O Estudo Bíblico Rosacruz é fundamental para o Estudante Rosacruz a fim de ajudá-lo a equilibrar cabeça-coração, intelecto-coração, razão-devoção, ocultista-místico Cristão.
Sabemos que os eventos na vida de Cristo representam etapas sucessivas no Caminho da Iniciação para os Cristãos (Místicos e Ocultistas) que estão trilhando esse caminho, que na Fraternidade Rosacruz é o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz.
Nesse Estudo vamos detalhar a significância esotérica de mais um Milagre de Cura feito por Cristo-Jesus.
Para saber mais sobre esses assuntos é só clicar aqui: Estudos Bíblicos Rosacruzes: Algumas Significâncias Esotéricas sobre: “Homens de Pouca Fé” e “Quem é este a quem até os ventos e o mar obedecem?”
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O Monte Benson erguia-se como plano de fundo da cidade. Dois homens emergiram da densa floresta e escalaram o áspero cume cinzento. A vista compensava amplamente o esforço. A oeste, grupo após grupo de montanhas, todas cobertas de florestas e neve; a leste, as águas azuis do golfo e, além delas, os picos brancos e reluzentes da Cordilheira Costeira até onde a vista alcançava.
Os dois homens diferiam muito na aparência. Um era jovem e parecia representar bem um estudante despreocupado, desfrutando suas férias. O outro era idoso e seu semblante possuía uma expressão de calma reservada, como alguém que, moldado por eras de experiência, desenvolvera autocontrole e a sabedoria de encarar as tempestades da vida com serenidade.
O jovem, encostado em uma enorme rocha, começou a comer uma refeição simples e retomou uma conversa já iniciada.
— Bem, Peredur, agora que estamos descansando podemos conversar enquanto apreciamos a paisagem. Veja como aquelas nuvens atravessam o vale. Mas me diga: você realmente valoriza o estudo da Astrologia Rosacruz? Não compreendo bem a sua afirmação de que cada Aspecto de um horóscopo seja apenas um símbolo abstrato que possa ser interpretado através de uma enorme variedade de experiências concretas, embora seja, em si, uma generalização de muitas experiências de vidas passadas. Poderia ilustrar isso com um exemplo real? Ontem à noite você mencionou alguns horóscopos que tinham Saturno em Câncer, em Quadratura com Júpiter. Pode explicar esse símbolo concretamente?
— Sim, Gareth. Coincidentemente, você escolheu um símbolo que aparece em meu próprio horóscopo, causando-me muitas lutas amargas, mas que acabou me conduzindo ao estudo, à experimentação e, finalmente, à vitória.
— Às vezes nos dizem que todo Aspecto adverso, no fim, produz algum bem. No meu caso, Saturno em Câncer me ensinou uma lição inestimável: a causa das doenças mais comuns e mortais da atualidade e como remover essa causa. Como estudante de medicina, você certamente observou a prevalência quase universal das doenças catarrais. A que causas você as atribui?
— Não a uma única, mas a muitas: hereditariedade, contágio, vitalidade reduzida, falta de higiene, superlotação, exposição ao frio…
— Acredita então que as doenças catarrais possuem uma causa básica ou única? O que isso tem a ver com a Astrologia Rosacruz?
— Devagar, jovem. Primeiro, você admite que resfriados, tosses, bronquites, influenza, gripe, pneumonia, pleurisia, tuberculose, amigdalite, sem mencionar sarampo, caxumba e várias outras, são doenças catarrais com sintomas fundamentais que são semelhantes?
— É uma afirmação ousada; mas, sim, fundamentalmente apresentam sintomas parecidos.
— Anos de estudar me convenceram de que a causa básica de todas as doenças catarrais pode ser até o excesso de carboidratos no organismo; isto é, amidos e açúcares. Em outras palavras, consumir mais alimento combustível do que o corpo necessita ou consegue converter em calor e energia.
— Mas certamente pés molhados ou exposição ao frio causam resfriados.
— Pelo contrário. Em uma pessoa saudável, essa exposição pode produzir apenas uma reação revigorante, uma sensação de saúde e vitalidade.
Você sabe o que é uma solução saturada de açúcar. Em determinada temperatura, certa quantidade de água consegue manter uma quantidade específica de açúcar dissolvida. Mas o que acontece quando uma solução saturada é resfriada repentinamente?
— A temperaturas menores, menos açúcar pode permanecer dissolvido. Parte dele é precipitada.
— Exatamente. Observe também as geleias. Mistura-se água fervente e açúcar, formando uma solução líquida. Quando esfria, ela endurece. Se houver açúcar em excesso, forma-se uma camada cristalizada na superfície.
Agora considere o sangue e os tecidos do corpo. Quando estão sobrecarregados de amido ou açúcar dissolvidos, pés molhados ou uma queda brusca de temperatura, provocam a precipitação do excesso de carboidratos na forma de abundante secreção mucosa.
Todas as doenças catarrais podem ser simplesmente essa precipitação de material excedente: um esforço do organismo para se livrar de substâncias desnecessárias que o obstruem em vez de beneficiá-lo.
Peredur então relata suas próprias experiências. Ele explica que possuía Saturno em Câncer, configuração que normalmente indica problemas gástricos associados ao excesso alimentar. Durante anos alternou períodos de grande moderação com períodos de excesso, especialmente de doces e alimentos ricos em amido.
Depois informou que, quando consumia muitos açúcares e amidos, ganhava peso, tornando-se menos ativo e mais lento; além disso, sofria frequentemente de secreções nasais e resfriados. Por outro lado, quando reduzia drasticamente os carboidratos, permanecia magro, forte e ativo, não apresentando os sintomas catarrais.
Decidiu então realizar experiências consigo mesmo. Durante um inverno rigoroso, sua dieta consistiu principalmente de leite, ovos, queijo, vegetais (exceto batatas), frutas (exceto tâmaras), e pequenas quantidades de gordura. Caminhava diariamente vários quilômetros sob qualquer clima, muitas vezes permanecendo com as roupas molhadas.
Apesar de cuidar de pessoas gripadas e de se expor constantemente ao frio, não desenvolveu qualquer sintoma catarral. Posteriormente fez o experimento contrário: reduziu exercícios; aumentou farinha branca, doces e produtos ricos em amido.
Segundo seu relato, em apenas um mês ganhou peso, desenvolveu secreção nasal, tornou-se mais suscetível a resfriados. Com base nessas observações concluiu que o catarro fosse consequência direta do excesso de amido e açúcar.
Quando Gareth questiona o papel dos germes, Peredur responde: — Nunca! Um organismo saudável pode rir dos germes. Porém, quando o corpo está congestionado por resíduos em decomposição e material catarral viscoso, os germes encontram um terreno favorável.
Mais adiante, Peredur amplia sua teoria. Segundo ele, a Humanidade superou parcialmente a escravidão às bebidas alcoólicas, mas substituiu esse vício por outro: o excesso de amidos e açúcares.
Ele argumenta que bebidas alcoólicas resultam da fermentação de amidos e açúcares, muitas pessoas abandonaram a embriaguez alcoólica, porém passaram a praticar uma espécie de “autointoxicação” através da gula por doces e farináceos. Ele considera as doenças catarrais uma manifestação dessa nova forma de intoxicação.
No final do diálogo, Peredur critica a medicina da época, afirmando que medicamentos, vacinas, soros, e cirurgias não atacavam a verdadeira causa da doença. Para ele, a solução consistiria em reduzir o consumo de amidos e açúcares, aumentar o exercício físico, melhorar a oxidação dos tecidos e desenvolver autocontrole alimentar. Essa é a parte que a pessoa doente ou enferma tem que fazer com o seu Corpo Denso. Senão, de nada adianta buscar a Cura Rosacruz!
O diálogo encerra-se quando os dois homens deixam a montanha e iniciam a caminhada de volta à cidade.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de agosto de 1920 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)
SP)
Este assunto interessa a toda pessoa que tenha experimentado a dor esmagadora de perder uma pessoa amada. Tais pessoas, eu espero, poderão derivar algum conforto das linhas seguintes, dadas por alguém que passou pelo Véu ainda jovem, deixando um marido devotado e seis filhos pequenos, lamentando sua perda. Talvez lhes interesse descrever meus próprios sentimentos e minhas próprias experiências em tal ocasião.
Quando eu estava morrendo após uma enfermidade de mais de dois anos, que agora sei ter sido preparação e início para o trabalho que eu estava prestes a iniciar nos planos invisíveis, não senti dor, apenas uma sensação de repouso bem-aventurado. De tempos em tempos rostos angelicais apareciam para mim e palavras encorajadoras eram dirigidas à minha audição interior: “coragem, querida, você está prestes a entrar em uma vida de grande felicidade e utilidade. Será seu trabalho especial cuidar espiritualmente de seus entes queridos, você que, por tanto tempo, esteve incapaz de fazer qualquer coisa por eles no plano físico”.
Meu querido bebê, ah!… Abandoná-lo foi uma dor e uma angústia que apenas as mães sabem o que é. Eu o vi como ele é agora, um amado trabalhador no campo das almas preparadas para a colheita. Também tive visões das vidas futuras dos meus outros e amados filhos. Tão misericordiosa é a boa Lei que os momentos finais de todos são suavizados e abençoados por ministradores, obra da qual agora tenho o privilégio de participar, sendo frequentemente enviada ao leito de uma mãe moribunda para tornar a transição aquilo que ela deveria ser: uma passagem alegre.
Continuando, a transição real para o outro mundo foi comparativamente fácil para alguém cujo corpo estava enfraquecido por longa enfermidade. Mas não é sempre assim; por exemplo, quando o corpo está em pleno vigor isso não acontece. O rompimento do Cordão Prateado que conecta os dois estados de consciência se torna, nesse caso, mais difícil.
