Resposta: Realmente, a Bíblia não nos diz literalmente que o “fato de comer da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal se refere ao ato gerador”.
Citamos abaixo, da Conferência nº 14 do livro Cristianismo Rosacruz – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz: “Que a Árvore do Conhecimento é uma expressão simbólica da função geradora, torna-se evidente quando recordamos quão limitada era a consciência humana naquela época, quando ocorreu o que conhecemos como a ‘Queda do Homem’”[1].
Nós não conhecíamos ou não nos dávamos conta de nada fora de nós mesmos; nossos olhos ainda não haviam sido abertos; nossa consciência era interna, como a consciência pictórica dos nossos sonhos, exceto em que não era confusa. Mas, nós nos achávamos tão alheios ao Mundo e aos seres externos, como em nossos dias estamos dos Mundos espirituais, salvo nas ocasiões em que éramos conduzidos aos templos e posto em íntimo contato sexual com outro ser humano, do sexo oposto ao que estávamos encarnados no momento. Então, por um momento, nós, o Ego (o que realmente somos), rompíamos o véu da carne e “homem e mulher se conheciam um ao outro em Corpo Denso”.
“Para o Iniciado, a Bíblia registra isso de maneira maravilhosamente iluminadora quando usa a mesma expressão em muitas passagens, tais como: “Adão conheceu sua mulher” (Gn4:1), e na pergunta de Maria: “Como poderei conceber, visto que não conheço homem?” (Lc 1:34).
As dores do parto são, pela lógica, mais uma penalidade pela violação de uma regra de relação sexual do que um castigo por se haver comido uma maçã.”
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz fevereiro/1976 – Fraternidade Rosacruz-SP)
[1] N.R. Lúcifer: Tentador ou Benfeitor
Ao olharmos o mundo ao nosso redor, constatamos que não há fato mais evidente do que aquele expresso pelo poeta hebreu: “Poucos são os dias do homem, e plenos de desgraça”. E perguntamo-nos, naturalmente: “Por que deve ser assim?”
O teólogo afirma que Deus decretou que sofrêssemos porque nossos primeiros pais pecaram ao serem tentados pelo diabo. E procura justificar Deus nesta frase burlesca: “Na queda de Adão, todos pecamos.” Mas por que o comer-se uma maçã, como causa, deve merecer o castigo do parto doloroso como efeito? Isto tem sido sempre um enigma difícil para os comentaristas da Bíblia. E como poderia um Deus sábio e amoroso decretar tanta miséria sobre toda a raça humana só pela tão irrelevante falta de um casal? Isto é tão difícil de entender que justifica até certo ponto a Robert Ingersoll quando exclamou: “Um Deus honesto é a obra mais nobre do homem!”
Semelhante anomalia nasce naturalmente da falta de conhecimentos ocultos e da consequente interpretação materialista dessa mina de informação esotérica que é a Bíblia.
Para conseguirmos um esclarecimento verdadeiro no que tange à dor e à tristeza, devemos, de início, basear-nos na informação puramente oculta, procurando ver então que luz lança a Bíblia sobre a mesma.
Recordemos que quatro grandes Épocas ou Idades precederam a nossa presente Época Ária: a Polar, a Hiperbórea, a Lemúrica e a Atlante.
Na Época Polar, o ser humano dispunha apenas de um Corpo Denso precariamente organizado. Daí que estivesse inconsciente e imóvel como os minerais que agora são assim constituídos. Na Época Hiperbórea, seu Corpo Denso foi envolvido por um Corpo Vital, ficando o Espírito “flutuando” fora. Os efeitos de tal natureza podem ser constatados pelo exame dos vegetais que, no presente, são analogamente constituídos.
Neles, podemos ver a repetição permanente, a formação de talos e folhas em sucessão alternada que prolongar-se-iam infinitamente caso não houvesse outra influência. Mas, como a planta não tem um Corpo de Desejos separado, o Corpo de Desejos da Terra, o Mundo do Desejo, endurece o vegetal e impede em determinado ponto o seu excessivo crescimento para cima. A força criadora, impedida de expressar-se no fazer a planta crescer mais ainda, busca outra saída: forma as flores nessa planta e encaixa-se na semente, de forma que possa crescer de novo em outra planta.
Na Época Hiperbórea, em que o ser humano se encontrava em condições idênticas, seu Corpo Vital fazia-o crescer a gigantescos tamanhos. Agindo sobre ele, o Mundo do Desejo levava-o a expelir sementes parecidas com esporos, das quais outro Ego humano apoderava-se ou eram utilizados pelos Espíritos da Natureza na construção de corpos para os animais que começavam a emergir do Caos (a onda de vida mais avançada começa primeiro, no início de um período, e retorna por último ao Caos: as ondas de vida que se seguem – animal, vegetal e mineral – começam mais tarde e retornam mais cedo).
Portanto, na Época Hiperbórea, quando o ser humano era constituído identicamente aos vegetais, seu Corpo Vital formou vértebra sobre vértebra e teria continuado a formá-las caso um Corpo de Desejos individual não houvesse sido dado na Época Lemúrica. Este corpo começou a endurecer a estrutura e a restringir a tendência a um maior crescimento. Como resultado, o crânio, a flor que se encontra na ponta do caule (da coluna vertebral), estava incipientemente formado.
Contrariada em seus esforços para construir uma forma maior, tornou-se necessária à força criadora no Corpo Vital buscar uma nova saída pela qual pudesse continuar a crescer em outro ser humano. O ser humano então tornou-se hermafrodita, capaz de gerar sozinho um novo corpo.
A planta não tem Corpo de Desejos individual, daí não sentir paixão. Apenas estende seu órgão criador – a flor – casta e inocentemente em direção ao Sol, uma das coisas mais belas e encantadoras que existem.
