Categoria Livros

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Livro: Os Mistérios dos Cristos – por Corinne Heline

Esse livro traz o foco de significância esotérica da vida e missão do Senhor Cristo em Seus quatro aspectos: cósmico, planetário, histórico e místico.

O Livro é dividido em cinco partes, cada uma com uma completa abordagem, embora essencialmente correlacionadas:

  • Os Mistérios Sagrados do Natal
  • Os Mistérios Sagrados da Páscoa
  • A Trilha da Santidade ou o Caminho de Cristo por meio dos Doze Portais Zodiacais
  • Aprofundamento no Esclarecimento do Mistério dos Cristos
  • O Ciclo Anual com Cristo

1. Para fazer download ou imprimir:

Corinne Heline – O Mistério dos Cristos

2. Para estudar no próprio site:

O MISTÉRIO DOS CRISTOS

Por

Corinne Heline

Fraternidade Rosacruz

Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82

Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil

Traduzido e Revisado de acordo com:

1ª Edição em Inglês, 1961, Mystery of the Christos, editada por Corinne Heline

1ª Edição em Espanhol, El Misterio de los Cristos

Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

www.fraternidaderosacruz.com

contato@fraternidaderosacruz.com

fraternidade@fraternidaderosacruz.com

Sumário

DEDICAÇÃO.

PRIMEIRA PARTE – OS MISTÉRIOS DO SAGRADO NASCIMENTO

CAPÍTULO I – O SIGNIFICADO ESPIRITUAL DA ÉPOCA DO ADVENTO

CAPÍTULO II – O CÂNTICO DO NASCIMENTO CÓSMICO

CAPÍTULO III – OS DOZE DIAS SANTOS.

INTRODUÇÃO.

ÁRIES.

TOURO.

GÊMEOS.

CÂNCER.

LEÃO.

VIRGEM.

LIBRA.

ESCORPIÃO.

SAGITÁRIO.

CAPRICÓRNIO.

AQUÁRIO.

PEIXES.

CAPÍTULO IV – A FESTA DA EPIFANIA.

Primeira Semana: Oração e Meditação.

Segunda Semana: Pureza e Transmutação.

Terceira Semana: Despertar e Espiritualizar a Mente.

Quarta Semana: Sublimação e Unificação.

CAPÍTULO V – A VIRGEM ETERNA.

CAPÍTULO VI – A MAGIA DO NATAL.

A Estrela Mágica.

A Árvore de Natal

O Ministério dos Anjos no Tempo do Natal

CAPÍTULO VII – A SAGRADA FAMÍLIA, UM SÍMBOLO CÓSMICO.

Os Quatorze Degraus do Desenvolvimento Iniciático.

A Anunciação.

A Imaculada Concepção.

O Sagrado Nascimento.

A Apresentação no Templo.

A Fuga para o Egito e o Retorno.

O Ensinamento no Templo.

O Batismo.

A Tentação.

A Transfiguração.

A Entrada Triunfal

A Ceia na Câmara Superior.

O Jardim do Getsemani

O Juízo.

A Crucifixão.

A Ressurreição.

AS CATORZE ESTAÇÕES DA CRUZ.

A TRANSFIGURAÇÃO, COMO ACONTECIMENTO DO ENLACE ENTRE OS MISTÉRIOS NATALINOS E OS PASCOAIS.

OS SAGRADOS MISTÉRIOS NATALINOS.

ÁGUA.

OS SAGRADOS MISTÉRIOS PASCOAIS.

FOGO.

A HISTÓRIA DA PÁSCOA.

SEGUNDA PARTE – OS SAGRADOS MISTÉRIOS DA PÁSCOA

CAPÍTULO VIII – SIGNIFICAÇÃO ESPIRITUAL DA ESTAÇÃO QUARESMAL.

CAPÍTULO IX – O ESOTERISMO DA PÁSCOA.

CAPÍTULO X – ETAPAS PREPARATÓRIAS, DESDE LÁZARO ATÉ O GETSEMANI

A Iniciação de Lázaro.

A Entrada Triunfal

O Mestre em Betânia.

Segunda-feira, Terça-feira e Quarta-feira da Semana da Paixão.

CAPÍTULO XI – A MAGIA DA SEXTA-FEIRA SANTA.

CAPÍTULO XII – A SEXTA-FEIRA E A VIA DOLOROSA.

AS ESTAÇÕES DA CRUZ.

Primeira Estação: Cristo Jesus é condenado à morte.

Segunda Estação: Cristo Jesus carrega a Sua cruz.

Terceira Estação: Cristo Jesus cai pela primeira vez.

Quarta Estação: Cristo Jesus se encontra com Sua mãe.

Quinta Estação: Simão Cireneu ajuda a Cristo Jesus levar a Cruz.

Sexta Estação: Verônica enxuga o rosto de Cristo Jesus.

Sétima Estação: Cristo Jesus cai pela segunda vez.

Oitava Estação: As Filhas de Jerusalém choram por Cristo Jesus.

Nona Estação: Cristo Jesus cai pela terceira vez.

Décima Estação: Cristo Jesus é despojado de suas vestes.

Décima-primeira Estação: Cristo Jesus é pregado na cruz.

Décima-segunda Estação: Cristo Jesus morre na cruz.

Décima-terceira Estação: Cristo Jesus é descido da cruz.

Décima-quarta Estação: Cristo Jesus é colocado no sepulcro.

CAPÍTULO XIII – A CRUZ, UM SÍMBOLO UNIVERSAL.

A Antiguidade da Cruz.

A Rosacruz: a Cruz da Transmutação.

A Cruz de Luz.

A Cruz substituída.

CAPÍTULO XIV – O SUPREMO MISTÉRIO: O SACRIFÍCIO DO GÓLGOTA.

Vigília das Três Horas.

Meditação para a Sexta-feira Santa.

CAPÍTULO XV – O INTERVALO ENTRE A SEXTA-FEIRA SANTA E O AMANHECER DE PÁSCOA.

O Sábado Santo.

O Sepulcro Vazio.

CAPÍTULO XVI – O AMANHECER DA PÁSCOA.

A Tarde da Páscoa

A Noite da Páscoa

A Segunda-feira Santa.

CAPÍTULO XVII – O INTERVALO ENTRE A RESSURREIÇÃO E A ASCENSÃO

CAPÍTULO XVIII – A ASCENSÃO

TERCEIRA PARTE – A TRILHA DA SANTIDADE OU O CAMINHO DE CRISTO

ESTUDO DO CAMINHO ATRAVÉS DOS DOZE PORTAIS ZODIACAIS  182

CAPÍTULO XIX – LIBRA

Meditação espiritual para Libra

A Trilha da Santidade por meio de Libra

Parábola Bíblica para Libra

CAPÍTULO XX – ESCORPIÃO

A Trilha da Santidade por meio de Escorpião

Parábola bíblica para Escorpião

Meditação Espiritual para Escorpião

CAPÍTULO XXI – SAGITÁRIO

A Trilha da Santidade por meio de Sagitário

Parábola bíblica para Sagitário

Meditação Espiritual para Sagitário

CAPÍTULO XXII – CAPRICÓRNIO

A Trilha da Santidade por meio de Capricórnio

Parábola bíblica para Capricórnio.

Meditação Espiritual para Capricórnio

CAPÍTULO XXIII – AQUÁRIO

A Trilha da Santidade por meio de Aquário

Parábola bíblica para Aquário.

Meditação Espiritual para Aquário

CAPÍTULO XXIV – PEIXES

A Trilha da Santidade por meio de Peixes

Ensinamento Bíblico para Peixes

Meditação Espiritual para Peixes

CAPÍTULO XXV – ÁRIES.

A Trilha da Santidade por meio de Áries.

Parábola Bíblica para Áries.

Meditação Espiritual para Áries

CAPÍTULO XXVI – TOURO.

A Trilha da Santidade por meio de Touro.

Meditação Espiritual para Touro.

CAPÍTULO XXVII – GÊMEOS.

A Trilha da Santidade por meio de Gêmeos.

Parábola Bíblica para Gêmeos.

Meditação Espiritual para Gêmeos.

CAPÍTULO XXVIII – CÂNCER.

A Trilha da Santidade por meio de Câncer.

Meditação Espiritual para Câncer.

CAPÍTULO XXIX – LEÃO.

A Trilha da Santidade por meio de Leão.

Parábola Bíblica para Leão.

Meditação Espiritual para Leão.

CAPÍTULO XXX – VIRGEM.

A Trilha da Santidade por meio de Virgem.

Parábola Bíblica para Virgem.

Meditação Espiritual para Virgem.

QUARTA PARTE – APROFUNDAMENTO NO ESCLARECIMENTO DO MISTÉRIO DOS CRISTOS

CRISTO NO ANTIGO TESTAMENTO.

CAPÍTULO XXXI – TESTEMUNHO DOS PRIMEIROS PAIS DA IGREJA.

CAPÍTULO XXXII – ABRAÃO E MOISÉS CONTATAM COM O UNO CÓSMICO

CAPÍTULO XXXIII – SALMOS E PROVÉRBIOS.

CAPÍTULO XXXIV – OS PROFETAS.

CRISTO EM SEUS VÁRIOS ASPECTOS: CÓSMICO, PLANETÁRIO, HISTÓRICO E MÍSTICO

CAPÍTULO XXXV – O CRISTO CÓSMICO.

Espírito Planetário Interno.

CAPÍTULO XXXVI – O CRISTO PLANETÁRIO.

O Batismo.

O Gólgota.

CAPÍTULO XXXVII – O CRISTO HISTÓRICO.

O Nascimento.

A Apresentação no Templo.

A Fuga para o Egito.

O Menino Jesus no Templo.

O Batismo.

CAPÍTULO XXXVIII – O CRISTO MÍSTICO.

CAPÍTULO XXXIX – AS SETE CHAVES DO MISTÉRIO DE CRISTO.

Chave Número Um: A Imaculada Concepção.

Chave Número Dois – O Santo Nascimento.

Chave Número Três – O Batismo

Chave Número Quatro – A Transfiguração

Chave Número Cinco – Getsemani

Chave Número Seis – A Crucifixão

Chave Número Sete – A Ressurreição

QUINTA PARTE – O CICLO ANUAL COM CRISTO

CAPÍTULO XL – SINTONIZADOS COM O RITMO DOS DOZE

Outubro – Novembro – Dezembro.

Janeiro – Fevereiro

Março – Abril – Maio

Junho – Julho – Agosto

Setembro

 DEDICAÇÃO

Minha gratidão é aqui estendida para Elizabeth Hill e Ann Barkhurst por sua inestimável assistência editorial e pelas revisões para a preparação dessa publicação; igualmente a Frances Paelian por suas ilustrações artísticas.

Esse volume, que pode ser considerado o sétimo da série: INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA PARA A NOVA ERA, bem como os outros seis volumes já publicados, estão dedicados, com humildade e agradecimento, antes de tudo, a

Meu reverenciado e amado amigo

MAX HEINDEL

Cujo alento para que eu empreendesse essa obra e cuja inspiração e assistência para sua consecução foram incalculáveis.

A história do Deus Sol e a história

do Filho de Deus é uma e é a

mesma – Lyman E. Stove

PRIMEIRA PARTE – OS MISTÉRIOS DO SAGRADO NASCIMENTO

CAPÍTULO I – O SIGNIFICADO ESPIRITUAL DA ÉPOCA DO ADVENTO

A época do Advento[1] é conhecida como um tempo de purificação e preparação. É o momento em que o candidato se sincroniza mais intensamente com os regozijos do próximo fluxo de Cristo no Natal, que se aproxima. E se você sabe algo sobre o significado da Iniciação Cristã Mística, entrará com uma compreensão muito mais profunda nas disciplinas da época do Advento.

Os primeiros Discípulos de Cristo observavam a este período como muito apropriado para receber novas revelações do alto, particularmente propício para o seu desenvolvimento espiritual. Realizavam uma preparação específica para o que eles esperavam receber quando o Advento alcançasse seu cume no momento da Noite Santa.

Note que em harmonia com as influências zodiacais, o Advento ocorre quando o Sol está passando pelo Signo de Sagitário. Esse é o Signo do verdadeiro êxtase da alma e da vidência. Os antigos devotos, frequentemente, se referiam a esse período de Sagitário como o “Festival de Luz”, uma vez que é o momento em que a radiação da luz de Cristo permeia a Terra de forma mais completa!

Normalmente, o Advento começa no último domingo de novembro e culmina na áurea glória do Solstício de Dezembro. Para o cristão esotérico abarca as três etapas ou graus que alcançam seu máximo à meia-noite da Noite Santa. Este período de preparação e progresso se refere não somente às quatro semanas de Advento, mas também a determinados estágios de desenvolvimento espiritual relacionados com estas quatro semanas.

Durante a semana que segue o Primeiro Domingo do Advento o trabalho é preparatório ou de Primeiro Grau: Grau da Anunciação. A Virgem Maria foi a primeira, da nossa humanidade, a alcançar o poder simbolizado pelo Primeiro Grau; um fato compreendido pelos primeiros cristãos e que é o motivo pelo qual Maria ocupe um lugar tão importante nas meditações e cerimônias relacionadas com o Advento.

O grau da Anunciação se relaciona, especialmente, com o cultivo da pureza: pensamentos, sentimentos, palavras e atos. A maioria dos Estudantes, no entanto, têm uma ideia muito vaga sobre o significado desta qualidade, como um dos aspectos mais importantes do desenvolvimento espiritual. Eles não sabem que a pureza, longe de ser uma condição estática, é uma dinâmica na força da vida do Aspirante. Cristo enfatizou quando ele disse: “Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus”. Aos Iniciados das escolas de mistérios antigas eram submetidos a longos períodos de teste para o cultivo de pureza de espírito, alma e corpo, uma vez que afeta todo o ser humano, influenciando em cada pensamento, palavra e ato.

Isso explica porque o Grau de Anunciação é também chamado de Grau de Pureza.

Uma das etapas iniciais na purificação do Corpo Denso e do Corpo de Desejos do ser humano se relaciona à alimentação. Nenhum Aspirante sincero pode aceitar o sacrifício dos irmãos menores do reino animal para satisfazer os seus apetites corporais e seu conforto. Com a eliminação da ingestão de carne se produz a sensibilização do veículo físico. Isso resulta em uma maior receptividade para as impressões da alma e o pensar espiritual. Então, chega um momento em que os Aspirantes desejam alimentar seus Corpos apenas com os frutos da terra, da qual a natureza oferece em abundância.

À medida que se progride em direção à obtenção do Grau de Pureza ou Anunciação, o Aspirante descobre, dentro de si, uma força crescente para superar os pensamentos e as emoções negativos e destrutivos; e quando esses tenham sido dominados, sua consciência permanece focada no bem, no verdadeiro e no belo. Esse Grau encontra a expressão perfeita na divina Maria. Sua vida foi tão pura e perfumada como um lírio. A contemplação de sua vida é, portanto, de um valor primordial para o cultivo de pureza, o Primeiro Passo no Caminho da Realização.

O lugar importante ocupado por Maria, em relação aos Discípulos do Advento, não termina com a primeira semana, mas continua, com um significado cada vez mais profundo ao longo do restante do período.

Com o crescimento de pureza, as faculdades mais elevadas dos outros centros se desenvolvem gradualmente. E, quando entram em atividade, fornecem a capacidade de perceber os Mundos celestes e seus seres gloriosos.  Foi depois de Maria ter desenvolvido e alcançado o grau Anunciação, que ela se tornou consciente da sempre presente companhia dos Anjos. Tão estreita foi sua associação com o reino angélico que ela era conhecida pelos primeiros cristãos como a Rainha dos Anjos e dos Homens.

O Segundo Grau é, naturalmente, atribuído à Segunda Semana do Advento. Esse é o Grau da Imaculada Conceição. Aqui, novamente, a Virgem Maria aparece como a encarnação suprema dessa conquista sublime. É durante esse período que Maria, assistida pelo exército angelical, vem à Terra para conceder sua bênção para toda a humanidade. Sua “Eu sou a Imaculada Conceição” carrega a promessa de uma conquista de uma condição que todos irão alcançar um dia. Quando se alcança o Segundo Grau, já não existe a morte, e o ser humano mortal alcança a imortalidade.

Ao atingir este Grau, Maria se tornou o protótipo para a Imaculada Conceição. Aqui está a razão do porquê um ramo da igreja cristã declarar que até mesmo o Corpo físico de Maria foi levado para os Mundos celestiais, com toda a beleza e pureza que tinha conseguido durante a sua condição terrena.

Quando a humanidade, como um todo, alcance esse elevado nível de desenvolvimento, não haverá mais doenças, deformidades ou desalinhamentos, tão comuns na atualidade; e o ser humano comprovará que, na verdade, foi criado à imagem e semelhança de Deus. Maria leu nos registros sobre o que havia de vir no futuro e comprovou que ela tinha que servir como um protótipo da Imaculada Conceição, que toda a humanidade terá que, finalmente, demonstrar quando, segundo suas próprias palavras, todo mundo se levante e a chame de bem-aventurada.

O Terceiro Grau, atribuído às duas últimas semanas do Advento, é o Grau do Santo Nascimento. Aqui nos aproximamos, pelo coração, dos Mistérios Cristãos. Cristo veio como o indicador supremo do Caminho. O que Ele alcançou deve ser alcançado, algum dia, por todos os seres humanos. O alemão místico Angelus Silesius expressou isso assim: “Ainda que Cristo nasça mil vezes em Belém, se Ele não nascer em você, sua alma seguirá perdida.”.

Como mencionado, o menino Cristo nasceu em uma manjedoura, onde os animais comiam, porque não havia lugar na pousada. Isso esconde um dos segredos mais profundos dos Mistérios Cristãos. A cena do presépio, do Nascimento, simboliza o nascimento de Cristo no ser humano. Mesmo após o Grau de Purificação, o santo bebê não pode ser removido do presépio (natureza inferior) para encontrar o seu lugar na pousada (centro craniano ou natureza superior). A ação alquímica desse processo consiste em elevar o fogo espiritual espinhal, a partir da base da coluna até o coração (Jerusalém, a Cidade da Paz) e, de lá, para a cabeça (Belém, a Casa do Pão). Na cena do presépio, geralmente, retrata Maria e José ajoelhados e em adoração, cada um junto a um Anjo. Eles representam as forças masculinas e femininas, despertas e iluminadas, em interação harmônica. Quando essas forças estão entrelaçadas, vivificam os centros cranianos localizados na Glândula Pineal, carregada masculina ou positivamente, e o Corpo Pituitário, carregada feminina ou negativamente. O resultado dessa interação é a iluminação espiritual. O terceiro ventrículo no cérebro, que liga as duas Glândulas, se converte no presépio onde Cristo nasce e descansa. O quarto está preparado para ele na pousada. Sua aura enche de tal modo o Corpo que se converte em um verdadeiro templo de luz. A realização do Cristo Interno por um Aspirante é a triunfante consumação da busca, e o culminar do processo evolutivo correspondente ao atual Período Terrestre.

Os pastores no campo e os sábios que foram para adorar o menino Jesus são uma parte importante do processo espiritual, representado pela época de Advento. A Bíblia diz que os pastores estavam vigiando seus rebanhos durante a noite, quando os Anjos lhes apareceram e ordenaram para que seguissem a estrela que os levariam a Belém. Os pastores eram os Aspirantes ou neófitos que tinham alcançado o Grau de Purificação e, portanto, tinha chegado a comunhão com seres de Mundos celestiais, que lhes orientaram a seguirem a estrela, seu próprio Eu Superior, até ao lugar do Santo Nascimento.

Os sábios do oriente seguiram a estrela também trazendo com eles presentes raros e preciosos para depositá-los aos pés do Menino Jesus. Estes sábios eram Discípulos que tinham passado o primeiro e segundo Graus dos Mistérios Cristãos. Eles vieram com seus presentes brilhantes, símbolo da essência sublimada do Corpo físico que, em conjunto com as forças espiritualizadas do Corpo Vital, Corpo de Desejos purificado e da Mente espiritualizada, cria um Corpo de luz radiante. Este é o “dourado vestido de bodas”, com o qual cada Discípulo deve se revestir antes de entrar na presença de Cristo. O perfume no vaso dourado que Maria Madalena colocado aos pés do Mestre tem o mesmo significado.

Cada candidato que trilha o Caminho estreito dos Mistérios Cristãos aprende a seguir a estrela gloriosa de sua própria natureza superior, que sempre o guia ao longo do caminho que conduz a Jerusalém e depois a Belém.

Como já mencionado, a época do Advento atinge seu clímax na Noite Santa do Solstício de Dezembro. Um pensamento-semente para a meditação nesse tempo é o desejo de imitar os sábios que seguiram a estrela que conduz ao Cristo menino.

 CAPÍTULO II – O CÂNTICO DO NASCIMENTO CÓSMICO

A Iniciação Terrestre, pela qual o ser humano aprende o supremo Rito da Purificação ou da conquista da matéria pelo espírito, é uma parte da cerimônia mística da época do Solstício de Dezembro. Para o Iniciado, o Natal significa a vitória sobre o último inimigo, a morte, e nascimento na glória da vida imortal.

Esse processo de espiritualização se obtém, em grande parte, mediante o som. Cristo mesmo, mediante Sua poderosa entonação, fornece a nota-chave da Grande Obra. Essa entonação corresponde ao Verbo do Evangelho de São João, por meio do qual todas as coisas foram feitas. Em outras palavras, foi o tom musical inicial, entoado pelo grande Espírito do Sol, Cristo, que construiu todos os Mundos do Sistema Solar, a que esse Planeta Terra pertence. Portanto, Ele é, verdadeiramente, o Senhor e Salvador dessa Terra e ante o qual todos os joelhos devem se dobrar. Sua nota-chave foi a que modelou nosso esquema planetário; consequentemente, nossa vida evolutiva está harmonizada com Seu Ser, no sentido mais profundo que há. Literalmente, n’Ele vivemos, nos movemos e temos o nosso ser.

As quatro Sagradas Estações acentuam esse som planetário. Os tons do Equinócio de Março e do Solstício de Junho são expiradores (centrífugos) em sua ação, ou seja: radiantes e construtores, qualitativamente. Os tons do Equinócio de Setembro e do Solstício de Dezembro são inspiradores (centrípetos), ou seja: sustentadores e desenvolvedores. É do coração da Terra de onde a nota-chave do Cristo emana na sagrada época do Solstício de Dezembro.

A poderosa entonação do Verbo, ressoando cosmicamente nessa época, eleva e harmoniza cada átomo do Planeta e vem acompanhada por uma manifestação repentina de luz que todos se envolvem por uma radiação divina que não ocorre, nem sobre a terra, nem sobre o mar, em outra época do ano. Hostes que formam uma multidão de seres celestiais se unem com as resplandecentes legiões de Anjos e Arcanjos nesse majestoso coro, o nosso Senhor, até que cada coisa animada, cada árvore do bosque e cada diminuta planta em crescimento balança e se inclina com esse elevado êxtase de música e luz. Abundam numerosas e deliciosas lendas relativas à influência das forças espirituais sobre o reino animal durante esse período extremamente benigno. Todas essas lendas têm uma base real, dado que os animais são extremamente sensíveis às atividades dos planos internos.

Ao longo dos tempos, tem sido durante o Solstício de Dezembro que as portas do Templo se abrem, e aqueles que aspiram a se harmonizar com a Grande Luz do Mundo entram nele. A exigência essencial para essa admissão é o concentrar a consciência tão completamente na vida, de modo que não possa haver nenhuma reação negativa, e harmonizar cada átomo do Corpo com o ritmo do som do Cristo de tal maneira que o Espírito responda somente ao superior, formoso e verdadeiro.

Quando o neófito vitorioso é absorvido, mais e mais, na Luz Eterna, começa a discernir algo das palavras do cântico planetário e escuta o mantra musical supremo do qual está harmonizado o Planeta Terra. Esse cântico é traduzido para os ouvidos humanos nas palavras: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida[2].

Durante a época de Natal, esse cântico supremo é transportado pelas inumeráveis hostes aos espaços estelares, de onde o coro triunfante é reforçado pelas vozes dos que pertencem à onda de vida humana e que alcançaram já esse tão exaltado nível de consciência.

O último inimigo a vencer é a morte. Isso sempre foi um ensinamento do Templo e é a meta da mais elevada busca do ser humano na Iniciação do Solstício de Dezembro. Da aura da Sua glória transcendental, o Mestre, que é o modelo de nossa vida divina, se inclina sobre nós nessa época sagrada e nos atrai para esse caminho estreito iluminado, enquanto toda a Terra ressoa com o eco da música de Suas palavras, que nós ouviremos quando tenhamos realizados, por nós mesmos, esse elevado objetivo: “’Muito bem, servo bom e fiel! … Vem alegrar-te com o teu senhor”[3].

CAPÍTULO III – OS DOZE DIAS SANTOS

INTRODUÇÃO

Normalmente, cremos que 25 de dezembro, celebrado como o Natal, termina o festival espiritual da estação do Solstício de Dezembro. Não é bem assim. Isso só marca o começo ou a entrada em um período de profundo significado. Esse período é o intervalo de Doze dias entre o Natal e a Décima Segunda Noite que envolve o coração espiritual do ano que entra. Esses Doze dias foram denominados, muito adequadamente, “o Santo dos Santos do ano”.

Esse trabalho foi elaborado para os Estudantes comprometidos com os Mistérios Cristãos, com o objetivo de lhes ajudar, pondo-os em harmonia com as Doze forças zodiacais liberadas sobre o Planeta Terra durante essa temporada.

Cada Dia Santo está sob a direta supervisão de uma das Doze Hierarquias zodiacais, e cada uma das quais projeta sobre o Planeta um protótipo de como será o mundo quando o trabalho, combinado de todas elas, tenha terminado. Também, os Doze Discípulos estão correlacionados com esses Doze Dias Santos; igualmente o estão os Doze centros espirituais por meio dos quais operam as Doze forças no Corpo-templo do ser humano.

O Estudante compromissado fará, portanto, uso desse Sagrado Período visualizando o trabalho das Hierarquias através dos centros internos do seu Corpo om os que aquelas estejam sincronizadas. Se tem fé e persiste, ano após ano, nesse elevado esforço, não deixará de obter a justa compensação na forma de um grande desenvolvimento espiritual.

Desde o momento do Solstício de Dezembro, quando a luz de Cristo penetra no coração da Terra, o Planeta é impregnado pelas poderosas radiações solsticiais que continuam, ainda que um pouco reduzidas, ao longo dos Doze Dias Santos. Durante esse tempo, as atividades nos planos internos são variadas e maravilhosas. A primitiva igreja cristã concluía seu ministério esotérico na mística Décima Segunda Noite com o Rito do Batismo, uma de suas mais elevadas Iniciações. Os neófitos modernos, que tem obtido a Iluminação, sabem que é possível entrar em comunhão com os seres divinos e com o Senhor da Luz. Uma experiência assim foi a que inspirou o Evangelho de São João, frequentemente conhecido como o “Evangelho do Amor”.

ÁRIES

O dia 26 de dezembro está dedicado à Hierarquia de Áries, a Hierarquia que estabelece o modelo cósmico para a vida durante o mês em que o Sol transita pelo Signo de Áries. De 20 de março a 21 de abril, Áries projeta sobre o mundo o arquétipo de uma Terra perfeita. Esses são o novo céu e a nova Terra visualizados por São João e descritos em seu sublime Apocalipse[4].

De acordo com todos os calendários Áries apresenta o Novo Ano Solar. Por isso, se chama o “Signo da Consciência Ressuscitada”. Quem alcançou esse grau de consciência vê somente a divindade em todas as pessoas, coisas, circunstâncias, condições e em todos os eventos. O motivo da dedicação durante o período de Áries é ver o lado Divino.

O Discípulo correlacionado com Áries é São Tiago, irmão de São João. Este foi o primeiro em responder o chamado do discipulado e o primeiro que percorreu o caminho do martírio; foi um verdadeiro pioneiro espiritual. Durante o mês de Áries o Aspirante deveria estudar a vida de São Tiago e se esforçar em emular suas virtudes.

O centro corporal relacionado com Áries é a cabeça e a Hierarquia projeta o arquétipo da cabeça humana em toda sua divina e maravilhosa perfeição. Recomenda-se ao Estudante visualizar a cabeça com seus órgãos espirituais despertos e iluminados, e com todas as suas faculdades e funções totalmente desenvolvidas.

O pensamento-núcleo bíblico para meditar, tanto no dia 26 de dezembro como durante o mês solar de Áries, de 20 de março a 21 de abril, é a citação:

“Eis que eu faço novas todas as coisas” (Ap 21:5)

Sugerimos fortemente que os Estudantes meditem sobre os significados ocultos dessa passagem, enquanto os ritmos vibratórios de Áries estão permeando a Terra.

TOURO

O dia 27 de dezembro e o mês solar de maio, de 21 de abril a 22 de maio, estão dedicados à Hierarquia de Touro. Essa é a Hierarquia que preside o reino dos arquétipos cósmicos e o modelo que projeta sobre a Terra é o das formas perfeitas. O amor e a harmonia são as forças que continuamente derrama sobre o nosso Planeta.

O Discípulo correlacionado com Touro é Santo André, cuja característica distintiva é a humildade. Esse é um dos atributos mais importantes que deveria ser cultivado por todos os Aspirantes. Quando se a desenvolve até um certo grau, ela se converte em um extraordinário poder anímico.

A garganta é o centro Corporal correlacionado à Touro. Nos Corpos da Nova Era, a garganta será um centro luminoso do qual emanará a Divina Palavra Criadora.

Durante o dia 27 de dezembro e durante o mês solar de maio a dedicação consiste em se converter a si mesmo em um canal mais perfeito para a recepção e disseminação do Amor e da Harmonia em todas as variadíssimas experiências da vida, sejam alegres ou tristes, exaltadas ou deprimentes.

O pensamento-núcleo bíblico a meditação durante o segundo dos Doze Dias Santos e seu mês correspondente é:

“…aquele que permanece no amor, permanece em Deus” (IJo 4:16)

Sugerimos fortemente que os Estudantes meditem sobre os significados ocultos dessa passagem, enquanto os ritmos vibratórios de Touro permeiam a esfera terrestre.

GÊMEOS

O dia 28 de dezembro e o mês solar de junho estão dedicados à Hierarquia de Gêmeos. O modelo cósmico para a Terra, projetado por essa Hierarquia, é o de uma grande paz, uma paz que sobre passa toda a compreensão e que será a herança da vindoura raça crística.

As características que devem ser cultivadas durante o período de Gêmeos são a mesma paz e o mesmo equilíbrio que se refere São Paulo e que lhe permitiram dizer: “Nenhuma dessas coisas (do mundo externo) me comovem”. Igualmente o salmista canta aos mais elevados atributos de Gêmeos:

“Em verdes pastagens me faz repousar. Para as águas tranquilas me conduz.”[5]

O Signo de Gêmeos rege as mãos. Essas são visualizadas como centros florais, fragrantes, luminosos e adornados com preciosos dons de cura e concedendo bênçãos.

O Discípulo correlacionado com Gêmeos é São Tomé. Tão intimamente se identificou com Cristo que suas dúvidas, próprias em uma Mente mortal, foram transcendidas por meio de uma dinâmica realização dos poderes crísticos latentes dentro dele. Realizou muitos e maravilhosos milagres logo depois de ter havido essa transformação.

O pensamento-núcleo bíblico a meditação do dia 28 de dezembro e durante o mês solar de junho (de 22 de maio à 22 de junho) é:

Tranquilizai-vos e reconhecei: Eu sou Deus” (Sl 46:11)

Sugerimos fortemente que os Estudantes meditem sobre os significados ocultos dessa passagem, enquanto os ritmos vibratórios de Gêmeos permeiam o Planeta Terra.

CÂNCER

O dia 29 de dezembro e o mês solar de julho (de 22 de junho a 23 de julho) estão dedicados à Hierarquia de Câncer, que mantém sobre a Terra o modelo cósmico da exaltação do divino feminino em toda a Criação. Esse Signo é o lar da gloriosa Mãe do Mundo, um elevado Iniciado da Hierarquia de Câncer. Esse Ser, e o princípio que representa, é reconhecido e deificado por todas as grandes religiões do mundo.

Áries trata com a vida; Touro com a forma; Gêmeos com a Mente; Câncer com a alma – a alma como reveladora da verdade. Por isso a dedicação durante o mês de Câncer é a busca dessa luz, ainda nunca vista sobre a terra nem sobre o mar.

O Discípulo correlacionado com Câncer é Natanael[6]. É um Místico em quem não existe o engano.

O centro Corporal governado por Câncer é o Plexo Celíaco [7], chamado, às vezes, de “o sol do estômago”. Antes da vinda de Cristo esse centro era considerado muito importante em relação ao desenvolvimento para a Iniciação. Na nova Raça Crística o Plexo Celíaco será dirigido novamente pelo espírito, porque o Sistema Nervoso Simpático se transformará na coluna feminina do Corpo-templo humano.

Para o dia 29 de dezembro, e durante o mês solar de julho, esse é o pensamento-núcleo bíblico para a meditação:

“…se caminhamos na luz como ele está na luz, estamos em comunhão uns com os outros” (IJo 1:7).

Aspirantes que, com muita fé, meditem sobre os significados ocultos dessa passagem, enquanto os ritmos vibratórios de Câncer permeiam nossa esfera, serão recompensados com o conhecimento sobre a fraternidade.

LEÃO

O dia 30 de dezembro e o mês solar de agosto, de 23 de julho a 24 de agosto, são dedicados à Hierarquia de Leão. O padrão cósmico mantido por essa hoste de Seres celestiais é aquele em que a Terra é permeada pelo poder do amor, pois a sabedoria divina se acha presente em toda a natureza, enquanto essa Hierarquia mantém o movimento rítmico sobre o nosso Planeta. Todas as atividades deveriam ser motivadas por esse poder. Cada pensamento deveria irradiar amor; cada palavra deveria vibrar com amor; cada ato embelezado pelo amor.

Judas é o Discípulo correlacionado com Leão. Aqui está indicado o grande poder transformador do amor.

Existe uma íntima relação entre Judas e São João. Judas tipifica a personalidade; São João, o espírito. Existe um profundo significado no fato de que Judas, depois de trair o Cristo, tirar a sua própria vida. A personalidade deve sempre se amainar para que o espírito possa brilhar. São Paulo exorta aos Aspirantes ao Caminho Cristão a que se desfaçam do “homem velho e a que se revistam do novo”.

Quando a personalidade se torna subordinada ao Espírito, a natureza inferior do ser humano – relacionada completamente com a vida pessoal que é efêmera – deve, portanto, morrer como o fez Judas, e ser substituída por esse amor de natureza superior que evidenciou São João, o Amado, o Discípulo que nunca conheceu a morte e que, dos Doze Imortais, foi o mais próximo a se aproximar do coração do Mestre.

O centro do Corpo correlacionado com Leão é o coração. À medida que este centro desenvolve suas latências divinas, ele se tornará mais e mais poderoso e luminoso, até que sua radiação resulte em ser a “estrela matutina que brilha no dia perfeito”.

E o amor é o tema do pensamento-núcleo bíblico para meditar em 30 de dezembro e durante o mês solar de agosto:

O amor é o cumprimento da Lei” (Rm 13:10)

VIRGEM

A dedicação para o dia 31 de dezembro e para o mês solar de setembro, de 24 de agosto a 23 de setembro, é à Hierarquia de Virgem. O amor de Leão conduz ao serviço de Virgem.

Este divino Ser que conhecemos como a Mãe Divina é o protótipo de todas as Madonas de todas as grandes religiões; ela é a instrutora dessas elevadas Iniciadas femininas em certos graus de seus desenvolvimentos.

Durante a época em que o raio de Virgem permeia nossa esfera, esta Hierarquia mantém o Planeta em um padrão cósmico elevado de uma Terra limpa profundamente e rejuvenescida. Em certo ponto, a pureza humana conquistada se torna um extraordinário poder anímico – uma verdade ressaltada pelo Senhor Cristo quando disse: “Os puros de coração verão a Deus[8].

O Discípulo correlacionado com Virgem é Tiago o Justo, irmão de Judas e Simão. Durante muitos anos ele foi reverenciado como o responsável máximo da primitiva Igreja em Jerusalém e foi bem conhecido por sua pureza de caráter e consagração ao serviço altruísta.

O trato intestinal é o centro do Corpo físico do Corpo-templo do ser humano correlacionado com Virgem. O Aspirante visualiza o trato intestinal manifestando um perfeito funcionamento.

Do Evangelho Segundo São Mateus – Capítulo 23, Versículo 11 – provém o pensamento-núcleo bíblico para meditar no dia 31 de dezembro e durante o mês solar de Virgem:

“…o maior dentre vós seja o servo de todos” (Mt 20:27, 23:11 e Mc 10:32)

Os Aspirantes ao desenvolvimento interno são urgidos a meditar no profundo significado dessa magnífica passagem, enquanto os ritmos vibratórios da Hierarquia de Virgem permeiam esse Planeta.

LIBRA

A dedicatória para o dia 1º de janeiro e o mês solar de outubro, que vai de 23 de setembro a 24 de outubro, corresponde à Hierarquia de Libra. O padrão cósmico mantido por essa Hierarquia é o de um mundo formoso. Sua marca se vê em cada paisagem, em cada árvore, em cada planta, em cada arbusto e em toda forma dos vários reinos da natureza. A beleza e a harmonia são a marca de Libra. Por isso, tudo quanto vem sob sua influência desse Signo celestial expressará esses divinos atributos. Quando a humanidade receba mais completamente sua influência, serão abolidas a miséria, enfermidade, discórdia e dor.

O Discípulo correlacionado com Libra é Judas Tadeu. Esse Discípulo foi um ministro da beleza. Muitos, e de longo alcance, foram os resultados das obras que ele fez com sua devoção.

O centro no Corpo humano correlacionado com Libra são as glândulas suprarrenais. Essas glândulas, quando funcionam adequadamente, criam um absoluto equilíbrio físico e psicológico por meio de cada órgão e de seus processos.

A meditação para o primeiro de janeiro e para o mês solar de Libra é o pensamento-núcleo bíblico do Evangelho Segundo São João 8:32:

“…e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”

Grandiosos são os significados ocultos dessa passagem. Um Aspirante deveria meditar sobre eles durante o dia 1º de janeiro e em cada um dos dias em que Libra enfoca seu ritmo sobre a Terra.

ESCORPIÃO

Para o dia 2 de janeiro e o mês solar de novembro, de 24 de outubro a 23 de novembro, a dedicação é à Hierarquia de Escorpião. O padrão cósmico que essa Hierarquia está trabalhando para estabelecer na Terra é a obtenção por meio da transmutação da matéria em espírito. Por meio desse processo as essências sublimadas da Mente e do Corpo emergem com as forças do Espírito.

São João, o Amado, é o Discípulo correlacionado com Escorpião. A transmutação foi a nota chave de sua vida. Progrediu tanto na divina ciência da transmutação da matéria em espírito que nunca conheceu a morte.

O centro físico correlacionado com Escorpião é o sistema reprodutor. No Aspirante sincero esse se torna o centro da transmutação. Como se disse antes, existe um estreito relacionamento entre Judas (a personalidade) e São João (o Espírito). Judas deve morrer para que São João reine supremo.

Também existe uma forte conexão entre o Coração (Leão) e o sistema reprodutor (Escorpião). Enquanto a personalidade dominar, o primeiro fica sob controle do segundo. Quando a personalidade tenha sido exaltada na individualidade espiritualizada, então é o coração que regerá. No Corpo do ser humano Cristificado a paixão humana foi transmutada no amor divino.

Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5:8)

Esse é o pensamento-núcleo bíblico para meditar no segundo dia de janeiro e durante o mês solar de novembro. Urge-se ao Aspirante para que se concentre no profundo significado do segundo dia de cada ano novo e enquanto as vibrações rítmicas de Escorpião fluem sobre a Terra.

SAGITÁRIO

A dedicação para o dia 3 de janeiro e durante o mês solar de dezembro, de 23 de novembro a 22 de dezembro, é à Hierarquia de Sagitário, os Senhores da Mente. O padrão cósmico mantido por esses gloriosos Seres é o da Terra como um vasto altar irradiando a dourada aura da suprema Luz do Mundo.

O Discípulo São Filipe se correlaciona com Sagitário. Antes de encontrar ao Senhor, não tinha nenhum conceito do que significaria em sua vida uma Mente espiritualizada ou Cristificada. Ele era essencialmente um mentalista. Contudo, uma vez que a luz de Cristo se derramou sobre ele, alcançou o mérito de ser contado entre os Doze Imortais.

Sagitário opera por meio do plexo sacro, o centro do Corpo localizado na base da coluna vertebral. A medula espinhal, que conecta o plexo sacro com o cérebro, tem sido denominada, “o Caminho do Discipulado”. Quando um Aspirante vive uma vida motivado unicamente pela pura e santa aspiração, o fogo espinhal armazenado dentro do plexo sacro se desperta e ascende, através da medula espinhal, em direção aos dois órgãos espirituais localizados na cabeça, a Glândula Pineal e a Glândula Pituitária[9]. É por meio desse processo que o ser humano se Cristifica. Esse é o motivo de Sagitário sempre ser simbolizado pela luz, a luz da Mente espiritualizada.

Quando corretamente utilizadas e transmutadas em valores anímicos, as experiências da vida diária se convertem em degraus pelos quais o Aspirante obtém sua sintonização com a Luz Divina universal, a Luz que ilumina a cada ser humano que vem ao mundo. Era sobre isso que o Mestre falava quando Ele disse:

Vós sois a luz do mundo” (Mt 5:14)

Esse é o pensamento-núcleo bíblico para o dia 3 de janeiro e durante o tempo em que a Hierarquia de Sagitário derrama seus ritmos vibratórios sobre Terra. Indizíveis bênçãos esperam àqueles que meditem nessa promessa.

CAPRICÓRNIO

A dedicatória para o dia 4 de janeiro e o mês solar de janeiro, de 22 de dezembro a 20 de janeiro, é à Hierarquia de Capricórnio. Esses são os Seres arcangélicos de quem Cristo é o máximo expoente, e de quem provém o maravilhoso poder pelo qual o ser humano mortal pode elevar a Sua semelhança. É também o Signo da aparência material da deidade na Terra.

O padrão cósmico que a Hierarquia de Capricórnio mantém é o da vida em seu esplendor, quando o espírito de Cristo se manifeste em toda a humanidade. Então, nosso Planeta responderá a sua própria nota-chave musical, entoada primeiro pelos Anjos e Arcanjos, naquela Noite Santa, quando cantaram “Paz na Terra e boa Vontade entre os homens”.

O Discípulo correlacionado com Capricórnio é São Simão, irmão de São Tiago e de São Judas Tadeu. Ainda que Simão fosse próximo ao Senhor por laços familiares, foi relutante em aceitar a divindade do Mestre. Contudo, quando ele, finalmente, foi despertado por Cristo, sua dedicação foi total. Seu único desejo era servir o Senhor e nem a vida nem a morte podiam lhe afastar desse ideal.

O centro dual do Corpo correlacionado com o Signo de Capricórnio está localizado nos joelhos. No ser humano Cristificado esses pontos se tornarão gloriosos vórtices girantes de luz.

Da Epístola de São Paulo aos Gálatas, 4:19, provém o pensamento-núcleo bíblico para a meditação no dia 4 de janeiro e durante o mês solar de janeiro:

“…até que Cristo seja formado em vós”

Os Aspirantes deveriam meditar sobre a passagem acima até que seu interno significado se encontre em harmonia com os ritmos vibratórios com os quais a Hierarquia de Capricórnio faz vibrar a Terra.

AQUÁRIO

A dedicação durante o dia 5 de janeiro e o mês solar de fevereiro, de 20 de janeiro a 19 de fevereiro, é à Hierarquia de Aquário. Durante esses dois períodos essa Hierarquia mantém sobre a Terra um modelo dos ideais de Paternidade de Deus e da irmandade do ser humano, o fundamento para um tipo de amizade destinado a se expandir até que abarque a todos. Esse ideal deveria ser mantido no Santo dos Santos da alma e nunca o danificar, nem o profanar por pensamentos indignos, palavras ou ações. Aquário, o divino aguador dos céus, trabalha para que esse ideal seja uma realidade.

Através da benigna influência da Hierarquia de Aquário, o amor será a força que motivará todas as vidas. Neste maravilhoso dia a humanidade emancipada demostrará, como São Paulo profetizara, que “o amor é o cumprimento da lei”.

Em outras palavras, que cada lei estará fundamentada no amor, e o amor, por sua vez, produzirá o cumprimento de cada lei.

Aquário é o lar dos Anjos e o que está escrito acima descreve adequadamente a vida rejubilante desses Seres celestiais.

O Discípulo correlacionado com Aquário é São Mateus, o publicano rico e pecador que, ao escutar a voz do Senhor deixou tudo e O seguiu prazerosamente. Renunciou a todas as suas possessões materiais e mais tarde recebeu como recompensa uma compreensão espiritual que encontrou expressão em seu imortal Evangelho que leva seu nome – uma preciosa herança para toda a humanidade.

Os dois tornozelos são os órgãos duais correlacionados com Aquário. São as duas colunas do Corpo-templo do ser humano e deveriam ser visualizados em coordenado movimento e em forma simétrica.

O pensamento-núcleo bíblico para meditar no dia 5 de janeiro e durante o mês solar de fevereiro é do Evangelho Segundo São João, 15:14:

Vós sois meus amigos”

Se um Aspirante se concentra no sutil significado dessas quatro breves palavras, e as mantém vivas em sua consciência, enquanto os ritmos de Aquário vibram acima e através da Terra, obterá uma grande iluminação.

PEIXES

A dedicatória para o dia 6 de janeiro e o mês solar de março, de 19 de fevereiro a 20 de março, é à Hierarquia de Peixes. Essa Hierarquia trabalha para trazer em manifestação o princípio de unificação em toda a criação. Ralph Waldo Emerson deu uma perfeita descrição pisciana quando disse “O imperfeito adora minha própria Perfeição. A vida não é uma colcha de retalhos, senão uma gloriosa e divina unidade”.

Peixes é o último Signo antes do nascimento do novo ano, um período de recapitulação e de autoexame. Marca o pôr do sol de uma vida anterior e o amanhecer de uma nova vida.

O modelo cósmico que prevalece sobre a Terra por essa Hierarquia é o do ser humano perfeito, criado à imagem e semelhança de Deus e manifestando a divindade de seu interior. O ser humano feito a Semelhança de Deus é a nota chave de Peixes, do mesmo modo que é também modelo cósmico de Áries. De fato, o aperfeiçoamento do ser humano é e tem sido o divino trabalho de todas as Doze Hierarquias Criadoras desde o começo da evolução humana. Quando chegue a seu término, será sob o ministério da Hierarquia Pisciana.

São Pedro é o Discípulo correlacionado com Peixes – Pedro, o instável, o homem “onda” quem, depois de haver despertado o princípio do Cristo Interno por meio da fé, se converteu na Pedra da Iniciação sobre a qual se fundamenta a igreja.

O centro dual do Corpo correlacionado a Peixes são os pés e na raça humana esse centro tem de ser despertado. Na visão de Fátima, as crianças descreveram particularmente as rosas formosas florescendo nas mãos e nos pés da Bendita Senhora.

Esse Corpo, feito à imagem e semelhança de Deus, será luminoso com as estrelas cintilantes, ou flores despertas dentro dos centros vitais. Esse Corpo glorioso é o vestido dourado de bodas a que se refere São Paulo como o Corpo celeste glorioso. Foi a sua visão desse luminoso veículo na Memória da Natureza que fez São Paulo dizer que “o homem é um pouco inferior aos Anjos[10] e ainda não é evidente o que ele será.

Para meditar no dia 6 de janeiro, enquanto os ritmos vibratórios de Peixes impregnam a Terra, e durante o mês solar de março, se tem o seguinte pensamento-núcleo bíblico:

Deus criou o homem a sua imagem e semelhança” (Gn 1:27)

Durante os Doze Dias Santos entre o Natal e as seguintes Doze Noites, a Terra está impregnada pela luz do Arcanjo Cristo. A fragrância de Sua aura transcendente permeia o Planeta com um sutil perfume, como uma mescla das mais belas rosas e os mais puros lilases. Contudo a radiante luz e a fragrância curadora definitiva são absorvidas lentamente pela Terra nesse sagrado intervalo, fazendo desse período um momento ideal para a dedicação da alma no Caminho da Santidade.

CAPÍTULO IV – A FESTA DA EPIFANIA

A festa da Epifania é a culminação dos Doze Dias Santos. Observa-se o último dia, 6 de janeiro, e comemora a chegada dos três sábios para depositar os presentes aos pés do Cristo Menino.

Os eventos na vida de Cristo representam etapas sucessivas no Caminho da Iniciação para os Discípulos cristãos. Os três homens sábios representam o Corpo, a Alma e o Espírito; seus presentes, a suprema dedicação ao Mestre. A mirra significa a amargura da dor e da pena, antes de que a natureza inferior do Aspirante tenha sido transformada; o incenso, o caminho da transmutação; o ouro, o espírito que refina a natureza inferior e, finalmente, a submete.

Epifania é uma palavra grega que significa “manifestação”, “proclamação”. A festa da Epifania é uma preparação para a manifestação ou proclamação do ser humano Crístico. Ela possui uma tamanha potência espiritual que sua influência se estende por um período de quatro semanas.

Primeira Semana: Oração e Meditação

A primeira semana está dedicada inteiramente à preparação dos Discípulos. Suas notas-chave são oração e meditação e o trabalho se estende desde o dia 6 até o dia 12 de janeiro. São Paulo aconselhava a seus Discípulos orar sem cessar. Muitos Discípulos modernos são conscientes de que é possível manter a consciência da oração ainda que esteja se dedicando às atividades do Mundo externo.

Toda noite, o candidato formal se ocupa do exercício de Retrospecção, revisando os eventos do dia e se comprometendo a si mesmo a uma conduta melhor e mais nobre no dia seguinte. Revive igualmente os eventos do ano que acaba de terminar, reconhecendo suas debilidades e fracassos e planejando utilizá-los como degraus durante o ano que se inicia.

Segunda Semana: Pureza e Transmutação

A segunda semana começa no dia 13 e termina no dia 19 de janeiro e suas notas-chave são pureza e transmutação. Esse trabalho se realiza sobre a natureza de desejos, pois um verdadeiro Aspirante Cristão disciplina sua natureza de desejos por meio de duas armas.

É um vício danoso de várias Escolas modernas ridicularizar os ideais de pureza e castidade. Alguns chegam até a afirmar que não foram ensinados por Cristo, e isso apesar do fato de que foi Ele quem disse aos Seus Discípulos que seria o puro de coração que veria a Deus.

Pureza era o primeiro requisito exigido aos Cavaleiros do Graal; só quando desenvolviam essa virtude, a convertendo em poder, eram dignos de se apresentar ante ao Santo Cálice.

Terceira Semana: Despertar e Espiritualizar a Mente

Os exercícios disciplinares se centram, agora, na Mente, de 20 a 26 de janeiro. As notas-chave para esse período são: o despertar e a espiritualização no plano mental.

A Mente daquele que busca deve se manter sempre alerta e ativa. O velho provérbio “as mãos ociosas são a oficina do demônio” é igualmente válido para uma Mente ociosa, já que é fácil que se converta em uma porta aberta à admissão de entidades desencarnadas. As consequências que podem sobrevir são muitas e trágicas.

Os Aspirantes hão de praticar o discernimento e a discriminação em seu pensamento e, portanto, aprender a diferenciar entre o que é permanente e o que é evanescente. Devem tentar buscar valores duradouros na música, na literatura, no drama e em qualquer outra forma de cultura, redução da tensão ou diversão. Certo é que os pensamentos persistentes de uma pessoa evidenciam que essa pessoa é ou chegará a ser.

“Finalmente, irmãos, ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, honroso, virtuoso ou que de qualquer modo mereça louvor.” (Fp 4:8)

Quarta Semana: Sublimação e Unificação

O trabalho da quarta semana se estende desde o dia 27 de janeiro até os primeiros dias de fevereiro. Suas notas-chave são sublimação e unificação. O objetivo dessa última semana consiste em sublimar as qualidades da natureza inferior e, logo, as elevar até sua união com as do Espírito.

É literalmente possível desenvolver a pureza até tal grau que se converta em um poder espiritual. Parsifal possuía esse poder de pureza. Isso lhe tornava capaz de converter em pó o magnífico Castelo de Klingsor, e, desse modo, fazer desaparecer seus prazeres sensuais. Quando um Discípulo moderno comprova a nulidade das ilusões terrenas, ele possui o poder de desterrá-las da sua vida para sempre. Quando eleva seus pensamentos mais e mais, vão se tornando Crísticos e seus fatos se centram em Cristo. Tal Discípulo será digno de servir o Senhor no Seu regresso.

O que está escrito acima é somente um bosquejo das disciplinas com o iniciar de um Ano Novo, e logo continuar ao longo dele, o seguinte e todos os anos de uma vida e, quem sabe, de várias vidas terrenas.

Quando se buscam as coisas do espírito, ao princípio parece que a vida se torna vaga e há falta de interesse para todo aquele que não tenha experimentado nunca a verdadeira fome espiritual, fome de uma tal intensidade que excede em muito qualquer semelhante físico e, por fim, conduz o Aspirante a uma clara compreensão da afirmação do Mestre: “Eu tenho um alimento que não tens notícia”.

Quando um candidato prossegue essa gloriosa busca pelo eterno e desenvolve em seu interior poderes crescentes, pertencentes à consciência espiritualizada, comprova, mais completamente, a lei divina que subjacente nas palavras de Cristo, quando diz:

“Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.”[11]

CAPÍTULO V – A VIRGEM ETERNA

O assunto da Virgem e do Menino é tão remoto no tempo que não é possível saber quando começou. Representa o ideal supremo da maternidade perfeita para a humanidade, tal como foi materializada pela Virgem Maria, a Mãe Imaculada de Jesus, o que cedeu seus dois Corpos para o Cristo.

Na aurora da civilização humana, os primeiros Templos de Mistérios se estabeleceram no continente lemuriano[12]. Os pioneiros da raça seguinte foram levados até eles para treiná-los, a fim de que servissem de líderes e orientadores dos seres humanos. Entre as primeiras visões que foram fornecidas a esses pioneiros para seus estudos e interpretações, estava a da Virgem com o Menino.

O tempo passou. O continente lemuriano desapareceu, e a Atlântida surgiu das águas. Os pioneiros de uma nova raça foram conduzidos aos Templos de Mistérios, para lhes dar o ensinamento e o treinamento que os qualificassem como líderes e orientadores dos menos evoluídos que eles. Repetindo a prática feita no continente lemuriano, quando os manuscritos eternos da Memória da Natureza foram desenvolvidos ante eles, uma das primeiras imagens que tiveram que estudar e interpretar foi a da Virgem com o Menino.

Depois aconteceu o nascimento da nossa Quinta Raça Atlante. Durante sua evolução, os guardiães da Humanidade deram a cada nova civilização uma religião, perfeitamente adaptada ao desenvolvimento desse povo, ao cumprimento e a sua missão como fator da evolução humana. Todas e cada uma das religiões mundiais, foram abençoadas por uma Alta Iniciada Feminina que tem tido o privilégio de ser a Mãe Imaculada, do Iluminado Ser, que veio como indicador do caminho para aquela raça. A última das ditas religiões, a culminação de todas, alvoreceu com a chegada do Cristo. A isto devemos a encarnação do mais glorioso Mestre Iniciado, que nunca tinha vindo na Terra em corpo feminino: Maria de Belém, mãe de Jesus.

Foi esse mesmo modelo eterno da Virgem que São João viu na Memória da Natureza, durante sua sublime visão e que descreveu como uma mulher vestida de Sol, os pés sobre a Lua e coroada com a glória de doze estrelas, expressão da comunhão consciente com as doze Hierarquias Zodiacais: Peixes, lar dos Mestres da Terra, que agora retornam como Senhores da Compaixão, que eles administram a humanidade e que a eleva; Aquário, lar dos Anjos; Capricórnio, lar dos Arcanjos; Sagitário, lar dos Senhores da Mente; Escorpião, lar dos Senhores da Forma; Libra, lar dos Senhores da Individualidade; Virgem, lar dos Senhores da Sabedoria; e Leão, lar dos Senhores da Chama (Luz e Amor). Aqui estão enumeradas as oito das doze Hierarquias. Durante a época do Solstício de Dezembro ou Natal, essas Hierarquias impregnam a Terra com as harmonias dos coros celestiais. As quatro Hierarquias restantes estão tão elevadas, que sua música pode ser ouvida somente pelos Mestres da Terra. São Câncer, lar dos Querubins; Gêmeos, lar dos Serafins; Touro e Áries, ambas tão exaltadas que seus nomes fazem tempo que se perderam na memória humana. Sabe-se, no entanto, que Touro mantém o modelo cósmico de toda a forma terrestre, enquanto que Áries, uma Hierarquia ígnea, mantém o segredo da vida, em si mesma. Todas as religiões conservam, pelo menos, um fragmento dessa verdade, posto que o fogo é simbólico da Deidade em todas as crenças do mundo.

O Antigo Testamento ensinava o seu povo a caminhar para a Terra Prometida, sob a orientação de uma coluna de nuvens durante o dia e uma coluna de fogo durante a noite. No Novo Testamento, Cristo, o Supremo Mestre do mundo, declarou: “Eu sou a Luz do mundo”.

Há um profundo significado no fato de que o tema imemorial da Virgem com o Menino, tenha permanecido ao longo de todo o desenvolvimento da raça humana. É a imagem arquetípica do futuro desenvolvimento espiritual da humanidade, já que simboliza o nascimento da consciência crística dentro do próprio ser humano. O feminino representa uma alma despertada e iluminada; e a consciência crística só pode nascer em uma alma com tais características.

Portanto, para o ser humano moderno, o verdadeiro significado da época do Natal consiste no nascimento, dentro de si mesmo, da consciência Crística. Esse é o maior presente de Deus para a humanidade durante esse tempo. Assim, na Noite Santa do Nascimento, o Aspirante confirma sua consagração para amar e servir do modo mais completo, a todos os que encontre em sua vida diária, porque dessa maneira receberá, de uma forma cada vez mais crescente, a Luz do Cristo dentro de si mesmo. Até que esse nascimento não tenha ocorrido em seu interior, não poderá conhecer os profundos júbilos de um verdadeiro Nascimento espiritual.

Dissemos que, tanto nos Templos Iniciatórios da Lemúria, como nos da Atlântida, a consciência dos candidatos era conduzida para que pudessem estudar os Registros da Memória da Natureza, e que ali viam a gloriosa missão da Mãe e do Menino. Naqueles longínquos dias, a cura constituía uma parte importante na religião do povo; sua ciência e sua arte eram a ciência religiosa e a arte religiosa. Cada templo tinha seu próprio santuário para as curas. Ali, se a consciência do paciente era projetada na Memória da Natureza então, com isso, recebia as forças curativas emanadas da Sagrada figura da Mãe Divina.

Dissemos, também, que depois da morte desses continentes pré-históricos e da diferenciação da humanidade em raças e nações, foi enviado a essas, periodicamente, um alto Iniciado em forma feminina, a qual devia se converter na mãe do Mestre daquela Era. Em todos os casos houve um nascimento santo precedido de uma anunciação angélica, e uma Imaculada Concepção (não uma concepção milagrosa, note bem isso).

O Mestre feminino para o Egito teve o nome de Isis e deu à luz, na referente data de 25 de dezembro, culminação do período do Solstício de Dezembro, o sagrado bebê Hórus. O Solstício de Dezembro se celebrava no Egito com majestosas procissões e vívidas pompas, rendendo várias homenagens para a divina Mãe Isis e a seu recém-nascido filho Hórus. Os Iniciados emergiam de um relicário secreto, cantando: “A Virgem pariu. A Luz está crescendo”.

Rama, na Índia, um dos primeiros mensageiros como manifestação corporal de um ser imortal, da humanidade, recebeu sua iluminação na noite referente ao Solstício de Dezembro e, mediante seu poder, curou todos que foram até ele. Criou cerimônias sagradas em comemoração a esse santificado período, que ele denominou “Noite Santa”. A data da encarnação de Rama foi perdida na névoa da aurora da civilização.

Krishina, frequentemente denominado o Cristo da Índia, nasceu, do mesmo modo que Jesus, em um ambiente tosco e humilde. Seu nascimento ocorreu enquanto sua mãe e seu pai adotivo realizavam uma viagem mística para as colinas. É interessante ressaltar que, no lugar de pastores de ovelhas, eram pastores de vacas os que chegaram à cova para adorar ao menino. Essa religião foi originada quando o Sol, por Precessão, estava em Touro, o Signo do touro. Por isso, naquele tempo, as vacas eram consideradas animais sagrados, coisa que se prolonga até hoje na Índia.

A Noite Santa era saudada na Grécia com cânticos acompanhados de flautas. Quando o galo cantava, os neófitos, portando tochas acesas, desciam à uma capela subterrânea onde rendiam homenagem à imagem de um menino que tinha a sua frente, nas mãos, nos joelhos e nos pés uma cruz brilhante de ouro. O menino era conduzido em procissão sete vezes ao redor do templo oculto, sendo logo devolvido ao santuário subterrâneo com o acompanhamento de um coro triunfal que cantava: “Nesse momento Kore (a Virgem) deu à luz a Eón (a nova era ou ano)”.

O Solstício de Dezembro se celebra em Roma a Saturnália (de Saturno, cuja influência predomina quando o Sol passa por Capricórnio). Esse festival comemorava o matrimônio de Cibele (a Terra) e Átis (o Sol). Sua saída cerimonial da câmara nupcial representava o novo nascimento (Iniciação) do místico, do santuário subterrâneo da Deusa Mãe. E acontecia entre o regozijo dos amigos e companheiros que já haviam passado por uma experiência similar.

Quando ocorreu o Santo Nascimento na Palestina, o Sol tinha passado, por Precessão, de Touro para Áries, o Signo do cordeiro. Daí que foram pastores de ovelhas os que adoraram ao Menino Jesus. É interessante também notar que, enquanto o Sol estava, por Precessão, em Touro, um Signo feminino, a adoração de uma deusa foi essencial. Quando o Sol, por Precessão, passou para Áries, um Signo masculino, prevaleceu a adoração de uma deidade masculina (os Estudantes sabem que assim estamos falando do Sol em março, quando cruza o equador celeste. Nesse ponto de cruzamento do Equinócio de Março parece retroceder através das constelações, a razão de um grau a cada setenta e dois anos, aproximadamente. E o mesmo ocorre nos outros três pontos do círculo solar:  o Solstício de Junho, o Equinócio de Setembro e o Solstício de Dezembro. Nos Equinócios, o Sol cruza o equador celeste, mas nos Solstícios parece permanecer parado antes de se dirigir, novamente, seu curso para o norte ou para o sul, segundo o caso).

Na próxima Era de Aquário, quando o Equinócio de Março ocorrer em Aquário, não dominará nem o masculino, nem o feminino. Receberão reconhecimento idêntico, tanto nos assuntos materiais, como nos espirituais.

Mitra, o santo da Pérsia, nasceu também no referente dia 25 de dezembro. Igualmente recebeu a homenagem e os presentes de homens sábios que profetizaram seu glorioso destino em serviço de seu povo.

Os escandinavos tinham um cerimonial muito formoso para adorar ao deus do Sol, Baldur, cuja mãe era a virgem Friga ou Freya. Esse santo nascimento ocorreu também na culminação do Solstício de Dezembro.

No México, o grande deus Quetzalcoatl nascia de uma Iniciada virgem e era denominada a Rainha dos Céus. Em sua história figuram, tanto uma anunciação como uma concepção imaculada.

Essa suprema Deusa Mãe, adorada por todo o universo, é o grande e ilustre Ser que dirige a Hierarquia de Virgem, os Senhores da Sabedoria. Todas as virgens Iniciadas realizam um treinamento e uma preparação sob a supervisão dessa Mãe Celestial. A Palestina viu a mais exaltada de todas elas, Maria de Belém, mãe de Jesus. Ela foi mais que nenhuma outra jamais foi no mundo: foi e é um grande Mestre Espiritual, que entregou a seu filho as riquezas de sua profunda sabedoria.

A missa crística dos primeiros cristãos celebrava a Noite Santa do Solstício de Dezembro quando Jesus, Senhor do amor, desceu à Terra para trazer aos seres humanos os novos Mistérios Crísticos, os quais lhes ensinam como desenvolver em seu interior a Árvore Vivente da Luz. O ser humano aprende, assim, a imprimir em seu próprio Corpo, por meio do amor e do serviço, os símbolos do ouro do Menino sagrado. São Paulo, um dos primeiros Aspirantes que seguiu os passos de seu Mestre, proclamou essa verdade aos seus próprios Discípulos quando disse: “trago em meu corpo as marcas de Jesus[13]. São Paulo não se referia aqui às feridas nem às marcas infligidas por seus perseguidores sobre seu Corpo físico, como a igreja ortodoxa interpreta, mas se referia às glórias da estrela de fogo crística, que queimava dentro dele e brilhava com tal refulgência que, durante algum tempo, esteve cego como consequência desse resplendor.  Foi essa estrela crística, criada para brotar nele por Cristo, e nascida quando ia a caminho de Damasco, a que, mais tarde, descreveu como “corpo celestial”. É sempre esse corpo-estrela, esse corpo celestial, o que leva as marcas de Cristo que, algumas vezes, se sobrepõe ao “corpo terrestre” em uma estigmatização visível para todos.

Paracelso diz que todas as constelações do céu se encontram dentro do ser humano. “O Sol é a cabeça”, escreve, “e os outros Planetas do Sistema Solar estão dentro do cérebro”.

Durante a Noite Santa, as portas do Templo estão abertas, as luzes do altar, resplandecentes, e se escuta o hino de Capricórnio em meio ao soar dos sinos de Natal, soando desde o plano da paz. Então, o neófito, que foi considerado “digno e bem qualificado” devido ter o Cristo Interno despertado, aprende o verdadeiro significado da Missa Crística, a Festa da Luz.

Para os sensitivos, o período de Natal se caracteriza por uma profunda tranquilidade interior, como se todo o mundo estivesse envolto na luz branca de uma grande benção. E isso é o que realmente ocorre nessa estação, a mais bendita do ano: as correntes de desejos da Terra são acalmadas e as forças espirituais crescem de maneira envolvente.  É como se o céu se inclinasse para baixo e a Terra se elevasse; um caminho estreito de luz conecta os dois e, sobre ele, os Anjos e Arcanjos desfilam em brilhantes formações de luminoso esplendor, cantando em tons jubilosos: “Paz na Terra e boa vontade entre os homens”.

Quando essas forças celestiais varrem a Terra, tomam a forma de redemoinhos de uma beleza simétrica que adotam a semelhança da Virgem e do Menino. Ao longo dos Mundos etéricos, na Memória da Natureza, está impressa a marca mais sagrada da Terra: a Estrela de Ouro e a Mãe com o Menino.

Vários séculos depois de Cristo vieram à Terra Mestres artistas para perpetuar o significado e o propósito da Virgem Ideal, tal como se visualiza nos planos internos durante o período entre encarnações. Um deles foi Correggio[14], cujo estúdio era um santuário e assegurava que, quando estava trabalhando em um lenço da Virgem, estava real e simbolicamente de joelhos. De tal santidade era a atmosfera de seu estúdio que foi descrito poeticamente como repleto da pureza de meninos em oração.

Fra Angélico[15] foi outro desses pintores divinamente iluminados. É dito que ele vivia meio no mundo dos Anjos, meio no dos seres humanos. Há lendas que asseguram que os Anjos posavam frequentemente para ele. A excelente qualidade espiritual de suas Virgens e Anjos parece confirmar esse fato. Suas figuras eram mais etéricas que físicas, mais divinas que humanas.

Contudo, estava reservado à Rafael[16] o projetar em sua máxima perfeição e com seu máximo poder espiritual o ideal da gloriosa Virgem. Rafael foi o emissário de uma grande fraternidade mística e criou sua obra de acordo com o que via nos registros da Memória da Natureza. Sua famosa Virgem Sistina[17], que muitos críticos consideraram como a maior pintura do mundo, é utilizada nas escolas de cristianismo esotérico como tema de meditação. Meditar sobre essa famosa pintura assegura um efeito curativo sobre o observador e é um meio de cura espiritual. Quando essa pintura é contemplada e estudada produz um efeito sobre a alma humana já que essa alma sonhará durante a noite com a imagem da Virgem e receberá, assim, um verdadeiro impulso curativo.

Temos no Cristo Jesus o grande exemplo do que deveria nascer na alma humana. Essa alma humana, fecundada exteriormente do universo espiritual, está representada simbolicamente pela Virgem. Essa é, além disso, uma imagem da alma humana nascida do Universo Espiritual, que pode possuir o poder interno da visão, e que origina um nascimento espiritual, o nascimento do ser humano superior dentro do ser humano terreno. É nos dito que, desse modo, se pode contemplar a atividade criadora do mundo produzida novamente.

O Anjo Gabriel e suas hostes são os guardiães de todas as mães e futuras mães, e seus recém-nascidos, tanto no reino humano, como no reino animal. Ele foi o companheiro e mestre da bem-aventurada Maria ao longo dos anos de sua vida nesse Planeta. E é eminentemente significativo, portanto, que Gabriel seja o guardião das forças da natureza durante o intervalo entre 21 de dezembro e 21 de março, posto que esse é o período em que as correntes, recém-nascidas, se tornam ativas e enchem os planos internos com sua vibração e poder. Até o final desse intervalo manifestação no plano físico é vista como uma forma de uma onda de beleza impregnada.

Todo ano, na época do Natal, hostes de Anjos e Arcanjos, sob a direção de Gabriel, projetam sobre o Mundo o arquétipo da Virgem Eterna. A humanidade, intuitivamente, é consciente do poder que irradia desse arquétipo e, por isso, o assunto principal de devoção no Natal é a Mãe e o Menino. A mais formosa música natalina se inspira na Virgem e no Infante Sagrado.

É esse o tempo mais apropriado do ano para atravessar os portais da Iniciação, quando é possível se elevar a planos mais altos e acompanhar os coros celestiais. Afortunado aquele cuja estrela-chamada lhe anuncia nesse tempo que sua peregrinação terrena terminou e está liberado para passar para uma vida mais ampla, por meio do que se chama morte. Então realiza sua ascensão para as harmonias de coros transcendentes. Há uma estreita afinidade entre a Iniciação e a morte, consistindo a diferença principal em que, com a morte se deixa o veículo físico permanentemente, enquanto que com a Iniciação se abandona só temporariamente, enquanto se trabalha nos planos internos e, quando esse trabalho termina se reintegra com a vestimenta terrena, com o objetivo de reassumir os deveres da vida diária.

São Paulo nos diz que o último inimigo a vencer é a morte. A Iniciação possui a chave dessa afirmação, posto que a morte é “superada” pelo desenvolvimento da consciência do Iniciado. A Iniciação é a chave da vida eterna. E é por meio da Iniciação que o ser humano pode chegar a conhecer o milagre e a glória da Virgem Eterna.

CAPÍTULO VI – A MAGIA DO NATAL

A Estrela Mágica

O Natal é a época mágica do ano. É a mais encantadora das estações. Até mesmo o ar parece se estremecer e centelhar de felicidade e antecipação.

O que se aprendeu, por meio da profunda comunhão interna, contatando os planos ocultos da natureza, reconhece que as festividades sagradas do ano se observam nos Mundos internos, e que esses transmitem suas impressões ao Mundo Físico externo. Isso é especialmente certo no tempo do Natal. As celebrações jubilosas, a cor, a música e o regozijo que acontece no Mundo externo não são senão um pálido reflexo dos fenômenos correspondentes no Mundo espiritual. Quando Cristo chega ao coração da Terra, nessa formosíssima estação, o brilho de Sua imensa emanação impregna o Planeta inteiro com seu esplendor.

Essa radiação penetra realmente o Mundo Físico exterior, mas a densidade da matéria torna muitas pessoas cegas às suas refulgências. Muitos sensitivos, no entanto, sentem a luz que emana. Mesmo que não a vejam, são conscientes da elevada exaltação e da rica inspiração que coloca o período natalino à parte do resto do ano.

O tremendo amor-luz, com que Cristo impregna o Planeta todo ano pelo Natal está alterando, gradualmente, a vibração atômica da Terra, e esse grande derramamento de amor-luz, todo ano, é o verdadeiro presente de Natal de Cristo para o Mundo. Por meio d’Ele, o Planeta vai se eterizando e se sensibilizando até o ponto de poder responder a novos e cada vez mais elevados ritmos vibratórios. Gradualmente, pois, o ritmo Crístico, palpitando na Terra, se tornará tão potente que todas as vibrações dissonantes serão eliminadas: a terrível praga da guerra, que agora separa os seres humanos dos seres humanos e as nações das nações não será mais possível; a enfermidade, a miséria e, finalmente, até mesmo a morte, serão vencidas. Cada átomo do globo responde ao divino influxo com sua vasta pulsação, rítmica como a música, para quem possa ouvir. Seu eco é repetido pelo jubiloso tilintar dos sinos de Natal, pois não há outra época em todo o ano em que os sinos toquem tão rejubilosamente como nesse tempo.

Os Anjos devem amar também essa época com um amor especial, já que se aproximam da Terra e entoam seus mais deleitosos cânticos. Noite e dia, multidão deles, pairam sobre o Planeta, derramando suas bênçãos sobre tudo o que tem vida, bênçãos que, logo, tem sua contraparte física no incenso que perfuma muito lugares de culto nessa época sagrada. Os antigos Iniciados Cristãos tinham muito contato com as celebrações nos planos superiores, e muitas das cerimônias que estabeleceram na igreja refletem os rituais Iniciáticos dos Mundos internos. Os Mestres músicos captaram melodias da música angélica e as tem transladado à Terra em inspiradas canções que perdurarão enquanto a Terra exista… “Alegria ao mundo, o Senhor chegou” é um canto angélico que expressa um mistério cósmico pertencente aos Anjos e aos seres humanos. Entre os grupos angelicais que cantam sobre a Terra no tempo do Natal, há um ser feminino cuja luz áurica se estende pelo vasto espaço: “A rainha dos Anjos e dos seres humanos”, que adiciona sua melodia à dos seres celestiais, ao mesmo tempo que derrama suas bênçãos, especialmente sobre as mães e os bebês, já que conserva em sua sagrada memória e o compreende melhor que nenhuma outra mãe, o profundo sacrifício que supõe esse tempo santo. Sua nota-chave musical ressoa na Ave Maria, e todos os que a ouvem são influídos, consciente ou inconscientemente, por sua benção.

Em cada uma das quatro festividades sagradas, os seres celestiais impregnam os Mundos etéricos com uma radiação divina. Cada uma dessas estações possui sua própria cor característica, relacionada com sua própria nota-chave musical, ambos, há muito tempo, empregadas nas cerimônias dos Templos de Iniciação.

Todos estamos familiarizados com o vermelho e o verde da estação natalina, tal como se celebra no ocidente. O verde é a cor da nova vida. Geralmente é associado com a primavera, quando a nova vida vegetal se faz presente no hemisfério norte da Terra. No entanto, é no tempo do Natal quando essa nova vida se agita, dentro do Planeta, e é por isso que os antigos videntes usavam como motivo decorativo em suas celebrações no meio do inverno. O vermelho é a cor de Marte. É também a cor da atividade, que se agita através do Planeta, quando o raio do Cristo “renasce” em seu interior. Marte está exaltado em Capricórnio e as festividades natalinas se celebram quando o Sol entra nesse Signo, em 21 de dezembro. O lugar de exaltação de um Astro é onde as forças espirituais se concentram. O vermelho pertencente ao Natal não é um tenebroso carmim, mas a pura e clara cor produzida pela transmutação do denso vermelho da paixão no mais claro tom de compaixão. Isso sucede com a mudança do pessoal ao impessoal, do individual ao universal.

A magia do Natal se caracteriza por um espírito de boa vontade universal. Todos nós nos vemos animados com impulsos amistosos e generosos. Há poucos tão egoístas que não dão algo, de si mesmos ou de seus bens, aos outros. As comunidades, grandes ou pequenas, concebem diversos projetos em auxílio aos necessitados, aos enfermos e aos desgraçados. Os hospitais e os orfanatos celebram essa magia com carinho e amor, bons desejos e proteção. A aspiração de todos, por onde for, é iluminar pelo menos um pequeno lugar, proporcionando esperança e alegria a todos os menos afortunados. Esse sentimento de Fraternidade Universal encontra seu símbolo mais alegre no papai Noel. Ele é o que visita anualmente, no Natal, os telhados de todo o mundo, repartindo, entre todos, presentes e desejos de felicidade. Se lhe conhece por diferentes nomes nos países, mas seu espírito é sempre o mesmo, porque não é mais que a personificação da boa vontade universal que Cristo traz à Terra, e que cada vez se vai convertendo em uma força mais poderosa que comove a consciência do ser humano em todo o Mundo.

Mas, por cima dessa beleza, cor e do regozijo que animam a mágica do Natal, por toda a atividade, o bulício e a confusão, ressoa no ar um cântico mais terno e formoso que o canto dos Anjos e Arcanjos: a voz do mesmo Cristo, nos reiterando que, qualquer coisa que façamos para aliviar a carga, para sanar as feridas, para mitigar o sofrimento ou para iluminar os dias de qualquer ser humano ou de qualquer criatura vivente, é a Ele que fazemos. Ele mesmo O expressou assim: “Pois tive fome e me destes de comer. Tive sede e me destes de beber. Era forasteiro e me recolhestes. Estive nu e me vestistes, doente e me visitastes, preso e viestes ver-me”.

A Árvore de Natal

Enquanto o Ritual do Natal pertence a tempos imemoráveis, a Festa da Corrente de Natal se observou, pela primeira vez, no começo da civilização Ária. O protótipo da Árvore de Natal foi a “Árvore celestial do Sol” dos primeiros seres humanos que compuseram a civilização Ária.

Foi na pura e rarefeita atmosfera ariana de onde o Sol saiu, pela primeira vez, tão claro, que o ser humano pôde perceber o tremendo caudal de luz que os seres transcendentes difundiam sobre a Terra. O ser humano comparou esse abano de luz com uma árvore e seus ramos estendidos. Segundo uma tradição indiana, “a Árvore do Sol está no centro da Terra, de onde surge com um amanhecer e à medida que o Sol ascende para o seu zênite, vai crescendo, até que seus ramos mais altos o alcançam, ao meio-dia, quando chega ao alto dos céus; diminui logo com o declinar do dia e, no pôr do Sol, se submerge de novo na Terra”. Em uma ou em outra forma, existem em quase todos os países lendas sobre a “Árvore do Mundo”, cujas origens se remontam àquela mística “Árvore de Luz”.

Os místicos são, certamente, conscientes de que entre o reino das árvores e o reino humano existe uma simpatia peculiar. Os altares mais primitivos consistiam de uma pedra e uma árvore frutífera que crescia ao seu lado. Esses altares estavam quase sempre associados à Deusa Mãe, a qual se consagravam. Os arqueólogos que escavaram na zona do Templo de Diana, em Éfeso, descobriram as fundações de vários templos superpostos e, em seu estrato inferior, encontraram somente um altar de pedra e indícios claros de uma árvore sagrada associado a ele.

 No brilho da Era do Arco-íris, as árvores obscuras, vitais, poderosas e sempre verdes da Época Lemúrica e Época Atlante cederam o posto às árvores aéreas, portadoras de alimento e adornadas com flores, da Época Ária.

Enquanto ocorria a mudança, o ser humano conservava vestígios de sua antiga clarividência negativa, e podia mesmo se comunicar com os Espíritos da Natureza, se bem que já havia perdido contato com as grandes Hierarquias dos Anjos e dos Arcanjos, que ocupavam áreas de consciência espiritual que já lhe estavam inacessíveis.

Muito depois, em plena Época Ária, incluída já a atual Era de Peixes, muitas raças conheceram as fadas dos campos e das águas, as inspiradoras sílfides das falésias e montanhas e os gentis espíritos da amigável brisa. Mas, entre eles, haviam sentido mais profundamente seu parentesco com as dríades[18] ou espíritos das árvores. Os bosques estavam impregnados de uma presença persistente, que lhes fazia tremer, algumas vezes, e a reverenciá-las, outras vezes.

A consciência das árvores, no entanto, é algo real e definido, e suas alterações de disposição de ânimo podem ser captadas facilmente pelo místico. Os Anjos, como os seres humanos, sentem tanto a alegria como a dor. Umas vezes é o tronco de uma grande árvore que vai tremer, agitando suas folhas chorosas, como um rompante de lágrimas. Outras, a estrutura total da árvore se faz luminosa, em pleno êxtase. Esse regozijo estático do reino das árvores alcança seu clímax na manhã do Domingo da Ressurreição.

Os sensitivos ouviram, frequentemente, gritos enternecedores brotando de seus troncos, nas vésperas de sua destruição. Em um caso, os gritos eram tão persistentes que se investigou e se comprovou que a árvore ia ser destruída no dia seguinte. Esforços foram feitos para salvá-la, mas não deram resultados. O espírito da árvore sabendo disso, lamentava a sua destruição prematura.

Cada árvore é liderada por um Deva ou um Anjo. Esse Anjo é, literalmente, o guardião da árvore e se lhe denomina, frequentemente, o “espírito” da árvore. Ele supervisiona todos os processos vitais que ocorrem em sua esfera, incluindo as atividades dos Espíritos da Natureza, em qualquer parte de seu organismo.

Quando o grande Raio do Cristo descende à Terra em setembro, o reino vegetal absorve uma boa quantidade da Sua radiação. Os bosques parecem coroados de um halo dourado, quando esse Raio luminoso alcança a Terra e sua luz se derrama por entre as folhas das árvores. Quando a horta mística da Noite Santa se aproxima, a corrente dourada penetra até o coração dos seus troncos, de onde brilha como a chama de um altar. No tempo do Natal, cada árvore é uma mensageira que proclama o retorno anual do Senhor Cósmico de Amor e de Luz.

Existe uma lenda antiga e maravilhosa que relata que, no silêncio daquela hora sagrada, quando os Anjos cantavam formas poéticas ao Cristo-Menino, os animais quadrúpedes domesticados dobravam seus joelhos e inclinavam suas cabeças. Pois nesse momento é quando os pequeninos da natureza interrompem suas atividades e, em alegre procissão, rendem homenagem ante a luz do altar que flameja no interior da árvore que os acolhe. Assim, pois, tanto a natureza como todo o ser vivente, reverenciam a chegada do Rei recém-nascido.

Alguns pensam que o símbolo mais formoso e mais profundo, entre os relacionados com o Natal, é a árvore. A Estrela dourada que, geralmente, adorna seu topo representa a Estrela do Leste, que chama a todos os seres humanos a reverenciar Àquele ao qual o místico recebe com gratidão e complacência, à meia-noite, como ao Sol recém-nascido. As luzes e cores sobre a árvore festiva, representam as emanações da aura desse Sol recém-nascido, que impregnam e iluminam toda a Terra, por dentro e por fora.

A árvore, adornada de tal modo, ano após ano, em Sua honra, chega, gradualmente, a emanar uma benção e uma bem-aventurança, não só no tempo do Natal, mas ao longo de todo ano. Isso é facilmente discernível para o sensitivo que se aproxima dela. Nisso está a importância de utilizar árvores de Natal vivas, em lugar das imitações.

Todo ser humano é um Cristo em formação. Por isso, todos os símbolos natalinos representam diferentes graus de desenvolvimento espiritual. No corpo humano, templo do espírito do ser humano, existe um bom número de centros esperando serem despertados e vitalizados. Quando isso ocorre, esse corpo se converte em uma verdadeira Árvore de Natal, radiante, iluminado, “caminhando na luz como Ele na luz está”[19]. Um sensitivo, ao perceber essa verdade, escreveu: “O corpo está coberto de luzes que esperam serem acendidas pela flamejante tocha do amor”.

O Ministério dos Anjos no Tempo do Natal

O mundo moderno está voltando, cada ano com maior reverência e compreensão, a vivificar as festas e cerimônias dos primeiros cristãos. A Festa de Advento, desde sua fundação no século I, não foi tão destacada como durante os últimos anos.

O Advento ocorre, de acordo com uma lei cósmica, quando a Hierarquia de Sagitário dirige suas radiações para a Terra, já que ela favorece o idealismo elevado e fortalece as aspirações espirituais. As luzes multicores que se veem por todo lugar e a alegre música que se escuta por toda parte se combinam, no plano externo, para refletir a sublime beleza, a intensa atividade e a música e cor verdadeiramente gloriosas que inundam os mundos internos. É, então, também quando os Anjos se aproximam da Terra mais que me qualquer outra época do ano.

Durante esse intervalo, o Aspirante sério dedica tanto tempo como lhe é possível a se purificar e se preparar, por meio do jejum e da oração, para chegar a uma maior sincronia com o Festival do Natal. Esse trabalho preparatório, atualmente, começa no Equinócio de Setembro, quando a Regência da Terra é assumida pelo Arcanjo Miguel, que preside os processos de purificação e regeneração de toda a progênie terrena. Desde o Equinócio de Setembro até o Solstício de Dezembro, Miguel e as hostes se encarregam de limpar os Corpos de Desejos e Mental da Terra. Se não fosse por essas atividades de verdadeira limpeza que os Seres celestiais executam, a obscura, sombria e cheia de temor e tristeza da atmosfera psíquica, gerada pelos maus pensamentos, emoções e atos do ser humano, se tornaria tão densa que a humanidade ficaria submergida nela sem nenhuma esperança, com seu enlace com as vivificantes forças do espírito totalmente rompido. Isso não ocorre porque o supremo trabalho de Cristo consiste em lutar contra essas forças do mal e da obscuridade, luta simbolicamente representada por Miguel que mata o dragão, já que Miguel é quem segue a Cristo na Hierarquia da Luz. A vitória da luz sobre as trevas ocorre todo ano, enquanto o Sol passa por Libra, Escorpião e Sagitário. O Místico Cristão o compreende assim e sabe como se sincronizar com as influências de Miguel e de suas hostes. Desse modo recebe uma tremenda ajuda, por parte da luz interior, que nunca lhe falta, e que está no seu próprio ser, para sua vitória pessoal sobre as trevas.

Quando chega o Solstício de Dezembro, cumprindo Miguel o seu trabalho anual, devolve a Regência da Terra a Gabriel, o Arcanjo da ternura e do amor. Gabriel é o glorioso ser que tipifica o espírito da maternidade, já que é o guardião das mães e seus filhos. Toda a vastíssima tropa de Anjos da natureza trabalha sob sua orientação durante essa estação.

Começando no Equinócio de Setembro, a radiação dourada de Cristo, que vai sendo derramada sobre a Terra, gradualmente penetra nas suas capas atmosféricas e, logo, o globo terreno inteiro até que, no Solstício de Dezembro, alcança o seu coração. Então o maior milagre da natureza ocorre: se produz uma magia branca, um silêncio total, e uma terna reverência impregna a atmosfera da Noite Santa, enquanto os Anjos da natureza, junto com outros elevados seres, combinam suas forças e invertem as correntes cósmicas. Durante os seis meses anteriores, se moveram ao longo do arco descendente; durante os seis meses seguintes, que culminarão no Solstício de Junho, se elevarão ao longo do arco ascendente. A poderosa onda dessa força mágica revigora a vida toda; e essa mesma maré ascendente de força espiritual, eleva o fogo espinal do espírito no corpo humano. Assim, pois, para aqueles que fizeram a preparação devida, esse fogo pode ser elevado até a cabeça e produzir um estado de verdadeira iluminação.

Esse processo cósmico ocorre mediante o poder da harmonia musical e do ritmo. É uma ação da Palavra Criadora, do Verbo, do qual São João afirma que tem existido desde o Princípio e que por Ele tudo foi criado.

A nota-chave musical desse Planeta é harmonizada com o conto dos Anjos: “Glória a Deus nas alturas, e paz na Terra aos homens de boa vontade”. É a anunciação harmoniosa e rítmica dessa palavra planetária, ressoando, uma e outra vez, por toda a Terra, e produz o milagre da Noite Santa.

As forças celestiais imensas que atuam entre o Céu e a Terra nessa época bendita, ressoam com uma beleza insuperável. Um eco suave dessa celestial harmonia, captada por Franz Schubert, foi transcrita para os ouvidos humanos nos compassos maravilhosos de sua Ave Maria. Essa composição, em certo sentido, pode se considerar como a nota-chave musical da estação natalina. Sua música produz como resultado um tremendo poder espiritual, particularmente durante essa época do ano em que parece como se devolvesse o eco dos ritmos celestiais dos espaços cósmicos.

Durante esse tempo encantado, um tríplice nascimento é produzido:

  • O nascimento cósmico do Espírito de Cristo, do modo já explicado, e que impregna toda a natureza com sua nova vida;
  • O nascimento histórico do Grande Mestre do Mundo, que escolheu essa época para encarnar, quando o fez o Mestre Jesus, que se converteu em portador da Luz de Cristo, Mestre dos Anjos e dos seres humanos;
  • O nascimento metafísico de Cristo no interior do Discípulo, no estado de iluminação.

Agora o Discípulo compreende porque, então, não houve um lugar na hospedaria e porque Cristo teve de nascer em um presépio onde os animais comem. Agora ele comprova que o trabalho supremo de sua vida consiste em abrir as portas da hospedaria, preparar um lugar para Cristo e se transformar o presépio em um berço de luz. Sabe que esse berço é o Terceiro Ventrículo, na cabeça, que está rodeado pelas forças que irradiam das Glândulas Pituitárias e Pineal sensibilizadas, simbolicamente representadas, respectivamente, por Maria e José. Ao se converter em um Iluminado, se converte em um Cristo, e a glória desse novo nascimento é saudada pelas multidões angélicas desde o alto.

Os três nascimentos vão acompanhados por jubilosos coros de seres celestiais, que proclamam isso, várias vezes, transformadores acontecimentos, transcritos na nota-chave musical da Dispensação Cristã: “Glória a Deus nas alturas, e paz na Terra aos homens de boa vontade”.

O dia 21 de dezembro, a nota-chave planetária troca de Sagitário para Capricórnio. A chave de Sagitário é o êxtase divino, expresso na fraternidade que regozija, na repentina crescente de cores claríssimas e na harmonia da estação do Advento. A nota-chave de Capricórnio e a consumação divina. A Terra está submergida na luz branca da consagração, quando as correntes de vida planetárias se invertem, e a força do Cristo Cósmico começa a subir para o Sol. Essas forças vão crescendo do dia 21 de dezembro até a meia-noite do dia 24, no qual adquirem sua máxima potência, mas não declinam logo. As poderosas radiações solsticiais da força espiritual envolvem a Terra até a décima segunda noite seguinte, um intervalo considerado pelos primeiros cristãos e destinado a ser revivido hoje.

O cântico dos Anjos, enquanto o Sol se dirige para o sul, está expresso em tons menores. À meia-noite do dia 24 de dezembro, a Noite Santa, seus coros se transportam a tonalidades maiores, quando entoam, cheios de regozijos, a nota-chave da Terra: “Glória a Deus nas alturas, e paz na Terra aos homens de boa vontade”.

CAPÍTULO VII – A SAGRADA FAMÍLIA, UM SÍMBOLO CÓSMICO

O relato do Natal é familiar na história e se canta em todas as partes do mundo. O Místico Cristão, além de aceitar a versão literal, tal como aparece nos Evangelhos, encontra nela significados mais profundos. Aceita a Maria de Belém como um dos mais ilustres Mestres que já tenha vindo à Terra. Sabe que José foi um dos primeiros Mestres Iniciados do Templo de Mistérios e que o Menino Jesus era o Ego mais avançado que já encarnou na Terra. O Menino Jesus, com o auxílio da divina Maria, construiu o Corpo físico mais perfeito que já havido sido construído nesse mundo, e que serve como modelo supremo para toda a humanidade.

O Místico Cristão, que aceita essas verdades, comprova, além disso, que todo ser humano é um Cristo em formação. Compreende que cada personagem da história natalina representa determinada fase do seu próprio desenvolvimento interior e que cada experiência desses personagens formará parte de sua própria experiência espiritual, à medida que aprenda a se elevar, cada vez mais, no Caminho da Santidade.

É a compreensão da história natalina o que inclina o Aspirante sério a se voltar para estudar e meditar, cada vez com mais entusiasmo e reverência, essas profundas verdades internas. O Mestre nos indicou que existe uma elevada meta para alcançarmos, quando disse: “não somente as coisas que Eu faço, vós fareis, mas coisas maiores que Eu”.

Sobre a entrada dos antigos Templos de Mistérios, como já dito antes, se achava a inscrição: Homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás todos os mistérios do universo”. À luz dessa profunda verdade esotérica, estudaremos a inspiradora história natalina, a vida e as experiências da Sagrada Família, tal e como são descritas.

Os Quatorze Degraus do Desenvolvimento Iniciático

Em cada Corpo-templo humano existem duas correntes de força magnética: a primeira, de potência masculina ou positiva; a segunda, negativa ou feminina. Às vezes, são citadas como os dois polos do Corpo. Na linguagem mística se fala delas como dos elementos Fogo e Água, e são representadas por duas colunas, uma coroada pelo Sol e a outra pela Lua. Na maioria das pessoas, essas duas correntes não funcionam de modo harmonioso; há um desequilíbrio que provoca distorções e desajustes no Corpo. A função do caminho Iniciático consiste em fazer essas duas correntes a se correlacionar harmoniosamente. As várias etapas desse caminho estão representadas pelos acontecimentos mais importantes da vida do Supremo Iniciador do Caminho, o próprio Cristo.

A Anunciação

A potência negativa ou feminina está centrada no coração, sede da intuição; a positiva ou masculina, na cabeça, sede do intelecto. A iluminação obtida com o Grau da Anunciação proporciona a faculdade para ver o Corpo perfeito que resultará do equilíbrio total e harmonioso entre as forças masculina e feminina. Até que isso seja conseguido, o ser humano não materializará um Corpo ajustado ao arquétipo divino, que existe externamente nos céus. É a visão desse glorioso Corpo-templo, construído a imagem e semelhança de Deus, a que fornece a nota-chave espiritual desse objetivo: “Faça-se em mim segundo a Tua Palavra”.

A Imaculada Concepção

Da mesma forma que o Grau da Anunciação proporciona uma visão gloriosa, o Grau da Imaculada Concepção imprime essa visão no Corpo. A vibração de cada átomo se eleva, como consequência da nova onda de poder espiritual. O organismo inteiro é elevado até uma harmonia maior com o arquétipo. O Corpo-templo é literalmente renovado, e se converte em uma habitação mais santa para o Espírito, para nele viver e trabalhar. A nota-chave espiritual deste Grau está contida nas proféticas palavras de Maria: “Todas as gerações me chamarão de bem-aventurada”.

O Sagrado Nascimento

Nesse Grau, uma nova luz arde no Coração e uma nova radiação emana da Mente. Coros de angélicos ministrantes, juntos com o Grande Único Compassivo, nos planos internos, desde os que estão continuamente examinando o Mundo em busca da aparição dessa nova luz no interior do Coração e da Mente de um ser humano, saúdam o descobrimento com cantos celestiais cheios de alegria vibrante. Aqueles, dentre os seres humanos, que experimentam o nascimento dessa nova luz, começam a estar sob a mais próxima e terna orientação dos seres espirituais. Como consequência desse desenvolvimento e de sua expressão, a vida cobra novos e mais profundos significados. Maria simboliza a corrente feminina, que tem seu assento no Coração; José representa a corrente masculina, que tem seu assento na Cabeça. Em qualquer plano em que essas duas correntes de força se unam harmoniosamente, se manifesta um novo elemento. Esse terceiro elemento constitui um nascimento sagrado ou o despertar de um novo poder, o poder da vontade. Esse poder da vontade criadora espiritualizada é a Pedra Branca mágica, já que, mediante seu posterior desenvolvimento, o ser humano se converte em um Super-ser humano, um filho ou uma filha do Rei. No momento desse nascimento, os Anjos ministrantes rodeiam a Terra cantando: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade”. Isto é, paz no Corpo-templo do ser humano, e boa vontade porque chegou a conhecer, verdadeiramente, essa grande e gozosa fraternidade entre Anjos e seres humanos, que sobrepassa toda compreensão. Quando isso for alcançado por todos os seres humanos, o amor, a bondade e a harmonia reinarão supremos sobre a Terra.

A Apresentação no Templo

Um Templo é um lugar de dedicação. E é o lugar onde o Aspirante, que pretende percorrer o Caminho da Santidade, vai para meditar e orar. Tais seres humanos devem, necessariamente, viver de acordo com normas e disciplinas, observando-as com uma fidelidade muito maior que quem ainda se sente satisfeito com o mundo, tal qual é. Os pensamentos têm que ser cuidadosos, para não admitir influências negativas ou destrutivas. As palavras têm que vigiadas, com o objetivo de não ferir nunca por meio do seu uso. As ações têm quer serem valorizadas por sua capacidade de ajudar e de construir positivamente. Tal controle sobre os pensamentos, as palavras e os atos não podem se manter com sucesso, a não ser por meio de longos períodos de estrita disciplina e de muita oração e meditação. O Aspirante há de se retirar, com frequência, a um lugar de dedicação para renovar seu propósito e restaurar sua força interna. Se seus esforços são sérios e sinceros, com toda segurança, o dia chegará em que receberá, como recebeu o Menino Jesus, a benção do Sumo Sacerdote e da Suma Sacerdotisa (as forças masculina e feminina) e sobre ele se projetará um novo nome para a alma, que lhe harmonizará com seus próprios poderes internos, e o proverá da chave mágica para invocar a orientação e a proteção dos que estão no alto.

A Fuga para o Egito e o Retorno

Durante as primeiras etapas do desenvolvimento espiritual, o Aspirante experimentará, frequentemente, “fugas para o Egito”, ou deslizamentos para as trevas. A vida interior ficará, temporariamente, bloqueada. Sentirá que ficou sem a orientação espiritual. Isso lhe produzirá um sentimento de solidão e abandono sem esperanças alguma, a partir da qual o seu Espírito clamará, cheio de agonia, como fez o salmista no mesmo estado de sua evolução. Contudo, se persiste em seus esforços por reconquistar a luz, tornará a colocar o pé no Caminho, como fez a Sagrada Família que, mesmo tendo fugido para o Egito, país simbólico das trevas, regressou cheia de graça, acompanhada por hosanas dos coros angélicos. Trata-se de um ponto difícil no Caminho. Muitos caem aqui e voltam para os atrativos do mundo. O místico Max Heindel nos deu a seguinte alentadora admoestação: “O único fracasso consiste em não seguir tentando”. Essa verdade é tão importante como a afirmação bíblica de que “o vento é suave para a ovelha tosquiada”.

O Ensinamento no Templo

A humanidade está dividida em duas classes: a que segue o caminho do Coração e a que segue o caminho da Cabeça. Os Aspirantes mais centrados no Coração são tocados mais facilmente por suas emoções. Salvo se estiver equilibrado e assegurado pelos poderes da Mente, sua casa estará, literalmente, construída sobre a areia, e os ventos e tempestades a destruirão. Os predominantemente mentais, com seus poderes centrados na razão, constroem suas casas sobre a rocha, mas também, nesse caso, estarão sujeitos a destruição por obra dos furacões. Mediante os Ensinamentos no Templo, o Aspirante aprende a combinar os poderes da Mente e do Coração, da razão e da intuição, do masculino e do feminino, de seu próprio interior. Quando isso for alcançado, a emoção constrói asas com a razão, e a Mente se torna iluminada pela luz do espírito. Com isso, alcança-se um grau maior de perfeição, um novo poder, recém-encontrado, e a uma expansão de consciência que, desde esse momento, conduz à consagração da vida inteira ao serviço do Reino de Deus na Terra. Qualquer outro interesse que possa ser apresentado temporalmente receberá a mesma resposta que o Menino Jesus deu quando seus pais o encontraram no Templo, ensinando aos sacerdotes: “Não sabem que hei de me ocupar das coisas do meu Pai?”.

O Batismo

O Batismo era uma fórmula de Iniciação e constituía o acontecimento mais ilustre da Semana Santa. A Virgem Santa e os demais Discípulos femininos eram sempre participantes importantes nesse rito sagrado. Para os que eram dignos de participar nesse cerimonial, os céus se abriam a sua visão embelezada, e eram muitas atividades transcendentes que se faziam visíveis e audíveis.

Em todos os antigos Mistérios, o rito do Batismo era simbólico de “conduzir à visão”. É esse momento quando o candidato desenvolve um maior grau de equilíbrio entre as forças masculina e feminina de seu Corpo-Templo; os princípios de Maria e José são conduzidos a uma interação mais harmoniosa. O Aspirante adquire, então, a capacidade de pensar com seu Coração e a amar com sua Mente. É necessário que esse desenvolvimento aconteça nesse tempo especial, pois, com a aquisição do desenvolvimento da visão, o Aspirante é capaz de ver nos planos internos e a contatar com os seres elevados que lá habitam. Para funcionar, sem perigo, quando se contatam com os Mundos internos, é imprescindível estabelecer uma relação equilibrada entre as forças positivas e negativas do próprio ser. Para esse estágio de evolução, o conselho de Max Heindel a seus Discípulos era: que mantivessem “sua cabeça nas estrelas e seus pés no chão”. Se esse conselho fosse seguido, muitas das tragédias que afligem o Aspirante, nesse ponto do Caminho, seriam evitadas.

O simbolismo pictórico, representado pelo candidato em pé entre as duas colunas, às portas do Templo, algumas vezes sozinho e outras vezes acompanhado de um Mestre, se refere a esse ponto especial no Caminho. Aqui é também onde escutará a voz que foi ouvida por Jesus no dia do seu Batismo, já que se trata de uma benção do Templo, transmitida a todos os participantes dignos desse rito sagrado: “Esse é meu Filho amado, em quem me comprazo”[20].

O Batismo forma a ligação que conecta os Mistérios da Água, do Natal, com os Mistérios do Fogo, da Páscoa. Aqui vamos buscar o significado da afirmação de uma antiga lenda que diz que quando Jesus imergiu no Rio Jordão, grandes bolas de fogo apareceram sobre a superfície das águas.

A Tentação

Quando um Aspirante experimenta um elevado estado de exaltação, esse é sempre seguido por uma sutil tentação. A tentação, portanto, geralmente, constitui o oposto do Batismo. Depois do Batismo de Cristo-Jesus, sublime ocasião de dedicação e consagração, vem Sua tentação no deserto e, depois da glória de sua Transfiguração, vem a agonia do Getsemani. Essa sequência constituiu, em todas os momentos, o Caminho do Discipulado, para que o Discípulo compreenda completamente o poder do discernimento, ou seja, a habilidade para distinguir o verdadeiro do falso, o real do irreal.

A queda dos Anjos se relata na descrição da Guerra nos Céus.

A queda da humanidade se relata na versão bíblica da expulsão de Adão e Eva do Jardim do Éden.

Os Arcanjos, no entanto, não “caíram” nunca. Ainda que possuam o Corpo de Desejos, transmutaram o desejo em poder espiritual e seus Corpo de Desejos em um corpo de luz. Era necessário, pois, que o Salvador dos Anjos e dos seres humanos viesse de uma Hierarquia Arcangélica. Os Espírito Lucíferos compreenderam bem isso e sentiram grande angústia ante a vinda à Terra do Arcanjo Cristo. São Marcos, em seu Evangelho, refere que o espírito do mal disse a Cristo: “Sei quem Tu és: o Santo de Deus” (Mc 1:24).

Imediatamente após Seu Batismo, Cristo se retirou ao deserto durante quarenta dias. Tinha que se familiarizar com o uso do Corpo físico e aprender a funcionar nele, sem que ficasse destroçado pelas poderosas radiações de Seu exaltado espírito. Nesse momento é quando Lúcifer se aproximou d’Ele e o tentou, com a esperança de que Sua encarnação em um Corpo físico tivesse Lhe deixado vulnerável.

A tentação de Lúcifer foi tripla: física, mental e espiritual. Ele ofereceu a Cristo todos os reinos da Terra, provavelmente a mais sutil das tentações. Muitas pessoas têm abandonado o Caminho por causa da riqueza, da fama, do prestígio e do poder terreno, do que por quaisquer outros motivos, como simboliza a parábola de Cristo sobre o jovem rico.

De novo Lúcifer tentou o Mestre com a promessa de poderes mágicos para converter as pedras em pães. Incontáveis milhões de seres humanos estão empregando, agora, seus poderes mentais para atrair mais posses terrenas, todos sem pensar ou indiferentes ao fato de que, trabalhando assim, se colocam, cada vez mais, abaixo da influência de Lúcifer.

Finalmente, Lúcifer transportou Cristo até o pináculo do Templo e lhe ordenou se jogar dali, depois que ordenasse aos Anjos que o protegessem. Quando se começa a despertar os poderes internos inerentes ao espírito, são muitas e muito sutis as tentações para utilizar esses poderes em benefício próprio. Mas Cristo declarou: “Por Mim mesmo, nada posso fazer” (Jo 5:30). No iluminado manual do discipulado de Mabel Collins, intitulado “Luz no Caminho”, se recomenda aos Aspirantes matar toda ambição pessoal, mas trabalhar como os que são ambiciosos. Verdadeiramente “Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho… E poucos são os que o encontram (Mt 7:14). O completo desapego pessoal é a nota-chave do verdadeiro Caminho do Discipulado.

A Transfiguração

Quando o candidato alcança esse ponto do Caminho da Santidade, já alcançou o equilíbrio entre as duas polaridades. Com essa etapa chega o completo florescimento dos órgãos espirituais da cabeça, do Corpo Pituitário e da Glândula Pineal. Esses dois órgãos são, então, as luminosas lâmpadas do Corpo-Templo. A Glândula Pineal coroa a coluna de fogo masculina, a coluna de José; a Glândula Pituitária (ou Corpo Pituitário) coroa a coluna feminina ou de água, a coluna de Maria. Quando a luz que emana dessas duas glândulas se unem no terceiro ventrículo, que se encontra entre ambas, esse ponto da cabeça se converte em um verdadeiro presépio de luz, ponto focal da atividade do princípio Crístico da vida do candidato. A primeiríssima manifestação desse princípio ocorre, como já se falou antes, no Grau do Nascimento sagrado. No Grau da Transfiguração esse divino princípio Crístico criador se multiplica por mil em sua potência. A luz que se expande, mais além da periferia da cabeça, forma o halo radiante dos santos. Gradualmente, esse halo se estende até que envolve o Corpo inteiro e forma o que se denomina “o dourado vestido de bodas”. A criação desse Corpo-Alma luminoso é o requisito necessário para se ter acesso aos graus superiores dos Mistérios.

Uma das evidências do discipulado avançado consiste na faculdade de entrar, instantaneamente, em contato com o Mestre, à margem do tempo e do espaço. A comunhão de Maria com seu Senhor bendito era dessa natureza. Sua alma puríssima recebia, instantaneamente, a impressão de qualquer emoção ou pensamento d’Aquele.

Durante a Transfiguração, o Mestre apareceu em toda a sua resplandecente glória de Seu Corpo arcangélico à vista de Seus Discípulos, que eram já capazes de elevar sua consciência até o ponto de poder percebê-lo. Maria, ainda que não fisicamente presente, experimentou todo o gozo do êxtase daquele momento sublime.

A Entrada Triunfal

Na Entrada Triunfal, Cristo chegou montado em um jumento e foi saudado pelos aplausos de Seus seguidores, que levavam folhas de palmeiras, jogavam flores ao longo do caminho e gritavam hosanas ao que vinha em nome do Senhor[21] (Lei Espiritual). Essa procissão é simbólica. Representa o Caminho do candidato que saiu triunfante do Grau de Transfiguração. Cavalga sobre um jumento, que simboliza a consecução da sabedoria anímica, e recebe as aclamações dos que, previamente, alcançou esse Grau, assim como os de menor desenvolvimento e que estão lutando para alcançá-lo. Foi São João, o Discípulo amado, quem experimentou a exaltação desse Grau na noite de sábado precedente à entrada triunfal em Jerusalém. São João foi o primeiro Discípulo a receber os profundos Mistérios Cristãos, trazidos à Terra por Senhor Cristo, e a primeira entrada triunfal foi inaugurada, precisamente, para celebrar essa elevada consecução.

Maria e os demais Discípulos femininos do Mestre estavam entre os que se alinhavam ao longo desse caminho sagrado, e observaram a gloriosa procissão quando entrava em Jerusalém. Sentiram a grande onda inundante de entusiasmo que apreendeu às multidões e se manifestou em ondas de adoração e devoção, que rodearam a Seu amado Mestre nesse momento da Entrada Triunfal. Elas compreenderam perfeitamente ambos os significados, o externo e o interno, desse acontecimento. E aproveitaram a ocasião que se lhes brindava aos que se beneficiaram de Seu ministério amoroso, para lhe expressar sua homenagem e sua reverência. Comprovaram, também, o profundo significado daquele dia. Sabiam que a vida de Cristo bosquejava o Caminho da Iniciação para o ser humano, e que a Entrada Triunfal marcava a consumação da Grande Obra, ou seja, da entrada no Templo da Luz.

A Ceia na Câmara Superior

A Festa da Eucaristia se denomina, esotericamente, a Festa da Polaridade. Esse aspecto da celebração foi destacado pelo Cristo no momento de partir o pão (a potência feminina ou de água) quando diz: “Isto é o meu corpo que é dado por vós”[22]. Depois, tomando cálice (a potência masculina ou de fogo), disse: “Este cálice é a Nova Aliança em meu sangue, que é derramado em favor de vós”[23]. Só os que alcançaram esse Grau de Iniciação puderam participar com Cristo, ao redor da mesa sagrada, e receber d’Ele os profundos Mistérios que ele comunicou. Como foi dito anteriormente, o domínio dos opostos proporciona equilíbrio e igualdade. Isso se refere, não somente ao equilíbrio perfeito entre os princípios masculino e feminino no interior do Corpo, mas também à igualdade entre o homem e a mulher em seus relacionamentos pessoais no mundo externo. Antes de que tal igualdade possa ser alcançada no mundo exterior, de um modo total, tem que ser conquistadas por todas as naturezas internas de todos os indivíduos que compõem o corpo social da humanidade. Essa foi a consecução daqueles que se reuniram com Cristo na Sala Superior, na véspera de Seu sacrifício no Gólgota. Aquele grupo compreendia tanto homens como mulheres.

O Jardim do Getsemani

O candidato que se eleva à visão mais elevada para receber, de cima, um derramamento divino, deve logo descender ao jardim da dor do mundo para compartilhar algo das bênçãos que vem do alto com os que são menos afortunados. As notas-chave do Getsemani são Sacrifício e Altruísmo. Antes de alcançá-los, o candidato tem que retornar, uma e outra vez, a esse jardim até que, como fez Cristo, possa dizer: “Contudo, não a minha vontade, mas a tua seja feita!”[24]. Só quando essa entrega tenha sido total e suas pegadas sejam impressas permanentemente na alma, deixará o Getsemani, que tão familiar é agora para a humanidade.

Em toda a simbologia bíblica não há um momento mais impressionante que aquele em que Abraão foi ordenado a sacrificar o seu filho amado Isaac. Quando Abraão (o candidato) decidiu obedecer ao mandamento divino e fez sua entrega ao que supunha ser a vontade de Deus, acabou o trabalho interno que devia ser realizado e, consequentemente, o sacrifício material já não era necessário. O cordeiro pego no matagal, que ocupou o lugar de Isaac como vítima sacrificial, simboliza o poder adquirido, sublimado pelas forças animais no poder espiritual, mediante o sacrifício. Essa história simboliza o ponto crucial no Caminho da Santidade e, geralmente, é um dos menos compreendidos de todos os relatos bíblicos. Nesse aspecto é como a história de Jonas e a baleia, que também tem a ver com os processos relacionados com a Iniciação.

A Maria bendita estava tão completamente harmonizada com Cristo que era uma com Ele em cada alegria e em cada dor. Ainda que ela não estivesse presente fisicamente no Jardim do Getsemani, a agonia do Mestre imprimiu sua pegada em seu coração, e ela também passou aquele instante de oração e súplica para que a Sua carga e dor que gravitava sobre Seu coração, assim como a debilidade e ignorância da humanidade, pudessem ser mitigadas.

Enquanto suas dores no Jardim atormentavam o coração de Maria com agonia e aflição, nosso bendito Senhor, correspondentemente, era consciente de seu amor e de suas súplicas, que O rodeavam com toda a doçura e poder de uma benção angélica.

O Juízo

O Juízo marca um ponto crítico no Caminho. O candidato, até esse momento, vai desenvolvendo poderes que excedem muito aos que tem um indivíduo comum. A tentação que agora se lhe apresenta é a de que empregará esses poderes para a consecução de suas ambições pessoais ou para o benefício e benção de seus irmãos e irmãs. Cristo veio como indicador do Caminho a toda a humanidade. E experimentou pessoalmente cada uma das etapas ou Graus pelos quais o candidato há de passar ao longo do seu próprio Caminho. Como Cristo enfrentou cada prova? Durante o julgamento ante Pilatos, rodeado de uma multidão enraivecida que vociferava epítetos cheios de ódio e clamava pela sua crucifixão, tinha entre Seus poderes o de convocar legiões de Anjos para a Sua libertação, mas não fez uso de tal poder. Não salvou a Si mesmo, mas sim ofereceu a Si mesmo como um sacrifício vivente por todo o Mundo. Poucos, incluindo agora, compreendem esse sacrifício em seu significado cósmico e universal. Incluindo Seus Discípulos, naquele momento, tinham um pobre conceito da imensa missão que vinha a cumprir. Eles pensavam que ia se sentar sobre um trono em Jerusalém e se tornar rei de toda a Terra. Não compreendiam que se converteria no Regente Interior dessa Terra e que Seu reinado não poderá se manifestar plenamente até que uma grande parte da humanidade chegue a viver de acordo com a ideia que Ele propôs e com os preceitos que Ele estabeleceu. No coração desse ideal e desses ensinamentos jaz o serviço do sacrifício, baseado em um amor desinteressado por cada um e por todos. Ao contrário do que algumas correntes populares de ensinamentos indicam, o Caminho do verdadeiro desenvolvimento espiritual não consiste em atrair para si mesmo o máximo de bens materiais, mas na realização da verdade de que “o amor e o serviço desinteressado ao próximo é o caminho mais curto, mais seguro e o mais agradável que nos conduz a Deus”.

A Maria bendita, acompanhada por outros Discípulos femininos do Mestre, se mesclaram entre a turbulenta e excitada multidão que acompanhou o Mestre durante o assim chamado Julgamento, que não foi senão uma imitação burlesca com o nome da justiça. Exteriormente aquelas santas mulheres pareciam tranquilas e sossegadas, contrastando com o perturbado gentio que se agitava desordenadamente aos seus arredores. Interiormente, estavam realizando o trabalho que sabiam ser muito mais útil ao Mestre, enviando grandes correntes de amor para aliviar e acalmar as tumultuosas e enraivecidas turbas, ao mesmo tempo que oravam, fervorosamente, para que ignorância e cegueira dessas turbas fossem perdoadas.

Há um significado profundo no fato de que, a caminho do Gólgota, Cristo se encontrasse com Sua mãe e com outras santas mulheres. Quer dizer que as mulheres estavam, interiormente, com uma tristeza e angústia muito intensa pelas desumanas indignidades e pelas torturas infringidas no bendito Mestre. Sabendo disso, Cristo derramou sobre elas Sua divina compaixão e as envolveu na ternura de amor do Seu grande coração. Desse modo, se restabeleceram e se fortificaram de modo que fossem capazes de resistir até o final.

A Crucifixão

Cristo, o Supremo Iniciador, declarou: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”[25]. Não há outro caminho. Aqui, certamente, o caminho se torna estreito e o candidato se dá conta de que não há outra opção senão se agarrar na cruz. Não são poucos os que, chegados a esse o ponto do Caminho da Santidade, retrocedem por não serem capazes de enfrentar a severidade dessa última prova. O ser pregado na cruz e depois elevado nela, frente a uma multidão escarnecedora, precisa renunciar a qualquer laço pessoal que possa impedir uma completa sintonia com a vontade divina. Traduzido aos termos familiares na experiência do Discípulo, o Rito da Crucifixão representa a capacidade de afrontar, impavidamente, os mal-entendidos, o ridículo, a perseguição, não somente do povo em geral, mas especialmente dos mais próximos e mais queridos. Supõe a capacidade de renunciar a posição, a fortuna e o prestígio. Supõe a perda, se for preciso, das posses, dos amigos, da reputação e, incluindo, mesmo da vida. Todas as coisas devem ir desaparecendo até que só reste a realização espiritual. Então, o candidato compreende o que o Mestre queria dizer quando disse que, se quisesse ser Seu Discípulo, que tomasse a sua cruz e o seguisse. São Francisco de Assis alcançou esse ponto do Caminho quando recebeu a inspiração para compor essa sublime oração que não deixou, desde então, de ser utilizada por inúmeras almas, desejosas de viver mais plenamente, à maneira do supremo exemplo para o mundo, o próprio Cristo:

Senhor, fazei de mim um instrumento da Vossa paz.

Onde houver ódio, que eu leve o amor.

Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.

Onde houver discórdia, que eu leve a união.

Onde houver dúvidas, que eu leve a fé.

Onde houver erro, que eu leve a verdade.

Onde houver desespero, que eu leve a esperança.

Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.

Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, fazei que eu procure mais:

consolar, que ser consolado;

compreender, que ser compreendido;

amar, que ser amado.

Pois é dando que se recebe.

É perdoando que se é perdoado.

E é morrendo que se vive para a vida eterna.

A Virgem bendita caminhou com Cristo ao longo de todo o Caminho e permaneceu ao pé da cruz até o fim. Isso significa que trilhou todas e cada uma das etapas do Caminho da Iniciação e esperava a Grande Libertação com o Senhor. Muitos Discípulos seguiram o Caminho da Cruz, mas somente durante parte do caminho; alguns se quer se aventuraram; e São Pedro, um dos mais avançados entre os Discípulos, o negou e o seguiu de “longe”. A Maria bendita permaneceu cheia de fé até o final. Ela se converteu no Discípulo feminino mais avançado de Cristo e assim se tornou a Mestre e a líder dos demais. Foi entre seus amorosos braços que o Corpo totalmente deteriorado encontrou abrigo quando foi retirado da cruz. Por sua fortaleza e fé, sua sublime coragem e seu amor divino, a mais brilhante coroa concedida pelas hostes angélicas é sua.

A Ressurreição

A Escola de Mistérios Cristã ensina que o último inimigo a vencer é a morte e que, mediante o Grau final da Ressurreição, o candidato ascende ao Filho, consciente da imortalidade. Quando Cristo passou do Grau de Crucifixão ao da Ressurreição, exclamou: “Deus meu, Deus meu, como me glorificou!”[26], pois essa é a tradução correta. A Ressurreição é, verdadeiramente, o Grau da Glória. Nesse nível, o candidato passa a experimentar um amor que a tudo abarca e uma luz que é imortal. Ainda que tenha que viver várias vidas de serviço sobre a Terra, nunca mais experimentará nenhuma interrupção de consciência entre as atividades no plano externo, e nos internos. A morte, tal e como se a entende, não existirá para ele. Quando Cristo passou por esse Grau para a salvação da humanidade, entoou, triunfalmente, as palavras: “Eu sou a ressurreição e a vida”[27].

De acordo com os relatos bíblicos, Cristo fez Sua primeira aparição à Maria Madalena no místico amanhecer daquele primeiro dia da Páscoa. Mas os Registros da Memória da Natureza nos informam que Cristo apareceu, em primeiro lugar, até os embelezados olhos da Maria bendita. Tão elevada e tão sagrada foi aquela divina união da alma com a alma e o coração com coração, que nunca poderia ser descrita por meras palavras.

Só quando o Aspirante moderno aprende a trilhar, por si mesmo, o Caminho, quando chega a conhecer como elevar sua consciência o suficiente para contatar algo como o milagre daquele dia de Páscoa, é que pode alcançar, parcialmente, aquele êxtase divino e sua indescritível beleza. Só quando se esforça por trilhar essa mesma Via, adquire a faculdade de contatar, parcialmente, a magia do amanhecer da Páscoa, com o êxtase divino e a glória transcendente experimentados por Maria nesse o mais sublime de todos os dias.

Em sua novela ocultista Zanoni[28], Sir Bulwer Lytton dá a seguinte inspirada descrição do trânsito da alma desde essa margem até a outra:

“O espaço inteiro parecia imergido na luz solar eterna. Elevou-se desde a Terra … como algo imaterial, como uma ideia de alegria e luz! Ante ele os céus estavam se abrindo e viram multidões de beleza, legião após legião, e um “bem-vindo” brotou, em miríades de melodias, do imenso coro. Você, cidadão do céu, Bem-vindo! A Terra, purificada pelo sacrifício, é imortal apenas através da sepultura. Isso está morrendo. E, radiante entre os radiantes, a imagem estendeu seus braços e murmurou: “Amigo da eternidade, isso está morrendo”.

AS CATORZE ESTAÇÕES DA CRUZ

Os catorze Graus dos Mistérios Cristãos, desde a Anunciação até a Ressurreição, constituem a base dos Ensinamentos fornecidos nas catorze Estações da Cruz. Nas antigas Escolas de Mistérios Cristãs, essas estações marcavam as etapas concretas do processo Iniciático, e seu caráter não era meramente simbólico, como geralmente se pensa hoje. As Sete Etapas das antigas Escolas de Mistérios, os místicos cristãos as estenderam para catorze. Cada candidato entrava no grau particular que ele estava preparado. Só os dois Discípulos mais avançados de Cristo estiveram qualificados para passar por todos os catorze Graus. Esses foram: Maria de Belém, a Virgem bendita, e São João, o divino, o mais amado dos Discípulos. Por isso, ambos foram considerados, pelos primeiros Iniciados cristãos e seus seguidores, como personificação das colunas do Templo. Converteram-se, por assim dizer, nos dois pilares do Templo de Iniciação e em uma expressão exterior perfeita, do desenvolvimento que ocorre no interior do Corpo-Templo do ser humano. Alcançar tal estado constitui o objetivo principal do trabalho que deve ser realizado ao longo do Caminho que conduz à Santidade.

Os Mistérios do Natal e da Páscoa estão intimamente relacionados. Os sete primeiros Graus, desde a Anunciação ao Batismo, se relacionam com o elemento feminino ou Água, enquanto que os sete Graus restantes, que vão desde a Transfiguração até a Ressurreição, se relacionam com o elemento masculino ou Fogo. O trabalho básico dos Mistérios Cristãos consiste na obtenção da polaridade ou equilíbrio. Sendo assim, disso se deriva, naturalmente, que o Natal e a Páscoa são as duas celebrações mais importantes da Dispensação Cristã.

A TRANSFIGURAÇÃO, COMO ACONTECIMENTO DO ENLACE ENTRE OS MISTÉRIOS NATALINOS E OS PASCOAIS

A Transfiguração marca o começo dos gloriosos Mistérios do Fogo, da Páscoa, que encontram sua culminação no glorioso resplendor da alvorada do dia da Ressurreição.

Cristo não é somente o Senhor da Terra, mas também o Regente Espiritual do Sol e o Grande Hierofante dos Mistérios Cristãos ou Solares. Esses Mistérios compreendiam os ensinamentos secretos da Igreja Cristã Primitiva. A humanidade está começando a comprovar parte do imenso poder que emana, por radiação, do Sol físico, e como a Terra fica transformada graças a essa energia. Contudo, será o ser humano da Nova Raça Aquária o que receberá e transmitirá as radiações espirituais do Sol.

No momento da Transfiguração, Cristo apareceu à vista de Seus três Discípulos mais avançados, vestido com o radiante esplendor de Seu brilhante corpo solar, e isso constituiu um marco importante nos três anos de Seu ministério. Desde então, os acontecimentos mais importantes de Sua vida adquiriram um aspecto mais cósmico que pessoal. Ele estava se preparando para se converter no Regente e Salvador do Planeta inteiro. No momento da Ressurreição de Lázaro, estava iniciando um João, o mais avançado de Seus Discípulos, e cujo nome Iniciático foi Lázaro, nos Novos Mistérios Cristãos. Durante a Última Ceia, instruiu a Seus Discípulos nos fundamentos da que será a religião na Era de Aquário.

No Jardim do Getsemani, Cristo executou o difícil processo de se harmonizar completamente a Si mesmo com os ritmos vibratórios da Terra, como uma preparação para Seu elevadíssimo serviço a todo o Planeta.

Desde a cruz, no Gólgota, ele penetrou no coração da Terra para se converter, ali, em seu Espírito Planetário Interno, e Senhor de todos os seres criados, tanto no interior como no exterior da esfera terrestre.

No momento da Sua Ressurreição, forneceu à humanidade o mais glorioso de todas as mensagens pascoais: Ele demonstrou que a morte não é mais que uma transição, e de que, chegará um dia em que não formará parte das experiências do ser humano nesse Planeta. Regozijosamente proclamou a todo o Mundo o mais transcendental de todos os temas da Ressurreição: “A vida é eterna e o amor é imortal”.

OS SAGRADOS MISTÉRIOS NATALINOS

ÁGUA

  1. Anunciação
  2. Imaculada Concepção
  3. Nascimento
  4. Apresentação no Templo
  5. Fuga para o Egito e Retorno
  6. Ensinamento no Templo
  7. Batismo

OS SAGRADOS MISTÉRIOS PASCOAIS

FOGO

  1. Transfiguração
  2. Entrada Triunfal em Jerusalém
  3. Última Ceia
  4. Getsemani
  5. Julgamento
  6. Crucifixão
  7. Ressurreição

¶ ¶ ¶ ¶ ¶

A HISTÓRIA DA PÁSCOA

No primeiro dia da semana, muito cedo ainda, elas foram à tumba, levando os aromas que tinham preparado. Encontraram a pedra do túmulo removida, mas, ao entrar, não encontraram o corpo do Senhor Jesus. E aconteceu que, estando perplexas com isso, dois homens se postaram diante delas, com veste fulgurante. Cheias de medo, inclinaram o rosto para o chão; eles, porém, disseram:

“Por que procurais Aquele que vive entre os mortos? Ele não está aqui; ressuscitou. Lembrai-vos de como vos falou, quando ainda estava na Galileia: ‘É preciso que o Filho do Homem seja entregue às mãos dos pecadores, seja crucificado, e ressuscite ao terceiro dia’.

E elas se lembraram de suas palavras”.

Lucas 24:1-9.

SEGUNDA PARTE – OS SAGRADOS MISTÉRIOS DA PÁSCOA

CAPÍTULO VIII – SIGNIFICAÇÃO ESPIRITUAL DA ESTAÇÃO QUARESMAL

A Estação Quaresmal é um tempo de trabalho anímico, com o fim de se preparar para receber o influxo dos Mistérios Pascoais, o mesmo que a Estação de Advento é um tempo de preparação para a recepção dos Mistérios Natalinos. A Estação Quaresmal é um período de quarenta dias que precede a Páscoa. Como isso está de acordo com o calendário, o Místico Cristão compreende que há um significado oculto no valor numérico desse período. O número quarenta representa um tempo de preparação para a culminação de qualquer esforço espiritual elevado. Os israelitas, por exemplo, vagaram durante quarenta anos pelo deserto, simbolizando, assim, uma meta buscada, mas não encontrada até que se fizeram dignos de penetrar na Terra Prometida. Ou, em outras palavras, até que se tornaram dignos de se converter nos pioneiros de uma nova raça e de uma nova Era. O que nesse período de preparação se consegue, atualmente, depende do esforço realizado pelo Ego. Em casos raríssimos pode se completar a preparação somente em quarenta dias. Pode ocupar quarenta anos e, em alguns casos, até quarenta encarnações.

Para os primeiros Iniciados nos Mistérios Cristãos, a Quaresma não era tão só um período de quarenta dias do jejum parcial e orações dominicais como hoje o são para a igreja. Era um extenso período de provação, que começava com a entrada do Sol em Capricórnio no Natal e continuava durante os meses seguintes, enquanto o Sol passava por Aquário e Peixes e entrava em Áries, o Signo dos novos começos, em que a vida sobe para o alto com o milagre da Ressurreição.

Durante esse período era produzido um profundo exame do coração: os acontecimentos do ano anterior eram recapitulados, e a essência das experiências adquiridas era assimilada pela alma. Esse processo de autoexame encontrava sua expressão cerimonial nos rituais da Quarta-feira de Cinzas, o primeiro dia da quaresma, quando as palmas que acenaram com regozijo o Domingo de Ramos anterior eram queimadas e suas cinzas espalhadas sobre as cabeças dos penitentes. Assim se simbolizava que as quedas do ano anterior serviam aos elevados ideais, esses que a alma despertou no Domingo de Ramos.

O sábado, enquanto regido pelo mestre Saturno, acontecia o que se chamava de “escrutínios”. Quer dizer, que o Mestre examinava os Corpos internos dos Discípulos para comprovar os efeitos das disciplinas que estavam praticando.

Os principais objetos de estudo e meditação durante esse período preliminar eram os livros de Jó e de Jonas. Nenhum desses dois Livros pode ser compreendido em seu verdadeiro significado, até que se estude eles como manuais de Iniciação, que se referem a determinados processos de desenvolvimento que, mais tarde, foram ampliados por Cristo durante os períodos dos três anos de Sua vida pública.

Os principais acontecimentos da vida de Cristo Jesus, desde a Anunciação à Ascensão, configuram o Caminho da Iniciação que foi fornecido a todos os povos e a todas as raças, por meio das diferentes religiões do mundo. É esse o motivo pelo qual muitos ocultistas dizem a história de Cristo, tal e como é relatada nos Evangelhos, é um mito que deve ser lido alegoricamente e que não é histórica, mas o símbolo desse caminho de perfeição que toda a humanidade acabará recorrendo. Essa interpretação, no entanto, esquece que à Suprema Luz do Cristianismo Esotérico, ao glorioso Ser arcangélico, o Senhor Cristo que, já naquele remotíssimo passado, rico em Eons, que compreende o Segundo Dia da Criação e designado na terminologia oculta como Período Solar, se consagrou a Si mesmo como guardião do nosso Planeta Terra; e que, comprido o tempo, desceu a nossa esfera planetária para tomar, Ele mesmo, um forma humana na pessoa do Mestre Jesus, encarnação que ocorreu no momento do Seu Batismo, quando a voz do alto proclamou: “Esse é meu Filho amado, em quem me comprazo”[29].

Nos Mistérios Natalinos e Pascoais tratamos de seguir o Caminho da Santidade, que o Cristo percorre anualmente, durante Seu ministério em favor desse mundo e sua humanidade. Como foi dito, toda a natureza que, em sua totalidade, constitui o Corpo dessa Terra se altera harmonicamente com a subida e a descida de Cristo, e o Caminho do Progresso Espiritual ou Iniciação para o ser humano, segue o mesmo processo. Por isso, quando aprendemos a nos pôr em uma mais estreita e íntima relação com Cristo, nos encontramos, consequentemente, mais harmonizados com o espírito interno das mudanças de estação, e melhor realizamos o trabalho particular em cada uma das quatros estações do ano.

Além da vida de Cristo reproduzir as experiências dos pioneiros Mestres do Mundo e das etapas Iniciáticas procedentes dos antigos Mistérios, Ele, não só acrescentou a tudo que era antigo um significado mais profundo, mas também o colocou em prática no plano histórico, para que o mundo o veja e o contemple. Por isso os Mistérios Crísticos constituem a suprema consecução a alcançar mediante o desenvolvimento futuro da humanidade.

Assim como a soma do trabalho realizado durante a época do Advento consistia nos três graus: a Anunciação, a Imaculada Concepção e o Santo Nascimento, o trabalho realizado durante a Quaresma, consiste também de três Graus: o Getsemani, o Julgamento e a Crucifixão. Os três Graus que preparam o candidato para executar os Mistérios Natalinos tão formosos e ternos, já que o trabalho está, então, centrado no amor do coração e, neles o candidato penetra no segredo pertencente à coluna feminina do Templo, que é, simbolicamente, o elemento Água da natureza.

Nos três Graus que preparam o candidato para os Mistérios Pascoais, o trabalho é difícil e a autodisciplina dura, já que se dirigem ao desenvolvimento e a expressão de uma vontade firme e concentrada. O candidato aprende a desvelar o segredo pertencente à coluna masculina do Templo que é, simbolicamente, o elemento Fogo da natureza. Dedica, pois, todo o poder de sua vontade e resolve utilizar toda a força que dispõe para realizar com sucesso o trabalho exigido. E, então, é quando aprende, em verdade e de fato, o que significa “caminhar sozinho”.

No primeiro Grau ou Getsemani, o Caminho se estreita e se torna tão inclinado como telhado de um campanário, sem nada à vista salvo a cruz que o coroa. Toda a pureza, todo o amor e toda a fé que foram incorporados à alma, durante a preparação para receber os Mistérios Crísticos, devem ser postos em jogo, junto com a força e firmeza de propósito que cresceram no seu interior durante a presente época da Quaresma.

O objetivo dos Mistérios Natalinos consiste em guiar o ser humano ao longo do Caminho que conduz à consciência Crística e à dedicação da vida ao serviço do próximo. O objetivo dos Mistérios Pascoais consiste em iniciar o ser humano no estado da imortalidade consciente e lhe tornar capaz de conseguir a libertação do Corpo físico, não somente durante as horas de sono, nem entre vidas terrenas, mas em qualquer momento que deseje, para se converter, assim, em um Auxiliar Invisível consciente, quantas vezes seja necessário, tanto nesse plano com nos planos do espírito. É necessária uma preparação árdua e difícil para alcançar essa meta. O Rito do Getsemani exige uma vida de pureza e altruísmo. O cerimonial da Quarta-feira de Cinzas, que marca o início da Quaresma, inclui a colocação das cinzas da contrição sobre a cabeça do penitente ajoelhado. O ato simboliza a dedicação e o altruísmo supremos, necessários para que o candidato possa passar ao Grau conhecido como Getsemani.

O Rito da Agonia no Horto poderia se denominar, com propriedade, o Rito da Transmutação. A agonia do Cristo produziu Seu esforço por reduzir, às condições limitadoras da Terra, Sua elevada taxa vibratória, com o objetivo de se converter no Espírito Planetário Interno da mesma Terra. Quando o ritmo terreno foi Lhe aberto, todas as poderosas, sinistras e abundantes correntes do mal, existentes em nosso mundo, se precipitaram para Ele. E Ele, não só sentiu seu enorme peso, mas que viu, em uma visão caleidoscópica, sua origem e seu objetivo. As debilidades, quedas e os caprichos da humanidade se abrasaram como chamas, ao mesmo tempo em que a voracidade, o egoísmo e o ódio gravitaram sobre Ele com cargas pesadíssimas. A dor, a angústia e o sofrimento causados pelas más ações dos seres humanos Lhe penetraram até o mais profundo do Seu doce e compassivo coração.

O limite da agonia, inclusive para um Arcanjo, ocorreu sobre Ele quando passaram ante Sua visão as imagens do futuro, e viu quão poucos, dentre a imensa quantidade de pessoas que constituem a humanidade, reconheceriam o verdadeiro significado de Sua vinda e o objetivo real que Ele apontava. Contemplou com profunda dor como o obscuro véu do materialismo cegaria o mundo moderno, e a conseguinte falta de discernimento, intranquilidade e temor. A cegueira e a ignorância das massas sobre a Sua missão, a cristalização e a compreensão cada vez mais estreita por parte dos que, inicialmente, foram concebidos como canais dedicados a Seu serviço, fizeram culminar Seu Rito de Agonia com essa súplica: “Pai, se queres, afasta de mim este cálice! Contudo, não a minha vontade, mas a tua seja feita!”[30].

O Getsemani não aconteceu no Horto das Oliveiras por casualidade. Aconteceu ali porque esse Horto é uma das áreas da Terra carregadas mais elevadamente de vibrações (positivas). O que Cristo fez naquele Horto, altamente magnetizado, o fez sob a vibração dos Anjos. Foi um momento em que todo o programa da evolução recebeu um novo e poderoso impulso.

No Grau do Julgamento, as provas que o candidato há de superar estão de acordo com a sua posição espiritual. Quanto mais se avança no Caminho, mais sutis e penetrantes são as provas. Nenhuma poderia se comparar, em severidade, com as sofridas por Cristo Jesus, já que ninguém possui a Sua força e Seu poder espirituais.

Mais uma vez, no Grau do Julgamento, o candidato comprova a imensa importância de seu longo treinamento no altruísmo. Se não foi realizado apropriadamente o trabalho preparatório, não obterá êxito ao pretender passar por esse importante Grau. Poucos foram capazes de caminhar por esse longo e estreito caminho. Em um inspirado manual, se diz ao se referir a esse trabalho elevado: “Antes de que os ouvidos possam ouvir, hão de perder sua sensibilidade. Antes que a língua possa falar na presença do Mestre, há de perder seu poder de ferir; antes que os pés possam permanecer na presença do Mestre, hão de ser lavados com o sangue do coração”.

O Terceiro e último Grau que conduz à liberação é o da Crucifixão. Nesse Grau o candidato se encontra frente a um dos mais sagrados Mistérios, e que há de permanecer para sempre selado para o profano. Seu significado secreto pode só ser aludido muito breve aqui; seu objetivo interno e verdadeiro só pode ser revelado àqueles que buscam e encontram a luz em seu próprio interior, essa chama do grande amor branco que excede a toda compreensão.

Alguns já alcançaram esse ponto avançado do Caminho e se voltaram para trás, não tendo a suficiente força para seguir adiante, com Cristo, o caminho do Gólgota. Outros, chegaram a ser “pregados” na cruz, e falharam, porque não puderam suportar o momento em que a cruz seria erguida. Estreito é o Caminho e sutis são as provas até o mesmo final.

Os estigmas nas mãos, nos pés e na cabeça estão na mesma posição relativa que os extremos da estrela de cinco pontas. Os cinco cravos são os cinco sentidos, que atam o espírito na cruz do Corpo Denso. Platão diz: “Cada prazer e cada dor são uma espécie de cravo que une a Alma ao Corpo”. O espírito está muito intimamente ligado à forma pelos cinco sentidos e, nesses pontos, o poder do fogo espiritual é muito potente. A “extração dos cravos” desses pontos produz as cincos chagas sagradas.

O padecimento produz a ascensão do fogo criador ao longo do tríplice cordão espinhal. Quando ascendeu certo tempo, Netuno acende o fogo espinhal espiritual. Esse fogo faz vibrar as Glândulas Pineal e Pituitária na cabeça e, quando a onda vibratória golpeia o seio frontal, desperta os nervos cranianos ou a Coroa de Espinhos à vida. Mais tarde, a Coroa de Espinhos se converte em um halo luminoso, e a túnica escarlate se transforma em outra de cor púrpura real.

Quando o espírito de Cristo ficou libertado do Corpo de Jesus e passou para o centro da Terra, Sua alma imensa envolveu o globo inteiro de um incomparável brilho, tão intenso que a luz do Sol pareceu obscura.

Cada sacrifício comporta sua compensação espiritual. Todo ser humano que morre no campo de batalha, por qualquer causa que considera importante para ele mesmo, renasce em um nível superior de consciência. A posição evolutiva do Ego avança quando o sangue, que é seu veículo direto, se limpa das impurezas fluindo do Corpo no momento da morte. Todo Ego, durante os imensos ciclos de peregrinação terrena, vive pelo menos uma vida na qual o espírito abandona o Corpo, enquanto o sangue flui. Cristo, por meio do Seu sacrifício na cruz, foi elevado às Grandes Iniciações que pertencem ao Reino do Pai.

O candidato vitorioso, que segue a Cristo até o final do caminho, chega à Glória da Grande Liberação. Então já é livre para passar, pela vontade, do plano físico aos reinos espirituais. A Coroa de Espinhos se converte em um halo de luz, já que conquistou o maior dos dons da vida: a imortalidade consciente. Passando triunfalmente aos planos internos, se une às multidões brancas que rodeiam ao Cristo e que elevam suas vozes entoando o eco das palavras pronunciadas pelo Mestre no momento de Sua Grande Liberação: “Meu Deus, Meu Deus, como me tens glorificado!”.

O vitorioso, pois, conhece toda a glória da alvorada de sua própria Ressurreição.

CAPÍTULO IX – O ESOTERISMO DA PÁSCOA

As profundas radiações espirituais da época da Páscoa produzem uma aceleração dos impulsos espirituais, incluso nos ignorantes e despreocupados, enquanto que os que compreendem algo de sua profunda importância, prestam reverente atenção a sua íntima contemplação.

Contemplando um calendário, se aprecia uma diferença entre a observância do Natal e a da Páscoa. O festival natalino acontece sempre em uma data fixa, enquanto que a Páscoa cai, às vezes, tão cedo como em meados de março e, por outras vezes, tão tardio como em meados de abril. A causa dessa variação está em que o Domingo de Páscoa acontece, sempre, no primeiro domingo depois da primeira Lua Cheia que segue ao Equinócio de Março. Esse procedimento foi estabelecido por pessoas que compreendiam perfeitamente o esoterismo da estação pascal.

A Páscoa real ocorre no Equinócio de Março, quando o Sol passa da latitude sul para a latitude norte, e Cristo se liberta do Seu trabalho. Então, esse Ser radiante penetra nos planos espirituais da Terra para trabalhar ali com as Hierarquias celestiais e com os membros da humanidade que foram transportados pela morte à mais altas esferas de atividade.

Durante essa elevada estação, as forças de Peixes (março) e Áries (abril) se fundem em uma maravilhosa combinação de Água (Peixes) e Fogo (Áries) que possui, em todos os planos da existência, a chave do Matrimônio Místico. Toda a natureza conhece o gozo dessa união. Sua magia proporciona um brilho adicional às flores, uma nota exuberante ao canto dos pássaros e a promessa dos frutos mais abundantes. Esses poderosos impulsos de fogo estão sob a supervisão das Hierarquias de Áries e de Leão. Esses impulsos, no entanto, de muitíssima potência para ser enfocados diretamente na Terra, se encomendam à Hierarquia de Sagitário, que os distribui entre a humanidade. As grandes Águas da Vida dessa união mística estão sob a orientação da Hierarquia de Câncer, os Querubins, que entregam essas forças às Hierarquias de Escorpião e Peixes, as que, por sua vez, dispersam sobre a Terra.

Era nessa época do Equinócio de Março que os antigos, que compreendiam essas verdades do mundo interno, estabeleciam rituais elaborados relativos à fusão do Fogo e da Água. Incluso, atualmente, nesse mundo moderno, onde se perdeu a chave dessas verdades internas, restaram pedaços de suas fórmulas, de modo que, parte das celebrações pascais da igreja consistem na infusão da água sagrada com o novo fogo sagrado. Na união “apropriada” dessas duas forças está onde se deve buscar a chave da transmutação. A transmutação é o grande trabalho em que Cristo e os Seres celestiais dos planos internos, junto com os mais avançados da onda de vida humana, tanto dentro como fora de seus Corpos, se ocupam, durante o intervalo que conhecemos desde meados de março e nos meses de abril, maio, junho, julho, agosto e até meados de setembro. O trabalho do Templo dos Mistérios na Terra está, também, conectado com esse segredo da Transmutação. Na próxima Nova Era trabalharemos com essa Lei da Transmutação, com o mesmo conhecimento com o que, agora, trabalhamos com as leis que governam a eletricidade.

O mago Mefistófeles atuava com essa lei quando transformou o velho erudito Fausto em um exuberante jovem na cúspide de sua juventude florescente. Foi a compreensão desse segredo mágico da transmutação que São João descreveu em sua visão do Novo Dia, quando disse que “As coisas antigas se foram”[31]. Referia-se à idade, enfermidade e morte que, mediante o poder da Transmutação, deixam de obstruir a manifestação total do espírito imortal do ser humano.

Como se disse anteriormente, o Domingo de Páscoa só se celebra corretamente depois da Lua Cheia que segue o Equinócio de Março. A Páscoa se celebra no domingo, que é o dia do Sol, e o Sol é o lar do Cristo Arcangélico. A projeção sobre a Terra dos poderosos raios espirituais do Sol, o domingo, proporciona maior impulso vibratório ao ser humano do que em qualquer outro dia da semana.

Segundo os anais das antigas Escolas de Mistérios Cristãs, suas mais elevadas revelações e suas visões de maiores êxtases foram recebidas sempre no domingo.

As Hierarquias antes referidas, que disseminam esse poderoso impulso transmutador sobre a Terra, o fazem dirigindo do Sol para baixo sobre a orientação do Espírito Solar, o Cristo. Essa força, no entanto, não é suficientemente potente para produzir seu efeito total sobre a humanidade, e por isso a Lua Cheia se converte no canal para sua disseminação final. Por causa disso, a humanidade, em seu conjunto, ignora esse grande influxo que nós conhecemos como a celebração da Maré de Páscoa, até que a Lua Cheia aconteça depois do Equinócio de Março.

A grande massa da humanidade continua respondendo, amplamente, a esse influxo como a uma tendência instintiva ou um desejo de participar de alguma reunião espiritual. Muitos dizem que vão à igreja só uma vez ao ano, e é na Páscoa. Existe, também, o impulso de vestir roupas diferentes, com a mesma natureza, se cobrir com novos tecidos e se pintar com cores para participar de algum tipo de serviço comemorativo ou desfile. Isso é, em grande parte, o conceito que o mundo moderno tem da Páscoa. Os Seres Poderosos e únicos, no entanto, são persistentes e infalíveis em Seu ministério para o Planeta Terra e, ano após ano, esse poderoso impulso espiritual eleva e espiritualiza, gradualmente, a Terra e tudo que nela vive. A humanidade comprovará um dia que, graças ao processo de transmutação que ocorre na época da Maré Pascal, será possível, não só se vestir com um novo traje, mas, como São Paulo disse, “a remover o homem velho e revestir-vos do Homem Novo”[32]. Esses são o verdadeiro e elevado significado e, também, o objetivo da estação pascal; e todo ano, uma maior quantidade de seres desinteressados aprendem a se tornar servidores mais eficientes de Cristo em Seu grande trabalho, quando canta Sua triunfante canção de Páscoa: “Eu sou a ressurreição e a vida”.

CAPÍTULO X – ETAPAS PREPARATÓRIAS, DESDE LÁZARO ATÉ O GETSEMANI

Tendo passado a Quaresma na profunda meditação sobre os próximos Mistérios da Páscoa, o candidato está já preparado para penetrar nos mesmos Divinos Mistérios, tal e qual se celebram anualmente nos planos internos, nesse tempo sagrado do ano, quando o Arcanjo Cristo retorna ao Seu lar no Sol Espiritual. Conhecer esses Mistérios é penetrar no mais profundo da mais iluminadora de todas as revelações espirituais jamais feitas aos seres humanos: o Mistério de Cristo. Algo da verdade sobre a Páscoa pode se captar mediante o estudo de seus aspectos externos; mas, só por meio de uma aproximação espiritual pode se descobrir seu significado transcendentalíssimo. Na igreja primitiva a Quaresma era o tempo de uma preparação séria e profunda, para enfrentar as provas e os testes da Semana da Paixão que, passados com êxito, conduziam ao progresso nos sempre ascendentes Graus da Iluminação.

A cristandade ortodoxa, ao haver perdido as chaves da Iniciação, acentua a Páscoa histórica; a cristandade esotérica, por sua vez, enfatiza seu aspecto Iniciático em termos de desenvolvimento espiritual individual. A ortodoxia se centra na Paixão de Cristo, enquanto que o cristão esotérico se concentra sobre os efeitos da Paixão dentro de si mesmo, reconhecendo que ele também é um Cristo em formação. Daí a afirmação de Orígenes[33], o Mestre alexandrino dos Mistérios Cristãos durante a terceira centúria, de que os “sucessos da Palestina resultam inúteis para nós, a não ser que acontecem em nosso interior”. E, nesse mesmo sentido, as palavras do santo medieval Angelus Silesius[34]:

“Ainda que Cristo nasça mil vezes em Belém,

Se não nasce dentro de ti, tua alma segue extraviada.

Olharás em vão a cruz do Gólgota,

Enquanto ela não se erguer dentro de ti mesmo.”

Do mesmo modo que os Antigos, os Grandes Mistérios, inaugurados por Cristo, se dividem em três etapas ou Graus principais.

O Primeiro é o Rito da Purificação, que se relaciona com a limpeza da natureza inferior da vida sensível. Conduz ao que, normalmente, se chama de “viver a vida”. Cada etapa do Caminho leva consigo uma compensação espiritual. A desse Primeiro Grau consiste na faculdade de servir como Auxiliar Invisível Consciente. Muitos exemplos de Discípulos que alcançaram esse Grau, e seus poderosos anelos, são mencionados no livro o Ato dos Apóstolos.

O Segundo Grau é o Rito da Iluminação. Por meio dele certas correntes nos veículos internos do ser humano são colocadas em movimento, o que despertam as faculdades da clarividência e clariaudiência positivas. Tanto nos Evangelhos como nos Atos dos Apóstolos podemos encontrar muitos exemplos de tal conquista.

O Terceiro Grau é o de Mestre. Sua consecução é o Matrimônio Místico entre a personalidade e o espírito, que se torna, assim, consumado. As forças do “eu” pessoal se sublimam de tal modo que se pode alcançar sua perfeita união com o espírito interno. Os céus e a Terra, em uníssono, rendem obediência a quem alcançou tal Grau e que, na verdade, se converteu em Mestre de tudo que ele lida.

O exemplo relativo a esse Grau está disfarçado no relato das Bodas de Caná na Galileia, com o qual São João inicia seu Evangelho. Como essa boda pertence ao Terceiro Grau, diz-se que aconteceu no “terceiro dia”. A palavra “Caná” significa “sanar” ou “avançar” e a palavra “Galileia” significa “a brancura da neve”. São João começa seu Evangelho com a festa das bodas, porque informa, aos que podem discernir o seu significado interno, o ponto do Caminho que ele mesmo chegou.

Há “chaves” colocadas nos relatos bíblicos das vidas dos seguidores de Cristo e que, para os leitores Iniciados, indicam o Grau específico que já progrediram e que, além disso, serve para bosquejar o processo de desenvolvimento dos Aspirantes esotéricos que tentam tomar o Caminho da Cruz e seguir o Caminho do Discipulado Cristão.

A maior parte dos Evangelhos está dedicada ao trabalho dos homens e mulheres Discípulos de Cristo, e ao esforço que fizeram para alcançar a iluminação nos Mistérios Cristãos durante a espiritual Maré Pascal. Esses dias foram denominados a “Grande Semana”, por causa da imensa significância dos acontecimentos a eles associados, e também a “Semana Santa”, por causa da profunda santidade dos Mistérios a que se refere.

A Semana Santa começa com a Entrada Triunfal em Jerusalém e termina com a glória da Ressurreição, quando a morte é, verdadeiramente, transformada em vida. Entre esses dois acontecimentos se encontram as Estações da Cruz, que constituem a Via Dolorosa ou o Caminho da Dor. Vem depois do Domingo de Ramos e da Páscoa. Sucedem às hosanas que acompanham a Entrada, e precedem à Ressurreição, onde a consciência de Cristo, que estava despertando no Domingo de Ramos, se eleva à onda de glória da vida iluminada e ressurreta da alvorada da Páscoa. O ideal, antes vislumbrando, se torna realidade.

A Iniciação de Lázaro

O excelso trabalho da Iniciação desenvolvido durante a Semana da Paixão é inaugurado no sábado anterior à Entrada Triunfal com a Iniciação de Lázaro. Devido à trajetória ascendente da evolução humana as antigas fases da Iniciação, assim como certos aspectos da religião de Jeová, estavam morrendo. Cristo veio para “tornar novas todas as coisas”. As forças que liberou com a Sua vinda eram necessárias para salvar a humanidade de se extraviar em um materialismo que estava destinado a se tornar mais e mais denso durante os séculos vindouros. Contudo, em um processo ordenado de crescimento, o novo cresce e incorpora os valores conquistados pelo antigo. Por isso, os processos prevalecentes no ritual antigo e os que começaram a ser instaurados se combinaram no Rito iniciador de Lázaro, resultando essa mescla no nascimento dos Novos Mistérios Cristãos. Esse acontecimento, portanto, assinala o começo dos Mistérios da Semana Santa ou os profundos ensinamentos espirituais sobre os quais foi fundada a Igreja Cristã inicial.

O grande poder que a Igreja Cristã inicial obteve, o poder de curar definitivamente e de fazer milagres, derivava do conhecimento dos Mistérios. Logo, quando os interesses mundanos foram invadindo a igreja e o pensamento materialista obscureceu sua consciência, se perdeu o contato com a fonte original do poder, e caiu em uma impotência relativa, situação que vai sendo prolongada durante séculos e que continua nos dias de hoje. Até que a igreja não torne suas, novamente, as verdades da Iniciação, não recuperará o poder suficiente para conduzir à humanidade para a regeneração necessária, o qual a qualificará para estabelecer uma ordem cristã sobre a Terra. No entanto, sempre houve alguns, tanto dentro como fora da igreja, que conservaram a luz interior e preservaram a Sabedoria dos Ensinamentos Iniciáticos para a humanidade. São os que conhecemos como santos ilustres, cujas vidas e atos escreveram gloriosas páginas da história, ao longo dos tempos.

O trabalho do Primeiro Grau, dos três que se compõe os Mistérios Cristãos, constitui a Purificação. Afeta, primordialmente, o Corpo de Desejos. O trabalho do Segundo Grau constitui a Iluminação e afeta, especialmente, o Corpo Vital. O Rito do Terceiro Grau, denominado o do “Mestre”, unifica as forças do Corpo de Desejos e do Vital, de tal modo, que o espírito iluminado pode estabelecer contato com o Mundo interno e entrar em contato, consciente, com os seres que pertencem aos reinos supra-humanos e infra-humanos.

No Rito da Purificação é ensinado ao neófito como viver a vida casta e inofensiva. Se o Aspirante permanece fiel aos princípios estabelecidos para esse Grau, experimenta, em seu momento, um despertar de certos centros latentes do Corpo de Desejos. Obtendo isso, adquire conhecimentos, de primeira mão, relacionados aos planos situados mais além do alcance dos sentidos físicos.

A etapa seguinte do desenvolvimento esotérico, a do Segundo Grau ou Rito da Iluminação, consiste em conseguir que os recém-despertados centros do Corpo de Desejos impressionem ou sensibilizem os centros correspondentes do Corpo Vital. Com tal fim, o Aspirante há de praticar certos exercícios de concentração e meditação até que a clarividência e a clariaudiência se desenvolvam.

Esses resultados eram obtidos nas Iniciações pré-cristãs de maneira bem distintas. Nos antigos Ritos do Egito e da Babilônia, por exemplo, derivados originalmente dos Ritos Atlantes, o (espírito) do candidato à Iniciação era extraído de seu Corpo físico pelo Mestre Supervisor, junto com seus Corpos de Desejos e Vital e, nos planos internos, os centros ativos do Corpo de Desejos ativavam os do Corpo Vital durante o período de três dias e meio. Era, assim, necessária uma situação anormal, dirigida pela Mestre Iniciado, para conseguir o fim proposto.

Com a vinda do Cristo essa situação foi alterada e se tornou possível para o ser humano obter o mesmo desenvolvimento, mas no estado de vigília e sem a necessidade de estados anormais, nem de supervisões elevadas. Depois de despertar do estado de transe o neófito era considerado, nas Iniciações pré-cristãs, como alguém que tinha ressuscitado dos mortos. Verdadeiramente, era um “recém-nascido”, posto que adquiriu faculdades supranormais e poderes que antes precisava.

O pensamento materialista e sensual tende a entrelaçar de tal modo os Corpos de Desejos e Vital que torna a Iniciação extremamente difícil, se não impossível. Tal era o estado da humanidade, em geral, no momento da vinda de Cristo Jesus. Seu trabalho consistiu em liberar o ser humano dessa barreira que lhe privava do desenvolvimento espiritual. O início de tal conquista se obtém mediante a concentração e meditação, aos quais se somem os exercícios vespertino da Retrospecção; os três tomavam parte dos ensinamentos da Igreja primitiva. Durante a concentração, o polo masculino do espírito ou a vontade é predominantemente ativo; durante a meditação o fator dominante é o polo feminino ou imaginação. Mediante esses exercícios os centros do Corpo de Desejos podem se imprimir no Corpo Vital sem dissociar esse do Corpo físico. Atualmente, devido ao materialismo prevalecente, a dificuldade em extrair ambos os veículos, como se fazia no modo pré-cristão, é tão grande que poderia chegar a ser catastrófico. Seu resultado, como muita frequência, seria a loucura ou até a morte.

Para receber a nova forma da Iniciação Cristã foi eleito o mais avançado entre os seguidores de Cristo. Foi o Discípulo amado do Mestre, cujo nome de Iniciação foi Lázaro. Lázaro significa “aquele a quem Deus ajuda”. Foi seu elevado estado de desenvolvimento o que lhe capacitou para responder a chamada: “Lázaro, vem para fora!”; e, logo, a grande recomendação de seu Mestre: Desatai-o e deixai-o ir embora”[35].

Foi o emparelhamento produzido entre o velho e o novo com a ressurreição de Lázaro, que resultando em tão grande regozijo entre o povo que fez Cristo Jesus, no Domingo de Ramos, começar a sua entrada triunfal em Jerusalém, no dia seguinte do acontecimento Iniciático.

A Entrada Triunfal

Cada acontecimento da vida de Cristo Jesus, durante a Semana da Paixão, representa alguma fase da Iniciação nos Mistérios Cristãos. A Entrada Triunfal representa as alegrias, assim como o Calvário simboliza os sofrimentos. Para as massas que presenciavam a procissão do Domingo de Ramos, esta não era senão a atribuição das honras ao grande Mestre que, durante os últimos três anos, realizou tais milagres entre eles, que havia feito os cegos enxergarem, os paralíticos andarem e curar definitivamente os doentes. Contudo, para os Cristãos esotéricos seu significado era mais profundo. Para eles era a manifestação externa da santa alegria que experimentará toda a humanidade quando alcance a consciência crística, tornada possível graças ao recentemente instaurado novo procedimento de Iniciação nos Mistérios Cristãos.

As hosanas da multidão que bordeavam o caminho, ao longo do qual o Mestre passou durante Sua Entrada Triunfal, não eram senão o eco dos coros angélicos que saudaram o nascimento de Jesus. Então cantavam: “Paz na Terra e Boa Vontade para os Homens”; no dia de Sua entrada em Jerusalém para os acontecimentos finais de Seu ministério terreno, cantavam: “Bendito seja o Rei que veio em nome do Senhor; paz nos céus e glória nas alturas”. Portanto, anunciavam o amanhecer da Nova Dispensação, sob a qual, cada ser humano está destinado a se converter em rei de seu próprio reino espiritual e a caminhar no nome do Senhor ou na Lei do Amor, da Luz e da Verdade.

A cena da Entrada Triunfal foi Jerusalém, a cidade da Paz, que representa o coração ou o centro do amor no Corpo, o primeiro aonde começa a viver o Espírito de Cristo. O jumento, sobre o qual Cristo cavalgava, simboliza a Sabedoria Antiga. E as palmas espalhadas sobre o caminho representam as consecuções vitoriosas. Portanto, Cristo encenou, por meio da Sua Entrada Triunfal, algo que apontava à glória da Nova Era, quando as verdades dos Mistérios Cristãos se converterão na religião universal da humanidade.

O mestre enviou a dois dos seus Discípulos, Pedro e João, para preparar a Sua entrada, lhes dizendo que “fossem ao povo antes deles”, onde encontrariam um jumentinho; que o trouxesse e, sobre ele, Cristo cavalgaria para Jerusalém.

O “povo à frente” é o Caminho, que sempre se estende ante o Aspirante; e o jumentinho, símbolo da sabedoria, que nunca tinha sido montado, é o recém-liberado impulso espiritual, que deu nascimento aos Mistérios Cristãos. O fato de que esses Discípulos sabiam o caminho do povo e como trazer o jumentinho significa que eles já tinham sido iniciados no Caminho Cristão da Iluminação Espiritual.

O Mestre em Betânia

O Mestre passou todas as noites da Semana Santa, no lar amado de Seu seguidor mais avançado espiritualmente, Lázaro, e suas duas irmãs, Marta e Maria. Ele dedicou a segunda-feira santa para instruir a esses Discípulos nas fases mais profundas do trabalho Iniciático.

É interessante notar que desses três Discípulos duas eram mulheres. E isso é mais notável ainda se se considera o status inferior à que as mulheres eram relegadas naqueles tempos, especialmente nos países do Oriente. Contudo, vindo, como veio, a elevar a humanidade toda, quis deixar bem claro que as duas polaridades, a masculina e a feminina, chegarão a se equilibrar. Ele mesmo estendeu Sua consideração às mulheres e ao elevado lugar que, justamente, deviam ocupar, reconhecendo antecipadamente a posição que assumirão no mundo na Nova Era Aquariana, de igualdade e companheirismo entre os sexos, e que se tornará uma realidade totalmente manifesta.

As duas discípulas femininas representam os dois caminhos: Marta, a mentalidade e o caminho do trabalho. Marta estava sempre ocupada “em muitas coisas”; Maria tipifica o caminho do coração, a trilha da devoção. Renunciava a tudo para se sentar aos pés do Mestre. Das duas, o Mestre observou que essa última tinha feito a melhor eleição.

Como já dissemos, os centros sensibilizados do Corpo de Desejos imprimem sua impressão sobre os pontos correspondentes do Corpo Vital, de acordo com os determinados processos que ocorrem ao longo do desenvolvimento espiritual. Um Corpo preparado de tal modo adquire uma luminosidade que é o mais precioso presente para Cristo, posto que significa uma vida de dedicação e, portanto, qualificada para servir, no plano externo e no interno, como Auxiliar Visível e Invisível. Aí se pode encontrar o verdadeiro significado da quebra do jarro de alabastro por Maria aos pés do Mestre, ungindo-os com azeite perfumado. Na simbologia cristã primitiva um jarro representava a alma. A afirmação de que o perfume do jarro encheu toda a casa significa que seu perfumado Corpo-Alma vestia a luminosa brancura do jarro de alabastro que Maria dedicou ao serviço do Senhor.

Segunda-feira, Terça-feira e Quarta-feira da Semana da Paixão

A segunda-feira da Semana da Paixão, como foi dito, o Senhor passou em Betânia com Lázaro, Marta e Maria. Os profundos ensinamentos fornecidos às duas irmãs, durante esse tempo, estão formosamente descritos na alegoria da cena que se Lhe ofereceu na casa de Lázaro, e a que se refere o capítulo 12 do Evangelho Segundo São João. Os processos Iniciáticos estão frequentemente velados com as ceias ou banquetes, posto que alcançar tal exaltação de consciência é, verdadeiramente, um banquete para a alma, além de toda a compreensão.

Ainda que Marta, a neófita, estava preparada para sua promoção espiritual por seu serviço, o texto leva a entender claramente que ainda não a estava para participar na alimentação Iniciática. Lázaro, o “recém-nascido”, se sentou à mesa com o Mestre e participou com Ele, livremente, do pão dos céus e das águas da vida eterna.

Maria estava no mesmo limiar do Templo da Luz, como indica sua cerimônia de dedicação, consistente em ungir os pés do Mestre durante a ceia.

Na terça-feira, o Mestre começou a fornecer aos outros homens e mulheres lições mais avançadas, condizentes ao glorioso Rito da Ressurreição. O Livro dos Provérbios foi o texto empregado nessa ocasião, uma vez que seus poderes são fórmulas místicas e ritualísticas que, recitadas ou cantadas repetidamente, são tais, que podem estimular e elevar certas correntes do Corpo Vital, que são ativados no processo Iniciático.

Na quarta-feira, Judas sucumbiu à tentação dos sumos sacerdotes, que tipificam a razão ou Mente mortal humana, não iluminada pelo poder do espírito. As trinta moedas de prata se referem, numericamente, à tríade (3+0) composta pelo Corpo Denso, o Corpo de Desejos e a Mente inferior concreta. Quando esses Corpos e Veículos – ou princípios – atuam no nível inferior, como sucedeu com Judas ao executar a grande traição, se destroem sempre a si mesmos, como ocorreu com ele, ao se suicidar. Esse fracasso de Judas indica que não havia conseguido passar pelo Primeiro Grau ou Rito da Purificação.

A Quinta-feira Santa

Para preparar o Rito da Eucaristia, que ocorreu na Quinta-feira Santa, Cristo orientou a dois de Seus Discípulos para ir à cidade, onde encontrariam a um homem com um cântaro de água. Deviam segui-lo até uma casa onde deveria se preparar uma grande “habitação superior” para a chegada do Mestre e Seus Discípulos. Iriam celebrar juntos, ali, a ceia da Páscoa.

Essas instruções são, realmente, um anagrama crítico pertencente ao desenvolvimento esotérico do Aspirante. O homem que leva um cântaro de água faz referência a Aquário, o Signo Portador de Água, regente da Nova Era, na qual o espírito da verdadeira iluminação será derramado de novo sobre a carne, e cuja preparação ocorreria nesse momento. A “habitação superior” é a cabeça, a qual, quando está “mobiliada e pronta”, graças ao despertar dos centros espirituais de seu interior, proporciona a visão dos Mundos internos e superiores. Com a Glândula Pineal e o Corpo Pituitário despertos e ativos, se levanta o véu do Sanctum Sanctorum e o ser humano se encontra na presença de seu próprio Eu Superior, como criado a imagem e semelhança de Deus e capaz de manifestar os poderes do ser humano Crístico.

À luz dessa leitura simbólica podemos deduzir qual era o estado espiritual de São Pedro e São João, os dois Discípulos enviados à frente, pelo Mestre. Ambos estavam aptos a entrar na “sala superior”. O privilégio de preparar o caminho para qualquer um que, em qualquer tempo futuro, desejasse seguir seus passos era deles dois.

O Lava-pés

Quiçá a humildade, a vontade e a disposição para servir a todos e a cada um seja a mais importante lição que há de aprender o candidato à Iniciação. Até que essa lição não seja dominada, o ser humano não se encontra suficientemente qualificado para governar e lidar, com segurança, com os poderes que a Iniciação lhe confere. Há uma lei fundamental da evolução que estabelece que os mais avançados só podem continuar a progredir se se detém para servir os mais atrasados e para lhes ajudar a alcançar níveis superiores. Autossacrifício está no coração de toda a verdadeira realização. E foi por obediência a essa lei cósmica a razão pela qual o Lava-pés precedeu o mais excelso dos ensinamentos que o Mestre forneceu ao círculo de Seus mais próximos Discípulos ao longo de todo Seu ministério terreno. “Se eu não te lavar – respondeu Ele quando São Pedro repreendeu o Mestre dizendo que Ele não devia se humilhar assim – não terás parte comigo”[36]. A humildade e o esquecer-se de si mesmo são as palavras de passe para uma realização mais elevada. É aquele que se anula o que alcança tudo.

Cristo conhecia o destino elevado que aguardava São Pedro, quando seu orgulho e sua impetuosidade fossem substituídos pela serena humildade. Consequentemente, São Pedro se converteu na figura central da cena do lavatório com a qual se dá, a todos os Discípulos de todos os tempos, a suprema lição, objetiva, da humildade, como requisito prévio para a realização espiritual.

Devido ao velho costume de lavar os pés dos pobres nesse dia, no cumprimento do “novo mandamento”, a igreja o denominou a Quinta-feira do Mandato, termo derivado do latim “mandatum”, que significa “mandamento”.

A Última Ceia

“Se tu te elevas a Cristo para celebrar a Páscoa com Ele, Ele te dará o pão da benção, Seu próprio corpo; e te entregará Seu próprio sangue”, escreveu Orígenes, o místico cristão primitivo.

A Última Ceia ou o Rito da Eucaristia tem sido parte de todos os ensinamentos Iniciáticos que foram dados aos seres humanos em todos os tempos. No Egito, os místicos pão e vinho significavam as bênçãos do deus Sol, Ra[37]. Na Pérsia, a Eucaristia formava parte dos Mistérios de Mitra[38]. Na Grécia, o pão estava consagrado a Perséfone[39] e o vinho a Adônis[40]. Também se refere a esse rito um velho fragmento do índio Rig-Veda[41]: “ temos bebido soma – disse – nos tornamos imortais; temos entrado na luz; temos conhecido aos deuses”.

Cada época, cada povo ou cada religião recebeu esse sacro ritual do pão e do vinho, e sempre observou como o cerimonial proporcionou os mais elevados ensinamentos que, nesse momento, podiam ser transmitidos. A cada era e a cada religião posteriores, ao se ampliar a revelação divina, o ritual eucarístico foi adquirindo significados mais profundos, alcançando seu mais profundo significado espiritual quando Cristo, o Supremo Mestre do Mundo, celebrou o Rito com Seus Discípulos na Sala Superior, à meia-noite da Quinta-feira Santa, imediatamente antes da Sexta-feira Santo ou o Dia da Paixão. Então, Cristo ensinou a Seus Discípulos como manifestar os poderes do Grau de Mestre.

Na célebre carta de Plínio a Trajano, escrita em 112 D.C., se diz que, em determinados dias, os cristãos primitivos celebravam duas reuniões: uma, antes do amanhecer, na qual cantavam os hinos a Cristo e se comprometiam, mediante um “sacramento”, a não cometer nenhum crime; e outra, ao anoitecer, na qual ocorria o Ágape ou o Banquete do Amor.

O suco da videira (o vinho místico) simboliza o Corpo de Desejos, limpo e transformado, do Discípulo. O pão representa o puro e luminoso Corpo Vital. Mediante a combinação das duas forças espirituais desses dois veículos, devidamente separados, podem se manifestar os poderes correspondentes ao Mestre. Cada um dos santos homens e mulheres que participaram na Última Ceia com Cristo, purificaram seus Corpos de Desejos e Vital, de tal modo que foram capazes de receber e transmitir os poderes crísticos para a cura e a iluminação espiritual de todos aos que lhe foi dado servir.

Vivendo uma vida pura e inofensiva durante um período, cuja duração varia segundo o desenvolvimento anterior existente, a conservação da força criadora da vida produz uma força vital de ordem superior que irradia do Corpo e que pode ser dirigida e utilizada à vontade nos serviços para com os outros. Essa emanação etérica, na noite da Última Ceia, alcançou nos Discípulos um grau de luminosidade que nunca antes havia sido alcançado. Cada um deles entregou essa emanação anímica a Cristo no momento da Última Ceia. Dirigindo essa força para Si mesmo e a incrementando com Seus próprios poderes divinos, Cristo apareceu ante eles em toda a glória do Corpo de Sua Transfiguração. Então, derramou essa poderosa corrente de energia sobre o pão e o vinho, magnetizando-os com a magia da alquimia espiritual, até que ambos brilharam com o esplendor de joias indescritíveis.

Nas celebrações posteriores da Eucaristia pelos cristãos primitivos, os poderes divinos desenvolvidos pelo cerimonial magnetizavam o pão e o vinho, de tal modo e até um grau determinado que as substâncias assim santificadas eram empregadas, frequentemente, para curar aos enfermos. Por isso a Eucaristia era denominada, propriamente, “a medicina da imortalidade”.

A Ceia daquela primeira noite de Quinta-feira Santa foi concluída com o Pai-Nosso, uma oração de imenso poder, se for empregada corretamente, e com o “beijo da paz”. Com ela se expressavam a unidade e a harmonia que conseguiram alcançar e a reserva em comum do poder espiritual que geraram, com o objetivo de derramar o impulso de Cristo pelo mundo, para o seu consolo e sua redenção. Alcançaram a verdadeira fraternidade, que é o primeiro requisito para o êxito efetivo do grupo. Aqui se encontra a resposta à pergunta, tantas vezes formulada: “Judas esteve presente na Última Ceia”?

Santo Ambrósio, o bispo de Milão no quarto século, escreve que no ritual praticado pelos primeiros cristãos, o pão era partido e agrupado formando uma figura humana, representando, assim, o Corpo de Cristo feito em pedaços por causa do mundo, com o objetivo de que a humanidade caída pudesse ser salva.

As Iniciações Menores são em número de nove e se correlacionam com os Nove Mistérios da vida de Cristo Jesus, que são:

  • Encarnação
  • Nascimento
  • Circuncisão
  • Transfiguração
  • Paixão
  • Morte
  • Ressurreição
  • Glorificação
  • Ascensão

O Corpo humano é o templo do Espírito interno e cada etapa da expansão da consciência produz o correspondente desenvolvimento no Corpo físico. Desde o ponto de vista da anatomia oculta, o pão consagrado representa a nova força vital que foi produzido no Corpo, como consequência da conservação e transmutação da sagrada força criadora.

O Cálice do Santo Graal representa o novo órgão etérico que já começou a se formar nos Corpos dos pioneiros da Nova Era. Esse órgão tem seu centro de poder na laringe, a qual se converterá no instrumento para pronunciar a Divina Palavra Criadora. Esse poder se adquirirá quando a força vital criadora, centrada agora na base da espinha dorsal, for elevada até o ponto mais alto, na cabeça, e o processo físico criador for sublimado em sua contraparte espiritual.

O “cálice da flor” ou o novo órgão espiritual que está se formando na garganta, formará um elo que conectará diretamente a cabeça e o coração, promovendo como resultado a capacidade do ser humano de pensar com o coração e amar com a cabeça. Esse novo órgão permitirá recuperar a memória das vidas passadas. Essa recuperação não será, então, mais difícil do que agora quando recordamos acontecimentos sucedidos alguns anos atrás nessa vida. Cristo se referia a esse desenvolvimento quando disse: “já não beberei do fruto da videira até aquele dia em que beberei o vinho novo do Reino de Deus.”[42]

O significado oculto do Santo Graal permanece o mesmo através dos séculos, como bem indica a seguinte citação de Apuleio, filósofo romano do segundo século. Descrevendo essa taça como símbolo do órgão no desenvolvimento na garganta, disse que, na procissão dos Mistérios, “alguém transportava um objeto que alegrava o coração, um invento requintado, sem comparação com nenhuma criatura vivente, ser humano, pássaro ou animal qualquer; um maravilhosamente inefável símbolo dos Mistérios, para que fosse contemplado no profundo silêncio. Tinha a forma de uma pequena urna ou taça de ouro polido; seu caule se prolongava lateralmente, projetando como um riacho comprido; ao seu redor uma serpente de ouro enrolada, dobrando seu corpo em curvas e se erguendo.”.

A haste ou o caule desse órgão, na forma de taça, está formado pela essência do fogo kundalini[43] da espinha dorsal, quando se eleva, como uma serpente, para a garganta e para a cabeça, e se converte no cálice de uma luminosa flor. A serpente é um símbolo universal da sabedoria oculta. Por isso o Iniciado era chamado de “serpente” nos mistérios egípcios. Na Escola Cristã o Iniciado é denominado de “Filho do Homem” e, quando os Mistérios que ela ensina florescerem completamente, entraremos no Signo de Aquário ou Era do Filho do Homem.

No exaltado estado de consciência alcançado durante o cerimonial da Ceia, os Discípulos puderam ver os “registros cósmicos” e contemplar ali os acontecimentos que ocorreriam nos anos que lhe restavam de vida. Então, tiveram a possibilidade de aceitar ou não, livremente, esses acontecimentos. O fato de escolherem aceitá-los, difíceis como eram para suportar, evidencia o elevado estado que alcançaram, já que, em todos os casos, o previsto conduzia à diversas perseguições e, frequentemente, ao martírio. Contudo, renunciaram ao “eu” pessoal; saíram como almas Crísticas, tão fortificados que não importava o que lhe pudesse suceder com o Corpo físico; a alma seguia adiante, segura e serena, para o triunfo certo.

O Rito da Agonia no Jardim

Da Sala Superior, o Mestre se encaminhou, diretamente, a Getsemani. A agonia que ali experimentou marca outra etapa em Seu Caminho ascendente, tal e como ocorre na vida de cada Aspirante, quando vive uma experiência idêntica, em sua viagem ao longo do Caminho que conduz à iluminação.

A Agonia de Getsemani pode se denominar, também, o Rito da Transmutação. Ele traz a elevação de consciência adquirida na Sala Superior e a aquisição do poder que leva consigo, para a seguinte etapa ascendente no Caminho que requer que essa luz adicional e essa força sejam aplicadas na transmutação do mal e das trevas existentes, tanto no nosso interior como no mundo, no bem e na luz. No caso de Cristo Jesus, a agonia que experimentou foi o resultado de abrir Seu puro e perfeito Corpo ao influxo das correntes do mal, de todas as categorias, que Ele atraiu, procedentes do Mundo exterior. E recebeu essas forças em Seu interior com o objetivo de elaborá-las alquimicamente e irradiá-las, novamente, ao Mundo, transmutadas em forças de retidão. Tal é sempre o trabalho dos redentores dos seres humanos, sejam da natureza do Salvador do Mundo, sejam de categoria inferior, mas que dedicam suas vidas ao amante e desinteressado serviço aos outros.

O Mestre confiou que seus três Discípulos mais avançados – Pedro, Tiago e João – lhe ajudassem em Seu Rito de Transmutação. Entretanto, dado que ainda não eram suficientemente puros e altruístas, “dormiram”, ou seja, permaneceram interiormente estranhos ao trabalho que estava acontecendo no Jardim da Dor.

O Getsemani se localizava no Monte das Oliveiras porque, como já foi dito, era o lugar, de toda a Terra, carregado da mais elevada espiritualidade. Era o ponto mais indicado para que a agonia redentora pudesse ser suportada e consumada. O fato da Terra possuir áreas onde as forças espirituais estão fortemente focadas e serem mais elevadamente carregadas, corresponde ao nosso corpo humano que, também, possui centros localizados de percepção, tanto espirituais como físicos.

O que Cristo realizou no divinamente influenciado Jardim do Getsemani, sob as vibrações dos Anjos e dos Arcanjos, é de uma imensa importância para toda a humanidade: marca o momento em que a evolução planetária, em seu conjunto, recebeu um novo e poderoso impulso, destinado a conduzi-la a outra etapa em seu sempre ascendente caminhar.

São Pedro experimentou esse Rito de Agonia depois da sua tripla negação, quando, cheio de contrição, regressou ao Jardim e enfrentou seu próprio Getsemani. Ali, naquele lugar altamente carregado e em comunhão com hostes invisíveis, São Pedro, por meio do arrependimento e da purificação do coração, elevou sua consciência tão alto que o permitiu estar logo preparado e recebeu auxílio para a elevada Iniciação que lhe esperava no intervalo entre a Ressurreição e a Ascensão.

São João, o amado, e Maria, a Virgem Santa, fizeram frequentes peregrinações ao Monte das Oliveiras, vibrante de poder espiritual, quando o Mestre já não caminhava aos seus lados em Corpo físico. Ali, as portas do céu se abriam e os Anjos e Arcanjos desciam para se comunicar com os seres humanos. As lendas místicas da igreja primitiva contêm muitas referências de reuniões celebradas por Maria, com os Discípulos, no Jardim das Oliveiras, reuniões relacionadas, sempre, com algum aspecto do trabalho de Transmutação.

A oliveira possui raras propriedades ocultas e é uma das árvores frutíferas mais altamente sensibilizadas. Cresce somente em áreas especialmente favorecidas. Se encontra entre as pioneiras do Reino Vegetal e, ao longo do tempo, se tornou associada à cura e regeneração, qualidades essas inseparavelmente unidas ao processo de Transmutação. Por isso há outras lendas que asseguram que tanto a cruz como a coroa de espinhos, símbolos da consecução que segue ao processo de Transmutação, foram feitas de madeira da oliveira.

CAPÍTULO XI – A MAGIA DA SEXTA-FEIRA SANTA

Os quatro Evangelhos são fórmulas de Iniciação. São Mateus, São Marcos e São Lucas começam com o Natal ou o Sagrado Nascimento porque são as fórmulas dos Mistérios Menores. O Evangelho de São João começa com o Rito do Matrimônio, porque é uma fórmula dos Mistérios Maiores ou Cristãos e o mais profundo Tratado de Iniciação nunca antes dado aos seres humanos. O Evangelho não deveria ser considerado simplesmente como um livro de texto, válida como é essa apreciação, mas como uma força espiritual. Aos Estudantes esotéricos das Escolas de Mistérios ocidentais se lhes ensina a meditar, diariamente, sobre partes desse Evangelho.

Durante o Equinócio de Setembro, a natureza toda se encontra sob a influência da mística união dos princípios da Água e do Fogo. Os frutos dessa união são: a beleza, a harmonia e a perfeição. Nesse tempo, a natureza manifesta essa beleza porque a união se consumou pela obra das grandes Hierarquias Estelares. O ser humano há de encontrar, também, nesse sagrado Rito a chave dos Grandes Mistérios ou Mistérios Cristãos, mas há de aprender a realizar esse Grande Trabalho sozinho. Cristo se referia a esse Rito de Matrimônio Místico quando disse ao Mestre Nicodemos, que já estava familiarizado com o trabalho dos Mistérios Menores, que devei nascer da Água e do Fogo antes de que pudesse entrar no Reino dos Céus, ou seja, nos Mistérios Cristãos ou Maiores.

Cada um dos acontecimentos da vida do Senhor Cristo, dados nos Evangelhos, representa uma determinada etapa ao longo do Caminho da Iniciação. O formoso cerimonial da Sexta-feira Santa expressa a consumação da consecução cristã. O mundo cristão ortodoxo observa esse dia como um tempo de vigília dolorosa. O místico cristão, por sua vez, experimenta, nesse dia, uma estranha alegria espiritual. Ele vê a Crucifixão como um meio para um grande final maior, e a Agonia do Calvário se perde de vista ante a contemplação do supremo gozo que a segue. Compreende que a Crucifixão do Corpo há de preceder, sempre, a liberação do espírito. Um Mestre disse uma vez aos seus Discípulos: “Só em momentos de intensa angústia encontrarás tuas armas, e a teus irmãos na Grande Causa”.

O músico iniciado Richard Wagner[44], que compreendeu muitos aspectos do esoterismo cristão, teve grandes vislumbres do profundo significado desse maravilhoso dia em seu sublime drama Parsifal[45]. Essa obra transcendental deve ser considerada como um tratado sobre a magia da Sexta-feira Santa. Muita da formosura e muito do mistério desse dia, Richard Wagner os incorporou às passagens musicais da influência da Sexta-feira Santa que compôs para o último ato de seu sublime drama musical.

Cada Aspirante que pretende trilhar o Caminho é um Parsifal em um determinado estágio de evolução. Também ele, como Parsifal, conhecerá o caminho da cruz e, se for paciente e persistente em fazer o bem, também como Parsifal, conhecerá as revelações sobrenaturais anímicas que constituem a magia espiritual da Sexta-feira Santa.

A cena do regresso de Parsifal, uma brilhante manhã de primavera, constitui uma das belezas da natureza. É Sexta-feira Santa e uma benção de paz impregna toda a paisagem.

Existe uma estranha contradição entre o êxtase da natureza na primavera e o cerimonial da quaresma, observado nessa estação pela igreja ortodoxa. Os lugares de culto se cobrem sombriamente de preto ou de roxo, enquanto os penitentes se ajoelham, cheios de lágrimas de contrição, meditando sobre a Paixão de Cristo. A natureza, pelo contrário, veste suas melhores galas e, por todas as partes se escutam cantos de alegria e regozijo. Parsifal descreve o primeiro como “o dia da mais obscura agonia divina” e o segundo, dizendo “Quão formosos estão os prados essa manhã! Expressam o infinito amor de Deus!”.

Quando o ser humano caiu[46], isto é, quando perdeu seu ajuste perfeito com a sua consciência espiritual, perdeu também o equilíbrio dos dois polos de seu espírito interno, o masculino e o feminino, ou seja, o equilíbrio entre o Coração e a Cabeça. Essa falta de equilíbrio trouxe consigo a dor, a pobreza, a enfermidade e a morte ao Mundo. A cruz na qual Cristo Se permitiu ser crucificado é o grande símbolo cósmico dessa grande perda de igualdade entre as duas polaridades da natureza, humanamente representadas pelo homem e pela mulher. A cruz se encontra em todos os países, e é utilizada por todos os povos, porque toda a humanidade experimentou essa falta de equilíbrio durante os primeiros dias de sua viagem evolutiva.

Pendendo da cruz, o qual, de acordo com a tradição esotérica cristã, foi por sua vez, literal e simbólico, um fato histórico e uma dramatização espiritual, Cristo abriu o caminho para a Iniciação, por meio da qual toda a humanidade pode recuperar sua plenitude interior e por meio dessa plenitude ou integração, redescobrir o estado edênico, de inesgotável bem-estar e de vida imortal.

A natureza já manifesta o “ilimitado amor de Deus” como polaridade. Todo ano, o Sol ao cruzar, no Equinócio de Março, do sul para o norte (crucifixão), as latitudes setentrionais inauguram sua estação da ressurreição, e a natureza toda mostra o gozo e a formosura de uma união alquímica perfeita de forças vitais. Parsifal se refere a esse, o Grande Mistério da Páscoa, quando batiza a arrependida Kundry[47] com as palavras: “Regozija-te com toda a natureza harmoniosamente redimida”.

Kundry é o divino feminino, que caiu por causa da instabilidade emocional, tal como se representa no madeiro horizontal da cruz. Logo, acompanhada pelo triunfante Parsifal, penetra no Templo, entre o alegre toque dos sinos. Juntos, passam através das colunas, que substituíram a cruz, e que simbolizam a Iniciação por meio da polaridade. Essas duas colunas substituirão a cruz, como símbolo universal da religião, na Era de Aquário, que agora amanhece.

Parsifal disse da natureza, sobre a influência da Sexta-feira Santa:

Em verdade, encontrei flores maravilhosas

que pretendiam enroscar suas gavinhas em torno do meu colo;

e, nunca antes pareceram tão frescas

a erva, a folhagem nem as flores;

nem pareceu tão doce sua fragrância

nem me falou tão atrativamente

Essa é a magia da Sexta-feira Santa, meu senhor – disse Gurnemanz.

– Como pode ser isso assim? – Pergunta Parsifal – em vez de alegria e flores, a natureza deveria mostrar prantos e sentir dor nesse dia de agonia.

Gurnemanz explica que a grande glória da Maré da Páscoa se deve às lágrimas dos pecadores, que choram de contrição, caindo sobre a Terra como um orvalho sagrado, para se converter em flores.

– Por isso floresce. Todos os seres viventes se regozijam, escutam a voz do Salvador, e O adoram.

– Os bosques e campos – continua – não podem olhar para o Cristo na cruz, mas podem olhar para o ser humano arrependido. No desenvolvimento das flores pode se encontrar a contraparte, na natureza, do processo de transmutação que ocorre na vida de cada indivíduo.

Gurnemanz continua expondo o mistério íntimo dessa sagrada estação:

Cada folha de erva, cada pequeno ramo e cada pequena flor,

sabe que esse dia não pode acontecer nenhum dano,

senão que, assim como Deus, cheio de misericórdia,

Se lembrou do ser humano e por ele morreu,

o ser humano, nesse dia, será menos ousado

e andará com cuidado.

Agradecidas se animam todas as coisas

que vivem um momento e desaparecem

e, absolvidas de tudo, esperam

e bendizem esse Dia de Inocência.

No requintado encanto anímico que Wagner teceu com sua música de Sexta-feira Santa, fundiu toda a tristeza e a dor do religioso exotérico, com o êxtase manifestado pela natureza na primavera. É música que tipifica a culminação do grande processo de transmutação, por meio da qual a personalidade (Kundry) se eleva até a identificação com o espírito (Parsifal). É a fusão alquímica que eleva o Aspirante até o Terceiro Grau, ou o Grau do Mestre descrito na ópera na coroação de Parsifal. Essa coroação é acompanhada pela música etérea da Terra, que combina os motivos eucarísticos e os do Graal.

A descida da Pomba na Sexta-feira Santa, para encher e abençoar o Graal, com o objetivo de nutrir e sustentar os cavaleiros durante mais um ano, se refere aos acontecimentos que pertencem ao Grau do Mestre, e que ocorreu nesse dia nos Templos de Mistérios dos planos internos. Segundo a lenda antiga, é esse o dia santíssimo naquele em que a natureza exterioriza o maravilhoso atributo de suas flores. Também o reino animal responde ao acelerado ritmo vital do Planeta, se aproximando uns aos outros e todos ao ser humano. Tudo na natureza, pois, contribui para a santificação da Sexta-feira Santa. O místico sabe que se trata de um dos dias mais santos do ano, uma vez que as portas do Templo se abrem, par a par, para receber aos “qualificados e dignos” de passar pelo portal da glória.

Tudo isso Wagner incorporou a sua música da Sexta-feira Santa que, como a alquimia da natureza, revela vida de onde somente parece haver a morte. Essa música extraída da fonte dos Mistérios nos mostra o ser humano elevado ao divino, a esse Mundo mais além do nosso Mundo, e que é a única realidade. Incluído, sobre o não iluminado, derrama esse “outro Mundo” sua magia, com indescritível amor.

Com a coroação de Parsifal se fecha o ciclo da iluminação. A música dilui na obsedante beleza do motivo do Graal, se tornando cada vez mais etérea, enquanto os Anjos abrem caminho com suas asas através das neblinas douradas, e se perdem à visão e aos ouvidos dos seres humanos. O ser humano terminará por compreender que, na margem desse Templo Musical de Parsifal, pode construir uma dourada ponte de som, pela qual pode se comunicar com as hostes angélicas e arcangélicas.

Richard Wagner, o músico profeta da Nova Era, expôs à luz, com seu Parsifal, um antigo Mistério Cristão que, por sua vez, oculta e revela muitas coisas sobre o esotérico profundo e o elevadamente espiritual, que compõem a magia da Sexta-feira Santa.

CAPÍTULO XII – A SEXTA-FEIRA E A VIA DOLOROSA

Durante a Sexta-feira Santa as sucessivas etapas do Caminho do Discipulado se desenvolverão, simbolicamente, nos acontecimentos que ocorreram ao longo da Via Dolorosa ou “O Caminho da Dor”. “Aquele que não tome a sua cruz e me siga – disse o Mestre – não é digno de Mim”.

A Paixão de Nosso Senhor na Sexta-feira Santa alcançou o coração dos Mistérios. As quatorze estações da cruz representam certas etapas que pertencem ao desenvolvimento espiritual, se relacionando, além disso, cada uma delas, com um determinado centro do Corpo. Cada trecho desse Caminho, que cada discípulo pisou, estava conformado pela situação da sua própria alma. Somente quando a divina Maria, Maria Madalena e João alcançaram o nível espiritual necessário foi que eles puderam percorrer o Caminho até o final. Por isso os três, e somente eles, são representados junto à cruz de onde pendia o Corpo atravessado de Cristo. O número três significa também que cada um deles tinha passado pelo Terceiro Grau ou o do Mestre.

Nos três julgamentos, de Anás, de Caifás e de Pilatos, na flagelação, na coroação de espinhos, nas três vezes que Cristo caiu sob o peso da cruz, e nos três encontros com as santas mulheres durante a ascensão do Calvário, o candidato à Iniciação nos Mistérios Cristãos descobre as experiências que correspondem com a sua própria ascensão ao Monte da Iluminação, desde que tomou sua cruz e seguiu a Cristo.

Os diferentes acontecimentos que menciona o Evangelho e que ocorreram durante a Semana da Paixão, nas vidas dos homens e das mulheres que compunham o grupo mais íntimo do Mestre, entre Seus seguidores, levam todos uma referência velada a certa fase do seu próprio desenvolvimento, em conexão com um ou mais dos três Graus pertencentes à Escola Cristã de Mistérios. Cada estação da cruz se converte, pois, em uma pedra miliar no Caminho do Aspirante cristão, quando caminha ao longo da Via Dolorosa, e que é o que os Padres da missão da Califórnia chamavam de “El caminho del Rey”. Ao seu fim, as dores do Caminho se transformam no êxtase de regozijo da Ressurreição.

Os principais obstáculos do Caminho estão representados pelo juízo ante Anás ou Mente mortal; depois, pelo juízo ante Caifás ou ambição mundana; e, por fim, pelo juízo ante Pilatos ou a debilidade e vacilação da Mente, quando é chamada para tomar uma postura a favor da verdade, com risco de prejudicar a posição ou o prestígio pessoal aos olhos dos parceiros ou benfeitores não iluminados.

A flagelação representa os transtornos e, às vezes, a dor que acompanha o nascimento ou despertar dos sucessivos centros superiores do Corpo, situados ao longo da espinha dorsal, à medida que o fogo serpentino começa a subir, desde o sacro até o crâneo. A coroação de espinhos tem um significado análogo, e se refere, especificamente, à revivificação de determinadas áreas da cabeça. Por ter um significado similar, esses dois acontecimentos são citados, geralmente, juntos.

Com a subida do fogo espinhal até a cabeça, os nervos craneanos se sensibilizam progressivamente. Esses nervos rodeiam a cabeça como uma coroa e, no Grau do Mestre, irradiam um verdadeiro halo luminoso.

Três vezes o lastimado Senhor caiu sob o peso da cruz. O que aconteceu com ele, fisicamente, representa as correspondentes quedas morais nas quais a humanidade frágil sucumbe, uma e outra vez, enquanto percorre o Caminho da Dor até a Luz.  Como Indicador do Caminho para toda a humanidade, Ele não se omitiu, ao logo de todos os incidentes da Sua vida, a nenhum aspecto do mesmo. O ser humano cai sob o peso que os véus da matéria que é colocado sobre o seu espírito; cai devido aos desejos terrenos; e cai por causa da influência a que sucumbe sua Mente espiritual não iluminada. Três vezes cai por causa dos obstáculos que surgem de seu Corpo Denso, de seu Corpo de Desejos e da sua Mente.

Enquanto o Mestre subia o Calvário, ele se encontrou por três vezes as santas mulheres. Essas representam a atividade do Princípio Feminino, do Amor-Sabedoria, que trabalha para purificação do Corpo Vital e do Corpo de Desejos e pela espiritualização da Mente.

Depois da terceira queda, Simão Cireneu pegou a cruz e a levou pelo resto do Caminho. Esse fato, traduzido à termos de consecução espiritual, indica que seus votos de dedicação ao Discipulado ocorreram ali e então e, ainda com ele, tomou sua cruz pessoal e seguiu a Cristo até o lugar da Liberação. Simão, que já havia superado o Rito da Purificação, estava preparado para assumir o trabalho conducente do Segundo Grau, o da Iluminação.

Segundo uma lenda mística, o Mestre encontrou Verônica, a qual limpou Seu rosto com um pano, enquanto Ele subia no Calvário. Depois de ter feito isso, ela observou, com admiração tão intensa de assombro, que Suas feições foram impressas no pano. Esse fato se refere à experiência de uma das mulheres Discípulas, que alcançou a capacidade de imprimir os centros de seu Corpo de Desejos sobre os do seu Corpo Vital, com o qual, se converteu em Clarividente capaz de ler nos Registros Cósmicos. Essa é a marca do Segundo Grau.

Segundo os Evangelhos, Prócula, esposa de Pilatos, teve “um sonho com relação a esse homem justo e bom”. Isso é outra maneira de se dizer que ela era capaz de funcionar conscientemente nos planos internos, à noite, quando se encontrava fora do Corpo, e que tinha lido no Registro da Memória da Natureza, a verdade sobre a missão de Cristo como Salvador da humanidade. Sua experiência é também evidência da consecução do Segundo Grau.

AS ESTAÇÕES DA CRUZ

As Estações da Cruz indicam os lugares nos quais Cristo Jesus se deteve, enquanto transportava Sua carga, ao longo da Via Sacra, até o Calvário ou Monte da Liberação. Originalmente, essas Estações eram só sete, e se conheciam como “as sete quedas”. Durante a ocupação da Terra Santa pelos turcos, a localização dessas Estações na Via Sagrada sofreu algumas mudanças e, com isso, se perdeu grande parte do significado esotérico que elas levavam consigo.

O mais profundo significado dessas Estações não se originou com o Cristianismo. Estão relacionadas com a natureza do ser humano e o processo que se relaciona com o desenvolvimento de sua natureza divina. Seus significados são, portanto, comuns, tanto aos Mistérios antigos como aos Mistérios Cristãos. Nos Mistérios de Elêusis[48], por exemplo, existia uma Via Sagrada que conduzia desde a cidade de Atenas, costa acima, até perto de Elêusis. Essas estações ou “pequenas capelas”, como eram chamadas, representam determinados estados de desenvolvimento, e a nenhum discípulo lhe era permitido ir mais à frente, por esse Caminho, senão somente até o nível de consecução em que estava autorizado. Dentro de cada pequena capela, o Discípulo recebia as instruções que lhe ajudavam a chegar até a próxima Estação. Na Alta Idade Média os devotos cristãos iniciaram a prática de reproduzir em suas igrejas as Estações da Cruz, por meio de cenas da Paixão, pintadas ou esculpidas. Foi, também, frequente a colocação de relicários ou pequenas capelas, representativas das diferentes Estações, ao longo do caminho que conduzia à igreja. Quando se começou a fazer isso existia um conhecimento da importância mística dessas Estações, mas, gradualmente, se foi perdendo, exceto para uns poucos, à medida que o pensamento materialista foi invadindo o terreno da verdadeira compreensão esotérica. Hoje servem, no melhor dos casos, pouco mais que como pequenos objetos de veneração, que estimulam o devoto a rezar, mas também dão lugar, em muitos casos, à crenças e práticas supersticiosas.

As Estações que, ao princípio, foram sete, se duplicaram mais tarde. Esotericamente representam o Caminho do desenvolvimento, por meio do despertar dos sete centros energéticos, em seu duplo aspecto, positivo e negativo, que florescem no interior ou sobre a cruz que representa o corpo humano. As experiências da vida de Cristo, que marcam as quatorze Estações, são as seguintes:

  1. Cristo Jesus é condenado à morte
  2. Carrega a Sua cruz
  • Cai pela primeira vez
  1. Encontra Sua mãe
  2. Simão Cireneu Lhe ajuda a levar a cruz
  3. Verônica enxuga Seu rosto
  • Cai pela segunda vez
  • As filhas de Jerusalém choram por Ele
  1. Cai pela terceira vez
  2. É despojado de Suas vestimentas
  3. É pregado na cruz
  • Morre na cruz
  • É descido da cruz
  • É colocado no sepulcro

Em toda literatura esotérica os sete centros se descrevem assim:

O primeiro está situado na base da espinha dorsal. Aí dorme o fogo espinhal espiritual. Quando em estado latente sua cor é vermelha escura, mas despertado sua cor se torna vermelha rubi clara.

O segundo está situado no Plexo Celíaco. Quando em estado latente sua cor é vermelha alaranjado, mas sua cor se modifica durante o processo de transmutação e se torna em um suave tom verde vernal claro.

O terceiro se relaciona com o baço o qual, como um sol em miniatura, irradia a luz dourada. No princípio do desenvolvimento possui um tom verde dourado que logo se converte em puro dourado.

O quarto, o centro cardíaco ou cordial, emite o amarelo resplendente que, em posteriores estágios de transmutação, passa a se tornar azul etéreo.

O quinto está colocado sobre o pescoço, exatamente sobre a laringe. Sua cor é azul e, através dele, quando se completa o desenvolvimento, faíscam cores de prata cintilante.

O sexto se encontra perto do centro da cabeça, em direção à coroa. Quando entra em atividade plena emite desenhos caleidoscópicos de beleza indescritível. Suas cores primárias são: rosa, amarelo, azul e púrpura.

O sétimo está na parte mais elevada da cabeça. Totalmente desperto forma uma coroa ou halo que irradia uma refulgente luz branca.

O colocar em atividade ou despertar dos dois centros inferiores corresponde ao Primeiro Grau ou o da Purificação; assim como o baço e o coração correspondem ao Segundo ou o da Iluminação. O centro do pescoço é a porta que comunica a personalidade com o espírito e alcança seu pleno desenvolvimento só quando a personalidade se espiritualiza, ou, em outras palavras, quando está disposta a sempre obedecer às ordens do espírito. Os centros da cabeça correspondem ao Terceiro Grau ou o Grau do Mestre.

Segundo a compreensão esotérica da igreja primitiva, os Discípulos que percorriam o Caminho do Calvário não encontraram o Mestre durante o Caminho, mas que O seguiram. Essa é a interpretação correta, já que Cristo foi o Supremo Indicador do Caminho para toda a humanidade. As Estações indicam as Etapas mais importantes, conducentes à Iniciação.

Primeira Estação: Cristo Jesus é condenado à morte

Por meio da experiência transformadora da Iniciação, o ser humano morre para o mundo exterior e nasce para a vida interior do espírito. A Primeira Estação representa a suprema dedicação. O princípio de todas as coisas é o “Um”. Assim como é “Una” a grande Chama Branca que contém as sete cores, em poder, em força ou em suspenso, do mesmo modo, a dedicação pré-iniciatória se converte na semente de onde brotou, na forma devida, todas as forças espirituais latentes na consciência do Discípulo.

Segunda Estação: Cristo Jesus carrega a Sua cruz

Depois da suprema dedicação, a cruz se converte no objeto familiar para o Aspirante. Ela lhe faz frente à todas as experiências de sua existência diária e deixa sua marca, tanto sobre a vida exterior como sobre a vida interior. É nessa Estação quando o Caminho se torna pesado, que muitos retornam para o mundo, e deixam de caminhar com Cristo.

Assim como o “Um” pertence à esfera do infinito, o “Dois” pertence à do finito. “Dois” representa a descida do espírito na matéria. A Segunda Estação tipifica a encruzilhada da decisão, a situação vacilante desde a que o Discípulo, ou retorna para os velhos caminhos, ou se encaminha para frente em busca de uma identificação maior com o espírito.

Terceira Estação: Cristo Jesus cai pela primeira vez

Considerar as Estações somente pelo seu significado histórico, como os incidentes na vida de um único homem, é perder a perspectiva de seu verdadeiro significado para toda a humanidade. Se Cristo é o Supremo Iniciador, Seu Caminho há de ter, claramente, um significado para todos. Esotericamente, cada queda ao longo da Via Dolorosa é o símbolo de uma experiência na vida do Discípulo onde e quando pode cair ou falhar. É, portanto, importante conhecer a natureza dessas provas, a fim de se poder enfrentá-las com conhecimento de causa.

O “Um”, somado a “Dois”, produz o “Três”. Os antigos sábios definiram a aparição da Triplicidade como “o mundo da Emanação”. É por meio das forças do “Três” que o espírito desce para habitar a carne. O ritmo manifestado pelo “Três” depende da harmonia existente entre o “Um” e o “Dois”, e nisso está a chave da futura evolução do ser humano. A Primeira Queda representa o estado atual da evolução humana, onde o ser humano está profundamente envolto no mundo da matéria.

Quarta Estação: Cristo Jesus se encontra com Sua mãe

Pitágoras chamou o número “Quatro” de “sagrado”, porque significa a Alma. Daí o inspirado cântico: “O Quatro do Um e o Sete do Quatro”.

A Cabala estabelece que a primeira celebração é a da Grande Mãe. A Mãe representa o Divino Feminino ou a faculdade criadora de imagens, e o princípio amoroso do espírito do ser humano. Como é a realização do Divino Feminino e o consequente desenvolvimento dos poderes espirituais, os quais o Discípulo aspira, nas primeiras etapas da busca, encontra a Mãe, o “perfeito modelo de realização”.

Quinta Estação: Simão Cireneu ajuda a Cristo Jesus levar a Cruz

Nos primeiros estágios do processo Iniciático o trabalho a ser desenvolvido se refere, alternativamente, aos polos masculino e feminino do espírito. No Livro do Mistério Desvelado se afirma que o Pai e a Mãe contêm todas as coisas e que todas as coisas estão contidas neles e que, quando os pecados se multiplicam no mundo e o santuário se torna poluído, o macho e a fêmea se separam. Essa separação representa o atual imperfeito e desequilibrado estado de desenvolvimento humano. Por isso, o primeiro trabalho do Caminho da Iniciação consiste em restaurar o equilíbrio perdido.

“Cinco”, portanto, é o número da mudança ou da transição. É o número do bem em formação. É chamado o “número dual”, porque representa as naturezas superior e inferior em sua luta pela supremacia. Aqui o Caminho se estreita e a cruz se agiganta.

Sexta Estação: Verônica enxuga o rosto de Cristo Jesus

O Cântico dos Cânticos de Salomão é uma exaltação do Divino Feminino. Em nenhuma outra obra escrita aparece mais vividamente descrito o êxtase puro da alma do “Um” Iluminado: “Minha amada é minha e eu sou seu”. Esse inspirado cântico, pois, descreve a união dos dois polos, masculino e feminino, do espírito.

No “Cinco” ocorre a luta entre o humano e o divino. No “Seis” as forças da construção criadora trabalham para o estabelecimento de uma harmoniosa interrelação. “Seis” é amor humano dedicado à Vênus. Mediante o sofrimento gerado pelo amor humano, a alma ressuscita e nasce. O número “seis” anuncia a preparação por meio da purificação. Sob seus poderes, nasce a iluminada visão da clarividência.

Sétima Estação: Cristo Jesus cai pela segunda vez

A ascendência à Sexta Estação se consegue somente por meio da Purificação. Na Sétima o futuro progresso depende da força de vontade e da firmeza do propósito.

“Sete” é o lugar do sábado ou do descanso, não da cessação de atividade. É de onde o Discípulo se eleva, de uma ordem inferior para outra superior, e prossegue para a vitória espiritual e o Adeptado. Nesse ponto se sintetizam as experiências da vida e suas essências se convertem em poderes úteis da alma. Desde esse ponto, o progresso futuro, ainda que difícil, é contínuo e ininterrupto.

Oitava Estação: As Filhas de Jerusalém choram por Cristo Jesus

A separação entre os princípios masculinos e femininos é a causa de toda a dor, da tristeza e da morte existentes no mundo. Essa separação trouxe consigo a submissão do feminino e é por isso que choram as filhas de Jerusalém. O Mestre Supremo e Suas obras mostraram os poderes perfeitos dos dois polos em equilíbrio. A cruz que transportou e o Caminho que seguiu até ao Calvário simbolizam o meio para a restauração de toda a humanidade. “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” é o um cântico de um profundo significado místico. O lamento das filhas de Jerusalém (o despertar da alma) surge do fato de que o ser humano não mais se aproximou desse ideal Crístico.

“Oito” é o número “livre” ou da ressurreição, e ostenta os elevados poderes do raio dourado de Cristo.

Nona Estação: Cristo Jesus cai pela terceira vez

A Terceira Queda está relacionada com os poderes da Mente não iluminada. São Paulo se refere a esses como “poderes das trevas”. Se a qualidade anímica feminina não fosse submetida às forças puramente mentais, a Mente do ser humano não iluminado não haveria jamais adquirido os poderes desproporcionados que hoje possui. A Mente é o Caminho e sua “cristianização” é o trabalho mais importante de toda a evolução humana.

O número “Nove” representa a escala evolutiva que vai do ser humano até Deus; por isso foi denominado o número do ser humano e o número da Iniciação ou da “cristianização” do ser humano.

Da hora sexta até a hora nona a Terra se obscureceu, enquanto o Mestre, unido a Sua cruz, se convertia no Supremo Indicador do Caminho para toda a humanidade, demonstrando um perfeito equilíbrio espiritual. O “Nove” supõe o começo dessa união de poderes, e a Mente, como foi dito acima, é o caminho da realização. “Que Cristo se forme em ti” é o primeiro mandamento cristão.

Décima Estação: Cristo Jesus é despojado de suas vestes

A Décima Estação destaca o princípio da Grande Renúncia, simbolizada pela separação do Mestre de Sua inigualável veste. Essa formosa vestimenta representa a consciência ativa de Deus, esotericamente comparável à essência extraída de todas as boas obras de nossas vidas terrenas, e que é perceptível pela visão interna como o Corpo-Alma, ou o “dourado traje de bodas”, um halo luminoso que rodeia todo o Corpo e se estende amplamente ao seu redor como uma glória brilhante, tal e como se pode comprovar em vários santos ilustres durante suas vidas terrenas. Cristo renunciou a essa gloriosa vestidura da alma para que suas poderosas emanações impregnassem a parte etérica da Terra. O ser humano continua ainda recebendo a cura física e a inspiração espiritual provenientes daquela força originária de Cristo, pois Seu sacrifício não afetou somente a seu Corpo, mas também a sua Alma. Foi um derramamento de luz e amor, da qual a Terra e sua humanidade se beneficiarão até o fim dos tempos.

O número “Dez” significa a verdadeira substância do ser. Todos os números conduzem a ele. Os números seguintes são meras combinações dos números que o precedem. O “Dez” é formado pelas potências masculinas (1) e feminina (0), e representa o homem e a mulher trabalhando de acordo com as leis da geração. A sublime pureza da alma, simbolizada pela vestidura inigualável e pela renúncia, por meio da sua entrega a seres menos avançados, se encontram formosamente representadas como a elevada consecução da Décima Estação.

Décima-primeira Estação: Cristo Jesus é pregado na cruz

A Décima-primeira Estação marca a total e completa renúncia à vida pessoal em favor da vida espiritual, do mesmo modo que a Décima marca seu início.

O filósofo esotérico Franz Hartmann[49] escreveu: “a mulher representa a formosura e a vontade da raça humana; mas nem um dos dois, nem o masculino nem o feminino, são perfeitos. Só é perfeito o ser em que o masculino e o feminino estão unidos”.

A cruz é o símbolo da prevalente desunião entre os princípios masculino e feminino na humanidade; e o espírito interno ou o Cristo Interno está cravado nessa cruz de limitação até que se libera a si mesmo, por meio da Iniciação, para que se obtenha o equilíbrio perfeito.

De igual modo que a cruz (+) representa a falta de equilíbrio entre o masculino e o feminino, o número “Onze” (11) representa o equilíbrio, a meta suprema da raça humana. Por isso o “Onze” é denominado o Número do Mestre. Quando as forças do “Onze” se tornam totalmente ativas no ser humano esse adquire o poder de mudar o seu entorno, de originar novas circunstâncias, de criar um novo Corpo e uma nova vida; tudo isso em harmonia com a imagem divina, cuja semelhança foi ele mesmo modelado no princípio.

A renúncia a tudo o que pertence ao plano físico proporciona a divina compensação de um campo de ação e de poderes ilimitados nos Mundos espirituais superiores. Quando a Alma se desliga da materialidade, adquire a liberdade correspondente do seu próprio e verdadeiro Mundo.

Por isso os antigos definiam os poderes do “Onze” dizendo: “ Em minha mão, todas as coisas permanecem em perfeito equilíbrio. Eu uno todos os opostos, cada um com seu complemento”.

Décima-segunda Estação: Cristo Jesus morre na cruz

Por meio da Iniciação, o Discípulo morre para o finito, para o pessoal, para o material, para renascer de novo no milagre e na glória do infinito, do impessoal e do espiritual. O mortal é transmutado em imortal, o terreno em celestial. Com as palavras “está consumado”, o glorioso espírito de Cristo se libertou para funcionar nos Mundos da imortalidade. Tal é também a consecução do Discípulo quando alcança esse lugar do Caminho. A morte foi enfrentada e vencida. Nunca mais o espectro terrível poderá alcançá-lo. Transcende o tridimensional. A consciência dele é focada em uma dimensão superior.

O final da peregrinação do ego na esfera terrestre é trazer à manifestação a força do Cristo nele latente. O número “Doze” entoa a nota-chave dessa consecução.

Décima-terceira Estação: Cristo Jesus é descido da cruz

A Décima-terceira Estação é o Grau da Grande Libertação. Quando o Corpo sagrado foi libertado da cruz, foi posto nos braços da Sua mãe bendita. Em outras palavras, por meio do equilíbrio o Ego se liberta da cruz da materialidade e é elevado à sublime exaltação da união com o Divino Feminino.

A Cabala diz que “quando o macho se une a fêmea, ambos constituem um corpo completo e todo o universo se encontra em estado de felicidade, porque todas as coisas recebem bênçãos desse Corpo perfeito. E isso é um arcano[50]”. Ou seja, que essa é a suprema consecução na evolução da raça humana.

Por meio da emanação do poder do “Doze” se aprendem lições através do ritmo masculino do “Um” e do ritmo feminino do “Dois”. O “Doze”, agrupado ao redor do “Um”, forma uma unidade que vibra para o “Treze”. Nele jaz o segredo da paz, da abundância e do poder para toda a humanidade. Na fórmula do “Treze” se encontra a chave oculta das palavras do Mestre: “onde dois ou três estiverem reunidos em Meu nome, ali estou Eu no meio deles”[51].

Grande parte do trabalho de Cristo e Seus Discípulos está relacionado com a mística fórmula do “Treze”. A nova Dispensação se estabeleceu sob seus poderes. A Décima-terceira Estação governa a transição de um estado inferior para outro superior. Suas forças são, portanto, especialmente ativas nesses dias em que a Era Aquariana está se aproximando. Como apontando para esse fato, treze estrelas que compõem a urna celestial, onde está a constelação de Aquário, o portador da água celeste, está derramando as águas da vida sobre a Terra.

Décima-quarta Estação: Cristo Jesus é colocado no sepulcro

Cristo foi colocado em um “sepulcro novo” no qual não tinha sido sepultado nenhuma outra pessoa antes. O princípio masculino se debilita com a morte ou desequilíbrio, para que possa, novamente, logo ser elevado, em equilíbrio com o feminino. O número “Quatorze” representa as forças combinadas do masculino “Um” com o feminino “Quatro”. Aqui o “Quatro” é a porta de entrada aos planos superiores. Esse foi o trabalho do Grau demonstrado pelo Supremo Mestre ao longo da Via Sacra, e simbolicamente perpetuado nas Estações da Cruz.

A colocação de Cristo Jesus no “sepulcro novo” indica que Aquele que foi colocado nele acabava de experimentar a Morte Mística, que conduz a uma nova Iniciação, ou melhor, a uma Iniciação de um grau superior à de qualquer outra que houvesse precedido. Pois a missão de Cristo na Terra foi a de fundar a nova Escola de Mistérios Cristãos. Essa tumba, portanto, não foi um lúgubre sepulcro de morte, mas a porta de acesso a uma vida mais abundante.

As Quatorze Estações ou Graus de estados de consciência em expansão e ascensão progressiva tem seu desenvolvimento paralelo nas estrelas interiores ou centros florais que adornam o Corpo do ser humano iluminado. “Depois disso, tive uma visão: havia uma porta aberta no céu”[52]. Tal é a expressão bíblica para essa exaltada vivência.

Entre os mais próximos e queridos a Cristo, só uns poucos tiveram a suficiente fortaleza para lhe seguir em todo o caminho. Entre os que tentaram alguns retornaram por não ter a suficiente fortaleza para fazer a suprema renúncia de perder sua vida para ganhá-la. Outros O traíram nessa etapa, porque não tiveram a suficiente força de caráter e a convicção que os tornariam capazes de permanecer firmes ante um fim aparentemente inglório para o seu Mestre, e as provocações e sarcasmos da crucifixão se amontoaram ante eles. A prova que aqui enfrenta o candidato à seguinte etapa do Caminho há muito poucos os que estão preparados para passar por ela com êxito.

Nas palavras de Max Heindel: “Essa etapa é para aqueles que fecham seus olhos a todas as coisas da Terra, aqueles que já não se preocupam com os elogios ou as censuras dos seres humanos, mas que focam no seu Pai nos céus. Aqueles que estão dispostos a manter a Verdade e só a Verdade. Aqueles que vem com o coração e vem nos corações dos seres humanos, que podem discernir neles o Cristo Interno, o Filho de Deus vivo”.

CAPÍTULO XIII – A CRUZ, UM SÍMBOLO UNIVERSAL

 “A cruz é um hieróglifo sublime que possui poderes e virtudes misteriosos”. É um “símbolo de devoção e sacrifício”.

Esse símbolo está desenhado na face estrelada dos céus, o mais velho símbolo sobre a terra: a cruz. Ela é formada pelos quatro Signos Cardinais do Zodíaco: Câncer ao norte e Capricórnio ao sul formam a barra vertical; Áries ao leste e Libra ao oeste formam os braços horizontais.

Esses quatro Signos compreendem os trinta graus do Zodíaco mais próximos dos Solstícios (norte e sul) e dos Equinócios (leste e oeste). Sobre o agitado e ocupado coração desse pequeno Planeta brilha a permanente guia da luz da grande cruz dos céus.

É interessante destacar que a Dispensação de Áries-Libra proclamava a primeira vinda do Senhor Cristo, “o cordeiro, que era sacrificado desde a fundação do mundo”[53]. Os astrólogos espirituais predisseram que Sua segunda vinda ocorrerá durante a Dispensação de Capricórnio-Câncer.

O primeiro símbolo a receber a homenagem e a adoração do ser humano foi uma coluna vertical. Representava a força masculina na natureza, a força geradora positiva. Mais tarde foi adicionada, à coluna vertical, a barra horizontal, formando a cruz. A barra horizontal representa a força feminina, passiva ou produtiva, na natureza e na mulher. A cruz que coroa os campanários de muitas igrejas proclama que esse é um mundo de homens na qual a posição da mulher é secundária. A desigualdade entre o homem e a mulher tem sido a causa de muita dor e muito sofrimento ao longo de todos os tempos, de modo que até a sua associação com o Cristo, a cruz foi o símbolo da dor e do castigo durante muitos séculos. Antes de terminar a Era de Aquário, a cruz será substituída pelas duas colunas verticais, como símbolo universal, já que a Nova Era é para testemunhar a perfeita igualdade entre as forças masculinas e femininas, simbolizada pelas duas colunas, uma junto a outra.

A Maçonaria aceitou, em princípio, essa igualdade. A cruz é utilizada poucas vezes por ela, sendo as colunas verticais o símbolo mais familiar na Loja. Denominam-se Jachin e Boaz[54] e são importantes nos trabalhos de qualquer Grau. Se os maçons aceitassem esse ideal na prática, tão bem como o fazem simbolicamente, as portas de suas Lojas se abririam para as mulheres do mesmo modo que abrem para os homens.

A Antiguidade da Cruz

A origem da cruz parece coincidir com a mais antiga história da humanidade. Foi objeto de reverência e adoração entre os povos mais primitivos e é motivo decorativo no mais lindos templos e catedrais das nações mais avançadas do mundo. A Grande Pirâmide de Gizé[55], no Egito, mostra duas figuras arredondadas que sustentam, entre ambas, uma cruz que tem uma serpente suspensa. A serpente sobre a cruz foi um símbolo comumente empregado em todo o Egito e representava a Sabedoria esotérica. Sua forma tradicional de cruz foi denominada “cruz ansata”[56], com um círculo sobre ela. Era chamada de “a chave da vida” e era enterrada com os sacerdotes, reis e rainhas.

A cruz Tau foi sagrada para os hebreus[57]. Tau, a vigésima-segunda e última letra do alfabeto hebreu, significa vida eterna. Era costume estampar, sobre a frente dos prisioneiros libertados, o sinal de Tau para evidenciar sua liberdade e inocência. Segundo a história bíblica antiga foi por meio de uma Tau pintada com sangue nos umbrais de suas portas que o Anjo da Morte sabia onde a décima praga do Egito não fosse aplicada, ainda quando os hebreus eram mantidos na escravidão.

A cruz foi, também, o objeto de adoração na China, Índia e Pérsia, e entre os índios da América do Norte e do Sul. Os templos druidas foram construídos com plantas cruciforme, como indicam as ruínas que ainda são conservadas na Escócia e Irlanda.

O caduceu[58] foi, essencialmente, uma cruz grega. Nele o braço horizontal está substituído por duas asas, e duas serpentes se enroscam ao redor do braço vertical. É considerado, frequentemente, como o báculo de Mercúrio. Nesse sentido é significativo que Mercúrio foi o deus da Iniciação e que, na Grécia, a Iniciação alcançou, indubitavelmente, elevados níveis de sublimidade. Os Aspirantes modernos reconhecem no caduceu o símbolo mais perfeito, jamais concebido, da Iniciação.

Nos tempos da vinda do Cristo, a cruz, geralmente, era usada com um cordeiro deitado a seus pés. Era para anunciar Sua vinda, pois essa foi sempre associada ao cordeiro (Áries). No Novo Testamento Ele se refere a Si mesmo como o “bom pastor”[59], e uma das Suas mais formosas parábolas é a da Ovelha Perdida, também conhecida como a parábola das Noventa e Nove[60]. Desde a partida de Cristo da Terra muito tempo se passou antes de que se colocasse sobre a cruz uma figura humana, o que constituiu o “crucifixo”, tão familiar entre os devotos modernos.

A nota-chave da consecução espiritual é o sacrifício. O ser humano primitivo sacrificava, frequentemente, o seu próximo. Depois, quando avançou mais, o sacrifício de animais substituiu o dos seres humanos. Cristo veio para ensinar a lição, mais nobre ainda, de que o ser humano deve se oferecer a si mesmo sobre o altar do sacrifício. Que o serviço amoroso e desinteressado ao próximo é o mais seguro e o mais agradável caminho para Deus é o mantra de uma Escola Esotérica Cristã. Foi, pois, devido a esse conceito de sacrifício próprio dado ao ser humano que a figura humana foi colocada na cruz e se converteu no símbolo universal de devoção.

Uma figura humana colocada assim tem sido o hieróglifo da Iniciação, desde tempos imemoráveis; mas era conhecida como tal somente por uns poucos que reconheciam o próprio sacrifício como a única chave para tal elevado estado de iluminação.

Os antigos diziam a verdade quando afirmavam: “os mistérios de Deus estão contidos na cruz”. Do mesmo modo que o conceito de Cristo vai se diferenciando ao longo do tempo, em determinados aspectos, quando comparado com o que prevalecia nos séculos passados, o mesmo ocorre com Sua imagem, em relação à cruz. Comparando os crucifixos da Era de Peixes, que está terminando, com os da Era Aquário, que está prestes a iniciar, veremos que cada um exterioriza Cristo e a sua cruz de acordo com a fase dominante que passa a cristandade nesse momento. Como Peixes é o Signo da dor e do sofrimento, a agonia sangrenta do crucificado passou a ser Seu símbolo. Representava o caráter especial das experiências pelas quais a humanidade estava passando. Assim como Peixes enfatiza a morte, a Era de Aquário enfatizará a vida imortal. A cruz, como símbolo da entrante Nova Era não levará, pregado nela, nenhuma figura humana; em seu lugar aparecerá Cristo ressuscitado, majestoso, sobre a formosamente simbólica Rosa Cruz, o emblema da consecução espiritual da Nova Era.

A simbologia foi sempre a linguagem dos sábios, já que os símbolos podem conter e revelar verdades importantes. E todas as verdades tem duas interpretações: uma interna, para os poucos; outra externa, para a maioria das pessoas. São Paulo descreve isso, falando da “carne para os adultos fortes e leites para os bebês”[61]. Ainda que envoltas em símbolos, as verdades profundas são sempre claramente discerníveis para aqueles que estão preparados para discerni-las.

A Rosacruz: a Cruz da Transmutação

Como dissemos, o crucifixo é a cruz de Peixes, a marca dessa Era de dor e sofrimento. A Rosacruz pertence à futura Era de Aquário e se refere à glória da vida eterna consciente. A cruz em si simboliza a religião, enquanto que a rosa representa a ciência. Anuncia, pois, o formoso dia em que a religião será científica e a ciência se tornará espiritualizada.

Na Grécia antiga a rosa estava dedicada à Aurora, deusa do amanhecer, e significava a ressurreição a uma nova consciência de vida. Essa flor significou, sempre, o secreto; daí a frase latina sub rosa com o significado de sob a rosa ou confidencial. Na Europa medieval era costume pintar rosas no teto das habitações nas quais se celebravam determinadas assembleias; isso significava que o que fosse tratado nelas nunca devia ser divulgado. Existe também um antigo hieróglifo maçônico que mostra um homem de pé, ante uma porta fechada, e com uma rosa na mão, e ele está sendo advertido de que, até que a rosa não se abra completamente, a porta também não se abrirá. Aparentemente, existia uma íntima conexão entre a Ordem Rosacruz e a primeira Ordem dos Cavaleiros Templários.

Insistimos em que o caduceu é o símbolo profundo da verdade iniciática. Sua haste vertical simboliza, para o alquimista, o cordão espinhal dentro do corpo humano. Ao longo da medula espinhal existem certos centros que, nas Escolas de Sabedoria orientais se conhecem como “flores de lótus” e nas Escolas de Sabedoria ocidentais, se conhecem como rosas, florescendo sobre a cruz do corpo. As serpentes entrelaçadas ao redor da haste do caduceu simbolizam os dois sistemas nervosos, o cérebro-espinhal e o simpático. Quando os centros se põem em atividade, são produzidas alterações em ambos os sistemas nervosos. Os alquimistas falam das duas colunas, do Sol e da Lua; os dois elementos, o ouro e a prata; os servidores Vermelho e Branco…tudo o qual se refere aos processos de transmutação que se produzem quando se aprende a percorrer o caminho do verdadeiro Discipulado. As sete rosas sobre a cruz simbolizam determinadas consecuções espirituais, tais como a clarividência, clariaudiência, dom da profecia, capacidade de abandonar o corpo à vontade e para pronunciar a palavra divina. A formosa saudação Rosacruz: “que as rosas floresçam em vossa cruz” é a oração mais amada pelo Aspirante, para que todos conheçam a glória dessa realização.

Na simbologia Rosacruz a cruz branca, com suas sete rosas, está colocada sobre um fundo azul. Esse fundo indica infinitude, enquanto as rosas sobre a cruz denotam as ilimitadas possibilidades oferecidas pelo caminho da Rosacruz. Cada um dos quatro extremos da cruz termina em três semicírculos. Todos juntos simbolizam as doze Hierarquias Criadoras que rodeiam o universo do qual o Planeta Terra é parte. Os seres celestiais que compreendem essas Hierarquias se dão a si mesmo no serviço amoroso para ajudar a toda a humanidade em seu assenso para a “Cristificação”.

A Cruz de Luz

 “Desaparecendo a pessoa de Jesus, viu-se, em Seu lugar, uma cruz de luz sobre a qual uma voz celestial pronunciou essas palavras: a cruz de luz é chamada de: o Verbo, o Cristo, a Porta, o Regozijo, o Pão, o Sol, a Ressurreição, Jesus, o Pai, o Espírito, a Vida, a Verdade e a Graça”.

Albert Pike do livro Moral e Dogma

A mais alta consecução da Rosacruz se simboliza por meio de uma cruz branca, pura e simétrica, com uma rosa branca aberta em seu centro. Representa a realização do Grande Trabalho Branco, em que o Corpo e a Mente se tornaram completamente espiritualizados. A rosa branca representa o Auxiliar Invisível Consciente. Para ele, o corpo físico já não é mais uma prisão; ele é livre para ir e vir, a vontade, com disposições de amor e graça. Sabe que o fogo não pode queimar seu espírito nem a água pode afogá-lo; desce até as entranhas da Terra e se eleva aos espaços longínquos para levar ajudar e socorro a todos que necessitam. A Nova Era Aérea incrementará enormemente o trabalho dos Auxiliares Invisíveis. Toda noite, antes de dormir, os Aspirantes Rosacruzes repetem a seguinte oração: “que essa noite, enquanto meu corpo descansa docemente no sono, possa eu trabalhar fielmente na vinha de Cristo, já que meu espírito não necessita de descanso”.

A Cruz substituída

Próximo ao fim do ciclo Aquário-Leão a cruz será substituída por duas colunas verticais, como símbolo universal, tal e como falamos anteriormente. Esses dois pilares representarão a Aquário e a Leão. A nota-chave de Aquário é a lei, e a de Leão é amor. Em uma civilização baseada nesses dois preceitos a visão do profeta será uma realidade: “a terra será repleta do conhecimento da glória do Senhor <lei espiritual>, como as águas cobrem o fundo do mar” (Hb 2:14). Entre essas duas colunas passarão o homem e a mulher, de mãos dadas, em perfeita igualdade, em direção aos Templos Iniciáticos da Nova Era.

Os quatro braços da cruz representam os quatro elementos: Fogo, Ar, Água e Terra; também simbolizam os quatro Signos Fixos do Zodíaco: Touro-Escorpião e Aquário-Leão. Já fizemos referência ao trabalho dessas quatro Hierarquias durante os últimos dias dessa Era de Peixes. As nações estão liquidando seus destinos maduros sob Touro-Escorpião, e estão sendo preparadas para a Era de Aquário por Aquário-Leão. Isso é igualmente certo para os indivíduos, que estão limpando os registros dos seus destinos maduros e se preparando para a Era Área.

As quatro bestas simbólicas a que se referem a Bíblia representam[62], também, os quatro Signos Fixos. Esses quatro Signos trabalham sobre os quatro princípios inferiores do ser humano (físico, etérico, emocional e mental), por meio da purificação e transmutação. Touro, simbolizado pelo touro, e cujo elemento é o sal, trabalha sobre o físico. Escorpião, simbolizado pela águia, e cujo elemento é o mercúrio, trabalha sobre o etérico. Leão, simbolizado pelo leão, e cujo elemento é o enxofre, trabalha sobre o emocional ou de desejos. Aquário, simbolizado pelo homem, e cujo elemento é o azoth, trabalho sobre o veículo mental inferior (azoth é uma cifra que representa a quintessência dos outros três elementos). Desse modo, por meio dos processos de purificação e transmutação, sob o ministério dessas Hierarquias, as essências espirituais dos três veículos inferiores do ser humano são incorporadas ao seguinte: a Mente superior. Conseguido isso, o ser humano viverá, se moverá e terá seu ser em um veículo feito de substância mental. As maravilhas de tal desenvolvimento só podem ser compreendidas, agora, tenuamente. Quando refletimos sobre os milagres já realizados por meio da Mente humana, ainda que seus poderes latentes apenas tenham sido fomentados, adquirimos uma vaga ideia de suas quase infinitas possibilidades. Por exemplo: o ser humano será capaz de viajar em seu Corpo Mental até os mais longínquos Sistemas Solares, ou visitar as estrelas mais distantes, com o só pensar nisso.

Nas primeiras páginas do maior livro de texto sobre a vida, a Bíblia, lemos que Adão e Eva perderam o Jardim do Éden, onde viviam, por causa da descida à materialidade. Nas últimas páginas da Revelação[63], último livro da Bíblia sagrada, São João descreve os redimidos Adão e Eva e o jardim celestial em que habitarão, e cujas portas não estarão vigiadas por um guardião Querubim. Pelo contrário, estarão totalmente abertas pelo Supremo Iniciado da hoste Arcangélica, o bendito Senhor Cristo.

Na dispensação de Capricórnio-Câncer, o primeiro simboliza o ser humano Crístico, o novo Adão; enquanto que Câncer simboliza a Eva Crística, a nova Eva. Esses são os pioneiros regenerados, que se unirão a Cristo quando venha, e lhe ajudarão a construir o novo céu e a nova Terra, como se descreve no Livro da Revelação.

O princípio feminino ou reprodutor do homem está crucificado. O que devia ser um sacramento de castidade foi degradado pela paixão e luxúria. A mulher, contraparte objetiva desse princípio feminino no Mundo externo, foi também crucificada ao longo do tempo. Com a chegada de dispensação Aquário-Leão se verá restabelecida a seu posto, em um completo estado de igualdade com o homem.

Todo órgão do corpo humano possui uma potência masculina e outra feminina, uma das quais predomina. Constitui um fato de profundo significado oculto que quando o corpo mude para adquirir as condições da Nova Era, cada órgão feminino experimentará um desenvolvimento espiritual subsequente: o coração se converterá na verdadeira luz de corpo, tão lúcida e brilhante que a forma toda se fará luminosa com seu resplendor; a circulação do sangue será controlada pelo espírito; o ser humano será capaz de, voluntariamente, trasladar o sangue de uma determinada área do corpo para outra em que seja necessária; o sangue não será, como agora, um líquido roxo – quando externado – mas que se consistirá em uma essência branco-dourada (a igreja possui muitas e formosas lendas de Santos,  cujo sangue se tornou branco); o sistema nervoso simpático, que é o sistema nervoso feminino, se converterá em uma segunda medula espinhal, se convertendo o ser humano de novo em um andrógino (macho-fêmea). A força criadora será dirigida à laringe e a criação será feita mediante o poder da palavra falada. A Palavra Perdida da maçonaria será falada, novamente.

A construção deste veículo humano glorificado começará na Era Aquário-Leão. Receberá um desenvolvimento posterior durante a dispensação Capricórnio-Câncer, e alcançará seu mais elevado estado de desenvolvimento durante a dispensação Sagitário-Gêmeos. A Hierarquia de Sagitário é conhecida, no idioma esotérico, como Senhores da Mente, e funciona totalmente em veículos de pura substância mental. Irradiam de si mesmo aqueles germes de Mente que, muito tempo atrás, constituíram o mais precioso presente outorgado ao ser humano. Eles continuarão seu ministério próximo ao reino humano, até que cada um dos seus membros esteja preparado para funcionar em um corpo composto da sutil matéria mental.

Assim como, sob o ministério de Sagitário, o ser humano funcionará e viverá em um Corpo de substância pura mental, sob Gêmeos aperfeiçoará o poder andrógino em seu interior, ou seja, que levará a um perfeito equilíbrio, no Templo do seu próprio Corpo, às forças masculinas e femininas. Deus, o Pai desse Sistema Solar, é o líder supremo da Hierarquia de Sagitário, e o mais elevado Iniciado dos Senhores da Mente.

O sacrifício produz sempre uma compensação espiritual. Quanto maior o sacrifício, maior a recompensa. O bendito Cristo, por causa do Seu sacrifício máximo pela redenção do mundo, foi elevado ao plano da dispensação Sagitário-Gêmeos, como se evidencia pela Sua exclamação na cruz: “Deus meu, Deus meu, como me há glorificado!”.

Esse é só um pequeno vislumbre da exaltada consecução que a humanidade espera. São Paulo, indubitavelmente, captou algo durante o milagre da sua visão, quando disse: “Tu fizeste o homem um pouco inferior aos Anjos; Tu o coroaste de glória e honra” (Hb 2:7).

CAPÍTULO XIV – O SUPREMO MISTÉRIO: O SACRIFÍCIO DO GÓLGOTA

O Mestre foi crucificado entre os dois ladrões, os quais, em termos de experiência Iniciática, significam o Corpo de Desejos e a Mente inferior, que tendem, por natureza, a se apropriar da luz que pertence ao espírito.

As Cinco Feridas Sagradas que Cristo Jesus recebeu com a Sua crucifixão aludem a certas envolturas que oprimem ao espírito na casa-cárcere da carne, e que o Discípulo aprende a eliminar quando aprende a seguir o Mestre no Rito da Morte Mística, na imensa glória da alvorada de Ressurreição.

“Desde a hora sexta houve trevas…até a hora nona” São as horas desde às doze até às três, e indicam o período em que o espiritual se impõe ao pessoal e a natureza superior obtém sua vitória final sobre a inferior. A igreja, em sua solene vigília desse dia, dá ênfase especial a esse intervalo sagrado, entre às doze e às três da Sexta-feira Santa.

