Havia um tempo em que não tínhamos a capacidade de experimentar nossos pensamentos aqui no Mundo Físico. Éramos autômatos, guiados em tudo. Criávamos somente nosso próprio Corpo Denso (o físico), Corpo Vital e Corpo de Desejos e ainda de maneira inconsciente. Para podermos ser conscientes da manifestação desses Corpos nos seus respectivos Mundos, além de poder ter a capacidade de experimentar nossos pensamentos aqui no Mundo Físico, houve a necessidade de algumas alterações na nossa constituição.
A primeira alteração foi feita no nosso Corpo de Desejos, o veículo que utilizamos para gerar nossos desejos, nossos sentimentos e nossas emoções. Estávamos a milhares e milhares de anos atrás, em meados de uma Época que conhecemos como Época Lemúrica, a terceira Época desse grande Período, conhecido como Período Terrestre.
Nessa Época, a parte mais avançada da nossa Humanidade experimentou uma divisão em duas partes no Corpo de Desejos: a superior e a inferior. O restante da Humanidade sofreu divisão semelhante um pouco mais tarde, na primeira parte da quarta Época, conhecida como Época Atlante.
A parte superior construiu o Sistema Nervoso Cérebro-espinhal e os músculos voluntários. Com isso, essa parte do Corpo de Desejos dominou o Tríplice Corpo, ou seja, o Corpo de Desejos, o Corpo Vital e o Corpo Denso.
A segunda alteração dependeu da ajuda de uma classe de seres mais evoluídos do que nós, especialistas em matéria mental, denominados Senhores da Mente. Foram, então, os Senhores da Mente que nos deram o germe da Mente.
Depois de feito isso, eles impregnaram a parte superior do Corpo de Desejos e da Mente com o sentimento da Personalidade separada, a Personalidade individual. É esse sentimento que nos capacita, hoje, de saber, ou ainda, de ter consciência de que “eu sou eu, você é você”, de que cada um de nós é um indivíduo. Com a Mente ganhamos o elo que nos faltava para ligar o Tríplice Espírito (o Espírito Humano, o Espírito de Vida e o Espírito Divino) ao seu correspondente Tríplice Corpo (o Corpo de Desejos, o Corpo Vital e o Corpo Denso). Portanto, a Mente é o foco em que o Tríplice Espírito, a Individualidade, o Ego, reflete-se no Tríplice Corpo, a Personalidade.
Essa ligação marca o “nascimento” do indivíduo, do ser humano, do Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui), do que realmente somos quando tomamos a posse, de fato, dos nossos veículos Mente, Corpo de Desejos, Corpo Vital e Corpo Denso.
Entretanto, isso não foi suficiente para nos tornar conscientes deste Mundo Físico, nem para nos tornar um pensador, a partir desse Mundo, como somos hoje.
A terceira alteração necessária para tornar isso possível foi a construção do cérebro, destinado a ser o instrumento da Mente no Mundo Físico. Note que a necessidade de se ter um instrumento formou o cérebro, porém o pensamento existiu antes da formação desse órgão!
Para isso foi necessário nos separar em sexos. Isso é descrito na Bíblia (Gn 2:21-25) como a “criação de Eva”.
Precisávamos nos expressar no Mundo Físico e criar a partir dele. Para isso precisávamos construir órgãos criadores. Esses órgãos são: a laringe e o cérebro. Por serem criadores, eles deviam ser criados e mantidos pela força sexual criadora.
Antes da necessidade de criação desses órgãos, essa força era utilizada só para criar outro Corpo Denso, ou seja, só para a propagação aqui na Região Química do Mundo Físico. O excesso era irradiado. Éramos hermafroditas, capazes de criar outro Corpo Denso sem intervenção de outra pessoa.
Foi então necessário utilizar metade dessa força sexual criadora para a construção desses órgãos. Conforme o Corpo Denso foi se verticalizando, parte dessa força foi se dirigindo para cima. Com isso obtivemos material para construir o cérebro e a laringe, “o meio para o Ego “pensar” e comunicar pensamentos aos demais seres no Mundo Físico”.
A outra metade dessa força sexual criadora continuou sendo dirigida para baixo, para a propagação da espécie humana aqui. Ou seja, como só metade dessa força passou a ser destinada para criação de outro Corpo Denso, cada um de nós teve que procurar a cooperação de outro ser que possuísse a outra metade complementar. Deixamos de ser hermafrodita. Assim, a partir de então, quando estamos aqui renascidos como um ser humano masculino – homem – expressamos mais a Força Criadora da Vontade que, então, é uma força masculina, ligada ao Sol; já quando estamos aqui renascidos como um ser humano feminino – mulher – expressamos mais a Força Criadora da Imaginação que, então, é uma força feminina, ligada à Lua.
É importante salientar que sexo só tem a ver com a expressão do Corpo Denso. Nós, o Ego, somos de fato bissexuais.
Em cada renascimento expressamos mais uma daquelas duas Forças Criadoras: Vontade, quando renascemos como um ser humano masculino, ou Imaginação, quando renascemos como um ser humano feminino e isso com o único objetivo de melhor aprender as lições a que estamos destinados e que são mais fáceis aprender por meio de uma dessas duas Forças.
Perceba que quando toda a força sexual criadora era utilizada para a propagação, realizávamos muito pouco no sentido do próprio crescimento anímico, quando renascidos aqui, no Mundo Físico. Após essa separação, e consequente construção do cérebro e da laringe, pudemos utilizar o restante da força sexual criadora não empregada na propagação como força para o nosso crescimento anímico a partir daqui!
Assim, podemos conceituar o cérebro como o órgão que nos – nós, o Ego – “liga” ao Mundo Físico. É por meio dele que podemos saber qualquer coisa sobre o Mundo Físico.
Já os órgãos dos sentidos levam os impactos exteriores até o cérebro; o Ego os interpenetra e, por meio da Mente, atua no cérebro coordenando essas impressões, respondendo-as por meio de movimentos, observações ou memorização.
Entretanto, não pensemos que uma vez feita essas alterações nos tornamos consciente, pensante, tal como hoje, no estado atual de nossa evolução. Para alcançar esse estado tivemos que percorrer um longo e penoso caminho.
