Categoria Estudos Bíblicos Rosacruzes em Perguntas e Respostas

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Jesus foi batizado aos trinta anos, recebendo o “Espírito de Cristo”. Por favor, explique esse Batismo.

Resposta: A Terra nem sempre foi como é atualmente. A ciência nos diz que houve um tempo em que era uma névoa ígnea incipiente. A Bíblia nos mostra que mais remotamente houve um período anterior a essa névoa, quando a Terra era incandescente e luminosa como o fogo; um tempo em que reinava a escuridão.

Houve quatro Épocas ou estágios ao todo, no desenvolvimento da Terra. Primeiro, houve uma Época sombria, chamada na terminologia Rosacruz de Época Polar. Nela a substância que formava a Terra era uma massa escura, quente e gasosa. No segundo estágio, chamado de Época Hiperbórea, a massa escura foi ignificada. Lemos na Bíblia que “Deus disse: ‘Faça-se a luz’ e se fez a luz“. Depois veio o estágio em que o calor dessa névoa ígnea, em contato com o espaço frio, gerou umidade e essa umidade era mais densa próxima ao núcleo ígneo, onde o aquecimento correu, do que na sua periferia – “Deus separou as águas das águas”, isto é, a água mais densa próxima ao núcleo ígneo do que aquela em forma de vapor mais distante dele. Finalmente, ocorreu uma incrustação, tal como sempre ocorre onde a água é fervida continuamente formando, assim, crosta da Terra, a terra seca.

Quando aquela crosta foi totalmente formada, não havia água na superfície terrestre, mas como a Bíblia diz: “Uma névoa subiu à superfície”, e nenhuma erva ainda germinava na face da Terra. Naquela Época, no entanto, começou a aparecer a vegetação e a humanidade nascente vivia ali. Mas, não era uma humanidade constituída como a de hoje. A sua forma aparente era muito diferente e não era tão evoluída como somos atualmente. Na verdade, o corpo e o espírito não estavam perfeitamente concêntricos; os espíritos pairavam parcialmente do lado de fora dos seus corpos e, portanto, “os olhos do ser humano ainda não haviam sido abertos”.

Antigas histórias folclóricas que ouvimos falar na Alemanha, e em diferentes lugares do Velho Mundo, falam deles como os Nibelungos. “Niebel” significa névoa e “ungen” são crianças. Eles eram os “filhos da névoa”, pois a atmosfera clara de hoje ainda não existia; o Sol se assemelhava ao arco de névoa que vemos em torno de uma lâmpada em algum poste na rua num dia muito nebuloso, devido à densidade da névoa que se elevava da Terra.

Enquanto a humanidade vivia nesse estado, não era mentalmente tão desenvolvida como o é hoje. Os seres humanos não podiam ver as coisas existentes fora de si, mas tinham uma percepção interna. Distinguiam as qualidades da alma de todos os que viviam ao seu redor, e suas percepções eram espirituais e não físicas. Naquele tempo não existia nenhuma nação, a humanidade formava, então, uma imensa fraternidade. Todos estavam parcialmente fora de seus corpos e, portanto, em contato com o Espírito Universal, bem diferente da situação atual em que a humanidade está obscurecida pela separatividade do egoísmo, que faz com que cada ser humano se sinta distinto e separado de todo o resto da humanidade; em que a fraternidade é esquecida e o egoísmo impera.

Quando se progride ao ponto de compreender e vivenciar os benefícios da fraternidade, em que a pessoa se esforça em abolir o egoísmo e a cultivar o altruísmo, então estará capacitada a passar pelo rito do Batismo. Entrará na água como um símbolo de seu retorno às condições ideais de fraternidade existente quando toda a humanidade vivia, por assim dizer, na água. Por essa razão, é que vemos Jesus, como o arauto da Fraternidade Universal, no início de seu ministério entrando nas águas do Jordão e ali sendo batizado. Ao se reerguer das águas, o Espírito Universal pousou sobre Ele em forma como de uma pomba, e desde aquele momento não era simplesmente Jesus, mas Cristo Jesus, o Salvador potencial do mundo imbuído do Espírito Universal que, finalmente, retirará de sobre todos os males do egoísmo e devolverá a humanidade às bênçãos da fraternidade que serão realizadas quando o Espírito Universal se tornar imanente em toda a humanidade.

