O Zodíaco é o círculo dos céus que mais diretamente está vinculado a nós e, como todo círculo, contém trezentos e sessenta graus. Para ter uma ideia da imensidão desse plano da Eclíptica, lembre-se de que a órbita da Terra ao redor do Sol tem aproximadamente 941.500.000 km e que esse plano do Zodíaco tem quinze graus de largura em toda essa distância. Esse grande círculo é dividido em doze partes de 30 graus cada, chamadas de Signos do Zodíaco.
Os diferentes Signos receberam seus nomes dos antigos Sábios porque, após um longo curso de observação e registro, descobriu-se que a influência do Sol, ao passar por cada Signo, tinha certo efeito sobre o Reino vegetal e trazia à manifestação ativa algumas qualidades na Humanidade.
Cada Signo é representado por um símbolo e a invenção desses símbolos remonta a eras tão antigas que não há registro sobre isso. Quando os Signos do Zodíaco foram nomeados, sem dúvida, eles eram idênticos às constelações, o que não acontece atualmente.
Cada Signo tem um Regente que expressam melhor as qualidades desse Signo. Esses Planetas ou Regentes são os Corpos Densos de elevados Seres que são, na Bíblia, chamados de “Os Sete Espíritos diante do Trono” e que têm sob Sua responsabilidade a nossa evolução. Cada Planeta visível é a personificação de uma Grande Inteligência Espiritual que busca guiar a Humanidade de acordo com o Plano de Deus, sempre tendo em vista o objetivo final, sem se prender ao estado presente. Cada um desses elevados Seres tem o seu trabalho especial a realizar em favor da Humanidade.
O primeiro Signo, Áries, situa-se em um dos cantos do Céu e quando o Sol está em Áries ele está totalmente à leste. Áries, o Carneiro, recebeu esse nome porque nascia com o Sol no atual mês de março, mês do vivificante Equinócio de Março, e simboliza a Vida. Os pastores lhe deram o nome em homenagem aos seus rebanhos e aos campos que revitalizavam.
Em seguida vem Touro, nomeado a partir dos rebanhos que eram considerados os mais valiosos depois das ovelhas. O Touro foi muito adequadamente venerado por aquelas pessoas, sendo um emblema da fortaleza necessária para conquistar o Mundo material. Devido à sua prodigiosa força, ele era de uma ajuda inestimável em todas as suas tarefas. O provérbio sobre “as panelas de carne do Egito” (Ex 16:3) serve até hoje para mostrar com que abundância aquele animal lhes supriam a necessidade física de alimento, sendo o leite da fêmea também um elemento importante da dieta. Possuir muito gado era, portanto, ardorosamente desejado na antiguidade pelas nações novas.
O próximo é Gêmeos, às vezes chamado de Cástor e Pólux que, em sua eterna juventude, contam a história da fraternidade humana.
O quarto Signo, Câncer, está em outro canto do Céu. No Solstício de Junho, o Sol parece parar e, como um caranguejo, recuar lentamente — por isso o chamamos de caranguejo. Mas os egípcios chamaram esse Signo de Escaravelho ou Besouro e usavam o escaravelho como símbolo da alma, explicando que esse Signo é “a esfera das almas que aguardam o renascimento”.
Então surge o Signo Real, Leão, o Signo solar por excelência, a morada do Sol.
Em seguida vem a “Virgem Celestial”, geralmente chamada de Virgem. Dizemos que o Sol nasce da Virgem Celestial porque, no Solstício de Dezembro, quando a noite é mais longa, a Virgem se ergue no horizonte oriental e o Sol inicia seu novo percurso rumo ao Equinócio de Março, para derramar nova vida sobre a Terra.
O terceiro canto do Zodíaco é ocupado por Libra, a Balança, assim chamada porque, no Equinócio de Setembro, os dias e as noites estão igualmente equilibrados.
Em seguida vem Escorpião, que carrega seu ferrão na cauda e rege a Oitava Casa, a Casa da Morte. Escorpião governa os órgãos da geração e a morte aguarda todos os que nascem da fecundação, resultado de uma relação sexual (direta ou indireta) entre um homem e uma mulher.
O nono Signo, que tem influência especial sobre a Mente, é Sagitário, o arqueiro, meio homem, meio animal: um centauro. Seu símbolo mostra um homem com um arco, representando aquele que se ergue acima da sua natureza animal. O arqueiro aponta sua flecha diretamente para o Sol, simbolizando sua aspiração espiritual; embora frequentemente erre o alvo, às vezes acerta e não desiste.
O quarto e último canto do Céu é ocupado por Capricórnio, o bode, que se deleita em escalar altos precipícios. Ele ocupa o canto onde o Sol começa a subir novamente, em seu retorno para o Norte.
O décimo primeiro Signo é Aquário, o Portador da Água, que se supõe carregar um jarro cheia de água em suas mãos. Esse jarro contém seus sentimentos e suas emoções; se ele a inclina, eles transbordam; contudo, se mantém firme, eles permanecem contidos. Assim, tudo está sob seu próprio controle e esse é o ideal celestial que nos foi colocado como meta a ser alcançada.
O último ou décimo segundo Signo do Zodíaco é Peixes. Seu símbolo mostra dois peixes nadando em direções opostas, unidos por uma faixa. Os dois peixes apontam para o grande abismo, o lugar do mistério, enquanto a faixa que os une representa a Unidade entre tudo o que existe.
O Zodíaco significa “Círculo de Animais”; embora dois dos Signos de Ar, Gêmeos e Aquário, sejam humanos; um dos Signos de Fogo, Sagitário, meio humano; e um dos Signos de Terra, Virgem, também seja humano, todos os demais, exceto Libra, que é neutro, pertencem ao Reino animal.
Essas doze constelações estão sempre na mesma posição relativa, porém devido a um leve movimento dos polos da Terra, o Sol cruza o equador em um ponto ligeiramente diferente a cada ano, durante o Equinócio de Março, parecendo se mover lentamente para trás no Zodíaco, a uma taxa de 50 segundos por ano. Ele demora aproximadamente 2.100 anos para retroceder por um Signo inteiro e, aproximadamente, 25.868 anos para completar o ciclo através de todos os doze Signos. Esse movimento retrógrado é chamado de “Precessão dos Equinócios”. O grande ciclo foi completado pela última vez no ano 498 d.C., quando o mundo iniciou uma nova espiral mais elevada de sua evolução.
Hoje, os Signos que mais diretamente estão relacionados a nós são Aquário, Peixes, Áries, Touro, Gêmeos e Câncer. Eles realmente compõem a essência de todos os Signos do Zodíaco, pois a qualidade de um Signo é sempre refletida em seu oposto.
Cada Signo do Zodíaco tem um Regente que se acredita estar em harmonia com o Signo. Cada um desses elevados Seres é responsável por uma determinada fase do nosso desenvolvimento. Assim, fica claro que a educação da Humanidade depende em grande parte do treinamento que nossos instrutores receberam em evoluções anteriores. Quando o Sol esteve, pela última vez e por Precessão dos Equinócios, no Signo aquoso de Câncer, o continente da Atlântida foi sepultado sob as ondas e emergiu o que parecia ser um novo Céu e uma nova Terra, com uma nova Raça destinada a habitar o mundo.
Essa catástrofe que se abateu sobre a Atlântida, enquanto o Sol estava em Câncer, é o cataclismo relatado a Platão pelos sacerdotes do Egito e que o próprio Platão mais tarde registrou. Os sacerdotes disseram a Platão que, segundo seus registros, esse dilúvio ocorreu de dez mil anos antes, aproximadamente, considerando a base de tempo atual.
Câncer é um Signo fértil e a Lua controla o crescimento. Como mostra a vibração da Lua, ela também controla a Mente, sendo o dígito das vogais a força espiritual do número de expressão da Trindade ativa. Nesse contexto, é interessante recordar que a Mente foi dada à Humanidade infantil quase no final do Período Atlante.
Jeová, o Espírito Santo, que também expressa o três em suas vogais, é o Regente de todas as Luas, que são usadas com o propósito de dar aos seres que ficaram para trás na marcha do progresso uma nova chance, sob circunstâncias diferentes e Leis mais rigorosas, para tentar recuperar o tempo perdido. O nome Jehovah (ou Jeová) revela o cuidado protetor que Ele sempre exerce e como tenta alcançar Seus discípulos por meio de suas Mentes.
Mas Jeová foi um mestre severo e ensinou Seus filhos a compreender que, quando fizessem o que é certo e O agradavam, seriam recompensados; no entanto, quando faziam o que era errado, um castigo rápido os alcançaria. Era “olho por olho, dente por dente”. Não era, de forma alguma, um reino de misericórdia, pois a Humanidade não teria compreendido a misericórdia naquela época — era um Reino da Lei onde o egoísmo florescia. Assim, apelando aos instintos egoístas, a Humanidade, enquanto desenvolvia a Mente, foi pressionada e conduzida ao longo do Caminho de Evolução.
À medida que o Sol retrocedeu pelo Zodíaco, após cerca de 2.100 anos em Câncer, ele entrou no Signo de Ar, Gêmeos. Gêmeos governa a Mente inferior e os gêmeos são o símbolo da juventude eterna e da fraternidade humana. Sendo um Signo de Ar, esse foi um tempo de expressão.
Acredita-se que esse período tenha contido a Idade de Ouro no Egito, pois, em um Signo de Ar, as almas são mais facilmente despertadas para o reconhecimento de sua origem divina. É provável que o autor do Livro de Jó tenha vivido na Era de Gêmeos.
O Regente de Gêmeos é Mercúrio, cujo nome revela o trabalho educacional rigoroso que ele exigia; e as vogais do seu nome indicam que o seu trabalho tinha como objetivo expandir a Mente da Humanidade infantil até que ela pudesse funcionar no Plano Universal.
