O Monte Benson erguia-se como plano de fundo da cidade. Dois homens emergiram da densa floresta e escalaram o áspero cume cinzento. A vista compensava amplamente o esforço. A oeste, grupo após grupo de montanhas, todas cobertas de florestas e neve; a leste, as águas azuis do golfo e, além delas, os picos brancos e reluzentes da Cordilheira Costeira até onde a vista alcançava.
Os dois homens diferiam muito na aparência. Um era jovem e parecia representar bem um estudante despreocupado, desfrutando suas férias. O outro era idoso e seu semblante possuía uma expressão de calma reservada, como alguém que, moldado por eras de experiência, desenvolvera autocontrole e a sabedoria de encarar as tempestades da vida com serenidade.
O jovem, encostado em uma enorme rocha, começou a comer uma refeição simples e retomou uma conversa já iniciada.
— Bem, Peredur, agora que estamos descansando podemos conversar enquanto apreciamos a paisagem. Veja como aquelas nuvens atravessam o vale. Mas me diga: você realmente valoriza o estudo da Astrologia Rosacruz? Não compreendo bem a sua afirmação de que cada Aspecto de um horóscopo seja apenas um símbolo abstrato que possa ser interpretado através de uma enorme variedade de experiências concretas, embora seja, em si, uma generalização de muitas experiências de vidas passadas. Poderia ilustrar isso com um exemplo real? Ontem à noite você mencionou alguns horóscopos que tinham Saturno em Câncer, em Quadratura com Júpiter. Pode explicar esse símbolo concretamente?
— Sim, Gareth. Coincidentemente, você escolheu um símbolo que aparece em meu próprio horóscopo, causando-me muitas lutas amargas, mas que acabou me conduzindo ao estudo, à experimentação e, finalmente, à vitória.
— Às vezes nos dizem que todo Aspecto adverso, no fim, produz algum bem. No meu caso, Saturno em Câncer me ensinou uma lição inestimável: a causa das doenças mais comuns e mortais da atualidade e como remover essa causa. Como estudante de medicina, você certamente observou a prevalência quase universal das doenças catarrais. A que causas você as atribui?
— Não a uma única, mas a muitas: hereditariedade, contágio, vitalidade reduzida, falta de higiene, superlotação, exposição ao frio…
— Acredita então que as doenças catarrais possuem uma causa básica ou única? O que isso tem a ver com a Astrologia Rosacruz?
— Devagar, jovem. Primeiro, você admite que resfriados, tosses, bronquites, influenza, gripe, pneumonia, pleurisia, tuberculose, amigdalite, sem mencionar sarampo, caxumba e várias outras, são doenças catarrais com sintomas fundamentais que são semelhantes?
— É uma afirmação ousada; mas, sim, fundamentalmente apresentam sintomas parecidos.
— Anos de estudar me convenceram de que a causa básica de todas as doenças catarrais pode ser até o excesso de carboidratos no organismo; isto é, amidos e açúcares. Em outras palavras, consumir mais alimento combustível do que o corpo necessita ou consegue converter em calor e energia.
— Mas certamente pés molhados ou exposição ao frio causam resfriados.
— Pelo contrário. Em uma pessoa saudável, essa exposição pode produzir apenas uma reação revigorante, uma sensação de saúde e vitalidade.
Você sabe o que é uma solução saturada de açúcar. Em determinada temperatura, certa quantidade de água consegue manter uma quantidade específica de açúcar dissolvida. Mas o que acontece quando uma solução saturada é resfriada repentinamente?
— A temperaturas menores, menos açúcar pode permanecer dissolvido. Parte dele é precipitada.
— Exatamente. Observe também as geleias. Mistura-se água fervente e açúcar, formando uma solução líquida. Quando esfria, ela endurece. Se houver açúcar em excesso, forma-se uma camada cristalizada na superfície.
Agora considere o sangue e os tecidos do corpo. Quando estão sobrecarregados de amido ou açúcar dissolvidos, pés molhados ou uma queda brusca de temperatura, provocam a precipitação do excesso de carboidratos na forma de abundante secreção mucosa.
Todas as doenças catarrais podem ser simplesmente essa precipitação de material excedente: um esforço do organismo para se livrar de substâncias desnecessárias que o obstruem em vez de beneficiá-lo.
Peredur então relata suas próprias experiências. Ele explica que possuía Saturno em Câncer, configuração que normalmente indica problemas gástricos associados ao excesso alimentar. Durante anos alternou períodos de grande moderação com períodos de excesso, especialmente de doces e alimentos ricos em amido.
Depois informou que, quando consumia muitos açúcares e amidos, ganhava peso, tornando-se menos ativo e mais lento; além disso, sofria frequentemente de secreções nasais e resfriados. Por outro lado, quando reduzia drasticamente os carboidratos, permanecia magro, forte e ativo, não apresentando os sintomas catarrais.
Decidiu então realizar experiências consigo mesmo. Durante um inverno rigoroso, sua dieta consistiu principalmente de leite, ovos, queijo, vegetais (exceto batatas), frutas (exceto tâmaras), e pequenas quantidades de gordura. Caminhava diariamente vários quilômetros sob qualquer clima, muitas vezes permanecendo com as roupas molhadas.
Apesar de cuidar de pessoas gripadas e de se expor constantemente ao frio, não desenvolveu qualquer sintoma catarral. Posteriormente fez o experimento contrário: reduziu exercícios; aumentou farinha branca, doces e produtos ricos em amido.
Segundo seu relato, em apenas um mês ganhou peso, desenvolveu secreção nasal, tornou-se mais suscetível a resfriados. Com base nessas observações concluiu que o catarro fosse consequência direta do excesso de amido e açúcar.
Quando Gareth questiona o papel dos germes, Peredur responde: — Nunca! Um organismo saudável pode rir dos germes. Porém, quando o corpo está congestionado por resíduos em decomposição e material catarral viscoso, os germes encontram um terreno favorável.
Mais adiante, Peredur amplia sua teoria. Segundo ele, a Humanidade superou parcialmente a escravidão às bebidas alcoólicas, mas substituiu esse vício por outro: o excesso de amidos e açúcares.
Ele argumenta que bebidas alcoólicas resultam da fermentação de amidos e açúcares, muitas pessoas abandonaram a embriaguez alcoólica, porém passaram a praticar uma espécie de “autointoxicação” através da gula por doces e farináceos. Ele considera as doenças catarrais uma manifestação dessa nova forma de intoxicação.
No final do diálogo, Peredur critica a medicina da época, afirmando que medicamentos, vacinas, soros, e cirurgias não atacavam a verdadeira causa da doença. Para ele, a solução consistiria em reduzir o consumo de amidos e açúcares, aumentar o exercício físico, melhorar a oxidação dos tecidos e desenvolver autocontrole alimentar. Essa é a parte que a pessoa doente ou enferma tem que fazer com o seu Corpo Denso. Senão, de nada adianta buscar a Cura Rosacruz!
