Pouca gente imagina a possibilidade de uma relação entre a cura e o Perdão dos Pecados. Aliás, quase ninguém sequer cogita dessa realidade que é o Perdão dos Pecados.
Para começar, veja o que S. João relata no seu Evangelho (5:6-9): “Jesus, vendo-o deitado e sabendo que já estava assim havia muito tempo, perguntou-lhe: ‘Queres ficar curado?’. Respondeu-lhe o enfermo: ‘Senhor, não tenho quem me jogue na piscina, quando a água é agitada; ao chegar, outro já desceu antes de mim’. Disse-lhe Jesus: ‘Levanta-te, toma o teu leito e anda!’. Imediatamente o homem ficou curado. Tomou o seu leito e se pôs a andar.”.
Mas, como se define o pecado?
Objetivamente podemos afirmar que é uma ação contrária à lei. Se você pensou que estamos falando da Lei de Moisés, os Dez Mandamentos, pensou corretamente. A Lei, em verdade, é algo muito mais amplo e profundo do que o decálogo recebido por Moisés na montanha. É tão importante que o Cristo asseverou categoricamente que não viera revogá-la, mas cumpri-la. Ele a observou, mas propôs dois mandamentos que a abrangem e transcendem: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a Si mesmo.
Do ponto de vista esotérico, o pecado é uma transgressão a uma Lei da Natureza que é uma Lei de Deus. As Leis da Natureza se harmonizam e mantêm o equilíbrio no Cosmos. Toda vez que alguém as transgrida provoca um desequilíbrio e em consequência uma reação em forma de sofrimento e/ou dor. Portanto, a dor e/ou o sofrimento é uma maneira de aprendermos a lição da harmonia. S. Paulo, em sua Epístola aos Gálatas (6:7), afirmou: “O que o homem semear, isso mesmo ele colherá”.
A luz do ocultismo, se cometemos um erro somos inexoravelmente penalizados? Realmente não. O Perdão dos Pecados é um fato. Entretanto, há pré-requisitos para que ele opere. Um deles é a vontade aliada à iniciativa. Há necessidade de ação que se manifeste através do arrependimento, reforma e restituição.
Primeiro, o arrependimento. S. João Batista não pregou filosofias ou doutrinas. Sua mensagem era o arrependimento dos pecados cometidos. Era um meio de preparar as pessoas para o Cristianismo. Sabia que o Cristo ofereceria a Graça, o Perdão dos Pecados, mas isto depende da transformação da consciência de cada um. Arrependimento é uma mudança da Mente e do Coração em relação ao ato pecaminoso. Porém, o remorso exagerado é nocivo, debilitando as correntes do Corpo de Desejos e afetando as Glândulas Endócrinas. Vemos, então, como tudo depende de um processo interno.
Em segundo, a reforma íntima, pois só o arrependimento não é suficiente para o recebimento da Graça. Quem para no arrependimento fica apenas na intenção. É necessária uma ação efetiva, dinâmica, que se consubstancie na reforma de caráter. Isso ocorre quando transmutamos nossos maus hábitos nas virtudes opostas. Reforma íntima significa restauração, renovação e reconstrução. Envolve discernimento (e só conseguimos fazer isso se praticarmos cotidianamente o Exercício Esotérico Rosacruz de Observação e o seu complemento, o do Discernimento). É uma prova de valor e paciência. Quando nos transformamos internamente tudo se modifica em nossa vida.
Em terceiro, a restituição que é quando prejudicamos alguém devemos promover a restituição, a compensar, de alguma forma, o mal que lhe fizemos. Se não pudemos reparar, pela ausência do prejudicado ou outra razão qualquer, podemos fazê-lo servindo a outra pessoa. Eis porque a tônica da Fraternidade Rosacruz — serviço — tem um cunho libertador. O serviço focado na Divina Essência do irmão ou da irmã, prestado de uma forma amorosa e desinteressada (portanto, o mais anônimo possível) nos envolve na consciência da unidade. Através dele nos sentimos unos com toda a criação, nos tornando incapazes de ferir, ofender ou prejudicar qualquer ser vivo.
Libertamo-nos dos pecados quando em nossa consciência admitimos ter errado e nos propomos a não mais repetir a falta cometida. A evolução é fundamentalmente uma questão de consciência. O desenvolvimento dessa consciência ocorre principalmente através do Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção. Quando estudamos o Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, descobrimos “que talvez esse seja o mais importante Ensinamento Rosacruz”.
O Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção nos oferece uma visão objetiva de nós mesmos. A constância e sinceridade com que é praticado acaba por limpar o nosso Átomo-semente do Corpo Denso das gravações indesejáveis ali impressas ensejando, assim, a evitar o sofrimento purgatorial. Se praticamos com fidelidade Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção, partindo decididamente para: o arrependimento, a reforma e a restituição, demonstraremos ter aprendido as lições nesse renascimento aqui, não necessitando fazê-lo futuramente. Isto é o Perdão dos Pecados!
O ensinamento alusivo ao Carma, ensinado pelas escolas orientais, não satisfaz plenamente as necessidades humanas de quem escolheu nascer no ocidente! Os princípios Cristãos abrangem tanto a Lei de Causa e Efeito como o Perdão dos Pecados e satisfaz plenamente todas as necessidades que precisamos.
Esse ato volitivo começa com o Corpo Vital. Na Oração do Senhor (o Pai-Nosso) encontramos uma oração exclusiva para o Corpo Vital: “Perdoai as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores”. Através da repetição se forma a Alma Intelectual, importante no processo de criação de bons hábitos.
Um bom hábito é não reagir emocionalmente diante de uma situação ou circunstância desequilibrante ou de uma provocação. Se não reagirmos emocionalmente não estaremos implicados na questão e em suas consequências, além do que tudo isso diz respeito à nossa saúde. O pecado ou transgressão afeta a saúde.