Eu tive a sensação de estar afundando, caindo através do espaço; mas não de forma desagradável, não; foi uma sensação de pessoa muito cansada que busca algo sobre o qual repousar; então, subitamente, toda a fadiga desapareceu e eu estava jovem mais uma vez, cheia de vitalidade.
Ao abrir os olhos, eu vi meu querido marido curvado em tristeza ao lado do meu Corpo morto, que jazia sobre a cama. Coloquei meus braços ao redor dele e tentei de todas as maneiras fazê-lo sentir a minha presença, mas sem sucesso. Ele estava inconsciente de todos os meus esforços… Ah! Como desejei tê-lo comigo nesta nova e bela condição. Então ouvi uma voz: “Seja paciente, querida, ele estará com você muito em breve”.
Então tomei consciência de uma forma em pé ao nosso lado, que gentilmente me conduziu para uma vida gloriosa onde encontrei muitos entes queridos e dei boas-vindas às intimidades mais próximas e queridas que haviam sido inconscientemente desfrutadas ainda na vida terrena, durante as horas de sono.
Do que se seguiu não me é permitido falar; de fato, palavras não poderiam descrever nossa vida aqui com suas atividades complexas, amizades divinas e alegrias que apelam a muitos sentidos aos quais a audição e a visão terrenas estão fechadas.
Aqueles que amamos na Terra estão constantemente conosco e é nosso privilégio servi-los de muitas maneiras, enquanto eles permanecem totalmente inconscientes de estarem sendo ajudados. Tempo e espaço não existem aqui. Nossos Corpos-Alma são praticamente indestrutíveis, de modo que entramos à vontade em lugares que na vida terrena teriam destruído completamente o invólucro carnal: casas em chamas, locais onde haja terremotos, em naufrágios… Em qualquer lugar onde exista calamidades, muitos mensageiros correm à cena para preparar os moribundos e tornar seus últimos momentos pacíficos e felizes em meio à terrível confusão.
Algumas dessas cenas são fechadas para nós, como quando a paixão humana envolve dois seres em combate mortal. As formas de ira e ódio lançadas durante o conflito impedem nossa aproximação. E lugares de licenciosidade e luxúria geralmente nos são proibidos pela mesma razão. Seus terríveis pensamento-formas criam uma parede intransponível ao redor daqueles que gostaríamos de alcançar.
Na antiga Sodoma e Gomorra, as emanações justas de dez homens corretos poderiam ter criado um canal para o influxo do Divino, mas infelizmente não havia sequer dez para conter a maré da paixão humana em sua forma mais terrível. Agora, tendo descrito o que acontece na hora da morte aqui, no reino material, gostaria de indicar qual deveria ser a sua atitude e como você pode ajudar a pessoa querida que partiu, de modo que ela se alegre com a felicidade recém-descoberta.
O abandono prolongado à tristeza é prejudicial para todos e a alma desperta que percebe seu destino e o trabalho espiritual diante de si, após a primeira expressão natural do pesar, repousará na esperança que o conhecimento lhe proporciona. Seu pensamento sobre o falecido ou a falecida será constante. Não uma vez, mas muitas no dia os seus pensamentos se tornarão canais para amor e encorajamento vindos de outras esferas, pensamentos aos quais sua alma responderá, por mais inconsciente que o cérebro físico possa estar.
À noite, quando a pessoa querida que ficou aqui adormecer, seu último pensamento será sobre a pessoa amada que se foi, que estenderá sua mão do Além e tomará a mão da pessoa querida que ficou aqui pela sua para vagar entre cenas de beleza tremenda, em comunhão mais doce e querida do que jamais desfrutaram antes; e a pessoa querida que ficou aqui despertará profundamente confortada e talvez um pouco envergonhada de ter sido consolada tão cedo, completamente inconsciente da deliciosa companhia que desfrutou tão recentemente.
Verdadeiramente, seus entes queridos que morreram podem ser verdadeiros “tesouros no Céu”. Você não perdeu, mas ganhou com sua transição. Seu querido ente pode estar com você a qualquer momento do dia. À noite, se desejar, você pode discutir problemas terrenos e ser ajudado para ganhar mais desenvolvimento de alma e poder espiritual pela comunhão com as grandes almas daqui; cuja alegria é ainda servir à Humanidade com poderes ampliados e realização mais seguras.
Toda faculdade desenvolvida na Terra é intensificada e fortalecida nos Céus. Você é músico ou artista? Seus talentos são cem vezes mais agradáveis aqui do que na Terra. Ou talvez tais talentos sejam limitados em seu caso, mas você possui a flor mais rara de um coração amoroso. Cada fio de amor que o liga na Terra aos entes próximos e queridos é um poderoso cabo ao nosso lado, um meio de cura e bênção do qual será sua alegria constante fazer uso.
Quando vemos uma pessoa que está muito próxima da morte, tendo se aproximado do fim da sua experiência terrena, tentamos prepará-la para a transição através da sugestão de pensamentos sobre a nova vida na qual está prestes a entrar. Às vezes, isso é muito difícil porque não podemos dominar a sua Mente, embora pudéssemos, naturalmente, fazê-lo com facilidade; mas isso não afetaria seu verdadeiro “eu”, o Eu Superior ou Ego. Simplesmente lhe dizemos o que está na iminência de acontecer e o deixamos usar a sugestão.
Os numerosos e variados casos de premonições são derivados de esforços de mensageiros que estão nos Céus para impressionar a pessoa que está próxima a começar mais uma vida celeste, seja por visão, sonho ou qualquer meio disponível ao Auxiliar Invisível (invisível à visão física, mas não à etérica!), de modo que ela não fique totalmente despreparada. Às vezes alguém na vida terrena é inconscientemente empregado. Ele vai até a pessoa e, enquanto estão juntos, o Auxiliar Invisível a usa como elo de ligação e “alma fala com alma”.
Para os totalmente despreparados, os primeiros estágios da vida pós-morte são uma experiência terrível, porque a vida celeste é muito diferente da que temos aqui, no plano material. Quando uma pessoa não teve pensamentos além das coisas materiais (ou seja: da Região Química do Mundo Físico), é necessário muito tempo para se acostumar com a novas condições; ela frequentemente se sente desconfortável, infeliz.
Felizmente, existem grupos de Egos cuja província especial é cuidar dessas almas e gradualmente despertar seus sentidos para as alegrias que as aguardam, apenas temporariamente afastadas delas por sua própria atitude. Também existem muitas mulheres bondosas que se deleitam em cuidar dos pequeninos que chegam às vezes ainda na infância. Bebês e crianças pequenas respondem rapidamente ao novo ambiente, tendo deixado tão recentemente os Céus para ir ao Mundo material, e entram na antiga vida com renovado entusiasmo.
Naturalmente, cada alma faz seu próprio céu pelo poder do amor e poucos são aqueles que não construíram aqui uma morada através dos laços de amor da Terra. Frequentemente os criminosos mais terríveis são maridos e pais afetuosos. Todos nós somos capazes de fazer muito pela pessoa na proximidade da morte. Podemos encontrar seus parentes deste lado, que frequentemente desconhecem sua condição; eles então o recebem na última hora.
A visão espiritual se torna muito aguçada quando a chama da vida física arde fracamente e é muito fácil impressionar a pessoa moribunda nesses momentos. Alguns de nós podem permanecem, por algum tempo, para fazer o possível pelos aflitos deixados para trás. Não é permitido erguer o véu plenamente, pois conhecer totalmente aquilo que os aguarda seria um triste prejuízo para sua vida atual, devido às experiências necessárias das quais são construídas a fé, o amor e a confiança como faculdades a serem trazidas para cá.
Agradeçam a Deus por suas tristezas, decepções ou tragédias: são construtoras de caráter! As aspirações em direção ao nosso mundo, resultantes de tais experiências, moldam a morada da alma e a felicidade do futuro.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – setembro/1920, traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
Resposta: Significa exatamente o que é dito, pois a Terra está passando por inúmeros estágios evolutivos que proporcionam as condições necessárias para o nosso desenvolvimento. Houve a era de escuridão, durante a qual o material do nosso Planeta se aglutinou em um estado de fermentação e germinação que gerava calor; assim, em certo momento, quando foi proferido o decreto criador: “Faça-se a luz”, essa matéria se transformou em uma nebulosa ígnea e luminosa, girando em torno do seu eixo e aquecendo a atmosfera circundante, a qual, por sua vez, era resfriava pelo contato com o espaço exterior. Desse modo, foi gerada a umidade, que precipitou sobre o Planeta incandescente, fazendo com que se desprendesse um vapor – uma neblina ígnea.
Durante éons, esse processo de evaporação e condensação continuou até que a Terra formou uma crosta sólida e se tornou o que conhecemos como terra firme, de onde subia uma névoa – fato também mencionado na Bíblia. Esse vapor se resfriou e se condensou, precipitando sobre a Terra como um dilúvio que, por fim, limpou a atmosfera e estabeleceu as condições atmosféricas prevalecentes até hoje. No passado, possuíamos Corpos adaptados para viver nos variados ambientes da Terra e, atualmente, nossos veículos físicos são compostos em grande parte por água, assim como são os Corpos Densos dos animais e das plantas. No entanto, a Bíblia diz que “a carne e o sangue” não podem herdar o Reino de Deus. Somos informados que deixaremos o Corpo Denso e seremos arrebatados nos ares; além disso, como você mencionou: “não haverá mais mar“. Assim, as condições gerais nos sãos apresentadas, e há muitos indícios de que, embora essas mudanças estejam ocorrendo lentamente, elas certamente virão. Os cientistas começam agora a reconhecer o fato de que a Terra está perdendo umidade. Lemos num artigo publicado na revista “Literary Digest”: “Muitas autoridades reconhecem o fato de que a Terra está perdendo lentamente sua umidade. Segundo C. F. von Hermann[1], em artigo publicado na Revista Science (New York), a maneira como isso ocorre é parcialmente explicada pela ação de descargas elétricas que decompõe o vapor. Um dos gases componentes, o hidrogênio, é muito leve e sobe até as camadas superiores da atmosfera terrestre, de onde acaba sendo expelido. A longo prazo, essa perda de hidrogênio resulta em perda de água. A decomposição da umidade terrestre, com sua consequente perda definitiva, também é provocada por outros agentes, notadamente o efeito dos raios luminosos da faixa superior do espectro. Von Hermann cita o Dr. Karl Stoeckel, autor que escreveu para a publicação na Revista Umschau, afirmando: ‘Acredita-se que os raios ultravioleta da luz solar, ao incidirem sobre o vapor d’água suspenso nas camadas inferiores da atmosfera terrestre, decompõem uma pequena parte dele, produzindo hidrogênio, que ascende a grandes altitudes’.”