Os elevados Seres que ficaram entre os seres humanos naquela época para guiar e ensinar a Humanidade eram conhecidos como os Senhores de Mercúrio e os Senhores de Vênus. Embora fossem extremamente mais avançados do que os “filhos dos homens”, eram, na verdade, os pertencentes a Mercúrio e Vênus que haviam ficado para trás na evolução e sido lançados em uma das Luas de cada um dos dois Planetas. Naquele tempo, ao ajudarem a Humanidade, eles receberam uma nova oportunidade de recuperar o atraso e, quando seu trabalho na Terra estivesse concluído, retornariam ao seu Planeta natal. A obra de Mercúrio estava especialmente ligada à Humanidade com o Sol em Gêmeos; Vênus teve mais trabalho a realizar no período seguinte, quando o Sol estava em Touro.
Neste ponto da história do mundo é muito difícil para nós imaginarmos um tempo em que não possuíamos a faculdade da razão, onde o que tínhamos de mais próximo dela se manifestava como astúcia. Mas desenvolver a faculdade racional e colocar a Mente inferior em atividade foi realmente a obra que Mercúrio teve de realizar. Que ele foi bem-sucedido em grande medida é provado pelo fato de que muitos de nós já começamos a usar também a intuição em vez de apenas a razão.
Ao final daquele período, o Sol havia saído de Gêmeos, pela Precessão dos Equinócios, e entrado em Touro, que era, naquela época, conhecido como o “Touro Alado de Nínive”. Nesse período, o Touro era considerado um símbolo sagrado e visto como a mais elevada expressão da força física, que ainda era considerada de maior valor do que a simples Mente. O Touro também era cultuado como símbolo de força procriadora.
O Signo oposto a Touro é Escorpião, que é regido por Marte, o Planeta da Energia Dinâmica. Como sempre há um significado exotérico e um significado esotérico em cada ensinamento, o Signo oposto geralmente expressa o significado interior. Assim, durante a Era de Touro, quando se cultuava o touro sagrado, os sacerdotes usavam o Uraeus, o Símbolo da Serpente, pertencente a Escorpião, o Signo oposto a Touro, para indicar sua posse da sabedoria esotérica.
Pelo que foi dito, pode-se compreender facilmente que a força estava dominante no mundo e governava tudo. Assim, entendemos o tipo de trabalho que o suave Vênus, Regente de Touro, teve que realizar. A maior parte do que definimos e conceituamos com “mal” foi assim decidido quando começamos a responder à Marte, o Regente de Escorpião e Áries.
Como aprendemos nos Ensinamentos Rosacruzes, os Espíritos Luciféricos foram os atrasados da Onda de Vida dos Anjos do Período Lunar e não conseguiram viver no Sol nem na Lua, pois eram movidos por paixões e desejos egoístas. Por isso, foi necessário encontrar um lugar separado para eles e assim foram colocados em Marte. Dessa forma, Marte é o lugar de Lúcifer, o chefe dos Anjos caídos. Mas percebemos por sua vibração que ele seja, como diz Jó, “um filho de Deus” e isso é confirmado por S. Judas Tadeu, ao dizer que nem mesmo o Arcanjo Miguel ousou insultar Lúcifer.
Estudamos na Filosofia Rosacruz uma bela história sobre como Lúcifer, quando lutou contra o Arcanjo Miguel, disputando pelo corpo de Moisés, perdeu a gema mais preciosa da sua coroa. Ela foi deslocada durante a luta. “Essa linda gema era uma esmeralda chamada Elixir. Ela foi lançada no abismo, mas foi recuperada pelos Anjos e a partir dela o Cálice, ou Santo Graal, foi feito — aquele que mais tarde foi usado para conter o sangue purificador que fluiu do lado do Salvador”.
Também, da Filosofia Rosacruz, observamos que “essa joia era uma esmeralda e, portanto, verde. O verde é uma combinação de azul e amarelo; assim, é a cor complementar da terceira cor primária, o vermelho. No Mundo Físico, o vermelho tende a excitar e energizar, enquanto o verde tem um efeito calmante; mas o oposto é verdadeiro no Mundo do Desejo. Lá, a cor complementar é ativa, produzindo em nossos desejos e nossas emoções o efeito que atribuímos à cor física. Logo, o tom verde da gema perdida por Lúcifer revela sua natureza e efeito. Essa pedra tinha o poder de atrair paixão e gerar amor sexual, sendo, portanto, o oposto da Pedra Filosofal, que é a Pedra Branca e apocalíptica, emblema do amor da alma pela alma”.
Os Espíritos Luciféricos de Marte depositaram o ferro em nosso sangue, o que tornou possível a nossa vida em uma atmosfera que contém oxigênio; eles também agitaram todas as nossas forças e nos deram incentivo, de modo que agora agimos — embora, às vezes, nossas ações sejam más.
Marte sugere às pessoas a ignorarem os direitos dos outros: para ele o correto é a força e considera apenas as próprias vantagens. Assim, na Era de Touro foi trabalho de Vênus tornar os seres humanos amorosos e bondosos. El não tentou ir muito além do imediato grupo familiar, porém sob a sua influência, quando renascíamos aqui como um ser do sexo feminino – uma mulher – começamos a nos tornar charmosas e, assim, atraíamos os seres que renasciam aqui com o sexo oposto – um homem – com laços de amor, em vez de mera luxúria.
Perto do fim da Era de Touro, quando o Sol havia entrado, por Precessão dos Equinócios, na Órbita de Influência de Áries, o carneiro, o culto ao touro se tornou idolatria, pois agora havíamos entrado em outra Dispensação. É evidente que, quando estudamos a Bíblia por meio dos Ensinamentos Rosacruzes, os israelitas mortos por construírem um bezerro de ouro para adoração não estivam acompanhando a Era em que adentravam.
Acredita-se que Áries seja dividido em duas partes: a primeira é representada pelo carneiro, e a última parte — durante a qual Cristo-Jesus nasceu —, quando o carneiro era apresentado de maneira muito gentil, é figurada pelo cordeiro. O Regente de Áries, assim como de Escorpião, é Marte. Áries tem domínio sobre a cabeça e o cérebro foi construído pela divisão da força sexual criadora, enquanto Escorpião governa os nossos órgãos reprodutores. Áries é a Casa da Vida e Escorpião, a Casa da Morte, significando que tudo o que nasce da paixão e do desejo está destinado a morrer aqui.
De Lúcifer vem o nosso sangue vermelho e a energia marcial, que é o veículo de todo progresso e energia material. De Jeová vem a interiorização da Lei e do castigo pelo pecado. No período que estamos considerando, a qualidade da misericórdia ainda não havia entrado na consciência humana e o altruísmo não havia sequer sido concebido.
Quando o Sol, por Precessão dos Equinócios, chegou a poucas centenas de anos de Peixes, um Signo de Água, em sua passagem através de Áries, Jesus nasceu de uma virgem (Virgem é o Signo oposto a Peixes) e o peixe se tornou o símbolo do Cristão. Os Bispos da Igreja ainda usam um adorno de cabeça que lembra a cabeça de um peixe e a água ainda é colocada à porta da Igreja como símbolo de pureza.
O Regente de Peixes é Júpiter, o Planeta da filantropia; por isso podemos ver que a Humanidade está pronta para dar outro passo. Vênus havia começado o trabalho de embelezamento e humanização na Era de Touro e agora Júpiter dará continuidade a esse trabalho; no entanto, e como sempre, em um nível mais elevado. É interessante considerar os meios usados para manter a Humanidade em ascensão. Lembremos que, no início, não houve qualquer poder de raciocínio e a primeira faculdade desenvolvida foi a astúcia.
Foi necessário desenvolver o egoísmo no processo de nos fazer perceber nossa identidade separada. Isso foi realizado pelas Leis de Jeová. O ganho material era constantemente oferecido a nós como sinal de obediência ou não das Leis: se agradassem a Jeová, colheriam benefício; se o desobedecessem, sofreriam com a pobreza.
Então, depois que o germe da Mente havia sido desenvolvido, a Humanidade estava muito satisfeita e não tinha qualquer incentivo para agir — estava perfeitamente contente com as coisas como eram e não via razão para fazer qualquer esforço. Assim, os Espíritos Lucíferes de Marte foram enviados para polarizar o ferro no nosso sangue e, assim, possibilitar o sangue vermelho, de modo que desejasse agir. “Melhor fazer o mal do que não fazer coisa alguma”. Naturalmente, o primeiro resultado foi muito ruim. Ambição, ganância, luxúria e brutalidade dominaram — mas a Humanidade estava agindo.
A influência de Vênus mostrou um cuidado mais delicado, quando renascíamos aqui como um ser do sexo feminino – uma mulher. Em vez de considerá-las simples “animais de carga” ou “meras criaturas para a satisfação da luxúria”, gradualmente despertaram ternura genuína e verdadeiro amor.
Cristo-Jesus nasceu quando o Signo de Áries estava dentro da Órbita de Influência de Peixes. Ele nasceu da Virgem Celestial, o Signo oposto a Peixes, e pela primeira vez na história do mundo quando renascíamos aqui como um ser do sexo feminino recebemos um lugar de honra e respeito. O Regente de Peixes, Júpiter, representa benevolência, filantropia, altruísmo. Essa foi a mais elevada influência que a Humanidade havia sentido até então.
Cristo introduziu uma nota completamente nova quando disse: Ninguém tem amor maior do que este; dar a vida por seus amigos. (Jo 15:13). Ou Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. (Jo 3:16). Naquele tempo, o mundo nada sabia sobre amor ou solidariedade. Se, por exemplo, uma pessoa tropeçasse e caísse nas ruas de Roma, provavelmente seria deixada onde caiu, porque ninguém demonstraria qualquer interesse por ela. Eles enfaticamente não se consideravam guardiões dos seus irmãos e das suas irmãs.
