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porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: O Valor em se Revisar as Lições Anteriores

Agosto de 1917

Na Carta a seguir, há uma sugestão valiosa de um Estudante Rosacruz a qual sinto meu dever transmitir:

Ontem à noite, ao examinar a vasta correspondência que tive a felicidade de receber da Fraternidade Rosacruz ao longo de quase cinco anos, perguntei-me como outros Estudantes Rosacruzes e Probacionistas lidam com as Cartas mensais que eles recebem da Fraternidade Rosacruz. Em seguida, ocorreu-me que esse assunto deveria ser abordado em uma das cartas mensais. Não é meu desejo criticar as atitudes de outros Probacionistas, mas é muito provável que poucos Estudantes Rosacruzes e Probacionistas percebam plenamente a verdadeira mina de informações contida nessas cartas — informações que podem ser transformadas em tesouro celestial por meio da ação correta. Com que frequência, ao reler edições passadas, surgiram novas ideias e compreensões das quais eu não tinha consciência anteriormente! E que grande ajuda elas têm sido em tantas lutas interiores!

Pode-se afirmar, com razão, que nestas lições anteriores possuímos uma mina de ouro da qual se podem extrair muitos tesouros capazes de nos auxiliar a viver a vida. Temos aqui, de fato, um segundo Conceito Rosacruz do Cosmos. É deveras importante que Estudantes Rosacruzes e Probacionistas arquivem e preservem corretamente cada detalhe de sua correspondência com a Fraternidade Rosacruz, para que ela possa ser utilizada da melhor maneira possível na difusão da luz dos Irmãos Maiores. Talvez apenas uma dessas lições seja suficiente para ajudar um amigo ou uma amiga. Certamente, uma organização metódica desse material trará grandes benefícios.

Acredito ser pouco provável que a maioria dos Estudantes Rosacruzes e Probacionistas consiga compreender plenamente o imenso poder para o bem que reside nessas lições. Para aqueles de nós habituados a dados rigorosos e métodos científicos de pesquisa, essas lições serão de grande valia para ajudar a unir a Mente e o Coração. Elas contêm muitas preciosidades de pensamento que conduzirão à ação correta e à perseverança na prática do bem. Se os Estudantes Rosacruzes e Probacionistas mantiverem o pensamento voltado para a melhor forma de utilizar as cartas que recebem, isso será de grande ajuda e promoverá um maior crescimento da alma. Certamente, são as pequenas coisas que tornam possíveis as grandes realizações, e talvez isso incentive alguns membros a se dedicarem ao serviço.

Se os Estudantes Rosacruzes tiverem em mente que a repetição é a nota tônica do Corpo Vital, e que “todo desenvolvimento oculto começa pelo Corpo Vital”, compreenderão por que é tão proveitoso rever frequentemente as lições e cartas anteriores.

(Carta nº 81 do Livro “Cartas aos Estudantes” – de Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Alquimia Espiritual: o que é isso na Sua Vida

As linhas irradiantes de força, invisíveis à visão física, permeiam o Corpo Denso e formam a nossa Aura. A coloração dessa Aura é distinta em cada pessoa em um matiz fundamental e demonstra o grau de evolução de cada um.

Para muitas pessoas esse matiz fundamental é vermelho, semelhante ao de um fogo lento; é um sinal da índole emotiva e passional.

A Aura das pessoas em elevados graus na escala da evolução que já estão em altos níveis do Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz apresenta um matiz fundamental de cor alaranjada, o vermelho das emoções, mesclado com o amarelo do intelecto. Entretanto, como resultado da consciente ou inconsciente alquimia espiritual que realizam ao longo do caminho do progresso e das experiências da vida, experiências que ensinam a sujeitar as emoções ao domínio da Mente, acabam por se emancipar dos marcianos Espíritos Lucíferos, cujas cores são escarlates e vermelhas. E, assim, esmaece o matiz fundamental da Aura, na medida em que, consciente ou inconsciente, vão se identificando com o Espírito unificador e altruísta de Cristo que vibra em áurea cor.

O nimbo de luz amarelada com que os artistas dotados de visão espiritual aureolavam a cabeça dos santos é a representação física de uma promessa espiritual que se cumprirá em todos os seres humanos, embora só aqueles a quem chamamos “Santos” verdadeiros o tenham conseguido. Depois de lutar durante muitas vidas contra as próprias paixões, perseverar pacientemente em boas obras, constância em propósitos elevados, os verdadeiros santos atuais conseguiram ultrapassar o raio vermelho e se encontram imersos nas vibrações douradas do raio de Cristo.

Os pintores medievais dotados de visão espiritual, ao representarem a citada transmutação, rodearam as cabeças dos Santos de uma auréola dourada, como sinal de libertação do poder lucífero de Marte, assim como do poder de Jeová, com a função de Deus de Raça, e seus Arcanjos como Espíritos de Raça, pertencentes a uma etapa de evolução da Onda de Vida humana e do nacionalismo (povo, nação, patriotismo).

Os Espíritos Lucíferos encontram sua expressão no ferro do sangue. O ferro é um metal marciano, tão difícil de colocar em alta vibração que é necessário o penoso esforço de muitas vidas para que o produto da sua combustão tome a cor dourada da Aura pura dos Santos. Quando tal se consegue, se consuma o magno processo da alquimia ou transmutação do metal inferior em ouro, ao mesmo tempo que os resíduos da Terra se convertem na maravilhosa liga do Mar de Bronze (aquele que no Tabernáculo no Deserto era também chamado de Lavabo da Purificação e que, já no Templo de Salomão era um imenso reservatório de água, usado simbolicamente para representar a união espiritual e a purificação da Humanidade). Então, só faltará abrir as comportas para que o jorro flua.

A cor natural do ouro é o raio de Cristo, que encontra sua expressão química no elemento Solar chamado oxigênio. No Caminho de Evolução para a Fraternidade Universal, todos nós, mesmo os que não professem uma Religião determinada, teremos em nossas Auras o matiz dourado, sob impulsos de altruísmo partidos do ocidente. S. Paulo dá a entender isso, ao dizer: “Cristo há de formar-se em vós” (Gl 4:19).

Quando soubermos formar a “liga” por meio de vidas espiritualizadas e vibrarmos em completa harmonia com Cristo, seremos semelhantes a Ele e estaremos aptos a abrir os crisóis do Mar de Bronze.

Cristo, na cruz, Se libertou por meio dos centros espirituais situados nos lugares onde lhe pregaram os cravos e de outros centros ainda. Aquele que prepare o Mar de Bronze receberá instruções quanto ao modo de romper os laços e se elevar as esferas superiores. Essa frase está de acordo com a admonição de Cristo, quando disse que, para chegar a ser seu Discípulo é preciso deixar pai e mãe. Essa é uma das mais simbólicas frases do Evangelho e geralmente mal interpretada, porque a reportam aos pais vida após vida física, quando, na verdade, significa algo muito diferente no ponto de vista esotérico.

Para bem compreender, recordemos que quando o ferro foi introduzido no nosso organismo físico e, com isso, produzimos o sangue vermelho e quente e nós, o Ego, pudemos ter controle sobre o nosso Corpo. Assim, quando o sangue vermelho se desenvolveu, na última parte da Época Lemúrica, nosso Corpo Denso se tornou ereto e, então, chegou o momento em que nós pudemos penetrar no nosso Corpo e governá-lo, de dentro.

