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porFraternidade Rosacruz de Campinas

Escolhendo um Rumo: chegada a hora de agir por si mesmo, guiado somente pelo seu Cristo Interno

Uma pessoa quando se predispõe a estudar os Ensinamentos Rosacruzes por meio da Fraternidade Rosacruz já desenvolveu a sua consciência ao ponto de, pelo livre arbítrio, escolher um rumo para suas ideias, portanto, para o seu modo de pensar e agir.  

Nesse ponto de transição, em que a consciência insatisfeita com o que aprendeu até ali, necessita de esclarecimentos mais amplos, ele entra num mar de dúvidas porque aquilo que já aprendeu ficou gravado atrapalhando o novo aprendizado até que, depois, por si mesmo, ele perceba a lógica nas novas lições e acomode nelas a corrente de suas ideias.

Acontece que, desde séculos passados, o ambiente religioso é o mesmo nestes lados ocidentais. Durante anos e anos duas Religiões exotéricas que não se unem, mas graças a Deus não se perseguem mais, vem prevalecendo no continente europeu e no continente americano, sujeitando a sociedade e embaraçando a expansão de ideias livres, ideias individuais.

Dessa maneira a pessoa que chega ao ponto de libertar a sua Mente e conduzi-la pelo seu livre arbítrio, fica receosa como um pássaro que, engaiolado por muito tempo, no momento de sua liberdade, tem medo do espaço infinito. Quando vê aberta a portinha da gaiola, não tem coragem de arriscar um voo.

O hábito é uma segunda natureza e milhares e milhares de pessoas vem se habituando, desde criança, no ambiente familiar e ambiente geral de uma só ordem de ideias, até que sua Mente desenvolvida em outros assuntos, por força das necessidades da vida, chega a um ponto de curiosidade e descontentamento e se põe a procurar novas diretrizes, novos horizontes. Chega a hora, então, de procurar outras Religiões, outras Filosofias Cristãs, de ler livros, até ali desconhecidos, de procurar lugares de ensinamentos até então ignorados, e considerados absurdos, mudar de pontos de vista, de adquirir novos conhecimentos.

Nessa altura, muitas pessoas temerosas de abandonar tradições, de mudar de corrente, sempre igual de ideias que influiu durante tantos anos na própria vida, compreendendo ao mesmo tempo, que essas ideias já não satisfazem mais, vacila tanto para dar novo rumo a sua mentalidade que acabam estacionando no seu modo de pensar, sem concordar plenamente com a que já aprendeu e sem vontade de aprender novas razões. Quantas pessoas deixam de progredir na vida, moral ou material, pela força do hábito!

Essa preguiça de natureza mental deve ser afastada desde logo, porque geralmente ela dura bastante e, muitas vezes, quando chega a passar por efeito de um impulso, provocada pela experiência, pelo sofrimento, já se perdeu muito tempo, ou mesmo o melhor do tempo.

É natural, pois, que quando se encontre num estado de transição de ideias, mormente se tratando de questões espirituais, se esbarre com muita dúvida; porém é necessária afastá-la desde logo e para se conseguir isso é preciso pesquisar, examinar.

No caso da espiritualidade Cristã, é preciso verificar se as lições aprendidas, ou melhor, se as lições que se está aprendendo, são enquadradas na realidade da vida de todos os dias, e se podem ser observadas em você mesmo ou nos outros. Para isso é preciso pensar, procurar dentro do próprio pensamento fatos ou coisas que se relacionem com o que se está aprendendo. É preciso usar a memória, recorrer a lembranças e, também, observar nos fatos presentes, a relação entre a vida real e a espiritualidade.

A espiritualidade Cristã não é mais nada que a nossa própria vida estudada na sua essência, nas suas bases fundamentais, na sua evolução e sua finalidade.

Ora, estudando a nossa própria consciência nos seus foros mais íntimos, e estudando, ao mesmo tempo, os acontecimentos da vida exterior, quese relacionam particularmente conosco de modo direto ou indireto, dando-nos pesares ou prazeres, alegrias ou tristezas, verificamos que tudo o que nos aconteceu e nos acontece está em harmonia com a nossa natureza particular, com a nossa capacidade, com a nosso entendimento, com o nosso grau de inteligência; por isso mesmo que se diz que Deus dá o frio conforme a roupa.

Verificaremos também que se os acontecimentos da nossa vida são diferentes dos acontecimentos das vidas dos outros, muito embora as situações sociais, financeiras, condições de saúde, de família e outras, sejam equivalentes, é porque a nossa natureza íntima, também é diferente, porque os nossos Mundos internos têm o seu feitio e o seu desenvolvimento particular, que não encontramos exatamente iguais em mais ninguém. É por isso que muitas pessoas, em ocasiões de raiva, de desespero, mesmo de coragem, de sacrifício, convencida de sua natureza exclama: “eu sou assim”. Está certo! Cada um é assim do seu modo peculiar e não muda, senão por força da evolução espiritual. O Mundo exterior repete continuamente a mesma série de cenas, as mesmas histórias, os mesmos fatos, garantido pelas espirais dentro de espirais. Nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui) somos que, conservando o nosso feitio fundamental, as nossas linhas características, vai modificando a nossa expressão por efeito do desenvolvimento que vamos realizando. Quando recordamos certas épocas do nosso passado, certos ambientes, lugares e fatos, sentimos saudades de tudo o que se ligava a esses fatos, a paisagem, o céu, a rua, as pessoas – a verdade nos faz saudades, não propriamente essas coisas e sim o nosso estado interno desse tempo. Sentimos saudades de nós mesmos, de nossa alma mais animada, de nossas emoções mais leves, ligeiras, de nossos pensamentos cheios de entusiasmo e esperanças.

O céu não mudou! Por toda a parte há, como antes, paisagens encantadoras, variadas, objetos interessantes, pessoas agradáveis, moda bonita. Nós, por efeito de nossas experiências, mudamos os sentimentos e a mentalidade, e por isso mesmo olhamos as coisas e os fatos por outro prisma. Nós, o Ego, arredamos alguns dos véus que nos encobrem e enxergamos tudo com mais realidade, mais clareza. Do mesmo modo recordamos com mais realismo as nossas tolices passadas, erros de toda a espécie, disparates e até dureza de coração e ficamos admirados de termos praticado tais atos. Isso vem mostrar que vamos clareando aos poucos e continuamente, ampliando a nossa mentalidade, apurando os nossos sentimentos e por isso mesmo éque nossa memória traz à tona, muitas vezes, atos que praticamos, bobagens, até sem importância e que por nada neste mundo seríamos capazes de praticar de novo, porque a nossa consciência não mais aceita. Será porque de lá para cá, cultuamos a nossa inteligência, lemos muito, aprendemos mais coisas? Em parte, sim. Digo em parte apenas, porque muitas pessoas têm uma cultura intelectual comprovada, capaz de resolver grandes e graves problemas financeiros e políticos, questões internacionais importantíssimas, técnicos aperfeiçoados, magistrados, que sabendo tanta coisa são fechados no orgulho, no egoísmo, na vaidade, que vivem para si somente, ignorando o resto da coletividade formada, entretanto, por seus semelhantes. Torno a dizer que a espiritualidade Cristã é o estudo da nossa própria vida por meio do desenvolvimento dos nossos Mundos internos. Por meio desse desenvolvimento percebemos que temos aprendido já muita coisa; que já conseguimos abrandar um pouco o coração; que ganhamos caminho, e que fomos muito mais atrasados. Já cometemos uma infinidade de erros mais graves dos que cometemos hoje e devemos seguir adiante, quer queiramos ou não.