No ser humano, o Corpo de Desejos individual deve necessariamente produzir a paixão e o desejo, a menos que seja subjugado de algum modo. Por conseguinte, o ser humano, tanto figurada quanto literalmente, é o inverso da casta planta, pois é apaixonado, tem órgãos criadores voltados para a Terra e deles se envergonha. A planta toma seu alimento por baixo, pela raiz; o ser humano se alimenta por cima, pela cabeça. O ser humano inala o vivificante oxigênio e exala o deletério dióxido de carbono. Este é absorvido pela planta que lhe extrai o veneno e devolve ao ser humano o princípio vitalizante.
Com a finalidade de controlar a paixão e prevenir o abuso da função criadora, diversas medidas foram tomadas pelos Líderes encarregados da Evolução.
Esta criatura semianimal de meados da Época Lemúrica, embora horrenda em seu aspecto, era, no entanto, um diamante bruto, destinada a tornar-se mais tarde o instrumento perfeito e o formoso templo de um Espírito interno. Para isto, era preciso um mecanismo de controle, um cérebro, e um segundo sistema nervoso, capazes ambos de serem comandados pela Vontade, que era a força do morador em perspectiva, o Ego.
O total da força criadora podia ter sido usado com esse propósito, mas, como o uso de qualquer ferramenta causa o seu desgaste, um plano para substituir o instrumento gasto quando abandonado pelo Espírito, na morte, foi também idealizado, e assim a força criadora em cada ser humano foi dividida: metade continuou fluindo para cima, como antes, para construir um cérebro e uma laringe, através dos quais o Espírito pode controlar seus instrumentos e expressar-se em pensamentos e palavras; e a outra metade foi impelida para baixo, aos órgãos criadores, para reprodução.
Este arranjo valeu mais para prevenir os abusos, já que tornou mais difícil a geração. Antes da separação dos sexos, cada um podia gerar sem ajuda. Depois da divisão, fez-se necessário a cada um procurar a cooperação de outrem que possuísse a metade oposta da força sexual necessária à reprodução.
A mudança de voz dos rapazes na puberdade mostra a relação que existe entre os órgãos criadores e a laringe. Uma vez que metade da força sexual constrói o cérebro, aquele que se super-excede no uso do sexo converte-se em idiota. Por outro lado, o pensador profundo, particularmente o espiritualista, sente pouca ou nenhuma inclinação para o coito, já que emprega a maior parte de sua energia criadora no cérebro.
Apenas os Anjos trabalharam com o ser humano na Época Hiperbórea, quando este dispunha somente do Corpo Denso e do Corpo Vital, mas, na Época Lemúrica, quando o Corpo de Desejos lhe foi acrescentado, os Arcanjos também começaram a participar do trabalho, ajudando o infante Espírito humano a controlar seus futuros veículos. Assim, pois, neutralizaram eles o Corpo de Desejos de tal modo que o mesmo só se tornava sexualmente ativo em determinadas Épocas do ano. Na última parte da Época Lemúrica e princípio da Época Atlante, o cérebro e o sistema cérebro-espinhal haviam evoluído o suficiente para permitir que o elo da Mente fosse estabelecido. Então, o Ego começou a penetrar aos poucos em seus Corpos, tornando-se assim um Espírito interno em meados da Época Atlante, plenamente consciente de seu ambiente externo. Antes que a entrada nos Corpos fosse completada – especialmente na última parte da Época Lemúrica – a consciência do ser humano estava voltada para dentro, sendo ele mais consciente dos Mundos espirituais. Nascimento e morte eram, portanto, inexistentes para, do mesmo modo que o brotar, secar e cair de uma folha não existe para a planta. Sua consciência permanecia continuamente nos Mundos internos quer tivesse ou não um Corpo, pois era inconsciente deste, embora utilizando-o por completo, à semelhança do que ocorre no uso de nosso estômago e pulmões, isto é, utilizamo-los inconscientemente.
Nas aludidas Épocas do ano, os Arcanjos suspendiam sua influência restritiva sobre os Corpos de Desejos. Então, os Anjos conduziam os seres humanos a grandes templos, onde o ato gerador era realizado nos momentos estelares mais propícios. As viagens de lua-de-mel de nossos dias são reminiscências atávicas daquelas migrações com propósitos geradores e mostram a relação que tinham com os corpos celestiais pela denominação “lua-de-mel”.
Quando a propagação havia sido efetuada, o Corpo de Desejos era novamente neutralizado. Em consequência, o parto era totalmente indolor, conforme se dá atualmente com os animais, que se encontram em idênticas condições.
Esse era um estado livre de cuidados, mas o ser humano era extremamente limitado em sua consciência, sendo guiado e controlado independentemente de sua vontade por agentes externos. Se tais condições houvessem prevalecido, o ser humano continuaria sendo um autômato guiado por Deus. Nunca poderia tornar-se uma Inteligência Criadora autoconsciente – conforme está destinado a ser – até que afastasse toda sujeição e atuasse em sua própria salvação.
Por conseguinte, exaltados Líderes de uma evolução mais avançada foram enviados para instruir o ser humano e despertá-lo para conhecer o Mundo externo ou material. Drásticas medidas impuseram-se, então, naturalmente, e por seguidas eras. Os meninos eram exercitados no desenvolvimento da Vontade, que era a contraparte espiritual de sua força criadora positiva. Faziam-nos carregar pesados fardos, ensinando-os a fortalecerem os braços pela vontade. Os rapazes eram obrigados a se enfrentarem em lutais brutais; seus membros eram estropiados; seus corpos eram queimados ou empalados, etc., num esforço para despertar o Ego à consciência do Corpo Denso e do mundo externo.
As mulheres eram conduzidas às imensas florestas em formação que vicejavam luxuriantes no solo úmido e quente. Eram expostas à fúria das tempestades e furacões que assolavam a Terra na Época Lemúrica e levadas a contemplar as erupções vulcânicas, o que produzia imagens ante sua visão interna. Faziam-nas presenciar também lutas ferozes entre os homens com o objetivo de despertar-lhes a Imaginação.