O Sol, o centro da vida, governa o gás vivificante chamado oxigênio que se combina com o ferro, metal marciano. Cristo, o senhor do Sol, é também o Senhor da vida. Quando pela alquimia espiritual, chegarmos a ser como Ele, alcançaremos a imortalidade. A morte não terá mais domínio sobre nós. Isso não significa que os Corpos de quem alcança a imortalidade não tenham que morrer. Nós, o Ego, dominaremos completamente o nosso Corpo, usando-o durante séculos, até que nos convenha tomar outro. Outrossim, pelo mesmo processo de alquimia espiritual, teremos a capacidade de formar um novo Corpo Denso, se desprendendo do já velho e gasto.

A passagem do Adepto dos domínios da morte para o reino da imortalidade está simbolizada no arrojado salto de Hiram Abiff, ao se precipitar no mar ardente de metais fundidos e na passagem pelos nove Estratos do Planeta Terra que também fazem parte do Caminho da Iniciação. Também está simbolizado no batismo de Jesus, e depois do Gólgota, na descida à região subterrânea onde o seu Corpo Vital está esperando o dia do segundo e definitivo advento de Cristo.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de maio/1979 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Nosso – Ego – Trabalho Individual aqui

Para trabalharmos, conhecer, aprender a lidar e se desenvolver nesse Esquema de Evolução, tanto no que chamamos de Mundo visível como Mundos invisíveis temos que ter Corpos e veículos apropriados para funcionar em cada um deles.

Não nos foi possível desenvolver nossos poderes, enquanto não construíssemos os nossos três veículos inferiores, os Corpos: Denso (corpo físico), Vital e de Desejos. É deles que nós obtemos o alimento com o qual nutrimos e desenvolvemos nossos poderes potenciais.

Esse alimento-essência é chamado de Alma. Do Corpo Denso nós extraímos, automaticamente, a Alma Consciente, mediante a prática da ação reta em relação aos impactos externos, pelas experiências e observações. Esse pábulo ou alimento transmuta os poderes latentes do Espírito Divino (o veículo espiritual mais elevado em que nós nos manifestamos) em forças dinâmicas que se manifestam como vontade, inteligência, o princípio “Pai”, o poder de “fazer”, a força positiva do ser.

Do Corpo Vital extraímos o alimento-essência que chamamos de Alma Intelectual, também automaticamente, por meio do discernimento entre as coisas importantes, essenciais, reais da vida e as irreais, sem importância, não essenciais.

O que se chama de Alma Intelectual alimenta e transmuta em poderes dinâmicos as forças do Espírito de Vida (o segundo mais elevado veículo espiritual em que nós nos manifestamos), que são a imaginação, a intuição, o poder receptor, o poder de assimilar a natureza amorosa, a Sabedoria, o princípio “Mãe”.

Finalmente, pelo refreamento dos instintos animais, pela devoção aos sentimentos e desejos elevados e sublimes, pelas emoções geradas através da ação reta e por experiências purificadoras, nós, automaticamente, extraímos do Corpo de Desejos o alimento-essência conhecido como Alma Emocional.

Com ele alimentamos e desenvolvemos as potencialidades do Espírito Humano (o terceiro mais elevado veículo espiritual em que nós nos manifestamos; notem: manifestação tríplice, como Deus que nos criou): o poder criador (físico e mental), a fecundação, a expansão, a germinação e o crescimento; transformando-os em forças dinâmicas sob o domínio da nossa vontade.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de maio/1975-Fraternidade Rosacruz-SP)

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A Relação do Tríplice Espírito, Tríplice Alma e Tríplice Corpo em cada um de nós

Nós somos um Tríplice Espírito (Espírito Divino, de Vida e Humano), um Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui), que possuímos uma Mente, governando com ela o nosso Tríplice Corpo (Corpo Denso, Vital e de Desejos), que emanou de si mesmo para adquirir experiência. Esse Tríplice Corpo se converte em Tríplice Alma (Alma Consciente, Alma Intelectual e Alma Emocional), da qual se nutre, elevando-se assim da impotência à onipotência. Ou seja: a Tríplice Alma é a quintessência do Tríplice Corpo.

O Espírito Divino emanou de si o Corpo Denso extraindo como fruto a Alma Consciente.

O Espírito de Vida emanou de si o Corpo Vital extraindo como fruto a Alma Intelectual.

O Espírito Humano emanou de si o Corpo de Desejos extraindo como fruto a Alma Emocional.

O Tríplice Espírito lançou uma tríplice sombra sobre o reino da matéria e desse modo o Corpo Denso foi evoluindo como contraparte do Espírito Divino, o Corpo Vital como réplica do Espírito de Vida, e o Corpo de Desejos como imagem do Espírito Humano.

Finalmente, e o mais importante de tudo, formou-se o degrau da Mente como enlace entre o Tríplice Espírito e seu Tríplice Corpo. Esse foi o começo da consciência individual e marca o ponto onde acaba a Involução de nós, o Ego, na matéria, e onde começa o processo evolutivo pelo qual extraímos da matéria as lições aprendidas em cada Região ou Mundo que vivemos. A Involução significa a cristalização do Espírito em Corpos distintos, mas a evolução depende da dissolução dos Corpos, da extração da substância da Alma deles e da amálgama alquímica dessa Alma com o Espírito.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro/1970-Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Extensão da Nossa Consciência

No Capítulo do Livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, que trata do Esquema de Evolução estudamos e aprendemos que: “os três e meio Períodos que faltam serão dedicados ao aperfeiçoamento destes veículos, e a expansão de nossa consciência em algo semelhante à onisciência”. Esta lição trata desta importante fase da evolução. Já caminhamos um grande percurso desde a consciência do transe profundo, do Período de Saturno ao estado de Consciência de Vigília atual, e estamos nos preparando para a elevada consciência espiritual que obteremos no Período de Vulcano. Este é o grande Plano Divino que nosso Criador, Deus, traçou para nós, os Espíritos Virginais da Onda de Vida humana.

Através das diferentes fases da Involução fomos guiados por Seres Elevados – as Hierarquias Criadoras –, de variados graus de poder, porém, hoje, no tempo atual, nos encontramos no Caminho de Evolução de desenvolvimento, e ampliando a Consciência de Vigília, cujo desenvolvimento está em nossas próprias mãos, dependendo de nossa iniciativa e diligência, a fim de que cresçamos ou permaneçamos estacionado. A escolha é nossa!

Como Estudantes Rosacruzes ativos, sinceros e humildes temos plena consciência de nossos muitos defeitos. Como crescer em graça e alcançar o crescimento anímico é o objetivo de nossos esforços diários, porque o crescimento anímico aumentará a nossa consciência. Frequentemente sentimos que não podemos nos concentrar e meditar à vontade, ou tão profundamente como desejaríamos, porque influências externas nos perturbam e, com facilidade, nos dizemos a nós mesmos: “O mundo é demasiado para nós”. É, então, que somos tentados a nos excluir, e nos permitir o desejo de fugir para a nossa individual “torre de marfim”; sabemos que, sem importar quão sedutor possa nos parecer este projeto, não é o caminho certo para nós.

Experiências anteriores nos têm demonstrado que o crescimento anímico não se acumula fugindo da vida e das nossas obrigações ou deveres para com a família, comunidade e sociedade no mundo. A consciência se produz pela guerra entre o Corpo de Desejos, que destrói, e o Corpo Vital, que constrói o nosso Corpo Denso. Renascemos para obter experiências, e essas só se podem alcançar pelo contato com nossos semelhantes, irmãos e irmãs, aqui na Região Química do Mundo Físico, por meio de ação e reação.