O diálogo encerra-se quando os dois homens deixam a montanha e iniciam a caminhada de volta à cidade.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de agosto de 1920 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)
SP)
Um dos traços de união entre os Estudantes Rosacruzes é o desejo comum de ajudar o próximo. Um dos principais motivos de nossas Reuniões de Estudos é orar pelos necessitados e tentarmos, seriamente, seguir a advertência de Cristo para orarmos uns pelos outros. Os Rituais dos Serviços Devocionais que oficiamos têm esse conteúdo!
Há pessoas, porém, que sentem que suas preces não estão “produzindo resultados”; que não podem ajudar um ente querido necessitado, que compreendem o problema alheio, mas estão incapacitados de ajudar a resolvê-lo. Podem sentir também que existem condições além de sua capacidade, chegam a pensar que são dignos de pedir, quanto mais de receber a resposta tão esperada às suas preces. Percebem que suas preces não estão sendo respondidas como esperavam. Se alguém já passou por alguma destas experiências há sugestões que podem ser úteis.
Primeiro, vamos tentar definir a palavra “prece”. Basicamente prece é:
A oração mais conhecida no mundo Cristão é a Oração do Senhor (Pai-Nosso). Aprendemos na Fraternidade Rosacruz a mais sublime explicação para essas santas palavras. Esta prece foi ensinada por Cristo Jesus aos Apóstolos, para ser usada em benefício deles próprios, mas é usada por todos e, também, pelos Estudantes Rosacruzes como uma fórmula científica (porque é uma oração científica!) para a elevação e purificação dos Corpos e veículos que possuímos.
Usando o capítulo 17 do Evangelho Segundo de S. João[1] como base para fazer com que nossas preces se tornem mais eficientes, devemos ressaltar dez pontos:
1) Algumas pessoas que rezam fracassam porque são egoístas. Os 26 versículos deste capítulo podem ser divididos em 3 partes: os primeiros oito versículos constituem a prece de Cristo Jesus para Ele mesmo; os versículos 9 a19 são a Sua prece para Seus Discípulos; e os versículos 20 a 26 são para aqueles que irão acreditar n’Ele mais tarde – o que nos inclui.
Na primeira parte, Cristo Jesus estava rezando não só para Ele próprio, como também para a glorificação de Deus-Pai. “glorifica teu Filho, para que teu Filho te glorifique”. “Eu te glorifiquei na Terra e terminando a obra que me deste para fazer”. Ele não procurou glória para Si, mas apenas que o Pai pudesse ser glorificado e Sua verdadeira essência revelada.
Ao orar pelos outros devemos ficar atentos para não glorificarmos a nós mesmos e a nossos desejos. Ocasionalmente podemos não nos aperceber de que nos tornamos ditadores ao procurar impor nossa vontade pessoal ou ao tentar forçar alguém a aceitar modelos pré-concebidos. Talvez estejamos rezando: “Faça-o enxergar as coisas do meu modo”, ao invés de: “Ajuda-me a encontrar a melhor solução”, ou: “Faze com que a luz da verdade ilumine sua Mente”, ou simplesmente: “Tuas vontades serão feitas, Pai”.
É fácil desviar as preces que fazemos para os outros, de modo a satisfazer o que nós queremos para eles ou pensamos que eles deveriam querer ou ter. É uma cilada contra a qual precisamos estar sempre de prontidão, especialmente quando se trata de pessoas muito chegadas a nós. Pode não ser difícil parecer que estamos conformados quando pedimos por aqueles que estão longe e não são tão íntimos, mas para aqueles com quem temos uma relação mais chegada, é muito difícil nos desvencilharmos do nosso Ego e tentarmos rezar para o bem dessa pessoa entregando-a a Deus, mesmo que seja contra o que gostaríamos que acontecesse. Portanto, se nossas preces parecem não produzir resultados, vamos examinar nossos motivos e talvez aí encontremos a razão para o fracasso.
2)Devemos sempre reconhecer a qualidade da liberdade no amor Crístico, mesmo quando vemos que alguém está cometendo o que consideramos um grande erro. Devemos dar liberdade a esta pessoa para que se desenvolva a sua maneira. Talvez vejamos alguém muito querido ou querida deixando-se levar para uma situação que sabemos irá causar-lhe sofrimento e queremos evitar que isto aconteça e que a pessoa sofra.
Porém, talvez, seja preciso, para que a pessoa aprenda experimentar certas provações e aflições, a fim de receber uma lição necessária. Talvez o engrandecimento da alma venha através desta experiência porque, infelizmente, aprendemos muito mais com nossas próprias experiências do que com conselhos.
Quando bebês, ao aprendermos a andar, tivemos muitas quedas. Se nossas mães nos tivessem carregado sempre em seus braços, certamente não teríamos tido tantas quedas, manchas roxas e choros, mas também não teríamos aprendido a andar. A mãe carinhosa, certamente quer proteger seu filho de quedas físicas, emocionais e espirituais, mas somente experimentando algumas dessas quedas e por meio da liberdade do poder tentar, acertar e fracassar sozinhos é que aprendemos a andar retos, tanto fisicamente como de outras maneiras.
Cristo Jesus nos ensinou: “Não te peço que os tires do mundo, mas que os guardes do maligno“[2]. Ele não rezou para que Seus queridos Apóstolos fossem tirados do mundo, mundo este cheio de desafios, provocações, frustrações e conflitos, mas que eles fossem protegidos do mal. Devemos deixar nossos entes queridos livres para encontrar o bem supremo, da maneira que for melhor para eles. Podemos rezar para que Cristo os conduza nos caminhos da honradez e probidade. O Cristo Interno deve reconhecer o Cristo daquele por quem rezamos e dar-lhe liberdade individual para fazer sua própria escolha.
3)Não devemos jamais implorar ou suplicar. Implorar supõe que estamos tentando superar uma relutância por parte de Deus. Não há necessidade de se implorar a Deus em nome de outra pessoa, uma vez que o seu bem-estar já é muito conhecido no coração de Deus-Pai.
Muitas referências nas Escrituras Sagradas afirmam esta verdade. “Nosso Pai conhece as coisas de que necessitamos, antes de as pedirmos” (Mt 6:8). “Não é da vontade do Pai que nós devamos morrer” (Mt 18:14). “É prazer do Pai dar-nos o Reino” (Lc 12:32). Podemos estar certos de que a vontade de Deus para nós é perfeição.