Tudo isso Cristo tentou modificar. Com a influência de Júpiter auxiliando a Humanidade, Ele induziu as pessoas a adquirirem um senso de fraternidade. Em vez da antiga doutrina Jeovística do “olho por olho, dente por dente” (Ex 21:24; Lv 24:20), Ele instituiu a ideia da misericórdia; no lugar da “retribuição”, as pessoas foram ensinadas a ignorar e perdoar.
Embora tenhamos muitas falhas, mesmo assim a Humanidade deu um grande salto naquela época e, desde então, apesar dos muitos tropeços e recaídas, continuamos avançando lentamente, tateando nosso caminho para cima. O Signo oposto a Áries, sob o qual Jesus nasceu, é Libra, o que nos diz que o Cristo retornará.
O Sol já avançou o suficiente através de Peixes para entrar na Órbita de Influência de Aquário, o grande Signo humano que foi colocado nos Céus como o ideal que a Humanidade deve buscar. Na época em que Jesus de Nazaré nasceu, nada mais elevado em termos de altruísmo era conhecido além do que Júpiter representava; ainda hoje estamos longe de alcançar o seu ideal. Contudo, pouco antes do fim da primeira metade do século dezenove, outro Planeta, Urano, entrou em nosso campo de percepção. A Humanidade estava, evidentemente, pronta para dar outro passo. Aproximadamente em 1898, a Terra entrou plenamente na Órbita de Influência de Aquário e o seu Regente, Urano, começou a agir sobre nós.
Urano realiza praticamente o mesmo trabalho que Júpiter, mas em nível mais elevado. Ele não dá atenção aos Corpos — seu amor é de alma para alma. Quando ativo, ele desperta todas as faculdades intuitivas de modo que a pessoa obtém conhecimento sem precisar do esforço do raciocínio. Desde que a Terra entrou na Órbita de Influência de Aquário, máquinas voadoras tornaram-se práticas, o rádio foi inventado, o telégrafo sem fio foi inaugurado e muitas outros objetos tecnológicos começaram a surgir, antes considerados impossíveis. E não sabemos o que mais aparecerá.
Como foi dito a respeito de Gêmeos: em uma Era de Ar, as almas são mais facilmente despertadas para a consciência da sua Origem divina. É sempre uma era de expressão e a última destinou-se a expressar o trabalho do intelecto. A Era de Aquário destina-se, contudo, à manifestação do altruísmo. O conhecimento de que eu sou o guardião do meu irmão (Gn 4:9) agora ofusca qualquer outra consideração. Responsabilidade e liberdade, embora pareçam antagônicas, pertencem ao Ar e devem trabalhar juntas.
Como Urano derruba e destrói o que desaprova para reconstruir, é possível que o abominável holocausto da Primeira Guerra Mundial tenha sido resultado da sua ação; nesse caso, veremos o início de um reino de responsabilidade e liberdade na Terra, quando a paz for novamente declarada, ainda que temporária. O que parecem mau é apenas o bom em formação. “Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam o Senhor.” (Rm 8:28).
Embora muitas pessoas aguardem confiantemente a rápida e segunda vinda do Cristo, predita pelo Signo de Libra, é evidente que ainda estamos muito longe de estar preparados, pois poucos de nós desenvolveram o Corpo-Alma no qual, como diz S. Paulo, seremos capazes “de encontrá-Lo nos ares para estar com Ele.” (ITss 4:17). Primeiro precisamos aprender a levitar. Como Capricórnio está em um dos cantos do Zodíaco, é muito provável que, quando o Sol estiver pronto para entrar neste Signo pela Precessão dos Equinócios, a Humanidade talvez esteja preparada para a segunda vinda de Cristo-Jesus. Se isso for verdade — e não devemos esquecer que “daquele dia e hora ninguém sabe, exceto nosso Pai no Céu” (Mt 24:36) — ainda temos pelo menos mais de dois mil e quinhentos anos para nos desenvolvermos o bastante para conseguir usar nossos Corpos Vitais.
Embora o prazo possa parecer muito distante, quando percebemos que até agora fizemos muito pouco para evoluir, notamos que esse tempo não é de forma alguma excessivo — e é responsabilidade nossa começar a trabalhar e continuar trabalhando sem cessar, porque assim cada um poderá fazer sua parte para apressar o “Dia do Senhor”, ajudando a libertá-Lo da Terra, onde Ele sofre com gemidos inexprimíveis.
E o modo como nosso trabalho se apresenta no momento é pelo Caminho do Altruísmo, conforme mostrado pelo Signo de Aquário, onde entraremos em breve. O símbolo do Jarro deve estar sempre ativo em nossa consciência, pois até que possamos controlar nossos próprios Corpos, nosso trabalho pela Humanidade deve esperar. Para alcançar a estatura do ser humano perfeito nós devemos aprender a carregar nosso Jarro de modo que, exceto quando escolhemos incliná-lo, nenhuma gota de água da emoção vaze. Então, quando pudermos controlar perfeitamente nossos próprios Corpos, estaremos prontos para obter nossa herança, tornando-nos colaboradores de Deus para a edificação da Humanidade.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de fevereiro/1917 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
É um erro pensar que, ao dar à luz um filho, os pais criam uma nova Alma ou um novo ser. O Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui), que se apresenta externamente como um bebê, é uma Centelha Divina, divinamente criada. É blasfêmia supor que meros seres humanos pudessem fazer algo tão maravilhoso. Tudo que os pais podem fazer é produzir o Corpo Denso da criança – e, mesmo assim, não em sua totalidade –, sua morada física durante esta específica vida terrena. Mesmo este Corpo Denso, os pais seriam incapazes de fornecer, se não fosse pelo Átomo-semente do Corpo Denso fornecido pelo Ego que inicia mais uma vida terrestre. Na verdade, os pais fornecem o solo no qual, ou a partir do qual, o Átomo-semente do Corpo Denso cresce até se tornar uma forma física e humana. Este Átomo-semente do Corpo Denso é propriedade do Ego, que vemos como um embrião ou feto então, que está por vir e é totalmente independente dos pais. E mais ainda, assim como o feto é resguardado dos impactos do Mundo visível pelo útero protetor da mãe durante o período de gestação, do mesmo modo os veículos mais sutis são resguardados por um envoltório de Éter e de matéria de desejos que os protegem até que estejam suficientemente amadurecidos e aptos para suportarem as condições do Mundo externo.
Mas antes que a criança possa começar uma vida terrena, o Átomo-semente do seu Corpo Denso deve criar raízes e crescer no Corpo de uma mãe. A mãe, portanto, é o portal pelo qual o Ego entra em uma nova vida na Terra.
E aqui devemos detalhar bem esse ponto para termos claro o assunto sobre filhos e filhas.
Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que no nosso estado atual desse Esquema de Evolução a função sexual é o meio pelo qual são formados os nossos Corpos Densos usados por nós para obter experiência aqui, no Mundo Físico, que é o baluarte da nossa evolução.
Infelizmente, muitas pessoas que têm todas as condições de ajudar a um Ego que precisa renascer aqui se negam a isso! Dessa maneira anormal, muitos exercitam a prerrogativa divina de produzir a desordem na Natureza. Os Egos a ponto de renascer têm de se aproveitar das oportunidades que se apresentam e tais oportunidades, muitas veze, não são as condições favoráveis a eles. Outros que não podem renascer nessas circunstâncias, esperam até se apresentar ocasião mais favorável. Ou seja, muitos de nós, através dos nossos atos nos afetamos uns aos outros e, desse modo, “os pecados dos pais caem sobre os filhos”, porque assim como o Espírito Santo é a energia criadora da Natureza, a energia sexual é seu reflexo em cada um de nós. O mau uso ou abuso da força sexual criadora é um pecado que não se pode perdoar; deve ser expiado, com prejuízo da eficiência dos veículos, a fim de aprendermos que a força sexual criadora é sagrada.
Muitas outras pessoas, ansiosas por viver uma nobre vida espiritual, muitas vezes, até consideram a função sexual um horror, por causa das misérias que o seu abuso tem trazido a nós todos. Assim, nem querem ver o que consideram uma impureza! Só que se esquecem de que são elas, as quais deram boas condições aos seus veículos por meio de alimentação apropriada e saudável, de elevados e bondosos pensamentos e de vida espiritual, precisamente, as que estão em melhores condições para gerar Corpos Densos apropriados às necessidades de desenvolvimento de irmãos e irmãs que esperam para renascer!
Quando renascemos aqui com o sexo feminino e nos recusamos a ajudar a construir um Corpo para um Ego, que precisa e merece entrar em uma vida terrena por meio do nosso Corpo, estamos privando esse Ego da nossa assistência nesse assunto. Se temos condições física, emocional, moral, financeira e espiritual suficientes adequadas, por que não?
Uma mulher e um homem, cujos pensamentos sejam puros e nobres, e cuja vida aqui seja dedicada à elevação da Humanidade dedicada à espiritualidade, pela Lei da Atração, atrairá para si um Ego com inclinações semelhantes. A atitude mental da mãe, imediatamente antes da recepção do Átomo-semente do Corpo Denso, é fundamental para determinar que Ego ela ajudará a construir um novo Corpo Denso aqui. Já uma mulher e um homem cujos pensamentos sejam impuros e inferiores, e cuja vida aqui seja dedicada à orgia, prazeres sensuais ou ao ódio, raiva e demais emoções inferiores, pela Lei da Atração, atrairá para si um Ego com inclinações semelhantes. Quando renascemos aqui com o sexo feminino, carregamos uma responsabilidade tremenda, e quanto mais cedo aprendemos tudo que há sobre isso, tanto melhor será para a próxima geração.
Sabemos, pelos Ensinamentos Rosacruzes, que antes de renascermos aqui, em mais uma vida terrena, no Panorama da Vida escolhido ainda no Terceiro Céu há a indicação dos que serão o nosso pai e a nossa mãe. Mas ninguém pode escolher um ambiente que não seja merecido ou não tenha conquistado em outra vida.