A razão para a edificação de nosso intrincado sistema de veículos eficientes, durante a parte desse Esquema de Evolução que chamamos de Involução, foi para obter esse nível de consciência própria, a Consciência de Vigília. Pelo uso destes veículos, conscientemente, durante nossa jornada evolucionária, conseguimos obter o Poder Anímico, que é o alimento que nós, um Tríplice Espírito precisamos. Desde o mero princípio, somos uma parte de Deus, e agora, como sempre, n’Ele “vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”, porém, temos que nos converter em um Espírito Virginal da Onda de Vida humana individualizado, consciente! Como tal, no devido tempo, devemos conhecer e assimilar a nossa própria história passada, nossas possibilidades atuais, e nossas futuras potencialidades.

Cristo nos ensinou por meio dessa advertência: “Sê tu, portanto, perfeito como teu Pai é perfeito nos Céus” (Mt 5:48). Ele compreendia que nenhum de Seus ouvintes possuía a perfeição de Deus no tempo em que Ele lhes falou, porém, sabia o que é possível ao ser humano conseguir. Por Suas palavras, Ele desejava impressionar e recordar a todos nós que, pelo esforço constante e exercício incansável da vontade, poderemos, ao final, alcançar a perfeição. Ele quis elevar os não sensitivos, porque Ele sabia que muitos de nós estavam e ainda estão adormecidos espiritualmente e temos que despertar, frequentemente, por dolorosas experiências quando renascidos aqui. Não precisa ser assim (o caminho do amor não gera dor), mas muitos de nós insiste em trilhar o caminho do sofrimento para se despertar espiritualmente!

Reunimos material para o nosso crescimento da alma por meio de nossas experiências diárias; como tratamos estes acontecimentos que enfrentamos em nossa existência diária, será nossa contribuição individual para com a vida.

Cada um de nós experimentou um meio ambiente distinto e se equipou com um Átomo-semente mais ou menos poderoso no começo da vida e, por conseguinte, a reação de cada um é diferente, individualizada, e assim enriquecerá a obra da vida.

Carecemos de poder suficiente apreciável sobre os sucessos com que temos de nos defrontar em nossa jornada desde o berço até o túmulo, porém, podemos determinar como reacionar ante eles. Temos liberdade em demonstrar, face aos problemas da vida, debilidade ou valor ao enfrentá-los.

Nesta luta divina, nos enriquecemos espiritualmente, e a quintessência deste crescimento anímico é extraído vida após vida, armazenando-se como poder vibratório. Este poder reunido por nós, o Ego – um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui como Tríplice Espírito –, durante muitas vidas, é o que sentimos quando nos colocamos em contato com nossos semelhantes, é o poder vibratório que, com frequência, cria imediatos gostos e aversões. O Poder Anímico obtido se imprime em nossa própria alma e sentimos o seu efeito.

Ricardo Wagner, em sua Ópera Parsifal[1], teve um esplêndido êxito ao nos dar um quadro novo, revitalizado da velha lenda que fala da nossa jornada através da vida, conforme enfrenta os perigos e domina as tentações. Finalmente, chega à conclusão de sua pesquisa com a alma enriquecida e a consciência expandida. Quando, pela primeira vez, Parsifal aparece em cena, é puro e sem malícia, e surpreendentemente inocente. Deseja ser de alguma utilidade no Castelo de Graal, porém, antes de fazer isto, tem que enfrentar as realidades da vida e do mundo com seus perigos, porque tem que aprender a discernir. Este é o único meio de nos demonstrar onde somos débeis.

Parsifal, em sua inocência, passa através de seus encontros com as donzelas astutas e a tentadora Kundry sem se prejudicar. Em seu doloroso encontro com ela, obtém novo conhecimento que resulta em uma maior consciência. Ele viaja através de todo o mundo, encontra sofrimentos e fadigas e, agora, quando chega de novo ao Castelo do Graal, está em condições de ajudar e seus esforços são aceitos prazerosamente, porque conseguiu se dominar.

Ele diz a seus amigos: “Vim através do erro e do sofrimento, através de muitos fracassos e incontáveis angústias”. Isto deveria dar a todos aqueles que procuram conseguir fazer o trabalho do mundo, e a todos aqueles desejosos de aprender, novo alento e a segurança de que nada se perde, e se ganha com o esforço sincero.

A essência de nossas experiências, vida após vida, se acumula e não se perde. O amor e o entendimento adquiridos farão nossa jornada, para o alto, mais feliz e mais proveitosa a todo aquele que tentar.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – agosto/1982 – Fraternidade Rosacruz – SP)


[1] N.R.: Parsifal é uma ópera de três atos com música e libreto do compositor alemão Richard Wagner. Estreou no mês de julho de 1882. É vagamente baseada em Parzival, atribuído a Wolfram von Eschenbach, um poema épico do século 13 do cavaleiro arturiano Parzival (Percival) e sua busca pelo Santo Graal (século XII). É necessária uma compreensão da natureza da música para apreciar devidamente esta obra-prima que é Parsifal, de Richard Wagner, onde a música e os personagens estão interligados como em nenhuma outra produção musical moderna.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

“Eu Sou o Caminho”

Antes que o Cristo tenha se manifestado em Corpo Denso em nosso Planeta nos Corpos Denso e Vital cedidos, voluntariamente, por Jesus de Nazaré, as grandes Religiões como o Hinduísmo, Budismo, os cultos de mistérios Egípcios e Gregos já indicavam uma crescente influência e revelação ao mundo do Logos Solar. O Antigo Testamento também é profético do advento do Filho de Deus em forma humana. A última revelação divina para o ser humano está contida nos Evangelhos, contando o cumprimento de todas essas profecias.

Assim sendo, o Estudante Rosacruz não precisa defender hoje essa ou aquela Religião oriental pré-cristã. Ao máximo, pode tomar conhecimento, a todo esse cabedal de sabedoria, em forma de uma recapitulação da sua própria herança espiritual. Pode então, avaliar melhor a sua situação evolutiva presente, e a Fraternidade Rosacruz e um expoente dessa curta recapitulação.

Até certo ponto, a partir da segunda metade da Época Atlante podia se dar, espiritualmente falando, um passo evolutivo para trás num esforço de restaurar uma condição prévia, em que nós podíamos entrar de maneira negativa em contato com seres espirituais. Geofisicamente, podia se orientar para o Oriente. Dirigia os seus “orisons” ou orações matutinas ao horizonte oriental, em que a luz aparecia primeiramente. O gesto era simbólico e literal. O gesto literal era baseado numa ilusão referente à revolução da Terra no seu próprio eixo, que dava e dá a impressão de que a fonte de luz (Espírito) vem do Oriente.

O Estudante Rosacruz, nos dias de hoje, imita o movimento cósmico do Sol que também é ilusório em sua aparência de viajar do Leste para o Oeste, se tratando novamente da rotação axial da Terra. Porém, a identificação do Estudante Rosacruz com o movimento solar já significa progresso.

O Ser solar, Cristo, se encarnou no Planeta Terra em Nazaré e, subsequentemente, no próprio Corpo do Planeta Terra por meio do sangue precioso de Jesus. Iluminado pelo seu Cristo interno, o Estudante Rosacruz pode vislumbrar hoje o que ele será amanhã, enquanto o ser humano pré-cristão fitava nostalgicamente uma condição que ele tinha, em sua infância evolutiva. O ser humano contemporâneo engatinha para o autodomínio e, gradualmente, assume a sua real dimensão, saindo das alvoradas de sua inocência infantil. Ele enfrenta em plena consciência, as experiências do Mundo material, na clareza ofuscante da luz do meio-dia, e procede para o Oeste acompanhando o pôr do Sol. O acompanha para a sua segunda morada: vida após a morte. As alvoradas da infância humana, o meio-dia de luz ofuscante de luta consciente, com a experiência material e o pôr do Sol, vida após a morte, eis as etapas da caminhada humana.

