A lepra (ou como chamamos atualmente, a hanseníase), uma das doenças mais temidas a que a Humanidade se submeteu, é resultado do “pecado imperdoável”, ou mau uso da força sexual criadora divina, tão prevalente durante os tempos lemurianos e atlantes. Aprendemos quando estudamos o Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz que “…assim como o Espírito Santo é a energia criadora da Natureza, a energia sexual é seu reflexo no ser humano. O mau uso ou abuso desse poder é um pecado que não se pode perdoar; deve expiar-se, com prejuízo da eficiência dos veículos, a fim de aprendermos que a força criadora é santa”.
Paracelso, o grande médico-curador do século XV, afirmou: “Um laço íntimo liga o gerador ao que é gerado. Gerações passadas são utilizadas na construção do corpo futuro; elas são tecidas no corpo como uma tendência a alguma doença, afetando a disposição ou as forças vitais. Esse veneno de vidas passadas deve, em algum lugar, ser transformado em saúde.” Assim, a Lei de Causa e Efeito atua para nos ensinar a viver de acordo com as Leis de Deus.
No entanto, Cristo – veja na Bíblia a Cura do Leproso (Mt 9:1-4 e Mc 1:40-44) – trouxe a graça, por meio da qual uma pessoa, mediante o arrependimento, a restituição e a reforma íntima, pode absolver seu destino. Até mesmo uma pessoa diagnosticada com hanseníase pode usar essa fórmula divina para receber o Poder Curador do Cristo e ser aliviado de seu fardo. Uma mudança definitiva de consciência, é claro, é necessária nesse processo e, a menos que tal mudança ocorra, a cura será, na melhor das hipóteses, apenas temporária.
Estudando o livro Coletâneas de um Místico – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz aprendemos que “Esse foi o pecado dos nossos progenitores na antiga Época Lemúrica que eles espalharam suas sementes independentemente da Lei e sem o amor. Mas é o privilégio do Cristão se redimir pela pureza da sua vida, em memória do Senhor. S. João diz: “Sua semente permanece nele.” (IJo 3:9)
Nos tempos modernos, a hanseníase deu lugar ao câncer, que também resulta de desejos descontrolados. A ciência forneceu um certo grau de assistência na “cura” dessas duas doenças terríveis, mas um remédio permanente só pode ser encontrado educando as pessoas para que compreendam a santidade do Espírito Santo dentro de cada um de nós e aprendam a viver uma vida de autocontrole que respeite e obedeça às Leis de Deus.
(Publicado na Revista Rays From The Rose Cross – abril/1984 – Traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
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Gravura: Christ Healing the Leper, from The Story of Christ. Georg Pencz-1534-35
No nome de Cristo Jesus mora a Suprema força do Iniciado. Eis o motivo pelo qual S. Pedro nos ensina: “Pedro lhes disse: ‘arrependei-vos e batize-se cada um de vós, em nome de Cristo Jesus, para o perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo.’” (At 2:38).
Complementado pelo que S. Paulo nos ensina: “Ao seu nome todo joelho se dobrará.” (Fp 2:10).
A palavra “amém” está composta de duas letras masculinas e duas femininas, correlacionadas com os quatro Elementos do: Fogo, Ar, Água e Terra. Quem pode entoar adequadamente esse nome, controlará todos os habitantes e as forças dos elementos. Poder adquirido pelos Discípulos no transcendental evento conhecido como Pentecostes.
Aprendemos nos Estudos Bíblicos Rosacruzes que há uma descrição da vida das primeiras comunidades Cristãs que nada mais é do que um ideal. Ei-la: “E perseveraram na doutrina dos Apóstolos, em comunhão uns com os outros, compartilhando o pão e orando. E sobreveio temor a todos; e muitas maravilhas e sinais eram feitos pelos Apóstolos. Todos os que creram estavam juntos e tinham em comum todas as coisas; vendiam suas propriedades e seus bens e repartiam a todos segundo a necessidade de cada um. E perseverando unânimes cada dia no Templo, repartiam o pão nas casas, comiam juntos com alegria e simplicidade de coração.” (At 2:42-46). Fácil compreender que ali se encontra o ideal da Nova Era – a Era de Aquário –, onde a amizade e a fraternidade serão demonstradas e praticadas cotidianamente. É somente pela prática, na vida diária da fraternidade, que se abrirão as portas do Templo da Sabedoria. Jamais encontraremos a luz até que aprendamos a manifestar o espírito de irmandade. O estudo dos livros fornece somente um conceito intelectual dessas verdades, porém aquele que se capacita a recebê-las na fonte é quem vive os princípios sobre os quais elas estão fundamentadas. É o famoso pensar com o Coração.
A formosa vida desses primeiros Cristãos foi um poderoso imã de atração. Ali, onde não existiam distinções de casta ou clã, nem patrícios nem plebeus, nem ricos nem pobres. Os neófitos conviviam e cada um era tratado e aceito como um irmão e como uma irmã. Suas comunidades eram centros de amor e de serviço, nas quais ninguém era excluído. Eles observavam extrema simplicidade em todas as coisas, redimindo pessoas que eram presas à imoralidade e práticas dissolutas, remanescentes da passada Era de Touro.
Admiráveis forças espirituais foram desenvolvidas e manifestadas no meio dessa gente. O grupo íntimo formava uma reunião com seu único Mestre, Cristo, que estava frequentemente entre eles, fortalecendo-os, estimulando-os e inspirando-os. Eles haviam aprendido também a segui-lo nos Mundos espirituais, dos quais Ele lhes havia dito: “Não podeis seguir-me agora, porém, o fareis depois” (Jo 13:36).
Apesar das frequentes perseguições e martírios a que eram expostos, esses primeiros Cristãos alcançaram uma sublime consciência, experimentando um profundo êxtase espiritual que ultrapassa toda compreensão humana e não pode ser comparado a coisa alguma. Cada noite, em alegre reverência, reuniam-se para uma frugal refeição, chamada na Grécia “ágape”, ou festa de amor Crístico. Seguia-se a isto, um período de estudo e celebração da Eucaristia. Depois, dava-se sequência a uma classe limitada àqueles avançados e maduros espiritualmente. Prosseguindo essas normas, novas e extensas forças de cura, profecia e visão foram desenvolvidas no meio deles, juntamente com a habilidade de comunicação com seu dileto Mestre. E isso porque vivenciavam tal Ensinamento de Cristo: “Se permanecerdes em minha palavra, sereis verdadeiramente Meus discípulos e conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará” (Jo 8:31-32). Simples assim!
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross e traduzido e publicado na Revista Serviço Rosacruz – janeiro-fevereiro/1987 – Fraternidade Rosacruz-SP)
É evidente que passamos um destino doloroso pelo mau uso da palavra. O emprego de palavras para expressar o pensamento é o nosso mais alto privilégio. Portanto, cada um de nós deveria se compenetrar da tremenda responsabilidade representada pela posse de tão maravilhosa faculdade.
A linguagem originou-se durante a Época Atlante, quando iniciamos a utilização de palavras como meio de comunicação. Quando habitamos Corpos que constituíram o que conhecemos como a primeira Raça Atlante, Rmoahals, começamos a dar nomes às coisas. Éramos ainda uma raça espiritual, tínhamos poderes anímicos idênticos às Forças da Natureza. Por meio de palavras exercíamos o poder sobre essas coisas a que dávamos nomes. Para nós, naquele momento, a linguagem era algo santo por ser a mais elevada expressão do Espírito. Jamais degradamos tal poder pela tagarelice ou maledicências.
As línguas são expressões do Espírito Santo que trabalha por meio das Raças e do Corpo de Desejos. As Religiões de Raça surgiram com o propósito de refrear a natureza de desejos. Quando nos purificarmos suficientemente nosso Corpos de Desejos, nos tornaremos aptos a nos compreendermos mutuamente, mesmo porque o sentimento de separatividade terá desaparecido.
Como exemplos podemos citar os Apóstolos, cujos Corpos de Desejos foram suficientemente purificados pela união com o Espírito Santo, podendo assim falar em diferentes idiomas, fazendo-se inteligíveis àqueles que os ouviam. Esta conquista todos nós, um dia, realizaremos: o poder de falar todas as línguas.
Foi por isso que o próprio Cristo nos ensinou: “Ou fazei a árvore boa, e o seu fruto bom, ou fazei a árvore má, e o seu fruto mau; porque pelo fruto se conhece a árvore. Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus, pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca. O homem bom tira boas coisas do seu bom tesouro, e o homem mau do mau tesouro tira coisas más. Mas, eu vos digo que de toda a palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no dia do juízo. Porque por tuas palavras serás justificado e por tuas palavras serás condenado.” (Mt 12:33-37).