Imaginação é o polo espiritual negativo da força criadora, que reflete na consciência interna as cenas do mundo externo como se fossem sonhos. Deste modo, as mulheres foram as primeiras a dar-se conta da existência do Mundo Físico e do Corpo Denso, pelo que começaram a pregar o evangelho do corpo do ser humano, a quem falaram daquela obscura percepção inicial da existência física.
Em nossos dias, aqueles que começaram a sentir a alma e por isso tentam pregar o evangelho dos Mundos espirituais onde o Espírito vive, geralmente encontram a barreira da incredulidade e do ridículo, tal como aconteceu às mulheres lemúricas quando tentaram convencer seus contemporâneos de que tinham um Corpo Denso.
Entre as observações feitas por essas videntes, estava o fato de que, às vezes, o ser humano perdia o seu Corpo, o qual se desintegrava. Elas podiam continuar a vê-lo nos Mundos espirituais conforme o viam antes, mas como ele se havia ido da existência material, isso as deixava confusas.
Dos Anjos, nenhuma informação elas podiam obter, pois, ainda que estes atuassem sobre o Corpo Denso, não o faziam diretamente, mas usavam o Corpo Vital como transmissor, não se podendo fazer entender por um ser que raciocinasse cerebralmente. Os Anjos conseguiram o conhecimento sem precisar utilizar o raciocínio, pois externaram todo o seu amor em seu trabalho, recebendo em troca torrentes de sabedoria cósmica. O ser humano também cria pelo amor, embora seu amor seja egoísta. Ele ama porque deseja. A cooperação na propagação é um exemplo, porque nisso ela participa somente com a metade da força criadora. A outra metade é conservada egoisticamente para manter seu próprio órgão pensante – o cérebro – e utiliza-se dessa metade também egoisticamente para pensar, porque deseja conhecimento. Daí, ele precisar esforçar-se e raciocinar para obter sabedoria. No devido tempo, porém, ele alcançará um estado muito superior ao dos Anjos e Arcanjos. Então, haverá ultrapassado a necessidade dos órgãos criadores inferiores: criará por meio da laringe, podendo “fazer do verbo carne”.
Naquela fase, a mulher também não podia raciocinar, pois, tendo sido a Mente dada pelos Poderes das Trevas, era naturalmente obscura. De forma que, antes de poder ser utilizada para correlacionar fatos, precisava ser iluminada. Somente depois de ter isso acontecido, pôde o ser humano lançar a “Luz da Razão” sobre os seus problemas.
É aqui que pela primeira vez ouvimos falar de “Lúcifer” – o “Portador de Luz” – que falou à mulher e ajudou-a a solucionar o enigma, indicando-lhe como, com a cooperação do ser humano, poderia ela exercer a função criadora independentemente dos Anjos, de modo a prover de novo corpos àqueles que os tivessem perdido, escapando dessa maneira à morte.
Ele pergunta se Deus os havia proibido de comer os frutos das árvores. É-lhe dito, então, que haviam sido proibidos de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal sob pena de morrerem.
Que a árvore do conhecimento é uma expressão simbólica da função geradora, torna-se evidente quando recordamos quão limitada era a consciência humana naquela Época. O ser humano não conhecia ou não se dava conta de nada fora de si mesmo; seus olhos ainda não haviam sido abertos; sua consciência era interna, como a consciência pictórica dos nossos sonhos, exceto em que não era confusa. Mas achava-se tão alheio ao mundo e aos seres externos, como em nossos dias estamos dos Mundos espirituais, salvo nas ocasiões em que era conduzido aos templos e posto em íntimo contato sexual com outro ser humano. Então, por um momento, o Espírito rompia o véu da carne e homem e mulher se conheciam um ao outro em Corpo Denso. Para o Iniciado, a Bíblia registra isso de maneira maravilhosamente iluminadora quando usa a mesma expressão em muitas passagens, tais como: “Adão conheceu sua mulher”, e na pergunta de Maria: “Como poderei conceber, visto que não conheço homem? As dores do parto são, pela lógica, mais uma penalidade pela violação de uma regra de relação sexual do que um castigo por se haver comido uma maçã.
A serpente disse à mulher: “É certo que não morrereis, porque Deus sabe que no dia em que dela comerdes abrir-se-vos-ão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal “. Este último era ainda desconhecido para o ser humano.
Seguindo o conselho, a mulher obteve a cooperação do homem e, mediante a força de vontade, libertaram seus corpos de desejos. Esta faculdade era então muito mais poderosa que agora, porque é lei que toda nova faculdade sempre é adquirida à custa do enfraquecimento de outro poder anterior, como quando se adquiriu a faculdade de pensar ao preço da metade da força criadora. A força de vontade do ser humano era tal que a preocupação de Deus “receando que o homem comesse também da Árvore da Vida e se tornasse imortal” estava plenamente justificada, pois, tivesse ele se apoderado do segredo para renovar o Corpo Vital e o denso, teria sido capaz de criar um corpo e vitalizá-lo para sempre. Então, a morte não teria verdadeiramente existido, mas tampouco teria havido qualquer evolução. E, como o ser humano então não sabia – e não sabe até agora – construir um corpo perfeito, a posse daquele segredo teria sido, com efeito, a maior de todas as calamidades. A morte não é uma desgraça, mas um amigo, quando chega naturalmente, porque liberta-nos de um ambiente cujo proveito já haurimos e de um corpo que já nos tolhe. Isto para que possamos ter outra oportunidade de aprender novas lições em novo e melhor corpo.
