Categoria Estudos Bíblicos Rosacruzes em Perguntas e Respostas

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Por que as cores do véu no Tabernáculo no Deserto eram púrpura, escarlate e branca? Por que as três cores primárias, azul, vermelho e amarelo não estavam representadas?

Resposta: Azul é a cor de Deus-Pai, que reina sobre todo o universo continuamente, desde o início até o fim da manifestação, onipresente em tudo o que vive, respira e tem existência própria. Vermelho ou escarlate é a cor de Deus-Espírito Santo, que gera os seres viventes. Quando a Vida assume uma expressão errônea, se restringida por um código de leis, o Espírito Santo se torna Jeová, o Legislador. Amarelo é a cor de Deus-Filho, Cristo, o Senhor do Amor que por esse Princípio divino transcende a lei e nos leva novamente de volta, em contato direto e harmonia com Deus-Pai.

Assim, você verá que, sob o antigo regime, era impossível incluir o amarelo e tornar as três cores primárias como símbolo do Templo. Naquele momento, Deus-Pai e Jeová reinavam. O azul e o escarlate, Suas cores, figuravam no Templo, e a púrpura, que é a cor resultante da mistura das duas cores primárias mencionadas anteriormente, também lá estavam, mostrando não apenas sua existência separada como também a sua unidade. Por último, havia o espaço em branco, emblemático do fato de que ainda algo permanecia sem se manifestar, e esse algo era a terceira cor, a amarela.

Desde o tempo de Cristo, a verdadeira Escola de Mistérios Ocidentais, a Ordem Rosacruz, têm como seu emblema as Rosas Vermelhas, símbolo da purificação da natureza de desejos; a estrela dourada, mostrando que Cristo nasce dentro do discípulo e irradia de suas cinco pontas, que representam a cabeça e os quatro membros. Isto se reflete no fundo azul, símbolo do Pai. Assim, demonstra-se que a manifestação de Deus, a unidade na Trindade, foi realizada.

Muitas vezes pensei que faltava alguma coisa na literatura da Fraternidade Rosacruz, ou seja, um livro devocional, e milhares dos nossos Estudantes Rosacruzes provavelmente sentiram o mesmo. Para suprir essa lacuna, muitos recorreram a livros de origem oriental, o que é uma prática desaconselhável e muito ruim. Há muitas vidas, quando nós, do Mundo ocidental, estávamos renascidos em Corpos orientais, numa época em que não havia o Mundo ocidental tal como o conhecemos hoje, essa espécie de coisas nos servia, mas atualmente já avançamos muito além e devemos, em vez disso, buscar orientação em nossos verdadeiros santos Cristãos no Caminho da Devoção. Meu livro de cabeceira especial tem sido A Imitação de Cristo de Thomas de Kempis. É realmente um livro maravilhoso. Não há uma só situação na vida que não encontre nele alguma referência adequada; e quanto mais o lemos, mais o admiramos. Você provavelmente sabe que os residentes em Mount Ecclesia se revezam, em ordem alfabética, nas leituras durante os ofícios dos Rituais do Serviço Devocional da manhã e da noite. Sempre que chega a minha vez, pego o livro de Thomas de Kempis e leio um capítulo, do começo ao fim. Depois, repetindo-o algumas vezes. Não há um único trecho cansativo em todo o livro, e seria muito proveitoso que os Estudantes Rosacruzes que sentem o desejo de algo que identifique sua devoção, escolherem essa pequena obra para leitura. Acredito que ele possa ser adquirido na maioria das livrarias do mundo.

(Pergunta nº 81 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Faço muitas vezes a mim mesmo perguntas relacionadas com a Ascensão e a descida anual de Cristo em nosso Planeta. Como poderá isso ser feito tão lentamente? Trata-se da Sua radiação ou da descida de Si mesmo? Peço também, por favor, me explicar qual é o Espírito da Terra e quem é Cristo, o Senhor da nossa Terra. São dois Espíritos individuais ou e apenas um?

Resposta: Tudo que é descrito no Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz é visto sob a ponto de vista dos seres humanos que habitam a Terra. Como nós, o Ego, possuímos veículos que vão desde o Espírito Divino até o Corpo Denso, da mesma forma, o Espírito de Cristo possui veículos que vão desde o Mundo de Deus até ao Mundo do Desejo. O Corpo de Desejos é o Seu veículo mais inferior, porque ele pertence à Onda de Vida dos Arcanjos, que alcançaram o seu estágio Humanidade no Período Solar. Desde que o Cristo Arcanjo alcançou o mérito de ser o mais elevado Iniciado do Período Solar, Ele conseguiu construir dois veículos com materiais do Mundo de Deus e, assim a Sua consciência se focalizou no Mundo de Deus, o que O levou a dizer: “Eu e Meu Pai somos Um” (Jo 10:30). Com esse nível de Consciência, Ele alcançou o atributo do Segundo Aspecto de Deus, Sabedoria, o Filho.

Assim como cada Onda de Vida das Hierarquias Zodiacais atinge certa eficiência espiritual, o Cristo dirige um Raio de Sua Consciência para este Planeta, de modo especial. Assim, tanto como o Planeta seja afetado, podemos dizer que é como se o Cristo “visitasse” o Planeta em pessoa. Esse é uma das características de um ser que alcança a Omnisciência.

Vamos a uma alegoria que ajuda a compreender esse fato: O Espírito de Cristo olha para outro Planeta. Cada um deles, por sua vez, reflete a Imagem de Sua Face, da mesma forma que um alquimista observa seus vasos de metal fundido e vê a Sua própria face refletida. Na medida em que o Raio de Consciência dirige-se para cada Planeta, tempo virá em que esse Raio assume a direção deles.

