Categoria Estudos Bíblicos Rosacruzes: Novo Testamento

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Jesus e Sua Sublime Missão

No Evangelho Segundo S. Mateus em 1:21 lemos: “E dará à luz um filho e chamarás o seu nome Jesus; porque Ele salvará o seu povo dos seus pecados“. Mas não a um menino comum, pois Jesus não era um indivíduo comum, como qualquer outro da Humanidade. É certo que ele é um Espírito Virginal da Onda de Vida humana; pertence à nossa Humanidade. Podemos estudar o homem Jesus de Nazaré lendo todos os seus renascimentos na Memória da Natureza. Sabemos, por exemplo, que num de seus renascimentos ele foi o Rei Salomão. Aquele rei que lemos em 1 Reis 3, 4-14, quando Jeová apareceu em sonhos e lhe disse para pedir qualquer coisa que quisesse que Ele o daria. Quando, então, Salomão respondeu: “Tu foste grande amigo de teu servo Davi, meu pai, porque ele andou na tua presença com sinceridade e a mim me tem posto como rei em seu lugar. Confirme-se, pois, agora, Oh Jeová Deus! Tua palavra dada a Davi, porque tu me colocaste como rei sobre um povo eleito, povo tão numeroso que não se pode contar ou calcular. Dá-me agora sabedoria e conhecimento para discernir entre o bem e o mal“.

Quando, então, Jeová replicou a Salomão: “Por quanto isso foi em teu coração, que não pediste riquezas, nem longos anos de vida, nem a vida dos teus inimigos, se não que tens pedido para ti sabedoria e conhecimento para julgar o meu povo, sobre o qual te pus por rei, sabedoria e conhecimento te são dados e, também, o que não pedistes: riqueza e glória, em toda a sua vida, como jamais houve entre os reis“.

Esse é somente um dos exemplos de seus antigos renascimentos. Houve muitos outros, onde ele viveu sob diversas circunstâncias, sob vários nomes, do mesmo modo que qualquer um de nós, seres humanos. Com isso percorreu o Caminho da Santidade (o Caminho da Iniciação) através de muitas vidas, vivendo a vida espiritual e preparando-se para a maior honra que poderia ter recebido um ser humano.

Na vida terrestre que apareceu como Jesus, esse nosso irmão alcançou:

– um Corpo Denso que é o mais perto da perfeição que já se construiu e se construirá por qualquer um de nós nesse Grande Dia de Manifestação;

– um Corpo Vital que é o mais perto da perfeição que já se construiu e se construirá por qualquer um de nós nesse Grande Dia de Manifestação;

– um Corpo de Desejos isento totalmente de paixões, desejos inferiores; formado exclusivamente de materiais de desejos das Regiões Superiores do Mundo do Desejo;

– um Corpo Mental extremamente puro (lembrando que a Humanidade comum ainda só tem um veículo Mente).

Ou seja: ele possuía um Tríplice Corpo e um Corpo Mental da espécie mais pura que qualquer um de nós já pode construir.

Logicamente, para construir o seu Corpo Denso teve que contar com materiais da mais fina pureza que existe. Pois o ser humano para construir seu Corpo Denso necessita utilizar os materiais tomados dos corpos do pai e da mãe. Por isso, seu pai, José era um elevado Iniciado. Pertencia a Ordem dos Essênios. E durante muitas vidas também percorreu o Caminho da Santidade. Ele era tão puro que poderia realizar o ato da fecundação como um Sacramento, sem nenhum desejo ou paixão pessoal. Ele tinha a capacidade de expressar à vontade – força masculina – da maneira mais perto da perfeição no ato gerador. Com isso garantiu o melhor material para a construção do Corpo Denso de Jesus.

Por isso, a sua mãe, a Virgem Maria, era também um elevado Iniciado, da mais elevada pureza humana; por isso foi escolhida para ser a mãe de Jesus de Nazaré. Ela tinha a capacidade de expressar a imaginação – força feminina – da maneira mais perto da perfeição no ato gerador. Só ela poderia fornecer o material mais puro para a construção de um Corpo Denso mais perto da perfeição, como foi o de Jesus. Ela expressa a máxima pureza que um ser humano pode alcançar no ato gerador.

Mas, como pôde ocorrer uma concepção tão pura e isenta de dor, sofrimento e tristeza num ambiente tão impróprio como nós mesmos criamos aqui na Terra?

Então vejamos: Jeová, o Espírito Santo, o guia dos Anjos, aparece em várias partes da Bíblia como o dador de filhos. Seus mensageiros foram: a Sarah anunciar-lhe o nascimento de Isaac; para Hannah anunciaram o nascimento de Samuel, por exemplo. E foram eles que foram à Virgem Maria anunciarem o advento de Jesus, como lemos no Evangelho de S. Lucas (1:26-32): “No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado da parte de Deus (…) e disse-lhe o anjo: ‘Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!’ (…) ‘Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás em teu seio e darás à luz um filho e lhe darás o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo“. O poder do Espírito Santo fecunda tanto o óvulo humano como a semente do grão na terra.

Antes do Pecado Original, nós procriávamos sob a orientação dos Anjos, em épocas propícias. Não tínhamos paixões, porque éramos guiados em tudo, até no ato gerador. Inocentes e inconscientes de tudo. O Pecado Original se deu quando tomamos as rédeas da nossa evolução, inclusive do ato gerador. Essa transgressão utilizando da força sexual criadora sagrada, a nosso bel prazer, sem levar em conta Corpos puros e condições astrais propícias, é o que, até hoje, nos traz sofrimentos, tristezas e dores.

Entretanto, quando uma vida santa purifica os desejos, o ser humano se inunda com esse espírito puro e pode efetuar a função procriadora sem paixão. A concepção se torna imaculada. A criança que nasce sob tais condições é naturalmente superior, porque a concepção realizou-se como um rito sagrado de autossacrifício e não como um ato de autossatisfação.

Nesse caso, criamos exatamente as mesmas condições que tínhamos quando procriávamos sob a orientação dos Anjos, só que com uma crucial diferença: o fazemos conscientes e sob a nossa responsabilidade. De onde concluímos: que todo indivíduo vil tem que nascer de uma mãe vil e de um pai vil, ou seja: antes que nasça um Salvador é necessário encontrar uma virgem puríssima para que seja sua mãe e um pai igualmente puríssimo.

Quando dizemos “virgem” não queremos falar de virgindade em sentido físico. Todos nós possuímos a virgindade física nos primeiros anos de nossas vidas, mas a virgindade do espírito é uma qualidade da alma (ou do Espírito), adquirida mediante vidas de pensamentos, desejos, emoções, sentimentos, palavras, atos, obras e ações puros e elevados. Não depende do estado do Corpo Denso!