A prece de Cristo Jesus era: “Eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e para que o mundo reconheça que me enviaste e os amaste como amaste a mim“. Nossas preces não mudam o que Deus pensa sobre nós. Ele já nos determinou perfeição. Não temos que negociar com Deus. A prece não muda Deus e não O impele a fazer o que Ele não almeja para nós. A prece nos coloca num estado de receptividade do bem que Deus já planejou para nós. Portanto, ao invés de implorar e suplicar, vamos reivindicar o que há de bom, já estabelecido em espírito. Cristo Jesus corajosamente rezou para o Pai: “Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estou, também eles estejam comigo, para que contemplem minha glória, que me deste, porque me amaste antes da fundação do mundo.” (Jo 17:24).
4)Devemos confirmar a verdade na fé, confiança e na gratidão. Quando Cristo Jesus ressuscitou Lázaro, Ele disse com plena fé e confiança: “Pai, Eu Vos agradeço por me teres ouvido e sei que sempre me ouvis” (Jo 11:41).
Nas duas ocasiões quando alimentou as multidões, Ele primeiro agradeceu pela dádiva que foi dada, muito embora ainda não tivesse sido manifestada no plano exterior. Agradecendo desta maneira, demonstra fé, confiança e desperta estas qualidades em outros, que, por sua vez, se tornam melhores canais pelos quais Deus pode fazer Sua obra.
5)Não volte atrás em suas preces! É de pouca valia orar com palavras positivas se, continuamente, estamos projetando um quadro negativo na tela da nossa Mente. Se visualizarmos e, deste modo, enfatizamos a parte negativa ou condição que precisa ser eliminada, estamos desfazendo todo nosso trabalho de orar. Você se lembra da Parábola da Casa Vazia (ou dos maus espíritos)[3]? Depois de estar completamente limpa, ela permaneceu vazia; os maus espíritos voltaram e trouxeram sete vezes piores espíritos com eles. Ideias sombrias e pessimistas sobre quem oramos devem ser eliminadas de nossa casa de pensamentos. Inclinações duvidosas, temores e ansiedade devem ser varridos com fortaleza e na nossa Mente só devemos colocar pensamentos firmes e positivos.
6)Devemos imaginar os perfeitos resultados da oração. Nossa faculdade de imaginar desempenha um importante papel no que diz respeito a “chamar” as condições desejadas.
Se rezamos pela saúde de alguém, vamos imaginá-lo sempre com boa saúde. Se rezamos pela paz de espírito, harmonia ou qualquer outra condição desejada, vamos imaginá-lo já gozando deste estado de espírito. “Está decidido: tu manterás a paz, sim, a paz, porque a ti foi ela confiada.” (Is 26:3). Fixando nossa atenção em Deus e na sua bondade, fortalecemos Sua presença e atividade.
Ao visualizarmos alguém circundado pela Luz de Cristo, estamos protegendo-o do mal e ajudando a antecipar a cura, seja de doenças ou enfermidades física, emocionais ou mentais. Desta maneira nos tornamos co-criadores com Deus e ajudamos a estabelecer o Reino dos Céus na Terra.
7)Não devemos colocar limites nas nossas preces ou orações. Com Deus nada é impossível; não há limitações em Deus. “Se me pedirdes algo em meu nome, eu o farei.” (Jo 14:14).
Cristo Jesus nos ensinou: “Não tenhais medo, pequenino rebanho, pois foi do agrado do vosso Pai dar-vos o Reino!” (Lc 12:32). O desejo do Pai para conosco é o bem, nada a não ser o bem, de maneira que devemos ficar receptivos e abertos para todo o bem que o Pai tem reservado para nós. Poderá vir em bênçãos como um aguaceiro derramado das janelas do Céu.
8)A qualidade sentida, presente, de agora é eficiente na oração. A manifestação da resposta perfeita de Deus é possível agora mesmo, se houver fé e compreensão suficientes para chamá-la. “Acontecerá então que antes de me invocarem, eu já lhes terei respondido” (Is 65:24).
Deus está aqui, agora, e basta invocar Seu Amor e Poder de maneira correta, para recebermos respostas completas e perfeitas.
9)Devemos dar à oração um profundo sentido de alegria. “Agora, porém, vou para junto de ti e digo isso no mundo, a fim de que tenham em si minha plena alegria.” (Jo 17:13).
Se estamos cientes da presença e poder de Deus, como Cristo Jesus estava, não deixaremos de ser agraciados com a felicidade.
A oração verdadeira é alegre, porque reflete a convicção que Deus está no comando de Seu mundo e que tudo está na ordem divina, apesar de toda a aparência em contrário.
10)Nossas Mentes e nossos Corpos devem estar limpos e puros. No Ritual do Serviço Devocional de Cura da Fraternidade Rosacruz encontramos estas palavras: “Se desejamos ser verdadeiros auxiliares no trabalho iniciado pelos Irmãos Maiores devemos converter nossos Corpos em instrumentos adequados e purificá-los por meio de uma vida pura, pois num vaso sujo não pode haver água pura e saudável, nem pode uma lente manchada dar uma imagem nítida. Também, não é possível irradiarmos uma força curadora pura e forte, se não mantivermos limpos e puros os nossos Corpos e as nossas Mentes.”.
Nem o puro e forte Poder de Cura pode ser emanado daqui a não ser que mantenhamos nossas Mentes e nossos Corpos limpos e puros. Quando Cristo Jesus subiu o Monte da Transfiguração, Ele levou consigo três de Seus Discípulos: S. Pedro, S. Tiago e S. João.
Enquanto estavam com Ele, os demais Discípulos foram abordados por um homem que pedia a cura de seu filho, possuído pelos maus espíritos. Eles tentaram, mas não conseguiram a cura. Quando Cristo Jesus, acompanhado de S. Pedro, S. Tiago e S. João retomou e curou o menino imediatamente.
Os Discípulos, desanimados pela inabilidade em demonstrar o poder da cura que Cristo Jesus havia ensinado, perguntaram o porquê. Sua resposta foi: “Este tipo de cura só acontece com prece e abstinência”. Que outra manifestação mais clara precisamos ter para nos certificarmos da necessidade de purificar os nossos Corpos e as nossas Mentes?
Devemos nos alimentar com pensamentos saudáveis e puros. Não podemos deixar nossas Mentes se fortalecerem com pensamentos negativos, nem permitir que sentimentos desta natureza nos guiem.
Assim como seguimos instruções de nossos Irmãos Maiores para um regime vegetariano, a fim de conservarmos nossos Corpos puros, vamos prestar atenção no que S. Paulo nos ensinou sobre a purificação da Mente: “Quanto aos mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é santo, tudo o que é amável, tudo o que é de bom nome, qualquer virtude, qualquer coisa digna de louvor da disciplina, seja isto objeto dos vossos pensamentos” (Fp 4:8).