Devemos desenvolver infinitamente o nosso aprendizado, visto que se estamos adiantados, à vista do estado espiritual em que já estivemos, estamos atrasados, à vista do grau de adiantamento a que temos de chegar.

O nosso aprendizado não é fácil, no ponto de desenvolvimento em que estamos, porque eledepende, em boa parte, do domínio das nossas emoções, o que quer dizer do cultivo dos nossos desejos e emoções, o que depende de muita força de vontade por nossa parte. A nossa luta de todos os dias está empenhada com uma coletividade dos mais variados graus de adiantamento espiritual, portanto, estamos, a cada instante, em choque com forças exteriores. Essas forças exteriores estão, por sua vez, em harmonia com a Lei de Causa e Efeito ou Lei de Consequência, portanto, é dentro dela mesmo que temos de agir, para vencer. Para agir com pessoas de todos os graus de adiantamento, evitando o mais possível os choques, é preciso que se tenha seriedade de espírito e isso só se consegue com conhecimento e amor aos semelhantes, sejam eles de qualquer estágio de aprendizado.

Quando se chega a compreender que, só podemos dar aquilo que temos, e quanto menos temos para dar mais infeliz somos, mais caminho temos que andar, de modo que, nossos amigos, as ideias de vingança, o desejo de desforra são provas de falta de conhecimento, de pouco ou nenhum raciocínio. Somos auxiliares mútuos no cumprimento da Lei da Causa e Efeito e de Consequência e conforme as nossas qualidades, somos portadores de alegrias ou de tristezas aos nossos semelhantes.

Essas questões e todas as outras que se relacionam diretamente com o cultivo dos sentimentos, com o desenvolvimento da consciência, com o aperfeiçoamento do caráter fazem parte integrante do aprendizado espiritual e o melhor exercício que se pode fazer é a prática das boas ações, obras e bons atos.

O domínio próprio, o autodomínio, exercitado diretamente, só pelo esforço da vontade, naturalmente, tem os melhores resultados, porém, não está ao alcance de todos, porque é muito difícil conter o nosso Corpo de Desejos. Há outro exercício mais brando, por isso mesmo mais demorado que chega também a um resultado satisfatório. É o trabalho de se procurar, conscientemente, em todos os fatos, em todas as coisas ou em todas as pessoas que nos desagradam, o lado bom, apreciável, a virtude que existe sempre e que muitas vezes, se oculta atrás de uma aparência má ou feia, ou seja: o bem que está lá, sempre. Aliá, sempre que fazendo isso conseguimos vencer uma aversão, estamos educando as nossas emoções e desejos.

Sempre que, ao julgarmos, nos demos ao trabalho de procurarmos a causa que o motivou, estaremos exercitando o raciocínio, portanto o abrandamento das emoções. Esses trabalhos repetidos apresentam geralmente resultados positivos. Há Estudantes Rosacruzes que, com o desejo de adiantar depressa se propõem a exercitar a domínio próprio por meios extremados, geralmente acima de suas forças, fora de suas capacidades, chegando a pouco ou nenhum resultado, porque ou se cansam e abandonam o exercício na metade, ou se aniquilam prejudicando a saúde. O domínio próprio tem de ser praticado dentro do princípio da relatividade, exercitar gradativamente e no seu meio termo. “Devagar é que se chega ao longe”. Quando se está subindo uma escada para se chegar ao cimo, seguramente, tem-se de prestar atenção em cada degrau que se está pisando, para nele não falsear o passo, nem pisar muito firme, com risco de torcer o pé.

Não adianta a preocupação antecipada com o que está lá em cima, no patamar, porque só chegando lá é que se pode compreender, e nem adianta também saltar degrau, porque, então, não se fica conhecendo bem a escada, e nela pode haver coisas de utilidade que venham a fazer falta mais tarde. O trabalho de examinar o que se está fazendo é de grande proveito e utilidade no presente e para o futuro; isso em qualquer exercício. Nos estudos na Fraternidade Rosacruz esse cuidado é indispensável por se tratar de questões de ordem superior, que determinam o nosso progresso em linhas mais retas ou explicando melhor, de modo mais direto.

Uma vez que se queira dar às ideias um rumo seguro, que se deseje dar à Mente mais largueza e mais claridade é justo que se empregue atenção em tudo o que diz respeito às lições que se vai aprendendo, que se examinem com a própria consciência os trabalhos indicados.

Os Ensinamentos Rosacruzes têm, como uma das finalidades mais em vista, levar o Estudante Rosacruz a libertar as suas ideias a ponto de resolver por si só, com o auxílio único de sua própria consciência, todos os problemas de sua vida. Ideias livres não querem dizer anarquismo, quando são orientadas na espiritualidade Cristã.

Todo Estudante Rosacruz sabe que a verdadeira liberdade é a obediência às Leis de Deus e o exato cumprimento de todos os deveres. Que a nossa consciência só pode se desenvolver pelo conhecimento dessas coisas e que entre todos os nossos deveres o mais elevado é a estima, o respeito espontâneo, solícito aos direitos dos nossos semelhantes. É o reconhecimento da semelhança estabelecida no fundo de nossa natureza, pelo princípio que é o mesmo para todos.

O medo de pensar e agir livremente pode desaparecer, uma vez que o Estudante Rosacruz conheça o verdadeiro conceito da liberdade, que compreenda que o direito é um resultado do dever cumprido, portanto, quem cumpre, voluntariamente, seus deveres morais, materiais e espirituais está agindo com liberdade e segurança e está se aproximando da espiritualidade, e só consegue se espiritualizar em verdade, quem compreender este axioma ocultista: “Há apenas um único poder na Terra como nos Céus e este poder é o do Bem”.

Ora se a verdadeira espiritualidade é a que se apoia inteiramente no “Bem”, por que duvidar, vacilar, quando a consciência inquieta, insatisfeita reclama diretrizes mais claras, mais lógicas, na corrente das ideias? Quando, imperiosa, pede razão? Por que se demorar na decisão? Sujeição do ambiente ou da força do hábito? A nossa consciência é a iluminadora de nossas ações e quando ela chega a encaminhar a pessoa para os estudos espiritualistas, é porque é chegado o momento dela entrar para o caminho mais curto de sua evolução. É chegada a hora dela agir por si mesma, guiada somente pelo seu Cristo Interno.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – dezembro/1964 – Fraternidade Rosacruz–SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Paciência nos Estudos: tudo virá no devido tempo e conseguiremos o almejado

Um filósofo certa vez afirmou: “a paciência é a maior das virtudes”. A verdade é que tal virtude, sendo bem cultivada, nos levará a alcançar outras qualidades espirituais.