Assim, uma virgem verdadeira pode dar à luz a vários filhos e permanecer sempre “virgem”.

Portanto, o que determina um ser humano ser concebido em pecado ou imaculadamente depende de sua própria alma, de suas qualidades anímicas. Porque se um ser humano que vai nascer for puro, casto ele também nascerá e, naturalmente, de uma mãe e de um pai também puros e de natureza formosa. E, nessa situação, o ato sexual físico, que na maioria se realiza para gratificar a paixão e o desejo sensual, se efetua como uma oração, um Sacramento, como um sacrifício (sacro-ofício) – note a extrema oposição de sentimento: gratificação e sacrifício (sacro-ofício).

De modo que, a criança é concebida sem pecado nem paixão, ou seja, imaculadamente. Tal acontecimento não é um fato acidental. A vinda de uma criança por esses meios de pureza é previamente anunciada e a espera antecipada é marcada com impaciência e alegria.

Atualmente, há muitos casos de geração que se aproximam muito dessa Imaculada Concepção.

Aqui, realizam-se o ato gerador com puríssimo amor, e a mãe permanece tranquila, sem que seja perturbada durante o período de gestação e, assim, a criança nasce tão pura como numa Imaculada Concepção.

Com um Corpo Denso imaculadamente concebido, Jesus pode se dedicar ao objetivo específico da sua vinda como Jesus, ou seja: cuidar e desenvolver os seus Corpos Denso e Vital até o maior grau de eficiência possível para o grande propósito a que deveria servir: fornecer o seu Corpo Denso e o seu Corpo Vital para a imensa tarefa do Cristo, o Plano da nossa Salvação.

Nesse intuito, imensa ajuda foi lhe prestada pela terceira seita que existia na Palestina: a Ordem dos Essênios. Eles formavam uma ordem extremamente devota, muito diferente das outras duas seitas, então existentes: os materialistas saduceus e os hipócritas e vaidosos fariseus.

Pouco se sabe sobre eles, pois evitavam o máximo possível toda menção de si ou de seus métodos de estudo ou de adoração. Mas, foram os Essênios que educaram Jesus e cuidaram do seu desenvolvimento espiritual. Esse seu desenvolvimento espiritual foi elevando-se de grau durante os trinta anos de utilização de seus Corpos. Jesus tinha passado por várias iniciações. Como o objetivo das primeiras iniciações e do exercitamento esotérico é trabalhar sobre o Corpo Vital, a fim de construir e organizar o Espírito de Vida, vemos que, com isso, Jesus tinha alcançado as mais elevadas vibrações do Espírito de Vida. O seu Espírito de Vida tornou-se o seu veículo superior mais evoluído.

Cristo, por seu lado, sendo um Arcanjo, funcionava muito bem no seu Corpo de Desejos, Mas como todo Arcanjo, era incapaz de construir um Corpo Denso ou um Corpo Vital para si. Agora, como Ele é o mais desenvolvido de todos os Arcanjos, ou em outras palavras, o mais elevado Iniciado dos Arcanjos, estava acostumado em trabalhar no seu veículo mais inferior sendo o Espírito de Vida.

Ou seja: ele sabia construir um Corpo de Desejos, uma Mente e um Espírito Humano, mas vivia comumentemente no seu veículo Espírito de Vida, no Mundo do Espírito de Vida (lembrando que esse Mundo é o que envolve todos os Planetas e corpos celestes do nosso Sistema Solar e é onde a Fraternidade Rosacruz é praticada cotidianamente).

Onde ele expressava facilmente os atributos desse veículo, quais sejam: altruísmo, fraternidade, união, amor, perdão, graça e gratidão. Tudo o que nós precisávamos (e ainda muito precisamos) aprender para seguirmos na nossa evolução para frente e para cima. Assim, para ensinar-nos tudo isso, nos propiciar o acesso mais fácil de materiais de desejos para termos desejos, emoções e sentimentos formados somente de materiais das três Regiões superiores do Mundo do Desejo (Região da Luz Anímica, Região do Poder Anímico, Região da Vida Anímica), fundar a Religião Unificante do Filho – a verdadeira Religião Cristã, que ainda não se manifestou totalmente na Humanidade –, e com isso elevar-nos a mais um grau e para nos tirarmos das condições cristalizantes que estávamos, Ele precisou aparecer como um ser humano entre nós (1Tm 2:5) e, entrando num Corpo Denso, conquistar, de dentro, a Religião de Raça que nos afeta por fora.

Em outras palavras, acabar com a divisão entre os filhos de Seth e os filhos de Caim e uni-los numa única Fraternidade Universal. Para isso usou de todos os veículos próprios e só tomou de Jesus os Corpos Denso e Vital.

Isso ocorreu quando Jesus tinha 30 anos de idade. Então, Cristo penetrou nesses Corpos e empregou-os até o final de Sua missão aqui na Região Química, no Gólgota. Então, tornou-se a dupla figura que conhecemos como: Cristo-Jesus. Assim, Cristo é o único ser que possui uma série completa de veículos desde o Mundo de Deus até o Mundo Físico, ou seja, 12 veículos!

Nesses três anos, Jesus foi o que perdeu todo o crescimento anímico obtido durante os 30 anos terrestres, anteriores ao Batismo e contido no veículo cedido a Cristo. Este foi e é o grande sacrifício feito para nós, mas, como todas as boas ações, esse sacrifício redundará em maior glória no futuro. Durante os três anos que duraram o trabalho de Cristo nos Corpos Denso e Vital de Jesus, ou seja: entre o Batismo e a Crucificação, Jesus adquiriu um veículo de Éter, da mesma forma que um Auxiliar Invisível adquire matéria física sempre que for necessário materializar todo ou parte do Corpo Denso. Com ele seguia instruindo o núcleo da nova fé formado por Cristo. Entretanto, um material que não combine com o Átomo-semente não pode adaptar-se definitivamente. Ele se desintegra tão logo se esgote a força de vontade nele reunida; portanto, isso foi apenas um paliativo, durante esses três anos.

Depois da morte do Corpo Denso de Cristo-Jesus, no Gólgota, os Átomos-sementes dos Corpos Denso e Vital foram devolvidos a Jesus de Nazaré. Exceto o Corpo Vital usado por Cristo. Por que esse não foi devolvido? Para que Cristo o utilize na Sua segunda vinda.

E por que Cristo não poderia devolvê-lo? Não poderia Ele tomar de outro Corpo Vital de outro ser, mesmo de Jesus, quando necessitasse novamente? Certamente que não, pois existe uma Lei que determina que todo Ser deve sair de um lugar, pela mesma via por onde entrou. Cristo entrou na Terra, onde está agora confinado, através do Corpo Vital de Jesus. Deve sair também por este Corpo. Se o Corpo Vital de Jesus fosse destruído, Cristo permaneceria neste ambiente tão limitado até que o Caos dissolvesse a Terra. É por isso que os Irmãos Maiores colocaram o Corpo Vital de Jesus num sarcófago de cristal para protegê-lo dos olhares de curiosos e profanos. Eles conservam este receptáculo em um dos Estratos nas profundezas da Terra, onde ninguém que não seja Iniciado no grau apropriado pode penetrar.