(Pergunta nº 97 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas” -Vol. I-Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Cristo não encarnou anteriormente em Gautama Buda e, ainda antes, em Krishna?

Pergunta: Eu entendo quando você diz que o Cristo encarnou uma única vez em Jesus. Ele não encarnou anteriormente em Gautama Buda e, ainda antes, em Krishna?

Resposta: Não. O próprio Jesus é um Espírito pertencente à nossa evolução humana, assim como também era Gautama Buda. O autor não tem informações a respeito de Krishna, mas tende a acreditar que ele também era um Espírito pertencente à onda de vida humana, porque as histórias indianas a seu respeito relatam como ele entrou no céu e o que lá aconteceu. O Espírito de Cristo, que entrou no corpo de Jesus quando o próprio Jesus o cedeu, é um raio do Cristo Cósmico. Podemos acompanhar Jesus em seus renascimentos anteriores e podemos acompanhar seu crescimento até os dias de hoje. O Espírito de Cristo, pelo contrário, não pode ser encontrado de maneira alguma entre nossos Espíritos humanos.

Podemos dizer que antes da vinda de Cristo, o próprio Cristo trabalhou na Terra a partir do seu exterior, assim como o Espírito-Grupo trabalha com os animais a partir do seu exterior, guiando-os e ajudando-os até que se tornem suficientemente individualizados para que seus Corpos sejam a morada de um Espírito individual. Não havia nenhum Espírito que habitava a Terra antes da vinda de Cristo, mas no momento em que o sacrifício no Gólgota foi consumado e o Espírito de Cristo foi libertado do corpo de Jesus, ele foi atraído para a Terra e agora é o Regente do Espírito da Terra, que São Paulo diz “gemendo e está com dores de parto, esperando o dia da libertação”[1], pois, ao contrário da opinião aceita, o sacrifício no Gólgota não foi finalizado com a morte do corpo de Jesus; na verdade, podemos dizer que esse evento foi apenas o começo; o sacrifício continuará até que chegue o tempo em que tivermos desenvolvido o altruísmo e o amor que libertarão o Espírito da Terra das condições restritivas da existência material, quando não haverá mais a necessidade de guiar-nos.

(Pergunta nº 90 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas” -Vol. I-Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)


[1](Rm 8:22)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: É verdade que Eva foi retirada da costela de Adão?

Resposta: Entre os quarenta e sete tradutores da Bíblia do Rei James, somente três conheciam bem o hebraico e, desses três, dois morreram antes da tradução dos Salmos. Além disso, na escrita hebraica, especialmente no estilo antigo, havia o costume de retirar as vogais das palavras de maneira que o significado delas dependia da posição em que as respectivas vogais eram colocadas. Consequentemente, uma palavra podia ser interpretada de várias maneiras, donde se constata quão grandes são as dificuldades a vencer para acertar com o significado original das palavras e, portanto, do texto. No caso da história da costela de Adão, a palavra traduzida como “costela”, lida da forma “tsad”, realmente significa costela, mas quando lida da forma “tsela”, significa lado.

O ensinamento oculto, com relação ao desenvolvimento da Terra e do ser humano, afirma que houve um tempo em que o ser humano era como o Deus ou Elohim que o criou – bissexual. Era macho e fêmea, um hermafrodita, capaz de gerar outro ser a partir de si mesmo. Mais tarde, se tornou necessário, para sua posterior evolução, que um cérebro fosse desenvolvido e como ele, até aquele momento, emitia dentro de si mesmo a dupla força criadora, positiva e negativa, então metade dela foi retida com o propósito de construir um cérebro, uma laringe e um sistema nervoso, como órgãos do pensamento e como um teclado pelo qual o espírito pudesse trabalhar no seu organismo e se expressar vocalmente.

