O conhecimento aplicado é a salvação para a ignorância. Até mesmo os mais sábios entre nós têm muito a aprender e ninguém, até agora, alcançou a perfeição; tampouco é possível alcançá-la em uma única e curta vida. Observamos em toda a Natureza que o desenvolvimento lento e persistente conduz a um grau mais elevado de evolução em tudo. Quanto mais conhecemos os métodos de funcionamento da Natureza, símbolo visível do Deus invisível, mais aptos nos tornamos a aproveitar as oportunidades que ela oferece para o crescimento e o poder — para a emancipação da servidão e a elevação ao autodomínio. Esse processo é a Evolução.
No início da nossa evolução, consistíamos apenas de Espírito e Corpo; não possuíamos Alma. Mas, desde então, cada vida vivida na Terra, nessa Escola da Experiência, tornamo-nos cada vez mais dotados de Alma, de acordo com o uso que fizemos das oportunidades e lições que delas aprendemos. Isso se manifesta nas diferentes gradações entre o “selvagem” e o “santo”, que vemos ao nosso redor. Todas as Raças são produtos da evolução, cujo único objetivo é a perfeição definitiva. A expressão mais elevada em uma vida se torna a expressão mais inferior na vida seguinte e assim subimos gradualmente a escada da evolução em direção à Divindade. A Humanidade, como um todo, avança lentamente por esse caminho e, desse modo, alcança gradualmente estados mais elevados de consciência.
Uma das principais características da evolução reside no fato de que ela se manifesta em períodos alternados de atividade e repouso. O verão ativo é seguido pelo descanso e pela inatividade do inverno e cada estação avança um pouco mais ao longo do caminho do tempo. O dia agitado alterna-se com a tranquilidade da noite. O refluxo do oceano é sucedido pela maré cheia e assim por diante.
Assim como todas as outras coisas se movem em ciclos, a vida que se expressa aqui na Terra por alguns anos não deve ser considerada encerrada quando chega a morte do Corpo Denso. Isso está infinitamente distante do nosso fim. Nós – Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui – somos imortais e os nossos Corpos Densos são os instrumentos que utilizamos durante a vida terrena para nos auxiliar em nossa evolução. Podemos estar certos de que, em qualquer posição da vida em que sejamos colocados — monarca ou mendigo, rico ou pobre, homem ou mulher — ela contém as lições e experiências necessárias naquele momento para a nossa evolução e nos oferece a melhor oportunidade possível para o nosso desenvolvimento. Tão certo quanto o Sol nasce pela manhã após se deitar à noite, a vida que foi encerrada pela morte de um Corpo Denso perecível será retomada em novo veículo, em ambiente diferente.
A evolução é a história da nossa – o Ego – progressão no tempo. Em toda parte, no Céu e na Terra, todas as coisas avançam — para cima, eternamente — e, ao observarmos os variados fenômenos do Universo, percebemos que o Caminho de Evolução é uma espiral. Cada volta da espiral é um ciclo. Cada ciclo se funde com o seguinte e, como as voltas da espiral são contínuas, cada sucessão é o produto aperfeiçoado das que a precederam e a criadora de estados mais avançados que ainda estão por vir.
Mas o Caminho de Evolução é uma espiral quando o consideramos apenas do ponto de vista físico. O Caminho de Evolução é uma lemniscata, uma figura em forma de oito, quando visto em suas fases física e espiritual. Os dois lados desse símbolo convergem em um ponto central e representam nós, Espírito imortal, o Ego em evolução. Um dos círculos representa nossa vida no Mundo Físico, do nascimento à morte. Durante esse período, plantamos sementes por meio de cada ato e devemos colher certa quantidade de experiência, o que acontecerá se as lições forem extraídas das oportunidades; ao final da vida terrena, o Ego se encontrará à porta da morte carregado dos mais ricos frutos da vida terrestre.
A outra seção da lemniscata simboliza a nossa – Ego – permanência nos Mundos invisíveis, que percorremos durante o período entre a morte e o renascimento. No momento em que chegamos ao ponto central da lemniscata, que divide os Mundo Físico dos Mundos invisíveis, trazemos conosco um conjunto de faculdades ou talentos adquiridos em todas as nossas vidas anteriores, os quais podemos usar ou enterrar durante a nossa próxima experiência de vida, conforme julgarmos adequado; porém, da maneira como utilizamos essas faculdades adquiridas depende a quantidade de crescimento de alma que colheremos em nossa próxima vida. Já vivemos uma existência semelhante – não igual! – ao mineral, vegetal e outra semelhante ao animal antes de nos tornarmos seres humanos; além de nós ainda existem evoluções posteriores nas quais nos aproximaremos cada vez mais do Divino.
Avançamos somente por meio do sacrifício. Poucos percebem que, ao subirmos na escala da evolução, pisamos sobre os Corpos Densos de nossos irmãos mais fracos. Consciente ou inconscientemente, nós os esmagamos e utilizamos para alcançar nossos próprios fins. Esse fato se aplica a todos os Reinos da Natureza. Quando uma Onda de Vida é levada ao ponto mais baixo da Involução e se incrusta na forma mineral, ela é imediatamente capturada por outra Onda de Vida, ligeiramente mais elevada, que toma o cristal mineral em desintegração, adapta às suas próprias necessidades como cristaloide e assimila como parte de uma forma vegetal.
Na Iniciação do Cristão Místico, quando Cristo lavou os pés de Seus discípulos na noite da Última Ceia, é dada a explicação de que, se os minerais não se decompusessem e não se oferecessem como envoltórios para o Reino vegetal, não teríamos vegetação; do mesmo modo, se o alimento vegetal não fornecesse sustento aos animais, os seres do Reino animal não poderiam encontrar expressão; assim, — o superior, em consciência, sempre se alimentando do inferior. Quando o Mestre lavou os pés de Seus discípulos, simbolicamente, Ele realizou para os discípulos aquele serviço humilde em reconhecimento do fato de que eles Lhe haviam servido como degraus para algo mais elevado.
O mesmo princípio se aplica a toda evolução espiritual, porque se não houvesse alunos situados nos degraus mais baixos da escada do conhecimento, necessitando de instrução, não haveria necessidade de um Mestre. Porém aqui existe uma diferença de suma importância. O Mestre cresce ao dar a seus alunos e servi-los, assim como todos, independentemente da posição na vida, crescem por meio do serviço. A partir dos ombros dos alunos, o Mestre sobe a um degrau mais alto da escada do conhecimento e, por isso, deve a eles a sua gratidão, que é simbolicamente reconhecida e quitada pelo lavar dos pés — um ato de serviço humilde àqueles que O serviram.
Sob a orientação benéfica das Hierarquias Criadoras, progredimos constantemente de vida em vida, sob condições exatamente adequadas a cada indivíduo, até que, com o tempo, alcancemos uma evolução superior e nos tornemos “super-homens”. O Cristão Ocultista acredita que o propósito da evolução é o nosso desenvolvimento desde um Deus estático a um Deus dinâmico — um Criador. Para que ele se torne um Criador independente e original, é necessário que sua formação inclua liberdade suficiente para o exercício da originalidade individual que distingue a criação da imitação.
Enquanto algumas características da forma antiga atendem às exigências do progresso, elas são mantidas; contudo, a cada renascimento a vida em evolução acrescenta os aprimoramentos originais e necessários à sua expressão futura. Pelo caminho ficaram atrasados que não conseguiram atingir o padrão exigido para acompanhar a crista da onda da evolução. No progresso evolutivo não existe ponto de estagnação. Progresso ou retrocesso é a lei e a forma que não é capaz de se aprimorar deve degenerar.
O impulso evolutivo atua para alcançar a perfeição definitiva de todos. É, portanto, razoável supor que as Hierarquias Criadoras, que estão encarregadas da nossa evolução, utilizem todos os meios disponíveis para conduzir em segurança o maior número possível dos seres vivos sob a responsabilidade d’Elas. Toda vibração no Universo é vida que surgiu do único Deus. Assim, todos somos um, embora haja alguns que estejam constantemente lutando para ficar para trás.
Durante o atual estágio de individualismo, que é o clímax da nossa ilusória separatividade, toda a Humanidade necessita de ajuda adicional; no entanto, para os atrasados deve ser provida alguma assistência extra e especial. Dar essa ajuda especial foi a missão de Cristo. Ele disse que veio buscar e salvar o que estava perdido. Ele abriu o caminho da Iniciação para todos que estão dispostos a buscá-Lo.
A evolução depende do crescimento da alma, da transmutação dos Corpos em Almas, o que deve ser realizado pelos nossos – o Ego – esforços individuais; no final da evolução, possuiremos Poder Anímico, como fruto de nossa peregrinação através da matéria. Seremos uma Inteligência Criadora.
