A tendência natural no atual momento desse Esquema de Evolução no qual todos nós estamos inseridos é: “de dentro para fora”, “de baixo para cima”, “para frente e para cima”. Por isso a Filosofia Rosacruz leva o Estudante Rosacruz a se redescobrir, a se conhecer e, tomando conhecimento de seu relativo estado de consciência, empreenda a tarefa de reeducação, de transmutação e libertação das sujeições da matéria da Região Química do Mundo Físico.
Tomando o axioma hermético: “assim como é em cima é embaixo” podemos apurar a veracidade do que dissemos. A analogia é a chave de maiores recursos e se consideramos que somos um microcosmo, parte do macrocosmo que é a Terra, e como ambos seguem linhas idênticas, numa perfeita reflexão evolutivas, veremos quão profunda é nossa Filosofia e como ela concilia, magistralmente: a Ciência, a Religião e a Arte.
Quando estávamos na Época Lemúrica e construíamos Corpos Densos como lemurianos vivíamos muito próximos do centro ígneo da Terra. Já quando estávamos na Época Atlante e construíamos Corpos Densos como atlantes habitávamos nos vales profundos, já afastados do centro ígneo da Terra. Agora estamos na Época Ária e quando construímos Corpos Densos como arianos somos impelidos, no princípio por meio dos dilúvios para as mesetas, os planaltos, onde hoje vivemos.
Analogamente, seguindo a mesma direção, quando estivermos na Era de Aquário e construirmos Corpos Densos como aquariano viveremos “no ar”. Porém, como sabemos que os nossos Corpos Densos, como massa, estão sujeitos à Lei de Gravidade que os atrai para o centro da Terra, uma transformação deverá, necessariamente, ocorrer. S. Paulo nos ensinou que “a carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus” (ICor 15:50). Mas diz, também, que temos uma soma psuchicon, mal traduzido por “corpo natural” e que significa realmente um “corpo espiritual”, constituído pelos dois Éteres superiores do nosso Corpo Vital, mais ligeiro do que o ar e, por isso, capaz de levitação. Este Corpo é o áureo “Trajes de bodas”, a Pedra Filosofal ou Pedra Viva que algumas filosofias antigas designam por Alma Diamante, por ser luminoso, refulgente e cintilante como aquela inestimável joia. Esse Corpo é o Corpo-Alma!
Essa espécie metamorfose toda e sair para o alto e para fora pode se comparar, por exemplo, a transformação do girino em rã (trânsito da Humanidade desde a Época Atlante até à irisada Época Ária) e da lagarta que se arrasta pela terra na mariposa que fende os ares (símil do futuro trânsito do nosso presente estado e condição para as da Época Nova Galileia, onde ficará estabelecido o Reino de Cristo).
Sobre isto, Cristo manifestou, implicitamente, que o “novo Céu” e a “nova Terra” não estavam preparados, quando disse aos discípulos: “Para onde Eu vou não podeis vós ir agora, porém, hei de aparelhar-vos lugar e virei outra vez e vos tomarei comigo para que, onde Eu esteja, estejais vós também” (Jo 14:2-3). Posteriormente, em visão, o apóstolo S. João viu a Nova Jerusalém que descia do Céu e S. Paulo escreveu aos Tessalonicenses dizendo-lhes, por palavras do Senhor, que: “Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens” (1Tess 4:17), na Sua segunda vinda, para receber o Senhor no ar e estarão para sempre com Ele. Isto tudo concorda com as tendências expressas na passada evolução da Humanidade.
(Publicada na Revista Serviço Rosacruz – abril/1964 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Resposta: Não, o Espírito é bissexual e geralmente se expressar em suas vidas sucessivas aqui alternadamente, uma vez como homem e outra como mulher. Há, no entanto, casos em que, de acordo com a Lei de Consequência, é preferível que um Espírito se manifeste em várias vidas sucessivas com um sexo determinado.
A lei é a seguinte:
À medida que o Sol se move em sentido retrógrado (aparentemente para trás) entre as doze Constelações zodiacais, com um movimento que chamamos de Precessão dos Equinócios, o clima da Terra, a flora e a fauna mudam gradualmente, criando assim um ambiente diferente para a Onda de Vida humana e cada Era subsequente. O Sol leva cerca de dois mil anos para percorrer um dos Signos astrológicos pelo movimento da Precessão dos Equinócios e, nesse tempo, o Espírito nasce geralmente duas vezes, um como homem e outro como mulher. As mudanças que ocorrem nos aproximadamente mil anos decorridos entre os renascimentos aqui não são tão grandes que o Espírito não possa extrair as experiências daquele ambiente, tanto da perspectiva do homem ou quanto da perspectiva da mulher.
