse tipo é, acreditamos, extremamente raro. O Regente da 2ª Casa, o Sol, está em Oposição a Júpiter, o Planeta da opulência, e Marte, o Planeta da prodigalidade, está na 2ª cúspide, mostrando que Donald sempre será pobre, segundo os padrões de riqueza no mundo, porque ele será extremamente generoso, mas também aprendemos que ele será rico em tesouros celestiais, que ele não precisará deixar para trás quando a morte marcar o tempo de colher o que semeou, pois Júpiter, o Planeta da benevolência e do idealismo, está Essencialmente Dignificado em Sagitário, na 6ª Casa. Júpiter está em Aspecto benéfico com a Lua[7], o Astro da fecundação, e Sagitário é o Signo da religião, filantropia, etc.
Isso mostra que uma vida rica em oportunidades aguarda Donald para prestar um nobre serviço. Ele pode não se tornar nunca amplamente conhecido, pois Júpiter, o regente da 10ª Casa, que governa a posição social, tem apenas dois Aspectos, mas preferiríamos ter seu horóscopo do que o de um filantropo multimilionário que gasta um dinheiro sofrido da carteira pública para “fundações “, “ bibliotecas “ e grandes programas que anunciam amplamente o doador. O toque gentil e pessoal de um verdadeiro “samaritano”, que sente o seu irmão sofredor, vale mais para o crescimento real da alma do que todas essas caridades impessoais, e Donald tem um dos horóscopos “mais afortunados” que nós já vimos. Que ele viva e aproveite as oportunidades que se apresentam.
ALICE LOUSIE J. – Nascida DIA 3 de maio de 1910
6:30 a. M.
Providence, Rhode Island, EUA
Aqui temos uma menina com uma Mente tão brilhante quanto uma pedra preciosa, pois o Signo científico e intelectual de Gêmeos está no Ascendente com Mercúrio, seu Regente próximo ao Ascendente e em Trígono com Júpiter, outro significador da Mente e, também, no Signo científico de Libra. Essa posição de Mercúrio, o Planeta da linguagem e da razão, também proporcionará a Alice a capacidade de se expressar. Ela realmente tende a ter uma língua extraordinariamente loquaz, pois Marte, o Planeta de energia dinâmica, está em Paralelo com Mercúrio, que ilumina e estimula a inteligência e a linguagem em um grau maravilhoso.
As pessoas que têm esta configuração isolada, muitas vezes, são verdadeiras tagarelas; cujas línguas estão continuamente balbuciando palavras sem sentido para alguém. Esse não é o caso de Alice, pois Saturno, o Planeta da obstrução, está em Áries, que governa a cabeça e o cérebro, e em Sextil com a Lua, o outro significador da Mente. Isso acrescenta profundidade à Mente e a torna diplomática, autoconfiante e persistente, de modo que, qualquer que seja o fim que busque, ela perseverará até que seu objetivo seja atingido, particularmente porque a Lua está situada no Meio do Céu, que governa a posição social.
Isso mostra, também, que Alice estará preparada para uma posição confiável de natureza pública e o governante do Signo Ascendente com Júpiter, o Planeta da expansão, mostra que haverá um sucesso geral em toda a vida. Os Astros espalhados por todo o horóscopo mostram que ela tende a ser versátil e poderá se encaixar em qualquer lugar; e será sempre requisitada. Com uma alta probabilidade, ela poderá escolher uma carreira literária e seria bom moldar seus estudos de acordo para isso.
Em relação à natureza das falhas latentes dentro dela, aprendemos da Quadratura de Marte com Júpiter e Vênus que ela tende a ser excessivamente afeiçoada a vestimentas e prazeres, extremamente extravagante e tão generosa que ela pode doar seu último recurso financeiro e desejar fazer isso por si mesma; também que ela é capaz de ser insanamente ciumenta de quem ela ama. Marte em Quadratura com Vênus também tende a proporcionar possibilidades a sofrer calúnias, e a Quadratura de Marte com Júpiter mostra uma tendência à perda por meio da especulação indiscreta. Quando vocês perceberem essas falhas latentes, naturalmente vocês também perceberão como melhor aplicar o remédio.
No que diz respeito a esse desmedido afeto pelo vestuário, ele provavelmente poderá ser bastante refreado, ou então levado a um canal construtivo, ensinando-a a fazer suas próprias roupas e a projetá-las de maneira artística. O Paralelo de Marte e Mercúrio a torna extremamente ágil, rápida e brilhante. Ela irá, sem dúvida, aproveitar a oportunidade para exercitar sua habilidade criativa em uma direção artística e, desde os anos da infância, suas bonecas devem ser entregues a ela nuas e com o material para que ela possa fazer as próprias roupas. Então, ela irá, naturalmente, nos próximos anos, usar a faculdade para adornar sua própria pessoa.
Com relação à generosidade impulsiva mostrada por Marte em Quadratura com Júpiter, o Planeta da benevolência, provavelmente seria bem melhor ensiná-la por meio de lições objetivas. Se vocês deixarem que ela dê coisas e depois sinta a perda, é provável que ela elimine esse defeito, já que uma criança de uma natureza como a dela sente muito intensamente sobre qualquer assunto. A tendência ao ciúme excessivo também pode ser facilmente tratada em casa, especialmente se houver mais irmãos ou irmãs. Faça o que puder para erradicar esse traço, pois é um dos sentimentos mais dolorosos e as suas vítimas são dignas de muita piedade. E com relação à sua tendência especulativa, aconselhamos que vocês não permitam jogos de cartas em casa e fale depreciativamente do jogo e da especulação, quando em um contexto diferente dos canais normais de negócios.
Tanta coisa pode ser feita para moldar o caráter nos primeiros anos e qualquer falha, que não esteja tão arraigada, pode ser erradicada pelos preceitos e exemplos dos pais, especialmente pelos exemplos. Vênus, o Planeta do amor e da arte, está em Sextil com Urano, o Planeta da intuição e da inspiração. Isso proporcionará a Alice muita intuição, de modo que, como regra, ela não precisará raciocinar, mas terá a solução assim que o problema for apresentado. Do Aspecto entre esses dois Planetas, Alice também receberá uma habilidade musical marcante.
As posições e os Aspectos de Mercúrio, já citados, lhe proporcionarão grande destreza e assim, sem dúvida, ela tende a se tornar uma intérprete de elevada classe, bem como uma intérprete inspiradora de música, e não temos dúvidas de que vocês lhe darão todas as facilidades para que cultive esse talento latente. Urano é o governante do 11º Signo da Casa, que governa os amigos, e Vênus, o Planeta do amor e da atração, está aqui na 11ª Casa em Peixes, seu Signo de Exaltação, para que essa posição e esse Aspecto de Urano mostrem que Alice tenderá a ter muitos amigos, e que serão de grande benefício para ela, e o seu sucesso na vida virá por meio dos seus esforços, bem como das suas próprias capacidades.
Contudo, como dissemos antes, ela também é passível de ser difamada publicamente. Saturno, o Planeta da obstrução, está na 12ª Casa, a casa da tristeza, do problema e da autodestruição, e uma pessoa que tenha essas configurações deve ser muito mais prudente em sua conduta do que outras pessoas que não possuem tais configurações, quando aparecerem ações que possam parecer perfeitamente inocentes e naturais para serem aceitas e executadas. Vocês podem, portanto, salvá-la de muita tristeza se puderem fazê-la entender esse ponto e evitar tudo que aparenta ser mal, do mesmo modo que o próprio mal em si.
Com relação à saúde, descobrimos que Saturno, o Planeta da obstrução, está em Áries, em Quadratura com Urano, o Planeta da ação espasmódica, em Capricórnio. É uma regra que os Astros que estão em Signos que governam partes abaixo do tronco têm uma ação reflexa em seus Signos opostos, e podemos, portanto, julgar que Urano estará ativo em Câncer, que governa o estômago.
Por causa disso, Alice estará sujeita a severos ataques de dor de cabeça em intervalos incertos e vocês também descobrirão que grande parte do problema vem do estômago. Portanto, ela deve aprender a virtude da frugalidade desde a mais tenra infância, pois o estômago também é afetado pela presença de Marte e Netuno em Câncer. Não há ninguém mais miserável na Terra do que um dispéptico forçado a comer e incapaz de digerir; a vida é realmente um fardo para ele e qualquer coisa que vocês possam fazer para ajudar Alice a evitar esse destino, certamente será uma bênção que valerá a pena para ela.
harold a. b. – Nascido DIA 6 de novembro de 1918
3:10 A. M.
Columbus, Ohio, EUA
Esse é um jovem que as pessoas saberão quando ele está por perto. Não tem como ficar quieto alguém que tenha os Signos Cardeais nos ângulos; ele quer ser o centro das atrações, e com Marte, o Planeta da energia dinâmica, bem no Meio do Céu, vocês podem ter certeza de que ele vai conseguir a atenção e progredir. A partir disso, de modo algum, podemos inferir que ele seja um fanfarrão bombástico. Vênus no Ascendente, Essencialmente Dignificado no Signo gentil e agradável de Libra, lhe proporcionará uma personalidade atraente que, naturalmente, atrairá a atenção. Saturno, no Signo mercurial de Gêmeos, lhe proporcionará tato e equilíbrio e a Lua, no Signo intelectual de Aquário, lhe proporcionará a capacidade de pensar e compreender as coisas rapidamente; com Saturno[8] e a Lua[9] com Aspectos benéficos com Vênus no Ascendente, Harold tende a estar destinado a se tornar um jovem muito bom em merecer a liderança, a qual ele reivindica.
Mercúrio, o Planeta da Mente, está em Aspecto benéfico[10] com Urano, o Planeta da intuição; isso tende a torná-lo muito intuitivo e rápido para entender o que ele deseja investigar. O Sol, no Signo energético de Escorpião, está na 2ª Casa – governante das finanças, e onde está o Signo energético de Escorpião na cúspide – e bem-aspectado[11] com Júpiter, o Planeta da opulência. Isso indica que Harold terá abundância de bens desse mundo. Contudo, a riqueza é uma responsabilidade; abençoado é o indivíduo que vê nela uma confiança e a sustenta como um mordomo que mantém a propriedade de seu mestre. Se abusarmos disso, pode se tornar uma maldição e nos arruinar, tanto a alma como o corpo.
Esse é o perigo que Harold irá enfrentar, pois Marte, o governante da 2ª Casa, está Elevado e em Quadratura com Vênus no Ascendente. Isso tende a torná-lo muito dominador, especialmente com pessoas do sexo oposto, e ainda propenso a esbanjar dando presentes a essas pessoas, com total interesse próprio. Essa posição também indica uma tendência de contrair doenças venéreas. Por causa disso, será necessário que os pais ponham de lado toda a falsa modéstia e eduquem Harold com muita dedicação sobre esse assunto. Ele deveria ser ensinado a reverenciar a função sexual geradora, a sentir a santidade da maternidade e paternidade, a olhar com o mais profundo respeito a todas as mulheres e a conhecer as terríveis consequências do abuso da função divina da procriação.
Graças a Deus, o horóscopo mostra apenas tendências, que podem ser estimuladas ou suprimidas pela vontade, e há todos os motivos para esperar que vocês sejam bem-sucedidos se se dedicarem à questão citada acima, pois a configuração ocorre nos Signos Cardeais. Se fossem em Signos Fixos seria muito mais difícil superar a tendência. Saturno é o Planeta do frio e da obstrução, e ele está em Gêmeos, o Signo que governa os pulmões. Isso mostra uma tendência ao frio que se instalará nos pulmões; mas como Saturno está bem-aspectado com Vênus e a Lua nos outros Signos de Ar, Libra e Aquário, não há risco de nenhum problema sério.
Ao mesmo tempo, é bom ter cuidado, especialmente nos primeiros anos. Marte em Câncer, o Signo que rege o estômago, em Quadratura com Vênus e em Oposição com Júpiter, o Planeta da autoindulgência no Signo oposto, mostra que Harold desfrutará dos prazeres da mesa mais do que será bom para ele. Ensine-o a comer com discernimento. Ele tem uma sagacidade afiada e veremos a sabedoria atuar na hora exata, se vocês praticarem os preceitos que vocês disserem a ele, mas isso não o ajudará se vocês o ensinarem a ser frugal e, ao mesmo tempo, vocês dois viverem para agradar aos seus próprios paladares. Então, ele estará ainda mais determinado a se aventurar nos prazeres da mesa, quando a autoridade de vocês sobre ele tiver passado nos anos vindouros.
ELIZABETH B. B. – Nascida DIA 19 de NOVEMBRO de 1910
8:30 A. M.
Longitude 91 O Latitude 41 N
Na época do nascimento de Elizabeth, Sagitário estava no Ascendente, mas, embora Júpiter seja o Planeta mais elevado, devemos considerar o Sol como Regente da Vida, pois Júpiter está aspectado apenas com dois Planetas[12], enquanto o Sol não está afligido e está aspectado com quatro Planetas[13]. O Signo saturnino de Capricórnio está na 1ª Casa, e se não houvesse outra configuração para compensar essa influência, tenderia a fazer de Elizabeth uma pessoa sombria e rabugenta, mas a posição poderosa do Sol, que faz dele o regente da vida, dissipa a tristeza e muda as características dela. O Sol está em Conjunção com Mercúrio, o Planeta da razão, e Vênus, o Planeta do amor e da beleza; e está em Sextil com Urano, o Planeta da intuição, e em Trígono com Netuno, o Planeta da percepção espiritual.
Assim, é claro que Elizabeth terá uma natureza gentil, boa capacidade de raciocínio, intuição confiável e profunda percepção espiritual. Essas faculdades aparecerão com o passar dos anos. Além disso, a Lua contribui na formação da sua Mente e do seu temperamento. Nós podemos ver isso, com a Lua no Signo psíquico de Câncer, em Trígono com Júpiter e Marte. Isso torna a Mente ainda mais benevolente e ativa. Elizabeth não se contentará com sonhos, embora os tenha em abundância, mas se esforçará para realizar seus sonhos, tanto no que diz respeito às coisas espirituais como materiais.
Ela não terá uma grande quantidade de bens nesse mundo, porque Saturno, o Planeta da obstrução, está em Oposição a Júpiter, o Planeta da opulência; mas isso não é um inconveniente, pois quem se doa, dá a si mesma um presente maior que o ouro, e o Sol, Vênus e Mercúrio na 11ª Casa, denotando amigos, esperanças, desejos e aspirações, mostrando que Elizabeth terá o amor e a ajuda de muitos amigos que irão ajudá-la a perceber tudo o que ela pode sonhar, para que sua vida seja vivida até uma plenitude inusitada. Diz-se que um profeta não é desonrado, exceto em seu próprio país, e os personagens incomuns são muitas vezes incompreendidos em seus lares, onde eles são vistos como “estranhos”.
Saturno, o Planeta da obstrução, é o principal regente da 1ª Casa, que descreve as condições durante a infância. Ele está na 4ª Casa, que significa um dos pais, e em Oposição a Júpiter na 10ª Casa, que descreve o outro. Isso mostra que há uma diferença de opinião entre os pais, ou que se desenvolverá, de modo que um deseja refrear as tendências de Elizabeth e moldá-las nos canais convencionais, como mostrado por Saturno, enquanto o outro favorecerá a expansão, como indicado por Júpiter. A cautela e o conservadorismo são bons, mas muitos “nãos” tendem a prejudicar a vida das crianças e torná-las separatistas, e então os pais perderão a chance de guiar uma alma que veio até eles para ajudar. Os pais devem perceber que é errado exigir que, porque amam um filho ou uma filha, esse ou essa se aniquile a sim mesmo inteiramente e faça exatamente como os pais desejam.
A criança veio ao mundo para obter uma certa quantidade de experiência e deve laborar o seu próprio destino. É um crime privá-la do direito, e é extremamente repreensível usar o amor relacionado de um filho ou uma filha com eles como um chicote para impor a obediência. A Oposição de Urano, o Planeta da ação espasmódica, a Netuno, o Planeta que, fisicamente considerado, traz confusão, no Signo de Câncer, que rege o estômago, mostra que Elizabeth vai desenvolver um gosto estranho por comida, mas não há nada que mostre que seu método terá um efeito prejudicial sobre o sistema e, portanto, deve ser racional, seja ele qual for.
Saturno, o Planeta da obstrução, está em Touro, o Signo que governa a garganta. Ele está em Oposição à Júpiter, o planeta da expansão. Isso mostra uma tendência de dilatação das tonsilas. Devem tomar cuidado para não as remover, pois no momento da puberdade elas voltarão ao normal. O Sol, Marte e Júpiter em Escorpião, o Signo que governa as partes íntimas, mostra que a menstruação será extremamente copiosa, mas não se assustem, não há indicação de perigo e, com o tempo irá diminuir. Tenham cuidado para fortalecer a garganta na infância; talvez isso a salve das tonsilas inflamadas.