A nossa Terra atingiu esse ponto no tempo em que Cristo veio à Terra, em Sua primeira vinda. O Raio de Cristo tomou posse do Corpo Denso e Corpo Vital do ser humano Jesus de Nazaré, que cedeu os dois Corpos por livre e espontânea vontade – devido à necessidade de Cristo colocar em prática o Plano de Salvação que está nos tirando dessa condição cristalizante e perigosa nesse Esquema de Evolução em que nós mesmos nos colocamos –, tornando-se visível para qualquer pessoa como “um homem entre os homens”. A Ciência oculta explica esse processo dizendo que o Arcanjo Cristo, realmente, descendo ao Mundo do Desejo do Planeta Terra – pois Ele como Arcanjo consegue construir um Corpo de Desejos perfeito –, reativou a sua forma Arcangélica. Com os dois Corpos cedidos por Jesus de Nazaré ele se tornou o único ser que tem uma cadeia completa de veículos desde a Região Química do Mundo Físico até o Mundo de Deus. Essa entrada do Arcanjo Cristo nos dois Corpos cedidos por Jesus de Nazaré é descrita como ter sido efetuada no Batismo.

O Espírito Planetário Original da Terra foi um “Raio” ou parte do Logos Original que foi retirado do nosso Sistema Solar no início da nossa evolução, dirigida por aqueles Grandes Seres a quem designamos como “Pai”, “Filho” e “Espírito Santo”. Por determinado tempo, neste Período Terrestre, o Planeta Terra foi governado de fora, tal como a criança no útero materno não tem um espírito interno por determinado tempo.

Cada ano, desde então, o Cristo Solar (o Espírito do Cristo Cósmico) emite um Raio de Sua Consciência, para a Terra, do mais alto nível do Mundo do Espírito Divino, baixando em direção ao Centro da Terra. Esse é algo como o focalizador da atenção de um nível para outro, tal como um holofote projeta a sua luz do topo de uma colina em direção ao seu sopé e para todos os pontos da planície até onde possa alcançar, das profundezas dos abismos, às mais obscuras profundidades. Da mesma forma, a luz poderá ascender dos pontos mais profundos e obscuros, subindo dos vales, para os aclives, para finalmente atingir o tôpo da montanha e desaparecer nos céus.

Você compreenderá naturalmente que se trata de uma analogia, porém isso ilustra uma ideia em relação daquilo que acontece. Não é algo no sentido de “lentidão” de tempo, nem de “distância” no sentido de passar através do espaço, mas da focalização de um Raio de Consciência no envoltório terrestre, numa busca exterior, para depois penetrar no mais íntimo da Terra.

Para a concepção humana é como se um raio do Cristo Cósmico lentamente descesse e lentamente ascendesse através dos vários níveis. Podemos pensar dessa forma, pois tal é o modo que mais se adapta as nossas concepções, tal como parece que, no horizonte a Terra e o Céu se encontram. Entretanto, a Consciência de Cristo não é uma ilusão; Ele realmente está aqui conosco.

Cristo é o Espírito interno da Terra a cada seis meses do ano. O Espírito Planetário da Terra tinha a cargo a nossa evolução durante os Períodos de Saturno, Solar e Lunar e, provavelmente, a primeira parte do Período Terrestre. Então, esse Espírito, que era um dos Setes Espíritos diante do Trono, retirou-se da participação ativa da direção da evolução da Terra entregando à Cristo. Pode-se acrescentar que, pelo menos em nosso esquema planetário, as entidades mais avançadas, as que alcançaram um elevado grau de perfeição em evoluções anteriores, assumem, nos primeiros estágios, as funções do Espírito Planetário original e continuam a evolução. O Espírito Planetário original retira-se de toda participação ativa, porém, guia os ‘seus Regentes’.

De todo o exposto, torna-se claro, então, que, presentemente, o nosso Espírito Planetário da Terra é realmente Cristo.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – setembro/1967 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: A Ordem Rosacruz aceita a Bíblia como se fosse a “Palavra de Deus” do início ao fim?

Resposta: Certamente que não, e particularmente não na interpretação extremamente restrita de algumas pessoas que pensam que o livro que temos hoje é o único genuíno já dado à Humanidade. No máximo, poderia ser um dos livros de Deus, pois existem muitos outros escritos sagrados que merecem reconhecimento e não podem ser descartados sumariamente por alguns espertinhos como aqueles que relegaram os chamados livros apócrifos ao esquecimento literário.

Em primeiro lugar, é importante relembrar que o Antigo Testamento foi escrito em hebraico em diferentes épocas e por inúmeros autores, e que nenhuma compilação desses escritos foi feita antes de Esdras. Desses escritos hebraicos, não existe hoje um único fragmento sequer. Já em 280 a.C., o hebraico havia sido abandonado, no que diz respeito à escrita das Escrituras, e a Septuaginta, ou tradução grega, era de uso geral. Essa era a única Bíblia existente na época do nascimento de Cristo. Posteriormente, alguns dos escritos hebraicos foram compilados e cotejados pelos massoretas, uma seita que existiu por volta de 700 d.C. Este é o texto mais completo e preciso.

A tradução inglesa mais utilizada hoje em dia é a Versão do Rei Jaime[1], mas Sua Majestade não estava tão interessada na precisão da tradução quanto na paz, e a lei que autorizou a tradução da Bíblia proibiu os tradutores de traduzir quaisquer passagens de forma que interferissem nas crenças existentes. Isso foi feito para evitar qualquer levante ou dissensão em seu reino, e dos quarenta e sete tradutores, apenas três eram estudiosos de hebraico e dois deles morreram antes que os Salmos fossem traduzidos. Vários livros foram descartados como apócrifos, e palavras foram completamente desvirtuadas de seu significado original para se adequarem à superstição da época. Martinho Lutero[2], na Alemanha, traduziu o texto latino, que por sua vez havia sido traduzido do grego, aumentando assim as chances de transmitir significados errôneos de diversas maneiras. Acrescente-se a isso o fato de que, no hebraico antigo, os sinais vocálicos são omitidos e não há divisão em palavras, de modo que, inserindo-se sinais vocálicos de maneiras diferentes, palavras e frases com significados completamente distintos podem ser obtidas a partir de praticamente qualquer frase. Diante desses fatos, fica evidente que as chances de obtermos uma versão precisa do que foi originalmente escrito eram, de fato, muito pequenas.