Durante essas horas, a luz começa a declinar no Mundo exterior. Similarmente, em termos de experiência Iniciática, é o tempo durante o qual o interesse pelas coisas externas decresce pouco a pouco, e o que pertence ao espírito cresce e se torna mais intenso e vívido. Há três horas cruciais desde que a força transformadora, que foi despertada nos centros de fogo do Corpo Templo, produza “uma luz tal como nunca brilhou na Terra ou no mar”. No Corpo da Terra, os três centros – situados nos polos norte e sul e no equador – durante a Maré da Páscoa, se convertem nos depósitos de tremendas energias espirituais.

Quando o espírito de Cristo se desprendeu da cruz, uma gloriosa luz dourada flamejou ao longo do Corpo de Desejos da Terra. Então, o que ocorreu, quiçá possa ser imaginado melhor, foi como os efeitos produzidos no Mundo Físico por uma explosão de um engenho atômico. Da mesma forma que essa explosão pode fazer “evaporar” torres de aço e arrasar cidades inteiras em um só clarão, as energias de tão tamanha categoria, como as que obedecem a Cristo, podem flamejar em um só momento nos mundos psíquicos e “evaporar” os cúmulos de antigos miasmas, gerados durante muito longo tempo pela humanidade não regenerada. Desde o momento em que Cristo produziu tal desprendimento de energia, a humanidade tem vivido em uma atmosfera mais sã, no aspecto psíquico. Por meio desse ato cósmico maravilhoso de redenção se tornou para cada ser humano mais fácil contatar com o seu “Eu superior”, aspirar a valores superiores e se libertar a si mesmo do poço de autossugestão e degeneração que havia caído.

Contudo esse ato redentor de Cristo não se limitou àquela liberação “atômica” de energia. Desde esse mesmo momento, no qual se converteu no Regente da Terra, Ele tem servido a humanidade, em escala planetária, renovando todo ano o derramamento de Seu espírito purificador, quando ressuscita anualmente, com toda a natureza, no Equinócio de Março ou Páscoa, e sobe novamente ao trono do Pai no Solstício de Junho ou Ascenção, depois de ter trabalhado na e com a Terra desde o Equinócio de Setembro até o Equinócio de Março ou Maré da Páscoa. Esse é o ritmo redentor do Cristo Cósmico. Esse é o Seu trabalho com a humanidade, desde a Sua vinda ao nosso Planeta por meio dos Corpos do Mestre Jesus, e assim continuará até que a humanidade alcance um ponto em que seja capaz de se encarregar, ela mesma, do trabalho da redenção coletiva, sem a necessidade de Sua ajuda imediata. Uma vez conhecida essa verdade e tudo o que ela implica, quem ama a Cristo converte em sua máxima aspiração ao se qualificar a si mesmo para se fazer digno de compartilhar fraternalmente Seus sofrimentos, fazendo o possível para aproximar o dia em que chegue ao fim esse Seu sacrifício que Ele segue realizando para que todo ser humano tenha vida e a tenha em abundância.

Graças a essa ajuda cósmica que Cristo tem prestado à humanidade e que as portas da Iniciação estão abertas para todos que querem trilhá-la. Antes de Sua vinda a Iniciação era possível somente para uns poucos e, como já foi dito, em condições anormais que já não são necessárias. O sublime Rito do Gólgota rasgou o véu (do Templo). Uma nova força espiritual começou a intervir na evolução humana. Valendo-se dela, todos os seres humanos podem obter a Iniciação nos Mistérios e a entrada consciente no reino do Espírito.

Assim, pois, o processo Iniciático se tornou possível para todos, graças às forças liberadas por Cristo sobre a Terra, transmitidas à humanidade por meio dos centros de fogo planetários mencionados acima. Um dos efeitos dessa energia liberada é a de afrouxar a conexão entre os Corpos de Desejos e o Vital do ser humano. Quando isso é alcançado, o ser humano já não tem a necessidade de receber a Iniciação no estado de transe, fora do Corpo, mas em condições completamente normais.

Ao abandonar o Corpo de Jesus, Cristo penetrou no coração da Terra. Isso elevou a vibração dela e sincronizou mais seu Corpo físico com o Mundo do Espírito Divino; iluminou o Corpo Vital do Planeta, o habilitando para, desde então, transmitir as energias crescentes vindas do plano universal ou Crístico, que os Rosacruzes denominam de Mundo do Espírito de Vida; do mesmo modo, o Corpo de Desejos da Terra se converteu em um canal mais limpo para transmitir à vida dela as forças do Mundo do Pensamento Abstrato, ou o plano da Mente espiritualizada.

Como já dissemos, a crucifixão do Cristo não terminou com Sua morte na cruz do Calvário. Seu espírito continua sofrendo na cruz da matéria e continuará até que o Mundo inteiro e toda sua humanidade hajam sido redimidos. Ele é, verdadeiramente, a alma do mundo, crucificada. E, até que a humanidade, por meio de uma vida elevada e nobre, não alcance a estatura espiritual que lhe permita levar sua própria cruz, o Redentor do Mundo não cessará. Aproxima-se o tempo em que todo joelho se dobrará e toda voz O proclamará o Senhor dos senhores e o Rei dos reis.

Mediante Seu sacrifício sublime na cruz, a favor de toda a humanidade, Cristo alcançou uma Iniciação maior do que as correspondentes aos Mistérios Cristãos: foi elevado até a consciência espiritual do Deus Pai. As últimas palavras de Cristo na cruz se referiam a essa experiência exaltada, segundo a verdadeira tradução das mesmas, pois não se queixou nelas por ter sido abandonado, mas que agradeceu com exaltação a Sua elevação.

Entre os poderes conferidos por essa Iniciação se encontra a capacidade de se alinhar, por livre vontade, entre as doze Hierarquias Zodiacais. A porta zodiacal de acesso para tais viagens celestiais é Câncer, e o plano inferior no qual se pode transpassar essa porta se encontra no Mundo do Espírito de Vida, denominado, às vezes, o Lar do Cristo.

Aos pés da cruz, Maria, a mãe de Jesus, passou ao Terceiro Grau ou o Grau do Mestre. Um hino cristão primitivo contém a promessa que ela fez ao Mestre de velar com Ele até o místico amanhecer do dia de Páscoa. É outra maneira de dizer que durante o intervalo entre a Crucifixão e a Ressurreição, Maria foi capaz, graças aos poderes que lhe haviam sido conferidos com o Grau de Mestre, de acompanhar a Cristo nos Mundos internos, de onde obteve o conhecimento, em primeira mão, da missão planetária de Cristo e da maneira em que isso ocorria na escala cósmica.

Vigília das Três Horas

Como na paixão de Cristo se representaram as provas mais importantes, pertencentes ao Caminho da Iniciação, o Discípulo que aspire a trilhar esse Caminho há de experimentar provas similares às que obstruíam o caminho de Cristo naquele dia cheio de acontecimentos. Encontrará as humilhações, o ridículo e a perseguição, incluindo a deserção de seus seres mais queridos, como ocorreu a Cristo. Essas disciplinas têm por objetivo fazer com que se ganhe força interior para se permanecer só. São sucedidas por provas ainda maiores, tais como a de carregar nas costas a própria e pesada cruz, em uma subida, até o seu calvário pessoal. Conjuntamente, as provas representam as etapas definidas ao longo do caminho da Iniciação, etapas que culminam com a libertação final do Espírito, da cruz do Corpo físico, a realização das atividades espirituais durante os três dias e meio nos Mundos internos e, finalmente, a triunfante ressurreição.

A Sexta-feira Santa, quando se comemoram os acontecimentos da Semana da Paixão, que alcança seu clímax nas três horas de agonia de Cristo, é o dia mais transcendental do ano. O trabalho interno realizado por Ele foi, então, e é agora de suprema importância para toda a humanidade. Cada vez se vai reconhecendo mais sua imensa transcendência, como mostra da observância, no aumento dessas três horas, por parte da igreja. Antigamente, esses ensinamentos estiveram confinados por muito tempo nas mãos da igreja católica, mas agora formam parte, regularmente, das cerimônias da Semana Santa em muitas igrejas protestantes. Em todo caso, o profundo significado esotérico da Vigília das Três Horas intensifica a compreensão espiritual do sacrifício realizado por um Ser Cósmico no plano da história humana, relacionando-o com o processo específico do desenvolvimento espiritual na vida interna de cada Aspirante. As três horas de agonia descrevem os três estágios da progressiva liberação do próprio Espírito, da cruz da matéria, na qual ele permanece crucificado durante sua encarnação física.

Assim, vemos que as três horas se relacionam com as três etapas na subida do fogo espinhal espiritual desde a base da espinha dorsal, através dos três mais importantes centros do Corpo. A primeira hora se relaciona com o despertar da força ígnea no Plexo Celíaco e seu ascenso até o centro cardíaco; a segunda hora, com a subida dessa força até o centro da garganta; a terceira hora, com a sua continuação até o alto da cabeça. Porque o ser humano é o meio, e a espinha dorsal é o caminho até a meta da perfeição. Toda a experiência da vida está ordenada para conduzir a esse processo, e todo corpo humano pode se converter, verdadeiramente, em um templo sagrado e inviolável do Deus Vivo, no qual o Espírito possa reinar.  Então, luminoso e sereno, desde essa eminência, buscará a luz eterna e o amor imortal.

A primeira hora se correlaciona com o período preparatório para o Primeiro Grau, que se refere à limpeza e purificação do Corpo de Desejos, como temos dito, e que por isso se denomina o Grau da Purificação. Nesse Grau hão de ser submetidos todos os fatores negativos da natureza de desejos, que não são senão auto-alucinações, tais como a inveja, os ciúmes, a raiva, o ódio e o ressentimento, e que hão de ser reconhecidos como o que realmente são.

A vida de Cristo Jesus é o modelo da Iniciação do Novo Testamento. Também o Tabernáculo constava de três partes: a primeira, um pátio exterior, continha o Altar no qual se queimavam os corpos dos animais sacrificados. Aquela cerimônia simbolizava a limpeza e purificação da natureza inferior do ser humano. O vencer as qualidades negativas acrescenta a virtude do altruísmo; e a completa subjugação do “eu” é a pedra angular de todo trabalho ocultista, um processo longo e difícil. Isso justifica o longo período de provação que exigiam Pitágoras e outros mestres da Sabedoria, pois a falta de discernimento é a causa do fracasso de muitos Aspirantes. Seu trabalho não estará completo até que possam dizer como Cristo: “As palavras que vos digo, não as digo por mim mesmo, mas o Pai, que permanece em mim, realiza suas obras”[64].

Durante a Segunda Hora ou Grau, quando o fogo espinhal está sendo elevado até o centro de poder situado na garganta, o caminho se estreita e as tentações se tornam cada vez mais difíceis. As tentações da primeira hora são manifestas, francas, claramente definidas. No entanto, as provas da Segunda Hora ou Grau estão, muitas vezes, sutilmente cobertas por uma máscara de beleza, estando seus espinhos dissimulados por pétalas de rosa. Nesse Segundo Grau, como se representa em Parsifal[65], uma das mais sublimes lendas Iniciática de todos os tempos, o cavaleiro Parsifal é tentado pela beleza das meninas-flores, enquanto se divertem nos exóticos jardins de cores e fragrâncias inusitadas. O discernimento é a principal lição do Aspirante, durante a Segunda Hora na cruz. Há de aprender, como fez São Paulo, a distinguir o real do irreal, o verdadeiro do falso.

Ao longo desse período os aspectos negativos do desejo são destilados e transformados nos poderes anímicos adicionais, já que o trabalho do Segundo Grau consiste na Transmutação ou Iluminação. Na segunda sala interna do Tabernáculo o fogo do altar era alimentado somente com o mais puro azeite de oliva. É significativo também notar que em Parsifal o segundo ato desemboca no terceiro com a música da Transformação e que, nesse terceiro ato, o cavaleiro Parsifal se converte em Rei do Templo do Graal e no Mestre dos cavaleiros.

Durante a Terceira Hora ou Grau, o fogo espiritual é elevado desde a garganta até o ponto situado na parte superior da cabeça. É a coroação da Grande Obra. Do mesmo modo, na terceira e suprema sala do Tabernáculo estava colocado o Santo dos Santos. Quando esse fogo espinhal ilumina o centro da cabeça do Aspirante, esse é conduzido ao lugar mais sagrado, posto que encontrou a chave que abre as portas do céu, e pode dizer como Cristo: “Toda a autoridade sobre o céu e sobre a terra me foi entregue”[66]. Sua Terceira Hora na cruz foi resumida pelo Mestre com essas palavras: “Como me tem glorificado”[67].

Esse Terceiro Grau, correspondente à Terceira Hora, é o Grau da Glorificação ou do Mestre, cujo trabalho consiste em aprender a focar, à vontade, a consciência nos diferentes planos internos ou Mundos celestiais. Mais tarde, o Aspirante há de ser capaz de manter a continuidade da consciência, sem dúvidas nem falhas. Passa do estado de vigília ao do sonho, sem nenhum intervalo de inconsciência e ao regressar ao Corpo conhece suas experiências extrafísicas e é capaz de recordá-las tão vividamente como recorda os acontecimentos do dia anterior. Essa continuidade de consciência deve se manter também durante a transição chamada morte. Um ser assim pode passar, plenamente consciente, de um plano de expressão ao outro. Essa é a mais elevada significação da Ressurreição de Cristo e muitos Discípulos avançados, ao longo e ao largo do mundo, estão agora trabalhando para alcançar tal desenvolvimento. Isso se converterá em uma faculdade de todos os seres humanos durante a Nova Era. Com sua obtenção desaparecerão todo o temor e todo o mistério, relacionados com a morte, e o Espírito, radiante, triunfante, livre para sempre, deixar a pedra das limitações físicas e se elevará para saudar o começo de uma nova vida.

Meditação para a Sexta-feira Santa

Quando o Aspirante meditar sobre o Mistério da Sexta-feira Santa e sobre o Amanhecer da Páscoa que o faça à luz dessas verdades. Por meio da reverente e profunda meditação sobre as elevadas consequências dessas Três Horas seu conhecimento sobre o trabalho nos planos internos aumentará, e resultará no desenvolvimento maior dos seus poderes anímicos.  Logo, olhando para o futuro distante, para o tempo que virá, as palavras de São João se tornarão realidades: “desde já somos filhos de Deus, mas o que nós seremos ainda não se manifestou”[68].

O segredo do Mistério do Gólgota foi que Cristo podia se converter no Espírito Planetário. Os acontecimentos do Natal marcam Sua entrada divina anual, enquanto os acontecimentos da Páscoa marcam Sua divina consumação.

CAPÍTULO XV – O INTERVALO ENTRE A SEXTA-FEIRA SANTA E O AMANHECER DE PÁSCOA

Ao redor do sepulcro vazio, linha após linha e círculo após círculo, se amontoavam hostes de seres gloriosos. Eram as Hierarquias Celestiais, que envolvem esse universo, começando pelos Anjos e Arcanjos e terminando nos Querubins e Serafins. Todos cantavam triunfalmente: “Morte, onde está a tua vitória? Morte, onde está o teu aguilhão?”[69].

Esses mesmos seres celestiais se reuniram ao redor do presépio em Belém, na primeira Noite Santa, cantando: “Paz na Terra e boa vontade entre os homens”[70]. Então celebraram o dia formoso que trouxe Cristo Jesus para trabalhar sobre a Terra. Em torno do sepulcro vazio celebraram um dia, ainda mais ditoso, que tinha trazido Cristo Jesus para trabalhar sobre e no interior da Terra, como seu Espírito planetário interno, posto que agora seria capaz de atuar, tanto no ser humano, como no Planeta, e não somente de fora, mas também de dentro.

Uma antiga lenda diz que a cruz do Gólgota se erigiu exatamente no centro da Terra e que aquele lugar era a tumba de Adão (a humanidade primitiva) que submeteu à humanidade à influência dos Espíritos Lucíferos e a escravidão da morte. O bendito Cristo Jesus veio para ensinar o ser humano como vencer essa influência lucífera e se livrar da exigência da morte.

Junto ao sepulcro o enorme conjunto de exaltados seres impregnava a Terra de deslumbrante luz. Contemplando essa visão sublime, e caminhando na luz, estavam os denominados “mortos”. Durante o intervalo que vai desde a tarde da Sexta-feira Santa, em que o Senhor foi despregado da cruz, até que Ele fez sua aparição no mundo externo, na alvorada da Páscoa, trabalhou com esses “mortos”, lhes ensinando e lhes bendizendo.

pois será melhor que sofrais — se esta é a vontade de Deus — por praticardes o bem do que praticando o mal. (…)

Eis por que o evangelho foi pregado também aos mortos, a fim de que sejam julgados como os homens na carne, mas vivam no espírito, segundo Deus.”

(IPe 3:17 e 4:6)

Em seu extraordinário livro “Os Três Anos”, Emil Bock[71] escreve: “Por meio da descida de Cristo aos infernos, lhe foi devolvida a humanidade ao ‘mais alto’ como fonte de imortalidade. A descida aos infernos resgatou para o ser humano o ‘mais alto’; a subida resgatou ‘essa margem’ para o divino”.

Quando floresciam os antigos Mistérios, sempre houve Mestres que falaram as seus Discípulos mais avançados sobre a vida do Grande Ser. Esse último, por sua vez forneceu Seus ensinamentos a todos que quiseram escutá-las. As circunstâncias, então, eram as mesmas de hoje: poucos escutavam e, menos ainda, acreditaram. Hoje, também existem, comparativamente, poucos que acreditam nas Irmandades Místicas e na realidade da instrução do Templo Esotérico.

Na hora da morte os Egos mais avançados passam para os planos espirituais mais elevados. Nos planos inferiores dos Mundos internos se encontram os que ainda levam traços do pó da terra, junto com os que se negam a crer em uma continuação da vida, após a morte. No linguajar esotérico essas esferas se denominam Regiões Inferiores do Mundo do Desejo. São o Purgatório da igreja católica. E foram nessas paragens que Cristo passou o intervalo entre a tarde da Sexta-feira Santa e a alvorada da Páscoa. Há, agora, sobre a Terra alguns indivíduos que trazem gravada em sua memória a glória da Sua presença e o milagre de Suas palavras. Essas pessoas privilegiadas dedicam suas vidas a difundir Seus ensinamentos e Sua missão.

A memória é uma posse muito importante, tanto da Mente como do Espírito. Seu cultivo e seu desenvolvimento ocupam um lugar importante nas atividades do Discipulado. Dividimos a Mente humana em três áreas: a consciente, a subconsciente e a supraconsciente[72]. As experiências da vida diária se associam com a área consciente; a memória das vidas passadas, com a subconsciente. Estão sendo feitos muitos experimentos interessantíssimos na área do subconsciente, para descobrir a memória das encarnações passadas. A memória do futuro, que pode ser definida como consciência cósmica, se correlaciona com a memória supraconsciente. Dificilmente pode se fazer ideia dos poderes obtiveis quando a Mente se desperta totalmente, nem do que esses poderes significarão para a humanidade.

Foi dito aqui que os Discípulos modernos estão aprendendo a ter uma ponte sobre o abismo que, geralmente, existe entre a vigília e o sono, a vida e a morte, a encarnação presente e a passada. Um dos exercícios mais eficazes para recuperar essa recordação consiste em repassar, com fé e persistentemente, em ordem inversa, os acontecimentos de cada dia, antes de dormir, todas as noites. Os sucessos, visto assim, podem se avaliar aos efeitos de fortalecer o que é bom e eliminar tudo o que seja de natureza oposta. A prática contínua dessa revisão noturna otimizará, também, a faculdade da memória. Essa será estimulada e revitalizada e se tornará mais retentiva. Pouco a pouco as experiências do Mundo interno aparecerão mais claras, mais ordenadas e mais sequenciais, até que, por fim, será possível se recordar dos acontecimentos durante o sono com a mesma facilidade com a que se recordam os em estado de vigília. Quando a memória for incrementada e se unifique assim, ligará uma ponta do abismo no outro.

A memória, trabalhando por meio da Mente consciente, constrói uma ponta entre o estado do sono e o de vigília.

A memória, trabalhando por meio da Mente subconsciente, preenche o vazio entre as encarnações presente e as passadas.

A memória, trabalhando por meio da Mente supraconsciente, preencherá, infalivelmente, o vazio do esquecimento que se estende entre a vida e a morte.

Os vários procedimentos para o desenvolvimento da memória se encontram entre os ensinamentos fornecidos por Cristo, durante aquele maravilhoso intervalo entre a Sua Ressurreição e Sua Ascensão.

Desde a Sexta-feira Santa até o amanhecer da Páscoa, os ensinamentos do Mestre nos planos internos se referiram ao início do Caminho. Entre a Ressurreição e a Ascensão os ensinamentos se referiram à consumação do trabalho no Caminho da Luz, quando uma nova e glorificada raça haja passado em sua vida diária por ambas as experiências, a da Ressurreição e a da Ascensão.

Quando o ser humano tenha alcançado o grau de desenvolvimento, a transição da vida terrena para o outro mundo será uma aventura gloriosa e consciente. O Ego, vivo e alerta, não conhecerá o medo. Por outro lado, em um estado de exaltação, poderá passar alegremente para a próxima, mais longa e ampla vida. Poderá se unir aos coros dos Anjos e Arcanjos, dos Querubins e Serafins, e entoar: “Morte, onde está a tua vitória? Morte, onde está o teu aguilhão?”.

O Sábado Santo

O acontecimento culminante do Sábado Santo ocorreu à meia-noite, com a observância do profundo Rito do Batismo. Estava relacionado com o Segundo Grau ou o Rito da Iluminação. Aqueles que aspiravam passar ao santuário interior desse Grau, iniciaram uma rigorosa preparação, ao cuidado de Mestres, no início da Quaresma, e eram conhecidos como “os que vão a ser iluminados”. Uma quantidade de homens e mulheres santos, destacadamente mencionados nos Evangelhos, passaram esse Grau no sábado à noite e puderam saudar ao Sol daquele importantíssimo amanhecer de Páscoa, como irmãos recém-nascidos, do Cristo Ressuscitado. Entre eles estavam as mulheres às que Cristo apareceu naquele cedo amanhecer.

A água tem uma afinidade especial pela substância etérica; daí que, quando o Corpo Vital de um candidato à Iniciação se sensibilize suficientemente, por meio de uma vida santa e pura, a imersão do seu Corpo Denso na água tende a soltar a firme ligação que mantém unidos, normalmente, os Corpos Denso e Vital. Quando ocorre a separação entre ambos e se desperte os centros do Corpo Vital, a consciência se abre nos planos internos e a alma enfrenta as experiências transcendentais que deixam uma marca permanente para o resto da vida. Ao afrontar, não devidamente preparado, o Rito do Batismo, suporia se encontrar em uma situação cheia de perigo, pois o influxo do poder espiritual que acompanha o Batismo, assim como pode proporcionar a iluminação ao devidamente preparado, acarretará a destruição dos veículos indevidamente limpos e qualificados.

Certos centros dos Corpos invisíveis do ser humano são especialmente sensíveis à influência espiritual que acompanha o Rito do Batismo. Quando o oficiante dessa cerimônia está suficientemente avançado, dirigirá seu olhar interior para esses centros e acondicionará o trabalho às características do desenvolvimento do Aspirante. A posse por São João Batista dessa faculdade, foi o que lhe revelou a exaltada posição de Jesus e o fez se sentir indigno de batizar a uma alma já iluminada. As palavras da invocação empregada pelos primeiros cristãos na cerimônia do Batismo eram como uma melodia para o ansioso e expectante devoto: “Abre teus olhos e ouvidos e penetra no doce sabor da vida eterna”.

Ainda que a igreja tenha esquecido, já há muito tempo, as verdades internas associadas às cerimônias que continua praticando, muito do seu simbolismo permanece perfeitamente, como pode rapidamente se comprovar a quem se familiarize com os processos implicados na recepção dos diversos Graus que pertencem aos Mistérios Cristãos e conduzem ao Monte da Iluminação. O que segue ilustra isso: a Quaresma culmina com o Sol em Peixes, quando os raios desse Signo da Água se derramam sobre a Terra. Esse é o último ato das Hierarquias Zodiacais antes de se produzir a liberação do fogo celeste, por meio do Signo de Áries, que provoca o nascimento do ano novo espiritual ou Rito da Ressurreição na Páscoa. Então, ocorre uma união alquímica entre a Água de Peixes e o Fogo de Áries, resultando em um incremento de luz e de poder para a vida abundante. No indivíduo isso supõe misturar, no Corpo de Desejos, do Fogo, elemento à que esse pertence. Para comemorar esse fato alquímico, que ocorre na natureza durante a Páscoa, a igreja atualmente conserva o ritual do Sábado Santo, quando se bendiz o “novo fogo”, enquanto é conduzido, em procissão, e logo se “mistura” com a água benta que, desde então, se denomina, corretamente, “Água Pascoal”. Nenhuma água pode ser denominada assim, salvo à que mistura, simbolicamente, o fogo bento com a água benta.

Durante a procissão, o “eleito”, que recebe as bênçãos do “novo fogo”, canta triunfante: “Cristo é a nossa luz”, e a isso outro cantor responde: “Que Sua luz ilumine nossos corações”. Na igreja primitiva, a pia batismal tinha a forma de tumba, para representar a morte do velho e o nascimento do novo, que ocorria ao celebrar o Rito do Batismo.

Assim de rico e verdadeiro é o simbolismo que a igreja moderna conservou em muitos dos seus ritos, ainda que muito poucos dos que os observam compreendem seu significado espiritual interno. Verdadeiramente, a luz que a Iniciação proporcionava nesses Mistérios se perdeu em nosso tempo, não só para as multidões, mas para a maior parte dos que ensinam e dirigem. Faz muito tempo que os sacerdotes deixaram de serem recrutados entre os Iniciados, com o resultado de que, ainda que persistam as antigas e verdadeiras fórmulas, o espírito que as informava se perdeu no tempo.

O texto utilizado pelos Aspirantes no Sábado Santo era o Cântico dos Cânticos, de Salomão, já que ele descreve o Matrimônio Místico. A igreja, posteriormente, acrescentou o capítulo treze do Evangelho de São João, para o estudo contemplativo desse dia santo. Ele era empregado durante a cerimônia do Lavatório dos Pés do recém-batizado.

O Sepulcro Vazio

No Ritual do Sepulcro Vazio, Cristo, como indicador do caminho para toda a humanidade, ensinou a Seus seguidores o último e mais difícil trabalho que deve se executar no Mundo Físico. Esse trabalho consiste na transmutação da matéria em espírito. Quando o ser humano tiver aprendido, adquirirá o domínio da enfermidade, da idade e da morte. Na terminologia esotérica essa consecução se alcança com a Iniciação pertencente à Terra, o mais denso dos Quatro Elementos. É a última das Quatro Grandes Iniciações ou Iniciações Maiores. Quando a luz dessa sublime iluminação estiver dispersada, altares a Cristo serão erigidos, tanto em nossos laboratórios físicos, como em nossas igrejas. O espírito que está subjacente e por trás da matéria será reconhecido.

Com a Iniciação da Terra chega à liberação da Roda de Nascimentos e Mortes. A necessidade de renascer já não mais existe, porque todas as lições da Terra já foram aprendidas. O espírito do ser humano é, pois, livre para continuar seu desenvolvimento em outras esferas elevadas, ou permanecer com a humanidade para ajudá-la a alcançar o nível que ele também já alcançou. Tais seres são os graduados da humanidade, os Mestres da Sabedoria e nossos Irmãos Maiores de Compaixão.

São Pedro também passou pelo Ritual da Morte Mística naquele amanhecer de Páscoa, antes de receber o Grau de Mestre. Junto com a Virgem Maria e São João chegou à tumba vazia e, segundo o Evangelho, entrou só, ficando de fora os outros. Esse incidente, traduzido simbolicamente, destaca o fato de que os dois que ficaram de fora já tinham experimentado a entrada no “sepulcro” e a saída triunfante dele. Nesse momento estavam ajudando a São Pedro a passar à exaltação gloriosa de consciência que eles já possuíam.

Por meio do processo da Iniciação, a mortalidade se veste de imortalidade. Esse é seu único objetivo e essa é sua única meta. Para a consciência do Iniciado a vida e a morte não são senão aspectos diferentes do progressivo desenvolvimento do espírito. Sabendo disso, o cerimonial dos enterros, entre os primeiros cristãos, era um rito glorioso. A vida era seu tema. Colocavam no ataúde folhas de hera e de louro e um texto completo dos Evangelhos sobre o coração. Aqueles que estavam esperando eram portadores de ramos de oliveira e palmas e a procissão até a tumba era caracterizada não por luto ou lamentação, mas pelo som de regozijosas hosanas. O vestuário era de acordo com esse sentimento; nada escuro como a tumba, mas brilhante como a luz que saúda a alma, pelo seu nascimento nos planos espirituais. As tumbas dos primeiros cristãos tinham uma forma de cruz, como reconhecimento pelo fato de que o corpo da mortalidade que se abandona é a cruz da matéria, de que a alma fica liberada com a morte e o corpo do qual o espírito se libera, quando alcança a luz da Iniciação.

Durante o intervalo entre a Crucifixão e a Ressurreição (desde a tarde da Sexta-feira até a manhã do Domingo) o espírito de Cristo trabalhou no interior do Planeta Terra, como se há dito antes. “Desceu aos infernos”. Tal é a frase do Credo para significar Sua entrada nas regiões inferiores do Mundo do Desejo da nossa Terra, onde Ele foi levar Seu Evangelho às almas desencarnadas e também no plano das trevas. Cristo, portanto, veio para ajudar, não somente a humanidade encarnada, mas também a seus membros desencarnados. Sua missão se estendeu ainda mais, à redenção dos Espíritos Lucíferos caídos, cujo plano de atividade é o Mundo do Desejo, e até dos demais reinos de seres viventes sobre a Terra, que experimentaram o atraso na sua evolução, como consequência da “Queda do Homem”, seu irmão maior. Tal é o aspecto de inclusão total de Seu trabalho redentor.

As primeiras horas da manhã da primeira Páscoa várias mulheres chegaram ao sepulcro vazio, além da bendita mãe Maria e de Maria Madalena. Eram: a irmã da mãe da Virgem; a também Maria, mãe de Judas (Tadeu) e São Tiago (o Menor); Salomé e Joana, esposa do mordomo de Herodes, Chuza. Todas as mulheres estavam ali, se preparando para entrar na Morte Mística e experimentar a iluminação que segue o Rito da Ressurreição. Os dois Anjos que vieram ao sepulcro vazio representam o purificado Corpo de Desejos e o luminoso Corpo Vital do candidato que está preparado. A consecução mais elevada que aguardava a essas mulheres pode ser deduzida das palavras que o Mestre lhes dirigiu, ordenando-as: “Ide a Galileia e ali me reunirei com vocês”[73]. Segundo o Zohar, “a ressurreição completa começará na Galileia. A ressurreição dos corpos – continua afirmando – será como o se abrir das flores. Não haverá a necessidade de comer ou beber, porque seremos alimentados pela glória do Shekinah”.

Os essênios, que tão reverentemente preservaram os conhecimentos dos Mistérios Pascais, continuaram entoando orações e hinos de louvor durante a noite do Sábado Santo e do Amanhecer de Páscoa, ao longo dos anos em que seu grupo permaneceu ativo.

CAPÍTULO XVI – O AMANHECER DA PÁSCOA

O Rito da Ressurreição é o Rito da vida impessoal. Durante a experiência da Morte Mística, o Discípulo se conscientiza das ilusões da matéria e das limitações da vida finita. A consciência da Ressurreição produz a comprovação da unidade de toda a vida em Deus. A pedra da separação foi removida. Por isso, quem passou por essa sublime experiência sabe que nenhum dano pode afetar a uma parte sem ferir o todo, e que nada bom pode suceder a alguém sem que, ao mesmo tempo, beneficie a todos.

Quem chega a conhecer a glória da ressurreição não pode mais ferir e nem matar, nem sequer a seus irmãos menores do reino animal, posto que eles são expressões viventes da mesma vida que vive e se move e tem seu ser no ser humano. Com a consciência da ressurreição a paixão do Corpo de Desejos não regenerado se converte na compaixão do espírito, que tudo abarca. O recém-nascido é banhado na dourada refulgência do Cristo Ressuscitado, e se faz um com Ele, na comprovação de que a morte se converteu na vitória da vida eterna.

A meditação sobre a experiência transcendental da Ressurreição proporciona uma compreensão e reverência maiores pelo significado interno daquela saudação que os Cristãos esotéricos se dirigiam, durante a radiação do amanhecer da Páscoa, à luz de sua própria iluminação interior: “Cristo é nossa Luz”.

Durante os anos seguintes, a noite de Sábado Santo e a manhã do dia da Páscoa foram os tempos de Iniciação para as almas avançadas, cujas vidas e obras se mencionam nos Evangelhos. E deve ter ocorrido muitas outras, não mencionadas, conforme atestam as palavras do Evangelho de São João: “Muitas outras coisas Jesus fez na presença dos Seus Discípulos, que não estão escritas nesse livro”[74]. Ainda mais tarde, São Gregório escreveu um formoso hino descrevendo a santa dedicação de Maria à mística saída do Sol, enquanto antigas lendas asseguram que foi a ela a quem o recém-ressuscitado Mestre apareceu primeiro.

Maria, a Virgem, passou pelo Terceiro Grau ou Grau do Mestre aos pés da cruz; e Maria Madalena, ao amanhecer do primeiro domingo da Páscoa, quando encontrou o Mestre no jardim.

Nesse Grau, a consciência é elevada aos planos espirituais superiores. Isso só é possível sob a supervisão de um Mestre. Por isso, antes que tal elevação da consciência ocorresse, Maria não reconheceu a seu Mestre em Seu resplandecente corpo espiritual, e só quando a ajudou a elevar gradualmente sua consciência aos planos em que Ele estava funcionando, ela O reconheceu em Sua glória transcendente. Foi, então, quando ela se prostrou de joelhos, com humildade, e se dirigiu a Ele como “Rabôni”, que significa “elevadíssimo Mestre”.

A Tarde da Páscoa

No Evangelho de São Lucas se recorda o passeio memorável para Emaús. Cleofás, pai de São Tiago (o Menor) e Judas (Tadeu), junto com outro dos Discípulos caminhavam para a pequena aldeia, na periferia de Jerusalém, quando, repentinamente, apareceu a eles o Mestre e os acompanhou até sua casa, onde abençoou seu jantar. Entretanto, até o momento em que Ele partiu o pão para eles, esses não reconheceram Sua verdadeira identidade. No cerimonial da Última Ceia O haviam visto derramar Sua radiante força vital sobre o pão, até convertê-lo em um foco luminoso de poder curativo. Nessa segunda vez, partiu o pão da mesma maneira e por isso reconheceram que quem estava entre eles não era outro que o próprio Cristo ressuscitado. Ainda que não houvessem alcançado o suficiente desenvolvimento para reconhecê-Lo, ao se encontrarem com Ele no caminho, se se tivessem feito credores, sem dúvida alguma, a caminhar em Sua presença e companhia, O reconheceriam no nível em que então Ele funcionou. Imediatamente Cristo desapareceu da vista deles e eles se dirigiram, apressadamente, a Jerusalém para proclamar a regozijosa notícia de Sua aparição.

A Noite da Páscoa

À Noite da Páscoa, os Discípulos mais intimamente associados ao Mestre se reuniram na Sala Superior, que ainda vibrava com a força nela liberada durante a Santa Ceia. E, enquanto recebiam aos dois de Emaús e escutavam, ansiosos, seu regozijoso relato, Cristo apareceu no meio deles e lhes disse: “A paz esteja convosco. Olhem para minhas mãos e meus pés” – e adicionou – “Sou Eu mesmo”.

Tudo isso não é senão uma descrição enigmática do que ocorreu. O Mestre estava, então, ensinando a Seus Discípulos como “soltar os cravos”, por assim dizer, do Corpo físico. Existem outros pontos pelos quais os dois Corpos estão ligados, mas os das mãos e os dos pés são os mais difíceis de se soltar. Daí a dor e as “feridas sagradas” ou “Estigmas”, na linguagem da igreja. E, como o trabalho de separar o Corpo Vital do Denso pertence ao Terceiro Grau, o da Iluminação, está claro que os reunidos, aos que Cristo apareceu, estavam sendo preparados para esse Grau dos Mistérios Cristãos.

São Tomé não estava entre eles. Ainda não havia alcançado o Segundo Grau, o da Clarividência. Entretanto, no sábado seguinte, na mesma Sala Superior, Cristo ordenou à São Tomé incrédulo, aparecendo a ele, que colocasse suas mãos nas “marcas dos cravos”. Feito isso, ele acreditou, ou seja, obteve o conhecimento, de primeira mão, que lhe abriu as portas da Iniciação do Segundo Grau.

A Segunda-feira Santa

Na segunda-feira da Páscoa o Mestre apareceu de novo aos seus Discípulos mais avançados, junto ao Lago de Tiberíades. Estavam no grupo São Pedro, São Tiago, São João, São Natanael e São Felipe. São Pedro, ao que se refere ao ocorrido, anunciou sua intenção de pescar. Seus companheiros concordaram e, subindo na barca, se lançaram ao Lago. Durante toda a noite nada pescaram. Ao amanhecer, viram a Jesus, de pé, na margem. Dirigindo-se a eles, lhes disse: “Lançai a rede à direita do barco e achareis”[75]. Assim o fizeram e a pesca foi abundante. Quando São Pedro soube por São João que era o Mestre que estava entre eles, se lançaram às águas para ir ao Seu encontro e levou logo a rede, repleta de peixes, para a terra.

Esse incidente é descrito no capítulo 20 do Evangelho Segundo São João, o mais esotérico de todos os Evangelhos, escrito pelo Discípulo mais próximo e mais amado do Mestre. A experiência nele descrita é toda espiritual e ocorreu nos planos internos. O Lago simboliza o plano etérico e a barca, o Corpo-Alma, no qual o ser humano funciona em dito plano. O peixe é o símbolo dos Mistérios Ocultos ou verdade esotérica. O número de peixes pescados, 153, fornece o valor numérico de nove, o número da evolução humana, e indica que a humanidade inteira será salva quando Cristo Cósmico for universalmente reconhecido como Salvador do Mundo.

São Pedro estava, então, recebendo as instruções para alcançar o Terceiro Grau ou o Grau do Mestre. A ele, e aos que se encontravam com ele, o Mestre estava ensinando como “Lançar a rede à direita do barco” ou, em outras palavras, como se sintonizar com as correntes da direita ou positivas da Terra. Essas correntes estão sob o domínio de Mercúrio, deus da Sabedoria, regente das emoções.

Então, os novos Discípulos alcançaram os poderes do Grau de Mestre que os capacitaram, nas palavras do Evangelho Segundo São Marcos, a expulsar demônios “em Meu nome”. E falaram novas línguas, pegarão serpentes e se beberem algum veneno, não lhes fará nenhum mal; imporão as mãos aos doentes e esses ficarão curados (Mc 16:17:18).

Desde o primeiro grande derramamento do Fogo no Pentecostes, a humanidade tem se voltado, invariavelmente, para o mundo do materialismo, o que faz com que os poderes do espírito se tornem cada vez menos aparentes. Contudo, desde seu longo “enterro” está destinada a experimentar uma ressurreição universal no Novo Dia que já está amanhecendo. Um outro tempo de “milagres” está se avizinhando; um segundo Pentecostes se aproxima. Do cântaro de Aquário está sendo derramado sobre a Terra um novo fogo do céu, destinado a despertar a humanidade para novas realizações espirituais, e a criar as circunstâncias que tornarão possível o retorno do Espírito de Cristo, para completar a consciência dos seres humanos, do mesmo modo que Ele se manifestou a Seus associados durante os dias de Sua primeira vinda.

A Ressurreição de Cristo não é só um acontecimento histórico para uma mera celebração eclesiástica. É um festival cósmico recorrente. É um incremento anual, tanto físico como espiritual, de vida, para a experiência presente e para o desenvolvimento futuro do ser humano. Só quando essa experiência for assimilada interiormente, a humanidade poderá compreender o significado transcendental dos sagrados Mistérios da Páscoa.

CAPÍTULO XVII – O INTERVALO ENTRE A RESSURREIÇÃO E A ASCENSÃO

Uma das fases mais importantes da missão de Cristo sobre a Terra consistiu em disponibilizar os Mistérios Cristãos para a humanidade. Os Pais da Igreja primitivos fazem muitas referências a esses ensinamentos secretos. Orígenes[76], um dos mais importantes entre eles, alude frequentemente aos ensinamentos ocultos, o mesmo que Tertuliano[77], que devia estar familiarizado com eles, já que alega ter sido um Iniciado dos Mistérios de Mitra, antes de encontrar o Cristianismo.

Quando Cristo disse a alguns eleitos “siga-me” estava formulando o primeiro Caminho do Discipulado, que conduz aos Mistérios Cristãos. O Aspirante moderno, ao contemplar as magníficas igrejas dos nossos dias, com todo conforto, espaço e luxo, dedicadas à memória de distintos Discípulos, estão inclinados a esquecer da vida que esses homens e mulheres viveram, quando estavam sobre a Terra. Foram empurrados, de um lugar para outro, pelas mais horríveis perseguições, vivendo em covas e sem se atrever a mostrar seu rosto em nenhuma praça pública. Nenhum visitante de Roma pode se esquecer das catacumbas, escuras e sombrias passagens subterrâneas, de muitos quilômetros de comprimento, nas quais muitos Cristãos primitivos viveram durante muitos anos. Aparentemente a única recompensa a tantos anos de sacrifício e força eram os animais selvagens no circo ou o martírio na cruz de seu próprio Gólgota. No entanto, apesar disso, aqueles bravos homens e mulheres possuíam uma coragem interna e uma alegria anímica como poucas pessoas tinham jamais conhecido. Encontraram essa “grande paz que sobrepassa todo o entendimento”. Aprenderam a dizer, como São Paulo: “nenhuma dessas coisas me comove”[78], porque alcançaram uma das mais difíceis consecuções no Caminho do Discipulado: encontraram o Reino dos Céus dentro deles mesmos.

Durante a Semana da Paixão, o intervalo entre o Domingo de Ramos e o dia da Páscoa, que se chama Semana Santa, Cristo deu a Seus Discípulos muitos princípios-chaves relativos ao trabalho do Discipulado no Mundo Físico externo[79]. Durante semana entre a Páscoa e o seguinte domingo ou Oitava de Páscoa, chamada de Semana Pascoal, Ele lhes proporcionou muitos princípios-chaves relativos ao trabalho do Discipulado nos Mundos internos ou espirituais.

Foi durante aquele amanhecer místico no princípio de manhã da Páscoa quando os seguidores de Cristo viram, pela primeira vez, a fulgente glória do corpo solar do Mestre.

Aos três Discípulos mais adiantados foi permitido contemplar aquele corpo de luz no Monte da Transfiguração, mas esse privilégio só o puderam alcançar, a maior parte dos Seus Discípulos, no Rito da Ressurreição ou alvorada da Páscoa.

Durante os três anos de ministério de Cristo na Terra Ele apareceu no corpo físico do Mestre Jesus. Esse instrumento humano, para esse plano terrestre, era uma pálida sombra comparado com a luminosa radiação do corpo solar de Cristo, que é Seu veículo no Sol espiritual e no plano de Capricórnio, morada dos Arcanjos.

Foi durante esse tempo maravilhoso para o espírito, que vai da Ressurreição à Ascensão, quando os Discípulos viam, diariamente, o Cristo em seu glorioso corpo, que São João descreve como “mais branco que a neve e mais brilhante que o Sol[80]. Os acontecimentos que ocorreram durante esse transcendental período de quarenta dias, como já foi dito, se realizaram, em sua maior parte, nos planos espirituais e só os Discípulos capazes de funcionar, conscientemente, nos Mundos superiores puderam participar desses eventos. Esses sublimes acontecimentos, descritos nos últimos capítulos do Evangelho de São João, eram parte da preparação, mediante a qual os Discípulos foram acondicionados para o mais elevado sucesso espiritual da vida humana, descrito biblicamente como a Festa de Pentecostes.

No amanhecer da Páscoa, quando Cristo apareceu à Maria Madalena – uma das mais elevadas Discípulos femininos – na glória de Seu corpo arcangélico, ela provou a extensão de seus poderes de clarividência. Logo, na mesma manhã, as Escrituras nos informam: “Depois disso, Ele se manifestou de outras formas” (Mc 16:12).

O ser humano possui outros Corpos, de substância mais tênue que o físico. O Corpo Vital é composto de material da Região Etérica do Mundo Físico; o Corpo de Desejos é composto de material do Mundo do Desejo; a Mente, de substância do Mundo do Pensamento Concreto; e os veículos espirituais, da substância espiritual de seus Mundos. O Mestre Iniciado pode atrair, facilmente, para Si átomos pertencentes a esses Mundos, revestindo-se de um Corpo dessa determinada substância. Com a mesma facilidade pode dissolver esse Corpo, quando já não lhe é mais necessário, e devolver os átomos à substância universal de onde vieram, o que explica o mistério do sepulcro vazio, tanto tempo objeto de disputas entre as distintas igrejas. Todos que transcenderam o elevado estado de Iluminação, conhecido como Iniciação da Terra, obtiveram o completo e absoluto controle de todos os átomos e pode dissociá-los e desagregá-los à vontade, que é o que fez o Cristo antes de Sua Ressurreição, já que não necessitava daquele Corpo físico, por ter concluído Sua missão na Terra.

O Mestre apareceu àquelas mulheres revestido em Seu Corpo Vital, pois a visão delas não era tão profunda como a de Maria Madalena. No caminho de Emaús, segundo as Escrituras, “seus olhos, porém, estavam impedidos de reconhecê-lo”[81]. Logo, seguem dizendo: “Então seus olhos se abriram e O reconheceram”[82]. Essas afirmações se referem ao desenvolvimento da clarividência. O poder da clarividência e a faculdade de abandonar o corpo físico à vontade, como um Auxiliar Invisível, são duas das fases mais familiares do Discipulado Cristão e, nos livros do Novo Testamento há, frequentemente, referência a essas duas etapas.

A noite de Páscoa, durante o acontecimento já descrito, quando o Mestre apareceu aos Discípulos na Câmara Superior, com as portas e janelas fechadas e trancadas, estava lhes ensinando que a matéria física não pode nunca constituir uma barreira intransponível para o Corpo do Espírito. É essa uma verdade que podem atestar muitos Estudantes dos fenômenos psíquicos.

No dia seguinte, no Mar da Galileia, Cristo ensinou aos Seus mais avançados Discípulos como desenvolver e empregar certas correntes espirituais internas. O desenvolvimento e o emprego apropriado das mesmas protegerão sempre o Discípulo das furiosas investidas psíquicas, da influência sinistra de desencarnados apegados à Terra e dos terrores da obsessão. Nenhum Discípulo deve se arriscar a trabalhar nos planos psíquicos se não aprendeu como se proteger com o escudo e a armadura da luz branca e pura.

“Já amanhecera. Jesus estava de pé, na praia, mas os discípulos não sabiam que era Jesus.

Então Jesus lhes disse:

‘Jovens, acaso tendes algum peixe?’.

Responderam-lhe: ‘Não!’.

Disse-lhes:

‘Lançai a rede à direita do barco e achareis’.

Lançaram, então, e já não tinham força para puxá-la, por causa da quantidade de peixes. Aquele discípulo que Jesus amava disse então a Pedro:

‘É o Senhor!’.

Simão Pedro, ouvindo dizer ‘É o Senhor!’, vestiu sua roupa — porque estava nu — e atirou-se ao mar. Os outros discípulos, que não estavam longe da terra, mas cerca de duzentos côvados, vieram com o barco, arrastando a rede com os peixes. Quando saltaram em terra, viram brasas acesas, tendo por cima peixe e pão.

Jesus lhes disse:

‘Trazei alguns dos peixes que apanhaste’.

Simão Pedro subiu então ao barco e arrastou para a terra a rede, cheia de cento e cinquenta e três peixes grandes; e apesar de serem tantos, a rede não se rompeu.

Disse-lhes Jesus:

‘Vinde comer!’.

Nenhum dos discípulos ousava perguntar-lhe: ‘Quem és tu?’, porque sabiam que era o Senhor.” (Jo 21:4-12)

Aqui, como já foi dito, está contida um dos mais profundos ensinamentos dados por Cristo durante todo o Seu ministério. É a continuação do trabalho profundo esotérico, antes aludido, da Segunda-feira da Páscoa. Sua ação não se desenvolveu no plano físico, mas no Mundo interno em que os Discípulos atuavam em seus veículos espirituais. Dado que o peixe é um habitante das profundidades, sempre foi o símbolo religioso dos acontecimentos esotéricos profundos. Esse símbolo foi utilizado amplamente pelos primeiros Cristãos, durante o período de sua intensa perseguição. Não se tratada de homens que pescavam e vendiam peixes como meio de vida, mas de Discípulos treinados sob a orientação de São João Batista para receber os ensinamentos esotéricos profundos que Cristo ensinaria. Um princípio-chave desse fato está na menção que se faz do favo de mel. Se se tratasse de um evento físico natural, certamente não resultaria muito apetitosa a comida composta de peixe e mel. Essa última é utilizada, desde tempos imemoriáveis, nas cerimônias de Iniciação. Nos antigos Mistérios, quando o Aspirante tinha passado com êxito em determinadas etapas, ele era jubilosamente recebido, dando a ele boas-vindas, pelos seus companheiros iniciados, que compartilhavam com ele a ambrosia, bebida de ação de graças, composta de mel e algumas ervas. Portanto, mediante o uso simbólico do peixe e do mel, significa que os mais adiantados entre os Discípulos do Mestre foram apresentados nas mais profundas verdades esotéricas dos primeiros Mistérios Cristãos.

Durante o intervalo entre a Ressurreição e a Ascensão os Discípulos foram recompensados pelos longos anos de sacrifício e renúncia. As maravilhosas glórias daqueles dias santos encheram de revelações divinas as horas de íntima e terna comunhão com o Senhor ressuscitado. Só os que estavam suficientemente evoluídos para funcionar, conscientemente, nos planos internos puderam experimentar a glória do intervalo entre a Ressurreição e a Ascensão. Esses dias sagrados se situam, verdadeiramente, entre o céu e a Terra. Nunca poderiam ser descritos com meras palavras. São João se refere a eles nas palavras finais de seu Evangelho: “Há, porém, muitas outras coisas que Jesus fez e que, se fossem escritas uma por uma, creio que o mundo não poderia conter os livros que se escreveriam”[83].

CAPÍTULO XVIII – A ASCENSÃO

Os dias santos culminaram com a Ascensão. Sempre o Mestre deu ênfase a Seus Discípulos sobre o milagre daquele dia em que desenvolveram todos os poderes crísticos em si mesmo, acontecimento ao que Ele chamava “ser investido com os poderes do alto”[84]. No grande dia de Pentecostes se converteram em seres inspirados e iluminados, mensageiros e mestres do perfeito Caminho de Cristo.

No Rito da Ascensão, Cristo reuniu ao Seu redor os Seus mais avançados Discípulos e, enquanto os abençoava, O viram se elevar, cada vez mais, aos planos espirituais, tão longe que, finalmente, nem sequer sua visão clarividente pode segui-lo, enquanto hostes de Anjos cantavam regozijosos: “assim como O haveis visto se elevar, assim regressará”.

Durante o período de quarenta dias que vai desde a Ressurreição até à Ascensão, os Discípulos, não só viveram uma experiência espiritual riquíssima e reconfortadora, senão que Cristo mesmo foi um canal para o fluxo e refluxo renovador do crescente poder espiritual. Foi dito diversas vezes, ao longo do Livro A Interpretação da Bíblia para a Nova Era, que cada acontecimento importante na vida de Cristo representa uma etapa Iniciática no desenvolvimento espiritual do ser humano. Esses sucessos representam, também, progressivas Iniciações na vida do Mestre.

Com a Ascensão, Cristo passa aos mais elevados planos espirituais da esfera terrestre que, biblicamente, se descrevem como “o Trono do Pai”. Converte-se, assim, em um canal para o derramamento das forças das Doze Hierarquias Zodiacais, incluindo os Serafins, Querubins e Senhores da Chama. Com a Ascensão, ou Solstício de Junho, cada átomo da Terra fica impregnado da luz-glória desse divino poder espiritual. No Solstício de Dezembro, o coração da terra se torna luminoso com a luz de Cristo.

 No entanto, Suas emanações são tão elevadas que a maioria da humanidade o percebe muito parcialmente ou não percebe nada. A estação do Natal se celebra universalmente, mas a festa do Solstício de Junho passa quase sempre despercebida. E, ainda que isso é certo no plano físico, é muito diferente no Mundo espiritual.

Ali os Anjos e Arcanjos celebram as festividades. A beleza, o esplendor e o poder espiritual que impregnam, tanto o céu como a Terra, nessa elevada época, não podem se descrever adequadamente pela linguagem humana, mas está além do que pode se ver pela visão humana.

A exaltada glória da festa da Ascensão pertence a um elevado estado do ser que a humanidade, no desenvolvimento continuado, alcançará um dia no curso de sua própria ascensão até a Iluminação.

Há uma lenda que conta que, pouco depois da Ascensão, Cristo, no plano celeste, estava rodeado por muitos profetas do Antigo Testamento contemplando, encostados na beira do mundo, aos Discípulos na Terra, atarefados em ensinar e curar a multidão que os seguiam, quando um dos profetas disse a Cristo: “é uma lástima que hajas deixado o mundo tão cedo, quando ainda há tanto trabalho”. Cristo replicou: “Eu não deixei a Terra. Enquanto houver Discípulos que façam o que Eu fiz e digam o que Eu disse, estarei entre eles”.

Não é essa a prova mais impressionante e desafiante para o Discípulo, a todo tempo, e a todo momento? O praticar uma dedicação e uma consagração tão completas, que os pés não caminham senão por Seus caminhos, que as mãos ministrem em Seu nome, e que os lábios não falem senão d’Ele, constitui o verdadeiro significado do Discipulado. Quem quer que passe nessa prova, será considerado digno de participar do mesmo glorioso intervalo de comunhão com o Senhor Cristo, do mesmo modo que os primeiros Discípulos desfrutaram naquele primeiro período entre a Ressurreição e a Ascensão.

TERCEIRA PARTE – A TRILHA DA SANTIDADE OU O CAMINHO DE CRISTO

ESTUDO DO CAMINHO ATRAVÉS DOS DOZE PORTAIS ZODIACAIS

Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida

(Jo 14:6)

Entrai pela porta estreita, porque largo e espaçoso é o caminho que conduz à perdição. E muitos são os que entram por ele. Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho que conduz à Vida. E poucos são os que o encontram.

Mt 7:13-14

Ali haverá uma estrada — um caminho que será chamado caminho sagrado. O impuro não passará por ele. Ele mesmo andará por esse caminho, de modo que até os estultos não se desgarrarão.

Is 35:8

Tais veredas não as conhece o abutre, nem as divisa o olho do falcão; não as percorrem as feras arrogantes, nem as atravessa o leão.

Jo 28:7-8

Mas, já que ele conhece o meu proceder, que me ponha à prova, dela sairei como ouro acrisolado

Jo 23:10

… dar-vos-á o pão da angústia e água racionada; aquele que te instrui não tornará a esconder-se, sim, os teus olhos verão aquele que te instrui. Teus ouvidos ouvirão uma palavra atrás de ti: “Este é o caminho, segui-o, quer andeis à direita quer à esquerda”.

Is 30:20-21

Este é o único (Caminho), meu filho, a Trilha (que conduz) à Verdade, (a Trilha) sobre o qual os nossos predecessores puseram seus pés e, assim fazendo, encontraram o Bem.

Solene e suave é esse Caminho, mas difícil de percorrer pela alma quando ainda está no corpo.

Pois, primeiro, você tem que lutar consigo mesmo, produzindo uma grande dissensão, e conseguir que a vitória faça parte (de você mesmo).

Pois, há um embate um contra os dois, o primeiro tentando escapar e por último tentando arrastar para baixo.

E há grande disputa e batalha (horrenda) destes contra o outro, aquele que quer fugir e os outros que querem ficar.

A grande disputa e batalha (horrenda) destes contra o outro, aquele que quer fugir e os outros ficarem.

Um anseia por ser livre; os outros amam sua escravidão.

Você, (meu) filho, deve primeiro deixar seu corpo para trás, antes que ele chegue ao fim, e sair vitorioso na vida de conflito, e então, como um triunfante, dirigir seu caminho de volta para casa.

Hermes Trismegisto

Sacrifício, estudo, entrega, ascetismo, verdade, perdão, bondade e alegria constituem os oito caminhos da retidão. Os quatro primeiros podem se seguir pela soberba, mas os outros quatro só se dão nos verdadeiramente grandes.

El Mahabharata

CAPÍTULO XIX – LIBRA

Meditação espiritual para Libra

Todos os povos celebram o ano novo relacionando-o com o passo do Sol por determinado ponto da Eclíptica[85]. Existem quatro pontos dessa classe que os astrônomos chamam de Equinócios e Solstícios. Alguns povos celebram o ano novo no Equinócio de Março; outros no de Setembro; e alguns outros no Solstício de Junho ou de Dezembro.

Os antigos hebreus desenvolveram dois calendários: um secular e outro sagrado. O ano novo, no antigo calendário secular, começava com o mês de Tishri[86], aproximadamente, no Equinócio de Setembro. O ano novo sagrado que, aparentemente, adotaram dos babilônios, mas que foi sancionado por Moisés (Ex 13:4), caía, aproximadamente, no Equinócio de Março. Sua Páscoa se celebrava como uma festa dessa estação. As festas hebreias dependiam da posição relativa da Lua e do Sol, e a Lua Nova constituía o primeiro dia de cada mês.

Essa correlação enfatizava a influência Jeovística lunar e, assim, foi fixada pelos Iniciados, que compreendiam a correlação entre as forças espirituais e materiais. O Dia da Expiação, o ano novo civil, e o do Juízo se celebravam na época do Equinócio de Setembro, e nele se seguem sendo celebrados. Estavam sintonizados com as forças que fluíam, através do universo, nesse tempo, com particular intensidade, incidindo sobre a Terra de um modo especial. A constelação na qual o Sol cruza o equador celestial em setembro é Libra, o Signo da balança no simbolismo astrológico, e associada aos ideais de justiça e equilíbrio.

Desde a vinda do Cristo é dado maior ênfase espiritual ao Sol, ao calendário solar e ao Equinócio de Março, mas isso não alteraram as verdades conhecidas pelos antigos Iniciados. E assim, e pelas razões que se exporão nas próximas páginas, para os neófitos na Trilha da Santidade conducente à Iniciação em Cristo, ainda existe a alma do ano novo, celebrada em setembro, quando o Sol cruza o equador no Signo, que não é na constelação, de Libra.

À luz da lenda astrológica cristã que tende, naturalmente, a correlacionar os fenômenos astrológicos com os ensinamentos bíblicos, antes da “Queda do Homem”, Virgem e Escorpião estavam unidas em uma única constelação. Depois da “Queda do Homem” foram separadas e, entre ambas se intercalou a Libra. As marcas astronômicas dessa lenda são ainda discerníveis no céu: a constelação de Libra é uma das mais extensas, alcançando, em seu estado natural, desde os aproximadamente vinte e quatro graus de Virgem, todo o Signo de Libra, e os primeiros cinco graus do Signo de Escorpião; tudo isso medido nos tempos atuais e quando o Equinócio de Março está, aproximadamente, no 10º grau de Peixes.

Acreditamos que os Estudantes observaram que distinguimos Constelações de Signos. As constelações são as estrelas visíveis aos nossos olhos. Os Signos são divisões matemáticas, arbitrárias, do espaço, medidos desde o Equinócio de Março, ao longo da Eclíptica e constituídos por segmentos de trinta graus, o primeiro dos quais se chama Áries; o segundo, Touro; o terceiro, Gêmeos, e assim ao longo de todo o Zodíaco. Houve um tempo em que essas divisões matemáticas do espaço ao longo da Eclíptica, ou caminho do Sol, coincidiam com o Zodíaco natural, tal como aparece no céu. Os gregos, da mesma forma que os povos da antiguidade, utilizaram primeiro o Zodíaco natural, mas logo recorreram às divisões matemáticas iguais, por razões de conveniência astronômica.

Dizia-se que Hiparco[87] foi que liderou essa alteração, mas os arqueólogos demonstraram que os babilônios utilizavam doze subdivisões do Zodíaco muito antes dos tempos de Hiparco. É, portanto, evidente que os babilônios calcularam a dimensão da Precessão dos Equinócios antes que Hiparco. No que se refere à civilização europeia, foi nos idos do século II a.C. que o sistema moderno de Signos do Zodíaco suplantou o antigo sistema, de divisões desiguais do Zodíaco e, desde então, é o que se vem usando.

Para os gregos, Virgem era Astreia[88], a Virgem dos Céus. Sustentava em sua mão a balança do Juízo (Libra) que se estendia no céu, ocupando o espaço do que, agora, chamamos de Escorpião. Outro sistema, e pela mesma razão, denomina a Libra “a pinça” de Escorpião.

Libra, pois, como uma pedra muito pequena, está no lugar da decisão anímica, apontando, de um lado, para a trilha da pureza, da castidade e da imaculada concepção, simbolizada por Virgem, e do outro lado, para a geração, simbolizada por Escorpião, o Signo da oitava Casa, que estabelece que toda a forma concebida no modo atual, mediante a geração, deve morrer.

Todo neófito deve chegar a essa bifurcação do Caminho, como uma prova, antes de ser julgado digno de receber a luz que a sua alma anseia. Os egípcios representavam esse estado de consciência por meio da figura de um homem com os olhos vendados, caminhando para um precipício, onde um enorme crocodilo o esperava. Nenhum outro símbolo poderia descrever melhor o estado atual da humanidade. Cego pelos seus cinco sentidos, de onde as fauces abertas do materialismo (o crocodilo) estão preparadas para o engolir.

A personificação da Justiça (Libra) é representada, convencionalmente, com os olhos vendados, dada que sua ação é impessoal. Não influenciada pela preferência nem pelo prejuízo mental, percebendo com clara visão interior, os efeitos das causas anteriores em sucessivos ciclos de renascimento. Quando a visão espiritual se converta em uma faculdade comum de toda a humanidade, a Justiça deixará de ser representada com os olhos vendados. E, pelo contrário, contemplará, sem medo e compassivamente, o ser humano e seu mundo, com os olhos abertos.

Nas outras constelações do Zodíaco encontramos, simbolizada, a “Queda do Homem”. O Cristianismo Esotérico reconhece que essa “Queda” constituiu um fenômeno cósmico desse globo físico em relação tanto com o universo, como com a humanidade que nele habita. Dado que cada ser humano é um cosmos em miniatura, também ele encarna a história da queda planetária. Quando entra no Caminho da Iniciação, conhecido na Bíblia como a “Trilha da Santidade”, começa a marcar seu caminho de retorno, desde a Queda cósmica até o Éden.

Lendas sagradas relatam que antes da guerra nos céus e a queda de Lúcifer e seus Anjos, o Sol estava diretamente sobre o equador da Terra e a Lua sempre Cheia. Não havia mudança de estações. Era a Idade de Ouro.

Coincidindo com a queda de Lúcifer, um acontecimento cósmico, o eixo da Terra se inclinou para a sua posição atual. Agora tem uma inclinação de vinte e três graus e meio em relação ao equador. Essa alteração de posição induziu às mudanças das estações. A natureza da queda conduziu também a um descenso gradual, desde o estado etérico, no qual o ser humano vivia no Éden, ao estado da matéria densa que temos atualmente.

À medida que o ser humano vai se redimindo, por meio da regeneração, a Terra irá se endireitar e se eterizar mais e mais.

De modo que a nossa Terra se encontra entre a atração de Virgem e seu Regente (Mercúrio), por uma parte, e de Escorpião e seu Regente (Marte), por outra parte. Que a vitória final será a de Mercúrio sobre Marte (a Mente sobre a matéria) é indicado pelo fato de que a Terra, em sua evolução, passou já pelo que os ocultistas chamam de metade marciana do Período Terrestre e entrou na metade mercuriana. Paralelo à evolução do Planeta está o progresso dos reinos da natureza que evolucionam aqui, e cuja cúspide o constitui a vida da humanidade, a onda de vida astrologicamente relacionada com a constelação de Peixes.

A Trilha da Santidade por meio de Libra

As doze constelações do Zodíaco são mais que uma mera coleção de estrelas que adornam o céu. Cada constelação é o lar de inteligências espirituais, possuidoras da Sabedoria e do Poder mais além de toda a compreensão humana. Todo ano, quando o Cristo Arcangélico realiza Sua viagem para a Terra, enquanto a orbe solar completa seu circuito do Zodíaco (visto pelos habitantes da Terra), essas poderosas Hierarquias juntam suas forças espirituais com a de Cristo para sustentar e nutrir o que vive sobre o globo terrestre.

Quando o Sol entra em Libra, no Equinócio de Setembro, o sublime Cristo alcança a superfície exterior da Terra. Então, ocorre uma aceleração cósmica. Lentamente, durante novembro e dezembro, o raio do Cristo penetra nos diversos planos internos do Planeta, até alcançar o centro da Terra, no Natal. Pela visão superior, o raio do Cristo é dourado, como o Sol espiritual do qual emana. Constitui, verdadeiramente, a trilha da santidade para todo Discípulo que, sinceramente e com firmeza, se dedicou à busca durante o período do Equinócio de Setembro. Em algum futuro Solstício de Dezembro, ele receberá a luz divina, recém-nascido no coração da Terra. É o tempo da dedicação ao Caminho do Cristo.

Antes de alcançar a meta, cada Aspirante deve aprender a lição cósmica de Libra:

“Então compreenderás a justiça e o direito, a retidão e toda boa obra”     

(Pb 2:9).

Distinguir o real do ilusório, o verdadeiro do falso é também a nota-chave bíblica de Libra.

O trabalho principal encomendado a um Discípulo em sua dedicação pela trilha consiste em estabelecer contato com o Deus vivo interno. A Hierarquia de Libra, os Senhores da Individualidade, estão divinamente qualificados para ajudar nessa atividade. As provas do Discípulo nesse ponto são dirigidas ao desenvolvimento da sua faculdade de discernimento, uma das posses mais importantes na Trilha do Discipulado.

Parábola Bíblica para Libra

Os construtores sobre a rocha e sobre a areia

Assim, todo aquele que ouve essas minhas palavras e as pôr em prática será comparado a um homem sensato que construiu a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as enxurradas, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, mas ela não caiu, porque estava alicerçada na rocha. Por outro lado, todo aquele que ouve essas minhas palavras, mas não as pratica, será comparado a um homem insensato que construiu a sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, vieram as enxurradas, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela caiu. E foi grande sua ruína!”.

Aconteceu que ao terminar Jesus essas palavras, as multidões ficaram extasiadas com o seu ensinamento, porque as ensinava com autoridade e não como os seus escribas.

(Mt 7:24-29)

Libra é o Signo que marca a linha na qual se há de tomar uma decisão. Aqui o Aspirante se vê à frente de duas trilhas: a positiva e a negativa. É também a estação do ano em que a Terra está equilibrada entre a luz e a obscuridade, entre o verão e o inverno.

Na vida do Senhor Supremo o acontecimento correlacionado com Libra é Sua Tentação, quando teve que escolher entre uma promessa de tudo o que o mundo pode oferecer e a glória do céu. “Foi tentado em todos os aspectos…mas permaneceu sem pecado”. E assim se converteu no Indicador do Caminho para toda a humanidade. Seguir Suas etapas e superar todas as fascinações do mundo é se converter em um novo Adão, um pioneiro da Nova Raça e da Nova Era. Por isso, na astrologia esotérica, se denomina Libra “o Signo do Novo Adão”.

A parábola dos dois construtores está correlacionada com Libra. O construtor tolo é o que constrói sua casa sobre a areia, só para que, no final, seja destruída pelo vento e pela enxurrada. Sendo uma pessoa que não entrou em contato com a sua divindade interna, está presa por toda corrente de pensamento negativa que se interponha em seu caminho. Está centrado na lei material, ascendendo e descendendo à mercê dos acontecimentos de sua vida, puramente objetiva.

O construtor sábio é o que constrói sua casa sobre a rocha, de modo que suporte qualquer tormenta que a ataque. Esse ser humano encontrou o Cristo Interno e é, portanto, imune às circunstâncias exteriores. Sabe que é mais forte do que qualquer coisa que possa lhe suceder. Apesar do rigor dos ventos e das enxurradas, declara triunfante: “Estou tranquilo e sei que eu sou Deus”. Verdadeiramente, sua casa foi construída sobre firmes alicerces e permanecerá para sempre.

Sobre Libra existe um ir e vir das forças opostas de seus dois Regentes: Saturno, a lei do materialismo, e Vênus, a lei do amor. Aqui é onde cada indivíduo se encontra no lugar da eleição e se decide a construir sobre a areia ou a rocha, sob o teor de sua necessidade ou sabedoria.

CAPÍTULO XX – ESCORPIÃO

A Trilha da Santidade por meio de Escorpião

Quando um Discípulo da Trilha da Santidade segue o raio dourado do Cristo até o coração da Terra, emprega o período de Escorpião como tempo de transmutação. Tenta sublimar o mal em bem, a obscuridade em luz, o negativo em positivo, em cada fase da vida cotidiana. Dedica-se a si mesmo à tarefa de transmutar o pouco endurecido de sua natureza inferior no ouro puro do espírito. O laboratório que ocorre esse grande trabalho é a espinha dorsal, às vezes denominada A Trilha do Discipulado. Quando seu fogo purificador é despertado, atua, primeiro, na base da mesma. Quando ascende, o fogo espiritual se une com o fogo espiritual correspondente de cima, crescendo ambos gradualmente em volume e fortaleza, até que o Corpo inteiro do Discípulo se encha de luz. Alcança, então, a Iluminação, que fica visível a todos os que possuem a visão interna. E é então quando, pela primeira vez, sua natureza inferior é, literalmente, consumida pelo fogo celestial, se convertendo a si mesmo em uma tocha que ilumina seu próprio caminho até o coração da Terra, onde habita o esplendor de Cristo. Quando mais sincera seja sua dedicação, tanto mais avançará na Trilha a cada retorno da estação, até que, finalmente, seja declarado digno de participar da Festa da Luz que ocorre na Noite Santa.

Tanto biblicamente como astrologicamente se diz que Escorpião tem duas notas-chaves, o qual ilustra quanto se tem dito sobre esse Signo: para o neófito “Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus[89]; e para os iluminados: “Mostra-me coisas que são mantidas secretas desde a fundação do mundo”.

Parábola bíblica para Escorpião

A Figueira Estéril

Em seguida, deixando-os, saiu fora da cidade e dirigiu-se para Betânia. E ali pernoitou. De manhã, ao voltar para a cidade, teve fome. E vendo uma figueira à beira do caminho, foi até ela, mas nada encontrou, senão folhas. E disse à figueira:

– “Nunca mais produzas fruto!”.

E a figueira secou no mesmo instante. Os discípulos, vendo isso, diziam, espantados:

– “Como assim, a figueira secou de repente?”.

Jesus respondeu:

– “Em verdade vos digo: se tiverdes fé, sem duvidar, fareis não só o que fiz com a figueira, mas até mesmo se disserdes a esta montanha: ‘Ergue-te e lança-te ao mar’, isso acontecerá”.

Mt 21:17-21

Escorpião é um Signo de tremendo poder. Suas forças atuam em uma faixa que vai desde as fases mais íntimas da degeneração, até as fases mais excelsas da regeneração. Quando alguém aprende a se sintonizar perfeitamente com os poderes de Escorpião, se converte em um operador de milagres, tanto no plano físico como no espiritual. A parábola relacionada com esse Signo é uma das mais controvertidas de toda a Bíblia. Há profundas verdades escondidas nela.

Na simbologia espiritual a figueira representa a geração. Cristo, o Senhor da Vida e do Amor, jamais amaldiçoaria nem faria secar ou morrer a nenhum ser vivente, já que Sua palavra e Seu contato só pode dar a vida. A parábola não contém uma maldição, mas a enunciação de uma verdade eterna. A lei da geração não é permanente. Não estava no plano original. Por isso seu emprego incorreto trouxe a guerra, enfermidade, velhice e morte. Por sua causa Adão e Eva perderam o Jardim do Éden. O Livro da Revelação[90] fala de cento e quarenta e quatro mil que levam a marca de Cristo sobre as testas, e aos que se permite transpor os umbrais do Templo. São os pioneiros, os que transmutaram a geração em regeneração.

A geração, tal como se pratica hoje, é uma fase, transitória, do presente ciclo evolutivo. Na Nova Era, que já amanhece, os pioneiros trocarão o irreal pelo real, o transitório pelo permanente. O prazer será substituído pelo amor e a imortalidade ocupará o lugar da mortalidade. Nas palavras de São Paulo: o ser humano encontrará, dentro de si mesmo, a Cristo, que é a “esperança da glória”[91]. Esse foi o significado das palavras do Senhor bendito quando disse à figueira: “Nunca mais produzas fruto”, e a figueira secou.

No Signo de Escorpião se percebe uma visão caleidoscópica do estado evolutivo da humanidade. A sublimação da geração em regeneração se simboliza não pelo escorpião se arrastando pela terra e com o aguilhão da morte em sua cauda, mas pela águia, voando em linha reta para o coração do Sol.

Meditação Espiritual para Escorpião

Desde o princípio do Período Terrestre a Hierarquia Criadora de Escorpião dá à humanidade modelos de pensamentos-forma cósmicos. Mediante esses modelos o ser humano aprendeu a construir suas encarnações características. Por isso, os membros da Hierarquia de Escorpião se denominam Senhores da Forma. O Cérebro-Mente do ser humano não é nada mais do que um instrumento para se submergir nesses arquétipos de pensamento. Nos tempos antigos da evolução humana os Estudantes dos Templos de Mistérios eram capazes de contatar diretamente com essas Hierarquias celestiais e de observar o imenso serviço que estão prestando à onda de vida humana. Por essa razão, a mensagem das estrelas se incluía entre os estudos do Templo, e a nenhum Estudante se lhe permitia receber essa instrução sem uma árdua e longa preparação.

Transmutação é a nota-chave dominante de Escorpião. Durante o período entre o Equinócio de Setembro e o Solstício de Dezembro, quando a força dourada de Cristo vai penetrando, pouco a pouco, nessa esfera, o Arcanjo Miguel, o segundo em glória e poder depois de Cristo, se encarrega de limpar e transmutar uma acumulação de desejos perversos do ser humano, que flutua, como uma obscura nuvem miasmática, sobre a Terra. Juntos, ambos, purificam e transmutam os pensamentos-forma negativos do ser humano, que povoam a atmosfera mental do Planeta. Graças a esse trabalho é possível o ser humano obter matéria mental e de desejos mais pura, para a construção de sua Mente e do Corpo de Desejos. Esses, por sua vez, incidem e fortalecem os Corpos Vital e Denso.

Escorpião é o Signo misterioso do Zodíaco. Possui dois símbolos: um escorpião, com um aguilhão da morte em sua cauda, e uma águia que pode voar mais perto do Sol que nenhuma outra ave. Esses dois símbolos representam dois aspectos, amplamente divergentes desse Signo: sob a influência do escorpião o ser humano pode descer às profundidades da degradação; sob a influência da águia, sua natureza inferior é transmutada, de modo que pode alcançar grandes alturas espirituais.

Outro aspecto paradoxo de Escorpião é constituído pelas influências do Fogo e da Água, exercidas por meio desse Signo, por isso dois elementos, devido a que Escorpião, um Signo de Água, está regido por ígneo Planeta Marte. Essa é uma indicação a mais das místicas propriedades de Escorpião e do papel que joga na Regeneração que deve preceder à Iluminação. Essa última só se pode obter depois que os princípios do Fogo e da Água sejam conduzidos à uma união harmoniosa.

Tal união foi demonstrada quando o raio ígneo do arcangélico Cristo tomou posse do Corpo do Mestre Jesus. Como membro da onda de vida humana, esse último pertencia à Hierarquia de Peixes e estava, portanto, sincronizado com o princípio aquoso. O que resultou como o ser composto, conhecido como Jesus-Cristo foi a demonstração suprema de um antigo ideal que toda a humanidade alcançará, em certo grau, quando tenha aprendido a misturar os princípios do Fogo e da Água. Cristo ensinava essa verdade a Nicodemos, quando lhe disse: “A não ser que o homem nasça da água e do espírito, ele não pode entrar no Reino de Deus”, dado que o espírito pertence ao princípio do fogo.

As condições externas nunca podem ser dominadas até que as forças discordantes ou opostas, dentro de si mesmo, tenham sido harmonizadas. Uma vez isso alcançado e, por certo tempo guardado em segredo, o mistério de Escorpião será revelado. A geração deverá ser transmutada em regeneração, de modo que seja impossível a repetição de tragédias como as de Caim e Abel ou a de Salomão e Hiram Abiff. Os fatores que separam a esses dois ramos opostos da humanidade se converterão no princípio que os une a todos em harmonia.  Nos muitos mitos e lendas, tanto religiosos como profanos, se expõe esse princípio. Contudo, somente mediante o estudo da ciência espiritual dos Astros pode se alcançar o significado com clareza e definitivamente.

Os antigos egípcios, que eram realmente versados nos profundos mistérios da ciência dos Astros, forneceram os ensinamentos sobre a polaridade por meio de cenários (quadros, pinturas), de modo que, quem não as pudessem compreender nos termos científicos, conseguissem compreendê-las intuitivamente, por meio dos símbolos apropriados. Seu hieróglifo ou representação de Escorpião era um esqueleto dentro de uma tumba aberta, tudo isso coroado por um arco-íris. No horóscopo, Escorpião governa a oitava Casa, a Casa da Morte. Contudo, a casa da morte é, também, a Casa da regeneração. Nela se encontram, tanto o escorpião, como a águia. As formas impuras e imperfeitas estão sujeitas à morte. Isso é, afortunadamente, verdade, posto que nem tudo pertence a esse plano da imortalidade. Tão somente a essência da experiência mortal, misturada e incorporada à natureza superior do ser humano, assimilada e transformada em sua alma, se torna imortal. É mediante o poder de Escorpião, para produzir a regeneração, que o espírito encarnado é capaz de utilizar as formas físicas e as mortes incidentais que levam consigo, como pedras miliares da trilha para uma vida superior, e até o renascimento nos veículos possuidores de elementos imortais.

Voltando ao esqueleto como representação simbólica dos poderes de Escorpião vemos que representa, também, o trabalho da lei de Retribuição ou de Destino Maduro. Nesse sentido ela é representada com uma gadanha para segar a humanidade ou, em outras palavras, para eliminar as forças passageiras. No entanto, também revela que, apesar de que a vida esteja identificada com essas formas, não depende dela para existir. Entre as formas eliminadas aparecem novas mãos e novos pés, indicando a supremacia do espírito sobre a matéria e apontando à cíclica lei de Renascimento. O arco-íris que coroa a tumba simboliza a imortalidade. Além disso contém outra indicação de caráter regenerador de Escorpião: a promessa de um tempo em que a dor, a enfermidade e a morte já não existirão

***

CAPÍTULO XXI – SAGITÁRIO

A Trilha da Santidade por meio de Sagitário

Enquanto o Sol passa por Sagitário a dourada força de Cristo penetra mais profundamente na Terra, e os planos internos se tornam mais intensamente iluminados com Sua luz gloriosa. Para o espaço exterior esse Planeta pareceria como ouro líquido. Toda a luz e toda a cor das observâncias do Natal, no entanto, não são senão um débil reflexo de sua luz e cor em tal época. Se o Discípulo da Trilha da Santidade aprendeu a trabalhar bem com as forças da transmutação, sob a influência de Escorpião, se sentirá atraído para esse grande e glorioso resplendor.

Cada acontecimento das celebrações do Natal simboliza o desenvolvimento de uma faculdade específica no interior do Discípulo. E, quando tenha despertado esses poderes, experimentará uma sincronização crescente com as atividades cósmicas do período do Solstício de Dezembro.

Conforme escrevemos acima, Sagitário era representado por uma série de lâmpadas acesas. Se o Discípulo é persistente e confia em seus esforços, todo ano, durante essa época, será consciente do aumento da força e luminosidade das sete luzes (centros) no interior de seu próprio corpo-templo. Quando esses sete centros alcançam todo o clímax de sua glória, o Discípulo é considerado digno de seguir a Trilha da Santidade até o coração da Terra, e de permanecer ali na presença da Luz do Mundo. Receberá, então, a benção de Cristo, e ouvirá entonar o mantra utilizado em todos os Templos de Iniciação, antigos ou modernos: “Bem feito, bom e fiel servo…entra na glória de teu Senhor”.

Parábola bíblica para Sagitário

O Grande Banquete

Cristo Jesus lhe disse:

Disse-lhe o servo: “Um homem estava dando um grande jantar e convidou a muitos. À hora do jantar, enviou seu servo para dizer aos convidados:

– ‘Vinde, já está tudo pronto’.

Mas todos, unânimes, começaram a se desculpar. O primeiro disse-lhe:

– ‘Comprei um terreno e preciso vê-lo; peço-te que me dês por escusado’.

Outro disse:

– ‘Comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-las; rogo-te que me dês por escusado’.

E outro disse: ‘Casei-me, e por essa razão não posso ir’.

Voltando, o servo relatou tudo ao seu senhor. Indignado, o dono da casa disse ao seu servo:

– ‘Vai depressa pelas praças e ruas da cidade, e introduz aqui os pobres, os estropiados, os cegos e os coxos’.

 – ‘Senhor, o que mandaste já foi feito, e ainda há lugar’.

O senhor disse então ao servo:

– ‘Vai pelos caminhos e trilhas” e obriga as pessoas a entrarem, para que a minha casa fique repleta. Pois eu vos digo que nenhum daqueles que haviam sido convidados provará o meu banquete’”.

Lc 14:16-24

Sagitário é o Signo do idealismo elevado, da inspiração e aspiração, dos sacerdotes e poetas, profetas e videntes. Sob sua influência, uma Mente iluminada e desperta se esforça para se elevar entre as estrelas. É, também, o Signo da preparação para a iminente Sagrada Festa de Cristo. Daí que a parábola correlacionada seja a do Grande Banquete. Essa festa simboliza as oportunidades para uma vida espiritual, que tão graciosamente brotam ante nós. Os convidados representam a humanidade comum, aqueles pelos quais Cristo fez Seu supremo sacrifício e para os que abriu a Trilha da Iluminação com Seu convite: “Vem, agora todas as coisas estão prontas”.

A nota-chave dessa parábola não pode ser descoberta pelo Aspirante, até que aprenda a viver uma vida impessoal. Nesse sentido as palavras do Senhor Cristo são simples e diretas: “Se alguém vem a mim e não odeia seu próprio pai e mãe, mulher, filhos, irmãos, irmãs e até a própria vida, não pode ser meu discípulo.”[92]. Por “odiar” entendamos “não depender indevidamente”. Cristo disse que há de se renunciar a qualquer dependência excessiva de qualquer parentesco, para que seja possível a sintonia com O Mais Elevado. Porque o verdadeiro Discípulo está no mundo, mas não pertence ao mundo.

Toda emoção negativa ou destrutiva há de ser substituída por sua oposta. O ódio não cessa com o ódio, mas com o amor. O amor é o único verdadeiro solvente. A vontade de Deus é um imenso reconciliador. Até que não renunciemos totalmente do nosso eu inferior, não seremos dignos de escutar o nosso Senhor nos dizer: “Vem, tudo já está preparado”. Então, tenderemos o privilégio de nos sentar ao Seu lado e de participar no Grande Banquete ou, em outras palavras, na glória celestial.

Ninguém pode participar nesse Banquete sem ter realizado a união entre os princípios masculino e feminino em seu interior, sem haver equilibrado as forças da cabeça e do coração. Dessa união mística nascem quatro crianças: dois filhos, o Fogo e o Ar; e duas filhas, a Água e a Terra. Os quatro representam a essência transmutada, da vida pessoa de um Aspirante, após as energias da cabeça e do coração serem elevadas e unidas ao espírito radiante. Essa é a Grande Obra Branca do alquimista, a Pedra Branca da Revelação, a Rosa Branca dos Rosacruzes. O mês de Sagitário, de 23 de novembro à 22 de dezembro, é o tempo de preparação para participar no Grande Banquete, no qual será revelado o mais sagrado significado da Maré de Natal.

Meditação Espiritual para Sagitário

Sagitário, como Escorpião, é de natureza dupla. Seu símbolo pictórico é um centauro, metade cavalo e metade homem. O primeiro representa a natureza inferior do ser humano; o segundo, a superior. O espírito imortal está, permanentemente, aspirando às alturas, apesar de parecer o contrário. Desde o tempo em que a humanidade escolheu o caminho da materialidade (Escorpião), ao invés do caminho do espírito (Virgem), Sagitário foi o Signo da promessa, da esperança e da aspiração.

Basílio Valentine[93], um dos primeiros Iniciados Rosacruzes, ilustrou a história da Iniciação em uma série de gravuras. Nelas, Sagitário está representado por um determinado número de lâmpadas, permanentemente acesas; um entalhe ou gravação que convida a humanidade a superar a materialidade e obter a união com a divindade, com o que participará do verdadeiro êxtase espiritual.

É interessante destacar que, enquanto o fogo espinhal espiritual ascende, desde o nível da geração até o plano da regeneração, o ponto no qual a primeira etapa é superada se encontra no plexo sacral, localizado na base da espinha dorsal e regido por Sagitário.

Esse Signo está governado por Júpiter, o Planeta da benevolência e da expansão. Assinala a trilha para nascimento do Cristo Interno de cada indivíduo. E também o nascimento do Cristo Cósmico, que ocorre anualmente na Noite Santa, quando o Sol abandona Sagitário para entrar no primeiro decanato de Capricórnio.

O símbolo pictórico de Sagitário mostra a metade humana do centauro apontando sua flecha para as estrelas. Essa pictografia foi modificada pela representação do Cupido, o deus do amor, originariamente representado com sua flecha apontando para a Glândula Pineal ao invés de apontar para o coração. Mais tarde, no entanto, quando o ser humano perdeu a consciência de seu elevado objetivo espiritual e os afetos se centraram mais no pessoal, a flecha do Cupido se dirigiu para o coração, ao invés de se dirigir para o centro espiritual, localizado na cabeça.

Sagitário está relacionado com a letra hebreia Vau[94], que significa sol ou olho. Essa letra representa a brancura e o brilho, a luz espiritual do Gênese e da Revelação. É a luz que brilha na obscuridade, mas aquela em que a obscuridade não a envolve.

Vê-se, pois, que a mensagem das estrelas revela o caminho da evolução para toda a humanidade. Para as massas adormecidas o caminho dá voltas e mais voltas, até alcançar o cume da montanha da consecução; enquanto que, para as almas despertas existe um atalho curto, estreito e direto para o cume da montanha.

Sagitário governa a Mente superior do ser humano; a Mente capaz do raciocínio abstrato. Sua nota-chave bíblica se encontra na admoestação de São Paulo: seja em ti essa Mente, que está também em Cristo[95].

Na mitologia grega a virgem Ariadne[96] conduziu a Teseu para fora do labirinto com a ajuda de um fio. Tanto a virgem como seu fio foram perdidos pelo ser humano moderno, mas a elevada intuição de Sagitário trabalha para encontrar, posto que a intuição espiritual (fio) é, de fato, a essência da razão. Quando, depois de ter circundado todo o Zodíaco, o espírito liberado retornar ao ponto inicial encontrará a virgem dos céus lhe esperando, como Ariadne esperava Teseu no antigo mito.

CAPÍTULO XXII – CAPRICÓRNIO

A Trilha da Santidade por meio de Capricórnio

Como já foi dito, a força dourada de Cristo toca a periferia da Terra no Equinócio de Setembro, passa através do Mundo do Desejo em novembro (Escorpião) e através da Região Etérica do Mundo Físico em dezembro (Sagitário), para alcançar o coração do Planeta no momento do Solstício de Dezembro (Capricórnio). Essa penetração final da força de Cristo até o centro da Terra marca a Noite Santa do ano, quando uma calma e um silêncio profundos impregnam a Terra inteira. Logo segue uma poderosa onda de todas as forças vitais do Planeta. É essa nova infusão de vida na natureza a que foi maravilhosamente descrita em várias lendas da Noite Santa, nas quais se assegura que, incluindo os membros dos reinos vegetal e animal, todos rendemos humilde obediência à mística hora da meia-noite.

Quando essa poderosa força de Cristo entra na Terra, é liberado um impulso que acelera a vida e espiritualiza as condições de toda a esfera terráquea. Como esse trabalho, sanador e redentor, vem se repetindo ano após ano, a Terra passará de um estado discordante para um estado de harmonia universal. O ódio, a inimizade e o conflito, finalmente desaparecerão. Então, aquela imagem gloriosa, descrita por Isaías a tanto tempo atrás, se converterá em uma realidade: “Ele julgará as nações, ele corrigirá a muitos povos. Estes quebrarão as suas espadas, transformando-as em relhas, e as suas lanças, a fim de fazerem podadeiras. Uma nação não levantará a espada contra a outra, e nem se aprenderá mais a fazer guerra[97].

Parábola bíblica para Capricórnio

O Semeador

E disse-lhes muitas coisas em parábolas:

“Eis que o semeador saiu para semear. E ao semear, uma parte da semente caiu à beira do caminho e as aves vieram e a comeram. Outra parte caiu em lugares pedregosos, onde não havia muita terra. Logo brotou, porque a terra era pouco profunda. Mas, ao surgir o sol, queimou-se e, por não ter raiz, secou. Outra ainda caiu entre os espinhos. Os espinhos cresceram e a abafaram. Outra parte, finalmente, caiu em terra boa e produziu fruto, uma cem, outra sessenta e outra trinta. Quem tem ouvidos, ouça!”.

Mt 13:3-9

A Bíblia é um dos maiores Livro de Mistérios de todos os tempos. Há poucos que se dão conta de suas insondáveis profundidades. Cristo disse: “a fim de que vendo, vejam e não percebam; e ouvindo, ouçam e não entendam” (Mc 4:12).

Na mais antiga simbologia a palavra “barco” se referia à alma, e a palavra “mar” se referia às correntes psíquicas. Diz-se que Cristo Jesus se sentou em uma barca e ensinava o povo que estava na margem. Isso significa que ensinava aos que estavam nos planos internos e aos que estavam nos planos externos, posto que sua missão era instruir tanto os encarnados como os desencarnados.

Quando Cristo terminou de expor a Parábola do Semeador, disse: “Quem tem ouvidos, ouça”. O semeador é o Mestre; as sementes são as verdades que vai disseminando. Os Estudantes e os Discípulos, que são a terra, as recebem de acordo com sua capacidade de compreensão e, de acordo com ela, usam os ensinamentos. Também disse o Senhor que alguns receberam (e produziram) trinta ou, em outras palavras, só puderam aceitar uma interpretação literal. Outros receberam (e produziram) sessenta e são os que alcançaram os significados mais profundos. O compreender que a Bíblia é o livro de texto supremo da vida há de ser uma das primeiras conquistas do verdadeiro Discípulo Cristão.

Depois Ele acrescentou que houve outros que receberam (e produziram) cem; esses são os Iniciados, que captaram as verdades em sua totalidade. Eles são a boa terra, na qual as sementes caem, crescem e produzem fruto. Algumas sementes, no entanto, caem sobre o caminho e são devoradas pelos pássaros, ou seja, são captadas pelos emocionalmente inseguros e, por isso, não lhes puderam proporcionar um porto seguro espiritual.

Aconselha-se a todo Discípulo que aprenda a contatar com seu próprio ser interior e, por meio da oração e meditação, a despertar e a incrementar seus poderes. Um Aspirante capaz converte esse centro (interno) no ponto focal a partir do qual trabalha para atrair o bom, o verdadeiro e o formoso. Há de ter cuidado, no entanto, de não se ver circunscrito pela estreiteza do pensamento ou o fanatismo da interpretação. Esse centro, o mais recôndito de si mesmo, se não for cultivado com persistência e perseverança, a pessoa tenderá a ter que enfrentar a decepção e a desilusão. Quando isso sucede, o neófito não só abandona as coisas do espírito, mas também obstrui o caminho para os outros. A advertência bíblica no Evangelho Segundo São Lucas em 9:62 ratifica isso: “Quem põe a mão no arado e olha para trás não é apto para o Reino de Deus”.

De acordo com a parábola, outras sementes caíram entre as rochas e morreram por falta de umidade. Esse é o símbolo da pessoa puramente mental, aquela cujo coração ainda não foi despertado. A Mente, só, nunca poderá resolver os problemas da vida, nem ensinar a outros como fazê-lo, porque isso só se pode conseguir por meio do amor de um coração espiritualizado.

Algumas das sementes caíram entre espinhos e os espinhos cresceram e as afogaram. Os espinhos representam os desejos inferiores. Desde os dias da antiga Atlântida, a Mente humana está mais intimamente ligada à natureza de desejo do que ao espírito, o que contrário ao plano divino. Por isso, em uma grande maioria, a humanidade é mais motivada pelo desejo do que pela razão. Essa motivação egoísta deu origem a atual situação caótica do mundo: as raças, as nações e os indivíduos estão tão desgarrados pela dissenção e confusão que a humanidade se aproxima de um estado geral de pânico e desespero.

Um dos objetivos principais das sucessivas vidas sobre a Terra é que o ser humano liberte sua Mente dos laços de sua natureza de desejos para que a Mente se converta em um instrumento do espírito. Há de voltar uma e outra vez até que tenha aprendido a lição. As pessoas cujas vidas estão mais motivadas pela razão que pelo desejo são exceções e, entre elas, as que se guiam pelo intelecto espiritualmente iluminado são extremamente raras.

Por fim, parte das sementes caíram em terra boa e frutificaram produzindo cem por um. Isso se refere aos poucos que alcançaram o equilíbrio entre o Coração e a Mente, estado superior que é o ideal Crístico para toda a humanidade. Quando um Aspirante aprende a equilibrar essas duas forças, é digno de receber e disseminar os Mistérios do Reino de Deus.

Meditação Espiritual para Capricórnio

O Corpo físico da Terra alcança sua maior taxa vibratória quando o Sol entra em Capricórnio. O símbolo pictórico desse Signo é uma cabra[98]; e a cabra era o animal sacrificial durante a Era de Áries, quando o Solstício de Dezembro caía na constelação de Capricórnio. Esses antigos sacrifícios foram sublimados até seus equivalentes espirituais, mas seu significado esotérico, a significação conhecida pelos candidatos à Iniciação, foi sempre o mesmo. Para os antigos, uma cabra simbolizava sabedoria porque, geralmente, se reconhecia que o êxito na Trilha só podia ser obtido por meio do sacrifício.

Nas primitivas cerimônias israelitas se sacrificavam duas cabras pelos pecados do povo. A uma se dava a morte ante o altar e, a outra era carregada com todos os pecados do povo e era enviada ao deserto, depois dos sacerdotes terem dirigido a ela suas imprecações. A cabra sacrificada representava o reto e estreito Caminho da Iniciação, alcançada por uns poucos, enquanto a outra fazia referência ao lento progresso do ser humano, o motivo do impulso evolutivo carente de auxílio. O Rito das Duas Cabras aponta, também, a uma verdade que subjaz à consecução por meio viático[99], tal como foi protagonizada por Cristo Jesus à última hora, quando carregou sobre Si mesmo todos os pecados da humanidade. Como esses pecados se tornaram extremamente pesados para poder ser suportado por todas as pessoas do mundo, sem ajuda, não puderam ser liquidados sem a assistência divina.

Saint Germain[100] representava Capricórnio como uma imagem que mostrava uma brilhante aurora boreal em ambos os lados de um fundo negro e, sobre a qual brilhava uma estrela solitária.

Em seu formoso canto de amor, Salomão compara os dentes de sua amada a um rebanho de cabras[101]; e com um rebanho de ovelhas junto aos vinhedos de Engadi[102], nome que significa “fonte das cabras” e que, por sua vez, se refere às águas da vida eterna. Isso dá uma significação mais profunda às muitas referências bíblicas sobre a água da vida: Davi tinha sede das águas de Belém; os israelitas deixaram, durante algum tempo, suas próprias águas naturais, trocando-as por outras estranhas e frias; Cristo disse à mulher, junto ao poço de Samaria, se ela pudesse beber da água que Ele tinha para lhe dar nunca mais teria sede. Todas essas referências estão relacionadas com o simbolismo espiritual de Capricórnio.

Misticamente falando, há dois “portais”, através dos quais os Egos entram na encarnação e dela saem. Cosmicamente, essas portas são as de Câncer e Capricórnio. Os Egos se cobrem de vestimentas de carne por meio das forças de Câncer e da Lua, pois Câncer é o Signo da Virgem Cósmica e a Lua é seu Regente. Por meio das forças do Signo oposto do Zodíaco, Capricórnio, que é regido por Saturno, o colhedor, ocorre a dissolução do Corpo mortal dos Egos e sua liberação para que possam voltar aos planos superiores. Essa corrente de almas, ascendendo e descendendo, através dessas duas portas celestiais, é a realidade cósmica que Jacó contemplou em sua visão. O relato bíblico disse que Jacó[103] viu Anjos subindo e descendo por uma escada, mas os escritores bíblicos empregaram o termo “anjo” no mesmo sentido que agora utilizamos para designar muitas classes de seres imateriais, incluindo os Egos desencarnados.

Cada constelação tem seu lado sombrio, que pertence, não às estrelas, mas à Terra em que essa sombra cai. O Capricórnio ainda não “desperto” manifesta um grande desejo de adquirir poder pessoal. Os nativos desse Signo, frequentemente, buscam o poder para si mesmos, seja poder material, seja espiritual. Os capricornianos estão, pois, inclinados a ser ambiciosos, não tanto por coisas em si mesmas, como pelo poder inerente a sua posse.

As notas-chaves bíblicas de Capricórnio são: “Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a Terra[104].

Sobre Capricórnio foi escrito como se estendesse sobre três distintos estágios da evolução humana: o escravo, o condutor de escravos e o dono.

CAPÍTULO XXIII – AQUÁRIO

A Trilha da Santidade por meio de Aquário

A constelação de Aquário é o lar da onda de vida angélica. Os Anjos, quando trabalham na Terra, utilizam os planos etéricos do Planeta como campo mais apropriado. Os Corpos dos Anjos estão formados de Éteres, e por isso só são visíveis para os que desenvolveram a visão etérica. Muitas crianças a possuem e, por isso, tem o conhecimento, de primeira mão, dos seres angélicos. E, do mesmo modo, estão familiarizados com os Espíritos da Natureza que, como os Anjos, funcionam em corpos etéricos.

Os Anjos são especialistas em trabalhar com a substância etérica. Constroem muitos e os mais variados modelos de flores belíssimas no azul e no dourado dos Éteres superiores; e os Espíritos da Natureza os transladam para a Terra formando as flores que enriquecem o reino vegetal em todo mundo.

Quando o Sol está transitando por Aquário, o Senhor Cristo, em Sua passagem anual pela Terra, centra Suas atividades na Região Etérica do Mundo Físico. Derrama Seu amor e Suas bênçãos, tanto sobre os Anjos como sobre as almas dos desencarnados da humanidade terrestre que estão vivendo e trabalhando nesses planos. São esses também o lar das crianças, os Egos dos que morreram na infância e os Anjos os instruem e os acompanham.

Nos planos etéricos se encontram os Templos de Iniciação que existiram antigamente nesse Planeta, mas que se perderam quando a humanidade mergulhou na materialidade. Referências frequentes ao Templo Crístico, situado na Região Etérica do Mundo Físico, foram feitas exatamente sobre Jerusalém. Os Anjos estão intimamente associados aos Templos de Iniciação. Podem entrar livremente em tais santuários e são felizes em servir nesses sagrados recintos.

Diz-se que um Anjo guardião paira sobre a cadeira de cada cavaleiro que se senta à mesa Redonda no templo do Rei Arthur. Nas lendas sobre o Santo Graal, que contém profundas verdades espirituais, porque o trabalho dos templos do Santo Graal é parte do trabalho do Templo dos Mistérios Crísticos. A profunda significação dessas lendas foram veladas pelos poetas e artistas, que as relatam da forma e com os costumes da primeira vez que apareceram. As lendas do Graal se centram no Cálice Sagrado. Os mais profundos mistérios da cristandade esotérica se central no Graal. Os mais profundos ensinamentos de Cristo foram transmitidos durante a última Ceia, quando revelou a Seus Discípulos Mistérios relacionados com o Rito da Sagrada Comunhão.

Como foi dito no capítulo sobre “A Trilha da Santidade por meio de Capricórnio” se ensina como os Discípulos se convertem em Auxiliares Invisíveis, para ajudar aos que vivem no Mundo Físico. Quando a Trilha da Santidade passa por Aquário, o trabalho do Discípulo se amplia: então aprende a auxiliar sob a orientação dos Anjos e a trabalhar com seres que habitam na Região Etérica do Mundo Físico ou celestiais.

Um Discípulo qualificado, que aprendeu a seguir a Cristo ao longo da “Trilha da Santidade por meio de Aquário”, é capaz, em tal estágio de desenvolvimento, de entrar conscientemente nos planos etéricos. Ali pode observar os variadíssimos e formosos serviços prestados pelos Anjos no benefício da humanidade e de todas as formas de vida existentes no Planeta. Assim, pois, o Discípulo se encontra em um mundo encantado, um mundo tênue onde está a origem das notícias sobre as Fadas; porque as regiões dos Éteres superiores é, verdadeiramente, um mundo das Fadas. Das atividades observadas nesses planos é onde muitos buscadores iluminados e místicos tecem seus mais formosos escritos, relativos às verdades espirituais. Um encantador exemplo disso constitui O Pássaro Azul, de Maeterlinck[105].

Durante o mês em que o Sol transita por Aquário, os Éteres superiores se tornam mais dourados e luminosos, porque a força de Cristo está sendo dirigida sobre a superfície da Terra para preparar Sua triunfante libertação pascal.

Parábola bíblica para Aquário

O Bom Samaritano (Lc 10:25-37)

Aquário, o Signo da fraternidade, da irmandade e da cooperação, se correlaciona com a parábola bíblica do Bom Samaritano.

Havia um homem que, por motivos comerciais, ia de sua casa, em Jerusalém, para Jericó. Em seu camelo transportava muitas joias preciosas e muito ouro. No caminho foi assaltado por ladrões, que lhe roubaram todos seus bens, incluindo o camelo. Depois de ter sido brutalmente golpeado, foi abandonado no caminho para que morresse. Enquanto jazia ali, clamando por ajuda, aproximou-se um sacerdote, mas passou ao largo pelo outro lado do caminho. Depois passou um levita que, mesmo o vendo, fez de conta que não ouviu a solicitação de ajuda. Por fim, chegou um samaritano.

Nos dias de Cristo os samaritanos eram considerados como totalmente indignos e vistos como materialistas que não acreditavam em Deus. As crianças judias não podiam brincar com as crianças samaritanas ou frequentar as mesmas escolas. A situação era similar ao do atual problema racial.

Contudo, o samaritano parou, lavou as feridas do homem com vinho e bálsamo, e fez os curativos. Depois o colocou sobre o seu cavalo e, caminhando a pé ao lado, o levou até um próximo povoado. Lá foi atrás de um médico, encontrando lhe deu duas moedas e lhe disse: “Cuida dele e qualquer coisa que exceda esse valor, quando eu regressar lhe darei”.

Cristo concluiu a parábola dizendo: “Qual dos três pensais que era o próximo do que caiu nas mãos dos ladrões?”. “O que fez o bem” – foi a resposta. A isso o Senhor respondeu: “Ide e façais o mesmo”.

Quiçá em nenhum lugar exista uma interpretação mais formosa de amizade que a dada na Parábola do Bom Samaritano. Emerson[106] escreveu que quem tem amigos, há de sê-lo também. A verdadeira avaliação da riqueza não se baseia nas coisas, mas na amizade. O amigo mais rico é o que tem o maior número de amigos fiéis e leais. No fim de uma peregrinação terrena as posses mais raras e preciosas serão as que se baseiam na amizade.

***

Meditação Espiritual para Aquário

O símbolo pictórico de Aquário é o Portador de Água, um homem derramando as águas da vida, de um recipiente, sobre a Terra, para refrescá-la e renová-la.

Aquário rege a nascente Nova Era. O Sol, por Precessão, já tocou a aura de sua influência eletrizante, fazendo com que a vida humana, em todos os seus aspectos, esteja experimentando uma aceleração tremenda. Por meio do seu Regente planetário, Urano, Aquário governa as forças sutis da natureza. Por isso, sob sua inspiração, o mundo material está sendo transformado pelas impulsionadoras forças de luz e poder, como as que encontramos na eletricidade e no átomo, recém-revelado. De um modo correlativo estão sendo ativados determinados processos que aceleram e despertam poderes latentes na Mente e na Alma do ser humano, e, simultaneamente, restauradas os Ensinamentos da Iniciação para ele.

O Portador de Água é um andrógino, um ser em que os princípios masculino e feminino foram combinados equilibradamente. O resultado fisiológico de tal estado de equilíbrio é uma relação perfeitamente simétrica entre os Sistemas Nervoso Simpático e o Cérebro-espinhal. Na terminologia iniciática se fala de tal desenvolvimento como o Matrimônio Místico. Uma versão bíblica desse processo é o milagre de Caná, quando Cristo converteu a água em vinho. Saint Germain fornece uma concepção simbólica dessa fase da Iniciação, quando a representa como um mar tormentoso, sobre ele brilhando oito estrelas deslumbrantes; uma figura feminina nua se ergue, com um pé na terra e outro no mar; em suas mãos sustenta dois cálices: de um flui a bondade e do outro a caridade, qualidades que substituem a amizade e a fraternidade; sobre sua cabeça há uma estrela de oito pontas, cujo centro forma uma pirâmide, com uma parte branca e a outra preta, simbolizando, com isso, os dois aspectos da lei oculta; junto à mulher há uma planta com três flores abertas e sobre ela paira uma borboleta com as asas estendidas. Todo esse símbolo aponta à riquíssima vida e aos amplos poderes que Aquário proporcionará à humanidade. Sob esse Signo é como o ser humano caminha para o momento de se converter em um “super-homem” e, por meio de seu poder, a humanidade inaugurará o nascimento de um quinto reino: o reino das Almas.

São Paulo se referia à maneira natural de atuação da lei espiritual, quando dizia que há leites para os bebês, mas carne para os seres humanos fortes. Todas as grandes religiões do mundo têm duas fases do Ensinamento: as das profundas verdades esotéricas, compartilhadas somente com os poucos preparados para recebê-las, e uma versão simplificada das mesmas, destinadas às massas. Assim, como no Equinócio de Março se move para trás, através de cada Signo do Zodíaco, a religião dada ao povo, geralmente, está em harmonia com o Signo vigente. As verdades esotéricas profundas chegam sob o Signo oposto, o do Equinócio de Setembro. Por exemplo, na religião aquária, para as massas, se centrarão na Paternidade de Deus e na fraternidade entre os seres humanos; os Ensinamentos esotéricos, reservados aos poucos, estarão centrados no Signo oposto, Leão, cuja nota-chave se descreve na Bíblia, com as palavras de São Paulo: “Amar é o cumprimento da Lei[107].

Sob Leão, o coração iluminado ou santo se converterá no centro luminoso do Corpo, e o poder do amor será o principal motivo da vida. Compartir e não cobiçar será a principal aspiração do mundo dos negócios e a cooperação ocupará o lugar que hoje ocupa a competição. A tolerância sucederá o fanatismo e a reabilitação substituirá a pena capital. Cada um colocará o interesse do próximo ao mesmo nível do seu, e o ideal supremo da vida consistirá em servir, reciprocamente, com amor. A nota-chave bíblica dessa nova civilização aquária se encontra nas palavras de Cristo: “Vós sois meus amigos”[108].

Aquário é a 11ª Casa, o Signo da amizade, da fraternidade e da irmandade. A próxima Era de Aquário transladará a ênfase do desenvolvimento espiritual do indivíduo para o grupo. Isso já é perceptível na atenção crescente que se presta nas instituições educadoras, na preparação dos alunos para servir à sociedade. Nas Escolas Ocultas é evidente uma tendência similar. A conhecida afirmação de Cristo “onde dois ou três se reúnem em Meu nome, Eu estarei no meio deles”[109] adquire um profundo significado à luz do desenvolvimento aquariano.

Aquário tem dois Regentes: Saturno e Urano. O primeiro governa o velho, o que pertence ao passado. Urano governa o novo, o que pertence ao futuro. Os antigos representavam a Aquário como um Árvore da Vida com dois ramos, um terminado em uma figura representando a velhice, o produto de Saturno; o outro terminado na figura formosamente jovem, levando em suas mãos o Santo Graal, que simboliza a “realização” obtida sob a influência de Urano. No presente estágio da evolução humana, tanto o indivíduo como a coletividade se encontram em um período de transição, passando, gradualmente, de uma velha ordem estabelecida para uma nascente civilização. O velho está se desmoronando; o jovem está em processo de formação. Consequentemente, nada é mais permanente, nem estável. Tudo se encontra em um estado de fluidez. E a desordem e os conflitos que varrem o mundo proveem das condições deslocadoras e distorcidas que acompanham o passo de uma próxima ordem. A função de Saturno, o Regente do lado material de Aquário, é confirmar, limitar tudo isso e proporcionar formas fixas e confiáveis, de modo que pelas forças da vida, tanto do indivíduo como da sociedade, possam se canalizar eficazmente para o plano material. Essa é sua contribuição construtiva à vida, tal e como se expressa nesse plano de existência. No entanto, como a vida evoluinte está continuamente expandindo seus poderes, as formas que Saturno proporciona hão de ser substituídas, periodicamente, por outras de maior elasticidade e maiores dimensões e, por isso, junto a Saturno, em Aquário está Urano, cuja missão consiste em desmembrar formas inadequadas e cristalizadas para que outras ocupem seu lugar. Urano destrói só o que foi convertido em um obstáculo para o progresso e a evolução da vida; por isso ele é denominado o Transformador. Também é conhecido como o “Planeta do Cristo”, pois sua influência é da voz da Revelação que, associada ao impulso redentor de Cristo, declara: “Eis que faço nova todas as coisas”[110].

Por todas as partes podemos observar as evidências da próxima Era de Aquário: nas ousadas aventuras submarinas, nas aéreas e nas que se preparam para viajar ao espaço, se revelam os impulsos uranianos que estão começando a impregnar a Terra inteira. As crianças falam de viagens à Lua, a Vênus ou à Mercúrio, com a mesma naturalidade com que, há poucos anos, se falava de viajar a cidades do próprio país. Da mesma forma que a preparação da exploração dos outros Planetas necessita de longos e árduos estudos e severa disciplina, assim também são necessárias preparações similares para o Discípulo da Nova Era. Do mesmo modo que os cientistas tentam explorar os planos externos dos outros Planetas, que correspondem ao Corpo físico da Terra, os Discípulos da Nova Era estão sendo, também, preparados para entrar nos Corpos mais sutis, do ponto de vista espiritual, tanto da Terra como dos outros Planetas.

As forças dos dois Éteres superiores estão se tornando mais e mais poderosas, no que tange a sua influência sobre a humanidade. O Éter Luminoso ajuda a desenvolver a percepção extrassensorial, enquanto que o Éter Refletor desperta, nos Discípulos, as forças latentes na preparação à Iniciação. Não está longe o dia em que a palavra Iniciação será familiar, e na qual o trabalho Iniciático será restituído ao lugar que lhe corresponde, como a suprema consecução da vida espiritual.

Uma prova dessa tendência é proporcionada pelo fato de que, em certo número de igrejas ortodoxas, estão sendo formados grupos para estudo e desenvolvimento das faculdades espirituais latentes no ser humano, ainda que as considere como pertencentes, exclusivamente, ao campo da metafísica e, por isso, estranhas à religião, tal e como agora se concebe.

CAPÍTULO XXIV – PEIXES

A Trilha da Santidade por meio de Peixes

Quando o Sol está transitando por Peixes, durante o mês de março, a força dourada de Cristo volta a surgir, desde o centro da Terra, e alcança a superfície do Planeta em uma antecipação da ressurreição pascal. Como é o Signo da dor e da renúncia, Peixes tipifica também a Crucifixão. Assim como o Cristo Cósmico experimenta a dor da renúncia e da crucifixão ao penetrar na Terra, na época do Equinócio de Setembro, do mesmo modo experimenta o espírito da Terra certo vazio, quando o espírito de Cristo abandona o corpo planetário na época do Equinócio de Março.

Quando a força de Cristo se eleva e penetra nas envolturas de desejos da Terra, as tentações se tornam mais sutis e as provas, mais severas. A admoestação dada pelo Mestre ao Discípulo para todos os momentos é: “Se alguém quiser Me seguir, que se negue a si mesmo, tome a sua cruz e Me siga”[111]. É nesse momento que o Discípulo há de aprender a segui-lO, ao longo da reta e estreita trilha que conduz ao Gólgota. Max Heindel compara essa trilha à torre de uma igreja, que se faz mais e mais estreita, até que não resta mais nada onde se apoiar, a não a cruz na ponta, e que constitui um exemplo muito apropriado. Assim é que, para cima, a maior parte das igrejas aparecem como um símbolo vívido da trilha do discipulado. As igrejas, atualmente, perderam as verdades conducentes a essa trilha, e as há de encontrar, para ser capaz, de novo, de exercer o poder e a influência que teve durante os primeiros séculos de existência.

A cruz da renúncia há de ser aceita por todo o verdadeiro Discípulo que deseja caminhar sobre a Trilha da Santidade. Seu Corpo-Alma não pode ser construído até que adquira o domínio de si mesmo e renuncie, de vontade própria, aos assim chamados prazeres do mundo sensível. Os poderes anímicos que se adquirem por meio do autodomínio capacitam ao assim iluminado trocar a cruz pela coroa.

Como já dissemos, a constelação de Peixes será a morada da raça humana, quando todos os seus indivíduos hajam alcançado a perfeição. Os que aprendem a caminhar na Trilha da Santidade e seguir a Cristo até esse último e elevado objetivo, concluíram seus ciclos terrestres de encarnações. Suas dívidas de destino maduro foram saldadas e todos os laços terrenos, cortados. Tais seres são conhecidos como “os Compassivos”, os “Irmãos Maiores”, que já não necessitam das lições terrenas. São livres para passar a uma existência gloriosa na constelação de Peixes. No entanto, esses grandes seres podem voltar, por vontade própria, na obediência ao preceito espiritual de que aquele que mais ame é aquele que melhor serve. Frequentemente renunciam aos privilégios e às oportunidades daquele plano, com o objetivo de servir aos membros menos adiantados da raça humana. Humildade, obediência e serviço são as notas-chaves das suas vidas.

Uma renúncia desse tipo é a que representa a vida de Maria de Belém que, havendo aprendido todas as lições terrenas e, havendo sido igualada aos Anjos para reinar com eles, retornou e este Planeta para ensinar à humanidade um dos supremos Mistérios do céu: a da Imaculada Concepção. Sabendo que seria mal compreendida, ridicularizada, perseguida, persistiu em seu desejo de proporcionar à humanidade um ideal que, dois mil anos depois, apenas poucos compreendem e que é totalmente desconhecido pela grande maioria. Trabalhando de acordo com a lei do serviço descendeu à mortalidade dizendo: “Faça-se segundo a Tua palavra”. Tal estado de realização espiritual, construído por meio do sacrifício, da humildade do espírito e de uma perfeita harmonia com a lei da obediência, é o que espera do ser humano perfeito.

O Aspirante que reflete, seriamente, sobre isso na meditação para os doze Signos, correlacionará a meditação pisciana com as experiências dos Doze Imortais, durante o tempo que precede, imediatamente, a “crucifixão” anual de Cristo. Logo, quando sua dor e tristeza se consomem na glória do amanhecer da Páscoa, o Discípulo que alcança o domínio do seu “eu pessoal” e que caminha na Trilha da Santidade, por meio de Peixes, até o fim, se dará conta de que trocou sua cruz na glória dourada de seu “vestido de bodas” no qual ele funciona, livre e triunfante, com o Cristo que sai.

Ensinamento Bíblico para Peixes

Renúncia

A Quaresma, estação na qual o Discípulo se submete a disciplinas restritivas em benefício da vida superior, chega sob o Signo de Peixes. O objetivo supremo que é dado ao ser humano aspirar se alcança somente por meio de uma série progressivas de renúncias. Na etapa do Discipulado a natureza dos pioneiros faz muita falta, tal como indicou Cristo quando disse: “Aquele que ama a seu pai e a sua mãe mais que a Mim, não é digno de Mim; e o que ama a seu filho ou a sua filha mais que a Mim, não é digno de Mim; e o que não toma a sua cruz e Me segue, não é digno de Mim”[112].

Os laços baseados somente no sangue não podem substituir nunca uma irmandade espiritual, tal e como Cristo veio a estabelecê-la. Recorde quando Ele perguntou: “Quem é minha mãe?” e “Que são meus irmãos”, e quando respondeu à pergunta dos seus: “Porque aquele que faz a vontade do meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão e minha mãe”[113].

O que é pedido a nós é que abandonemos o inferior pelo superior, alargar o parentesco até que inclua toda a humanidade. Isso só pode ser conseguido quando a personalidade separatista e egocêntrica se torne submetida ao controle do espírito, o qual reconhece sua unidade essencial com todos os espíritos, porque está indissoluvelmente aparentado, por meio da paternidade de Deus.

A humildade é a verdadeira marca da iluminação. Quanto mais sábia é uma pessoa, mais é sensível e modesta. Quanto mais aprende, menos sabe que sabe. Um verdadeiro astrônomo permanece reverente ante as vastas extensões de céus estrelados, sabendo que existem infinitos mundos mais além da sua visão. Um verdadeiro ocultista se inclina, em reverente submissão, ante uma infinitude de sabedoria que excede sua capacidade de compreensão; sente-se como uma criança brincando na areia, à margem de um mar ilimitado e misterioso.

Um magnífico exemplo de humildade pode ser encontrado em São Pedro, o pisciano dos Discípulos. São Pedro considerava sua maior honra em seguir a Cristo e a servir Sua causa. Quando chegou a hora em que São Pedro devia segui-Lo na crucifixão, manifestou sua própria indignidade para ser colocado na cruz de pé, como foi Cristo e pediu para ser crucificado de cabeça para baixo. E isso para um homem cujas emanações espirituais se dizia que eram tão potentes que quando a sua sombra passava pelos enfermos, esses eram curados instantaneamente.

Peixes é um Signo de Água e água está correlacionada com a natureza emocional. Quando alguém obtém o domínio sobre as suas emoções, é porque obteve o controle do elemento Água. Essa é a lição que Cristo ensinava a São Pedro quando lhe ordenou que caminhasse sobre as águas. Naquele momento, no entanto, São Pedro ainda não tinha dominado suas emoções. Se Cristo não o salvasse, ele afundaria. Mais tarde, quando já era regente de suas paixões, São Pedro caminhou sem medo para se reunir com Cristo. Isso é conhecido no esoterismo como Iniciação pela Água. Depois dessa experiência, São Pedro experimentou a mais transcendente beatitude de sua vida.

Pitágoras acostumava levar seus Discípulos mais avançados às margens de um lago e ali, por meio do poder combinado e concentrado de todos, agitar a superfície do lago e, logo, acalmá-la, até que na água se refletisse a formosura do céu. Aconselhava-os a acalmar suas Mentes até que nenhum menor pensamento as alterasse. Quando o Aspirante consegue isso, se revela toda a glória de seu verdadeiro “eu”.

Meditação Espiritual para Peixes

Repetindo o que dizemos anteriormente, os egípcios, com seu assombroso conhecimento da ciência das estrelas, conceberam uma série de figuras que descrevem, simbolicamente, o percurso do Cristo Solar ao longo dos doze Signos do Zodíaco.

Saint Germain comparava a influência do Signo a um brilhante cometa que refulge misteriosamente, através do céu, e ilumina, momentaneamente, a Terra, que flutua sobre um mar de profunda negritude, sob o qual há duas mãos entrelaçadas.

O símbolo astrológico de Peixes consiste em dois peixes juntos, mas com as cabeças em sentidos opostos. Um peixe só é utilizado amplamente como símbolo do Iniciado, porque vive nas misteriosas profundidades. No relato de Jonas e da baleia, aquele permaneceu três dias dentro dela, o qual é uma alegoria da Iniciação. A história é uma descrição velada da indução aos Mistérios Menores, tal e como se observam nos templos pré-cristãos. Esse mesmo modelo se repetiu na vida de Cristo, que permaneceu três dias nos planos internos da Terra, no intervalo entre a Crucifixão e a Ressurreição. Devemos recordar, também, que o símbolo do peixe foi utilizado como senha entre os primeiros cristãos e foi usado também como símbolo místico.

Peixes tem dois Regentes: Júpiter e Netuno. Júpiter é o Planeta da lei e da ordem. Sob sua influência, a Era de Peixes tem presenciado o desenvolvimento da igreja esotérica, na qual a água (Peixes) e o pão (Virgem) representam as duas proeminentes características. Cristo Jesus rasgou o véu do templo da Iniciação no umbral da Era de Peixes, abrindo a porta a “qualquer um que deseja entrar nela”. Os que respondem a esse chamado chegam sob a influência de Netuno, o Regente espiritual de Peixes. Sob Netuno aprendem a trilhar o caminho estreito que conduz à liberação, o tipo de liberdade que pertence aos Filhos de Deus, de que falava São Paulo.

No que se refere ao desenvolvimento humano, o trabalho da Era de Peixes é dirigido à purificação de sua natureza de desejos. Esse foi o motivo da batalha para obter o controle das emoções e da alma ter sido a prova principal dos santos medievais e dos personagens pertencentes às lendas do Santo Graal. O objetivo principal do trabalho pisciano consiste na transmutação das emoções inferiores em poder anímico, por meio da devoção, representada pelas estáticas visões dos devotos religiosos enclausurados.

Peixes é o último dos doze Signos zodiacais e contém o resumo final da experiência do destino maduro, pertencente a um ciclo completo. Por esse motivo ele é designado como o Signo das lágrimas e da dor. Vênus, o Planeta do amor pessoal, está Exaltado em Peixes. Quando o amor pessoal dos nativos desse Signo é egoísta e possessivo, o Jardim do Getsemani se mostra a eles muito familiar. A nota-chave bíblica para esse aspecto de Peixes é: “Que se faça a Sua vontade, não a minha”. As portas do Jardim da Dor só podem se manter fechadas por meio do esquecimento de si mesmo e da renúncia total.

Os dois peixes orientados que representam o Signo de Peixes contêm um profundo significado esotérico. Em sua significação mais elevada representam o estado do equilíbrio perfeito. Nas duas colunas do corpo-templo humano (os dois sistemas nervosos) as forças da direita e da esquerda se influenciam harmoniosamente, dando lugar ao equilíbrio entre cabeça e coração. O espírito contata com o mundo objetivo por meio do Sistema Nervoso Cérebro-espinhal, enquanto que o mundo subjetivo é contatado por meio do Sistema Nervoso Simpático. Quando a interação entre o interno e o externo está perfeitamente equilibrada, o Ego se encontra em seu lar em ambos os mundos.

Só dois Signos têm Júpiter e Netuno como em Exaltação: Câncer e Peixes. Júpiter governa as forças da alma; Netuno, os poderes do espírito. A peregrinação zodiacal sob Peixes unirá a essência divina da alma com os poderes do espírito. Esse ideal supremo foi dado à humanidade pela Hierarquia de Câncer, e sua consecução se produzirá sob a orientação de Peixes. A humanidade que haja alcançada a perfeição, fará sua morada na constelação de Peixes, perfeitamente descrita pela imagem de um homem e uma mulher, de pé, de mãos dadas e no interior de uma guirlanda de sempre-vivas. Tais seres conseguiram a vida imortal e a eterna juventude. A nota-chave bíblica de Peixes, emitida pela primeira vez pela Hierarquia de Peixes, no Grande Fiat Criador, “Deus criou o homem a Sua imagem e semelhança”, ressoará então triunfante ao longo e em toda a Terra.

Um antigo aforismo astrológico diz que o nativo de Peixes está, por um lado tão próximo do monte da pureza e da bondade e, do outro, tão próximo do abismo da autodestruição, que Anjos e demônios estão alertas para impulsioná-lo rapidamente para a trilha que eleja. O hieróglifo que acompanha essa descrição representa uma formosa mulher: um gênio está ajoelhado a seus pés e lhe oferece as riquezas da Terra, enquanto um Anjo está próximo da sua cabeça lhe oferecendo seus tesouros celestiais, descrevendo-se, assim, vividamente, a dupla natureza de Peixes. Os nativos desse Signo podem alcançar até as alturas da inspiração e muitas das almas mais dotadas desse mundo caíram abaixo dele. Contudo sucede, frequentemente, que seus dotes são mal gastos, por causa da indulgência com as desenfreadas emoções piscianas.

 Peixes é o Signo da décima-segunda Casa. Aquele que nasce sob essa configuração está completando uma série de vidas terrenas e está, por isso, muito ocupado, desembaraçando-se de suas dívidas de destino maduro engendradas no passado. A vida do pisciano é, frequentemente, rica em variedade de experiências e carregada de pesadas responsabilidades. Vênus, está em Exaltação nesse Signo e proclama que as dores de Peixes produzem, geralmente, as mais tenazes ataduras pessoais. Peixes regenerado significa a morte do “eu pessoal” e a vida da alma imortal. A morte mística nesse Signo ocorre sob as forças de Netuno, o Planeta da Iniciação. Aqueles que passam por essa experiência se convertem nos pioneiros da Nova Era.

CAPÍTULO XXV – ÁRIES

A Trilha da Santidade por meio de Áries

À medida que o Discípulo viaja ao longo da Trilha da Santidade, que conduz ao plano espiritual, as experiências com que depara vão se tornando mais e mais maravilhosas e transformadoras. Nesse nível de existência não há véu que separe os vivos dos “mortos”, nem barreiras para a comunicação com os seres celestiais. Ali se pode observar a maravilhosa tarefa dos Espíritos da Natureza e compreender que suas atividades estão sob o que os cientistas chamam de “leis naturais”. E, na manhã da Páscoa, entre as triunfantes hosanas dos Anjos e Arcanjos, Cristo, diante da Sua liberação da encarnação anual na Terra, aparece em Sua radiante glória. No Templo dos Mistérios Crísticos, a gloriosa procissão da Páscoa se configura em torno da Sua luminosa presença, não como um mero espetáculo, mas para que Seu poder e majestade se derramem sobre tudo o que seja digno de ser contado entre Seus santificados companheiros.

O Místico Cristão não deve comemorar a Páscoa só como um fato histórico que ocorreu no Gólgota, posto que sabe que o sacrifício de Cristo é um acontecimento anual, que cada ano é sepultado na Terra, da qual surge em cada Páscoa, para ascender aos céus e restaurar Suas forças, ates de retornar a essa esfera físico no próximo Equinócio de Setembro.

Quando ocorreu a crucificação no Gólgota, Cristo abandonou o Corpo de Jesus, no qual havia funcionado durante os três anos de Sua vida pública, e transferiu Seu espírito para o Corpo planetário da Terra para, desde esse momento, se converter no seu regente. Há um profundo significado naquelas palavras que disse aos Seus Discípulos depois da Ressurreição: “Toda a autoridade sobre o céu e sobre a terra me foi entregue”[114].

Quando a onda de vida humana sucumbiu à sedução dos Espíritos Lucíferos, o ritmo atômico do Corpo físico do ser humano foi alterado, e o espírito ígneo espinhal se tornou harmonizado com as forças lucíferas e recebeu a impressão desses seres ígneos. É a missão do Cristo anular essa situação e substituir o ritmo e a impressão dos Lucíferes por Seus próprios ritmos e impressão, pois Cristo também, como Arcanjo, é um ser ígneo. Quando isso acontecer, a vibração atômica do Corpo do ser humano se tornará imune à enfermidade e à morte. Os seres humanos da Nova Era levarão, dentro de si mesmo, a imagem do Cristo.

A Hierarquia de Áries contém um modelo arquetípico do ser humano, como criado “à imagem e semelhança de Deus”. Esse modelo se tornará cada vez mais manifesto durante a Nova Era. Como já foi dito, as seis constelações que estão sobre o Equador trazem consigo os modelos cósmicos do que há de se manifestar sobre a Terra; as seis constelações que estão abaixo do Equador contêm esses modelos em miniatura, por assim dizer, e as Hierarquias dessas seis constelações meridionais trabalham com a humanidade para conseguir a plena realização desses modelos aqui na Terra. Por exemplo: a Hierarquia de Áries mantém o modelo perfeito do novo ser humano Crístico, enquanto que Libra, o Signo oposto a Áries e o lar dos Senhores da Individualidade, está fazendo descer esse modelo cósmico de Áries, e ajudando o ser humano a trazê-lo à manifestação.

Esse é o conhecimento que tem impulsionado os grandes Mestres do Mundo para ajudar à humanidade a manifestar esse modelo nesse plano. O trabalho é árduo. Contudo, através das Eras, essas almas valentes, que são suficientemente fortes para trilhar a Trilha da Santidade até os planos espirituais, estão exacerbados e preconizam “um novo céu e uma nova Terra” habitados por uma humanidade Crística. Sabem, como Cristo o sabia, que “o Verbo era Deus”.

Parábola Bíblica para Áries

O Jovem Rico

Aí alguém se aproximou dele e disse:

“Mestre, que farei de bom para ter a vida eterna?”.

Cristo Jesus respondeu: “Por que me perguntas sobre o que é bom? O Bom é um só. Mas se queres entrar para a Vida, guarda os mandamentos”.

Ele perguntou-Lhe:

“Quais?”

Cristo Jesus respondeu:

“Estes: Não matarás, não adulterarás, não roubarás, não levantarás falso testemunho; honra pai e mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo”.  

Disse-lhe então o moço:

“Tudo isso tenho guardado. Que me falta ainda?”.

Cristo Jesus lhe respondeu: “Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens e dá aos pobres, e terás um tesouro nos céus. Depois, vem e segue-me”.

O moço, ouvindo essa palavra, saiu pesaroso, pois era possuidor de muitos bens.

Então Cristo Jesus disse aos seus Discípulos:

“Em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no Reino dos Céus. E vos digo ainda: é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus”.

Ao ouvirem isso, os discípulos ficaram muito espantados e disseram:

“Quem poderá então salvar-se?”.

Cristo Jesus, fitando-os, disse:

“Ao homem isso é impossível, mas a Deus tudo é possível”.

Pedro, tomando então a palavra, disse:

“Eis que nós deixamos tudo e te seguimos. O que é que vamos receber?”.

Disse-lhe Cristo Jesus:

“Em verdade vos digo que, quando as coisas forem renovadas, e o Filho do Homem se assentar no seu trono de glória, também vós, que me seguistes, vos sentareis em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel. E todo aquele que tiver deixado casas ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terras, por causa do meu nome, receberá muito mais e herdará a vida eterna. Muitos dos primeiros serão últimos, e muitos dos últimos, primeiros.”

(Mt 19:16-30)

A Parábola do Jovem Rico contém o ensinamento apropriado para a meditação de Áries.

Essa parábola bíblica é um dos ensinamentos do Mestre que mais mal interpretada tem sido. Não é o uso, mas o abuso das riquezas o que engendra o mal e a infração. Cristo, que é o Mestre de todos nós, disse: “Porque a quem muito é dado, muito será exigido”[115]. O dono de uma grande riqueza tem uma grande responsabilidade. Ele atesoura riquezas, e desperdiçá-las em diversões ou em prazeres tresloucados ou em gratificar a vaidade, gera uma pesada carga de destino maduro[116], que há de ser liquidada, algum dia, em alguma parte, por meio da dor e da angústia.

Os que estão destinados a herdar grandes fortunas deveriam ser instruídos, muito cuidadosamente, sobre o seu verdadeiro valor e finalidade. Se se omite essa informação, os pais, geralmente sofrem, devido a que seus filhos não compreendem, com exatidão, sua responsabilidade para com os demais.

Quando um ser humano é esclarecido sob a sua responsabilidade concernente à riqueza, ele se considera como um administrador do vasto depósito divino da abundância. Compreende que não é nada mais do que um canal para fazer fluir e esparramar auxílios, com as que abençoar e elevar àqueles com os quais se relaciona. Tal dedicação converte esse indivíduo em um ser ungido. Dedicando-se ao supremo bem, atrai só o Supremo Bem, e sua vida se converte em uma inspiração e um exemplo a se seguir.

É difícil para a pessoa média dissociar as coisas do espírito que há nelas e as subjazer. Ralph Waldo Emerson[117], o grande escritor americano, escreveu: “as coisas estão sobre a sela e cavalgam sobre a humanidade”[118]. Isso é aplicável, com certeza, ao nosso mundo moderno. O verdadeiro objetivo e propósito da vida humana, no entanto, é o de que o ser humano sublime de tal modo seus pensamentos e emoções relativos às posses materiais, que possa se identificar com o espírito que jaz sobre e por trás de suas posses físicas. Esse espírito é o poder de Deus, o Deus-Todo; e a união com Ele atrai tudo o que é elevado e nobre, formoso e verdadeiro. Esse foi o ideal que o Mestre previa para o jovem discípulo quando lhe disse: “Vende tudo o que tens…e vem e me siga”. A chamada de Áries não é para o “eu pessoal”, mas para o “Eu Sou”, com o objetivo de fortalecê-lo e afirmar sua divindade por meio da aquisição do domínio sobre todas as coisas.

Meditação Espiritual para Áries

Dado que é o Signo inicial do Zodíaco, Áries é o lugar de todo começo. No ciclo anual do passo solar através dos doze Signos, Áries indica o princípio do ano espiritual. Há sido considerado assim incluído pelas nações que começam seu ano civil em outro ponto do círculo zodiacal. Moisés fixou o começo do ano (Ex 12:2) no mês de Abib (março-abril), porque era o mês da brotação do trigo e dos demais cereais. Também foi ordenado à Moisés que o sacrifício do cordeiro pascal ocorresse quando a Lua Nova estivesse em Áries. No momento do passo anual do Equador pelo Sol, esse estava junto à estrela El Natik, palavra que significa: “perfurado, ferido ou assassinado”. A Lua Cheia estava, então, junto à estrela Al Sheraton, palavra que significa, também, “contundido ou ferido”. A cruz do Equador pelo Sol prefigurava a crucifixão de Cristo Jesus, já que os céus proclamam a chegada dos grandes acontecimentos do destino da humanidade.

As palavras-chaves para Áries são pureza e sacrifício, e seu símbolo, o cordeiro ou o carneiro. Como a vinda do Senhor Cristo à Terra ocorreu durante a Dispensação de Áries, Ele foi denominado o Bom Pastor. A representação familiar o mostra com um cordeiro nos braços.

Durante os primeiros anos da Dispensação Cristã, como já foi dito, o símbolo mais empregado não foi o Cristo crucificado, mas uma cruz com um cordeiro deitado sobre os seus pés. Até o quarto século não foi substituído o cordeiro pela figura humana, cravada na cruz.

No momento em que o Sol cruza o Equador, quando transita do Hemisfério Sul para o Hemisfério Norte, a força de Cristo passa dos planos físicos para os planos espirituais da Terra. O Corpo físico da Terra é como o do ser humano: está interpenetrado pelos veículos mais tênues que se estendem no espaço mais além daquele.

Repetindo, durante os seis meses do ano nos quais o Sol está atravessando os seis Signos sob o Equador, a força de Cristo impregna a região corporal da Terra. No Equinócio de Março, quando o Sol cruza o Equador, e durante os seis meses nos quais atravessa os seis Signos sobre o Equador, a força de Cristo impregna os planos espirituais ou superiores da Terra. Esses planos são o lar dos chamados mortos, uma região onde eles continuam durante algum tempo suas atividades normais em um ambiente de encantadora e radiante beleza. Ali é, também, onde os Anjos e os Arcanjos executam vários serviços em favor do Planeta e de sua progênie.

Quando o Sol entra em Áries anuncia a gloriosa ressurreição, começando a estação anual da transmutação. Então, as águas brancas de Peixes se mesclam com os fogos vermelhos de Áries, união que se manifesta, no Hemisfério Norte, na onda primaveril de flores e cânticos. Também é, para o ser humano, a época da transmutação, a época mais apropriada para seguir empurrando a pedra de sua velha vida e alcançar todo o poder da consciência “ressuscitada”. E, assim, quando a natureza substitui a obscuridade do sonho invernal pelo resplendor da primavera, no Hemisfério Norte, e Cristo transcende a agonia do Gólgota, por meio da exaltação do amanhecer da Ressurreição, o Discípulo que tem seguido, com fé e persistência, a Cristo, ascendendo atrás d’Ele pelo íngreme e estreita Trilha, obtém sua própria ressurreição por meio do despertar dos poderes crísticos dentro de si mesmo. É uma época na qual se pode produzir em seu Corpo-templo uma transformação maravilhosa: uma nova força emana do líquido branco de seus nervos e se mistura com uma nova essência nas correntes vermelhas de seu sangue, união que produz a luz dourada que impregna e rodeia o Corpo de um ser iluminado. São João se referia a uma transformação desse tipo quando escreveu que nós, algum dia, “caminharemos na luz, como Ele na luz está”[119]. Vermelho e branco são as cores de Áries, e também são as cores da transmutação, tanto no ser humano como na natureza.

CAPÍTULO XXVI – TOURO

A Trilha da Santidade por meio de Touro

Quando o Sol passa pelo Signo de Touro no mês de maio a força de Cristo ascende mais e mais até a aura espiritual da Terra. O Discípulo que está caminhando pela Trilha da Santidade segue a estrela da luz ascendente de Cristo e penetra em uma esfera na qual se encontra interiormente harmonizado e fortalecido pelo poder criador da música. Os seres celestiais que habitam esse plano falam uma linguagem musical. Cada um dos seus gestos produz música. Elas modelam e vestem toda classe de formas por meio dos tons musicais. Nesse plano todas as coisas que crescem, amadurecem por meio do poder da música, e as cores variadas das flores são produzidas a partir das variações do tom. A música é certamente o supremo poder criador nesse elevado Mundo.

A constelação de Touro é o lar dos arquétipos cósmicos de tudo o quanto existe na Terra. Esses arquétipos são refletidos pelo seu Signo oposto, Escorpião, o lar dos Senhores da Forma. Essa Hierarquia ensina a construção das formas em tudo no plano físico. E da constelação de Touro emana o tom misterioso que Deus utilizou para a Criação, essa Palavra criadora por meio da qual “todas as coisas foram feitas e nada do que tem sido feito, foi feito sem ela”[120]. Essa é a nota-chave bíblica de Touro.

Os Senhores de Touro guardam o arquétipo cósmico de um órgão maravilhoso, destinado a se converter em uma parte do futuro Corpo humano. Esse novo órgão, semelhante a uma rosa dourada, estará situado na garganta e será o centro por meio do qual o ser humano da Nova Era pronunciará a palavra criadora. Mediante o seu poder, a geração se converterá em regeneração e o ser humano será capaz de modelar a substância a sua vontade. No plano onde as forças de Touro são mais ativas e luminosas, pode-se vislumbrar essa perfeição e meditar sobre ela. Então se percebe o glorioso desenvolvimento que lhe espera no futuro e compreende o sentido das palavras do salmista: “Tu o fez um pouco inferior aos Anjos e o corou de glória e honra” (Sl 8:6).

Parábola Bíblica para Touro

Os Talentos (Mt 25:14-30)[121]

Touro é essencialmente a Hierarquia do destino maduro. Nos últimos dias dessa Era, tanto os indivíduos como as nações estão limpando suas dívidas de destino maduro, precisamente sob esse Signo, assistido pelo seu oposto Escorpião, para a preparação do futuro Novo Dia. A guerra foi acertadamente descrita como uma operação da catarata espiritual. E, se bem que é um terrível flagelo, é também um meio de limpeza inexorável. Por isso nossos dias estão cheios de guerras e de rumores de guerra.

A Parábola dos Talentos é uma lição sobre o renascimento e sobre o destino maduro. Um grande nobre foi a uma país longínquo para reclamar o seu reino. Antes de partir chamou os seus dependentes e lhe confiou a cada um deles uma certa quantidade de talentos. Depois de uma longa ausência, ele voltou e os convocou para que eles pudessem lhe prestar contas. O primeiro devolveu os talentos, mas duplicados. “Bem feito, bom e fiel servidor”, comentou o amo. O segundo apresentou seus talentos com um pequeno ganho, de modo que recebeu, também, a benção do amo. O terceiro servo, que havia recebido só um talento e o havia enterrado, lhe devolveu a seu chefe dizendo: “Tive medo e fui esconder meu talento na terra, assim que aqui tem o que é teu”. Ao que seu amo respondeu: “Tu, servo preguiçoso e malvado…ponham esse servo improdutivo para fora, nas trevas”. A isso seguiu a norma crítica do Mestre: “Porque ao que tem lhe será dado, mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado”.

Essa parábola se refere ao ciclo de vidas terrenas. O propósito de cada peregrinação consiste em que cada ser humano conquiste mais poder anímico, mais vida anímica e mais luz anímica.

Cada talento que o ser humano traz de suas encarnações anteriores há de ser incrementado, ou sua vida será estéril. O primeiro servo, a quem foi dado dez talentos, representa a alma velha que, através de muitas encarnações, conseguiu uma rica colheita de poderes anímicos. Em cada nova vida aprende novas lições, especialmente por meio da meditação, da contemplação e do trabalho, avançando, tanto nos planos internos como no externo. O segundo servo, que recebeu cinco talentos, representa uma alma mais jovem na escola evolutiva de Deus. Está aprendendo suas lições principalmente por meio das atividades nos planos físicos. Sua vida se centra, principalmente, nos cinco sentidos. Note-se que cinco é um número da atividade, enquanto que dez é a união do “1” (masculino) com o “0” (feminino), trabalhando ambos harmonicamente. Esse segundo servo representa o estado evolutivo da grande massa da humanidade.

O terceiro servo, que por medo enterrou o único talento que recebeu, representa os que ainda não estão totalmente despertos espiritualmente e se encontram centrados somente nos interesses do “eu mortal”. O fato de ser jogado na obscuridade exterior não é uma maldição, mas o modo de trabalhar da lei divina, pois somente por meio do sofrimento e do trabalho o ser humano pode despertar a natureza superior. Como Mabel Collins diz em seu Luz no Caminho: “Antes que os pés possam pousar ante a presença do Mestre, hão de ser lavados com o sangue do coração”.

Meditação Espiritual para Touro

Quando o Sol passa de Áries para Touro, uma pessoa sensitiva percebe uma mudança na atmosfera psíquica da Terra, das muitas carregadas radiações masculinas de Áries ao suave e carinhoso padrão do Signo de Vênus, governado por Touro. A Lua, também feminina por natureza, está em Exaltação nesse Signo, que enfatiza ainda mais a terna e amável disposição dos nativos de Touro. Por isso, sob essas influências, se celebra o Dia das Mães precisamente no segundo domingo de maio, quando os atributos femininos dos céus estão no Ascendente.

Os antigos representavam um Touro como uma suma sacerdotisa sentada em um trono, com um halo ao redor da cabeça e um livro aberto sobre os joelhos. Um véu cobria seu rosto, simbolizando a ocultação dos Mistérios da multidão ainda não despertada. A divindade feminina possui segredos sagrados da vida que nunca são revelados até que se aproxime um buscador com as mãos limpas e o coração puro. O véu dos sacerdotes nunca se levantará enquanto o ser humano guerreie com o seu próximo e continue matando para comer, por esporte, por vaidade ou para praticar crueldades como as de vivissecção. Toda vida é sagrada e tudo seguirá assim até que o ser humano seja digno de levantar o véu da Isis e penetrar nos mais profundos mistérios da vida.

Os nativos de Touro são atraídos pelas atividades por meio das que encontram expressões nas qualidades venusianas. E como Touro é um Signo de Terra, sua expressão tende para a prática das artes. A profissão da cura está favoravelmente influenciada por Touro, especialmente no que se refere à conservação do Corpo Denso nas perfeitas condições para seu Espírito interno.

A nota-chave de Touro é: “Eu possuo”. A nota-chave de Vênus, Regente de Touro, é: “Eu amo”. Um taurino não desenvolvido se inclina para um amor possessivo que limita a liberdade de seus objetivos provocando desgostos, discórdia e dor em seus relacionamentos. Desse modo se criam as grandes dívidas de destino maduro.

Sob a Hierarquia de Touro a humanidade está colhendo uma pesada mortalidade que obedece a causas passadas. Sob o Signo oposto, Escorpião, está sendo liquidada a dívida, em escala planetária, mediante guerras, desordens sociais e desastres telúricos.

Sob Touro, no entanto, as forças transmutadoras existentes na natureza são ativadas para transformar a vida do Discípulo. Cada personagem bíblico ilustra as características de um Signo zodiacal. Uma personalidade que tipificou as características de Touro foi Maria Madalena. Maria, irmã de Lázaro, tipificou a Câncer, enquanto a bendita Virgem Maria veio sob o Signo de Virgem. De modo que as três Marias, mais intimamente associadas à vida e ao ministério de Cristo Jesus, correspondem aos três Signos femininos mais destacados do Zodíaco. Maria Madalena, atrativa e sedutora, estava centrada nas correntes de desejos da Terra; mas quando Cristo tocou em sua trajetória vital, a chama da rosa da paixão se transformou na chama branca da alma. Essa transformação foi o que a fez merecedora do privilégio de ser, entre todos os Seus seguidores, a primeira a ver o Senhor ressuscitado e a de ser enviada por Ele para transmitir aos demais a mais transcendental mensagem de todos os tempos: “A morte não existe”.

CAPÍTULO XXVII – GÊMEOS

A Trilha da Santidade por meio de Gêmeos

Quando o Sol transita pelo Signo de Gêmeos, a constelação imprime no Corpo-templo humano uma dupla influência. Governa todas as dualidades do Corpo: Pulmões, ombros, baços e mãos, em particular. Contém, também, o arquétipo cósmico do perfeito andrógino, onde as potencialidades masculinas e femininas estão em equilíbrio. Essa é a consecução dos Iniciados nos Grandes Mistérios de Cristo. Essa aquisição produz a imunidade ante a enfermidade e a passagem do tempo. E como sua consciência não se interrompe, esteja ou não na carne, nunca experimentam a morte, tal como nós a concebemos, já que sua consciência está centrada na imortalidade ininterruptamente.

A onda de vida Arcangélica alcançou um status no qual pode funcionar em Corpos perfeitamente polarizados. Isso não é possível para os Anjos, menos evoluídos, nem para a humanidade. É, no entanto, possível para os membros daqueles reinos ao descerem de seu elevado estado a formas inferiores de expressão. A “Queda dos Anjos” se correlaciona na Bíblia com a “Guerra nos Céus”, quando Lúcifer e seus seguidores foram expulsos de seu plano[122]. A “Queda do Homem” ocorreu, segundo o Livro do Gênesis, quando Adão e Eva (a humanidade infantil) perderam o Jardim do Éden. A redenção de ambas as quedas exigiu poderes mais elevados do que ambas as ondas de vida possuíam. Tinham que proceder do nível arcangélico. E vieram: Cristo, o mais elevado dos Arcanjos, se converteu no Mestre e redentor de ambos, os Anjos caídos e a humanidade. Essa é uma das mais profundas verdades associadas com o Mistério de Cristo.

O arquétipo do andrógino perfeito foi projetado pela Hierarquia de Gêmeos a seu Signo oposto, Sagitário. A Hierarquia de Sagitário (Senhores da Mente) transmite esse iluminador ensinamento aos mais avançados pioneiros da Terra. Depois da vinda de Cristo o desenvolvimento posterior da Mente humana deixou de estar a cargo de Escorpião e passou a ser responsabilidade de Sagitário. Considerando as maravilhas da Mente, seus poderes criadores, sua capacidade de percorrer toda a Terra em um instante e contemplar a vastidão do espaço cósmico – ainda que, no momento, só uma fração dela está em atividade – podemos ter um leve vislumbre da transcendente glória da Hierarquia de Sagitário, cujo veículo mais denso, correspondente ao nosso Corpo Denso, está composto de material mental. Isso indica, também, os poderes sublimes que aguardam o ser humano quando alcançar tal desenvolvimento.

Para uma alma que despertou a meta suprema no desenvolvimento da Mente é a cristificação. Essa consecução é, no entanto, patrimônio de muitos poucos. A maior parte da humanidade está, ainda, embebidos no materialismo da Mente concreta, que geralmente foca em propósitos mundanos e em interesses pertencentes ao excludente “eu”. Enquanto forem tais os assuntos que chamam a atenção do ser humano, haverá uma carência de percepção espiritual e uma escassa constatação das realidades pertencentes aos Mundos internos e à Mente universal. Nem haverá nenhuma continuidade de consciência; algumas vezes ocorrendo somente o temor ante as experiências enfrentadas no Mundo espiritual durante o intervalo entre vidas. O resultado de uma consciência tão sumamente isolada das realidades espirituais é o materialismo, que condiciona o mundo de hoje. Esse, no entanto, não é mais do que uma fase temporal no desenvolvimento da humanidade. A comprovação das realidades espirituais, que subjaz a todas as manifestações físicas e temporais, vai se tornando cada vez mais clara e mais forte à medida que vai se derramando mais luz sobre a trilha dos que lutam pela santidade.

Enquanto o Sol transita pelo Signo de Gêmeos, a luz de Cristo se difunde em uma aura esférica ao redor da Terra, o que capacita os Iniciados na Trilha da Santidade a alcançar a presença de poderosos seres, conhecidos como Serafins, cuja grandeza e poder sobrepassam qualquer descrição. Sob seu sublime ministério, os ensinamentos relativos ao mistério da polaridade são transmitidos, com que se aprende a interação entre as energias masculinas e femininas (os elementos positivos e negativos da natureza), e constituem a força motriz de tudo, desde o átomo até o Planeta. Os alquimistas medievais se referiam a essa perfeita união, essa polaridade, como a combinação do fogo e da água. Essa união está vividamente simbolizada em Jachin e Boaz, as duas colunas de cobre que ficavam à frente do Templo de Salomão, e é o tema do glorioso canto Iniciático de Salomão. É a polaridade a que Salomão se refere ao dizer: “Meu amado é meu e Eu sou sua; ele se nutre entre os lírios”[123].

Quando um iluminado segue a Trilha da Santidade que conduz a essa exaltada esfera, é-lhe permitido estudar as maravilhas do Corpo andrógino, a forma que o Corpo humano adotará em uma etapa futura de seu desenvolvimento. Como foi dito, a Hierarquia de Gêmeos, ou sejam, os Serafins, projeta sobre a Terra esse glorioso arquétipo cósmico. E, quando a humanidade estiver preparada para recebê-lo, suas forças descerão, transportadas até o ser humano pela Hierarquia de Sagitário. Quando o ser humano conhece as maravilhas desse arquétipo cósmico e os milagres do Corpo de Sagitário, construído inteiramente de matéria mental, começa a compreender algo do destino exaltado que lhe espera. Com profunda reverência e grande humildade entoa, em seu interior, a nota-chave bíblica de Gêmeos: “Esteja tranquilo e saiba que Eu sou Deus[124].

Parábola Bíblica para Gêmeos

O Homem Rico e Lázaro[125]

Foi dito que Gêmeos, os gêmeos, é o Signo dos opostos: positivo e negativo, alto e baixo, branco e preto. Sob a influência dessa Hierarquia a humanidade conhece o caminho da luz e o caminho das sombras, como conheceram Lázaro e o homem rico na parábola bíblica.

O homem rico tinha grandes posses terrenas, enquanto Lázaro era um mendigo que vivia na miséria. Ambos simbolizam os dois polos da riqueza e da pobreza, o “tem” e o “não tem”, uma classificação que é causa de inumeráveis guerras ao longo da história. O homem opulento da parábola se vestia de linho puro e púrpura real. Todos os dias se dedicava a se divertir e se distrair, enquanto Lázaro, em sua extrema miséria, acudia cada dia para mendigar as migalhas de sua mesa.

Idênticas situações existem no mundo hoje em dia. Contudo, tais iniquidades não podem durar, posto que vivemos em um mundo regido pela lei moral. O ajuste de contas, no entanto, requer maior tempo do que compreende uma só encarnação terrestre. Isso é o que ensina a parábola, que revela o modo de operar a lei, tanto nos planos externos como nos internos.

Lázaro e o homem rico morrem. O primeiro foi transportado para os Céus, enquanto o segundo foi para o Purgatório a fim de sofrer pelo seu ócio, sua improdutividade e perda de tanto tempo. Essa justiça não é, no entanto, de natureza vingativa. O ser humano colhe o que semeou. Ainda que Lázaro vivia na pobreza, as sementes que ele semeou produziram uma rica colheita em comparação com a produzida pelo homem rico, que falhou na hora de fazer o uso correto de suas riquezas e aproveitar a ocasião que foi lhe dada, de prestar um serviço a alguém menos afortunado que ele. O modo de operar da lei é simplesmente corretivo. Reconhecendo a colheita de sua própria semente, o ser humano obtém a compreensão e a compaixão e se dá conta que é um com toda a humanidade.

A parábola ensina, também, que a natureza da experiência do ser humano após a morte está determinada por sua vida sobre a Terra. Quando o homem rico sentiu sede, viu o estado de felicidade de Lázaro no seio do Pai Abraão e suplicou a esse que permitisse a Lázaro lhe dar um gole de água para matar a sede. A isso, Abraão replicou: “Entre nós e vós existe um grande abismo”. Essa barreira é formada por uma vibração. Se uma pessoa do Purgatório pudesse elevar sua consciência ao plano celeste, não continuaria confinada no plano inferior do Mundo do Desejo.

A parábola mostra, ainda, outro ensinamento. O conjunto das experiências humanas está constituído, principalmente, pelas emoções do prazer e da dor. Fiona MacLeod, uma excelente escritora inglesa, disse que no paraíso não há lágrimas, há em um certo jardim um grande lago cinza, cujas águas se renovam constantemente com as lágrimas de dor, sofrimento e remorso vertidas na Terra. Se alguém, no entanto, se ajoelha e lava seus olhos nessas águas, se salvará. Desde esse momento seus cantos serão tão doces que serão ouvidos no Paraíso.

Aceitada com conhecimento, a dor constrói o degrau na escada da realização. Porque a dor torna a compaixão mais profunda e a simpatia mais ampla e incrementa a humildade e a beleza do próprio caráter, que são as características de tudo o que se encontra na verdadeira trilha do Discipulado.

Meditação Espiritual para Gêmeos

Gêmeos é o Signo dos gêmeos. No plano material significa dualidade; no plano espiritual, polaridade. Os antigos atribuíam a Gêmeos duas brilhantes estrelas: Cástor e Pólux. E ensinavam que Mercúrio, Regente de Gêmeos, conferiu a imortalidade a essas duas estrelas em dias alternados, indicando assim o caráter dual do Signo. Sob a influência de Gêmeos o ser humano oscila facilmente de um extremo a outro: do material ao espiritual, do pessoal ao impessoal.

A nota-chave de Gêmeos é a versatilidade. Seus nativos se caracterizam por sua habilidade em fazer muitas coisas muito bem. Gêmeos avançando, frequentemente, se dedica a escrever e a falar sobre assuntos espirituais e, às vezes, se converte em um curador espiritual.

Gêmeos é um Signo mental e a Mente pode conduzir tanto na direção das trevas como na direção da luz. São Paulo sabia disso perfeitamente e por isso acentuou em todos os seus ensinamentos o ideal de que “Cristo se forme em vós”[126]. Até que a Mente se cristifique ela está ameaçada por grandes perigos. E contra isso São Paulo cita: “a Mente carnal é inimiga de Deus[127].

O antigo hieróglifo representativo de Gêmeos foi a figura de um sumo sacerdote sentado em um trono, em cujos pés se ajoelhavam duas esfinges, uma branca e outra negra. Outro símbolo, assim, insistindo na dualidade do Signo de Gêmeos.

De acordo com a natureza de Gêmeos, aqueles que estão fortemente influenciados por esse Signo, frequentemente enfrentam a necessidade de eleger entre um dos dois caminhos; por isso resulta essencial para eles o cultivo dos poderes do discernimento, poderes acentuados em Virgem, também regido por Mercúrio. Hão de cultivar a estabilidade e a fixidez de propósitos, já que são muito facilmente influenciáveis. O nativo de Gêmeos necessita muito tempo para se concentrar e meditar sobre a frase: “Está tranquilo e sabe que Eu sou Deus[128].

O embaixador angélico de Mercúrio na Terra é Rafael, o guardião e diretor dos movimentos de cura no mundo. Preside os elevados ensinamentos do Templo, sendo a mais importante delas a do poder curador da Mente. Esse conhecimento está tendo ampla aceitação e prática nos tempos atuais.

Uma formosa lenda conta que, ao final de cada dia, o Anjo Sandalfon recolhe todas as orações de ajuda e de cura que foram emitidas a partir da Terra e as põe ante o trono de Deus de onde, por meio de Sua terna benção, se transformam em um imenso dossel de flores perfumadas. Essa lenda teve uma refinada expressão nos seguintes verso de Longfellow:

E ele recebe as orações,

Que, em suas mãos, se convertem em flores,

Em guirlandas de vermelho e púrpura;

E sob o grande arco do portal,

E nas ruas da Cidade Imortal,

Tudo se enche com sua fragrância.

O mesmo pensamento é aplicável a Rafael, o Anjo da cura, o qual, devido a sua proximidade com a nossa raça, é denominado “o amigo do ser humano”.

Rafael, o embaixador de Mercúrio, representa em seu próprio ser os Senhores de Mercúrio, que estão exercendo agora um papel cada vez mais ativo nos trabalhos de Iniciação da humanidade. Preside os Mistérios, o trabalho Iniciático da onda de vida humana até o fim do Período Terrestre. Os mensageiros de Mercúrio ajudam a todos os que tem aspiração à Iniciação e, segundo Max Heindel, prestarão ao ser humano cada vez mais auxílio, à medida que o tempo passa. Muitas pessoas sensitivas estão sendo já conscientes da sua presença, pois os Senhores de Mercúrio pertencem a nossa onda de vida que, originariamente, morou no Sol. Estão, no entanto, muito mais avançados que a primitiva humanidade e Rafael é seu protótipo ante o trono de Deus.

CAPÍTULO XXVIII – CÂNCER

A Trilha da Santidade por meio de Câncer

O Sol, em seu anual trânsito através de Câncer, alcança o ponto mais alto de sua ascensão setentrional no Solstício de Junho. Sua radiação física alcança o máximo no hemisfério Norte, por isso, lá, os dias são mais longos e as noites são mais curtas. É o meio-dia mais elevado do ano e sua nota-chave é luz.

Câncer é o Signo mais feminino do céu. Em harmonia com esse fato, o Signo contém um pequeno grupo de estrelas organizadas de modo que se assemelham a um presépio. Do coração de Câncer brotam as águas da vida eterna onde as sementes da forma germinam e animam todos os reinos da Terra. O Solstício de Junho ocorre quando o Sol entra em Câncer e está sintonizado com o princípio da fecundidade. Por isso, obedecendo a esse princípio ativo da natureza, as sementes eclodem para um novo ciclo de manifestação. A luz, a liberdade e o regozijo são as qualidades dominantes da época do centro do verão, para o hemisfério Norte. De acordo com isso muitos povos, especialmente na Europa, celebram esse tempo com música, danças e festas exuberantes.

A Hierarquia de Câncer é conhecida na Bíblia como os Querubins. O trabalho dessa Hierarquia consiste em guardar os lugares sagrados. Flutuavam sobre o Sanctum Sanctorum[129]. O recipiente com o maná da Arca da Aliança é um símbolo do Cálice do Graal individual de cada ser humano e de sua sagrada força vital. A humanidade perdeu o Jardim do Éden por causa do mal-uso da sua força vital e, desde então, os Querubins guardam as portas do Éden para evitar que a humanidade não regenerada possa encontrar, prematuramente, a possibilidade de penetrar nele. Dizem que a Virgem Maria e os Discípulos, desde o Pentecostes, se comunicam com os Querubins, querendo com isso significar que aprenderam essas verdades sagradas, lecionadas por essa Hierarquia Divina.

Quando o Sol alcança o ponto máximo em sua ascensão, o Espírito de Cristo chega até o Trono do Pai. Sua atividade, então, é focada sobre os Planos mais elevados da aura terrestre, onde oferece uma nova iluminação e bênçãos renovadas aos seres celestiais que ali habitam, assim como ocorre com as almas que em sua evolução, entre duas encarnações físicas, alcançaram esses elevados níveis. De acordo com tudo isso, é também nessa época que o ser humano iluminado, seguidor de Cristo na Trilha da Santidade, pode se elevar conscientemente a esses Planos, contatar os habitantes celestiais e seguir aprendendo sobre as Forças da Natureza. Ali se compreende como os Espíritos da Natureza da água e do fogo, as ondinas e as salamandras, respectivamente, trabalham na primavera e no verão no crescimento das plantas; e como os do ar e da terra, as sílfides e os gnomos, respectivamente, trabalham no outono e no inverno na morte e na desintegração das plantas. Naquele exaltado Plano, o que segue a Trilha da Santidade se vê à frente do verdadeiro mistério da vida. Só os puros de coração alcançam esse nível. Os que tenham as mãos manchadas de sangue não poderão, jamais, levantar o véu desse lugar sagrado. Aquele que quer descobrir o segredo da vida não o alcançará até que, tanto suas mãos como seu coração, sejam castos e limpos. Só a esses será permitida a constatação da unidade de toda a vida.

Essas são as verdades que pertencem, especialmente, à Hierarquia de Câncer e não é possível sua transmissão direta no Plano terrestre. Por esse motivo são transferidas pelos Querubins à Hierarquia de Capricórnio, o Signo oposto a Câncer e o lar dos Arcanjos que, por ser de uma categoria inferior à dos Querubins e, portanto, estar suas consciências mais próximas às do ser humano, as disseminam entre aqueles que as desejam e estão preparados para recebe-las. Esse foi o motivo de ter sido no período de Capricórnio, quando as forças dessa Hierarquia impregnaram a Terra para que descendesse a nascer nela o Mestre Jesus, da semente de Davi e que converteu no suporte de Cristo.

Parábola Bíblica para Câncer

O Filho Pródigo (Lc 15:11-32)[130]

De acordo com a Astrologia Esotérica todas as almas que renascem passam pelas portas de Câncer. Nas águas de Câncer se formam os germens da vida que animam a cada indivíduo dos reinos mineral, vegetal, animal e humano. Esse impulso vital eleva, progressivamente, do mineral para o vegetal, do vegetal para o animal, do animal para o ser humano e do ser humano para o Anjo, já que toda a evolução está sob a supervisão da Hierarquia.

A Parábola do Filho Pródigo se refere à Câncer. É uma história sobre a evolução. Apresenta-nos dois irmãos, um mais velho, que jamais abandonou a casa paterna e outro mais novo, que vai para um país longínquo. Inicialmente o pai lhe diz: “tudo o que eu tenho é teu”. Esse irmão representa a natureza superior do ser humano, que está sempre sintonizada com tudo o que é bom, nobre, formoso, puro e verdadeiro. O outro irmão abandona a casa paterna e gasta mal tudo o que tem em uma vida desenfreada, terminando por disputar a comida dos porcos que ele cuidava. Esse representa a natureza inferior do ser humano que sucumbe às tentações sensuais e aos caprichos do mundo.

Como é de aplicação universal, essa parábola se encontra em todo ensinamento espiritual fornecido ao mundo. Foi já um importante ensinamento nos Mistérios do antigo Egito. No simbolismo da Loja Azul maçônica é dada outra versão, levemente diferente. Nela o candidato, pobre, nu e cego, depois de gastar mal e inutilmente tudo que tinha, eleva seus olhos para a casa do Pai e começa sua viagem para o leste, em busca da luz. Ali está sentado o Mestre excelso que, quando o candidato se revela digno disso, lhe é instruído como alcançar, também, a maestria.

A humanidade, em geral, está representando o papel do Filho Pródigo, pois a raça humana deu as costas à verdadeira luz e, em sua perseguição por objetivos materiais, vive literalmente na casca da existência. Isso provocou o nascimento do medo, do caos, da incerteza, dos conflitos e das revoltas sociais que enchem a Terra. E que aumentarão até que a humanidade comece a voltar atrás e se dirigir para a luz que brilha nele.

Quando o Filho Pródigo retornou, o Pai lhe recebeu entusiasticamente. O filho disse: “Pequei e já não sou digno de me chamar de filho novamente. Trata-me como um dos seus servos”. No entanto, o Pai o recebeu com um forte abraço, o vestiu com o melhor traje e pôs em seu dedo um anel de ouro.

A maior tranquilidade para o ser humano, em meio ao caos da vida, é saber que nunca lhe faltará o cuidado amoroso e a proteção do seu Pai. “O assédio dos céus” sempre o seguirá. Nas palavras do salmista: “Se subo aos céus, tu lá estás; se me deito em um tumba, aí te encontro” (Sl 139:8). Nenhum ser humano pode cometer tantos crimes ou se degradar de tal maneira que não possa contar com a amorosa recepção do Pai, quando eleve seus olhos e começa sua caminhada em direção a Ele. O pródigo regenerado se vestirá com a roupa da nova vida e lhe será dado o anel de ouro, o amor e a proteção.

A proximidade do Pai foi, magnificamente, expressada por Elizabeth Barret Browning[131]:

E eu sorri para agradecer a grandeza de Deus fluindo

em torno de nossa imperfeição

E a nossa ansiedade, o seu descanso.

As duas naturezas do Filho Pródigo foram bem descritas por Emerson: “Só o finito trabalhou e sofreu; o infinito se esticou em um descanso sorridente”. E São Paulo ilustrava a trilha que leva o ser humano da irrealidade para a próxima afirmação: “as coisas que são vistas são temporais, mas as que não são vistas são eternas”.

Meditação Espiritual para Câncer

Câncer é o Signo mais profundamente místico, o principal Signo feminino. A Lua, Regente de Câncer, é o lugar da Exaltação, tanto de Júpiter como de Netuno, e sua nota-chave é fecundidade. Nas águas cósmicas de Câncer se encontram os germens que animam as formas pertencentes a todos os reinos da natureza. Câncer governa, também, o lar e a família, e suas qualidades tendem a desenvolver os atributos do caráter que permitem aos pais dirigir com amor e harmoniosamente seu lar.

O misticismo de Câncer vem em parte de Júpiter, Planeta da simpatia e generosidade expansivas, mas muito mais de Netuno, a oitava superior de Mercúrio e o Planeta da divindade. O Solstício de Junho ocorre quando o Sol entra nesse Signo, momento em que a brilhante e a branca azulada estrela fixa Sirius mais derrama sua influência espiritual sobre a Terra. Como Signo mãe cósmica, Câncer é o portal por meio do qual os Egos humanos veem ao renascimento.

Por causa da influência de Júpiter, nessa época, as artes criativas recebem uma inspiração especial, no tempo em que Júpiter converte esse período em um dos mais apropriados para que as almas iluminadas passem, através das portas da luz, aos Mundos internos e neles experimentem a vida imortal. Os três princípios do Tríplice ser humano estão governados pela Lua, por Júpiter ou por Netuno. A Lua afeta o seu Corpo Denso, Júpiter a sua Alma e Netuno o seu Espírito.

A humanidade em geral responde à Jeová, por meio da influência do Sol físico; os Iniciados nos Mistérios Menores o fazem através do Sol espiritual, o Corpo do Cristo Cósmico; e os Iniciados dos Mistérios Maiores, por meio de Vulcano, que equivale ao Corpo solar do Pai. Os astrônomos não descobriram, ainda, o Planeta Vulcano. No entanto, chegará a ser conhecido pelo mundo como consequência das investigações científicas, quando muitos indivíduos se tornem suficientemente sensitivos para receber suas vibrações. Essa foi a condição sob a qual os Planetas Urano, Netuno e Plutão começaram a se expressar nos veículos superiores do ser humano.

Os antigos representavam Câncer como uma mulher com a Lua a seus pés e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça. Esse símbolo foi empregado por São João na Revelação[132] para representar o triunfante regresso do feminino caído, a Eva do Gênesis, a seu estado divino original. Essa figura exaltada feminina representa os Grandes Iniciados da Hierarquia de Câncer conhecidos como Querubins. Um dos mais altos Iniciados dessa Hierarquia é a Mãe Cósmica do universo a que esse Planeta Terra pertence.

A Lua, como Regente de Câncer, significa geração; Netuno, Exaltado em Câncer, significa regeneração. A transmutação da geração em regeneração é o novo nascimento do qual Cristo falou a Nicodemos quando foi falar com o Mestre “à noite”[133]. A nota-chave de Câncer é encontrada naquelas palavras de Cristo: “…Salvo que um homem nasça de novo, não poderá ver o Reino de Deus…quem não nascer da água (Lua em Câncer) e do espírito (Júpiter em Câncer), não poderá entrar no Reino de Deus (Netuno em Câncer)”. Esse é um dos mais explícitos ensinamentos sobre a Iniciação fornecidos por Cristo durante os três anos de ministério. Todo mundo conhece o nascimento natural sob a Lua em Câncer, mas são poucos os que aprendem a caminhar pela “trilha apertada e estreita” da renúncia da carne e da dedicação do espírito, implícita na Exaltação de Júpiter e Netuno em Câncer. Essa é, certamente, a verdadeira e única chave para a elevação da consciência por meio da qual o ser humano é transportado do nascimento natural “aquoso” para a divina sintonia do nascimento “ígneo” espiritual.

CAPÍTULO XXIX – LEÃO

A Trilha da Santidade por meio de Leão

Foi dito que, enquanto o Sol transita pelos Signos de Câncer e Leão durante os meses de julho e agosto, Cristo ascende ao Trono do Pai, onde se banha em Sua transcendente glória. Ali se renova e se revitaliza, atraindo mais e mais forças espiritualizadas para prosseguir o Seu ministério terreno quando volte a penetrar nos reinos da humanidade, no Equinócio de Setembro. Durante sua permanência nos céus o Planeta Terra, clarividentemente observado, aparece luminoso por Suas radiações; e o observador comprova, no mais profundo do seu ser, o significado de Sua afirmação: “Toda a autoridade sobre o céu e sobre a terra me foi entregue”[134].

Quando o Sol atravessa os Signos de Câncer e de Leão, o iluminado que caminha na trilha da santidade ascende aos mais altos reinos desse Planeta e entra em uma mais profunda consciência de poder transcendente. Começa a compreender que o amor, em seu mais elevado aspecto, não é uma paixão ou um sentimento, mas uma fase da própria divindade. São Pedro foi imbuído de uma força amorosa dessa natureza. Ele mesmo se referiu a ela quando disse ao aleijado, às portas do formoso Templo: “Nem ouro nem prata possuo. O que tenho, porém, isto te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareu, põe-te a caminhar! ”[135]. E foi essa mesma força a que, de tal modo, animou a São Paulo que, apesar de todas as suas perseguições e encarceramentos, pode pronunciar aquelas palavras formosas: “Ainda que eu falasse línguas, as dos homens e as dos Anjos, se eu não tivesse a caridade, seria como um bronze que soa ou como um címbalo que tine”[136].

Quando o Aspirante alcança esse grau de realização espiritual, Cristo é tudo para ele e tudo está n’Ele. Servir como Ele serviu e amar como Ele amou se convertem em sua principal aspiração. A nota-chave bíblica de Leão ressoa nas palavras: “O amor é o cumprimento da lei”[137]. É permitido a ele acessar a Memória da Natureza, ver o sagrado e iluminado coração e assimilar algo dos mistérios profundos que contém. E, então, começa a entender a íntima conexão existente entre a Hierarquia de Cristo e o centro de luz do corpo humano, chamado coração. Uma das primeiras imagens na Memória da Natureza que o Aspirante estuda simboliza o Cristo, em pé, diante de uma porta chamando-o. Em Sua mão está uma luz e Ele diz: “Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa”[138]. Essa passagem lembra a realista representação feita por Holman Hunt[139]. Seu quadro imortalizou essa atividade da busca do nosso Redentor. Há, sensatamente, que pensar que a criação dessa obra prima fui inspirada pela elevada dádiva que o artista recebeu, tanto consciente como inconscientemente. Os Discípulos que trabalham nos planos internos, frequentemente, param diante desse quadro e meditam sobre seu profundo significado, pois a porta ante a qual está o Cristo representa o coração humano.

Na próxima Era de Aquário, à medida que a influência amorosa de Leão vai penetrando mais profundamente na Terra, mais buscadores se tornarão conscientes da proximidade do Cristo e escutarão Suas palavras de súplica que ressoam pelos corredores do tempo: “Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa”.

Parábola Bíblica para Leão

O Banquete de Bodas do Filho do Rei

A constelação de Leão pertence à Triplicidade de Fogo. Luz, amor, autoridade e controle estão entre as suas notas-chaves. O coração rege o Corpo-Templo humano e é o centro do amor. O coração do Discípulo aumenta sua luminosidade com sua espiritualização crescente até que, finalmente, caminha na luz como Cristo, que está na luz. Como consequência dessa irradiação, chama a atenção e ganha lealdade. A Hierarquia de Leão está implantando esse ideal no mais profundo de cada ser humano ao focar seu poder de amor sobre a Terra.

A parábola relativa à Leão é a do banquete de bodas do filho do rei[140]. Havia “ um rei que celebrou as núpcias do seu filho. Enviou seus servos para chamar os convidados para as núpcias, mas estes não quiseram vir. Tornou a enviar outros servos, recomendando: ‘Dizei aos convidados: eis que preparei meu banquete, meus touros e cevados já foram degolados e tudo está pronto. Vinde às núpcias’. Eles, porém, sem darem a menor atenção, foram-se, um para o seu campo, outro para o seu negócio, e os restantes, agarrando os servos, os maltrataram e os mataram. Diante disso, o rei ficou com muita raiva e, mandando as suas tropas, destruiu aqueles homicidas e incendiou a cidade. Em seguida, disse aos servos: ‘As núpcias estão prontas, mas os convidados não eram dignos. Ide, pois, às encruzilhadas e convidai para as núpcias todos os que encontrardes’. E esses servos, saindo pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons, de modo que a sala nupcial ficou cheia de convivas. Quando o rei entrou para examinar os convivas, viu ali um homem sem a veste nupcial e disse-lhe: ‘Amigo, como entraste aqui sem a veste nupcial?’ Ele, porém, ficou calado. Então disse o rei aos que serviam: ‘Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o fora, nas trevas exteriores. Ali haverá choro e ranger de dentes’. Com efeito, muitos são chamados, mas poucos escolhidos”[141].

A festa de bodas é, naturalmente, a Iniciação. Não há estação na qual os portais do céu se abram mais ou na qual a luz brilha com maior intensidade que durante o tempo em que as forças de Leão estão focadas sobre a Terra. O leão, símbolo do Signo de Leão, representa o fogo cósmico no interior do ser humano. Quando esse fogo é elevado à cabeça, esse órgão se converte no centro regenerador do Corpo-Templo. Esse é o significado mais elevado do leão rampante[142], que simboliza o mais elevado aspecto da Iniciação. Na magnífica cerimônia da loja maçônica, o leão, em pé, e com uma garra estendida, era o que elevava o herói maçônico Hiram Abiff[143] das trevas da morte até a glória da vida imortal.

A Iniciação, tal e como existia antes da vinda de Cristo, era um processo bem diferente da atual. A Iniciação antiga era chamada de A Trilha dos Mistérios Iluminados e consistia em uma solene cerimônia que representava importantes acontecimentos na vida dos grandes Mestres do mundo, desde o nascimento até a sua ressurreição. Com a vinda do Cristo, a Iniciação experimentou uma mudança e agora é chamada de A Trilha dos Mistérios Solares. A Iniciação Cristã ainda representa importantes acontecimentos da vida do Senhor: Nascimento, Batismo, Transfiguração, Ressurreição e Ascensão. Contudo, agora são experiências realizáveis e vitais no interior da consciência e do Corpo do Discípulo. Daí que agora, sob Cristo, seja muito mais difícil a Iniciação do que era antes da Sua vinda. Por isso São Paulo, um dos maiores expoentes dos Mistérios Cristãos, deu a seus Discípulos um tipo de mantra, aplicável a todos no tempo moderno, quando lhes disse: “Que Cristo seja formado em vós”[144]. As diversas escolas de metafísicos como o Novo Pensamento, a Ciência Cristã e outras, que preconizam a manifestação do Cristo Interno, são etapas preparatórias que conduzem à realização suprema na vida do ser humano: a Iniciação nos Mistérios trazidos à Terra por Cristo.

Outra importante diferença entre os Mistérios pré-cristãos e os ensinados por Cristo consiste em que nos tempos antigos cada cidade tinha seu próprio Templo de Iniciações onde se observavam os Mistérios. Durante a Idade de Ouro da Grécia não se permitia ocupar um cargo público a nenhum homem que não fosse iniciado nos Mistérios. Todos esses Templos terrenos foram fechados e os verdadeiros Templos de Mistérios estão, agora, situados na Região Etérica do Mundo Físico. Por isso, cada Aspirante há de tecer, antes, seu próprio “traje de bodas”[145] para poder entrar, já que em seu Corpo Denso não é mais possível entrar lá.

Os Éteres estão divididos em quatro graus de densidade. Como já foi dito, enquanto o ser humano pertencer à terra, é terreno, e vive para comer, beber e ser feliz, seu Corpo Vital se compõe, principalmente, dos dois Éteres inferiores[146]. Quando começa a renunciar ao caminho da carne e a aspirar às coisas do espírito, então, atrai cada dia em maior quantidade os dois Éteres superiores[147].

Em nossos dias, o elevado e sagrado significado da Iniciação foi perdido, para a maioria das pessoas. Consequentemente, o reconhecimento do profundo significado espiritual dos antigos Templos de Mistérios é muito pequeno ou completamente nulo. Não se tratava de cerimônias ao alcance de qualquer um, como irrefletidamente se crê. Eram acessíveis só aos que tinham se qualificado devidamente para participar neles. Essa é a verdade expressa na parábola do Banquete de Bodas do Filho do Rei. Só podiam entrar nele os revestidos com o “dourado vestido de bodas”. Esse traje não pode ser dado por ninguém. Há de ser tecido por si mesmo. E isso só se consegue fazer “vivendo a vida”, por meio da sublimação dos desejos inferiores em poderes do espírito e mediante à prestação de serviços amorosos e desinteressados a todos os demais seres humanos e a todos os seres viventes. Essa é a verdade destacada pela Cristandade esotérica. Enquanto que a ortodoxa põe todo o peso da salvação do ser humano sobre os ombros do Cristo, a Cristandade esotérica põe tal salvação onde deve estar: sobre os ombros do próprio ser humano.

É durante o tempo em que a Hierarquia de Leão está derramando suas forças sobre a Terra, que é mais fácil para o Aspirante se dedicar, novamente, a prosseguir na trilha para tecer a luminosa vestimenta que lhe há de abrir a essas correntes de luz e a essas radiações de amor. Quando esse traje for totalmente tecido, será considerado digno de participar do banquete do matrimônio místico e de ser contado entre os filhos do Rei. Quando a alguém é permitida essa assistência, pode estar em Sua presença, olhando-O face a face e o conhecendo tal qual Ele é.

Meditação Espiritual para Leão

Um sábio antigo declarou que “como acima é embaixo e como embaixo é acima”. Todos os verdadeiros Templos de Mistérios do plano físico foram construídos em harmonia com o modelo zodiacal existente nos céus. Nesse círculo de doze constelações, Câncer e Leão formam as duas colunas da entrada do Templo Cósmico. Em plena correspondência com isso, duas colunas simbólicas foram colocadas em todos os templos de Mistérios entre as quais todo Aspirante à iluminação tem de passar. Esses dois pilares tiveram muitos nomes ao longo do tempo e seu significado se destacou na literatura dos Mistérios de todas as nações. Foi dito que representam os elementos água e fogo; ou os dois metais preciosos, o ouro e a prata; e até, simbolicamente, os Corpos estelares do Sol e da Lua. Câncer é chamada de mãe e Leão de pai das almas.

Entre essas duas colunas hão de passar o homem e a mulher, de mãos dadas, em completa igualdade, para receber a gloriosa herança que essa Era prepara para seus pioneiros. A habilidade maçônica (a construção) há de se dar conta de que seus mistérios mais secretos jamais serão compreendidos até que o Divino Feminino seja restabelecido em seu estado original de igualdade com relação à polaridade oposta masculina.

Os antigos representavam a Leão como um sumo sacerdote sentado em uma carroça que transportava duas esfinges, uma branca e outra preta. Um símbolo similar fazia referência à Gêmeos, mas nesse caso as duas esfinges estavam ajoelhadas à frente do sumo sacerdote, significando que é ele quem há de eleger entre seguir a trilha da luz ou das trevas. Em Leão a decisão já está tomada. Tanto a natureza inferior como a superior foram submetidas.

As notas-chaves de Leão são: autoridade, governo e triunfo. Um dos símbolos de Leão é uma espada, sinal de conquista e vitória. Como indicada em várias passagens bíblicas, a espada representa, também, a força criadora interna do indivíduo. No Gêneses, por exemplo, está o relato da expulsão de Adão e Eva do Jardim do Éden por terem comido do fruto proibido da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. Como consequência do pecado dos dois, os Querubins ficaram de guarda, na entrada do Jardim, empunhando uma espada de fogo para evitar que o ser humano tivesse acesso à Árvore da Vida, o que lhe faria adquirir o segredo do Corpo Vital e aprendesse a imortalizar sua imperfeita forma física.

Esses mesmos seres celestiais foram representados no Templo de Salomão, mas ali uma flor completamente aberta substituía a espada. Assim, pois, foi apresentada, com uma maravilhosa simbologia, o objetivo do elevado Iniciado, cujo Corpo se descreve, misticamente, como jardim de flores. Nesse jardim as duas flores centrais são: o Coração, a estrela do dia do Corpo, e a Glândula Pituitária, o mais elevado dos dois centros espirituais da cabeça. É por meio dessas duas flores centrais, quando despertas, que as poderosas forças de Leão trabalham em todo o Corpo.

Na vida de Cristo, Sua entrada Triunfal corresponde às régias radiações de Leão. Nesse momento, o Espírito de Cristo estava magneticamente carregado da fulgente glória do Pai, que tinha descido à Ele, enquanto o Sol transitava pelo Signo real nos céus. Isso produziu as populares e instintivas hosanas que acompanharam Sua entrada.

Aquela cena triunfante foi o início dos acontecimentos culminantes do ministério de Cristo na Terra, seguidos da Sua assunção da regência desse Planeta para a redenção do mundo. Simboliza, também, a festiva procissão de um Candidato que alcançou a entrada em um Templo de Luz. Por isso, se escutou um canto angélico dos céus: “Bendito o que vem em nome do Senhor” (a lei). Ou seja, o que caminha na luz espiritual e no amor.

A ciência conhece o Sol tão somente em seu aspecto físico. A ciência esotérica conhece duas esferas solares, ou Corpos espirituais, que interpenetram aquele. O primeiro deles é o veículo do Logos Solar, que conhecemos como o Cristo Cósmico; o outro, de frequência vibratória ainda mais elevada, é o celestial Corpo do Pai do nosso Sistema Solar.

A humanidade comum responde, principalmente, à influência do Sol físico, cujas emanações se relacionam com Jeová e as Religiões de Raça estabelecidas sob Sua influência. Foi durante o regime de Jeová que os Mistérios Menores forma estabelecidos pelos Senhores de Mercúrio. Com a vinda de Cristo uma nova Era foi inaugurada, durante a qual o ser humano já não tem que obedecer a lei externa, mas a interna, pois a principal missão de sua vida consiste em despertar sua divindade interior, seu Cristo Interno. Sob a influência de Mercúrio foram inaugurados os antigos Mistérios, como dissemos anteriormente. Cristo trouxe os quatro Mistérios Maiores, um bosquejo dos quais é dado a cada um dos quatro Evangelhos do Novo Testamento. Netuno, o Planeta da divindade e da Iniciação, proporciona à humanidade a ajuda necessária para intuir esses Mistérios Maiores que contém as mais elevadas verdades que está capacitada para vislumbrar atualmente. Logo virá a Religião do Pai. Quando os pioneiros forem qualificados para a mais elevada iluminação inerente a essa religião, o Planeta Vulcano emergirá à vista e à compreensão humanas, como consequência da lei segundo a qual, na sequência temporal, os acontecimentos externos seguem aos mesmos acontecimentos ocorridos antes nos planos internos. Isso implicará na revelação de glória e um poder muito maior do que atualmente a Mente humana pode compreender ou do que a língua humana pode descrever.

CAPÍTULO XXX – VIRGEM

A Trilha da Santidade por meio de Virgem

Enquanto o Sol está em Leão, o Espírito de Cristo se regenera e renova graças às glórias do Reino do Pai. Como o supremo atributo de Cristo é o sacrifício por natureza, quando o Sol passa por Virgem, o Signo do serviço, uma necessidade cósmica o impulsiona para deixar o Reino do Pai e descender, novamente, à Terra, que contata quando o Sol passa por Libra.

A Trilha da Santidade, seguindo o raio de Cristo, abandona também a região espiritual da Terra, enquanto o Sol passa por Virgem. Sendo o amor a nota-chave de Leão e o serviço por meio da pureza a de Virgem, aquele que caminha por essa parte da Trilha, atravessando os planos da mais elevada vibração dessa esfera, há de ter desenvolvido a pureza como um poder interno. De modo geral, a qualidade de tal poder não se reconhece, embora Cristo tenha declarado que só os puros de coração verão a Deus. Nesse sentido, as seguintes palavras de Tennyson[148] em Sir Galahad[149] são bem descritivas:

Minha força é como a força de dez,

Porque meu coração é puro.

Esse é o atributo que fez Parsifal[150] imune ao ataque do malvado Klingsor[151]. A lança de ódio que o mago negro lançou contra Parsifal foi desviada de seu curso. Nesse instante e em virtude desse mesmo poder Parsifal fez o sinal da cruz e produziu o colapso completo do castelo maldito de Klingsor.

Assim como Virgem contém o segredo da Imaculada Concepção, por meio de seu Signo oposto Peixes, esse dom foi trazido à Terra e explicado pela suprema Mestra feminina Maria de Belém. Foi concebida imaculadamente sob a Hierarquia de Sagitário (Arcanjos) e nasceu no Mundo Físico sob a proteção espiritual da Hierarquia de Virgem.

O candidato que é digno de alcançar o sobrenatural plano de Virgem, se encontra ante o mistério da Imaculada Concepção e aprende que esse dom divino não foi outorgado somente a um indivíduo, mas que Maria e Jesus foram os modelos que a humanidade toda está destinada a emular. Nessa morada celestial, os espiritualmente iluminados ouvem os Anjos cantarem sobre o dia em que, em um novo céu e em uma nova Terra, a Imaculada Concepção será a herança da onda de vida humana inteira.

Como já se foi dito, a Hierarquia de Touro projeta o arquétipo cósmico da forma; a Hierarquia de Câncer, o da vida; a Hierarquia de Virgem, o do poder por meio do qual a vida anima a forma. Essas três constelações, o Triângulo Feminino dos céus, governam todos os reinos da vida sobre a Terra.

Temos que entender que aquele que segue a Trilha da Santidade, por meio dos seis Signos Zodiacais situados acima da linha do Equador, alcançaram o nível de iluminação que o faz digno de se situar ante os sublimes Mistérios das quatro Grandes Iniciações. O Discípulo que percorre essa Trilha, por meio dos seis Signos situados abaixo da linha do Equador, está sendo preparado para receber o trabalho dos nove Mistérios Menores.

Parábola Bíblica para Virgem

As Dez Virgens (Mt 25:1-13)[152]

As dez virgens levaram suas lamparinas quando foram receber o noivo; mas, como ele tardava, elas dormiram. Por fim, à meia-noite, um grito foi ouvido: “O noivo se aproxima”. As virgens despertaram e cinco delas descobriram que não havia azeite suficiente nas suas lamparinas e, assim, pediram um pouco emprestado as suas irmãs. No entanto, as virgens prudentes disseram: “’De modo algum, o azeite poderia não bastar para nós e para vós. Ide antes aos que vendem e comprai para vós”. Enquanto as virgens néscias estavam comprando o azeite, o noivo chegou; as cinco virgens prudentes foram com ele ao matrimônio e a porta se fechou. Quando as virgens néscias voltaram e pediram para que a porta fosse aberta, o noivo respondeu: “’Em verdade vos digo: não vos conheço”.

As virgens néscias são aquelas que gastam mal sua sagrada força vital (o azeite) por meio de prazeres sensuais e mundanos e não possuem luz interior para receber o noivo quando chega. Em outras palavras: não são dignas de receber a vida do Cristo Interno.

A maior parte das chaves mais importantes para a interpretação bíblica está escondida no sagrado significado dos números. Dez é o número do homem e da mulher trabalhando juntos enquanto percorrem a Trilha do discipulado. Cinco é o número dos sentidos físicos e também é a da atividade mediante a qual as lamparinas internas se mantêm acesas. Uma antiga declaração, muito anterior à literatura bíblica, disse: “Aprenda a calcular corretamente para ter azeite para a sua lamparina”. Enquanto o ser humano estiver submetido à sedução dos cinco sentidos, será incapaz de descobrir o verdadeiro propósito e significado da vida. Quando supera essa atração, se converte na estrela de cinco pontas e compreende o real significado das palavras do Mestre: “Eu sou a Luz do Mundo”.

O azeite perdido pelas cinco virgens néscias é sua própria divina essência criadora interna. Quando essa força ascende pela espinha dorsal, a verdadeira trilha do discipulado, e alcança a cabeça, ilumina os dois órgãos espirituais situados nela, a Glândula Pineal e o Corpo Pituitário, e ambos começam a brilhar com enorme resplendor. Realizado isso, o Discípulo leva, em seu interior, sua própria lamparina acesa e está em todo momento preparado para receber o Noivo.

Aquele que está iluminado por essa luz nunca deixa de atrair a atenção do Mestre. Como diz o provérbio: “Quando o Discípulo está pronto, o Mestre aparece”.

O diagrama acima é chamado de A Roda de Ezequiel[153]. Representa a roda do destino maduro da evolução humana. Ao longo dos vastos ciclos de encarnações, cada Ego passa, várias vezes, por distintos lugares para ser pesado e comprovar, nos pratos de Libra, se escolherá a elevada trilha do Espírito, representada por Virgem, ou a trilha inferior dos sentidos, simbolizado por Escorpião.

Os processos evolutivos são lentos. O caminho pelo qual uma alma humana se converte em uma alma crística é longo e árduo. E somente mediante a escolha pode ser encurtado. O poeta escreveu:

A cada ser humano é aberto um caminho,

E caminhos, e um caminho,

E a alma elevada ascende pelo caminho elevado,

E a alma inferior vá tateando pelo caminho inferior,

E, entretanto, no nebuloso caminho horizontal,

Os outros, vão daqui para ali.

No entanto, a cada ser humano é aberto

Um caminho elevado e um inferior

E cada ser humano decide

O caminho que sua alma seguirá.

(Os Caminhos de John Oxenham)

Meditação Espiritual para Virgem

A Imaculada Mãe de todas as religiões do mundo está representada nos céus pela constelação de Virgem. Esse Eterno Feminino é a Isis do Egito, a Istar da Babilônia, a Minerva da Grécia, a Maia da Índia e Maria de Belém. A líder feminina da Hierarquia de Virgem é a Mãe Cósmica do Planeta. Para o ser humano representa a personificação da exaltação do princípio feminino divino. Os supremos Mestres femininos que vieram à Terra como as Virgens das grandes religiões terrestres foram conduzidas a essa exaltada existência para nos instruir sobre o Mistério da Imaculada Concepção.

A representação pictórica de Virgem é uma jovem com um feixe de espigas de trigo em uma mão e uma joia preciosa na outra: a formosa e branco-azulada estrela Espiga[154], uma estrela de primeira grandeza. As radiações espirituais dessa estrela eram conhecidas por muitos povos antigos. Construíram templos dedicados a sua luz celestial, onde podem receber sua benção em especial. Quando Espiga for novamente contatada, dessa vez por uma raça mais sensível e espiritual, o ser humano conseguirá compreender o profundo significado de sua Imaculada Concepção. Como Mãe Cósmica, o trabalho de Virgem consiste em guiar a humanidade pelas trilhas da pureza e acelerar seus veículos superiores por meio de correntes etéricas de intensidade muito maior que todas as até agora geradas em seu Corpo.

Espiga representa um feixe de espigas de trigo, e isso juntamente com as estrelas são símbolos associados à Virgem e às várias Mães. E não são meros símbolos ornamentais, mas sim verdadeiras insígnias dos poderes alcançados por aqueles que atingiram um nível espiritual em que as forças criativas masculina e feminina se uniram.

Belém significa a casa do pão. Uma das mais formosas histórias relativas ao matrimônio místico é a narração bíblica sobre Rute e Boaz[155]. Rute foi a Belém colher trigo (o pão da vida) e deu como uma oferenda à Boaz, colocando-o aos seus pés. Por causa desse presente ela foi considerada digna de receber ensinamentos de Boaz, seu mestre espiritual. E logo, sob sua orientação, alcançou o exaltado Rito do Matrimônio Místico.

Esotericamente se sabe que o trigo foi um presente de Vênus à Terra. É uma planta capaz de se reproduzir a si mesma sem polinização já que contém, em si mesma, a dual força criadora, uma propriedade como a do Cristo, que possui em Seu interior o poder andrógeno. Nesse aspecto é curioso observar que o trigo e o Cristianismo estão estreitamente conectados e onde não crescer o trigo, não florescerá o Cristianismo.

Segundo a formosa lenda grega os deuses e as deusas abandonaram todos a humanidade, um a um, depois da queda dela na materialidade, exceto Astreia, a deusa da justiça, que permaneceu com os seres humanos. No entanto, as condições pioraram de modo que chegou um momento em que ela teve que ir embora e foi elevada aos céus, de onde foi transmutada na constelação de Virgem. Desde então segue guiando e abençoando a humanidade.

Virgem é o sexto Signo e o significado numérico de seis é a da entrada em uma nova vida por meio do serviço. Na verdade, se diz que: “o saber sagrado está presente nos números. O número velava o poder dos Elohim”. E Virgem é um Signo mental, cujo Regente é Mercúrio, onde também está em Exaltação. Ele proporciona a acuidade mental que em sua expressão inferior inclina para a crítica, mas em sua expressão superior torna possível a análise construtiva.

A primeira etapa na conservação da força vital se baseia no autocontrole; a segunda, na transmutação. A conservação se obtém graças ao princípio masculino da vontade; a transmutação, por meio da elevação do princípio feminino do amor. Esse trabalho era representado pela simbologia antiga de uma donzela (Virgem) fechando a garganta de um leão (o Signo de Leão).

O nativo de Virgem que já alcançou a iluminação necessária responde à exaltação de Mercúrio nesse Signo, que transforma o conhecimento em sabedoria, já que sabedoria é conhecimento anímico. Virgem encarna o princípio feminino, sempre associado ao sacrifício. Voluntariamente, se submete a si mesmo, como polo negativo da energia divina, a uma vibração inferior para que o princípio masculino, o polo positivo, obtenha uma forma que possibilite se manifestar. É o princípio feminino que se sacrifica em benefício do mundo, para que por meio do descenso de Cristo a Terra e os seres humanos possam recuperar a luz perdida e obter uma vida mais abundante.

Virgem é o Signo da pureza e do serviço. Sua pureza inclui a do alimento para nutrir o Corpo e a do pensamento para embelezar a vida. “quem se humilha será exaltado”[156]. A nota-chave bíblica de Virgem é “o maior entre vós seja o servo de todos”[157]. O serviço, simbolizado pelo grão dourado de trigo, enche os armazéns espirituais do nativo de Virgem, onde os ladrões não podem penetrar e nem roubar.

Virgem é também o Signo da cura total[158], um poder que se obtém por meio de uma vida pura e espiritual. É o Signo da Mãe Terra (Virgem é um Signo de Terra) que protege e alimenta a seus filhos, como fazia Diana (Artêmis) dos gregos. Todas as crias dos animais vivem os primeiros meses sob a benéfica influência do aspecto maternal de Virgem. No Cristianismo Virgem é, acima de tudo, o Signo da Imaculada Concepção.

QUARTA PARTE – APROFUNDAMENTO NO ESCLARECIMENTO DO MISTÉRIO DOS CRISTOS

CRISTO NO ANTIGO TESTAMENTO

 

CAPÍTULO XXXI – TESTEMUNHO DOS PRIMEIROS PAIS DA IGREJA

Cristo, Senhor do Sol e Regente da Terra, não pertence ao tempo, mas sim à eternidade. Ele mesmo declarou: “Eu e o Pai somos um”[159] e “Antes que Abraão existisse, EU SOU”[160].

Atanásio[161], um dos primeiros pais da Igreja, afirmava expressamente que Cristo é, ao mesmo tempo, criador e senhor do Sol. “Nosso Senhor do Sol” é uma expressão que foi usada nas pregações da Igreja até o século V d. C. e foi incluída na liturgia, sendo logo transformada em “Nosso Senhor Deus”.

O Gêneses relata a história da criação com brevidade algébrica. Contudo, São João, o mais profundo intérprete de Cristo em Seu aspecto cósmico, declara que esse divino Ser estava presente ao começar a criação e que todas as coisas vieram à existência mediante Sua atividade criadora. Esse tema foi mais amplamente elaborado por Lactâncio[162], um comentarista do século IV. Como não era teólogo, mas retórico, nunca lhe foi dado um lugar entre os líderes da Igreja, e por isso seus comentários estão entre os mais significativos, em alguns aspectos.

Citamos uma parte aqui:

“Dado que Deus tinha perfeita previsão no propósito e perfeita sabedoria na ação, antes de começar Seu trabalho do mundo, para que pudesse emanar d’Ele mesmo como uma corrente e fluir em seu largo curso, produziu um Espírito como Ele mesmo, dotado do poder de Deus Seu Pai. Deus, pois, quando começou a estruturar o mundo situou a esse Seu primogênito e mais elevado Filho como a cabeça de toda a obra e, ao mesmo tempo, o nomeou conselheiro e criador para projetar, ordenar e completar todas as coisas, já que Ele é perfeito na previsão, inteligência e no poder. Deus, portanto, o inventor e provedor de todas as coisas, antes de iniciar a formosa fábrica do mundo, engendrou um santo e incorruptível Espírito, ao qual chamou de Seu Filho”.

Em sua Epítome das Instituições, Lactâncio desenvolveu ainda mais esse assunto. E escreveu:

Deus, no princípio, antes de criar o mundo, engendrou do manancial de Sua própria eternidade e de Seu próprio e eterno espírito, um Filho incorruptível e leal, como corresponde ao poder e a majestade de Seu Pai. Ele é o Poder, a Razão, a Palavra e Sabedoria de Deus…associado ao poder supremo…pois todas as coisas foram feitas por Ele e nenhuma coisa foi feita sem Ele”.

O seguinte extrato de uma carta originária do Conselho de Antioquia mostra as crenças da Igreja primitiva, provavelmente originárias do tempo dos Apóstolos: “Reconhecemos que o único Filho engendrado é o Deus invisível, engendrado antes de toda a criação, a Sabedoria, a Palavra e o Poder de Deus, que foi antes que os mundos… como o conhecemos no Antigo e no Novo Testamento. Contudo, se alguém acha que nós falamos de dois deuses quando pregamos que o Filho de Deus é Deus, entendemos que esse indivíduo deva sair do cânone eclesiástico… Nós cremos que Ele esteve sempre com o Pai e cumpriu a vontade de Seu Pai criando o universo”. Em seguida, o Conselho cita o Evangelho Segundo São João (1:3) e a Epístola de São Paulo aos Colossenses (1:16) para demonstrar que o mundo foi criado por Cristo como “realmente existente, atuante, sendo, por sua vez, o Verbo de Deus por meio do qual o Pai fez todas as coisas…Nem foi o Filho um mero expectador nem estive simplesmente presente, mas atuou eficientemente na criação do universo. E foi Ele quem, cumprindo a ordem de Seu Pai, apareceu aos Patriarcas…”

Barnabé, um destacado Discípulo de São Paulo, disse em sua Epístola apócrifa que “o Senhor suportou sofrer pelos nossos pecados, ainda que Ele fosse o Senhor do mundo ao qual Deus Lhe disse, antes da construção do mundo… façamos o homem a nossa imagem e semelhança, e que tenha domínio sobre os animais da terra e sobre as aves do ar e os peixes do mar. E, quando o Senhor viu o homem que havia formado e viu que era bom, disse, cresça e multiplica e encha a terra. E até aqui falou a Seu Filho”.

Os primeiros Pais da Igreja, alguns dos quais receberam seus ensinamentos diretamente dos Doze originais, reconheciam a necessidade desse resplandecente Ser Solar que adquiriu a aparência humana para que o ser humano pudesse estabelecer contato com Ele.

Referindo-se ao Espírito Solar, Irineu, um célebre Pai da Igreja grega do século II, disse que “pode ter vindo a nós em Sua incorruptível glória, mas nós não conseguimos suportar a grandeza da Sua glória”. E Orígenes, outro Pai grego (185-243 d.C.) escreveu: “O qual (o Verbo), estando no princípio com Deus, se fez carne para que pudesse ser compreendido pelos que não eram ainda capazes de olhá-Lo em Seu aspecto de Deus, que estava com Deus e que era Deus”. E acrescentou: “Descendo até a quem não era capaz de olhar o brilho cintilante de Sua divindade, se fez humano”.

Novamente citamos a Lactâncio: “As Escrituras ensinam que o Filho de Deus é o Verbo ou a Razão de Deus”, e acrescentou afirmando: “Se alguém se assombrasse de que Deus foi engendrado por Deus mediante a voz e o alento, deixaria de se maravilhar ao conhecer os sagrados anúncios dos profetas”.

Tertuliano, um célebre escritor eclesiástico e Pai da igreja latina (150-250 d.C.) explicou: “Deus não pode entrar em conversações com o ser humano sem assumir os sentimentos e os afetos humanos, por meio dos quais pode moderar a grandeza da Sua majestade, que resultou insuportável para a debilidade humana… ainda que fosse necessária para o ser humano”.

São Clemente de Roma, que viveu no século I d.C., e que ficou conhecido como o terceiro bispo de Roma, depois de São Pedro, disse de Cristo: “O brilho de cuja majestade é muito mais elevado do que o dos Anjos, pois que recebeu de herança um nome mais magnífico”.

O Senhor Cristo é o mais avançado dos Arcanjos, que estão, na evolução, um degrau acima dos Anjos. No livro apócrifo de Hermes (século II d.C.) aparece essa afirmação: “O Filho de Deus é mais antigo que qualquer outra criatura, de modo que esteve na Criação recomendando a Seu Pai”. Deus o Pai é o mais elevado Iniciado da Hierarquia de Sagitário, chamada de Senhores da Mente. Cristo é o mais elevado Iniciado da Hierarquia de Capricórnio, o lar dos Arcanjos.

Esse grande Ser esteve com o Pai nos momentos da Criação; e no segundo dia, no Período Solar, se consagrou a Si mesmo como Regente da Terra e salvador da humanidade. Deve se observar, pois, como esses dois Seres trabalharam em harmonia durante a criação desse Planeta e de tudo o que nele existe. Os Doze Discípulos originais, junto com os Discípulos desses, como foi dito pelos Pais da Igreja dos três primeiros séculos, eram Iniciados, capazes de estudar os registros da Memória da Natureza, onde estas verdades estão indelevelmente gravadas.

Por isso São Paulo se refere à Cristo na Epístola aos Colossenses (1:15) como “o primogênito (o primeiro engendrado) de toda criatura”. Deduz-se disso que São Paulo queria dizer que Cristo não foi criado, mas que existia antes da Criação; em outras palavras, que era autoexistente com o Pai.

Justino Mártir, um Pai da Igreja grego do século I, chama expressamente a Cristo “o primeiro engendrado de Deus, antes de todas coisas criadas”. Orígenes faz uma afirmação similar indicando que a doutrina relativa à natureza cósmica de Cristo era um ensinamento generalizado entre os fundadores da Igreja primitiva. Disse Orígenes, pondo essas palavras na boca de Deus: “Hei-te engendrado a Ti antes de toda criatura inteligente”; e acrescentou: “Cristo foi a imagem do Deus invisível, engendrada antes de toda criatura e inacessível à morte”.

O tema Crístico, como uma formosa sinfonia, ressoa ao longo do Antigo Testamento e seus ecos são encontrados nos escritos dos primeiros devotos cristãos. De acordo com Tertuliano e Irineu foi Cristo que falou com Adão no Jardim do Éden. Irineu disse, também, que foi Cristo quem aconselhou Noé com a relação à destruição provocada pelo Dilúvio.

CAPÍTULO XXXII – ABRAÃO E MOISÉS CONTATAM COM O UNO CÓSMICO

Os Egos que veem à Terra como grandes mensageiros espirituais, frequentemente chamados Filhos do Destino, são tratados com especial cuidado e proteção por parte dos planos internos, ainda que suas vidas estejam, geralmente, cheias de dor e dificuldades, já que é o sofrimento o que sensibiliza e refina a natureza do ser humano. Tais seres são, frequentemente, conscientes do ministério angélico, como se observa nas vidas de Abraão e Moisés, que foram escolhidos e preparados para se converter nos líderes da quinta raça[163].

Justino Mártir e Clemente de Alexandria – esse último, Pai da Igreja Primitiva do século II, e conhecido, principalmente, como fundador da Escola Teológica de Alexandria – sustentaram que foi Cristo que apareceu para Abraão e lhe disse: “Eu sou o Deus Todo-poderoso. Caminha ante Mim e seja perfeito” (Gn 17:1). Esses Pais, junto com Tertuliano e Orígenes, asseguravam, a si mesmos, que também foi Cristo que apareceu para Abraão na “Planície de Mambré”[164]. Ali ele O chama de Senhor e Juiz da Terra. Cipriano, um eclesiástico e mártir da igreja africana do século III, considerava que foi Cristo o Anjo que chamou à Abraão quando ia sacrificar seu filho Isaac.

Foi depois do último contato de Abraão com o espírito do Cristo Cósmico que ele obteve a clarividência, expansão de consciência e crescente profundidade em seu conhecimento espiritual. Seu desenvolvimento conduziu ao nascimento de Isaac, tal e como tinha sido anunciado pelos visitantes angélicos[165], tendo em conta que Isaac significa regozijo espiritual onipresente que, uma vez adquirido, já não pode ser afetado pelas vicissitudes da vida humana. Isso é o que o salmista pensava quando cantou: “Ainda que eu caminhe por um vale tenebroso, nenhum mal temerei, pois estás junto a mim” (Sl 23 (22): 4).

Cipriano atribui a Cristo a condução do povo de Israel durante a travessia do deserto, tal como é relatado em Êxodo 13:21 e 14:9: “E Iahweh ia adiante deles, de dia numa coluna de nuvem, para lhes mostrar o caminho, e de noite numa coluna de fogo, para os alumiar, …”. “Então o anjo de Deus, que ia adiante do exército de Israel, se retirou e passou para trás deles”. Pensava, também, que Cristo era o Anjo prometido no Êxodo, capítulo 23: “Eis que envio um Anjo diante de ti para que te guarde pelo caminho… (v. 20)… obedeça sua voz (v. 22)… pois Meu nome está nele (v. 21)”.

Todo Discípulo preparado para o serviço, na Dispensação de Cristo, encara, ao longo da Trilha, de uma forma ou de outra, com a grande prova, igual àquela que Abraão onde lhe foi pedido para sacrificar seu filho amado. Nesse momento, o Discípulo há de ser capaz de dizer como Cristo: “não a Minha vontade, mas a Tua seja feita!”[166]. Foi o Confortador, o Senhor Cristo, quem ajudou à Abraão durante essa suprema prova, feito esse destacado por Orígenes e Cipriano, contemporâneo seu. Realmente, a Abraão não se lhe exigiu o sacrifício, mas sim a decisão de renunciar a tudo pelo seu Senhor. Isso é belamente demonstrado na sequência bíblica, ao dizer que o cordeiro substituiu à Isaac, já que o cordeiro era o símbolo da futura dispensação Ária, quando o Senhor Cristo descenderia e, em corpo humano, faria o supremo sacrifício. Com essa prova, Abraão demonstrou seu mérito e sua capacidade para estudar as verdades profundas, diretamente, na Memória da Natureza.

A polaridade é o ensinamento fundamental subjacente no Cristianismo esotérico. O Grande Sacerdote Melquisedeque a ministrou à Abraão durante o ritual da Sagrada Ceia, com o fim de prepará-lo para a sua missão como condutor da iminente quinta raça raiz[167]. Esse mesmo ensinamento foi o último transmitido durante o ministério do Cristo na Terra, aos Seus Discípulos, durante a Última Ceia, na quinta-feira Santa, que precedeu o Seu sacrifício no Gólgota. Esse ritual se contempla agora tão somente como um mero cerimonial. Poucas pessoas têm a ideia do poder que pode se conferir a seus receptores, quando sua celebração ocorre com o conhecimento e dignamente.

O poder oculto do fruto da vida foi conhecido pelos Pais Primitivos, como demonstram a seguinte passagem do mártir Justino: “As palavras sangue da uva foi empregada de propósito, para indicar que Cristo tem sangue, não da “semente do homem”, mas do Poder de Deus. Pois, da mesma maneira que o ser humano não produz o sangue da uva, pois quem a produz é Deus, do mesmo modo esse parágrafo anunciou que o sangue de Cristo não havia de ser de origem humana, mas do poder de Deus; e essa profecia demonstra que Cristo não é homem de acordo com a lei comum”. Eusébio, historiador da igreja no século IV, escreveu sobre esse mesmo texto: “Os homens são redimidos pelo sangue da uva, que contém a Deus habitando nele, e é espiritual”.

Tais afirmações evidenciam que o “sangue da uva” possui um profundo significado. Refere-se à purificação e à transmutação do “sangue do homem”. Cristo disse a Seus Discípulos: “Eu sou a videira e vós os ramos”[168]. Um Aspirante consagrado se põe, mediante o pão e o suco da uva, na maior e mais perfeita sintonia com Cristo e, por ele, é capaz de manifestar maiores poderes dentro de si.

Justino Mártir e Clemente de Alexandria insistem em que foi Cristo quem apareceu a Jacó no sonho em que viu uma escada que que subia da Terra até o céu, com ao Anjos de Deus subindo e descendo por ela. Sobre ela estava o Senhor, que disse: “…“Eu sou Iahweh, o Deus de Abraão, teu pai, e o Deus de Isaac” (Gn 28:13). Cipriano, citando o Gêneses (35:1), escreve “…crendo, como os Pais fizeram, que o Deus de que se fala, que apareceu à Jacó quando fugia de Esaú, era Cristo.”.

Como foi dito no terceiro volume do Livro A Interpretação da Bíblia para a Nova Era, os mestres iluminados, ao longo de todo o tempo, compreenderam e ensinaram a seus Discípulos que o trabalho da Escola de Mistérios e as várias formas de Iniciações não eram, senão, etapas preparatórias para a vinda do Supremo Mestre do Mundo, o Senhor Cristo. Essa afirmação segue sendo correta quanto aos Mestres clarividentes da Dispensação do Antigo Testamento, pois se preparavam, a si mesmos e a seus seguidores, para servir, mais tarde, a Cristo. Durante seus sonhos, foi ensinado a Jacó a ler na Memória da Natureza. Ali viu a escala involucionária-evolucionária que se estende dos céus à Terra e da Terra aos céus, com uma multidão de espíritos descende para a encarnação e subindo novamente ao céu, depois de ter aprendido suas lições terrenas.

A Trilha do Discipulado é similar em todas as épocas. Os Aspirantes têm que enfrentar as mesmas provas e obter as mesmas vitórias. Só mudam os detalhes, ao longo das sucessivas épocas. Esse Caminho de Iniciação está descrito, com excepcional fidelidade, na vida de Jacó.

É dito em Gêneses (32:25) que, quando Jacó foi abandonado, “E alguém lutou com ele até surgir a aurora.”. Ao concluir o incidente, ficou claro que Aquele que havia prevalecido sobre Jacó estava investido de autoridade sobre-humana, posto que deu a Jacó seu novo nome de Israel: “porque foste forte contra Deus e contra os homens.”[169]. A experiência aqui relatada está repleta de significado. Justino Mártir, Clemente de Alexandria e Irineu destacaram que o Senhor Cristo foi o Mestre e o Guardião de Jacó.

A experiência de Jacó, lutando toda a noite com um Anjo, e não o deixando até receber uma benção, se parece muito com a Trilha do Discipulado. Os poderes espirituais, latentes no interior de cada Aspirante, se tornam suficientemente dinâmicos para se manifestar em sua vida. A admoestação de São Paulo a seus Discípulos era: “Que Cristo se forme em vós”. Isso há de se alcançar por todo Candidato antes de se converter em pioneiro na Dispensação Cristã. Por meio disso, a vida de Jacó se tornou completamente transformada. Ele se separou de Esaú (a natureza inferior) para sempre; e, de acordo com essa mudança interna, não mais se chamou Jacó, mas Israel (os que vem a Deus). Jacó já era um conquistador heroico e um servo fiel. Ele se qualificou como trabalhador da Vinha de Cristo, que disse: “Aquele que quiser ser o maior entre vós, seja o servo de todos. ” (Mc 10:44).

Referindo-se ainda ao versículo do Gênesis 32:24, que diz que “Jacó foi abandonado e ali lutou com um homem”, Orígenes escreveu: “Quem senão podia ser, quem é denominado, por sua vez, Deus e homem, o que lutou e disputou com Jacó, senão Aquele que falou muitas vezes e de várias maneiras aos Pais (Hb 1:1), o Santo Verbo de Deus, chamado Senhor e Deus, que também bendisse a Jacó e lhe chamou dizendo: ‘Tu prevaleceste com Deus’”? Os homens, pois, daqueles tempos, vislumbraram ao Verbo de Deus, como ocorreu aos Apóstolos do Senhor, que disseram: “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com nossos olhos, o que contemplamos, e o que nossas mãos apalparam do Verbo da vida.” (IJo1 :1). A Palavra de Vida que também Jacó viu e disse: “Vi a Deus face a face”.

Desde ali, Jacó subiu à Betel para construir ali um altar, aonde ele consagrou a Deus sua vida. Muitos que passam por essa exultante experiência são conscientes da presença de Cristo e do terno derramamento de bênçãos ao seu redor. Betel significa a casa de Deus e é em Betel onde o candidato vitorioso faz a sua dedicação absoluta.

Hipólito, um escritor eclesiástico do século III, e discípulo de Irineu, fez a seguinte afirmação sobre Cristo, tal como se descreve na profecia de Jacó (Gn 49:9)[170] e no Apocalipse (5:5)[171]: “Dado, pois, que o Senhor Jesus Cristo é Deus, com base na Sua régia e gloriosa condição, se falou d’Ele como um leão”.

Quatro dos mais célebres Pais da Igreja – Justino Mártir, Clemente de Alexandria, Irineu e Tertuliano – afirmam que não foi outro senão Cristo quem apareceu à Moisés na sarça ardente. Esse fenômeno era um reflexo do Cristo Cósmico, se acercando mais e mais à Terra, antes de Sua encarnação humana. Cristo é o Senhor do Sol e o chefe dos Espíritos Solares, os Arcanjos. A Dispensação Cristã[172] está guiada pela Hierarquia de Leão, os Senhores da Chama. Por isso a Iniciação do Fogo está diretamente conectada com os Mistérios Crísticos. Esse fogo não é uma chama que arde, mas uma luz que purifica e transmuta. A sarça que “ardia” não se consumia porque ardia nessa luz. Essa experiência de Moisés é uma expressão velada da exaltação produzida pela Iniciação do Fogo.

De acordo com muitos Pais da Igreja, Justino Mártir acreditava que foi Cristo quem falou com Moisés, de fora da sarça, e condenou a quem confunde Deus Pai com Seu Filho. “Aqueles que afirmam que o Filho é o Pai não estão convencidos, nem em conhecer o Pai, nem em compreender que Deus do universo tem um Filho que, sendo Unigênito Verbo de Deus, é também Deus. E que, formalmente, apareceu a Moisés e aos outros profetas em forma de fogo, como imagem corpórea”.

Clemente de Alexandria é outra das autoridades que asseguram que foi Cristo quem disse à Moisés: “Eu sou o Senhor teu Deus, que lhe retirei da terra do Egito.”[173]. Esse poder de Cristo é o que retira sempre o Aspirante do Egito, país que representa, simbolicamente, a submissão aos sentidos e à obscuridade da Mente mortal.

Foi permitido a Moisés ver a Terra Prometida, país que jorrava leite e mel (a Dispensação Cristão do ciclo Aquário-Leão). O santo Orígenes nos diz que foi Cristo quem deu a Moisés as Tábuas da Lei sobre a montanha sagrada, quando lhe ensinou a ler no registro da Memória da Natureza. Ele viu, então, que a civilização da Quinta Raça Raiz ia ter seu fundamento nas leis que seriam conhecidas como Os Dez Mandamentos. Viu, também, que o mesmo Cristo traria uma extensão dessas Leis, que foi os preceitos do Sermão da Montanha. A humanidade da Quinta Raça Raiz está, ainda, muito longe do desenvolvimento previsto para ela no plano divino. Só alguns membros da humanidade alcançaram o ponto de sua evolução no qual se vive totalmente de acordo com os Dez Mandamentos; e, mesmo assim, tem apenas uma ideia do valor espiritual do Sermão da Montanha.

Como foi exposto nos volumes do Livro A Interpretação da Bíblia para a Nova Era, a polaridade é a nota-chave do Cristianismo Místico. As duas colunas da polaridade são formadas pelos Dez Mandamentos (a coluna masculina) e o Sermão da Montanha (a coluna feminina). Para o ser humano Crístico que virá da Raça Leonina-Aquariana, conforme ele se eleva a dimensões superiores de desenvolvimento, os Dez Mandamentos serão a base sobre a qual se constituirá a vida cotidiana, enquanto o Sermão da Montanha será sua estrutura superior, por meio do qual ele ascenderá a maiores níveis de desenvolvimento.

Às vezes se levanta a pergunta do porque não é citado Jesus no Antigo Testamento. Seu nome está nele, sob outra forma. O equivalente hebreu do nome grego Jesus é Josué. Em Números 13:16, Josué foi chamado de Oseias, que significa Jeová é o Salvador.

Esse é exatamente o sentido da palavra Jesus em Mt 1:21: “Ela dará à luz um filho e tu o chamarás com o nome de Jesus, pois ele salvará o seu povo dos seus pecados”. O fato de que Josué nascesse com um nome de tão elevado poder vibratório é, em si mesmo, uma evidência de sua elevada condição espiritual.

No caminho para Jericó, Josué encontrou com um ser brilhante com uma espada flamejante[174]. Tão impressionado ficou pelo seu esplendor que se prostrou, ante ele, no solo. Esse visitante espiritual, segundo o Livro de Josué, era “capitão das hostes do Senhor”, e lhe ordenou a ficar descalço porque a terra sobre a qual estava era terra sagrada. E assim fez Josué. Essa passagem na Bíblia diz que quando Josué levantou os olhos, “e viu um homem que se achava diante dele, com uma espada desembainhada na mão. Josué aproximou-se dele e disse-lhe: ‘És tu dos nossos ou dos nossos inimigos?’. Ele respondeu: ‘Não! Mas sou chefe do exército de Iahweh e acabo de chegar’. (…) ‘Que tem a dizer o meu Senhor a seu servo?’”. (Js 5:13-15).

Comentando a passagem bíblica acima, Orígenes disse: “Josué, portanto, não só sabia que vinha da parte de Deus, mas que era Deus, posto que, se não soubesse, não O havia adorado. Porque, quem é capitão do exército do Senhor senão Nosso Senhor Jesus Cristo?”. Isso coincide com a opinião de outros Pais da Igreja, no sentido de pensar que quem apareceu, tanto em forma humana, como em forma de Anjo, a cada um dos Patriarcas, foi Cristo.

Josué obteve o equilíbrio perfeito no seu interior, o que indica ter alcançado Iniciações elevadas, e por isso se diz que ele fez parar o Sol e a Lua[175]. Era o discípulo mais avançado de Moisés, e seu sucessor como Mestre e condutor de Israel, assim como um emissário da futura Dispensação Cristã.

A elevação de Elias aos céus em um carro de fogo é a descrição de outro espírito iluminado, que estava sendo preparado, por meio da Iniciação de Fogo, para trabalhar, tanto nos planos internos, como nos externos, se antecipando à vinda do Cristo. Essa foi, igualmente, a Iniciação dos Três Homens Santos que foram introduzidos em um forno ardente e saíram incólumes, como lemos no Livro de Daniel[176]. Esse Livro contém, em sua totalidade, muita informação sobre a Iniciação de Fogo.

O Livro de Daniel está estreitamente relacionado com o trabalho da Hierarquia do Signo de Fogo, Leão. É a Iniciação de Fogo que conserva o umbral dos Mistérios Cristãos, que o Supremo Mestre se referiu quando disse a Nicodemos: “Quem não nascer da água e do espírito (Fogo), não poderá entrar no Reino de Deus[177], a nova ordem de Cristo.

Com relação aos Três Homens Santos (Iniciados) que foram introduzidos no forno ardente, Tertuliano faz a seguinte afirmação: “Jesus foi visto pelo rei da Babilônia no forno, com os mártires, já que era essa a quarta pessoa, como Filho do Homem; o mesmo lhe foi revelado expressamente à Daniel quando lhe disse que o Filho do Homem viria, como juiz, entre as nuvens do céu; a Escritura ensinou, assim mesmo, de antemão, que os gentis conheceriam mais tarde, na carne, Àquele a quem Nabucodonosor viu, muito antes, sem carne, o reconhecendo no forno e o considerando como o Filho de Deus.”.

CAPÍTULO XXXIII – SALMOS E PROVÉRBIOS

Hipólito afirmou que “Davi escreveu os Salmos proféticos relativos ao verdadeiro Cristo, e expulsou todas as coisas que lhe sucederam em seus sofrimentos…e como esse Cristo se humilhou e adotou a forma do servidor Adão”.

Justino Mártir cita todo o Salmo 72[178] para demonstrar que Cristo era o Rei da Glória e disse que foi escrito em Sua honra e de ninguém mais. Em suas Apologias assegura que, em muitos aspectos, o rei a que se refere o Salmo não era Davi nem Salomão, mas o próprio Senhor Cristo. Cita, como exemplo, o Salmo 24: “Levantai, ó portas, os vossos frontões, (…) para que entre o rei da glória! Quem é este rei da glória? É Senhor, o forte e valente, Senhor, o valente das guerras”. Isso é uma referência a Cristo e Seus Anjos e Arcanjos que sempre O acompanham.

No Salmo 72, o Iniciado cantor está lendo os registros místicos relativos ao regozijoso dia em que Cristo seria proclamado Regente da Terra e Salvador do mundo. Nesse tempo de regozijo todo o joelho dobrará ante Ele e toda voz O proclamará o Senhor dos Senhores e o Rei dos Reis.

As dimensões dessa obra não possibilitam um estudo detalhado dos Salmos, mas se pode apreciar que, ao longo de todo o livro e de acordo com os ensinamentos dos Pais da Igreja, a dor e a alegria, o sofrimento e a exaltação do Tema de Cristo soa e ressoa com um cântico dentro de outro cântico.

Cipriano se refere à Cristo como o Primogênito, a sabedoria de Deus por meio do qual todas as coisas foram feitas. Como confirmação de seus assertos, cita Provérbios 8:22-31, como segue:

Senhor me criou, primícias de sua obra, de seus feitos mais antigos. Desde a eternidade fui estabelecida, desde o princípio, antes da origem da terra. Quando os abismos não existiam, eu fui gerada, quando não existiam, os mananciais das águas.

Antes que as montanhas fossem implantadas, antes das colinas, eu fui gerada; ele ainda não havia feito a terra e a erva, nem os primeiros elementos do mundo.

Quando firmava os céus, lá eu estava, quando traçava a abóbada sobre a face do abismo; quando condensava as nuvens no alto, quando se enchiam as fontes do abismo; quando punha um limite ao mar: e as águas não ultrapassavam o seu mandamento, quando assentava os fundamentos da terra. Eu estava junto com ele como o mestre-de-obras, eu era o seu encanto todos os dias, todo o tempo brincava em sua presença: brincava na superfície da terra, e me alegrava com os homens.

Muitos dos Pais da Igreja foram, a esse respeito, da mesma opinião que Cipriano.

Foi interpretado por alguns que o construtor do Provérbio 9:1 é o Cristo Cósmico, pelo que tudo foi feito: “A Sabedoria construiu a sua casa, talhando suas sete colunas”. A ciência espiritual interpreta os sete pilares como os sete planos de substância e de consciência, os Sete Dias (Períodos) da Criação que abarcam um ciclo evolutivo completo.

O Rei Salomão, o Sábio, foi o mais elevado Iniciado da Dispensação do Antigo Testamento. O maravilhoso Cântico dos Cânticos de Salomão é como uma amostra de sua profunda sabedoria. Revela o equilíbrio perfeito; essa cadência rítmica da nivelação absoluta não foi nunca mais expressa tão belamente em nenhuma outra língua: “Meu amado é meu e eu sou sua, do pastor das açucenas”.

A cristandade esotérica ensina que existe uma íntima relação entre esse elevadíssimo Iniciado da Antiga Dispensação e o Mestre Jesus, o mais elevado Iniciado da Dispensação do Novo Testamento. A missão desse último consistiu em ceder a Cristo seu corpo humano perfeito para que o utilizasse durante os três anos de Seu ministério já que, segundo os vários Pais cristãos, era necessário que Cristo assegurasse seu brilho radiante em uma forma humana, porque nenhum ser humano poderia suportar o poder e o esplendor de Sua presença.

CAPÍTULO XXXIV – OS PROFETAS

O Deus que apareceu, bem em forma humana, bem em forma de Anjo a alguns Patriarcas, foi Cristo Jesus.

Orígenes

Os Profetas ocuparam uma posição única no Antigo Testamento: foram mensageiros e canais entre os planos internos e externos. Toda religião tem um ensinamento interno e outro externo, essa para as massa e aquela para uns poucos. Os Profetas foram os intérpretes dos significados ocultos. Suas mensagens se centraram praticamente no Messias e na preparação da Sua vinda.

Entre os mais ilustres dos ditos Profetas se encontra Isaías. As páginas de seu sublime livro estão cheias de predições sobre Cristo e a gloriosa Dispensação que estabeleceria em uma nova Terra. A clarividência de Isaías não só previu a vinda do Cristo, como também a de João, o precursor do Senhor, e a da Virgem mãe de Jesus, como deixam claro as seguintes passagens:

Uma voz clama: “No deserto, abri um caminho para Iahweh;

na estepe, aplainai uma vereda para o nosso Deus.

Seja entulhado todo vale, todo monte e toda colina sejam nivelados; transformem-se os lugares escarpados em planície, e as elevações, em largos vales.

Então a glória de Iahweh há de revelar-se e toda carne, de uma só vez, o verá, pois, a boca de Iahweh o afirmou”.

Is 40:3-5

Pois sabei que o Senhor mesmo vos dará um sinal:

Eis que a jovem concebeu e dará à luz um filho

e pôr-lhe-á o nome de Emanuel.

Is 7:14

Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado,

ele recebeu o poder sobre seus ombros, e lhe foi dado este nome: Conselheiro-maravilhoso, Deus-forte, Pai-eterno, Príncipe-da-paz.

Is 9:5

Um ramo sairá do tronco de Jessé,

um rebento brotará das suas raízes.

Sobre ele repousará o espírito de Iahweh,

espírito de sabedoria e de inteligência,

espírito de conselho e de fortaleza,

espírito de conhecimento e de temor de Iahweh:

… Antes, julgará os fracos com justiça, com equidade

pronunciará uma sentença em favor dos pobres da terra.

… Então o lobo morará com o cordeiro,

e o leopardo se deitará com o cabrito.

O bezerro, o leãozinho e o gordo novilho andarão juntos

 e um menino pequeno os guiará.

… Ninguém fará o mal nem destruição nenhuma em todo o meu santo monte,

 porque a terra ficará cheia do conhecimento de Iahweh,

como as águas enchem o mar.

Is 11:1, 2, 4, 6, 9

A maravilhosa visão de Ezequiel é a mais significativa declaração sobre o Cristo que viria:

Olhei para os animais e eis que junto aos animais de quatro faces havia, no chão, uma roda.

O aspecto das rodas e a sua estrutura tinham o brilho do Crisólito. Todas as quatro eram semelhantes entre si. Quanto ao seu aspecto e à sua estrutura, davam a impressão de que uma roda estava no meio da outra. Moviam-se nas quatro direções e ao se moverem, nunca se voltavam para os lados.

Ez 1:15-17

Aqui Ezequiel estava estudando o trabalho dos quatro Anjos Arquivadores[179]: Touro, Escorpião, Aquário e Leão. Touro e Escorpião são as Hierarquias sob as quais o destino maduro planetário está sendo liquidado. Descreve-se nos Livros dos Profetas como o trabalho, a dor e a desolação que predizem que virá sobre a Terra. Muitas destas profecias resultam em nosso tempo estranhamente familiares, pois o destino maduro planetário está sendo liquidado agora e sua purgação continuará até que o registro do destino maduro da Terra seja totalmente limpo.

Aquário é descrito como o Filho do Homem, um Signo simbólico da Era Crística que virá. Leão é o lar da Hierarquia dos Senhores da Chama, ou seja, da luz e do amor. Ambos os Signos proclamam que quando o Filho do Homem venha, será a suprema luz do mundo e o amor será o poder motivador de toda a humanidade.

As seguintes passagens, tomadas de vários Profetas do Antigo Testamento, foram compreendidas pelos intérpretes bíblicos ao logo dos séculos como referentes à Cristo:

Ele julgará entre povos numerosos

e será o árbitro de nações poderosas.

Eles forjarão de suas espadas arados,

e de suas lanças, podadeiras.

Uma nação não levantará a espada contra outra nação

e não se prepararão mais para a guerra.

Cada qual se sentará debaixo de sua vinha e debaixo de sua figueira,

e ninguém o inquietará, porque a boca de Iahweh dos Exércitos falou!

Mq 4:3-4

Eis que vou enviar o meu mensageiro para que prepare um caminho diante de mim. Então, de repente, entrará em seu Templo o Senhor que vós procurais.

Ml 3:1

Eis que dias virão — oráculo de Iahweh

 — em que suscitarei a Davi um germe justo;

 um rei reinará e agirá com inteligência e exercerá

 na terra o direito e a justiça.

Jr 23:5

Eu continuava contemplando, nas minhas visões noturnas, quando notei, vindo sobre as nuvens do céu, um como Filho de Homem. Ele adiantou-se até ao Ancião e foi introduzido à sua presença. A ele foi outorgado o império, a honra e o reino, e todos os povos, nações e línguas o serviram. Seu império é um império eterno que jamais passará, e seu reino jamais será destruído.

Dn 7:13-14

O Profeta Joel, lendo o registro na Memória da Natureza e observando nela os maravilhosos acontecimentos que sucederiam na Era por vir, previu o grande dia da vinda do Senhor (o cumprimento da lei espiritual) com as seguintes palavras inspiradas:

Depois disto, derramarei o meu espírito sobre toda carne.

Vossos filhos e vossas filhas profetizarão,

vossos anciãos terão sonhos,

vossos jovens terão visões.

mesmo sobre os escravos e sobre as escravas,

naqueles dias, derramarei o meu espírito.

Jl 3:1-2

Um cuidadoso exame dos Profetas proporcionará inúmeras referências de natureza semelhante. O modelo desses livros proféticos é, em geral, o mesmo. Tratam de três temas principais: a dor e a desolação produzidos pelo destino maduro planetário; o amanhecer esperançoso da vinda do Messias; e o estabelecimento da nova Dispensação por Cristo.

A escola dos Profetas do Antigo Testamento foi sucedida pela Ordem dos Essênios, membros da qual são citados no Novo Testamento. E, de novo, o trabalho dessa Ordem sagrada consistiu em preparar a vinda do Senhor Cristo. Os pais da Iniciada Maria e os de João Batista foram membros dessa Ordem. Com o cumprimento da missão do Cristo na Terra, sua função terminou e desapareceram, enquanto à história se refere, sendo absorvidos pelas primeiras comunidades cristãs. Seu importante papel como custódios dos Mistérios imemoráveis, por meio dos ensinamentos Iniciáticos aos primeiros Cristãos, se perdeu por parte da Igreja pouco depois da sua fundação.

Os Cristãos esotéricos, no entanto, sempre reconheceram aos Essênios como os possuidores e transmissões da Sabedoria do Templo e dos poderes proféticos que degradaram depois de seus imediatos predecessores os Profetas Hebreus. Esse fato apareceu à luz recentemente e está sendo exposto publicamente graças ao descobrimento dos escritos essênios conhecidos como ao Papiros do Mar Morto.

Hipólito afirma que o Senhor Cristo foi a inspiração de todos os Profetas. O Livro de Zacarias, um dos mais místicos entre os Livros proféticos, anuncia a vinda de Cristo, ao que denomina “a RAMA”, assim como o estabelecimento de Seu Reino na Terra, Sua morte e Sua segunda vinda.

Temo-nos referido ao ciclo Aquário-Leão, durante o qual uma nova preparação para a Sua vinda será inaugurada. Alguns místicos Cristãos predizem que Cristo voltará durante o seguinte ciclo Capricórnio-Câncer. Zacarias se refere ao santo “remanescente”, os pioneiros que estarão preparados para receber o Senhor Cristo e para trabalhar com Ele. Esses pioneiros despertarão dentro de si mesmo o princípio Crístico, essa divindade latente em cada indivíduo e que se desperta por meio de um sincero esforço por imitar a Cristo. Esse despertar produz uma transformação da consciência que afeta à vida e, finalmente, o Corpo do Aspirante. Zacarias descreve esse processo como duas oliveiras com uma vela brilhando entre elas, ante o ungido Uno. Essa ação transformadora produz uma grande mudança nos Sistemas Nervosos Cérebro-espinhal e Simpático, que tem uma conexão direta, respectivamente, com os Corpos de Desejos e Vital do ser humano. Quando estão em equilíbrio, o desenvolvimento espiritual é facilitado enormemente (esse assunto será estudado com detalhe no 3º Volume do Antigo Testamento). A vela luminosa entre as duas oliveiras é o fogo espiritual espinhal que, quando se eleva até a cabeça, desperta órgãos poderosos espirituais ali situados. Zacarias compara uma cabeça assim despertada com um cálice de ouro, pois esses órgãos espalham uma luminosidade dourada que se manifesta como uma aura radiante ao redor de todo o Corpo. O profeta descreve a tais pioneiros como seres santos que vem do norte, do leste, do sul e do oeste à Nova Jerusalém.