JAMES M. J. – NascidO DIA 19 de NOVEmbro de 1911
Los Angeles, Califórnia, EUA
Aqui temos um jovem com Saturno no Ascendente em Touro, em Oposição à Lua. Saturno é cruel, implacável e obstrutivo. Touro é fixo e teimoso, determinado a ter seu próprio caminho; Escorpião também é insensível e sem compaixão e a Lua assume a natureza do Signo em que está; porém, se não houvesse outras influências a serem consideradas, teríamos que chegar à conclusão de que James é extremamente egoísta, cruel e antipático. Contudo, Vênus, o Planeta do amor, está com um Aspecto benéfico com Mercúrio[14], o Planeta da Mente. Isso, de fato, elimina o problema dele ser cruel, e a influência espiritual da Conjunção do Sol com Júpiter, o Planeta da benevolência, não pode ser subestimada como um fator para suavizar tal natureza.
Assim, sintetizando os augúrios, chegamos à conclusão de que James terá muita força de vontade e determinação para abrir o seu próprio caminho, mas embora possa, às vezes, sob condições astrais adversas, parecer cruel e antipático há, no entanto, um lado seu que é nobre e gentil. Esse lado deveria ser promovido pelos pais ao máximo de sua capacidade. Escorpião, o grande Signo de cura, tão fortemente fortalecido pela presença do Sol, da Lua e de Júpiter mostra que ele será um excelente cirurgião, e essa é uma vocação onde há mais espaço para bondade ou crueldade do que em qualquer outra profissão. Ao praticar a vivissecção e a operação experimental, um cirurgião pode causar miséria indescritível a seus semelhantes e animais. Ele também pode receber uma gratidão eterna dos sofredores por ter executado com sucesso as cirurgias construtivas. Se os pais puderem reprimir a crueldade da natureza de James e promover o seu lado gentil, eles poderão ajudá-lo a se tornar um grande benfeitor para o mundo e possibilitar que ele alcance um crescimento anímico maravilhoso. Assim, os pais têm uma grande oportunidade e uma grande responsabilidade. Que Deus os ajude a tirar o melhor de seu filho. No entanto, se ele não conseguir priorizar o seu lado gentil, tanto quanto necessário para não cair na tentação de ser cruel e sem compaixão, então, que os pais tenham cuidado ao deixá-lo entrar na profissão médica, pois ao ver sangue ele endurecerá sua natureza ainda mais, e Deus terá providenciado outro caminho para ele, que amolecerá sua natureza automaticamente.
Encontramos Vênus, o Planeta da arte e da música, no Signo no qual é Regente, Libra, que expressa o belo e o nobre; Vênus está com um Aspecto benéfico com Mercúrio, o Planeta da Mente, e com Marte[15], o Planeta da energia dinâmica, mostrando que James tem uma habilidade musical. O Sol e Júpiter também estão com Aspecto benéfico com Netuno[16] e Urano[17] na 7ª Casa, que indica o público. Netuno proporciona um toque estranho ao temperamento musical, que faz com que aqueles que tenham esse Aspecto trabalhem em uma corrente geral diferente de outros músicos. Esse é talvez o caminho mais seguro para James, ou pode ser que com a música como salvaguarda, ele sairá bem como um curador; isto será avaliado pelos pais, e eles não devem negligenciar o cultivo do talento musical, de forma alguma, mesmo se for decidido deixá-lo seguir a profissão médica.
Saturno em Touro tende a James ser frugal com sua alimentação; a Lua em Escorpião fará com que a eliminação do desperdício seja natural, e como o Sol, o doador de vida, está em Conjunção com o expansivo Júpiter, podemos concluir que James terá uma vida longa e com boa saúde. Saturno em Touro tende a lhe dar uma tendência a ter frio na garganta, e Marte em Gêmeos mostra que o frio pode se fixar no ápice dos pulmões. Cuidem dele nessas duas questões, e se as tonsilas incharem, usem de massagem; uma vez que ele tenha passado dos quinze anos, esse problema tende a desaparecer.
Com relação às perspectivas financeiras, descobrimos que James será bem cuidadoso, pois o Sol está em Conjunção com Júpiter, o Planeta da opulência, e qualquer um com Saturno no Ascendente está fadado a ser parcimonioso; se ele gastar seu dinheiro, ele o fará de modo totalmente útil. Mercúrio, o regente da 2ª Casa, em Aspecto benéfico com Vênus, o Planeta da arte, mostra que ele pode se tornar um colecionador de arte e usar uma quantia considerável para satisfazer esse desejo. Isso será bom, pois faz emergir o melhor lado da sua natureza.
STEPHANA ENDORA H. – Nascida DIA 14 de JANEIRO de 1913
6:25 A. M.
Em Denver, Colorado, EUA
Capricórnio está no Ascendente no momento do nascimento de Endora e esse não é um Signo muito bom, pois favorece um sentimento de grande tristeza e falta de esperança e a timidez, mas nesse caso descobrimos que Marte, o Planeta da energia dinâmica, que está Exaltado em Capricórnio, está exatamente no Ascendente, em Conjunção com Mercúrio, o Planeta da razão, e com Júpiter, o Planeta jovial, que está sempre pronto para um caloroso aperto de mão e um sorriso radiante. Isso faz Endora diferente, particularmente porque todos esses Planetas estão em Sextil com Vênus, o Planeta do amor. O Sol também está na 1ª Casa para iluminar o temperamento e a disposição. Isso proverá a Endora uma infância muito feliz, mas ela terá que abrir seu próprio caminho para o sucesso na vida, e, naturalmente, isto será o melhor para ela, pois lhe dará mais força e autoconfiança para superar a timidez subjacente de Capricórnio. O Sol significa o espírito, o Eu individual, e está em Trígono com Saturno, o Planeta da persistência, mostrando que não importa os obstáculos que possam ser colocados em seu caminho, ela alcançará seus próprios fins no mundo e no decorrer do tempo de uma maneira silenciosa e persistente. Mercúrio, o Planeta que governa a Mente racional, estando em Conjunção com Marte, o Planeta da energia dinâmica, e Júpiter, o Planeta da benevolência, mostra que ela tem uma Mente perspicaz e nobre e extremamente alerta, tanto para o lado prático, artístico como para o lado idealista da vida. O lado prático vem de Marte; o amor à beleza de Vênus e os ideais elevados e o sucesso geral na vida são mostrados pela Conjunção de Mercúrio com Júpiter. Vênus, o Planeta do amor e da atração, está na 2ª Casa, em Peixes, em Exaltação, onde é particularmente forte, e seu Sextil aos três Planetas acima mencionados, particularmente sua configuração com Júpiter, o Planeta da opulência, mostra que Endora terá uma afluência com a qual será muito generosa, mas o Trígono do Sol com Saturno, o Planeta do tato e da diplomacia, na 5ª Casa, a Casa da especulação, mostra também que ela será parcimoniosa e será capaz de fazer investimentos inteligentes que resultará em bons ganhos.
Entretanto, sabemos que toda rosa tem seus espinhos e que nada na vida é perfeito, e, portanto, não é surpresa descobrir que há também outro lado da Mente e disposição de Endora, e as lições que ela tem que aprender são mostradas pela Lua em Áries, em Quadratura com Mercúrio, o Planeta da Mente da 3ª Casa. Essa Casa significa a mentalidade e, também, as viagens. A Lua mostra a Mente instintiva e está fortalecida por estar em Áries, a parte do zodíaco que governa a cabeça e o cérebro. A partir dessa configuração, aprendemos, em primeiro lugar, que será melhor para a Endora não viajar, já que a mudança sempre lhe trará perdas e problemas. Contudo, isto não é o pior. Isso lhe proporciona uma superficialidade, traduzida em querer passar de assunto para assunto, assumindo isso, aquilo e o outro estudo ou trabalho, e não terminando nada, quando os Trânsitos ou as posições progredidas dos Astros colocarem essa configuração em atividade. Se esse hábito tiver espaço para crescer, isso interferirá seriamente em seu trabalho e, também, afetará a sua memória. Portanto, deve ser o objetivo dos pais procurar e desencorajar essa tendência, ao mesmo tempo em que estimular os outros lados bons da mentalidade da criança. Além das esplêndidas qualidades mentais mostradas nesse horóscopo, vocês também descobrirão que Endora desenvolverá uma destreza que será mais do que surpreendente para vocês. Ela será capaz de fazer qualquer coisa bem, mesmo que seja a primeira vez que tente, e a maneira como ela fará o trabalho fluir com pouco ou nenhum esforço aparente será incrível para todos que a virem. Entre outras coisas, vocês descobrirão que Vênus em Exaltação em Peixes, com a configuração de Mercúrio, Marte e Júpiter, proporcionará a ela a possibilidade de ser uma musicista bastante capaz, com um espírito incomum na interpretação dos temas que ela escolher. No entanto, há uma área na vida dela onde o caminho será complicado; essa área será o namoro. Saturno, o Planeta da obstrução, na 5ª Casa, que governa a atração entre os sexos, sempre torna as coisas muito difíceis, se não as proíbe totalmente. Entretanto, nesse caso, descobrimos que Saturno está em Trígono com o Sol, que é o significador do casamento de uma mulher. Portanto, podemos julgar que Endora, por meio da paciência e persistência, finalmente encontrará a companhia desejada, pois ela anseia por isso. Há nela uma natureza amorosa muito forte, mostrada pelo Sextil de Vênus com Marte, Mercúrio e Júpiter. Portanto, a negação desse relacionamento seria para ela uma perda de tudo o que vale a pena na vida. Contudo, agora vem o pior. Não importa quão bom seja o Aspecto de Saturno com qualquer Astro, exceto Mercúrio ou possivelmente a Lua, onde ele estabiliza e aprofunda a Mente, sempre há algum pequeno problema no benefício recebido. É a natureza de Saturno restringir e, em um caso como esse, onde ele está configurado com o Sol no horóscopo de uma mulher, podemos julgar que, por mais bondoso e bom que seja o marido, ele deve agir como um amortecedor para ela em certo sentido, especialmente porque o Sol está no Signo de Capricórnio. Vocês descobrirão que as mulheres nascidas entre 21 de dezembro e 21 de janeiro, quando o Sol está em Capricórnio, geralmente se casam com homens que as restringem muito, especialmente se o Sol estiver adversamente configurado com Saturno por Conjunção, Quadratura ou Oposição. Contudo, até mesmo o Trígono, como aqui no horóscopo de Endora, se fará sentir aquilo, até certo ponto. Normalmente é mais difícil escapar das coisas assinaladas por Saturno, porém, pode haver uma fuga para Endora dessa condição se vocês incutirem nela, desde a infância, a ideia de que somos todos espíritos e iguais no esquema da evolução, de modo que não importa se, para a vida, estamos nos manifestando em um corpo masculino ou feminino, todos têm os mesmos direitos e as mesmas prerrogativas fundamentais e ninguém tem o direito, seja pelo matrimônio ou por qualquer outro relacionamento, de dominar a outra pessoa. Ensine-a que é dever de todos guardar seus direitos individuais e se recusar a se submeter a influência ou autoridade indevidas, porque agora é nossa tarefa evoluir a individualidade, e os hábitos de auto humilhação são subversivos para a obtenção deste fim. A saúde geral de Endora será boa, exceto em momentos em que a linha errática mencionada venha à tona e a deixe inquieta. Então, a Quadratura da Lua com Mercúrio, que tem domínio sobre o sistema nervoso, está pronta para causar um estado geral temporário de nervosismo. A posição do Sol e Netuno, afetando a região de Câncer, que governa o estômago, mostra também que, em tais ocasiões, um ataque de indigestão nervosa pode se manifestar. Nesse caso, no entanto, não há nada de errado com o corpo. O que vocês terão que trabalhar é a condição mental, pois isso será a causa de qualquer perturbação passageira à saúde.
JOHN ALLEN HEINE – NascidO dia 4 de AGOSTO de 1913
2:30 A. M.
Nova York, N. Y., EUA
O primeiro pensamento que nos impressiona ao ver esse horóscopo é uma dúvida se John sobreviverá, pois, Câncer, um Signo de pouca vitalidade está no Ascendente, com seu Regente, a Lua em Quadratura com Saturno, o destruidor. Contudo, a dúvida é logo dissipada pela observação de que Saturno está em Sextil com o vivificante Sol, e a Lua está em um bom Aspecto com Júpiter, o Planeta do magnetismo vital. Esses Aspectos proporcionam ao John uma força vital suficiente para levá-lo adiante. Ao mesmo tempo, é evidente que ele requer mais que o cuidado comum; e como a aflição de Saturno vem de Gêmeos, que governa os pulmões, ele deve ser especialmente protegido contra o frio, pois aquele está pronto para se estabelecer no peito.
Se for possível migrar para um clima menos rigoroso, sem dúvida, seria bom fazê-lo. Exercícios de respiração e ginástica, racionalmente praticados durante a infância, fortalecerão o peito e lhe proporcionarão resistência na última parte dessa vida. Se os métodos corretos forem seguidos, John será tão forte quanto qualquer outro menino. Quando investigamos John do ponto de vista da mentalidade, encontramos com uma pessoa muito diferente; nesse quesito ele não é nada fraco, mas sim quase um gigante. Marte, o energizador, no Signo mercurial de Gêmeos, em Trígono com Urano, o Planeta da intuição, no Signo intelectual de Aquário, mostra que John tem uma Mente rápida e energética que compreende as coisas instantaneamente, no momento em que são apresentadas.
Saturno, o Planeta da obstrução, no Signo de Mercúrio, Gêmeos em Sextil com aquele Planeta, proporciona profundidade à Mente e à habilidade de raciocinar corretamente. A Lua, que é co-regente da Mente com Mercúrio, também está em um Signo mercurial, Virgem, em Trígono com Júpiter, o Planeta filosófico, acrescentando seu testemunho à excelência da capacidade mental de John. John terá algumas ideias muito avançadas sobre problemas sociais e econômicos, o que o levará a uma atividade pública de natureza benevolente. Ele será bem-sucedido naquela atividade. Isso é demonstrado por Júpiter, regente da 6ª e 10ª Casas (a que significa a natureza do serviço prestado no mundo e a posição social), em Trígono com a Lua, regente da 2ª Casa, que mostra a recompensa financeira do serviço prestado.
Saturno, o Planeta do engano, na 12ª Casa, a Casa do sofrimento e dos inimigos secretos, em Quadratura com a Lua, mostra que ele não escapará do destino habitual de todos os que se esforçam para trabalhar pela elevação de seus semelhantes; ele será caluniado e difamado, mas como Cristo disse: “Bem-aventurados sois quando os homens vos acusarem falsamente por minha causa.”. Há apenas uma coisa sobre esse horóscopo que lamentamos: Vênus, o Planeta do amor em sua aplicação humana comum, não possui Aspectos na 12ª Casa. Isso significa que John encontrará sincera consideração de todos os que entrarem em contato com ele em seu trabalho, mas poucos, se algum, entrará em sua vida e amará a John por ele mesmo; ele tende a ser um recluso e uma alma solitária.
Pelo menos essa é a tendência, e a mãe deve se esforçar para suprir a falta de amor, se possível. Todo ser humano anseia, dentro do seu mais profundo interior, a mais completa compaixão e, por mais que tenhamos reparado os nossos corações em Deus, nos sentimos pobres sem essa dimensão humana. Cristo Jesus se sentiu mais triste no Getsemani, porque seus Discípulos podiam dormir enquanto Ele estava angustiado, e todo mundo que passou pelos pequenos jardins da solidão sabe o que isso significa. Se ele permitir que você seja sua companheira nessas ocasiões, ambos serão abençoados.
janet barara h. – Nascida dia 1 de janeiro de 1904
11:50 a. M.
Leicester, Inglaterra
No nascimento de Janet, encontramos o Signo marcial Áries no Ascendente e os outros três Signos Cardeais nos outros ângulos, mostrando que ela tem uma abundância de energia e que a vida será muito ativa. Os Astros em seu horóscopo estão espalhados por toda a roda astrológica, demonstrando que ela será versátil e capaz de cuidar de si mesma em todas as circunstâncias. Se ela não for bem-sucedida em uma coisa, ela vai pegar outra coisa e nunca ficará desanimada.
O Sol está no zênite e isso tenda a dotá-la de vitalidade e lhe proporcionar um bom ânimo ao longo da vida. A Lua, que é o significador particular da saúde no horóscopo de uma mulher, está em Trígono com Marte, o reservatório da energia dinâmica, e Saturno, o grande obstrutor, não está aspectado, o que tende a indicar toda a perspectiva que ela terá uma vida longa e em perfeita saúde. No entanto, Saturno sempre causa algum dano à parte do corpo onde ele está localizado ou seu ponto oposto, e como ele está em Aquário, podemos, portanto, julgar que na última parte da vida ele obstruirá a circulação nos tornozelos e prejudicará levemente o coração. Contudo, sabendo que ele está sem Aspectos, o efeito provavelmente será muito pequeno, de modo que dificilmente poderá ser sentido.
Com relação às capacidades mentais, vemos que Vênus está em Sextil com
Mercúrio; Mercúrio e Vênus estão em Paralelos, de modo que ela tenderá a ter uma disposição gentil e simpática. Por causa da Lua em Trígono com Marte, ela sempre tenderá a buscar a amizade e o companheirismo mais dos homens do que das mulheres, e ela se beneficiará deles, pois Marte está na 11ª Casa, significando os amigos. Esta configuração também tende a lhe proporcionar uma boa renda, mas ela será bastante pródiga com ela e, portanto, sujeita a altos e baixos financeiros.