Se preenchermos o lugar que nos foi designado da melhor maneira possível ao longo de toda a nossa vida, certamente alcançaremos progresso em uma vida futura. Veremos com mais clareza através do véu do egoísmo, quando vivermos de boa vontade a vida na qual fomos depositados, pois os Anjos do Destino não cometem erros nunca! Eles nos colocaram no lugar onde temos as lições necessárias para nos preparar para uma esfera maior de utilidade.
Se tivermos dentro de nós um amor suficiente por tudo, não poderemos causar dano algum, porque esse amor contém nossa mão em qualquer ação e nossa Mente em qualquer pensamento que possa ferir o outro. Ainda não alcançamos esse estágio avançado de consciência. Se tivéssemos alcançado, não haveria necessidade de existência aqui; porém todos nós estamos buscando isso e avançando na direção desse estado de gloriosa perfeição. É surpreendente quão rapidamente podemos progredir nesses caminhos, se formos verdadeiramente sérios em nossos esforços, confiando não apenas em nossa pobre Personalidade, mas tendo fé em Cristo e confiando que, pelo Seu exemplo e Seus ensinamentos, podemos nos capacitar a nos unirmos a nossa Divindade interior, nascendo e alimentando o Cristo Interno.
A evolução depende da dissolução dos Corpos e da amalgamação alquímica da Alma com o Espírito. A Alma é a quintessência, o poder ou a força do Corpo; quando um Corpo é levado à perfeição por meio dos diversos estágios, a Alma é plenamente extraída dele e absorvida por um dos três aspectos do Espírito (nossos veículos Espírito Humano, Espírito de Vida e Espírito Divino), que originalmente gerou esse Corpo.
A Alma Consciente será absorvida pelo Espírito Divino na sétima Revolução do Período de Júpiter. A Alma Intelectual será absorvida pelo Espírito de Vida na sexta Revolução do Período de Vênus. A Alma Emocional será absorvida pelo Espírito Humano na quinta Revolução do Período de Vulcano.
Enquanto desenvolvemos esse amor universal dentro de nós, aprendemos a perceber cada vez mais que somos filhos do Criador e que, no devido tempo, avançaremos rumo à perfeição. Por mais vil que um ser humano ou criatura possa parecer, devemos lembrar que existe em seu interior uma Centelha divina que, lenta e seguramente, crescerá até que a glória do Criador ilumine esse ser.
As Hierarquias Criadoras que têm guiado a Humanidade no Caminho de Evolução desde o início da nossa jornada e continuam ativas e trabalhando conosco a partir de seus próprios Mundos; com a Sua ajuda seremos, finalmente, capazes de realizar a elevação da Humanidade como um todo e alcançar a realização individual da glória e da imortalidade. Tendo essa grande esperança dentro de nós, essa grande missão no mundo, trabalhemos como nunca para nos tornarmos homens e mulheres melhores a fim de que, por nosso exemplo, possamos despertar nos outros o desejo de viver uma vida que conduza à libertação.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de julho/1917 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
Durante tempos antigos sem conta, de nosso passado evolutivo, aprendemos a construir os diferentes veículos em que hoje, como Egos (Espíritos Virginais da Onda de Vida humana manifestados aqui), atuamos. Através desse trabalho fomos passando de classe em classe na Grande Escola de Deus. Em cada fase maior e menor fomos adquirindo gradativo desenvolvimento de Níveis de Consciência. Porém, cada qual aprendia, assimilava e crescia segundo seu particular modo de adaptação e reação. Uns caminharam depressa, outros regularmente, outros se atrasavam.
Na Época Atlante, quando a neblina se condensou e encheu os recôncavos da Terra, nos obrigando a buscar as mesetas e planaltos, muitos pereceram asfixiados, porque não haviam desenvolvido os pulmões, indispensáveis para respirar na atmosfera mais rarefeita das alturas. Esses não puderam passar pelo portal do arco-íris, à nova Era, a Era de Áries – a primeira da Época Ária –, com suas secas condições.
Agora, novamente, estamos nos aproximando de uma grande transformação mundial. Cristo se referiu a essa transição e como arauto da Nova Era, a Era de Aquário, a Fraternidade Rosacruz, tal como Noé, vem nos preparar.
Acautelemo-nos para que não sejamos apanhados desprevenidos e busquemos a amorosa, eficiente e desinteresseira orientação da Fraternidade Rosacruz.
Aquário é um Signo de Ar, científico, intelectual, inovador, original e independente. A nova chave de nosso desenvolvimento, iniciado nesta Época Ária pela razão, irá encontrar sua sublimação nessa gloriosa Era de Aquário, quando, então seremos capazes de resolver o enigma da vida e da morte de maneira a satisfazer, igualmente, o Coração e a Mente. Nessa Era, quem se prepara desde já, poderá desfrutar da verdadeira felicidade, pela unidade racional da Arte, Religião e Ciência, pois, todas essas atividades, em vez de se digladiarem pela contradição, em consequência da falta de visão de seus pontos comuns e básicos, se completarão coerentemente.
Aquário tem regência especial sobre os Éteres, o elemento de transição sensorial. Os dilúvios que submergiram o continente atlântico, ou a Atlântida, eliminou, até certo ponto, a umidade contida no ar, quando a concentrou no oceano. Quando o Sol, por Precessão dos Equinócios, entrar em Aquário, quase toda a umidade ainda remanescente desaparecerá e as vibrações visuais serão mais facilmente comunicadas por sua elétrica e seca atmosfera.
Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz deram o encargo da expansão dos Evangelhos, da mais profunda forma, à Fraternidade Rosacruz, por intermédio de Max Heindel. Ora, nós fazemos parte da Fraternidade Rosacruz e estamos sendo preparados para fazer nossa parte nessa importante missão. E a maneira de executá-la, também a aprendemos lá pregando o Evangelho através da reta e amorosa ação e obra, em todos os campos, em todos os assuntos. Isto pressupõe começar por nós mesmos, pela vivência convicta e simples daquilo que pretendemos disseminar. Nisso consiste a vida de um verdadeiro Cristão: uma Mente Pura, um Coração Nobre e um Corpo São a serviço de Cristo.
O destino da Fraternidade Rosacruz está em nossas mãos! É ao mesmo tempo um privilégio e uma grande responsabilidade, que nos lembra S. Lucas, 12:48: “A quem muito foi dado, muito lhe será exigido”.
Os primeiros a verem e viverem as ideais condições dessa gloriosa Era de Aquário deverão ser as pessoas que habitam o lado ocidental do Planeta Terra, que já começaram a preparar uma Ciência religiosa e uma científica Religião.
O entendimento deste trabalho preparatório e a gradual vivência e comunicação destes princípios irão construindo, “sem ruído de martelos”, o veículo em que funcionaremos nas novas condições: o “soma pushicom” citado por S. Paulo, que nos possibilitará ir ao encontro de Cristo nas nuvens (nos ares) e com Ele cearemos no cenáculo do “Homem do Jarro” (Aquário). Não se realiza tal empresa em pouco tempo. É preciso renúncia aos nossos vícios – “homem velho” e adoção de mais racionais meios de vida (naturalismo, dieta vegetariana, reforma e equilíbrio emocional e mental, exercícios de devoção e disciplina mental, etc.) – “homem novo”.
A Fraternidade Rosacruz oferece, a quem quiser, orientação conscienciosa e segura, para que nos convertamos num digno discípulo de Cristo e nos revistamos do áureo manto nupcial – o Corpo-Alma – para a futura comunhão com Ele.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz janeiro/1967-Fraternidade Rosacruz -SP)
Havia um tempo em que não tínhamos a capacidade de experimentar nossos pensamentos aqui no Mundo Físico. Éramos autômatos, guiados em tudo. Criávamos somente nosso próprio Corpo Denso (o físico), Corpo Vital e Corpo de Desejos e ainda de maneira inconsciente. Para podermos ser conscientes da manifestação desses Corpos nos seus respectivos Mundos, além de poder ter a capacidade de experimentar nossos pensamentos aqui no Mundo Físico, houve a necessidade de algumas alterações na nossa constituição.
A primeira alteração foi feita no nosso Corpo de Desejos, o veículo que utilizamos para gerar nossos desejos, nossos sentimentos e nossas emoções. Estávamos a milhares e milhares de anos atrás, em meados de uma Época que conhecemos como Época Lemúrica, a terceira Época desse grande Período, conhecido como Período Terrestre.
Nessa Época, a parte mais avançada da nossa Humanidade experimentou uma divisão em duas partes no Corpo de Desejos: a superior e a inferior. O restante da Humanidade sofreu divisão semelhante um pouco mais tarde, na primeira parte da quarta Época, conhecida como Época Atlante.