Como foi dito antes, a segunda vinda do Cristo poderá ocorrer durante o próximo ciclo Capricórnio-Câncer. Então, Cristo retornará sob o Seu próprio Signo de Capricórnio, do mesmo modo que os pioneiros sob Câncer ascenderam com Ele até Seu próprio Mundo, o Mundo do Espírito de Vida ou da consciência Crística, o Mundo da grande unidade. Ali se comprova totalmente que todas as coisas são parte de Deus e que Deus é parte de todas as coisas. Então, os pioneiros da Nova Era poderão proclamar com Cristo: “Meu Pai e Eu somos um!”.

O Livro de Malaquias é o último do Antigo Testamento. E as palavras de seu capítulo final contem a promessa das promessas: “Mas para vós que temeis o meu nome, brilhará o sol de justiça, que tem a cura em seus raios.”[180]. Essas inspiradas palavras são como uma ponte de luz entre o trabalho preparatório do Antigo Testamento e sua sublime culminação no Novo Testamento.

CRISTO EM SEUS VÁRIOS ASPECTOS: CÓSMICO, PLANETÁRIO, HISTÓRICO E MÍSTICO

CAPÍTULO XXXV – O CRISTO CÓSMICO

O inefável conhecimento dos Mistérios concernentes à Cristo, o verdadeiro Deus, é secreto.

Orígenes

Ora, a vida eterna é esta: que eles te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e aquele que enviaste, Jesus Cristo.

Eu te glorifiquei na terra, concluí a obra que me encarregaste de realizar. E agora, glorifica-me, Pai, junto de ti, com a glória que eu tinha junto de Ti antes que o mundo existisse.

Jo 17:3-5

Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus.

ICor 1:24

O Verbo de Deus, mostrando a grandeza do conhecimento do Pai, que só é abarcado e conhecido em toda a Sua extensão, primeiro por Ele e, em segunda instância, por aqueles cuja razão foi iluminada por Ele, que é o Verbo e Deus, disse: “Ninguém conhece o Filho, etc.” (Mt 11:27), pois ninguém pode conhecer Àquele que é não criado e engendrado antes de ser criada toda a natureza, em seu mais amplo sentido, tão bem como o Pai que o engendrou; ninguém pode conhecer o Pai como o Verbo animado, que é Sua sabedoria e Sua verdade.

Orígenes

À medida que nos aproximamos dos vários aspectos do Mistério de Cristo, parece que escutamos, novamente, a voz do Anjo que disse à Josué: “tira as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é uma terra santa”[181]. O Mistério do Cristo é tão sublime, e de importância tal, que transcende toda definição humana. Seus significados são tão profundos que não podem ser expressos com meras palavras; tão só podem ser percebidos no silêncio da contemplação espiritual.

Todas as religiões reconhecem a natureza trina da Deidade. No Cristianismo a constituem o Pai, o Filho e o Espírito Santo. A essa Trindade, os Rosacruzes lhe designam os seguintes atributos: o Poder, ao Pai; o Verbo, ao Filho, o Cristo Cósmico; o Movimento, ao Espírito Santo. Em relação com sua visão, na Ilha de Patmos, São João, o Revelador, disse: “Vi então o céu aberto: …Seus olhos são chama de fogo…e o nome com que é chamado é Verbo de Deus” (Apo 19:11-13). Nos versículos iniciais de seu Evangelho, São João descreve, com frases portadoras de uma potência vital criadora raramente detectada por um leitor comum, ou por quem escuta suas palavras: “No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Tudo foi feito, foi feito por Ele e nada do que tem sido feito foi feito sem Ele”[182].

São Paulo expressa o mesmo pensamento na Epístola aos Colossenses 1:15-19, quando fala de Cristo como “a Imagem do Deus invisível, o Primogênito de toda criatura, porque nele foram criadas todas as coisas, nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis: Tronos, Soberanias, Principados, Autoridades, tudo foi criado por ele e para ele. Ele é antes de tudo e tudo nele subsiste. Ele é a Cabeça da Igreja, que é o seu Corpo. Ele é o Princípio, o Primogênito dos mortos, (tendo em tudo a primazia), pois nele aprouve a Deus fazer habitar toda a Plenitude”.

No Livro da Revelação, repete também São João a afirmação sobre o Cristo de que Ele já existia no princípio da manifestação: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim”[183]. No Antigo Testamento, Isaías faz uma afirmação similar, aplicável somente a Cristo: “Assim diz Iahweh, o rei de Israel, Iahweh dos Exércitos, o seu redentor: Eu sou o primeiro e o último, fora de mim não há Deus[184].

Orígenes chama a Cristo “o vapor do poder de Deus e o eflúvio puro da glória do Onipotente, a fulgência da luz eterna e o espelho imaculado da energia de Deus”.

No Livro O Conceito Rosacruz do Cosmos, Max Heindel afirma que: “No primeiro Capítulo de São João, esse grande Ser é chamado Deus. Desse Ser Supremo emanou o Verbo, o Fiat Criador, ‘sem o qual nada do que foi feito se fez’. Esse Verbo é o Filho unigênito nascido do Pai (o Ser Supremo) antes de todos os mundos, mas positivamente não é o Cristo”. Max Heindel faz, aqui, uma distinção entre o Cristo Cósmico e o Cristo em Seus aspectos planetário e histórico. “Grande e glorioso como Cristo é, elevando-se muito acima da mera natureza humana, Ele não é esse Exaltado Ser. Certamente o ‘Verbo se fez carne’, não no sentido limitado da carne de um Corpo, mas carne de tudo quanto existe nesse e em milhões de outros Sistemas Solares”[185].

O Verbo é uma assinatura ou vibração de tremendo poder. Está composto de quatro letras (em hebreu), duas femininas e duas masculinas. Toda a criação está composta de quatro elementos básicos, chamados: Fogo, Ar, Terra e Água. As doze Hierarquias Criadoras que rodeiam esse universo e são responsáveis pelos processos contínuos de criação, trabalham com esses quatro elementos. O Fogo e o Ar são elementos masculinos ou positivos; a Água e a Terra são femininos ou negativos.

As Hierarquias de Touro, Virgem e Capricórnio, que trabalham por meio do elemento Terra, estão centradas no Verbo, o aspecto Filho ou feminino de Deus. As Hierarquias de Áries, Leão e Sagitário, que trabalham com o elemento Fogo, estão centradas no Poder ou aspecto masculino de Deus. Desse modo, o Espírito atua sobre a matéria para criar. As Hierarquias de Gêmeos, Libra e Aquário estão centradas no Movimento ou terceiro aspecto de Deus. Pitágoras dizia que “o que deixa de se mover, deixa de viver”.

Esse movimento significa harmonia ou tom. Os tons, combinados, das doze Hierarquias Zodiacais produzem a Música das Esferas. Assim que todas as coisas são criadas pelo Verbo (tom ou música). “O céu foi feito com a palavra de Iahweh, e seu exército com o sopro de sua boca”[186], diz o Salmista. Cada coisa criada possui sua própria nota-chave individual. As divinas Hierarquias formam o arquétipo humano, molde do corpo físico, nos elevados planos espirituais; e cada arquétipo humano tem sua própria nota-chave, que soa enquanto a vida física continua. No atual estado da humanidade, tão só quem alcançou a consciência do Iniciado pode ouvir essa nota-chave musical. À medida que o ser humano desenvolva seu ouvido espiritual, ele vai se tornando capaz de escutar o canto de sua própria alma.

As três Hierarquias de Câncer, Escorpião e Peixes, trabalhando por meio do elemento Água, estão ensinando a humanidade a Lei do Equilíbrio. Essa lei expressa o segredo do perfeito equilíbrio e, em sua integridade, só é conhecida na Terra pelos Mestres. Por não ter alcançado ainda o equilíbrio, os seres humanos, em geral, ainda que possam observar sua atuação na natureza, não são capazes de apreciar seus efeitos dentro de si mesmos. O melhor exemplo de equilíbrio pode se observar, perfeitamente, quem sabe, no fluxo e refluxo do mar. Quando o ser humano for capaz de manifestar em si mesmo uma polaridade completa, terá vencido a enfermidade, o tempo de vida aqui e a morte.

É sugerido aos Estudantes Rosacruzes ter como assunto de meditação os cinco versículos inicias do Evangelho Segundo São João, os quais lhes ajudam a constatar que o Verbo é o centro focal, por meio do qual as doze Hierarquias Criadoras derramam suas forças para a Criação.

Há um poder específico em cada nome, e eis a razão porque ninguém deveria ter um nome que não combinasse psiquicamente com a ele. Cada vez que se pronuncia um nome forças ficam registradas na personalidade de seu portador, de modo harmônico ou desarmônico. A palavra nome tem quatro letras: “M” e “E” que são femininas; “N” e “O”, que são masculinas. Amen está composta de 4 letras, transpostas. Os cânticos, nas primeiras igrejas cristãs eram, realmente, invocações solicitando a proteção e a benção das forças estelares. Foi encomendado aos Discípulos curar em nome do Senhor Cristo; e a palavra Amen se utilizava para rodear os oficiantes da proteção divina. O Verbo é o centro divino criador para a disseminação do amor e da luz do Cristo Cósmico.

No ciclo Crístico completo, do qual se descreve nessa obra, estudamos o trabalho da Santíssima Trindade em relação com a atividade de Cristo, durante os meses de junho, julho e agosto, enquanto o Sol passa pelos Signos zodiacais de Gêmeos, Câncer e Leão. Esse trabalho se incorpora, no calendário eclesiástico, na festa do Domingo da Santíssima Trindade[187]. Temos observado como a atividade dos Serafins (Hierarquia de Gêmeos) se dirige para a Terra durante o mês de junho, sob a orientação do Espírito Santo. Durante o mês de julho as forças transmutadoras dos Querubins (Hierarquia de Câncer) são dirigidas para baixo, por mediação do próprio Cristo. Durante o mês de agosto, a força amorosa dos Senhores da Chama (Hierarquia de Leão) é dirigida para a Terra pelos poderes do Pai. Os três trabalham juntos, em tal harmonia e unidade que são, literalmente, três em um e um em três. Quando o ser humano desperta à vida superior, gradualmente, espiritualiza sua vontade, adquire sabedoria e sublima a força vital no interior do seu próprio ser.

O Pai canaliza o princípio da Vontade; Cristo, o princípio da Sabedoria; o Espírito Santo, o princípio da Atividade. Esse último, literalmente, infunde a vida às formas. Trabalha para isso com o princípio vital, presente em toda a Criação; e é o guardião da força sagrada ou o princípio criador de Deus. Por isso, toda coisa vivente está sob Sua guarda. O Pai cria e o Cristo formula, enquanto que o Espírito Santo ativa a forma.

Vemos, assim, porque o único pecado imperdoável é o pecado contra o Espírito Santo. Esse pecado consiste no mau uso da força criadora, manifestada no indivíduo. Não é, pois, Deus quem estabelece o castigo por sua comissão. Ao contrário, é o próprio ser humano que atrai para si a dor, o sofrimento, a enfermidade e a morte, como consequência de não haver respeitado o sagrado da força criadora existente em seu interior. E essas consequências seguirão afligindo o ser humano até que aprenda a viver, verdadeiramente, a natureza divina do Espírito Santo, conservando a força vital dentro do seu próprio corpo.

À medida que nos aproximemos da Era de Aquário, o trabalho do Espírito Santo se fará mais perceptível e será melhor compreendido. Um dos Seus cometidos principais consiste em iluminar a humanidade sobre o propósito da missão do Senhor, em relação ao Planeta Terra e a todas as criaturas que nele habitam. Cristo se referia ao Espírito Santo, quando disse: “se eu não for, o Paráclito não virá a vós. Mas se eu for, enviá-lo-ei a vós. (…) e vos anunciará as coisas futuras”[188].

Quando o ser humano alcançar esse elevado desenvolvimento que lhe faça apto a receber as quatro Iniciações Cristãs[189], trazida à Terra pelo próprio Cristo, será  capaz de ver esses três Seres divinos desenvolvendo Suas atividades cósmicas. Esse estado, no entanto, pertence a um dia muito longínquo da evolução humana. Mesmo os Discípulos de Cristo que receberam somente a primeira dessas Iniciações Cristãs no dia de Pentecostes. A meditação sobre essa gloriosa perspectiva inclinará ao Aspirante a se dedicar, no futuro, ao amor e ao serviço altruísta, e acurtará o tempo que resta, até que possa se unir às almas consagradas às quais essas Iniciações lhes foram conferidas, como avançados que são da onda de vida humana.

O assunto sobre o Cristo Cósmico é tão profundo que, tão somente para intuir levemente a natureza desse exaltado Ser, se faz, não só conveniente, mas necessário, o considera-lO desde os vários pontos de vista. Aqui está uma citação das mais iluminadoras e esclarecedora, de Max Heindel:

“É do Sol que provém toda partícula de energia física, e é do invisível Sol espiritual que nos chega toda a energia espiritual.

Presentemente, não suportamos fixar o Sol de modo direto. Isso poder-nos-ia cegar; mas, podemos fitar seus raios refletidos pela Lua. De igual modo, o ser humano não podia suportar o impulso espiritual direto proveniente do Sol. Por isso, tal impulso teve inicialmente que ser enviado por meio da Lua, através das mãos e pela mediação de Jeová, seu regente. Essa é a origem das Religiões de Raça. Mais tarde, chegado o tempo em que o ser humano já podia suportar aqueles impulsos mais diretamente, Cristo – o atual Espírito Planetário da Terra – veio preparar essas condições. A diferença entre o Cristo Planetário e o Cristo Cósmico pode ser melhor compreendida numa ilustração: imagine-se uma lâmpada colocada no centro de uma esfera oca de metal polido. A lâmpada, naturalmente, emitirá raios luminosos em todas as direções, refletindo-se ao mesmo tempo a si mesma em todos os pontos diferentes da esfera. O mesmo se dá com o Cristo Cósmico, o mais alto Iniciado do Período Solar, na emissão de Seus Raios. Ele é no Sol espiritual e o Sol é trino. O Sol externo, o Sol físico, este podemos ver. Por detrás desse – ou oculto neste – acha-se o Sol espiritual, donde irradia o impulso espiritual do Cristo Cósmico. Envolvendo esses dois, há o que chamamos Vulcano, que pode ser visto apenas como uma semiesfera, e do qual se diz no ocultismo ser o corpo do Pai. Aí estão, pois, o Pai, como o Espírito de Vulcano; Cristo, como o Espírito do Sol; e Jeová, como o Espírito da Lua, essa refletindo tanto a luz física quanto a espiritual.

Antes do advento de Cristo, todos os impulsos espirituais alcançavam o ser humano por meio da Lua, como Religiões de Raça. Somente pela Iniciação era possível receber diretamente o impulso espiritual solar. Um véu se estendia à porta do Templo.

Chegado o momento em que o Espírito de Cristo podia entrar na Terra – quando já nos havíamos adiantado bastante – então, um Raio do Cristo Cósmico desceu e aqui encarnou no corpo de nosso Irmão Maior Jesus.  Depois do sacrifício do Gólgota e após a morte daquele corpo que serviu ao Seu propósito, Ele entrou na Terra e se converteu em seu Espírito Planetário Interno”[190].

Espírito Planetário Interno

Raio do Sol Deus, por cujo poder

a Terra nasceu no espaço, vindo a Ti

para aprender o segredo de um amor

que escolhe o sofrimento quando quer ser livre.

Oh, grande Espírito Solar, oprimido dentro da Terra,

sofres; Seus estreitos limites Te aprisionam;

buscam canais humanos para Teu amor;

pede mãos humanas que te liberem.

Para que o homem aprenda a se dar a TI,

a ser um canal humano para o Teu amor,

por onde fluía, para libertar a Terra.

Oh Cristo, Teu amor encontra eco em nossos corações.

Nossas mãos Te liberarão da carga que levas.

Oferecemo-nos como canais para o Teu amor.

Oferecemo-nos para que Tu sejas livre.

(Autor desconhecido)

CAPÍTULO XXXVI – O CRISTO PLANETÁRIO

O Cristo Planetário é um glorioso Arcanjo, o supremo entre as hostes arcangélicas. A Hierarquia de Capricórnio é o lar dos Arcanjos; mas, durante o período de Sua missão nesse Planeta, Cristo e Suas hostes ministrantes estabeleceram seu lar na parte espiritual do Sol, dado que todo corpo celeste tem uma capa espiritual que se estende no espaço muito mais além da sua forma visível. Do mesmo modo, cada ser humano possui uma prolongação espiritual, além do seu veículo físico.

Desde os primórdios da civilização, as religiões mais primitivas rendem homenagens a esse grande Ser que habita no Sol. Os grandes sacerdotes dos Templos de Mistérios ensinaram aos seus mais avançados Discípulos a verdade sobre esse glorioso ser solar, e esperavam que chegaria o tempo em que descenderia à Terra e se converteria no regente do Planeta. Contudo, chegou um dia em que já não puderam vê-lo e, então, supuseram que Sua encarnação humana era iminente. De país a país, de profeta a Mestre, de Mestre à Discípulo, foi transmitida a boa nova de que o Senhor Bendito, Aquele que seria o Salvador do Mundo, estava muito próximo da Terra.

Nos tempos pré-cristãos os seguidores de Zoroastro renderam culto ao Sol. Sua adoração, no entanto, não se dirigia à orbe visível nos céus, mas ao Espírito Solar, ao Logos Solar, ao que chamavam de Ahura Mazda[191], a Dourada Aura de Luz que seria, mais tarde conhecido como Cristo. Por meio de grandes processos cósmicos, esse exaltado Ser foi se aproximando da Terra, e essa aproximação pode ser seguida, clarividentemente, de maneira cada vez mais efetiva. Uma amostra clara de que Cristo estava chegando foi proporcionada quando Moisés recebeu Sua revelação no fogo que brilhava sobe o Monte Sinai.

O Batismo

Por fim, o grande dia chegou. Um intenso silêncio abrangeu todas as coisas. O batimento do coração da natureza parecia ter parado por causa daquela paz que excedia toda comparação. A elevada exaltação das hostes celestiais parecia estar muito perto. Então, os céus se abriram e a pomba branca e pura do Espírito Santo desceu e pousou sobre a cabeça do Mestre Jesus, enquanto se ouvia a voz de Deus proclamando: “Este é o meu Filho muito amado em quem me sinto totalmente compadecido”.

Ocorrera o mais maravilhoso dos acontecimentos, pois o Senhor Cristo tomara posse do Corpo que, tão amorosamente e com tanto sacrifício foi preparado para recebê-lo. O veículo do Mestre Jesus, o mais maravilhoso de perfeito que a Terra podia produzir, se converteu no lar do Senhor Cristo, durante os três anos de Seu ministério terreno. Milagre dos milagres! O mais exaltado dos Arcanjos encarnou para falar e caminhar com os seres humanos! Foi isso, três anos mágicos que deixaram, para sempre, sua inefável marca, tanto na onda de vida humana, como no Planeta.

O Cristo só começou a pertencer à Terra quando ocorreu o Batismo no Rio Jordão. Ele veio para a Terra procedente de Mundos suprafísicos, fora da esfera terrestre. Tudo que aconteceu desde o Batismo no Rio Jordão até Pentecostes era necessário para que Cristo, o ser celestial, se transformar em Cristo, o ser terrestre… Um elevadíssimo ser, não terrestre, desce à esfera terrestre até que, por Sua influência, à Terra inteira se transforma totalmente; ou seja: Cristo é uma força na Terra toda.

Depois do Batismo e da Crucifixão o acontecimento mais importante na instância de Cristo na Terra foi a Transfiguração. Recapitulemos, brevemente, a situação do Senhor Cristo em relação à Divina Trindade: o Deus do nosso Sistema Solar, que inclui a Terra, opera por meio dos poderes trinos do Pai, Filho e Espírito Santo, cujos três aspectos são: Vontade, Sabedoria e Atividade, respectivamente.

No momento da Transfiguração, Cristo, por meio da Sabedoria – segundo princípio da Deidade Solar – foi elevado a uma sintonização ou unificação com o Verbo ou segundo princípio do Ser Supremo. Essa sintonização divina fez com que Seu semblante resplandecesse mais que o Sol e, ao mesmo tempo, Sua túnica parecia mais branca que a neve.

Alguns Mestres do mundo alcançaram a glória da transfiguração. Constituiu o clímax de suas vidas e, após isso, passaram a outras esferas. Não foi o que aconteceu no caso de Cristo Jesus. Aqui a Transfiguração ocorreu no início do Seu ministério. A fase mais importante não aconteceu depois desse sublime acontecimento.

O Gólgota

Como já dissemos, há quem sustente que a Crucifixão de Cristo tem que ser interpretada como uma representação simbólica de uma etapa superior no processo Iniciático. Isso é mesmo desse jeito; mas foi também um fato histórico. Nunca se insistirá bastante nem com suficiente ênfase sobre o fato de que a particularidade da missão redentora de Cristo foi constituída pela manifestação, em um corpo humano e no plano físico, de algo que, até então, só havia acontecido em outros planos, nos rituais Iniciáticos celebrados no Templo de Mistérios, e tinha sido experimentado, portanto, na vida de todo Discípulo, ao longo do Caminho que conduz à Iluminação. Se não se aceita o aspecto histórico da encarnação de Cristo, essa perde todo seu significado. O acontecimento do Gólgota foi o sucesso mais impressionante jamais conhecido na Terra, já que marcou uma mudança de rumo na evolução, tanto do ser humano como de todo o Planeta.

Esse Planeta, da mesma forma que o ser humano, está composto de um Corpo Denso e várias camadas de densidade decrescente: Etérica, de Desejos, Mental e espiritual. Essas camadas interpenetram o Corpo Denso e se estendem mais além de sua superfície. O homem Adão significa terra. “És pó e ao pó voltará”, é a afirmação bíblica, se referindo ao Corpo Denso. Literalmente, o Planeta em que vivemos é a nossa Mãe Terra.

Pouco antes da vinda de Cristo, a humanidade tinha alcançado o nadir da sua evolução. A história corrobora essa afirmação: a maldade, a luxúria, o egoísmo e a mesquinhez geral tinham poluído de tal modo a atmosfera psíquica da Terra que já não existia material adequado para construir Corpos de Desejos limpos. A missão do Cristo consistiu em alterar esse estado de coisas. De outro modo, a humanidade não tinha conseguido obter todo o progresso espiritual que deveria. Durante o intervalo entre Sua Crucifixão e Sua Ressurreição, Cristo limpou e purificou o Corpo de Desejos (que é o Mundo do Desejo) da Terra, e continua, desde então, fazendo esse trabalho cósmico. Quando Seu espírito abandonou Seu corpo, Ele penetrou no coração da Terra, momento em que Sua aura brilhou tanto que, como assegura o relato bíblico, “a Terra se obscureceu”. Essa luz dourada de Cristo se derramou ao longo e além da órbita planetária, elevando sua taxa vibratória.

O acontecimento histórico que ocorreu no Gólgota jamais se repetiu. Contudo, Seu sacrifício pela redenção da humanidade, repetimos, não começou e nem terminou com Sua imolação. O sacrifício continua, em escala planetária, e se repete anualmente, em um recorrente ministério cíclico. Todos os anos, em setembro, o Cristo Cósmico, o Espírito Solar, desce do alto – onde ascende no Solstício de Junho – e inicia uma nova penetração na esfera terrestre. Começando na camada exterior, desce, gradualmente, até alcançar o coração do Planeta no Solstício de Dezembro. Entre o Equinócio de Setembro e o de Março atua no Corpo da Terra, recarregando-a com Seu impulso vital, o que ajuda a humanidade em sua evolução ascendente. Durante a outra metade do ano, do Equinócio de Março ao de Setembro, nos ajuda desde muito longe dos confins da Terra, enquanto renova, no Trono do Pai, Suas energias gastas, com o objetivo de preparar a próxima liberação de força redentora na corrente vital do ser humano e do Planeta.

Cada vez que Cristo penetra na esfera terrestre incrementa, quantitativamente, os dois Éteres espirituais superiores. Um deles é o formoso Éter dourado do plano celestial. São Paulo afirma que, no retorno de Cristo, o ser humano lhe saudará O encontrando no ar, se referindo à Região Etérica do Mundo Físico, o Mundo mais inferior que descenderá em Sua Segunda Vinda. Graças à assistência recebida pela humanidade desde o descenso do Senhor ao plano físico, é agora possível, para “todo que queira”, se encontrar com Ele, na metade da “escada”. Contudo, para fazer isso, é necessário ao ser humano incorporar a seu ser os Éteres superiores que compõem o seu Corpo-Alma. O caminho mais curto, mais seguro e mais rápido para desenvolver esses dois Éteres Superiores consiste em viver uma vida de amoroso e desinteressado serviço aos demais. Assim o ser humano consegue formar seu Corpo-Alma com esses dois Éteres superiores, azul e dourado. Será, pois, possível, para todos os que prepararem um veículo como esse, sair ao encontro de Cristo na Sua Segunda Vinda.

Todo ano, quando Cristo infunde na Terra Suas energias vitais, Sua Luz e Seu amor o ritmo do Planeta inteiro se acelera. Gradualmente, vai se sintonizando com Sua própria nota-chave, tal como a entoam os Anjos a cada Natal: “Paz na Terra e boa-vontade entre os homens”. Algum dia os seres humanos aprenderão a converter suas “espadas em arados” e suas “lanças em podadeiras” (Isaías 2:4); e não haverá mais guerras. O Místico Cristão não se desanima pelo caos e pela dissolução que parece predominar por toda parte, pois sabe que o momento mais obscuro é, sempre o que precede a aurora. Ao longo do horizonte percebe o arco da promessa. Pois ele sabe que, todo ano, ao penetrar na Terra, o Espírito de Cristo as linhas de separação entre raças, nações são debilitadas. Chegará o dia feliz em que o Planeta cobrirá uma humanidade unificada, e o dia em que as ideias da paternidade de Deus e da fraternidade entre os seres humanos serão uma realidade.

Adão e Eva do relato bíblico representam a humanidade primitiva, que vivia no Jardim do Éden, situado na Região Etérica do Mundo Físico. Quando seus membros caíram no encantamento da vida sensual, por causa da influência dos Espíritos Lucíferos, sua taxa vibratória reduziu, até alcançar a da matéria física. Dessa maneira a humanidade perdeu o Paraíso em sua infância. Não foi arrojada do jardim etérico por uma deidade vingativa, mas que perdeu esse lugar de residência por sua aceitação de uma influência que a alinhou com o Mundo do Desejo. A Queda e suas terríveis sequelas foram a consequência da atuação de leis fixas, e não de um arbitrário decreto do Criador.

A ilimitada indulgência nas propensões animais, que se seguiu a introdução dos impulsos dos Espíritos Lucíferos na natureza de desejos do ser humano, produziu o endurecimento do Corpo Vital e a percepção de sua contraparte material, “cobrindo-se com peles”, como ressalta a Bíblia. O descenso à existência física trouxe dor e sofrimento, enfermidade e morte. A atenção prestada pela humanidade às tentações dos Espíritos Lucíferos e seu distanciamento do modo de viver estabelecido por Jeová para seu estado de desenvolvimento, está recorrida na afirmação bíblia de que Adão e Eva “comeram da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal”. Antes disso, as criaturas da Terra só conheciam o Bem. Depois da Queda se viram obrigados a trabalhar no caminho de regresso até aquele bem que, quando alcance, será de um nível de manifestação mais elevado, devido às lições aprendidas ao longo de dolorosas experiências.

O Corpo Vital está composto de quatro Éteres de densidades diferentes. Os dois Éteres inferiores se ocupam das funções vitais, enquanto que os Éteres superiores cuidam das qualidades anímicas. Como consequência do descenso do ser humano à materialidade, os dois Éteres superiores têm permanecido longo tempo latentes, evitando assim a imortalidade de um veículo físico imperfeito. Por essa razão é mais fácil para o ser humano viver uma vida mundana que uma vida espiritual. A preponderância dos Éteres inferiores sintoniza o Corpo Vital com as vibrações terrestres, o que necessita de grande esforço para desenvolver as qualidades anímicas, tais como o discernimento e a força de vontade.

Em Seu descenso anual à Terra, Cristo traz consigo nova provisão dos dois Éteres superiores. E, durante sua nova entrada na Terra, limpa toda a camada externa do Mundo do Desejo; assim que a substância de desejos de que o ser humano pode dispor, para incorporá-la a seu Corpo de Desejos é, cada vez, de maior pureza.

Cristo está construindo na Região Etérica do Mundo Físico a Nova Jerusalém, que será o lar da humanidade durante a Dispensação Crística. Muitas pessoas com a visão etérica podem contatá-lo nela e contemplar a maravilhosa preparação que está ocorrendo. Como já foi dito, o Corpo Denso não pode funcionar na Região Etérica do Mundo Físico, pelo que, aqueles que hão de se reunir com Ele “no ar” estão construindo o Corpo-Alma composto dos dois Éteres superiores. Nem enfermidade, nem a dor, nem a velhice, nem a morte ocorrem na Região Etérica do Mundo Físico, esse plano luminoso onde a humanidade se reunirá com o seu Senhor. É sabido que já está aparecendo para aqueles que são capazes de contatá-lo a esse nível, o qual indica o começo de Sua Segunda Vinda.

CAPÍTULO XXXVII – O CRISTO HISTÓRICO

“Por essa razão também, Nosso Senhor, nos últimos tempos, abarcando todas as coisas dentro de Si, vem a nós, não como poderia vir, mas como nós somos capazes de contemplá-lo; porque Ele poderia ter vindo em Sua incorruptível glória, mas nós não poderíamos nunca suportar a grandeza dessa Sua glória.”

Irineu (185 D.C.)

Jesus nasceu da genealogia de Davi, segundo a carne (Rm 1:3) e como Filho de Deus, no tocante a Sua primeira essência.”

Orígenes

“Tomou a forma de um servo e, ainda que Ele fosse de uma natureza invisível, por ser igual ao Pai, tomou uma aparência visível e veio com aspecto humano.”

Orígenes

“O Unigênito Verbo de Deus, que é Deus dos deuses, se despojou a si mesmo, segundo as Escrituras, descendo voluntariamente ao que não era, e se revestindo com essa gloriosa carne. Depois, se diz que foi exaltado e recebeu o nome que está acima de todo nome, como se, por causa de Sua natureza humana, não o tivera, e fosse quase como um favor. Contudo, a realidade é que não se tratou de um donativo de algo que originariamente não o pertencia. Nada mais longe da verdade. Deveria ser melhor considerado como uma recuperação do que lhe pertenceu desde o princípio substancialmente e, portanto, como uma grande perda. Por isso quando, já encarnado, estava submetido à natureza humana, disse: Pai, me glorifica com a glória que eu tinha, etc. (Jo 17:5), porque Ele existiu sempre na glória, com Seu Pai, antes de todos os tempos e antes da criação do mundo.”

Hipólito

“Espera Àquele que está mais além dos tempos, eterno e invisível, que, por nós, se fez visível; que era inatingível; que era inacessível ao sofrimento e sofreu por nós; que padeceu de várias maneiras por nós.”

Inácio, em sua Epístola para Policarpo

“Ele é, em todos os sentidos, também, um homem criado por Deus; e, por isso, subserviente à toda a humanidade dentro d’Ele, o invisível se tornou visível, o incompreensível se tornou compreensível, o impossível se tornou possível, e o Verbo se tornou homem.”

Inácio, em sua Epístola para Policarpo

Cristo é o homem e Deus, formado com ambas naturezas para que pudesse ser mediador entre nós e o Pai.”

Cipriano

O Nascimento

No começo da evolução humana, relatada biblicamente na história de Adão e Eva, a raça humana caiu sob a influência dos Espíritos Lucíferos, e deixou de poder viver na Região Etérica do Mundo Físico, o Jardim do Éden. Uma decaída na sua taxa vibratória a projetou para a condição material densa, ainda existente, sob a qual o ser humano ficou submetido aos sentidos e as suas conseguintes limitações e dores. Houve, no entanto, alguns seres humanos que não sucumbiram às tentações dos Espíritos Lucíferos, mas que permaneceram como puros Anjos. Ente eles estavam esses Egos sublimes que conhecemos como o Mestre Jesus e Sua mãe perfeita, a Maria bendita. Por isso, na Assunção, Maria pode ser trasladada facilmente da Região Química do Mundo Físico para a Região Etérica. Os Anjos não têm nem sequer a ideia da paixão humana, assim que Maria, estando livre das manchas terrenas, se encontrava em seu lar com os Anjos.

Naquela noite santa em que o Ego, a quem conhecemos como Jesus, veio viver na Terra, as forças espirituais que a acompanharam foram tão poderosas que, apesar do transcurso de milhares de anos, continua ressoando em seu eco, em comemoração daquele nascimento. A elevada força espiritual que envolveu o Planeta, naquela maravilhosa ocasião, é a causa de numerosas e formosas lendas. É dito que os roseirais floresceram repentinamente, no meio da neve; que estranhas flores encantadas, portadoras de rostos angélicos gravados em suas pétalas, brotaram com superabundância; que, nos estábulos e nos campos de todo o mundo, o gado se ajoelhou em oração, enquanto que Anjos entoavam um hino de paz e de boa vontade entre os seres humanos.

A Apresentação no Templo

Repetimos que cada acontecimento na vida do Mestre representa uma etapa na Trilha do Discipulado. A Apresentação no Templo representa a dedicação. Um Aspirante se dedica a si mesmo muitas vezes, obtendo a cada vez uma compreensão mais profunda, e recebendo maiores compensações espirituais.

Ana e Simão eram, ambos, Iniciados do Templo. Possuíam a faculdade de ler na Memória da Natureza. Ali souberam da sublime missão do Mestre Jesus e da parte que lhe correspondia à Maria em seu desenvolvimento. Maria era capaz de ler, ainda mais além, nesses registros na Memória da Natureza. Previamente, havia compreendido algo da missão do Mestre, mas então compreendeu o sacrifício que supunha e a dor e sofrimento que ia acontecer com ele. Essa foi a espada que atravessou seu coração. Os mistérios das Sete Dores da Virgem Bendita começam com a Apresentação no Templo.

A Fuga para o Egito

A Bíblia é o mais formoso livro de Angeologia ou Angelologia. Foi um Anjo quem disse a José que levasse o Santo Menino e sua mãe para o Egito, e os Anjos lhes acompanharam durante o trajeto. Quando o perigo passou, os Anjos os acompanharam de volta, ao seu lar em Nazaré. A anunciação dos nascimentos de Jesus e de Maria foi feita pelos Anjos. Durante a infância de Maria, seu lar foi um santuário angélico. Os Anjos foram seus companheiros e mestres durante seus anos no Templo. O momento de seu trânsito dessa esfera terrestre, foi anunciado pelos Anjos. E em sua Assunção se elevou para viver no plano desses espíritos luminosos.

Não só o nascimento de Jesus foi proclamado pelos Anjos, como também Sua infância esteve protegida por sua santa presença. Eles derramaram suas bênçãos no momento do Batismo, e prestaram sua força a Cristo Jesus, no momento da Tentação. Revoaram entre as glórias da Transfiguração, e apareceram nas sombras do Getsemani. Derramaram suas bênçãos sobre o Gólgota, seu regozijo na Ressurreição e, depois da Ascenção, proclamaram a feliz notícia de que retornaria mais uma vez.

O ministério dos Anjos sobre o mundo é formoso e variado. Elevam, fortalecem e bendizem de mil maneiras diferentes. Desgraçadamente, no entanto, poucos seres humanos têm a consciência de sua proximidade ou de sua ajuda. As marés do mundo sensível cresceram tanto que cegaram os olhos das multidões, incluindo até a interrupção dos que creem na existência do mundo angélico. As crianças são conscientes, com frequência, da presença dos Anjos, e desfrutam de sua amante proteção; mas, à medida que os anos passam e suas Mentes vão se centrando mais e mais nas coisas do Mundo terreno, as amáveis visões parecem que se evaporam ou são consideradas como extravagâncias da imaginação. Só a castidade e a pureza podem restabelecer a sua clara visão. Se todos fôssemos puros como eram o Mestre Jesus e Sua bendita Mãe, os Anjos e os seres humanos se confundiriam em uma vasta e gloriosa irmandade. “Só os puros de coração verão a Deus”, é o ditado Bíblico. E, do mesmo modo é que só os puros de coração verão e se comunicarão com os Anjos.

O Menino Jesus no Templo

A Sagrada Família permaneceu três anos no Egito. Muitas e muitas formosas lendas existem sobre a vida e as obras do jovem Jesus, durante aquele tempo. Estava em total sintonia com a Mente Una, o imanente poder de Deus, latente em toda coisa criada, que, seja o que for que tocasse ou olhasse se tornava imbuído de uma nova e vibrante vida. A lenda narra que modelava pássaros de barro que começavam a viver e se punham a voar quando lhes impunha as mãos. Curou leprosos e fez com que os aleijados caminhassem e que os cegos enxergassem, e expulsou muitas entidades obsessoras. Em todo momento e em todo lugar, Sua presença era uma benção para todos que se aproximavam d’Ele.

Concluído os três anos, a Sagrada Família retornou a seu lar em Nazaré. Logo, como era costume na época, Maria e José foram à Jerusalém para a Páscoa, pois Jesus completara os doze anos. Quando os dias de festa terminaram, empreenderam sua viajem de retorno. Ao sentir a falta de Jesus pensaram que estaria com as demais crianças de seu grupo; mas, quando chegou a noite e não o encontraram, regressaram à Jerusalém para buscá-lo. “Aos três dias o encontraram no Templo, sentado no meio dos doutores”. Quanto ocultam essas palavras e quanto revelam! Nos antigos Mistérios as cerimônias da Iniciação se estendiam durante três anos, e a Iniciação sempre estava relacionada com o Templo. Jesus alcançara a idade que marca o nascimento do Corpo de Desejos. Como seu desejo era a pureza em si, essa emanava uma aura dourada que fazia que até os sábios se maravilhassem de seu brilho.

Jesus retornou à Nazaré com seus pais e lhes foi obediente. “O menino crescia e seu espírito se fortalecia e se enchia de sabedoria, e a graça de Deus estava com Ele”.

Desde os dezoito até os trinta anos Ele ensinou e serviu. Em muitos países são contadas histórias de um jovem Mestre encantador que fazia trabalhos milagrosos e “exteriorizava uma sabedoria tal que nunca antes fora acessível às Mentes humanas”. Desde a China, o Egito, a Babilônia, a Índia, a Grécia, a Pérsia e outros países onde havia os Templos de Mistérios, chegam esses relatos admiráveis. “E Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em favor de Deus e dos seres humanos”.

O Batismo

Um dos padrões numéricos mais frequentemente citados na Bíblia é o doze e um. No céu há doze Signos Zodiacais que circundam o Sol central. No governo esotérico do mundo há doze Grandes Mestres ao redor do Cristo Cósmico. Cristo irradia Seu amor e Sua sabedoria infinitos sobre cada um desses Mestres, que lhes dão expressão, adaptada à época e às diferentes classes de pessoas às que estão para servir. Uma vez que essa origem universal de todos os sistemas religiosos seja conhecida, a separatividade dará lugar à unidade entre os seguidores das distintas doutrinas. Cristo é, em obra e em verdade, o que Ele mesmo declarou, quando disse: “Eu sou a luz do mundo”, e “ninguém chega ao meu Pai, senão por Mim”. Essa verdade libertadora é o tema dominante do terceiro volume do livro Interpretação da Bíblia para a Nova Era que é, quem sabe, o mais significativo da série.

O tema principal do Antigo Testamento é a vida de Jacó, rodeado de seus doze filhos. Sua influência se estende a todos os Livros que o compõe. O tema central do Novo Testamento constitui Cristo e Seus doze Discípulos. Sua influência se estende, também, a todos os textos que o formam.

O sublime acontecimento denominado o Batismo marca o início da era de Cristo na Terra. Larga e cuidadosa foi a preparação desse portentoso sucesso. Como já foi dito, dos elevados Iniciados do Templo, Joaquim e Ana foram eleitos pela angélica anunciação para se converter em pais do mais elevado Mestre que nunca tinha vindo ao mundo em um corpo feminino: a Maria bendita. Com sua assistência e a dos Anjos, o Mestre Jesus construiu o mais puro e perfeito corpo que se podia formar com matéria física, corpo que cedeu para o glorioso Arcanjo Cristo no momento do Batismo, quando os céus se abriram e se escutou a voz de Deus, bendizendo a esse exaltado Ser que, desde esse momento, atua na Terra como Cristo Jesus (ou Jesus-Cristo). No entanto, nem sequer aquele, o mais perfeito veículo físico, podia suportar, por longo tempo, a tremenda radiação de um espírito arcangélico. Assim, era necessário que Cristo Jesus saísse desse corpo, frequentemente, por algum tempo para que Seu Corpo Denso fosse restaurado. Entre os que atendiam essas necessidades estavam os Essênios, uma seita santa que, durante vários séculos, tinha feito os preparativos para a vinda do Senhor.

O Mestre Jesus, como consequência de seu supremo sacrifício, se converteu no “primeiro fruto” da humanidade. Ele continuou ativo, desde então, trabalhando por meio dos planos espirituais, especialmente com toda organização, todo grupo e todo indivíduo que aceita a Cristo como Salvador do Mundo. Ele estará com Cristo, novamente, quando o Cristo estabelecer a Nova Dispensação, como estarão os Discípulos Maria e José, os santos e os primeiros seguidores da igreja Cristã.

“Quem assim deseje” pode vir. Esse oferecimento de Cristo não foi feito somente para as pessoas daquele tempo; é aplicável a toda pessoa, qualquer que seja a idade, clima, raça ou nação. Quem quer que o deseje, pode vir e se preparar, por meio da pureza e da vida espiritual, para se contar entre os pioneiros que serão julgados dignos de retornar com Cristo e Lhe ajudar a estabelecer a Nova Dispensação, o edifício do novo céu e da nova Terra.

CAPÍTULO XXXVIII – O CRISTO MÍSTICO

Que Cristo se forme em vós.

Cristo em vós, a esperança é de glória

São Paulo

Jesus disse a Seus seguidores como e o que deviam fazer para seguir o Seu caminho, de modo que pudessem chegar a ser como Ele era; Ele que estava tão distante como a sabedoria e como o poder; pois no coração de cada ser humano há uma divindade, seu próprio deus interno, que os Cristãos, em uma troca mística de mentalidade, chamam o Cristo imanente.

Nossas doutrinas nos falam de uma larga linha de tais Mestres, cada um dos quais se fez um com sua divindade interna, com o deus interior, o Cristo imanente; e assim, havendo se unido com sua divindade interna, alcançaram todo o conhecimento necessário, porque eles o viam e por isso podiam ensinar a verdade.

Dr. G. de Purucker em A História de Jesus

O Espírito de Deus cai sobre mim, como a gota de orvalho sobre uma rosa,

Só se eu, como a rosa, abrir a ele meu coração;

A alma onde Deus habita, – que templo seria mais santo? –

Se converte em um habitat ambulante de majestade celestial.

Em toda a eternidade não poderia haver um tom mais doce,

Que o bater do coração humano em uníssono com Deus.

Detenha! Para onde corres? Sabe que o céu está em ti;

Busca a Deus em qualquer outra parte e nunca verás Seu rosto.

Olha! Na noite silenciosa nasceu um menino a Deus,

E restaurou tudo o que estava perdido.

Se tua alma pudesse, pois, se transformar em uma noite silenciosa,

Deus nasceria em ti e tudo se tornaria perfeito.

Ainda que Cristo nasça mil vezes em Belém

E não dentro de ti mesmo, tua alma permaneceria perdida.

Em vão olhas a cruz do Gólgota

Se não se ergue também dentro de ti.

Angelus Silesius[192]

O mistério de Cristo é quádruplo. Em primeiro lugar está o Cristo no Sol, que é o Senhor e o Orientador de todas as grandes Religiões da Terra. Em segundo lugar está o Cristo que encarnou na Terra no momento do Batismo de Jesus e que, no dia culminante do Seu sacrifício, se converteu em seu espírito planetário interno. Logo depois está o Cristo que há de nascer dentro de cada ser humano. E, por fim, está o Cristo histórico. E foi a esse quádruplo Mistério Crístico a que se referia São Paulo ao dizes: “Olha, que os mostro um mistério”.

Esse mistério quádruplo está sob a orientação da Santíssima Trindade. O Cristo no Sol está sob a orientação do Senhor Deus (o Pai). O Cristo que encarnou no Batismo está sob a direção do Filho, o Cristo Cósmico. O Cristo que há de nascer no ser humano está sob a orientação do Espírito Santo. O Espírito Santo foi sempre o grande mistério da Trindade. A humanidade da Nova Era irá incrementando seus conhecimentos sobre a extensão de Sua natureza e Seu trabalho.

A próxima etapa importante na evolução humana é o nascimento do Cristo no ser humano. O trabalho que resultará a esse nascimento está causando muitas desarmonias, intranquilidades e desordens. Nenhum ser humano pode ser pioneiro do novo tipo de ser humano até que Cristo nasça dentro de si mesmo. A chamada feita pelo Espírito Santo a todos os que já estão preparados e desejando escutá-la é para a completa dedicação ao serviço do Senhor Cristo. Essa é a missão do Espírito Santo relativa aos Cristãos do novo tipo de ser humano e que fez o Senhor declarar: “Eu não vou, o Consolador não virá a vós; mas se eu for, eu enviarei ele a vós…e Ele os mostrará as coisas por vir”.

Desde o momento em que Espírito Santo ativou o princípio Crístico no interior dos Discípulos, eles tiveram somente pensamentos Crísticos; falaram somente palavras Crísticas e fizeram somente obras Crísticas. Aqueles seres humanos que eram tímidos e covardes, se tornaram valentes. São Tomé já não mais duvidou; São Pedro já não mais temeu; São João deixou de permanecer longe e, nem as perseguições, nem os cárceres, nem sequer a morte, puderam dissuadi-los. Seu único objetivo na vida foi servir ao Senhor Cristo e seguir Seus caminhos.

Um dia, quando São Pedro e São João se retiraram ao templo para orar, na “porta Formosa”, chegaram junto a um homem aleijado de nascimento. São Pedro lhe disse: “Ouro e prata não os tenho; mas o que tenho eu lhe dou”. Imediatamente as forças voltaram aos joelhos e pés daquele homem e, se levantando, entrou com eles no templo com grandes demonstrações de alegria. São Pedro e São João recordaram as palavras de Cristo durante Seus últimos dias juntos a eles, quando disse ao Espírito Santo: “Ele manifestará minha glória porque tomará do meu e os mostrará” (Jo 16:14).

A glória do Cristo despertado em seu interior brilhava ao redor de suas cabeças como um halo de luz dourada. No elevado estado de consciência que alcançaram não havia diferenças nem desarmonias, porque habitavam na realização da unidade eterna. Por isso entendiam todos os idiomas e podiam falar em todas as línguas. Compreendiam, igualmente, o profundo significado das palavras que Cristo lhes havia dirigido: “Quando Ele vir, o Espírito da Verdade, o guiará na verdade toda (Jo 16:13). Os Discípulos se converteram, literalmente, em “super-homens” ou “homens-deuses”.

Tal é o significado do místico Cristo interno, esse nível elevado percebido por São Paulo quando escreveu aos Gálatas (4:20): “Meus filhos, outra vez me causais dores de parto, até que Cristo forme em vós”. Esse Cristo Místico é a divindade que está latente em cada ser humano. Essa realização da unidade de toda a vida proporciona um novo significado à Paternidade de Deus e a irmandade dos seres humanos. O conhecido escritor e poeta americano Henry van Dyke expressou com essas formosas linhas a imanência da realidade Crística:

Nunca mais terás que me buscar.

Estou contigo para sempre;

Levanta a pedra e me encontrarás,

Parta a madeira e eu estarei ali

Essa imanência de Cristo será o ensinamento fundamental da Nova Era. É significativo chamar a atenção sobre o fato de que as igrejas liberais e os grupos universais que buscam a verdade, baseadas na Nova Era, ressaltam sobre qualquer coisa a despertar do princípio Crístico dentro de cada indivíduo. Contudo, como se pode executar isso?

A perfeição do Corpo Denso está baseada na supervivência do mais apto. O crescimento do Corpo-Alma está baseado na lei do sacrifício. Em tempos passados, foi ensinado ao ser humano a sacrificar suas posses materiais. Existem instruções e mais instruções no Antigo Testamento para que entregassem os primogênitos de seus rebanhos e os colocassem no altar dos sacrifícios. Ainda hoje muitas igrejas impõem a seus seguidores a lei do dízimo. No entanto, os Cristãos Místicos compreendem que essa lei há de ser abandonada; eles têm que aprender a se colocar eles mesmos sobre o altar como oferenda sacrificial.

O despertar do Cristo Interno, como todos os processos de nascimento, é lento e gradual. Primeiro, o Aspirante há de fazer sua dedicação ao ideal de Cristo. Se é sério e sincero nessa dedicação, então se encontrará a si mesmo adquirindo maior sintonia com esse ideal. Isso lhe resultará em ser mais fácil ter pensamentos Crísticos e pronunciar palavras e realizar atos em sintonia com uma vida Crística. Será consciente de uma sensação de bem-estar que não tinha sentido nunca antes; a mesma sensação que alcançaram os primeiros Cristãos, mesmos dentro das obscuras catacumbas e enfrentando a perseguição e a morte. Por outro lado, o despertar do Cristo Interno tem compensações que nenhuma condição ou circunstância humana pode destruir. Nem podem ser compensados, quem o experimenta, por posses materiais.

Preparando a Sua segunda vinda, o Senhor Cristo está se aproximando mais e mais da Terra. Em alguns momentos está na Região Etérica do Mundo Físico, e muitas almas avançadas estão se tornando conscientes das bênçãos que resultam de Sua proximidade. Alguns há que sentem a necessidade de se ajoelhar em adoração e homenagem ante Ele e a escutar os sons de Sua voz bendita. Isso ocorre, às vezes, em momentos que o Corpo Denso está em repouso e dormindo. Contudo, também, uma pessoa também pode ouvi-La durante um momento rápido de consciência durante as horas de um dia atarefado. E isso pode ocorrer para fortalecê-la antes de enfrentar uma crise ou para mitigar determinadas agonias profundas. Qualquer que seja o motivo e ocorra quando ocorra, a vida já não pode ser a mesma para essa pessoa, depois do momento dessa Sublime Presença. Qualquer coisa que faça levará o selo da divindade e estará permanentemente motivada pelo desejo de maiores oportunidades de servir “em Seu nome”.

As atividades de uma pessoa assim afortunada continuarão até que a morte perca seu aguilhão com a comprovação de que não é senão um trânsito da Região Química do Mundo Físico para a Região Etérica do Mundo Físico. Então descobrirá que enquanto vivia na Região Química do Mundo Físico era dispensada de servir nos planos superiores e que, depois do que é chamado morte vive na Região Etérica do Mundo Físico, mas segue sendo, agora, dispensada de trabalhar na Região Química do Mundo Físico. Aprende, assim, que essa vida e a “outra” são dois aspectos de um grande e glorioso todo, da qual o Senhor Cristo é, por sua vez, o centro e a circunferência.

Ao longo das páginas de Interpretação da Bíblia para a Nova Era se faz referência frequente ao Caminho da Iniciação que segue a linha dos principais acontecimentos da vida do Senhor Cristo desde o Seu Nascimento até a Sua Ressurreição e Ascensão. A mesma interpretação é apresentada extensamente nesse volume com relação aos quatro aspectos de Cristo: o Cósmico, o Planetário, o Histórico e o Místico. O último é o mais importante quanto ao desenvolvimento humano, já que se refere ao Cristo Interno.

O Sagrado Nascimento se refere ao princípio Crístico despertado no ser humano. Quando esse novo nascimento ocorre no indivíduo, um novo e enorme poder emana de sua Mente e um imenso Amor irradia do seu coração. Os valores humanos se invertem completamente. Os interesses do ser humano que não busca o despertar do Cristo Interno estão centrados no lado objetivo da vida. Contudo, após o despertar do Cristo Interno, esses interesses se centram, especialmente, no lado subjetivo. Então se compreende melhor as palavras de São Paulo: “As coisas que se veem são temporais; mas as coisas que não se veem, são eternas”[193].

Com a Apresentação no Templo do neófito, um momento para a consagração e a dedicação, a força de seu Cristo Interno é vivificada, fortalecida e aumentada. Essa realização é seguida pela Fuga para o Egito, já que o Caminho do Discipulado está sempre alternado entre sol e nuvens. Longfellow[194], o amado poeta, expressou assim essa ideia:

Em cada vida há de cair alguma chuva,

e algum dia há de ser nublado e triste.

Então, o ser humano pode enfrentar a dor com a mesma fortaleza com que enfrenta a alegria; e aprende a lição a que São Paulo se referia ao dizer: “Nenhuma dessas coisas me comove”[195]. Se uma pessoa é sincera e honesta em seu autoexame e suas autoanálises, então reconhecerá que aprendeu as lições mais valiosas nos momentos mais sombrios de sua vida e não nos mais radiantes.

Uma vez superada a prova no Egito, o seguinte passo é o Retorno a Nazaré. O Aspirante, em companhia dos Anjos, é conduzido à Nazaré para crescer em fortaleza e conhecimento.

Por meio do Ensinamento no Templo, o Cristo Interno se converte na força dominante de sua vida. “A boca fala daquilo de que está cheio o coração”[196]. Então, seu maior desejo é o compartilhar sua incomensurável realização interior com todos os que desejam recebê-la. Tão logo obtenha isso, disporá das oportunidades e da habilidade necessárias para comunicar seu conhecimento espiritual.

Por meio do Rito do Batismo, a força espiritualizada da Mente e do Amor radiante do Coração se juntam em uma identificação divina. O nascimento do Cristo Interno foi completado e o Aspirante já é um indivíduo Crístico. O Batismo anuncia o começo de uma nova vida, uma vida na qual a personalidade é secundária porque a consciência reina suprema. A cabeça do, agora, iluminado é coroada por um halo de luz, quando o Espírito Santo em forma de pomba pousa sobre ele para bendizê-lo, enquanto a voz de Deus declara: “Este é o meu Filho amado, em quem Me comprazo”[197]. São Paulo, que trilhou esse caminho, sabia assim que “Deus mitiga o vento para a ovelha tosquiada”. Quem analisa essas etapas comprovará que isso é correto.

Depois do Sagrado Nascimento e da Apresentação no Templo vem a prova da Fuga para o Egito. Segue o Retorno à Nazaré que, por sua vez, conduz às etapas superiores do Ensinamento no Templo e do Rito do Batismo. Quanto maior é a realização, mais sutil é a tentação. Quanto mais estreito é o Caminho, mais inclinado ele é. O Rito do Batismo é seguido pela prova mais difícil das enfrentadas até então: a conhecida como a Grande Tentação.

Quando as energias da cabeça e do coração permanecem unidas em fusão harmônica, se desata no Aspirante uma força dinâmica de atração. Essa força atua nos planos físico, espiritual e mental e o Discípulo se torna plenamente consciente do significado da promessa de Cristo: “E o que pedirdes em meu nome, eu o farei”[198]. Sabendo que esse poder é seu agora, há de enfrentar uma decisão terrível: empregará esse poder para atrair para si os prazeres e comodidades, a opulência, a adulação e a proeminência que são postas ao seu alcance, ou dará as costas a tais sugestões e se conformará em se dedicar a uma vida abnegada, utilizando o seu poder para a redenção do ser humano e para o aperfeiçoamento do Reino de Deus na Terra? Esse é o ponto em que o Caminho se estreita ao máximo. Desgraçadamente, muitos que tem tentado seriamente a ascensão dão meia-volta daqui e deixam de caminhar com Cristo. Porque, incluindo as almas valentes que saíram vitoriosas, hão de repetir, continuamente, como fez Cristo, quando disse: “Afasta-te de mim, Satanás!”[199].

Uma vez demonstrado que possui o valor suficiente para passar com êxito pela Grande Tentação, o Aspirante está preparado para o rito denominado A Transfiguração, uma realização seguida de elevadíssima exaltação do Festival do Amor. Por meio desse rito se passa para a vida eterna. Sua Mente está de tal modo espiritualizada e seu Coração de tal modo iluminado que, literalmente, pensa com o Coração e ama com a Mente. É, portanto, digno de participar do Festival do Amor. As essências desses exaltados Mente e Coração, “o pão e o vinho” do Festival, transcendem o tempo e o espaço; podem ser enviados aos confins da Terra com o fim de bendizer e curar definitivamente. Por meio dessas essências desenvolvidas em seu interior, os Discípulos foram instruídos pelo Senhor Cristo a consagrar e espiritualizar esses elementos (“pão e vinho”) e utilizá-los para a elevação do seu irmão, o ser humano. Isso esclarece o significado das Suas palavras: “Eu sou o pão da vida”[200], “meu sangue é a água da vida eterna”[201], e outras similares.

Quando passa a experiência da Transfiguração, o Aspirante alcança o topo do desenvolvimento humano. Então, já pode irradiar o poder espiritual dinâmico nele engendrado, com uma grande luz, tanto se trabalha no plano físico, como se trabalha no plano mental ou no espiritual. Sua luz já não está “oculta embaixo da cama”[202]. Tendo alcançado o grau supremo de seu desenvolvimento está preparado – ou deveria estar – para a prova formidável do Getsemani.

O Caminho do Discipulado é largo e árduo. São necessários muitos anos, incluindo aqui muitas vidas para alcançar a última meta. E, alcançada essa, deve renunciar a tudo. Qualquer fama, prestígio, respeito ou poder que o Discípulo adquiriu deve ser deixado de lado. Há de estar disposto a descer à obscuridade e a declarar como Cristo: “Eu sozinho nada posso”[203]. Quando o Senhor permitiu ser conduzido ao Getsemani e, logo, ser pregado na cruz, tanto Ele mesmo como Sua missão se converteram como sendo fracassos para os seres humanos. Proporcionalmente, é para poucos indivíduos que se exige enfrentar essa prova, já que são poucos os que alcançam o ponto em essas provas se faz necessária. O Getsemani de Abraão foi o pedido para sacrificar o seu filho Isaac. E somente quando esteve disposto a essa renúncia suprema ele foi digno e pode caminhar e falar com os Anjos.

A renúncia absoluta e o desprendimento total foram exigências, tanto nos tempos antigos como nos modernos, para todos os que pretendem trilhar o Caminho do Discipulado. Frequentemente, durante as provas experimentadas, um Discípulo repete o pedido de Cristo: “Pai, se é possível, afasta de mim esse cálice”[204]. Se triunfa, no entanto, acrescentará: “Entretanto, que não se faça a minha vontade, senão a Tua”[205].

Depois do Getsemani vem a Crucifixão, que é um rito, tanto de pena e dor como de glorificação. O Discípulo, que renunciou a tudo, se encontra como alguém que tem ganhado a tudo. Os poderes do Céu e da Terra atuam, também, em sua oferta para a vida. Uma lei fundamental do desenvolvimento oculto e que Cristo ensinou aos Seus Discípulos estabelece que “ao que tenha, se lhe dará…mas ao que não tenha, até o que tenha ser-lhe-á tirado”[206].

A Ressurreição e a Ascensão são as etapas finais para se elevar à Grande Luz. Quem as sobrepassa, se torna realmente “Cristificado”. E se reunirá com o Senhor no Éter no momento de Sua segunda vinda e lhe servirá até o fim da Era em um exaltado estado de imortalidade consciente.

Espírito de imortal beleza, Sol de inacessível amor, ensina a humanidade a te conhecer em Teus mundos e, conhecendo-te a Ti, a ver Teu trabalho artesanal na pétala da flor, no ramo perfumado, e na voz canora, e no desenho intrincado e delicado do escaravelho, na serpente e no pássaro; e lhe ensina finalmente a te encontrar em si mesma, glória transcendente do ser humano, feita Deus.

Mary Gray

A obra A Interpretação da Bíblia para a Nova Era está centrada no ensinamento fundamental de que o Senhor Cristo veio à Terra como o Supremo Indicador do Caminho para toda a humanidade. Seu propósito foi o de ensinar o ser humano como despertar o Cristo Interno em seu próprio ser, pois, como São Paulo afirma, todos somos Cristos em formação. Os acontecimentos principais durante a permanência do Senhor na Terra representam as principais lições para a alma, que cada um dever aprender para desenvolver sua divindade latente. Não houve a necessidade de Cristo passar por todas essas experiências, mas Ele escolheu faze-las para demonstrar que o ser humano pode enfrenta-las e sair vitorioso. Foi nos dado o modelo perfeito. São Paulo disse do Senhor: “ele mesmo foi provado em tudo como nós, com exceção do pecado”[207].

O Caminho do Discipulado é áspero e escarpado. No entanto, quando um buscador desperto se torna consciente do Cristo Interno, nada mais dessa vida que não esteja relacionado com essa busca tem valor para ele. Uma vez participado do alimento celestial, todas as delícias do mundo juntas se tornam totalmente insípidas, pois ele compreende o verdadeiro sentido das palavras do nosso bendito Senhor: “Tenho para comer um alimento que não conheceis”[208] e “quem beber da água que eu lhe darei, nunca mais terá sede”[209].

São João, o mais elevado Iniciado da Dispensação do Novo Testamento, também se referiu assim à realização de Cristo: “Caríssimos, desde já somos filhos de Deus, mas o que nós seremos ainda não se manifestou”[210].

O Senhor Cristo se dedicou ao serviço transcendente de guiar a humanidade a seu estado sobrenatural. Por isso os místicos Cristãos veem um profundo significado na mais reconfortante de Suas promessas:

“E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos!”[211]

***

CAPÍTULO XXXIX – AS SETE CHAVES DO MISTÉRIO DE CRISTO

Aqui daremos um breve resumo das chaves, sete ao todo, no que é mais importante para esclarecer os Mistérios de Cristo. Os Estudantes farão bem em estudar cuidadosamente essas sete chaves, ao mesmo tempo em que leem sua descrição na versão da Bíblia; e logo, por meio de uma longa e devota meditação, as converterem em fatores ativos e vitais em suas vidas diárias.

Chave Número Um: A Imaculada Concepção

A Imaculada Concepção é o Rito sagrado por meio do qual o fogo que arde na personalidade humana se transmuta na luz do espírito puro. Durante o processo de transmutação, o fogo vermelho de Marte, a força de desejos gerada pelos Espíritos Lucíferos, é substituída pela força dourada do Sol, a força pura do amor de Cristo. Essa é a transformação mais importante que ocorrerá na onda de vida humana durante a próxima Era.

Nos tempos antigos da evolução humana se desenvolveram certos centros nas correntes do Corpo de Desejos do ser humano. Esses centros se encontram, em sua maioria, latentes na maior parte das pessoas, já que só podem despertar por meio do desenvolvimento espiritual. E só alcançaram seu total esplendor naqueles que receberam as Iniciações Maiores. No entanto, doze desses centros estão latentes no Corpo de todas as pessoas. Quando se despertam e funcionam se convertem nas doze gloriosas luzes.

Os centros estão situados nas partes distintas do Corpo Denso: dois se encontram nos pés; dois nos joelhos; um, na base da espinha dorsal; dois no fígado, três no Plexo Celíaco, no coração e na garganta; e dois no crâneo. Os Cristãos Místicos os descrevem como “as rosas que florescem na cruz do Corpo”. Não alcançam sua total luminosidade até depois de alcançada a Primeira das Iniciações Maiores ou Iniciações de Cristo. Os centros abaixo do diafragma não se ativam completamente até que o Discípulo receba as quarto Iniciações Maiores ou Cristãs. Por isso a humanidade não está ainda familiarizada em com seu funcionamento, nem com os processos envolvidos na sua ativação. Os centros situados acima do diafragma vão se ativando à medida que se vai recebendo as nove Iniciações Menores e, por isso, suas atividades e seu funcionamento são mais conhecidos. Há ainda outros centros que hão de ser ativados conforme processos posteriores de desenvolvimento espiritual, mas os tratados aqui são os mais importantes para o ser humano no seu atual estado de evolução.

Quando o centro situado na base da espinha dorsal começa a se mover, sua cor vermelha escuro vai se tornando cada vez mais clara, à medida que a própria natureza vai se purificando e espiritualizando, até se converter em uma radiação pura, tingida de um laranja dourado. As forças desse centro colaboram nos processos de transmutação e purificação que ocorrem em todo o Corpo.

Com a animação do centro situado no Plexo Celíaco se desenvolve uma grande reverência para o Corpo Denso, como templo apropriado para o Espírito interno. Quando essa comprovação acontece, todas as atividades do Corpo Denso se mesclam e se harmonizam com os princípios superiores. As radiações desse centro são de um verde vívido, a cor da natureza nascente, e servem para estimular todos os processos vitais.

A rosa só pode florescer no coração quando a compaixão se desenvolveu até o ponto de incluir a todas as criaturas viventes; esse centro não pode se converter em uma luz transcendente até que sua força motriz seja o amor. A flor dourada no coração do Discípulo não pode alcançar seu desenvolvimento total enquanto alimente seu Corpo com a carne dos irmãos menores ou utilize seu couro, sua pele, suas penas, plumas ou qualquer parte ou componente de seus corpos para gratificar sua vaidade. Há de se conservar santo e proporcionar um amoroso cuidado às criaturas menores antes de que a rosa abra suas pétalas radiantes. Quando, finalmente, se abre, esse centro se assemelha a uma explosão solar em miniatura, de um dourado esplendor.

A rosa do centro da garganta, aonde reside o poder da fala, não se desenvolverá completamente até que, por seu meio, deixem de se pronunciar palavras desconsideradas, descorteses ou destrutivas. O neófito há de fazer a suprema dedicação de sua voz a serviço de Cristo. Há de poder dizer: “Nada peço para mim e de mim mesmo dou aos demais”. Uma tal dedicação desenvolve as pétalas dessa rosa que adquirem uma cor radiante azul suave, a qual a inspiração acrescenta tons prateados.

Em outros escritos nós temos referido às duas luzes na cabeça. A glândula pituitária se converterá, um dia, em uma perfeita criadora de imagens, enquanto que a glândula pineal será o santuário aonde a vontade habita, como serva do espírito. Ambos os centros estão banhados de lindas sombras violeta, às que a aspiração acrescenta o deslumbrante brilho do ouro. Nesses centros se encontram o mistério relativo da origem do Rosário.

Quando os nove centros do corpo se despertam, o Discípulo veste o “dourado vestido de bodas” e se põe disposto para ir ao encontro do Noivo e penetrar no Festival do Matrimônio.

Chave Número Dois – O Santo Nascimento

A Virgem Maria e seu marido José eram Iniciados do Templo. Tendo aprendido todas as lições pertencentes à vida objetiva, haviam se consagrado permanentemente ao serviço do Templo. Para cumprir o plano divino, no entanto, tiveram que renunciar a essa vida e voltar par a o mundo laico para se converter em uma família. Assim que se dedicaram a criar o ambiente adequado para os anos de formação do menino que seria conhecido como o Mestre Jesus.

Durante aquela primeira noite mágica de Natal uma luz dourada focou sobre o mundo todo. Hostes de Anjos e Arcanjos, cantando exultantes hosanas, desceram à Terra e se misturaram com os seres humanos, tornando-se visíveis a muitos deles. Naquele glorioso dia dourado Maria foi arrebatada ao céu e, entre aclamações de regozijos, foi lhe confiada a custódia do Sagrado Infante.

Chave Número Três – O Batismo

Quando o Mestre Jesus desceu às águas do rio Jordão, aconteceu o grande sacrifício de abandonar os Corpos Denso e Vital que tinha construído, para que Cristo pudesse usá-lo durante os três anos de Seu ministério. Uma vez mais, como na Noite Santa, os céus se encheram com os ecos das hosanas angélicas e a voz de Deus foi escutada proclamando: “Este é o meu Filho amado, em que me comprazo”[212].

O Evangelho Segundo São Marcos se inicia com o Rito do Batismo. O Evangelho Segundo São João se inicia com o do Matrimônio Místico, no qual a água se converte em vinho. Há uma íntima relação entre esses dois acontecimentos. O Rito do Batismo foi observado pelos Discípulos no Sábado Santo que precedeu à Ressurreição. Mediante ele, cada um aprendeu a dissociar, por livre vontade, o Ego do Corpo Denso. No Rito do Matrimônio Místico Cristo ensinou a Seus Discípulos como equilibrar as forças da Mente e do Coração; em outras palavras, como manifestar a polaridade por meio da qual se pode fazer milagres, como o de transformar a água em vinho. Esse Rito é uma preparação para as maravilhas do Pentecostes.

Chave Número Quatro – A Transfiguração

Durante o curso do Seu ministério Cristo se esforçou para ajudar a Seus Discípulos mais avançados – São Pedro, São Tiago e São João – a compreender algo do profundo mistério de Sua missão. Deu-lhes a evidência de Seus poderes sobrenaturais em Sua glória celestial. Ensinou-lhes como elevar suas consciências até poder contemplar a radiação de Seu corpo de Arcanjo. Quase aturdidos por Seu ser transfigurado, caíram ante Ele de joelhos em sinal de reverência e adoração.

Orígenes[213] disse o que se segue com relação à exaltada experiência vivida pelos Discípulos privilegiados, contemplando a glória de Cristo no monte: “Perguntá-los-ei se quando Ele se transfigurou ante aqueles que Ele mesmo havia levado até o alto da montanha, O viram na forma de Deus naquela que Ele existia antes; pois bem, para os que estavam abaixo, Ele tinha a forma de um servo, mas aqueles que O seguiram seis dias mais tarde, não tinha esse aspecto, senão a forma de Deus”.

Como se disse ao longo do capítulo dedicado a Cristo no Antigo Testamento, muitos dos mais avançados mestres e profetas dessa Dispensação prepararam a seus Discípulos para a vinda do Cristo. Quando São Pedro, São Tiago e São João contemplaram, com reverente assombro, o sublime espetáculo do Cristo transfigurado, viram a Moisés e Elias de pé junto a Ele, dois dos mais elevados Iniciados dos dias do Antigo Testamento, que haviam trabalhado preparando a seus seguidores para a vinda do Cristo.

Chave Número Cinco – Getsemani

Era missão do Cristo identificar-se a Si mesmo como o destino da Terra e da sua humanidade. Este era o trabalho final que ocorreria ante da Crucifixão. E foi durante essa prova terrível que Ele conseguiu Sua plena identificação com o destino da onda de vida humana.

Cristo havia compartido a mais extraordinária experiência de Seu ministério com os mesmos Discípulos avançados, São Pedro, São Tiago e São João. Agora os chamou para compartilhar também com Ele a hora mais obscura e agonizante de Sua permanência na Terra. Esperava que eles dessem uma assistência durante esse trabalho. No entanto, esse trabalho foi para Cristo, nosso glorioso modelo, como é para todo Aspirante que trilhe o Caminho: ninguém, salvo o Pai, compartilhou com Ele essa hora mais obscura. Por isso o Evangelho diz que Seus mais iluminados Discípulos dormiram. Não estavam à altura de fazer a guarda, motivo pelo qual foram chamados.

Sua incapacidade para medir as demandas da trágica ocasião e a perda com isso proporciona a oportunidade de prestar um serviço inimaginável é uma advertência para todos os que se dedicam a Cristo. Salvo que hajam adquirido a necessária preparação, não serão conscientes do que está ocorrendo e não prestarão atenção à chamada de Seu Senhor e Mestre.

Chave Número Seis – A Crucifixão

O Batismo anunciou o começo do ministério do Senhor Cristo para a Terra e para o ser humano; enquanto que a Crucifixão marcou o momento mais importante do mencionado ministério. Na Crucifixão, ele que veio como o mediador entre os céus e esse plano, penetrou no coração da Terra e se converteu em seu Espírito Interno. Desde então, Seu ministério tem sido tanto desde dentro, como desde a esfera exterior. O coração da Terra é Seu centro planetário. Todo ano, a força de Cristo penetra nela com intensidades e volumes crescentes e isso faz com que cada vez mais Ele encontre um lugar no coração humano. Essa foi a maravilhosa revelação que sobreveio à São Paulo no caminho para Damasco e que ele logo incorporou aos ensinamentos que distribuiu a seus discípulos.

Aos que asseguram que Cristo, como pessoa, nunca viveu, que Sua vida não é senão um recurso simbólico do Caminho da Iniciação, e que a Crucifixão é também simbólica, não conhecem a verdadeira essência da Cristandade esotérica ou mística.

Mil anos com o Senhor não são senão como se fosse um só dia. No Segundo Dia da Criação, a que ser refere o Gênesis (Período Solar), os Arcanjos estavam passando por uma etapa de sua evolução, similar a nossa atual condição humana. Seus veículos mais densos eram de matéria desejos (o Corpo Vital não se manifestou até o próximo Período, o Lunar; enquanto que o Corpo Denso não se manifestou até o presente Período Terrestre). Cristo era o líder dessa onda de vida Arcangélica, e era o guardião da Terra em formação. Eons passaram até que o planeta estivesse preparado para abrigá-lo no seu centro.

Quando o Sol passava, por Precessão dos Equinócios, pelo Signo de Áries, o Cordeiro veio como o Bom Pastor para as ovelhas que estavam extraviadas. Quando o Sol passava, por Precessão dos Equinócios, no Signo de Libra, aproximadamente há dez mil anos atrás, começaram os preparativos para Sua vinda. Foram enviados mestres Iniciados às mais diferentes partes do mundo, todos com uma mensagem similar: formar um círculo próximo de Discípulos para esse glorioso acontecimento que é a vinda da Luz do Sol, que haveria de se converter na Luz do Mundo. À medida que o tempo passava a preparação foi se tornando mais definida. Na China apareceu Lao Tsé e a adoração de Kwan Yin, que representa a Divindade Feminina. No Egito, a adoração se centrou em Osíris e Isis; na Babilônia, em Izdubar e Isthar; na Grécia, em Apolo e Atena; na Índia, Buda e sua mãe Maia; na Pérsia, Zoroastro[214] e Ainyahita[215]; e, finalmente, na Palestina, Jesus e a Virgem Maria. Ao longo de todos os tempos esses discípulos que eram conscientes da “encarnação por vir” estiveram preparando-a. E acrescentamos aqui, também, os três Magos do Oriente.

Santo Agostinho reconheceu essa preparação, ponto a ponto, para a vinda do Cristo. Disse: “o que hoje se denomina Religião Cristã existia entre os antigos e nunca parou de existir, desde a origem da onda de vida humana até que o mesmo Cristo chegou, e o ser humano começou a chamar Cristianismo a verdadeira religião que já existia antes”. O Cristianismo continuou a partir das revelações prévias que haviam acontecido.

Existia uma relação íntima entre os Mistérios Cristãos primitivos e os Mistérios de Mitra, na Pérsia. Diz-se que Tertuliano havia sido iniciado na Escola Persa, antes de contatar o Cristianismo. São Jerônimo, por sua vez, escreve sobre os mistérios com tal conhecimento que é muito provável que pertencera a seu círculo íntimo. Como em todas as Escolas Esotéricas, os Mistérios de Mitra constavam de sete graus. Os sete graus eram nomes simbólicos de aquisições específicas. O Primeiro Grau, que sempre trará do domínio pelo ser humano da sua natureza inferior, era conhecido como O Corvo. O Segundo era O Ocultista; o Terceiro, O Guerreiro; o Quarto, O Leão. O Quinto era o mais importante e o mais profundo em seus efeitos. A essas alturas o Iniciado havia já adquirido o completo autodomínio e era dado o nome do país ao qual pertencia. Por isso, na Escola de Mitra, a um Iniciado de Quinto Grau, se lhe chamava O Persa.

Com a vinda do Cristo, os Mistérios assumiram uma forma mais exaltada que nunca antes havia tomada, porque na Escola de Mistérios Cristãos, os sublimes ensinamentos de Cristo foram somados aos dos Antigos Mistérios. Esses Mistérios incrementados serão a pedra angular da nova Religião de Aquário. Como já foi dito, o nome Iniciático de São João foi Lázaro e ele foi o primeiro a ser Iniciado nesses Mistérios sublimes. Por meio deles, a morte foi vencida e as portas da imortalidade foram abertas, e quem segue seus passos poderão entrar no glorioso privilégio de ser um dos Discípulos que Cristo mantem junto ao Seu coração.

Durante o intervalo entre a Crucifixão e a Ressurreição, Cristo trabalhou para purificar o Corpo de Desejos do Planeta, um Corpo que a humanidade tinha infestado de mal, de tal modo que, a evolução do ser humano estava se atrasando enormemente. Já não havia substância de desejos apropriada para formar Corpos de Desejos puros. A obscura capa miasmática que rodeava a Terra criava umas condições que faziam com que muitas pessoas fossem presas fáceis de entidades obsessoras na Terra, as quais a Bíblia chama de “maus espíritos” que deviam ser expulsos.

No momento da crucifixão Cristo rasgou o véu do Templo da Iniciação, tornando-a possível para “qualquer um que quisesse vir” e compartilhar as águas da vida eterna. Isso está belamente simbolizado pela afirmação bíblica de que “o véu do Templo se partiu em dois”[216]. Como foi dito antes, à luz do Cristianismo Esotérico está claro que a missão de Cristo, nessa primeira vinda, não foi concluída com a Crucifixão. Isso ocorreu quando Ele, verdadeiramente, se converteu no Cristo Planetário.

No Equinócio de Setembro de cada ano Ele renasce na esfera física terrestre e trabalha nela durante os seis meses nos quais o Sol passa pelos Signos Zodiacais situados abaixo do Equador. Então, limpa e purifica o Mundo do Desejo do Planeta, em cujas atividades Lhe ajudam Miguel e sua hostes de Arcanjos. Assim, ano após ano, os seres humanos podem incorporar a seus Corpos Densos material de desejos cada vez mais puro. Desde o tempo da Páscoa até o Equinócio de Setembro, enquanto o Sol transita pelos Signos ao norte do Equador, o Senhor Cristo trabalha na envoltura espiritual da Terra, impregnando-a de forças espirituais elevadas provenientes das Hierarquias Zodiacais que rodeiam o Sistema Solar. Esse é o processo cósmico por meio do qual o que está sendo elaborado é o “dourado vestido de bodas” da Terra.

Cristo jamais voltará a descer em um Corpo Denso para caminhar entre os seres humanos. Da próxima vez Sua atividade será centrada na Região Etérica do Mundo Físico, biblicamente conhecido como o Jardim do Éden. Aqueles que servem com Ele nessa edênica morada construíram o seu próprio “vestidos de bodas”; em outras palavras, construíram o Corpo-Alma, capaz de funcionar conscientemente na Região Etérica do Mundo Físico. Tal veículo só pode ser confeccionado de uma maneira: por meio da dedicação de si mesmo ao serviço dos outros.

Quando a humanidade se tornar Crística, os elementos físicos da Terra irão, progressivamente, se refinando até que toda a onda de vida humana, literalmente “viva, se mova e tenha o seu ser” na Região Etérica do Mundo Físico. Então, o objetivo do nascimento e da existência desse Planeta será cumprido. Cristo haverá completada Sua sublime missão e uma onda de vida humana crística viverá entre as glórias de “um novo céu e uma nova Terra[217].

O momento mais importante de todos os acontecimentos mundiais foi o do Gólgota. Ele se situa entre os nove Mistérios Menores pré-cristãos e os quatro Mistérios Maiores estabelecidos pelo próprio Senhor Cristo. Quando as Escolas de Mistérios pré-cristãs ensinaram a seus Discípulos a se preparar para o “Grande Uno que havia de vir”, tais ensinamentos iam acompanhados pela visão de um homem pregado a uma cruz. Quando o sangue de Cristo fluiu no Gólgota, Ele se converteu no Senhor interno da Terra, já que Ele é o Senhor dos céus. Como tal espírito interno Ele está no mais íntimo contato com toda a humanidade. Ele torna mais fácil para os seres humanos o despertar do princípio Crístico residente no interior de cada ser humano. Na medida em que os seres humanos aprendam a ativar esse princípio irão adquirindo o caráter de salvadores do mundo, e compartirão com Cristo o Seu trabalho de redentor. E, consequentemente, se converterão em precursores de Sua segunda vinda.

O Arcanjo Miguel, mensageiro líder do bendito Senhor, tem por missão proporcionar aos pioneiros da Nova Era uma compreensão mais profunda do Cristo Cósmico em relação, tanto com a humanidade, como com o Planeta, assim como do papel desenvolvido pelo Cristo Planetário na evolução da humanidade. A compreensão disso será a base para a nova religião da Nova Era.

Quiçá a fase mais importante do acontecimento do Gólgota foi a demonstração dada por Cristo ao ser humano de que o amor é uma força, um poder. O ser humano havia considerado muito tempo o amor com uma paixão, um sentimento ou um ideal; mas, Cristo demonstrou como o poder do amor pode fazer milagres. É o poder que faz a Terra girar sobre seu eixo e descrever sua órbita ao redor do Sol. A “lei de atração” de que falam os astrônomos não é senão outro nome do poder do amor.

O Senhor Cristo utilizou esse poder quando deixou o plano dos Arcanjos para se converter no Regente da Terra; e logo, quando fez o sacrifício do Gólgota em benefício dos seres humanos. E continua o fazendo quando Sua brilhante presença fica aprisionada no interior do Planeta durante os seis meses todo ano, para renovar suas forças e produzir a redenção da onda de vida humana. Sem dúvida alguma, a definição mais exata do poder do amor se encontra em suas próprias palavras: “prova de amor maior não há do que doar a sua vida pelos seus amigos”[218].

Aqueles que queiram se converter em pioneiros no trabalho de estabelecimento pelo Cristo na Nova Galileia hão de incorporar o poder do amor de seu interior, vivendo vidas de tal pureza e serviço altruísta que os qualifiquem para assumir a direção da Terra e continuar a redenção da humanidade. Só por meio de tal serviço poderá Cristo ser libertado de Seu laço voluntário com a mortalidade e poderá voltar a subir no seu lar arcangélico no que Ele é o supremo Iniciado.

Chave Número Sete – A Ressurreição

Através das eras é ensinado aos Discípulos que o Grau da Ressurreição marca a culminação do Caminho da Iniciação. Assinala, igualmente, o triunfo definitivo da vida sobre a morte. Os antigos diziam que os seres humanos conhecem só a morte, enquanto os deuses conhecem somente a metamorfose. A transmutação da morte na vida eterna se realiza no Grau da Ressurreição. Cristo, o sublime indicador do Caminho da Iniciação, deixou Suas vestimentas na tumba vazia para simbolizar a supremacia e a autoridade do espírito sobre a personalidade limitada e associada somente com a encarnação física.

É ensinado aos Discípulos avançados dos antigos Mistérios – e aos verdadeiros Discípulos dos nossos dias – a ter, conscientemente, uma ponte sobre o abismo aparente entre a vigília e o sono, entre a vida e a morte. São Paulo se refere a essa consecução quando diz que o último inimigo a ser vencido pelo ser humano é a morte, um estado de consciência que caracteriza os avançados que caminham pela trilha da Iluminação. Isso será uma herança comum da onda de vida humana no final do presente Período Terrestre, já que na conquista final da morte, o espírito se liberta do peso da mortalidade.

Os Cristãos místicos reconhecem que o Gólgota é um acontecimento histórico e, por sua vez, um processo anual, e que continuará sendo até que um número suficiente de pessoas se tenha “Cristianizado” para executar o trabalho redentor. Enquanto Cristo continua Seu serviço cíclico, inumeráveis seres celestiais lhe outorgam sua reverência e adoração em alegres hosanas. E, em resposta, Ele entoa as majestáticas palavras: “Todo poder me foi conferido nos céus e na Terra”.

As Iniciações ou Mistérios Menores alcançam seu clímax no Grau da Ressurreição. Os Grandes Mistérios (ou as Iniciações Maiores), os de Cristo, introduzem um grau mais elevado com o Rito da Ascensão. Aqueles que alcançam esse grau são capazes de seguir a Cristo até o seu próprio lar, no Mundo do Espírito de Vida, o plano da exaltada unidade expressa por Cristo ao dizer: “Eu e meu Pai somos um”. Esse estado foi alcançado pelos Discípulos no dia de Pentecostes. Algum dia será alcançado pela humanidade, por meio da primeira das Iniciações Maiores, estabelecida por Cristo durante Sua primeira vinda na Terra. Repetindo: o nível alcançado pela humanidade no final do presente Período Terrestre corresponderá ao trabalho da primeira Iniciação Maior ou Primeira Iniciação Crística. Quando os Discípulos manifestaram seus poderes no Pentecostes se converteram em “homens-deuses”.

O trabalho da segunda das Iniciações Maiores se manifestará pela humanidade durante o Período seguinte, o de Júpiter, quando ambos, ser humano e Planeta transcendam o estado físico da matéria. Então, funcionarão em veículos etéricos e as condições da Terra serão similares às que existiam no Jardim do Éden. Não haverá mais enfermidades, velhice e nem morte. Tendo incorporado ao veículo etérico superior as essências do Corpo Denso do ser humano, o primeiro se terá convertido em um instrumento extremamente sensível, com possibilidades muito maiores que a nossa atual compreensão. Sua Mente estará tão espiritualizada que manifestará o poder inato de Deus, lhe habilitando para trabalhar com a vida, tal como essa se expressa atualmente no reino vegetal. Esse poder está sendo usado, atualmente, pelos Anjos para criar e tornar possível o crescimento nos seres de natureza vegetal. O ser humano será, igualmente, capaz de transmitir imagens de sua própria Mente para a consciência dos demais de modo que, se está descrevendo uma determinada cena, seu ouvinte verá uma reprodução exata dela. Quem está sendo instruído pelos seres angélicos já sabe que o desenvolvimento da consciência pictórica é uma parte essencial de seus ensinamentos.

Com o Rito da Assunção, a Virgem Maria foi elevada para viver com os Anjos. Na maravilhosa beleza de seu lar etérico, ela possui as faculdades que prevalecerão durante o Período de Júpiter. É, portanto, o modelo perfeito para o Discípulo da Segunda Iniciação Cristã, e para toda a humanidade, durante o Período seguinte.

Por meio da terceira das Iniciações Maiores, uma alma a ela exaltada adquire poderes e capacidade que não seriam conhecidas pela humanidade até que conclua o Período de Vênus. Nesse estado avançado de desenvolvimento o Corpo de Desejos do ser humano será perfeito. As essências espirituais, tanto do Corpo Denso como do Corpo Vital, serão incorporadas a um veículo ainda mais tênue, enquanto o desejo se converterá em luz. Literalmente o ser humano viverá, se moverá e terá seu ser em um corpo de luz. Durante o Período de Júpiter o ser humano desenvolverá a consciência pictórica, como já temos dito. Contudo, durante o Período de Vênus a consciência lhe proporcionará a capacidade de imprimir vida nessas imagens, criadas pela consciência pictórica jupiteriana.

São João, o amado, é o perfeito modelo da humanidade do Período de Vênus e do Discípulo que alcança a Terceira Iniciação de Cristo. Por isso São João, o modelo venusiano, é o Discípulo que chegou mais perto do coração amante de Cristo. Seu maravilhoso Evangelho é uma declaração inigualável sobre o ilimitado poder do amor.

Durante o Período de Vulcano, que corresponde à quarta das Iniciações Maiores (as de Cristo), o ser humano alcançará a perfeição divina. As essências espirituais de seus Corpos Denso, Vital e de Desejos serão incorporadas ao veículo mental, de modo que possuirá “essa Mente que esteve também em Cristo Jesus”. Essa força criadora de vida terá o seu foco no coração, o centro do amor. Sua laringe se converterá em um órgão de criação, por meio do poder da palavra falada. E, assim, a geração será exaltada até a regeneração. Cristo é o modelo do ser humano perfeito do Período de Vulcano. Ele é, também, o primeiro Iniciado a passar pelas glórias da quarta e última das Iniciações Maiores. E a esse exaltado estado final se referia Davi, um Iniciado elevado da Dispensação do Antigo Testamento, em suas inspiradas palavras:

“…que é um homem, para dele te lembrares,

e um filho de Adão, que venhas visitá-lo?

E o fizeste pouco menos do que um deus,

coroando-o de glória e beleza.”

(Salmo 8:5-6).

QUINTA PARTE – O CICLO ANUAL COM CRISTO

CAPÍTULO XL – SINTONIZADOS COM O RITMO DOS DOZE

Nos momentos atuais só muito poucas pessoas tem uma compreensão espiritual das festas eclesiásticas normalmente celebradas. Ainda que a igreja de Roma e a igreja da Inglaterra celebrem muitas dessas festividades, seu significado oculto se perdeu há muito tempo. Como foi dito nos volumes anteriores da obra Interpretação da Bíblia para a Nova Era, o Mistério Cristão do Templo está situado nos Éteres, sobre a cidade de Jerusalém. Nessa elevada e sagrada área tais festas têm sua origem e ali é onde continuam se celebrando com todo seu esplendor e majestade. Durante sua observância se derrama sobre a Terra um poder espiritual dinâmico. Esse é um dos muitos canais empregados por Cristo para a espiritualização do Planeta.

Outubro – Novembro – Dezembro

Quando o Sol entra em Libra, que anuncia a chegada de outubro, a força dourada do Cristo passa pelos reinos terrestres enquanto esse sublime Ser inicia, novamente, o Seu sacrifício anual EM um evento denominado A Crucifixão Cósmica. A isso São Paulo se refere na Epístola aos Romanos 8:22: “Pois sabemos que a criação inteira geme e sofre as dores de parto até o presente”. Nessa época do Equinócio de Setembro um Discípulo deve renovar sua decisão de percorrer o caminho do Senhor, a despeito de quaisquer vicissitudes e obstáculos que possam afetar seu caminhar.

Durante novembro o Espírito do Cristo impregna o Mundo do Desejo da Terra. Então, o Discípulo deve se esforçar para purificar sua natureza inferior com o objetivo de ajudar o Grande Uno em Seu trabalho de limpar o Mundo do Desejo da Terra. Deve, especialmente, tentar se converter em um canal de serviço mais eficiente, como Auxiliar Invisível e como auxiliar visível.

Durante os primeiros dias da manifestação humana, uma parte do trabalho realizada pela Hierarquia de Escorpião, que preside o mês zodiacal de novembro, consistiu em despertar o Ego no ser humano, assim lhe ajudando a completar sua individualização. Durante o estado presente da evolução humana, o Discípulo, trabalhando sob a orientação dos Senhores da Individualidade (Libra) e os Senhores da Forma (Escorpião), aprende a transformar a presunção em humildade e a sacrificar o “Eu” pessoal ao impessoal “nós”; em outras palavras, a viver o ideal do maior bem para o maior número.

A época do Advento se estende ao longo do mês de dezembro e é conhecida como o Festival da Luz. Os impulsos espirituais da estação preparam a humanidade para o derramamento de forças celestiais que acompanham o renascimento anual do Cristo Cósmico em nossa esfera terrestre. Depois do Advento temos o Solstício de Dezembro, que ocorre entre 21 e 24, e que culmina no grande Festival de 25 de dezembro. O Natal há de seguir sendo uma observância externa para o Aspirante até que Cristo nasça em seu interior. E dependente do nível em que experimente esse despertar, será capaz de participar no elevado êxtase espiritual da mais sagrada das estações.

Janeiro – Fevereiro

Os Doze Dias Santos começam em 26 de dezembro e alcança seu clímax em 6 de janeiro, com a Festa da Epifania. Essa festa comemora a chegada dos três Homens Sábios com seus ricos presentes para o Menino no presépio. No Caminho do Discipulado, a Festa da Epifania significa a tríplice dedicação do Discípulo de seu espírito, sua alma e seu corpo, acompanhados de presentes de amor, vida e serviço, ao Cristo Menino. A influência espiritual dessa festa se estende a todo o mês de janeiro. Durante esse mês, o Discípulo tenta cultivar esses atributos espirituais e se conscientizar deles, por meio de uma mais profunda dedicação a Cristo.

Em fevereiro começa uma preparação especial para a estação Quaresmal, quando o Aspirante experimenta disciplinas específicas para ir tornando o espírito o elemento mais importante de cada pensamento, palavra e obra. A palavra fevereiro vem do latim Februaris, nome dado à festa romana da Purificação que se celebrava no décimo quinta dia do segundo mês do ano. Durante os primeiros dias de fevereiro a igreja celebra, igualmente, a Festa da Purificação como trabalho inicial da época da Quaresma. Um Discípulo místico Cristão a observa como tempo de tríplice purificação, tratando de purificar o seu Corpo Denso com alimentos mais puros; seu Corpo de Desejos por meio de atos virtuosos; e sua Mente por meio de pensamentos castos de palavras de verdade.

Essas disciplinas são uma orientação de preparação para a grande transmutação que é o momento culminante de cada observância anual. Tanto a Mente como o Corpo do Aspirante se sensibilizarão, se participar do derramamento extático dessa celebração cósmica. Por isso a igreja abençoa os círios que serão utilizados durante o ano seguinte. Para um Místico Cristão as velas simbolizam a “luz do mundo”, o bendito Cristo. Na Quaresma se consagra a si mesmo de novo ao serviço de Cristo e se esforça para ser portador da luz que, segundo São Pedro, está também no próprio Cristo.

Março – Abril – Maio

A Ressurreição cósmica ocorre em março, quando o Espírito de Cristo se libera da esfera terrestre e passa para os planos espirituais mais elevados. As Hierarquias, tanto de Áries como de Peixes, se unem aos Anjos e Arcanjos na triunfante celebração desse acontecimento. O ritmo de seu hino cósmico foi plasmado por Händel em seu Aleluia[219]. Os cerimoniais pré-cristãos que celebravam o regresso da primavera, para o hemisfério norte, e a vitória da luz sobre as trevas estavam também sintonizados com esses mesmos ritmos.

O Equinócio de Março é para o Discípulo um dos pontos culminantes do ano. Suas notas-chaves são a liberdade e a emancipação, que conduzem a uma vida mais extensa. É, também, o tempo em que o Cristo Cósmico se liberta dos grilhões que O tem mantido escravo durante os meses de dezembro, janeiro e fevereiro. Assim que é o momento mais propício para que um Discípulo avançado rompa os laços que lhe atam e penetre na regozijosa liberdade do espírito.

A igreja celebra a festa eclesiástica da Anunciação em março, quando a natureza celebra o festival cósmico da Anunciação, pois há uma íntima relação entre o ser humano e a natureza. A natureza é Deus em manifestação. O ser humano é um deus em formação. Por isso um se reflete no outro. Os rituais mais santos observados pelo ser humano estão sintonizados com as mudanças de estação. Os poetas cantam louvando o santo Espírito da primavera enquanto o esplendor do verde e do amarelo-ouro da natureza evidencia que as forças da vida estão retornando e respondem no triunfo do impulso cósmico da Ressurreição.

Um seguidor avançado do Caminho compreende que chegou o momento de fundir a dor e as lágrimas de sua vida pessoal (Peixes) com as forças transformadoras de Áries. Se assim o faz, se une ao imponente coro, respondido, como um eco, pelos Anjos e Arcanjos e que canta: “Cristo ressuscitou porque Cristo nasceu em mim”.

O mês de abril é denominado o mês da Ressurreição. E é então quando as forças que surgem novamente alcançam sua culminação na natureza e se converte em uma gloriosa sinfonia de beleza e cor.

A Sexta-feira Santa é o dia mais santo para o Místico Cristão. Os Cristãos ortodoxos a celebram com penitência e luto, porque seus pensamentos estão centrados nos sofrimentos e na crucifixão do Salvador. Os Cristãos místicos, no entanto, a celebram com um profundo regozijo e agradecimento internos, porque indica a liberação do Senhor após meio ano de encarceramento nos limites físicos da Terra, e Sua ascensão triunfal a Mundos mais elevados. Compreendem que Seu sacrifício e Sua Ressurreição são um serviço redentor pela humanidade, um serviço que não terminará nunca, até que a humanidade, como um todo, seja espiritualmente livre.

Quando Cristo ascende nesse dia santo, os planos internos tomam a aparência de uma massa fundida de refulgente ouro. Na lenda do Santo Graal, é ensinado aos cavaleiros que na Sexta-feira Santa descende do céu uma pomba para encher o cálice sagrado com a água da vida, para que possam, assim, os cavaleiros receber o alimento espiritual ao longo do ano seguinte. E, assim, é como o Senhor, em Sua Ascensão, vai derramando Seu amor e Seu Espírito para alimentar todo o ser vivente sobre o plano terrestre. Se não fosse por esse fornecimento anual, o trigo não produziria grão nem as videiras dariam fruto. À luz desse fato pode-se ver que o Cristo expressou, literalmente, uma profunda verdade quando, durante a última Ceia, disse a Seus Discípulos: “Esse (o pão) é meu corpo que será entregue por vós…Esse é o cálice do novo testamento em meu sangue, que será derramado por vós”[220].

Participando do sagrado Rito da Eucaristia na Sexta-feira Santa, se está participando do corpo e do sangue espirituais do bendito Senhor, já que os ritos potencializam as energias espirituais. Depois dessa participação, o Aspirante deve se esforçar por despertar mais completamente o processo de transmutação em seu interior. Deve se esforçar para se despojar do velho e se vestir do novo, sendo seu ideal o se elevar do ser humano terreno para o ser humano celeste. Desde esse momento há de demonstrar que, verdadeiramente, está feito à imagem e semelhança de Deus.

Junho – Julho – Agosto

Uma das festas mais formosas do ano é a Ascensão, que se celebra, aproximadamente, quando o Sol passa de Touro (maio) para Gêmeos (junho). Então, grupos e grupos de seres celestiais se prostram em adoração ante a exaltada presença de Cristo e mesmos as estrelas se unem em uma sinfonia que proclama a Sua majestade e glória. Durante essa festa sagrada, Sua irradiação penetra na Terra e a impregna com a refulgência que excede toda descrição, tornando brilhante, tanto Mundo Físico como os Mundos Espirituais. E, como a natureza está em perfeita harmonia com essas correntes crescentes de Cristo, esse período de quarenta dias entre a Ressurreição e a Ascensão, é de tal conteúdo espiritual que se converte, no momento apropriado, em material para que o Discípulo desenvolva em seu interior os poderes da Clarividência, Clariaudiência e outras faculdades do espírito, que pertencem ao verdadeiro Discipulado.

O oitavo dia depois da Ascensão é celebrado a Festa de Pentecostes, que sintetiza as experiências dos primeiros Discípulos que viveram intimamente com Cristo, durante o período mencionado. O dia de Pentecostes homens e mulheres se converteram em homens e mulheres Crísticos, adequadamente equipados para o trabalho de estabelecer Seu Reino na Terra. O santo dia comemorativo de tal acontecimento é, de fato e em verdade, o domingo branco da alma (Pentecostes); e constitui a máxima consecução possível nesse Planeta.

Na igreja exotérica, a oitava de Pentecostes se comemora a tríplice atividade do Pai, do Filho e do Espírito Santo. É conhecido como o domingo da Trindade e marca o fim das festas espirituais do ano. Daqui em diante não são mais observadas festas até o começo da época do Advento. No entanto, o significado esotérico do domingo da Trindade, há muito tempo, foi esquecido, ainda que siga sendo importante, já que a igreja conta todos os domingos desde o da Trindade até o Advento como primeiro, segundo, terceiro domingo, etc. “depois da Trindade”.

Os Cristãos esotéricos, no entanto, compreendem algo do significado da celebração da Trindade. Sabem que o domingo da Trindade simboliza, por assim dizer, o trabalho supremo do Cristo no ciclo anual e que durante os meses de junho, julho e agosto Cristo trabalha em uníssono com o Deus Trino e com as três Hierarquias de Gêmeos (Serafins), Câncer (Querubins) e Leão (Senhores da Chama) preenchendo, energizando e espiritualizando a Terra e tudo o que nela existe.

Quando o Sol entra em Gêmeos, no mês de junho, Cristo passa ao Terceiro Céu que, na terminologia Rosacruz, está no Mundo do Pensamento Abstrato. É a esfera mais elevada que é alcançada pela humanidade no ciclo de renascimento e em seu atual estado de desenvolvimento. O Primeiro Céu é o mundo da cor; o Segundo Céu é o mundo do som; o Terceiro Céu é o mundo das Ideias Abstratas. É esse um mundo de luz branca pura em que uma alma iluminada aprende a escutar a Voz do Silêncio.

Durante o mês de junho Cristo se converte em um canal para as radiações emitidas pelos Serafins, a Hierarquia de Gêmeos. Contata-os por meio do Espírito Santo, o terceiro aspecto da Trindade. Uma das notas-chave de Gêmeos é a atividade; essa é, também, a nota-chave do Espírito Santo. Por meio da sua atividade, os Serafins traspassam os mistérios do Espírito Santo ao Signo oposto, Sagitário, os Senhores da Mente. Ali esperam que o ser humano desenvolva sua iluminação até ser capaz de compreender e aplicar o imenso poder do Espírito Santo em sua vida diária. Ainda assim a humanidade só é capaz de perceber debilmente os mistérios relacionados com o princípio e os poderes do Terceiro Aspecto da Trindade.

Durante o período de trânsito do Sol pelo Signo de Gêmeos, o Discípulo fará bem ao dedicar o maior tempo possível a meditar sobre o princípio da polaridade, pois é o mês mais apropriado do ano para receber as revelações esotéricas sobre essa matéria profundíssima. Se for possível, o Zohar, “o Livro da Luz”, como foi inicialmente conhecido, é recomendável para os estudos sobre esse tema.

Quando o Sol entra em Câncer, no mês de julho, Cristo ascende a seu próprio lar, o Mundo do Espírito de Vida, o plano em que a unidade e a harmonia reinam supremas; é, também, o nível de consciência contatado pelos Discípulos no dia de Pentecostes. E será alcançado pela porção mais avançada da humanidade no final do presente Período Terrestre. Nesse momento do ano, por meio do trabalho do Cristo Cósmico, o Filho, o Verbo e o Segundo Aspecto da Trindade, nosso bendito Senhor, contata a Hierarquia de Câncer, os Querubins. Esses seres celestiais são os guardiões de todos os lugares sagrados no céu e na Terra e contém, dentro de si, o grande mistério da vida. Sob a direção de Cristo, esse sagrado mistério se traspassa desde Câncer ao seu Signo oposto, Capricórnio, ficando a cargo dos Arcanjos.

Por essa razão os Salvadores do Mundo, que vêm à Terra proclamando o mistério do Sagrado Nascimento, nascem sob o Signo de Capricórnio. A observância conhecida eclesiasticamente como a Festa de São João, que foi o precursor de Cristo, ocorre durante o Solstício de Junho.

Em julho, a alma da Terra se submerge em puro êxtase. Os céus se curvam para baixo, enquanto a Terra é elevada para cima. Com esse divino intercâmbio de forças espirituais se consume o Matrimônio Místico entre o Céu e a Terra. Durante um intervalo de quatro dias as correntes de desejos são silenciadas para que as forças espirituais possam reinar supremas e a Terra se encha com a pura luz do espírito. Todo Discípulo que aprende a se sintonizar com esse poderoso influxo ascenderá a um nível de consciência espiritual nunca sonhado. Se se dedica muito tempo à meditação durante esse período, descobrirá igualmente um profundíssimo e esclarecedor significado da fórmula fundamental da Criação, fornecida por São João:

“No princípio era o Verbo

e o Verbo estava com Deus

e o Verbo era Deus.

Ele estava, no princípio, com Deus.

Tudo foi feito por Ele

e nada do que tem sido feito, foi feito sem Ele.”

(Jo 1:1-3)

Quando o Sol alcança o ponto mais elevado em sua ascensão para o norte, Cristo ascende, igualmente, ao Mundo espiritual denominado o Trono do Pai. É conhecido na terminologia Rosacruz como o Mundo do Espírito Divino, o lar do Deus desse Sistema Solar. Deus é Amor e Deus é Luz. Amor e Luz são as notas-chaves da Hierarquia de Leão, os Senhores da Chama. Sob a supervisão dos Senhores da Chama e junto aos poderes do Pai, o Primeiro Aspecto da Trindade, Cristo trabalha com o poder supremo do amor, a força estabilizadora da Terra. Para isso, se converte no canal da força, graças à qual a Terra gira em torno do seu eixo e em torno do Sol. Esse poder do amor é traspassado pela Hierarquia de Leão ao seu Signo oposto, Aquário: por isso é que esse será o poder que animará a nova Era de Aquário.

Durante essa época, o Discípulo deve se esforçar para converter o amor na força motivadora de sua vida. Ele deve aspirar a embelezar cada uma das suas palavras, pensamentos e obras com a sua magia. O décimo terceiro capítulo da Segunda Epístola de São Paulo aos Coríntios, um dos maiores cantos da alma ao amor, é o mantra perfeito, tanto para a meditação como para o esforço, durante o período em que o Sol transita pelo Signo real de Leão.

Setembro

Em setembro o Senhor Bendito sai da glória dos Mundos celestes mais elevados e começa a sua descida para os planos físicos. Durante todo o mês a terna e anelante beleza da natureza é diferente de todos os outros momentos, porque Cristo está se aproximando da Terra como uma galinha que acolhe seus pintinhos, com a mesma dor amorosa que sentiu quando chorou por Jerusalém, há muitos anos atrás. Ele verteu aquelas lágrimas porque sabia do longo tempo de dor e de sofrimento que a humanidade havia de viver por ter buscado a escuridão ao invés de buscar a luz. Seu imenso coração se angustiou pelas nuvens obscuras que cobririam Jerusalém, o verdadeiro coração do Planeta, ao que se havia dedicado a servir e sobre o que estava derramando todo Seu imenso amor.

Setembro é outro mês de preparação para o Discípulo. Uma das notas-chave de Virgem é sacrifício. Um Discípulo sério, que se prepara por meio do sacrifício e da autorrenúncia, para participar no festival do Solstício de Dezembro, frequentemente meditará sobre a nota-chave espiritual de Virgem: “Se alguém quiser ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos” (Mc 9:35).

Com o Sol entrando em Libra e as forças de outubro impregnando a Terra, chega o festival do Equinócio de Setembro. No caminho de Damasco, foi concedido a São Paulo o que ele viu na Memória da Natureza: o ciclo Crístico. Quando compreendeu a verdadeira importância desse sacrifício anual do Espírito do Sol, ele se transformou, de principal perseguidor de Cristo, em um dos Seus mais ilustres mensageiros. À luz da compreensão da missão de Cristo na Terra, São Paulo fez a suprema dedicação com as palavras: “Pois não quis saber outra coisa entre vós a não ser Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado.”[221]. Essas palavras deveriam ser a verdadeira cruz da dedicação do Discípulo quando medita, cada vez mais profundamente, sobre o sacrifício anual do Senhor Bendito.

O Aspirante ao Caminho da Realização é, às vezes, elevado acima do monte da exaltação e sua fortaleza renovada, para poder logo servir nos vales mais abaixo. Quem segue esse ciclo anual de Cristo com fé e ano após ano, aprende a se sintonizar com a elevada glória das três festividades da Santa Trindade, sendo logo conduzido a fazer uma profunda dedicação de si mesmo e, com isso, a adquirir uma força espiritual que permita cumprir seu cometido e assumir suas responsabilidades durante os próximos meses de junho, julho e agosto. Se progride espiritualmente em tudo o que esse período lhe proporciona, se tornará consciente do derramamento de bênçãos que emanam da Virgem Cósmica, a mais elevada Iniciada da Hierarquia de Virgem, os Senhores da Sabedoria. Durante o curso desse mês de preparação, o Discípulo compreenderá claramente em seu interior, o significado da formosa oração de São Francisco de Assis, e ele o fará mais útil como canal para a descida das forças de Cristo nos meses vindouros:

“Ó mestre, fazei que eu procure mais consolar do que ser consolado

Compreender do que ser compreendido

Amar que ser amado

Pois, é dando que se recebe

É perdoando que se é perdoado;

E morrendo que se vive

Para a vida eterna”

Quando o Discípulo considera o ciclo anual à luz de Cristo e Sua missão, compreende que todo mês é, para ele, como um santuário bendito. E se, mês após mês, se esforça para encontrar o mais profundo significado da vida de Cristo e de Sua obra, entrará em tal sintonia com o seu Senhor que poderá cantar como Salomão, o iluminado vidente do Antigo Testamento: “Meu amado é meu e eu sou dele”[222]. Indefectivelmente, essa dedicação conduzirá a que Cristo se converta de tal modo em parte da sua vida pessoal, que cada um dos seus pensamentos, palavras e obras não será senão reflexo dos d’Ele. Finalmente, alcançará a gloriosa realização com a unidade com o Senhor, que São Paulo, o vidente do Novo Testamento, expressou com suas exultantes palavras: “n’Ele vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”[223].

FIM

[1] N.T.: – do latim Adventus: “chegada”, do verbo Advenire: “chegar a”

[2] N.T.: Jo 14:6

[3] N.T.: Mt 25:21

[4] N.T.: O livro do Apocalipse (O livro da revelação”) e também chamado de Apocalipse de São João, é um livro da Bíblia — o livro sagrado do cristianismo — e que foi escrito por São João na ilha Patmos.

[5] N.T.: Sl 23:2

[6] N.T.: Natanael aparece no Evangelho de São João, nos capítulos 1 e 21. Nos outros 3 Evangelhos ele não é mencionado, contudo se retém que seja a mesma pessoa chamada nos sinóticos (São Mateus, São Marcos e São Lucas) com o nome de Bartolomeu.

[7] N.T.: O Plexo Celíaco, também conhecido como Plexo Solar, é uma complexa rede de neurônios que, no corpo humano, está localizada atrás do estômago e embaixo do diafragma perto do tronco celíaco na cavidade abdominal a nível da primeira vértebra lombar (L1).

[8] N.T.: Mt 5:8

[9] N.T. ou epífise neural e hipófise, respectivamente

[10] N.T.: Hb 2:7

[11] N.T.: Mt 6:33

[12] N.T.: na Época Lemúria

[13] N.T.: Gl 6:17

[14] N.T.: Correggio é como era conhecido o pintor italiano Antônio Allegri Correggio (c.1489- 1534). Foi um pintor da Renascença italiana, contemporâneo de Leonardo da Vinci e Raphael di Sanzio.

[15] N.T.: Giovanni da Fiesole, nascido Guido di Pietro Trosini, mais conhecido como Fra Angelico, (1387-1455) foi um pintor italiano, beatificado pela Igreja Católica.

[16] N.T.: Rafael Sanzio (Raffaello Sanzio; 1483-1520), frequentemente referido apenas como Rafael, foi um mestre da pintura e da arquitetura da escola de Florença durante o Renascimento italiano, celebrado pela perfeição e suavidade de suas obras.

[17] N.T.: ou Madona Sistina

[18] N.T.: Ninfa das florestas, cuja vida dura tanto quanto a vida da árvore.

[19] N.T.: 1Jo 1:7

[20] Mt 3:17, Mc 1:9

[21] N.T.: Mt 1:7-11

[22]N.T.: Lc 22:19

[23]N.T.: Lc 22:20

[24]N.T. Lc 42:22

[25]N.T.: MT 24:16 e Mc 8:34 e Lc 9:23

[26]N.T.: Mt 27:46 e Mc 15:34

[27]N.T. Jo 11:25

[28]N.T.: Zanoni é o título do mais famoso romance ocultista do escritor inglês Edward Bulwer-Lytton. Trata metaforicamente da alma e da busca pelo ideal, sob os princípios Rosacrucianos.

[29] N.T.: Mt 3:17

[30] N.T.: Lc 22:42

[31] N.T.: Apo 21:4

[32] N.T. Ef 4:22-24

[33] N.T.: Orígenes (184 d.C.-253 d.C.), cognominado Orígenes de Alexandria ou Orígenes de Cesareia ou ainda Orígenes, o Cristão, um dos maiores teólogos e escritores do começo do cristianismo. Com ele iniciou-se o posterior constante diálogo entre a filosofia e a fé cristã e uma tentativa de fusão das duas.

[34] N.T.: Pseudônimo de Johannes Scheffler (1624-1667) – Místico cristão, filósofo, médico, poeta, jurista alemão.

[35]N.T.: Jo 11:43-44

[36] Jo 13:12

[37] N.T.: Rá ou Ré é o deus do Sol do Antigo Egito.

[38] N.T.: Mitra ou Amigo é o deus do Sol, da sabedoria e da guerra na mitologia persa.

[39] N.T.: Na mitologia grega, é a deusa das ervas, flores, frutos e perfumes.

[40] N.T.: Nas mitologias fenícia e grega, era um jovem de grande beleza. Adônis passou a despertar o amor de Perséfone e Afrodite. Mais tarde as duas deusas passaram a disputar a companhia do menino, e tiveram que submeter-se à sentença de Zeus. Este estipulou que ele passaria um terço do ano com cada uma delas, mas Adônis, que preferia Afrodite, permanecia com ela também o terço restante. Nasce desse mito a ideia do ciclo anual da vegetação, com a semente que permanece sob a terra por quatro meses. Adônis tornou-se o símbolo da vegetação que morre no inverno (descendo ao submundo e juntando-se a Perséfone) e regressa à Terra na primavera (para juntar-se a Afrodite).

[41] N.T.: Rig Veda ou Rigveda, também chamado Livro dos Hinos, é uma antiga coleção indiana de hinos em sânscrito védico o Primeiro Veda.

[42] N.T.: Mc 14:25

[43] N.T.: Deriva de uma palavra em sânscrito que significa, literalmente, “enrolada como uma cobra” ou “aquela que tem a forma de uma serpente”

[44] N.T.: Wilhelm Richard Wagner (1813-1883) foi um maestro, compositor, diretor de teatro e ensaísta alemão.

[45] N.T.: Parsifal é uma ópera de três atos com música e libreto do compositor alemão Richard Wagner. Estreou no mês de julho de 1882. É vagamente baseada em Parzival, atribuído a Wolfram von Eschenbach, um poema épico do século 13 do cavaleiro arturiano Parzival (Percival) e sua busca pelo Santo Graal (século XII).

[46] N.T.: se refere à “Queda do Homem”.

[47] N.T.: a amazona Kundry, que ora é uma fiel serva do Graal, ora é escrava de Klingsor.

[48]N.T. Os mistérios de Elêusis (também conhecidos como mistérios eleusinos) eram ritos de iniciação ao culto das deusas agrícolas Deméter e Perséfone, que se celebravam em Elêusis, localidade da Grécia próxima a Atenas. Eram considerados os de maior importância entre todos os que se celebravam na antiguidade. Estes mitos e mistérios se transferiram ao Império Romano e sinais dele podem ser notados em práticas Iniciáticas modernas. Os ritos e crenças eram guardados em segredo, só transmitidos a novos Iniciados.

[49] N.T.: Franz Hartmann (1838-1912) foi um célebre escritor e estudante do ‘Sem-conceito’, alemão, estudioso das doutrinas de Paracelso, Jakob Böehme e a Tradição Rosacruz.

[50]N.T.: mistério, enigma, secreto

[51]N.T.: Mt 18:20

[52]N.T.: Apo 4:1

[53] N.T.: Apo 13:8

[54] N.T.: Boaz e Jachin (pronuncia-se Jaquim) são duas colunas de cobre, e que ficavam à frente do Templo de Salomão, o primeiro Templo em Jerusalém. Em alguns templos maçônicos existem réplicas das colunas de Boaz e Jachin, em que se faz referência às letras B (Boaz) e J (Jachin) nas respectivas colunas, porém tais réplicas podem variar dependendo dos seus ritos.

[55] N.T.: Pirâmide de Quéops (ou Khu-fu), também conhecida como a Grande Pirâmide de Gizé ou simplesmente Grande Pirâmide, é a mais antiga e a maior das três pirâmides na Necrópole de Gizé, na fronteira de Gizé, no Egito. É a mais antiga das Sete Maravilhas do Mundo Antigo e a única a permanecer em grande parte intacta.

[56] N.T.: Ankh, conhecida também como cruz ansata, era na escrita hieroglífica egípcia o símbolo da vida. Conhecido também como símbolo da vida eterna. Os egípcios usavam-na para indicar a vida após a morte:

[57] N.T.: a letra tau, de onde deriva a cruz Tau, no alfabeto hebreu antigo:

[58] N.T.: O caduceu ou emblema de Hermes (Mercúrio) é um bastão em torno do qual se entrelaçam duas serpentes e cuja parte superior é adornada com asas. É um antigo símbolo. É frequentemente confundido com o símbolo da medicina, o bordão de Esculápio ou bastão de Asclépio.

[59] N.T. Jo 10:1-18

[60] N.T.: 4”Qual de vós, tendo cem ovelhas e perder uma, não abandona as noventa e nove no deserto e vai em busca daquela que se perdeu, até encontrá-la? 5E achando-a, alegre a coloca sobre os ombros 6e, de volta para casa, convoca os amigos e os vizinhos, dizendo-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida!’ 7Eu vos digo que do mesmo modo haverá mais alegria no céu por um só pecador que se arrependa, do que por noventa e nove justos que não precisam de arrependimento. (Lc 15:4-7)

[61] N.T.: ICor 3:1-2

[62] N.T.: ver Livro de Daniel no capítulo 7.

[63] N.T.: ou Apocalipse

[64]N.T.: Jo 14:10

[65] N.T.: Parsifal é uma ópera de três atos com música e libreto do compositor alemão Richard Wagner. É vagamente baseada em Parzival, atribuído a Wolfram von Eschenbach, um poema épico do século 13 do cavaleiro arturiano Parzival (Percival) e sua busca pelo Santo Graal (século XII). Foi sua última ópera completa. Wagner descreveu Parsifal não como uma ópera, mas como um Festival para a Consagração do Palco. A grafia de Parsifal feita por Wagner em vez do Parzival que ele usou até 1877 é informada por uma etimologia errônea do nome Percival derivando-a de uma origem supostamente persa, FalParsi significando “tolo puro”. A ópera se passa nas legendárias colinas do Monte Salvat, na Espanha, onde vive uma fraternidade de cavaleiros do Santo Graal. O mago negro Klingsor teria construído um jardim mágico povoado com mulheres que, com seus perfumes e trejeitos, seduziriam os cavaleiros e faria com que eles quebrassem seus votos de castidade, e teria ferido Amfortas, rei do Graal, com a lança que perfurou o flanco de Cristo, e todas as vezes em que Amfortas olha em direção ao Graal sente a ferida arder. Tal redenção só poderia ser realizada por um “inocente casto” (significado da palavra “Parsifal”). Este, em sua primeira aparição na ópera, surge ferindo um dos cisnes que purificavam a água do banho de Amfortas, e a todas as perguntas que os cavaleiros lhe fazem responde dizendo que não sabe de nada, nem ao menos seu nome.

Parsifal atravessa o jardim mágico de Klingsor e é seduzido pela amazona Kundry, que ora é uma fiel serva do Graal, ora é escrava de Klingsor. Ao beijá-la, sente os estigmas das feridas que afligiam Amfortas e, quando Klingsor atira a lança contra ele, a lança dá a volta em seu corpo, e todo o castelo mágico é destruído. Tempos depois, tendo os cavaleiros se convencido de que ele é o “inocente casto” que faria a salvação, Parsifal cura as feridas de Amfortas e o destrona, assumindo a nova condição de rei do Graal.

[66]N.T.: Mt 28:18

[67]N.T.: Mt 27:46 e Mc 15:46

[68] N.T.: IJo 3:2

[69] N.T.: ICor 15:55-57

[70] N.T.: Lc 2:14

[71] N.T.: do alemão Die drei Jahre (1948); em inglês: The Three Years e em espanhol: Los Tres Años de Cristo Jesús.

[72] N.T.: Consciente: a memória a que temos acesso consciente – a chamada memória voluntária ou Mente Consciente. Deriva de imperfeitas e ilusórias percepções dos sentidos. Subconsciente: quando o ato correspondente a um pensamento-forma tenha se realizado, ou esgotado sua energia em vãs tentativas de realização, gravitará de volta ao seu criador, trazendo consigo a recordação indelével da jornada. Seu êxito ou fracasso imprimir-se-á nos átomos negativos do Éter Refletor do Corpo Vital, onde, por vezes denominada Mente Subconsciente, formará parte do registro da vida e atos do pensador. Não só das coisas materiais, mas também das condições existentes em nossa aura a cada momento. O mais fugaz sentimento, pensamento ou emoção é transmitido aos pulmões, de onde é injetado no sangue. O sangue é um dos produtos mais elevados do Corpo Vital, tanto por ser o condutor de alimento para todas as partes do corpo quanto por ser o veículo direto do Ego. As imagens nele contidas imprimem-se nos átomos negativos do Corpo Vital, para servirem como árbitros do destino do ser humano no estado pós-morte. A memória (também chamada Mente) tanto consciente – ou voluntária – quanto subconsciente – ou involuntária, relaciona-se totalmente com as experiências desta vida. Consiste das impressões dos acontecimentos no Corpo Vital. Há também a memória supra consciente. Esta é o repositório de todas as faculdades e conhecimentos adquiridos nas vidas anteriores, ainda que às vezes só latentes na presente vida. Este registro é indelevelmente gravado no Espírito de Vida. Comumente se manifesta, embora não em toda extensão, como consciência e caráter, que anima todos os pensamentos-forma, umas vezes como conselheiro e outras compelindo à ação com força irresistível, mesmo contrariando a razão e o desejo.

[73] N.T.: Mt 26:32

[74] N.T.: Jo 21:25

[75] N.T.: Jo 21:6

[76] N.T.: Cognominado Orígenes de Alexandria ou Orígenes de Cesareia ou ainda Orígenes, o Cristão (Alexandria, Egito, c. 185 — Cesareia, ou, mais provavelmente, Tiro, 253), foi um teólogo, filósofo neoplatônico patrístico e é um dos Padres gregos. Um dos mais distintos pupilos de Amônio de Alexandria, Orígenes foi um prolífico escritor cristão, de grande erudição, ligado à Escola Catequética de Alexandria, no período pré-niceno.

[77] N.T.: foi um prolífico autor das primeiras fases do Cristianismo, nascido em Cartago na província romana da África Proconsular. Ele foi o primeiro autor cristão a produzir uma obra literária (corpus) em latim. Ele também foi um notável apologista cristão e um polemista contra a heresia. Ele organizou e avançou a nova teologia da Igreja antiga. Ele é talvez mais famoso por ser o autor mais antigo cuja obra sobreviveu a utilizar o termo “Trindade” (em latim: Trinitas) e por nos dar a mais antiga exposição formal ainda existente sobre a teologia trinitária. É um dos Padres latinos.

[78] N.T.: Hb 20:24

[79] N.T.: Região Química do Mundo Físico

[80] N.T.: Ap 1:14-16

[81] N.T.: Lc 24:16

[82] N.T.: Lc 24:31

[83] N.T.: Jo 21:25

[84] N.T.: Lc 24:49

[85] N.T.: Em astronomia, eclíptica é a projeção sobre a esfera celeste da trajetória aparente do Sol observada a partir da Terra. A razão do nome provém do fato de que os eclipses somente são possíveis quando a Lua está muito próxima do plano que contém a eclíptica. O eixo eclíptico, por sua vez, é a reta perpendicular à eclíptica que passa pelo centro da Terra.

[86] N.T.: Tishrei ou Tishri é o primeiro mês do calendário civil hebraico, e o sétimo mês do calendário religioso, sendo um mês lunar de 30 dias. Inicia-se em setembro no hemisfério norte.

[87] N.T.: Hiparco (190 a.C- 120 a.C.) foi um astrônomo grego, construtor de máquinas, exímio cartógrafo e matemático da escola de Alexandria, nascido em 190 a.C. em Niceia, na Bitínia, hoje Iznik, na atual Turquia. Viveu em Alexandria, sendo um dos grandes representantes da Escola Alexandrina, do ponto de vista da contribuição para a mecânica. Trabalhou sobretudo em Rodes (161-126 a.C.). Hoje é considerado o fundador da astronomia científica e também chamado de pai da trigonometria.

[88] N.T.: Astreia ou Astrea é uma divindade menor; “donzela ou virgem das estrelas”, na mitologia grega, é filha de Zeus e Têmis. Tanto ela quanto sua mãe são personificações da justiça. Ela pregava a sabedoria e ensinava atividades caseiras aos homens, como caçar, plantar, entre outras.

[89] N.T.: Mt 5:8

[90] N.T.: O Livro do Apocalipse

[91] N.T.: Cl 1:27

[92] N.T.: Lc 14:26

[93] N.T.: Basilius Valentinus, também conhecido pela versão portuguesa de seu nome, Basílio Valentim (Mogúncia, 1394) foi um alquimista do século XV. Ele foi cônego do priorado beneditino de São Pedro em Erfurt, Alemanha. Não se tem certeza se este era mesmo o seu verdadeiro nome; durante o século XVIII foi levantado a hipótese de tratar-se de Johann Thölde. Até mesmo o ano de seu nascimento não é dado como certo. Ele demonstrou que o amoníaco podia ser obtido pela ação dos álcalis no cloreto de amônia, e como o ácido clorídrico poderia ser produzido da salmoura ácida. Foi ele quem primeiro descreveu um método de obtenção de antimônio (em 1492). Suas obras mais conhecidas são Doze Chaves de Basílio Valentim e A Carruagem Triunfal do Antimônio.

[94] N.T.: também chamada waw ou vav é o nome dado à sexta letra do alfabeto hebraico.

[95] N.T.: ICor 1:1

[96] N.T.: Teseu foi mandado a Creta, voluntariamente, como sacrifício ao Minotauro que habitava o labirinto construído por Dédalo e tão bem projetado que quem se aventurasse por ele não conseguiria mais sair. E seria, então, devorado pelo Minotauro. Teseu resolveu enfrentar o monstro. Foi ao renomado Oráculo de Delfos para descobrir se sairia vitorioso. O oráculo disse-lhe que deveria ser ajudado pelo amor para vencer o Minotauro. Ariadne, a filha do rei Minos, lhe disse que o ajudaria se este a levasse a Atenas para que ela se casasse com ele. Teseu reconheceu aí a única chance de vitória e aceitou. Ariadne, então, deu-lhe uma espada e um fio de lã (Fio de Ariadne), para que ele pudesse achar o caminho de volta, e deste fio ficaria segurando uma das pontas. Teseu saiu vitorioso e partiu de volta à sua terra com Ariadne, embora o amor dele por ela não fosse o mesmo que o dela por ele.

[97] N.T.: Is 2:4

[98] N.T.: Os ovinos (ovelhas) e os caprinos (cabras) fazem parte da mesma família, a Bovidae. Há quatro milhões de anos as ovelhas ainda eram cabras, não eram separadas geneticamente como uma espécie diferente como é hoje, descobriram os pesquisadores.

[99] N.T.: A comunhão eucarística dada àqueles que estão prestes a morrer.

[100] N.T.: Max Heindel cita o Conde Saint Germain, que no século 18 mantinha relações diplomáticas com o Governo Francês com o objetivo de impedir a Revolução Francesa (1789-1794), uma reencarnação de Cristian Rosenkreuz (Livro O Conceito Rosacruz do Cosmos – Cap. XIX). A primeira prova de sua presença é uma carta que apareceu em Haia em 1735, que ele enviou de lá em 22 de novembro para o físico britânico Hans Sloane (1660-1753), carta essa que está no Museu Britânico, onde contém uma cópia no livro de Cooper-Oakley. Sobre ele foi dito: ‘M. de St. Germain não comia carne, não bebia vinho e vivia conforme regras de vida muito rígidas. E mais: ‘ Ele parece ter 50 anos, não é gordo nem magro, tem um belo semblante intelectual, veste-se de forma simples, mas com bom gosto; ele usa os diamantes mais lindos em caixa de rapé, relógio e fivelas’. Sua personalidade é envolvida em muitas anedotas.

[101] N.T.: Cântico dos Cânticos 4:2

[102] N.T.: Cântico dos Cânticos 1:14

[103] N.T.: Gn 28:10-19

[104] N.T.: Mt 5:4

[105] N.T.: O Pássaro Azul (L’Oiseau Bleu) é uma peça do dramaturgo belga Maurice Maeterlinck, escrita originalmente em francês.

[106] N.T.: Ralph Waldo Emerson (1803- 1882) foi um famoso escritor, filósofo e poeta estadunidense.

[107] N.T.: Rm 13:10

[108] N.T.: Joa 15:14

[109] N.T.: Mt 18:20

[110] N.T.: Apo 21:5

[111] N.T.: Mt 16:24

[112] N.T.: Lc 14:26

[113] N.T.: Mt 12:46-50

[114] N.T.: Mt 28:18

[115] N.T.: Lc 12:48

[116] N.T.: tipo de dívida que não pode ser paga por meio da doutrina do Perdão dos Pecados.

[117] N.T.: Ralph Waldo Emerson (1803-1882) foi um famoso escritor, filósofo e poeta estadunidense. Desenvolveu sua filosofia “transcendentalista”, exposta em obras como Natureza, Ensaios e Sociedade e solidão. O transcendentalismo é, para Emerson, um esforço de introspecção metódica para se chegar além do “eu” superficial ao “eu” profundo, o espírito universal comum a toda a espécie humana.

[118] N.T.: do poema Ode.

[119] N.T.: IJo 1:1

[120] N.T.: Jo 1:3

[121] N.T.: Pois será como um homem que, viajando para o estrangeiro, chamou os seus próprios servos e entregou-lhes os seus bens. A um deu cinco talentos, a outro dois, a outro um. A cada um de acordo com a sua capacidade. E partiu. Imediatamente, o que recebera cinco talentos saiu a trabalhar com eles e ganhou outros cinco. Da mesma maneira, o que recebera dois ganhou outros dois. Mas aquele que recebera um só o tomou e foi abrir uma cova no chão. E enterrou o dinheiro do seu senhor. Depois de muito tempo, o senhor daqueles servos voltou e pôs-se a ajustar contas com eles. Chegando aquele que recebera cinco talentos, entregou-lhe outros cinco, dizendo: ‘Senhor, tu me confiaste cinco talentos. Aqui estão outros cinco que ganhei’. Disse-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei. Vem alegrar-te com o teu senhor!’“ Chegando também o dos dois talentos, disse: ‘Senhor, tu me confiaste dois talentos. Aqui estão outros dois talentos que ganhei’. Disse-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei. Vem alegrar-te com o teu senhor!’ Por fim, chegando o que recebera um talento, disse: ‘Senhor, eu sabia que és um homem severo, que colhes onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste. Assim, amedrontado, fui enterrar o teu talento no chão. Aqui tens o que é teu’. A isso respondeu-lhe o senhor: ‘Servo mal e preguiçoso, sabias que eu colho onde não semeei e que ajunto onde não espalhei? Pois então devias ter depositado o meu dinheiro com os banqueiros e, ao voltar, eu receberia com juros o que é meu. Tirai-lhe o talento que tem e dai-o àquele que tem dez, porque a todo aquele que tem será dado e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que tem será tirado. Quanto ao servo inútil, lançai-o fora nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes!’

[122] N.T.: Apo 12:7-9

[123] N.T.: Ct 2:16

[124] N.T.: Sl 46:10

[125] N.T.: (Lc 16:19-31) Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho fino e cada dia se banqueteava com requinte. Um pobre, chamado Lázaro, jazia à sua porta, coberto de úlceras. Desejava saciar-se do que caía da mesa do rico… E até os cães vinham lamber-lhe as úlceras. Aconteceu que o pobre morreu e foi levado pelos anjos ao seio de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. Na mansão dos mortos, em meio a tormentos, levantou os olhos e viu ao longe Abraão e Lázaro em seu seio. Então exclamou: ‘Pai Abraão, tem piedade de mim e manda que Lázaro molhe a ponta do dedo para me refrescar a língua, pois estou torturado nesta chama’. Abraão respondeu: ‘Filho, lembra-te de que recebeste teus bens durante tua vida, e Lázaro por sua vez os males; agora, porém, ele encontra aqui consolo e tu és atormentado. E além do mais, entre nós e vós existe um grande abismo, a fim de que aqueles que quiserem passar daqui para junto de vós não o possam, nem tampouco atravessem de lá até nós’. Ele replicou: ‘Pai, eu te suplico, envia então Lázaro até à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos; que leve a eles seu testemunho, para que não venham eles também para este lugar de tormento’. Abraão, porém, respondeu: ‘Eles têm Moisés e os Profetas; que os ouçam’. Disse ele: ‘Não, pai Abraão, mas se alguém dentre os mortos for procurá-los, eles se arrependerão’. Mas Abraão lhe disse: ‘Se não escutam nem a Moisés nem aos Profetas, mesmo que alguém ressuscite dos mortos, não se convencerão’ “.

[126] N.T.: Gl 4:19

[127] N.T.: Rm 8:7

[128] N.T.: Sl 46:11

[129] N.T.: Era o segundo compartimento do Tabernáculo no Deserto, a Sala Oeste, chamada o Santo dos Santos ou Sanctum Sanctorum. Atrás do segundo véu, dentro desta segunda divisão, nenhum mortal poderia passar a não ser o Sumo-Sacerdote e, mesmo assim, somente numa ocasião do ano chamado o Dia da Expiação, após a mais solene preparação e com a maior reverência e devoção. O mais Santo de Todos era revestido com uma solenidade de outro mundo; era revestido de uma grandeza sobrenatural. O Tabernáculo inteiro era o santuário de Deus, mas, neste lugar, sentia-se o imponente poder de Sua presença, a morada excepcional da Glória de Shekinah, e qualquer mortal tremeria dentro deste recinto sagrado, como devia acontecer ao Sumo-Sacerdote no dia da Expiação. No mais ocidental extremo deste recinto, o extremo oeste do Tabernáculo, encontrava-se a “Arca da Aliança”.

[130] N.T.: Disse ainda: “Um homem tinha dois filhos. O mais jovem disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me cabe’. E o pai dividiu os bens entre eles. Poucos dias depois, ajuntando todos os seus haveres, o filho mais jovem partiu para uma região longínqua e ali dissipou sua herança numa vida devassa. E gastou tudo. Sobreveio àquela região uma grande fome e ele começou a passar privações. Foi, então, empregar-se com um dos homens daquela região, que o mandou para seus campos cuidar dos porcos. Ele queria matar a fome com as bolotas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. E caindo em si, disse: ‘Quantos empregados de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome! Vou-me embora, procurar o meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como um dos teus empregados’. Partiu, então, e foi ao encontro de seu pai. Ele estava ainda ao longe, quando seu pai viu-o, encheu-se de compaixão, correu e lançou-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. O filho, então, disse-lhe: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos seus servos: ‘Ide depressa, trazei a melhor túnica e revesti-o com ela, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o novilho cevado e matai-o; comamos e festejemos, pois este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi reencontrado!’ E começaram a festejar. Seu filho mais velho estava no campo. Quando voltava, já perto de casa ouviu músicas e danças. Chamando um servo, perguntou-lhe o que estava acontecendo. Este lhe disse: ‘É teu irmão que voltou e teu pai matou o novilho cevado, porque o recuperou com saúde’. Então ele ficou com muita raiva e não queria entrar. Seu pai saiu para suplicar-lhe. Ele, porém, respondeu a seu pai: ‘Há tantos anos que eu te sirvo, e jamais transgredi um só dos teus mandamentos, e nunca me deste um cabrito para festejar com meus amigos. Contudo, veio esse teu filho, que devorou teus bens com prostitutas, e para ele matas o novilho cevado!’ Mas o pai lhe disse: ‘Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas era preciso que festejássemos e nos alegrássemos, pois esse teu irmão estava morto e tornou a viver; ele estava perdido e foi reencontrado!’“

[131] N.T.: foi uma poetisa inglesa (1806-1861)

[132] N.T.: Apo 12-1

[133] N.T.: Jo 3:2

[134] N.T.: Mt 28:18

[135] N.T.: At 3:6

[136] N.T.: ICor 13:1

[137] N.T.: Rm 13:10

[138] N.T.: Apo 3:20

[139] N.T.: William Holman Hunt (1827-1910) foi um pintor inglês.

[140] N.T.: também dito: Parábola do Banquete de Casamento ou Parábola do Grande Banquete ou Parábola da Festa de Casamento ou Parábola do Casamento do Filho do Rei em Mt 22:1-14: Jesus voltou a falar-lhes em parábolas e disse: ”O Reino dos Céus é semelhante a um rei que celebrou as núpcias do seu filho. Enviou seus servos para chamar os convidados para as núpcias, mas estes não quiseram vir. Tornou a enviar outros servos, recomendando: ‘Dizei aos convidados: eis que preparei meu banquete, meus touros e cevados já foram degolados e tudo está pronto. Vinde às núpcias’. Eles, porém, sem darem a menor atenção, foram-se, um para o seu campo, outro para o seu negócio, e os restantes, agarrando os servos, os maltrataram e os mataram. Diante disso, o rei ficou com muita raiva e, mandando as suas tropas, destruiu aqueles homicidas e incendiou-lhes a cidade. Em seguida, disse aos servos: ‘As núpcias estão prontas, mas os convidados não eram dignos. Ide, pois, às encruzilhadas e convidai para as núpcias todos os que encontrardes’. E esses servos, saindo pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons, de modo que a sala nupcial ficou cheia de convivas. Quando o rei entrou para examinar os convivas, viu ali um homem sem a veste nupcial e disse-lhe: ‘Amigo, como entraste aqui sem a veste nupcial?’ Ele, porém, ficou calado. Então disse o rei aos que serviam: ‘Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o fora, nas trevas exteriores. Ali haverá choro e ranger de dentes’. Com efeito, muitos são chamados, mas poucos escolhidos”.  

E em Lc 14:15-24: Ouvindo isso, um dos comensais lhe disse: “Feliz aquele que tomar refeição no Reino de Deus!”. Mas ele respondeu: “Um homem estava dando um grande jantar e convidou a muitos. À hora do jantar, enviou seu servo para dizer aos convidados: ‘Vinde, já está tudo pronto’. Mas todos, unânimes, começaram a se desculpar. O primeiro disse-lhe: ‘Comprei um terreno e preciso vê-lo; peço-te que me dês por escusado’. Outro disse: ‘Comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-las; rogo-te que me dês por escusado’. E outro disse: ‘Casei-me, e por essa razão não posso ir’. Voltando, o servo relatou tudo ao seu senhor. Indignado, o dono da casa disse ao seu servo: ‘Vai depressa pelas praças e ruas da cidade, e introduz aqui os pobres, os estropiados, os cegos e os coxos’. Disse-lhe o servo: ‘Senhor, o que mandaste já foi feito, e ainda há lugar’. O senhor disse então ao servo: ‘Vai pelos caminhos e trilhas” e obriga as pessoas a entrarem, para que a minha casa fique repleta. Pois eu vos digo que nenhum daqueles que haviam sido convidados provará o meu jantar’“.

[141] N.T.: Mt 22:2-14

[142] N.T.: apoiado sobre as patas traseiras.

[143] N.T.: O construtor Mestre do Templo de Salomão, era Filho de uma Viúva, um artífice habilidoso. Uma das encarnações de Christian Rosenkreuz.

[144] N.T.: Gl 4:19

[145] N.T.: Corpo-Alma ou o dourado vestido de bodas.

[146] N.T.: Éter Químico e Éter de Vida

[147] N.T.: Éter Luminoso e Éter Refletor

[148] N.T.: Alfred Tennyson, 1º Barão de Tennyson (1809-1892), foi um poeta inglês.

[149] N.T.: “Sir Galahad” é ​​um poema escrito por Alfred Tennyson e publicado em 1842 em sua coleção de poesia. É um de seus muitos poemas que lidam com a lenda do Rei Arthur e descreve Galahad experimentando uma visão do Santo Graal.

[150] N.T.: Parsifal é uma ópera de três atos com música e libreto do compositor alemão Richard Wagner. É vagamente baseada em Parzival, atribuído a Wolfram von Eschenbach, um poema épico do século 13 do cavaleiro arturiano Parzival (Percival) e sua busca pelo Santo Graal (século XII). A ópera se passa nas legendárias colinas do Monte Salvat, na Espanha, onde vive uma fraternidade de cavaleiros do Santo Graal. O mago negro Klingsor teria construído um jardim mágico povoado com mulheres que, com seus perfumes e trejeitos, seduziriam os cavaleiros e faria com que eles quebrassem seus votos de castidade, e teria ferido Amfortas, rei do Graal, com a lança que perfurou o flanco de Cristo, e todas as vezes em que Amfortas olha em direção ao Graal sente a ferida arder. Tal redenção só poderia ser realizada por um “inocente casto” (significado da palavra “Parsifal”). Este, em sua primeira aparição na ópera, surge ferindo um dos cisnes que purificavam a água do banho de Amfortas, e a todas as perguntas que os cavaleiros lhe fazem responde dizendo que não sabe de nada, nem ao menos seu nome. Parsifal atravessa o jardim mágico de Klingsor e é seduzido pela amazona Kundry, que ora é uma fiel serva do Graal, ora é escrava de Klingsor. Ao beijá-la, sente os estigmas das feridas que afligiam Amfortas e, quando Klingsor atira a lança contra ele, a lança dá a volta em seu corpo, e todo o castelo mágico é destruído. Tempos depois, tendo os cavaleiros se convencido de que ele é o “inocente casto” que faria a salvação, Parsifal cura as feridas de Amfortas e o destrona, assumindo a nova condição de rei do Graal.

[151] N.T.: o mago negro na obra: Parsifal – vide Nota 3.

[152] N.T.: Então o Reino dos Céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do noivo. Cinco eram insensatas e cinco, prudentes. As insensatas, ao pegarem as lâmpadas, não levaram azeite consigo, enquanto as prudentes levaram vasos de azeite com suas lâmpadas. Atrasando o noivo, todas elas acabaram cochilando e dormindo. Quando foi aí pela meia-noite, ouviu-se um grito: ‘O noivo vem aí! Saí ao seu encontro!’ Todas as virgens levantaram-se, então, e trataram de aprontar as lâmpadas. As insensatas disseram às prudentes: ‘Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas estão se apagando’. As prudentes responderam: ‘De modo algum, o azeite poderia não bastar para nós e para vós. Ide antes aos que vendem e comprai para vós’. Enquanto foram comprar o azeite, o noivo chegou e as que estavam prontas entraram com ele para o banquete de núpcias. E fechou-se a porta. “Finalmente, chegaram as outras virgens, dizendo: ‘Senhor, senhor, abre-nos!’ Mas ele respondeu: ‘Em verdade vos digo: não vos conheço!’ Vigiai, portanto, porque não sabeis nem o dia nem a hora.

[153] N.T.: Ez 1:15:23

[154] N.T.: Espiga é uma estrela binária e a mais brilhante da constelação de Virgem, e a décima quinta mais brilhante do céu.

[155] N.T.: mais detalhes veja na Bíblia: Livro de Rute e I Crônicas.

[156] N.T.: Lc 18:9; Mt 23:12; IPe 5:6

[157] N.T.: Mt 20:26; Mc 9:27

[158] N.T.: a cura que resolve a causa da doença ou enfermidade e que não trabalha somente nos efeitos, exatamente como exerce a Cura Rosacruz.

[159] N.T.: Jo 10:30

[160] N.T.: Jo 8:58

[161] N.T.: Atanásio de Alexandria foi um teólogo cristão, um dos “padres da Igreja”, um defensor do trinitarismo contra o arianismo e um líder da comunidade de Alexandria no século IV.

[162] N.T.: Lucio Célio Firmiano Lactâncio (ca. 240-ca. 320) foi um autor entre os primeiros cristãos que se tornou um conselheiro do primeiro imperador romano cristão, Constantino I, guiando sua política religiosa que começava a se desenvolver e sendo o tutor de seu filho. Lactâncio teve um papel fundamental na construção do Constantino Décimo Terceiro Apóstolo de Jesus, o apóstolo imperador, o apóstolo da espada, o apóstolo das glórias terrenas e da Igreja Triunfante na Terra, não nos céus. Foi de Lactâncio a inspiração de que o “tamanho da igreja e sua presença em todo o império”, seria de grande valor político para Constantino. Foi dele a ideia de colocar a chamada Cruz de Constantino como novo Emblema do Império, substituindo a Águia.

[163] N.T.: A quinta raça da Época Atlante, os Semitas Originais.

[164] N.T.: Gn 18:1

[165] N.T.: Gn 18:1-15

[166] N.T.: Lc 22:42

[167] N.T.: A quinta raça da Época Atlante, os Semitas Originais.

[168] N.T.: Jo 15:5

[169] N.T. Gn 32:29

[170] N.T.: Judá é um leãozinho: da presa, meu filho, tu subiste; agacha-se, deita-se como um leão, como leoa: quem o despertará?

[171] N.T.: Um dos Anciãos, porém, consolou-me: “Não chores! Eis que o Leão da tribo de Judá, o Rebento de Davi, venceu para poder abrir o livro e seus sete selos”.

[172] N.T.: 3ª e 4ª das quatro Dispensações pelas quais passamos.

[173] N.T.: Ex 20:2

[174] N.T.: Js 5:13

[175] N.T.: Js 10:13

[176] N.T.: Dn 3:21-23

[177] N.T.: Jo 3:5

[178] N.T.: 1De Salomão. Ó Deus, concede ao rei teu julgamento e a tua justiça ao filho do rei; 2que ele governe teu povo com justiça, e teus pobres conforme o direito. 3Montanhas e colinas, trazei a paz ao povo. Com justiça 4ele julgue os pobres do povo, salve os filhos do indigente e esmague seus opressores. 5Que ele dure sob o sol e a lua, por geração de gerações; 6que ele desça como chuva sobre a erva roçada, como chuvisco que irriga a terra. 7Que em seus dias floresça a justiça e muita paz até ao fim das luas; 8que ele domine de mar a mar, desde o rio até aos confins da terra.9Diante dele a Fera se curvará e seus inimigos lamberão o pó; 10os reis de Társis e das ilhas vão trazer-lhe ofertas. Os reis de Sabá e Seba vão pagar-lhe tributo; 11todos os reis se prostrarão diante dele, as nações todas o servirão. 12Pois ele liberta o indigente que clama e o pobre que não tem protetor; 13tem compaixão do fraco e do indigente, e salva a vida dos indigentes. 14Ele os redime da astúcia e da violência, o sangue deles é valioso aos seus olhos. 15(Que ele viva e lhe seja dado o ouro de Sabá!) Que orem por ele continuamente! Que o bendigam todo o dia! 16Haja abundância de trigo pelo campo e tremulem sobre o topo das montanhas, como o Líbano com suas flores e frutos, como a erva da terra. 17Que seu nome permaneça para sempre, e sua fama dure sob o sol! Nele sejam abençoadas as raças todas da terra, e todas as nações o proclamem feliz! 18Bendito seja Iahweh, o Deus de Israel, porque só ele realiza maravilhas! 19Para sempre seja bendito o seu nome glorioso! Que toda a terra se encha com sua glória! Amém! Amém! 20Fim das orações de Davi, filho de Jessé.

[179] N.T.: Também chamados de: Anjos do Destino ou Senhores do Destino ou, ainda, Anjos Relatores.

[180] N.T.: Mq 3:20

[181] N.T.: Ex 3:5

[182] N.T.: Jo 1:1-3

[183]N.T.: Apo 21:6

[184] N.T.: Is 44:6

[185] N.T.: Capítulo V – A Relação do Ser Humano com Deus

[186] N.T.: Sl 33:6

[187] N.T.: comemorada no domingo seguinte ao Domingo de Pentecostes.

[188] N.T.: Jo 16, 7-13

[189] N.T.: ou seja, as quatro Iniciações Maiores.

[190] N.T.: Do Livro Cristianismo Rosacruz – Conferência nº 16 – A Estrela de Belém: um Mito Místico.

[191] N.T.: também chamada de Aúra Masda, Ormasde ou Ormuz

[192] N.T.: Pseudônimo de Johannes Scheffler (1624-1667) – Místico cristão, filósofo, médico, poeta, jurista alemão.

[193] N.T.: IICor 4:18

[194] N.T.: Henry Wadsworth Longfellow (1807–1882) foi um poeta estadunidense.

[195] N.T.: At 20:24, versão inglesa

[196] N.T.: Lc 6:45

[197] N.T.: Mt 3:17

[198] N.T.: Jo 14:13

[199] N.T.: Mt 16:23 e Mc 8:33

[200] N.T.: Jo 6:35

[201] N.T.: Jo 6:54

[202] N.T.: Lc 8:16-18

[203] N.T.: Jo 5:30

[204] N.T.: Lc 22:42; Mt 26:39; Mc 26:39

[205] N.T.: Lc 22:42; Mt 26:39; Mc 26:39

[206] N.T.: Mc 4:25; Mt 13:12

[207] N.T.: Hb 4:15

[208] N.T.: Jo 4:32

[209] N.T.: Jo 4:14

[210] N.T.: IJo 3:2

[211] N.T.: Mt 28:20

[212] N.T.: Mt 3:17 e Mc 1:11

[213] N.T.: Orígenes (184 d.C.-253 d.C.), cognominado Orígenes de Alexandria ou Orígenes de Cesareia ou ainda Orígenes, o Cristão, um dos maiores teólogos e escritores do começo do cristianismo. Com ele iniciou-se o posterior constante diálogo entre a filosofia e a fé cristã e uma tentativa de fusão das duas.

[214] N.T.: ou Zaratustra

[215] N.T.: ou Anahita

[216] N.T.: Mt 27:51

[217] N.T.: Apo 21:21

[218] N.T.: Jo 15:13

[219] N.T.: O Messias (Messiah) (HWV 56, 1741) é um oratório de Georg Friedrich Händel com 51 movimentos divididos em 3 partes, durando entre cerca 2h 15min e 2h 30min. Deve notar-se, desde já, que o tempo varia em função das diferentes interpretações (como qualquer outra composição musical que se mede por compassos e não por minutos). Embora o 42.º movimento (o célebre “Aleluia”) seja reconhecível por qualquer pessoa (mesmo não sabendo a que obra pertence ou que compositor a escreveu), a obra “O Messias” não é tão conhecido na sua totalidade como merecia. A maior parte das vezes, os programas de concertos apenas escolhem alguns movimentos (recitativos, árias e corais), perdendo assim o sentido integral e unitário da obra. Se a “fama” e o grau de popularidade fossem critérios válidos de apreciação estética, considerar-se-ia a mais famosa criação de Händel.

Após 41 movimentos e no final da 2ª Parte, é apresentado o mundialmente conhecido coral Aleluia, onde, em tese, se demonstra toda a alegria pela vitória do Messias sobre a morte e o pecado, após a concretização das profecias enunciadas na 1ª Parte. O coro, apoiado principalmente no agudo das vozes femininas (soprano, altos, etc.), demonstra felicidade da vitória do Messias e tal também apoiada na repetição contínua de certas expressões como Hallelujah e esta é repetida, próximo ao final desse movimento, após uma breve pausa de 3 segundos, termina a ser cantada extensivamente por aproximadamente 12 segundos:

… / For the lord God omnipotent reigneth / Hallelujah

… / And He shall reign forever and ever

… / King of kings forever and ever / And Lord of lords / hallelujah

… / Forever and ever and ever and ever / (King of kings and Lord of lords)

… / Hallelujah / hallelujah / Hallelujah

[220] N.T.: Mt 26:26-28, Lc 22:24-25

[221] N.T.: ICor 2:2

[222] N.T.: Ct 2:16

[223] N.T.: At 17:28

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Ensinamentos de um Iniciado – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz

Este livro foi compilado a partir dos escritos de um Iniciado da Ordem Rosacruz. É composto por uma série de aulas ministradas por Max Heindel aos seus Estudantes Rosacruzes, juntamente com várias apresentações públicas.
Alguns assuntos tratados nesse livro:
O Método Científico de Desenvolvimento Espiritual
A Morte da Alma
O Nosso Trabalho no Mundo
A Luz Mística na Primeira Guerra Mundial
O Segredo do Sucesso
O Sinal do Mestre
A Religião e a Cura verdadeira

Há 4 meios de você acessar esse Livro:

1. Em formato PDF (para download):

Ensinamentos de um Iniciado – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – em PDF

2. Em forma audiobook ou audiolivro:

Ensinamentos de um Iniciado – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – audiobook

3. Em forma de videobook ou videolivro no nosso canal do Youtube: https://www.youtube.com/c/TutoriaisEstudosFraternidadeRosacruzCampinas/featured

aqui:

Ensinamentos de um Iniciado – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – videbook

4. Para estudar no próprio site:

ENSINAMENTOS DE UM INICIADO

Por

Max Heindel

Fraternidade Rosacruz

Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82

Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil

Traduzido e Revisado de acordo com:

2ª Edição em Inglês, Teachings of an Initiate, editada por The Rosicrucian Fellowship

2ª Edição em Português, editada pela Fraternidade Rosacruz São Paulo – SP – Brasil

Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

www.fraternidaderosacruz.com

contato@fraternidaderosacruz.com

fraternidade@fraternidaderosacruz.com

ÍNDICE

PREFÁCIO.. 5

CAPÍTULO I – OS DIAS DE NOÉ E DE CRISTO.. 7

CAPÍTULO II – O SINAL DO MESTRE.. 15

CAPÍTULO III – O QUE É TRABALHO ESPIRITUAL?. 22

CAPÍTULO IV – O CAMINHO DA SABEDORIA.. 31

CAPÍTULO V – O SEGREDO DO SUCESSO.. 37

CAPÍTULO VI – A MORTE DA ALMA.. 43

CAPÍTULO VII – O NOVO SENTIDO DA NOVA ERA.. 49

CAPÍTULO VIII – O POVO ESCOLHIDO DE DEUS. 55

CAPÍTULO X – LUZ MÍSTICA NA GUERRA MUNDIAL – (1914 – 1918) – Parte II – Seu desenvolvimento sob o ponto de vista espiritual 64

CAPÍTULO XII – LUZ MÍSTICA NA GUERRA MUNDIAL – (1914-1918) – Parte IV – O Evangelho do Regozijo. 78

CAPÍTULO XIII – O SIGNIFICADO ESOTÉRICO DA PÁSCOA E O PONTO DE PARTIDA da Filosofia Rosacruz.. 86

CAPÍTULO XIV – OS ENSINAMENTOS DA PÁSCOA.. 94

CAPÍTULO XV – MÉTODO CIENTÍFICO PARA O DESENVOLVIMENTO ESPIRITUAL – Parte I – Analogias Materiais. 99

CAPÍTULO XVI – MÉTODO CIENTÍFICO DE DESENVOLVIMENTO ESPIRITUAL – Parte II – Retrospecção: Um Método para evitar o Purgatório. 106

CAPÍTULO XVII – OS CÉUS PROCLAMAM A GLÓRIA DE DEUS  113

CAPÍTULO XVIII – RELIGIÃO E CURA.. 118

CAPÍTULO XIX – DISCURSO NA COLOCAÇÃO DA PEDRA FUNDAMENTAL EM MOUNT ECCLESIA.. 124

CAPÍTULO XX – NOSSO TRABALHO NO MUNDO – Parte I – (Publicado em maio, 1912) 131

CAPÍTULO XXI – NOSSO TRABALHO NO MUNDO – Parte II  137

CAPÍTULO XXII – NOSSO TRABALHO NO MUNDO – Parte III  144

CAPÍTULO XXIII – CONDENAÇÃO ETERNA E SALVAÇÃO.. 150

CAPÍTULO XXIV – O ARCO NAS NUVENS. 157

CAPÍTULO XXV – A RESPONSABILIDADE DO CONHECIMENTO   163

CAPÍTULO XXVI – A JORNADA NO DESERTO.. 172

PREFÁCIO

Este volume apresenta um compêndio que engloba mensagens transmitidas por Max Heindel, o Místico do Ocidente, a seus alunos por meio de aulas ministradas mensalmente. Estes ensinamentos, sempre reeditados desde que esse grande espírito foi chamado para uma obra mais elevada nos mundos superiores em 6 de janeiro de 1919, também podem ser encontrados nos seguintes livros:

“Maçonaria e Catolicismo”,

“A Teia do Destino”,

“A Interpretação Mística do Natal”,

“Os Mistérios das Grandes Óperas”,

“Coletâneas de um Místico” e

“Cartas aos Estudantes”.

Estas obras abrangem suas últimas investigações como Clarividente.

Os leitores têm recebido proveitosas mensagens e eficaz estímulo espiritual através das inspiradoras palavras contidas nessas obras. Com o correr do tempo, também acreditamos no crescente entendimento do verdadeiro valor das obras de Max Heindel, atendendo as necessidades dos Estudantes esclarecidos e avançados e auxiliando quem busca a verdade através do misticismo e do ocultismo. Suas palavras atingem o íntimo do coração dos leitores. Muitos dos que leram seu primeiro trabalho, “Conceito Rosacruz do Cosmos”, ficaram impressionados.

Max Heindel, o mensageiro autorizado da genuína Fraternidade Rosacruz, além de transmitir também viveu seus ensinamentos. Somente quem sofreu como ele, durante toda sua vida, consegue percutir as cordas do coração humano. Somente quem sentiu as dores do parto do nascimento espiritual, e foi admitido nos reinos da alma, tem o poder de emocionar seus leitores. As obras que Max Heindel legou à Humanidade viverão e frutificarão, pois resultam desse nascimento espiritual.

Possam os leitores sentir o palpitar do coração desse homem que, por amor à Humanidade, sacrificou sua própria existência física no desejo de transmitir a todos as maravilhosas verdades assimiladas durante o convívio com os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz.

                                                                          Augusta Foss Heindel

Nicodemos ao ouvir Cristo falar-lhe sobre a necessidade do renascimento, perguntou: “Como pode ser isso?[1]. Com nossas Mentes inquiridoras, nós também ansiamos por mais luz sobre diversos ensinamentos que apontam para o nosso futuro. Como seria útil se pudéssemos perceber esses ensinamentos manifestados e enquadrados nos eventos físicos do quotidiano. Então, teríamos uma base mais firme para sustentar nossa fé e aceitar coisas ainda desconhecidas.

O método de trabalho do autor tem sido o de correlacionar os fatos espirituais com os fatos físicos, de modo a apelar, primeiro, para a razão e, só depois, estabelecer a fé. Deste modo tem sido seu privilégio iluminar as almas que buscam esclarecimentos sobre os mistérios da vida.

Recentemente realizou-se uma nova descoberta. Embora tão remota quanto o Leste para o Oeste, parece ter relação com a futura vinda de Cristo. Lança uma luz considerável sobre esse evento, principalmente sobre o nosso encontro com o Senhor que, como diz a Bíblia, será “num piscar de olhos”.

Nossos Estudantes sabem muito bem como é desagradável para o autor relatar experiências pessoais, não obstante, algumas vezes, como no caso presente, parece necessário e pedimos escusas por usar um pronome pessoal ao relatar o incidente.

Numa noite, há algum tempo, ao transportar-me para um lugar numa terra distante onde devia desempenhar uma missão, ouvi um grito. Embora a voz humana só possa ser ouvida através do ar, há sons que são perceptíveis no reino espiritual a distâncias que excedem as percorridas pelas mensagens do telégrafo sem fio. Contudo, o grito vinha de perto e fui ao local no mesmo instante, mas não tão depressa para poder oferecer o socorro necessário. Vi um homem deslizando por um aterro inclinado, sem vegetação, com mais ou menos quatro metros de largura e, como ficou provado em exame subsequente, sem nenhuma fresta onde pudesse agarrar com os dedos.

Para salvá-lo, seria necessário materializar braços e ombros, mas não havia tempo. Num instante, ele já havia deslizado pelo desfiladeiro e estava caindo em um precipício, provavelmente com algumas centenas de metros; embora não possa ter certeza, pois não sei fazer estimativas de distâncias.

Impelido por um natural espírito de ajuda ao próximo, aproximei-me e então observei o fenômeno inspirador do nosso tema. A saber, quando o corpo atingiu uma velocidade considerável, os Éteres do Corpo Vital começaram a fluir para fora do Corpo Físico. Quando o corpo se chocou contra as pedras lá embaixo, tornando-se uma massa esfacelada, havia pouco ou nenhum Éter interpenetrando-o. Contudo, gradativamente, os Éteres agruparam-se, tomaram forma, e pairaram com os outros veículos mais sutis sobre o corpo despedaçado. Mas, o homem estava em estado letárgico. Era incapaz de sentir ou compreender as mudanças em suas condições.

Quando percebi que ele estava além de qualquer ajuda, retirei-me. Mas, pensando no caso, comecei a sentir que algo de extraordinário havia acontecido. Era meu dever procurar saber se os Éteres fluíam da mesma maneira em semelhantes casos de queda. Se assim fosse, por quê.

Tal pesquisa teria sido mais difícil em épocas remotas. Mas, com o atual advento das máquinas voadoras, principalmente nestes infelizes tempos de guerra, muitas vítimas podem ser investigadas. Assim, ficou mais fácil constatar que, quando o corpo atinge certa velocidade durante a queda, os Éteres superiores[2] retiram-se do Corpo Denso e o indivíduo torna-se insensível durante o percurso. Quando o corpo atinge o solo fica destroçado, mas a pessoa pode retomar a consciência no momento no qual o Éter se reorganiza. Donde terá início o sofrimento conforme as sequelas no Corpo Físico.

Se a queda continuar após a saída dos Éteres superiores, o aumento da velocidade também desaloja os Éteres inferiores (Químico e de Vida). Somente o Cordão Prateado permanece unido ao corpo. Seu rompimento ocorre no momento do impacto com o solo e o Átomo-semente transfere-se para o ponto de ruptura, onde fica afixado da maneira usual.

Analisando o processo, concluímos que a pressão normal do ar retém o Corpo Vital dentro do Corpo Denso. Quando nos movemos com uma velocidade anormal, a pressão é removida de algumas partes do corpo e um vácuo parcial é formado e, por esse motivo, os Éteres retiram-se do corpo e fluem para dentro desse vácuo. Os dois Éteres superiores, unidos mais frouxamente, são os primeiros a sair e deixam a pessoa inconsciente. Pouco antes, num rápido instante, esses Éteres desenrolam o panorama da sua vida. Depois, se a queda continuar a aumentar a pressão do ar na região frontal do corpo e a produzir vácuo atrás, os Éteres inferiores, mais firmemente aderidos, também são expelidos e o corpo estará morto antes de chegar ao solo.

Examinando uma série de pessoas em estado normal de saúde, verificou-se que cada um dos átomos prismáticos componentes dos Éteres inferiores está inserido no interior de cada átomo do Corpo Físico. Eles irradiam de si mesmos as linhas de força que animam os átomos físicos, provendo todo o corpo com vida. A direção de todas estas unidades de força está para além da periferia do corpo, onde constituem o que se convencionou chamar “Fluido Ódico”, também designado por outros nomes.

Quando a pressão do ar exterior fica reduzida em grandes altitudes, manifesta-se uma tendência para o nervosismo, porque a força etérica interna tende a retirar-se desordenadamente. Se o ser humano não fosse capaz de impedir a entrada da emanação de energia solar, em parte por grande força de vontade para sobrepujar a dificuldade, ninguém poderia viver em tais lugares.

Já conhecemos a expressão “choque por explosão”. Sabíamos de vários casos de indivíduos encontrados já falecidos nos campos de batalha, mesmo sem apresentar qualquer sinal de ferimento. De fato, deparamos e conversamos com pessoas que desencarnaram dessa maneira. Elas estavam perplexas. Não podiam compreender o motivo do abandono do Corpo Físico. Relatavam total ausência da sensação de medo. Foram unânimes em confirmar que, de repente, ficaram inconscientes e logo em seguida perceberam-se na presente condição. Não exibiam sequer um arranhão em seus corpos, ao contrário de seus companheiros.

Contudo mantivemos uma ideia preconcebida. Em tais situações, cercadas de mistério sobre a causa mortis, pelo menos em alguns instantes o medo deveria assolar as vítimas. Prosseguimos as investigações para ter um quadro mais completo. Conjecturamos sobre as peculiaridades dessas mortes e supomos que algo análogo deveria acontecer durante uma queda. A suposição foi logo demonstrada.

Quando um grande projétil cruza o ar, cria um vácuo atrás de si, em função da enorme velocidade desenvolvida durante o movimento. Se alguém permanecer na região de vácuo durante a trajetória do projétil, sofrerá semelhantes consequências, na medida determinada por sua própria natureza e por sua proximidade ao centro de sucção. Na realidade, nesse evento o sujeito não está em movimento, como na queda, mas fica estático enquanto um corpo em movimento remove a pressão do ar e permite a saída de seus Éteres.

Se a quantidade de Éter deslocado for relativamente pequena e composta apenas dos Éteres Luminoso e Refletor (responsáveis pelos sentidos de percepção e da memória), verifica-se apenas uma perda temporária da memória e uma repentina incapacidade de sentir as coisas ou de se mover. Tal incapacidade desaparece quando os Éteres extraídos reassumem seus locais de alojamento no interior do corpo denso. É uma tarefa muito mais difícil quando comparada com a morte do Corpo Denso, pois na morte os Éteres reorganizam-se já livres da matéria física.

Se as pessoas assim atingidas soubessem como efetuar os exercícios que separam os Éteres superiores e os inferiores, permaneceriam fora do corpo dotadas de plena consciência e talvez prontas para o primeiro voo de sua alma, se tivessem coragem para decolar. Não importa como, mas podemos dizer com segurança que, ao retornarem ao Corpo Denso, sentiriam pouco ou nenhum incômodo. Além disso, se o vácuo fosse suficientemente intenso para desconectar todos os quatro Éteres e causar a morte, provavelmente não haveria um período de inconsciência como acontece com uma pessoa comum.

Como pudemos constatar, quem afirmava ter passado por instantes de inconsciência estava equivocado. Seria necessário um tempo variável de um até vários dias, nos casos investigados, para a reorganização completa do Corpo Vital e o restabelecimento pleno da consciência.

Vejamos agora a relação existente entre os fatos descritos e recentemente descobertos com o advento de Cristo e nosso encontro com Ele nos “ares”. Quando vivíamos na antiga Atlântida, nas bacias da Terra, a pressão da névoa carregada de umidade era muito intensa. Isso enrijeceu o Corpo Denso e as vibrações dos veículos mais sutis nele interpenetrados resultaram consideravelmente desaceleradas.

Assim sucedeu com o Corpo Vital, formado de Éter, matéria natural do Mundo Físico e, portanto, também sujeita a algumas leis físicas. A força viva da irradiação solar não penetrava na névoa densa com tanta abundância como hoje, com atmosfera bem translúcida. Acrescente-se também outro fato relevante, os Corpos Vitais dessa época eram quase inteiramente compostos dos dois Éteres inferiores. Isso favorecia a assimilação e a reprodução. Fica fácil compreender como o progresso era lentíssimo nessa época. A Humanidade levava uma existência predominantemente vegetativa. Os maiores esforços direcionavam-se na obtenção de alimentos e reprodução da espécie.

Se os Corpos Físicos dessa época fossem transferidos para as atuais condições atmosféricas, a falta de pressão exterior resultaria em deslocamento do Corpo Vital. Todos sofreriam morte instantânea.

Porém, gradativamente o Corpo Físico tornou-se menos denso e a quantidade dos dois Éteres superiores aumentou. Assim, o ser humano tornou-se apto a viver numa atmosfera límpida, sob uma pressão menos intensa. Estamos desfrutando desse clima mais rarefeito desde o acontecimento histórico conhecido como “O Dilúvio”, quando a névoa se condensou e as águas inundaram a Terra.

Desde essa época, também desenvolvemos a capacidade de especializar maior quantidade de força vital proveniente do Sol. Os dois Éteres superiores, agora em maior proporção no nosso Corpo Vital, permitem-nos expressar os mais elevados atributos humanos e colaborar para o desenvolvimento desta época.

As vibrações do Corpo Vital, sob a presente condição atmosférica, capacitaram o espírito a construir a moderna civilização, repleta de conquistas industriais e artísticas, onde vigoram normas de conduta morais e espirituais. A superioridade tanto moral quanto industrial está tão interligada e interdependente, como o desenvolvimento artístico está associado ao crescimento espiritual.

As ocupações produtivas têm a finalidade de desenvolver o lado moral da natureza humana enquanto a arte desabrocha a natureza espiritual. Assim, estamos sendo preparados para o próximo passo de nosso desenvolvimento.

Recordemos que as qualificações necessárias para nos emanciparmos das condições predominantes na Atlântida eram parcialmente fisiológicas. Precisávamos desenvolver pulmões com a finalidade de respirar o ar puro no qual agora estamos imersos. Nessas condições o Corpo Vital pode vibrar com mais intensidade em comparação com a pesada umidade da atmosfera Atlântida. Pensando nisso, podemos perfeitamente perceber que o futuro avanço consiste em libertar inteiramente o Corpo Vital dos entraves do Corpo Denso e deixá-lo vibrar livremente em meio ao ar puro.

Foi isto o que aconteceu na sublime altitude, esotericamente conhecida como o “Monte da Transfiguração”. Seres humanos altamente desenvolvidos de várias épocas, Moisés, Elias e Jesus (ou antes, o Corpo de Jesus que acolheu o espírito de Cristo) apareceram em vestes luminosas ou em Corpo-Alma plenamente livre. Vestimenta que será comum aos habitantes da Nova Galileia, o Reino de Cristo.

O Corpo Denso tornar-se-á obstáculo ao progresso espiritual nessa nova etapa: “A carne e sangue não podem herdar esse reino.”[3].

Assim, quando Cristo reaparecer, é necessário manter-se em um estado de prontidão. O Corpo-Alma será o veículo devidamente emancipado das condições materiais. Assim, estaremos prontos para abandonar o Corpo Denso e sermos “arrebatados para encontrá-Lo nos ares”.

O resultado da investigação, que é a base do presente artigo, pode fornecer um vislumbre do método de transição quando comparado com o ensinamento bíblico. Diz-se que o Senhor retornará acompanhado de um poderoso som, como a voz de um Arcanjo. Haverá trovões e toques de trombetas acompanhando o evento.

O som é produto de uma perturbação atmosférica. A passagem de um projétil construído pelo ser humano pode arrebatar os Corpos Vitais de soldados de seus Corpos Densos. Portanto, não há necessidade de muitos argumentos para provar que o brado de uma voz sobre-humana pode conseguir o mesmo resultado com maior eficácia e “num piscar de olhos”.

“Quando acontecerão essas coisas? “[4], perguntaram os Discípulos.

Disseram-lhes que como sucedeu nos dias de Noé (quando estava para começar a Época Ária), assim deveria ser no Dia de Cristo. Eles comiam, bebiam, casavam-se e eram dados em casamento. Porém, alguns, que talvez não se diferenciassem tanto dos outros, haviam desenvolvido os tão importantes pulmões e, quando a atmosfera ficou clara, foram capazes de respirar o ar puro, enquanto os outros, que só possuíam as fendas das guelras, pereceram.

No Dia de Cristo, quando Sua voz emitir o Chamado, aqueles que desenvolveram o Corpo-Alma estarão aptos para elevar-se acima dos obsoletos Corpos Densos, enquanto outros serão como os soldados que morreram do “choque por explosão” nos campos de batalha.

Oxalá estejamos adequadamente preparados para esse dia. Assim poderemos seguir os Seus passos.

CAPÍTULO II – O SINAL DO MESTRE

Na época atual, há muitos que, julgando pelos sinais dos tempos, acreditam que Cristo está na iminência de retornar e esperam Sua chegada com alegre expectativa. Embora, na opinião do autor, as “coisas que devem antes acontecer” ainda não ocorreram em muitas particularidades importantes. Não devemos esquecer Sua advertência:

“Assim como era no tempo de Noé, assim será no dia do Filho do Homem.”[5].

Então, eles comiam, bebiam, divertiam-se, casavam-se e eram dados em casamento até serem tragados pelo Dilúvio. Apenas um pequeno número se salvou. Portanto, quando oramos pela Sua vinda, também devemos estar atentos e vigiar. Caso contrário, as preces podem ser atendidas antes de estarmos preparados. O Mestre afirmou:

“O dia do Senhor virá como um ladrão na noite.”[6].

Mas ainda existe outro perigo, um enorme perigo por Ele apontado:

“Haverá falsos Cristos.”.

“Eles enganariam até mesmo os próprios escolhidos, se isso fosse possível.”[7].

Assim, fiquemos prevenidos quando exclamarem: “Cristo está aqui na cidade ou encontra-se lá no deserto”. Não devemos ir, pois certamente seremos ludibriados.

Mas, por outro lado, se não procurarmos, como O conheceremos? Não poderíamos correr o risco de rejeitar Cristo recusando-nos a ouvir quem julga tê-Lo visto? Quando examinamos as exortações da Bíblia a esse respeito, ficamos confusos. A questão não fica elucidada e a pergunta permanece: “Como conheceremos Cristo quando Ele voltar?”. Já publicamos um panfleto sobre o assunto. Entretanto, acreditamos que será muito bem-vindo, para todos, um esclarecimento adicional.

Cristo disse que alguns dos falsos Cristos operariam sinais e maravilhas. Quando instado pelos escribas e fariseus a provar Sua divindade por meio de prodígios, Ele sempre Se recusou. Porque sabia que esses fenômenos apenas excitariam as sensações de maravilhamento e aguçariam a ânsia por muito mais.

Quem presencia essas manifestações é, às vezes, sincero em seus esforços para também convencer e entusiasmar a outros e, em geral, logra êxito, pois, quem ouve seus calorosos comentários responde prontamente: “Você afirma ter visto alguém fazer maravilhas e por essa razão agora acredita. Muito bem! Nós também queremos ver e acreditar”.

Mas, mesmo supondo que um Mestre acedesse a provar Sua identidade, quem na multidão estaria qualificado para julgar a validade da prova? Ninguém! Quem reconhece o sinal do Mestre ao vê-lo? O sinal do Mestre não é um fenômeno que possa ser repudiado ou explicado pelos sofistas, nem é algo que o Mestre possa mostrar ou esconder a Seu bel-prazer. É obrigado a carregá-lo sempre, assim como nós carregamos nossos membros. Seria absolutamente impossível esconder o sinal do Mestre aos qualificados para vê-lo, reconhecê-lo e julgá-lo, como seria impossível para nós esconder nossos membros para alguém que tenha visão física. Por outro lado, como o sinal do Mestre é espiritual, deve ser percebido espiritualmente. Portanto, é impossível mostrar o sinal do Mestre aos que não possuem visão espiritual, como é impossível mostrar uma forma material a alguém fisicamente cego.

Assim lemos:

“Uma geração corrompida e adúltera procura o sinal, mas, o sinal não lhe será dado.”[8].

Mais adiante, no mesmo capítulo (Mt 16), vemos Cristo perguntando a Seus Discípulos:

“Que dizem os homens que Eu, o Filho do Homem, sou?”

A resposta revela que embora os judeus vissem n’Ele um ente superior, fosse Moisés, Elias ou um dos profetas, eram incapazes de reconhecer Sua verdadeira identidade. Eles não podiam perceber o sinal do Mestre, do contrário não teriam necessidade de outro testemunho.

Então, Cristo voltou-se para Seus Discípulos e perguntou-lhes:

“E vós, que dizeis que Eu sou?”[9]

E de Pedro veio a resposta cheia de convicção, rápida e incisiva:

“Tu és Cristo, o Filho do Deus vivo.”.

Ele havia visto o sinal do Mestre e sabia do que falava, independentemente de prodígios ou circunstâncias exteriores, como o próprio Cristo enfatizou ao dizer:

“Bem-aventurado és tu, Simão, Filho de Jonas, pois não foram a carne e o sangue que te revelaram, mas meu Pai que está no Céu.”.

Em outras palavras, a percepção dessa grande verdade era consequência de uma qualificação interior, espiritual. Podemos compreender a natureza dessa qualificação pelas palavras de Cristo que se seguiram:

“Pois também te digo que és Pedro (Petros = “Rochedo”) e sobre esta rocha (petra) edificarei a minha Igreja.”.

Cristo disse ao referir-se à multidão de judeus materialistas:

“Uma geração corrompida e adúltera tenta encontrar o sinal, mas o sinal não lhe será dado, a não ser o sinal do profeta Jonas.”[10].

Também entre os Cristãos materialistas de nossos tempos há muita especulação nessa direção. Alguns afirmaram que realmente uma baleia havia engolido o profeta e, mais tarde, o depositou na praia. As igrejas dividem-se em relação a este tema, assim como em relação a muitos outros. Mas, ao consultarmos registros ocultos, encontramos uma interpretação que satisfaz o coração sem violentar a inteligência.

Essa grande alegoria, como muitos outros mitos, está retratada nas cenas do firmamento, pois ela foi representada no céu antes de ser encenada na Terra. Podemos recapitular no céu estrelado “Jonas, a Pomba” e “Cetus, a Baleia”. Mas não vamos nos ocupar tanto com a parte celestial, e sim com seu reflexo no plano terrestre.

“Jonas” significa pomba, o bem conhecido símbolo do Espírito Santo. Durante os três “dias” que abrangem as revoluções de Saturno, Solar e Lunar do Período Terrestre, e as “noites” entre eles, o Espírito Santo e todas as Hierarquias Criadoras trabalharam no Grande Abismo, aperfeiçoando a natureza interna da Terra e da Humanidade, removendo o peso morto da Lua. Então, a Terra emergiu de seu estágio aquático de desenvolvimento na metade da Época Atlante, e assim “Jonas, a Pomba Espiritual”, protagonizou a salvação da maior parte da Humanidade.

Nem a Terra nem seus habitantes eram capazes de manter seu equilíbrio no espaço sideral. Portanto, o Cristo Cósmico principiou Seu trabalho com e em nós. Finalmente desceu como uma pomba durante o Batismo (não em forma de uma pomba, mas como uma pomba) sobre o homem Jesus. Assim como Jonas, a pomba do Espírito Santo permaneceu três Dias e três Noites no Grande Peixe (a terra submersa na água). Assim, também, no fim da nossa peregrinação durante a involução, possa outra pomba, o Cristo, entrar no coração da Terra para o advento dos três revolucionários Dias e Noites e patrocinar o impulso necessário para nossa jornada evolutiva. Ele deve ajudar-nos a eterizar a Terra[11] na preparação para o Período de Júpiter.

Dessa forma, Jesus tornou-se, no ritual do Batismo, “um Filho da Pomba”, e foi reconhecido por outro semelhante, “Simão Bar-Jonas” (Simão, Filho da Pomba). Com este reconhecimento pelo sinal de uma pomba, o Mestre proclama Simão “uma rocha”, a Pedra Fundamental, e lhe confere as “Chaves do Céu”. Estas não são palavras vãs, nem promessas a esmo. São fases envolvendo o desenvolvimento da alma pelas quais cada um deve ser submetido, se ainda não passou por elas.

O que é então o “sinal de Jonas” que Cristo ostentou em Si mesmo, visível para todos que pudessem ver, a não ser a “Casa do Céu”, com a qual São Paulo ansiava ser envolvido: a gloriosa casa de tesouros, dentro da qual todos os atos nobres de muitas vidas brilham e resplandecem como pérolas preciosas?

Todos nós temos uma pequena “Casa do Céu”. Jesus, Santo e Puro acima de tudo, provavelmente configurava uma visão esplêndida. Imagine quão indescritivelmente resplandecente deve ter sido o veículo no qual Cristo desceu. Agora podemos ter uma ideia da “cegueira” dos que pediam “um sinal”.

Mesmo entre Seus próprios Discípulos, Ele deparou-se com a mesma catarata espiritual. “Mostra-nos o Pai”, disse Filipe, esquecido do conhecimento místico da Trindade na Unidade, que deveria ter sido óbvio para ele. Simão, contudo, percebeu rapidamente, porque ele, por uma alquimia espiritual, tinha preparado esta pedra espiritual ou “pedra” do filósofo, que lhe deu o direito de receber as “Chaves do Reino”. É a Iniciação que transforma em poderes dinâmicos os poderes latentes do candidato que atingiu o requerido grau de evolução através do serviço.

Chegamos à conclusão de que estas “pedras” que edificam o “templo feito sem ruído de martelo” perfazem um processo preparatório para ascender na evolução. Antes era “Petros”, o diamante bruto, por assim dizer, encontrado na natureza. Recordemos a Primeira Epístola de São Paulo aos Coríntios, Capítulo 10, Versículo 4:

“E todos beberam da mesma bebida espiritual; pois beberam da Rocha espiritual (Petros) que os acompanhava, e essa Rocha era Cristo.”.

Quando lida com o coração, tais passagens são reveladoras. Gradativamente, ficamos impregnados com a água da vida jorrando da grande Rocha. Também ficamos polidos como as “lithoi zontes” (pedra vivente) destinadas a se juntarem àquela Grande Pedra que o Construtor rejeitou. Quando estivermos completamente lapidados, receberemos finalmente no Reino o diadema, a mais preciosa de todas as joias, o “psiphon leuken” (a pedra branca) com seu Novo Nome.

Há três fases na evolução da “Pedra da Sabedoria”:

  • Petros, a dura pedra bruta;
  • Lithon, a pedra polida pelo serviço e pronta para receber novas inscrições;
  • Psiphon leuken, a suave pedra branca que atrai para si todos os que são fracos e oprimidos.

Há muita coisa escondida na natureza e na composição da pedra em cada uma das fases. Mas não podem ser descritas, devem ser interpretadas nas entrelinhas.

Se almejemos construir o Templo Vivo com Cristo no coração do Novo Reino, devemos capacitar-nos para reconhecer o Mestre e o Sinal do Mestre.

CAPÍTULO III – O QUE É TRABALHO ESPIRITUAL?

Sobre este tema apresentaremos trechos de um maravilhoso poema de Longfellow[12], “A Bela Lenda” (The Beautiful Legend):

Sozinho em sua cela,

No chão de pedra ajoelhado,

O monge orava em profunda contrição

Por seus pecados de indecisão.

Suplicava por maior renúncia

Na tentação e na provação;

O mostrador meio-dia já marcava

E o monge em solidão ainda orava”.

De repente, como num relâmpago,

Algo incomum resplandeceu, afora e no âmago,

E nessa estreita cela de pedra fez abrigo;

Então, o monge teve com o Poder do Clarão

De Nosso Senhor, a Abençoada Visão.

Como um manto, O envolveu,

Como uma veste, O abrigou”.

Contudo, este não era o Salvador açoitado e penitenciado, mas o Cristo que alimenta os famintos e cura os enfermos.

“A alma em preces acalentada,

Cada mão sobre o peito cruzada,

Reverente, adorando, assombrado,

O monge, perdido em êxtase, caiu ajoelhado”.

“Depois, em meio à sua exaltação,

Retumbante o sino do convento em exortação

De seu campanário tangeu, ressoou,

Por pátios e corredores reverberou

Com persistência badalando,

Como nunca antes ousou”.

Esse era o chamado para seu dever cumprir. Como esmoler da Irmandade sua tarefa era alimentar os pobres, tal como Cristo ensinou e exemplificou.

“Profunda angústia e hesitação

Misturavam-se à sua adoração;

Deveria ir, ou deveria ficar?

Poderia os pobres deixar

Famintos no portão a esperar,

Até a Visão se dissipar?

Poderia ele seu brilhante hóspede desprezar?

Seu visitante celestial desconsiderar

Por um grupo de míseros esfarrapados,

Mendicantes no portão do convento sediados?

Será que a Visão esperaria?

Será que a Visão retornaria?

Então, dentro do seu peito uma voz

Audível e clara sussurrou,

E ele, nitidamente escutou:

Cumpre teu dever sem inquietação ou protesto,

Deixa aos cuidados do Senhor o resto!”.

“Imediatamente ergueu-se resoluto,

E com um olhar ardente, decidido e arguto

Dirigido à Abençoada Visão,

Lentamente A deixou em sua cela na solidão,

Diligentemente foi cumprir sua missão”.

“No portão, os pobres estavam esperando

Através do gradil de ferro observando,

Com terror no semblante

Que só se vê no suplicante

Que em meio a desgraças e desditas

Ouve o som das trancas lhe cerrando as portas,

Pobres, por todos desprezados,

Com o desdém, familiarizados,

Com o dissabor, acostumados,

Buscam o pão pelo qual muitos sucumbem!

Mas hoje, sem o motivo sequer saberem bem,

Tal como Portal do Paraíso no além

Abre-se a porta do convento!

E como um divino Sacramento

Parecia-lhes o pão e o vinho nesse momento!

Em seu coração o Monge estava orando,

Nos pobres sem teto pensando,

Tudo que sofrem e suportam

E vendo ou ignorando, muitos rejeitam.

Enquanto isso uma voz interna ao Monge dizia:

O que quer que faças

Ao último e menor dos meus,

A Mim o fazes!”.

“A Mim! Mas se tivesse a Visão

Se apresentado em farrapos e errante,

Como um desvalido suplicante,

Ter-me-ia ajoelhado em adoração?

Ou A receberia com escárnio e presunção

E até ter-me-ia afastado com aversão”.

“Assim questionou sua consciência,

Com insinuações e incômoda insistência,

Quando, por fim, com passo apressado

Dirigindo-se à sua cela com ânsia,

Seus olhos contemplaram o convento iluminado

Por uma luz sobrenatural inundado,

Como uma nuvem luminosa se expandindo

E sobre o chão, paredes e tetos subindo”.

“Mas, assombrado parou a extasiar,

Da porta contemplou, no limiar!

A Visão que lá permanecera,

Exatamente como antes A deixara

Na hora em que o sino do convento soou,

De seu campanário clamou, clamou,

E para os pobres alimentar o intimou.

Por longa e solitária hora esperara,

Seu regresso iminente aguardara.

O coração do Monge ardeu

Quando Sua mensagem compreendeu,

Logo que o Vulto Amado deixou esclarecido:

Eu teria desaparecido

Se tu tivesses permanecido!”.

Vou contar-lhes uma história:

Há muitos e muitos anos atrás; na verdade, há tanto tempo, quase um ontem longínquo, a Terra estava em trevas e a Humanidade tentava em vão buscar a luz. Alguns a haviam encontrado e decidiram mostrar o seu reflexo aos outros e, por isso, tornaram-se alvo de copiosa solicitação.

Entre estes, encontrava-se um Ser especial, ele visitou a cidade da luz por algum tempo e conseguiu absorver um pouco do seu brilho. Imediatamente homens e mulheres, vindos do país da escuridão, foram procurá-lo. Andaram milhares de quilômetros por terem ouvido falar dessa luz. Quando soube ele desse grande contingente dirigindo-se para a sua casa, começou a trabalhar e preparou-se para oferecer-lhes o melhor possível.

Fincou estacas ao redor de sua casa e ergueu luzes sobre elas para orientar os visitantes na escuridão, evitando quedas e transtornos. Ele e seus familiares proveram os peregrinos na medida da necessidade de cada um. Ele compartilhou os mais profundos ensinamentos com seus hóspedes.

Entretanto, alguns visitantes começaram a murmurar. Esperavam encontrá-lo num pedestal radiante de luz celestial. Imaginavam-se venerando seu santuário. Mas, em vez da luz espiritual tão esperada, apanharam-no quando estendia fios com lâmpadas elétricas para iluminar o local. Nem mesmo vestia um turbante ou um manto. A ordem à qual pertencia, tinha como uma de suas regras fundamentais que seus membros deveriam usar as vestes do país onde vivessem.

Então, os visitantes chegaram à conclusão de que haviam sido enganados, logrados, e que ele não tinha luz alguma. A seguir, eles o apedrejaram e, também, aos seus familiares. Tê-lo-iam aniquilado não fosse uma lei que imperava nessa região. Lei que exigia olho por olho, dente por dente.

Voltaram, então, para o país das trevas, e quando viam uma alma dirigindo-se para a luz, levantavam os braços e aconselhavam: “Não vás para lá; essa não é a luz verdadeira, é como uma lanterna de bruxa que vai levar-te para o mau caminho. Sabemos que não há espiritualidade naquilo”. Muitos acreditaram nessas desalentadoras advertências. Repetia-se nessa ocasião o que foi dito muito tempo antes e está escrito num dos mais antigos livros:

“É esta a condenação: que a luz tenha vindo ao mundo, mas que os indivíduos tenham preferido as trevas à luz.”.

Como era nesse ontem distante, assim é ainda hoje. Os seres humanos correm de cá para lá procurando a luz. Muitas vezes, como Sir Launfal[13], viajam para os confins da Terra desperdiçando toda sua vida à procura de uma coisa que chamam “Espiritualidade”, mas só encontram desapontamentos atrás de desapontamentos.

Sir Launfal passou toda sua vida em vã peregrinação, longe do seu lar, e finalmente encontrou o Santo Graal exatamente às portas do seu próprio castelo. Portanto, qualquer um que honestamente esteja em busca da espiritualidade, com certeza deverá encontrá-la em seu próprio coração. O único perigo consiste em perdê-la, como o grupo de viajantes mencionado, por não saber reconhecê-la. Ninguém poderá reconhecer a verdadeira espiritualidade nos outros, enquanto não a tiver desenvolvido em si mesmo.

Portanto, será interessante tentar estabelecer definitivamente: O que é Espiritualidade?” e, assim, teremos uma indicação pela qual possamos identificar esta marca característica de Cristo. Para consegui-lo, devemos abandonar nossas ideias preconcebidas ou do contrário falharemos. A ideia mais comumente aceita sobre espiritualidade considera a prece e a me­ditação como seus pilares. Contudo, se analisarmos os exemplos de nosso Salvador, constataremos uma vida dedicada ao trabalho no mundo. Ele não foi um recluso, não Se afastou nem Se esquivou da vida pública. Andava entre as pessoas e proveu-lhes as necessidades diárias. Ele as alimentou e curou quando foi necessário. Pregou e ensinou a boa nova. Portanto, Ele era, no verdadeiro sentido da palavra, um SERVIDOR DA HUMANIDADE.

O monge da “A Bela Lenda”[14] contemplou-O quando estava em oração, enlevado em êxtase espiritual. Mas, nesse exato momento, o sino do convento soou as doze badaladas e era seu dever ir e imitar o Cristo, cumprindo o dever de alimentar os pobres reunidos à porta do convento. Na verdade, a tentação de ficar foi muito intensa, pois queria se banhar nas vibrações celestiais. Mas, então, ouviu a voz:

“Cumpre teu dever sem inquietação ou protesto;

deixa aos cuidados do Senhor o resto.”

Como poderia manter-se em adoração ao Salvador cujo exemplo consistia em alimentar os pobres e curar os enfermos. Que insensatez seria deixar os pobres famintos fora das portas do convento esperando que ele cumprisse seu dever! Na verdade, teria sido incoerente, caso permanecesse em sua cela. Assim, quando retornou de sua missão, a Visão lhe disse:

“Se você tivesse ficado, eu teria ido embora.”

Tal autoindulgência teria sido inteiramente contrária ao propósito de uma vida consagrada ao serviço. Caso não cumprisse fielmente os pequenos encargos, próprios da vida terrena, como esperar que fosse fiel na grande obra espiritual? Naturalmente, se não fosse capaz de resistir à prova, não receberia maiores poderes.

Há pessoas que buscam poderes espirituais migrando de um centro de ocultismo para outro. Algumas entram para conventos ou outros lugares de reclusão, na esperança de desenvolver sua natureza espiritual, fugindo do apelo e da fascinação do mundo. Aquecem-se ao sol da oração e da meditação, desde o amanhecer até o anoitecer, enquanto o mundo geme em agonia. Depois se espantam por não progredirem. Não compreendem por que não avançam no caminho de sua aspiração. Preces sinceras e meditação são necessárias, absolutamente essenciais para a elevação da alma. No entanto, estamos destinados a fracassar se, para a elevação da alma, dependermos de orações que não passam de meras palavras. Para obter resultados devemos viver de tal maneira que toda nossa vida seja uma aspiração. Como disse Ralph Emerson[15]:

“Embora teus joelhos nunca se dobrem,

De hora em hora ao céu tuas preces sobem,

E para o bem ou para o mal sejam formuladas,

Ainda assim são respondidas e gravadas.”.

Não são as palavras pronunciadas ao rezar que contam, mas sim a vida que culmina com a prece.

Qual a vantagem de orar pela paz na Terra aos domingos, quando durante o resto da semana fabricamos armas? Como podemos pedir a Deus que perdoe as nossas dívidas como nós perdoamos aos nossos devedores, quando temos nossos corações cheios de ódio?

A fé deve ser demonstrada através de obras. Não importa qual seja a nossa situação na vida: se estamos numa escala social alta ou baixa; se somos ricos ou pobres; se estamos ocupados em colocar lâmpadas elétricas para evitar eventuais quedas e acidentes; se temos o privilégio de ocupar uma tribuna mostrando aos outros uma luz espiritual, ensinando os caminhos da alma. Não importa se as mãos estão sujas ou limpas, talvez encardidas pelo trabalho mais humilde de cavar o canal do esgoto para conservar a saúde da nossa comunidade; talvez macias e brancas para cuidar dos enfermos.

O fator determinante para decidir a qualidade do trabalho, se é espiritual ou material, é nossa atitude ao executá-lo. A pessoa que coloca as lâmpadas elétricas pode ser muito mais espiritualizada do que aquela que se apresenta na tribuna, pois, é triste saber: há muitos que exercem essa sagrada missão com o desejo de deliciar os ouvidos de sua congregação com bela oratória, em vez de prodigalizar-lhes verdadeiro amor e solidariedade. É um trabalho muito mais nobre limpar um esgoto entupido, como o fez o irmão desprezado no livro “O Servo da Casa” (The Servant in the House), de Kennedy[16], do que viver falsamente com as honrarias do cargo de mestre, ostentando uma espiritualidade que na realidade não existe.

Quem quer desenvolver a rara qualidade da espiritualidade, deve começar oferecendo todo o seu trabalho para a glória de Deus. Seja o que for, façamos como se estivéssemos nos dedicando ao Pai, não importa a espécie de trabalho que desenvolvamos. Cavando um esgoto, inventando um mecanismo para facilitar o trabalho, pregando um sermão ou desempenhando qualquer outro serviço. Tudo é obra espiritual quando feita por amor a Deus e ao próximo.

CAPÍTULO IV – O CAMINHO DA SABEDORIA

Há muitos anos os ensinamentos dos Irmãos Maiores foram publicados, pela primeira vez, no Livro “Conceito Rosacruz do Cosmos”. Desde então, nossa literatura ampliou-se bastante. Parece-nos oportuno fazer um levantamento do nosso trabalho para avaliar como estamos empregando os talentos a nós confiados.

Em primeiro lugar, devemos averiguar a razão de ingressarmos na Fraternidade Rosacruz. A principal razão baseia-se na insatisfação. Não encontrávamos as respostas adequadas para nossas perguntas sobre os enigmas fundamentais da vida e da morte em outras instituições.

Todos procuram a luz, mas alguns agem como ilustra uma parábola bíblica. Narra-se a história de um homem que vendo uma pérola de grande valor vendeu todas as posses para comprar a joia. A pérola simboliza o conhecimento do Reino dos Céus. Em outras palavras, alguns dentre nós estão tão determinados a encontrar a luz, e ficam tão radiantes quando a encontram, que dedicam toda a vida, pensamentos e disposição a essa tarefa.

A rede de compromissos assumidos impossibilita a maioria de gozar deste grande privilégio. No entanto, estamos imersos numa teia de relações: se recebemos ajuda somos obrigados, pela lei da compensação, a dar algo em reciprocidade. Intercâmbio e circulação preenchem todos os espaços e promovem a vida. A estagnação conduz à morte.

Não é possível ingerir alimento físico e retê-lo no organismo. O processo de eliminação é fundamental para manter o equilíbrio e a saúde afastando a doença e a morte. Da mesma maneira, não podemos impunemente nos fartar com uma alimentação mental. Devemos compartilhar nosso tesouro com os outros e empregar os conhecimentos adquiridos nas obras do mundo. Caso contrário, corremos o risco de estagnação no pântano da especulação metafísica.

Nos anos que se seguiram desde a publicação do Livro “Conceito Rosacruz do Cosmos”, os Estudantes dispuseram de bastante tempo para conhecer e praticar seus ensinamentos. Não há expediente para desculpas, alegando ignorância ou falta de tempo para compenetrar-se no estudo. Não podem usar como pretexto insuficiência ou incapacidade pessoal para divulgar seu conteúdo.

Mesmo aqueles que têm pouco tempo disponível para estudar, devido aos deveres desempenhados no mundo, deveriam estar agora suficientemente posicionados “para dar um sentido à sua fé”, como São Paulo nos exortou a fazê-lo. Mesmo que não consigamos mostrar a luz a todos que solicitam, devemos praticá-la na intimidade, em gratidão aos Irmãos Maiores e de maneira impessoal a toda Humanidade. O desenvolvimento de nossa própria alma depende do grau de participação e empenho no fortalecimento do movimento ao qual estamos ligados. Portanto, é conveniente que compreendamos detalhadamente qual a missão da Fraternidade Rosacruz.

Isto está inteira e claramente elucidado no capítulo introdutório do “Conceito”. Em resumo, sua missão concentra-se em proporcionar uma explicação sobre as questões da vida capaz de contemplar tanto as necessidades da Mente como do Coração. Com a finalidade de remover as confusões inerentes a duas classes de pessoas: os eclesiásticos e os cientistas. Ambos seguem tateando nas trevas pela carência de um conhecimento unificador e podem ser muito beneficiados com nossa literatura.

Designamos eclesiásticos todos os que são guiados por uma sincera devoção ou bondade natural, pertençam ou não a alguma igreja. No âmbito dos cientistas incluímos os que encaram a vida de um ponto de vista puramente mental, sejam atuantes ou não no campo da ciência.

É propósito e objetivo do Livro Conceito Rosacruz do Cosmos ampliar o campo de ação espiritual de um número sempre crescente dessas duas classes que pressentem, com maior ou menor clareza, a falta de algo de grande importância em sua concepção da existência.

Devemos lembrar o episódio do Rei Davi. Quando desejou construir um templo a Deus foi-lhe negado esse privilégio. Isso por ter empunhado armas como guerreiro de sua tribo. Sempre houve organizações a combater outras organizações. Apontando erros e buscando meios de destruir as rivais, guerreando tanto quanto Davi o fez outrora. Com essa atitude, não se conquista a permissão para construir o templo que é feito de pedras vivas de homens e mulheres. Esse templo ao qual o personagem Manson se refere com tão belas palavras no livro “O Servo da Casa” (The Servant in the House)[17].

Portanto, quando tentamos divulgar as verdades dos Ensinamentos Rosacruzes, devemos sempre ter em mente que não podemos impunemente depreciar a Religião de quaisquer outros nem os antagonizar. Não é nossa missão lutar con­tra seus erros. Eles infalivelmente manifestar-se-ão no devido tempo.

Quando Davi morreu Salomão reinou em seu lugar. Este teve uma visão de Deus em sonho e Lhe pediu sabedoria! Foi-lhe dada oportunidade de pedir o que bem quisesse, e Salomão pediu sabedoria para guiar seu povo. Na verdade, foi esta a resposta recebida:

“Porque em teu coração pediste sabedoria, porque não pediste riquezas ou vida longa ou vitória sobre os teus inimigos ou qualquer coisa semelhante, mas pediste sabedoria, ser-te-á concedida essa sabedoria e muito mais do que isso.”[18].

Portanto, devemos seguir o exemplo de Salomão e orar sinceramente por sabedoria. Mas, é importante dispor de critérios para reconhecê-la. Portanto convém comentar o que é a verdadeira sabedoria.

Diz-se, e é verdade, que saber é poder. Saber, embora não seja nem o bem nem o mal em si mesmo, pode ser usado tanto para um como para o outro fim. O gênio apenas mostra a propensão para o saber, mas o gênio pode também ser bom ou mau. Falamos de um gênio militar, dotado de maravilhoso conhecimento sobre táticas de guerra. Tal homem, porém, não pode ser verdadeiramente bom, pois está destinado a ser impiedoso e destrutivo ao manifestar sua genialidade.

Um guerreiro, seja ele Napoleão ou um simples soldado, nunca poderá ser sábio, porque deliberadamente deve esmagar todos os bons sentimentos. Vale lembrar-se do coração como símbolo dos mais nobres sentimentos. Um GOVERNANTE SÁBIO TEM UM GRANDE CORAÇÃO, assim como tem uma inteligência superior. Tem o coração e o intelecto em harmonioso equilíbrio para promover o desenvolvimento de seu povo.

Mesmo o mais profundo conhecimento sobre assuntos Religiosos ou ocultos não é sabedoria, como nos ensina São Paulo no seu magnífico 13º Capítulo da Primeira Epístola São Paulo aos Coríntios:

“Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência, se não tiver amor, nada serei”.

Somente quando o conhecimento se mesclar com o amor poderá realmente se converter em sabedoria. AMOR-SABEDORIA é a expressão do princípio Crístico, o segundo aspecto da Divindade Trina.

Deveríamos ser muito cautelosos para compreender e discernir corretamente. Só assim podemos eleger caminhos vantajosos para alcançar um determinado objetivo e evitar ciladas que causam atrasos e angústia. Podemos optar por um caminho de sofrimento no presente visando futuras realizações, mas não é necessariamente sinônimo de sabedoria. Conhecimento, prudência, discrição e discriminação são próprios da Mente. Em si mesmo, todos são tentações do mal. Cristo na Oração do Senhor nos ensinou a pedir: “Livrai-nos do mal”. As faculdades inatas da Mente devem ser temperadas com a qualidade inata do coração, o amor. Dessa mescla resulta a sabedoria.

Se lermos o 13º Capítulo da Primeira Epístola de São Paulo aos Coríntios, substituindo a palavra caridade ou amor pela palavra sabedoria, entenderemos o significado dessa grande qualidade e a desejaremos ardentemente.

Portanto, é missão da Fraternidade Rosacruz divulgar uma doutrina capaz de unir o intelecto com o coração. Esta é a única verdadeira sabedoria. Nenhum ensinamento genuinamente sábio pode prescindir de um destes elementos. Do mesmo modo, não podemos fazer soar um acorde musical com apenas uma corda. Assim como a natureza humana é complexa, também os ensinamentos que contribuem para esclarecer, purifi­car e elevar esta mesma natureza devem ter aspectos múltiplos. Cristo seguiu este princípio quando nos legou aquela prece magnífica que, em suas sete estrofes, atinge a nota-chave de cada um dos sete veículos do ser humano e os agrupa nesse magistral acorde de perfeição mais conhecido e popularizado como Oração do Senhor (Pai Nosso).

Mas, como transmitiremos ao mundo essa maravilhosa doutrina que recebemos de nossos Irmãos Maiores? A resposta a esta pergunta é: Agora e sempre vivendo a vida.

Diz-se, para o eterno mérito de Maomé, que sua esposa foi sua primeira discípula. Com toda certeza não foram apenas seus ensinamentos, mas a vida que vivia no lar, dia a dia, ano após ano, que conquistou a confiança de sua companheira, de tal modo que ela não hesitou em depositar em suas mãos seu destino espiritual.

É relativamente fácil permanecer diante de estranhos que desconhecem nossas mazelas e para quem nossos defeitos não são visíveis, e pregar por uma ou duas horas cada semana. Mas é muito diferente pregar vinte e quatro horas por dia dentro do lar, como Maomé deve ter feito vivendo a vida.

Para obtermos o mesmo êxito de Maomé devemos principiar pelo exemplo na própria casa. Demonstrar aos irmãos mais próximos, no exercício do cotidiano, os ensinamentos que norteiam nossa existência. Isso é realmente sabedoria. Diz-se que a caridade começa em casa. Esta é a palavra que deveria ser traduzida por “amor” no 13º Capítulo da Primeira Epístola de São Paulo aos Coríntios. Mude isto também para sabedoria e leia: a disseminação da sabedoria começa em casa. Que seja este o nosso lema através dos anos.

Vivendo a vida em nosso lar, promoveremos nosso ideal, de forma mais eficaz do que por qualquer outro método. Muitas pessoas céticas se converteram à Fraternidade Rosacruz através da conduta de seus maridos, esposas ou familiares. Possam os demais segui-los.

CAPÍTULO V – O SEGREDO DO SUCESSO

Eis um tema para despertar o interesse geral. O desejo de obter sucesso está presente em todos. Mas a questão é: como podemos definir sucesso? Provavelmente cada indivíduo formulará uma resposta muito particular para esta pergunta. Mas, aprofundando o pensamento colhemos algumas evidências. Seja qual for o caminho escolhido para atingir a meta do sucesso, esse caminho deve seguir os rumos da evolução da Humanidade. Portanto, devemos encontrar um fator comum no conceito de sucesso e desvelar seu segredo.

Portanto, seria um erro buscar a solução deste problema estudando apenas a vida do ser humano na presente época. Devemos considerar cuidadosamente os estágios de desenvolvimento no passado e observar atentamente as tendências das futuras diretrizes da Humanidade. Assim podemos elaborar um quadro preciso e confiável para responder a esta importante questão.

Não há necessidade de adentrar em detalhes secundários. Podemos sumariar sem perda de rigor. Nas épocas pretéritas da nossa evolução, quando a Humanidade em formação imigrava do mundo espiritual para a presente existência material, o segredo do sucesso residia no conhecimento do Mundo Físico e de suas leis e características próprias.

Nesse tempo não era necessário descrever o mundo espiritual para os seres humanos. Nossos veículos mais sutis eram fatos patentes para todos. Nós víamos e vivíamos num reino espiritual. Nesse tempo ainda estávamos gradualmente interpenetrando o Mundo Físico. Portanto, as escolas de Iniciação ensinavam aos pioneiros da Humanidade as leis que governam o Mundo Físico. Os Iniciados aprendiam a maestria das artes e dos engenhos capacitando-se a conquistar o reino material. Desde essa época até uma data comparativamente recente, a Humanidade vem trabalhando para aperfeiçoar-se nesses ramos do conhecimento. Eles atingiram a mais alta expressão nos séculos imediatamente anteriores à descoberta do vapor. Agora, contudo, encontram-se em decadência.

À primeira vista, esta parece ser uma afirmação injustificável. Mas, um exame mais cuidadoso dos fatos irá rapidamente revelar a verdade nela contida. Na chamada Idade Média não havia fábricas, mas todas as cidades e aldeias possuíam pequenas oficinas onde o dono, às vezes só ou com artesãos e aprendizes, executava as obras do seu ramo, desde a matéria prima até o produto, desempenhando sua arte e espírito criativo com toda a alma e coração em cada peça nascida de suas mãos. Se fosse ferreiro, sabia como produzir trabalhos ornamentais em ferro para tabuletas, portões e outras peças que iriam ornar os originais detalhes dessas cidades e aldeias medievais. Sua obra mantém-se viva nos trilhos da história.

Ao andar pela cidade o artesão podia rever este ou aquele ornamento e orgulhar-se de sua beleza. Orgulhar-se também por conquistar o respeito e admiração de seus concidadãos por seu trabalho artístico e consciencioso. O marceneiro preparava a estrutura das cadeiras e, também, as estofava com trabalhos de tapeçaria, cujas estampas artísticas tentamos agora imitar. O sapateiro, o tecelão e todos os outros artesãos, sem exceção, produziam o artigo final partindo da rústica matéria prima. Todos se orgulhavam de suas obras.

Trabalhavam arduamente por muitas horas, mas sem queixas, pois todos se regozijavam durante o exercício de seus talentos e criatividade. O canto do ferreiro, acompanhado pelo martelo na bigorna, era ouvido por todos. Os oficiais e aprendizes não se consideravam escravos, mas sim mestres em formação.

Depois veio o período do vapor e das máquinas. Surge, então, um novo tipo de mão-de-obra. Em lugar da produção de um objeto confeccionado por uma só pessoa, desde a matéria prima, o que contemplava seu talento criativo, o novo plano de produção qualificava as pessoas para operarem em máquinas que fabricam apenas uma parte do produto. Depois, essas partes são montadas em outro setor também especializado.

Embora este plano diminuísse o custo da produção e aumentasse o rendimento, não deixava espaço para o espírito criativo do indivíduo. Ele se transformou meramente em um dente da engrenagem de uma enorme máquina.

Na loja medieval, o dinheiro era, na verdade, pouco considerado. O prazer de produzir era tudo. O tempo não importava. Mas sob o novo sistema, as pessoas começaram a trabalhar por dinheiro e contra o tempo.

Em consequência, a alma dos mestres perdeu sua fonte de alimento. Assim também ocorre com os demais indivíduos inseridos no novo sistema. Perderam o essencial e conservaram apenas a sobra daquilo que torna a vida digna de ser vivida. Agora trabalham por algo que não poderão usar nem desfrutar. Com isso toda a Humanidade foi penalizada.

Que diríamos de um jovem cuja ambição fosse acumular um milhão de lenços que nunca poderia usar? Com certeza o consideraríamos um tolo. Por que não colocarmos nessa mesma categoria a pessoa que gasta todas as suas energias e se priva de todos os confortos da vida para tornar-se um milionário?

Este sistema não pode perdurar. Ele está dando ao indivíduo uma pedra quando ele pede pão. Na verdade, é apenas mais uma etapa preparatória para alcançar outro degrau na espiral evolutiva. Novos modelos de desenvolvimento estão em processo de gestação. Novos ideais surgirão para ampliar nossa visão.

Sobre a tendência da evolução vamos aprender com nossos irmãos mais qualificados e inspirados. Os poetas e os visionários iluminam nossos caminhos. James Russell Lowell[19] emite uma nota-chave de incomparável clareza em sua Visão de Sir Launfal. É a história de um cavaleiro lançando-se em uma saga ao deixar seu castelo. Imbuído do desejo de realizar grandes e corajosos feitos para Deus. Junta-se às Cruzadas em busca do Santo Graal na distante Palestina. Sai do castelo convicto de sua nobre missão, orgulhoso, arrogante, voltado para sua meta. No portão do palácio encontra um pobre mendigo, um leproso. O indigente estende a mão suplicando uma esmola. Sir Launfal não demonstra com­paixão. Para livrar-se daquela situação repugnante, atira uma moeda de ouro e segue seu caminho procurando esquecê-la:

Mas o leproso não ergueu o ouro do pó e disse:

“Melhor para mim é a côdea de pão que o pobre me dá,

também melhor é sua mão que me abençoa,

e, assim, de mãos vazias de sua porta devo me afastar.

Esmolas só com as mãos dispostas a ofertar,

não são sinceras nem verdadeiras.

Inúteis são o ouro e as riquezas para prover,  

quando apenas libertam de um indesejável dever.

Porém, a mão não pode abarcar o que a esmola contém,

quando vem daquele que reparte o pouco que tem,

que dá o que não é possível medir nem pesar,

esse fio de beleza que tudo sabe perpassar,

que tudo sustenta, penetra e compreende.

A mão do coração amoroso se estende

Quando Deus acompanha o ato da doação,

alimentando a alma faminta, em desolação,

que antes sucumbia solitária, na escuridão”.

Mas, e Sir Launfal? Com esse modo de pensar poderia esperar alcançar sucesso e encontrar o Graal? A resposta com certeza é não. Só encontra decepção sobre decepção. Por fim, retorna a seu castelo, desalentado e com o coração humilde. Aqui, depara-se novamente com o leproso, mas, ao vê-lo:

“Só cinza e pó era seu coração.

Ele partiu em duas, sua única côdea de pão,

e derretendo o gelo das margens do riachão,

ao leproso deu de comer e beber pela mão”.

Tendo cumprido seu ato de misericórdia, recebeu a recompensa:

“Não mais o leproso ao seu lado se curvava,

mas, à sua frente, glorioso se levantava”.

E a voz, ainda mais doce que o silêncio, disse:

“Vê, Sou Eu, não temas!

Na busca do Santo Graal, em muitos lugares

consumiste tua vida, sem nada encontrares.

Olha! Ei-lo aqui: o cálice que acabaste de encher

com a límpida água do regato que Me deste de beber.

Esta côdea de pão é Meu corpo

sacrificado para tua remissão.

Esta água é de Meu sangue porção,

vertido para tua salvação.

A Santa Ceia é mantida, na verdade,

quando ajudamos o próximo em sua necessidade.

Pois a dádiva só tem valor

se com ela vem também o doador,

e a três pessoas ela alimenta assim:

ao faminto, a si própria e a Mim”.

Nestas palavras repousa o segredo do sucesso. Prontidão para fazer as pequenas coisas da nossa esfera de ação, esse é o segredo. Coisas, talvez, aparentemente desagradáveis, mas próximas de nossas mãos, em lugar de peregrinar em busca de fantasias quiméricas que jamais se trans­formarão em algo definido e tangível.

Mas o que de fato representa para nós o episódio relatado anteriormente? Mais uma vez podemos obter a resposta de um poeta, Oliver Wendel Holmes[20]. Ele nos fala do náutilo. Pequena criatura marinha que primeiro constrói uma concha, de tamanho suficiente para abrigá-la. À medida que vai crescendo, constrói outro compartimento maior para poder ocupar até o período seguinte de seu crescimento. Assim procede até construir uma concha em espiral, tão grande quanto possa, e depois a abandona. Esta ideia o poeta transmite nas seguintes estrofes:

“Oh, Minh’alma! Constrói para ti lar majestoso,

enquanto passam as estações em ritmo silencioso!

Abandona teu invólucro demasiado pequeno

e habita novo templo, mais nobre e grandioso,

com cúpula celeste, com domo espaçoso.

E entrega tua concha já superada

aos agitados mares desta vida,

no dia da libertação, com tua missão cumprida!”.

Quando atingirmos este ponto, teremos alcançado o sucesso. Todo o sucesso possível de ser conquistado em nosso mundo atual. Dessa forma ingressaremos numa nova esfera, com melhores oportunidades.

CAPÍTULO VI – A MORTE DA ALMA

De tempos em tempos, aparentemente seguindo uma lei de periodicidade, as mesmas dificuldades surgem inesperadamente na Mente dos Estudantes. De diferentes partes do mundo, ao mesmo tempo, chegam cartas pedindo informações sobre determinado assunto e posteriormente sobre outro. Depois de anos os mesmos temas ressurgem. Enquanto a resposta é dirigida aos que perguntam, é provável que outros estejam interessados no mesmo assunto e simultaneamente. Esse é o motivo desta lição sobre a morte da alma. Esse tema preocupa a Mente de muitos, talvez porque a morte do corpo seja tão comum e frequente.

Há alguns anos, publicamos uma lição sobre “O Pecado Imperdoável e Almas Perdidas”. Os Sacramentos eram o tema abordado na ocasião. Afirmamos que todos os Sacramentos têm relação com a transmissão dos Átomos-sementes que formam o núcleo de nossos vários corpos.

O germe de nosso corpo terrestre deve ser corretamente colocado em solo fértil para formar um veículo denso apropriado e, por essa razão, como está escrito no Gênese 1:27, “Elohim criou o homem varão e fêmea”. As palavras hebraicas são Sacr va N’cabah. Estes são os nomes dos órgãos sexuais. Em tradução literal Sacr significa o portador do germe.

O Matrimônio é, portanto, um Sacramento, pois abre o caminho para a transmissão do Átomo-semente físico do pai para a mãe e preserva a raça humana da irreversível extinção.

O Batismo como Sacramento significa a pulsão germinal da alma em direção a uma vida superior, é o plantio de uma semente espiritual.

A Comunhão é o Sacramento no qual partilhamos o pão feito da casta semente da planta na qual o cálice simboliza e aponta para uma época futura em que a semente será fecundada sem a paixão. Uma época em que o matrimônio será desnecessário para transmitir a semente do pai para a mãe. Assim, conquistaremos a morte através do alimento absorvido diretamente da vida cósmica.

Finalmente, a Extrema Unção é o Sacramento que caracteriza o rompimento do Cordão Prateado e a extração do germe sagrado, até que seja novamente plantado em outra N’cabah, ou mãe.

Como a semente e o óvulo são a raiz e a base de um desenvolvimento racial, é fácil perceber que nenhum pecado pode ser tão sério quanto o que abusa da função criadora. Este sacrilégio impede o crescimento das futuras gerações.  É uma transgressão contra o Espírito Santo, Jeová, o guardião da criadora força lunar. Seus Anjos anunciam nascimentos, como no caso de Isaac, João Batista e Jesus. Para recompensar Abraão, Seu mais fiel seguidor, prometeu-lhe que sua descendência seria tão numerosa como as areias da praia. Ele também puniu terrivelmente os Sodomitas por cometerem sacrilégio usando incorretamente a função criadora. E, também, o pecado de Onã[21], cuja tônica é o desperdício dessa função.

A Bíblia relata que a Humanidade estava proibida de comer da Árvore do Conhecimento sob a pena de morrer. Mas, em vez de esperar pacientemente pelas condições interplanetárias propícias, Adão conheceu Eva e, desde então, ela deu à luz a seus filhos com dores, sofrimentos e sujeitou-os à morte prematura. Portanto, o abuso desta sagrada função para gratificação da natureza passional, e particularmente por perversão, é reconhecido pelos esotéricos como o pecado imperdoável. Sobre esse tema alude São Tiago, quando diz: “Há um pecado mortal. Não digo que deveis rezar para isso.”[22].

Investigações ocultas provaram neste caso, assim como em todas as outras formas de conhecimento, que Deus e a natureza são muito mais clementes e misericordiosos para com o ser humano do que este para com seus iguais. Embora a punição justa aplicada aos que viveram uma vida de pecados e vícios tenha sido realmente severa em todos os casos, nada é tão sério como a “morte da alma”.

Tanto quanto é do nosso conhecimento, apenas o Mago Negro abusa conscientemente da força criadora para propósitos malévolos, e enfrenta algo tão terrível como a morte de sua gema preciosa. Realmente não haveria necessidade de abordar o assunto, a não ser porque projeta luz sobre outros temas valiosos para o Estudante.

Para bem entender isto devemos relembrar as precisas definições dos termos Espírito, Alma e Corpo, explanadas no “Conceito Rosacruz do Cosmos”. Podemos recapitular um trecho: no princípio da manifestação do Espírito Virginal, cada Centelha Divina envolveu-se em um tríplice véu de espírito-matéria e tornou-se Ego.

O Tríplice Espírito moldou e projetou uma sombra tríplice sobre os reinos constituídos de matéria. Assim, o Corpo Denso desenvolveu-se como uma contraparte do Espírito Divino. O Corpo Vital como uma réplica do Espírito de Vida. O Corpo de Desejos como a imagem do Espírito Humano.

De relevante importância foi a construção da Mente. Ela é o elo de ligação entre o Tríplice Espírito e seu Tríplice Corpo refletido. A Mente possibilitou o princípio da consciência individual. A aquisição da Mente também determina a linha divisória onde termina a involução do espírito na matéria e tem início o processo evolutivo pelo qual o espírito gradualmente retira-se dos veículos constituídos de matéria.

A involução envolve a cristalização do espírito em corpos de densidade crescente. A evolução depende da dissolução desses corpos. Mas, durante a evolução devemos extrair de cada um dos três corpos sua quintessência, sua alma. Portanto, do Tríplice Corpo extraímos a Tríplice Alma. Paralelamente ocorre o processo alquímico de amalgamação da substância anímica com o espírito.

No começo da evolução, a Humanidade era constituída apenas de espírito e corpo. Era ingênua e inexperiente, portanto, ainda não tinha alma. A Terra é a grande escola da experiência e manancial de oportunidades para construirmos nossa alma.  A cada encarnação vivida em nossa esfera planetária podemos desenvolver e ampliar qualidades anímicas conforme o aproveitamento das oportunidades que se apresentam. De acordo com as escolhas alguns avançam enquanto outros se atrasam; disto resultam as diferentes gradações entre um selvagem e um santo.

Mas, vejamos no que consiste a perda da alma até sua total extinção ou morte. Vamos deixar bem claro que o verdadeiro espírito é eterno, nunca pode morrer. O espírito é uma Centelha Divina, uma Fagulha do Próprio Deus e, portanto, sem princípio nem fim. Então, como falar na morte da alma e qual o verdadeiro sentido dessa expressão? Este é um assunto sobre o qual o autor não gosta de repisar, mas como lança uma luz importante para o avanço espiritual, recordaremos alguns fatos.

Vimos que o Tríplice Espírito projetou um Tríplice Corpo. Das experiências no Tríplice Corpo devemos extrair a Tríplice Alma para amalgamá-la com o Tríplice Espírito, esse é o objetivo da evolução. Agora, muita atenção. Chegamos ao ponto crucial de toda a lição. Uma informação importante e valiosa ajudará os Estudantes a entender mais profundamente tudo que já foi dito até aqui.

Muito se fala na literatura ocultista sobre “O Caminho”. Embora o Iniciado já tenha recebido informações abundantes sobre seu significado, o seguinte esclarecimento nunca foi dado antes ao Estudante exotérico. São Paulo afirma que estar mentalizado na carne é a morte, mas estar espiritualmente mentalizado é vida e paz. Esta é a verdade exata, pois, a Mente é o elo entre o espírito e o corpo, é o caminho ou ponte, o único meio de transmissão da alma para o espírito.

A razão de viver de muitos se alinha com a frase proverbial:

“Vamos comer, beber e gastar o tempo em diversões já que amanhã morreremos mesmo.”

Enquanto o ser humano estiver mentalizando a matéria, e dirigindo sua atenção para os sucessos mundanos, todas as suas atividades estarão centralizadas na parte inferior do seu ser, a personalidade. Viverá e morrerá como os animais, inconsciente das reservas magnéticas do espírito.

Entretanto, há um momento decisivo no qual os anseios do espírito são sentidos. A personalidade vê a luz. Entusiasmada, compromete-se a atingir seu Eu Superior por meio da ponte da Mente. Como a carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus, o corpo deve ser crucificado, assim a alma pode ser libertada para unir-se ao seu Pai no Céu, o Tríplice Espírito, o Eu Superior.

O superior deve estimular a elevação do inferior, esse é o processo natural. Mas, infelizmente, há exemplos na direção oposta: a personalidade se recusa a sacrificar-se pelo espírito. Nesse caso a personalidade inferior mostra-se muito forte e dominadora, impregnada de materialismo. A Mente se mostra intensamente enredada com os veículos inferiores. Como resultado a ponte da Mente finalmente se quebra.

A personalidade sem alma pode continuar a viver por muitos anos depois que esta separação se efetivou. Pode executar os mais violentos atos de crueldade e astúcia até sucumbir. A Magia Negra, envolvendo o uso pervertido da semente obtida de outros, é geralmente utilizada por essas personalidades desalmadas com o propósito de satisfazer seus desejos demoníacos. Frequentemente, eles obtêm poderes sobre uma nação ou uma sociedade, logo depois se comprazem em arruiná-las.

Enquanto isso, o espírito permanece desnudo; não tem Átomos-semente com os quais possa construir corpos adicionais. Então, automaticamente, gravita para o Planeta Saturno e depois para o Caos, onde deve permanecer até a aurora de um novo Dia de Criação.

À primeira vista, pode parecer injusto que o espírito seja assim condenado a sofrer, embora não tenha cometido qualquer perversidade. Mas, por outro lado, compreendemos que, sendo a personalidade uma criação do Eu Superior, a responsabilidade existe e não pode ser evitada. Felizmente, porém, esses casos são cada vez mais raros à medida que avançamos no Caminho da Evolução. Mesmo assim, é necessário que todos se direcionem seriamente para o verdadeiro caminho, para a luz que conduz ao nosso ideal espiritual, a união com o Eu Superior. Que essa luz resplandeça cada vez mais.

CAPÍTULO VII – O NOVO SENTIDO DA NOVA ERA

No fim da Idade de Touro, há mais ou menos 4.000 anos atrás, o “Povo de Deus” fugiu da ira prestes a derramar-se sobre o Egito, a terra onde esse povo adorava o Touro.

Era guiado por Moisés, enquanto estava em fuga rumo à Terra Prometida. Em antigas iconografias esotéricas Moisés aparece com a cabeça adornada com chifres de carneiro. Simbolismo utilizado para evidenciar seu papel de precursor dos 2.100 anos da Época Ária. Durante esses anos, em cada manhã de Páscoa, o Sol de março tingia de vermelho as soleiras das portas, lembrando o sangue de um cordeiro, quando atravessa o Equador na constelação (não no Signo) do Cordeiro, Áries.

De igual modo, quando o Sol, por precessão, se aproximava da constelação aquosa de Peixes, os Peixes, João mergulhava nas águas do Jordão os convertidos à Religião Messiânica, e Jesus chamava seus Discípulos de “pescadores de homens”. Assim como o “cordeiro” foi sacrificado na Páscoa, enquanto o Sol passava pela constelação de Áries, o Carneiro, também os fiéis, em obediência aos mandamentos de sua igreja, alimentam-se de peixe durante a Quaresma no atual ciclo de Peixes.

Na época em que o Sol, por precessão, deixou a constelação de Touro o povo que ainda adorava esse animal foi considerado pagão e idólatra. Um novo símbolo do Salvador ou Messias foi representado com imagem de um cordeiro, que correspondia à constelação de Áries. Mas, quando o Sol, por precessão, deixou esse Signo, o judaísmo passou a ser uma Religião do passado. Desde então, os bispos da nova Religião Cristã adotaram a mitra com formato de cabeça de peixe para patentear sua posição hierárquica como ministros da Igreja durante a Era de Peixes que, agora, está chegando ao seu final.

Considerando o futuro pela perspectiva do passado é evidente que uma nova Era deverá iniciar-se quando o Sol transitar pela constelação de Aquário, o Aguadeiro, daqui a algumas centenas de anos. A julgar pelos acontecimentos do passado é razoável esperar-se que uma nova fase Religiosa suplantará nosso presente sistema. Revelará maiores e mais nobres ideais e superará a nossa presente concepção da Religião Cristã. Portanto, quando esse dia chegar, devemos estar preparados para integrar as fileiras que conduzem aos novos ideais ou seremos excluídos com os demais idólatras e pagãos.

João Batista pregou o evangelho da preparação. Sem palavras ambíguas advertiu o povo: o machado deve ser colocado na raiz da árvore. Também os preveniu para fugirem da ira que acompanhava a chegada do Filho de Deus (o Sol), para separarem o trigo do joio e queimá-lo. Cristo comparou o Evangelho com o fermento, fundamental para vivificar o pão da alma.

À primeira vista, o método de João parece ser muito mais drástico, colocando o machado na base de toda a estrutura social. Enquanto o processo de levedura mencionado por Cristo parece ser mais suave. Entretanto, na realidade, é mais severo e drástico. Quando observamos cuidadosamente a metamorfose da massa do pão durante a fermentação o fato ganha maior evidência. Há uma revolução nos processos químicos, uma guerra em miniatura, envolvendo uma completa transformação na estrutura íntima da farinha. O fermento convoca todos para o combate. O som dos canhões junta-se ao coro das explosões de bombas e granadas. Ao término da microscópica batalha a massa cresceu e tornou-se leve.

Essa revolução dos componentes químicos, essa guerra interna, é absolutamente indispensável na fabricação do pão. Sem o processo de fermentação o resultado seria um produto pesado, indigesto e até intragável. É a transformação processada pelo fermento que torna o pão saboroso, suave e nutritivo.

O processo de preparação para a Era de Aquário já começou, e como se trata de um Signo aéreo, científico e intelectual, conclui-se, de forma inequívoca, que a nova fé basear-se-á na razão. Portanto, estará capacitada para resolver os mistérios envolvendo a vida e a morte de modo a preencher as necessidades tanto da Mente como do anseio Religioso.

A Fraternidade Rosacruz tem por missão preparar, desde já, a futura atmosfera aquariana. Assim sendo, trabalha para divulgar a Sabedoria contida na Religião Ocidental. Atua como o fermento no pão. Tem por finalidade dissipar o medo da morte através do entendimento espiritual e profundo sobre o propósito da vida. A vida e a consciência são eternas e governadas por leis tão imutáveis como Deus.

O desenvolvimento da consciência pode conduzir a vida espiritual do ser humano a esferas cada vez mais elevadas, nobres, sublimes e acende o farol da luz da esperança no altar do coração.

Desde remoto passado temos desenvolvido cada um dos cinco sentidos pelos quais interagimos com o atual mundo visível. Poderemos, num futuro não muito distante, desenvolver outro sentido, um sexto órgão de percepção. Isso ampliará nossas possibilidades de interação com novas dimensões como, por exemplo, os habitantes da Região Etérica. Assim também com os nossos entes queridos que já abandonaram os corpos físicos e habitam o Éter e o Mundo do Desejo inferior durante o primeiro estágio nos reinos mais sutis.

A missão de Aquário está representada apropriadamente pelo símbolo do homem esvaziando o cântaro d’água. Aquário é um Signo aéreo e governa especialmente as propriedades do Éter.

O Dilúvio tornou o ar parcialmente seco, depositando a maior parte de sua umidade no mar. Mas quando o Sol entrar em Aquário, por precessão, o restante da umidade será eliminado e as vibrações visuais, transmitidas mais facilmente numa atmosfera etérica seca, serão mais intensas. Assim, as condições serão particularmente propícias para produzir a adequada extensão de nossa atual visão. Dessa forma nossos olhos também poderão colher imagens da região etérica. O aparecimento de sensitivos na Califórnia exemplifica o efeito da atmosfera seca e elétrica, embora mais atenuado se comparado com a futura Era de Aquário.

A fé será complementada pelo conhecimento, e todos poderemos lançar o brado triunfal:

“Oh! Morte, onde está teu aguilhão?

Oh! Tumba, onde está tua vitória? “[23]

Não devemos deixar escapar as oportunidades que se apresentam quando já estamos no caminho, meditando e aspirando por esse maravilhoso dia. É imprescindível compreender nosso privilégio em relação aos irmãos que ainda estão inconscientes do que o futuro lhes reserva. Os desinformados podem retardar o desenvolvimento de sua visão. Quando experimentarem os primeiros vislumbres das entidades etéricas, tenderão a crer que suas visões não passam de meras alucinações.  Para não ser considerados loucos podem adotar uma atitude de repressão e negação dessa nova faculdade.

Portanto, a Fraternidade Rosacruz foi incumbida, pelos Irmãos Maiores, da tarefa de promulgar o Evangelho da Era Aquariana. Tem a responsabilidade de dirigir uma campanha educativa e iluminadora, preparando o terreno para o porvir.

O mundo deve ser fermentado com as seguintes ideias:

  1. Dissipar o véu do mistério sobre a continuidade da vida após a morte do Corpo Físico. O conhecimento dos mundos invisíveis é tão válido e importante como estudarmos a língua, a cultura, o clima e os costumes de outros povos, segundo relatos e documentos de pessoas credenciadas.
  2. Estamos próximos do limiar. Em breve conheceremos diretamente estas verdades.
  3. Como Estudantes, o mais importante é acelerarmos o passo para alcançar esse dia. Tendo em mãos o conhecimento da realidade suprafísica, estaremos mais preparados e qualificados para lidar com o amanhã. Saberemos como e onde investigar os fenômenos e as leis das dimensões superiores. Afastaremos o eventual medo e a incredulidade quando surgirem os primeiros vislumbres dessas coisas.

Embora esse desenvolvimento seja maravilhoso, ele vem acompanhado de uma grande responsabilidade. Os Estudantes devem compreender que um sério compromisso é inerente à posse do conhecimento:

“A quem muito é dado, muito será exigido.”[24].

Se enterrarmos nossos talentos, não devemos esperar uma merecida condenação? A Fraternidade Rosacruz poderá cumprir sua missão somente quando cada membro fizer a sua parte, difundindo os Ensinamentos e vivendo a vida. Portanto, esperamos que isto alerte os Estudantes quanto aos seus deveres individuais.

A visão etérica é semelhante ao raio “X”, permite ver através dos objetos. Mas ela tem um poder ainda maior que torna tudo transparente como o vidro. Sendo assim, na Era de Aquário a percepção da realidade será bem diferente. Por exemplo, será muito fácil estudar anatomia e detectar um tumor maligno, uma luxação ou um estado patológico do corpo. Atualmente, médicos eminentes pesarosamente admitem que seus diagnósticos, não poucas vezes, estão errados. Fato constatado pelos exames realizados depois da morte do paciente. Entretanto, quando desenvolverem a visão etérica, serão capazes de estudar diretamente tanto a estrutura anatômica como o processo fisiológico, sem obstáculos físicos.

A visão etérica não nos capacitará a ler o pensamento alheio. Pois a matéria que constitui o pensamento é muito mais sutil. Porém, ser-nos-á impossível levar uma vida dupla. Seremos prontamente desmascarados se nossa vida privada for incoerente com a vida pública.

Se soubéssemos que entidades invisíveis frequentam as nossas casas, fica­ríamos envergonhados com as coisas que fazemos. Mas, não haverá privacidade na Era de Aquário. O que está aparentemente oculto pode ser desvelado por quem quiser observar. Será inútil obrigar a criada dizer a uma visita indesejável que “não estamos”.

Na Nova Era a honestidade e a retidão serão as únicas condutas sensatas. Qualquer ação maléfica será descoberta. Esconder a sujeira ou fugir do local do crime será em vão. Não obstante, como atualmente, haverá pessoas com inclinações ao vício e a serviço da maldade. Contudo se­rão reconhecidas com facilidade e assim poderão ser evitadas.

O Estudante pode tecer conjecturas sobre as possíveis condições reinantes na futura Era Aquariana e a correlata ampliação da percepção visual. Sabendo viver de antemão essa realidade vindoura, o quanto possível, estará em posição de tornar-se um dos pioneiros dessa Era.

Nesse dia “não haverá noite”, e a “árvore da vida” florescerá constantemente pelo etérico “mar de vidro” transparente, que permeia e infunde vitalidade em todas as coisas.

CAPÍTULO VIII – O POVO ESCOLHIDO DE DEUS

Quando estudamos a história dos Hebreus, como está descrita na Bíblia e em relatos da Idade Média e Moderna pelos diversos povos habitantes do mundo ocidental, um fato incontestável destaca-se com peculiar clareza. Eles foram conduzidos ao exílio, à escravidão e odiados em todos os países por onde se espalharam. Sofreram perseguições em países onde a política era conivente com o antissemitismo. Os judeus são menosprezados mesmo nas nações que adotam “a Palavra de Deus” em conformidade com os textos bíblicos, onde lemos que o povo hebreu é “o povo escolhido de Deus”. Quando investigamos a razão de tanta tragédia, dois fatos relevantes se apresentam:

  1. Em todos os lugares os judeus proclamaram-se “o povo eleito de Deus”. Destinados, por desígnio divino, a se tornarem os senhores do mundo no curso da história. Por fim, todas as nações prestarão homenagem e tributo aos eleitos.
  2. Seus relacionamentos com os gentis têm, invariavelmente, sido marcadas por tais práticas, tal como o personagem Shyloc em O Mercador de Veneza, de Shakespeare, cobrando seu “meio quilo de carne”, corroborando com o conceito popularmente difundido sobre essa natureza.

Assim, inconscientemente, estabeleceu-se na mente de outros povos um ressentimento contra essa postura pretensiosa. Preconceito e antagonismo são consequências dos judeus se considerarem os filhos divinamente favorecidos de Deus e de classificarem os demais como enteados, pagãos e idólatras. Estes proscritos serão subjugados no tão esperado dia da ira, quando Israel virá triunfalmente para assumir o governo do mundo com bastão de ferro. Esse ressentimento se acentua em função da forma conservadora com a qual os judeus mantêm esses hábitos ainda hoje.

Se os judeus tivessem justificado a sua pretensão de serem os favoritos da divindade através de vidas nobres, exemplares e elevada conduta, provavelmente teriam atraído a admiração de diversos povos com os quais têm estado em contato. Se tivessem despertado em alguns o espírito da emulação, mesmo aqueles que invejassem suas convicções, provavelmente seriam mais respeitados. Entretanto, seus hábitos são tão discordantes de suas crenças que, lamentavelmente, provocam a hostilidade de muitos.