Contudo, pode haver casos em que o tempo também seja alterado. Nenhuma dessas leis são inflexíveis como as leis dos Medos e dos Persas[1], pois elas são administradas por Grandes Inteligências[2] para o benefício da Humanidade, de modo que as condições possam ser alteradas para se adequarem às exigências de casos individuais. Por exemplo, no caso de um músico. Ele não encontra em qualquer lugar o material necessário para construir o seu Corpo Denso. Ele necessita de ajuda específica para construir os três canais semicirculares do seu ouvido, de modo que eles apontem, tão próximos quanto possível, para as três direções do espaço: ele também precisa também de ajuda para construir as delicadas fibras de Corti[3], pois sua capacidade de distinguir nuances de tons depende dessas características.
Nesse caso, quando uma família de músicos com quem ele tenha ligação estiver em condições de dar à luz a uma criança, ele poderá ser conduzido para lá, embora devesse permanecer nos Mundos Celestes ainda por uns cem anos, pois, talvez outra oportunidade para renascer aqui não se apresentasse antes de duzentos ou trezentos anos, se a lei fosse cumprida. Então, é claro, tal pessoa está à frente de seu tempo e não é apreciada pela geração com a qual convive. Ela é incompreendida, mas, mesmo isso é melhor do que se tivesse nascido mais tarde do que deveria, pois, então estaria atrasada em relação ao seu tempo.
Assim, vemos com frequência gênios desvalorizados por seus contemporâneos, embora altamente valorizados pelas gerações seguintes, que conseguem compreender o ponto de vida deles.
(Pergunta nº 14 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Medos e Persas foram povos da antiguidade. A “lei dos medos e persas” refere-se à tradição jurídica do Antigo Império Medo-Persa (Medo-Pérsia) onde, uma vez que um decreto era assinado pelo rei, ele se tornava irrevogável e imutável. Nem mesmo o próprio monarca podia anular uma sentença estabelecida, como ilustrado no relato bíblico de Daniel na cova dos leões.
[2] N.T.: são as Hierarquias Criadoras.
[3] N.T.: Ou órgão de Corti é o receptor sensorial auditivo situado na cóclea, no ouvido interno de mamíferos, responsável pela transdução de energia sonora em impulsos nervosos. Ele contém células ciliadas (receptores) que se movem com vibrações, enviando sinais ao cérebro. Danos a essas estruturas resultam em perda auditiva, pois não se regeneram.
Em ordem alfabética, a definição de vários conceitos e termos utilizados na Astrologia Rosacruz que auxilia em muito uma consulta rápida, a retirada de dúvidas e a consolidação do conhecimento
Quer saber mais sobre o assunto? Leia aqui: Enciclopédia Filosófica de Astrologia-P.17
Quer ver o restante? Clique aqui: Astrologia Científica e Simplificada – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz
O emprego da faculdade de observação pelo Aspirante à vida superior é de inestimável valor, pois é por meio dessa habilidade que ele pode sutilizar seu Éter de Luz (um dos dois Éteres que compõem o Corpo-Alma) e restaurar o ritmo e a harmonia de seu Corpo Denso.
Eis o motivo principal de ser um dos Exercícios Esotéricos Rosacruzes que o Estudante Rosacruz executa a todo momento, especialmente quando não está dormindo.
A definição do conceito “observação” para os Ensinamentos Rosacruzes (como aprendemos no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz): “uso dos sentidos como meio de obter informações a respeito dos fenômenos que ocorrem ao nosso redor”. Sob esta consideração, sugere-se que o Estudante Rosacruz inicie, desde já, a criação do saudável hábito de observar todas as coisas que estão a sua volta.
Se alguém achar que, muitas vezes, nada muda ao redor, então revise muito esse posicionamento, pois sempre, sempre está ocorrendo algo a nossa volta!
