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porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Ato de Pensar: como funciona em cada um de nós

Quando nós, o Ego, entramos pela primeira vez na posse de nossos veículos, na Época Lemúrica, não possuíamos cérebro, nem laringe. Para suprir essa deficiência, metade da força sexual criadora, anteriormente empregada na propagação, foi dirigida para cima, a fim de construirmos aqueles órgãos. Pelo primeiro, se poderiam produzir a manifestação do pensamento e da razão aqui e, pelo segundo, comunicar aos outros tal pensamento. Desse modo, vemos que o pensamento é criador, por derivar da força sexual criadora.

Igualmente, é criadora a voz, isto é, a palavra falada, pela mesma razão, tem o poder de criar, porque tem sua origem na força sexual criadora. Daí deduzimos que, ao conservarmos a força sexual criadora teremos maior quantidade de poder aproveitável no processo de raciocínio e, do mesmo modo, nossas Mentes serão muito mais poderosas do que as das pessoas que malbaratam a força sexual criadora. Essa força, não obstante, deve ser empregada em trabalho construtivo, mental ou físico, ou transmutada ao serviço amoroso e desinteressado aos outros. De outro modo causaria perturbação. Se permanecer meramente recalcada, produzirá, com o tempo, desordens e padecimentos mentais, emocionais e nervosos.

O ato de pensar é um processo muito complicado. Envolve, não somente o emprego do cérebro físico, mas, também, o do cérebro etérico, o Corpo de Desejos e a Mente. O processo é o seguinte: como Egos, funcionamos diretamente na Região do Pensamento Abstrato, dentro das nossas auras. Daqui, observamos as impressões lançadas pelo Mundo exterior sobre o Corpo Vital, por meio da cadeia de veículos e suas faculdades, chamados os cinco sentidos físicos.

Essas impressões, junto com os sentimentos, desejos e emoções por elas gerados no Corpo de Desejos, são imaginadas na Mente. Dessas imagens mentais, formamos nossas conclusões acerca das coisas observadas. Tais conclusões são as Ideias.

Pelo poder da vontade, nós, como Egos, projetamos uma ideia através da Mente. Aí, toma forma concreta, como pensamento-forma, ao atrair ao seu redor matéria mental da Região do Pensamento Concreto. O pensamento é o poder que usamos para fazer imagens e pensamentos-formas, de acordo com as ideias interiores. O pensamento-forma, em geral, envolve-se em matéria de desejo, obtida do Corpo de Desejos, recebendo um influxo de vida. Este pensamento-forma composto fica, então, capaz de agir sobre o cérebro etérico, impulsionando a força vital através dos centros cerebrais e dos nervos, levando-a até aos músculos voluntários, para gerar a ação. Por conseguinte, o pensamento é a mola real de toda a atividade humana.

Os efeitos do temor e de inquietação sobre o Corpo de Desejos são muito prejudiciais para nosso desenvolvimento anímico. Na inquietação, as correntes de desejo não se desenvolvem em grandes linhas curvas, tal como se realiza em condições normais, mas enchem o Corpo de Desejos de redemoinhos, e só redemoinhos, em casos extremos. Esta última condição impede a pessoa de tomar uma resolução que poderia corrigir a causa de seu temor e de sua inquietude. Tal estado pode se comparar ao da água a ponto de congelar-se, sob a ação de uma temperatura muito baixa. O temor, que se expressa em ceticismo, cinismo e pessimismo, pode comparar-se à água, quando congelada, porque os Corpo de Desejos das pessoas, que habitualmente abrigam esses pensamentos, estão imóveis e nada pode alguém fazer, ou dizer, que possa alterar essa condição.

Cada vez que alguém abriga um desses pensamentos, ajuda a congelar as correntes do Corpo de Desejos e a formar uma armadura azul-acinzentada, em que se encerra, privando-se, muitas vezes, do amor e da simpatia de todo mundo.

Daí, vem a necessidade de nos esforçarmos para sermos alegres e otimistas, mesmo em circunstâncias adversas, sob pena de criarmos severas condições no futuro.