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – fevereiro/1981 – Fraternidade Rosacruz – SP)
[1] N.T.: 1Assim falou Cristo Jesus, e, erguendo os olhos ao céu, disse: “Pai, chegou a hora: glorifica teu Filho, para que teu Filho te glorifique, 2e que, pelo poder que lhe deste sobre toda carne, ele dê a vida eterna a todos os que lhe deste! 3Ora, a vida eterna é esta: que eles te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e aquele que enviaste, Cristo Jesus. 4Eu te glorifiquei na terra, concluí a obra que me encarregaste de realizar. 5E agora, glorifica-me, Pai, junto de ti, com a glória que eu tinha junto de Ti antes que o mundo existisse. 6Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste. Eram teus e os deste a mim e eles guardaram a tua palavra. 7Agora reconheceram que tudo quanto me deste vem de ti, 8porque as palavras que me deste eu as dei a eles, e eles as acolheram e reconheceram verdadeiramente que saí de junto de ti e creram que me enviaste. 9Por eles eu rogo; não rogo pelo mundo, mas pelos que me deste, porque são teus, 10e tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu, e neles sou glorificado. 11Já não estou no mundo; mas eles permanecem no mundo e eu volto a ti. Pai santo, guarda-os em teu nome que me deste, para que sejam um como nós. 12Quando eu estava com eles, eu os guardava em teu nome que me deste; guardei-os e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para cumprir-se a Escritura. 13Agora, porém, vou para junto de ti e digo isso no mundo, a fim de que tenham em si minha plena alegria. 14Eu lhes dei a tua palavra, mas o mundo os odiou, porque não são do mundo, como eu não sou do mundo. 15Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno. 16Eles não são do mundo como eu não sou do mundo. 17Santifica-os na verdade; a tua palavra é verdade. 18Como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. 19E, por eles, a mim mesmo me santifico, para que sejam santificados na verdade. 20Não rogo somente por eles, mas pelos que, por meio de sua palavra, crerão em mim:21a fim de que todos sejam um. Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. 22Eu lhes dei a glória que me deste para que sejam um, como nós somos um: 23Eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e para que o mundo reconheça que me enviaste e os amaste como amaste a mim. 24Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estou, também eles estejam comigo, para que contemplem minha glória, que me deste, porque me amaste antes da fundação do mundo. 25Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu te conheci e estes reconheceram que tu me enviaste. 26Eu lhes dei a conhecer o teu nome e lhes darei a conhecê-lo, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles e eu neles”.
[2] N.T.: Jo 17:15
[3] N.T.: 43Quando o espírito impuro sai do homem, perambula por lugares áridos, procurando repouso, mas não o encontra. 44Então diz: ‘Voltarei para a minha casa, de onde saí’. Chegando lá, encontra-a desocupada, varrida e arrumada. 45Diante disso, vai e toma consigo outros sete espíritos piores do que ele, e vêm habitar aí. E, com isso, a condição final daquele homem torna-se pior do que antes. Eis o que vai acontecer a esta geração má.” (Mt 12:43-45). 24Quando o espírito impuro sai do homem, perambula em lugares áridos, procurando repouso, mas não o encontrando, diz: ‘Voltarei para minha casa, de onde saí’. 25Chegando lá, encontra-a varrida e arrumada. 26Diante disso, vai e toma outros sete espíritos piores do que ele, os quais vêm habitar aí. E com isso a condição final daquele homem torna-se pior do que antes”. (Lc 11-24-26)
A Ordem Rosacruz foi fundada especialmente para aqueles que possuidores de um alto grau de desenvolvimento intelectual, deixam de lado os reclamos (as queixas) do coração. Todo homem ou mulher que tenha sido abençoado com uma Mente investigadora, é de suprema importância receber toda informação que queira. Dessa forma aquietando a cabeça, o coração poderá falar.
Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que “o conhecimento intelectual é apenas um meio, não um fim em si mesmo. Daí o propósito da Ordem Rosacruz, antes de mais nada, satisfazer o Aspirante por meio do conhecimento de que tudo no Universo é razoável, o que poderá resultar num controle sobre o rebelde intelecto“.
E, também, aprendemos como se deve comportar o Estudante Rosacruz, nesse caso, ou seja, “quando, dessa forma, o Aspirante cesse de criticar e admita, embora provisoriamente, como verdadeiras as afirmações que não podem ser de imediato comprovadas, somente então o seu Treinamento Esotérico Rosacruz poderá ser efetivo para o desenvolvimento das faculdades superiores”.
Cremos que essas advertências dos Ensinamentos Rosacruzes, algumas vezes, são passadas por alto, pois os Estudantes Rosacruzes se fascinam de tal modo com o método de desenvolvimento por meio do Conhecimento Direto, que se esquecem do “Magno Mistério” que a Fraternidade Rosacruz advoga: “Cristo não disse: ‘Bem fizeste, tu, grande e erudito filósofo que conheces a Bíblia, a Cabala, toda Filosofia Rosacruz e toda a literatura misteriosa que revela as intrincadas operações da Natureza’; mas Ele disse sim: ‘Bem fizestes tu bom e fiel servo, entra no gozo de Teu Senhor… Porque tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber’ (Mt 25:35). Perceba: não notamos uma só palavra acerca de conhecimentos.
Em várias outras ocasiões somos advertidos que não devemos olhar o próximo “por cima dos ombros”, já que aquele que, devido ao seu pouco preparo intelectual serve, simples e humildemente, ou seja, pode compensar com amor àquela carência. Esses irmãos e irmãs são ativos servindo.
São os atos, as ações e obras de amor Crístico e bondade verdadeira que constroem o Corpo-Alma. O conhecimento é bom quando usado e compartilhado para benefício do próximo, pois quando conservamos para nós mesmos, nos colocamos novamente em tonalidade com o egoísmo, fomentado pelos Espíritos Lucíferos que instigam toda a classe de atividade mental concreta (contaminada pelo Corpo de Desejos), com a finalidade de obterem conhecimento, à medida que o obtemos. Entretanto, canalizando todo conhecimento que obtivermos para edificação de nossos irmãos e das nossas irmãs, transformamos uma armadilha mortal em uma sublime benção.
Aqueles que trabalham e servem aos demais do modo como ensinado pela Fraternidade Rosacruz: amorosa e desinteressadamente, o mais anônimo que puder, esquecendo os defeitos do irmão e da irmã que está servindo, focando toda a sua atenção na Divina Essência que está oculta em cada um de nós e que, portanto, é a base da Fraternidade, então não necessitam que sejam impulsionados para a prática de boas ações, obras e bons atos. Necessitando-se de um estímulo extra se têm maior responsabilidade! Assim, se pergunte sempre: você está vivenciando esses Ensinamentos Rosacruzes?
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – janeiro/1980 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Este assunto interessa a toda pessoa que tenha experimentado a dor esmagadora de perder uma pessoa amada. Tais pessoas, eu espero, poderão derivar algum conforto das linhas seguintes, dadas por alguém que passou pelo Véu ainda jovem, deixando um marido devotado e seis filhos pequenos, lamentando sua perda. Talvez lhes interesse descrever meus próprios sentimentos e minhas próprias experiências em tal ocasião.