Além disso, não era intenção dos autores originais fazer da Bíblia um “Livro de Deus” aberto, como bem se pode ver pela seguinte citação do Zohar[3]: “Ai daquele que vê na Torá[4] (a lei, a Bíblia) apenas recitações simples e palavras comuns, porque se na verdade ela contivesse apenas isso, ainda hoje seríamos capazes de compor uma Torá mais digna de admiração. Mas não é assim; cada palavra na Torá contém um significado elevado e um mistério sublime… As recitações da Torá são as vestes da Torá… Ai daquele que usa esta veste da Torá pela própria Torá… Os simples prestam atenção apenas às vestes e recitações da Torá; eles não conhecem outra coisa, não veem o que está oculto sob a veste; os homens mais instruídos não prestam atenção à veste, mas àquilo que ela envolve”…

Em outras palavras, eles não se atentam à letra, mas apenas ao espírito. E, assim como num campo semeado com batatas não existem apenas os vegetais, mas também o solo onde estão escondidos, na Bíblia as pérolas da verdade oculta estão escondidas em vestes muitas vezes feias ou repugnantes. O Ocultista que se capacitou a possuir essas pérolas recebeu a chave e as vê claramente. Para os outros, elas permanecem obscuras até que também tenham trabalhado para obter essa chave. Assim, embora a história das peregrinações dos filhos de Israel e a relação de um certo Deus com eles sejam parcialmente verdadeiras, há também um significado espiritual muito mais importante do que essa história material. Mesmo que os Evangelhos contenham os principais contornos da vida de um indivíduo chamado Jesus, eles são fórmulas de Iniciação que mostram as experiências pelas quais todos devem passar no caminho para a verdade e a vida.

Esse caminho foi previsto pelas diversas pessoas que escreveram a Bíblia e que, portanto, foram Profetas e Clarividentes, mas apenas na medida em que isso era possível em seu tempo e época. Uma nova era exigirá uma nova Bíblia, uma nova palavra.

(Pergunta nº 78 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: A Bíblia do Rei Jaime (ou Tiago), também conhecida como Versão Autorizada do Rei Jaime, é uma tradução inglesa da Bíblia realizada em benefício da Igreja Anglicana, sob ordens do rei Jaime I no início do século XVII.

[2] N.T.: Martinho Lutero (1483-1546) foi um padre, teólogo, autor, compositor de hinos, professor e ex-frade agostiniano alemão. Lutero foi a figura seminal da Reforma Protestante e suas crenças teológicas formam a base do Luteranismo.

[3] N.T.: O Zohar (“esplendor” ou “radiante”) é o trabalho fundamental da literatura cabalista e do misticismo judaico. Trata-se de uma coleção de comentários místicos sobre a Torá (os cinco livros de Moisés), escritos parcialmente em aramaico e hebraico medieval. O Zohar contém uma teosofia cabalista, que trata da natureza de Deus, da cosmogonia, da cosmologia, da alma, do pecado, da redenção, do bem e do mal, do “eu verdadeiro”, da luz de Deus, e da relação entre a energia universal e o ser humano. A sua exegese escriturística é considerada uma forma esotérica de literatura rabínica, conhecida como Midrash, elaborada a partir da Torá. O Zohar é escrito principalmente no que hoje é descrito como sendo um estilo cripto, obscuro, de aramaico. O aramaico, a língua do dia a dia de Israel no período do Segundo Templo, foi a língua original de grandes seções dos livros bíblicos de Daniel e de Esdras: é a principal língua do Talmude.

[4] N.T.: A Torá é o livro sagrado do judaísmo. O Pentateuco, literalmente “cinco partes ou seções”, é composto pelos cinco primeiros livros da Bíblia. Entre os judeus é chamado de Torá, uma palavra da língua hebraica com significado associado ao ensinamento, instrução, ou literalmente Lei, uma referência à primeira secção do Tanakh, os primeiros cinco livros da Bíblia hebraica. O Pentateuco é, para os Cristãos, a totalidade dos cinco primeiros livros da Bíblia. Para os judeus, esses cinco livros constituem a Torá. Eles apresentam a história do povo de Israel desde a criação do mundo até a morte de Moisés.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Como você pode acreditar na teoria da reencarnação, que afirma que voltamos para cá no corpo de um animal? Não é muito mais gratificante acreditar na doutrina Cristã, segundo a qual vamos para o paraíso com Deus e os Anjos?

Resposta: O autor nunca defendeu as opiniões que lhe foram atribuídas pelo consulente que, evidentemente, não estudou a questão em si. Há uma doutrina entre algumas das tribos mais ignorantes do Oriente que ensina a teoria da transmigração, segundo a qual o Espírito humano pode encarnar nos corpos de animais, mas isso é muito diferente da doutrina do Renascimento, que sustenta que o ser humano é um ser em evolução, progredindo na Escola da Vida por meio de repetidos renascimentos em Corpos de textura gradualmente aprimorada. Cristo disse aos seus Discípulos: “Sede, portanto, perfeitos como o Pai que está nos céus é perfeito[1]. Esse foi um mandamento definitivo, e Cristo jamais o teria dado se fosse inatingível; mas todos sabemos que não podemos alcançar esse objetivo em uma vida terrestre tão curta. Com o tempo necessário e as oportunidades proporcionadas por repetidas experiências e ambientes em constante mudança, conseguiremos realizar, em algum momento, o trabalho de nos aperfeiçoarmos.