A Mente Subconsciente é fator muito importante no nosso desenvolvimento. Em cada respiração, o ar que inspiramos leva consigo um exato e detalhado quadro do que nos rodeia. O mais ligeiro sentimento, ou emoção, é transmitido aos pulmões, donde passa ao sangue. O sangue é o mais elevado produto do Corpo Vital. Os quadros nele contidos imprimem-se nos átomos negativos do Corpo Vital, para servirem como árbitros do nosso destino, no estado post-mortem. Quando uma pessoa cria um pensamento-forma, de natureza construtiva ou destrutiva, e projeta-o no mundo, efetua o seu trabalho, de acordo com a sua natureza, ou, então, gasta inutilmente sua energia em vã tentativa. Em qualquer dos casos, retorna ao seu criador, trazendo consigo a indelével recordação da viagem. Seu êxito, ou fracasso, imprime-se nos átomos do Éter Refletor e forma parte do arquivo da vida e ação do pensador, arquivo que, por vezes, chamamos Mente Subconsciente.

O pensamento destrói tecidos no Corpo Denso. É bem sabido, pela Ciência, que os pensamentos negativos, destrutivos, tais como medo, angústia, sexualidade e sensualidade, destroem o poder de resistência do Corpo Denso, expondo-o a doenças e enfermidades. Uma pessoa de natureza boa e jovial, ou devotadamente religiosa, que tem fé e confia na providência divina, não cria, com frequência, pensamentos negativos. Como resultado, possui uma vitalidade maior e melhor saúde do que as sujeitas à inquietude. Por meio de pensamentos de amor, benevolência e bondade, despertando qualidades semelhantes nos outros, atraímos pessoas que possuem as ditas qualidades.

Esse sutil e potente poder do pensamento pode ser empregado, também, para curar as doenças e enfermidades. Por outra parte, por meio do pensamento abstrato, estamos capacitados a nos elevar do Mundo material e a entrar em contato com Deus.

Se emitimos pensamentos de otimismo, de bondade, de benevolência, de utilidade e de serviço, esses pensamentos, gradualmente, colorirão a nossa atmosfera, de tal modo que chegará a expressar fielmente essas qualidades e virtudes. E, como nossos Corpos são constituídos por nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana, manifestado aqui), eles se tornam a expressão da nossa atitude mental.

Nossos pensamentos reagem sobre o nosso Corpo Denso e sobre o nosso meio ambiente, trazendo-nos saúde e bem-estar material.

Isso ilustra o poder criador do pensamento. É um meio de provar a verdade proferida por Cristo: “Se procuramos o Reino de Deus e sua justiça, todas as demais coisas serão acrescentadas” (Mt 6:33).

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de janeiro/1975-Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Faço muitas vezes a mim mesmo perguntas relacionadas com a Ascensão e a descida anual de Cristo em nosso Planeta. Como poderá isso ser feito tão lentamente? Trata-se da Sua radiação ou da descida de Si mesmo? Peço também, por favor, me explicar qual é o Espírito da Terra e quem é Cristo, o Senhor da nossa Terra. São dois Espíritos individuais ou e apenas um?

Resposta: Tudo que é descrito no Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz é visto sob a ponto de vista dos seres humanos que habitam a Terra. Como nós, o Ego, possuímos veículos que vão desde o Espírito Divino até o Corpo Denso, da mesma forma, o Espírito de Cristo possui veículos que vão desde o Mundo de Deus até ao Mundo do Desejo. O Corpo de Desejos é o Seu veículo mais inferior, porque ele pertence à Onda de Vida dos Arcanjos, que alcançaram o seu estágio Humanidade no Período Solar. Desde que o Cristo Arcanjo alcançou o mérito de ser o mais elevado Iniciado do Período Solar, Ele conseguiu construir dois veículos com materiais do Mundo de Deus e, assim a Sua consciência se focalizou no Mundo de Deus, o que O levou a dizer: “Eu e Meu Pai somos Um” (Jo 10:30). Com esse nível de Consciência, Ele alcançou o atributo do Segundo Aspecto de Deus, Sabedoria, o Filho.

Assim como cada Onda de Vida das Hierarquias Zodiacais atinge certa eficiência espiritual, o Cristo dirige um Raio de Sua Consciência para este Planeta, de modo especial. Assim, tanto como o Planeta seja afetado, podemos dizer que é como se o Cristo “visitasse” o Planeta em pessoa. Esse é uma das características de um ser que alcança a Omnisciência.