Alguns dos Espíritos, quando renascem, retêm a força positiva criadora e exteriorizam apenas a força negativa ou força feminina, enquanto outros, quando renascem, retêm a força feminina ou negativa e exteriorizam a positiva. Assim, pode-se dizer que Deus tirou de um lado do ser humano, mas não a costela. Essa leitura da palavra tem uma reivindicação de reconhecimento tão boa quanto a tradução ‘costela’ e, também, tem o mérito adicional de ajudar a explicar um fato que, de outra forma, seria inexplicável.

(Pergunta nº 83 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas” – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: De acordo com a Bíblia, apenas o ser humano recebeu uma alma. Então, por que você diz que os animais têm um Espírito-Grupo?

Pergunta: De acordo com a Bíblia, apenas o ser humano recebeu uma alma. Então, por que você diz que os animais têm um Espírito-Grupo?

Resposta: No primeiro capítulo de Gênesis, versículo 20, lemos que “Deus disse: Fervilhem as águas um fervilhar de seres vivos”. A palavra usada em hebraico é nephesh, que significa “sopro“. Essa palavra também é usada no segundo capítulo, versículo 7, em que se lê: “Então o Senhor Deus modelou o homem com a argila do solo, insuflou em suas narinas um sopro de vida (nephesh) e o homem se tornou um ser vivente (nephesh chayim)”. Não é uma alma vivente, como foi traduzido. A tradução da versão do Rei Jaime[1] foi modificada por pessoas que possuíam um pouco mais de consideração pela verdade do que por ideias preconcebidas; eles consentiram em escrever a palavra “alma” na margem como uma leitura alternativa da palavra no capítulo 1, versículo 20, em que a criação dos animais está registrada, de forma que, mesmo nas Bíblias atuais, se admite que os animais têm uma alma.

Entretanto, essa tradução não está correta, nephesh significa sopro e não alma; a palavra hebraica para alma é neshamah. Alma não é sinônimo de espírito, que é chamado de Ruach, de forma que o Gênesis não menciona o espírito do ser humano ou do animal, pois o espírito não tem gênese – ELE É. As formas do animal e do ser humano são sustentadas pelo sopro e tiveram um princípio e é isso que o Gênesis registra. Essa ideia está perfeitamente de acordo com as palavras de Salomão em Eclesiastes 3:19, em que nos é dito que (no que diz respeito ao corpo formado do barro) o ser humano não tem superioridade sobre o animal, pois assim como um morre, o outro também morre, todos têm um só sopro (nephesh) e como um morre, assim morre o outro. Todos vão para um só lugar (ou seja, o Mundo do Desejo).

Se a pessoa aceitar apenas a palavra em inglês e a versão da Bíblia, como se esse livro tivesse sido escrito diretamente em nossa língua[2], seria justo perguntar: Se o homem obteve sua alma conforme descrito na Bíblia, quando a mulher recebeu sua alma; ou ela não tem alma?

(Pergunta nº 82 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: A Bíblia do Rei Jaime (ou Tiago), também conhecida como Versão Autorizada do Rei Jaime, é uma tradução inglesa da Bíblia realizada em benefício da Igreja Anglicana, sob ordens do rei Jaime I no início do século XVII.

[2] N.T.: no caso do texto se refere à língua inglesa.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Como um Estudante Rosacruz estuda a Bíblia?

Como um Estudante Rosacruz estuda a Bíblia

A princípio, sempre nos lembremos que a “Bíblia foi nos dada pelos Anjos do Destino, que estando acima de todos os erros, dão a cada um e a todos o que necessitam para o seu desenvolvimento. Por conseguinte, se procurarmos a Luz, encontrá-la-emos na Bíblia”.