O peregrino, depois do Gólgota, aprecia o supremo valor da existência encarnada, que Cristo Jesus glorificou abrindo Caminho. Houve um ponto na história da evolução humana, quando ficou proibido ao ser humano negar a existência de seu Corpo Denso, procurando se refugiar nos Mundos espirituais, para fugir da cruel luta da experiência material. Esse ponto foi atingido no Gólgota. Com a exceção de videntes involuntários anacrônicos, a atenção do ser humano devia se voltar para a caminhada na matéria. As Iniciações pré-cristãs e os rituais de mistérios se tornaram obsoletos. Antes, quando esses sistemas eram usados normalmente, o Corpo Denso se tornava como morto, já que o invólucro etérico e os Corpos mais sutis acompanhavam o Ego, se separando do veículo físico, completamente.

No modo de Iniciação trazida por Cristo, o Corpo Denso fica vivo, vital. A consciência pode ao mesmo tempo penetrar nos Reinos mais elevados, e não perder o contato com a sua parte mineral, já que a forma e a função vital foram revitalizadas por Cristo,enquanto andou na Terra como Cristo Jesus.

A descida do Cristo Solar se processou pelo mesmo modo que nós, o Ego, renascemos aqui, que descendo pelos Mundos do Pensamento e de Desejos. Gravitou para o Mundo do Desejo e foi identificado como “Senhor da Luz” pelos sacerdotes de Zoroastro, os chamados Reis Magos, ao qual o Cristo era conhecido como “Ahura Mazdao”. Em sua descida para a Terra, Cristo foi percebido pelos Egípcios e nomeado “Osíris”. Quando entrou na Região Etérica do Mundo Físico, a cultura Hebraica percebeu o Cristo como a deidade lunar “Jeová” (que significa “Eu era, Sou e Serei), e que se apresentou à Moisés como “EU SOU”. Quando Cristo quase alcançou a Região Química do Mundo Físico, os Gregos e os Hebreus tiveram a premonição do nascimento de um ser especial: Deus no ser humano. Finalmente, Cristo se encarnou nos Corpos Denso e Vital de Jesus. O “EU SOU” de Abrão, se revestiu de carne. Com a Ressurreição, a Humanidade recebeu um novo ímpeto evolutivo, não podendo voltar a uma condição de feliz inocência e negar o Mundo Físico em que ela deve ser ativa, nos moldes evolutivos a ela ensinados pelo Mestre. Não nega o mundo. Abraça-o. Progride na espiral evolutiva e cresce.

As Religiões pré-cristãs ainda indicam que na liberação da roda da vida, o ser humano volta à mesma felicidade Edênica. Sai do “Nirvana e volta para o Nirvana”. Vidas e vidas de ilusão. Ironicamente, muitas Igrejas convencionais Cristãs têm os seus altares voltados para o Leste. Porém, na realidade, o Tabernáculo no Deserto (descrito em grande detalhe no Antigo Testamento e muito estudado pelo Estudante Rosacruz) era profeticamente alinhado a um eixo cuja entrada era a Leste, e seu santuário mais recôndito era à Oeste. A ênfase direcional mostra a espiritualização e despojamento do ser humano pelo renascimento, pelo trabalho e pelo serviço no Mundo material. E, dessa forma, “o Filho oferecerá ao Pai”, na sua volta aos Reinos celestiais, “o ouro espiritual do sofrimento, transmutado, às raras essências de suas experiências, e as pedras preciosas de suas lágrimas”. Esse será o seu presente ao Pai: o seu próprio ser.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – julho/1982 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Qual é o Significado Esotérico da Arca da Aliança?

Resposta: Nos primeiros capítulos da Bíblia, lemos sobre a “Queda do Homem” no Éden, quando o ser humano tomou para si a força sexual criadora, utilizou-a de forma ignorante e, assim, pecou contra as Leis da Natureza. A propagação é uma faculdade do Corpo Vital — que é a sombra do Espírito de Vida, o segundo aspecto do Tríplice Espírito do ser humano.

Os Querubins são descritos como tendo sido postos de guarda, com uma espada flamejante, quando o ser humano foi expulso do Éden, para que não comesse da Árvore da Vida e se tornasse imortal; pois eles constituem a grande Hierarquia Criadora que regia a Terra durante o Período Solar, Período em que ganhamos o germe do Corpo Vital e foi nos despertado o Espírito de Vida.

Então teve início a longa peregrinação pelo deserto da matéria, e a Arca da Aliança era o símbolo do ser humano nesta fase migratória de sua existência. Durante a peregrinação pelo deserto, as varas utilizadas para transportar a Arca permaneciam sempre em seus lugares, indicando que ela não possuía morada permanente; contudo, ao chegar ao Templo construído sem o som de martelos — o Templo de Salomão —, sua peregrinação chegou ao fim, e as varas foram removidas.

Em sua natureza como símbolo do ser humano, a Arca continha a Tábua das Leis, dado para ensinar ao ser humano a conduta correta. Havia nela a Vara de Aarão que floresceu — um cetro de poder que simbolizava a força espiritual latente em todo ser humano. A lança de Parsifal era como se fosse uma réplica da Vara de Aarão que fora instrumento de dano nas mãos de Klingsor, o Mago Negro, e, também, nas mãos do soldado romano; contudo, o puro e espiritual Parsifal[1] a utilizou para curar as feridas de Amfortas. A Vara de Aarão fora usada entre os egípcios para causar aflição e sofrimento, sendo então ocultada no interior da Arca — simbolizando o fato de que o ser humano, em certo momento, possuíra e utilizara indevidamente o poder espiritual que agora se encontrava oculto em seu interior.

Havia o Pote de Ouro do Maná. Esse não era um alimento para o Corpo, como se explica de forma materialista. A palavra “maná” é quase universal. No sânscrito, temos “manas”, o pensador. No alemão, no inglês, nas línguas escandinavas e em muitas outras, temos a mesma palavra “man” para designar o pensador. A colocação do Pote de Ouro do Maná dentro da Arca comemora o momento em que o Ego penetrou na forma que havia construído e tornou-se um Espírito individual residente em seu interior.

Essa foi a “Queda” nas condições materiais, que tornou necessária a geração de Corpos Densos. Quando o ser humano arrogou para si o poder de gerar a qualquer momento, foi exilado da Região Etérica, para que não se apoderasse do segredo de vitalizar os Corpos imperfeitos que gera e tornasse a evolução impossível.

Como afirmado na primeira parte de nossa resposta, os Querubins foram os autores de nossas forças vitais; portanto, devem guardá-las até que o ser humano esteja apto a exercer o próprio controle sobre elas. Por isso, diz-se que foram colocados no Jardim do Éden portando uma espada flamejante; e é de suma importância notar que, nas portas do Templo de Salomão, havia Querubins que não traziam mais a espada flamejante nas mãos, mas sim uma flor aberta. A flor é o órgão gerador da planta — realizando o ato da geração de maneira pura e isenta de paixão — e, quando o ser humano aprender a tornar-se puro e livre de paixões, de modo que toda e qualquer forma seja concebida imaculadamente, ele poderá entrar no Templo de Deus assim como a Arca entrou no Templo de Salomão. Poderá ali permanecer — fato simbolizado pela remoção das varas de transporte — e conforme profetizado no Apocalipse, onde o Espírito declarou: “Ao que vencer, fá-lo-ei coluna no templo do meu Deus, e dele jamais sairá“[2].