Futuramente deixaremos de pronunciar palavras vãs, pois consideraremos a linguagem como algo profundamente sagrado. Pronunciaremos a “Palavra Perdida”, o “Fiat Criador” que sob a direção das Hierarquias Criadoras foi pronunciada na antiga Época Lemúrica para criar plantas e animais.
(Publicada na Revista Rays from the Rose Cross de setembro/1968 pela Fraternidade Rosacruz -SP-Brasil)
Nós lemos na Bíblia que os primeiros habitantes da Terra construíram uma torre, a Torre de Babel[1], com a intenção de se elevarem até ao céu. Jeová olhando para isso com olhar reprovador, decidiu colocar um fim a esse negócio e mergulhou a Humanidade em confusão, fazendo-a falar em línguas diferentes.
Essa história da Torre de Babel deve ser entendida em um aspecto totalmente simbólico.
Quando fomos expulsos do Jardim do Éden, por haver utilizado mal a força sexual criadora, rapidamente, percebemos a inconveniência da existência física em um corpo que tínhamos cristalizados indevidamente, e que começamos a conhecer o sofrimento, a doença e a morte. Essa é a causa que desejamos voltar à condição anterior de felicidade.
Para evitar de ser disperso por toda a Terra, construímos “uma cidade e dentro dessa cidade construiu uma torre, a fim de poder voltar para o céu (ou o Jardim do Éden)”. Mas isso não era mais possível, porque devemos, atualmente, aprender a dominar o nosso Corpo de Desejos que usávamos somente para satisfazer nossas paixões, desejos, emoções e sentimentos inferiores, despertados pelos Espíritos Lucíferos e a controlar as condições da Região Química do Mundo Físico.
Para alcançar esse resultado, Jeová nos dividiu em diferentes povos, cada um com a sua própria língua, e colocou cada um deles sob a direção de um grande Arcanjo, como se fosse um “Deus” particular deste povo: o Espírito de Raça.
Os diferentes povos e a diversidade de línguas são, consequentemente, obras de Jeová, o Espírito Santo. Mas nós sabemos que Cristo veio para abolir essas divisões (necessárias no passado), e reunir todas as nações em uma só e grande Fraternidade.
No Pentecostes[2] Ele fez descer sobre Seus Apóstolos o poder do Espírito Santo, sob a forma de línguas de fogo, e eles começaram a falar todas as línguas. Em seguida, é dito que as pessoas estrangeiras ficavam surpresas em ser compreendidas nas suas línguas nativas.
Aprendemos nos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental que nas Regiões inferiores do Mundo do Desejo, que constituem o Purgatório, as diferentes línguas são utilizadas. Mas, nas Regiões superiores, onde está o Primeiro Céu, existe somente uma língua universal e todos se entendem. Nós falaremos essa língua no futuro.
(Traduzido do Flash La Tour de Babel, da Association Rosicrucienne Max Heindel, Centre de Paris – Texte inspiré de l’enseignement rosicrucien légué à Max Heindel par les Frères Aînés de la Rose-Croix pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
[1] N.T.: (Gn 11:1-9) 1Todo o mundo se servia de uma mesma língua e das mesmas palavras. 2Como os homens emigrassem para o oriente, encontraram um vale na terra de Senaar e aí se estabeleceram. 3Disseram um ao outro: “Vinde! Façamos tijolos e cozamo-los ao fogo!”. O tijolo lhes serviu de pedra e o betume de argamassa. 4Disseram: “Vinde! Construamos uma cidade e uma torre cujo ápice penetre nos céus! Façamo-nos um nome e não sejamos dispersos sobre toda a terra!”. 5Ora, Iahweh desceu para ver a cidade e a torre que os homens tinham construído. 6E Iahweh disse: “Eis que todos constituem um só povo e falam uma só língua. Isso é o começo de suas iniciativas! Agora, nenhum desígnio será irrealizável para eles. 7Vinde! Desçamos! Confundamos a sua linguagem para que não mais se entendam uns aos outros”. 8Iahweh os dispersou dali por toda a face da terra, e eles cessaram de construir a cidade. 9Deu-se-lhe por isso o nome de Babel, pois foi lá que Iahweh confundiu a linguagem de todos os habitantes da terra e foi lá que ele os dispersou sobre toda a face da terra.
[2] N.T.: (At 2:1-13) 1Tendo-se completado o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. 2De repente, veio do céu um ruído como o agitar-se de um vendaval impetuoso, que encheu toda a casa onde se encontravam. 3Apareceram-lhes, então, línguas como de fogo, que se repartiam e que pousaram sobre cada um deles. 4E todos ficaram repletos do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia se exprimissem. 5Achavam-se então em Jerusalém judeus piedosos vindos de todas as nações que há debaixo do céu. 6Com o ruído que se produziu a multidão acorreu e ficou perplexa, pois cada qual os ouvia falar em seu próprio idioma. 7Estupefatos e surpresos, diziam: “Não são, acaso, galileus todos esses que estão falando? 8Como é, pois, que os ouvimos falar, cada um de nós, no próprio idioma em que nascemos? 9Partos, medos e elamitas; habitantes da Mesopotâmia, da Judéia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, 10da Frigia e da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia próximas de Cirene; romanos que aqui residem; 11tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, nós os ouvimos apregoar em nossas próprias línguas as maravilhas de Deus!”. 12Estavam todos estupefatos. E, atônitos, perguntavam uns aos outros: “Que vem a ser isto?”. 13Outros, porém, zombavam: “Estão cheios de vinho doce!”.
Resposta: Sim, de acordo com a Filosofia Rosacruz, a Doutrina da Trindade ou Santíssima Trindade é um fato. Deus é Um, mas ao mesmo tempo Ele é Trino, incorporando o Pai, o Filho e o Espírito Santo, ou seja, os princípios da Vontade, da Sabedoria e da Atividade. Todos são um Poder Espiritual definido, intimamente relacionados, funcionando como uma unidade. Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que S. João Evangelista nos fornece uma definição maravilhosa da Deidade quando diz: “Deus é Luz”[1]! Notamos, a partir daí, que o termo “luz” vem sendo usado para ilustrar a natureza de Deus nos Ensinamentos Rosacruzes, especialmente no que diz respeito ao mistério da Trindade na Unidade. Nos nossos Estudos Bíblicos Rosacruzes vemos na Sagrada Escritura que Deus é uno e indivisível. Ao mesmo tempo, sabemos que a luz branca se refrata e se divide nas três cores primárias: o vermelho, o amarelo e o azul. Assim Deus aparece em um tríplice papel, quando está se manifestando, como agora nesse Grande Dia de Manifestação, por meio do exercício das três funções divinas: a criação, a preservação e a dissolução.
Deus exerce Seu atributo de criação quando aparece como Jeová, o Espírito Santo. Aqui Ele é o Senhor da Lei e da geração, e para isso projeta o princípio solar fertilizante indiretamente através das luas de todos os Planetas, quando é necessário fornecer Corpos para os seres que estão evoluindo no Planeta da qual a lua faz parte.
Deus exerce o Seu atributo de preservação quando é necessário sustentar os Corpos gerados por Jeová, sob o domínio das Leis da Natureza. Aqui ele aparece como o Cristo, irradiando os Princípios do Amor e da Regeneração diretamente para quaisquer Planetas onde os seres que lá estão evoluindo necessitem desse auxílio; como isso liberta esses seres da mortalidade e do egoísmo; induz esses seres a praticarem o altruísmo e a obter a vida sem fim.
Deus exerce o Seu atributo de dissolução quando aparece como Pai. Aqui Ele que nos chama de volta ao nosso verdadeiro Lar Celestial. O objetivo é que os frutos da experiência e do crescimento anímico, por nós entesourados durante o Dia de Manifestação, sejam assimilados.
Se observarmos bem no nosso entorno, veremos que todo esse processo de criação e nascimento, de preservação e de vida, de dissolução e morte, e volta ao Autor do nosso Ser executado por Deus pode ser observado em tudo. Se assim o fizermos será fácil reconhecer o fato de que são atividades do Deus Trino, quando está se manifestando.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro/1971-Fraternidade Rosacruz-SP)
[1] N.R.: IJo 1:5
Como estudamos no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz: “os Símbolos Divinos que foram dados a nós, de tempos em tempos, falam àquele fórum da verdade que está dentro de nossos corações, e despertam nossa consciência para ideias divinas inteiramente além das palavras. Portanto, o simbolismo, que desempenhou um papel importantíssimo em nossa evolução passada, ainda é uma necessidade primordial em nosso desenvolvimento espiritual; daí a conveniência de estudá-lo com nossos intelectos e nossos corações.”