O Sol perto do Meio do Céu, no Signo Cardeal de Capricórnio, mostra que ela se elevará na vida com a ajuda de pessoas em uma posição social mais alta e, provavelmente, obterá algum emprego na esfera de governo.
Júpiter, o Planeta da benevolência, está em Peixes, o décimo segundo Signo, interceptado na 12ª Casa e em Quadratura com a Lua. Isso nos dá a chave para a falha principal de Janet e o problema que isso lhe dará na vida, a menos que seja superada. Sendo tão extremamente eficiente, ela achará difícil admitir as deficiências dos outros, e essa intolerância poderá lhe fazer inimigos e, embora eles não sejam capazes de prejudicá-la permanentemente, não podemos escapar do fato de que sempre sofremos de alguma forma, quando magoamos os outros e se vocês a impressionarem sobre a necessidade de ter tato e ser tolerante com os sentimentos de outras pessoas, não há dúvida de que isso irá ajudá-la consideravelmente na vida.
De acordo com o horóscopo, não há tendência à indiscrição em seus relacionamentos com homens jovens que, como dissemos acima, ela vai procurar em preferência a mulheres jovens, e não achamos que nunca a ideia de difamação a alcançará; no entanto, Vênus está em Escorpião, o Signo que rege os órgãos sexuais, mostrando que o sexo desempenhará algum papel na atração e, portanto, seria bom mostrar-lhe a feminilidade da mulher como um ideal para que, de uma maneira e condutas corretas para que ela possa deixar claro para seus amigos homens que existe um ponto, além do qual não será seguro passar além dele.
Urano, o Planeta da intuição, e a Lua, o símbolo do sonhador, estão em
Sagitário e em Gêmeos, respectivamente, e em Signos que são significadores da Mente. Isso mostra que Janet será intuitiva e, provavelmente, buscará mergulhar no oculto, mas como o Sol está em Oposição a Netuno, o último no
Signo psíquico Câncer, ela deve especialmente se precaver para não se enredar em assuntos que envolvam espíritos de controle. No entanto, e por outro lado, acreditamos que Janet será bastante segura a esse respeito, por sua natureza positiva. Contudo, ser prevenido é estar preparado e, sempre que surgir a ocasião será melhor para ela não se envolver com fenômenos espiritualistas negativos, pois brincará com fogo.
VICTOR L. S. – Nascido dia 17 de SETEMBRO de 1913
14 minutos após meia-noite
Em Los Angeles, Califórnia, EUA
No momento do nascimento de Victor, o Signo da aspiração Sagitário estava no Ascendente, com Júpiter, o Planeta da opulência, na 1ª Casa, uma posição muito feliz no que diz respeito a saúde e vitalidade, e pela opulência que se expressa na facilidade em trabalhar na parte financeira; assim também agindo proporcionando saúde e força, quando se trata do ângulo que determina esses fatores na vida. E como a riqueza nunca pode compensar a saúde, alguém a quem Júpiter outorga a última é, certamente, muito mais afortunado do que quando ela simplesmente toma a forma da sórdida ganância, que é muitas vezes uma fonte de maldade em outras direções. Portanto, podemos dizer que Victor atraiu um bom prêmio na vida, quando recebeu uma constituição fundamentalmente saudável.
Saturno, o obstrutor, está em Gêmeos, o Signo que governa os pulmões, mas ele está em Sextil tanto com Vênus quanto com a Lua. Isso deve compensar sua Quadratura com o Sol e proporcionar a Victor uma vida de boa saúde geral, e quando a doença chegar em intervalos raros, ele deve ser capaz de se desfazer dos efeitos e se recuperar facilmente.
Com relação à disposição, várias influências conflitantes são notadas. Vênus, o Planeta do amor, está em Trígono com a Lua, que é o significador da Mente instintiva, mostrando uma disposição gentil subjacente. Contudo, encontramos Saturno, o Planeta da obstrução, em Quadratura com o Sol, que é o doador de vida, luz e alegria. Isso mostra melancolia e a escuridão é aprofundada pelo fato de que o Sol está em Conjunção com a Cauda de Dragão saturnina e com Mercúrio, o significador da Mente. Também vemos que essa configuração ocorre na 9ª Casa, governando a mentalidade. Isso mostra que temos diante de nós uma alma que está fadada a se envolver em uma vestimenta de melancolia e a se afastar de seus semelhantes, uma tendência extremamente infeliz, pois pelo processo de refletir sobre seus problemas, sejam eles reais ou imaginários, as pessoas constroem ao redor delas uma concha que é real e verdadeiramente como uma gaiola na qual a alma está aprisionada. Além disso, essas pessoas são extremamente difíceis de ajudar, pois se ressentem de qualquer esforço para tirá-las de sua concha, como um insulto ou ferimento e consideram aqueles que querem fazer amizade com elas como seus piores inimigos.
Entretanto, felizmente, vocês vieram até nós em uma idade muito precoce do seu filho. Os veículos invisíveis ainda estão em construção, por isso esperamos e rezamos para que vocês possam salvar essa alma de um destino tão terrível. Em primeiro lugar, não importa o que ele faça, certifique-se de não o repreender, pois ele será extremamente sensível ao tratamento severo e levará as mais leves palavras a sério. Façam tudo o que puderem para tornar a sua infância alegre e especialmente, fazê-lo passar o maior tempo possível fora de casa com os pássaros e as flores.
O Trígono da Lua com Vênus, o Planeta da arte e da beleza, dará a ele um senso aguçado de prazer naquela direção, que esperamos que mantenha a porta do coração aberta, de modo que a luz do Sol da vida afaste a escuridão de Saturno. Outra configuração que encontramos, tendo em conta a condição mental de Victor, é o Sextil de Netuno com o Sol e Mercúrio. Mercúrio, o Planeta da razão, como já dissemos, está afligido por sua Conjunção com a Cauda do Dragão saturnina e, também, está em combustão, isto é, muito perto dos raios do Sol, uma posição que queima as qualidades do Planeta, quando assim colocado.
Portanto, podemos julgar que Victor não será um bom pensador, mas terá algo melhor para guiá-lo, pois Netuno é a oitava superior de Mercúrio, e o Sextil mencionado lhe dará a solução de seus problemas, sem a necessidade de raciociná-los de antemão; mas depois que ele chegar a uma conclusão, ele será capaz de explicar porque essa é a melhor saída em uma dada situação. Essa é a diferença entre as ações de Urano e Netuno. Ambos os Planetas nos permitem, sob certas configurações, resolver nossos problemas sem o processo de raciocínio, mas quando chegamos a um resultado por meio de Urano, sabemos apenas que esta é a melhor solução ou que aquele é um fato, mas não podemos dizer por quê.
Se o raio netuniano é usado para resolver nossas dificuldades, sabemos tanto a resposta aos nossos problemas como a razão, sem recorrer à faculdade da lógica. Em suas relações com os outros, o Sextil de Saturno, o Planeta do tato e da diplomacia, com a Lua proporcionará a Victor essas qualidades, de modo que ele não agirá por impulso, mas sempre deliberadamente e com premeditação. Quando procuramos por suas falhas, a fim de ajudá-lo suprimindo-as antes que elas tenham uma chance de se manifestarem, descobrimos que Marte, o Planeta da energia dinâmica, está em Quadratura com Mercúrio, o Planeta da razão. Isso mostra que haverá uma abundância de atividade mental. Ele conceberá milhares de esquemas e fará resoluções, mas não terá paciência e persistência para realizá-las.
Se essa tendência for permitida a se manifestar e amadurecer, será a pior desvantagem para seu sucesso na vida e vocês devem, portanto, se esforçarem para ajudá-lo a desenvolver constância de propósito. Saturno, o Planeta da persistência, em Sextil com a Lua ajuda um pouco a minimizar essa tendência, mas exigirá, no entanto, um trabalho considerável de sua parte para impressioná-lo desde a mais tenra infância que tudo o que ele começar deverá levar até o fim. Não deixem que ele comece a construir uma casa com blocos e destrua-a antes que termine para fazer um portão, deixe-o parar um pouco para fazer outra coisa, mas o persuada, o ajude, o estimule, para que ele possa terminar a casa primeiro e use um método semelhante em todos os outros assuntos. Ensine-o a fazer uma coisa de cada vez e dedique toda a sua energia a isso, com a exclusão de todo o resto, até que a coisa esteja completa.
DÓRIS A. – nascidA dia 26 de MARÇO de 1915
4:00 A. M.
Hallettsville, Texas, USA
No nascimento de Dóris, quatro Signos Comuns estavam nos ângulos e a Lua, que é o luminar dos sonhos, estava em Conjunção com Netuno no limite, entre o Signo psíquico de Câncer e Leão. Isso dará a Dóris a tendência a sonhar na vida. Ela vai querer viver em uma linda terra de fadas de visões sublimes, mas não estará inclinada a se esforçar para que seus sonhos se tornem realidade e ela terá uma vida fácil, pois não há um único Aspecto adverso no Mapa. É a partir dos Aspectos adversos que temos os choques e solavancos que nos levam a nos esforçar e escalar o caminho da vida. Portanto, com bondade para com ela, vocês devem fornecer o incentivo que falta para que ela faça sua parte do trabalho do mundo, cuidando de si mesma e cuidando dos outros também, pois a única e verdadeira felicidade vem com o sentimento de que você tem alguma missão e que tem um lugar claro na família ou comunidade.
O Sol está forte no seu Signo de Exaltação, Áries, na cúspide da segunda Casa, onde ele governa as finanças, e está em Trígono com a Lua que está em Leão, no próprio Signo do Sol. Isso mostra que Dóris sempre terá muitos bens nesse mundo, e isso lhe proporciona uma responsabilidade adicional, pois, em última análise, somos apenas administradores daquilo que possuímos; a menos que o façamos bem, em algum momento, teremos que prestar contas de nossa má conduta nos assuntos que nos foram confiados. Portanto, a educação de Dóris deveria incluir o uso correto do dinheiro, como distinguir entre parcimônia e maldade, generosidade e prodigalidade, discernimento na doação, etc.
Ela será colocada assim na vida para ela ter a oportunidade de dar aos outros, mas não importa quão generosa ela possa ser, a menos que ela aprenda a se entregar com seus dons, ela não terá nenhum valor, do ponto de vista espiritual, e isso exige um gasto de energia que ela talvez não goste de fazer, a menos que seu treinamento inicial desenvolva um senso de dever que a impulsione de dentro para superar a tendência à autoindulgência mostrada no horóscopo.
Suas qualidades mentais são boas, pois Marte, o Planeta da energia dinâmica, e Júpiter, o Planeta da benevolência, estão em Conjunção com Mercúrio, o Planeta da Mente. Mercúrio sobe antes do Sol e a configuração do Trígono do Sol com a Lua mostra uma Mente extraordinariamente brilhante. Além disso, Saturno está no Signo mercurial de Gêmeos e, portanto, fortalece o poder de concentração para que Dóris se faça sentir em qualquer círculo em que seja colocada na vida, pois todos instintivamente reconhecem e se curvam a uma mentalidade superior, especialmente quando não é dominador, mas gentil e atencioso como indicado pela Conjunção de Júpiter com Mercúrio.
Vênus, o Planeta do amor, no Signo humanitário de Aquário e na décima segunda Casa, que denota prisões e hospitais, nos fornece a impressão de que ela pode, eventualmente, realizar algum trabalho em conexão com instituições dessa classe. De qualquer forma, qualquer trabalho que ela possa fazer no mundo terá alguma conexão com a caridade. Com relação à saúde, descobrimos que Dóris tem uma excelente constituição. Júpiter, Mercúrio e Marte no Ascendente, como também a colocação do Sol em seu Signo de Exaltação, Áries, na primeira Casa em Trígono com a Lua, que governa as funções femininas, são todas evidências de uma esplêndida constituição que suportará todos os estragos do tempo e quando, em algum período da vida, passar por condições astrais causadoras de doenças, será apenas curto e ela se recuperará tão rapidamente que surpreenderá a todos.
O ponto mais fraco é mostrado por Saturno em Gêmeos, que governa os pulmões, mas mesmo lá, um Trígono com Vênus mostra que ela está imune. Então, resumindo, esse é um excelente horóscopo, exceto pelo fato de que ele não mostre nenhum dos problemas que todos nós precisamos para fazer a vida realmente valer do ponto de vista espiritual e, portanto, confiamos que Dóris encontrará na vida de outras pessoas as tristezas que despertarão nela a simpatia necessária.
LINZEE G. – Nascida DIA 1 de ABRIL de 1911
11 A. M.
Em Hyannis, Massachusetts, EUA
Na época do nascimento de Linzee, o fraco Signo de Câncer estava no Ascendente, com Netuno em Quadratura com Mercúrio, e se esse fosse o único testemunho sobre a sua constituição, mostraria uma vitalidade muito baixa, mas o Sol, que é o doador da vida, e Marte, o Planeta da energia dinâmica, ambos estavam elevados no momento do nascimento de Linzee, e em bom Aspecto (em Sextil). Ambos os Astros são fortes energizadores vitais e suas posições e o Aspecto entre eles ajudarão muito a neutralizar as outras influências e fortalecer o cérebro e a constituição.
Ainda sobre a saúde, podemos notar também que Saturno está, de forma singular, livre de Aspectos adversos nesse horóscopo, e isso também proporciona um fortalecimento indireto da natureza. Contudo, é uma regra que jamais podemos esquecer, pois, além dos Aspectos adversos, o lugar onde Saturno está no horóscopo é sempre um ponto fraco e capaz de trazer sofrimento. Podemos, portanto, julgar que a presença de Saturno em Touro, o Signo que rege a garganta, mostra uma suscetibilidade para o frio naquela parte do corpo e, provavelmente, um inchaço das glândulas, que podem obstruir as passagens algumas vezes.
No entanto, não gaste tanto cuidado com isso de modo que ela não possa nem pensar sobre o assunto, com o intuído de salvá-la das gripes, mas tente robustecer e fortalecer bastante a garganta para que ela se torne imune. A Lua e Vênus estão em Touro e em Oposição a Júpiter em Escorpião, o Signo que governa os órgãos genitais. Como a Lua governa as marés no universo, ela também rege os fluidos do corpo e, particularmente, o fluxo periódico nos períodos menstruais mensais, e essa Oposição tenderá a tornar o fluxo menstrual extremamente abundante.
Será, portanto, particularmente sábio instruir essa criança a respeito das mudanças que ocorrem na puberdade para que ela não fique indevidamente assustada e saiba como cuidar de si mesma, quando àquela hora chegar. Com relação à Mente, descobrimos que Saturno, o Planeta da obstrução, está em Conjunção com a Lua, significando a Mente instintiva. Isso proporciona o equilíbrio e a capacidade de concentração. Pode, portanto, ser chamado de uma configuração muito afortunada em relação às qualidades mentais. No entanto, Mercúrio, o Planeta da razão, está em Quadratura com Urano, o Planeta da intuição. Essa posição também proporciona uma atividade mental, mas tende a fazer com que a pessoa passe para o outro lado de uma conclusão errada e se torne crítica, sarcástica, cética e impulsiva na fala. Naturalmente, uma pessoa com tal mentalidade não é a favorita entre os seus arredores, e se essa parte de seu caráter for desenvolvida, trará problemas com amigos e parentes, tornando-a extremamente inquieta sob todas as condições e ansiosa para procurar novos campos, não importa quão bem ela esteja onde ela está.
Esta é uma configuração extremamente infeliz e, portanto, vocês devem se esforçar ao máximo para neutralizá-la, desencorajando, sob todas as condições, o criticismo e sarcasmo. Ensinem a ela que não importa onde ela vá, sempre haverá problemas com alguém, que nada é perfeito nesse mundo e, portanto, será melhor para ela tentar se encaixar nas condições em que ela está do que correr de um lugar para outro.
Mercúrio também está em Quadratura com Netuno, sua oitava superior, e essa posição sempre a tornará irresoluta, vacilante e sonhadora; os fenômenos psíquicos terão uma atração quase misteriosa para ela. Contudo, o pior é que quando alguém se aproxima do Mundo invisível sob tal configuração, ele ou ela sempre entra em contato com o elemento indesejável de lá. A mediunidade é um assunto extremamente perigoso e vocês nunca devem permitir que ela vá a qualquer lugar, reunião ou círculo, onde haja a menor chance de que ela possa entrar em contato com essas condições indesejáveis.
O Sol é o significador geral do parceiro conjugal para uma mulher, e o Sextil entre o Sol e Marte tende a fazer Linzee extremamente atraente para o sexo oposto; isso sempre constitui um perigo durante o namoro. Descobrimos também que Júpiter, o Planeta da benevolência, atração, expansão e jovialidade está na quinta Casa, que governa o namoro, no Signo de Escorpião, que rege os órgãos genitais, em Aspecto adverso com Marte, que significará os pretendentes, de modo geral. Isso mostra que não importa quão bons e puros possam ser seus próprios pensamentos e ideais, ela estará extremamente sujeita a insultos, e a Lua e Vênus em Oposição a Júpiter, junto com Mercúrio em Quadratura com Netuno mostram que ela é passível de ser caluniada, quer tenha ou não feito algo de errado.