A parte superior construiu o Sistema Nervoso Cérebro-espinhal e os músculos voluntários. Com isso, essa parte do Corpo de Desejos dominou o Tríplice Corpo, ou seja, o Corpo de Desejos, o Corpo Vital e o Corpo Denso.
A segunda alteração dependeu da ajuda de uma classe de seres mais evoluídos do que nós, especialistas em matéria mental, denominados Senhores da Mente. Foram, então, os Senhores da Mente que nos deram o germe da Mente.
Depois de feito isso, eles impregnaram a parte superior do Corpo de Desejos e da Mente com o sentimento da Personalidade separada, a Personalidade individual. É esse sentimento que nos capacita, hoje, de saber, ou ainda, de ter consciência de que “eu sou eu, você é você”, de que cada um de nós é um indivíduo. Com a Mente ganhamos o elo que nos faltava para ligar o Tríplice Espírito (o Espírito Humano, o Espírito de Vida e o Espírito Divino) ao seu correspondente Tríplice Corpo (o Corpo de Desejos, o Corpo Vital e o Corpo Denso). Portanto, a Mente é o foco em que o Tríplice Espírito, a Individualidade, o Ego, reflete-se no Tríplice Corpo, a Personalidade.
Essa ligação marca o “nascimento” do indivíduo, do ser humano, do Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui), do que realmente somos quando tomamos a posse, de fato, dos nossos veículos Mente, Corpo de Desejos, Corpo Vital e Corpo Denso.
Entretanto, isso não foi suficiente para nos tornar conscientes deste Mundo Físico, nem para nos tornar um pensador, a partir desse Mundo, como somos hoje.
A terceira alteração necessária para tornar isso possível foi a construção do cérebro, destinado a ser o instrumento da Mente no Mundo Físico. Note que a necessidade de se ter um instrumento formou o cérebro, porém o pensamento existiu antes da formação desse órgão!
Para isso foi necessário nos separar em sexos. Isso é descrito na Bíblia (Gn 2:21-25) como a “criação de Eva”.
Precisávamos nos expressar no Mundo Físico e criar a partir dele. Para isso precisávamos construir órgãos criadores. Esses órgãos são: a laringe e o cérebro. Por serem criadores, eles deviam ser criados e mantidos pela força sexual criadora.
Antes da necessidade de criação desses órgãos, essa força era utilizada só para criar outro Corpo Denso, ou seja, só para a propagação aqui na Região Química do Mundo Físico. O excesso era irradiado. Éramos hermafroditas, capazes de criar outro Corpo Denso sem intervenção de outra pessoa.
Foi então necessário utilizar metade dessa força sexual criadora para a construção desses órgãos. Conforme o Corpo Denso foi se verticalizando, parte dessa força foi se dirigindo para cima. Com isso obtivemos material para construir o cérebro e a laringe, “o meio para o Ego “pensar” e comunicar pensamentos aos demais seres no Mundo Físico”.
A outra metade dessa força sexual criadora continuou sendo dirigida para baixo, para a propagação da espécie humana aqui. Ou seja, como só metade dessa força passou a ser destinada para criação de outro Corpo Denso, cada um de nós teve que procurar a cooperação de outro ser que possuísse a outra metade complementar. Deixamos de ser hermafrodita. Assim, a partir de então, quando estamos aqui renascidos como um ser humano masculino – homem – expressamos mais a Força Criadora da Vontade que, então, é uma força masculina, ligada ao Sol; já quando estamos aqui renascidos como um ser humano feminino – mulher – expressamos mais a Força Criadora da Imaginação que, então, é uma força feminina, ligada à Lua.
É importante salientar que sexo só tem a ver com a expressão do Corpo Denso. Nós, o Ego, somos de fato bissexuais.
Em cada renascimento expressamos mais uma daquelas duas Forças Criadoras: Vontade, quando renascemos como um ser humano masculino, ou Imaginação, quando renascemos como um ser humano feminino e isso com o único objetivo de melhor aprender as lições a que estamos destinados e que são mais fáceis aprender por meio de uma dessas duas Forças.
Perceba que quando toda a força sexual criadora era utilizada para a propagação, realizávamos muito pouco no sentido do próprio crescimento anímico, quando renascidos aqui, no Mundo Físico. Após essa separação, e consequente construção do cérebro e da laringe, pudemos utilizar o restante da força sexual criadora não empregada na propagação como força para o nosso crescimento anímico a partir daqui!
Assim, podemos conceituar o cérebro como o órgão que nos – nós, o Ego – “liga” ao Mundo Físico. É por meio dele que podemos saber qualquer coisa sobre o Mundo Físico.
Já os órgãos dos sentidos levam os impactos exteriores até o cérebro; o Ego os interpenetra e, por meio da Mente, atua no cérebro coordenando essas impressões, respondendo-as por meio de movimentos, observações ou memorização.
Entretanto, não pensemos que uma vez feita essas alterações nos tornamos consciente, pensante, tal como hoje, no estado atual de nossa evolução. Para alcançar esse estado tivemos que percorrer um longo e penoso caminho.
Ainda no final da terceira Época, a Época Lemúrica, começamos a expressar algum som pela laringe. Esses sons eram baseados nos sons da Natureza: o murmúrio dos ventos, o barulho das tempestades, o ruído dos rios. A linguagem era considerada santa. Por meio dela tínhamos poder sobre os animais e sobre a natureza. Entretanto, ainda éramos guiados em tudo: os Anjos nos guiavam em tudo que se relacionava com a propagação da espécie humana. Uma outra Hierarquia, conhecida como Senhores de Vênus, guiavam a nossa evolução com o objetivo de conseguirmos manifestar a Vontade e a Imaginação. Quando renascíamos como seres do sexo masculino, éramos ensinados como desenvolver a Vontade. Quando renascíamos como seres do sexo feminino, éramos ensinados como desenvolver a Imaginação. Os métodos utilizados chegavam a ser cruéis. Entretanto não tínhamos memória. Uma vez passada a experiência, esquecíamo-nos dela imediatamente. Aos poucos essas experiências foram imprimindo no cérebro impactos violentos e repetidos. Com isso uma memória germinal foi sendo desenvolvida.
Entretanto, por sermos guiados em tudo, éramos inocentes e, por conseguinte, ignorantes.
Os resultados das experiências proporcionadas pelos métodos empregados nos deram a primeira ideia do bem e do mal. Já a Iniciação daquela Época era voltada para o desenvolvimento do poder da Vontade e da Imaginação aqui na Região Química do Mundo Físico, ou seja: buscávamos ser Iniciados no Corpo Denso.
Quando renascíamos como seres do sexo feminino iniciamos a percepção que aqueles que estavam renascidos como seres do sexo masculino perdiam seus Corpos muito frequentemente. Isso por causa dos métodos empregados para desenvolver a Força da Vontade. Entretanto, devido à imperfeita percepção do Mundo Físico, renascido como seres do sexo feminino não conseguíamos revelar àqueles renascidos como seres do sexo masculino o que estava acontecendo. Foi aí que apareceram uma classe de Anjos atrasados na sua Evolução e que para continuarem evoluindo procuraram nos esclarecer o que acontecia. Seus nomes: Espíritos Lucíferos.
Esses seres entraram através da coluna espinhal serpentina quando renascíamos como seres do sexo feminino. Devido à consciência voltada para o interior – ou seja: nada víamos da Forma física – e porque esses Espíritos Lucíferos tinham entrado através da coluna espinhal serpentina, os seres renascidos com o sexo feminino os viram como serpentes. Isso é descrito na Bíblia (Gn 3:1-13). Todas as vezes que renascíamos com o sexo feminino aceitamos essa sugestão. Então, os Espíritos Lucíferos “abriram-lhe os olhos”, nos fizeram cientes dos Corpos Densos, seus e de quando renascíamos como seres do sexo masculino.
Assim, quando renascíamos como seres do sexo feminino ajudávamos os outros seres quando renasciam como seres do sexo masculino a “abrir os seus olhos” também. Assim, é que todos que aceitaram a “sugestão” dos Espíritos Lucíferos conseguiram voltar a sua consciência para a Região Química do Mundo Físico. Reparem bem: como pela Lei do Renascimento, cada renascimento é alternado (ora renascemos como homem, ora como mulher), todos passamos por essa experiência luciferiana. Aprendemos “o bem e o mal”, a como propagar a espécie. Entretanto, em virtude da nossa ignorância, abusamos da força sexual criadora, empregando-a para gratificação dos nossos sentidos. Esse foi o pecado, a transgressão da Lei de Deus!
Aos poucos a consciência foi enfocada para a Região Química do Mundo Físico. Com isso conhecemos a morte, a dor e o sofrimento a partir da Região Química do Mundo Físico.