O Estudante Rosacruz encontra na paciência uma dura prova, principalmente quando começa a dar os primeiros passos dentro dos sublimes Ensinamentos Rosacruzes por meio do Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz. Notadamente, os jovens, com a alma ávida de novos conhecimentos e experiências e, talvez devido a uma má orientação anterior, sentem um desejo ardente de rasgar véus que envolvem mistérios e desenvolver qualidades psíquicas, desconhecendo que o essencial é o crescimento espiritual, pois psiquismo não é espiritualidade.

O passo mais importante a ser dado pelo Aspirante à vida superior é conservar a Mente pura, arejada, livre de pré-conceitos que entravam o progresso espiritual; um Coração nobre, justo, sensitivo, porém condizente com a situação de quem procura analisar os fatos dentro de um prisma racional e lógico; um Corpo são, através de um regime alimentar adequado e hábitos salutares, bem como estabelecer, como dínamo a impressioná-lo em suas atividades diárias, o serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) ao irmão e a irmã que está ao seu lado. O resto virá por acréscimo.

Mesmo no decorrer do estudo da Filosofia Rosacruz nem tudo nos apresenta claro e compreensível de um dia para outro. Nem todos possuem a mesma capacidade de assimilação de conhecimentos, pois tal capacidade constitui uma bagagem adquirida em existências passadas, conforme o maior ou menor empenho de cada um. Não obstante, é necessário perseverar e perseverar sempre. Mesmo que levemos muito tempo para entender algum tópico das lições, e que isto não seja motivo para esmorecimentos e desistência. Cada um deve sobrepor-se as próprias fraquezas e dificuldades, porque é desta conquista da natureza inferior que se removem os obstáculos e as limitações esvaem-se. Estas são criações do próprio ser humano, através de um modo negativo de viver, de pensar e agir.

O estudo constante, a participação em reuniões de estudos Rosacruzes sempre que possível, a prática constante do Exercício Esotérico noturno de Retrospecção, o viver leal e sincero de conformidade com os ideais rosacruzes constituem fatores positivos, que propiciam o vislumbre de horizontes mais amplos.

É evidente que o estudo e a demonstração das Leis de Deus que regem os Mundos suprafísicos não implicam em compreensão imediata, pois a Natureza não dá saltos e se muitas vezes não entendemos nem aquilo que é perceptível aos nossos sentidos físicos, quanto mais o que é âmbito mais sutil!

Mas, se tivermos paciência, tudo virá no devido tempo e conseguiremos o almejado, pois, o espírito de harmonia e a unidade de propósito muito nos auxiliarão; assim, constituirão uma força que beneficiará, fortalecerá e sustentará a cada um de nós.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz outubro/1966-Fraternidade Rosacruz -SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Se “Deus fez o homem um pouco inferior aos Anjos”[1], como é possível que ele se torne, no final, superior a eles nos Mundos espirituais?

Resposta: Essa pergunta revela um equívoco por parte de quem a fez. Isso nunca foi afirmado dessa forma nos Ensinamentos Rosacruzes, mas algo foi dito que pode ter sido mal interpretado. A verdade é que a Evolução se move em espiral e nunca há uma repetição da mesma condição. Os Anjos representam uma corrente evolutiva anterior a nossa, sendo alcançaram o nível de Humanidade em um Período anterior ao atual Período Terrestre, chamado de Período Lunar na Terminologia Rosacruz. Os Arcanjos alcançaram o nível de Humanidade no Período Solar, e os Senhores da Mente, chamados por S. Paulo de “Poderes das Trevas”, alcançaram o nível de Humanidade do sombrio Período de Saturno. Nós somos a Humanidade do quarto Período do presente do atual Esquema de Evolução ou de manifestação, o Período Terrestre. Assim como todos os seres do universo estão progredindo ou evoluindo, a Humanidade dos Períodos anteriores também progrediu, de forma que agora se encontram em um estágio mais elevado ao que tinham quando alcançaram o nível de Humanidade deles – eles são “sobre-humanos”. Portanto, é verdade que Deus nos criou um pouco inferior aos Anjos. Mas, como tudo está em constante progressão espiralar, também é verdade que nós, que estamos no nosso nível de Humanidade atual, somos superiores e mais evoluídos do que os Anjos o foram (quando esses estavam no nível de Humanidade deles); e que os Anjos eram de uma ordem mais elevada quando atingiram o nível de Humanidade do que os Arcanjos, quando esses atingiram o nível de Humanidade. Na próxima etapa alcançaremos algo semelhante ao atual estágio dos Anjos, mas seremos superiores ao que eles são agora.

(Pergunta nº 2 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

[1] N.T.: Sl 8:5 e Hb 2:7

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Testes na Longa e Árdua Busca

Na esfera intelectual do mundo civilizado de hoje há uma grande inquietação. Muitos “correm de um lado para outro” em busca de algo que consideram mais fácil tatear do que definir. São atraídos e se envolvem superficialmente com cada novo culto, seita, movimento que surge no inquieto firmamento religioso e, observando cuidadosamente seu exterior, dão atenção passageira a qualquer novo preceito ou explicação, que muitas vezes não é mais do que uma desculpa, e então seguem adiante em seu caminho à deriva, como a volúvel borboleta que visita cada flor de cores vivas e prova do seu pólen.

A princípio, eles trilhavam esse caminho de forma quase inconsciente, cedendo apenas ao espírito de curiosidade. Mas, após algum tempo, ao observarem discrepâncias e aparentes anomalias nas afirmações e explicações das várias seitas, começaram a se sentir confusos, incertos, insatisfeitos. Ao atingirem o primeiro grau de consciência em sua busca, proferem o histórico clamor de Pilatos, que se encontrou uma vez em posição semelhante e, em sua dificuldade, perguntou: “O que é a Verdade?[1].

Assim, pela primeira vez essas pessoas percebem que sua passagem de um conjunto de opiniões a outro tem um objetivo definido. Embora sua natureza pareça muito nebulosa no início, à medida que suportam as decepções tal objetivo definido, gradualmente, se destaca do pano de fundo, tornando-se nítido, imponente e, por fim, capaz de compelir a atenção do buscador.

Essa insatisfação e esse questionamento são o sinal externo dos primeiros e definidos esforços para tatear o caminho. E, se o viajante usa o lado intelectual para sentir o percurso adiante, então as dúvidas, os medos e as perplexidades formarão os espinhos da sua Via dolorosa.

Ele será intelectualmente atacado por todos os lados; toda variedade de doutrina e prática lhe aparecerão e tentarão ser reconciliadas com as demais, até que, com a Mente exausta e a cabeça latejante, ele talvez seja induzido a elevar sua consciência da confusa diversidade até sua Fonte, a grande Unidade, para proclamar, com o ritmo do Coração e da Mente: “Guia-me, ó luz, no meio dessa escuridão que me cerca”.

Essa admissão do fracasso é, na realidade, o momento de maior sucesso do buscador, pois elevou sua Mente, ainda que por um breve período, aos Reinos onde o conhecimento desejado prevalece sem impurezas. Ao reconhecer sua própria fraqueza, ele se torna receptivo à assistência daqueles Seres que, atuando a partir dos planos suprafísicos, erguem-Se como representantes do Bom Pastor, sempre prontos a auxiliar os mais adiantados do Seu rebanho.