Esse é um destino muito triste, que estragou e amargurou muitas vidas e, por isso, os pais devem se esforçar por ensinar a Linzee, desde os primeiros dias da infância, a virtude da prudência e a evitar até o mais leve aparente mal. Felizmente, como já dissemos antes, o horóscopo mostra apenas tendências. As estrelas não têm poder para nos obrigar a fazer algo contrário à nossa vontade, e podemos, portanto, alterar o nosso horóscopo pela suficiente força de vontade. Não há nenhuma configuração tão adversa que não possa ser transformada em um trampolim para o bem, especialmente quando o assunto é levado em consideração durante o período da infância e, portanto, confiamos que vocês possam guiar sua filha para longe das pedras, por saber exatamente onde elas estão colocadas.
MARION S. – Nascida em 16 de ABRIL de 1904
3 A. M.
Em Nova York, N.Y., EUA
No momento do nascimento de Marion, o Signo celestial Leão estava no Ascendente e seu Regente, o Sol, estava nesse momento perto do zênite em seu Signo de Exaltação, Áries. Isso proporcionará a Marion uma abundância de vitalidade, vigor e força, de modo que ela experimentará muito poucas enfermidades em sua vida, quando sua saúde ficar deteriorada sob configurações astrais desfavoráveis, e será somente por um curto período, sendo que ela se recuperará rapidamente. Saturno está em Quadratura com Mercúrio desde Aquário e Touro, ambos Signos que regem a voz. Isso mostra que a garganta dela será um dos pontos mais fracos de sua anatomia e que ela estará sujeita a gripes que afetarão a voz.
Marte, o Planeta da energia dinâmica, está em Conjunção com a Lua, que governa as funções femininas, e como essa Conjunção ocorre em Touro, podemos julgar que haverá uma ação reflexa sentida no Signo oposto, Escorpião, que rege os genitais. Isso indicará uma tendência a menstruações copiosas e a criança está agora na idade em que ela deveria ser preparada para esse evento, de modo que não fique indevidamente assustada quando isso acontecer.
Júpiter, o Planeta da benevolência, e Vênus, o Planeta do amor, estão na 9ª Casa, que governa a Mente. Isso mostra que a disposição de Marion é basicamente gentil e boa, mas com Marte e a Lua em Touro, um Signo que governa a língua, a voz e a expressão. Isso mostra que ela tende a ter uma maneira de se expressar de forma impulsiva e muito franca, de modo que é, excessivamente, apta a ofender as pessoas sem ter a intenção de fazê-lo. Essa é uma tendência que vocês devem, por todos os meios, tentar refrear nela, pois esse tipo de modos é muito contundente e as pessoas, naturalmente, se ressentem de qualquer coisa que possamos dizer quando o nosso jeito é bruto, e assim, nós nos tornamos inimigos delas, não importa quão boas sejam nossas primeiras intenções.
É sempre melhor revestir as palavras com um manto de cortesia e suavidade pois isso fará amigos para nós, do que espezinhar as pessoas e torná-las nossos inimigos. Por essa configuração ocorrer em um Signo Fixo, vocês terão muita dificuldade em ajudá-la a alterar esse comportamento e, provavelmente, exigirá todos os revezes e experiências, no entanto, se vocês puderem mostrar a ela como isso é demonstrado em seu horóscopo e o caminho para superá-lo, talvez isso possa ter o efeito de promover uma solução do problema mais rápido do que de outro modo. De qualquer forma, não custa tentar. Também vemos que Saturno, o Planeta da diplomacia, está em Quadratura com Mercúrio, o Planeta da Mente e da razão. Isso proporcionará a Marion uma tendência a ser mentirosa, uma tendência que certamente deveria ser reprimida, pois ninguém que pratica a trapaça pode ser, realmente, feliz e satisfeito na vida.
Deve sempre existir um medo de ser pega em delito e a consequente vergonha e, por isso, há o castigo de que quando as pessoas acham que uma pessoa tenta esconder a verdade não respondendo, diretamente, as questões, elas nunca confiam nas declarações dessa pessoa e, depois disso, consideram tudo o que essa pessoa diz com cautela. Marion tem uma boa Mente e um raciocínio rápido, pois o Sol e a Lua estão altamente Elevados e em Paralelo, ambos em seus Signos de Exaltação, e até a Quadratura de Mercúrio com Saturno aprofunda a Mente e a torna mais capaz de se concentrar. Portanto, se vocês puderem encontrar uma explicação ou solução dos problemas, considerando todas as possibilidades com ela, acreditamos que ela escutará e prestará atenção em vocês e considerará seriamente nessas conclusões.
Netuno está no Signo psíquico de Câncer e na 12ª casa, que denota a mediunidade. Está em Quadratura com Vênus na 9ª Casa, que governa a Mente. Isso mostra que Marion é facilmente controlável espiritual e negativamente, assim se vocês permitirem que ela participe de círculos espiritualistas onde haja espíritos de controle invisíveis, eles terão a natural tendência de se apoderar dela e forçá-la à prática da mediunidade. Portanto, vocês devem ter muito cuidado para não permitir que ela participe de tais sessões mediúnicas ou de outras maneiras que associe a pessoas que já atraíram esse tipo de espíritos. Com relação às circunstâncias financeiras de Marion, vocês podem se sentir bem pois o Sol, que governa a 2ª Casa, e que está altamente Elevado, em Exaltação e em Paralelo com a Lua, todos os sinais que demonstram circunstâncias confortáveis.
O Sol está em Trígono com Urano na 5ª Casa que indica, entre outras coisas, empreendimentos educacionais. Urano é o Planeta da ciência. Está no Signo de Sagitário, que denota religião, lei ou filosofia. O Sol significa o governo ou os empregadores em uma posição alta e fixa. Portanto, podemos julgar que Marion encontrará sua vocação em uma posição de governo, conectada com ciência e educação e ela deve moldar seu estudo com esse objetivo. Isso deve ser fácil para ela devido ao Trígono de Sol com Urano, o Planeta da intuição, que lhe dará uma solução rápida para todos os seus problemas, sem a necessidade de raciocinar sobre eles. Não está claro que Marion queira se casar, porque Saturno está na 7ª Casa. Se o fizer, será com uma pessoa muito mais velha do que ela e, embora possa promovê-la socialmente, porque o Sol está na 10ª Casa (o Sol é o significador geral do casamento para uma mulher e a 10ª Casa significa a posição social), será melhor para ela não entrar em tal união, pois isso é um sacrilégio, a menos que haja amor mútuo. Além disso, como disse, ela irá, com seus próprios esforços, se tornar em uma posição muito confortável e será muito mais feliz sem essa união conjugal.
CARLOS DE U. – Nascido dia 18 de abril de 1915
8:20 A. M.
Em Brighton, Inglaterra
Buscando a qualidade mental de Carlos, descobrimos que Mercúrio está no Signo marcial de Áries e que se eleva antes do Sol. Isso sempre contribui para uma Mente brilhante. Também encontramos a Lua no Signo mercurial de Gêmeos e em Sextil com Mercúrio. Essa é outra indicação favorável. Então descobrimos que Urano, o Planeta da intuição, está no Signo intelectual de Aquário em Sextil com Mercúrio e em Trígono com Lua, mostrando que o jovem terá uma Mente excepcionalmente brilhante.
Além disso, Saturno, o Planeta da obstrução, também está em Gêmeos e em Sextil com o Sol, de modo que é absolutamente seguro denominar Carlos como um gênio de uma natureza excepcional. Além disso, ele não será errático por causa da mão restritora de Saturno, já mencionada. Exortaríamos, no entanto, a ter o cuidado para contê-lo durante os primeiros anos, pois tanto Marte quanto o Sol estão em Áries, que governa a cabeça. Isso proporciona muito calor no cérebro e há um Aspecto de Quadratura entre Saturno e Marte que exige cautela.
Deixe-o aprender o que quer para si mesmo, seja pouco ou muito, mas não o force e nem tente fazer dele um menino prodígio, pois isso pode ter sérias consequências. É muito melhor treinar seu corpo durante os primeiros anos para que possa se tornar um instrumento adequado de uma grande Mente mais tarde na vida, e vocês devem ser especialmente cuidadosos com respeito a sua alimentação, pois Saturno está próximo da cúspide de Câncer, que governa o estômago, e isso significa que há uma tendência à indigestão, se Carlos lhe for autorizado a escolher o seu próprio alimento. Ele vai querer comer mais do que ele pode lidar, por conta de Marte em Áries.
Vocês descobrirão que ele não será uma criança fácil para criar, com Marte, o Planeta da energia dinâmica, em Áries junto com o Sol; ele será muito impulsivo e voluntarioso e Saturno prestes a entrar em Câncer, o quarto Signo que significa o lar, o tornará ressentido da autoridade dos pais em particular. Por isso, aconselhamos que vocês marquem uma linha de conduta definida que lhe permita a liberdade em todas as coisas não essenciais, para que vocês não tenham o hábito de sempre dizer “não”.
Contudo, por outro lado, as coisas que vocês resolvem com um estudo cuidadoso do assunto, como sendo essencial e exigindo obediência para o bem da criança, devem ser aplicadas desde a mais tenra infância. Nós não acreditamos em punição corporal, mas toda criança gosta de certas coisas que são iguarias e se uma desobediência é sempre seguida por uma negação dessas coisas, a criança geralmente aprende a se curvar à vontade dos pais.
Vocês também irão descobrir que ele tem um temperamento e se isso torna impossível para guiá-lo por meios comuns, é um bom plano para colocar um espelho em um canto da sala e sentar a criança para que ele seja forçado a olhar para esse vidro e lá ver seu rosto distorcido com lágrimas e raiva. Esse tratamento rapidamente fará com que ele sorria e ele poderá ser retirado do canto. Quando vocês comprarem brinquedos para o Carlos, selecione aqueles que são mecânicos e elétricos em detrimento de outros, pois como Urano e a Lua estão em Sextil com Mercúrio e situados em Signos de Ar, é evidente que seus talentos estarão na direção de invenções que têm a ver com eletricidade e ar.
Por essa razão, os brinquedos da natureza sugeridos ajudarão a trazer nele a habilidade latente para uma vantagem muito melhor do que se ele recebesse bonecas e blocos para brincar. Netuno na oitava Casa e no Signo psíquico de Câncer lhe dará um amor pelo oculto, mas como o Sol está em Quadratura no Signo Áries, que governa a cabeça, suas experiências nessa direção terão uma influência mentalmente perturbadora, pois ele será importunado por espíritos de controle e ele deve, portanto, ser mantido longe de tais coisas.
HENRY F. – Nascido DIA 4 de JULHO de 1905
0:30 P. M.
Schenectady, N.Y., EUA
Aqui temos um jovem vindo ao mundo em meio às celebrações inerentes do aniversário de Independência dos Estados Unidos, com Touro no Ascendente e os gentis Vênus e Júpiter, no Ascendente, em Sextil com a Lua e Mercúrio, que são os significadores da Mente, dando-lhe assim um caráter benevolente e uma disposição otimista para um presente de aniversário. Embora esse seja um pouco atenuado pela Quadratura de Saturno, o Planeta da obstrução, com Júpiter, o Planeta da benevolência, terá, no entanto, a tendência de manter os cantos da boca de Henry voltados para cima e lhe dar um sentimento de otimismo, mesmo sob circunstâncias difíceis.
Assim, ele se tornará muito popular entre as pessoas com quem convive, pois ele será sempre bem recebido e muito procurado. Não há ditado mais verdadeiro do que “ria e o mundo rirá com você, chore e você chorará sozinho”[18]. Mercúrio é o Regente da segunda Casa, que governa as finanças, e a Lua sempre coloca em ação qualquer Planeta em Aspecto com ela.
Podemos, portanto, julgar que os Aspectos da Lua e Mercúrio com Júpiter, o Planeta da opulência, dará a Henry uma ampla renda, mas a décima primeira Casa, posição de Saturno, no Signo de Peixes da décima segunda Casa, e em Quadratura com Júpiter, mostra que os amigos de Henry, particularmente pessoas que são mais velhas do que ele, lhe causarão problemas financeiros, a menos que ele possa aprender a tempo de se manter fora de suas garras. Ele deveria ser ensinado a discernir entre amigos que só o procuram por seu próprio interesse e detrimento e aqueles que realmente o procuram porque gostam dele.
A Conjunção de Netuno com o Sol no Signo psíquico de Câncer mostra que Henry é inclinado ao misticismo, e o Sextil de Mercúrio e da Lua com Júpiter e Vênus acentuarão ainda mais as tendências religiosas. Além disso, Henry não tem de forma alguma um caráter negativo e, portanto, ele se beneficiará consideravelmente com essas configurações sem perigo para si mesmo.
As indicações sobre a saúde de Henry são extremamente favoráveis. Vênus e Júpiter no Ascendente, no Signo robusto de Touro, proporcionarão a ele um corpo robusto e forte, e o Sol, que é o doador da vida, em Trígono com Marte, o Planeta da energia dinâmica, mostra que ele terá uma abundância de energia vital por toda a vida. Há apenas um testemunho adverso, Saturno, o Planeta da obstrução, em Quadratura com Júpiter, o Planeta que governa a circulação arterial.
Isso, acreditamos, é mais que compensado pelo Trígono de Sol com Marte, embora possa dar a Henry uma má circulação nos pés, que são governados pelo Signo de Peixes, onde Saturno se encontra. O Sextil de Júpiter e Vênus no Ascendente em Touro, em Sextil com Mercúrio e a Lua, dará a Henry talento musical que deve ser cultivado. Provavelmente, essa é a melhor vocação para ele na vida, pois encontramos Virgem e Libra na sexta Casa, indicando que seu serviço ao mundo viria de Vênus e Mercúrio.
josephine m. – Nascida DIA 10 de maio de 1905
4:15 P. M.
Em Mountain Home, Idaho, EUA
Aqui temos uma jovem com uma sétima Casa extremamente bem fortificada. Lá encontramos o Sol, que para a mulher é o significador do parceiro conjugal, Júpiter, o Planeta da benevolência, Vênus, o Planeta do amor e da coalizão, e Mercúrio, o principal significador da Mente. Não pode, portanto, haver dúvida de que a esfera de Josephine na vida está no lar. Existem todos os elementos de sucesso para ela nessa vida.
O Sol e Júpiter, o Planeta da opulência, na cúspide da oitava Casa, que indica as finanças do parceiro conjugal, mostram que ele será rico e generoso, mas também há um problema imanente nessa figura que virá da própria Josephine, e, a menos que seja solucionado, isso irá arruinar sua felicidade, pois vemos que Marte, o Planeta da energia dinâmica, está em Escorpião e em Oposição ao Sol e a Júpiter. Isso tenderá a lhe dar um temperamento muito violento, e o cônjuge será sua vítima preferida. Encontramos a Lua, que é um dos significadores da Mente, no Signo do coração, Leão, em Quadratura com Mercúrio e Vênus em Áries, o Signo da cabeça, mostrando que Josephine desenvolverá uma natureza extremamente ciumenta que pode, eventualmente, causar uma ruptura na relação do casamento.
Por causa dessas indicações, é o primeiro dever dos pais se esforçar, desde a mais tenra infância, para ensinar-lhe o controle do temperamento. Ela está agora em uma idade em que essas coisas podem ser explicadas a ela por meio de lições objetivas, que infelizmente são ocorrências muito frequentes em nossa vida social. Ela também tem uma forte tendência à extravagância irresponsável, por conta da influência de Marte na segunda Casa, que governa as finanças. Isso deve ser corrigido tanto quanto possível. No que diz respeito à sua saúde, Marte em Escorpião, em Oposição ao Sol, mostra uma tendência à menstruação abundante, pois Escorpião governa os órgãos genitais e, portanto, seria bom que os pais a instruíssem cuidadosamente antes dessa ocorrência, para que ela soubesse como cuidar de si e não ficar excessivamente assustada.
Saturno em Peixes, o Signo que governa os pés, mostra uma tendência ao frio nessas extremidades, e para alguém com a tendência mencionada anteriormente, que pode causar sérias consequências, vocês fariam bem em protegê-la contra o severo clima do norte onde vivem. A Lua em Quadratura com Vênus e Mercúrio também indica distúrbios para a saúde, particularmente por excesso de prazer e preocupação. Há uma tendência a ser muito sarcástica e de fala rápida, motivo pelo qual seria aconselhável que vocês se esforçassem em refrear o raciocínio dela, pois tal atitude mental é o que causa impopularidade, e a preocupação que se segue tem uma ação reflexiva sobre a saúde. Felizmente, no entanto, é possível para uma pessoa que tem a força de vontade modificar as influências indicadas no horóscopo e, assim, mudar as tendências indesejáveis para algo melhor.
FRANCES W. – Nascido DIA 15 de SETEMBRO de 1903
11:00 P. M.