Não existe, em nenhum dos escritos sagrados do Oriente, qualquer respaldo para uma crença como a transmigração. A única semelhança com tal ideia se encontra no “Kathopanishad[2], Capítulo 5, Versículo 9, que diz que algumas almas, de acordo com as suas ações, retornam ao útero para renascer, enquanto outras entram na imobilidade. Significando, na opinião de alguns, que eles podem reencarnar até mesmo em níveis tão baixos quanto o Reino mineral. A palavra sânscrita usada para isso é “sthanu”, que também significa pilar, e lida dessa forma transmite a mesma ideia da passagem do Livro do Apocalipse: “Ao que vencer, fá-lo-ei um pilar no templo do meu Deus, e dele jamais sairá[3]. Quando a Humanidade alcançar a perfeição, chegará o momento em que não estará mais presa à roda dos nascimentos e mortes, mas permanecerá nos Mundos invisíveis para trabalhar em prol da elevação espiritual de outros seres. Além disso, a transmigração é uma impossibilidade na Natureza, porque há em cada Corpo Denso humano um Espírito (um Ego, que é um Espírito Virginal da Onda de Vida humana, manifestado aqui) interno individual, enquanto cada espécie de animal é governada por um espírito comum, o Espírito-Grupo[4], do qual todos esses animais da espécie fazem parte, e nenhum Ego consciente de si mesmo pode entrar em um Corpo governado por outro. O consulente pergunta “se não é mais gratificante acreditar na doutrina Cristã, segundo a qual vamos para o paraíso com Deus e os Anjos”? Talvez seja, mas não estamos tão preocupados com o que pode agradar ao nosso capricho passageiro quanto em encontrar a Verdade e embora a doutrina do Renascimento seja, às vezes, ridicularizada pelos eruditos como impossível e uma doutrina pagã, na verdade não se trata de saber se é pagã ou não. Quando lidamos com um problema matemático, não nos importa quem o resolveu primeiro; o que nos interessa não é se ele foi resolvido corretamente? Da mesma maneira com essa doutrina, não importa quem a ensinou primeiro, mas é a única que resolverá todos os problemas da Vida de uma forma racional, enquanto a teoria segundo a qual uma pessoa, que talvez jamais tenha demonstrado interesse pela música e nunca teve noção dos fundamentos da harmonia, desenvolverá imediatamente, após a sua morte, uma insaciável paixão por essa arte e ficará feliz em tocar uma trombeta ou de dedilhar uma harpa por toda a eternidade, é um tanto ridícula.

(Pergunta nº 72 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: MT 5:48

[2] N.T.: O Kathopanishad (ou Katha Upanishad) é uma escritura hindu fundamental, parte do Krishna Yajurveda, que apresenta um famoso diálogo entre o jovem Nachiketa e Yama, o Senhor da Morte. Explora a natureza do Atman (Eu), a imortalidade e a libertação (moksha), enfatizando que o verdadeiro “Eu” é eterno, imutável e distinto do corpo.

[3] N.T.: Apo 3:12

[4] N.T.: Um ser da Onda de Vida dos Arcanjos

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Como saber se o Ego permanece consciente após a morte? A esse respeito lemos na Bíblia, no Livro de Jó (14:12): “jaz, porém, o homem e não pode levantar-se, os céus se gastariam antes de ele despertar ou ser acordado de seu sono”?

Ao ler um livro, você não interpreta tudo ao pé da letra se a essência da obra for poética. Você percebe o absurdo dessa interpretação literal da Bíblia quando se depara com passagens que dizem que as árvores cantam ou que os montes dançam, pois sabe que, na verdade, os montes não dançam, nem as árvores cantam ou riem. Você se conecta com o sentimento do poeta, mas desconsidera tais expressões como termos poéticos, que não devem ser interpretados literalmente.

O mesmo acontece com outras afirmações contrárias aos fatos comprovados. Quando alguém desenvolve a visão espiritual, se torna evidente que a consciência não começa com o nascimento nem termina com a morte. Na realidade, a consciência desperta do Mundo Físico, que consideramos tão primordial e importante durante a vida, é bastante limitada quando comparada à consciência espiritual. Somos mais conscientes antes do nascimento e depois da morte, porque estamos mais próximos da Fonte espiritual do nosso ser, no qual reside toda a consciência.

Os Espiritualistas e a Sociedade de Pesquisas Psíquicas têm contribuído muito para apresentar ao público evidências concretas da continuidade da consciência após a morte. Embora tenha havido muitas fraudes nessas demonstrações, também houve uma enorme quantidade de verdades reveladas, em condições que tornaram o engano ou fraudes impossíveis. Mensagens foram recebidas de pessoas que já partiram desta vida, demonstrando que um estado como o descrito nessa passagem de Jó é absolutamente falsa. Se você ler os livretos da Fraternidade Rosacruz: “O Enigma da Vida e da Morte – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz” e “A Luz Além da Morte – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz” encontrará a questão do renascimento discutida de uma forma muito completa.

Tanto exemplos bíblicos e quanto históricos – como o de Joana d’Arc, a libertadora francesa, que era uma camponesa ignorante, mas que, guiada por vozes do Espírito, manobrou inteligentemente os generais ingleses e trouxe a vitória aos exércitos franceses – provam que aqueles que partem desta vida não estão em estado de inconsciência, nem perdem sua inteligência em nenhum grau.

Além disso, não é necessário depender de Espíritos que ultrapassaram o véu da morte para nos comunicarem os fatos sobre a existência no além. Cada um de nós possui latente dentro de si um sexto sentido que, quando desenvolvido, nos permite penetrar conscientemente nesse campo e ver, conhecer e funcionar nesse plano de vida e existência junto com aqueles Espíritos que já partiram desta vida. Podemos, então, conversar com eles, caminhar com eles e, em todos os aspectos, entrar em suas vidas, de maneira que possamos saber por nós mesmos, sem depender de ninguém, que a consciência que temos na vida é, se possível, ampliada pelo abandono deste invólucro mortal.

É necessário treinamento e esforço para despertar essa faculdade espiritual, e usar esse sentido, assim como é preciso tempo, esforço e dedicação para aprender a arte, por exemplo, de tocar piano ou fabricar um relógio. No entanto, todos possuem essa faculdade latente e podem desenvolvê-la, se assim o desejarem.

Com o passar do tempo, todo ser humano terá essa faculdade, além dos nossos cinco sentidos atuais. É isso que o Livro do Apocalipse quer dizer quando afirma que no Novo Céu e na Nova Terra não haverá morte. Jó fala do Corpo e dos Céus atuais. Esses passam, mas o Apocalipse fala de um Novo Céu e de uma Nova Terra onde habita a qualidade de ser moralmente reto e justo. O último inimigo a ser conquistado será a morte. Quando tivermos desenvolvido essa faculdade espiritual de maneira a ser possível, a qualquer momento, focalizar a nossa visão naquele plano de existência onde aqueles que chamamos de “mortos” agora vivem, os veremos com a mesma aparência que tinham antes e perceberemos que, na realidade, a morte não existe. Essa é a melhor prova.