Quando eu estava morrendo após uma enfermidade de mais de dois anos, que agora sei ter sido preparação e início para o trabalho que eu estava prestes a iniciar nos planos invisíveis, não senti dor, apenas uma sensação de repouso bem-aventurado. De tempos em tempos rostos angelicais apareciam para mim e palavras encorajadoras eram dirigidas à minha audição interior: “coragem, querida, você está prestes a entrar em uma vida de grande felicidade e utilidade. Será seu trabalho especial cuidar espiritualmente de seus entes queridos, você que, por tanto tempo, esteve incapaz de fazer qualquer coisa por eles no plano físico”.
Meu querido bebê, ah!… Abandoná-lo foi uma dor e uma angústia que apenas as mães sabem o que é. Eu o vi como ele é agora, um amado trabalhador no campo das almas preparadas para a colheita. Também tive visões das vidas futuras dos meus outros e amados filhos. Tão misericordiosa é a boa Lei que os momentos finais de todos são suavizados e abençoados por ministradores, obra da qual agora tenho o privilégio de participar, sendo frequentemente enviada ao leito de uma mãe moribunda para tornar a transição aquilo que ela deveria ser: uma passagem alegre.
Continuando, a transição real para o outro mundo foi comparativamente fácil para alguém cujo corpo estava enfraquecido por longa enfermidade. Mas não é sempre assim; por exemplo, quando o corpo está em pleno vigor isso não acontece. O rompimento do Cordão Prateado que conecta os dois estados de consciência se torna, nesse caso, mais difícil.
Eu tive a sensação de estar afundando, caindo através do espaço; mas não de forma desagradável, não; foi uma sensação de pessoa muito cansada que busca algo sobre o qual repousar; então, subitamente, toda a fadiga desapareceu e eu estava jovem mais uma vez, cheia de vitalidade.
Ao abrir os olhos, eu vi meu querido marido curvado em tristeza ao lado do meu Corpo morto, que jazia sobre a cama. Coloquei meus braços ao redor dele e tentei de todas as maneiras fazê-lo sentir a minha presença, mas sem sucesso. Ele estava inconsciente de todos os meus esforços… Ah! Como desejei tê-lo comigo nesta nova e bela condição. Então ouvi uma voz: “Seja paciente, querida, ele estará com você muito em breve”.
Então tomei consciência de uma forma em pé ao nosso lado, que gentilmente me conduziu para uma vida gloriosa onde encontrei muitos entes queridos e dei boas-vindas às intimidades mais próximas e queridas que haviam sido inconscientemente desfrutadas ainda na vida terrena, durante as horas de sono.
Do que se seguiu não me é permitido falar; de fato, palavras não poderiam descrever nossa vida aqui com suas atividades complexas, amizades divinas e alegrias que apelam a muitos sentidos aos quais a audição e a visão terrenas estão fechadas.
Aqueles que amamos na Terra estão constantemente conosco e é nosso privilégio servi-los de muitas maneiras, enquanto eles permanecem totalmente inconscientes de estarem sendo ajudados. Tempo e espaço não existem aqui. Nossos Corpos-Alma são praticamente indestrutíveis, de modo que entramos à vontade em lugares que na vida terrena teriam destruído completamente o invólucro carnal: casas em chamas, locais onde haja terremotos, em naufrágios… Em qualquer lugar onde exista calamidades, muitos mensageiros correm à cena para preparar os moribundos e tornar seus últimos momentos pacíficos e felizes em meio à terrível confusão.
Algumas dessas cenas são fechadas para nós, como quando a paixão humana envolve dois seres em combate mortal. As formas de ira e ódio lançadas durante o conflito impedem nossa aproximação. E lugares de licenciosidade e luxúria geralmente nos são proibidos pela mesma razão. Seus terríveis pensamento-formas criam uma parede intransponível ao redor daqueles que gostaríamos de alcançar.
Na antiga Sodoma e Gomorra, as emanações justas de dez homens corretos poderiam ter criado um canal para o influxo do Divino, mas infelizmente não havia sequer dez para conter a maré da paixão humana em sua forma mais terrível. Agora, tendo descrito o que acontece na hora da morte aqui, no reino material, gostaria de indicar qual deveria ser a sua atitude e como você pode ajudar a pessoa querida que partiu, de modo que ela se alegre com a felicidade recém-descoberta.
O abandono prolongado à tristeza é prejudicial para todos e a alma desperta que percebe seu destino e o trabalho espiritual diante de si, após a primeira expressão natural do pesar, repousará na esperança que o conhecimento lhe proporciona. Seu pensamento sobre o falecido ou a falecida será constante. Não uma vez, mas muitas no dia os seus pensamentos se tornarão canais para amor e encorajamento vindos de outras esferas, pensamentos aos quais sua alma responderá, por mais inconsciente que o cérebro físico possa estar.
À noite, quando a pessoa querida que ficou aqui adormecer, seu último pensamento será sobre a pessoa amada que se foi, que estenderá sua mão do Além e tomará a mão da pessoa querida que ficou aqui pela sua para vagar entre cenas de beleza tremenda, em comunhão mais doce e querida do que jamais desfrutaram antes; e a pessoa querida que ficou aqui despertará profundamente confortada e talvez um pouco envergonhada de ter sido consolada tão cedo, completamente inconsciente da deliciosa companhia que desfrutou tão recentemente.
Verdadeiramente, seus entes queridos que morreram podem ser verdadeiros “tesouros no Céu”. Você não perdeu, mas ganhou com sua transição. Seu querido ente pode estar com você a qualquer momento do dia. À noite, se desejar, você pode discutir problemas terrenos e ser ajudado para ganhar mais desenvolvimento de alma e poder espiritual pela comunhão com as grandes almas daqui; cuja alegria é ainda servir à Humanidade com poderes ampliados e realização mais seguras.
Toda faculdade desenvolvida na Terra é intensificada e fortalecida nos Céus. Você é músico ou artista? Seus talentos são cem vezes mais agradáveis aqui do que na Terra. Ou talvez tais talentos sejam limitados em seu caso, mas você possui a flor mais rara de um coração amoroso. Cada fio de amor que o liga na Terra aos entes próximos e queridos é um poderoso cabo ao nosso lado, um meio de cura e bênção do qual será sua alegria constante fazer uso.
Quando vemos uma pessoa que está muito próxima da morte, tendo se aproximado do fim da sua experiência terrena, tentamos prepará-la para a transição através da sugestão de pensamentos sobre a nova vida na qual está prestes a entrar. Às vezes, isso é muito difícil porque não podemos dominar a sua Mente, embora pudéssemos, naturalmente, fazê-lo com facilidade; mas isso não afetaria seu verdadeiro “eu”, o Eu Superior ou Ego. Simplesmente lhe dizemos o que está na iminência de acontecer e o deixamos usar a sugestão.