Contemplando as rosas na cruz do Símbolo Rosacruz primeiro notamos que elas são da cor vermelho-sangue, cuja cor representa as atividades de Deus na natureza se manifestando como o Espírito Santo. O paralelo humano aponta para o mistério do Sangue Purificado.
O sangue é o veículo através do qual nós, o Ego, mantemos o controle do nosso Corpo Denso, e em particular através do ferro mediado por Marte, tornando possível o calor necessário no sangue. Por meio dos processos de viver retamente, as vibrações do Corpo Denso são harmoniosamente elevadas e o sangue é purificado e transformado no Sangue de Cristo. Este é um dos processos regeneradores do Cristo em nós, o nosso Cristo Interno. Alguns dos frutos desta condição são que o Corpo Denso se torna um instrumento nosso mais sensível e responsivo. Os poderes dele de imunidade são fortalecidos. Se alguém sofrer a picada de uma cobra venenosa, o veneno é neutralizado e eliminado, como afirma a Bíblia.
Quando Cristo-Jesus ressuscitou dos mortos, Ele veio aos Seus apóstolos e os imbuiu com o Poder do Espírito Santo em cumprimento à Sua promessa. Este foi o Batismo de Fogo. Ele só pode ser invocado com segurança, quando estamos estabelecidos nos Princípios de Cristo, os Princípios Crísticos. Nos Mistérios ou Iniciações, este Batismo é a realização do Casamento Místico, ou a união da Personalidade (o “eu inferior”) com a Individualidade (o “Eu superior”). As barreiras na Mente concreta são queimadas e grandes obras seguem.
Assim como as sete Rosas Vermelho-sangue no Símbolo Rosacruz se referem, macrocosmicamente, às sete Hierarquias Criadoras atualmente ativas na evolução humana, no nível microcósmico elas se referem aos sete dons pentecostais que cada Aspirante à semelhança de Cristo alcançará.
A Primeira Rosa é um penhor da bela promessa de Clarividência e Clariaudiência, ou visão clara e audição clara dos Mundos invisíveis. Quando, no progresso espiritual científico no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, os canais dos sentidos forem limpos de obstruções e harmoniosamente sintonizados com vibrações supranormais, essas habilidades serão adquiridas. Eles estão sob o controle da vontade iluminada e são usadas no amor para justamente o serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) focado na divina essência oculta em cada irmão e em cada irmã no nosso entorno. Esta primeira Flor do Espírito tem sua raiz, folha e seu broto na vida diária simples. A observação é o começo de toda a realização espiritual. Você veria claramente? Então deseje de todo o coração ver “de maneira direta” – sem instrumentos físicos ou por meio de outra pessoa – e compreensivamente. Livre a Mente do preconceito e das opiniões preconcebidas. Absorva a verdade do que você contempla, deixando de lado todas as ilusões do “eu inferior” que distorcem a sua visão. Somente os olhos do amor podem ver a verdade. A audição clara, a Clariaudiência, também depende das qualidades acima e do cultivo de um foco pronto e completo da atenção. Você chegará a entender outras pessoas muito melhor pelo cultivo e persistência em fazer o Exercício Esotérico de Observação, focando a sua atenção em uma atitude gentil e, assim, as revelações seguirão.
A Segunda Rosa é o símbolo da profecia. Este poder do Espírito Santo fornece o discernimento das causas de eventos passados e presentes e confere a inspiração para prever o futuro. É essencialmente um poder intelectual de discernimento aguçado. E isso se obtém com a prática constante do Exercício Esotérico de Discernimento. O Caminho da Preparação e Iniciação Rosacruz exige o cultivo da capacidade de identificar o essencial entre o não essencial na experiência e evolução humanas. Cego para o futuro que estão criando por atividade não iluminada, uma Humanidade sofredora clama por líderes de visão verdadeira. Esta condição escurecida é um resultado da Mente concreta estar em seu estágio de evolução de Saturno ou mineral; ela ainda não despertou na consciência espiritual. Estamos construindo formas de pensamento e desenvolvendo faculdades, mas não dotamos a Mente com a sabedoria do Coração. Devemos aprender a correlacionar adequadamente Causa e Efeito. Sem essa habilidade, não estamos nem preparados para receber e seguir um profeta, porque não desenvolvemos os meios infalíveis para provar sua verdade. Então, tateamos até que, em conformidade com as Leis Divinas, escrevemos nas “tábuas de carne de nossos corações”[1]. “Ainda que eu tenha o dom de profecia e não tenha amor, nada sou.”[2] Então, no amor, estudamos causa e efeito e aprendemos a profetizar.
A Terceira Rosa designa o poder de ensinar a Verdade e o conhecimento que a Verdade gera. Aprendemos por meio dos sentidos, das emoções e do pensamento, mas todas essas faculdades estão sujeitas a erros. Todo entendimento verdadeiro se origina no “Eu superior”; ele vem de cima. Embora primeiro tome forma na Mente abstrata, ele deriva sua sabedoria e seu poder do Mundo do Espírito da Vida.
À medida que nos afastamos da vida pessoal e nos esforçamos para viver a vida espiritual, gradualmente, estabelecemos linhas de força ou canais de comunicação entre a Mente concreta e a Mente abstrata. Finalmente, com a ajuda do Espírito Santo, o Casamento Místico é consumado. A partir desse momento, a Verdade é discernida em medida cada vez maior. Não precisamos mais confiar inteiramente nos registros dos outros. Lemos no livro Memória da Natureza, que é o pergaminho de Deus. O julgamento justo é alcançado, e podemos então distinguir, infalivelmente, entre profetas verdadeiros e falsos. Ensinar no conhecimento da Verdade nos ajuda a ser todas as coisas para todos os seres humanos e fornecer a eles o que é realmente necessário, de acordo com suas necessidades. É então que nos tornamos canais verdadeiros e autoconscientes para os Irmãos Maiores em seu trabalho pela Humanidade. Então “nascerá o Sol da Justiça, com cura em Suas asas” (Mal 4:2).
A Quarta Rosa convida à meditação sobre a natureza do Poder de Cura, os métodos de adquiri-lo e os frutos de sua operação. Da Divindade em nós emanam três fluxos especializados de energia radiante: Força de Vontade, Sabedoria e Atividade, correlacionados aos raios azul, amarelo e vermelho, respectivamente. O Poder de Cura é essencialmente do raio dourado, tendo sua fonte no Espírito da Vida, operando através da Alma Intelectual sobre a Mente. A natureza desta vibração é harmonizadora e vitalizante. Deus é Amor, Sabedoria e Luz; portanto, todo o sofrimento e toda a discórdia na experiência humana são o resultado de expressar nossas energias fora de harmonia com as Leis Divinas, que é sempre imutável. Durante a metade marciana do presente Período Terrestre ou, mais especificamente, até a metade da quarta Revolução no Globo D do Período Terrestre, a tônica principal da atividade humana foi caracterizada pela diferenciação, repulsão e força centrífuga. Durante a metade mercuriana (da metade da quarta Revolução no Globo D do Período Terrestre em diante), estamos lentamente aprendendo a verdadeira relatividade e as Leis da Natureza. O Discípulo da Cura deve seguir as sequências indicadas na analogia divina. Ele deve endireitar os caminhos do Senhor[3] em si mesmo. Paz, purificação, compreensão e amor devem se tornar seu estado de ser. Entre os frutos da Cura Espiritual Rosacruz, a recuperação de doenças físicas é o último fator a ser considerado, pois é o efeito da saúde, força e regeneração primeiramente transmitido aos veículos superiores. Devemos lidar com as causas da discórdia. Todos os métodos de cura que não consideram esse processo de regeneração como primordial apenas frustram a Natureza em suas medidas corretivas, que estão lenta, mas seguramente nos levando à conformidade com as Leis Divinas.
A Quinta Rosa simboliza o poder de expulsar demônios. “Fará coisas ainda maiores do que estas”[4]. Este poder da Mente Divina, a Mente Crística, inclui a capacidade de nos libertar de todas as formas de obsessão em inimizade com Deus e o ser humano. Residências para os psiquicamente perturbados estão lotadas de infelizes que são vítimas de vários tipos de obsessão, desde a de um pensamento ou emoção até a de entidades desencarnadas. Vamos esperar libertá-los pela promessa fiel de nosso Salvador. Aprendemos a natureza dos demônios por uma longa lista de qualidades descritas em qualquer enciclopédia bíblica. Violência, luxúria, engano, sutileza, orgulho, mentira, crueldade e medo são algumas das enumeradas. Aqui temos um esboço claro da obra que cada Discípulo de Cristo deve primeiro realizar dentro de si mesmo. Como podemos esperar expulsar demônios dos outros sem primeiro expulsá-los de nós mesmos! Vamos “vigiar e orar, para que não entremos em tentação”[5].