Cristo deixou bem claro que o que quer que aconteça no exterior tem sua origem no padrão existente na Mente da pessoa. Se analisarmos todas as Curas efetuadas por Cristo verificaremos que três são as condições para que se realizem: 1) Não pecar mais; 2) Ter bom ânimo; 3) Ter fé. Portanto, tudo depende do estado de consciência de cada um, principalmente o Perdão dos Pecados e a saúde física, mental e emocional.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – janeiro/fevereiro/1988-Fraternidae Rosacruz-SP)
A Ordem Rosacruz é uma Irmandade dedicada ao desenvolvimento das faculdades humanas, à exploração das leis mais profundas da Natureza e ao estabelecimento de uma Comunidade Cristã na Terra. Ela se encontra na Região Etérica do Mundo Físico onde tem o seu Templo: o Templo Rosacruz.
A Ordem Rosacruz tem o objetivo de lançar uma luz oculta sobre a mal-entendida Religião Cristã, e para explicar o mistério da Vida e do Ser do ponto de vista científico, em harmonia com a Religião.
Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz são seres humanos que passaram pelas nove Iniciações Menores e pelas quatro Iniciações Maiores ou Iniciações Cristãs.
A Ordem Rosacruz constitui uma Ordem Sagrada, mas atua externamente por meio de indivíduos e grupos. A Fraternidade Rosacruz é uma dessas Associações. Ela se encontra aqui na Região Química do Mundo Físico. Ela foi criada para tornar os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental acessíveis a todos que buscam respostas lógicas e científicas para os Mistérios da vida e do ser.
A Fraternidade Rosacruz é uma escola e visa emancipar o indivíduo da dependência de fatores externos e alcançar, em vez disso, uma plena confiança no Deus interior.
A Fraternidade Rosacruz, como uma escola, existe com o propósito de informar os inquisidores e instruir os Estudantes Rosacruzes no trabalho preparatório para ingressar na Ordem Rosacruz.
A Ordem Rosacruz trabalha especificamente com os povos do Ocidente, e seus métodos de desenvolvimento espiritual são especialmente concebidos para atender às necessidades intelectuais e religiosas dessas pessoas.
Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz trabalham para promover um desenvolvimento equilibrado entre a Mente e o Coração – a razão e a intuição. Eles trabalham para restabelecer a unidade dos três campos do esforço humano: Arte, Religião e Ciência.
A Ordem Rosacruz foi fundada no século XIV por Christian Rosenkreuz, um mensageiro da Grande Fraternidade Branca dos Divinos Hierarcas que guiam a Humanidade no caminho da evolução.
A Ordem Rosacruz é uma das sete Escolas Menores de Mistérios do mundo. Seus doze Irmãos Maiores, juntamente com seu décimo terceiro membro, o Líder, não possuem organização material, de modo que seu trabalho é desconhecido para todos, exceto os Iniciados de vários graus, desde o primeiro da Iniciação Menor até o quarto da Iniciação Maior.
Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz
Vamos ver a situação de um irmão ou uma irmã que passa pelas seguintes experiências em sequência:
1) O irmão ou a irmã que teve diagnósticos de órgãos vitais do seu Corpo Denso por pararem totalmente de funcionar e que, assim, começaram a rever e gravar o Panorama da Vida recém-finda presente no Átomo-semente do seu Corpo Denso para o Átomo-semente do seu Corpo de Desejos.
2) O irmão ou a irmã que depois de terminar a revisão e a gravação do Panorama da Vida recém-finda (e se for interrompida) ter o seu Cordão Prateado rompido “entre os dois seis”, no seguimento entre o Átomo-semente do Corpo Denso e o Átomo-semente do Corpo Vital.
3) O irmão ou a irmã que depois de terminar a revisão e a gravação do Panorama da Vida recém-finda e o Cordão Prateado rompido continuar apegado à Terra, funcionando a partir das Regiões inferiores no Mundo do Desejo onde procura influenciar os irmãos e as irmãs que estão aqui, renascidos, com o objetivo de satisfazer seus desejos inferiores (vícios, vingança, cobiça, apegos e afins).
4) O irmão ou a irmã que depois: de terminar a revisão e a gravação do Panorama da Vida recém-finda e do Cordão Prateado rompido começa a sua “vida celeste” entrando, por livre e espontânea vontade, no Purgatório – que se localiza nas três Regiões inferiores do Mundo do Desejo – e, depois, no Primeiro Céu – que se localiza nas três Regiões superiores do Mundo do Desejo – (se tiver alguma coisa para sublimar, purgar ou assimilar nesses lugares) e lá vivendo em torno de, no mínimo, um terço de tempo terrestre da última vida.
5) O irmão ou a irmã que depois: de terminar a revisão e a gravação do Panorama da Vida recém-finda, do Cordão Prateado rompido, de passar pelo Purgatório e pelo Primeiro Céu, começar a sua vida no Segundo Céu – que está localizado nas três Regiões inferiores do Mundo do Pensamento (ou Região Concreta do Mundo do Pensamento) –, onde ele ou ela está em sua pátria, seu lar. Aqui começa uma etapa da mais intensa e importante atividade. Aqui ele ou ela permanece durante séculos, assimilando o fruto da última vida e preparando as condições terrenas mais apropriadas para o seu próximo passo no progresso. Trabalha sobre os modelos da Terra: alterando as formas físicas e produzindo-lhe mudanças graduais no aspecto (tais como clima, a flora e a fauna). Ocupa-se também, ativamente, em aprender como construir um Corpo que tenha os melhores meios de expressão. Aprende a construir toda classe de Corpos, inclusive o humano, seu e dos outros irmãos e irmãs que estão prestes a renascer. O irmão ou irmã aqui são os que ajudam a viver os que estão prestes a renascer aqui. Por sua vez eles são ajudados pelos chamados “Espíritos da Natureza” aos quais governam.