Há alguns bons hábitos que devemos desenvolver a fim de tornar mais fácil a execução do Exercício Esotérico Rosacruz de Observação, bem como, torná-lo mais eficaz:
-de ordem visual (como a observação dos detalhes das arquiteturas das casas, das árvores, do movimento, por exemplo),
-de ordem auditiva (tais como as modulações dos sons, do ritmo da fala de nossos amigos, do canto dos pássaros, etc.),
-de ordem tátil (como sentir a brisa em nosso rosto e até mesmo, o ritmo do caminhar quando se anda pelas ruas), entre outros. Deste modo, o Estudante Rosacruz, gradualmente, torna-se consciente de todos os eventos pelo qual está inserido.
Mas afinal, qual é realmente a importância da observação para o desenvolvimento por meio do Método Rosacruz? Ocorre que o Corpo Vital, independente da vontade da pessoa, também funciona como um espelho, ou como uma película cinematográfica em movimento que não para, nem por um segundo, de captar as imagens do ambiente no qual o Estudante Rosacruz está inserido. Semelhantemente, o Corpo Vital também capta as ideias que brotam de dentro da pessoa. O problema é que as pessoas, em sua maioria, não captam, de forma consciente, as mesmas informações que o Corpo Vital faz. Em outras palavras, a Memória Consciente (ou Mente Consciente), estabelecida pela observação, não coincide com aquelas de nossa Memória Subconsciente (Mente Subconsciente) ou automática, e isso resulta em uma importante discrepância (ou entrechoques de vibrações) que resulta no ritmo e na harmonia do Corpo Denso serem perturbados em proporção à superficialidade de nossa observação durante o dia. Sabemos que durante o sono o nosso Corpo Vital restaura parcialmente esse ritmo e essa harmonia no Corpo Denso, mas o entrechoque de vibrações dia após dia e ano após ano, realmente, é uma das causas que, gradualmente, endurecem e destroem nosso Corpo Denso até torná-lo impróprio para o nosso uso. Assim, precisamos abandoná-lo e buscar novas oportunidades de desenvolvimento em um novo Corpo Denso (Roda de Nascimentos e Morte).
Para atestar o fato de que as pessoas possuem olhos, mas não veem, e ouvidos, porém não ouvem, pergunte qualquer detalhe sobre algum objeto, cena de filme, ou até mesmo algum sentimento que ela teve num determinado momento, e não raro receberemos uma resposta do tipo: “Não me lembro nem do que comi no almoço, como vou lembrar sobre o que você está me perguntando!”.
O fato é que, quanto maior for à discrepância entre as imagens gravadas pelo Corpo Vital na Memória Subconsciente e os eventos gravados na Memória Consciente pela nossa observação, maior também será o tempo necessário para a restauração do Corpo Denso durante o sono. Há casos, por exemplo, em que as discrepâncias são tamanhas, que não resta tempo algum para trabalho nos planos internos! Se isso ocorrer com frequência, pouco crescimento espiritual será alcançado pelo Estudante Rosacruz.
Por isso, o Estudante Rosacruz ativo e sincero reconhece que pode (e é responsável) por tornar esse tempo maior ou menor, dependendo de sua capacidade em colocar em prática os Ensinamentos Rosacruzes.
Pela observação, é possível fazer com que os entrechoques de vibrações das duas Memórias ocorram com menor frequência e, deste modo, a restauração do Corpo Denso poderá ocorrer de maneira mais rápida.
Como auxílio neste processo, é de grande valia ao Estudante Rosacruz, aprender a observar não apenas detalhes de objetos e fenômenos externos, mas também minúcias internas, pois é bem provável que o Corpo Vital também registre tais informações. É natural que neste ponto do texto, haja a pergunta: “que eventos são esses?”. Tais eventos são aqueles gerados por nós mesmos, pelo Corpo de Desejos (por meio dos nossos sentimentos e nossas emoções) e pela Mente (pensamentos-forma). A observação destes detalhes contribuirá fortemente no processo de redução dos entrechoques de vibrações entre as duas Memórias.
De maneira geral, a maior parte das pessoas, quando está realizando uma determinada tarefa, observa apenas os procedimentos envolvidos para sua execução e seu resultado, (por exemplo, se alcançou ou não o objetivo). Porém, é importante que o Estudante Rosacruz também observe, de maneira sincera e verdadeira, os motivos internos que o fez se movimentar nessa ou naquela direção. A chave para identificar tais motivos é
empregar o método do “Por que”. Alguns exemplos: Por que agi desta maneira?