A Sexta Rosa relembra à nossa aspiração o poder glorioso da Palavra manifestado por nosso Senhor quando Ele acalmou a tempestade no mar da Galileia[6] e liberou a vida da figueira estéril[7]. Existem grandes Inteligências que comandam as atividades dos Elementais do Fogo, Ar, da Água e Terra. A Mente Crística pode comungar com esses seres espirituais e modificar as atividades de seus encargos. O cultivo do poder da Palavra tem seu humilde começo na condução de nossas atividades diárias. Quando consagramos o privilégio sagrado da fala à verdade e ao amor, um poder gradualmente impregna a palavra, e nossos ouvintes sentem algo dentro de si concedendo consentimento. Confiança e compreensão brilham de alma para alma: “Que as palavras da minha boca e as meditações do meu coração sejam agradáveis a Tua presença, ó Senhor, minha força e meu Redentor.”
A Sétima Rosa é emblemática do poder glorioso de ressuscitar os mortos. Como todos os outros dons espirituais, ela tem muitas aplicações. De uma forma geral, significa a sobrevivência do verdadeiro Eu após a morte da Personalidade ou do “eu inferior”. Elias ressuscitou o filho da viúva como uma testemunha do poder de Deus. Cristo Jesus ressuscitou Lázaro como uma testemunha do poder de Deus, naqueles a quem Ele envia como mensageiros para uma Humanidade espiritualmente adormecida.
A ressurreição de Lázaro é o símbolo da Iniciação espiritual. Quando o tempo de preparação é cumprido, a alma na consciência desperta se separa do Corpo Denso e entra nos Mundos invisíveis onde o propósito divino é revelado e os registros das fases passadas da evolução humana são mostrados na Memória da Natureza.
Sabedoria e maestria das forças da Alma e do Espírito dotam o Iniciado com poder glorioso para guiar e auxiliar a Humanidade. O medo da morte é conquistado e a morte física é reconhecida como um evento misericordioso na Vida Eterna.
Mas podemos ressuscitar os mortos no poder da revelação que nos chegou nos ensinamentos dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz. Por nossa compreensão e pelas experiências que nos chegaram como Probacionistas e Discípulos, estamos equipados com conhecimento que pode convencer as pessoas que acreditam ser apenas entidades físicas condenadas à extinção na morte, que são essencialmente divinas e eternas em ser. Então nós os ressuscitamos dos mortos. “Ó Morte, onde está teu aguilhão, ó Sepultura, onde está tua vitória”[8], quando conhecemos o propósito da vida e nosso parentesco com nosso Criador?
A Rosa Branca que a Fraternidade Rosacruz utiliza: no Ritual do Serviço Devocional do Templo, no Ritual do Serviço Devocional de Cura e outros Rituais do Serviço Devocional é o início e o fim dos seus Símbolos de aspiração espiritual. No Caminho da Preparação e Iniciação Rosacruz, simboliza a paz e purificação, duas condições que devem ser estabelecidas como estados de ser antes que as obras superiores sejam alcançadas. Na analogia sublime, a Rosa Branca indica a transmutação de todos os poderes na Luz Branca de Deus. Na luta diária para conformar nossas vidas ao Plano Divino, estamos construindo o Corpo-Alma, o corpo celestial de luz, no qual funcionamos como Auxiliares Invisíveis.
“São as pequenas sementes de pensamentos gentis que são espalhadas aqui e ali, Que produzem uma colheita abundante, para que todo o mundo possa compartilhar.”
(Publicado na Revista Rays from The Rose Cross de novembro-dezembro/1997 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
[1] N.T.: Começaremos de novo a nos recomendar? Ou será que, como alguns, precisamos de cartas de recomendação para vós ou da vossa parte? Nossa carta sois vós, carta escrita em nossos corações, reconhecida e lida por todos os homens. Evidentemente, sois uma carta de Cristo, entregue ao nosso ministério, escrita não com tinta, mas com o Espírito de Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, nos corações!”. Tal é a certeza que temos, graças a Cristo, diante de Deus. (IICor 3:1-5)
[2] N.T.: ICor 13:2
[3] N.T.: Is 40:3-4 e Is 45:2-3, e em Pb 3:6-10
[4] N.T. Jo 14:12
[5] N.T.: Mt 26:41
[6] N.T.: Depois disso, entrou no barco e os seus discípulos o seguiram. E, nisso, houve no mar uma grande agitação, de modo que o barco era varrido pelas ondas. Ele, entretanto, dormia. Os discípulos então chegaram-se a ele e o despertaram, dizendo: “Senhor, salva nos, estamos perecendo!”. Disse-lhes ele: “Por que tendes medo, homens fracos na fé?”. Depois, pondo-se de pé, conjurou severamente os ventos e o mar. E houve uma grande bonança. Os homens ficaram espantados e diziam: “Quem é este a quem até os ventos e o mar obedecem?”. (Mt 8:23-27)
[7] N.T.: Contou ainda essa parábola: “Um homem tinha uma figueira plantada em sua vinha. Veio a ela procurar frutos, mas não encontrou. Então disse ao vinhateiro: ‘Há três anos que venho buscar frutos nesta figueira e não encontro. Corta-a; por que há de tornar a terra infrutífera?’ Ele, porém, respondeu: ‘Senhor, deixa-a ainda este ano para que eu cave ao redor e coloque adubo. Depois, talvez, dê frutos… Caso contrário, tu a cortarás’”. (Lc 13:6-9)
[8] N.T. ICor 15:55
A reverência pela Vida, pelo Amor e pela Luz, perfeitamente compreendida em toda intensidade do significado dessas três poderosas palavras, só pode ser conseguida depois que o significado transcendente do sagrado Sol se torne parte do nosso conhecimento interior como Sabedoria e Amor.
Os êxtases divinos que vêm, como recompensa aos “puros de coração”, trazem consigo um conhecimento de Deus e esse conhecimento encerra em si a majestade do nosso Deus Solar, cujos poderes estão por trás do Sol físico, visível.
A glória do nosso Deus Solar é muito pouco avaliada por nós. Não somos agradecidos pelo Seu enorme sacrifício.
Por trás do Sol físico há o Sol Espiritual, invisível aos nossos olhos mortais. Este Sol Espiritual é, na realidade, nosso Pai que está nos céus. “N’Ele vivemos, nos movemos e temos a nosso ser”[1].
Não nos maravilha que os antigos Caldeus, com sua sabedoria divina que era parte inerente de sua consciência, consciência essa muita diferente da nossa atual, adorassem o Sol. Pois eles conheciam diretamente, em primeira mão, que esse grande Espírito Solar era, na realidade, seu Pai e que a Vida, o Poder e a Luz de todo o nosso Sistema Solar eram Seus.
No poderoso movimento que agora sacode a Terra com a finalidade de nela fermentar o amor e a inteligência espiritual, no movimento da Fraternidade Rosacruz, mais uma vez a Astrologia Rosacruz encontra seu lugar, lugar sagrado que conservou durante muito tempo nas civilizações passadas. Em vista desse fato, é aconselhável mostrar qual o propósito real do Sol na Astrologia Rosacruz, isto é, seu propósito como veículo de Deus e como o horóscopo de nascimento é um mapa sagrado; é uma assinatura nossa – um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui – escrita nos céus.
O Sol é o centro do nosso Sistema Solar. É a Luz, o Amor e a Vida que alimentam nosso Sistema Solar. A Luz Espiritual é o Pai, o aspecto Vontade; o Amor é o Filho (Cristo), o aspecto Sabedoria, e a Vida é o Espírito Santo (Jeová), o aspecto Atividade. Essa Trindade Divina forma o Deus Trino e Seu Poder é representado na Astrologia Rosacruz pelo Sol que alimenta e serve nosso organismo como um todo.
Conhecendo esses fatos é nosso dever auxiliar, prestar assistência e servir aqueles que necessitam. Tanto isso é verdadeiro que na Era de Aquário aqueles que fizeram mau uso dos seus conhecimentos da Astrologia Rosacruz para fins egoístas, como meio de obter ganho (seja financeiro ou de fama ou de poder), perderão o seu conhecimento. A Astrologia Rosacruz será conhecida somente por aqueles que olham essa Ciência Divina e Sagrada com santa intenção.
À luz dos fatos precedentes, consideremos o lugar e a força do Sol num horóscopo. O Sol, como centro de toda vida e de todo ser, é a nota-chave de qualquer horóscopo. A força básica, inerente ao motivo, é determinada pela força e posição do Sol, completada pela da Lua. Os Planetas são os distribuidores de destino, e o Ascendente significa o ser humano físico.