O uso desenfreado da função sexual resultou em fazer o ser humano cada vez mais consciente do seu corpo. “Seus olhos foram abertos” e sua atenção focalizou-se mais e mais no Mundo Físico até que, gradativamente, todos se esqueceram dos mundos superiores, chegando muitos a descrer de que o ser humano habita um Espírito imortal. A morte do corpo converteu-se para eles em uma coisa terrível, uma tremenda calamidade, a despeito de todas as afirmações em contrário, pois acreditavam na aniquilação total. Assim, ainda que a palavra de Lúcifer fosse verdadeira quanto à criação de um novo corpo, a palavra do Anjo o fora ainda mais, porque de fato a morte não existiu até o ser humano haver perdido sua consciência dos mundos superiores.
Quanto ao anátema: “Em dores darás à luz teus filhos”, não se trata absolutamente de uma maldição. A frase bíblica é apenas o enunciado dos efeitos que inevitavelmente resultariam do abuso ou uso ignorante da função criadora.
Enquanto essa se realizava sob a sábia orientação dos Anjos, em certas Épocas do ano em que as forças cósmicas entre os planetas eram mais favoráveis, o parto efetuava-se sem dor, mas, como o ser humano era e é ignorante desses fatores, a transgressão às suas regras resultou em dor.
Por conseguinte, o cérebro e o órgão vocal foram adquiridos ao custo da metade da força criadora. A emancipação da guia dos Anjos, o poder de iniciativa na ação para a escolha do bem ou do mal, e a consciência do mundo material, isso tudo é nosso ao preço da tristeza, da dor e da morte.
Mas todas as coisas no mundo trabalham para o bem no reino de Deus. Mesmo aquilo que é mal transmuta-se, por meio de sutilíssima alquimia espiritual, em trampolim para um bem maior.
Tendo sido exilado do Jardim do Éden – a Região Etérea – por ter aprendido a conhecer o mundo material mediante repetidos abusos sexuais que focalizaram sua atenção aqui, o ser humano começou a ter seu Corpo Denso endurecido por esse crescente uso do Corpo de Desejos. Então, precisou de alimento e abrigo. Deste modo, impunha-se a habilidade física, a destreza, para que seu corpo fosse sustentado. A fome e o frio, portanto, foram os látegos do mal que despertaram essa habilidade, pois forçaram o ser humano a pensar e agir no sentido de prover suas próprias necessidades. E assim, gradativamente, ele aprendeu a ser prudente. Aprendeu a acumular para essas contingências antes mesmo que elas surgissem, porque os tormentos da fome e do frio já o haviam ensinado a prevenir-se. Assim é que a sabedoria é sofrimento cristalizado. Quando podemos serenamente contemplar os sofrimentos nossos que ficaram para trás, extraindo deles as lições que trouxeram, então eles se convertem em fontes de sabedoria e de futuros regozijos, porque através deles é que aprendemos o conhecimento aplicado, a única salvação. Isto pode parecer uma asserção indelicada e duvidosa, mas, se experimentarmos meditar sobre o assunto, concluiremos que ela é tão absolutamente verdadeira e possível de demonstrar como dois e dois são quatro.
Sobre a pergunta: “Quem são esses Lucíferes?” (pois, embora a Bíblia pareça referir-se a uma pessoa apenas, é um erro considerarmos essa singularidade; o mesmo se dá com referência a Deus no singular, no primeiro capítulo do Gênese), esta classe de Seres pertence a uma onda de vida que alcançou um estado evolutivo muito superior ao de nossa Humanidade no Período Lunar, mas que ficou um pouco aquém do desenvolvimento alcançado pelos Anjos. Os Lucíferes são semideuses, mas não puderam possuir um Corpo Denso como o ser humano, nem puderam adquirir experiências, conforme acontece com os Anjos. Precisavam para isso de um cérebro e de uma medula espinhal. Portanto, quando o ser humano havia construído tais instrumentos, foi para proveito deles que o instigaram a usá-los sem demora.
Naquela Época, a incipiente consciência do ser humano estava voltada para dentro. Por isso, ele via seus órgãos internos e os construía com a mesma força que agora se exterioriza para construir casas, navios, etc., e os músculos externos de seu corpo. Deste modo, a mulher, que estava mais avançada em tal direção em virtude de ter exercitado sua Imaginação, viu a inteligência encarnada em sua medula espinhal serpentina, de maneira que, num estado posterior, quando o ser humano recordou essa experiência, a serpente pareceu-lhe a semelhança mais próxima daquilo que desejava exprimir a respeito.
Esta ideia transparece por toda a Bíblia. No Capítulo XIV do livro do profeta Isaías, ele é chamado Lúcifer (a “estrela da manhã”), rei de Babel-On (a “porta do Sol”), cidade situada sobre sete colinas, com domínio sobre o Mundo.
A Humanidade deixou então de agir uniformemente, dividindo-se em diversas nações guerreiras. Isto foi a geratriz de todos os males imagináveis, e que a Revelação denomina “Rameira” ao descrever sua queda.
Como suprema antítese, ouvimos falar de uma outra “Luz do Mundo”, de outra “luminosa estrela da manhã”, de uma luz verdadeira (Cristo) que se erguerá após a queda da Babilônia e reinará para sempre na cidade da paz – Jer-u-salem – também chamada “Noiva”. Esta descerá dos céus e terá doze portais que nunca se fecharão, embora a preciosa Árvore da Vida esteja lá dentro. Iluminação externa não existe, pois nela toda a luz está dentro, e a noite não existe.
Essa cidade é verdadeiramente maravilhosa, e a maior antítese da outra, jamais imaginável. Mas o que significam essas duas cidades, já que uma interpretação literal para ambas está fora de cogitação? Admitindo-se que a Babilônia tenha existido, tal cidade não era literalmente conforme a descreveram. Por outro lado, a futura “Nova Jerusalém” é contrária a todas as leis conhecidas da natureza. Estas duas cidades devem, portanto, ser apenas simbólicas.