E algumas respostas:
1.O motivo foi “motivação por motivação”, pura e sincera, afinal, eu gosto de fazer aquilo que faço;
2.Porque foi uma vontade de provar aos outros que eu posso realizar coisas;
3.Não foi motivação, mas sim medo de não perder meu emprego/ amigo/ simpatia/ etc.;
4.Porque tive a necessidade de provar para as pessoas, que sou capaz e não um incompetente;
5.Porque tive vontade de fazer melhor que os outros, afinal sou um competidor inato;
6.Porque tive interesses pessoais;
Além de observar o motivo pelo qual uma ação foi realizada, o Estudante Rosacruz pode também observar o sentimento, desejo e/ou pensamento-forma que o envolveu no momento em que estava executando tal tarefa. Exemplos:
1.Durante a execução, independente do motivo, eu estava com tremenda ansiedade e medo de que alguma coisa terminasse de modo errado;
2.Estava ansioso, mas não por medo, e sim porque sou perfeccionista demais e tudo tem que ser perfeito;
3.Estava com raiva. Afinal só estou fazendo isso porque não quero perder meu emprego;
4.Estava me sentindo feliz e alegre;
5.Estava triste
É muito comum as pessoas não fazerem distinção entre sentimentos/desejos e pensamentos-forma. Contudo, esses fenômenos são bem diferentes, embora possam ou não possuir afinidade entre si. Por exemplo, uma pessoa pode dizer: “Eu senti que num dado momento, as coisas poderiam ter saído errado”. Contudo, observe que tal relato não é referente a um sentimento/desejo, mas sim a um pensamento-forma. Normalmente os sentimentos e/ou desejos são alegria, tristeza, raiva, ódio, rancor, medo, coragem, ansiedade, entre outros. Pensamentos-forma são criados por nós, usando materiais da Região Concreta do Mundo do Pensamento, mais ou menos elaboradas sobre os fatos, sempre “contaminados” pelo desejo. Com certeza, estes últimos podem estar embasados em um sentimento/desejo bom ou ruim. A comum astúcia que todos nós praticamos em maior ou menor grau, é um bom exemplo da Mente (pensamentos) aliada à parte inferior do Corpo de Desejos. No exemplo acima, sobre confusões entre pensamentos-forma e sentimentos/desejos, provavelmente o sentimento/desejo da pessoa sobre a possibilidade de algo sair errado era de medo e/ou ansiedade, pois esses sentimentos/desejos possuem boa afinidade com estes pensamentos-forma.
Outro importante fator que o Estudante Rosacruz deve aprender a observar é o “como” seu jeito de ser (que é modulado pelos motivos, pelos sentimentos/desejos e pensamentos) gera impactos nos demais que convivem com ele. A chave para isso é utilizar o método do “como”. Exemplos:
1.Como meu jeito ansioso, precipitado e/ou medroso afetou (ou afeta) meus colegas de trabalho, minha família, meus amigos, etc.?
2.Como meu sentimento afetou na decisão ou no desfecho da ação que eu estava executando?
3.Como as pessoas me “olham” em função desse meu jeito de ser?
4.Como meu perfeccionismo afeta aos demais que convivem?
5.Como minha felicidade, alegria, tristeza, raiva, entre outros sentimentos, influenciam na maneira que o outro se comporta em relação a minha pessoa?
É muito importante o Estudante Rosacruz ter em mente que a observação consciente dos fatos internos e externos, também fornece base para o Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção. Normalmente, se o resultado de uma tarefa foi positivo, o Estudante Rosacruz louva-se por tal resultado, de modo que seu comportamento seja reforçado para continuar a agir desse modo. Entretanto, se os eventos internos não forem considerados, é provável que essa faceta do fenômeno permaneça apenas no Corpo Vital do Estudante Rosacruz e, se isso acontecer, ficarão nele como discrepantes. Por isso, sugere-se ao Estudante Rosacruz que também aplique seu critério pessoal de valores aos fenômenos internos que vivencia (o crivo da lógica).
Coletar informações, por meio de observações como estas, é muito importante para deixar seu Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção mais rico e, desta maneira, aprender as lições desta e de próximas vidas, de restaurar o equilíbrio entre Memória consciente e a subconsciente, ter saúde e longevidade. Como o Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção influencia diretamente no caráter, e “caráter é destino”, é bem provável que o Estudante Rosacruz comece a notar grandes diferenças em sua vida, conforme for se esforçando, por meio da disciplina e da persistência, criando o hábito de cada mais uma observação mais eficaz e mais completa. Com o tempo novas sinfonias e orquestras vibrarão em sua vida o que, provavelmente, o fará uma pessoa muito realizada e feliz.