Advertimos os Estudantes para não considerarem o exposto como uma crítica aos judeus. É errado comentar as faltas alheias e criticá-las, a não ser que se tenha em vista um fim construtivo. É sempre fácil notar o cisco no olho de nosso próximo, mas é muito mais fácil ignorar uma trave no nosso pró­prio. A razão para abordarmos o assunto dos judeus com suas crenças elevadas e seus hábitos discordantes é para perguntar se, procurando com a lanterna o cisco em seus olhos, não encontraremos a trave nos nossos. Se assim for, conquistaremos algo realmente valioso se estivermos dispostos a remover essa trave.

Enquanto vivemos nas malhas do mundo, levando uma existência comum, fazendo coisas corriqueiras, sejam boas, más ou indiferentes, ninguém toma conhecimento de quem somos. Por outro lado, quando afirmamos que somos diferentes ou especiais, como fazem os judeus, a sociedade reage imediatamente. Com olhar atento, começa uma vigilância com a finalidade de avaliar se há coerência entre nossas crenças e nossas ações. Seremos alvo da observação alheia onde estivermos, seja agindo ou descansando. Portanto, uma grande responsabilidade pesa sobre nós. Devemos bem desempenhar as nossas tarefas, só assim podemos justificar os elevados ensinamentos recebidos dos Irmãos Maiores e, também, estimular no próximo o desejo de abraçar a mesma filosofia.

Por isso, devemos parar e avaliar nossos atos e realizações no ano passado. Depois, tomemos as resoluções que julgarmos necessárias para tornar o futuro mais proveitoso do ponto de vista da alma.

Em primeiro lugar, devemos reconhecer que fomos especialmente agraciados, muito além de nossos merecimentos, em receber dos Irmãos Maiores os Ensinamentos Rosacruzes. Esperamos ter-lhes expressado a nossa gratidão durante todo o ano que passou. Vamos enviar-lhes, neste momento, espe­ciais pensamentos de carinho e gratidão. Não é preciso dizer que eles não necessitam de agradecimentos, pois estão acima disso, mas, praticando a gratidão, progrediremos espiritualmente.

Avaliemos qual proveito colhemos desses ensinamentos preciosos no ano passado. Por exemplo, temos dado o tratamento justo e adequado às necessidades do próximo? Conseguimos dominar nosso temperamento, desenvolver mais equilíbrio e superar falhas de caráter proeminentes?

Os esforços lograram algum êxito? Esperemos que nossas conquistas tenham sido pelo menos razoáveis. Lembremos sempre do exemplo dado pelo povo hebreu. Seremos avaliados pela coerência e sinceridade com as quais colocamos em prática nossas crenças. Do mesmo modo, certos ou errados, os Ensinamentos dos Irmãos Maiores serão avaliados na comunidade conforme os atos dos que se confessam seus seguidores.

No entanto, há uma conclusão que forçosamente devemos aceitar ao final de nossa retrospecção. Estamos muito aquém dos sublimes ideais propostos.

Contudo é preciso acautelar-se com os exageros. Há um ponto crítico quando o caminho espiritual corre a ameaça de soçobrar nos rochedos da pusilanimidade. Em outras palavras, há perigo de sério retrocesso quando o temperamento se fragiliza em demasia a ponto de admitir o total fracasso, de chocar-se ao vislumbrar a possibilidade de seu progresso frustrado. Preocupações e temores coloridos pela morbidez. Tal atitude mental antecipa o desastre. Empalidece a alma e esvazia a vontade de prosseguir na batalha. Espalha uma nuvem escura de derrotismo, onde as desvantagens ganham estatura e sufocam a luz da esperança. Crescem as desculpas. Alegamos o antagonismo dos amigos e da família com nossas crenças; a falta de tempo, pois os deveres nos consomem etc. Mas, na verdade, o problema está dentro de nós. Se cedermos ao negativismo, constataremos que amigos e familiares irão desprezar-nos, embora não o demonstrem abertamente como o fazem no caso dos judeus.

Ao contrário, longe de estimular o abandono do caminho do progresso, os fracassos deveriam servir como incentivos para esforços maiores. Resolutos, deveríamos caminhar com mais determinação e firmeza.  Assim, no próximo ano, estaremos mais fortalecidos para vencer nossas imperfeições.

Todos conhecem seus próprios defeitos: “O pecado que tão facilmente nos domina.”[25].

Naturalmente, cada qual deve formular as suas próprias resoluções. Mas, para cumpri-las de forma benéfica, favorecendo o crescimento da alma e colaborando na tarefa de tecer o Dourado Manto Nupcial, será de muita ajuda fixarmos os olhos e pensamentos em alguém portador da virtude que desejamos cultivar.

Temos um magnífico exemplo em Cristo: “Ele foi tentado na carne como nós, porém, não cometeu pecado.”.

Tenhamo-Lo bem perto do coração durante o próximo ano e certamente nossa alma muito crescerá. Esta será também a melhor maneira de divulgar os Ensinamentos Rosacruzes. Vivendo a vida de forma sincera e coerente poderemos despertar na alma dos outros o desejo de compartilhar suas bênçãos.

CAPÍTULO IX – LUZ MÍSTICA NA GUERRA MUNDIAL – (1914-1918) – Parte I – Fontes Secretas

Os Estudantes dos Ensinamentos Rosacruzes sabem muito bem que nós, como Espíritos, somos imortais, sem princípio e sem fim. Desde o passado remoto, estamos frequentando a grande escola da experiência por meio de sucessivas vidas. Nossos veículos, ou revestimentos de matéria, são constantemente aprimorados. Neles vivemos por determinado tempo, variando desde algumas horas até uma vida longa.

Descartamos o invólucro mortal, muitas vezes já desgastado e decrépito, quando mais um dia da escola da vida se completa. Em seguida, iniciamos o caminho de retorno ao nosso lar celestial para repouso e assimilação das lições aprendidas. Mais tarde, renasceremos e retomaremos as lições exatamente no ponto onde a aula anterior da escola da vida foi encerrada, e fomos chamados de volta ao lar.

Durante cada dia nessa escola, encontramos outros espíritos e estabelecemos laços de amor e ódio. Em vidas futuras encontrar-nos-emos novamente, para que as dívidas, eventualmente contraídas e acumuladas no banco do destino, possam ser liquidadas. Assim, nossos amigos de hoje são aqueles com quem travamos amizade na vida anterior, e nossos inimigos são aqueles com quem nos indispusemos no passado esquecido. Desse modo, estamos continuamente tecendo a teia do destino no tear do tempo e criando, para nós mesmos, um manto de glória ou de trevas, conforme tenhamos agido bem ou mal.

Mas, nós não realizamos apenas nosso destino individual, pois como diz o provérbio: “Nenhum ser humano vive só”; somos agrupados em famílias, tribos, raças e nações. Além de nosso destino individual, estamos unidos pelos destinos de família e de nação, porque estamos sob a guarda dos Anjos e Arcanjos. Eles atuam, respectivamente, como Espíritos de família e de raça.

São estes grandes Espíritos que fixam em nossos Átomos-sementes a forma racial e as características particulares do Corpo Físico. Eles também implantam nos Átomos-sementes de nossos mais refinados veículos, as simpatias e ódios nacionais.

O Espírito de Raça paira como uma nuvem sobre a terra habitada por seus tutelados. Estes absorvem dessa atmosfera a matéria apropriada para compor seus corpos mais sutis.

Verdadeiramente, cada indivíduo vive, move-se e desenvolve a consciência de seu ser no seio do Espírito de Raça. Seus veículos são constituídos dentro desse ambiente. Sim, a cada sopro, cada indivíduo respira o hálito do seu correspondente Espírito de Raça. Por isso, incontestavelmente, o sentimento racial conserva-se mais próximo e íntimo do que seus próprios pés e mãos.

O Espírito de Raça também impregna a alma com amor ou ódio por outras nações. Condiciona o relacionamento predominantemente inamistoso e desconfiado entre certos povos, mas também confiança e amizade entre outros.

Segundo os Ensinamentos Rosacruzes, todo espírito renasce duas vezes enquanto o Sol, por precessão, transita por um Signo do Zodíaco. Alterna seu veículo físico encarnando uma vez como homem e outra como mulher. Assim pode assimilar as experiências proporcionadas por esse Signo do ponto de vista de ambos os sexos.

Há muitas exceções a esta regra. A lei não é cega e, portanto, age de acordo com as necessidades individuais do espírito. Os Elevados Seres denominados Anjos do Destino, na terminologia cristã, governam as linhas da evolução, e têm a função de ajustar o Relógio do Destino. Definem com precisão a ocasião propícia para colher as safras do passado. Isso se aplica tanto para indivíduos como para agrupamentos humanos. Portanto, se estudarmos as características das nações recentemente engalfinhadas numa luta titânica, bem como os objetivos pelos quais estão lutando, e lançarmos um olhar retrospectivo pelas páginas da história, não há necessidade do dom da visão, nem mesmo da intuição, para localizar e inferir que as fontes da recente guerra foram geradas num pas­sado distante.

Para alguns historiadores, os filhos de Albion[26] são uma reencarnação dos antigos romanos. Mas, sob a luz das investigações no domínio oculto, essa não é a completa verdade, pois também identificamos a presença de muitas raças estrangeiras naquela época. Entretanto, houve uma miscigenação com a raça dominante, donde se pode praticamente confirmar o fato mencionado pelos historiadores.

Recordemos a história de Roma. O espírito democrático manifestou-se por meio da formação de uma república, logo depois do reinado dos sete primeiros reis. Na sequência, teve início uma guerra expansionista, com o objetivo de conquistar o domínio sobre o mundo. No decurso dessas operações militares, houve uma batalha contra Cartago, numa violenta disputa pelo domínio do Mar Mediterrâneo. Visando ampliar o território na direção oeste, os romanos combateram para expulsar os cartagineses da Sicília. Nessa época, Cartago apesar de ser uma grande potência marítima foi vencida pelos romanos em 260 a.C. em suas próprias águas.

Em seguida a esta vitória, Roma levou a guerra para a África, e foi bem-sucedida no princípio. Mas Régulo, o cônsul eleito, foi derrotado e feito prisioneiro. Seguiu-se uma série de desastres navais para Roma, e Cartago esteve na iminência de recuperar o que havia perdido na Sicília e ainda mais. Foi quando Tétulus, o cônsul romano, obteve outra vitó­ria decisiva sobre os cartagineses em 241 a.C. Disso decorreu a evacuação da Sicília e das ilhas adjacentes. Este foi o fim da primeira Guerra Púnica, cuja duração foi de vinte anos.

Mas, Cartago não seria conquistada tão facilmente. Considerando o estado romano como um poderoso adversário no mar, retomou as hostilidades consolidando uma posição estratégica e segura na Espanha. O grande general cartaginês, Aníbal Barca, cultivando um ódio profundo por Roma, declarou guerra em 218 a.C., conhecida como a segunda Guerra Púnica. Seus planos foram elaborados em segredo e exe­cutados com uma rapidez nunca vista. Cruzou os Pirineus da Espanha para a França. Atravessando os Alpes lutou contra todos os obstáculos, e invadiu a Gália na região cisalpina com apenas 26.000 sobreviventes de seu exército de 59.000 homens. Depois de sucessivas derrotas dos romanos, sobreveio a grande batalha de Cannes em 216 a.C., onde a vitória de Aníbal foi completa. A Macedônia e a Sicília uniram-se aos conquistadores, e Aníbal avançou até a porta das colinas de Roma. Considerando essa cidade muito poderosa, recuou para o sul da Itália onde foi derrotado, e Cartago viu-se obrigada a pedir a paz. Roma tornou-se a senhora do Mediterrâneo.

Mas o ódio de Aníbal não arrefeceu, e quando ele e seus compatriotas, os cartagineses, renasceram na Prússia, os antigos romanos, como senhores dos mares, ocupavam as Ilhas Britânicas e era inevitável que com o tempo, um grande conflito ressurgisse. Como as antigas Guerras Púnicas geraram o recente conflito, também esta guerra, no seu devido tempo, trará a renovação da luta, a não ser que demonstremos um espírito de bondade ao tratar com o adversário vencido, ao invés de tratá-lo como fez Roma no passado, sem misericórdia e sem consideração. O desejo de agredir os outros deve ser eliminado dos militaristas dessas nações. É absolutamente imperativo que o mundo seja salvo da repetição dessa catástrofe.

Todos devem empenhar-se para evitar as hostilidades. Medidas efetivas devem assegurar a manutenção da paz atualmente, assim como no futuro. Caso contrário, amanhã reencontraremos, com outra aparência, aqueles com os quais estivemos em guerra hoje.

Seja feita a justiça, mas temperada e equilibrada com clemência para evitar a perpetuidade do ódio. Portanto, são erradas as medidas severas como, por exemplo, o boicote industrial. Bastaria que as nações envolvidas tivessem apenas uma parcela justa do comércio mundial. O novo continente americano, ainda não dominado por qualquer espírito racial, vê com maior imparcialidade e, portanto, com maior clareza do que qualquer outro, o que é correto. Esperemos que as ideias americanas de justiça prevaleçam. Tenhamos sempre em mente que um erro nunca poderá corrigir e justificar outro.  É imperativo viver e deixar viver.

CAPÍTULO X – LUZ MÍSTICA NA GUERRA MUNDIAL – (1914 – 1918) – Parte II – Seu desenvolvimento sob o ponto de vista espiritual

Esta afirmação pode soar estranha. Entretanto, verdade seja dita, a maioria da Humanidade permanece adormecida por largos períodos. Não obstante, na aparência, os Corpos Físicos movimentam-se intensamente, dedicados ao trabalho ativo no mundo.

Contudo, sendo os seres humanos compostos de quatro corpos, em geral, apenas o Corpo de Desejos é o veículo mais desperto e ativo. Normalmente o estilo de vida da maioria baseia-se quase inteiramente em sentimentos e emoções. Raramente há interesse nas questões fundamentais da existência. Vive-se para garantir as necessidades do corpo e afastar a morte, nada, além disso.

Muitos talvez nunca tenham considerado seriamente o sentido da vida e nunca se perguntaram: “De onde viemos, por que estamos aqui, e para onde vamos?”.

O Corpo Vital está em constante atividade reparando os estragos do Corpo de Desejos sobre o Corpo Denso. Ele fornece a necessária vitalidade que logo será consumida na gratificação dos desejos e emoções.

Esta é a batalha árdua entre o Corpo Vital e o de De­sejos. Nesse conflito é gerada a consciência no Mundo Físico. Isso torna os homens e mulheres tão intensamente alertas que, do ponto de vista do Mundo Físico, parece desmentir a afirmação sobre a dormência parcial. Contudo, depois de todos os fatos examinados, verificar-se-á sua veracidade. Também podemos afirmar que tudo se processa conforme o planejado pelas Grandes Hierarquias responsáveis pela nossa evolução.

Revisitando as épocas passadas, a Humanidade já foi muito mais desperta no mundo espiritual do que no físico. Mesmo já possuindo um Corpo Denso, ainda não tinha consciência disso. Precisava aprender a utilizar adequadamente esse instrumento, a conquistar o Mundo Físico e a pensar corretamente. Por isso foi necessário, por algum tempo, esquecer tudo sobre os mundos espirituais e, assim, canalizar todas as energias para as demandas do Mundo Físico.

Como já foi explanado no Livro Conceito Rosacruz do Cosmos, o esquecimento derivou da introdução do álcool como bebida estimulante e, também, por outros meios. Portanto, não detalharemos esse tema agora.

Atualmente enfrentamos outro problema. A Humanidade, a maciça maioria, se tornou profundamente envolvida no materialismo. Com isso, os veículos invisíveis estão inteira­mente voltados para as atividades físicas e muito adormecidos para as verdades espirituais. Mesmo quem está despertando do sono do materialismo é considerado fanático. Chega a ser ridicularizado como candidato à internação num manicômio. Taxado de cérebro doentio e povoado de entes imaginários.

Se esta atitude mental permanecesse para sempre, o espírito acabaria completamente cristalizado no corpo. A vida celestial, na qual preparamos os futuros veículos e ambientes, tornar-se-ia cada vez mais árida.

Quanto mais nos agarramos persistentemente ao pensamento empirista, onde nada existe além da realidade concreta e mensurável, perceptível através dos sentidos (visão, audição, tato, olfato, paladar e percepção), mais esta atitude mental, cultivada na vida terrena, persistirá durante a passagem do Ego pelo Segundo Céu. Isso produz pouco interesse na preparação de um campo mais amplo onde se possam aplicar novos esforços e instrumentos para desenvolver e expandir nossos talentos. Como resultado, a evolução logo cessaria.

Segundo os Ensinamentos Rosacruzes, a alma é o extrato (ou quintessência) obtido por meio da experiência nos vários corpos. Da alma consubstancia-se o pão vivo, o verdadeiro alimento do espírito.

No curso normal da evolução, o aperfeiçoamento dos vários veículos é lento e gradual. A substância anímica é acumulada e as­similada pelo espírito no intervalo entre as existências terrenas. Mas, em determinado período da trajetória evolutiva, quando estamos ingressando em nova espiral espiritual – uma fase diferente da evolução comum – em geral é necessário empregar medidas drásticas para desviar o espí­rito do caminho já trilhado e orientá-lo para uma nova e desconhecida direção.

Antes, quando possuíamos pouca individualidade e éramos incapazes de tomar a iniciativa, essas mudanças eram efetivadas pelo que costumamos chamar de grandes cataclismos da natureza. Mas, na verdade, eram planejados pelas Divinas Hierarquias, regentes da evolução, com o objetivo de destruir grande quantidade de corpos que foram úteis para o desenvolvimento humano até aquele ponto. O ambiente é, então, alterado em conformidade com as inéditas possibilidades de um novo caminho. Aqueles que se prepararam adequadamente tornam-se os pioneiros do novo curso.

Essa destruição em massa era naturalmente muito mais frequente em épocas anteriores. Na Lemúria foram planejados diversos ambientes, numerosas foram às tentativas para recomeçar com um agrupamento humano quando outro havia falhado e sido destruído. Na verdade, não houve apenas um dilúvio na Atlântida, mas três, e entre o primeiro e o último decorreu um período de mais ou menos três quartos de um milhão de anos.

Não devemos esperar a suspensão desse método de destruição em massa para um novo começo. Nós, como um todo, devemos despertar para a necessidade de tomar um novo rumo durante a aproximação do fim do antigo.

Entretanto, os Líderes Invisíveis da evolução estão empregando novo método. Aboliram muitos cataclismos da natureza. Agora, para mudar a antiga ordem por algo novo e melhor, utilizam as energias mal dirigidas da própria Humanidade para atingir seus objetivos.

Eis a origem da grande guerra que recentemente nos assolou. Tem o propósito de desviar o olhar da busca pelo pão, pelo qual muitos morrem, e criar em nós a fome da alma. Assim, a atenção é deslocada das coisas materiais para as espirituais. Na verda­de, estamos começando a trabalhar pela nossa própria salvação, fazendo coisas por nós, abandonando gradualmente o estado de tutela. Embora ainda inconscientes estamos aprendendo a transformar o mal em bem.

Há quem possa pensar que esta guerra afetou apenas alguns milhares de pessoas, a parcela realmente envolvida no conflito. Mas, refletindo um pouco mais sobre o assunto, qualquer pessoa ficará convencida que o bem-estar do mundo inteiro foi envolvido, em proporções variadas, no âmbito das condições econômicas. Não há raça ou país inteiramente imune a essa catástrofe. Ninguém pôde ausentar-se completamente e nem prosseguir com a mesma tranquilidade que antes reinava.

Parentesco e amizade são laços que se estendiam desde as trincheiras da Europa alcançando todas as partes do globo. Muitos de nós tínhamos parentes em um e talvez nos dois grupos empenhados na luta, e acompanhávamos a sua sorte com interesse proporcional ao grau de nossos sentimentos por eles.

Mas, durante a noite, enquanto nosso Corpo Denso dormia, ingressávamos no Mundo do Desejo, não podíamos deixar de viver e sentir toda a tragédia, com toda a intensidade possível, pois as correntes de desejos arrebatavam o mundo todo. No Mundo do Desejo não existe tempo nem distância. As trincheiras da Europa vinham até nossa porta, não importa onde estivéssemos. Não podíamos fugir dos efeitos subconscientes do espetáculo diante de nossos olhos.

Além disso, essa luta titânica produzia efeitos jamais igualados a um cataclismo natural, que é muito mais rápido em sua ação, muito mais curto em sua duração e que, além de atuar de forma locali­zada, não provocava os mesmos sentimentos de amor e ódio, fatores tão importantes na Grande Guerra.

Durante o curso evolutivo do passado, as Divinas Hierarquias tinham por objetivo ensinar a Humanidade a obter resultados físicos por meios físicos. Assim, o ser humano esqueceu o modo de empregar as forças mais sutis da natureza como, por exemplo, a energia liberada quando uma semente está germinando. Essa energia era usada para pro­pósitos de propulsão e levitação nas aeronaves da Atlântida. O ser humano não só perdeu a percepção da santidade do fogo, como também a capacidade de o usar com propósitos espirituais. Atualmente, somente uns quinze por cento de seu poder é utilizado nas melhores máquinas a vapor.

Há fortes razões para nossas atuais limitações. Alguém, com as faculdades espirituais despertas e com poder nas mãos, provavelmente utilizaria esta maravilhosa energia para destruir nosso mundo e tudo que há sobre ele.

A Humanidade é portadora do livre-arbítrio; faz o melhor ou o pior que pode com os poderes disponíveis em cada fase de sua história. Hoje está aprendendo a dominar seus sentimentos, importante lição preparatória de capacitação para ingressar na Era de Aquário, onde utilizará com aptidão as forças superiores necessárias para seu próprio progresso. Está também arrancando a venda dos olhos para descortinar o novo mundo destinado a ser conquistado.

Dois processos específicos e diferentes estão sendo usados para atingir esse resultado. Um, é a visita da morte a milhões de lares. Ela arranca do grupo familiar o marido, o pai ou o irmão. Os sobreviventes enfrentam uma negra existência de privação econômica.

O Sol existiu antes da formação dos olhos e construiu esse órgão para ser percebido. O desejo de ver era naturalmente inconsciente, o indivíduo não conhecia e nem fazia ideia do sentido ou uso da visão. No entanto, no mundo da alma repousava o conhecimento e o desejo necessários para tornarem possível o milagre da visão.

Algo análogo ocorre em relação à morte. Quando nossa consciência se concentrou integralmente nos veículos físicos e a realidade da morte nos foi apresentada, não restou mais esperança, antevíamos o fim definitivo. Mas, no tempo apropriado, a Religião liberou o conhecimento da existência de um mundo invisível, de onde o espírito veio e para onde retornará depois da morte. A esperança da imortalidade renasceu gradativamente. Instaurou-se um sentimento consolador, a morte passou a ser compreendida apenas como uma etapa de transição. Mas, a ciência moderna tem feito o possível para roubar do ser humano este alívio para a alma.

Todavia, as lágrimas derramadas a cada morte servem para dissolver o véu que esconde o mundo invisível da nossa atual visão. A profunda saudade e a tristeza pela partida dos entes queridos dilaceram as linhas sutis do véu que separa ambos os lados. Algum dia, não muito distante, o efeito acumulado de tudo isto revelará a inexistência da morte. Quem passou para o além está tão vivo quanto nós. Contudo, a intensidade destas lágrimas, desta tristeza, desta saudade não é igual em todos os casos, e os efeitos diferem largamente segundo o Corpo Vital tenha sido ou não despertado por atos de abnegação e serviço em determinada pessoa. Isso se coaduna com o aforismo oculto: toda evolução no caminho espiritual começa no Corpo Vital. Esta é a base, e nenhuma superestrutura pode ser construída até que este princípio esteja assentado.

Abordaremos o segundo processo do desenvolvimento da alma. Abrange todos os envolvidos em conflitos no seio da guerra. Provavelmente poucos tiveram a rara oportunidade de estudar as reais condições da prolongada frente de batalha como o autor. Apesar de todo horror e brutalidade, ele acredita ser esta a maior escola de desenvolvimento anímico, como nunca existiu. Em nenhum outro lugar houve tantas oportunidades de serviço desinteressado como nos campos de batalha da França. Em nenhum outro lugar os seres humanos estiveram tão dispostos a ajudar seu semelhante. Assim, os Corpos Vitais de muitas pessoas receberam um revigoramento como provavelmente não teriam conseguido em outras numerosas vidas.

Essas pessoas tornaram-se mais sensíveis às vibrações espirituais. Portanto, mais suscetíveis, num elevado grau de receber benefícios advindos do primeiro processo antes mencionado. Consequentemente, a seu devido tempo, veremos entre nós uma multidão de sensitivos em contato tão íntimo com o mundo invisível, que seu testemunho simultâneo não poderá ser desqualificado pela escola materialista. Esses valorosos indivíduos nos auxiliarão na preparação para as elevadas condições da Era de Aquário.

“Mas”, perguntarão alguns, “quando a tensão e o espírito de sacrifício da guerra tiverem passado essas coisas não serão esquecidas? Uma grande porcentagem destas pessoas não voltará à mesma rotina em que estavam antes?”.

Podemos responder e temos confiança, isto não irá acontecer. Pois, enquanto os veículos invisíveis, especialmente o Corpo Vital, estão adormecidos, o ser humano pode persistir numa escalada materialista. Porém, quando esse veículo for despertado e provar o pão da vida, tornar-se-á como o Corpo Denso, sujeito à fome – tem fome de alma – e seu desejo não deixará de ser atendido, salvo se sucumbir após uma luta extremamente árdua. Neste caso, as palavras de São Pedro são bem aplicadas: “O último estado desse homem é pior do que o primeiro.”[27].

Contudo, é bom sentir que, não obstante a indescritível dor e a calamidade da guerra, o bem foi trabalhado no crisol dos deuses, e será permanente. Possamos todos reunir nossas forças e ajudar a extrair o bem de todas as coisas e em todas as situações. Assim, seremos exemplos luminosos na missão de conduzir a Humanidade para a Nova Era.

CAPÍTULO XI – LUZ MÍSTICA NA GUERRA MUNDIAL – (1914-1918) – Parte III – Paz na Terra

Num mundo cansado de guerra, tingido com o sangue de milhões de irmãos ainda na flor da juventude, a esperança geme em agonia clamando por um futuro em que reine a paz. Não por armistício, uma cessação temporária das hostilidades, mas por uma paz duradoura.  A paz é o anseio de todos diante das atrocidades da guerra. No entanto, a cega Humanidade ignora a causa fundamental de tanta belicosidade. Um tênue verniz de civilização mantém recoberta nossa agressividade, até que a sua devastadora força vulcânica ecloda diante de nosso perplexo olhar.

A paz permanente será conquistada quando for compreendida a conexão entre a natureza do alimento consumido e seus efeitos sobre a constituição humana. O controle das paixões e a erradicação da selvageria resultam da correta aplicação do conhecimento sobre a relação alimento-corpo.

Na nebulosa aurora de sua manifestação, ainda em estado germinal, a Humanidade crescia. Era guiada no caminho da evolução sob a orientação direta das Hierarquias Divinas. Recebia alimento adequado para desenvolver seus vários veículos de maneira ordenada e sistemática. Assim, no devido tempo, esses diferentes corpos se tornavam um instrumento completo e apropriado às necessidades do espírito. Servindo de templo para o espírito que neles habitava, onde podia aprender as lições proporcionadas pela vida, por uma série de renascimentos em corpos terrestres de textura cada vez mais sutil.

Existem cinco grandes estágios, ou épocas, na jornada evolutiva da Humanidade sobre a Terra.

Na primeira, conhecida por Época Polar, o ser humano possuía apenas um Corpo Denso, tal como os minerais de hoje. Portanto, naquele estágio de evolução, era semelhante ao mineral. A Bíblia relata que “Adão (Adam) foi formado da terra”.

Na segunda, ou Época Hiperbórea, foi-lhe acrescentado um Corpo Vital, feito de Éter. O ser humano em formação possuía, então, um corpo constituído tal como as plantas atuais. Não era exatamente uma planta, mas era semelhante a uma planta. Caim, o ser humano dessa época, é descrito como um agricultor. Sua dieta provinha apenas dos vegetais, pois as plantas contêm uma quantidade de Éter superior a qualquer outro alimento.

Na terceira, ou Época Lemúrica, o ser humano desenvol­veu o Corpo de Desejos, um veículo gerador de paixões e emoções. Era constituído como as criaturas do atual reino animal. O leite naturalmente estimula as emoções. Então, esse produto de origem animal, habitante das pastagens, foi acrescentado à sua alimentação. Abel, o ser humano dessa época, é descrito como um pastor. Não há nenhuma evidência de que ele tenha matado um animal para alimentar-se.

Na quarta, ou Época Atlante, a Mente desabrochou. O Espírito habilitou-se a pensar no interior de seu corpo-templo. A Humanidade tornou-se um ser pensante. Mas, o pensamento desgasta as células nervosas. Mata, destrói e causa degradação. Para compensar o desgaste, a carne de animais foi introduzida na dieta dos Atlantes. Eles matavam para comer. A Bíblia descreve o indivíduo dessa época como Nimrod, um podero­so caçador.

Empregando variado cardápio, o ser humano mergulhou cada vez mais fundo na matéria. Seu corpo, outrora etérico, consolidou um rígido esqueleto dentro de si e cristalizou-se. Ao mesmo tempo, foi gradativamente perdendo a percepção espiritual. Mas a lembrança do céu ainda permanecia. Sentia sua condição de exílio, uma nostalgia de seu verdadeiro lar, o mundo celestial.

Na quinta época, ou Época Ária, a principal tarefa consistia em direcionar nossa atenção exclusivamente à conquista do mundo material. Com esse objetivo, um novo elemento foi introduzido no regime alimentar: o vinho; ingrediente que acelera o esquecimento da divina morada.

Desde o alvorecer da Época Atlante, durante muitos milênios até os dias atuais, o uso abusivo e indulgente do embriagante espírito do álcool, lançou a Humanidade no ateísmo e no materialismo, na mesma proporção de seu desenvolvimento civilizatório. São todos bêbados.

Uma pessoa pode afirmar, com convicção, que nunca provou uma só gota de álcool em sua vida. Entretanto, o corpo por ela habitado nessa existência, descende de ancestrais que por milênios se entregaram à bebida, sem comedimento. Portanto, os átomos que atualmente compõem os corpos do ser humano ocidental são incapazes de vibrar na frequência necessária para a percepção dos mundos invisíveis, como ocorria antes do vinho ser acrescentado à alimentação humana.

Analogamente, embora uma criança possa crescer com dieta sem carne, ainda participa da natureza feroz dos ancestrais carnívoros desde milhões de anos. É claro que os efeitos são atenuados quando comparados com os que continuam a deliciar-se com esse alimento. Assim, as consequências da introdução da carne estão firmemente implantadas e arrai­gadas, mesmo naqueles que agora não a consomem.

Não é de se espantar: quem ainda aprecia a carne e o vinho, às vezes, extravasa uma perversa selvageria, e exibe uma ferocidade incontida contra qualquer dos sentimentos superiores, supostamente acalentados durante séculos por uma, assim chamada, civilização!

Enquanto as pessoas continuarem a reprimir o espírito imortal dentro de si, por apreciarem a carne e o enganador espírito do álcool, nunca haverá paz duradoura na Terra. A ferocidade inata produzida por estes ali­mentos, de vez em quando, virá à tona e arrebatará até as mais altruísticas concepções e ideais num turbilhão de selvageria, numa orgia de cruel carnificina, que aumentará em proporção ao desenvolvimento da inteligência do ser humano, o que o habilitará a conceber com sua Mente superior, métodos de destruição mais diabólicos do que qualquer um já testemunhado.

Não há necessidade de argumentos para provar que a última guerra foi mais destrutiva, do que qualquer dos conflitos anteriores registrados pela história, porque foi travada entre mais seres humanos com cérebros do que entre seres humanos com músculos.

A habilidade, que em tempos de paz tem sido tão proveitosa em empreendimentos construtivos, foi canalizada para objetivos de destruição. Podemos supor que, se houver outra guerra daqui a cinquenta ou cem anos, a Terra poderá, talvez, ficar despovoada.

Portanto, é absolutamente necessária uma paz duradoura sob o ponto de vista da autopreservação. Nenhum ser humano que raciocine pode permitir-se ignorar esta realidade, e deve interessar-se por toda filosofia que considere a guerra um fato absurdo e lastimável, mesmo que se tenha habituado a olhá-la como um acontecimento banal.

Está comprovado que uma dieta carnívora aguça a ferocidade. Mas não nos estenderemos mais sobre o assunto por falta de espaço. Contudo, queremos mencionar como exemplo claro a bem conhecida agressividade das feras e a crueldade dos índios antropófagos americanos. Por outro lado, a força prodigiosa e a natureza dócil do boi, do elefante e do cavalo mostra o efeito da dieta herbívora nos animais.

Os povos vegetarianos e pacíficos do Oriente são uma prova para reforçar o argumento contra uma dieta de carne. Portanto, a relação entre violência e hábitos carnívoros é inegável.

No passado, o consumo da carne impulsionou os, ainda tímidos, desejos humanos de conquistar e dominar a Terra. Serviu a propósitos bem delineados para nossa evolução. Mas agora estamos no limiar de uma nova era: “o desenvolvimento espiritual por meio da abnegação e do serviço”.

A evolução da Mente proporcionará uma sabedoria profunda, muito além das possibilidades atuais. Contudo, para merecermos tão ampla sabedoria é imprescindível demonstrar, na prática, que somos dignos de confiança. Devemos tornar-nos inofensivos como pombas. Caso contrário, seríamos capazes de usá-la com propósitos ainda mais egoístas e destrutivos, uma tenebrosa ameaça para a vida na Terra. A dieta vegetariana deve ser adotada para evitarmos nossa própria calamidade.

Mas há vegetarianos e vegetarianos. Atualmente na Europa as condições obrigam o povo a abster-se de carne por um longo tempo. Não são verdadeiros vegetarianos, pois desejam ardentemente comer carne, e acham a escassez uma grande privação e sacrifício. Com o tempo até se acostumariam e, em muitas gerações, isso os converteria em seres mais tranquilos e dóceis. Obviamente este não é o tipo de vegetarianismo que necessitamos agora.

Há outros que se abstêm de carne por motivo de saúde. Um motivo egoísta. Muitos dentre eles, provavelmente até desejam deleitar-se com as “Panelas de carne do Egito”. Atitude mental que não colabora para abolir a ferocidade com rapidez.

Mas há uma terceira classe capaz de compreender que a vida é dádiva de Deus, e que causar sofrimento a qualquer criatura é crime contra a vida e a liberdade. Sendo assim, imbuídos de compaixão, se abstêm da carne como alimento. Estes são os verdadeiros vegetarianos. É evidente que uma guerra mundial nunca poderia ser travada por pessoas com essa mentalidade.

Todos os verdadeiros Cristãos deverão abster-se de carne por motivos semelhantes. Então, será um fato a paz na Terra e a boa vontade entre os seres viventes. As nações transformarão suas espadas em arados e suas lanças em instrumentos de colheita. Ferramentas para propiciar vida, amor e felicidade. O advento de uma nova ordem onde hostilidade, tristeza e sofrimento serão fatos do passado.

Nossa própria segurança, a segurança de nossos filhos e até a segurança da raça humana, obriga-nos a entender a inspirada poetisa Ella Wheeler Wilcox[28]. Ela escreveu este comovente apelo em favor de nossos amigos animais:

“Eu sou a voz dos sem voz,

através de mim os mudos hão de falar,

para que o surdo ouvido do mundo

seja aberto para escutar

as crueldades contra os fracos,

que não podem se expressar.

O mesmo poder que ao pardal formou

ao homem, como um rei, modelou.

A todos Deus concedeu

uma centelha espiritual

e de pele ou penas cada uma revestiu.

Sou o guardião de meu irmão,

e até que o mundo corrija sua direção,

a luta dele lutarei,

e para animais e aves

a palavra deles falarei”.

CAPÍTULO XII – LUZ MÍSTICA NA GUERRA MUNDIAL – (1914-1918) – Parte IV – O Evangelho do Regozijo

A recente luta titânica entre as nações europeias abalou o equilíbrio do mundo inteiro. A esfera emocional das pessoas que vivem até nas mais remotas regiões da Terra foi perturbada como nunca havia sido antes. Os sentimentos foram sacudidos pela cólera, ódio, histeria ou desalento, conforme a natureza e o temperamento de cada um.

Para os Estudantes dos mistérios profundos da vida, os fenômenos físicos e suprafísicos estão interligados. Compreendem a ação das Leis da Natureza na Terra e seus efeitos correspondentes nos Mundos invisíveis. Quando comparados com os que vivem aqui, em corpos físicos, fica evidente que os habitantes dos reinos espirituais são afetados com mais intensidade. Em Corpos Densos e pesados não podemos sentir toda amplitude e intensidade das ondas emocionais.

Depois da deflagração da guerra, uma profusão de emoções espalhou-se forte e rapidamente, pois não havia condições ade­quadas para refreá-la.

Transcorrido um ano, com grande trabalho e organização, os Irmãos Maiores da Humanidade conseguiram convocar um exército de Auxiliares Invisíveis. Eles passaram pelo umbral da morte e sentiram a tristeza e o sofrimento inerentes a uma transição prematura. Ficaram sensibilizados e plenos de compaixão por todos que constantemente chegavam. Habilitaram-se para confortá-los e ajudá-los até que encontrassem seu próprio equilíbrio.

Mais tarde, contudo, intensificaram-se os sentimentos de ódio e maldade gerados no Mundo Físico, cujas influências tornaram-se mais danosas. Então, foi necessário adotar urgentes providências para neutralizar essa nova onda de sentimentos negativos. Em todos os lugares as forças do bem foram reunidas e dirigidas para ajudar a restabelecer o equilíbrio. Empenharam-se em conservar, e manter controladas, as emoções básicas.

A maioria das pessoas orava pelo fim da guerra. Mas um fato relevante agravou o problema e corroborou para prolongá-la: a fixação mental sobre o lado aterrador do conflito. O lado favorável caiu no esquecimento.

“O lado favorável dessa guerra cruel? Como assim?”

Essas perguntas podem, provavelmente, surgir na mente do leitor. Para alguns pode até parecer sacrilégio sugerir um lado favorável diante de tamanha calamidade.

Muitos costumam reter o olhar sobre o aspecto sombrio da história. Entretanto, vejamos se não há uma auréola prateada até na mais escura nuvem. Se não existe um método pelo qual essa auréola possa ser mais e mais ampliada até que a nuvem também fique luminosa.

Há algum tempo, nossa atenção foi dirigida para um livro chamado Poliana[29]. Poliana era a filha de um missionário. Seu salário era muito baixo, mal garantia o essencial para viver.

De tempos em tempos, chegavam, ao Centro Missionário, caixas de donativos com roupas usadas e quinquilharias para serem distribuídas. Poliana esperava que algum dia chegasse alguma caixa contendo uma bonequinha. Seu pai até escreveu solicitando, para uma próxima remessa, a inclusão de uma boneca para sua filha, mesmo usada.

A caixa chegou, mas, em vez de uma boneca, continha um par de muletas. Notando a decepção da criança, o pai disse: “Há uma coisa pela qual podemos ficar contentes e agradecidos, não precisamos de muletas!”.

Desde então instituíram o jogo do “estou contente”. Consistia em procurar e encontrar qualquer motivo para alegrar-se e agradecer. Não importava o que fosse. E eles sempre garimpavam uma boa razão para contentarem-se.

Por exemplo, quando não podiam pagar os pratos mais elaborados do cardápio do restaurante, eram obrigados a pedir a mais modesta refeição, então diziam: “Bem, estamos contentes, pois gostamos de feijão”. Embora os olhos brilhassem fixamente sobre o apelo visual dos pratos suculentos, com preço obviamente proibitivo.

Depois, ensinaram o jogo a outros. Proporcionaram estados de felicidade e satisfação para muitas pessoas. Inclusive para algumas que já não acreditavam na possibilidade de sentir alegria.

Por fim, estavam realmente passando fome. Além disso, a mãe de Poliana partiu para o céu onde podia viver sem sobrecarregar as despesas. Logo depois seu pai também partiu.

Poliana passou a depender da generosidade de uma tia solteira e rica. Mas era rabugenta e hostil, morava em Vermont[30]. Foi mal-recebida e obrigada a hospedar-se em um quarto inóspito. Mesmo assim a menina só viu motivos para alegrar-se. Literalmente irradiava alegria.

Por seu encanto conquistou a simpatia da empregada e do jardineiro e, com o tempo, até da áspera tia.

A Mente radiosa da criança logo forrou as paredes nuas, o chão, e até mesmo o sótão do seu frio quarto. Povoou o ambiente com toda espécie de beleza. Mesmo sem quadros na parede ela ficava contente. Atravessando o olhar por sua pequena janela deslumbrava-se com a paisagem que superava em beleza a obra de talentosos pintores. Avistava o gramado, um tapete vivo, verdejante e dourado, nem o mais hábil tecelão do mundo poderia assim tecer.

Se em seu grosseiro lavatório não havia espelho, ela ficava contente porque isso a poupava de ver suas sardas. Se tivesse sardas, era um bom motivo para ficar contente, pois não eram verrugas! Se sua mala era pequena e as roupas poucas, não eram bons motivos para ficar contente porque com rapidez poderia desfazer a bagagem? Se seus pais já partiram, não devia estar contente por eles estarem no céu, com Deus? Deles não podia mais ouvir a voz, mas alegrava-se por po­der dirigir-lhes o pensamento!

Quando voava como um pássaro pelos campos e charnecas, esquecendo a hora da ceia, ao voltar mandavam-na para a cozinha. Na mesa apenas pão e leite. A tia, esperando lágrimas e protestos, ficava surpresa ao ouvi-la exclamar: “Que bom, estou tão contente com a refeição; eu gosto muito de pão e leite”.

Qualquer tratamento ríspido, aliás, muito abundantes no início, Poliana transformava em bom motivo para enaltecer o bem por detrás de tudo. Com pensamentos e palavras sempre demonstrava gratidão pelo que recebia.

A primeira a seguir seu exemplo foi Nancy, a criada da casa. Nancy aguardava com verdadeiro pavor o dia da semana destinado à lavagem de roupa.  Encarava a segunda-feira com péssimo humor. Não tardou para a menina contagiá-la. Segunda-feira logo se transformou na melhor de todas as manhãs, pois justamente nesse dia podia ficar livre da roupa suja e melhor desfrutar dos outros dias da semana. Também se sentia contente por se chamar Nancy e sorria imaginando um nome estranho, por exemplo, Hepsibah.

Certo dia, Nancy protestava dizendo: “Quero ver o que há num enterro para ficar contente”. Poliana de pronto respondeu: “Claro que há. Podemos ficar contentes por não ser o nosso”.

Com as costas encurvadas, o jardineiro se queixava do reumatismo. Poliana entra em cena aplicando o jogo do contente e mostra-lhe a vantagem de estar meio curvo. Deveria ficar contente, pois estava mais próximo do chão e se curvava só mais um pouquinho na hora de arrancar o mato.

Numa mansão perto de sua casa vivia um velho solteirão. Pessoa reclusa e impermeável. Mesmo diante das suas antipáticas atitudes a menina se mantinha solícita. Visitava-o com frequência. Não ficava indiferente à sua inevitável solidão.

Com inocência e compaixão Poliana atribuía sua falta de cortesia a algum infortúnio guardado em segredo.  Cultivava crescente esperança de encontrar uma boa oportunidade para ensinar-lhe o jogo do contente.

Eis que ela ensinou e ele aprendeu. Mas não foi fácil no começo. Houve um episódio no qual ele quebrou a perna.  Foi trabalhoso convencê-lo a ficar contente por haver quebrado apenas uma e não as duas pernas.  E ainda mais, admitir a possibilidade de algo muito pior: ter tão numerosas pernas quanto centopeias. Já imaginou todas elas quebradas!

Por fim, graças à sua alegre disposição ele passou a gostar do Sol. Abria as venezianas e enrolava as cortinas. Já conseguia abrir seu coração para o mundo. Ele quis adotá-la, não tendo êxito, adotou um menino órfão que Poliana havia encontrado à beira da estrada.

A incansável postura amorosa da menina também tocou a alma de uma senhora. Tinha o hábito de usar apenas roupas escuras e tristes. Mudou para roupas com cores alegres e joviais.

Outra senhora era rica, porém infeliz. Sua mente ficou fixada em dissabores do passado. Poliana redirecionou sua atenção para as misérias alheias. Aprendeu o jogo do contente. Agora sabia como levar alegria para almas que tinham fortes razões para sofrer. Esta senhora encheu de satisfação sua própria alma. Sem o saber, ela reaqueceu a relação de um casal que estava a ponto de separar-se. Acendeu em seus corações, já quase frios, um grande amor pelos filhos.

Aos poucos, toda a cidade começou a jogar o jogo do contente. Foi uma reação em cadeia. Sob esta influência, homens e mulheres transformavam-se em seres diferentes. Os infelizes ficavam felizes. Os doentes curavam-se. Os que estavam a ponto de proceder mal reencontravam o bom caminho. Os desanimados readquiriam coragem.

O principal médico da cidade achou por bem recomendá-la, como se ela fosse algum remédio. Dizia: “Essa garotinha é melhor do que um vidro de tônico. Se há alguém capaz de retirar o mau humor de alguém é ela. Uma dose de Poliana é mais eficaz na cura do que uma farmácia cheia de medicamentos”.

Mas o jogo do contente operou um milagre de maiores proporções. Conseguiu transformar o caráter de sua intransigente e insensível tia. Ela recebeu Poliana em sua casa por estrito dever de família. Mas a convivência com sua sobrinha impregnou seu coração com transbordante carinho. A sobrinha foi transferida de seu frio quarto no sótão para um quarto lindamente decorado. Bem mobiliado com quadros e tapetes. Situava-se no mesmo andar dos aposentos de sua tia. Assim, o bem por ela praticado reverteu em seu próprio benefício.

A história é uma ficção, mas está inspirada em fatos fundamentados na lei cósmica. O exemplo dessa menina, com as pessoas e o ambiente que a cercava, nós, Estudantes dos Ensinamentos Rosacruzes, podemos e devemos praticar em nossas esferas de ação. Tanto no círculo mais imediato, com nossos parentes e companheiros próximos, como no mundo em geral.

Bem, então, que benefício se pode extrair da guerra? É possível encontrar um lado favorável, mesmo numa tão devastadora calamidade? Como superar a decepção com a derrota ou o pavor diante das catástrofes anunciadas em manchetes sensacionalistas?

Em primeiro lugar não devemos somar mais desalento, ódio e rancor aos sentimentos similares já proliferados por outros.

E é evidente que há motivo para extremo regozijo.  Basta notar o espírito de abnegação que impele tantos nobres soldados a renunciar o rentável trabalho no mundo, além do conforto de seus lares. Encaram o conflito com a esperança e com o ideal de tornar o mundo melhor. Não para si, mas para os que vêm depois. Reconhecem a remota possibilidade de retorno para gozar dos eventuais frutos alcançados.

Também há motivo para regozijo quando tantas mulheres, educadas na comodidade e no conforto, trocam seus lares e vida social pelo árduo trabalho de cuidar dos feridos. Elas compartilham um notável espírito de altruísmo. Aquelas que, por força das circunstâncias, são obrigadas a permanecer em casa, ainda assim colaboram tecendo e trabalhando para socorrer as vítimas da batalha.

O altruísmo está nascendo em milhões de corações humanos. O imenso sofrimento é seu fermento. Da opressiva angústia, imposta na última guerra, a Humanidade torna-se mais benevolente, nobre e aprimorada.

Podemos alimentar este bom aspecto da recente experiência nefasta. Também podemos ensinar a ter esperança e comentar sobre as bênçãos futuras resultantes desses conflitos. Assim ganharemos forças renovadas para suplantar as provas e estaremos mais qualificados para ajudar o próximo a mudar de atitude, principalmente de atitude mental.

Desse modo, imitaremos Poliana. Com dedicação sincera, nosso exemplo se ampliará e se enraizará em outros corações. Como pensamentos são coisas, e os pensamentos positivos são mais poderosos que o mal, desde que estejam em harmonia com a tendência da evolução, breve virá o dia em que conseguiremos a supremacia do bem e ajudaremos a instaurar a paz duradoura.

Esperamos que esta sugestão seja seriamente incorporada e posta em prática. Esperamos o empenho de todos os Estudantes, pois a imperiosa necessidade atual supera a de outros tempos.

CAPÍTULO XIII – O SIGNIFICADO ESOTÉRICO DA PÁSCOA E O PONTO DE PARTIDA da Filosofia Rosacruz

Novamente a Terra completa seu ciclo no Equinócio de Março. Em cadenciada dança anual, circundando o Sol, alcança seu ponto culminante, a Páscoa.

Todos os anos, durante Setembro, Outubro e Novembro, o raio espiritual do Cristo Cósmico penetra a Terra para reativar sua já esgotada vitalidade. Agora, em Março, o Cristo prepara-se para retornar ao Trono do Pai.

Durante os períodos de Dezembro, Janeiro e Fevereiro as atividades espirituais concentram-se nos processos de fecundação e germinação. Por sua vez, os processos de crescimento físico e amadurecimento realizam-se no verão e outono subsequentes, sob a influência do Espírito da Terra. O ciclo completa-se no “Lar da Colheita”.

Deste modo, o grande Drama do Mundo é encenado e reencenado ano após ano. Uma eterna disputa entre vida e morte. Sendo cada uma, a seu turno, vencedora e vencida em correspondência com a alternância dos ciclos.

Os efeitos dos ciclos alternantes, dos grandes fluxos e refluxos, não estão limitados a Terra, a sua flora e fauna. Também exercem uma influência dominante sobre a Humanidade. Interferem no comportamento humano, mesmo que a grande maioria não esteja ciente do fato. Não obstante a ignorância, podemos constatar que um poder invisível adorna vistosamente as aves e os animais na primavera. Nesse período, o mesmo poder estimula o humano desejo de se vestir com cores alegres e roupas mais claras.

É também “o convite do campo”, que em Junho, Julho e Agosto incentiva o ser humano a descontrair-se e buscar um ambiente rural. Nos campos e florestas os Espíritos da Natureza exercitam suas artes mágicas. Recuperam-se da tensão gerada pelas condições artificiais reinantes nos congestionados centros urbanos.

Por outro lado, a “descida” do raio espiritual do Sol, em Setembro, proporciona o reinício das atividades mentais e espirituais em Dezembro, Janeiro e Fevereiro. Uma força germinante fermenta a semente na terra e a prepara para reproduzir e multiplicar sua espécie. Essa mesma força analogamente estimula a Mente humana e fomenta atividades altruístas que tornam o mundo melhor.

No Natal somos banhados por vibrações de paz e boa-vontade. Essa imensa onda que irradia Amor Cósmico tem sua culminância em Dezembro. Sem essa presença espiritual não haveria suficiente entusiasmo em nossos corações. Não sentiríamos tanta felicidade nem tanto desejo de proporcionar mais felicidade aos outros. O costume universal de dar presentes no Natal empalideceria. Todos seriam drasticamente afetados.

Todos foram beneficiados quando Cristo peregrinava dia após dia, pelas colinas e vales da Judeia e Galileia, ensinando as multidões. Mas os mais agraciados foram os Discípulos. Eles conviveram em maior proximidade com o Mestre.

No decorrer do tempo os laços de amor estreitaram-se até o momento decisivo, quando mãos impiedosas despojaram o amado Instrutor. Então, Ele foi conduzido ao suplício na Páscoa. Apesar do trágico fim, mesmo sem o envoltório de carne, Cristo continuou a conviver intimamente, em espírito, com Seus Discípulos por mais tempo.

Tendo encerrado as necessárias orientações, elevou-se às esferas superiores. Doravante o contato direto com o Mestre estava impossibilitado.

Seus companheiros e amigos miraram-se com tristeza, olhar angustiado, e perguntaram-se: “É este o fim?”.

Eles haviam esperado tanto, haviam alimentado tão elevadas aspirações. Depois de tudo, o horizonte parecia desolador e monótono. A Terra, beijada pelo Sol, mantinha verdejante paisagem, de radiante beleza. Exatamente como antes de Sua partida. Mesmo assim, sombria desolação oprimia seus corações.

Algo semelhante também ocorre conosco quando buscamos a luz do espírito e lutamos contra os apelos da carne. Mas, a analogia pode não ter sido evidente até aqui. Então, busquemos maior clareza.

Em Setembro, a “descida” do raio Crístico anuncia o princípio do período da supremacia espiritual. De imediato sentimos uma profusão de bênçãos e banhamos nossas almas nessa benfazeja maré. Experimentamos uma sensação semelhante à dos Apóstolos quando ainda podiam conviver em círculo íntimo com Cristo. À medida que os meses, a partir de Setembro, avançam, torna-se cada vez mais fácil comungar com Ele, face a face, como há dois mil anos.

Mas, o curso anual dos acontecimentos, Páscoa e Ascensão do raio Crístico ressuscitado, coloca-nos em idêntica posição à dos Apóstolos quando seu querido Mestre se afastou. Ficamos inconsoláveis e desanimados. O mundo parece um monótono deserto. Não conseguimos atinar qual é o motivo dessa tristeza.

Mas ela é tão natural quanto os fluxos e refluxos das marés, como os dias e as noites. Tais oscilações são inerentes a atual fase de nossa evolução onde vigoram os ciclos alternantes.

Contudo, existe um sério perigo na atitude mental negativa. Se permitirmos que ela nos domine, é possível que abandonemos nosso traba­lho no mundo e convertamo-nos em desiludidos sonhadores. Perdendo o equilíbrio podemos provocar severas críticas contra nós, aliás, muito pertinentes. Este tipo de conduta é inteiramente reprovável.

Após haver recebido o ímpeto espiritual de Dezembro, Janeiro e Fevereiro, a Terra emprega grande esforço material para gerar e garantir abundância em Junho, Julho e Agosto. Assim também é nosso dever dedicar os maiores esforços no labor em prol do mundo, uma vez que temos o privilégio de estar em contato mais íntimo com o poder espiritual.

Agindo assim, é possível que despertemos o espírito de emulação e de serviço à nossa volta.

Estamos acostumados a pensar no avaro como alguém que se dedica a juntar ouro. Essa classe de pessoas, de modo geral, torna-se alvo de desprezo. Mas há indivíduos que lutam tão tenazmente para adquirir conhecimento como o avaro se esforça para acumular ouro. Não hesitam em usar qualquer meio, ou subterfúgio, para alcançar seu almejado intento.

Juntar e recolher para si mesmo um vasto repertório intelectual consiste em atitude tão egoísta quanto a do avaro amealhando seu tesouro. Tal postura bloqueia, de fato, as portas que conduzem a uma sabedoria maior.

Da antiga mitologia nórdica, com rica simbologia, podemos colher uma esclarecedora parábola para essa questão.

Conforme ilustra a narrativa mítica, quem morre no campo de batalhas (alma forte e que enfrenta o bom combate até o fim) é conduzido solenemente ao Valhalla[31], o Lar dos Deuses. Por outro lado, quem morre na cama ou por doença (alma fraca que vagueia pela vida) é levado ao lúgubre Niflheim.

No Valhalla, os valentes guerreiros banqueteavam-se diariamente com a carne de um javali chamado Saehrimnir [32]. Este se caracterizava por uma peculiaridade: quando um pedaço de sua carne era cortado, imediatamente outro crescia no mesmo lugar. Assim o corpo inteiro ficava preservado, não importando a quantidade consumida.

Aqui temos uma perfeita metáfora sobre o conhecimento.  Não importa quanto dele possamos dar aos outros, o original sempre permanece conosco.

Assim sendo, é um dever, digno de sanção, compartilhar o conhecimento que estamos adquirindo. Está escrito: “A quem muito é dado, muito será exigido”[33].

Talvez seja oportuno descrever novamente uma experiência para ilustrar o caso.

Trata-se da “prova” decisiva pela qual fui submetido, antes de me serem confiados os ensinamentos compreendidos no livro “Conceito Rosacruz do Cosmos”, embora nessa ocasião, naturalmente, eu não soubesse que estava sendo testado.

Aconteceu numa época em que viajei à Alemanha em busca de um professor que, acreditava, poderia ajudar-me a avançar no caminho da realização.

Mas, chegou um ponto onde já havia assimilado com profundidade seus ensinamentos. Então, o questionei sobre algumas ideias incongruentes.  Ele viu-se obrigado a admitir sua incapacidade para elucidá-las. Fiquei desalentado. Uma verdadeira frustração.

Já de malas prontas para voltar para a América me sentei na cadeira do quarto. Estava pensativo e desapontado, conjecturando sobre o fracasso da viagem. De repente tive a sensação da presença de alguém vindo em minha direção. Olhei para cima e contemplei Aquele que, desde então, se tornou meu Mestre.

Lembro-me, envergonhado, do quão rispidamente perguntei quem O havia enviado e o que o “intruso visitante” desejava.

Eu estava muito mortificado. Muito hesitei antes de aceitar Seu auxílio. Enfim consegui conversar sobre as dúvidas e a busca que motivaram minha ida para a Europa.

Durante os dias seguintes, o recente companheiro reapareceu diversas vezes nos meus aposentos. Respondia às minhas perguntas e ajudava-me a encontrar soluções para problemas, até então, desorientadores.

Contudo ainda permanecia cético. Seria tudo isso mera alucinação? Pois minha visão espiritual era pouco desenvolvida e nem sempre sob o necessário controle. 

Compartilhei a situação com um amigo. Disse-lhe que o inesperado visitante dava respostas claras, concisas e perfeitamente lógicas a todas as dúvidas. Respostas diretas e muito além de qualquer concepção que eu fosse capaz de imaginar. Assim concluímos que a experiência só poderia ser real e consistente.

Alguns dias depois, o recente amigo revelou-me que era membro de uma Ordem Espiritual. Os ensinamentos da Ordem continham uma solução completa para o enigma do universo, muito mais completa do que qualquer outro ensinamento já divulgado. Afirmou que os Irmãos da Ordem estavam dispostos a compartilhar comigo esses ensinamentos. Mas havia uma condição. Eu deveria conservá-los como um segredo inviolável.

Reagi furiosamente: “Ah, então é isso! Agora estou percebendo a armadilha! Não! Se você possui o que diz e se, de fato, é tão bom, então, é um bem a ser compartilhado com o mundo todo. A Bíblia proíbe-nos expressamente de ocultar a Luz. Não me interessa desfrutar dessa fonte de conhecimentos enquanto milhares de almas anseiam por uma solução a seus problemas, tal como eu”.

O visitante, então, retirou-se e não voltou.  Apressadamente concluí que se tratava de um emissário dos Irmãos das Trevas.

Mais ou menos um mês depois, deduzi que não poderia obter maior iluminação na Alemanha. Sem demora, fiz reserva num navio para Nova York. Devido ao intenso movimento, só consegui vaga para um mês depois.

Quando voltei ao alojamento, logo depois de comprar a passagem, lá estava novamente o rejeitado Mestre. Insistiu na oferta. Ensinamentos completos com a condição de conservá-los em segredo. Desta vez a reação de recusa foi talvez mais enfática e indignada do que antes. Porém, desta vez o Mestre permaneceu e disse:

“Estou contente em ouvir sua recusa, meu irmão. Espero que você seja sempre zeloso em propagar os ensinamentos da Ordem, sem medo nem parcialidade, como tem sido firme sua recusa. Esta é a real condição para receber as revelações”.

Então, recebi instruções para tomar um determinado trem, numa certa estação, com destino a um lugar do qual nunca ouvira falar.

Lá chegando, encontrei o Irmão em carne e osso. Em seguida fui levado ao Templo. Desde então, venho recebendo as principais instruções contidas em nossa literatura.

Mas vamos para a parte que mais nos importa no momento: se eu tivesse concordado em conservar em segredo as revelações, naturalmente teria sido considerado incapaz de ser um mensageiro dos Irmãos Maiores e eles teriam procurado outro mais qualificado.

Isto também ocorre com todos nós. O mal estará baten­do à nossa porta quando, de forma mesquinha, guardamos as bênçãos espirituais que recebemos. Assim sendo, vamos imitar a Terra nesta época da Páscoa. Vamos dar ao Mundo Físico a atividade construtora dos frutos do es­pírito. Frutos semeados no solo de nossas almas durante a precedente estação invernal. Dessa forma, receberemos bênçãos mais abundantes a cada ano que se passa.

CAPÍTULO XIV – OS ENSINAMENTOS DA PÁSCOA

Novamente estamos na Páscoa. Passaram-se os sombrios e pesados dias dos meses de Dezembro, Janeiro e Fevereiro. A Mãe Natureza remove o manto frio de gelo que cobria a terra[34]. Liberta milhões e milhões de sementes que estavam resguardadas no macio do chão.  Elas rompem sua crosta e vestem o solo com trajes de verão numa orgia de cores alegres e vistosas. Preparam as “câmaras nupciais” para animais e aves celebrarem seus rituais de acasalamento.

Mesmo neste ano de guerra[35] regado de lágrimas, o canto da vida ressoa bem alto, acima do canto fúnebre da morte.

Oh morte! Onde está teu aguilhão?

Oh tumba! Onde está tua vitória?

Cristo ressuscitou! Vede os primeiros frutos.

Ele é a Ressurreição e a Vida.

Quem n’Ele acredita não morrerá,

mas terá vida eterna.

Na presente estação, a mente do mundo civilizado volta-se para a festividade que chamamos Páscoa. Nela comemora-se a morte e ressurreição do Nobre Ser que o mundo conhece pelo nome de Jesus. Sua história e Sua vida foram descritas nos Evangelhos. Mas, um Cristão Místico tem uma visão mais profunda e mais ampla desse evento cósmico que se repete anualmente. Ele reconhece o anual fluxo e refluxo da vida do Cristo Cósmico interpenetrando o corpo da Terra.  Nosso Planeta então respira. A Terra inala esse influxo vital durante os meses de Setembro, Outubro e Novembro, cuja culminância é alcançada no Solstício de Dezembro, quando celebramos o Natal. E a Terra exala durante os meses de Dezembro, Janeiro e Fevereiro até culminar a época da Páscoa. A inspiração, ou injeção de força vital, manifesta-se pela aparente inatividade dos meses de Dezembro, Janeiro e Fevereiro. Segue-se a expiração da vida de Cristo, manifestada como força da ressurreição. Força que dá nova vida a tudo que vive e se movimenta sobre a Terra. Vida abundante. Não apenas para manter, mas para propagar e perpetuar.

O drama cósmico da vida e da morte é representado, anualmente, por todas as criaturas e coisas em evolução, da maior à menor. Até o grande e sublime Cristo Cósmico, em Sua compaixão, torna-se sujeito à morte quando, durante seis meses do ano, interpenetra no ambiente cristalizado do corpo da Terra. Por conseguinte, é oportuno recordar alguns pontos relativos à morte e renascimento que, às vezes, podemos esquecer.

Entre os símbolos cósmicos conservados desde a antiguidade, seguramente o mais popular é o ovo. O Simbolismo do Ovo permeia as Religiões. Está presente no Antigo Eddas[36] dos Escandinavos. Antiga lenda que nos fala do ovo e da origem dos mundos. Ovo esfriado pelo sopro gelado no Niebelheim[37]. Mas também aquecido pelo hálito quente do Muspelheim. Mesmo antes que os vários mundos e o próprio ser humano viessem a existir. Indo em direção ao ensolarado sul, podemos encontrar nos Vedas[38], da Índia, história análoga. Trata-se do mito Kalahamsa[39], protagonizado pelo Cisne do tempo e do espaço. Pássaro cujo ovo finalmente converteu-se no mundo. Entre os egípcios encontramos o globo alado e as serpentes ovíparas. Símbolos da sabedoria manifestada neste nosso mundo. Depois, os gregos utilizaram esse mesmo simbolismo, cultuado e reverenciado em seus Templos de Mistérios. Foi preservado e sacralizado pelos Druidas[40]. Era também conhecido dos construtores do Grande Montículo da Serpente, em Ohio, EUA[41]. O simbolismo relativo do ovo conservou seu lugar na Simbologia Sagrada até hoje, muito embora a imensa maioria dos seres humanos seja cega ao Grande Mistério que ele encerra e revela: “O Magno Mistério da Vida”.

Quando quebramos a casca de um ovo, achamos apenas fluídos viscosos de coloração variada e consistência diversa. Mas, quando submetido a uma temperatura adequada, logo observamos uma série de mudanças. Assim, em pouco tempo, uma criatura viva pode romper a casca e surgir pronta para assumir seu lugar entre os de sua espécie. Os “magos” dos laboratórios po­dem sintetizar as substâncias do ovo e injetá-las numa casca. Uma réplica perfeita do ovo natural pode ser produzida, conforme as experiências realizadas até hoje. Contudo, o ovo artificial difere do ovo natural em um ponto fundamental: nenhuma coisa viva pode ser incubada no ovo obtido artificialmente. Fica evidente, portanto, que alguma coisa intangível deve estar presente em um e ausente noutro.

Esse mistério primordial que anima todas as criaturas é o que nós chamamos Vida. A Vida não pode ser detectada em meio às substâncias do ovo, nem mesmo através do mais potente microscópio, ainda que ela esteja ali presente para produzir as notáveis mudanças. Pode-se assim concluir que a Vida tem a propriedade de existir independentemente da matéria. Aprendemos através do sagrado simbolismo do ovo que, apesar da Vida ser capaz de modelar a matéria, não depende dela para existir. A Vida é autoexistente. Não tendo princípio não pode também ter fim. Essa ideia está bem representada pela geometria ovoide presente na própria forma do ovo.

Estamos estarrecidos com a carnificina nos campos de batalha da Europa. Somando a maneira atroz como as vítimas são arrancadas da vida física. Vamos considerar que a média da expectativa de vida aqui é de apenas 50 anos[42], mais ou menos, e que, em meio século, a morte ceifa a vida de cento e cinquenta milhões de irmãos.  Três milhões por ano.  Duzentos e cinquenta mil a cada mês. Podemos ver que, afinal de contas, o total não foi tão expressivamente aumentado. Vamos refletir sobre o verdadeiro conhecimento contido no simbolismo do ovo, isto é, que a Vida não pode ser criada, nunca teve princípio e nunca terá fim. Assim estamos prontos para encarar os fatos e admitir: aqueles que são agora retirados da existência física estão apenas atravessando uma jornada cíclica idêntica à da vida do Cristo CósmicoVida que interpenetra a Terra nos meses de Setembro, Outubro e Novembro e retira-se na Páscoa. Aqueles que morreram estão apenas indo para os reinos invisíveis. De onde mais tarde, e em novo ciclo mergulharão na matéria densa, interpenetrando, como todas as coisas vivas, o óvulo da futura mãe. Após um período de gestação, reingressarão na vida física para aprender novas lições na grande escola.

Assim, vemos como a grande lei da analogia opera em todas as fases e sob todas as circunstâncias da vida. O que acontece ao Cristo no grande mundo vai acontecer também na vida particular (pequeno mundo) daqueles que caminham para converterem-se em Cristos. Encarando os desafios humanos dessa maneira podemos enfrentar o presente conflito com mais ânimo.

Devemos admitir que a morte cumpre, nas atuais circunstâncias, uma tarefa cósmica necessária. Podemos imaginar as consequências de permanecer aprisionado num corpo como o que agora usamos. Se fôssemos introduzidos num ambiente tal e qual este em que nos encontramos hoje, para assim viver perenemente. As enfermidades do corpo e as condições insatisfatórias do ambiente bem cedo nos fariam cansar da vida e implorar por libertação.

Um corpo imortal impediria todo progresso e tornaria impossível evoluirmos às alturas mais elevadas. Por outro lado, o renascimento em novos veículos e novos ambientes permite novas possibilidades de crescimento. Por conseguinte, devemos agradecer a Deus tanto o nascimento quanto a morte.  O nascimento em um Corpo Denso é necessário para nosso contínuo desenvolvimento. Igualmente necessário é o abandono desse corpo, através da morte, e tem sido providenciado com o objetivo de libertar-nos de um instrumento esgotado pelo uso.

Tanto a ressurreição do espírito como uma nova encarnação sob o céu auspicioso e em um novo ambiente, proporcionam oportunidades inéditas para recomeçar a vida.  Sob as novas condições podemos aprender as lições que não foram devidamente assimiladas antes. Graças a esse método seremos algum dia perfeitos como o Cristo ressuscitado. Assim Ele determinou e nos legou Seu exemplo, auxiliando todos a caminhar em Sua direção.

CAPÍTULO XV – MÉTODO CIENTÍFICO PARA O DESENVOLVIMENTO ESPIRITUAL – Parte I – Analogias Materiais

Enquanto estávamos descendo para uma existência concreta, através da involução, nossa linha de progresso consistia unicamente no desenvolvimento material. Mas, desde que ultrapassamos o nadir da materialidade[43] e começamos a ascender para além do mundo concreto, a expansão espiritual está ganhando importância cada vez maior. Agora, o progresso espiritual é um fator determinante para nosso desenvolvimento, embora ainda restem muitas lições fundamentais para serem aprendidas nessa atual fase material de nossa evolução. Isto se aplica à Humanidade em geral. Em especial, é claro, aos que já estão conscientemente aspirando à vida superior. Portanto, é oportuno rever, por outro ângulo, os Ensinamentos Rosacruzes. Trata-se do método científico empregado para alcançar o almejado desenvolvimento espiritual.

Pessoas da velha geração, especialmente na Europa e no leste dos Estados Unidos, sem dúvida, devem lembrar-se com prazer de seus passeios através de tranquilas alamedas nos campos de exuberante frescor. Algumas dessas caminhadas conduziam a um murmurante riacho com seu velho e rústico moinho e sua barulhenta roda d’água movendo, com dificuldade, todo o rústico maquinário. Apenas uma pequena fração da força transportada pela água corrente era aproveitada, a fração restante seguia seu curso natural, desperdiçada. Mais tarde, surgiu uma nova geração de empreendedores que notou a potencialidade dessa poderosa energia.  Poderia ser mais bem aproveitada com as recentes conquistas científicas. Engenheiros começaram a construir represas para deter e controlar o fluxo das águas, evitando desperdícios. Através de sistemas de canos e calhas condutoras, e em harmonia com princípios científicos, conduziam, para as rodas d’água, a água represada nos reservatórios. Dessa forma podiam, então, regular a vazão da grande energia assim armazenada. Liberavam apenas a quantidade suficiente para movimentar as rodas d’água, ajustando a velocidade e o volume conforme a necessidade.

Sem dúvida, a roda d’água construída cientificamente é muito mais eficiente quando comparada com a sua rústica antecessora. Trabalhando com as Leis da Natureza, o ser humano assegurara um provedor com energia inesgotável. Apesar disso, ainda persistia uma idêntica limitação. Sua poderosa energia podia ser aproveitada somente no lugar onde estava localizada a própria fonte geradora. Tais lugares, em geral, estão a muitos quilômetros dos centros urbanos, justamente onde há maior demanda de energia.

O novo desafio agora estava em conduzi-la aonde fosse mais necessária. Para solucionar esse problema, as Leis da Natureza foram invocadas mais uma vez. Surgiram os geradores elétricos. Agora a energia mecânica das rodas podia ser transformada em energia elétrica.

Mas como enviar e distribuir essa energia para os centros urbanos? A inventividade humana sempre reaparece. Com diligentes esforços e empregando os adequados métodos científicos, em harmonia com as Leis da Natureza, descobriu-se que diferentes metais transmitem eletricidade com maior ou menor resistência. Constatou-se que o cobre e a prata são os melhores condutores. Logicamente, foi escolhido o cobre por ser o mais barato.

O Estudante deve observar, com atenção, que não podemos obrigar as forças da natureza a fazer nada; sempre que a utilizamos devemos se harmonizar com a manifestação delas, escolhendo a linha de menor resistência para obter o máximo de energia. Se fios de ferro ou prata alemã, que têm uma resistência comparativamente alta, tivessem sido escolhidos como transmissores, uma grande quantidade de energia teria sido perdida, além disso, outras complicações teriam surgido, as quais não precisamos entrar em nosso propósito. Mas trabalhando com as Leis da Natureza e escolhendo a linha de menor resistência, obtemos o melhor resultado da maneira mais fácil.

Mas, os pesquisadores enfrentaram outros problemas. Como transportar a força elétrica captada da água? Como convertê-la em eletricidade utilizável a muitos quilômetros além da fonte geradora?

As pesquisas demonstraram que qualquer corrente elétrica prefere, sempre que há opção, chegar ao solo seguindo o caminho mais curto e com menos obstáculos. Então, para evitar o escoamento de corrente elétrica através da fiação foram desenvolvidos os materiais isolantes. Assim, o metal que transporta a corrente elétrica foi isolado da terra pelo revestimento com material isolante. Exatamente como altos muros confinam, com segurança, prisioneiros em seu interior.

Foi preciso pesquisar materiais com os quais a eletricidade demonstrasse uma aversão natural. O vidro, a porcelana e certas substâncias fibrosas mostraram-se impermeáveis à eletricidade.

Vemos, portanto, que através de procedimentos científicos e da engenhosidade, e sempre trabalhando com as Leis da Natureza, os problemas podem ser solucionados. No nosso exemplo, foram superados os desafios inerentes à transformação e ao transporte de grandes quantidades de energia para lugares distantes, com eficiência e máxima redução do desperdício.

Resultados igualmente maravilhosos podem ser obtidos em proveito e conforto da Humanidade, basta empregarmos métodos científicos aos eventuais desafios. Por exemplo, na agricultura é possível fazer brotar duzentos pés de uma planta onde antes, pelos antigos métodos rústicos, nem sequer um vingaria.

Gênios, como Luther Burbank[44], melhoraram as variedades silvestres de frutas e legumes tornando-os maiores, mais suculentos e mais saborosos, bem como mais produtivos.

Em qualquer área na qual os métodos científicos suplantaram os hábitos rústicos e o puro acaso também foram obtidos resultados vantajosos.

Mas, vamos enfatizar o aspecto mais importante dentro do conjunto de nossas considerações: “Tudo o foi feito, foi realizado trabalhando com as Leis da Natureza”.

Lembremos o axioma hermético que sintetiza a Lei da Analogia: “Como é em cima, assim também é embaixo”. A Lei da Analogia é a chave mestra de todos os mistérios espirituais ou materiais. Podemos, então, deduzir com segurança: “métodos científicos aplicados em problemas materiais produzem resultados valiosos. Obteremos resultados igualmente valiosos quando aplicarmos métodos análogos para a solução de desafios no domínio espiritual”. Mesmo percorrendo um retrospecto superficial do desenvolvimento dos sistemas Religiosos do passado, já é o suficiente para evidenciar a ausência de ciência e método no bojo de seus preceitos. Além disso, prevaleciam concepções completamente fortuitas. Apesar de tudo, algumas almas alcançaram sublime espiritualidade nas alturas celestes, graças a um profundo sentimento de devoção. São reverenciados através dos séculos e recebem o título de Santos. Iluminam caminhos. Exemplificam o que pode ser feito. Mas, como alcançar essa sublime espiritualidade? Eis um antigo desafio tanto para os Aspirantes do passado como do presente. Mesmo para aqueles que desejam ardentemente. Lamentavelmente são muito poucos que, comparativamente, procuram o caminho hoje em dia.

Os Irmãos Maiores da Rosacruz desenvolveram um método científico que, se seguido persistente e profundamente, ajudará a desenvolver os poderes latentes da alma. É útil e eficiente para todas as pessoas. Tão eficaz quanto uma prática sistemática pode tornar qualquer pessoa competente na atividade material em que se compenetre.

Para entender este assunto é necessário repassar alguns tópicos do exemplo anterior. Foi a velha e precária roda do moinho que despertou, no engenheiro, a ideia de utilizar a força da água de maneira mais eficiente e vantajosa.

Se estudarmos o desenvolvimento natural do poder anímico através dos degraus evolutivos, estaremos, então, em posição de entender os grandes e benéficos resultados que podem advir da aplicação de métodos científicos nesta importante questão.

Naturalmente, os Estudantes dos Ensinamentos Rosacruzes estão bem familiarizados com os pontos principais deste processo de desenvolvimento com relação à Humanidade. Mas pode haver alguns não tão bem-informados. Em consideração a eles faremos um resumo sobre esse assunto.

A ciência diz, com muita propriedade, que uma substância invisível, intangível, chamada Éter, permeia tudo, desde os sólidos mais densos até o ar que respiramos. Este Éter nunca foi visto, medido ou confinado em laboratório pela ciência. Porém, é necessário admitir a sua existência para explicar os vários fenômenos como, por exemplo, a transmissão de luz através do vácuo.

Portanto, diz a ciência, o Éter é o agente de transmissão dos raios de luz. Ele nos traz uma imagem de todos os objetos que estão ao nosso redor e no raio de ação de nossa capacidade visual, impressionando a retina de nossos olhos.

De igual modo opera uma máquina cinematográfica quando projeta um filme. Ela focaliza uma série ordenada de fotogramas em rotação constante.  O Éter transporta as imagens e os movimentos de todos os objetos contidos em cada fotograma. Transmite os mínimos detalhes para a placa sensível através das lentes da câmera. Deixa um registro completo de todo o cenário e dos atores da película.

Imaginemos nossos olhos semelhantes a uma filmadora muito fiel e sensível, dotada de filme suficientemente extenso para conter todas as imagens de uma vida. Ao terminar a existência poderíamos acessar um arquivo completo de todos os acontecimentos perfeitamente gravados nesse filme.

Há muitas pessoas com as mais diversas deficiências. No entanto, há uma coisa que todos fazem para poder viver: “Respirar, respirar, respirar…”.

Deus recebe várias denominações. Natureza é uma delas.  E a Natureza sabiamente determinou: “O registro completo de nossas vidas será gravado por meio da respiração, função imprescindível e comum para todo ser vivo”.

Em todos os momentos de nossa participação no cenário da vida, desde o primeiro alento até o último suspiro, o Éter, que penetra em nossos pulmões junto com o ar inalado, leva consigo a imagem completa de nosso ambiente externo. Tanto dos nossos atos como das ações de outras pessoas que convivem conosco.

O registro ocorre em um único e pequeno átomo situado no ventrículo esquerdo, no ápice do coração, por onde o sangue recém-oxigenado flui incessantemente. O sangue transporta as imagens particulares de cada evento de nossa vida.

Portanto, tudo que dizemos ou fazemos, de bem ou de mal, de maior ou de menor importância, fica indelevelmente gravado no coração.

Esse registro serve de base para o método lento e natural de crescimento da alma através dos ciclos evolutivos.  Tal como a velha e primitiva roda d’água.

No próximo capítulo, estudaremos esse processo com mais detalhes e com abordagem científica.  Esse conhecimento devidamente aplicado promove rápido crescimento espiritual, aperfeiçoamento e desenvolvimento dos poderes anímicos ainda latentes.

CAPÍTULO XVI – MÉTODO CIENTÍFICO PARA O DESENVOLVIMENTO ESPIRITUAL – Parte II – Retrospecção: Um Método para evitar o Purgatório

Vimos no capítulo anterior que um registro de nossa existência, desde o berço até o túmulo, está gravado num pequeno átomo no coração. O Éter que inalamos em cada respiração transporta consigo os quadros do mundo exterior. Graças ao Éter registramos as cenas, como em um filme, de tudo que vivemos e ainda estamos vivendo.

Esse processo determina a base de nossa existência “post-mortem”.

O registro das ações más é erradicado através do sofrimento. A dolorosa experiência purgatorial. O fogo do remorso cauteriza a alma à medida que o filme se desenrola diante de nossa visão. Dessa maneira ficamos menos propensos a repetir, em vidas futuras, os mesmos atos reprováveis.

Por outro lado, quando recordamos as imagens das boas ações praticadas sentimos uma alegria celestial. A essência dessa sublime experiência estimulará, de forma subconsciente, a alma a agir ainda melhor em vidas futuras.

Mas, esse processo é naturalmente lento e pode ser comparado ao funcionamento da velha roda d’água. Esse ritmo compassado e moroso foi estabelecido pela sábia natureza com o propósito de conduzir a Humanidade de forma prudente e, também, torná-la cada vez mais consciente de suas leis. Nesse ritmo a maior parte da Humanidade está gradativamente evoluindo do egoísmo para o altruísmo. Embora extremamente vagaroso, parece ser o único método pelo qual aprende.

Há outra classe que, no relance de uma visão do distante futuro, vislumbrou uma Humanidade gloriosa expressando seus atributos divinos, finalmente vivendo uma vida de amor e paz. Esta classe tem as estrelas como alvo de suas aspirações. Procura realizar em uma, ou em poucas encarnações, o que seus semelhantes necessitarão de centenas de reencarnações para consumar. São como os pioneiros que souberam aproveitar, cientificamente, a energia da água para transformá-la em eletricidade.

Os pioneiros no domínio espiritual também estão à procura de um método científico para superar a perda de tempo e energia envolvidos no lento processo de evolução. Método que possa capacitá-los a avançar na grande obra e assegure um desenvolvimento pessoal de forma científica.

Este era o maior desafio dos pioneiros Irmãos da Ordem Rosacruz. Com afinco estudaram e desenvolveram um método. Agora está disponível a seus fiéis seguidores e, também, para a prosperidade eterna. Um sistema eficaz a todos aqueles que anseiam e perseveram na senda espiritual.

Já vimos como os engenheiros se incumbiram de aperfeiçoar a primitiva roda do moinho e conseguiram transmitir eletricidade para pontos distantes. Seus objetivos foram concretizados graças ao estudo das vantagens e limitações do primitivo mecanismo.

Assim também, os Irmãos Maiores da Rosacruz estudaram, com auxílio de sua visão espiritual, todas as fases da evolução humana desde o Mundo Físico até o estado “post-mortem”. Assim conseguiram demarcar como o progresso, através de muitas vidas, é gradativamente alcançado.

Estudaram também os sinais e símbolos dados à Humanidade através dos séculos para ajudá-la no crescimento da alma. Especial atenção foi destinada ao estudo do Tabernáculo no Deserto. Esse templo conforme afirmava S. Paulo era: “Uma sombra das boas coisas que virão.”.

Durante as pesquisas encontraram o segredo do crescimento da alma oculto nos vários utensílios e acessórios usados naquele antigo local de adoração.

As cenas do panorama da vida, que se desenrolam diante dos olhos da alma depois da morte, causam um sofrimento no Purgatório e livram a alma do desejo de repetir as ações que originaram essa penitência. A dor abrasadora sentida pela alma no Purgatório está intimamente ligada com o sal e o fogo. O sal era friccionado nas vítimas encaminhadas ao Altar dos Sacrifícios antes de serem imoladas e consumidas no próprio fogo do altar.

Aplicando o axioma hermético “Como é em cima, assim também é embaixo”, concluíram que o método de “Retrospecção” se harmoniza com as leis cósmicas do crescimento da alma.

A Retrospecção limpa os pecados da alma pelo sal da purificação e pelo fogo do remorso. Tem a propriedade de realizar a cada dia o que a experiência purgatorial só pode fazer uma única vez ao término de cada vida.

Mas, ao mencionarmos a palavra “Retrospecção”, frequentemente ouvimos as pessoas afirmarem: “Ah, isso não é novidade! Também é ensinada em outros grupos Religiosos. Eu mesmo já a pratiquei durante toda minha vida. Examino meus atos diários todas as noites antes de dormir”.

Porém, isso não é suficiente.

Para poder realizar esta prática cientificamente é necessário reproduzir os processos da natureza, como no exemplo do engenheiro. Para isolar a corrente elétrica do solo descobriu que o vidro, a porcelana e a fibra agiam como obstáculos à sua passagem. Também devemos seguir, em cada detalhe, as propriedades e os processos da natureza. Seguindo seus métodos certamente obteremos maior crescimento anímico.

Quando estudamos o processo de expiação purgatorial, aprendemos que “o panorama da vida se desenrola em ordem inversa”, do túmulo para o berço. Cenas que se passaram no fim da vida são expiadas em primeiro lugar. As que aconteceram no início da juventude são as últimas a serem revistas.

Essa inversão na ordem dos eventos auxilia no entendimento da lei de causa e efeito. Demonstra à alma o mecanismo que define as consequências que foram colhidas na medida em que determinadas causas foram semeadas.

Considerando esses fatos, podemos deduzir um método científico para o desenvolvimento da alma:

“O Aspirante deve examinar, passo a passo, a sucessão dos episódios ocorridos em sua vida, todas as noites e antes de dormir. Deve começar pelas últimas ações imediatamente antes de se recolher, continuando gradativamente em ordem inversa para os atos praticados durante a tarde, depois para os da manhã até o momento de acordar”.

Mas, e isto é muito importante, não é suficiente examinar essas cenas de maneira descuidada e admitir estar arrependido ao defrontar-se com uma cena na qual agiu mal ou injustamente para com outra pessoa.

 Os sinais gravados no Altar dos Sacrifícios oferecem instruções precisas e inequívocas:

“A carne ofertada no Altar dos Sacrifícios era atritada com sal e, em seguida, consumida pelo fogo (como é do conhecimento de todos, o sal num ferimento provoca sensação dolorosa semelhante ao fogo). Assim também o Aspirante ao desenvolvimento da alma deve compreender que ele é, ao mesmo tempo, oferta e sacrifício, sacerdote e purificação, altar e chama ardente. Ele deve permitir que o sal expiatório e as brasas do remorso queimem e cauterizem, no mais recôndito de seu coração, todas as falhas cometidas”.

O Aspirante deve sentir uma verdadeira contrição ao relembrar qualquer erro. Unicamente esse profundo e sério procedimento apagará o registro do Átomo-semente no coração, deixando-o limpo. Sem esse compromisso nada se conseguirá.

Contudo, se o Aspirante ao desenvolvimento científico da alma conseguir tornar bastante intenso este fogo do remorso e da contrição, então, o Átomo-semente será purificado dos pecados diários acumulados durante sua vida. Mesmo os acontecimentos anteriores ao início da prática destes exercícios irão gradativamente sendo transmutados por esse fogo purificador. Assim, no fim da existência, quando o cordão prateado se romper, o Aspirante estará livre do sofrimento na Região Purgatorial do Mundo do Desejo. Além disso, economizará o tempo equivalente ao período de expiação purgatorial, ou seja, mais ou menos um terço do tempo que viveu encarnado em seu Corpo Denso.

A mesma coisa não sucede com as pessoas comuns que não tiveram o privilégio de aprender e a felicidade de praticar este método científico.

O Aspirante que, incansável e dedicadamente praticar este método, encontrar-se-á desimpedido no mundo invisível. Estará desprendido das limitações que aprisionam e escravizam. Totalmente livre para trabalhar pela Humanidade sofredora durante o tempo que permanecer nas regiões inferiores do Mundo do Desejo.

Mas, há uma grande diferença entre o contexto de cada oportunidade oferecida e de suas respectivas vantagens.

No Mundo Físico um terço de nossa vida é empregado em repouso e recuperação, outro terço empregado no trabalho para obter recursos para manter nosso Corpo Denso alimentado, vestido e abrigado. Apenas o terço restante estará disponível para os propósitos de relaxamento, recreação ou desenvolvimento da alma.

No Mundo do Desejo, onde o espírito ingressa após a morte, a situação é bem diferente. Nele ingressando, já estamos constituídos e envolvidos na matéria desse mundo. Alimento, vestuário e abrigo não são mais necessários. Não sentimos cansaço nem sono. Desaparecem as necessidades biológicas tais como sustentar e resguardar o corpo. O espírito encontra-se livre. Está apto a utilizar seus veículos durante as vinte e quatro horas, dia após dia.

Portanto, o tempo disponível nos mundos internos, por termos vivido diariamente o nosso Purgatório aqui, é equivalente ao período de toda uma vida destinada às tarefas na Terra.

Mas, o tempo assim poupado deve ser direcionado ao aperfeiçoamento do processo de evolução. Devemos manter as ações e os pensamentos concentrados na colaboração e no auxílio dos nossos irmãos mais jovens e menos afortunados. Agindo assim, colheremos uma abundante safra. Obteremos um substancial crescimento anímico na existência “post-mortem”. Crescimento superior ao equivalente obtido durante muitas vidas comuns.

Quando renascermos, traremos conosco todos os poderes incorporados à alma. Estaremos muito mais adiantados no caminho da evolução do que poderíamos estar em circunstâncias usuais.

Devemos alertar que outros métodos de desenvolvimento da alma ensinados por outras escolas são perigosos. Podem, algumas vezes, conduzir seus praticantes ao manicômio.

O método científico de desenvolvimento da alma difundido pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz só traz benefícios e nunca causará nenhum dano a ninguém.   Nós podemos dizer, também, que há outros meios de auxílio, não mencionados aqui, e que são comunicados àqueles que tenham provado serem merecedores pela persistência, e porquanto eles não visem, diretamente, o desenvolvimento da visão espiritual, essa será desenvolvida por todos aqueles que praticá-lo com a necessária e fiel perseverança.

CAPÍTULO XVII – OS CÉUS PROCLAMAM A GLÓRIA DE DEUS

“Os Céus proclamam a glória de Deus e o firmamento exibe Sua obra. Dia após dia enunciou Sua palavra, e noite após noite mostrou Seu conhecimento. Não há fala ou língua onde Sua voz não se faça ouvir. Suas formas espalharam-se por toda a Terra e Suas palavras até o fim do mundo. Erigiu um templo para o Sol, que é como o noivo saindo de seu aposento, regozijando-se como um homem forte ao disputar uma competição.”[45].

Em toda parte, por imensas distâncias ao nosso redor, vemos o glorioso nascer do Sol trazendo luz e vida para todos. Depois, a estrela do dia sobe aos céus para então declinar no horizonte ocidental numa gloriosa explosão de luminosidade quando mergulha no mar. Espalha um arrebol de indescritíveis e variadas nuances, colorindo os céus com pincel de fogo. Adorna o horizonte com os mais suaves e belos matizes, inimitáveis até para o artista mais habilidoso.

Depois a Lua, o Astro da noite, nasce sobre as colinas do Leste conduzindo para cima, como séquito, as estrelas e constelações em direção ao zênite, em sua perpétua dança circular ao redor da Terra.

Sem trégua e enquanto o tempo durar, os caracteres astrais descrevem sobre o mapa do céu a evolução passada, presente e a futura da Humanidade no seu meio ambiente, o mundo concreto.

Neste caleidoscópio celeste em constante mutação, uma única estrela permanece comparativamente estacionária. Para todos os efeitos e do ponto de vista de nossa efêmera vida de cinquenta, sessenta ou cem anos, é um seguro e imutável ponto de referência: “A Estrela do Norte”[46]

O marinheiro nutre uma fé absoluta quando navega na vastidão das águas. Sabe que, enquanto se guiar por esse fixo ponto de luz, chegará a salvo ao porto desejado. Também não desanima quando as nuvens encobrem sua estrela orientadora. Dispõe de uma bússola magnetizada por um poder misterioso. Chova ou faça sol, com neblina ou garoa, ela aponta infalivelmente para esse luminar imóvel. Com a bússola o marinheiro pode pilotar sua embarcação tão seguramente como se, na realidade, estivesse vendo a própria estrela.

Realmente, os céus proclamam as maravilhas do Senhor.

Assim como é no macrocosmo, o grande mundo fora de nós, também é em nossas vidas. Quando nascemos, o Sol da vida desponta e começamos a ascensão através dos anos da infância e da juventude em direção ao zênite da vida adulta.

O mundo circundante, em constante mutação, configura o nosso ambiente, incluindo pais, irmãos e familiares. Com amigos, conhecidos e adversários, enfrentaremos a batalha da existência com a força que adquirimos em nossas vidas passadas, pagando as dívidas contraídas e suportando os encargos diários. Podemos torná-los mais leves ou pesados, consoante nossa sabedoria ou ausência dela.

Mas, entre todas as variáveis circunstanciais e as vicissitudes da existência, há um grande e magnífico guia que, como a Estrela do Norte, nunca falha. Um guia de prontidão, como a fixa estrela no céu, para nos ajudar a navegar no barco de nossa vida em águas serenas. Esse guia não poderia ser outro senão Deus.

É significativo lermos na Bíblia que os Reis Magos, quando caminhavam em busca do Cristo (NOSSO GRANDE MESTRE ESPIRITUAL), guiavam-se também por uma estrela. Foram orientados até encontrarem a verdadeira e gloriosa Luz Espiritual.

O que pensaríamos do capitão de um navio que amarrasse o leme e deixasse o seu navio à deriva, entregando-o às mudanças do vento ou do destino? Surpreender-nos-ia se o navio finalmente naufragasse e o capitão perdesse sua vida nas rochas? Certamente não. Extraordinário seria se conseguisse alcançar a margem.

Uma grande e maravilhosa alegoria se estampa nos céus em caracteres cósmicos. E, também, está escrita em nossas próprias vidas. Com palavras de advertência, recomenda o abandono da fu­gaz vida material e a busca da vida eterna em Deus.

Embora o véu da carne, o orgulho e a luxúria nos ceguem por algum tempo, não estamos abandonados, sem um guia. Nossa estrela guia é o próprio Espírito.

Tal como o campo magnético atrai o ímã da bússola, o espírito exercerá uma força de atração irresistível em direção à sua fonte. Mesmo estando submerso e cego pelos convites sedutores do materialismo, não há como sufocá-la completamente. Brotarão, cedo ou tarde, um anseio e um apelo arden­te no seio da alma.

Presentemente há muitos tateando e vasculhando, na tentativa de encontrar uma solução para o desassossego que ecoa em suas almas desde o íntimo. Muitas vezes encontram-se frustrados sem compreenderem o motivo. Enquanto isso, algo continuamente os arrasta para frente à procura do reino espiritual. A busca por algo superior: “Nosso Pai no Céu

Davi disse:

“Se eu subir ao Céu, Tu estarás lá.

Se eu fizer minha cama no inferno, Tu estarás lá.

Tua mão direita me guiará e me sustentará.”[47].

E no oitavo Salmo, ele diz:

“Quando considero Teus Céus,

o trabalho de Teus dedos,

a Lua e as estrelas que ordenaste,

o que é para Ti o homem que Tu cuidas tanto,

e o filho do homem para que Tu o visitaste?

Pois Tu o fizeste um pouco mais baixo do que os anjos,

e o coroaste de glória e honra.

Tu o fizeste para que dominasse as obras de Tuas mãos,

Tu puseste todas as coisas sob seus pés.”.

Tudo isso não é novidade para quem está procurando a Luz, dando o melhor de si para viver a vida. Mas o perigo ronda quando a indiferença se instala na alma. A indiferença produz uma espécie de anemia espiritual.

O bom timoneiro deve manter-se sempre alerta e vigilante, norteando-se, com o auxílio da bússola, para conduzir sua embarcação na rota segura e ao destino traçado. De maneira análoga devemos buscar orientação e manter o barco da alma em movimento. Caso contrário, o esmorecimento desviará o curso de nossas vidas. Encaremos firmemente essa estrela da esperança, essa grande luz espiritual, a verdadeira e única coisa realmente importante: “A vida de Deus”.

CAPÍTULO XVIII – RELIGIÃO E CURA

Em várias épocas e de maneiras específicas foram dadas à Humanidade Religiões apropriadas para estimulá-la no caminho da evolução. O ideal de cada Religião era suficientemente elevado para despertar as aspirações do conjunto de pessoas a quem eram destinadas. Mas não tão elevadas que estivessem além de sua compreensão e desmotivassem sua busca.

O selvagem, por exemplo, precisa de um Deus forte. A Divindade, para conquistar seu respeito, deve empunhar a espada flamejante do raio com mão viril e poderosa. O medo e a submissão pautam sua relação com o sobrenatural. Por outro lado, um Deus portador de sentimentos sublimes, como amor e misericórdia, seria desconsiderado.

Portanto, as Religiões foram gradualmente evoluindo à medida que a própria Humanidade evoluiu. O ideal Religioso vem sendo elevado lentamente e atingiu o ponto mais alto por meio dos ensinamentos Cristãos. A flor das Religiões é sempre oferecida à flor da Humanidade.

Numa época futura, uma Religião ainda mais elevada será dada a uma raça mais desenvolvida. A evolução é eterna e incessante.

Os Invisíveis Líderes da Humanidade dão a cada nação os ensinamentos mais adequados às suas condições. O Hinduísmo ajuda nossos irmãos mais jovens no Leste. Mas, o Cristianismo é o Ensinamento Ocidental particularmente apropriado aos povos do Oeste. A grande massa da Humanidade fica aos cuidados da Religião ensinada publicamente (exotérica) em seu país de origem.

Mas, em todo agrupamento humano surgem os pioneiros. Com extraordinária precocidade necessitam de ensinamentos em grau mais avançado. Para ministrar uma doutrina mais profunda, surgem as Escolas de Mistérios situadas em locais apropriados a esse fim.

Quando apenas pequeno contingente está apto a receber esses ensinamentos preparatórios, eles são ministrados particularmente. Porém, à medida que o número aumenta, os conhecimentos são ensinados publicamente.

Assim acontece atualmente no mundo ocidental. Os Irmãos da Rosacruz ministraram ao autor a filosofia que agora está sendo organizada e publicada, compondo nossa coleção de obras. Foi aprovada a fundação da Fraternidade Rosacruz para promulgar os ensinamentos contidos em sua filosofia. O propósito maior consiste em colocar as almas Aspirantes em contato com o Mestre. Para efetivar esse encontro, o Aspirante deve demonstrar sinceridade no amor e na dedicação ao serviço realizado AQUI no Mundo Físico. Para merecer a Iniciação nos Mundos espirituais, deve dar provas suficientes de que usará sua força e conhecimento exclusivamente para servir.

Os ensinamentos superiores nunca são ministrados com fins lucrativos. No passado, São Pedro repreendeu Simão, o feiticeiro. Ele queria comprar o poder espiritual para prostituí-lo com ganhos materiais. Os Irmãos Maiores também se recusam a abrir as portas aos que prostituem a ciência espiritual distribuindo horóscopos, lendo as mãos, ou dando interpretações de clarividência profissionalmente, por dinheiro.

A Fraternidade Rosacruz apoia o estudo da Astrologia e da quiromancia, e proporciona, gratuitamente, um curso de Astrologia. Assim, todos os seus membros podem livremente habilitar-se nessa ciência. Sobretudo podem evitar a armadilha de profissionais que são, quase sempre, charlatões.

Durante os últimos anos, desde o início da divulgação, os Ensinamentos Rosacruzes espalharam-se rapidamente pelo mundo civilizado. São estudados avidamente desde o Cabo da Boa Esperança até o Círculo Ártico e ainda além. Proporcionam respostas para os corações de inúmeras pessoas e de diversas culturas nas cabanas cobertas de neve dos mineiros do Alasca, nas casas governamentais onde um vento tropical desfralda o Leão Britânico, nas capitais das autocracias turcas, assim como nas democracias americanas. Nossos adeptos podem ser encontrados tanto em instituições governamentais como nas mais modestas esferas da vida. Todos interagindo ativamente conosco, em íntimo contato com o movimento. Trabalhando para a divulgação das verdades profundas referentes à Vida e a todos os seres que auxiliam nossa evolução.

OS PRINCÍPIOS ROSACRUZES DE CURA

É uma inegável verdade que “o ser humano tem vida curta e atribulada”, e entre todas as vicissitudes da vida nenhuma tem o maior poder de fazer se voltar para Deus do que o sofrimento no Corpo. Podemos perder a nossa posição econômica ou os amigos com relativa equanimidade, mas quando nos falta a saúde e a morte nos ameaça, até os mais fortes vacilam. Compreendendo a impotência humana, e poderosamente movido por uma necessidade premente, sentimos necessidade de apelar para o socorro Divino, e quanto mais severamente a dor física nos aflige, mais insistentemente vamos pedir ajuda à Deus. Nada pode nos fazer orar tão fervorosamente como a dor no Corpo.

Por isso, o ofício sacerdotal sempre esteve intimamente ligado à cura. Entre os selvagens, o sacerdote era também o “homem da medicina”; na Grécia antiga o templo de Esculápio[48] era famoso pelas curas que eram operadas lá; Cristo, em Seus dias, curava totalmente o doente. A igreja primitiva seguiu essa prática, como é evidente nas Epístolas; e certas ordens católicas continuaram no esforço de amenizar a dor, através dos séculos, desde aqueles tempos até os dias atuais.

Nos tempos modernos, a tendência é de se dissociar o consolador espiritual do sacerdote, quando de um Corpo doente. Por isso, o estreito contato e a calorosa simpatia entre o sacerdote e os paroquianos foram perdidos, e, em consequência, ambos empobreceram, nesse sentido. Antigamente, nos momentos de doença, o “bom pai” era tido como um representante de nosso Pai Celeste. Provavelmente ele era não especializado em comparação com nossos médicos modernos, mas, se ele fosse um verdadeiro e santo sacerdote, seu coração seria caloroso e amoroso e suas orientações mais potentes, devido à fé do paciente em seu ofício sacerdotal, e, após a recuperação, seu paciente também seria seu amigo e se aconselharia com ele a respeito das coisas espirituais, coisa que ele nunca faz, onde os “consultórios” do sacerdote e do médico estão dissociados.

Não se pode negar que aquele consultório com essa dupla função deu aos titulares um poder e tanto sobre as pessoas, e que esse poder foi, por vezes, abusado. Também é patente que a arte da medicina atingiu um estágio de eficiência, o qual não poderia ter sido atingido, salvo pela devoção a um determinado fim e objetivo. As leis sanitárias, a extinção de insetos portadores de doenças, e consequente imunidade, são testemunhos monumentais do valor dos métodos científicos modernos. Portanto, pode parecer que tudo esteja bem e que não haveria necessidade de escrever sobre o assunto, mas, na realidade, até que a Humanidade, como um todo, desfrute de uma perfeita saúde, não existe nenhum problema mais importante do que a questão: como podemos conseguir e manter a saúde?

Além da escola regular de cirurgia e medicina, que depende exclusivamente de meios físicos para a cura da doença, outros sistemas surgiram que dependem inteiramente da cura total mental. Já se tornou costume corrente nas organizações que advogam a “cura mental”, a “cura natural” e outros a realização das “reuniões de troca de experiências” e a publicação em revistas especializadas com testemunhos de milhares de pessoas agradecidas que foram beneficiadas por tais “tratamentos”, e se os médicos da escola regular fizessem a mesma coisa não lhes faltariam testemunhos similares acerca das suas eficácias.

A opinião de milhares de pessoas é de grande valor, mas nada prova porque outros tantos milhares de pessoas podem sustentar exatamente o ponto de vista oposto. Ocasionalmente uma só pessoa pode ter razão, enquanto o resto do mundo está errado, como aconteceu quando Galileu[49] afirmou que a Terra se movia. Hoje em dia, todo o mundo converteu-se à opinião pela qual Galileu foi perseguido como herege. Sustentamos que, sendo o ser humano um ser composto, a cura tem êxito na proporção em que se remedeiem os defeitos nos planos: físico, moral e mental do ser, e nós, também, afirmamos que resultados podem ser obtidos mais facilmente nos períodos quando os raios dos Astros são propícios para a cura definitiva de uma doença específica que faz uma pessoa sofrer. Ou doenças podem ser tratadas com mais sucesso por remédios previamente preparados sob condições propícias (ou favoráveis) do que quando o remédio é preparado sob condições astrais desfavoráveis.

É fato bem conhecido do médico moderno que o estado do sangue, e, por conseguinte, de todo o Corpo, muda de acordo com o estado mental do paciente, e quanto mais o médico empregar a sugestão como auxiliar dos remédios, tanto mais êxito obterá. Todavia, são poucos os que aceitariam o fato de que tanto nosso estado mental como o físico são influenciados pelos raios planetários, que mudam com o movimento dos respectivos Astros e, ainda, desde que foi reconhecida a existência da radioatividade, nós sabemos que todos os Corpos celestes lançam partículas radioativas no espaço. Na telegrafia sem fio nos demonstra que as ondas etéreas viajam segura e rapidamente através do espaço, atuando por meio de uma chave, de acordo com a nossa vontade. Sabemos, também, que os raios do Sol nos afetam de modo diferente pela manhã, quando nos atingem horizontalmente, do que ao meio-dia, quando caem sobre nós perpendicularmente. Se os raios luminosos do Sol, que se movem rapidamente, produzem mudanças físicas e mentais, por que não teriam efeito correspondente os raios persistentes dos Astros mais lentos? Se eles têm, então eles são fatores na saúde que não devem ser negligenciados por um verdadeiro curador científico.

A enfermidade é uma manifestação da ignorância, o único pecado, e a cura definitiva é uma demonstração do conhecimento aplicado, que é a única salvação. Cristo é a incorporação do Princípio de Sabedoria e, na mesma proporção em que o Cristo se forme em nós, alcançaremos a saúde. Por conseguinte, a pessoa que cura deve ser espiritualizada e deve procurar infundir em seu paciente elevados ideais, para que gradualmente aprenda a se conformar com as leis de Deus, que governam o Universo, alcançando, assim, saúde permanente na vida atual bem como nas futuras.

Todavia, “a fé sem obras é morta.”. Se nós persistimos em viver sob condições não sanitárias a fé não nos salvará da febre tifoide, mas quando nós aplicamos medidas preventivas apropriadas e remédios para os doentes, nós estamos realmente mostrando nossa fé por obras.

Está escrito em várias obras que os membros da Ordem dos Rosacruzes têm o objetivo de ajudar a Humanidade em obter a saúde do Corpo, e fazem o voto de curar definitivamente os outros gratuitamente. Mas, como se vê em muitas das chamadas “revelações”, esta afirmação é inexata. Os Irmãos Leigos fazem o voto de assistir a todos com o melhor de sua capacidade gratuitamente. Esse voto inclui o trabalho de curar definitivamente, para os possuidores dessa aptidão, como foi o caso de Paracelso[50]. Ele tinha uma grande capacidade curadora e procurava combinar a eficiência dos remédios físicos, aplicados em fases astrológicas favoráveis, com a orientação espiritual conveniente. Os que não possuem a faculdade sanadora trabalham em outros setores, mas todos têm uma característica em comum: nunca cobram pelos seus serviços e sempre trabalham em segredo, sem clarinadas e rufos de tambores.

CAPÍTULO XIX – DISCURSO NA COLOCAÇÃO DA PEDRA FUNDAMENTAL EM MOUNT ECCLESIA

Cristo disse:

“Onde dois ou três estiverem reunidos em Meu nome, Eu estarei no meio deles.”[51]

Essa declaração era a expressão da mais profunda sabedoria divina, assim como todos os Seus ensinamentos. Ela se apoia sobre uma lei da natureza, tão imutável como o próprio Deus.

Quando os pensamentos de dois ou três focalizam-se sobre qualquer objeto ou pessoa determinada, gera-se um poderoso pensamento forma. Resultado da bem definida projeção de suas Mentes conjuntamente ajustadas para o propósito almejado. Seus efeitos ulteriores dependerão da afinidade entre os pensamentos e a natureza do alvo que os recebe. Pois, para gerar uma correspondência vibratória sobre a nota soada por um diapasão, é necessário outro diapasão afinado no mesmo tom.

Se forem projetados pensamentos e preces de natureza inferior e egoísta, apenas criaturas inferiores e egoístas responderão a eles. Essa espécie de oração nunca chegará até Cristo, como a água não pode subir montanha acima. Ela gravita em torno de demônios ou elementais: criaturas totalmente indiferentes às sublimes aspirações manifestadas pelos que estão reunidos em nome de Cristo.

Estamos aqui reunidos hoje, neste lugar, com a finalidade de assentar a pedra fundamental para a construção da Sede de uma Associação Cristã. Tão certo como a gravidade atrai uma rocha em direção ao centro da terra, o fervor de nossas unidas aspirações atrairá a atenção do Fundador de nossa fé, o Cristo. Estamos confiantes que Ele está entre nós. Com a mesma certeza na qual diapasões com a mesma afinação vibram em uníssono, também o augusto Cabeça da Ordem Rosacruz, Christian Rosenkreuz, empresta sua presença nessa solene ocasião, quando a Sede da Fraternidade Rosacruz está tendo início.

O Irmão Maior inspirador deste movimento está presente e visível, pelo menos para alguns de nós. Somando o número dos presentes nesta maravilhosa ocasião, todos diretamente engajados no projeto, temos como resultado o número perfeito, 12. Isto é, há três guias invisíveis que estão além do estágio da Humanidade comum, e nove membros da Fraternidade Rosacruz. Nove é o número de Adão, ou Humanidade. Destes nove membros, cinco (número ímpar masculino) são homens, e quatro (número par feminino) são mulheres. O número três, relativo aos guias invisíveis, apropriadamente representa a Divindade assexuada.

O número dos que atenderam ao convite não foi programado pelo orador. Os convites para tomar parte nesta cerimônia foram enviados a muitas pessoas, mas apenas nove compareceram. E, como não acreditamos no acaso, a presença deve ter sido conduzida de acordo com os desígnios de nossos Guias invisíveis.

Esse sincronismo também revela a força espiritual por trás deste movimento. Como prova evidente desse argumento observemos a extraordinária expansão dos Ensinamentos Rosacruzes. Nos últimos anos disseminaram-se por todas as nações da Terra. Despertam aprovação, admiração e amor nos corações das pessoas da mais variadas classes e condições, especialmente entre os homens.

Enfatizamos isto por ser um fato notável. Todas as outras organizações Religiosas compõem-se majoritariamente por mulheres. Entretanto, os homens são maioria entre os membros da Fraternidade Rosacruz. Também é significativo que os membros da área médica sejam mais numerosos em relação às demais profissões, e em seguida encontram-se os ministros das igrejas. Isso demonstra a crescente conscientização da estreita relação entre desenvolvimento espiritual e saúde. A fraqueza do Corpo reflete a fraqueza da Alma. Muitos estão se esforçando para compreender essas relações e, assim, garantir melhor assistência aos enfermos.

Demonstra que os orientadores espirituais, cuja tarefa consiste em zelar pela saúde das almas, estão também empenhados em socorrer mentes exigentes e inquiridoras. Dessa forma podem recuperar o vigor da fé, por vezes já muito empobrecida, das Mentes inquietas que anseiam por explicações consistentes sobre os mistérios espirituais. Com a razão satisfeita, reafirmam seus laços com a Igreja.

Explicações não sustentadas pela razão, que apelam para máximas inquestionáveis e dogmas inflexíveis, abrem totalmente as comportas para o mar agitado do ceticismo. Afastam aqueles que procuram a luz por meio do porto seguro da Igreja. Lamentavelmente arrasta-os para a escuridão do desespero materialista.

A Fraternidade Rosacruz recebeu o abençoado privilégio de poder atender às necessidades dos irmãos que buscam sinceramente a verdade. Com entusiasmo procuram a luz, guiados pelo intelecto. São incapazes de acreditar por imposição e aceitar explicações incompatíveis com a razão. Mas, quando podem compreender que o conjunto de dogmas e doutrinas apresentadas pela Igreja está em fundamental harmonia com as Leis da Natureza, então, muitos retornaram mais fortalecidos à sua congregação. Enriquecidos pela luz, convertem-se nos melhores e mais ativos membros. Compartilham alegria e entusiasmo com seus companheiros.

Qualquer movimento para perdurar deve possuir três qualidades divinas: Sabedoria, Beleza e Força.

Ciência, Arte e Religião: cada uma possui, por sua natureza, uma dessas correspondentes qualidades. O objetivo da Fraternidade Rosacruz é uni-las em um conjunto harmonioso. A Religião deve ser tanto científica como artística. Todas as igrejas devem se unir numa só grande Irmandade Cristã. Presentemente, o relógio do destino marca um momento auspicioso para o início das atividades da construção da Sede. Então, vamos erigir um Centro visível de onde os Ensinamentos Rosacruzes possam irradiar uma benéfica influência. Seu propósito é elevar o bem-estar de todos que estão moral, mental ou fisicamente enfermos.

Agora, cavemos a primeira pá de terra no local da construção, acompanhada de uma prece pela Sabedoria, para guiar esta grande escola no caminho certo. Sulquemos o solo uma segunda vez, com uma súplica ao Mestre Artista pelo direito de introduzir, aqui, a Beleza da vida superior, de tal maneira a torná-la atrativa para toda Humanidade. Rasguemos o solo pela terceira e última vez, nesta cerimônia, suspirando uma prece pela Força. Para que assim, com serenidade e diligência, sejamos dignos de prosseguir no bom e perseverante trabalho de converter este lugar num prodigioso fator de elevação espiritual, superando o resultado dos seus antecessores.

Já escavado o local do primeiro prédio, continuemos agora plantando o maravilhoso símbolo da vida e do ser, o emblema da Escola de Mistérios Ocidentais. Agora descreveremos seu simbolismo. A cruz representa a matéria. As rosas, envolvendo e rodeando o tronco, sugerem a vida em evolução subindo cada vez mais alto através da cruz.

Cada um de nós, os nove membros, participará deste trabalho de escavação para este primeiro e mais importante elemento distintivo de Mount Ecclesia. Vamos fixá-lo numa posição onde os braços apontem um para Leste e outro para Oeste, enquanto o Sol meridional projeta-o inteiramente em direção ao Norte. Assim, ele estará alinhado com as correntes espirituais que vitalizam as formas dos quatro reinos da vida: mineral, vegetal, animal e humano.

Sobre os braços, na parte superior da cruz, podemos divisar três letras douradas, “C.R.C”, Christian Rosenkreuz, ou Christian Rose-Cross, as iniciais do Augusto Chefe da Ordem.

O simbolismo da cruz está parcialmente elucidado aqui como também em nossa literatura. Mas seriam necessários volumes para dar uma explicação completa. Vamos lançar o olhar para adiante, vejamos o significado da lição oferecida por este maravilhoso emblema.

Quando vivíamos na densa atmosfera aquosa da antiga Atlântida, estávamos submetidos a leis completamente diferentes das que vigoram hoje. Quando deixávamos o corpo, não o percebíamos, pois, nossa consciência estava mais focalizada no Mundo espiritual do que nas densas condições da matéria. Nossa vida não sofria quebras de continuidade: “Não percebíamos nem o nascimento nem a morte”.

Ao emergirmos para as condições aéreas da Época Ária, o mundo atual, nossa consciência do Mundo espiritual desvaneceu-se e a percepção da forma tornou-se mais proeminente. Teve início uma existência dupla. Cada fase bem delimitada e diferenciada. O nascimento e a morte demarcavam seus limites. Numa etapa o espírito vivia em liberdade no reino celestial. Na outra, encontrava-se aprisionado no corpo terrestre. Essa etapa pode ser considerada como a morte virtual do Espírito. Assim está também simbolizado na mitologia grega, nas figuras de Castor e Pólux[52], os gêmeos celestiais.

Já foi elucidado, em diversos pontos de nossa literatura, como o espírito livre ficou emaranhado na matéria pelas maquinações dos espíritos lucíferos. Cristo classificou-os de falsas luzes. Isso ocorreu na ígnea Lemúria. Portanto, Lúcifer pode ser chamado o Gênio da Lemúria.

Os efeitos da intervenção dos Anjos Lucíferos ganharam maior transparência na Época de Noé, abrangendo o final da Época Atlante e o início da presente Época Ária.

O arco-íris não podia ganhar forma sob as condições atmosféricas da Lemúria. Entretanto, inaugurou o céu cristalino da Época de Noé, coloriu o fundo azul e elevou-se acima das nuvens. Imprimiu nas alturas uma inscrição mística proclamando o início dos ciclos alternantes, enchente e vazante, verão e inverno, nascimento e morte. Durante a vigência desta era, o espírito perdeu sua ampla liberdade e devia permanecer confinado num corpo mortal.

Agora os corpos são gerados sob a influência da paixão satânica engendrada por Lúcifer. O espírito empreende repetidas tentativas de regresso à Casa Paterna, no anseio de permanecer no seu verdadeiro lar celestial. Mas é frustrado pela lei dos ciclos alternantes, pois, ao livrar-se de um corpo pela morte será novamente conduzido ao renascimento, quando o ciclo se completar. Engano e ilusão não podem perdurar eternamente.

Nasceu entre nós, então, o Redentor para purificar o sangue cheio de paixão e para pregar a verdade que nos libertará deste corpo de morte. Veio para instaurar a Imaculada Concepção, em harmonia com a evolução dos conhecimentos sobre a ciência genética e a erradicação das deformações físicas. Profetizou uma nova Era, um novo Céu e uma nova Terra, onde Ele, a verdadeira Luz, será o novo Gênio. A Humanidade encontrará a plena realização de seus anseios nessa nova era onde florescerão a virtude e o amor.

Tudo o que dissemos e o nosso caminho evolutivo estão representados na cruz de rosas diante de nós. Na rosa a seiva da vida está inativa no inverno e ativa no verão. Ela bem ilustra o efeito da lei dos ciclos alternantes. A tonalidade da flor e seus órgãos reprodutores lembram o nosso sangue. No entanto, sua seiva flui com pureza e sua semente é gerada imaculadamente, sem paixões.

Quando também alcançarmos tal pureza, tão bem simbolizada, estaremos libertos da cruz da matéria. As futuras condições etéricas do novo milênio já estarão presentes.

A aspiração da Fraternidade Rosacruz é abreviar os dias para celebrarmos a chegada desse feliz momento, quando a tristeza, a dor, o pecado e a morte desaparecerão. Estaremos, enfim, redimidos das fascinantes, porém escravizantes, ilusões da matéria. Despertaremos para a suprema verdade da realidade do Espírito. Que Deus frutifique nossos esforços e antecipe esse dia.

CAPÍTULO XX – NOSSO TRABALHO NO MUNDO – Parte I – (Publicado em maio, 1912)

Observando o progresso dos trabalhos da Fraternidade Rosacruz concluímos que ele não resulta dos esforços exclusivos de alguns membros. Ele é produto do trabalho conjunto dos Irmãos Maiores e de todos os membros da Fraternidade Rosacruz. Na dedicação a essa missão encontramos uma excelente oportunidade para o desenvolvimento da alma.

Não temos o direito de uso exclusivo do alimento espiritual, como não temos o direito exclusivo do alimento material. Devemos dar a todos a oportunidade de cola­borar neste trabalho, seja física, mental ou financeiramente. De acordo com o tempo, talento, aptidão e condições de cada um.

Por outro lado, compreendemos a importância da nossa participação, sem a qual a obra poderá ficar incompleta. Nesse caso seremos servos improdutivos dos Irmãos Maiores. A carga é superior à nossa capacidade de suportá-la. Portanto, para prosperarmos, a Grande Obra necessita de muitos colaboradores. Assim sendo, nesta lição vamos repassar o histórico do trabalho efetivado até hoje. Dessa forma os Estudantes podem vislumbrar uma real perspectiva das linhas do futuro trabalho. Será necessário abusar do pronome “Eu”. Peço aos Estudantes a bondade e a compreensão para serem pacientes comigo neste caso. Ninguém menos aprecia introduzir um elemento pessoal do que o autor, mas no caso presente parece ser inevitável.

Temos deixado claro em nossa literatura, como ensinamento axiomático, que cada objeto no universo visível é a corporificação de um pensamento invisível pré-existente. Fulton[53] construiu um barco a vapor e Bell[54] um telefone. O pensamento criador precedeu os primeiros modelos construídos em madeira e metal. Do mesmo modo, um escritor planeja e idealiza um livro antes de escrevê-lo.

Uma Ordem de Mistérios também deve idealizar e planejar sua filosofia espiritual para suprir as necessidades das pessoas que foi encarregada de servir. Esse trabalho pode levar séculos.

As investigações científicas são realizadas no isolamento dos laboratórios. As conclusões provenientes dos resultados experimentais não são divulgadas até estarem devidamente comprovadas. Esse rigor é necessário para assegurar e promover os avanços no âmbito da ciência. Analogamente os ensinamentos espirituais, destinados a incrementar o desenvolvimento de certo conjunto de almas afins, não são divulgados a todos enquanto não ficar bem demonstrada sua eficácia entre os estudiosos e pesquisadores.

Como as invenções, também as teorias ou projetos passam pelo estágio experimental. A menos que comprovem alguma utilidade, serão rejeitados. Também um ensinamento espiritual deve atingir um ponto de perfeição para ser divulgado e utilizado no trabalho do mundo. Se não for assim, sucumbe. Esse tem sido o método utilizado para divulgar os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental. Foram formulados pela Ordem Rosacruz com o objetivo de encontrar ressonância com a Mente extremamente intelectualizada dos irmãos da Europa e da América.

Há séculos, nosso venerado Fundador elegeu doze Irmãos Maiores para colaborarem com essa obra. Todos, provavelmente, empenharam-se no estudo retrospectivo da evolução histórica das linhas de pensamento do ser humano. Elaboraram um inventário abrangendo, talvez, vários milênios. Dessa forma, consolidaram, com fundamentos, uma concepção apurada da direção que provavelmente assumiriam as Mentes das gerações futuras.  Puderam também antever suas inclinações e necessidades espirituais. Analisando o contexto dentro de diversos ângulos, procuravam identificar os pecados dominantes em nossos dias. Chegavam sempre na inequívoca conclusão: “Orgulho intelectual, intolerância e impaciência diante das limitações e restrições”.

Formularam uma filosofia capaz de satisfazer os apelos do coração e ao mesmo tempo capaz de corresponder aos clamores do intelecto. Enfatizaram a importância do domínio próprio como o melhor meio para vencer as limitações humanas.

Recebemos milhares de cartas de apreço de diferentes cantos do mundo, das altas esferas às camadas mais baixas. Atestam o desejo ardente da alma e a satisfação proporcionada pelos ensinamentos.

Mas, à medida que o tempo passa, daqui a cinquenta anos, talvez um século ou dois, quando as descobertas científicas confirmarem muitas das afirmações contidas no “Conceito Rosacruz do Cosmos”, quando a inteligência da maioria se tornar ainda mais aberta, os Ensinamentos Rosacruzes darão satisfação espiritual a milhões de espíritos que buscam esclarecimento.

Neste caso, percebemos como é indispensável o prudente e criterioso cuidado dos Irmãos Maiores, antes de confiarem tão importante missão a qualquer um. Os ensinamentos serão divulgados apenas em momentos decisivos para as futuras épocas. Como as sementes são plantadas no começo do ciclo anual, também uma semente filosófica, como os Ensinamentos da Rosacruz, deve ser plantada na primeira década do século quando se inicia um novo ciclo. As publicações devem respeitar esses períodos. Se passar o prazo, aguarda-se outro momento oportuno.

O mensageiro dos ensinamentos escolhido em 1905 foi considerado inapto. Então, os Irmãos Maiores se voltaram para mim. Fui testado e aprovado em 1908. Desde então venho recebendo seus ensinamentos. O livro “O Conceito Rosacruz do Cosmos” foi publicado em novembro de 1909, pouco antes do fim da primeira década. Exatamente um ano e um mês antes.

Amigos organizaram o manuscrito original e fizeram um trabalho esplêndido. Entretanto, é claro, ainda era preciso revisá-lo antes de destiná-lo ao trabalho de impressão. Depois li as provas já impressas, corrigi e encaminhei para nova impressão. Tornei a lê-las e os erros foram corrigidos.  Depois de paginadas, li novamente. Dei instruções ao pessoal da gráfica sobre os desenhos e a correta posição de cada um nas páginas no livro, etc.

Levantava-se às seis horas da manhã e trabalhava até o início da madrugada, normalmente entre meia-noite e três horas da madrugada. Assim foi durante semanas. Tudo em meio a confusões intermináveis envolvendo comerciantes e o ruído de Chicago agredindo meus ouvidos. Muitas vezes cheguei ao limite de minha resistência nervosa. Ainda assim consegui concentrar-me e redigi muitos temas novos para o “Conceito”.

Eu teria sucumbido não fosse o apoio dos Irmãos Maiores. Era obra deles e eles me forneceram todo suporte. Minha função era trabalhar até o limite de minhas forças e capacidade, deixando o resto aos cuidados deles. Contudo, eu era quase uma ruína quando essa tarefa se consumou.

Talvez agora todos entendam a minha atitude no que se refere ao “Conceito Rosacruz do Cosmos”. Mais do que ninguém, permaneço extasiado diante de seus maravilhosos ensinamentos, e posso fazê-lo sem falsa modéstia porque o livro não é meu, ele pertence à Humanidade. Inclusive nem parece que fui eu que o escrevi. Sinto-me absolutamente impessoal no assunto. Minha tarefa é cuidar de sua correta publicação e dos direitos autorais com o intuito de protegê-lo contra deturpações.

Contudo, logo que seja possível encontrar depositários responsáveis e competentes, a Fraternidade Rosacruz será incorporada. Todos os meus direitos autorais passarão para a instituição, juntamente com tudo mais que me pertença, pois faz parte do acordo com os Irmãos que qualquer lucro resultante da obra, a ela deve reverter.

Aceitei essa condição voluntariamente. Nem eu nem a Sra. Heindel visamos ganhos materiais. A nós importa somente o suficiente para levar adiante esse trabalho. A abençoada missão é para nós a melhor recompensa. É mais preciosa do que qualquer dádiva material.

Entre algumas opiniões e tolices publicadas sobre a Ordem Rosacruz, destaquemos uma que afirma uma grande verdade: Ela anseia curar os doentes.

Antigas ordens Religiosas acreditavam no flagelo do corpo como meio para se alcançar o desenvolvimento espiritual. Os Rosacruzes, pelo contrário, demonstram o maior zelo por esse instrumento. Um corpo saudável é indispensável para a manifestação de uma Mente sã.

Curar os enfermos e pregar os evangelhos da Era de Aquário são as duas atividades fundamentais para os zelosos seguidores de Cristo, e todos esperam ansiosamente pelo “dia do Senhor”. Com esse espírito norteamos a totalidade do nosso trabalho no mundo.

Os Irmãos Maiores sabem que o abuso da força sexual, estimulado pelos Espíritos Lucíferos, deixa sequelas no corpo. A perversão do amor (luxúria) é responsável por doenças e debilidades. Por isso, o Método Rosacruz de Cura ensina a manter saudável o Corpo Denso. Somente um corpo são pode hospedar uma Mente sadia e um coração pleno de amor puro. A concepção sem mácula proporciona corpos cada vez mais puros e abrevia o advento do Reino de Cristo. Somente a pureza pode libertar o espírito da carne. Lembremos: “A carne e o sangue não podem herdar o Reino dos Céus.”.

Pregar o Evangelho (da próxima Era) é tão necessário quanto Curar os Enfermos. O sistema de cura desenvolvido pelos Irmãos Maiores combina as melhores técnicas e métodos praticados por diversas escolas atuais. Conta com um método de diagnose e tratamento tão exato quanto simples. Assim foi dado um grande passo para elevar e promover o trabalho na área da cura. Como dizem: das areias da experiência às rochas do conhecimento exato.

Na noite de nove de abril de 1910, quando a Lua Nova transitava por Áries, o Mestre apareceu em meu quarto e disse que uma nova década (ciclo) havia começado naquela noite. Na noite anterior, minhas obrigações com o recém-inaugurado Centro da Fraternidade de Los Angeles haviam terminadas.

Viajei e proferi conferências seis noites por semana, além de algu­mas tardes. Depois da experiência em Chicago na época da edição, adoeci e afastei-me do trabalho em público para descansar e recuperar o vigor físico. Tinha ciência dos perigos envolvidos quando abandonava conscientemente meu corpo enfermo. O Éter está muito desvitalizado e o cordão prateado pode romper-se com facilidade. A morte, sob tais condições, causaria os mesmos sofrimentos que o suicídio. Por isso, previne-se sempre o Auxiliar Invisível para permanecer em seu corpo quando este está enfermo. Mas, por solicitação do Mestre, eu ficava de prontidão para os voos da alma até o Templo. Neste ínterim, alguém ficava incumbido de cuidar do meu corpo ainda debilitado.

CAPÍTULO XXI – NOSSO TRABALHO NO MUNDO – Parte II

Como foi exposto anteriormente em nossa literatura, há nove graus dos Mistérios Menores – em qualquer escola – e a Ordem Rosacruz não é exceção. O primeiro deles corresponde ao Período de Saturno e os exercícios correspondentes são realizados no dia de Saturno, aos sábados, à meia-noite. O segundo grau corresponde ao Período Solar, e este rito específico é celebrado aos domingos. O terceiro grau corresponde ao Período Lunar, e é celebrado às segundas-feiras à meia noite; e assim sucessivamente com os restantes sete graus. Cada um corresponde a um Período e tem, por isso, o dia apropriado para a sua celebração. O oitavo grau é celebrado nas noites de Lua Nova e Lua Cheia. O nono grau nos Solstícios de Junho e Dezembro.

Quando um Discípulo se torna um Irmão ou Irmã Leiga, ele, ou ela, é introduzido ao ritual celebrado nas noites de Sábado. A Iniciação seguinte faculta-os assistir os Serviços do Templo, à meia noite dos domingos, e assim por diante.

Note-se que, embora todos os Irmãos e Irmãs Leigas, nos seus corpos espirituais, tenham livre acesso ao Templo durante todos os dias, eles são proibidos de entrar nos serviços da meia-noite nos graus superiores.

O Templo não está sob qualquer vigilância. Não há exigência de palavra-passe para quem desejar entrar. Entretanto, há um muro invisível ao redor do Templo. Impenetrável para aqueles que ainda não receberam o “Abre-te Sésamo”. Cada noite esta muralha é edificada de modo diferente. Por isso se alguém, por engano ou por esquecimento, quiser entrar no Templo quando o grau vibratório da reunião está acima de seu nível, aprenderá uma lição muito pouco agradável: é possível bater a cabeça contra uma muralha espiritual.

Como já foi dito, o oitavo grau oficia-se nas noites de Lua Nova e Lua Cheia. Quem não alcançou esse estágio não está, naturalmente, credenciado para o Serviço da meia-noite, é o caso do autor destas linhas. A elevação de grau depende de mérito, não pode ser comprada. Exigia um desenvolvimento espiritual muito além do que possuo atualmente. Não obstante o meu esforço e aspiração para atingir esse estágio, preciso ainda dedicar-me por muitas vidas.

Portanto, o leitor entenderá que na noite de Lua Nova em Áries em 1910, quando o Mestre veio me buscar, não foi para levar-me àquela exaltada reunião do oitavo grau, mas a outra, de diferente natureza. Além disso, aquela reunião ocorreu à noite, na Alemanha, e eu estava na Califórnia, com outro fuso horário. Portanto, os exercícios da Lua Nova foram celebrados algumas horas antes. Por isso, quando cheguei ao Templo com o Mestre, o Sol já estava alto nos céus.

Entramos no Templo. Depois passei algum tempo numa conversa a sós com o Mestre. Então, ele fez um esboço da missão da Fraternidade. Como porta-voz dos Irmãos, discorreu sobre as diretrizes do movimento.

A nota-chave da missão consistia em evitar a obstrução da liberdade pessoal. Hierarquia e regras são importantes e cheias de boas intenções, mas não devem ser castradoras e nem opressoras. As tentações do poder e da vaidade não podem ser subestimadas. Sistemas rígidos de organização caminham rapidamente para a cristalização e morte.

Portanto, a liberdade de pensar, discernir e escolher é prioritária e deve ser franqueada aos membros da Fraternidade.  Todo membro deve ser encorajado a emancipar-se e conquistar autoconfiança. Se o livre-arbítrio sofrer violência e empalidecer, o objetivo da Ordem Rosacruz estará frustrado.

Leis e estatutos são limitações. Quando realmente houver necessidade, devem conter o menor número possível de regras. O Mestre até pensou na possibilidade de abster-se delas.

Baseados nesse espírito de liberdade, imprimimos em nosso papel timbrado: “UMA ASSOCIAÇÃO Internacional de Cristãos Místicos”.

Notemos que há uma grande diferença entre uma associação, que é inteiramente composta por voluntários, e uma organização que vincula os membros a votos, cargos, promessas, etc.

Os que assumiram o compromisso como Probacionistas na Fraternidade Rosacruz sabem que esse Compromisso é uma promessa a eles próprios e não à Ordem Rosacruz. O mesmo cuidado para assegurar o máximo da liberdade individual evidencia-se em todas as etapas da Escola de Mistérios Ocidental.

Nós não temos Mestres. Quando, eventualmente, empregamos o termo Mestre é por consideração e respeito. Na verdade, Eles são nossos amigos e nossos Professores. Sob nenhuma condição exigem obediência a alguma ordem, nem nos impelem a fazer isto ou aquilo. Quando muito nos aconselham, deixando-nos livres para escolher e decidir.

Posso dizer que esta política de não organizar já está sendo adotada nos centros de estudos em Columbus, Ohio, Seattle, Washington e Los Angeles[55]. Desde então, tenho ido mais além nessa diretriz, tentando divulgar os ensinamentos por meio de uma Sede Mundial, em vez de formar novos centros em diversas cidades.

Em alguns lugares, grupos de Estudantes desejam reunir-se para estudos e elevação espiritual. Para auxiliar nesse propósito, a Sede fornece-lhes toda assistência possível, mas como já foi dito, não tenho mais me empenhado na formação de centros de estudos. Agora deixo os Estudantes decidirem. Dessa maneira sentem-se mais estimulados e emancipam-se com mais rapidez.

Agora abordaremos outro tema fundamental: o inovador Serviço de Cura da Fraternidade. Como vivemos num mundo concreto, vinculados às condições materiais, necessitamos de uma Sede e de um Templo de Cura. A Sede deve ser estruturada em harmonia com as leis do país que a acolhe. Também deve ser coerente com a sociedade onde está inserida. Assim o produto da obra pode ficar disponível para o uso da Humanidade depois que os líderes atuais se tenham desprendido da vida física.

Até aqui não pudemos evitar situações severas onde firmes decisões foram tomadas para viabilizar a criação da Sede, mas a associação deve permanecer livre, sem restrições.

Insistimos na questão da liberdade. Mas, é somente com esse compromisso que poderemos alcançar maior crescimento espiritual e vida mais longa. No entanto, é triste considerar que, embora sejam essas as nossas intenções, chegará o dia em que a Fraternidade Rosacruz terá o mesmo destino de todos os outros movimentos: ficará atada por regras, e a usurpação de poder a conduzirá fatalmente à cristalização e consequente desintegração. Mas é um consolo saber que de suas ruínas surgirá algo maior e melhor. Assim como ela surgiu de outras importantes estruturas que já tiveram sua utilidade e agora estão em vias de extinção.

Depois do encontro com o Mestre, entramos no Templo onde os doze Irmãos estavam presentes. A configuração do ambiente era bem diferente do encontro anterior. Entretanto, não há necessidade de detalhar o local.

É importante descrever a presença de três esferas suspensas, uma sobre a outra, no centro do Templo. A esfera central situava-se exatamente entre o piso e o teto e era a maior delas. As outras duas estavam suspensas uma acima e a outra abaixo da esfera central.

Além da visão física, há outras formas de visão: a etérica ou raio-X; a visão da cor que nos abre o Mundo do Desejo; a visão tonal que revela a Região do Pensamento Concreto. Esse tema está plenamente explanado no livro “Os Mistérios Rosacruzes”.

Meu desenvolvimento da visão espiritual das Regiões do Pensamento Concreto era muito insuficiente até a sucessão de eventos já mencionados. De fato, quanto melhor for a nossa saúde, tanto mais apegados estamos ao Mundo Físico. Isso inibe a faculdade de entrar em contato com as regiões espirituais. Pessoas que dizem: “Não estive doente um único dia em minha vida”, revelam estar perfeitamente sintonizadas com o mundo material e, portanto, menos capacitadas para ingressar nos reinos espirituais.

Essa foi minha situação até o ano 1905. Sofri dores atrozes durante toda a vida, consequência de uma cirurgia na perna esquerda realizada na infância. A ferida não cicatrizava. Quando abandonei alimentos com carne então fiquei curado e a dor desapareceu.

Minha resistência e paciência foram grandes durante todos esses anos e nunca dei demonstrações de sofrimento. Mas, fora isso, gozava fisicamente de perfeita saúde. É interessante notar também que quando eu sofria qualquer acidente e me cortava, o sangue escorria e não coagulava. Em consequência muito sangue se perdia. No entanto, depois de dois anos adotando uma dieta pura e equilibrada, quando acidentalmente fiquei sem uma unha inteira, perdi só umas poucas gotas de sangue e pude escrever à máquina na mesma tarde sem qualquer infecção, e uma nova unha logo cresceu.

A edificação da parte espiritual da nossa natureza produz, muitas vezes, distúrbios em nosso Corpo Denso. Este fica muito mais sensível às condições do ambiente e, portanto, o resultado pode ser um esgotamento. A resistência física me conservou de pé por meses. Chegou o momento em que o descanso era necessário, porém isso não foi possível e ultrapassei o limite das minhas forças. Sobreveio o esgotamento total, fui conduzido às portas da morte.

A morte definitiva consiste na irreversível ruptura do laço entre o Corpo Físico e os Corpos sutis. Na aproximação desse estado especial de transição, na iminência de ocorrer o desligamento da matéria, podemos receber instruções sobre a ciência de retirar-se do corpo. Goethe, o grande poeta alemão, recebeu sua primeira Iniciação quando seu corpo se achava debilitado e à beira da morte.

Quando fui abatido pela enfermidade, ainda não havia progredido o suficiente no caminho espiritual. Mas a dedicação aos estudos, aspirações e um exercício praticado por muito tempo, e que naquela época acreditava tê-lo inventado, mas agora já sei, vem de tempos remotos, contribuíram para que pudesse abandonar o meu corpo por um curto espaço de tempo e regressar logo em seguida. Não sei como fazia isso, e nem podia fazê-lo voluntariamente. Contudo, isso não vem ao caso.

Um ponto relevante deve ser ressaltado. A saúde perfeita é necessária antes de conseguirmos equilíbrio no Mundo espiritual. Entretanto, quanto mais forte e vigoroso o instrumento, tanto mais drástico será o método para debilitá-lo. Em decorrência, as condições de saúde oscilam durante anos até atingirem o devido ajuste.  Assim, aprendemos a conservar a saúde enquanto estamos ativos no Mundo Físico e, ao mesmo tempo, adquirimos a capacidade de atuar nos reinos superiores.

Assim aconteceu comigo. A sobrecarga de trabalho tanto físico como mental, sem trégua até hoje, tem deixado o meu instrumento físico longe de um estado saudável. Amigos alertam-me e tenho tentado considerar suas admoestações. Mas, o trabalho urge e deve ser executado. Enquanto não houver suficiente ajuda, sou obrigado a continuar, apesar da saúde. Em todos os aspectos a Sra. Heindel tem sido uma companheira inestimável.

No entanto, desenvolvi uma capacidade crescente de atuar no Mundo espiritual, mesmo com a saúde precária. Como já afirmei, na ocasião dos principais acontecimentos aqui narrados, minha visão tonal era mediana e principalmente limitada às subdivisões inferiores da Região do Pensamento Concreto. Uma pequena ajuda dos Irmãos naquela noite permitiu-me entrar em contato com a quarta região, o lar dos arquétipos. Lá compreendi as lições relativas ao mais alto elevado ideal da Fraternidade Rosacruz e, também, sobre sua missão na Terra.

Pude ver nossa Sede e uma multidão de pessoas vindas de todas as partes do mundo para receber seus ensinamentos. Pessoas também de lá saiam para levar lenitivo aos aflitos próximos e distantes.

Neste mundo é necessário dedicar um bom tempo investigando e estudando para se adquirir conhecimento sobre qualquer assunto. Mas, na Região Arquetípica do Mundo do Pensamento, a voz de cada arquétipo transporta consigo a rica emissão de conteúdos daquilo que ele representa. Ao mesmo tempo ele carrega de impressões a consciência espiritual. Portanto, nessa noite recebi um entendimento muito além do poder de expressão das palavras.

O mundo em que vivemos é regido pelo ritmo do tempo. Enquanto no reino superior dos arquétipos tudo é um eterno agora. Os arquétipos não revelam seu conteúdo numa sucessão de fatos ao longo do tempo, tal como uma história é narrada aqui. Eles imprimem sobre a consciência uma concepção instantânea e completa da ideia em questão. Com clareza e consistência muito superior a qualquer pormenorizada narrativa. Não ousei mencionar esses fatos na ocasião em que ocorreram. Dedicarei o próximo capítulo a essa tarefa.

CAPÍTULO XXII – NOSSO TRABALHO NO MUNDO – Parte III

Relembremos importante tema dos Ensinamentos Rosacruzes: “A Região do Pensamento Concreto é o reino do som”. É o lar da música celestial, da harmonia das esferas.  Esse oceano sonoro envolve e interpenetra tudo e todos, assim como a atmosfera da Terra circunda e envolve todas as coisas terrestres. Nessa região tudo que existe está banhado e impregnado de música, tudo vive e cresce pela música. A PALAVRA de Deus ressoa e modela os diversos protótipos de todas as coisas corporificadas na dimensão terrestre.

No piano, cinco teclas pretas e sete brancas formam a oitava. Além dos sete Globos nos quais evoluímos durante um Dia de Manifestação, existem cinco Globos escuros pelos quais atravessamos durante as Noites Cósmicas. Em cada ciclo de vida e por algum tempo, o Ego recolhe-se no mais denso destes cinco, o Caos, o mundo sem forma onde nada permanece. Apenas os centros de força conhecidos como Átomos-sementes prosseguem. No começo de um novo ciclo de vida, o Ego desce novamente até a Região do Pensamento Concreto, onde a “música das esferas” sincronicamente coloca em vibração os Átomos-sementes.

Há sete esferas. São os sete Planetas de nosso Sistema Solar. Cada Planeta tem sua nota-chave e emite um som particular, diferente de todos os demais. Os tons de todos os Planetas participam na construção de um organismo completo. Entretanto, um deles vibra em singular consonância com os Átomos-sementes do Ego durante o processo de renascimento. Então, esse Planeta corresponde à nota “tônica” da escala musical. É o Astro mais harmonioso para esse Ego. É o regente da nova vida em formação. É sua Estrela Guia. As vibrações sonoras dos demais Astros adaptam-se à frequência sonora dessa nota tônica ou nota-chave.

Como na música terrestre, na celestial há harmonias e dissonâncias. A música entoada pelos Astros reverbera nos Átomos-sementes e direciona a construção do arquétipo dos corpos em vias de encarnar. Assim se formam as linhas vibratórias de força. Essas linhas atraem e organizam as partículas físicas durante a vida. Acontece algo semelhante quando um arco de violino coloca em vibração partículas minúsculas espalhadas sobre um prato de latão. Podemos ver a formação de figuras geométricas.

O Corpo Denso é gradualmente formado segundo as linhas arquetípicas definidas por um conjunto de vibrações. O Corpo Denso é a fiel expressão da harmonia das esferas, modelado conforme as melodias entoadas durante o período de sua construção.

Este período, contudo, é muito mais longo do que o período real da gestação, e varia de acordo com a complexidade da estrutura requerida pela vida em busca de manifestação física.

Tampouco o processo de construção do arquétipo é contínuo. Existem acordes inacessíveis aos diapasões vibratórios dos Átomos-sementes, sons que eles ainda “não sabem ouvir” e, portanto, não podem entrar em ressonância com eles. Quando os Aspectos Astrais entoam esses acordes “incompreensíveis”, o arquétipo simplesmente permanece em compasso de espera e “sussurra” os acordes que já foram incorporados na sua estrutura. Conforma-se em aguardar os sons dos acordes coerentes com o projeto de construção dos órgãos necessários à sua própria expressão.

Concluindo, os organismos terrestres são formados segundo linhas vibratórias produzidas pela música das esferas. Habitamos um corpo composto por órgãos. Cada órgão está associado a um Astro ou vibração sonora.

Estamos em condições de bem compreender que as enfermidades são, na verdade, manifestações de dissonâncias ou desarmonias sonoras, cuja causa, provém primeiramente de uma desarmonia espiritual interna.

Há um fator notável para nós. Se conhecermos com exatidão a causa direta da desarmonia, podemos saná-la. Fica evidente que a manifestação física da doença em breve desaparecerá.

Todavia, é justamente esta a preciosa informação dada pelo horóscopo de uma pessoa. Cada Astro, ocupando uma casa terrestre e Signo celeste, expressa harmonia ou discórdia, saúde ou doença. Portanto, todos os métodos de cura são eficazes apenas na proporção em que levam em consideração as harmonias e discordâncias estelares manifestadas na roda da vida, o horóscopo.

Em circunstâncias normais as Leis da Natureza governam os reinos inferiores com pleno poder. Não obstante, há leis superiores relativas aos reinos espirituais. Em determinadas circunstâncias as leis superiores podem suplantar as inferiores. Por exemplo, a lei superior do perdão dos pecados. O reconhecimento dos erros, acompanhado de sincero arrependimento, pode suplantar a inferior e severa lei: olho por olho e dente por dente.

Quando Cristo veio em missão ao nosso Planeta, curava os enfermos. Sendo Ele o Senhor do Sol, incorporou em Si mesmo a síntese das vibrações estelares, como a oitava incorpora todos os tons da escala. Ele pôde, portanto, emitir de Si a correta influência planetária corretiva requerida em cada caso. Sentia a desarmonia e imediatamente sabia como equilibrá-la graças ao Seu elevado desenvolvimento. Não necessitava de preparação adicional e obtinha resultados instantâneos. Substituía a dissonância planetária, a causa da doença, pela harmonia correspondente. Apenas num único caso Ele recorreu às leis superiores e disse: “Levanta-te, teus pecados estão perdoados.”.

Do mesmo modo, o Serviço de Auxílio de Cura da Fraternidade Rosacruz emprega métodos baseados nas dissonâncias astrais. Desse modo, constata-se as causas das doenças e aconselha-se as medidas corretivas para curá-las. Esse procedimento tem sido suficiente, e eficaz, em todas as solicitações de cura recebidas até hoje.

Contudo, existe um método mais poderoso e acessível que, sob uma lei superior, pode acelerar a recuperação nos casos mais crônicos e demorados. Em determinadas circunstâncias, quando existe o reconhecimento sincero e profundo do erro, podemos até erradicar uma futura doença sentenciada pelo frio e inflexível destino.

Quando observamos com a visão espiritual algum enfermo, esteja seu Corpo Denso debilitado ou não, torna-se claro para o Clarividente a fragilidade dos veículos mais sutis. Em relação ao estado normal de saúde eles estão muito mais debilitados e, consequentemente, não conseguem transferir a dosagem necessária de vitalidade para o Corpo Denso. Portanto, por falta de revitalização, o Corpo Denso perde vigor.

No entanto, conforme o estado de abatimento de todo Corpo Denso, determinados centros ficam obstruídos na proporção da gravidade da doença. Segundo o grau de desenvolvimento espiritual da pessoa, esses centros também ficam com a saúde fragilizada.

Isto acontece principalmente no centro principal situado entre as sobrancelhas. Nesse local está enclausurado o espírito. Em alguns casos está tão aprisionado, com a consciência totalmente voltada para sua débil condição, que perde contato com o mundo exterior. Nesse caso, somente a completa ruptura do Corpo Denso poderá libertá-lo. Mas pode ser um processo demorado.

No decorrer do tempo, a desarmonia planetária causadora do início da doença, vai diminuindo até desaparecer. Mas o sofredor crônico é incapaz de aproveitar novas influências. Em tais casos, é necessária uma efusão espiritual especialíssima para levar a mensagem à alma: “Teus pecados estão perdoados.”. Quando isso for ouvido, a pessoa poderá responder à ordem: “Toma tua cama e anda.”.

Ninguém da presente Humanidade pode sequer comparar-se à estatura de Cristo, consequentemente, ninguém pode exercer Seus poderes em casos tão extremos. No entanto, a necessidade desse poder em ativa manifestação está presente tanto hoje quanto a dois mil anos atrás.

O espírito envolve e impregna nosso Planeta. Em diferentes dimensões permeia a tudo e a todos, do centro até a superfície da Terra. Tem maior afinidade por algumas substâncias do que por outras. Sendo uma emanação do Princípio de Cristo, é o Espírito Universal compondo o Mundo do Espírito de Vida que restaura a completa harmonia de todo corpo.

Uma substância foi mostrada ao autor no Templo dos Rosacruzes na noite memorável já mencionada. O Espírito Universal combinava-se e unia-se a essa substância de maneira simples e rápida. Tal como o amoníaco interage com a água.

Dentro da grande esfera central, mencionada em lição anterior, havia um recipiente menor contendo vários pacotes repletos dessa substância. Quando os Irmãos se colocaram em determinadas posições, e a harmonia emprestada por uma música já havia preparado o ambiente, repentinamente os três Globos começaram a brilhar nas três cores primárias, azul, amarelo e vermelho.

O recipiente, contendo os já mencionados pacotes, tornou-se luminoso durante a entoação das fórmulas mágicas.  Para a visão do autor ficou evidente a ação de uma essência espiritual que antes não se encontrava lá. Em seguida os Irmãos empregaram essa essência espiritual no Serviço de Cura. O êxito foi instantâneo. As partículas cristalizadas, que envolviam os centros espirituais do paciente, dissiparam-se como por mágica, e o doente despertou sentindo o restabelecimento da saúde e o bem-estar físico.

Nota: Os quatros artigos seguintes são transcrições de manuscritos de Max Heindel. Não haviam sido publicados antes de sua morte. Foram publicados na revista “Rays From the Rose Cross”.

CAPÍTULO XXIII – CONDENAÇÃO ETERNA E SALVAÇÃO

Na Fraternidade Rosacruz foram ministradas, durante a semana, certo número de palestras. Nelas o lado intelectual de nossa natureza predominou. Mas, o culto de domingo à noite, incluindo a pregação, destinou-se ao coração.

O objetivo da Fraternidade Rosacruz é unir o intelecto com o coração. Portanto, as palestras dos domingos devem ser destinadas a ressaltar o lado do coração, deve tocar as suas cordas.

O coração precisa de mais alimento do que o intelecto. Na atual civilização somos muito propensos a encarar tudo pelo aspecto intelectual. Sempre buscamos explicações para os problemas de interesse apenas da Mente. As emoções e os sentimentos mais profundos padecem de esquecimento.

Durante a exposição, o orador deve esforçar-se para encaminhar a alma do ouvinte para um estado de reflexão e meditação cujo núcleo seja o coração. As exortações devem estimular mais o coração do que a Mente. Uma atmosfera devocional envolve e beneficia tanto o orador como a plateia.

Durante a semana passada, o Irmão Maior, que tem sido o Professor do orador, pediu que a palestra do último domingo fosse proferida de outra forma. Assim, revisamos o aspecto dos ensinamentos filosóficos que, atualmente, requer maior atenção.

A Fraternidade Rosacruz é uma escola preparatória visando capacitar os Estudantes para trabalhos nos planos superiores. Se olharmos para o ser humano como ele é agora, teremos apenas uma visão parcial dele, pois ele, como tudo o mais, está em contínua transformação.

Movimento, adaptação e transformação estão sempre presentes em qualquer forma de vida. Portanto, se desejamos progresso contínuo, devemos nos inspirar nos exemplos da vida.

É necessário dirigirmos os olhos de nossa Mente para o futuro. Assim, poderemos saber o que nos espera. Também é necessário o esforço para viver de forma coerente com nossos ideais. Dessa forma podemos realizar as transformações exigidas enquanto há tempo.

Quando atingimos um ideal, ele deixa de ser um ideal. Houve uma época na qual comíamos carne. Obtínhamos tal alimento por meio de uma tragédia, tirando alguma vida. Resolvemos eliminar esse hábito cruel apoiados no ideal do vegetarianismo. Em pouco tempo podemos alcançar esse ideal. Portanto, o alimento de origem vegetal deixou de ser um ideal, pois já foi alcançado.

Também há ideais muito distantes, entretanto necessários à vida espiritual. Mas, devemos lutar para alcançá-los no tempo devido, estimular e praticar o melhor em nós.

Vamos agora discorrer sobre um assunto conhecido na Igreja como “condenação eterna e salvação”. Será possível evitar essa terrível sina? Naturalmente, em algumas pregações já sentimos a ameaça do inferno pairar sobre nossas cabeças. Os líderes Religiosos evocam a questão da salvação, falam aos fiéis sobre a urgência de meditarem sobre suas vidas no sentido de evitarem a condenação eterna.

Muitos questionam tal doutrina. Não aceita a ideia do tormento eterno, muito menos a ideia de um Deus tirano e inclemente. Decepcionados, afastam-se da Igreja e se voltam para outros sistemas Religiosos ou filosóficos.

Alguns abraçam as Religiões do Oriente. Preferem a ideia da reencarnação, da continuidade da vida, onde o ser humano evolui por meio de ciclos sucessivos até se tornar um deus. Entendem que os seres evoluem na infinitude do tempo e, por isso, não há urgência nem necessidade de grandes esforços. Com a mentalidade “orientalizada”, entram em desarmonia com o ritmo progressista do Ocidente.

Ao Mundo Ocidental foi dada a doutrina que ensina a “condenação eterna e a eterna salvação” e, embora não acreditemos nisso da maneira ortodoxa e literal, não obstante, há uma grande verdade nessa doutrina.

A sua compreensão inteligente depende da origem da palavra “eterna”. Se nos reportarmos à Bíblia grega, encontraremos a palavra “aionian”. Procurando no dicionário encontramos seu significado: “que dura séculos; por um ilimitado período de tempo”. A Epístola de São Paulo a Filemon, onde ele fala do retorno do escravo Onésimo, diz: “Se ele se apartou de ti por algum tempo, foi sem dúvida para que o pudesse reaver para sempre (aionian).”[56]. Nem Onésimo nem Filemon eram imortais, portanto, “aionian” só pode significar uma parte da vida, e não a eternidade. Portanto, “eternidade” não tem o sentido que lhe foi atribuído. Mas, qual o seu significado?

Podemos aprender muito quando observamos o mundo ao nosso redor. Contemplamos a evolução das criaturas e reconhecemos um perpétuo progresso. O espírito em contínua peregrinação desde o barro até Deus. Nesse caminho evolutivo o espírito passa por muitos estágios e, também, por períodos de descanso antes de prosseguir.

Conforme ensina a Filosofia Rosacruz a Humanidade atravessou por Épocas e Períodos de Evolução. Na última parte da Época Lemúrica houve a primeira separação real dos seres humanos. Nessa Época havia um “povo escolhido”. A essa “seleta coletividade” pertenciam às pessoas que apresentavam um especial refinamento na constituição do Corpo de Desejos. Quem possuísse matéria de desejos de qualidade superior tinha alcançado o nível de evolução suficiente para o Ego, ou Espírito Humano interpenetrar seus veículos. Esses pioneiros converteram-se em seres humanos tal como os conhecemos hoje.

Assim surgiu a primeira raça. Depois, gradualmente, outras raças surgiram. A saber, sete durante a Época Atlante e cinco na Época Ária, a atual. Haverá mais duas na Época Ária e uma na Sexta Época. Em seguida as raças desaparecerão.

Enquanto se efetua este processo de evolução, um vastíssimo grupo de espíritos vem continuamente progredindo de estágio em estágio, não obstante, muitos atrasados ficam pelo caminho. Mesmo quando ainda não éramos conscientes, alguns não acompanhavam o ritmo, não eram tão adaptáveis como os outros, mostravam-se inaptos para dar o passo seguinte na evolução. Chegamos agora no estágio onde o ritmo das mudanças é mais acelerado, onde o tempo de existência entre duas raças é mais curto do que antes. Assim, os Irmãos Maiores, de forma justificável, classificam as dezesseis raças como “os dezesseis cami­nhos da destruição”.

Aqui temos a nossa lição. Há uma passagem decisiva de uma raça para a seguinte. Cabe a cada um de nós efetuá-la. Estamos caminhando através das raças desde a Época Lemúrica. Peregrinamos pelas sete raças Atlantes. Enfim chegamos à primeira das raças Arianas.

Estamos acompanhando o contínuo processo evolutivo. Realizamos as passagens entre as Etapas e as Épocas com êxito. Superamos os desafios e evitamos os atrasos, embora muitos de nossos irmãos foram divididos e separados em raças menos avançadas. Assim, podemos afirmar, alcançamos a salvação.

É exatamente como as crianças na escola. Progridem desde o jardim da infância até a universidade. Algumas são reprovadas e obrigadas a ficar para trás, repetem as lições não assimiladas no ano anterior. Mas, uma nova oportunidade lhes é dada. Sempre alguns Egos ficam para trás e outros, mais diligentes, seguem à frente.

Coloco esta questão para o leitor e para mim, para ser respondida esta noite. Vamos ficar entre os atrasados ou vamos evoluir como devemos e podemos? Tendo recebido esta maravilhosa doutrina e conhecido a excelsa verdade da continuidade da vida, não podemos hesitar e dizer para nós mesmos: “Temos muito tempo. Não acreditamos na condenação eterna. Seremos todos salvos no devido tempo”.

Todavia, alguns conseguirão com antecipação e outros ficarão para trás. A questão é: seremos nós uma ajuda ou um obstáculo para a raça?

Atualmente encontramo-nos entre os pioneiros no panorama do Mundo Ocidental. Nossa filosofia expõe os mistérios da vida e da morte como nenhuma outra. Vamos praticá-la de forma coerente e digna, concentrando esforços para sermos exemplos vivos no exercício do quotidiano?

A maneira como vivemos importa mais do que nossas crenças. Não é só uma questão de fé, mas é demonstrar a nossa fé através das obras. De fato, praticamos nossos ideais no dia a dia? As pessoas ao nosso redor, a nos observar, veem exemplos do que devem ou não devem ser.

Ouvimos estes ensinamentos todos os domingos, refletimos sobre as lições da vida, meditamos sobre a palavra “servir”. No entanto, estamos vivendo de acordo com esse ideal? Estamos servindo no mundo? Saímos pelo mundo praticando estes princípios e vivendo uma vida em concordância com os ensinamentos ministrados aqui? Nenhum de nós pode afirmar que dá o melhor de si e está plenamente satisfeito consigo. Na verdade, deixamos muito a desejar. Então, perguntamos: “Esse ideal é muito elevado?”. Não, não é. Há uma maneira pela qual podemos viver melhor dia após dia, e vamos mencioná-la.

Os Estudantes e leitores que não praticaram ainda os exercícios recomendados em nossos livros, devem seriamente pen­sar em fazê-lo. Eu os aconselho a começar, porque se sentimos em nós mesmos algum crescimento, seja ele notado ou não pelo mundo a nossa volta, o progresso sempre existe.

Diariamente devemos examinar nossos pensamentos e ações. Assim, individualmente homens e mulheres, conquistam uma vida melhor, enobrecendo o caráter e purificando a alma. Os dois exercícios Rosacruzes[57] não são difíceis e requerem muito pouco tempo. Não devemos empregar o tempo legitimamente destinado ao trabalho para nosso próprio desenvolvimento. Isto seria tão errado como tirar o pão da boca das pessoas da família e comê-lo. Todo e qualquer egoísmo deve ser evitado. O esforço deve estar focado no aprimoramento constante e diário. Deve imprimir maior capacidade para irradiar vida mais abundante sobre a Fraternidade.

Os Probacionistas dedicados à prática dos exercícios identificam-se com os Ensinamentos Rosacruzes. Donde podem exercer uma influência mais proveitosa e intensa em relação à ausência da prática. Portanto, torno a insistir, e não repetiria se não fosse uma recomendação especial, todos devem iniciar a prática destes exercícios. Esforcem-se por viver de acordo com eles. Somente vivendo uma vida superior estaremos, de fato, preparados para o progresso vindouro.

Durante o trânsito do Sol por um novo Signo do Zodíaco, a Humanidade recebe renovado impulso espiritual. Esse impulso deve encontrar um canal por onde fluir. Esse canal deve estar preparado e capacitado para vibrar em harmonia com o impulso recebido. Não havendo pessoas devidamente preparadas para receber e transmitir essas vibrações, os ensinamentos relacionados com esse impulso espiritual ficam impossibilitados de chegar até nós.

Sabemos como durante estes passados mil e novecentos anos, a segunda vinda de Cristo tem sido esperada. Como no tempo dos Apóstolos, alguns esperavam Sua vinda e achavam que Ele viria fundar um reino mundano na Terra. Como no passado, também nos tempos de agora encontramos pessoas esperando Sua vinda, retornando como um ser humano. Mas, como disse Angelus Silesius[58]:

“Ainda que Cristo nascesse mil vezes em Belém

Se não nascer dentro de ti,

tua alma seguirá extraviada.

Em vão olharás a Cruz do Gólgota,

A menos que dentro de ti,

ela seja novamente erguida.”.

Como um diapasão afinado em determinada vibração começará a soar quando outro do mesmo tom for tocado, assim também ocorrerá conosco. Quando estivermos afinados com as vibrações de Cristo, seremos capazes de expressar o amor por Ele ensinado. Devemos demonstrar esse amor por meio do nosso serviço todos os domingos à noite. Enquanto não vivermos à altura desse amor e reconhecermos o Cristo interno, não poderemos ver o Cristo externo. Por isso, vamos rever o pequeno poema:

“Não desperdicemos nosso tempo

ardentemente desejando

feitos brilhantes, mas impossíveis;

Não fiquemos indolentemente esperando

o nascimento de asas angelicais visíveis.

Não desperdicemos as pequenas luzes brilhando,

pois nem todos podem ser uma estrela reluzente;

Mas vamos realizar nossa missão,

iluminando a escuridão,

irradiando luz com nossa presença.”.

CAPÍTULO XXIV – O ARCO NAS NUVENS

Devo dar algumas explicações preliminares, algumas razões por que a matéria contida no “O Arco nas Nuvens” é levada ao conhecimento do leitor. Recentemente ditei o manuscrito de um livro que estou, desde então, revisando. Durante o ditado surgiram alguns pontos para serem investigados. Um deles refere-se à força vital que penetra no corpo através do baço. Investigando, descobri que essa força se manifesta em diferentes cores. Além disso, ela opera de maneira diversa nos vários reinos da vida. Há muito ainda para ser investigado antes de trazer a informação ao público.

Um amigo, ao ler parte do manuscrito, mandou buscar, em sua biblioteca em Seattle, um livro publicado há mais ou menos quarenta anos atrás chamado “Princípios de Luz e Cor” por Edwin D. Babbitt[59]. Consultei esse livro e achei-o muito interessante, escrito por um homem dotado de clarividência. Depois de estudar o livro por uma hora fiz novas investigações. O tema ganhou mais clareza. É um assunto sério e profundo, pois, a própria vida de Deus parece estar incorporada nessas cores.

Entre outras coisas, remontando à Memória da Natureza no que se refere à luz e à cor, cheguei ao ponto onde não existia a luz, como foi descrito no Livro “Conceito Rosacruz do Cosmos”. Depois segui os diferentes estágios da formação dos Astros até o momento em que o arco-íris foi visto entre as nuvens. Fiquei tão impressionado com essa investigação que minha devoção cresceu.

A Bíblia afirma que “Deus é Luz”, e nada nos pode revelar a natureza de Deus tão claramente como esse símbolo. Se um Clarividente voltasse para o passado distante e obscuro, e olhasse para esse Astro na época da sua formação, vê-lo-ia como era no princípio, uma nuvem escura, informe, surgindo do Caos. Depois veria essa nuvem de substância virgem transformada em luz pelo Fiat Criador: foi sua primeira manifestação visível, uma luminosa névoa de fogo.

Em seguida, houve uma época na qual a umidade se acumulou ao redor dessa névoa de fogo e, mais tarde, culminaria o Período conhecido como o Período Lunar. Mais tarde ainda, viria o estágio mais escuro e mais denso chamado Período Terrestre.

Na Época Lemúrica, a primeira incrustação da Terra começou quando a água fervente, em ebulição, foi evaporada. Quando a água ferve e referve, deixa uma marca na chaleira. De maneira semelhante, a ebulição da umidade externa da bola ígnea da Terra formou uma crosta dura. Assim já estava constituída a superfície da Terra.

Com referência à época seguinte, a Bíblia diz que não chovia na Terra, mas havia uma névoa elevando-se dela. Naquela época, fluía da terra úmida uma névoa, envolvendo-a completamente. Portanto, era impossível ver a luz do Sol, como a vemos hoje. O Sol tinha a aparência de um arco de luz numa noite escura. Ao redor dele havia uma aura.

No início da Época Atlante, nós vivíamos nessa atmosfera nebulosa. Mais tarde, a temperatura foi gradativamente caindo e a umidade foi-se condensando em água. Por fim, uma chuva contínua forçou os Atlantes a abandonarem seus domínios territoriais. Foi o decisivo episódio conhecido por dilúvio, como assinalam as vá­rias Religiões.

Quando essa atmosfera nebulosa ainda envolvia a Terra, era impossível a formação do arco-íris. Geralmente esse fenômeno ocorre quando há uma atmosfera clara em certos lugares e nuvens em outros. Então, chegou a Época na qual a Humanidade contemplou o arco-íris pela primeira vez. Quando vi esta cena na Memória da Natureza fiquei maravilhado.

Alguns refugiados foram compelidos a sair da Atlântida. Esse antigo continente está hoje parcialmente submerso no Oceano Atlântico. Porém, abrange também a Europa e a América dos dias atuais. Esses refugiados foram guiados para o Leste até atingir um lugar elevado onde a atmosfera estava parcialmente clara. Lá viram, acima de suas cabeças, o céu claro. De repente, apareceu uma nuvem, e dessa nuvem saiu um relâmpago. Ouviram o reboar do trovão.

Como sobreviveram às enchentes graças a orientação de um guia, reverenciado como Deus, então, se voltaram para Ele perguntando: “O que foi isso? Vamos ser, enfim, destruídos?”. O Guia apontou para o arco-íris na nuvem e disse: “Não, pois enquanto esse arco estiver na nuvem, assim também as estações se seguirão umas às outras, em sucessão ininterrupta”. E o povo, com grande admiração e alívio, contemplou esse arco promissor.

Quando consideramos o arco como uma das manifestações da Divindade, podemos aprender algumas lições maravilhosas no domínio da devoção. Quando ficamos atemorizados diante do relâmpago e do trovão, o arco-íris no céu deve provocar sempre no coração humano uma admiração pela beleza de sua composição de sete cores. Não há nada que se compare a esse arco maravi­lhoso, e gostaria de chamar a atenção para alguns fatos físicos referentes a ele.

Em primeiro lugar, o arco-íris nunca aparece ao meio-dia. Ele ocorre quando o Sol já atravessou mais da metade da distância desde o zênite até o horizonte. Quanto mais próximo do horizonte o Sol estiver, maior, mais claro e mais belo ele será. Jamais aparece num céu sem nuvens. Normalmente tem como fundo uma nuvem escura e sombria.

Só podemos vê-lo quando damos as costas ao Sol. Não podemos olhar em direção ao Sol e, ao mesmo tempo, ver um arco-íris. Quando levantamos os olhos para o arco, ele aparece como um semicírculo acima da Terra e de nós. Quanto mais alto estivermos, mais ampla visão teremos dele. Nas montanhas, quando atingimos uma altura suficiente acima do arco, podemos vê-lo como um círculo sétuplo. Sétuplo como a Divindade da qual é a manifestação.

Com esses fatos físicos diante de nós, consideremos a interpretação mística do assunto. Na vida comum, quando estamos no apogeu da atividade física, quando a prosperidade está no seu máximo, quando tudo parece brilhante e claro, então, não temos necessidade da manifestação da luz e da vida divina. Não temos necessidade desse acordo firmado por Deus com o ser humano, desde sua entrada na Época Ária. Não há razão alguma para dar importância a uma vida superior. O barco da vida navega num mar de rosas. Não há motivo para preocupações e este mundo provê todas as necessidades. Os assuntos relativos ao além não interessam no momento.

Mas, de repente, surge a tempestade. Tristezas e aborrecimentos lançam uma cortina sombria sobre nós. A borrasca do desastre rouba-nos o conforto material. Muitas vezes somos forçados a encarar a solidão, imersos num mar de sofrimentos.

Nesse momento, quando desviamos nossa atenção do Sol da prosperidade material e olhamos para a vida superior, veremos sobre a nuvem escura do desastre, o arco colorido indicando o pacto entre Deus e a Humanidade. Assim fica evidente que sempre podemos entrar em contato com a vida superior.

Contudo, é preciso lucidez e cautela. Precisamos decidir com propósitos bem delineados. Pois, talvez não seja o momento certo. Necessitamos de condições materiais para levar uma vida digna, mesmo sendo modesta. A vida material prospera melhor quando não estamos em contato muito íntimo com a vida elevada.

Todavia, para evoluir, progredir e aspirar a um estado cada vez maior de espiritualidade, devemos, vez por outra, sofrer inquietações e sofrimentos na carne. Dessa forma, entrarmos em maior sintonia com a vida superior. Quando encararmos o sofrimento e as tribulações como um meio para atingir esse fim, então, as desgraças transformar-se-ão nas maiores bênçãos já recebidas.

Quando não temos fome, que nos importa o alimento? Mas, quando estamos famintos e temos diante de nós um alimento, não importa quão insignificante seja, ficamos muito agradecidos por ele.

Dormindo bem todas as noites, não podemos avaliar quão privilegiados e abençoados somos. Mas, quando insones, noite após noite, desejando ardentemente conciliar o sono com o descanso correspondente, reconhecemos o seu devido valor.

Quando gozamos de boa saúde e não sentimos dor ou qualquer mal afligindo o corpo, esquecemos a existência e o significado da dor. No entanto, quando nos restabelecemos de uma doença ou depois de um grande sofrimento, avaliamos bem as bênçãos da saúde.

No contraste entre os raios do Sol e a escuridão da nuvem, vemos o arco acenando para uma vida superior. Nesse momento especial estamos em melhores condições de aceitar o convite do arco-íris.

Muitas pessoas preocupam-se com ninharias. Isto me faz lembrar uma história, recentemente publicada num de nossos jornais. Um rapaz subiu numa escada. Enquanto subia olhava para cima. Encontrava-se em tal altura que uma queda seria morte certa. De repente parou e olhou para baixo. Ficou imediatamente tonto. Pois, quando olhamos para baixo, já a uma elevada altura, ficamos tontos e assustados. Mas, alguém acima dele chamou-o e disse: “Olhe para cima, garoto. Suba até aqui e eu ajudarei você”. Ele olhou para cima, e imediatamente a tontura e o medo desapareceram. Então, continuou subindo até ser apanhado por alguém que o aguardava em uma janela.

Vamos olhar para cima. Manter o vigor na subida e abandonar os pequenos tropeços da vida. Contemplemos o arco da ESPERANÇA que está sempre enfeitando as nuvens. Quanto mais nos esforçamos por viver a vida superior e alcançar as alturas sublimes em direção a DEUS, mais veremos o arco da paz tornando-se um círculo e haverá tanta paz aqui embaixo como lá em cima.

É nosso dever realizar o trabalho que nos cabe nesse mundo. Oremos para nunca nos esquivarmos dele. Ainda assim temos um dever para com a vida superior. Este é o propósito das reuniões aos domingos à noite. Unindo nossas aspirações, avançaremos em direção às alturas espirituais.

Devemos lembrar que todos trazem dentro de si uma força espiritual latente. Ela é superior a qualquer poder no mundo. Como ainda não está disponível, somos responsáveis pelo seu desenvolvimento e uso. Para aumentar esse poder devemos dedicar parte de nosso tempo livre ao cultivo da vida espiritual. Assim, quando a nuvem da desgraça descer sobre nós, possamos, com o auxílio dessa força, encontrar o arco dentro da nuvem.

Como o arco é visto depois da tempestade, assim também quando pudermos ver o brilhante arco-íris em nossa nuvem de dor, o sofrimento estará no fim e o lado luminoso começará a aparecer. Quanto maior a provação, maior a necessidade da lição. Quando trilhamos o caminho do erro, mais cedo ou mais tarde seremos bondosos, mas firmemente, fustigados pela realidade da vida e forçados a reconhecer que o caminho da verdade aponta para o alto e não para baixo, e que Deus governa o mundo.

CAPÍTULO XXV – A RESPONSABILIDADE DO CONHECIMENTO

Na época distante e obscura do passado, quando começamos nossas vidas como seres humanos, pouca experiência havia sido acumulada e, consequentemente, menor responsabilidade arcava sobre nós. A responsabilidade depende do grau de conhecimento.

Sabemos que os ani­mais não são responsáveis perante a Lei de Causa e Efeito, sob o ponto de vista moral. Porém, é claro, se um animal saltar de uma janela estará sujeito às leis físicas. Quando estatelar-se no chão possivelmente fraturará uma pata ou sofre­rá qualquer outro dano.

Se uma pessoa fizesse a mesma coisa, teria de responder à Lei da Responsabilidade, além da Lei de Causa e Efeito. Recai sobre ela uma responsabilidade moral. Está ciente da importância do instrumento a ela dado, portanto, não tem o direito de lhe causar dano.

Vemos, então, que nossa responsabilidade moral depende do nosso nível de consciência, ou de conhecimento.

Adquirimos experiência através de muitas vidas. A cada vez incorporamos mais talentos e faculdades. Renascemos sempre com talentos acumulados. Resultam das experiências agregadas durante vidas. Quanto mais talentos, mais responsáveis somos pelo seu uso. Além disso, devemos aplicar e multiplicar esses talentos durante a vida. Sem essa prática, as qualidades estarão condenadas a progressiva atrofia, tão certo como a mão não usada pende inerte para um lado.

As habilidades espirituais podem definhar, tal como um músculo sem exercício também enfraquece. Para evitar a atrofia devemos colocar os talentos em ação. Não pode haver descanso nem hesitação na rota evolutiva assumida por nós. Devemos seguir adiante ou sofreremos as consequências da degeneração dos poderes anímicos.

Há um inseparável casamento entre responsabilidade e conhecimento. Mais conhecimento, mais responsabilidade. Isto está bem claro. Observando sob o ponto de vista mais profundo, na perspectiva do cientista ocultista, há uma responsabilidade vinculada ao conhecimento geralmente ignorada pela Humanidade. A esse nível particular de responsabilidade dedicaremos o estudo seguinte.

Mabel Collins[60] afirma que é real a história narrada em seu livro chamado “A Floração e o Fruto, ou a História de Fleta, a Necromante”.

Segundo a autora, o material recolhido para compor essa história veio de um país distante e de maneira muito estranha, fazendo referências a alguém que conhecia.

A história narra verdades profundas relacionadas com a aquisição de conhecimentos e seu respectivo uso.

Conta-nos como Fleta no começo de sua encarnação, quando ainda estava em estado selvagem, assassinou seu amante. Em seguida, Fleta obteve certo poder relacionado com a atmosfera cruel do crime. Esse poder, em conformidade com a natureza do caso, estava no plano da magia negra. Portanto, como sugere a história, Fleta possuía o poder de um mago negro. Ela forçou seu amante a matar uma entidade para adquirir mais poder. Desta forma obscura utilizava seu conhecimento.

Há aqui uma grande verdade. Todo conhecimento que não estiver impregnado de vida é vazio, sem propósito e inútil. O conhecimento pode ser obtido de várias maneiras, e deve também ser utilizado de várias formas. Uma vez adquirido, pode ser guardado num talismã e depois usado pelas pessoas para bons ou maus propósitos, segundo o caráter de quem o utilizar.

Se conservado por alguém que desenvolveu essa força com esforço próprio, será usado de acordo com a índole desse homem ou dessa mulher.

Aplica-se aqui o mesmo princípio do gerador de eletricidade ligado a uma bateria. A bateria acumula a eletricidade gerada. Essa energia acumulada pode ser utilizada para acionar diversos dispositivos elétricos e não apenas para retornar a quem a forneceu. Assim também acontece com a força dinâmica advinda do sacrifício de uma vida com o propósito de adquirir poder oculto. Pode ser armazenada num talismã e usada de diferentes modos.

Vemos este grande fato particularmente descrito na lenda de Parsifal[61]. Nesta bela saga o poderoso sangue purificador do Salvador foi recolhido em um cálice. O sangue foi vertido em nobre sacrifício próprio e não usurpado de outrem. Esse cálice, o Graal, converteu-se em talismã. A relíquia foi guardada por nobres cavaleiros. O Graal lhes conferia força espiritual desde que conservassem a pureza, castidade e vida inofensiva.

Além do cálice temos também o simbolismo da lança responsável pelo ferimento do qual jorrou o sangue. A lança foi “imantada” pelo sangue purificador e, também, se converteu em talismã, poderia ser destinada para diversos propósitos.

Durante o reinado de Titurel, o poder do Graal foi conservado. O filho de Titurel, Amfortas, herdou o trono. Certo dia Amfortas deixou a guarda do Cálice e armou-se com a lança sagrada para matar Klingsor. Então, o rei corrompeu sua natureza inofensiva. Perverteu o grande poder espiritual da lança. Tentou usá-lo para matar um inimigo.

Embora Klingsor fosse um mago negro e, portanto, inimigo do bem, Amfortas jamais deveria utilizar o poder da lança para um propósito nefasto. Ele violou a natureza casta, pura e inofensiva. Esse equívoco trouxe muita desgraça para Amfortas. O poder da lança voltou-se contra ele. Foi o início de um padecimento sem trégua. Um ferimento incurável impingiu-lhe terrível suplício. É também assim em casos análogos.

O rei Davi é lembrado pela alcunha de: o guerreiro manchado de sangue. O Senhor proibiu-lhe a construção do Templo, mesmo sendo um deus da guerra, punindo nações para fazê-las voltar à razão. Como Amfortas, Davi não pôde construir um templo com o instrumento maculado pelo sangue de suas guerras. Essa tarefa foi delegada ao filho de Davi, Salomão, o homem da paz.

Fato notável em Salomão: Ele pediu sabedoria. Pediu a Deus abundante sensatez, não para vencer seus inimigos, não para conquistar mais territórios e multiplicar seu povo, mas para governar melhor o povo colocado aos seus cuidados. Como o desejo de Salomão já estava imbuído de sabedoria, sabedoria foi-lhe concedida em abundância.

Retornando à Lenda do Graal, Parsifal representa a antítese de Amfortas. Parsifal não chegou a conhecer seu pai, um guerreiro, um homem manchado de sangue e por isso mesmo ceifado pela morte. Herzleide (aflição do coração), sua enviuvada mãe, sozinha o criou. Ainda, jovem e ingênuo, Parsifal utilizava um arco para flechar animais selvagens. Mas, a certa altura, mais maduro, quebrou seus instrumentos de caça. Converteu-se em um ser casto, puro e inofensivo. Pelo poder inerente a essas virtudes conservou-se firme quando foi tentado por Kundry. Nesse dia de grande tentação, arrebatou a lança das mãos de Klingsor. Lembremos que Amfortas tinha perdido a lança para o mago negro.

Parsifal, durante sua peregrinação pelo mundo, desde o resgate da lança até o retorno ao Castelo do Graal, foi perseguido por muitas tentações, muita tristeza, problemas e tribulações. Homens quiseram tirar-lhe a vida, e, muitas vezes, poderia livrar-se dos inimigos empunhando a lança sagrada.

Mas, Parsifal já havia compreendido o real propósito da lança. Seu poder miraculoso deve ser direcionado para curar, não para ferir. Compreendeu o poder sagrado conferido ao talismã através do sangue sacrifical, e esse poder deve ser usado somente para os mais elevados propósitos.

De fato, quem possui genuíno poder espiritual jamais o utiliza para qualquer deliberação egoísta. São firmes em seus propósitos, não importa quão irresistível a tentação ou o grau de aflição imposto pelas forças do mal. Nem sequer por um momento sonham em prostituir o sagrado poder para propósitos egoístas.

Apesar de alguém poder alimentar cinco mil pessoas que estão famintas, afastadas da fonte de provisões, ele não apanhará nem mesmo uma pequena pedra para transformá-la em pão com o fito de aplacar a sua própria fome.

Embora possa postar-se diante de seus inimigos e curá-los, como Cristo restaurou a orelha do soldado romano, recusará o uso do poder espiritual para estancar o sangue jorrando de seu próprio flanco.

Seres dessa natureza “a outros salvam, a si mesmos não salvam”. Mas, eles poderiam sempre tê-lo feito se quisessem, pois, o poder é grande. Mas se o tivessem usado para esse fim, tê-lo-iam perdido. Não tinham o direito de assim prostituir seu precioso poder.

Vejamos outros exemplos de transferência de poder. Por exemplo, a cabeça de João Batista foi colocada numa bandeja logo após ter sido sacrificado. As pessoas presentes a esse brutal espetáculo adquiriram certa quota de poder.

A mitologia grega conta-nos as façanhas de Argos. Possuía tantos olhos a ponto de ver tudo e quanto desejasse, era Clarividente. Mas usou seu poder para um propósito mesquinho, e Mercúrio, o deus da sabedoria, lhe decepou a cabeça retirando seu poder.

Toda vez que um ser humano tenta usar seu conhecimento espiritual e seu poder de maneira deturpada, ele os perderá. Perde o direito adquirido de posse e uso desse poder.

Mesmo quando observamos o conhecimento do ponto de vista científico, constatamos o consumo da vida. Cada pensamento rompe a delicada malha do tecido cerebral, formado de pequenas células. Cada célula tem vida individualizada e essa vida é destruída pelo pensamento. Ou melhor, a forma celular é destruída e assim a vida não pode mais manifestar-se nela.

Quando direcionamos o intelecto à procura de conhecimento, em qualquer área de estudo, sempre há destruição da vida.

Alguns tiram a vida em experiências científicas por mera curiosidade. Outros são cruéis ao tirar a vida, como na vivissecção. Nesse caso, se a busca pelo conhecimento se baseia apenas na curiosidade, uma terrível dívida acumula-se para resgate futuro. A Natureza incansavelmente trabalha para restaurar o equilíbrio da balança do destino.

No caso de Fleta, seu poder originou-se de dois sacrifícios. O sacrifício da vida, cujo cenário foi o Mundo Físico, foi seguido por outro sacrifício em outro mundo. Através desse poder ela conseguiu chegar até os portais do templo, onde se postou e pediu Iniciação. Entretanto, seus propósitos, tal como Klingsor, não eram puros.

Ela não era casta, não estava qualificada para ter poder espiritual em toda a sua dimensão, nem capacitada para auxiliar a Humanidade. Portanto, foi banida da porta do templo e teve a morte decretada conforme o triste destino das necromantes. Um véu pende sobre essa morte e não sabemos o que está por trás dele. Mas, não convém falar sobre esses temas, é melhor não os revelar.

Dessas histórias vale extrair lições práticas. Não podemos tirar a vida nem acumular conhecimentos de uma maneira prejudicial, sem incorrer com isso numa terrível responsabilidade. A única razão satisfatória e apropriada para a busca do conhecimento é aquela onde possamos servir e ajudar a Humanidade da maneira mais eficiente.

Na época presente é imprescindível o sacrifício de vidas para obter-se conhecimento, não podemos evitar. Portanto, o conhecimento deve ser almejado com o mais puro e melhor dos motivos, pois são inumeráveis as vidas aniquiladas.

O ocultista pode observar a vida na iminência de encarnar. Até a vida mais elementar dedica-se a construir e habitar a forma mais adequada para sua manifestação. Quando essa vida é privada de sua forma em função do processo da obtenção de conhecimento, o ocultista fica surpreso com a imensa quantidade de vidas sacrificadas. Muitas delas imoladas sem um bom propósito.

Por isso, repetimos e insistimos: ninguém tem o direito de procurar conhecimento a não ser com o mais puro e melhor dos motivos.

Se, por outro lado, trilhamos o caminho do dever, se procuramos fazer bem, e completamente, as coisas que nos chegam às mãos, e se temos aspirações de ingressar nos Mundos sutis sem artifícios para forçar o crescimento espiritual, então estamos mais qualificados para obter poderes superiores.

Os Ensinamentos Rosacruzes estimulam a busca do bem, do belo e do verdadeiro. Ensina verdades espirituais e, também, tem a beleza de emancipar seus Estudantes. Todos devem aprender a trilhar o caminho do dever e a viver a vida do bem.

Não importa se a vida tem longa ou curta duração. Muitas pessoas, como diz Thomas de Kempis[62], preocupam-se em garantir uma vida longa. Não importa a quantidade dos dias e sim a qualidade dos dias vividos. Devemos dirigir nossos esforços no cumprimento do dever diário. Então, certamente estaremos qualificados para receber o conhecimento superior e o exaltado poder que o acompanha.

Há sempre espaço para praticarmos o conhecimento adquirido, não importa onde. Não se trata de pregar sermões nem de extasiar plateias. Declamar, desde manhã até a noite, as maravilhas que conhecemos para angariar admiradores. Ao contrário, devemos servir com humildade, vivendo a verdadeira vida espiritual.  Dando exemplos vivos e coerentes com nossos ensinamentos. A oportunidade para servir existe para todos nós. Não precisamos procurá-la muito longe, ela está precisamente aqui.

Thomas de Kempis expressou tudo isso da maneira singela, própria de um místico inspirado. Com lindas palavras abordou o mesmo tema na “Imitação de Cristo”. Vale a pena relembrar, ele diz:

“Todo ser humano, naturalmente, desejaria saber de que vale o conhecimento sem o temor a Deus. Com certeza, um humilde agricultor que serve a Deus é melhor do que um orgulho­so filósofo dedicado a estudar o curso dos céus, mas negligente consigo mesmo. Quanto maior for o conhecimento, mais severo será o julgamento, a não ser que a vida também seja a mais santa.

Portanto, não se envaideça, mas, antes tema o conhecimento que lhe foi dado. Quem se julga saber muito, lembre-se que existe muita coisa ainda desconhecida. ‘Ninguém sabe como e quanto poderá progredir ao fazer o bem’”.

Por isso lembremo-nos: não devemos procurar o conhecimento simplesmente pelo conhecimento, mas apenas como um meio para viver uma vida melhor e mais pura, pois apenas isso pode justificá-lo.

CAPÍTULO XXVI – A JORNADA NO DESERTO

Nosso tema, agora, está baseado na passagem bíblica “O Tabernáculo no Deserto”. Vamos interpretá-lo sob o ponto de vista dos Ensinamentos Rosacruzes. Pode parecer, para quem não estudou estes ensinamentos, que uma interpretação é tão válida e tão digna de confiança como qualquer outra. Mas, uma reflexão mais profunda sobre o assunto poderá suscitar uma opinião um pouco diferente.

São Pedro, em sua segunda Epístola, primeiro capítulo, versículo 20, diz: “Atenção a este ponto: nenhuma profecia contida nas Escrituras está sujeita a interpretações particulares”.

Em nossa vida diária compreendemos que se nossa opinião sobre qualquer assunto for considerada valiosa, essa opinião deve estar baseada sobre um razoável conhecimento do assunto. O depoimento de testemunhas num tribunal está lastreado neste mesmo princípio.

Se uma pessoa bem qualificada, por estudos ou por experiência, expõe uma opinião sobre um assunto, ela é ouvida com respeito e recebe a devida consideração. Deveria acontecer o mesmo com quem se propõe a interpretar as Escrituras.

Deve-se notar a observação de São Pedro quando afirma que as Escrituras não são de interpretação particular.

Os Católicos Romanos sustentaram, durante muitos séculos, sua autoridade na interpretação das Escrituras (e foram censurados por isso). Mas, há fundamento para tal alegação, pois, cada Papa que esteve à frente do Vaticano, com uma única exceção, era dotado de visão espiritual desenvolvida. Não podemos assegurar que os Papas exerceram seus poderes com sabedoria. Contudo, não eram cegos guiando cegos.

É essa reivindicação que São Pedro reclama para si em II Pedro 1:16. Ele diz: “Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda do nosso Senhor Jesus Cristo seguindo fábulas artificialmente compostas; mas nós mesmos vimos Sua Majestade”. São Paulo também afirma, no nono capítulo da primeira Epístola aos Coríntios no primeiro versículo: “Então eu não vi Jesus Cristo Nosso Senhor?”.

Eles testemunharam dos fatos, viram e ouviram. Portanto, existe fundamento em suas palavras e ensinamentos.

Podemos ir mais além. Podemos demonstrar o desenvolvimento da visão espiritual dos integrantes do grupo de seguidores mais intimamente associados ao Cristo quando Ele esteve na Terra.

Eles foram levados para o Monte da Iniciação, onde viram Moisés e Elias, mesmo já desencarnados há muito tempo. Em estado de contemplação, eles viram e ouviram coisas das quais não deveriam falar. Portanto, pelo desenvolvimento do sexto sentido, ou sentido espiritual, eles adquiriram os fundamentos necessários para pregar seus conhecimentos. Obtiveram provas objetivas. Portanto, estavam capacitados para interpretar os ensinamentos a eles ministrados.

Na Fraternidade Rosacruz não acreditamos que a faculdade da visão espiritual seja privilégio apenas de alguns. Entendemos que ela pode ser adquirida por todo ser humano no decurso de seu desenvolvimento espiritual. Algum dia, todos nós conquistaremos a visão espiritual. Então, reconheceremos o teor de verdade das coisas que foram a priori proclamadas como verdadeiras.

Dentre nós, alguns já desenvolveram a visão espiritual. Dotados dessa faculdade, podem ver além do véu, podem ler na Memória da Natureza e encontrar refletidas nela, vindas de um mundo superior, as causas geradoras da presente civilização. Alguns podem também ver o porvir, e assim conhecer as futuras diretrizes do trabalho em prol da evolução.

As Escrituras não foram estudadas pelo au­tor e interpretadas segundo seu entendimento pessoal, mas esse conhecimento resulta de uma compreensão obtida por meio da visão espiritual.

Em primeiro lugar, vamos deixar bem claro, como já foi dito quando estudamos os Mistérios do Cristianismo: os quatro Evangelhos não são meramente o relato da vida de um indivíduo comum narrado por quatro pessoas diferentes, mas, simbolizam diferentes etapas do Processo Iniciático.

S. Paulo diz: “Até que Cristo seja formado em vós[63]. Algum dia, todos passarão pelos quatro estágios descritos nos quatro Evangelhos. Cada um desenvolverá em si mesmo o espírito de Cristo. Afirmamos isto sobre os quatro Evangelhos, mas podemos aplicar a mesma afirmativa a uma grande parte do Velho Testamento. Trata-se de um maravilhoso livro de ocultismo.

Quando colhemos batatas, não esperamos encontrar só batatas sem resíduos de terra. Também seria ingênuo supor o conteúdo da Bíblia isento de impurezas. Imaginar cada palavra portadora de uma verdade oculta. Assim como há terra no meio das batatas, por analogia devem existir impurezas entre as verdades ocultas nas Escrituras.

Os quatro Evangelhos foram escritos para “olhos de ver e ouvidos de ouvir”. Somente quem tem o direito de saber pode desvendar seu significado e compreender as entrelinhas. Da mesma forma, encontramos no Velho Testamento grandes verdades ocultas. Elas se tornam muito evidentes quando podemos olhar por trás do véu. Mas, muitos ainda permanecem cegos pela cortina do mistério.

No momento, muitos ainda estão privados da visão oculta para concentrar suas forças no progresso material. Precisam aperfeiçoar-se nas atividades do mundo concreto. Mas nós, do mundo Ocidental, estamos agora na curva ascendente do desenvolvimento da natureza oculta. Estamos nas praias do mar espiritual, onde, individualmente, devemos colher as pérolas do conhecimento submerso no oceano da vida, por muito tempo mantidas invisíveis e encobertas pela matéria.

Vamos agora examinar uma modalidade de Iniciação relatada numa parte da Bíblia. Ela descreve a jornada da Humanidade desde o barro até Deus. Quando nos enfronhamos nessa fabulosa coleção de livros chamada Bíblia, reparamos que começa com cinco livros comumente denominados os cinco Livros de Moisés

Narram à epopeia do “povo escolhido”. Sua peregrinação desde o Egito até a Terra Prometida. A travessia das águas do Mar Vermelho, guiados de uma maneira sobrenatural. Depois de muitos, muitos anos, e depois de muitos pioneiros da jornada já terem perecido, finalmente alcançaram a terra a eles prometida. Ainda assim, São Paulo, na Epístola aos Hebreus, quando menciona essa passagem do povo hebreu afirma que esse pacto não foi consumado, o acordo malogrou. Isso é um fato. Quando instituímos uma lei, também podemos transgredi-la e incorrer no pecado. Portanto: “É impossível à salvação enquanto a lei prevalecer”.

Houve uma época em que a organização Humanidade necessitava de leis rigorosas para ser governada. As leis foram detalhadas e prescritas para abranger todos os casos possíveis. Tinha o objetivo de refrear e controlar o comportamento dos indivíduos e ditavam as regras do cotidiano. Portanto, impor leis era a missão dos guias do povo daquela época. Estas leis foram incorporadas nos cinco livros de Moisés.

Historicamente, os israelitas eram um povo nômade. O êxodo não transcorreu do Egito para a Palestina. Na verdade, os israelitas foram levados, por seus guias, da condenada Atlântica, onde a umidade condensada da atmosfera causava enchentes tornando a Terra inabitável, até a parte central da Ásia.

Quando finalmente alcançaram esse território na Ásia, os imigrantes foram selecionados para formar o núcleo de uma raça escolhida. Eis a gênese do que se conhece como Raça Ária. Além dos importantes fatos relacionados com a história da espécie humana, há também uma grande lição espiritual, especialmente nessa parte dos acontecimentos. Ela é fundamental para nossos estudos.

No “Conceito Rosacruz do Cosmos” há o relato de dois homens parados numa esquina, um derruba o outro. Um observador poderia afirmar que um pensamento de ódio derrubou o homem. Outro discordaria dessa afirmação, dizendo que viu o braço levantado desferindo um golpe sobre a cabeça do homem e isso causou a sua queda.

A última versão está correta, mas também houve a elaboração do pensamento. O braço não pode ser responsabilizado, foi mero instrumento e não o verdadeiro autor da agressão. O pensamento a tudo movimenta.

Quando consideramos o lado oculto dos efeitos, teremos uma compreensão mais profunda das causas. Partindo deste ponto de vista, analisaremos o “Tabernáculo no Deserto”.

Na Bíblia há uma descrição dos primeiros seres humanos sobre a Terra. Chamavam-se Adão e Eva. Corretamente interpretado, o casal representa a própria raça humana quando tomou conhecimento do fruto proibido.

Gradativamente o poder de procriação foi usurpado e o livre-arbítrio incorporado ao destino humano. Foi o alvorecer do exercício da liberdade. Paralelamente entrou em vigência a Lei de Consequência. Desde então, cada um e todos são responsabilizados por suas escolhas.

A Humanidade abriu os olhos e conheceu o poder gerador. Aprendeu a criar corpos usurpando esse poder. Apropriou-se da força sexual e foi, então, divorciada da Árvore da Vida. Perdeu a conexão direta com a Região Etérica do Mundo Físico.

O Corpo Vital é constituído de matéria etérica. Ele é a Árvore da Vida de todos nós. Abastece o Corpo Denso de energia vital. Imprime movimento e promove a circulação da seiva da vida.

Agora estamos em condições de compreender a razão da “Expulsão do Paraíso”. O poder recriador e regenerador foi-nos arrebatado, para assim evitar a revitalização e perpetuação do imperfeito Corpo Denso. Os portais da região etérica foram trancados e, desde então, estão sob uma constante vigilância. Conforme afirma a Bíblia, Querubins com espadas flamejantes protegem a entrada do Jardim do Éden.

Esta história está relatada no começo da Bíblia, mas, no fim do livro, na Revelação (Apocalipse), fala-se sobre uma cidade onde haverá paz entre as pessoas.

Duas cidades são mencionadas na Bíblia. A primeira, Babilônia, uma cidade de desgraças e tribulações, onde a confusão instaurou-se pela primeira vez. Os indivíduos separaram-se e a fraternidade humana fragmentou-se.

A segunda, a Nova Jerusalém, é descrita como a futura cidade onde haverá paz. Segundo o Apocalipse na Nova Jerusalém reside a Árvore da Vida.

Portanto, o poder regenerador está simbolizado em nossa futura morada, a “nova cidade”. Nela resgataremos a saúde e a beleza perdidas.

Houve um bom propósito no fato deste poder ter-nos sido tirado. Não por maldade ou punição, muito menos para impor tristeza, dor e sofrimento, mas sim para recuperarmos a imortalidade perdida. Somente através de repetidas existências em corpos materiais aprenderemos a construir um veículo imortal.

Conforme analisamos, gradualmente o ser humano migrou do estado etérico para a presente condição sólida. No “paraíso”, ele podia viver no estado etérico tão facilmente como pode viver hoje nos sólidos, líquidos e gases da Região Química do Mundo Físico. Quando vivia na região etérica interligava, em seu próprio Corpo Vital, as correntes vitais que agora nós contatamos apenas de forma inconsciente. Naquele tempo, tinha capacidade de centralizar a energia do Sol em seu corpo e empregava-a de modo diferente do atual. Este poder foi-lhe gradualmente retirado à medida que ingressava no presente estado sólido.

Então, começou a jornada através do deserto. Um deserto de espaço e matéria. Continuaremos nesta peregrinação até reentrarmos conscientemente no reino etérico. Reino conhecido como O Novo Céu e A Nova Terra ou A Nova Jerusalém. Onde imperará a virtude e não haverá mais pecado.

Atualmente ainda estamos viajando através do deserto do espaço, como veremos se estudarmos a Bíblia com devido entendimento.

Contudo, não nos referimos à versão inglesa, organizada por tradutores tolhidos por um édito do Rei Jaime. Trabalharam sob um regime de censura. A tradução não podia conter temas polêmicos. Por conveniência, não podia perturbar as crenças existentes naquela época.

Do ponto de vista oculto, de imediato aprendemos algo importante sobre o Tabernáculo construído no deserto. Moisés foi conduzido para as montanhas. Lá entrou em contato com certas imagens (padrões ou símbolos arquetípicos).

Do “Conceito Rosacruz do Cosmos” recordemos que no mundo celeste há imagens modelos-arquétipo. Na língua grega a palavra “apxn” significa “no começo”, isto é, no início, no princípio. Tal como o Iniciado, que já compreendeu Sua própria divindade, Cristo afirma, de Si mesmo: “Eu sou o princípio (apxn) e o fim”. Há nessa palavra “princípio” (apxn) o núcleo gerador de tudo que temos aqui.

No Tabernáculo foi colocada uma Arca. Foi disposta de tal modo que suas hastes não poderiam ser removidas. Durante toda a viagem através do deserto as hastes deveriam permanecer imóveis. De fato, jamais foram removidas enquanto a Arca peregrinava até ser conduzida ao Templo de Salomão.

Temos aqui uma constatação notável. Um determinado símbolo, um arquétipo, algo transportado desde o princípio, é elaborado de tal modo que possa ser reativado em determinadas ocasiões e reconduzido mais adiante.

A Arca era o núcleo, ou o coração do Tabernáculo. O centro ao redor do qual todas as coisas gravitavam. Continha também o Cajado de Aarão, o Pote do Maná e as duas Tábuas da Lei.

Acabamos de descrever o símbolo perfeito da verdadeira constituição do ser humano. Enquanto ele atravessa o vale da matéria e transita continuamente de um lugar a outro, as hastes, sob nenhuma hipótese, podem ser removidas. Permanecerão intactas até reingressar novamente no estado etérico descrito em linguagem simbólica no Apocalipse. Onde se diz: “Aquele que triunfar, eu o farei um pilar no templo de meu Deus; e dali nunca mais sairá”[64].

Durante o transcorrer do tempo, desde o momento no qual o ser humano começou sua viagem através da matéria, ele possui esse espírito de peregrino. Nunca ficou parado. Algumas vezes, o Tabernáculo era conduzido, assim como a arca, mais para adiante, para um novo lugar.

Também o ser humano está sempre sendo impelido de um lugar para outro, de um ambiente para outro, de uma condição para outra. Não é uma jornada sem objetivo. A meta é a terra prometida, a Nova Jerusalém, onde haverá paz. Mas, enquanto o ser humano estiver na jornada, deve estar ciente de que não haverá descanso e nem paz.

Nosso destino assim determinado resulta do cumprimento da lei. Recordemos que, de certo modo, o ser humano foi transgressor. No plano original nosso destino teria tomado outro rumo, sem o vale de dor e lágrimas no qual estamos evoluindo agora.

A força criadora permanece latente dentro de todos nós. Estamos apenas começando a utilizá-la de maneira construtiva. Inicialmente ela foi manejada por nós sob a orientação dos Anjos. Nessa época os Anjos organizavam e cuidavam dos períodos propícios para a procriação, segundo condições planetárias favoráveis. O parto era indolor e tudo era bom sobre a Terra. O Senhor garantia a boa qualidade da vida sobre o Planeta.

Mas, os espíritos de Lúcifer necessitavam de um ambiente semelhante ao nosso para prosseguirem a própria evolução. Estavam atrasados em relação aos Anjos. Necessitavam de cérebros para funcionar no Mundo Físico. Astutamente mostraram como poderíamos manejar nossa força criadora e nos libertar do regime de tutela dos Anjos. Assim, quando um corpo fosse abandonado por ocasião da morte, quando se tornasse inútil, poderíamos criar outro corpo.

Portanto, há duas classes de Anjos trabalhando em diferentes partes do nosso corpo. Os espíritos de Lúcifer (Anjos caídos) ocupam-se da medula espinhal e do cérebro. Os Anjos fiéis a Deus se encarregam da faculdade de propagação, mas não podem intervir em nossa liberdade. Aqui tem início à vigência do livre-arbítrio, da liberdade de escolha e, também, da Lei de Consequência.

Os animais não estão imbuídos de responsabilidade tal como nós. Se um animal for imprudente, pode machucar-se apenas de maneira física, e esse é o âmbito de sua responsabilidade. Entretanto, as consequências seriam diferentes para nós. Nesse caso, arcaríamos com as mesmas sequelas físicas adicionadas à responsabilidade moral. Pois estamos conscientes do dever e da necessidade de zelar pela saúde do veículo físico. Assim, a Lei de Consequência está diretamente vinculada ao livre-arbítrio. Todos os atos do ser humano são pesados nessa balança.

Todo erro deve, de alguma forma, chegar ao nosso conhecimento. Tristeza e dor têm sido os agentes, os guias necessários para sinalizar o bom caminho. A ação gradual da Lei de Consequência ensina-nos, no ritmo do tempo e do grau de evolução, a corrigir os erros e agir na direção certa.

Na arca, símbolo perfeito do ser humano, estão presentes as Tábuas da Lei e, também, o Pote do Maná. A palavra “maná” (manna) não significa o pão descido dos céus, mas o Pensador, o Ego, que desceu das esferas superiores. Em quase todos os idiomas existe a palavra “man” (homem, moon, mente). Em sânscrito, alemão, escandinavo, etc., a raiz é a mesma. Na arca reside o Pensador.

Durante o presente estágio de sua evolução Ele, o Pensador, está sendo conduzido através do espaço e do tempo no interior do Tabernáculo do Deserto, seu próprio Corpo Denso.

Em nós também há o poder espiritual simbolizado pelo Cajado de Aarão. Foi o cajado que floresceu quando todos os outros permaneceram secos.

Há em todos nós um poder espiritual. Esteve latente durante o tempo de peregrinação pela matéria. Agora é nossa tarefa despertar esse poder. Falamos inúmeras vezes sobre este poder espiritual. Ele traz bênçãos para o mundo quando utilizado tal como Parsifal, e traz desgraças quando usado pervertidamente como o fez Amfortas.

Este poder espiritual permanece latente na época atual. A Humanidade, simbolizada pela arca itinerante, ainda não se qualificou para recebê-lo, ainda somos muito egoístas. Devemos cultivar o altruísmo antes que nos seja confiado o domínio sobre esse maravilhoso poder.

São Pedro é muito enfático quando fala de falsos mestres, referindo-se aos “guias” que podem aparecer entre nós. Eles tentam auferir lucros em práticas que envolvem a ciência espiritual. Comercializam lições em troca de algumas moedas, provavelmente com maior incidência na Astrologia. Trocam conhecimentos por moedas e prometem o reino aos incautos.

De­vemos sempre relembrar que não é o dinheiro, mas sim o mérito que nos leva às conquistas espirituais. É impossível iniciar uma pessoa por artifícios mágicos ou adivinhação. Tampouco é possível crescer espiritualmente em troca de dinheiro ou por qualquer outra consideração material.

É necessário carregar o revólver antes de puxar o gatilho para gerar a explosão. Assim também é necessário armazenar dentro de nós a força, o poder espiritual, simbolizado pelo Cajado de Aarão, antes de colocarmos essa força na direção correta e legítima. Esta é uma das grandes lições oferecidas pelo simbolismo da arca.

Se continuarmos peregrinando no espaço e no tempo, renascimento após renascimento, e não aprendermos a obedecer à voz de Deus, a aceitar Seus mandamentos sagrados, vivendo uma vida em prol do bem, devemos estar cientes que não alcançaremos a Cidade da Paz. Continuaremos aprisionados na terra da tristeza e do sofrimento.

Então, como vamos desenvolver nossa força espiritual? O que é o caminho, a verdade e a vida? O triplo caminho foi-nos mostrado no glorioso ensinamento de Cristo. Em todo o mundo, a Humanidade comum está sendo regida pelo rigor da lei. As proibições agem sobre o Corpo de Desejos para refreá-lo.

O Pensador, o Ego, contrapõe-se à carne. Mas, sob a força da lei, ninguém pode ser salvo. Temos dedicado muito estudo sobre o Corpo Vital, pois ele é o veículo do amor e da atração, como disse São Paulo.

Se pudermos dominar o lado passional de nossa natureza e sublimar as baixas vibrações do amor. Se pudermos cultivar a pureza e resistir à tentação, como fez Parsifal vivendo uma vida pura, estaremos todos os dias cultivando dentro de nós a poderosa força do amor.

O amor será a força motivadora de nossas tarefas diárias. A capacidade de servir, gradativamente, irá aumentando até ser como a pólvora na pistola carregada. Então, o Mestre virá e nos mostrará como libertar a prodigiosa força armazenada na alma.

O tempo de duração da nossa jornada no Deserto da matéria é determinado pelo nosso esforço. A força está em estado de latência no íntimo do nosso ser. Seu poder um dia nos conduzirá à Cidade da Paz, um lugar distante da tristeza e do sofrimento.

Sem exceção, podemos e devemos começar a jornada ascensional em algum momento. O primeiro passo é a purificação. Sem uma vida pura não há progresso espiritual.

Não podemos servir a Deus e a Mammon[65]. Geralmente “Mammon” representa o ouro e as riquezas do mundo. Contudo, uma pessoa pode manter-se em seus negócios e cuidar deles pelo bem de todos, não por seu próprio interesse ou ganância, mas fazendo o possível para ajudar os outros. Não servindo a “Mammon”, não importa quanta riqueza esteja administrando.

Podemos amar apenas uns poucos ao nosso redor. Mas, há um amor maior que deve espraiar-se e fluir para outros além do nosso círculo social. Todo dever merece ser cumprido. Precisamos saber aproveitar as elevadas oportunidades que sempre se abrem diante de nós.

Precisamos aprender a servir e servir sempre reaprendendo. Viver de prontidão para colaborar, servindo a Humanidade, servindo os animais, servindo os nossos irmãos menores, servindo em toda parte. Somente essa boa vontade em prestar serviço nos libertará do “deserto”. Aqueles que servem estão situados no ponto mais alto no templo. Cristo disse: “Aquele que quiser ser o maior dentre vós, seja o servo de todos”.

Esforcemo-nos por prestar este serviço. É fácil cumpri-lo se quisermos. Então, algum dia, num futuro não muito distante, ouviremos aquela voz gentil, a voz do Mestre. Ela chega a quem ouve e acata a voz de Deus.

FIM


[1] N.T.: Jo 3: 9

[2] N.T.: Luminoso e Refletor

[3] N.T.: ICor 15:50

[4] N.T.: Mt 24:3

[5] N.T.: Mt 24: 37

[6] N.T.: IIPd 3:10

[7] N.T.: Mc 13:28

[8] N.T.: Mt 16:4

[9] N.T.: Mt 16:15

[10] N.T.: Mt 16:4

[11] N.T.: do estado denso ao etérico

[12] N.T.: Poema de Henry Wadsworth Longfellow (1807-1882) foi um tradutor, poeta, romancista, professor, escritor estadunidense

 

[14] N.T.: Segunda Parte

Conto de um Teólogo

A Bela Lenda

“Se você tivesse ficado, eu teria ido embora!”

Isso é o que a Visão disse.

Sozinho em sua cela,

No chão de pedra ajoelhado,

O monge orava em profunda contrição

Por seus pecados de indecisão.

Suplicava por maior renúncia

Na tentação e na provação;

O mostrador meio-dia já marcava

E o monge em solidão ainda orava.

De repente, como num relâmpago,

Algo incomum resplandeceu, afora e no âmago,

E nessa estreita cela de pedra fez abrigo;

Então, o monge teve com o Poder do Clarão

De Nosso Senhor, a Abençoada Visão.

Como um manto, O envolveu,

Como uma veste, O abrigou.

Não como crucificado e morto,

Não em agonias de dor,

Não com mãos e pés sangrando,

O Monge viu seu Mestre;

Mas como na rua da aldeia,

Na casa ou no campo de colheita,

Como o paralítico, o coxo e o cego que Ele curou,

Quando ele andou na Galileia.

A alma em preces acalentada,

Cada mão sobre o peito cruzada,

Reverente, adorando, assombrado,

O monge, perdido em êxtase, caiu ajoelhado

Senhor, ele pensou, no céu que reina,

Quem sou eu, para que assim Te dignas

Para se revelar a mim?

Quem sou eu, que do centro

Da Tua glória Tu deves entrar

Nessa pobre cela, para ser meu convidado?

Depois, em meio à sua exaltação,

Retumbante o sino do convento em exortação

De seu campanário tangeu, ressoou,

Por pátios e corredores reverberou

Com persistência badalando,

Como nunca antes ousou.

Era agora a hora marcada

Quando, do mesmo modo, sob o brilho do sol ou sob a chuva,

Sob o frio do inverno ou o calor do verão,

Para os portais do convento vieram

Todos os cegos e mancos e coxos,

Todos os mendigos da rua,

Por sua doação diária de comida

A irmandade fornecia;

E o esmoleiro do convento era ele

Quem de joelhos dobrados,

Arrebatado em êxtase silencioso

Da mais divina autoentrega,

Viu a Visão e o Esplendor.

Profunda angústia e hesitação

Misturavam-se à sua adoração;

Deveria ir, ou deveria ficar?

Poderia os pobres deixar

Famintos no portão a esperar,

Até a Visão se dissipar?

Poderia ele seu brilhante hóspede desprezar?

Seu visitante celestial desconsiderar

Por um grupo de míseros esfarrapados,

Mendicantes no portão do convento sediados?

Será que a Visão esperaria?

Será que a Visão retornaria?

Então, dentro do seu peito uma voz

Audível e clara sussurrou,

E ele, nitidamente escutou:

“Faça o seu dever; isto é o melhor;

Deixa para Teu Senhor o restante!”

Imediatamente ergueu-se resoluto,

E com um olhar ardente, decidido e arguto

Dirigido à Abençoada Visão,

Lentamente A deixou em sua cela na solidão,

Diligentemente foi cumprir sua missão.

No portão, os pobres estavam esperando

Através do gradil de ferro observando,

Com terror no semblante

Que só se vê no suplicante

Que em meio a desgraças e desditas

Ouve o som das trancas lhe cerrando as portas,

Pobres, por todos desprezados,

Com o desdém, familiarizados,

Com o dissabor, acostumados,

Buscam o pão pelo qual muitos sucumbem!

Mas hoje, sem o motivo sequer saberem bem,

Tal como Portal do Paraíso no além

Abre-se a porta do convento!

E como um divino Sacramento

Parecia-lhes o pão e o vinho nesse momento!

Em seu coração o Monge estava orando,

Nos pobres sem teto pensando,

Tudo que sofrem e suportam

E vendo ou ignorando, muitos rejeitam.

Enquanto isso uma voz interna ao Monge dizia:

O que quer que faças

Ao último e menor dos meus,

A Mim o fazes!”

A Mim! Mas se tivesse a Visão

Se apresentado em farrapos e errante,

Como um desvalido suplicante,

Ter-me-ia ajoelhado em adoração?

Ou A receberia com escárnio e presunção

E até ter-me-ia afastado com aversão.

Assim questionou sua consciência,

Com insinuações e incômoda insistência,

Quando, por fim, com passo apressado

Dirigindo-se à sua cela com ânsia,

Seus olhos contemplaram o convento iluminado

Por uma luz sobrenatural inundado,

Como uma nuvem luminosa se expandindo

E sobre o chão, paredes e tetos subindo.

Mas, assombrado parou a extasiar,

Da porta contemplou, no limiar!

A Visão que lá permanecera,

Exatamente como antes A deixara

Na hora em que o sino do convento soou,

De seu campanário clamou, clamou,

E para os pobres alimentar o intimou.

Por longa e solitária hora esperara,

Seu regresso iminente aguardara.

O coração do Monge ardeu

Quando Sua mensagem compreendeu,

Logo que o Vulto Amado deixou esclarecido:

“Se você tivesse ficado, eu teria ido embora!”

(tradução livre do poema: The Theologian’s Tale; The Legend Beautiful (1871) de Henry Wadsworth Longfellow (1807-1882))

[15] N.T.: Ralph Waldo Emerson (1803-1882) foi um famoso escritor, filósofo e poeta estadunidense.

[16] N.T.: Charles Rann Kennedy (1871-1950) foi um escritor anglo-americano.

[17] N.T.: de Charles Rann Kennedy (1871-1950): foi um escritor anglo-americano

[18] N.T.: 2Cr 1:11-12

[19] N.T.: James Russell Lowell (1819-1891) – poeta romântico, crítico, satírico, escritor, diplomata e abolicionista americano

[20] N.T.: (1809-1894) – médico americano, professor, palestrante e autor

[21] N.T.: Onã, ou Onan, é um personagem bíblico do Antigo Testamento, mencionado no livro de Gênesis como o segundo filho de Judá. Ao ter relações sexuais com Tamar, a Bíblia diz que Onã “desperdiçou o seu esperma na terra”, ou seja, não a inseminou, jogando dessa forma fora seu esperma em um coito interrompido, conduta essa que aborreceu a Deus que tirou sua vida (Gn 38:9-10).

[22] N.T. Tg 1: 15

[23] N.T.: ICor 15:55

[24] N.T.: Lc 12:48

[25] N.T.: Rm 7:18

[26] N.T.: Albion é o nome celta ou pré-céltico da Grã-Bretanha. Atualmente é ainda usado, na linguagem poética, para designar a ilha ou a Inglaterra em particular.

[27] N.T.: IIPd 2:20

[28] N.T.: 1850-1919: escritora e poeta estadunidense.

[29] Pollyanna ou Poliana é uma comédia de Eleanor H. Porter, publicado em 1913 e considerado um clássico da literatura infanto-juvenil.

[30] N.T.: Vermont (também chamado Vermonte) é um dos 50 estados dos Estados Unidos.

[31] N.T.: Valhala, Valíala, Valhalla: “Salão dos Mortos ou “Palácio dos mortos heroicos”), na mitologia nórdica e nas religiões pagãs nórdicas, como a popular Ásatrú, é um palácio com enorme salão com 540 quartos — situado em Asgard e dominado pelo deus Odin — no qual metade dos guerreiros mais nobres e destemidos mortos em batalha são levados pelas valquírias após a morte para viverem com Odin (enquanto a outra metade vai para os campos Folkvang da deusa Freia), onde participam de combates diários, para manter o exercício da luta e preparar-se para o dia de Ragnarök (em português “o dia do fim do mundo).

[32] N.T.: Sæhrímnir segundo a mitologia nórdica, é o animal que o cozinheiro dos deuses, Andhrimnir, cozinhava no caldeirão gigante e mágico Eldhrímnir. Todos os dias Sæhrímnir era ressuscitado e novamente cozinhado para os Ases e os guerreiros mortos, os Einherjar, comerem, em Valhalla. A existência do animal é comprovada nas fontes antigas, sendo referido por Snorri Sturluson no Gylfaginning da Edda em prosa, como um javali.

[33] N.T.: Lc 12:48

[34] N.T.: o Autor se refere ao hemisfério norte

[35] N.T.: o Autor se refere à 2ª Guerra Mundial

[36] N.T.: Eddas, Edas ou simplesmente Edda, é o nome dado a duas coletâneas distintas de textos do séc. XIII, encontradas na Islândia, e que permitiram iniciar o estudo e a compilação das histórias referentes aos deuses e heróis da mitologia nórdica e germânica.

[37] N.T.: Na mitologia nórdica, Niflheim (“reino da névoa”) o mundo do frio, da névoa e da neve.

[38] N.T.: Denominam-se Vedas as quatro obras, compostas em um idioma chamado Sânscrito védico, de onde se originou posteriormente o sânscrito clássico.

[39] N.T.: da mitologia hindu, Kalahamsa é o cisne negro que navega pelas águas do Universo.

[40] N.T.: Druidas (no feminino druidesas ou druidisas) eram pessoas encarregadas das tarefas de aconselhamento e ensino, e de orientações jurídicas e filosóficas dentro da sociedade celta.

[41] N.T.: O Great Serpent Mound ou Grande Montículo da Serpente é um montículo-efigie (Effigy Mounds) de 380 metros de comprimento, 6 metros de largura e 1,2 metros de altura localizado na meseta de Serpent Mount Crater no Condado de Adams, Ohio, Estados Unidos. A sua forma é sinuosa e assemelha-se a uma serpente, começa num torque e termina com a cabeça no que parece que teve um altar. É o maior montículo-efigie do mundo.

[42] Na época em que esse livro foi escrito.

[43] N.T.: Na Época Atlante.

[44] N.T.: (1849-1926) norte-americano, foi botânico e horticultor, pioneiro na ciência agrícola.

[45] N.T.: Sl 19: 1-5

[46] N.T.: Símbolo muito importante entre os marinheiros, a estrela náutica refere-se à estrela que está no hemisfério norte, ou seja, a “estrela polar” chamada também de “estrela do norte”. Para eles, a estrela do norte indicava a posição certa, ou o norte no mapa.

[47] N.T. Sl 139: 8-10

[48] N.T.: o deus da Medicina e da cura da mitologia greco-romana

[49] N.T.: Galileu Galilei (1564-1542) – físico, matemático, astrônomo e filósofo italiano.

[50] N.T.: ou Paracelsus – Philippus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim (1493-1521) – físico, botânico, alquimista, astrólogo e ocultista suíço-germânico.

[51] N.R: Mt 18: 20

[52] N.T.: No mito, os gêmeos partilham a mesma mãe, porém têm pais diferentes – o que significa que Pólux, por ser filho de Zeus, era imortal, enquanto Castor não o era.

[53] N.T.: Robert Fulton (1765-1815) foi um engenheiro e inventor estadunidense que é amplamente creditado com o desenvolvimento do primeiro barco a vapor comercialmente bem-sucedido.

[54] N.T.: Alexander Graham Bell (1847-1922) foi um cientista, inventor e fundador da companhia telefónica Bell.

[55] N.T.: cidades dos Estados Unidos

[56] N.T.: Fil 1:15

[57] N.T.: Retrospecção e Concentração

[58] N.T.: Pseudônimo de Johannes Scheffler (1624-1667) – Místico cristão, filósofo, médico, poeta, jurista alemão

[59] N.T.: Edwin Dwight Babbitt (1828-1905) foi um médico Americano, espiritualista e promotor da cromoterapia.

[60] N.T.: Mabel Collins (1851-1927) foi uma mística britânica.

[61] N.T.: ópera de três atos do com a música e libreto do compositor alemão Richard Wagner.

[62] N.T.: Também conhecido como Tomás de Kempen, Thomas Hemerken, Thomas à Kempis, ou Thomas von Kempen (1379 ou 1380-1471) foi Monge e escritor alemão.

[63] N.T.: Gl 4:19

[64] N.T.: Ap 3:12

[65] N.T.: Mt 6:24

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Enigma da Vida e da Morte – Dos Escritos de Max Heindel – Fraternidade Rosacruz

Em cada nascimento vem ao mundo o que aparenta ser uma nova vida.

Lentamente, a pequena forma cresce, vive e se move entre nós e torna-se um fator em nossas vidas; mas finalmente chega um momento em que a forma cessa o movimento e morre.

A vida que veio; de onde não sabemos, volta ou passa para o invisível além.

Então, com tristeza e perplexidade, nós fazemos as três grandes perguntas relativas à nossa existência: de onde viemos? Por que estamos aqui? Para onde vamos?

Há 3 meios de você acessar esse Livro:

1. Em formato PDF (para download):

O Enigma da Vida e da Morte – Dos Escritos de Max Heindel – Fraternidade Rosacruz

2. Em forma audiobook ou audiolivro:

Audiobook – Enigma da Vida e da Morte – Dos Escritos de Max Heindel – Fraternidade Rosacruz

3. Para estudar no próprio site (ou para fazer download ou imprimir):

O ENIGMA DA VIDA E DA MORTE

Dos Escritos de

Max Heindel

Fraternidade Rosacruz

 

Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82

Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil

Traduzido e Revisado de acordo com:

1ª Edição em Inglês, 1909, The Riddle of Life and Death, editada por The Rosicrucian Fellowship

Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

www.fraternidaderosacruz.com

contato@fraternidaderosacruz.com

fraternidade@fraternidaderosacruz.com

ÍNDICE

INTRODUÇÃO.. 4

CAPÍTULO I – AS Três Teorias. 6

CAPÍTULO II – A Teoria Materialista.. 8

CAPÍTULO III – A Teoria Teológica.. 9

CAPÍTULO IV – A Doutrina da Reencarnação.. 10

CAPÍTULO V – O Progresso EM Espiral.. 11

CAPÍTULO VI – A Lei dos Ciclos Alternantes. 12

CAPÍTULO VII – Explicando as Tendências Morais. 14

CAPÍTULO VIII – A Lei de Consequência.. 16

CAPÍTULO IX – A Escola da Vida.. 17

CAPÍTULO X – Nós Somos os mestres dos nossos destinos. 19

CAPÍTULO XI – Recordando vidas passadas. 21

CAPÍTULO XII – Frequência do Renascimento.. 23

CAPÍTULO XIII – A Solução para o Enigma.. 25

INTRODUÇÃO

Em cada nascimento vem ao mundo o que aparenta ser uma nova vida. Lentamente, a pequena forma cresce, vive e se move entre nós e torna-se um fator em nossas vidas; mas finalmente chega um momento em que a forma cessa o movimento e morre. A vida que veio; de onde não sabemos, volta ou passa para o invisível além. Então, com tristeza e perplexidade, nós fazemos as três grandes perguntas relativas à nossa existência: de onde viemos? Por que estamos aqui? Para onde vamos?

Através de cada limiar (ou princípio) o terrível espectro da morte lança sua sombra. E visita igualmente tanto o “palácio quanto o casebre”. Dela ninguém está a salvo: velhos ou jovem, doentes ou sãos, ricos ou pobres. Todos devem passar por este portal sombrio, e ao longo dos tempos soou o grito clamoroso por uma solução ao enigma da vida – ao enigma da morte.

Infelizmente, têm sido vagas as muitas especulações vindas de pessoas que pouco sabem e, portanto, tornou-se popularmente aceita a opinião de que nada em definitivo se pode conhecer acerca da mais importante da nossa existência: a Vida antes de manifestar-se pela porta do nascimento e além dos portais da morte.

Tal ideia é errônea. O conhecimento definido, de primeira mão, está ao alcance de todo aquele que queira se dedicar ao desenvolvimento do “sexto sentido”, latente em todos. Quando adquirimos, abre os nossos olhos espirituais, com os quais podemos perceber tanto os Espíritos próximos a entrar na vida física pelo nascimento, quanto àqueles que acabam de retornar ao além, após a morte. Nós os vemos tão claros e nitidamente como podemos ver os seres físicos com os nossos olhos físicos. Mas nem é necessária a investigação direta nos Mundos internos para satisfazer a Mente indagadora, do mesmo modo que não é necessário ir à China para conhecer as suas condições lá. Conhecemos as nações estrangeiras por meio de informações, de relatos de quem as visitou. E há tanta informação sobre os Mundos internos quanto há sobre o interior da África, da Austrália ou da China.

A solução do problema da Vida e do Ser indicada nas páginas seguintes, baseia-se no testemunho simultâneo de muitos que já desenvolveram a faculdade acima mencionada e que, por isso mesmo, tornaram-se aptos para investigar cientificamente os reinos suprafísicos. Isto está em harmonia com os fatos científicos, e é uma verdade eterna na Natureza, governando o progresso humano, quanto a Lei de Gravidade, também o é na manutenção dos Astros, dentro de suas próprias órbitas, em torno do Sol.

CAPÍTULO I – AS TRÊS TEORIA

Três teorias foram formuladas para resolver o enigma da vida e da morte, parecendo ser crença universal que uma quarta concepção é impossível. Assim sendo, uma dessas três teorias deve ser a solução verdadeira ou de outro modo o problema permaneceria insolúvel; pelo menos para o ser humano.

O enigma da vida e da morte é um problema básico; todos devem resolvê-lo algum dia, e a aceitação de uma dessas três teorias torna-se, então, importantíssima para cada um dos seres humanos, já que a escolha determinará os rumos de suas vidas. Para que possamos fazer uma escolha inteligente necessitamos conhece-las, analisá-las, compará-las e pesá-las, conservando a Mente aberta e livre do preconceito de ideias preconcebidas, pronto a aceitar ou rejeitar cada teoria segundo seus méritos. Citemos, primeiramente, essas três teorias e depois vejamos sua concordância com os fatos estabelecidos da vida e até que ponto eles se harmonizam com as outras Leis da Natureza, já conhecidas. Se verdadeiras, podemos racionalmente esperar que se harmonizem, pois a discordância não tem lugar na Natureza.

  1. A TEORIA MATERIALISTA afirma que a vida é uma jornada do ventre materno ao túmulo; que a Mente é o produto da matéria; que o ser humano é a mais alta inteligência do Cosmos; e que sua inteligência perece quando o Corpo se desintegra pela morte.
  2. A TEORIA TEOLÓGICA afirma que, em cada nascimento, uma alma recém-criada por Deus entra na arena da vida; que, no final de um breve período de vida no mundo material, passa ao invisível além através dos portais da morte, para lá permanecer; e que sua felicidade ou desgraça nesse além são determinadas para sempre pela crença que alimentou antes de morrer.
  3. A TEORIA DO RENASCIMENTO ensina que cada Espírito é parte integrante de Deus; contendo em si todas as possibilidades divinas como uma semente contém as possibilidades da planta; que por meio de repetidas existências em corpos físicos de crescente perfeição, esses poderes latentes gradualmente se convertem em energia dinâmica; que nesse processo ninguém se perde, e que todos os Egos, finalmente, alcançarão o objetivo da perfeição e religação com Deus, levando consigo as experiências acumuladas como fruto de sua peregrinação através da matéria.

CAPÍTULO II – A TEORIA MATERIALISTA

Comparando a Teoria Materialista com as conhecidas leis da Natureza, constatamos ser ela contrária a essas leis devidamente estabelecidas. De acordo com essas leis, a Mente não pode ser destruída pela morte, como afirma a teoria materialista, porque quando nada pode ser destruído, a Mente tampouco pode.

Além disso, está claro que a Mente é superior à matéria, pois modela a face de tal maneira que esta possa refleti-la; sabemos também que as partículas de nossos corpos estão constantemente sendo trocadas; e que uma mudança completa ocorre, no mínimo, a cada sete anos. Se a teoria materialista fosse verdadeira, nossa consciência também deveria passar por uma mudança completa a cada período desses, nada restando das recordações anteriores. Assim sendo, ninguém poderia relembrar qualquer acontecimento ocorrido há mais de sete anos.

Sabemos que não é esse o caso. Podemos nos recordar de toda a nossa vida; o mais insignificante incidente, embora esquecido na vida ordinária, é vividamente recordado por uma pessoa que se afoga, mesmo no estado do transe. O materialismo não leva em conta esses estados de subconsciência ou supraconsciência, e por não poder explicá-los, simplesmente os ignora, mas em face das investigações científicas que já estabeleceram a veracidade dos fenômenos psíquicos, a política de ignorar, em vez de refutar ou discutir essas afirmações da ciência, é imperdoável falha numa teoria que proclama ter resolvido o maior problema da vida: a própria Vida.

A teoria materialista tem ainda muitas outras falhas que impedem a nossa aceitação, mas já dissemos o bastante para justificar-nos e, deixando-a de lado, passaremos às outras duas teorias.

CAPÍTULO III – A TEORIA TEOLÓGICA

Uma das maiores dificuldades na doutrina dos teólogos consiste em ser ela total e reconhecidamente inadequada. De acordo com essa teoria, de que uma nova alma é criada a cada nascimento, miríades de almas têm sido criadas desde o princípio de nossa existência – mesmo supondo que esse começo se deu há apenas 6.000 anos. Segundo certas seitas, apenas 144.000 dessas almas serão salvos; as demais serão torturadas para sempre. E isso é chamado de “Plano de salvação de Deus” e exaltado como prova do maravilhoso amor de Deus.

Suponhamos que uma mensagem telegráfica seja recebida em Nova York informando que um enorme transatlântico está afundando em Sandy Hook[1]; e que 3.000 pessoas estão na iminência de morrer afogadas. Consideraríamos como um glorioso plano de salvação enviar em seu socorro um pequeno barco a motor que pudesse resgatar apenas dois ou três náufragos? Certamente que não. Somente quando algum outro meio mais adequado fosse providenciado para salvar pelo menos a grande maioria, é que poderíamos considerá-lo um bom “plano de salvação”.

O “plano de salvação” que os teólogos oferecem é ainda mais precário do que enviar um pequeno barco a motor para salvar as pessoas do transatlântico, pois dois ou três salvos para um total de 3.000 pessoas é uma proporção muito maior do que 144.000 de todas as miríades de almas criadas, segundo os próprios teólogos. Se Deus realmente tivesse elaborado esse plano, pareceria à mente lógica que Ele não seria bom. Se Ele não pode ajudar a si mesmo, Ele não é onipotente. Em nenhum dos casos, então, ele pode ser Deus. Tais suposições, no entanto, são absurdas como realidades, pois isso não pode ser o plano de Deus, e seria uma grande blasfêmia atribuir-Lhe tal coisa.

CAPÍTULO IV – A DOUTRINA DA REENCARNAÇÃO

Se nos voltarmos para a doutrina da reencarnação (renascimento em corpos humanos), que postula um lento processo de desenvolvimento levado a efeito com inabalável persistência através de repetidos renascimentos em formas humanas de crescente eficiência, pelo que todos os seres alcançarão no devido tempo uma estatura espiritual inconcebível à nossa limitada compreensão atual, facilmente poderemos perceber sua harmonia com os métodos da Natureza. Em toda parte, encontramos na natureza essa lenta, mas persistente luta pela perfeição, e em nenhum lugar vemos um processo súbito quer de criação, quer de destruição análogo àquele que os teólogos e materialistas querem fazer-nos crer.

A ciência reconhece que o processo de evolução, como o método de desenvolvimento da natureza, é igual tanto para a estrela do céu quanto para a estrela do mar, para o micróbio como para o ser humano. É o progresso do espírito no tempo e, à medida que observamos em volta e notamos a evolução em nosso universo tridimensional, não podemos nos furtar da evidência de que o seu caminho também é tridimensional, uma espiral. Cada espiral é um ciclo, e os ciclos seguem em ininterrupta progressão, à medida que as espirais se sucedem umas às outras, sendo que cada ciclo é o produto melhorado do precedente e a base do progresso dos ciclos subsequentes.

Uma linha reta nada mais é do que a extensão de um ponto, e assim também as teorias dos materialistas e dos teólogos. A linha materialista da existência vai do nascimento à morte; a linha do teólogo começa em um ponto imediatamente anterior ao nascimento e prolonga-se para o invisível além da morte. Não há retorno possível. A existência assim vivida extrairia um mínimo da experiência da Escola da Vida, como se o ser humano fora apenas um ser unidimensional incapaz de se expandir ou de alcançar as sublimes alturas da realização.

CAPÍTULO V – O PROGRESSO EM ESPIRAL

Um caminho de zigue-zague, de duas dimensões, para a vida evolucionante não seria o melhor, um círculo significaria voltar infindavelmente sobre as mesmas experiências. Tudo na natureza tem um propósito, inclusive a terceira dimensão. Para que possamos viver as oportunidades de um universo tridimensional, o caminho evolutivo deve ser em espiral. E assim é de fato. Em toda parte, quer no céu quer na terra, todas as coisas caminham para frente, para cima e para sempre.

A pequena planta no jardim e a sequoia[2] gigante da Califórnia, com seu tronco de 13 metros de diâmetro mostram a espiral na ordenação de seus ramos, talos e folhas. Se estudarmos a grande abóboda celeste e examinarmos a nebulosa espiralada, que são mundos em formação, ou os caminhos percorridos pelos Sistemas Solares, fica evidente que a espiral é o caminho do progresso.

Encontramos outra ilustração do progresso em espiral no curso anual de nosso Planeta. Na primavera, ela sai de seu período de repouso, desperta de seu sono hibernal. Então, vemos a vida brotando por toda parte. E a Natureza empregando todas as atividades para criar. O tempo passa; os cereais e a uva estão amadurecidos e sendo colhidos, e novamente o silêncio e a inatividade do inverno substituem a atividade do verão; e outra vez o manto de neve envolve a Terra. Mas ela não dormirá para sempre; e novamente despertará ao canto de uma nova primavera, e com isso terá progredido um pouco mais no caminho do tempo.

 

CAPÍTULO VI – A LEI DOS CICLOS ALTERNANTES

É possível que uma lei, sendo universal em todos os demais reinos da Natureza, seja revogada apenas no reino humano? Pode a Terra despertar todos os anos de seu sono hibernal; pode a árvore e a flor viver novamente e somente o ser humano morrer? Não, isto é impossível num universo governado por lei imutável. A mesma lei que desperta a vida na planta para um novo crescimento deve também despertar o ser humano para mais um passo rumo à perfeição. Portanto, a doutrina do renascimento, ou repetidas encarnações humanas em veículos de crescente perfeição, está em pleno acordo com a evolução e com os fenômenos da Natureza, quando se afirma que o nascimento e a morte seguem um ao outro em contínua sucessão. E isto se acha em plena harmonia com a lei dos Ciclos Alternantes que estabelece uma sequência ininterrupta, um após o outro: atividade e repouso, fluxo e refluxo, verão e inverno. Está também em perfeito acordo com a fase espiral da Lei de Evolução quando declara que toda vez que o Espírito retorna a um novo nascimento, assume um corpo mais perfeito e, à medida que o ser humano progride em conquistas mentais, morais e espirituais em consequência das experiências acumuladas de vidas passadas, alcança um melhor ambiente para viver.