Quando se fala dos Mistérios Cristãos deve-se compreender que os quatro Evangelhos que encontramos na Bíblia não são exclusivamente relatos da vida de um único indivíduo, escritos por quatro pessoas diferentes, mas sim que são símbolos de Iniciações distintas. Cada um de nós atravessará algum dia os quatro períodos descritos nos quatro Evangelhos, porque cada um está desenvolvendo o espírito de Cristo no seu interior, o Cristo Interno. E ao dizer isso dos quatro Evangelhos, podemos aplicá-lo também a uma grande parte do Antigo Testamento que é, também, um maravilhoso livro de ocultismo, pois nos relembra o que fizemos naqueles tempos, bem como quantos irmãos e irmãs anteciparam o conhecimento que iria nos ser fornecido na plenitude via o Novo Testamento.

Quando colhemos batatas não esperamos encontrar somente batatas e nenhuma terra; tampouco, devemos esperar, ao nos aprofundarmos no livro chamado Bíblia, que cada palavra seja uma verdade oculta, porque como deve haver terra entre as batatas, assim também deve haver escória entre as verdades ocultas da Bíblia. Os quatro Evangelhos foram escritos de tal maneira que somente aqueles que têm o direito de saber podem descobrir o verdadeiro significado e compreender os fatos subjacentes. Do mesmo modo, no Antigo Testamento encontramos grandes verdades ocultas que se tornam lúcidas quando podemos olhar por detrás do véu.

Deve-se notar que as pessoas que originalmente escreveram a Bíblia não intentaram dar a verdade de uma maneira que todo aquele que quisesse, pudesse lê-la. Nada estava mais afastado de suas Mentes que escrever “um livro aberto sobre Deus”. Os grandes ocultistas que escreveram o Thorah são muito categóricos a esse respeito. Os segredos do Thorah não podiam ser compreendidos por todos. Cada palavra do Thorah tem um significado elevado e um mistério sublime. Muitas passagens estão veladas; outras devem ser entendidas literalmente; e ninguém que não possua a chave oculta pode decifrar as profundas verdades veladas naquilo que, amiúde, apresenta um feio revestimento.

(Publicado na Revista O Encontro Rosacruz – dezembro/1982)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: A Bíblia ensina a imortalidade da alma de uma forma autoritária. A Filosofia Rosacruz ensina o mesmo abertamente, apelando à razão. Não há provas positivas sobre a imortalidade?

Pergunta: A Bíblia ensina a imortalidade da alma de uma forma autoritária. A Filosofia Rosacruz ensina o mesmo abertamente, apelando à razão. Não há provas positivas sobre a imortalidade?

Resposta: O consulente está errado quando diz que a Bíblia ensina a imortalidade da alma. Não é mencionada uma única vez a palavra imortalidade ou céu no sentido de uma possessão do ser humano no Antigo Testamento. Lá encontramos, explicitamente, que: “O céu, mesmo os céus são do Senhor, mas a Terra, Ele a deu aos filhos dos homens” (Sl 115:16). É explicitamente anunciado que “a alma que peca, morrerá”. Se a alma fosse imortal, isso seria uma impossibilidade. No Novo Testamento, a palavra “imortal” ou “imortalidade” é somente usada seis vezes. Ela é destacada como alguma coisa pelo que lutar, ou algo que é um atributo de Deus.

No entanto, no que diz respeito ao Espírito, o caso é diferente e, mesmo quando esse é o tema, a palavra imortal não é usada. A imortalidade está subentendida, da mesma forma que a doutrina do Renascimento, em muitas passagens; mas a doutrina do renascimento se evidencia mais do que a da imortalidade do Espírito humano, pois a doutrina do Renascimento foi ensinada definitivamente pelo menos uma vez no Evangelho Segundo São Mateus capítulo 11, versículo 14, em que o Cristo disse de João Batista: “Esse é Elias”. Nesse ensinamento, a doutrina da imortalidade foi novamente mencionada, pois, se o Espírito Elias renasceu como João Batista, ele deve ter sobrevivido à morte física. O ensinamento da imortalidade era, naquele tempo, um dos ensinamentos ocultos e mesmo até hoje é dificilmente aceito, e assim o será até quando o ser humano entre no Caminho da Iniciação e lá veja por si mesmo a continuidade da vida.