Que as rosas floresçam em vossa cruz
O supremo mistério da vida está oculto e revelado na crucificação e ressurreição dos princípios masculino e feminino na Natureza. Esse processo é alquimicamente chamado de fusão do fogo e da água. O Cristão Místico vê sua manifestação perfeita na passagem do Sol por Peixes e Áries durante os meses de março e abril.
Enquanto o Sol está no Signo psíquico de Peixes, toda a natureza está trabalhando através e com o grande princípio da água ou feminino da Divindade. Este é o tempo do desabrochar dos botões e da seiva fluindo nas árvores. Bem-aventurados os olhos que aprenderam a levantar o véu e podem perceber as obras dos vários ministros do Reino de Deus nesta estação sagrada; pois este é um período de intensa atividade nos planos internos, atividade que se estende das Hierarquias Criadoras celestiais ao reino dos Espíritos da Natureza que o ser humano chama de “Terra das Fadas”.
À medida que o Sol passa para o Signo de Áries, a fusão mágica se completa; As “Águas Vivas” de Peixes são inundadas por uma nova luz, o novo fogo de Áries se inflama. Essa vida ressuscitada que inunda toda a Natureza é o “fogo verde mágico” das antigas lendas gaélicas. Bem-aventurados os olhos que podem ver essas maravilhas que Deus preparou para aqueles que O amam.
Na lenda maçônica de Salomão e Hiram Abiff, Salomão personifica o feminino, aquoso e formador Peixes; Hiram, o marcial e energizante Áries. Quando a forma do Templo estiver completa, ela deve ser infundida com a nova vida radiante do mestre construtor — Hiram (Áries).
Essa mistura de água com fogo se torna a palavra do Mestre, à qual toda a Natureza responde com a ressurreição de uma nova vida. Essa mesma mistura mística é a “Palavra Perdida” que deve ser recuperada pelo ser humana antes que ele possa conhecer a Ressurreição para a vida eterna através da Iniciação, que Cristo descreveu aos Seus Discípulos.
Na vida de Cristo Jesus, que veio como o grande Líder ou Iniciador para toda a Humanidade, esse grande drama cósmico é delineado na “Festa da Páscoa”. A data da Páscoa é fixada de acordo com a tradição oculta. O Sol não só deve cruzar a Linha do Equador, como acontece em 20 ou 21 de março, mas também deve haver Lua Cheia após o Equinócio de Março. O domingo seguinte é a Páscoa, o dia da Ressurreição.
A luz do Sol deve ser refletida pela Lua Cheia antes que esse dia possa amanhecer na Terra. Há um profundo significado esotérico oculto por trás desse método de determinar a Páscoa.
O nível espiritual das massas da Humanidade ainda não é suficientemente elevado para receber e assimilar toda a força e o poder que inundam e permeiam a Terra no momento dessa “Ressurreição Cósmica”, o Equinócio de Março. Somente os Iniciados, aqueles que encontraram e aprenderam a usar a “Palavra Perdida”, mencionada anteriormente, podem participar plenamente deste elevado êxtase espiritual. Esta grande força deve ser recebida e transmitida ou refletida para as massas pela Lua Cheia.
O Cristão Esotérico, enquanto participa com alegria e reverência dos ritos da Páscoa, busca sempre alcançar a participação nos santos mistérios do “Nascer do Sol Cósmico”, a sublime cerimônia do Equinócio de Março.
Na época do Equinócio de Março (ou durante a realização da grande mudança ou mistério Solar), durante três dias, os dias e as noites têm a mesma duração. Assim também, Cristo, cuja vida é uma analogia perfeita do Drama Solar, permanece por três dias na Terra, entre a Crucificação e a Ressurreição. Ele ressuscitou ao nascer do Sol de um novo dia e os Anjos proclamaram com alegria aos Seus Discípulos que Ele havia ressuscitado. Seus Discípulos compreenderam o significado interior de Sua verdadeira missão esotérica para o mundo; ou seja, para que Ele se tornasse o Espírito Planetário residente e “rasgasse o véu”, para que todos os que o desejarem pudessem vir e participar livremente das “Águas da Vida”, por meio do estabelecimento na Terra dos novos Mistérios Cristãos (ou as quatro Iniciações Maiores).