A futura mãe, cumprindo seu dever sagrado, protegerá cada pensamento, palavra e ação antes de receber o Átomo-semente sagrado que se desenvolverá, tornando-se o Corpo Denso do seu filho ou da sua filha. Por meio da oração, ela se esforçará para tornar sua dádiva à Humanidade um presente abençoado. De boa vontade, com alegria e o amor protetor de mãe, ela ajudará o bebê a se formar e crescer. É assim que a maternidade realiza os mais elevados ideais de moralidade.
Quando habitamos Corpos em civilizações passadas, quando renascíamos sob o sexo feminino, éramos árbitros dos destinos do Mundo. Depois, em civilizações mais recentes quando renascíamos – e até agora, quando renascemos – sob o sexo masculino somos os árbitros dos destinos do Mundo. Agora estamos às vésperas da transição para a Nova Era – a de Aquário – e nessa Era quando renascermos sob o sexo feminino, novamente, seremos árbitros dos destinos do Mundo. Em consequência, quando renascermos sob o sexo masculino teremos que se submeter aos seus ditames, mas antes que isso aconteça, uma era de igualdade virá.
Essa é chamada de Era de Aquário pelos ocultistas, e já começamos a sentir seus efeitos desde meados do século passado, quando o Sol, por Precessão dos Equinócios, entrou na Órbita de Influência de Aquário. No lento ritmo desse movimento, Precessão dos Equinócios, o Sol não atingirá o zero grau de Peixes antes de, aproximadamente, 600 anos. Mas durante esse período haverá, é claro, tantas mudanças maravilhosas em nosso estado físico, moral e mental, que somos agora incapazes de conceber.
Nós, agora no Corpo Denso, seremos seguidos por Espíritos ainda mais evoluídos que trarão grandes reformas. Quando as pessoas que atualmente vivem na Terra, e estão atrasadas espiritualmente, renascerem naquela atmosfera de grande realização intelectual, quando o Mundo estiver bem encaminhado na linha de desenvolvimento peculiar àquele momento nesse Esquema de Evolução, elas ganharão uma imensa elevação de consciência pela Lei da Atração que garante, por exemplo, que um condutor elétrico que é aproximado de um fio altamente carregado, receba automaticamente uma carga de voltagem mais baixa.
Assim, cada classe ou grupo que ascende, ajuda também a elevar aqueles que estão abaixo dele na escala evolutiva. O assunto populacional, portanto, não é inteiramente governado por indivíduos ou leis criadas pelo ser humano; são as Hierarquias Criadoras que guiam nossa evolução, e quem organizam isso, conforme necessário para o bem maior de todos os envolvidos; assim, o número da população está em suas mãos, não nas nossas.
Eis o motivo de que devemos sempre ajudar as pessoas onde elas estão e não onde deveriam estar. Os Ensinamentos Rosacruzes sempre enfatizaram o fato de que “semelhante atrai semelhante” e, portanto, é dever daqueles que sejam bem desenvolvidos física, moral e mentalmente, proporcionarem um ambiente para tantos Espíritos quanto suas circunstâncias físicas e financeiras permitirem.
Esse dever é ainda mais contundente para aqueles que também são espiritualmente desenvolvidos, pois uma entidade espiritual elevada não pode entrar na existência física através de uma ascendência vil. Mas quando um casal atinge o ponto em que é considerado perigoso para a saúde da mãe gerar mais filhos, ou se o fardo financeiro estiver acima de suas possibilidades, então ele deve viver uma vida de continência. Isso naturalmente requer considerável avanço espiritual e autocontrole.
Poucos são capazes de viver tal vida e seria o mesmo que aconselhar a continência a um muro de pedra, fazê-lo a um espécime médio da Humanidade. Ele não consegue entender que isso seja necessário; acredita até mesmo que interfira em sua saúde, pois falsas declarações sobre a necessidade de exercer essa função levaram a muitos resultados deploráveis. Mesmo que pudesse ser persuadido a negar a si mesmo pelo bem da sua companheira e dos filhos que já trouxe ao mundo, provavelmente seria totalmente incapaz de se conter.
Nesse ponto, nunca esqueçamos que os ensinamentos espirituais devem ser transmitidos repetidamente para que, à medida que a gota constante desgasta a pedra, assim também, e com o passar do tempo, as gerações futuras aprenderão a depender da sua própria força de vontade para realizar o objetivo de manter sua natureza inferior sob controle. Sem esse aspecto educacional dirigido para a emancipação espiritual, fica muito difícil a pessoa evoluir espiritualmente.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – fevereiro /1918 – Traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
Lemos na Bíblia a história de como Noé e a sua família foram salvos do Dilúvio e formaram o núcleo da humanidade da Época do Arco-Íris, aquela em que vivemos agora. Também se diz que Moisés guiou seu povo fora do Egito, a terra do touro (do Signo de Touro) através das águas e o estabeleceu como o povo escolhido para adorar o Carneiro, o Signo de Áries, em cujo Signo havia já entrado o Sol pelo movimento de Precessão dos Equinócios. Esses dois relatos se referem ao mesmo incidente, a saber, a aparição da infante humanidade do continente submerso da Atlântida (na Época Atlante), nesta época de ciclos alternados: verão e inverno, dia e noite, fluxo e refluxo.
Como a Humanidade acabara de receber a Mente, ela começou a dar conta da perda da visão espiritual que até então possuía. Sentiu um anelo pelo mundo do espírito e seus guias divinos, que persiste, todavia, pois ainda não cessou de lamentar essa perda. Por essa razão foi-lhe dado o Tabernáculo no Deserto, antigo Templo de Mistérios Atlante, para que pudesse encontrar o Senhor quando estivesse qualificada por meio do serviço e domínio da natureza inferior pelo Eu Superior. Tendo sido delineado por Jeová, foi a incorporação de grandes verdades cósmicas, ocultas por um véu de simbolismo que falava ao Eu interno ou Eu Superior.
Em primeiro lugar, é importante saber: esse plano divino do Tabernáculo foi dado a um povo escolhido, que devia construí-lo por meio de sacrifícios. E aqui há uma lição particular consistindo em nunca se dar à pessoa alguma a norma do caminho do progresso se primeiramente não se fez um convênio com Deus para servi-lo e estar disposto a oferecer o sangue do seu coração numa vida de serviço totalmente desinteressado. A palavra “phree messen” é um termo egípcio significando “filho da luz”. Na literatura iniciática fala-se de Deus como o Grande Arquiteto. Arche é uma palavra grega significando “substância primordial”.
Diz-se que José, pai de Jesus, foi um “carpinteiro”, porém a palavra grega é “tekton” — construtor. Também se diz que Jesus foi um “tekton”, um “construtor”.
Por conseguinte, cada verdadeiro Iniciado é um filho da luz, um construtor que se esforça em edificar o templo místico de acordo com o plano divino dado por nosso Pai nos Céus. A esse fim dedica todo o seu Coração, Alma e Mente. Ele deve aspirar a ser “o maior no Reino de Deus” e, portanto, há de ser o servo de todos.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de fevereiro/1978 – Fraternidade Rosacruz -SP)
Nós, Estudantes Rosacruzes, a despeito dos quadros não muito animadores que o mundo nos oferece, mantemos inabalável a fé no futuro da Humanidade.
Quando instituições, dogmas e estruturas das mais diversas parecem encontrar-se a beira de um colapso, prestes a fundirem-se num caos total, nossa maneira de encarar as coisas, por paradoxal que possa parecer, é otimista.
Nossa visão dos fatos não é apocalíptica, no sentido exotérico do termo. Cremos estar próximo o fim, não do mundo, mas de uma Era, de um estado de coisas.
Toda essa confusão prenuncia o desabamento de estruturas obsoletas, de sectarismos, de preconceitos. Esse sofrimento vivido na época atual nos compelirá a nos desapegar, de uma vez por todas, de um estilo de vida já inadequado as nossas necessidades evolutivas.
Eis que as coisas se farão novas. Encontramo-nos em fase de transição. Será que estamos conscientes do significado dessas transformações?
Já em 1918 Max Heindel escreveu: “O trabalho de preparação para a Era de Aquário já se iniciou. Como se trata de um Signo de Ar, científico, intelectual, depreende-se que a nova Religião deverá se alicerçar em bases racionais, sendo capaz de resolver o enigma da Vida e da Morte de tal forma a satisfazer tanto o intelecto como o coração”.
Abriu-se, então, o caminho para o alvorecer da Era de Aquário. Sobre os escombros da Era atual, florescerão um ideário mais avançado, estruturas mais dinâmicas e, consequentemente, uma nova Humanidade.
Lembramos, também, que dia a dia surgem condições favoráveis ao desenvolvimento das nossas (do Ego, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui) faculdades latentes. O gradativo crescimento da quantidade de Éter no Planeta Terra já está afetando as pessoas mais sensíveis. Não constitui exagero afirmar que a própria ciência já se encontra no umbral da Região Etérica.
Desde as primeiras Eras viemos desenvolvendo os cinco sentidos através dos quais nos foi possível contatar e conhecer a Região Química do Mundo Físico. Da mesma forma, futuramente, desenvolveremos outro sentido, que deverá nos capacitar a perceber a Região Etérica, seus habitantes, inclusive aqueles entes queridos desencarnados e que permanecem no Mundo do Desejo durante os estágios iniciais nos planos internos.
As pessoas mais evoluídas já estão, mesmo que tênue e esporadicamente, ensaiando seus primeiros passos no Éter.