Sobre isso, o Sr. von Hermann comenta o seguinte: “Creio que não se havia apontado antes que a superfície da Terra deve estar perdendo hidrogênio continuamente devido à decomposição do vapor de água causada por cada descarga de raio. Pickering e outros identificaram as linhas de hidrogênio no espectro dos raios, e as principais obras de meteorologia mencionam o fato de que as descargas elétricas decompõem certa quantidade de água… O hidrogênio formado por cada raio sobe rapidamente para a alta atmosfera e perde-se para o espaço. Considerando a frequência de tempestades durante o verão em ambos os hemisférios — e a ocorrência constante delas nas regiões equatoriais —, essa perda de hidrogênio não pode ser considerada insignificante. Enquanto as condições na Terra permitirem a ocorrência de tempestades, o lento processo de dessecação do planeta deverá continuar.”
Assim, os ensinamentos da Bíblia são confirmados em todos os pontos essenciais à medida que a ciência avança. Os fatos descobertos demonstram a precisão com que o passado e o presente foram descritos. Isso nos dá motivos para crer que os acontecimentos futuros também estarão em harmonia com as verdades ensinadas na Bíblia.
(Pergunta nº 80 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: “Is the Earth Drying Up?” (A Terra está secando?) — Este segmento de divulgação científica resumiu explicitamente o artigo de von Hermann publicado na *Science* para explicar como o gás hidrogênio escapa para as camadas superiores da atmosfera. (November 22, 1913 – Volume: Vol. 47, No. 21) – Charles F. von Herrmann (c. 1897-1905): inicialmente meteorologista na Estação Experimental Agrícola estadual, von Herrmann tornou-se diretor do Serviço de Clima e Culturas do *Weather Bureau* (Serviço Meteorológico) na Carolina do Norte, compilando registros de observação e resumos mensais de toda a região do Atlântico Sul.
Há passagens na Bíblia, especialmente nos Evangelhos, em que se observarmos mais atentamente veremos algo muito mais transcendente do que Cristo Jesus produzindo uma de suas maravilhas.
Aqui seguem dois exemplos bem contundentes:
No Evangelho Segundo S. Mateus 8:23-27 estudemos o seguinte trecho:
“Então, entrando Ele no barco seus Discípulos o seguiram. E eis que sobreveio no mar uma grande tempestade, de sorte que o barco era varrido pelas ondas. Entretanto Cristo Jesus dormia. Mas os Discípulos vieram acordá-Lo clamando: ‘Salva-nos, pereceremos’. Acudiu-lhes então Cristo Jesus: ‘Por que sois tímidos, homens de pequena fé?’. E levantando-se repreendeu os ventos e o mar e fez-se grande bonança. E maravilharam-se os homens dizendo: ‘Quem é Este que até o vento e o mar Lhe obedecem?’”
E no mesmo Evangelho (14:22-33), estudemos esse trecho:
“Logo a seguir compeliu Jesus os Discípulos a embarcar e passar adiante dele para o outro lado, enquanto Ele despedia as multidões. E, despedidas as multidões, subiu ao monte a fim de orar sozinho. Em caindo a tarde lá estava Ele, só. Entretanto, o barco já estava longe, a muitos estádios da terra, açoitado pelas ondas porque o vento era contrário. Na quarta vigília da noite foi Jesus ter com eles, andando por sobre o mar. E os Discípulos ao verem-no andando por sobre as águas ficaram aterrados e exclamaram: É um fantasma. E tomados de medo gritaram, mas Cristo Jesus imediatamente lhes falou: ‘Tende bom ânimo. Sou eu. Não temais’. Respondendo-lhe Pedro disse: ‘Se és tu Senhor, manda-me ir ter contigo por sobre as águas’. E Ele disse: ‘Vem’. E Pedro descendo do barco andou sobre as águas e foi ter com Cristo Jesus. Reparando, porém, na força do vento, teve medo e começando a submergir, gritou: ‘Salva-me Senhor’. E, prontamente Cristo Jesus estendendo a mão tomou-o e lhe disse: ‘Homem de pequena fé, porque duvidastes?’. Subindo ambos para o barco, cessou o vento. E os que estavam no barco o adoraram dizendo: ‘Verdadeiramente és Filho de Deus’”.
Aqui Cristo Jesus não estava literalmente dominando os elementos próprios do Mundo Físico, tais como a tempestade, os ventos e as ondas fortíssimas. Na realidade, estas passagens do Novo Testamento relatam experiências ocorridas em outra dimensão. Na literatura Rosacruz a água simboliza as emoções e o Mundo do Desejo.
À natureza da água lembra muito o Mundo do Desejo, cuja substância se encontra em constante movimento. Aprendemos na Filosofia Rosacruz que a permanência no Mundo do Desejo requer muito equilíbrio e discernimento do Estudante Rosacruz. Quando faltam essas qualidades ocorre justamente o pânico que sobressaltou S. Pedro no capítulo 14, nos versículos 22-33 do Evangelho acima.
S. Pedro deixou o barco (simbolizando o Corpo Denso) e se aventurou-se no Mundo do Desejo, logicamente, utilizando seu Corpo de Desejos. Porém, ainda não conseguia se manter-se equilibrado e com o nível de discernimento necessário para lá permanecer sereno, tendo assim que receber a ajuda de Cristo. “Caminhar sobre as águas” é dominar os elementos do Mundo do Desejo.
Pois, também aprendemos na Filosofia Rosacruz que a lei que rege a matéria da Região Química do Mundo Físico é a inércia, a tendência a permanecer em status quo. É necessária certa soma de energia para vencer essa inércia, para fazer com que um material qualquer, por exemplo um corpo, em repouso se mova ou para deter um que esteja em movimento. Tal coisa não acontece com a matéria componente do Mundo do Desejo. Em si própria é quase vivente, está em movimento incessante, fluídico. Pode tomar formas inimagináveis com inconcebível facilidade e rapidez brilhando ao mesmo tempo com milhares de cores coruscantes sem termos de comparação com qualquer coisa que conhecemos neste estado físico de consciência. Desta ligeira descrição pode-se deduzir quão difícil será para o neófito que acaba de abrir os olhos internos, encontrar o equilíbrio no Mundo do Desejo. É um manancial de toda espécie de perturbações e perplexidades.
Outro importante ensinamento que aprendemos na Filosofia Rosacruz é que a característica principal dos Globos lunares, quando vivíamos no Período Lunar, pode ser descrita como ‘umidade’. Os Cientistas ocultistas chamam “água” aos Globos do Período Lunar e descrevem sua atmosfera como se fosse névoa ígnea.
Também aprendemos que cada dia da semana corresponde a um dos Períodos e é regido por um Astro em particular. À segunda-feira corresponde ao Período Lunar e é regida pela Lua que exerce decisiva influência sobre as águas, os fluídos, as marés e afins.
Por outro lado, o domínio das emoções representa uma transição de um estado de consciência para outro. Por exemplo, os israelitas para entrar na Terra Prometida, primeiro tiveram de atravessar o Mar Vermelho e depois o Rio Jordão.
Cruzar as águas é uma vitória sobre as emoções, sobre si próprio. Se você supera alguma dificuldade, “você cruzou o Jordão”.
Outro exemplo nesse sentido é a Arca de Noé que, esotericamente interpretada, representa um estado de consciência mais elevado, uma vitória sobre a comoção e insegurança causadas por grandes transformações. O dilúvio é uma alegoria do desaparecimento da Atlântida. Os sobreviventes simbolizam um tipo superior de Humanidade, capaz de responder positivamente às necessidades evolutivas da Época Ária.
Aprendemos que as Épocas contêm em si mesmas espirais evolutivas menores, que são as Eras. As Eras são algumas dessas espirais. O ser humano da Era de Peixes é emotivo por excelência. Eis porque esta Era está intimamente ligada ao elemento Água: o batismo com água nas Igrejas cristãs, a água benta, a emotividade que envolve a devoção.
Na próxima Era — que é a Era de Aquário — essas características serão modificadas. O ser humano aquariano será mais racional. A atmosfera mais seca e elétrica que predominará ensejará o fortalecimento da atividade intelectual. A representação astrológica de Aquário consiste em “um homem”, o aguador, despejando a água do seu cântaro.
Num futuro mais distante ainda, às emoções serão totalmente sublimadas e amalgamadas à constituição espiritual do ser humano. Isso foi anunciado no Capítulo 21 do Livro do Apocalipse: “Vi novo Céu e nova Terra, pois o primeiro Céu e a primeira Terra passaram e o mar já não existe”. Temos, portanto, uma árdua tarefa pela frente!
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – março/abril – 1988 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Na Fraternidade Rosacruz é oferecida a Cura Rosacruz guiada pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, utilizando os Auxiliares Invisíveis como instrumentos para restaurar e curar doenças e enfermidades físicas, emocionais e mentais. O trabalho é realizado de acordo com os mandamentos de Cristo Jesus: “Preguem o Evangelho e curem os enfermos”.