Eis “leite para as crianças” e “alimento sólido para os fortes” — a sublime história do santo nascimento, vida, morte e ressurreição do Mestre supremo, Cristo Jesus, cuja vida deve ser reverenciada e imitada por aqueles que desejam seguir Seus passos.
Há também outro caminho, o caminho da Cruz, como foi misticamente descrito por alguns que o encontraram. Este é o caminho que leva à santa alegria dos Mistérios Solares, que são celebrados nos quatro grandes pontos de virada do ano. A compreensão desses Mistérios levou Platão a afirmar: “A Alma do Mundo está crucificada”.
Nestas épocas mais sagradas do ano, tanto Jesus quanto o glorioso Espírito do Sol, o Cristo, trabalham pela progressão futura dos Astros e pela iluminação daqueles que se tornarem dignos de participar destas “Águas da Vida” eterna às quais o Cristo se referiu quando disse: “Se beberdes da água que eu vos trago, nunca mais tereis sede” (Jo 4:13-14). De muitas maneiras, ao longo do mistério de Sua vida e no significado intrínseco de Suas palavras, Ele colocou a chave que abrirá os portais místicos.
Para aquele que a encontra, a exclamação final do Mestre, “consummatum est” (Jo 19:30), torna-se sua própria “senha” triunfante. Ele também removeu a grande pedra e saiu livre para ser saudado por um coro angelical jubiloso que proclama aos outros Discípulos que aguardam junto ao túmulo: “Ele não está aqui, pois ressuscitou.” (Mt 28:6-7). Afinal, todos nós somos um Cristo em formação e um dia será Páscoa para cada um de nós.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – março-abril/1998, traduzido e atualizado pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
Podemos ter acesso à história de toda Involução (a parte do Esquema de Evolução onde caminhamos para frente e para baixo, nas densidades dos Mundos) ou do envolvimento do ser humano, como Espírito Virginal da Onda de Vida humana, na matéria, até à idade mais densa e grosseira, até a perda total da consciência do Espírito e das coisas do Espírito, estudando e tendo como assunto para o nosso Exercício Esotérico de Concentração o seguinte trecho da Bíblia
“No Princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Tudo o que foi feito, foi feito por Ele; e nada do que tem sido feito, foi feito sem Ele. Nele estava a Vida, e a Vida era a Luz dos homens. A Luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram… O Verbo se fez carne e habitou em nós, cheio de Graça e de Verdade, e vimos a Sua Glória, Glória como no Unigênito do Pai”. (Jo 1:1-14)
S. João nos conta, nesses versículos de inestimável valor Espiritual, a peregrinação, a grande e extraordinária aventura Cósmica do Espírito, em aquisição após aquisição, dos Corpos e veículos de manifestação, até atingir a condensação no Corpo Denso aqui na Região Química do Mundo Físico.
“No Princípio…” nos reporta a um estágio anterior ao que nossos olhos físicos percebem e nosso tato apalpa. “No Princípio, era o Verbo…”, o Único Ser Gerado. Um dos Três Atributos do Ser Supremo. Pelo Verbo tudo o mais foi criado. “Faça-se.”. É a Palavra, o mistério do som. Tudo no Universo é vibração, é som, é melodia.
Quando o Iniciado atinge um certo grau no seu desenvolvimento, recebeu o Batismo de Fogo, estando sob a direção do Mestre. É-lhe ensinado o Segredo dos Segredos: a Palavra Perdida. O Iniciado, quando atinge mais e mais Iniciações, vai sabendo que a Palavra de Poder foi perdida, quando, na traição do Templo quiseram acabar com o trabalho de Hiram Abiff[1], o único que possuía o “Segredo da Palavra”.
Todas as verdadeiras Ordens Cristãs que promovem as Iniciações Menores e as Iniciações Maiores ou Cristãs sabem que a palavra é sagrada, e que o Iniciado deve ser comedido no falar. O Iniciado é submetido ao silêncio absoluto, à meditação, à contemplação muda das coisas da Natureza. No silêncio, ele aprende, no secreto da alma, a palavra sem articulação.
É longa a série dos investigadores da “Palavra Perdida”, a Palavra de Poder, que pronunciada com o conhecimento da ciência oculta pode causar a vida ou a morte.
“No Princípio era o Verbo…” indica que o Verbo é a Palavra que se manifesta no ser humano via laringe. Mas ela só será readquirida pelo mortal, quando ele, através a evolução e alcance das Iniciações Menores e Iniciações Maiores se tornar digno de possuí-la.