Os numerosos e variados casos de premonições são derivados de esforços de mensageiros que estão nos Céus para impressionar a pessoa que está próxima a começar mais uma vida celeste, seja por visão, sonho ou qualquer meio disponível ao Auxiliar Invisível (invisível à visão física, mas não à etérica!), de modo que ela não fique totalmente despreparada. Às vezes alguém na vida terrena é inconscientemente empregado. Ele vai até a pessoa e, enquanto estão juntos, o Auxiliar Invisível a usa como elo de ligação e “alma fala com alma”.
Para os totalmente despreparados, os primeiros estágios da vida pós-morte são uma experiência terrível, porque a vida celeste é muito diferente da que temos aqui, no plano material. Quando uma pessoa não teve pensamentos além das coisas materiais (ou seja: da Região Química do Mundo Físico), é necessário muito tempo para se acostumar com a novas condições; ela frequentemente se sente desconfortável, infeliz.
Felizmente, existem grupos de Egos cuja província especial é cuidar dessas almas e gradualmente despertar seus sentidos para as alegrias que as aguardam, apenas temporariamente afastadas delas por sua própria atitude. Também existem muitas mulheres bondosas que se deleitam em cuidar dos pequeninos que chegam às vezes ainda na infância. Bebês e crianças pequenas respondem rapidamente ao novo ambiente, tendo deixado tão recentemente os Céus para ir ao Mundo material, e entram na antiga vida com renovado entusiasmo.
Naturalmente, cada alma faz seu próprio céu pelo poder do amor e poucos são aqueles que não construíram aqui uma morada através dos laços de amor da Terra. Frequentemente os criminosos mais terríveis são maridos e pais afetuosos. Todos nós somos capazes de fazer muito pela pessoa na proximidade da morte. Podemos encontrar seus parentes deste lado, que frequentemente desconhecem sua condição; eles então o recebem na última hora.
A visão espiritual se torna muito aguçada quando a chama da vida física arde fracamente e é muito fácil impressionar a pessoa moribunda nesses momentos. Alguns de nós podem permanecem, por algum tempo, para fazer o possível pelos aflitos deixados para trás. Não é permitido erguer o véu plenamente, pois conhecer totalmente aquilo que os aguarda seria um triste prejuízo para sua vida atual, devido às experiências necessárias das quais são construídas a fé, o amor e a confiança como faculdades a serem trazidas para cá.
Agradeçam a Deus por suas tristezas, decepções ou tragédias: são construtoras de caráter! As aspirações em direção ao nosso mundo, resultantes de tais experiências, moldam a morada da alma e a felicidade do futuro.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – setembro/1920, traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
Julho de 1915
Ao reler a lição mensal que acompanha essa carta – a qual sintetiza o resultado de investigações realizadas há algum tempo –, fui novamente impactado, e com redobrada intensidade, pelo fato de existirem ao nosso redor condições tão terríveis. Neste momento, em que os horrores da grande guerra[1] aumentam, em proporções sem precedentes, o número daqueles que transitam deste mundo para os Mundos invisíveis sob condições angustiantes, parece que um esforço adicional deveria ser empreendido para contrabalançar e minimizar esse mal. A Fraternidade Rosacruz é, ainda, apenas uma gota no oceano da Humanidade; contudo, se fizermos a nossa parte, conquistaremos uma oportunidade maior de servir.
Não há remédio para as condições atuais que se equipare ao conhecimento da continuidade da vida e do fato de que renascemos periodicamente sob a imutável Lei de Causa e Efeito. Se esses grandes fatos, com tudo o que implicam, pudessem ser transmitidos de forma convincente a um grande número de pessoas, esse fermento acabaria por atuar de tal maneira que transformaria as condições em todo o mundo. Um único homem, Galileu[2], mudou a perspectiva mundial sobre o Sistema Solar e, embora sejamos apenas alguns milhares, não seria possível exercermos influência sobre a opinião pública mundial, visto que sabemos ser isso a verdade?
Costuma-se dizer que as pessoas não se interessam por assuntos espirituais, que não se consegue a atenção delas; mas, na realidade, não é bem assim. Notem o caso de centenas de milhares de pessoas que foram ouvir Billy Sunday[3], o notável evangelista: muitas tenham sido movidas pela curiosidade ou ido para zombar e escarnecer, havia também milhares delas que nutriam um forte desejo por algo que talvez nem soubessem definir, mas que constituía a verdadeira motivação. Recentemente, houve um debate entre um evangelista de Nova York e um advogado sobre o tema: “Onde Estão os Mortos?”. Esse debate ocorreu em um grande auditório, com capacidade para milhares de pessoas, e estendeu-se por três dias. Todos os assentos estavam ocupados e, se bem me lembro, houve muitas pessoas que nem sequer conseguiram encontrar lugar para ficar de pé no recinto. Não; o mundo busca algo – busca-o com um coração faminto –, e cabe apenas a nós fazer a nossa parte, apresentando ao mundo a explicação racional da vida que nos chegou por meio dos Irmãos Maiores. É um grande privilégio, e certamente devemos aproveitá-lo.
Mas a questão é: como? Permita-me perguntar: o seu jornal não aceitaria publicar, ocasionalmente, um artigo sobre este assunto? Certamente há, na Fraternidade Rosacruz, várias pessoas capazes de escrever tais artigos. Poderia ser formado um comitê para receber os artigos e fornecê-los aos membros que os solicitassem — membros que concordassem em levá-los aos editores dos jornais de suas respectivas cidades e em procurar divulgar os Ensinamentos Rosacruzes por esse meio. Se um artigo for bem escrito, raramente é recusado quando há espaço disponível; afinal, os editores ficam muito satisfeitos em obter algo que julguem poder interessar ao público leitor, mesmo que eles próprios não simpatizem com o conteúdo.
Poderiam alguns dos Estudantes Rosacruzes, que sabem escrever bem, enviar pequenos artigos sobre “A Continuidade da Vida”? E aqueles que estiverem dispostos a providenciar a publicação desses artigos nos jornais de suas localidades poderiam escrever e registrar seus nomes, para que possamos dar andamento à iniciativa? Enviem suas comunicações sobre este assunto ao “Departamento de Publicidade”, em Mt. Ecclesia.
Espero que este apelo receba uma resposta entusiástica.
(Carta nº 56 do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Refere-se à Primeira Guerra Mundial
[2] N.T.: Galileo di Vincenzo Bonaulti de Galilei (1564-1642), mais conhecido como Galileu Galilei, foi um astrônomo, físico e engenheiro florentino, às vezes descrito como polímata. Frequentemente é referenciado como “pai da astronomia observacional”, “pai da física moderna”, “pai do método científico” e “pai da ciência moderna”.