6) O irmão ou a irmã que depois: de terminar a revisão e a gravação do Panorama da vida recém-finda, do Cordão Prateado rompido, de passar pelo Purgatório e pelo Primeiro Céu, de viver por séculos trabalhando ativamente no Segundo Céu entra no Terceiro Céu dissolvendo a Mente e, assim, se manifestando como um Ego (agora não é mais somente o irmão ou irmã, mas sim um Ego humano com os quatro Átomos-sementes que lhe garantem a possibilidade de construções de novos veículos), um Tríplice Espírito. Aqui, pela harmonia inefável desse mundo superior, fortifica-se para a próxima imersão na matéria. Tem a consciência mais expandida que pode ter, o que lhe garante a certeza do que está fazendo e precisa ainda fazer nesse Esquema de Evolução.
7) O irmão ou a irmã que depois: de terminar a revisão e a gravação do Panorama da Vida recém-finda, do Cordão Prateado rompido, de passar pelo Purgatório e pelo Primeiro Céu, de viver por séculos trabalhando ativamente no Segundo Céu, depois de viver no Terceiro Céu se manifestando como um Ego, um Tríplice Espírito, vem a vontade de novas experiências e a contemplação de um novo nascimento (pois sabe o que tem a aprender e o que tem a reparar, devido a erros em vidas passadas). E, por isso, começa todo um trabalho para renascer, mais uma vez, aqui.
Ué? Onde está o irmão ou a irmã que achamos que está morto ou morta? Simplesmente continua vivo ou viva, sempre!
Então o conceito de “morte” aqui podemos redefinir como: um estado do irmão ou da irmã, que por incompetência da pessoa que chama o irmão ou a irmã de morto (ou morta), não tem a visão específica para funcionar na Região Etérica do Mundo Físico e/ou no Mundo do Desejo e/ou no Mundo do Pensamento.
Assim, ao invés de acharmos que “acabou”, regozijemos pelos irmãos ou pelas irmãs que partindo daqui trabalham assiduamente e mais ativamente nos Mundos suprafísicos e oremos por eles – com saudades sim – mas com a certeza de “a morte não existe”!
Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz
Oh, você, cujo olhar recai casualmente sobre esta página. Você, cujo interesse já foi despertado, leia atentamente este artigo — você está desperto? Cada momento da sua vida vibra com a alegria de viver ou você está com as massas, adormecido na existência monótona?
Se sua alma não for tocada em suas profundezas mediante o desabrochar de uma flor, você está adormecido. A menos que esteja moldando inteligentemente o curso da sua vida, está adormecido. Caso não perceba sua unidade com o Cosmos, então você está adormecido… E a mensagem deste artigo se resume a uma palavra: desperte! Eis algumas sugestões as quais, para você que está satisfeito em dormir durante toda uma vida, deveriam ser de valor inestimável. São ideias novas? De modo nenhum. Mas são os pensamentos-chave de hoje — da nova Era.
– “Eu não quero trabalhar”, diz o homem desempregado.
– “Ah, é mesmo?”, eu respondo, “então mova aquela pilha de areia para lá e, quando terminar, simplesmente cave e a recoloque onde a encontrou”.
– “E quanto dinheiro eu vou ganhar?”, pergunta o homem.
– “Ah, então você quer dinheiro e não trabalho!”.
– “Bem…”.
– “Aqui está uma nota de R$ 100,00; eu lhe darei, se você não gastar”, é minha resposta.
– “Mas eu quero comprar comida e carvão para minha família”, diz ele.
– “Então, meu amigo, você vê que não é dinheiro que você quer, nem comida ou carvão; mas, isto sim, a sensação de conforto que essas comodidades trazem”.
Para simplificar esse ponto, o homem estava, na verdade, pedindo felicidade. Como nós, mortais, gostamos de girar ao redor do assunto! O processo acima de buscar felicidade é como pedir um balde de água quando você tem uma torneira perfeitamente boa em sua própria cozinha. Por que não pegar um atalho e começar por si mesmo? Suponha, antes de tudo, que façamos um exame. Eu faço a pergunta — você fornece a resposta.
Fisicamente. Você carece de algo para estar em boa forma? Seu rosto reflete alegria: olhos brilhantes, faces coradas, cabeça erguida, cantos da boca voltados para cima?
Mentalmente. A Mente está alerta, atacando cada problema com entusiasmo e obtendo conclusões inteligentes? Quando você olha para um objeto, você realmente o vê ou, em outras palavras, seus poderes de observação estão ativos?
Emocionalmente. Sua alma é tocada pela majestade e a Glória dos Céus? Você se deleita com a sinfonia do movimento do oceano sobre a praia? Você sente, e não apenas fala, a Fraternidade do ser humano?
Moralmente. Você está vivendo à altura dos ideais estabelecidos dentro de você?
Algo do que foi mencionado acima lhe falta? Bem, não saia procurando por isso e pedindo aos outros. Está dentro de você mesmo! Desperte-o! Não há necessidade de ir mais longe. Você sabe melhor do que os outros o que lhe falta e sem dúvida já recebeu a sugestão de listar o que deseja expressar. É uma ideia excelente!
Tome, por exemplo, a virtude da paciência. Suponha que eu queira desenvolvê-la em meu temperamento, entre muitas outras. Eu a escreveria em uma folha de papel e então começaria a despertá-la. Como você atrairia a atenção de uma determinada pessoa, se ela estivesse em uma multidão? Ora, chamando o nome dela! Fomos ensinados que todos os poderes e qualidades de Deus estão latentes em nós; então a paciência está ali, aguardando expressão. Chame-a à manifestação!
Estes dias árduos de reconstrução necessitam de corações fortes e aplicação inteligente. Quantos de nós levantam a mão para moldar o nosso próprio ambiente? Somos escravos do nosso negócio; nossas ideias políticas ou econômicas não são nossas, mas fornecidas pela tendência que achamos que conhecemos.