A fim de decifrarmos seu significado, consideremos as duas cidades situadas no alto de sete colinas ou montes, posição que oferece uma especial vantagem à observação. Moisés foi à “montanha” e “viu” e “ouviu”, o mesmo acontecendo àqueles que subiram ao “monte” da transfiguração. Daniel compara a Babilônia à cabeça da estátua que Nabucodonosor viu em sonhos. E na cabeça humana existem sete pontos de observação: dois olhos, dois ouvidos, dois orifícios nasais e uma boca. Sobre estes, situa-se o cérebro, de onde o “dador de Luz” – a razão – governa o pequeno mundo, o microcosmo, assim como o Grande dador de Luz – Deus – governa o macrocosmo.
A razão é produto do egoísmo, pois é gerada pela Mente dada pelos “Poderes das Trevas” em um cérebro construído pela metade da força sexual egoisticamente acumulada, e que foi estimulada pelos egoístas Lucíferes. Por conseguinte, ela é a “semente da serpente” e, embora possa ser convertida em sabedoria mediante a dor e a tristeza, deve, contudo, dar lugar a algo superior: a intuição, que significa “ensino que provém de dentro”. Sendo uma faculdade espiritual, a intuição faz-se presente de modo equitativo em todos os Espíritos – quer estejam estes funcionando num corpo masculino, quer num corpo feminino – muito embora manifeste-se mais enfaticamente nos Egos encarnados em organismos femininos, pois nestes a contraparte do Espírito de Vida (o Corpo Vital) é masculina ou positiva. Sendo, pois, uma faculdade do Espírito de Vida, a intuição pode apropriadamente ser chamada “semente da mulher”, de onde emanam todas as tendências altruísticas e, mediante as quais, todas as nações do mundo, lenta, mas seguramente, agrupar-se-ão até formarem uma Fraternidade Universal de amor sem preconceito de raça, sexo ou cor.
Nosso cérebro, entretanto, não é um todo homogêneo. Divide-se em duas metades, e, de acordo com os fisiologistas, a grande maioria das pessoas utiliza-se principalmente de apenas um desses hemisférios cerebrais: o esquerdo. O outro hemisfério, o direito, é ativo só parcialmente. O coração também se situa no lado esquerdo do nosso corpo, mas começa a dirigir-se para o lado “direito”. O cérebro “direito” tornar-se-á cada vez mais ativo de modo que, em consequência destas duas alterações fisiológicas, o caráter do ser humano será completamente modificado. O lado esquerdo está sob o domínio dos Lucíferes e entregue ao egoísmo, mas o Ego terá, por sua vez, crescente domínio sobre ele à medida que o lado direito do cérebro vá conquistando o poder de atuar sobre o corpo inteiro como “critério reto”.
Que esteja havendo uma mudança no coração que faz dele uma anomalia, um enigma, não é novidade para os fisiologistas. Temos duas grandes classes de músculos. Uma delas está sob o controle da vontade, como por exemplo os músculos dos braços e das mãos. Estes são estriados em dois sentidos: longitudinal e transversal. Os músculos involuntários que respondem pelas funções que estão fora do alcance da vontade e que não podem ser acionados pelo desejo são estriados apenas no sentido longitudinal. Mas, destes, o coração é a única exceção. Ele não está sob o domínio do desejo, contudo começa a mostrar estrias transversais como um músculo voluntário.
No devido tempo, essas estrias transversais ter-se-ão desenvolvido plenamente, e o coração estará sob o nosso controle. Então seremos capazes de dirigir a corrente sanguínea para onde queiramos fazê-lo. Poderemos ainda limitar o suprimento normal do sangue para o hemisfério cerebral esquerdo, provocando, desta maneira, a queda de Babilônia, a cidade de Lúcifer.
Quando o sangue puder ser enviado para o hemisfério cerebral direito, estaremos construindo a Nova Jerusalém. Por enquanto, preparamo-nos para aquela era, construindo as estrias transversais no coração por meio de ideais altruísticos ou, no caso do discípulo, enviando para lá as correntes sexuais através do caminho da direita do coração.
Recordemos que os Querubins despertaram o Espírito de Vida – a fonte do amor divino – cuja contraparte é o Corpo Vital, o meio de propagação, e que, quando o ser humano foi expulso da Região Etérea com suas quatro camadas de éter, o Jardim do Éden, por ter usado indevidamente a força sexual, um Querubim postou-se à sua entrada empunhando uma espada flamejante. O uso apropriado da força sexual constrói um órgão que dará ao ser humano a chave dos Mundos internos e o ajudará a criar por meio do pensamento. Então, a tristeza e a dor não mais existirão e ele terá entrado na senda que conduz à Cidade da Paz – Jer-u-salem.
A Lemúrica sucumbiu pelo fogo, em meio a terríveis cataclismas vulcânicos, surgindo em seu lugar a Atlântida. No devido tempo, esta foi sepultada sob as águas, dando lugar à Ariana – a Terra como a vemos na atual Época Ária – e que logo passará. As Salamandras começam a avivar o fogo na forja, a fim de que se façam “um novo Céu e uma nova Terra” a que as Escolas de Mistério do Ocidente chamam de “Nova Galileia”.
Nas duas primeiras Épocas, o ser humano desenvolveu um Corpo e o vitalizou; na Época Lemúrica, desenvolveu o Desejo; a Época Atlante produziu a Habilidade; e o fruto da Época Ária é a Razão.
Na Nova Galileia, a Humanidade terá um corpo muito mais delicado e etéreo que agora, a Terra também será transparente e, como resultado, esses corpos responderão mais facilmente aos impactos espirituais da Intuição. Tais corpos não conhecerão o cansaço, daí não precisarem das noites para repouso, as quais também não existirão. Os doze nervos cranianos, que são os portais para o trono da consciência, nunca estarão fechados. Além disso, a Nova Galileia será formada de éter luminoso e transmitirá luz solar. Essa será uma terra de paz (Jer-u-salem), pois a Fraternidade Universal unirá todos os seres de toda a Terra no Amor. A morte não poderá existir porque a Árvore da Vida – a faculdade de gerar energia vital – será possibilitada através do já referido órgão etéreo da cabeça, o qual estará aperfeiçoado naqueles que desde agora estão sendo escolhidos para serem os precursores da Humanidade nessa Era vindoura.