Este trabalho sagrado é realizado em estrita conformidade com os Ensinamentos de Cristo, enfatizando tanto a iluminação espiritual quanto a cura física.
Quer saber mais sobre o assunto? Leia aqui: Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Causas Específicas de Doenças: Neurose de Guerra ou Trauma de Guerra (Transtorno de Estresse Pós-traumático)
Quer ver o restante? Clique aqui: Princípios Ocultos de Saúde e Cura
Resposta: Realmente, a Bíblia não nos diz literalmente que o “fato de comer da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal se refere ao ato gerador”.
Citamos abaixo, da Conferência nº 14 do livro Cristianismo Rosacruz – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz: “Que a Árvore do Conhecimento é uma expressão simbólica da função geradora, torna-se evidente quando recordamos quão limitada era a consciência humana naquela época, quando ocorreu o que conhecemos como a ‘Queda do Homem’”[1].
Nós não conhecíamos ou não nos dávamos conta de nada fora de nós mesmos; nossos olhos ainda não haviam sido abertos; nossa consciência era interna, como a consciência pictórica dos nossos sonhos, exceto em que não era confusa. Mas, nós nos achávamos tão alheios ao Mundo e aos seres externos, como em nossos dias estamos dos Mundos espirituais, salvo nas ocasiões em que éramos conduzidos aos templos e posto em íntimo contato sexual com outro ser humano, do sexo oposto ao que estávamos encarnados no momento. Então, por um momento, nós, o Ego (o que realmente somos), rompíamos o véu da carne e “homem e mulher se conheciam um ao outro em Corpo Denso”.
“Para o Iniciado, a Bíblia registra isso de maneira maravilhosamente iluminadora quando usa a mesma expressão em muitas passagens, tais como: “Adão conheceu sua mulher” (Gn4:1), e na pergunta de Maria: “Como poderei conceber, visto que não conheço homem?” (Lc 1:34).
As dores do parto são, pela lógica, mais uma penalidade pela violação de uma regra de relação sexual do que um castigo por se haver comido uma maçã.”
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz fevereiro/1976 – Fraternidade Rosacruz-SP)
[1] N.R. Lúcifer: Tentador ou Benfeitor
Ao olharmos o mundo ao nosso redor, constatamos que não há fato mais evidente do que aquele expresso pelo poeta hebreu: “Poucos são os dias do homem, e plenos de desgraça”. E perguntamo-nos, naturalmente: “Por que deve ser assim?”
O teólogo afirma que Deus decretou que sofrêssemos porque nossos primeiros pais pecaram ao serem tentados pelo diabo. E procura justificar Deus nesta frase burlesca: “Na queda de Adão, todos pecamos.” Mas por que o comer-se uma maçã, como causa, deve merecer o castigo do parto doloroso como efeito? Isto tem sido sempre um enigma difícil para os comentaristas da Bíblia. E como poderia um Deus sábio e amoroso decretar tanta miséria sobre toda a raça humana só pela tão irrelevante falta de um casal? Isto é tão difícil de entender que justifica até certo ponto a Robert Ingersoll quando exclamou: “Um Deus honesto é a obra mais nobre do homem!”
Semelhante anomalia nasce naturalmente da falta de conhecimentos ocultos e da consequente interpretação materialista dessa mina de informação esotérica que é a Bíblia.
Para conseguirmos um esclarecimento verdadeiro no que tange à dor e à tristeza, devemos, de início, basear-nos na informação puramente oculta, procurando ver então que luz lança a Bíblia sobre a mesma.
Recordemos que quatro grandes Épocas ou Idades precederam a nossa presente Época Ária: a Polar, a Hiperbórea, a Lemúrica e a Atlante.
Na Época Polar, o ser humano dispunha apenas de um Corpo Denso precariamente organizado. Daí que estivesse inconsciente e imóvel como os minerais que agora são assim constituídos. Na Época Hiperbórea, seu Corpo Denso foi envolvido por um Corpo Vital, ficando o Espírito “flutuando” fora. Os efeitos de tal natureza podem ser constatados pelo exame dos vegetais que, no presente, são analogamente constituídos.
Neles, podemos ver a repetição permanente, a formação de talos e folhas em sucessão alternada que prolongar-se-iam infinitamente caso não houvesse outra influência. Mas, como a planta não tem um Corpo de Desejos separado, o Corpo de Desejos da Terra, o Mundo do Desejo, endurece o vegetal e impede em determinado ponto o seu excessivo crescimento para cima. A força criadora, impedida de expressar-se no fazer a planta crescer mais ainda, busca outra saída: forma as flores nessa planta e encaixa-se na semente, de forma que possa crescer de novo em outra planta.
Na Época Hiperbórea, em que o ser humano se encontrava em condições idênticas, seu Corpo Vital fazia-o crescer a gigantescos tamanhos. Agindo sobre ele, o Mundo do Desejo levava-o a expelir sementes parecidas com esporos, das quais outro Ego humano apoderava-se ou eram utilizados pelos Espíritos da Natureza na construção de corpos para os animais que começavam a emergir do Caos (a onda de vida mais avançada começa primeiro, no início de um período, e retorna por último ao Caos: as ondas de vida que se seguem – animal, vegetal e mineral – começam mais tarde e retornam mais cedo).
Portanto, na Época Hiperbórea, quando o ser humano era constituído identicamente aos vegetais, seu Corpo Vital formou vértebra sobre vértebra e teria continuado a formá-las caso um Corpo de Desejos individual não houvesse sido dado na Época Lemúrica. Este corpo começou a endurecer a estrutura e a restringir a tendência a um maior crescimento. Como resultado, o crânio, a flor que se encontra na ponta do caule (da coluna vertebral), estava incipientemente formado.
Contrariada em seus esforços para construir uma forma maior, tornou-se necessária à força criadora no Corpo Vital buscar uma nova saída pela qual pudesse continuar a crescer em outro ser humano. O ser humano então tornou-se hermafrodita, capaz de gerar sozinho um novo corpo.
A planta não tem Corpo de Desejos individual, daí não sentir paixão. Apenas estende seu órgão criador – a flor – casta e inocentemente em direção ao Sol, uma das coisas mais belas e encantadoras que existem.
No ser humano, o Corpo de Desejos individual deve necessariamente produzir a paixão e o desejo, a menos que seja subjugado de algum modo. Por conseguinte, o ser humano, tanto figurada quanto literalmente, é o inverso da casta planta, pois é apaixonado, tem órgãos criadores voltados para a Terra e deles se envergonha. A planta toma seu alimento por baixo, pela raiz; o ser humano se alimenta por cima, pela cabeça. O ser humano inala o vivificante oxigênio e exala o deletério dióxido de carbono. Este é absorvido pela planta que lhe extrai o veneno e devolve ao ser humano o princípio vitalizante.
Com a finalidade de controlar a paixão e prevenir o abuso da função criadora, diversas medidas foram tomadas pelos Líderes encarregados da Evolução.
Esta criatura semianimal de meados da Época Lemúrica, embora horrenda em seu aspecto, era, no entanto, um diamante bruto, destinada a tornar-se mais tarde o instrumento perfeito e o formoso templo de um Espírito interno. Para isto, era preciso um mecanismo de controle, um cérebro, e um segundo sistema nervoso, capazes ambos de serem comandados pela Vontade, que era a força do morador em perspectiva, o Ego.
O total da força criadora podia ter sido usado com esse propósito, mas, como o uso de qualquer ferramenta causa o seu desgaste, um plano para substituir o instrumento gasto quando abandonado pelo Espírito, na morte, foi também idealizado, e assim a força criadora em cada ser humano foi dividida: metade continuou fluindo para cima, como antes, para construir um cérebro e uma laringe, através dos quais o Espírito pode controlar seus instrumentos e expressar-se em pensamentos e palavras; e a outra metade foi impelida para baixo, aos órgãos criadores, para reprodução.
Este arranjo valeu mais para prevenir os abusos, já que tornou mais difícil a geração. Antes da separação dos sexos, cada um podia gerar sem ajuda. Depois da divisão, fez-se necessário a cada um procurar a cooperação de outrem que possuísse a metade oposta da força sexual necessária à reprodução.
A mudança de voz dos rapazes na puberdade mostra a relação que existe entre os órgãos criadores e a laringe. Uma vez que metade da força sexual constrói o cérebro, aquele que se super-excede no uso do sexo converte-se em idiota. Por outro lado, o pensador profundo, particularmente o espiritualista, sente pouca ou nenhuma inclinação para o coito, já que emprega a maior parte de sua energia criadora no cérebro.
Apenas os Anjos trabalharam com o ser humano na Época Hiperbórea, quando este dispunha somente do Corpo Denso e do Corpo Vital, mas, na Época Lemúrica, quando o Corpo de Desejos lhe foi acrescentado, os Arcanjos também começaram a participar do trabalho, ajudando o infante Espírito humano a controlar seus futuros veículos. Assim, pois, neutralizaram eles o Corpo de Desejos de tal modo que o mesmo só se tornava sexualmente ativo em determinadas Épocas do ano. Na última parte da Época Lemúrica e princípio da Época Atlante, o cérebro e o sistema cérebro-espinhal haviam evoluído o suficiente para permitir que o elo da Mente fosse estabelecido. Então, o Ego começou a penetrar aos poucos em seus Corpos, tornando-se assim um Espírito interno em meados da Época Atlante, plenamente consciente de seu ambiente externo. Antes que a entrada nos Corpos fosse completada – especialmente na última parte da Época Lemúrica – a consciência do ser humano estava voltada para dentro, sendo ele mais consciente dos Mundos espirituais. Nascimento e morte eram, portanto, inexistentes para, do mesmo modo que o brotar, secar e cair de uma folha não existe para a planta. Sua consciência permanecia continuamente nos Mundos internos quer tivesse ou não um Corpo, pois era inconsciente deste, embora utilizando-o por completo, à semelhança do que ocorre no uso de nosso estômago e pulmões, isto é, utilizamo-los inconscientemente.