Quantos pensamentos originais podemos reivindicar em um dia? E, ainda assim, originar é prerrogativa divina de cada um de nós: criar, praticar a Epigênese.
Se estamos apenas vegetando, podemos muito bem ser como a planta – um ser da Onda de Vida vegetal – cuja consciência é semelhante à do “sono sem sonhos”.
Se estamos apenas deixando a vida passar por nós mediante os sonhos, nossa consciência não é mais elevada que a de um animal – que é um ser da Onda de Vida animal e tem um nível de consciência de “sono com sonhos”.
Desperte! Por tempo demais permanecemos à beira da estrada, embalados pela indulgência dos sentidos, dedicando uma vida inteira aos meros acessórios da existência — adormecidos para o verdadeiro significado da vida: uma vida vibrante e criadora.
Venha comigo por uma colina, atrás de uma cidade. Estamos na primavera! Iremos, se você quiser, em uma hora matinal; naquela hora, logo após o nascer do Sol, quando, para aquele que está desperto, a natureza sussurra seus segredos. O primeiro benefício da nossa caminhada é físico; o ar puro e o passo rítmico põem a circulação em movimento e começamos a formigar à medida que sentimos seus efeitos revigorantes…
À medida que começamos a subir a colina, notamos em ambos os lados do caminho sinuoso evidências da primavera, pois os arbustos e árvores estão ganhando nova vida e, aqui ou ali, uma flor silvestre se manifesta. Nesses arredores não podemos deixar de sentir a unidade de toda a vida, o que é evidência do despertar das emoções mais elevadas. Por fim, alcançamos o cume — ficamos a princípio dominados pelo glorioso espetáculo. Por quilômetros diante de nós estende-se uma vista de campos verdes, encostas ondulantes e, além do braço prateado do mar pontilhado de ilhas, vislumbramos o contorno tênue de uma cadeia de montanhas escarpadas. Esse panorama maravilhoso, resplandecente ao Sol da manhã, pertence ao ser humano. É o seu atual Campo Evolução que chamamos de Terra!
Agora, volte-se e olhe em direção à cidade. Será possível que lá embaixo, naqueles pequenos cubículos que habitávamos ontem, os problemas da vida parecessem tão enormes, tão opressivos? Porque nossa própria alma já se expandiu e sentimos que podemos voltar para resolver nossos pequenos problemas em pouco tempo. Como gostamos de elevar nosso próximo até as alturas atuais da nossa consciência! É como se tivéssemos erguido nossas cabeças para fora da neblina e encontrado o Sol brilhando em esplendor. Se você, meu irmão ou minha irmã, tem amor pela Humanidade em seu coração, então leve consigo esta mensagem de desenvolvimento: “Eu elevarei meus olhos para os montes”. Elevarei meus pensamentos àquela consciência superior que me diz que todo poder está latente de nós — e nós nada mais temos a fazer senão despertar para nossa Filiação Divina, a fim de realizá-la em sua plenitude!
Por mais 2.000 anos as palavras da Epístola de S. João, “Amados, agora somos filhos de Deus” (IJo 3:2), têm vibrado em ouvidos surdos. Absorvido naquilo que muitos chamam de “ganhar a vida” ou desfrutar de si mesmo muitos têm falhado em captar essa maravilhosa mensagem. Quando ela realmente desponta na consciência de uma pessoa, ela vislumbra um futuro antes inimaginado.
Se somos Filhos de Deus, ou, na terminologia da nossa Filosofia, a Filosofia Rosacruz, “Centelhas da Chama Divina”, então temos uma inteligência que se manifesta nesta Terra.
O que é isso? Até nosso atual estágio de desenvolvimento, estivemos sob a orientação direta de Seres superiores. Agora, tendo alcançado a autoconsciência e estando de posse de um instrumento maravilhosamente construído em forma de Corpo Denso, é nossa responsabilidade, como indivíduos, realizar algum trabalho criativo e especializado.
Podemos imaginar um agricultor com um pedaço de terra para cultivar, afiando, dia após dia, o seu arado ou limpando suas várias ferramentas sem colocá-las em uso real para o propósito a que foram destinadas? No entanto, não é esse o caso hoje com a maior parte da Humanidade? De fato, é um erro muito grave negligenciar o instrumento: um trabalhador não esperaria os melhores resultados com ferramentas enferrujadas e desafiadas.
Olhe para dentro e veja se você realmente está desperto. Se sim, o que você tem feito? A responsabilidade é sua. Se você esconder o seu talento, não haverá recompensa. O prêmio é para o bom e fiel servo que multiplicou os talentos que lhe foram dados.
Pois o mundo precisa de almas esclarecidas e urgentemente. Talvez você tenha testado esses métodos, mas não tenha notado muita melhoria — o seu crescimento é lento. Aprenda com a Natureza. O broto cresce lenta e imperceptivelmente, mas cresce, quando lhe são dadas as condições adequadas.
Você descobrirá que o crescimento mais rápido ocorre quando a planta é exposta à luz do Sol. A alegria é o nosso Sol espiritual e o seu crescimento ou desenvolvimento será bastante mais rápido, se for continuamente nutrido com alegria e contentamento. Todas as coisas respondem ao chamado da alegria. A alegria o ajudará.
Portanto: acorde!
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – setembro/1920, traduzido e atualizado pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
Fevereiro de 1913
Assim como damos livros ilustrados aos nossos filhos para transmitir lições morais que eles não conseguiriam compreender intelectualmente, assim também os Líderes Divinos da Humanidade infante usaram mitos para ensinar as grandes verdades espirituais que germinaram inconscientemente em nós ao longo dos séculos e séculos, mas que foram, sem dúvida, fatores poderosos na formação do progresso humano. Dificilmente se imaginaria que o mito de Fausto incorpora o grande problema da “Maçonaria e do Catolicismo”, e mostra sua solução final, mas veremos em futuras lições que isso é verdade. No momento, tomo apenas um ponto da grande epopeia nórdica, O Anel dos Nibelungos[1], para mostrar como o fato e realidade de que quem busca a verdade deve “abandonar pai e mãe”, como fizeram Jesus e Hiram Abiff, foi transmitida aos Filhos da Névoa (Niebel é névoa e Ungen significa filhos em alemão), que viviam na atmosfera nebulosa da Atlântida. Mais tarde, poderei abordar lenda com mais detalhes.