(Pergunta nº 88 do Livro: Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Parsifal é uma ópera de três atos com música e libreto do compositor alemão Richard Wagner. Estreou no mês de julho de 1882. É vagamente baseada em Parzival, atribuído a Wolfram von Eschenbach, um poema épico do século 13 do cavaleiro arturiano Parzival (Percival) e sua busca pelo Santo Graal (século XII). Parsifal é uma ópera de três atos com música e libreto do compositor alemão Richard Wagner. É vagamente baseada em Parzival, atribuído a Wolfram von Eschenbach, um poema épico do século 13 do cavaleiro arturiano Parzival (Percival) e sua busca pelo Santo Graal (século XII). Foi sua última ópera completa. Wagner descreveu Parsifal não como uma ópera, mas como um Festival para a Consagração do Palco. A grafia de Parsifal feita por Wagner em vez do Parzival que ele usou até 1877 é informada por uma etimologia errônea do nome Percival derivando-a de uma origem supostamente persa, FalParsi significando “tolo puro”. A ópera se passa nas legendárias colinas do Monte Salvat, na Espanha, onde vive uma fraternidade de cavaleiros do Santo Graal. O mago negro Klingsor teria construído um jardim mágico povoado com mulheres que, com seus perfumes e trejeitos, seduziriam os cavaleiros e faria com que eles quebrassem seus votos de castidade, e teria ferido Amfortas, rei do Graal, com a lança que perfurou o flanco de Cristo, e todas as vezes em que Amfortas olha em direção ao Graal sente a ferida arder. Tal redenção só poderia ser realizada por um “inocente casto” (significado da palavra “Parsifal”). Este, em sua primeira aparição na ópera, surge ferindo um dos cisnes que purificavam a água do banho de Amfortas, e a todas as perguntas que os cavaleiros lhe fazem responde dizendo que não sabe de nada, nem ao menos seu nome.

Parsifal atravessa o jardim mágico de Klingsor e é seduzido pela amazona Kundry, que ora é uma fiel serva do Graal, ora é escrava de Klingsor. Ao beijá-la, sente os estigmas das feridas que afligiam Amfortas e, quando Klingsor atira a lança contra ele, a lança dá a volta em seu corpo, e todo o castelo mágico é destruído. Tempos depois, tendo os cavaleiros se convencido de que ele é o “inocente casto” que faria a salvação, Parsifal cura as feridas de Amfortas e o destrona, assumindo a nova condição de rei do Graal.

[2] N.T. Apo 3:12

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Visto que o progresso evolutivo exige, de tempos em tempos, mudanças na alimentação do ser humano, poderia gentilmente indicar algumas características da alimentação futura?

Resposta: Atualmente, o alimento ingerido é decomposto e desintegrado pelo calor interno do organismo. Assim, o Éter Químico, que permeia cada partícula do alimento se combina com o Éter Químico do nosso Corpo Vital. O alimento magnetizado pela ação do Sol durante o seu desenvolvimento nas plantas é, então, assimilado e permanece conosco até que esse magnetismo se esgote. Quanto mais diretamente o alimento provém do solo, maior é a quantidade de magnetismo solar que ele contém. Consequentemente, ele “permanece conosco” por mais tempo quando consumido cru. Quando o alimento passa pelo processo de cozimento, perde-se parte do Éter que ele continha, pois muitas das partículas mais sutis são dissolvidas pelo calor e se elevam como ar na cozinha sob a forma do aroma característico do alimento em questão. Por isso, as células de alimentos cozidos permanecem como parte do nosso Corpo Denso por menos tempo do que as de alimentos crus; além disso, alimentos já assimilados pelo animal contém muito pouco Éter Químico próprio (exceto o leite, que é obtido por um processo vital e contém mais Éter do que qualquer outro alimento).

Assim, no que se diz respeito à carne de animais, pode-se afirmar que a maior parte do Éter Químico presente na forragem das suas rações já havia passado para o Corpo Vital do animal antes da morte dele e, no momento do óbito, esse Corpo Vital abandona a carcaça física. Por essa razão, a carne animal entra em putrefação muito mais depressa do que os vegetais e “permanece conosco” apenas por um curto período após a ingestão.

A morte e a doença se devem, em grande parte, ao fato de nos alimentarmos de substâncias compostas por células desprovidas de seu Éter Químico individual – aquele obtido durante a assimilação vegetal. Esse Éter é diferente do Éter Químico planetário – que permeia os Reinos mineral, vegetal, animal, bem como o ser humano. A carne animal, privada pela morte do Corpo Vital individual que animava o animal durante a vida dele, reduz-se, na verdade, a sua forma química mineral; como tal, possui pouco valor para os processos vitais do nosso Corpo Denso. De fato, ela é prejudicial a esses processos vitais e deve ser eliminada do organismo o mais rapidamente. Contudo, por serem de natureza mineral, essas partículas de carne animal estão mortas e são de difícil eliminação.

Consequentemente, elas se acumulam gradualmente. Mesmo a parte dos alimentos vegetais – especificamente as cinzas e os minerais – permanece em nosso organismo, gerando um processo gradual e paulatino de obstrução que descrevemos como crescimento. Isso acontece porque privamos a planta (ou outro alimento) de seu Éter Químico. Se fôssemos semelhantes às plantas e tivéssemos a capacidade de impregnar o mineral com Éter, seríamos realmente capazes de assimilá-lo e atingir estaturas gigantescas; no entanto, nas condições atuais, o material morto se acumula progressivamente até que, por fim, o crescimento cessa, visto que nossa capacidade de assimilação se torna cada vez menos eficiente.

No futuro, não digeriremos nossos alimentos dentro do Corpo Denso; em vez disso, extrairemos o Éter Químico e o inalaremos pelo nariz, onde ele entrará em contato com a Glândula Hipófise.

Esse é o órgão geral de assimilação e promotor do crescimento. Então, nosso Corpo Denso se tornará cada vez mais etérico; os processos vitais não serão prejudicados pelo acúmulo de resíduos e, consequentemente, as doenças desaparecerão gradualmente e a vida será prolongada aqui. A esse respeito, é significativo que, muitas vezes, os cozinheiros não sintam vontade de comer, pois o aroma forte do cozimento os satisfaz bastante.

A Ciência material está aprendendo gradualmente as verdades anteriormente ensinadas pela Ciência oculta, e sua atenção está sendo cada vez mais voltada para as Glândulas Endócrinas (sem dutos), o que lhes fornecerá a solução para muitos mistérios. No entanto, a Ciência material não parece estar ciente de que existe uma conexão física entre a Glândula Hipófise – o órgão principal de assimilação e, portanto, do crescimento – e as Glândulas Suprarrenais, que eliminam os resíduos e assimilam as proteínas. Elas também estão fisicamente conectas à Glândula Baço, à Glândula Rimo e à Glândula Tiroide. Sob o ponto de vista astrológico, é significativo que a Glândula Hipófise seja regida por Urano – a oitava superior de Vênus, o regente do Plexo Celíaco, onde está localizado o Átomo-semente do Corpo Vital. Assim, Vênus guarda a entrada do Fluído Vital que nos provém diretamente do Sol através da Glândula Baço, enquanto Urano é o guardião do portal por onde a vitalidade entra através dos alimentos físicos. É a combinação desses dois fluxos que produz o poder latente armazenado em nosso Corpo Vital, até que este seja convertido em energia dinâmica pela natureza do desejo, de influência marciana.