(Pergunta nº 103 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Se “Deus fez o homem um pouco inferior aos Anjos”[1], como é possível que ele se torne, no final, superior a eles nos Mundos espirituais?

Resposta: Essa pergunta revela um equívoco por parte de quem a fez. Isso nunca foi afirmado dessa forma nos Ensinamentos Rosacruzes, mas algo foi dito que pode ter sido mal interpretado. A verdade é que a Evolução se move em espiral e nunca há uma repetição da mesma condição. Os Anjos representam uma corrente evolutiva anterior a nossa, sendo alcançaram o nível de Humanidade em um Período anterior ao atual Período Terrestre, chamado de Período Lunar na Terminologia Rosacruz. Os Arcanjos alcançaram o nível de Humanidade no Período Solar, e os Senhores da Mente, chamados por S. Paulo de “Poderes das Trevas”, alcançaram o nível de Humanidade do sombrio Período de Saturno. Nós somos a Humanidade do quarto Período do presente do atual Esquema de Evolução ou de manifestação, o Período Terrestre. Assim como todos os seres do universo estão progredindo ou evoluindo, a Humanidade dos Períodos anteriores também progrediu, de forma que agora se encontram em um estágio mais elevado ao que tinham quando alcançaram o nível de Humanidade deles – eles são “sobre-humanos”. Portanto, é verdade que Deus nos criou um pouco inferior aos Anjos. Mas, como tudo está em constante progressão espiralar, também é verdade que nós, que estamos no nosso nível de Humanidade atual, somos superiores e mais evoluídos do que os Anjos o foram (quando esses estavam no nível de Humanidade deles); e que os Anjos eram de uma ordem mais elevada quando atingiram o nível de Humanidade do que os Arcanjos, quando esses atingiram o nível de Humanidade. Na próxima etapa alcançaremos algo semelhante ao atual estágio dos Anjos, mas seremos superiores ao que eles são agora.

(Pergunta nº 2 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

[1] N.T.: Sl 8:5 e Hb 2:7

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: O ensinamento do Novo Testamento sobre o Espírito Santo, o Consolador, tão cativante e tão misericordioso, torna difícil identificá-Lo com o vingativo Jeová do Antigo Testamento. Como reconciliar isso?

Resposta: Era missão de Jeová e dos seus Anjos multiplicar tudo o que existe sobre a Terra. Em outras palavras, Ele era o doador de filhos. Veja o anúncio do Anjo à Maria: “O Espírito Santo virá sobre ti e conceberás[1]. Aí você já tem uma ligação; mas como há sempre dois lados em toda questão, também há dois lados no que se refere ao Espírito Santo. Uma fase da Sua obra é realizada de fora para dentro, como um doador de Leis, e a Lei, quando aplicada de fora para dentro, é como um feitor que nos impulsiona a fazer isto ou aquilo, ou nos proíbe de fazer outras coisas. Exige olho por olho e dente por dente[2]. Eis aí Jeová, o criador da Lei; mas, quando chega o tempo em que recebemos a Lei dentro de nós e não somos mais impelidos por meios externos, o feitor se torna o Consolador. Todo universo é regido por Leis. Tudo no mundo se baseia em Leis, e elas são tanto nossa proteção quanto nosso feitor.

Pela manhã, deixamos os nossos lares sem nos preocuparmos, confiantes na lei da gravidade que manterá tudo nos seus devidos lugares durante a nossa ausência. Sabemos que, ao retornarmos, encontraremos tudo como deixamos, embora o nosso Planeta esteja se movendo em sua órbita a uma velocidade em torno de 105 mil quilômetros por hora. Nossa força motriz depende da expansão dos gases. Na verdade, tudo na Natureza é regido por Leis e, quer o saibamos ou não, somos seus escravos até que, por meio do conhecimento, aprendamos a usá-las, a cooperar com elas e, assim, fazê-las cumprir nossas ordens e nos poupar trabalho.

Da mesma forma, o mesmo ocorre com as Leis morais fornecidas por Jeová no Monte Sinai. Elas foram designadas para nos conduzir a Cristo, e quando Cristo nasce dentro de nós, a Lei do Espírito Santo também penetrará. O ser humano é, então, simbolizado pela Arca da Aliança que ficava no Sanctum Sanctorum e que continha dentro de si as Tábuas da Lei[3]. Observe que o Consolador que veio para os seres humanos de outrora não era um Consolador externo, mas alguém que operava internamente, alguém que entrava neles e se tornava parte deles. Quando o Espírito da Lei, o Espírito Santo, entra em nós, Ele é o Consolador, porque fazemos de boa vontade as coisas que são impulsionadas por esse estímulo interno, enquanto nos ressentidos e nos queixamos de cumprir as ordens do feitor externo.

(Pergunta nº 72 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Lc 1:35

[2] N.T.: Ex 21:24 e Lv 24:20

[3] N.T.: no Tabernáculo no Deserto

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Como os Ensinamentos Rosacruzes se harmonizam com a Bíblia nos seguintes pontos: vocês usam o termo “salvadores” e falam de Jesus como um salvador, e o classificam juntamente com Buda e Maomé; a Bíblia diz que “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16); diz também que “Pois não há, debaixo do céu, outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos.” (At 4:12); Jesus disse “Ninguém vem ao Pai a não ser por mim” (Jo 14:6)?

Resposta: Se você ler atentamente os Ensinamentos Rosacruzes, verá que neles se faz uma distinção entre Jesus e Cristo. Jesus era um homem entre os homens. Quando pesquisamos na Memória da Natureza, podemos encontrar suas vidas anteriores, da mesma forma que a dos outros seres humanos, embora ele seja, provavelmente, a maior e mais nobre alma que já viveu num Corpo Denso humano. Cristo é o mais elevado iniciado do Período Solar e jamais havia vivido num Corpo Denso terreno antes de assumir o Corpo Denso de Jesus por ocasião do Batismo, para ensinar diretamente aos seres humanos o caminho do Reino de Deus. Assim, tanto Jesus quanto Cristo estão imensamente acima dos grandes e nobres mestres mundiais, como Buda, Maomé, Confúcio e outros.