Então, Jesus de Nazaré construiu um novo Corpo Vital, trabalhando com os movimentos verdadeiramente Cristãos. Os Cavaleiros da Távola Redonda, os Cavaleiros do Graal, os Druidas da Irlanda, os Trottes do Norte da Rússia são algumas das escolas esotéricas nas quais, Jesus trabalhou na Idade Média.

Note que a partir daqui nunca mais Jesus construiu para si um Corpo Denso, embora fosse capaz de fazê-lo. Isso porque o seu trabalho está totalmente dirigido na Região Etérica do Mundo Físico. Sem dúvida, Jesus é o mais elevado fruto que o Período Terrestre produziu, afinal: “Não há maior amor no homem do que aquele que dá a sua própria vida” (Jo 15:13) e o fato de dar não somente o Corpo Denso, mas também o Corpo Vital é certamente o supremo sacrifício!

Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Interpretação Esotérica da Parábola do Semeador

Nesta parábola, Cristo Jesus referiu-se não apenas às verdades espirituais que a Humanidade em geral tinha tal necessidade no tempo de Seu ministério de três anos, mas também descreveu diferentes tipos de pessoas e suas reações a Seus ensinamentos. A atitude das três primeiras classes que Ele descreve explica o fato de que uma parte tão grande da Humanidade estava no ponto de retrocesso quando o Raio de Cristo veio à Terra como seu Espírito Planetário residente.

Havia então, como agora, muitas pessoas que fizeram tão pouco esforço e progresso ao longo das linhas espirituais que não entendem quando alguém fala com elas sobre as leis espirituais subjacentes à existência. Desde o tempo, Eons e Eons atrás, que os Espíritos Virginais foram diferenciados dentro de Deus e começaram a mergulhar na matéria, muitos exerceram seus poderes divinos tão ligeiramente e se tornaram tão emaranhados na materialidade que perderam a percepção de serem seres espirituais e responde pouco à voz do Eu Superior. As forças subversivas estão em ação constante para liderar essa classe, que constitui aqueles que “receberam semente no esquecimento”, longe das influências edificantes que poderiam colocá-los entre os mais avançados.

Há outro tipo de pessoas que são instáveis, não tendo a fixidez de propósito ou força de caráter para manter os ensinamentos espirituais e padronizar suas vidas por eles, mesmo que possam aceitar as verdades quando ouvidas. Eles ouvem livremente todos os ensinamentos que podem ser promulgados, mas não discriminam e fazem de suas concepções intelectuais uma parte de sua base para a vida diária. Eles não permitem que a “palavra” forme “raiz” em seus seres e, portanto, constituem um “terreno pedregoso”, onde a “semente” desaparece.

Uma terceira classe de pessoas tornou-se tão absorta em suas buscas materiais e desejos egoístas que eles não permitem que um conhecimento das verdades espirituais interfira em sua maneira sensual de existir. Eles vivem em suas emoções e desejos: comendo, bebendo e se divertindo. Suas casas e terras, seus “gastos e gastos”, suas vaidades pessoais, etc., ocupam seu tempo e seus pensamentos. Os “espinhos”, ou natureza inferior, sufocam a “semente” e impedem seu crescimento. Felizmente, há ainda outro tipo de ser humano, como referido na parábola: aqueles que “ouvem a palavra”. Estes são aqueles que ouvem a voz do Eu Superior, o Cristo Interno, e se esforçam para viver de acordo com a parábola, ou seja, de acordo com as verdades espirituais dadas à Humanidade, como um padrão para o progresso pelos nossos Irmãos Maiores. Suas vidas diárias estão cheias de pensamentos e atos de amor e serviço para com os outros, em emulação de Cristo Jesus, o ideal para a Humanidade presente. Assim, eles se preparam para a Nova Era alimentando a “semente” até que ela cresça e floresça em um glorioso e luminoso fruto: a vestimenta do Casamento de Ouro, ou Corpo-Alma, a evidência do Cristo Interno.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de fevereiro/1975 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Origem do Tabernáculo: a Primeira Igreja da Humanidade

Lemos na Bíblia a história de como Noé e a sua família foram salvos do Dilúvio e formaram o núcleo da humanidade da Época do Arco-Íris, aquela em que vivemos agora. Também se diz que Moisés guiou seu povo fora do Egito, a terra do touro (do Signo de Touro) através das águas e o estabeleceu como o povo escolhido para adorar o Carneiro, o Signo de Áries, em cujo Signo havia já entrado o Sol pelo movimento de Precessão dos Equinócios. Esses dois relatos se referem ao mesmo incidente, a saber, a aparição da infante humanidade do continente submerso da Atlântida (na Época Atlante), nesta época de ciclos alternados: verão e inverno, dia e noite, fluxo e refluxo.

Como a Humanidade acabara de receber a Mente, ela começou a dar conta da perda da visão espiritual que até então possuía. Sentiu um anelo pelo mundo do espírito e seus guias divinos, que persiste, todavia, pois ainda não cessou de lamentar essa perda. Por essa razão foi-lhe dado o Tabernáculo no Deserto, antigo Templo de Mistérios Atlante, para que pudesse encontrar o Senhor quando estivesse qualificada por meio do serviço e domínio da natureza inferior pelo Eu Superior. Tendo sido delineado por Jeová, foi a incorporação de grandes verdades cósmicas, ocultas por um véu de simbolismo que falava ao Eu interno ou Eu Superior.

Em primeiro lugar, é importante saber: esse plano divino do Tabernáculo foi dado a um povo escolhido, que devia construí-lo por meio de sacrifícios. E aqui há uma lição particular consistindo em nunca se dar à pessoa alguma a norma do caminho do progresso se primeiramente não se fez um convênio com Deus para servi-lo e estar disposto a oferecer o sangue do seu coração numa vida de serviço totalmente desinteressado. A palavra “phree messen” é um termo egípcio significando “filho da luz”. Na literatura iniciática fala-se de Deus como o Grande Arquiteto. Arche é uma palavra grega significando “substância primordial”.

Diz-se que José, pai de Jesus, foi um “carpinteiro”, porém a palavra grega é “tekton” — construtor. Também se diz que Jesus foi um “tekton”, um “construtor”.