No entanto, podemos afirmar, em resposta à pergunta, que tudo depende do que se entende por “prova positiva”, e quais são as qualificações da pessoa que pede a prova para poder julgá-las? Não podemos provar um problema de trigonometria a uma criança, mas se ela se desenvolver, aprendendo os preliminares necessários, lhe será fácil prová-la o problema. Também não podemos provar a existência da cor e da luz a um cego de nascença; são fatos que ele não pode apreciar, porque não possui a faculdade requerida. Mas, se adquirir a faculdade da visão, por meio de uma cirurgia, não será necessário lhe provar esses fatos, pois ele constatará a sua veracidade. Da mesma forma, ninguém pode apreciar as provas da imortalidade do Espírito até que, por si mesmo, esteja capacitado para percebê-las; então, será fácil para ele obter a prova positiva da imortalidade do Espírito, da sua existência antes do nascimento e da sua permanência após a morte. Enquanto ele não estiver assim qualificado, deve se satisfazer com deduções razoáveis que podem ser obtidas de várias outras maneiras.

(Pergunta nº 80 do livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I” – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Como podem conciliar a declaração da Bíblia, ou seja, que José só conheceu Maria após ela ter dado à luz ao seu primogênito Jesus que foi concebido pelo Espírito Santo, com os Ensinamentos Rosacruzes que dizem que Jesus era o filho de um pai humano, José?

Pergunta: Como podem conciliar a declaração da Bíblia, ou seja, que José só conheceu Maria após ela ter dado à luz ao seu primogênito Jesus que foi concebido pelo Espírito Santo, com os Ensinamentos Rosacruzes que dizem que Jesus era o filho de um pai humano, José, e de Maria, sua mãe?

Resposta: Se procurarmos as genealogias de Jesus nos Evangelhos segundo São Mateus e São Lucas, verificaremos que o parentesco é traçado desde José até Adão, e nenhuma palavra encontramos a respeito de Maria. Como já o dissemos numa resposta anterior, um copista pode ter interpolado a passagem citada para provar o sentido materialista da Imaculada Concepção.

Contudo, se considerarmos a doutrina esotérica da Imaculada Concepção, tal suposição torna-se desnecessária.

Jeová, o Espírito Santo, o guia dos Anjos, aparece em várias partes da Bíblia como o dador de filhos. Seus mensageiros foram a Sarah anunciar-lhe o nascimento de Isaac; para Hannah anunciaram o nascimento de Samuel; para Maria anunciaram o advento de Jesus, cujos veículos (Corpo Denso e Vital) foram, posteriormente, dados ao Cristo. O poder do Espírito Santo fecunda tanto o óvulo humano como a semente do grão na terra, e o pecado original ocorreu quando Adão conheceu a sua mulher, contrariando a recomendação de Jeová.

Essa transgressão acarretou a marca do pecado sobre uma função sagrada, mas quando uma vida santa purifica os desejos, o ser humano se inunda com esse espírito puro e pode efetuar a função procriadora sem paixão. A concepção torna-se, assim, Imaculada. A criança que nasce sob tais condições é naturalmente superior, porque a concepção realizou-se como um rito sagrado de autossacrifício e não como um ato de autossatisfação.

(Do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Perg. Nº 106 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: A cruz constitui apenas um símbolo de sofrimento, como dão a entender as religiões cristãs populares? Não teria um significado mais transcendental?

Pergunta: A cruz constitui apenas um símbolo de sofrimento, como dão a entender as religiões cristãs populares? Não teria um significado mais transcendental?