Wotan é o chefe dos deuses, que estão sempre em guerra com os gigantes. Eles construíram uma fortaleza chamada Valhalla, onde as Valquírias, filhas de Wotan, levam os fiéis caíram em batalha defendendo a fé. A verdade perdeu o seu aspecto universal quando os seus guardiães a cercaram e a limitaram. Mas, Wotan tem outros filhos que amam tanto a verdade, que fogem de Valhalla para serem livres. Eles estavam armados com uma espada chamada “Filho da Necessidade”[2] (representando a coragem do desespero), com a qual o rebelde sempre se arma contra credos e dogmas, abandona as convenções e sai em busca da verdade. Wotan envia seus asseclas atrás dos fugitivos e pede a Brunilde, a Valquíria, que representa o Espírito da Verdade, que os ajude a derrotá-los. Ela se recusa, e Wotan, que se tornou invisível, investe com sua espada contra o seu valente filho Siegmund, que é morto em luta desigual.
A Igreja dominante não vê com complacência a divisão de seus filhos. Ela chegaria ao ponto de prostituir o Espírito da Verdade para cumprir seus propósitos e, quando isso falha, usa meios sutis para atingir os seus fins. Suas intenções eram boas, mas ela degenerou. Quando Wotan coloca Brunilde, que estava em prantos diante dele, para dormir sobre uma rocha rodeada de fogo, ele lhe diz que ela não despertará até que aparecesse alguém mais livre do que ele. A verdade não pode ser encontrada numa Religião presa a credos; quem a busca deve estar livre da lealdade a qualquer pessoa.
Assim é Siegfried (que significa aquele que através da vitória conquista a paz), o filho do assassinado Siegmund e de sua esposa-irmã Sieglinda. Esta última morreu ao lhe dar à luz. Por isso, ele está livre de pai, de mãe e de todos os laços terrenos; sua única herança é uma espada quebrada, a Filho da Necessidade. Criado entre os Nibelungos (a Humanidade comum), ele sente sua divindade e se ressente das limitações de seu ambiente. Seu pai adotivo, Mime, é um ferreiro habilidoso; mas toda espada forjada por ele é quebrada pelo jovem gigante ao primeiro golpe. Muitas vezes Mime tentou forjar a espada Filho da Necessidade, mas fracassou; pois, nenhum covarde consegue fazer isso. Enquanto temermos a Igreja, a opinião pública ou qualquer outra coisa, não poderemos nos libertar.
A coragem do desespero vence o medo, e Siegfried finalmente forja a espada ele mesmo. Com ela, ele mata Fafner, o dragão do desejo que paira sobre os tesouros da Terra, e Mime, seu pai adotivo, a natureza inferior. Então, ele se torna absolutamente livre. Um pássaro, a voz da intuição, lhe fala de Brunilde, o belo Espírito da Verdade, que pode ser despertado por aquele que é destemido e livre. Siegfried segue o pássaro da intuição em sua jornada; mas Wotan, seu ancestral, busca impedi-lo com sua lança, representando o poder da crença[3] que um dia quebrou a espada na mão de Siegfried. Essa espada é mais forte desde que Siegfried a forjou, e a lança de Wotan é mais fraca desde o primeiro golpe, pois a crença sempre enfraquece quando atacada. Siegfried, o livre e destemido, quebra a lança de Wotan; e, abrindo caminho através do fogo até a rocha da Valquíria, ele envolve o belo Espírito da Verdade em um abraço amoroso e a desperta com um beijo.
Assim, o antigo mito revelava ao buscador da verdade o que era necessário fazer para encontrá-la. Devemos deixar para trás pai e mãe, credos, dogmas, convencionalismos, opiniões preconcebidas, e desejos mundanos; jamais devemos temer o conflito com as autoridades estabelecidas, mas devemos seguir a voz interna, mesmo que isso signifique enfrentar o fogo; então, e somente então, poderemos encontrar a verdade.
Portanto, os Rosacruzes insistem que todos aqueles que os procuram em busca de ensinamentos mais profundos devem estar livres de qualquer vínculo com uma escola religiosa, e o candidato não esteja vinculado por juramentos em nenhuma etapa. Quaisquer promessas que ele faça são feitas a si mesmo, pois a liberdade é bem mais precioso da alma, e não há crime maior do que aprisionar outros ser humana, seja de que forma for. Que todos nós permaneçamos fiéis a essa grande herança e resistamos valentemente a qualquer violação desse direito sagrado.
(Do Livro: Carta nº 27 do Livro “Cartas aos Estudantes” – Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Um resumo com as ênfases nas partes esotéricas você encontra nesse livreto aqui: O Ciclo do Anel de Richard Wagner – Corinne Heline – Fraternidade Rosacruz
[2] N.T.: Nothung (do alemão Notung, “Filho da Necessidade”)
[3] N.T.: Dogma e crença são elementos-chave das tradições de fé para as Igrejas, definindo crenças fundamentais e a identidade coletiva. O dogma representa verdades autorizadas, imutáveis e divinamente reveladas, enquanto crença ou credo é um resumo conciso dessas crenças fundamentais. O dogma é essencial à fé, enquanto os credos fornecem confissões formais e recitadas.
“Há alguns anos, uma senhora idosa, velha conhecida da autora, passou para o Reino dos Céus. Tinha alcançado uma idade avançada e sua vida havia sido pura e altruísta; por causa de um corpo frágil, tinha passado muitos anos sentada tranquilamente em meditação.