Os dilúvios, responsáveis pela submersão da Atlântida, tornaram mais seca a atmosfera, fazendo baixar sua umidade para o mar. Quando o Sol, por Precessão dos Equinócios, entrar em Aquário, a eliminação da umidade será bem maior. As vibrações mais facilmente transmissíveis através do Éter serão mais intensas, gerando condições para a sensibilização do nervo ótico, requisito necessário à abertura de nossa visão a Região Etérica.
Mesmo não tendo concluído suas pesquisas sobre os Éteres, Max Heindel legou-nos conhecimentos notáveis a respeito desse elemento.
Em verdade, estamos próximos a grandes transformações, principalmente no campo das ideias. Cabe-nos, portanto, mantermo-nos atentos às mudanças que se operarão, preparando-nos para interpretá-las e, posteriormente a elas nos integrarmos.
Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz não limitam suas atividades aos Estudantes e Probacionistas Rosacruzes, nem a nenhum outro grupo especifico. Trabalham também por meio dos cientistas, embora estes nem sempre estejam conscientes disso. O propósito dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz é estabelecer a Fraternidade Universal. Sendo assim, o campo de ação deles é de uma amplitude inimaginável!
Max Heindel afirmou, certa vez, num círculo mais íntimo, que na aurora da Era de Aquário apareceria um ser humano que nos ajudará diretamente naquela empreitada. Será o reaparecimento do grande Ego outrora conhecido na Europa como Christian Rosenkreuz e, também, como Conde de Saint Germain.
Além desse ser humano será enviado um mensageiro, como ocorre a cada cem anos, pelo “Governo Invisível do Mundo.
Segundo Augusta Foss Heindel, “a Nova Era mostrará a verdade indiscutível do espaço interestelar, novas aventura cósmicas para o Espírito Humano e uma Filosofia Cósmica mais extensa”.
Você está cultivando uma sincera e verdadeira afinidade com o ideal aquariano?
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de fevereiro/1980 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Resposta: Se tivermos em mente que devemos distinguir entre o Cristo cósmico e o planetário, temos a chave para todo o problema. Lembrem-se de que, há muito tempo atrás, durante o Período Solar desse atual Esquema de Evolução (que estamos inseridos), o Cristo histórico foi um ser que estava no seu estágio “Humanidade” na terceira Revolução e meia do Globo D daquele Período, funcionando em um Corpo de Desejos, o veículo mais denso daquele tempo remoto, e alcançando o mais alto grau de Iniciação que um Arcanjo pode alcançar nesse Esquema de Evolução, que chamamos aqui de o Grande Iniciado. Por essa razão, e porque Seu sacrifício de mais de dois mil anos atrás O tornou o Regente Planetário da Terra, nos referimos a Ele como o Cristo planetário. Ele desceu em um Corpo Denso e Corpo Vital, cedidos voluntariamente por Jesus de Nazaré, quando o Sol, por Precessão dos Equinócios, atingiu o em torno de sete graus de Áries, ou seja, em torno no ano 30 d.C.
Mas cerca de doze mil anos antes do Advento de nosso Salvador aqui no nosso Planeta Terra, quando o Sol por Precessão dos Equinócios passou por Libra pela última vez, o primeiro impulso espiritual preparatório para Sua vinda foi dado à Onda de Vida humana, nós, e daquele tempo em diante até Sua primeira vinda aqui, grandes mestres como Rama, Krishna e Buda na Índia, Lao Tsé e Confúcio na China, Zoroastro na Pérsia, Hermes no Egito, Orfeu na Grécia e Moisés entre os israelitas apareceram em intervalos periódicos. As necessidades especiais dos povos entre os quais ensinavam, e a força cósmica do Cristo que emanava do Sol espiritual, do Coração do nosso Universo, da fonte de todas as nossas vibrações Crísticas, era poderosa neles. Mas eles eram produtos exaltados de nossa própria evolução humana, pertencentes ao Período Terrestre – renascimentos do Grande Iniciado do Período Solar, não eram! Este Iniciado apareceu aqui apenas uma vez, há dois mil anos, no Corpo Denso de Jesus, e quando chegar a hora, Ele aparecerá novamente no Corpo Vital construído por Jesus, na primeira vinda do Cristo, que está sendo preservado para esse propósito.
Há uma estreita união mística entre o Cristo planetário e o cósmico, e a cada ano, quando o Grande Iniciado se aprisiona novamente na Terra, do Natal até a Páscoa, a força cósmica do Sol ou Filho é atraída para nós através da mediação de nosso Salvador planetário. Nós, por meio do evento a “Queda do Homem”, trouxemos sobre nós e sobre o Planeta Terra o perigo de sermos isolados do Sol ou Filho vivificante, ou do aspecto cósmico do Cristo (observe como a Terra se tornou estéril e o clima frio após a “Queda do Homem”), e para nos salvar desse destino iminente, o Cristo planetário se tornou o nosso mediador, elevando as nossas vibrações à intensidade e ao tom necessários para responder às vibrações do Sol. Ele veio para todo o Planeta Terra, não apenas para um povo ou uma nação, e fundou a única Religião universal, que no devido tempo abrangerá toda a Humanidade.
Jesus, em cujos Corpos Denso e Vital o Cristo funcionou, pertencia à Ordem dos Essênios, que era temida e desprezada pelas classes dominantes entre os judeus, embora reverenciada pelo povo, e isso explica por que o historiador judeu, Josefo, mal menciona o odiado mestre essênio, Jesus de Nazaré, que foi morto (já que quem tomava esse partido não distinguia Jesus de Cristo-Jesus) apenas porque o povo o amava e as autoridades temiam sua influência. Não seria conveniente que o historiador judeu oficial divulgasse esse fato e, portanto, quanto menos se falasse sobre o perigoso Nazareno, melhor.
Os Evangelhos são relatos históricos, além de serem exposições simbólicas de Iniciação; mas, além dos quatro Evangelhos que temos agora, existiram e ainda existem outros Evangelhos, plenamente conhecidos pelos gnósticos dos primeiros séculos Cristãos e pelos Iniciados de hoje, e que foram suprimidos pela Igreja.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de fevereiro de 1921 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
Essas duas palavras “não matarás” foram dadas a todos nós por Jeová ou Javé, o Deus de Raça dos povos antigos, por meio de Moisés, o grande legislador, profeta e guia dos israelitas.
Quando tinha somente três meses de idade, Moisés foi colocado em um cesto por sua mãe e escondido no canavial de um rio onde a filha do cruel Faraó ia diariamente tomar banho. O Faraó tinha assinado um decreto determinando que todos os filhos de sexo masculino dos hebreus deviam ser mortos; mas quando a princesa achou o cesto com o seu precioso conteúdo, “tomou-o e cuidou dele como seu próprio filho” (Ex 2:2). Moisés foi educado como um príncipe e tornou-se um guia popular até que, com 40 anos, incorreu na má vontade do rei por defender um hebreu em quem um egípcio estava batendo. Moisés fugiu então da corte do Faraó e passou a residir “na terra de Madiã (ou Midian)”, onde teve dois filhos. Depois de quarenta anos, quando Moisés tinha 80, pediu o Senhor a tarefa de libertar os hebreus da servidão do Faraó.
Provou aos seus inimigos como era poderoso, protegido e guiado por Javé, o Deus de Raça. Demonstrou como podia causar a ira de Jeová sobre os súditos do rei, ocasionando repetidos aparecimentos de flagelos e pestilências. Eventualmente libertou os israelitas e conduziu à Terra Prometida. A história bíblica usa os termos dos povos antigos, que não eram conscientes das mudanças e grandes soerguimentos mundiais que surgiam de tempos em tempos, indicados pela Precessão dos Equinócios: estávamos entrando na Era de Áries, Signo marcial, governado pelo sangrento Marte.
Normalmente um grande líder da Humanidade aparece nos tempos críticos, quando é necessário guiar o povo para uma nova forma de Religião. Ele proporciona o suporte moral que usualmente é tão grandemente necessitado quando a Humanidade está sob vibrações perturbadoras.
Depois que os israelitas alcançaram o Deserto do Sinai, Moisés foi chamado ao “Monte” (Segundo os Ensinamentos Rosacruzes, o Monte está situado no cérebro, por onde o Ego entra e sai livremente do Corpo Denso). Lá, comunicou-se diretamente com Javé, enquanto estava fora do Corpo Denso. Os principais líderes religiosos são, em geral, altamente desenvolvidos espiritualmente e capazes de deixar o Corpo Denso quando precisar e usando a sua força de vontade. Nos Mundos espirituais eles se comunicam diretamente com os grandes Seres. Moisés foi um Iniciado escolhido e teve uma grande missão. A nova Época, a Ária, se iniciava nessa ocasião. A Época Ária devia ter um guia poderoso, um que pudesse usar métodos estritos ou cruéis para governar e conservar sob domínio um povo pirracento, o povo ariano. A Dispensação fornecida a Moisés por Javé era muito severa e entre as Leis, que se seguem, predominavam: “Mas, se houver danos graves, então darás vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé” (Ex 21-23:24).
Na Época Ária praticamos muita crueldade. É estranho como o temperamento das pessoas muda, assumindo traços e disposições do Signo que governa a Terra durante os grandes períodos mundiais, sob a Precessão dos Equinócios. O Signo de Áries, governado por Marte, expressa a natureza marcial e os antigos israelitas eram denominados um povo endurecido, como se diz no Livro do Profeta Jeremias (17:23): “Mas eles não deram ouvidos nem inclinaram suas orelhas; pelo contrário, endureceram sua cerviz para não ouvir e não receber correção”. A fim de governar tal povo foram necessárias as Leis muito severas. Podemos observar isso verificando uma concordância bíblica: procurando a palavra “matar”, achamos suas ocorrências aproximadamente duas vezes no Antigo Testamento e no Novo Testamento. Embora pareça estranho, o mesmo Moisés deu ao mundo os Dez Mandamentos e um dos quais é: “Não Matarás”. Todavia, os israelitas mataram mais do que qualquer outro povo. A sua Religião foi construída sobre carnificina e seus altares eram defumados com o sangue dos animais. Isso continuou até a destruição do Templo em Jerusalém (70 d.C.), quando cessaram as ofertas de sangue.