Você está certo ao afirmar que a versão autorizada da Bíblia diz que Cristo é o Filho unigênito de Deus, mas entender isso não basta confiar na tradução da Bíblia para o inglês. A expressão usada no grego é ton monogene, e pode ser traduzida por “o único gerado”, assim como nas plantas, onde ocorre a monogênese[1]. Ou seja, muitas plantas têm flores tanto masculinas como femininas e são capazes de fertilizar suas próprias sementes, de forma que essas sementes crescerão e se tornarão plantas iguais àquela que as gerou, a planta-mãe. Sabemos pela Bíblia que o ser humano era macho-fêmea, um hermafrodita e, então, era capaz de gerar outro ser a partir de si mesmo, sem a cooperação de outro, ao contrário do que acontece atualmente devido à divisão dos sexos. Portanto, a ideia que a Bíblia deseja transmitir não é que o Cristo foi o único e exclusivo gerado pelo Pai. Isso pode ser verdade, ou não. Não temos conhecimento a respeito do assunto, mas sabemos pela passagem bíblica é que o Cristo foi gerado pelo próprio Pai – sem qualquer outro intermediário – por algo como “monogenia”, o mesmo processo pelo qual uma planta possuindo flores masculinas e femininas, como já foi dito, pode reproduzir a sua espécie. Mas isso não se aplica ao Corpo Denso, pois o revestimento denso que Cristo durante o Seu ministério entre nós foi o Corpo Denso de Jesus, nascido da maneira habitual e cuja linhagem remonta de David, como ancestral da sua Raça, segundo os historiadores da genealogia encontrada na Bíblia.

Também é verdade o que a Bíblia diz que “não há, debaixo do céu, outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” e, também, quando disse: “Ninguém vem ao Pai senão por mim”. Contudo, devemos também lembrar que essas duas declarações dizem respeito ao Espírito de Cristo que habitou o Corpo de Jesus durante os anos do ministério de Cristo aqui.

(Pergunta nº 102 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: ou monogenia que em biologia, também descreve um tipo de reprodução assexuada ou geração direta, onde o novo indivíduo se desenvolve sem metamorfoses complexas.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Existe alguma conexão entre o Jardim Bíblico do Éden e o laboratório dos alquimistas?

Reposta: O “Jardim do Éden” realmente existiu. É a Região Etérica de nossa Terra física e nós habitávamos ali. Isso foi no tempo conhecido como a Época Lemúrica, a quarta Época desse Período Terrestre. Nesse momento não estávamos plenamente conscientes de nosso Corpo Denso e nossa consciência estava focalizada quase inteiramente nos Mundos espirituais, especificamente na Região Etérica do Mundo Físico. Fomos “banidos” desta Região por conta do nosso aceite em atender a sugestão dos Espíritos Lucíferos, que nos ensinaram a exercitar a função sexual criadora, independentemente das orientações corretas dos Anjos e, assim prover novos Corpos Densos, quando nós os perdíamos e, também, aprender o segredo de vitalizar o nosso Corpo Vital à vontade, frustrando a evolução.

O trabalho do alquimista na medula espinhal é totalmente diferente. Esse trabalho consiste no processo alquímico de acender e elevar a parte da força sexual criadora, que agora está sendo usada para a geração de corpos e/ou para gratificação dos sentidos, através da medula espinhal até a cabeça. Quando essa força atinge a cabeça, ela se une à outra metade da força sexual criadora que, no passado, foi elevada para construir um cérebro e uma laringe. Quando isso é conseguido, somos capazes de falar a palavra criadora, imbuída de vida e vibrante com energia vital.

(Pergunta de Leitor publicada na Revista Rays from the Rose Cross de novembro/1940 e traduzida pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz Campinas-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Por favor, me diga o que Jesus quis dizer quando disse à sua mãe Maria: “Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora” (Jo 2:4).

Resposta: Este é mais um caso em que os tradutores da Bíblia traduziram o texto grego de uma forma totalmente injustificável. O comentário foi feito por ocasião das Bodas de Caná, onde Maria, a mãe de Jesus, teria ido até ele dizendo que não havia mais vinho. Jesus então respondeu com as seguintes palavras em grego: “Ti emoi kai soi gunai”. Traduzido literalmente, seria algo como: “Que me importa isso, ó mulher? Ainda não é chegada a minha hora”. Mesmo deixando de lado o significado esotérico dessa observação, essa parece ser uma resposta muito mais gentil do que a grosseira resposta atribuída a Jesus na versão popular da Bíblia do Rei Jaime[1]. Deve-se também lembrar que Cristo não era o filho de Maria no mesmo sentido em que o era Jesus, e que, embora Ele tenha usado o corpo de Jesus, Ele não reconheceu uma relação física com Maria e, portanto, estava perfeitamente justificado em se a ela chamando-a “mulher”.

No entanto, há outro significado, mais profundo, em todo o relato das Bodas de Caná. Ensinou-se na literatura Rosacruz que os Evangelhos não são relatos da vida de um indivíduo chamado Cristo ou Jesus, que foi único entre a Humanidade. Embora o Jesus dos Evangelhos tenha realmente vivido, os próprios Evangelhos são histórias ou fórmulas de Iniciação, e as Bodas de Caná, onde Cristo realizou o Seu primeiro grande milagre, foi algo muito maior do que uma mera cerimônia de casamento entre um homem e uma mulher na vida comum. Tratava-se, na verdade, de um casamento místico do “Eu superior” e o “Eu inferior” sob a nova ordem do Serviço do Templo, então inaugurada por Cristo. Na Época Atlante a água era usada nos templos, mas na Época Ária o “vinho” era essencial.