Em Seattle, Washington, EUA
Aqui temos uma jovem senhorita de habilidade incomum na orientação para o ocultismo. Urano no Signo mental de Sagitário em Sextil com Mercúrio, o significador da Mente, mostra que ela é uma pensadora muito engenhosa, independente e original, e Júpiter, o Planeta da religião, está no zênite, Essencialmente Dignificado no Signo místico de Peixes, em Trígono com Netuno no Ascendente, no Signo psíquico de Câncer e mostra, de outro modo, uma habilidade ocultista extrema. Além disso, como a décima Casa mostra a posição social e o prestígio, e com a presença de Júpiter julgamos que ela pode, com o tempo, obter uma reputação nacional ou talvez internacional.
Os Aspectos sendo de Signos de Água mostram uma grande quantidade de viagens relacionados com aquele assunto, embora não se deva esquecer que esses testemunhos são um tanto minimizados pelo fato de que Júpiter está Retrógrado. No entanto, é certo que ela tem uma habilidade incomum de se aprofundar no ocultismo. Sua inspiração e intuição estão muito acima do normal e, com o Sol em Conjunção com Vênus, no Signo mercurial Virgem, mostra que ela é de uma natureza bondosa e compreensiva, embora a Quadratura da Lua com Mercúrio indique que ela pode ser muito rápida e impaciente com outros que não entendam as coisas tão rapidamente quanto ela, desde que ela responda a essa tendência. Essa tendência deveria ser observada com atenção, pois ela pode se tornar impopular se ceder e permitir que essa tendência se estabeleça. Relacionado a esse Aspecto, ela também tem a tendência de se preocupar com coisas que nunca acontecerão, mas talvez isso seja natural para os sensitivos; eles estão muito expostos às condições dos outros e é difícil diferenciar entre o que realmente afeta a si mesmo e o que vem de outras pessoas. Pelo menos, é preciso fazer um esforço para fazer a distinção e isso nem sempre se está preparado para fazer, nem sempre se está consciente de que tal esforço é necessário.
O Sol e Vênus em Sextil com Marte tendem a tornar Frances muito popular e atraente para o sexo oposto, sendo essas qualidades adequadas e legítimas. Há também uma Quadratura de Sol e Vênus com Urano, o Planeta que ama a liberdade e odeia o convencionalismo. Isso significa que, a menos que seja muito circunspecta, ela pode ser suscetível a ser envolvida e se tornar alvo de um escândalo. Portanto, vocês farão bem em instruí-la a respeito desses assuntos e cuidarão dela com muita atenção até que ela, finalmente, se inteire do problema. Contudo, vocês não precisam ter medo do desfecho final.
O Sol em Conjunção com Vênus, na quarta Casa, é um dos melhores testemunhos de uma vida familiar cheia de amor e felicidade, especialmente na parte final da vida, pois faz com que a pessoa afortunada a quem tem tão amorosa e tão companheira sinta seu charme em tudo sobre ela. Esse Aspecto também é uma boa indicação de circunstâncias financeiras confortáveis, de modo que, embora possa haver algum problema na vida, pode-se dizer que, no geral, Frances terá uma vida muito afortunada diante dela. Com relação à saúde, vemos que a Lua está ascendendo em Câncer e em Quadratura com Mercúrio em Libra. Isso mostra uma constituição um tanto delicada, com o estômago e os rins como pontos mais fracos, de onde problemas podem ser esperados.
A constituição, no entanto, é consideravelmente reforçada por Marte, o Planeta da energia dinâmica, em Sextil com Sol dador de vida. Saturno está, felizmente, sem Aspectos e Retrógrado, mas, mesmo assim ele sempre cria problemas onde quer que esteja ou a partir do ponto oposto de onde esteja. Como ele está em Aquário e o Signo oposto é Leão, que governa o coração, podemos julgar que ele terá um leve efeito obstrutivo sobre a circulação e isso, provavelmente, será sentido nos tornozelos, que são governados por Aquário. Mais dano é feito ao coração durante a juventude descuidada, impaciente e impulsiva do que em anos posteriores, e como a constituição de Frances não é tão forte, cada menor tensão conta. Por isso, aconselharíamos que vocês a familiarizem com esses fatos, para que ela aprenda a administrar sua energia desde o mais cedo possível. Isso, provavelmente, poupará alguns problemas nos últimos anos da sua vida.
HENRY B. W. – Nascido DIA 6 de NOVEMBRO de 1914
7:54 A. M.
Em Luling, Texas, EUA
Aqui está um jovem com um desejo de viajar bastante determinado, indicado por um Marte Essencialmente Dignificado no Signo aquoso de Escorpião, no Ascendente, e em Trígono com Netuno na nona Casa, que governa as viagens. A Lua errante está no Signo mercurial de Gêmeos, o que acentua ainda mais essa tendência, e o Sol em Quadratura com Urano, que é o grande inculcador da liberdade pessoal, mostra que Henry estará sempre procurando uma mudança, sempre se apressando em direção a “campos distantes que parecem muito mais verdes do que aqueles onde ele está”. Isso é tão arraigado em sua natureza que acreditamos que será inútil para vocês ou para ele combatê-lo, e não é uma tendência ruim, pois certamente proporciona uma amplitude de visão e experiência. Isso torna a vida interessante.
Pessoas com tais tendências são andarilhos, pessoas que não têm raízes e que mudam de vida, de lugar e de trabalho a cada momento, que não “acumulam musgos” na forma de posses mundanas, mas geralmente acumulam uma quantidade de conhecimento que é muito valiosa para a Alma; afinal depois de tudo dito e feito é isso que conta, pois ninguém pode levar junto suas posses materiais, quando passa pelo portal da morte, mas todo o conhecimento que tenhamos adquirido permanecerá conosco por toda a eternidade. O Aspecto do Trígono entre Marte e Netuno mostra, no entanto, que Henry desfrutará da vida errante e encontrará nela uma felicidade, de modo que, mesmo do ponto de vista das condições atuais, não há arrependimentos.
Marte, o Planeta da energia dinâmica, no Ascendente em seu próprio Signo, Escorpião, tende a proporcionar a Henry uma abundante quantidade de vitalidade física, mas também lhe dará a tendência de ter um temperamento irritável e impaciente com os outros. No entanto, essa tendência é modificada pelas significadores mentais, que são bastante interessantes. Mercúrio, o Planeta da Mente e da razão, vai adiante do Sol, o que é bom, mas está muito próximo da estrela do dia e da Quadratura com Júpiter, o que é ruim.
A Lua também, embora posicionada no Signo mercurial de Gêmeos, está sem Aspectos. Assim, Henry nunca será bom em raciocinar. Se ele confiasse na sua faculdade de raciocínio para lidar com seus negócios no mundo, estaria sempre sujeito a problemas e perdas. Contudo, Vênus, o Planeta do amor, está em Sextil com Urano, o Planeta da intuição, e Júpiter, o Planeta da benevolência. Isso modifica as outras significações mentais e suaviza o temperamento indicado por Marte no Ascendente em Escorpião, de modo que Henry, intuitivamente e sem o uso de suas faculdades de raciocínio, chegará a conclusões que geralmente serão consideradas corretas.
Dizemos isso de forma geral porque o Aspecto de Quadratura entre Júpiter e Mercúrio afeta essa indicação de maneira ligeiramente adversa; mas ele crescerá e será um jovem extremamente brilhante, com uma inclinação para a invenção, particularmente na linha de eletricidade e instrumentos aéreos. O Aspecto de Quadratura de Júpiter com Sol e Mercúrio na décima segunda Casa mostra que ele deve ser cuidadoso no modo como ele lida com essas forças, pois de outra forma, elas serão um tanto perigosas para ele.
Com relação à saúde, descobrimos que Saturno está no Signo de Câncer, que rege o estômago. Isso mostra que Henry deve ser cuidadoso em sua dieta ou, com o tempo, sofrerá de indigestão. Se vocês ensinarem a ele a frugalidade pelo próprio exemplo de vocês e, também, pregar essa doutrina durante a infância, ela terá indubitavelmente um efeito benéfico e lhe poupará muito sofrimento. Marte em Escorpião no Ascendente mostra uma forte tendência à constipação, que é um complemento da indigestão. A criança deve ser ensinada, desde os primeiros anos, a ser regular em suas fezes e sempre seguir “o chamado da natureza”, não importa onde ele esteja. Salvo por esses dois pontos fracos, a constituição é forte e a saúde geral será boa, se ele for ensinado a superar as fraquezas indicadas.
MILDRED COSTA I. – Nascida DIA 20 de JANEIRO de 1916
9:38 A. M.
Em Los Angeles, California, EUA
Quatro Signos Cardeais estavam nos ângulos no momento do nascimento de Mildred, proporcionando-lhe uma disposição inerentemente ativa e agitada. Urano, o Planeta intuitivo e espasmódico, está em Conjunção com Mercúrio no Signo intelectual de Aquário. Isso lhe proporcionará uma Mente original, intuitiva, rápida e alerta, entretanto, com uma tendência a ser muito independente e ressentida com toda contenção e restrição; ela tenderá a seguir seu caminho, independentemente dos convencionalismos.
A Lua, que é o outro significador da Mente, está em Oposição a Urano. Isso poderá impulsionar ainda mais a imaginação e a tornará excessivamente fértil, de modo que poderá apresentar um caráter muito incomum que os pais acharão muito difícil, se não impossível, de lidar, pois a maioria dos Astros estão em Signos Fixos e como se diz: “Se ela quiser, ela fará e vocês vão depender dessa disposição; se ela não quiser, ela não fará e acabou!”, aplica-se sobretudo a Mildred.
No entanto, vocês terão, no mínimo, sete anos para fazer um bom trabalho e vocês terão alguns bons materiais, extraordinariamente promissores, com que trabalhar antes que o Corpo Vital, que é o veículo do hábito, tenha se estabelecido e as tendências indesejáveis se tornam arraigadas. Ela precisa muito de equilíbrio e autocontrole para guiar sua habilidade incomum para os canais apropriados, e agora é a hora dela aprender, se é que vai. Certifiquem-se de usar da moderação.
Mildred tem Saturno, o Planeta da obstrução, em Câncer, o quarto Signo que rege o lar. Isso mostra a mão restritiva dos pais, contudo, deve ser colocada o mais leve possível, pois não há nada que mate a ambição e quebre o espírito progressista em uma criança como a frase paterna ou materna: “Não faça, não, não”, e isso vem de Saturno no quarto Signo, Câncer, que é o Regente da 4ª Casa, no horóscopo natural. Financeiramente, Mildred tenderá a ter um bom amparo, pois o Sol, que infunde a vida em todas as coisas que toca e que entra em contato com seus raios, está em Sextil com Júpiter, o Planeta da opulência, e estando Júpiter na 6ª Casa, que governa o serviço, demonstra que ela sempre será muito popular entre os empregadores e os outros funcionários. De fato, ela poderá ser tão apreciada que as pessoas em posições superiores, representadas pelo Sol, devido a sua influência, garantirão sua promoção a um lugar de destaque. Ela deveria se tornar uma empregadora ou ser responsável por outros empregados, e se assim o for ela será bem-sucedida e popular e ganhará muito trabalhando desse modo, mas não tanto em relação aos amigos, pois na 11ª Casa encontramos a Lua em Oposição com Urano e Marte em Oposição a Vênus. Isso demonstra que seus amigos procurarão usá-la em benefício próprio e depois a difamarão pelas costas. Portanto, seria melhor Mildred ter muito cuidado na seleção de seus amigos. Pessoas que têm tais disposições originais são sempre susceptíveis de serem má compreendidas e, devido a isso, objetos de calúnia.
Com relação à saúde, encontramos Urano em Conjunção com Mercúrio e em Oposição à Lua, a partir dos Signos Leão e Aquário, que governam a coluna vertebral; e Netuno está em Oposição ao Sol, que também está na cúspide de Aquário. Isso proporcionará a Mildred uma disposição nervosa supersensível, que não deve ser indevidamente taxada. É como um bom relógio ou cronômetro que precisa permanecer em um estado de equilíbrio. É muito mais valioso do que um despertador barato, mas não suporta o mesmo tratamento bruto. Assim é com Mildred. Ela é sensível demais para suportar uma tensão nervosa severa e, durante o período escolar, é melhor que ela não se esforce muito para aprender, pois ela irá aprender mais intuitivamente do que seus colegas de escola tentam fazer pelo método mais difícil. Não por isso que vocês precisam ter receio quanto a ela nessas condições. A Lua, que governa as funções femininas, está em Oposição a Urano, o Planeta espasmódico e, portanto, vocês podem encontrar irregularidades em sua menstruação; porém, o Sol vivificante está em Sextil com Júpiter, o Planeta da abundância. Isso proporciona a ela uma boa condição e uma boa quantidade de saúde, de obtenção de recursos e de felicidade, conforme seja ativado ou não. Isso contrabalançará todas as tendências menores, de modo que, no geral, Mildred poderá desfrutar de boa saúde ao longo da vida.
ROBERT LEONARD L. – NascidO EM 18 de OUTUBRO de 1907
9:30 A. M.
Em Spokane, Washington, EUA
Uma olhada de relance nesse horóscopo é suficiente para nos mostrar que Robert terá um caráter muito versátil, pois os Astros estão espalhados por toda parte do horóscopo e encontramos Mercúrio, o Planeta da razão, no Signo marcial de Escorpião, mostrando que ele é mentalmente cheio de energia e determinação e capaz de pensar clara e rapidamente, mas ele não é impulsivo, pois Mercúrio está singularmente bem-aspectado. Mercúrio está em Trígono com Saturno, o Planeta da obstrução, que proporciona cautela, tato, diplomacia, premeditação e a capacidade de se concentrar profundamente em qualquer assunto, para que ele saiba o que está fazendo, antes de realmente se arriscar. Mercúrio também está em Trígono com a Lua, que é co-significador com ele da Mente. Isso ajuda a fortalecer a imaginação e proporciona a capacidade de visualizar os pensamentos e as ideias concebidos por ele e, por fim, Mercúrio está em Trígono com sua oitava superior, Netuno, que está no Signo psíquico de Câncer. Isso proporcionará a Robert a tendência de entrar em contato com o ocultismo, pois a configuração ocorre a partir da 8ª Casa e da 12ª Casa. Isso o tende a torná-lo sensível às vibrações dos Mundos invisíveis e pode ser o meio de proporcionar a ele uma experiência psíquica de natureza que irá beneficiá-lo espiritualmente. Encontramos também Júpiter, o Planeta da religião e da filosofia, na 9ª Casa, que governa a Mente. Isso proporcionará a Robert uma natureza benevolente, prestativa e simpática. E, também, grandes aspirações e muita estima na comunidade em conexão com o trabalho social e religioso. O Sol e Vênus colocados na 11ª Casa, a Casa dos amigos, das esperanças e aspirações é um bom presságio a esse respeito. Robert tende a ter muitos amigos, pessoas mais altas na escala social que o ajudarão a avançar na vida. Ele também tende a encontrar muitos amigos entre o sexo oposto, mas como Vênus está em Sextil com Urano, o Planeta da originalidade e independência, podemos dizer que suas relações com sexo oposto serão pouco convencionais.
Vênus em Escorpião em Quadratura com Marte, o Regente de Escorpião, lhe proporcionará tendências sexuais extraordinariamente fortes e há indícios de que isso lhe trará problemas, além de minar sua vitalidade. Como esse não é exatamente um periódico médico, não ousamos nos expressar livremente, mas sugerimos que vocês levem Robert a um médico para determinar se a circuncisão é aconselhável. Onde há uma superfluidade de carne, há também uma irritação que, além disso, excita uma tendência já anormal, e sua remoção dará um alívio enorme à pessoa afligida com uma natureza passional tão intensa.
Saturno em Peixes, que governa os pés, mostra a uma tendência para a má circulação nas extremidades, que podem afetar os intestinos, que é regido pelo Signo oposto, Virgem, porém, como Saturno não está com Aspecto adverso, provavelmente, não haverá sérios inconvenientes. Se esse fosse um horóscopo feminino, a Conjunção com a Lua afetaria a saúde muito mais seriamente, pela obstrução das funções femininas. Assim como apresenta, é provável que o efeito fique confinado aos pés que tendem a serem mais frios do que o normal. No que diz respeito às finanças, vemos Urano na 2ª Casa e em Sextil com Vênus e Marte em Quadratura com Vênus. Isso mostra que Robert terá sempre a tendência a um acúmulo de dinheiro considerável, devido a seu excelente poder aquisitivo, contudo, achamos que haverá uma tendência a desperdiçá-lo com o sexo oposto. Ele já passou do período da adolescência, quando poderia alterar essa tendência por meio da experiência de vida e, infelizmente, as indicações acontecem a partir de Signos Fixos, de modo que vocês provavelmente acharão difícil mudá-lo agora, no entanto, é melhor tarde do que nunca. Sugerimos que, ao lhe dar uma mesada, vocês exijam dele uma posição de como empregou o dinheiro e aproveite para aconselhá-lo sobre o que é certo e errado a esse respeito.