Ainda no final da terceira Época, a Época Lemúrica, começamos a expressar algum som pela laringe. Esses sons eram baseados nos sons da Natureza: o murmúrio dos ventos, o barulho das tempestades, o ruído dos rios. A linguagem era considerada santa. Por meio dela tínhamos poder sobre os animais e sobre a natureza. Entretanto, ainda éramos guiados em tudo: os Anjos nos guiavam em tudo que se relacionava com a propagação da espécie humana. Uma outra Hierarquia, conhecida como Senhores de Vênus, guiavam a nossa evolução com o objetivo de conseguirmos manifestar a Vontade e a Imaginação. Quando renascíamos como seres do sexo masculino, éramos ensinados como desenvolver a Vontade. Quando renascíamos como seres do sexo feminino, éramos ensinados como desenvolver a Imaginação. Os métodos utilizados chegavam a ser cruéis. Entretanto não tínhamos memória. Uma vez passada a experiência, esquecíamo-nos dela imediatamente. Aos poucos essas experiências foram imprimindo no cérebro impactos violentos e repetidos. Com isso uma memória germinal foi sendo desenvolvida.
Entretanto, por sermos guiados em tudo, éramos inocentes e, por conseguinte, ignorantes.
Os resultados das experiências proporcionadas pelos métodos empregados nos deram a primeira ideia do bem e do mal. Já a Iniciação daquela Época era voltada para o desenvolvimento do poder da Vontade e da Imaginação aqui na Região Química do Mundo Físico, ou seja: buscávamos ser Iniciados no Corpo Denso.
Quando renascíamos como seres do sexo feminino iniciamos a percepção que aqueles que estavam renascidos como seres do sexo masculino perdiam seus Corpos muito frequentemente. Isso por causa dos métodos empregados para desenvolver a Força da Vontade. Entretanto, devido à imperfeita percepção do Mundo Físico, renascido como seres do sexo feminino não conseguíamos revelar àqueles renascidos como seres do sexo masculino o que estava acontecendo. Foi aí que apareceram uma classe de Anjos atrasados na sua Evolução e que para continuarem evoluindo procuraram nos esclarecer o que acontecia. Seus nomes: Espíritos Lucíferos.
Esses seres entraram através da coluna espinhal serpentina quando renascíamos como seres do sexo feminino. Devido à consciência voltada para o interior – ou seja: nada víamos da Forma física – e porque esses Espíritos Lucíferos tinham entrado através da coluna espinhal serpentina, os seres renascidos com o sexo feminino os viram como serpentes. Isso é descrito na Bíblia (Gn 3:1-13). Todas as vezes que renascíamos com o sexo feminino aceitamos essa sugestão. Então, os Espíritos Lucíferos “abriram-lhe os olhos”, nos fizeram cientes dos Corpos Densos, seus e de quando renascíamos como seres do sexo masculino.
Assim, quando renascíamos como seres do sexo feminino ajudávamos os outros seres quando renasciam como seres do sexo masculino a “abrir os seus olhos” também. Assim, é que todos que aceitaram a “sugestão” dos Espíritos Lucíferos conseguiram voltar a sua consciência para a Região Química do Mundo Físico. Reparem bem: como pela Lei do Renascimento, cada renascimento é alternado (ora renascemos como homem, ora como mulher), todos passamos por essa experiência luciferiana. Aprendemos “o bem e o mal”, a como propagar a espécie. Entretanto, em virtude da nossa ignorância, abusamos da força sexual criadora, empregando-a para gratificação dos nossos sentidos. Esse foi o pecado, a transgressão da Lei de Deus!
Aos poucos a consciência foi enfocada para a Região Química do Mundo Físico. Com isso conhecemos a morte, a dor e o sofrimento a partir da Região Química do Mundo Físico.
Por outro lado, se continuássemos a sermos autômatos, guiados em tudo, não teríamos conhecido, até hoje, nem a enfermidade, nem a dor, nem a morte, mas também não teríamos obtido a Consciência de Vigília e a independência resultante do esclarecimento proporcionado pelos Espíritos Lucíferos, que eram chamados por nós como os “dadores da luz”. Sem dúvida, eles abriram o nosso entendimento e nos ensinaram a empregar a obscura visão para obter conhecimento da Região Química do Mundo Físico. Através disso tomamos as rédeas da nossa evolução. Conhecendo o bem e o mal, o certo e o errado e tendo a liberdade de agir, podemos cultivar a virtude e buscar o conhecimento para ajudar a quem precisar.
Perceba que aceitando a sugestão dos Espíritos Lucíferos conseguimos utilizar aquele sentimento com que os Senhores da Mente impregnaram na parte superior dos nossos Corpos de Desejos e das Mentes e que nos dão a noção de indivíduo. Porque foi com esse evento de aceitar a sugestão que começamos a sentir que somos individuais.
Existe um ponto no Corpo Denso colocado na “Raiz do Nariz”, a pouco mais de um centímetro abaixo da pele. É o assento do Espírito Divino. Há um correspondente desse ponto no Corpo Vital. Até antes de aceitarmos a sugestão dos Espíritos Lucíferos esses dois pontos não estavam concêntricos, ou seja, estavam distantes um do outro. Isso propagava uma percepção mais nítida dos Mundos invisíveis aos olhos físicos e bem menos nítida da Região Química do Mundo Físico. Aos poucos, a distância entre esses dois pontos foi diminuindo.
Finalmente, no último terço da quarta Época, a Época Atlante, o ponto do Corpo Vital uniu-se ao ponto correspondente do Corpo Denso. Desde esse momento obtivemos a plena visão e percepção da Região Química do Mundo Físico. A partir daí começamos a aprender como utilizar os pensamentos aqui.
Como somos imperfeitos, muito sofremos, porque o abuso da força sexual criadora e a sua utilização para obtermos mais e mais posses aqui, influenciava a criarmos maus pensamentos e, consequentemente, maus atos, más obras e ações.
Inicialmente começamos desenvolvendo os sentimentos mentais como a alegria, a tristeza, a simpatia, etc. Com esses sentimentos formamos uma incipiente memória. Essa nos proporcionou a disposição para uma rudimentar linguagem, criamos algumas palavras, demos nomes às coisas.
Com o desenvolvimento da memória, tornamo-nos ambiciosos, pois começamos a nos lembrar das nossas obras, e compará-las com as de outrem. Enaltecíamos as pessoas que tinham alcançado algum mérito. Esse foi o princípio da adoração. Graças a isso tudo, fomos dando importância à aquisição da experiência. Em qualquer situação, procurávamos experiências análogas anteriores como base. Se não as encontrássemos, experimentaríamos. Com o desenvolvimento da adoração e a valorização da experiência, criamos o costume de honrar as pessoas em atenção às proezas de seus antecessores.
Pelo mau uso do pensamento, criamos a astúcia, esse terrível vício de querer sempre levar vantagem sobre o nosso próximo. Junto a ela veio o egoísmo, esse terrível vício de querer tomar posse de tudo que desejamos.