A Religião do Signo de Peixes (ou seja, quando o Sol, por Precessão dos Equinócios, transita pelo Signo de Peixes) – a Era de Peixes – não tolera o sacrifício da vida de animais, o que era costume dos israelitas. Eles acreditavam que o Espírito estava no sangue e que, quando espalhado sobre o altar, santificava-o e espiritualizava o lugar sobre o qual o Sacerdote o espalhava. Somente animais sem defeito eram oferecidos sobre os altares de Javé.
Embora ainda estejamos prontos para guerrear contra o nosso irmão ou a nossa irmã, avançamos ao estado em que protegemos os animais desses abusos e hoje nos recusaríamos a entrar em um santuário que estivesse manchado com sangue de animais. Embora, ainda, uma grande maioria de pessoas tem o Corpo Denso dela poluindo com a carne desses animais, se fosse forçada a matar tudo o que come, rapidamente cessaria de devorar corpos de animais para escapar da crueldade necessária para matar.
O primeiro ser humano que a Bíblia regista como carnívoro foi Noé, que foi obrigado a usar a carne como alimento depois do dilúvio. No Livro do Gênesis (9-3:4) encontramos o decreto: “Tudo o que se move e possui a vida vos servirá de alimento, tudo isso eu vos dou, como vos dei a verdura das plantas. Mas não comereis a carne com sua alma, isto é, o sangue.”
Essas duas admoestações de Javé inauguraram o consumo de carne animal (mamíferos, aves, peixes, anfíbios, crustáceos, frutos do mar e afins) e têm até a presente Época contribuído para tornar a Humanidade mais brutal, mais inclinada à luta e ao matar. Temos, sim, progredido em literatura, arte, ciência e invenções. Nossas realizações nos últimos dois séculos em todos os campos, em discernimento, percepção e conhecimento geral, ultrapassam as de muitos séculos precedentes. Embora superior em desenvolvimento físico e mental a qualquer outro organismo vivo, ainda, uma grande maioria de nós é tão carnívora nos desejos, sentimentos e nas emoções dela e tão propensa a verter o sangue dos irmãos menores como era durante aqueles longínquos tempos, quando saiu da “Arca de Noé”.
Temos a posição exaltada de um Filho de Deus e a herança preciosa da imortalidade; mas estamos em uma cruel fase de degenerescência que é a responsável pelo derramamento de oceanos de sangue. Tornamo-nos moralmente retrógrados, apesar do desenvolvimento do cérebro; insaciável em nossos apetites e generosos nas luxúrias, causamos a morte massiva de animais e, ao mesmo tempo, alimentamos a nossa natureza inferior, mantendo o nosso Corpo de Desejos com muito mais matérias das três Regiões inferiores do Mundo do Desejo do que das três Regiões superiores. De certo modo, podemos admitir que muitos de nós são piores que o animais que matam para comer, pois o animal não possui uma Mente que raciocine. Tais animais matam unicamente para aplacar sua fome, mas muitos de nós não se satisfazem em matar só para comer, porque também matam “por esporte”, para exibir as suas “habilidades” como atiradores ou atiradoras. Exibem esse tipo de “habilidade” para ganharem atenção, se sentirem maior do que realmente são e, afinal, compensar as suas autoestimas deficientes e inferiores. A parte mais diabólica de toda a natureza bruta de muitos de nós é, muitas vezes, encorajada pelos ganhos financeiros, cujos desejos, emoções e sentimentos inferiores são responsáveis por brutais caçadas e pela morte de criaturas de couro, pelo, penas e outras partes do corpo animal para que o ganho financeiro seja maximizado.
Logicamente, quando renascíamos no passado (bem longínquo), como homens e mulheres de raças selvagens, nesses tempos antigos usávamos couro, peles e outras partes dos corpos dos animais para nos protegermos dos Elementos da Natureza, mas já faz muito tempo que descobrimos, inventamos e encontramos muitos métodos de manufaturar vestimentas para que couro, peles e outras partes dos corpos dos animais não sejam mais uma necessidade. Contudo, em muitos casos a vaidade e o egoísmo das pessoas exigem o couro, as peles e as outras partes dos corpos dos animais que, em procura de alimento, caem em cruéis armadilhas e, depois de presos, permanecem, muitas vezes por dias, agonizando em lento e terrível processo de morte. Esses couros, peles e outras partes dos corpos dos animais são então usadas por muitas pessoas, seja como vestimentas, seja como forrações, seja como objetos de decoração.
Quando renascemos com o sexo feminino, ou seja, como mulher, temos pequenas mãos no nosso íntimo para regenerar o mundo inteiro. Durante mais dois mil anos a mulher tem sido o principal suporte da Religião e tem feito muito para que Religiões, principalmente as Cristãs populares, se conservem na prática dos Ensinamentos Cristãos.
Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que a Religião Cristã é o mais exaltado de todos os Ensinamentos e que, no tempo adequado, ela se espalhará por todo o mundo. Para alcançar esse objetivo ela deve se tornar uma Religião inofensiva e o Cristão precisa, antes, viver o que Cristo ensinou, desenvolvendo o Espírito de Amor e Compaixão Crística. Desse modo poderá convencer os povos de outros lugares do mundo que a Religião Cristã não é uma Religião de violência. Cristo veio realmente para ensinar a Fraternidade Universal e que o nosso Deus não é um Deus de guerra ou terror.
O que muitos chamam de Cristandade (pois, de fato, não é) tem um horrível registro de sangue. Em nome dela muitos de nós têm travado guerras, pedido sacrifícios de sangue e até mesmo perpetrado as maiores crueldades em nome do que acham ser a Religião Cristã. À medida que a nova Era, a de Aquário, se aproxima, nos mostramos destinados a cumprir a nossa missão: cessar a destruição e crueldade contra os irmãos e as irmãs e contra qualquer ser vivo. Somente quando interrompermos essa desnecessária carnificina, o mundo alcançará finalmente um estado pacífico. “A desumanidade do ser humano contra o ser humano” é diretamente causada por seu alimento. Se, como Javé afirmou, “o espírito está no sangue”, então quando muitos de nós ingerem a carne de um animal será necessário para eles vencerem o espírito do animal que ainda está no sangue da carne consumida, certo? Assim, por que não teria a carne do animal influência sobre a natureza humana, tornando-a mais brutal? Onde prevalece a alimentação carnívora, os grandes comedores de carne anseiam por estimulantes e a bebida alcoólicas, e invariavelmente segue o excessivo consumo de carne animal.
Para se viver de fato e plenamente na Era de Aquário há que ser vegetariano e, também, não haverá guerras, porque assim que pararmos de assassinar nossos irmãos humanos e nossos irmãos mais novos, os animais, a nossa natureza carnal experimentará uma completa mudança e não desejaremos mais matar nossos semelhantes. Neste tempo, rumores de guerra estão despedaçando os corações da Humanidade pacífica, mas este é o último esforço desesperado dos “senhores da guerra”. O sopro da morte induz ao desejo de combater e o fracasso aguarda a tentativa egoísta de qualquer país para vencer outro. Não haverá desejo de dominar, quando a Era de Aquário for estabelecida. A profecia de Isaías será então cumprida: “E eles transformarão suas espadas em enxadas e suas lanças em arados; as nações não levantarão espada uma contra outra nem mais aprenderão a arte da guerra” (Is 2:4).
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de maio/1959 pela Fraternidade Rosacruz em-SP)
O nosso Caminho de Evolução está, indissoluvelmente, unido às Hierarquias Zodiacais (ou Hierarquias Criadoras) que regem os Planetas e os Signos do Zodíaco. Nos livros A Mensagem das Estrelas – Max Heindel e Augusta Foss Heindel – Fraternidade Rosacruz e Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz aprendemos que essas Hierarquias Criadoras determinaram diferentes graus de controle da nossa evolução, assim como a evolução do Reino animal e do Reino vegetal, e que guiam a evolução da vida e da forma nos outros Reinos também.
Enquanto o Sol passar através do Signo de Capricórnio, de 22 de Dezembro a 21 de Janeiro, agiremos bem em estudar os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, no que se refere às diferentes fases da manifestação, relacionadas com esses símbolos espirituais.
Cada Estrela, Planeta, a Lua ou o Sol é o corpo de uma entidade que se manifesta por meio de raios de energia que compenetram todo o espaço. O Signo de Capricórnio está relacionado com as Hostes Arcangélicas – Hierarquia Criadora dos Arcanjos – e o Sol, com o Cristo.
Os Arcanjos operam mediante corpos compostos da substância do Mundo do Desejo, porém, seus poderes chegam a muitos Mundos que se acham por cima e por baixo desse nosso Mundo Físico. O Senhor da Terra é o Cristo, o mais elevado Iniciado de todos os Arcanjos. Uma das funções dos Arcanjos é ser Espíritos de Raça sobre a Terra, e têm influência sobre nós, através do Corpo de Desejos humano; outra de suas funções é ser os Espíritos-Grupo dos animais, meio pelo qual atuam como guias da evolução dessa Onda de Vida.
À medida que a Terra gira em torno do Sol se converte em um ponto focal dos raios solares, em combinação com cada Signo do Zodíaco, e essas Hierarquias Criadoras estimulam as atividades espirituais na Terras.
Todo fenômeno da Natureza tem um especial propósito espiritual, que nos ensina que o grande ciclo da Precessão dos Equinócios, que equivale a um período de 25.868 anos, marca a evolução e a queda dos povos, das nações e suas Religiões. Durante o trânsito precessional do Sol através de um Signo, que dura aproximadamente 2.156 anos, realiza-se um trabalho especial com uma nação, povo ou um grupo de nações, como pudemos constatar nas Primeira e Segunda Guerras Mundiais, que são os resultados da separatividade nacional entre as nações, porque durante a Precessão dos Equinócios, através do Signo de Peixes, o resultado será a unidade.