Quando buscamos solucionar o enigma da vida e da morte; quando buscamos uma resposta que satisfaça tanto a Mente quanto ao Coração, sobre as diferenças nos dons ou condições dos seres humanos, buscando uma razão para a existência de tristeza e dor; quando indagamos por que um indivíduo é criado no regaço de luxo, enquanto outro tem de resignar-se com as miríades migalhas que lhe atiram; Por que um recebe uma educação moral, enquanto o outro é ensinado a roubar e a mentir; por que um nasce com uma feição e imagem venusiana, enquanto o outro nasce com a cabeça de Medusa[3]; por que um desfruta da mais perfeita saúde, enquanto outro jamais conhece um momento de alívio de suas dores; por que um tem o intelecto de Sócrates[4], enquanto outro mal sabe contar “um, dois ou muitos”; assim como os aborígenes Australianos, os materialistas ou teólogos nada podem esclarecer. O materialismo atribui às causas das enfermidades a Lei de Hereditariedade e, com relação às condições econômicas, Spencer[5] nos diz que, no mundo animal, a lei da Sobrevivência é “comer ou ser comido”; e na sociedade civilizada a Lei é “enganar ou ser enganado”.

CAPÍTULO VII – EXPLICANDO AS TENDÊNCIAS MORAIS

A hereditariedade explica parcialmente a constituição física. Semelhante produz semelhante, pelo menos no que concerne à forma, mas a hereditariedade não explica as tendências morais e as inclinações mentais, as quais diferem em cada ser humano. A hereditariedade é um fato nos reinos inferiores, onde todos os animais de uma mesma espécie parecem ser iguais, comem o mesmo tipo de alimento e agem de maneira semelhante em idênticas circunstâncias, porque não têm somente vontade própria, mas são dominados por um Espírito-Grupo comum. No reino humano é diferente. Cada ser humano age à sua própria maneira. Cada um requer uma dieta própria. Conforme passam os anos de infância e adolescência o Ego vai moldando o seu instrumento de tal maneira que nele reflete as suas características. Assim, não existem duas pessoas exatamente iguais. Mesmo os gêmeos que não podem ser distinguidos na infância diferenciam-se gradativamente ao crescerem, pois, suas próprias características é que formalizarão o pensamento do Ego interno.

No plano moral prevalecem semelhantes condições. Os registros policiais demostram que os filhos de criminosos incorrigíveis, geralmente, não possuem tendências criminosas; eles quase sempre se conservam afastados dos tribunais, e nas “galerias de criminosos” da Europa e da América é impossível encontrar pai e filho ao mesmo tempo. Assim, os criminosos são filhos de pessoas honestas sendo, portanto, a hereditariedade incapaz de explicar as tendências morais.

Quando considerarmos as elevadas faculdades intelectuais e artísticas, descobrimos que os filhos de um gênio são, muitas vezes, pessoas medíocres e até mesmo idiotas. O cérebro de Cuvier[6] foi o maior, jamais pesado e analisado pela ciência. Seus cinco filhos morreram de paresia[7]. O irmão de Alexandre, o Grande[8], era um idiota, e como esse, muitos outros casos poderiam ser citados de improviso, para mostrar que a hereditariedade explica apenas parcialmente a similaridade da forma, e nada esclarece sobre as condições mentais e morais. A Lei da Atração, que faz com que os músicos se agrupem em salas de concertos e estimula reuniões de pessoas literárias em razão de suas semelhanças e gostos; é a Lei de Consequência, que leva aqueles que desenvolvem tendências criminosas a se associar com criminosos, a fim de que possam aprender a praticar o bem, sofrendo as consequências do mal praticado, explicam, mais logicamente do que a hereditariedade, os fatos de associações e de caráter.

Os teólogos explicam que todas as condições são criadas pela vontade de Deus, que em Sua insondável sabedoria houve por bem tornar alguns ricos e a maior parte pobres; alguns inteligentes e outros tolos etc.; que Ele proporciona dificuldades e provações a todos; sendo que a maioria terá maiores dificuldades e provações e uma minoria terá pouco, dizendo ainda que devemos aceitar nossa parte sem murmurar ou queixas. Mas é quase impossível olhar o céu com amor quando se pensa que de lá vem, por capricho divino, todas as nossas desgraças, sejam grandes ou pequenas. E a bondosa mente humana se revolta ao pensamento de um pai que esbanja amor, conforto e riqueza a uns poucos, e envia tristeza, sofrimento e miséria a milhões. Certamente deve haver outra solução, diferente dessa, para os problemas da vida. Não é mais razoável supor que os teólogos interpretam mal a Bíblia, do que atribuir tão monstruosa conduta a Deus?

CAPÍTULO VIII – A LEI DE CONSEQUÊNCIA

A Lei de Renascimento oferece uma solução razoável a todas as desigualdades da vida, isto é, as tristezas e sofrimentos, quando se une à sua lei complementar, a Lei de Consequência mostrando o caminho da emancipação.

A Lei de Consequência é a Lei da Justiça da Natureza. Decreta que aquilo que o ser humano semear isso mesmo colherá. O que somos, o que temos, todas as nossas boas qualidades são resultado do nosso trabalho no passado, daí os nossos talentos. O que nos falta física, moral ou mentalmente é pelo fato de termos negligenciado certas oportunidades no passado, ou mesmo por não termos as tido, mas algum dia e em algum lugar teremos outras possibilidades e então, recuperaremos o que foi perdido. Quanto às nossas obrigações para com os demais e os débitos deles para conosco, a Lei de Consequência prevê isto. O que não pode ser liquidado em uma só vida será liquidado nas vidas futuras. A morte não cancela nossas obrigações, da mesma forma que mudando para outra cidade não liquidamos nossas dívidas contraídas aqui. A Lei do Renascimento provê-nos um novo ambiente, mas nele vamos encontrar nossos velhos amigos e nossos antigos inimigos. Nós os reconheceremos, pois quando encontramos com uma pessoa pela primeira vez e sentimos como se a conhecêssemos durante toda a nossa vida, isso não é mais do que um reconhecimento do Ego que atravessa o véu da carne e descobre o antigo amigo. Por outro lado, quando nos deparamos com uma pessoa que imediatamente nos inspira medo ou repulsa, novamente isso representa uma mensagem do Ego nos advertindo contra o nosso velho inimigo de vidas passadas.

CAPÍTULO IX – A ESCOLA DA VIDA

O ensino oculto relativo à vida, que baseia sua solução nas Leis gêmeas de Consequência e Renascimento, diz simplesmente que o mundo que nos rodeia é uma escola de experiência; que assim como enviamos uma criança à escola dia após dia e ano após ano, para que aprenda mais e mais conforme avance através das diversos graus, do jardim de infância à faculdade, assim também o Ego humano, como filho do Pai, vai à Escola da Vida, dia após dia. Só que nessa vida mais ampla do Ego, cada dia na escola é uma vida terrestre, e a noite que cai entre dois dias de aprendizado corresponde ao sono da morte numa vida mais ampla do Ego humano (o Espírito no ser humano).

Numa escola existem muitos graus. As crianças mais velhas que frequentaram as muitas aulas irão aprender lições muito diferentes daquelas que estão cursando o jardim de infância. Assim também, na Escola da Vida, aqueles que ocupam posições elevadas, dotados de grandes faculdades, são nossos Irmãos Maiores, enquanto que as pessoas não civilizadas ainda estão ingressando nas classes mais primárias. O que eles são agora nós também já fomos, e todos alcançarão, no devido tempo um ponto em serão mais sábios, do que aqueles que agora têm o conhecimento. Nem deve surpreender ao filósofo que o poderoso oprima ao fraco; as crianças mais velhas são cruéis com seus companheiros mais jovens, em determinada fase de seu crescimento, porque elas ainda não desenvolveram o verdadeiro senso de justiça, mas, à medida que elas crescem, aprenderão a proteger os mais fracos. O mesmo acontece às crianças de maior idade. O altruísmo floresce mais e mais em toda parte, e dia virá em que todos os seres humanos serão tão bons e benevolentes quanto os maiores santos.

Só existe um pecado: a Ignorância; e apenas uma salvação: o Conhecimento Aplicado. Toda tristeza, sofrimento e dor provêm da ignorância de como agir, e a Escola da Vida é tão necessária para o desenvolvimento de nossas capacidades latentes quanto a escola diária o é para as crianças despertarem suas faculdades.

CAPÍTULO X – NÓS SOMOS OS MESTRES DOS NOSSOS DESTINOS

Quando nos dermos conta de que isso é assim, a vida logo tomará outro aspecto. Não importarão, então, as condições em que nos encontramos, o saber que NÓS as criamos, ajudar-nos-á a suportar com paciência; e, melhor que tudo, o glorioso sentimento de que somos senhores de nosso destino, e de que podemos fazer o nosso futuro como bem o desejamos, o que seria em si mesmo um poder. Resta-nos desenvolver o que nos falta. Naturalmente que temos que levar em conta nosso passado, e é possível que muitos infortúnios possam dele resultar em consequências de más ações. Mas se deixarmos de praticar o mal, podemos contemplar com alegria qualquer aflição, considerando que elas estarão saldando velhas dívidas e nos aproximando do dia em que delas teremos uma boa recordação. Não é válida a objeção de que frequentemente o mais correto é o que mais sofre. As grandes inteligências que dão a cada ser humano a soma de suas dívidas passada; as quais devem ser liquidadas em cada vida, sempre o ajudam a liquidá-las sem lhe acrescentar novas, mas apenas dando-lhe tanto quanto ele possa suportar para apressar o dia de sua emancipação; e, nesse sentido é estritamente verdadeiro que “O Senhor castiga a quem ama”[9].

A doutrina do Renascimento muitas vezes é confundida com a teoria da transmigração, que ensina que o espírito humano pode encarnar em um animal. Isso não tem fundamento na natureza. Cada espécie de animal é emanação de um Espírito-Grupo, o qual os governa DE FORA, por sugestão. O Espírito-Grupo funciona no Mundo do Desejo, onde a distância não existe; por isso ele pode influenciar qualquer membro da espécie que dirige e em qualquer lugar em que esse se encontre. Por outro lado, o Espírito humano, o Ego, penetra dentro de um Corpo Denso; assim, existe um Espírito individual em cada pessoa, habitando em seu instrumento particular e guiando-o DE DENTRO. Esses dois estágios evolutivos são inteiramente diferentes, sendo tão impossível ao ser humano encarnar em um corpo animal quanto para um Espírito-Grupo tomar a forma humana.

CAPÍTULO XI – RECORDANDO VIDAS PASSADAS

A pergunta “Por que não recordamos das nossas existências passadas?” é outra aparente dificuldade. Mas se compreendermos que a cada nascimento temos um cérebro totalmente novo, e que o Espírito humano é fraco e se acha absorvido pelo seu novo ambiente, não nos deve surpreender afinal que ele não possa impressionar fortemente o cérebro nos dias da infância, quando ele é mais sensível. Algumas crianças recordam seu passado, especialmente nos primeiros anos, e é coisa das mais patéticas o fato de tais crianças serem totalmente incompreendidas nessas ocasiões pelas pessoas mais velhas. Quando falam da vida passada elas são ridicularizadas, e até punidas por serem “fantasiosas”. Se as crianças falam de seus companheiros invisíveis, e de que “veem coisas” – porque muitas crianças são clarividentes – acabam defrontando-se com o mesmo tratamento severo, e o inevitável resultado é que elas aprendem a calar-se até perderem por completo aquela faculdade. Acontece, porém, que algumas vezes, quando a afirmação da criança é ouvida, resultam em espantosas revelações. O escritor ouviu falar sobre esse caso há alguns anos na costa do Pacífico:

Uma História Notável

Certo dia, na cidade de Santa Bárbara, uma criança vendo um cavalheiro, chamado Roberts, que passava pela rua, pôs-se a correr na sua direção, gritando “Papai”, e insistindo em afirmar que ela vivera com ele e com a ‘outra mãe’ em uma casinha perto do riacho; e que certa manhã ele as deixara para não mais voltar. E que ela e sua mãe haviam morrido de fome e a pequena criança finalizou dizendo estranhamente: “Mas eu não morri, vim para cá”. A história não foi contada em um só fôlego, nem resumidamente, mas sim a intervalos, por uma tarde inteira e em respostas e perguntas intermitentes. A história do Sr. Roberts é a da precipitada fuga de dois jovens namorados; de seu casamento e migração da Inglaterra para a Austrália; da construção de uma casinha próxima a um riacho e num lugar ermo; de sua saída de casa certo dia deixando sua mulher e o bebê, e de sua prisão sem que lhe fosse concedida permissão para avisar a sua esposa – porque os agentes temiam a fuga do prisioneiro – de como foi levado sob a mira das armas até o litoral e embarcado para a Inglaterra, acusado de assalto a um banco na mesma noite em que viajara para a Austrália; de como, chegando à Inglaterra, conseguiu provar sua inocência,  e de como só então, atendendo aos insistentes rogos sobre sua esposa e filha, que àquela altura deveriam estar morrendo de inanição, as autoridades concordaram em organizar e enviar um grupo de salvamento, e em resposta soube que o grupo encontrara apenas os ossos de uma mulher e de uma criança. Todas essas coisas corroboraram a história da menininha de três anos; e sendo-lhe mostradas algumas fotografias ao acaso, ela pôde apontar as do Sr. Roberts e as de sua esposa, embora o Sr. Roberts tivesse mudado bastante nos dezoito anos decorridos desde a tragédia até àquele incidente em Santa Bárbara.

CAPÍTULO XII – FREQUÊNCIA DO RENASCIMENTO

Não se deve supor, contudo, que todos os que atravessam os portais da morte renasçam em tão pouco tempo, como aconteceu com a menina. Tão curto intervalo tiraria do Ego a oportunidade de realizar o importante trabalho de assimilar experiências e preparar-se para uma nova vida terrena. Mas uma criança de três anos não tem ainda experiências significativas, podendo, portanto, buscar logo a seguir um novo corpo físico para renascer, geralmente na mesma família. Muitas vezes uma criança morre porque algumas modificações nos hábitos dos pais frustra o cumprimento do destino resultante de seus atos passados. Então é necessário aguardar outra oportunidade, mas também elas podem nascer e morrer a seguir para ensinar aos pais uma lição de que eles precisem. Houve um caso em que um Ego encarnou oito vezes na mesma família com tal propósito, até que os mesmos aprendessem a lição. Depois, renasceu em outro lugar. Era um amigo da família que adquiriu grande mérito, ajudando-os deste modo.

A Lei do Renascimento, quando não é alterada pela Lei da Consequência, em tão grande extensão como no caso acima mencionado, trabalha consoante ao movimento do Sol, conhecido por Precessão dos Equinócios, pelo qual o Sol retrocede através dos doze Signos do Zodíaco, assim chamado Ano Sideral ou Mundial que compreende 25.868 anos solares ordinários.

À medida que o movimento da Terra em sua órbita ao redor do Sol produz as mudanças climáticas conhecidas como estações, as quais por sua vez alteram as nossas condições e atividades, da mesma forma o movimento do Sol por precessão nos grandes anos siderais produz mudanças ainda maiores nas condições climáticas e topográficas, relacionadas com a civilização, sendo necessário que o Ego em seu aprendizado experimente a todas.

Portanto, o Ego renasce duas vezes durante o tempo em que o Sol percorre cada um dos Signos do Zodíaco, e que é aproximadamente 2.100 anos. Portanto, normalmente, transcorre cerca de 1.000 anos entre duas encarnações e, como as experiências de um homem diferem grandemente das de uma mulher – não se modificam materialmente em mil anos as condições terrestres – assim, o Espírito geralmente renasce alternadamente ora como homem e ora como mulher. Mas isto não significa ser a regra rígida e inflexível. Ela está sujeita a modificações sempre que a Lei de Consequência o exija.

CAPÍTULO XIII – A SOLUÇÃO PARA O ENIGMA

Assim, pela experiência por parte do Ego, a ciência oculta soluciona o enigma da vida em todas as condições que se têm esse objetivo, sendo que todos são determinados automaticamente pelos méritos de cada um. Isto arranca da morte o seu aguilhão e o terror que o inspira, colocando-a no lugar que merece e considerando-a como um simples incidente numa que é mais ampla, analogamente ao fato de nos mudarmos para outra cidade por algum tempo; isto torna menos triste à partida daqueles a quem amamos, pois nos garante que o mesmo amor que lhes devotamos será o elemento que a eles nos unirá outra vez, e ainda nos proporciona esperança maior: a de que alcançaremos algum dia o conhecimento que solucionará todos os problemas; que ligará todas as nossas vidas; e melhor que tudo – conforme nos ensina a ciência oculta – que através de sua aplicação temos nela, o poder de apressar o glorioso dia em que a fé será absorvida pelo conhecimento. Então, poderemos compreender em seu sentido mais profundo a beleza do poético enunciado da doutrina do renascimento, de Edwin Arnold[10]:

O Espírito jamais nasceu!

E jamais deixará de existir!

Jamais houve tempo em que deixou de ser,

Princípio e fim são sonhos no sentir.

O Espírito permanece sempre sem nascer e sem morrer.

A Morte jamais o tocou,

Embora possa parecer.

Morta a casa em que habitou

Não! Simplesmente como alguém que tira

Uma roupa usada e a joga além

E ao vestir outra, diz;

Hoje, essa veste vou usar.

Assim também, o Espírito põe à margem

Uma transitória e carnal roupagem

E prossegue para, então, herdar

Outra morada, outro novo lar!

FIM

[1] N.T.: é uma península barrier de aproximadamente 9,7 km por 800 m, em Middletown, Monmouth County, no leste do estado de Nova Jersey, nos Estados Unidos.

[2] N.T.: A sequoia-gigante é a maior árvore do mundo em termos de volume. Ela atinge em média de 85 – 115 m de altura, e 8–13 m em diâmetro. A sequoia-gigante mais velha conhecida possui 4.650 anos de idade.

[3] N.T.: A Medusa, na mitologia grega, era um monstro ctônico do sexo feminino

[4] N.T.: Sócrates (c. 469 a.C.-399 a.C.) foi um filósofo ateniense do período clássico da Grécia Antiga. Creditado como um dos fundadores da filosofia ocidental

[5] N.T.: Herbert Spencer (1820-1903) foi um filósofo inglês e um dos representantes do liberalismo clássico.

[6] N.T.: Georges Cuvier (1769-1832) foi um naturalista e zoologista francês da primeira metade do século XIX, é por vezes chamado de “Pai da Paleontologia”. Foi uma figura central na investigação em história natural na sua época, comparou fósseis com animais vivos criando assim a Anatomia Comparada.

[7] N.T.: A paresia é a disfunção ou interrupção dos movimentos de um ou mais membros: superiores, inferiores ou ambos e conforme o grau do comprometimento ou tipo de acometimento fala-se em paralisia ou paresia.

[8] N.T.: Alexandre III da Macedônia (português europeu) (356 a.C.-323 a.C.), comumente conhecido como Alexandre, o Grande ou Alexandre Magno foi rei (basileu) do reino grego antigo da Macedônia.

[9] N.T.: Hb 12:6

[10] N.T.: Edwin Arnold (1832-1904), foi um poeta e jornalista britânico.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Livro: Cristo ou Buda?

“Quando o Ensinamento Oculto oriental foi apresentado para o Mundo Ocidental, quarenta anos atrás, suas explicações sobre o universo foram aceitas como razoáveis por muitos estudantes. O Conceito Rosacruz do Cosmos,  publicado em 1909, era similar em alguns aspectos no que se refere às leis que governam o universo. A questão que, naturalmente, surge sobre seu escopo e propósito, o motivo pelo qual foi dado, e porque seus ensinamentos e métodos de desenvolvimento são mais adequados para uma civilização mais avançada e moderna. Este tratado foi escrito em resposta a esse questionamento e para corrigir as conclusões errôneas, baseadas em exames superficiais, que ambos os ensinamentos são iguais.”

Alcance aqui um excelente material para estudar sobre: algumas diferenças entre os Ensinamentos do Ocidente e do Oriente com ênfase em particular no método Ocidental de desenvolvimento da alma.

1. Para fazer download ou imprimir:

Cristo ou Buda? – de Annet C. Rich

2. Para estudar no próprio site:

CRISTO OU BUDA?

Por

Annet C. Rich

Com Prefácio de

Max Heindel

Fraternidade Rosacruz

Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82

Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil

Traduzido e Revisado de acordo com:

1ª Edição em Inglês, Christ or Buddha?, 1914, editada por The Rosicrucian Fellowship

Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

www.fraternidaderosacruz.com

contato@fraternidaderosacruz.com

fraternidade@fraternidaderosacruz.com

PREFÁCIO

O seguinte tratado foi escrito pela autora a meu pedido, com o objetivo mencionado nos dois primeiros parágrafos, e tendo ela dedicado anos nos estudos de ambos os sistemas Religiosos Orientais e Ocidentais, na minha opinião, ela tem uma visão mais abrangente do tema. Ela se simpatizou mais com o ensinamento oriental e assim se tornou uma alma iluminada. Assim, o espírito deste pequeno livro não é controverso em nenhum sentido, pois nós não acreditamos em tentar construir nossa própria Religião lançando aspersões sobre a Religião de outras pessoas. Estamos tão certos de que a Religião do Oriente é perfeitamente adequada para as pessoas que vivem lá como que a Religião Cristã é a Religião para o povo Ocidental. Se Buda estivesse ensinando hoje e um estudante do Ocidente perguntasse a sua opinião sobre se ele deveria segui-lo ou a Cristo, tenho certeza de que ele iria direcionar o inquiridor para a Luz do Mundo. Este pequeno livro é, portanto, enviado com a esperança de que ele possa mostrar aos estudantes ocidentais que sua Religião é a Religião Cristã, e que eles devem deixar a Religião Oriental para o povo oriental, abraçando com todo o seu coração e alma a Religião do Cristo.

Max Heindel

ÍNDICE

Um Retrospecto Histórico

Christian Rosenkreuz

Involução, Evolução e Epigênese

  1. A ausência da descoberta de ligações entre os antropoides superiores mais evoluídos e o ser humano
  2. A esterilidade dos híbridos
  3. A supremacia moral e mental do ser humano sobre os animais

Transe

Sono sem sonhos

Sono com Sonhos

O estado de vigília

  1. A existência de órgãos que não são usados por seus possuidores

O Mistério do Sangue

O Mistério do Sexo

O Mistério da Mortalidade Infantil

O Mistério da Morte

O Cristo do Ocidente não é o Cristo do Oriente

O Cristo do Ocidente

Conclusão

INTRODUÇÃO

Quando o Ensinamento Oculto oriental foi apresentado para o Mundo Ocidental, quarenta anos atrás, suas explicações sobre o universo foram aceitas como razoáveis por muitos estudantes. O Conceito Rosacruz do Cosmos,  publicado em 1909, era similar em alguns aspectos no que se refere às leis que governam o universo. A questão que, naturalmente, surge sobre seu escopo e propósito, o motivo pelo qual foi dado, e porque seus ensinamentos e métodos de desenvolvimento são mais adequados para uma civilização mais avançada e moderna.

Este tratado foi escrito em resposta a esse questionamento e para corrigir as conclusões errôneas, baseadas em exames superficiais, que ambos os ensinamentos são iguais.

O capítulo oito da Epístola de São Paulo aos Hebreus conta sobre um tempo por vir onde não será necessário ensinar ao ser humano sobre como conhecer a Deus, pois todos, do menor ao maior, terão Suas leis inscritas em seus Corações e Mentes, e todos O conhecerão. A percepção espiritual atual está obscurecida em vários graus pelo véu da carne e do sangue que “não poderá entrar no Reino de Deus”. Agora estamos tateando pela verdade que nos libertará dos grilhões da carne e nos trará as faculdades espirituais requeridas para conhecer a Deus. É uma promessa do Cristo que se nós buscarmos, nós encontraremos. Ele não fez exceções; não devemos temer que alguém ficará “perdido”. Mas muito esforço será poupado se buscarmos na direção certa, e por isto nos sentimos impelidos a colocar, diante dos estudantes Ocidentais, algumas diferenças entre os Ensinamentos do Ocidente e do Oriente com ênfase em particular no método Ocidental de desenvolvimento da alma, um método naturalmente adaptado para as pessoas que vivem no Ocidente e que leva em conta as diferenças mentais e raciais entre as civilizações ocidentais e orientais (ou povos).

  • Acreditamos que TODAS as religiões foram divinamente dadas, cada uma perfeitamente adequada para a nação para a qual foi dada; foram originadas por um dos mensageiros de Deus.
  • Nós sabemos que a evolução das civilizações foi do Oriente para o Ocidente, e que as pessoas mais avançadas agora vivem no Ocidente.
  • Acreditamos que a suposição mais razoável é que a Religião mais avançada tenha sido dada para as pessoas mais avançadas, e que, portanto, nossa Religião Cristã é no presente momento a mais elevada forma de adoração.
  • Sabemos que cada uma das religiões antigas tinha Escolas de Mistérios para as almas avançadas, e também que Cristo deu a Seus Discípulos escolhidos conhecimento referente aos “mistérios do Reino dos Céus”, mas para o público deu esse conhecimento em forma de parábolas.
  • No Ensinamento Ocidental a FRATERNIDADE UNIVERSAL é considerada o maior ideal. Nos Ensinamentos de Mistérios Cristãos do Ocidente, a AMIZADE UNIVERSAL é o ideal. O Cristianismo deve ser uma Religião cósmica, ao invés de racial, e seus ensinamentos esotéricos estão destinados a se tornarem universais. De acordo com os ensinamentos Ocidentais, Cristo será o líder da nova Grande Época, e retornará, não em corpo físico, mas em “Corpo-Alma” (soma psuchicon), conforme ensinado por São Paulo na Primeira Epístola aos Coríntios, 15-45. Esse veículo é construído de Éter, e quando o ser humano tiver desenvolvido a consciência etérica para que ele possa encontrar Cristo “face a face”, Ele aparecerá.
  • Se a Religião Cristã é a mais avançada, então, seus ensinamentos ocultos devem ser, necessariamente, mais profundos e de maior alcance do que qualquer outro. Os Ensinamentos de Sabedoria Ocidental incluem métodos de desenvolvimentos do Corpo-Alma para que possamos funcionar, de forma consciente, nos Mundos invisíveis, enquanto que ainda vivemos em Corpo Denso. Estes métodos são, particularmente, adaptados para às necessidades dos Ocidentais, consequentemente eles são eficazes nos seus resultados sem os perigos que decorrem do uso dos métodos Orientais.

Nós queremos acrescentar que após muitos anos de estudo das religiões antigas falamos sem preconceitos e com gratidão pela luz recebida por meio delas. Portanto, nos sentimos livres para dar voz a nossa convicção de que a Religião Cristã é a mais avançada do que qualquer uma de suas predecessores; que os Ensinamentos de Mistérios Cristãos, agora promulgados pela Ordem Rosacruz por meio da Fraternidade Rosacruz, são ambas científicas e especialmente adaptadas para nossa civilização avançada; e que repudiar a Religião Cristã por qualquer sistema antigo é análogo a preferir os textos científicos antigos ao invés das edições que estão atualizadas com as descobertas atuais.

Um Retrospecto Histórico

Não precisamos mais ficar relembrando que vivemos em tempos repletos de inovações. Todos os departamentos de nossa civilização são varridos pelo intrépido, invasivo espírito da pesquisa, das investigações e análises. Também não podemos deixar de observar que estamos vivendo em uma época em que o intelecto está atingindo sua expressão mais prática e intensa; que está se arrogando com uma confiança real e autossuficiente, o direito de desafiar qualquer código de ética, qualquer teoria da vida ou Religião, qualquer marco da civilização ou qualquer hipótese da ciência e exigir a prova de seu direito à existência. Nada, no universo é demasiado colossal para sua investigação ou demasiado infinitesimal para sua análise. A sociedade deixou de se encolher dos ataques revolucionários das descobertas científicas que há muitos anos vêm derrotando a ignorância, o preconceito e dogmatismo com força irresistível. Esses tiveram seu dia, e agora são impotentes para retardar o progresso; a humanidade está avançando querendo ou não.

Em nenhum departamento da vida o espírito da pesquisa, do esquadrinhamento da investigação está mais intimamente manifestado do que na Religião. Nesse domínio do mistério e da tradição, nas profundezas de sua origem, no reino de sua autoridade marchou o implacável espírito da pesquisa, que não parou nem se encolheu, nem se voltou, embora todos os baluartes sagrados do credo ameaçavam desmoronar antes da invasão. O intelecto está exigindo um direito superior ao do sacerdote para interpretar a verdade da Religião, afirmando com confiança que se não pode discernir a verdade ou penetrar além das fronteiras do invisível para o conhecimento de Deus, nenhuma outra faculdade existe capaz de conhecer a Deidade.

Se olhamos para trás ao longo dos séculos da história, notamos que a idade intelectual e material atual é fruto de um passado longo e significativo; a crista de uma onda de progresso que seguiu um impulso enviado desde o início da corrida. O nosso vislumbre sobre as civilizações da Índia, do Egito, da Pérsia ou Grécia pode ser vago ou inseguro, no entanto, podemos notar que desde o nascimento da raça Ária a linha de progresso está à disposição da glória do pôr-do-sol.

Quando a Índia atingiu o auge de sua grandeza, a Religião hindu ensinou uma concepção de Deus e Sua onipotência que em toda a história não foi excedida para a espiritualidade elevada. Da crista da onda de progresso brilhou, ao longo dos séculos, a luz da maravilhosa verdade da unidade da vida e de uma Presença divina no universo. Então, com profunda quietude, a onda recuou para reaparecer na Pérsia, acrescentando uma nova luz para estimular o progresso humano.

Não costumamos associar a ideia de desenvolvimento material ao Oriente, mas ele nasceu lá. Como a nota-chave da Religião hindu é a unidade, realizando a Deidade em todas as partes do universo, então a nota-chave da Religião Persa ou Zoroástrica é pureza; pureza de conduta e nos assuntos da vida. Zoroastro veio para afastar o seu povo da preguiça e da ociosidade em que haviam caído e para despertá-los do estado de apatia e contemplação inativa da vida interior, muito comum entre os hindus, à consideração da verdade espiritual adaptada a seu dia. Como todas as grandes religiões enfatizou o lado prático da vida ao invés do metafísico, e seu lema de “pensamentos puros, palavras puras, atos puros” revela quão antiga é a doutrina do pensamento correto e do viver correto.

Séculos mais tarde, o Buda veio para re-anunciar as antigas verdades que estavam ocultas sob os escombros do egoísmo e das castas, e sentindo o sofrimento e o pecado do mundo que está enraizado no desejo não realizado, seu coração compassivo procurou aliviar a tristeza, por meio da doutrina de superar todo o desejo e, assim, alcançar a paz, uma doutrina que caiu como uma benção sobre as vidas perturbadas de seus contemporâneos, e que ainda vive no coração de seus seguidores.

Com a passagem do grande mestre oriental, a glória do Oriente começou a desvanecer. Mais uma vez a onda espiritual recuou para reaparecer entre os gregos. Uma vez que os gregos não conseguiram nenhum tipo mais elevado de intelecto puro do que o deles tinham alcançado; a arte deles, sua filosofia sempre fala na linguagem do repouso, da dignidade, do autocontrole. Para eles, VERDADE e BELEZA eram pérolas de grande valor. Eles inscreveram nos seus templos “Conhece-te a Ti mesmo”, pois se conhecer é conhecer a verdade. Quer se manifestando através do poder consciente de seu deus Apolo, saindo de seu templo para defender pessoalmente o santuário sagrado, quer refletido nas esplêndidas conquistas de Péricles ou a filosofia elevada de Pitágoras, Sócrates ou Platão, encontramos sempre nos gregos a presença do poder intelectual e da autossuficiência, mas a Grécia caiu diante do militarismo organizado de Roma.

Do seu auge da supremacia militar, Roma olhava com complacência para o mundo que conquistara. De forma simples, ela sonhou que derrubaria a força espiritual, deixando uma herança de lei, ordem e justiça para uma geração posterior.

Vislumbrar a miséria e a degradação do mundo aos pés de Roma, escravizada pelo vício, pela apatia e pela superstição, é perceber, embora vagamente, até que ponto a humanidade se afastou dos altos preceitos dos antigos Instrutores. As antigas notas-chave de unidade e pureza soou, ainda em tudo muito fraco, entre o murmúrio do preconceito da raça e da separação entre raças. O Egito estava envolto na escuridão de um sacerdócio degenerado; a Índia estava encadeada por castas; Pérsia dormia debaixo de suas coberturas de joias; a glória da Grécia estava ofuscada; Roma, fervente com vício e dissipação, afrontava os deuses com seus fogos de acampamento; e quase parecia como se Deus tivesse esquecido Seu mundo. Mas, “Ele permanece imóvel ainda que dentro da sombra, vigiando acima do Seu próprio”[1]. Novamente chegou a hora de uma dessas manifestações divinas que, de tempos em tempos, ocorrem para ajudar a humanidade. Tal manifestação invariavelmente ocorre quando a opressão das trevas parece muito pesada e um novo impulso é necessário para acelerar o crescimento espiritual.

Nesse lamaçal de um império em decadência, no cansaço de um mundo desesperado, no meio de um povo perdido e desprezado, desceu o Espírito do Sol, Cristo, manifestando “a maior das medidas divinas ainda postas para a elevação do mundo”[2]. Cristo não veio sozinho para resgatar a verdade do esquecimento, para trazer de volta os antigos ensinamentos ou para restabelecer a lei, mas para lhes acrescentar o maior princípio de todos – o Amor; para revelar à humanidade a doutrina do coração; como podemos alcançar uma sabedoria mais sublime pelo caminho do amor do que podemos alcançar pela razão. Ele veio para substituir as Religiões de Raça que foram instituídas por e sob a orientação de Jeová, com uma RELIGIÃO CÓSMICA, promovendo a Amizade Universal bem como a Fraternidade Universal; uma Religião em que o reinado da Lei deve ser substituído pelo reinado do Amor, e onde o espírito de antagonismo e separação, que está na raiz de todas as Religiões de Raça, seja transmutado em serviço desinteressado; cada um para todos; para que as nações possam transformar suas espadas em arados e o reinado da Amizade e da Paz comece.

Em todas as religiões anteriores haviam verdades mais profundas do que foram dadas às massas. Os sacerdotes eram os guardiões desse conhecimento interior, e a Iniciação estava aberta apenas a alguns. A humanidade, como um todo, não estava suficientemente avançada para recebê-la. Aqueles que foram iniciados nos antigos Mistérios necessitavam da mediação dos sacerdotes, e somente o Sumo Sacerdote podia entrar no mais íntimo Templo de Deus. Quando Cristo veio, gerado do Pai, Ele trouxe diretamente para a humanidade a luz e o poder do Sol espiritual. Ele derramou na vida humana o Raio Cósmico de Si mesmo. Ele é o elo entre Deus e o ser humano, o Caminho, a Verdade e a Vida, preenchendo em si o ofício de Sumo Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, Ele mesmo Iniciador; e agora “todo aquele que quiser, tome a água da vida livremente”.

Parece paradoxal considerar o crescimento material e a supremacia da civilização moderna como, em qualquer sentido real, o resultado de um impulso enviado pelo gentil Nazareno, mas o nascimento da Religião Cristã deu um estímulo direto e especial para a realização INDIVIDUAL, pois ela quebrou as barreiras de casta e raça e revelou o fato de que todos os seres humanos são iguais aos olhos de Deus. Que todos são irmãos é um fato na natureza, mas sob o regime de Jeová alguns eram preferidos e outros não; portanto, Cristo veio para nivelar as diferenças. A própria Galileia era um lugar mais apropriado para uma nova ordem das coisas do que a princípio parece. Obscuro como é hoje, há dois mil anos, a Galileia era a Meca dos viajantes que se reuniam lá de todas as partes conhecidas do mundo. Era tão cosmopolita quanto a própria Roma, uma espécie de “caldeirão”, proporcionando condições favoráveis ​​ao nascimento de um corpo e de um cérebro diferentes do tipo comum, e um ambiente onde a adaptabilidade aos novos impulsos pudesse encontrar alcance e de onde novas concepções poderiam ser enviadas para o mundo.

Na nova Religião Cristã, os antigos ideais de escravo e mestre, judeus e gentios, sacerdotes e povos, brâmanes e párias foram substituídos pelos ideais de IGUALDADE, INDEPENDÊNCIA e LIBERDADE INDIVIDUAL. Até os mais humildes começaram a erguer a cabeça como pessoas livres e a alcançar a realização individual e o desenvolvimento individual; e com essa nova sensação de liberdade em seus corações, é de admirar que começaram a saciar sua primeira sede de auto expressão por meio das águas da prosperidade material, que nunca antes haviam fluido tão abundantemente aos seus pés. Nossa civilização moderna é uma consequência normal desse impulso dado ao desenvolvimento individual, tanto no pensamento quanto na ação.

As realizações materiais e intelectuais da civilização moderna evoluíram naturalmente o espírito crítico e analítico que acompanha sempre o crescimento individual. Isso foi acentuado pelo nascimento da ciência moderna. Hoje, o intelecto está entronizado no conhecimento que adquiriu e se recusa a aceitar qualquer coisa como verdade que não pode ser vista, medida ou analisada. Mas, embora a ciência física possa zombar da Religião Cristã de amor e auto sacrifício, como sendo não-científica e contrária às leis de autopreservação e sobrevivência dos mais aptos, os ensinamentos do humilde Nazareno inocentaram silenciosa e quase imperceptivelmente o Mundo Ocidental com um espírito de altruísmo, impelindo a humanidade a suportar os fardos uns dos outros e tornar a causa do bem-estar individual a causa do todo.

Christian Rosenkreuz

Todo estudante sabe que a civilização moderna não foi alcançada por estágios de crescimento constante e uniforme. Seguindo o impulso inicial do Cristianismo veio a horrível Idade das Trevas com seu manto de superstição e intolerância. A Religião Cristã foi usada como uma escada para a ganância e ambição, e os ensinamentos ocultos de Cristo foram submergidos sob o dogmatismo teológico que ameaçou prender o progresso humano por causa da supremacia eclesiástica. Os grilhões do sacerdócio autocrático foram, por fim, quebrados pela ciência moderna, e a RAZÃO saltou para a perigosa e tirânica supremacia que mantém ainda hoje.

O intelecto, em sua revolta contra a superstição, logo mostrou uma inclinação para o ultra-materialismo. Para que esse poder não engolisse a verdade espiritual, surgiu no século XIV um grande Mestre com o nome simbólico de Christian Rosenkreuz para lançar nova luz sobre os incompreendidos ensinamentos Cristãos, preservá-los e guiá-los por meio das iminentes controvérsias materialistas e científicas. Ele é um guardião da Sabedoria Oculta do Ocidente, que sozinha pode satisfazer, AMBOS, Coração e Mente.

Estamos hoje no meio de uma civilização nascida do estresse, da luta e da ultra-atividade; uma civilização cortada pela espada e arrastada pelo sangue humano. Verdadeiramente, Cristo refuta a prosperidade física ou saudável do seu povo. Para o conhecimento desse e de outros ramos da ciência, o Ensinamento da Sabedoria Ocidental dos Rosacruzes fornece certas explicações, novas e abrangentes, que orienta a uma solução racional para muitos dos problemas da evolução.

Involução, Evolução e Epigênese

Além de apresentar a teoria da Involução da VIDA e a Evolução Sincrônica da FORMA, o ensino ocidental inclui um terceiro fator, a Lei da EPIGÊNESE. O ser humano é ele mesmo um fator na construção de seus corpos. Durante a vida pré-natal, ele trabalha inconscientemente, construindo na “quintessência da formação de Corpos”; mais tarde ele começa a trabalhar conscientemente, e quanto mais avançado ele é, melhor pode construir. Em cada encarnação ele faz algum TRABALHO ORIGINAL, de modo que “há um afluxo de causas novas e originais o tempo todo”, e este processo de tomar a iniciativa, de criar novas possibilidades de crescimento, é chamado de “Epigênese”. Isso permite que o ser humano se torne um GÊNIO e um colaborador das Hierarquias Criadoras do Mundo. Se a evolução consistisse simplesmente no desenvolvimento de possibilidades germinais ou latentes, o ser humano não poderia se tornar um criador. O ensinamento oriental não diz nada sobre este princípio de longo alcance.

Logo após a promulgação da teoria da evolução de Darwin, foram apresentadas certas objeções que nunca foram respondidas satisfatoriamente pela ciência, mas que recebem uma explicação razoável no Ensinamento da Sabedoria Ocidental. Estas objeções à teoria darwiniana da evolução são:

1. A ausência da descoberta de ligações entre os antropoides superiores[3] mais evoluídos e o ser humano

Há sempre um movimento na natureza, e como o ser humano passou por vários reinos, ele evoluiu e ocupou formas adaptadas a cada estágio de desenvolvimento. “É uma lei na natureza que ninguém pode habitar um Corpo mais eficiente do que ele é capaz de construir”. Quando a forma atinge o limite de sua capacidade de utilidade, começa a degenerar, tendo servido seu propósito como um veículo de crescimento. Ao longo do caminho sempre houve alguns que se recusaram a avançar e foram deixados para trás, como retardatários. À medida que os pioneiros passavam para os Corpos mais adequados para o progresso, os modelos arquetípicos de seus veículos desgastados e degenerados eram ocupados pelos menos evoluídos e pelos retardatários, que os utilizavam como trampolins até que os Corpos correspondentes cristalizassem ao ponto de serem inúteis para a possibilidade da vida em evolução. A ciência fala da evolução das formas, mas há também essa linha de formas degeneradas usada pelos menos evoluídos e pelos retardatários. Os Antropóides superiores pertencem a esta última classe e, em vez de serem os progenitores do ser humano, são, na realidade, retardatários que ocupam as formas degeneradas, já utilizadas pelo ser humano no passado. O ensino oriental atribui sua existência às relações impróprias do ser humano primitivo com os animais.

2. A esterilidade dos híbridos

Esse é outro problema na evolução, completamente omitido pelo ocultismo oriental, nem explicado satisfatoriamente pela ciência, mas recebe uma solução racional no Ensinamento da Sabedoria Ocidental. Resumidamente:Até que os animais se tornem animados por espíritos individuais habitados dotados de razão para guiá-los conscientemente ou subconscientemente DE DENTRO, a Mãe Natureza designa sabiamente um Espírito-Grupo que os guia DE FORA em harmonia com a lei cósmica; e o que chamamos de “instinto” é uma manifestação da sabedoria deste Espírito-Grupo. Quando os animais de diferentes espécies se acasalam, sua progênie não está totalmente sob o controle de qualquer um dos Espíritos-Grupo que guiam seus pais. Se os híbridos pudessem se propagar, eles ficariam ainda mais longe da orientação e do controle do Espírito-Grupo; seria uma onda desamparada no mar da vida, não tendo nem instinto nem razão. Portanto, os Espíritos-Grupo retiram beneficamente o Átomo-semente necessário à fertilização dos híbridos, que são, portanto, estéreis.O fato observado cientificamente de “hemólise”, ou destruição de sangue quando misturado artificialmente, também tem um importante papel nesse assunto. Isso é totalmente elucidado no Livro Conceito Rosacruz do Cosmos, para o qual os estudantes que desejam investigar o assunto em profundidade farão bem em se referir.

3. A Supremacia Moral e Mental do Ser Humano sobre os Animais

Este fato, tão aparente que não pode escapar da percepção do observador mais superficial, não é claramente explicado pelo ocultismo oriental, mas recebe tratamento completo e lógico no Ensinamento da Sabedoria Ocidental dos Rosacruzes.

As plantas extraem seu sustento do solo, os animais se alimentam das plantas e os seres humanos tomam seu alimento dos reinos inferiores. Assim, em última análise, todas as formas minerais, vegetais, animais e humanas são compostas dos mesmos constituintes químicos da Terra.

Além deste mundo de forma física que vemos, há domínios invisíveis aos olhos, mas perceptíveis por um sexto sentido latente na maioria, mas despertado em alguns. Esta visão espiritual revela a existência de:

Como uma forma construída de matéria química é necessária para a vida no Mundo Físico, também é necessário ter um veículo feito da substância dos outros reinos da natureza, a fim de expressar suas qualidades. Além disso, a vida em evolução está sempre buscando a expansão da consciência. Para isso, as formas se tornam mais complexas à medida que subimos na escala do mineral para o ser humano, e veículos invisíveis também são adicionados à forma física. O ser humano só tem veículos que o correlacionam a todos os quatro reinos, o que resulta em quatro estados de consciência análogos aos possuídos pelos quatro reinos:

Transe

Em sessões espirituais, entidades invisíveis realizam a proeza de materialização extraindo do corpo de um médium, formando-o como desejam, e enchendo essa urdidura a qualquer densidade desejada com uma trama de partículas físicas flutuando na atmosfera. O corpo do médium é assim separado dos veículos superiores que o ligam ao espírito, daí o médium está em um estado de profunda inconsciência que chamamos de “transe”. Como o mineral tem apenas um corpo físico, pode-se dizer que ele tem uma consciência de transe.

Sono sem sonhos

Quando olhamos para uma pessoa envolvida em um sono sem sonhos, o corpo parece inerte; mas quando focalizamos nossa visão espiritual sobre a pessoa dormindo, vemos uma atividade interior. Os processos de digestão, assimilação, secreção, etc., são levados a um propósito ainda melhor do que no estado de vigília. Isto é porque o Corpo Denso é interpenetrado por um Corpo Vital feito do Éter, mas os veículos superiores flutuam alguns metros acima do Corpo Denso. Quando examinamos as plantas, descobrimos que elas também têm um Corpo Denso e um Corpo Vital, que lhes permite digerir e assimilar alimentos, respirar o ar, etc., e podemos, portanto, dizer que as plantas têm uma consciência análoga ao sono sem sonhos.

Sono com Sonhos

Às vezes, quando estamos indevidamente atentos aos assuntos deste mundo, os veículos superiores não se separam adequadamente quando vamos dormir. Os Corpos Densos e Vitais são então parcialmente interpenetrados pelo Corpo de  Desejos que gera emoção e incentivo ao movimento. Devido aos centros de sentido de nossos veículos mais elevados estarem inclinados em relação ao nosso cérebro, vemos uma galáxia de imagens de sonhos selvagens, e somos atirados sobre a cama sob o balanço das emoções causadas por essas visões. Não podemos raciocinar sobre eles, pois a Mente está fora do Corpo Denso e, portanto, aceitamos inquestionavelmente até as situações mais impossíveis.

Um Corpo Vital e um Corpo de Desejos interpenetram o Corpo Denso de animais, mas não são concêntricos com ele. Imagens são projetadas pelo sábio Espírito-Grupo nesses Corpos, e os animais, sem Mente, seguem cegamente o curso sugerido por essas imagens. Assim, vemos que a consciência dos animais é análoga ao nosso próprio estado de sonho, com a importante diferença de que as imagens sugestivas projetadas pelo Espírito-Grupo não são irracionais, mas encarnam uma sabedoria maravilhosa que chamamos de instinto.

A inteligência supernormal e a razão observável em animais domesticados são induzidas pela associação com o ser humano, no mesmo princípio que a eletricidade da baixa tensão é induzida quando um fio não carregado é trazido próximo a outro que carrega uma corrente da tensão elevada.

O Estado de Vigília

No estado de vigília todos os veículos do ser humano são concêntricos, e ele tem a capacidade da vontade e razão. O mineral não pode escolher se cristalizará ou não, nem a planta tem a livre vontade; ela é obrigada a florescer por condições fora de seu controle. O leão deve caçar, e o coelho deve entrar na toca. Cada espécie tem certos hábitos genéricos, e todas as plantas ou animais separados de uma determinada família agem da mesma forma sob condições semelhantes, porque é impelido à ação pelo Espírito-Grupo comum. Portanto, se conhecemos os hábitos de qualquer animal, conhecemos as características de toda a família. Não é assim com o ser humano, QUE É GUIADO DE DENTRO. Cada um é uma espécie, uma lei em si mesmo, e não importa quanto estudamos, nunca podemos dizer o que alguém fará em um determinado caso, sabendo como outro agiu. Nem podemos escrever a biografia de uma rosa, ou de um leão. Apenas um ser humano, cuja vida é diferente de todos os outros, pode ser assim esboçado.

Assim, a supremacia mental e moral do ser humano sobre os animais e os reinos inferiores se deve ao fato de que ele é um ego individual, habitante, conhecendo a si mesmo como “EU SOU”, uma denominação não aplicável a um animal. O ser humano é capaz de iniciar a ação de dentro por um “EU QUERO”, enquanto os animais são guiados de fora por um Espírito-Grupo e não têm vontade própria.

4. A existência de órgãos que não são usados por seus possuidores

Aqui também os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental é mais abrangente e explícito que o ocultismo oriental. Distingue-se entre:

  1. Partes que estão atrofiando porque deixaram de ser úteis, como os músculos que movem a pele e as orelhas em animais. Estes estão presentes no ser humano, mas não utilizados.
  2. Órgãos como a Glândula Pineal e o Corpo Pituitário, que desempenharam um papel importante na nossa evolução passada, e embora dormente agora estão destinados a desempenhar uma parte ainda maior no futuro.

Durante o período de involução, quando o ser humano estava construindo seus Corpos e estava em contato mais íntimo com os Mundos espirituais do que agora, esses órgãos eram veículos de consciência por meio dos quais ele entrava em contato com os mundos internos que eram, então, tão reais para ele quanto o mundo físico é hoje. Mas à medida que mergulhava mais profundamente na matéria e começava a focalizar sua consciência aqui, esses órgãos eram um obstáculo, pois por meio deles sua atenção era desviada da obra do Mundo Físico. Por isso ficaram adormecidos. O ser humano, no entanto, evolui em espiral, e à medida que ele se eleva para cima, esses centros tornar-se-ão novamente ativos para lhe permitir recontatar os Mundos espirituais. Portanto, eles não se atrofiaram como teriam feito se seu propósito tivesse sido inteiramente servido.

Depois de muitos anos de estudo das glândulas de secreção interna, o Dr. C. E. de Sajons publicou um profundo tratado sobre o Corpo Pituitário, onde ele mostra que este órgão exerce um controle central sobre todo o nosso organismo físico; que, em vez de ser um órgão rudimentar ou atrofiado, como os fisiologistas têm afirmado há muito tempo, serve como ponto de controle sobre o Corpo. O sistema nervoso simpático, as secreções vitais da Glândula Tireoide e as Suprarrenais são reguladas por conexão direta com o Corpo Pituitário, bem como o trato digestivo e os nervos vasodilatador e vasoconstritor. Estas declarações científicas sobre a importância do Corpo Pituitário para o nosso sistema físico são especialmente interessantes à luz dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental sobre a função futura deste órgão.

  1. Órgãos ainda não completamente desenvolvidos

O coração pertence a esta classe. É um músculo involuntário, mas é investido com as listras transversais peculiares aos músculos voluntários, e estas listras transversais tornar-se-ão mais e mais fortes, como o Ego ganha o controle sobre este órgão. Todos os músculos são a expressão do Corpo de Desejos, e quando o ser humano evolui os desejos espirituais e cresce em poder espiritual, o coração se tornará um músculo voluntário e a circulação do sangue passará sob controle voluntário. Então, ele terá o poder de reter o sangue das áreas do cérebro dedicadas a propósitos egoístas e dirigi-lo para outros centros dedicados a ideais altruístas.

O Mistério do Sangue

Nas escrituras cristãs as doutrinas seguintes recebem grande destaque:

  1. Contaminação do sangue por geração.
  2. Limpeza do sangue por “Re-generação”.

A doutrina do sangue é escrita em todas as páginas da Bíblia desde Gênesis até o Apocalipse. É inegável que o sangue é a base de todas as formas com vida senciente; mas até onde a escritora tem sido capaz de aprender, o ocultismo oriental não tem uma palavra sobre esse assunto importante. Os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, por outro lado, lança uma luz sobre o “Mistério do Sangue” que esclarece muitos dos problemas mais intrincados da vida. Tais Ensinamentos apresentam várias ideias extensas e profundas sobre o sangue. Eles denominam o sangue de “terreno vantajoso do espírito”, o veículo direto e individual pelo qual o ser humano, por meio do seu calor, controla e dirige seu corpo físico.

Quando o ser humano entrou no reino humano e estava desenvolvendo sua individualidade, o controle sobre suas ações foi, em certa medida, exercido pelo ESPÍRITO DE RAÇA, que, de uma maneira um tanto análoga ao controle do Espírito-Grupo sobre o reino animal, manteve o domínio sobre eles preservando a pureza do sangue tribal ou familiar; quanto mais íntimo o entrelaçamento de sangue pelo casamento no clã, casta ou tribo, mais forte o poder do Espírito de Raça. Como o sangue é o veículo do Ego, o portador de seus sentimentos e emoções e o gravador de sua memória, o entrelaçamento do sangue da família teve o efeito de reproduzir as imagens mentais dos pais em seus descendentes, que se viam nessa Memória da Natureza, através de uma longa linhagem de antepassados. Os acontecimentos na vida de seus antepassados ​​assim pareciam ter acontecido a si mesmos. Foi através dessa consciência comum ou memória que se disse que um indivíduo viveu muitas gerações. Quando lemos que Adão viveu 900 anos e os patriarcas viveram durante séculos, significa que eles não viveram tanto tempo, mas que seus descendentes se sentiram como Adão, Matusalém, etc., porque o sangue ancestral, transmitido diretamente através de casamentos dentro da tribo, clã ou nação, era o armazém de toda a experiência, e carregava os retratos da memória da vida destes patriarcas. Assim, certas faculdades e traços foram construídos e o tipo fortalecido até que a humanidade pudesse caminhar com seus próprios pés, sem o auxílio do espírito da família ou da raça. Nos princípios da evolução do ser humano na busca do estado de consciência de si mesmo, ele viveu sob o reinado da lei, que submeteu o indivíduo à nação, tribo ou família.

Há evidências de que os primeiros judeus tinham um ensinamento especial sobre o sangue, como mostrado no versículo 14 do capítulo 17 do Livro de Levítico, onde foram proibidos de comer o sangue porque a “alma de toda a carne está no sangue”. Entre eles, o Espírito de Raça era mais forte do que o indivíduo, pois todo judeu pensava em si próprio primeiro como pertencente a uma certa tribo ou família, e seu maior orgulho era ser “semente de Abraão”.

Os Semitas originais foram os primeiros a desenvolver o livre arbítrio. Em certa medida, romperam com o Espírito da Raça ao se casarem com outras tribos, e essa introdução de sangue estranho interrompeu a consciência comum que compartilhavam com seus antepassados ​​e que foi substituída pela consciência individual. Mas por esse ato, também, gradualmente perderam a chamada “segunda visão”, mantida até hoje por muitos escoceses que se casam dentro do clã.

O grande significância da Religião Cristã reside no ensinamento de que Cristo veio preparar o caminho para a emancipação da humanidade da influência do Espírito de Raça e unir a multiplicidade das raças numa fraternidade universal; para substituir o reino da lei pelo reino do amor e auto sacrifício; para incutir na nova raça o ideal da AMIZADE UNIVERSAL, um ideal que acabará por nivelar todas as distinções e trazer paz sobre a terra e boa vontade entre os seres humanos. Ele trouxe uma espada por causa da paz final, pois o Reino de Deus só poderá ser construído depois que o reino dos homens seja destruído – o Reino de Deus, que é construído DE DENTRO mediante o livre arbítrio do ser humano como um indivíduo auto-governante, cooperando com a vontade divina.

O ser humano está construindo em todos os Mundos e, apesar de, às vezes, parecer que ele está apenas construindo para o eu separado, existe no mundo atual um ideal de amizade e altruísmo que era pouco conhecido nas civilizações antigas. Através desta expressão de altruísmo, o ser humano está evoluindo para a perfeição de seu CORPO VITAL, QUE É A MAIOR EXPRESSÃO DO SANGUE. Este veículo é também o assento da memória e está correlacionado com o Espírito de Vida unificador. Os corpúsculos sanguíneos dos animais inferiores são nucleados, e esses núcleos são a base para a atuação dos Espíritos-Grupo, que controlam cada espécie por meio  desses centros de vida. Quando a individualidade evolui, os núcleos desaparecem, como nos mamíferos superiores que estão se aproximando da individualização. No feto humano os corpúsculos sanguíneos são nucleados durante as primeiras semanas, enquanto a mãe trabalha no corpo; mas estes, o Ego, que renascerá nesse corpo, desintegra esses núcleos, quando toma posse de seu corpo como um indivíduo, pois não pode haver outro princípio governante onde o espírito é residente. Assim, o sangue de cada ser humano é diferente do sangue de qualquer outro indivíduo, fato esse que logo será descoberto pela ciência. Nos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental nos é ensinado que o Corpo Vital será nosso veículo mais denso no próximo ciclo ascendente, portanto a necessidade de seu desenvolvimento apropriado é prontamente necessária. Os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental fornecem explicações claras sobre os Éteres constituintes do Corpo Vital, suas funções no desenvolvimento do ser humano e a relação do desenvolvimento do Corpo Vital com a segunda vinda de Cristo. Inclui instruções para esse desenvolvimento, purificando o sangue, e este método é adequado à Mente e ao Corpo que evoluímos sob os ideais modernos e progressistas do Ocidente. É um MÉTODO OCIDENTAL PARA POVOS OCIDENTAIS; portanto, é seguro e certo, como a escritora sabe por experiência.

À medida que estudamos mais de perto esses ensinamentos maravilhosos, podemos entender o intrincado problema do sangue racial que tem desempenhado um papel tão importante na história do mundo e na perpetuação de ideias familiares, tribais e nacionais. A ciência ainda está procurando seu significado; reconhece o fato de que a transfusão de sangue de um animal de uma espécie superior para um de espécie inferior mata o último (hemólise). Contudo, os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental explica que à medida que a humanidade evolui para a estatura divina, a mistura do sangue humano se tornará impossível. Em uma idade distante, a propagação da raça não será mais necessária, pois o ser humano terá aprendido a criar a partir de dentro de si, PELA PALAVRA. Ainda hoje o ser humano está construindo um Corpo mais sutil e melhor do que no passado, mais flexível, mais adaptável; ele está aprendendo a conhecer suas funções e está começando a se libertar da influência cristalizadora do sangue racial e a se tornar um cidadão do mundo.

O Mistério do Sexo

Os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental também dão a solução do problema do sexo e seu propósito. “O próprio Ego, ao contrário da ideia geralmente aceita, é bissexual”. Essa dualidade não se manifesta como sexo nos mundos internos, mas como vontade e imaginação, representando as forças solar e lunar, respectivamente. Durante a época em que a Terra estava dentro do Sol “as forças solares abasteciam o ser humano com todas as substâncias necessárias, e ele, inconscientemente, irradiava o excedente para o propósito da propagação”. Mas quando o Ego começou a habitar dentro do corpo e a controlá-lo, foi necessário usar parte dessa força criadora para construir um cérebro e uma laringe para que o ser humano pudesse ser equipado com instrumentos para a auto expressão.  À medida que o corpo físico se tornava ereto, a dupla força criadora foi dividida, uma parte sendo dirigida para cima para construir o cérebro e a laringe e a outra para baixo para construir os órgãos que servem para a procriação. Como resultado dessa mudança, apenas uma parte da força essencial para a criação de outro corpo estava disponível em cada indivíduo e a cooperação de outro se tornou necessária para a propagação. Assim, o ser humano obteve a consciência do cérebro ao custo de metade de seu poder criador, mas ganhou um instrumento com o qual ele poderia criar no Mundo do Pensamento, nos domínios da música, poesia e arte e entrar na herança da beleza do mundo; e se por esse ato seus olhos foram abertos ao conhecimento da morte, dor e tristeza, eles também foram abertos ao conhecimento de sua própria divindade e ao conhecimento da lei do sacrifício, amor e serviço. O ocultismo oriental ensina o fato da separação em sexos, mas os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental MOSTRAM O PROPÓSITO DA SEPARAÇÃO.

O Mistério da Mortalidade Infantil

Os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental também têm uma explicação lógica para a mortalidade infantil, que provocado tanta tristeza e sofrimento ao mundo; é realmente uma ação misericordiosa da lei beneficente que previne uma calamidade maior ainda. Uma compreensão do funcionamento dessa lei nos mostrará como podemos prevenir essa anormalidade e nos salvar do incidente de sofrimento da partida prematura desses raios de sol muito amados, os quais, aliás, frequentemente deixam nossa terra fria e desolada.

Imediatamente após a morte o panorama da vida que acaba de finalizar passa diante do espírito. Pela contemplação, o panorama é gravado no Corpo de Desejos, e quando o Ego entra no Mundo do Desejo, ele sente, de uma forma incompreendida por nós neste presente estado, os erros da vida passada, enquanto passa pelas cenas onde fez algo de errado. Isto é o Purgatório, e com o sofrimento a alma tece a CONSCIÊNCIA para se proteger de maus atos em vidas futuras. Ele também goza as virtudes com uma intensidade inacreditável das boas obras feitas na vida passada. Isto é o Primeiro Céu, e por meio dessa alegria vem o incentivo para viver até IDEAIS ainda maiores no futuro. Assim, o Espírito colhe os frutos de consciência e de aspiração elevada da contemplação imperturbável e do panorama, imediatamente após a morte.

Quando essa contemplação é perturbada, como no caso de morte no campo de batalhas, ou por fogo, afogamento ou outros acidentes, as circunstâncias angustiantes fazem com que seja impossível para o espírito que possa dar a devida atenção ao panorama revisto da vida passada. Esse é também o resultado quando explosões histéricas de familiares agem de forma igualmente desconcertantes. Em tais condições a gravação no Corpo de Desejos é fraca, e consequentemente as sensações de alegria e tristeza não são sentidas com o entusiasmo na existência post-mortem para gerar a consciência, e que servirá para guiar o espírito em sua próxima vida na terra, ou ideais para encorajá-lo adiante. Semeou, mas não colheu; a vida foi vivida em vão, e em sua próxima vida na Terra o ser humano ainda estará sujeito aos vícios da vida que acabou de passar; as virtudes adquiridas na vida anterior teriam que ser trabalhadas novamente. Assim, o Espírito seria lançado ao mar da vida como um navio sem bússola para guiá-lo em seu refúgio de descanso, e seria condenado a uma vida à deriva e sem rumo. Estranho como possa parecer, a mortalidade infantil, sob tais circunstâncias, foi desenhada pela bondade amorosa de Deus, para evitar essa calamidade causada pela selvageria, descuido ou falta de consideração, e dar ao espírito entrante um começo justo na vida. O método para atingir esse objetivo é o seguinte:

Em seu caminho para o renascimento o espírito recolhe material para sua nova Mente, Corpo de Desejos, Corpo Vital e Corpo Denso. Como o período de gestação precede ao nascimento do Corpo Denso, assim acontece com as vestes mais finas. O nascimento do Corpo Vital, aos sete anos, inaugura o crescimento rápido; do Corpo de Desejos, aos catorze anos, traz a adolescência e emerge a idade emocional; e aos vinte e um anos, quando a Mente nasce, a razão ilumina o caminho para subjugar as emoções e guiar-nos pela vida.

O que não nasceu também não pode morrer; e quando um Corpo Denso de uma criança morre antes da idade da adolescência, a gestação do Corpo de Desejos será completada no Primeiro Céu, uma parte do Mundo do Desejo (chamado de “Terra do Verão” por alguns) onde os ideais nobres e a aversão ao mal são instilados por professores devotados. Ali são ensinadas às crianças a moralidade superior, enquanto ficam engajadas em brincar com cores e brinquedos vivos tão lindos, que se pudéssemos vê-los, nós iríamos esquecer nosso sofrimento e agradecer a Deus por Sua bondade. Após alguns anos esses sortudos, muitas vezes, renascem na mesma família, mais nobres do que eles seriam se eles não tivessem a experiência resultante de uma morte na infância.

O Ocultismo Oriental nos diz que não devemos lamentar por aqueles que passam, porque o nascimento é tão certo para os que morrem como a morte é para os que nasceram. Isto é verdadeiro, mas é tão frio como o ocultismo em si. A mortalidade infantil é tão triste, aparentemente é uma anormalidade da natureza, que desejamos um raio de esperança para confortar nossos corações doloridos quando o Anjo da Morte toma o sol de nossos lares. Os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental falam para o Coração e a Mente igualmente; nos mostram uma lei trabalhando para o bem, para corrigir nossos erros; iluminam o caminho do sofrimento com um raio de esperança, e nos mostram como podemos nos salvar desse sofrimento em vidas futuras, abolindo a Guerra, cuidando para evitar acidentes, e sendo atenciosos com a partida de amigos na hora de sua morte, não os distraindo com lamentações egoístas.

Os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental dão inestimáveis instruções no cuidado dos moribundos e mostram como podemos ajudá-los, na hora da passagem, a realizar o maior crescimento de alma possível da vida que acaba de terminar. Portanto, esses ensinamentos são de benefício prático em cada contingência da vida e da morte.

O Mistério da Morte

Embora a ideia de que a morte é apenas um deslocamento de atividades deste Mundo Físico para Mundos mais sutis, o Mundo celestial, é aceita pelos estudantes mais sérios, os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental explica o funcionamento da lei natural, em relação à duração da vida terrena e ao colapso do Corpo Denso. O ser humano constrói o arquétipo de seu Corpo Denso no Mundo Celestial. Este arquétipo é, naturalmente, construído de acordo com suas capacidades inerentes. Às vezes, uma vida se prolonga para além da duração normal, quando os Seres Compassivos percebem que ela pode colaborar mais, mas de modo geral o arquétipo persiste até que a vibração, iniciada no nascimento, cesse.

Quando a vida física chega ao fim, a ascensão do Espírito é retardada pela matéria do desejo que se agarra a ele, depois que o Cordão Prateado foi rompido. A partir disso, ele procura se libertar por força centrífuga, seguindo a mesma lei natural pela qual um Planeta se liberta da parte que está se cristalizando em si mesmo. Então, primeiramente, a matéria mais inferior do Corpo do Desejos é descartada. Ela é eliminada pela força centrífuga da PURGAÇÃO, que arranca o mal e permite que o espírito ascenda às regiões superiores, que constituem o Mundo celeste. Nessa conexão, o ensinamento mais importante dado é a necessidade de gravar corretamente o panorama da vida passada no Corpo de Desejos, para que o Ego possa ver seus sucessos e seus fracassos, onde era forte e onde era fraco; para que ele possa ver o propósito da dor e o caminho que leva à sua erradicação. Cada geração, ao ascender ao Mundo celeste, canta um cântico de suas realizações que ela fez na Terra. Assim, cada uma entoa um canto diferente na harmonia de nossa esfera, e da mesma forma que sementes quando colocadas sobre uma placa de vidro são organizados de maneira diversas, quando tons definidos fazem a placa vibrar, assim estas variações na canção mundial são as causas que mudam o clima, a flora e a fauna terrestre. Se fôssemos aplicados durante a nossa vida anterior, ao chegarmos ao Mundo celeste, cantaríamos sobre uma terra de abundância, e seria isso que nós encontraríamos quando retornassem.  Se negligenciarmos a nossa terra e passarmos nosso tempo na especulação metafísica, nossa canção no Mundo celeste será muito diferente, e quando retornamos à vida terrena, nos encontraremos em uma terra de fome, inundação e desolação. Todas as coisas no céu e na terra são governadas pela Lei de Consequência, que é imutável e  que mantém o equilíbrio do mundo.

O Cristo do Ocidente não é o Cristo do Oriente

Enquanto os pontos anteriores são importantes para mostrar os conceitos superiores dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental em relação aos do ocultismo Oriental, eles se tornam insignificantes em comparação com as diferenças entre os dois ensinamentos referentes ao Cristo, a Sua identidade, a Sua missão, e a natureza do Seu advento. Sobre este ponto importante, diz Edith Ward em The Occult Review[4], há uma diferença tão radical e irreconciliável ​​que ambos não podem ser, simultaneamente, verdadeiros. Ela chega a esta conclusão comparando o Livro Conceito Rosacruz do Cosmo, de Max Heindel, com os escritos de um líder da principal sociedade que promulga o hinduísmo entre os povos do Ocidente.

Até novembro de 1909, quando o Conceito Rosacruz do Cosmo foi publicado, esta sociedade tinha muito pouco a dizer sobre um Cristo; mas desde então eles têm feito disto uma característica. Em um de seus livros mais recentes, seu líder afirma que as vidas de Cristo sempre tiveram uma relação muito estreita com os membros mais dedicados desta sociedade. Jesus é dito ter recentemente renascido como um hindu, e no momento está à cargo desse líder, que afirma estar preparando-o para o governo espiritual do mundo.Nós não temos nenhuma discussão com aqueles que acreditam nisso. É contrário à política da Fraternidade Rosacruz falar de forma depreciativa de pessoas de outra crença ou burlar de suas crenças sinceras; mas reivindicamos o direito ético de comparar os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, que está em pleno acordo com as escrituras cristãs em que acreditamos, com os Ensinamentos da escola do Oriente, que tem o propósito de mostrar que o Cristo a quem todos os cristãos procuram por luz e esperança NÃO é o Cristo proclamado por esta sociedade.Com esse objetivo há referências mais volumosas, mas a seguinte será suficiente. As letras “X” e “Z” são usadas para designar duas citações de escritores da escola do Oriente.De acordo com “X”, afirma-se que “quando chegou o momento em que era esperado que a humanidade estivesse pronta para cuidar de si mesma, os mais avançados que haviam alcançado o estágio de adeptos eram dois amigos ou irmãos cujo desenvolvimento tinham o mesmo grau. Estes foram Lord Gautama e Lord Maitreya. O primeiro foi quem atingiu o estágio primeiro, o outro o seguiu, porém, centenas de anos mais tarde …. Buda cedeu seu cargo de governante da Religião e educação para Lord Maitreya, a quem o povo ocidental chama de Cristo, e que tomou o corpo do discípulo Jesus, durante os últimos três anos de sua vida no plano físico …. Senhor Maitreya teve vários nascimentos antes de ter o ofício que possui agora”. “Z” traça uma linha semelhante de nascimentos -“O Senhor Maitreya, no devido tempo, apareceu como Shri Krishna, e faleceu em idade adulta precocemente, voltando para sua casa no Himalaia. Então ele veio novamente, usando o corpo de seu querido discípulo, Jesus, o hebreu, e por três anos brilhou na perfeita ternura de Cristo…. e agora novamente nós estamos esperando, por Sua vinda”.Mas que essas pessoas não esperam o Cristo dos Evangelhos, ou do mundo cristão e dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental é um fato que se há de se cuidar de imprimir sobre seus leitores, como se segue:“Z” Escreve:“Ao considerar o retorno do Cristo quero distinguir claramente entre o Cristo dos evangelhos e a quem eu me refiro. Tudo o que eles têm em comum é o nome Jesus…. É necessário enfatizar o fato que o Jesus, cujo imediato retorno eu espero, não pode de forma alguma ser confundido com o seu Cristo …. Se você permanecer fiel em suas escrituras – cuja autenticidade eu nego – eles irão protegê-lo contra …. confundindo o profeta cujo imediato retorno proclamo e o Cristo dos Evangelhos”.“X” diz:“Quando examinamos através da clarividência a vida do fundador do Cristianismo…. nós não encontramos vestígio dos doze Apóstolos…. O autor dos evangelhos parece ter concebido a ideia de lançar alguns dos grandes fatos da iniciação em um forma narrativa e misturando-os com alguns pontos fora da vida do Jesus real, que nasceu 105 a.C”.Com isto “Z” concorda:“Sua fé na sua divindade surge de sua fé na história de sua vida, como registrado por seus discípulos. Mas tanto quanto eu sei, estes Discípulos nunca existiram, e a história de sua vida, e a deles é uma criação da IMAGINAÇÃO…. o Cristo a quem me refiro…. viveu na terra cerca de um século antes do tempo que se supõe que esses eventos ocorreram na Palestina, mas não foi assim”.Não parece estranho que escritor a que repudia as escrituras Cristãs e qualifica a história de Cristo e Seus Apóstolos como uma invenção da imaginação, exclama pateticamente como segue, o motivo pelo qual o novo Cristo é repudiado por muitos membros de sua sociedade:“Será que a história irá se repetir e a história da Judeia, de Jerusalém, e até mesmo do calvário mais uma vez acontecerá?”.Como pode repetir-se algo que nunca aconteceu? E não é estranho que um líder que faz uma campanha mundial repudiando o Cristo do Mundo Ocidental e das escrituras Cristãs e que anuncia outro Cristo, assumindo dizer:“Eu quase nada sei deste Jesus, cujo retorno eu prevejo”.Não é estranho que alguém que diz sem rodeios e sem reservas, “Eu não sou um Cristão”, deveria ter sido confiada a grande missão de proclamar o retorno de Cristo?Deixe o leitor responder a estas perguntas e ele pensar nas evidências dos méritos. Mas nós acreditamos, ou melhor, nós sabemos que o Cristo de todos os Cristãos devotos e crentes é totalmente diferente do anunciado pelos novos líderes da escola oriental do ocultismo.

O Cristo do Ocidente

Os ensinamentos da Sabedoria Ocidental fornecem uma descrição abrangente da cosmogênese. Três grandes Períodos evolutivos precederam nosso estado atual. O Pai é o Iniciado mais elevado do primeiro ou do Período Saturno. O Filho (Cristo) é o mais elevado Iniciado do segundo ou Período Solar, e Jeová é o mais elevado Iniciado do terceiro ou Período Lunar.

Sob o regime de Jeová e seus Anjos a separação dos sexos ocorreu e também uma divisão da humanidade em tribos e nações. A natureza do desejo era desenfreada, e por isso as Leis foram dadas, e “o temor do Senhor” foi colocado contra “os desejos da carne”. Todas as Religiões de Raça foram concebidas por Jeová, cada uma adaptada à nação particular a quem foi dada. Todas essas formas de culto se destinavam a preparar a humanidade para o reinado de Cristo, cuja missão é nos emancipar do Estado de direito, segundo o qual tudo é pecado; substituindo pelo reino do Amor, onde tudo servirá.

Jeová trabalhou na Terra e na humanidade, DE FORA, da mesma forma que os Espíritos-Grupo trabalham com os animais. Mas há 2.000 anos, no Batismo, o Espírito de Cristo tomou os Corpos Denso e Vital de Jesus e até a tragédia no Gólgota, quando entrou na Terra e tomou posse como Espírito planetário. Imediatamente Cristo começou a purificar o Mundo do Desejo, que estava repleto de brutalidade e do egoísmo gerados sob a Lei, e também a irradiar o amor e o altruísmo, que permeia, lenta e seguramente, o Mundo. Assim, com o tempo, certamente veremos  “paz na terra, boa vontade entre os homens”[5].

Mas o Grande Sacrifício SOMENTE COMEÇOU no Gólgota; o Cristo ainda está “gemendo e trabalhando”, e deve continuar a fazê-lo “até o dia da manifestação dos Filhos de Deus[6], o dia em que teremos evoluído o suficiente para guiar o nosso próprio Planeta em sua órbita e cuidar dos nossos irmãos mais fracos. Não esqueçamos que podemos acelerar ou retardar o dia da Sua vinda pelos tipos de vidas que vivemos. Se vivemos para o Mundo, prolongamos a Sua prisão e agonia; e, portanto, se deve observar sua última admoestação, para que tudo o que fazemos, seja feito EM MEMÓRIA DELE; pois então estaremos trabalhando para liberá-Lo, acelerando assim o tempo em que O encontraremos “no ar”, à medida que Ele for saindo do centro da Terra em direção à superfície e, então, para o Sol, de onde Ele veio.

O trabalho da raça ariana é a evolução da razão; conseguiu bem cumprir esse propósito. Mas, doravante, a humanidade deve aprender a iluminar a sua razão pela luz interior do espírito e unir o seu CONHECIMENTO CEREBRAL com o conhecimento do CORAÇÃO. Deve aprender a iniciar por meio de seu próprio livre arbítrio toda ação de dentro, e essa ação deve resultar em Serviço.

Foi dito que a “a flor da Religião sempre foi dada para a flor da humanidade”, e que religiões mais gloriosas ainda estão por vir. No entanto, o mundo de hoje está apenas começando a ter fracos vislumbres da elevada missão de Cristo, que é elevar a humanidade para a realidade vivente da FRATERNIDADE UNIVERSAL.

Nos Ensinamentos de Mistérios Atlante, registrado no Antigo Testamento, descobrimos que o ser humano, por sua própria liberdade, comeu da “Árvore do Conhecimento”, que trouxe dor e morte ao Mundo e, como resultado, ele foi “expulso do jardim de Deus, vagou pelo deserto do mundo”[7]; que Deus, por piedade, fez uma aliança com o ser humano; que um Tabernáculo foi construído, dentro do qual foi colocada a Arca, simbolizando o espírito humano, que nunca morre; que os bastões da Arca nunca foram removidos, para que o ser humano, um peregrino, nunca descanse até alcançar, por sua própria vontade, o objetivo humano. Dentro desta Arca estava o “pote de maná dourado”, MAN, caído do céu, juntamente com uma declaração de leis divinas que ele deve aprender em sua “peregrinação pelo deserto da matéria”; havia, também, o “bastão mágico” de Aarão, o símbolo do poder espiritual, que está dentro de cada um, exortando-o a caminhar para Templo Místico de Salomão[8]. No Antigo Testamento é detalhada a descendência do ser humano que desceu do céu, suas transgressões aos mandamentos de Jeová, que o orientaram e o guiaram com dor e tristeza pelo deserto da matéria em direção ao reino da paz, que será conduzido por Cristo.

O mundo já começou a viver os ensinamentos internos do Cristianismo, mas de maneira bem parcial; apenas ligeiramente começou a entender seu significado; ainda que lenta, mas seguramente, estamos a caminho do próximo ciclo de progresso, a grande Sexta Época, da qual Cristo deve ser o líder, uma Época que congregará toda a humanidade, seja “Filhos de Caim” ou “Filhos de Seth”, para trabalhar em harmonia no Reino de seu Senhor; a Época que os raios da Rosacruz derramarão a luz do entendimento sobre todas as instituições dos seres humanos, de modo que toda diferença se transformará em serviço amoroso e desinteressado para o bem de todos, e a amizade unirá as almas dispersas no Reino de Cristo. Quando Ele aperfeiçoar completamente a unificação do Reino, Ele o cederá ao Pai, conforme indicado na Bíblia.

Nos Ensinamentos de Mistérios Ocidental é revelada a missão de Cristo, que veio mostrar e preparar o caminho para o Seu Reino e que não só os atrasados podem ser elevados, mas que todos os que estão prontos para entrar na senda reta e estreita podem encontrar a Luz e o Caminho. Já não é Ele “o que virá”, mas o ÚNICO QUE VOLTARÁ. NUNCA APARECERÁ NOVAMENTE EM CARNE – pois, como disse São Paulo, a carne não pode herdar o Reino – mas em CORPO-ALMA. Quando a humanidade evoluir a consciência etérica poderá encontrá-Lo “no ar”. Mas “daquele dia e hora,  ninguém conhece, nem mesmo os Anjos que estão no céu, nem o Filho, mas o Pai”. Então, a Lei que foi dada por Moisés será substituída pela “graça e verdade que veio por Jesus Cristo[9], e a humanidade que surgiu no seu curso designado testemunhará como filhos legítimos de Deus que é possível obedecer ao comando divino: “Sede perfeitos, assim como o vosso Pai Celestial é perfeito”[10].

CONCLUSÃO

Nas páginas anteriores, abordamos, um pouco, a riqueza da sabedoria encontrada nos Ensinamentos do Mistério Cristão difundidos por meio da Fraternidade Rosacruz. Mas foi suficiente para convencer qualquer pessoa familiarizada com o ensino do ocultismo oriental e que esteja aberta à convicção. Embora ambos contenham as mesmas grandes verdades básicas comuns a todas as religiões, antigas e modernas, estão muito longe de ser O MESMO e que os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental está tão longe do ocultismo oriental como BUDA, a luz da ÁSIA, ESTÁ DISTANTE DO NOSSO GLORIOSO CRISTO, A LUZ DO MUNDO, cuja chegada assistimos e oramos.

Fim de

Cristo ou Buda?

[1] N.T.: do poema: The Present Crisis de James Russell Lowell (1819–1891)

[2] N.T.: do capítulo XV – Cristo e Sua Missão do Livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel

[3] N.T.: Gorilas, Orangotangos, Chimpanzés e Bonobos são os antropoides superiores.

[4] N.T.: The Occult Review foi uma importante revista britânica que existiu de 1905 até 1951 com Ralph Shirley como editor, este que foi vice-presidente do Instituto Internacional de Investigação Psíquica. A revista foi chamada por algum tempo como The London Forum. A descrição da revista dizia “ Revista mensal devotada a investigação do sobrenatural e o estudo de problemas psicológicos.”.

[5] N.T.: Lc 2:14

[6] N.T.: Rm 8:19

[7] N.T.: do Livro Maçonaria de Catolicismo – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz

[8] N.T.: Veja mais sobre a simbologia do Tabernáculo do Deserto no livro Iniciação Antiga e Moderna – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz.

[9] N.T.: Jo 1:17

[10] N.T: Mt: 5:48

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Astro-diagnose: Um Guia para a Cura Definitiva – Max Heindel e Augusta Foss Heindel – Fraternidade Rosacruz

Dos milhares de enfermos que nos escreveram solicitando a cura definitiva, desde que o Departamento de Cura foi inaugurado, cada um enviou dados descritivos das doenças que os afligiam, seus sintomas e peculiaridades, o que os médicos diagnosticaram, etc.

Em cada caso, tais informações foram cuidadosamente confrontadas com o horóscopo do paciente, seguindo-se um minucioso estudo de ambos.

Os casos mais surpreendentes, assim como os mais típicos, serviram de base para as lições mensais dos Estudantes da Fraternidade. Dessas lições nós selecionamos as melhores para incluir nesse livro.

Nem uma só vez fizemos diagnose direta ao paciente.

Contudo, seus horóscopos nos deram maravilhosas descobertas chaves para cada doença que cada qual sofria, indicando as causas e servindo de guia para as recomendações sobre dieta, exercícios, ambiente e coisas do gênero.

Astro-diagnose é a ciência e arte de se obter conhecimento científico sobre doenças e suas causas, bem como os meios de supera-las, através de indicações dos Astros.

Esta nova ciência de diagnose e da cura definitiva que, lentamente, permeia o meio médico.

Não é uma ciência que despreze as escolas de medicina e diagnose tradicionais, mas sim é um acréscimo às mesmas.

Nós sentimos que, com o tempo, essas escolas aceitarão este novo método.

1. Para fazer download ou imprimir (e ter acesso as figuras, que muito ajudam na compreensão):

Astro-diagnose: Um Guia para a Cura Definitiva – Max Heindel e Augusta Foss Heindel – Fraternidade Rosacruz

2.Em formato de audiobook ou audiolivro:

Audiobook – Astro-diagnose: Um Guia para a Cura Definitiva – Max Heindel e Augusta Foss Heindel – Fraternidade Rosacruz

3. Para estudar no próprio site (para ter as figuras, que tanto ajudam na compreensão, consulte a edição do item 1, acima):

ASTRO-DIAGNOSE

Um Guia para a Cura Definitiva

 

Por

Max Heindel e Augusta Foss Heindel

 

 

Fraternidade Rosacruz

 

Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82

Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil

 

 

Traduzido e Revisado de acordo com:

10ª Edição em Inglês, Astro-Diagnosis – A Guide to Healing, editada por The Rosicrucian Fellowship

2ª Edição em Espanhol, 1979, Astrodiagnosis Guia para La Curacion – editada pela Editora Kier – Buenos Aires – Argentina

 

Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

 

 

www.fraternidaderosacruz.com

contato@fraternidaderosacruz.com

fraternidade@fraternidaderosacruz.com

 

SUMÁRIO

PREFÁCIO.. 10

INTRODUÇÃO.. 12

PARTE I 14

CAPÍTULO I – Propriedades Anatômicas e Fisiológicas dos Signos  14

CAPÍTULO II – REGÊNCIAS E QUALIDADES. 25

CORRELAÇÃO DA ANATOMIA E DA FISIOLOGIA COM O ZODÍACO   25

QUALIDADES PATOLÓGICAS DOS SIGNOS. 27

AFLIÇÕES FISIOLÓGICAS DOS SIGNOS. 28

CORRELAÇÃO DA ANATOMIA E DA FISIOLOGIA COM OS ASTROS  30

QUALIDADES PATOLÓGICAS DOS ASTROS. 31

AFINIDADES ASTRÓLOGICAS DOS ÓRGÃOS SENSORIAIS. 32

CAPÍTULO III – SIMPATIA E ANTIPATIA.. 33

CAPÍTULO IV – A CIÊNCIA DO RETO VIVER.. 37

CAPÍTULO V – A MENTALIDADE.. 40

CAPÍTULO VI – AS INFLUÊNCIAS DA SEXTA CASA   43

CAPÍTULO VII – PASSOS PRELIMINARES NO DIAGNÓSTICO   45

CAPÍTULO VIII – SUGESTÕES E AUXÍLIOS PARA O CURADOR (A) 48

CAPÍTULO IX – AFORISMOS. 52

CAPÍTULO X – DIAGNÓSTICO PELAS MÃOS E UNHAS  58

O POLEGAR.. 62

REVELAÇÕES DAS UNHAS DOS DEDOS DAS MÃOS. 64

PARTE II – DIAGNOSE A PARTIR DOS HORÓSCOPOS  65

CAPÍTULO XI – Nº 1 – UMA LIÇÃO COMO MODELO DE INTERPRETAÇÃO   65

CAPÍTULO XII – OS OUVIDOS. 73

Nº 1A – OUVIDOS E NERVOS. 73

Nº 1B – OS OUVIDOS. 77

Nº 1C – OUVIDOS – ABSCESSOS NO OSSO FRONTAL.. 82

CAPÍTULO XIII – OS OLHOS. 85

Nº 2A – PROBLEMA NO OLHO.. 85

Nº 2B-BX – OLHOS. 88

Nº 2B – OLHOS. 89

Nº 2BX – OLHOS. 91

Nº 2C – OLHOS – CEGUEIRA.. 94

Nº 2D – PROBLEMAS NA VISÃO.. 97

Nº 2E – VISÃO.. 104

Nº 2F – CEGUEIRA TOTAL. 106

Nº 2G – OLHOS. 108

Nº 2H – OLHOS. 111

CAPÍTULO XIV – GARGANTA.. 114

Nº 3B – TONSILAS – ADENOIDES. 116

Nº 3C — GARGANTA E TONSILAS. 119

Nº 3D – BÓCIO E TONSILAS. 122

Nº 3E – BÓCIO.. 125

Nº 3F – ÓRGÃOS VOCAIS. 130

Nº 3G – PERDA DA FALA.. 134

CAPÍTULO XV – OS PULMÕES. 137

Nº 4A – TUBERCULOSE.. 137

Nº 4B – TUBERCULOSE.. 140

Nº 4C – TUBERCULOSE.. 142

CAPÍTULO XVI – CORAÇÃO.. 145

Nº 5A – CORAÇÃO.. 145

Nº 5B – CORAÇÃO, RINS. 150

Nº 5C – CORAÇÃO.. 153

Nº 5D – CORAÇÃO.. 156

Nº 5E – CORAÇÃO.. 159

CAPÍTULO XVII – ESTÔMAGO.. 162

Nº 6A – DOENÇAS DO ESTÔMAGO E TUBERCULOSE. 162

Nº 6B – DOENÇA DO ESTÔMAGO E INFLAMAÇÃO DOS RINS. 165

Nº 6C – PILORO.. 167

Nº 6D – DOENÇA DO ESTÔMAGO E DOS RINS. 170

CAPÍTULO XVIII – OS RINS. 172

Nº 7A – RINS. 172

Nº 7B – RINS E MASTOIDITE.. 177

Nº 7C – DISFUNÇÃO GERAL.. 181

Nº 7D – CÁLCULO RENAL. 184

Nº 7E – CIRCULAÇÃO RENAL. 187

Nº 7F – AFECÇÃO NA BEXIGA.. 190

Nº 7G – DIABETES. 194

Nº 7H – DIABETES. 196

CAPÍTULO XIX – SEXO.. 199

Nº 8A-B – SEXO E GARGANTA.. 199

Nº 8C – SEXO.. 204

Nº 8D-E – GONORREIA.. 209

Nº 8F – DOENÇA VENÉREA.. 213

Nº 8G – DOENÇA VENÉREA.. 218

Nº 8H – PROBLEMA UTERINO.. 225

Nº 8I – PARTO.. 230

Nº 8J – ABORTO.. 233

CAPÍTULO XX – COLUNA VERTEBRAL.. 237

Nº 9A – PROBLEMA NA COLUNA VERTEBRAL.. 237

Nº 9B – PROBLEMA NA COLUNA VERTEBRAL.. 240

Nº 9C – TUBERCULOSE NA COLUNA VERTEBRAL.. 243

Nº 9D-E – INCAPACIDADE PARA ANDAR.. 247

CAPÍTULO XXI – FÍGADO E VESÍCULA BILIAR.. 251

Nº 10A – FÍGADO.. 251

Nº 10B – CÁLCULOS BILIARES. 255

Nº 10C e 10D – CÁLCULOS BILIARES. 258

CAPÍTULO XXII – CIRCULAÇÃO.. 262

Nº 11A – Palpitação no Coração.. 262

Nº 11B – Circulação Sanguínea Lenta (má circulação) e Cataratas  266

Nº 11D – Veias Varicosas. 269

Nº 11E – Circulação Restringida.. 273

Nº 11F – Anemia Perniciosa.. 276

Nº 11G – Reumatismo e IMPUREZAS NO Sangue.. 279

Nº 11H E 11I – Reumatismo.. 282

CAPÍTULO XXIII – HANSENÍASE. 286

Nº 12A-B – Hanseníase. 286

CAPÍTULO XXIV – PARALISIA.. 292

Nº 13A – Paralisia.. 292

Nº 13B – Paralisia e arterioesclerose.. 294

Nº 13C – Paralisia Facial.. 299

Nº l3D, 13E – Paralisia.. 303

Nº 13F – Paralisia Infantil.. 307

Nº 13G – Raquitismo e Tetania.. 310

CAPÍTULO XXV – OS NERVOS. 314

Nº 14A-B – COLAPSO NERVOSO E PARALISIA.. 314

Nº 14C-D – ANDAR DEFEITUOSO.. 319

Nº 14E –HISTERIA EXAGERADA.. 324

Nº 14F – OBSTRUÇÃO DO NERVO PNEUMOGÁSTRICO.. 327

CAPÍTULO XXVI – OS OSSOS. 330

Nº 15A – LESÃO DO FÊMUR.. 330

Nº 15B – ATROFIA MUSCULAR ARTRÍTICA.. 333

Nº 15C – OSTEOMIELITE – INFLAMAÇÃO DA MEDULA ÓSSEA.. 336

CAPÍTULO XXVII – ESPÍRITOS OBSESSORES OU ESPÍRITO DE CONTROLE  342

Nº 16A – ESPÍRITO DE CONTROLE. 342

Nº 16B – OBSSESSÃO – TONSILAS. 346

CAPÍTULO XXVIII – GLÂNDULAS ENDÓCRINAS OU DE SECREÇÃO INTERNA   349

Nº 17A-B – AFECÇÕES NA GLÂNDULA TIROIDE.. 349

Nº 17C – A GLÂNDULA TIMO.. 354

Nº 17D – SUPRARRENAIS. 358

CAPÍTULO XXIX – CONDIÇÕES ESPECIAIS. 362

Nº 18A – DEFICIÊNCIA DA LINFA.. 362

Nº 18B – PÓLIPOS E INSUFICIÊNCIA RENAL. 366

Nº 18C – PERIODONTITE. 369

Nº 18D – AUTOINTOXICAÇÃO.. 373

Nº 18E – PERITONITE.. 376

Nº 18F – ARTERIOSCLEROSE.. 379

Nº 18G – TIFO E PROBLEMA ESPINHAL.. 383

Nº 18H – NARCÓTICOS – CIGARROS. 386

CAPÍTULO XXX – INSANIDADE. 390

Nº 19A – UM CASO MENTAL. 390

Nº 19B – INSANIDADE. 395

Nº 19C – INSANIDADE, OBSESSÃO E TUBERCULOSE. 398

CAPÍTULO XXXI – ASMA.. 402

Nº 20A – ASMA.. 402

Nº 20B – ASMA – DEPENDÊNCIA À MORFINA.. 404

Nº 20 C, D e E – ASMA.. 407

CAPÍTULO XXXII – CÂNCER.. 412

Nº 21A – CÂNCER.. 412

Nº 21B – CÂNCER.. 415

CAPÍTULO XXXIII – CURA  ROSACRUZ. 419

COMO OS ROSACRUZES CURAM O DOENTE.. 419

Os Irmãos Maiores 419

Os Auxiliares Invisíveis 419

Viver uma Vida Pura é Necessário para a Cura. 420

A Força Curadora. 420

A Causa da Doença. 421

O Direito à Saúde. 421

As Violações das Leis da Saúde. 422

A Cura Espiritual 422

A Boa Alimentação é a Medicina Natural 423

Os Eflúvios transmitidos nas Assinaturas Semanais 423

O Tempo Necessário para a Cura. 424

As Reuniões de Cura em um Centro Rosacruz. 424

PREFÁCIO

Dos trinta anos dedicados a pesquisas e estudos de astrologia e astro-diagnose por quem assina este, grande parte desse tempo foi empregada com Max Heindel, primeiro como colega de estudos e companheira e depois como sua esposa. Uma parte da astro-diagnose contida neste livro provém das primeiras lições mensais do Sr. Heindel aos Estudantes esotéricos, e esse fato junto com nossa parceria em pesquisas astrológicas é a razão porque esse volume é publicado sob o nome de ambos como autores, ainda que ele tenha passado à vida mais ampla em 1919. Esse livro pode diferir, em alguns pontos, de outros livros que também tratam da ciência da diagnose por meio dos Astros. No entanto, os autores desse volume tiveram oportunidades que poucos outros escritores, no mesmo ramo, puderam ter. A Fraternidade Rosacruz, da qual eles foram os fundadores, dispõe de um departamento de cura muito bem-sucedido. Uma descrição do método utilizado nesse departamento pode ser encontrada no Capítulo XXXIII. Dos milhares de enfermos que nos escreveram solicitando a cura definitiva, desde que o departamento foi inaugurado, cada um enviou dados descritivos das doenças que os afligiam, seus sintomas e peculiaridades, o que os médicos diagnosticaram, etc. Em cada caso, tais informações foram cuidadosamente confrontadas com o horóscopo do paciente, seguindo-se um minucioso estudo de ambos. Os casos mais surpreendentes, assim como os mais típicos, serviram de base para as lições mensais dos Estudantes da Fraternidade. Dessas lições nós selecionamos as melhores para incluir nesse livro. Nem uma só vez fizemos diagnose direta ao paciente. Contudo, seus horóscopos nos deram maravilhosas descobertas chaves para cada doença que cada qual sofria, indicando as causas e servindo de guia para as recomendações sobre dieta, exercícios, ambiente e coisas do gênero. Não pretendemos que este livro seja a última palavra sobre o assunto. Tampouco temos a pretensão de que seja infalível. Só queremos compartilhar com todo o mundo o conhecimento que adquirimos em muitos anos de incessante labuta. Este conhecimento, damo-lo gratuitamente, e se alguém puder enriquecê-lo nós ficaremos muito satisfeitos.

                                                                          Augusta Foss Heindel

INTRODUÇÃO

Astro-diagnose é a ciência e arte de se obter conhecimento científico sobre doenças e suas causas, bem como os meios de supera-las, através de indicações dos Astros. Esta nova ciência de diagnose e da cura definitiva que, lentamente, permeia o meio médico. Não é uma ciência que despreze as escolas de medicina e diagnose tradicionais, mas sim é um acréscimo às mesmas. Nós sentimos que, com o tempo, essas escolas aceitarão este novo método. Atualmente muitos médicos se mostram desejosos de cooperar com as mais recentes escolas de osteopatia, cura natural, quiropraxia, etc. e os seres humanos com mente aberta estão prontos a aceitar um novo e avançado método de diagnose, desde que a confiabilidade desse seja comprovada.

A dependência total de sintomas externos para identificar as doenças e a confiança unicamente na ação de remédios custaram milhões de vidas em tempos passados. Mas o ser humano se torna, agora, mais esclarecido, com mentalidade bastante ampla para se prender teimosamente a velhos métodos que provaram, por meio de muitos erros e sacrifícios de muitas vidas, serem inadequados. A ciência médica, com seus instrumentos aperfeiçoados, raios X, diagnose pela íris, exames de sangue, etc., deu grandes passos em direção a melhores métodos de diagnose. Mas não está longe o tempo em que se admitirá, publicamente, que o melhor caminho a seguir é saber, previamente, onde está o elo humano mais fraco para entender, por meio da ciência dos Astros, onde o praticante pode encontrar o problema. Então, os médicos poderão chegar mais rápido às causas das doenças e, também, poderão conhecer quais os melhores métodos de cura. Quando eles forem capazes de usar a chave da alma – o horóscopo – poderão descobrir o tratamento mais adequado que cada enfermo poderá melhor responder. Ainda mais, eles conhecerão o caráter do paciente; se sua vontade é fraca e se é de natureza negativa ou emocional. Então, de acordo com as informações obtidas, serão guiados em seus métodos de tratamentos. As doenças podem ser classificadas em dois tipos: latentes e ativas. Os “sintomas” fornecem indicação que a enfermidade está em processo de materialização. As tendências latentes para doenças são mostradas pelas aflições nos Astros, verificadas no horóscopo natal. Em alguns casos, essas tendências são capazes de permanecer latentes por toda a vida, porque o nativo pode viver de tal modo que nenhuma tensão seja aplicada ao Corpo, tensão essa que daria aos Astros oportunidade de desenvolver suas fraquezas latentes. Pois se há um elo fraco em uma corrente, mas nenhuma pressão se faz sobre este, ela continuará inteira. A mesma coisa ocorre com as aflições entre os Astros: elas continuarão latentes. Mas tão logo o nativo abuse de seu Corpo, esses pontos fracos poderão se manifestar. Isto nos dá a segunda classe de doenças: as do tipo ativas. Quando os Aspectos entre os Astros são ativados e a enfermidade aparece, as posições dos Astros progredidos dão a chave para o diagnóstico. Quando médicos, cientistas, seres humanos da ciência oculta e astrólogos chegarem a um entendimento amigável; quando recentes descobertas e pensamentos mais tolerantes dos seres humanos deixarem de divergir tanto uns dos outros, então a humanidade saberá que o terror e a dor da sala de operações serão coisas do passado. Uma saúde radiante será desfrutada universalmente, pois a humanidade será ensinada a viver de modo que evite sofrimentos. Os médicos viverão tão ansiosos por manter as pessoas sadias como estão agora para ajuda-las a se recuperarem de doenças. Acreditamos não estar longe o tempo, em que as autoridades sentirão necessidade de contratar médicos para ensinar ao povo como evitar as armadilhas que conduzem às doenças.

PARTE I

CAPÍTULO I – Propriedades Anatômicas e Fisiológicas dos Signos

ÁRIES

Quando Áries, Regente da cabeça, se encontra no Ascendente temos uma pessoa cujas ações são impulsivas e agressivas; ela fala e age rapidamente. Um excesso de força vital é gerado por essas pessoas. Isso é intensificado quando o dinâmico Marte, que é o Regente de Áries, se encontra, também, neste mesmo Signo, no Ascendente, ou quando o vitalizante Sol está ali. Quando esses Astros acrescentam suas energias vitais ao Ascendente, nós temos uma pessoa que tende muito a dissipar suas forças. Pessoas que expressam as forças de Áries muito fortemente são aptas a serem temperamentais do tipo explosivo, mas não guardam rancor. Aqueles com Áries no Ascendente, ou com o Sol ou Marte ali, rapidamente se enraivecem, mas também perdoam facilmente.

Áries rege a cabeça, os hemisférios cerebrais, a mandíbula superior, os olhos e o rosto. O nariz, contudo, está sob o governo do Signo marciano de Escorpião.

Áries é quente, seco e inflamatório. As pessoas de Áries podem sofrer febres altíssimas por um simples resfriado ou pequena perturbação de saúde. Quando doentes, a febre ultrapassa em três ou quatro graus o das pessoas de Signos de Água[1] ou de Ar[2]. Sob aflições dos Astros, essas pessoas ficam sujeitas a febres cerebrais, vertigens, hemorragias nasais, neuralgias, inflamação dos hemisférios cerebrais, enfermidades no cérebro e afecções no rosto. Sofrem, com frequência, a perda de controle de si mesmas pelo excesso de sangue que sobe à cabeça.

A vontade do paciente desempenha um grande papel no sucesso da cura definitiva. As pessoas que são de Signos positivos[3] são mais propensas a responder, pois elas se esforçam pessoalmente para colaborar com o curador ou a curadora, enquanto que as pessoas que são de Signos negativos, [4] são propensas a irem por linhas de menor resistência e a serem negligentes em seguir as instruções do curador ou a curadora.

TOURO

Touro rege a região do pescoço, os ouvidos, o palato, a laringe; as amígdalas[5] (tonsilas palatinas), a glândula tireoide, a mandíbula inferior, a região occipital, o cerebelo, a vértebra atlas (primeira vértebra cervical), as vértebras cervicais, as cordas vocais, as artérias carótidas, a veia jugular e a faringe.

O taurino é muito teimoso e tenaz. Sendo Touro um Signo negativo, quando o taurino contrai uma doença se aferra a ela tenazmente. Tem muito medo de doenças, e devido a esse medo de doenças se torna um médico (a) ou enfermeiro (a) muito pobre, ao passo que os nascidos sobre o Ascendentes de Áries – Signo positivo – entrarão em aposentos onde tenham pacientes sem medo algum e, em caso de caírem doentes, se livram rapidamente da doença. Se temos um paciente com Touro no Ascendente ou com Sol em Touro, nunca é bom deixá-lo pensar que está muito mal, porque seu medo de doenças pode, frequentemente, lhe acarretar acessos da enfermidade de que esteja sofrendo. O taurino possui uma tendência para a corpulência na meia-idade. Geralmente, sendo de baixa estatura e encorpado, ele se torna muito carnudo na base do crânio e em volta do pescoço. Isto favorece a tendência para o inchaço das glândulas, como tonsilite (amigdalite ou amidalite), abscesso peritonsilar (PTA – complicação da tonsilite), e outras doenças dos órgãos situados no pescoço, bem como o surgimento de pólipos.

GÊMEOS

Gêmeos governa os braços, as mãos, os ombros, os pulmões, a glândula timo, as costelas superiores, a traqueia, os brônquios, os capilares e a oxigenação do sangue.

A pessoa de Gêmeos está sujeita a problemas nervosos. Gêmeos sendo um dos Signos Comuns, uma pessoa com esse Signo como ascendente, muitas vezes, se descuida da sua saúde e dos seus hábitos e, devido a isso, nós encontramos mais tuberculosos entre os geminianos do que entre as pessoas de quaisquer outros dos onze Signos. Por ser Gêmeos um Signo positivo, os geminianos podem, se for lhe dada um mínimo de ajuda, se livrar de uma doença. As doenças a que estão mais sujeitos são: problemas pulmonares, bronquites, asma, pneumonia, doenças devastadoras (em especial a tuberculose pulmonar), pleurisia e desordens nervosas.

CÂNCER

Quando nós temos um horóscopo para diagnosticar de alguém que tenha como Ascendente o Signo aquático e negativo de Câncer, devemos levar em conta que se trata de uma pessoa com pouca vitalidade, muito tímida e também pouco disposta a seguir os conselhos dos outros. As pessoas de Câncer são aptas a fazer o oposto daquilo que lhe recomendam. São também muito desconfiadas, e por causa de sua falta de fé nos outros se torna difícil atingi-los, mas, quando chegam a acreditar em alguém, são os mais leais e dispostos a cooperar. Um simples elogio ou manifestação de apreço, frequentemente, é suficiente para conquistá-los. São sensitivos em excesso, e quando magoados, não se esquecem facilmente. Quando o Sol está neste Signo de Água, o nativo tem mais vitalidade do que quando o mesmo Signo se encontra no Ascendente, já que o Sol é o doador de vida e energia.

Câncer governa o estômago, o diafragma, os seios, os lóbulos superiores do fígado, o ducto torácico, a quimificação, o peristaltismo, o pâncreas, a veia gástrica e o soro do sangue.

As afecções que podem ser classificadas sob a influência do Signo de Câncer são: a indigestão, o soluço, a flatulência, a hidropisia e a esclerose. As pessoas de Câncer gostam muito de comer e, geralmente, são boas de garfo. Em consequência, é comum que sofram de doenças causadas por dietas erradas; especialmente nós encontramos isso nas pessoas que têm Saturno em Câncer. A influência deste Planeta é restritiva e onde quer que ele esteja, ele rouba os fluidos dos respectivos órgãos. Quando em Câncer, proporciona o gosto por massas e doces.

LEÃO

Quando temos de lidar com um paciente que possui Leão no Ascendente, nós temos alguém com muita energia vital, e que não se rende facilmente às doenças. O leonino costuma lutar valentemente para se superar sem pedir ajuda, mas, em geral, quando chega a desistir é porque está muito doente; contudo, ele se recupera rapidamente da enfermidade. Seu orgulho não lhe permitirá, como regra, se tomar uma carga para os outros. Sendo um Signo positivo, a maior dificuldade dos leoninos reside nos impulsos. Ele acha que deve fazer tudo com enorme dose de energia, o que lhe é prejudicial à saúde das partes do corpo regidas por esse Signo vital: o coração, a aorta, a veia cava, a região dorsal da espinha e a medula espinhal.

O Sol, que é o doador de vida, rege o Signo de Leão, e também governa o fluido etérico vital absorvido pelo baço, que é o portal das forças solares. É, pois, por meio do baço que o Signo de Leão obtém o máximo de sua fortaleza. Nós encontramos nos nascidos sob esse Signo Ascendente, muita vitalidade e muita força, especialmente se o Sol também se encontra em Leão; mas, pelo uso abusivo dessa abundante energia, é muito comum sofrerem dos mais variados tipos de problemas cardíacos e da coluna espinhal. Eles sofrem, frequentemente, de afecções do baço, com reflexos na atividade do sangue, provocando um aumento excessivo de glóbulos brancos, que são destruidores e não policiais do sangue, conforme afirma a ciência médica.

VIRGEM

Virgem é um Signo feminino e negativo, o segundo da triplicidade de Terra, e tem uma capacidade de resistência menor que a do Signo Fixo Leão. Pode, contudo, suportar considerável tensão, sendo de temperamento nervoso e resistente; ainda mais, quando um virginiano desiste, ele tem muita dificuldade em se levantar e de se livrar de uma enfermidade. Sendo de uma disposição negativa, ele está apto para se deixar levar pelas circunstâncias, abdicando de sua força de vontade para vencer. Virgem é o Signo natural da sexta Casa, a Casa que governa as doenças; assim quando a pessoa de Virgem cai doente, é muito possível que se torne inválida crônica. Portanto, mesmo que essas pessoas se tornem excelentes enfermeiras, devem ser aconselhadas a não seguir essa vocação, e a evitar permanecerem em quartos de enfermos e em hospitais, pois, à semelhança de esponjas, elas podem absorver ou assumir rapidamente as doenças dos pacientes.

Virgem governa a região abdominal, os intestinos, os lóbulos inferiores do fígado, o baço, o duodeno e o sistema nervoso simpático.

As doenças que podem ser classificadas sob o Signo de Virgem são determinadas, em grande parte, pelos Astros que estejam aflitos nesse Signo. Cólicas intestinais, gases intestinais, cólicas, desnutrição, diarreia, prisão de ventre, peritonite, cólera, disenteria, vermes, catarro intestinal e apendicite podem resultar das aflições em Virgem.

LIBRA

Libra é um dos Signos onde o Sol é débil. O Sol é simbolizado por Sansão, aquele que perdeu a força porque Dalila – que é o Signo feminino de Virgem – lhe despojou do seu poder, que estava em seus cabelos e que, por sua vez, representava os raios do Sol. Quando o Sol entra em Libra, ele muda da declinação norte para a declinação sul e, como Libra é o Signo de exaltação de Saturno, no cruzamento do equador os raios solares alcançam o ponto em que são mais fracos. Por esse motivo, as pessoas de Libra nem sempre são capazes de dominar suas condições físicas. Seu humor oscila como a balança, símbolo do Signo. Em certo momento podem se achar no sétimo céu da felicidade e do otimismo, porém à menor perturbação mental, podem mergulhar até o fundo do pessimismo e desespero. O idealismo é bem desenvolvido no libriano. O paciente libriano, se possível, nunca deve ser desencorajado no que quer que se tenha determinado, profundamente a fazer, pois pode esfacelar seus ideais e inclinar um dos pratos da balança para o mais profundo desencorajamento, e isso muitas vezes, causa problemas na saúde. O libriano deve cultivar o equilíbrio.

Fisiologicamente este Signo governa: os rins, a região lombar da espinha, a pele, os ureteres, delicados condutos que vão dos rins à bexiga, e o sistema vasomotor. As aflições que o libriano tem mais probabilidade de sofrer são: doença de Bright (ou insuficiência renal crônica (IRC)), lumbago (ou lombalgia) e distúrbios urinários. As doenças dependem grandemente dos Astros afligidos; se é Saturno que aflige, há escassez de urina; se Júpiter, há excesso, etc. Nefrite, eczema e diabetes são, também, doenças de que o libriano está muito propenso a sofrer.

ESCORPIÃO

O marciano Signo de Água de Escorpião é um dos menos compreendidos entre todos os doze Signos. Ele produz uma variedade de tipos humanos. Geralmente as pessoas de Escorpião costumam ter uma natureza reservada, tímida, retraída e não gostam de falar de seus negócios. Mas há um outro tipo de pessoas que têm Ascendente em Escorpião, que está pronto para discutir à menor provocação, que se recusa a ceder em seu ponto de vista e que pode se tornar muito cruel. Ele, normalmente, possui um temperamento explosivo, que pode, se existe aflições em seu horóscopo, lhe minar a saúde. O maior perigo à sua saúde reside nos órgãos sexuais, e nos condutos por meio dos quais passam as excreções do corpo, tais como a uretra (o pequeno canal escoador de urina da bexiga para o exterior) e o cólon, incluindo o ânus.

A bexiga, a flexura sigmoide[6], a próstata, o osso pubiano, a matéria vermelha corante do sangue, e os ossos nasais também se encontram sob a regência de Escorpião.

As pessoas nascidas sob a influência deste Signo dão bons curadores, cirurgiões, médicos e enfermeiros. Contudo, frequentemente, há um traço cruel e tirânico nelas, e sua natureza de desejos é forte e, às vezes, sensual. Desejos de ordem inferior, frequentemente, às levam à excessos que podem resultar em doenças, às quais devem manifestar-se consoante os Astros afligidos em seus Aspectos: sífilis, hérnia, escorbuto, fístula, hemorroidas, inflamação do útero, útero caído (prolapso uterino), problemas uterinos, estrangulamento da glândula próstata e catarro nasal.

SAGITÁRIO

O sagitariano costuma ser, entre todos os pacientes, o mais dócil e fácil de ser curável, porque com sua natureza franca e afável, ele é também o mais confiante; sempre disposto a seguir todas as instruções do curador ou da curadora, mas ele, também, responderá a qualquer sugestão negativa. O curador ou a curadora pode lhe fazer recomendações construtivas e deixar o paciente se sentindo encorajado, mas, se um dos seus muitos amigos (o sagitariano costuma ser muito popular, de relacionamento fácil, atraindo, portanto, muitos amigos) lhe sugerir uma doença ou lhe disser que está com aparência doentia, e lhe aconselhar outro remédio, ele é capaz de aceitar a sugestão, com facilidade. Resultado: muitas vezes demora a se recuperar. Portanto, o paciente de Sagitário precisa ficar aos cuidados de alguém que o proteja de sugestões adversas.

Sagitário governa a região do corpo que envolve diretamente os quadris, a região sacra da espinha, a vértebra cóccix, o fêmur, o íleo[7], as artérias ilíacas, os nervos ciáticos e o ísquio[8].

As doenças de Sagitário são: ataxia locomotora, ciática, reumatismo e doenças nos quadris.

CAPRICÓRNIO

O Signo de Capricórnio é um Signo de Terra e regido pelo Planeta Saturno. As pessoas de Capricórnio não se entregam à doença com muita facilidade. São de natureza resistente, persistente e impassível, e sofrerá dores consideráveis antes de sucumbirem à enfermidade. No entanto quando caem doentes, eles são tão lentos e teimosos em se aferrarem à doença. Muitas vezes se convertem em hipocondríacos, e o curador ou a curadora deve usar os métodos mais diplomáticos, se quiser mudar essa condição cristalizada, na qual essa pessoa saturnina se fecha em si mesma. A parte mais desafortunada disso é que se um capricorniano, quem está nesse estado mental e físico, se dá conta que alguém está se esforçando para ajudá-lo, ele resistirá a essa ajuda, e se fechará contra o amigo que se aproxima dele com esse objetivo. As pessoas de Capricórnio são supersensitivas e muito retraídas. É muito comum formarem hábitos de melancolia e desânimo, que produzem um dano à saúde.

O Signo de Capricórnio rege: os joelhos, a pele, as juntas e o cabelo. A pele do capricorniano, em geral, é pálida e seca.

As doenças a que Capricórnio está sujeito são: eczema, sífilis, lepra e deslocamento de ossos.

AQUÁRIO

O Signo Fixo e de Ar Aquário está sob a regência de dois Planetas: o melancólico, temeroso e superapreensivo Saturno, comumente apelidado de o Planeta da obstrução, e o impulsivo, negligente, emocional e histérico Urano. Apesar de Aquário ser um Signo Fixo, que dota o nativo de uma vontade forte, se ele está afligido por Aspectos adversos de certos Astros, especialmente Saturno ou Urano, estando esses fortemente colocados no horóscopo, há uma tendência a se desenvolver extrema melancolia, pessimismo e sensibilidade, ou ele é imprudente e responde ao emocional Urano. Essa disposição variável resulta frequentemente em uma saúde precária, assumindo, muitas vezes, a forma de nervosismo. Sendo Aquário um Signo mental e aéreo, seus nativos são resistentes, ambiciosos e tendem a se exceder. Nunca conseguem calcular seu grau de fortaleza a menos que levem o corpo ao limite máximo de sua resistência; no entanto, quando desistem, geralmente ficam em estado crítico; mas eles darão ao curador ou a curadora toda a oportunidade de ajudá-los, pois estão sempre dispostos a cooperar.

Fisiologicamente, o Signo de Aquário rege os membros inferiores e os tornozelos.

As doenças que podem afetar o aquariano são: varizes, inchaço das pernas e doenças nervosas de vários tipos. Extrema sensibilidade da pele é o sintoma que o aquariano apresenta, quando seus nervos começam a enfraquecer. Nessas ocasiões ele tem uma sensação de formigamento por todo o corpo, como se pequenos insetos cobrissem sua pele.

PEIXES

Peixes é um Signo de Água e Comum, e as pessoas nascidas sob ele possuem uma natureza linfática e negativa e gostam muito de luxo, que as levam, muitas vezes, a buscarem uma vida cômoda; na última parte da vida elas tendem a ter um excesso de carnes flácidas, moles, que podem prenunciar a perda da saúde. As pessoas de Peixes reagem prontamente às sugestões, sejam estas boas ou não, porém podem reagir também do mesmo modo à influência do curador ou da curadora. Não se deve permitir que pessoas de uma natureza muito simpática visitem o pisciano enquanto ele está doente. Desse tipo simpático ao extremo, do qual há muitas pessoas no mundo atualmente, que pensam que é um dever social visitar os amigos doentes, e encorajá-los para que falem da sua enfermidade e então estender a eles tanta simpatia! A pessoa pisciana gostará da visita do “simpatizante”, “, mas, quando o visitante vai embora, geralmente, ela tem uma recaída, precisando mandar chamar, com urgência, o médico ou curador ou a curadora. Eles devem ser colocados em um aposento alegre, com um serviço de enfermagem alegre e um aviso na porta: “Não se permite a entrada de ‘simpatizadores’”.

O pisciano tende a se entregar ao hábito da bebida e ao uso de narcóticos, especialmente se nós achamos aflições da Lua e de Netuno em seu horóscopo.

Peixes rege os pés, os dedos dos pés e a fibrina do sangue. Por gostarem de bons pratos e de vida fácil, as pessoas deste Signo são sujeitas à gota e ao inchaço dos pés.

CAPÍTULO II – REGÊNCIAS E QUALIDADES

CORRELAÇÃO DA ANATOMIA E DA FISIOLOGIA COM O ZODÍACO

ÁRIESCérebro, hemisférios cerebrais, crânio, olhos, rosto, maxilar superior, artérias carótidas internas.

TOURO – Pescoço, garganta, palato, laringe, amígdalas (tonsilas palatinas), maxilar inferior, ouvidos, região occipital, cerebelo, atlas (primeira vértebra cervical), áxis (segunda vértebra cervical), artérias carótidas externas, veias jugulares, faringe, glândula tireoide, vértebras cervicais.

GÊMEOS – Ombros, braços, mãos, costelas superiores, pulmões, traqueia, brônquios, capilares, respiração, oxigenação do sangue.

CÂNCER – Estômago, esôfago, diafragma, seios, lactação, lóbulo superior do fígado, conduto torácico, pâncreas, soro do sangue, peristaltismo do estômago, quimificação.

LEÃO – Coração, região dorsal da espinha, medula espinhal, aorta, veias cavas superior e inferior.

VIRGEM – Região abdominal, intestino grosso e delgado, lóbulo inferior do fígado, baço, duodeno, quilificação, peristaltismo dos intestinos.

LIBRA – Rins, suprarrenais, região lombar, pele, ureteres, sistema vasomotor.

ESCORPIÃO – Bexiga, uretra, órgãos genitais, cólon descendente, próstata, alça sigmoide, ossos nasais, osso púbico, matéria corante do sangue.

SAGITÁRIO – Quadris, coxas, fêmur, íleo, vértebra do cóccix, região do sacro, nervos ciáticos, ísquio.

CAPRICÓRNIO – Pele, joelhos, juntas, cabelos.

AQUÁRIO – Membros inferiores, tornozelos.

PEIXES – Pés, dedos dos pés, fibrina do sangue.

QUALIDADES PATOLÓGICAS[9] DOS SIGNOS

ÁRIES – Energia, vigor, excessos, calor, secura, inflamação.

TOURO – Obstinação, apreensão, raiva descontrolada, luxúria.

GÊMEOS – Negatividade, inquietação, nervosismo.

CÂNCER – Falta de vitalidade, tenacidade, falta de perdão, suspeita.

LEÃO – Impulso, arrogância, fixidez, vitalidade, ardor.

VIRGEM – Egoísmo, crítica, falta de simpatia, pureza.

LIBRA – Egocentrismo, sensibilidade, melancolia, ciúme.

ESCORPIÃO – Tirania, destrutividade, preocupação, reprodução.

SAGITÁRIO – Inquietação, empreendedor, acidentes.

CAPRICÓRNIO – Limitação, deliberação, cristalização, secura.

AQUÁRIO – Tristeza, resistência, nervosismo, super-sensibilidade.

PEIXES – Sensibilidade, falta de vitalidade, indolência, secretismo.

AFLIÇÕES FISIOLÓGICAS[10] DOS SIGNOS

ÁRIES – Neuralgia, insônia, congestão cerebral, febre cerebral, calvície, dor de cabeça, vertigens, afecções dos olhos, dores de dentes e abscessos dentários.

TOURO – Bócio, difteria, laringite, tonsilite (amigdalite ou amidalite), crupe, pólipos, abscesso peritonsilar (PTA – complicação da tonsilite), inchaço glandular da garganta, apoplexia.

GÊMEOS – Bronquite, asma, pneumonia, doenças devastadoras (em especial a tuberculose pulmonar), pleurisia, intoxicação do sangue, doenças nervosas, anemia.

CÂNCER – Indigestão, dipsomania, catarro gástrico, soluços, flatulência, hidropisia, esclerose.

LEÃO – Cardiopatia, angina do peito, ataxia locomotora, hiperemia, doenças na espinha dorsal, meningite espinhal, febres.

VIRGEM – Peritonite, desnutrição, disenteria, cólica, prisão de ventre, diarreia, cólera, tifo, apendicite, solitária.

LIBRADoença de Bright (ou insuficiência renal crônica (IRC)), lumbago (ou lombalgia), anúria ou anuria, nefrite, diabetes, cálculos renais e uremia.

ESCORPIÃO – Sífilis, hérnia, pedras na bexiga, escorbuto, fístulas, hemorroidas, inflamação do útero, útero caído (prolapso uterino), problemas uterinos, estrangulamento da glândula próstata, catarro nasal, doenças da mucosa e da cartilagem nasal.

SAGITÁRIO – Ataxia locomotora, ciática, lumbago, reumatismo, doença dos quadris, acidentes nas coxas.

CAPRICÓRNIO – Eczemas, erisipelas, lepra, luxações, fraqueza nos joelhos.

AQUÁRIO – Varizes, inchaço nos tornozelos, dor de pernas, doenças nervosas, pele sensível.

PEIXES – Joanetes, gota, deformação dos pês e dos dedos dos pés, tumores, hidropisia.

CORRELAÇÃO DA ANATOMIA E DA FISIOLOGIA COM OS ASTROS

SOL – Fluido vital, baço, distribuição do calor, pons varolii[11], oxigênio, coração.

VÊNUS – Garganta, rins, glândula timo, circulação venosa.

MERCÚRIO – Nervos, brônquios, circulação pulmonar, glândula tireoide, hemisfério cerebral direito, sistema cérebro-espinhal, nervos sensoriais, fluido vital dos nervos, cordas vocais, ouvidos, vista, língua, todos os sentidos de percepção, respiração.

LUA – Esôfago, útero, ovários, rede linfática, sistema nervoso simpático, fluido sinovial, tubo alimentar, linfa, quilo, bainha nervosa (bainha de mielina).

SATURNO – Vesícula biliar, nervo pneumogástrico ou vago, dentes, pele, juntas, tendões, alças sigmoides.

JÚPITER – Fígado, glicogênio, suprarrenais, circulação arterial, fibrina do sangue, aumento das gorduras.

MARTE – Ferro no sangue, matéria vermelha corante do sangue, órgãos genitais, nervos motores, hemisfério cerebral esquerdo, movimentos musculares, Corpo de Desejos, reto.

URANO – Éteres, olhos, corpo pituitário, gases.

NETUNO – Glândula pineal, medula espinhal, fibras nervosas.

QUALIDADES PATOLÓGICAS DOS ASTROS

SOL – Quente, seco, vital, construtivo, expansivo, tônico.

VÊNUS – Morno, linfático, relaxante, sedentário.

MERCÚRIO – Frio, seco, nervoso.

LUA – Úmida, fria, alimentadora, receptiva, coletiva, fluídica.

SATURNO – Frio, seco, crônico, adstringente, cristalizante, aglutinante, restritivo, centrípeto, obstrutivo.

JÚPITER – Tépido, úmido, alimentador, expansivo, corpulento, glutão.

MARTE – Quente, seco, inflamatório, energético, eruptivo, excessivo, violento, positivo.

URANO – Seco, espasmódico, elétrico, explosivo, convulsivo, desorganizante.

NETUNO – Comatoso, esquivo, raquítico, restritivo, constritor.

AFINIDADES ASTRÓLOGICAS DOS ÓRGÃOS SENSORIAIS

OLHOS – Áries, Urano, Sol, Lua, Ascelli[12], Antares[13], Plêiades[14].

OUVIDOS – Touro, Mercúrio.

NARIZ – Escorpião

LÍNGUA – Touro, Mercúrio.

CAPÍTULO III – SIMPATIA E ANTIPATIA

Pitágoras[15] ensinava que o Sistema Solar é um poderoso instrumento musical; que os doze Signos do Zodíaco podem ser comparados aos semitons da escala cromática, e que os Planetas constituíam as sete teclas brancas do teclado cósmico. Cada Signo reage a um certo tom, e alguns tons combinam-se harmonicamente, enquanto outros destoam. Assim como percebemos desarmonia e conflito entre certas notas de um piano, e entre certas cordas de uma harpa, do mesmo modo notamos desarmonia idêntica entre vários Signos do Zodíaco e entre vários Planetas, no que tange aos seus efeitos sobre o ser humano.

O símbolo do Trígono é o triângulo. Em astrologia o Trígono é considerado harmonioso e benéfico. Então, temos aqui os Signos que representam os quatro elementos e formam os triângulos do Fogo, da Terra, do Ar e da Água.

Os Signos de Fogo e Ar são harmônicos entre si, e as triplicidades de Terra e Água são amigáveis; mas a triplicidade de Fogo não se harmoniza com a de Água, nem os Signos de Terra harmonizam-se com a do Fogo. Os Planetas nesses vários grupos de Signos expressarão a mesma simpatia ou antipatia que os Signos expressam por si sós. A triplicidade dos Signos expressa-se por meio de harmonia do temperamento e da personalidade das pessoas, enquanto as Quadraturas expressam suas aflições por meio de desconfortos físicos.

A doença é realmente uma falta de harmonia entre o espírito e a personalidade, um conflito entre o ser humano inferior e o ser humano superior[16]. Os Trígonos ou triplicidades atuam como pacificadores, ao passo que as Quadraturas e Oposições impõem limitações ao espírito. O último par proporciona lições que precisam ser aprendidas. Exige do indivíduo pagamento de dívidas de destino, por seus erros e egoísmo manifestado em vidas anteriores. As Quadraturas e Oposições são mais vitais em sua atuação. As primeiras agem por meio de três grupos de Signos a saber, conhecido como círculo vicioso:

Há anos os médicos vêm estudando a estranha afinidade existente entre diferentes partes do Corpo que eles descobriram na manifestação de doenças em diversos pacientes. Quando eles localizam uma doença em um órgão, costumam procurar a causa em outro, que tenha afinidade com o primeiro. Por exemplo, nos casos de glaucoma ou certos tipos de afecções dos olhos, constataram invariavelmente que a causa real ou o local real do problema se encontrava no estômago ou nos rins. Em certos tipos de problemas na garganta e em casos de bócio se descobriu que uma fraqueza do coração, frequentemente, foi encontrada como a causa.

Os quatro pontos do círculo chamados de Signos Cardeais, ou equinociais: Áries – os olhos, Libra – os rins, Câncer – o estômago e Capricórnio – os joelhos têm grande afinidade entre si, de modo que problemas em algum desses Signos, frequentemente, pode refletir-se em outro do mesmo círculo. Exemplificando: se Saturno encontra-se aflito no Signo de sua queda, Câncer, seguem-se problemas digestivos e, invariavelmente, perturbações nos rins, verificando-se também às vezes, como resultado, endurecimento das juntas dos joelhos. Afecções dos olhos frequentemente se manifestam em consequência de alimentação errada. As pessoas com Saturno em Câncer são extremadas na escolha de seus alimentos. Eles têm gostos e aversões estranhos.

O segundo círculo vicioso é o dos Signos Fixos: Touro – garganta; Escorpião – órgãos geradores, reto, uretra, nariz; Leão – coração, espinha; Aquário – pernas, abaixo dos joelhos. Quando os órgãos da voz ou as tonsilas passam por cirurgias na infância, podem surgir problemas na puberdade e, depois, nos partos. Existe uma grande afinidade entre os órgãos sexuais e os órgãos da fala. A remoção de partes dos órgãos sexuais provoca alterações na voz, tornando-se feminina a voz do homem e masculina a voz da mulher. Afecções nas válvulas do coração causam, frequentemente, inchaço nos tornozelos.

O terceiro grupo de Quadraturas é composto de Signos Comuns ou mutáveis, e correspondem Casas Cadentes. A 6ª Casa, correlacionada com Virgem, e a 12ª Casa, correlacionada com Peixes são, particularmente, fundamentais no horóscopo, pois representam, respectivamente, a Casa das doenças e a Casa dos confinamentos e hospitais. Há uma grande afinidade entre esses dois Signos e Casas. Os Signos Comuns são os que mais produzem doenças e mais inválidos desenganados são encontrados entre as pessoas de Signo Comum que em outro grupo, pois a força de vontade dos nativos não é suficientemente forte.

Dois Signos comuns são regidos por Mercúrio, que governa a respiração, os nervos e os sentidos de percepção; outro é domicílio de Júpiter, que rege a fibrina do sangue, a circulação arterial e o fígado. Gêmeos governa os pulmões, e através desse órgão o sangue é oxigenado. Virgem governa os intestinos, o sistema nervoso simpático e o baço. Quantas vezes ouvimos dizer: “Peguei um resfriado (ou pneumonia) por ter molhado os pés”, o que envolve Gêmeos e Peixes. Como este, muito mais exemplos de atuação dos círculos viciosos poderiam ser dados aqui.

CAPÍTULO IV – A CIÊNCIA DO RETO VIVER

Nos capítulos precedentes, estudamos as propriedades dos Signos do Zodíaco e dispusemos os grupos anatômicos de modo a facilitar seu estudo aos Estudantes de astro-diagnose, pois é necessário que estes se familiarizem tanto com as propriedades básicas dos Signos quanto com as dos Astros. É impossível ao Estudante fazer qualquer progresso na arte do diagnóstico através de cartas astrológicas a menos que ele possua considerável conhecimento do Zodíaco e das propriedades dos Signos e Astros. Deve também familiarizar-se com a ciência da Progressão. E deverá ter praticado todas essas diversas fases de conhecimento antes de tornar-se capaz de diagnosticar, de maneira que possa dizer o que certas posições, Aspectos e Astros indicam. É essencial que ele compreenda o temperamento e caráter do paciente antes que realmente se certifique de seu diagnóstico.

Descobrir a chave da doença e a razão por que um homem ou mulher tornou-se inválido, quer seja a doença orgânica, quer tenha o paciente violado as leis da natureza, é simplesmente tão necessário quanto o próprio diagnóstico. De que vale conhecermos o tipo de enfermidade mostrada no horóscopo se não pudermos indicar ao enfermo onde ele violou as leis naturais? Em 95% dos casos, a doença decorre de métodos errados de vida, e poder mostrar isso ao paciente conduz à cura. Removamos, pois, primeiramente a causa, e então a cura seguir-se-á como resultado natural.

O segredo do êxito do médico bem-sucedido reside no fato de que, tanto quanto possa evitá-lo, ele nunca diagnosticará a doença diretamente ao seu paciente. Fará apenas recomendações e prescrições, podendo, às vezes, insinuar algo sobre a origem da doença; poderá, também, orientar o enfermo quanto à alimentação e maneira de viver, bem como dizer ao paciente o porquê ele deveria descontinuar certos hábitos. Dessa diplomática maneira de tratar o doente provém o maior sucesso do médico. Ele nunca deve falar uma palavra desencorajadora. Ele nunca rouba, do doente, suas esperanças e, quando sai da casa do paciente, é com um sorriso e uma palavra animadora.

Há exceções, contudo, porque existem médicos, e de modo nenhum constituem a minoria, que posando sob o nome de médico, predizem a morte ou falam da necessidade de cirurgias de vários tipos, antes que eles real e verdadeiramente façam o diagnóstico da doença. Sob os cuidados de um médico assim, é comum que o pobre paciente se sinta perdido, pois aquele de quem esperava alívio, na realidade, apenas lhe rouba as esperanças. Por conseguinte, queremos que nossos Estudantes gravem isto de modo indelével NUNCA, em tempo algum, devem predizer a morte; nunca também, em tempo algum, digam ao paciente que ele está com problemas no coração, que corre o risco de ficar louco, ou que se encontra afetado pela pavorosa doença da tuberculose. O medo é normalmente pior em seus efeitos sobre a Mente de alguém em estado negativo que a própria doença. Noventa em cem pacientes adoecem por adotarem métodos errados e perigosos de comer, adoecem por medo, adoecem por causa da falta da força de vontade para resistir às tentações; de fato, toda doença é resultado da ignorante violação das leis da Natureza. Isso pode não ter ocorrido só nesta vida. Isso pode ter sido trazido de existências anteriores, pelo que o paciente possui fraquezas em estado latente.

Assim, podemos perceber que, para poder realmente ajudar na cura definitiva[17] do doente, o curador ou a curadora ou diagnosticador precisa ter suficiente conhecimento, que o capacite a dar ao sofredor as necessárias instruções para um reto viver. Nosso conselho ao leitor seria para que estude cuidadosamente e, se possível, memorize as lições precedentes de astro-diagnose; que se familiarize, também, com as propriedades dos diversos alimentos e suas combinações, pois, se dissermos a um paciente que modifique sua dieta, podemos esperar que ele nos pergunte o que deve comer então. Pode-se concluir, portanto, de todas essas considerações, quão necessário é se obter um conhecimento sadio e seguro da ciência do reto viver.

CAPÍTULO V – A MENTALIDADE

Quando julgamos as qualidades mentais de um paciente, nosso primeiro pensamento é determinar a posição de Mercúrio em seu horóscopo. Então, anota-se primeiramente o Signo em que se encontra, depois a Casa e em seguida os Aspectos que ele, o Planeta da Razão, recebe.

A fim de poupar tempo e espaço nestas lições, não daremos aqui os efeitos de Mercúrio nos diferentes Signos do Zodíaco, preferindo remeter o leitor ao livro ‘A Mensagem das Estrelas’, onde poderá encontrar as qualidades básicas de Mercúrio nos doze Signos. O estudo atento e cuidadoso dessas qualidades pode proporcionar uma base sólida para julgamentos.

A Lua é o Astro a considerar em seguida. Se existem bons Aspectos entre ela e Mercúrio, especialmente se ambos os Astros estiverem bem situados em ângulos e Signos em que expressam as suas melhores qualidades, esperamos que o paciente seja capaz de cooperar com aquele que tenta curá-lo. Se Mercúrio, contudo, acha-se em Conjunção com Saturno, deparamos com uma Mente obstinada, vagarosa e sujeita a melancolia. Quando Mercúrio está em Trígono ou Sextil com Saturno, pode-se contar com uma Mente bem-equilibrada, de bom raciocínio e boa memória. Quando é Marte ou Urano que se encontram em Conjunção com Mercúrio, temos um paciente muito nervoso, emotivo, um tipo excêntrico, com pouco controle sobre a Mente. Mas, se os Aspectos de Marte ou Urano a Mercúrio forem Sextis ou Trígonos, tais Aspectos tendem a agilizar faculdades mentais, tornando a Mente impulsiva. Se encontramos Mercúrio ou a Lua afligidos por Netuno, então podemos contar com uma Mente inclinada para condições doentias e antinaturais, tais como obsessão, mania religiosa, mediunidade, bebidas ou drogas. Observem-se as Casas e os Signos em que se acham esses Astros para ver como eles tendem a expressar-se. Por ser Netuno a oitava superior de Mercúrio, exerce ele uma forte influência na Mente superior. Quando afligido por Urano ou pela Lua, Netuno fornece tendências para experiências indesejáveis no terreno psíquico. Quando afligido por Marte, especialmente quando em Conjunção com este Planeta ígneo, Netuno, muitas vezes, inclina o nativo a ser tentado a usar o hipnotismo ou a magia negra contra os outros, e também ele próprio a tornar-se vítima dos que, inescrupulosamente, utilizam-se dessas terríveis práticas contra o semelhante.

Quando as aflições mentais se situam na 8ª e 12ª Casa, sua influência é mais sutil do que em quaisquer outras. As aflições na 8ª Casa podem proporcionar à Mente tendências suicidas, mas, na 12ª, a Casa da auto-anulação, hospitais, prisões e asilos de loucos, as aflições podem conduzir confinamentos em alguma instituição.

Queremos imprimir o mais fortemente possível na Mente do leitor que nunca, jamais em tempo algum baseie seu diagnóstico em apenas um ou dois Aspectos, mas sempre na totalidade do horóscopo. Para ilustrar os perigos de um julgamento superficial, servir-nos-emos do horóscopo de um homem que tinha Mercúrio em Capricórnio na 6ª Casa, com apenas um Aspecto, uma fraca Quadratura com Netuno. Julgando apressadamente seu horóscopo, qualquer um diria tratar-se de alguém com Mente obtusa. Mas, na verdade, quando menino ele se manteve à frente de sua classe escolar. Em ortografia e matemática foi brilhante e, ao tornar-se adulto, alcançou elevada posição em seu meio. É líder em um ramo de trabalho que requer habilidade executiva e uma mentalidade afiada. Ilustrando nossa opinião, observaremos o que os outros Astros indicavam. Ele tinha sete Astros em Signos de Ar; cinco Astros em Signos mentais; a Lua e Netuno em ângulos, ambos bem-aspectados, o Sol e a Lua em Signos fixos, e Signos Cardeais e Fixos nos quatro ângulos. Quando resumimos todo o horóscopo, pudemos ver muito bem por que esse homem alcançou elevada posição num trabalho mental, apesar de ter um Mercúrio tão fraco. Por conseguinte, é nosso desejo imprimir indelevelmente na Mente de nossos leitores que usem a força de seu raciocínio antes de julgarem um horóscopo, seja isso para aferição de qualidades mentais, morais, espirituais ou físicas.

CAPÍTULO VI – AS INFLUÊNCIAS DA SEXTA CASA

Após estudarmos, cuidadosamente, as qualidades mentais de nosso paciente, precisamos verificar a sua força de vontade. Como regra geral, o Ascendente fornece a chave para a vontade e mentalidade. Verificaremos, a seguir, o que tem a 6ª Casa a ver com o assunto. A 6ª Casa é a Casa da doença e, frequentemente, fornece a chave para as condições do paciente. Portanto, primeiro examinamos o Regente dessa Casa, para ver o que ele indica, em que Signo e Casa se encontra, qual a natureza desse Signo e que parte do Corpo ele governa. Em seguida, precisamos ver quais os Astros que estão fazendo Aspectos com o Regente da Casa da doença.

Suponhamos que Aquário esteja na cúspide da 6ª Casa. Então nós procuraríamos por dois Astros que regem esse Signo: Saturno e Urano. Naturalmente eles terão regência sobre a saúde do paciente em uma medida muito ampla. Suponhamos agora que Urano esteja no Signo de Virgem e no Ascendente, conforme se encontra no horóscopo de um homem nascido em 22 de abril de 1881, às 14 horas. Urano, elevando-se no Ascendente, fornece a chave da natureza do nativo, a qual é de grande impulsividade. Saturno é o co-Regente da 6ª Casa. Nós encontramos em grande quantidade de horóscopo que Saturno é o que aflige. Ele é o feitor que aplica, ao ser humano, as necessárias lições. No horóscopo que estamos considerando, Saturno está em Touro, interceptado na 9ª Casa e em Conjunção com o Sol e Júpiter. Nesse caso, porém, ele não é o pior Astro que aflige.

Consideremos agora os Astros que se acham na 6ª Casa. Nesta encontramos a vacilante Lua em Aquário, em Quadratura com Vênus e Netuno, os dois últimos no Signo de Touro e na 9ª Casa. Aqui reside todo o problema. Lua e Vênus são femininos, o que significa mulheres. A Lua é Regente da 11ª Casa, e representa amizades femininas, que tentaram esse homem e o tentaram para responder aos impulsos de Urano-Marte. Por conseguinte, podemos determinar o problema mediante uma super-indulgência dos desejos, indicada pelos Astros em Touro e por Marte, Regente de Escorpião, que governa o sexo. Pode-se esperar daí que o vinho e as mulheres acabem desgraçando esse homem.

Note que Mercúrio está na 8ª Casa, aspectado, muito fracamente, por um Sextil com Saturno, Sol, Júpiter e Netuno. Mercúrio em Áries atua por impulso. Estando ele praticamente sem Aspectos nesse Signo, e tendo Urano em Oposição a Marte indica falta de premeditação. Com tais condições, e tendo um Signo Comum no Ascendente, esse homem era um perfeito escravo de suas paixões e desejos. Aqui podemos ver que Urano, em Conjunção com o Ascendente Virgem, tende a uma vontade relativa. Uma decidida falta de força de vontade é indicada. Com Virgem, o Signo natural da 6ª Casa, no Ascendente e com o Sol em Touro, esse homem era vítima fácil de doenças, pois Virgem e Touro têm definitivo medo de enfermidades.

Nunca devemos basear nossos diagnósticos em uma ou duas aflições, mas precisamos examinar muito cuidadosamente todos os Signos e Astros. Alguns horóscopos mostram muito claramente do que se trata, de modo que em um relance podemos concluir, com poucos Aspectos, qual seja a doença. Outros, porém, escondem os sintomas, exatamente como acontece, às vezes, entre os médicos e seus pacientes. Alguns lhes dizem imediatamente onde está a doença, enquanto outros fazem um enigma, dificultando, assim, ao médico a localização da doença. Portanto, o astrólogo precisa estudar e raciocinar bastante para poder se certificar de que ele tem o diagnóstico correto.

CAPÍTULO VII – PASSOS PRELIMINARES NO DIAGNÓSTICO

Nós estamos, agora, prontos para iniciar o verdadeiro trabalho de ler e diagnosticar um mapa astrológico. Em primeiro lugar, precisamos saber o que significa o Signo Ascendente, pois assim obtemos a chave para a disposição do paciente. O Ascendente indica a natureza geral do batismo astral que o indivíduo recebe ao nascer e que o influenciará por toda esta vida física. Suas tendências estarão de acordo com o que as forças astrais lhe imprimirem nesse momento. Lembre-se, nós não falamos destino, mas sim tendências, porque o ser humano tem o poder interno para mudar, em grande medida, as influências que são mostradas no horóscopo. Nós devemos admitir que o horóscopo é o resultado de suas vidas passadas, e que indica um certo destino provável. Se ele permite que os Astros o governem, então ele se converte numa vítima do destino; mas ser humano sábio é ele que rege os seus Astros.

O Ascendente indica as características gerais e tendências latentes no interior do ser humano. Por conseguinte, esse deve ser o ponto de partida para o nosso diagnóstico. Precisamos ver, então, que Signos ocupam os quatro ângulos. Se são Signos Comuns – Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes – que estão nas cúspides dos quatro ângulos, temos um paciente que responde, rapidamente, a sugestões e que, enquanto ouve o curador ou a curadora pode, aparentemente, tentar cooperar com ele, mesmo considerando sua tendência para a instabilidade, ou melhor dizendo, devido a fraqueza de vontade do indivíduo de Signos Comuns, o mais provável é que se esqueça de seguir as prescrições. Tais recomendações devem ser repetidas muitas vezes, caso contrário o paciente de Signo Comum é capaz de esquecê-las.

Se o Ascendente e os quatro ângulos estiverem ocupados pelos quatro Signos Cardeais Áries, Câncer, Libra e Capricórnio – pode-se esperar cooperação do paciente; mas se é Áries que está no Ascendente, deve-se deixá-lo pensar que ele próprio é quem está se tratando. Nunca ordene qualquer coisa a uma pessoa de Áries, mas lhe pergunte, diplomaticamente, se ela não acha que isso ou aquilo seria bom para ela, pois Áries detesta obedecer às determinações dos outros. Entretanto, quando ele resolve segui-las, ele o fará com muito empenho e espontaneamente. Nós, algumas vezes, ouvidos dizer de pessoas que seguem as prescrições médicas até o ponto em que possam tomar uma caixa inteira de comprimidos de uma só vez. Bem, esse é o caso do paciente de Áries. Ele precisa de resultados rápidos, senão perde o interesse. Como regra geral, as pessoas de Signos Cardeais sempre querem cooperar com o curador ou a curadora, envidando todos os esforços para vencer a doença.

As pessoas de Signos Fixos – Touro, Leão, Escorpião e Aquário – são as criaturas do hábito; isto é, elas são tão fixas que quando caem numa rotina ou formam um hábito, é muito difícil para o curador ou a curadora lidar com elas. Elas se agarram a esse hábito com tenacidade, podendo ser ele a própria raiz do problema e ter causado a doença. As pessoas de Signo Fixo têm grande determinação, de forma que, uma vez despertadas, cooperam plenamente com o curador ou a curadora. As pessoas de Touro e Escorpião se mostram, às vezes, com uma natureza teimosa, difícil de dominar, e demonstram tanto medo de doenças que o curador ou a curadora precisa ser muito cauteloso em sua presença, quanto ao que possa sugerir. Ele precisa, também, ser sempre otimista, alimentando esperanças com suas sugestões.

O curador ou a curadora deve familiarizar-se com o temperamento e a disposição proporcionados por cada Signo e perceber que se o Regente do Signo está afligido, ou se existem Astros adversos no Signo, a reação será bem diferente de quando o melhor lado do Signo é expresso. Lembrem-se, o magnânimo, jovial e afetuoso Leão sem esta afligido é um indivíduo muito diferente do turbulento, fanfarrão e teimoso Leão afligido. De modo semelhante, podemos ver dois lados em cada Signo. Vamos estudar os Signos e os seus Regentes muito cuidadosamente. Note, também, com muita atenção, os Aspectos que os Astros formam com o Regente do Ascendente, pois tal Astro, geralmente, é o Regente da Vida, portanto, exercendo uma grande influência na vida do nativo.

O próximo passo é o estudo da Mente, porque se ela for fraca, o curador ou a curadora achará seu trabalho mais difícil. Na Mente do ser humano se encontra o poder que pode ser usado para controlar a doença. Um Mercúrio forte e bem-aspectado guiará um nativo por um caminho seguro e saudável em seu viver, sendo pouco provável que ela sucumba a doenças. Por outro lado, um Mercúrio afligido, frequentemente, conduz o ser humano às tentações, de maneira que, se a natureza de desejos é forte e a Mente é fraca, nós podemos esperar que o paciente não sinta vontade de cooperar com o curador ou a curadora. Assim, nós podemos dizer que o curador ou a curadora deve estudar a carta astrológica com muita atenção para o levantamento das tendências latentes do paciente. Quando ele as traçou, ele está apto para descobrir a causa primária. Lembrem-se, tudo na vida tem uma causa primeira, de modo que, para compreendermos um caso, precisamos retroceder ao princípio.

CAPÍTULO VIII – SUGESTÕES E AUXÍLIOS PARA O CURADOR (A) [18]

  1. NUNCA, NUNCA prediga ao paciente a data de sua morte. Que o Estudante repita tantas vezes para si mesmo essa recomendação até que fique gravada de modo profundo em sua Mente. Se predisser a MORTE a um paciente, VOCÊ pode se converter em seu executor, e então, perante seu Deus, você será responsabilizado por um grande erro. Diz um velho adágio: “Enquanto há vida, há ESPERANÇA”. Não importa quão forte seja a aflição de um horóscopo, a Providência Divina é capaz de dar, às vezes, uma mão tal que, períodos muito críticos podem ser superados com a devida ajuda.
  2. A LEI não permite ao leigo diagnosticar doenças; somente médicos licenciados podem fazer isso.
  3. O curador ou a curadora sábio (a) NUNCA discutirá doenças com seu paciente, tampouco far-lhe-á diagnóstico. Ele guardará seu conhecimento para seu próprio uso na cura definitiva.
  4. Se possível, mantenha sempre a Mente do paciente afastada da doença, e antes de ele ir embora, dê-lhe um pensamento agradável para ajudá-lo. Ria com ele e diga-lhe coisas engraçadas; sempre o deixe com um sorriso, pois a alegria é meio caminho para a cura definitiva.
  5. Evite lhe perguntar: “Como se sente? “. Isso tende a fazer seus pensamentos retrocederem ao próprio Corpo Denso, o qual é muito bom que ele esqueça, enquanto estiver enfermo. Que suas primeiras palavras do dia sejam: “Que belo dia! Estou contente em lhe ver”. Qualquer cumprimento é bom, desde que traga alegria e ajude o sofredor a esquecer suas dores.

5.A Nunca comente com o paciente o horóscopo dele. Se, contudo, ele insistir dê-lhe apenas vislumbres encorajadores, mas NUNCA lhe fale da crise iminente.

  1. As pessoas doentes quase sempre têm o desejo mórbido de conhecer o futuro, de saber sobre alguma crise iminente, ou mesmo de uma possível morte, especialmente se possuem algum conhecimento de astrologia. O curador ou a curadora deve exigir do paciente que interrompa o estudo do seu próprio horóscopo, enquanto estiver sob seus cuidados; caso contrário ele perceberá que muitas sugestões adversas resultantes de tal estudo poderão surgir-lhe na Mente, retardando a cura definitiva.

6.A. Existem linhas de força atuando entre os dois polos de um magneto, e em toda a Natureza existe um lado positivo e um negativo. O corpo humano é o magneto mais poderoso e expressa ambos os aspectos: positivo e negativo. Quando um ser humano adoece, expressa o lado negativo de sua natureza, por isso o curador ou a curadora deve (e poderá, se for o curador ou a curadora certo (a)) expressar o aspecto oposto, ou seja, o positivo. Quando isso é feito, o paciente pode responder instantaneamente, e o tratamento é bem-sucedido. Por conseguinte, é muito necessário que o curador ou a curadora expresse positividade e alegria no ambiente onde está o enfermo.

  1. Quando uma pessoa adoece, seu poder de resistência desce ao mais baixo nível e ela se torna muito sensível às influências externas. Nessas ocasiões, as correntes do Corpo Vital fluem voltadas para dentro, tornando a pessoa vulnerável a atrair pensamentos e magnetismo dos outros, os quais, se negativos, poderão afetá-lo adversamente. Quando a pessoa desfruta de boa saúde, os Éteres do Corpo Vital se irradiam para fora, impedindo a entrada de elementos negativos e, também, expelindo as impurezas.
  2. Quando uma pessoa adoece, seu poder de resistência é baixo, e nessas ocasiões as vibrações do curador ou da curadora surtem maior efeito que em qualquer outro momento; sua influência é, portanto, poderosa, tanto para o bem como para o mal. Se os pensamentos do curador ou da curadora não são puros, se a sua vida não é limpa, sua influência sobre o paciente não é boa. Por conseguinte, é muitíssimo necessário que o curador ou a curadora VIVA A VIDA de pureza, caso contrário ele pode ser mais prejudicial que benéfico.
  3. Se o Saturno do curador ou da curadora se encontra no Ascendente ou na 6ª Casa do paciente, ele terá pouca probabilidade de sucesso em ajudar o paciente.
  4. Um curador ou uma curadora com o Sol em Escorpião ou com Escorpião no Ascendente, geralmente, são bem-sucedidos.
  5. O Sol em Signos de Fogo proporciona um bom poder de cura, como também maior poder sobre as doenças relativas a esses Signos.
  6. Pessoas nascidas com Signos Comuns nos ângulos ou com o Sol em um Signo Comum dão as (os) melhores enfermeiras (os). Elas têm a capacidade de acalmar os doentes e impregnar o ambiente onde está o doente com influências tranquilizadoras.
  7. Quando Saturno é quem aflige, a pele, frequentemente, fica muito seca e a vitalidade se torna baixa. Em tais casos, esfregue energicamente a pele com uma bucha de banho para estimular a circulação.
  8. Pessoas com Virgem no Ascendente ou com o Sol em Virgem se tornam boas enfermeiras.
  9. Para acalmar o paciente que tenha Marte afligido, é bom escolher uma hora de Saturno[19].
  10. Pessoas com Saturno na 6ª Casa dificilmente têm sucesso na arte de curar definitivamente.
  11. Quando o paciente sofre com problemas nos nervos, mas não tem Marte afligido em seu horóscopo, é bom que se use uma hora do Sol ou de Marte para aplicação de massagens ou administração de remédios.
  12. Quando a Lua está crescendo em luminosidade, ou seja, quando vai de Nova a Cheia, os estimulantes surtem maior efeito, enquanto os sedativos surtem menor.
  13. Quando a Lua se encontra em Conjunção com Saturno, os estimulantes surtem efeito muito reduzido; mas se está em Conjunção com Marte, especialmente se Marte está forte no horóscopo ou se acha no Signo de Áries, então o curador ou a curadora precisa ser extremamente cuidadoso na administração de estimulantes.

CAPÍTULO IX – AFORISMOS

  1. A Lua pode ser considerada a doadora e acolhedora da vida; isto é, ela atua como um meio de transporte das forças vitais do Sol para a Terra e para o ser humano, mas suas forças, também, eventualmente produzem a morte.
  2. Quando a Lua está Cheia, as marés são mais altas, os ossos têm mais medula e as ostras ficam mais cheias do que em qualquer outra ocasião. A temperatura das febres também é mais elevada.
  3. Durante a primeira metade da vida, a Lua exerce sua mais forte influência, particularmente na infância; e durante a segunda metade da vida o Sol tem a mais forte influência.
  4. A Lua exerce grande influência sobre as pessoas insanas – isto é os lunáticos – bem como sobre os pacientes histéricos, epiléticos e que sofrem dos nervos. Esses pacientes sentem as mudanças da Lua muito intensamente; quando então ficam muito inquietos durante a Lua Cheia. Eles nunca deveriam dormir sob a luz direta da Lua.
  5. Na Lua Nova as forças materiais são mais fracas. O período da Lua Minguante – o período entre a Lua Cheia e a Nova – é mais propício para o trabalho espiritual, pois as influências do Sol são mais fortes.
  6. Não efetue cirurgias quando a Lua está no Signo que governa a parte do corpo que será submetida a cirurgia. Ptolomeu disse: “Não se façam incisões com instrumentos de ferro naquela parte do corpo governada pelo Signo em que de fato se encontre a Lua”.
  7. Cirurgias efetuadas no exato momento da mudança da Lua raramente são bem-sucedidas. Escolha o momento para uma cirurgia quando a Lua esteja crescendo ou, conforme se diz comumente, à luz da Lua. Não se deve efetuar cirurgias quando o Sol esteja transitando pelo Signo que governa a parte do corpo a ser cortada.
  8. A Lua percorre o Zodíaco em, aproximadamente, 28 dias. As doenças alcançam um ponto crítico a cada sete dias. Partindo da posição que Lua se encontrava no início da doença, pode-se esperar uma mudança nos próximos 7 dias (Quadratura), nos próximos 14 dias (Oposição) e nos próximos 21 dias (outra Quadratura).
  9. A Lua rege as doenças agudas. O Sol rege as doenças crônicas.
  10. É bom observar as Quadraturas e Oposições da Lua com Sol, Marte e Saturno em trânsitos, quando se tenha que efetuar uma cirurgia.
  11. A Lua tem maior influência sobre a saúde da mulher, enquanto o Sol influencia mais a saúde do homem.
  12. Da Lua Nova para a Lua Cheia, os estimulantes produzem maior efeito, e os sedativos, menor; reduza, pois, a dose de um e aumente a do outro.
  13. Quando a Lua Crescente[20] está com Aspecto benéfico com Júpiter ou Vênus radicais, os estímulos cardíacos produzem resultados mais duradouros. As palpitações são tratadas de modo mais eficiente quando a Lua está minguando[21] e formando Aspectos benéficos com os Astros citados acima. Administrem-se com o máximo cuidado estimulantes do coração quando a Lua estiver em Aspecto adverso com esses Astros, em especial se estiver na fase minguante ou ser Lua Nova.
  14. Bons Aspectos de Júpiter e Vênus em trânsito com a Lua radical são de grande ajuda.
  15. Saturno, quando situado na 6ª Casa no horóscopo natal, tende a reduzir a vitalidade.
  16. O Signo em que se encontra o Sol no nascimento representa um ponto muito vital no horóscopo, variando sua influência consoante seja esse Signo: Cardinal, Fixo ou Comum. Também a Casa ocupada pelo Sol é importante, seja ela Cadente, Sucedente ou Angular. Quase sempre, por meio da fortaleza do Sol no horóscopo se pode avaliar a reação do paciente.
  17. Bons Aspectos entre Sol e Marte radicais proporcionam grande vitalidade e resistência às doenças. Do ponto de vista da saúde, um Aspecto adverso entre o Sol e Marte é melhor do que nenhum.
  18. Os Aspectos do Ascendente e do Meio-do-céu nem sempre são confiáveis, a menos que se tenha absoluta certeza do minuto do nascimento. Uma vez que os relógios estão quase sempre desregulados e que existe muita confusão sobre os diferentes tipos de hora, estes dois pontos devem ser considerados com muita reserva.
  19. Os Astros que estão em Graus Críticos[22] tem maior influência benéfica ou adversa quando estão nesses graus, do que quando se acham em quaisquer outros graus.
  20. Certas estrelas fixas exercem poderosa influência sobre as enfermidades. Especialmente devem ser observadas as três seguintes nebulosas: Plêiades, nos 29° de Touro; Ascelli, nos 6° de Leão; Antares, nos 8° de Sagitário.
  21. Uma criança que não tem nenhum Aspecto entre o Sol e Marte está sujeita a muitas doenças na infância.
  22. Um paciente com muitos Astros em Signos de Ar requer mais ar em seu quarto onde dorme do que os demais; Astros em Signos de Fogo inclinam a pessoa a exigir mais luz solar; e as pessoas com muitos Astros em Signos de Água ou de Terra sofrem pelo excesso de luz do Sol.
  23. Com Signos Fixos nos ângulos e aflições em Signos Comuns, o nativo vence as doenças; quando os Signos Comuns estão nos ângulos e as aflições se encontram em Signos Fixos é mais provável que ele seja vencido pelas doenças.
  24. Quando o Sol está bem-aspectado e nos Signos de Áries ou Leão, instila grande vitalidade e capacidade para expelir a doença.
  25. Quando as pessoas com Áries no Ascendente, ou com o Sol ou Marte em Áries no nascimento adoecem, suas temperaturas se elevam muito mais do que a de outros pacientes e eles sofrem também muito mais rapidamente de febre, pois nelas o sangue tende a fluir mais para a cabeça e para a pele.
  26. Uma aflição entre o Sol e Saturno, ou uma Quadratura entre a Lua e o Sol, proporcionam baixa vitalidade. Quando se verifica essa condição no horóscopo, é bom que, durante a enfermidade, se observem os Aspectos da Lua progredida a esses Astros afligidos, como também, de modo especial, os trânsitos da Lua Nova e Cheia.
  27. Planetas Retrógrados ajudam muito pouco nas doenças. Não importa que estejam com Aspectos benéficos ou adversos; até que se tornem Diretos sua influência é apenas latente. Uma vez tomados diretos, podemos então considerar suas influencias despertadas.
  28. Quando os Planetas passam de Retrógrados a Diretos, sua velocidade é lenta. Com tal lentidão, a influência deles não é tão decisiva nem poderosa como quando se movem mais depressa.
  29. Os Astros são fortes quando em Signos de sua própria natureza[23], e também quando em Aspecto com outros Astros que se encontrem em Signos compatíveis.
  30. Quando a hora do nascimento é desconhecida, pode-se obter um diagnóstico razoavelmente preciso pelo levantamento de um horóscopo natural, isto é, colocando-se Áries na 1ª Casa, Touro na 2ª, Gêmeos na 3ª, etc.
  31. A influência de Saturno é contração, enquanto a de Marte é afrouxamento.
  32. O Sol governa o fluido vital, que é especializado pelo baço. Se ele se encontrava afligido, no nascimento do paciente, doenças podem se manifestar quando os Astros o afligirem, por progressão.
  33. Quando o Sol ou a Lua radicais estão na órbita de influência dos 29° de Touro (Plêiades), 6° de Leão (Ascelli) ou 8° de Sagitário (Antares) são indícios de problemas com os olhos; especialmente se Saturno, Marte ou Urano, também, se encontrarem em quaisquer um desses pontos.
  34. Mercúrio na 12ª Casa, afligido pelo Sol, por Saturno, Urano ou Marte – bem como se Mercúrio estiver em Capricórnio, o domicílio de Saturno, afligido por um Planeta adverso[24] – pode afetar a audição.
  35. Atente para os Astros adversos situados na 6ª ou 12ª Casas, uma vez que a 6ª Casa rege, entre outros assuntos, as doenças e a 12ª Casa rege, entre outros assuntos, hospitais e locais de confinamento.
  36. É necessário que se observe a antipatia entre certos Signos e Astros. Por exemplo: o ígneo Planeta Marte pode estar posicionado no aquático Signo de Peixes, ou pode o frio e térreo Planeta Saturno se achar no ígneo Signo de Áries. Quando um Astro está no Signo de seu Detrimento, pode se tornar uma ameaça à saúde.
  37. O local em que Saturno se encontra no horóscopo é, provavelmente, a parte mais fraca do Corpo Denso, a parte mais facilmente afetável por doenças.
  38. Os espíritos lucíferos de Marte ajudam na manutenção do calor do sangue, dissolvendo o ferro, metal de Marte, capacitam esse mesmo sangue a atrair o oxigênio, um elemento do Sol.
  39. Um paciente que tenha o Planeta Mercúrio com um Aspecto de Quadratura com Saturno está sujeito a sofrer de melancolia. Em tal caso, escolha-se um quarto alegre e ensolarado, com paredes cor-de-rosa.
  40. O Signo de Leão no Ascendente, com o Sol em seu Signo de exaltação, Áries, proporciona vitalidade abundante e poder para debelar as doenças.
  41. Se a doença é causada por um Marte afligido, podemos buscar ajuda quando a Lua progredida formar um Aspecto benéfico com Vênus. Quando a doença for de natureza saturnina, podemos esperar a maior ajuda quando a Lua progredida formar Aspecto benéfico com Júpiter. Note o símbolo de Vênus, a “oitava superior” de Marte, e o de Júpiter, a “oitava superior” de Saturno; em cada caso, o símbolo do segundo é o inverso do primeiro.
  42. Se a Lua formar uma Conjunção com Saturno no começo da doença, pode-se esperar que a mesma seja de longa duração.
  43. Doença relacionada à Lua é de natureza aguda e podem se alterar dentro de 28 dias, porém quando a doença está relacionada com o Sol sua natureza é crônica e, provavelmente, de maior duração; os tratamentos são mais persistentes e resistentes..

CAPÍTULO X – DIAGNÓSTICO PELAS MÃOS E UNHAS

O astrólogo, frequentemente, se encontra com uma grande desvantagem durante a interpretação dos horóscopos e no diagnóstico das doenças, pois os pacientes se equivocam, muitas vezes, com a hora de seu nascimento, ou até mesmo não a conhecem. Em cada sete de dez casos, em que os nativos julgam ter certeza da hora certa, quando feita a correção dos horóscopos, pelos acontecimentos de suas vidas, se constata erro nesse particular. Pessoas vêm constantemente à Sede Mundial da Fraternidade Rosacruz com horóscopos levantados por elas próprias ou por astrólogos profissionais, e em muitos desses casos, nos quais eles tinham certeza, tiveram corrigida a hora de nascimento e os Signos Ascendentes não correspondiam ao seu temperamento e a sua aparência física.

Um exemplo é o de uma mulher que afirmava ter Peixes no Ascendente, mas, quando a conhecemos pessoalmente, logo concluímos que ela tinha os primeiros graus de Áries no Ascendente, pois tinha cabelos avermelhados, perfil decidido de carneiro, nariz romano proeminente e lábios espessos, características estas que, como lemos no livro: A Mensagem das Estrelas, correspondem a Áries[25]. Outra mulher veio à Sede dizendo ter Leão no Ascendente, mas possuía um corpo pequeno e magro, rosto comprido com queixo decididamente retraído, dedos cônicos longos e esguios e unhas longas – um retrato perfeito de Virgem. Um caso chegou até nós de uma mulher muito alta. A hora de nascimento fornecido por ela punha Touro no Ascendente, porém sua aparência pessoal era muito similar àquela de Gêmeos. O horóscopo dispunha de muitos Astros em Signos indicadores de altura considerável: Sol, Júpiter, Mercúrio e Netuno estavam em Gêmeos, enquanto a Lua e Vênus se achavam em Áries. Isso lhe proporcionou braços compridos e tronco largo. À primeira vista, nós duvidamos que ela tivesse Touro no Ascendente, mas, examinando suas unhas da mão, pudemos constatar que se tratava realmente de um tipo taurino perfeito. Touro também era indicado pelo maxilar pesado e pescoço grosso. As unhas do nativo de Gêmeos são pequenas e o pescoço delgado.

O diagrama A pode dar ao leitor uma chave para classificar os tipos puros pelas unhas das mãos, correlacionados com os Signos zodiacais. Horóscopos com muitos Astros num Signo podem modificar a conformação das unhas. Com o tempo, o Estudante será capaz de usar esse Diagrama para determinar características de qualquer tipo. Note como os tipos se harmonizam. Signos Fixos produzem unhas largas, mostrando grande persistência e determinação. Os Signos regidos por Vênus – Touro e Libra – dão unhas mais arredondadas, sendo os dedos longos e bem-formados e o monte de Vênus, que fica na base do polegar, bastante redondo e volumoso.

Poderíamos escrever muito mais sobre as mãos e suas características comparadas com o horóscopo, mas, como este capítulo se destina de modo especial a ajudar no diagnóstico de doenças, temos de nos restringir principalmente a isto.

Não é muito difícil detectar enfermidades latentes. Por exemplo. Vejamos o nº l no Diagrama A.1, que mostra uma unha grande e larga. Isso é similar ao tipo Leão puro. Com problemas latentes de coração, como no caso nº 5.A[26], em que o impulsivo Marte está no Ascendente em Quadratura com Vênus e indicando uma circulação deficiente e um coração fraco, nós acharemos que as pequenas meias-luas nas bases das unhas têm coloração azul, sendo também azuis as linhas das palmas das mãos. Quando a doença do coração evoluiu até um estado crônico e se enraizou, então pode-se perceber estrias longitudinais nas unhas (veja nº l no Diagrama A.1) e seus cantos levantam-se, cobrindo as carnes, como no nº l no Diagrama A.1. No Livro A Mensagem das Estrelas, Capítulo XXX, horóscopo nº 3 pode-se encontrar um horóscopo ilustrativo deste caso.

A unha do nº 3 do Diagrama A.1 é característica de casos como o da figura 10A[27]. A unha indicadora de afecções do fígado costuma ser mais ampla em tamanho, porém mais comprida que as dos nº 1 e nº 2 do Diagrama A.1. Elas se encravam nas carnes laterais, e geralmente adquirem um tom amarelado. As linhas da palma da mão também são amareladas. Lembre-se, ao examinar a palma das mãos, que a cor de suas linhas é uma dica muito valiosa para a saúde do paciente. Quando em boa saúde, as linhas se apresentam com uma coloração rosa suave; se o sangue está fraco, as linhas se apresentam entre pálidas e brancas; se o paciente está febril, as linhas ficam vermelhas; se o fígado sofre de alguma desordem, elas ficam amarelas; e se a atividade do coração está anormal, a coloração das linhas será azul.

No nº 4 do Diagrama A.1 temos um tipo de unha geralmente encontrado nas mãos de pessoas cujos horóscopos possuem Signos Comuns ou de Água nos ângulos. Muitos Astros em Signos Comuns ou de Água produzem o chamado tipo psíquico. Indivíduos com dedos e unhas longas, delgadas, que lembram garras, são supersensíveis, carentes de vigor e vitalidade. Esse tipo de unha se encontra, frequentemente, nas mãos de ricos ociosos, de mulheres que adotam um cachorrinho de estimação em vez de uma criança e que sempre conservam uma caixa de bombons ao alcance da mão. Mãos e unhas compridas, delgadas e bem-formadas pertencem ao tipo psíquico, e quando as unhas se apresentam descoradas e estriadas, no sentido longitudinal, indicam tendência a fraqueza dos pulmões. As pessoas com unhas compridas e estreitas geralmente estão sujeitas a resfriados e tosses.

A unha nº 5 do Diagrama A.1 pertence às pessoas nervosas, inclinadas a se sobrecarregarem intelectualmente.

O nº 6 do Diagrama A.1 indica o indivíduo que está frequentemente roendo as unhas. Mostra alguém que tem pouco domínio sobre o temperamento e cujos sentimentos são facilmente feridos. Tais pessoas costumam “levar aos ombros sempre o lenho mais leve” e procurar sempre o mais fácil.

O POLEGAR

Um polegar bem-proporcionado indica capacidade para controlar emoções, inclusive a raiva. Mas quando ele é curto e tem unha também curta, e sua extremidade tem a forma de taco, então não existe nenhum domínio sobre a ira, e as coisas facilmente ficam vermelhas aos seus olhos.

O polegar é um maravilhoso indicador de caráter, devendo por isso ser levado em consideração quando se diagnostica pelas mãos. Vemos no Diagrama B que o monte de Vênus e o polegar são espessos demais. É o polegar tipicamente taurino, com um enorme monte de Vênus, indicando uma natureza de desejos muito forte. O polegar é curto e grosso, mostrando fraqueza de vontade no domínio dos desejos. Quando o dedo é comprido e bem-formado, indica ideais elevados e a vontade de realizá-los.

No polegar bem-proporcionado, a primeira falange deve ocupar 2/5, e a segunda 3/5 do comprimento do dedo. Sua ponta deve alcançar a articulação média do dedo indicador. Polegar muito comprido informa que a pessoa é teimosa, obstinada; muito curto indica falta de lógica e mudanças constantes de uma a outra coisa. Se é muito espesso em todo o seu comprimento, os desejos e gostos são mais ou menos grosseiros e primitivos, e a pessoa não tem tato nem refinamento. Se é muito largo, especialmente na ponta, seu dono se enfurece facilmente e tem um temperamento ingovernável, além de ser também obstinado. O paciente de polegar normalmente desenvolvido segue as prescrições médicas.

Se a primeira falange do polegar é muito longa e a segunda curta, indica alguém imprudente, cujos atos fogem do controle da razão. Se a primeira falange é curta e a segunda muito longa, indica aquele que fala bastante, mas que faz pouco. Tal pessoa não merece a confiança de ninguém e carece de autocontrole.

O monte da Lua se situa no lado da palma em que fica o dedo mínimo e se estende quase do meio da palma até o pulso. Quando volumoso e cheio, indica emoção e imaginação excessivas, mas quando bem proporcionado significa Mente bem-equilibrada. O monte da Lua e as linhas que se encontram acima dele é que dão ao diagnosticador a pista para as aflições mentais e revelam o indivíduo lunático.

REVELAÇÕES DAS UNHAS DOS DEDOS DAS MÃOS

Unhas longas e estreitas, curvando-se para baixo em direção à carne: sangue de Água e impuro, fraqueza dos pulmões e afecções da garganta.

Manchas brancas nas unhas: anemia, sangue fraco, nervosismo.

Unhas longas, finas e rachadas: pouca vitalidade, negativismo, timidez.

Manchas pretas ou azuis nas meias-luas: veneno no sangue, circulação obstruída ou atividade do coração restringida. Deve-se levar em consideração o formato das unhas antes de se tomar uma decisão. Vejam-se os números de l a 6 no Diagrama A.1.

Meias-luas abauladas e bem-delineadas indicam boa circulação; se rosa-pálidas, revelam saúde; se azul-escuras, veja significado no Diagrama A.1.

Unhas cuja superfície superior é côncava revelam fraqueza da espinha.

Pacientes com mãos longas e macias, de carnes também macias e moles, dedos flexíveis, unhas brancas e, em especial, quando suas bordas pressionam estreitamente os lados do dedo e apresentam alguma coloração, pode-se dizer que já nasceram cansados. Tais pessoas poucas vezes tentam ajudar o curador ou a curadora, preferindo que os Auxiliares Invisíveis trabalhem por elas.

PARTE II – DIAGNOSE A PARTIR DOS HORÓSCOPOS

CAPÍTULO XI – Nº 1 – UMA LIÇÃO COMO MODELO DE INTERPRETAÇÃO

Mulher, nascida em 27 de janeiro de 1865, às 5:15 PM

Em vez de usar este horóscopo para um diagnóstico de doenças, nós o usaremos para ilustrar a arte de orientar e, formar uma opinião sobre as crises e duração da doença.

Vemos no mapa acima o Signo de Leão no Ascendente, e os Signos Cardinais Áries e Libra na cúspide das 10ª e 4ª Casas, respectivamente. Os Signos Fixos Touro e Escorpião estão interceptados. Temos dois Regentes neste horóscopo: o Regente do Ascendente, o Sol, que se encontra em Aquário – Signo de sua queda – e próximo à cúspide da 7ª Casa, e o dinâmico Marte, Regente da 10ª Casa, situado na cúspide da 11ª, num Grau Crítico e no Signo de Gêmeos. Marte está em Sextil com Netuno, na 9ª Casa, e em Trígono com o Sol na 6ª Casa. Podemos, portanto, considerar o Sol e Marte como os maiores influenciadores da vida desta mulher.

Agora, determinemos as aflições que foram responsáveis pela doença que a vitimou. Vemos Júpiter, que governa o sangue arterial, em seu próprio Signo Sagitário – na 5ª Casa, em Quadratura com Vênus, que rege a circulação venosa, e que aqui se encontra na 8ª Casa e no Signo de sua exaltação, Peixes. Júpiter está em Oposição à Urano, no Signo de Gêmeos e na 11ª Casa. Vênus está, também, em Quadratura com Urano. Agora a pergunta: o que indicam essas aflições em Signos Comuns? Temos visto configurações semelhantes nos horóscopos de pessoas vitimadas por tuberculose pulmonar. Vênus e Júpiter grandemente fortalecidos por Signo e aflitos por Urano em Gêmeos, Signo que governa os pulmões, podem naturalmente interferir na oxigenação, e produzir também uma tendência para tosses e resfriados.

Em 21 de janeiro de 1909, esta senhora contraiu um forte resfriado que culminou em pneumonia dupla. O cálculo ajustado da data (determinada conforme ensina no livro A Mensagem das Estrelas) é dia 06 de agosto de 1864.

Façamos agora a progressão dos Astros para 16 de agosto de 1908, que corresponde às suas posições nas Efemérides de 12 de março de 1865. Acrescentando-se a distância em graus percorrida pelos principais Astros em cinco meses, verificamos que em janeiro de 1909, o Sol progredido encontrava-se a 22°22’ de Peixes; a Lua estava a 27°28′ de Virgem; Marte achava-se a 21° de Gêmeos; Júpiter a 27°19′ de Sagitário; Vênus, a 7°50′ de Touro e Mercúrio a 17°16′ de Peixes.

Agora, para determinar o tipo de enfermidade, precisamos ver que Aspectos formaram os Astros progredidos com os ditos Astros radicais, relacionados com a fraqueza dos pulmões e circulação deficiente do sangue, conforme mostra a carta radical. Primeiramente, procuramos as aflições Astrais nos Signos Comuns, e verificamos que o Sol progrediu até formar uma Conjunção com Vênus radical em Peixes, que forma uma Quadratura com Júpiter radical. Marte progrediu até formar uma oposição à Júpiter radical, e uma Quadratura ao Sol progredindo. Verificamos também que a Lua progredida forma Quadratura com Urano radical em Gêmeos, relacionado com os pulmões1.

Os Aspectos acima, formados entre os Astros progredidos e os radicais, constituem uma aflição muito grave, especialmente por provirem de Signos Comuns.

Há três pontos que precisam serem considerados ao ler um horóscopo:

  • A carta radical é como o mostrador do relógio;
  • Os Astros progredidos são o ponteiro das horas
  • E os trânsitos diários, e a Lua Nova e Cheia podem ser comparados ao ponteiro dos minutos, que indica o momento exato.

Os Aspectos progredidos por si só não são atuantes. Faz-se necessário um fator que os aciona. Os trânsitos atuam como o fósforo que acende o rastilho, e a Lua em trânsito, com seus Aspectos e lunações, age como a marcadora do momento.

Em 21 de janeiro de 19092, a Lua formava Conjunção com o Sol, e isto significou uma Lua Nova no Signo de Aquário – em Aspecto de Quadratura com Saturno radical, que se acha em Escorpião na 4ª Casa. Esta Lunação marcou o dia em que a mulher contraiu, primeiramente, um resfriado, que culminou em pneumonia. Ao nascimento, Saturno formava uma Quadratura com o Sol radical, de modo que a Lunação naturalmente fortaleceu tal aflição. Por si só, a configuração não teria afetado os pulmões, mas o Sol progredido formou uma Conjunção com Vênus radical na 8ª Casa no Signo de Água, Peixes. Vênus é o Planeta mais adversamente situado no horóscopo; ele está em sua Exaltação, em Peixes, mas ele está aflito pela Quadratura de Júpiter e Urano, no nascimento. Júpiter radical está recebendo ajuda do Sextil da Lua, e Urano faz um Trígono com Saturno, o que atenua a adversidade nesses dois Astros; mas Vênus está aflito por ambos os lados, e sem um único Aspecto bom para contrabalançar o adverso. Verificamos também que Vênus progrediu até 7°50′ de Touro, na 10ª Casa, estabelecendo uma Quadratura com o Sol radical. A dupla aflição do Sol, cujo efeito é de natureza quente e inflamatória, foi responsável neste caso pela inflamação ocorrida nos capilares dos pulmões.

No entanto, pode-se perguntar: Por que essa inflamação nos pulmões? Por que não se deu na garganta ou nos pés, onde se encontram os Astros que afligem? Marte, que é outro Planeta quente e inflamatório, progrediu até 21° de Gêmeos, formando então uma Quadratura com Vênus radical, e com o Sol progredido. Por conseguinte, Marte foi o ponto focal da doença.

Dissemos anteriormente que a Lua é o marcador do momento da doença e também marca das crises. Vamos, pois, ao começo de tudo, quando o resfriado foi contraído, e ver quando a Lua entrou em Quadratura com o local da Lunação, que foi à meia-noite do dia 27 de janeiro de 1909, sete dias depois. A ciência médica considera críticos os 7º, 14º e 21º dias. A Lua exerce uma influência especial sobre o ser humano, e marca o momento em que sua recuperação pode ocorrer.

Acompanhemos o trânsito da Lua em seu percurso e vejamos sua influência3. No 25º dia, ela havia alcançado a Conjunção com Vênus radical e Sol progredido, e também a Oposição à Lua progredida, que se encontrava a 27°28′ de Virgem. Isso não mudou muito as coisas, mas na noite do 27º dia e madrugada do 28º, quando a Lua em trânsito, fez Quadratura com o ponto da última Lunação, a Conjunção com o Meio-do-céu, a Cauda do Dragão e Vênus progredidos, e também uma Oposição com Saturno radical, a morte chegava bem perto. A uma hora da madrugada do 28º dia, a mulher desencarnou. Ela era capaz de se ver deitada na cama, plenamente consciente de que a morte estava próxima, quando os gritos da enfermeira que a atendia fizeram-na voltar à vida terrestre.

A duração de uma doença pode ser conhecida pelos Signos em que se achem os Astros que a causaram. Se estão em Signos Fixos, a recuperação é lenta. Se estão em Signos Cardinais, a enfermidade é muito grave, mas termina rapidamente. Em qualquer caso, é bom examinar os Aspectos entre Marte e Sol radicais. Se eles estiverem bem situados e bem aspectados, como no caso dessa mulher (Marte em Trígono com o Sol), e se os ângulos estiverem ocupados por Signos Fixos, isto indica que o paciente pode se recuperar, quando muitos outros, nas mesmas condições, seriam sepultados.

CAPÍTULO XII – OS OUVIDOS

Nº 1A – OUVIDOS E NERVOS

Mulher, nascida em 1º de junho de 1884, as 11:45 AM

“Não importa quão estreita a passagem,

Quantas punições ainda sofrerei,

Eu sou o senhor do meu destino,

Eu sou o condutor da minha alma”[28].

Henley bem pode dizer que o ser humano é o capitão de sua alma. Quando nós olhamos para esse horóscopo, podemos ler a mensagem nos Astros de que esta alma preparou para si mesma um portão muito amplo e que o Caminho deveria ser suave e cheio do brilho solar, pois nele descobrimos 24 Aspectos bons contra apenas oito adversos. Isto, aos olhos do astrólogo, deveria trazer boa saúde e felicidade.

Nós acharmos Virgem, Signo Comum e de Terra, no Ascendente, com a Lua e Urano em Conjunção na 1ª Casa, formando um Sextil com Vênus e um Trígono com Mercúrio – o Regente do Ascendente e do Meio-do-céu – e também com o místico Netuno, a oitava superior de Mercúrio. Isso proporcionará um grau de intelectualidade. Essa mulher deveria ser atraída pelo estudo da dietética e interesse por trabalhos humanitários, uma vez que o humanitário e avançado Urano – tão proeminente aqui na 1ª Casa e em Conjunção com a Lua – é o Regente da 6ª Casa, a que governa as pessoas simples, as classes trabalhadoras.

Signo Comum e de Terra de Virgem proporciona uma tendência a se deixar levar pelo caminho de menor resistência. As pessoas sob este Signo não estão dispostas a lutar com a maré, mas preferem se deixar levar e são propensos a se tornar vítimas de suas doenças físicas. No caso dessa mulher, vemos Marte – o Planeta da energia dinâmica – posicionado em Leão e na 12ª Casa, a Casa da autodestruição. Quando Marte se encontra em Leão, Signo de Fogo e Fixo, sua influência para o bem ou para o mal é muito maior do que em qualquer outra parte. Achamos que Marte, nesse caso, é o maior Astro dos que afligem aqui, formando uma Quadratura e um Paralelo com Mercúrio, Regente da vida, e outra Quadratura com oitava superior dele, Netuno. Mas, por que essa aflição deve ser considerada importante quando existem tantos bons Aspectos para contrabalançá-las? As pessoas com Marte em Leão podem ser comparadas a um barril de pólvora: são capazes de explodir a qualquer momento, especialmente quando Mercúrio e sua oitava superior, Netuno, estão em Quadratura com Marte, no Signo Fixo de Touro. Esses Aspectos infundem um temperamento ingovernável e indicam uma pessoa que guarda ressentimento.

Vênus, o Planeta que governa o apetite, o paladar e os prazeres da mesa, está na 11ª Casa (a dos amigos) e no Signo de Câncer, que governa o estômago. Vênus forma Sextil com Mercúrio e Netuno, ambos no Signo que governa a garganta, Touro, Regente do próprio Vênus. O mesmo Vênus também forma um Sextil com a Lua, Regente de Câncer, e com Urano, o governante natural da 11ª Casa. Esses Aspectos e posições indicam que essa senhora foi abençoada (ou, diríamos, afligida, nesse particular?), com muitos amigos que a convidavam para jantares, que sempre estava disposta a aceitar, pois com a Lua e Urano em Conjunção na lª Casa ela possuía, naturalmente, uma natureza inquieta e pronta para ir aonde quer que a convidasse. Um Sextil entre Vênus em Câncer e a Lua proporciona gosto por frituras e doces; consequentemente, seu estômago foi muito maltratado por excessos. Também, seu sistema nervoso foi afetado por acessos de raiva. E assim o seu nervo vago ou pneumogástrico foi enfraquecido.

Esse nervo craniano, que se origina no quarto ventrículo, desempenha importante papel nas funções do Corpo Denso. Suas ramificações estendem-se ao ouvido, à garganta, ao coração, aos pulmões e ao fígado e envolvem o esôfago, tubo pelo qual passam os alimentos após deixarem a boca, com uma rede de pequenos nervos. Essas ramificações também abrangem grande parte do estômago. O excesso de comida que dilatou e distendeu o estômago, ressaltado pelos impactos da Lua e de Urano no Ascendente, e o temperamento da Quadratura de Marte com Mercúrio minou a saúde dessa pobre mulher, de tal modo que ela se tornou uma inválida crônica.

O Sol está em um Signo Comum e próximo ao Meio-do-céu, afligido por uma Conjunção com Saturno, no Signo Mercurial de Gêmeos. Mercúrio, o Regente da vida, governa a audição. Naturalmente nos voltamos para o lugar ocupado pelo Planeta mais forte da aflição. Essa senhora foi vitimada por surdez em ambos os ouvidos, pois uma ramificação do nervo vago domina as orelhas. Sofria também de uma dor constante debaixo do omoplata[29] direito, indicando problemas no fígado e ela tinha um nervosismo anormal.

Aqui, nesse horóscopo, nós podemos ver como o ser humano pode virar o seu próprio carrasco. O Regente da Casa da morte, a 8ª, está afligido na Casa da autodestruição, a 12ª. O único remédio para um paciente desse tipo é eliminar completamente os doces e as frituras, reduzir pela metade a quantidade do que come e lhe ensinar a ser calmo e a relaxar.

Nº 1B – OS OUVIDOS

Mulher, nascida em 22 de junho de 1881, ao meio-dia

Essa mulher nasceu em 22 de junho de 1881, ao meio-dia. Nós temos o venusiano Signo de Libra situado no Ascendente e o Sol na cúspide do Meio-do-céu. Esse é, portanto, o Astro mais poderosamente situado, sendo assim o Regente da Vida. O Sol está em Sextil com Marte. No Livro A Mensagem das Estrelas lemos que um bom Aspecto entre esses dois Astros ígneos fortalece a constituição, capacitam o indivíduo para trabalhos difíceis e produzem superabundância de energia vital. Como o Sol está casualmente dignificado por estar na 10ª Casa e na cúspide do Meio-do-céu, a nativa deve possuir muita força de vontade e energia para superar quase todas as doenças. Voltaremos depois ao assunto.

Vemos aqui uma combinação muito estranha de Astros, uma mistura de benéficos e adversos, todos aglomerados na 8ª Casa, no Signo Fixo de Touro, que governa a região da garganta e do pescoço.

Nós encontramos Marte em Touro, o Signo de Vênus e onde ele está em Detrimento, em Conjunção com Saturno; isso reforça as tendências adversas de Marte. Alguém pode estranhar que Marte em 0°31′ esteja em Conjunção com Saturno aos 9°13′, porque até aqui temos ensinado que a órbita de influência dos Astros menores é de apenas seis graus. Contudo, há exceções a essa regra: quando existe um conglomerado de Astros num Signo em que suas tendências adversas são fortes, especialmente quando o Signo é Fixo e simbolizado por animais, esses Astros têm suas órbitas de influência ampliadas, pois suas influências são mais fortes. Deste modo, com seu adverso intensificado pelos raios marcianos, Saturno tem aqui sua influência adversa fortalecida porque está situado dentro da órbita de Conjunção com a Lua e com Netuno.

Vejamos quais as doenças físicas relacionadas com os quatro Astros acima. Posicionados como se acham em Touro, que governa o pescoço como também as glândulas, nervos e artérias compreendidos nessa parte do corpo aqui afligida por Saturno, indicam atrofia ou obstrução. A influência de Saturno sobre Netuno e a Lua poderiam lhe causar contrações dos nervos. Júpiter e Vênus também estão em Conjunção com a Lua e Netuno e, portanto, indiretamente influenciados pela órbita de influência de Saturno, que aflige. Podemos, pois, concluir que todo esse grupo de seis Astros, situados no Signo Fixo de Touro e na 8ª Casa, está sob aflição.

Júpiter e Vênus também estão em Conjunção com a Lua e Netuno, pelo que, indiretamente, situam-se na órbita de influência de Saturno. Podemos, pois, concluir que todo esse grupo de seis Astros no Signo Fixo de Touro e na Casa 8 está sob aflição.

Júpiter rege o sangue arterial e Vênus o sangue venoso. Netuno e a Lua, em virtude de sua Conjunção com Saturno, podem ser considerados adversos, e restringirão a circulação na artéria carótida e interferirão em diversos condutores de ar e fluidos para os ouvidos, pois a Lua rege, também, os fluidos brancos ou óleos do corpo. Como um resultado da restrição dos vários fluidos é que os canais semicirculares do ouvido interno ficam carentes do líquido conhecido como endolinfa. Esse líquido atua sobre os nervos desses três canais do mesmo modo que o ácido atua sobre as placas de cobre de uma bateria elétrica. Quando falta essa endolinfa, o equilíbrio do corpo é prejudicado, e, como no caso dessa jovem mulher, pessoas tão afligidas, não podem andar sem se balançar para a frente.

Com ambas as circulações obstruídas – a arterial e a venosa – ela tem sofrido também de torcicolo espasmódico, que é uma espécie de contração involuntária ou contorção dos músculos cervicais. A Quadratura de Mercúrio com Marte responde por essa contração do nervo.

O mal revelou-se no outono de 1914, quando a Lua progredida fez Conjunção com Mercúrio radical; Urano, transitando nos 8° de Aquário, formando uma Quadratura com Saturno, e Saturno em trânsito formava uma Conjunção com o Sol radical no Meio-do-céu. Esses trânsitos estimularam a aflição da Lua progredida, e então, naturalmente, o sistema nervoso foi abalado.

Já dissemos, em nossos diagnósticos astrológicos, que a Conjunção entre Saturno e Netuno em Escorpião ou Touro pode causar a mau formação dos órgãos genitais, e isso foi comprovado no Livro A Mensagem das Estrelas, para citar um exemplo. As aflições dos Astros se manifestam, muitas vezes, em Quadraturas e Oposições. No presente caso, todos os Astros estão em Touro, Signo que rege a laringe e a garganta, oposto a Escorpião, Regente dos órgãos genitais. Aqui deparamos com a causa do distúrbio, que em certa medida colaborou para a manifestação da enfermidade física. Havia um desejo sexual anormal e antinatural, que, não encontrando expressão, lhe estimulava o fluxo de sangue para a garganta. Esse fluxo obstruído causou a desordem.

Se não fosse os bons Aspectos do Sextil do Sol com Marte e do Trígono de Urano com diversos Astros, afligidos em Touro, essa jovem senhora não teria chegado a idade adulta, porque muitos teriam sido os seus males durante a puberdade. Porém o doador da vida, o Sol, tão poderosamente situado no Meio-do-céu, em Sextil com Marte e também na órbita de Sextil com Saturno, lhe poupou muito sofrimento durante esse período.

Se ela pudesse ficar aos cuidados de algum experiente médico osteopata que entendesse de massagens, isso, e mais a adoção de uma dieta especial, iriam lhe capacitar para superar seus tormentos físicos.

Nº 1C – OUVIDOS – ABSCESSOS NO OSSO FRONTAL

Mulher, nascida em 30 de dezembro de 1864, às 9:30 PM

Nesse horóscopo nós continuaremos com as aflições encontradas em Signos Cardeais. Ainda que elas possam estar em diferentes Signos do grupo Cardeal, não obstante o efeito é semelhante em todos.

Nessa lição nós temos o horóscopo de uma mulher com Virgem no Ascendente e Signos Comuns nos ângulos. Dois importantes Planetas, Urano e Marte, encontram-se na 10ª Casa ou próximos a ela. Mesmo que estejam retrógrados e não em Conjunção, ainda assim estão em Paralelo um com o outro e com o Sol. Marte em Conjunção com o Meio-do-céu, em Sextil com Netuno e em Trígono com a Lua, infunde grande entusiasmo. O que quer que essa mulher tente fazer é feito intempestivamente e com grande vigor. Com Marte e Urano tão proeminentes, e o Sol em Capricórnio, ela sente que precisa mandar a qualquer custo. Se lhe negam esse privilégio, torna-se ressentida e vingativa.

Com Saturno em seu Signo de exaltação – Libra – formando Quadratura com Mercúrio no Signo saturnino de Capricórnio, temos o círculo vicioso dos Signos Cardeais. O Sol em Capricórnio, afligido pela Quadratura com Netuno, ambos em Signos Cardeais, junto com o Paralelo do nervoso e excitável Urano ao quente e inflamável Marte, causaram seguidos abscessos no osso frontal, resultando em surdez parcial em ambos os ouvidos. Vemos aqui o círculo antes mencionado culminando nos ouvidos. O autor tem visto numerosos casos de surdez parcial resultante de Mercúrio afligido em Capricórnio, em Conjunção, Quadratura ou Oposição com Saturno, especialmente se este se encontra em Signo Cardeal.

Contudo, nem sempre ocorre necessariamente a surdez produzida por esses Astros afligidos. Os Astros impelem, incitam, mas a sabedoria sempre foi a amiga salvadora. O ser humano tem apenas de conhecer-se a si mesmo. Se ele fosse tão diligente em compreender o funcionamento do seu próprio corpo físico como o é relativamente ao seu rádio ou automóvel, então, quando soubesse das aflições astrais e os sintomas começassem a surgir pelo corpo físico, ele agiria de pronto no sentido de dominá-las, exatamente como faria com seu aparelho ou motor: limpando-o e lubrificando-o na tentativa de consertá-lo. Por exemplo, sentindo uma congestão no pescoço ou nos ouvidos, muito provavelmente algum incômodo seria experimentado antes de ocorrer qualquer dano. Nesse caso, uma leve massagem poderia ser feita em volta do ouvido e no osso frontal, acima e abaixo da veia jugular, atrás do pescoço e em toda a parte em que os dedos encontrassem pontos doloridos na base e em volta do crânio. Frequentemente, uma toalha embebida em água quente serve para relaxar os centros nervosos contraídos na cabeça e no pescoço e para normalizar a corrente sanguínea que flui do cérebro e para o cérebro. Isso diminui a congestão e evita, portanto, que o problema se agrave.

CAPÍTULO XIII – OS OLHOS

Nº 2A – PROBLEMA NO OLHO

Homem, nascido em 21 de março de 1847, entre 1:00 e 2:00 AM

Nós, normalmente, avaliamos a aparência do nativo pelo Regente do Ascendente, pelos Astros que estão no Ascendente ou perto dele e também pela posição do Sol e da Lua e seus respectivos Aspectos. No caso presente, nós encontramos dois Regentes: Capricórnio, interceptado na lª Casa e Júpiter, que se acha em Detrimento no Signo de Gêmeos e em Quadratura com o co-Regente Saturno. Isso mostra que esses dois Planetas afetam sobremodo tanto a aparência física como a personalidade. Saturno tende a escurecer os olhos e cabelos, e a diminuir a estatura e compleição do corpo. Esse homem, portanto, tem a aparência física de um capricorniano, ou seja, é magro, pequeno, muito nervoso e inquieto. Sempre se faz necessário um estudo do temperamento do paciente para que se possa saber como lidar com ele, uma vez que esse estudo geralmente nos fornece indícios da causa da doença e também nos ajuda a aconselharmos.

Vemos aqui Urano, Mercúrio e Vênus estão todos no Signo marciano e energético de Áries, com o Sol formando um Sextil com Júpiter e Marte. Este último está interceptado na 1ª Casa, no Signo saturnino de Capricórnio, formando Quadratura com Vênus e Trígono com a Lua. Marte está na 1ª Casa proporcionando condições mentais muito materialistas. Esse homem seria capaz de sacrificar sua saúde na busca do êxito em negócios materiais. Ele anseia por riquezas, se preocupa e fica inquieto quando os negócios vão mal. Com o tempo, e a continuar nessas condições, ele pode ser afetado em sua saúde e vir a sofrer dos nervos.

Netuno no Signo de Aquário, em Quadratura com a Lua no Signo apreensivo e pessimista de Touro na 5ª Casa, a casa dos investimentos, indica que ele despende muita energia em especulações. E aqui está claramente indicado que tende a se envolver com grandes empresas. Ele escreveu, diversas vezes, à Sede Mundial da Fraternidade Rosacruz tentando obter orientações relativas aos seus negócios, mas em repetidas ocasiões lhes dissemos que tal coisa contrariava os nossos ensinamentos. Durante a guerra, investiu tudo em uma enorme empresa que estava construindo um submarino, o qual se esperava pudesse interessar ao governo. O negócio não deu certo e, em consequência, ele sofreu enorme perda. Saturno está na 2ª Casa, no Signo aquático de Peixes, em Quadratura com Júpiter em Gêmeos; o aquático Netuno também está no último grau de Aquário e na 2ª Casa, em Quadratura com a aquática Lua na 5ª e no segundo Signo – Touro – tudo indicando especulação e perda.

A preocupação com os prejuízos financeiros lhe agravara o problema no olho, que vinha sofrendo por alguns anos. Ele lia incessantemente, forçando muito os olhos. A perturbação mental ocasionada pelos prejuízos financeiros lhe enfraqueceu o sistema nervoso, resultando tudo na perda da visão de um olho. Localizamos a Lua nos 29° de Touro, em Conjunção com as Plêiades e Quadratura com Netuno. Júpiter está a 10° de Gêmeos na 6ª Casa, das doenças, em Oposição à estrela fixa Antares, que está situada a 8° de Sagitário. Júpiter também forma Quadratura com o obstrutivo Saturno. Toda essa configuração indica problemas no olho.

Marte forma Quadratura com Vênus e Trígono com a Lua em Touro. Esse homem, no passado, gostava imensamente das “panelas de carne do Egito”, se excedendo em bebidas e pratos saborosos. O resultado é constipação e hemorroidas internas. Notamos ainda que, com Júpiter em Quadratura a Saturno, ele tem sofrido também de obstruções na circulação arterial. Devido à enorme quantidade de comida ingerida no passado, seu pobre corpo tem sido incapaz de suportar o esforço. Presentemente, ele receia perder a visão do outro olho, o que realmente pode acontecer se não cuidar melhor de sua dieta e de sua maneira de viver.

Esse homem deve ser um paciente muito difícil de curar, uma vez que Marte em Capricórnio e próximo ao Ascendente significa muita teimosia: ele não aceitará conselhos de ninguém. Fazê-lo seguir as prescrições exigiria do curador ou da curadora um grande poder de persuasão e muita diplomacia.

Nº 2B-BX – OLHOS

O método Rosacruz de cura não é só de fé, mas é a fé combinada com o bom senso. Identificamos doenças, mas reconhecemos que elas são causadas por violações às leis da natureza. Às vezes há falta de força de vontade. Os horóscopos que vamos examinar agora, para efeito de diagnóstico, mostrarão como uns podem vencer onde outros seriam derrotados em condições astrológicas quase iguais.

Nº 2B – OLHOS

Mulher, nascida em 19 de dezembro de 1862

Essa mulher fez um apelo de saúde durante o inverno de 1918, quando ia ser submetida a uma cirurgia para remoção de cataratas nos dois olhos. Por vários meses esteve sob cuidados de um médico. Ele concluiu que as cataratas tinham alcançado um estado em que sua remoção podia ser feita com segurança, mas ela sentia que precisava de ajuda dos Auxiliares Invisíveis naquele período difícil. Ela tinha ouvido, anteriormente, sobre os admiráveis êxitos de nossos curadores, por meio de amigos por eles beneficiados.

Havia em seu horóscopo diversos Aspectos bons que garantia a segurança, especialmente o Trígono entre Marte e Sol, Aspecto que proporciona um grande poder de recuperação. Procurando as aflições, achamos Mercúrio em Oposição às Plêiades, em Touro, e o Sol e Vênus em conjunção com Antares.

Plêiades e Antares são estrelas fixas que exercem influência direta sobre a visão, principalmente quando afligem o Sol e Mercúrio, como nesse caso.

Muito do sofrimento dessa mulher deve-se às aflições nos Signos Cardeais, Áries e Libra, o último dos quais rege os rins. Júpiter forma uma Conjunção com o restritivo Saturno, forte em Libra porque é o Signo de sua exaltação, e esses dois Planetas, isto é, Júpiter e Saturno, estão em Oposição a Netuno em Áries, enquanto Marte, que também está forte em Áries, está em Conjunção com a Lua. Essas configurações são sinais de perigo, pois mostram que, mediante erros na vida (a Lua em Conjunção com Marte estimula o apetite) ela debilitou sua saúde por escolher alimentos indevidos e comer demais. Tais práticas lhe sobrecarregaram os rins de venenos, e quando os rins sofrem, os olhos sofrem também, pois frequentemente a vista é prejudicada pelos rins. Contudo, as cataratas em geral têm origem no excesso de doces, cremes e comidas muito gordurosas, e as aflições em Libra tendem a conduzir essas impurezas para os olhos. Uma vez, porém, que Marte está em bom Aspecto com o Sol e Vênus, e os dois últimos em Conjunção, essa senhora superou os obstáculos e foi curada, sendo bem-sucedida na cirurgia para a remoção das cataratas.

Nº 2BX – OLHOS

Mulher, nascida em 9 de abril de 1851

A carta astrológica desse caso é a mesma da carta Nº 11B. Aqui nós damos o resultado desse caso em 1919, em um estágio mais adiantado do que em 1915, que é descrito na carta astrológica Nº 11B.

Esse caso é o de uma mulher afetada de maneira idêntica à do caso Nº 2B, mas sob condições inversas, com relação aos Aspectos dos Astros. Com exceção do Trígono de Marte com a Lua, tudo o mais são Aspectos adversos. Temos, pois, o Sol — dador de vida — no Signo de Áries, limitado por uma Conjunção de Saturno e uma Oposição a Júpiter, Regente do sangue arterial, posicionado em Libra, que rege os rins. Esses três Astros formam também Quadratura com a Lua em Câncer, o estômago. Nesse horóscopo, os rins (o zelador), o estômago (o cozinheiro) e o cabeça do lar (Áries) estão todos afligidos, desleixados, não podendo assim realizar o seu trabalho. Como se pode manter uma casa limpa e habitável se todos os seus serviçais estão em greve? O pó se acumula e o morador, naturalmente, estará muito desconfortável. Nós encontramos a lareira cheia de cinzas, não queima, e a fumaça escapa pelas portas e janelas, em vez de sair pela chaminé.

Vemos aqui as mesmas indicações do horóscopo Nº 2B. Os rins não eliminam adequadamente, e o excesso de alimentos não é bem digerido. Naturalmente o Corpo foi sobrecarregado de venenos e estes precisam achar uma saída. Então verificamos novamente que os pontos mais fracos são a cabeça e os olhos. Quando ela nos procurou, havia passado por uma cirurgia. Seu médico dissera ser necessário remover-lhe os dois globos oculares, uma vez que ambos estavam afetados. Contudo, apenas um deles foi operado, mas a visão do outro foi afetada. Resultado: nosso tratamento não teve êxito. No entanto pudemos dar uma grande ajuda ao paciente no que tange ao estômago, pois era-lhe quase impossível digerir o que comia. Mas seu horóscopo é pouco encorajador. Marte, evidentemente, não deu a ajuda necessária. Mercúrio, o Sol e a Lua estão afligidos. Faltou à nativa força de vontade ou força mental para ajudar a natureza na cura da sua cegueira, porque Mercúrio está em Quadratura com a Lua e em Conjunção com Saturno.

Para ajudar esses tipos de pacientes é necessário primeiro eliminar a causa da enfermidade. Precisamos recomendar-lhes que vivam de modo que seus rins sejam purificados. Uma modificação completa de sua dieta é necessária: chás, café, carne e alimentos amiláceos devem ser eliminados. Noventa por cento dos enfermos reagem bem e rapidamente aos tratamentos tão logo lhes sejam prescritas dietas sadias e equilibradas. Ensinemo-los a viver, e o trabalho dos Auxiliares Invisíveis será grandemente reforçado.

Nº 2C – OLHOS – CEGUEIRA

Mulher, nascida em 13 de junho de 1873, às 11:55 PM

Primeiro de tudo, vamos avaliar a Mente pelos Aspectos e posicionamento de Mercúrio e da Lua. Notamos que Mercúrio está em Conjunção com o Sol, mas não tão próximo ao ponto de estar em combustão, pelo que pode ser considerado em muito boa posição. Notamos também que ele forma um Sextil com Júpiter, outro Sextil com Netuno e um Trígono com Marte. Isso dá à Mente considerável energia e vivacidade, e produz uma natureza otimista. Por outro lado, a Lua acha-se em Conjunção com o Planeta da obstrução, Saturno, e em Quadratura com Vênus, o que vem a ser um fator na direção contrária. Saturno está em Quadratura com Netuno e Urano está em Quadratura com Marte. Desse modo, todos os quatro Planetas adversos afligem-se entre si, e quando isso acontece jamais pode haver muita alegria, a menos que a pessoa possa aprender, por meio da filosofia ou da religião, a buscar a paz que está acima da compreensão humana. Ao mesmo tempo, é preciso entender que todos os bons Aspectos desse horóscopo ajudam a dar à nativa eventuais períodos de otimismo e alegria, que interromperá os períodos de tristeza e desalento.

Vejam que há Signos Comuns nos ângulos, indicadores de caráter flexível, que lhe dificulta se recobrar de doenças ou de outros problemas que a nativa pode cair. A Lua em Conjunção com Saturno em Aquário, Signo que governa os tornozelos e a parte inferior dos membros, evidencia uma circulação pobre; Urano em Leão, o Signo do coração, em Oposição a Lua e a Saturno, mostra que esse órgão sofre de palpitações. Essa condição é agravada pela Quadratura dos quatro Planetas adversos a que já nos referimos.

Saturno rege o nervo pneumogástrico; se fizermos a progressão para Netuno em quatro graus, para que forme uma Quadratura exata com Saturno, podemos ver que o ponto assim alcançado cai em Touro, Regente da parte inferior da cabeça e do pescoço. Isso mostra que o nervo pneumogástrico é pressionado no ponto em que ele deixa a cabeça. Se tal pressão pudesse ser aliviada por um tratamento osteopático, isso já seria um grande benefício para essa pessoa. Por outro lado, a Quadratura de Saturno a Marte nos últimos graus de Libra (Aspecto que atua também nos primeiros graus de Escorpião) mostra que existe dificuldade na eliminação da urina, problema causado por urina muito quente e hemorroidas sangrentas, pois Marte afligido sempre produz calor e erupção.

Mas a pior aflição da vida dessa pessoa surge do fato de Urano se encontrar no ponto nebuloso do Zodíaco chamado Ascelli, que é centralizado no 6° grau de Leão. Estando Urano ali e em Oposição a Saturno e a Lua, isso significa cegueira que, triste é dizer, não pode ser curada por nenhum meio físico, porque as aflições provenientes de Signos Fixos geralmente indicam destino criado por nós próprios em vidas passadas e que agora está “maduro”. Tudo o que podemos fazer por essa pessoa é nos esforçar, tanto quanto possível, por animá-la nesse sofrimento.

Com relação à fraca circulação e eliminação deficiente de dejetos, muito pode ser feito mediante tratamentos osteopáticos e alimentação adequada. É preciso que ela evite toda e qualquer comida condimentada e estimulante, que esquenta a urina. Precisa também aprender a caminhar, a título de exercício, a fim de ativar a circulação do corpo.

Muitas foram as pessoas que, embora vitimadas pela cegueira, marcaram sua passagem pelo mundo. “O que o homem já fez, o homem pode fazer. “. Incentivando-a constantemente ao esforço, ela pode vencer a letargia indicada pelos Signos Comuns nos ângulos, parando de lamentar sua condição, conforme faz agora.

Nº 2D – PROBLEMAS NA VISÃO

Homem, nascido em 11 de fevereiro de 1918, as 3:45 AM

Se a pobre criança cujo horóscopo vamos agora diagnosticar tivesse sobrevivido, poderia muito bem ter dito: “Eu podia ter sido o senhor do meu destino, mas ao invés disso tornei-me um escravo dele. “.  A vontade livre depende das limitações que a alma impôs a si mesmo em vidas anteriores. Ela pode ter colocado obstáculos em seu caminho pelo mal-uso do conhecimento ou, de algum modo, por violações das leis da Natureza. O ser humano foi feito à semelhança de Deus, e Deus lhe deu domínio sobre os reinos inferiores. Por conseguinte, ele não tem ninguém para interferir em sua livre vontade. É dono absoluto de seu destino.

Agora, se assim é, por que nascem tantos em corpos deformados ou aleijados e tantos com vidas tão infelizes? Às vezes, em acidentes tais como os bebês raquíticos, o indivíduo sofre pelo resto de sua vida na Terra. A causa gerada numa existência tem seu efeito em outra encarnação. Se assim não fosse, se a Lei de Causa e Efeito não fosse estabelecida além de qualquer dúvida, então Deus – que sabemos ser um Pai todo-amor – não seria muito injusto e cruel? Poderíamos amar e adorar um tirano desse tipo? Mas Ele fez o ser humano um pouco menor que os Anjos e ofereceu-lhe uma coroa de glória, coroa que não é dada por que pedimos: o ser humano precisa merecê-la mediante uma vida de pureza e desprendimento.

Vejamos agora que destino podemos vislumbrar no horóscopo desse bebê. Sagitário está ascendendo, e Vênus, a Lua, o Sol e Urano todos em Conjunção no avançado Signo de Aquário, interceptado na 2ª Casa, formando Sextil com o Ascendente. A Cabeça do Dragão, de natureza jupteriana, também está em Conjunção com o Ascendente. Isso teria dado ao nosso companheirinho a mais bela e encantadora personalidade. Com Marte próximo ao Meio-do-céu, em Trígono com Mercúrio, que está no Signo mental de Aquário, ele poderia ter sido mentalmente brilhante.

Aos onze meses de idade, ele ficou de pé sozinho. Em 12 de julho de 1919, com 17 meses, caiu de uma sacada, mas não ficou nenhuma sequela. Constatamos que nessa ocasião a Lua e Marte em trânsito formavam Quadratura com Marte radical no Meio-do-céu, o que é forte indicador de acidente.

Em 14 e 15 de julho, o menino começou a ficar sonolento e seu estômago deixou de aceitar comida, porque nesse dia a Lua em trânsito estava em Aquário, fazendo uma Oposição a Saturno e Netuno radicais em Leão, na 8ª Casa.

Na manhã do dia 16 entrou em convulsões, quando a Lua em trânsito fazia justamente Conjunção com Vênus, Lua, Sol e Urano, o último dos quais, quando afligido, é o causador desse tipo de convulsões. Na terceira convulsão, o bebê perdeu a visão, pois Mercúrio em trânsito alcançou uma Oposição aos Astros em Aquário (especialmente os luminares Sol e Lua), o que culminou em cegueira total, consoante indicado no mapa radical por Netuno em Conjunção com as estrelas fixas Ascelli e também com Saturno.

No quinto dia de doença, ficou inconsciente, perdeu a audição e o controle da língua, pendendo sua cabeça para trás, sobre a espinha. Alguns dos mais notáveis médicos foram consultados, mas nenhum pôde identificar a causa. Finalmente, operaram-lhe a cabeça e a espinha, mas sem êxito.

O que podemos agora descobrir pela astrodiagnose? Netuno rege o canal da espinha, que canaliza o Fogo espiritual do qual emana toda a vida. Saturno, o Astro da obstrução, o disciplinador, está em Conjunção com esse Astro oculto, que também rege a glândula pineal, através da qual as faculdades espirituais têm seu primeiro despertar. O abuso desses poderes espirituais em vidas anteriores ocasiona debilidades físicas. Desde o nascimento a espinha dessa criança estava afetada, o fluido espinhal obstruído, e a cegueira total inevitável. E fato bem conhecido dos astrólogos que, se uma criança nasce em Lua Nova ou Cheia, se não for muito bem respaldada por Aspectos benéficos dificilmente conseguirá sobreviver. Essa criança nasceu quando Sol e Lua estavam em Conjunção exata com o benéfico Vênus, enquanto Marte, o Astro da energia, elevava-se próximo a cúspide da 10ª Casa, em Trígono com Júpiter e Mercúrio. Esses Aspectos benéficos tornaram possível a essa criança viver por pouco tempo. Não temos a data exata de sua morte. A última carta recebida de seus pais dizia que ela passara muito mal em 6 de novembro, não se esperando que sobrevivesse. Verificamos depois, em 14 de novembro de 1919, que o Sol em trânsito formava Quadratura com o aglomerado de Astros em Aquário e que a Lua em trânsito entrava em Conjunção com os Astros que afligiam em Leão e opunha-se aos Astros em Aquário. Era quase impossível que o pequenino bebê vencesse essas aflições. A morte, sem dúvida, ocorreu nesse momento.

Nº 2E – VISÃO

Vamos dar aqui uma lição sobre o efeito de Saturno, o obstrutor, quando no último decanato de Aquário. O autor tem observado que muitos casos de problemas de visão podem ser atribuídos a Saturno quando ele se situa entre os 24 graus e os 30 graus de Aquário, afetando especialmente a visão esquerda.

Mulher, nascida em 19 de agosto de 1905

Nós usaremos um horóscopo natural, já que não sabemos a hora de nascimento. Vemos que o Sol se encontra em seu próprio Signo, Leão. Saturno está retrógrado em seu próprio Signo, Aquário, e Marte está em Escorpião, Signo em que pode empregar toda a sua força. Todos esses três poderosos Astros encontram-se em Signos Fixos e em Oposição ou Quadratura um ao outro. Percebemos aqui que esta alma enfrenta uma dívida de destino impossível de evitar. Aos 12 anos de idade, essa menina ficou quase totalmente cega.

Vejamos agora se conseguimos ler a “mensagem das estrelas” para descobrir por que esta terrível aflição se abateu sobre alguém tão jovem. Que dívida ela foi chamada a pagar? Netuno, o Planeta que rege a visão espiritual, está exaltado no Signo aquático de Câncer. Esse Planeta oculto está em Oposição a Urano, que se acha retrógrado no Signo saturnino de Capricórnio. Urano significa clarividência e o invisível. Capricórnio é o Signo natural de autoridade da 10ª Casa, de alguém que governa. O Sol, Saturno e Marte, todas em suas Casas naturais, respectivamente, em Signos Fixos e dominantes, estando Marte em paralelo com Netuno e Urano, indicam que essa pobre alma, numa vida anterior, ocupando um corpo masculino, usou seus poderes ocultos de maneira cruel e prepotente para escravizar o sexo oposto, causando assim o derramamento de muitas lágrimas. Diz-se que “Os moinhos de Deus moem devagar, mas moem extremamente fino”. Os Senhores do Destino puseram esse Ego, causador de muitas lágrimas na vida passada, em um corpo fraco dessa menina, cuja mãe, receando o parto, derramou muitas lágrimas durante a gravidez. O resultado foi um corpo frágil, sensitivo, com a visão prejudicada.

Nº 2F – CEGUEIRA TOTAL

Mulher, nascida em 31 de janeiro de 1876, às 8:00 PM

Aqui temos Saturno a 26° de Aquário em Conjunção com Mercúrio e na 6ª Casa, a Casa que rege a doença. A Lua está em Paralelo e Conjunção com Marte no Signo de Áries. Isso indica emoção e impulso. Mostra alguém que não raciocina, mas toma as iniciativas impensadamente e com medo. Medo especialmente porque, além de tudo, é o Signo de Virgem que está ascendendo.

Às vezes, em casos assim, os atos resultantes dos impulsos repercutem sobre o nativo causando grande sofrimento, como aconteceu com essa mulher. Quando começou a sofrer de fadiga ocular, ela permitiu que os médicos operassem os seus olhos em duas diferentes ocasiões. Na primeira vez removeram-lhe o globo ocular direito e na segunda, a cirurgia destruiu a vista do olho esquerdo.

Consoante as indicações planetárias, mediante cuidados especiais e dieta adequada sua visão poderia ter sido salva, mas infelizmente ela não ouviu os Auxiliares Invisíveis antes que fosse tarde demais.

Vemos, no caso do horóscopo Nº 2E, que a nativa estava nas mãos do destino, tendo que passar a maior parte da vida em escuridão, enquanto nesse segundo exemplo o medo e a emoção excessivos precipitaram a cegueira total.

Nº 2G – OLHOS

Mulher, nascida em 27 de julho de 1856, às 9:00 AM

Essa senhora tem o Signo feminino, de Terra e Comum de Virgem no Ascendente. O Conceito Rosacruz do Cosmos nos ensina que a Lei de Consequência atua em harmonia com os Astros, e que o espírito nasce no Mundo Físico no exato momento em que elas podem trabalhar em harmonia umas com as outras. O nascimento do Ego é tão bem calculado pelos Senhores do Destino, que o horóscopo, que é o Relógio do Destino, registra os tipos de dívidas que ele contraiu em vidas anteriores e o momento em que tais dívidas precisam ser pagas, quando a época em que os frutos das sementes plantadas devem ser colhidos.

A lei do destino, contudo, não é cega, pois, até certo grau, pode ser modificada na proporção da força de vontade do Ego. Quando os ângulos estão ocupados por Signos Fixos ou Cardeais e as aflições partem de Signos Comuns, o Ego, frequentemente, é capaz de alterar os efeitos das aflições astrais. Mas, como, por exemplo, no horóscopo sob consideração, temos no Ascendente um Signo Comum e as aflições partem de Signos Fixos, então é muito provável que as forças envolvidas na dívida de destino sejam muito poderosas para o Ego. Nesse caso, a lei deve seguir seu curso.

Temos nesse horóscopo o Sol fortemente posicionado em seu próprio Signo, Leão, que é um Signo Fixo, em Conjunção com Vênus, em Quadratura com o inflamatório Marte e em Paralelo com Urano. O ígneo Sol também está em Conjunção com a estrela fixa Ascelli, localizada a 5°41’ de Leão e que exerce influência sobre os olhos. Urano está a 24°36’ de Touro, Signo Fixo, em Conjunção com as Plêiades, grupo de estrelas fixas localizado a 28°41’ de Touro e que também exerce influência adversa sobre os olhos. A Lua encontra-se proeminentemente situada perto do Meio-do-céu, a 12°29’ de Gêmeos e em oposição a Antares, outra estrela fixa localizada a 8°27’ de Sagitário.

Aqui já podemos ler no Relógio do Destino que a cegueira tinha de ser, provavelmente, a sina dessa mulher. Com o Signo feminino, de Terra e Comum de Virgem no Ascendente, e as aflições vindo de Signos Fixos, que outra coisa poder-se-ia esperar senão que a vontade dessa alma não fosse suficientemente forte para vencer? A cegueira completa foi o resultado.

Mas, o que fez ela para precipitar o acontecimento? Vemos o obstrutor Saturno na 1ª Casa, em Câncer – Signo de seu detrimento – em Quadratura com Júpiter. Saturno é adverso ao máximo neste Signo de Água que rege o estômago, porque aqui ele debilita a saúde privando o estômago de fluidos grandemente necessários à digestão. Saturno em Câncer também altera o apetite. As pessoas com esse Planeta afligido em Câncer tem gostos esquisitos quanto ao que comem, sendo muito obstinadas nisso. Mesmo sabendo que muito sorvete de chocolate, muita água gasosa e soda, muitas tortas e muitos bolos poderia lhes prejudicar a saúde, ainda assim teimava em comê-los. Pessoas com tais aflições, frequentemente, sofrerem de autointoxicação. Os venenos, então gerados, pelo estômago entram na corrente sanguínea, e isto frequentemente apressa a cegueira.

Nesse horóscopo, Mercúrio acha-se bem aspectado, em Sextil com Urano e com o Ascendente e em Trígono com Netuno, indicando que o nativo tinha sede aguda de conhecimento, especialmente no campo do ocultismo, na busca do qual não poupava seus olhos. É muito provável que lesse muito com luz fraca até tarde da noite e talvez na cama, hábito dos mais perigosos e que enfraquece a visão de muita gente. Mas toda a nuvem tem suas bordas prateadas, de maneira que, embora essa pobre mulher esteja totalmente cega há alguns anos, ainda assim ela desenvolveu o seu sexto sentido. Com Netuno em Sextil com Urano e em Trígono com Mercúrio, ela conseguiu desenvolver maravilhosamente suas faculdades espirituais, o que lhe possibilita sair do corpo à vontade e afirmar que é capaz de viajar a Planetas distantes.

Se os Astros que afligem e o Ascendente fossem trocados, isto é, se no Ascendente estivesse um Signo Fixo e as aflições partissem de Signos Comuns, mesmo com Saturno em Câncer, a vontade desta mulher teria sido bastante forte para salvar-lhe a visão, pelo menos parcialmente.

“Um barco sai para Leste e para Oeste um outro sai,

com o mesmo vento que sopra numa única direção.

É a posição certa das velas, e não o sopro do vento,

que determina, por certo, o caminho em que eles vão.”

Nº 2H – OLHOS

Mulher, nascida em 28 de junho de 1868

Nesse horóscopo não temos a hora do nascimento, por conseguinte vamos nos servir do horóscopo natural, com as posições dos Astros ao meio-dia HMG (Hora Média de Greenwich, tiradas das Efemérides). Todavia, pelo que tudo indica, acreditamos que essa senhora tenha a última parte de Câncer no Ascendente.

O Sol faz Conjunção com Urano e Quadratura com Júpiter; Urano está em Quadratura com Netuno, enquanto que Júpiter faz Conjunção com Netuno, em Áries. Se consideramos Câncer como Signo Ascendente, isso recuaria a Lua de modo a deixá-la na órbita de Oposição a Júpiter e Netuno e em Quadratura com Urano. Temos, então, uma configuração astral indicadora de excessos e emoções dominando essa mulher em grande medida, especialmente por encontrarmos o ardente Marte – o Planeta dos desejos – em Touro, Signo de seu Detrimento. Quando em Touro, Marte inclina-se a expressar seu lado adverso, e a causar excessos no comer e também no temperamento. Agora, com Câncer – Signo Regente do estômago – no Ascendente e com Urano – o Planeta dos impulsos – em Conjunção com o Sol e Quadratura com Júpiter e Netuno, temos uma mulher com pouquíssimo autodomínio. Excessos de toda a sorte encheram seu organismo de substâncias tóxicas. Os vasos sanguíneos sofreram oclusão e endurecimento. Quando uma mulher de 55 anos de idade, que tem trabalhado arduamente para manter-se a si e à sua família, cede por completo a ira, e quando, como resultado, o sangue sobe rápido à cabeça em fluxo anormal através de artérias endurecidas, pode-se esperar por problemas. Vejamos onde esses seriam encontrados: Marte está em Conjunção com o grupo de estrelas fixas chamado Plêiades, que exerce efeito adverso sobre os olhos. Com Marte a 27°55’ de Touro, em Conjunção com estrelas fixas de natureza Marte-Lua, e estando o Sol progredido na órbita de Quadratura com Marte e com Saturno retrógrado, progredido de volta ao Aspecto de Oposição a Marte, há uma tendência para piorar o humor e causar doenças nas partes do Corpo afetadas por Marte – no presente caso, os olhos. Saturno exerce uma influência enrijecedora, ossificante, restritiva sobre a parte do corpo correspondente a sua posição no horóscopo. Aqui achamos esse Planeta a 0°0’ de Sagitário, em Oposição a Marte radical. Em face dessas aflições, podemos esperar problemas nos olhos.

No começo de julho de 1923, manifestou-se no olho direito dessa senhora o que os médicos chamam de retinite – uma inflamação da retina. Isso ocasionou a ruptura de um dos vasos sanguíneos, seguida de dores agudas no pescoço e nos ombros.

Contudo, não devemos atribuir totalmente a enfermidade ao mau humor e às artérias endurecidas, pois a raiz do mal foi lançada quando ela forçava a vista. Essa mulher empregou-se durante o dia como quiropodista e à noite lia sobre ocultismo e estudava astrologia por longas horas. Adquiriu assim o hábito pernicioso de ler com luz forte perto dos olhos, reclinada no divã ou no leito, forçando, por conseguinte os músculos dos olhos. Com Netuno em
Oposição à Lua e Urano em Quadratura a Netuno e também à Lua, surgiu um desejo de forçar o desenvolvimento. Fitar intensamente objetos brilhantes, como cristais etc. – prática infelizmente ensinada por algumas ordens ocultas – exerce efeito dos mais prejudiciais à visão e tem causado esse tipo de problema a muitos Estudantes de ocultismo.

CAPÍTULO XIV – GARGANTA

Nº 3A – TONSILAS[30] – ADENOIDES

Homem, nascido em 20 de março de 1911, às 3:10 PM

O mapa astrológico Nº 3A tem Leão no Ascendente e seu Regente, Sol, em Conjunção e Paralelo com Mercúrio na 8ª Casa, no Signo da 12ª Casa: Peixes. Essa posição e esse Aspecto do Regente devem esgotar a vitalidade e criar nervosismo. O rapaz propende a se perturbar facilmente e ter uma natureza irritável, o que pode interferir em seu intestino delgado no que tange à assimilação dos alimentos, pois a Conjunção entre Mercúrio e Sol deve ter seu efeito refletido no Signo oposto: Virgem, intestinos. Mas notamos outra aflição que teria efeito muito pior sobre a saúde. Marte, o Planeta da energia dinâmica, também quente e ígneo por natureza, posiciona-se no Signo aéreo e nervoso de Aquário, na 6ª Casa, que rege a saúde. Marte afligido nesse Signo saturnino apresenta um lado adverso. Vemo-1o em Quadratura com o obstrutivo Saturno na 9ª Casa, no Signo de Touro, que rege a garganta e as tonsilas. Onde quer que encontremos Saturno, especialmente se afligido, podemos esperar restrição, cristalização e escassez de fluidos e, com a Quadratura com Marte, o Planeta que causa febres e inflamações, o que podemos esperar a não ser afecções na garganta, inflamações das tonsilas? Partindo a aflição de Signos Fixos, e estando Marte na 6ª Casa – a casa da doença – o mal dificilmente pode ser vencido, já que essa fraqueza física foi trazida de uma vida anterior em que a alma violou as leis da Natureza. Um caso desse tipo é resultado, frequentemente, de abusos da mais sagrada função do Corpo: a dos órgãos sexuais. Os resultados de abortos e abusos de natureza semelhante, muitas vezes, voltam na encarnação seguinte, produzindo órgãos debilitados.

Esse menino poderia ser grandemente ajudado por massagens e fricções que mantivessem sua circulação normal. O Sol em Peixes, em Conjunção com Mercúrio, requer um ambiente calmo e harmonioso, o qual receamos que ele não tenha. Júpiter em Escorpião implica comer bem e abundantemente, contudo ele não deve se exceder nisso. Um regime vegetariano simples lhe é muito necessário. Saturno em Touro indicaria que um dos pais poderá interferir demasiadamente em sua liberdade. Um Leão pode ser prejudicado por excessivos “não” de um pai saturnino, e o menino sofreria, na sua saúde, como resultado dessa restrição por parte de um dos genitores e de super-indulgência por parte do outro.

Nº 3B TONSILAS[31] – ADENOIDES

Mulher, nascida em 22 de maio de 1915, às 3:22 AM

Este horóscopo é de uma menina pequena que sofreu da mesma doença do caso 3A, isto é, inflamação das tonsilas, adenoide, etc., mas com aflições astrológicas muito diferentes. Isso mostra quão valioso seria o estudo de astrologia para o diagnóstico do médico e quão perigoso é tratar cada caso de igual modo. O que curará definitivamente um pode ser perigoso para outro.

Temos aqui outro Signo Fixo no Ascendente, Touro, Regente da garganta com seu governante Vênus próximo a cúspide da 1ª Casa e em Sextil a Saturno, mas em Quadratura com Netuno e Conjunção com Marte. Os sintomas deveriam ser idênticos aos do Nº 3A, mas a afecção provém de uma fonte diferente.

Saturno, o Planeta da obstrução, encontra-se em Câncer, Signo que rege o estômago. Embora esse Planeta não esteja afligido, contudo, onde quer que se encontre, ou seja, qual for o órgão que esteja regendo, aí descobrimos uma falta de fluidos. Saturno “resseca” e quando está em Câncer, o apetite se torna irregular e o fluido digestivo, escasso. O indivíduo anseia por coisas que são prejudiciais e rejeita aquelas de que o corpo necessita, sendo capaz de comer vorazmente, quando saboreia tortas, bolos, doces, etc. O resultado é aquele em que o Corpo fica obstruído, à semelhança de um córrego represado: a matéria precisa achar uma saída em qualquer parte. Nesse caso, Marte, o Planeta da energia, está em Conjunção com Vênus, o Planeta que governa o sangue venoso. Esse indica a parte do Corpo que será afetada. O sangue se torna impuro, causando intumescimento e inflamação da garganta. Massagear essa região afetada pode causar mais inflamação. O remédio aqui seria interromper toda a alimentação por um ou dois dias, dando à menina apenas suco de abacaxi e colocando os pés dela em água quente, com panos frios lhe envolvendo a cabeça e a garganta, para que o excesso de sangue flua para as extremidades inferiores. Isso resultaria em alívio imediato.

Depois de comparar dois horóscopos desse tipo, podemos indagar: por que, muitas vezes, o médico falha em seu tratamento e acha que somente pela remoção da parte afetada a cura pode acontecer? Se pudesse ler a escrita dos Astros, ele falharia muito pouco e não estaria tão disposto a arruinar a vida de uma criança com uma cirurgia. Ele pouco se dá conta de que a remoção das tonsilas ou uma cirurgia de garganta interfere na função dos órgãos geradores. Uma criança que tenha sido operada poderá, como resultado, vir a sofrer quando alcançar a puberdade. Menstruações dolorosas e problemas de parto podem, provavelmente, afetar a vida da mulher que tenha sido submetida a esse tipo de cirurgia na infância. No homem, a inflamação da próstata e várias outras debilidades físicas são resultado, muitas vezes, de uma cirurgia na garganta.

Nº 3C — GARGANTA E TONSILAS

Homem, nascido em 11 de julho de 1882, às 11:15 AM

Aqui é dado o horóscopo de um homem com o Signo Cardeal de Libra no Ascendente, e seu Regente, Vênus, no Signo Fixo de Leão, na 11ª Casa, em Quadratura e Paralelo com dois adversos: Saturno e Netuno. Esses dois Planetas encontram-se no Signo Fixo de Touro, na 8ª Casa. Primeiramente, isso é uma aflição muito grave, indicando que esse homem veio à vida para enfrentar uma pesada dívida de destino.

Vejamos agora se podemos determinar a causa dessa condição e por que essa alma foi cerceada desde o nascimento. Leão e Touro são Signos Fixos, obstinados e inabaláveis, sendo também por isso mesmo Signos que revelam doenças crônicas e incuráveis. E quando as aflições provêm de dois dos mais sutis Planetas, ambos de movimentos lentos, pode-se esperar que a doença tenha a natureza que a alma atraiu a si como dívida de destino, pela violação de leis naturais em vidas passadas, e não por causa de erros nesta encarnação.

Os Astros em geral atuam nos Signos opostos. Aflições como a deste horóscopo, no Signo Fixo de Touro, que governa a garganta, podem ter sido ocasionadas pelo abuso da função geradora (Escorpião) em alguma existência, o que causa uma debilidade da garganta ou laringe na vida seguinte, e vice-versa. As remoções desnecessárias de órgãos femininos numa vida podem levar um Ego, que muda de sexo a cada nova existência, a renascer num corpo masculino com Astros afligidos no Signo oposto, Touro, como no presente caso, em que o indivíduo nasceu com os órgãos vocais e da garganta subdesenvolvidos.

A afirmação acima não significa que todas as mulheres operadas terão necessariamente essas aflições. Muitas vezes, pela natureza do parto ou por negligência da parteira ou do médico, a pobre mulher é obrigada a submeter-se a uma operação. Por condições tais, não se pode responsabilizá-1a.

Contudo, se por excesso de abortos tivesse ela enfraquecido seus órgãos a tal ponto que fosse necessário removê-los, tal pecado poderia trazer como reação algum tipo de restrição, de modo geral na garganta, regida por Touro – o Signo oposto a Escorpião, que governa os órgãos geradores. Com efeito, a laringe e o cérebro foram desenvolvidos no ser humano primitivo à custa do sacrifício de metade da faculdade criadora. As aflições podem não se manifestar no corpo durante a infância, de modo que, conhecendo-se os Astros e desde que se viva estritamente de acordo com as regras do reto viver, o ser humano pode atravessar a vida com pouquíssimas tribulações. Mas quando as leis são violadas, quando os abusos têm lugar, então as partes do corpo sob aflição cedem, pois, conforme se diz, a corrente é tão forte quanto o seu elo mais fraco.

O Sol encontra-se em Câncer, Signo do estômago, em Sextil a Netuno em Touro – garganta e palato – e também em Sextil com Urano, que rege a 5ª Casa, a casa dos prazeres. Vênus forma Sextil com Júpiter. Todos esses fatos mostram que esse homem era muito popular entre suas amizades femininas, as quais o divertiam prodigamente, e os prazeres da mesa estavam entre os seus desregramentos.

O Planeta que contribui para a manifestação das doenças físicas, o inflamatório Marte, acha-se no Signo dos intestinos, Virgem, em Quadratura a Lua em Gêmeos, mostrando que os intestinos sofreram primeiramente de um excesso de comidas e bebidas. Quando o intestino delgado sofre de inflamação, como deve ter sido no presente caso, torna-se incapaz de assimilar devidamente os alimentos. Tal inflamação lança considerável quantidade de veneno no sangue, buscando uma saída pelo ponto mais frágil. Saturno em Conjunção com Netuno em Touro indica que a garganta recebeu o veneno.

A garganta desse homem já foi lancetada duas vezes em decorrência daquilo que os médicos chamam de amigdalite aguda, que é uma inflamação das tonsilas. Pedaços desse órgão foram-lhe extraídos, mostrando que, por achar-se contaminado, o sangue causou supuração nele.

Nº 3D – BÓCIO E TONSILAS

Mulher, nascida em 12 de agosto de 1911 às 7:27 AM

Nós consideraremos aqui o horóscopo de uma menina que tem Virgem no Ascendente. As pessoas de Virgem dispõem de uma resistência a doenças menor do que a média dos indivíduos, especialmente quando os Signos Comuns ocupam os quatro ângulos e Mercúrio e a Lua – Regentes da mentalidade – se acham também em Signos Comuns e estando em Oposição entre eles. Os três Astros mais fortes, a saber: o Sol, Saturno e Marte estão em Signos Fixos. Podemos esperar que eles indicarão a parte do Corpo em que a enfermidade se manifestará.

No livro “A Mensagem das Estrelas”, no Capítulo XXIX – A Lei de Correspondências – diz-se que o Signo de Touro governa o pescoço, a garganta, as tonsilas, as artérias carótidas etc. Daí podermos inferir que esse Signo também governa as veias e artérias, que servem aos órgãos localizados na garganta, bem como a parte inferior da região occipital do maxilar. As artérias do corpo humano partem todas de um centro comum. A aorta é para o sistema circulatório o que o tronco é para a árvore. Todas as principais artérias e veias têm conexão com a grande máquina humana, o coração. A aorta é a principal linha-tronco, da qual saem muitas ramificações para levar o sangue a todas as partes do Corpo, após o que as veias o conduzem de volta ao coração. Essas ramificações alimentam as diversas partes do Corpo. Mas o ramo que mais nos interessa nesta lição é a artéria carótida, da qual emergem as artérias tireóideas em número de duas: a superior e a inferior.

Neste horóscopo, temos o infamatório Marte em Touro. Marte concentra calor, de forma que, onde quer que esse Planeta se localize, encontramos abundância de sangue. Aqui ele está no Signo que governa o pescoço e afligido pela Conjunção com Saturno, o Planeta da obstrução. Saturno tem efeito ressecante sobre as partes que influencia. O efeito desses dois Planetas adversos pode ser ilustrado por um tubo de borracha cheio d’água e fechado em ambas as extremidades, uma das quais se aperta para forçar a água na oposta. Podemos esperar ser essa a condição do sangue nas artérias e veias do pescoço dessa menina. Marte enche-as de sangue, e Saturno, com sua influência restritiva, retém em parte esse sangue, obstruindo seu fluxo, o que resulta em: veias dilatadas do pescoço, bócio, inflamação das tonsilas, etc. Saturno e Marte estão afligidos pela Quadratura do vitalizante Sol. Esse se encontra fortalecido em seu próprio domicílio – Leão – que governa a veia cava, a aorta e o coração.

Aos onze anos de idade, essa menina sofreu com bócio e inflamação das tonsilas, com seguidos problemas de garganta e tendência para tosses e resfriados. Um fator importante pode ser encontrado na maioria dos casos de crianças com tendência a males da garganta: habituaram-se a respirar pela boca quando ainda eram bebês. Nove em cada dez casos de crianças que sofrem de afecções das tonsilas e males da garganta são das que não foram ensinadas a respirar pelo nariz. É dever dos pais observar constantemente seus filhos pequenos. Se esses mostram tendência para respirar pela boca enquanto dormem, uma chupeta de borracha consistente, sem orifício, é a solução. Isso deve forçar a respiração através das narinas, poupando desse modo a criança muito sofrimento em anos futuros.