[3] N.T.: William Ashley Sunday (1862-1935) era um atleta americano que, depois de ser um popular defensor da Liga Nacional de beisebol durante a década de 1880, se tornou o evangelista americano mais célebre e influente durante as duas primeiras décadas do século XX.

>> Informações importantes para usar nos seus Exercícios Esotéricos Rosacruzes são as Atividades do Cristo no seu Trabalho como Nosso Salvador:
-> Para saber qual é o Trabalho Cósmico do Cristo nesse quadrimestre: O Trabalho do Cristo no Mundo do Espírito Divino: de Junho à Setembro de cada ano
-> Para esse Mês Solar tome como material para os seus Exercícios Esotéricos tal assunto: Senhor Cristo reconstrói o Seu Corpo Espírito de Vida
>> Para você usar no processo de Cura Rosacruz:
-> Para saber que Signo a Lua está em cada dia desse mês, e daí saber as Partes do Corpo que Não Se Deve Mexer – Agosto de 2026
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1) Ajuda-o a aproveitar as influências astrais oferecidas pelos Aspectos benéficos (Sextil, Trígono e Conjunções benéficas) e a se precaver para não cair nas tentações oferecidas pelas influências astrais adversas, ou seja, pelos Aspectos adversos (Quadratura, Oposição e Conjunções adversas), no seu dia a dia.
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A Epístola de São Tiago contém uma poderosa mensagem que aponta claramente a preocupação do autor para o crescimento espiritual por meio da “ação”, especialmente quando as condições da vida são difíceis. Em seu versículo 22, enfaticamente, declara que a verdadeira Religião é mais do que fé. É a lei da ação: “Sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos, porque se alguém é ouvinte da palavra e não cumpridor, é semelhante ao varão que contempla no espelho o seu rosto natural”.
S. Tiago, também, exorta que consideremos as provas e as perseguições como um privilégio, em vez de culpar a Deus, “Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos.” (Tg 1:4).
O Aspirante a vida superior procura, naturalmente, evitar os erros que impediriam o seu progresso espiritual: procura não roubar, evita as maledicências, a violência, o adultério, a fraude, não se vangloria, não julga e, em geral, se mantém longe de tudo que interfere no trilhar do seu Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz.
Tratando de obter um melhor autoconhecimento, alguns Estudantes Rosacruzes passam longas horas na tarefa de obter informações suplementares; querem pesquisar as suas origens; saber do seu desenvolvimento futuro e procuram soluções para o “mistério do Mundo”. Isso demanda longas horas e, consequentemente, não sobra tempo para serem também “cumpridores da palavra” – atividade de que alguns, deliberadamente, procuram se furtar sob essa ou aquela alegação. Quanto a aquisição de conhecimentos, aprendemos na Fraternidade Rosacruz que é repreensível passar a vida egoisticamente na procura exclusiva do avanço espiritual, como seria repreensível não haver nenhum avanço espiritual. S. Tiago nos ensina claramente: “Aquele pois que sabe fazer o bem e não faz, comete pecado.” (Tg 4:17).
A omissão pode ter consequências graves. Os pecados de omissão não são menos sérios que os pecados de comissão e determinam, também, a vida e desenvolvimento do futuro Estudante Rosacruz. Para quebrar a cristalização de nossa indiferença, no sentido de dominar e vencer nossa tendência para a omissão, devemos lançar mão de concentração e determinação, na realização efetiva de sermos “cumpridores da palavra“, não esquecendo que os atos de abnegação ao semelhante contribuem grandemente para o crescimento do nosso Corpo-Alma. O serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) ao irmão e à irmã próximos, focados na Divina Essência oculta em cada um de nós – que é a base da Fraternidade – é o ensinamento crucial da Filosofia Rosacruz e, sem o uso prático e muito positivo desse conhecimento místico o Estudante Rosacruz contribui para a não realização de um vital progresso em sua caminhada; ao qual não poderá se chegar tão somente através de estudos vigorosos.
Há tantas maneiras de “fazer o bem” e S. Tiago antecipa os pontos principais do que deve se considerar importante: “A Religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas, nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo” (Tg 1:27). Nem todos podem, nem todos querem visitar órfãos e viúvas, porém seria simplificar ao máximo o nosso papel se a nossa racionalização concluir com um simples não, já que “seguramente há um grande número de voluntários e eu estaria provavelmente atrapalhando o serviço”.
Nós todos gostamos de receber mensagens, cartas e correspondências, porém, quantos há que protelam a hora de responder devidamente? Não é um erro grave, por certo, mais é um pecado de omissão, apontando para o nosso prazer em receber e relutância de sermos incomodados para dar de nós mesmos.
Até os acamados podem agir: pela atividade mental de orar pelo trabalho da Fraternidade Rosacruz como centro espiritual de progresso para a Humanidade; para os dirigentes do mundo em sua luta de manter a paz; para os líderes locais tentando equilibrar os orçamentos; e para uma colaboração sempre mais esclarecida, que possa manter longe a tragédia da guerra e assim por diante. O mundo de hoje palpita em direção da mutação. Cada ato desinteressado, multiplicado por milhões de outros do mundo todo; cada oração em benefício do mundo e cada ação direta inteligentemente alinhada com a evolução trará o Estudante Rosacruz e a Humanidade um passo à frente, na senda do progresso espiritual.
Ao findar o dia podemos levar os nossos pecados de omissão ao tribunal de nosso Cristo Interno por meio do Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção, e receberemos o Seu perdão. Os pecados de omissão, por outro lado, costumam não ser lembrados no Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção. Em realidade, deveriam ser transformados em prioridades para a ação do dia seguinte, ou tão cedo quanto possível, pois isso é a “reforma íntima”, tão alardeada na Fraternidade Rosacruz. Não podemos nos dar ao luxo de carregar indefinidamente uma longa e pesada relação de nossos pecados de omissão. Finalmente e com certeza, a Lei da Consequência demandará de cada Estudante Rosacruz o crescimento para um estado espiritual adulto em que cessamos de ser “ouvintes da Palavra” e nos tornamos “praticantes da mesma”.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – novembro/1980 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Resposta: Significa exatamente o que é dito, pois a Terra está passando por inúmeros estágios evolutivos que proporcionam as condições necessárias para o nosso desenvolvimento. Houve a era de escuridão, durante a qual o material do nosso Planeta se aglutinou em um estado de fermentação e germinação que gerava calor; assim, em certo momento, quando foi proferido o decreto criador: “Faça-se a luz”, essa matéria se transformou em uma nebulosa ígnea e luminosa, girando em torno do seu eixo e aquecendo a atmosfera circundante, a qual, por sua vez, era resfriava pelo contato com o espaço exterior. Desse modo, foi gerada a umidade, que precipitou sobre o Planeta incandescente, fazendo com que se desprendesse um vapor – uma neblina ígnea.