Por conseguinte, cada verdadeiro Iniciado é um filho da luz, um construtor que se esforça em edificar o templo místico de acordo com o plano divino dado por nosso Pai nos Céus. A esse fim dedica todo o seu Coração, Alma e Mente. Ele deve aspirar a ser “o maior no Reino de Deus” e, portanto, há de ser o servo de todos.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de fevereiro/1978 – Fraternidade Rosacruz -SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Reino dos Céus: de que lado você está?

O Reino dos Céus! Quem, em nossos dias, venderia tudo o que tem para possuí-lo? Acreditamos que bem poucos. Tesouro menosprezado, esse Reino dos Céus. Por ele se trocam as ninharias do mundo. Arrefeceu-se o ardor dos trovadores do Eterno; extingue-se, quase que totalmente, a pequena chama do Santuário, pois não há mais ninguém, exceto uma minoria a protegê-la contra os ventos borrascosos do cego materialismo.  Encontram-se espalhados, por esse mundo de Deus, milhares de sociedades, mestres e guias (?) oferecendo a seus candidatos o Reino dos Céus, extorquindo, mercadejando falsas pérolas; ludibriando; esquecidos, ou fazendo-se de esquecidos, que tal Reino não se alcança a peso de ouro. As ovelhas incautas, de olhos vendados pelos seus pseudomestres não entenderam ainda que têm que vender tudo (vaidade, egoísmo, apego, personalismo), esvaziarem-se de si mesmas, fazer uma revolução interna, para receber as chaves do Reino (Iniciação).

Pois, como Cristo nos ensinou: “O Reino dos Céus é semelhante a um mercador que buscava pérolas, e que uma vez achou uma pérola de grande valor. Foi e vendeu tudo o que possuía e a comprou” (Mt 13:45-46). Homem extraordinário esse! Encontrando uma pérola de grande valor, vendeu tudo o que possuía para adquiri-la. Talvez seja essa a mais bela parábola contida nos Evangelhos. Muitos há que passam os olhos sobre essas palavras e não se importam com o seu significado interior.

Muitos cobiçaram essa pérola de grande valor. Tentaram obtê-la, mas ao se aperceberem de que deveriam vender tudo, o mundo lhes falou mais alto. Suas posses, suas ânsias de glória e honra, suas afeições desordenadas, colocaram-nos na situação do moço, que, tendo muitos bens, não quis se desfazer deles, e contrariado não seguiu Cristo (Mc 10:22).

O Reino dos Céus! Com que singeleza e facilidade nos dá o Cristo a conhecê-lo, fazendo-o semelhante a uma pérola de grande valor. Porém, existe um problema. Consiste na distinção entre a pérola verdadeira e a falsa. Mas, atentemos bem para o seguinte: a pérola falsa é adquirível facilmente com dinheiro sonante. Custa pouco. Dela faz-se muito alarde, muitas ofertas. A verdadeira, só pode ser obtida mediante muita busca, esforço, sofrimentos. Só a recebe quem vende tudo o que tem de inferior. Ninguém pode servir a dois senhores simultaneamente. De que lado você está, amigo leitor?

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de janeiro/1970-Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Uma Lenda Sobre a Fraternidade

Três mendigos um surdo, um cego e um aleijado iam a caminho da Samaria, quando um deles disse: “Eu sou surdo, porque sou pecador”; e o segundo: “Eu sou cego, portanto, também sou pecador”; e o terceiro, da mesma maneira, dizendo-se pecador, exclamou: “Por isso eu sou aleijado”.

Então, vendo que andavam sempre juntos, um deles disse aos outros:

“Eu posso ouvir porque tenho vocês dois como meus ouvidos”.

E o outro:

“Eu posso ver porque tenho os olhos de vocês dois”.

E disse o último:

“E, certamente, vocês dois são as minhas pernas”.

Então os três louvaram a Deus e se regozijaram.

Quando eles se aproximavam de Samaria encontraram um outro mendigo, que sendo leproso, trazia a boca velada e um chocalho na mão.

Ele se manteve afastado e pediu esmola aos três, que responderam: “Nós somos mendigos, não temos nada; vamos a Samaria pedir esmolas porque os samaritanos são dadivosos”.

Então o leproso chorou e disse: “Embora não tenham nada, vocês são abençoados porque são três. Mas eu sou pecador e devo viver sem amigos”.

Quando os três amigos ouviram aquilo, um disse ao outro: “Nós também somos pecadores, mas temos companhia”.

Comovidos por esse fato, consentiram a companhia do leproso, dizendo: “Nós somos todos pecadores e tementes ao Senhor. Venha conosco”.

O leproso se alegrou muito ao ouvir isso e disse: “Vamos então para Belém, porque esta noite eu tive um sonho anunciando o nascimento do Messias”.

O caminho para Belém era pedregoso e difícil. A noite caiu. Mas o cego pôde guiá-los na escuridão.

Era noite quando alcançaram o estábulo, em Belém, e recearam em bater. Dentro, José dormia, mas Maria estava acordada, ao lado do menino. Ouvindo barulho de pés e de homens conversando, levantou-se e abriu o postigo.

Um ofuscante raio de luz brilhou na escuridão e, através do postigo, Maria perguntou quem eram e porque vieram, e eles responderam: “Nós somos todos pecadores e tementes ao Senhor, mas soubemos que o Messias nasceu e por isso viemos”. A Virgem perguntou: “Que presentes vocês trouxeram? Porque ninguém pode entrar sem ofertas”.

Os mendigos baixaram seus olhos e responderam que nada tinham para oferecer.

Maria então perguntou: “Quem é aquele homem ali ao lado”?

Então os três sentiram muito medo e se ajoelharam: “Nós somos pecadores porque trouxemos este homem conosco; ele é leproso e, além disso, um samaritano”. Então Maria abriu as portas, eles entraram e contemplaram o Salvador: o cego recobrou a visão; o surdo ouviu e o aleijado se levantou. E olharam para ver se o leproso também estava curado, mas ele desaparecera. Então perceberam que o Leproso era um Anjo do Senhor.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de setembro/1975 – Fraternidade Rosacruz -SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Divina Essência Oculta Dentro de Você e o Que Fazer Com Ela

Nos Estudos Bíblicos Rosacruzes aprendemos que a significância esotérica de: “Não sabeis que sois o santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá, porque o santuário de Deus que sois vós é sagrado” (ICor 3:16-17), cujas palavras parecem tão coerentemente claras, produzem confusão e dúvida entre muitos de nós.

Para um Cristão afeito ao Cristianismo Popular tentar entender o que S. Paulo quis dizer nesses versículos constitui um exercício perigoso, uma aventura capaz de lhe abalar a fé. Aprofundar-se na ideia de que o “Espírito de Deus habita em nós” é algo temerário. Afinal, o Espírito de Deus só pode ser o próprio Deus. Deus no ser humano, dando vida ao seu santuário? Por que ir além?