Quando veio a falecer poderia ser comparada a um fruto muito maduro, que não pode mais manter-se preso à árvore; portanto, o rompimento do Cordão Prateado, que comumente leva três dias e meio, no seu caso, levou menos de três horas.
Durante sua última doença e no seu delírio, ela pedia uma bengala que tinha pertencido a seu marido, o qual já havia passado a uma vida mais elevada vinte anos antes; ela habituou-se a usar essa bengala, desde então. Morreu com a bengala, segurando-a firmemente com ambas as mãos e os parentes ficaram relutantes em separá-la de algo que tanto tinha amado em vida, de tal modo que a bengala foi cremada com seu corpo. Pouco tempo após seu desaparecimento, ela voltou para uma visita a autora; vê-la, foi, na verdade, uma visão magnífica.
Seu Corpo de Desejos consistia somente dos braços, mãos e a cabeça e ela segurava a bengala (que tinha o aspecto tão natural como qualquer bengala de madeira poderia ter) com ambas as mãos. Ela parecia uma leve pena branca tentando levantar voo, porém, presa por uma pedra. Era tão etérea que, se não fosse pela bengala que segurava firme com as duas mãos e que era como um peso a retê-la, teria passado pelo Purgatório no Mundo do Desejo em poucos dias.
Quando pedimos a ela que largasse a bengala, segurou-a com força, dizendo: “Não, eu preciso ficar mais um pouco”. A tristeza de uma de suas filhas mantinha-a presa à Terra.
Ela queria muito consolar a filha, mas depois de cerca de seis semanas tornou-se impossível para ela continuar.
A bengala etérica foi vista depois na sua casa, em seu lugar favorito, quebrada em três pedaços, onde ela a havia deixado antes de passar para os planos superiores”.
(Livreto Apegados à Terra – de Augusta Foss Heindel – Traduzido pelos Irmãos e pelas Irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
Como sabemos, cada um de nós tem uma “vida exterior”, geralmente conhecida e analisada pelos que nos rodeiam e, também temos uma “vida íntima”, da qual somente nós próprios podemos fornecer testemunho.
É, indiscutivelmente, o “mundo interior” a fonte de todos os princípios bons ou maus, nos quais todas as expressões exteriores guardam seus fundamentos.
Em geral, todos somos portadores de graves deficiências íntimas, que necessitam de laboriosa retificação. Porém não é tão simples o trabalho de purificar.
Fácil será aceitarmos as verdades religiosas, aderirmos a esta ou àquela ideologia, entretanto, coisa bem diversa é realizarmos a Obra da Evolução de nós mesmos, por meio da autodisciplina, da compreensão fraternal e do espírito de sacrifício.
Entendia o apóstolo S. Tiago quando proferiu “Limpai as mãos, pecadores; e vós de duplo ânimo, purificai os corações” (Tg 4:8), e conhecia suficientemente a gravidade do assunto, tanto assim que aconselhava os Cristãos no sentido de que “limpassem as mãos”, quer dizer, retificassem as atividades do plano exterior, renovassem suas ações ao olhar de todos e, apelava, ainda, que efetuassem, igualmente, a purificação do sentimento e do desejo, no recinto sagrado da consciência, conhecido unicamente pelo aprendiz, na profundidade indevassável de seus pensamentos. Procurar, com entusiasmo, a purificação dos nossos pensamentos, sentimentos, desejos, nossas emoções, palavras, obras, ações e dos nossos atos é, sem dúvida, tarefa que compete a cada um de nós. Muito ajuda para tal realização, a prática dos Exercícios Esotéricos Rosacruzes: noturno de Retrospecção e matutino de Concentração, que se encontram na obra básica dos Ensinamentos Rosacruzes, denominada Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz.
O apóstolo S. Tiago, companheiro valoroso do Cristo, contudo, não se esqueceu de afirmar que isto é trabalho para os de duplo ânimo, porque semelhante renovação jamais se fará tão somente à custa de palavras brilhantes.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – novembro/1964 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Um Estudante Preliminar na Fraternidade Rosacruz é qualquer irmão ou irmã que não seja hipnotizador, ou que não seja por profissão: médium, vidente, quiromante ou astrólogo e que começa a fazer o Curso Preliminar de Filosofia Rosacruz, que o capacitará nos conceitos básicos dos Ensinamentos Rosacruzes.
Já de início, um Aspirante à vida superior, que escolheu a Fraternidade Rosacruz para se desenvolver espiritualmente por meio do Método Rosacruz Cristão de Conhecimento Direto dos Mundos espirituais, procura esquecer de tudo o que aprendeu ao começar a fazer o Curso Preliminar de Filosofia Rosacruz.
E por que isso é necessário para ele? Para que não predomine o juízo antecipado nem o da preferência, mas para que mantenha a sua Mente em estado de calma e de digna expectativa. Assim como o ceticismo efetivamente nos cega para a verdade, assim também essa calma atitude confiante da Mente permitirá à intuição ou “sabedoria interna” se apoderar da verdade contida na proposição. Essa é a única maneira de cultivar uma percepção absolutamente certa da verdade!
Obviamente, há uma lógica ao sugerir esse tipo de comportamento ao Estudante Preliminar. O efeito desse esforço inicial resulta no cultivo de uma atitude mental suscetível de “admitir todas as coisas” como possíveis. Isto lhe permitirá pôr de lado, momentaneamente, até mesmo aquilo que geralmente se considera um “fato estabelecido”, e investigar se existe algum outro ponto de vista até então não notado sob o qual o objeto em referência possa parecer negro.