Por outro lado, se continuássemos a sermos autômatos, guiados em tudo, não teríamos conhecido, até hoje, nem a enfermidade, nem a dor, nem a morte, mas também não teríamos obtido a Consciência de Vigília e a independência resultante do esclarecimento proporcionado pelos Espíritos Lucíferos, que eram chamados por nós como os “dadores da luz”. Sem dúvida, eles abriram o nosso entendimento e nos ensinaram a empregar a obscura visão para obter conhecimento da Região Química do Mundo Físico. Através disso tomamos as rédeas da nossa evolução. Conhecendo o bem e o mal, o certo e o errado e tendo a liberdade de agir, podemos cultivar a virtude e buscar o conhecimento para ajudar a quem precisar.
Perceba que aceitando a sugestão dos Espíritos Lucíferos conseguimos utilizar aquele sentimento com que os Senhores da Mente impregnaram na parte superior dos nossos Corpos de Desejos e das Mentes e que nos dão a noção de indivíduo. Porque foi com esse evento de aceitar a sugestão que começamos a sentir que somos individuais.
Existe um ponto no Corpo Denso colocado na “Raiz do Nariz”, a pouco mais de um centímetro abaixo da pele. É o assento do Espírito Divino. Há um correspondente desse ponto no Corpo Vital. Até antes de aceitarmos a sugestão dos Espíritos Lucíferos esses dois pontos não estavam concêntricos, ou seja, estavam distantes um do outro. Isso propagava uma percepção mais nítida dos Mundos invisíveis aos olhos físicos e bem menos nítida da Região Química do Mundo Físico. Aos poucos, a distância entre esses dois pontos foi diminuindo.
Finalmente, no último terço da quarta Época, a Época Atlante, o ponto do Corpo Vital uniu-se ao ponto correspondente do Corpo Denso. Desde esse momento obtivemos a plena visão e percepção da Região Química do Mundo Físico. A partir daí começamos a aprender como utilizar os pensamentos aqui.
Como somos imperfeitos, muito sofremos, porque o abuso da força sexual criadora e a sua utilização para obtermos mais e mais posses aqui, influenciava a criarmos maus pensamentos e, consequentemente, maus atos, más obras e ações.
Inicialmente começamos desenvolvendo os sentimentos mentais como a alegria, a tristeza, a simpatia, etc. Com esses sentimentos formamos uma incipiente memória. Essa nos proporcionou a disposição para uma rudimentar linguagem, criamos algumas palavras, demos nomes às coisas.
Com o desenvolvimento da memória, tornamo-nos ambiciosos, pois começamos a nos lembrar das nossas obras, e compará-las com as de outrem. Enaltecíamos as pessoas que tinham alcançado algum mérito. Esse foi o princípio da adoração. Graças a isso tudo, fomos dando importância à aquisição da experiência. Em qualquer situação, procurávamos experiências análogas anteriores como base. Se não as encontrássemos, experimentaríamos. Com o desenvolvimento da adoração e a valorização da experiência, criamos o costume de honrar as pessoas em atenção às proezas de seus antecessores.
Pelo mau uso do pensamento, criamos a astúcia, esse terrível vício de querer sempre levar vantagem sobre o nosso próximo. Junto a ela veio o egoísmo, esse terrível vício de querer tomar posse de tudo que desejamos.
Esses sentimentos negativos foram crescendo e usávamos tudo que podíamos para gratificar a nossa vaidade e a nossa ostentação externa. Aos poucos utilizamos a Mente para controlar os nossos desejos. Fomos aprendendo a refrear as nossas paixões. Descobrimos que “o cérebro é superior ao músculo”.
Com tudo isso adquirimos a consciência do livre arbítrio, ou seja, a capacidade de fazer o que quisermos, mas, também, de responder por isso, através da Lei de Consequência ou Lei de Causa e Efeito.
Em paralelo a esse nosso desenvolvimento, foram criadas condições para que enfocássemos nossa atenção aqui na Região Química do Mundo Físico: as condições atmosféricas foram alteradas com alternância das estações, a nossa alimentação foi sendo acrescida de alimentos que endurecessem nosso Corpo Denso, a mescla de sangue com casamentos entre indivíduos de raças diferentes, entre outros.
Voltando a nossa atenção para a Região Química do Mundo Físico, começamos a aperfeiçoar o nosso pensamento e a nossa razão, como resultado do nosso trabalho aqui e do uso da Mente para compreender o que aqui acontecia. Transformamos o Planeta Terra num verdadeiro jardim com todas as facilidades para ser habitado e funcionar num Corpo Denso. Manipulamos os minerais com grande destreza, fazendo com eles móveis, ferramentas, carros, alimentos e tantas outras Formas físicas.
Perceba que só podemos exercitar nosso poder mental nos minerais sólidos, líquidos e gasosos – manipulando-os, por causa do estágio em que se encontra a nossa Mente: o primeiro estágio, ou mineral.
Transformando o nosso Planeta numa boa morada, conquistamos a Região Química do Mundo Físico. Com isso ganhamos mais conhecimento, e como o fizemos? Por meio da aplicação do pensamento aqui. Sabemos que temos um Corpo Denso, formado de matéria do Corpo Denso, um Corpo Vital, formado de Éter – matéria também do Mundo Físico –, um Corpo de Desejos formado de matéria do Mundo do Desejo e uma Mente, formada de matéria da Região Concreta do Mundo do Pensamento.
Portanto, carregamos conosco matéria de cada um desses Mundos. Podemos manipulá-las, colorí-las, utilizá-las.
Como Espírito que somos, ou Egos – Espírito Virginal a Onda de Vida humana manifestado aqui – e envolto no Tríplice véu: Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano, funcionamos na Região do Pensamento Abstrato.
Dessa região é que observamos o Mundo material (a Região Química do Mundo Físico) que, através dos sentidos, produz impressões sobre o Corpo Vital. Essas impressões produzem sentimentos e emoções no Corpo de Desejos. Essas impressões são levadas, também, através dos sentidos até o cérebro. Daí essas impressões refletem-se na Mente.
Então, manipulamos o material da Região do Pensamento Abstrato, tendo como base a reflexão dessas impressões, criando a ideia. Essa ideia é projetada, através da nossa força de vontade, na Mente. Manipulamos, através da Mente, a matéria da Região do Pensamento Concreto, revestimos a ideia com tal matéria, e a ideia se transforma em pensamento-forma. A Mente pode projetar, então, esse pensamento-forma em três direções possíveis: no Corpo de Desejos, no Corpo Vital ou sobre a Mente de outra pessoa.
Se for sobre o Corpo de Desejos, pode ainda ser envolvido por matéria de desejos, depois atuar na parte etérica do cérebro e daí até os centros cerebrais do cérebro físico que movimentará os músculos para a ação, construindo alguma coisa.
Pode ainda não resultar em ação e ficar arquivado, por falta de vontade.
Se for sobre o Corpo Vital, não provoca uma ação imediata. Fica na memória para uso posterior.
Por fim, projetado sobre a Mente de outra pessoa, pode atuar como sugestão, como na telepatia, ou como meio de ação, como na hipnose.
Com isso concluímos que os pensamentos são gerados no Mundo do Pensamento. E que na Região Química do Mundo Físico aprendemos como usá-los de maneira correta.
É o nosso principal poder e devemos aprender a mantê-lo sob o nosso absoluto domínio, de modo a não produzir ilusões induzidas pelas circunstâncias exteriores, mas sim verdadeiras imaginações geradas por nós, o Ego. O Exercício Esotérico Rosacruz de Concentração, que deve ser realizado de manhã, assim que despertamos, tem esse objetivo. Não desperdicemos nossos pensamentos em matérias sem nenhuma importância que nos envolve em ambientes de tédio e de medo.
Tenhamos sempre nossos pensamentos voltados para Deus. Com isso fica muito mais fácil dominá-los. Os maus pensamentos só destroem e paralisam qualquer eventual ação. Dominando nossos pensamentos, poderemos dirigi-los para a finalidade que desejarmos.
Aos poucos não precisaremos experimentar, no Mundo Físico, o que criamos no Mundo do Pensamento. Com o desenvolvimento da nossa Mente poderemos imaginar formas que viverão, crescerão e pensarão. E a nossa laringe falará a palavra criadora, pois se tornará espiritualizada e perfeita. Teremos então contato direto com a sabedoria da natureza. E nos tornaremos um criador de verdade, colaborador mais ativo no plano de Deus.