Mas, para o próprio Estudante Rosacruz sobrevém, a princípio, grande dificuldade em aceitar a realidade do Deus Interno. Ora, durante toda sua vida se habituou a venerar e recorrer a uma inteligência superior, abstrata, permeando o espaço cósmico. A certeza da existência de um Deus externo lhe trouxe, sempre, uma certa segurança, ainda mais que esta Divindade lhe oferece seu Filho Unigênito — o Cristo — para redimi-lo de suas transgressões. Aos poucos, conforme trilha o Caminho da Santidade, vai tendo provas da Divina Essência oculta em cada um de nós e que essa é a base da Fraternidade.

A ideia de que Cristo é um ser interno, um princípio inerente à nossa condição de Egos (Espíritos Virginais da Onda de Vida humana manifestados aqui), que desabrocha e evolui através de várias existências de pureza e serviço não é fácil de se aceitar. A ideia de que é esse Cristo interno que salva e não o Cristo exterior pode ser assustadora, pois revela, e como isso é duro, que a salvação é um problema individual, interno e intransferível!

É responsabilidade exclusiva de cada um. Logicamente ninguém está só, no desenvolvimento desse processo. Pode-se recorrer às Orações Científicas, oficiações de Rituais de Serviço Devocional, práticas de Exercícios Esotéricos Rosacruzes que, quando acompanhada de esforços sinceros e serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível), focado justamente na Divina Essência oculta em cada um de nós, voltado sempre ao irmão ou a irmã que está no entorno, atrairá a ajuda dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, quando se trilha o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz.

A centelha divina tem em si as mesmas sementes de perfeição do Deus Macrocósmico. Quanto mais ampla for a nossa consciência de que esta Divindade habita em nós, maiores serão seus canais de manifestação.

A pessoa comum, aquela que alardeia seu agnosticismo ou vive condicionado a uma crença num ente exterior, pode se abalar com as crises desta época. Pode padecer de todas as desesperanças, apavorar-se com todas as mudanças, porque falta-lhe a energia positiva de quem admite a presença de Deus dentro de si mesmo.

O Estudante Rosacruz ativo e fiel se sobrepõe espiritual, mental, emocional, fisicamente e a todas as condições transitórias desse mundo. Nada teme, porque está convencido de que a única realidade possível é o Deus Interno!

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – março/abril/1988-Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A importância de alcançar o autocontrole para cura das doenças como a hanseníase

A lepra (ou como chamamos atualmente, a hanseníase), uma das doenças mais temidas a que a Humanidade se submeteu, é resultado do “pecado imperdoável”, ou mau uso da força sexual criadora divina, tão prevalente durante os tempos lemurianos e atlantes. Aprendemos quando estudamos o Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz que “…assim como o Espírito Santo é a energia criadora da Natureza, a energia sexual é seu reflexo no ser humano. O mau uso ou abuso desse poder é um pecado que não se pode perdoar; deve expiar-se, com prejuízo da eficiência dos veículos, a fim de aprendermos que a força criadora é santa”.

Paracelso, o grande médico-curador do século XV, afirmou: “Um laço íntimo liga o gerador ao que é gerado. Gerações passadas são utilizadas na construção do corpo futuro; elas são tecidas no corpo como uma tendência a alguma doença, afetando a disposição ou as forças vitais. Esse veneno de vidas passadas deve, em algum lugar, ser transformado em saúde.” Assim, a Lei de Causa e Efeito atua para nos ensinar a viver de acordo com as Leis de Deus.

No entanto, Cristo – veja na Bíblia a Cura do Leproso (Mt 9:1-4 e Mc 1:40-44) – trouxe a graça, por meio da qual uma pessoa, mediante o arrependimento, a restituição e a reforma íntima, pode absolver seu destino. Até mesmo uma pessoa diagnosticada com hanseníase pode usar essa fórmula divina para receber o Poder Curador do Cristo e ser aliviado de seu fardo. Uma mudança definitiva de consciência, é claro, é necessária nesse processo e, a menos que tal mudança ocorra, a cura será, na melhor das hipóteses, apenas temporária.

Estudando o livro Coletâneas de um Místico – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz aprendemos que “Esse foi o pecado dos nossos progenitores na antiga Época Lemúrica que eles espalharam suas sementes independentemente da Lei e sem o amor. Mas é o privilégio do Cristão se redimir pela pureza da sua vida, em memória do Senhor. S. João diz: “Sua semente permanece nele.” (IJo 3:9)

Nos tempos modernos, a hanseníase deu lugar ao câncer, que também resulta de desejos descontrolados. A ciência forneceu um certo grau de assistência na “cura” dessas duas doenças terríveis, mas um remédio permanente só pode ser encontrado educando as pessoas para que compreendam a santidade do Espírito Santo dentro de cada um de nós e aprendam a viver uma vida de autocontrole que respeite e obedeça às Leis de Deus.

(Publicado na Revista Rays From The Rose Cross – abril/1984 – Traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)

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Gravura: Christ Healing the Leper, from The Story of Christ. Georg Pencz-1534-35

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Origem do Cristianismo Esotérico: Essênios, Iniciações e Christian Rosenkreuz

Encontramos suas raízes entre a devota ordem dos Essênios, ao tempo de Cristo. Não são mencionados nos Evangelhos porque foram precisamente eles que dirigiram sua redação. Os manuscritos do Mar Morto, descobertos desde 1947, em aparente acaso, às margens do Mar do mesmo nome, nas cercanias do soterrado Mosteiro de Qumran, mostram inequívoca relação daquela Ordem com os Evangelhos, principalmente com o de S. João Evangelista e as cartas de S. Paulo. Efetivamente, José e Maria, pais de Jesus; Zacharias e Izabel, pais de João Batista; Jesus, João Batista e os seguidores de ambos, todos foram Essênios.

Lázaro, Iniciado por Cristo na simbólica passagem de sua ressurreição, renasceu depois como Christian Rosenkreuz, fundador da Ordem Rosacruz. Jesus foi educado pelos Essênios e com eles privou no período omitido pelos Evangelhos, dos onze aos vinte e nove anos, preparando-se em Qumran e posteriormente na Pérsia (onde havia a mais completa biblioteca daqueles tempos), para a missão transcendental de sua União a Cristo, no batismo do Jordão. As passagens principais da vida de Cristo-Jesus são “passos” Iniciático do desenvolvimento de cada Aspirante à vida superior. Com esse fim os Evangelhos foram escritos: como fórmulas de Iniciação, sob a singela aparência de narrativa a respeito da vida de Cristo-Jesus.

Essas nove Iniciações, pela ordem, são: Batismo, Tentação, Transfiguração, Última Ceia, Lavapés, Getsemani, Estigmatização, Crucificação e Ressurreição.