Esses sentimentos negativos foram crescendo e usávamos tudo que podíamos para gratificar a nossa vaidade e a nossa ostentação externa. Aos poucos utilizamos a Mente para controlar os nossos desejos. Fomos aprendendo a refrear as nossas paixões. Descobrimos que “o cérebro é superior ao músculo”.
Com tudo isso adquirimos a consciência do livre arbítrio, ou seja, a capacidade de fazer o que quisermos, mas, também, de responder por isso, através da Lei de Consequência ou Lei de Causa e Efeito.
Em paralelo a esse nosso desenvolvimento, foram criadas condições para que enfocássemos nossa atenção aqui na Região Química do Mundo Físico: as condições atmosféricas foram alteradas com alternância das estações, a nossa alimentação foi sendo acrescida de alimentos que endurecessem nosso Corpo Denso, a mescla de sangue com casamentos entre indivíduos de raças diferentes, entre outros.
Voltando a nossa atenção para a Região Química do Mundo Físico, começamos a aperfeiçoar o nosso pensamento e a nossa razão, como resultado do nosso trabalho aqui e do uso da Mente para compreender o que aqui acontecia. Transformamos o Planeta Terra num verdadeiro jardim com todas as facilidades para ser habitado e funcionar num Corpo Denso. Manipulamos os minerais com grande destreza, fazendo com eles móveis, ferramentas, carros, alimentos e tantas outras Formas físicas.
Perceba que só podemos exercitar nosso poder mental nos minerais sólidos, líquidos e gasosos – manipulando-os, por causa do estágio em que se encontra a nossa Mente: o primeiro estágio, ou mineral.
Transformando o nosso Planeta numa boa morada, conquistamos a Região Química do Mundo Físico. Com isso ganhamos mais conhecimento, e como o fizemos? Por meio da aplicação do pensamento aqui. Sabemos que temos um Corpo Denso, formado de matéria do Corpo Denso, um Corpo Vital, formado de Éter – matéria também do Mundo Físico –, um Corpo de Desejos formado de matéria do Mundo do Desejo e uma Mente, formada de matéria da Região Concreta do Mundo do Pensamento.
Portanto, carregamos conosco matéria de cada um desses Mundos. Podemos manipulá-las, colorí-las, utilizá-las.
Como Espírito que somos, ou Egos – Espírito Virginal a Onda de Vida humana manifestado aqui – e envolto no Tríplice véu: Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano, funcionamos na Região do Pensamento Abstrato.
Dessa região é que observamos o Mundo material (a Região Química do Mundo Físico) que, através dos sentidos, produz impressões sobre o Corpo Vital. Essas impressões produzem sentimentos e emoções no Corpo de Desejos. Essas impressões são levadas, também, através dos sentidos até o cérebro. Daí essas impressões refletem-se na Mente.
Então, manipulamos o material da Região do Pensamento Abstrato, tendo como base a reflexão dessas impressões, criando a ideia. Essa ideia é projetada, através da nossa força de vontade, na Mente. Manipulamos, através da Mente, a matéria da Região do Pensamento Concreto, revestimos a ideia com tal matéria, e a ideia se transforma em pensamento-forma. A Mente pode projetar, então, esse pensamento-forma em três direções possíveis: no Corpo de Desejos, no Corpo Vital ou sobre a Mente de outra pessoa.
Se for sobre o Corpo de Desejos, pode ainda ser envolvido por matéria de desejos, depois atuar na parte etérica do cérebro e daí até os centros cerebrais do cérebro físico que movimentará os músculos para a ação, construindo alguma coisa.
Pode ainda não resultar em ação e ficar arquivado, por falta de vontade.
Se for sobre o Corpo Vital, não provoca uma ação imediata. Fica na memória para uso posterior.
Por fim, projetado sobre a Mente de outra pessoa, pode atuar como sugestão, como na telepatia, ou como meio de ação, como na hipnose.
Com isso concluímos que os pensamentos são gerados no Mundo do Pensamento. E que na Região Química do Mundo Físico aprendemos como usá-los de maneira correta.
É o nosso principal poder e devemos aprender a mantê-lo sob o nosso absoluto domínio, de modo a não produzir ilusões induzidas pelas circunstâncias exteriores, mas sim verdadeiras imaginações geradas por nós, o Ego. O Exercício Esotérico Rosacruz de Concentração, que deve ser realizado de manhã, assim que despertamos, tem esse objetivo. Não desperdicemos nossos pensamentos em matérias sem nenhuma importância que nos envolve em ambientes de tédio e de medo.
Tenhamos sempre nossos pensamentos voltados para Deus. Com isso fica muito mais fácil dominá-los. Os maus pensamentos só destroem e paralisam qualquer eventual ação. Dominando nossos pensamentos, poderemos dirigi-los para a finalidade que desejarmos.
Aos poucos não precisaremos experimentar, no Mundo Físico, o que criamos no Mundo do Pensamento. Com o desenvolvimento da nossa Mente poderemos imaginar formas que viverão, crescerão e pensarão. E a nossa laringe falará a palavra criadora, pois se tornará espiritualizada e perfeita. Teremos então contato direto com a sabedoria da natureza. E nos tornaremos um criador de verdade, colaborador mais ativo no plano de Deus.
Que as rosas floresçam em vossa cruz
Aprendemos por meio dos Ensinamentos Rosacruzes que somos um Espírito Virginal, parte integrante de Deus, e temos em nós todas as possibilidades divinas (que traduzimos como poderes latentes); que, por meio de repetidas existências em Corpos Densos aqui na Região Química do Mundo Físico e de crescente perfeição, esses poderes latentes gradualmente se convertem em energia dinâmica; que nesse processo ninguém se perde e que todos nós alcançaremos, finalmente, a meta da perfeição e religação (da palavra “Religião” vem do latim religare, que significa “religar” ou “reconectar”) com Deus, levando conosco as experiências acumuladas como fruto de nossa peregrinação através da matéria.
E isso é feito por meio do Ciclo de Nascimentos e Mortes aqui na Região Química do Mundo Físico!
Se quiser saber mais detalhes sobre essa peregrinação, como “morte aqui, nascimento lá; morte lá, nascimento aqui”, é só clicar aqui: Nosso Trabalho para Renascer aqui mais uma vez – Dos 42 aos 49 anos
Para ver os outros ciclos setenários é só clicar aqui: Nosso Trabalho para Renascer Aqui Mais Uma Vez
Se estudarmos com atenção, não será difícil chegarmos à conclusão que só há quatro grandes motivos que nos leva a agir, a fazer, a atuar aqui na Região Química do Mundo Físico, enquanto estamos renascidos: amor, fortuna, poder e fama.