Com o Sol em Leão, em Quadratura com Saturno e Marte, essa menina possui uma tendência latente para problemas nas válvulas do coração. Isso pode se manifestar só bem mais tarde na vida, quando o mau temperamento, significado por Marte em Conjunção com Saturno em Touro, já tiver produzido seus danos, e Mercúrio em Virgem, em Oposição à Lua na 12ª e na 6ª Casa – essa última, a Casa da saúde – tiver atuado.

Contudo, há grande esperança nesse horóscopo em virtude de Saturno estar em Trígono com Mercúrio e Sextil com a Lua. É que esses Aspectos proporcionam equilíbrio e perseverança à Mente, o que pode ajudar a evitar qualquer doença, e poupar à moça de muito sofrimento mais tarde na vida.

Nº 3E – BÓCIO

Mulher, nascida em 14 de junho de 1853

Como não temos a hora do nascimento, colocamos os Signos nas Casas em ordem numérica, de modo que Áries ocupa a 1ª, Touro a 2ª, Gêmeos a 3ª, etc. e as posições dos Astros ao meio-dia, dada pelas Efemérides.

Notamos, primeiramente, que a posição progredida do Sol em 1916 é 23°27’ de Leão e que Mercúrio está a 26°27’ do Leão, retrógrado.

Os Aspectos que particularmente nos dizem respeito são: a Lua em Paralelo com Netuno e em Quadratura com Júpiter, Sol e Mercúrio; Júpiter em Oposição ao Sol e a Mercúrio; Saturno em Paralelo e em Conjunção com Marte, em Quadratura com o Sol progredido e com Mercúrio progredido.

Vamos primeiro conhecer as condições mentais dessa senhora. Gêmeos e Sagitário são os Signos que governam a Mente. Mercúrio está Essencialmente Dignificado em Gêmeos, e Júpiter em Sagitário. O Sol também se encontra favoravelmente situado no Signo mercurial de Gêmeos. Até aqui tudo bem, mas Mercúrio, nosso significador da Mente, está depois do Sol e muito próximo a esse luminar. Além disso, Júpiter está em Oposição ao Sol e a Mercúrio. Junte-se a isso o fato de a Lua, outro Astro relacionado com a Mente, estar em Quadratura com Júpiter, Sol e Mercúrio, sendo, portanto, evidente que o estado mental da nativa não é dos mais felizes ou promissores.

Saturno está em Touro, o Signo da garganta. É o Astro da obstrução, mantendo sempre uma influência adversa sobre a parte do Corpo que ocupa por Signo. Podemos, pois, concluir que a garganta seria obstruída, produzindo rouquidão na voz. Podemos ter certeza também de que Saturno tem um efeito no Signo oposto – Escorpião – que governa os órgãos geradores e de eliminação. Saturno é frio, viscoso e úmido, enquanto Marte é quente e seco. Marte encontra-se em Touro, em Conjunção exata e em Paralelo com Saturno, o que dá uma tendência para inflamação e inchaço. Na região governada pelo Signo oposto, ele pode produzir urina muito quente e menstruação copiosa.

Assim, duas forças inimigas, de naturezas opostas, têm estado em guerra na região da garganta desde o nascimento, sendo que o caso não se tornou agudo até 1914. Nesse ano, porém, a Lua progredida se opôs ao Sol e a Mercúrio radicais, ao mesmo tempo que o Sol progredido entrava na órbita de Quadratura com Saturno e Marte, a partir do Signo de Leão, governante do coração. A palavra-chave de Saturno é obstrução, e em Touro ele é particularmente poderoso no que diz respeito a atividade do coração, pois governa o nervo pneumogástrico, que produz inibição cardíaca. Por outro lado, quando a energia dinâmica de Marte é dirigida pela Quadratura do Sol progredido em Leão, podem provocar violentas palpitações. Dessa maneira, uma enorme faixa de atividade cardíaca consequente é produzida sobre o bócio exoftálmico, neste caso. Verificamos também que Saturno está próximo a uma Conjunção com as Plêiades, situadas nos 29° graus de Touro, de modo que sua Quadratura ao Sol progredido atua sobre os olhos, os quais se projetam para fora, em pessoas afetadas com bócio exoftálmico.

As configurações dos significadores mentais acima mencionados, combinadas com a ausência de Quadraturas e Oposições radicais a Saturno e Marte, indicam que a causa básica do estado da paciente é mental. Este diagnóstico é também confirmado pelo fato de o estado agudo se manifestar nas referidas posições progredidas do Sol e de Mercúrio. Como essa aflição provém de um Signo Fixo, há o perigo de o mal se tornar crônico. Não obstante, se a paciente for mantida em ambiente calmo e alegre e ensinada a afastar ideias mórbidas, há boa chance de se conseguir uma cura permanente, quando o Sol sair da órbita de sua Quadratura com Saturno e Marte, especialmente se ela adotar a dieta adequada.

Nº 3F – ÓRGÃOS VOCAIS

Homem, nascido em 30 de maio de 1919, as 11:55 PM

“O tecido da vida que teremos

nós próprios em cores o tecemos,

e no campo do destino,

conforme semeamos, colheremos”

Whittier[32]

Isso é muito verdadeiro na vida da alma cujo horóscopo vamos analisar aqui.

Com o Signo saturnino e Fixo de Aquário no Ascendente, e com o segundo Regente de Aquário, o inspirador e avançado Urano em Peixes e interceptado na 1ª Casa, podemos dizer que este horóscopo conta realmente com dois Regentes: Saturno, em Queda na 7ª Casa no Signo de Leão, e Urano, forte no Signo oculto de Peixes, na 1ª Casa.

Quando os Astros estão em ângulos exercem uma influência maior do que quando se encontram em Casas Cadentes ou Sucedentes. Astros que estão em Signos Fixos e também afligidos trazem consigo uma dívida de destino geralmente muito difícil de quitar.

Neste horóscopo localizamos Mercúrio no Signo Fixo de Touro, em Quadratura com o obstinado e obstrutivo Saturno em Leão, Signo Fixo, na angular 7ª Casa.

Sendo Saturno um dos Regentes desta vida, embora no Signo de sua Queda, ele exercerá a mais poderosa influência sobre o nativo, e quando Mercúrio e Saturno se afligem mutuamente, a partir de Signos simbolizados por animais, quais sejam Touro e Leão, podemos determinar impedimentos na fala.

Aos cinco anos de idade esse menino se recusava a falar. Ele é capaz de falar, mas só o faz sob forte persuasão.

Médicos o operaram duas vezes, para remoção de água do cérebro, mas falharam em encontrar algo errado, além disso, e o efeito futuro de tais operações sobre o organismo fica por saber. Contudo, até aqui, a saúde do menino transcorre normalmente.

Ele apenas repete as frases que lhe sugerem, mas se seus pais persistirem conseguirão, no devido tempo, ajudá-lo a superar essa fraqueza.

No Capítulo VI, O Renascimento e a Lei de Consequência, do livro Conceito Rosacruz do Cosmos, está escrito: “O que somos, o que temos e todas as boas qualidades são o resultado das nossas próprias ações passadas. O que agora nos falta física, moral ou mentalmente, pode ser nosso no futuro.”.

Esse garoto verdadeiramente encurtou sua vida quando a sacrificou numa existência anterior. Os Astros são o relógio do destino, o qual mostra quando cada alma precisa aprender determinadas lições, colhendo as sementes que semeou nas vidas passadas.

Sabemos, mediante os ensinamentos Rosacruzes, que vivemos na Terra nos preparando para construir o arquétipo do Corpo que vamos usar na próxima existência física. No caso dessa pobre alma, ao examinar o seu passado, constatamos que, em seu intenso desejo de desenvolvimento espiritual e por mortificar a carne, ela negligenciou a construção de seu corpo físico. Negligenciou também o uso dos órgãos da fala, como membro de uma fraternidade do silêncio na qual se passava a vida em silêncio e oração. Nessa vida extremamente unilateral, o nativo desenvolveu suas faculdades espirituais à custa dos sentidos físicos.

Vemos aqui que o místico Urano se encontra no Signo de Peixes, na 1ª Casa, em Trígono com a Lua, que está em seu próprio domicílio – o Signo de Câncer. Netuno, outro Astro espiritual, está em Paralelo com Mercúrio e em Sextil com Marte e com o Sol, indicando se tratar de uma alma grandemente desenvolvida ao longo de linhas espirituais, mas alguém a quem falta habilidade para usar esse desenvolvimento nesta vida por carecer do desejo de usar os órgãos da fala.

No entanto essa criança pode ser ajudada pelos pais no desenvolvimento desse desejo, muito embora isso requeira deles grande dose de paciência, já que a mentalidade dela, em virtude da Quadratura de Mercúrio a Saturno, tende a reagir com lentidão. O menino tende a ser também muito teimoso, porque esses Aspectos provêm de Signos Fixos. Marte, porém, que se encontra no Signo mercurial de Gêmeos, deve emprestar sua ajuda para vencer, em certa medida, a influência de Saturno.

Nº 3G – PERDA DA FALA

Homem, nascido em 19 de dezembro de 1896, as 12:30 AM

O jovem cujo horóscopo vamos analisar agora tem o Signo Cardeal e do Ar Libra no Ascendente. Fisicamente, ele expressa esse Signo: 1,80 m de altura, muito bem desenvolvido e com belos olhos azuis. As pessoas com Signos Cardeais ou Fixos nos ângulos têm maior poder de resistência que as demais. A vontade é mais forte do que a dos nativos de Signos Comuns. No caso deste jovem, porém, descobrimos uma aflição ativa desde antes que alcançasse uma idade em que pudesse colaborar com os curadores.

O Conceito Rosacruz do Cosmos informa que na última parte da Época Lemúrica o Corpo do ser humano ficou ereto, sendo isso necessário antes que ele pudesse se tornar um ser interno e autoconsciente. Certas mudanças então precisavam serem efetuadas na estrutura corporal, a fim de que o Ego pudesse se expressar através de seus veículos. Quando o Ego ocupou seus veículos, se fez necessário que parte da força sexual fosse usada para construir o cérebro e a laringe, porque estava destinado que dali em diante o ser humano devia aprender a fazer as coisas a partir do seu próprio pensar, devia usar a voz para poder se fazer entender e, desse modo, se comunicar com os outros. Para conseguir isso, parte de sua força sexual teve de ser usada. Dessa maneira, uma parte do órgão criador ficou na porção superior do corpo, se convertendo, gradativamente, no que agora constitui o cérebro e a laringe. Vemos, pois, que deve haver, necessariamente uma ligação muito íntima entre esses órgãos, a saber: os órgãos genitais, a laringe e o cérebro.

É interessante notar, por meio da Astrologia, como isso funciona. Temos Escorpião, o Signo que rege o sexo, em oposição a Touro, que rege a garganta e a laringe. Prova da estreita ligação a que nos referimos também pode ser encontrada no rapaz, cuja voz se modifica na puberdade. Pode também ser achada na mulher, cujos ovários tenham sido removidos e cuja voz, em consequência, se torna grave e áspera.

No horóscopo que estamos considerando, encontramos Saturno, o Astro da atrofia, no Signo de Escorpião e em Conjunção com Urano. Esses dois Astros estão sem Aspectos, a não ser pela Conjunção recíproca. E isso devemos considerar como uma condição que teve início numa vida passada. Quando encontramos Urano e Saturno em Conjunção no Signo de Escorpião, e afligidos por outros Astros, podemos contar com perversão sexual ou expressão anormal do sexo. Mas, ao analisar esses dois Astros, vamos até a vida anterior do nativo, pois foram os abusos que lhe enfraqueceram os órgãos, fazendo esta pobre alma renascer com a laringe e o cérebro incapazes de funcionar normalmente.

Estando Saturno em Conjunção com Urano no Signo de Escorpião, podemos buscar seus efeitos no Signo oposto – Touro – que rege a garganta. Saturno assim tende a retardar ou restringir a secreção de ruídos das glândulas ou órgãos incluídos na região do pescoço, como a tiroide, por exemplo, situada no topo da traqueia, na frente do pescoço e que verdadeiramente pode ser chamada de balança necessária para o funcionamento apropriado da Mente. A tiroide também regula todas as outras glândulas endócrinas, de maneira que toda gota de sangue em circulação na parte superior do Corpo vai e vem através dela. Os excessos ou perversões sexuais esgotam as secreções da tiroide. Quão tagarela é a voz humana! Como o uso indevido do sexo pode afeminar a voz masculina e masculinizar a voz feminina!

Temos neste horóscopo a história de um homem que possuía voz ao nascer, mas que depois dos quatro anos de idade não pôde mais emitir um som, nem falou uma palavra a partir de então. Os órgãos da voz, neste caso, foram enfraquecidos pela dissipação dos fluidos sexuais na vida anterior. Netuno, a oitava superior de Mercúrio e Regente da glândula pineal, se acha no Signo mercurial de Gêmeos, em Conjunção com a Lua e Marte e em oposição ao Sol. Netuno rege a glândula pineal e o Fogo espiritual da espinha. No presente caso, o cérebro permaneceu infantil. O rapaz consegue se vestir, mas não fala, e gasta todo o seu tempo folheando livros.

O Espírito enclausurado nesse veículo limitado está, de fato, aprendendo notáveis lições as quais, provavelmente, o trarão de volta como uma inocente e virtuosa mulher na próxima encarnação.

CAPÍTULO XV – OS PULMÕES

Nº 4A – TUBERCULOSE

O horóscopo aqui apresentado é o de um homem rico que desperdiçou a vida com excessos de todo tipo. Ele nasceu no dia 28 de agosto de 1881, as 11:00 PM.

Em primeiro lugar, vemos Júpiter, o Planeta da opulência, na 12ª Casa – a Casa do sofrimento, das dificuldades e da autodestruição – formando um Sextil com Vênus, Planeta da atração, em Câncer, Signo do estômago, e na 2ª Casa – a das finanças. Isso explica o instinto do nativo para negócios financeiros, bem como seu gosto por alimentos gordurosos e nada saudáveis. Explica também, em parte, sua inevitável fraqueza pelo sexo oposto. A Lua em Quadratura com Vênus, desde a 5ª Casa – a Casa dos prazeres – e também Marte, o Planeta da energia dinâmica, em Conjunção com a saturnina Cauda do Dragão, ambos em Quadratura com Urano, o Planeta do não convencionalismo e das ligações clandestinas, são outros fortes testemunhos dessa última direção. Além disso, Saturno, o Planeta da obstrução, na 12ª Casa – a Casa do sofrimento – em Conjunção com Netuno, o Planeta da dissimulação, em Touro, que é oposto a Escorpião, Regente dos órgãos sexuais, indica problemas nessa região e também na garganta.

No seu conjunto, este horóscopo mostra todo tipo de excessos e uma consequente obstrução do sistema. Vênus em Câncer, que rege o estômago, proporciona gosto por coisas boas para comer, e especialmente para beber. Sua Quadratura com a Lua em Libra, Regente dos rins, indica que existiu uma má condição que impedia a eliminação adequada. A Conjunção de Saturno, o Planeta da obstrução, com Netuno no Signo de Touro, que tem ação reflexa em Escorpião, resultava em hemorroidas dolorosas. Marte, o Planeta da energia dinâmica, em Conjunção com a saturnina Cauda do Dragão em Gêmeos, Signo que rege os pulmões, e em Quadratura com Urano, o Planeta da ação espasmódica, indica tendência para tosses e fraqueza dos pulmões, o que finalmente destruiu a vida do nativo.

Este horóscopo é uma lição sobre os estragos causados por excessos e indulgências da natureza inferior. Os astrólogos podem usá-lo para convencer os que trilham a senda do erro de que o caminho do transgressor é áspero e de que nossos pecados nos descobrem, certamente.

Pelo exercício da força de vontade, pelo menos uma boa parte dos problemas verificados poderiam ter sido evitados. Em direção ao fim, o homem se deu conta de que estava afundando e precisava de ajuda, mas era demasiado fraco para cessar de se satisfazer. Consequentemente, ele cedeu as tendências indicadas em seu horóscopo, tornando-se, portanto, vítima da tuberculose e de uma série de complicações.

Nº 4B – TUBERCULOSE

Mulher, nascida em 16 de junho de 1884, as 8:30 AM

O sofrimento devido à tuberculose é mostrado muito claramente neste horóscopo, pois Saturno – o Planeta da obstrução e cristalização – está em Gêmeos, o Signo que rege os pulmões. Mesmo sem aspectos, ele sempre exerce influência adversa no corpo, qualquer que seja a parte da carta astrológica em que se localize. Suas tendências obstrutivas e endurecedoras bloqueiam e cristalizam os pulmões, e seriam prejudiciais, mesmo não estando amparadas por Aspectos adversos. Vemos que o Sol – dador de vida – está em Gêmeos, em Quadratura com a Lua, Astro que está especialmente relacionado com a saúde no horóscopo da mulher. A Lua está na 8ª Casa, a Casa da morte em Peixes, o 12º Signo, que rege o confinamento em hospitais e instituições afins. O Sol também está em Quadratura com o espasmódico Urano, e está em Oposição com a Lua. Essa configuração produz tosses e hemorragias, que fazem parte dos sintomas da tuberculose.

O forte Signo solar de Leão está ascendendo, e Júpiter, o Planeta do otimismo e da jovialidade, está ali em Sextil com Mercúrio, o Planeta da razão e da Mente. Podemos notar, também, que todos os ângulos estão ocupados por Signos Fixos. Essas condições mostram que a constituição da nativa era boa no princípio; que de início ela teve uma natureza forte, vigorosa e uma disposição alegre e amigável. Tivesse este horóscopo sido levantado em sua infância, de modo a ter-se podido prepará-la, lhe neutralizando a tendência para a tuberculose, então ela teria tido a oportunidade de superá-la inteiramente. Como a coisa está, porém, as Quadraturas e Oposições do Sol, da Lua e de Urano, em conjunto com o posicionamento da Lua na 8ª Casa e no Signo da 12ª Casa, tudo indica que este caso, provavelmente, terá um desfecho fatal. O melhor a ser feito agora para a paciente é tentar reduzir-lhe, tanto quanto possível, o sofrimento. A força magnética de uma pessoa de Áries, cujo Saturno não esteja em graus abarcados pela 6ª Casa do horóscopo da paciente, seria de grande ajuda para ela e leite fresco de vaca também concorreria em muito para manter-lhe a vitalidade, uma vez que está carregado com o Éter saudável do animal.

Nº 4C – TUBERCULOSE

Homem, nascido em 19 de dezembro de 1883, às 3:51 AM

Por um erro, essa carta foi calculada, primeiramente, de tal modo que Leão ocupava o Ascendente e o Sol estava na 5ª Casa. Os Astros indicam as aflições independentemente do Signo Ascendente, mas num relance constatamos que o horóscopo estava errado, pois as quatro horas da madrugada o Sol não pode estar na 5ª Casa. Portanto, tivemos de calculá-la novamente, e, como resultado, Saturno passou da 11ª para a 8ª Casa e o So1 voltou da 5ª para a 2ª Casa. Isto faz muita diferença na intensidade dos sintomas. Precisamos alertar os Estudantes para que, sempre que lhes for dada uma carta para analisar, é melhor tomar o máximo de cuidado, conferir a posição do Sol e ver se sua localização corresponde ao verdadeiro lugar que deve ocupar no céu na hora do nascimento. Caso não corresponda, o horóscopo foi calculado incorretamente, não servindo, portanto, como base para interpretação. Todos podemos cometer erros em nossos cálculos, mas sem dúvida, a sugestão que aqui fica ajudará os Estudantes a evitar esse tipo de erro.

O assunto deste horóscopo é o sofrimento causado pela tuberculose, doença que não é necessariamente nem grave nem fatal. O Estudante de Astrodiagnose possui facilidades especiais para julgar quão profundamente a doença está enraizada pelas posições e Aspectos dos Astros que estão afligindo. Saturno, o Planeta obstrutor, em Gêmeos, o Signo que rege os pulmões, indica tendência para resfriado nesse órgão e também endurecimento, tal como o que ocorre na tuberculose. Mas esse prognóstico não seria tão perigoso se proviesse do posicionamento de Saturno na 11ª Casa, conforme mostrava a carta calculada erroneamente, em vez da sua posição real no horóscopo corrigido, na 8ª Casa, que indica a maneira de morrer.

Mercúrio, Regente de Gêmeos, acha-se em Oposição a Saturno, acontecendo o mesmo ao vitalizante Sol. Notamos também que a Lua, que governa o fluxo de ar nos pulmões, está em Conjunção com Vênus, Regente do sangue venoso, e em Quadratura com Urano. Todos são sinais indicativos de que, para este paciente, existe comparativamente pouca esperança de escapar da terrível doença, até que a morte rompa o Cordão Prateado e o liberte do Corpo.

Você perceberá que os últimos graus de Libra estão no Ascendente, de modo que o nativo possui realmente mais características do impulsivo Escorpião do que de Libra. Marte, Regente de Escorpião, em Leão, acrescenta sua energia e o leva a gostar de bravatear e se exibir, bem como de esbanjar sua vitalidade. Marte em Trígono com Mercúrio, em Sagitário, mostra inclinação para os esportes e provavelmente esforço exagerado, o que pode ter causado sua primeira prostração aos vinte e oito anos de idade, quando a Lua progredida alcançava sua própria posição radical, como também a de Vênus, ou no ano anterior, quando fez Oposição a Saturno.

É claro que seria extrema crueldade dizer ao paciente que lhe resta pouca esperança. Nenhum Aspirante a Auxiliar Invisível seria insensato a tal ponto; em vez disso, esforçar-se-ia para lhe aliviar o fardo, tanto quanto possível no tempo que lhe resta, mesmo sabendo que, seja qual for a medida a tomar, não passará de mero paliativo, não levará a cura. Entretanto, deve-se esclarecer ao paciente que existe uma razão espiritual para as doenças e que investigações ocultas comprovaram o fato de uma concepção materialista da vida, em encarnações anteriores, responder por condições de saúde como a dele porque, pensando que com a morte tudo termina, o materialista se coloca, gradativamente, fora de sintonia com todas as atividades no Mundo espiritual. Quando entra no Segundo Céu, onde se constroem os arquétipos de novos Corpos, ele injeta todos os seus pensamentos cristalizantes no novo veículo, o qual renasce então sob os endurecedores raios de Saturno, que de algum modo obstrui o vitalizante Sol. Se o paciente aprender a crer nisso e se tornar um Cristão devotado, ele poderá evitar idêntico destino em uma vida futura.

CAPÍTULO XVI – CORAÇÃO

Nº 5A – CORAÇÃO

Mulher, nascida em 16 de outubro de 1907, às 2:00 PM

Aquário, Signo Fixo e do Ar, está no Ascendente. O ígneo Marte está acima da cúspide, na 12ª Casa, e a plástica e aquática Lua se encontra no mesmo Signo, mas na 1ª Casa. Isto proporciona à jovem uma natureza muito singular, pois há grande diferença entre o temperamento conferido pela Lua e o conferido por Marte. Marte no Ascendente, afligido por um Paralelo ao Regente – o impulsivo Urano – deu à nativa uma natureza muito impulsiva. Indica alguém que teria num acesso de raiva, a menor provocação. As duas naturezas, proporcionadas por Marte e pela Lua, guerreiam continuamente uma contra a outra: uma impulsiva, enérgica, dinâmica; outra inquieta, plástica, mutável. No entanto, a Lua forma Trígono com o Sol, o que produz uma natureza suave, pacata, gentil, que se opõe frontalmente ao temperamento marciano. O inquieto e crítico Mercúrio está posicionado perto do Meio-do-céu no Signo marciano de Escorpião. Isto agrava o mau gênio.

Quando os Astros se situam em ângulos e em Signos Fixos, conforme estão alguns neste horóscopo, a órbita de influência é maior. Em tais casos damos oito graus, ou um pouco mais, aos Astros principais. Por conseguinte, devemos considerar aqui Júpiter em Oposição a Marte. Vênus está no Aspecto de Quadratura com Marte, e Mercúrio está em Paralelo com Vênus e em Quadratura com Júpiter. Com Vênus regendo o sangue venoso e Júpiter, o sangue arterial, estando ambos afligidos por Marte, e Júpiter por Mercúrio também, esta moça sofria de insuficiência circulatória, especialmente devido ao fato de que todas as aflições derivavam de Signos Fixos e em ângulos, afetando a atividade do coração. Com seu temperamento tenso, nervoso e incontroláveis acessos de raiva, todas as vezes que se deixava dominar por essas emoções ocorria um ataque cardíaco.

Há também indicações de desarmonia no lar, porque os Regentes da 10ª e 4ª Casas – Vênus e Marte – formam o Aspecto de Quadratura. Marte é, também, Regente da 3ª Casa, que rege irmãos e irmãs. Os Aspectos acima poderiam indicar que esta moça era grandemente dominada por esses Astros no lar, e, sendo de natureza impulsiva e dominante, essas atitudes lhe provocaram muitas alterações de temperamento, o que muito lhe prejudicava a saúde em razão das configurações Astrais acima.

Em 1917, o Sol progredido fez Quadratura com Marte radical, enquanto Marte progredido alcançava a Conjunção com o Ascendente. Como resultado disso, se estabeleceu uma condição crônica do problema cardíaco, que aos poucos levou à hidropisia, pois a atividade cardíaca restringida resulta frequentemente em outras complicações. Infelizmente os médicos foram incapazes de diagnosticar de modo correto a doença, de modo que ela foi tratada como tendo o mal de Bright[33].

Em 1921, a Lua progredida alcançou o ponto de Oposição a si própria no radical de nascimento.

Tal Oposição geralmente marca o começo da puberdade, que às vezes é um período crítico para as meninas, em especial quando Vênus e Júpiter estão afligidos. Quando a Lua progredida atravessava Leão, o Signo do coração, formando uma Oposição a si mesma no radical, a hidropisia se agravou porque a Lua em Leão ou Aquário tende a causar essa doença no paciente que sofre do coração.

Urano, o Astro da impulsividade e oitava superior de Vênus, que também influi sobre o sistema circulatório, está em Oposição à Netuno, em Câncer, Signo que rege o estômago. Netuno se encontra na 6ª Casa, a da saúde. Isto indicaria a existência de problema nos órgãos digestivos e um desejo anormal de comer alimentos indigestos.

Os pais da adolescente foram a Fraternidade Rosacruz em busca de tratamento, depois que os médicos abandonaram o caso por considerá-lo sem esperança. A paciente faleceu três semanas após ter sido inscrita em nosso departamento de cura. Quando chegou as nossas mãos, o caso já era incurável. Ela morreu em fevereiro de 1921. Podemos ver aqui quão poderosas são as aflições e quão difícil é vencê-las quando provenientes de Signos Fixos e nos ângulos. Isto foi verdadeiramente uma dívida de destino que esta alma foi chamada a saldar, dívida que estava além do poder de cura dos Auxiliares Invisíveis.

Nº 5B – CORAÇÃO, RINS

Homem, nascido em 25 de outubro de 1862, às 5:20 AM

Nós utilizaremos aqui o horóscopo de um homem com Libra no Ascendente e Signos Cardeais nos quatro ângulos. O Planeta da obstrução, Saturno, está Exaltado em Libra e se posiciona na 12ª Casa. Saturno está em Oposição a Marte e Netuno. Marte e Netuno estão mutuamente em Conjunção e Paralelo. Nós temos então três Planetas adversos: um na 12ª Casa, a dos hospitais, e dois na 6ª Casa, a das doenças. As 12ª e a 6ª Casas são muito perigosas para o posicionamento de Planetas que se afligem mutuamente por Oposição.

Quando afligido, Saturno em Libra causa obstrução das secreções renais, e a falta dessas secreções perturbam o laboratório químico dos rins. O sangue é despojado de venenos em sua passagem pelas artérias renais até os rins, onde é purificado e submetido a um completo processo de filtragem pelo qual são retidos venenos como ureia, ácido fosfórico, ácido sulfúrico, potássio, carbonatos e outras escórias que ele tirou dos alimentos.

Se os rins são sadios, esses órgãos recebem do sangue bastante água para dissolver essas secreções venenosas, as quais então são eliminadas dos rins na forma de urina. Mas em casos como este que vamos diagnosticar, com Saturno afligido em Libra, essa eliminação não é conseguida totalmente. Os rins retêm parte dessas secreções venenosas, que se converte em matéria mineral solidificada. Com o tempo, o processo endurecedor progride e os rins se recusam a funcionar apropriadamente. Resultados: o sangue deixa de ser purificado e a matéria mineral se aloja nos vasos sanguíneos, que obstruem e prejudicam a circulação.

Os olhos têm estreita ligação com os rins, de maneira que, quando os últimos se entorpecem e se sobrecarregam de matéria mineral, a visão é prejudicada.

Pessoas com Marte em Áries gostam de beber muito líquido, como este homem, que sofria de sede insaciável. Mas como seus rins eram incapazes de extrair do sangue o excesso de água, este líquido, não sendo eliminado através da pele, permanecia no sangue. Assim, com o tempo ele passou a sofrer de palpitações do coração e hidropisia. Os médicos diagnosticaram doença cardíaca. As pessoas vitimadas por este tipo de aflição têm urina muito escassa e de coloração muito acentuada.

Se um caso como este é atendido em tempo, os rins podem ser irrigados e os venenos eliminados por uma dieta adequada. Vagem, cenouras, aspargos e tomates são os melhores auxiliares na estimulação dos rins e eliminação de água. Por outro lado, as cebolas são adstringentes, de modo que quando a urina é excessiva, a cebola pode regulá-la. Por conseguinte, é absolutamente necessário que as verduras sejam escolhidas com critérios, a fim de atuarem contra e não a favor da doença.

Nº 5C – CORAÇÃO

Homem, nascido em 6 de outubro de 1855, à 1:00 AM

“A alegria e o medo de nossa próxima existência

nós próprios os modelamos,

e de luz ou de sombras

a atmosfera de nosso futuro nós é que a damos.

Nós próprios tecemos

a matéria da vida que teremos,

e no campo do Destino

colhemos o que semeamos.”

“Ainda que a alma, ao redor de si, procure atrair

as sombras que aqui acumulou

e que sobre a parede eterna pintou,

ainda assim o passado vai ressurgir.

Pensas que morreram as notas do canto sagrado

em Milton, em seu ouvido afinado?

Pensas que a multidão de anjos de Rafael

tenha desaparecido de seu lado?

Oh! Não! Nós vivemos nossas vidas novamente;

em confortante calor ou em frio sombriamente,

os quadros do passado permanecerão —

as obras do homem sempre o seguirão!”

Whittier[34]

Podemos muito bem dizer da alma cujo destino lemos nesse poema místico que sua obra do passado o acompanhou. Ele abriu um caminho para si e escolheu o mais difícil e pedregoso. Seu caminho foi o de um líder de homens, pois tinha o Signo de Leão no Ascendente, com a Lua em Conjunção com Marte e com o Ascendente, e em Sextil com o Regente, o Sol. Tinha também Signos Fixos nos quatro ângulos e cinco Astros ali. Isso é o sinal de alma forte, um homem que nunca se dobrará a ninguém, mas que realiza e edifica, e nisso gasta a sua vida. Este homem foi alguém que carregou sua cruz voluntariamente e suportou com paciência os açoites da crueldade do mundo. Alguém com tais Signos nos ângulos, e com os Astros tão fortemente posicionados e afligindo-se uns aos outros, como neste horóscopo, por certo tem sua vida repleta de lições e de muitas responsabilidades.

Foi muito infeliz no lar, conforme podemos ver por seu Mercúrio em Conjunção com a Cauda do Dragão em Escorpião, na 4ª Casa. Essa configuração indica que sua esposa era impertinente e ranzinza. Mercúrio em Escorpião mostra que ela nunca permitia ao marido ter um momento de paz. Vemos então Saturno em Câncer, o Signo natural da 4ª Casa. Saturno está em Quadratura com Vênus, indicando novamente uma companheira de matrimônio dominante e discordante. Com Júpiter na 7ª Casa, em Oposição a Lua e a Marte e em Quadratura com Urano, a indicação é de casamento e sociedade sujeitos a muitas tribulações e oposições.

Apesar de tudo isso, soubemos que este homem conseguiu enriquecer, fez um grande trabalho e fez muitos amigos. Foi um líder na maçonaria, onde fez muitas coisas boas, ajudando generosamente viúvas e órfãos com seu dinheiro. Interessava-se profundamente pelo trabalho em prisões e também pelo estudo do ocultismo. Netuno em Peixes, em Sextil com Urano, mostra seu interesse pela ciência oculta, mas, como ambos os Astros estão Retrógrados, ele sofreu todo o tipo de restrições. Nunca foi livre para seguir seus ideais superiores.

Em razão de suas muitas cruzes, trabalho árduo e desapontamentos, ele desenvolveu uma doença do coração de natureza muito grave, o que o levou a usar estimulantes cardíacos para poder continuar seu trabalho. Ele nunca permitiu que seus sofrimentos físicos interferissem em seus negócios, os quais eram de muita responsabilidade e com muitas agências espalhadas em grande parte da América; tinha também muitos homens sob suas ordens. Com defeito nas válvulas do coração e apesar do sofrimento resultante, ele ainda alcançou a provecta idade de setenta anos. Podemos concluir pelo que vimos como a vontade pode ser usada para vencer e como o ser humano é verdadeiramente senhor do seu destino. Tivesse o nativo Virgem no Ascendente, ou qualquer outro Signo menos forte que Leão, juntamente com as aflições provenientes de Signos Fixos, ter-se-ia convertido num inválido crônico ou teria morrido precocemente. Vemos, por conseguinte, que “o homem sábio governa suas estrelas, enquanto o tolo é governado por elas”.

Nº 5D – CORAÇÃO

Homem, nascido em 12 de setembro de 1858, às 8:15 AM

Nossa primeira providência no diagnóstico deste horóscopo é o de averiguar o calibre mental do paciente. Júpiter, na casa da Mente superior, e Marte, próximo à cúspide da Casa da Mente inferior, estão em Oposição um ao outro, além de formarem Quadratura com o Sol e Mercúrio, um fato que marca o nativo como um pessimista de natureza irritável. Isso é acentuado pela Oposição de Mercúrio a Netuno, a Mente inferior fora de sintonia com todos os conceitos espirituais. Saturno, em Quadratura com Vênus, o impede de apreciar as belezas da vida. Como esses Aspectos adversos são contrabalançados apenas pelos Sextis da Lua com Mercúrio e com o Sol, bem como por um Trígono com Netuno, nós podemos concluir que essa pessoa vive numa triste condição, pelo que precisa de toda a ajuda e ânimo que se lhe possam dar. Receamos que mesmo os melhores esforços pouco signifiquem contra essa barreira de pessimismo que ele ergueu em volta de si mesmo.

Sobre a doença que o acomete, a fria mão de Saturno em Leão nos mostra a atividade cardíaca obstruída e a consequente insuficiência circulatória indicada pela Quadratura de Saturno com Vênus e pela Quadratura do Sol e Mercúrio com Júpiter, pois Júpiter e Vênus governam, respectivamente, a circulação arterial e a venosa. O Sextil de Urano com Saturno produz uma atividade espasmódica sentida como uma palpitação do coração, e, como está em Gêmeos, Urano também proporciona movimento espasmódico dos pulmões, o que, às vezes, torna difícil a respiração do paciente, embora tal condição não seja tão acentuada como na asma. As aflições do Sol e de Mercúrio em Virgem em Oposição a Netuno indicam afecção intestinal. As aflições do Sol e Mercúrio por Júpiter e Marte nas Casas das viagens, inclusive a Oposição entre os dois últimos, indicam predisposição a acidentes, especialmente em viagens. Com esse último tipo das indicações nós não estamos preocupados, no momento.

Podemos dirigir nossos esforços para a aceleração da atividade cardíaca e para promover a digestão deficiente, a fim de que o paciente possa sentir alívio e ter uma perspectiva mais animada da vida. Como Saturno controla o nervo pneumogástrico, sua presença em Leão nos mostra que esta é a principal raiz do problema, uma vez que este nervo inibe a atividade cardíaca e atua também sobre outros órgãos vitais. É difícil se alcançar esse nervo de maneira eficaz quando estamos envoltos nos nossos Corpos Densos. No entanto, o avaliador Rosacruz consciente de saúde dispõe de outros meios, pois o Compromisso que assumiu consigo próprio diante dos Irmãos Maiores o capacita a trabalhar com seus pacientes durante as horas em que seu Corpo dorme. E ele é ensinado em como ele pode materializar dedos no interior do Corpo do enfermo, podendo assim lhe dar a necessária ajuda na remoção de obstruções, tumores etc., e até corrigir deslocamentos de ossos. Nós recebemos muitas cartas na Fraternidade Rosacruz de pacientes que afirmam ter sentido a presença dos Auxiliares Invisíveis e o contato de mãos em seus Corpos no momento de acordarem.

O melhor método de tratamento para um caso como este consiste em o curador ou a curadora imprimir bem forte na Mente da pessoa a parte do organismo em que se encontra — fisiologicamente e astrologicamente — a causa da enfermidade. Então, após a Retrospecção noturna, dizer: “Agora eu vou ajudar meu paciente, sob a direção dos Irmãos Maiores”, cuidando para que este seja seu último pensamento antes de adormecer.

O curador ou a curadora mais apropriado (a) para se encarregar deste caso deve ser alguém cujo Signo Ascendente se harmonize com Libra. Aquário seria a primeira escolha e Gêmeos a segunda. Além disso, é preciso que ele ou ela não tenha Saturno em Libra ou Peixes.

Nº 5E – CORAÇÃO

Mulher, nascida em 18 de setembro de 1854, as 10:00 AM

Aqui nós temos um horóscopo com o ativo, energético e agressivo Signo de Escorpião no Ascendente, tendo seu Regente, Marte, na 1ª Casa, na órbita de Conjunção com o Ascendente e em seu próprio Signo, condição em que um Astro apresenta o máximo de seu poder para o bem ou para o mal. No caso dessa mulher, a energia marciana é dissipada, não mantida sob controle, pois Marte se encontra em Oposição ao errático e impulsivo Urano, que está na 7ª Casa, no Signo fixo de Touro, onde está em sua Queda e, portanto, apto para mostrar seu lado nocivo. A influência combinada de Marte e Urano, ambos Astros da impulsividade, atua como um Fogo fora de controle soprado pelo vento.

Vemos a aquosa Lua próxima ao Meio-do-céu, no Signo Fixo, quente e ígneo de Leão, formando Quadratura com Marte e Urano, os dois Astros da impulsividade. Fogo em contato com água gera vapor. Essa aflição dos Astros do Fogo com a Lua aquosa e emocional tem um efeito idêntico na Mente dessa mulher. Marte afligido em Escorpião e no Ascendente lhe proporciona um temperamento incontrolável, indicando que ela é capaz de acessos de furor a menor provocação e que sua raiva se volta contra o marido. Se pusermos uma chaleira com água sobre um Fogo mantido em chamas, depois de certo tempo a água ferve e evapora, a chaleira seca e seu fundo queima. Esta é a condição em que encontramos esta mulher. Por anos ela criou em sua volta e no lar um ambiente tão nervoso e emocional, que seu pobre coração queimou e ressecou, já que sua Lua afligida em Leão mostra o coração sob grande tensão. O resultado foi que no ano de 1916, quando a Lua progredida fez Conjunção com Marte radical na 1ª Casa e a seguir fez uma Oposição a Urano na 7ª Casa (relacionada com o cônjuge), as relações domésticas alcançaram um ponto crítico. Com Vênus, Mercúrio, Sol e Lua progredidos todos transitando na lª Casa no Signo marciano de Escorpião, as emoções ardentes resultantes foram demasiadas para o corpo, e então a pobre mulher perdeu todo o controle de si. Chorava o tempo todo, tinha má digestão e muitas vezes desmaiava em meio a ataques cardíacos.

Existe, contudo, outra causa para esse colapso físico. Netuno se encontra maravilhosamente vigoroso e bem fortificado em seu próprio Signo de Peixes e na misteriosa 4ª Casa, formando Sextis com Júpiter e Urano e Trígono com Marte. Estes Aspectos, em especial os Sextis entre os dois Astros do oculto – Netuno e Urano – geralmente proporcionam um intenso desejo de desenvolvimento relacionado com temas místicos, podendo conduzir a um rápido desenvolvimento. Mas Netuno está em Quadratura com Saturno, e Urano está em Quadratura com a Lua. Tanto os Aspectos adversos como os bons entre Astros sugerem o desenvolvimento, mas o desenvolvimento é de uma natureza diferente.

Conforme temos afirmado em nossas lições, a raiva e as emoções negativas são muito mais danosas para aqueles que se esforçam por viver a vida superior do que para os que se satisfazem em ser terrenos e se entregam a vida mundana. Toda vez que essa senhora cedia a sua raiva, ativava um movimento vibratório em sentido contrário ao dos ponteiros do relógio, um Fogo que queimava a vida espiritual nela despertada, de maneira que seu pobre corpo não podia suportar a tensão. Ela não pode mais continuar sobrecarregando o coração porque, com as Quadraturas e a Oposição de Marte, Lua e Urano nos ângulos e em Signos Fixos, esse órgão não resistirá a tão grande esforço, e então a morte poderá ocorrer de forma súbita.

CAPÍTULO XVII – ESTÔMAGO

Nº 6A – DOENÇAS DO ESTÔMAGO E TUBERCULOSE

No diagnóstico de doenças pela ciência dos Astros, às vezes é muito difícil saber em que direção as aflições podem trabalhar. Por exemplo, já escrevemos, muitas vezes, sobre os efeitos sinistros de Saturno em Câncer, o Signo que tem regência sobre o estômago. Quando esse Planeta aflige nesse Signo, priva o estômago de seus sucos gástricos, tão necessários à digestão dos alimentos. Saturno aqui tende ainda a criar o desejo por alimentos pouco saudáveis e ao consumo excessivo de cremes, açúcar, sobremesas etc. Nessa lição e na próxima, entretanto, tentaremos mostrar como Saturno, colocado no Signo oposto, Capricórnio – seu domicilio e onde sua influência é muito mais sutil e adversa do que quando está em Câncer – produz efeitos similares.

Usaremos dois horóscopos para mostrar os efeitos de Saturno em Capricórnio, representados por doenças de naturezas muitíssimo diferentes. Examinemos, primeiro, o horoscopo 6A, que é de um homem nascido à 19 de fevereiro de 1902, às 3:00 PM.

Localizamos aqui Saturno a 23°21’ de Capricórnio na 6ª Casa, a Casa da saúde, em Oposição à Lua, que se encontra em seu próprio Signo, Câncer, o Signo Regente do estômago. A Lua também está em Oposição a Júpiter. Quando Júpiter tem qualquer ligação com Signos ou Astros que regem o apetite, inclina a comer em excesso. O que quer que Júpiter faça, fá-lo-á sempre em grande escala. Portanto, com a Lua em Oposição a Júpiter, podemos identificar o glutão.

Saturno afligido em Capricórnio torna preguiçoso o suco gástrico, pelo que se pode esperar problemas de digestão do alimento.

Se o estômago é cheio com um excesso de alimentos ricos em gordura, o nativo receberá uma nutrição de somente de parte do alimento que o estomago é capaz de digerir. O sangue é levado aos pulmões para ser oxigenado. A oxigenação é para o corpo o que a chaminé é para o fogão. Se cortarmos o ar, o Fogo diminui e se extingue, se dando o mesmo com o corpo humano. Se a pessoa para de respirar, morre. Na respiração pouco profunda, os pulmões são incapazes de suprir o organismo de oxigênio suficiente para o aquecimento e a energia, e eles não exalam todo o dióxido de carbono.

Nesse horóscopo nós achamos Netuno em Gêmeos. Gêmeos rege os pulmões. Netuno está na cúspide da 12ª Casa, em Oposição à Urano na 5ª Casa, em Sagitário. Urano e Netuno afligidos indicam: nervosismo, câimbras e ação espasmódica. Netuno aqui mostra que os capilares dos pulmões eram incapazes de absorver a quantidade de oxigênio necessária a oxigenação do sangue. Consequentemente, o dióxido de carbono se formava mais depressa do que a capacidade dos pulmões para o expelir. O resultado foi que o veneno se acumulava no organismo. As células nervosas enfraqueceram, se tornaram vagarosas, e a resistência do corpo foi baixando pouco a pouco; muitíssimo enfraquecido então, o órgão era incapaz de manter sua função. O fole do corpo, os pulmões, no caso deste homem era incapaz de inalar o ar suficiente para queimar os venenos. O resultado foi os pulmões adoecerem e a tuberculose neles se instalar.

As pessoas com Astros afligidos em Signos Comuns são, frequentemente, suscetíveis a tuberculose. Com Sol e Marte em Conjunção em Peixes, e com Urano em Sagitário, em Oposição a Netuno em Gêmeos – Peixes, Sagitário e Gêmeos sendo Signos Comuns – os pulmões, consequentemente, atraíram impurezas. Assim podemos ver que Saturno seja em Câncer, seja em Capricórnio pode ser a causa direta de doenças que se expressam em outro Signo.

Há três anos este homem começou a sofrer do estômago, seguindo-se agora uma tuberculose dos pulmões, uma doença que teve sua origem em erros de alimentação. Nesse estágio pode ser curada por meio de uma dieta cuidadosamente selecionada de verduras cruas, frutas e pouquíssima proteína.

Nós examinaremos na próxima lição um horóscopo 6B, que tem Saturno em Capricórnio, mas que resulta em uma enfermidade completamente diferente.

Nº 6B – DOENÇA DO ESTÔMAGO E INFLAMAÇÃO DOS RINS

Homem, nascido em 26 de fevereiro de 1871, às 4:00 PM

Continuamos aqui a lição sobre o efeito de Saturno em Capricórnio, demonstrando como ele pode expressar seu lado mau através de Astro que faça Aspectos adversos com ele.

O Astro da Obstrução – Saturno – se encontra em Capricórnio, Signo Cardeal. Signos de natureza semelhante, em especial os cardeais, têm afinidade uns com os outros e, por isso mesmo, reagem mais prontamente às aflições. Neste horóscopo Saturno está em Capricórnio, em Quadratura com Marte em Libra, ambos Signos cardeais. Libra rege os rins e os ureteres, dois pequenos canais que conduzem a urina dos rins a bexiga. Quando temos Marte afligido, podemos contar com calor e atividade excessiva. Saturno em Capricórnio resulta em tendências semelhantes às de Câncer, ou seja, gostos esquisitos, desejo de comidas estranhas e não-naturais, muita queda para doces, frituras etc.

Saturno em Capricórnio também obstrui o fluxo de sucos gástricos para o estômago, daí podermos saber porque as pessoas com Saturno afligido nos Signos tropicais ou Cardeais, isto é, Capricórnio ou Câncer, geralmente sofrem de indigestão, reumatismo, ácido úrico etc. Quando encontramos o inflamatório Marte no Signo Cardeal de Libra, em Quadratura com Saturno em Capricórnio, podemos esperar que os elementos venenosos não digeridos deixados a fermentar no estômago alojam-se nos rins, criando urina altamente ácida, que causa inflamação nos rins e ureteres.

Neste horóscopo, temos a Lua em Gêmeos, em Quadratura com o Sol em Peixes. Sendo Gêmeos e Peixes Signos Comuns, aqui eles obstruem a oxigenação do sangue e interferem na sua purificação, em virtude do que mais impurezas são levadas aos rins. Podemos observar, portanto, uma semelhança de causas entre este horóscopo e o horóscopo 6A, embora os resultados não sejam os mesmos.

Este homem precisa se sujeitar a uma dieta de leite por várias semanas e, depois que os rins se purificarem com este tipo de dieta, precisa excluir de seu regime alimentar toda fritura e excesso de tempero.

Nº 6C – PILORO

Mulher, nascida em 29 de março de 1909, a 1:30 PM

Achamos que esta menina tem uma Mente brilhante, com Mercúrio, o Planeta da mente, em Sextil com os Planetas da atividade e de reflexo rápido, Marte e Urano, no Signo de Capricórnio, que infunde estabilidade e equilíbrio, trazendo a influência saturnina para suportar o impulso e a inteligência rápida dos dois últimos Planetas. Mercúrio também forma Trígono com a Lua posicionada em seu próprio Signo, Câncer. Contudo, achamos perigoso para esta mentalidade ativa que seus pais permitam que ela se dedique a perigosa moda da escrita mediúnica, tal como a feita com pranchetas, tábua ouija[35], etc. Saturno no Signo da cabeça – Áries – em Quadratura com o Planeta místico – Netuno – que está em Conjunção com a Lua, e está em Oposição a Urano e Marte da 12ª Casa para a 6ª Casa, indicam que em alguma parte da sua vida, caso seus pais não tomem os cuidados necessários, poderá sofrer de insanidade ou obsessão por espíritos.

Este horóscopo apresenta outra aflição, que faz dele um exemplo muito interessante para a diagnose. A Lua está no Signo de Câncer, estômago, em Oposição ao inflamatório Marte e ao nervoso e contrátil Urano, que inclina às perturbações digestivas, criando gases no estômago e inflamações das membranas mucosas. Urano é aéreo, a Lua é aquosa, Marte é ígneo. Para ilustrar os efeitos recíprocos desses três Astros, acendemos um Fogo, deixamos que um vento forte sopre sobre ele e, quando estiver com chama total, lhe despejamos água; isso descreverá, até certo ponto, o efeito desses três Astros, quando atuam simultaneamente sobre o estômago. Cada porção de comida que caia no estômago criava um distúrbio. Esta criança dificilmente provava comida sem grande angústia, náuseas e vômitos; nada podia ser retido no estômago. Ela sofreu deste modo desde que nasceu. Aos oito anos de idade foi submetida a uma cirurgia, por médicos, que diagnosticaram o seu problema como sendo um problema na cárdia, o orifício de entrada no estômago, que era muito pequena. Mas, após a intervenção cirúrgica, a paciente não apresentou nenhuma melhora.

Ah! Se o médico pudesse ponderar apenas que a manifestação de vômitos e distúrbios quando o alimento chegava ao estômago não eram causados pelo defeito na entrada do estômago, mas por outra causa mais profunda nesse órgão! A astrologia nos informa que Saturno em Quadratura com Netuno indica má-formação, restrição de tamanho. Se esses dois Planetas estivessem na primeira parte do Signo de Câncer ou nos últimos graus de Gêmeos, isso poderia indicar a cárdia, no entanto a Lua está nos 22 graus de Câncer, mostrando que ela está mais próxima da parte inferior do órgão. Marte e Urano indicam ação muscular involuntária. Marte, quando aflige a Lua, causa náusea, e Urano afligindo a Lua causa contração. Vemos assim indicações de que havia ação e contração muscular involuntárias, que causavam as náuseas. Mas, por que a comida era devolvida pelo estômago? Por que a criança não podia reter nada? Achamos a resposta no diâmetro reduzido do piloro, a saída do estômago. Após chegar ao estômago, a comida não podia descer propriamente para os intestinos e, sendo também as membranas mucosas insuficientes, a digestão era imperfeita. Vomitar devia ser, portanto, o resultado natural.

Neste caso, teria sido difícil curar a jovem sem uma operação, só que os médicos deveriam ter examinado o piloro e observado o funcionamento dessa parte do estômago, em vez de operarem a cárdia.

Nº 6D – DOENÇA DO ESTÔMAGO E DOS RINS

Mulher, nascida em 23 de janeiro de 1886, às 4:00 AM

Várias operações foram efetuadas na região abdominal dessa paciente, e ela passou de um a outro médico por todo esse tempo; agora, ela não é mais que um farrapo físico e mental.

Quando nós procurando a causa primeira desses efeitos, chegamos a Saturno em Câncer, Signo que rege o estômago. Por experiência própria, sabemos que a maioria das pessoas com Saturno nessa posição é exigente sem ser necessária e peculiar na escolha do alimento. Saturno neste horóscopo está em Quadratura com Júpiter, o Planeta da autoindulgência, e com Urano, o Planeta da ação espasmódica e irregular. Por isso Saturno leva essa pessoa a ser indulgente indevidamente com o seu desejo de comer coisas boas.

Urano e Júpiter em Libra, Signo que rege os rins, formando Quadratura com Saturno – o Planeta da obstrução – indica que, após o sistema ter sido sobrecarregado de comida que não podia assimilar, os rins ficaram incapazes de eliminar os produtos residuais. Por conseguinte, houve um congestionamento geral do sistema, com toxinas e venenos de toda sorte. Então o ígneo e quente Marte posicionado em Virgem, Signo que rege os intestinos, ateou o Fogo da inflamação para limpar o sistema. Como a força de vontade da nativa não é, em especial, das mais fortes, isto por causa do fraco Sagitário no Ascendente, ela foi mais facilmente convencida a se submeter a operações do que a empreender uma reforma em seu modo de vida, o que poderia lhe trazer uma melhoria de condições mesmo nesta hora tardia.

É muito triste dizer que esse é o caso da grande maioria das pessoas. Tais criaturas admitem, às vezes, rapidamente serem glutonas quando se lhes aponta o fato, mas na maioria dos casos, pensam ser modelos de autocontrole no que tange ao apetite, mesmo quando concordam que estão comendo o alimento errado. Entretanto, temos visto numerosos casos em que elas admitem isso, mas se declaram, absolutamente, incapazes de superar a fraqueza e refrear o apetite. A pessoa cujo horóscopo estamos considerando não é uma exceção à regra geral, portanto, todos os nossos esforços para ajudá-la foram em vãos. Ela não dispõe de energia nem mesmo para continuar nos remetendo as cartas semanais, solicitadas dos pacientes. Em casos como este, é claro que nada mais se pode fazer a não ser deixar o paciente entregue a si mesmo, até que aprenda sua lição – se não nesta, em alguma outra vida.

CAPÍTULO XVIII – OS RINS

Nº 7A – RINS

Homem, nascido em 14 de março de 1892

O horóscopo que iremos utilizar aqui é o horóscopo natural. A hora de nascimento do nativo é desconhecida, mas em astrodiagnose ela é desnecessária, a menos que queiramos determinar uma crise. Precisamos, então, levar em consideração o grau exato da Lua progredida e seus Aspectos, bem como as posições e os Aspectos dos Astros em trânsito; mas as tendências naturais, tanto de temperamento, moralidade como também de fraquezas orgânicas, são indicadas pelos Astros radicais, que dão ao astrólogo a chave da saúde do nativo, muito embora o Ascendente seja de grande ajuda para nos mostrar a força de vontade e resistência do indivíduo. Determinados Signos, como Áries, Gêmeos, Leão, Libra e Aquário, poderão vencer e eliminar uma doença onde a maioria dos Signos femininos, especialmente Touro e Virgem em razão de sua fraqueza de vontade para superar as condições físicas, não o conseguiriam. Dos Signos Comuns, Gêmeos é o mais capaz de dominar doenças físicas.

Nesse horóscopo temos o Sol, o dispensador de vida, no Signo Comum e negativo de Peixes. O Sol está afligido por uma Oposição e Paralelo com o destrutivo Saturno. Aqui nós temos o começo e a indicação da pouca vitalidade. Júpiter, Regente de Peixes e do sangue arterial, está em seu próprio Signo, em Conjunção com o Sol e Oposição a Saturno. Essa Oposição tende a reduzir a vitalidade, pois se a corrente sanguínea chega a estagnar, o Corpo inteiro deve sofrer. Vênus, Regente do sangue venoso, está no seu Regente, Touro, onde é forte. Vênus está afligido por uma Oposição e um Paralelo com Urano. Isso pode aumentar os efeitos nocivos de Júpiter e do Sol afligidos por Saturno. Com a influência aflitiva de Saturno em Virgem, Signo que rege o intestino delgado, se pode esperar uma assimilação imperfeita dos alimentos.

A Lua se encontra em Oposição e Paralelo a Júpiter e em Quadratura com Marte. Esses Aspectos, casados com Vênus em Touro em Oposição a Urano em Escorpião, indica que esse jovem homem se deliciou nos prazeres sensuais e que sua saúde foi dissipada rapidamente. Urano em Escorpião, em Oposição a Vênus, indica imprudência no tocante a função geradora sagrada, e com a idade de dezesseis anos, quando a Lua progredida alcançou a Conjunção com Vênus e a Oposição a Urano, ele contraiu a terrível doença da sífilis.

Embora, mais tarde, aparentemente curado, os poderosos componentes dos vários remédios usados pela medicina para combater este mal, sendo um deles o mercúrio, exerceram influência destrutiva no sangue do nativo, pelo que a tuberculose lhe tomou os rins. Isso é indicado pela Lua no Signo de Libra, Regente dos rins, em Quadratura com Marte, em Oposição e Paralelo a Júpiter e em Oposição a Mercúrio.

O rapaz ingressou na profissão de médico. Submetido, mais tarde, a uma cirurgia em que removeu um de seus rins, se verificou que o rim extraído estava oco. Os médicos diagnosticaram sua condição como tuberculose renal.

Ele morreu aos 26 anos de idade. Ao chegar a essa idade, notamos que a Lua progredida havia concluído seu ciclo e alcançado novamente seu lugar no mapa radical, em Libra e que Júpiter progredido havia alcançado o ponto de Oposição à Lua radical e progredida.

A época em que a Lua acaba de completar, por progressão, sua volta ao horóscopo, alcançando desse modo o lugar em que se encontrava na ocasião do nascimento, e, frequentemente, quando a Lua está afligida na posição radical, é um momento crítico para doenças em que o nativo se vê, face a face, com muitas tribulações.

Nº 7B – RINS E MASTOIDITE

Homem, nascido em 8 de maio de 1865 – 1:45 AM

Esse horóscopo tem o Signo Fixo de Aquário no Ascendente, com o Sol no Signo Fixo de Touro e em Conjunção com Vênus e Mercúrio. O Sol está também em Sextil com Marte. Júpiter, o Planeta da opulência e da benevolência, encontra-se na 10ª Casa, em seu próprio Signo, Sagitário. Estas posições e Aspectos do Sol e de Júpiter indicam alguém com grande amor pela humanidade, um homem financeiramente muito generoso e disposto a se deter em seu caminho para ajudar aos outros, mesmo sacrificando o próprio conforto, se depara com alguém cujo sofrimento pode aliviar ou a quem pode proteger da desgraça. Mas Júpiter, Mercúrio, Vênus e Saturno, todos estão retrógrados. Isso indica que ele pode achar difícil realizar seus ideais e fazer tanto bem quanto busque seu coração, porque Planetas retrógrados significam talentos, possibilidades e oportunidades latentes.

Sua capacidade para ganhar dinheiro é impressionante. Esse homem é também muito pródigo em seus gastos, tendo Vênus em seu próprio Signo, Touro, e na sua própria Casa, a 2ª, em Conjunção com o Sol e em Sextil com Marte. O que quer que faça, tem de ser feito em escala grande e generosa. Também gosta de se divertir e de viver bem, pois o Sol, Vênus e Mercúrio em Touro, formando Sextil com Marte em Câncer, e uma vez que Touro rege o paladar, tudo isso tanto proporciona o desejo de comer coisas boas e prover grande abundância delas. O mesmo faz Marte em Câncer, em Sextil com Vênus e com o Sol: gosto por alimentos gordurosos excessivamente temperados e em grande quantidade.

Com Marte na 5ª Casa, esse homem gosta muito de repartir com os amigos. Contudo, ainda que essa generosidade possa ter sido boa para os outros e possa ter alegrado a muitos, deleitando-lhes o paladar, o resultado foi desastroso para ele próprio. Sua saúde não pôde suportar os efeitos perniciosos de uma mesa demasiado farta.

Para descobrir em que parte do organismo vão se manifestar os danos causados pelo excesso de comida, examinemos as aflições mais fortes. Marte se acha em Câncer, Regente do estômago, em Quadratura com a Lua e Saturno, que estão em Libra, Regente dos rins. Saturno também está em Conjunção e Paralelo com a Lua. A Lua rege os fluidos brancos do corpo e a linfa. Sendo Saturno o afligidor, consequentemente deve restringir o livre fluxo desses fluidos. Como Júpiter, Regente do sangue arterial, se encontra em seu próprio Signo – Sagitário – perto do Meio-do-céu, em Oposição ao nervoso, excitável e espasmódico Urano, no Signo mercurial de Gêmeos, e como Marte está em Paralelo com Júpiter e Urano, verifica-se uma circulação arterial obstruída e uma circulação linfática também prejudicada.

Quando o homem viola continuamente as leis da saúde ao comer em demasia, pode-se contar com um desarranjo a qualquer hora.

Em 1906, ocasião em que o Sol progredido fazia Conjunção com Urano radical em Gêmeos e a Lua progredida formava Quadratura com Marte e Oposição com ela própria e com Saturno radicais, o nativo foi vitimado por um sério ataque de pneumonia. Em 1907 o Sol progredido atingiu o ponto de Oposição a Júpiter radical. Seguiu-se, em 1912, a Lua progredida em Conjunção com o Marte radical em Câncer. Durante esse mesmo ano, a Lua progredida afligiu-se a si própria e a Saturno, ambos radicais em Libra, por um Aspecto de Quadratura. Isso desencadeou um grave ataque ao rim, com enfermidade e constrição dos ureteres, o que interferia na passagem do líquido residual dos rins para a bexiga.

Aos 13 anos de idade, quando a Lua progredida atingia Áries, transitando por esse Signo, formou uma Conjunção com Netuno radical, uma Oposição a ela própria e a Saturno radicais, uma Quadratura com Marte e uma Conjunção com a Cauda do Dragão. Manifestaram-se no nativo afecções dos ouvidos e seguidas dores nos mesmos e na cabeça. Quando a Lua atingiu o ponto de Conjunção com Mercúrio radical e com Vênus retrógrado e progredido em Touro, ocorreu uma inflamação nas membranas do mastoide, pelo que os cirurgiões tiveram de operar por duas vezes o osso mastoide, drenando o pus que se havia formado e acumulado na respectiva cavidade. Essas operações deixaram o paciente com uma cefaleia crônica e os nervos abalados.

Se esse homem tivesse aprendido que deveria comer para viver em vez de viver para comer, teria poupado muito sofrimento a si mesmo.

Nº 7C – DISFUNÇÃO GERAL

Mulher, nascida em 19 de abril de 1888 – 4:30 PM

Examinando, inicialmente, a Mente, como sempre, encontramos Mercúrio em Conjunção com Vênus e Trígono com a Lua e Júpiter em Signos de Fogo. Então, os três Astros relacionados com a Mente estão em Trígono. Em certa medida, Júpiter participa da constituição mental porque é o Regente do nono Signo – Sagitário – e dele provém os impulsos de benevolência que elevam, gradativamente, a humanidade do estado de selvagem, por meio da civilização, até o de santidade.

É de uma percepção imediata que temos aqui uma pessoa de mentalidade pouco comum e admirável. Mesmo a Conjunção de Saturno com a Lua é muito benéfica, porque, conforme já dissemos, sendo a natureza de Saturno obstrutiva, quando ele pousa sua mão restritiva sobre Mercúrio ou sobre a Lua ajuda a estabilizar a Mente volúvel e aumenta a capacidade de concentração. Ao mesmo tempo, é claro, qualquer Aspecto de Saturno com os Astros relacionados com a Mente gera tendência a melancolia. Por isso, pode-se dizer que os possuidores das maiores e mais profundas Mentes, geralmente, são de uma disposição tristonha.

No entanto, essa mulher não é de natureza propensa às discussões ou considerações. Não desperdiça o tempo lamentando as penas e os sofrimentos do mundo, pois tem Signos Cardeais nos quatro ângulos e Marte em Conjunção com Urano na lª Casa. Isso lhe dá uma natureza sobremodo impulsiva e inquieta. Ela tem a Mente que vê onde as reformas são necessárias, mas a natureza de seus esforços para efetuar essas reformas depende de sua posição na vida, coisa que ignoramos. Se nasceu em ambiente amplo, onde possua fortuna, posição social e influência, ela pode se constituir num poderoso fator e agir em uma ampla esfera; mas, se nasceu em ambiente financeiramente carente, ela pode ser tolhida em seus esforços, pelas circunstâncias. Contudo, não importa onde esteja, sua influência é sentida e, lutando para reformar as coisas, o resultado inevitável é que ela pode se esgotar nessa tentativa de melhoramento.

Como uma corrente se parte no elo mais fraco, o mesmo acontece com a vida humana. Urano, o Planeta da ação espasmódica e incontrolável, está em Oposição a Mercúrio, o Planeta que governa o sistema cérebro-espinhal, mostrando que poderá acontecer um colapso nervoso sempre que o corpo for submetido a grande esforço. Saturno, o Planeta da obstrução, está em Conjunção com a Lua no Signo que governa o coração, Leão, e em Quadratura com o Sol, Regente de Leão. Fica evidente, pois, que a atividade cardíaca é muito fraca, como também a circulação, e que existe certa incapacidade para especializar a energia vital do Sol. Com efeito, a carta mostra a possibilidade de uma condição que só pode ser descrita como disfunção geral, decorrente do trabalho excessivo e da tensão nervosa que afetam todos os órgãos do Corpo, pois Urano e Marte em Libra deverão interferir no trabalho dos rins e o Sol, afligido em Touro, atuará na garganta, prejudicando a eliminação retal, sob o governo de Escorpião. Esta condição por fim se concretizou.

É quase desnecessário dizer que casos como esse exigem repouso absoluto, tanto mental como físico, acompanhado, de preferência, de uma dieta de frutas, pois é muito nocivo impingir a comida comum a um sistema em tais condições. Uma enfermeira aquariana, cujo Saturno não esteja em Libra ou Peixes, poderia exercer sobre a paciente uma influência calma e benéfica. Mas, mesmo que sejam aliviadas e se curem, pessoas com tal natureza e temperamento se obrigam ao trabalho extenuante, que deve levá-la a morte, mais cedo ou mais tarde. Nada que se possa dizer ou fazer no sentido de convencê-las a fazer as coisas aos poucos, para que possam viver mais, surte qualquer efeito, pois a ânsia espasmódica de Urano e a energia dinâmica de Marte no Ascendente poderão prevalecer sobre quaisquer considerações, haja vista que os Signos dos ângulos são Cardeais. Essa mulher se aferra ao trabalho, mesmo sabendo que pode cair morta no minuto seguinte. Não há dúvida, porém, de que seu destino é ser muitíssimo beneficiada em termos de crescimento anímico, mesmo que seu Corpo seja destruído nesse processo.

Nº 7D – CÁLCULO RENAL

Homem, nascido em 21 de setembro de 1863, ao meio-dia

Nesse horóscopo, Saturno está em Conjunção com Marte e Vênus. Netuno está em Oposição com todos os três, e a Lua em Quadratura com Saturno e Vênus. Marte, o Planeta da impulsividade, leva o nativo a se enfurecer a menor provocação, de modo que, se deixado à vontade nesses momentos, nada o deterá a não ser o colocando numa camisa-de-força, particularmente por estar o Sol em Quadratura com Urano, o que intensifica a impulsividade e elimina completamente a razão. Mas o raio saturnino é suficientemente eficaz para atenuar a maior parte das tendências erráticas, pois Saturno se encontra no Signo de sua exaltação, Libra, e altamente elevado.

Mercúrio em Conjunção com Júpiter, ambos elevados e em Trígono com Urano, nos mostra que a Mente do nativo tem um lado sadio, bondoso e religioso. De Marte vem a facilidade para se sentir ofendido, mesmo quando não haja motivo para tal; Saturno leva o nativo a ruminar sobre as ofensas, quer estas tenham sido reais ou imaginárias, mas Júpiter cuida de instilar caridade e sensatez. Contudo, parece que as forças que tendem a acentuar o lado mau da natureza são mais fortes, e que para a natureza superior isso deve representar uma luta árdua e difícil.

Saturno, na primeira parte de Libra, Regente dos rins, atua de tal maneira a obstruir a secreção urinária, enquanto Marte causa a inflamação. A Conjunção de Saturno e Vênus, sendo esse último Regente da circulação venosa, revela o fato de a veia porta, que recebe o sangue dos rins, se encontrar obstruída, enquanto a Quadratura de Saturno com a Lua diminui o volume de urina secretada. Netuno em Oposição a Saturno mostra, claramente, uma causa mental – irritabilidade e preocupação – interferindo na atividade nervosa. Assim se formam os cálculos renais, que sujeitam o indivíduo a um dos mais dolorosos padecimentos que se pode imaginar.

Para ajudar uma pessoa dessa natureza, precisamos invocar a ajuda de Júpiter e Mercúrio em Trígono com Urano. Marte é o grande energizador que impele à ação, mas Saturno em Conjunção com ele tira o ânimo, tornando o nativo indolente, avesso aos exercícios que o sagitariano geralmente aprecia. Devemos, portanto, despertá-lo para a necessidade urgente de se exercitar, e bastante. A Lua em Capricórnio atua no Signo oposto, Câncer, Regente do estômago, e por causa de sua Quadratura com Saturno, em Libra, Regentes dos rins, a secreção urinária do paciente sofre uma interferência. Daí a necessidade de uma regra para a dieta. Nada de natureza irritante ou indevidamente estimulante deve ser comido.

O melhor curador ou a melhor curadora para este homem deve ser alguém com Leão no Ascendente, Signo que se harmoniza com Sagitário. Áries é a segunda opção, porque um ariano pode ser demasiado rude e por isso mesmo gerar incompatibilidade, mesmo não tendo essa intenção. Nem deve ter Saturno em Sagitário ou Touro, Signos que ocupam, respectivamente, a cúspide da 1ª e da 6ª Casa do horóscopo do paciente.

Nº 7E – CIRCULAÇÃO RENAL

Mulher, nascida em 24 de março de 1845, às 5:06 AM

Considerando o caso apresentado nesse horóscopo, nosso primeiro cuidado, como de costume, é verificar que tipos de qualidades mentais essa pessoa possui, pois devemos recordar sempre que a Mente é a que dá forma ao corpo. Por isso é que agora os melhores médicos usam pílulas de placebo e sugestões como auxiliares.

Mercúrio e a Lua, os dois Astros particularmente relacionados com a Mente, estão em Oposição. A Lua também está em Oposição ao Sol, a Júpiter e a Urano. Marte forma Quadratura com o Sol, com a Lua, com Júpiter, Mercúrio e Urano. A pessoa é, pois, extremamente excêntrica e precipitada, hesitando entre dois propósitos diferentes. Existe só um aspecto redentor, a saber: Saturno em Trígono com a Lua e em Sextil com Júpiter. Não fossem esses Aspectos, que firmam a Mente, o nativo provavelmente já teria enlouquecido. Junte-se agora às observações anteriores o fato de os quatro ângulos estarem ocupados por Signos Comuns, e você compreenderá que ela tem uma extrema dificuldade em trabalhar mentalmente. Ela é uma daquelas de infortuna fraqueza afligida que “tem um ossinho da sorte no lugar de uma coluna espinhal”. O Sol em Quadratura com Marte tende a faze-la impulsiva, e os Aspectos adversos provenientes dos Signos Cardinais lhe dão também certo excesso de energia que se manifesta como impulso. Mas lhe falta a persistência para levar adiante suas resoluções impetuosas.

A aflição de Júpiter indica circulação deficiente, e naturalmente consideramos a presença de Saturno em Aquário como um indicativo de obstrução ali, pois as doenças a que o Corpo humano dela está sujeito são encontradas no ponto mais fraco e Saturno geralmente marca esse ponto. Aquário rege os membros inferiores, de forma que a presença de Saturno nesse Signo mostra que nesses membros é que a deficiência circulatória se manifesta. Além disso, Marte progredido atingiu o ponto de Conjunção com Saturno em Aquário, ficando ambos na 12ª Casa, a Casa que indica confinamento. Podemos, portanto, considerar que a pessoa é vitimada por uma grave restrição circulatória, não nos surpreendendo saber que suas pernas estão entorpecidas e frias, não podendo ser usadas apropriadamente, e que por isso ela está presa a uma cama.

A Lua em Libra, Regente dos rins, e sua Oposição a Júpiter indicam que a circulação renal está desarranjada, e a presença de tantos Astros em Áries, governante da cabeça, é indicação segura de que aí existe um pandemônio de forças conflitantes. Assim, em virtude das aflições desses Astros, temos um caso de insônia, nervosismo extremo e irritabilidade, proporcionados por Urano. O sangue corre em profusão na parte superior do Corpo e muito reduzidamente na parte inferior.

Como a nativa está bem avançada em anos, não há muito por fazer, mas deve-se tentar lhe estimular os rins. Muitas vezes a secreção urinária se interrompe totalmente pela Oposição de Urano, Mercúrio e Júpiter à Lua em Libra. Isso sobrecarrega de venenos o sistema, de modo que, enquanto esses não forem eliminados, a pessoa é prostrada por uma sensação de peso e indolência que faz o Corpo parecer como de chumbo. Muito se deve fazer para tranquilizar e acalmar essa mulher, já que toda a raiva e irritação torna a eliminação mais difícil e provoca o acúmulo de mais venenos no sistema. Bom efeito no tratamento pode ser conseguido por alguém que tenha Escorpião no Ascendente e cujo Saturno não esteja em Aquário, Peixes ou Leão.

Nº 7F – AFECÇÃO NA BEXIGA

Mulher, nascida em 21 de outubro de 1886, às 11:00 AM

Quando observamos que a Lua e Mercúrio, Astros relacionados com a Mente, estão em Quadratura recíproca em Signos Fixos, fica logo evidente que essa mulher deve ser inabalável em suas opiniões e, consequentemente, difícil de se lidar. Uma pessoa com Leão ou Áries no Ascendente e cujo Saturno não esteja em Gêmeos, provavelmente, teria o melhor êxito em fazê-la seguir prescrições. Saturno, o Planeta da obstrução, em Câncer, Signo que rege o estômago, indica que a digestão é deficiente, e sua Quadratura com o Sol, Júpiter e Vênus posicionados no Signo de Libra, governante dos rins, indica que a eliminação de matéria residual através desses órgãos é difícil. O Sol próximo à cúspide de Escorpião, Signo que rege o reto, agrava ainda mais a dificuldade de eliminação e mostra que a pessoa está sujeita a prisão de ventre.

Deve-se notar que, quando o Planeta relacionado com os problemas da bexiga está na parte anterior do Signo de Libra, o problema geralmente se localiza nos próprios rins, mas quando esse Planeta está na parte posterior do Signo de Libra, a bexiga pode ser afetada. Então, seguindo esse critério, e uma vez que o Sol se encontra a 28º de Libra, podemos nos certificar de que o problema se encontra mais na bexiga do que nos rins. A Quadratura da Lua com Mercúrio em Escorpião indica um problema de nervos na região do reto. Em conjunto, os vários Signos e Aspectos que enumeramos mostram que essa pessoa sofre de prisão de ventre e afecção na bexiga.

Isso não é tudo. Encontramos Marte, o Planeta da cirurgia, em Conjunção com Antares.

Quando um dos Planetas adversos se posiciona nas proximidades do ponto nebuloso de Antares, nos oito graus de Sagitário, e ambos os luminares estão afligidos, certamente o resultado é problema nos olhos. Nesse horóscopo, tanto o Sol como a Lua estão afligidos, um pela Quadratura de Saturno, outro pela Quadratura de Mercúrio. Podemos concluir que essa mulher terá problemas com seus olhos, e como Marte se encontra na 12ª Casa, que governa a internação em hospitais ou instituições congêneres, é evidente que ela está enfrentando sério perigo pertinente a isso.

Deduz-se, também, claramente do horóscopo que Saturno em Câncer é a raiz de todo o problema ao dificultar a digestão, de maneira que, se pudermos convencer a paciente de que um viver reto é a chave da boa saúde, pode não ser ainda tarde demais para a restauração da harmonia do seu sistema. Provavelmente, será muito difícil convencê-la em virtude de sua atitude mental fixa, indicada pela Quadratura de Lua e Mercúrio, ambos em Signos Fixos.

Uma dieta de alimentos não refinados, constituída de pão de trigo integral e legumes ricos em fibras, faz-se necessária para estimular o movimento peristáltico dos intestinos. Aspargos e outros alimentos que atuam sobre os rins, mais alface e espinafre, ricos em ferro, ajudarão a harmonizar novamente o sistema, de maneira que com o tempo a eliminação deverá se normalizar e os olhos apresentará melhoras.

Nº 7G – DIABETES

Mulher, nascida em 28 de dezembro de 1885, às 11:55 PM

A paciente nesse caso está sofrendo de diabetes, uma doença em que o excesso de açúcar extraído dos alimentos vai além das necessidades do organismo, sendo esse excesso eliminado pela urina. Júpiter aqui se encontra no Ascendente e no Signo de Libra, governante dos rins, em Conjunção e Paralelo com Urano, e em Quadratura com Sol e Saturno, o último estando no Signo de Câncer, governante do estômago. Vemos ainda que o Sol forma uma Quadratura com a Lua em Libra, e um Paralelo e Oposição a Saturno. Assim, pois, é bastante evidente que estômago e rins constituem os elos mais fracos da cadeia orgânica, e que, portanto, podemos contar com enfermidades nesses órgãos.

Júpiter afligido no Ascendente denota alguém com muita predileção pelo comer bem, um glutão. A Conjunção com Urano nos diz que esta pessoa não se satisfaz apenas com a quantidade, mas, também aprecia a qualidade dos alimentos, que precisam ser super-refinados e exageradamente temperados. Saturno, o Planeta da obstrução, em Câncer, Signo que governa o estômago, interfere na digestão. Consequentemente, o alimento não pode ser assimilado em sua totalidade e alguma coisa dele precisa ser expelida do sistema, caso contrário pode criar uma condição de congestionamento e intoxicação. Júpiter rege o fígado, onde é processado o açúcar necessário pelo organismo, mas ele está duramente afligido pelas Quadraturas de Saturno e do Sol. Estas Quadraturas resultam em anormalidade dessa função, e como Júpiter se localiza no Signo dos rins – Libra – isso permite que o açúcar se acumule na urina, surgindo assim os sintomas diagnosticados como diabetes. Há também um problema de garganta, porque Netuno está em Touro, que é o Signo que rege a garganta, afligindo Vênus, Regente de Touro.

Examinando as causas internas desta doença, em nosso esforço para encontrar um remédio, notamos que Saturno está elevado e afligindo o Sol e Júpiter. Isto torna a pessoa vagarosa e irritadiça, inclinada a considerar o lado sombrio da vida e a ver falhas em tudo e em todos. As glândulas endócrinas são centros de importantes atividades espirituais. Netuno afligido em Touro e Urano afligido em Libra interferem nas funções das glândulas tiroide e suprarrenais.

Para que a nativa possa ser realmente curada, precisa experimentar algum tipo de choque ou ser levada para um ambiente inteiramente novo, com mais alegria ao seu redor. Um curador ou uma curadora com Gêmeos ou Aquário no Ascendente e que não tenha Saturno em Peixes provavelmente resultaria em um efeito muito benéfico.

Nº 7H – DIABETES

Mulher, nascida em 24 de fevereiro de 1863, às 9:50 PM

O horóscopo dessa mulher tem o Signo de Libra no Ascendente, Signos Cardeais nos quatro ângulos e Leão interceptado na 10ª Casa. Tudo isso é indicativo de sentimentos fortes. Os Signos Cardeais são os favoritos do universo, pois a entrada do Sol nos quatro Signos marca as quatro estações do ano. As pessoas com Signos cardeais nos ângulos sentem mais agudamente, vivem mais intensamente e, em consequência, sofrem mais que as outras.

O Signo Ascendente da nossa paciente é Libra, com Júpiter retrógrado no Ascendente. Júpiter forma um Paralelo com o Sol, mas, sendo retrógrado, seus efeitos naturalmente ficam enfraquecidos. Temos Júpiter nos últimos graus de Libra, Signo venusiano, e Vênus e Sol no Signo jupiteriano de Peixes, normalmente, sob tais condições, o corpo se avoluma excessivamente após a meia-idade. Essa mulher era enorme, pesando mais de 90 quilos, o que é indicado tanto pelas posições acima como por Júpiter no Ascendente e por Marte em Touro, em Sextil com Vênus em Peixes. Vênus estando na 5ª Casa, essa mulher encontrava enorme prazer em comer coisas boas e gostava de comê-las em grande quantidade. Isso, naturalmente, lhe aumentou o peso consideravelmente.

Netuno, o Planeta dos mistérios, representante das coisas secretas ou ocultas, está em Áries e na 6ª Casa, em Sextil com a Lua. A 6ª Casa governa o trabalho, e a 10ª Casa, a vocação. A Lua é Regente da 10ª Casa, de modo que, junto com Netuno, indica a vocação que essa mulher poderia escolher. Assim, está claramente indicado que ela era uma médium profissional.

Ela informou que era muito boa nisso, e isso comprovado pelo Sextil da Lua com Netuno, pelo Trígono de Saturno com a Lua e pelo envolvimento da 6ª, 8ª e 12ª Casas. Urano estando em Trígono com Mercúrio, é natural que ela buscasse as razões dos fenômenos espiritualistas, mesmo porque Mercúrio está no Signo intelectual de Aquário. Urano está no Signo mercurial de Gêmeos, um Signo da intelectualidade, e ele e Mercúrio estão, portanto, em recepção mútua, que resulta em grande simpatia entre os dois Planetas. “Recepção mútua” significa que esses Planetas trocam seus próprios Signos; Urano está no Signo de Mercúrio e Mercúrio está no Signo de Urano. Consequentemente, esses dois Planetas tem uma forte influência na vida da nativa. Ela dava aulas de espiritualismo e servia de intérprete a espíritos.

Vênus e Sol se encontram em Peixes na 5ª Casa, a Casa do prazer. Vênus está em Sextil com Marte e em Quadratura fraca com Urano. Isso se expressa claramente na vida da nativa, pois ela vivia com um homem que apresentava como marido, mas com quem nunca casou de fato. Esse homem é representado pelo Sol e Vênus em Peixes e por Vênus em Sextil com Marte e em fraca Quadratura com Urano. Era grandalhão, cabelos avermelhados e gostava de beber. Dependia inteiramente da mulher para se manter, e ambos viviam para comer e se divertir com o dinheiro que ela ganhava como médium. Esse tipo de vida pode durar um pouco, mas um dia a natureza se rebela e os órgãos vitais se recusam a suportar excessos por mais tempo, como nesse caso.

Quando Vênus progredido alcançou uma Conjunção com Marte em Touro e a Lua progredida em Aquário formou uma Quadratura com Marte radical e Vênus progredido, o grande esforço a que essa mulher havia submetido seu corpo, em razão de uma vida desregrada, encontrou nos rins um ponto fraco, pois o limite da fortaleza de uma corrente está no seu elo mais fraco. Normalmente Saturno mostra o ponto em que a fraqueza pode se revelar. Nesse caso Saturno acha-se em Libra, em Oposição a Netuno e em Paralelo com este. A nativa apelou para a Sede Mundial da Fraternidade quando sofria intensamente de diabetes. Contudo, foi muito difícil para ela seguir a dieta que lhe foi prescrita, uma vez que já estava habituada aos alimentos substanciosos que comia em excesso.

CAPÍTULO XIX – SEXO

Nº 8A-B – SEXO E GARGANTA

No Capítulo “A Influência de Marte” do livro O Conceito Rosacruz do Cosmos lemos que, quando o Ego entrou na posse de seus veículos, tornou necessário usar parte de sua força criadora para a formação do cérebro e da laringe. Originariamente esta última fazia parte dos órgãos sexuais. A laringe foi formada quando o Corpo Denso ainda era curvado para dentro, semelhante a um saco, forma conservada até hoje pelo embrião humano. Quando o Corpo Denso se tornou ereto, parte do órgão criador permaneceu na sua parte superior, se convertendo, mais tarde, na laringe.

Sempre é possível impressionar mais uma lição utilizando dois horóscopos. Nesse caso, começaremos com o horóscopo de número 8A, que é de um homem nascido no dia 22 de abril de 1881, às 2:00PM.

Nº 8A

O Signo Comum de Virgem está no Ascendente, assim como todos os ângulos estão ocupados por Signos Comuns. Nesse horóscopo procuraremos demonstrar a lei do círculo vicioso, pela qual os médicos tanto se interessam, e que é tão desconcertante – e de como essa lei corrobora a verdade acima, extraída do Conceito Rosacruz do Cosmos.

Temos Saturno, Sol e Júpiter em Conjunção, sendo que Saturno e Júpiter formam Paralelo com a Lua. Netuno está em Conjunção com Vênus, e ambos formam Quadratura com a Lua. Com exceção da Lua, todos esses Astros acham-se em Touro, Signo que rege a garganta.

Urano, o Planeta da impulsividade, se encontra retrógrado no Ascendente, em Virgem, e em Oposição a Marte. Esses Planetas estão em Signos Comuns e nos ângulos, portanto fortalecidos pelas Casas, mas posicionados em Signos de vontade fraca. Urano e Marte inclinam a desejar o prazer e a gratificação dos sentidos. Marte está em Sextil com Vênus e Netuno em Touro, um Signo indicador de alguém que é capaz de perambular ao longo do mesmo caminho. Touro rege o sentido do paladar. Netuno e Vênus nesse Signo, em Quadratura com a Lua em Aquário, inclinam ao hábito de beber e também a ligações irregulares com amizades do sexo feminino, haja vista que a Lua aqui é a Regente da 11ª Casa – a Casa dos amigos.

Não há Astros em Escorpião, Signo que rege os órgãos genitais, mas Urano, afligido por Marte, inclina a doenças venéreas. Sífilis foi o resultado. Vemos, portanto, que Touro, Regente da garganta e laringe, se expressa aqui pelo ponto oposto do círculo vicioso formado pelos Signos Fixos, a saber:  Escorpião, Regente dos órgãos geradores. A Lua em Aquário, o terceiro ponto do círculo, é também fator contributivo para a situação.

Para o segundo caso vamos nos servir do horóscopo natural, já que a hora de nascimento é desconhecida. Esse é o horóscopo Nº 8B, de uma mulher nascida a 12 de novembro de 1895.

Nº 8B

Nesse horóscopo, Mercúrio, Marte, Saturno, Sol e Urano se encontram todos no Signo de Escorpião, Regente dos órgãos genitais, com Saturno e Marte em Conjunção mútua e ambos em Quadratura com Júpiter. Sol e Urano também estão em Conjunção mútua, e o Sol está em Paralelo com Júpiter.

Essa mulher teve suas tonsilas removidas na puberdade. As tonsilas estão sob a regência de Touro. Devido à Conjunção de Marte com Saturno e o Sol em Conjunção com Urano, no Signo de Escorpião, infelizmente ela cedeu à prática perversa do aborto, o que prejudicou tanto o funcionamento de seus órgãos reprodutores, que uma ablação das trompas se fez necessária. Vemos aqui, novamente em atuação, o círculo vicioso dos Signos Fixos, sendo nesse caso Touro e Escorpião os afligidos.

Pode-se ver assim, pela comparação desses dois horóscopos, como os órgãos geradores e a garganta estão intimamente e reciprocamente relacionados, e como os abusos em um dos órgãos, muitas vezes, se refletem no órgão oposto, sob a forma de disfunções.

Nº 8C – SEXO

Mulher, nascida em 24 de novembro de 1909, hora desconhecida

Vamos demonstrar aqui como é possível diagnosticar corretamente uma enfermidade a partir de um horóscopo natural. É impossível, contudo, predizer o momento exato das crises ou avaliar a força de vontade do paciente, pois as pessoas com Signos Comuns no Ascendente se tornam, algumas vezes, inválidas desesperançadas se os Aspectos astrais também forem fracos, enquanto aquelas com Signos Fixos nos ângulos (especialmente se com o vitalizante Signo solar de Leão no Ascendente), mesmo que os Astros estejam fracos, muitas vezes vencem condições adversas, pela determinação e força de vontade dos Signos Fixos. Não obstante, embora Touro seja um Signo Fixo, seus nativos às vezes se deixam levar a um estado crônico de saúde precária, situação que, pela natureza fixa e impassível desse Signo, é difícil superar.

Nessa lição trataremos de modo mais amplo das glândulas endócrinas, na pesquisa das quais a ciência vem empregando muito do seu tempo, embora até aqui tenha sido incapaz de compreender inteiramente esses diminutos órgãos. Trataremos em particular da glândula Tiroide, que está sob a regência de Mercúrio, pela qual a ciência se interessa vivamente e cuja secreção extraída de cabras e macacos tem sido injetada nos seres humanos para rejuvenescê-los.

No horóscopo acima, Saturno, o Planeta de obstrução, da cristalização e Regente do nervo pneumogástrico, se encontra em Conjunção com a Lua, que rege o útero, os ovários e o sistema nervoso simpático. Vênus, Regente de Touro, da garganta, rege também a glândula Timo, órgão através do qual a criança recebe dos pais o sangue necessário à formação do corpo. Essa glândula, de modo especial, tem muito que ver com o desenvolvimento dos órgãos reprodutores. Na puberdade, a glândula Timo se atrofia e seu trabalho é, então, continuado pelo Corpo Pituitário, regido por Urano, que é a oitava superior de Vênus. No horóscopo dessa menina, os Planetas Vênus e Urano estão em Conjunção, em Quadratura com Saturno e Lua e em Oposição a Netuno, que rege a Glândula Pineal e é a oitava superior de Mercúrio. Os cientistas observaram que a Glândula Pineal tem alguma ligação com a Mente. O Dr. J. S. Lankford declarou há algum tempo, no The New York Medical Journal, que “a Glândula Pineal, localizada na base do crânio, é uma estrutura parcialmente glandular e parcialmente nervosa, reconhecida como o centro de toda sensação e emoção. Ao mesmo tempo ela domina e dirige todas as atividades do sistema inteiro de glândulas endócrinas e sistema nervoso vegetativo, governando desse modo todas as funções de vida orgânica. Funciona também como um centro de comunicação entre o cérebro e os demais órgãos”.

Portanto, quando os Astros que regem o sistema nervoso e o cérebro se encontram em Quadratura e Oposição, que se pode esperar do abuso de um ou de outro a não ser distúrbios no corpo! No caso dessa jovem menina, cujos tutores solicitaram ajuda ao nosso Departamento de Cura, há alguns anos ela vinha sendo dominada pelo vício solitário sexual, fato que os tutores ignoravam até serem informados pelo nosso diagnóstico. A circulação venosa foi prejudicada pela Conjunção de Vênus e Urano. Este último Planeta, conforme lemos no Livro “A Mensagem das Estrelas”, no Capítulo XXIX – A Lei de Correspondências, sessão: Glândulas Endócrinas – Seus papéis e Regentes: “é responsável por crescimentos estranhos e anômalos que resultam em… anomalias da natureza”. A glândula Timo teve, nesse caso, crescimento anômalo em virtude da Conjunção de Vênus e Urano, que produziu sangue em demasia para o desenvolvimento dos órgãos geradores na infância. Isso, por sua vez, criou um distúrbio nas partes do corpo governadas por essa glândula.

Os médicos dizem que a Glândula Pineal (sob Netuno) governa e dirige todas as glândulas endócrinas. Max Heindel afirma que Netuno é a oitava superior de Mercúrio, sendo esse último o que rege a glândula Tiroide. Outros astrólogos sustentam que Netuno é a oitava superior de Vênus. A ciência, porém, confirma o nosso argumento de que a Glândula Pineal tem domínio sobre a mentalidade. O Conceito Rosacruz do Cosmos informa que esta glândula foi primeiramente um órgão de sensação e orientação e que, quando começou a se retrair para o interior da cabeça, a separação dos sexos teve início e o cérebro e a laringe se desenvolveram.

O Dr. Lankford disse que a enorme quantidade de açúcar consumido pela humanidade desenvolve e estimula em excesso a Glândula Pineal. Esta verdade se tem confirmado em nossas experiências com casos nos quais Netuno estava afligido, e especialmente quando as aflições eram tantas, que o paciente precisava dominar desejos sexuais inusitados. Tais pacientes eram invariavelmente insaciáveis comedores de doces. Açúcar em excesso, como também bebidas alcoólicas, são falsos estimulantes e excitam as glândulas endócrinas, as quais, quando estimuladas excessivamente, são responsáveis pela degeneração sexual. Em razão de anos de abuso, essa jovem menina desperdiçou os fluidos vitais tão necessários a formação do seu cérebro e, consequentemente, aos onze anos de idade foi vitimada pela epilepsia, doença causada por anomalia de uma das glândulas endócrinas. Não podendo identificar a causa do mal, os médicos preferiram fazer ablação das tonsilas. Quando a função sexual é praticada anormalmente, ou quando há desejos anormais reprimidos, a garganta – especialmente as tonsilas e a laringe – muitas vezes, se avoluma e intumesce. Pena que os cirurgiões e médicos de todas as escolas não conheçam o diagnóstico através da maravilhosa ciência astrológica, a fim de combiná-lo com o de sua ciência!

Para ajudar num caso como este, primeiramente é necessário remover a causa, isto é, precisamos ajudar essa pobre menina a vencer seus desejos não naturais. A dieta deve ser mudada. Toda comida muito temperada, condimentos, ovos e especialmente açúcar precisam ser eliminados, e incluídos no regime todos os vegetais que atuem diretamente sobre o sistema nervoso, tais como aipo, cebola, salsa, alface, etc. Esse corpo precisa ser mantido limpo por meio de banhos e fricções a seco, e muito exercício físico ao ar livre e banhos de sol também são necessários. Na idade em que a menina se encontra, a formação do seu cérebro ficou difícil, uma vez que ele teve até aqui pouquíssimo desenvolvimento. Jovens que dissipam seus fluidos vitais entre os sete e os quatorze anos de idade, período em que a força criadora deve ser utilizada para o desenvolvimento do cérebro, raramente são muito inteligentes. Contudo, o corpo físico pode se desenvolver, e se o vício for dominado antes dos 21 anos de idade pode-se esperar que, por um viver atento, seu cérebro também se desenvolva, lhe proporcionando uma mentalidade regular.

Nº 8D-E – GONORREIA

Nº 8D

Mulher nascida em 30 de julho de 1896, hora desconhecida

Nessa lição serão utilizados dois horóscopos, num esforço para ilustrar como os Astros mostram quando a doença pode ser o resultado da violação das leis da natureza em vidas anteriores, e como as sementes plantadas por pecados passados pode germinar nessa vida.

O primeiro horóscopo é o de uma mulher cuja hora de nascimento é desconhecida. Nem é necessária para diagnóstico num horóscopo com Astros agrupados tão estranhamente em Signos Fixos. Vamos considerar o cálculo com Áries no Ascendente. Localizamos Mercúrio, Sol, Vênus, Júpiter e a Cauda do Dragão, todos eles no quinto Signo – Leão – que representa os prazeres da nativa. Marte acha-se em Detrimento em Touro, Signo em que esse Planeta da energia dinâmica revela suas piores tendências. Esse Planeta está afligido pelas Oposições do licencioso Urano e do obstrutivo Saturno. Esses dois últimos Planetas se encontram em Conjunção e no Signo Fixo de Escorpião. Os três Planetas adversos, Marte, Urano e Saturno formam também uma Quadratura com os Astros em Leão.

Temos aqui uma dívida de destino muito pesada. Aprendemos nos Ensinamentos Rosacruzes que nessa existência lançamos os alicerces sobre os quais levantaremos a estrutura das vidas futuras. Em sua vida anterior, essa mulher desenvolveu uma natureza de desejos muito poderosa, a tal ponto que subjugá-la na presente encarnação era coisa muito difícil. Vênus em Conjunção com Sol e Júpiter, em Quadratura com Urano e Saturno no Signo de Escorpião; também Marte, o Planeta que governa os desejos, em Quadratura com Vênus e Júpiter, tudo conduz ao amor livre e aos encontros clandestinos, que resultaram que essa pobre mulher contraísse a terrível doença chamada gonorreia, que culminou em tuberculose nos ossos da pélvis e dos quadris.

Todavia, os Astros impelem, mas não compelem. Em virtude do seu antigo modo de viver, essa mulher atraiu para si essas aflições astrológicas, mas não era obrigada a ceder às suas fraquezas, uma vez que a Lua se encontra bem aspectada, fazendo um Sextil com Netuno e um Trígono com Júpiter, Vênus, Sol e Mercúrio. Netuno também forma um Sextil com Vênus e Júpiter. Se ela tivesse aproveitado sua força de vontade para seguir o desejo de viver   retamente, anseio que naturalmente devia assaltá-la de tempos em tempos, podia ter transmutado esse mal aparente em um bem. Contudo, largo e sedutor é o caminho dos prazeres sensuais, enquanto o caminho para o alto e para cima significa auto renúncia!

Nº 8E

Homem, nascido em 13 de agosto de 1920, à 1:18 AM

Este segundo horóscopo é de uma criança nascida com a horrível doença que vitimou a mulher do caso Nº 8D. Ao nascer, o corpinho do pobre bebê estava coberto de feridas, de modo que, em princípios de novembro do mesmo ano de nascimento, ele veio a falecer sofrendo muito.

Para o ser humano que não compreende nem crê no renascimento e na Lei de Consequência, esse caso poderia até lhe abalar a fé em Deus, que pareceria cruel e injusto ao fazer tal sofrimento se abater sobre um inocente recém-nascido. Mas quando o ocultista que conhece Astrologia busca uma resposta para essa injustiça aparente, descobre Urano em Peixes – Signo da 12ª Casa, a Casa da autodestruição – próximo ao Meio-do-céu e em Oposição a Saturno, que está na 4ª Casa. Esses dois Planetas representam os pais do nativo e mostram que na vida anterior ele pecou de tal maneira, que teve de ser atraído por pais vitimados pela doença acima.

Encontramos também Marte no Signo de Escorpião, em Quadratura com Netuno, Sol e Lua, os quais estão no Signo Fixo de Leão, Signo natural da 5ª Casa, a Casa dos prazeres. Essa alma desencarnou na existência anterior de maneira muito semelhante à da mulher do primeiro horóscopo. Seus pais foram aqui tão-somente os instrumentos pelos quais ela recebeu essa lição.

Quão estranhamente se cruzam os fios da vida, entrelaçando-se com os fios da vida de outras pessoas a quem prejudicamos, as quais devem ser, então, os meios pelos quais aprendemos nossas lições.

“Os moinhos de Deus moem devagar,

mas moem extremamente fino.”

Nº 8F – DOENÇA VENÉREA

Homem, nascido em 5 de abril de 1896, às 4:00 AM

Peixes, Signo de Água e negativo, ocupa o Ascendente, e o Regente, Júpiter, acha-se em outro Signo de Água, Câncer, a 29º18’. Quando os Astros se encontram nos três últimos graus de um Signo não ajudam tanto nem são tão ativos como quando estão menos avançados. Atuam do mesmo modo que uma bola atirada com força: quando alcançam seu destino já perderam em parte a velocidade, e quanto maior o percurso menor a força que resta. Achamos, portanto, que os Astros situados nos últimos três graus de um Signo atuam parcialmente no Signo em que se encontram e também no Signo seguinte, produzindo uma vibração mista; por conseguinte, eles expressam a natureza de dois Signos. Nesse horóscopo, Júpiter está na 5ª Casa – a dos prazeres – em Trígono com Mercúrio, o Planeta do raciocínio, posicionado no impulsivo e marciano Signo de Áries. A Lua, Regente da 5ª Casa, se encontra na 11ª Casa, Regente dos amigos, no Signo de sua Queda, Capricórnio, e em Sextil com Vênus, o Planeta do amor e dos prazeres. Com esse último Planeta está no Ascendente, o nativo é capaz de derivar para o caminho dos prazeres amorosos, a trilha da sensualidade. Ele é facilmente influenciável por atenções e lisonjas do sexo oposto. Nesse caso a Lua, um Astro feminino, na Casa dos amigos, mostra que as amizades femininas desse jovem podem exercer a maior influência em sua vida. Vênus, outro Planeta feminino, no Ascendente e afligido por uma Quadratura com Netuno – co-Regente do Ascendente e oitava superior de Mercúrio – posicionado no Signo mercurial de Gêmeos e na 4ª Casa, indica que suas amizades femininas poderiam levá-lo ao caminho da sensualidade e destruir seu amor pelo lar, pois Vênus forma também um Trígono com o inquieto e romântico Urano e com o materialista Saturno. Esses últimos dois Planetas estão Retrógrados e no Signo marciano de Escorpião, Regente do sexo. Marte, o Planeta da paixão, acha-se no Signo Fixo de Aquário, na 12ª Casa, da autodestruição, e em Quadratura com Urano e Saturno. Saturno e Marte estão em recepção mútua, fortalecendo o bem ou o mal desses Planetas.

E o que vemos? Acontece que a fraqueza por mulheres e os amores desse pobre rapaz lhe atraíram companhias dissolutas e libertinas, resultando na contração de uma doença venérea que lhe envenenou o sangue. E com Vênus, o Planeta que rege a circulação venosa, no Ascendente e afligido pelo de Água Planeta Netuno no Signo dos pulmões, Gêmeos, uma doença consultiva como a tuberculose pulmonar foi a consequência.

Em fevereiro de 1919, a Lua progredida fez Conjunção com Saturno radical, que fez se manifestar a enfermidade dos pulmões.

Cinco meses depois, em julho, quando ele pediu auxílio de cura à Sede Mundial, já estava tomado por uma tuberculose galopante em estágio avançado. No mês seguinte, agosto, quando a Lua formou Quadratura com o inflamatório Marte, ocorreu uma hemorragia.

Aqui se pode ver as influências dos Astros, suas causas e efeitos. Os parentes desse jovem não compreendiam o motivo que teria ele levado a contrair essa doença dos pulmões, que progrediu tão depressa e foi tão destrutiva. Com aflições provenientes de Signos de Águas, o solo estava bem preparado para as sementes que foram lançadas por meio da dissipação e insensatez.

Um caso como esse é muito difícil de curar, pois com o negativo Signo de Peixes no Ascendente, e Saturno e Urano – Planetas relacionados com a impulsividade e a obstinação – em Conjunção no Signo de Escorpião e em Quadratura com Marte, todos em Signos Fixos, é muito difícil guiar tais pessoas para caminhos seguros. E ainda vemos ambos os luminares afligidos: a Lua no Signo saturnino de Capricórnio, indicador de determinação e obstinação, em Quadratura com o Sol no impulsivo Signo de Marte. Daí esse jovem não poder dar ouvidos à razão. Ele faria o que bem entendesse, a despeito dos cuidados e conselhos. Uma vida com ar puro, dieta selecionada e um ambiente de pureza seriam as únicas coisas que poderiam curá-lo; se ele escutasse a razão e adotasse esse regime de vida, então poderia se recuperar.

Nº 8G – DOENÇA VENÉREA

Homem, nascido em 6 de outubro de 1895

Leão está no Ascendente e Júpiter situa-se na cúspide da lª Casa, formando uma Quadratura com Saturno e Mercúrio no Signo de Escorpião. A Lua em Touro, seu Signo de Exaltação, acha-se na 10ª Casa e em Oposição a Urano, que também se posiciona em seu Signo de Exaltação, Escorpião, Regente dos órgãos geradores. Tão fortemente situada, a Lua exerce a máxima influência sobre a vida e saúde do rapaz. Sua Oposição ao libidinoso Urano ele tende a ser muito libertino, não convencional nos amores, atraído como é por mulheres de classe inferior. Com Júpiter afligido regendo o sangue arterial e com Netuno em Gêmeos na 11ª Casa – a Casa dos amigos – formando Quadratura com Vênus, que rege o sangue venoso, este rapaz pode ser levado a se relacionar com amigas indesejáveis. E, de fato, elas são responsáveis pela sífilis que lhe vitimou e lhe envenenou o sangue.

Em 1914, o Sol progredido se encontrava no primeiro grau de Escorpião, enquanto a Lua também progredida se achava em Aquário, formando uma Oposição com o Ascendente e com Júpiter radical em Leão. A Lua formava também uma Quadratura com Saturno, Mercúrio e Urano radicais em Escorpião. Nesse mesmo ano, duas Luas Novas afligiram estes três últimos Planetas. A Lua Nova de 26 de janeiro ocorreu a 5º de Aquário, em Oposição com Júpiter e em Quadratura com Saturno e Mercúrio. A 25 de abril, a segunda Lua Nova ocorreu a 4º de Touro, formando Quadratura com Júpiter e Oposição com Saturno e Mercúrio. Nessa ocasião é que a doença venérea foi contraída.

Em 1918, por progressão, o Sol formou Quadratura com Júpiter radical em Leão, e em 1919 uma Conjunção com Saturno em Escorpião.

Nesse ano, contudo, a Lua progredida formou um Trígono com o Ascendente, e a 29 de maio do mesmo ano, 1919, ocorreu um eclipse solar a 7ª de Gêmeos, em Sextil com o Ascendente.

Não há dúvida de que essas vibrações salvaram a vida do rapaz durante o tempo em que o Sol progredido formava Aspectos adversos.

Em 1921, o Sol progredido entrou em Conjunção com Mercúrio radical. No dia 22 de abril, o eclipse da Lua cheia ocorreu a 2ª de Escorpião, em Oposição ao Sol e Vênus em Trânsitos. Na mesma ocasião, Marte em trânsito estava na órbita de Conjunção com a Lua radical e em Oposição a Urano. Entre março e junho daquele ano, o moço foi submetido a uma operação para extirpar um abscesso sob o diafragma, o qual ficou purgando por muito tempo e exigiu, por isso mesmo, um tubo de drenagem. Os médicos diziam que o pus era proveniente dos pulmões, embora o paciente discordasse disso por nunca ter tido problemas com esses órgãos. Não obstante, o horóscopo mostra que o diagnóstico dos médicos estava correto, pois Netuno em Gêmeos – Regente dos pulmões – afligido por uma Quadratura de Vênus no Signo Comum e de Terra de Virgem, obstruía o fluxo de sangue venoso para os pulmões, o que causava oxigenação deficiente. Com a corrente sanguínea poluída pela terrível doença da sífilis, e com o sangue arterial (regido por Júpiter) e o sangue venoso (regido por Vênus) obstruídos, o órgão mais fraco – os pulmões – naturalmente tinha de receber o veneno produzido no sangue.

Após se recuperar um pouco da operação, o paciente voltou para casa. No dia 25 de abril foi levado de volta ao hospital (ou seja, três dias depois do eclipse total da Lua em Escorpião) com um caso de caxumba, segundo pensou-se primeiramente. Garganta, mandíbula e laringe, tudo estava muito inchado e inflamado. Alguns médicos diagnosticaram, mais tarde, essa condição como actinomicose, doença infecciosa crônica incidente no gado e, às vezes, transmissível ao ser humano. Mas havia divergência de opiniões entre eles. Alguns sustentavam tratar-se de câncer.

Como a Lua é o Astro mais gravemente afligido no mapa natal, em 1922, quando ela alcançava, por progressão, a Oposição a Saturno e Mercúrio radicais e formava Quadratura com Júpiter na 10ª Casa no Signo de Touro, de modo natural a doença alcançou o estágio em que o corpo ficou impossibilitado de se livrar dos venenos que acumulara durante oito anos. Em 1922, houve duas Luas Novas que contribuíram para o desfecho da crise. A 27 de janeiro, uma delas ocorreu a 7º18’ de Aquário, em Oposição a Júpiter radical e formando Quadratura com Saturno e Mercúrio radicais. A 27 de abril, a outra Lua Nova ocorreu a 6º 9’ de Touro, estabelecendo Quadratura com Júpiter e Oposição a Saturno e Mercúrio. Todas essas aflições derivaram de Touro e Escorpião e se refletiram neles. As tonsilas, a laringe e a garganta, por conseguinte, receberam a maior parte do pus gerado no corpo. O resultado foi a morte.

Houvesse esse jovem, depois de contrair a doença, levado uma vida de abstinência de alimentos muito condimentados, de fumo, de carnes, de bebidas alcoólicas etc., poderia ter-se curado e vivido talvez por mais tempo. Mas aos venenos que se acumularam, principalmente nos pulmões, foram acrescentadas mais impurezas devido à ignorância sobre dietas.

Nº 8H – PROBLEMA UTERINO

Mulher, nascida em 29 de julho de 1881, às 6:00 PM

Capricórnio, Signo saturnino da quadruplicidade Cardeal, está no Ascendente, e seu Regente, Saturno, se encontra na 4ª Casa – a Casa do lar – no Signo determinado, obstinado e persistente de Touro, formando uma Quadratura com o vitalizante Sol no Signo Fixo de Leão, Regente do coração. Isso tende a obstruir as forças vitais. A vitalidade é reduzida, a atividade do coração é lenta, especialmente porque Júpiter, Regente da circulação arterial, se encontra afligido pela Conjunção com o ígneo Marte. Essa é uma condição latente que pode trazer à nativa muitos grandes problemas depois do período da menopausa. O trabalho de seu coração pode, então, ser mais aflitivo do que antes.

Quando ela se voltou para a Sede Mundial da Fraternidade em busca de cura, no começo de 1914, a Lua progredida formava uma Oposição aos Astros afligidos em Touro, na 4ª Casa. O médico que a vinha tratando de catarro no estômago e nervosismo fracassou na tentativa de ajudá-la. Por ser muito cética, ela não acreditava em cura espiritual, mas amigos que haviam sido curados pelos Auxiliares Invisíveis persuadiram-na a escrever para a Sede Mundial a fim de obter um diagnóstico. Assim, ela não pediu cura, mas somente queria saber qual era o problema com a sua parte física, informando que os médicos não podiam descobrir a causa da precariedade geral da sua saúde.

Em nosso diagnóstico, lhe dissemos que ela não havia se desenvolvido normalmente. Com o obstrutor Saturno em Conjunção com Netuno no Signo da garganta, a indicação era de problemas na puberdade, tais como menstruações restringidas, adenopatias e inflamações das tonsilas. Isso tinha uma ação reflexa sobre o Signo oposto, Escorpião, Regente dos órgãos genitais, resultando em que esses órgãos jamais puderam alcançar um desenvolvimento pleno. Netuno ocasiona essa tendência quando afligido, especialmente nos Signos de Touro e Escorpião, e quando em Conjunção ou Oposição a Saturno. Nesses casos, os órgãos genitais ficam subdesenvolvidos, de modo que os partos se tornam difíceis e dolorosos. Essa mulher teve quatro filhos e em cada parto sua vida esteve por um fio. O resultado foi problemas uterinos.

Há, também, uma tendência de catarro no intestino delgado, porque temos a Lua, Regente do Signo de Câncer – que é Regente do estômago – posicionada no Signo de Virgem – Regente do intestino delgado – em Conjunção com o espasmódico Urano, mostrando quanto o intestino funcionava espasmodicamente e que, portanto, o alimento não era bem assimilado apropriadamente. Este Aspecto também interferiu na digestão dos alimentos no estômago, já que a Lua é a Regente daquele órgão; isso se agravou pela Quadratura entre Lua e Vênus.

Urano em Conjunção com o Regente da 7ª Casa, a Lua, significa desarmonia no Casamento. O marido indicado por este Aspeto é de natureza nervosa, irritável e gosta de beber (Vênus em Quadratura com a Lua). Uma separação está indicada. Essa mulher admitiu que havia tido problemas com o marido, que ele a havia abandonado subitamente e que se viu obrigada a sustentar seus quatro filhos. Alguém com Saturno, Netuno, Júpiter e Marte em Touro, se afligindo uns aos outros, tende a criticar e ser severa no lar, mas ao mesmo tempo tende a ser muito frugal e laboriosa, não poupando a si mesma, mas trabalhando sempre além de sua capacidade física.

Devido às condições observadas, essa mulher havia se convertido num frangalho, nervos em ruína, com sério problema uterino e catarro estomacal e intestinal. Era incapaz de trabalhar um dia inteiro. Em dois meses, contudo, mediante a ajuda dos Auxiliares Invisíveis, ela se capacitou para assumir um emprego e se tornou uma mulher saudável e feliz. Nós lhe recomendamos uma dieta racional, cuidadosa e que eliminasse a ingestão de líquidos às refeições, pois alguém com as condições astrais aqui examinadas gosta de beber muito durante as refeições. Isso, às vezes, é perigoso para aqueles cuja assimilação é fraca e quando há falta de fluidos digestivos no estômago e nos intestinos.

Nº 8I – PARTO

Mulher, nascida em 3 de junho de 1884, às 9:00 PM

É evidente, olhando a figura acima, que a nativa possui um temperamento nervoso e inquieto, haja vista que Mercúrio, Planeta que governa a Mente e os nervos, está em Conjunção com sua oitava superior, Netuno. Isso a faz muito tensa. Saturno, o Planeta da obstrução, forma uma Conjunção com o Sol vitalizante no Signo mercurial de Gêmeos. Isso diminui as correntes de vida solar que alimentam os nervos, de modo que, em vez de assimilar uma abundância dessa vitalidade, tal como a exigida para alimentar os nervos de uma pessoa tensa, ela só consegue uma quantidade abaixo do normal e, portanto, ela fica “no limite” e vive “para baixo”. Junte-se a isso o fato de Marte, o Planeta da paixão, estar em Quadratura com Mercúrio, o Planeta da Mente, o que torna muito impaciente, e que a Lua, Regente da Mente imaginativa, está em Quadratura com Vênus, o Planeta do amor, e então se compreenderá que essa pessoa é muito infeliz e vive sempre inconformada com sua condição e seu meio ambiente.

Seu problema é devido aos efeitos pós-parto. O mapa astrológico fornece uma boa descrição do caso. Mercúrio está em Conjunção com Netuno na 5ª Casa, governante dos filhos, indicativo de uma condição anormal. O luminar dos partos, a Lua, se encontra em recepção mútua e Quadratura com Vênus. Marte na 8ª Casa, que indica o tipo de morte, está em Quadratura com Mercúrio na 5ª Casa, Regente dos filhos, mostrando o emprego de instrumentos, perda de sangue e um grande choque no sistema nervoso por ocasião do parto. Com efeito, ela deve ter estado à porta da morte naquele momento. Mas Saturno em Conjunção com o Sol, ao mesmo tempo que solapa as forças vitais, também faz se agarrar à vida com tenacidade. Infelizmente, para essas pessoas, elas não morrem depressa; elas prolongam sua agonia, fardo quase insuportável tanto para elas como para os que forçosamente têm de viver ao seu lado. Ninguém mais deve ser tão lamentado. Porém, os longos anos de invalidez, indicados pela Conjunção de Saturno com o Sol na 6ª Casa, devem ser-lhe necessários para que esta alma seja aquinhoada com alguma qualidade que lhe falta e que tem se recusado a cultivar por outros meios mais simples, caso contrário nosso Pai do Céu jamais teria adotado medida tão drástica para lhe ensinar a lição.

Do ponto de vista do curador ou da curadora, um caso de Saturno em Conjunção como Sol na 6ª Casa é quase – se não totalmente – sem esperança, em especial se há um Signo Fixo na cúspide, porque esses pacientes podem ser hostis, descrentes e rebeldes a tal ponto que neutralizarão todos os esforços para ajudar a natureza a lhes restaurar a harmonia. O principal a fazer com essa paciente deve ser levá-1a a entender corretamente a causa espiritual de seu estado. Se ela puder ser convencida a orar pedindo luz para ver a lição e uma oportunidade para corrigir seu erro, seja este da vida passada ou da vida presente, sua mudança de atitude mental poderá gerar uma mudança tal que a cura poderá se verificar, ou a morte apressará sua libertação.

Durante esse tempo ela precisará ser alimentada de maneira a suprir de Éter seu sistema nervoso. Leite de vaca, ainda morno e fresco, assim como hortaliças cruas, contêm abundância desse elemento. Pela Lei de Compatibilidade, o melhor curador ou a melhor curadora seria alguém com Áries ou Leão no Ascendente e cujo Saturno não esteja em Gêmeos.

Nº 8J – ABORTO

Mulher, nascida em 7 de fevereiro de 1866, às 3:30 AM

Sagitário está no Ascendente nesse horóscopo. No livro “A Mensagem das Estrelas” lemos que esse Signo produz duas classes diferentes: o tipo superior e sublime, que aponta sua seta para as estrelas, e o tipo que responde e cede aos instintos e desejos animais. O segundo tipo não pensa no futuro. Como uma criança, se diverte ao máximo, vivendo apenas o dia-a-dia, jamais se prevenindo para dias piores. Dê-se a tal pessoa um milhão de dólares e, em que pese isso, ainda assim ela ficará pobre. Seus maiores inimigos são seus próprios gostos.

No horóscopo sob consideração, temos o Regente Júpiter no Signo de sua Queda, Capricórnio, na 1ª Casa. Júpiter está, também, em Conjunção com o ígneo Marte, em seu Signo de Exaltação Capricórnio. Isso dá a Marte um grande poder para o mal, mais do que para o bem. Os Astros atuam por reflexo, muitas vezes afetando o Signo oposto àquele em que se encontram, como no presente caso, em que Câncer sofre os efeitos da Conjunção entre Marte e Júpiter. Esses Planetas denotam volume, de maneira que quando afetam o Signo de Câncer, a pessoa é capaz de fazer de seu estômago um deus. Sua alimentação precisa ser a melhor, a mais saborosa e condimentada.

O Regente de Câncer, a Lua, está afligida no Signo Fixo de Escorpião (Regente dos órgãos genitais) por uma Conjunção com Saturno, uma Quadratura com Vênus e com o Sol. A Lua é o Astro da fertilização e fecundação, de modo que quando se encontra em Escorpião, no horóscopo de uma mulher, indica que ela está apta para ter muitos filhos. No entanto, quando o Planeta da obstrução, Saturno, se encontra também nesse Signo e afligido, os órgãos da reprodução são, às vezes, reduzidos, conforme é o caso dessa mulher. Por ocasião do nascimento de seu primeiro e único filho, ela esteve três dias em trabalho de parto, sofrendo horrivelmente. Isso a fez temer partos e recorrer ao aborto, prática das mais arriscadas e viciosas. Devido a Lua estar em Escorpião, a nativa engravidava frequentemente e o seu pavor a partos a levava a se servir de certos recursos para destruir os fetos. Tornou-se assim uma assassina aos olhos de Deus. O abuso continuado se converteu, depois, no mais perigoso caso de intoxicação sanguínea, que lhe roubou a saúde e a fez uma inválida crônica.

Em virtude da alimentação copiosa que ela, indulgentemente, manteve por muitos anos, seu sistema se saturou de venenos, e devido a Vênus, Regente do sangue venoso, e Júpiter, Regente do sangue arterial, estarem afligidos, todas as impurezas foram atraídas às partes do Corpo onde esses Planetas se encontravam, isto é, Capricórnio e Aquário. Lentidão orgânica do Corpo sempre se observam nas partes correspondentes aos Signos em que Vênus e Júpiter estão afligidos. Geralmente as cinzas se depositam ali. Essa mulher ficou incapacitada para andar durante cinco anos antes de morrer, o que ocorreu em fevereiro de 1920. Não fomos capazes de determinar o dia exato de sua morte. Em fevereiro, a Lua progredida formava Quadratura com Vênus radical. Mas os Aspectos progredidos, por si só, não lhe levariam à morte.

Nós devemos buscar os Astros excitantes, Astros em Trânsito. A Lua Cheia de 4 de fevereiro ocorreu a 14º16’ de Leão, em Oposição a Vênus e Sol radicais, e em Quadratura com Saturno e Lua, também radicais. Esses Aspectos, assim pensamos, foram responsáveis pelo falecimento da nativa.

Quão maravilhosamente preciso é o diagnóstico pelos Astros! Toda vez que essa mulher adoecia gravemente, o que estava sempre acontecendo, seus parentes informavam se tratar de peritonite. No entanto, não encontramos nenhuma aflição no intestino delgado, mas nos órgãos geradores que tinham afecções graves.

CAPÍTULO XX – COLUNA VERTEBRAL

Nº 9A – PROBLEMA NA COLUNA VERTEBRAL

Mulher, nascida em 21 de junho de 1899, às 5:30 AM

Esse horóscopo é o caso de uma jovem filha de pais ricos, conforme indica o Sol, que é o Regente da 2ª Casa em Trígono com Júpiter. Primeiramente, nós consideraremos a sua capacidade mental, já que essa é a primeira coisa a se considerar quando se vai lidar com alguém. O Sol está na 12ª Casa, mostrando que, em certo sentido, o espírito se encontra aprisionado. O Sol está em Conjunção com a Cauda do Dragão, que exerce influência saturnina e tende a adicionar obstruções. Essas condições roubam a alegria da vida e enchem a alma de melancolia e medo, maus pressentimentos e pensamentos de que acontecerá algum mal iminente. Marte em Quadratura com a Lua, Regente da vida – desse horóscopo – indica revolta contra essa condição. A Quadratura de Marte com Vênus, contudo, reforça as tendências que roubam o prazer da vida. O Trígono do Sol com Júpiter e os Sextis de Marte com Sol, Mercúrio e Júpiter constituem influências atenuantes que emprestam alguma luz e vida à existência desta pobre alma. Os confortos proporcionados pelo dinheiro dos pais, como indicado por esses Aspectos, ajudam a tornar sua vida mais tolerável.

Com relação à saúde revelada nesse Mapa, em primeiro lugar se pode notar Câncer, um Signo fraco, no Ascendente. Quatro Astros se posicionam na 12ª Casa, o que nesse caso denotam confinamento a uma cama para doentes. Saturno, na 6ª Casa, que diz respeito à saúde, é um indício suficiente de que essa será uma vida de sofrimento. Saturno, o principal indicador desse quadro, mostra que as doenças serão profundas e crônicas. A Lua, que é o especial indicador de saúde no horóscopo de uma mulher, está a menos de 6º da cúspide da 6ª Casa, acrescentando assim seu testemunho na mesma direção. Marte em Quadratura com a Lua próxima à 6ª Casa torna a nativa sujeita a cirurgias. O Sol em Conjunção com a saturnina Cauda do Dragão na 12ª Casa faz dessas cirurgias algo extremamente perigoso, pois deixa a nativa sem vitalidade suficiente para suportar essas cirurgias e se recuperar. Além do mais, em 1914, o Sol progredido havia alcançado a órbita de influência de um Paralelo com Saturno radical. Portanto, nessa época, ela teve menos vitalidade que nos anos anteriores. Quando, em outubro de 1913, a Lua entrava em Oposição a Saturno na 6ª Casa, já se podia admitir que naquela época a situação se tornara crítica.

Marte governa os músculos e o segmento motor da medula espinhal. Ele forma Quadratura com a Lua, que governa os nervos simpáticos, e outra Quadratura com Urano, que causa movimentos espasmódicos. Fica evidente, pois, que os nervos foram afetados e que a jovem não tem firmeza no controle de seus membros. Netuno governa o canal vertebral e aqui ele forma uma Oposição com Saturno, o Planeta da obstrução. Essa configuração ocorre no Signo de Gêmeos e Sagitário, da 6ª Casa à 12ª Casa. É claro, portanto, que há um problema de obstrução no canal espinhal, denotada por Saturno.

A obstrução será localizada na região indicada pela Conjunção entre Netuno, o Sol e a Cauda do Dragão a 24º29′ de Gêmeos, ou seja, na região dorsal. Os médicos não foram capazes de diagnosticar esse caso, o qual, triste é dizê-lo, não pode ser curado por nenhum recurso físico. Existe apenas um método, a saber: a dilatação do canal vertebral por meio de repetidas massagens INTERNAS feitas por dedos materializados dos Auxiliares Invisíveis. Como a jovem não nos solicitou ajuda de cura, lamentamos dizer que não podemos cuidar do seu caso; mas, se cuidássemos, aconselharíamos um curador ou uma curadora com Escorpião no Ascendente e com Saturno nem em Câncer e nem em Sagitário, o qual atuaria sob a direção dos Irmãos Maiores, quem então fariam o trabalho.

Nº 9B – PROBLEMA NA COLUNA VERTEBRAL

Homem, nascido em lº de fevereiro de 1918, às 12:30 AM

Temos aqui o horóscopo de um menino com Signos Fixos em todos os quatro ângulos e com o Signo marciano de Escorpião no Ascendente. A primeira coisa em que pensamos, quando examinamos um horóscopo para a diagnose de doença é verificar se o paciente possui suficiente força de vontade para dar a necessária cooperação ao curador ou a curadora, pois se ele tem persistência para lutar pela sua vida, se ele quer seguir as prescrições que lhe forem ministradas, então essa colaboração se torna a tarefa menos difícil. O trabalho, porém, é duplamente árduo quando se trata de um paciente com Saturno elevado na 10ª Casa e em Conjunção com o Meio-do-céu, em Quadratura com o Ascendente e com o Signo teimoso de Escorpião nesse Ascendente. Uma cura realizada contra a teimosia da vontade de tal paciente pode ser, verdadeiramente, classificada de milagrosa.

Como de regra, ao diagnosticar pelo horóscopo levamos em consideração o Astro adverso mais forte. Aqui, encontramos o obstrutor e restritivo Saturno em Conjunção com o Meio-do-céu, também em Conjunção e Paralelo com Netuno e em Oposição ao Sol vitalizante. Saturno está no Signo do Sol – Leão – e o Sol está no Signo de Saturno, Aquário. Quando os Astros se acham em recepção mútua, isto é, em Signos trocados, conforme estão Saturno e o Sol nesse horóscopo, e especialmente quando se encontram em ângulos e em Signos Fixos, podemos contar com a mais teimosa e enraizada causa da enfermidade.

No Livro “A Mensagem das Estrelas” nós dissemos que Leão rege a medula espinhal e que Netuno rege o canal vertebral. Nesse horóscopo nós vemos os 10º de Leão ocupando a cúspide da 10ª Casa e o vitalizante Sol em Oposição a Netuno, a Saturno e ao Meio-do-céu. Pode-se ter aflição mais acentuada que essa, especialmente por Leão reger a medula espinhal e Netuno o canal vertebral, o último dos quais contém o Fogo espiritual espinhal, a vida do Pai?

Quando esse Fogo espiritual se encontra obstruído por Saturno e Sol, pode-se concluir que tal aflição resulta de graves erros cometidos em vidas anteriores. O desperdício de fluidos vitais, o abuso da faculdade geradora, é pecado contra o Espírito Santo que acarreta ao Ego a punição mais severa, como é o caso desse menino, que foi atraído por pais adequados, como instrumentos, a lhe proporcionar um corpo em que o espírito pudesse sofrer pelos pecados passados. E que lamentável futuro o aguarda! Ele nunca pôde andar nem falar. Precisam lhe pôr comida na boca, e seu corpo, decididamente, não serve para nada.

Pode-se perguntar: há alguma esperança para esse menino? Sim, em certa medida. No entanto, o Planeta da razão, Mercúrio, não tem nenhum Aspecto, por cujo motivo não podemos esperar ajuda desse quadrante do horóscopo. Entretanto, Marte, aqui governante do Ascendente e da 6ª Casa, ambos Regentes da saúde, é o Planeta mais forte e mais bem aspectado do horóscopo. Posiciona-se na 11ª Casa em Libra, em Conjunção com a Lua e em Trígono com Júpiter; e se pode dizer também que ele está em Sextil com Saturno, mesmo parecendo fora da órbita de influência, pois Saturno está retrógrado e, portanto, projetando sua influência na direção de Marte. Pode-se esperar, ainda, que Marte receba alguma ajuda do vitalizante Sol, já que a órbita desse é maior que a dos outros Astros.

Quando um paciente tem Signos Fixos nos quatro ângulos e Marte bem aspectado, ele é capaz de se esforçar mais para vencer do que uma pessoa sem essas influências. Esse menino deve ficar aos cuidados e no lar de alguém que tenha Escorpião ou Áries no Ascendente e afastado de seus pais, porque o lar, sob a regência do pai, não é lugar para ele. Com essa mudança e cuidados especiais, é possível que consiga, ao menos parcialmente, controlar seu Corpo e se capacite a andar e se alimentar sozinho, mas nunca será bastante vivo mentalmente e, até certo ponto, será sempre um pesado fardo para seus pais.

Nº 9C – TUBERCULOSE NA COLUNA VERTEBRAL

Mulher, nascida em 17 de março de 1889, às 7:04 AM

O Signo marciano de Fogo de Áries está no Ascendente, com Marte, Regente do horóscopo, em seu próprio Signo e na 1ª Casa, proporcionando grande energia e impulsividade. Marte, também, está em Oposição ao excêntrico Urano, o que torna essa jovem incapaz de usar a moderação no que quer que seja. É semelhante a um foguete disparado com grande força no ar: tão logo seu combustível se esgota, cai de volta ao chão, inerte e sem brilho. Com o vitalizante Sol, Regente da 6ª Casa, a das doenças, no Signo de Água e negativo de Peixes, posicionado na 12ª Casa e em Oposição a aquosa Lua, que por sua vez, se encontra na Casa das doenças e no Signo de Terra e Comum de Virgem, essa paciente não dispõe de vitalidade suficiente para resistir ao ímpeto da dupla influência ígnea no Ascendente, pelo que suas forças se esgotam cedo.

Mercúrio está no Signo mental e Fixo de Aquário, em Sextil com Marte. Isso torna a nativa muito ágil e ativa mentalmente, mas se aplica com tanto ardor àquilo que lhe interessa, que seu sistema nervoso sofre. Isso se intensifica pela Quadratura de Mercúrio à sua oitava superior, Netuno, em Touro.

O Sol afligido e interceptado na 12ª Casa, em Peixes, indicaria uma vida muito infeliz e cheia de restrições na infância. E como a Lua, Regente da 4ª Casa, a Casa do lar e da mãe, se encontra afligida, mostraria que muitas daquelas restrições procederiam dessa direção.

Aprendemos dos Ensinamentos Rosacruzes que nessa vida construímos o arquétipo do Corpo que vamos habitar na vida futura e que somos atraídos para pais que são capacitados moral, mental e fisicamente a nos fornecer esse Corpo. No caso presente, essa jovem foi atraída a uma mãe egoísta e neurastênica, pois a Lua afligida em Virgem e na 6ª Casa representa a mãe. A Lua aflige também o intestino delgado, produzindo assimilação fraca do alimento e, consequentemente, de vitalidade reduzida. Saturno, Regente da 10ª Casa e representante do pai, forma Quadratura com Vênus em seu próprio Signo, Touro, Regente da garganta e do paladar, o que demonstra ser o pai amigo das bebidas; de fato, ele era um ébrio. Isso confirmaria as indicações do Sol afligido no Ascendente, isto é, uma vida difícil, com muitas privações na infância.

Vejamos, agora, como as aflições entre Saturno e Vênus puderam lhe afetar a saúde. Sendo Leão Regente do coração e da medula espinhal, quando o restritivo Saturno se posiciona nesse Signo em Quadratura com Vênus, Regente do sangue venoso, causa uma limitação na circulação. No livro: A Mensagem das Estrelas vemos que Saturno em Leão provoca uma tendência para doenças e curvatura na espinha. O corpo físico é a contraparte cristalizada dos veículos mais sutis. O Corpo Vital mantém juntos os átomos físicos. Esse Corpo, que é regido pelo Sol, envolve e interpenetra o físico. Se o Sol está afligido num horóscopo, o fluido vital é obstruído e o Corpo Vital adoece, já que essa força invisível entra no corpo através do baço, também regido pelo Sol. Por conseguinte, vê-se logo que os fluidos vitais foram obstruídos desde a infância.

A situação dessa moça foi diagnosticada pelos médicos como tuberculose da espinha, ou doença de Pott[36]. Em dezembro de 1918 e em janeiro de 1919, ela sofreu sérios ataques de inflamação da espinha, sendo então submetida a várias cirurgias de coluna vertebral.

É muito difícil curar essa paciente, em virtude de sua grande impulsividade e gasto da vitalidade. Com Sol e Lua afligidos nas 6ª e 12ª Casas, ela dissipará sua resistência e poderá se rebelar contra qualquer restrição.

Ela tem Vênus na lª Casa, em Touro, e em Trígono com Júpiter na cúspide do Meio-do-céu. Isso, mais Netuno em Touro formando Sextil com o Sol, deve lhe proporcionar excelente habilidade musical e a faculdade de escrever e improvisar música. Com o corpo físico aleijado, o consequente sofrimento deverá lhe suavizar a natureza e revelar seu lado espiritual. Netuno forma Trígono com a Lua, em virtude do que essa jovem poderia desenvolver seu talento para a música inspirada e espiritual, que lhe resultaria em crescimento anímico notável. Só nessa vida de sofrimento, essa alma alcançará maior progresso espiritual do que conseguiria em três vidas comuns com saúde perfeita.

Nº 9D-E – INCAPACIDADE PARA ANDAR

Nº 9D

Homem, nascido em 18 de janeiro de 1919, ao meio-dia

Nessa lição tentaremos mostrar como um médico, que só pode observar os indícios físicos superficiais, e cujos diagnósticos dependem unicamente da análise dos sintomas, pode se enganar em sua diagnose, e como a ciência da astrodiagnose prova que a debilidade orgânica é indicada já no nascimento. “Uma corrente é tão forte como o mais fraco dos seus elos”, diz o provérbio, e o mesmo se dá com o corpo físico. Podemos viver calmamente muitos anos, aparentemente em boa saúde, e de repente surgir algo errado, como se um elo começasse a se partir; a tensão a que submetemos nosso corpo físico pode causar o colapso da parte mais fraca.

Esse horóscopo é o de um menino com o Signo Fixo de Touro no Ascendente e com o Sol em Capricórnio, na cúspide do Meio-do-céu. Uma vez que o vitalizante Sol forma apenas um Semisextil com Marte e Urano, além da Conjunção com o Meio-do-céu, o garoto não pode esperar muita ajuda desse luminar. Urano se encontra em seu próprio Signo, Aquário, elevado na 11ª Casa, em Conjunção e Paralelo com o dinâmico Marte e em Oposição e Paralelo com o obstrutivo Saturno, que se posiciona no Signo Fixo de Leão, na 5ª Casa. A Lua também se acha nesse mesmo Signo, em Conjunção com Saturno e Oposição a Marte e Urano.

No Livro “A Mensagem das Estrelas” nós dissemos que Saturno afligido em Leão explica a tendência para doenças da coluna vertebral e esclerose da medula espinhal. A Lua rege o fluido sinovial e está afligida por Saturno, que rege os ligamentos e as estruturas ósseas e, se encontrando ambos – Lua e Saturno – no Signo de Leão, que rege a coluna vertebral, pode-se esperar que a sede do problema esteja nesta última região. Saturno resseca e causa atrofia. Por conseguinte, pode-se diagnosticar esse caso como carência de fluido sinovial para lubrificar as vértebras da espinha, e também perda de resistência dos tendões que ligam os ossos da coluna vertebral.

O resultado é que essa criança, embora bem constituída e desfrutando aparentemente de saúde regular, é incapaz de sustentar seu próprio peso sobre as pernas. Elas ficam contraídas toda vez que a enfermeira tenta ensiná-lo a pôr-se de pé. Partindo de Signos Fixos, essa aflição dificilmente pode ser vencida, a menos que se realize um milagre de cura espiritual, embora, pacientes massagens com azeite de oliveira sobre a região da coluna vertebral e um cuidadoso regime vegetariano podem ajudar essa criança consideravelmente.

Nº 9E

Homem, nascido em 13 de dezembro de 1868

Esse horóscopo leva a um diagnóstico muito diferente. Não dispondo da hora de nascimento, vamos usar uma carta natural.

Nesse caso, a Lua também se encontra em Conjunção com o obstrutivo Saturno, mas no Signo de Sagitário, Regente dos quadris. Saturno está em Conjunção e Paralelo com Mercúrio, formando ainda uma Quadratura com Marte. Em 1914, depois de um ataque de febre tifoide, esse homem ficou incapacitado e teve que usar muletas para andar. Não podia ficar de pé sem cambalear. Os médicos acreditavam se tratar de uma fraqueza sediada na coluna vertebral, ao passo que a astrologia diagnosticou o caso como um ressecamento dos fluidos sinoviais das juntas dos quadris. Ao pôr-se de pé, ao se curvar ou ao adotar uma posição forçada, o peso é posto sobre a região pélvica, e os ossos pélvicos escorregam de suas posições e vão pressionar o nervo ciático, que controla o plexo sacro e os membros. Uma pressão sobre este nervo pode resultar naquilo que se conhece como paralisia dos membros inferiores.

Contudo, um caso como este é curável. Uma pequena correção, feita por um médico osteopata ou por um quiroprático, é capaz de eliminar a pressão sobre o nervo ciático. Pode-se ver aqui a enorme diferença que existe entre a astrodiagnose e a diagnose médica. O curador ou a curadora, conhecedor dos Astros e de sua influência sobre o corpo físico, pode ver grandes diferenças em casos com os mesmos sintomas externos e físicos. Conhecimentos de fisioterapia corretiva, às vezes, também ajudam muito.

CAPÍTULO XXI – FÍGADO E VESÍCULA BILIAR

Nº 10A – FÍGADO

Homem, nascido em 6 de março de 1831, às 4:00 PM

Esse é o horóscopo de um homem que tem o Signo ígneo e Fixo de Leão no Ascendente e o obstrutor Saturno em Leão na 1ª Casa.

Sempre que Saturno se posiciona em um ângulo, num Signo Fixo ou perto do Ascendente, sua influência é muito mais destrutiva que em qualquer outro lugar, especialmente quando em Leão, Regente do coração. Então, nós podemos esperar que a pessoa carecerá de vitalidade. Especialmente no caso desse homem, uma vez que Saturno está em Quadratura com o dinâmico Marte e esse se encontra em sua Queda e próximo à cúspide da 10ª Casa, onde sua influência destrutiva pode resultar nos maiores estragos, em especial porque esses dois poderosos Planetas afligidores estão em Leão e Touro, os dois Signos mais poderosos no horóscopo. Esses dois Planetas têm naturezas opostas: Saturno é frio e úmido, enquanto Marte é quente e seco. Consequentemente, e em razão disso, pode-se esperar que o corpo sofra.

O Sol, Regente do Ascendente, posiciona-se na 8ª Casa, no negativo Signo de Peixes, em Quadratura com a Lua. Outra vez vemos aqui indícios de energia esgotada e falta de vitalidade.

Vejamos agora como funcionam essas aflições. A 10ª Casa significa o pai, de forma que Marte, afligido por uma Quadratura de Mercúrio e Saturno, e posicionado em Touro próximo à cúspide do Meio-do-céu, indicaria a morte do pai por acidente. Com efeito, aos 12 anos de idade, quando a Lua passava pelo Meio-do-céu e formava Conjunção com Marte, o pai morreu ao cair de uma árvore, deixando em penúria a mãe e os três irmãos pequenos. Isso forçou o filho mais velho, cujo horóscopo estamos delineando, a trabalhar para ajudar a mãe a ganhar o sustento. Assim, empregou-se como ajudante de ferreiro nas proximidades da casa, de modo que, com apenas 12 anos, era obrigado a fazer o trabalho de um homem quando manejava o malho. Como resultado, as válvulas do seu coração não se desenvolveram plenamente. Sofreu por anos, e toda vez que alcançava sucesso financeiro, sua saúde fracassava, forçando-o a abandonar tudo e a trocar de clima em busca de alívio. Diante do problema, houve médicos que lhe diagnosticaram tuberculose, outros que lhe diagnosticaram asma. Todos os indícios eram de asma, mas os acessos eram intermitentes. A cada inverno passado no clima frio do leste ele se acamava, vitimado por pneumonia ou por congestionamento dos pulmões.

Vemos aqui um efeito de aflição do Sol em Quadratura com a Lua partindo dos dois Signos Comuns, Peixes e Sagitário. Mercúrio está no Signo Fixo de Aquário, em Oposição a Saturno e em Quadratura com Marte em Touro, Regente da garganta, que proporcionaria alguma tendência para contração nervosa da traqueia.

Agora, achamos as aflições astrais indicativas de problemas valvulares do coração e fraqueza pulmonar, no entanto o homem morreu foi de um abscesso no fígado. Onde se acha a indicação de problema no fígado? Marte em Touro está em seu Detrimento. Esse Planeta é o mais forte nesse horóscopo; de fato Marte pode ser considerado o Regente da vida. Quando no Signo que rege a garganta, Marte faz desejar delícias para o paladar e produz uma tal sede que, muitas vezes, conduz às bebidas fortes. No caso presente, Marte forma Sextil com o Sol e Trígono com Netuno. Esse último rege os narcóticos e às vezes predispõe ao seu uso. Aqui está predisposição que foi convertida em gosto anormal por café preto e forte. Em vez de saciar a sede com água, esse homem bebia café frio e em grande quantidade.

Marte em Touro também produz um apetite anormal, indicando alguém que é capaz de comer demais. Com a vitalidade reduzida por causa do problema do coração e da pobreza de oxigenação nos pulmões, o nativo se tornou incapaz de fazer esforços físicos, o que veio lhe dificultar a eliminação do excesso de comida. Consequentemente, seu pobre fígado não podia vencer a sobrecarga, pelo que se tornou um depósito de venenos criados pelo excesso de comida não absorvida pelo sangue. Júpiter rege o fígado; ele está em Conjunção e Paralelo com Urano na 6ª Casa, a das doenças, e em Paralelo também com a Lua. Naturalmente, seu fígado deveria ser moroso e se sobrecarregava com facilidade.

Se esse homem tivesse vivido normalmente, teria alcançado uma idade bem avançada, apesar das aflições astrais. Porque com Marte elevado e em
Sextil com o Sol, com a Lua em Sextil com Júpiter e com Signos Fixos nos ângulos, não haveria razão para falecer tão cedo, ainda na metade da vida.

Nº 10B – CÁLCULOS BILIARES

Homem, nascido em 13 de novembro de 1885, as 8:52 PM

Inicialmente julgaremos a dimensão mental, de modo a nos capacitar melhor a lidar com nosso paciente, pois as tendências e qualidades básicas da Mente exercem uma influência muito determinante na maneira de encarar a doença, e devemos estar preparados para enfrentar suas ideias, de tal modo que inspiremos confiança. Mercúrio, Regente da 3ª Casa, governa a Mente inferior. Seu Paralelo com Saturno, o Planeta da obstrução, refreia essa volúvel constituinte da personalidade e lhe imprime sagacidade, mas esse Aspecto proporciona também uma inclinação para se deter no lado sombrio das coisas; entre outras coisas, isso resulta em pessimismo e melancolia. Marte, no Signo mercurial de Virgem, em Quadratura com Mercúrio, torna o nativo cínico e facilmente irritável.

Saturno em Câncer, o Signo do estômago, indica digestão obstruída. Sua Oposição a Vênus e a Quadratura de ambos a Urano em Libra é indicação de que a circulação venosa também se encontra obstruída, especialmente a das veias renais, condutoras do sangue dos rins (Urano em Libra), e a do sistema porta, que conduz o sangue do estômago (Saturno em Câncer) através do fígado. Saturno rege a vesícula biliar, de forma que sua posição em Câncer, em Quadratura com Urano no Signo dos rins (Libra), é indício de concreções sedimentárias em ambos desses órgãos. Do mesmo modo que o tijolo é barro cozido, endurecido pelo calor do forno, assim também esse sedimento se converte em cálculos biliares e calculose renal[37] pela ação restritiva de Saturno, quando Marte acende a raiva. Vingança e raiva impotentes e acumuladas, à espera de oportunidade para desforra; injustiça recordada sempre, em vez de esquecida, por muito danosa que tenha sido: essas são as verdadeiras causas de um dos mais dolorosos males que a carne herdou.

O Trígono entre Júpiter e Netuno mostra ao nativo o caminho da libertação, através de um apelo à sua natureza superior, pois nele existe uma benevolência básica que pode ser invocada. É claro que os tratamentos físicos podem e devem ser ministrados; contudo, mesmo que esses tratamentos provem ser eficazes no momento, não deixam de ser simples paliativos, pois enquanto o paciente não muda de atitude mental, sua cura não pode ser definitiva. Raivas acumuladas formarão novos cálculos para substituir os que foram eliminados ou dissolvidos pelo tratamento. Imprimir fortemente esse fato na Mente do paciente é o primeiro dever do curador ou da curadora. No caso presente, o mal está feito, de forma que só o cultivo de serenidade pode atuar como corretivo. No entanto, se observarmos esta configuração no horóscopo de uma criança, devemos advertir seus pais, isso para que esse traço de raiva latente possa ser erradicado antes que se apodere do menino ou da menina em crescimento. Sempre é melhor prevenir que remediar. Só ajudar as pessoas a reaver a saúde não basta; nosso objetivo deve ser ensiná-las a viver em harmonia com as leis do amor e da vida para não adoecerem nunca. Enquanto não nos convencermos totalmente disso, e não o pusermos em prática, estaremos falhando grandemente em nosso privilégio de servir.

Uma pessoa com Escorpião no Ascendente seria nossa primeira escolha quando selecionamos um curador ou uma curadora para esse caso; alguém com Touro no Ascendente viria a seguir, desde que nenhum deles tenha Saturno em graus incluídos nas lª e 6ª Casas do paciente. Tanto o tratamento mental como o físico devem ser feitos nas horas do Sol. Grandes doses de azeite de oliveira e abundantes goles de água morna também ajudam muito.

Nº 10C e 10D – CÁLCULOS BILIARES

Homem, nascido em 23 de abril de 1850

O horóscopo nº 10C é de um juiz do Supremo Tribunal, cuja a hora do seu nascimento não podemos determinar, mas por certos acontecimentos de sua vida podemos deduzir que Capricórnio está na cúspide do Ascendente. Embora o autor jamais tenha conhecido esse homem pessoalmente, de sua casa veio a informação de que havia nascido por volta de 9:30 ou 10:00 PM. Isso situaria Júpiter e Lua no Meio-do-céu ou perto desse, ou mesmo na 9ª Casa, o que corresponderia ao seu caráter, pois, segundo informaram seus amigos, ele foi um juiz muito eficiente e justo. Havia muita desarmonia em seu lar, o que é indicado pelas posições de Saturno e Urano em Áries e na 4ª Casa, descrevendo a esposa impertinente e excêntrica. Saturno em Quadratura com Marte em Câncer e na 7ª Casa também indica desarmonia e brigas entre o casal.

O juiz teve também grandes problemas com as fraquezas de seu filho único, que desperdiçava tempo em bebedeiras e imoralidades, gastando seu dinheiro com mulheres. Isso é indicado pela posição de Vênus na 5ª Casa, que rege os filhos e também os prazeres. Vênus está muito forte no Signo de Touro, Regente do paladar, e também forma Sextil com Marte em Câncer, Regente do estômago.

As pessoas com Capricórnio no Ascendente, cujo Regente, Saturno, esteja afligido, sempre tendem a se voltar para o lado sombrio da vida, a se deter nele, e quando Saturno faz Quadratura com Marte há mais disposição, mas não a do tipo explosivo. Regra geral, os capricornianos não conseguem perdoar nem esquecem a raiva reprimida, quando alimentada por anos, o que pode cristalizar a bílis na vesícula biliar, tendendo a formar pequenos cálculos, cuja eliminação causa dores atrozes. O juiz sofreu com essas pedras por cerca de vinte anos. Por volta de 1894, Saturno progredido se aproximava de uma Quadratura exata com Marte radical que pode ter sido à época em que esses cálculos começaram a se formar. Esse paciente se transferiu para a vida superior a lº de janeiro de 1916, quando Saturno, em trânsito, alcançava uma Quadratura com a sua posição radical.

Nº 10D

Mulher, nascida em 14 de dezembro de 1855, às 10:00 AM

Esse horóscopo é de uma mulher que tem Capricórnio no Ascendente e cujo Regente, Saturno, se encontra na 5ª Casa, em Quadratura com o inflamatório Marte. Em nossos arquivos, temos observado certo número de horóscopos de pacientes que sofreram de cálculos na vesícula e constatado que tinham Saturno em Conjunção ou Quadratura com Marte. Nesse horóscopo Saturno se encontra na casa dos filhos, a 5ª Casa, em Quadratura com Marte na 8ª Casa. Os problemas dessa mulher surgiram das contrariedades que os filhos do primeiro casamento de seu marido – seus enteados – lhe causavam. Note-se como isso é indicado claramente por Mercúrio e Sol na 11ª Casa, que rege os enteados, em Quadratura com Netuno, Regente da 2ª Casa. A raiva e a desarmonia cresceram em seu lar em virtude das finanças do marido, e, como normalmente a natureza capricorniana não pode esquecer nem perdoar, ela guardou ressentimento até pagar o preço disso em 1903, quando sofreu o primeiro ataque de cálculos vesiculares, seguido de outro ataque 14 anos depois, por volta de 1917. A Lua progredida estava em Sagitário em 1903 e em Gêmeos em 1917. A data exata da enfermidade não foi dada, mas a Oposição e a Conjunção da Lua progredida com Saturno não deixam dúvida sobre a época certa.

Essa enfermidade é uma das mais dolorosas aflições. Quando os cálculos saem da vesícula, descendo apertadas pelo estreito conduto que vai ao duodeno, com muita frequência ficam entaladas em certo trecho desse conduto, causando enorme sofrimento. Um meio muito seguro, e geralmente o mais benéfico, para remediar a situação, é ter à mão meia xícara de azeite de oliveira e o suco de um limão. Regule-se o despertador para as três horas da madrugada; ao despertar nessa hora, deve-se tomar o azeite e depois o suco de limão. Evite-se o café da manhã, e coma-se muito pouco durante o dia. Esse procedimento deve ser repetido por três noites consecutivas, e na manhã do terceiro dia deve ser ministrado um purgante. Alguns usam para isso uma colher de sopa de sais de Epsom[38] com excelentes resultados. Se isso não surtir efeito, tente o mesmo remédio novamente duas ou três semanas depois.

CAPÍTULO XXII – CIRCULAÇÃO

Nº 11A – Palpitação no Coração

Mulher, nascida em 24 de abril de 1862, à meia-noite

O Ascendente nesse tema está ocupado pelo Signo saturnino de Capricórnio, com Saturno, o Regente, interceptado na 8ª Casa. Quando deparamos com o Regente da vida situado tão fracamente e afligido, podemos procurar por alguém que muito provavelmente se tornará uma vítima, e não senhor, das circunstâncias; alguém que deixará os Astros governarem sua vida, em vez de ela própria regê-los.

Quando Saturno está afligido na casa das limitações, o nativo é muito melancólico, sempre olha para o lado escuro da vida e, se sofre fisicamente, tende, como os virginianos, a ceder à doença. Onde quer que Saturno, o Planeta da obstrução, se posicione no horóscopo, aí se pode achar problemas. No presente caso, ele se encontra em Virgem, Regente do intestino delgado, e em Conjunção com Júpiter, que rege a circulação arterial. Júpiter rege também as glândulas suprarrenais. A secreção dessas glândulas é necessária para tonificar o sangue, de modo que, quando restringidas por Saturno, se espera por complicações no sangue arterial.

Todavia não se julgue o horóscopo só por Saturno e sua influência. Vênus, o Planeta que rege o sangue venoso, se encontra em Conjunção com a Lua, Regente dos fluidos sinoviais, que lubrificam o Corpo. Vênus e Lua estão em Oposição a Júpiter e Saturno. Que efeitos teriam sobre o Corpo as aflições dos quatro Astros acima? Devido à influência restritiva de Saturno são esperados problemas na circulação arterial. Com o sangue venoso também restringido, não há liberdade para a circulação sanguínea, de forma que o efeito é o mesmo de uma corrente d’água estagnada, que fica turva e cheia de detritos venenosos. Nós podemos esperar que o sangue fique poluído e estagnado.

Extraímos dos alimentos uma certa quantidade de minerais, os quais são utilizados para a formação dos nossos ossos enquanto somos crianças; mas, depois de completado o crescimento, a partir de quando o Corpo só precisa de uma pequena parcela desses minerais, o excesso ingerido se deposita nas juntas e na corrente sanguínea, aderindo à superfície dos pequeninos vasos sanguíneos, do mesmo modo que o faz dentro de uma chaleira. Se a circulação é boa e o sangue tem liberdade de correr nas artérias e veias de maneira natural, esse depósito é insignificante; mas, na velhice, ou quando a circulação está prejudicada, esses minerais se depositam no sangue e causam o que se conhece comumente como esclerose ou endurecimento das artérias. Nesse caso, as paredes dos vasos sanguíneos são recobertas por uma substância mineral dura, ficando, consequentemente, o fluxo sanguíneo restringido; os músculos e juntas se tornam rijos e doloridos, e então, na medida em que essa condição se torna crônica, o indivíduo perde gradativamente o uso dos braços e das pernas e chega ao estado de invalidez permanente.

Nesse horóscopo, Júpiter e Saturno estão em Virgem, Regente do intestino delgado. Esse conduto estreito, mesmo tendo entre seis e oito metros de comprimento, cabe, dobrado, em pequeno espaço da região abdominal. É vincado com membranas mucosas e pequeninos vasos em forma de língua, que ajudam a digestão e absorção dos elementos alimentícios, após o que distribuem pelos fluídos brancos e vermelhos do corpo os vários minerais extraídos da alimentação. Se as membranas mucosas e essas vilosidades do intestino forem obstruídas por Saturno, como no caso dessa mulher, cuja Lua também recebe Oposição desse afligidor, então as secreções da linfa e do quilo – os fluidos brancos do corpo – ficam obstruídas e o sangue, em consequência, recebe pouca nutrição.

A nativa sofre muito de palpitações do coração, enxaquecas, pressão alta e uma constante dor nas costas e nos ombros. Quando o sangue fica muito moroso e carregado de cinzas, é lógico que o coração deve sofrer, pois quando, por excitação ou raiva indevidas, um excesso de sangue flui para ele e os vasos sanguíneos estreitados evitam o retorno fácil desse sangue dessa estação central, palpitações, pressão alta, ondas de sangue para a cabeça e diversas outras aflições naturalmente se manifestam.

Agora, que se pode fazer para corrigir essa condição? Antes de tudo, pode-se recomendar uma dieta simples e leve, com pouquíssima massa, menos açúcar e mais cebola crua, alface, espinafre etc. Que mantenha sempre os intestinos livres e faça fricções a seco no corpo com um par de luvas de banho, todas as manhãs ao se levantar e todas as noites antes de ir para a cama. Infelizmente, uma mulher com o Sol sem Aspecto, exceto por um Semisextil a Netuno, como nesse caso, e com Astros afligidos em Virgem e Peixes, não pode se esforçar para ficar boa. É muito menos trabalhoso descambar para a invalidez.

Nº 11B – Circulação Sanguínea Lenta (má circulação) e Cataratas

Mulher, nascida em 9 de abril de 1851, à 1:58 AM

Avaliemos primeiro, como de costume, a mentalidade de nossa paciente. Áries, o Signo da cabeça, tem mais Astros que qualquer outro, sendo dois deles adversos. Mesmo se isso fosse tudo, ainda assim seria uma infelicidade e uma indicação de características desfavoráveis, mas as aflições de Saturno em Áries ao Sol, à Lua, a Mercúrio, Urano e Júpiter nos diz se tratar de uma pessoa astuta e desleal, tristemente indiferente às obrigações morais da verdade e da justiça. Nem é de se estranhar que as características mentais tão acentuadas pudessem produzir um efeito marcante sobre as funções corporais, especialmente pelo fato de todas as aflições provirem de Signos Cardeais.

Saturno, o Planeta da obstrução, torna a nativa mentalmente astuta e precavida, por sua Conjunção com Mercúrio e Quadratura com a Lua, protegendo-a também de ser “descoberta”. Essa mesma configuração obstrui o fluxo de forças dos nervos, causando assim um empecilho tanto ao Sistema Nervoso Periférico voluntário como ao Sistema Nervoso Periférico autônomo simpático, regidos por Mercúrio e Lua, respectivamente. A principal área de atividade de Saturno pode ser localizada no nervo pneumogástrico, que normalmente é saturnino e repressivo em sua ação sobre o coração, estômago e outros órgãos vitais. A Conjunção de Saturno com o Sol é agravada pelo fato de eles estarem em Paralelo, se localizarem no primeiro Signo Cardeal – Áries – Regente da cabeça, e formarem uma Quadratura com a Lua no segundo Signo Cardeal – Câncer – Regente do estômago, e uma Oposição a Júpiter no terceiro Signo Cardeal – Libra Regente dos rins. Não fora o Trígono de Marte a Lua e o posicionamento do Sol em seu Signo de Exaltação, Áries, teria sido bem difícil a conservação da vida nesse nascimento afligido tão severamente.

Essa pessoa sofre de circulação sanguínea lenta (má circulação), indigestão e prisão de ventre nervosa em virtude das aflições astrais mencionadas, ainda que esses males estejam longe de ser os piores que a afligem. A Conjunção dos Astros em Áries – Regente da cabeça – e suas Oposições a Júpiter, Regente da circulação arterial, mostra claramente como os nervos e os vasos sanguíneos estão obstruídos na parte mais importante do corpo, a cabeça. Como consequência, há uma escassez de matéria para desenvolver vários órgãos e um acúmulo de resíduos. Todos sabemos que um estômago ruim se reflete nos olhos e quando se consideram os efeitos do Sol e de Saturno em Áries, ambos em Quadratura com a Lua em Câncer, se percebe que não é de admirar o fato de ambos os olhos terem sido afetados pela obstrução saturnina conhecida como catarata.

Um curador ou uma curadora taurino seria o mais indicado para tratar desse caso, mas se deve esclarecer muito bem a paciente que franqueza e amor à verdade são fatores absolutamente necessários à sua recuperação. Caso ela possa se sentir ofendida logo de início, a revelação, mesmo que delicada, dos maus efeitos das falhas opostas é provável que produza uma mudança. Uma atitude religiosa da Mente pode relaxar a tensão dos nervos, permitindo às funções corporais maior liberdade. Tanto quanto ela aceite, deve-se dar-lhe alimentos crus, pois o Éter deles é necessário para melhorar seus nervos. As cebolas são ótimas nesse caso para uma melhora, e os abacaxis são insubstituíveis como estimulantes digestivos. Contudo, no caso presente, os fatores físicos, mesmo sendo de importância vital, se tornam insignificantes quando comparados aos benefícios que podem advir de uma justa apreciação dos fatores morais, causadores da doença e à compreensão da necessidade imperativa de modificar o curso da Mente para que a nativa possa experimentar algum alívio permanente. Nem deve o curador ou a curadora desesperar e pensar que esse caso possa se assemelhar ao do leopardo que mudou as manchas pois, sendo as aflições oriundas de Signos Cardeais, são, portanto, móveis. Planejar para enganar com êxito exige pensamento e energia. Se essa energia for canalizada para o bem, será um fator de igual poder para introduzir a luz da verdade na vida da paciente e fazê-la brilhar para outros.[39]

Nº 11D – Veias Varicosas

Mulher, nascida em 17 de janeiro de 1875, às 7h00

Essa mulher tem o Signo saturnino de Capricórnio no Ascendente, com o Regente da vida, Saturno, em Aquário, onde esse Planeta tem seu domicílio e é mais poderoso. Posicionado na 1ª Casa, em um ângulo e um Signo Fixo, podemos considerar Saturno a mais poderosa influência tanto na vida como na saúde da nativa.

O obstrutor Saturno se acha em Quadratura com o inflamatório Marte. Esse último está na cúspide do Meio-do-Céu, também em ângulo; está no seu próprio Signo de Escorpião, onde é poderoso. Marte está em Quadratura com o espasmódico Urano, que está no Signo de sua Queda, o Signo Fixo de Leão, e também angular na 7ª Casa. Consequentemente, isso será muito difícil vencer esses três Planetas adversos, tão poderosamente situados em Signos Fixos e em ângulos.

Marte no Meio-do-Céu deve dominar as ações dessa mulher e, por estar em Quadratura com o agitado Urano, deve incliná-la para um excesso de atividades sociais. Com o egotismo capricorniano aumentado pelo Sol e por Mercúrio na 1ª Casa em Capricórnio, formando Quadratura com Júpiter e Netuno, a nativa deve aspirar brilhar na sociedade. Isso se confirma, especialmente, por se encontrar Vênus no ativo Signo de Sagitário e na 11ª Casa, Regente dos amigos. Com Vênus em Sextil com Saturno, ela deve almejar liderar jogos e assuntos sociais, nos quais poderia entrar com todo o impulso de sua natureza Marte-Urano.

As pessoas de Capricórnio não são muito robustas e com o Sol e Mercúrio no Ascendente, afligidos pela Quadratura de Júpiter e Netuno, os quais se encontram em Signos marcianos dando impulso, a nativa seria capaz de dissipar sua resistência, o que pode resultar num colapso físico na parte mais fraca. As maiores aflições nesse horóscopo se encontram na região dos joelhos – Capricórnio – e nos membros inferiores – Aquário – causando dilatação das veias. As varizes são causadas por interferências na circulação venosa decorrentes de sobrecargas nos músculos ou nervos em certas partes do corpo.

Sendo Vênus o Planeta melhor aspectado e livre de aflições no Signo dos esportes – Sagitário – na 11ª Casa, a casa dos amigos, em Trígono com Urano e em Sextil com Saturno, e estando Marte proeminente no Meio-do-Céu, indica que a paciente foi uma entusiasta dos jogos; também que gostava de divertir os amigos, pois a Lua está bem aspectada pelo Sol e por Mercúrio e se encontra no venusiano Signo de Touro, na 4ª Casa, indicando o lar, onde a nativa era pródiga em suas diversões. O consequente esforço devia lhe sobrecarregar o coração. Urano em Leão, em Quadratura com Marte e em Oposição a Saturno, indica problema orgânico do coração e causa golfadas espasmódicas de sangue através da aorta. Interferência no fluxo natural de sangue através do coração pode causar avarias nas veias e em outras partes afligidas do corpo, como no presente caso, em que se verifica dilatação das veias nos membros inferiores.

Essa mulher pediu ajuda ao nosso Departamento de Cura em setembro de 1920, quando sob cuidados médicos num hospital, depois de ter sido submetida a uma segunda operação de varizes.

Nessa ocasião, Vênus progredido fazia Conjunção com o Sol radical e a Lua progredida também se encontrava nessa parte do horóscopo. Sol, Mercúrio e Saturno em trânsito formavam Conjunção em Virgem, o Signo da saúde. Saturno em trânsito formava Quadratura com Vênus radical, o que desencadeou o último ataque e foi responsável pela operação a que ela se submeteu.

Geralmente, casos de veias varicosas podem ser amenizados, e até mesmo curados, com ataduras e pela redução de esforços, de maneira que a circulação do sangue possa se normalizar. Contudo, o bisturi, quando usado, como neste caso, interfere na cura.

Nº 11E – Circulação Restringida

Mulher, nascida em 13 de abril de 1862

Esse horóscopo não tem hora de nascimento, mas como geralmente não se pode confiar na hora dada, em virtude de diferenças nas horas locais e dos relógios, a não ser que disponhamos de dados pelos quais possamos corrigir o horóscopo, o mais seguro é usar o horóscopo natural – diagnosticando somente pelos Astros e Signos. Por este método, pode-se conseguir um diagnóstico correto. Somente quando se precisa vigiar as crises, para ajudar o paciente a atravessar um período crítico, é que a hora de nascimento se faz necessária. Então ela serve para se observar a Lua por progressão e os Aspectos dos Astros em trânsito.

Achamos Saturno, o adverso, aqui em Conjunção com Júpiter no Signo de Virgem, o Signo natural da 6ª Casa e que, portanto, rege a saúde e a doença, de um modo mais amplo. Sabemos que as pessoas regidas grandemente por Virgem tendem a pensar muito na sua saúde, o que as faz, muitas vezes, hipocondríacas. Quando diversos Astros se encontram nesse Signo, pode-se determinar a causa da doença nessa parte do horóscopo. O intestino delgado é o órgão que distribui a nutrição, onde a maioria do alimento é distribuída às várias partes do corpo através do sangue. Os intestinos são para o corpo o que o Serviço de Intendência é para o Exército. Virgem é, portanto, a parte mais vital do horóscopo.

Júpiter é o Planeta que rege a circulação arterial e o glicogênio do fígado, enquanto Saturno rege a vesícula biliar e o nervo pneumogástrico, o mais importante de todos os nervos, porque se ramifica para as três mais importantes partes do corpo: o coração, o estômago e os pulmões. Aqui eles afetam a distribuição e digestão dos alimentos no intestino delgado, porque retardam o fornecimento pela vesícula biliar, da necessária quantidade de bílis e porque prejudicam o peristaltismo. Em consequência, os delicados vasos sanguíneos, que se espalham na superfície interna do intestino, ficam privados de nutrição e a corrente sanguínea se torna fraca e lenta, causando anemia.

Isso é mais certo ainda porque Vênus, Regente do sangue venoso, também se encontra afligido por uma Quadratura com Urano, estando esses Planetas nos Signos Comuns de Peixes e Gêmeos. Urano forma também Quadratura com Saturno e Júpiter. Isso interferirá na oxigenação do sangue, quando ele passa pelos capilares dos pulmões.

Antes da meia-idade, essas aflições podem se expressar por meio de resfriados, pneumonia e menstruação dolorosa. Contudo, depois disso, quando o corpo começa a sentir o peso dos anos, essas aflições causarão anemia, arteriosclerose e pressão alta do sangue. A paciente sofreu as três últimas doenças e, aos 60 anos estava ameaçada com paralisia do lado direito. Sente também vertigens e tonturas.

Um curador ou uma curadora deveria advertir a paciente contra o uso de estimulantes como café, chá, etc. Estímulos por fricção da pele podem ser muito benéficos, desde que se use um par de luvas de banho e se esfregue o corpo até arder, de manhã e de noite. Que ela conserve a Mente livre de excitações e receios, adote uma dieta vegetariana leve e cuidadosamente selecionada e tome muita água pura entre as refeições.

Nº 11F – Anemia Perniciosa[40]

Mulher, nascida em 12 de agosto de 1886, às 5:00 AM

Vamos usar esse tema para imprimir na Mente do Estudante a grande necessidade de advertir os pacientes acerca da dieta apropriada. Noventa por cento dos que sofrem e estragam a saúde adoecem, não por falta de comida, mas porque combinam mal os alimentos ou se excedem às refeições.

Essa jovem moça tem o Signo Fixo de Leão no Ascendente e o Sol, o Regente, na cúspide da lª Casa. O obstrutivo Saturno se encontra no Signo de seu Detrimento, Câncer, que rege o estômago. Vênus, o Planeta que rege a circulação venosa, está em Conjunção com Saturno e em Oposição à negativa Lua, que se encontra em seu Detrimento no Signo saturnino de Capricórnio. Uma vez que Saturno e Lua se encontram em Detrimento e em recepção mútua, sua força adversa fica grandemente aumentada. A Oposição ocorre da 6ª Casa, a das doenças, para a 12ª, a das hospitalizações, dos confinamentos e da autodestruição. Vê-se perfeitamente como essa pobre alma foi responsável pela sua completa prostração. Há anos está inválida numa cama, incapaz de usar seus membros. Os médicos atestaram-lhe arteriosclerose.

Verificamos que Júpiter, Regente da circulação arterial, está afligido pela Conjunção com Urano em Libra, e que Vênus, Regente da circulação venosa, forma Quadratura com Marte, os dois últimos Planetas se encontrando nos Signos do estômago e dos rins, respectivamente. Marte também está em Quadratura com a Lua na casa da doença, a 6ª. Com essas aflições astrais, para com o estômago, há uma tendência para comer em excesso. A Oposição entre Vênus e Lua faz gostar enormemente de líquidos e doces, enquanto Saturno causa um desejo anormal por alimentos não naturais e por frituras e massas em demasia. O corpo dessa paciente ficou como um fogão cheio de papel: quando o papel queima, faz um calor terrível, mas esse calor não dura, e logo o fogão se enche de cinzas.

Com Saturno em Câncer, falta suco gástrico no estômago. Leão está ascendendo, e o Sol e Mercúrio se encontram no Ascendente em Sextil com Marte. Essas posições proporcionam uma quantidade incomum de energia, mas também uma tendência para a dissipação. Quando o Corpo se desgasta e fica cansado, o estômago não consegue digerir a comida; então, se a comida é ingerida em excesso, ocorre a decomposição, especialmente se a refeição consta de elementos desarmônicos. No caso presente, o pobre estômago era recheado de comida até não mais caber, e por cima da comida a nativa tomava água fria ou chá quente com açúcar. Qual poderia ser o resultado? Acontecia uma fermentação, de maneira que a comida se transformava em veneno e não em nutriente do Corpo. Aos 24 anos de idade, essa pobre moça se tornou uma inválida. Seu corpo se encheu de cinzas e, com ambas as circulações – a venosa e a arterial – danificadas, o sangue não podia continuar puro. Incapaz de se moderar, ela dissipou suas energias. Excedeu-se na comida, na atividade e no trabalho mental, e o resultado foi que o Corpo não conseguiu descartar o acúmulo de cinzas proveniente da comida excessiva e mal equilibrada.

Se tivesse encontrado um médico que lhe prescrevesse uma dieta racional e cuidadosamente selecionada, não para lhe ministrar entorpecentes intoxicantes, ela teria evitado muito sofrimento. O ser humano, muitas vezes, passa fome no meio da fartura; sobrecarrega seu estômago, enquanto o Corpo sofre de inanição por falta de assimilação do alimento, conforme foi o caso com essa jovem moça. Ela vivia para satisfazer seu apetite, mas não dava ao seu Corpo alimento formador de sangue. Suas juntas endureceram, seu corpo doía, de forma que em poucos anos se tornou uma inválida crônica, agora confinada a um hospital. Se tivesse sido levada a uma casa de saúde que lhe proporcionasse tratamento dietético científico, ela poderia ainda voltar a ser uma mulher útil.

Quando conhecemos pessoas tão infelizes como esta, compete a nós, que aspiramos ser auxiliares e curadores da humanidade, aplicar nossos esforços para guiá-las à direção certa.

Nº 11G – REUMATISMO E IMPUREZAS NO SANGUE

Homem, nascido em 14 de agosto de 1912, à 1:30 PM

Estamos utilizando aqui o horóscopo de um jovem que tem o Signo marciano de Escorpião no Ascendente e o Regente da vida – Marte – na 10ª Casa, em Sextil com o Ascendente e em Conjunção com a aquosa Lua. Quando se verifica Conjunção fechada entre um Astro quente e inflamatório e outro frio e de Água, como nesse caso, especialmente sendo essa Conjunção em Virgem, Signo natural da 6ª Casa e das doenças, espera-se encontrar aí o ponto de partida da enfermidade, pois Fogo e água geram vapor.

Virgem rege o intestino delgado, um dos principais órgãos de digestão, assimilação e distribuição dos alimentos. Nesse Signo, o inflamatório Marte causa inflamação dos intestinos. Como Marte está em Conjunção com a Lua e sendo ela a Regente do sistema linfático, é provável a existência de distúrbios de funções nos vasos e glândulas linfáticos, que servem de ponte entre as células do corpo e o sangue. Esses vasos e glândulas não apenas transportam alguns nutrientes alimentares para o sangue, mas atuam também como purificadores, absorvendo parte da matéria residual e conduzindo-a para onde possa ser eliminada do corpo por meio de algum órgão de excreção. Quando a Lua se acha afligida pelo inflamatório Marte e Virgem, podemos esperar a inflamação do sistema linfático e a sua incapacidade funcional para ajudar o sangue em seu trabalho. A Lua rege o quilo, ou fluido branco extraído dos alimentos pelas vilosidades do intestino delgado. Isso se mistura com a linfa e entra na circulação. Esses fluidos brancos, tão necessários ao trabalho de alimentar o sangue, foram obstruídos no caso desse rapaz.

Temos ainda outra aflição que interfere na purificação da corrente sanguínea. Saturno, o obstrutor, está no Signo de Gêmeos, que rege os pulmões. Saturno está em Oposição a Júpiter, Planeta que rege a circulação arterial, e em Quadratura com Vênus, Regente do sangue venoso. Os pulmões são os foles do Corpo. O ar puro corre dentro dos delicados capilares desses órgãos, e assim o sangue se oxigena e areja. O oxigênio puro é absorvido nos alvéolos pulmonares, o venenoso dióxido de carbono é expelido, e assim o corpo se liberta de uma grande porção de venenos. Toda vez que localizemos Saturno no Signo de Gêmeos, especialmente se ele estiver afligido tanto por Júpiter como por Vênus, podemos contar com sangue impuro e não saudável, pois Saturno, o obstrutor, posta-se às portas do sistema respiratório, parcialmente vedando a entrada do ar e mantendo, também parcialmente, o dióxido de carbono dentro do organismo.

Com tais aflições astrais, do ponto de vista da saúde, pode-se contar com sangue impuro e anêmico, como também com uma tendência para inflamação intestinal que deve interferir na assimilação e distribuição adequada dos alimentos. Aos oito anos de idade, esse rapaz sofreu de manchas e erupções na pele. Como a Lua rege o fluido sinovial, pode-se ver como a Conjunção de Marte com a Lua causou reumatismo e pés chatos, indicando que Marte queimou os lubrificantes necessários à manutenção das juntas das pernas e dos pés.

Que pena seus pais não estarem familiarizados com a ciência astrológica! Se estivessem, poderiam saber dessas aflições astrais e, com uma dieta cuidadosa, abundância de ar fresco e exercícios respiratórios profundos, ministrados ao rapaz, teriam lhe evitado muito sofrimento. Com todas essas indicações, o nativo pode contrair uma tuberculose pulmonar, caso despreze sua saúde e se exponha ao frio, pois com Saturno afligido tanto por Vênus como por Júpiter, ambos em Signos Comuns, ele desenvolveu de modo natural o hábito de respirar sem profundidade, o que tende a lhe causar problema nos pulmões.

Nº 11H E 11I – Reumatismo

Nós usaremos dois horóscopos para demonstrar como Astros situados em Signos diferentes podem ocasionar os mesmos sintomas, sendo diferentes as verdadeiras causas da doença.

Nº 11H

A nativa, uma mulher, nasceu a 16 de março de 1865, sem a hora de nascimento. O ígneo e discordante Marte está em Conjunção com o agitado Urano, no Signo nervoso de Gêmeos (os braços e os ombros), e em Quadratura com o vitalizante Sol e com Mercúrio, que estão em Conjunção no de Água Signo de Peixes. Marte e Urano também estão em Oposição a Júpiter, que rege o sangue arterial, e Júpiter forma Quadratura com o Sol e com Mercúrio.

Essa paciente sempre teve problemas de má circulação, especialmente nos braços e pernas. As aflições, frequentemente, atuam por meio das Quadraturas e Oposições. Como ilustração, vemos que a assimilação no intestino delgado se encontra muito prejudicada. Vênus, o Planeta Regente da circulação venosa, está em Oposição à Lua, que se encontra no Signo marciano de Escorpião, Regente da eliminação, do ânus, da uretra e dos órgãos geradores. Saturno, o Planeta da obstrução, está em Libra – os rins – e, estando posicionado no último grau desse Signo, obstrui a eliminação através dos ureteres, pequenos condutos através dos quais a urina vai dos rins para a bexiga.

Com tantas obstruções na eliminação da matéria residual e com a assimilação dos alimentos prejudicada nós nos espantamos por, quando essa mulher alcançou a idade da menopausa, seu corpo sofrer e seu sangue se tornar tão vagaroso e impuro que resultou em reumatismo? Seu corpo endureceu e era quase impossível para ela se movimentar de um lado para outro, sofrendo especialmente com os braços e ombros.

Nº 11I – Reumatismo

O nativo, homem, nasceu a 6 de dezembro de 1870, por volta de 7:30 PM. Há quatro Astros no Signo de Sagitário na 5ª Casa, Regente dos prazeres e apetites. O Sol, Regente do Ascendente, e Vênus, Regente da casa dos amigos, estão em Conjunção mútua e ambos em Quadratura com o impulsivo e discordante Marte, mostrando que esse homem gosta de se divertir. Seu amor por vinho e mulheres foi a sua desgraça. Ele foi indulgente com os apetites, e, certamente, está pagando o preço de tal viver.

Júpiter no Signo nervoso Signo de Gêmeos, afligido pela Oposição com o obstrutor Saturno e com o nervoso Mercúrio e, também, em Quadratura com o inflamatório Marte no Signo de Virgem, do intestino delgado, são indicações semelhantes às do horóscopo 11H. Esse homem sofreu de adormecimento dos braços e mãos. A grande tensão que aplicou ao seu sistema e o abuso de seu pobre estômago lhe causaram neurite, uma vez que tanto a circulação venosa como a arterial estão sendo afetadas a partir de Signos que regem o sistema nervoso.

As recomendações a ambos os pacientes devem ser muito semelhantes, a saber: uma dieta vegetariana simples, a eliminação de carnes, bebidas alcoólicas e comida excessivamente temperada; o consumo abundante de vegetais verdes e crus, em especial alface e cebola. A cebola é um maravilhoso tônico dos nervos e limpador do corpo. Se comida à noite, com o estômago vazio e na forma de sanduíche, poderá purificar os rins e o fígado e restaurar o sistema nervoso. Uma boa massagem rápida com um par de luvas de banho, de noite e de manhã, para manter os poros abertos e estimular a circulação, é igualmente recomendável. No caso 11H, os intestinos e rins devem ser mantidos desobstruídos, e a comida ingerida deve atuar diretamente sobre o fígado e os rins.

CAPÍTULO XXIII – HANSENÍASE

Nº 12A-B – Hanseníase[41]

12A

Homem, nascido em 11 de setembro de 1885, à 1:00 AM

O autor entende que os horóscopos Nº 12A e 12B, desses dois irmãos, poderão proporcionar aos Estudantes uma das mais preciosas lições no diagnóstico de doenças, e mostrar como, até nesses casos, são inteiramente diferentes quando diagnosticados de modo científico, mesmo tendo natureza semelhante as causas subjacentes e as aparências externas de ambos.

Nos dois casos, os parentes recorreram à Sede Mundial em busca de cura para a terrível doença que vitimou esses irmãos.

No horóscopo Nº 12A, o de Água Signo de Câncer se encontra no Ascendente, com o obstrutivo Saturno próximo à cúspide e em Quadratura com Urano em Libra. Temos aqui dois Planetas que, por suas respectivas posições e Aspectos, indicam doença eruptiva do sangue e mostram os dois lugares onde o veneno é gerado, ou seja: Câncer – Regente do estômago – e Libra, Regente dos rins.

Saturno em Câncer interfere na ação peristáltica, tão necessária à mistura e redução da comida no estômago. Saturno tende também a ressecar os fluidos do corpo, e quando se encontra em Câncer, Signo de sua Queda, é fraco e, portanto, muito adverso. Urano é a oitava superior de Vênus, e assim como Vênus rege a natureza moral nos planos inferiores, Urano rege ou equilibra a moralidade nos planos superiores. Urano, no Signo venusiano de Libra, afligido por uma Quadratura com Saturno, deve indicar que uma falta de equilíbrio moral responde amplamente pela doença física do paciente.

Urano rege o Corpo Pituitário ou Hipófise. Este pequeno órgão, que fica tão maravilhosamente protegido por uma estrutura óssea em forma de berço no interior do cérebro, consiste de dois minúsculos lóbulos: o anterior e o posterior. O lóbulo anterior rege o sexo ou força criadora e as fibras nervosas, ao passo que o lóbulo posterior contribui para a circulação dos fluidos do corpo e controla, especialmente, a circulação renal.

Com Urano em Libra, Regente dos rins, em Quadratura com o obstrutivo Saturno, achando-se ambos em Signos Cardeais, e também com os impulsivos Signos Cardeais em todos os ângulos, nós podemos esperar por excessos. Com Marte, o Planeta da impetuosidade e energia dinâmica, na lª Casa em Câncer, formando Quadratura com os Astros do prazer e da autopermissividade, Vênus e Lua, (estando Vênus fortemente posicionado em seu próprio Signo, Libra[42], e a Lua, Regente do Ascendente, em Quadratura com sua própria casa) pode-se concluir que esse homem, por meio de seus desejos excessivos, se permitiu prazeres sensuais em tal medida que acabou danificando as funções do Corpo Pituitário. Como essa glândula regula a assimilação dos alimentos e como Saturno e Marte estão afligidos no Signo do estômago (Saturno em Câncer produz gostos e apetites anormais, e Marte no mesmo Signo indica o glutão), poderia se esperar que esse homem fosse capaz de transformar seu corpo numa fossa sanitária.

Com Vênus e Lua em Conjunção e ambos em Quadratura com Marte em Câncer no Ascendente, e com Saturno na cúspide do Ascendente, podemos estar certos de que o nativo é muito desmazelado e negligente. É alguém que se descuida da higiene corporal e da limpeza do seu ambiente, como também da eliminação dos tóxicos pelo cólon, pelos rins e pela pele. Isso, com o tempo, sobrecarregou o corpo de venenos e por fim causou as erupções.

A pele do paciente ficou seca e morta, pois é alimentada pelo Corpo Pituitário, com a ajuda da Glândula Tiroide. Quando essas Glândulas se cansam e se esgotam por excessos sensuais, tanto as condições da pele como a circulação geral no corpo ficam prejudicadas, a mentalidade fica obtusa e as energias da Mente e do Corpo diminuem. No caso presente, o resultado foi a hanseníase.

Essa doença horrível apareceu pela primeira vez após o Dilúvio, quando a vegetação era escassa e Noé e sua família foram forçados a voltar ao uso da carne como alimento. Isso, junto com os excessos e a degeneração da função geradora, foi responsável por essa doença se tornar tão comum entre os antigos israelitas e egípcios. Tal enfermidade foi classificada como impura, e aqueles vitimados por ela eram relegados ao ostracismo e excluídos da Igreja.

Na verdade, se trata de uma doença causada por hábitos anti-higiênicos e impuros, de maneira que somente os glutões e desleixados em seus hábitos pessoais, como esse homem, são vitimados por ela. Passemos ao horóscopo Nº 12B, a fim de ilustrar outra fase dessa doença.

Nº 12B

Homem, nascido em 19 de março de 1896, às 7:50 PM

Nos tempos israelíticos antigos, os judeus viam a hanseníase como uma doença peculiar que Deus mandava aos seres humanos. Identificavam-na como uma marca do desagrado de Deus por algum grande pecado cometido, de modo que era considerada uma pavorosa doença moral. Os enfermos eram separados dos outros pelos sacerdotes, os quais oficiavam cerimônias de purificação para aqueles que portavam esse distúrbio impuro.

Vemos nesse horóscopo indícios de depravação moral e impureza: Saturno se encontra Retrógrado em Escorpião, o Signo que rege as partes secretas, os órgãos genitais. Ele forma Quadratura com Marte em Aquário, domicílio de Saturno. Urano também está Retrógrado e no Signo de Escorpião. Estes três Planetas – Saturno, Urano e Marte – se acham em recepção mútua, isto é, Marte está num Signo saturnino, enquanto Saturno e Urano estão num Signo marciano. Urano forma Paralelo com Marte e Oposição com a Lua, estando ambos – Urano e Lua – em seus Signos de Exaltação, em ângulos e em Signos Fixos. Estão assim fortes tanto por posição como por Signo, portanto, também estão muitíssimos poderosos em suas aflições. Quando Saturno aflige Marte a partir de Escorpião, e Urano aflige Marte e Lua, também a partir desse Signo do sexo, pode-se diagnosticar o caso como de doença venérea, mas foi tal a natureza maligna da doença que se acreditou se tratar de hanseníase, uma vez que todos os sintomas externos indicavam esse mal.

Certas formas de doença venérea têm íntima relação com a terrível doença hanseníase; quando a corrente sanguínea é envenenada, o sistema glandular também é afetado, e este sistema, por sua vez, interfere no metabolismo do corpo inteiro.

Naqueles tempos antigos, os judeus não utilizavam remédios para curar essa enfermidade impura. Alegavam que isso enfraquecia todo o desejo da graça e vida espiritual; portanto, a única cura estava na oração e na purificação espiritual.

No Evangelho segundo São Mateus, Capítulo 8, consta que: “Quando Ele (Cristo) desceu da montanha, foi seguido por enorme multidão. E eis que um leproso, tendo-se aproximado, adorou-O, dizendo: Senhor, se quiseres, podes purificar-me. E Jesus, estendendo a mão, tocou-o, dizendo: Quero; fica limpo. E imediatamente ele ficou limpo da lepra.”.

CAPÍTULO XXIV – PARALISIA

Nº 13A – Paralisia

Mulher, nascida em 22 de agosto de 1899, à 1:30 PM

Paralisia das pernas e dos braços é o que aflige essa moça. Observamos primeiramente que essa condição é indicada pela Lua, que é especificamente relacionada com a saúde da mulher. Ela se encontra em Peixes, Regente dos pés, em Quadratura com Saturno, o Planeta da obstrução, posicionado em Sagitário, o Signo Regente dos quadris. Deste modo, toda a região dos membros inferiores está afligida. A Lua também forma Quadratura com Netuno e com a saturnina Cauda do Dragão, que estão em Gêmeos, Signo que rege os braços. O vitalizante Sol está em Quadratura com Urano, em Sagitário e com o Ascendente, e essas aflições são tanto mais poderosas porque ambos, Sol e Lua, estão em Casas angulares: um perto do Meio-do-céu, outra próxima do Nadir. Assim, pois, conforme mostra o mapa natal, existe grande tendência para problemas com os braços e as pernas, bem como para a hidropisia, a paralisia e enfermidades debilitantes.

Essas condições não se manifestaram até que a paciente alcançasse os 18 anos de idade. Nessa ocasião, o Sol progredido alcançou os 16º33′ de Virgem, formando então Quadratura com Saturno radical. Isso fez a fraqueza latente se revelar, resultando numa perda gradativa de controle dos membros que a deixou prostrada. Netuno, em Conjunção com a saturnina Cauda do Dragão em Gêmeos, Signo que governa os pulmões e produz condição asmática, e a Lua afligida em Peixes dá a tendência para inchações hidrópicas, que também se manifestaram. Dessa maneira, e por enquanto, ela é presa do que parece uma condição incurável. Contudo é digno de nota que todas as aflições partem de Signos Comuns, e isso dá ao astrólogo um raio de esperança: a de que quando o Sol ultrapassar os pontos críticos da aflição, ela possa se curar e recobrar o uso dos braços e das pernas, mesmo que não totalmente.

Enquanto isso, todo esforço deveria ser feito no sentido de lhe ativar a circulação por meio de manipulações e massagens nas pernas e braços. Uma dieta de leite fresco, rico em Éter, e verduras cruas, ricas em sais minerais, certamente lhe será muito benéfica e ajudará na manutenção dos membros em boa forma e para evitar atrofia, de maneira que quando as atuais aflições astrais tenham passado, o Sextil do Sol com Júpiter radicais lhe possa restaurar a circulação. Essa paciente pode ser melhor tratada por um terapeuta que tenha Áries ou Leão no Ascendente, e cujo Saturno não esteja posicionado em qualquer lugar que possa ser incluído na lª e na 6ª Casa da paciente.

Nº 13B – Paralisia e arteriosclerose

Homem, nascido em 9 de fevereiro de 1855, às 9:00 PM

Vamos observar primeiramente as qualidades mentais do paciente. A Lua está em Conjunção com a Cauda do Dragão, de influência saturnina, e Mercúrio está em Quadratura com Saturno. Desse modo, os dois significadores da Mente acham-se afligidos por uma influência obstrutiva e melancólica, a qual também atua sobre Marte e Vênus, através da Quadratura com Saturno. Além do mais, Saturno se posiciona na 9ª Casa, no Signo da Mente inferior, Gêmeos. Assim, pois, quase não existe alegria para o nativo; o mundo inteiro lhe parece triste e sombrio; trata tudo e todos de modo apreensivo e com desconfiança, e sempre receia se movimentar em qualquer direção, com medo do que possa lhe acontecer.

Essa atitude mental é a base de todo o problema, pois quem quer que abrigue tais pensamentos de medo e preocupação jamais pode ser saudável. Quanto mais alegres e otimistas formos, mais atuaremos como ímãs para as coisas boas. Convertemo-nos em “sortudos”, segundo a expressão popular. A atitude oposta, como a desse caso, atrai forçosamente infortúnio e dificuldade. Ele pensa ter motivos para preocupação, e superficialmente até parece que sim, mas o problema é que ele troca o efeito pela causa. A primeira atitude do curador ou da curadora deve ser a de lhe apontar esse erro fatal e de ensiná-lo a sorrir, ou pelo menos a tentar sorrir.

Exatamente como a alegre animação ativa a circulação e produz eliminação, mantendo o corpo saudável, assim também a preocupação produz concreções ao dificultar a eliminação de matérias residuais, ocasionando deste modo condições doentias para o corpo. A influência saturnina afeta o corpo do paciente em três lugares. Primeiramente, Saturno está no Signo de Gêmeos, governante dos pulmões; ele forma Quadraturas com Mercúrio, Marte e Vênus, pelo que obstrui a expulsão de ácido carbônico e impede a oxigenação adequada do sangue. A Lua tem regência particular sobre os fluidos do corpo. Ela se encontra no último decanato de Escorpião, em Conjunção com a Cauda do Dragão. Pode-se, pois, contar com obstrução da urina e concreções na bexiga. O Sol e Júpiter estão em Aquário. Urano está em Quadratura com Júpiter, e a Lua com o Sol. O efeito disso é sentido no Signo oposto, Leão, que rege o coração. O Sol está em Paralelo com Urano; portanto a atividade do coração é muito irregular, a circulação muito fraca e o sangue envenenado e denso, carregado de matéria residual que não pode ser eliminada pelos canais regulares. Essa matéria adere às paredes das artérias, de maneira que, com o passar dos anos, surge a condição conhecida como endurecimento das artérias, tomando-se o corpo seco e emaciado.

O horóscopo é o relógio do destino que marca a hora em que as tendências indicadas no nascimento devem se materializar. Em agosto de 1910, a Lua havia progredido até alcançar uma Conjunção com sua posição radical.

Essa configuração ativou tanto a Conjunção da Lua radical com a Cauda do Dragão como a sua Quadratura com o Sol radical e sua Oposição a Urano radical. Desse modo, a enfermidade, que havia sido preparada durante muitos anos, tomou um aspecto grave e começou a produzir muitas e sérias dificuldades ao nativo. Em janeiro de 1912, a Lua progrediu até o ponto de Oposição a Saturno radical e Quadratura a Marte e Mercúrio, despertando assim, e pondo em ação, as condições prenunciadas no mapa natal.

Marte e Mercúrio governam o sistema nervoso. Marte rege os nervos motores e Mercúrio os nervos sensoriais. A aflição relativa à progressão acima obstruiu o fluido vital ao longo dos nervos e paralisou o corpo.

Júpiter estava em Paralelo com o Sol radical no período de 1912 a 1914, e a Conjunção do Sol e Marte progredidos em janeiro de 1914 serviu para dar mais energia. Tais influências deveriam ter sido aproveitadas. O paciente deveria viver ao ar livre, no campo, se possível, com uma dieta em que o soro do leite predominasse e, sobretudo, cultivando forçosamente uma atitude animada. Isso e massagens nos nervos da espinha provavelmente trariam vida aos seus membros paralisados e, poderiam, sob bons Aspectos progredidos, lhe restaurar boa parte da saúde.

Nº 13C – Paralisia Facial

Mulher, nascida em 13 de abril de l912, às 9:00 AM

Esse horóscopo é de uma menina com o Signo de Água e Cardeal de Câncer no ângulo oriental e com o ígneo Marte em Conjunção com o Ascendente. Marte está em Quadratura com Vênus e em Trígono com a Lua, sendo esta a Regente do Ascendente. Marte é governante da 6ª Casa, que rege a saúde; consequentemente, devemos vê-lo aqui como indicador de saúde.

Marte em Câncer, afligido por uma Quadratura com Vênus, e Vênus no Signo marciano de Áries, indica um glutão, alguém que, em consequência dos excessos de comidas fortes e muito temperadas, deve sofrer de indigestão ou inflamação do estômago.

Netuno em Câncer, afligido por Quadraturas do Sol e de Mercúrio, é capaz de gerar problemas nervosos ou de desnutrição. Contudo, essa garota tem gozado de boa saúde, estando seus órgãos digestivos em bom estado. A Conjunção de Marte com o Ascendente em Câncer e em Quadratura com Vênus pouco tem afetado sua saúde.

O nascimento dessa criança foi preparado sob as mais puras condições e da maneira mais cuidadosa. Seus pais se prepararam para isso, mesmo antes da concepção, pois desejavam atrair ao nascimento um Ego avançado e puro. Durante todo o período pré-natal, a mãe recebeu os maiores cuidados, de maneira que a criança foi amada nesse Mundo Físico por pais avançados e puros. Foi a criança mais encantadora – saudável e feliz, muito além da média das crianças de sua idade e superior em mentalidade a outras crianças da mesma idade.

No verão de 1922, ela sofreu frequentes hemorragias nasais e sérias dores de cabeça. Os melhores médicos foram consultados e tudo fizeram para identificar a causa do problema, mas não conseguiram. Os músculos da face direita começaram a afrouxar e evoluiu para uma paralisia facial que desfigurou enormemente o belo rostinho. Após tentarem todos os métodos para melhorar o estado da criança, os pais levaram-na para uma viagem de turismo pelo sul da Califórnia, na esperança de que o litoral marítimo e a baixa altitude pudessem melhorá-la, o que aconteceu em parte.

Tendo lido obras da Fraternidade Rosacruz sobre astrologia e sabendo do nosso método de cura e diagnose, eles vieram até a Sede Mundial da Fraternidade Rosacruz na esperança de que a autora pudesse diagnosticar seu caso e ajudá-los em seu problema. Essa esperança foi realizada. Tão logo teve contato com a aura da menina, a autora se viu impelida a deitá-la de bruços e deslizar a mão sobre a coluna espinhal dela. Embora não fosse osteopata nem quiroprática, ela descobriu irregularidades na região da vértebra cervical superior e também no centro da região dorsal.

Durante esse – que podemos chamar de intuitivo ou espiritual – diagnóstico, os pais da paciente permaneciam silenciosos, observando cada movimento da autora e trocando olhares de vez em quando. Quando mencionamos que a coluna estava irregular, o pai protestou: “Oh! Não, sua coluna está bem. ” Quando indagados se ela havia sido submetida a alguma correção, admitiram que ambos, marido e mulher, eram quiropráticos com quase dois anos de prática. Perguntados se não haviam se exercitado na criança, envergonhados eles admitiram o fato, que resultara numa superestimulação dos nervos motores.

Através desse teclado maravilhoso, que é a espinha dorsal com seus 31 nervos espinhais, um “operador” habilidoso pode, manipulando-o, enervar ou estimular quase todas as partes do corpo, ao passo que um incompetente pode causar sofrimento indizível. Foi o que aconteceu com essa linda menina. Seus pais, que a trouxeram a existência por amor, que por ela haviam sacrificado suas vidas, ignorando o que faziam, uma vez aplicaram massagem em excesso sobre seus nervos espinhais, estimulando-os ao ponto da exaustão e, depois de causado o dano, não foram suficientemente hábeis para descobrir um meio de desfazê-lo.

Tomemos os Regentes da 10ª e da 4ª Casas para indicar os pais. Netuno, o Regente de Peixes, que está no Meio-do-Céu, e Mercúrio, o Regente de Virgem, que está na cúspide da 4ª Casa. Esses dois Planetas estão em Quadratura mútua. Marte no Ascendente indica acidentes, lesões, etc. Marte está em Quadratura com Vênus em Áries, a cabeça. Os Signos Cardeais atuam uns sobre os outros. As partes afetadas por Quadraturas, tais como a de Áries, Regente da cabeça, atua em Câncer – Regente do estômago – em mútua dependência uma da outra. Por conseguinte, quando os nervos do estômago da menina foram superestimulados, enviando por isso um excesso de sangue para a cabeça e causando sangramento pelo nariz, um osteopata ou quiroprático habilidoso, que conhecesse a regularização apropriada, teria vencido a dificuldade com poucos tratamentos. Os Auxiliares Invisíveis da Fraternidade Rosacruz também podem conseguir o mesmo, materializando uma das mãos.

Nº l3D, 13E – Paralisia

Nº l3D

Homem, nascido em 25 de março de 1876, às 2:00 AM

Nós utilizaremos para essa lição os horóscopos de um homem e de uma mulher, com aflições em Signos Comuns, para ilustrar o motivo pelo qual um paciente pode sucumbir à doença e se tornar um inválido, enquanto outro, com muito mais Astros afligindo-o, ainda assim é capaz de levar uma vida ativa e útil.

Primeiro vamos diagnosticar o horóscopo 13D, em que o Signo Comum de Sagitário se encontra no Ascendente e seu Regente Júpiter está Retrógrado em seu próprio domicílio na 1lª Casa, em Trígono com o vitalizante Sol, mas em Quadratura com o obstrutor Saturno, o qual se posiciona em Peixes, outro Signo Comum. O Sol só tem bons Aspectos. A Lua está em Quadratura com o Ascendente e Conjunção com a Cabeça do Dragão – de influência jupteriana; está também em Sextis com Marte e Vênus e em Trígono com Júpiter. Essas configurações devem proporcionar muita vitalidade e ser um poderoso fator de saúde nesse horóscopo. Então por que, com tão poucas aflições, este homem se tornou um inválido?

Vemos apenas duas aflições que poderiam prejudicar a saúde; essas são: Saturno em Quadratura com Júpiter e Vênus em Conjunção com Marte em Touro e em Quadratura com Urano em Leão. Mas, com um Signo Comum no Ascendente, a vontade do nativo não foi suficientemente forte para resistir às tentações indicadas por Vênus em Conjunção com Marte em Touro, a laringe (Touro também representa os órgãos genitais, por Oposição a Escorpião), e em Quadratura com Urano. Desregramento no comer e no beber encheram o seu sangue de impurezas, o que lhe prejudicou a circulação arterial. Saturno em um Signo Comum, em Quadratura com Júpiter também em Signo Comum – Sagitário, Regente da região sacra – mostra que o quinto nervo lombar e os nervos sacros tiveram suas funções obstruídas. Isso, naturalmente, interferiu com a circulação daquela parte do Corpo, causando paralisia dos membros inferiores. O homem de Signo Comum naturalmente segue a linha de menor resistência, razão pelo qual a situação enveredou para a invalidez.

Nº l3E

Agora o horóscopo Nº 13E, que é de uma mulher, e que tem o Signo Fixo de Leão no Ascendente e Marte na cúspide do Ascendente; contudo, nesse caso, o Regente, Sol – e também a Lua – se encontram afligidos pela Oposição de Netuno e pela Quadratura com Urano. Vênus, Regente da circulação venosa, está no Signo Comum de Virgem, em Quadratura com o obstrutor Saturno em Sagitário, que é o domicílio de Júpiter, sendo que Sagitário governa também a região do sacro. Um nativo com o dinâmico Marte no Ascendente, no Signo Fixo e impulsivo de Leão, tem uma abundância de energia e ambição e, naturalmente, usou e abusou dessa energia e somando ao temperamento e a impulsividade, dissipou grande parte de sua vitalidade. Com a circulação restrita por Saturno na região do sacro, por que essa mulher não deveria sofrer com os problemas semelhantes ao do homem do horóscopo Nº 13D?

No horóscopo do homem vemos condições indicativas de uma pessoa fleumática, mentalmente preguiçosa. Com a Lua e Mercúrio em Conjunção em Peixes e em Sextil a Vênus e Marte, e com Júpiter em Trígono com o Sol, tudo lhe vem às mãos sem grande esforço. Especialmente por ter sido atraído a pessoas da 5ª, 7ª e 10ª Casa – pessoas da música, do teatro e artistas de cinema, que o levavam a vida dos prazeres. No horóscopo Nº 13E, vemos uma mulher cheia de vontade e ambição, cujo desejo de curar e ajudar a humanidade levou-a a abraçar a carreira médica. Mas ela lutava constantemente para evitar que suas juntas endurecessem e ficassem doloridas. Com Saturno obstruindo a circulação na região do sacro, ela sofria intensamente de granulação nas juntas dos ombros, quadris e pés. Vênus ou Júpiter, com aflições provenientes de Signos Comuns, dá uma tendência a paralisia dos membros, mas com um Signo Fixo no Ascendente a nativa não sucumbiu. Portanto é muitíssimo necessário, todas as vezes que se diagnosticar uma doença, observar o Signo Ascendente e os Aspectos do Sol, da Lua e do Regente do Ascendente.

Quem sofre de aflições como as que vimos acima deve se esforçar por manter a circulação normal comendo muito pouco, e alimentos simples; deve se exercitar bastante e, com um par de luvas de banho, friccionar ativamente os membros, de manhã e à noite. Isso, muitas vezes, evita um caso de paralisia.

Nº 13F – Paralisia Infantil

Homem, nascido em 7 de julho de 1908, às 2:00 AM

Nós examinaremos aqui os Aspectos concordantes de Astros em Signos Cardeais. Encontramos, nesse horóscopo, a mais interessante lição ilustrativa da harmonia e desarmonia dos Astros, quando posicionados em Signos nos quais formam Quadraturas e Oposições entre si.

O horóscopo desse moço tem o Signo Comum de Gêmeos no Ascendente, com Mercúrio, Vênus, Netuno, Sol, Marte e Cabeça do Dragão, todos em Câncer, o Signo que rege o estômago. Quatro desses Astros, a saber, Mercúrio, Vênus, Netuno e Sol, estão em Oposição a Urano e em Quadratura com Saturno. O Sol está Paralelo a Urano e Netuno. Netuno, Urano e o Sol estão em Quadratura com a Lua em Libra, na 6ª Casa.

Numa primeira análise, pode-se diagnosticar esse caso como problema do estômago, pois estando Vênus em Conjunção com Mercúrio, Netuno e Sol afligidos em Câncer, pode-se esperar uma digestão deficiente. Quando Netuno é um dos afligidores, especialmente quando, por sua vez, está afligido por Saturno, há uma tendência para o subdesenvolvimento, ficando os órgãos afetados quase sempre mirrados e deformados. Com Saturno em Quadratura com Netuno e Urano, estando Urano no Signo de Capricórnio, que é oposto ao Signo que rege o estômago, o nativo, quando criança, não conseguia digerir a comida, a qual muitas vezes era encontrada intacta nas fezes. Os pais, ignorantes das causas dessa condição, eram condescendentes, permitindo-lhe aos dois anos comer o que quisesse; desde a mais tenra idade lhe davam alimento sólido.

Com Netuno no Signo do estômago, em Quadratura com Saturno e em Oposição a Urano, as delicadas glândulas que segregam o suco gástrico do estômago, tão necessárias ao fornecimento quer do muco lubrificante quer do fluido digestivo, ficaram carentes de vitalidade e inclinadas a funcionar espasmodicamente; pois Urano causa ação espasmódica; Saturno, atividade lenta e Netuno, tamanho reduzido ou funcionamento anormal. Pode-se esperar, portanto, que nesse caso o sangue não receba a devida nutrição dos alimentos. Em virtude disso, o Corpo ficou privado dos elementos necessários à sua manutenção.

Geralmente, o dano desses casos se materializa onde o Astro com os piores Aspectos está posicionado. Aqui, Urano se encontra em Capricórnio, formando vários Aspectos adversos, conforme visto acima. Urano não recebe ajuda de nenhum outro Astro; por conseguinte, naturalmente se pode esperar que o lugar de tal Astro tão afligido é o ponto focal do círculo vicioso. Capricórnio rege as pernas e as juntas, especialmente as juntas dos joelhos. Aos dois anos de idade, o nativo foi vitimado pelo que os médicos chamam de paralisia infantil, que o fez perder o uso dos pés. A paralisia infantil é uma doença diagnosticada pela medicina como decorrente da inflamação da matéria cinzenta do cordão espinhal, embora isso ainda não tenha sido provado. Alguns dentre os médicos têm dúvidas a respeito, e pesquisam outras causas[43].

Duas crianças não sofrem os mesmos efeitos dessa doença infantil. Do ponto de vista astrológico, nem mesmo duas que sejam vitimadas por ela teriam exatamente as mesmas aflições astrais, nem teriam necessariamente o mesmo Signo Ascendente. O autor descobriu em sete horóscopos de crianças vitimadas por essa doença que, em cada caso, Netuno era sempre o principal afligidor. Como se afirma no livro “A Mensagem das Estrelas”, Netuno rege os fluidos espinhais e a glândula pineal, de maneira que o modo de a doença se expressar dependerá do Astro que o afligir. Isso, naturalmente, deixa os médicos frustrados, pois eles são incapazes de explicar porque uma criança fica com uma só perna paralisada, outra fica com ambas e com os braços também, e ainda outra com um lado inteiro inutilizado. Contudo, os Astros explicam a razão dessa diversidade de expressão externa.

Nº 13G – Raquitismo e Tetania

Mulher, nascida em 6 de janeiro de 1911, às 8:20 PM

Temos aqui o horóscopo de uma menina com o Signo Comum de Virgem no Ascendente e o Sol na 5ª Casa, em Capricórnio. O Livro Mensagem das Estrelas nos informa que o Sol rege o fluido vital, que entra no Corpo através do baço, e como esse fluido vitalizante sustenta o organismo inteiro. O Sol aqui está afligido por uma Oposição com Netuno, posicionado no Signo de Câncer, Regente do estômago. O Sol também está afligido por um Paralelo de Marte e Urano. Pode-se ver aqui que a parte do Corpo por onde a força solar precisa entrar, para possibilitar que o Corpo Vital restaure aquilo que o Corpo de Desejos destrói, não vem funcionando normalmente desde o nascimento. Quando o Sol está afligido pelo espasmódico Urano, pela ação restritiva de Netuno e pelas condições inflamatórias do ígneo Marte, pode-se esperar problemas em alguma época da vida do nativo, uma vez que ele tenha violado as leis da natureza e quando os Astros progredidos comecem a colocar as aflições em ação.

No começo de 1923, a Lua progredida passava pelo Signo de Virgem e formava uma Quadratura com Marte radical em Sagitário. Isso perturbou o metabolismo do trato digestivo, o qual, em virtude da inflamação resultante, ficou incapacitado de fornecer ao sangue a quantidade adequada de sais minerais. Esse fato, combinado com a perturbação da força solar causada por um Sol afligido, privava os ossos e músculos de sua nutrição.

Em janeiro de 1923, a Lua Nova fez uma Conjunção com Vênus, Urano e Mercúrio radicais, formando ainda Quadratura com Saturno e Oposição com Netuno, ambos também radicais. Isso despertou a condição latente significada por Netuno em Câncer, pelo Sol, Urano, Vênus e Mercúrio em Capricórnio e pelo adverso Saturno em Áries e em Quadratura com os três últimos Astros. Acrescente-se a todas essas aflições o paralelo de Marte radical a Urano, Netuno, Vênus e Sol também radicais. Admira, pois, que essa menina tenha sido vitimada pela terrível doença do raquitismo, enfermidade em que os ossos ficam carentes de minerais, e pela tetania[44], doença que se caracteriza pela contração nervosa dos músculos das extremidades?

Houvessem os pais, quando a criança era bem pequena, conhecido suas tendências neste horóscopo e escolhido cuidadosamente sua alimentação, de modo que ela pudesse receber o máximo possível de elementos nutrientes no menor volume possível de comida, evitando o excesso de açúcar, massas e proteínas; houvessem também dado a ela mais hortaliças verdes e puras ao natural, poderiam tê-la ajudado a formar ossos e músculos mais resistentes. Infelizmente muitas de nossas regiões do norte não dispõem de alimentação pura e verde durante o ano todo, conforme temos aqui na ensolarada Califórnia, onde pode ser encontrada em abundância nos doze meses do ano.

Prescrevendo uma dieta para pacientes que sofrem da enfermidade acima, pode-se eliminar toda proteína pesada, substituindo-a por bastante leite puro e fresco de cabra, cenoura, alface, cebola e espinafre, acrescentando uma quantidade muito pequena de pão de trigo integral para dar-lhe volume. Que a paciente se deite ao Sol tanto quanto possível, permitindo especialmente que seus raios lhe banhem a espinha. E que lhe façam fricções para estimular-lhe a circulação.

CAPÍTULO XXV – OS NERVOS

Nº 14A-B – COLAPSO NERVOSO[45] E PARALISIA

Com o objetivo de ilustrar ao Estudante a causa pela qual a mesma doença pode deixar sequelas diferentes, vamos usar dois horóscopos. Essas duas Cartas provam aquilo que temos afirmado sempre, isto é, que não há maneira mais perfeita de diagnosticar uma doença de um paciente, nada mais confiável, do que a astrodiagnose.

Ambos os pacientes pediram auxílio de cura aos Auxiliares Invisíveis e ambos vêm sofrendo daquela terrível doença que tem ceifado tantas vidas em todo o mundo e feito mais vítimas do que a guerra mundial[46], a doença que os médicos chamam influenza[47], ou também chamada de “gripe”.

 Nº 14A

Homem, nascido em 3 de junho de 1855, às 2:00 AM

Aqui, nós temos o ambicioso e ígneo Signo de Áries no Ascendente, com o Sol no Signo irrequieto e nervoso de Gêmeos, na Casa das finanças e em Conjunção com o perseverante, econômico, diplomático e avarento Saturno. O Regente do horóscopo, Marte, está nos últimos graus de Touro, em Quadratura com Júpiter, o Planeta que ama muito as finanças. E, como gosta delas, pode fazer por elas muita coisa. Ele é grande e benevolente de todas as maneiras. Achamos que esse homem tinha muita vontade de ser rico e que, depois de ter contraído a influenza, ele exigiu tanto de seu corpo físico, focando em acumular riquezas, que acabou criando uma condição nervosa que é o motivo do seu sofrimento agora. Ele tem a inquieta Lua no Meio-do-céu, em Trígono com o irresponsável e inventivo Urano, o que lhe dá um grande desejo de especular e adotar sistemas de enriquecimento rápido. No entanto, Netuno, o Planeta que lida com as especulações e com as grandes companhias, está em Quadratura com o Sol e Saturno na 2ª Casa, indicando que ele sempre ele tem especulado nas grandes corporações e sempre tem perdido.

Vênus, em Câncer na 4ª Casa, em Oposição à Lua no Meio-do-céu, produz uma condição extravagante, frívola, preguiçosa e dissoluta no lar, indicando que o dinheiro é desperdiçado e usado de forma muito tola, levando o nativo a querer ganhar mais. E assim ele sacrificou sua vitalidade pelo todo-poderoso dólar. Como operador de telegrafia, usou demasiadamente o cérebro e a ponta dos dedos, o que ocasionou uma tonificação imprópria do sistema nervoso. O resultado foi um colapso nervoso completo.

Nº 14B

Homem, nascido em 15 de abril de 1865, às 8:22 AM

Com o Signo nervoso de Gêmeos ascendendo e o irrequieto, não-convencional Urano no Ascendente em Oposição a Júpiter, Regente do sangue arterial, esse homem foi presa fácil de pneumonia, uma vez que os capilares dos seus pulmões se contraíam, tornando a oxigenação espasmódica.

O vitalizante Sol se encontra na 11ª Casa em Áries, em Oposição a Saturno, Retrógrado em Libra. Saturno está Exaltado em Libra e é muito poderoso. Geralmente procuraríamos os problemas maiores na parte do corpo correspondente a esse Planeta. De fato, esse homem sofreu durante algum tempo de afecções renais, quando seu organismo ficou preguiçoso e saturado de impurezas, e seus rins não as eliminavam adequadamente por vários anos. Sempre foi um bom garfo. Tendo Marte em Câncer em Quadratura com Netuno, ele tem sido descomedido e exagerado nas concessões que faz ao apetite, gostando também demasiadamente de líquidos.

Os Astros, frequentemente, atuam nos opostos. Nesse caso, achamos que a raiz do problema principal está no Signo de Áries. Esse homem ficou paralítico depois de suplantar os efeitos da pneumonia.

Pode-se ver a diferença entre esses dois homens. O do caso Nº 14A está mais capacitado para dominar doenças, já que tem o Signo ígneo e ambicioso de Áries no Ascendente. Tem melhor circulação, pois tem Mercúrio em Trígono com Júpiter. O do caso Nº 14B tem o irrequieto e emotivo Urano em Gêmeos no Ascendente e muito afligido, o que tornava difícil para ele ficar quieto e permanecer calmo; suas emoções levavam-no constantemente a excessos e a limites extremos. Ambos devem se sujeitar a uma dieta rigorosa, pois cederam em demasia às tentações dos bons pratos. Essa dieta deve consistir principalmente de legumes, incluindo aqui cebolas cruas, salsa e aipo.

O paciente do caso Nº 14A está sofrendo de um colapso nervoso total, enquanto o do Nº 14B está paralítico.

Nº 14C-D – ANDAR DEFEITUOSO

Examinemos agora um par de temas semelhantes e muito interessantes, tanto nos Aspectos como em sintomas.

Nº 14C

Comecemos pelo exemplo Nº14C, de um rapaz nascido em 25 de novembro de 1899, a 0:30 AM.

A vacilante e negativa Lua se encontra na 12ª Casa, próxima ao Ascendente, como Regente do horóscopo. Esse Astro forma Quadratura com Sol e Urano. Os dois últimos estão em Conjunção no Signo de Sagitário, que rege os quadris, a região sacra da espinha e a região do cóccix. Sagitário rege também as artérias e veias ilíacas, os nervos ciáticos e os músculos locomotores dos quadris e das coxas. Marte também se encontra no Signo dos quadris, em Conjunção com Vênus, Mercúrio e Saturno. Vênus governa o sangue venoso de modo que, onde quer que se posicione e esteja afligido dificulta a circulação nessa parte do Corpo. Marte queima, ao passo que Saturno restringe, contrai e resseca. Achamos, pois, que a circulação está prejudicada por esses dois Planetas afligidos, e, como Mercúrio rege os nervos, podia-se esperar que esse rapaz sofresse restrições na região dos quadris. Netuno, a oitava superior de Mercúrio, atua sobre o sistema nervoso e governa o canal espinhal. Nesse horóscopo, Netuno se posiciona na 10ª Casa e em ângulo, onde é mais poderoso que quando posicionado numa Casa Cadente ou numa Casa Sucedente. Ele se encontra também no Signo de Mercúrio (Gêmeos), o qual governa os nervos superiores da espinha. Como Netuno está em Oposição a Vênus, Mercúrio e Saturno, e em Paralelo com Saturno, Marte e Urano, por meio desse Planeta com tantos Aspectos, a maior parte dos quais adversos, pode localizar a base do problema: obstrução no sistema nervoso e nos fluidos da espinha.

Esse menino nunca foi capaz de caminhar sem cambalear, como uma pessoa bêbada. Gêmeos, sendo o Signo da fala, e Mercúrio, o Planeta que rege a fala, e estando Netuno em Gêmeos temos como resultado esse último provocando o impedimento nele para que aprendesse a usar a faculdade da fala. Com a Lua, Regente da vida, afligida em Virgem (a Lua rege os fluídos brancos do Corpo e Mercúrio o intestino delgado) será duvidoso que esse jovem possa superar essas aflições, pois um Signo negativo ascendendo e as aflições nos ângulos são mais fortes do que a vontade desse paciente.

Nº 14D

O segundo exemplo, que é o de um rapaz nascido em 17 de março de 1900, a 1:00 AM, tem o enérgico Signo de Sagitário no Ascendente e Júpiter, o Regente da vida, em seu próprio domicílio e na 12ª Casa, em Conjunção com o nervoso e errático Urano, que é co-Regente do horóscopo. Esses dois Planetas também estão em Conjunção com a Cabeça do Dragão, que é de natureza jupteriana. Eles estão afligidos por Quadraturas com Marte, desde o Signo de Peixes e também em Paralelo com Netuno e Saturno. Com essas aflições de Júpiter, Regente do sangue arterial, nos dois Signos jupterianos – Sagitário (Regente dos quadris) e Peixes (Regente dos pés), o que se poderia esperar senão que o sangue arterial fosse obstruído nos membros inferiores? Como a atividade de Urano é espasmódica, está indicado que somente em certas épocas o paciente deve sofrer de câimbras nos nervos motores. Contudo Saturno, Planeta da obstrução, acha-se forte em seu próprio domicílio, Capricórnio, governante dos joelhos, afligido pela Quadratura da Lua, próxima do Meio-do-Céu, e também pela Quadratura de Mercúrio em Áries. Como as articulações do corpo são amplamente regidas pelo Signo de Capricórnio, em especial quando Saturno se posiciona afligido nesse Signo, pode-se esperar a ausência de força e a falta de controle da parte inferior do corpo.

Netuno, Regente do canal espinhal e do Fogo espiritual da espinha, está em Quadratura com o vitalizante Sol. Esse Aspecto atua sobre o corpo como atuaria num telefone com o fio desligado: simplesmente deixa de haver resposta. Os fluidos vitais não podem fluir livremente pela coluna espinhal, e então as partes superiores e inferiores do corpo podem ser comparadas a dois fios desligados. Esse rapaz, como o primeiro, não conseguia andar sem o apoio de muletas, mas essa aflição foi muito leve até ele alcançar a idade de sete anos, quando a Lua progredida alcançou a Conjunção com Saturno radical; então o menino perdeu completamente o controle dos membros inferiores.

A Epístola aos Gálatas nos diz no Capítulo 6, versículo 7, que aquilo que o ser humano semear, isso ele colherá. Pode-se perguntar: “Como esse pobre rapaz pode ser considerado responsável por algo que o atingiu ainda em criança? ”. Dizem-nos que essa vida não é tudo, que temos vivido muitas outras e que nascemos de pais com os quais estabelecemos laços em vidas anteriores. Eles são os instrumentos através dos quais recebemos nossas lições. Vemos isso exemplificado quando investigamos a vida dessas pobres almas. Elas são atraídas por pais que podem lhes dar certos Corpos, cujos arquétipos foram construídos por elas próprias. Notamos no horóscopo Nº14C que Netuno está na 10ª Casa, em Oposição a Saturno, Vênus e Mercúrio na 4ª Casa, indicando lascívia e embriaguez de ambos os pais, enquanto no Nº 14D a Lua está afligida na 9ª Casa por uma Oposição de Mercúrio, e Saturno forma Quadratura tanto com Mercúrio como com a Lua, o que indica um pai ébrio e uma mãe nervosa e neurastênica.

Que os infelizes jovens nascidos nesses Corpos desgraçadamente prejudicados possam aprender suas lições, já que as aflições são para a alma o que o Fogo é para o ouro – elementos refinadores. Certamente as experiências nessa vida poderão lhes proporcionar muita purificação e muito crescimento anímico.

Nº 14E –HISTERIA EXAGERADA

Mulher, nascida em 5 de dezembro de 1873, às 8:45 PM

Esse horóscopo tem o positivo, vital e Signo Fixo de Leão no Ascendente, com o Regente – Sol – em Sagitário na 5ª Casa. A Lua e Saturno estão muito fortes em seus próprios Signos de domicílio. Saturno, o Planeta da obstrução, está em Capricórnio na 6ª Casa, a Casa da doença. Normalmente contamos com tal Planeta e sua posição para a chave do problema. Saturno está em Quadratura com Netuno Retrógrado, e esse em Conjunção com o Meio-do-Céu e no impetuoso Signo de Áries. Netuno é a oitava superior de Mercúrio; ele está na 9ª Casa, governante da Mente superior. Em casos como esse, pode-se esperar perturbações cerebrais ou algum problema de anormalidade mental.

A Lua está em seu próprio Signo, Câncer, em Quadratura com Júpiter. O nativo, por conseguinte, só pode esperar pouca ajuda da Lua, e assim sendo temos de examinar o Planeta Mercúrio para ver se a Mente recebe ajuda para superar a Quadratura de Netuno a Saturno. Mercúrio está Retrógrado, o que torna sua influência latente, e se encontra no Signo de sua Queda, o negativo e Comum Sagitário. Contudo, ainda que fraco por Signo e Retrógrado, Mercúrio é auxiliado por um Sextil de Júpiter e por outro de Saturno. Isso pode salvar a nativa da insanidade mental.

Urano, o Planeta da impulsividade, está Retrógrado e no impetuoso Signo de Leão, em Conjunção com o Ascendente e em Oposição ao ígneo Marte. Marte e Urano estão em ângulos, na 1ª e na 7ª Casa, proporcionando uma tendência para causar, periodicamente, fases de irritação e de emoções espasmódicas. Isso provoca irregularidade no funcionamento do coração.

Netuno em Áries, em Quadratura com Saturno, torna a Mente muito egoísta, de maneira que, desde criança, essa nativa procurou conseguir dos outros a satisfação de todas as suas vontades. Era capaz de se entregar a espasmos para conseguir qualquer coisa de seus pais. Esse hábito se fortaleceu nela, de modo que, quando alcançou a idade da menopausa, não pôde mais exercer controle nenhum sobre suas emoções. O diagnóstico dos médicos para seu caso foi histeria exagerada.

Quando o Sol progredido se aproximou do ponto de Conjunção com Marte radical e da Oposição com Urano radical, um problema de coração se revelou, como resultado da tensão a que ela havia submetido o seu corpo durante toda a vida, nos períodos de egoísmo. Com Netuno em Áries, em Quadratura com Saturno, falta-lhe o controle mental, e assim ela permite que os emotivos Urano e Marte governem inteiramente sua vida.

Eis um caso em que os pais foram muito culpados por deixarem a filha, quando criança, fazer tudo o que queria. Se eles tivessem exercido o controle sobre ela, desde o começo nessa fase, mesmo que tivessem de empregar métodos severos e negado a atender as suas vontades, ela teria toda a ajuda necessária para conseguir o domínio sobre suas emoções. Contudo como, pelo contrário, fizeram-lhe todas as concessões, isso lhe tem causado sofrimento inaudito e pode até leva-la a um fim fatal.

Esse é um caso em que o paciente desencadeia sua doença por meio de atos violentos. Não há nenhuma razão para adoecer em função de apenas três aflições, a saber: Saturno em Quadratura com Netuno e Meio-do-Céu, Urano em Conjunção com o Ascendente e em Oposição a Marte e Júpiter em Quadratura com a Lua; enquanto, por outro lado, existem 15 bons Aspectos no horóscopo, incluindo os Paralelos, o Sextil do Sol com Marte e o posicionamento de Signos Fixos e Cardeais nos ângulos. Pode-se muito bem dizer que essa mulher está cavando a própria sepultura. Pense-se no tipo de base que ela está lançando para o arquétipo que usará na próxima encarnação! É de causar surpresa que certas almas nasçam com doenças crônicas e incuráveis?

Nº 14F – OBSTRUÇÃO DO NERVO PNEUMOGÁSTRICO[48]

Mulher, nascida em 4 de abril de 1915, às 5:00 PM

Nesse horóscopo temos o Signo Comum de Virgem no Ascendente, bem como Signos Comuns nos quatro ângulos e os Astros que afligem estão posicionados nos Signos Comuns. Como regra, as aflições astrais desses Signos mais fracos são mais facilmente superadas que as provenientes de Signos Cardeais ou Fixos, mas quando o paciente também tem Signos Comuns nos quatro ângulos, ele poderá não fazer o esforço necessário para superar as condições astrais.

O Sol se encontra no impulsivo e marciano Signo de Áries, em Sextil com Urano. Esse último Planeta está fortalecido em seu próprio Signo de Aquário. A Lua está no irrequieto Signo de Sagitário, e o Regente do Ascendente, Mercúrio, está em Conjunção com o ígneo e impulsivo Marte. As posições desses vários Astros proporcionarão a essa criança uma natureza muito impulsiva, inquieta e ambiciosa, natureza essa que a manterá ocupada constantemente, e o que quer que ela faça deve fazê-lo de maneira rápida e impulsiva. A falta de autocontrole também está indicada. Ela poderá comer apressadamente, sem prestar a devida atenção a mastigação dos alimentos. Essa pressa e esse impulso terá um efeito ruim, pois Mercúrio – Regente do sistema nervoso – em Conjunção com Marte e em Quadratura com a Lua e com o destrutivo Saturno, pode causar desordem na organização nervosa toda vez que o nativo seja submetido a grande excitação, raiva, excessos de comida ou a qualquer coisa que possa lhe ocasionar uma tensão nervosa.

A Lua rege o esôfago e o estômago, enquanto Saturno, que está posicionado fortemente no Meio-do-Céu, governa o nervo pneumogástrico. Saturno está em Oposição à Lua, pelo que se pode esperar problemas na área do nervo pneumogástrico ou vago. As duas divisões desse grande nervo, a esofagiana e a ramificação gástrica, estão com funções obstruídas por Saturno, o que interfere na ação peristáltica. A atividade vagarosa do esôfago e da cárdia faz a comida descer muito lentamente por esse tubo, antes de alcançar o estômago, onde permanece por tempo demasiado longo até ser digerida, pois Saturno torna esses órgãos morosos. Esta condição pode resultar em grande sofrimento.

Esta menina sofria intensamente com incômodos do estômago a cada seis ou oito dias, variando as datas. Tais períodos podem ser reconhecidos pelos efeitos da Lua em Trânsito, quando passava pelos Signos Comuns e formava Conjunção, Oposição ou Quadratura com os Astros nesses Signos. A Lua, transitando pelo seu próprio posicionamento radical em Sagitário, bem como pelos radicais de Mercúrio, Júpiter e Marte em Peixes, e também por Saturno em Gêmeos, pode provocar esses períodos aflitivos uma vez por semana.

Seus pais consultaram vários médicos, cada um emitindo parecer diferente. Um deles diagnosticou câncer, pelo que pretendia operá-la. Nos intervalos dessas crises estomacais, a menina parecia gozar de boa saúde.

Em casos como este, nos dias em que a Lua transita pelos Astros afligidos, deve-se evitar excitação indevida e todo excesso. Deve ser usada cautela na escolha dos alimentos. Toda comida rústica, difícil de digerir, precisa ser evitada, e qualquer coisa que coma precisará ser bem mastigada antes de passar para o esôfago.

CAPÍTULO XXVI – OS OSSOS

Nº 15A – LESÃO DO FÊMUR

Homem, nascido em 11 de novembro de 1886, às 6:36 AM

Sagitário, à 24º24’, está no Ascendente, nesse horóscopo, e o inflamatório e destrutivo Marte, o Planeta impulsivo, está na cúspide do Ascendente, no amoroso, prazeroso e negligente Sagitário. Esse homem gostava muito especialmente de cavalos. Mercúrio está na 12ª Casa, em Sagitário, em Sextil com o impulsivo Urano na 11ª Casa, a Casa dos amigos, indicando o gosto pelas competições, corridas, por dirigir em alta velocidade, etc. Marte, Regente da 5ª Casa, que rege as diversões, está em Sextil com Júpiter. Esse moço sofreu um acidente causado por cavalos.

Aos 21 anos de idade, o Sol e Vênus progredidos estavam em Conjunção com Mercúrio radical e em Sextil com Urano, tendo Marte progredido acabado de formar Quadratura com Urano e alcançado o Sextil com Vênus, o que indicava um período dos mais prazerosos com os amigos. Contudo, a Lua progredida estava em Quadratura com Netuno radical, em Sextil com Marte e em Oposição com o Meio-do-Céu. Isso revelava um acidente, e de fato o rapaz caiu do cavalo. Desse acidente ele nunca mais se recuperou, ficando com os membros inferiores paralisados. Raramente deixava de sentir dores, de maneira que em 1916 os médicos removeram parte do fêmur da sua perna direita, pois o osso, contundido na queda, havia apodrecido.

Saturno se encontra na 8ª Casa, em Câncer, e em Quadratura com Júpiter, que é o Regente do Ascendente. A Lua está no seu Signo de Exaltação, Touro, Regente do paladar, na 5ª Casa, daí seu gosto por bebidas. Pelo que a 11ª Casa, a dos amigos, indica, ele se banqueteou até seu corpo ficar saturado de cinzas. Nesse caso, em que o corpo era incapaz de dar conta desse excesso de comida temperada, os produtos tóxicos se acumulavam na parte mais fraca do corpo. Com Júpiter afligido em Libra, que rege os rins, esses órgãos ficaram extenuados, incapazes, portanto, de eliminar o material tóxico e venenoso. O fêmur contundido era, naturalmente, o ponto que atraía esses venenos, de modo que inevitavelmente entrou em decomposição.

Depois de várias operações, o nativo morreu em junho de 1918, quando o Sol progredido ia se aproximando de uma Conjunção com o Ascendente e a Lua progredida estava em Câncer, em Conjunção com Saturno na 8ª Casa, a da morte; também, Marte progredido estava dentro da órbita de um grau da Oposição com Saturno.

No entanto, tivesse esse moço entrado em contato com um médico que lhe ajustasse adequadamente o fêmur deslocado e que lhe prescrevesse uma dieta estritamente vegetariana, eliminando ao mesmo tempo de seu cardápio toda carne e comidas supertemperadas, a fim de lhe manter o sangue puro, teria havido muita possibilidade de sua vida se prolongar e de não ter ficado paralítico. Infelizmente, porém, ele se encontrava em uma cidade pequena e distante da Nova Zelândia, onde não podia dispor de assistência apropriada. Houve negligência quanto ao deslocamento e à contusão do osso, e a dieta alimentar era grandemente composta de carnes, uma vez que as verduras eram muito escassas ali naquela época.

Nº 15B – ATROFIA MUSCULAR ARTRÍTICA

Mulher, nascida em 4 de dezembro de 1899, às 8:00 PM

Essa moça tem o de Água Signo de Câncer no Ascendente, com o Sol no Signo Comum de Sagitário.

É uma regra: quando procuramos doenças físicas considere o Regente da 6ª Casa, governante das doenças, determinando a posição desse Astro e seus Aspectos. Nesse horóscopo, são os 28º de Sagitário que se encontram na cúspide da 6ª Casa, mas a influência desse Signo está quase toda esgotada antes de alcançar essa Casa. Por conseguinte, consideremos Capricórnio, o Signo na 7ª Casa com seus 28º na cúspide. A maior parte desse Signo se encontra ocupando a 6ª Casa, pelo que podemos considerar Saturno o Regente da Casa da doença.

Esse Planeta perturbador e cristalizante está a 24º37′ de Sagitário em Conjunção com o inflamatório Marte e em Oposição a Netuno e à Cauda do Dragão. No Livro “A Mensagem das Estrelas” podemos ler que Netuno rege o gás ou fluido espinhal, como o chamam os médicos. Netuno está em Conjunção com a Cauda do Dragão no Signo de Gêmeos, Regente dos braços e da região da 6ª e 7ª vértebras cervicais e da 1ª, 2ª e 3ª vértebras dorsais. Marte e Saturno estão na região da extremidade inferior da espinha, a região sacra ou sagitariana. Quando afligido por Netuno, Saturno produz doenças muito profundas e de difícil compreensão. Saturno, quando afligido, também resseca o fluido sinovial das juntas, onde quer que se posicione. Quando em Conjunção com Marte na região sacra pode-se esperar problemas, pois Marte é quente e inflamatório e Saturno é frio e úmido, com influência restritiva.

Urano, Sol e Mercúrio estão, também, em Conjunção e Paralelo nessa mesma parte do corpo, ou seja, a região sacra ou sagitariana. Sempre que encontramos dois Astros, quentes, de Fogo tais com Sol e Marte, esperamos que muito desse calor e muita da vitalidade do corpo será focado nessa região, e quando a influência restritiva de Saturno está opondo à influência anormal e ossificante de um Netuno afligido na região oposta, ou seja, na extremidade superior da coluna vertebral, ambos exercendo uma influência prejudicial, nós podemos comparar o fluido espinhal do paciente a uma corrente de água que foi represada em ambas as extremidades. Nenhuma entrada de água fresca é permitida e a água represada e estagnada fica parada e poluída. Assim, estando o maior número de aflições encontrado na região sacra, naturalmente, a maior quantidade de impurezas está alojada ali.

Essa jovem garota desenvolveu artrite das articulações do quadril em uma idade muito precoce, em parte devido a negligência dos pais, que viviam em clima de desarmonia entre eles. O pai era um bêbado e libertino e a mão era descuidada e negligente com os seus deveres domésticos, passando a maior parte do tempo fora de casa e deixando as três garotinhas se virando sozinhas. De fato, nunca se soube se esta doença começou com um acidente, mas, como os Astros indicam uma queda, que sem dúvida contundiu o osso do quadril ou o osso sacro, isso talvez tenha sido a causa-raiz da enfermidade. Gradativamente, a perna direita se atrofiou e a espinha se encurvou.

Em 1917, essa garota procurou a Sede Mundial da Fraternidade Rosacruz, em busca de cura para a sua mão lesada num acidente. Aqui notamos, novamente, a influência da Conjunção entre Marte e Saturno com efeito no Signo oposto Gêmeos, o que causou a fratura de um dos dedos. O osso foi afetado, e os médicos se mostraram incapazes de fazer algo para curá-lo. No entanto, com a ajuda dos Auxiliares Invisíveis e uma dieta absolutamente vegetariana, a paciente se recuperou. Contudo, ela herdou do pai o sangue contaminado, o que vemos por Marte, Regente da 10ª Casa – a Casa do pai – em Conjunção com Saturno e Oposição a Netuno, que deve indicar a aflição do pai, isto é, a terrível doença chamada gonorreia. Pais com essa doença, frequentemente, atraem para o renascimento almas que precisam sofrer de doenças na espinha vertebral, cegueira etc. “Os moinhos de Deus moem lentamente, mas moem extremamente fino.”[49].

Nº 15C – OSTEOMIELITE – INFLAMAÇÃO DA MEDULA ÓSSEA

Homem, nascido em 9 de janeiro de 1898, às 8:00 AM

Essa lição é baseada no horóscopo de um homem com o Signo Fixo de Aquário no Ascendente, com Signos Fixos em todos os ângulos, o que indica uma natureza com a vontade fortemente desenvolvida, e com o Sol no Signo saturnino de Capricórnio há uma indicação de que ele é muito persistente e resistente a doenças.

Quão bem-sucedido ele foi em sua luta é mostrado em algum Aspecto entre o Sol e Marte, que muitas vezes mostra a extensão dos danos que podem ter sido causados no corpo físico. Qualquer Aspecto entre Marte e o Sol, mesmo que seja uma Quadratura ou Oposição, é melhor do que nenhum. Signos fortes nos ângulos e o Sol em um desses Signos indica capacidade para dominar restrições físicas. Nesse caso, porém, faltam Aspectos entre Sol e Marte, mostrando que a doença domina esse homem.

Marte, que está Exaltado em Capricórnio, está em Conjunção com Vênus, em Quadratura com Júpiter e elevado na 11ª Casa, o que indica a possibilidade de acidentes. Marte, na 11ª Casa, indica também que os amigos podem ser responsáveis por sua exposição a perigos.

Encontramos, nesse horóscopo, um Urano muito proeminente, próximo à cúspide do Meio-do-céu, em Conjunção com Saturno, em Sextil com Júpiter e em Trígono com a Lua, indicando alguém que quer brilhar e ser bom companheiro entre os amigos; também alguém que iria aos extremos para agradá-los. Urano em Sagitário demonstra impulsividade que encontra expressão nos esportes, especialmente ligados a animais quadrúpedes. Saturno rege os ossos.

Em 1917, Marte progredido alcançou os Aspectos de Conjunção e um Paralelo com o Sol radical, que se encontra a 19º21′ de Capricórnio, na 12ª Casa, a Casa da autodestruição.