Que as rosas floresçam em vossa cruz
A grande contribuição proporcionada pelo Cristianismo a todos nós foi a nossa libertação. Essa libertação, se bem esteja claramente exposta nos Evangelhos, não é bem compreendida pelo Cristianismo Popular. Em muitos casos até há intenção de ocultar a verdade e submeter o ser humano a poderes temporais, a que ele gosta de se sujeitar. Infelizmente, muitos ainda permanecem num estado semelhante a um canário que ficou muito tempo na gaiola; quando lhe abrem a porta, não quer partir para a amplidão dos céus ou, se vai, dá uma voltinha e regressa à sua cadeia, onde lhe dão comida e água. É cômodo e não lhe exige esforço. Por isso, muitos “pastores” de alma, seja nas igrejas ou em entidades espiritualistas, não gostam de tocar nesse ponto da libertação. Gostam mesmo de mostrar a necessidade de dependência. Nas escolas orientais a submissão ao mesmo é taxativa.
A Fraternidade Rosacruz, fundada por Max Heindel, como expositora dos Ensinamentos elementares da Ordem Rosacruz, cujos Irmãos Maiores são auxiliares diretos de Cristo na obra de redenção da Humanidade, se distingue de tudo o que atualmente conhecemos, por seu esforço na libertação do indivíduo. A Fraternidade Rosacruz ensina como o Cristianismo nos liberta pelo conhecimento de seus valores internos (E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará (Jo 8:32)), pela identificação com sua natureza divina, subjacente e ignorada (Da mesma forma como Moisés levantou a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do homem seja levantado, para que todo o que n’Ele crer tenha a vida eterna. (Jo 3:14)).
Na Parábola do “Filho Pródigo”[1] vemos a nossa história, como Espírito Virginal da Onda de Vida humana diferenciado em Deus para obter experiência em nossa peregrinação Involutiva, à custa de nossa herança espiritual, que ficaria enterrada e esquecida em virtude do Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos e da Mente que fomos construindo. Iniciamos a Evolução com a ajuda das Religiões primitivas (Primeira Dispensação). Depois veio Moisés e nos deu a Lei geradora do pecado, pois passaria a nos ensinar o que era a Transgressão da Lei e como deveríamos repará-la.
Contudo, devido ao nosso egoísmo e à falta de compreensão, reparávamos os pecados pelo sacrifício de animais. Depois veio Cristo e não revogou a Lei antiga. Antes, confirmou-a, mas nos deu a libertação do enlaço da matéria, o que, ao tempo de Moisés, seria tarefa extremamente difícil para boa parte de nós. Essa situação fora criada por nossa queda (o evento conhecido como a “Queda do Homem”), quando os marcianos Espíritos Lucíferos, os Anjos decaídos ou Anjos caídos, não podendo alcançar a evolução angélica, buscaram nosso cérebro e a nossa força sexual criadora que o sustenta, para, através de sua atividade, obter experiência e, em consequência, evoluir. Custou-nos alto preço “ouvi-los e seguir o que nos propôs”. É verdade que pelo embrutecimento sensorial decorrente obtivemos a vantagem da consciência atual, a capacidade de discernir, que os Anjos não têm. Por isso se disse que fomos feitos um pouco abaixo dos Anjos. Após a “Queda do Homem”, as Religiões de Raça nos incutiram o sentido egoístico de separação e chegamos a tal estado de cristalização que nossa Evolução ficou ameaçada. Não poderíamos, por nós mesmos, retomar a senda ascendente evolutiva que nos estava destinada, como Filhos de Deus, de retorno à casa paterna.
Comíamos a “escória” dada como alimento aos “porcos”, nas duras experiências de nossa vida. Veio, então, o Libertador, o Cristo. Limpou o Corpo cósmico de Desejos da Terra (o Mundo do Desejo), formado por todas as nossas antigas Transgressões à Lei. Sacrificou-se como o “Cordeiro de Deus que limpou os pecados do mundo.” (Jo 1:29), em lugar do cordeiro do Tabernáculo no Deserto. Foi quando se rasgou o Véu do Templo, isto é, quando se abriram a nós, em geral, as possibilidades de libertação, Iniciação e acesso ao “Sanctum Sanctorum” – Santo dos Santos –, aos segredos e possibilidades de nossa própria natureza egóica, através da qual entrará, concomitantemente, nos Estratos da Terra e da Humanidade, para mais elevados serviços.
Não sem razão, pois, a citação de S. Paulo, um Iniciado consciente dessa realidade: “Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo.” (ICor 6:20), e “por preço fostes comprados, não vos torneis escravos de homens.” (ICor 7:23).
Realmente, este mundo é uma escola em que somos apenas peregrinos (At 7:6, Hb 11:13 e IPd 2:11). E como somos destinados, quais sementes da árvore de Deus, a tornamo-nos iguais a Ele (Jo 10:34), a fazer obras maiores do que as realizadas por Cristo na Terra (Jo 14:12), deduz-se, logicamente, que o Renascimento é um fato natural, pois nenhum de nós pode realizar numa vida o que nos está prometido nos Evangelhos. Pela evolução, nós iremos sublimando doravante todos os nossos veículos e deles levando a quintessência, que nos fornecerá a capacidade criadora. Realmente, os Corpos são os meios de obtenção do alimento anímico que nos enriquece, a nós o Tríplice Espírito. No conjunto, o Corpo é um precioso Templo do Espírito (Jo 2: 21, ICor 3:17 e 6:19) que não deve ser desprezado como vil e inferior, segundo a concepção oriental, senão tratado com carinho, como ferramenta bem cuidada para que através dele nós possamos criar e crescer, pela Epigênese. Contudo, também aprendemos a não nos identificarmos com os nossos Corpos, senão governá-los, para que não nos suceda ficarmos escravizados a eles. Quem sabe que é de fato um Ego, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado, ama o Espírito e a ele serve e nesse ponto não adora imagens nem em templos de pedra, senão em “Espírito e em Verdade” (Jo 4: 24) porque em verdade nada restará de nossos Corpos, ao fim dos atuais períodos evolutivos (Mt 24:2; Jo 2:19 e 21).
De todo o exposto, reconduzindo a nossa consciência ao seu real valor, como Filhos de Deus, livre dos temores do inferno, porque sabemos que nenhuma parte de Deus não se pode perder, comecemos a trabalhar diligentemente por nossa própria evolução, a fim de se tornar um novo ser humano (Ef 4:24; Col 3:10), sabendo discernir entre o real e o falso (ICor 6:12 e 19) e buscando se desvincular de todos os antigos hábitos errôneos (IPd 1:14 a 17) sem acender “uma vela para Deus e outra para o diabo”, como fazem os incoerentes de nossos dias (Mt 9:16 e 17). É preciso decisão, perseverança e humildade para limpar o templo interno (Jo 2:15 e 16) e ver nascer a estrela d’alva no coração (IIPd 2:19).
De toda nossa procura e experiência podemos, hoje, dizer aos novos companheiros: a Fraternidade Rosacruz é a Escola Aquariana que ensina e ajuda o indivíduo a se libertar de suas próprias limitações e o leva a uma concepção muito mais elevada e a possibilidades ilimitadas no campo das realizações internas, onde se encontra o Graal e sua Lança (o Espírito e o seu poder). Contudo, para chegar a ele deve ser um autêntico e moderno cavaleiro, o novo e consciente Parsifal. O vivido Sir Launfal de retorno ao “seu castelo”.
Que nos eleve nas asas da aspiração; que nos armemos da couraça do valor e da persistência; que nos imbuamos de propósitos altruísticos, e que o Deus da paz será conosco!
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – fevereiro/1964-Fraternidade Rosacruz-SP)
[1] N.R.: (Lc 15:11-32) – Certo homem tinha dois filhos; o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me cabe. E ele lhes repartiu os haveres. Passados não muitos dias, o filho mais moço, ajuntando tudo o que era seu, partiu para uma terra distante e lá dissipou todos os seus bens, vivendo dissolutamente. Depois de ter consumido tudo, sobreveio àquele país uma grande fome, e ele começou a passar necessidade. Então, ele foi e se agregou a um dos cidadãos daquela terra, e este o mandou para os seus campos a guardar porcos. Ali, desejava ele fartar-se das alfarrobas que os porcos comiam; mas ninguém lhe dava nada. Então, caindo em si, disse: Quantos trabalhadores de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui morro de fome! Levantar-me-ei, e irei ter com o meu pai, e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus trabalhadores. E, levantando-se, foi para seu pai. Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou, e beijou. E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés; trazei também e matai o novilho cevado. Comamos e regozijemo-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. E começaram a regozijar-se. Ora, o filho mais velho estivera no campo; e, quando voltava, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um dos criados e perguntou-lhe que era aquilo. E ele informou: Veio teu irmão, e teu pai mandou matar o novilho cevado, porque o recuperou com saúde. Ele se indignou e não queria entrar; saindo, porém, o pai, procurava conciliá-lo. Mas ele respondeu a seu pai: Há tantos anos que te sirvo sem jamais transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito sequer para alegrar-me com os meus amigos; vindo, porém, esse teu filho, que desperdiçou os teus bens com meretrizes, tu mandaste matar para ele o novilho cevado. Então, lhe respondeu o pai: Meu filho, tu sempre estás comigo; tudo o que é meu é teu. Entretanto, era preciso que nos regozijássemos e nos alegrássemos, porque esse teu irmão estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado.