Resposta: Como todos os símbolos, a cruz tem muitos significados. Platão revelou um deles, quando afirmou: “A alma do mundo está crucificada”.

Quatro ondas de vida se expressam neste mundo através dos quatro reinos: mineral, vegetal, animal e humano. O reino mineral é representado pelas substâncias químicas, de qualquer classe que sejam. Assim, a cruz feita com qualquer material simboliza esse reino.

O madeiro inferior da cruz representa o reino vegetal, porque as correntes dos espíritos coletivos que vivificam as plantas provêm do centro da Terra.

O madeiro superior simboliza o ser humano, porquanto as correntes vitais que o sustentam são irradiadas do Sol, perpassando-lhe a coluna vertebral (vertical). Dessa forma, o ser humano constitui uma planta invertida. Assim como a planta recebe seu alimento pelas raízes, em linha ascendente, o ser humano ingere sua alimentação pela cabeça, em linha descendente.

A planta é casta, pura, e destituída de paixão. Dirige seu órgão reprodutor em direção ao Sol. O ser humano, ao contrário, dirige seus órgãos geradores para baixo, em direção à Terra; respira o vivificante oxigênio e exala o venenoso dióxido de carbono. Este é absorvido pela planta nutrindo-a. O vegetal, em troca, devolve-lhe o elixir da vida, o oxigênio.

Entre os reinos vegetal e humano encontra-se o animal, cuja medula espinhal horizontal é perpassada pelas correntes dos Espíritos-Grupo particulares a esse reino, pois tais correntes circulam em torno da Terra. O madeiro horizontal da cruz, por conseguinte, simboliza o reino animal.

Em âmbito esotérico, a cruz nunca foi considerada como um símbolo de sofrimento ou instrumento de tortura. Só a partir do século VI é que surgiram os primeiros quadros representando o Cristo crucificado. Anteriormente o símbolo do Cristo era um cordeiro aos pés de uma cruz, indicando que, quando o Cristo “nasceu”, o Sol transitava pelo Signo astrológico de Áries (o cordeiro). Os símbolos das diversas religiões expressaram-se sempre dessa forma.

Quando o Sol, devido à Precessão dos Equinócios, transitava pelo Signo de Touro (o touro), surgiu no Egito o culto ao Boi Ápis, no mesmo sentido em que hoje adoramos o Cordeiro de Deus.

Em tempos remotos falava-se no deus Thor, que conduzia suas cabras gêmeas ao céu. O Sol, nessa época, transitava pelo Signo de Gêmeos, os gêmeos.

Quando o Cristo “nasceu”, o Sol encontrava-se em torno do 5º grau de Áries, o cordeiro. Eis porque nosso Salvador é chamado de “Cordeiro de Deus”. Contudo, nos primeiros séculos da era cristã discutiu-se muito sobre a legitimidade de instituir o cordeiro como símbolo do nosso Salvador. Alguns sustentavam que o Sol transitava pelo Signo de Peixes (os peixes). Para eles, o peixe seria a representação mais exata do Cristo. Como reminiscência dessa disputa, a mitra dos bispos conserva a forma de uma cabeça de peixe.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de novembro/1977)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: As forças lunares são mencionadas como sendo um sal? O que tem haver isso com o “temperar” e ter paz?

Pergunta: A Filosofia Rosacruz ensina-nos que na fraseologia dos alquimistas, as forças lunares são mencionadas como sendo um sal. Isto tem algum significado com relação à seguinte citação no Evangelho Segundo São Marcos 9:49-50: “Porque todo será salgado pelo fogo, e toda a vítima será salgada com sal. O sal é bom, porém, se ele se tornar insípido, com que o haveis de temperar? Tende sal em vós, e tende paz entre vós”?