Diferentes Raças viveram sobre a Terra em várias Épocas, e elas tinham constituições diferentes do que nós temos hoje. A primeira Raça humana é simbolizada na Bíblia pelo nome de Adão. Os seres dessa Raça eram da terra, isto é, terrenos. Ou seja, eles possuíam somente uma massa mineral[2], pois eram formados pela terra mineral. A segunda raça é simbolizada pelo nome de Caim. Os seres dessa Raça possuíam tanto um Corpo Denso mineral quanto um Corpo Vital, formado de Éteres. Portanto, eles eram semelhantes às plantas, e o alimento vegetal lhes foi proporcionado para comer. Por isso, ouvimos dizer que Caim cultivava a terra e plantava grãos. A terceira Raça também desenvolveu um Corpo de Desejos e devido a essa natureza emocional e passional, os seres dessa Raça se tornaram semelhantes a animais. Portanto, receberam como comida carne animal, e lemos na Bíblia que Nimrod era um poderoso caçador. Por fim, a Mente lhes foi adicionada como um elo entre o Tríplice Corpo e o Tríplice Espírito. O Espírito então entrou no Corpo e passou a habitá-lo, tornando-se um Ego.

Para que este Ego pudesse aprender a lição na Terra, ele deveria esquecer, por um tempo, sua origem espiritual celeste. Para esse fim, um novo alimento lhe foi fornecido, e o “vinho”, um espírito fermentado fora do corpo, foi usado pela primeira vez por Noé, o Hierarca Atlante, para amortecer o verdadeiro Espírito que habitava o Corpo. Sob a influência inebriante desse pseudo-espírito, o ser humano gradualmente esqueceu sua origem divina e concentrou toda a sua atenção nas lições a serem aprendidas neste Mundo. Contudo, embora a Humanidade se tenha entregado a esse novo produto de nutrição, o “vinho”, mesmo apesar das orgias realizadas em cerimônias exotéricas, nos santuários de todas as antigas Dispensações só era utilizado água, e os mais elevados e santos sacerdotes jamais permitiam que o vinho tocasse seus lábios. Consequentemente, eles não eram líderes cegos conduzindo outros cegos, mas viam claramente os Mundos invisíveis e conheciam o sagrado mistério da vida.

Durante as Épocas primitivas da nossa evolução fomos guiados por mensageiros visíveis das Hierarquias Divinas, a quem reverenciávamos como Deus, e mesmo depois que estes nos deixaram, os profetas e videntes continuaram a aparecer entre os seres humanos, testemunhando a realidade de Deus e dos Mundos invisíveis. As Religiões antigas também ensinavam a doutrina do Renascimento e, assim, o ser humano sabia que progredia por meio da experiência adquirida utilizando uma série de Corpos terrenos de textura cada vez mais aprimorada. É por essa razão que muitos hindus, que acreditam no Renascimento, sentem que não há necessidade de pressa em termos de evolução.[3] No entanto, para que o ser humano do Mundo ocidental, onde habitam os seres humanos pioneiros, pudesse se dedicar de corpo e alma a dominar os segredos da vida terrena, foi planejado que ele fosse completamente privado desse ensinamento. Além disso, o conselheiro espiritual estava temporariamente cego quanto ao conhecimento consciente de Deus e a visão dos Mundos internos, de modo que toda a Humanidade pudesse se sustentar por si mesma durante a Nova Dispensação e, consequentemente, se dedicasse inteiramente à evolução material que lhe estava reservada. O “vinho” teve, desde o início, essa contribuição em termos exotéricos, e o seu uso foi sancionado no Templo pelo primeiro milagre.

Sob a Antiga Dispensação, somente a água era usada no Serviço do Templo, mas com o decorrer do tempo, o “vinho” se tornou um fator na evolução humana. Um “deus do vinho”, Baco, era adorado e as orgias da mais selvagem natureza eram realizadas a fim de abafar as aspirações do Espírito, para que esse pudesse se dedicar a conquistar o Mundo Físico. Sob a Dispensação Mosaica (Antiga Dispensação), os Sacerdotes eram estritamente proibidos de usar “vinho” enquanto oficiavam no Templo, mas Cristo, em Sua primeira aparição pública, transformou a água em “vinho, ratificando seu uso na ordem das coisas então existentes. Note-se, porém, que isto foi feito em público e que foi o Seu primeiro ato de ministério público. Contudo, na última sessão esotérica de Cristo com Seus Discípulos, onde a Nova Aliança foi celebrada, não havia carne de cordeiro (Áries), como exigido pela Lei Mosaica. Não havia “vinho”, mas apenas pão – um produto vegetal – e o cálice do qual falaremos a seguir, depois de termos notado Suas palavras proferidas naquele momento: “Em verdade vos digo, não beberei mais do fruto da videira até que o beba novamente convosco no Reino dos Céus” (Mc 14:25). O suco de uva recém-extraído não contém um espírito proveniente da fermentação e decomposição, sendo, portanto, um alimento vegetal puro e nutritivo. Assim, os seguidores da doutrina esotérica foram instruídos, por Cristo, a seguirem uma dieta que não incluísse nem a carne animal, nem bebidas alcóolicas.

Geralmente se supõe que o cálice usado por Cristo na Última Ceia continha “vinho”, embora, na verdade, não haja fundamento na Bíblia para essa suposição. Existem três relatos sobre os preparativos para esta Páscoa. Enquanto S. Marcos e S. Lucas afirmam que os mensageiros foram instruídos a ir a uma determinada cidade e procurar um homem que carregava um cântaro de água, nenhum dos Evangelistas menciona que o cálice continha “vinho”. Além disso, pesquisas na Memória da Natureza mostram que a água era a bebida usada, e que, sob o ponto de vista esotérico, o “vinho” já tinha cumprido sua função. Desse esse ato data também a inauguração do movimento da temperança, pois essas mudanças cósmicas envolvem uma longa preparação nos Mundos internos antes de se manifestarem exteriormente na sociedade. Milhares de anos não são nada em tais processos.