A força do Sol pode, é logico, ser modificada pelo Signo que o contenha. Os Signos Fixos lhe dão mais força, seguindo dos Signos Cardeais (ou Cardinais) e depois os Signos Comuns. Um Sol numa Casa Angular também mostra a força com a qual somos fortalecidos para enfrentarmos as adversidades da vida psicofísica.
A 1ª Casa é um angulo feliz para o Sol. É um lugar de força e fornece abundância de vitalidade, quando ele não está afligido por Aspectos adversos (Quadratura, Oposição e algumas Conjunções adversas). Reconhece-se facilmente uma pessoa com o Sol na 1ª Casa, porque tem Personalidade que ela consegue comandar. É o que pode ser chamado de “Dignidade Solar”. As “almas mais velhas” é que têm o Sol na 1ª Casa e são caracteres esplendidos. Dessas, temos exemplo notável em Max Heindel que tinha o Sol nos primeiros graus de Leão. Nesses indivíduos, se vê o Sol em seus rostos, pois possuem o que chamamos de expressão solar. Tais indivíduos conseguem grande desenvolvimento espirituais com Aspectos benéficos ou adversos. Uma pessoa já despertada, mesmo com um horóscopo cheio de Aspectos adversos, transmuta os obstáculos e os egoísmos, fazendo-os de degraus para o altruísmo, dependendo da força e do modo de aplicação da vontade despertada.
Contrariando a opinião popular a respeito, vemos que a 4ª Casa é uma posição muito forte para o Sol. Podemos chamar a 4ª Casa de ângulo magnético-psíquico. Em geral, como se passa nessa Casa como real, espiritual, esse ângulo é o mais forte dos quatro. O Sol na 4ª Casa fornece a maior parte dos obstáculos e impedimentos durante a vida física. Contudo, quando o Sol está fortalecido, proporciona à pessoa coragem e habilidade ativa para se sobrepor aos obstáculos e se ela tiver força de vontade já desenvolvida, ganhará grande crescimento anímico com isso. Seu estado evolucionário se elevará, conforme a quantidade de trabalho progressista que tenha feito durante esse renascimento. Com o Sol nessa posição há abundância de possibilidades espirituais latentes, trazidas dessa vida ou de vidas passadas. Todavia, essas possibilidades serão, por certo, cerceadas e incapazes de terem expressão completa. O nadir é um ponto psíquico e oculto, e traz abundantes dificuldades; mas também fornece força suficiente para que a pessoa se sustenha em todas as situações difíceis. O “teste supremo da alma” vem, em geral, àqueles que têm o Sol na 4ª Casa.
O Sol na 7ª Casa fornece um esplêndido campo de ação para os sentimentos mais nobres e para as emoções mais elevadas. De acordo com o estado e Destino Maduro da pessoa, assim serão as experiências que terá com o púbico e suas relações. Na Era de Aquário, agora próxima, as pessoas com o Sol na 7ª Casa serão procuradas para serem elevadas a posições em que muito beneficiarão a Humanidade. Esse ângulo, portanto, é um ponto estratégico para a alma sábia se expressar em suas relações com os companheiros de viagem do porto do Nascimento ao porto da Morte.
O Sol na 10ª Casa está em posição idêntica à da primeira. No entanto, a 10ª Casa lhe aumenta o poder. Habilita a pessoa para os lugares de autoridade e da dignidade. Essa posição proporciona às pessoas força e propósito e não importa a esfera em que vivam, serão bem conhecidas, tanto no bem como no mal.
Todos os Aspectos, benéficos ou adversos, deverão ser cuidadosamente considerados. Os Aspectos adversos fornecem incentivo e força para melhorar no caminho espiritual. Proporcionam desejos de transmutar o que é inferior no que é mais elevado. Os Aspectos adversos do Sol impelem as almas despertadas para a sua realização e se elas possuírem a coragem necessária, obterão vitórias genuínas, que lhes fornecerão simetria anímica, isto é, “a cabeça e o coração” unidos em perfeito equilíbrio, como é o ideal Rosacruz.
Há horóscopos com Aspectos benéficos cujos possuidores são pessoas indolentes, preguiçosas e que não tem inclinação para tomarem os negócios de Deus-Pai; por outro lado, há horóscopos com Aspectos adversos, cujas pessoas são impelidas por uma fome anímica enorme que as fazem ativas, determinadas, que tudo fazem para se sobreporem a vida material, grosseira. Quando um horóscopo está com muitos Aspectos adversos há, em geral, uma grande necessidade interna de luz, quer isso se manifeste ou não, o que depende da Vontade espiritual.
Os Aspectos adversos, especialmente entre o Sol (Espírito) e Marte (os sentidos), invariavelmente oferecem os melhores caminhos para o nosso avanço espiritual, se soubermos escolhê-los. Tais Aspectos proporcionam a nós excelente oportunidade para muito desenvolvimento espiritual. De fato, estando despertados espiritualmente quase sempre mudamos o nosso temperamento e a nossa Personalidade pelo uso correto das forças dinâmicas ativas entre o Sol e Marte. Além disso, é axiomático que todas as pessoas ativas têm, indubitavelmente, algum Aspecto entre Marte e o Sol, pois, onde há Aspecto, seja ele benéfico ou não, há ação! Onde não há, dificilmente há ação.
Os que são espiritualmente “vivos” sabem como pôr sua força anímica (a Lua) como mediadora entre as forças de Marte e as altas vibrações do Sol. Dessa alquimia mística, dessa divina sublimação surgirá uma essência que confere poder e liberdade espiritual.
O segredo do Sol é o segredo da vida. Aquele que ordena sua vida sabiamente, com inteligência aquariana, será purificado e transmutado por meio do caminho do Sol constituído pelos doze símbolos divinos, os doze Signos de Zodíaco.
Pelo estudo reverente da Astrologia Rosacruz pode-se chegar à união espiritual com a consciência do Cristo.
O poder do Sol vitaliza todo o Cosmos, rico em diversidade, embora esplêndido na unidade. A variedade unitária da natureza é espantosa em sua glória, estupenda em sua magnificente beleza. Tempo virá em que as pessoas que estão imersas em pompa e nos desejos físicos, deverão sair da escuridão em busca da Luz.
Aqueles que vibram com a força do Sol estão, agora, tentando destruir as condições cristalizadas do mundo; está fornecendo verdades que fermentarão toda a Terra no futuro, verdades que darão maior incentivo a nós para viver a Vida de Cristo, verdades que terão de ser praticadas e compreendidas antes que a Era de Aquário chegue.
A avareza, a luxúria, o ódio, a ignorância e todas as outras limitações que nos mantêm presos devem ser afastadas, devem ser repelidas pelos processos de limpeza promulgados pelos vanguardeiros. Estamos num dia de transição, num dia de purificação. A força do Cristo está cada vez mais se fortificando na Terra e saiba a maioria ou não, creia ou não, o regime de Cristo está se estabelecendo, apesar da aparente contradição das atuais condições do mundo. A harmonia, a cooperação, o altruísmo se tornarão realidade e substituirão os mitos que hoje são ensinados e que são discutidos por aqueles que menos os praticam no mundo.
Deste fervente caldeirão da idade moderna surgirá, todavia, a democracia de Aquário, a Democracia de Cristo, um estado de vida agradável e harmonioso que vem sendo previsto. A simpatia, a compreensão, a tolerância, a amizade, a compaixão e a fraternidade humana serão fatos e não teorias. Pois, acreditemos ou não, somos os guardiões dos nossos irmãos e das nossas irmãs, e os verdadeiros aquarianos serão aqueles que farão a Sua Vontade, a Vontade d’Aquele que os enviou a Sua “Vinha”.
E em cada horóscopo do ser humano, o Sol nos fornece a conhecer seu estado aquariano, se tivermos conhecimento bastante para ler essa mensagem mística.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – setembro/1960 – Fraternidade Rosacruz – SP – Traduzido de “Rays from the Rose Cross” pela Fraternidade Rosacruz do Rio de Janeiro em 1935)
[1] N.T.: At 17:28
É um fato notável, o de que a técnica e a ciência física evoluíram muito, desde meados do século retrasado, mas o desenvolvimento moral e a força equilibradora do amor não seguiram paralelamente; ficou muito para trás. Com isto, recebemos recursos materiais, conforto de toda ordem, mas, carecendo de base moral para usar dignamente essas coisas, muitos de nós, passa a ser prejudicado por elas. No fundo é esse desequilíbrio que faz mal a tantas pessoas, senão até a nós mesmos!