Já sopraram os ventos desse ano terrestre que se findou. O ano que já passou, com tudo que pôde oferecer de positivo ou negativo, considerando-se a relatividade desses dois termos, faz parte do passado. Deixou, dependendo da maneira como esse problema é encarado individualmente, um saldo determinado.
Para alguns restaram indeléveis traços de sofrimentos e decepções, amarguras e contrariedades. Outros não conseguiram apagar o estigma de tragédias que os envolveram e atingiram. Há aqueles perseguidos pela frustração de aspirações irrealizadas, de metas inatingidas. Mas alguns, talvez poucos, sentiram-se bafejados pelo êxito em suas vidas profissionais e particulares. Afinal, dizem, das crises, por crônicas que sejam, sempre alguém escapa ileso.
Uns e outros tendem a encarar o ano que se inicia sob uma ótica oriunda, nascida, dos percalços e sucessos do ano que se findou. Não atinam quão irreais e enganadoras são as chamadas “vitórias” e “derrotas”. Os “derrotados desse ano” observam a quadra atual com certa dose de pessimismo. Na melhor das hipóteses, animam-se com tênues esperanças de que o presente seja menos malfazejo que o pretérito. Imaturos espiritualmente, não se libertaram de traumas passados. Tudo se lhes afigura difícil, impossível e sombrio.
Para aqueles a quem o “êxito foi obtido”, as coisas, nesta nova fase, na pior das hipóteses, fluirão num mesmo nível. Permitem-se até dormir sobre os louros de suas realizações, como se o amanhã não fosse outro dia.
Observa-se, aí, como o irmão e a irmã que não se dedicam e colocam em prática a espiritualidade cristã são dominados por uma preocupação obsessiva de tudo rotular — bem/mal, bom/mau, triunfo/fracasso — à luz de seus superficiais conhecimentos.
Tanto para os “deserdados” como para os “afortunados” desse ano que se findou houve apenas sepultamento. O “corpo encontra-se enterrado, mas o defunto permanece fresco”, podendo ser exumado a qualquer hora. Sua lembrança persegue-o tenazmente, com sua carga desestimulante ou ilusória.
Felizmente, há quem logre se sobrepor-se a esse estado de espírito. São as chamadas “almas velhas”, irmãos e irmãs que se dedicam, estudam e praticam a espiritualidade cristã nas suas vidas – especialmente por meio dos Ensinamentos Rosacruzes, que fornecem os Ensinamentos do Cristianismo Esotérico – têmperas forjadas na crueza e nas experiências de vidas passadas. Dotados de natureza intimorata, hoje, imperturbáveis, sabem como enfrentar os desafios do mundo.
Não se amedrontam, desconhecem a inibição diante de circunstâncias adversas, mas ninguém os vê exibir arrogante autossuficiência. A modéstia é seu apanágio. São equilibrados, justos e sensatos.
Cônscios de seu progresso, nem por isso deixam de reconhecer que o caminho para alcançar a perfeição é infinito. Conservam a Mente aberta e o Coração radiante, dispostos a haurir os mais valiosos Ensinamentos Rosacruzes do cotidiano. Sabem que ainda muito têm a aprender e crescer, num futuro suscetível de se desdobrar em mil caminhos diferentes.
Esses não sepultaram o ano que já passou. Cremaram-no! Não buscam desenterrá-lo constantemente, reabrindo velhas feridas. Não! Reduziram-no a cinzas. Basta-lhes apenas ter assimilado o valor educativo das experiências pelas quais passaram. É o suficiente para lhes servi de orientação e inspiração no ano recém-iniciado.
Aos acontecimentos passados, só lhes atribuem valor como lições de vida. O novo ano, afirmam, deve ser bem recebido. Merece ser visto com bons olhos. Afinal, quantas oportunidades de crescimento anímico e mesmo de progresso material ele poderá nos oferecer!
Nessa abençoada seara, que é o mundo, a cada momento se nos surgem valiosas ocasiões de empregarmos nossas faculdades epigenéticas. Assim, cabe-nos tentar, sempre que possível, criar algo novo ou melhorar o já existente. Todas as coisas clamam por um toque de aperfeiçoamento, de inovação, de originalidade. Em tudo há sempre uma beleza recôndita, esperando por ser desvelada.
No limiar de um novo ciclo, o melhor que cada um pode fazer é arregaçar as mangas e renovar sua disposição para o trabalho. Há muito por construir. Nada de lamentar o mal acontecido, nem de deslumbramentos com conquistas já ultrapassadas. Não se pode viver do passado. O que “está feito, está feito”. As lições, sim, servem para alguma coisa.
Assim, resta a pergunta à você: “o que você fez até aqui, nesse ano? Enterrou? Cremou?”
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – janeiro/1978-Fraternidade Rosacruz-SP)
Mais uma vez, a dança circular mística revelada do Sol vai sendo executada em sua órbita e, novamente, ficamos aguardando com um regozijo antecipado o nascimento de um novo Sol para nos levar ao próximo ano. Não obstante a Grande Guerra[1], o Espírito do Natal está no ar, o Espírito da expectativa, o sentimento de que algo novo está entrando em nossas vidas e que o futuro será mais brilhante do que o passado e isso tudo será para todos. Embora todas as calamidades e sofrimentos contidos na Caixa de Pandora[2] pareçam estar no lado de fora nesse momento, a Esperança, o presente celestial dos Deuses, sorri nos encorajando, enquanto ela aponta para o revestimento prateado da grande nuvem da guerra e, nos diz que, por trás dessa nuvem, o Sol da paz e alegria será mais luminoso do que nunca, e que atualmente iluminará a Terra com um esplendor tal que nunca foi apreciado por nós.
Contudo, existem alguns que são fisicamente cegos e, embora o Sol nunca brilhe tão intensamente, eles não o percebem. Também, existem aqueles que são espiritualmente cegos e, consequentemente, incapazes de ver a grande onda espiritual que desce anualmente sobre a Terra. Devemos ter dentro de nós esse órgão de percepção, pois, como diz Angelus Silesius:
“Embora Cristo nasça mil vezes em Belém,
Se não nascer dentro de ti, tua alma seguirá extraviada.
Olharás em vão a cruz do Gólgota,
Enquanto ela, também, não se erguer em teu coração”.
Ano após ano, o Místico iluminado vê esse grande Drama Cósmico, da descida do Espírito na matéria, ocorrendo ante sua visão espiritual. Não é uma visão vaga e indefinida e dependente de certos sentimentos, mas é uma apresentação clara e precisa nos mínimos detalhes. Não é necessário que o Espírito nos Mundos invisíveis assuma uma determinada forma definida, exatamente como fazemos no Mundo Físico, pois, qualquer forma que tenha um certo contorno nítido implica em limitação.
Um Espírito pode permitir que sua forma se misture com às formas de outros Espíritos, podendo permear até os Corpos Densos de outros e ainda reter sua própria Individualidade, porque ele vibra em um certo tom ou nota-chave diferente daquela de todos os outros. Assim, em setembro, o Clarividente Voluntário treinado e iluminado percebe o Espírito Crístico Cósmico como uma poderosa Onda de Luz de supremo esplendor, descendo sobre a Terra que Ele permeia.
Em torno do dia 21 de dezembro, essa luz celestial alcança o centro de nossa esfera terrestre. Então os dias são mais curtos, as noites são mais longas e mais escuras, “mas a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a apreenderam”[3]. Os impulsos vibratórios motrizes fornecidos à Terra, durante os primeiros meses de cada ano, quase se esgotaram; no Natal, a Terra está cristalizada, morta e fria, e se essa nova vida do Espírito de Cristo não fosse derramada na Terra para renovar suas energias por mais um ano, toda a vida em nosso Planeta pereceria.
Sempre houve muita especulação sobre a natureza da “estrela” que brilhou em Belém à meia-noite. A opinião ortodoxa[4] sustenta que a Imaculada Concepção e o Nascimento de Jesus são os únicos na história da Onda de Vida humana; ela supõe que a “Estrela de Cristo” foi vista no firmamento apenas naquela ocasião; mas os Sábios que, pela alquimia do crescimento anímico, estão se esforçando para construir dentro de si a pedra angular que foi rejeitada pelos construtores, mas que é valorizada por todos os filósofos, sabem que a Luz de Cristo não pode ser encontrada fora de nós.