Nas aludidas Épocas do ano, os Arcanjos suspendiam sua influência restritiva sobre os Corpos de Desejos. Então, os Anjos conduziam os seres humanos a grandes templos, onde o ato gerador era realizado nos momentos estelares mais propícios. As viagens de lua-de-mel de nossos dias são reminiscências atávicas daquelas migrações com propósitos geradores e mostram a relação que tinham com os corpos celestiais pela denominação “lua-de-mel”.
Quando a propagação havia sido efetuada, o Corpo de Desejos era novamente neutralizado. Em consequência, o parto era totalmente indolor, conforme se dá atualmente com os animais, que se encontram em idênticas condições.
Esse era um estado livre de cuidados, mas o ser humano era extremamente limitado em sua consciência, sendo guiado e controlado independentemente de sua vontade por agentes externos. Se tais condições houvessem prevalecido, o ser humano continuaria sendo um autômato guiado por Deus. Nunca poderia tornar-se uma Inteligência Criadora autoconsciente – conforme está destinado a ser – até que afastasse toda sujeição e atuasse em sua própria salvação.
Por conseguinte, exaltados Líderes de uma evolução mais avançada foram enviados para instruir o ser humano e despertá-lo para conhecer o Mundo externo ou material. Drásticas medidas impuseram-se, então, naturalmente, e por seguidas eras. Os meninos eram exercitados no desenvolvimento da Vontade, que era a contraparte espiritual de sua força criadora positiva. Faziam-nos carregar pesados fardos, ensinando-os a fortalecerem os braços pela vontade. Os rapazes eram obrigados a se enfrentarem em lutais brutais; seus membros eram estropiados; seus corpos eram queimados ou empalados, etc., num esforço para despertar o Ego à consciência do Corpo Denso e do mundo externo.
As mulheres eram conduzidas às imensas florestas em formação que vicejavam luxuriantes no solo úmido e quente. Eram expostas à fúria das tempestades e furacões que assolavam a Terra na Época Lemúrica e levadas a contemplar as erupções vulcânicas, o que produzia imagens ante sua visão interna. Faziam-nas presenciar também lutas ferozes entre os homens com o objetivo de despertar-lhes a Imaginação.
Imaginação é o polo espiritual negativo da força criadora, que reflete na consciência interna as cenas do mundo externo como se fossem sonhos. Deste modo, as mulheres foram as primeiras a dar-se conta da existência do Mundo Físico e do Corpo Denso, pelo que começaram a pregar o evangelho do corpo do ser humano, a quem falaram daquela obscura percepção inicial da existência física.
Em nossos dias, aqueles que começaram a sentir a alma e por isso tentam pregar o evangelho dos Mundos espirituais onde o Espírito vive, geralmente encontram a barreira da incredulidade e do ridículo, tal como aconteceu às mulheres lemúricas quando tentaram convencer seus contemporâneos de que tinham um Corpo Denso.
Entre as observações feitas por essas videntes, estava o fato de que, às vezes, o ser humano perdia o seu Corpo, o qual se desintegrava. Elas podiam continuar a vê-lo nos Mundos espirituais conforme o viam antes, mas como ele se havia ido da existência material, isso as deixava confusas.
Dos Anjos, nenhuma informação elas podiam obter, pois, ainda que estes atuassem sobre o Corpo Denso, não o faziam diretamente, mas usavam o Corpo Vital como transmissor, não se podendo fazer entender por um ser que raciocinasse cerebralmente. Os Anjos conseguiram o conhecimento sem precisar utilizar o raciocínio, pois externaram todo o seu amor em seu trabalho, recebendo em troca torrentes de sabedoria cósmica. O ser humano também cria pelo amor, embora seu amor seja egoísta. Ele ama porque deseja. A cooperação na propagação é um exemplo, porque nisso ela participa somente com a metade da força criadora. A outra metade é conservada egoisticamente para manter seu próprio órgão pensante – o cérebro – e utiliza-se dessa metade também egoisticamente para pensar, porque deseja conhecimento. Daí, ele precisar esforçar-se e raciocinar para obter sabedoria. No devido tempo, porém, ele alcançará um estado muito superior ao dos Anjos e Arcanjos. Então, haverá ultrapassado a necessidade dos órgãos criadores inferiores: criará por meio da laringe, podendo “fazer do verbo carne”.
Naquela fase, a mulher também não podia raciocinar, pois, tendo sido a Mente dada pelos Poderes das Trevas, era naturalmente obscura. De forma que, antes de poder ser utilizada para correlacionar fatos, precisava ser iluminada. Somente depois de ter isso acontecido, pôde o ser humano lançar a “Luz da Razão” sobre os seus problemas.
É aqui que pela primeira vez ouvimos falar de “Lúcifer” – o “Portador de Luz” – que falou à mulher e ajudou-a a solucionar o enigma, indicando-lhe como, com a cooperação do ser humano, poderia ela exercer a função criadora independentemente dos Anjos, de modo a prover de novo corpos àqueles que os tivessem perdido, escapando dessa maneira à morte.
Ele pergunta se Deus os havia proibido de comer os frutos das árvores. É-lhe dito, então, que haviam sido proibidos de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal sob pena de morrerem.
Que a árvore do conhecimento é uma expressão simbólica da função geradora, torna-se evidente quando recordamos quão limitada era a consciência humana naquela Época. O ser humano não conhecia ou não se dava conta de nada fora de si mesmo; seus olhos ainda não haviam sido abertos; sua consciência era interna, como a consciência pictórica dos nossos sonhos, exceto em que não era confusa. Mas achava-se tão alheio ao mundo e aos seres externos, como em nossos dias estamos dos Mundos espirituais, salvo nas ocasiões em que era conduzido aos templos e posto em íntimo contato sexual com outro ser humano. Então, por um momento, o Espírito rompia o véu da carne e homem e mulher se conheciam um ao outro em Corpo Denso. Para o Iniciado, a Bíblia registra isso de maneira maravilhosamente iluminadora quando usa a mesma expressão em muitas passagens, tais como: “Adão conheceu sua mulher”, e na pergunta de Maria: “Como poderei conceber, visto que não conheço homem? As dores do parto são, pela lógica, mais uma penalidade pela violação de uma regra de relação sexual do que um castigo por se haver comido uma maçã.
A serpente disse à mulher: “É certo que não morrereis, porque Deus sabe que no dia em que dela comerdes abrir-se-vos-ão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal “. Este último era ainda desconhecido para o ser humano.
Seguindo o conselho, a mulher obteve a cooperação do homem e, mediante a força de vontade, libertaram seus corpos de desejos. Esta faculdade era então muito mais poderosa que agora, porque é lei que toda nova faculdade sempre é adquirida à custa do enfraquecimento de outro poder anterior, como quando se adquiriu a faculdade de pensar ao preço da metade da força criadora. A força de vontade do ser humano era tal que a preocupação de Deus “receando que o homem comesse também da Árvore da Vida e se tornasse imortal” estava plenamente justificada, pois, tivesse ele se apoderado do segredo para renovar o Corpo Vital e o denso, teria sido capaz de criar um corpo e vitalizá-lo para sempre. Então, a morte não teria verdadeiramente existido, mas tampouco teria havido qualquer evolução. E, como o ser humano então não sabia – e não sabe até agora – construir um corpo perfeito, a posse daquele segredo teria sido, com efeito, a maior de todas as calamidades. A morte não é uma desgraça, mas um amigo, quando chega naturalmente, porque liberta-nos de um ambiente cujo proveito já haurimos e de um corpo que já nos tolhe. Isto para que possamos ter outra oportunidade de aprender novas lições em novo e melhor corpo.
O uso desenfreado da função sexual resultou em fazer o ser humano cada vez mais consciente do seu corpo. “Seus olhos foram abertos” e sua atenção focalizou-se mais e mais no Mundo Físico até que, gradativamente, todos se esqueceram dos mundos superiores, chegando muitos a descrer de que o ser humano habita um Espírito imortal. A morte do corpo converteu-se para eles em uma coisa terrível, uma tremenda calamidade, a despeito de todas as afirmações em contrário, pois acreditavam na aniquilação total. Assim, ainda que a palavra de Lúcifer fosse verdadeira quanto à criação de um novo corpo, a palavra do Anjo o fora ainda mais, porque de fato a morte não existiu até o ser humano haver perdido sua consciência dos mundos superiores.
Quanto ao anátema: “Em dores darás à luz teus filhos”, não se trata absolutamente de uma maldição. A frase bíblica é apenas o enunciado dos efeitos que inevitavelmente resultariam do abuso ou uso ignorante da função criadora.
Enquanto essa se realizava sob a sábia orientação dos Anjos, em certas Épocas do ano em que as forças cósmicas entre os planetas eram mais favoráveis, o parto efetuava-se sem dor, mas, como o ser humano era e é ignorante desses fatores, a transgressão às suas regras resultou em dor.
Por conseguinte, o cérebro e o órgão vocal foram adquiridos ao custo da metade da força criadora. A emancipação da guia dos Anjos, o poder de iniciativa na ação para a escolha do bem ou do mal, e a consciência do mundo material, isso tudo é nosso ao preço da tristeza, da dor e da morte.
Mas todas as coisas no mundo trabalham para o bem no reino de Deus. Mesmo aquilo que é mal transmuta-se, por meio de sutilíssima alquimia espiritual, em trampolim para um bem maior.