Somos um ser complexo, pois temos veículos espirituais (Tríplice Espírito), veículos corporais (Corpo Denso, Corpo Vital e Corpo de Desejos), um veículo chamado Mente e, ainda, um produto do nosso trabalho sobre os nossos três Corpos, que chamamos de Tríplice Alma. Isso nos leva a conclusão de que temos que sermos atendidos inteiramente em nossas necessidades.
O materialismo não leva em conta os fatores extras físicos e daí verificamos que a ilustração apenas e o conhecimento cientifico não podem proporcionar a nós o equilíbrio e felicidade de que prescindimos nesse Mundo Físico. Conhecemos muitos intelectuais, “homens da ciência”, muitos ditos até “sábios”, porém, quantos seres humanos realmente santos conhecemos? Está aqui um exemplo de um desequilíbrio enorme entre Intelectualidade e Espiritualidade, entre Razão e Devoção.
A ciência e a técnica têm se caracterizado pela violência, pela agressividade aos direitos humanos mais sagrados, inclusive com argumentos egoístas e ignorantes como: “o fim justificam os meios”. Elas estabeleceram uma ordem de coisas em que o ser humano, um filho de Deus, criado a imagem e semelhança do Criador, herdeiro de todas as promessas bíblicas, foi convertido à força como originado a partir de um acidente de resultados de reações químicas aleatórias, um acessório da máquina, num produtor de lucros, ainda escravo de injustiças sociais. Muitos seres humanos, iluminados por Deus, apelaram e apelam para o resultado que essas forças materialistas produzem como escravizadoras do ser humano em todos os lugares da Terra e a necessidade urgente da luta pelo direito humano real e o estabelecimento de uma sociedade democrática contínua. É óbvio que, lentamente, em lugares da Terra conceituados como “mais desenvolvidos”, os seres humanos vão tratando de conhecer a tão desprezada e útil disciplina das relações humanas e da filosofia da discussão, para tentar chegar ao entendimento do “amai-vos uns aos outros”. Então, até muitos chegam a compreender a frase de Cristo: “Não vim trazer a paz, senão a espada” (Mt 10:34). Afinal, como aprendemos na Filosofia Rosacruz, “todas as Religiões de Raça são do Espírito Santo. Baseadas na lei são insuficientes, porque produzem o pecado e acarretam a morte, a dor e a tristeza.”. E “todos os Espíritos de Raça sabem disso e compreendem que suas Religiões são, tão somente, passos necessários para atingir algo melhor. Todas as Religiões de Raça, sem exceção, indicam Alguém que virá, o que demonstra a assertiva anterior.”. E é nesse sentido que “todos os templos principais foram construídos com frente para leste, para que os raios do Sol nascente pudessem brilhar diretamente através das portas abertas. O templo de S. Pedro, em Roma, foi assim edificado. Todos estes fatos demonstram que, geralmente, era sabido que Aquele que viria seria um Sol Espiritual, para salvar a Humanidade das influências separatistas das Religiões de Raça.”
As Religiões de Raça foram os passos necessários para todos nós com o objetivo de nos prepararmos para a vinda de Cristo. Afinal de contas, antes de tudo, precisamos cultivar um “eu” – um indivíduo separado, interessado em seu desenvolvimento enquanto está aqui renascido na Região Química do Mundo Físico – antes de poder sermos desinteressado e, a partir daí sim compreender o aspecto superior da Fraternidade Universal – que une todos nós –, que exprime unidade de propósitos e interesses. Na Sua primeira vinda “Cristo lançou as primeiras bases da Fraternidade Universal.”. Essa Fraternidade Universal só será coisa verdadeiramente realizada quando o Cristo voltar!
“Como o princípio fundamental de toda Religião de Raça é a separação, que indica o engrandecimento próprio a expensas de outros seres humanos e nações, é evidente que, levado às suas últimas consequências, esse princípio teria necessariamente uma tendência destrutiva e frustraria a evolução, a menos que a Religião de Raça fosse substituída por uma Religião mais construtiva.”.
Estudando profundamente o assunto é fácil chegar à conclusão de que as Religiões de Raça, que também chamamos de “Religiões separatistas do Espírito Santo devem dar lugar à unificante Religião do Filho, a Religião Cristã.”.
Ou seja, a Lei (que é base das Religiões de Raça) “deve ceder lugar ao Amor, e as Raças e nações separadas devem se unir numa Fraternidade Universal, tendo Cristo como Irmão Maior.”.
Agora, não confundamos a Religião Cristã como a que temos evidenciado no mundo atualmente, pois “a Religião Cristã não teve ainda o tempo necessário para realizar o seu grande objetivo” que é unir todos os seres humanos numa “Fraternidade Universal, tendo Cristo como Irmão Maior”. Até agora a grande maioria dos seres humanos está sob a influência do dominante Espírito de Raça (ainda que, muitos, não continuamente; ainda que muitos se esforçando – e até se destruindo – para viver em reminiscências, tais como o patriotismo, o Espírito de tribo e até o Espírito de família). De fato, se observarmos bem os ideais do Cristianismo ainda são demasiado elevados para muitas pessoas! “O intelecto pode ver nesses ideais – verdadeiramente Cristãos – algumas belezas e, facilmente, admite que devemos amar os nossos inimigos, mas as paixões do Corpo de Desejos permanecem demasiado fortes. Sendo a lei do Espírito de Raça ‘olho por olho’, o sentimento afirma: ‘hei de me vingar’. O coração pede Amor, mas o Corpo de Desejos anseia por vingança. O intelecto vê, em abstrato, a beleza de amar os nossos inimigos, mas nos casos concretos, se alia aos sentimentos vingativos do Corpo de Desejos com a desculpa de fazer justiça, porque ‘o organismo social deve ser protegido’”.
Agora, logicamente, é motivo de regozijo quando percebemos em muitos lugares que se sinta o “desejo de criticar os métodos empregados. Os métodos corretivos e a misericórdia vão se tornando cada vez mais preponderantes na administração das leis”. Se observarmos bem e estudarmos um pouco, “podemos notar manifestações desta tendência na frequência com que são suspensas as sentenças e deixados à prova prisioneiros convictos, e no espírito da Humanidade que nos tempos atuais se usa para com os prisioneiros de guerra. É a vanguarda do sentimento de Fraternidade Universal que está fazendo sentir sua lenta, mas segura influência.”.
Agora, não sejamos hipócritas: “em geral, o mundo não gosta de considerar coisas que julga ‘demasiado’ altruísta, como se falar de Fraternidade Universal. Deve haver uma razão para isso. Não considera norma de conduta natural a que não ofereça uma oportunidade de ‘conseguir alguma coisa dos seus semelhantes’. As empresas comerciais são planejadas e conduzidas segundo esse princípio. Ante a Mente desses que estão escravizados ao desejo de acumular riquezas inúteis, a ideia da Fraternidade Universal evoca as terríveis visões da abolição do capitalismo e sua inevitável consequência, a exploração dos demais, e enfim, o fatal naufrágio dos ‘interesses de negócios’. A palavra ‘escravizados’ descreve exatamente a condição.”.
Por meio dos Ensinamentos Bíblicos Rosacruzes é fácil concluir que de acordo com a Bíblia, nós deveríamos ter domínio sobre as “coisas do mundo”, mas na grande maioria dos casos, o inverso é a verdade: as “coisas do mundo” é que tem domínio sobre nós. Afinal, se nós temos interesses próprios admitiremos, em nossos momentos de lucidez, “que as posses constituem uma fonte inesgotável de aborrecimentos, que se vê constantemente obrigado a traçar planos para conservar seus bens, ou pelo menos cuidar deles para evitar perdê-los, pois sabe ‘por dura experiência’ que os outros estão sempre procurando tomá-los. O ser humano é escravo de tudo aquilo que, por inconsciente ironia, chama de ‘minhas posses’ quando, em realidade, são elas que o possuem.”.
Como disse o filósofo e poeta Ralph Waldo Emerson: “São as coisas que vão montadas e cavalgam sobre a Humanidade”.
“Esse estado resulta das Religiões de Raça e seus sistemas de Leis; por isso, todas elas assinalam ‘Aquele que deve vir’. A Religião Cristã é a única que não espera Aquele que deve vir, mas sim Aquele que deve voltar. Sua volta se fará quando a Igreja se liberte do Estado.”.