Resposta: Todo sacrifício deve ser temperado com sal. Esse era um mandamento na lei Mosaica, o Judaísmo, como o chamamos, e foi originado por Jeová. Não obstante, o sal tem outro significado mais profundo, isto é, se o sal fosse colocado sobre o sacrifício, o sal produziria um fogo químico que simbolizaria a sensação ardente sentida por nós devido ao remorso decorrente das nossas más ações praticadas. Toda transgressão será punida e expiada através de um sacrifício determinado. O sal e a incineração do sacrifício simbolizam o que de melhor haveria de chegar. As pessoas daquele tempo não podiam ser, elas próprias, sacrifícios vivos. Elas não podiam privar-se de nada, pois eram extremamente ligadas às suas posses. Estavam sempre querendo mais filhos, muita terra e mais rebanhos, portanto, se as coisas que elas mais prezavam lhes fossem tiradas em razão do pecado e da transgressão, elas ressentiam-se de uma forma intensa, muito mais do que se fossem pessoalmente injuriadas.

Esse sacrifício era uma espécie de expiação de segunda mão, simbolizando um futuro em que as pessoas seriam o próprio sacrifício, quando, então, sentiriam remorsos pelos erros praticados. Naquele tempo, o sacrifício não era aceito no altar senão depois de salgado e, similarmente, o sacrifício vivo não será aceito no altar do arrependimento senão depois de ter sido salgado, isto é, devemos sentir angústia, remorso e contrição ardentes por todo o mau ato cometido, e somente após ter sentido isso é que o sacrifício será aceito. Até então, o sacrifício era consumido por um fogo divinamente ateado. Isso indica que, após termos salgado em nós próprios o sacrifício vivo com lágrimas de arrependimento ao debruçar-nos sobre o altar diante de Deus, perceberemos que, embora nossos pecados sejam rubros, eles tornam-se brancos como a neve. O registro será apagado do panorama da vida. É desse modo que nos purificamos, mas o primeiro requisito é que o sacrifício seja salgado com lágrimas.

O fato de salgar os sacrifícios nas épocas antigas pode ter tido alguma relação com a ideia de que Jeová é o Espírito Lunar e, por conseguinte, rege o elemento químico sal, mas o sal do alquimista não era o sal comum. Era o sal das lágrimas e do arrependimento. Os alquimistas não alegavam poder transformar o metal não precioso em ouro. O que eles se propunham fazer era transformar os elementos básicos do corpo, que foram tirados da terra, em ouro da alma, esse “Dourado Manto Nupcial” que brilha ao redor de cada um que atinge a espiritualidade e se torna uma luz cada vez mais brilhante à medida que vive uma vida mais elevada e mais nobre.

(Pergunta 162 do Livro Filosofia Rosacruz por Perguntas e Respostas vol. II, de Max Heindel)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Diz-se que quando o Novo Testamento menciona o “Filho do Homem” quer se referir ao Espírito Solar. Os adoradores do Sol foram considerados idólatras. Nós também seríamos considerados como tais?

Pergunta: Diz-se que quando o Novo Testamento menciona o “Filho do Homem” quer se referir ao Espírito Solar. Os adoradores do Sol foram considerados idólatras. Nós também seríamos considerados como tais?

Resposta: Todo aquele que não segue os padrões de seu tempo é um idólatra. Quando o Sol, por precessão, a deixou constelação de Touro e entrou em Áries foi emitida a ordem “Não adoreis o bezerro de ouro; isso é idolatria”. 

Posteriormente, quando chegou a era Cristã, houve uma nova aliança e não se devia mais praticar o Judaísmo com suas oferendas, pois Cristo chegara e houve um único sacrifício por todos. Tornou-se idolatria executar o antigo sacrifício. Não há nenhum outro nome dado sob o céu pelo qual nós devemos ser salvos, a não ser o nome de Jesus Cristo. Mais tarde, quando Cristo entregar tudo nas mãos do Pai, haverá um novo padrão e será idolatria voltar aos nossos ideais de hoje.

(Revista Serviço Rosacruz – 12/73 – Fraternidade Rosacruz – SP)

Idiomas