Tendo sido exilado do Jardim do Éden – a Região Etérea – por ter aprendido a conhecer o mundo material mediante repetidos abusos sexuais que focalizaram sua atenção aqui, o ser humano começou a ter seu Corpo Denso endurecido por esse crescente uso do Corpo de Desejos. Então, precisou de alimento e abrigo. Deste modo, impunha-se a habilidade física, a destreza, para que seu corpo fosse sustentado. A fome e o frio, portanto, foram os látegos do mal que despertaram essa habilidade, pois forçaram o ser humano a pensar e agir no sentido de prover suas próprias necessidades. E assim, gradativamente, ele aprendeu a ser prudente. Aprendeu a acumular para essas contingências antes mesmo que elas surgissem, porque os tormentos da fome e do frio já o haviam ensinado a prevenir-se. Assim é que a sabedoria é sofrimento cristalizado. Quando podemos serenamente contemplar os sofrimentos nossos que ficaram para trás, extraindo deles as lições que trouxeram, então eles se convertem em fontes de sabedoria e de futuros regozijos, porque através deles é que aprendemos o conhecimento aplicado, a única salvação. Isto pode parecer uma asserção indelicada e duvidosa, mas, se experimentarmos meditar sobre o assunto, concluiremos que ela é tão absolutamente verdadeira e possível de demonstrar como dois e dois são quatro.
Sobre a pergunta: “Quem são esses Lucíferes?” (pois, embora a Bíblia pareça referir-se a uma pessoa apenas, é um erro considerarmos essa singularidade; o mesmo se dá com referência a Deus no singular, no primeiro capítulo do Gênese), esta classe de Seres pertence a uma onda de vida que alcançou um estado evolutivo muito superior ao de nossa Humanidade no Período Lunar, mas que ficou um pouco aquém do desenvolvimento alcançado pelos Anjos. Os Lucíferes são semideuses, mas não puderam possuir um Corpo Denso como o ser humano, nem puderam adquirir experiências, conforme acontece com os Anjos. Precisavam para isso de um cérebro e de uma medula espinhal. Portanto, quando o ser humano havia construído tais instrumentos, foi para proveito deles que o instigaram a usá-los sem demora.
Naquela Época, a incipiente consciência do ser humano estava voltada para dentro. Por isso, ele via seus órgãos internos e os construía com a mesma força que agora se exterioriza para construir casas, navios, etc., e os músculos externos de seu corpo. Deste modo, a mulher, que estava mais avançada em tal direção em virtude de ter exercitado sua Imaginação, viu a inteligência encarnada em sua medula espinhal serpentina, de maneira que, num estado posterior, quando o ser humano recordou essa experiência, a serpente pareceu-lhe a semelhança mais próxima daquilo que desejava exprimir a respeito.
Esta ideia transparece por toda a Bíblia. No Capítulo XIV do livro do profeta Isaías, ele é chamado Lúcifer (a “estrela da manhã”), rei de Babel-On (a “porta do Sol”), cidade situada sobre sete colinas, com domínio sobre o Mundo.
A Humanidade deixou então de agir uniformemente, dividindo-se em diversas nações guerreiras. Isto foi a geratriz de todos os males imagináveis, e que a Revelação denomina “Rameira” ao descrever sua queda.
Como suprema antítese, ouvimos falar de uma outra “Luz do Mundo”, de outra “luminosa estrela da manhã”, de uma luz verdadeira (Cristo) que se erguerá após a queda da Babilônia e reinará para sempre na cidade da paz – Jer-u-salem – também chamada “Noiva”. Esta descerá dos céus e terá doze portais que nunca se fecharão, embora a preciosa Árvore da Vida esteja lá dentro. Iluminação externa não existe, pois nela toda a luz está dentro, e a noite não existe.
Essa cidade é verdadeiramente maravilhosa, e a maior antítese da outra, jamais imaginável. Mas o que significam essas duas cidades, já que uma interpretação literal para ambas está fora de cogitação? Admitindo-se que a Babilônia tenha existido, tal cidade não era literalmente conforme a descreveram. Por outro lado, a futura “Nova Jerusalém” é contrária a todas as leis conhecidas da natureza. Estas duas cidades devem, portanto, ser apenas simbólicas.
A fim de decifrarmos seu significado, consideremos as duas cidades situadas no alto de sete colinas ou montes, posição que oferece uma especial vantagem à observação. Moisés foi à “montanha” e “viu” e “ouviu”, o mesmo acontecendo àqueles que subiram ao “monte” da transfiguração. Daniel compara a Babilônia à cabeça da estátua que Nabucodonosor viu em sonhos. E na cabeça humana existem sete pontos de observação: dois olhos, dois ouvidos, dois orifícios nasais e uma boca. Sobre estes, situa-se o cérebro, de onde o “dador de Luz” – a razão – governa o pequeno mundo, o microcosmo, assim como o Grande dador de Luz – Deus – governa o macrocosmo.
A razão é produto do egoísmo, pois é gerada pela Mente dada pelos “Poderes das Trevas” em um cérebro construído pela metade da força sexual egoisticamente acumulada, e que foi estimulada pelos egoístas Lucíferes. Por conseguinte, ela é a “semente da serpente” e, embora possa ser convertida em sabedoria mediante a dor e a tristeza, deve, contudo, dar lugar a algo superior: a intuição, que significa “ensino que provém de dentro”. Sendo uma faculdade espiritual, a intuição faz-se presente de modo equitativo em todos os Espíritos – quer estejam estes funcionando num corpo masculino, quer num corpo feminino – muito embora manifeste-se mais enfaticamente nos Egos encarnados em organismos femininos, pois nestes a contraparte do Espírito de Vida (o Corpo Vital) é masculina ou positiva. Sendo, pois, uma faculdade do Espírito de Vida, a intuição pode apropriadamente ser chamada “semente da mulher”, de onde emanam todas as tendências altruísticas e, mediante as quais, todas as nações do mundo, lenta, mas seguramente, agrupar-se-ão até formarem uma Fraternidade Universal de amor sem preconceito de raça, sexo ou cor.
Nosso cérebro, entretanto, não é um todo homogêneo. Divide-se em duas metades, e, de acordo com os fisiologistas, a grande maioria das pessoas utiliza-se principalmente de apenas um desses hemisférios cerebrais: o esquerdo. O outro hemisfério, o direito, é ativo só parcialmente. O coração também se situa no lado esquerdo do nosso corpo, mas começa a dirigir-se para o lado “direito”. O cérebro “direito” tornar-se-á cada vez mais ativo de modo que, em consequência destas duas alterações fisiológicas, o caráter do ser humano será completamente modificado. O lado esquerdo está sob o domínio dos Lucíferes e entregue ao egoísmo, mas o Ego terá, por sua vez, crescente domínio sobre ele à medida que o lado direito do cérebro vá conquistando o poder de atuar sobre o corpo inteiro como “critério reto”.
Que esteja havendo uma mudança no coração que faz dele uma anomalia, um enigma, não é novidade para os fisiologistas. Temos duas grandes classes de músculos. Uma delas está sob o controle da vontade, como por exemplo os músculos dos braços e das mãos. Estes são estriados em dois sentidos: longitudinal e transversal. Os músculos involuntários que respondem pelas funções que estão fora do alcance da vontade e que não podem ser acionados pelo desejo são estriados apenas no sentido longitudinal. Mas, destes, o coração é a única exceção. Ele não está sob o domínio do desejo, contudo começa a mostrar estrias transversais como um músculo voluntário.
No devido tempo, essas estrias transversais ter-se-ão desenvolvido plenamente, e o coração estará sob o nosso controle. Então seremos capazes de dirigir a corrente sanguínea para onde queiramos fazê-lo. Poderemos ainda limitar o suprimento normal do sangue para o hemisfério cerebral esquerdo, provocando, desta maneira, a queda de Babilônia, a cidade de Lúcifer.
Quando o sangue puder ser enviado para o hemisfério cerebral direito, estaremos construindo a Nova Jerusalém. Por enquanto, preparamo-nos para aquela era, construindo as estrias transversais no coração por meio de ideais altruísticos ou, no caso do discípulo, enviando para lá as correntes sexuais através do caminho da direita do coração.
Recordemos que os Querubins despertaram o Espírito de Vida – a fonte do amor divino – cuja contraparte é o Corpo Vital, o meio de propagação, e que, quando o ser humano foi expulso da Região Etérea com suas quatro camadas de éter, o Jardim do Éden, por ter usado indevidamente a força sexual, um Querubim postou-se à sua entrada empunhando uma espada flamejante. O uso apropriado da força sexual constrói um órgão que dará ao ser humano a chave dos Mundos internos e o ajudará a criar por meio do pensamento. Então, a tristeza e a dor não mais existirão e ele terá entrado na senda que conduz à Cidade da Paz – Jer-u-salem.
A Lemúrica sucumbiu pelo fogo, em meio a terríveis cataclismas vulcânicos, surgindo em seu lugar a Atlântida. No devido tempo, esta foi sepultada sob as águas, dando lugar à Ariana – a Terra como a vemos na atual Época Ária – e que logo passará. As Salamandras começam a avivar o fogo na forja, a fim de que se façam “um novo Céu e uma nova Terra” a que as Escolas de Mistério do Ocidente chamam de “Nova Galileia”.
Nas duas primeiras Épocas, o ser humano desenvolveu um Corpo e o vitalizou; na Época Lemúrica, desenvolveu o Desejo; a Época Atlante produziu a Habilidade; e o fruto da Época Ária é a Razão.
Na Nova Galileia, a Humanidade terá um corpo muito mais delicado e etéreo que agora, a Terra também será transparente e, como resultado, esses corpos responderão mais facilmente aos impactos espirituais da Intuição. Tais corpos não conhecerão o cansaço, daí não precisarem das noites para repouso, as quais também não existirão. Os doze nervos cranianos, que são os portais para o trono da consciência, nunca estarão fechados. Além disso, a Nova Galileia será formada de éter luminoso e transmitirá luz solar. Essa será uma terra de paz (Jer-u-salem), pois a Fraternidade Universal unirá todos os seres de toda a Terra no Amor. A morte não poderá existir porque a Árvore da Vida – a faculdade de gerar energia vital – será possibilitada através do já referido órgão etéreo da cabeça, o qual estará aperfeiçoado naqueles que desde agora estão sendo escolhidos para serem os precursores da Humanidade nessa Era vindoura.