Jamais houve uma alma sincera cujas palavras, sendo proferidas pelo desespero diante da sua incapacidade de desfazer o aparente emaranhado formado pelo entrelaçamento dos inúmeros fios das aparências, não tenham ressoado nos reinos suprafísicos — e cujo chamado não tenha sido prontamente atendido por Aqueles que trabalham e guiam a nossa Humanidade.

A partir desse momento, ele receberá ajuda e orientação do invisível à visão física, embora as fontes dessa assistência permaneçam não manifestas. Isso não significa, contudo, que ele será conduzido pela mão até a nascente e que, após banhar seus olhos e voltar a contemplar o antigo enigma, aquilo que antes era inexplicável lhe parecerá claro. De modo nenhum!

Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, ao distribuírem qualquer coisa sob Sua guarda — seja amor, sabedoria ou o poder de discernir na ação — têm em vista apenas isto: o valor potencial do serviço do recebedor. Eles são, na realidade, os “diretores de palco” deste cenário mundial onde se desenrola o drama da vida; portanto, o único propósito que Eles têm ao distribuir qualquer talento é que aquele que o receba possa se tornar um ator eficiente na peça que jamais cessa. Somente o altruísmo define a verdadeira eficiência no serviço cósmico.

Por essa razão, após ter feito sua súplica, o buscador é, antes de tudo, posto à prova quanto à sua persistência e constância — pois, sem essas duas qualidades, ele seria inútil como futuro Auxiliar Visível ou Invisível e acabaria causando infelicidade, em consequência de seu fracasso nessa direção.

Uma sensação de alívio toma conta do buscador quando ele derrama o seu Coração, pois foi verdadeiro consigo mesmo. Compareceu ao verdadeiro confessionário e não necessita de lábios terrenos para lhe dizer que suas falhas foram perdoadas, compreendidas e que uma graça invisível o auxiliará em futuras tentativas de resolver seus problemas. Assim, retorna à esfera intelectual do mundo cotidiano para se aplicar novamente às mesmas questões.

Ele lê, investiga e medita sobre os grandes mistérios da origem, do propósito e do destino da vida, bem como sobre a justiça das circunstâncias. E, embora pareça estar mais próximo de uma solução no sentido mais profundo, um pouco mais adiante surge outro impasse — e o mesmo muro impenetrável, formado por toda espécie de qualidade negativa, ergue-se novamente ao seu redor.

Ele nada sabe sobre o trabalho que ocorre por trás das cenas e, portanto, pode ser perdoado se, diante desse obstáculo, até mesmo sua fé acumulada falhar. Como resultado, poderá abandonar a busca, declarando que o conhecimento seja impossível e que tudo não passe de especulação — ou deixar-se levar pelo conjunto de opiniões que lhe seja mais conveniente.

Essa é a prova sábia e necessária estabelecida pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz a todos que buscam a Verdade de forma definida. Na Fraternidade Rosacruz, onde as regras se baseiam nos fatos ocultos e vigentes, o Estudante Rosacruz deve permanecer na seção mais elementar, qualquer que seja seu conhecimento prévio, por um período de dois anos, antes que possa ter a oportunidade de tocar na orla dos Ensinamentos Rosacruzes mais profundos.

Aqueles que governam a própria Ordem Rosacruz também atuam intensamente em linhas auxiliares e semelhantes, no Mundo ocidental; portanto, aplicam os mesmos métodos — que são os únicos racionais sob ambos os pontos de vista, quando devidamente compreendidos.

A prova mencionada pode durar períodos variados, contados em meses ou anos, e muitos cairão pelo caminho, exaustos ou desanimados, ou se desviarão por trilhas secundárias. Assim, aqueles que buscam o conhecimento movidos por mera curiosidade ou motivos incertos são gradualmente eliminados da jornada e somente os atores com potencial permanecem.

Com o passar do tempo, a terceira etapa começa a se desenvolver. O buscador inicia sua compreensão da necessidade do discernimento. Antes, ele se deixava fascinar por cada seita, culto, movimento, que oferecesse novas explicações, julgando todo assunto pela soma dessas apresentações. A partir dessa experiência adquirida, ele começa a reunir e analisar suas informações; com o tempo, é capaz de sintetizar o conjunto e discernir uma unidade onde antes havia apenas diversidade e contradição.

Avançando por essas linhas, a Mente acaba por se concentrar internamente nos fundamentos e princípios das coisas e ele se faz uma nova pergunta — uma melhora em relação à primeira: “Qual é a natureza da Verdade; do que ela é feita e a que deve se relacionar?”.

Após a análise dessa questão, aparentemente sem importância, devemos discernir que a Verdade religiosa deva lidar com uma explicação das condições superfísicas e a sua relação com o indivíduo. Três coisas podem ser ditas para descrever o propósito racional da Verdade religiosa: primeiro, a exposição dos fatos superfísicos. Segundo: a elucidação das leis superfísicas. Terceiro: a apresentação de conselhos e regras de vida que estejam em harmonia com as condições mencionadas anteriormente.

O propósito da Religião, desde sua origem, tem sido reforçar o último ponto mencionado, oferecendo apenas o suficiente dos dois primeiros para acalmar a Mente. O conjunto foi envolto em alegorias e centrado na história do fundador da Religião Cristã, para que pudesse ser mais bem assimilado pelos povos aos quais foi transmitido.

No entanto e na realidade, a Religião Cristã é um sistema de moralidade baseado em uma ciência. Ela é uma expressão simbolizada de fatos cósmicos. O ocultismo é a única Ciência do Universo e o fato de ser a fonte e a inspiração de todas as Religiões é comprovado por sua unidade nos aspectos essenciais.

Essa Ciência pode ser comparada a uma nascente natural, situada em uma alta montanha e envolta na imaculada veste da neve, jamais tocada por mão ou sopro de qualquer criatura — a fonte da qual vários grandes rios se originam, todos fluindo para o mesmo oceano ilimitado: as vias aquáticas dos povos da Terra. O buscador chegou agora ao grau em que essa Fonte surge diante da sua visão: grande é, de fato, o seu privilégio.

O ocultismo lida com os fatos do Universo e, portanto, é evidente que um longo caminho de paciente persistência foi necessário antes que o Aspirante à vida superior pudesse discernir até mesmo os contornos.

Com os primeiros vislumbres do monte coberto de neve, o viajante, vindo de longe, pode facilmente parar e agradecer do fundo do coração, pois agora poderá construir o Templo da sua adoração sobre a rocha do fato, em vez das areias movediças da crença; nenhuma tempestade demolirá essa estrutura ou a arrastará para longe, pois a convicção resultante alcança os Planos interiores do ser, ali se registrando — assim, ele adquire a bênção e a alegria do ser humano: “uma casa feita não por mãos, mas eterna nos Céus[2].

Em retrospecto, ele vê o caminho que percorreu, da aceitação inconsciente até a primeira aurora da inquietação intelectual e consciente, a precursora de um longo período de intenso sofrimento. Observa o abandono gradual da apresentação exotérica, em favor da percepção da substância interior das diversas doutrinas – a esotérica – e reconhece seus primeiros passos ascendentes na aurora da compreensão da natureza inerente da Verdade.