O desejo de alguma ou várias destas coisas objetos desses quatro motivos é a razão pela qual fazemos ou deixamos de fazer algo.
Se utilizamos os Ensinamentos Rosacruzes para compreender esses quatro motivos, concluímos que eles nada mais são do que incentivos para a agirmos para colocar ações, atos e fazer obras, a fim de obtermos experiências e aprender.
O Estudante Rosacruz deve continuar usando cada um dos quatro motivos de ação, firmemente, mas cabe a ele transmutá-los em algo superior e não focar no uso dele para aquisição ou manutenção das coisas materiais.
Assim, por meio de nobres aspirações, deve saber transcender o amor que busca a posse de outro Corpo, e todos os desejos de fortuna, poder e fama fundamentados em razões pessoais egoísticas.
Portanto, o amor pelo qual um Estudante Rosacruz deve aspirar é unicamente o da alma; que abarca todos os seres, elevados e inferiores e que aumenta em proporção direta às necessidades daquele que recebe.
Já a fortuna pela qual um Estudante Rosacruz deve lutar é somente a abundância de oportunidades para servir os semelhantes.
No que tange ao poder, aquele que um Estudante Rosacruz deve desejar é o que atua melhorando a Humanidade.
E, por fim, a fama pela qual um Estudante Rosacruz deve aspirar é a que possa aumentar nossa capacidade de transmitir a boa nova, a fim de os sofredores poderem encontrar o descanso para a dor do seu coração.
E se estudarmos a significância esotérica da Oração do Senhor (o Pai-Nosso) aprenderemos como essa Oração científica, nos fornecida diretamente por Cristo, é uma fórmula abstrata completa que nos ajuda a melhorarmos e a purificarmos todos os nossos sete veículos e, portanto, utilizar os quatro motivos para ação com o foco no nosso crescimento espiritual enquanto aqui renascidos.
Senão, vejamos cada um: nós, utilizando o nosso veículo Espírito Humano nos elevamos a nossa contraparte divina, o Espírito Santo, dizendo: “Santificado seja o Vosso Nome”.
Depois, utilizando o nosso veículo Espírito de Vida reverenciamos ante a nossa contraparte divina, o Filho (Cristo), dizendo: “Venha a nós o Vosso Reino”.
Continuando, utilizamos o nosso veículo Espírito Divino e nos ajoelhamos ante nossa contraparte divina, o Pai, e dizemos: “Seja feita a Vossa Vontade assim na Terra como no Céu…”.
Depois há a prece para que consigamos somente e tão somente o que precisamos para manter o nosso Corpo Denso aqui, onde usamos o nosso o nosso veículo Espírito Divino elevando a contraparte divina dele, o Pai, pedindo: “o pão nosso de cada dia dai-nos hoje”.
Seguindo na mesma linha, há a prece para que consigamos utilizar corretamente o nosso Corpo Vital aqui, onde usamos o nosso o nosso veículo Espírito de Vida elevando a contraparte divina dele, o Filho, pedindo: “perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”.
E, completando para o Tríplice Corpo, há a prece para que consigamos controlar o nosso Corpo de Desejos aqui, onde usamos o nosso o nosso veículo Espírito Humano elevando a contraparte divina dele, o Espírito Santo, pedindo: “Não nos deixeis cair em tentação”. E isso o fazemos aqui, porque já compreendemos que o desejo é o nosso grande tentador, mas também é o nossos grande incentivo para a ação. E estamos conscientes de que os nossos desejos são bons quando eles cumprem os nossos (Ego) propósitos, mas quando nossos desejos se inclinam para algo degradante (mormente para o egoísmo ou para algo contra as Leis de Deus), certamente devemos rogar para não cair nessas tentações.
E, como a Mente é um veículo (não um Corpo) e que é nossa função trabalhar para transformá-la em um Corpo Mental (a fim de usá-las realmente para criar e não para copiar ou ser escrava do desejo), pedimos ao Pai, Filho e Espírito Santo por ela, por meio da súplica “Livrai-nos do mal”.
E por que para a Mente? Porque ela é o veículo que nos permite ligarmos os nossos três veículos superiores espirituais – pelos quais expressamos a nossa Individualidade – aos três Corpos – pelos quais expressamos a cada renascimento uma Personalidade diferente. É por meio da Mente que conseguimos não seguir os seus desejos sem nenhuma restrição. E só por meio dela é que conseguimos ter a faculdade de discernimento do bem e do mal.
Só a título de observação, a parte introdutória bem conhecida: “Pai nosso que estais no Céus” é somente um indicativo de direção. Também, a parte final que às vezes é proferida, qual seja: “Porque Vosso é o Reino, o Poder e a Glória para sempre, Amém” não foi fornecida por Cristo. No entanto, pode ser bem considerada como apropriada como a nossa adoração final, como um Tríplice Espírito, por reafirmar a diretriz correta para a Divindade.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – setembro/1986 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Um diapasão somente responderá a uma vibração se houver correspondência vibratória entre ambos (diapasão e vibração). Caso não ocorra essa sintonia, significa que não há suscetibilidade entre o diapasão e a vibração, sendo possível afirmar que aquele som é inexiste para ele. Do mesmo modo, o ser humano necessita de um elo interno para perceber ou sentir as vibrações que o envolve constantemente. “Só podemos entrar em contato com ideias, pessoas e situações com as quais estivermos afinados, ou seja, sintonizados”.
Neste sentido, Max Heindel sugere aos Estudantes Rosacruzes que sempre leve em consideração o nível espiritual, socioeconômico, cultural, ambiental e o contexto de uma pessoa antes de realizar análises de um horóscopo, pois tais características fornecem dicas sobre o “diapasão do irmão ou da irmã”. Sem essas noções básicas, o Astrólogo Rosacruz pode cometer equívocos de interpretação em qualquer mapa astrológico. Na mesma lição, Max Heindel mostra que quanto mais um irmão ou irmã: cuidar menos da sua parte espiritual (ou até não cuidar nada!), está preso a condições jeovísticas de espiritualidade ou somente ao Cristianismo popular (ou exotérico), dar sua razão de vida às coisas materiais e/ou se declara (e insiste em viver como) ateu ou agnóstico, menor será sua suscetibilidade a quantidade de vibrações astrais e maior será sua resposta às mesmas. Por exemplo, os referidos irmãos e irmãs, normalmente, fundamentam seu credo na subsistência e na gratificação dos sentidos. Vivem para comer, beber e se divertir. Sua expressão emocional é claramente forte e impulsiva, além de individualista e bruta.