Vamos a uma alegoria que ajuda a compreender esse fato: O Espírito de Cristo olha para outro Planeta. Cada um deles, por sua vez, reflete a Imagem de Sua Face, da mesma forma que um alquimista observa seus vasos de metal fundido e vê a Sua própria face refletida. Na medida em que o Raio de Consciência dirige-se para cada Planeta, tempo virá em que esse Raio assume a direção deles.

A nossa Terra atingiu esse ponto no tempo em que Cristo veio à Terra, em Sua primeira vinda. O Raio de Cristo tomou posse do Corpo Denso e Corpo Vital do ser humano Jesus de Nazaré, que cedeu os dois Corpos por livre e espontânea vontade – devido à necessidade de Cristo colocar em prática o Plano de Salvação que está nos tirando dessa condição cristalizante e perigosa nesse Esquema de Evolução em que nós mesmos nos colocamos –, tornando-se visível para qualquer pessoa como “um homem entre os homens”. A Ciência oculta explica esse processo dizendo que o Arcanjo Cristo, realmente, descendo ao Mundo do Desejo do Planeta Terra – pois Ele como Arcanjo consegue construir um Corpo de Desejos perfeito –, reativou a sua forma Arcangélica. Com os dois Corpos cedidos por Jesus de Nazaré ele se tornou o único ser que tem uma cadeia completa de veículos desde a Região Química do Mundo Físico até o Mundo de Deus. Essa entrada do Arcanjo Cristo nos dois Corpos cedidos por Jesus de Nazaré é descrita como ter sido efetuada no Batismo.

O Espírito Planetário Original da Terra foi um “Raio” ou parte do Logos Original que foi retirado do nosso Sistema Solar no início da nossa evolução, dirigida por aqueles Grandes Seres a quem designamos como “Pai”, “Filho” e “Espírito Santo”. Por determinado tempo, neste Período Terrestre, o Planeta Terra foi governado de fora, tal como a criança no útero materno não tem um espírito interno por determinado tempo.

Cada ano, desde então, o Cristo Solar (o Espírito do Cristo Cósmico) emite um Raio de Sua Consciência, para a Terra, do mais alto nível do Mundo do Espírito Divino, baixando em direção ao Centro da Terra. Esse é algo como o focalizador da atenção de um nível para outro, tal como um holofote projeta a sua luz do topo de uma colina em direção ao seu sopé e para todos os pontos da planície até onde possa alcançar, das profundezas dos abismos, às mais obscuras profundidades. Da mesma forma, a luz poderá ascender dos pontos mais profundos e obscuros, subindo dos vales, para os aclives, para finalmente atingir o tôpo da montanha e desaparecer nos céus.

Você compreenderá naturalmente que se trata de uma analogia, porém isso ilustra uma ideia em relação daquilo que acontece. Não é algo no sentido de “lentidão” de tempo, nem de “distância” no sentido de passar através do espaço, mas da focalização de um Raio de Consciência no envoltório terrestre, numa busca exterior, para depois penetrar no mais íntimo da Terra.

Para a concepção humana é como se um raio do Cristo Cósmico lentamente descesse e lentamente ascendesse através dos vários níveis. Podemos pensar dessa forma, pois tal é o modo que mais se adapta as nossas concepções, tal como parece que, no horizonte a Terra e o Céu se encontram. Entretanto, a Consciência de Cristo não é uma ilusão; Ele realmente está aqui conosco.

Cristo é o Espírito interno da Terra a cada seis meses do ano. O Espírito Planetário da Terra tinha a cargo a nossa evolução durante os Períodos de Saturno, Solar e Lunar e, provavelmente, a primeira parte do Período Terrestre. Então, esse Espírito, que era um dos Setes Espíritos diante do Trono, retirou-se da participação ativa da direção da evolução da Terra entregando à Cristo. Pode-se acrescentar que, pelo menos em nosso esquema planetário, as entidades mais avançadas, as que alcançaram um elevado grau de perfeição em evoluções anteriores, assumem, nos primeiros estágios, as funções do Espírito Planetário original e continuam a evolução. O Espírito Planetário original retira-se de toda participação ativa, porém, guia os ‘seus Regentes’.