(Pergunta nº 52 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Ensinamentos Rosacruzes onde a casca que tem de ser removida, a fim de ser saboreado o fruto

Costumamos receber cartas de Estudantes Rosacruzes, nas quais se queixam de que se encontram desamparados nos estudos que fazem da Filosofia Rosacruz; que suas esposas ou esposos, filhos, conhecidos ou até demais parentes não só antipatizam, como são antagônicos aos ensinamentos dessa Filosofia Rosacruz, apesar dos esforços que dispendem para interessá-los, e ao mesmo tempo, para obterem cooperação e liberdade para seguir com as suas inclinações. Esse atrito é causa de certa infelicidade, proporcional aos distintos temperamentos e, por isso, nos rogam que lhes aconselhemos sobre o modo de converter tais pessoas e vencer esse antagonismo.

Por meio de correspondência particular tivemos o prazer de ajudar a mudar as condições de não poucos lares, quando nossas sugestões foram seguidas devidamente. Entretanto, sabemos que aqueles que por esse motivo mais profundamente sofrem, são aqueles que se calam e, portanto, resolvemos dedicar-lhes curto espaço de tempo para discutir o assunto.

Foi dito, de fato, mas muito verdadeiramente, que “um ligeiro conhecimento é perigoso”, e isso se aplica ao significado dos Ensinamentos Rosacruzes; portanto, o principal é sabermos se temos um conhecimento suficiente para sustentarmos uma atitude apropriada e, então, eu vos faço uma pergunta: O que são esses Ensinamentos Rosacruzes que com tanto afã procura inculcar nos outros, e qual o seu objetivo? Será tornar conhecidas as gêmeas Leis de Consequência (ou Causa e Efeito) e do Renascimento? Elas por si só explicam muitos dos problemas da vida e é um grande consolo quando a temível segadora apareça em vossa casa e arrebate a algum ser querido, porém, não esqueça de que existem muitas pessoas que não tem necessidade de nenhuma explicação, pois são de uma constituição tal que não se acham preparadas para receber o que lhes queiramos transmitir.

É natural que agimos com maior vantagem quando temos consciência das Leis de Consequência (ou Causa e Efeito) e do Renascimento e seus propósitos, mas atentemos ao fato de que essas leis trabalham para o bem geral, embora a Humanidade tenha ou não conhecimento disso; portanto, esse conhecimento não é essencial. As pessoas não sofrerão grandes penas por não adotarem a nossa doutrina, e poderão, talvez, escapar da desvantagem de possuírem um “conhecimento muito limitado”.

Na Índia, onde essas verdades são conhecidas e cridas por milhões de pessoas, o povo faz muito pouco esforço para adquirir o progresso material, por saberem que tem tempo ilimitado para obterem o que quiserem e porque sabem que os que não fizerem nesta vida terão que fazer na futura; assim é que muitos ocidentais, ao abraçarem a doutrina do renascimento, caíram na indolência, deixando de ser úteis à comunidade e deturpando, assim, os chamados ensinamentos elevados.

Se seus amigos ou parentes não se interessam por esses ensinamentos, deixai-os tranquilos; converter a outrem não é essencial sob o ponto de vista Rosacruz, pois o Guardião do Umbral não leva em consideração o conhecimento de ninguém, admitirá a alguns que desconheçam completamente o assunto e baterá a porta no rosto de outros que passaram suas vidas lendo, estudando e ensinando os ensinamentos das Leis de Consequência (ou Causa e Efeito) e do Renascimento.

De maneira que, se as doutrinas das Leis de Consequência (ou Causa e Efeito) e do Renascimento não são essenciais, o que diremos do conhecimento da complexa constituição do ser humano?

Seria essencial saber que nós não somos meramente um Corpo visível (esse Corpo Denso), senão que temos um Corpo Vital que o carrega de vitalidade, um Corpo de Desejos que consome essa vitalidade durante o dia, uma Mente para guiar os nossos esforços por canais razoáveis e que somos Espíritos Virginais a Onda de Vida humana envoltos como Ego em um tríplice véu (ou seja: manifestado aqui por meio de um Tríplice Espírito)?

Seria também essencial saber que o Corpo Denso é a contraparte material do Espírito Divino; que o Corpo Vital é a contraparte do Espírito de Vida; e que o Corpo de Desejos é a contraparte do Espírito Humano, e que a Mente é o elo entre o Tríplice Espírito e o Tríplice Corpo?

Não, esse conhecimento não é essencial. Tais conhecimentos, quando usados de modo apropriado, são uma vantagem, mas poderão se tornar em desvantagem para aqueles que tenham “um conhecimento muito limitado”.

Muitos vivem meditando sobre as “coisas superiores”, enquanto os “seres inferiores” gemem na miséria diante de suas portas; muitos sonham, dia e noite, na hora em que tenham de sair de seus Corpos em voos da alma, como “Auxiliares Invisíveis” para remediarem os sofrimentos, as enfermidades e tristezas alheias, não sendo, porém, capazes de gastar cinco minutos para consolar um pobre abandonado em um hospital ou para levar uma flor, uma palavra de consolo a alguém que dela necessite. Novamente declaro que: o Guardião do Umbral admitirá aquele que fez o que pode e não ao que muito sonhou e nada fez para aliviar os sofrimentos de seus semelhantes.

Se conseguir que alguém estude os Ensinamentos Rosacruzes sobre a morte e a vida que há depois dela, concluirá que também seria muito importante saber algo sobre o Cordão Prateado que permanece sem se partir, aproximadamente durante três dias e meio depois que abandonamos o nosso Corpo Denso, e que o Corpo Denso deve permanecer em ambiente de tranquilidade, enquanto o Panorama de Vida recém-finda está sendo gravado no Corpo de Desejos, a fim de servir de árbitro na nossa passagem pelos Mundos invisíveis.

Achará, também, razoável que soubessem tudo o que se relaciona com a nossa estada no Purgatório e que como os maus atos, as más obras e ações da vida aqui reagem sobre nós lá, como dor, a fim de criar a nossa consciência e nos manter afastados de ditos atos, ditas ações e obras, nas vidas futuras

Igualmente, desejará fazê-lo aprender como os nossos bons atos, nossas boas obras e ações se transmutam em virtudes nas vidas futuras, conforme a Filosofia Rosacruz ensina; entretanto, se você se surpreende com a asserção de que o conhecimento das grandes Leis gêmeas (Leis de Consequência (ou Causa e Efeito) e do Renascimento) não é essencial, muito você se escandalizará, porque também não é essencial que conheça a nossa constituição nem tríplice, nem sétupla e nem decupla, tal como a Filosofia Rosacruz ensina e muito lhe poderá entristecer ao lhe afirmar que os Ensinamentos Rosacruzes, em relação à morte e a nossa passagem pelos Mundos invisíveis não são, também, necessários para o propósito que pretendemos levar avante.

Realmente, não importa que seus parentes ou amigos compreendam, creiam ou não em tais coisas; porém, pelo que diz respeito a sua morte, pode escrever aos vossos familiares que deixem o seu Corpo Denso em paz e que não permitam ruídos durante o período apropriado; todos, naturalmente, assim farão, mormente levando em conta certa superstição em respeitar a “última vontade dos moribundos”; e se ocorrer o falecimento de um seu parente ou amigo estará presente, a fim de que com o seu conhecimento possa ajudá-lo, convenientemente. Portanto, não se preocupe por se recusarem a receber os Ensinamentos Rosacruzes.

Mas, dirá o Estudante Rosacruz: “Se o conhecimento dessas coisas que parecem ter um tão grande valor prático não é necessário, é de se supor que o estudo dos Períodos, Revoluções, Mundos, Globos, etc. se encontram nas mesmas condições, e isso destrói tudo o que foi ensinado no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, e nada restará daquilo que aprendemos e aceitamos com toda fé!”.