Há uma bênção, devido a sua Mente sensata, vocês o podem mostrar, usando a lógica, qual é o melhor caminho a seguir. Nós também recomendamos que vocês ensinem as funções e a sacralidade do sexo, juntamente com as consequências terríveis decorrentes do abuso. Ele tem uma força de vontade muito forte e se vocês puderem convencê-lo dessas questões, é bem possível que ele seja capaz de governar seus Astros a esse respeito. Pelo menos ele não entrará cegamente em algo com o qual não está familiarizado. Seus olhos serão abertos e existe a possibilidade de se recuperar, a tempo, sempre melhor do que se não tivesse sido avisado.
ARMINAE B. – NascidO EM 11 de JUNHO de 1915
5:24 P. M.
Em Seattle, Washington, EUA
Na época do nascimento de Arminae, encontramos o Signo energético de Escorpião no Ascendente e Marte, o Regente, em Sextil com Mercúrio. Isso lhe proporciona uma Mente rápida e alerta, capaz de compreender uma ideia no momento em que é apresentada. Ao mesmo tempo, ela não é impulsiva devido a Mercúrio, o Planeta da razão, estar em Conjunção com Saturno, o Planeta da obstrução. Isso age como um freio para o impulso e proporciona a ela a capacidade de se concentrar em qualquer assunto que esteja sob sua atenção, contudo, infelizmente, essa posição também carrega consigo a tendência para as tristezas e maus pressentimentos, especialmente quando colocados no Signo lunar de Câncer.
A Lua, o Astro da imaginação, está no Signo mercurial de Gêmeos em Trígono com Urano, o Planeta da intuição, que está no Signo intelectual de Aquário. Isso aprimora ainda mais as faculdades intelectuais, de tal modo que não será necessário que ela se lembre das coisas para chegar a uma conclusão correta, mas ela obterá a solução para seus problemas, principalmente, por meio da intuição. Essa configuração também lhe proporcionará originalidade e independência de pensamento. No que diz respeito ao casamento, descobrimos que Vênus, o Planeta do amor, está Essencialmente Dignificado em seu próprio Signo, Touro, em Sextil com Júpiter, o Planeta da benevolência, também Essencialmente Dignificado no Signo de Peixes.
Vênus está na 7ª Casa, indicando a condição do casamento, em Sextil com Netuno, no quarto Signo de Câncer, e Júpiter está na 4ª Casa. Assim, as condições são extremamente favoráveis para um casamento feliz e uma vida doméstica contente. Entretanto, o Sol, que indica o cônjuge no horóscopo de uma mulher, está quase na cúspide da 8ª Casa, indicando sua condição financeira, e em Quadratura com Júpiter, o Planeta da opulência na 4ª Casa. Isso mostra que existe uma tendência para ocorrer dificuldades e perdas financeiras, mas não há indícios de pobreza. Muito pelo contrário, não parece haver nenhuma falha particular ou flagrante em Arminae e o estado geral da saúde também é bom. Saturno em Câncer sempre proporciona uma tendência a alguma peculiaridade na escolha dos alimentos e, se isso for feito por ela, sua Conjunção com Mercúrio causará indigestão nervosa. Contudo, mesmo isso provavelmente não será de natureza muito grave no caso dela, pois os Astros estão separados a seis graus na órbita de influência e, portanto, fracos em sua influência adversa. Para resumir, uma vida tranquila e contente, passada principalmente no seu lar e cheia de cuidados e prazeres dentro da família.
SARAH JUNE W. – NascidA EM 14 de JUNHO de 1914
2:30 P. M.
Em Skandaken, New York, EUA
No momento do nascimento de Sarah quatro Signos Cardeais estavam nos ângulos, lhe proporcionando uma natureza ativa e mostrando que ela poderá ser uma líder entre seus círculos de amizade em qualquer esfera da vida em que ela puder ser colocada, mas encontramos os Astros agrupados em dois grupos. Um fica na 9ª e 10ª Casas perto do zênite, a outra na 4ª e 5ª Casas, perto do nadir. Isso, particularmente, mostra uma tendência de que Sarah se esforçará em duas direções; ela não será nada versátil, diferentemente das pessoas que têm Astros espalhados por todo o horóscopo.
A próxima coisa que nos impressiona é que temos aqui uma pessoa com uma mentalidade incomum, pois Mercúrio e a Lua, que são significadores da Mente, estão em Trígono e Júpiter, o governante do nono Signo, está no Signo intelectual de Aquário e em Trígono com o Sol e Saturno, que estão no Signo mercurial de Gêmeos. Esse Aspecto contribui para o sucesso geral da vida e transmite muito das mais valiosas qualidades à Mente e disposição, e isso proporcionará a Sarah uma Mente de natureza muito profunda e de forte influência, capaz de entender os problemas mais difíceis de compreender e de lidar com as fases mais profundas da aprendizagem.
Isso tende a torná-la honesta, sincera e justa nas negociações com todos ao seu redor e lhe proporcionará uma capacidade financeira que garantirá seu sucesso na vida ou a situará confortavelmente nesse assunto. Além disso, ela não desperdiçará qualquer dinheiro ou renda que possa ter, mas os usará com cuidado e de maneira conservadora. Do Trígono do Sol com Júpiter, ela obterá amizades de pessoas em posições influentes, que poderão ajudá-la materialmente na vida e sempre se comportará com tanta circunspecção que manterá a estima das pessoas.
Ela tende a ter um grande desejo de ser bem vista pela comunidade. No horóscopo de uma mulher, essa tendência também oferece sucesso no casamento, com uma elevação na escala social por meio desse evento, pois o Sol no horóscopo de uma mulher significa o cônjuge. No horóscopo de um homem isso afeta a saúde, pois o Sol rege este assunto na figura masculina. O Trígono do Sol com Júpiter também proporciona a Sarah uma disposição religiosa e uma atitude otimista da Mente, mas infelizmente esse Aspecto é modificado pela Conjunção do Sol com Saturno. Isso sempre dará uma tendência a transmitir um sentimento de grande tristeza e falta de esperança à natureza.
Portanto, pode-se esperar que Sarah, às vezes, se sinta mentalmente triste, não esperançosa e abatida, embora não em um grau muito alarmante, pois esse Aspecto deve ser mais do que compensado pelo Sextil de Marte, o Planeta da energia dinâmica, e o Trígono de Júpiter com o Sol. Seu otimismo e prontidão para agir tendem a neutralizar as forças sombrias de Saturno. A Conjunção do Sol com Saturno em Gêmeos também proporcionará a Sarah alguma dificuldade em se expressar. Ela nunca será uma tagarela e pode não ter nem mesmo a fluência comum da fala, mas o que ela disser irá valer, pois será o fruto de um pensamento profundo.
A Conjunção de Vênus, o Planeta do amor, da arte e da beleza, com Netuno e Mercúrio, que ocorre no Signo emocional e inspirador de Câncer, mostra-nos que Sarah poderá ter uma habilidade musical sem tamanho e que, provavelmente, não será apenas uma intérprete daquilo que outras pessoas fizeram, mas poderá ser uma compositora original. Esse talento deve, de todos os modos, ser cultivado e não há dúvida de que ela seguirá à frente, pois Marte, o Planeta da energia dinâmica, no Signo ousado e intrépido do Leão, em Sextil com Sol e Saturno, mostra que não é apenas energia, mas também muita persistência que lhe permitirá atingir seu objetivo na vida.
Ela se elevará pela força do seu desejo intenso em alcançar alguma coisa, contudo, essa observação também nos conduz a seus defeitos. Ela é suscetível, devido a força de seu caráter e pela maneira como pode ter que lutar para chegar à frente, a se tornar dominadora e bombástica, como pode ser visto pela Oposição de Marte com Júpiter. Essa posição de Marte na 10ª Casa e a Oposição de Júpiter mostra que, por esse motivo, ela estará sujeita a críticas públicas, escândalos e outros fatos desagradáveis.
Portanto, vocês a ajudarão materialmente se tentarem lhe ensinar o autocontrole, a paciência, o controle das suas emoções e a força de vontade para perdoar as pessoas que possam lhe causar algum tipo de tristeza. Não deve ser difícil, com uma Mente lógica, justa e poderosa como a dela, manter as emoções indignas sob controle; ao ajudá-la com isso, vocês a pouparão de muitos problemas no futuro. Com relação à saúde, descobrimos que a Lua está em Conjunção com a Cabeça do Dragão. Seu efeito é semelhante ao do Sol e Júpiter e, por isso, é muito bom. A Lua, também, está em Trígono com Mercúrio e, portanto, vemos que o sistema nervoso é de excelente natureza.
Porém, o Sol e Saturno estando em Conjunção no Signo mercurial de Gêmeos mostra que há uma tendência a alguma obstrução nos pulmões, embora, como já foi dito, o Sextil de Marte e o Trígono de Júpiter façam muito para compensar isso; então mesmo essa configuração pode não se mostrar de maneira marcante. Sendo melhor “prevenir do que remediar” vocês devem tomar precauções na infância para que ela não pegue gripes ou se ela se pegar, cuidar para que seja tratada adequadamente; provavelmente vocês irão salvá-la de um ataque de doença mais tarde na vida. Em suma, é um horóscopo muito afortunado, mostrando um sucesso na vida acima da média.
HARRIET JOSEPHINE B. – NascidA EM 31 de JANEIRO de 1904
10:00 P. M.
Em New York, N.Y., EUA
No momento do nascimento de Harriet, quatro Signos Cardinais estavam nos ângulos; geralmente, isso é um sinal de uma vida ativa, porém, infelizmente, no caso dela, Marte, o grande reservatório de energia dinâmica, está no Signo Comum de Peixes e sem Aspectos. O Sol, que é o doador da vida, também está em Conjunção com o obstrutivo Saturno. Isso retira grande parte de sua energia e Urano, o Planeta da ação espasmódica, está em Conjunção com Vênus e em Quadratura com Júpiter. Assim, a natureza é basicamente apática e autoindulgente.
Portanto, cabe a seus pais incitá-la à ação, pois existe um ditado verdadeiro que diz: que ‘Uma Mente vazia, é a oficina do diabo’, e mãos vazias são suas melhores ferramentas escolhidas. Não importa o quão difícil a tarefa possa ser, ela deverá ser mantida sob atividades construtivas ou haverá grandes problemas, posteriormente. Ela está agora na puberdade e a tendência denotada por Urano em Conjunção com Vênus, o Planeta do amor, está particularmente perigosa, agora, para ela, enquanto é jovem e totalmente inexperiente, pois essa configuração lhe proporciona uma tendência a se afastar do bom caminho e ela deveria ser cuidadosamente protegida contra isso.
Mercúrio, o Planeta da razão, está em Sextil com Júpiter. Assim, basicamente, a Mente tende a se comportar sempre de maneira honesta, humana e benevolente. Contudo, há uma tendência de ver as coisas do ponto de vista incorreto, devido a essa Conjunção de Urano e Vênus; que também lhe proporcionará uma disposição ciumenta, que é suscetível em causar o distanciamento dos amigos e parentes e dificuldades durante toda a vida. A Quadratura de Urano com Júpiter lhe proporciona aspirações elevadas e ideais nobres, porém, a disposição tenderá a ser muito apática para trabalhar em realizá-las, e, consequentemente, será suscetível a atrasos e decepções. Esta não é uma interpretação agradável, todavia, em primeiro lugar, vocês deveriam se lembrar de que “as estrelas não compelem, elas apenas impelem”.
Se pudéssemos mobilizar a nossa força de vontade, então poderíamos superar a tendência, e esse é o objetivo desse texto: mostrar aos pais onde estão as falhas de seus filhos para que possam ser corrigidas, bem como suas virtudes latentes, para que possam ser cultivados. Harriet não é não é lenta para aprender as coisas de forma alguma e se vocês puderem mostrar a ela que as tendências em sua vida são estas e fazê-la perceber que é necessário que ela use sua força de vontade e preencha de energia e atividade a sua vida, caso contrário será uma ruína, assim vocês poderão evitar que ela tenha muitos sentimentos de grande tristeza e ansiedade. Ao mesmo tempo, vocês devem mostrar o quanto vocês são, realmente amiga dela. Saturno na 4ª Casa mostra uma tendência por parte dos pais de jogar um balde de água fria em todas as ambições da filha.
Há uma cobrança constante: “Não faça isso, não faça aquilo, não faça a outra coisa”, mas isso deve ser alterado. Não é suficiente dizer “Não faça isso, aquilo ou a outra coisa”, mas vocês devem complementar isso indicando uma linha de ação que ela possa executar. Em vez de dizer “não”, direcione sua Mente para outra coisa; talvez isso a alinhe à vida que vocês gostariam que ela levasse. Não existe um mérito em como educar uma criança dócil ou muito próxima da perfeição, tanto quanto existe quando uma criança difícil chega até nós; aqui temos a chance de acumular uma grande quantidade de “tesouros no céu”, ajudando esta alma a superar os obstáculos em seu caminho e viver uma vida bem-sucedida.
Esperamos que vocês vejam isso sob uma perspectiva devida e se esforcem para fazer o melhor para Harriet, pois ela certamente precisa da ajuda de vocês, principalmente nos anos que estão por vir, e vocês não podem lhe prestar um serviço melhor do que tornar o lar tão atraente para ela que ela nunca mais vai querer ir embora; ou, se estiver em algum momento visitando a casa de outras pessoas, fará involuntariamente comparações entre elas e seu lar e dirá a si mesma: “não há lugar como a minha casa”. Isso vocês podem fazer por ela e, então, poderão lhe poupar muitos problemas, que provavelmente ocorrerão nos próximos anos a partir da Conjunção de Urano com Vênus, que é o Aspecto mais perigoso no atual momento da sua vida.
albert p. – NascidO EM 18 de julho de 1911
4:55 P. M.
Em Seattle, Washington, EUA
No momento do nascimento de Albert, Urano, o Planeta da independência e da originalidade, estava em Oposição a Netuno e ao Sol, que indica a individualidade e, também, em Quadratura com Marte e a Lua. Isso proporciona a ele uma natureza extremamente independente e original que não se submeterá facilmente à restrição. Será extremamente difícil se vocês tentarem utilizar a força para fazê-lo entender que sofrerá muito se assim agir, então só há uma maneira de ajudá-lo nisso e é pela bondade. Urano em Quadratura com a Lua errante mostra que ele terá um intenso desejo de viajar, provavelmente desde os primeiros anos da infância e a menos que vocês usem moderação extrema, ele está fadado a fugir de casa e lhes causarem uma grande quantidade de problemas por tal comportamento.
Nem é necessário esperar ele atingir uma certa idade para tentar mantê-lo em casa, pois já é provável que ele saia, já que para ele “os campos sempre parecerão mais verdes do que onde ele está” e o desejo de vaguear é mais forte do que qualquer outra influência nesse horóscopo. Mas isso não deve ser preterido, porque Júpiter, o Planeta do êxito e sucesso, está Elevado nesse horóscopo e em Sextil com Vênus, que está na 9ª Casa, que governa as viagens. Isso mostra que ele sempre ganhará com suas mudanças e qualquer felicidade ou boa fortuna que exista na sua vida virá como resultado de viagens e residências em países estrangeiros. Então, por causa disso, seria errado mantê-lo, ou tentar mantê-lo em casa.
Esse horóscopo mostra duas personalidades muito distintas, opostas uma à outra como é o dia e a noite. Quando sob a influência de Júpiter em Sextil com Vênus e Saturno em Sextil com Netuno, ele tende: a ser de uma natureza altamente inspiradora, com uma inclinação para o oculto e místico, apaixonado por arte e música, com altos ideais e ambições, afeiçoado aos prazeres e tendo a habilidade para ganhar os outros por sua maneira inimitável. Por outro lado, quando ele responde aos Aspectos de Sol e Netuno em Quadratura com a Lua, Marte em Oposição a Júpiter e, também, Urano em Quadratura com Marte, ele tende: a mostrar uma desconsideração de todas as convencionalidades, a falta de contenção, ser muito pródigo com seu dinheiro e inclinado ao jogo.
Então o resultado será que ele pode perder a estima de seus patrões e amigos; ele pode ficar sem dinheiro e toda vez que isso acontecer, ele deixará o lugar onde ele se desonrou e irá para outro lugar onde ele poderá logo conquistar novos amigos e outro começo no caminho ascendente para as mesmas práticas que o levará a situação anterior. Tais são as tendências mostradas no horóscopo, mas vocês, como pais, têm muito a ver com o moldar do caráter dessa criança. Ele veio a vocês em busca de ajuda e de um padrão pelo qual ele possa ajustar a sua vida a um equilíbrio, portanto vocês têm uma grande responsabilidade e nem tentem ajudá-lo a superar os seus defeitos por meio de medidas duras e extenuantes, pois já vimos acima que não funcionará.
Há apenas um caminho para vocês e esse é trabalhar em sua combinação de Júpiter com Vênus e conquistá-lo apelando para o seu “Eu Superior” pelo amor; mostre-lhe pelo seu próprio exemplo uma paciente perseverança, mesmo quando ele se tornar ingovernável e desafiador, para que ele veja que há um caminho melhor. É a opinião de muitas pessoas que elas são colocadas no mundo com o propósito de dobrar o espírito de seus filhos para que sejam exatamente como soldados que obedecem às ordens de seus oficiais cegamente, mas isso é um erro da pior natureza.