Assim a Fraternidade Rosacruz visa a uma grandiosa finalidade e encaminha os Aspirantes à vida superior vencedores a ilimitado desenvolvimento posterior para serviço do mundo. Não constitui uma confissão religiosa, no sentido comum do termo, porque não é dogmática; todavia no mais lato sentido, é uma escola de religiosidade, que oferece os mais eficientes meios de nos religar a Deus, através de Seu Filho, o Verdadeiro Caminho.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – março/1979 – Fraternidade Rosacruz –SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Essênios – Os Precursores de Cristo

Com o recente descobrimento de antigos documentos palestinos, que hoje conhecemos com o nome de Pergaminhos do Mar Morto, importantes fatos relacionados com o advento do Cristianismo surgiram, chamando a atenção não somente dos eruditos e estudantes bíblicos como de todo o povo e de toda a pessoa que lê e pensa, sem preconceitos, livremente. O interesse geral que hoje notamos sobre o conteúdo de tais pergaminhos mostra que esse descobrimento tem especial significação.

Os pergaminhos são restos de uma biblioteca pertencente aos Essênios, comunidade religiosa de antes e ao tempo de Cristo, espalhada por diversos pontos do mundo daquela época e que fundou uma colônia nas colinas da Judeia perto do Mar Morto, numa data não especificada do segundo século antes de Cristo. Nesse lugar, chamado Qumran, um pastor beduíno, procurando uma cabra perdida, entrou numa gruta e encontrou uns jarros de cerâmica que encerravam o maior achado documental de toda história. Isto aconteceu em 1947. Desde então, despertados para o assunto, representantes católicos e protestantes bem como estudiosos cientistas empreenderam no local e nas proximidades contínuas explorações, encontrando tesouros após tesouros nesse campo, ascendendo hoje a centenas de manuscritos. A maioria deles são simples fragmentos, porém, de grande importância, posto que compreendem partes de quase todos os livros do Antigo Testamento, bem como dos livros apócrifos, além de Hinos e escritos acerca dos Essênios, essa Ordem Devota, já estudada por Max Heindel quando escreveu o “Conceito Rosacruz do Cosmos” em 1909, e não mencionada no Novo Testamento. Muitos desses manuscritos bíblicos são anteriores em mais de mil anos ao tradicional texto hebraico que constituiu o fundamento de nossa bíblia.

Existem nove grutas perto do antigo centro Essênio; nestas se encontravam os inapreciáveis manuscritos, alguns de pele, outros de papiro e outros ainda de cobre. A primeira gruta encerrava o grande rolo de Isaías, que é quase uma versão fiel do texto atual, contido na bíblia. Os eruditos apontaram ligeiras variantes desse pergaminho, em confronto com o texto atual, das quais, apenas algumas merecem importância maior. Essas divergências mais importantes já foram incorporadas na Versão Standard Revisada (inglesa). Segundo os estudiosos, o maior proveito que se tirou do pergaminho de Isaías foi a eliminação da barreira para o conhecimento do texto hebreu arcaico, conhecimento que até agora não havia sido conquistado. Essa primeira gruta continha também um comentário sobre o livro de Habacuque, que era desconhecido, e o Manual de Disciplina Essênio, como foi chamado. Muito do material encontrado já foi traduzido e publicado em diversas línguas, inclusive em português. A Universidade Hebraica de Jerusalém foi a primeira a proceder a versão dos artigos principais, além do pergaminho segundo de Isaías, um saltério da Ordem e uma relação essênia da Guerra dos Filhos da Luz.

O seguinte descobrimento importante foi o da quarta gruta, onde acharam mais de trezentos manuscritos. A diferença era a de conservação: os documentos da primeira gruta estavam encerrados em jarras fechadas e seladas, portanto, conservados, ao passo que o da quarta estavam sem nenhuma proteção contra os elementos e, assim, em condições fragmentárias. Deduzimos daí que foram deixados às pressas por ocasião da invasão romana levada a efeito no ano 67 D.C. em que destruíram Qumran. As explorações continuam. Cada ano traz algo de novo aos descobrimentos. A tarefa de decifrar, traduzir, cotejar e interpretar o material é uma obra que absorverá a atenção dos eruditos por muitos anos mais.

A primeira apresentação geral do assunto foi feita por Edmund Wilson, num extenso artigo publicado no THE NEW YORKER, número de maio de 1955. Desde então foram publicados centenas de artigos em jornais e revistas religiosos, populares e científicos. Já em 1952 havia sido publicado um livro de cem páginas, sob o título “Os pergaminhos do Mar Morto” por A. Dupont-Sommer, professor de línguas semíticas da Universidade Sourbonne de Paris. Era um estudo preliminar. A Universidade de Oxford está preparando uma série de volumes sobre o assunto.

Para os esoteristas, principalmente os Cristão-esotéricos, que são os Estudantes Rosacruzes, a literatura dos Essênios é de enorme interesse por mais de uma razão. Os Essênios foram os esoteristas de seu tempo e se achavam entre os principais depositários dos Ensinamentos dos Mistérios da Antiguidade. Possuíam literatura a que tinham acesso apenas “os discretos”. Eram o degrau entre a Antiga e a Nova Dispensação, constituídos pelo Alto para serem os precursores de Cristo e os iluminados heraldos de um novo evangelho. É um descobrimento estremecedor que projeta sobre essa santa Ordem uma luz mais clara do que a que a iluminava nos dias da comunidade cristã primitiva.

Os Essênios, os Fariseus e os Saduceus foram as três principais seitas que existiam dentro do Judaísmo, ao tempo de Cristo. Os Essênios foram “os religionários da nova fé”. Constituíam uma sociedade estreitamente esotérica. A ela pertenceram S. João Batista, seus pais Zacharias e Izabel, Jesus, Maria e José, Ananias que em Damasco iniciou S. Paulo etc.

Os Saduceus eram a classe sacerdotal que havia perdido a luz interior com sua absorção nos interesses materiais. Não acreditavam em Anjos nem na imortalidade da alma. Por isso são considerados os materialistas religiosos de sua época.

Os Fariseus eram constituídos pelos escribas e os Doutores e intérpretes da lei. Consideravam tão rigorosamente a letra, o texto, que perdiam de vista o espírito dela. Em outras palavras, eram os tradicionalistas.

Desse modo, nem os Saduceus, nem os Fariseus estavam capacitados a ler corretamente os sinais dos tempos. Ambos conheciam a lei e os profetas, ensinavam a vinda de um redentor ao mundo. Não obstante, eram incapazes de perceber a preparação efetiva dos Essênios para recebê-Lo. Carecendo de percepção espiritual, não apenas não reconheceram o Messias como se tornaram Seus inimigos. Que trágica incoerência! Os líderes oficiais de Israel (cujo destino nacional e racial era preparar um veículo físico para a pessoa de Jesus de Nazaré na Divina Encarnação e estabelecer um ambiente adequado e uma atmosfera social propícia à Sua manifestação e ministério) não conheceram sua missão!