Fala-se dessa raça futura como sendo a “Raça de Cristo”. Entenda-se, porém, que tal denominação não se deve ao Cristo externo, mas sim porque a Humanidade de então terá desenvolvido o princípio Crístico dentro de si, agindo somente pelos ditames do Espírito através da Intuição, de modo que tudo o que fizer será feito por Amor. Somente por tal progresso individual pode a salvação da Raça ser efetuada, pois, conforme Angelus Silesius:
“Ainda que Cristo nascesse mil vezes em Belém,
Se não nascer dentro de ti, tua alma ficará perdida.
Em vão olharás a Cruz do Gólgota
A menos que dentro de ti Ela seja novamente erguida.”
É um erro pensar que, ao dar à luz um filho, os pais criam uma nova Alma ou um novo ser. O Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui), que se apresenta externamente como um bebê, é uma Centelha Divina, divinamente criada. É blasfêmia supor que meros seres humanos pudessem fazer algo tão maravilhoso. Tudo que os pais podem fazer é produzir o Corpo Denso da criança – e, mesmo assim, não em sua totalidade –, sua morada física durante esta específica vida terrena. Mesmo este Corpo Denso, os pais seriam incapazes de fornecer, se não fosse pelo Átomo-semente do Corpo Denso fornecido pelo Ego que inicia mais uma vida terrestre. Na verdade, os pais fornecem o solo no qual, ou a partir do qual, o Átomo-semente do Corpo Denso cresce até se tornar uma forma física e humana. Este Átomo-semente do Corpo Denso é propriedade do Ego, que vemos como um embrião ou feto então, que está por vir e é totalmente independente dos pais. E mais ainda, assim como o feto é resguardado dos impactos do Mundo visível pelo útero protetor da mãe durante o período de gestação, do mesmo modo os veículos mais sutis são resguardados por um envoltório de Éter e de matéria de desejos que os protegem até que estejam suficientemente amadurecidos e aptos para suportarem as condições do Mundo externo.
Mas antes que a criança possa começar uma vida terrena, o Átomo-semente do seu Corpo Denso deve criar raízes e crescer no Corpo de uma mãe. A mãe, portanto, é o portal pelo qual o Ego entra em uma nova vida na Terra.
E aqui devemos detalhar bem esse ponto para termos claro o assunto sobre filhos e filhas.
Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que no nosso estado atual desse Esquema de Evolução a função sexual é o meio pelo qual são formados os nossos Corpos Densos usados por nós para obter experiência aqui, no Mundo Físico, que é o baluarte da nossa evolução.
Infelizmente, muitas pessoas que têm todas as condições de ajudar a um Ego que precisa renascer aqui se negam a isso! Dessa maneira anormal, muitos exercitam a prerrogativa divina de produzir a desordem na Natureza. Os Egos a ponto de renascer têm de se aproveitar das oportunidades que se apresentam e tais oportunidades, muitas veze, não são as condições favoráveis a eles. Outros que não podem renascer nessas circunstâncias, esperam até se apresentar ocasião mais favorável. Ou seja, muitos de nós, através dos nossos atos nos afetamos uns aos outros e, desse modo, “os pecados dos pais caem sobre os filhos”, porque assim como o Espírito Santo é a energia criadora da Natureza, a energia sexual é seu reflexo em cada um de nós. O mau uso ou abuso da força sexual criadora é um pecado que não se pode perdoar; deve ser expiado, com prejuízo da eficiência dos veículos, a fim de aprendermos que a força sexual criadora é sagrada.
Muitas outras pessoas, ansiosas por viver uma nobre vida espiritual, muitas vezes, até consideram a função sexual um horror, por causa das misérias que o seu abuso tem trazido a nós todos. Assim, nem querem ver o que consideram uma impureza! Só que se esquecem de que são elas, as quais deram boas condições aos seus veículos por meio de alimentação apropriada e saudável, de elevados e bondosos pensamentos e de vida espiritual, precisamente, as que estão em melhores condições para gerar Corpos Densos apropriados às necessidades de desenvolvimento de irmãos e irmãs que esperam para renascer!
Quando renascemos aqui com o sexo feminino e nos recusamos a ajudar a construir um Corpo para um Ego, que precisa e merece entrar em uma vida terrena por meio do nosso Corpo, estamos privando esse Ego da nossa assistência nesse assunto. Se temos condições física, emocional, moral, financeira e espiritual suficientes adequadas, por que não?
Uma mulher e um homem, cujos pensamentos sejam puros e nobres, e cuja vida aqui seja dedicada à elevação da Humanidade dedicada à espiritualidade, pela Lei da Atração, atrairá para si um Ego com inclinações semelhantes. A atitude mental da mãe, imediatamente antes da recepção do Átomo-semente do Corpo Denso, é fundamental para determinar que Ego ela ajudará a construir um novo Corpo Denso aqui. Já uma mulher e um homem cujos pensamentos sejam impuros e inferiores, e cuja vida aqui seja dedicada à orgia, prazeres sensuais ou ao ódio, raiva e demais emoções inferiores, pela Lei da Atração, atrairá para si um Ego com inclinações semelhantes. Quando renascemos aqui com o sexo feminino, carregamos uma responsabilidade tremenda, e quanto mais cedo aprendemos tudo que há sobre isso, tanto melhor será para a próxima geração.
Sabemos, pelos Ensinamentos Rosacruzes, que antes de renascermos aqui, em mais uma vida terrena, no Panorama da Vida escolhido ainda no Terceiro Céu há a indicação dos que serão o nosso pai e a nossa mãe. Mas ninguém pode escolher um ambiente que não seja merecido ou não tenha conquistado em outra vida.