Que nada reste dos Ensinamentos Rosacruzes? … pois a verdade é que tais Ensinamentos são somente a casca que tem de ser removida, a fim de ser saboreado o fruto. Com certeza você leu o livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz muitas vezes e se sente orgulhoso em conhecer o “mistério do mundo”, porém leu o mistério que se oculta em cada uma de suas linhas e nas entrelinhas? Esse é o grande e essencial Ensinamento, aquele que interessará aos seus amigos e parentes, o qual quando aprendido deverá ser dado a eles. O Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz predica em cada uma de suas linhas o evangelho do serviço!

Afinal, todos hão de concordar que por nossa causa a Deidade manifestou o universo; as Hierarquias Criadoras foram – e algumas delas continuam – sendo nossos servidores, os Luminosos Espíritos diante do Trono, cujos ígneos Corpos vemos girando através do espaço, trabalharam conosco por muito tempo, nos servindo e, por sua vez, Cristo veio nos trazer os impulsos espirituais de que carecíamos, sendo significativa a parábola: “Muito bem, bom e fiel servo, entra no gozo do teu Senhor; pois tive fome e me alimentaste, tive sede e me deste de beber” (Mt 25:21).

Note: não há nessa Parábola nem uma só palavra sobre o conhecimento! Todo o seu significado gira em torno da fé e do serviço. Nisso existe uma profunda e oculta razão: o serviço constrói o Corpo-Alma, o glorioso Traje Nupcial, sem o qual nenhum ser humano poderá entrar no Reino dos Céus, designado ocultamente por: Nova Galileia.

De modo que se seguirmos com o nosso trabalho “servindo mais a cada dia que passa”, não importa que saibamos ou não como se processam as coisas, o luminoso Corpo-Alma cresce ao nosso redor e a sua luz nos ensinará tudo quanto concerne aos Mistérios ocultos, sem que seja preciso recorrer a livros – por esse meio, aprendemos os Ensinamentos Rosacruzes de tal maneira que ultrapassa aquilo que os livros nos poderiam oferecer. No devido tempo a nossa visão interna se despertará e nos mostrará o Caminho para o Templo da Ordem Rosacruz.

Assim, se você quer ensinar aos seus amigos, parentes, conhecidos e até desconhecidos, por mais céticos que sejam, eles crerão em você se você pregar o “evangelho do serviço”. Mas o seu discurso de teor religioso ou moral deve ser prática; deve se converter em um servidor de todos se quiser que creiam em você; se quer que o sigam, deve guiá-los, pois de outro modo, terão o direito de duvidar da sua sinceridade. Lembra-se que “sois uma cidade sobre uma montanha” (Mt 5:14-15) e que quando declarar qualquer coisa terão o direito de julgá-la pelos seus frutos; portanto: fale pouco e faça muito.

Atente para que muitos gostam de discutir tais coisas à mesa (durante as refeições), esquecendo que a carne animal sangrenta que se acha ante seus olhos; há muitos que fazem do seu estômago um deus e preferem estudar gastronomia, em vez da Bíblia, estando sempre dispostos a discorrer com seus amigos sobre o último prato em moda.

Conheci um indivíduo que dirigia um centro esotérico, cuja esposa tinha aversão pelo estudo do ocultismo e pela dieta vegetariana. Tal indivíduo advertiu sua esposa que se alguma vez cozinhasse carne animal ou contaminasse as panelas e prato com alimentos carnívoros seria posta na rua com todo o vasilhame, acrescentando que se ela pensava em torná-lo um porco, que fosse tomar as suas refeições em um restaurante. É de se admirar que tal senhora tivesse aversão pela crença de seu marido e nada quisesse saber dela? Desse caso pode se tirar uma boa lição, embora seja um caso extremo.

Muito digno de louvores foi o procedimento de Maomé, pois a sua primeira discípula foi a sua esposa, e muitos volumes se escreveriam sobre a bondade e consideração que o profeta dispensava em seu lar. Tal exemplo faria muito bem em seguir se quisermos adquirir amigos que nos sigam na vida superior, pois embora os sistemas religiosos difiram em sua parte externa o centro deles todos é amor.

(Publicado na Revista Rosacruz – dezembro/1964 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Construção e Trabalho sobre o Corpo Vital

Com a ajuda de nossa mãe, do nosso pai e dos Anjos do Destino nos preparamos para um novo nascimento no Mundo Físico.

E toda nossa estada aqui na Terra é para colher os frutos que semeamos em vidas passadas e, consequentemente, para semear outras que nos irão proporcionar experiências futuras para os próximos renascimentos.

Nós, Egos, chegamos aqui nessa mais uma vida na Terra construindo as seguintes ferramentas como veículos: Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos e a Mente.

Contudo, podemos dizer que a consciência da utilização desses veículos por nós, o Ego, aqui se dá por etapas: isto é, os veículos vão nascendo aos poucos aqui.

E a finalidade desse processo gradual é para que possamos assimilar o máximo em cada etapa e se preparar para a colheita na vida futura.

De posse desses maravilhosos instrumentos nós podemos utilizá-los para evoluir e aperfeiçoá-los, mas a qualidade desse desenvolvimento dependerá da qualidade do trabalho em que esses veículos serão empregados por nós para ganhar experiências em cada vida. Afinal, já sabemos que a verdadeira finalidade da vida não é a obtenção da felicidade, mas a conquista de experiências que desenvolverão os poderes espirituais latentes em cada um de nós.

Nascemos completamente dependentes dos nossos pais e responsáveis e somos guiados por eles durante muitos anos.

Por isso lemos no Livro do Eclesiástico capítulo 7 versículos 27-28: “Honra teu Pai de todo o coração e não esqueça as dores do parto de tua mãe. Lembra-te de que por eles foste gerado: como lhes retribuirás o quanto te deram?”.

Depois do nosso nascimento aqui, nossos veículos estão interpenetrados, mas nenhuma de suas forças positivas é ativa, mas elas continuam a se desenvolver.

É sabido que a vida progride em ciclos de sete em sete anos, desde o nascimento até a morte.

Do zero aos sete anos se dá a preparação para o nascimento do Corpo Vital e, portanto, nós, o Ego, não temos total domínio dele. O sangue utilizado no nosso Corpo Denso é o que foi armazenado na Glândula Timo, quando ainda estávamos no útero da mãe; ou seja, esse sangue é o da mãe. O domínio sobre ele só será possível com a fabricação dos corpúsculos vermelhos do sangue por nós, o Ego.

O Corpo Vital vai crescendo e dando a vitalidade que nós necessitamos no interior de nossa proteção cósmica (também chamado de Corpo Vital macrocósmico).

Nesse período estamos abertos para sermos ensinados e instruídos e não temos a iniciativa para julgar antecipadamente e muito menos para emitir opiniões. Porque durante esses primeiros sete anos nós somos “todos olhos e ouvidos”, absorvendo, sem críticas, tudo o que é nos ensinado e mostrado, constituindo-se esse setenário o mais importante na formação do nosso caráter. Pois a nossa natureza interna é sensível e inocente. Assim, a imitação e o exemplo são as palavras-chaves para a nossa educação nesse período. Imitação por nossa parte e exemplo por parte dos nossos pais, para que imitemos o que é bom.

Nesse período, quando nos deparamos com algo desconhecido somos bastante humildes para perguntar e admitir a nossa ignorância no assunto. Estamos sempre prontos a aprender!

Existe uma passagem na Bíblia que ilustra bem esse ponto. No Evangelho Segundo São Marcos capítulo 10, versículos 14-15 lemos: “Deixai vir a mim os pequeninos e não os impeçais; porque o Reino de Deus é daqueles que se lhes assemelham. Em verdade vos digo, todo o que não receber o Reino de Deus com a mentalidade de uma criança, nele não entrará”. Isso mostra também que nesse período somos dotados de uma fé infantil, pois acreditamos e vivenciamos tudo o que nos é ensinado.