Ao mesmo tempo, Vênus progredido formava Paralelo com Saturno e Urano radicais. Isso justificava um possível acidente: durante o ano de 1917, enquanto se entretinha na companhia de amigos e na prática de esportes hípicos, esse homem sofreu uma lesão num dos ossos da perna, que parecia uma contusão leve; entretanto a lesão já era grave. Vemos, agora, quão clara e precisamente o relógio do destino assinala os acontecimentos. Em 3 de dezembro de 1918, houve um Eclipse do Sol em 10º3l’ de Sagitário, formando Conjunção com o Saturno radical desse horóscopo.

O efeito de um Eclipse perdura por todo o ano que se segue. Em 1919, o Sol progredido se encontrava em Conjunção com o Ascendente, Vênus progredido formava uma Oposição à Lua radical e Marte progredido estava em Conjunção com o Sol radical. Temos aqui três aflições durante o ano que se seguiu ao Eclipse, de maneira que em 5 de junho de 1919, quando a Lua em trânsito entrou em Quadratura com o lugar desse Eclipse, formando, simultaneamente, Quadraturas com Urano e Saturno radicais, o jovem foi tomado por dores agudas no tornozelo direito, ao que se seguiram calafrios e febre.

A partir daí a perna começou a inchar, formando, então, um enorme abscesso, que foi lancetado pelo médico. Contudo, tão logo se curava um abscesso, outro se formava no lugar, de modo que durante oito meses ele foi operado de abscessos pelo menos dez vezes. Em 1920, começou a escorrer pus de pequenos furos no tornozelo, e então os médicos diagnosticaram a enfermidade como “osteomielite”.

Em 26 de abril de 1924, o nativo foi internado novamente em um hospital para uma cirurgia, e dessa vez extraíram-lhe, aos pedaços, 15 centímetros de ossos perna acima.

Em agosto de 1924, quando apelou para a cura da Sede Mundial da Fraternidade, ele estava retornando ao hospital para mais uma cirurgia.

É de se lamentar que muitos médicos não percebam que cirurgias ou remoções de partes do corpo não poderão curar permanentemente, enquanto o enfermo não for submetido a uma dieta apropriada.

Há pouco tempo, o autor visitou uma amiga hospitalizada, que havia sofrido séria lesão num acidente automobilístico. Sendo rigorosamente vegetariana, não gostando de carne, os médicos forçavam-na a comer muita carne e a tomar caldos, enquanto tratavam de seus ferimentos.

No horóscopo desse rapaz, Vênus está em Conjunção com Marte, em um Signo saturnino, e em Quadratura com Júpiter. Vênus e Marte são aqui os Regentes da 4ª e da 10ª Casa, relacionada com os pais, de quem ele deve ter herdado sangue escrofuloso. Por conseguinte, pode-se concluir que, não importa quantos ossos os médicos possam remover de sua perna, a doença real está no sangue, podendo ser curada somente por meio de uma dieta rigorosamente vegetariana ou de uma dieta de frutas.

CAPÍTULO XXVII – ESPÍRITOS OBSESSORES OU ESPÍRITO DE CONTROLE

Nº 16A – ESPÍRITO DE CONTROLE

Homem, nascido em 27 de abril de 1868, às 6:37 PM

No horóscopo que temos aqui, vamos considerar primeiro as qualidades mentais, conforme indicadas particularmente por Mercúrio e pela Lua. Mercúrio forma três Aspectos: Conjunção com sua oitava superior Netuno, que ocorre em Áries, o Signo da cabeça; Sextil com Vênus, no Signo mercurial de Gêmeos; e Quadratura com a Lua, em Câncer. Nós também notamos que Mercúrio está antes do Sol. Isso mostra uma disposição gentil e habilidade de raciocínio bastante boa, ainda que o nativo não se utilize dos processos comuns de raciocínio, mas sim do método netunino, em todas as suas operações mentais.

A Lua na 9ª Casa, no Signo psíquico de Câncer, seu domicílio, e em Conjunção com Urano, proporciona uma intuição notável. Saturno em Sagitário, Signo da 9ª Casa, em Trígono com Júpiter, Regente de Sagitário, ajudará a estabelecer a ordem nos pensamentos do nativo, resultando em que ele será muito mais equilibrado do que, em geral, as pessoas inspiradas. Apesar disso, ele sempre tenderá a se destacar da multidão, pois será taxado como um sonhador. Urano e a Lua em Conjunção na 9ª Casa, a Casa da Mente superior, irá anular todo o resto. Contudo as outras configurações, pesando sobre essa matéria, o salvará de se tornar um tolo e alvo de piadas.

Sobre sua saúde, primeiramente se nota que o Regente de Áries está próximo à cúspide da 6ª Casa, em Conjunção com Netuno. Mercúrio faz uma Conjunção com Netuno, o que torna esse homem muito sensível e irritável, contrabalançando a propósito o que dissemos sobre a disposição gentil, denotada pelo Sextil de Mercúrio a Vênus. A Lua e Urano em Câncer, o Signo que governa o estômago, mostram que é muito difícil que os alimentos o agradem, e a Quadratura de Marte com essa configuração indica que talvez ele sofra de problemas gástricos quando a resistência do sistema entrar em colapso. A ânsia por bebidas fortes deve ser grande, mas se esse desejo for satisfeito, as experiências psíquicas do delírio serão inevitáveis.

Espíritos de controle[50] podem tomar posse do Corpo de uma pessoa independentemente da bebida alcoólica, pois a Quadratura da Lua e de Urano com Netuno e Marte favorece essa condição e, no mínimo, pode ocorrer insanidade temporária.

Parte do que se colocou acima já aconteceu, pois, o paciente pediu à Sede Mundial da Fraternidade que o socorresse contra o assédio de espíritos indesejáveis que ele havia atraído em sessões espíritas. Ele se rebelou muito com a dieta que lhe foi prescrita, e deixou de enviar as assinaturas semanais. No entanto, há uma esperança considerável, em virtude do Sextil formado pelo Sol com Lua e Urano, que o Ego possa finalmente se libertar das influências externas, ainda que isso, naturalmente, possa lhe causar muito mais sofrimentos do que se tivesse permanecido na lista de cura[51] até ser curado.

No momento em que pessoas assim sentem algum alívio, pensam que a ajuda de outrem não é mais necessária. Isso não é uma má atitude, porque sob Caminho da Realização se sustenta continuamente, como ideal, que “se és Cristo, ajuda-te a ti mesmo”. Há muitos aprendizes que não gostam de arcar com suas responsabilidades, que se esquiva delas sempre que pode e constantemente pede ajuda para a saúde até por uma dor de dente; alguns chegam a telegrafar por causa de uma dor de cabeça, e outros, ridiculamente, por um pequeno mal-estar. Por conseguinte, sempre é melhor encorajar os pacientes a se ajudarem a si mesmos o mais cedo possível, pois dessa maneira eles lucram espiritualmente mesmo que, fisicamente, seu progresso seja mais lento.

Em um caso dessa natureza, deve-se prescrever a dieta mais simples para acalmar os nervos: alface, se puder ser conseguida, e cebola ao fim do dia, de qualquer maneira. Tal dieta, bem como exercícios para aprumar a coluna vertebral, especialmente na região lombar, onde Saturno em Sagitário afeta os nervos ciáticos, com o tempo pode restaurar a saúde desse paciente, uma vez que evite as bebidas alcoólicas e sessões espíritas.

Nº 16B – OBSSESSÃO – TONSILAS

Mulher, nascida em 17 de agosto de 1881, às 9:00 AM

Esse horóscopo é de uma mulher que tem o Signo de Libra no Ascendente, com Signos Cardeais nos quatro ângulos. O Sol, no Signo positivo e Fixo de Leão, mostra que ela deve ter uma determinação bem desenvolvida. Todavia, essa determinação pode ser expressa como teimosia, pois Mercúrio se encontra em Leão e na 10ª Casa, em Quadratura com Saturno e Netuno, estando esses dois últimos Planetas no Signo Fixo e obstinado de Touro. As Quadraturas dos três Planetas acima – Saturno, Netuno e Mercúrio – partem da Casa natural de Capricórnio ou de Saturno, a 10ª Casa, uma posição dominante, para a 8ª Casa, a Casa natural de Escorpião ou Marte; por isso pode-se esperar que essa mulher seja muito decidida em sua natureza e determinada a seguir suas próprias inclinações.

Seus ideais ou desejos devem se expressar por meio de Vênus em Câncer, em Conjunção com o Meio-do-Céu. Vênus está em Sextil com Saturno, Netuno e Urano e em Paralelo com a Lua e Marte. Isso proporciona talento para a arte ou música, e também gosto por vestidos e exibições e, sendo Vênus Regente do Ascendente, deve proporcionar também uma personalidade agradável, combinada com um belo rosto e uma boa aparência. De acordo com os diagnósticos da psicanálise, essa mulher durante os anos da sua adolescência, quando as forças vitais cresciam e os talentos latentes buscavam meios de expressão, o que naturalmente se daria através das artes e da música, não encontrou seu campo. Seus ideais foram reprimidos e seu espírito se sentiu tolhido e limitado.

Pode-se ver aqui que Saturno, Regente da 4ª Casa, indicadora da mãe, restringe Netuno, Regente da 6ª Casa, que indica o serviço a ser prestado. Mercúrio na 10ª Casa, a da profissão, está em Quadratura com Saturno e Netuno. Temos aqui a prova de que a mãe desta mulher não era favorável a que ela escolhesse uma profissão, de maneira que a forçou a se expressar através de canais em que seu espírito se sentia tolhido e seus instintos artísticos eram bloqueados. No caso de uma personalidade fraca e negativa, isso, às vezes, representa uma vantagem a pessoa não se sente impedida. Contudo, no caso de uma natureza fixa e positiva como a desse horóscopo, com cinco Astros em Signos Fixos e Signos Cardeais nos quatro ângulos, o caso é diferente; quando uma mulher com esse tipo tem seus ideais reduzidos a frangalhos, ela acha dificílimo se ajustar à vontade dos outros. Os impulsos assim reprimidos, muito frequentemente, encontram expressão em outra direção.

Nesse caso, Netuno e Saturno estão em Trígono com Urano; então, o lado psíquico deve ser o meio para essa alma dar vazão aos seus sentimentos represados. Urano está em Quadratura com Marte, e a Lua, em Conjunção e Paralelo com Marte. Essas aflições, juntamente com as de Saturno, Netuno e Mercúrio, produziram nessa mulher um desenvolvimento negativo. A mediunidade exercia sobre ela forte atração. Alegrou-se imensamente por se desenvolver de modo muito rápido, em curto espaço de tempo, o que se pode ver no Trígono de Netuno a Urano, significador de psiquismo. Contudo, se essa pobre alma tivesse algum conhecimento de Astrologia, de modo a poder ver sinais de perigo nos Astros, não teria se metido com a fase negativa de seu desenvolvimento espiritual. Não teria forçado seu desenvolvimento, conforme achamos que fez. Tratando-se de um caráter positivo, os Auxiliares Invisíveis puderam, com a ajuda dela, libertá-la em pouco tempo de um caso muito grave de obsessão, o qual se manifestou através da prática da mediunidade.

A Sede Mundial recomendou a essa mulher comer alimentos leves que consistissem principalmente em verduras e frutas, devendo eliminar do cardápio proteínas pesadas e massas e lhe recomendou, ainda, manter a Mente e o Corpo ativos, não esquecendo de orar, pois a oração é uma ajuda maravilhosa e proteção contra o psiquismo adverso.

Encontramos também nesse horóscopo uma lição muito útil, com relação aos problemas da garganta. Netuno e Saturno estão em Conjunção no Signo de Touro, Regente da garganta e da laringe, em Quadratura com Mercúrio em Leão; Júpiter em Touro também está em Quadratura com o Sol em Leão, indicando que a circulação da garganta seria prejudicada algum dia. Sempre que Saturno e Netuno se acham em Conjunção, existe alguma dificuldade de desenvolvimento no órgão correspondente ao Signo. Essa mulher desenvolveu uma grave tonsilite, e foi submetida a uma cirurgia em que lhe extirparam as tonsilas.

CAPÍTULO XXVIII – GLÂNDULAS ENDÓCRINAS OU DE SECREÇÃO INTERNA

Nº 17A-B – AFECÇÕES NA GLÂNDULA TIROIDE

Vamos usar o horóscopo natural em ambos os casos que se seguem, já que a hora de nascimento é desconhecida. Isso não interfere no diagnóstico da doença, ainda que o conhecimento do Signo Ascendente seja necessário para se determinar o grau de vontade do paciente. Quando o nativo enfrenta uma crise, é bom saber a hora exata do nascimento para se poder calcular a posição da Lua e sua relação com os Astros em Trânsito. Esses Astros atuam como ponteiros dos minutos no relógio astral. Indicam, por seus Aspectos com os Astros radicais e progredidos, se a enfermidade alcança ou não um ponto crítico. As Luas Nova e Cheia, especialmente, marcam o momento em que as mudanças podem ser esperadas.

 Nº 17A

Mulher, nascida em 25 de abril de 1877

Nós dissemos no Livro “A Mensagem das Estrelas” que Netuno é a oitava superior de Mercúrio e que rege a glândula pineal, ao passo que Mercúrio rege a tiroide. Nesse horóscopo Vênus, que rege a circulação venosa, se encontra em seu próprio Signo, Touro, Regente da garganta, em Conjunção com Netuno e Sol, e também em Quadratura com Marte no Signo de Aquário. Quando afligido por Saturno, como no horóscopo 17B, abaixo, Netuno causa atrofia ou subdesenvolvimento orgânico em alguma parte do corpo, aquela regida pelo Signo em que se encontre. Se em Leão, pode resultar em que uma válvula do coração seja menor que as outras, produzindo irregularidades na circulação. Nesse horóscopo, porém, Netuno se encontra entre Vênus e o Sol, o que produz volume. O Sol produz calor e grande suprimento de sangue para a parte do corpo em que se localiza, por Signo. Nesse caso, a parte receptora desse maior fluxo de sangue é a garganta. Quando Marte forma Quadratura com o Sol ou com Vênus, podemos encontrar o correspondente órgão anormalmente aumentado. Mercúrio, Regente da glândula tiroide, está em Touro, formando Quadratura com Urano, no Signo Fixo de Leão. Urano nesse Signo também tende a dilatar o órgão afetado por ele. Júpiter, Regente da circulação arterial, está em Quadratura com a Lua.

Essa mulher sofreu de dilatação da glândula tiroide, a qual alcançou um tamanho tal que chegou a interferir na circulação e a causar insuficiência cardíaca.

Nº 17B

Homem, nascido em 26 de setembro de 1863

Vênus está em Conjunção com Sol, Marte e Saturno, esses quatro Astros no Signo de Libra e todos em Oposição a Netuno. Essa configuração, especialmente a influência obstrutiva de Saturno, provocou um distúrbio na glândula tiroide, que, entretanto, não foi dilatada, como a do caso anterior, mas suas funções e circulação foram afetadas. Isso levou o homem a sofrer de fraqueza de memória, transtorno nos rins e dilatação da glândula próstata.

Que se poderia recomendar a esses pacientes para ajudá-los? No caso da mulher do primeiro horóscopo, em que há um afluxo excessivo de sangue para a garganta e em cujo horóscopo Júpiter e Vênus se encontram afligidos, causando deficiência na circulação arterial e venosa, poderíamos aconselhar fricções rápidas nos membros inferiores com um par de luvas de banho, como também banhar os pés com água morna para fazer o sangue circular mais livremente na parte inferior do corpo, reduzindo por isso mesmo a pressão na garganta. Pode-se recomendar ainda a diminuição na quantidade de comida que favorece o aumento de peso, tais como: pão branco, massas, açúcar, etc. No segundo horóscopo, a Lua se encontra em Peixes, Signo de Água, que solicita um forte desejo por líquidos. Ela forma uma Quadratura com Urano. Isso, junto com a Conjunção de Vênus com Marte, Sol e Saturno, indica que a natureza inferior, especialmente o sexo, tem sido a desgraça do nativo. Podemos aconselhá-lo a supressão de comidas muito temperadas, bebidas alcoólicas, fumo e carnes, e que ele viva uma vida simples, praticando muitos exercícios ao ar livre.

Nº 17C – A GLÂNDULA TIMO

Homem, nascido em 16 de agosto de 1918, à 1:45 AM

Esse é o horóscopo de um menino que tem o Signo de Água e Cardeal de Câncer no Ascendente. As pessoas com Signos Cardeais no Ascendente são mais tensas ou, pode-se até dizer, mais nervosas, ficam mais facilmente chateadas e mais sensitivas que as demais. Elas sentem mais profundamente. Não somente seus sentimentos são magoados mais facilmente, mas também seus corpos são mais suscetíveis a dor e seus sofrimentos são mais intensos.

Esse menino tem o magnânimo e jovial Júpiter em Conjunção com o Ascendente. Júpiter está em Paralelo com a Lua, Regente do Ascendente, e Júpiter e Lua estão em recepção mútua. O delicado e amoroso Vênus está na 1ª Casa, que deve proporcionar ao nativo um belo rosto, forma belas e uma personalidade das mais simpáticas e atrativas.

Aos 20 meses de idade ele foi vitimado por meningite, que é uma inflamação da membrana que envolve o cérebro e o cordão espinhal. Recuperou-se dessa enfermidade, mas sua cabeça começou a crescer e ele perdeu o sentido da audição. O crescimento da cabeça alcançou tais proporções, que foi necessário submete-lo a cirurgias. Em dois períodos, logo após completados os três anos de idade (calculamos ter sido o primeiro quando a Lua progredida alcançou ao 27º de Capricórnio, ocasião em que formou uma Oposição com Vênus, ou dois meses depois, ao formar Quadratura com Marte) foram realizadas duas cirurgias. Um pequeno fragmento de osso foi removido de cada têmpora, formando duas pequenas aberturas para o cérebro. Isso permitiu o extravasamento de água da caixa craniana, parecendo aliviar a criança por algum tempo; no entanto, mais tarde, porém, fizeram-se necessárias mais duas cirurgias na parte posterior da cabeça, bem por trás de ambas as orelhas. Não podemos precisar as datas dessas cirurgias. Acreditamos, contudo, que os Aspectos da Lua as registraram. Verificamos que, por volta de 25 meses após a primeira operação, a Lua estava em Oposição a Saturno, o que registrou outro distúrbio que, provavelmente, assinalou a data das cirurgias na parte posterior da cabeça.

Os pais desse menino o trouxeram do meio-oeste para Los Angeles, entregando-a aos cuidados de renomado médico osteopata, o qual supervisionou as cirurgias e o tratou pelo moderno e excelente método de cura, a osteopatia. Os pais também puseram o menino em nossa lista de cura, na esperança de que ele pudesse recuperar a audição perdida entre um ano e um ano e meio de idade. A autora não conhecia o passado do menino até ter diagnosticado o caso para uma amiga, pelo que se pode ver quão de perto os Astros correspondiam ao caso.

Vênus, que rege a glândula timo, está forte na 1ª Casa e afligido pela Quadratura com Marte. Esse se encontra bem perto da cúspide de seu próprio Signo Escorpião. Marte indica lesões. Escorpião é o Signo que rege os médicos. O nascimento desse menino foi muito difícil. Sua vida, assim como a de sua mãe, esteve por um fio. Os médicos de hoje não permitem que um parto corra naturalmente se exige muito do seu tempo, pois vivem ocupados demais e precisam se apressar de volta ao consultório, onde outros pacientes os esperam. Consequentemente, grande número de partos são acelerados por meio de instrumentos. No caso presente, o parto forçado causou lesão em certos nervos, e também aos vasos sanguíneos inominados que conduzem sangue para o cérebro por meio da glândula timo. Estando Saturno em Conjunção com o Sol em Leão, que rege o cordão espinhal, e ambos em Oposição a Urano, o fluido espinhal foi restringido e se tornou lento. Urano, oitava superior de Vênus, rege o corpo pituitário. Essa glândula é diretamente ligada à bainha externa da medula espinhal, a dura mater. Por se encontrar afligido pelo Sol e por Saturno, Urano afetou muito as funções dos fluidos de espinha.

Na criança pequena, a glândula timo regula o fluxo sanguíneo do cérebro e para o cérebro através de artéria e veia inominadas. Na ocasião do parto, o pescoço desse menino sofreu de certo modo uma lesão, que restringiu o fluxo do sangue. Sendo a circulação restringida, a cabeça passou a acumular água. A mais interessante prova disso foi que, na remoção dos recortes ósseos das têmporas e da parte posterior da cabeça do menino, as incisões não tinham sangue vermelho, o que surpreendeu os médicos. O médico osteopata se desdobrou nas massagens e cuidados com a glândula timo e a coluna espinhal, comprovando-se assim que o diagnóstico deles correspondia ao nosso.

Aparentemente, o menino goza agora de boa saúde, mas perdeu a audição, embora haja alguma esperança de que seja recuperada algum dia. Quando ele alcançar a puberdade, ocasião em que a glândula tiroide assume a função da glândula timo, tanto os nervos como os vasos sanguíneos que irrigam os ouvidos poderão ser estimulados, de maneira que, com a ajuda dos Auxiliares Invisíveis, a capacidade de ouvir poderá ser restaurada. Existe, no entanto, o perigo de que as cirurgias realizadas na parte posterior da cabeça possam ter ocasionado lesão permanente nos nervos, afetando assim definitivamente a audição.

Nº 17D – SUPRARRENAIS

Mulher, nascida em 27 de novembro de 1905, à 1:15 PM

Esta jovem tem o Signo de Ar e negativo de Peixes no Ascendente, e Júpiter, o Regente, Retrógrado em Gêmeos, na 3ª Casa, em Oposição ao vitalizante Sol. Para começar, esse Regente se encontra muito obstaculizado e restringido, significando que essa alma contraiu em existências anteriores dívidas de destino que amadureceram e aguardam liquidação nessa vida; pois se o Regente da vida está afligido pelo Astro mais poderoso, isto é, pelo Sol, também uma Quadratura de Saturno e um Paralelo de Marte, e esse Regente recebendo pouca ajuda, tendo apenas um bom Aspecto, o Trígono de Marte partindo da 12ª Casa, então, podemos considerar que essa pessoa terá de liquidar seus débitos na vida presente e que não haverá concessões até sua final quitação.

Mercúrio se encontra muito bem aspectado na 10ª Casa, em Conjunção com a Lua, com o Meio-do-céu e Urano em Sextil com Saturno. A Lua, que tem a regência parcial sobre a Mente, está em Conjunção com o Meio-do-céu, proporcionando a nativa uma Mente ágil e aguda. Do ponto de vista mental, portanto, essa moça deveria ser capaz de conseguir qualquer coisa em que firme seu pensamento, de modo que é de causar estranheza o fato de, aparentemente, ela não conseguir realizar nada. Qual será a causa?

Os quatro ângulos estão ocupados por Signos Comuns; o Regente da vida, Júpiter, está Retrógrado no Signo Comum de Gêmeos, que é o Signo da sua Queda, e o Sol também se encontra num Signo Comum. São indicações de que essa alma se contenta em vagar na maré. Qualquer progresso que ela faça nessa vida será por influência do pai, significado pela 10ª Casa.

Júpiter rege a circulação arterial. Suas aflições tendem a restringir o livre fluxo da corrente sanguínea. Júpiter também rege as suprarrenais, duas minúsculas glândulas endócrinas localizadas sobre os rins. Esses dois órgãos, a semelhança da glândula tiroide, ajudam a cuidar do sangue. Conforme esse passa por elas, recebe seu suprimento de secreção suprarrenal. Essa secreção supre de energia o corpo e faz os fluidos correrem mais livremente. As suprarrenais são órgãos que estimulam o corpo. Quando nós temos Júpiter, o Regente desses órgãos, como o Regente da vida e tão severamente afligido podemos esperar que o paciente seja carente de energia, uma pessoa negativa e sem ambição.

Netuno, que é a oitava superior de Mercúrio, atua sobre o sistema nervoso e rege a glândula pineal e o canal espinhal. Ele se encontra Retrógrado e em Oposição ao errático e espasmódico Urano, Planeta que rege o corpo pituitário. Portanto, podemos contar com um desarranjo geral nas glândulas endócrinas. Nós encontramos um distúrbio nas suprarrenais, as quais, excitadas pelas emoções, produzem um fluxo incomum de suas secreções que as vezes resulta em convulsões ou no seu oposto, o coma, de acordo com o caráter das emoções descontroladas da paciente.

Esta moça é filha de um pai rico e de uma mãe voluntariosa e egoísta, viciada em cigarros e bebidas alcoólicas. Quando a mãe estava grávida dessa moça, ao ver o marido regressando do trabalho simulava, às vezes, desmaios a fim de ganhar sua simpatia. Desse modo ela conseguia satisfazer todos os seus desejos egoístas. Os Ensinamentos Rosacruzes nos dizem que o Ego é atraído a pais por meio dos quais pode receber suas lições, e pode-se muito bem dizer que essa moça encontrou na mãe alguém que soube ministrar-lhe muitas lições deploráveis.

Se a moça fosse contrariada, a jovem se enfurecia instantaneamente, terminando tudo num acesso muito parecido com um ataque de epilepsia. Contudo, não espumava pela boca nem apertava os maxilares, como às vezes acontece nesse tipo de doença. A ira fazia a glândula despejar adrenalina muito rapidamente no sangue. Excessos dessa secreção causam ciúme e inveja.

Vemos duas condições diferentes nas fases em que a moça padece. Júpiter está em Oposição ao Sol e em Paralelo a Marte, o que, às vezes, causa um excesso de secreções, criando a condição mencionada. Outras vezes ela pode desmaiar, ficando totalmente inanimada e rígida. Essa última condição ocorre quando as suprarrenais param de enviar secreções para o sangue, o que é indicado pela Quadratura de Saturno com Júpiter. Quando sob a primeira condição, ela tem toda a aparência de alguém que está obsidiada e se torna muito cruel com aqueles que a cercam. Isso também é mostrado no horóscopo pela Oposição de Netuno a Urano.

O pai já gastou uma fortuna tentando um médico após outro, mas tudo em vão. A jovem é perfeitamente normal, quando não sofre essas crises. Mas, à semelhança de sua mãe, se entrega às tais para ganhar a simpatia dela, de suas irmãs e de seu pai.

O último diagnóstico dos médicos apontou um tumor em crescimento no cérebro, perto do cerebelo, e tanto a moça como sua mãe concordavam em que deveria se submeter a uma cirurgia, ao passo que o pai, amargurado, se opunha ao uso desse expediente. O resultado disso fica por saber. Caso se submeta ao bisturi, como está determinada a fazer, ela poderá passar o resto da sua vida em uma instituição como doente mental.

CAPÍTULO XXIX – CONDIÇÕES ESPECIAIS

Nº 18A – DEFICIÊNCIA DA LINFA

Homem, nascido em 11 de maio de 1913, às 6:59 AM

O assunto desse tema é uma criança que tinha cerca de 15 meses de idade quando essa interpretação foi originariamente feita. Em geral, pode parecer supérfluo interpretar o caráter e a mentalidade de um ser tão jovem. Todavia, quando se considera o corpo, do ponto de vista espiritual, como o templo de um espírito divino que nele habita, fica evidente que o construtor e arquiteto desse templo deve ser levado em consideração, desde a sua primeira respiração até o rompimento do Cordão Prateado.

O Signo mercurial de Gêmeos está no Ascendente, mas aqui esse Signo não está na sua costumeira natureza, porque Saturno em Gêmeos põe sua mão obstrutiva sobre essa criança, imprimindo-lhe a tendência à melancolia, disposição retraída e desejos de fugir do convívio social.

Mercúrio e Vênus em Áries, em Quadratura com a Lua e Netuno, proporcionam tendência à discrição, mas o Sextil de Saturno com Marte e o Trígono de Saturno com Urano tornam a Mente idealista e energética. Assim, no todo, há bom material para os pais trabalharem. Por todos os meios, eles devem desencorajar essa tendência ao isolamento, lhe encorajar o idealismo e fazê-lo brincar com seus companheiros. É muito provável, ao que parece, que ele se volte em demasia para si próprio, e por isso deve ser ensinado, desde a mais tenra idade, a conviver com outras pessoas. Ele nunca deveria ter a permissão para sair sozinho, além do ponto em que pode ser ajudado.

Geralmente as crianças dessa idade dormem muito, da manhã à noite e do anoitecer ao amanhecer; assim que acabam de comer, eles mergulham na terra dos sonhos, onde a assimilação pode acontecer de uma forma mais eficiente. Contudo, o mesmo não acontece com esta nossa criaturinha: insônia, inquietação e nervosismo são os resultados da Oposição da Lua e de Netuno com Júpiter e da Quadratura desses três Astros com Mercúrio e Vênus, posicionados em Áries, Signo que rege a cabeça. Toda a sua natureza é, pois, agitada, o que impede que ela desfrute do necessário repouso; daí a enfermidade.

O principal problema provém do fato da Lua estar em Conjunção com Netuno. Isso interfere na distribuição do fluído indispensável à assimilação: a linfa. Júpiter, que governa a assimilação, está afligido por esses dois Astros. Em razão desses dois fatores, a criança não pode crescer tão depressa como deveria. Sua noção de comida é peculiar e tais ideias crescem com ela. Essa tendência é uma das coisas que deve ser tratada com firmeza, pois a Quadratura de Lua com Vênus produz desejos anormais; a Lua e Netuno em Câncer levam-na a procurar algo que nunca encontra, e isso pode conduzi-la à formação de hábitos que lhe seriam extremamente perigosos. Não importa quanto possa protestar, e mesmo parecendo que a comida comum não lhe vai bem, ela deve ser ensinada a comer tudo o que de uma boa e saudável natureza que for posto à mesa, pois a formação de um apetite saudável pode contrapor a estranha tendência latente em sua natureza. Doces, com moderação, devem ajudar.

A circulação é afetada em virtude da aflição de Netuno e da Lua com Vênus e Júpiter. Saturno e Urano estão fortemente configurados por Trígonos e Paralelos oriundos de Signos de Ar; isso atua sobre a circulação, tornando-a espasmódica. O coração tende a palpitar por causa da presença de Urano em Aquário. Por conseguinte, essa pobre criança já começa a vida aqui consideravelmente afligida. Entretanto, não há necessidade de preocupação, porque o Sol está em Trígono com Júpiter e em Sextil com a Lua e Netuno. Também o fato de ele se encontrar no Signo maravilhosamente vitalizante de Touro deve atuar na preservação da vida; e mesmo Saturno no Ascendente proporciona persistência, resistência a doenças e tenacidade na vida.

Entretanto, poderá haver crises em sua vida, mas o conhecimento do que ficou dito acima deve facilitar o preparo de seus pais para enfrentá-las. A mais grave delas pode surgir na puberdade. É quando a Lua progredida estará atuante na 8ª Casa, a Casa da morte, em Oposição a si mesma radical, configurada com Netuno e em Quadratura com Mercúrio e Vênus. Essa posição é difícil, mas não deve ser absolutamente temida em razão do fato de estar o Sol tão forte no horóscopo. Além disso, o Trígono de Saturno com Urano e o Sextil de Saturno com Marte dão, à natureza, maravilhosa elasticidade e energia, de tal maneira que, mesmo a um passo da sepultura, o rapaz terá capacidade para se recuperar com incrível rapidez.

No momento, é preciso saber se a mãe está amamentando a criança ou se, por nervosismo, perdeu o leite. Se for esse o caso, a criança deve ser imediatamente submetida a uma dieta de leite de cabra, que pode provê-la do necessário Éter para compensar a falta de linfa; e mesmo que possa não gostar desse alimento no início, com o tempo acabará se acostumando a ele.

Nº 18B – PÓLIPOS E INSUFICIÊNCIA RENAL

Homem, nascido em 3 de junho de 1865, às 3:00 AM

Temos aqui o horóscopo de um homem com o Signo Fixo de Touro no Ascendente e o Regente, Vênus, posicionado também em Touro, na cúspide desse Ascendente e na 12ª Casa. Vênus forma apenas dois Aspectos importantes, a saber: uma Conjunção com o Ascendente e uma Quadratura com o inflamatório Marte, que se encontra no Signo Fixo de Leão, na 4ª Casa.

O Signo de Touro rege o pescoço, a garganta, o maxilar inferior, a laringe e as tonsila, enquanto seu Signo oposto, Escorpião, rege o reto, o cólon descendente, a uretra e também o nariz. Esses Signos – Escorpião e Touro – são os Signos mais vitais dos doze. Observe a estranha coincidência que reside no fato de Touro reger a maior parte da região inferior da cabeça e do pescoço, bem como os órgãos adjacentes à extremidade superior da coluna espinhal, enquanto Escorpião rege o nariz, além dos órgãos próximos à extremidade inferior da espinha. Leão, o Signo que forma Quadraturas com Touro e Escorpião, rege o rio da vida, o líquido espinhal, que liga os órgãos regidos por Touro e Escorpião.

No horóscopo sob consideração, o inflamatório Marte está em Leão, em Quadratura com Vênus, em Touro. Estando Vênus em seu domicílio nesse Signo, naturalmente atrai para si a influência inflamatória de Marte, quer esse se encontre em Touro, quer aflija Vênus neste Signo. Pode-se, então, contar com problemas inflamatórios no nariz, nos órgãos genitais ou no reto. Pode-se, também, contar com pólipos, pequenos tumores pedunculares que se desenvolvem na membrana mucosa do nariz e que muitas vezes obstruem as narinas, causando dificuldade no respirar. Esse tipo de tumor pode, também, ocorrer ainda dentro da vagina ou no reto. O hábito de respirar pela boca na infância quase sempre é a causa desses tumores no nariz, desde que haja no horóscopo aflições astrais. A membrana mucosa do nariz fica, então, anormalmente sensitiva e sujeita a irritações, o que pode resultar nesses pólipos e, frequentemente, causar febre do feno ou asma.

O paciente do horóscopo sob consideração sofreu desses tumores em ambas as narinas, o que o forçava a respirar unicamente pela boca. A Lua está a 4º19′ de Libra, na 6ª Casa, que é a Casa da saúde. A Lua é o Regente natural de Câncer, Signo que rege o estômago. Com a idade de 28 anos, quando a Lua por progressão alcançou seu ponto radical, esse homem adoeceu seriamente, vitimado pela cólica dos pintores, que depois resultou em dano permanente dos rins. Essa última enfermidade se deve ao posicionamento da Lua e de Saturno em Libra, que é o Signo que rege os rins. Essa deficiência geral de saúde aumentou os pequenos tumores no nariz, levando o nativo a se submeter a uma cirurgia do órgão, quando a Lua progredida entrou em Escorpião e formou Oposição com Vênus.

Por ter eliminado a carne, o fumo, o álcool e todos os temperos, vivendo o máximo possível de acordo com as leis da natureza, esse homem voltou a desfrutar de boa saúde.

Nº 18C – PERIODONTITE

Mulher, nascida em 13 de julho de 1871, às 5:30 AM

Aqui, Leão, Signo de Fogo, está no Ascendente com o Regente da vida, o Sol, na 12ª Casa, em Câncer e em Conjunção com Mercúrio e Urano e Quadratura com Netuno. Sabemos, lendo o Livro “A Mensagem das Estrelas”, que Câncer rege o estômago, onde a maior parte dos alimentos deve ser digerida. Esse órgão é o posto central de suprimento por meio do qual o corpo recebe seu sustento. Câncer também rege o esôfago, tubo situado entre a faringe e o estômago, e o ducto torácico, o principal canal que escoa a linfa do corpo.

Nota-se, nesse horóscopo, Urano afligido por uma Quadratura com Netuno, situado no Meio-do-céu e no Signo de Áries. Com Mercúrio e o Sol também em Conjunção com Urano e em Quadratura com Netuno, podemos esperar uma Mente anormal ou extremista. Quando uma ideia é formada é levada às últimas consequências. Essa mulher não punha limites em nada e nós encontramos essa tendência indicada em referência ao alimento. Com o Signo de Câncer na cúspide da 12ª Casa, a Casa da auto-anulação e das limitações e com as aflições de Urano, Mercúrio e do Sol, nós podemos esperar um grande impulso e um tendência decidida para comer demais.

Os Astros na 12ª e 6ª Casa, quando afligidos, são os mais perniciosos para a saúde e, nesse horóscopo, nós podemos observar o estômago como sendo a causa-raiz do problema. Vamos encontrar a razão para essa asserção:

A Lua que é o Regente da 12ª Casa está na Casa dos amigos, a 11ª, e em Quadratura com Vênus, na 2ª no Signo da 6ª Casa, Virgem, Regente do trabalho e da doença. Isso nos mostra, claramente, que essa mulher era muito hospitaleira, gostava de agradar os amigos, sentia-se feliz quando podia lhes oferecer banquetes e, conforme vimos, ia aos extremos nessa direção. Vênus, em Quadratura com a Lua, significa um desejo anormal por massas e açúcar, indicando alguém que, depois de comer uma refeição pesada, preparada com excesso de temperos, ainda se entrega aos cremes de chocolate e a várias outras guloseimas produtoras de cinzas. Esse é um dos tipos de mulher que encontramos com frequência, cujo seu maior orgulho é cozinhar e só fica feliz quando pode oferecer uma mesa suntuosamente preparada. As pessoas de Câncer são boas cozinheiras e, geralmente, se orgulham de satisfazer as necessidades do estômago.

Nesse horóscopo, Saturno, o Planeta da obstrução, se encontra em seu próprio Signo, Capricórnio, na 6ª Casa, a Casa da saúde. Saturno está em Oposição a Júpiter, no Signo do estômago e na 12ª Casa. Os Astros afligidos, muitas vezes, apresentam seus efeitos nos Signos opostos, de modo que, quando Saturno se encontra em Capricórnio, geralmente, se pode esperar desarranjos do estômago, pois nesse caso seus efeitos são muito semelhantes aos de Saturno em Câncer. Com Júpiter, Regente da circulação arterial, afligido por Saturno podemos esperar problemas no sistema circulatório do estômago. E, com o espasmódico Urano em Conjunção com Mercúrio os nervos são também sensíveis, o que significa indigestão nervosa.

Quando Saturno aflige o estômago, há falta de pepsina e dos líquidos estomacais para digerir o bolo alimentar. Saturno em Câncer ou Capricórnio proporciona apetite anormal, tornando o indivíduo muito inclinado às massas, especialmente a doces, conforme ocorre com a Quadratura acima entre Lua e Vênus. Se fossem vegetarianas, essas pessoas achariam muito difícil conservar o corpo em boa forma, pois geralmente evitam verduras cruas, preferindo amiláceos e açúcares. Como resultado o corpo fica impedido de receber a quantidade adequada de elementos minerais e o sangue logo se enche de cinzas. Quando o sangue acumula uma superabundância de matéria residual, o organismo precisa achar meios de eliminá-la. Se não consegue achar uma válvula de escape para essas impurezas e se os intestinos também se recusam a fazer sua parte, conforme ocorre quase sempre quando a ingestão de comida é superabundante, então o resultado é uma doença. Frequentemente deparamos com casos de catarro, doenças da pele, úlceras, etc., que não passam de válvulas de escape que o corpo usa para se livrar de um excesso de cinzas.

No caso dessa mulher, as gengivas estão eliminando pus e recuando para as raízes dos dentes. Essa doença é comumente chamada de periodontite ou piorreia ou doença de Riggs e aumenta assustadoramente no Estados Unidos da América. Raramente se ouvia falar dela há cinquenta anos atrás, mas desde que surgiu a mania por doces e balas, a humanidade vem pagando o preço.

Para superar essa doença, se recomenda uma dieta vegetariana simples e bem equilibrada, isenta de doces e massas, bem como uma cuidadosa assepsia diária nas gengivas com suco de limão dissolvido em água.

Nº 18D – AUTOINTOXICAÇÃO

Homem, nascido em 4 de novembro de 1882, às 11:49 PM

Esse é o horóscopo de um homem que tem o Signo de Água de Câncer no Ascendente. Em astrodiagnose, para determinar a chave do problema se costuma examinar a 6ª Casa, que rege as doenças, e seu Regente para a chave do problema. Nesse horóscopo, temos o Signo de Capricórnio na cúspide da 6ª Casa, e seu Regente, Saturno, na 10ª, em Conjunção com a Cauda do Dragão, que é saturnina em sua influência. Saturno também está em Conjunção com Netuno em Touro. Todos esses estão em Oposição ao inflamatório Marte, aqui forte em seu domicílio – Escorpião – que rege o reto e os órgãos genitais. Essa é uma das aflições mais sutis e perigosas, intensificada pelo Paralelo de Netuno ao Sol em Escorpião, e indica uma natureza passional irrefreável, que, na infância achava uma saída no hábito secreto da masturbação. Com o tempo, esse hábito esgota a vitalidade, retardando o desenvolvimento da mentalidade e também o crescimento físico e, mais tarde, causando doenças físicas.

Escorpião tanto rege o reto como os órgãos vitais, de maneira que, quando ocorrem excessos, geralmente surgem inflamações no reto, resultando em hemorroidas intestinais, que interferem na evacuação e causam uma indolência geral no ducto excretório.

O espasmódico Urano está em Virgem, Signo que rege os intestinos e que também é o Signo natural da 6ª Casa, a Casa das doenças. Urano está em Quadratura com Vênus, regente do sangue venoso. Aqui nós temos a indicação de circulação restringida no intestino delgado. Júpiter, o Planeta da opulência, que tudo almeja em grande quantidade, está em Câncer, o Signo regente do estômago, na 12ª Casa, a Casa da autodestruição, formando um Sextil com a Lua, Regente do Ascendente, indicando que esse jovem tem sido um glutão, se excedendo no comer.

Ele dissipou as forças vitais durante o período da vida em que mais precisava delas, e também ingeriu mais comida do que aquilo que seu organismo podia digerir e distribuir. Naturalmente, quando os órgãos de eliminação se recusaram a funcionar, como era de se esperar, a corrente sanguínea ficou saturada de cinzas, causando granulação nas juntas, por meio de um excesso de resíduos gerados no corpo por proteínas em demasia. Isso também lhe destruiu as gorduras naturais do corpo, causando granulação das pálpebras, reumatismo e um estado de enfraquecimento geral de todo o sistema.

Nossa recomendação a esse paciente seria: eliminar do cardápio as carnes e massas, ingerir pouquíssima proteína, comer o máximo de frutas e verduras e viver uma vida de pureza e castidade. Deve procurar manter seu ambiente limpo e dormir em aposento com abundância de ar fresco, pois quando Saturno se encontra afligido pela Cauda do Dragão e Netuno em Touro encontramos a tendência para negligenciar a higiene do corpo e do meio ambiente.

Nº 18E – PERITONITE

Homem, nascido em 4 de agosto de 1862, às 11:30 PM

Touro, um Signo Fixo e obstinado, está no Ascendente com o Regente, Vênus, no Signo aquoso de Câncer, formando uma Quadratura com o ígneo e impetuoso Marte e Paralelo com a Regente de Câncer, a aquosa Lua. Vênus aqui também é o Regente da Casa da doença, a 6ª Casa. Marte está na 12ª Casa em seu próprio domicílio, o Signo de Áries.

Pode-se determinar a chave do problema na configuração e na posição dos três Astros acima, isto é, Vênus, Marte e Lua.

Os Astros, cujas localizações correspondem às partes do corpo onde se encontram as doenças, não são a única causa delas. Se um ladrão entra em nosso lar e leva as nossas joias, a primeira medida a ser tomada para achar o culpado é se certificar do lugar por onde ele entrou. Do mesmo modo, deve-se também achar a porta de entrada ou causa da enfermidade.

Sabemos que Vênus é o Planeta que rege os doces, os açúcares, etc. Touro é o Signo que rege a garganta, o paladar, portanto tem grande influência sobre o apetite. Vênus está em Câncer, o Signo que rege o estômago e o ducto torácico, e está afligido por uma Quadratura com Marte. Quando Marte está afligido por Vênus e se acha em seu próprio Signo, Áries, leva à dissipação e o desejo de comer em demasia, especialmente se Vênus está no Signo do estômago. Os taurinos, de modo geral, gostam muito de comer e beber; são gastrônomos e propensos a gula. Por conseguinte, com as aflições acima, esse nativo comeria e beberia em excesso.

Urano em Gêmeos está numa posição que tende muito ao nervosismo. Esse Planeta excitável, inquieto e nervoso, especialmente quando em Quadratura com Saturno e Júpiter a partir de outro Signo mercurial, Virgem, como nesse caso, pode exercer um forte efeito sobre o sistema nervoso.

Com Vênus, que rege o sangue venoso, afligido por Marte, e com Júpiter, Regente do sangue arterial, afligido por uma Conjunção com Saturno e por uma Quadratura com Urano, esse homem tem a circulação muito lenta, em particular no estômago e intestino delgado. Com ambos, Júpiter e Saturno, posicionados em Virgem, o que se poderia ser esperado senão doenças, quando uma aflição atinja esses Planetas?

Com a idade de 39 anos, o Sol progredido do nativo alcançou o ponto de Quadratura com Urano, o que desencadeou um problema nervoso. Ao mesmo tempo, o Sol entrava na órbita de um grau de Conjunção com Saturno radical. O Sol leva três anos para atravessar uma Conjunção: um ano de aproximação, um ano em Conjunção, outro ano em afastamento. Esse homem, portanto, sofreu nessa ocasião uma dupla aflição, e uma grave crise de peritonite foi o resultado. Incapaz de se recobrar rapidamente da doença por ignorar suas causas, ele não parou com suas grosseiras concessões ao comer e beber. Em 1918, quando a Lua progredida fez Quadratura com Saturno e Júpiter e Oposição a Urano, outra enfermidade o vitimou: um caso grave de catarro intestinal.

Se um paciente desse tipo pudesse se aconselhar com um Probacionista e lhe pedir ajuda, qual seria a sugestão? Primeiramente averiguaria a causa e, sendo muito evidente aqui que o excesso de comida e bebida responde pelos males, recomendaria ao nativo que se abstivesse de comidas por algum tempo, em especial de pratos regidos por Marte, quais sejam: os exageradamente temperados e os condimentos. As bebidas alcoólicas e o fumo devem ser totalmente evitados. Uma dieta estritamente vegetariana, bem como abundância de ar fresco e banhos de sol, também devem ser recomendados para ajudar no relaxamento dos nervos. Finalmente, quando as circulações estão lentas, devido à Vênus e Júpiter, são aconselháveis fricções durante o banho.

Nº 18F – ARTERIOSCLEROSE

Homem, nascido em 27 de julho de 1856, às 5:00 AM

Conforme já afirmado, muitas vezes, em nossos livros e nossas lições de Astrologia, o ser humano é senhor do seu destino. Ele tem toda a vida pela frente, quer para melhorá-la quer para arruiná-la. Temos aqui, um horóscopo para diagnosticar que fala por si mesmo, ou seja, o de um homem que tinha tudo a seu favor, com apenas dois Aspectos adversos em todo o horóscopo; todo o restante é bom. O Sol e Vênus estão em Conjunção no Signo do coração, Leão, um dos mais fortes Signos entre todos os demais, e ambos formam Sextil com a Lua e Trígono com Júpiter, estando esse último perto do Meio-do-Céu. A mentalidade é decididamente forte e aguda, especialmente ao longo de linhas metafísicas. Netuno está em seu próprio domicílio (Peixes), em Sextil com Urano e Trígono com Mercúrio. A Lua também está bem aspectada e num Signo mental, Gêmeos. Esse homem teve um início de vida maravilhoso e trouxe consigo belas qualidades da vida anterior.

Como dizem, frequentemente, os livros astrológicos de antigos e confiáveis autores, Júpiter no Meio-do-Céu é muito bom para o nativo. E certamente, esse homem teve muitas oportunidades para alcançar o êxito. Então, por que fracassou?

Primeiramente, Saturno está em Câncer. Conforme lemos no Livro “A Mensagem das Estrelas”, isso “significa que o estômago é fraco e que as gengivas são sujeitas a piorreia. Há uma incapacidade para digerir os alimentos adequadamente”. O estômago está carente dos líquidos necessários para ajudar na digestão. O nativo, também, é muito peculiar em suas preferências alimentares. Essa é a chave para suas aflições corporais. Saturno está em Quadratura com Júpiter, que rege o sangue arterial, e, conforme lemos no Livro “A Mensagem das Estrelas”, sob tal Aspecto o nativo é “indolente e inclinado a vagar com a maré, muitas vezes como um protetor da sociedade, outras vezes dentro de um asilo ou de uma prisão. Esse Aspecto produz, também, uma tendência para a “arteriosclerose”.

Nós encontramos o rude, combativo, discordante, apaixonado e colérico Marte em Libra, Signo de Vênus. Quando afligido, Marte revela sua natureza inferior e a de Vênus, gerando atração imprópria pelo sexo oposto. Como Marte é o corregente da 5ª Casa e está em Quadratura com o impulsivo e egoísta Mercúrio, a desarmonia e cólera do nativo o levou a excessos. Ao invés de expressar a natureza bela, artística e musical da Conjunção entre Sol e Vênus, em Leão no Ascendente, em Trígono com Júpiter, esse homem dirigiu amor e vitalidade em excesso para a direção errada. Ele fez demasiadas concessões à comida muito condimentada e gastou muito de sua energia com os assuntos da 5ª Casa, a Casa dos prazeres. Ele provocou muita desarmonia no lar, com seu modo de ser e com o seu temperamento ruim. Como resultado seu sangue se corrompeu e, agora, ele está em estado muito avançado de arteriosclerose.

Para determinamos a época da aflição, vamos retroceder aos seus 44 anos, quando a Lua progredida alcançou a 6ª Casa nos primeiros graus de Capricórnio. Ali ela formou Oposição com Saturno em Câncer (regente do estômago) na 12ª Casa e uma Quadratura com Júpiter no Meio-do-Céu. Ao mesmo tempo, Marte progredido alcançou os 24º51′ de Escorpião, em Oposição a Urano em Touro. A impulsividade e os excessos de uma vida dissoluta nesse tempo levaram seu sistema a um colapso, e desde então ele se tornou um inválido, preso a uma cadeira de rodas e confinado em hospitais devido a Saturno e Mercúrio na 12ª Casa, a da autodestruição. Contudo, sempre pode contar com os cuidados de uma amiga afetuosa, apesar de ser um paciente difícil e de temperamento terrível. Em seu sofrimento, ele se permitiu descambar para o estado de irascibilidade. Em vez de reagir à bela influência de Vênus, ele se abriu à influência da Quadratura entre Marte e Mercúrio.

Para que possa melhorar, ele deveria ter uma enfermeira com Saturno bem-aspectado, que tenha uma natureza aquariana, seja fria, calma, senhora de si, que possa acalmá-lo, abrandar sua raiva e, com muita diplomacia, conduzi-lo a um reto viver. No momento, ele exige certos alimentos e, a menos que a enfermeira o atenda nesse particular, recai em terríveis acessos de cólera. Para fazer as coisas, esse homem precisa ser amado. Exigir-se algo dele, ou dizer-lhe que não ouse fazer certas coisas, só pode lhe despertaria o espírito de oposição. Massagens rápidas com um par de luvas ásperas de banho, para lhe abrir os poros da pele e lhe ativar a circulação, seria muito benéfico para ele. Uma alimentação adequada e a ajuda no controle de suas irritações podem, com o tempo, concorrer para que ele supere esse estado.

Nº 18G – TIFO E PROBLEMA ESPINHAL

Homem, nascido em 29 de dezembro de 1900, às 12:45 AM

Quatro Signos Cardeais ocupam os quatro ângulos, com Marte em Trígono com o Sol e Saturno. Esse fato mostra que a pessoa é dotada de boa vitalidade e com uma natureza ativa e ambiciosa. No entanto, os Aspectos adversos a isso também são fortes. A Lua está em Quadratura com Sol e Saturno, Marte está em Quadratura com o Regente, Vênus, e a maioria dos Astros se situa sob a Terra. Isso, de modo geral, tende a deixar a pessoa sem resistência. A Oposição de Netuno a Júpiter e Mercúrio, nos Signos mentais de Gêmeos e Sagitário, indica que o nativo tem um temperamento muito nervoso.

Netuno na 9ª Casa, geralmente, imprime uma tendência para ser um sonhador de sonhos, um visionário que se agarra mais as coisas ilusórias na vida, ao invés daquelas coisas que estão mais próximas do tangível. Netuno em Oposição a Mercúrio, o Planeta da razão, indica que isso deve ser, particularmente, acentuado no presente caso. A Lua em Áries, em Quadratura com o Sol e Saturno, tornaria a Mente ainda mais volúvel e instável.

Marte em Virgem aspectado por Urano, seja esse Aspecto bom ou adverso, tende a deixar a pessoa passível a desordens intestinais. Marte é o Planeta das inflamações e febres. Ele tende a causar cirurgias e outros tipos de violências. Observamos que as configurações entre Marte e Urano tendem a resultar não só em febres tifoides e gástricas, mas também em rupturas do peritônio, que produzem um abdômen proeminente. O jovem, cujo horóscopo estamos considerando, teve como doença inicial a febre tifoide, quando a Lua progredida formou Conjunção com Marte radical, na 11ª Casa. A seguir ela formou uma Quadratura com Netuno, Júpiter e Mercúrio. Então a espinha do nativo começou a enfraquecer. Observe que as Oposições de Netuno a Júpiter e Mercúrio são de Gêmeos para Sagitário, cobrindo a região da espinha dorsal. A Lua progrediu depois até formar uma Oposição a si própria radical, e como ela, radical em Áries, tem domínio especial sobre o cerebelo, órgão coordenador dos movimentos, pode-se compreender, de imediato, que isso dificulta o andar do paciente.

Esse é um caso curioso de aflições interligadas e bons Aspectos, pois observamos que, enquanto os dois principais afligidores Marte e Lua são submetidos a Aspectos adversos, sempre há um conjunto de bons Aspectos para minimizar os efeitos adversos. Não fora isso, há muito sérias doenças teriam acabado com esse moço. A Quadratura entre Lua e Saturno é um Aspecto particularmente hostil.

A Lua progride em volta do horóscopo em 28 anos, considerando-se um dia para cada ano. Saturno, em trânsito pelo céu, completa realmente uma volta em torno do círculo do Zodíaco em, aproximadamente, 30 anos. Desse modo, a Lua progredida e Saturno em trânsito sempre seguem, obrigatoriamente, um ao outro bem de perto. Quando eles formam Quadratura no nascimento de uma pessoa, eles conservam essa mesma relação por um considerável número de anos. Assim, os bons Aspectos de um horóscopo são contrabalançados pelo fato de que a Lua progredida estar em Quadratura com Saturno em trânsito, e os Aspectos adversos são, similarmente, acentuados por essa Quadratura infeliz. Entretanto, quem quer que tenha essa configuração adversa em seu tema natal está, certamente, sob o chicote de Saturno por toda a vida. Mesmo os bons Aspectos que se notam nesse horóscopo, por sinal muito fortes, são até certo ponto anulados por essa Quadratura de Saturno à Lua no nascimento.

Saturno sempre indica aquela parte do nosso destino que foi trazida de vidas anteriores, e que é quase inalterável. Por conseguinte, nesse caso há, infelizmente, não muito por fazer. Banhos e aplicação de massagens por um curador ou uma curadora que tenha Aquário no Ascendente, e cujo Saturno não esteja em Libra ou Peixes, seriam de grande ajuda.

Nº 18H – NARCÓTICOS – CIGARROS

Mulher, nascida em 7 de abril de 1880, às 7:00 AM

Temos aqui um dos mais interessantes casos, que é o de uma mulher com o Signo Fixo de Touro no Ascendente e com o Regente no Signo de Água de Peixes interceptado na 11ª Casa, em Conjunção com a aquosa Lua e Quadratura com o ígneo e destrutivo Marte. Marte é o regente da 12ª Casa, a Casa do confinamento, e Vênus rege a 6ª, a Casa das doenças.

Por volta de 1904, a paciente se submeteu a uma cirurgia de remoção de um dos rins. Ela não pôde precisar o ano, mas, de acordo com os Aspectos astrais, estamos certos de que foi 1904, quando o Sol progredido tinha acabado de formar uma Conjunção com Netuno radical, perto do Ascendente e a Lua progredida formava Quadratura tanto com Netuno radical como com o Sol progredido.

No momento em que escrevemos essa pobre mulher de 44 anos de idade espera se tornar mãe dentro de três meses e luta para dominar seu horrível vício em narcóticos, vício que a domina há seis anos, junto com o de fumar cigarros.

Nesse horóscopo, se destaca um princípio muitíssimo interessante. Netuno em Touro e perto do Ascendente forma um Trígono com Urano em Virgem, na 5ª Casa. Ambos os Planetas estão em Signos de recepção mútua, isto é: Netuno, sendo a oitava superior de Mercúrio, está em um Signo de Vênus – Touro – e Urano, a oitava superior de Vênus, está no Signo mercurial de Virgem. O Trígono desses dois Planetas místicos deve indicar o desenvolvimento das duas glândulas endócrinas por eles representadas, ou seja: a Glândula Pineal, por Netuno, e o Corpo Pituitário, por Urano. Quando, por alguma razão, essas duas glândulas são despertadas e a alma não responde à vida superior, mas se inclina a derivar para o sensualismo e a vida mundana, então esse despertar, frequentemente, conduz a mais grosseira permissividade à natureza inferior – ora à bebida, ora aos narcóticos, como no caso dessa pobre mulher.

Vênus e Lua em Conjunção em Peixes, sendo Vênus regente da 6ª Casa (a das doenças) e Marte regente da 12ª (a dos hospitais), significa que alguém do hospital foi responsável pela formação, nela, do hábito de tomar narcóticos, e esse alguém cremos ser um amigo médico que cuidava dela. À época que a nativa assegura ter contraído o vício de narcóticos, Mercúrio progredido formava um Trígono com Urano e Vênus progredido estava em Conjunção com Netuno. Esses Aspectos tendem a despertar as mencionadas glândulas e causar fome na alma, o que nesse caso a mulher confundiu com o desejo de se permitir voos anímicos por meio do uso de narcóticos, em vez de viver a vida de Cristo.

E agora que ela se encontra num estado de grande fraqueza, desanimada, totalmente abatida em virtude de um ataque de gripe, complicada pela gravidez, nervosismo e insônia, o conflito recebe um reforço; também a eliminação através de um único rim está sob a interferência da Conjunção de Saturno com o Sol em Áries, que produz efeito em Libra, Signo oposto.

O único lampejo de esperança que resta por meio dos Astros é o do Sol progredido na órbita de um Sextil com Júpiter radical e o de Marte progredido em Trígono com a Lua radical. Esses Aspectos são muito favoráveis à ajuda dos Auxiliares Invisíveis, que podem conseguir muito mais sob Aspectos astrais favoráveis do que em outras ocasiões. É provável que a paciente receba essa ajuda, principalmente porque seu espírito é o mais ansioso para vencer, apesar de ela não depositar fé em nossos métodos de cura. Ela apelou para nós persuadida por seu próprio médico, o qual, por sua vez, foi curado por meio dos nossos Auxiliares Invisíveis.

CAPÍTULO XXX – INSANIDADE

Nº 19A – UM CASO MENTAL

Mulher, nascida em 12 de junho de 1897, às 9:00 PM

Nós temos, em todas as oportunidades, tentado imprimir na Mente dos Estudantes da Filosofia Rosacruz a grande necessidade de sempre olharem para o lado iluminado da vida e levarem, constantemente, a esperança aos infelizes e aflitos. Se aspiramos ser Auxiliares da humanidade, trabalhadores na grande vinha de Deus, devemos sempre jogar o salva-vidas para o ser humano que está se afogando, ou seja: lhe dar a esperança, que ajuda, que significa vida para ele. O astrólogo que expressa a desgraça do paciente e rouba o último raio de esperança quando alguém que sofre vem até ele, talvez como último recurso, é pouco menos que um assassino. Essa afirmação pode ser muito forte, mas o autor sente que nunca é demais enfatizar esse ponto.

Ilustremos o perigo que existe na predição da morte: uma mulher escreveu a Sede Mundial da Fraternidade Rosacruz[52] informando que não lhe restavam mais que dois anos de vida, pois isso fora o que os astrólogos lhe haviam predito. Seria aconselhável, ela perguntou, começar o estudo da Filosofia Rosacruz e da Astrologia, e deveria prosseguir com a escola que havia inaugurado, ou seria melhor abandonar tudo e se preparar para o acontecimento que se aproximava, a morte do seu corpo físico? Podemos afirmar que essa mulher recebeu uma carta da Sede Mundial da Fraternidade Rosacruz impregnada de vibrações tão fortes que afastaram dela totalmente os pensamentos sobre a morte. Como resultado dessa carta ela se tornou uma Estudante da Filosofia Rosacruz e agora é uma mulher ativa e saudável, destinada a alcançar uma idade bem avançada. O astrólogo que predisse a morte dessa mulher poderia ter-se tornado culpado de um assassinato, mas felizmente, por ela ter entrado em contato com um dos nossos Estudantes, quem a aconselhou a escrever para a Sede Mundial, isso foi evitado.

No caso do horóscopo Nº 19A, temos uma paciente que têm tantos Astros fracos e aflitos que o astrólogo precisa usar o máximo de diplomacia a fim de encorajá-la. Na cúspide da 1ª Casa está o melancólico e pessimista Capricórnio, com seu Regente, Saturno, no Meio-do-céu, afligido pela Conjunção da negativa, visionária e apreensiva Lua, e também do irresponsável e fanático Urano. E, para maior infelicidade, esses três Astros estão em Conjunção no Signo Fixo e marciano de Escorpião, o Signo natural da 8ª Casa, a Casa da morte. Mercúrio, que governa a Mente, está no Signo melancólico e teimoso de Touro, em Oposição aos Astros afligidos em Escorpião. Poderia haver alguma coisa mais infeliz para criar um problema mental? Quando Touro está afligido ele reforça Capricórnio ampliando o lado melancólico da vida e aumentando sua tendência para alimentar doenças imaginárias, pelo que se pode imaginar o temperamento dessa pobre mulher. Ela necessitava desesperadamente de ajuda.

Seu pedido de ajuda nos chegou às mãos em novembro de 1916. Nessa ocasião, ela se encontrava em tal estado mental que ameaçava se suicidar; não fazia outra coisa senão chorar e vivia cercada de problemas imaginários. Mas era muito fiel no escrever suas cartas semanais e cooperar ao máximo com os curadores. Quando ela solicitou a cura, seu Marte progredido estava em Quadratura com a Lua radical, Urano e Saturno radicais em Escorpião, configuração essa que causou aquela perturbação mental. Mas, felizmente, nessa ocasião, a Lua progredida estava a 25º de Câncer, em Trígono e Sextil com os Astros afligidos na 10ª e na 5ª Casa, respectivamente. Isso foi o salva-vidas que se oferecia para ajudá-la.

Observe-se que o artístico, harmonioso e musical Vênus radical está em seu próprio domicílio, em Touro, em Trígono com o reverente e otimista Júpiter. A única janela de luz aberta para ela era esse bom Aspecto – música e arte. Era necessário levar harmonia a essa pobre Mente desorganizada, e nós a convencemos, e aos seus amigos, a providenciar música para o seu lar e despertar seu interesse pelas artes. À época de sua solicitação de ajuda, seu Sol progredido estava a 9º50′ de Câncer, formando um bom Aspecto com Vênus radical.

Foi isso que lhe salvou a razão. Em maio de 1917, ela nos escreveu informando que se sentia tão bem que não precisava mais da ajuda dos curadores.

Aqui, nós podemos ver o que um maravilhoso trabalho pode ser efetuado por meio de um conhecimento verdadeiro de Astrologia! Tivesse um astrólogo inescrupuloso encontrado essa mulher e predito seu suicídio, o perigo que seu tema mostrava tão claramente, poderia torná-lo seu assassino. Por conseguinte, caros amigos, esperamos que vocês aprendam isso como uma lição para usar a Astrologia para ajudar e curar, e não para ferir.

Nº 19B – INSANIDADE

Mulher, nascida em 7 de janeiro de 1868

Embora sejamos incapazes de predizer as datas das crises da sua doença por não sabermos a hora de nascimento, ainda assim os Aspectos entre os Astros na carta desta mulher mostram suficientemente bem a natureza de seu mal e as crises anuais. O errático e excêntrico Urano está no Signo psíquico de Câncer, em Oposição a Marte, o Planeta da impetuosidade e da imprudência. Urano também está em Oposição ao vitalizante Sol e a Mercúrio, o Planeta do raciocínio, ambos posicionados no Signo beligerante e violento de Capricórnio. Todos esses quatro Astros estão em Quadratura com Netuno em Áries, Signo que governa a cabeça e o cérebro.

O benevolente raio de Júpiter está limitado, em virtude do posicionamento do Planeta no Signo da 12ª Casa, Peixes, o Signo dos sofrimentos, das dificuldades e da autodestruição. Nessa posição ele está em Conjunção com a saturnina Cauda do Dragão e em Quadratura com a Lua, proporcionadora de visões e imaginação, o que resulta em Mente mórbida. Forma também uma Quadratura com Saturno, Planeta da tristeza e da melancolia. Como resultado de todas essas influências adversas, perversas e perturbadoras, a pobre mulher sempre teve uma falta de juízo e de bom senso, sempre foi impulsiva, descuidada, triste, errática e visionária. No ano de 1915, lhe ocorreu uma crise quando o Sol se encontrava no Signo da 12ª Casa, Peixes, que rege hospitais e asilos. A Lua progredida também estava ali, em Conjunção com o Sol e com a saturnina Cauda do Dragão, todos em Quadratura com Saturno, resultando que a mulher se tornou uma louca violenta, tendo por isso de ser internada num manicômio, de onde não mais saiu. No que diz respeito ao seu estado mental, tem havido pouco ou nenhum progresso, e seu estado de saúde física também é delicado.

Contudo, não se trata de um caso sem esperanças, pois as principais influências adversas provêm de Signos Cardeais, cujas forças se esgotam relativamente cedo, e o resto provém de Signos Comuns ou flexíveis, sujeitos a modificações. Observe-se que Netuno, o Planeta da Mente espiritual, está em Sextil com Vênus, o Planeta da música, e com a Lua, luminar da impressionabilidade. Vênus e Lua estão em Trígono, entre si, significando que a nativa ama a música e que pode ser ajudada por ela. A respeito da saúde, a Lua está em Gêmeos, Signo que rege os pulmões, o que dá tendência para resfriados nesse órgão. A configuração de Urano em Câncer, em Quadratura com Netuno e em Oposição ao Sol, a Marte e a Mercúrio, indica indigestão nervosa, uma vez que Câncer rege o estômago. Esse problema pode ser minimizado por uma alimentação adequada, de modo que, se houver essa possibilidade, essa dieta poderá ajudá-la a lhe clarear de modo considerável a Mente.

Ao lidar com o problema de insanidade os estudantes devem se recordar de que se trata de uma ruptura, total ou parcial, da cadeia de Corpos que ligam o espírito ao seu veículo físico. Quando a ruptura se dá entre o Corpo Denso e o Corpo Vital, ou entre o último e o Corpo de Desejos, temos o idiota inofensivo. Quando essa ruptura ocorre entre o Corpo de Desejos e a Mente, a descuidada, impulsiva e violenta natureza de desejos se encarrega do veículo inferior, e então temos o maníaco violentamente furioso, que precisa ser metido numa camisa-de-força e em um cubículo almofadado. Mas quando a ruptura ocorre entre a Mente e o espírito, a argúcia e a astúcia mental se manifestam e se encarregar da personalidade inferior; uma pessoa insana desse tipo pode conviver conosco por anos, intrigando e conspirando com tão grande astúcia que jamais chegamos a suspeitar se tratar de um anormal, até que ela revele alguma de suas tramas diabólicas, gargalhando e exultando malignamente sobre a ruína, a dor e o sofrimento que causou às suas vítimas.

Nº 19C – INSANIDADE, OBSESSÃO E TUBERCULOSE

Homem, nascido em 30 de janeiro de 1889, ao meio-dia

Esse horóscopo nos foi enviado pelos pais do nativo, com permissão para que o utilizássemos como uma lição. Nele encontramos alguns pontos muito interessantes, que podem ser de interesse no estudo da ciência da diagnose.

Dois pontos especiais precisam ser levados em consideração no horóscopo de um paciente: o Signo Ascendente e Mercúrio. O Ascendente mostra a força da personalidade. Se os Signos Fixos estão nos quatro ângulos, ou seja, a cúspide da 1ª, 4ª, 7ª e l0ª Casa, então o paciente poderá ser capaz de ajudar o curador ou a curadora com a sua força de vontade para superar a doença. Entretanto, se os Signos Comuns estão nesses ângulos, então o paciente é capaz de se abandonar à maré e ficar propenso a depender dos Auxiliares Invisíveis, esperando que esses façam todo o trabalho e, geralmente, evitando fazer qualquer coisa por si mesmo. Para se conseguir a melhor cooperação do paciente é muito necessário que sua Mente esteja querendo ajudar. Onde há uma Mente fraca e teimosa, conforme se verifica nesse horóscopo, o paciente pode fazer muita coisa para frustrar os esforços feitos em seu favor.

Estando Mercúrio num Signo Fixo, na 11ª Casa e em Quadratura com Netuno proporciona aqui uma mentalidade das mais dominadoras e teimosa. Essa é uma pessoa não tolera nenhuma interferência ou domínio por parte dos outros.

Ele possui, naturalmente, uma natureza muito devota e religiosa, mas ao invés de seguir os ideais de sua alma, que são expressos por Júpiter em Sagitário em Sextil com Mercúrio em Aquário, sua Mente teimosa e ambiciosa o leva a reagir às vibrações das Quadraturas de Vênus com Júpiter, de Mercúrio com Netuno e de Lua com Urano.

Vênus está Exaltado em Peixes, Signo da autodestruição, na 11ª Casa, em Quadratura com Júpiter que está no Signo que rege, portanto muito forte, Sagitário, o Signo da religião. Isso significa que uma amiga do sexo feminino, com seus encantos e atenções (significada por Vênus) foi responsável por conduzi-lo de seus ideais religiosos para a especulação metafísica negativa. Acrescente-se o fato de que a versátil e inquieta Lua forma um Trígono com Netuno, na oculta 12ª Casa, que lhe imprimiu o desejo para o conhecimento oculto, mas, a Lua estando em Quadratura com Urano o levou à ruína. Uma pessoa com os Aspectos e posições astrais como os que se vê nesse horóscopo não se satisfaz em seguir as instruções ou em ouvir as advertências daqueles que conhecem o ocultismo, mas precisa se arrojar e investigar por si mesmo. O Sol, no Signo saturnino de Aquário, em Oposição a Saturno no Signo de Leão, proporciona uma índole descrente, uma natureza que exige evidências e que precisa provar todas as coisas. Essas tendências foram a sua desgraça. O fato de estarem Sol e Saturno em recepção mútua na 10ª e 4ª Casa, respectivamente, reforçou essa tendência.

Com a Lua em Trígono com Netuno e em Quadratura com Urano, esse homem desenvolveu a mediunidade muito depressa, se tornando capaz de estabelecer contatos com os reinos invisíveis. Porém, sem atentar para as advertências, ele procurou o conhecimento por meio de caminhos perigosos. Ainda que os ensinamentos da yoga sejam seguros para os povos da Quarta Raça, os orientais, e também para os das raças ocidentais que ainda se encontram nos estágios inferiores da evolução, esses ensinamentos orientais são dos mais perigosos para o indivíduo sensitivo do tipo ocidental. Esse pobre homem se tornou presa de um grupo hindu, do qual recebeu instruções para exercícios respiratórios e desenvolvimento psíquico. Também atuou no espiritismo, onde estimularam sua mediunidade.

Poucos anos depois, a Lua progredida alcançou o ponto de Oposição a Saturno radical e, mais tarde, fez Conjunção com Mercúrio radical. Sendo a oitava superior de Mercúrio, Netuno atua grandemente sobre o sistema nervoso, de maneira que qualquer estímulo impróprio pode, às vezes, causar desequilíbrio mental se ele formar Quadratura com o Planeta da Mente, Mercúrio, o que com frequência é expresso através da paranoia religiosa. Esse pobre homem, repetidamente, declara que é Jesus reencarnado. Netuno imprime essa tendência, em especial se estiver na 12ª Casa, onde muitas vezes causa internação em instituições para dementes. A Lua na 9ª Casa e em Capricórnio, em Quadratura com Urano, agravou o mal por ter atraído entidades indesejáveis para esse homem de Mente já enfraquecida, e que foi facilmente expulso de seu próprio corpo, do qual as entidades obsessoras se apoderaram com liberdade.

Para completar essa condição infeliz, o pobre homem, que vive num asilo para dementes há alguns anos, está morrendo lentamente devido a pavorosa doença tuberculose. Isso está indicado por Júpiter em Sagitário (Júpiter rege o sangue arterial) em Quadratura com Vênus (regente do sangue venoso) em Peixes, dois Signos Comuns.

CAPÍTULO XXXI – ASMA

Nº 20A – ASMA

Homem, nascido em 15 de agosto de 1915, às 2:00 PM

Nós encontramos o ígneo Signo de Sagitário no Ascendente, e o Regente, Júpiter, em seu domicílio, Peixes. Esse Planeta está em seu lar em dois Signos, Sagitário e Peixes. Quando os Astros estão posicionados na 1ª, 4ª, 7ª e 10ª Casas suas influências são muito mais poderosas, mais fortes — quer para o bem, quer para o mal —, especialmente se estiverem em Signos Fixos ou em seus próprios lares. Júpiter aqui está em seu lar e na 4ª Casa, em ângulo e rege o sangue arterial. Está em Quadratura com o ígneo Marte, que está no Signo dos pulmões, Gêmeos. Mercúrio, Regente desse Signo, e que rege o ar que passa pelos pulmões, está em Conjunção com o Sol, e ambos estão no Signo que rege o coração, Leão. Agora, qual deveria ser o efeito físico das duas aflições notadas acima?

É necessário que certa quantidade de ar seja introduzida nos pulmões para o necessário suprimento de oxigênio que dá vida ao sangue que alimenta o coração. Com o Regente de Gêmeos – Mercúrio – em combustão pelo calor do Sol, e com os capilares dos pulmões cheios do fogo do febril e afligido Marte, temos como resultado um peito congestionado e febril, além do sangue obstruído e com circulação vagarosa, o que causa espasmos ao passar pela aorta. Os pulmões se tornam febris e a respiração difícil, causando espasmos. Marte está em Paralelo com Saturno, que está no Signo do estômago, Câncer, e na 8ª Casa, o que significa assimilação deficiente dos alimentos. O Planeta Vênus, regente da circulação venosa, está no quente e ígneo Signo de Leão, em Oposição ao espasmódico Urano Retrógrado, o qual está forte em seu próprio lar, Aquário, produzindo um funcionamento irregular do coração.

Esse menino tende a sofrer por toda a vida daquilo que os médicos chamam comumente de asma. Nos primeiros anos, ele sofreu muito de espasmos. Também está sujeito a tosses e resfriados, muito embora isso jamais possa se converter em tuberculose pulmonar, como costuma acontecer. Por Marte estar governando os pulmões, os capilares desse órgão com frequência ficam congestionados e febris, condição que queima o oxigênio. Contudo, aqui Marte está em Sextil com o vitalizante Sol em Leão, o que pode fazer o menino se recuperar rapidamente. Suas condições de saúde estarão acima da média, em que pesem as muitas aflições, e ele alcançará uma idade avançada.

Nº 20B – ASMA – DEPENDÊNCIA À MORFINA

Homem, nascido em 15 de agosto de 1869, às 9:00 AM

Primeiro vamos analisar o caráter dessa pessoa e, para tal, verificamos que nos ângulos estão os quatro Signos Cardeais. Isso é uma grande ajuda para tornar as pessoas mentalmente alertas e bem equilibradas, mas infelizmente aqui temos o regente da Mente, Mercúrio, em combustão, e a Lua está em Conjunção com Saturno. Essa configuração resulta numa Mente vagarosa e melancólica, sujeita a medos de coisas que naturalmente nunca se concretizam. Urano está elevado e em Quadratura com Netuno, o que tende a sujeitar o nativo aos espíritos de controle, mas, como o Sol está em Trígono com Netuno, o perigo fica minimizado. O nativo tem uma forte natureza amorosa como mostrada pelo Trígono de Vênus com Júpiter, mas a Conjunção de Lua e Saturno sugere que sua companheira de matrimônio talvez seja sempre desanimadora e se ressinta de progressos. A Oposição de Marte com Netuno, da 1ª à 7ª Casa, torna claro que há entre eles brigas e problemas, o que em sua totalidade pesa bastante na doença e na sua causa.

O Sol em Leão, afligido por Júpiter em Touro, indica que a circulação arterial é pobre, uma condição que é um tanto minimizada pelo Trígono de Júpiter com Vênus, os dois Planetas que governam a circulação. Contudo, o ritmo da atividade respiratória está seriamente comprometido, porque Urano está em Câncer e elevado. Esse Planeta é espasmódico em sua atuação e afeta o diafragma, quando posicionado em Câncer. Aqui ele está, como dissemos anteriormente, muito elevado e em Quadratura com Marte e Netuno, ambos nos ângulos, uma configuração, portanto muito forte. As subidas e descidas rítmicas do diafragma são, absolutamente, essenciais à respiração adequada e regular, e, como essa atividade está prejudicada, até certo ponto, pelas aflições indicadas aqui, temos então a enfermidade conhecida como asma.

É bem conhecido o fato dos sofredores dessa doença ficarem, às vezes, muito tempo sem dormir, por causa da sua incapacidade para se deitar. Geralmente, a morfina é empregada para aliviar e proporcionar a eles o repouso pelo qual anseiam com todo o seu ser. O perigo dessa droga não pode ser subestimado em nenhum caso, porém é maior para o paciente que tem Júpiter em Touro afligido pelo Sol, como esse, porque tal configuração sempre produz um apetite anormal peculiar, uma tendência a ir aos extremos no que quer que seja tomado pela boca. Não admira, pois, que esse homem tenha se viciado em morfina.

Há esperança, contudo, conforme é mostrado no horóscopo. A Lua rege o tubo alimentar e é responsável pela passagem do alimento através do trato digestivo. Ela está em Conjunção com Saturno, o que resulta naturalmente em lentidão dos intestinos. Urano em Câncer atua sobre o estômago de tal maneira que o dilata periodicamente. Com um cólon cheio, um estômago dilatado e o diafragma funcionando irregularmente, não é de se admirar que o coração se recuse a forçar o líquido vital para os pulmões e trazê-lo de lá. Métodos heroicos deveriam ser adotados para purificar o sistema e mantê-lo limpo. Enquanto essa medida não aliviar o funcionamento espasmódico do diafragma, a pressão do ápice do coração não será atenuada de modo nenhum, não podendo ele ajudar, materialmente, a melhorar a condição. Marte está em Sextil com o Sol; portanto, o coração pode ser fortalecido. Marte, também, está em Sextil com Saturno, mostrando a possibilidade de garantir, ao menos, um funcionamento e uma circulação melhor do trato digestivo.

A pior condição nesse horóscopo, a maior dificuldade a ser suplantada, é Júpiter em Touro e em Quadratura com o Sol. Faz parte da nossa experiência o fato de, mesmo dizendo às pessoas que elas têm apetites anormais, e ainda que se convençam disso, geralmente se recusarem a corrigir esse particular. Como a aflição acima parte de Signos Fixos, é extremamente difícil dominá-la. Não obstante, a melhor ajuda deve partir do Trígono de Vênus com Júpiter, que estimula a natureza amorosa e torna o nativo sensível à bondade. Os desvelos carinhosos de uma mulher talvez valessem mais do que qualquer outra coisa para ajudá-lo a dominar o vício contraído. E um curador ou uma curadora com Aquário no Ascendente, cujo Saturno não esteja em Peixes, exerceria muito provavelmente um efeito benéfico nesse caso.

Nº 20 C, D e E – ASMA

A doença designada pelo nome de asma é uma das mais difíceis de diagnosticar, pois muitas pessoas que apresentam sintomas diagnosticados pelos médicos como asma, em virtude da respiração curta, chiado no peito e tosse, na realidade quase nunca são asmáticas. Existem vários tipos dessa doença. Por exemplo, há a asma do feno, que aparece no outono, quando o feno e os grãos estão maduros, prontos para a ceifa. Às vezes, ela é causada pelo pólen nocivo de flores venenosas, que causam uma contração na passagem pelos pulmões; esses, quando inativos, se enchem de muco dificultando a respiração. Há também a asma do coração ou do estômago, a qual muitas vezes resulta de uma irregularidade do fluxo de sangue nas válvulas do coração, o que causa dificuldade no respirar e contrações do peito e dos pulmões. Em vista disso, o astrólogo pode encontrar dificuldades no diagnóstico.

Nós, nessa lição, nos empenharemos em dar uma pequena ajuda mostrando, de acordo com as aflições, as diferenças nas doenças que podem ter os sintomas externos semelhantes, mas cujas causas podem ser diferentes.

O caso Nº 20C é o de um homem nascido em 6 de março de 1831, às 4:00 PM. O horóscopo para esse caso é o 10A, cujo horóscopo reproduzimos abaixo.

Verificamos ali que o perturbador Saturno está em Leão, Signo que rege o coração, em Quadratura com Marte em Touro, regente da garganta, e em Oposição a Mercúrio, que se posiciona no nervoso Signo de Aquário. Marte também forma Quadratura com Mercúrio e Paralelo com Netuno. Essa configuração de Planetas em Signos Fixos indicaria o funcionamento espasmódico do coração, pois a Oposição de Mercúrio a Saturno deve causar contração das válvulas desse órgão, desse modo interferindo no excessivo fluxo de sangue produzido pela Quadratura de Marte a Saturno. Verifica-se, também, que o Sol está em Peixes, Signo Comum, em Quadratura com a Lua, em Sagitário. Signos Comuns, quando afligidos, afetam os órgãos respiratórios, criando uma tendência para enfermidades pulmonares. Esse homem sofreu grandemente daquilo que alguns médicos diagnosticaram como asma e outros como doença do coração, tendo ele sofrido também de fortes resfriados. A astrologia mostra que ele sofreu de uma disfunção valvular cardíaca e que não era um verdadeiro caso de asma. Veio a morrer de um abscesso no fígado. Para maiores detalhes sobre essa condição veja no horóscopo Nº 10A desse livro.

No caso do horóscopo Nº 20D, que é de um homem nascido em 25 de agosto de 1867, Saturno está em Escorpião, um Signo Fixo, em Quadratura com Vênus e Mercúrio em Leão, Signo que rege o coração.

Novamente, encontramos um problema com uma fraca ação do coração; mas a aflição mais perturbadora está no estômago, pois Lua e Urano estão em Conjunção no Signo de Câncer, regente desse órgão, e ambos formam Quadratura com o inflamatório Marte, sendo que Urano também está em Quadratura com Netuno, todos em Signos Cardeais. Nesse horóscopo a raiz do problema está no estômago, indicado por hábitos alimentares impulsivos e antinaturais, por uma tendência para mastigar apressadamente a comida e também para se exceder nos líquidos às refeições, que resultaria em um dilatado estômago, o qual, desse modo, passou a lhe pressionar o coração e a interferir na sua respiração.

No horóscopo Nº 20E, que é de uma mulher nascida a 23 de junho de 1898, encontramos uma causa muito diferente, podendo-se diagnosticar o caso como de autêntica asma de feno.

Netuno está em Conjunção com Mercúrio no Signo de Gêmeos, regente dos pulmões. Pelas indicações de sua aparência pessoal, julgamos se tratar de uma jovem com Virgem no Ascendente e Gêmeos no Meio-do-céu, o que faz de Mercúrio o regente da vida. Sendo Netuno a oitava superior de Mercúrio, rege o sistema nervoso. A influência de Netuno é semelhante à de Saturno: constritora e restritiva. Assim, quando em Gêmeos pode-se esperar distúrbios nos brônquios, em especial durante os meses de verão, conforme aconteceu com essa moça, cujo problema foi causado pela inalação do pólen de certos capins e flores. Você encontrará, na maioria dos casos de asma que há prejuízos na circulação. A corrente sanguínea é fraca, indicativo de Vênus ou Júpiter afligidos. Quando o sangue está impuro, a eliminação também será vagarosa. Muito cuidado deve ser tomado na seleção dos alimentos. A paciente deve comer alimentos leves e não apenas os que sejam facilmente digeríveis, mas dê a ela uma nutrição apropriada. Especialmente nas refeições noturnas, pois os ataques de asma se seguem invariavelmente refeições pesadas à noite. Sanduíches de cebolas cruas, comidos como a última alimentação à noite eliminam o catarro e proporcionam um sono reparador.

CAPÍTULO XXXII – CÂNCER

Nº 21A – CÂNCER

Mulher, nascida em 14 de julho de 1897, às 4:00 PM

Sagitário, um Signo Comum, está no Ascendente, e o Regente da vida Júpiter está na 9ª Casa, no Signo de Virgem; Júpiter está em Quadratura com o Ascendente. As pessoas com Signos Comuns nos quatro ângulos raramente se esforçam o suficiente para superar os obstáculos da vida, e quando se há também a presença de Astros afligidores nesses Signos Comuns, e o Sol no Signo aquoso de Câncer, na 8ª Casa, temos então, como é o caso dessa mulher, alguém que preferia se tornar uma inválida do que se esforçar para conservar a saúde do corpo, e nós podemos ver quão pequeno seria esse esforço para superar.

Em primeiro lugar, as pessoas com o Sol e a Lua em Câncer são muito chegadas aos bons pratos, e quando a Lua também está em Trígono com Vênus esse gosto por comidas se intensifica, criando uma tendência para comer demais. Vejamos qual o resultado disso.

Encontramos o Planeta Vênus, que rege o sangue venoso, no Signo de Gêmeos e na 7ª Casa, em Quadratura com o inflamatório Marte e com Júpiter. Júpiter, que rege o sangue arterial, está afligido por uma Conjunção com Marte, consequentemente a circulação sanguínea está bastante obstruída, e isso principalmente por estar Júpiter no Signo de Virgem, que rege o intestino delgado. Quando o paciente come fartamente (especialmente como as pessoas de Câncer que gostam muito de massas), com a circulação sanguínea obstruída e a assimilação alimentar prejudicada no intestino delgado o que se pode esperar é tão somente as entranhas repletas de matéria pútrida. A fermentação se estabeleceu, causando um desarranjo em todo o sistema circulatório. Saturno, o obstrutor, em Conjunção com Urano no Signo de Escorpião, que rege o reto, e na 12ª Casa, a Casa da autodestruição e também das coisas ocultas, é uma indicação que a jovem contraiu um vício secreto que produziu muita irritação em seus órgãos de eliminação e que, como resultado, lhe causou câncer do reto.

Ela esteve doente por muito tempo, sofrendo dores atrozes no baixo ventre e na extremidade inferior da coluna espinhal. Pode-se perguntar: não há cura para essa temida doença, o câncer? Sim, em seus estágios iniciais ela pode ser curada suspendendo toda a comida por uns poucos dias, bebendo apenas água pura, destilada, com suco de limão, e limpando completamente os intestinos com enemas[53]. Inicie-se então uma monodieta[54], mantendo-a por três semanas, se a paciente puder suportá-la, mas não exceda as três semanas. Cenoura é a única coisa que ela deve comer. Esse vegetal pode ser preparado de vários modos para se tornar agradável ao paladar: moída e espremida para fazer suco, assada ou cozida e como salada, temperada com um pouco de azeite de oliva e limão. A cenoura tem acentuado efeito curativo, especialmente quando usada como cataplasma, e possui um maravilhoso poder de cura nos casos de úlceras e tumores cancerosos.

Nº 21B – CÂNCER

Homem, nascido em 14 de dezembro de 1857

O lugar e a hora de nascimento são desconhecidos, mas, pela aparência física e por alguns traços do seu caráter, colocamos Sagitário no Ascendente. As posições dos Astros são as do meio-dia, HMG.

Os médicos disseram a esse homem que ele sofria de câncer, e desde então nada pôde lhe abalar a crença de que haveria de morrer dessa terrível doença. Ele continuou enviando regularmente suas cartas para o Departamento de Cura por vários meses, mas seus escritos estavam sempre repletos de dúvidas sobre os nossos métodos e de desânimo quanto ao futuro. Revoltou-se também com as restrições na sua dieta, alegando que estava demasiado fraco e doente para viver sem suas bistecas e batatas fritas diárias.

Mais tarde, através de seu filho que trabalhava em nosso escritório como estenógrafo, esse homem e sua esposa alugaram uma casinha numa área contígua ao terreno da Sede Mundial da Fraternidade. E para possibilitar a seu pai participar da dieta salutar servida em nosso refeitório, o filho solicitou para ele o emprego de jardineiro.

Nas primeiras semanas, esse pobre homem foi uma grande provação para o cozinheiro. Quando esse não lhe servia o que pedia, saía da mesa sem comer. Isso durou alguns dias, até que a fome o obrigou a comer o que lhe serviam. Suas exigências à mesa: dois ovos fritos na manteiga, uma tigela grande de mingau com textura mole e cozido com muito açúcar e muito creme de leite, batatas fritas, pão branco e duas ou três xícaras de café preto e forte, cada uma adoçada com várias colheres de açúcar. O açucareiro era esvaziado em cada refeição. Desse modo, ele submetia a uma grande prova a paciência de sr. Heindel e a minha própria. Contudo seu jovem filho, que o havia suportado vários anos, ansiava desesperadamente por nos ajudar a ajudar seu pai. Depois de algumas semanas o paciente se adaptou, e então sua saúde começou a melhorar imediatamente. As erupções no seu rosto e no peito começaram a desaparecer aos poucos e as forças e a saúde geral começaram a voltar.

Durante o dia, conforme se observou, ele comia doces constantemente; seus bolsos estavam sempre cheios de doce. Antes de vir para a Sede Mundial da Fraternidade Rosacruz, ele consumia de uns 500 gramas a 1 quilo de doces por dia e pensava que isso era necessário para manter suas forças.

Notamos a Conjunção da Lua com Vênus logo acima do Ascendente, no Signo negativo de Sagitário. A Lua e Vênus em Conjunção, não importa sua localização no horóscopo, fazem gostar de doces, frituras etc.

Nesse caso, Saturno está no Signo do estômago, Câncer, e Retrógrado e, progredido, em Quadratura com Marte, que está em um Signo de Vênus. Durante anos, esse homem encheu seu corpo com um excesso de amido, proteínas e açúcar. Com seu Saturno afligido e progredido em Câncer, ele não era capaz de extrair as vitaminas de sua alimentação, adquirindo assim o hábito de comer em demasia, depressa e com pouca mastigação. Naturalmente o corpo acumula os excessos de comida ingerida. Seu estômago recusava digerir essa quantidade de comida, ou melhor, estava demasiado fraco e sem os necessários sucos gástricos para a digestão. Havia também uma enorme quantidade de dejetos que os órgãos de eliminação não conseguiam expelir. Marte rege o reto, sendo o Regente de Escorpião que rege esse órgão. Com Marte afligido pelo obstrutivo Saturno progredido, podia-se esperar que o homem sofresse de constipação.

Com toda essa cinza acumulada no corpo, não é de se admirar que o sistema tenha que achar algum meio de expelir esses venenos? O resultado foi que a pele do nariz, da garganta, da face e do peito (Marte, Regente de Áries, governa a face; Escorpião, a base do nariz; e Saturno, em Câncer, rege o peito) foram usadas como áreas de despejo do lixo corporal. Depois de oito meses de dieta em Mount Ecclesia[55], esse homem voltou para a cidade sem nenhum indício de câncer no corpo; todas as feridas haviam desaparecido por completo. Marte em Sextil com o dispensador da vida, o Sol, lhe renovou a vitalidade. Sempre que se verifica um bom Aspecto entre esses dois Astros pode-se esperar vitórias sobre doenças.

Saturno em Câncer na 8º Casa, a Casa da morte, junto com a Lua e Vênus em Signo Comum e na Casa da autodestruição, poderá eventualmente ser a causa do falecimento do nativo. Com o tempo, seu desejo por doces e pratos com muita comida, provavelmente, resultarão em excessos que poderão lhe causar a morte.

CAPÍTULO XXXIII – CURA[56]  ROSACRUZ

COMO OS ROSACRUZES CURAM O DOENTE

O trabalho Rosacruciano de curar é realizado pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz ajudados por um grupo de Auxiliares Invisíveis, que trabalham sob sua instrução.

O trabalho é executado de acordo com a recomendação de Cristo aos seus Discípulos: “Pregai o Evangelho e curai os doentes”[57].

Os Irmãos Maiores

São seres de um nível muito elevado de espiritualidade, por meio dos quais o Espírito de Cristo está trabalhando para o bem da humanidade.

Os Auxiliares Invisíveis

Os Auxiliares Invisíveis são aqueles que levam, durante o dia em seu corpo físico, uma vida consagrada ao serviço amoroso e desinteressado à humanidade e que chegaram a um grau de desenvolvimento tal que, ao mesmo tempo merecem o privilégio de serem, durante a noite enquanto funcionam em seus Corpos-Almas, colaboradores por meio da instrumentalidade dos Irmãos Maiores, como indicado nas seguintes palavras do Serviço Vespertino, que diariamente celebram os Rosacruzes em seu Templo: “E nessa noite, enquanto nossos corpos físicos descansam serenamente em seu sono, possamos nós, como Auxiliares Invisíveis, continuar trabalhando fielmente na Vinha do Cristo”. Esses Auxiliares Invisíveis são organizados em grupos, de acordo com seu temperamento e suas habilidades. Eles estão sob a instrução de outros Auxiliares Invisíveis que são médicos, e todos eles trabalham sob a direção dos Irmãos Maiores, que, naturalmente, são os espíritos responsáveis por todo o trabalho.

É muito frequente os pacientes sentirem a presença dos Auxiliares Invisíveis.

Viver uma Vida Pura é Necessário para a Cura

Os Auxiliares Invisíveis nunca recusam a responder um pedido de auxílio; contudo, para corresponder à Força Curadora Divina os pacientes devem adotar o evangelho de uma vida reta, devem ocupar suas vidas e dormir em quartos com ar puro; nutrir apenas pensamentos puros e levar uma vida dedicada a atos puros. A Força Curadora Divina é pura; se você a pede para que sejam aliviadas das suas doenças, você deve estar disposto a viver de acordo com as Leis da pureza. Ar puro, alimentação pura, pensamentos puros e uma vida pura! Se você ignora esses grandes fatores que promovem a saúde, você pode ter apelado inutilmente para a Força Curadora Divina.

A Força Curadora

Toda a Força Curadora provém de Deus, nosso Pai Celestial, o Grande Médico do universo; ela está latente em toda parte; ela é liberada e dirigida para o sofredor por meio da oração e da concentração; ela se manifestou por meio do Mestre, Cristo Jesus; ela emana nos Rituais dos Serviços de Cura que são oficiados todas as semanas em todos os Centros da Fraternidade Rosacruz no mundo. Por meio das atividades dessa suprema força, os Auxiliares Invisíveis elevam o ritmo vibratório do paciente até um grau conveniente, habilitando-o, assim, a expelir de seu organismo os venenos da enfermidade e, depois, a reconstruir cada corpúsculo de sangue, fibra e órgão, até que todo o corpo esteja renovado. Isso é feito, não de uma maneira miraculosa, mas de acordo com as Leis naturais. Se o paciente continua violando essas Leis e, por meio de uma vida incorreta, acumula substâncias nocivas em seu sistema, ele frustra o processo de cura.

A Causa da Doença

O maravilhoso organismo que chamamos corpo humano é regido por Leis naturais imutáveis. Todas as enfermidades são o resultado da violação das Leis da Natureza, seja conscientemente ou por ignorância. As pessoas ficam doentes porque, na presente vida ou nas precedentes, não considerou os princípios fundamentais dos quais dependem a saúde do corpo. Se desejamos recobrar a saúde e conservá-la, devemos aprender a compreender esses princípios e harmonizar nossos hábitos de acordo com eles.

Essa é a mensagem do Mestre Curador, Cristo Jesus, quando disse ao homem paralítico curado: “Eis que estás curado; não peques mais, para que não te suceda algo ainda pior!” (Jo 5:14). Nem mesmo Cristo podia conceder uma saúde perfeita permanente se aquele que a recebia, por meio da força curadora do Pai, não renunciasse aos maus hábitos causadores da enfermidade, e não vivesse em obediência às Leis estabelecidas por Deus, que governam o corpo do ser humano, assim com seus relacionamentos com os seus semelhantes.

O Direito à Saúde

Algumas pessoas “exigem” uma saúde perfeita e acreditam ter direito a ela. Esquecem que nessa existência ou em outra anterior perderam esse direito que lhes foi dado por Deus, por terem desobedecido às Leis naturais, que são as Leis de Deus. Por meio do sofrimento elas tem que aprender a obediência. Quando elas tenham aprendido essas lições e estão dispostas a “não mais pecar”, então seus direitos à saúde serão restituídos.

As Violações das Leis da Saúde

A Força Curadora Divina é construtiva; os métodos errados de viver que negligenciam as Leis da natureza são destrutivos.

As omissões e transgressões, provenientes de uma vida errada e, consequentemente pela doença são muitos; citaremos as principais: alimentação não natural; excesso de alimentação; alimentação que favorece a doença, falta de ar puro e de sol; falta de higiene; falta de exercícios físicos; falta de descanso e de bom sono; falta de domínio sobre si mesmo; dormir em quartos não ventilados; ceder a temperamentos precipitados; gratificar desejos inferiores; maltratar outros seres vivos, sejam eles humanos ou animais; abuso da sagrada função geradora.

Desde que todos os órgãos do corpo, com suas funções respectivas, são interdependentes, o abuso e a consequente aflição de uma das partes prejudica todas as outras partes, contribuindo para acumular os venenos da enfermidade em todo o sistema, diminuindo a vitalidade de todo corpo. Os sintomas locais são, somente, a evidência de que todo o corpo está enfermo. Por isso, toda a cura verdadeira, para ser duradoura, não é dirigida para eliminar os sintomas, mas para a remoção da causa que fez os sintomas aparecerem.

A Cura Espiritual

A cura espiritual opera sobre os planos superiores do nosso ser e é efetuada conforme as Leis naturais, que imperam “tanto em cima como embaixo”; consequentemente, todos os métodos de cura naturais que se aplicam no plano físico estão em harmonia com o trabalho dos Auxiliares Invisíveis, nos planos superiores.

 A Boa Alimentação é a Medicina Natural

Assim como o corpo é construído por meio das substâncias físicas introduzidas no sangue por nossa alimentação diária, assim uma boa alimentação a medicina natural que o paciente deve seguir para cooperar com os Auxiliares Invisíveis, em seu trabalho de reconstruir o organismo.

Os Eflúvios transmitidos nas Assinaturas Semanais

Antes que os Auxiliares Invisíveis possam trabalhar com o paciente, eles devem ter os eflúvios do seu Corpo Vital, que é a contraparte etérica de seu corpo físico e do campo de ação das forças vitais. Esses eflúvios são obtidos por meio da escrita do paciente, uma vez por semana, onde ele assina e data, no formulário de assinaturas que lhe é enviado, nos dias assinalados com caneta tinteiro[58]. Isso é importante, porque uma pena carregada de líquido é melhor condutor do magnetismo que um lápis ou outro tipo de caneta. O Éter que impregna o papel com a assinatura semanal fornece uma indicação sobre o seu estado de saúde, no momento, e possibilita o acesso ao seu organismo. É algo que ele deu voluntariamente e com o propósito de dar acesso aos Auxiliares Invisíveis. Porém, se o paciente não fizer a sua parte, nada é feito para ele; portanto veja como é sumamente importante fazer e enviar o formulário com as assinaturas semanais para o Centro de Cura de um Centro Rosacruz.

O Tempo Necessário para a Cura

As curas instantâneas são frequentes, quando se recorre aos Auxiliares Invisíveis para ajudar nos casos de doenças agudas. Nos casos de enfermidades crônicas, que demoram muitos anos para se manifestarem, pode se sentir uma certa sensação de alívio imediato; entretanto, um restabelecimento completo, que equivale a uma renovação total do organismo, só é conseguido de uma maneira lenta e gradual. Como dissemos, o trabalho de cura que realizam os Auxiliares Invisíveis não consiste em suprimir os sintomas da enfermidade, e sim em exercer uma efetiva reconstrução de todo o organismo, e para consegui-lo há necessidade de algum tempo, assim como o fiel empenho e cooperação constante do paciente, das formas que foram indicadas acima.

As Reuniões de Cura em um Centro Rosacruz

As reuniões de Cura ocorrem nos Centros Rosacruzes, quando a Lua transita por um Signo Cardeal no Zodíaco. A hora fixada para esse serviço devocional é às 18 horas e 30 minutos. A característica dos Signos Cardeais é irradiar energia dinâmica e tornar ativas as obras que se iniciam debaixo de sua influência e, portanto, os pensamentos de cura emitidos em todo o mundo, por aqueles que querem transmitir sua ajuda, estão dotados de um maior poder, quando produzem seu pensamento misericordioso sob esse impulso cardeal.

Se você gostaria de se juntar a esse serviço devocional de ajuda aos demais, sente-se tranquilamente, quando seu relógio, no lugar onde você estiver, marcar 18 horas e 30 minutos; medite sobre a saúde; feche seus olhos e ore para o Grande Médico, nosso Pai Celestial, focando na restauração da saúde a todos os que sofrem, muito em particular àqueles que hajam solicitado ajuda a um Centro de Cura de um Centro Rosacruz.

Ao mesmo tempo, visualize o Templo Rosacruz, onde os pensamentos de todos os Aspirantes são, finalmente, recolhidos pelos Irmãos Maiores e usados para o propósito da cura.

FIM

[1] N.T.: Câncer, Escorpião e Peixes

[2] N.T.: Gêmeos, Libra e Aquário

[3] N.T.: Pessoas que têm no Ascendente os Signos: Áries, Gêmeos, Leão, Libra, Sagitário e Aquário.

[4] N.T.: Pessoas que têm no Ascendente os Signos: Touro, Câncer, Virgem, Escorpião, Capricórnio e Peixes.

[5] N.T.: Tonsilas palatinas, amídalas ou amígdalas são órgãos constituídos por aglomerados de tecido linfoide localizados abaixo do epitélio da boca e da faringe. São distinguíveis a tonsila faríngea, as tonsilas palatinas e as linguais.

[6] N.T.: A parte final do intestino grosso no nosso corpo é referido como o cólon sigmoide, o cólon pélvico ou a flexura sigmoide.

[7] N.T.: a última parte do intestino delgado.

[8] N.T.: a parte inferior do osso ilíaco.

[9] N.T: manifestações anômalas que podem acarretar doenças ou enfermidades.

[10] N.T.: Relativo ao funcionamento do organismo e às funções mecânicas, físicas e bioquímicas do mesmo.

[11] N.T.: É a parte do tronco cerebral, e nos seres humanos e outros bípedes encontra-se entre o mesencéfalo (acima) e o bulbo raquidiano (abaixo) e na frente do cerebelo.

[12] N.T.: estrela fixa Ascelli (localizada a 6 graus de Leão) tem influência sobre os olhos.

[13] N.T.: estrela fixa Antares (localizada a 8 graus de Sagitário) tem influência sobre os olhos.

[14] N.T.: estrela fixa Plêiades (localizada a 29 graus de Touro) tem influência sobre os olhos.

[15] N.T.: Pitágoras de Samos (c. 570-c. 495 a.C.) foi um filósofo e matemático grego jônico, creditado como o fundador do movimento chamado Pitagorismo. A maioria das informações sobre Pitágoras foram escritas séculos depois que ele viveu de modo que há pouca informação confiável sobre ele. Ele nasceu na ilha de Samos e viajou o Egito e Grécia e talvez a Índia, em 520 a.C. voltou a Samos. Cerca de 530 a.C., se mudou para Crotona, na Magna Grécia.

[16] N.T.: Ser humano inferior, também chamado de “homem inferior” na antropologia filosófica. Ser humano inferior é a parte composta por: Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos e Mente Concreta. Ser humano superior, também chamado de “homem superior” na antropologia filosófica. Ser humano superior é a parte composta por: Mente Abstrata, Espírito Humano, Espírito de Vida e Espírito Divino.

[17] N.T.: a Cura do Corpo, da Alma e do Espírito

[18] N.T.: O conceito de Curador aqui é a pessoa que participa ativamente do processo de Cura Rosacruz: cura definitiva (do Corpo, da Alma e do Espírito).

[19] N.T.: veja Horas Planetárias Rosacruz, no Livro Astrologia Científica e Simplificada

[20] N.T.: período da Lua Nova para a Lua Cheia

[21] N.T.: período da Lua Cheia para a Lua Nova

[22] N.T.: Os Astros estão em Graus Críticos quando estão nas seguintes posições: Áries, Câncer, Libra e Capricórnio: 1º, 13º e 26º graus; Touro, Leão, Escorpião e Aquário: 9º e 21º; Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes: 4º e 17º graus.

[23] N.T.: Fogo, Terra, Ar e Água

[24] N.T.: Marte, Saturno, Urano, Netuno ou Plutão

[25] N.T.: Capítulo 5 – Influência dos Doze Signos quando Ascendentes

[26] N.T.: Veja Capítulo XVI – Caso Nº 5.A – Coração

[27] N.T.: Veja Capítulo XXI – Caso Nº 10.A – Fígado

[28] N.T. Estrofe do poema Invictus do poeta britânico William Ernest Henley, 1849-1903

[29] N.T.: também chamado de escápula ou espádua é um osso grande, par e chato, localizado na porção póstero-superior do tórax.

[30] N.T.: Tonsilas palatinas, amídalas ou amígdalas são órgãos constituídos por aglomerados de tecido linfoide localizados abaixo do epitélio da boca e da faringe. São distinguíveis a tonsila faríngea, as tonsilas palatinas e as linguais.

[31] N.T.: Tonsilas palatinas, amídalas ou amígdalas são órgãos constituídos por aglomerados de tecido linfoide localizados abaixo do epitélio da boca e da faringe. São distinguíveis a tonsila faríngea, as tonsilas palatinas e as linguais.

[32] N.T.: John Greenleaf Whittier (1807-1892) foi um influente poeta e advogado americano importante na abolição da escravidão nos Estados Unidos da América. Poeta laureado da abolição, contribuiu nas campanhas contra a escravatura. A parte do poema acima faz parte da obra: Raphael: Suggested by the portrait of Raphael, at the age of fifteen.

[33] N.T.: A doença de Bright é um termo antigo que já não é usado nos nossos dias, mas que enaltece o médico e cientista que a estudou e descreveu pela primeira vez, Richard Bright. Hoje falamos de Insuficiência Renal Crônica (IRC).

[34] N.T.: John Greenleaf Whittier (1807-1892) foi um influente poeta e advogado americano importante na abolição da escravidão. Trecho do seu poema: Raphael.

[35] N.T.: Tabuleiro ouija ou tábua ouija é qualquer superfície plana com letras, números ou outros símbolos em que se coloca um indicador móvel. Foi criado para ser usado como método de necromancia ou comunicação com espíritos.

[36] N.T.: O mal de Pott (ou doença de Pott ou tuberculose vertebral) é uma forma de apresentação de tuberculose extrapulmonar, onde a coluna vertebral é afetada.

[37] N.T.: Popularmente conhecida como pedra no rim.

[38] N.T.: Os Sais de Epsom não são realmente um tipo de sal, mas um composto de magnésio e sulfato. E é um remédio natural para muitas doenças.

[39] N.E.: A descrição anterior é o diagnóstico do caso em 1915. Seu resultado, em 1919, foi dado no horóscopo Nº 2BX, desse mesmo Livro.

[40] N.T.: A anemia perniciosa é um tipo de anemia caracterizada pela deficiência de vitamina B12 no organismo

[41] N.T.: lepra, morfeia, mal de Hansen ou mal de Lázaro é uma doença infecciosa causada pelo bacilo Mycobacterium leprae (também conhecida como bacilo-de-hansen) que causa danos severos aos nervos e à pele. A denominação hanseníase deve-se ao descobridor do microrganismo causador da doença, dr. Gerhard Hansen. O termo lepra está em desuso por sua conotação negativa histórica.

[42] N.T.: ou seja: Vênus está no seu Regente.

[43] N.T.: Hoje já se sabe que a paralisia infantil, também conhecida cientificamente como poliomielite, é uma doença infecciosa grave e é causada pela infecção do poliovírus, que se espalha por contato direto pessoa a pessoa e também por contato com muco, catarro ou fezes infectadas. O vírus entra por meio da boca e do nariz e se multiplica na garganta e no trato intestinal.

[44] N.T.: Doenças e outras condições que aumentam a frequência de potenciais de ação causam contrações musculares involuntárias. A tetania é um sintoma de alterações bioquímicas do corpo humano e não deve ser confundida com o tétano, que é uma infecção.

[45] N.T.: Um colapso mental (também conhecido como colapso nervoso) é um termo não médico usado para descrever um súbito e agudo ataque de uma doença mental, como depressão ou ansiedade. Casos específicos são geralmente descritos como “colapso” somente se o indivíduo apresenta problemas em desempenhar funções normais do dia a dia por causa da doença. A partir do ponto em que a condição do indivíduo se torna avançada, é necessário e urgente procurar ajuda médica.

Da mesma forma que o termo “sanidade”, os termos “colapso mental” e “colapso nervoso” não têm definição médica, e não são utilizados num senso clínico. Entretanto, problemas médicos ou pessoais capazes de disparar um colapso podem ser evitados com ajuda psicológica.

Um colapso mental não é a mesma coisa que um ataque de pânico, apesar de que colapsos mentais podem apresentar um quadro de pânico.

As causas de um colapso mental/nervoso (frequentemente também chamado esgotamento nervoso) podem incluir: Mágoa crónica e não resolvida; Desemprego; Problemas acadêmicos; Problemas no trabalho; Problemas financeiros; Vontade de suicídio; Estresse social; Fome e pobreza; Insônia crônica ou outros transtornos do sono; Doença séria de um membro da família; Morte de um membro da família;

Divórcio; Gravidez; Aborto; Decepção amorosa; Carga muito alta de tarefas ao mesmo tempo; Falta de diálogo e compreensão. O súbito e agudo aparecimento das seguintes doenças mentais podem ser considerados colapsos: Depressão; Transtorno bipolar; Transtorno da ansiedade; Psicose; Dissociação;

Estresse pós-traumático; e Estresse severo.

[46] N.T.: Os autores se referem à 1ª Guerra Mundial.

[47] N.T.: A influenza ou gripe é uma infecção aguda do sistema respiratório, ocasionada pelo vírus influenza, com elevado potencial de transmissão.

[48] N.T.: O nervo vago ou pneumogástrico constitui, com o homólogo contralateral, o décimo (X) par de nervos cranianos. Sai do crânio pelo forame jugular e possui dois gânglios: o gânglio superior (jugular) e o inferior (nodoso). É responsável pela inervação parassimpática de praticamente todos os órgãos abaixo do pescoço que recebem inervação parassimpática (pulmão, coração, estômago, intestino delgado, etc.), exceto parte do intestino grosso (a partir do segundo terço do cólon transverso). O nervo vago (X) atua na secreção de líquidos digestivos.

[49] N.T.: de Friedrich von Logau (1605-1655), poeta e epigramatista alemão, em sua obra Sinngedichte (c. 1654), traduzido para o inglês por Henry Wadsworth Longfellow (1807-1882), poeta e educador estadunidense, em sua obra Poetic Aphorisms, 1846.

[50] N.T.: Ficar sobre o controle de um espírito que usará o Corpo para fazer o que quiser e que falará através do Corpo controlado. Esse espírito de controle já viveu aqui, encarnado com os seus Corpos, ou seja, terminou já a sua encarnação. É o que chamamos de Espírito apegado à Terra.

[51] N.T.: “healing”, em inglês, que é diferente de “curing”. O problema é que em português traduzimos ambas as palavras por “curar”. Entretanto, o conceito delas é bem diferente. “Curing” significa “eliminar todas as evidências da doença”, “eliminar todos os sintomas” – está mais para remediar; enquanto que “healing” significa curar totalmente: o Espírito, a Alma – aqui restaurar, eliminar a causa suprafísica, pois o Espírito e a Alma nunca ficam doentes (!) – e o Corpo – aqui sim: restabelecer o funcionamento normal da parte afetada, pois essa parte está doente.

[52] N.T.: em Mount Ecclesia, Oceanside, Califórnia, EUA.

[53] N.T.: Um enema é o procedimento de introdução de líquidos no reto e no cólon através do ânus. O aumento do volume do líquido provoca uma rápida expansão do trato intestinal inferior, resultando frequentemente em inchaço muito desconfortável, cãibras, peristaltismo poderoso e sensação de extrema urgência. Embora muito difícil para alguns, manter um enema por 10 a 15 minutos causa um resultado mais completo. Quando o enema é liberado, há um esvaziamento completo do trato intestinal inferior. Um enema tem a vantagem sobre qualquer laxante em sua velocidade e certeza de ação, e algumas pessoas o preferem por esse motivo. Enemas pode ser realizado como tratamento para condições médicas, como constipação e encopresis, e como parte de algumas terapias alternativas de saúde. Eles também são usados ​​para administrar certos medicamentos médicos ou recreativos. Enemas foram usados ​​para terapia de reidratação em pacientes para os quais a terapia intravenosa não é aplicável.

[54] N.T.: A monodieta consiste em comer apenas um tipo de alimento por um ou mais dias. Com isso, é possível aliviar a sobrecarga do sistema digestivo e queimar o excesso de toxinas que estão circulando no trato gastrointestinal.

[55] N.T.: Mount Ecclesia é o local da sede internacional da organização fraternal e de serviço The Rosicrucian Fellowship, localizado em Oceanside, Califórnia, EUA.

[56] N.T.: “healing”, em inglês, que é diferente de “curing”. O problema é que em português traduzimos ambas as palavras por “curar”. Entretanto, o conceito delas é bem diferente. “Curing” significa “eliminar todas as evidências da doença”, “eliminar todos os sintomas” – está mais para remediar; enquanto que “healing” significa curar totalmente: o Espírito, a Alma – aqui restaurar, eliminar a causa suprafísica, pois o Espírito e a Alma nunca ficam doentes (!) – e o Corpo – aqui sim: restabelecer o funcionamento normal da parte afetada, pois essa parte está doente.

[57] N.T.: Jo 5:14

[58] N.T.: As canetas tinteiros são compostas de uma pena de metal, um sistema de escoamento da tinta e um recipiente que serve de tinteiro, normalmente em forma de cartucho. Qualquer outra que não tenha esse sistema, por exemplo as hidrográficas ou esferográficas, não servem. Isso é muito importante, pois uma caneta carregada de fluído, como é o nanquim da caneta tinteiro, é um condutor de magnetismo muito maior do que um lápis seco ou uma caneta esferográfica ou hidrográfica ou, ainda, qualquer outro tipo de meio de escrita. O Éter, que impregna o papel sobre o qual o paciente escreve, semana a semana, fornece uma indicação de sua condição no momento da escrita, e é uma chave de entrada para acesso à parte (ou -partes) doentes do seu Corpo. Conforme mude o estado do paciente, muda igualmente o registro nas Fichas semanais!

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Mistério das Glândulas Endócrinas – Por um Estudante – Fraternidade Rosacruz

A função espiritual das glândulas tal como está exposta neste volume, baseia-se nas extraordinárias informações dadas por Max Heindel.

Muita ajuda vem sendo dada ao indivíduo pelos Grandes Seres por meio das glândulas endócrinas.

As Glândulas Endócrinas não têm aberturas, tubos, nem condutos para excretar suas secreções. Descarregam nas diretamente no sangue e nos vasos linfáticos que as permeiam. As Glândulas de Secreção Interna são chamadas Glândulas Endócrinas ou glândulas produtoras de hormônio.

As glândulas e o sangue são manifestações especiais do Corpo Vital. Embora cada uma das glândulas tenha um trabalho específico a realizar, todas elas trabalham em perfeita harmonia quando normais e em boa saúde. As Glândulas de Secreção Interna são de interesse particular para os Estudantes do ocultismo, porque podem ser chamadas em certo sentido, “as sete Rosas” na cruz do corpo e por estarem intimamente relacionadas com o desenvolvimento oculto da Humanidade.

1. Para fazer download ou imprimir:

O Mistério das Glândulas Endócrinas – Por um Estudante – Fraternidade Rosacruz

2. Para estudar no próprio site:

DEDICATÓRIA

Este pequeno e modesto livro dedico-o ao meu bem-amado mestre, Max Heindel, cujas instruções espirituais o autor tem um débito de gratidão que não pode ser expresso em palavras.

PREFÁCIO DA 1ª EDIÇÃO NORTE-AMERICANA

O conteúdo desse livreto foi enviado pela Fraternidade Rosacruz (The Rosicrucian Fellowship) na forma de lições mensais. Depois de terem se esgotado, inúmeros pedidos foram endereçados à nossa Sede Mundial, razão pela qual a Diretoria resolveu reimprimi-las, juntando-as num só volume, a fim de que se tornasse acessível a todos aqueles que se interessassem pela estrutura, função e significado espiritual das sete Glândulas endócrinas aqui estudadas. A função espiritual das Glândulas tal como está exposta neste volume, baseia-se nas extraordinárias informações dadas por Max Heindel. Em relação à estrutura fisiológica e funções das Glândulas endócrinas, baseou-se nas valiosas informações contidas no livro escrito pelo Dr. Louis Berman, a quem o autor deseja estender seus agradecimentos.

Mt. Ecclesia

Junho de 1940

ÍNDICE

DEDICATÓRIA.. 3

PREFÁCIO DA 1ª EDIÇÃO NORTE-AMERICANA.. 4

CAPÍTULO I – O DESENVOLVIMENTO DO SER HUMANO.. 7

CAPÍTULO II – TIPOS DE PERSONALIDADES PRODUZIDOS PELAS GLÂNDULAS ENDÓCRINAS. 18

A PERSONALIDADE DO TIPO SUPRARRENAL.. 20

CAPÍTULO III – O BAÇO – TIPOS DE PERSONALIDADE PRODUZIDA POR ELE.. 24

CAPÍTULO IV – A GLÂNDULA TIMO – A GLÂNDULA DO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA.. 29

TIPO DE PERSONALIDADE TÍMICA.. 35

CAPÍTULO V – A GLÂNDULA TIREOIDE – A GLÂNDULA DA ENERGIA.. 37

COMPARAÇÃO DA TIREOIDE E DA PITUITÁRIA.. 47

PERSONALIDADE DE TIPO TIROIDE.. 48

CAPÍTULO VI – O CORPO PITUITÁRIO – TIPO DE PERSONALIDADE PITUITÁRIA.. 52

TIPO DE PERSONALIDADE PITUITÁRIA.. 59

CAPÍTULO VII – A GLÂNDULA PINEAL – TIPO DE PERSONALIDADE PINEAL.. 64

TIPO DE PERSONALIDADE PINEAL.. 66

CAPÍTULO VIII – GLÂNDULAS ENDÓCRINAS – CORRESPONDÊNCIAS ESPIRITUAIS. 69

AS GLÂNDULAS E OS SEUS ASTROS REGENTES. 71

AS SUPRARRENAIS E O MUNDO FÍSICO.. 72

O BAÇO E A REGIÃO ETÉRICA.. 74

A GLÂNDULA TIMO E O MUNDO DO DESEJO.. 77

A GLÂNDULA TIREOIDE E O MUNDO DO PENSAMENTO.. 79

O CORPO PITUITÁRIO E O MUNDO DO ESPÍRITO DE VIDA.. 81

A GLÂNDULA PINEAL E O MUNDO DO ESPÍRITO DIVINO.. 83

CAPÍTULO I – O DESENVOLVIMENTO DO SER HUMANO

“Quando vejo os teus céus, a obra dos teus dedos e a Lua e as estrelas que preparastes;

Que é o homem mortal para que te lembres dele? E o filho do homem, para que o visites?”

Sl 8:4

Antes de iniciarmos essas lições sobre as Glândulas de secreção interna, será bom revermos rapidamente a origem e a constituição do ser humano.

Nunca houve e nem há nada no Universo além de espírito puro. Porém, existem duas formas ou polos do Espírito: um positivo, ativo, dirigente e o outro negativo, passivo, receptor, assimilador. Essa substância espírito, com seus dois polos positivo e negativo trabalhando em conjunto, é tudo e produziu tudo que há, desde a terra até Deus. Toda a criação está em modificação constante e tem por meta a perfeição. O polo positivo do Espírito manifesta-se como energia, o negativo age como condutor daquela e os dois produzem a vida e a forma. A forma é produto do Espírito e traduz a sua mais baixa vibração. Ambos, forma e espírito, evoluem lado a lado.

Deus, o criador do nosso Sistema Solar, tem em Si três grandes poderes dinâmicos que, por falta de melhor nome, designamos como: Vontade, Amor-Sabedoria e Atividade. Quando pôs em ação essas forças e as ordenou, Deus criou nosso Sistema Solar e tudo que nele contém.

O fim último a ser atingido pelas Suas criaturas é a reintegração na Divindade. Cada indivíduo trazido à existência por este poderoso Ser, tem, em si potencialmente, todos os poderes do seu Criador, inclusive a Epigênese[1], o poder do Espírito para fazer algo inteiramente novo. O trabalho de cada um consiste em expandir essas potencialidades em forças dinâmicas como as do nosso Grande Progenitor. No ser humano falamos dessas potencialidades como Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano, o que não significa que o indivíduo tenha três espíritos, mas que o ser humano como puro espírito tem em si três grandes poderes espírito.

Esses poderes latentes podem ser desenvolvidos por duas maneiras: por meio dos seus próprios esforços e pelo auxílio dos outros, principalmente daqueles Grandes Seres que estão além do ser humano no caminho da evolução.

Tal como é necessário alimento para manter e desenvolver o Corpo Denso, também é preciso alimentar os Corpos Vital e de Desejos. O Corpo Vital toma seu alimento diretamente do Sol: pelo Baço etérico de cada indivíduo é normalmente atraída tanta força vital do Sol quanta seja necessária. No Mundo do Desejo há uma essência correspondente ao Fluido Vital Solar que sustém o Corpo Vital; desse elixir de vida o Corpo de Desejos satura se enquanto o Corpo Denso dorme.

O TRABALHO INDIVIDUAL DO ESPÍRITO

Não foi possível o Espírito desenvolver seus poderes enquanto não construiu seus três veículos inferiores, os Corpos Denso, Vital e de Desejos. É deles que o Espírito obtém o alimento com o qual nutrirá e desenvolverá seus poderes potenciais. Este alimento essência é chamado Alma.

Do Corpo Denso, o Espírito extrai, automaticamente, a “Alma Consciente” mediante a ação reta em relação aos impactos externos, pelas experiências e observações. Esse pábulo ou alimento desenvolve as potencialidades latentes do Espírito Divino em poderes dinâmicos que se manifestam como vontade, inteligência, conhecimento, a força positiva do seu ser, o princípio paterno, o poder fazer.

Pela discriminação em relação ao importante, o essencial, e as coisas reais da vida e o que não é importante, não é essencial nem real, o Espírito extrai automaticamente o alimento essência do Corpo Vital, a Alma Intelectual, com a qual alimentará e desenvolverá, em poderes dinâmicos, as potencialidades do Espírito de Vida que são imaginação, intuição, poder receptor, poder de assimilar, o poder maternal e a natureza do amor.

Pelo domínio dos instintos animais, por meio da devoção guiada por sentimentos elevados e sublimes e pelas emoções geradas pela reta ação e experiências purificadoras o Espírito extrai automaticamente a Alma Emocional o alimento essência do Corpo de Desejos para em seguida nutrir e desenvolver as potencialidades do Espírito Humano, que são poder criador (físico e mental), fecundação, expansão, germinação e crescimento, desenvolvendo se em forças dinâmicas sob o domínio da vontade.

Muita ajuda vem sendo dada ao indivíduo pelos Grandes Seres por meio das Glândulas endócrinas a respeito das quais vamos estudar. Uma Glândula é formada por uma massa celular; essa é composta por uma substância densa, incolor, gelatinosa, chamada protoplasma. Cada Glândula pode ser comparada a um laboratório no qual as células são os operários, e o produto do laboratório é a secreção.

As Glândulas endócrinas não têm aberturas, tubos, nem condutos para excretar suas secreções. Descarregam nas diretamente no sangue e nos vasos linfáticos que as permeiam. As Glândulas de secreção interna são chamadas Glândulas endócrinas ou Glândulas produtoras de hormônio. Endócrina é, com efeito, a palavra mais conveniente, por se referir tanto à secreção como para a Glândula, mas a palavra hormônio se refere especificamente à secreção interna e não à Glândula. O hormônio é uma substância formada em um órgão do corpo que é levada por intermédio do sangue a outro órgão onde produz um efeito estimulante. A palavra deriva-se do verbo grego, cujo significado é estimular ou pôr em movimento. Sem suprimento do fósforo endócrino, fornecido pela Glândula Tiroide, nenhum cérebro funcionaria. A pulsação do coração cessaria quando deixasse de ser suprido com a secreção das Suprarrenais. Tem havido casos de pessoas com corações considerados “mortos” e que, depois de estimulados por hormônios das Suprarrenais, pulsaram novamente com ritmo regular.

O estudo científico das Glândulas de secreção interna foi iniciado há menos de cinquenta anos, e a maior parte dos conhecimentos que delas temos foi adquirido durante os últimos vinte anos. Todavia, o que os cientistas ainda não descobriram é que as Glândulas de secreção interna, em princípio, não pertencem ao Corpo Denso. São expressões do Corpo Vital, diferenciadas e cristalizadas até a densidade apropriada para desempenharem certa espécie de trabalho. As Glândulas e o sangue são manifestações especiais do Corpo Vital. Embora cada uma das Glândulas tenha um trabalho específico a realizar, todas elas trabalham em perfeita harmonia quando normais e em boa saúde. As Glândulas de secreção interna são de interesse particular para os estudantes do ocultismo, porque podem ser chamadas em certo sentido, “as sete Rosas” na cruz do corpo e por estarem intimamente relacionadas com o desenvolvimento oculto da Humanidade.

As principais Glândulas de secreção interna são: a Pineal[2], a Pituitária[3], a Tiroide, a Timo, o Baço e as duas Suprarrenais. As Suprarrenais, o Baço e a Timo pertencem à Personalidade, ao passo que a Pituitária e a Pineal se relacionam com o lado espiritual da natureza humana. A Tiroide constitui o elo entre os dois grupos de Glândulas.

AS SUPRARRENAIS

Iniciaremos o estudo das Glândulas com as Suprarrenais. São duas Glândulas com o formato aproximado de barrete frígio cobrindo a parte superior dos rins. Identificam se facilmente pela sua gordura amarelada. Por séculos essas importantes Glândulas não foram reconhecidas como partes ou órgãos separados dos rins. Na infância e na juventude são relativamente maiores, mais proeminentes que no adulto. Em qualquer idade, a quantidade de sangue que passa pelas Suprarrenais é muito grande comparada com o seu tamanho. O grande valor dessas Glândulas não pode ser subestimado, a sua importância na economia do corpo será mais bem compreendida quando verificamos que a morte ocorre imediatamente após a possível ablação.

Cada Suprarrenal tem uma constituição dupla, composta de um córtex ou camada exterior e uma medula ou camada interna. O córtex é constituído do mesmo tecido existente nos órgãos masculinos e femininos de reprodução. O mesoderma que forma a camada média da célula embrionária é o folheto ancestral comum, o que demonstra quão intimamente estão relacionadas as Suprarrenais e os órgãos de reprodução.

A medula ou porção interior dessas Glândulas é desenvolvida a partir do ectoderma, camada ou folheto exterior da célula que forma o embrião. Esse é o mesmo tecido que forma o sistema nervoso simpático. O tamanho das Suprarrenais é variável, porém de um modo geral em relação a sua dimensão é de mais ou menos 7,5 cm de comprimento, 3,75 cm de largura com um peso de 7 gramas. Em relação aos seres humanos o seu córtex (camada exterior) é maior do que a dos animais.

O córtex da Suprarrenais contém bastante substâncias geradoras de fósforo da mesma espécie existente no sistema nervoso cérebro espinal, mais do que em qualquer outra Glândula ou tecido não nervoso do corpo. Durante a vida intrauterina as Suprarrenais são maiores e distintas. Na primeira metade do segundo mês são duas vezes maiores do que os rins. Esse tamanho relativamente grande (que se verifica apenas no feto humano e não nos animais) é devido a expansão do córtex. Se essa predominância do córtex sobre a porção medular não ocorresse no feto humano, isto é, se a proporção permanecesse como nos animais, o cérebro não se desenvolveria convenientemente e seria gerado um monstro sem nenhuma capacidade de entendimento.

A secreção do córtex é chamada cortina ou corticoesterona[4]. Esta secreção estimula um crescimento sadio do cérebro e das células sexuais, desenvolve grande concentração mental e vigor físico, gerando uma vigorosa constituição muscular e nervosa. Atua sobre a pigmentação da pele diminuindo sua sensibilidade à luz. Em certas doenças do córtex das Suprarrenais a pele torna se escura, pigmentada ou bronzeada, o que caracteriza a conhecida enfermidade de Addison. A cortina neutraliza os ácidos formados no corpo durante a digestão. Se tais ácidos não fossem neutralizados a vida dos tecidos terminaria rapidamente.

A remoção do córtex da Suprarrenal influi profundamente na química do sangue, notadamente no conteúdo dos cloretos do ácido fosfórico solúvel e íons ácidos (um íon compõe se de um ou mais átomos e transporta uma carga unitária de eletricidade ou força vital).

O córtex Suprarrenal tem íntima relação com a massa cinzenta do cérebro, com o sexo e a química do sangue. Um córtex defeituoso significa um cérebro e um sistema nervoso deficientemente desenvolvidos. Tão íntima é a relação entre o cérebro e o córtex que nunca se desenvolve um cérebro humano normal sem um córtex Suprarrenal normal. Note se que o córtex está também correlacionado ao sistema nervoso voluntário.

A medula ou parte interna das Glândulas Suprarrenais, contém numerosas células idênticas às do sistema nervoso involuntário ou simpático.

A secreção da medula é uma substância nitrogenada chamada Adrenalina, que é um poderoso estimulante do coração com efeitos restauradores sobre o corpo. A porção da Adrenalina contida na medula, no sangue saldo das Suprarrenais e na circulação em geral é mínima, na proporção de uma para vinte milhões, ao passo que a porção armazenada nas Glândulas em reserva, é cerca de cem mil vezes maior. As emoções, profundas causam abaixamento da adrenalina nas Glândulas e aumento no sangue. O desgosto, a irritação, especialmente o medo e a cólera, ocasionam uma descarga das Glândulas na circulação. O aumento de Adrenalina no sangue determina um enorme aumento de vigor e tensão do sistema nervoso. As células nervosas tornam se mais sensíveis ao estímulo, o fígado envia mais açúcar ao sangue, e maior número de glóbulos vermelhos no sangue entram na circulação vindo do fígado e do Baço. Provoca também uma redistribuição de toda massa sanguínea; grande quantidade de sangue é retirado das vísceras e mandada ao cérebro e aos músculos ligados ao esqueleto. O coração pulsa mais forte, os olhos podem ver melhor, a audição se apura, a respiração fica mais rápida, a temperatura sobe e a pele fica úmida e gordurosa. Em caso de medo os pelos se eriçam e os cabelos ficam em pé.

Esta Adrenalina extra no sangue produz uma ação reforçadora das propriedades nutritivas do sangue, do tônus dos músculos e da atividade do cérebro e do sistema nervoso simpático.

Enquanto as Suprarrenais estimulam os músculos externos, produz se efeito oposto nos órgãos digestivos: a digestão paralisa se, porque toda atenção do Ego fica inteiramente concentrada em outra linha de ação. Aliás, é suspensa a atividade de tudo que não tenha relação com aquilo em que, nesses momentos, o Ego se focaliza.

Em certas pessoas de meia idade uma elevada pressão sanguínea acompanhada de grande capacidade para o trabalho são consequências de um super-desenvolvimento do córtex da Suprarrenal. As Glândulas Suprarrenais, também chamadas as “Glândulas de combate” são masculinas nas suas manifestações. Na mulher em que se desenvolveu excessivamente o córtex da Suprarrenal há certo grau de masculinidade que, em maior ou menor grau, neutraliza a influência especificamente feminina da secreção interna dos ovários. Tais mulheres tem vigor e energia acima do normal e dominam posições de responsabilidade na sociedade, não apenas entre as mulheres, mas também entre os homens. Têm probabilidade de se tornarem políticos profissionais, advogados, banqueiros, capitães de indústria e diretores de negócios.

Em presença de uma crise, as Suprarrenais funcionam como Glândulas de combate. Quanto mais combativo for o indivíduo ou o animal, tanto maior atividade Suprarrenal terá. As Suprarrenais são Glândulas da energia, das emergências, da disposição.

A Adrenalina, a secreção da medula, é substância muito usada para a mobilização imediata da energia do corpo. Tem ação reforçadora sobre toda a organização física: aumenta o vigor, o estado de alerta, as atividades físicas e mentais, dá força no combate e rapidez no ataque.

A ação da Adrenalina é tão poderosa que em solução de 1 por 1 milhão, produz reação fisiológica. Seu efeito nos pequenos vasos sanguíneos é tão intenso que uma solução fraca, aplicada localmente, faz parar rapidamente uma hemorragia. É usada frequentemente em pequena cirurgia para prevenir excessiva perda de sangue, devendo as injeções ser repetidas por ser passageiro o seu efeito. Sendo a atividade da Adrenalina regulada pelo sistema nervoso simpático ou involuntário, a estimulação daqueles nervos ao longo da coluna vertebral aumenta a sua secreção. A repetida excitação, emoção, cólera, etc. podem exaurir a reserva de Adrenalina. Se, ante uma secreção insuficiente, não houver para as Glândulas se recuperarem um intervalo de tempo entre as solicitações de secreção, resultará deficiência temporária ou crônica das Glândulas. Em pessoa assim afetada, aparece a fadiga, sensibilidade ao frio, mãos e pés frios (alguns pontilhados de vermelho azulado) perda de apetite, de gosto pela vida e instabilidade caracterizada por indecisão, tendência a inquietação e para chorar à menor provocação.

A deficiência nervosa pode, algumas vezes, ser atribuída à falta de resposta das Suprarrenais às necessidades da vida diária. Em certos casos, perde se totalmente a elasticidade mental e física, e o menor esforço em qualquer direção causa tanto cansaço que se torna inútil. Algumas vezes em tais sofredores, obcecados pela ideia de que perderam completamente seus nervos, os acontecimentos mais triviais causam lhes enorme temor. Este estado vacilante da Mente é tão penoso que às vezes traz pensamentos de suicídio.

Em determinadas perturbações das Glândulas Suprarrenais, especialmente quando existem tumores que abastecem o sangue com doses maciças de secreção, aparecem fenômenos sexuais peculiares bem como anomalias e irregularidades no desenvolvimento geral. Se a doença está presente no feto, manifestando se antes do nascimento, pode desenvolver se a condição de pseudo-hermafroditismo (a pessoa, aparentemente, não realmente é hermafrodita. Isto se observa nos animais que têm Glândulas de um sexo enquanto os caracteres genitais opostos, no todo ou em parte, estão presentes). O indivíduo pseudo-hermafrodita, se mulher, apresenta em maior ou menor extensão, caracteres físicos e hábitos de outro sexo, o que faz ser tomado por um homem, embora, na realidade, seus órgãos geradores sejam os ovários, muitas vezes são só descobertos quando examinados durante uma operação ou autópsia.

Se o processo mórbido do córtex da Suprarrenal surge depois do nascimento, a simetria e harmonia dos órgãos sexuais primários e das características sexuais secundárias não são afetadas. Dá se, porém, uma curiosa aceleração da maturidade do corpo e da Mente provocando uma puberdade precoce e outros espantosos efeitos. Uma menina de dois, três ou quatro anos de idade, dentro de poucos meses após o aparecimento da doença, começa a manifestar crescimento e aparência de uma moça de 14 ou 15 anos. Desenvolvem se o físico, as qualidades mentais e os atributos de uma adolescente   uma criança enfeitiçada em púbere, por assim dizer.

Um garoto de 6 ou 7 anos pode tornar se rapidamente um homenzinho no decorrer de poucas semanas ou meses. Robusto, embora pequeno e atarracado, com bigode, com força muscular e capacidade sexual de um homem, com pensamentos de adulto. Um caso desses sucedeu com o menino Clarence Kehr de Toledo, Ohio. As Glândulas Tiroide e Suprarrenais entraram em atividade da noite para o dia e transformaram no de um menino comum em um jovem Sansão. Clarence nasceu em setembro de 1924 e até os 3 anos de idade foi aparentemente normal. Então, de um dia para outro, sua voz mudou de agudo infantil para barítono roufenho e seu corpinho começou a tomar aparência madura. Em breve tempo, começou a considerar como crianças seu irmão de 7 anos e sua irmã de 8, e procurava na vizinhança a companhia de rapazes de 14 e 15 anos. Clarence tinha enorme prazer por ter assim crescido, ter de se barbear, ser anormalmente forte a ponto de levantar 200 libras (90 quilos) de peso.

Os psiquiatras da Universidade de Michigan fizeram um estudo meticuloso do caso desse menino. Depois de lhe radiografarem a cabeça mais de uma dúzia de vezes e de sujeitá-lo à mais rigorosa observação durante vários dias, os cientistas chegaram à conclusão de que o estado do rapaz era devido “a alguma perturbação das Glândulas de secreção interna”.

Eis o resumo do estudo feito pelo Dr. Gordon Manac:

“Clarence Kehr, de 4 anos de idade, foi observado em nossa clínica e concluímos que esta criança é uma rara anomalia…. Os estudos radiográficos revelam que seus ossos têm a estrutura dos de um rapaz bem mais velho. Suas condições físicas aparentemente são excelentes. De acordo com nossos psiquiatras, tem inteligência acima da média…. Acreditamos que o estado desse rapaz é devido a alguma perturbação das Glândulas de secreção interna”. Durante a reunião dos doutores, Clarence estava no anfiteatro da Academia de Medicina. Para mostrar sua força, levantava facilmente grandes pesos e, enquanto os cientistas discutiam, distraia-se empurrando um grande piano no anfiteatro.

O Dr. Louis Berman discutindo casos semelhantes disse:

“Tudo se passa como se em um meio ou solução fermentescível, deixássemos cair um pouco de levedo que transformasse a calma quietude da sua superfície em uma agitação borbulhante, efervescente”.

“Parece, ao mesmo tempo, que a transformação da criança em homem ou mulher pode ser devida ao derramamento, no sangue e nos fluidos do corpo, de alguma substância que atue como o fermento na solução fermentescível. O córtex Suprarrenal é uma fonte de secreções internas ‘produtoras de maturidade’”.

“Seja agora o caso da perturbação das Suprarrenais começar depois da puberdade. Aparecem fenômenos semelhantes aos descritos, mas de ordem diferente. Se, por exemplo, uma mulher de 30 anos for afetada, lenta ou rapidamente seu corpo cobre se com abundantes cabelos; no rosto aparecem barba e bigode; a voz torna se grave e profunda; os músculos endurecem e mostrará capacidade para trabalhos físicos pesados. A menstruação cessa. Parece ter mudado de sexo, predominando em seu todo a masculinidade. Terá de barbear se regularmente e não se incomodará pela perda dos atrativos femininos porque a mudança da sua organização física tornou a imune aos desejos femininos. A causa de tal transformação, em uma mulher antes normal, pode ser devida a tumor no córtex das Suprarrenais”.

CAPÍTULO II – TIPOS DE PERSONALIDADES PRODUZIDOS PELAS GLÂNDULAS ENDÓCRINAS

No caso do tipo puro, uma Glândula particular exerce influência dominante nos traços do indivíduo, seja em virtude de uma atividade insuficiente ou excessiva dela. Devido a esse fato, dita Glândula convertem-se em agente diretor, de maneira que todas as outras se acomodam sob seu domínio. Como é a principal entre todas, ela determina o crescimento e desenvolvimento das funções normais, sustentando o equilíbrio da energia; apresenta-se dominante em cada emergência por sua fortaleza ou debilidade, criando desta maneira o tipo próprio de indivíduo com as características e atributos que correspondem a si mesmo. As Glândulas chamadas do tipo puro são: as Suprarrenais, a Tiroide, a Pituitária, a Pineal e a Timo.

Com um pouco de prática pode-se identificar um tipo glandular com facilidade, observando-se o cabelo, o temperamento, o peso, suas inclinações sociais, e a tendência para uma determinada enfermidade. Os vários tipos diferem entre si da mesma forma em que diferem os aspectos de animais de uma mesma espécie, pois ninguém confundirá um mastim com um buldogue, ou um fox-terrier com um dachshund[5]. Cada um tem um tamanho e forma distintos, traços característicos, constituídos e dispostos da mais eficiente maneira no sentido de desempenhar seu próprio destino. Graças a isso é legítimo se falar de pessoas de um tipo glandular.

As diferenças são menos acentuadas entre os tipos mistos e, por essa razão, mais difíceis de classificarem. Neles há como que um conflito e, naturalmente, a ação conjunta das diferentes Glândulas, dá origem a uma considerável modificação das características primárias. Em alguns casos não somente duas, mas mesmo três Glândulas de secreção interna esforçam-se pela supremacia, cujas atividades conjuntas determinam uma modificação na aparência glandular primitiva. Uma acomodação então torna-se necessária. Também é possível que um indivíduo esteja sob a regência de uma Glândula durante um período de sua vida e, mais tarde, sob o domínio de outra. Em tais casos a Glândula que regeu primeiramente, deixará seus traços em desenvolvimentos posteriores, ao passo que novos indícios mostrarão a influência mais recente. Algumas combinações glandulares são possíveis, a saber: tipo Suprarrenal-Tiroide, tipo Pituitário-Suprarrenal, etc.

A PERSONALIDADE DO TIPO SUPRARRENAL

O rosto Suprarrenal é, amiúde, escuro com sardas, tendendo a ser largo e irregular e a cabeça quadrada. Em virtude da linha da região dos cabelos serem baixa, a fronte aparece baixa, sendo considerável a quantidade de pelos que crescem nas maçãs do rosto. A pele é uma das principais características da Personalidade Suprarrenal. A epiderme é sempre mais ou menos pigmentada, em virtude da existência de matéria marrom escura existente na pele de intensidade variável. É fato bem conhecido que a pele pigmentada tem uma relação com a reação que a luz exerce sobre o organismo, especialmente em raios ultravioletas e a radiação do calor e, portanto, com a produção e dispêndio fundamentais de energia pelas células. O cabelo do tipo Suprarrenal é profuso, espesso, duro e grosseiro, mais proeminente no peito, no abdômen, e nas costas com tendência a carapinha, tendo muitas vezes cores incomuns, isto é, num italiano pode ser amarela, num norueguês preto azeviche. Os indivíduos do tipo Suprarrenal têm dentes marcadamente caninos. Com uma cooperação acentuada da Tiroide e Pituitária, a Personalidade Suprarrenal estará de posse de um vigor surpreendente, de energia e persistência, chegando por isso a possuir uma Personalidade progressiva, e um lutador triunfante que raramente deixa de atingir seus objetivos.

Entre as mulheres o “tipo Suprarrenal” é sempre masculinizado. Se uma dessas mulheres é fisicamente feminina, devido reações femininas adequadas da parte de outras Glândulas, demonstrará pelo menos qualidades viris de domínio. Há algumas poucas décadas passadas, tais mulheres teriam reprimido seus desejos inerentes de ocupar posições públicas, porém, atualmente, elas estão começando a desempenhar cargos de responsabilidade que lhes proporcionam salários elevados; eis porque o Dr. Berman sugere que a primeira mulher a se tornar presidente será, provavelmente, uma do tipo Suprarrenal. Certamente os indivíduos desse tipo são bons trabalhadores e diretores eficientes. São bem-sucedidos pela razão de que têm dentro de si uma força que os impele, que os incita a avançar em direção daquilo que desejam. O Presidente Harding[6] foi tipicamente um Suprarrenal masculino, e Carrie Nation[7] um exemplo excelente do tipo feminino.

Exemplo de uma pessoa predominante Suprarrenal masculino: presidente do EUA Harding

O tipo Suprarrenal insuficiente é formado ao longo das mesmas linhas que o Suprarrenal normal, e facilmente pode ser confundido com este, porém contrasta e difere notavelmente sob a superfície ou aparência. É talvez a mais frequente variedade do neurastênico. É débil, preguiçoso e irritadiço, pouco desejo de se alimentar, e carente de reações de toda espécie de estímulo. A indecisão crônica é um dos traços proeminentes. Entre seus principais dissabores situam-se a fadiga, proveniente da baixa pressão sanguínea e insuficiente temperatura corporal, acrescidos da incapacidade subnormal de utilização do açúcar para fins de combustão interna. As crianças que têm suprimento insuficiente das Suprarrenais não podem aprender com facilidade; seu crescimento é lento, não podendo ser impelidas ou apressadas. Muitas vezes aqueles que carecem da secreção da Suprarrenal, antes da puberdade, despertam a boa energia quando as outras Glândulas endócrinas se desenvolvem, especialmente as Glândulas sexuais. Portanto, as perspectivas para esses desafortunados não são de desesperanças.

O temor e a ira excitam as Glândulas endócrinas desnecessariamente, e a indulgência frequente, em relação a qualquer dessas emoções, debilita a eficiência delas. Daí, então, se um esforço não se fizer a fim de dar-lhes uma oportunidade para recuperação, essa condição anormal eventualmente desenvolver-se-á num estado de insuficiência Suprarrenal permanente, ficando o indivíduo na mais penosa condição física e mental. O otimismo, o bom humor e a fé em Deus, vivificarão e fortalecerão as Glândulas Suprarrenais, as imbuindo de poder e suficiência.

Em relação à atividade das Glândulas endócrinas, Max Heindel diz: “A ciência está gradualmente aprendendo as verdades que previamente foram ensinadas pela ciência oculta. Sua atenção está sendo mais e mais dirigida para as Glândulas endócrinas, as quais dar-lhe-ão a solução para muitos mistérios. Porém, não parece que esteja ainda consciente da existência de uma conexão física entre o Corpo Pituitário, o órgão principal de assimilação e, portanto, do crescimento, e as Suprarrenais que eliminam o supérfluo e assimilam as proteínas. Estas estão também conectadas com o Baço, a Timo e a Tiroide. Sob o ponto de vista astrológico é significativo que o Corpo Pituitário é regido por Urano, que é a oitava superior de Vênus, o regente do plexo solar, onde está localizado o Átomo-semente do Corpo Vital. Dessa maneira, Vênus guarda o portal do Fluido Vital Solar que vem diretamente do Sol através do Baço, ao passo que Urano é a sentinela do portal onde penetra o alimento físico. É a fusão dessas duas correntes que produz o poder latente que está armazenado em nosso Corpo Vital até converter-se em energia dinâmica pelo desejo marciano natural”.

CAPÍTULO III – O BAÇO – TIPOS DE PERSONALIDADE PRODUZIDA POR ELE

O Baço é a maior das Glândulas endócrinas. Está situado do lado esquerdo ao lado da grande curvatura do estômago, entre este e o diafragma. Tem o formato de uma fava de cor vermelho azulado escuro. Têm 180 a 200 gramas de peso, uns 13 cm de comprimento e 8 cm de largura. É macio, esponjoso e frágil. Normalmente, com os movimentos da respiração desloca se dentro de certos limites. Pode aumentar muito de tamanho em certas doenças como febre tifoide ou malária, ou em doenças do próprio órgão como a leucemia, afecção em que o número de corpúsculos brancos do sangue aumenta enormemente bem como o Baço. O aumento do Baço nas crianças é devido à sífilis, o que se dá, muitas vezes, na idade de dois a três meses. O Baço sempre se dilata durante a digestão. Essa Glândula é alimentada pela artéria esplênica e suas veias desembocam na veia porta que por sua vez descarrega no fígado.

No embrião, o Baço forma-se mais ou menos na 51ª semana, a partir do mesoderma, ou o folheto médio da célula embriônica. É quase inteiramente circundado pela membrana do peritônio e é mantido em posição por dois envoltórios desse tecido. É envolvido por duas membranas, uma externa úmida e fibrosa e outra interna, elástica. A membrana externa é delgada e lisa. A secreção do Baço é chamada hemolisina, que é a controladora da destruição dos elementos do sangue e tem efeito estimulante no movimento normal dos intestinos, havendo casos de constipação crônica que se curam pelo uso dessa secreção. Os vasos sanguíneos, linfáticos e os nervos entram e saem de uma depressão da parte interna do Baço, chamada “hilo”.

O Baço fabrica os corpúsculos brancos do sangue, armazena o ferro e tem grande influência no sistema nervoso (controla a absorção do Fluido Vital Solar do açúcar que percorre os nervos), auxilia a digestão absorvendo o Fluido Vital Solar do Sol durante esse processo. A remoção do Baço não é fatal. Depois da remoção realiza-se um desenvolvimento das Glândulas linfáticas que tomam a si o trabalho físico do Baço. O Baço etérico não se desintegra simultaneamente com o órgão físico amputado, mas permanece e desempenha suas funções vitais como antes. O Baço é a porta de entrada das forças solares que vitalizam o Corpo Denso. Sem esse elixir da vida nenhum ser pode viver. A partir do Baço essa força solar é enviada ao plexo solar, onde se encontra com o Éter que foi extraído do sangue no coração, o qual tão logo tenha sido extraído flui ao longo do cordão prateado para o plexo solar onde o Átomo-semente do Corpo Vital está localizado. Esse Átomo-semente parece ter o mesmo efeito sobre o Éter como um prisma tem em relação à luz, porque o fluxo etérico refrata-se nas três cores primárias: o vermelho, amarelo e o azul. Nas pessoas que vivem apenas a vida material predomina o vermelho, mas à medida que o indivíduo avança espiritualmente toma se notável o amarelo e, depois, o azul. O fluxo vermelho mistura se com o fluxo solar incolor que constantemente aflui para ao plexo solar por intermédio do Baço. É o agente que muda esse fluido solar incolor naquela cor rosa pálido que dá ao Corpo Vital esse tom delicado da flor do pessegueiro recém-aberta. Do plexo solar esse fluido energético flui ao longo dos filamentos que compõem o sistema nervoso e desse modo ele permeia cada parte do Corpo Denso, energizando cada uma das células com a sua vida força.

Quando uma pessoa está com boa saúde, essa vida energia é especializada pelo Baço e extraída do sangue em tão grande quantidade que, não podendo ser usada pelo organismo, irradia-se pelos poros da pele em linhas retas. Essa força irradiante excessiva arrasta consigo os gases venenosos, os micróbios inimigos e as substâncias inúteis, contribuindo, dessa maneira, para a conservação da saúde do Corpo Denso, evitando, ainda que exércitos de germes de enfermidades que enxameiam a atmosfera penetrem no Corpo Denso. Assim o fluido entérico cumpre um alto e benéfico propósito mesmo após ter sido usado ao retomar a seu estado primitivo.

O Clarividente treinado muitas vezes observa uma curiosa e surpreendente visão quando, ao observar as partes expostas do corpo, tais como o rosto e as mãos, vê começar a fluir por elas um facho de estrelas, cubos, pirâmides e grande variedade de outras figuras geométricas. Cada uma dessas figuras afasta-se a pouca distância do indivíduo e logo desaparece. Sua cor é azul ametista (arroxeado).

Após as refeições a força vital atraída pelo Baço é consumida pelo organismo em grandes quantidades. Os dois Éteres inferiores, o Químico e Vital, contêm o elemento estruturador que as forças da natureza (os Espíritos da Natureza), os chamados mortos, os espíritos Lucíferos e os Mestres das mais elevadas Hierarquias Criadoras empregam no processo de assimilação do alimento pelo Corpo.

Quando a alimentação é pesada ou excessiva, o fluxo do Fluido Vital Solar diminui perceptivelmente. Então a limpeza do Corpo Denso não é feita tão apropriadamente como quando a alimentação foi completamente digerida, nem o fluxo vital que se liberta do corpo é suficientemente poderoso para evitar o ataque de germes de enfermidades, o que explica por que as refeições copiosas tornam a pessoa mais sujeita a resfriar-se ou a adoecer. Na doença, o Baço fornece ao Corpo Vital muito pouca energia solar. Nesse estado parece que o Corpo Denso se alimenta do Corpo Vital, tornando o mais transparente e extenuado, resultando para o Corpo Denso um estado de fraqueza e emaciação. É fácil aparecerem complicações doentias, pois as condições vitais de limpeza estão quase inteiramente ausentes durante a enfermidade.

Quando alguma parte do corpo ou qualquer órgão são removidos, deixando de haver uso da contraparte etérica, desintegra-se gradualmente essa parte do Corpo Vital. Entretanto, no caso da ablação do Baço, tal consequência não se dá, cabendo a essa Glândula a tarefa de cumprir um grande trabalho. Por isso, se o Corpo Denso deve viver, o Baço etérico precisa permanecer intacto a fim de continuar o seu serviço, isto é, atrair força ou energia solar para o Corpo Denso.

As Glândulas são produtos do Corpo Vital, mas o Corpo de Desejos apropriou-se do Baço e nele produz os corpúsculos brancos. Esses corpúsculos brancos são destruidores, e são usados pelo Corpo de Desejos, levando-os por intermédio do sangue por todo o Corpo Denso. Ao atravessarem as paredes das artérias e das veias nos momentos de aborrecimento e especialmente nos de grande irritação, a impetuosidade das forças no Corpo de Desejos dilata as artérias e as veias, abrindo caminho aos corpúsculos brancos, através das finas paredes desses vasos sanguíneos dilatados, para os tecidos do corpo, onde formam bases de matéria terrosa destruidoras do Corpo Denso. O Corpo de Desejos constantemente está destruindo os tecidos do Corpo Denso que o Corpo Vital reconstrói. Dessa luta entre eles resulta a consciência no Mundo Físico. As forças etéricas no Corpo Vital agem de modo a converter, tanto quanto seja possível, o alimento em sangue, o mais elevado produto do Corpo Vital.

Os corpúsculos vermelhos do sangue são discos, côncavos em ambos os lados, não tendo núcleos. Têm a missão de oxigenar todo o organismo, ao passo que os corpúsculos brancos são de formato irregular, nucleados, com movimento parecido ao das amebas.

A forma pela qual o Corpo de Desejos opera na formação dos corpúsculos brancos do sangue, no Baço, é a seguinte: maus pensamentos, o medo e a cólera interferem na atividade e vaporizadora no Baço, daí então o Corpo de Desejos aproveita a oportunidade para formar uma partícula de plasma, material viscoso de uma célula animal, a qual se torna o fundamento do corpúsculo branco. Este é imediatamente atraído por um pensamento Elemental que dele se apropria, forma um núcleo e nele se incorpora. Depois, o elemental inicia uma vida de destruição, unindo-se a produtos nocivos e a elementos em decomposição onde quer que se encontre no corpo, fazendo dele um cemitério em vez do templo de um Espírito interno. Cada corpúsculo branco formado e apossado por uma entidade exterior é, para nosso Espírito, uma oportunidade perdida. Quanto mais oportunidades perdidas existam no Corpo Denso, tanto menos esse veículo estará sob o controle do Ego. Os corpúsculos brancos estão sempre presentes em grande número em todas as enfermidades.

A PERSONALIDADE DO TIPO BAÇO

O Baço não tem uma Personalidade típica. Contudo, considerando-se o fato que às refeições é atraída uma considerável quantidade de força solar, bem como durante a digestão, o “gourmand” pesadão e gordo, poderia ser tomado como um tipo representativo a desenvolver-se, se o apetite não for controlado. Contudo, se houver controle do apetite por parte da pessoa, um tipo superior, forte e potente, poderá desenvolver-se.

CAPÍTULO IV – A GLÂNDULA TIMO – A GLÂNDULA DO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA

A Glândula Timo está situada no peito, entre os dois pulmões, e por trás do esterno. Projeta-se para baixo, cobrindo a parte superior do coração, envolvendo os grandes vasos na parte de cima. É uma massa pardacenta que, ocasionalmente, quando é cortada, tem a aparência de uma moela.

Situa-se sobre a traqueia, aparecendo como um crescimento da terceira bolsa da faringe (uma cavidade tubular no canal alimentício que começa na parte anterior da boca). Alcança seu maior tamanho no início da puberdade, pesando na ocasião do nascimento 14 g. Sua largura é de 3,75 cm e o comprimento é de 5 cm. Atinge o ponto de dissecação aos vinte e um anos. Seu desaparecimento gradual, subsequentemente, é assinalado pela perda da estrutura glandular que é substituída por um tecido fibroso e adiposo. Vestígios do tecido característico Timo, entretanto, persiste bem como certas células segregado sãs que assim permanecem durante toda a vida.

No passado, acreditava-se que a Glândula Timo se atrofiava na puberdade, porém atualmente sabe-se que suas células secretoras continuam em manifestação durante toda a vida. Quando tais células são muito numerosas a Glândula se torna de cinco a dez vezes maior do que a normal e um número de outros aspectos faz-se proeminente, dotando o indivíduo com características extraordinárias, fazendo-a vítima do “estado tímico”. Tal fato será exposto na série de lições que trata da “Personalidade Timo”. É exato que o Timo é a Glândula que faz as crianças pueris e, por vezes, os adultos infantis. Entre as artérias que nutrem a Glândula Timo há ramos das artérias mamárias, o que indica a estreita relação existente entre a mãe e o filho. Os minúsculos nervos vêm do sistema nervoso simpático e do 10º nervo craniano ou nervo pneumogástrico.

Durante a infância, o Timo é o órgão que promove o crescimento dos ossos, porém, na puberdade, o decrescimento inicia-se, admitindo-se que as Glândulas sexuais, despertadas nesse período, exerçam sobre o Timo uma influência refreadora.

Crê-se que a secreção da Glândula Timo que se chama Timovidina seja responsável pelo crescimento das crianças. Quando o Timo com um tamanho acima do normal apresenta-se num recém-nascido, o processo de respiração, isto é, a introdução do oxigênio contido no ar, na criança, torna -se algo difícil e prolongado. Tais crianças nascem azuis, como se diz. Durante dias a respiração é ruidosa, com um tom sibilante, normalizando por algum tempo, para, posteriormente, surgirem espasmos respiratórios ou sintomas de asfixia, acompanhados de manchas azuis na pele e ameaça de morte.

Há casos em que esses espasmos aparecem depois de a criança parecer perfeitamente saudável. Tal situação prende-se ao fato de o Timo avolumar-se, o que poderá ser aliviado pela aplicação de Raio X ou pela ablação cirúrgica de uma de suas partes.

Quando o corpo de uma criança sofre de desnutrição, produz-se um rápido declínio no peso do Timo, o que prova que o tamanho e demais particularidades do Timo de uma criança são índices do seu estado de nutrição. Nesse sentido provou-se que, mantendo a subalimentação durante 4 semanas, o Timo se reduziu de 1/3 do seu tamanho normal.

A Glândula Timo parece agir como um órgão de armazenagem e reserva, oferecendo alguma proteção contra a limitação do crescimento devido à falta de alimentação. É fato interessante que, no caso de enfermidades esgotadoras e depauperadoras, o peso dessas Glândulas desce muito mais rapidamente que o de qualquer outra Glândula. Há casos comprovados de crianças que crescem alguns centímetros e expandiram suas condições mentais ao serem tratadas com Timovidina, quando outras providências falharam. Na França foi feito um estudo em mais de quatrocentas crianças idiotas possuidoras de Glândulas Tiroides normais. Verificou-se que mais de 3/4 do número desses infelizes não tinham Glândulas Timo.

A secreção do Timo controla de forma definida o crescimento dos ossos e o metabolismo muscular durante o período infantil. Essa Glândula tem influência particular no desenvolvimento do córtex da Suprarrenal (a parte exterior dela) na Glândula Pineal, na Tiroide e na Próstata. A injeção de Timovidina alivia notoriamente a fadiga dos músculos voluntários.

A remoção da Glândula Timo de um animal jovem e pequeno interfere em seu crescimento normal, surgindo um anão e consequente alteração no desenvolvimento do esqueleto, idêntica à que caracteriza o raquitismo. Os ossos ficam moles, vergadiços e fraturam-se facilmente. Entretanto, no caso de regenerarem-se pequenos pedaços do Timo que tenham ficado da operação, os aludidos sintomas desaparecem e o animal volta à normalidade.

O Timo cresce rapidamente durante os primeiros dois anos de vida da criança. Razão disso é que a criança é então amamentada e o Éter de Vida contido no leite materno especialmente favorece o crescimento desse órgão. A Glândula Timo das crianças amamentadas com leite humano é sempre de maior tamanho do que a das crianças amamentadas com leite animal. Constata-se, também, que as crianças amamentadas com leite humano respondem mais ao controle da sua nutriz do que ao controle de qualquer outra pessoa. Após o desmame, os átomos da Glândula Timo que se desintegram circulam na corrente sanguínea, e como estão impregnados pelo Éter de Vida da mãe, obtido durante a amamentação, a íntima ligação entre eles permanece até que se dê a diminuição sensível na Glândula. As crianças alimentadas com leite humano têm maior vitalidade do que as alimentadas com leite animal, porque o Éter animal não é absorvido permanentemente pela Glândula Timo tal como é o Éter humano.

A criança não fabrica os próprios corpúsculos vermelhos de sangue, como fazem os adultos. A razão disso é que o polo positivo ou a energia do Corpo de Desejos da criança é comparativamente inativo; consequentemente, esse veículo não atua como uma via para as forças (Marcianas) que tomando o ferro do sangue transformam-no em Hemoglobina (a substância de coloração vermelha dos corpúsculos sanguíneos). Para compensar essa inatividade, existe na Glândula Timo da criança uma essência espiritual que é tomada dos pais no ato da concepção. Essa substância completa a alquimia do sangue temporariamente para a criança até que o seu Corpo de Desejos se torne dinamicamente ativo, o que se dá por volta dos quatorze anos de idade.

A Glândula Timo controla o crescimento físico das crianças, cujo máximo é atingido aproximadamente aos 14 anos. Durante esse tempo, essa Glândula mantém as outras Glândulas inativas, retarda a puberdade e estimula o desenvolvimento normal do cérebro. Há casos, contudo, em que, devido à enfermidade das Suprarrenais, o cérebro e os órgãos geradores amadurecem em poucas semanas ou meses, antes que o corpo se desenvolva normalmente. A paralisação do crescimento deixa o corpo pequeno, de pequena estatura, todavia simétrico. Podem surgir casos excepcionais, entretanto a Glândula Timo evita o aparecimento de tais fenômenos.

Quando a ação da Glândula Timo persiste depois da puberdade em tempo demasiado, chegando a ser de 5 a 10 vezes maior do que o normal, estamos perante um caso de “status thymicus” que é uma condição interessante em que a pessoa, se masculina, tende a exteriorizar a expressão feminina e, se feminina, a expressão masculina. Em outras palavras, causa uma suspensão da masculinidade ou da feminilidade, conforme seja o caso, algumas vezes resultando o peculiar complexo do homem desejar mais a associação com homens do que com mulheres e, vice-versa, as mulheres preferirem a associação com mulheres, em vez de homens. Isto levado a extremos pode converter se em narcisismo, o amor por si mesmo. Tais pessoas usam continuamente o pronome “eu”, gostam de se mirar nos espelhos, deleitam-se em admirar suas mãos, seus pés e todo seu corpo, podendo ser vistas, com frequência, acariciando-se ternamente e sorrindo docemente para sua própria imagem refletida. Por vezes, têm irresistível desejo de vestir roupas do sexo oposto. Algumas satisfazem-se com uma ou outra peça de vestuário, mas outras substituem todos os seus trajes e passam como membros do sexo oposto. Essas pessoas não são pseudo-hermafroditas porque têm desenvolvimento sexual perfeitamente normal. Cita se o caso de um homem que, tendo vivido 48 anos vestido com vestes masculinas, mudou para vestes femininas até sua morte, 35 anos depois. Durante todo este segundo tempo de sua vida foi aceito na sociedade como mulher. Somente a autópsia revelou que, sexualmente, “ela” era realmente “ele”, um homem normal. Esse tipo de indivíduo é incompreendido e mal julgado. São geralmente desajustados na sociedade, de que resulta tornarem-se muitas vezes desanimados e sem coragem, entregando-se ao uso do álcool ou aos entorpecentes e eventualmente praticam o suicídio. Entretanto, há indivíduos desse tipo que depois de uma vida tempestuosa pela casa dos vinte anos, adaptam-se ao seu ambiente pelos trinta anos, porque a Pituitária e a Tiroide tornaram-se mais predominantes, dando maior estabilidade mental e equilíbrio. Em alguns em que o Timo é o centro de direção, combinam o brilho com a instabilidade, tornando-se aventureiros famosos e incansáveis experimentadores.

O coração do tipo tímico é pequeno e os vasos sanguíneos notadamente frágeis. Isso, numa emergência, pode limitar o afluxo do sangue e, em consequência, tais pessoas podem morrer subitamente de ruptura de vasos, causada pelo excessivo afluxo do sangue a vasos débeis. Um choque súbito, um susto ou a administração de um anestésico podem produzir um colapso que, as mais das vezes, termina em morte.

TIPO DE PERSONALIDADE TÍMICA

Ao tempo do aparecimento dos dentes permanentes, o Timo é a Glândula dominante e é de notar que a forma física das crianças, em ambos os sexos, é muito semelhante. Depois disso há uma diferenciação gradual, sem distinção física acentuada até a puberdade. Iniciada esta, a função do Timo diminui gradativamente e outras Glândulas aumentam de atividade. Porém, muitas vezes, a ação da Glândula não cessa, casos em que os indivíduos têm toda a vida dominada por essa Glândula. Tais pessoas pertencem ao tipo tímico centralizado. Suas formas continuam redondas e infantis. As crianças pertencentes a esse tipo são bem proporcionadas, perfeitamente formadas com feições delicadas. A pele é transparente e cora com facilidade; o cabelo é longo e sedoso. Tais crianças são a incorporação da beleza. Crianças angelicais admiradas por todos, mas, não estando aptas para enfrentar os ásperos conflitos da vida, geralmente morrem jovens.

O tipo tímico é essencialmente feminino. O corpo, algumas vezes de estatura média e outras vezes alta, é todo graciosamente conformado, de membros roliços. A pele é fina, delicada e aveludada, cabelos macios e sedosos. Pouca ou nenhuma barba, feições delicadíssimas, magnificamente proporcionadas, olhos azuis ou castanhos, longas pestanas, lábios finos e o rosto oval. Por vezes, no adulto, o queixo não é bem formado, os dentes têm a brancura do leite, são finos e translúcidos com bordos serrilhados ou com a forma de crescente lunar.

Esse tipo de indivíduo, reiteramos, não tem grande resistência, e, portanto, deve ter o máximo cuidado com seu Corpo Denso.

CAPÍTULO V – A GLÂNDULA TIREOIDE – A GLÂNDULA DA ENERGIA

A Glândula Tiroide[8] consiste em duas massas de cor marrom, situada na parte superior da traqueia e junto à laringe, ligada logo abaixo ao pomo de Adão por um estreito istmo do mesmo tecido. A Tiroide surge do mesmo tecido e quase do mesmo ponto que o lóbulo anterior do Corpo Pituitário, pesando aproximadamente 28,4 g. Cada lóbulo da Tiroide tem em torno de 5 cm de comprimento, 2,5 cm a 3,75 cm de largura e 1,9 cm de espessura. Essa Glândula é um dos primeiros órgãos a distinguir-se no embrião humano, começando primeiramente como um sulco no fundo da boca por volta da terceira semana de vida do feto. Ao alcançar 0,62 cm no embrião, o tecido da Tiroide se separa e o sulco fecha-se.

A importância da Tiroide é acentuada pela riqueza de sua circulação. Essa Glândula recebe aproximadamente quatro vezes mais sangue, em proporção ao seu tamanho, do que os rins, os quais se destacam pelo seu alto grau de atividade funcional. É mais pesada na mulher do que no homem, tornando-se maior durante a excitação sexual, na menstruação e na gravidez. De acordo com uma notável autoridade, Gaskill[9], a Tiroide foi uma Glândula sexual. O Dr. Berman diz: “Tanto nos vertebrados inferiores como nos invertebrados superiores os tecidos dessa Glândula estão intimamente conectados com os condutos dos órgãos sexuais. São na verdade órgãos sexuais acessórios, Glândulas uterinas, satélites do processo sexual. Do Petromyzon (lampreia)[10] para cima, seu relacionamento se perde. A Tiroide emigra mais e mais para a região da cabeça, a fim de se tornar o grande elo entre o sexo e o cérebro”.

Max Heindel diz: “Durante os primeiros estágios da Época Hiperbórea, quando a Terra ainda estava unida ao Sol, as forças solares eram o suprimento do homem, o qual, inconscientemente, irradiava o excesso dessas forças recebidas, para fins de propagação”.

“Quando o Ego entrou em seus veículos, tornou-se necessário usar uma parte dessa força para construir o cérebro e a laringe que era originalmente uma parte dos órgãos geradores. A laringe foi construída enquanto o Corpo Denso era encurvado numa forma de bolsa como já foi descrita, a qual é ainda a forma do embrião humano. Quando o Corpo Denso se tornou reto, parte do órgão criador permaneceu na parte superior do corpo tornando-se mais tarde a laringe”.

“Assim a força criativa dual, que num determinado tempo foi usada somente numa direção, para criar outro ser, dividiu-se. Uma parte dirigiu-se para cima para criar o cérebro e a laringe, por meio dos quais o Ego é capaz de pensar e comunicar seus pensamentos a outros seres”.

“Como resultado dessa transformação, somente uma parte da força essencial para a criação de outro ser ficou de posse para um indivíduo, daí a necessidade de cada indivíduo procurar a cooperação de outro que possuísse a parte da força procriadora que carecia”.

“Assim, a entidade em evolução obteve a consciência cerebral do mundo exterior à custa da metade de seu poder criador. Anteriormente a esse tempo ela usava internamente ambas as metades ou partes desse poder para exteriorizar outro ser, porém, como resultado dessa modificação, desenvolveu o poder de criar e expressar o pensamento. Antes disso ela era um criador no Mundo Físico somente, desde então tornou-se apta a criar nos três Mundos”.

Uma comparação das descobertas feitas pelos modernos cientistas e daquelas realizadas pelos investigadores ocultistas, acima expostas, revelam uma pasmosa corroboração relativa à recente formação dos órgãos procriadores da raça humana. Max Heindel disse no Conceito Rosacruz do Cosmos que o ocultista acolhe com júbilo as descobertas da ciência moderna, porque invariavelmente corroboram o que a ciência oculta há longo tempo vem ensinando, sendo um fato digno de nota que quase diariamente um estudante esmerado lê algo a respeito de uma descoberta científica que vem provar uma afirmação particular registrada há longo tempo nos escritos dos nossos mais adiantados cientistas ocultistas.

É crença dos mais eminentes biologistas que a Tiroide desempenhou uma parte importantíssima na transformação das criaturas marítimas em animais terrestres. Experimentalmente a Tiroide foi usada para transformar uns em outros. Há uma pequena Salamandra que vive n’água e que respira por meio de guelras. Alimentando-se esse animal com Glândula Tiroide, opera-se uma mudança rapidamente, surge de uma Salamandra da água, uma Salamandra terrestre.

Tanto a Tiroide como sua secreção, são usadas na medicina. A secreção dessa Glândula é chamada Tiroxina. Trata-se de uma substância gelatinosa contendo uma grande porcentagem de Iodina, bem como Arsênico e Fósforo. A Tiroxina depende da Iodina para sua atividade. Há outras substâncias na secreção da Tiroide com funções próprias, porém as atividades delas são secundárias e obscuras. A Tiroxina produz resultados em pacientes em doses extremamente pequenas comparadas com a quantidade da Glândula toda. Além disso, uma dose de Tiroxina parece permanecer num organismo necessitado dela por um período de tempo maior, ao passo que a totalidade da Glândula tem de ser administrada continuamente.

A Tiroide é uma Glândula de energia. Sua secreção é a controladora do ritmo do viver, de tal modo que quanto menor seja a quantidade de secreção tanto menor será o nível de atividade. E, por assim dizer, a rapidez com que se produzem as reações químicas que constituem os processos da vida dependem da Tiroide. Quando as reações se aceleram, o oxigênio e a matéria alimentar se oxidam, portanto, libertam mais energia e o indivíduo pode pensar e sentir, ver e atuar mais rapidamente. A Tiroide parece mesclar mais oxigênio com as células alimentares e ao mesmo tempo libertar energia para ser usada como calor, movimento e outras necessidades. O Dr. Plummer[11] demonstrou que um aumento de Tiroxina dobra o aumento de energia numa determinada unidade de tempo. Isso nos dá uma ideia do poder dessa secreção interna e de sua importância para a vida normal. Para ser exato, um miligrama de Tiroxina aumenta a ação do metabolismo em dois por cento. Quando a Tiroxina é administrada em apenas uma dose, observa-se uma diminuição lenta de absorção dela pelos tecidos, assim mesmo não alcança o máximo efeito senão no décimo dia. Seu efeito continua por mais dez dias, aproximadamente. Daí então haverá uma diminuição de intensidade por outros dez dias. De acordo com a extensão do tempo uma simples dose de Tiroxina atua no organismo, aproximadamente, durante três semanas. Qualquer perturbação na secreção da Tiroide em quantidade maior ou menor ou ainda em relação à qualidade, isto é, uma mudança anormal em sua composição química, produz severos transtornos, os quais se tornam uma carga para si mesmo e para os outros.

Não é somente o grau de tensão da energia nas células do organismo que é controlado pela Tiroide, mas a mobilidade dessa energia, pois sem a secreção dessa Glândula, o rendimento de grandes e rápidas flutuações de energia, a sua elasticidade, flexibilidade e mobilização para a execução de um rápido ato muscular, numa emergência, seria completamente impossível.

A Glândula Tiroide é a mais importante Glândula do corpo, pela razão de que ela controla o crescimento do Corpo Denso, o desenvolvimento mental e está intimamente relacionada com as outras seis Glândulas que estamos considerando. É o grande elo entre o cérebro e os órgãos geradores, nela se processando a secreção necessária ao equilíbrio do cérebro.

Duas das principais doenças relacionadas com a Glândula Tiroide são o cretinismo e o mixedema. Ambas são causadas por conexão imperfeita entre o cérebro e o Corpo Vital, a qual impede a Tiroide de secretar a Tiroxina que a conectaria com o cérebro e os órgãos geradores. O cretinismo é o idiotismo infantil. A mesma doença é chamada de mixedema, no adulto.

Uma criança pode nascer cretina como resultante de uma deficiência de Tiroxina ou pode desenvolvê-la em qualquer tempo depois do nascimento. Uma criança pode nascer aparentemente normal, com exceção do nariz que será um pouco mais achatado do que o comum. Pode ter sonolência anormal, maior do que as crianças normais, durante o primeiro ou segundo mês, e não acordar espontaneamente para comer. Depois de alguns meses, nota-se que não acompanha o crescimento normal, física e mentalmente. Ao exame, revela-se um curioso engrossamento dos rebordos dos dentes. Então a língua se torna anormalmente espessa e proeminente, sobressaindo da boca continuamente, dificultando a respiração quando a criança está deitada. A boca está sempre cheia de saliva, a pele adquire um amarelado ou cor de cera, é seca, áspera escamosa e tumefeita. Os olhos lacrimejam e as pálpebras engrossam, o achatamento do nariz se pronuncia e suas asas engrossam; as orelhas são grandes e eretas; o cabelo afina; as sobrancelhas e as pestanas escasseiam e, por vezes desaparecem; as unhas ficam curtas, finas e quebradiças; os dentes demoram a aparecer, limitando-se, por vezes, a meras e poucas pontas curtas, e irregulares que rapidamente caem. Todo o crescimento é lento e desproporcionado. O tronco, bem pequeno se comparado com a cabeça, parece maciço se comparado com as diminutas dimensões das extremidades. As costas se acorcovam, arqueando-se na região lombar; o abdômen salienta-se como um pequeno balão, havendo às vezes hérnia umbilical. Os pés e as mãos são desajeitados, largos e grossos, os dedos rijos, curtos e finos, e os artelhos recobertos de sólida pele e separados. Esses desafortunados manifestam fome e sede por meio de grunhidos, de sons inarticulados ou gritos. Não sorriem nem tossem. A circulação é pobre, o corpo frio, a pressão sanguínea é baixa, porém nem todos os cretinos têm as mesmas peculiaridades; há muitos graus e variedades de acordo com a severidade da doença. Note-se que no cretino ou no mixedematoso[12], estando fechada a porta da Tiroide, que fornece a força criadora para o cérebro e os órgãos geradores, ambos começam a atrofiar-se. Em ambos os casos, a vítima é apática, indiferente, suja e desalinhada, um lastimável idiota.

Num adulto poder-se-ia suspeitar alguma causa para tão abominável enfermidade, mas numa inocente criança, por qual razão surge?

Para encontrar-se a causa da aflição, devemos observar os órgãos afetados, o cérebro e os órgãos geradores. A força criadora, a força que produz o crescimento está praticamente ausente.

O abuso da força criadora, usada para gratificação dos sentidos, é o pecado contra o Espírito Santo, que não é perdoado, mas que deve ser expiado pelo viver em veículos deficientes, como, por exemplo, o acabado de descrever. É uma terrível lição a aprender, uma lição que só é dada a um Espírito, quando não seja possível lhe dar de outra maneira.

Os cientistas, ao retirarem a Tiroxina do desamparado reino animal, para aplicá-la ao homem doente, estão, ignorantemente, tentando burlar o trabalho que a grande Lei de Causa e Efeito realiza por meio do renascimento. Mas Deus não pode ser ludibriado: o que um homem semeia isso colherá. A Tiroxina animal aplicada num cretino ou em um mixedematoso jamais efetuará uma cura real, apenas retarda a aplicação da Lei até outra oportunidade. O caso é análogo ao emprego do hipnotismo para curar alcoólatras da atração pelas bebidas. O que o hipnotizador faz é apenas sobrepor a própria vontade à do alcoólatra. Enquanto os dois viverem, o hipnotizador e o hipnotizado, a cura parece ter sido completa; mas se o hipnotizador morre antes do viciado, como o poder da vontade deste último não é mais controlado, o apetite desperta, e o viciado retorna ao antigo e infeliz hábito. É somente quando nos sobrepomos a um mau hábito pelo poder da própria vontade, que passamos a ter domínio sobre ele. O mesmo sucede no cretinismo e no mixedema.  A vítima pode tomar tiroxina durante toda a vida que jamais ficará “curada”. Apenas retardará até outra vida o pagamento de uma dívida do destino. Quando voltarem, a Lei cobrará o débito.

O primeiro êxito aparente na cura do mixedema deu-se com uma mulher inglesa de 42 anos de idade. A doença produziu-lhe crescimento do rosto e das mãos e tornou-a lenta no falar e no andar, sensível ao frio, de espírito lânguido, fisicamente deprimida, a ponto de não poder andar sozinha.

A injeção hipodérmica do extrato de Glândula Tiroide de carneiro, duas vezes por semana, produziu uma melhora imediata, maravilhosa e contínua. Verificou-se que a melhora pode ser mantida usando a Glândula por via oral. As feições e a pele retornaram ao normal e a mulher pôde voltar a andar por seus próprios meios. Viveu até a idade de 74 anos. Entre os 42 e 74 anos foi necessário administrar-lhe Tiroxina regularmente. A mulher consumiu 270 gramas de Tiroxina, extraída das Glândulas de 870 carneiros.

Quando se dá Tiroxina a uma criança cretina, a circulação melhora e o calor do corpo aumenta. Cerca de uma semana depois o estado de embrutecimento desaparece. A pequena criatura começa a sentir suas melhoras, logo reconhece seus pais, sorri e brinca. A face pálida toma a aparência normal e todo o corpo começa a crescer. Surgem todos os maravilhosos efeitos do crescimento. Por exemplo, podem aparecer 20 dentes dentro de 6 meses. O cabelo áspero e seco torna-se fino, macio, sedoso e, às vezes, ondulado. A pele fica úmida, macia e rosada, a altura, cada mês, poderá aumentar de alguns centímetros. A criança torna-se alegre e ativa, e começa a falar. Deu-se uma evidente transformação. Mas, apenas cesse a administração da secreção da Tiroide, é inevitável, quase imediatamente, a reversão às condições primitivas. Pouco tempo depois de diminuída a administração do medicamento a criança falará somente quando falarem com ela, ficará sentada quieta, durante todo o dia e agirá como se estivesse semi-anestesiada. A pele e o cabelo, gradualmente, retornam ao estado primitivo e o completo tipo do cretino se desenvolverá. Se de novo aplicamos a secreção, a transformação rapidamente se repetirá. Os médicos estão atônitos em relação ao destino que poderá sobrevir   para essas criaturas recuperadas, uma vez que a administração de Tiroxina foi feita apenas a uma geração, pelo que não há dados sobre o caráter dos filhos ou netos. Os casos que a medicina conseguiu registrar parecem normais, as crianças nas escolas e os adultos como trabalhadores ativos, aos interesses comuns da infância, nas ocupações adultas ou nos círculos sociais. Intelectualmente, a única dificuldade é a matemática. Normalmente, fora da família, ninguém sabe que são cretinos. Em dez casos, o observador mais sagaz de nada suspeita em nove.

Além das anomalias, no sangue e nos tecidos, por insuficiência da secreção da Tiroide, também há casos de sofrimento por excessos.  Quando a superatividade da Tiroide atinge o estado patológico, tal condição manifesta-se como Bócio Exoftálmico. De modo geral, essa enfermidade é acompanhada pelo aumento da Glândula, podendo manifestar-se de forma aguda ou crônica.

Os casos agudos, na maioria das vezes, são provocados por grande desgosto ou grande medo. Frequentemente desaparecem em poucos dias sem tratamento. Na forma crônica, a enfermidade é séria, é preciso prestar-se ao paciente o melhor cuidado. Entre os principais sintomas estão: movimentos cardíacos excessivamente rápidos, pulsações entre 90 e 100, hiperexcitabilidade nervosa[13], aumento da pressão sanguínea, respiração rápida e pouco profunda, traduzindo uma hiperreação de todo organismo. Os olhos, brilhantes e proeminentes, parecem saltar das órbitas e as pálpebras muito abertas conferem uma expressão espantada, assustada.

A pessoa afligida por essa enfermidade tem uma coloração viva, quente, não repousa, dorme mal. Emagrece e permanece magra, por muito que coma, chegando, em alguns casos, à emaciação. O bócio pode ser muito grande, por vezes é moderado. São conhecidas 21 espécies de Bócio. O Bócio exoftálmico é curável na maioria dos casos, sem operação, mas há casos que requerem o uso do bisturi.

A causa do Bócio é a carência de iodo na secreção da Tiroide. Há abundante iodo na água do mar e em pequenas quantidades nas fontes e vertentes de algumas regiões. Porém, em alguns lugares montanhosos e em outras regiões bastante afastadas do mar, não há, praticamente, presença de Iodo para suprir a Tiroide. Ela então, na tentativa de produzir adequadamente a secreção, aumenta de tamanho em consequência do esforço funcional desenvolvido para adaptar-se às condições existentes, isto é, à falta de iodo. Iodo na forma de iodato de sódio, em pequenas doses, é preventivo do Bócio. Todavia, os meios mais eficientes para curar essa enfermidade são o descanso prolongado físico, mental e emocional, e a supressão de toda a inquietação e excitação. Em último recurso, só a operação cirúrgica valeria, mas em nenhuma hipótese a Tiroide pode ser totalmente removida: a morte seria certa.

Essa misteriosa Glândula que dá equilíbrio ao cérebro, auxilia a digestão, mescla o ferro com as substâncias alimentares, secreta o Iodo que combate os venenos do corpo, coopera também no controle da quantidade de gordura no organismo, e de forma algo misteriosa, previne e cura o Bócio. Quanto mais Tiroide, mais enérgica é a pessoa; quanto menos Tiroide menos enérgica e mais preguiçosa a pessoa é.

Foi quase que definitivamente provado que os prisioneiros recolhidos na prisão de San Quentin por crime de assassinato têm Glândula Tiroide anormal. Isso foi demonstrado pelo Dr. Ralph Arthur Reynolds que, com a cooperação do Dr. Leo Stanley, médico da prisão, estudou durante dois meses tais prisioneiros.

Disse o Dr. Reynolds que seus estudos o convenceram de três fatos fundamentais:

1º. todo assassino, potencial ou atual, mostra supersecreção da Glândula Tiroide;

2º.  um assassino mostra sub-secreção da Glândula Pituitária e

3º. todo desajustado social apresenta perturbação da secreção de alguma Glândula.

Falou de um assassino jovem que, sem razão aparente, atacou outros prisioneiros com certo objeto que tinha à mão e, como consequência disso, passou 180 dias no calabouço. Sobre o jovem, que tinha uma Glândula Tiroide anormal, o Dr. Reynolds disse: “operamo-lo e reduzimo-la ao que pensamos ser normal. Hoje é um prisioneiro completamente tratável”. Em outros 16 casos que tratou pessoalmente, os resultados foram ótimos.

O que se segue faz parte de interessantes conclusões feitas pelo Dr. Louis Berman[14] que mostra assim, notáveis conhecimentos sobre as Glândulas endócrinas e suas funções no corpo humano.

“Se um crime é uma anormalidade cientificamente estudável e controlável como o sarampo, devem ser radicalmente transformados os tribunais e as prisões. Há, agora, espalhado por todo o mundo, um grupo de pessoas que estuda e aplica métodos científicos para diagnosticar e tratar crime. São eles os pioneiros que a história lembrará como companheiros daqueles outros que transformaram o comportamento do mundo para com os loucos e o modo de tratá-los, outrora condenados e tratados como criminosos mesmo nos países mais civilizados”.

“Os laboratórios de criminologia adjuntos às Cortes de Justiça, como já existe em várias cidades, tendem a tornarem-se universais. Como já foi demonstrado, a maior parte dos criminosos, são mental e moralmente anormais (deficiência de secreção da Tiroide). Para explicar essa anormalidade, os criminologistas fizeram e continuam fazendo investigações sobre a hereditariedade e o ambiente passado do criminoso, sua educação e ocupação, as influências sociais e religiosas às quais esteve sujeito, e os testes do quociente intelectual. As condições do Sistema Vegetativo (involuntário ou simpático) e o estado endócrino do prisioneiro ocuparão, sem dúvida, lugar proeminente em qualquer interpretação do crime”.

A observação introspectiva do estado mental pré-criminal nas chamadas pessoas normais revela uma diminuição da razão e do poder da vontade; em outros, uma exaltação enorme, quase histérica. O que é isso senão estados endócrinos de células, experimentalmente reproduzíveis pelo aumento e decréscimo da influência da Tiroide, das Suprarrenais e da Pituitária?

Os crimes passionais podem ser atribuídos, em não poucos casos, a distúrbio da Tiroide. Um psicólogo de um tribunal da cidade de Pittsburg (Pensilvânia), interessado no assunto, encontrou Tiroide aumentada em mais de 90% de moças delinquentes”.

Antes de o homem assumir a posição vertical, era bissexual, e toda a força criadora estava centralizada nos órgãos de reprodução. Nesse tempo, a Tiroide era pura e simplesmente uma Glândula sexual. Max Heindel disse que quando os sexos foram separados, metade da força criadora de cada indivíduo foi dirigida para cima, a fim de construir o cérebro e a laringe. O cérebro foi construído para dar ao Ego um instrumento para adquirir o conhecimento e criar no Mundo Físico; é a mesma força que ainda hoje o alimenta e o constrói. A laringe foi feita, por sua vez, a fim de que o homem pudesse ter um órgão para expressar seus pensamentos em palavras.

A perversão ou o sexo maníaco é uma prova da afirmação dos ocultistas de que uma parte das forças sexual construiu e sustenta o cérebro e a laringe, e que há uma conexão entre esses órgãos e a força expressa pelos órgãos geradores inferiores. O infortunado pervertido torna-se um idiota, incapaz de pensar, porque desperdiça a parte negativa ou positiva da força sexual (conforme seja homem ou mulher) normalmente utilizada pelos órgãos de reprodução para a propagação, e, também, porque dissipa sexualmente a parte da força sexual que deveria ascender e ser usada na construção do cérebro, impedindo o pensar. Daí sua deficiência mental. Pelo contrário, se o indivíduo é dado a pensamentos espirituais, a tendência para usar a força geradora para a propagação é pouca. Portanto, toda a força não utilizada sexualmente ascende e é transfigurada em poder espiritual.

COMPARAÇÃO DA TIREOIDE E DA PITUITÁRIA

Novamente é interessante notar que essa mesma Glândula Tiroide, que uma vez foi uma Glândula sexual, surge no embrião do mesmo tecido e quase no mesmo ponto em que aparece o lóbulo anterior do Corpo Pituitário (ou Glândula Pituitária), sendo a Tiroide uma excrescência do tecido e a Pituitária o desenvolvimento posterior dele. “O lóbulo anterior do Corpo Pituitário é chamado a Glândula da intelectualidade”, significando a capacidade da Mente em controlar, em seu meio ambiente, conceitos e ideias abstratas. Tudo isso confirma as declarações feitas por Max Heindel que a natureza da força geradora é tal que tanto pode se manifestar por meio do cérebro como pelos órgãos de reprodução.

A Glândula Tiroide está mais diretamente vinculada com as paredes internas e externas do corpo, a pele, a coberta externa das Glândulas, o cabelo, as membranas mucosas e a sensibilidade nervosa. A Pituitária atua mais sobre a estrutura do corpo, o esqueleto, e dos mecanismos de sustentação e de movimentos do corpo. A Tiroide altera o nível energético do cérebro e de todo o sistema nervoso. A Pituitária estimula as células cerebrais mais diretamente. A Tiroide facilita a produção de energia, ao passo que a Pituitária, o seu consumo. A Tiroide ocupa-se especialmente com a regulação da forma ou contornos e terminações dos órgãos, de acordo com seus arquétipos.

A força vital, indispensável para criar tanto o pensamento como as formas físicas, vem do Sol e da Força Crística anual que aportam à Terra. Essa força é atraída ao indivíduo pela Glândula Tiroide, e a força solar espiritual contida na Tiroxina é que proporciona o equilíbrio cerebral e a vida nos órgãos de reprodução. A secreção dessa Glândula é tão necessária à própria atividade mental e à reprodução das espécies como o Éter o é para a transmissão da eletricidade. Sem essa essência espiritual não poderia haver formação de hábitos, energia respondente para definir situações, complexidades de pensamentos, nenhuma possibilidade de aprendizado e, consequentemente, de educação, bem como nenhum desenvolvimento de faculdades e funções físicas. Não haveria ainda reprodução de qualquer espécie, nenhum indício de adolescência na idade apropriada e, subsequentemente, nenhuma demonstração de tendências sexuais.

PERSONALIDADE DE TIPO TIROIDE

Durante a infância normal esse tipo individual de Tiroide é saudável, delgado, robusto, enérgico, ativo, bem conformado, olhos grandes e algo saliente, nariz reto e bem talhado, dentes firmes e bem talhados com um translúcido e nacarado esmalte. As crianças normais desse tipo estão sempre ativas, nunca parecem cansadas e, por isso, não precisam dormir muito. São singularmente imunes às doenças. Contrairão sarampo, possivelmente, mas, em geral, nenhuma das outras doenças da infância. Sua adolescência é vibrante, apaixonada, cheia de episódios, mas eles se ajustam às mudanças consideráveis que se processam no seu íntimo e que, muitas vezes, se apresentam como um intenso peregrinar, isso, naturalmente, em virtude de que as células de seus corpos estão tão carregadas de energia vital que deve se expandir em qualquer forma de atividade ou então explode.

O jovem desse tipo é como um circuito carregado de eletricidade, irradiando vitalidade e magnetismo em qualquer grupo. Contudo, ele é facilmente abalado por acontecimentos súbitos e inesperados, a morte de um parente amado, ou o malogro de uma ambição afagada. Nesses casos, um desequilíbrio em outras Glândulas poderá advir rapidamente e, daí fraqueza e, até invalidez estacionária ou curável, mas que, em alguns casos, pode transformar-se na pior forma de deficiência Tiroidiana. Essas atrativas e agradáveis crianças do tipo Tiroide, necessitam ter o mais cuidadoso amparo.

Durante a maturidade, o tipo Tiroide caracteriza-se por um corpo delgado. Seus traços são bem conformados, cútis clara, cabelos abundantes, feições levemente coradas, sobrancelhas largas e longas, os olhos grandes brilhantes, penetrantes, a boca bem conformada, com dentes regulares e bem desenvolvidos. O rosto de Shelley[15] é um bom exemplo do tipo Tiroide masculino, a sua forma oval, bela configuração de traços, sobrancelhas espessas e altas, grandes olhos vivos e salientes, ativa vitalidade, boca sensível tudo pertence a esse tipo. Dele disse Matthew Arnold: “Um belo e ineficaz anjo que em vão bate no vácuo suas asas luminosas”.

Retrato de Percy Bysshe Shelley

A rainha Elizabeth da Inglaterra foi um exemplo excelente da mulher tipo Tiroide. Sexualmente esse é bem diferenciado e impressionável. Emotividade notável, percepção pronta e vontade rápida, impulsividade e tendência a crises de expressão explosiva fazem partes de seus traços característicos. Sua energia, aparentemente inesgotável, faz deles trabalhadores infatigáveis. Levantam-se cedo, deitam-se tarde da noite, planejam o seu trabalho e o de outros para o dia seguinte e queixam-se de insônia.

Retrato da Rainha Elizabeth I

Shelley tinha apenas 30 anos quando se afogou, mas o número de suas obras literárias era maior do que o de muitos escritores que passaram a vida entregues a essa mesma espécie de trabalho. O reinado da Rainha Elizabeth foi caracterizado pela atividade intelectual e pelos empreendimentos comerciais. A Humanidade deve muito a essas pessoas incansáveis e enérgicas; em certo sentido elas são o fermento que energiza o mundo.

CAPÍTULO VI – O CORPO PITUITÁRIO – TIPO DE PERSONALIDADE PITUITÁRIA

O Corpo Pituitário, ou Hipófise, é uma massa de tecido do tamanho aproximado de um grão de ervilha, quase exatamente situado no centro da cabeça, na base do cérebro, para trás da raiz do nariz. Pende, suspenso, da parte inferior do cérebro tal como uma cereja pende do galho da cerejeira. É de cor cinza-amarela, aumentando em tamanho até a idade dos trinta anos, pesando no adulto cerca de 5 gramas. Durante a gravidez a Glândula aumenta em tamanho. Ela situa-se numa depressão parecida com uma sela no osso esfenóide, chamada “sela túrcica”, envolvida por um tecido membranoso chamado “dura mater”. O Corpo Pituitário pode ser assinalado desde as mais primitivas formas de vida até o ser humano. Em seu desenvolvimento da água do mar, a Humanidadedade trouxe consigo essa Glândula e o sal do sangue até o estado atual.

O Corpo Pituitário é um veterano do sistema de Glândulas endócrinas. Seu nome deriva-se da palavra latina “Pituitária”. Foi-lhe dado esse nome porque se supunha que a Glândula segregava um fluido que lubrificava a garganta.

Cria-se que a secreção se filtrava através do poroso osso etmoide que se situa entre a Pituitária e a cavidade nasal.

Se a “sela túrcica”, ou berço dessa Glândula, é demasiadamente pequena, haverá um subdesenvolvimento do senso moral e intelectual. As pessoas afetadas dessa forma podem ser chamadas mentirosas patológicos. Tais infortunados não têm senso da verdade, portanto são absolutamente inconscientes de que dizem mentiras. Tal aflição é muitas vezes encontrada nos débeis mentais.

O Corpo Pituitário é composto de duas partes aparentemente independentes, distintas em sua origem, história, função e secreção. No estudo do embrião humano encontramos o início da manifestação Pituitária como uma saliência na cavidade bucal, na área dos sentidos do gosto e do olfato. Esse crescimento adquire a forma de uma bolsa que gradualmente se estende para o cérebro. No final da quarta semana essa bolsa contata um crescimento do cérebro chamado infundíbulo. Daí então essas duas partes desenvolvem-se, constituindo a Glândula Pituitária adulta. O crescimento da cavidade da boca forma o lóbulo anterior da Pituitária e a parte do “infundibulum” representa o crescimento da parte mais antiga do sistema nervoso involuntário, ou simpático, e desenvolve-se no lóbulo posterior, ou post-pituitário da Glândula. Há um espaço entre as paredes das partes anterior e posterior da Glândula o qual persiste durante toda a vida como uma fissura da Glândula.

Em certo estágio da vida do embrião, a Glândula Pineal projeta-se através do cérebro e o Corpo Pituitário forma uma abertura na boca, ligando-se, também, com ela a cavidade do canal espinhal. Por este meio, o Espírito, prestes a nascer no Mundo Físico, está ainda em íntimo contato com o mundo espiritual, enquanto está em construção a casa prisão de carne ao seu redor. Quando outras aberturas do corpo se fecham, notadamente o “foramen ovale”, a corrente sanguínea fetal é desviada do seu primitivo caminho livre, através das aurículas do coração, diretamente para os centros espirituais da cabeça já mencionados, e o sangue é forçado pelos ventrículos do coração para os pulmões onde entra em contato com o Éter no ar. Esse Éter contém um acurado e detalhado retrato de tudo que cerca o Ego, não somente das coisas materiais, mas de todas as condições existentes em cada momento dentro da aura do indivíduo. Todos esses quadros são injetados e, por isso, ocasionam uma obstrução dos centros espirituais, perda da visão espiritual e, daí, a consciência do Ego gradualmente vai-se enfocando no Mundo Físico.

No início do estudo sério da Glândula Pituitária, cria-se que ela era apenas uma Glândula que produzia somente um hormônio ou substância. Posteriormente verificou-se que ela tinha duas partes distintas e cada uma delas produzia hormônios diferentes, descobrindo-se ainda que aquilo que se considerava ser um hormônio consistia em dois ou mais hormônios diferentes. Atualmente, crê-se que a Pituitária produz nada menos do que oito hormônios diferentes.

O lóbulo anterior da Pituitária, chamado pré-Pituitária, é composto de uma coleção de sólidas colunas rodeadas por espaços sanguíneos, nos quais, indubitavelmente, a secreção celular é lançada diretamente. O lóbulo posterior consiste de células secretoras que produzem uma substância vítrea que se junta ao fluido espinhal que banha o sistema nervoso.

Há uma substância química na secreção da pré-Pituitária que estimula o crescimento dos tecidos, particularmente do ósseo e outros, e que influencia os órgãos sexuais e a atividade sexual. Um dos extratos da pré-Pituitária tem efeito definido sobre a massa vermelho-amarelada que preenche a bolsa de óvulos nos ovários, estimulando-lhes o crescimento excessivo. Um cientista que enxertou pequenos pedaços da pré-Pituitária em animais jovens e imaturos, despertava-lhes a puberdade, sexualidade e acasalamento e todos os instintos reprodutores.

À luz do exposto, torna-se evidente que a pré-Pituitária não é somente uma das principais controladoras do crescimento, mas também controladora do misterioso processo que, no desenvolvimento humano, é chamado puberdade.

Provou-se pela experimentação que o funcionamento normal da pré-Pituitária é necessário durante o período de crescimento e desenvolvimento e provavelmente durante o período de maturidade para que evoluam e funcionem apropriadamente as Glândulas Tiroide e Suprarrenais. Quando a pré-Pituitária é prejudicada em animais jovens e em desenvolvimento ocorre um retardamento do crescimento e da atividade da Tiroide e das Suprarrenais, bem como das Glândulas sexuais. Substituindo-se artificialmente a secreção interna da pré-Pituitária, ativam-se as Glândulas Tiroide, Suprarrenais e sexuais.

As secreções internas da Pituitária indubitavelmente têm efeito sobre a produção de energia, especialmente a energia do Sistema nervoso central, a matéria cinzenta do cérebro e a da medula espinhal. Uma hiperprodução de energia no corpo pode ser devido a uma quantidade excessiva de secreção interna da Pituitária circulando no sangue e nos tecidos.

Sumarizando: O lóbulo anterior, ou pré-Pituitária, que produz o crescimento do esqueleto e dos tecidos conjuntivos, causa o desenvolvimento normal dos órgãos criadores e da atividade sexual, estimulando o bem-estar e a ação da Tiroide e das Suprarrenais. A secreção do lóbulo anterior da Pituitária, chamada Prolactina, é essencial para a produção do leite nos animais fêmeas.

O lóbulo posterior do Corpo Pituitário segrega vários hormônios importantes, dois dos quais são de uso frequente. Um deles, chamado Pitucina, tem poderoso efeito estimulante sobre o útero grávido e é usado frequentemente no parto lento e ineficaz. O outro hormônio,chamado Pituitrina, controla a to-nicidade dos tecidos da musculatura lisa e involuntária dos vasos sangüíneos e dos órgãos contráteis do corpo, tais como os intestinos, a bexiga e o útero. Injetado, eleva lentamente a pressão sanguínea, mantendo-a elevada por certo tempo, aumenta o fluxo de urina dos rins e o leite dos seios. Produz intensa e contínua contração da bexiga e do útero. Parece controlar o conteúdo do sal do sangue, do qual dependem a condutividade elétrica desse último e outras propriedades. Normalmente, há certa proporção de sais no sangue, mantida inalterável como sucede na água do mar. Recentemente foi provado que a elevação da pressão sanguínea é devido a uma secreção interna da post-Pituitária e a propensão contrátil é devido a outro constituinte da secreção.

Entre a Pituitária anterior e a posterior há uma estrutura intermediária que segrega um hormônio chamado Intermedina. Essa secreção tem efeito definido no tratamento da diabetes insípida.

A importância vital da Pituitária é demonstrada pela posição extraordinariamente bem protegida da Glândula, sua persistência durante a vida e seu abundante suprimento de sangue. Nenhuma outra Glândula de secreção interna é capaz de substituí-la adequadamente. A ablação total da Glândula significa a morte em dois ou três dias, com uma peculiar letargia, insegurança no andar, perda de apetite, emaciação e queda da temperatura tão acentuada que o animal fica com o sangue frio, à mesma temperatura do ambiente em que se encontra. Se é retirada apenas parte do lóbulo anterior, ocorre uma acentuada degeneração do indivíduo. Obesidade, com tendência a inversão sexual, sonolência invencível, pele seca, queda de cabelo, mentalidade obtusa, por vezes manifestações epiléticas e notável desejo por doces.

A remoção de parte do lóbulo anterior de um cachorrinho dá origem a retardamento acentuado do crescimento (os cachorros anões são criados artificialmente). Os patologistas vêm demonstrando que em inúmeros anões humanos verdadeiros a Pituitária é rudimentar ou mal desenvolvida. Tudo isso evidencia que o esqueleto está diretamente subordinado à Pituitária.

Notam-se efeitos singulares relacionados com a Pituitária e fenômenos periódicos do organismo, tais como a hibernação, o sono e a insônia. Uma Pituitária ativa produz estado de alerta, enquanto a cansada ou esgotada produz sonolência e indolência geral. Na hibernação, ou sono de inverno, o animal passa a um estado cataléptico no qual passa a respirar mais profundamente, porém mais vagarosamente do que desperto, não mostrando indício algum de vida consciente. Nesse estado é baixa a pressão arterial e existe insensibilidade à dor e aos estímulos emocionais.

Preliminarmente a esse estado, há um armazenamento de amido no fígado e de gordura nos depósitos de amido do corpo.

Tudo isso acontece quando é removida parte do Corpo Pituitário, o que torna inevitável a comparação dos dois estados. A queda do metabolismo, comum às duas situações, pode ser sanada por meio da injeção de um extrato pituitário. A elevação da temperatura é imediata.

Nos animais que hibernam há mudanças em todas as secreções internas das Glândulas, mas a mudança é mais acentuada na Pituitária, cujas células amortecem como se, também, estivessem dormindo ou descansando. Quando despertam, no equinócio vernal (Primavera), as células da Glândula Pituitária voltam a ser normalmente ativas. Alguns cientistas admitem que a hibernação pode ser atribuída à inatividade periódica da Pituitária. Em certas partes da Rússia, onde há escassez de alimentação durante os meses do inverno, os camponeses passam semanas inteiras em sonolência profunda, levantando-se apenas uma vez por dia para fazer escassa refeição.

Atualmente há no mundo numerosas pessoas parcialmente hibernadoras. Muitas delas estão realmente num estado que poderíamos chamar de subpituitarismo, que traduz algo de anormal em suas Glândulas Pituitárias: são lentas, obtusas, sexualmente inativas e, por vezes, estéreis. As vezes são altas, mas muito mais , são anãs e parece serem sujeitas à epilepsia.

A hiperatividade do Corpo Pituitário manifesta-se em todos os graus, tendo o poder peculiar de agir como estimulante do crescimento dos ossos e dos tecidos conectivos, tais como os tendões e ligamentos.

Se o excesso de secreção da Pituitária começa antes da puberdade, ocasiona o aumento dos ossos, resultando o gigantismo. Gigantes normais, pessoas excepcionais em estatura e livres de qualquer deformidade física ou mental, são raras. Entretanto, há pessoas portadoras de hiperpré-pituitarismo que possuem os mais elevados poderes mentais, eis que em tais indivíduos há um aumento da atividade do lóbulo posterior associado com aumento e hiperfuncionamento do lóbulo anterior.O crescimento deles é menos marcante, são magros e têm acuidade mental. O gigante comum é o que tem a Pituitária em degeneração depois de demasiada ação do lóbulo anterior e pequena atividade do lóbulo posterior. Frequentemente é responsável por isso algum tumor ou outro processo doentio da Glândula.

Se a hiperatividade da Pituitária vem depois da puberdade, depois dos ossos terem atingido o máximo de tamanho, um crescimento anormal do rosto e de algumas partes do corpo ocorre, especialmente das mãos, dos pés e da cabeça. O nariz, as orelhas, a língua, os lábios e os olhos ficam maiores e mais grosseiros. Sendo tais pessoas grandes e pesadas, seu aspecto é agressivo, sobrancelhas caídas, queixo largo, volumosas, balofas, sofrendo, por vezes, lancinantes dores de cabeça, grande desalento e um sentimento de infelicidade que tira todo o prazer pela vida. Até certo ponto, são notavelmente alertas e muito capazes. Quando conscientes da enfermidade que sofrem, enfrentam-na com corajoso otimismo; entretanto, em relação a mulheres, tal aflição leva-as ocasionalmente ao suicídio. Nos semihibernados que lembram a atitude do gado ou no tipo gigante, que lembra o antropóide, dá-se uma acentuada diminuição da vida sexual.

A hipersecreção ou a subsecreção do lóbulo anterior pode interferir no próprio funcionamento do lóbulo posterior, cuja secreção é a tônica tanto para o cérebro como para as células sexuais. Nos casos em que a cavidade óssea é ou se torna demasiadamente pequena para conter a Pituitária anormalmente aumentada, além da obesidade, da pequena estatura etc., desenvolve -se uma notória inferioridade moral e intelectual. As pessoas sofrem de falta de controle próprio e manifestam desejos impulsores de agir de acordo com qualquer idéia que penetre em sua Mente, seja boa ou má. Têm pouco ou nenhuma iniciativa e são instintivamente imorais. Devem ser tratadas com cuidado.

As secreções da Pituitária agem sobre a estrutura dos ossos, dos ligamentos, dos músculos e dos tendões, difundindo-se diretamente no fluido que banha o sistema nervoso, estimulam beneficamente e ajudam o organismo a remover os resíduos daninhos. A secreção da Pituitária estimula as células cerebrais direta, natural e normalmente, de forma análoga ao estímulo artificial da cafeína ou da cocaína. A Pituitária colabora na conversão e consumo da energia, particularmente do sistema cerebral e sexual. Trabalha diretamente com as forças criadoras, tanto no cérebro como nos órgãos reprodutores, facilitando-lhes o surto da energia. É a Glândula do esforço continuado. A incapacidade de manter um esforço é sinal de que a Glândula está destruída ou há insuficiência de hormônio para desempenhar seu trabalho normal. O crescimento do corpo normal e acima ou abaixo do normal depende do funcionamento normal da Pituitária, relativamente ao cérebro e aos órgãos reprodutores.

A pré-Pituitária:

  1. estimula o crescimento do esqueleto e tecidos suportadores;
  2. influencia os órgãos reprodutores e sua atividade;
  3. estimula o crescimento excessivo dos óvulos nos ovários;
  4. promove a puberdade;
  5. retarda o crescimento na juventude, quando de algum modo afetada.

A post-Pituitária:

  1. Segrega a Pituitrina, que controla o tônus (vigor) da musculatura lisa da bexiga e do útero;
  2. eleva a pressão sanguínea;
  3. aumenta o fluxo da urina e do leite;
  4. tonifica as células cerebrais e sexuais;
  5. aumenta a contração cardíaca mas diminui a força da sístole.

TIPO DE PERSONALIDADE PITUITÁRIA

O Corpo Pituitário é uma Glândula feminino-masculina. O tipo feminino pituitário é dominado pelo lóbulo post-pituitário da Glândula, e o masculino pelo lóbulo anterior da Glândula em foco. O tipo pituitário feminino expressa emoções ternas e sentimentos refinados. A pele é suave, úmida, rosada ou cremosa, com ausência de pelos, enrubescendo facilmente. As sobrancelhas são altas, os olhos grandes e proeminentes. Essas pessoas são carinhosas com as crianças e de modo feminil. São de estatura mediana, bem formadas, mãos e pés de tamanho médio, voz bem modulada, amantes da boa poesia e da música, face sensitiva, demonstrando, ainda, grande interesse pelo bem-estar da humanidade. São femininas sugerindo, porém, influência varonil. Maria, mãe de Jesus, é um ótimo exemplo do tipo feminino pituitário bem equilibrado, bem como Florence Nightingale que, também, pertence a essa classe.

Florence Nightingale

Uma Glândula post-Pituitária superpredominante numa mulher determina uma pessoa que anela o excitamento, as mudanças contínuas e novos prazeres a cada instante. Essas mulheres são dementes pela excitação e descontroladas emocionalmente.

O tipo masculino pituitário tem um cérebro superlativo pelo seu tônus e atividade, um bom desenvolvimento mental e habilidade para dirigir. Geralmente é alto, com aproximadamente seis pés[16] de altura, tipo viril ideal, com um sistema ósseo forte e bem desenvolvido, músculos fortes, mãos e pés bem proporcionados. A cabeça é grande, a face aguda e bem delineada, as sobrancelhas espessas, os olhos proeminentes e separados, algo, um do outro, o nariz algo espesso e comprido, o queixo proeminente e firme bem como as maçãs. Tais pessoas têm grande poder cerebral, grande facilidade em aprender e autocontrole. São eles os senhores de seus instintos inferiores, regendo-os, bem como aos seus ambientes. A esse grupo pertencem os homens cerebrais, práticos e teóricas, os filósofos e criadores de novo pensamento. Homens como Lincoln, Júlio César e George Bernard Shaw pertencem a essa classe.

Abraham Lincoln

Imperador Júlio César

George Bernard Shaw

Quando ocorre a predominância da post-Pituitária no homem, produz-se um tipo curto, atarracado e forte, a cabeça aparecendo maior em proporção ao corpo, com uma distribuição escassa de pelos nas extremidades e no tronco, mas abundante no crânio e na face. Cedo, no adulto, uma bolsa abdominal. Exibem tendências femininas e com frequência demonstram interesse quase mórbido pela poesia e pela música. Na verdade, um grande número de poetas e musicistas classificam-se como tipos pituitários femininos. Frequentemente são excelentes caracteres, porém de um modo geral faltam-lhes firmeza e se deixam dominar pela esposa. São maridos que devem ser compreendidos e não intimidados.

Se o lóbulo pituitário anterior é dominante na mulher, produz-se um tipo masculino que obstaculiza a tendência feminina natural, inclinando-a ser de estatura alta, delgada e ossuda. Dá-lhe queixo proeminente, dentes largos, pele espessa, pelos no corpo e mãos e pés amplos. Contudo, isso lhes dá um intelecto brilhante, que, muitas vezes, causa perturbações nas Mentes de seus associados masculinos. Tais mulheres tornam-se tipo agressivo, substituindo o homem nos negócios do mundo. Elas necessitam compreensão e não a ridicularização e o sarcasmo que usualmente lhes são dirigidos.

Três vezes sejam abençoados os homens e mulheres que têm as Glândulas Pituitárias normais e equilibradas.

CAPÍTULO VII – A GLÂNDULA PINEAL – TIPO DE PERSONALIDADE PINEAL

A Glândula Pineal por sua natureza é a mais surpreendente. Como está implícito em seu nome, é um corpo cônico, em forma de pinha (Conarium Pinealis, cone de pinha). É de cor avermelhada, com mais ou menos 1,2 cm em de comprimento, isto é, pouco maior do que um grão de trigo. Está situada na parte inferior do terceiro ventrículo do cérebro. Pesa cerca de 0,13 gramas. Está oculta na base do cérebro (ao qual se acha ligada por uma haste oca Pineal) numa diminuta cavidade atrás e acima do Corpo Pituitário. Está composta, em parte, de células nervosas, que contêm um pigmento idêntico ao das células da retina que é uma expressão do nervo ótico, o que sustenta o argumento em favor da antiga função de ter sido um olho. A parte inferior da Glândula aponta para trás. A secreção da Glândula Pineal, chamada Pinealina, age como restritor em todas as Glândulas de secreção interna. Sua atividade moderadora sobre as outras Glândulas endócrinas, dá à criança, durante os dois primeiros anos de existência, condições para crescimento. Durante esse período a criança quadruplica seu peso de nascimento. A Pineal age como uma espécie de supervisora em relação a outras Glândulas.

Os anatomistas do século XIX, não acreditando em qualquer finalidade da Glândula Pineal admitiam que fosse vestígio de alguma estrutura outrora importante. Durante longos tempos, realmente, até há poucas décadas, não havendo nenhum conhecimento de nenhuma função, não se lhe admitia nenhum papel. Todos repeliam a ideia de que fosse uma Glândula endócrina. Observações posteriores relacionaram a Pineal à função muscular. Há uma doença deformadora dos músculos conhecida como “distrofia progressiva”, cuja causa vem sendo um mistério insolúvel para a classe médica. Mas estu-dos realizados por meio de Raios X, mostraram que, nessa doença, a Pineal se apresenta com calcificações, isto é, incrustada de sais de cálcio, o que significa que no caso da Glândula enfraquecer ou deixar de funcionar, os músculos não recebem a quantidade necessária de nutrição.

Mais tarde, descobriu-se que a Pineal regula a cor da pele, fazendo variar o grau de reação aos raios luminosos, isto é, controla a ação da luz sobre o pigmento da pele. É a luz interna que reflete a luz externa.

A Pineal também contribui para o desenvolvimento normal físico e mental das células cerebrais e das células dos órgãos de reprodução. o abundante suprimento de sangue que a Pineal recebe indica mais o índice de seu funcionamento ativo do que apenas a sua presença como vestígio de um órgão que durante a evolução perdeu seu uso original.

Resumindo, a secreção da Pineal:

  1. evita, na criança, o desenvolvimento sexual prematuro, promovendo uma puberdade normal;
  2. favorece a atividade da força criadora, que tende a desenvolver normalmente tanto o cérebro como os órgãos de reprodução;
  3. dá vigor e tonaliza os músculos;
  4. influi sobre o corpo variando o grau de reação aos raios de luz, isto é, controla a sensibilidade da cor à luz;
  5. influi no pigmento da pele provocando sua transparência devido à contração das células pigmentadas.

TIPO DE PERSONALIDADE PINEAL

Geralmente falando, a Glândula Pineal é masculina, mas algumas mulheres estão sob sua regência, como veremos quando fizermos o estudo das atividades espirituais desse órgão.

O tipo Pineal espiritual típico é alto, é bem modelado. Ombros largos, o corpo afinando gradualmente para os pés. A testa é alta e grande, as sobrancelhas são quase retas, mas bem conformadas. Os olhos, grandes, expressivos, bem abertos, são comumente azuis escuros, e, não obstante a cor, emitem um clarão de fogo divino. O nariz é quase o de perfil grego. Os lábios, meio carnudos, têm ligeira curvatura. o queixo é bem formado, bastante proeminente, mostra real força de caráter, o que harmoniza bem com outros aspectos. O pescoço é médio, sobre ombros fortes e bem modelados. O cabelo, em geral castanho claro, é abundante e possui brilho acentuado. Como um todo, o rosto é varonil com algo de encanto feminino.

O artista Rafael[17] foi um perfeito exemplo do tipo Pineal espiritualmente desenvolvido. Era tão grande sua beleza, diz-se, com um quase imperceptível traço feminino, que, ao passar pelas ruas, os que o viam paravam para admirá-lo. Em pessoa era tão bonito como um Anjo. Sua disposição era amável, bondosa, doce e gentil. Nos modos e na palestra era encantador. Foi célebre pela nobreza e generosidade de sua natureza.

O nome deste homem invulgar ainda permanece o maior na arte da pintura. No seu quadro “A Transfiguração”[18], os olhares discernidores descobrem o mistério da sua grandeza. Está aí, plenamente revelado, seu conhecimento e seu contato direto com os reinos sobrenaturais. Esse quadro maravilhoso, cuja beleza deve ser não só vista mas sentida, é para o pintor o “canto do cisne” de Rafael. Ele o pintou enquanto morria. Ao observarmos esse maravilhoso quadro, ficamos maravilhados e pensando que talvez ele tenha pintado aquele belo, feliz e compassivo rosto de Cristo exatamente da maneira como o estava vendo, no Éter, aguardando para levar ao paraíso o Espírito desse nobre homem que tanto fez pela glória do Cristianismo, quer pelas felizes e não ultrapassadas telas que pintou, quer pela vida nobre e altruísta que levou.

CAPÍTULO VIII – GLÂNDULAS ENDÓCRINAS – CORRESPONDÊNCIAS ESPIRITUAIS

Consideremos agora a conexão espiritual que as Glândulas endócrinas têm com o desenvolvimento das potencialidades latentes do Ego. Lembremos que as principais Glândulas endócrinas são sete, a saber: duas Suprarrenais, o Baço, o Timo, a Tiroide, a Pituitária e a Pineal. Max Heindel nos informa que essas Glândulas têm um interesse muito grande e particular para o estudante esotérico, uma vez que elas podem ser chamadas as Sete Rosas na Cruz do Corpo Vital, porque estão elas intimamente relacionadas com o desenvolvimento oculto da Humanidade.

Tudo o que vemos ao nosso redor, em nosso Sis­tema Solar, foi criado pelo Verbo, o qual é Som‑Música, a Voz de Deus. Foi essa Palavra primordial que levou ou falou à existência, na matéria mais sutil, todos os diferentes mundos com suas miríades de formas, as quais, desde então, vem sendo re­produzidas e trabalhadas detalhadamente por inu­meráveis Hierarquias Criadoras, principalmente por aquelas que mais se relacionam com nosso Sistema Solar – os Sete Espíritos Planetários ante o Trono, isto é, Urano (X), Saturno (W), Júpiter (V), Terra(@), Marte (U), Vênus (T) e Mercúrio (S).

A Palavra de Deus soa por intermédio dos Sete Espíritos Planetários, formando todos variadíssimos tipos que mais tarde se cristalizam nas inúmeras coisas que existem no Mundo Físico.

Assim, vemos que o Verbo manifesta‑se em sete grandes tons soados pelos Sete Espíritos Planetá­rios. Cada Planeta tem sua própria nota‑chave, emi­tindo um som que difere dos outros. Estes tons são construtores. Toda a música no mundo está basea­da nesses sete tons, emitidos pelos sete Espíritos Planetários e todas as formas são criadas por eles, as quais depois de criadas eles assistem o Ego inter­no em seu trabalho de desenvolvimento de suas po­tencialidades latentes que nesse princípio são aque­les poderes Divinos em embrião, assistência essa que se processa amplamente por intermédio das Glândulas de secreção interna.

Cada Glândula de secreção interna possui uma nota‑chave que está adormecida dentro de si mes­ma. Quando despertada, desenvolverá certas poten­cialidades do Ego. Cada uma dessas notas-chaves está tonalizada com um dos Espíritos Planetá­rios. O soar da nota‑chave de um determinado Es­pírito Planetário, gradualmente irá despertando a nota‑chave da Glândula correspondente. Quando a nota‑chave da Glândula é despertada, desenvolvem-­se no Ego energias especificas que o Espírito Pla­netário expressa. Essas energias são forças que o Ego deverá aprender a controlar e dirigir que, conforme sejam usadas, manifestam‑se como bem ou como mal. Lembremos que todo mal é um bem mal dirigido.

AS GLÂNDULAS E OS SEUS ASTROS REGENTES

PinealNetuno
PituitáriaUrano
TiroideMercúrio
TimoVênus
BaçoSol
SuprarrenaisJúpiter

AS SUPRARRENAIS E O MUNDO FÍSICO

As Glândulas Suprarrenais são regidas por Júpiter. A energia expressa por Júpiter manifesta-se principalmente como benevolência, visão, expansão, otimismo, filantropia, cortesia, generosidade, cordialidade, habilidade para compreender o funcionamento da lei cósmica, a ideação, ou seja, o poder de formar e relacionar ideias e o entendimento religioso.

Quando alguém se põe em contato com a nota-chave de Júpiter sente-se claro, pleno, inequívoco e expansivo. Parece que todo o seu poder envolvente toma conta do indivíduo, despertando-lhe um senso de confiança, segurança, a possibilidade e o desejo de sair ao mundo para transformar os abomináveis deslizes da semiadormecida Humanidade em criações de beleza e de valor intrínseco. Com sua visão iluminada observa com alegria as alturas a serem escaladas, os maiores poderes espirituais a serem desenvolvidos; reconhecendo em cada um de seus semelhantes outra parte de si mesmo, procurando e lutando para obter uma compreensão verdadeira do enigma da vida; inflama-se, desejoso de proporcionar urgentemente àquelas crianças desafortunadas, filhas do grande Pai, o serviço desinteressado e altruísta que lhes revelará, desde o mais elevado ao mais inferior, que o real propósito da vida em relação a cada indivíduo é o desenvolvimento de suas potencialidades latentes em poderes divinos dinâmicos.

Uma vez obtido esses poderes, torna-se possível para o indivíduo fazer mau uso deles, o que representa um dos maiores crimes que poderá ser cometido. O mau uso do poder espiritual é magia negra que poderá levar o indivíduo a tal ponto, que o elo (a Mente) que liga o Espírito com sua Personalidade, rompe-se. Daí, depois de algum tempo, o Espírito automaticamente gravitará em direção ao Planeta Saturno, onde deixará um registro de suas vidas passadas e, depois de dissolução de seus veículos, será propelido para o Caos, através de uma das luas de Saturno, onde aguardará a aurora de um novo dia de criação para recomeçar seu trabalho.

O mau uso dessas energias manifesta-se principalmente por meio da excessiva confiança, da extravagância, da autoindulgência, da prodigalidade, do exibicionismo, afetuosidade, dissipação, morosidade e libertinagem. Tudo isso submerge o Ego em profunda aflição, dores e sofrimentos, porém, no devido tempo, a lição do uso reto dos poderes espirituais será aprendida. Quando esta lição for dominada, por meio das dores e das lidas, o Ego na verdade estará apto para dar mais um passo no caminho da evolução. Correspondentemente às Suprarrenais, as Duas Rosas na Cruz do Corpo Vital desabrocharão.

A energia que as Suprarrenais subministravam para expressar-se em beligerância, agressão e luta, doravante manifestar-se-á nascida do poder espiritual puro e contrito   em benevolência, visão, expansão e filantropia.

O conhecimento que o bem de todos é o bem de cada um desenvolve-se na consciência do Ego, essa chispa individualizada de Deus. Será reconhecida a unidade que existe entre todos os seres criados e a união com o grande Criador do nosso Sistema Solar. Em conformidade com isso, a fraternidade entre os seres humanos será uma realidade.

Presentemente, o trabalho de Júpiter em relação a nossa Humanidade diz respeito ao plano físico. Por intermédio do poder espiritual gerado pelas Suprarrenais, o Ego aprovisiona-se com a força necessária para aperfeiçoar seu Corpo Denso e conquistar o Mundo Físico, completando assim sua evolução dentro da esfera mundana. O centro espiritual das Suprarrenais vibra em azul.

O BAÇO E A REGIÃO ETÉRICA

O Baço é a porta de entrada das forças solares, especializadas pelo indivíduo. Essas forças circulam pelo Corpo físico como um Fluido Vital Solar, sem o qual nenhum ser pode viver. O Baço é regido pelo Sol, que é a origem de toda vitalidade. As energias desse grande Astro manifestam-se como: vontade, vitalidade, individualidade, autoridade, coragem, generosidade, dignidade, lealdade, fidelidade, instinto paternal, liderança e responsabilidade.

Quando a grande nota-chave do Espírito Planetário do Sol, que contém em si todas as tonalidades astrais, põe em ação a nota-chave correspondente no Baço: a Terceira Rosa na Cruz do Corpo Vital floresce.

O desenvolvimento dessa Rosa eleva a tal ponto a consciência do indivíduo que o torna apto a entrar em contato com a Região Etérica, a qual é uma corrente de vida de fluxo vibrante. Aí, ele vê realmente a atividade que é levada a efeito por uma classe de entidades invisíveis que trabalham por meio dos Éteres Químico, de Vida, Luminoso e Refletor. Vê as forças vitais que dão vida às formas minerais, vegetais, animais e humanas, realmente fluindo em suas formas. Vê o trabalho das forças que produzem a assimilação no Corpo, o processo extrativo dos diferentes elementos nutritivos do alimento e sua incorporação nos Corpos da planta, dos animais e do ser humano. Observa também como essas forças expelem do Corpo as matérias incapazes de serem usadas. Aprende, assim, que esses processos independentes da vontade do ser humano, como muitos outros, são sábios e seletivos. Vê como as atividades das forças da natureza agem no Éter de Vida tornando possível aos pais trazerem crianças a este mundo. Entra em contato com a grande onda de vida dos Anjos e observa como eles trabalham com esta mesma força vital criadora o modo de colocarem o Átomo-semente do Corpo Denso dos Egos em vias de nascerem, em novos Corpos físicos, na força criadora dos respectivos pais. Aprende como as forças da natureza no Éter Luminoso produzem o calor do sangue e como dirigem os órgãos dos sentidos tornando se capazes da visão, da audição, do tato, do gosto e do olfato.

O desenvolvimento em questão habilita o indivíduo a entrar em contato com o Éter Refletor e assim ver as imagens nele contidas. Em contato com esse Éter descobre que é por meio da atividade de certa classe de espíritos da natureza que o Ego é capaz de fazer a impressão do pensamento sobre o cérebro humano. No exame desse Éter, entra ainda em contato com aqueles poderes sutis do Espírito conhecidos como Mentes consciente e subconsciente[19] e, com o tempo, aprenderá como fortificar a primeira e ler os registros contidos na segunda.

Enquanto explora a Região Etérica, o indivíduo entra em contato com os Egos que fazem a revisão do seu panorama do após morte aprendendo, de maneira definida, esse processo de revisão.

Os novos poderes desenvolvidos pelo indivíduo capacitam-no a ver os Gnomos que trabalham com o solo, as Fadas que trabalham com as flores; vê como essas pequenas criaturas extraem a substância corante do Éter Luminoso e a depositam nas várias flores um instante antes de que elas estejam prontas a desabrochar. Vê também os Silfos no ar e acompanham o processo que usam para fazer as brisas e as ventanias. Vê as Salamandras, que ateiam todos os fogos, e observa como produzem relâmpagos e como estes são lançados em ziguezagues flamejantes nos céus.

Resumindo: os poderes desenvolvidos por influência do Sol sobre o Baço abrem ao indivíduo toda a Região Etérica; permitem-lhe entrar em contato consciente com todos os habitantes desse plano e ver o trabalho que ali fazem, bem como o que eles estão fazendo na Terra.

Os indivíduos que desenvolvem esses poderes tanto podem usá-los para o bem como para o mal.   Alguns podem ficar de tal modo enamorado de si mesmo que se tornam arrogantes, ostentadores, altivos, soberbos, dominadores, verdadeiros déspotas. Se assim fizer, colherão o pior: tristezas, sofrimentos sem fim, até que humildes e arrependidos, se transformem em valiosos servidores, desejosos e prontos para utilizar seus conhecimentos no melhoramento do mundo.

O centro espiritual do Baço vibra em amarelo ouro.

A GLÂNDULA TIMO E O MUNDO DO DESEJO

Vênus controla a Glândula Timo. As emoções são desenvolvidas pelo raio amoroso de Vênus. A sede das emoções é o Corpo de Desejos e esse Corpo liga o indivíduo com o Mundo do Desejo. Quando a no­ta‑chave de Vênus põe em atividade a nota‑chave da Glândula Timo, o indivíduo desenvolve a mais alta forma de amor, habilidade artística, alegria, atração, cooperação e união.

O mau uso desses poderes exprime‑se como sen­sualidade, dissolução, vulgaridade, preguiça, sen­timentalismo, vaidade e inconstância.

Novamente avisamos que os poderes espiri­tuais, uma vez desenvolvidos, podem ser usados pa­ra o mal, e que o resultado disso é sempre infalível desastre. A tentação para usar os poderes espiri­tuais em benefício próprio é muito sutil e quase imperceptível.

A nota‑chave do Espírito Planetário de Vênus é suave e clara. Traz, ao que com ela se sintoniza, um sentimento de inexplicável felicidade, semelhan­te àquela experimentada em uma reunião familiar onde toda discórdia foi esquecida e somente prevalece a alegria da renovada companhia. Parece, em tal pes­soa, que os anos se afastam, sente‑se jovem, alegre e feliz.

A gradual vibração da nota-chave de Vênus, en­focada na nota‑chave da Glândula Timo, desperta os poderes dessa Glândula, fazendo florescer a Quarta Rosa na cruz do Corpo Vital. Tal vibração, rapidíssima, põe o indivíduo em contato com as mais elevadas regiões do Mundo do Desejo, onde a vida anímica se exprime na beleza das cores vivas, nas formas perfeitas, na harmonia do movimento, na primo­rosa harmonia do som; onde a luz anímica revela ao amor a sua oitava superior – o altruísmo, e onde o poder anímico se manifesta em atividades filan­trópicas.

Aí, o indivíduo também entra em contato com a onda de vida dos Arcanjos, que tem Cristo como o mais elevado iniciado. Aprende a conhecer as atividades deles, particularmente as relativas ao trabalho dos diferentes Espíritos‑Grupo e Espíritos de Raça que, embora invisíveis, são íntimos participan­tes das atividades do animal e do ser humano. Vê em ação as duas grandes forças de atração e de repul­são, o poder ativo do interesse e o efeito não vitali­zante da indiferença. Aí, aprende uma verdade de valor inapreciável: “nada sobreviverá, a não ser o bem”. Isso é, toda energia despendida em qualquer propósito que não seja o bem, não é só desperdiçada na própria ação, como também reage desastrosa­mente sobre que se atreve a utilizá‑la para o mal.

O centro espiritual na Glândula Timo vibra em amarelo.

A GLÂNDULA TIREOIDE E O MUNDO DO PENSAMENTO

A Glândula Tiroide é regida pelo Espírito Planetário de Mercúrio. Quando os poderes desse Grande Ser são despertados no ser humano, manifestam-se principalmente como razão, raciocínio, intelecto, meditação profunda, boa memória, aplicação ao estudo, inteligência rápida, eloquência, destreza, expressão própria, oral e escrita, riqueza de conhecimento por meio do raciocínio e domínio próprio. O mau uso desses poderes exprime-se principalmente em astúcia, falta de escrúpulo, falta de cuidado, de princípios, preconceito, fanfarronice, desonestidade, indecisão, nervosismo.

Quando a nota-chave de Mercúrio soa clara e forte no indivíduo, desperta anseio de saber a razão de tudo:   por que estamos aqui?   De onde viemos?  Para onde vamos?   Quem é Deus?   Quais são os segredos referentes às Suas poderosas Criações? A Tiroide é a Quinta Rosa na cruz do Corpo Vital. Ao ser despertada, o indivíduo entra em contato com o Mundo do Pensamento, em harmonia com a música das esferas. Vê, conscientemente, os arquétipos de tudo que existe no Mundo Físico, e aprende como a sua vida futura é traçada pelos Anjos Arquivistas[20]. Obtém informações definidas sobre os Senhores da Mente de cuja onda de vida o Pai é o mais alto iniciado. Aprende a natureza da ideia germinal que produz a forma dos reinos mineral, vegetal, animal e humano; descobre a ideia germinal da vida que se manifesta nas plantas, nos animais e no ser humano, e, outrossim, a ideia germinal que origina os desejos e emoções dos animais e do ser humano. Vê o modo como todas as ideias germinais se constituem em arquétipos ou modelos, na Região do Pensamento Concreto, de tudo quanto existe no Mundo Físico. Nada se manifesta no mundo antes da criação do seu arquétipo no Mundo do Pensamento pelo poder rítmico da música das esferas. Aprendendo o valor real do pensamento, recebe clara demonstração do seu poder para o bem ou para o mal. Verifica, enfim, como é necessário ao Espírito obter o controle da Mente para dirigir suas atividades de acordo com o plano divino que dirige a evolução.

Constata plenamente que a própria força criadora é um poder de Deus, nele implantado pelo divino Criador, e que toda parte dessa essência espiritual não usada na construção de corpos para Egos que estejam para renascer deverá ser dirigida conscientemente para o cérebro e aí consumida na formação de ideias germinais que, tornadas realidades concretas, são de eterno valor; seus amigos, seus semelhantes, as aproveitarão para transmutar seus próprios poderes divinos em energia espiritual dinâmica tão necessária à conquista do mal e à promoção do bem.

Nesse ponto o indivíduo adquiriu o controle de sua Mente e equilibrou seu poder nos órgãos de geração e no cérebro. O Espírito rege agora o eu inferior, estando apto a dirigir todas as atividades para empreendimentos produtores de verdadeiro crescimento espiritual.

O centro espiritual na Glândula Tiroide vibra em violeta.

O CORPO PITUITÁRIO E O MUNDO DO ESPÍRITO DE VIDA

O Corpo Pituitário está sob a regência de Urano. A nota-chave desse Grande Espírito Planetário expressa-se no plano físico como originalidade, universalidade, amor à liberdade, compaixão, engenho, independência, reforma, progresso, inventiva, decisão, clarividência, misticismo e altruísmo.

Todas essas expressões prostituem-se na excentricidade, na boêmia, fanatismo, licenciosidade, irresponsabilidade, inconstância, ação espasmódica, anarquia, perversão e impaciência. A celestial nota-chave de Urano, de maior elevação do que a de Vênus, desperta a Sexta Rosa na cruz do Corpo Vital, abrindo suas pétalas douradas. A elevada vibração dessa Glândula exalta a consciência do indivíduo até o elevado Reino do Espírito de Vida onde todos os filhos de Deus algum dia formarão unidade com Ele e vê essas Forças de Vida de Deus penetrando toda a criação e unindo cada um com todos. Essa é a Região do puro altruísmo.