O trânsito anual do Sol, através dos Signos, marca as mudanças das estações e dos processos vitais em todas as formas viventes. No entanto, o impulso espiritual incorporado nesse acontecimento está sempre se dirigindo para despertar o gênio adormecido de um Espírito individualizado.
Durante o período que antecedeu a Era Cristã, o Espírito Santo teve a seu cargo a nossa evolução e os Arcanjos e os Anjos também estiveram sob seu domínio trabalhando, principalmente, sobre o nosso aspecto emocional e de desejos; por isso foram estabelecidas a beleza e a diversidade dos tipos nacionais. O patriotismo foi a suprema expressão do Amor e da Devoção restrito a um povo ou nação. O patriotismo e os aspectos nacionais da Religião nos cegaram com respeito à realidade de um só Deus com muitos nomes.
Com o advento da Era Cristã, os Arcanjos e os Anjos prestaram obediência a Cristo, e o Espírito de Cristo se converteu no Espírito Interno da Terra ou Espírito Planetário. Agora, todas as Hierarquias Criadoras trabalham com Cristo para nos ajudar a converter o patriotismo em Fraternidade Universal.
As comunicações e o intercâmbio internacional teceram uma grande trama ou Teia do Destino, que nos envolve em tantos interesses internacionais bastante comuns a nós todos, que as barreiras nacionais estão se apagando gradualmente ante a ameaça dos horrores de uma possível guerra nuclear. Por isso precisamos despertar gradualmente o sentido comum do ideal da “Paz sobre a Terra e boa vontade entre os homens” (Lc 2:14).
Existência sobre existência, todos nós estamos dando um pouco mais de expressão terrena à verdade espiritual da Fraternidade entre cada um de nós; essa é a nossa resposta ao chamamento de nosso Redentor, o príncipe da Paz, o Senhor do Amor. Felizmente a Religião progrediu um pouco, trocando a idolatria, que é a adoração da forma, pelo misticismo, que é a adoração aos ideais mais elevados. O governo está progredindo desde o despotismo (governo absoluto de um só indivíduo) para a república democrática, na qual prevalece o grupo do governo com representação popular. A Ciência está conseguindo se libertar do controle estatal e religioso, e está servindo ao nosso bem-estar, em campos cada vez mais amplos. A Arte, todavia, ainda não chegou à sua completa posse, mas está conseguindo progredir. Chegará o dia em que conseguiremos despertar para a necessidade de incorporar a beleza em cada expressão da vida.
Cada ano, ao nascer o raio do Cristo na Terra, é dado um novo impulso de vida a toda criatura vivente, e quando relacionamos essa verdade com os Ensinamentos Rosacruzes, de que é em Capricórnio que se dão os grandes impulsos evolutivos, nos será possível compreender a importância da paciente estação, no que se refere à política, à economia, às finanças e aos empregos.
A analogia, chave-mestra de todos os mistérios espirituais em qualquer Mundo, nos ensina que o Espírito da Terra (um Raio do Cristo Cósmico) se encontra dentro dela mesma, desde o Solstício de Dezembro até o Equinócio de Março. Durante esse tempo, a Terra se encontra cheia do Amor do Cristo, de uma forma mais íntima. Na época do Equinócio de Março, Ele sai em seus veículos superiores, para fortalecer-se em Espírito, mediante a Comunhão com o Pai; por isso todas as criaturas dão visível expressão à Vida e ao Poder com os quais Sua vinda enche a Terra. Isso é análogo a nossos estados alternativos de vigília e de sono. Trabalhamos em nossos Corpos Denso durante o dia e saímos dele durante o sono noturno, mas as forças vitais continuam ativas dentro do Corpo Denso, de maneira que ao despertarmos pela manhã, para um novo dia, nos encontramos ativos e renovados.
O egoísmo, a cobiça e o materialismo devem ceder lugar a pensamentos e ações elevados, como resposta ao chamado do princípio de Cristo, nos trazendo melhores condições. Capricórnio, podemos dizer, que é o Signo da engenharia (entendendo o conceito de engenharia como a aplicação do conhecimento científico, econômico, social e prático, com o intuito de planejar, desenhar, construir, manter e melhorar tudo a nossa volta e continuamente), de todas as classes de engenharia do mundo e que estão trabalhando para despertar milhões de seres humanos, livrando-os da pobreza e doença ou enfermidade, que infelizmente avassala nosso Globo. Mediante métodos melhores de cultivar a Terra, de construir estradas, do correto cuidado do Corpo Denso, os “engenheiros educativos” estão ajudando a afastar a ignorância e a estimular o impulso interno do Espírito, elevando-o ao mais sublime nível de consciência.
Verdadeiramente, estamos no amanhecer de uma nova Era, porque todos os que receberam a iluminação por meio dos Ensinamentos Rosacruzes deverão estar na vanguarda de um novo pensamento que promete, em sua plenitude, a emancipação dos antigos métodos em que havia o aproveitamento de muitos para o benefício de poucos. É nosso dever pensarmos em termos de um bem maior, em benefício de muitos; devemos nos adaptar à nova ordem de coisas, por meio do serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível), focado na divina essência oculta em cada um de nós, para cada irmão ou irmã no nosso entorno. É conveniente que possamos pensar de nós mesmos como um corpo de paz espiritual, fazendo todo o possível, servindo de exemplo, e exaltando os mais altos ideais de vida onde quer que estejamos.
Durante milhares de anos quase todo o nosso esforço sobre a Terra tem sido centralizado em obter alimento, vestimenta e abrigo. Contemplemos a visão da Época que se aproxima rapidamente, na qual poderemos obter as coisas com o mínimo esforço e, assim, teremos mais tempo, dedicando uma maior porção de nosso poder criador, reflorindo os lugares desérticos da Terra, colocando beleza na vida, afastando a enfermidade, a doença e o crime, cooperando com seres mais evoluídos e estudando o mais amplo significado da vida.
Pelos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, como também é conhecida a Fraternidade Rosacruz, aprendemos que esta é a Revolução Marte-Mercúrio do Período Terrestre. Marte é o símbolo do guerreiro, do trabalhador, do desejo, da paixão, da energia dinâmica, do impulso e da força centrífuga de repulsão, como claramente ficou esclarecido nas palavras-chaves e nas características das Eras passadas. Mas, agora, estamos entrando na metade de Mercúrio do Período Terrestre. Mercúrio é o símbolo do pensador, do escritor, da razão, da lógica, da relatividade, da habilidade mental e das trocas rápidas, por isso as massas dos povos devem aprender a pensar sem serem confundidas pelo sentimento, desejo e emoção.
Ao nosso redor, ainda que invisíveis para muitos, os Grandes Seres estão em seus postos, orientando-nos para um bem maior. Quando nos desviamos da Lei Divina, sofremos, nos redimimos e então poderemos dar o passo seguinte em direção à Luz.
Cristo veio para salvar os que haviam se perdido. Podemos vender nossa herança por um prato de lentilhas, não encontrar felicidade, mas olhando para além da tirania das coisas, contemplaremos os Seres mais evoluídos, sorrindo, amando-nos e sempre prontos a nos inspirar os eternos valores do real. Perdemos a nossa Personalidade na matéria em favor do que realmente somos, Individualidade, porém, sendo essencialmente divinos, nos redimimos, nos esforçando em purificar o ambiente em que vivemos, submergindo na harmonia espiritual por meio da Luz do Cristo. As nações e os povos são guiados por meio de uma Lei Divina, para a verdadeira Fraternidade. Assim como nos redimimos do egoísmo e do materialismo, o poder de quando alcançamos a luz é muito maior que o mal do irrecuperável, a pessoa dissolveu a sua alma, por isso é chamado de desalmado. As pessoas boas do mundo inteiro fracassaram em estabelecer a paz sobre a Terra, porque sua bondade era demasiado passiva, mas o verdadeiro Cristão (Místico ou Ocultista) está sempre ativo em todos os planos de expansão.
Não fiquemos inativos no bem-obrar. O processo de redenção, todavia, segue adiante. Lentamente estamos sendo redimidos, cada vez mais, pelo poderoso raio de Amor de Cristo, a todos que ainda apreciam o separatismo. Nosso é o privilégio de apressar esse processo, por meio do serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível), focado na divina essência oculta em cada um de nós, para cada irmão ou irmã no nosso entorno.
Tratemos de abrir nossos corações para que penetre neles o fermento do Amor Fraternal, e nos esforcemos para sentir com toda sua beleza e maravilha, a unidade de cada um para com todos.
(Da Revista O Encontro Rosacruz, traduzido da Revista Rays from the Rose Cross de janeiro/1963, de abril/1991)
Resposta: Depende. Geralmente o tempo estabelecido entre dois nascimentos é em torno de mil anos, para dar oportunidade às pessoas a renascerem uma vez como sexo masculino e outra como sexo feminino durante a passagem do Sol, por Precessão dos Equinócios, através de cada Signo do Zodíaco, o que leva aproximadamente 2.100 anos. Assim acontece porque as lições a serem aprendidas, durante esse período, são tantas e tão variadas que não podem ser totalmente assimiladas num Corpo pertencente a um único sexo. As experiências são bem diferentes sob o ponto de vista de um ser do sexo masculino e um ser do sexo feminino. Contudo, essa lei é semelhante a todas as outras Leis da Natureza, ou seja, ela não é cega. Ela está sob o controle de quatro grandes Seres chamados Anjos do Destino, que tratam de todos os pormenores da evolução humana. Eles garantem que todos tenham a oportunidade de obter o máximo de experiências possíveis. Se for necessário que uma pessoa permaneça nos Mundos invisíveis durante todo um período de mil anos, ela permanecerá. Senão, retornará aqui mais cedo. Algumas pessoas retornam depois de algumas centenas de anos, por terem evoluído bastante, aprendido rapidamente as lições necessárias. As pessoas que “vivem a vida” como Probacionistas, que assimilaram sua experiência de vida antes de patirem daqui, e já estão fazendo uma boa quantidade de atividades nos Mundos invisíveis não precisarão passar tanto tempo do outro lado. Eles se colocaram, definitivamente, ao lado das Leis de Deus e, portanto, recebem maiores oportunidades de evolução por meio do serviço.