As dúvidas, os medos e o cansaço que o assombraram nas fases mais sombrias do caminho surgem agora diante de seus olhos como fantasias passadas das quais ele extraiu “a pérola de grande valor[3]. E a realização consciente da posse desse tesouro transforma sua alegria em vontade de alcançar e na determinação de usar seu conhecimento, um poder e remédio universal contra todos os males, para aliviar a dor e dissipar a ignorância de seus semelhantes.

(Publicado na: Rays From The Rose Cross – fevereiro/1917 – Traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)


[1] N.T.: Jo 18:38

[2] N.T.: IICor 5:1

[3] N.T.: Mt 13:45-46

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Como os Ensinamentos Rosacruzes se harmonizam com a Bíblia nos seguintes pontos: vocês usam o termo “salvadores” e falam de Jesus como um salvador, e o classificam juntamente com Buda e Maomé; a Bíblia diz que “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16); diz também que “Pois não há, debaixo do céu, outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos.” (At 4:12); Jesus disse “Ninguém vem ao Pai a não ser por mim” (Jo 14:6)?

Resposta: Se você ler atentamente os Ensinamentos Rosacruzes, verá que neles se faz uma distinção entre Jesus e Cristo. Jesus era um homem entre os homens. Quando pesquisamos na Memória da Natureza, podemos encontrar suas vidas anteriores, da mesma forma que a dos outros seres humanos, embora ele seja, provavelmente, a maior e mais nobre alma que já viveu num Corpo Denso humano. Cristo é o mais elevado iniciado do Período Solar e jamais havia vivido num Corpo Denso terreno antes de assumir o Corpo Denso de Jesus por ocasião do Batismo, para ensinar diretamente aos seres humanos o caminho do Reino de Deus. Assim, tanto Jesus quanto Cristo estão imensamente acima dos grandes e nobres mestres mundiais, como Buda, Maomé, Confúcio e outros.

Você está certo ao afirmar que a versão autorizada da Bíblia diz que Cristo é o Filho unigênito de Deus, mas entender isso não basta confiar na tradução da Bíblia para o inglês. A expressão usada no grego é ton monogene, e pode ser traduzida por “o único gerado”, assim como nas plantas, onde ocorre a monogênese[1]. Ou seja, muitas plantas têm flores tanto masculinas como femininas e são capazes de fertilizar suas próprias sementes, de forma que essas sementes crescerão e se tornarão plantas iguais àquela que as gerou, a planta-mãe. Sabemos pela Bíblia que o ser humano era macho-fêmea, um hermafrodita e, então, era capaz de gerar outro ser a partir de si mesmo, sem a cooperação de outro, ao contrário do que acontece atualmente devido à divisão dos sexos. Portanto, a ideia que a Bíblia deseja transmitir não é que o Cristo foi o único e exclusivo gerado pelo Pai. Isso pode ser verdade, ou não. Não temos conhecimento a respeito do assunto, mas sabemos pela passagem bíblica é que o Cristo foi gerado pelo próprio Pai – sem qualquer outro intermediário – por algo como “monogenia”, o mesmo processo pelo qual uma planta possuindo flores masculinas e femininas, como já foi dito, pode reproduzir a sua espécie. Mas isso não se aplica ao Corpo Denso, pois o revestimento denso que Cristo durante o Seu ministério entre nós foi o Corpo Denso de Jesus, nascido da maneira habitual e cuja linhagem remonta de David, como ancestral da sua Raça, segundo os historiadores da genealogia encontrada na Bíblia.

Também é verdade o que a Bíblia diz que “não há, debaixo do céu, outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” e, também, quando disse: “Ninguém vem ao Pai senão por mim”. Contudo, devemos também lembrar que essas duas declarações dizem respeito ao Espírito de Cristo que habitou o Corpo de Jesus durante os anos do ministério de Cristo aqui.

(Pergunta nº 102 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: ou monogenia que em biologia, também descreve um tipo de reprodução assexuada ou geração direta, onde o novo indivíduo se desenvolve sem metamorfoses complexas.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Uma Renovada Disposição sempre Planejando para o Próximo Ano

Já sopraram os ventos desse ano terrestre que se findou. O ano que já passou, com tudo que pôde oferecer de positivo ou negativo, considerando-se a relatividade desses dois termos, faz parte do passado. Deixou, dependendo da maneira como esse problema é encarado individualmente, um saldo determinado.

Para alguns restaram indeléveis traços de sofrimentos e decepções, amarguras e contrariedades. Outros não conseguiram apagar o estigma de tragédias que os envolveram e atingiram. Há aqueles perseguidos pela frustração de aspirações irrealizadas, de metas inatingidas. Mas alguns, talvez poucos, sentiram-se bafejados pelo êxito em suas vidas profissionais e particulares. Afinal, dizem, das crises, por crônicas que sejam, sempre alguém escapa ileso.

Uns e outros tendem a encarar o ano que se inicia sob uma ótica oriunda, nascida, dos percalços e sucessos do ano que se findou. Não atinam quão irreais e enganadoras são as chamadas “vitórias” e “derrotas”. Os “derrotados desse ano” observam a quadra atual com certa dose de pessimismo. Na melhor das hipóteses, animam-se com tênues esperanças de que o presente seja menos malfazejo que o pretérito. Imaturos espiritualmente, não se libertaram de traumas passados. Tudo se lhes afigura difícil, impossível e sombrio.

Para aqueles a quem o “êxito foi obtido”, as coisas, nesta nova fase, na pior das hipóteses, fluirão num mesmo nível. Permitem-se até dormir sobre os louros de suas realizações, como se o amanhã não fosse outro dia.

Observa-se, aí, como o irmão e a irmã que não se dedicam e colocam em prática a espiritualidade cristã são dominados por uma preocupação obsessiva de tudo rotular — bem/mal, bom/mau, triunfo/fracasso — à luz de seus superficiais conhecimentos.

Tanto para os “deserdados” como para os “afortunados” desse ano que se findou houve apenas sepultamento. O “corpo encontra-se enterrado, mas o defunto permanece fresco”, podendo ser exumado a qualquer hora. Sua lembrança persegue-o tenazmente, com sua carga desestimulante ou ilusória.

Felizmente, há quem logre se sobrepor-se a esse estado de espírito. São as chamadas “almas velhas”, irmãos e irmãs que se dedicam, estudam e praticam a espiritualidade cristã nas suas vidas – especialmente por meio dos Ensinamentos Rosacruzes, que fornecem os Ensinamentos do Cristianismo Esotérico – têmperas forjadas na crueza e nas experiências de vidas passadas. Dotados de natureza intimorata, hoje, imperturbáveis, sabem como enfrentar os desafios do mundo.

Não se amedrontam, desconhecem a inibição diante de circunstâncias adversas, mas ninguém os vê exibir arrogante autossuficiência. A modéstia é seu apanágio. São equilibrados, justos e sensatos.

Cônscios de seu progresso, nem por isso deixam de reconhecer que o caminho para alcançar a perfeição é infinito. Conservam a Mente aberta e o Coração radiante, dispostos a haurir os mais valiosos Ensinamentos Rosacruzes do cotidiano. Sabem que ainda muito têm a aprender e crescer, num futuro suscetível de se desdobrar em mil caminhos diferentes.