De todo o exposto, torna-se claro, então, que, presentemente, o nosso Espírito Planetário da Terra é realmente Cristo.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – setembro/1967 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Sempre fui fraco e anêmico, e percebo que as pessoas vampirizam minha energia. Devo parar de ajudar as pessoas me concentrando por elas, ou você poderia me indicar algum método seguro de proteção? Conheço várias pessoas que se beneficiariam com sua resposta.

Resposta: Se você estudar no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz (sobre a questão dos pensamentos e como são encaminhados[1]) sobre a maneira como os pensamentos são gerados tratados na Mente e projetados sobre os outros para que realizem seus intentos, aprenderá  muito sobre a ciência da concentração e como realizar o trabalho que você está tentando executar Humanidade. Aliás, você provavelmente perceberá que os pensamentos-forma que você emite com o propósito de ajudar os outros consomem apenas uma pequena parte do nosso próprio Corpo de Desejos, que é substituída imediatamente pela matéria de desejo num grau ainda mais elevado do que foi enviado, devido à alta frequência vibratória sempre gerada por esforços altruístas. No entanto, isso não retira nada do seu Corpo Vital, e é da condição desse veículo que a sua saúde física depende.

Assim, você nunca será vampirizado por se concentrar sobre alguém quando estiver sozinho, mas é o contato com outras pessoas que pode lhe prejudicar, se você estiver fragilizado em sua saúde. Se você for minimamente sensível, provavelmente sabe quem está fazendo uso da sua energia, e ao caminhar e conversar com essas pessoas, é melhor, se possível, se manter alguns passos de distância delas. Se estiver sentado em um lugar com elas, conversando, cruze as pernas nos tornozelos e cruze as mãos (sobre o seu colo, por exemplo, como muitos fazem quando oram). Dessa forma, você formará um circuito magnético ao seu redor no chão quando estiver em sintonia magnética com qualquer pessoa que esteja por perto.

Essas medidas são, no entanto, apenas precauções que você pode usar com vantagem até que você consiga atingir o autodomínio ou autocontrole. Essa deve ser a sua primeira consideração, pois é inútil aplicar tratamentos paliativos enquanto a causa ainda estiver presente. De acordo com as informações que recebemos em sua carta, você precisa de ferro e Éter. Se for possível obter leite recém tirado da vaca, isso o auxiliará muito, pois nesse momento o leite está impregnado do Éter saudável do animal.  No entanto, se não for possível obtê-lo dessa forma, existem outros meios.

Em relação ao seu tamanho, as plantas têm os Corpos Vitais mais fortes, compostos dos dois Éteres inferiores[2], que estão relacionados à assimilação de nutrientes físicos. Por essa razão, as verduras ou vegetais verdes, mesmo que já estejam no mercado há algum tempo, são ricos em Éter. Alface, espinafre, tomate e morangos estão entre as plantas abundantes em ferro[3]. Se você evitar cozinhá-los, simplesmente colocando-os em água uma hora antes das refeições para refrescá-los, em pouco tempo aumentará o Éter em seu Corpo e o ferro em seu organismo. Assim, você não ficará anêmico e nem correrá o risco de vampirismo.

(Pergunta nº 48 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T. Nós mesmos, como Egos, funcionamos diretamente na substância sutil da Região do Pensamento Abstrato, que especializamos dentro da periferia da nossa aura individual. Dessa Região nós observamos, através dos sentidos, as impressões produzidas pelo Mundo exterior sobre o Corpo Vital, como também os sentimentos e emoções gerados por elas no Corpo de Desejos e refletidos na Mente.

Dessas imagens mentais formamos as nossas conclusões na substância da Região do Pensamento Abstrato relativas aos assuntos a que se referem. Tais conclusões são ideias. Pelo poder da vontade projetamo-las através da Mente quando então, se revestindo de matéria mental da Região do Pensamento Concreto, se concretizam como pensamento-forma.

A Mente é como as lentes projetoras de um estereoscópio[1]. A imagem é projetada em uma das três direções de acordo com a vontade do pensador que anima o pensamento-forma.

  1. Pode se projetar sobre o Corpo de Desejos a fim de despertar o sentimento que impele à ação imediata.

a) Se o pensamento desperta Interesse, uma das forças gêmeas – Atração ou Repulsão – deverá atuar.