O uso da água na Última Ceia também está em harmonia com as exigências astrológicas e éticas. O Sol estava deixando Áries, o Signo do cordeiro, entrando em Peixes, o Signo dos peixes, um Signo de Água[4]. Uma nova nota de aspiração estava prestes a soar, uma nova fase de elevação humana estava prestes a começar durante a Era de Peixes que se aproximava. A autogratificação seria substituída pela abnegação. O pão, alimento básico, feito de grãos imaculadamente cultivados, não alimenta as paixões como a carne animal; tampouco o nosso sangue, quando diluído em água, pulsa com a mesma intensidade que quando bebemos “vinho”. Portanto, o “pão e a água” são alimentos adequados e símbolos de ideais durante a Era Peixes-Virgem. Eles representam a pureza, e a Igreja Católica deu aos seus fiéis a água pisciana colocada à porta do templo e o Pão Virginiano no altar, negando-lhes o cálice de vinho durante a Liturgia. Contudo, mesmo o que foi exposto acima não nos leva ao cerne do mistério culto no “Cálice da Nova Aliança”.

A antiga “taça de vinho” que nos foi dada quando entramos na Época Ária, a terra da geração, estava cheia de destruição, da morte e do veneno, e a palavra que, então, aprendemos a falar está morta e impotente.

A nova “taça de vinho” mencionada como a representação do ideal da Época futura, a Nova Galileia (que não deve ser confundida com a Era de Aquário), é um órgão etérico construído dentro da cabeça e da garganta pela força sexual criadora não gasta, que à visão espiritual se assemelha à haste de uma flor elevando-se da parte inferior do tronco. Este cálice, ou cálice de sementes, é verdadeiramente um órgão criador, capaz de proferir a palavra da vida e do poder.

A palavra atual é gerada por movimentos musculares desajeitados que regulam a laringe, a língua e os lábios, de modo que o ar, proveniente dos pulmões, emita determinados sons, mas o ar é um meio pesado, difícil de mover quando comparado às forças mais sutis da Natureza, como a eletricidade, que se movem no Éter. Quando este novo órgão estiver desenvolvido, terá o poder de proferir a palavra de vida, de infundir vitalidade em substâncias que antes estavam inertes. Este órgão está sendo hoje formado por nós, por meio do serviço amoroso e desinteressado.

Vocês se lembrarão que Cristo não deu o cálice à multidão, mas aos Seus Discípulos, que eram os Seus mensageiros e servos da Cruz. Atualmente, aqueles que bebem da taça do autossacrifício, para que possam usar a sua força sexual criadora ao serviço amoroso e desinteressado aos outros, estão construindo esse órgão, juntamente com o Corpo-Alma, o “Dourado Manto Nupcial”. Eles estão aprendendo a usá-lo, em pequena escala, como Auxiliares Invisíveis, quando estavam fora do Corpo Denso à noite, pois então são ensinados a proferir a palavra de poder que remove a doença e edifica tecidos saudáveis.

Quando a Época Atlante se aproximava do fim e a Humanidade abandonou seu lar ancestral, onde havia estado sob a orientação direta dos Mestres divinos, a Antiga Aliança foi firmada, concedendo-lhes a carne animal e o “vinho”. Estes dois elementos, juntamente com o uso desenfreado da força sexual criadora, transformaram a Época Ária, especialmente nas suas duas primeiras Eras[5], em Eras de morte e destruição. Agora, estamos nos aproximando do fim dessa Era, a de Peixes.

Pois a Era de Peixes, ou o período em que o Sol, pelo movimento de precessão, passa pelo Signo de Peixes, está chegando ao fim. Durante esse período, o Signo oposto a Peixes, Virgem, representou o ideal humano. Ela foi venerada por um sacerdócio celibatário que recomendava aos seus fiéis o consumo de “peixes” como alimento em determinadas épocas da semana e do ano. No Zodíaco ilustrado, o Signo de Virgem tem uma espiga de trigo na mão. Tanto a semente quanto a uva são produtos do Reino vegetal, e a Imaculada Virgem Celestial, portanto, personificava o primeiro princípio da Imaculada Concepção: o sangue (“vinho”) e o corpo (pão) de Cristo. A essas coisas o sacerdócio celibatário, que dirigia o culto, chamou a atenção durante a Era de Peixes, que agora está prestes a terminar e, portanto, o “vinho” está sendo rapidamente abolido nos ofícios do templo e do uso nas missas, com o resultado de que uma correspondente medida de sensibilidade está sendo experimentada. O Espírito Divino, oculto dentro de cada ser humano, despertou do seu sono tóxico induzido pelo “espírito do vinho”, e começa a se recordar de sua origem divina e de sua herança da vida, à qual não tem início nem fim.

Vale a pena notar, a este respeito, que todo o clero dos diversos países do Velho Mundo e, também, os padres católicos das Américas ainda continuam a usar o “vinho” e as bebidas alcoólicas diariamente, e é mais significativo que, quando o Parlamento da Inglaterra, o Rei e os nobres, que representam a classe política, tentaram aprovar leis que proibissem a venda de bebidas alcoólicas no país, a medida fracassou devido à determinada oposição dos mais altos dignitários da Igreja.

Essa atitude do clero europeu não implica, de modo algum, numa degradação por parte deles, nem que devam ser censurados em qualquer aspecto. A Humanidade tem ainda muitas lições para aprender que só podem ser proporcionadas durante a “era do vinho”. Quando a necessidade do espírito falsificado passar, ele cairá em desuso sem que seja necessário recorrer a medidas legislativas, que geralmente não são eficientes, pois é absolutamente impossível legislar a moralidade nas pessoas. Até que uma lei seja aprovada internamente – de dentro para fora –, elas são obrigadas a quebrá-la para garantir a satisfação de seus desejos, independentemente das medidas restritivas.

(Pergunta nº 90 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora. (Jo 2:4)

[2] N.T.: Um Corpo Denso rudimentar

[3] N.T.: Hindus são pessoas que seguem o hinduísmo, uma das Religiões mais antigas e complexas do mundo, originária do subcontinente indiano, caracterizada por diversas crenças, como a crença em múltiplos deuses (Brahma, Vishnu, Shiva) e na reencarnação, além de uma rica tapeçaria de práticas, rituais (como o pujá e yoga) e textos sagrados (Vedas, Ramayana) que moldam a cultura indiana e não possuem um fundador único.

[4] N.T.: Tudo isso devido ao movimento de Precessão dos Equinócios da Terra.

[5] N.T.: Era de Áries e Era de Peixes

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