Eles sabem que o axioma hermético que expressa a lei da analogia “como acima é embaixo” também se aplica nesse caso, e que o Cristo formado dentro deles deve procurar a Estrela do Cristo dentro da Terra, pois, novamente citando Angelus Silesius, “seria impossível para um Cristo salvar o Mundo, estando fora da Terra, como é para um Cristo no Gólgota nos salvar”. Até que o Cristo nasça dentro de nós, e até que o Cristo nasça dentro da Terra, Ele não pode realizar Sua missão.
Portanto, na noite mais longa e mais escura de cada ano o Místico se ajoelha em silenciosa adoração, olhando internamente por meio da visão espiritual. Cultivada por ele, em direção ao centro da Terra, onde a maior e mais elevada Luz que já brilhou na terra ou no mar, ilumina o mundo inteiro com resplendor e luminosidade que são avassaladores.
E então, o ser humano sábio traz seus dons e os oferece aos pés do recém-nascido Salvador. Ele pode ser pobre diante dos bens materiais do mundo; pode até não ter um lugar para descansar a cabeça, no entanto, seus dons são mais preciosos do que qualquer quantia extremamente grande de dinheiro que se possa imaginar. Durante sua vida de Aspiração, ele cultivou bens preciosos e o primeiro a ser oferecido no Altar do Sacrifício é o Amor.
“O amor não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconveniente, não busca os seus interesses, (…) não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; (…) se houver profecias, falharão, e se houver ciência desaparecerá, porque agora permanecem a Fé, a Esperança e Amor, mas, a maior das virtudes é o amor”[5]. “Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que n’Ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”[6]. E esse grande presente não foi dado para sempre, mas, a cada ano o Filho de Deus renasce, novamente na Terra, para vivificar esse Planeta com Suas vibrações superiores, para que possamos ter vida e vida em abundância.
Assim como o Espírito Humano morre no plano espiritual quando nasce no Mundo Físico, também o Espírito de Cristo morre na Esfera Solar quando, por nossa causa, nasce na Terra na época do Natal. É confinado pelo ambiente de cristalização que criamos. Verdadeiramente, “ninguém tem maior amor do que dar a vida por seus amigos”[7], e Cristo disse: “Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu mando, (…) e esse é o meu mandamento: amar uns aos outros” [8].
Portanto, o amor do Místico, oferecido sobre o Altar do Sacrifício no grande festival da Noite Santa, não é abstrato, mas se expressa em atos concretos para com todos com quem ele entra em contato durante o ano seguinte. Seu segundo presente para o recém-nascido Salvador é a devoção. O fogo do entusiasmo deve arder no peito de todo Aspirante à vida superior, pois nenhuma observância fria dos ritos religiosos, nenhuma entrega de presentes sem esse sentimento intensamente devocional pode ter qualquer valor na luz espiritual. Foi dito que um dos antigos Reis Israelitas praticou o mal com ambas as mãos avidamente; assim também o Aspirante à vida superior deve praticar o bem com ambas as mãos avidamente: todo o seu coração, toda a sua alma e toda a sua Mente devem ser oferecidos sobre o Altar do Sacrifício, e como se diz: do mesmo modo que o incenso dos sábios, mencionados na Bíblia, encheu o lugar da natividade com perfume, assim também, deve esse fogo de entusiasmo acender nossa devoção, para que o “incenso” possa penetrar em todo o ambiente com a devoção para a causa dos Irmãos Maiores.
Contudo, o amor, a devoção e o entusiasmo oferecidos pelo Místico sobre o altar do recém-nascido Cristo não são separados e afastados de d’Ele mesmo. Ele não pode dar sem incluir o maior e melhor de todos os presentes, o único presente valioso; ou seja, Ele mesmo. Não importa qual seja sua posição na vida, elevada ou baixa, rica ou pobre, essa não é uma preocupação de Cristo. O Espírito falando com ele sempre lhe diz: “Filho, eu não desejo aquilo que é teu, pois isso já é Meu; a Terra e a sua plenitude, o gado nas mil colinas, todos foram feitos por Mim e através de Mim[9], contudo, o que eu desejo é você mesmo, o seu coração. Dá-me o teu coração, Filho, e eu te darei o que é mais do que tudo, a Paz que supera todo o entendimento”[10]. E possa a “Pomba da Paz”, o Amor de Cristo, logo encontrar um novo apoio em nosso mundo desgastado por essa guerra.
(De Max Heindel, publicado na Revista Rays from the Rose Cross de janeiro de 1916 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)
[1] N.T.: Refere-se à Primeira Guerra Mundial
[2] N.T.: Caixa de Pandora é um artefato da mitologia grega, tirada do mito da criação de Pandora, que foi a primeira mulher criada por Zeus. A “caixa” era na verdade um grande jarro dado a Pandora, que continha todos os males do mundo.
[3] N.T.: Jo 1:5
[4] N.T.: ou exotérica
[5] N.T.: ICor 13:4-13
[6] N.T.: Jo 3:16
[7] N.T.: Jo 15:13
[8] N.T.: Jo 15:14-17
[9] N.T.: Sl 50:10
[10] N.T.: Pb 23:26 e Fp 4:7
“Somente uma coisa é necessária”[1], disse Cristo a Marta. Nessas palavras encontramos uma das grandes verdades fundamentais da vida e, embora a grande maioria não admita que haja apenas uma coisa necessária e que muitas pessoas concordarão que nossos desejos são numerosos, mas de fato nossas necessidades são muito poucas.
Não obstante esse grande fato, a complexidade de nossa atual vida civilizada, assim chamada, é tal que a maior parte da Humanidade está se desgastando para multiplicar o que chamamos de confortos e luxos, que são apenas para o Corpo Denso, enquanto a alma está faminta. Tampouco esses chamados confortos e luxos satisfazem quando realmente estão em nossa posse. Os seres humanos abastados que conseguiram alcançar tal posição, se pudessem ser interrogados de forma confidencial, nos diriam que seu desfrute com a riqueza estava muito mais na expectativa, na busca pela conquista, do que na posse propriamente dita e, esse dinheiro é um remédio amargo na boca de quem o possui, isso se ele é um ser pensante. Da mesma forma ocorre com o prestígio social, o ser humano, dito “socialite” que conquistou seu caminho para a liderança nesse ambiente deslumbrante, assim chamado, e uma vez lá dentro, descobre que isso é um lugar-comum, um tédio e não vale o esforço. Mesmo assim, existem sempre aqueles que clamam por riquezas, por posição social, que buscam essas coisas tão avidamente e não se importam com o custo para o espírito, como as mariposas buscam a luz de uma lâmpada. Embora existam muitos lugares perigosos na vida social e civilizada para seduzir a mariposa descuidada, também existem iscas mais fatais no caminho do progresso espiritual.
A Parábola do Semeador[2], como todas as outras parábolas das quais o Cristo fez uso, era fácil de ser aprendida e aplicada em cada momento; alguns grãos caíram à beira do caminho, outros sobre o solo rochoso, entre espinhos e abrolhos etc., mas, apenas uma pequena parte caiu em solo fértil, onde deu frutos abundantes. Hoje em dia, as pessoas correm de um lado para o outro, e no mundo todo são movidas por esse desejo interior, um anseio por algo que não sabem definir. Contudo, embora procurem, são surdos e cegos, eles não podem ver a luz interior, não ouvem o chamado silencioso interior; a luxúria dos olhos e o orgulho da vida no mundo exterior são atrações muito fortes. Como toupeiras, refugiamo-nos nas trevas, numa existência que ficou órfã, longe da luz, longe do Pai da Luz, e mesmo assim Ele está presente em toda parte. É verdade, verdade literal, poeticamente expressa quando o salmista diz:
“Para onde ir, longe do teu sopro?
Para onde fugir, longe da tua presença?
Se subo aos céus, tu lá estás;
se me deito no Xeol, aí te encontro.
Se tomo as asas da alvorada para habitar nos limites do mar,
mesmo lá é tua mão que me conduz,
e tua mão direita me sustenta”. [3]
“Deus é Luz”[4], como disse o Apóstolo S. João, com uma percepção mística, e a luz está em toda parte, só que não a vemos em nossa cegueira de coração.
Porém, em algum momento no curso de nossas vidas, a luz latente no interior de cada um será despertada, a centelha divina do nosso invisível Fogo do Pai começará a brilhar e lentamente despertamos para a percepção de que somos filhos da luz.
Essa é a grande crise, o ponto de inflexão na peregrinação do pródigo; quando percebe sua condição, quando vê claramente que toda a riqueza mundana, a condição social, o poder na sociedade são apenas “cascas”; que há apenas uma coisa necessária, apenas uma que vale a pena em todo o mundo que é encontrar, novamente, o seio do Pai.