Fala-se dessa raça futura como sendo a “Raça de Cristo”. Entenda-se, porém, que tal denominação não se deve ao Cristo externo, mas sim porque a Humanidade de então terá desenvolvido o princípio Crístico dentro de si, agindo somente pelos ditames do Espírito através da Intuição, de modo que tudo o que fizer será feito por Amor. Somente por tal progresso individual pode a salvação da Raça ser efetuada, pois, conforme Angelus Silesius:
“Ainda que Cristo nascesse mil vezes em Belém,
Se não nascer dentro de ti, tua alma ficará perdida.
Em vão olharás a Cruz do Gólgota
A menos que dentro de ti Ela seja novamente erguida.”
Resposta: Atualmente, a maior parte da Humanidade se encontra confinada em seus Corpos Densos durante as horas de vigília, pelo fato de que certas lições podem ser aprendidas nesse estado — lições que só podem ser plenamente assimiladas se, na prática, todos os outros lugares e condições forem excluídos de sua consciência.
Chega um momento, porém, na vida de cada indivíduo, em que ele cresceu o suficiente em conhecimento e capacidade espiritual a ponto de ser necessário um campo de atuação mais amplo. O Corpo Denso passa então a ser um entrave que convém deixar, por vezes, para que ele possa adquirir mais conhecimento e servir de maneira mais abrangente, em condições menos restritivas. Quando essa situação surge na vida de um indivíduo, ele chama a atenção dos Irmãos Maiores; recebe instruções nos planos invisíveis e aprende a auxiliar no trabalho de Cura Rosacruz, enquanto está fora do Corpo Denso, durante o sono (desde que, naturalmente, tenha desenvolvido um Corpo-Alma para nele atuar). Com o tempo, quando a pessoa está pronta, aprende a se libertar do Corpo Denso à vontade, para poder viajar a longas distâncias em busca de mais aprendizado — sendo tudo isso apenas um meio para atingir um fim: ajudar e curar o próximo que está doente ou enfermo. Por isso, aqueles que são capazes de deixar o Corpo Denso são conhecidos como Auxiliares Invisíveis, cujo trabalho consiste em auxiliar tanto os vivos quanto os chamados mortos, onde quer que sua assistência seja necessária e sua capacidade adequada.
Poderíamos acrescentar que, quanto maior a liberdade, maior a responsabilidade. Um Auxiliar Invisível inconsciente não dispõe de um campo de atuação tão amplo quanto aquele que consegue deixar o corpo conscientemente, ou seja, um Auxiliar Invisível consciente; contudo, em suas atividades, ele é orientado por seres mais evoluídos e experientes. Aquele que consegue deixar o Corpo Denso conscientemente, à vontade, e decidir sua própria linha de ação, deve arcar com as consequências tanto de seus erros quanto de suas ações corretas.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de novembro de 1964 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)
Resposta: Atualmente, o alimento ingerido é decomposto e desintegrado pelo calor interno do organismo. Assim, o Éter Químico, que permeia cada partícula do alimento se combina com o Éter Químico do nosso Corpo Vital. O alimento magnetizado pela ação do Sol durante o seu desenvolvimento nas plantas é, então, assimilado e permanece conosco até que esse magnetismo se esgote. Quanto mais diretamente o alimento provém do solo, maior é a quantidade de magnetismo solar que ele contém. Consequentemente, ele “permanece conosco” por mais tempo quando consumido cru. Quando o alimento passa pelo processo de cozimento, perde-se parte do Éter que ele continha, pois muitas das partículas mais sutis são dissolvidas pelo calor e se elevam como ar na cozinha sob a forma do aroma característico do alimento em questão. Por isso, as células de alimentos cozidos permanecem como parte do nosso Corpo Denso por menos tempo do que as de alimentos crus; além disso, alimentos já assimilados pelo animal contém muito pouco Éter Químico próprio (exceto o leite, que é obtido por um processo vital e contém mais Éter do que qualquer outro alimento).
Assim, no que se diz respeito à carne de animais, pode-se afirmar que a maior parte do Éter Químico presente na forragem das suas rações já havia passado para o Corpo Vital do animal antes da morte dele e, no momento do óbito, esse Corpo Vital abandona a carcaça física. Por essa razão, a carne animal entra em putrefação muito mais depressa do que os vegetais e “permanece conosco” apenas por um curto período após a ingestão.
A morte e a doença se devem, em grande parte, ao fato de nos alimentarmos de substâncias compostas por células desprovidas de seu Éter Químico individual – aquele obtido durante a assimilação vegetal. Esse Éter é diferente do Éter Químico planetário – que permeia os Reinos mineral, vegetal, animal, bem como o ser humano. A carne animal, privada pela morte do Corpo Vital individual que animava o animal durante a vida dele, reduz-se, na verdade, a sua forma química mineral; como tal, possui pouco valor para os processos vitais do nosso Corpo Denso. De fato, ela é prejudicial a esses processos vitais e deve ser eliminada do organismo o mais rapidamente. Contudo, por serem de natureza mineral, essas partículas de carne animal estão mortas e são de difícil eliminação.
Consequentemente, elas se acumulam gradualmente. Mesmo a parte dos alimentos vegetais – especificamente as cinzas e os minerais – permanece em nosso organismo, gerando um processo gradual e paulatino de obstrução que descrevemos como crescimento. Isso acontece porque privamos a planta (ou outro alimento) de seu Éter Químico. Se fôssemos semelhantes às plantas e tivéssemos a capacidade de impregnar o mineral com Éter, seríamos realmente capazes de assimilá-lo e atingir estaturas gigantescas; no entanto, nas condições atuais, o material morto se acumula progressivamente até que, por fim, o crescimento cessa, visto que nossa capacidade de assimilação se torna cada vez menos eficiente.
No futuro, não digeriremos nossos alimentos dentro do Corpo Denso; em vez disso, extrairemos o Éter Químico e o inalaremos pelo nariz, onde ele entrará em contato com a Glândula Hipófise.
Esse é o órgão geral de assimilação e promotor do crescimento. Então, nosso Corpo Denso se tornará cada vez mais etérico; os processos vitais não serão prejudicados pelo acúmulo de resíduos e, consequentemente, as doenças desaparecerão gradualmente e a vida será prolongada aqui. A esse respeito, é significativo que, muitas vezes, os cozinheiros não sintam vontade de comer, pois o aroma forte do cozimento os satisfaz bastante.
A Ciência material está aprendendo gradualmente as verdades anteriormente ensinadas pela Ciência oculta, e sua atenção está sendo cada vez mais voltada para as Glândulas Endócrinas (sem dutos), o que lhes fornecerá a solução para muitos mistérios. No entanto, a Ciência material não parece estar ciente de que existe uma conexão física entre a Glândula Hipófise – o órgão principal de assimilação e, portanto, do crescimento – e as Glândulas Suprarrenais, que eliminam os resíduos e assimilam as proteínas. Elas também estão fisicamente conectas à Glândula Baço, à Glândula Rimo e à Glândula Tiroide. Sob o ponto de vista astrológico, é significativo que a Glândula Hipófise seja regida por Urano – a oitava superior de Vênus, o regente do Plexo Celíaco, onde está localizado o Átomo-semente do Corpo Vital. Assim, Vênus guarda a entrada do Fluído Vital que nos provém diretamente do Sol através da Glândula Baço, enquanto Urano é o guardião do portal por onde a vitalidade entra através dos alimentos físicos. É a combinação desses dois fluxos que produz o poder latente armazenado em nosso Corpo Vital, até que este seja convertido em energia dinâmica pela natureza do desejo, de influência marciana.
(Pergunta nº 52 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Costumamos receber cartas de Estudantes Rosacruzes, nas quais se queixam de que se encontram desamparados nos estudos que fazem da Filosofia Rosacruz; que suas esposas ou esposos, filhos, conhecidos ou até demais parentes não só antipatizam, como são antagônicos aos ensinamentos dessa Filosofia Rosacruz, apesar dos esforços que dispendem para interessá-los, e ao mesmo tempo, para obterem cooperação e liberdade para seguir com as suas inclinações. Esse atrito é causa de certa infelicidade, proporcional aos distintos temperamentos e, por isso, nos rogam que lhes aconselhemos sobre o modo de converter tais pessoas e vencer esse antagonismo.
Por meio de correspondência particular tivemos o prazer de ajudar a mudar as condições de não poucos lares, quando nossas sugestões foram seguidas devidamente. Entretanto, sabemos que aqueles que por esse motivo mais profundamente sofrem, são aqueles que se calam e, portanto, resolvemos dedicar-lhes curto espaço de tempo para discutir o assunto.
Foi dito, de fato, mas muito verdadeiramente, que “um ligeiro conhecimento é perigoso”, e isso se aplica ao significado dos Ensinamentos Rosacruzes; portanto, o principal é sabermos se temos um conhecimento suficiente para sustentarmos uma atitude apropriada e, então, eu vos faço uma pergunta: O que são esses Ensinamentos Rosacruzes que com tanto afã procura inculcar nos outros, e qual o seu objetivo? Será tornar conhecidas as gêmeas Leis de Consequência (ou Causa e Efeito) e do Renascimento? Elas por si só explicam muitos dos problemas da vida e é um grande consolo quando a temível segadora apareça em vossa casa e arrebate a algum ser querido, porém, não esqueça de que existem muitas pessoas que não tem necessidade de nenhuma explicação, pois são de uma constituição tal que não se acham preparadas para receber o que lhes queiramos transmitir.