Certamente ele nada considerará como fato estabelecido, porque compreenderá perfeitamente quanto é importante manter a sua Mente no estado fluídico de adaptabilidade que caracteriza uma criança, ou seja: a criança não está imbuída do sentimento dominador de superioridade, nem inclinada a tomar aparência de sábio ou ocultar, sob um sorriso ou um gracejo, sua ignorância em qualquer assunto. É ignorante com franqueza, não tem opiniões preconcebidas nem julga antecipadamente, portanto é eminentemente ensinável. Encara todas as coisas com essa formosa atitude de confiança a que denominamos “fé infantil”, na qual não existe sombra de dúvida, conservando os ensinamentos que recebe até comprovar para si mesmo a certeza ou o erro.
Em outras palavras: aceitar como “verdade provável” para que possa estudar e pesquisar até que tenha a benção de descobrir, por si só, o fato como “verdade provada”!
A grande vantagem dessa atitude mental quando se investiga determinado assunto, ideia ou objeto, é evidente. Afirmações que parecem positivas e inequivocamente contraditórias, e que causam intermináveis discussões entre os respectivos partidários, podem, se conciliar.
Só a Mente aberta descobre o vínculo da concordância. Aos poucos, o Estudante Preliminar dedicado, persistente e que já entendeu que o caminho é “para frente e para cima” chega à conclusão e pratica o seguinte conceito: a única opinião digna de ser levada em conta precisa se basear no conhecimento.
O Curso Preliminar de Filosofia Rosacruz consta de 12 lições que se ministram por correspondência (e-mail ou carta).
Serve de texto o livro: Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, obra básica da Filosofia Rosacruz. Esse livro apresenta um esboço completo dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental – os Ensinamentos Rosacruzes –, na medida em que podem ser tornados públicos atualmente. Contém um esboço abrangente dos nossos processos evolutivos e dos processos evolutivos do universo, correlacionando Ciência e Religião.
Os conceitos básicos dos Ensinamentos Rosacruzes, que são fornecidos por meio do Curso Preliminar de Filosofia Rosacruz, estão nas 12 Lições e cobrem os seguintes assuntos:
Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz
Quando nós, o Ego, entramos pela primeira vez na posse de nossos veículos, na Época Lemúrica, não possuíamos cérebro, nem laringe. Para suprir essa deficiência, metade da força sexual criadora, anteriormente empregada na propagação, foi dirigida para cima, a fim de construirmos aqueles órgãos. Pelo primeiro, se poderiam produzir a manifestação do pensamento e da razão aqui e, pelo segundo, comunicar aos outros tal pensamento. Desse modo, vemos que o pensamento é criador, por derivar da força sexual criadora.
Igualmente, é criadora a voz, isto é, a palavra falada, pela mesma razão, tem o poder de criar, porque tem sua origem na força sexual criadora. Daí deduzimos que, ao conservarmos a força sexual criadora teremos maior quantidade de poder aproveitável no processo de raciocínio e, do mesmo modo, nossas Mentes serão muito mais poderosas do que as das pessoas que malbaratam a força sexual criadora. Essa força, não obstante, deve ser empregada em trabalho construtivo, mental ou físico, ou transmutada ao serviço amoroso e desinteressado aos outros. De outro modo causaria perturbação. Se permanecer meramente recalcada, produzirá, com o tempo, desordens e padecimentos mentais, emocionais e nervosos.
O ato de pensar é um processo muito complicado. Envolve, não somente o emprego do cérebro físico, mas, também, o do cérebro etérico, o Corpo de Desejos e a Mente. O processo é o seguinte: como Egos, funcionamos diretamente na Região do Pensamento Abstrato, dentro das nossas auras. Daqui, observamos as impressões lançadas pelo Mundo exterior sobre o Corpo Vital, por meio da cadeia de veículos e suas faculdades, chamados os cinco sentidos físicos.
Essas impressões, junto com os sentimentos, desejos e emoções por elas gerados no Corpo de Desejos, são imaginadas na Mente. Dessas imagens mentais, formamos nossas conclusões acerca das coisas observadas. Tais conclusões são as Ideias.
Pelo poder da vontade, nós, como Egos, projetamos uma ideia através da Mente. Aí, toma forma concreta, como pensamento-forma, ao atrair ao seu redor matéria mental da Região do Pensamento Concreto. O pensamento é o poder que usamos para fazer imagens e pensamentos-formas, de acordo com as ideias interiores. O pensamento-forma, em geral, envolve-se em matéria de desejo, obtida do Corpo de Desejos, recebendo um influxo de vida. Este pensamento-forma composto fica, então, capaz de agir sobre o cérebro etérico, impulsionando a força vital através dos centros cerebrais e dos nervos, levando-a até aos músculos voluntários, para gerar a ação. Por conseguinte, o pensamento é a mola real de toda a atividade humana.
Os efeitos do temor e de inquietação sobre o Corpo de Desejos são muito prejudiciais para nosso desenvolvimento anímico. Na inquietação, as correntes de desejo não se desenvolvem em grandes linhas curvas, tal como se realiza em condições normais, mas enchem o Corpo de Desejos de redemoinhos, e só redemoinhos, em casos extremos. Esta última condição impede a pessoa de tomar uma resolução que poderia corrigir a causa de seu temor e de sua inquietude. Tal estado pode se comparar ao da água a ponto de congelar-se, sob a ação de uma temperatura muito baixa. O temor, que se expressa em ceticismo, cinismo e pessimismo, pode comparar-se à água, quando congelada, porque os Corpo de Desejos das pessoas, que habitualmente abrigam esses pensamentos, estão imóveis e nada pode alguém fazer, ou dizer, que possa alterar essa condição.
Cada vez que alguém abriga um desses pensamentos, ajuda a congelar as correntes do Corpo de Desejos e a formar uma armadura azul-acinzentada, em que se encerra, privando-se, muitas vezes, do amor e da simpatia de todo mundo.
Daí, vem a necessidade de nos esforçarmos para sermos alegres e otimistas, mesmo em circunstâncias adversas, sob pena de criarmos severas condições no futuro.