Nesse elevado Reino encontra-se um registro de tudo o que aconteceu desde a aurora da criação e a esse grande armazém de conhecimento o indivíduo está apto a ter acesso. Dele o indivíduo poderá obter informações definidas sobre a evolução do nosso próprio mundo e, também, de todos os outros Planetas do nosso sistema solar. Também entra em contato consciente com sua Mente Supraconsciente a qual lhe revelará a história de todas as suas vidas passadas, desde o tempo que foi concebido no grande Corpo do Deus Pai Mãe, até o dia presente.

Nesse Reino o indivíduo se relaciona com os grandes Senhores da Forma que têm sob especiais cuidados a evolução durante nosso Período Terrestre e deles aprendemos o verdadeiro significado da dinâmica energia espiritual e como usá-la para criar formas.

O Corpo Pituitário é um dos elos da cadeia espiritual que conecta o ser humano com o Grande Espírito de Cristo que comumente funciona em seu veículo Espírito de Vida. Todos os órgãos e elementos que são usados pelo Espírito de Vida para sua manifestação neste plano físico, como o coração, o Corpo Pituitário, o Éter Luminoso e o próprio Planeta Urano, bem como a Alma Intelectual, são utilizados pelo indivíduo em seu esforço para desenvolver o Cristo Interno que é o seu verdadeiro Espírito de Vida. O Corpo Pituitário é o primeiro assento do Espírito de Vida e o coração, o segundo. Esses apoios constituem o meio pelos quais o homem trabalha no desenvolvimento das potencialidades latentes de seu próprio Espírito de Vida, o qual é o polo feminino de seu ser, a energia de seu Espírito que é imaginativa, nutritiva e a sua energia mãe protetora. A cor do Espírito de Vida é amarela, que, também, é a de Urano. A cor do Éter Luminoso é amarela, que é também de um amarelo brilhante quando a Glândula Pituitária desperta.

O Corpo Pituitário está intimamente relacionado com o principal caminho que conduz à Iniciação.

Assim está perfeitamente claro que o despertar do Corpo Pituitário é um dos mais importantes processos que há de levar a cabo para desenvolver os poderes femininos Amor-Sabedoria do Espírito.

A GLÂNDULA PINEAL E O MUNDO DO ESPÍRITO DIVINO

A Glândula Pineal é regida por Netuno, o portador do Sol espiritual que é o Pai. A natureza desse Planeta é oculta, profética e espiritual. A intelectualidade regida por Mercúrio sobrepõe o ser humano à condição animal e fez dele o ser humano. Mas a espiritualidade regida por Netuno o elevará do estado humano ao divino.

Em sua manifestação no plano físico, Netuno se revela como sabedoria e governa os contatos com entidades suprafísicas de todos os graus, a espiritualidade, a inspiração, a clarividência, a profecia, a devoção, a habilidade de sintonia com a música das esferas, a ideação, a vontade, o ocultismo em geral, a filosofia, a divindade; enfim, ele pode ser considerado como o iniciador.

Mas, se a sua expressão normal é prostituída, passará a manifestar-se como condição mental caótica, ilusão, morbidez, incoerência, insegurança, vazio, obsessão, intriga, magia negra etc.

Quando a nota-chave do Planeta Netuno é sentida pelo indivíduo, sua indescritível formosura e poder despertam-lhe uma verdadeira sabedoria em relação a Deus e Seu propósito. Ele vê seu divino poder em ação.

A Glândula Pineal é a Sétima Rosa sobre a cruz do Corpo Vital. Quando sua nota-chave se desperta pela vibração do Espírito de Netuno, a consciência do indivíduo se eleva ao Mundo do Espírito Divino, onde entra em contato com os Grandes Seres conhecidos como os Senhores da Individualidade, que nos assistiram em nosso trabalho involuntário durante o Período Lunar e que agora estão operando com o Espírito de Vida do ser humano. Pelo Mundo do Espírito Divino o ser humano se relaciona com outros Sistemas Solares e alguma coisa aprende a respeito de outros Deuses, dos mundos e seres que têm sido criados por Eles.

O Mundo do Espírito Divino é a região da pura Vontade. Ali a energia positiva de Deus se expressa como motivo poder que mantém toda a criação em ação.

O caminho oculto do desenvolvimento está intimamente ligado com a atividade intelectual desenvolvida pela Lua e por Mercúrio, a Glândula Pineal e Netuno. O raio de Netuno leva aquilo que os ocultistas conhecem como o Fogo do Pai, a luz e a vida do Espírito Divino, que expressa a si mesmo como Vontade. A cor do Fogo do Pai é azul; a Luz de Netuno é azul, o Éter Refletor relacionado com o Pai é azul translúcido. Quando a Glândula Pineal entra em ação, sua cor vibra num azul deslumbrante.

O despertar dessa Glândula é da maior importância para o desenvolvimento positivo do poder masculino do Espírito.

O despertar das notas chaves das Glândulas de secreção interna está intimamente associado com a Iniciação e é um dos valiosos auxílios para o Espírito em sua preparação para receber o trabalho iniciativo.

Três grandes lições foram dadas ao ser humano para ajudá-lo em sua evolução. A primeira foi-lhe dada na forma de imagens e quadros que representavam a natureza dos poderes físicos a serem desenvolvidos pela Humanidade, a fim de conquistar o mundo material. A segunda foi dada por Jeová Deus ao povo por intermédio de Moisés que a corporificou em leis na forma dos Dez Mandamentos que operavam diretamente sobre o Corpo de Desejos, a fim de ajudar o ser humano a obter controle sobre ele. A terceira lição é a Iniciação que nos veio por intermédio do Espírito de Cristo, o Senhor do Amor. O trabalho que conduz à Iniciação é feito sobre o Corpo Vital que é o veículo do amor. As Glândulas de secreção interna pertencem ao Corpo Vital e suas atividades espirituais são uma poderosíssima ajuda para o indivíduo na sua preparação para alcançar os vários graus de iniciação.

Para o progresso espiritual, torna-se imperativo que o indivíduo obtenha controle sobre a Mente, o que somente poderá ser conseguido por meio da eterna vigilância. Sabemos que na maioria das pessoas a Mente e o Corpo de Desejos estão intimamente relacionados. Porém, a Mente deveria estar sob controle do Espírito e assisti-lo no domínio dos desejos; então tornar-se-ia uma poderosa força para o bem. A concentração persistente é o poder que o indivíduo deverá usar para controlar a Mente. Quando concentrado, o Espírito tem seu poder de vontade focalizado na Mente, dirigindo-a para um certo ideal. Quanto mais o Espírito possa manter a Mente centralizada, mais controle o indivíduo mantém sobre ela e, consequentemente, mais prontamente ela seguirá seus ditames.

Quando a Mente não está ocupada no trabalho cotidiano, deve ser constantemente vigiada e dirigida para coisas que tenham valor espiritual, tal como a análise do que constitui a beleza, o que realmente é a caridade, o que é a bondade, a gentileza, a justiça e a verdade. Porém, o Espírito não poderá controlar a Mente simplesmente por meio de um pequeno esforço; trata-se de uma batalha generalizada com o Corpo de Desejos, a fim de conquistá-lo. Porém, o Espírito é o mais forte e o mais sábio dos dois, e, assim sendo, ele pode vencer.

A Mente é o elo entre o Espírito e seus veículos e por meio dela ele obtém o alimento espiritual necessário para desenvolver suas potencialidades latentes. Por isso, enquanto o Espírito não obtiver controle sobre a Mente, não poderá haver verdadeiro progresso espiritual.

No futuro, as Glândulas de secreção interna estão destinadas a desempenhar um importante papel, pois seu desenvolvimento acelerará grandemente a evolução, porque, embora seus efeitos sejam muito importantes fisicamente, serão da mais alta importância mental e fisicamente.

FIM


[1] N.T.: A cadeia de causas e efeitos não é uma repetição monótona. Há sempre um influxo contínuo de causas novas e originais. Esta é a espinha dorsal da evolução – a única realidade que lhe dá sentido e a converte em algo mais que a simples expansão de qualidades latentes. É a “Epigênese” – o livre arbítrio, a liberdade para inaugurar algo inteiramente novo e não uma simples escolha entre dois cursos de ação. Esse importante fator é o único que pode explicar de modo satisfatório o sistema a que pertencemos. A Involução e Evolução por si mesmas são insuficientes, mas juntas com a Epigênese formam uma perfeita tríade de esclarecimento.

[2] N.T.: ou Epífise neural ou simplesmente Pineal é uma pequena Glândula endócrina localizada perto do centro do cérebro, entre os dois hemisférios.

[3] N.T.: Glândula Pituitária ou Hipófise: pequena Glândula com cerca de 1 cm de diâmetro. Aloja-se na sela túrcica ou fossa hipofisária do osso esfenoide na base do cérebro. Está localizada abaixo do hipotálamo.

[4] N.T.: Atualmente, além da corticoesterona, estão identificados outros hormônios do córtex. De modo geral, eis os principais: a deshidro corticosterona, a hidrocortisona, a cortisona, a desoxicorticosterona e a aldosterona.

[5] N.T.: raças de cães: Mastim – cão grande – fisicamente pode chegar aos 70 kg e medir até 77 cm na cernelha; sua cabeça é a maior entre todas as raças caninas. Sua Personalidade é descrita como leal, apesar de sua face carrancuda; paciente e dócil. Buldogue – cão médio para grande – narinas grandes, amplas e pretas, vermelha ou marrom. O focinho é curto e largo, curvando-se para cima e muito profundo do canto do olho ao canto da boca. O pelo é de textura fina. Sua Personalidade é descrita como brincalhona e afetuosa, apesar da face brava. Tendência a ser preguiçoso. É teimoso e possessivo. São excelentes animais para famílias com crianças, pois são sociáveis e sem traços de agressividade. Fox-terrier – cão médio-pequeno – forte, inteligente, teimoso, persistente, destemido, ativo, afetuoso e, acima de tudo, muito amigo e protetor de seu dono. Dachshund – cão pequeno – “salsicha” – cães leais, protetores, ciumentos, valentes, brincalhões, conhecidos pela sua propensão em caçar pequenos animais e pássaros.

[6] N.T.: Warren Gamaliel Harding (1865-1923) foi o 29º Presidente dos Estados Unidos entre 1921 e 1923.

[7] N.T.: Carrie Amelia Moore Nação (primeiro nome também escrito Carry, nascida Carrie Amelia Moore; 1846-1911) era uma mulher americana; membro do movimento radical de temperança, que se opôs ao álcool antes do advento de Proibição. Ela é particularmente notável por atacar estabelecimentos que serviam álcool com uma machadinha.

[8] N.T.: também grafado como Tiroide.

[9] N.T.: Harold V. Gaskill

[10] N.T.: Lampreia é o nome comum dado a diversas espécies de peixes ciclóstomos de água doce ou anádromos, com forma de enguias, mas sem maxilas, pertencentes à família Petromyzontidae.

[11] N.T.: Henry Stanley Plummer (1874-1963), endocrinologista Americano.

[12] N.T.: que sofre de mixedema, que é uma infiltração cutânea causadora de edema firme e elástico nos tecidos, especialmente do rosto e dos membros, acarretada por diminuição da atividade da tireoide (hipotireoidismo).

[13] N.T.: é uma alteração no limiar de funcionamento cerebral, ou seja, o cérebro fica excitado além de seu normal, isso ocorre por exemplo nas convulsões, o cérebro fica tão excitado que entra em choque.

[14] N.T.: químico biólogo americano

[15] N.T.: Percy Bysshe Shelley (1792-822) foi um dos mais importantes poetas românticos ingleses.

[16] N.T.: em torno de 1,83 metros

[17] N.T.: Rafael Sanzio (em italiano: Raffaello Sanzio (1483-1520), frequentemente referido apenas como Rafael, foi um mestre da pintura e da arquitetura da escola de Florença durante o Renascimento italiano, celebrado pela perfeição e suavidade de suas obras. Também é conhecido por Raffaello Sanzio, Raffaello Santi, Raffaello de Urbino ou Rafael Sanzio de Urbino. Junto com Michelangelo e Leonardo Da Vinci forma a tríade de grandes mestres do Alto Renascimento.

[18] N.T.: A Transfiguração é uma pintura, considerada a última e uma das mais importantes obras de Rafael Sanzio (1483-1520), baseada na Transfiguração de Jesus, descrita no Novo Testamento da Bíblia, no Evangelho Segundo São Mateus, capítulo 17, versículos 1 a 13.

[19] N.T: A memória consciente, voluntária, ou Mente consciente. É a nossa memória comum e acessível a todos. Imperfeita e fugitiva, ela se forma a partir das percepções dos nossos cinco sentidos. A memória subconsciente, involuntária, ou Mente subconsciente. Ela é impressa sobre o nosso Corpo Vital. O Éter contido no ar que nós respiramos registra a cada instante de tudo que nos acontece e tudo que nós desejamos, sentimos e pensamos. Essas imagens passam pelo sangue, por intermédio dos pulmões e são impressas no Éter Refletor do Corpo Vital. Todas as nossas ações, nossos desejos, emoções, sentimentos e pensamentos são, assim, fielmente conservados. Após a morte, eles determinarão nossas condições de existência no Purgatório e no Primeiro Céu.

[20] N.T.: Ou Anjos do Destino, Senhores do Destino, Anjos Relatores.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Astrologia e as Glândulas Endócrinas – Augusta Foss Heindel – Fraternidade Rosacruz

O trabalho apresentado a seguir é um registro espiritual das funções do Corpo Pituitário e da Glândula Pineal, bem como as suas relações com a Astrologia Rosacruz, demonstradas com exemplos de Configurações e posicionamento dos Astros.

As pesquisas levadas a efeito por Augusta Foss Heindel são uma contribuição decisiva à matéria endocrinológica e deveria ser reservada para uso de todos os Estudantes de medicina e das ciência ocultas.

Há 4 meios de você acessar esse Livro:

1. Em formato PDF (para download):

A Astrologia e as Glândulas EndócrinasAugusta Foss Heindel – Fraternidade Rosacruz

2. Em forma audiobook ou audiolivro:

Audiobook – A Astrologia e as Glândulas Endócrinas – Augusta Foss Heindel – Fraternidade Rosacruz

3. Em forma de videobook ou videolivro no nosso canal do Youtube, que é esse: https://www.youtube.com/@fraternidaderosacruzcampinasbr/videos

onde você encontra o videobook ou videolivro desse livro aqui: (https://www.youtube.com/playlist?list=PLEXN-V28CRa2m6R5_R7LPkcMSKMi9yerG)

4. Para estudar no próprio site (ou para fazer download ou imprimir):

A Astrologia e as Glândulas Endócrinas

Por

Augusta Foss Heindel

Fraternidade Rosacruz

Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP

Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82

Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil

Traduzido e Revisado de acordo com:

10ª Edição em Inglês, 1973, Astrology and the Ductless Glands, editada por The Rosicrucian Fellowship

1ª Edição em Português, 1973, editada pela Fraternidade Rosacruz São Paulo – SP – Brasil

Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP

www.fraternidaderosacruz.com

contato@fraternidaderosacruz.com

fraternidade@fraternidaderosacruz.com

ÍNDICE

INTRODUÇÃO.. 5

CAPÍTULO I – ÉPOCA POLAR.. 11

CAPÍTULO II – DO JARDIM DO ÉDEN.. 16

CAPÍTULO III – DUAS GLÂNDULAS ENDÓCRINAS. 19

O CORPO PITUITÁRIO.. 19

A GLÂNDULA PINEAL.. 21

CAPÍTULO IV – O GÁS ESPINHAL.. 23

OBSERVACÃO ESPIRITUAL.. 25

OBSERVACÕES ASTROLÓGICAS. 26

REJUVENESCIMENTO.. 28

INTRODUÇÃO

A Astrologia era uma das sete ciências sagradas cultivadas pelos Iniciados do Mundo antigo. Era estu­dada e praticada por todas as grandes nações da antiguidade. As origens da pesquisa astrológica são inteiramente obscurecidas pela noite do tempo que precedeu a alvorada da história. Segundo as tradi­ções, a ciência astrológica foi aperfeiçoada pelos filósofos magos da Época Atlante. Uma coisa é evidente: A Astrologia provém daqueles remotos dias, adornada com as descobertas e os embelezamentos de milhares de culturas. A história da Astrologia é na verdade a história do pensamento e das aspirações humanas. As leituras dos Astros, como apresentadas nos tabletes cuneiformes[1] de Sargon[2], são ainda usadas pe­los astrólogos desta geração. Somente modificações tem sido feitas, na medida em que os fundamentos culturais se impõem.

Duas escolas distintas de Astrologia têm sido reconhecidas desde o começo do período histórico. Com o declínio dos últimos atlantes e o surgimento do primitivo sacerdócio ariano e a profanação dos mistérios que agora são chamados de ciências, as quais foram separadas de suas antepassadas tradições religiosas, a Astrologia e a medicina foram as primeiras a proclamarem-se instituições independentes. Os sacerdotes do Estado Religioso não mais exerceram o monopólio sobre as artes proféticas e médicas. Começando com Hipócrates[3], novas categorias de adivinhos e curadores surgiram inteiramente ignorantes da fundamental unidade entre as ciências físicas e espiritual.

A divisão do aprendizado da essência do conhecimento em fragmentos competitivos (ou, pelo menos, não cooperativos), acabou por destruir a síntese. Frustrada pela divisão e discórdia, a total estrutura da educação rompeu-se em inumeráveis partes discordantes. A ciência médica dividida, de sua fonte espiritual deteriorou-se na Idade Média em Charlatanismo. A situação era tão penalizante, que levou o nobre médico Paracelso[4] a dizer: “Feliz do homem que não venha a perecer pela mão de seu médico”. A Astrologia vinha sendo igualmente corrompida pela comercialização de horóscopos. Separada de seu divino propósito ficou sujeita à ação de um trabalho indiferente e insubstancial de emitir predições terríveis ou compondo emplastros planetários para coceiras.

Entretanto, um pequeno grupo de homens e mulheres cultos e iluminados, preservou os segredos dos esotéricos da medicina e da Astrologia, em meio àqueles séculos de superstições e ambiguidades, que ora chamamos de Idade Média. Os Rosacruzes se incluíam entre esses grupos de seres humanos de elevada estatura mental. Eles honraram Paracelso como um chefe, um seu mentor. Graças a ele e à Rosacruz os segredos espirituais da natureza foram restaurados, vindo a ocupar o lugar primordial do conhecimento. O conhecimento foi interpretado misticamente. As ciências profanas refletiram meramente como formas exteriores dos mistérios internos. Mas os segredos da interpretação mística eram ocultados do vulgo e dados somente àqueles que anelavam por coisas do Espírito. A “Divindade Mística” de Dionísio – o Aeropagita[5] – tornou-se o livro-texto de um sempre crescente número de homens e mulheres devotos e amantes de Deus, que viam em todas as formas e instituições externas, as sombras e as semelhanças da verdade interior.

O Mundo moderno, que tanto se sacrificou pelo direito de pensar, em seu próprio conceito cresceu em sabedoria. Educadores ignoravam aqueles valores espirituais que constituem os ingredientes inestimáveis da composição química que chamamos civilização. A ciência material tornou-se uma instituição orgulhosa, um agrupamento de pedagogos e demagogos. Não deixaram lugar para o misticismo, nos cânones de seus super-escolásticos. Hipnotizados pela estranha fascinação que a matéria exercia sobre os materialistas, os sábios modernos ignoram a alma, aquela realidade invisível na qual se apoiam as ilusões de todo o Mundo.

Foi Lord Bacon[6] quem disse: “Um pouco de conhecimento inclina as Mentes dos homens para o ateísmo, porém a grandeza de conhecimentos devolve-os a Deus”. Essa maravilhosa frase expressa a cadência da idade moderna: Um Mundo desiludido, abatido pela insignificância das coisas materiais, que está clamando por aquelas verdades místicas que, por si só, explicam e satisfazem. A volta ao misticismo traz consigo um interesse renovado pela Astrologia e Cura.

O misticismo traz um novo padrão interpretativo. Mas, para corresponder à exata exigência de interpretação mística, todos os ramos de aprendizado devem ser purificados e restabelecidos. Para o místico, a Astrologia não é, meramente, predição ou fonte de conselhos, é a chave para atingir filosoficamente as verdades espirituais para ser estudada pelo que ela é em si.

Embora a ciência tenha classificado, catalogado e denominado todas as partes e funções do corpo, não pode descrever nem explicar o que o ser humano realmente é, de onde veio, porque está aqui, ou para onde irá. Em face da ignorância concernente a estes assuntos vitais, é difícil apreciar um conhecimento elaborado em matérias secundárias.

Os Iniciados da antiguidade estavam primeiramente interessados com o aspecto universal ou cósmico do ser humano, mesmo porque para alguém viver bem, deve orientar-se, deve conhecer, pelo menos em parte, o plano de viver. Com este conhecimento pode, então, cooperar com “o plano”. A vida filosófica recomendada por Pitágoras[7] consistia meramente em conhecer a verdade e vivê-la.

Os cientistas procuraram as causas daquelas energias que motivam e sustentam o Mundo; decidiram, por meio de um processo de eliminação, que essas causas devem estar numa estrutura subjetiva do universo, a esfera invisível de vibrações. Assim, a moderna tendência para atribuir à vibração, tudo aquilo que não pode ser explicado de outro modo. No momento em que reconhecemos estar o universo mantido por uma energia invisível que se manifesta através da lei de vibração, a física passa a tornar-se suprafísica; a fisiologia se torna psicologia; e a astronomia se torna Astrologia. A Astrologia nada mais é que o estudo dos corpos celestes, em termos de energias que deles irradiam e não apenas uma mera apreciação de suas aparências e estruturas.

Os primitivos Rosacruzes se apegavam à teoria geralmente rejeitada pelos homens de ciência e agora conhecida como teoria microcósmica. Paracelso foi o mais destacado expoente deste conceito de ordem e relação universal. Ele disse: “Assim como existem estrelas nos céus, assim também há estrelas dentro do ser humano. Portanto, nada existe no universo que não tenha seu equivalente no microcosmo (o corpo humano)”. Em outra ocasião ele disse: “O Espírito do homem deriva das constelações (estrelas fixas); sua alma, dos planetas; e seu corpo, dos elementos”.

É completamente impossível, mesmo para o mais altamente treinado cientista, examinar e apreciar devidamente os valores da infinita difusão do cosmos, com suas ilhas, galáxias e incompreensíveis aspectos do espaço incomensurável, embora a total aparência dos Mundos é evidentemente dominada por leis todo-suficientes. O ser humano mesmo é menos difuso, ainda que, de outra maneira, não menos difícil de analisar. As células do corpo humano são incontáveis como as estrelas do céu. Inumeráveis categorias de coisas vivas, espécies, tipos gêneros, estão se desenvolvendo na carne, músculos, ossos e tendões da constituição corpórea humana. A dignidade do microcosmos dá ao cientista alguma ideia da sublimidade do macrocosmo. Pelo uso da Astrologia é possível descobrir a inter-relação das forças celestiais entre o macrocosmo e o microcosmo. Os centros do corpo físico, por onde penetram as energias siderais foram descobertos e classificados pelos antigos gregos, egípcios, hindus e chineses. Existe uma grande oportunidade no trabalho de examinar não somente o corpo físico, como também as auras que se estendem do corpo, formando um esplêndido traje de luz cósmica.

Os últimos anos testemunham um excepcional progresso no ramo da ciência médica chamada endocrinologia, ou seja, o estudo da estrutura e funções das Glândulas de secreção interna, com a pesquisa de métodos terapêuticos para tratamento de suas anomalias. Estas Glândulas são agora aceitas como reguladoras de função física; governadoras e diretoras da estrutura corporal, profundamente significante, não somente em suas reações físicas, mas também sobre a mentalidade, emoções, reflexos sensoriais, e ainda sobre a chamada função espiritual ou metafísica. Quase todos endocrinologistas admitem que a Glândula Pineal[8] é a mais difícil de ser tratada e de ser entendida. Ela pode ser geralmente atingida, agora, somente através do tratamento de outras Glândulas sobre as quais ela atua com capacidade de um “generalíssimo”. As funções físicas das Glândulas já estão razoavelmente bem classificadas. Todavia, as presentes opiniões ainda serão revistas e ampliadas. Os profissionais de saúde estão propensos a admitir que as funções das Glândulas não terminam meramente com seus efeitos sobre o corpo. Doutra parte, os cientistas ainda não estão preparados para fazer qualquer pronunciamento, além do campo da reação material[9].

No entanto, é assaz significativo afirmar que, através da combinação da clarividência e da Astrologia é possível examinar as Glândulas endócrinas e descobrir os elementos metafísicos de seus funcionamentos. O moderno Clarividente usa para seu trabalho o mesmo método que usavam os sacerdotes Iniciados do Mundo antigo, e como os velhos adeptos ele dá sua contribuição para a soma de conhecimentos que somente agora estão sendo considerados pelo cientista-materialista, depois de séculos de experiências.

O trabalho apresentado a seguir é um registro espiritual das funções do Corpo Pituitário e da Glândula Pineal. Sinto que as pesquisas levadas a efeito pela Sra. Max Heindel são uma contribuição decisiva à matéria endocrinológica e deveria ser reservada para uso de todos os estudantes de medicina e ciência ocultas.

Manly P. Hall

CAPÍTULO I – ÉPOCA POLAR

Então Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus e criou-o varão e fêmea.”  (Gn 1:27)

No estudo da origem do ser humano e seu estado pré-histórico, tropeçamos constantemente em mistérios inexplicáveis, especialmente quando lemos com pontos de vistas materialistas o Antigo Testamento, que é a maravilhosa história do ser humano. Desse modo nos vemos obrigados a escalar, pelas mais formidáveis rochas da dúvida. Mas quando lemos as entrelinhas ou vemos o passado com a Mente aberta, então o Livro do Gênesis se torna uma mina cheia de gemas das mais raras espécies.

No Livro “Conceito Rosacruz do Cosmos” aprendemos que o Mundo está dividido em sete diferentes estados de consciência. Começando com o mais denso, temos a matéria física com a qual está formado o corpo físico do ser humano. Embora não seja visível aos sentidos físicos. Sabemos e temos provas positivas de que existe alguma coisa mais, dentro e ao redor de nós, de natureza sutil, mais delicada do que nosso corpo físico, porque o interpenetra.  É certo que não podemos vê-la, nem sentí-la. Todavia a eletricidade é uma força que o ser humano sente, mas não vê, sabemos que a atmosfera existe, mas não podemos vê-la. Do mesmo modo podemos sentir e saber, que esta sutil vida rarefeita existe. Vemos a tempestade e sentimos a força dela; vemos as gotas de chuva descendo sobre a Terra e, pela ciência, aprendemos que essa chuva é atraída para cima, por evaporação, causando a umidade nas nuvens. Sabemos que o vento sopra e sentimos a refrescante influência dele. A ciência tem uma explicação para todas essas mudanças e explica tais fenômenos atmosféricos, de acordo com suas investigações materialistas.

O ocultista explica estes fenômenos, segundo um ponto de vista superior ou espiritual, dizendo aos cientistas que as grandes regiões invisíveis de onde os ventos provêm, são povoadas por inteligências superiores e que os elementos são controlados por grandes Espíritos. Que eles tem seres que executam suas ordens, por exemplo: o Espírito da água tem seus trabalhadores, as Ondinas. O Espírito controlador do vento trabalha através dos Silfos[10]. E assim temos os elementos que o ser humano deve reconhecer, como existentes, todos com seus invisíveis lideres e seus trabalhadores que existem no grande Universo de Deus, tal como o pobre materialista, que nega tudo o que não pode ver, com os olhos físicos, e, quando se pede uma explicação desses grandes mistérios, nada poderá dizer.

Como dissemos, O “Conceito Rosacruz do Cosmos” reconhece sete diferentes Mundos. Como podem ser chamados? Não importa, porque nós podemos somente reconhecer como matéria aquilo que o ser humano comum pode ver com sua vista física. Contudo, existem seis estados superiores de consciência. Os quais, designemos pelos nomes que foram dados a Max Heindel pelos grandes seres, que viram nele a pessoa adequada para confiarem esse conhecimento:

  1. O Mundo Físico;
  2. O Mundo do Desejo;
  3. O Mundo do Pensamento;
  4. O Mundo do Espírito de Vida;
  5. O Mundo do Espírito Divino;
  6. O Mundo dos Espíritos Virginais; e
  7. O Mundo de Deus.

São apenas nomes. Não explicam as condições destes diferentes estados. Para ajudar, tomemos a ilustração da chaleira com água. Sabemos que o ar filtra-se através dessa água. Se colocarmos a chaleira com água em cima de um bloco de gelo, a água irá se esfriando até congelar-se. Tomemos depois a chaleira e coloquemo-la num fogão a esquentar. Em pouco tempo o gelo se liquefaz e a água se evapora na atmosfera, perdendo-se de nossa vista. Para onde foi? Algum lugar onde os olhos incrédulos do materialista não podem seguir, mas que o ocultista pode acompanhar. Ele sabe que nada se perde no Universo de Deus.

O ser humano, que é o mais perfeito trabalho de Deus, é composto de cada elemento existente nos citados sete Mundos. Tal como o vemos hoje, com sua Mente e Corpos maravilhosamente desenvolvidos e complexos, foi feito de barro e num só dia, como induzem más interpretações do primeiro capítulo do Livro do Gênesis. O estado atual do ser humano é produto de desenvolvimento gradual através de idades sem conta. Podemos seguir o ser humano quando ele entra na arena da vida como um Espírito Virginal, um pensamento, uma faísca do Pai Divino, largado no espaço com tal força que somente Deus pode usar. Este pensamento-forma tem seu nascimento no Mundo dos Espíritos Virginais, de onde as flamas divinas começam sua longa peregrinação através da matéria, colhendo material cada vez mais denso de cada Mundo e abrindo seu caminho através de etapas do mineral, vegetal, animal, até chegar, finalmente, ao estágio humano. Dentro desta faísca divina desenvolvem-se todas as potencialidades do Pai Divino. Assim como o pensamento de um edifício é gerado por um ser humano e gradualmente vai tomando forma em sua Mente. É assim, como põe seus planos no papel e imediatamente providencia os materiais necessários a sua edificação. Do mesmo modo se manifestou o pensamento de Deus, a faísca que se deveria tornar ser humano, também se tornou manifesta e nós a vemos hoje se expressando em um corpo a respeito do qual Davi, louvando a Deus no Salmo 139, disse: “Eu Te louvarei, pois sou assombrosa e maravilhosamente feito”. Paracelso disse: “O próprio corpo físico é o maior de todos os mistérios, porque nele estão contidas, em estado condensado, solidificado e corpóreo, as verdadeiras essências com as quais é feita a substância do ser humano espiritual, este é o segredo da Pedra Filosofal”.

Existem mistérios dentro desse templo humano que o ser humano é incapaz de solucioná-los, e por cuja solução, têm se sacrificado muitas vidas, tanto do reino humano como do animal. Os vivisseccionistas têm arriscado suas próprias almas no empenho de resolver esses mistérios. Os animais têm sido submetidos aos mais cruciantes sofrimentos pela ciência no seu esforço para arrancar estes segredos de Deus. Porém a ciência material não pode ir mais além porque se encontra frente a uma muralha, que não pode ser franqueada pelos seus instrumentos e suas mentalidades científicas, que nada podem fazer. Há apenas um instrumento que a ciência não pode ou não admite reconhecer, e é o único, que poderia penetrar ou romper essa muralha: é o Espírito humano. O Clarividente Voluntário treinado, sozinho, tem acesso as mais elevadas Regiões, as quais infortunadamente o materialista por não ter prova material, não admite a sua existência. Contudo, devemos dar-lhe crédito por ter conseguido maravilhas nos seus esforços para compreender as enfermidades humanas. A medicina tem conseguido coisas maravilhosas.

Existem duas forças na natureza que o ser humano admite como existentes em cada átomo. A força positiva, masculina, e a força negativa, feminina. Encontramo-las, igualmente, nos metais que usamos para gerar a eletricidade: no cobre, no zinco, etc.; também nas plantas encontramos os mesmos elementos. O próprio átomo mais diminuto do corpo humano está carregado com estas duas forças. Estas mesmas energias, atuam através de seu corpo, e sem elas não poderiam manter-se juntas, as partículas que o formam. O homem com um Corpo Denso masculino, embora possa expressar fisicamente positivo, ainda que seu Corpo Vital seja negativo, ajuda-o a manter coesas as partículas físicas positivas. Igualmente a mulher expressando-se num Corpo Denso feminino negativo é equilibrada pelo Corpo Vital positivo.

As várias formas de desenvolvimento do corpo do ser humano durante a vida pré-natal são recapitulações de seus desenvolvimentos durante o chamado período involutivo. Na Época Polar, seu corpo era globular, semelhante ao óvulo e também formado de substância gelatinosa. Ao princípio não havia mais que um órgão, que se projetava da parte superior dessa forma globular, ou em forma de bolsa. Este órgão era os olhos e ouvidos, pois era na verdade o núcleo por meio do qual o resto do corpo foi construído e o meio pelo qual recebeu a vida do Pai. Este órgão é hoje chamado epífise neural, ou Glândula Pineal. As energias do ser humano, naquele tempo, como as do feto hoje, eram dirigidas para dentro, para construção dos futuros órgãos. E tal como a vida pré-natal do Corpo Denso de hoje é dirigida e ajudada pela mãe, assim também o ser humano era assistido no período involutivo pelas Hierarquias Divinas. Ele estava em direto contato com os reinos superiores e não tinha ainda consciência de seu ambiente físico. Nesse meio tempo, os olhos, os ouvidos, e os vários órgãos foram tomando forma dentro desse corpo ovoide, ao passo que a Glândula Pineal que, ainda é um mistério para a ciência médica, era seu único meio de comunicação com o Mundo exterior. Esse órgão era muito maior que atualmente, e de sua extremidade cônica projetava-se um longo transparente e flexível tentáculo, que o auxiliava na locomoção e na sensação. Este apêndice ainda pode ser observado na pequena extremidade da Glândula Pineal. Tem atualmente a aparência de um pequeno pedaço de pele e suas funções serão relatadas em outro capítulo.

CAPÍTULO II – DO JARDIM DO ÉDEN

A Evolução do ser humano, nesse Período Terrestre, até o presente momento é dividida, segundo os Ensinamentos Rosacruzes, em cinco Épocas. Descrevemos o seu desenvolvimento corporal durante a Época Polar. Agora faremos um estudo dele durante a Época seguinte, ou seja, a Época Hiperbórea. Anteriormente, o ser humano era idêntico ao mineral; posteriormente ele desenvolveu o Corpo Vital e era parecido ao vegetal[11]. Na terceira Época, a Época Lemúrica, desenvolveu o Corpo de Desejos, tornando-se parecido ao animal[12]. A Terra já havia formado algumas incrustações e havia endurecido em certos lugares, ao passo que a atmosfera era idêntica a uma densa neblina. O ser humano vivia, então, na mais densa das vegetações para se proteger do excessivo calor, enquanto seu Corpo havia adquirido uma forma gigantesca – grandes braços e mãos, maciças mandíbulas, sem testa, o topo da cabeça era muito próximo de onde hoje temos as sobrancelhas. O esqueleto estava parcialmente formado e sua estrutura era de uma cartilagem branda. O ser humano não estava ainda apto a andar ereto. O sangue, que até então fora frio, passou a receber o ferro e a desenvolver corpúsculos vermelhos, que, por sua vez, endureceram a estrutura corporal, tornando possível ao ser humano caminhar verticalmente.

Chegamos agora à Época de desenvolvimento humano relatado no segundo capítulo do Gênesis, quando o Senhor deu a Adão uma companheira, procedendo-se a separação dos sexos. Até, então, o ser humano era hermafrodita, porém, agora, chegamos ao tempo mencionado na história bíblica de Adão e Eva, quando eles foram expulsos do Jardim do Éden, em virtude de seus pecados. A mudança dos sexos não foi conseguida em um dia, como se poderia concluir pela leitura do Livro do Gênesis. Realizou-se lenta e gradativamente. Como a Terra se tornou mais cristalizada, a evolução do ser humano seguiu paralelamente a tal mudança, e daí se tornou necessário que o Ego penetrasse dentro do Corpo, a fim de exercer seu domínio sobre ele. Para isso foi necessário conseguir que um cérebro e uma laringe fossem adicionadas, e, para tal, ao ser humano foi necessário sacrificar metade de sua força criadora. Daí, então, o ser humano atingiu ao ponto de ser uma entidade individualizada e pensante, um criador, e tornou-se apto a iniciar seu trabalho com os minerais.

O ser humano, nesse tempo, era inconsciente da mudança dos sexos e também inconsciente de seu ambiente exterior, porque seus olhos ainda não tinham sido abertos. Similarmente aos peixes de águas profundas ou às toupeiras não tínhamos necessidade desses órgãos, porque a atmosfera era demasiado densa e enevoada. Contudo, depois que a Terra foi lançada do Sol Central, a luz que vinha do interior do ser humano passou a vir de fora. E como a natureza sempre supre cada necessidade, daí, então, os olhos do ser humano começaram, lentamente, a se desenvolver. Identicamente o cérebro foi se desenvolvendo por etapas; da mesma maneira outros órgãos relacionados com o cérebro foram se formando de acordo com as exigências do desenvolvimento humano.

Conforme se separaram os sexos e o ser humano expressou exteriormente apenas um dos sexos; a Glândula Pineal, que nas Épocas Polar, Hiperbórea e na primeira parte da Época Lemúrica sobressaia do topo da cabeça, nessa ocasião, recolheu-se ao interior do crânio.

Há, ainda, pequeno órgão dentro do cérebro do ser humano, o Corpo Pituitário, que tem muito a haver com seu desenvolvimento físico e mental, e que é tão importante quanto à epífise neural, a Glândula Pineal. O Corpo Pituitário ou hipófise é muito necessário para a vida humana e seu desenvolvimento. Ele desabrocha no feto, na quarta semana.

Na vida é possível seguir o desenvolvimento do corpo humano, em todas as suas fases, desde o início até ao maravilhoso mecanismo atual; primeiramente vemos como uma diminuta partícula de matéria gelatinosa é atraída por outra partícula de vibração oposta, formando os polos positivo e negativo. Seguindo o embrião através de seu desenvolvimento ele adquire a forma semelhante a uma bolsa; a primeira tentativa de dar forma e é idêntica à que foi descrita no capítulo precedente, a forma globular e gelatinosa da Época Polar. Este pequeno saco embrionário possui dentro de si todas as potencialidades do presente Corpo aperfeiçoado, com as duas polaridades: positiva, masculina e negativa, feminina; a Glândula Pineal e o Corpo Pituitário. Seguimos o embrião humano através de seu crescimento e de suas transformações, as quais, tal como no caso do ser humano pré-histórico, passam através dos estágios equivalentes ao mineral, vegetal, adquire o estágio de réptil, com sua característica cauda, a qual desaparece na nona semana. Seguindo em seu estágio animal, com sua face semelhante à do cão, na qual há como que uma pequena mancha, que se tornará mais tarde os olhos, os ouvidos, etc. Em certo estágio de seu desenvolvimento, a Glândula Pineal projeta-se através da forma idêntica à de uma bolsa, e essa pequena forma passa pelo hermafroditismo, tal como na Época Hiperbórea, quando não havia diferenciação de sexo exteriormente. Assim podemos seguir a evolução do corpo humano pelas transformações operadas no crescimento pré-natal da criança na matriz materna.

CAPÍTULO III – DUAS GLÂNDULAS ENDÓCRINAS

A Glândula Pineal e o Corpo Pituitário são dois órgãos que não tiveram de sofrer mudanças extensivas até o presente estágio. Estes órgãos estavam presentes no Corpo saciforme durante a Época Polar, semelhantemente ao botão em sua forma ovoide, que contém em si o estame e o pistilo; a Glândula Pineal e o Corpo Pituitário, respectivamente, são os núcleos das forças positiva e negativa, por meio das quais o nosso crescimento físico tem se processado.

Estes pequenos órgãos eram maiores no ser humano primitivo do que no presente. Através deles as Hierarquias Criadoras, designadas na Filosofia Rosacruz por Senhores da Forma, puderam ajudar o Ego a construir seu Corpo e levá-lo até o estado atual de perfeição.

O CORPO PITUITÁRIO

O Corpo Pituitário[13] recebeu esse nome porque a ciência médica cria que a pituita ou o muco nasal provinha deste Corpo. Atualmente esta ideia foi abandonada e, conquanto que a medicina afirmasse que as funções reais do Corpo Pituitário fossem principalmente especulações, nos últimos anos, entretanto, adquiriu-se muito conhecimento, não havendo mais especulações sobre o assunto. Esta Glândula é encontrada numa depressão em forma de sela do osso esfenoide, entre os olhos, e diretamente atrás da raiz do nariz, onde se juntam os dois nervos óticos. É impossível indicar o seu tamanho, porque muda com a idade, com o temperamento e a moral de cada pessoa. Gray[14] descreve o Corpo Pituitário como sendo um ponto de união na vida do primitivo embrião do hipoblasto, que é a camada mais interna; do epiblasto que é a camada mais externa, que mais tarde acaba por converter-se no sistema nervoso e na pele e do mesoblasto que é a camada intermediária. Dentro destas três camadas estão contidos todos os órgãos germinais do Corpo em formação. Consequentemente, o Corpo Pituitário é a estação central através da qual todo o crescimento é dirigido, mas a Glândula Pineal é o poder real e verdadeiro que está atrás de tudo isso, a respeito de cuja formação nos ocuparemos mais tarde.

A Glândula Pituitária é um pequeno corpo ovoide, composto de dois lóbulos; o anterior ou glandular, e o posterior ou nervoso, tendo cada um deles funções distintas e variando igualmente em cor. O lóbulo anterior é composto de uma substância cinzento-amarelado-rósea, enquanto o posterior é mais escuro.

A ciência médica tem realizado algumas investigações valiosas nos últimos tempos, e entre outras coisas sustenta que o Corpo Pituitário é menor no homem do que na mulher, e que seu tamanho aumenta rapidamente entre o nascimento e a puberdade; sustenta, também, que o lóbulo posterior age sobre a circulação e sobre os fluidos do Corpo, regulando a assimilação dos hidratos de carbono e outros alimentos, secreções renais, temperatura do Corpo, etc.

Um de nossos Estudantes, que é médico, nos escreveu em certa ocasião, que jamais sairia de sua casa para atender um caso de obstetrícia, sem levar em sua maleta extrato pituitário, o que, se empregado devidamente, reduz as dores do parto e apressa-o de uma a até quatro horas. Entretanto, esse extrato em mãos inexperientes, é como uma espada de dois gumes.

A Glândula Pituitária está relacionada diretamente e governa a forma externa do cérebro e da coluna espinhal, a dura-máter; essa coluna encerra o grande princípio materno protetor, recobre o cérebro e a medula espinhal, protegendo-os contra impactos exteriores; também alimenta os vasos sanguíneos e nervos.

A GLÂNDULA PINEAL

A Glândula Pineal[15] é um pequeno Corpo em forma de cone, que varia de tamanho, conforme o estado mental e espiritual da pessoa; chama-se assim por sua semelhança com a “pinha”, a cuja forma se assemelha. É maior na criança do que no adulto, e maior nas mulheres que nos homens. A ciência conhece pouco de suas funções, sendo que é dito que ela governa diretamente os órgãos geradores e o cérebro. Os extratos da Glândula Pineal quando injetados na circulação produzem ligeira dilatação dos vasos sanguíneos. É grande no momento de nascer e encontra-se totalmente desenvolvida na puberdade. Sua evolução estrutural começa na idade dos sete anos. Dana e Berkeley[16] em suas investigações constataram que esse órgão é menor e destituído de substância nas crianças mentalmente retardadas. A ciência oficial também pode verificar que existe uma relação entre esta Glândula e as funções da Glândula intersticial e do cérebro, mas estas conclusões são meramente especulativas.

A Glândula Pineal é mantida em seu lugar mercê a “pia mater”, uma membrana delgadíssima que envolve ou cobre todo o cérebro e a medula espinhal, da qual todo o sistema nervoso central se alimenta, e da qual partem inúmeras raízes de pequenos nervos que se exteriorizam por entre as vértebras da coluna dorsal. A “dura mater” é o invólucro exterior, enquanto a “pia-mater” é o invólucro interior. A Glândula Pineal tem uma certa aparência com um pequeno órgão masculino e repousa sobre o que a ciência denomina quadrigêmeo, que são quatro saliências arredondadas, colocadas em dois pares. Os dois inferiores denominamos traseiros, e os dois superiores, dianteiros. A pequena Glândula Pineal repousa no centro deles.

O Corpo Pituitário está conectado com a “dura mater”, o princípio maternal, pelo lado anterior do terceiro ventrículo. A Glândula Pineal, que é o órgão masculino ou positivo, está ligada com a “pia mater” e se localiza no terminal posterior do terceiro ventrículo, consequentemente, esta diminuta cavidade ou ventrículo é da maior importância, como veremos mais tarde.

CAPÍTULO IV – O GÁS ESPINHAL

De acordo com as doutrinas Rosacruzes, o sangue é um gás e não um líquido, como a ciência oficial afirma. Quando uma pessoa que tenha a visão espiritual desenvolvida observa a coluna espinhal, o gás que existe nela tem a aparência de uma corrente luminosa muito fina, cuja cor varia conforme o temperamento e a moral da pessoa. Entre as pessoas sensuais, esse fogo espinhal é um vermelho-tijolo sombrio, matizado com um tênue colorido azulado.

Conforme as suas aspirações vão se elevando e desperta-se o seu amor pelos demais, essa cor vai se fazendo mais e mais clara e a luminosidade azul começa a ascender-se com ligeiras tonalidades róseas. Quando se observa o gás espinhal de um ser humano espiritualmente desperto, que tenha purificado a sua Mente e seu corpo por meio de elevados ideais e de uma vida de serviço e abnegação, especialmente quando observado sobre o efeito da meditação e da oração, a sua visão é realmente maravilhosa. O fogo espinhal é de um intenso azul etéreo, sumamente difícil de ser descrito. O azul que mais se lhe aproxima é o azul da chama de gás, com suavíssimos matizes de amarelo, os quais se manifestam através dela. Desde a parte inferior da região sacra, até a parte superior da região lombar, as cores encontram-se, todavia, mescladas de vermelho, porém, o gás espinhal acende e ascende, tornando-se cada vez mais puro e diáfano.

Esse fogo espinhal durante a meditação e a oração se torna cada vez mais ativo e à medida que vai tocando os nervos espinhais, emite pequenas chispas no começo de cada um, até alcançar a medula oblongada, que parece atuar como transformador ou uma estação separadora, onde as cores sofrem uma mudança, descendo as cores obscuras e sujas, ao passo que o gás mais leve segue para cima.

Existe na extremidade inferior do quarto ventrículo, uma espécie de cavidade em forma de peneira, que está relacionada com a medula oblongada. Nessa última, o gás parece que sofre um processo de purificação, passando logo do quarto ventrículo ao terceiro, onde passa por um esplendor dourado, semelhante à fornalha, quando então é absorvido pela Glândula Pineal.

A cor dessa chama é diferente, sem dúvida, no adulto de natureza terrena, cheio de paixões e desejos, cujo corpo só se alimenta das carnes dos animais, e que está impregnado de fumo, álcool, etc.  O gás espinhal de uma pessoa é de cor rosa e tem certa tendência de aderir-se à parte inferior da coluna espinhal. Essa pessoa necessitará fazer um esforço considerável para extrair algo desse gás e fazer com que ele ascenda ao cérebro a fim de alimentar o trabalho mental, e sua coloração não é do azul-diáfano que se encontra no ser humano de elevadas aspirações.

A Glândula Pineal da pessoa sensual, que dissipa seus fluidos vitais, é muito pequena, enquanto na criança e no adulto que leva uma vida pura e limpa, esse órgão é grande.

A água quando atinge um certo grau de calor se converte em vapor, dissipando-se no ar, deixando, porém, um pequeno resíduo ou sedimento cristalizado no fundo do recipiente. Ao contrário, o sangue, enquanto está no interior do corpo, é um gás, porém, quando entra em contato com o ar se torna líquido, condensando-se. Assim, seria impossível para a ciência, sob semelhantes condições, investigar com seus instrumentos materiais e claramente entender as funções destes dois órgãos tão vitais, como a Glândula Pineal e o Corpo Pituitário, cuja inacessibilidade os torna quase impossível de serem removidos sem que mudem a forma deles.

Quando o ser humano com a faculdade da visão espiritual investigar as funções fisiológicas desses órgãos, não necessitará extraí-los, mas, simplesmente, dirigirá sobre eles sua visão de raios-X e observará a ação deles.

OBSERVACÃO ESPIRITUAL

A autora teve o privilégio, enquanto sob a direção de um Iniciado Rosacruz, de observar as duas Glândulas Endócrinas, ora focalizadas, em ação. O momento e a oportunidade foram idealmente preparados e uma pessoa viva serviu de estudo. Ambos os órgãos eram muito grandes, o que permitiu uma grande clareza em nossas observações.

A pessoa era uma mulher em estado de meditação espiritual, uma mulher que tinha uma vida pura e cheia de elevadas aspirações, cujo alimento, por muitos anos, consistiu de frutas, legumes e cereais.

O Corpo Pituitário, em que se registram em primeiro lugar essas aspirações, estava muito avolumado. O lóbulo posterior estava voltado para trás com seu pescoço em forma de funil, aumentado com uma boca aberta na extremidade. Dessa boca aberta exalava um gás de cor rosa suave, ligeiramente matizado de amarelo e azul claro. A coluna espinhal estava cheia de um éter azulado, claro e mesclado de suave tonalidade rosa e amarelo. Depois que esse gás abandonava a medula oblongada e entrava na Glândula Pineal era de um maravilhoso colorido azul, como as tonalidades que as montanhas parecem ter depois do sol se pôr. A Glândula Pineal está também avolumada com a ponta do cone estirando-se em direção ao Corpo Pituitário. O diminuto apêndice de pele, mencionado em capítulo anterior, que se encontra no final da Glândula Pineal, está alongado e emite uma pequena chama, semelhante à chama azul de um jato de gás. Os dois órgãos vibram intensamente estirando-se, um em direção ao outro, sobre o terceiro ventrículo, uma cavidade oblonga que existe entre os tálamos óticos. Quando a vida do Aspirante à Vida Superior tem sido pura, o ventrículo citado aparece ao ocultista como um forno diminuto, resplandecente, de luz dourada, que supre a vitalidade do corpo.

A Glândula Pineal, como já foi dito, tem a aparência de um minúsculo órgão masculino, enquanto o Corpo Pituitário, com sua boca aberta, é semelhante ao órgão feminino. Dessa maneira podemos ver que a ciência oficial, que procura provar que esses órgãos estão diretamente relacionados com as funções do cérebro e dos órgãos geradores, está certa.

Têm influência direta sobre o ser humano, desde as duas extremidades da medula espinhal, como demonstra o fato de que todos os pervertidos sexuais se tornam degenerados. A conservação dos fluidos vitais e a vida casta e pura fortalecem o cérebro; daí o aumento das duas Glândulas, ao passo que na pessoa sensual se atrofiam. A ciência oficial tem razão ao afirmar que tais órgãos são maiores nas crianças e nas mulheres que nos homens, embora se trate de homens que tenham tido uma vida muito pura.

OBSERVACÕES ASTROLÓGICAS

No esforço de comprovar as asserções astrológicas feitas acima, a escritora comparou horóscopos de pacientes que têm estado em contato com o Departamento de Cura da Sede Mundial da Fraternidade Rosacruz, em Oceanside – Califórnia – USA. Ela encontrou dez horóscopos de moços e moças epiléticos.

Em quatro dos pacientes foi constatado que a Lua estava em Conjunção com Netuno, no Signo de Touro. Esse Signo rege a garganta e, também, indiretamente, sobre os órgãos geradores. Aqui, novamente, verificamos o que disse Max Heindel, que Netuno é a oitava superior de Mercúrio e não de Vênus, como admitem alguns astrólogos. Porque esse Planeta que rege a Glândula Pineal, também rege o cérebro e as faculdades espirituais.

Dois dos dez pacientes tinham Netuno em Quadratura com a Lua, sendo que um tinha Netuno em Conjunção com Marte e o outro tinha Netuno em Oposição a Saturno. Em todos esses casos verificamos que eles tinham formado um hábito sexual abusivo durante a infância, o que ocasionou uma dissipação dos fluidos vitais necessários à construção do cérebro, e daí, então, a deficiência mental fronteiriça à idiotice.

Se os profissionais de saúde pudessem abrir os cérebros desses pacientes para lhes examinar as Glândulas, encontrá-las-iam enfermas, em conformidade com as aflições planetárias, as quais poderiam tomar forma de atrofia, de tumor ou, no caso da Glândula Pineal, inflamação.

Os astrólogos do passado asseguravam que Urano era a oitava superior de Mercúrio e regia as qualidades mentais superiores, e que Netuno era a oitava superior de Vênus. Ao mesmo tempo admitiam que Urano, aflito nos ângulos do horóscopo, causava separações no casamento, e que a Quadratura ou Conjunção entre Vênus e Urano, num horóscopo feminino, atrairia indevidas atenções do sexo oposto, portanto, comprometendo-lhe moralmente. Urano foi sempre associado com licenciosidade e lassidão moral, amores ilícitos, enquanto Netuno é relacionado com ordens secretas, decepções e fraudes. A autora admirou-se porque esses dois Planetas altamente espirituais foram relacionados inversamente pelos astrólogos, quando apresentam características opostas. Investigações espirituais mostram as oitavas superiores como seguem: Netuno, regente da Glândula Pineal, é a oitava superior de Mercúrio; Urano, regente do Corpo Pituitário, é a oitava superior de Vênus.

O alcoólatra, quando sob a influência de bebidas, tem um forte estímulo do Corpo Pituitário, o que ocasiona tonturas e condições hilariantes. Essa Glândula regula a natureza emocional e a circulação sanguínea. Regida por Urano, a oitava superior de Vênus, o regente da música, o Corpo Pituitário é influenciado pela música e pela harmonia que o coloca em vibrações. O que utiliza a morfina ou cocaína recebe seu estimulo pela Glândula Pineal.

REJUVENESCIMENTO

Temos lido muito nos jornais a respeito de rejuvenescimento por meio de enxerto de Glândulas de animais nos seres humanos, para lhes restaurar a juventude. Se tal prática nefasta for levada em certa proporção, as próximas gerações estarão expostas a ter muitos filhos degenerados, enchendo as instituições de pervertidos mentais (quase 40 anos após a predição da autora, os hospitais de doenças mentais se enchem, como testemunho dos abusos passados e clamando por normas espirituais de vida). Os animais doadores dessas Glândulas são o bode e o macaco, que se multiplicam rapidamente e naturalmente produzem um efeito degenerativo no ser humano que foi bastante tolo para permitir que tal enxerto fosse feito em seu corpo. Além disto, esse rejuvenescimento é por curto período de tempo. Se o ser humano continuasse vivendo a vida dos sentidos, ele cedo dissiparia essa nova energia, a qual teria de ser suprida, novamente, de tempos em tempos.

Porém, há uma Fonte de Juventude, um elixir de vida que são os alimentos e os nossos pensamentos.

Se vivermos uma vida simples e pura, altruísta, comendo somente legumes e vegetais, e mantendo a devida vigilância sobre nossos desejos, então já não necessitamos de sacrificar vida de animal para recuperar as nossas energias desperdiçadas. Ponce de Leon procurou a fonte da perpétua juventude em terras distantes, ignorando que ele tinha duas pequenas taças dentro de seu próprio cérebro. Se ele tivesse pago o preço de efetuar a mudança da vida mundana dos sentidos para a vida de pureza espiritual, ele teria tido o elixir da vida.

F I M


[1] N.T.: A escrita cuneiforme foi desenvolvida pelos baygons, sendo a designação geral dada a certos tipos de escrita feitas com auxílio de objetos em formato de cunha. É juntamente com os hieróglifos egípcios, o mais antigo tipo conhecido de escrita.

[2] N.T.: Rei Assírio

[3] N.T.: Hipócrates (?460 a.C.-?370 a.C.), nascido em uma ilha grega, é considerado por muitos uma das figuras mais importantes da história da Medicina, frequentemente considerado “pai da medicina”.

[4] N.T.: Paracelso (1493-1541), pseudônimo de Philippus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim, foi um médico, alquimista, físico, astrólogo e ocultista suíço-alemão.

[5] N.T.: Pseudo-Dionísio, o Areopagita ou simplesmente Pseudo-Dionísio é o nome pelo qual é conhecido o autor de um conjunto de textos (Corpus Areopagiticum) que exerceram, segundo os historiadores da filosofia e da arte, uma forte influência em toda a mística cristã ocidental na Idade Média. Esses textos foram muito lidos e admirados pelo Abade Suger de Saint-Denis, construtor do primeiro grande exemplar de arquitetura gótica: a basílica de Saint-Denis (ou Pseudo-Dionísio, em português). O autor se apresenta como Dionísio, o ateniense membro do Areópago, o único convertido por São Paulo (em Atos 17:34), no Século I.

[6] N.T.: Francis Bacon, também referido como Bacon de Verulâmio (1561-1626) foi um político, filósofo e ensaísta inglês. É considerado como o fundador da ciência moderna.

[7] N.T.: Pitágoras de Samos (? 570-?495 a.C.) foi um filósofo e matemático grego jônico creditado como o fundador do movimento chamado Pitagorismo.

[8] N.T.: A ciência, hoje, sabe que a Glândula Pineal atua, até certo ponto, na regulagem de desenvolvimento sexual; ajuda a sincronizar as mudanças rítmicas do Corpo, bem como atuar no misterioso mecanismo do acordar, por intermédio de seus hormônios.

[9] N.T.: Sabe-se, hoje, que a Glândula Pineal funciona, em anfíbios e peixes, como um órgão sensorial, sofrendo reações à luz.

[10] N.T.: ou Sílfides

[11] N.T.: Refere-se ao estado de consciência, tendo os mesmos veículos que um ser vegetal, atualmente. O ser humano nunca foi vegetal. Veja mais detalhes no Livro Conceito Rosacruz do Cosmos.

[12] N.T.: Refere-se ao estado de consciência, tendo os mesmos veículos que um ser animal, atualmente. O ser humano nunca foi animal. Veja mais detalhes no Livro Conceito Rosacruz do Cosmos.

[13] N.T.: Glândula Pituitária ou Hipófise: pequena glândula com cerca de 1 cm de diâmetro. Aloja-se na sela túrcica ou fossa hipofisária do osso esfenoide na base do cérebro. Está localizada abaixo do hipotálamo.

[14] N.T.: Henry Gray, FRS, no livro: Anatomy and The Human Body, 12ª Edição, 1918.

[15] N.T.: ou epífise neural ou simplesmente pineal é uma pequena glândula endócrina localizada perto do centro do cérebro, entre os dois hemisférios.

[16] N.T.: Dana, C. L., and W. N. Berkeley: 1913. Med. Rec. S3: S35

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Cartas Rosacruzes – Por Antigos Membros da Ordem no Século XVIII

Dotadas de singular eloquência e elevado misticismos, tais Cartas remontam do século XVIII. A presente tradução é atribuída a Francisco Phellip Preuss, e consta na primeira edição do Livro: “Maçonaria e Catolicismo”, publicado no Brasil pela Fraternidade Rosacruz Max Heindel, em 1959.

1. Para fazer download ou imprimir:

Cartas Rosacruzes – Por Antigos Membros da Ordem no Século XVIII

2. Para estudar no próprio site:

CARTAS ROSACRUZES

Escritas por

antigos membros da Ordem

Fraternidade Rosacruz

Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82

Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil

Revisado de acordo com:

1ª Edição em Português, como Apêndice do Livro A Maçonaria e o Catolicismo, de Max Heindel, editada por Fraternidade Rosacruz São Paulo – SP – Brasil

4ª Edição em Espanhol, como Apêndice do Livro La Masoneria y el Catolicismo, por Max Heindel, editada pela Editora KIER – Buenos Aires – Argentina

Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

www.fraternidaderosacruz.com

contato@fraternidaderosacruz.com

fraternidade@fraternidaderosacruz.com

Sumário

INTRODUÇÃO.. 4

CARTA I – SABEDORIA DIVINA.. 5

CAPÍTULO II – UM MEIO PRÁTICO DE APROXIMAÇÃO À LUZ.. 9

CARTA III – VERDADE ABSOLUTA E RELATIVA.. 13

CARTA IV – A DOUTRINA SECRETA.. 20

CARTA V – OS ADEPTOS. 30

CARTA VI – EXPERIÊNCIAS PESSOAIS. 37

CARTA VII – OS IRMÃOS. 45

INTRODUÇÃO

Elas são dotadas de singular eloquência e elevado misticismo.

Remontam ao século XVIII, e foram publicadas nos Vols. 8 e 9 do periódico “The Theosophist”, editado pela Sociedade Teosófica, de 1887, assinadas por F.H. e H., no caso da sétima e última carta. É referido que a sexta carta teria sido remetida a Eckartshausen, martinista e autor do célebre livro “A Nuvem Sobre o Santuário”. Segundo A.E. Waite, foram reimpressas num periódico americano, com as iniciais F.H. e H. suprimidas, sendo toda a série atribuída a Eckartshausen, que as teria escrito entre 1792 e 1801. Proclama-se que elas teriam sido traduzidas do Espanhol. Segundo A.E. Waite, “as iniciais sugerem obviamente a mão do Dr. Franz Hartmann”.

Tais Cartas se popularizaram através da revista “Rays from the Rose Cross”, editada pela “The Rosicrucian Fellowship”, posteriormente foi publicada como apêndice do livro “A Maçonaria e o Catolicismo”, de Max Heindel, editado em vários idiomas.

A presente tradução é atribuída a Francisco Phellip Preuss, e consta na primeira edição do Livro: “Maçonaria e Catolicismo”, publicado no Brasil pela Fraternidade Rosacruz Max Heindel, em 1959. Foi revisada pela Irmã Probacionista Ruth Coelho Monteiro, da Fraternidade Rosacruz Max Heindel, em São Paulo.

CARTA I – SABEDORIA DIVINA

Não tentes estudar a mais elevada de todas as ciências se, de antemão, não resolvestes entrar na via da virtude; os incapazes de sentir a verdade não compreenderão minhas palavras. Só os que entram no Reino de Deus podem compreender os mistérios divinos e aprender a verdade e sabedoria, na medida da sua capacidade para receber a luz divina da verdade. Aqueles que se guiam unicamente pela luz da inteligência não compreendem os mistérios divinos da natureza; as suas almas não podem ouvir as palavras que a luz pronuncia. Mas aquele que abandona o próprio eu pessoal pode conhecer a verdade. A verdade só pode ser conhecida na região do bem absoluto. Tudo que existe é produto da atividade do espírito. É a mais elevada de todas as ciências a que permite ao ser humano aprender a conhecer o laço de união entre a inteligência espiritual e as formas corpóreas. Entre o espírito e a matéria não existem linhas de separação porque entre os extremos se encontram todas as gradações possíveis.

Deus é fogo que irradia puríssima luz. Essa luz é vida. As gradações entre a Luz e as Trevas estão para além da compreensão humana. Quanto mais nos aproximamos do centro da Luz tanto maior é a energia que recebemos e tanto mais poder e atividade resultam. É destino do ser humano elevar-se até ao centro espiritual da Luz. O ser humano primordial era um filho da Luz. Permanecia em estado de perfeição espiritual bem mais elevada do que no presente; dela desceu a um estado mais material, tomando uma forma corpórea e rude. Para volver à sua primeira condição tem de percorrer o caminho por onde desceu.

Cada um dos seres animados deste mundo obtém sua vida e sua atividade do poder do espírito. Os elementos grosseiros estão regidos pelos mais sutis e estes por outros de maior sutileza, até chegarmos no poder puramente espiritual e divino. Deste modo, Deus influi em tudo e tudo governa. O ser humano possui um germe do poder divino que pode desenvolver-se e transformar-se em árvore de frutos maravilhosos. A expansão deste germe só pode fazer-se pelo calor que irradia do centro famígero do grande Sol espiritual. Quanto mais nos aproximamos desta luz, mais recebemos o seu calor. Do centro, ou causa suprema original, irradiam continuamente poderes ativos que se infundem nas formas oriundas da sua atividade eterna. Destas formas reverte novamente a causa primeira, dando lugar a uma cadeia ininterrupta de atividade, luz e vida. O ser humano, ao abandonar a radiante esfera de luz, incapacitou-se para contemplar o pensamento, a atividade e a vontade do Infinito em sua unidade.

Daí resulta que, na atualidade, tão só percebe a imagem de Deus numa multiplicidade de imagens. Contempla Deus sob um número de aspectos quase infinito, mas Deus permanece sempre Uno. Todas essas imagens devem recordar-lhe a exaltada situação que outrora manteve e para cuja reconquista devem tender todos os seus esforços.   Se não se esforçar por elevar-se a maior altura espiritual, irá sumindo-se cada vez mais na sensualidade e, depois, ser-lhe-á muito mais difícil voltar ao primeiro estado.

Durante a vida terrestre estamos rodeados de perigos e é bem pequeno o nosso poder de defesa. Os corpos materiais nos encadeiam ao reino do sensível e mil tentações nos assaltam todos os dias. Sem a reação do espírito a natureza animal afundaria o ser humano na sensualidade. Todavia, esse contato com o sensível é necessário: proporciona a força que o faz progredir. O poder da vontade o eleva; e aquele que identifica a sua vontade com a vontade de Deus pode, durante a vida na Terra, chegar à espiritualidade que lhe concede a contemplação e compreensão da sua unidade no reino da inteligência. Tal ser humano pode realizar o que quiser porque, unido com o Deus Universal, todos os poderes da natureza são seus poderes e nele se manifestarão a harmonia e a unidade do Todo. Então, vivendo no eterno, não está sujeito às condições do espaço e do tempo, participa do poder de Deus sobre todos os elementos e poderes do mundo visível e invisível e tem a consciência do eterno.

Dirige todos os teus esforços no cultivo da tenra planta da virtude que cresce em teu seio. Purifica tua vontade e não permitas que as ilusões dos sentidos te alucinem. A cada passo que deres na senda da vida eterna, encontrará um ar mais puro, uma vida nova, uma luz mais clara e, em proporção à ascensão para o alto, aumentará o teu horizonte mental.

A inteligência, só por si, não conduz à sabedoria. O espírito conhece tudo e, no entanto, nenhum ser humano o conhece. Sem Deus, a inteligência enlouquece, adora-se a si, repele a influência do Espírito Santo. Quanto é decepcionante e enganosa a inteligência sem a espiritualidade. Em pouco tempo perecerá. O espírito é causa de tudo; a luz da mais brilhante inteligência deixará de brilhar se for abandonada pelos raios de vida do Sol espiritual. Para compreender os segredos da sabedoria não basta teorizar, é necessário alcançar sabedoria. Só o que se conduz sabiamente realmente é sábio, ainda que não tenha recebido a menor instrução intelectual.

Para ver necessitamos de olhos e para ouvir, de ouvidos. Similarmente, para atingir as coisas do espírito, precisamos de percepção espiritual. É o espírito e não a inteligência que dá vida a todas as coisas, desde o Anjo Planetário até ao menor ser do fundo do oceano. A influência espiritual vem de cima para baixo e nunca de baixo para cima; por outros termos, irradia do centro para a periferia e nunca em sentido contrário. Isto explica por que a inteligência, produto ou efeito da luz do espírito que brilha na matéria, não pode nunca se sobrepor à luz do espírito.

A inteligência humana só pode compreender as verdades espirituais quando a sua consciência entra no reino da luz espiritual. É uma verdade que a grande maioria dos intelectuais não quer compreender. Não podendo elevar-se a um estado superior ao intelectual, consideram tudo que está fora de seu alcance como fantasia e sonho ilusório.

Sua compreensão é obscura e no coração abrigam as paixões que os impedem de contemplar a luz da verdade. O que ajuíza a partir dos sentidos externos não pode compreender as verdades espirituais. Preso ao ilusório, ao eu pessoal, o espírito repete as verdades espirituais que lhe destroem a personalidade. O instinto e o eu inferior levam-no a considerar-se um ser distinto do Deus universal. O conhecimento da verdade desfaz essa ilusão, razão porque o ser humano sensual odeia a verdade. O ser humano espiritual é filho da luz. O ser humano regenerado retorna ao seu primeiro estado de perfeição e essa regeneração, que o põe acima dos outros seres do universo, depende do apagamento das obscuridades que velam sua natureza interna.

O ser humano, por assim dizer, é um fogo concentrado no interior de uma casca material e rude. O seu destino é abrasar neste fogo a natureza animal, os materiais grosseiros, e unir-se de novo com o famígero centro, do qual é uma centelha durante a vida terrestre. Se a consciência e a atividade do ser humano, continuamente, se concentram nas coisas externas, a luz que irradia da centelha, no interior do coração, vai enfraquecendo a pouco e pouco e acaba por desaparecer. Contudo, se o fogo interno é cultivado e alimentado, destrói os elementos grosseiros, atrai outros mais etéricos, faz o ser humano cada vez mais espiritual e concede-lhe poderes divinos. Não só expande a atividade interna, mas também aumenta a receptividade às influências puras e divinas. Purifica e nobilita por completo a constituição do ser humano e converte-o, finalmente, no verdadeiro senhor da criação.

CAPÍTULO II – UM MEIO PRÁTICO DE APROXIMAÇÃO À LUZ

Quem, gratificando os desejos sensuais, tenta encher o vazio da sua alma, não o conseguirá nunca. Tampouco os anelos de verdade poderão ser satisfeitos pela aplicação da inteligência às coisas externas. O ser humano não pode entrar na paz, enquanto não vencer o que é incompatível com seu Ego divino. Para consegui-la ele deve se aproximar da luz, obedecendo à lei da luz. O desejo sensual e do exterior devem desaparecer e dirigir sua visão espiritual para a luz, a fim de afastar as nuvens que a eclipsam. Primeiramente, deve ter consciência da existência, em seu íntimo, de um germe divino. Nele deve concentrar à vontade e, à sua luz, cumprir estritamente todos os deveres, interna e externamente.

Existe uma lei oculta, mencionada com frequência em escritos esotéricos, que só raros compreendem. Diz que todo o inferior tem a sua contraparte superior e, assim, ao agir o inferior, o superior reage sobre ele. Segundo essa lei, todo o desejo, pensamento, a aspiração boa ou má, é seguido, imediatamente, de uma reação que procede do alto. Quanto mais pura é a vontade do ser humano, quanto menos adulterada por desejos egoístas, tanto mais enérgica é a reação divina.

O progresso espiritual do ser humano não depende, de modo nenhum, dos esforços sobre si próprios. Pelo contrário, quanto menos tentar estabelecer leis por si mesmo, quanto mais se submeta à lei universal, tanto mais rápidos são os seus progressos. Aliás, o ser humano não pode dirigir sua vontade em sentido diverso da Vontade Universal de Deus. Se o fizer, se não a identificar com a vontade divina, pervertem-se e aniquilam-se os seus efeitos. Só quando a vontade se harmoniza e coopera com a Vontade de Deus se torna poderosa e efetiva. Demais, em todos os tempos, têm existido entidades espirituais que se comunicam com o ser humano para transmitir o conhecimento das verdades espirituais, ou para lhe refrescar a memória quando em perigo de olvida-las, a fim de restabelecer um laço de forte união entre o ser humano intelectual e o ser humano divino. Os que têm certo grau de pureza podem, mesmo nesta vida, entrar em comunhão com esses mensageiros celestiais; poucos são, porém, os que podem consegui-lo.

Seja como for, é a vontade e não a inteligência que deve ser purificada e regenerada. Portanto, a melhor das instruções é inútil se não houver vontade de pô-la em prática. E como ninguém pode salvar-se sem vontade de salvação, o desejo mais íntimo do coração deve ser o de conhecer e praticar a verdade. O ser humano de reta vontade alcançará o saber e a verdadeira fé sem necessidade de sinais externos ou de razões lógicas que o convençam da verdade daquilo que sabe ser certo. Provas, somente as pedem o sábio pretensioso. De coração vaidoso, de vontade fraca, sem conhecimento espiritual nem fé, nada mais pode saber além do que lhe vem pelos sentidos. Mas as mentes puras e sinceras adquirem a consciência das verdades em que intuitivamente creram.

Todas as ciências culminam num ponto: quem conhece o uno conhece tudo e o que julga conhecer muitas coisas é um iludido. Quanto mais te aproximares deste ponto, quanto mais íntima for tua união com Deus, tanto mais clara será tua percepção da verdade. Se a tal ponto chegares, acharás coisas, na natureza, que transcendem a imaginação dos filósofos e com as quais os cientistas nem sonham.

Toda a vida está em Deus. O que parece viver fora de Deus é simplesmente ilusão. Se desejarmos conhecer a verdade, devemos conhece-la à luz de Deus e não à luz falsa e enganadora da especulação intelectual. A união com a luz é o único caminho para chegar ao conhecimento perfeito da verdade. Como são bem poucos os que conhecem essa senda.

O mundo zomba e ri dos que por ela caminham, porque não conhece a verdade, está cheio de ilusões, cego ante a sua luz. O primeiro sinal de que desponta a aurora da sabedoria é calar-nos e permanecermos tranquilos, impassíveis, ante o riso dos néscios, o desprezo dos ignorantes, o desdém dos orgulhosos. Uma vez conhecida, a verdade será capaz de resistir ao escrutínio intelectual mais severo e aos ataques da lógica mais potente. Podem ser abaladas e transtornadas as inteligências dos que, pressentindo a verdade, não a conhecem, mas os que sabem e a compreendem, permanecem firmes como rocha. Enquanto buscarmos a gratificação dos sentidos ou a satisfação da curiosidade, não encontraremos a verdade. Para encontrá-la temos de entrar no Reino de Deus. Então, descerá sobre a nossa inteligência.

Para alcança-la não é preciso que torturemos o corpo ou que arruinemos os nervos. É indispensável crer em certas verdades fundamentais, intuitivamente percebidas por todo aquele que não tem a inteligência pervertida. Tais verdades fundamentais são: a existência de um Deus universal, origem de todo o bem, e a imortalidade da alma humana. Possuindo o ser humano faculdade de raciocínio, tem o direito e o dever de usá-la, mas nunca em oposição à lei do bem, à lei do amor divino, à lei da ordem e da harmonia. Não deve profanar os naturais dons que Deus lhe deu; antes, deve considerar todas as coisas como dons divinos, a si mesmo como um templo vivente de Deus e, seu corpo como um instrumento para manifestação do divino poder.

Um ser humano separado de Deus é coisa inconcebível posto que a natureza inteira é simples manifestação de Deus. Se a luz do Sol nos ilumina não é por obra nossa, é porque procede do Sol; se nos ocultarmos do Sol a luz desaparece.

Assim também, Deus é o Sol do espírito; devemos permanecer iluminados por seus raios, gozar do seu influxo e exortar os outros a entrar na Luz. Não existe mal nenhum em procurar conhecer essa Luz intelectualmente, se para tal a vontade se dirige. Contudo, se a vontade for atraída por uma luz falsa, tomada pela do Sol, sem dúvida cairemos em erro.

Existe uma relação definida e exata entre todas as coisas e sua causa. Mesmo nesta vida, pode o ser humano chegar ao conhecimento dessas relações e aprender a conhecer-se. O mundo em que vivemos é um mundo de fenômenos ilusórios. Tudo o que se toma por real, assim parece enquanto duram certas condições ou relações entre aquele que percebe e o objeto de sua percepção. O que percebemos não depende tanto das coisas em si quanto das condições do próprio organismo. Se a nossa organização fosse diferente, cada coisa seria percebida sob um aspecto também diferente. Quando aprendemos integralmente essa verdade e discernimos o real do ilusório, podemos entrar no reino da sublime ciência, assistidos pela luz do espírito divino. Os mistérios desta transcendental ciência, que abraça todos os mistérios da natureza, são os seguintes:

  1. O reino interno da natureza;
  2. O laço que une o mundo interno do Espírito com as formas;
  3. As relações que existem entre o ser humano e os seres invisíveis;
  4. Os poderes ocultos no ser humano, por meio dos quais pode agir no reino interno.

— Se, de coração puro, desejas a verdade, encontrá-la-ás. Mas, se tuas intenções são egoístas, afasta estas cartas. Não serás capaz de compreende-las nem te prestarão o menor benefício.

Os mistérios da natureza são sagrados. O malvado não os pode compreender. Se, todavia, conseguir descobri-los, sua luz converter-se-á em fogo consumidor de sua alma e o aniquilará.

CARTA III – VERDADE ABSOLUTA E RELATIVA

Toda a ciência do mundo se funda na hipótese de que as coisas são como parecem ser. Contudo, pouco é preciso pensar para compreender o erro da suposição, visto que a aparência das coisas não depende somente do que são em si, mas também de nossa própria organização, da constituição de nossas faculdades perceptivas.

O maior obstáculo que, no caminho do progresso, encontra o estudante das ciências ocultas, é a crença errônea de que as coisas são o que parecem ser. A menos que possa sobrepor-se a esse erro e considerar as coisas não sob o mero ponto de vista de sua limitada pessoa, mas relativamente ao Infinito e ao Absoluto, não poderá conhecer a absoluta verdade.

— Antes de prosseguir nas instruções sobre o modo prático de te aproximares da luz, será necessário que radiques, com toda a energia, em tua Mente, que todos os fenômenos são ilusórios. O que o ser humano conhece do mundo externo chegou à sua consciência através dos sentidos. Comparando, umas com as outras, as impressões repetidamente recebidas, e tomando o resultado, o que julga conhecer, corno base de especulação sobre o que não conhece, pode formar certas opiniões sobre causas que transcendam o seu poder de percepção sensitiva. Tais juízos serão válidos para si e para aqueles que tenham idêntica estruturação. Para os demais seres, que tenham organização por completo diferente da sua, esses argumentos e especulações lógicos não têm nenhum valor. É de esperar que possam existir no universo incalculáveis milhões de seres de organização superior ou inferior à nossa, mas completamente distinta, que percebam as coisas sob aspectos muito diferentes. Semelhantes seres, ainda que vivam neste mundo podem, contudo, nada conhecer dele, para nós o único concebível. Podemos, também, nada saber, intelectualmente, acerca do seu mundo, apesar de ser uno e idêntico com o nosso.

Para compreender o seu mundo, necessitamos de suficiente energia que arroje todos os erros e preocupações herdadas e adquiridas. Devemos elevar-nos a um nível superior ao do eu inferior, ainda preso ao mundo sensorial por milhares de cadeias, e atingir mentalmente o lugar onde possamos contemplar o mundo sob um aspecto superior. Devemos morrer, por assim dizer, ou antes, devemos viver inconscientes da nossa existência pessoa1, até podermos adquirir a consciência da vida superior e olhar ao mundo sob o ângulo de visão de um Deus.

A ciência moderna é somente conhecimento relativo, o que equivale a dizer que os nossos sistemas científicos ensinam unicamente as relações existentes entre as coisas externas e mutáveis e essa outra coisa, transitória e ilusória, a pessoa humana, mera aparência externa de uma atividade interna completamente desconhecida da ciência acadêmica. Os tão louvados e enaltecidos conhecimentos científicos são pura superficialidade, se referem, tão-só, a alguns dos infinitos aspectos da manifestação divina. A ignorância, ainda que ilustrada, julgando ser a sua maneira especial de considerar o mundo dos fenômenos a única verdadeira, se agarra desesperadamente a essas ilusões que toma por únicas realidades. Aos que distinguem as ilusões qualifica-os de sonhadores.

Enquanto a ciência se mantiver presa destas ilusões, não se elevará acima delas, continuará sendo ilusória e incapaz de transmitir o verdadeiro caráter da natureza. Em vão pedirá provas da existência de Deus enquanto cerrar os olhos à Eterna Luz. Entenda-se, todavia, que não estamos pedindo à ciência moderna para se colocar no plano do Absoluto, porque, neste caso, deixaria de ser relativa para as coisas externas e não teria valor algum.

Admitiu-se que as cores não são realidades por si mesmas, mas produto de certo número de ondulações da luz, o que não impede a fabricação das cores e o seu útil emprego.

Análogos argumentos são aplicáveis às demais utilizações da ciência. Obviamente, não se pretende opô-los aos trabalhos de investigação da ciência, mas instruir aqueles que não encontrem satisfação no meio conhecimento superficial e externo e, se é possível, moderar a presunção dos que creem saber tudo e, escravos de suas ilusões, negam a existência do Eterno e do Real.

Não é o corpo físico que vê, ouve, respira, raciocina e pensa. É o ser humano interno, invisível, que o realiza por meio dos órgãos corporais. Não existe nenhuma razão para crer que o ser humano interno cessa de existir quando o corpo morre; pelo contrário, como adiante veremos, supor tal coisa seria insensatez.

Sem dúvida, se o ser humano interno, pela morte do organismo físico, perde o poder de receber impressões sensíveis do mundo externo e, perdendo o cérebro, perde o poder de pensar, certamente mudarão por completo as relações condicionadoras da sua permanência no mundo. Consequentemente as condições da sua nova existência serão totalmente distintas. Seu mundo não será o nosso mundo, considerando, todavia, que, no sentido absoluto da palavra, não há senão um só mundo.

Vemos, portanto, que pode coexistir com o nosso mundo um milhão de mundos diferentes, desde que exista um milhão de seres de constituições diferentes umas das outras. Por outras palavras, a natureza é uma só e pode se manifestar sob infinito número de aspectos. A cada uma das mudanças de nossa organização, observamos o mundo através de um prisma distinto. Ao morrer, entramos num mundo novo, notando que não é o mundo que muda, mas as nossas relações com ele.

Que sabe o mundo sobre a verdade absoluta? E nós, que realmente sabemos? Sol, Lua, Terra, fogo, ar, água: só os consideramos existentes em consequência de certo estado de nossa consciência que nos leva a crer que existem. A verdade absoluta não existe no reino dos fenômenos. Nem sequer nas matemáticas a encontramos, porque todas as suas regras e os seus princípios estão fundados em certas hipóteses respeitantes à grandeza e à extensão, já, por si, de caráter fenomênico. Mudem-se os conceitos fundamentais das matemáticas e o sistema inteiro será modificado.

Do mesmo modo se pode conceituar quanto à matéria, ao movimento e ao espaço. Tais palavras somente exprimem conceitos, formados sobre coisas inconcebíveis, dependentes do nosso estado de consciência.

Se olharmos a uma árvore, forma-se uma imagem em nossa Mente, o que equivale a dizer que entramos em certo estado de consciência que nos relaciona com um fenômeno de cuja inteira natureza nada sabemos, ao qual damos o nome de árvore. Para um ser organizado de modo distinto, talvez a nossa árvore seja inteiramente diferente, quiçá transparente e sem solidez material. E, assim, para milhares de seres diferentes, isto é, de constituições diversas umas das outras, parecerá ter outros tantos aspectos distintos. O Sol, outro exemplo, pode ser considerado simplesmente como uma bola de fogo. Mas um ser de compreensão superior poderá ver nele alguma coisa para nós indescritível, por carecermos das faculdades precisas para tal concepção e descrição. O ser humano externo guarda certa relação com o mundo externo e, como tal, nada mais pode conhecer do mundo do que essa relação externa.

Algumas pessoas podem objetar que o ser humano deve se contentar com aqueles conhecimentos e não tentar aprofundá-los. Isso equivaleria a privá-lo de todo o progresso ulterior e condená-lo a permanecer preso da ignorância e do erro.

A ciência que depende de ilusões externas é uma ciência ilusória. O aspecto externo das coisas é produto da atividade interior. Se essa atividade não for conhecida, o fenômeno externo não poderá ser compreendido. O ser humano real, interno, residente na forma externa, mantém certas relações com a atividade interna do Cosmos não menos estritas e definidas do que as relações existentes entre o ser humano interno e a natureza externa. Se o ser humano não conhecer as relações que o ligam àquele poder interno, por outras palavras, que o ligam a Deus, não compreenderá a própria natureza divina e não atingirá, jamais, o verdadeiro conhecimento de si mesmo. O único e verdadeiro objetivo da verdadeira religião e da verdadeira ciência deve ser ensinar ao ser humano a relação entre si e o infinito todo e a se elevar àquele exaltado plano de existência para o qual foi criado.

Pelo falo de um ser humano ter nascido em certa casa ou em certa cidade não se conclui que tenha de permanecer ali toda a vida. Do mesmo modo, certa condição física, moral e intelectual não impõe a necessidade de ficar sempre em tal estado, nem que não faça nenhum esforço por se elevar a maiores alturas. A mais sabida de todas as ciências tem por finalidade o mais elevado de todos os conhecimentos. Não pode existir objetivo mais sublime nem mais digno de ser conhecido que a causa universal do bem. Deus é o objetivo mais elevado dos conhecimentos humanos; nada podemos saber Dele, fora da Sua manifestação ativa em nós próprios. Obter o conhecimento do eu equivale a obter o conhecimento do princípio divino que habita em nós ou, por outras palavras, o conhecimento do próprio eu depois que ascendeu ao divino.

O eu interno e divino reconhecerá, por assim dizer, as relações existentes entre si e o princípio divino no universo, se permitido é falar de relações entre duas coisas que não são duas, mas uma só e idêntica. Mais corretamente deveríamos dizer: o conhecimento espiritual, no ser humano, se realiza quando Deus nele expressa sua própria divindade.

Todo poder, quer pertença ao corpo, à alma ou ao princípio inteligente, nasce do centro, do espírito. Ver, sentir, ouvir e perceber são capacidades dos sentidos que o ser humano deve à atividade espiritual. Na maior parte dos seres humanos, despertou somente a potência intelectual que pôs em atividade os sentidos. Mas, há pessoas excepcionais que desenvolveram essa atividade espiritual em grau muito maior e expandiram extraordinariamente suas faculdades internas de percepção. Tais pessoas podem perceber realidades imperceptíveis para os demais e pôr em exercício poderes que os restantes mortais não possuem. Se os pretensos sábios encontram pessoas dessa natureza, geralmente consideram-nas enfermas de corpo, vítimas de uma condição patológica.

Todos os dias a experiência demonstra que a ciência do exterior, da superfície, ignora quase inteiramente as leis fundamentais da natureza, porque, continuamente e equivocadamente, toma as causas por efeitos e os efeitos por causas. Com igual razão e a mesma lógica se, num rebanho de carneiros, um obtivesse a faculdade de falar como ser humano, poderiam os restantes considerar o companheiro enfermo e se ocupar de sua condição patológica. A sabedoria parece loucura para o louco. Para o cego, a luz não se distingue das trevas. Para o vicioso, a virtude é como o vício e o falso diz que a verdade não vale mais que o embuste. Vemos, pois, que o ser humano percebe as cousas pelo que imagina e não pelo que são.

Assim, tudo a que chamam bom ou mau, verdadeiro ou falso, útil ou inútil, tem sentido relativo. E a conceituação difere, ainda, de um para outro, de acordo com as distintas opiniões, objetivos ou aspirações. Consequência: onde começa a linguagem nasce a confusão, porque diferem as constituições humanas, donde resulta, em cada um, uma concepção das coisas distinta das concepções dos outros.

Isto é verdadeiro já nos assuntos comuns, mas se evidencia muito mais nas questões de ocultismo, do qual os seres humanos comuns só possuem ideias falsas. Não será aventuroso dizer que o simples enunciado de uma sentença de natureza oculta daria origem a disputas e a interpretações falsas.

As únicas verdades que se encontram fora de toda disputa são as verdades absolutas. Não precisam ser enunciadas porque são evidentes por si mesmas. Expressá-las pela linguagem equivale a dizer o que todo o mundo sabe e ninguém põe em dúvida.

Dizer, por exemplo, que Deus é a causa de todo o bem equivale, simplesmente, a simbolizar a origem desconhecida de todo bem com a palavra Deus. A verdade relativa respeita unicamente às personalidades transitórias dos seres humanos.

Só pode conhecer a Verdade no Absoluto aquele que, se sobrepondo à esfera do eu e do fenômeno, chega ao Real, eterno e imutável. Fazer isso é, em certo sentido, morrer para o mundo; o que é o mesmo que se desembaraçar por completo da noção do eu pessoal e ilusório e chegar a ser um com o Universal, onde não existe o mínimo sentido de separação.

Se estiveres disposto a morrer assim, podes penetrar no Santuário da Ciência Oculta.

Porém, se as ilusões do mundo, sobretudo a ilusão de tua existência pessoal, te atraem, buscarás em vão o conhecimento do que existe por si e independente de qualquer relação com coisas — é o eterno centro flamígero, o Pai, do qual só pode se aproximar: o Filho, a Luz, a Vida e a Verdade Supremas.

CARTA IV – A DOUTRINA SECRETA

Em seus fundamentos a Doutrina Secreta, fonte dos mais profundos mistérios do Universo, é tão simples que pode ser compreendida por um menino. Por ter essa simplicidade, dela desdenham os que suspiram pela complexidade e pelas ilusões. “Ama a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”, o conhecimento prático desta verdade é tudo que se requer para entrar no templo onde se adquire a sabedoria divina.

Não poderemos conhecer a causa de todo bem se não nos aproximarmos dela; e não poderemos aproximar-nos dela se a não amarmos e se não formos, por amor, atraídos para ela. Não podemos amá-la sem que a sintamos e não podemos senti-la sem que exista em nós.

Para amar o bem precisamos ser bons. Para, sobre todas as coisas, amar o bem, deve o sentimento da verdade, da justiça, da harmonia, sobrepujar e absorver os outros sentimentos. Devemos deixar de viver no âmbito do eu pessoal, que é o mal, e começar a viver no divino da humanidade como num todo. Devemos amar o que é divino, tanto na humanidade como dentro de nós mesmos. Se alcançarmos esse estado supremo, de esquecimento do nosso ego intelectual e animal e de união com Deus, não haverá na terra ou nos céus nenhum segredo inacessível.

Conhecer Deus, o que é? É o conhecimento do bem e do mal. Deus é a causa de todo bem e o bem é a origem do mal. O mal é a reação do bem, no mesmo sentido em que as trevas são a reação da luz. O fogo divino de que procede a luz não é causa da obscuridade, mas a luz que irradia do centro flamígero não pode chegar a se manifestar sem a presença das trevas. Sem a presença da luz as trevas seriam desconhecidas.

Por conseguinte, há dois princípios: o do bem e o do mal, partindo ambos da mesma raiz, destituída de mal. Nesta raiz só existe o inconcebível bem absoluto. O ser humano é um produto da manifestação do princípio do bem e unicamente no bem pode encontrar a felicidade, visto que a condição necessária de felicidade para cada ser é viver no âmbito a que a sua natureza pertença.

Os que nascem no bem são felizes no bem; os que nascem para o mal nada mais desejam que o mal. Os que nascem na luz buscarão a luz; os que pertencem às trevas buscam as trevas. Sendo o ser humano um filho da luz, não será feliz enquanto, em sua natureza, existir um resquício de trevas.  O ser humano não encontrará a paz enquanto albergar, no íntimo, uma pequena mancha do mal.

A alma do ser humano é como um jardim onde se lançou um número infinito de sementes. Destas sementes podem surgir belas plantas e plantas disformes. O calor necessário para o seu crescimento vem do fogo que se chama vontade. Se a vontade é boa, desenvolverá plantas belas, se é má, plantas disformes. Logo, a finalidade principal da existência do ser humano na Terra é a purificação da vontade, cultivando-a para que se converta numa potência espiritual. O único meio para purificar a vontade é a ação. Para consegui-lo, as ações têm de ser boas até que o agir bem seja mera questão de hábito. E o hábito se estabelece quando na vontade não haja mais desejo de agir mal.

 Que proveito terias em conhecer, intelectualmente, os mistérios da Trindade e o poder falar brilhantemente sobre os atributos do Logos, se no altar do teu coração não ardesse o fogo do amor divino e, nesse templo, não brilhasse a luz do Cristo? Se tua inteligência for abandonada pelo espírito, o dador da vida, se desvanecerá, perecerá, a não ser que a chama do amor espiritual arda em teu coração com a luz da consciência eterna.

Se não estás na posse do amor do bem, mais te vale permanecer sumido na ignorância; assim, pecarás ignorantemente e não serás responsável por teus atos. Mas aqueles que conhecem a verdade e a desprezam por má vontade, sofrerão; cometeram pecado contra a verdade santa e espiritual. O Rosacruz, em cujo coração arde o fogo do amor divino, está iluminado e inspirado por esse fogo e, por causa do mesmo amor, pratica ações nobres. Não necessita de mestre mortal algum que lhe ensine a verdade porque, penetrado do espírito de sabedoria, esse é o seu Mestre verdadeiro.

Todas as ciências e artes mundanas são mínimas e pueris ante a excelência desta sabedoria divina. A posse do saber do mundo não confere valor permanente, mas a da sabedoria divina é um valor eterno. Não pode existir sabedoria divina sem o amor divino. A sabedoria divina é a união do saber espiritual com o amor espiritual, de que resulta o poder espiritual. Aquele que não conhece o amor divino não conhece a Deus. Deus é amor fonte e o centro flamígero do amor. Por isso, foi dito que, ainda que penetrássemos todos os mistérios, fizéssemos boas obras, mas não possuíssemos o amor divino, nada disso nos aproveitaria. Pelo amor é que se pode conquistar a imortalidade.

Que é o amor? O amor é um poder universal que procede do Centro donde surgiu e se expandiu o Universo. No reino elementar, o amor age à maneira de força cega, chamada força de atração. No Reino vegetal obtém os rudimentos dos instintos que, no Reino animal tem completo desenvolvimento. Finalmente, no Reino humano se converte em paixão; essa, ou o impelirá para a fonte divina donde brotou ou, se for pervertida, conduzi-lo-á à destruição. No reino espiritual, o do ser humano regenerado, o amor se transforma em poder espiritual, consciente e vivo. Para a maior parte dos seres humanos o amor não é mais do que um sentimento. O amor verdadeiramente divino e poderoso é quase desconhecido da humanidade. O sentimento superficial a que chamam amor é um elemento semianimal, fraco, impotente, e, todavia, suficiente para guiar ou extraviar os seres humanos. Podemos amar ou deixar de amar uma coisa, mas o amor superficial não penetra, senão os extratos superficiais do objeto amado. A posse do amor divino não depende de escolha; é um dom do espírito que reside no interior; é um produto da evolução espiritual e só os que chegam a esse ponto podem possuí-la. Não é possível alguém conhecer esse amor se não alcança a consciência divina, mas o que a atinge sabe que é um poder que penetra tudo, brota do centro do coração e, tocando o coração do ente amado, atrai os germes do amor ali contidos. A esse amor espiritual chama, se te parece melhor, luz espiritual, pois é tudo isso e muito mais. Todos os poderes espirituais brotam de um centro eterno e ascendem à maneira do vértice duma pirâmide de muitos lados. A esse ponto, a esse poder, a esse centro, a essa luz, a essa vida, a esse Todo, chamamos Deus, a causa de todo o bem. essa palavra é um mero vocábulo sem significação para aqueles que O não entendem; aliás, nem sequer podem conceber Seu significado, porque não sentem nem conhecem a Deus em seus corações.

Como poderemos obter esse poder espiritual de amor, de boa vontade, de luz e de vida eterna? Não podemos amar uma coisa sem que saibamos que é boa; não podemos conhecer se uma coisa é boa ou má sem senti-la; não podemos senti-la sem que nos aproximemos dela e não podemos aproximar-nos se a não amamos. Assim, giraríamos, eternamente em círculo vicioso, sem nos acercarmos jamais da eterna verdade que, do centro do coração humano lança seus raios e, instintiva e inconscientemente, transforma o movimento circular em movimento espiral; se a Luz da Graça não conduzisse os seres humanos para aquele centro, mau grado as próprias inclinações.

Tem sido dito que a inclinação do ser humano para o mal é mais forte do que para o bem. Indubitavelmente, isto é certo; no estado presente de sua evolução as atividades e tendências animais são muito fortes. Os princípios espirituais mais elevados não se desenvolveram suficientemente para dar-lhe consciência de si. Contudo, se as inclinações animais são mais fortes que seus poderes espirituais, a luz eterna e divina que o atrai para o centro é muito poderosa. Se resiste ao poder do amor divino e prefere se dirigir ao mal, não deixará, contudo, de ser atraído, inconsciente e continuamente, para o centro do amor. Portanto, ainda que, em certo grau, seja vítima indefesa de poderes invisíveis, na medida em que faz uso de sua razão é, de certa maneira, um agente livre, livre relativamente, visto que só poderá ser completamente livre quando sua razão for perfeita. A razão se tornará perfeita quando vibrar uníssona e harmoniosamente com a razão divina e universal. Portanto, o ser humano só pode ser livre se obedecer à lei.

Só pode existir uma Razão Suprema, uma Lei Suprema, uma Sabedoria Suprema, noutros termos, UM DEUS. A palavra Deus significa o ponto culminante de tudo que é físico e espiritual. Significa o Centro único donde procedem todas as coisas, todas as atividades, todos os atributos, faculdades, funções e princípios que, por fim, ao mesmo Centro voltarão. O ser humano pode esperar a concretização de sua aspiração quando agir em harmonia com a lei universal. A teoria universalmente aceita da sobrevivência dos mais aptos e a verdade absoluta de que o forte suplantará o fraco, são tão certas no Reino animal como no reino espiritual. Uma gota de água não pode, por si, correr em sentido contrário ao da corrente de que participa. É o ser humano, em toda a sua vaidade e pretensão de sabedoria, mais do que uma gota de água no oceano da vida universal?

Para obedecer à lei precisamos aprender a conhecê-la. Mas, como pode alguém conhecer a lei pura e distingui-la da adulterada, a não ser no estudo da natureza espiritual, em seus aspectos internos e externos? Só um Livro existe que o aspirante ocultista precisa conhecer, livro em que se acha contida toda a Doutrina Secreta, com todos os mistérios conhecidos unicamente pelos iniciados. Tal livro nunca foi modificado ou erroneamente traduzido, nunca foi objeto de fraudes piedosas nem de interpretações absurdas. Está ao alcance de todos, tanto dos mais favorecidos de riquezas como dos mais pobres. Todos podem compreender sua linguagem, sem distinção de idioma ou de nacionalidade. Seu título é “M”, que significa “O Macrocosmos e o Microcosmos reunidos em um volume”. Para bem compreende-lo, importa lê-lo com os olhos da inteligência e com os do espírito. Se penetrarmos nas suas páginas só com a luz do cérebro, fria como a luz da Lua, as páginas parecerão mortas e ensinarão somente o que está impresso numa superfície. Mas, se a luz divina do amor irradia do coração, iluminará as páginas o os sete selos que fecham os capítulos se romperão, um após outro, serão erguidos os véus que os cobrem e conheceremos os mistérios divinos que jazem no santuário da Natureza.

Sem essa luz divina do amor é inútil tentar penetrar no desconhecido, onde permanecem os mais profundos mistérios. Os que estudam a natureza com a mera luz dos sentidos nada mais conhecerão do que uma máscara exterior. Em vão podem esperar que lhe ensinem os mistérios. Unicamente com a luz do espírito poderão ser compreendidos; razão de se dizer que a luz brilhou nas trevas e as trevas não a compreenderam.

A luz do espírito somente se encontra no íntimo. O ser humano só pode conhecer o que existe dentro de si; não pode ver nem ouvir nem perceber nenhuma coisa externa; só contempla as imagens e experimenta as sensações que, em sua consciência, produzem os objetos exteriores.

O que ao ser humano pertence é um resumo, uma imagem do universo. Ele é o Microcosmos da Natureza; nele se acha em germe, mais ou menos desenvolvido, tudo quanto a natureza contém. Nele residem Deus, Cristo e o Espírito Santo. Nele vivem a Trindade, os elementos dos Reinos Vegetal, Animal e espiritual; ele contém o Inferno e o Céu e o Purgatório: tudo está nele porque é a imagem de Deus e Deus é a causa de tudo que existe.

Nada existe que não seja manifestação de Deus e de que se não possa dizer, em certo sentido, que seja Deus ou a substância de Deus.

O Universo é a manifestação daquela Causa ou Poder interno a que os seres humanos chamam Deus. Para estudar as manifestações desse poder temos que estudar as impressões que produz em nosso íntimo. Nada se pode conhecer fora do que existe em nós. O estudo da natureza não é, nem pode ser, nada mais do que o estudo do eu, ou, por outras palavras, o estudo das impressões internas a que as causas externas deram lugar. Positivamente, o ser humano não pode, de maneira nenhuma, conhecer nada, a não ser o que vê, sente ou percebe na intimidade do seu ser; todos os conhecimentos sobre as coisas são meras es­peculações e suposições; podemos chamar-lhes verdades relativas.

Consequentemente, se não lhe é possível conhecer algo sobre as coisas fenomênicas, senão quando as veja, sinta ou perceba em si, como é possível saber das coisas internas que não sejam manifestadas em seu íntimo? Todos os que buscam um Deus no mundo externo, em vez de procura-lo em seus corações, em vão o procuram. Todos os que adoram um rei desconhecido na criação, enquanto fazem por abafar um rei recém-nas­cido em seus corações, adoram uma ilusão. Se aspiramos conhecer a Deus e obter a Sabedoria divina, devemos estudar a atividade do Divino Princípio em nossos corações. Devemos lhe escutar a voz com o ouvido da inteligência e ler as suas palavras com a luz do divino amor, porque o único Deus que o ser humano pode conhecer é o seu próprio Deus pessoal, uno com o Deus do Universo. Por outro modo dizendo, Deus universal entra em relação com o ser humano e alcança personalidade por meio do organismo a que chamamos ser humano. É assim que Deus se faz ser humano e o ser humano se transforma em Deus. Mas tal transformação se efetua apenas quando obtém o conhecimento perfeito do divino Ego ou, em termos diferentes, quando Deus se faz consciente de si mesmo e alcança, no ser humano, ciência de si mesmo.

 Portanto, não pode haver sabedoria divina nem conhecimento do próprio Eu Divino senão depois que, encontrando o Eu Divino, o ser humano se faz sábio. Não sejam os especuladores da ciência e da teologia tão presumidos para dizer que encontraram o próprio Divino Ego. Se o tives­sem encontrado estariam na posse de poderes divinos, desses que possuem os seres humanos “sobrenaturais”, quase desconhecidos entre a humanidade. Se os seres humanos encontrassem seus Divinos Egos, não precisariam de pregadores, nem de doutores, nem de mais livros, nem de outras instruções que as mutuadas do seu Deus interno. Porém, a sabedoria dos nossos sá­bios não é sabedoria de Deus; procede de li­vros, de fontes externas e falíveis. Convém saber que o sentimento do Ego, ao qual os seres humanos chamam seu próprio “eu”, não é o do Ego Divino, mas o do Ego animal ou intelectual em que sua consciência se concentra. Cada ser humano tem um grande e variado número destes egos ou “eu’s”. Deverão perecer e desaparecer todos, antes que o Eu Divino, universal e onipresente, possa vivificar a existência do ser humano. Ai dos seres humanos se conhecessem seus próprios “eu’s” animais e semianimais! A aparição enchê-lo-ia de horror. As qualidades predominantes na maioria dos seres humanos são a inveja, a cobiça, o sibaritismo, a ambição, etc. Estes são os poderes ou deuses que gover­nam os seres humanos. A eles se aferram com amor e carinho como se fossem seus próprios “eu’s”. Tais egos, em cada alma de ser humano, assumem a forma que corresponde ao seu caráter (cada caráter corresponde a uma forma, produz uma forma). Estes “eu’s” ilusórios carecem de vida própria, se alimentam do princípio da vida em cada ser humano, vivem graças à sua vontade e se dissolvem com a vida do corpo ou pouco depois. Imortal, que existiu e existirá para sempre, é unicamente o espírito divino. No ser humano, os elementos perfeitos e puros, unidos ao espírito divino, continuarão vivendo.

Este Ego Divino não experimenta o sentimento de separação que tanto domina nossos “eu’s” inferiores; como o espaço, não estabelece distinção entre si e os demais seres humanos; se vê e a si mesmo se reconhece em todos os outros seres. Porém, vivendo e sentindo com os outros seres, não morre com eles, porque, sendo já perfeito, não requer transformações. esse é o Deus ou Brahma, so­mente reconhecível pelo que se tornou divino. É o Cristo, jamais compreendido pelo que leva em sua fronte o sinal da Besta, o Anticristo, símbolo do intelectualismo sem espiritualidade ou da ciência sem amor divino. Só pode ser conhecido pelo poder da fé verdadeira, essa espiritual sabedoria que penetra até ao centro ardente do amor existente no coração do Uno. esse centro do Amor, da Vida e da Luz é a origem de todos os poderes. Nele se contêm todos os germes e mistérios, fonte da revelação divina. Se encontrares a luz que irradia daquele centro não necessitarás de mais ensinos, achaste a vida eterna e a verdade absoluta.

O grande erro da nossa época intelectual é crerem os seres humanos que podem chegar ao conhecimento da verdade por meras especula­ções intelectuais, científicas, filosóficas ou teológicas, isto é, tão só pelo raciocínio. A teoria oculta deve ser conhecida, mas seria um mero conhecimento teórico, que não prestaria para nada, se não fosse confirmada, experimentada e realizada por meio da prática. Que aproveita ao ser humano falar muito so­bre o amor e, como papagaio, repetir o que ouviu ou leu, se não sente em seu coração o poder divino do amor? De que lhe servirá falar sabiamente da sabedoria, se não é um sábio?

Ninguém chega a ser um bom músico, soldado ou estadista só pela leitura doa livros. O poder não se obtém por simples especulação, mas pela prática. Para conhecer o bem há que pensar e praticar o bem; para experimentar a sabedoria é preciso ser sábio. Amor que não encontre expressão em ações não obtém nenhuma força. Caridade que só exista na imaginação, será sempre imaginária, se não for expressa em atos. A toda a ação corresponde uma reação. Por isso, a prática das boas ações robustece o amor ao bem que, por sua vez, se manifes­tará em forma de novas boas ações.

Quem, não sabendo agir bem, age mal, é digno de compaixão; porém, quem sabe como agir bem e age mal, sabe intelectualmente que é digno de condenação. essa a razão porque é peri­goso para os seres humanos receber instruções sobre a vida superior se a sua vontade é má. Depois de aprendermos a distinguir entre o bem e o mal, optar pelo caminho do mal torna-nos mais responsáveis que antes. Estas cartas não teriam sido escritas se não houvesse esperança de encontrar, entre os seus leitores, alguns que, além de compreen­derem intelectualmente seu conteúdo, entrem resolutamente no caminho prático. A porta deste caminho é o conhecimento do Eu. Ela conduz à união com Deus e sua primeira consequência é o reconhecimento do princípio da Fraternidade Universal.

CARTA V – OS ADEPTOS

Em tua resposta à minha última carta, manifestaste a opinião de que o expoente de espiritualidade exigido pela nossa filosofia, e que combina o intelecto com a moral, é demasiadamente elevado para que o ser humano possa alcançá-lo. E duvidas que alguém alguma vez o alcançasse.

Permite dizer que muitos daqueles a quem a igreja cristã chama santos e muitos outros habitualmente conhecidos por pagãos, obtiveram aquele estado, alcançaram poderes espirituais e realizaram coisas extraordinárias a que é costume chamar milagres.

Se examinares a vida dos santos, acharás muitas coisas grotescas, fabulosas e falsas. Os que só conhecem as lendas conhecem pouco ou nada das leis misteriosas da natureza. Relatam fenômenos autênticos ou apócrifos, mas não podendo explicá-los, atribuem-lhes causas de sua própria invenção. Em todos esses escombros encontrarás uma parte de verdade, o que demonstra que a inteligência de pessoas sem ilustração pode ser iluminada pela Divina Sabedoria, se tais pessoas vivem santamente. Verás que, muitas vezes, frades e freiras pobres e ignorantes, segundo o mundo, sem nenhuma instrução, alcançaram tal sabedoria que foram consultados por papas e reis; e verás que, muitos deles, atingiram o poder de abandonar os Corpos físicos para, em Corpos sutis, visitar lugares distantes e aparecer em forma material em pontos remotos.

As ocorrências desta espécie foram tão numerosas que deixaram de parecer extraordinárias, e nem será necessário descrevê-las porque são todas já bastante conhecidas. Na vida de Santa Catarina de Sena, na de São Francisco Xavier[1] e nas de muitos outros santos encontrarás a descrição de semelhantes incidentes. A história profana também abunda em narrações referentes a homens e mulheres extraordinários. Limito-me a recordar-te a história de Joana d’Arc, que possuiu dons espirituais e a de Jacob Boehme, sapateiro inculto iluminado pela Sabedoria Divina.

Nada seria mais absurdo que disputar sobre semelhantes coisas com um cético ou um materialista. Equivaleria a discutir sobre a existência da luz com um cego de nascença. Nenhum tribunal de cegos pode falar sobre a existência ou não existência da luz e, não obstante, ela existiu e existe. Podemos dar aos cegos alguma ideia sobre a luz, mas não podemos provar-lhe cientificamente enquanto permanecerem cegos à razão e à lógica.

A “civilização moderna” a tal ponto tem degradado os conceitos sobre os valores que, para muita gente, todos os afãs se concentram no dinheiro como meio de satisfazer seus apetites, comodidades, afeições ou luxos. Tais pessoas não compreendem que se possa praticar algum ato fora da mira de enriquecer, comer, beber, dormir e gozar de todo o conforto da vida.

Não obstante, tais pessoas não são felizes, vivem inquietas e ansiosas, correndo atrás de ilusões que se desfazem ao tocá-las, ou que geram desejos mais violentos para outras ilusões.

Felizmente, há muitas pessoas em quem a Centelha Divina de espiritualidade não foi abafada pelo materialismo; algumas, até, converteram essa centelha em chama pelo sopro do Espírito Santo, sopro que ilumina as inteligências e de tal modo penetra os Corpos físicos que mesmo observadores superficiais se apercebem do caráter extraordinário dessas pessoas. Indivíduos desta natureza habitam em diversas partes do mundo e constituem uma Fraternidade pouco conhecida.

Nem é desejável que seja divulgada porque excitaria a inveja e a cólera dos ignorantes e dos malvados, pondo em atividade uma força hostil a si própria.

Todavia, como desejas conhecer a verdade não por mera curiosidade, mas pelo desejo de seguir o caminho, foi-me permitido dar-te as seguintes notícias[2]:

Os Irmãos de quem falamos vivem desconhecidos para o mundo. A história nada sabe deles, contudo, são os maiores da humanidade. Quando se converterem em pó os monumentos erigidos em honra dos conquistadores do mundo, e deixarem de existir os reinos e tronos, estes escolhidos ainda viverão. Tempo chegará em que os seres humanos abandonarão as ilusões e começarão a estimar o que é digno de apreço; então, os Irmãos serão conhecidos e apreciada a sua sabedoria.

Os nomes dos grandes da Terra estão escritos no pó, mas os nomes destes Filhos da Luz estão no Templo da eternidade. Farei que conheças estes Irmãos; poderás converter-te num deles. Iniciados nos mistérios da Religião, não pertencem a nenhuma sociedade secreta, como essas que profanam as coisas sagradas com cerimônias e pompas e cujos membros presumem de iniciados. Não, somente o Espírito de Deus pode iniciar o ser humano na Sabedoria Divina e iluminar sua inteligência. Só o Hierofante pode guiar o candidato para o altar onde arde o fogo divino, mas é o candidato que, por si, deve chegar ao altar. Quem deseja ser Iniciado deve se fazer digno de obter dons espirituais, deve beber na Fonte que a todos se oferece, mas que não mata a sede daqueles que a si mesmo se excluem.

Enquanto ateus, materialistas e céticos da moderna civilização falseiam a palavra filosofia e, aparentando celestial sabedoria, pontificam com as lucubrações dos próprios cérebros, os Irmãos, tranquilamente, iluminados por uma luz mais elevada, constroem, para o Eterno Espírito, um Templo que permanecerá, mesmo depois do desaparecimento dos mundos. Seu labor consiste no cultivo dos poderes da alma. O torvelinho do mundo e suas ilusões não os afetam; no livro misterioso da natureza leem as letras vivas de Deus. Reconhecem e gozam das harmonias divinas do universo. Enquanto os sábios do mundo reduzem a níveis intelectuais e morais o que é sagrado e exaltado, estes Irmãos se elevam ao plano da luz divina e nele encontram tudo quanto, na natureza, é bom, verdadeiro e justo.

Não se limitam a crer, conhecem a Verdade por contemplação espiritual ou viva. Suas obras estão em harmonia com sua : fazem o bem por amor do bem e sabem que é o bem. Sabem que um ser humano não pode se converter em verdadeiro Cristão só por abraçar certa crença. A conversão num Cristão verdadeiro significa se transformar num Cristo, se elevar acima da personalidade e consubstanciar, no seio do divino Ego, tudo que existe nos céus e na terra. É um estado inconcebível por quem nunca o alcançou. Significa uma condição em que o ser humano é, real e conscientemente, o templo onde reside, com todo seu poder, a Trindade Divina. Só nesta luz ou princípio, a que chamamos Cristo, que outros povos conhecem por outros nomes, podemos encontrar a verdade.

Entra nesta Luz e aprenderás a conhecer os Irmãos que nela vivem.   É o santuário de todos os poderes e meios chamados sobrenaturais e proporciona a energia necessária para restabelecer a união que, em remotas eras, ligava o ser humano à Fonte Divina donde procede. Se os seres humanos conhecessem a dignidade das próprias almas e as possibilidades dos seus poderes latentes, só o desejo desse conhecimento os encheria de respeitoso temor.   Deus é Uno e só existe uma verdade, uma ciência e um caminho para chegar a Ele.  Dá-se a esse caminho o nome de Religião; portanto, só existe uma Religião, ainda que haja muitas confissões diferentes. O necessário para conhecer a Deus está, integralmente, na natureza.  As verdades que a Religião pode ensinar existiram desde o princípio do mundo e existirão até que o mundo acabe. Em todas as nações desse Planeta brilhou sempre a luz, mas as trevas não a compreenderam. Em certas regiões a luz foi muito brilhante, noutras, menos: brilhou sempre proporcionalmente à capacidade receptiva do povo e à pureza de sua vontade. Todas as vezes que encontrou grande acolhimento, apareceu com dilatado resplendor e os seres humanos capacitados perceberam-na mais claramente. A verdade é universal, não pode ser monopolizada por ninguém.

Os mistérios mais augustos da Religião, tais como a Trindade, a Queda da Mônada[3] humana, sua Redenção pelo amor, etc., se encontram tanto nos sistemas antigos de Religião como nos modernos. Conhecê-los é conhecer o Universo, é conhecer a Ciência Universal, ciência infinitamente superior a todas as ciências materiais do mundo. Se for certo que estas examinam algumas particularidades, alguns detalhes da existência, não locam, porém, as grandes verdades universais que são o fundamento da existência, até com desprezo tratam semelhantes conhecimentos porque seus olhos estão fechados à luz do espírito.

As coisas externas podem ser examinadas com a luz externa; as especulações intelectuais requerem a luz da inteligência, mas a percepção das verdades espirituais precisa da luz do espírito. Uma luz intelectual, sem a iluminação espiritual, conduzirá os seres humanos ao erro.

Os que desejam conhecer as verdades espirituais devem buscar a luz no seu íntimo e não em qualquer espécie de fórmulas ou cerimônias externas. Quando tiverem encontrado Cristo dentro de si serão Cristãos. Era essa a Religião prática, a ciência e o saber dos antigos sábios, muito tempo antes de aparecer o Cristianismo. Era também a Religião prática dos primitivos Cristãos que, como verdadeiros Discípulos de Cristo, estavam espiritualmente iluminados.

À medida que o Cristianismo se difundia, as interpretações falsas foram suplantando a verdadeira doutrina e os símbolos sagrados perderam sua real significação. As organizações eclesiásticas inventaram ritos e cerimônias e a fraude e um mórbido misticismo usurparam o trono da Religião e da verdade. Os seres humanos destronaram Deus para se assentarem no seu trono. A ciência de tais seres humanos não é sabedoria. Suas experiências não vão além das sensações Corporais. Sua lógica se funda em argumentos falsos. Jamais conheceram as relações do ser humano finito com o Espírito Infinito. Arrogam-se poderes divinos que não possuem e induzem os seus semelhantes a buscar neles a luz que só irradia do divino Ego; e, assim, os enganam com esperanças vãs ou sugerem falsas seguranças que conduzem à perdição.

Eis aí as consequências do poder material acumulado pelas modernas igrejas. Que demonstra a história? Que o aumento do poder material de uma igreja diminui o seu poder espiritual. Ela não pode dizer: “Não possuo ouro nem prata”, nem ao enfermo: “levanta-te e caminha”!

Se não for infundida nova vida nos antigos sistemas religiosos, sua decadência é certa. Sua ineficácia está patente na difusão universal do materialismo, do ceticismo e da libertinagem. Não pode se reavivar a Religião, aumentando o poder e a autoridade material do clero.

O poder central que dá vida e movimento a todas as coisas é o Amor. Uma Religião só pode ser forte e verdadeira quando vivificada pelo Amor. A Religião que se fundasse no Amor universal conteria os elementos de uma Religião universal.

Se o princípio de amor não for praticamente reconhecido pela igreja, não haverá nela verdadeiros Cristãos nem adeptos, e os poderes espirituais que o clero pretende possuir só existirão em sua imaginação. Cesse o clero das distintas denominações de excitar o espírito de intolerância, desista de convidar o povo à guerra e ao sangue, às disputas e questões. Reconheça que todos os seres humanos, de qualquer nacionalidade, professem a Religião que professarem, têm uma origem comum e os aguarda o mesmo destino, todos são fundamentalmente idênticos, diferindo uns dos outros apenas em condições externas. Quando as igrejas pensarem mais no interesse da humanidade do que nos seus interesses temporais, então e só então, reconquistarão seus poderes internos e formarão santos e adeptos.

Outra vez obterão dons espirituais; os fatos milagrosos se repetirão e serão mais apropriados do que todas as especulações teológicas para convencer a humanidade de que, além do reino sensível da ilusão material, existe um poder supremo, universal e divino que diviniza os que se identificam com esse poder. A verdadeira Religião consiste no reconhecimento de Deus, mas Deus só pode ser reconhecido por meio de sua manifestação. Ainda que toda a natureza seja uma manifestação de Deus, o grau mais alto desta manifestação é a divindade no ser humano. Unir o ser humano com Deus, fazer todos os seres humanos divinos, eis o objetivo final da Religião. Reconhecer a divindade em todos é o meio para atingir aquele fim.

O reconhecimento de Deus significa o reconhecimento do princípio universal de amor divino. Quem reconhece plenamente esse princípio abre os sentidos internos e a Mente à iluminação da Sabedoria Divina. Quando todos os seres humanos tiverem chegado a esse cume, a luz do espírito iluminará o mundo, assim como, agora, o ilumina a luz do Sol. Então, o saber substituirá a dúvida, a fé substituirá a crença e o amor universal reinará em vez do amor pessoal. A majestade de Deus Universal e a harmonia de Suas leis serão reconhecidas na natureza e no ser humano. E nas joias que adornam o trono do Eterno, joias que os Adeptos conhecem, resplandecerá a luz do Espírito.

CARTA VI – EXPERIÊNCIAS PESSOAIS

A natureza tem inumeráveis mistérios que o ser humano deseja descobrir. Estão errados os que acreditam na existência de sociedades possuidoras de segredos determinados que, se quisessem, poderiam comunicar a outras pessoas não evoluídas espiritualmente. O ser humano que, por meio de favores, pretenda obter o saber verdadeiro, esse que se consegue pelo desenvolvimento espiritual, deixará de se esforçar no adiantamento e, ao aderir a sociedades secretas na esperança de obtê-lo gratuitamente, sofrerá total desengano.

No verão de 1787, estando eu sentado num banco de jardim, próximo a um castelo em Munique[4], pensava profundamente nesse assunto. Um estrangeiro, de aspecto digno e respeitável, vestido sem a menor pretensão, passeava por uma das áreas do jardim. Diria-se que a tranquilidade suprema de sua alma se refletia em seus olhos. Tinha cabelos grisalhos e o olhar tão bondoso que, ao passar diante de mim, instintivamente levei a mão ao chapéu. Ele também me saudou amavelmente.

Senti um impulso de segui-lo e falar-lhe, mas não tendo a menor desculpa para fazê-lo, contive-me. O estrangeiro desapareceu, mas no dia seguinte, mais ou menos à mesma hora, tendo eu voltado ao mesmo lugar na esperança de encontrá-lo, ali estava ele sentado num banco, lendo um livro. Não me atrevendo a interrompê-lo, passeei pelo jardim durante algum tempo. Quando voltei, o estrangeiro já não estava, mas tinha deixado um livro em cima do banco. Apressei-me a tomá-lo, esperando ter oportunidade de devolvê-lo e, com isso, ocasião para conhecer o distinto personagem. Olhei o livro, mas nada pude ler porque estava escrito em caracteres caldáicos. Só na página do título eslava escrita, em latim, uma breve sentença que dizia assim: “Aquele que se levanta cedo em busca da sabedoria, não precisa ir muito longe, encontra-a sentada defronte da sua porta”.

Os caracteres do livro eram muito formosos, de um vermelho muito brilhante, a encadernação de um azul magnífico, com fechos de ouro. O papel finíssimo, branco, parecia emitir todas as cores do arco íris, à maneira de nácar[5]. Uma fragrância esquisita penetrava as folhas daquele livro.

Durante três dias consecutivos, às doze horas, fui àquele lugar, na esperança, em vão de encontrar o estrangeiro. Por fim, descrevendo o cavalheiro a um dos guardas, soube que era visto com frequência, às quatro da manhã, passeando à beira do Isar[6], perto de uma linda pequena cascata, num sítio chamado “O Praler”. Indo ali, no dia seguinte, fiquei surpreendido ao vê-lo a ler outro livro, parecido com o que eu encontrara.

Acerquei-me para devolver-lhe o livro, explicando como tinha chegado às minhas mãos, mas ele pediu que o aceitasse e o considerasse como presente de um amigo desconhecido. Ao retorquir que não podia ler o seu conteúdo, excetuando os dizeres da primeira página, respondeu que tudo quanto dizia o livro se referia ao que aquela sentença expressava. Pedi-lhe que me explicasse e o estrangeiro, ao longo do passeio que, por algum tempo, demos pela margem do rio, contou-me muitas coisas importantes sobre as leis da natureza. Tinha viajado muito e possuía um verdadeiro tesouro de experiências. Ao nascer do Sol disse: “Vou mostrar-lhe algo curioso”, e sacou do bolso um pequeno frasco deitando na água algumas gotas do seu conteúdo. Imediatamente as águas do rio começaram a brilhar com todas as cores do arco-íris, até uma distância de mais de trinta pés[7] da margem. Alguns trabalhadores das imediações se aproximaram para contemplar o fenômeno. A um deles, que estava enfermo, padecendo de reumatismo, o estrangeiro deu algum dinheiro e certos conselhos, assegurando-lhe que, se os seguisse, em três dias estaria bom. O operário agradeceu, mas o estrangeiro respondeu-lhe: “Não me agradeça, mas sim ao poder onipotente do bem”.

Ao entrarmos na cidade, convidou-me para um novo encontro, no dia seguinte, mas sem declinar o nome nem o lugar de sua residência. Encontrei-o no dia seguinte e dele soube coisas de tal natureza, que ultrapassaram tudo quanto podia imaginar acerca dos mistérios da Natureza. Todas as vezes que me falava das grandezas da criação parecia estar possuído de um fogo sobrenatural.

Senti-me confuso e deprimido ante tão superior sabedoria e maravilhava-me ao pensar em como podia ter adquirido esses conhecimentos. O estrangeiro, lendo meus pensamentos, disse: “Vejo que ainda não vos decidistes a respeito da espécie de ser humano em que qualificar-me, mas asseguro-vos que não pertenço a nenhuma sociedade secreta, embora conheça os segredos de todas as sociedades semelhantes. Amanhã vos darei mais explicações, agora tenho várias coisas que fazer.

— Tendes negócios, perguntei, desempenhais algum cargo público?

— Querido amigo, respondeu-me o estrangeiro, quem é bom encontra sempre em que ocupar-se, e fazer o bem é o emprego mais alto que o ser humano pode desempenhar.

Dito isto, partiu e não o vi mais durante quatro dias. No quinto chamou-me pelo nome às quatro da manhã, pela janela do meu quarto e convidou-me para um passeio. Levantei-me, vesti-me e saímos. Contou-me, então, algumas coisas sobre a sua vida passada e, entre elas, que, por volta dos 25 anos, travara conhecimento com um estrangeiro que lhe ensinou muitas coisas, e lhe ofereceu um manuscrito que continha ensinos notáveis. Mostrou-me o manuscrito e o lemos juntos.

Eis aqui alguns extratos do mesmo:

“Novas ruínas descobertas do Templo de Salomão – Assim como a imagem de um objeto pode ser vista na água, do mesmo modo os corações dos seres humanos podem ser vistos pelos sábios. Deus te bendiz, filho meu, e te permite publicar o que digo para que, assim, aos seres humanos sejas benéfico. Filius Vitis (Filho da Vida), um dos Irmãos mostrou-me o caminho para os mistérios da natureza, mas durante largo tempo absorvi-me nas ilusões que flutuam nas margens desse caminho. Finalmente, convenci-me da inutilidade de semelhantes ilusões e abri meu coração de novo aos cálidos raios do amor divino, do grande Sol espiritual”.

“Então, reconheci a verdade: que a posse da sabedoria divina tem mais valor do que a posse de tudo mais; que o saber humano nada vale, e o próprio ser humano nada é se não se converte em instrumento para a sabedoria divina. essa sabedoria, desconhecida para o sábio do mundo, é conhecida por algumas pessoas. Oceanos separam o país dos sábios daqueles onde moram os néscios. Tal país não será descoberto, enquanto os seres humanos não acostumarem os olhos à radiação da luz divina. Ali, no Templo da Sabedoria, há uma inscrição que diz: ‘Este templo é sagrado pela contemplação das divinas manifestações na natureza’”.

“Sem verdade não há nenhuma sabedoria, nem existe verdade sem bondade. A bondade raramente se encontra no mundo. Por isso, frequentemente, as verdades e a sabedoria do mundo não são mais do que loucuras”.

“Estamos livres de preocupações e, com os braços abertos, recebemos os que vêm até nós trazendo o selo da divindade. A ninguém perguntamos se é judeu ou pagão. Tudo quanto exigimos é que se mantenha fiel à sua humanidade. O amor é o traço de união entre nós, e por ele trabalhamos em prol da humanidade. Conhecemo-nos uns aos outros pelas obras, e quem possui mais elevada sabedoria é o maior entre nós. Nenhum ser humano pode receber mais do que merece. O amor divino e a ciência são-lhe dados proporcionalmente à sua capacidade para amar e para saber”.

“A fraternidade dos sábios é eterna e absoluta. O Sol da verdade eterna ilumina o seu templo. O cristal é aquecido pelo Sol e esfria-se quando afastado da luz: do mesmo modo, quando a Mente do ser humano é penetrada pelo divino amor obtém sabedoria, porém, se se afasta da verdade, a sabedoria se extingue. As sociedades secretas e sectárias perderam a verdade e delas a sabedoria desapareceu. Amam aos que servem seus particulares interesses e empregam fórmulas e símbolos de que não compreendem a significação. De filhos que eram da luz, converteram-se em filhos das trevas. O Templo de Salomão, construído por seus antepassados, foi destruído, não existe dele pedra sobre pedra. A maior confusão reina em suas doutrinas. As colunas do Templo ruíram e, no lugar do Santuário, rastejam agora serpentes venenosas. Se desejas saber a verdade ou não do que digo, empunha o facho da razão e entra nas trevas. Contempla o trabalho das sociedades sectárias realizado no passado e no presente e só verás egoísmo, superstição, crueldade e assassínio”.

“O número dos seres humanos que vivem sumidos nas trevas é de milhões, mas o número dos sábios é pequeno. Vivem em diferentes partes do mundo, à grande distância uns dos outros, mas estão inseparavelmente unidos em espírito. Falam diversas línguas, mas todos se compreendem porque a língua dos sábios é espiritual. Opõem-se às trevas e ninguém mal-intencionado pode aproximar-se da luz, porque suas próprias trevas o destroem. Os seres humanos os desconhecem. Dia virá que movidos como por um impulso do dedo de Deus, num momento, destruirão a obra secular dos malvados. Não busques a luz nas trevas nem a sabedoria nos corações dos malvados. Se te aproximares da verdadeira luz, conhecê-la-ás e iluminará a tua alma”.

Estes são alguns extratos do manuscrito. Continha muitas notícias sobre os Irmãos da Cruz e da Rosa de Ouro. Não me é permitido falar de tudo quanto nele aprendi; em resumo, depreende-se que os verdadeiros Rosacruzes formam uma sociedade espiritual que nada tem a ver com as sociedades secretas do mundo. Não constituem uma sociedade, no sentido literal da palavra, porque não têm estatutos, nem regras, nem cerimônias, nem cargos, nem reuniões, nem nada do que estrutura as sociedades secretas. É certo grau de sabedoria que converte um ser humano em Rosacruz.

Porque é um Iniciado compreende praticamente o mistério da Cruz e da Rosa, a lei da evolução da Vida. Seu conhecimento prático transcende toda teoria e conhecimento intelectual. É inútil meditar sobre questões místicas que estão além do nosso horizonte mental. É inútil tentar penetrar nos mistérios espirituais antes de nos espiritualizarmos. O conhecimento prático supõe prática e só pode ser adquirido pela prática. Para obter poder espiritual é necessário praticar as virtudes espirituais da , Esperança e Caridade. A única maneira de chegar a sábio é cumprir, durante a vida, seu dever. Amar a Deus em toda a humanidade e cumprir seu dever, eis a suprema sabedoria humana, emanada da Sabedoria Divina.

Na medida em que aumenta o amor e a sabedoria, aumenta o poder espiritual que eleva o coração e alarga o horizonte mental. Lenta e quase imperceptivelmente, abrem-se os sentidos internos, adquire-se maior capacidade receptiva e cada passo para o alto dilata o campo de visão. Dignas de lástima são as sociedades e as seitas que tentam obter o conhecimento das verdades espirituais por meio da especulação filosófica, sem a prática da verdade. Inúteis são as cerimônias, meras exterioridades, se não se compreender sua significação oculta. Uma cerimônia nada vale, é mera ilusão e impudor se não expressar um íntimo processo da alma. O símbolo, pelo contrário, é facilmente compreendido quando a íntima vivência é real. A incompreensão do significado dos símbolos e as consequentes disputas e diferenças de opiniões demonstram que as diversas seitas perderam o poder interno e possuem, unicamente, a forma morta.

A religião das seitas e sociedades secretas funda-se no amor e na admiração egoístas do eu pessoal. É certo que algumas pessoas generosas e desprendidas aí se encontram, mas a maioria espera obter benefícios, roga por sua salvação e age bem com mira em recompensas. Por isso, vemos o cristianismo dividido em centenas de sociedades, seitas e religiões diferentes, muitas detestando-se e procurando prejudicar-se umas às outras. Vemos o clero de todos os países ansioso de poder político e de servir os interesses da sua igreja. Perdeu de vista o Deus Universal da humanidade e colocou em Seu lugar o ídolo do eu pessoal. Pretende possuir poderes divinos e emprega sua influência na obtenção de benefícios materiais para a sua igreja. E, assim, o divino princípio de Verdade é prostituído todos os dias e todas as horas nas igrejas, convertidas em mercados. O templo da alma está ocupado por mercadores, o Espírito de Cristo está ausente.

Cristo – a Luz Universal do Logos Manifestado, a Vida e a Verdade – está em toda a parte, não pode ser encerrado numa igreja nem numa sociedade secreta. Sua igreja é o Universo e seu altar o coração de cada ser humano que recebe a sua luz.

O verdadeiro Discípulo de Cristo não sabe o que é desejo egoísta. Não se preocupa com o bem-estar de outra igreja que não seja aquela, suficientemente ampla, que possa conter a humanidade inteira, não lhe importando as diferentes opiniões. Nem se preocupa com a salvação pessoal e muito menos espera obtê-la à custa de outrem. Sentindo o amor imortal, sabe que ele próprio é imortal, reconhecendo que na consciência de Deus mergulham as raízes do seu Ego individual. O verdadeiro Filho da Luz harmoniza a vontade, o pensamento e o desejo com o Espírito Universal. Pôr o Ego receptivo à divina Luz, executar a sua Vontade e, deste modo, converter-se em instrumento do poder de Deus manifestado sobre a Terra, eis o único meio de adquirir a ciência espiritual e de tornar-se um Irmão da Cruz e da Rosa de Ouro.

CARTA VII – OS IRMÃOS

Não perguntes quem são os que escreveram estas cartas, julga-as pelos méritos que apresentam, considera não meramente as palavras, mas o espírito com que foram escritas.

Não nos move nenhum espírito egoísta. E a luz interna que nos instiga a agir, que nos impulsiona a escrever-te. As credenciais são as verdades que possuímos, verdades facilmente reconhecidas por aqueles que põem a verdade acima de tudo. Também a ti as revelaremos, na medida da tua capacidade para receber ou não o que dissermos.

A Sabedoria Divina não clama que a admitam; luz que brilha com eterna tranquilidade, espera pacientemente o dia em que seja reconhecida e aceita.

Nossa comunidade existiu desde o primeiro dia da criação e continuará existindo até ao último. É a sociedade dos Filhos da Luz. Seus membros conhecem a luz que brilha no interior e no exterior das trevas e a natureza do destino humano. Em sua Escola, o Mestre, a própria Sabedoria Divina, ensina aos que procuram a verdade pela verdade e não por qualquer benefício mundano. Os mistérios explicados nessa Escola reportam-se às coisas que é possível conhecer, relativas a Deus, à Natureza e ao ser humano. Todos os antigos sábios aprenderam em nossa Escola. Entre seus membros, alguns são habitantes de outros mundos, distintos deste. Esparsos pelo Universo, todavia estão ligados por um só Espírito. Entre eles não há diferença de opiniões. Estudam num só livro e, para todos, o método de estudo é o mesmo. essa Sociedade é composta de Escolhidos, dos que buscam a luz e podem recebê-la. O que possuí maior receptividade para a luz e o Chefe. O lugar de reunião e intuitivamente conhecido por cada membro e facilmente alcançado por todos, residam onde residirem. Está muito perto, mas tão oculto aos olhos do mundo que ninguém, a não ser um iniciado, pode encontrá-lo. Os que estão maduros podem entrar, mas os que estão verdes esperam.

A Ordem possui três graus: ao primeiro chega-se pelo poder da inspiração divina; ao segundo, pela iluminação interior e, ao terceiro, o mais elevado, pela contemplação e adoração.

Não existem entre nós disputas, nem controvérsias, nem especulações, nem sofismas, nem dúvidas, nem ceticismos. Aquele a quem se apresenta a melhor oportunidade para fazer o bem é o mais feliz. Estamos de posse dos maiores mistérios e, não obstante, não constituímos nenhuma sociedade secreta. Nossos segredos são um livro aberto para quem está disposto e apto. O segredo que mantemos não decorre de pouco desejo de ensinar, mas resulta da fraqueza dos que pedem os ensinamentos. Estes segredos não podem ser comprados por dinheiro nem demonstrados publicamente. Os corações despertados para estes poderes são capazes de receber a sabedoria e o amor fraternos e compreendem-nos. Aquele que despertou o fogo sagrado é feliz e está contente. Percebe a causa das misérias humanas e a necessidade inevitável do mal e dos sofrimentos. Sua visão clara compreende o fundamento de todos os sistemas religiosos, as verdades relativas que contêm e a instabilidade que os caracteriza, por falta, entre os seus membros, do verdadeiro saber.

A humanidade vive mergulhada num mundo de símbolos, incompreendidos pela maioria dos seres humanos. Mas aproxima-se o dia do reconhecimento do espírito vivente que encerram. Então, os sagrados mistérios serão revelados.

Perfeito conhecimento de Deus, perfeito conhecimento do ser humano, são as luzes que, no templo da verdade, iluminam o santuário da sabedoria. Fundamentalmente, só existe uma religião e uma fraternidade universais. Sob as formas, os sistemas e associações religiosos, jaz, somente, uma parte da verdade. São cascas, revelando verdades relativas do que representam e ocultam, mas necessárias aos que não podem ainda reconhecer a verdade invisível e informe representada pelos símbolos.

Ensinar a compreender, pouco a pouco, que a verdade ali existe, ainda que invisível, é cooperar no despertar da crença, base do desenvolvimento da fé e do conhecimento espirituais. Mas, se as formas externas de um sentimento religioso representam verdades ocultas não integradas no sistema, tais símbolos só representam coisas ridículas. Existem tantos erros nas formas como nas teorias porque, sendo infinita a verdade absoluta, não pode circunscrever-se a uma forma ou teoria limitadas. Os seres humanos, equivocadamente, tomaram a forma pelo espírito, o símbolo pela verdade e, deste equívoco, nasceram infinitos erros. Denunciá-los ou estabelecer ardentes controvérsias em nada os corrige; assim também, as atitudes hostis não corrigirão os que vivem no erro. As trevas não podem ser dissipadas ou combatidas com armas. A luz é que as afasta. Onde entra o saber a ignorância desaparece.

No presente século que começa aparecerá a luz. Coisas ocultas durante centúrias serão conhecidas, muitos véus serão levantados. Será mostrada a verdade que está para além da forma. A humanidade, como um todo, mais se aproximará de Deus.

Não podemos dizer-te, agora, por que isto virá neste século. Limitamo-nos a dizer que cada coisa tem seu tempo e seu lugar e que todas as coisas no Universo estão reguladas por uma lei de ordem e harmonia divinas. Primeiro veio o símbolo que ocultava a verdade; depois, a explicação do símbolo e, finalmente, a própria verdade será recebida e reconhecida. A árvore brota da semente, o símbolo, a síntese do seu inteiro caráter.

É nosso dever ajudar ao nascimento da verdade e abrir as cascas que cobrem a verdade, reavivando, por toda a parte, os hieróglifos mortos. Não são os poderes pessoais que nos permitem fazer isto, mas o poder da luz que, como seus instrumentos, opera em nós. Não pertencemos a nenhuma seita, não lemos ambições a satisfazer, não desejamos ser conhecidos, nem somos daqueles a quem desgosta o presente estado de coisas do mundo e desejariam governar para impor suas opiniões à humanidade. Não existe ninguém, partidarismo algum, que influa sobre nós, nem esperamos prêmio pessoal pelo nosso trabalho.

Possuímos uma Luz que nos abre os mistérios mais profundos da natureza e um Fogo que nos alimenta e permite agir em tudo que na natureza existe. Temos as chaves de todos os segredos e conhecemos os elos que unem o planeta a todos os mundos. Temos a ciência universal, que abraça todo o universo, cuja história começou com o primeiro dia da criação.

Possuímos todos os livros de sabedoria antiga. A natureza está sujeita à nossa vontade porque somos unos com o Espírito universal, a potência motriz do universo e a origem eterna da vida. Não precisamos ser informados nem pelos seres humanos nem pelos livros que escrevem porque conhecemos tudo que existe, lemo-lo nesse livro isento de erros, a natureza. Tudo se ensina em nossa Escola, é nossa Mestra a Luz que produziu todas as coisas.

Podemos falar-te das coisas mais maravilhosas, tão longe do alcance do filósofo mais erudito do nosso tempo como o Sol da terra. Todavia, estão para nós tão perto como a Luz está próxima do Espírito donde emana.

Não temos a intenção de excitar a tua curiosidade. Desejamos, sim, criar em ti a sede da sabedoria e a fome do amor fraterno, para que possas abrir teus olhos à luz e contemplar a verdade divina. Não nos cumpre aproximar-nos de ti para dar-te entendimento: o poder da própria verdade é que entra no coração, é o esposo divino da alma que chama à porta. E quantas almas rejeitam esse esposo, submersas nas ilusões da existência externa!

Desejas ser um membro da nossa Fraternidade? Desejas conhecer os Irmãos? Entra em teu coração, aprende a conhecer a divindade que se manifesta em tua alma.

Busca em ti o que é perfeito, imortal, permanente. Quando encontrares, entrarás em nossa confraria e conhecer-nos-ás. Tens que expulsar todas as impurezas antes de entrar em nosso círculo, imune a toda imperfeição. Todos os elementos mortais do teu íntimo deverão ser consumidos pelo fogo do amor divino. Deves ser batizado com a água da verdade e vestido da substância incorruptível originada dos pensamentos. O sensório interno deverá abrir-se à percepção das verdades espirituais e a mente aos clarões da sabedoria divina. Por estes meios, poderão desenvolver-se em tua alma elevados poderes. Com eles estarás apto a vencer o mal. Todo o teu ser será restaurado e transformado num ser luminoso, teu corpo servirá de mansão ao espírito divino.

Perguntas quais são as nossas doutrinas? Não tomamos a defesa de nenhuma. Fosse qual fosse a que te apresentássemos seria mera opinião duvidosa enquanto não te conheceres a ti mesmo. Interroga teu espírito divino, abre tua alma, teus sentidos, à compreensão do que te diz e certamente responderá às tuas perguntas.

Tudo que podemos fazer por ti é oferecer-te algumas teorias. Considera-as, examina-as e não creias nelas só porque procedem de nós. Devem servir-te de balizas e sinais durante tuas excursões pelo labirinto do exame próprio.

Uma das proposições que submetemos à tua ponderação é que a humanidade, como um todo, não será feliz enquanto não reviver no espírito da sabedoria divina e do amor fraternal. Quando isto for realidade, os regentes do mundo terão coroas de razão pura, os cetros serão amor e, ungidos do poder puro, poderão libertar os povos da superstição e das trevas. Então, com tal aperfeiçoamento, melhorarão as condições da humanidade, desaparecerão a pobreza, o crime e as enfermidades.

Outra sentença te apresentamos: os seres humanos seriam mais espirituais e mais inteligentes se a densidade das partículas materiais dos seus corpos não impedissem a ação do próprio espírito. Quanto mais grosseiramente vivem, quanto mais se deixam dominar pela sensualidade animal e semianimal, tanto menos podem alçar o pensamento às regiões superiores do mundo ideal e perceber as eternas realidades do espírito. Repara nas formas humanas que transitam pelas ruas, repletas de alimentos carnívoros, cheias de impurezas, com o selo da intemperança e da sensualidade impresso nos rostos — e pergunta a ti próprio se estarão em condições de nelas manifestar-se a sabedoria divina.

Também te dizemos: espírito é substância, é realidade; seus atributos são indestrutibilidade, impenetrabilidade e duração. Matéria é um agregado que produz a ilusão da forma, é divisível, penetrável, corruptível e está sujeita a mudanças contínuas.

O reino espiritual é um mundo indestrutível que existe agora e sempre. Cristo, o Logos, está no centro e seus habitantes são poderes conscientes e inteligentes.

O Mundo Físico é um mundo de ilusões, não pode conter a verdade absoluta. As causas que explicam o mundo externo são relativas e fenomênicas. esse mundo é, por assim dizer, uma pintura sombria, comparado ao mundo interno e real onde brilha a luz do espírito vivente que opera no interior e no exterior da matéria.

A inteligência inferior do ser humano toma as ideias do reino mutável do sensível e por isso, está sujeita à maior versatilidade. No entanto, a inteligência espiritual, ou intuição, um atributo do espírito é imutável e divino.

Quanto mais etéreas, refinadas, sutis, forem as partículas constituintes do organismo humano, mais facilmente serão penetradas pela luz da inteligência e da sabedoria espirituais.

Um sistema racional de educação deverá fundar-se no conhecimento da constituição física, psíquica e espiritual do ser humano. Será possível quando a constituição do ser humano for conhecida completamente e, acima de tudo, a sua essência, o espírito, não o seu espectro, a matéria. Os aspectos da constituição humana podem ser estudados por métodos externos, mas o conhecimento do seu organismo invisível só pode ser obtido pela introspecção, pelo estudo de si mesmo.

O conselho mais importante que temos a dar-te é, portanto,

 CONHECE TEU PRÓPRIO EU.

 As proposições anteriores são suficientes. Deves meditá-las, examiná-las à luz do espírito, até que recebas mais ensinamentos.

F I M


[1] N.T.: São Francisco Xavier podia praticar o que se conhece hoje com o nome de ubiquidade (ou bilocação) – abandonar os Corpos físicos para, em Corpos sutis, visitar lugares distantes e aparecer em forma material em pontos remotos – pois estando na Itália apareceu a Santo Antônio de Pádua, que se encontrava em Coimbra. Materializou-se em Roma para peregrinas franciscanas.

[2] O que segue foi extraído da carta original escrita por Karl von Eckartshausen, em Munich, cerca do ano de 1792.

[3] N.R.: Mónade, termo normalmente vertido por mónada ou mônada, é um conceito-chave na filosofia de Leibniz. No sistema filosófico deste autor, significa substância simples – do grego – que se traduz por “único”, “simples”. Como tal, faz parte dos compostos, sendo ela própria sem partes e, portanto, indissolúvel e indestrutível.

[4] N.R.: Munique (em alemão: München) é uma cidade da Alemanha, capital do estado alemão da Baviera, no sudeste do país.

[5] N.R.: Madrepérola ou nácar é uma substância, dura, irisada, rica em calcário, produzida por alguns moluscos.

[6] N.R.: é um rio na Baviera, Alemanha. É um afluente do Danúbio.

[7] N.R.: em torno de 9 metros.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Livro: Concentração e Meditação – Estudo segundo a Filosofia Rosacruz

A primeira prática a efetuar-se é a fixação do pensamento em um ideal e assim mantê-lo, sem permitir que se desvie.

Tarefa sumamente difícil, ela deve ser realizada regularmente pelo menos até que se possa alcançar algum progresso.

O pensamento é o poder que empregamos na formação de imagens, cenas, pensamentos-formas, de acordo com as ideias internas.

É o nosso poder principal, e temos de aprender a mantê-lo sob nosso absoluto controle de modo a produzirmos não absurdas ilusões induzidas pelas circunstâncias exteriores, mas sim imaginações verdadeiras geradas pelo espírito, internamente.

Ouvimos com frequência pessoas exclamarem petulantemente: “Oh! Não posso pensar em cem coisas ao mesmo tempo! ”.

Na realidade era exatamente isso o que estavam fazendo e que lhes causou o aborrecimento de que se queixam.

As pessoas vivem pensando constantemente em cem coisas diferentes daquela que têm em mãos. Todo êxito é alcançado através da concentração persistente no objetivo desejado.

Tendo praticado a Concentração durante algum tempo, enfocando a Mente sobre um objeto simples, construindo um pensamento-forma vivente através da faculdade imaginativa, o Aspirante pode aprender pela Meditação tudo o que se refere ao objeto assim criado.

1. Para fazer download ou imprimir:

F. Ph. Preuss – Concentração e Meditação – Estudo segundo a Filosofia Rosacruz

2. Para estudar no próprio site:

CONCENTRAÇÃO E MEDITAÇÃO

ÍNDICE

I – A CONCENTRAÇÃO E A MEDITAÇÃO Nas Escolas Esotéricas.

II – A FORMA E DURAÇÃO DA CONCENTRAÇÃO.

III – A REGULARIDADE, HORA E O LUGAR DA CONCENTRAÇÃO – A ABSTRAÇÃO

IV – AS Condições importantes na concentração: O SILÊNCIO E A HIGIENE (Física e Mental).

V – O AMOR, A PUREZA E O SONO – Fatores importantes na Concentração 

VI – O OBJETO que deve motivar a Concentração (“sobre o quê” e “no quê”) 

VII – A ATENÇÃO: A chave mestra na Concentração e na Introspecção – A MEDITAÇÃO: consequente a Concentração.

VIII – A INTUIÇÃO: o que é – AS Suas relações com a Concentração e a Meditação

IX – o Local e as condições físicas propícias a Concentração: o Relaxamento nervoso, a Respiração, a Calma, a Concentração isolada ou junto de outrem, A CASTIDADE, o Lugar da Concentração.

X – A ALIMENTAÇÃO – os Venenos – O Grande Remédio – A alimentação.

XI – OS Outros Recursos de Grande Valia: AS Leituras Espiritualistas, A Música apropriada, A Arquitetura, Outros recursos complementares.

XII – CONCLUSÕES: O plano das Hierarquias – O EGO e a Divindade.

I – A CONCENTRAÇÃO E A MEDITAÇÃO Nas Escolas Esotéricas

No curso da evolução, nas Escolas Esotéricas, são imprescindíveis a CONCENTRAÇÃO e a MEDITAÇÃO. Destes dois exercícios depende o conhecimento dos planos superiores, como também, o melhor conhecimento da vida em comum no meio em que se vive, seja isto física, social ou intelectualmente. Todas as escolas esotéricas ensinam estes dois exercícios, ainda que outras acrescentem as mesmas a retrospecção, como exercício matutino de meditação.

Em geral, os candidatos infelizmente não se desenvolvem assim como deseja a escola, e por isso as suas faculdades psíquicas não alcançam os resultados almejados, e, portanto, deficientes, pois a maior parte dos candidatos se limita apenas a leitura dos livros. O trabalho de concentração foi ensinado a fim de que o próprio candidato faça suas pesquisas e consiga, com o tempo, seu mecanismo superconsciente para adquirir conhecimentos espirituais.

Devemos salientar, com todo o rigor, que a autolibertação do EGO de seus corpos inferiores não pode se processar sem a aconselhada e devida concentração, bem como a meditação.

Se o candidato não sujeita seus pensamentos à sua vontade, não coordena os mesmos num corolário progressivo e ampliado, de forma harmônica e de beleza geral, desde que a LUZ DIVINA paira sobre todas as coisas as quais se revelam pela atividade meditativa, não pode chegar a consciência dessa luz que deseja se manifestar. As hierarquias astrais-celestiais introduziram em suas escolas esotéricas a concentração, ou seja, a fixação mental de alguma coisa em um único ponto, ou dirigir a Mente em um único ponto de atenção, para depois, automaticamente, passar à meditação, isto é, ampliar aquilo que se tem fixado pela concentração. Sem a devida fixação da Mente do que se deve concentrar não haverá meditação. Esta é, verdadeiramente, a arte de se conhecer pela concentração aquilo em que se medita. Se se concentra numa rosa, não se deve pensar, ao mesmo tempo, em um cavalo, pois, a Mente deve fixar-se na rosa. Deve se conseguir que a MENTE OBEDEÇA A VONTADE, pois sem a devida vontade a Mente fugirá do assunto. O principal objetivo durante a meditação está em que a Mente não se AFASTE DO ASSUNTO QUE O ESPÍRITO DESEJA FOCALIZAR, não o deixando escapar.

Caso haja fuga de pensamentos, o que via de regra acontece aos neófitos por falta de suficiente atenção sobre o caso, pois a vontade ainda não atua sobre a Mente, deve o pensamento ser laçado, assim como se laça um cavalo rebelde. Cada vez que o pensamento foge deve ser laçado, até que se sujeite o mesmo à vontade do EU e, uma vez isso conseguido, não mais escapará e a meditação e a concentração tornam-se uma maravilha na vida do candidato. Este é o segredo na técnica da concentração, mostrando também, o modo de se habilitar as futuras iniciações, adquirindo conhecimento direto sobre a própria natureza, assim como conhecimento geral.

Os alunos perguntam, geralmente, que posição se deve tomar ou qual a melhor para se concentrar. Depende em primeiro lugar, da disposição que se tem para concentrar, pois, às vezes, os nervos não deixam fazê-lo ou quando o estômago esteja sobrecarregado, o mesmo acontecendo quando se pensa em negócios, ou ainda, quando se encontra doente, sofrendo dores.

São estas as contraindicações, pois a concentração só se fará com a exclusão de todos os tipos de fenômenos psíquicos ou patológicos, estes mencionados. Precisa-se deste modo, de muita calma, do abdômen descarregado, do corpo sem dores, etc. Se, porém, deseja-se concentrar não estando doente e se a cabeça estiver quente, deve-se banha-la com água fria tanto tempo até que se ache calma. Para livrar os intestinos dos efeitos produzidos por alimentos queimados deve-se fazer lavagens. Se houver dores, melhor será não se concentrar; mesmo assim pode-se tomar um banho morno prolongado, durante uma hora. Dores em geral diminuem com banho de água morna de 37 graus centígrados. Logo depois, pode-se experimentar a concentração.

Caso esteja cansado, convém tomar um banho de chuveiro frio. Em todo o caso, para o espiritualista é mais importante utilizar-se de banhos ou de higiene em geral à noite, antes de deitar-se, devendo assim proceder sempre que se sentir refrescado e nunca exausto.

A respeito dos cônjuges, deve-se dizer que uma cama em comum para os dois precisa ser evitada, pois, difícil será a concentração em conjunto com o seu par.

Nenhum dos dois poderá concentrar na presença um do outro. Também o trabalho noturno, extra corporal, ficará prejudicado, pois, não somente o Corpo Denso se ligará ao outro pelo mais ligeiro contato, como também a mescla dos corpos etérico (Vital) e de Desejos de ambas as partes será desfavorável ao serviço espiritual. Como os Corpos Vital e de Desejos se alongam para fora do Corpo Denso, penetram nestes reciprocamente em seu companheiro. Obviamente, aí está o perigo, pois pode o corpo etérico não se refazer suficientemente, podendo até mesmo ser atraído pelo componente mais forte, diminuindo assim as qualidades dos corpos superiores, como também do Corpo Denso.

Com essas explicações vê-se porque razão é preciso que se separem os cônjuges para o devido exercício de concentração.

Antes de tudo, deve-se dizer que a concentração não é fácil. É bastante difícil e requer muito tempo até que se apresentem os resultados, existindo mesmo pessoas que se concentram quase uma vida inteira com pouca eficiência, para mais tarde lograr êxito. O aluno deve demonstrar sempre boa vontade, até que consiga resolver este problema, devendo sempre se lembrar de que, numa vida futura, a concentração se tornará mais fácil, devido a ter-se aplicado nesta vida, assim terá mais afinidade em vidas futuras. A persistência é imprescindível.

II – A FORMA E DURAÇÃO DA CONCENTRAÇÃO

Para que se possa concentrar é preciso um objeto, sobre o qual se dirija a Mente. Este objeto pode ser visível ou imaginário. Em geral, para o neófito, é mais fácil dirigir-se a um objeto a sua vista. Os olhos devem somente fixar o objeto que se acha a sua frente.

Este é um treinamento não só para a concentração como também para a vontade; se esta faltar, os olhos se afastam gradativamente de seu objetivo. A vontade deve atuar para que os olhos não se desviem e se não a tiver para dirigir os olhos e a atenção sobre o objeto, constantemente a Mente estará ocupada e não poderá conter outros pensamentos através de si, para que o objeto que vê não se desvie. Vale dizer que na concentração existe uma série de fatores que se entrelaçam desfavoravelmente quanto a sua finalidade. Se o candidato conseguir fixar-se num objeto sem desviar os olhos por cinco minutos e não desfocar a atenção, estará bem concentrado.

Outra forma de concentrar é com um objeto imaginário, subjetivo. A concentração sobre uma rosa em nossa frente é o caso objetivo, porém se não tivermos a rosa, á a forma subjetiva. Podemos fechar os olhos e não abandonar mais a imagem da rosa até que a mesma se manifeste ante os nossos olhos internos e quanto mais forte for a nossa imaginação apresentar-se-á em nosso interior a referida flor. Este fenômeno não deve ser confundido por um ignorante em questões metafísicas como uma alucinação ou histeria.

A concentração e meditação foram impostas aos espiritualistas, para criarem em si fenômenos inexistentes na vida material. Assim é o caso de nossa rosa. Esta pode se criar por si. A nossa vontade é então dirigida para criar uma rosa e logo que se tenha obtido sua imagem interna, podemos meditar sobre ela.

Estes exercícios requerem tempo para atingir, ou melhor, apresentar resultados e temos que praticar a concentração todos os dias, se for possível, na mesma hora e no mesmo lugar, pois, sem praticar não existirá aperfeiçoamento em qualquer ensinamento e, praticando, teremos a satisfação de conduzir nossas faculdades a fim de obter a visão interna.

Muita importância se deve dar aos exercícios e se adverte o seguinte: NÃO EXISTE

CONCENTRAÇÃO SEM ATENÇÃO SOBRE O QUE SE CONCENTRA. Inútil é querer se concentrar sem a devida ATENÇÃO naquilo em que se deseja concentrar, não adiantando vontade alguma se a mesma não for persistente, não permitindo mesmo que a rosa em a qual concentramos de repente se transforme em um cavalo e, como já mencionamos, a rosa tem que permanecer rosa e isto só é possível com a devida ATENÇÃO sobre o pensamento que a forma.

Se tirarmos a atenção da forma, a Mente transformá-la-á em outro objeto, pois, esta última não é bastante firme, dando seus pulos espetaculares como cavalos sem freios. Não é possível concentrar-se definitivamente sobre a rosa, se se pensa, ao mesmo tempo, no bolo que se vai comer logo a noite no aniversário de alguém da família. A concentração requer repetimos: – ATENÇÃO SOBRE AQUILO QUE SE CONCENTRA. Esta é a chave e praticamente não há outra. Com atenção o pensamento não se desvia e, se aparecerem outros, serão automaticamente desviados, concentrando-se somente naquilo que é desejado, pois, se desviada a atenção, jamais se formará a visão interna. Com o tempo, o intelecto se sujeita à vontade e se torna um instrumento bondoso e lúcido com o EGO. O candidato, assim exercitando, aprenderá o que é ATENÇÃO, a qual muitas vezes é difícil de fixar, porém, mais tarde apresentar-se-á como sendo de perfeita naturalidade, pois quem presta atenção nas coisas é o EGO e não a inteligência nem o sentimento, os quais são seus meros instrumentos.

Quem aspira, quem ouve e quem vê é o EGO e não os órgãos sensoriais, os quais são comandados pelo mesmo para manifestarem onde e quando for preciso. Existem diferenças entre as funções do organismo, mas quando se pensa que é o EGO que o dirige, verifica-se a união deste com o EGO DIVINO.

III – A REGULARIDADE, HORA E O LUGAR DA CONCENTRAÇÃO – A ABSTRAÇÃO

Realçamos uma vez mais a importância do manejo da concentração, quando dizemos que a nossa Mente deve ser “estéril” para outros pensamentos e ativa apenas para aqueles que iniciamos a pensar. Deve somente ser atendidos aqueles pensamentos que se correlacionam com o objeto em mira.

Um sábio certa vez dissera que a concentração e a meditação são como o óleo que se despeja de um vasilhame a outro. Tem um fluxo constante e igual até que se tenha esgotado, no nosso caso, o material pensante.

Isto quer dizer que se deve prestar muita atenção para que o fluxo não diminua e permaneça constante, de igual intensidade, não intermitente, sem alternâncias de tensão, sempre igual.

É um bom exemplo e deve ser praticado com todo o carinho. Se com o tempo for obtido bom resultado ou êxito razoável em seus esforços, uma vez que o pensamento já não mais se desvia, o tema poderá ser modificado, não precisando permanecer no mesmo, pois, o principal é que quando percebamos a fuga do pensamento, encontremo-lo de novo. Percebendo a referida fuga, devemos pular atrás dele como se fosse um canário escapando de sua gaiola.

O pensamento é rebelde, difícil de domar assim como um cavalo novo e o Estudante, por certo, terá grandes dificuldades para domina-lo em seus exercícios. Todas as ciências são aprendidas em tempo regular e normal, e no estudo da matemática, medicina ou engenharia ou tantas outras, obtém-se ao término do curso o diploma, mas, com relação a concentração e meditação, leva-se muitas vezes uma vida inteira para que se possa receber pelo seu esforço o diploma. Cada um deve verificar o seu próprio progresso, pois os outros raramente podem dizer se o candidato conseguiu ou não o seu objetivo e somente ele, o candidato, deverá vencer as dificuldades, uma vez que a Mente já não mais aceita o desvio do pensamento.

Assegura-se, porém ao Estudante que isto é possível, dependendo tão somente da aplicação da ATENÇÃO sobre o caso.

A felicidade que se experimenta durante os exercícios e depois deles é indescritível e não poderá ser comparada a nenhuma outra existente no mundo. Sentirá o Estudante uma alegria interna além de toda a nossa compreensão, uma vez que a alma recebe as irradiações em toda a sua pureza dos centros espirituais do corpo humano. Pode-se assim demonstrar que a concentração representa a PORTA para o ALÉM e sem os exercícios nunca existirá essa possibilidade.

Muitos Estudantes alegam não ter tempo ou lugar para realizar a concentração. Representa, sem dúvida, uma esfarrapada desculpa. Em hipótese alguma precisamos acreditar que somente em casa pode-se exercitar. São desculpas, porém a verdade é esta: QUEM DESEJA SE CONCENTRAR, SABERÁ ENCONTRAR TEMPO E LUGAR, e se não houver lugar em casa, temos jardins, ruas, um cantinho numa igreja, e se não houver tempo durante o dia, à noite estará a nossa disposição, existindo, ademais, domingos, feriados e dias de festas quando não se trabalha. Pode-se estar fora de casa e pensar sobre a grandeza de DEUS e da natureza que é sua manifestação, estar à beira de um riacho ou de um lago, de um rio, do mar ou de uma montanha ou em qualquer lugar afastado da civilização e comungar com o nosso DEUS, concentrando-se em sua obra, criando-se possibilidades, pois ELE quer que tenhamos vontade e como filhos D’ELE que somos, conversemos com ELE. Percebe-se que nossa Mente procura ao invés, evitar, criar dificuldades, pois a ocasião para se concentrar sempre estará presente se assim desejamos.

Gostamos de mentir a nós mesmos, com evasivas; porém, uma vez mais afirmamos que a concentração representa a porta pela qual nos dirigimos ao além. Max Heindel, em suas dissertações, alegava, razoavelmente, que se deve concentrar não se deixando perturbar mesmo nas mais difíceis circunstâncias, ainda que ocorra nas proximidades uma estrondosa detonação, pois a concentração deve ser tão profunda que não possa mudar sua ação interna.

Pois bem, esta possibilidade só se pode esperar daquele que já tenha atingido a abstração em todas e quaisquer circunstâncias, achando-se em união com Deus. Ter-se-á que trabalhar duramente para alcançar esta possibilidade utilizando os exercícios expostos neste trabalho.

Aquele que sabe se concentrar encontra esta faculdade e como disse Max Heindel, aquele que não chegar a abstração, não conseguirá por outros meios.

Todos os grandes pensadores espiritualistas tiveram a dificuldade da completa abstração e aqueles que se iniciam a instruir-se nessa doutrina, demorarão muito tempo até dominar os pensamentos. Por isso, nenhum candidato deve esmorecer em sua vontade de adquirir a abstração, pois enorme será a recompensa e muito grande a felicidade, ingressando mais cedo ou mais tarde na fonte da vida. Se alguém em vidas passadas tinha por hábito a meditação por pertencer a organizações espiritualistas, nesta vida terá muito mais facilidades para consegui-lo e o candidato de hoje, que inicia estes exercícios, adquire desde já para vidas futuras a possibilidade de sua exaltação espiritual. Digno de louvores o aluno que tem compreendido a razão de sua vida no presente e que faz esforços para vidas futuras. Depende desta vida a quantidade de conhecimentos adquiridos pelo EGO para que seja mais fácil sua autonomia sobre questões espirituais.

IV – As Condições importantes na concentração: O SILÊNCIO E A HIGIENE (Física e Mental)

Os filósofos dizem que se precisa do silêncio para se conseguir sucesso nos exercícios espirituais. Neste sentido deve o aluno periodicamente afastar-se do meio ambiente costumeiro, viver uma vida pura e, na solidão do silêncio, experimentar a grandeza existente na união de todas as coisas na imensidão do horizonte que se lhe apresenta. Sente no silêncio de seus sentimentos, na inteligência, na espiritualidade e na vontade o que não pode sentir em presença da atual civilização e da pouca cultura comum. O afastamento aconselhado de quando em quando resulta no fortalecimento dos conhecimentos espirituais, os quais mais tarde, mesmo diante das maiores dificuldades da vida civilizada não serão perdidos. Quem nunca se tem entendido com Deus na solidão, não obterá tão facilmente esta divina emanação em meio à perturbadora civilização.

É imprescindível a higiene interna e externa do neófito, ou seja, viver puro interna e externamente. A alimentação vegetariana, ou ainda, se possível, a frugífera, tem papel importante na vida do espiritualista.

O Adepto, que se dedica à evolução humana, fisicamente se alimenta de frutas ou cereais e, mesmo que não se possa exigir de um aluno as mesmas regras exigidas de um Adepto, deve ele cada vez mais aprimorar-se nessa conduta. O aluno de hoje terá amanhã a orientação e responsabilidade daquele, e se hoje se fala das possibilidades para edificar em si o futuro Adepto, razoável será que desde já comece a cumprir as regras, não tão difíceis, mas ao alcance de cada qual.

V – O AMOR, A PUREZA E O SONO – Fatores importantes na Concentração

Os sentimentos de amor, uma das mais sensíveis atividades de nossa vida deve ser cultivada de maneira que os sentimentos impuros, inconvenientes, odiosos, enfim, todos os que são desfavoráveis ao coração caiam por terra da mesma maneira como as flechas caem quando atingem um escudo de aço. Somente sentimentos elevados ajudam a concentração, pois assim a Mente permanece calma e sem essa a mesma não obterá resultado. A higiene mental deve ser cultivada, devendo a Mente alimentar-se somente de pensamentos sublimes.

O cérebro necessita alimento assim como o Corpo Denso, enquanto o coração se alimenta de amor e de puros sentimentos, os quais vêm refletir na possibilidade de se concentrar, assim como meditar e mesmo orar.

Para a higiene corporal como fator de evolução, existe mais uma questão importantíssima, a saber, a do dormir. Em primeiro lugar, deve o candidato dormir sozinho a fim de evitar o contato ou de um filho, ou da esposa, ou vice-versa. Deve além do mais, ler livros apropriados, de preferência de autoria de mestres espirituais, assim como ouvir boa música, pois, óbvio é que, quem não se educa permanece na ignorância, que é pecado. O espiritualista deve adquirir conhecimentos em larga escala e em todos os setores da vida e da cultura.

Pois bem, mister se faz que recapitulemos: um organismo cansado e doente não deixa a Mente agir favoravelmente aos exercícios fazendo com que as formas mentais fujam imediatamente, não conseguindo à vontade ligar-se às mesmas, borrando-se consequentemente as impressões. Claro também é que, se durante o dia o cérebro se cansou na luta pela sobrevivência, os pensamentos serão confinados por vibrações destrutivas e isoladas, sem qualidades, prejudiciais à concentração, não se obtendo resultado algum. Se preocupações inundam nossa Mente por motivo de sentimentos de medo ou de aparentes desavenças, o corpo emocional não se acalma, verificando-se de novo prejuízos aos exercícios. Sabe-se que a doença rouba boa parte dos éteres luminoso e refletor necessários ao saneamento do corpo e nesse caso a concentração será inútil. Outras condições também desfavoráveis surgem durante a concentração. Frequentemente pensamentos eróticos, mesclando-se e prejudicando o fluxo de pensamentos aparecem, fazendo surgir quadros sensuais os quais devem ser combatidos com a indiferença, pois também prejudicam a concentração. Os espíritos luciféricos têm interesse em dominar-nos pela sensualidade e sabendo-se disso, imediatamente devem ser desviadas suas maléficas vibrações por meio de pensamentos diferentes, de orações ou mesmo lavar a cabeça com água fria assim como os órgãos genitais. Os espíritos luciféricos não desejam nossa Mente livre de sua bufonaria, mas sim infiltrar sua falsa luz; porém, se nos aplicamos constantemente em uma higiene mental, os aspectos eróticos desaparecerão. Neste ponto deve-se frisar, com ênfase, que a vida conjugal em convivência noturna numa só cama é de acentuada desvantagem, pois não só os corpos físicos ficam diretamente ligados como também os corpos etéricos e de desejos.

VI – O OBJETO que deve motivar a Concentração (“sobre o quê” e “no quê”)

Sobre o que se deve concentrar?

Esta é uma pergunta que frequentemente o aluno se faz. Já mencionamos anteriormente alguns esclarecimentos sobre o assunto. Continuemos, todavia. Deve o aluno orientar-se por quadros internos e o objeto em mira depende da altura do seu temperamento, de sua cultura, da sua profissão, enfim de circunstâncias várias. Uns concentram-se bem sobre objetos à frente de seus olhos por ser mais fácil, outros preferem sentimentos já existentes na alma, havendo ainda os que procuram concentrar-se sobre um pensamento e desenvolve-lo, pela meditação, seguindo-o a fim de conhecer o resultado. Trata-se em verdade de familiarizar-se à concentração, não mais se separando de seu pensamento. Para ilustrar este tema, cita-se um diálogo entre um Mestre de Sabedoria e um discípulo a respeito da meditação sobre um búfalo.

Um discípulo da milenar sabedoria que vivia às margens de um sagrado rio um dia procurou um famoso sábio e pediu-lhe que o instruísse no método da melhor concentração. O sábio respondeu: – “pensa sobre Deus, sua grandeza, sua harmonia, sua luz”. O aluno respondeu: – “Mestre, mui querido Mestre, eu não posso fazer isto, pois é muito difícil para minha cabeça que é tão dura; – dê-me uma tarefa mais fácil”. Falou o mestre: – “não tenha receio, eu lhe darei um caso mais fácil; preste atenção. Coloque uma estatueta do Deus Krishina em sua frente, sentado na posição de lótus (pernas cruzadas, inconveniente para os ocidentais), fixe-a e não veja outra coisa senão a estátua”. Respondeu o aluno: – “Mui querido Mestre; isto é ainda bem mais difícil; se devo cruzar as pernas doem-se os joelhos e os quadris e se penso na dor não posso pensar na estatueta. De que maneira posso ficar quieto, pensando sobre tantos detalhes, se não me é possível pensar em uma só coisa!” Aí falou o Mestre: – “coloque uma fotografia do seu pai em sua frente, sente como quiser e mira-a um só momento”. O aluno retorquiu dizendo: – “Querido mestre; isto também é muito difícil, pois, meu pai sempre me amedronta; é ele um homem mau que me bate duramente e meus pés já começam a tremer no simples pensar sobre ele. Humildemente eu lhe imploro, Mestre, dê-me outra coisa ainda mais fácil que, seguramente, eu conseguirei”. Falou o Mestre: – “então me diga o que você mais estima em sua casa?”. Respondeu o aluno: – “tenho em casa uma fêmea de búfalo a qual criei com todo o meu carinho. Todos os dias me dá ela leite e manteiga; gosto muito dela e penso sempre nela”. O Mestre aconselhou-o: – “entre neste quarto e se encerre nele. Sente num canto do mesmo e pense continuamente em sua vaquinha de búfalo, medite sobre ela e não pense em outra coisa. Comece já!”,

Encantado pelo conselho, cheio de alegria e confiança, voltou o discípulo ao quarto e fez o que lhe aconselhou o Mestre, com verdadeiro arrebatamento. Durante três dias não se mexeu, esquecendo-se até mesmo de comer e de beber. Não estava mais consciente do seu corpo nem do ambiente, completamente absorto que estava na figura do búfalo. No terceiro dia, o Mestre, desejoso de saber o estado do aluno, encontrou-o em profunda e perfeita meditação. Chamou-o em voz alta: – “Como você está se sentindo? Venha cá fora para tomar uma refeição”. Respondeu o aluno: – “meu Mestre, estou muito grato ao senhor, mas acho-me em meditação e não posso sair daqui. Cresceu demais o meu corpo e não poderei com meus chifres sair por essa pequena porta. Eu amo tanto o meu búfalo que nele me transformei”.

O Mestre vendo que o discípulo se achava em completa concentração, chamou-o dizendo: – “você não é um búfalo; muda o objeto de sua concentração e meditação e modifique a forma do animal à sua essência que é a sua própria e verdadeira substância”. O discípulo modificou então o pensamento segundo os conselhos recebidos, tendo assim, alcançado a união perfeita com o espírito, que é o objetivo, o alvo da vida. Verifica-se, pois, por essa narração o que se deve manifestar em nós como o significado da meditação. Deve-se chegar ao ponto de se identificar com a coisa sobre a qual se medita. Se um dia chegarmos a meditar sobre Deus, de que modo Ele se identifica conosco, sentir-nos-emos integrados na essência divina.

Exemplifiquemos algo “sobre o que”, “como” e “no que” se deve concentrar.

Concentrar-nos-emos sobre uma rosa, a qual é um objeto a nossa vista. Fixemo-la. O pensamento dirige a Mente naquilo que se concentra.

A concentração somente se realiza quando se toma a devida atenção sobre o objeto, senão o mesmo foge imediatamente da nossa visão. Se a concentração for perfeita, sentiremos quase palpável a rosa, sua forma, sua cor e seu perfume. Tenhamos em Mente que existindo uma regra quase rígida para se concentrar, mecaniza-se a Mente, a atenção focaliza o pensamento sobre o objeto experimentando-se uma sensação que nada tem a ver com o intelecto. Estaremos impressionados pela beleza da flor, seu colorido, e assim sentiremos algo que está acima do intelectual, algo que inculca à nossa observação uma simples sensação da alma que por sua vez, transmite à consciência uma essência espiritual. Sentiremos, assim, muita felicidade, a qual não é uma sensação da inteligência e sim do espírito. É este o ponto o qual a concentração faz o ser humano sentir-se no espírito, uma vez que este se integrou no objeto, pois deseja sentir-se a sua totalidade, as partes externa e interna. Adquirida pelo EGO esta sensação, forma-se a exaltação, a união com a essência da rosa ou de Deus, ou “Deus da rosa”, que é também o nosso. Sentimo-nos, pois em presença do EGO que nada tem a ver com o “eu inferior” oriundo da emoção do Corpo de Desejos. Tem-se assim, absorvido o intelecto no EGO, bem como a emoção.

As qualidades da rosa, sua forma, seu colorido e seu perfume transformam-se em “ESSÊNCIA DA ROSA”, que somente o EGO sente e neste instante desaparece o mundo e se abre o céu, o céu dos Evangelhos que fala: “O REINO DE DEUS ESTÁ DENTRO DE VÓS MESMOS”. Este fenômeno é a realização da “UNIÃO COM DEUS”. Reafirmamos que, sem a concentração diária, sem aplicação da meditação, não existe a libertação em Deus.

Expliquemos mais ainda: o EGO deseja ser dono de seus corpos físicos, etéricos, emocionais e do intelecto, subordinando-os a sua ordem e sua vontade, posto que é divino e não humano.

O EGO deseja a unificação com Deus e com o Cosmos e não com o ser humano material, a casca do mesmo. Por estas premissas observamos que para o EGO praticamente não existe a lei de CAUSA E CONSEQUÊNCIA, pois este é sempre divino, sendo inatingível por leis que regem as regras materiais. A lei de CAUSA E EFEITO se manifesta no grosseiro mundo material, sendo anulada na proporção do avanço do EGO neste plano material. A concentração define este fato perfeitamente durante a sua exaltação em Deus, pois o EGO se unifica a Ele. Por outro lado, o EGO que é espírito puro não tem mais controle total sobre o seu corpo inferior nem sobre os átomos do material a sua disposição em nosso globo, mas com o tempo, todos os corpos materiais reagirão a demanda do EGO. Nesta fase alcançaremos aquilo que a bíblia diz: “SEJAIS PERFEITOS COMO VOSSO PAI NOS CÉUS É PERFEITO”, ou “O REINO DE DEUS ESTÁ DENTRO DE VÓS”.

VII – A ATENÇÃO: A chave mestra na Concentração e na Introspecção – A MEDITAÇÃO: consequente a Concentração

Devemos cuidar de que as imperfeições devem ser eliminadas pelo EGO. A Concentração e a Meditação tendem a expulsar com a ajuda do Homem Divino, o EGO, as imperfeições além de causa e consequência às quais não pertencem aos céus e sim ao Mundo Físico, ao mundo inferior, onde se manifestam devido as transgressões das leis da natureza. Óbvio que, onde não existe transgressão não existe a lei de causa e consequência e se a mesma existisse nos planos espirituais, estaria também o Arquiteto do Universo sujeito à mesma e isto nós sabemos, não é assim, pois se não formarmos mais “destino maduro”, jamais esta lei entrará em ação.

Vamos novamente falar sobre temas de meditação em seus vários aspectos, sobre suas funções e sobre suas diversificações. Voltemos a rosa. Falemos de sua forma, colorido, perfume, enfim, de seu conjunto fenomenal percebidos pelos órgãos sensoriais. Falemos de fatos subjacentes a estes fenômenos, da maneira como a alma os aceita ou sente suas impressões. Falemos como se processa a exaltação, a nossa união com o corpo do Espírito do Cosmos quando não mais se sente separados de Deus. Falemos que somente pela meditação a alma se separa dos mundos materiais, intelectuais e emocionais, para depois ingressar na sua consciência espiritual, no corpo divino de Deus. Vamos, pois dar um passo mais para frente em relação ao que chamamos exaltação. Que regime deve nortear-nos a esse fim?

Falamos anteriormente da concentração sobre as coisas que vemos, que se formam na imaginação, sobre coisas existentes. Agora temos em mente apenas coisas abstratas, que não se apresentam na vida real, de fenômenos subjetivos, não existentes, formado em nosso interior.

O EGO tem a tendência de criar em nossos sentimentos coisas que lhe agradam, para, assim, obter a sua libertação. O que o EGO faz pode despertar nossa alma, obrigando-a sentir fenômenos tais como TERNURA, AMOR MATERNO, IMAGINAR-SE DENTRO DO CORPO DE CRISTO, DESCER COM CRISTO DA CRUZ, ELEVAR-SE EM SEU CORPO DENSO,

ABENÇOAR A TERRA OU CURAR O CEGO. Essas meditações representam a verdadeira ação do EGO e são alguns exemplos que se propõe à meditação. O aluno poderá encontrar outros assuntos bem melhores e mais eficientes, bastando tão somente que sejam reais para a vida espiritual e irreais para a vida física, procurando sempre tirar o máximo proveito da meditação a qual faz a alma sentir-se fora da vida real. Deve procurar algo que seja impalpável na parte sensorial e quanto mais abstrato o tema escolhido, mais eficaz será para o conjunto divino e melhor para a purificação dos corpos. Recapitulemos novamente uma questão essencial que nunca deve ser esquecida. Reprisamos mesmo essa ideia por ser a mesma de máxima importância para a iniciação: “NÃO PERCA NUNCA A ATENÇÃO NAQUILO EM QUE SE CONCENTRA, POIS DE OUTRO MODO, SEU TRABALHO SERÁ EM VÃO”.

A ATENÇÃO É A CHAVE DA SUA LIBERTAÇÃO NOS PLANOS SUPERIORES. As retrospecções à noite, bem como a concentração matutina, por sua vez, não terão valor algum caso não seja feito com a devida atenção e, na falta desta, A LUZ DOS SEUS OLHOS

INTERNOS JAMAIS SE ABRIRÃO. A ATENÇÃO forma a introspecção. Assim, mais cedo ou mais tarde resultam em faculdades suprassensíveis, normais, sem necessidade de meditar.

Adverte-se nesta altura que, mesmo que a alma tenha possibilidades de se aplicar, o objetivo somente será alcançado por meio da meditação.

VIII – A INTUIÇÃO: o que é – AS Suas relações com a Concentração e a Meditação

Vejamos mais um capítulo que resulta da prática da concentração.

A Mente se esforça para conhecer as coisas do modo mais claro, sendo a mesma um órgão, digamos, apurador, possuidora que é de um discernimento positivo, não tendo necessidade de calcular, raciocinar ou mesmo de decifrar enigmas que se lhe apresentem, pois, a mesma se torna mais pura e mais poderosa por seu conhecimento imediato. Não há ademais, especulação, suposição ou dúvida, e pela exatidão do conhecimento que resulta de sua iluminação, funde-se a mesma na INTUIÇÃO, a inteligência superior. A meditação leva nossa alma por esta razão do campo meditativo ao conhecimento contemplativo e ainda, ao plano da intuição onde as inspirações fluem ao lado do EGO. A INTUIÇÃO, que está intimamente ligada à inspiração, é contrária à lógica da Mente a qual, apesar de tudo, tem suas limitações, pois haverá sempre um ponto final no sentido da exata lógica pela falta de material sobre que pensar. Na Mente superada, na intuição e na aceitação desta pelas aspirações ou infiltrações de sentimentos espirituais, não haverá limitação, pois encontra-se o espírito na espiritualidade sem limitações.

Daremos agora uma explicação sobre as diferentes qualidades do EGO em presença do intelecto e da intuição.

Vemos que o intelecto está subordinado à vontade do EGO durante a meditação, exercendo esta sua função sobre o objeto mediante a atenção, tornando-se conhecedor das coisas meditadas, caso esteja o intelecto sujeito a ele como um instrumento em seu poder.

Praticamente o intelecto está sendo atraído pelo EGO iluminando-se pela subordinação a ele.

Forma-se então a intuição, abrangendo o hemisfério do EGO e se tona um veículo valioso para as pesquisas suprassensíveis. O intelecto nestas condições se sujeitará cooperando conscientemente com o EGO. Verifica-se isso quando o candidato se encontra fora do seu Corpo Denso, onde as funções serão exercidas com perfeita lógica, inteligência e consciência da situação em que se acha o candidato, podendo dizer para si mesmo: “EU ME ACHO FORA DO CORPO DENSO, POIS VEJO ESTE DEITADO NA CAMA”.

Há ainda outras experiências de lógica que aqui não é preciso descrever. O resultado deste conhecimento é que o EGO consegue levar a Mente inferior as alturas, formando o que poder-se-ia chamar de “inteligência abstrata” no reino da Mente abstrata, enquanto que no mundo da mente concreta funciona a lógica com seus erros, pois a Mente tem os seus chamados “pontos de vista”, seus ângulos de concepções diversas.

Por isso há infrutífera polêmica sobre as coisas e, note-se bem, “ONDE HÁ POLÊMICA A VERDADE NÃO SE FAZ PRESENTE”, pois nos planos onde se revela a vida espiritual, a lógica se apresenta como VERDADE.

Sabemos perfeitamente que somente no mundo existe sombras, enquanto que nos planos superiores existe a luz. As funções sensoriais normais não sabem distinguir o que é luz espiritual; assim o cérebro com sua inteligência não atinge o máximo da VERDADE, podendo-se exemplificar com o seguinte: ao ouvir alguém, música em um auditório, fá-lo com os ouvidos que é função sensorial; porém, se “ouvir” em seu íntimo alçado aos planos superiores, não haverá necessidade de ouvidos sensoriais. Ouve-se com a alma, e todos os alunos do rosacrucianismo experimentam este fenômeno, uns de modo mais perfeito, outros menos por não estarem ainda desenvolvidos.

IX – o Local e as condições físicas propícias a Concentração: o Relaxamento nervoso, a Respiração, a Calma, a Concentração isolada ou junto de outrem, A CASTIDADE, o Lugar da Concentração

Frequentemente os alunos perguntam qual seria o lugar ideal para realizar a concentração.

Antes de tudo deve-se dizer que, para que se possa concentrar, o corpo deve estar em condições apropriadas para tal cometimento e um organismo cansado ou nervoso não se presta para este fim. Os nervos perturbados por excesso de trabalho, seja intelectual ou físico, não permitem uma concentração profunda, pois não podem prodigalizar a necessária paz, o que significa necessitar-se da mais absoluta calma. Pode-se obtê-la com diferentes exercícios tais como, respiração bem profunda para que se possa relaxar os músculos tensos e diminuir, pela respiração, o anidrido carbônico aglomerado no sangue, sendo que, com poucas respirações, porém profundas, consegue-se um bom efeito. Somente nestas condições é que se deve pensar na meditação. O lugar deve ser adequado a nossa quietude interna, calmo, onde outras pessoas durante a meditação não tenham acesso. Deve-se meditar sozinho.

Mais tarde, quando se possa isolar intimamente de modo completo, então se pode concentrar na presença de outrem, porém, a meditação solitária, encerrado em um cômodo fechado é, sem dúvida, a melhor. É muito agradável também meditar em um jardim, na presença de árvores e de flores, pois podem aparecer durante a meditação os “espíritos da natureza”, curiosos em saber o que se passa com a pessoa ali presente. Em uma praia, bem cedo, antes mesmo do sol se levantar no horizonte, em um mato onde ainda dormem os pássaros; enfim, na natureza onde só Deus respira é o lugar ideal para aquele que deseja meditar. Em todo o caso, sempre haverá um lugar, um cantinho em casa ou fora, para que se possa isolar dos demais e aprofundar-se em seus pensamentos.

Para se obter resultados positivos na concentração é indispensável também a condição de castidade. Mesmo que não se possa obrigar o aluno a estas condições, deve o mesmo de antemão saber esforçar-se para cumprir com esta obrigação no futuro. Nada pode ser feito forçadamente.

Sempre se precisa de preparações para conseguir esta ou aquela finalidade e assim procedendo, mais tarde a castidade tornar-se-á uma naturalidade. Casados não devem ter camas em comum e o uso de camas separadas ou mesmo de quartos separados é o ideal, caso em que a meditação se torna mais perfeita, pois, se dormem juntos, o corpo etérico, bem como o de Desejos se infundem um no outro, perturbando assim o precioso trabalho noturno fora do seu corpo. Mas não somente por isso devem os cônjuges ter quartos ou camas em separado; a higiene também exige esta condição, pois a mais ligeira aproximação de corpos, principalmente em caso de doença ou de qualquer impedimento de bem-estar, prejudicará o companheiro quando em suas funções superiores. Acontece e isto se deve dizer sem reservas, que um organismo enfraquecido rouba funções vitais do companheiro mais enriquecido de vitalidade. Se um dos cônjuges a noite deseja concentrar-se ou meditar, será logicamente frustrado, pois a atenção que prestaria em não acordar o outro não permitiria realizar os exercícios com a devida perfeição. A fusão dos corpos superiores de ambos os componentes não deixa livre a ação do EGO. Supondo-se e diga, enfaticamente, que um dos cônjuges tem o costume de roncar, como é que se pode concentrar? A mesma ficará prejudicada, podendo dizer, perdida, ou que, representa um retardamento em nossa educação espiritual. Uma vez mais advertimos com severidade: casados, não usem camas em comum, pois são Estudantes do Espiritualismo.

X – A ALIMENTAÇÃO – os Venenos – O Grande Remédio – A alimentação

É sabido que, muito difícil será ao aspirante desenvolver suas faculdades espirituais alimentando-se inadequadamente, sendo a carne o alimento mais contraindicado. Em primeiro lugar, a pessoa que ingere carne se faz culpada pelo assassínio de seus irmãos menores e o EGO sentirá todos os sofrimentos físicos que o animal sentiu na hora da morte.

Tendo o EGO que se submeter à função assimilativa da alimentação inadequada que não tem justa procedência, embora seu objetivo primordial seja a espiritualização do seu corpo físico, usa deste processo de transformar as células muito sólidas, tornando-as assimiláveis ao seu organismo; assim, ao invés do EGO usar suas funções para evoluir, restringe-se a transformação de corpos com evidente finalidade desfavorável. Se um animal carnívoro se alimenta de outro, devia-se exigir, com o mesmo direito, “que um ser humano se alimentasse de outro ser humano”. O animal é inocente por não ter inteligência e sua vida é de instintos adequados a ele, assim, tem o direito de se alimentar do que é de sua posse e de sua natureza. O ser humano tem inteligência e pode ler em todos os livros sagrados as palavras “NÃO MATARÁS” e, se mata a lei de causa e consequência o castigará certamente assim como o responsabilizará pelo sofrimento que causou a um animal, engendrando em consequência, sofrimento no corpo e carne humanos que é a justa recompensa pela transgressão do mandamento e questão.

Finalmente, o ser humano não é um animal no sentido literal como os cientistas hodiernos gostam de se expressar e sim ser humano, gente, constituído de faculdades superiores à de um animal, dotado de uma inteligência para compreender o sofrimento que se causa a um animal na hora que se destrói o seu corpo. O Espiritualista que une seu íntimo com Deus pela concentração e meditação jamais pode usar na alimentação o corpo que Deus deu a um animal. Todos os profetas disseram a mesma coisa, pois Deus não quer animais sacrificados, deseja-os no coração do ser humano, podendo-se dizer que o próprio Cristo se sacrificou como consequência de que o ser humano deveria sustar a matança de animais, fosse para sacrifica-los a ídolos ou para alimentar-se.

Se fosse justo que os animais se alimentassem da sua espécie, seria lógico que também o ser humano se alimentasse dos seus semelhantes e isto jamais seria possível, jamais poderia haver razão para tal. Assim, a recusa formal de alimentos de carne de animais torna-se imprescindível ao candidato à espiritualidade. O ser humano foi colocado na sua qualidade de humano para proteger os animais que o servem em sua economia. A ética determina que nos sujeitemos às condições de protetores de nosso próximo e o animal também o é.

Cabe-se aqui fazer uma narração em torno de um fato vivido pelo autor. Em uma rua muito acidentada por salientes pedras, quatro animais atrelados tinham dificuldades em puxar uma carroça para frente. O desalmado carroceiro que dirigia batia sem cessar nos animais já exaustos. Em dado momento, o carro chegou a uma elevação da rua, a qual não podia ser ultrapassada, devido ao alto obstáculo que apresentava. O carroceiro, em seu assento, chicoteava sem cessar os pobres animais. Nesta altura, o autor tirou do bolso papel, lápis, fingindo tomar nota do número da carroça, no propósito de defender os animais. Observado que foi pelo carroceiro, este desceu e, virando-se para o autor dirigiu-lhe as seguintes palavras: – “se você não parar de escrever, eu lhe ponho debaixo deste carro”. Embora apreensivo devido as palavras recebidas, percebia o autor que os quatro animais, sem o peso do truculento carroceiro, pois estava ele em discussão com o autor, fizeram um esforço excepcional, tirando a carroça fora do obstáculo.

O carroceiro vendo o sucedido correu atrás dos cavalos e prosseguiu viagem.

Verifica-se por esta curta narração do que é capaz uma boa dose de sentimento de proteção aos pobres animais, que sem mais chicotadas desumanas, conseguiram livrar-se do obstáculo.

A ética do ser humano puro para o oculto reflete na bondade com que trata os animais que necessitam do seu amor, pois lhes falta inteligência para se defenderem de seus adversários e de seus inimigos, especialmente o ser humano.

O discípulo dos ensinamentos secretos abençoa os animais como se abençoasse um familiar seu. Ele ama as criaturas de Deus, não podendo sua carne servir-lhe de alimento. A carne impede ao místico livrar-se facilmente do seu corpo, pois as baixas vibrações da mesma, quando ingerida, não permitem tal fato, uma vez que está intimamente ligada ao espírito-grupo do animal o qual continua agindo sobre a mesma no estômago e intestinos do Estudante e sendo estranho para o EGO, procura este transforma-la, como se disse anteriormente. Todo o sistema orgânico deve vibrar em harmonia, em uníssono com o Cosmos e a presença de carne dificulta sobremodo o EGO executar sua ação. O corpo praticamente sofre um envenenamento, o qual o EGO tem que se anular com esforços inauditos, tornando mesmo precária a concentração, devido o referido envenenamento resultante da ingestão de cadáveres bem como impossibilitando a exaltação em Deus.

Cumpre-nos ainda falar sobre o FUMO e o ÁLCOOL. Assim como a carne envenena o sangue (o precioso veículo do EGO), assim também o álcool e o tabaco o envenenam. O EGO fica subjugado ao corpo devido a luta que trava contra os venenos; a circulação nas glândulas superiores (tireoide, pineal e pituitária) que servem ao EGO nos trabalhos espirituais para se afastar do corpo, diminuem consideravelmente, obstruindo sua saída do organismo, pois este amarra o EGO devido as inadequadas condições.

Em geral, os candidatos conseguem a concentração só por um ou dois minutos. Outros dizem que nem sequer chegam à meditação, pois dormem ou os pensamentos tumultuam o cérebro, não podendo fixar os pensamentos por um único momento e isto mostra que o corpo do candidato está envenenado. Se o corpo permanece puro, os pensamentos correm em uma única direção. Deve-se também salientar que não somente com alimentos se envenena o corpo e o sangue, porém, emoções e pensamentos nefastos envenenam o Corpo de Desejos, descontrolando os centros nervosos, impedindo o candidato de pensar por não poder o EGO exercer sua função nos preciosos corpos superiores, falando as emoções e não a inteligência nem o juízo. A moléstia do Corpo de Desejos e do intelecto ocasiona a impossibilidade da coordenação das funções gerais de toda a arquitetura humana, pois o edifício humano se queda abalado em sua estrutura, em seus fundamentos básicos.

É necessário, pois evitar estes envenenamentos e o grande remédio contra estes males é o AMOR, endereçado a tudo e a todas as coisas que se manifestem, pois, sem bondade e sem caridade não existe satisfação na vida em geral, particularmente para aquele que se dirige diretamente a Deus pela meditação. Com o amor ninguém se perde e sim frente à emoção, à crítica ou ao julgamento errado.

XI – Os Outros Recursos de Grande Valia: AS Leituras Espiritualistas, A Música apropriada, A Arquitetura, Outros recursos complementares

A leitura de textos espiritualistas de mestres do esoterismo cria possibilidades para meditar, uma vez que, automaticamente, o aluno se coloca no mesmo plano daqueles que falam através das palavras. A Bíblia e seus Evangelhos são trabalhos de eminentes pensadores que desejaram demonstrar suas faculdades espirituais obtidas durante suas meditações e em suas exaltações. O amor constante faz o organismo sentir-se melhor, faz sentir que Deus está presente e que ninguém, assim procedendo, falhe em sua caminhada ao Cosmos.

  • Falemos agora sobre a Música. O EGO nasce no mundo embalado pelas harmonias das esferas e jamais poderia o mesmo manifestar-se na matéria se as harmonias não o levassem a este plano. Somos ligados à música celestial nesta nossa existência presente, bem como no passado e no futuro. Verificamos que a música é fator importantíssimo, pois sem a mesma não existiria a CRIAÇÃO e o candidato, quando se afasta do seu corpo em trabalhos espirituais percebe esta música, essa harmonia celestial. Sabendo-se que a música envolve constantemente nosso EGO, pode-se mesmo dizer que a nossa vida se baseia nas sonoridades e é uma verdade que, infelizmente, não está sendo suficientemente acolhida em nossa vida cotidiana. A música faz parte tanto de nossas funções psíquicas como física e isso se pode demonstrar pelo fato de que, em muitas reuniões musicais, os ouvintes se sentem extremamente felizes e os semblantes traduzem os sentimentos obtidos através da música. A vida deveria mesmo dirigir-se por música, o alimento abstrato de nossa alma, sabendo-se que as harmonias a moldam, formando dentro de nós o bem-estar, a felicidade só existente nas regiões onde os compositores se inspiram. Estes são veículos das harmonias, transcrevendo-as inteligentemente nas pautas musicais, a fim de que outros saibam interpreta-las novamente, invocando assim o plano da harmonia do Espírito de Vida, o qual sendo harmonia cósmica dentro de nossa alma, de nosso espírito, de nosso corpo, engendra, pela música, o nosso caráter. O espiritualista procura sempre formar sua alma nas altas camadas divinas e isso fá-lo sentir os sublimes matizes da harmonia, fá-lo exaltar num mar de tranquilidade, a felicidade originada pela música são de ordem transcendental e os compositores conhecidos pelos nomes de Bach, Haendel, Mozart, Haydn, Pergolesi, Vivaldi e muitos outros pertencem, sem sombra de dúvida, a chamada música transcendental ou, como dizem, “música erudita”.
  • Em contraste com a essa música que desperta nossa alma, que nos faz sentir superados em nossas emoções, vamos encontrar nas chamadas melodias populares e nas primitivas canções o ritmo provocante e excitante que nos afasta da satisfação espiritual.

São estas as melodias emocionais e sensuais usadas nas baixas camadas de sentimentos egoísticos. A música dos povos primitivos chega ao ponto de não possuir melodias, feitas somente de ritmos, os quais não são transmitidos ou executados por instrumentos de corda ou sopro de tom suave e sim, de preferência, por instrumentos de percussão, utilizados nas religiões primitivas para provocar danças sensuais e delirantes. Em nossos tempos observamos ainda, entre espiritualistas primitivos, o uso da música de percussão ligada a instrumentos de sopro de estridente sonoridade. Ao som dessa música o candidato é conduzido a sensações sexuais e de orgia criadas pelo Corpo de Desejos. Outra forma de música primitiva é a que se ouve entre os povos orientais da Ásia Menor, a qual se caracteriza pela mesma melodia monótona como o deserto, devido ao sol quente e constante, à falta de ar refrescante, triste como o camelo que, no mesmo ritmo, balança sua corcunda, levando o triste beduíno ao próximo oásis. A música oriental é uníssona em conjunto, mas sem harmonização, uma vez que não existe na mesma o sustenido, só o bemol menor. Não há elevação, não servindo mesmo para proporcionar à alma a exaltação. Na península ibérica persistem os remanescentes das melodias dos mouros, encontrando-se ali as mesmas melodias monótonas.

Pode-se mesmo afirmar que, entre os povos ali radicados, quase não há expressão de música clássica, nem no romantismo, nem no lirismo, nem mesmo no classicismo moderno. Existem sim as melodias emotivas, as quais não servem para a espiritualidade. Estas explicações sobre a música são dadas como oportunidade, esperando-se dos leitores que se concentrem nos fatos atrás demonstrados, para que possam formar uma opinião a respeito. A verdade é que, para o espiritualista, não serve QUALQUER MÚSICA e sim a MÚSICA VERDADEIRA. Ainda com relação a música, devemos dizer que, quando transmitida por aparelhos mecânicos, tais como gramofone, rádio, alto-falante, televisão, enfim, toda a sorte de máquinas falantes, não servem ao fim objetivado. Se não houver direta afinidade entre as pessoas que ouvem com ditas máquinas, não existirá emanação psíquica entra o operador e o ouvinte e isso quer dizer que temos que ter em nossa frente o cantor ou o instrumentista para sentirmos a vitalidade da música do mesmo. Se transmitida por uma máquina, o volume da voz ou a sonoridade do instrumento seria admissível, porém, a transmissão por disco ou fita magnética, os quais tiram os valores indispensáveis para sentir a verdadeira essência musical, não é aconselhável.

Sempre foi a direta transmissão do executante ou do cantor para o ouvinte a mais eficaz.

Num orador, por exemplo, poder-se-á melhor avaliar a sua influência sobre os ouvintes, pois a palavra viva emitida, os sentimentos expressados em verbos, a fisionomia que se sujeita aos sentimentos da alma, os gestos percebidos (expressões da vida interna) sensibilizam o auditório enquanto que a transmissão por processos mecânicos será sempre deficiente no que toca à referida sensibilidade sentimental.

  • A respeito da mímica ou gestos em relação à música, deve-se dizer alguma coisa.

Nos ritos antigos das religiões do Egito, Grécia e Roma, a dança fazia parte das cerimônias sagradas. Ouvia-se a música e, no mesmo instante, a interpretação da mesma pelos dançarinos que, com gestos e movimentos dos braços e pernas ou de todo o corpo, pretendiam demonstrar a alma da música, a qual transmitia inspirações às bailarinas que por sua vez, transformavam os sentimentos em movimentos de seus belos corpos. Pelos seus gestos percebia-se o entusiasmo transfigurando-se em halos de espiritualidade.

Os orientais têm, por excelência, o costume de fazer-se entender por palavras acompanhadas de gestos de suas mãos ao mesmo tempo. Não se devem confundir gestos de crianças que aprendem na escola quando recitam versos. Percebe-se que não são espontâneos e as crianças assim ensinadas, não tem entusiasmo próprio para que possam demonstrar sua vida íntima, a exemplo do que acontece com os adultos. Seria melhor não ensinar as crianças os movimentos artificiais de expressão anímica.

  • Relativamente à interação da palavra e da música, podemos dizer que nunca se vai ouvir em uma universidade, em um senado ou em um ministério, um discurso antes gravado em uma fita cassete, assim como nunca se vai à igreja ouvir missa gravada em discos, nem nunca se ouve em qualquer ambiente antes de qualquer cerimônia, tocar discos para a sua preparação ou para se isolar do exterior. E por quê? Devido a inviabilidade de se conseguir resultados seguros a respeito.

Arquitetura

Falemos por fim sobre a Arquitetura. Quando a Mente ingressa em um plano da geometria, na estética e no poder inerente da construção, observando-se uma pirâmide, um templo grego ou romano, sentimos a grandeza do idealizador dessas construções.

Se admiramos noventa e nove colunas em um templo da antiguidade, um verdadeiro mar de colunas, mostrando a arquitetônica divina, somos arrebatados por essa grandiosa expressão de força e dinâmica existente em monumental edifício. Mostra a vontade e o trabalho do intrépido arquiteto que desejou dessa maneira, mostrar que Deus é Infinito. De uma robusta base sobem colunas aos céus e sobre essas pousam os capiteis, tornando-se, novamente, colossal a base de pedras que finalizam a obra. Sem a devida meditação não teria sido feita essa construção identificada com o vigor, com o poder e a infinita força de Deus. Observando-se as enormes mesquitas, as igrejas e catedrais do Cristianismo romano, o gótico da renascença e do barroco, novamente, encontramos a fabulosa força consubstanciada em tais monumentos, oriunda de uma concentração e meditação silenciosas. Não temos suficientes palavras de admiração àqueles pensadores que, se sabiam se concentrar nas construções aqui no Mundo Físico, melhor o faziam no mundo espiritual.

XII – CONCLUSÕES: O plano das Hierarquias – O EGO e a Divindade

Tudo que aqui foi dito mostra que a meditação e a concentração são exigências das Hierarquias Superiores. Lembremo-nos que a humanidade se perdeu em um tortuoso labirinto, do qual não sairá tão depressa. Ela se deteve no materialismo, verdadeiro beco sem saída. Sendo o dever da humanidade evoluir de acordo com as leis do Cosmos, os mestres superiores sabem como educar cada indivíduo, assim como a coletividade. Os pensadores mais lúcidos e perfeitos fazem com que a coletividade cresça em sua função intelectual, moral, física e social. O Cosmos aplica naqueles que tem afinidades com as ideias superiores sua qualidade infinita.

Na hora da concentração e meditação estas forças superiores se fazem sentir, brotando a harmonia das flores espirituais em seu filho Ser Humano.

Devemos pensar, constantemente, sobre nós mesmos, não sentir a nossa essência, o Ego, à parte de Deus e sim junto a ELE. Por essa razão, o espiritualista, em sua meditação, pergunta: – QUEM SOU EU? E, como resposta, encontrará o conhecimento das significativas palavras: – TU ÉS INFINITO, ETERNO E IMORTAL.

Assim nas constantes pesquisas das ideais advindas do Cosmos, O EGO se encontra no seio desta grandeza, sente sua existência infinita no corpo de Deus, integrando-se no mesmo, em profunda consciência espiritual em sua exaltação divina.

FIM

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Auxílios Astrológicos – Por um Estudante

Como recebemos uma série de pedidos nestes últimos anos, não só para nossos cursos de Astrologia, mas também para outros tipos de informações e dúvidas que se seguem, decidimos colocar estas respostas em forma de livreto.

Esperamos que este material, que era mimeografado, seja mais durável e conveniente para ser usado.

1. Para fazer download ou imprimir:

Auxílios Astrológicos – Por um Estudante

2. Para estudar no próprio site:

Auxílios Astrológicos

 Por

The Rosicrucian Fellowship

Fraternidade Rosacruz

Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82

Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil

Traduzido e Revisado de acordo com:

1ª Edição em Inglês, Booklet: Astrological Aids, editada por The Rosicrucian Fellowship

Por H. Petito e pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

www.fraternidaderosacruz.com

contato@fraternidaderosacruz.com

fraternidade@fraternidaderosacruz.com

Sumário

PREFÁCIO.. 4

NOSSA POSIÇÃO: ASTROLOGIA ESPIRITUAL. 5

PROGRESSÃO DO HORÓSCOPO QUANDO O NATIVO MUDOU DO SEU LUGAR DE NASCIMENTO.. 7

LUNAÇÕES E ECLIPSES. 9

A LUA E AS PLANTAÇÕES. 11

A CABEÇA DO DRAGÃO E A CAUDA DO DRAGÃO.. 14

SIGNOS INTERCEPTADOS. 20

PARA ENCONTRAR O SIGNO E O GRAU DO ASCENDENTE SEM RETIFICAÇÃO   22

RETIFICAÇÃO DA HORA DO NASCIMENTO PELOS ACONTECIMENTOS  24

PREFÁCIO

Como recebemos uma série de pedidos nestes últimos anos, não só para nossos cursos de Astrologia, mas também para outros tipos de informações e dúvidas que se seguem, decidimos colocar estas respostas em forma de livreto. Esperamos que este material, que era mimeografado, seja mais durável e conveniente para ser usado.

Somos bem vindos à comentários, e esperamos que o conteúdo prove a utilidade para ajudar a todos os Estudantes da Divina Ciência que é a Astrologia.

NOSSA POSIÇÃO: ASTROLOGIA ESPIRITUAL

Desde que os Ensinamentos Ocidentais da Sabedoria transmitidos e divulgados pela Fraternidade Rosacruz incluem a Astrologia Espiritual e como existe um interesse cada vez maior na ciência das estrelas, principalmente nas suas fases e aspectos materiais, é necessário que o alcance e a natureza da parte astrológica, entre os trabalhos da Fraternidade, sejam claramente definidos.

Quando se considera a Astrologia desde o mais amplo ponto de vista de evolução, procura olhar cada Horóscopo como a representação de um Ego individual, uma centelha da Chispa Divina, evoluindo para um estado glorioso de estar sob as influências de tremendas forças cósmicas, impelido, mas não compelido por elas, para tomar certos cursos de ação. Os mais profundos traços de caráter, as qualidades espirituais do ser real estão indicadas no Horóscopo e isto torna evidente que a Astrologia é essencialmente uma ciência espiritual, tratando primeiramente do ser humano como um Espírito.

Aqueles que perguntam dos ensinamentos da Fraternidade Rosacruz, interessados na Astrologia ou na Filosofia, vibram em alguma medida, pelo menos, para o raio da Escola da Sabedoria Ocidental, que é uma Escola de preparação para a Iniciação Cristã, tanto nesta vida como nas outras que virão. Os Estudantes da Escola da Sabedoria Ocidental, a Fraternidade Rosacruz, se desenvolvem sob um princípio espiritual muito definido, e é para seu bem-estar que eles entendem, usam e ensinam Astrologia em conformidade com o princípio da Filosofia Rosacruz.

O treinamento exotérico ou externo lida com formas e condições materiais, incluindo nisto, medidas competitivas, adiantamento próprio à custa de outros, etc., e tudo isto foi permitido enquanto funcionávamos sob o regime de Jeová, aprendendo as lições de separatividade, tornando-nos conscientes de nós como indivíduos separados. Durante o regime de Jeová nós devíamos estritamente prestar contas à Lei de Causa e Efeito. Agora sob o Raio de Cristo nosso trabalho é esotérico – desenvolvimento interior – que é de natureza altruísta, em lugar de competitivo. O Estudante dos ensinamentos da Fraternidade Rosacruz está trabalhando definitivamente sob a influência de Cristo e a lei para ele é: “Aquele que perder sua vida, encontrá-la-á”[1], estar “no mundo, mas não pertencer a ele”[2].

O astrólogo que trabalha com o aspecto material de existência, está sob a influência da lei separatista, correspondente à lei inferior do Mundo do Desejo, porque provendo aos seus interesses, como por exemplo, processos e ações contra os outros, especulações comerciais, jogos de azar, etc., fica preso ao MATERIALISMO, a maior barreira para a evolução espiritual. O astrólogo que desinteressadamente serve ao seu próximo, por meio do estudo do seu caráter, aconselhamento vocacional e Astrodiagnose, está trabalhando com a parte espiritual do ser humano e, portanto, sob a lei superior. O verdadeiro Aspirante da Sabedoria Ocidental esforça-se em nutrir e responder ao Cristo interno e prepara-se para servir a humanidade como o fazem os Irmãos Maiores; desta maneira seus semelhantes se libertarão do materialismo e serão guiados na liberdade de uma verdadeira Fraternidade Universal.

PROGRESSÃO DO HORÓSCOPO QUANDO O NATIVO MUDOU DO SEU LUGAR DE NASCIMENTO

A Hora Sideral (S.T.) do Meio do Céu (M.C.), como é usado astrologicamente, indica o ponto no céu exatamente sobre a nossa Cabeça no momento do nascimento, ou a primeira respiração e alento da criança recém-nascida. Isto torna-se um ponto que é RELATIVAMENTE uma estrela fixa e que corresponde à entidade ou Ego. Tempo e lugar depois do nascimento não afetam este ponto no que se refere ao indivíduo e permanece um fator constante, a partir do qual todos os movimentos estelares são computados.

O Ascendente, como o nome indica, marca este ponto no espaço astral, no horizonte oriental, elevando-se no momento do nascimento. Cada grau tem seu próprio tom ou frequência vibratória e no momento do nascimento a primeira respiração do recém-nascido determina a natureza de seu corpo físico e sua capacidade para responder às experiências futuras. Não por acaso, mas por oportunidades, o Ego é trazido a um corpo físico, o qual tem a sua frente uma vida que habitará o nativo a aprender as lições necessárias. As experiências, boas ou más, afetam a vibração do corpo físico e finalmente tornam-se atributos da alma. Se o indivíduo mudar seu lugar de nascimento, não haverá, de maneira alguma, qualquer efeito sobre a linha de seu destino, mas mudará o TEMPO em que às lições deverão ser aprendidas. Mudança para Leste ou Oeste sob a mesma latitude, não afetam o tempo, mas a mudança para o Norte ou para o Sul sim, mudará o tempo de acordo com a distância da viagem, porque esta mudança Norte ou Sul mudará o grau do Ascendente do nativo. Este deve, portanto, quando há mudança de residência para o Norte ou para o Sul, fazer uma alteração correspondente no seu mapa natal, a fim de que o GRAU ASCENDENTE correto seja indicado. Isto se obterá quando o S.T. progredido da Tábua de Casas na Latitude do LUGAR DE RESIDÊNCIA. Assim como é usada a longitude do lugar de nascimento, não importa onde o nativo esteja residindo; e como TODOS os lugares de mesma Longitude têm o meio-dia ao mesmo tempo (ou o mesmo M.C.) INDEPENDENTE DA LATITUDE, o M.C. progredido será o mesmo como se não houvesse ocorrido mudança do lugar de residência, MAS o ASCENDENTE progredido não será o mesmo, pois a mudança de residência afetará o ASCENDENTE progredido e outras cúspides das Casas.

REGRA:

  • Encontre a data progredida para a idade que você estiver progredindo o horóscopo. Se você estiver fazendo isso para uma idade de 30 anos, conte 30 dias APÓS a data de nascimento e essa será a data apropriada para a idade de 30 anos.
  • Encontre à Hora Sideral (S.T) calculado progredido para a idade de 30 anos, da mesma maneira que você encontrou a Hora Sideral (S.T) calculado para o horóscopo de nascimento, usando a mesma hora de nascimento (Hora Local Exata) e a mesma Longitude que usou para o mapa radical.
  • Procure na Tábua de Casas a Hora Sideral (S.T.) calculado progredido na LATITUDE DO LUGAR DA RESIDÊNCIA.
  • Encontrar a Hora Sideral (S.T) mais próxima a Hora Sideral (S.T) do cálculo progredido. Isto dará os Signos e graus corretos para o M.C., ASCENDENTE e cúspides das Casas.

LUNAÇÕES E ECLIPSES

A Lua, o satélite ou acompanhante do Planeta Terra, é o corpo celeste mais migratório e o que mais rapidamente se move nos céus. É uma luminária, mas não brilha por sua própria luz; simplesmente reflete os raios da grande estrela diurna, o Sol.

Uma lunação é a Conjunção do Sol e da Lua – chamamos de Lua Nova. A esfera ou órbita lunar é então vista como uma linha crescente no céu ocidental, ao pôr do Sol, junto do horizonte. Todas as noites, por duas semanas, a luminosa superfície desenvolve-se até tornar-se CHEIA, em Oposição ao Sol. Sua luminosidade então decresce por mais duas semanas até encontrar o Sol novamente, na próxima lunação.

As quatro fases, ou quartos da Lua tem influência significativa na descida ou na subida das águas na terra, o rítmico movimento que nós chamamos de marés. A Lua Crescente é a maré cheia nos negócios dos seres humanos, poderosas forças para os esforços externos. A Lua decrescente ou maré baixa é para a assimilação, planejamento e preparação para a ação.

As fases ou Quadraturas da Lua no seu movimento através do Zodíaco são muito importantes no estudo da Astrologia, nas progressões do horóscopo bem como nos Trânsitos (para referência veja “Direções Lunares Progredidas” no livro “A Mensagem das Estrelas”).

Os Eclipses ocorrem quando o Sol e a Lua estão próximos, à mesma declinação ou equidistantes do equador celeste. Há duas maneiras de ocorrer a Eclipse: total e parcial. Eclipse total ocorre quando as declinações são exatas. Eclipse solar é causado pela interposição da Lua entre a Terra e o Sol, na Lua Nova ou conjunção, embora nem todas as lunações se constituam em Eclipses. Eclipse lunar é causado pela Lua passando através da sombra da Terra, obscurecendo a luz do Sol refletida pela Lua, na Lua Cheia.

Quando visível, o Eclipse solar total é sempre atemorizante. A escuridão da esfera dourada durante o dia é estranha, causando normalmente um vago terror em pessoas mais impressionáveis. O número de Eclipses em um ano não pode ser menor que duas (2) e não mais que sete (7); o número usual é quatro (4), (veja o Livro “Astrologia Científica Simplificada”).

O período sinódico de lunações é de 19 anos, correspondendo ao ciclo de 19 anos dos nós da Lua. Isto torna a previsão dos Eclipses futuros muito simples. Por exemplo, houve um Eclipse lunar total em 14 junho de 1946, em Sagitários 23:04. Nas Efemérides (calendário astronômico) para 1965, 1946, 1927, 1908 e 1889 em 13 e 14 de junho, o Estudante encontrará um Eclipse total da Lua em Sagitários 23º e será sempre assim de 19 em 19 anos. Podemos então saber que o mesmo acontecimento ocorrerá em junho de 1984, junho 2003, etc.

Um Eclipse parcial do Sol ocorreu em 29 de junho de 1946, em Câncer a 6º30’. O mesmo aconteceu e acontecerá da mesma forma como foi demonstrado no exemplo anterior.

O efeito dos Aspectos progredidos em relação aos Astros natais é aumentado se um Eclipse cai na mesma posição (do Aspecto) e muito mais aumentado se o Eclipse for total. Ao considerar os efeitos das lunações e dos Eclipses no mapa natal observe a combinação das características da Casa na qual isto ocorre, o Regente daquela Casa e que Astros o Regente aspectará; correlacione então com ambos, mapa natal e o mapa progredido.

A LUA E AS PLANTAÇÕES

A Lua é crescente durante o primeiro e segundo quartos; minguante no terceiro e quarto quartos.

Sempre que puder, plante quando a Lua está em um dos Signos férteis: Câncer, Escorpião e Peixes; os preferidos a seguir são: Touro e Capricórnio e também Libra.

Tudo o que plantar e produzir acima da terra e crescer da semente com formação de raiz, como o feijão, o milho, a alface, aveia, tomate, ervilha de cheiro, malmequer, calêndula e cravo, devem ser plantados quando a Lua é Nova ou no quarto crescente.

Tudo o que plantar e produzir dentro da terra e crescer através de bulbos, como a beterraba, cenoura, batata, nabo, tulipas, gladíolos, etc., devem ser plantadas na Lua Cheia ou no último quarto.

No último quarto da Lua revolva a terra, tire as ervas daninhas, limpe e destrua as plantas nocivas, especialmente quando a Lua está nos Signos áridos de Gêmeos, Leão ou Virgem.

Influência do Signo da Lua na Plantação:

LUA EM ÁRIES – tendência a seca, aridez, não dando bons resultados. Não é um bom Signo para a plantação em geral, mas razoavelmente bom para eliminar qualquer coisa prejudicial ao crescimento das plantações e bom para a preparação da terra.

LUA EM TOURO – sendo um Signo razoavelmente produtivo, Signo da terra, é bom para plantar vários tipos de culturas, principalmente batatas e todas as culturas com raízes de rápido crescimento.

LUA EM GÊMEOS – Sendo seco, frio e árido não é bom para qualquer tipo de plantio ou replantio, mas um bom Signo para eliminar coisas prejudiciais à plantação e aconselhado para a preparação da terra.

LUA EM CÂNCER – Sendo úmido e muito fértil é o Signo mais produtivo do Zodíaco, assim, todos os tipos de boas sementes produzirão excelentes resultados.

LUA EM LEÃO – é o Signo mais árido do Zodíaco e nele só se deve destruir o mato e as raízes, podendo-se também podar árvores.

LUA EM VIRGEM – É úmido, mas infrutífero e não é recomendado o plantio ou o replantio, mas é bom para a preparação do terreno e para a retirada da terra das coisas que a prejudicam.

LUA EM LIBRA – é considerado um Signo fértil e é usado para semear feno, forragem de cereais (milho), etc.. Muitos usam esta época para o plantio de alface, couve e legumes deste gênero, mas não é tão bom como a Lua em Touro. É um bom Signo para flores.

LUA EM ESCORPIÃO – É o mais próximo de Câncer em produtividade e pode ser utilizado com os mesmos objetivos e resultados de Lua em Câncer.

LUA EM SAGITÁRIO – É considerado árido, mas é uma época usada para semear feno.

LUA EM CAPRICÓRNIO – É Signo da terra, portanto produtivo para batata e outros tubérculos.

LUA EM AQUÁRIO – está inclinado a ser árido, sendo bom apenas para a preparação da terra.

LUA EM PEIXES – Tal como Câncer é muito produtivo e pode ser uma época usada com os mesmos objetivos e com os mesmos resultados.

A CABEÇA DO DRAGÃO E A CAUDA DO DRAGÃO

Nós (NODOS) são pontos na órbita de um Astro onde ele cruza a eclíptica, ou curso do Sol. A Cabeça do Dragão corresponde ao norte da Lua ou nó ascendente, e a Cauda do Dragão é o nó sul da Lua ou nó descendente.

A Cabeça do Dragão é o ponto espiritual mais sensível no horóscopo, e mostra por posição e aspecto a linha de maior desenvolvimento do nativo.

A Cauda do Dragão mostra a ponto de maior limitação do seu caráter e o que está faltando espiritualmente.

O NÓ NORTE OU NÓ ASCENDENTE

A Cabeça do Dragão indica influências benevolentes; uma força ardente e masculina determina que o nativo está acima no seu horóscopo, afirma sua própria divindade e cria seu próprio destino.

O NÓ SUL OU NÓ DESCENDENTE

A Cauda do Dragão indica uma tensão de influência; uma força aquática e feminina determina que o nativo submergirá a um nível mais baixo que a do momento do seu nascimento, esquecerá sua humanidade na destruição e nas ações que o consumirão. Haverá sempre “guerra no Céu”, até que o Dragão seja esmagado debaixo do calcanhar da alma aspirante. Nos mapas natal e progredido, a Cabeça e a Cauda do Dragão desempenham uma função variada e muito poderosa.

PRIMEIRA E SÉTIMA CASA

A Cabeça do Dragão na 1ªCasa inclina a honras e favores, acrescentando muito aos atrativos da personalidade e do poder individual. A Cauda do Dragão em oposição na 7ª Casa, traz opressão e leva o impedimento a quaisquer favores e boas situações e ainda conduz inimigos e competidores para antagonizar a personalidade. Traz aflições e disputas com sócios e companheiros, tanto nos negócios como no matrimonio. Lança o mais distante possível, o poder do nativo para vencer e superar esses obstáculos. Saturno é exaltado na 7ª Casa e na época da prova, é o ceifeiro pronto a cortar todo o feixe disponível.

A Cabeça do Dragão, na 7ª Casa reduz o número de inimigos; proporciona sucesso em todas as uniões e sociedades em oposição às aflições da Cauda do Dragão na 1ª Casa, com seus fracassos e escândalos, perda do magnetismo pessoal e inclinações para uma vida curta e desvantajosa.

SEGUNDA E OITAVA CASAS

A Cabeça do Dragão na 2ª Casa confere abundância, remove toda a preocupação e ansiedade; estimula o poder, posses, legados e presentes.

A Cauda do Dragão na 8ª Casa arrebata lucros, levando o nativo ao desespero e pode proporcionar morte súbita e violenta.

A Cabeça do Dragão na 8ª Casa promove uma vida longa, presentes, heranças, legados de parentes.

A Cauda do Dragão na 2ª Casa traz danos e perda de propriedades, sorte adversa nas finanças causando temores, tristezas e aborrecimentos no que se refere ao dinheiro e posses.

A Cabeça do Dragão dará em ambos os casos, mas a Cauda do Dragão arrebatará da vida, tudo o que o nativo tiver ganhado.

TERCEIRA E NONA CASAS

Nas 3ª e 9ª Casas eles governam as viagens e as condições mentais.

A Cabeça do Dragão na 3ª Casa indica ganhos através de irmãos (membros de uma igreja ou sociedade), viagens, escritos e assegura as publicações; rapidez mental, assuntos educacionais, seguidos com entusiasmo.

A Cauda do Dragão na 9ª Casa reduz muito a predisposição à fé, proporcionam viagens péssimas, conclusões desastrosas e inclina a sonhos curiosos e premonição não confiável.

A Cabeça do Dragão na 9ª Casa alimenta e estimula a fé, aplicação a religião e assuntos espirituais; favorece viagens longas, residência em locais no exterior, sonhos e visões dignos de confiança, estimulando intuições proféticas.

A Cauda do Dragão na 3ª Casa contribui para grande ansiedade mental e aborrecimentos com irmãos (irmandade) e dificuldade para manter e conservar assuntos e fatos interessantes no período de ajustamento ou adaptação.

QUARTA E DÉCIMA CASAS

Assuntos dos pais. A Cabeça do Dragão na 4ª Casa prediz boa fortuna para a mãe, uma vida feliz e pacífica na infância e um final feliz para o nativo. A Cauda do Dragão na 10ª Casa pressagia má fortuna ao pai; perda da posição, honras e favor público para o nativo em qualquer profissão escolhida.

A Cabeça do Dragão na 10ª Casa indica boa fortuna para o pai, promessa de honras, posição elevada e favores do público na profissão escolhida. A Cauda do Dragão na 4ª Casa rouba da mãe toda paz e alegria, tumultua em ambas as ocasiões, tanto na imagem do primeiro lar como no fim da vida, o que poderá ocasionar profunda confusão em toda sua carreira, quando aspectos malignos se formam com esta força destrutiva.

QUINTA E DÉCIMA PRIMEIRA CASAS

Crianças e amigos estão sob a influência desta força poderosa e desempenham suas funções em determinar o destino maduro individual.
A Cabeça do Dragão na 5ª Casa livra o nativo de muitos problemas, calamidades e perigos; favorável para as crianças, proporciona ganhos em empregos públicos ou escritório.

A Cauda do Dragão na 11ª Casa – associações indesejáveis; perda de oportunidades; frustração de esperanças; conselhos errados e falsos amigos.
A Cabeça do Dragão na 11ª Casa proporciona amizades dignas e o apoio delas na realização de esperanças e desejos.

A Cauda do Dragão na 5ª Casa priva a criança de ter esperança ou então as destrói, elimina a alegria da sua vida e a ruína pela tolerância aos prazeres nocivos.

SEXTA E DÉCIMA SEGUNDA CASAS

Na 6ª e 12ª Casas, a saúde e felicidade vêm a tona para ajuste.

A Cabeça do Dragão, na 6ª Casa promete um corpo forte e saudável. A Cauda do Dragão na 12ª Casa prediz aborrecimentos por inimigos secretos, possibilidade de prisões, autodestruição.

A Cabeça do Dragão na 12ª Casa significa ganhos em empreendimentos secretos; sucesso na busca do ocultismo. A Cauda do Dragão na 6a Casa tira do nativo a saúde, torna a debilidades físicas uma longa e dura prova, minando atividade pela fragilidade do corpo físico, através da qual a alma se manifesta.

Estas são apenas algumas das indicações natais e são os aspectos planetários, os trânsitos e as direções que indicam a crise das experiências que a pessoa deve passar marcando o destino maduro e o método para seu pagamento.

São estas direções que trazem luta contínua, a favor ou contra nosso desenvolvimento e evolução.

A Cabeça e a Cauda do Dragão são as chaves daquela parte do nosso destino que é o resultado de ações familiares acumuladas em várias gerações e indica a inclinação hereditária para o bem ou para o mal, que culmina no presente indivíduo.

Por outro lado, o conhecimento do significado da Cabeça e da Cauda do Dragão no mapa da vida, faz com que a pessoa sobreponha-se ou elimine as desvantagens dos fatores hereditários que tendem a algemá-lo, e também capitalize as tendências que o ajudarão a obter o destino que ele deseja desde que se esforce para usar seu poder de uma forma inteligente para aquele fim.

A evolução consciente toma lugar da obediência cega ao destino e deste momento em diante o homem começa a subir a escada que finalmente conduzirá ao seu legítimo lugar entre os deuses.

SIGNOS INTERCEPTADOS

Os 360 graus do Zodíaco estão divididos igualmente em 12 Signos de 30 graus cada. Um horóscopo representando a visão a partir da Terra, em um determinado momento, também consiste de 360 graus. Está dividido também em 12 partes ou Casas, que, no entanto, não tem sempre comprimento igual. Repare bem a diferença entre Signos e Casas.

Somente no equador terrestre pode cada Casa medir 30 graus, cobrindo 2 horas de tempo desde que no equador a “visão” do Zodíaco é equivalente em todas as direções. Quando alguém se move ao norte ou ao sul, a partir do equador, a visão muda.

Devido à perspectiva mudada, o número de graus nas Casas é diferente. Portanto, mais de um Signo pode ser encontrado numa Casa. Mais perto dos polos, 2 ou 3 Signos podem estar agrupados dentro de uma Casa e naturalmente, na Casa oposta correspondente. Haverá, então, outras Casas com somente uns poucos graus de comprimento.

Esta desigualdade é causada pela inclinação do eixo da Terra, conforme gira em sua órbita ao redor do Sol e pela distância norte ou sul do equador, o que permite a observação da faixa dos Signos “em um ângulo”.

Esta inclinação é maior no meio do verão ou no meio do inverno. Nos polos temos praticamente 6 meses de “dia” e 6 meses de “noite”. Sendo assim temos Signos interceptados em muitos mapas. Um Signo é interceptado numa Casa, quando ele não toca as cúspides de ambos os lados. Entretanto, não há interceptações no zodíaco; elas aparecem somente pela nossa visão da Terra, reveladas no mapa.

As interceptações podem ter como efeito a instabilidade ou conflito, ou uma monotonia prolongada ou ainda um estado de insatisfação nos departamentos específicos da vida, revelado pelas Casas ocupadas pelos Signos interceptados. Pode ser difícil para o nativo lidar com os problemas dessas Casas de uma maneira positiva.

Casas que contém interceptações são, por conseguinte, áreas de específicas lições para o nativo e os assuntos dessas Casas, uma tarefa para trabalhar sobre elas. Pessoas que tem interceptações em seus mapas precisam de mais cooperação e podem beneficiar-se daqueles que tem esses Signos interceptados colocados naturalmente nas cúspides ou ângulos em seus próprios mapas, porque pontos fortes no mapa de uma pessoa tendem a contrabalancear os pontos fracos no mapa de outras.

PARA ENCONTRAR O SIGNO E O GRAU DO ASCENDENTE SEM RETIFICAÇÃO

  1. Faça um levantamento de uma figura plana, isto é, coloque Áries na 1ª Casa, Touro na 2ª Casa, etc. e preencha os Astros.
  2. Gire o horóscopo de forma que, um por um, todos os Signos apareçam no Ascendente, o que coloca Signos em diferentes lugares e Astros em diferentes Casas.
  3. Faça os Astros, trabalhando através das Casas, coincidirem com os fatos da vida como são conhecidos: por exemplo, se a pessoa é feliz no Casamento, coloque Júpiter ou Vênus na 7ª Casa; se gosta de prazeres, Vênus na 5ª Casa; se os negócios financeiros são favoráveis, Vênus ou Júpiter na 2ª Casa. Isto dará aproximadamente o grau certo do Signo Ascendente.
  4. Teste o Signo Ascendente observando os Astros progredidos e em trânsito sobre o Ascendente e o Meio do Céu (MC), usando o Ascendente mais para julgar assuntos de saúde e o Meio do Céu (MC) para assuntos relacionados com negócios e honras sociais. Os acontecimentos devem vir dentro de uma semana ou 10 dias do tempo indicado. Se ocorrerem mais tarde, mova o Ascendente 1 grau adiante para cada 4 dias de atraso do acontecimento ou 1 grau atrás para cada 4 dias de antecipação do mesmo. Marte é o Planeta mais pontual para estas verificações.

O QUE SE SEGUE PODE SER USADO COMO AUXÍLIO PARA ACHAR O SIGNO ASCENDENTE:

  1. Descrição física: após ter levado em conta muitos Astros em um Signo, considere o Sol, a Lua e o Regente do horóscopo. Contudo, o Signo Ascendente dará sempre o TIPO DO CORPO, que pode ser modificado pelos fatores mencionados acima.
  2. A ocasião em que a questão é formulada: pois o Astro regente, àquela hora, indicará qual o Signo que está em ascensão ou se na data do nascimento, o Signo que deveria ascender.
  3. O Astro no tema de um homem, com o qual a Lua forma o primeiro Aspecto, será o regente do Signo Ascendente do horóscopo da esposa. Se Casado duas vezes, tome o segundo Aspecto.
  4. O Sol na 12ª Casa: quando, por progressão, ele cruza o Ascendente; então aparecem os tempos favoráveis. Calcule 1 (um) grau para cada ano.
  5. Tome os principais acontecimentos da vida do nativo e acerte a posição da Lua, por progressão. Marque então os trânsitos, os quais, se caírem perto do Ascendente ou M.C. apontarão também para a época de um acontecimento especial. As posições mencionadas poderão ser movidas para trás ou para frente para coincidirem com a época do acontecimento. Tente também as progressões do Ascendente e M.C., e então avalie. Ao verificar os trânsitos e a Lua, observe também os trânsitos através das cúspides das Casas.

RETIFICAÇÃO DA HORA DO NASCIMENTO PELOS ACONTECIMENTOS

Erija um mapa para um tempo aproximado, ou se for desconhecido, escolha um Signo e grau no Ascendente que possa adaptar-se ao tipo do nativo. Se possível use acontecimentos anteriores à idade de 30 anos. Acontecimentos tais como: morte do pai e da mãe, uma viagem longa, mudança de residência, Casamento, etc.

A.E. = Arco do acontecimento (data do acontecimento MENOS data do nascimento em graus e minutos).

OBS: 1 (um) grau para um ano

5 (minutos) para um mês

1 (minuto) para 6 dias

10 (segundos) para um dia

EXEMPLO:

20 anos, 6 meses e 14 dias = 20º 32′ 20″

R.A. = Ascensão Reta, ou seja, a distância sobre o Equador Celeste a partir de 0º de Áries.

R.A.M. = Ascensão Reta do Meridiano Superior (MC)

MD = Distância do Meridiano (distância entre R.A.M. e R.A. dos Astros ou pontos).

  ASTROS PARA CONJUNÇÃO COM O M.C. (MEDIUM COELI):

  1. Leste ou lado esquerdo:

R.A. do Astro MENOS A.E.= R.A.M.

  1. Oeste ou lado direito:

R.A. do Astro MAIS A.E = R.A.M. (*)

ASTROS PARA CONJUNÇÃO COM O I.C. (IMUM COELI ou NADIR)

  1. Leste ou lado esquerdo:

R.A. do Astro MAIS A.E = R.A.I.C.

  1. Oeste ou lado direito:

R.A. do Astro MENOS A.E. = R.A.I.C.

(Acrescentando 180 ao R.A.I.C obtemos a R.A. do M.C.)

(*) Se R.A. é muito pequeno, acrescente 360; se o resultado for mais que 360, então deduza 360. No Livro Tabela de Casas encontre o Signo e graus que a R.A.M. corrigida representa. Para provar pela Conjugação, o M.D. deve ser igual ao A.E.

Se a Conjunção para o M.C. não pode ser usada, retifique pelo ASPECTO. Para I.C. (Nadir) oriente somente pela Conjunção.

R.A.M. pelo ASPECTO:

  1. Leste do mapa:

M.D. (do Astro) MENOS A.E. = (encontre um Aspecto próximo deste total).

Aspecto MAIS A.E. = (Subtraia o total do R.A. do Astro; o resultado será = R.A.M.)

  1. Oeste do mapa:

M.D. (do Astro) MAIS A.E. = (encontre um Aspecto próximo deste total).

Aspecto MENOS A.E. (SOME o total do R.A. do Astro; o resultado será = R.A.M.)

(Em todos os casos M.D. significa a distância do meridiano do ASTRO escolhido para provar o acontecimento. Também deve haver 3 fatos comprovados no eventual M.C. corrigido).

No Livro Tabela de Casas observe o S.T. (Sideral Time) que essa R.A.M. representa. Desde S.T. (se necessário acrescente 24) subtraia o S.T. para o meio-dia do dia do nascimento (veja Efemérides). Se o total for menor que 12 o horário é P.M.; se maior que 12, subtraia 12 e o horário é A.M. A hora é a Hora Local Exata (HLE).

EXEMPLO DE APLICAÇÃO:

Latitude: 44º N; Longitude: 79º O; 28 de janeiro de 1893. Nascimento em torno de 8h30m da manhã (AM). O Mapa aproximado resulta em Sagitário à 17º no M.C. e Peixes à 4º 13’ no Ascendente.

Evento utilizado:

Casamento: 11 de outubro de 1914 = 1914-10-11

Nascimento: 28 de janeiro de 1893 = 1893-1-28

Idade: 21-8-13

Arco do Evento (A.E.) – 21º42’10”

Usando Júpiter como o Planeta. Júpiter está em Áries, à 18º59’, na 1ª Casa.

Regra para: Leste ou ao lado esquerdo do Mapa

Ascensão Reta Júpiter em Áries: 17º30’ + 360º = 377:30

Ascensão Reta do M.C. à 17º _____________ —255:52

121:38 = M.D. de Júpiter

M.D. Júpiter 121:38

— A.E.   21:42

99:56 – Aspecto usado: 90º + A.E. = 111:42

R.A. Júpiter: 377:30 MENOS 111:42 = 265:48, que é a R.A. para corrigir o M.C., nomeadamente à Sagitário 26; correspondente a um Ascendente de Latitude 44º N. que é Peixes à 21:51.

O S.T. é 17:42:34 + 24 = 41:42:43

— S.T. do Nascimento: 21:31:00

21:12:00 – 12:00:00 = 9:12 A.M., que é a                                                                                   Hora Local Exata do nascimento.

[1] N.T.: Mt 8:35

[2] N.T.: IJo 2:15

Idiomas