O único modo pelo qual refreiam seus impulsos é por meio do medo e do temor, quando a ampulheta saturnina lhes revela o tempo de colheita. Ou seja, Saturno instala neles as necessidades físicas (por ser o único meio de ressonância que respondem) que normalmente são expressas como doenças. Desse modo, toda a braveza egoísta e impulsiva se torna branda e obediente. Nesse ponto, as vibrações do Planeta Marte desempenham papel fundamental na promoção da tendência animalesca e individualista desses irmãos e irmãs enquanto Saturno, que emana vibrações que limitam ou restringem, mostra pela dor o caminho de volta ao Pai. Finalmente, a Lua instala, nesse bravo e impulsivo irmão ou irmã, uma Mente infantil colorida pelo medo pelo temor necessário para o fazer suscetível a temer algo superior e intangível.
Por outro lado, irmãos e irmãs que estão na outra ponta da escala evolutiva (estudam e vivem no dia a dia o Cristianismo Esotérico) demonstram maior suscetibilidade à quantidade de Astros e menor resposta aos mesmos. Tal fato ocorre porque as pessoas com maior realização espiritual tendem a demonstrar maior força espiritual (sua força de vontade é focada para tal direção). Essa força os torna capazes de reger seus próprios Astros. Além disso, a sutileza do seu Tríplice Corpo e da Mente permite que percebam maiores quantidades de vibrações astrais, muito além daquelas percebidas pelo irmão ou irmã que pouco caminhou na escala de evolução espiritual. Em outras palavras, o irmão ou irmã que se esforça em seu crescimento espiritual terá maior quantidade de diapasões ou um diapasão com diversas tonalidades capazes de responder a vibrações amplas e, também, uma força espiritual que a torna capaz de trabalhar volitivamente com tais vibrações.
Pelo uso da lógica, podemos perceber que no horóscopo daqueles irmãos e irmãs que vivem para beber, comer e gratificar seus sentidos podem ser facilmente interpretados pela análise de Marte, Lua e Saturno. Já no horóscopo dos irmãos e irmãs com sensibilidades espirituais mais apuradas devem ser interpretados levando em consideração muitos outros Astros do nosso Sistema Solar. E mesmo que essa interpretação seja realizada com grande fidelidade, a força de vontade do irmão ou da irmã pode mudar completamente seu destino e suas tendências.
É possível aprimorarmos nosso diapasão interno à medida que aprendamos a utilizar nossos pensamentos, imaginação e faculdades criadoras para entrarmos em contato com conceitos espirituais, atualmente considerados como ideais, por meio do Cristianismo Esotérico, como preconizado, por exemplo, pela Fraternidade Rosacruz. Essa prática permite criar os pontos de contato necessários para que as vibrações desses conceitos sejam ressoadas dentro de nós. Assim, não mais passarão como invisíveis para nós, mas realizarão seu efeito em nossas vidas. Há pobreza geral, na maior parte dos irmãos e irmãs, sobre o que significa conceitos espirituais. Eles são, de certo modo, sutis ou abstratos demais para serem expressos com as referências materiais que temos a disposição ou que nossa Mente mineral pode processar.
Se o Aspirante a vida superior empregar sua força de vontade (por meio do estudo, da aplicação no seu dia a dia do que estudou, da meditação e da imaginação), e se esforçar por entrar em contato com os significados dos conceitos espirituais, poderá gradativamente criar correspondência vibratória interna para responder aos mesmos. Uma vez compreendido os significados dos conceitos que escolheu estudar, praticar e entrar em contato, poderá imaginá-los como parte de si; como podem ser expressos por outros irmãos e irmãs e por ele próprio; estabelecendo uma pintura mental viva desses conceitos manifestados em sua vida e em plenitude.
Sabemos que é mais eficiente navegar para o norte quando o vento também “sopra” para o norte. Também sabemos que é mais eficiente nadar grandes distâncias a favor da correnteza, quando a maré está cheia. Do mesmo modo, quando o Sol transita por um Signo zodiacal ou quando um Astro está forte, se focalizarmos nossa energia espiritual para visualizarmos e entrarmos em contato com os conceitos espirituais relacionados aos mesmos, alcançaremos maior eficiência e com maior facilidade.
Com essa prática, o Aspirante à vida superior, gradativamente, passará a notar a manifestação real desses conceitos, não apenas em seu ambiente, mas também na natureza e nos irmãos e irmãs que também já aprenderam a manifestá-los. Com o tempo, conceitos que eram abstratos para ele passam a ser concretos. Nessa condição poderá trabalhar com essa nova vibração que, agora, se tornou realidade em sua vida.
Note que antes da mencionada prática, todos esses conceitos estavam invisíveis para o Aspirante à vida superior, assim como uma vibração diferente do tom de um diapasão é inexistente para ele. Essa será a maior evidência de que está sintonizado com as vibrações astrais que antes não respondia, e, desse modo, tornou seus veículos suscetíveis a maiores e mais elevadas vibrações. Se desenvolvermos o hábito de praticarmos tais exercícios como conteúdo de estudos e meditações, gradativamente aumentaremos a sensibilidade de nosso diapasão e teremos, a nossa disposição, muito materiais novos para transformar nosso caráter e, consequentemente, nosso destino.
Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz
A maioria das pessoas no mundo não conhece a Verdade sobre as realidades espirituais. Assim, se queremos achar a Verdade, frequentemente precisamos quebrar as crenças comuns e procurar a Verdade dentro de nós mesmos. A maioria não quer negar a si mesmo, abnegar-se, auto-renunciar; “pegar a sua cruz” e seguir Cristo. Assim, se queremos seguir Cristo e o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, nós precisamos querer estar sozinhos.
“Então, disse Cristo a seus Discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.” (Mt 16:24).
“Entrai pela porta estreita: porque larga é a porta, espaçoso é o caminho que conduz à perdição e muitos são os que entram por ela. E porque estreita é a porta e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem.” (Mt 7:13-14).
Quebrar as crenças e ações convencionais traz dificuldades. Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que “os meninos passam indiferentes por uma árvore estéril, porém, se estão carregadas de frutos, eles estarão prontos para atirar pedras e roubá-los. Assim também, é com os seres humanos: enquanto seguirmos com a multidão e agirmos como ela, não somos molestados; agora, no momento em que fazemos o que ela reconhece em seus corações que é correto, nos transformamos numa reprovação vivente para ela, mesmo que nunca tenhamos proferido uma só palavra de censura, e, com o objetivo de justificar-se aos seus próprios olhos, começam a encontrar falhas em nós” (Carta nº 72 do livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz). Muitos líderes sentem seus poderes ameaçados se indivíduos não seguem seus ditados, assim pressionam todos os que não se juntam à multidão (estejam certos ou errados).