Nesse momento de conversão, o Espírito expressa o intenso desejo que permeia cada fibra do seu ser naquela expressão concisa, forte e marcante do Espírito: “Eu me levantarei e irei para meu Pai”[5]. Essa é a senha para “O Caminho”; no outro extremo está a Cruz, onde a libertação o aguarda, e o Espírito santificado paira sobre as esferas mais sutis com o grito comovente do triunfo “Consummatum est”, foi concluído! Estou livre do grilhão da carne, um espírito livre, em união com meu Pai.
Contudo, ninguém imagina que possa estar seguro, quando entra no portal da aspiração; muitos se espreitam pelo caminho, procurando desviar a atenção do buscador da verdadeira luz, e nenhuma armadilha é mais sedutora nessa hora do que aquela que brinca com o ardente desejo da alma por uma conquista rápida.
S. Paulo expressa esse grande anseio no quinto capítulo da sua Segunda Epístola aos Coríntios (1-9):
“Sabemos, com efeito, que, se a nossa morada terrestre, esta tenda, for destruída, teremos no céu um edifício, obra de Deus, morada eterna, não feita por mãos humanas. Tanto assim que gememos pelo desejo ardente de revestir por cima da nossa morada terrestre a nossa habitação celeste — o que será possível se formos encontrados vestidos, e não nus. Pois nós, que estamos nesta tenda, gememos acabrunhados, porque não queremos ser despojados da nossa veste, mas revestir a outra por cima desta, a fim de que o que é mortal seja absorvido pela vida. E quem nos dispôs a isto foi Deus, que nos deu o penhor do Espírito. Por conseguinte, estamos sempre confiantes, sabendo que, enquanto habitamos neste corpo, estamos fora da nossa mansão, longe do Senhor, pois caminhamos pela fé e não pela visão… Sim, estamos cheios de confiança, e preferimos deixar a mansão deste corpo para ir morar junto do Senhor. Por isto também nos esforçamos por agradar-lhe, quer permaneçamos em nossa mansão, quer a deixemos.”.
No entanto, observemos especialmente que S. Paulo reconhece o perigo de ser encontrado nu, que insiste e não deseja ser despido, mas vestido, e que, portanto, trabalha para isso.
Impulsionados por esse desejo insano de desenvolvimento rápido, as almas são constantemente enlaçadas por constituídos pseudoinstrutores inescrupulosos que prometem resultados rápidos, geralmente exigindo uma taxa financeira (disfarçada de vários modos) inicial por seus serviços; contudo, o tolo rebanho se reúne em torno desse tal impostor como mariposas em torno de uma chama.
Na verdade, elas obtêm, muitas vezes, resultados sendo impelidas para os Mundos invisíveis. Contudo, tendo fracassado em “trabalhar na vinha”, como S. Paulo assim trabalhou para ganhar a “veste nupcial” [6] ou o “paraíso”, elas não têm o veículo vital da consciência necessário para funcionar nas esferas superiores, de maneira consciente e inteligente e, também, são incapazes de encontrar o caminho de volta ao Corpo Denso deixados por elas, e geralmente, se tem relatos nesses casos que a causa da morte foi “insuficiência cardíaca”.
Elas ficam, de fato, “nuas” e fadadas ao sofrimento até ficarem inconscientes no curso natural dos acontecimentos, porque na verdade cometeram suicídio e o arquétipo do Corpo Denso permanece intacto, constantemente, se esforçando por atrair para si substâncias físicas; porém, quando o Cordão Prateado é rompido, nada pode ser obtido, e a dor descrita pelos suicidas (seria como a dor da fome ou a dor de dente, na qual se parece com a dor muscular por todo o corpo) é experimentada, às vezes, por muitos anos. “Quem não entra pela porta é ladrão e assaltante.” (Jo 10:1). É possível entrar furtivamente na casa terrena e fugir, mas quem procura enganar a Deus descobrirá que o caminho do transgressor é difícil, quando suas asas são chamuscadas na chama.
Não é estranho que seres humanos que compreendem a necessidade de passar anos para aprender uma determinada ciência, ofício ou profissão, trabalhando dia após dia, ano após ano, com incansável paciência e aplicação assídua, a fim de obter o domínio de qualquer ciência material que estejam estudando, ao mesmo tempo podem ficar iludidos ao pensar que, em pouco tempo, alguns dias, algumas semanas ou meses, talvez no máximo um ano ou dois, possam dominar a ciência da alma, simplesmente pensando por dez minutos por dia ou menos. Eles iriam rir e desprezar qualquer um que se oferecesse para iniciá-los nos mistérios da cirurgia ou da relojoaria em poucos dias; agora, quando se trata da ciência da alma, eles abandonam toda consideração do senso comum; o desejo por poderes ocultos é tão forte que ofusca a razão e, como as mariposas voam para a chama, também voam para um falso instrutor que lhes promete fenômenos em pouco tempo.
E, quando alguém que está tentando desse modo é queimado, os outros percebem o aviso? Infelizmente não!
Para cada mariposa que cai, outra ou mais dez estão prontas para tomar o seu lugar. Espelhos mágicos, bola de cristal, pêndulo, astrologia “adivinhatória”, barras de access, reiki, tabuleiro ouija, cura eletrônica, auriculoterapia, constelação familiar e empresarial, radiestesia, mesa radiônica quântica, apometria quântica, radiação atlante, cristais magnetizados, pedras mágicas, runas, búzios, borra de café, quiromancia e tantos outros instrumentos ou métodos encontram um mercado receptivo, enquanto a verdade segue implorando para ser vista e buscada. A fraude e o engano por pessoas inescrupulosas, que depredam essa intensa alma faminta de seus semelhantes, são mais numerosos do que aqueles que não estão familiarizados com o desejo oculto de milhares de pessoas que possam compreender. Geralmente, os ingênuos aceitam suas perdas financeiras, mas, às vezes, os processos nos tribunais públicos mostram que pessoas inteligentes deixam para trás somas consideráveis a pedido de falsos instrutores e alguns intitulados de pseudoespíritos, e ocasionalmente o cerco se fecha sobre um “vidente” bem-sucedido, que vai para a cadeia, ou então, é internado em manicômio.
Todavia, se a “mariposa humana” fosse passível em raciocinar e pudesse ouvir a voz da advertência, perguntaria: “então, como posso saber distinguir a verdadeira luz da falsa?”. Aqui podemos recorrer, com total confiança, às Escrituras para obter nossa resposta. Não há nenhuma incerteza quanto a isso, pois o Cristo deu aos Discípulos os poderes necessários para ajudar a Humanidade, e Ele lhes disse: “dê de graça, aquilo que de graças recebestes” (Mt 10:8). S. Pedro também, quando foi abordado por Simão, o feiticeiro, que desejava comprar por dinheiro os poderes espirituais que o Apóstolo exercia, o amaldiçoou. Sempre que se doaram, o fizeram sem pedir valores financeiros (direta ou indiretamente). Da mesma forma, o verdadeiro instrutor não cobra por seus ensinamentos, mas procura imitar o exemplo da vida dos Apóstolos, recebendo contribuições voluntárias daqueles a quem eles ajudam. Tampouco é necessário para quem não busca o “ouro mundano” atrair outros com promessas de fenômenos ou poderes em pouquíssimo tempo. É fácil construir uma casa do tamanho desejado, desde que você tenha o material. E você pode aumentá-la acrescentando mais tijolos.
Contudo, nem a planta, nem o animal, nem o ser humano crescem dessa maneira; o crescimento deles é interior, e cada um deve fazer isso individualmente. Não podemos comer a comida de outra pessoa e dar a ele a devida força vinda do alimento; nem podemos passar pelas experiências de outrem, assimilá-las e dar a ele o crescimento anímico obtido dessa forma.
Então, fuja da chama dos falsos mestres; tenha paciência. Trabalhe, observe e aguarde. No devido tempo, a luz de Cristo brilhará dentro de sua própria alma, e você nunca precisará procurá-la em outro lugar.
(Publicado na: Rays From The Rose Cross – mar/1916 – Traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
[1] N.T.: Lc 10:42
[2] N.T.: Mt 13:1-9, Mc 4:3-9 e Lc 8:4-8: Eis que o semeador saiu para semear. E ao semear, uma parte da semente caiu à beira do caminho e as aves vieram e a comeram. Outra parte caiu em lugares pedregosos, onde não havia muita terra. Logo brotou, porque a terra era pouco profunda. Mas, ao surgir o sol, queimou-se e, por não ter raiz, secou. Outra ainda caiu entre os espinhos. Os espinhos cresceram e a abafaram. Outra parte, finalmente, caiu em terra boa e produziu fruto, uma cem, outra sessenta e outra trinta, Quem tem ouvidos, ouça!”.
[3] N.T.: Sl 139:7-10
[4] N.T.: IJo 1:5
[5] N.T.: Lc 15:18
[6] N.T.: o Corpo-Alma