O Ego chega a seus pais com todas as suas qualidades acumuladas em vidas anteriores, boas, más e indiferentes, como um capital para começar a vida. Tudo o que os pais fazem é encorpar esse capital e ajudá-lo, até que seja capaz de governar a si mesmo. Nós, certamente, não possuímos nossos filhos, nem somos responsáveis por eles além de fazer o trabalho com eles e por eles. Quando Albert sair de casa, em resposta ao desejo inconsequente de viajar que o possui, ele frequentemente pensará em vocês com gratidão, se vocês o ajudaram e foram gentis com ele. Além disso, agora ele proporciona a vocês uma oportunidade para uma imensa quantidade de crescimento da alma, como Cristo disse que “tudo quanto fizestes a um destes pequeninos, fostes feito a mim”.
Albert é um Ego que veio a vocês em busca de ajuda e ele precisa de mais ajuda, tolerância e paciência do que a maioria das crianças, pois ele tem uma imaginação extraordinariamente vívida mostrada pela Lua em Áries, o Signo que governa a cabeça, em Quadratura com Urano, o Planeta da imaginação e Netuno, o Planeta do psiquismo e da inspiração. Ele verá as coisas de uma forma tão estranha e diferente que, do ponto de vista dele, parece não haver outra maneira de agir do que a forma que ele age e que é contrária ao método convencional comum. Com relação à saúde, Saturno e Marte em Touro, indica problemas na garganta.
Não permita que ninguém opere suas tonsilas. As tonsilas são muito necessárias na economia da natureza, como defendemos há muitos anos, e agora a ciência médica está começando a descobrir. Seja qual for o alargamento, irá diminuir no devido tempo. O Sol em Quadratura com a Lua mostra que ele não é muito forte na sua constituição física e precisará de todos os cuidados generosos que vocês possam dar a ele. Urano, o Planeta da não convencionalidade, em Quadratura com a Lua, mostra uma tendência a problemas decorrentes de relações ilícitas e ele deve aprender sobre as relações adequadas entre os sexos e a sacralidade da função geradora.
Também seria bom avisá-lo de que, quando ele está viajando, ele estará muito mais sujeito a acidentes do que a maioria das pessoas. Fogo, raios e eletricidade também serão perigosos para ele. No entanto, como dito, essas são apenas as tendências mostradas pelo horóscopo e o cuidado apropriado permitirá que Albert, assim como outras pessoas, “governem suas estrelas” e superem as coisas que são desafortunadas, do ponto de vista humano comum. Do ponto de vista espiritual, não há nada de lamentável, pois todas as coisas cooperam para o bem no Reino de Deus; o que parece ser mal é realmente o “bem em gestação”.
ALBION WARWICK L. – NASCIDO EM 4 DE MAIO DE 1905
10 A.M.
Em Brockton, Massachusetts, EUA
No momento do nascimento de Albion, encontramos sete dos nove Astros acima do horizonte e Signos Cardeais nos ângulos; isso sugere que ele terá uma vida bastante ativa. As características mentais são indicadas por Mercúrio e pela Lua. Nós encontramos Mercúrio elevado e a Lua no Signo de sua Exaltação, Touro, o que tende a proporcionar estabilidade na Mente. Mercúrio está em Conjunção com Vênus; essa configuração lhe proporcionará a habilidade para se expressar em linguagem clara e bela, e se não fosse pelo fato desses Astros estarem em Sextil com Saturno, ele também teria uma boa voz musical e habilidade como intérprete instrumental inspirado.
Porém, Saturno é o Planeta da obstrução e embora a configuração seja por Sextil e, portanto, boa, há uma desvantagem por Saturno estar envolvido; há uma melhoria na mentalidade, com relação à Mente, e com Saturno em Sextil com Mercúrio há um efeito definidamente benéfico, proporcionando à Albion a diplomacia, um cuidador organizado e um executor criterioso e ordenado. Mercúrio também está em Sextil com Netuno, sua oitava superior, e tem um Trígono fraco com Urano, o Planeta da intuição. Isso irá fortalecer ainda mais a Mente de Albion e torná-lo extraordinariamente intuitivo e inspirador.
A Conjunção entre o Sol, a Lua e Júpiter e a outra Conjunção entre Mercúrio e Vênus, no Signo de Touro, proporciona uma disposição gentil, nobre e filantrópica e uma natureza nobre que poderá fazer de Albion uma pessoa muito popular e rodeada de muitos amigos sinceros. O Sol é o Regente da 2ª Casa, que determina a situação financeira na vida, e nós o encontramos no segundo Signo, Touro, em Conjunção com a Lua e Júpiter; isso pode proporcionar excelentes perspectivas de conforto financeiro durante a vida, e como o Signo de Touro e como esses Astros estão situados na 11ª Casa, que governa amigos, esperanças, desejos e aspirações, podemos julgar que Albion terá facilidade de muitos amigos influentes em altos cargos. Estarão interessados nele e o ajudarão de tal maneira que alcance prosperidade e, também, a realização de suas esperanças, desejos e aspirações.
Saturno está no 12ª Signo, Peixes, em Sextil com Urano, o Planeta da intuição, e em Trígono com Netuno, o Planeta da inspiração. Essas configurações mostram um lado muito profundo da natureza de Albion. Ele irá, em algum momento, estudar as filosofias ocultas e desenvolver algumas das faculdades latentes por pura paciência e persistência. Contudo, Saturno nunca tem muita influência sobre qualquer pessoa até que ela alcance ou tenha passado pela metade da existência na Terra e trabalhem, pelo menos em parte, o destino trazido das existências anteriores.
Com relação à saúde de Albion, descobrimos que Marte está no Signo de Escorpião na 5ª Casa, que governa o namoro, e a atração sexual antes do casamento. Marte está em Oposição à Lua e a Júpiter. Isso proporciona uma tendência a Albion de ter uma natureza muito apaixonada, a qual deverá ser controlada por todos os meios ou causará tristeza, problemas e desapontamento na vida. Vocês devem ensinar a ele a sacralidade do sexo e não devem minar as questões relativas às terríveis consequências do abuso dessa função sagrada. Tendo o Signo fraco e aquoso de Câncer no Ascendente, a vitalidade não é de modo algum abundante em primeiro lugar, embora a colocação do Sol, da Lua e de Júpiter no Signo Fixo de Touro ajude muito; no entanto, Albion deverá controlar sua vitalidade se ele quiser conservar sua saúde.
As funções digestivas não estão basicamente fortalecidas, pois Câncer rege o estômago e a Oposição de Netuno e Urano mostra a tendência de um colapso na saúde que seria acompanhado por dispepsia nervosa, o que torna a vida um fardo e um sofrimento. Portanto, ensine-o também a ser frugal e cauteloso em suas refeições, guiado por um julgamento adequado ao selecionar os produtos alimentares; caso contrário, Marte em Escorpião causará hemorragia, o que aumentará o sofrimento; ele deve evitar alimentos aquecidos e altamente condimentados, o que é irritante para o reto. Saturno em Peixes proporciona uma tendência a pés frios; então, mantenha–os aquecidos e ensine a ele a comer corretamente; assim, essas tendências podem não se transformar em fatos. Para essas debilidades constitucionais permanecerem latentes vai depender muito do corpo não ser maltratado ou ter falta de cuidados nesse caso. Albion tende a ter uma Mente esplêndida, que o fará ver suas debilidades e provavelmente poderá superar as fraquezas e escapar do problema, tanto moral quanto fisicamente.
NICHOLAS ANTONIO D. – NascidO EM 10 de JUNHO de 1908
8:20 A. M.
Em Villa de Cura, Venezuela
No momento do nascimento de Nicholas, encontramos Mercúrio, o Planeta da razão, em Conjunção com Vênus e Marte e, também, com Netuno, sua oitava superior, no Signo psíquico de Câncer. Urano, o Planeta da intuição, também está em Conjunção com a Lua, que é o Planeta da imaginação. Assim, aprendemos com o horóscopo que Nicholas tem uma Mente brilhante e fértil, uma imaginação vívida e bons poderes de raciocínio. Vemos, também, que há quatro Signos Fixos nos ângulos, proporcionando-lhe uma disposição muito determinada, elevados ideais e algo quase de um gênio. Todavia, por outro lado, não se deve esquecer que o gênio é uma condição extrema de sensibilidade e há que se tomar muito cuidado para não o sobrecarregar mentalmente.
Ele terá ideais muito elevados e uma capacidade musical e artística considerável, o que pode fazer com seja um grande nome nessas áreas, desde que não seja sobrecarregado, pois nesse caso ele encontrará um grande perigo de se desequilibrar, como mostra o fato de que a Lua e Urano estão na sexta Casa, indicadora da saúde, em Oposição aos outros Planetas – Netuno, Marte, Mercúrio e Vênus – colocados na décima segunda Casa, que indica confinamento, tristeza, problemas e autodestruição. Assim, uma grande chance para se evitar isso dependerá do treinamento que ele receber em seu lar. Os pais são sempre muito propensos a estimular seus filhos prodígios ao máximo esforço, com o resultado inevitável de que eles ficam entorpecidos mentalmente e acabem ficando abaixo do padrão comum, mais tarde na vida.
Vocês deveriam tomar todas as providências para que isso não ocorra. Não fiquem importando-o e relembrando-o dos seus talentos nem o exponha como um show para os seus amigos, pois isso gera nele uma necessidade constante por aplausos, muito comum em quem possui tais dons extraordinários. Tente manter os pés dele na terra e, acima de tudo, nunca permitam que ele participe de sessões em que se utilizem de mediunidade, de clarividência negativa, onde existam pessoas negativas ou mediúnicas por meio das quais ele pode entrar em contato com o mundo espiritual, pois descobrimos que Saturno está em Quadratura com Netuno na décima segunda Casa e a Oposição de Netuno, em Câncer, a Urano certamente atrairão as entidades do Mundo invisível, mas apenas aquelas de natureza indesejável. Neste caso, a Conjunção dos quatro Planetas na décima segunda Casa pode funcionar de tal maneira que Nicholas fique obsediado e incapaz de se libertar das entidades espirituais indesejáveis que são atraídas.
O Sol em Gêmeos na décima primeira Casa, a Casa dos amigos, das esperanças e dos desejos, mostra que ele se encontrará com pessoas acima dele na escala social, que serão capazes de ajudá-lo na realização de seus desejos na vida. Saturno em Trígono com Júpiter, o Planeta da filantropia e da benevolência, mostra que ele tenderá a ter um espírito basicamente amável e filantrópico e que, provavelmente, o levará a algum trabalho humanitário. Essa configuração é o ponto de salvamento no horóscopo de Nicholas e o manterá em uma boa condição nas horas de necessidade. No que diz respeito à saúde, descobrimos que Saturno está em Quadratura com Netuno em Câncer e Urano em Capricórnio. Câncer domina o estômago e, portanto, podemos inferir que a digestão será prejudicada, a menos que Nicholas seja ensinado a viver a vida simples no lar. Se ele abandonar o caminho reto e estreito da dieta sensata, mais tarde na vida, experimentará muitos problemas de dispepsia e reumatismo, principalmente nos joelhos. Sua circulação é boa, como mostra o Signo vital de Leão no Ascendente, com Júpiter no Ascendente e o Sol sem Aspectos adversos e elevado em Gêmeos. Portanto, se ele tomar cuidado para não abusar do estômago, desfrutará de boa saúde ao longo da vida.
carl r. m. – NascidO EM 25 de março de 1916
3:20 p. M.
Em Albany, Oregon, EUA
Aqui temos um jovem versátil, com modos suaves e muito agradável, com um bom direcionamento e a habilidade latente de se expressar bem, um conservadorismo interessante. Aprendemos essas coisas com o fato de que os Astros estão espalhados por três quarto do horóscopo, o que confere versatilidade e Vênus, o Planeta do amor e da harmonia, está altamente elevado no Signo que rege: Touro, em Sextil com Mercúrio, o Planeta da razão e da fala, que está colocado na 7ª Casa em Peixes, o Signo onde Vênus está Exaltado.
Essa configuração entre Mercúrio e Vênus também proporcionará a Carl uma habilidade musical acima da média, que deve ser cultivada como uma profissão. A posição de Mercúrio no Signo da 12ª Casa, Peixes, e em Sextil com Vênus mostra que Carl terá uma tendência a ser mentalmente preguiçoso e muito gosto pelo prazer. Vocês descobrirão que será muito difícil, porque não dizer impossível, levá-lo a estudar qualquer assunto que tenha a ver com, ou exija, trabalho cerebral, e a Lua posicionada em Sagitário e na 4ª Casa, indicando o lar, poderá deixá-lo muito inquieto e desejoso de sair para se socializar, entre amigos e em um ambiente artístico.
Infelizmente, seus amigos poderão ser um obstáculo para ele, pois encontramos Saturno, o Planeta da traição, na 11ª Casa, que governa os amigos, as esperanças e desejos, em Quadratura com Júpiter e com o Sol, que estão posicionados na 8ª Casa, governante das heranças. Isso mostra que Carl receberá uma herança em algum momento da vida, mas que ele estará passível de perdê-la, devido a traição secreta de supostos amigos, e, portanto, ele deve ser prevenido de que não se deve confiar em todas as pessoas que falam de maneira justa. Particularmente, ele deve ser protegido daqueles amigos que são mais velhos que ele, pois Saturno sempre significa uma pessoa mais velha.
Porém, pode-se dizer também que Carl nunca vai querer dinheiro, pois o regente de sua 2ª Casa (ocupada principalmente por Libra) é Vênus e está, como foi dito, Exaltado, Essencialmente Dignificada (no Regente) e altamente elevado e, também, em Sextil com Mercúrio, no Signo que Vênus está Exaltado. Assim, terá sempre o suficiente para o seu dia a dia, de alguma forma ou de outra. A configuração entre Saturno em Câncer com o Sol e Júpiter em Áries também afeta a saúde. Câncer rege o estômago, Júpiter, o sangue arterial e o Sol, a vitalidade. Vênus em Touro, governando o paladar, tende a fazer Carl gostar muito de boa comida, mas Saturno em Câncer mostra que poderá ter problemas digestivos por causa disso, e se deixar se levar por esse desejo poderá ter uma corrupção do sangue e uma redução da vitalidade.
Deve-se tomar o máximo cuidado em mostrar que ele deve viver uma vida simples para que a saúde seja mantida. Há também outro ponto, sendo pior de todos no horóscopo e, portanto, que irá requerer muita ajuda dos pais. Vênus está em Quadratura com Urano, o último Planeta colocado na 6ª Casa, que rege a doença. Isso indica que Carl terá uma natureza muito amorosa e estará apto, desde a juventude, a satisfazê-la, independentemente das convenções, e se assim o fizer será responsável por esse excesso, contraindo doenças de natureza mais perigosa. É dever dos pais instruí-lo com muito cuidado para que ele possa entender a ideia com relação a sexo e higiene sexual. Ele precisa de muita atenção para se salvar das consequências infelizes sobre tais abusos.
HOMER H. m. – NascidO EM 5 de março de 1915
12:20 A. M.
Em San Diego, California, EUA
Esse é um pequeno rapaz atraente, pois seu Regente da vida, Júpiter, o Planeta da filantropia e benevolência, está em Conjunção com o Sol e em Trígono com a Lua, proporcionando a ele um magnetismo incomum e uma natureza expansiva e jovial. Também ele tem uma mentalidade esplêndida, pois encontramos Marte, o Planeta da energia dinâmica, em Conjunção com Mercúrio, o Planeta da razão, no Signo intelectual de Aquário onde esses estão na 3ª Casa, que denota a Mente e, também, em Trígono com Saturno no Signo mercurial de Gêmeos.
Isso proporciona a Homer muita rapidez para compreender exatamente uma situação, inteligente e engenhoso na superação das dificuldades, empreendedor e cheio de energia e determinação na execução de qualquer projeto que ele tenha em mente, e o Trígono saturnino lhe proporcionará uma profundidade incomum resultando em um poder de concentração para tratar qualquer problema que ele tenha pois tende a ter facilidade para tal com uma capacidade para descomplicar e desembaraçar a situação. Essas qualidades, naturalmente, proporcionam uma vida bem-sucedida. Tende a não ser um seguidor naturalmente, mas sim um líder.
Sempre quando há quatro Signos Comuns nos ângulos, como nesse caso, a pessoa tende a nunca querer trabalhar com as mãos e Saturno em Gêmeos, que governa esses membros, mostra que Homer tem a mesma disposição, porém, para compensar isso, ele tem a genialidade com o qual pode direcionar o trabalho de outras pessoas, de modo que possa deixar sua marca no trabalho do mundo. Urano, também, está no Signo de Aquário e essa posição, quase na cúspide de 3ª Casa, proporciona a ele uma vocação inventiva de uma natureza incomum, provavelmente para assuntos envolvendo a eletricidade, navegação aérea ou talvez algumas coisas com as quais nem estamos sonhando atualmente.