Esses não sepultaram o ano que já passou. Cremaram-no! Não buscam desenterrá-lo constantemente, reabrindo velhas feridas. Não! Reduziram-no a cinzas. Basta-lhes apenas ter assimilado o valor educativo das experiências pelas quais passaram. É o suficiente para lhes servi de orientação e inspiração no ano recém-iniciado.

Aos acontecimentos passados, só lhes atribuem valor como lições de vida. O novo ano, afirmam, deve ser bem recebido. Merece ser visto com bons olhos. Afinal, quantas oportunidades de crescimento anímico e mesmo de progresso material ele poderá nos oferecer!

Nessa abençoada seara, que é o mundo, a cada momento se nos surgem valiosas ocasiões de empregarmos nossas faculdades epigenéticas. Assim, cabe-nos tentar, sempre que possível, criar algo novo ou melhorar o já existente. Todas as coisas clamam por um toque de aperfeiçoamento, de inovação, de originalidade. Em tudo há sempre uma beleza recôndita, esperando por ser desvelada.

No limiar de um novo ciclo, o melhor que cada um pode fazer é arregaçar as mangas e renovar sua disposição para o trabalho. Há muito por construir. Nada de lamentar o mal acontecido, nem de deslumbramentos com conquistas já ultrapassadas. Não se pode viver do passado. O que “está feito, está feito”. As lições, sim, servem para alguma coisa.

Assim, resta a pergunta à você: “o que você fez até aqui, nesse ano? Enterrou? Cremou?”

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – janeiro/1978-Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pausa para Meditar, Pensar e Fazer nesse Importante Momento do Ano

Para qualquer um de nós é um hábito muito salutar fazer um balanço anual das atividades, do que foi feito, do que não se cumpriu e dos planos para o ano vindouro, ou seja: fazer uma retrospectiva, a mais isenta possível de emoção pessoal, mas com a maior consciência que podemos ter, não só para discernir bem, mas também para aprendermos e quiçá colhermos a quintessência das lições que aprendemos (afinal, sempre estamos aprendendo!).

E aqui está um dos melhores momentos do ano para você aplicar o que aprendeu dos Ensinamentos Rosacruzes. Logicamente se você se dedicou, estudando, fazendo os Exercícios Esotéricos Rosacruzes, oficiando os Rituais do Serviço Devocional e colocando tais Ensinamentos no seu dia a dia.

Poucos avaliam como muitos problemas de saúde são decorrentes da falta desse levantamento, pois a ausência de uma perspectiva, da avaliação das nossas possibilidades reais pode gerar frustrações, depressões e angústias que fatalmente repercutirão sobre o funcionamento dos órgãos, tecidos, sistemas e todas as partes do nosso Corpo Denso.

Vamos a um exemplo: um homem de entorno de 60 anos, cabelos brancos, saúde abalada, em relativa dificuldade financeira, não se dispunha a vender um lote de terreno que resolveria seus problemas e lhe daria tranquilidade e meios para seus projetos, porque aguardava maior valorização depois que certa estrada projetada fosse construída. Jamais usufruirá desse bem e certamente morrerá infeliz e derrotado, sonhando com um futuro problemático.

Neste final de ano, cada um deve parar, olhar para trás e encarar os fatos. Se eu morresse agora, perguntará o sexagenário, terei realizado o que planejei? Terei deixado aos meus, à minha obra, à minha coletividade algo a que me propus? Terei me empenhado a fundo nessa missão, ou, ao contrário, estarei dando voltas em torno de atividades supérfluas, desperdiçando inteligência e tempo em coisas sem nenhum valor para meus objetivos primordiais?

É preciso coragem para nos desligarmos de tudo o que sinceramente consideramos desperdício e desvio da missão principal a que nos propomos neste mundo. Pouca gente avalia como somos diariamente despojados da mais preciosa de nossas riquezas: nosso cérebro e nossa atenção, pelos “batedores de carteiras” do nosso tempo. Eles nos minam a resistência, nos desviam do nosso trabalho e nada ficam devendo.

Ao jovem, o balanço servirá para avaliar quanto enriqueceu seu patrimônio cultural, quais foram as conquistas realizadas. Melhorou seu nível de aprendizado? Aprendeu línguas? Adquiriu o hábito de boas leituras? Desenvolveu algum trabalho de pesquisa nessa Região Química ou nos planos espirituais? Aperfeiçoou seu português, aumentou seu vocabulário? Aprofundou-se nos conhecimentos de sua futura profissão? Estabeleceu novas e valiosas relações sociais, fazendo conhecimentos com pessoas ricas de conhecimento, sabedoria e de vida?

Não se esquecer de traçar a meta para o ano seguinte e procurar cumpri-la à risca. Jovem! O bem mais valioso que possui é o tempo! Não o desperdice! Cada minuto deve ser plenamente preenchido. Não só trabalho. Há hora para prazer e hora para pensar. Bem dividido, seu dia dará para tudo, até para ficar alguns momentos deitado, de papo para o ar, olhar distante e sonhador, para um futuro brilhante que nosso grande e inigualável país oferece aos que se preparam para vencer.

Quem aplica sua Mente a fundo em algum mister, quem mobiliza cérebro e pensamentos num objetivo determinado, disposto a superar e a vencer, terá mobilizado, sem saber, cada célula do seu corpo: jamais adoecerá. Grande parte das doenças físicas inicia-se com a “ferrugem do espírito”. Está aqui a solução para esse grande problema: se desenvolver espiritualmente pelo método do Conhecimento Direto, preconizado pela Fraternidade Rosacruz!

E para isso há só um que precisa querer: você! Afinal, para quem não sabe viver consigo mesmo, distrair-se é frequentemente mudar de tédio.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro/1978-Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Dificuldades Encontradas Durante Estudos do Livro “Conceito Rosacruz do Cosmos”

Uma amiga, Estudante dos Ensinamentos Rosacruzes, me apresentou à Fraternidade Rosacruz. Comprei o livro “Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz” – pois sou do tipo que gosto do livro em papel –, que li enquanto frequentava os Cursos de Filosofia Rosacruz. Essa forma de estudar foi mais fácil para mim, pois me permitiu aprofundar o estudo do texto.

Durante esse período de estudo, não encontrei muitas dificuldades, além da dificuldade de conversar sobre o assunto com alguém próximo. Meu marido me permitiu, pois sabia da importância que tinha para mim. Consegui compartilhar com alguns amigos, mas não com minha família, que é muito focada nas Religiões Exotéricas Cristãs! Como não quero ter problemas com eles, a situação permanece a mesma até hoje. Além dos meus filhos, os demais membros da família não sabem nada sobre esse estudo. Embora eu estivesse entusiasmada com os ensinamentos, levei anos para concluir os cursos, devido às inúmeras transferências profissionais do meu marido.