  1. Se a Atração, a força centrípeta for a despertada, ela toma o pensamento, impele-o para o Corpo de Desejos, acrescenta vida à imagem e envolve-a em matéria de desejos. Então o pensamento está apto a atuar sobre o cérebro etérico impelindo através dos centros cerebrais apropriados e dos nervos, força vital aos músculos voluntários, os quais executarão a ação necessária. Desse modo se consome a força do pensamento, mas sua imagem fica impressa no Éter do Corpo Vital como memória do ato e do sentimento que o causou.
    1. Repulsão é a força centrífuga. Se despertada pelo pensamento haverá uma luta entre a força espiritual (a vontade do ser humano) dentro do pensamento-forma, e o Corpo de Desejos. Essa é a batalha entre a consciência e o desejo, entre a natureza superior e a inferior. Apesar da resistência, a força espiritual procurará envolver o pensamento-forma na matéria de desejos necessária para manipular o cérebro e os músculos. A força de Repulsão tentará dispersar essa matéria e expulsar o pensamento. Contudo, se a energia espiritual é forte, pode romper caminho através dos centros cerebrais e envolver o pensamento-forma em matéria de desejos enquanto põe em movimento a força vital, compelindo-a desse modo à ação. Então deixará na memória uma impressão bem vivida da batalha e da vitória. Se a energia espiritual se esgotar antes de produzir a ação, a força de Repulsão prevalecerá. Então será arquivada na memória, como todos os outros pensamento-formas quando esgotam sua energia.
  2. Se o pensamento-forma depara com o deprimente sentimento de Indiferença, fica então na dependência de sua própria energia espiritual que tanto pode compeli-lo à ação como pode apenas deixar uma leve impressão sobre o Éter Refletor do Corpo Vital, após ter esgotado sua energia cinética.
  3. Quando as imagens mentais dos impactos externos não provocam uma ação imediata, podem se projetar diretamente sobre o Éter Refletor, junto com os pensamentos por elas originados, para serem utilizadas no futuro. O Espírito, trabalhando através da Mente, tem acesso instantâneo ao arquivo da Memória Consciente, podendo, a qualquer instante, ressuscitar qualquer das imagens que ali se encontrem, lhes infundir nova força espiritual e projetá-la no Corpo de Desejos para compelir à ação. Cada vez que tais imagens são assim usadas, mais força, eficiência e nitidez elas ganham e mais prontamente podem compelir à ação apropriada à natureza de cada uma, do que nas ocasiões anteriores, porque abrem, por assim dizer, sulcos no cérebro e produzem o fenômeno do pensamento, “conquistando-nos” ou “crescendo” em nós pela repetição.
  4. A terceira maneira de empregar o pensamento-forma é quando o pensador o projeta na direção de outra Mente, para atuar como sugestão, proporcionar informações, etc., como na telepatia. Se dirigido sobre o Corpo de Desejos de outra pessoa pode forçá-la à ação, como é o caso do hipnotizador que influencia sua vítima à distância. Nesse caso, o pensamento-forma atuará exatamente como se fosse o próprio pensamento da vítima. Se estiver de acordo com as tendências desta, atuará da maneira mencionada na alínea “a)” do lº parágrafo. Se for contrário à sua natureza atuará do modo como foi descrito nas alíneas “b)” ou “c)” do mesmo parágrafo.

Quando o ato correspondente a tal pensamento-forma tenha se realizado, ou esgotado sua energia em vãs tentativas de realização, gravitará de volta ao seu criador, trazendo consigo a recordação indelével da jornada. Seu êxito ou fracasso imprimir-se-á nos átomos negativos do Éter Refletor do Corpo Vital, onde, por vezes denominada Mente Subconsciente, formará parte do registro da vida e atos do pensador.

[2] N.T.: Éter Químico e Éter de Vida.

[3] N.T.: Outros exemplos: Os vegetais mais ricos em ferro (não heme) incluem folhas verde-escuras (espinafre, couve, agrião, rúcula), leguminosas (feijão, lentilha, grão-de-bico), sementes (abóbora) e tofu. Para aumentar a absorção, consuma-os com alimentos ricos em vitamina C (laranja, limão, tomate) e evite cálcio ou café na mesma refeição.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Nosso Templo Divino: como você está cuidando do seu?

A autoridade, a firmeza suave, é indispensável na condução dos veículos humanos por nós, o Ego. Afinal aprendemos que o nosso Tríplice Espírito (nossos veículos espirituais) são contrapartes do nosso Tríplice Corpo.