Em torno do sétimo ano de vida, o Corpo Vital, atingindo seu nível de perfeição suficiente, nasce. Esse é o período em que os pais e educadores poderão ajudar os filhos na formação e desenvolvimento das afeições, dos hábitos, da consciência, do caráter, da memória e do temperamento. É nesse período que passamos a observar mais, e com isso acabamos por aprender a discernir o certo do errado e a cultivar ideais elevados.

As palavras-chaves para esse período na nossa educação são discipulado e autoridade. Contudo, essa autoridade deve ser passada pelos pais com confiança, sinceridade e amor; dessa maneira, podemos considerar nossos pais como sendo os mais corretos e estamos aptos ao aprendizado do discipulado. E nesse momento os pais devem estar prontos a dar uma vida de bons exemplos a seus filhos, já que é mediante a observação e veneração a eles que mais aprendemos. Retornemos à Bíblia no Eclesiástico capítulo 14, versículo 22: “Feliz o ser humano que persevera na sabedoria, que se exercita na prática da justiça, e que, em seu coração pensa no olhar de Deus que tudo vê”.

Por volta dos 14 anos nasce o Corpo de Desejos. A palavra-chave para a educação nesse período é a compreensão e o amor. É o período da puberdade, em que se inicia a nossa fase de autoafirmação e passamos, então, a ter identidade própria. Com isso o sentimento do “eu” começa a se expressar completamente, por ser o sangue inteiramente produzido e dominado por nós, o Ego.

Nesse período, devido à produção de sangue quente pelo Éter de Luz, nós, o Ego, acumulamos muita força sexual no sangue que se desenvolve e governa o coração. É por isso que, muitas vezes, encontramos alguém dizer que alguns jovens “perderam a cabeça” ou que alguns são de temperamento “fervente”. É visto, nesse período, que a ira, a paixão e, muitas vezes, a ansiedade do jovem acabam por elevar a temperatura do sangue e se não houver um controle, poderão prejudicar a atuação do Ego sobre seus veículos. Necessário faz-se que os pais tenham muita paciência com seus filhos para que eles possam transpor esse período até, por volta dos 21 anos, quando nasce a Mente, idade que chamamos de maioridade.

Com o controle da Mente, o Corpo Denso não fica com o sangue nem muito quente nem frio. Com a Mente completa-se a ligação de todos os nossos veículos, incluindo os Éteres superiores, que são o Luminoso e o Refletor e, assim, estamos capacitados para ter controle sobre nossas aspirações e desejos, freando a natureza dos desejos.

Daqui para frente cabe a nós, o Ego, trilharmos o nosso caminho, uma vez que o caráter já está formado. Precisando apenas exercer nossa vontade. É muito importante a educação que os pais dão a seus filhos nesse tempo, sem cobrança ou sem esperar nada em troca e não julgando ser sua propriedade para retribuir os favores dados a eles anteriormente. Pois os filhos que são educados com amor, assistência, atenção, confiança e afeto, certamente, retornarão reconhecendo o valor dos pais ou responsáveis.

Agora estamos prontos para aspirar e desenvolver o que resume o lema da Fraternidade Rosacruz: “uma Mente pura, um Coração nobre e um Corpo são”.

Comecemos lembrando o que a Escola Rosacruz ensina, como máxima fundamental, que “todo desenvolvimento oculto começa no Corpo Vital”.

Há de ter uma particular atenção à parte do Corpo Vital formado pelos dois Éteres superiores que, desenvolvidos e trabalhados, formarão o Corpo-Alma. Trabalho esse que tem início com a prática dos bons hábitos e para isso é essencial utilizar-se da palavra-chave desse veículo que é “repetição”.

No Evangelho Segundo São Mateus, capítulo 7, versículo 24 lemos: “Aquele que ouve minhas palavras e as põe em prática é semelhante a um ser humano prudente, que edificou sua casa sobre a rocha”. O fator essencial na realização desses ideais é a prática da persistência na meta escolhida. E jamais devemos trabalhar com nossos esforços ocasionalmente, pois isto não leva a nenhum propósito definido e a desistência fica sempre mais próxima!

Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que o maior perigo que ameaça o Aspirante nesse Caminho de Espiritualidade é que fique preso na rede do egoísmo, e sua única salvaguarda é o cultivo da fé, devoção e a irradiação de amor sem restrições.

Precisamos estar então alertas em relação a nossas atitudes mentais ou novas ideias para que não julguemos somente com o intelecto, mas deixemos, também, o nosso coração tomar parte nessa decisão.

Se tem algo que pode ser destacado como de utilização sempre presente é a adaptabilidade, que é um fator expressivo no Caminho de Evolução.

Existem certos hábitos antigos que deveremos analisar sob diversos ângulos e admitir as mudanças necessárias para vencermos o convencionalismo.

Se estamos neste Caminho de Evolução para a frente e para cima é necessário que façamos inovações: que edifiquemos melhor nosso Templo do Espírito, pois Deus opera continuamente para nosso bem.

Muitas de nossas fraquezas são forças mal dirigidas e devemos, então, mudar o eixo dessas forças recusando pensamentos maus, como medo, temor, ansiedade e outros similares e nos orientar para a verdade que nos é mostrada dentro de nós.

Todavia, se acaso cairmos em tentação, devemos compreender e aceitar esses desafios ou provações de nosso eu inferior e vendo nessas oportunidades uma maneira de nos livrarmos desses maus hábitos para sempre. Aprendamos pela dor e sofrimento, mas, de fato, aprendamos!

As provações são sinais de progresso, pois durante nossas vidas anteriores contraímos dívidas sob a Lei de Causa e Efeito (ou a Lei de Consequência) e hoje estamos ajustando as dívidas antigas, pagando-as uma a uma. Contudo, uma coisa é certa: o futuro deve ser decidido agora para que deixemos de gerar dívidas, o que trará, como consequência lógica, menos sofrimento e dores possíveis e evoluiremos cada vez mais rápido, com segurança, indo ao encontro de Cristo.

Lembremos: “O único fracasso é deixar de lutar”.

Uma indicação importantíssima para a formação dos ideais superiores no Corpo Vital são os Exercícios Esotéricos Rosacruzes: noturno de Retrospecção e matutino Concentração. Outra indicação e o orar utilizando as orações científicas, dentre elas: a Oração do Senhor, o Pai-Nosso. Devemos orar, mas não para obter auxílio material ou passar em exame na escola ou faculdade. Isto é barganha, e barganha espiritual não existe; é ilusão, é a nossa astúcia, reminiscente da Época Atlante.

A oração ajuda nossos veículos a evoluírem com segurança. Portanto, por meio da oração temos um método de produzir pensamentos puros e, assim, agir principalmente sobre o Corpo Vital. Por isso que o Apóstolo S. Paulo nos ensinou que devemos “orar sem cessar”.

O Caminho de Espiritualidade – também chamado de Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz – é aberto a todos, mas para trilhá-lo é preciso eliminar os maus hábitos, o comodismo, a inércia, enfim tudo que é prejudicial no progresso em favor do nosso Cristo Interno.

Contudo, somente o sacrifício de nós mesmos não é suficiente; é preciso fazê-lo em prol da Humanidade, por meio do serviço amoroso e desinteressado aos demais, focando sempre na divina essência que há em cada irmão, em cada irmã, que é a base da Fraternidade, tão preconizada por Cristo!

Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz

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