Essas são dificuldades pessoais e materiais. Mas este ensinamento inclui muitos outros de ordem diferente, particularmente na prática dos Exercícios Esotéricos Rosacruzes: o noturno de Retrospecção e o matutino de Concentração. Estes exercícios são muito importantes. Para serem verdadeiramente eficazes, devem ser praticados com perseverança, especialmente a o da Concentração, que requer atenção especial a si mesmo. De certa forma, devemos recolher-nos em nós mesmos, esquecer o que nos rodeia. No início, este Exercício de Concentração exige muita força de vontade. Depois, com a prática e o tempo, conseguimos dominá-lo melhor.

O objetivo destes Exercícios Esotéricos Rosacruzes é ajudar-nos a progredir no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz. São importantes e exigem um “compromisso” pessoal da nossa parte. Mas este compromisso não deve nos isolar do resto do mundo; pelo contrário, nos pede que “vivamos” neste mundo, para ajudar o nosso próximo a evoluir e a crescer espiritualmente. Por esta razão, Max Heindel nos fornece um conselho muito importante: colocarmo-nos ao “Serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível)” de forma altruísta.

Nos nossos Ensinamentos Rosacruzes, posso dizer que o “Serviço” é o próprio centro do nosso compromisso. Sim, o Serviço do Amor Abnegado (portanto, o mais Anônimo possível) está no coração dos Ensinamentos Rosacruzes. Se quisermos seguir o caminho ensinado por Cristo Jesus e se quisermos “formar Cristo dentro de nós” – o Cristo interno –, devemos seguir o Seu exemplo, colocando-nos a “serviço” do nosso próximo. Como Ele fez com o Seu Sacrifício na Cruz, onde Ele sofreu e deu a Sua vida por nós. Ele não nos pede que sigamos o Seu exemplo ao ponto de “morrer” pelo nosso próximo, mas podemos “nos doar”, por exemplo: dedicando algum tempo para ajudar alguém (e que está ao nosso lado!), ou visitando uma pessoa idosa e sozinha e/ou acompanhando-a às compras, ou simplesmente conversando!

Na maioria das vezes, é através de pequenos gestos que podemos ajudar mais.

Sim, através das nossas ações e até mesmo dos nossos pensamentos a serviço dos outros, crescemos espiritualmente, porque tudo é Serviço: até o menor gesto, como um simples “olá” ou um sorriso para uma pessoa que encontramos na rua, pode trazer-lhe conforto e alegria.

Se realmente queremos seguir o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, que nos levará a uma vida mais espiritual, o nosso compromisso deve ser sincero e eficaz no Serviço.

Eu não disse que seria “fácil”. Certamente haverá muitos obstáculos. Se por vezes nos esquecermos do nosso compromisso e cairmos no Caminho, isso não é o mais importante; o que mais importa é levantarmo-nos. Como está escrito no Hino de Abertura do Ritual do Serviço Devocional do Templo:

Falhando, embora, vamos ver

A persistência há de vencer

E num crescendo gradual

O bem sublimará o mal.”

(Publicado pela Associazione Rosacrociana – ARCO – 40° Convegno Pescia (PT) – Itália 19-20-21/setembro/2025 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Comunhão Espiritual

Como alcançamos “a realização de Deus por meio do reconhecimento da unidade fundamental de cada um de nós com todos”, como repetimos todas as vezes que oficiamos o Ritual do Serviço Devocional do Templo?

Por meio da “Comunhão Espiritual”. Mas, como compreender e aplicar a Comunhão Espiritual?

Comecemos com a tomada de consciência de que todos somos irmãos, filhos de um mesmo Deus, que nos criou, todos como Espíritos Virginais.

Depois, compreendamos que todos, juntos, retornaremos a Deus e assim quando prejudicamos alguém, seja por pensamentos, sentimentos, emoções, palavras, obras, ações ou atos, seja por omissão ou por co-omissão, estamos prejudicando o nosso próprio desenvolvimento, a nossa própria evolução!

A Comunhão Espiritual começa no nosso lar, entre os nossos familiares. Não precisamos ficar como censores ou conselheiros, prontos para retrucar ou falar sempre que vemos um familiar agindo erradamente. Sejamos como uma fonte no deserto que jorra água por séculos sem ninguém dela necessitar, mas quando alguém passar e estiver com sede, lá está ela à disposição.

Mostremos a nossa disposição de termos a Comunhão Espiritual por meio do nosso exemplo e da nossa vivência dos Ensinamentos Rosacruzes.

Lembremos que como Aspirantes a vida superior estamos sempre sendo observados. Mesmo durante o nosso cotidiano não nos deixemos ser manipulados pelas circunstâncias externas. São elas que nos atormentam os nossos corações com angústias.

E é por falta de vontade de reconhecermos a nossa unidade com todos que nos carregamos de pecados, nos molestamos de tentações, nos embaraçamos e nos oprimimos com muitas paixões. E aí não há ninguém que nos ajude, nos livre ou nos salve senão o Cristo a quem devemos nos entregar. Pois Ele nos deu o exemplo da Comunhão Espiritual maior que se pode fazer por um irmão e uma irmã ao entregar o Seu corpo e o Seu sangue para nos salvar: “prova de amor maior não há que doar sua vida ao irmão” (Jo 15:13).

E é através desse maravilhoso exemplo que devemos nos manter em Comunhão Espiritual.

Observe que nos quatro Evangelhos há as atitudes que devemos ter em todas as circunstâncias que existem e possam existir. Quando se diz que esses quatro Evangelhos são fórmulas de Iniciação, quer se dizer que eles contêm o modo do Cristão agir em todas as circunstâncias que, porventura, ele passar. Ensina-nos como e porque agir fraternalmente e se tomarmos as palavras de Cristo: “a Palavra que eu vos disse são espírito e vida” (Jo 6; 64), então teremos a chave de como viver fraternalmente, pois como dois diapasões ressoam em sintonia quando um deles é golpeado, o nosso “Eu superior” vibra quando, pela nossa vontade, resolvemos nos sintonizar com os ensinamentos do Cristo. Assim, Suas palavras nos alimentam e ditam as nossas atitudes, desejos, sentimentos, palavras e pensamentos. Então, estaremos vivendo a vida no verdadeiro sentido da palavra.

Enquanto não tomamos essa consciência e essa resolução, temos apenas vislumbres do viver a vida. E na maioria das vezes estamos nos deixando levar pelos impactos exteriores! É “o corpo governando o espírito”.

O segredo aqui é lembrar em servir a “divina essência” oculta em cada um de nós, o Cristo interno, essa luz presente no ser humano menos evoluído. Com isso nos pomos acima de qualquer limitação imposta pelo “eu inferior”: orgulho, medo, vergonha, vanglória, ambição, egoísmo.

E não há outro meio, pois, “quem não renunciar a tudo não poderá ser Meu discípulo” (Lc 14:33). E esse é o motivo de haver tão poucos esclarecidos e livres: não saber abnegar-se de todo e de si mesmo. Deixar ser levado por esses sentimentos criados pelo “eu inferior”, por essa separatividade ilusória.

Para qualquer Onda de Vida e em qualquer grande Dia de Manifestação é muito difícil se desvencilhar dessa separatividade ilusória, após um mergulho em Mundos mais densos. A ideia de que somos separados um do outro está arraigada em nossa Personalidade (o “eu inferior”), cultivada por nós em muitas vidas.