A futura mãe, cumprindo seu dever sagrado, protegerá cada pensamento, palavra e ação antes de receber o Átomo-semente sagrado que se desenvolverá, tornando-se o Corpo Denso do seu filho ou da sua filha. Por meio da oração, ela se esforçará para tornar sua dádiva à Humanidade um presente abençoado. De boa vontade, com alegria e o amor protetor de mãe, ela ajudará o bebê a se formar e crescer. É assim que a maternidade realiza os mais elevados ideais de moralidade.
Quando habitamos Corpos em civilizações passadas, quando renascíamos sob o sexo feminino, éramos árbitros dos destinos do Mundo. Depois, em civilizações mais recentes quando renascíamos – e até agora, quando renascemos – sob o sexo masculino somos os árbitros dos destinos do Mundo. Agora estamos às vésperas da transição para a Nova Era – a de Aquário – e nessa Era quando renascermos sob o sexo feminino, novamente, seremos árbitros dos destinos do Mundo. Em consequência, quando renascermos sob o sexo masculino teremos que se submeter aos seus ditames, mas antes que isso aconteça, uma era de igualdade virá.
Essa é chamada de Era de Aquário pelos ocultistas, e já começamos a sentir seus efeitos desde meados do século passado, quando o Sol, por Precessão dos Equinócios, entrou na Órbita de Influência de Aquário. No lento ritmo desse movimento, Precessão dos Equinócios, o Sol não atingirá o zero grau de Peixes antes de, aproximadamente, 600 anos. Mas durante esse período haverá, é claro, tantas mudanças maravilhosas em nosso estado físico, moral e mental, que somos agora incapazes de conceber.
Nós, agora no Corpo Denso, seremos seguidos por Espíritos ainda mais evoluídos que trarão grandes reformas. Quando as pessoas que atualmente vivem na Terra, e estão atrasadas espiritualmente, renascerem naquela atmosfera de grande realização intelectual, quando o Mundo estiver bem encaminhado na linha de desenvolvimento peculiar àquele momento nesse Esquema de Evolução, elas ganharão uma imensa elevação de consciência pela Lei da Atração que garante, por exemplo, que um condutor elétrico que é aproximado de um fio altamente carregado, receba automaticamente uma carga de voltagem mais baixa.
Assim, cada classe ou grupo que ascende, ajuda também a elevar aqueles que estão abaixo dele na escala evolutiva. O assunto populacional, portanto, não é inteiramente governado por indivíduos ou leis criadas pelo ser humano; são as Hierarquias Criadoras que guiam nossa evolução, e quem organizam isso, conforme necessário para o bem maior de todos os envolvidos; assim, o número da população está em suas mãos, não nas nossas.
Eis o motivo de que devemos sempre ajudar as pessoas onde elas estão e não onde deveriam estar. Os Ensinamentos Rosacruzes sempre enfatizaram o fato de que “semelhante atrai semelhante” e, portanto, é dever daqueles que sejam bem desenvolvidos física, moral e mentalmente, proporcionarem um ambiente para tantos Espíritos quanto suas circunstâncias físicas e financeiras permitirem.
Esse dever é ainda mais contundente para aqueles que também são espiritualmente desenvolvidos, pois uma entidade espiritual elevada não pode entrar na existência física através de uma ascendência vil. Mas quando um casal atinge o ponto em que é considerado perigoso para a saúde da mãe gerar mais filhos, ou se o fardo financeiro estiver acima de suas possibilidades, então ele deve viver uma vida de continência. Isso naturalmente requer considerável avanço espiritual e autocontrole.
Poucos são capazes de viver tal vida e seria o mesmo que aconselhar a continência a um muro de pedra, fazê-lo a um espécime médio da Humanidade. Ele não consegue entender que isso seja necessário; acredita até mesmo que interfira em sua saúde, pois falsas declarações sobre a necessidade de exercer essa função levaram a muitos resultados deploráveis. Mesmo que pudesse ser persuadido a negar a si mesmo pelo bem da sua companheira e dos filhos que já trouxe ao mundo, provavelmente seria totalmente incapaz de se conter.
Nesse ponto, nunca esqueçamos que os ensinamentos espirituais devem ser transmitidos repetidamente para que, à medida que a gota constante desgasta a pedra, assim também, e com o passar do tempo, as gerações futuras aprenderão a depender da sua própria força de vontade para realizar o objetivo de manter sua natureza inferior sob controle. Sem esse aspecto educacional dirigido para a emancipação espiritual, fica muito difícil a pessoa evoluir espiritualmente.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – fevereiro /1918 – Traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
Resposta: O “Cabeça” da Ordem Rosacruz está oculto do Mundo exterior pelos doze Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz. Igualmente, os Estudantes da Escola Fraternidade Rosacruz nunca o veem, mas no Serviço Noturno – aberto para Probacionistas e Discípulos da Fraternidade Rosacruz e Irmãos Leigos, Irmãs Leigas e Adeptos da Ordem Rosacruz – no Templo da Fraternidade Rosacruz sua presença é sentida por todos. Sua entrada constitui o sinal para iniciar os trabalhos.
Podem estar presentes ao lado dos Irmãos nestes Serviços, como seus discípulos, os Irmãos Leigos e as Irmãs Leigas. Seu estado espiritual é como pessoas que vivem em várias partes do mundo ocidental, todavia, são capazes de deixar, conscientemente, seus corpos para atender a serviços e participar do trabalho espiritual realizado no Templo. Cada um e cada uma foi iniciado e iniciada por um dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz. Muitos deles são capazes de se recordar de todos os acontecimentos de suas experiências quando retornam a seus corpos. Há poucos casos, onde a faculdade de deixar o corpo foi adquirida em uma existência passada como resultado de boas obras, porém com o hábito de ingerir drogas ou alguma enfermidade contraída na vida presente, que incapacitou o cérebro de receber impressões do trabalho realizado quando nos planos invisíveis.