(Pergunta nº 17 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Repostas” – Volume 2 – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Resposta:Em primeiro lugar, deveríamos lembrar que há cerca de sessenta bilhões de Espíritos Virginais em nossa Onda de Vida, percorrendo o Ciclo de Vida e Morte, vivendo parte do tempo no Mundo visível[1] e parte nos Mundos invisíveis. Atualmente, só há uns 1,6 bilhões[2] de seres humanos na existência física, o que representa o fluxo mais baixo e isso geralmente ocorre no fim de uma Era[3]. Durante um milhão de anos ou mais, desde que saímos da Atlântida, a média tem sido de cinquenta a sessenta milhões de pessoas. Pode-se, também, afirmar que os povos ocidentais representam a melhor parte dessa evolução e, portanto, cabe a nós lidarmos com os grandes problemas que são sempre incidentais a uma fase de transição.
Nas civilizações passadas, quando renascíamos aqui como mulher, éramos o árbitro do destino do mundo, enquanto, como ocorre no caso presente, quando renascemos aqui como homem somos o árbitro do destino do mundo. Estamos, agora, às vésperas de uma transição para uma nova Era, onde quando renascermos como mulher, novamente, exerceremos o cetro do poder e quando renascermos como homem teremos que nos submeter às ordens dos que renascerão como mulher, mas antes que isso aconteça, haverá uma Era de igualdade. Essa é chamada de Era de Aquário pelos ocultistas, e estamos começando a sentir os seus efeitos desde meados do último século[4], quando o Sol, por Precessão dos Equinócios, entrou na Órbita de Influência de Aquário. No entanto, no momento, o Sol ainda está a dez graus de Peixes[5]. Pela marcha lenta do movimento chamado de Precessão dos Equinócios, o Sol só atingirá o primeiro grau de Aquário daqui a seiscentos anos, aproximadamente. Todavia, durante o transcorrer desse tempo haverá, claramente, tantas mudanças maravilhosas em nossas condições física, moral e mental que não somos capazes, no momento, de conceber como seremos nesse futuro.
Nós, que estamos renascidos agora em um Corpo Denso, seremos sucedidos por grupos de Espíritos Virginais da Onda de Vida humana que renascerão aqui, depois de nós, ainda mais evoluídos do que nós, que realizarão grandes reformas e, quando as pessoas, que se encontram atualmente renascidos aqui na Terra, renascerem novamente, cerca de quatrocentos anos da Era de Aquário já terão passado, de modo que o mundo terá avançado numa linha de desenvolvimento peculiar àquela Era. Os Espíritos atrasados que nascem numa atmosfera de grandes realizações intelectuais obterão, assim, uma imensa elevação, com base no mesmo princípio de um condutor elétrico que, quando colocado nas proximidades de um cabo de alta tensão, recebe automaticamente uma carga de menor voltagem. Assim, cada classe ou grupo que se eleva, ajuda também a elevar aqueles que estão abaixo dele na escala da evolução. A questão da população, então, não está inteiramente controlada pelos indivíduos ou por leis humanas. As Hierarquias Criadoras, que guiam a nossa evolução, encarregam-Se da questão conforme necessário para que se reverta em maior benefício de todos os envolvidos e o número da população concerne mais a Elas do que a nós.
Isso não significa que não podemos ou não devemos exercer o controle de natalidade, como sugerido por aqueles que são os responsáveis por esse movimento. Também é verdade que é preciso ajudar as pessoas no lugar onde elas estão e não onde deveriam estar. Os Ensinamentos Rosacruzes enfatizam o fato de que “semelhante atrai semelhante” e, portanto, é um dever dos que estão bem desenvolvidos física, moral e mentalmente prover um ambiente adequado para tantos Espíritos Virginais da Onda de Vida humana que precisam, na medida que suas condições físicas e financeiras permitam. Esse dever incide ainda mais sobre aqueles que estão também espiritualmente desenvolvidos, pois um irmão ou uma irmã altamente espiritualizada não pode entrar na existência física por meio de pais impuros ou não desenvolvidos espiritualmente. Contudo, quando um casal conclui que a gravidez é prejudicial para a saúde da mãe, ou quando a carga financeira está acima das possibilidades do casal, então eles devem viver uma vida de continência, não favorecendo a natureza passional e nem procurar por meios artificiais impedir a vinda de Egos, tirando-lhes a oportunidade de renascimento proporcionada pela indulgência sexual de tal casal.
É evidente que isso requer um considerável desenvolvimento espiritual e autocontrole. São poucos os capazes de viver tal vida, e seria o mesmo que pregar a continência para um muro de pedra do que para um espécime comum da Humanidade. Ele não pode compreender a necessidade disso. Ele até acredita que essa abstinência interferiria na sua saúde, pois falsas declarações a respeito da necessidade de exercer a função natural levaram a muitos resultados deploráveis. Ainda que ele pudesse ser persuadido a se abster pelo bem do seu cônjuge e dos filhos que já trouxe ao mundo, provavelmente seria incapaz de se conter, particularmente porque as pessoas que vivem em modestas condições, geralmente, não têm possibilidades de ter dormitórios separados, por exemplo. Por essa razão, é necessário ensinar a essas pessoas o controle de natalidade por meios científicos. Contudo, reiteramos que, embora as pessoas sejam incapazes de entender a razão pela qual a continência deva ser praticada e são incapazes de praticá-la por falta de autocontrole, os ensinamentos espirituais devem ser fornecidos repetidamente para que, da mesma forma que “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”, com o tempo as gerações vindouras aprenderão a considerar sua própria força de vontade para conseguir dominar sua natureza inferior. Sem um programa educacional visando à emancipação espiritual, as informações a respeito dos métodos físicos para limitar a natalidade nos lares sobrecarregados são extremamente perigosas.
Há outro aspecto da questão que merece ser elucidado. Foi dito que “a atitude da Mente da mãe, precisamente antes de receber o Átomo-semente, é importantíssima, pois determinará o tipo de criança que ela trará ao mundo. Um acesso repentino e intenso de raiva ou de medo, ou ainda, de paixão violenta nesse momento sagrado deixa o portal desprotegido e convida uma entidade indevida a entrar”. Além dos seres que vemos neste Mundo material, toda a atmosfera que nos cerca está repleta de criaturas ou entidades que se sentem atraídas por seres de natureza semelhante à delas. Assim como os músicos se reúnem nas salas de música ou os esportistas, nos clubes ou pistas de corrida e afins, essas entidades se reúnem ao redor de pessoas de natureza semelhante à sua. Assim como alcoólatras e bandidos procuram os bares, botecos e antros, homens e mulheres imorais são encontrados nas zonas de meretrício, assim também espíritos imorais reúnem-se em torno de um lar onde dão vazão às suas paixões de natureza inferior, satisfazendo-as muitas vezes no decorrer de uma noite ou de um dia.
Há certa classe de seres, demônios masculinos e femininos que vivem no Éter e foram chamados pelos antigos alquimistas de incubi e succubi, que se nutrem das paixões dos outros. Que oportunidade tem uma mãe que vive em tal ambiente de atrair um Espírito Virginal da Onda de Vida humana elevado para que renasça através dela? E, embora a concepção quase nunca esteja sincronizada com a união dos pais, podendo ocorrer a qualquer momento dentro de duas semanas ou mais a partir daquele acontecimento, uma mãe cercada por tais influências no lar nunca está livre delas. Algumas Religiões de algumas pessoas que chamamos de “selvagens” exigem até hoje que o ato procriador seja realizado no templo, e é assim que deve ser. Não há ato mais importante na vida e, em vez de ser condenado como vergonhoso, deveria ser exaltado à dignidade de um Sacramento e realizado sob as circunstâncias mais sagradas e inspiradoras possíveis. Se isso fosse concebido hoje como o foi na chamada Idade do Ouro[6], teríamos uma verdadeira elevação e um aprimoramento nas condições do mundo como, provavelmente, e não conseguiríamos alcançar por séculos.
(Pergunta nº 37 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: ou seja: Região Química do Mundo Físico.
[2] N.T.: população mundial no início do século XX. Atualmente a população mundial é estimada em torno de 8 bilhões de pessoas.
[3] N.T.: no caso a Era de Peixes nessa Época Ária.
[4] N.T.: aqui se refere ao Século XIX.
[5] N.T.: isso se refere ao início do Século XX.
[6] N.T.: O termo Idade de Ouro vem da mitologia grega, particularmente dos Trabalhos e Dias de Hesíodo, e faz parte da descrição do declínio temporal do estado dos povos através de cinco Eras, sendo o Ouro a primeira e aquela durante a qual a Raça de Ouro da Humanidade viveu. Por extensão, “Idade de Ouro” denota um período de paz primordial, harmonia, estabilidade e prosperidade. Durante esta Idade, a paz e a harmonia prevaleceram, pois as pessoas não tinham que trabalhar para se alimentar, pois a terra fornecia alimentos em abundância. Eles viveram até uma idade muito avançada com uma aparência jovem, eventualmente morrendo pacificamente, com espíritos vivendo como “guardiões”. Platão em Crátilo (397 e) relata a raça dourada dos humanos que veio primeiro. Ele esclarece que Hesíodo não quis dizer literalmente feito de ouro, mas bom e nobre.