As antigas tendências muitas vezes buscam levar a falsos caminhos, à fraude; procuram habilmente justificar certos atos errôneos. Mas o “Eu superior” – o que somos: Individualidade – atento, vigilante, cheio de discernimento, imparcial, não pode consentir que a Personalidade transforme o Templo do Corpo num “covil de salteadores” (“Não sabeis que sois templos do Altíssimo que habita em vós? O Reino de Deus está dentro de vós” (ICor 3:16)).

Não devemos permitir que em nosso íntimo se aceitem vícios e enganos, hipocrisia e “venda” de coisas que devem servir para o sacrifício ao Cristo interno; não podemos vender nosso Cristo por favores, prestígios e confortos.

Há muitas formas de cobrar. . . E quantas vezes permitimos que nossos veículos se tornem vendilhões e exploradores de coisas sagradas, comprando prazeres, vendendo emoções animalescas, em detrimento de nossas potencialidades sacrossantas? Por isso não devemos permitir que a Personalidade nos atravesse o Templo de leste a oeste (percorra a coluna de baixo para a cabeça) conduzindo os “animais dos instintos” à cabeça, como imaginações eróticas, sensuais ou egoístas. Só os Sacerdotes devem entrar (que nada mais são do que a sublimação de forças que se elevam para servir a Deus).

Em certas ordens religiosas usavam chicotes de cordéis para martirizar o Corpo Denso quando apareciam os impulsos instintivos. Mas o Corpo Denso não tem culpa!

Ao contrário, ele deve ser preservado como instrumento útil, sadio, saudável a serviço de nós, o Ego, que foi quem o construiu. O azorrague deve descer sobre os instintos do Corpo de Desejos. Não sugerimos violência geradora de recalques, ainda mais prejudiciais que os atos cometidos. Repetimos: firmeza suave, autoridade, disciplinando a pouco e pouco os maus hábitos passados e construindo, paciente e firmemente, novos e melhores hábitos. Daí a importância que o Cristo nos ensinou sobre a intenção, a ideia inicial. Nessa causa primeira é que deve estar nossa vigilância, nosso azorrague.

Reconhecer o que é errado é o primeiro passo. Desejar corrigir é o segundo; decidir expulsar os “vendilhões” é o terceiro e grande passo para a realização interna.

Condescendência própria é ignorância, quando não sabemos discernir; é fraqueza, quando desejamos permanecer no vício. Mas para assumirmos a direção de nossa vida, como Melquisedeque (Rei e Sacerdote de nosso Templo corporal) em Jerusalém (Paz Interna), é indispensável o discernimento, a decisão e a firmeza.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – outubro/1977-Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Ego e Suas Manifestações

Nós somos um Ego, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui, nesse Esquema de Evolução. Nossa manifestação nesse Esquema de Evolução é tríplice – do mesmo modo que Deus, que nos criou. Assim, nos manifestamos por meio dos seguintes veículos espirituais: Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano.

Pode-se comparar o Ego a uma pedra preciosa, a um diamante bruto. Quando este é retirado da terra está muito longe de ser formoso. Uma crosta grosseira oculta o esplendor que ela encerra, e antes que o diamante possa converter-se em uma gema, deve ser polido sobre uma pedra duríssima de esmeril. Cada aplicação contra o esmeril arranca uma parte da crosta e modela uma faceta através da qual entra a luz, refratando-se em ângulo diferente pela luz que as outras facetas refletem.

O mesmo acontece com o Ego. Como diamante bruto, entra na escola da experiência, sua peregrinação através da matéria. Cada vida terrestre é como uma aplicação da gema à pedra de esmeril. Cada vida na escola da experiência arranca uma parte da crosta do Ego e permite a entrada da luz da inteligência sob um ângulo novo, dando uma experiência diferente. Assim como os ângulos da luz variam nas muitas facetas do diamante, assim também, o temperamento, o caráter do Ego difere em cada vida.

Desde a infância até aos 14 anos a medula dos ossos não forma todos os corpúsculos sanguíneos. A maioria deles é subministrada pela Glândula Timo, que é maior no feto, e gradualmente vai diminuindo conforme vai-se desenvolvendo a faculdade individual de produzir sangue, ao crescer a criança. A Glândula Timo contém, por assim dizer, certa existência de corpúsculos proporcionados pelos pais. A criança que haure o sangue dessa fonte não compreende sua individualidade. Até que a própria criança elabore seu sangue, não pensará em si mesmo como um “eu”, mas como “filho da mamãe”, “filha do papai”.