A ideia geral de Iniciação é a de uma simples cerimônia, convertendo alguém em membro de uma sociedade secreta, isto mediante pagamento, em muitos casos feitos a dinheiro. Embora isso suceda nas ordens fraternais e nas ordens pseudo-ocultas, constitui uma ideia errônea quando aplicada ao processo iniciático nas várias graduações das verdadeiras irmandades ocultistas.
Para ser um candidato a Iniciação, em primeiro lugar, não há chave de ouro para abrir a porta do Templo. Só o mérito conta. Nunca o dinheiro ou recursos financeiros de nenhum tipo, direto ou “disfarçado”. O merecimento não se adquire em um dia. É a somática dos bons atos passados. Normalmente o candidato a Iniciação não tem consciência disso. Ele vive sua vida na comunidade, servindo amorosamente seus concidadãos, durante anos e anos, até que um dia surge o Irmão Maior, um dos Hierofantes dos Mistérios Menores, em sua vida. Por todo este tempo, o candidato cultivou, interiormente, certas dificuldades, acumulando certos poderes pelo serviço e ajuda, poderes estes dos quais, geralmente, ele não tem consciência ou não sabe como utilizar adequadamente. Então, a tarefa do iniciador será simples. Ele revela ao candidato suas potencialidades latentes, iniciando-o em sua aplicação, demonstrando, também, como transformar sua energia estática em um poder dinâmico.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz junho/1972 – Fraternidade Rosacruz-SP)
A fim de podermos trabalhar no Mundo do Desejo se faz necessário despertar os centros sensoriais do nosso Corpo de Desejos. Isso é feito alcançando o seguinte estágio: permanecer dentro dos nossos Corpos Densos com todas as forças dirigidas também para dentro. Em outras palavras, com todos os nossos sentidos fechados para o Mundo externo, mas plenamente conscientes. Nesse estado temos pleno controle de nossas faculdades para podermos atuar internamente e sensibilizar todos os nossos veículos. Isso é a concentração!
Assim, efetivamos o conceito de concentração, que é “convergir para um centro” despertando os centros sensoriais do nosso Corpo de Desejos, ou seja, fazer girar os vórtices no sentido horário e numa maior intensidade vibracional. Por isso, devemos fazer o matutino Exercício Esotérico de Concentração, tão logo nos despertamos e no nosso tempo em filas de espera, conduções, etc.
Já o Exercício Esotérico de Meditação nos ajuda a aprender tudo o que se refere ao assunto da nossa concentração, ou seja, a história do objeto escolhido para se concentrar. Como prática do Exercício Esotérico de Meditação objetivemos um assunto que não envolva conteúdos emocionais. Logo concluímos que tudo que nos rodeia tem uma história muito interessante para nos contar e que vale a pena aprender.
Pelo Exercício Esotérico de Observação descobrimos e apuramos o uso dos nossos sentidos (visão, audição, olfato, paladar e tato) como meio de obtermos informações a respeito dos fenômenos que ocorrem ao nosso redor.
E, pela prática do discernimento, distinguimos aquilo que é essencial daquilo que não tem importância. E através da prática constante desse exercício conseguimos separar a realidade da ilusão. O discernimento ensina-nos que somos Espíritos e que nossos Corpos não são nada mais do que moradas provisórias, instrumentos que utilizamos para nos expressar nos mundos. Tal prática nos ajuda a descobrir que somos capazes de fazer, com facilidade, muitas coisas que até então julgávamos impossível realizar. Sem dúvida, o discernimento nos imprime o primeiro impulso em direção à vida superior.
Até agora vimos que pelo Exercício Esotérico de Concentração o pensamento é enfocado num só objeto. Por esse meio construímos uma imagem clara, objetiva e vivente da forma que queremos adquirir conhecimento.
Depois, pelo Exercício Esotérico de Meditação seguimos a história dessa forma e pomo-nos em relação com todos os pormenores relativos a ela.
Com o Exercício Esotérico de Observação nos fazemos mais atenciosos aos detalhes e exercitamos a utilização dos nossos cinco sentidos em visualizar as formas.
E o discernimento nos ajuda a entender que as formas são pensamentos cristalizados, que esse Mundo Físico é o mundo dos efeitos e que a causa de tudo está nos Mundos espirituais, de onde provém todo o conhecimento.
Vamos, agora, a mais dois Exercícios Esotéricos que se referem ao interior das coisas.
O primeiro é Exercício Esotérico de Contemplação.
Ela consiste em mantermos o objeto ante a nossa visão mental e deixar que seu interior nos fale.
Repousando tranquilamente em uma cadeira ou na cama, corpo em relaxamento, perfeitamente alerta e não negativamente, e esperamos a informação.
Se já alcançamos o necessário grau de desenvolvimento através da prática dos outros Exercícios Esotéricos a informação virá, com toda a certeza. Então, a forma do objeto parece desvanecer-se e vemos unicamente a vida em atividade.
Por exemplo, se temos diante de nós uma árvore deixamos de ver a forma desse vegetal e só vemos a vida de um Espírito-Grupo. Veremos que os diversos insetos que se alimentam da árvore, assim como a parasita são emanações do mesmo Espírito-Grupo.
Exercitando, aos poucos, com outros objetos e persistentemente, vamos entendendo a suprema noção de que não há senão uma vida – a vida universal de Deus, em quem realmente “vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”.
Os minerais, as plantas, os animais e o ser humano, todos sem exceção, são manifestações de Deus. Assim, compreendemos que real e verdadeiramente Deus sustenta toda a vida e está em todas as coisas.
Quando tal compreensão é alcançada, devemos dar um passo mais elevado ainda e atingir a Adoração ao Ser Supremo (por meio do Exercício Esotérico de Adoração). Por meio dela, nos unimos com a fonte de todas as coisas e, com o tempo, atingimos a maior altura que é possível conseguirmos: a união que atingiremos no fim desse Grande Dia de Manifestação.
Que as Rosas Floresçam em vossa cruz