Contudo, ele também não está isento de falhas e é aqui onde os pais devem entrar para ajudá-lo, não só para cultivar os talentos que ele possui, mas, para superar ou até impedir que as falhas latentes se manifestem. Nesse horóscopo, encontramos o Planeta Netuno em Câncer, um Signo de Água, indicando os fluidos. Está em Oposição a Vênus, o Planeta do amor, na 2ª Casa, que governa as finanças, e ambos os Planetas estão em Quadratura com a Lua, que está em Escorpião, que rege os órgãos geradores. Isso mostra que Homer gosta muito de vinho, mulheres e música; que emprega seu dinheiro generosamente na satisfação desses desejos e em contrapartida encontrará a recompensa habitual que virá com tanta indulgência.
É dever dos pais educá-lo para o fato de que esse curso da vida acabará por trazer tristeza e sofrimento, obscurecer a Mente e prejudicar a saúde. Homer tem uma vitalidade excepcionalmente boa, pois Júpiter, seu Regente da vida, está em Conjunção com o Sol, o doador da vida, e em Trígono com a Lua, e será preciso muito para desmantelar sua saúde e a habilidade do seu Corpo para lutar contra as doenças e enfermidades, porém, pode acontecer e, portanto, confiamos que vocês empregarão todos os seus esforços para ensiná-lo e educá-lo a viver a vida reta. Saturno, o Planeta da obstrução, está em Gêmeos, que governa os pulmões, não está afligido por Aspectos adversos e até possui Aspecto benéfico; portanto, podemos concluir que ele não terá nenhum problema sério devido a essa situação.
Observou-se, no entanto, que onde quer que Saturno esteja posicionado, sempre há um ponto fraco; portanto, será bom vocês o protegerem, principalmente durante a sua infância. Se ele contrair uma gripe, não permita que ela evolua sem tomar as medidas necessárias para erradicá-la. No geral, podemos dizer que esse é um horóscopo muito afortunado e os pais, certamente, devem ser parabenizados por terem atraído um espírito tão especial para o seu lar.
VIRGINIA H. – NascidA EM 17 de JANEIRO de 1912
1:57 A. M.
Em Seattle, Washington, EUA
No momento do nascimento da Virgínia, Mercúrio e a Lua, que são os significadores da Mente, estavam em Conjunção no Signo saturnino de Capricórnio. O Sol também estava em Conjunção com Urano, o Planeta da intuição, em Trígono com Marte, o Planeta da energia dinâmica. Assim, percebe-se que Virgínia terá uma Mente rápida, ativa e intuitiva, de uma natureza muito engenhosa, que lhe permitirá compreender tudo o que deseja entender e lidar com todos os problemas e dificuldades na vida.
A influência saturnina do Signo de Capricórnio, onde esses Astros estão localizados, lhe dará uma visão bastante profunda e, portanto, uma das maiores fortunas que se pode encontrar, algo que ninguém pode privá-la e que a manterá em bom estado por toda a sua existência: uma boa Mente. Dizem que é melhor nascer com sorte do que rico, porque riquezas herdadas podem se perder; mas se tiver sorte, então virá a riqueza e todas as coisas boas da vida. Podemos modificar isso para se adequar ao caso da Virgínia e dizer que é melhor nascer com uma Mente boa do que com uma grande fortuna; pois tendo a Mente boa, todas as outras coisas boas certamente serão atraídas para ela.
Contudo, ela também não é negligenciada na questão da fortuna, pois Júpiter, o grande Planeta benéfico da benevolência, e Vênus, o Planeta do amor, da beleza e harmonia, estão na 2ª Casa, sendo que Júpiter está Essencialmente Dignificado. Isso mostra uma tendência em participar de uma boa parte da riqueza do mundo, sendo o suficiente para lhe proporcionar uma rentabilidade confortável ao longo da vida e, provavelmente, terá muitos amigos que a ajudarão nesse sentido e tornarão a sua vida mais agradável. Visto que essas configurações ocorrem principalmente na 2ª Casa e que o Sol, que é o significador da mulher para o casamento, estar em Trígono com Marte, o Planeta situado na 7ª Casa, que governa o casamento, então é seguro dizer que a Virgínia será muito beneficiada pelo casamento, pois poderá se casar com um homem que tem muita energia e determinação, focado em ser bem-sucedido e que fornecerá os meios para realizar seus desígnios e mais fortes desejos.
A 9ª Casa é a Casa dos sonhos, das visões e fantasias e encontramos no horóscopo da Virgínia um Netuno posicionado no Signo psíquico de Câncer. Isso proporcionará uma tendência a sonhos e imaginação muito vívidos, porém, devido à Oposição do Sol com Netuno, esses terão uma natureza indesejável, muito estranha, incomum, difícil de ser compreendido ou explicado e horrível. Essa configuração também tenderá a mediunidade e poderá ser uma presa fácil dos espíritos de controles. Portanto, vocês devem protegê-la contra qualquer contato possível com essas entidades indesejáveis. Não a levem a nenhuma sessão espiritualista que utilizem do expediente de incorporação parcial ou total, nem permitam que alguém de natureza mediúnica negativa esteja em sua companhia.
Talvez os sonhos e as visões também possam ser desencorajados se vocês tomarem cuidado para que ela faça apenas uma refeição leve à noite e com muito tempo antes de se deitar. Essa configuração do Sol, de Urano e Netuno da 3ª e 9ª Casas também influencia as viagens. Isso a sujeitará a acidentes e, sabendo disso, talvez vocês possam ajudá-la, ensinando-a a ter muito cuidado tanto quando for tomar um bonde quanto for descer dele, quando ela chegar à idade de andar sozinha. Enquanto ela estiver sob seus cuidados, vocês podem, é claro, cuidar dela. No que diz respeito à saúde, encontramos Saturno e Marte no Signo que governa o pescoço e a garganta.
Isso mostra que poderá ter problemas nessa região e, particularmente, que ela estará sujeita a resfriados e inflamações. Assim não a agasalhem demais, porém, se empenhem para fortalecer a garganta com uma exposição selecionada em determinadas ocasiões. Seus poderes vitais são bons, no entanto, devido ao Trígono do Sol, que é o doador da vida, com Marte, o Planeta da energia dinâmica, e qualquer coisa que possa lhe acontecer será apenas de natureza passageira e seus poderes de recuperação, muito em breve, se afirmarão e dissiparão a nuvem da doença. Com quatro Signos Fixos nos ângulos e Saturno e Marte no Signo Fixo de Touro, a principal falha é ser obstinada, teimosa e determinada a fazer a sua própria vontade, mas vocês ainda terão vários estágios infantis flexíveis para ensiná-la a ser adaptável. Se vocês puderem fazer isso, certamente a beneficiará muito ao longo da vida.
RICHARD L. – NascidO EM 20 de FEVEREIRO de 1916
4:20 A. M.
Em Seattle, Washington, EUA
No momento do nascimento de Richard, Mercúrio, o Planeta da razão e Urano, o da intuição, estavam ascendendo na 1ª Casa, que governa as características pessoais. Isso lhe proporciona um temperamento nervoso e facilmente perturbado ou entusiasmado e uma Mente engenhosa, original e intuitiva, e ele se daria bem se apenas, ouvisse a voz interior e a obedecesse sem questionar. Infelizmente, encontramos o Sol em Oposição à Lua. Isso tende a aumentar sua natureza ambiciosa, contudo, poderá fazê-lo hesitar e
vacilar, principalmente porque eles estão em Signos Comuns. Assim, sempre que um curso de ação for decidido, ele não será igual na tomada de decisão, porém, será dividido entre dois desejos, hesitante e com medo de fazer uma escolha.
Essa é uma desvantagem séria no que diz respeito ao sucesso na vida, e nós insistimos que vocês, por todos os meios, imediatamente comecem a ensiná-lo a tomar uma decisão nas pequenas coisas que agora exigem ação em sua vida e, então, ele poderá adquirir a virtude da estabilidade e não ser como um junco jogado aqui e ali pelos ventos da indecisão, quando tudo poderá depender de ação imediata em uma das crises da vida. Há uma tendência demonstrada em relação a perda financeira e a pobreza, a menos que essa característica possa ser corrigida.
Por outro lado, se vocês puderem construir uma base sólida nesse assunto com ele, o Sextil de Mercúrio e o Trígono de Netuno com o Planeta da opulência, Júpiter, que está colocado na 2ª Casa que governa as finanças, pode anular a Oposição do Sol com a Lua e proporcionar uma renda confortável ao longo de sua vida. Saturno, o Planeta da obstrução, em Quadratura com Vênus, o Planeta do amor, mostra que Richard encontrará problemas e decepções no namoro e a posição de Saturno, Netuno e Marte na 7ª Casa, que governa o casamento, mostra que essa situação não será prazerosa para ele, mas certamente trará tristeza, problemas e decepção.
Portanto, será melhor se vocês puderem fazê-lo entender que ele não está preparado para essa condição e que será vantajoso para ele não tentar entrar nela. Todas essas coisas não parecem muito agradáveis ou encorajadoras para Richard, mas vocês devem se lembrar, em primeiro lugar, de que o horóscopo mostra apenas tendências e que nosso objetivo é ajudá-lo, mostrando os Pontos em que ele poderá ter problemas. Contudo, há também coisas boas no horóscopo de Richard. O Sol, que é o doador da vida, está em Trígono com Saturno. Isso traz à tona todas as virtudes saturninas e Richard as recebe de modo a facilitar ele a ser organizado e metodológico, e a ter uma disposição diplomática e concentrada, o que provavelmente atrairá muitos amigos, que o ajudarão muito.
Esse Aspecto ocorre na 7ª Casa; portanto, é provável que ele participe de assuntos municipais locais e conquiste muita honra e amizade, tornando-se um membro altamente valorizado da comunidade. É apenas em sua própria natureza interior que a indecisão é sentida e, particularmente, em relação a seus próprios assuntos. Assim, sua vida, do ponto de vista dele e da aparência externa pode ser muito feliz de outro modo, diferente da vida convencional habitualmente vivida por pessoas que se casam e se dedicam apenas a suas famílias. No que diz respeito à saúde, encontramos particularmente que Saturno em Câncer, o Signo que rege o estômago, e a Quadratura de Vênus em Áries, o Signo que rege a cabeça, mostra que haverá uma má circulação de sangue nessa parte do corpo, com o resultado de que ele estará sujeito a dores de cabeça e que a causa dessas dores de cabeça e má circulação tende a ser efeito de uma dieta errada. Portanto, estamos contentes por ter seu horóscopo tão cedo na vida, pois durante os primeiros sete anos é quando o maior número de hábitos é formado. Uma criança pequena adquire um hábito após o outro, como vocês bem sabem. Agora, se vocês forem muito cuidadosos com sua dieta e ensiná-lo a comer com cuidado em prol da saúde e da nutrição, em vez de agradar seu paladar, vocês podem ajudá-lo a superar essa dificuldade.
EDMOND A. W. – NASCIDO EM 13 de DEZEMBRO de 1911
9:15 P. M.
Em Los Angeles, California, EUA
No momento do nascimento de Edmond encontramos quatro Signos Fixos nos ângulos com Leão no Ascendente, o que tende a torná-lo sabedor do que exatamente quer fazer e com determinação suficiente para conseguir, mesmo que as pessoas se oponham. Às vezes, encontramos nos leoninos uma cruel pressão, mas, normalmente eles são extremamente de coração mole e amável, particularmente com a família e com aqueles que amam. Quando eles amam, amam carinhosamente, mas quando odeiam, também o fazem com grande intensidade.
Encontramos Mercúrio, o Planeta da razão, no Signo saturnino de Capricórnio, em Trígono com Saturno, que está em Touro, na 10ª Casa. Temos dito que Saturno bem-aspectado com Mercúrio é uma das mais benéficas configurações para as qualidades mentais, pois Saturno obstruindo a Mente que voa proporciona habilidade para se concentrar em se aplicar mais profundamente e mais concentradamente nos problemas da vida; proporciona à pessoa as melhores virtudes saturninas: sistema, método, ordem, memória, diplomacia táctil e amor pela justiça, assim que Edmond é, particularmente, afortunado por ter essa configuração.
Como Saturno está em Touro, isso pode lhe proporcionar uma pequena hesitação no falar e lhe dificultar a expressar suas ideias, mas elas serão de tal profundidade e valor que toda palavra que ele pronunciar será de grande valor.
Vemos Urano, o Planeta da intuição em Trígono com Marte, o Planeta da energia dinâmica, e Marte está também na 10ª Casa, a qual denota a posição social. Isso mostra que Edmond terá uma forte intuição para as coisas muito maior que o poder da razão. Ele será muito determinado em ser bem-sucedido na vida, mas há somente uma coisa contra isso: se ele se permitir um desejo desordenado para a publicidade, o que pode ocasionar sua queda. Saturno e Marte na 10ª Casa são sempre perigosos a esse respeito. Eles proporcionam à pessoa a determinação de ser bem-sucedido na ascensão social e o poder inerente para fazê-lo, mas, geralmente, também provocam uma queda.
No entanto, no caso de Edmond, não encontramos Aspectos adversos de Saturno ou Marte. Pelo contrário, eles estão com Aspectos benéficos e, portanto, esperamos que o que escrevemos acima não se aplique nesse caso. Não fará mal a vocês, no entanto, emitirem a voz de advertência de tempos em tempos, para que ele não seja demasiadamente egoísta com o sucesso que poderá ter.
A Lua está em Quadratura com Mercúrio; isso operaciona a Mente de tal maneira que, sob certas condições astrais, Edmond estará sujeito a preocupações e indecisões e, também, pela falta de continuidade e estabilidade mental, contudo, os outros Aspectos mercuriais são tão bons que dificilmente precisam ser levados em consideração essa Quadratura.
Será apenas uma fase muito rápida da consciência dele. Mercúrio também está em Sextil com Vênus e isso por si só proporcionará uma natureza alegre que dissipará qualquer tristeza e falta de esperança que possam surgir. Urano está perto da cúspide de Aquário, onde é particularmente forte e está em Sextil com Júpiter, o Planeta do otimismo e da benevolência. Júpiter também é forte em Sagitário, e, portanto, essa configuração contribui para o sucesso geral em conexão com as Casas onde eles estão colocados, a 3ª e a 6ª. Isso mostra que Edmond, provavelmente, será beneficiado por um legado e que terá sucesso geral ao longo da vida nas questões financeiras.
Também mostra que seu trabalho está relacionado aos assuntos da 6ª Casa, como um médico ou cirurgião, ou encarregado de alguma instituição em que os doentes são atendidos ou algum trabalho em laboratório que lida com a química. Dessas ocupações, a configuração Urano-Marte parece favorecer a vocação de cirurgião. Com relação à saúde, vemos que Edmond está muito bem constituído. O forte Signo de Leão no Ascendente com Marte, o Planeta de energia dinâmica, altamente elevado e com Aspecto benéfico, e o Sol no Signo de Fogo de Sagitário favorece a boa vitalidade e mostra que ele se recuperará rapidamente, se algo acontecer para atrapalhar sua saúde.
Porém, Saturno em Touro mostra que a garganta é o ponto mais fraco de sua anatomia e será bom que vocês o protejam contra as gripes. Contudo, não o entupindo de roupas ou agasalhos abafados, mas sim o fortalecendo para que ele não sinta as mudanças do tempo. Com Netuno na 12ª Casa, a do sentimento de grande tristeza, dos problemas e dificuldades e da autodestruição, em Oposição a Urano, na 6ª Casa, seria perigoso para ele entrar em quaisquer reuniões em que se pratica a clarividência involuntária, ambiente onde poderá ser obsidiado por espíritos de controle que, provavelmente, encontrariam nele uma vítima fácil.
F I M
[1] N.T.: Lembrando que esse horóscopo foi levantado em 1917.
[2] Combustão – se dá quando o Astro se encontra muito próximo ao Sol, a uma distância entre eles de 0 a 3 graus.
[3] N.T.: Calistenia (ou “ginástica calistênica” e até “street workout”) é uma forma de treinamento físico em que se utiliza o peso corporal para movimentos acrobáticos e de força. Os exercícios de calistenia desenvolvem habilidades corporais (como equilíbrio, coordenação motora, consciência corporal e flexibilidade) e uma melhor fisionomia, pois auxiliam na perda de peso e no aumento de massa muscular.
[4] N.T.: em Sextil.
[5] N.T.: em Sextil.
[6] N.T.: em Trígono.
[7] N.T.: em Sextil.
[8] N.T.: em Trígono
[9] N.T.: em Trígono
[10] N.T.: em Sextil
[11] N.T.: em Sextil
[12] N.T.: Oposição à Saturno e Trígono com a Lua.
[13] N.T.: Conjunção com Vênus e Mercúrio, Sextil com Urano, Trígono com Netuno.
[14] N.T.: em Sextil
[15] N.T.: em Trígono
[16] N.T.: em Trígono
[17] N.T.: em Sextil
[18] N.T.: da poetisa Ella Wheeler Wilcox, da sua obra: Poems of Passion and Solitude.