Isso porque, em muitos lugares da Terra, a Igreja ainda está atrelada ao carro do Estado (direta ou indiretamente). “Os ministros da Igreja – sejam pastores, padres ou outra denominação que usem – se encontram coibidos por considerações econômicas, não se atrevem a proclamar as verdades que seus estudos lhes têm revelado.”. Um exemplo? Quando o pastor, ministro, padre ora pelo rei, pelo presidente, pelos “governantes” e/ou pelos legisladores, para que estes pudessem reger o país sabiamente. Enquanto existirem rei, pelo presidente, pelos “governantes” e/ou pelos legisladores, “essa oração será muito apropriada. Quer outro exemplo mais chocante: ouvir o pastor, ministro, padre “exclamar ao final: ‘…e, o Todo-Poderoso Deus proteja e fortifique o nosso exército e nossa armada’”. É óbvio que “uma oração semelhante só demonstra claramente que o Deus adorado é o Deus da Tribo ou Nacional, o Espírito de Raça. O último ato de Cristo Jesus foi arrancar a espada das mãos (Mt 26:52) do amigo que queria protegê-lo, todavia, Ele disse que não tinha vindo para trazer a paz, mas uma espada. Disse-o por que previa os mares de sangue que as nações ‘cristãs’ militantes provocariam, em consequência da má interpretação dos Seus ensinamentos. Seus elevados ideais não podiam ser imediatamente alcançados pela Humanidade. São terríveis os assassínios nas guerras e outras atrocidades semelhantes, mas são também potentes ilustrações daquilo que o amor há de abolir.”.
Também, por meio dos Ensinamentos Bíblicos Rosacruzes, aprendemos que não há nenhuma contradição entre as palavras de Cristo-Jesus (“Eu não venho trazer a paz, mas uma espada” – Mt 10:34) e as palavras do cântico celestial que anunciava o nascimento de Jesus: “Paz na Terra, e boa vontade entre os homens” (Lc 2:14).
Para ficar mais fácil compreendermos isso é só considerar “a mesma contradição aparente que existe entre as palavras e os atos de uma pessoa que diz: ‘vou limpar toda a casa e arrumá-la’. E começa a tirar os tapetes, a empilhar as cadeiras, etc., produzindo uma desordem geral na casa anteriormente em ordem. Quem observasse unicamente esse aspecto, poderia exclamar justificadamente: ‘está pondo as coisas piores do que antes’. Contudo, quando compreender o propósito do trabalho, compreenderá também a momentânea desordem, sabendo que a casa ficará, depois, em melhores condições. Analogamente, devemos ter presente que o tempo transcorrido desde a vinda de Cristo-Jesus não é mais do que um momento, quando comparado com um só Dia de Manifestação.
Aprendemos a conhecer o “tempo de Deus” “e a olhar além das passadas e presentes crueldades e dos zelos das seitas em guerra, a caminho da Fraternidade Universal. Essa marcará o grande novo passo do progresso humano em sua larga e gloriosa jornada desde o barro até Deus, desde o protoplasma até a consciente unidade com o Pai.”.
Aqui entra o motivo pelos quais os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, vigilantes da evolução humana, perceberam nos Mundos invisíveis o reflexo antecipado dessa onda de materialismo – que levaram e levam muitas pessoas do fanatismo nas Religiões de Raça à descrença de qualquer coisa que não possa provar com os meios que temos na Região Química do Mundo Físico e, que portanto, o que “vale é a vida que temos aqui, é que é a única, e que nascemos para sermos felizes (e, portanto, ricos”, revivendo valores que até a segunda parte da Época Atlante, até poderiam ser verdadeiros, considerando o objetivo a ser alcançado – já alcançamos e temos outro objetivo hoje! – naquele momento desse Esquema de Evolução). Assim, muitas pessoas “saíram de um lugar ruim para um lugar pior” para a sua Evolução!
E para contrabalançar essa influência desmoralizadora, têm difundido muitos ensinamentos ocultos. No início do século passado, por intermédio de Max Heindel – o iluminado mensageiro, Iniciado treinado, Místico e Ocultista em um nível de equilíbrio elevado – fundaram a Fraternidade Rosacruz com esse fim: preparar cada Aspirante à vida superior a conhecer devidamente as Leis de Deus que regem o mundo e o ser humano para, por meio do exemplo de cada ser humano e da ação em todas as esferas, possa neutralizar a onda materialista; para que eduque seus filhos, oriente sua família, as pessoas dos seus relacionamentos e, dentro do respeito ao livre arbítrio, se capacite a influir beneficamente no sentido de fazer compreender a obra de Deus no mundo e vislumbrar a Sabedoria Divina em nosso plano evolutivo.
Pensou-se que oferecendo esses conhecimentos e educando os poucos que os recebessem, seria possível contrabalancear o materialismo, pelo menos os Aspirantes à vida superior que se acham mais atinados e que, sem essa ajuda, poderiam ver muito retardado na evolução deles, com a influência material.
Com efeito, a base que nossos filhos recebem nas escolas e faculdades é quase sempre materialista, pretensiosa e irreverentemente materialista. A menos que tenhamos conquistado, pelo respeito, nossos filhos, desde pequenos, e passamos neles influir após a puberdade os efeitos daquela orientação, causarão prejuízos maiores ou menores, segundos suas tendências. Quando conseguiram os especialistas, organizados, constituir faculdades reconhecidas em que se ensinem a Religião, a Arte e a Ciência em bases realmente condizentes com as verdades cósmicas, observadas nos Mundos superiores? Muito poucos, ou quase nenhum! Mas hão de vir com a aproximação da Era de Aquário!
O certo é que, tendo negado tanto tempo a espiritualidade, muitas gerações se ressentem de equilíbrio quando, pela morte se vem privado do Corpo Denso e percebem que continuam existindo, mais conscientes do que antes. E as doenças consultivas, como a tuberculose, que tanto grassou entre nós, é uma das causas de crenças materialistas em vidas anteriores.
Como Aspirantes à vida superior, um Estudante Rosacruz ativo, temos o dever de andar a par das coisas aí fora, embora sugerimos sempre uma conduta apolítica; de incentivar e apoiar o estudo das relações humanas, porque sempre se fundam em bases Cristãs; de ler e estudar a Filosofia Rosacruz, que encaminha o conhecimento humano para rumos acertados; e, sobretudo, de agirmos como verdadeiros Cristãos, coerentemente, em nossas esferas de ação, porque a prática é que demonstra o que entendemos e constitui a mudança, porém, convincente argumentação do que desejamos testificar.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – março/1965 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Resposta: O pervertido maníaco sexual é uma prova da asserção dos ocultistas de que urna parte da força sexual criadora se destina a formação do cérebro. Tal pessoa se torna um idiota ou incapaz de expressar o pensamento (especialmente os mais complexos, os mais profundos) porque, normalmente, a energia sexual destinada a procriação, à manutenção e a criação do cérebro é dissipada para gratificação dos sentidos, de acordo com a condição do indivíduo – homem ou mulher.
Se uma pessoa tem o hábito constante de expressar pensamentos de ordem espiritual, a tendência de usar a força sexual criadora para a gratificação dos sentidos e até para a propagação é diminuta; assim aquela parte não usada para esse fim, poderá ser transmutada em força espiritual.
O Iniciado – e somente o Iniciado –, em certo estágio de desenvolvimento, faz o voto do celibato. Não é um voto de fácil admissão e nem pode ser adotado levianamente por alguém desejoso de desenvolvimento espiritual.
Muitas pessoas ainda imaturas para vivência superior, ignorantemente, ingressam num a vida de ascetismo. Essas são tão perigosas a comunidade e a si mesmas como o são os maníacos sexuais.
No presente estágio da evolução humana a função sexual criadora é o meio pelo qual as pessoas poderão ganhar experiência.
Uma vez que o nosso Renascimento aqui depende da união sexual, que resulte em uma fecundação, entre um homem e uma mulher, consideremos o caso das pessoas que são muito prolíficas e que, por isso, são levadas ao ato sexual desordenadamente. Elas sempre terão dificuldades em se dedicar a um desenvolvimento espiritual profundo, como o advogado pela Fraternidade Rosacruz, por exemplo. E, além disso, há dificuldades para os irmãos e as irmãs prestes e necessitadas a renascerem aqui encontrarem veículos adequados e ambientes propícios ao desenvolvimento das faculdades deles, de tal forma, a beneficiarem a si mesmas e a Humanidade. Sob outro aspecto, as pessoas de classes mais abastadas financeiramente – e, muitas vezes, nem nessa condição! –, que poderiam criar condições mais favoráveis ao Renascimento dos irmãos e das irmãs prestes e necessitadas a renascerem aqui, têm a tendência a querer ter poucos filhos ou mesmo nenhum. Infortunadamente, não é porque vivam uma vida de pureza. Trata-se de razões puramente egoísticas, por mais justificativas que se possa elencar. Razões para uma maior gratificação sexual, sem um aumento da carga familiar são exemplos dessas justificativas. Dessa forma muitas pessoas se valem de prerrogativa divina delas para levar a desordem na Natureza.