Críticas e pressões recebemos, como resultado de sair do populacho, por nos afastarmos da comunidade e entrar no nosso lugar que escolhemos, onde possamos viver a vida espiritual, sem ser perturbados. Também aprendemos na Fraternidade Rosacruz que só podemos receber “a palma da vitória[1] é conseguida vencendo ou superando o mundo, não fugindo dele. O ambiente no qual fomos colocados pelos Anjos do Destino foi de nossa própria escolha, quando estávamos no momento decisivo do nosso ciclo de vida no Terceiro Céu. Éramos, então, Espíritos puros[2], livres da cegueira ou ilusão da matéria que agora cobre a nossa visão. Assim, sem dúvida, aquela experiência contém as lições necessárias para nós, e cometeríamos um grave erro se tentássemos escapar dela completamente.” (Capítulo XVI do Livro Coletâneas de um Místico – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz).
Quando procuramos a verdade e caminhamos pelo Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, encontramos forças das quais não devemos fugir para que possamos ser fortalecidos para a batalha que nós encaramos. Encontrar oposição e crítica nos obriga a nos julgar e aprender. Se sabemos no coração que aquilo que fizemos é certo, a crítica dos outros não deve nos preocupar. Abraham Lincoln observou: “É difícil considerar o ser humano miserável, já que ele sente o valor em si, e alega à semelhança da grandeza de Deus que o fez”. No que se refere à oposição e pressão por parte daqueles que querem que sigamos a multidão, nós devemos nos fortalecer com a Verdade, para que possamos claramente distinguir e conscientizar o certo e o errado, esclarecendo para os outros porque nós acreditamos naquilo que fizemos.
S. Paulo advertiu os seguidores de Cristo em sua Epístola aos Efésios 6:11-14: “Revesti-vos de toda armadura de Deus, para poderdes ficar contra as ciladas do mal. Portanto, tomais toda armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau, e, depois de terdes vencido tudo, permaneceis inabaláveis. Estais, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade e vestindo-vos com a couraça da justiça”.
Somos confortados com realizações e nas provas, Deus está conosco e, “se Deus é por nós, quem é contra nós?” (Rm 8:31).
Cristo sabia que seus seguidores seriam perseguidos por causa das suas crenças e ainda assim Ele os encorajou para que permanecessem fiéis, porque Ele sabia que o benefício espiritual excederia o sofrimento causado pelas provas terrenas.
No Sermão da Montanha Cristo-Jesus nos ensinou: “Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e vos perseguirem, e mentindo, dizendo todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós” (Mt 5:11-12).
S. Paulo acrescenta: “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós peso eterno de glória, além de toda compreensão.” (IICo 4:17).
Permanecendo em qualquer circunstância por tudo que é reto e verdadeiro, desenvolvemos forças internas que nos capacitarão a ajudar e elevar o mundo da sua escuridão espiritual e do seu sofrimento. No fim a Verdade e a Retidão terão a Vitória.
Quando nos superarmos, quando não mais formos guiados por leis ou por outras pessoas, obteremos responsabilidade de guiar a nós mesmos e desenvolveremos a luz dentro de nós. S. Paulo conhecia as tentações que surgem nesta altura e disse: “Porque vós irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então a liberdade para dar ocasiões à carne, mas servi-vos uns aos outros pela caridade. Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: ‘Amarás ao teu próximo como a ti mesmo’” (Gl 5:13-14) – e “Então, enquanto temos tempo, façamos bem a todos” (Gl 6:10).
Outro ponto que aprendemos na Fraternidade Rosacruz é a seguinte advertência : “O maior perigo do Aspirante, que está trilhando esse caminho, é que ele pode ficar enredado na armadilha do egotismo[3], e sua única proteção deve advir do cultivo das faculdades da fé, devoção e compaixão para com todos.” (Capítulo II do Livro Coletâneas de um Místico – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz).
Cristo enviou seus Discípulos prevenindo-os: “Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas.” (Mt 10:16).
E como nós partimos visando seguir os passos do Cristo e favorecer o que é Verdade e justo, cresceremos em força tendo como lema: “Se for Cristo, salve-se a si mesmo” (Lc 23:35, 37 e Mc 15:30).
(Traduzido da Revista Rays from the Rose Cross, de Elsa Glover – Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – janeiro/1986-Fraternidade Rosacruz-SP)
[1] N.T.: O ramo de palmeira é um símbolo da vitória, do triunfo, da paz. A palma tornou-se tão intimamente associada à vitória na cultura romana antiga que a palavra latina palma poderia ser usada como uma metonímia para “vitória”, e era um sinal de qualquer tipo de vitória.
[2] N.T.: Ego humano sem o Tríplice Corpo e sem a Mente (somente com os quatro Átomos-sementes desses veículos).. A comunidade nos oferece oportunidades de serviço, que não estão presentes nos monastérios ou no cume de uma montanha, e o serviço é um componente importante no caminho da Iniciação.
[3] N.T.: Diferente do egoísta, pessoa que manifesta o egotismo, ou seja, o egocentrismo se caracteriza pela simples aplicação prática do egoísmo. … Priorizando o seu o egocêntrico simplesmente prioriza a sua razão sobre a razão de terceiros, ignorando os outros. Já o egoísta, o que pratica o egoísmo, se coloca no centro do seu universo.”.
Resposta: Embora existam várias maneiras de demonstrar que a morte não seja o fim de tudo, tememos que nenhum argumento seja capaz de convencer alguém que não esteja disposto a aceitar a verdade. Você se lembra da parábola de Cristo sobre o homem rico e Lázaro, que morreram e, quando o homem rico desejou que Lázaro fosse autorizado a voltar dos mortos para avisar seus irmãos, Cristo disse: “Se não ouvem Moisés e os profetas, não acreditarão ainda que alguém ressuscite entre os mortos”[1]?
E isso é exatamente o que acontece. Já ouvimos alguns, assim chamados, cientistas dizerem que não se convenceriam da vida após a morte, mesmo que realmente vissem um fantasma, pois, tendo concluído pela razão e pela lógica, de forma completamente satisfatória para si mesmos, que fantasmas não existem, concluiriam que estivessem sofrendo de alucinação, caso se de fato vissem um fantasma.