A Mente Subconsciente é fator muito importante no nosso desenvolvimento. Em cada respiração, o ar que inspiramos leva consigo um exato e detalhado quadro do que nos rodeia. O mais ligeiro sentimento, ou emoção, é transmitido aos pulmões, donde passa ao sangue. O sangue é o mais elevado produto do Corpo Vital. Os quadros nele contidos imprimem-se nos átomos negativos do Corpo Vital, para servirem como árbitros do nosso destino, no estado post-mortem. Quando uma pessoa cria um pensamento-forma, de natureza construtiva ou destrutiva, e projeta-o no mundo, efetua o seu trabalho, de acordo com a sua natureza, ou, então, gasta inutilmente sua energia em vã tentativa. Em qualquer dos casos, retorna ao seu criador, trazendo consigo a indelével recordação da viagem. Seu êxito, ou fracasso, imprime-se nos átomos do Éter Refletor e forma parte do arquivo da vida e ação do pensador, arquivo que, por vezes, chamamos Mente Subconsciente.
O pensamento destrói tecidos no Corpo Denso. É bem sabido, pela Ciência, que os pensamentos negativos, destrutivos, tais como medo, angústia, sexualidade e sensualidade, destroem o poder de resistência do Corpo Denso, expondo-o a doenças e enfermidades. Uma pessoa de natureza boa e jovial, ou devotadamente religiosa, que tem fé e confia na providência divina, não cria, com frequência, pensamentos negativos. Como resultado, possui uma vitalidade maior e melhor saúde do que as sujeitas à inquietude. Por meio de pensamentos de amor, benevolência e bondade, despertando qualidades semelhantes nos outros, atraímos pessoas que possuem as ditas qualidades.
Esse sutil e potente poder do pensamento pode ser empregado, também, para curar as doenças e enfermidades. Por outra parte, por meio do pensamento abstrato, estamos capacitados a nos elevar do Mundo material e a entrar em contato com Deus.
Se emitimos pensamentos de otimismo, de bondade, de benevolência, de utilidade e de serviço, esses pensamentos, gradualmente, colorirão a nossa atmosfera, de tal modo que chegará a expressar fielmente essas qualidades e virtudes. E, como nossos Corpos são constituídos por nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana, manifestado aqui), eles se tornam a expressão da nossa atitude mental.
Nossos pensamentos reagem sobre o nosso Corpo Denso e sobre o nosso meio ambiente, trazendo-nos saúde e bem-estar material.
Isso ilustra o poder criador do pensamento. É um meio de provar a verdade proferida por Cristo: “Se procuramos o Reino de Deus e sua justiça, todas as demais coisas serão acrescentadas” (Mt 6:33).
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de janeiro/1975-Fraternidade Rosacruz-SP)
Resposta: Azul é a cor de Deus-Pai, que reina sobre todo o universo continuamente, desde o início até o fim da manifestação, onipresente em tudo o que vive, respira e tem existência própria. Vermelho ou escarlate é a cor de Deus-Espírito Santo, que gera os seres viventes. Quando a Vida assume uma expressão errônea, se restringida por um código de leis, o Espírito Santo se torna Jeová, o Legislador. Amarelo é a cor de Deus-Filho, Cristo, o Senhor do Amor que por esse Princípio divino transcende a lei e nos leva novamente de volta, em contato direto e harmonia com Deus-Pai.
Assim, você verá que, sob o antigo regime, era impossível incluir o amarelo e tornar as três cores primárias como símbolo do Templo. Naquele momento, Deus-Pai e Jeová reinavam. O azul e o escarlate, Suas cores, figuravam no Templo, e a púrpura, que é a cor resultante da mistura das duas cores primárias mencionadas anteriormente, também lá estavam, mostrando não apenas sua existência separada como também a sua unidade. Por último, havia o espaço em branco, emblemático do fato de que ainda algo permanecia sem se manifestar, e esse algo era a terceira cor, a amarela.
Desde o tempo de Cristo, a verdadeira Escola de Mistérios Ocidentais, a Ordem Rosacruz, têm como seu emblema as Rosas Vermelhas, símbolo da purificação da natureza de desejos; a estrela dourada, mostrando que Cristo nasce dentro do discípulo e irradia de suas cinco pontas, que representam a cabeça e os quatro membros. Isto se reflete no fundo azul, símbolo do Pai. Assim, demonstra-se que a manifestação de Deus, a unidade na Trindade, foi realizada.
Muitas vezes pensei que faltava alguma coisa na literatura da Fraternidade Rosacruz, ou seja, um livro devocional, e milhares dos nossos Estudantes Rosacruzes provavelmente sentiram o mesmo. Para suprir essa lacuna, muitos recorreram a livros de origem oriental, o que é uma prática desaconselhável e muito ruim. Há muitas vidas, quando nós, do Mundo ocidental, estávamos renascidos em Corpos orientais, numa época em que não havia o Mundo ocidental tal como o conhecemos hoje, essa espécie de coisas nos servia, mas atualmente já avançamos muito além e devemos, em vez disso, buscar orientação em nossos verdadeiros santos Cristãos no Caminho da Devoção. Meu livro de cabeceira especial tem sido A Imitação de Cristo de Thomas de Kempis. É realmente um livro maravilhoso. Não há uma só situação na vida que não encontre nele alguma referência adequada; e quanto mais o lemos, mais o admiramos. Você provavelmente sabe que os residentes em Mount Ecclesia se revezam, em ordem alfabética, nas leituras durante os ofícios dos Rituais do Serviço Devocional da manhã e da noite. Sempre que chega a minha vez, pego o livro de Thomas de Kempis e leio um capítulo, do começo ao fim. Depois, repetindo-o algumas vezes. Não há um único trecho cansativo em todo o livro, e seria muito proveitoso que os Estudantes Rosacruzes que sentem o desejo de algo que identifique sua devoção, escolherem essa pequena obra para leitura. Acredito que ele possa ser adquirido na maioria das livrarias do mundo.
(Pergunta nº 81 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)