Mas o plano de salvação não podia ser frustrado pelo fracasso desses seres, embora devessem eles estar à frente do cumprimento dessa preparação. Mas, para contrabalançar, atrás dessa cena pública encontravam-se em recolhimento os Essênios, aquelas almas que não haviam perdido a iluminação interna e se conservavam fiéis à Sabedoria dos Mistérios. Eles se haviam consagrado, como discípulos espirituais, a preparar os passos do Senhor. Com esse fim, visando a evitar a contaminação do mundo, reuniram-se em cidades pequenas e, das grandes cidades afastavam-se para o deserto, constituindo comunidades fechadas, inteiramente dedicadas ao cultivo da vida espiritual. Não era um retiro egoísta com finalidade de fugir das responsabilidades que deviam ter perante a comunidade nacional. Ao contrário; era genuína e profundamente altruísta, pois tinham perfeita visão das condições e sofrimentos do mundo e se incumbiam do nobre duro mister de criar as condições etéricas necessárias para a vinda do Messias que devia ser o Salvador do mundo. Foi um movimento sacrificial que implicava a observância de severas disciplinas e preces; uma forma ascética de vida e um ostracismo virtual do mundo convencional que os cercava. Eles eram diferentes, demasiado diferentes para livremente misturar-se com a multidão e seguir suas normas de vida.

Os Essênios chamavam a si mesmos de Novo Israel e se consideram o povo do Novo Testamento. Chegara o tempo em que a Antiga Dispensação (a segunda das duas Jeovísticas) deveria ceder lugar à Nova Dispensação (a primeira das duas Cristãs). Os Essênios estavam preparados para essa transição e prepará-la foi sua missão.

Nesse tempo, o Judaísmo oficial, como dissemos, estava nas mãos dos tradicionalistas e de sacerdotes egoístas. Os saduceus (termo que significa os filhos de Sadoc) eram a Casta Sacerdotal. Sadoc foi o passado da classe sacerdotal judaica e o primeiro a servir no Templo de Salomão. Mas os Saduceus já não eram fiéis a este prestígio e à confiança que neles depositavam, pois os interesses egoístas competiam com o serviço sacerdotal. Permitiam que os traficantes negociassem em santos lugares, sacrilégios que mais tarde moveu Cristo a expulsar do Templo os cambistas de moedas. Mas a vocação sacerdotal não devia ser abandonada. Devia, isso sim, ser restaurada em seu legítimo lugar de honra e dignamente conservada para presidir no altar do Senhor. Os requisitos para tal serviço deveriam advir, não da herança física, mas da aptidão espiritual que os Essênios buscavam cumprir. Daí os Essênios reclamarem para si o nome de Filhos de Sadoc, não em virtude de sua ascendência, senão em decorrência de sua linhagem espiritual.

Em conexão com este fato, Flávio Josefo, o famoso historiador judeu do primeiro século de nossa era, afirmou que na comunidade dos Essênios a vida estava baseada, não nos laços de sangue, mas no zelo da virtude e no amor à humanidade. Isto os situa definidamente na Nova Dispensação. Foram cristãos, antes da vinda de Cristo

O laço de sangue era a base da comunidade judaica na Antiga Dispensação. As unidades sociais eram determinadas pelas relações físicas. Com exceção dos Essênios, os hebreus anteriores à vinda de Cristo, e ainda os judeus de hoje, estavam ligados em virtude de sua descendência comum do Pai Abraão. Cristo veio para romper esse laço de sangue e substitui-lo pela união espiritual. A isto se referia Cristo quando disse aos judeus que se orgulhavam de ser os eleitos, por serem filhos de Abraão: “Antes de Abraão fosse, eu era” (Jo 8:58). Com essa afirmação estava atribuindo a seus ouvintes uma herança maior, a herança de Deus, o Pai. Essa herança, comum a todos nós, nos torna todos irmãos. Os Essênios não haviam aceitado este fato de modo puramente intelectual: eles o viviam. Suas ações não eram motivadas pelos impulsos hereditários que emanavam do sangue, senão que brotavam do centro espiritual de seu Ser. Eles haviam alcançado a união com o Cristo interno e por ele, a ligação com o Cristo Cósmico, antes mesmo de Sua primeira vinda aqui, pondo sua vida em consonância com a d’Ele. Haviam, assim, transcendido o pensamento racial separatista e chegado a ser verdadeiramente universalistas.

O destino de todos nós é alcançar, algum dia, a libertação dos restritivos laços raciais e alcançar a viva realização da unidade do gênero humano, como conseguiram entre si os Essênios. A essência da missão de Cristo é precisamente a de nos ajudar a alcançar esse estado. Mas Sua ajuda não foi dada de uma vez por todas, durante os três anos de Seu ministério por Cristo Jesus; Seu ministério continua dos Mundos internos irradiando à nossa esfera humana, impulsos espirituais que fortalecem a nossa vida egóica, despertando em cada um de nós o reconhecimento do Eu superior e nos fazendo compreender nosso imortal destino como Filho de Deus.

Que os Essênios haviam tido contato consciente com o Cristo Cósmico, para cuja iminente encarnação estavam fazendo os mais cuidadosos preparativos, está evidenciado nos pergaminhos que deixaram claro muitos pontos que mantêm inequívoca similitude com os Evangelhos, demonstrando a sua associação com Cristo-Jesus. Por exemplo, o Manual de Disciplina, um dos mais importantes dos recém-descobertos manuscritos essênios, contém uma afirmação quase idêntica à usada por S. João, ao início de seu Evangelho: “E por Seu conhecimento, tudo se fez. E tudo o que é, foi estabelecido por seu propósito e fora d’Ele nada se faz”. A versão de S. João dessa sublime verdade, tão familiar a nós, Estudantes Rosacruzes, reza: “Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por Ele e sem Ele nada do que tem sido feito se fez”. Tão profundas afirmações só podiam ter surgido da consciência de um Iniciado. S. João a possuía, conforme o expressa no Evangelho. Antes de S. João, os Essênios a possuíam, conforme ficou evidenciado em seus escritos.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de março/1962-Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Recolhimento ao “Deserto”: você sabe onde está o seu?

Quando nossas almas anseiam por um recolhimento no deserto, começa uma etapa expressiva em nossa vida. Não é buscar o Tibet, à Índia ou um lugar isolado qualquer, fora do convívio humano. Não se trata de um ponto geográfico, mas de um recolhimento interno; um estado estéril para a Personalidade, mas produtivo e fértil para a Alma que, saudosa, busca o “paraíso interno” para aquietar-se, restaurar a harmonia interna e crescer, a fim de exercer sua benéfica influência em nossa vida.