O Ego renascente (um irmão ou uma irmã) deve aproveitar as oportunidades oferecidas, algumas vezes em condições desfavoráveis. Outros que não podem assim proceder devem aguardar até que se lhes apresente ocasião favorável. Assim afetamos uns aos outros por meio das nossas ações e da mesma forma “os pecados dos pais recaem sobre os filhos”, pois os nossos Corpos Densos, atualmente, são formados por muito mais material dado pelo pai e pela mãe (a Epigênese aqui não é possível exercer tão amplamente como quando construímos a nossa Mente ou o nosso Corpo de Desejos). Assim, no nosso próximo Renascimento aqui, podemos correr o risco de termos que colher material de pais e mães que não, necessariamente, carregaram o muito de bom que fizemos agora no nosso Corpo Denso.
Como o Espírito Santo é a energia criadora na Natureza, a força sexual criadora é o seu reflexo em nós. Portanto, o abuso dessa força criadora é o pecado que não pode ser perdoado, mas deve ser resgatado por meio de uma deficiência (física ou mental), a fim de nos conscientizar da santidade da força sexual criadora.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – março/1972 – Fraternidade Rosacruz-SP)
No seu sermão no Dia de Pentecostes S. Pedro proferiu: “Fizeste-me conhecidos os caminhos da vida, com a Tua face me encherás de júbilo.” (At 2:28), quando Cristo apareceu com a descida do Espírito Santo em cumprimento da promessa do Cristo, e os Apóstolos anunciavam uma alegria espiritual de felicidade futura. Foi seguindo o conhecimento da vida conforme Cristo ensinou que S. Pedro conseguiu a intensa alegria dessa vida. S. Pedro foi, sem dúvida, a figura principal na formação do Cristianismo do primeiro século, pois ele foi a pedra sobre a qual Cristo construiria a Religião Cristã manifestada aqui e a ele foram fornecidas as simbólicas “chaves” do Reino do Céus. Crê-se que S. Pedro foi martirizado durante o reinado de Nero no ano 65, aproximadamente.
S. Pedro, um pescador galileu, na organização do Cristianismo recebeu ajuda e assistência do douto e missionário S. Paulo. A Religião Cristã se desenvolveu como uma instituição promotora de uma fé e de uma teologia.
A alegria de S. Pedro se baseava na prova e na fé de sua crença na Ressurreição, fortalecida pela vinda do Confortador ou Espírito Santo no Dia de Pentecostes. Esse é o ponto crucial de toda Religião Cristã: não existe a morte: “Creio na Ressurreição do Corpo e na Vida Eterna”.
Como isto é verdadeiro nesta estação do ano! Tempo de prazer e de alegria, com a natureza ornada ao máximo. Este tempo de beleza é o trabalho d’Ele, que deseja nos confortar e trazer Alegria ao Mundo, radiante e expressiva. O canto de alegria surge dos pássaros, dos animais e das plantas que dão tudo em troca do amor que lhes deu o Cristo que partiu. Descem sobre o Místico, vibrações de consciência que podem enchê-lo de alegria à sua aproximação, como sucedeu com S. Pedro.
Este período de júbilo, esta harmonia de formas, é o triunfo do Espírito sobre a Terra, e a manifestação do ritmo do amor. O Senhor nos mostrou Sua face e foi benigno conosco. Com o Espírito Santo ou, como ensina a Filosofia Rosacruz, com o Espírito Humano assumindo o trabalho do Cristo nesta estação lembremo-nos do primeiro dos três passos a dar, isto é, que pela união com o “Eu Superior” nos sobrepomos a nossa natureza interior.
Este primeiro passo é o que mais nos interessa atualmente. O primeiro auxílio que nos foi dado para consegui-lo foram as Religiões de Raça que nos ajudaram a conquistar o Corpo de Desejos, preparando-nos para a nossa união com o Espírito Santo a fim de ser extraída a Alma Emocional. O efeito total deste auxílio se viu no Dia de Pentecostes, pois o Espírito Santo é o Deus de Raça e todas as línguas são Sua expressão. Quando os Apóstolos ficaram cheios do Espírito Santo, falaram várias línguas. Seus Corpos de Desejos haviam sido suficientemente purificados para produzir a união necessária e isto nos mostra o que o Discípulo conseguirá algum dia: o poder de falar todas as línguas, pois, então, a diferenciação em Raças separadas terá terminado.
As Religiões do Espírito Santo, as Religiões de Raça, se destinam a elevação da Onda de Vida humana por meio do sentimento de parentesco limitado a um grupo, família, tribo ou nação, e é este Deus de Raça que recebe as preces pelas vitórias nas batalhas, pelas chuvas, pelo aumento material dos rebanhos e pela repleção dos celeiros. Como essas preces são feitas pelo Corpo de Desejos por coisas temporais, não são puras como deveriam ser para conseguirem nosso desenvolvimento espiritual. Bem diferente da parte da Oração do Senhor (O Pai-Nosso) que pede pelo Corpo de Desejos é: “Não nos deixes cair em Tentação” – a tentação de desejar as coisas dos outros seres humanos.
Esta alegre estação do ano fornece expressão a sua vibração em palavras para exprimir o pensamento, que é o nosso mais elevado privilégio. Para podermos fazer isso precisamos de uma laringe vertical que nos permita falar. Foi quando nós, o Ego, entramos na posse dos nossos veículos que se tornou necessário usar parte da nossa força sexual criadora para a construção do cérebro e da laringe. A laringe foi construída enquanto o Corpo Denso estava curvado, do mesmo modo que fica o embrião humano, quando em gestação. À medida que o Corpo Denso se endireitava e ficava em pé, parte do órgão criador permaneceu com a parte superior do Corpo Denso e mais tarde se transformou em laringe e cérebro. Dessa forma obtivemos a consciência cerebral do Mundo externo a custa da metade do nosso poder criador, que antes era usado, integralmente, para exteriorizar outro ser.
Agora temos o poder de criar e exprimir o pensamento aqui. A laringe é mantida pelo poder da força sexual criadora que, quando purificada, se torna o poder anímico que, a seu tempo, invalidará os órgãos sexuais e nós, então, falaremos o Verbo criador.
No Simbolismo Rosacruz achamos a Rosa de brancura imaculada colocada no centro da Cruz, representando o lugar da laringe, pois aí está o poder criador puro que gera a magia da cura.
Durante este mês o Sol está passando pelo segundo Signo da Trindade Criadora, o Signo do princípio criador materno, Touro, regido pela senhora do amor, Vênus, e assistido pela Rainha da Noite, a Lua. A riqueza da Mãe Terra se espalha diante de nós para nosso júbilo e felicidade.
Acabamos de passar pelo mês apaixonado de Marte, introdutor, no início do Ano Novo, do princípio gerador masculino, no qual dominaram as atividades materiais, e estamos agora gozando o produto feminino da Senhora da Graça, Vênus, no qual o crescimento espiritual é manifestado na beleza da vida na forma.
Aquilo que fora paixão, agora foi transformado em amor por intermédio do Cristo, o Confortador, inundando a Terra com alegria e felicidade, à medida que a Voz da Natureza se faz ouvir pela Música das Esferas. Os trabalhadores foram convocados, o Fiat Criador foi proferido e a restauração do Templo na Terra está em andamento. Coalisão e unidade sob o vínculo da Deusa do Amor reflete a vida do Cristo.
Neste tempo, em que a aquisição das necessidades físicas é soberana para a preservação, é bom para nós lembrarmos que nós, o Ego, assim como o nosso Corpo, também precisamos de alimento para nosso crescimento e evolução. Nosso alimento consiste em atos e feitos de bondade, de consideração para com os outros e no esquecimento de nós mesmos.
A canção de júbilo em nossos corações, por aquilo que nos tem sido feito, deve encontrar seu eco nos outros quando, por nossa parte, fizermos algo por eles, pois, o Crescimento da Alma depende das Ações. Nossa Alma enfraquecerá se só a alimentá-la com livros, pois isso não acrescentar um átomo ao nosso Corpo-Alma. A menos que ponhamos em prática o que aprendemos, o conhecimento não produzirá dano considerável, pois somos responsáveis pelo que conhecemos e devemos pôr em bom uso os nossos talentos.
No juízo final será perguntado o que fizemos e não o que sabemos. “E, se Deus assim veste a erva que está no campo e amanhã é lançada ao forno, quanta mais a vós, homens de pouca fé” (Mt 6: 30).
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – maio/1980 – Fraternidade Rosacruz – SP)