“O Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no Princípio com Deus. Tudo foi feito por Ele e nada do que tem sido feito foi feito sem Ele” aqui é o segredo da Palavra. Faça-se, faça-se sempre, com a Palavra. Os Períodos, os Mundos, as coisas todas manifestadas e por se manifestar foram e são feitas pela Palavra e com a Palavra. O Círculo com um ponto em seu centro é o Supremo Poder do Verbo manifestando continuamente de si mesmo, novos Sóis, novos Mundos e novas manifestações de vida gloriosa. Verbo é o Único Ser gerado pelo Supremo. A Palavra é, portanto, uma Entidade e essa Entidade Sagrada criou tudo o mais, pelo “Fiat” criador. Faça-se… e as coisas foram se projetando no Cosmos.
“Nele estava a Vida e a Vida era a Luz dos homens…”, perceba aqui como isso toma força e poder incomensuráveis. A Vida é una e indivisível. Tudo no Universo é o Corpo de Deus. O ser humano é o pequeno corpo divino, o Microcosmos. Nele está, como sempre esteve e estará, a Luz de Deus. É a Vida não criada, indestrutível.
“A Luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam”, notando aqui que o Verbo “se fez carne e habitou em nós”, cheio de Graça de verdade, e vimos a sua Glória, Glória como no Unigênito do Pai. Quem tiver olhos para ver e ouvidos para ouvir, e entendimento para entender, compreenderá, pela percepção interna, o sentido sublime deste versículo. Apesar da cristalização interna note o sentido sublime desse versículo. Apesar da cristalização, a Luz permanece e brilha como seu fulgor deslumbrante e incandescente. Cristo ressuscitou e advertiu a mulher que montava guarda ao seu sepulcro, e que primeiro o avistou. “Não me detenhas!” (Jo 20:17). Se a mulher o tocasse, seria fulminada, pois, naquele momento estava carregado de energia espiritual elevadíssima. Assim será o ser humano, quando “ressuscitar” dentre os mortos.
“E o Verbo se fez carne e habitou em nós” cheio de Graça… Não é possível maior clareza. Ele está dentro de cada um, pois o ser humano é partícula de Deus cristalizada. Aqui está consubstanciado todo o mistério do Ser. Aquele que se encontrar, verá a Deus face a face. Passado, presente, futuro são termos relativos que nada expressam ante a sempiterna realidade que se manifesta acima e fora das alternâncias. Períodos, Revoluções, Recapitulações, Épocas estão expressas tanto no macrocosmo como no microcosmo. A entidade cristalizada como ser humano é a pequena “Bíblia” ou “Livro da Lei”, que contém em si toda a grandiosidade do Cosmos.
Na sua subida deve Ele aprender a ler na Memória da Natureza, as fases, passagens, vidas vividas, a fim de se reencontrar e adquirir capacidade e maleabilidade. Com esses atributos ele poderá levitar e voar ao cume da Eternidade e criar, também, já como criadora, com o Poder do Verbo, a “Palavra reencontrada”.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – maio/1970-Fraternidade Rosacruz-SP)
[1] N.T.: Quando Jeová escolheu Salomão para construir uma casa com seu nome: o primeiro Templo fixo, a espiritualidade sublime de uma longa linha de ancestrais, divinamente guiados, floresceu na concepção do magnífico templo, chamado Templo de Salomão, embora Salomão fosse apenas o instrumento de realização do plano divino revelado a Davi por Jeová. Mas, Salomão era incapaz de executar o projeto divino em forma concreta. Por isso, precisou apelar para o Rei Hiram de Tyro que escolheu Hiram Abiff. Hiram Abiff tornou-se, então, o Grande Mestre de todos que trabalhavam na construção.
O tempo da Fé cega já passou! Chegamos à época da Fé racional ou fé razoável. Não acreditamos somente em Deus, senão que O vemos em Suas obras, que são as formas exteriores de Seu ente.
Eis o grande problema de nossa época: traçar, completar e fechar o círculo dos conhecimentos humanos; depois, pela convergência dos raios, achar um centro: Deus! Achar uma escala de proporção entre os efeitos, as vontades e as causas, para subir daí à causa e à vontade primeira. Constituir a ciência das analogias entre as ideias e a sua fonte primitiva. Tornar qualquer verdade religiosa tão certa e tão claramente demonstrada como solução de um problema de geometria.