Feliz de quem sente esta saudade e apelo do íntimo. Ainda que a pessoa não esteja consciente dessa necessidade interna, quando começa a orar e meditar corretamente, em entrega, abertura e tranquilidade interior, começa a ouvir a “pequenina e silenciosa voz” que sussurra, e sente-se bem.

Podemos ser bem-sucedidos no trabalho, nas relações com os íntimos e no trato com os amigos, porém isto não é suficiente. Há uma insatisfação interna. E na medida que a saciamos no “deserto” interior, muitas coisas começam a perder o significado  para nós. Já não nos dizem nada. Tal insatisfação não significa um convite para buscarmos outras formas de viver. Nada disso. Se o tentamos, logo nos desiludimos.

De nada nos vale fazer transformações externas. Se temos a graça de sentir essa insatisfação, não cometamos a tolice de comprar uma casinha na praia ou um sítio isolado, para levar amigos e folias de nossa rotina. Saibamos que o “deserto” deve ser buscado, aqui e agora mesmo, num cantinho de nossa casa, onde respeitem nossos momentos de quietude. Isto exige apenas algumas modificações no mundo interior, disciplinando a Mente e o Coração pelas verdades acerca de nossa real natureza e relação com Deus. É uma conscientização do modelo de Cristo; de equilíbrio entre uma atividade ordeira e o refazimento no “deserto” em nós. Afinal, é nosso Deus que nos ensina, por meio do profeta Isaías: “Tornarei o deserto em mananciais de águas” (Is 41:18).

Estes intervalos no “deserto” nos trazem vislumbres da Mente de Cristo, para reavaliação de conceitos; para constatação de coisas que devemos descartar, porque não servem à nova criatura. São períodos de ajustamento, mas, também, muitas vezes, de solidão, em que nos sentimos perdidos e nos perguntamos se vale a pena esse esforço. Tais vazios são provocados pelo próprio Cristo interno, para experimentarmos se O procuramos, por Ele mesmo ou se “pelos pães e peixes”. Outra razão d’Ele esconder-nos a Sua face é a falta de sentimento em nosso retiro no “deserto”.

Mais cedo ou mais tarde, de uma forma ou de outra seremos chamados a essa experiência maravilhosa, resistir-Lhe, é protelar mudanças positivas em nossas vidas. É melhor ouvir e atender ao tênue convite interno, agora, porque é o tempo certo, determinado pelo íntimo. Portanto, não pense que você ainda não esteja pronto para isso. Se o “deserto” o chama, é porque você já está preparado. Nem receie que isso vá desviá-lo de um viver pleno. Ao contrário: jamais sua vida será completa sem a ligação gradual com o Eu superior. Ele é que lhe dará sentido e significado à existência. Você continuará no Mundo, mas será uma nova pessoa, feliz, para fazer os outros felizes. Jamais estará só: uma Luz encherá sua vida!

O tempo dedicado ao exercício do “deserto” nunca é estéril, embora o pareça, no início, a quem tenha um sentido prático do mundo. É tempo ganho, pois enseja um processo interno, que não podemos perceber: de gradual abertura e sintonia à Consciência. Se nos mantemos conscientes, em calma entrega e anseio de Deus, algo ocorre e o processo se realizará!

Moisés estava evidentemente preparado quando foi atraído à Montanha e Deus lhe falou: “Vem tu, pois, e te enviarei ao Faraó para que lhe tires do Egito o meu povo, os filhos de Israel” (Ex 3:10). Também assim, somos chamados para o “deserto”, incumbidos de nos libertarmos do “Faraó” do mundo materialista, os pensamentos e emoções nobres atualmente apegados e condicionados a valores tolos, adestrando-os para que sirvam a significados mais altos e eternos. Não é fugir do Mundo, e ter uma nova relação com ele. É viver nele e não lhe pertencer. É adquirir melhores significados.

Cristo-Jesus sabia que Levi, o coletor de impostos (que depois chamou de Mateus) estava preparado quando o olhou bem. Convocou-o para o discipulado e ele, deixando tudo, imediatamente O seguiu (Lc 5:27-28). Esta convocação é interna, quando chega o tempo para nós, não devemos hesitar.

Depois passamos meses e anos no deserto, em intervalos de aquietamento e entrega. Não é um tempo “perdido”. Conheço um homem que se empenhou muitos anos a expressar seus talentos numa arte. Ficou longo tempo fazendo seus esboços, sob orientação dos melhores professores. Deu o melhor de si, mas estranhamente, jamais saiu do chão, como se diz, na profissão escolhida. Falava dos sacrifícios que teve de enfrentar nesse período e considerou-o improdutivo e desperdiçado.

Em conversa posterior descobri que foi precisamente nesse período que ele teve um despertar espiritual, pois se havia agarrado com toda a alma à Verdade e entrega de Deus, na esperança de que seria essa a chave-mestra para lhe destrancar as portas para o sucesso. Porém, o resultado foi diferente do que ele esperava: ele recebeu uma visão totalmente nova de sua vida. Aproveitando os talentos que desenvolvera, aplicou-os num campo inesperado, que lhe abriu meios de expressão criativa e gratificante. “Atirou no que viu e acertou no que não viu” — como diz o ditado popular. Só então, olhando para trás, reconsiderou sua opinião acerca do período “desperdiçado”. Compreendeu que “o período no deserto” o encaminhou à sua verdadeira vocação, dando-lhe, ao mesmo tempo significados novos da existência. Em verdade, foi o período mais rico de sua vida.

Temos notado que a dor, o insucesso, a esperança de mais altos significados, as decepções da vida, etc., são meios constantes que levam as pessoas para o “deserto interior”. Vão em busca de certas coisas e descobrem outras, muito mais altas e duradouras, que transformam radicalmente suas vidas!

Você se sente numa rotina monótona e vazia, sem significado? Talvez seja esse o convite, como foi dito: “Bem-aventurados os que têm fome, porque serão fartos” (Lc 6:21). Quiçá você pergunte: “por que tenho de passar pela experiência do “deserto”? Respondo: porque há um processo interno que só o Cristo, em você, pode realizar, através dessa comunhão. É inútil você procurar libertação para esse estado aí fora. Ninguém pode fazer por você o que a Deus incumbe. Pode o agricultor amadurecer o pêssego, para soltar-lhe o caroço? Não. Só o trabalho interior do próprio pessegueiro!

Não adie e nem resista ao convite de encontro com seu verdadeiro Ser. Aceite-o. E quando tiver passado por essa experiência indizível, você poderá retornar do “deserto”, ao encontro dos seres humanos, sob a direção da Mente de Cristo, para que “brilhe a sua luz diante deles, a fim de que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai celestial” (Mt 5:16).

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de janeiro/fevereiro/1988 – Fraternidade Rosacruz– SP)

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