Durante éons, esse processo de evaporação e condensação continuou até que a Terra formou uma crosta sólida e se tornou o que conhecemos como terra firme, de onde subia uma névoa – fato também mencionado na Bíblia. Esse vapor se resfriou e se condensou, precipitando sobre a Terra como um dilúvio que, por fim, limpou a atmosfera e estabeleceu as condições atmosféricas prevalecentes até hoje. No passado, possuíamos Corpos adaptados para viver nos variados ambientes da Terra e, atualmente, nossos veículos físicos são compostos em grande parte por água, assim como são os Corpos Densos dos animais e das plantas. No entanto, a Bíblia diz que “a carne e o sangue” não podem herdar o Reino de Deus. Somos informados que deixaremos o Corpo Denso e seremos arrebatados nos ares; além disso, como você mencionou: “não haverá mais mar“. Assim, as condições gerais nos sãos apresentadas, e há muitos indícios de que, embora essas mudanças estejam ocorrendo lentamente, elas certamente virão. Os cientistas começam agora a reconhecer o fato de que a Terra está perdendo umidade. Lemos num artigo publicado na revista “Literary Digest”: “Muitas autoridades reconhecem o fato de que a Terra está perdendo lentamente sua umidade. Segundo C. F. von Hermann[1], em artigo publicado na Revista Science (New York), a maneira como isso ocorre é parcialmente explicada pela ação de descargas elétricas que decompõe o vapor. Um dos gases componentes, o hidrogênio, é muito leve e sobe até as camadas superiores da atmosfera terrestre, de onde acaba sendo expelido. A longo prazo, essa perda de hidrogênio resulta em perda de água. A decomposição da umidade terrestre, com sua consequente perda definitiva, também é provocada por outros agentes, notadamente o efeito dos raios luminosos da faixa superior do espectro. Von Hermann cita o Dr. Karl Stoeckel, autor que escreveu para a publicação na Revista Umschau, afirmando: ‘Acredita-se que os raios ultravioleta da luz solar, ao incidirem sobre o vapor d’água suspenso nas camadas inferiores da atmosfera terrestre, decompõem uma pequena parte dele, produzindo hidrogênio, que ascende a grandes altitudes’.”
Sobre isso, o Sr. von Hermann comenta o seguinte: “Creio que não se havia apontado antes que a superfície da Terra deve estar perdendo hidrogênio continuamente devido à decomposição do vapor de água causada por cada descarga de raio. Pickering e outros identificaram as linhas de hidrogênio no espectro dos raios, e as principais obras de meteorologia mencionam o fato de que as descargas elétricas decompõem certa quantidade de água… O hidrogênio formado por cada raio sobe rapidamente para a alta atmosfera e perde-se para o espaço. Considerando a frequência de tempestades durante o verão em ambos os hemisférios — e a ocorrência constante delas nas regiões equatoriais —, essa perda de hidrogênio não pode ser considerada insignificante. Enquanto as condições na Terra permitirem a ocorrência de tempestades, o lento processo de dessecação do planeta deverá continuar.”
Assim, os ensinamentos da Bíblia são confirmados em todos os pontos essenciais à medida que a ciência avança. Os fatos descobertos demonstram a precisão com que o passado e o presente foram descritos. Isso nos dá motivos para crer que os acontecimentos futuros também estarão em harmonia com as verdades ensinadas na Bíblia.
(Pergunta nº 80 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: “Is the Earth Drying Up?” (A Terra está secando?) — Este segmento de divulgação científica resumiu explicitamente o artigo de von Hermann publicado na *Science* para explicar como o gás hidrogênio escapa para as camadas superiores da atmosfera. (November 22, 1913 – Volume: Vol. 47, No. 21) – Charles F. von Herrmann (c. 1897-1905): inicialmente meteorologista na Estação Experimental Agrícola estadual, von Herrmann tornou-se diretor do Serviço de Clima e Culturas do *Weather Bureau* (Serviço Meteorológico) na Carolina do Norte, compilando registros de observação e resumos mensais de toda a região do Atlântico Sul.
Muitos Estudantes Rosacruzes, não raramente, são fustigados por dolorosas provações. Essas fases, às vezes, se prolongam por bom tempo e podem ensejar reações negativas, se não forem enfrentadas com calma e firmeza.
Uma provação representa uma ou várias lições pendentes de vidas passadas cujo aprendizado deve acontecer agora. Qualquer tentativa de procrastinar esse aprendizado redundará numa experiência mais dolorosa ainda, neste ou no próximo renascimento. Portanto, é inútil fugir. Não adianta ficar passivo ou passiva, lamentando a “própria desgraça”.
Antes de mais nada é preciso que se entenda: o propósito da vida é a experiência e não o sofrimento, como alguns imaginam. Atitude mais correta é tentar entender o que está acontecendo e por quê. O Exercício Esotérico Rosacruz de Meditação, a prática constante da oração (especialmente as orações científicas, fornecidas pela Fraternidade Rosacruz) e o estudo disciplinado, persistente e progressivo da Filosofia Rosacruz servem justamente para esse propósito.
O Estudante Rosacruz, porém, muitas vezes depara com uma situação complexa, intrincada, à primeira vista um beco sem saída. Mas, não é bem assim. Há sempre uma saída. Talvez não seja a solução ideal no entendimento do Estudante Rosacruz, mas, de qualquer forma é o que mais lhe convém em termos de crescimento anímico.
E como reagir diante de uma situação capaz de causar perplexidade?
Bem, há que haver um parâmetro de comportamento. Esse Ideal é o Cristo.
Se nos perguntarmos como reagiria o Cristo em uma dada circunstância, logo o saberemos. Ele, em qualquer situação seria compassivo, tolerante, paciente, compreensivo e amoroso. Sua característica de “sempre perdoar” de imediato transmutaria todo e qualquer desentendimento em concórdia.
Alguém, entretanto, pode objetar: mas “o Cristo é o Cristo. Eu sou um ser humano, cheio de falhas. Cristo é um Ideal muito distante para mim. É uma meta inatingível.”
É lógico, nenhum de nós agiria exatamente como o Cristo, porque ninguém o iguala em perfeição e sabedoria. Contudo, pode se reagir amorosamente em um relacionamento conflituoso, sem expressar um amor tão perfeito como o do Cristo. É necessário, entendamos, manifestar as virtudes do Cristo, mesmo que se o faça imperfeitamente. Se houver boa vontade as coisas se resolverão.
Todos nós passamos por fases de duras provações em nossas vidas. Se vivermos cada minuto de nossas existências como sabemos que o Cristo desejaria que o vivêssemos superaremos gloriosamente todas as provas.
Meditemos sobre esta frase: “Se vivermos cada minuto como sabemos que o Cristo desejaria que o vivêssemos“.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – fevereiro/1986-Fraternidade Rosacruz-SP)