É natural que agimos com maior vantagem quando temos consciência das Leis de Consequência (ou Causa e Efeito) e do Renascimento e seus propósitos, mas atentemos ao fato de que essas leis trabalham para o bem geral, embora a Humanidade tenha ou não conhecimento disso; portanto, esse conhecimento não é essencial. As pessoas não sofrerão grandes penas por não adotarem a nossa doutrina, e poderão, talvez, escapar da desvantagem de possuírem um “conhecimento muito limitado”.
Na Índia, onde essas verdades são conhecidas e cridas por milhões de pessoas, o povo faz muito pouco esforço para adquirir o progresso material, por saberem que tem tempo ilimitado para obterem o que quiserem e porque sabem que os que não fizerem nesta vida terão que fazer na futura; assim é que muitos ocidentais, ao abraçarem a doutrina do renascimento, caíram na indolência, deixando de ser úteis à comunidade e deturpando, assim, os chamados ensinamentos elevados.
Se seus amigos ou parentes não se interessam por esses ensinamentos, deixai-os tranquilos; converter a outrem não é essencial sob o ponto de vista Rosacruz, pois o Guardião do Umbral não leva em consideração o conhecimento de ninguém, admitirá a alguns que desconheçam completamente o assunto e baterá a porta no rosto de outros que passaram suas vidas lendo, estudando e ensinando os ensinamentos das Leis de Consequência (ou Causa e Efeito) e do Renascimento.
De maneira que, se as doutrinas das Leis de Consequência (ou Causa e Efeito) e do Renascimento não são essenciais, o que diremos do conhecimento da complexa constituição do ser humano?
Seria essencial saber que nós não somos meramente um Corpo visível (esse Corpo Denso), senão que temos um Corpo Vital que o carrega de vitalidade, um Corpo de Desejos que consome essa vitalidade durante o dia, uma Mente para guiar os nossos esforços por canais razoáveis e que somos Espíritos Virginais a Onda de Vida humana envoltos como Ego em um tríplice véu (ou seja: manifestado aqui por meio de um Tríplice Espírito)?
Seria também essencial saber que o Corpo Denso é a contraparte material do Espírito Divino; que o Corpo Vital é a contraparte do Espírito de Vida; e que o Corpo de Desejos é a contraparte do Espírito Humano, e que a Mente é o elo entre o Tríplice Espírito e o Tríplice Corpo?
Não, esse conhecimento não é essencial. Tais conhecimentos, quando usados de modo apropriado, são uma vantagem, mas poderão se tornar em desvantagem para aqueles que tenham “um conhecimento muito limitado”.
Muitos vivem meditando sobre as “coisas superiores”, enquanto os “seres inferiores” gemem na miséria diante de suas portas; muitos sonham, dia e noite, na hora em que tenham de sair de seus Corpos em voos da alma, como “Auxiliares Invisíveis” para remediarem os sofrimentos, as enfermidades e tristezas alheias, não sendo, porém, capazes de gastar cinco minutos para consolar um pobre abandonado em um hospital ou para levar uma flor, uma palavra de consolo a alguém que dela necessite. Novamente declaro que: o Guardião do Umbral admitirá aquele que fez o que pode e não ao que muito sonhou e nada fez para aliviar os sofrimentos de seus semelhantes.
Se conseguir que alguém estude os Ensinamentos Rosacruzes sobre a morte e a vida que há depois dela, concluirá que também seria muito importante saber algo sobre o Cordão Prateado que permanece sem se partir, aproximadamente durante três dias e meio depois que abandonamos o nosso Corpo Denso, e que o Corpo Denso deve permanecer em ambiente de tranquilidade, enquanto o Panorama de Vida recém-finda está sendo gravado no Corpo de Desejos, a fim de servir de árbitro na nossa passagem pelos Mundos invisíveis.
Achará, também, razoável que soubessem tudo o que se relaciona com a nossa estada no Purgatório e que como os maus atos, as más obras e ações da vida aqui reagem sobre nós lá, como dor, a fim de criar a nossa consciência e nos manter afastados de ditos atos, ditas ações e obras, nas vidas futuras
Igualmente, desejará fazê-lo aprender como os nossos bons atos, nossas boas obras e ações se transmutam em virtudes nas vidas futuras, conforme a Filosofia Rosacruz ensina; entretanto, se você se surpreende com a asserção de que o conhecimento das grandes Leis gêmeas (Leis de Consequência (ou Causa e Efeito) e do Renascimento) não é essencial, muito você se escandalizará, porque também não é essencial que conheça a nossa constituição nem tríplice, nem sétupla e nem decupla, tal como a Filosofia Rosacruz ensina e muito lhe poderá entristecer ao lhe afirmar que os Ensinamentos Rosacruzes, em relação à morte e a nossa passagem pelos Mundos invisíveis não são, também, necessários para o propósito que pretendemos levar avante.
Realmente, não importa que seus parentes ou amigos compreendam, creiam ou não em tais coisas; porém, pelo que diz respeito a sua morte, pode escrever aos vossos familiares que deixem o seu Corpo Denso em paz e que não permitam ruídos durante o período apropriado; todos, naturalmente, assim farão, mormente levando em conta certa superstição em respeitar a “última vontade dos moribundos”; e se ocorrer o falecimento de um seu parente ou amigo estará presente, a fim de que com o seu conhecimento possa ajudá-lo, convenientemente. Portanto, não se preocupe por se recusarem a receber os Ensinamentos Rosacruzes.
Mas, dirá o Estudante Rosacruz: “Se o conhecimento dessas coisas que parecem ter um tão grande valor prático não é necessário, é de se supor que o estudo dos Períodos, Revoluções, Mundos, Globos, etc. se encontram nas mesmas condições, e isso destrói tudo o que foi ensinado no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, e nada restará daquilo que aprendemos e aceitamos com toda fé!”.
Que nada reste dos Ensinamentos Rosacruzes? … pois a verdade é que tais Ensinamentos são somente a casca que tem de ser removida, a fim de ser saboreado o fruto. Com certeza você leu o livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz muitas vezes e se sente orgulhoso em conhecer o “mistério do mundo”, porém leu o mistério que se oculta em cada uma de suas linhas e nas entrelinhas? Esse é o grande e essencial Ensinamento, aquele que interessará aos seus amigos e parentes, o qual quando aprendido deverá ser dado a eles. O Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz predica em cada uma de suas linhas o evangelho do serviço!
Afinal, todos hão de concordar que por nossa causa a Deidade manifestou o universo; as Hierarquias Criadoras foram – e algumas delas continuam – sendo nossos servidores, os Luminosos Espíritos diante do Trono, cujos ígneos Corpos vemos girando através do espaço, trabalharam conosco por muito tempo, nos servindo e, por sua vez, Cristo veio nos trazer os impulsos espirituais de que carecíamos, sendo significativa a parábola: “Muito bem, bom e fiel servo, entra no gozo do teu Senhor; pois tive fome e me alimentaste, tive sede e me deste de beber” (Mt 25:21).
Note: não há nessa Parábola nem uma só palavra sobre o conhecimento! Todo o seu significado gira em torno da fé e do serviço. Nisso existe uma profunda e oculta razão: o serviço constrói o Corpo-Alma, o glorioso Traje Nupcial, sem o qual nenhum ser humano poderá entrar no Reino dos Céus, designado ocultamente por: Nova Galileia.
De modo que se seguirmos com o nosso trabalho “servindo mais a cada dia que passa”, não importa que saibamos ou não como se processam as coisas, o luminoso Corpo-Alma cresce ao nosso redor e a sua luz nos ensinará tudo quanto concerne aos Mistérios ocultos, sem que seja preciso recorrer a livros – por esse meio, aprendemos os Ensinamentos Rosacruzes de tal maneira que ultrapassa aquilo que os livros nos poderiam oferecer. No devido tempo a nossa visão interna se despertará e nos mostrará o Caminho para o Templo da Ordem Rosacruz.
Assim, se você quer ensinar aos seus amigos, parentes, conhecidos e até desconhecidos, por mais céticos que sejam, eles crerão em você se você pregar o “evangelho do serviço”. Mas o seu discurso de teor religioso ou moral deve ser prática; deve se converter em um servidor de todos se quiser que creiam em você; se quer que o sigam, deve guiá-los, pois de outro modo, terão o direito de duvidar da sua sinceridade. Lembra-se que “sois uma cidade sobre uma montanha” (Mt 5:14-15) e que quando declarar qualquer coisa terão o direito de julgá-la pelos seus frutos; portanto: fale pouco e faça muito.
Atente para que muitos gostam de discutir tais coisas à mesa (durante as refeições), esquecendo que a carne animal sangrenta que se acha ante seus olhos; há muitos que fazem do seu estômago um deus e preferem estudar gastronomia, em vez da Bíblia, estando sempre dispostos a discorrer com seus amigos sobre o último prato em moda.
Conheci um indivíduo que dirigia um centro esotérico, cuja esposa tinha aversão pelo estudo do ocultismo e pela dieta vegetariana. Tal indivíduo advertiu sua esposa que se alguma vez cozinhasse carne animal ou contaminasse as panelas e prato com alimentos carnívoros seria posta na rua com todo o vasilhame, acrescentando que se ela pensava em torná-lo um porco, que fosse tomar as suas refeições em um restaurante. É de se admirar que tal senhora tivesse aversão pela crença de seu marido e nada quisesse saber dela? Desse caso pode se tirar uma boa lição, embora seja um caso extremo.
Muito digno de louvores foi o procedimento de Maomé, pois a sua primeira discípula foi a sua esposa, e muitos volumes se escreveriam sobre a bondade e consideração que o profeta dispensava em seu lar. Tal exemplo faria muito bem em seguir se quisermos adquirir amigos que nos sigam na vida superior, pois embora os sistemas religiosos difiram em sua parte externa o centro deles todos é amor.
(Publicado na Revista Rosacruz – dezembro/1964 – Fraternidade Rosacruz – SP)