A dificuldade em tomar consciência da Comunhão Espiritual, “da unidade fundamental de cada um com todos” é acrescida por estarmos no Mundo Físico e suas baixas vibrações. Mas essa separatividade e essa limitação de vida foram importantes para a nossa manifestação ativa. Manifestação essa que é a conscientização de que somos um ser criador, individual, com os mesmos poderes do Ser que nos criou, Deus. Mas, uma vez aprendido e passado o pináculo da separatividade, estamos voltando para Ele, para Deus.

Libertaremo-nos de toda a existência concreta e nos transformaremos num “pilar do templo de Deus e dele não sairemos mais” (Apo 3:12).

Sempre que vamos entrar em um novo estágio evolutivo, os Seres Superiores lançam sombras desse estágio que virá a fim de tornar mais suave a mudança e de dar oportunidades para os vanguardeiros da nossa Onda de Vida, aqueles que sentem a necessidade de dar mais um passo e que anseiam progredir na evolução.

Na Nova Galileia, a próxima Época, a sexta, o amor se fará altruísta e a razão aprovará os seus ditames. A Fraternidade Universal se realizará plenamente e cada um trabalhará para o bem de todos. O egoísmo será coisa do passado.

Aos poucos estamos sentindo que a razão está deixando de nos dominar e o amor está começando a ditar as nossas atitudes.

Vemos que, aos poucos, essa consciência estritamente individual, limitada ao Mundo material, está desfazendo as nações em indivíduos e assim a fraternidade humana está se estabelecendo sem ter em conta as circunstâncias exteriores.

Vivamos uma vida de fraternidade e de amor apressando a segunda vinda de Cristo.

Somente através da prática da Comunhão Espiritual em nossas vidas é que alcançaremos a conscientização da Fraternidade Universal, capacitando-nos, assim, a ajudar os nossos irmãos e as nossas irmãs a seguirem o mesmo caminho.

                                                                       Que as rosas floresçam em vossa cruz

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Uma Análise Esotérica dos Quatro Motivos que nos leva a agir e as Correlações Positivas com a Oração do Senhor, o Pai-Nosso

Se estudarmos com atenção, não será difícil chegarmos à conclusão que só há quatro grandes motivos que nos leva a agir, a fazer, a atuar aqui na Região Química do Mundo Físico, enquanto estamos renascidos: amor, fortuna, poder e fama.

O desejo de alguma ou várias destas coisas objetos desses quatro motivos é a razão pela qual fazemos ou deixamos de fazer algo.

Se utilizamos os Ensinamentos Rosacruzes para compreender esses quatro motivos, concluímos que eles nada mais são do que incentivos para a agirmos para colocar ações, atos e fazer obras, a fim de obtermos experiências e aprender.

O Estudante Rosacruz deve continuar usando cada um dos quatro motivos de ação, firmemente, mas cabe a ele transmutá-los em algo superior e não focar no uso dele para aquisição ou manutenção das coisas materiais.

Assim, por meio de nobres aspirações, deve saber transcender o amor que busca a posse de outro Corpo, e todos os desejos de fortuna, poder e fama fundamentados em razões pessoais egoísticas.

Portanto, o amor pelo qual um Estudante Rosacruz deve aspirar é unicamente o da alma; que abarca todos os seres, elevados e inferiores e que aumenta em proporção direta às necessidades daquele que recebe.

Já a fortuna pela qual um Estudante Rosacruz deve lutar é somente a abundância de oportunidades para servir os semelhantes.

No que tange ao poder, aquele que um Estudante Rosacruz deve desejar é o que atua melhorando a Humanidade.

E, por fim, a fama pela qual um Estudante Rosacruz deve aspirar é a que possa aumentar nossa capacidade de transmitir a boa nova, a fim de os sofredores poderem encontrar o descanso para a dor do seu coração.

E se estudarmos a significância esotérica da Oração do Senhor (o Pai-Nosso) aprenderemos como essa Oração científica, nos fornecida diretamente por Cristo, é uma fórmula abstrata completa que nos ajuda a melhorarmos e a purificarmos todos os nossos sete veículos e, portanto, utilizar os quatro motivos para ação com o foco no nosso crescimento espiritual enquanto aqui renascidos.

Senão, vejamos cada um: nós, utilizando o nosso veículo Espírito Humano nos elevamos a nossa contraparte divina, o Espírito Santo, dizendo: “Santificado seja o Vosso Nome”.

Depois, utilizando o nosso veículo Espírito de Vida reverenciamos ante a nossa contraparte divina, o Filho (Cristo), dizendo: “Venha a nós o Vosso Reino”.

Continuando, utilizamos o nosso veículo Espírito Divino e nos ajoelhamos ante nossa contraparte divina, o Pai, e dizemos: “Seja feita a Vossa Vontade assim na Terra como no Céu…”.

Depois há a prece para que consigamos somente e tão somente o que precisamos para manter o nosso Corpo Denso aqui, onde usamos o nosso o nosso veículo Espírito Divino elevando a contraparte divina dele, o Pai, pedindo: “o pão nosso de cada dia dai-nos hoje”.

Seguindo na mesma linha, há a prece para que consigamos utilizar corretamente o nosso Corpo Vital aqui, onde usamos o nosso o nosso veículo Espírito de Vida elevando a contraparte divina dele, o Filho, pedindo: “perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”.

E, completando para o Tríplice Corpo, há a prece para que consigamos controlar o nosso Corpo de Desejos aqui, onde usamos o nosso o nosso veículo Espírito Humano elevando a contraparte divina dele, o Espírito Santo, pedindo: “Não nos deixeis cair em tentação”. E isso o fazemos aqui, porque já compreendemos que o desejo é o nosso grande tentador, mas também é o nossos grande incentivo para a ação. E estamos conscientes de que os nossos desejos são bons quando eles cumprem os nossos (Ego) propósitos, mas quando nossos desejos se inclinam para algo degradante (mormente para o egoísmo ou para algo contra as Leis de Deus), certamente devemos rogar para não cair nessas tentações.

E, como a Mente é um veículo (não um Corpo) e que é nossa função trabalhar para transformá-la em um Corpo Mental (a fim de usá-las realmente para criar e não para copiar ou ser escrava do desejo), pedimos ao Pai, Filho e Espírito Santo por ela, por meio da súplica “Livrai-nos do mal”.

E por que para a Mente? Porque ela é o veículo que nos permite ligarmos os nossos três veículos superiores espirituais – pelos quais expressamos a nossa Individualidade – aos três Corpos – pelos quais expressamos a cada renascimento uma Personalidade diferente. É por meio da Mente que conseguimos não seguir os seus desejos sem nenhuma restrição. E só por meio dela é que conseguimos ter a faculdade de discernimento do bem e do mal.

Só a título de observação, a parte introdutória bem conhecida: “Pai nosso que estais no Céus” é somente um indicativo de direção. Também, a parte final que às vezes é proferida, qual seja: “Porque Vosso é o Reino, o Poder e a Glória para sempre, Amém” não foi fornecida por Cristo. No entanto, pode ser bem considerada como apropriada como a nossa adoração final, como um Tríplice Espírito, por reafirmar a diretriz correta para a Divindade. 

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – setembro/1986 – Fraternidade Rosacruz – SP)

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