Também não é possível apresentar declarações da Bíblia. A palavra “imortal” não aparece de forma alguma no Antigo Testamento. Naquela época, dizia-se: “morrendo, morrerás”[2] e uma vida longa era oferecida como recompensa pela obediência. Tampouco essa palavra é encontrada nos quatro Evangelhos, mas nas Epístolas de S. Paulo[3], onde ela aparece seis vezes. Na primeira passagem, fala-se de Cristo, que trouxe à luz a imortalidade por meio do Evangelho. Em outra, ele nos diz que “este corpo mortal precisa revestir-se da imortalidade”[4]. Na terceira ele deixa claro que essa imortalidade é concedida àqueles que a buscam. Na quarta, fala sobre nosso estado, “quando este corpo mortal se revestir da imortalidade”[5]. Na quinta, declara que “Somente Deus possui a imortalidade”[6] e a sexta passagem é uma adoração ao Rei eterno, imortal e invisível. Assim, a Bíblia de forma nenhuma ensina que a Alma seja imortal; no entanto e ao contrário, afirma enfaticamente: “A Alma que pecar, essa morrerá”[7]. Se a Alma fosse inerente e intrinsecamente imperecível, isso seria uma impossibilidade.
Também não podemos provar a imortalidade da Alma pela Bíblia, usando passagens como a do Evangelho Segundo S. João 3:16: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Se confiarmos nessa passagem para provar que a Alma seja sem fim, dotada de vida interminável, devemos também aceitar as passagens que afirmam que as Almas estejam condenadas ao tormento eterno, como defendem algumas das seitas ortodoxas.
Mas, na verdade, essas passagens não provam uma vida de bem-aventurança ou tormento sem fim. Se você consultar o dicionário grego de Liddell e Scott[8], verá que o termo traduzido como “eterno” ou “para sempre”, na Bíblia, é a palavra grega aionian, que significa “por um curto período”, “uma era”, “um tempo limitado”, “um tempo de vida”. Então você perceberá isso com facilidade no caso do escravo Onésimo, sobre quem S. Paulo escreve a Filemom: “Porque provavelmente ele se separou de ti por algum tempo para que o mantivesse para sempre”[9]. Esse “para sempre” (aionian) só poderia significar os poucos anos da vida de Onésimo na Terra, e não uma duração infinita.
Então, qual é a solução? A imortalidade é apenas um produto da imaginação, e é incapaz de ser provada? De forma nenhuma, mas é necessário diferenciar claramente entre Alma e Espírito. Essas duas palavras são frequentemente tomadas como sinônimos, mas não são. Na Bíblia, temos a palavra hebraica ruach e a palavra grega pneuma, ambas significando Espírito, enquanto a palavra hebraica neshamah e a palavra grega psique significam Alma. Além dessas, temos a palavra hebraica nephesh, que significa sopro, mas foi traduzida como vida em alguns lugares, e como alma em outros, para a conveniência dos tradutores da Bíblia.
É isso que gera confusão. Por exemplo, é dito no Livro do Gênesis que Javé ou Jeová formou “o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego”[10] (nephesh), então “o homem se tornou (nephesh chayim) um ser que respira”, mas não uma Alma vivente. A respeito da morte, lemos no Livro do Eclesiastes 3,19-20, e em outros trechos, que não há diferença entre o homem e o animal: “assim como morre um, morre o outro, pois todos têm um mesmo fôlego (nephesh novamente), de modo que o homem não tem superioridade sobre o animal”. “Todos vão para o mesmo lugar”. Mas há uma distinção muito clara feita entre o Espírito e o Corpo, pois é dito que “quando o Cordão de Prata se rompe, então o Corpo retorna ao pó de onde foi tirado e o Espírito volta a Deus, Que o deu”[11]. A palavra “morte” nunca está associada ao Espírito e a doutrina da imortalidade do Espírito é ensinada de modo flagrante pelo menos uma vez na Bíblia; em no Evangelho Segundo S. Mateus 11:14, onde o Cristo disse a respeito de João Batista: “Este é Elias”. O Espírito que animou o Corpo de Elias renasceu como João Batista; portanto, ele necessariamente sobreviveu à morte física e foi capaz de continuar sua existência.
Para os ensinamentos mais profundos e definitivos sobre este assunto, devemos, no entanto, recorrer ao ensinamento místico; aprendemos no Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, que os Espíritos Virginais foram enviados para o deserto do Mundo como Raios de Luz da Chama Divina, que é o Nosso Pai Celestial, e primeiro passaram por um processo de Involução na matéria, cada Raio cristalizando-se em um Tríplice Corpo.
Então a Mente foi dada e se tornou o ponto de apoio sobre o qual a Involução se transforma em Evolução e a Epigênese, a habilidade criativa, divina e inerente ao Espírito interior, na alavanca pela qual o Tríplice Corpo é espiritualizado na Tríplice Alma e amalgamado com o Tríplice Espírito, sendo a Alma o extrato da experiência que nutre o Espírito, que vai da ignorância à onisciência, da impotência à onipotência e assim, finalmente, torna-se semelhante ao seu Pai Celestial.
É impossível para nós, com nossas capacidades atualmente limitadas, conceber a magnitude dessa tarefa, mas podemos compreender que estamos muito, muito longe da onisciência e da onipotência, de modo que isso necessariamente exija muitas vidas; portanto, vamos para a Escola da Vida como a criança vai para a escola. Assim como há noites de descanso entre os dias de aula das crianças, também há noites de morte entre nossos dias na Escola da Vida. A criança retoma seus estudos a cada dia exatamente de onde parou no dia anterior; da mesma forma, nós, ao renascer, retomamos as lições da vida exatamente de onde paramos em nossa existência anterior.
Se for feita a pergunta: “por que não lembramos nossas existências anteriores, se de fato as tivemos?”, a resposta é simples. Atualmente, não lembramos sequer o que fizemos há um mês, um ano ou alguns anos, como poderíamos lembrar algo muito mais distante no tempo? Tínhamos um cérebro diferente que estava sintonizado com a consciência da vida anterior. No entanto, existem pessoas que se lembram de suas existências passadas, e cada vez mais estão mostrando essa faculdade, pois ela está latente dentro de cada ser humano.
Mas, como S. Paulo diz muito apropriadamente no capítulo quinze da Primeira Carta aos Coríntios: “Se os mortos não ressuscitam, então nossa fé é vã e somos, de todos os homens, os mais miseráveis”. Portanto, o neófito que passou pela porta da Iniciação é levado ao leito de uma criança que está morrendo. Ele vê o Espírito se desprender do Corpo Denso material e é instruído a observá-lo nos Mundos invisíveis até que busque um novo Corpo Denso para renascer.