Se crê, você compreenderá. Procuremos e acharemos; estudemos e haveremos de crer. Crer é saber por palavra. Ora, essa palavra divina, que antecipava e supria por um tempo a Ciência Cristã, devia ser compreendida mais tarde, conforme a promessa de Cristo. Eis, pois, o acordo da Ciência e da Fé provada pela própria Fé.
A Religião é razoável. Pode-se prová-la radicalmente, por meio da Ciência. A Razão é santa. Cristo-Jesus, encarnando a Humanidade regenerada, a divindade feita ser humano, tinha por missão estabelecer o equilíbrio dessa dualidade e conduzir a Humanidade à condição divina. O Verbo feito carne (Jo 1:14) permitiu à carne fazer-se Verbo. Isso que muitas pessoas não compreenderam a princípio: o misticismo delas quer absorver a Humanidade na divindade. Negam o direito divino. Acreditam que a Fé dever aniquilar a Razão, sem se lembrar dessas palavras profundas do maior dos Hierofantes dos Mistérios Cristãos: “Todo espírito que divide o Cristo é um espírito de Anticristo” (IJo 4:2-3).
A unidade de Cristo um dia triunfará em nós!
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – maio/1970-Fraternidade Rosacruz-SP)
O nosso (Ego, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui) mergulho gradativo na matéria (chegando ao máximo de densidade aqui na Região Química do Mundo Físico) nos tornou, ilusoriamente, um ser separado dos demais.
Essa consciência ilusória de separatividade deu margem ao conceito de “eu me basto”. E criamos e praticamos certos comportamentos alinhados a isso, como: egoísmo, egotismo, egocentrismo. São palavras que expressam as características de um ser voltado para si mesmo, concentrado nos próprios interesses, muitas vezes em detrimento dos demais.
Quando vivemos assim, somos desprovidos de empatia, pouco afeitos à generosidade e ao trabalho em grupo. Se assim nos comportamos, quando nos envolvemos num trabalho coletivo, somos incapazes de promover a sinergia a não ser em circunstâncias especiais em que o nosso prestígio esteja em jogo. Se utilizarmos bem o nosso Exercício Esotérico de Observação, não será difícil perceber que um líder assim dificilmente obtém êxito, porque a sua natureza não lhe permite abdicar do comando ou de impor suas ideias!
Mas, quando somos realmente um Aspirante à vida superior, como o é um Estudante Rosacruz ativo, o inverso acontece, pois nesse caso exercemos a liderança dentro dos princípios aquarianos. Então, podemos ser líderes na mais elevada acepção da palavra. Não cedemos à tentação de impor nossas opiniões, procuramos ouvir os demais, nos expressamos com clareza e concorremos sempre para que as decisões sejam tomadas por consenso.
Esse tipo de liderança é exercido com cuidado e humildade. Afinal, compreendemos que o verdadeiro líder não é uma superestrela que empolga pela força de sua retórica, mas lidera por meio da cooperação, construindo pontes de relacionamento, valorizando os talentos e os esforços dos componentes do grupo. Sabemos, então, que não se comporta como um chefe. Agimos muito mais como um facilitador. Conseguimos aplicar nosso talento e nossa experiência para criar uma atmosfera de confiança e colaboração. Assim, o ser bem-sucedido é uma consequência, porque o grupo ou a equipe trabalha junto e seus membros se sobressaem.
Ao nos engajarmos com um líder aquariano, seja onde for, antes de qualquer coisa sempre nos perguntamos: “Como posso ajudar a criar um ambiente de maior confiança e comprometimento? Como posso ajudar cada um a dar o melhor de si? Como aprender com os membros do grupo?”
Entendendo que não é fácil assumir esse tipo de liderança, o Estudante Rosacruz coloca todo o seu esforço, sua atenção, disciplina e persistência para ser assim. É consciente que o apelo da sua Personalidade – ainda muito contaminada pelo modo de ser ariano e/ou pisciano – são quase que irresistíveis e, assim, as tentações sempre aparecerão. Mas já aprendeu que para não cair nelas têm que praticar assiduamente a humildade, o espírito de renúncia (ou seja: a auto-renúncia) e abnegação. Só assim o torna-se esse tipo de líder vira virtude, pois, em essência, esse tipo de líder é o servidor de todos (alinhado aos princípios da Era de Aquário).
“Que as Rosas Floresçam em vossa cruz”