Com esse propósito, geralmente é escolhida uma criança que esteja destinada a renascer dentro de um ou dois anos; assim, em um tempo relativamente curto, o neófito pode ver por si mesmo como um espírito atravessa o portal da morte e entra novamente na vida física através do útero. Então ele tem a prova. A Razão e a Fé devem ser suficientes para aqueles que não estejam preparados para pagar o preço pelo Conhecimento Direto — preço, esse, que não pode ser comprado com ouro; o pagamento é feito com o sangue da vida.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – maio /1916 – Traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
[1] N.T.: Lc 16:19-31
[2] N.T.: Gn 2:17
[3] N.T.: 1Tm 6:16; 1Tm 1:17; 1Cor 15:53; 1Cor 15:54; 2Cor 4:16; Rm 6:23
[4] N.T.: 1Cor 15:53
[5] N.T.: 1Cor 15:54
[6] N.T.: 1Tm 6:16
[7] N.T.: Ez 18:20
[8] N.T.: A Greek–English Lexicon, muitas vezes referida como Liddell & Scott, Liddell-Scott-Jones, ou LSJ, é uma obra lexicográfica padrão da língua grega antiga.
[9] N.T.: Fm 1:15
[10] N.T.: Gn 2:7
[11] N.T.: Ecl 12:6-7
O Estudo Bíblico Rosacruz é fundamental para o Estudante Rosacruz a fim de ajudá-lo a equilibrar cabeça-coração, intelecto-coração, razão-devoção, ocultista-místico Cristão.
Sabemos que os eventos na vida de Cristo representam etapas sucessivas no Caminho da Iniciação para os Cristãos (Místicos e Ocultistas) que estão trilhando esse caminho, que na Fraternidade Rosacruz é o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz.
Nesse Estudo vamos detalhar a significância esotérica desses ensinamentos que o próprio Cristo nos mandou praticar, se formos Cristãos de fato.
Para saber mais sobre esses assuntos é só clicar aqui: Estudos Bíblicos Rosacruzes: Estudos Bíblicos Rosacruzes: Significância Esotérica de alguns pontos – Evangelho Segundo S. Mateus: Capítulo 6 – Versículos de 7 a 15
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Nós somos um ser composto, possuindo sete veículos em diferentes estágios de desenvolvimento. Os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental os designam da seguinte forma: Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos, Mente, Espírito Humano, Espírito de Vida e Espírito Divino. Um Tríplice Corpo e um Tríplice Espírito juntos, com um veículo Mente, que é o elo entre eles. Cada veículo serve como um trampolim para o próximo, que é superior.
O Corpo Denso é o nosso veículo mais bem organizado e o único no qual a maioria de nós pode funcionar conscientemente. Na verdade, a maioria das pessoas acredita que é o único Corpo que possui, pois é o único que consegue ver. No entanto, sempre tivemos pioneiros no caminho do progresso e temos hoje aqueles que se adiantaram e desenvolveram a consciência no Corpo Vital.
O desenvolvimento de cada veículo nosso avança simultaneamente, mas há períodos em que a ênfase é especialmente dada ao aperfeiçoamento de um determinado veículo. Em eras passadas, a última sob o regime de Jeová, o Legislador, o Corpo Denso foi levado ao seu atual estado de elevada organização. Para esse propósito a Lei Jeovística foi necessária. Com o advento de Cristo, porém, inaugurou-se uma nova Era cuja estrutura é o Altruísmo, e é a sua prática que desenvolverá a consciência no Corpo Vital e o levará a um elevado grau de evolução.
Os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental fornecem ênfase especial ao desenvolvimento do Corpo Vital. Seus Ensinamentos são formulados com esse objetivo em vista, pois reconhece que todo desenvolvimento oculto seja proporcional à organização e evolução desse veículo. O Corpo Denso é composto de materiais da Região Química do Mundo Físico, a saber: Sólidos, Líquidos e Gases. O Corpo Vital é composto de matérias da Região Etérica do Mundo Físico, a saber: Éter Químico, Éter de Vida, Éter Luminoso (ou de Luz) e Éter Refletor, substâncias físicas muito sutis. A ciência material admite a presença do Éter como meio para a transmissão da luz e da eletricidade. A ciência oculta sabe que existem quatro Éteres separados e distintos que são usados na formação do Corpo Vital.
As forças que atuam através do Éter Químico do Corpo Vital atuam no Corpo Denso como agentes de assimilação e excreção. As que atuam através do Éter de Vida manifestam-se na propagação. A função desses dois Éteres, ditos como Éteres inferiores, é puramente física, sustentando o Corpo Denso e mantendo as espécies. As forças que atuam através do dois Éteres superiores, a saber: Éter de Luz, onde tornam possível a percepção sensorial, a dos sentidos físicos; e as que atuam através do Éter Refletor onde nos proporcionam a memória. À medida que esses dois Éteres tornam possível a percepção sensorial e a memória no Corpo Denso, veremos que, quando aperfeiçoarmos e organizarmos o Corpo Vital, eles se manifestarão também nele como percepção sensorial e memória; ou seja, como consciência.
Mas para tornar o Corpo Vital um veículo separado de consciência, enquanto ainda mantemos o Corpo Denso, é necessário separar os dois Éteres superiores dos dois Éteres inferiores. Os dois Éteres inferiores devem permanecer com o Corpo Denso para sustentá-lo; mas é possível retirar os dois Éteres superiores e usá-los como um veículo separado de consciência.
Para agarrar tal oportunidade e atingir esse objetivo, sem realizar o trabalho necessário para primeiro aumentar os dois Éteres superiores o suficiente para formar um veículo separado, algumas pessoas recorrem a exercícios respiratórios; mas eles são perigosos, pois tendem a retirar os quatro Éteres do Corpo ou desequilibrá-los. Isso pode resultar na morte, em algum grau de insanidade e/ou graves distúrbios físicos. O nosso desenvolvimento, tal como o crescimento de uma planta, não pode ser apressado sem frustrar o objetivo em vista. O verdadeiro desenvolvimento oculto é seguro e possível apenas quando acompanhado pelo desenvolvimento moral.
Hoje sabemos que a “Veste Dourada das Bodas” ou o “Traje Nupcial de Bodas” (que denominados de Corpo-Alma), ou Soma Psuchicon como chamou S. Paulo, mencionada por Cristo, é o Corpo Vital aperfeiçoado, que surge da separação entre os dois Éteres superiores dos dois Éteres inferiores. Sabemos também que a repetição é a base desse crescimento, porque nos foi ensinado a “orar sem cessar”[1]. Somente na medida em que seguirmos os passos de Cristo nós construiremos o veículo no qual “O encontraremos nos ares”[2], apressando Sua Segunda Vinda por meio do serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível), sempre focado na divina essência que cada um de nós temos – que é a base da Fraternidade – para com o irmão e a irmã ao nosso lado, que edifica o Corpo Vital.
(Publicado na: Rays From The Rose Cross – fevereiro /1918 – Traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
[1] N.T.: ITes 5:17
[2] N.T.: ITes 4:17