Quando a Glândula Timo quase que desaparece aos 14 anos, o sentimento do “eu” expressa-se plenamente, pois então o sangue é produzido e dominado inteiramente pelo Ego.

Contrariamente à ideia geralmente aceita, o Ego é bissexual. Se o Ego fosse assexual o Corpo Denso seria também necessariamente assexual, porque não é mais que o símbolo externo do Espírito interno.

O Ego tem vários instrumentos: um Corpo Denso, um Corpo Vital, um Corpo de Desejos e uma Mente. Estes são seus instrumentos, e de sua qualidade e seu estado depende a obra que poderá realizar para adquirir experiências.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – setembro/1972 – Fraternidade Rosacruz– SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz

Na Fraternidade Rosacruz é oferecida a Cura Rosacruz guiada pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, utilizando os Auxiliares Invisíveis como instrumentos para restaurar e curar doenças e enfermidades físicas, emocionais e mentais. O trabalho é realizado de acordo com os mandamentos de Cristo Jesus: “Preguem o Evangelho e curem os enfermos”.

Este trabalho sagrado é realizado em estrita conformidade com os Ensinamentos de Cristo, enfatizando tanto a iluminação espiritual quanto a cura física.

Nesse livro há as informações necessárias e suficientes para se compreender o que é a doença ou enfermidade, porque ela ocorre e o que fazer para ser curado, por meio da Cura Rosacruz.

Há 2 meios de você acessar esse Livro:

1.Em formato PDF (para download):

Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – Prefácio – C.1-Corpo Denso-P1

Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – C.1-Corpo Denso-P2

Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – C.1-Corpo Denso-P3

Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – C.1-Corpo Denso-P4

Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – C.1-Corpo Denso-P5

Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – C.1-Corpo Denso-P6

Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – C.2-Corpo Vital-P1

Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – C.2-Corpo Vital-P2

Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – C.3-Corpo Vital e a Mente

Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – Parte 2 – C.4-As Causas Gerais das Doenças e Enfermidades-P1

Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – Parte 2 – C.4-Causas das Deficiências Mentais

Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – Parte 2 – C.4-Causas das Deficiências Físicas

Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – Parte 2 – C.5-Causas Específicas de Doenças: Insanidade

Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – Parte 2 – C.5-Causas Específicas de Doenças: Mediunidade

Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – Parte 2 – C.5-Causas Específicas de Doenças: Obsessão

Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – Parte 2 – C.5-Causas Específicas de Doenças: A Histeria, Epilepsia, Tuberculose e o Câncer

Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – Parte 2 – C.5-Comprometimento da Visão

Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – Parte 2 – C.5-Neurose de Guerra ou Trauma de Guerra (Transtorno de Estresse Pós-traumático)

Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – Parte 2 – C.5-Esclerose ou Endurecimento das Artérias

Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – Parte 2 – C.6-A Hereditariedade e a Doença ou Enfermidade

Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – Parte 2 – C.7-Efeito das Bebidas Alcoólicas e do Uso do Tabaco

Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – Parte 3 – C.8-Origem e Desenvolvimento da Cura

Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – Parte 3 – C.8-Remediar ou Curar Definitivamente

Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – Parte 3 – C.9-O Método de Curar Definitivamente da Fraternidade Rosacruz – Porque os Rosacruzes Curam

Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – Parte 3 – C.9-O Método de Curar Definitivamente da Fraternidade Rosacruz – Os Auxiliares Invisíveis

Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – Parte 3 – C.9-O Método de Curar Definitivamente da Fraternidade Rosacruz – A Panaceia Espiritual

Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – Parte 3 – C.10-A Ciência da Nutrição – Princípios Gerais

Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – Parte 3 – C.10-A Ciência da Nutrição – Razões para uma Dieta Vegetariana

Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – Parte 3 – C.10-A Ciência da Nutrição – A Necessidade de uma Dieta Atraente e Equilibrada

2.Para ler no próprio site:

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Para ler e estudar no próprio site:

PREFÁCIO

Esta compilação de material sobre a saúde e a cura do organismo humano, considerada do ponto de vista oculto, oferece aos interessados em alcançar e manter a saúde um verdadeiro tesouro de informações valiosas. Max Heindel, um Clarividente treinado e investigador dos Mundos suprafísicos, dedicou muito tempo e esforço para apurar a causas reais dos distúrbios físicos e mentais, conforme reveladas no reino da causa, os planos superiores ou suprafísicos, e este volume contém os frutos de seu trabalho. Ele incorpora algumas das verdades mais preciosas a respeito da origem, das funções e dos cuidados adequados dos veículos do ser humano, encontradas em publicações impressas, e aqueles que que se dedicam à verdadeira arte da cura acharão esse livro uma adição indispensável as suas bibliotecas.

Cristo admoestou aos Seus discípulos: “Pregai o Evangelho e curai os enfermos”[1]. Manter a saúde, uma vez conquistada ou recuperada, requer o conhecimento do “Evangelho” ou das Leis de Deus e é, portanto, à Luz de ambas as partes do Mandamento do Grande Mestre, que este livro é dedicado aos aflitos da Humanidade. Que o conteúdo de suas páginas – permeado pelo amor e pela compreensão compassiva do Coração místico do autor – seja o meio de trazer novo consolo e alívio a inúmeros corações aflitos e Corpos em sofrimento, bem como acelerar o dia para a geração de veículos humanos cada vez mais pertos da perfeição.

PARTE I – O SER HUMANO E SEUS VEÍCULOS

CAPÍTULO I – O CORPO DENSO

Introdução

A ciência oculta ensina que o ser humano é um ser complexo que possui:

(1) Um Corpo Denso, que é o instrumento visível que ele usa aqui neste Mundo Físico para buscar e carregar; o Corpo que normalmente consideramos como o ser humano completo.

(2) Um Corpo Vital, que é feito de Éter e permeia o Corpo Denso visível, assim como o Éter permeia todas as outras formas, exceto que os seres humanos especializam uma quantidade maior do Éter universal do que outras formas. Esse Corpo Vital é o nosso instrumento para especializar a energia vital do Sol.

(3) Um Corpo de Desejos, que é a nossa natureza emocional. Este veículo mais sutil permeia tanto o Corpo Vital quanto o Corpo Denso. É visto, pela visão do Clarividente, como se estendendo cerca de quarenta centímetros para fora do nosso Corpo Denso visível, que está localizado no centro desta nuvem ovoide, assim como a gema está no centro do ovo.

(4) A Mente, que é um espelho, refletindo o Mundo exterior e permitindo que o Ego transmita seus comandos como pensamentos e palavras e, também, para compelir à ação.

O Ego é o Tríplice Espírito que utiliza esses veículos para adquirir experiência na Escola da Vida.

Evolução

O Corpo Denso foi o primeiro veículo construído e, portanto, possui um enorme período de evolução anterior. Encontra-se em seu quarto estágio de desenvolvimento e alcançou um grau de eficiência grandioso e maravilhoso. Com o tempo, alcançará a perfeição, mas mesmo atualmente é o veículo mais bem organizado do ser humano. É um instrumento maravilhosamente construído e deve ser reconhecido como tal por todos que pretendem ter algum conhecimento da constituição humana.

O germe do Corpo Denso foi dado pelos Senhores da Chama durante a primeira Revolução do Período de Saturno, o primeiro dos Sete Grandes Dias de Manifestação, de acordo com os Ensinamentos Rosacruzes. Esse germe foi desenvolvido durante o restante das seis primeiras Revoluções, recebendo a capacidade de desenvolver os órgãos dos sentidos, particularmente o ouvido. Portanto, o ouvido é o órgão mais desenvolvido que possuímos.

Na primeira metade da Revolução de Saturno do Período Solar, ou seja, o segundo dos Sete Grandes Dias de Manifestação, os Senhores da Chama se ocuparam em realizar certos aprimoramentos a serem feitos no germe do Corpo físico. Tornou-se necessário alterar o germe, de forma a permitir a interpenetração por um Corpo Vital, bem como a capacidade de desenvolver as glândulas e um canal alimentar. Isso foi feito pela ação conjunta dos Senhores da Chama e dos Senhores da Sabedoria.

Na primeira Revolução de Saturno do Período Lunar[2], o terceiro dos Sete Grandes Dias de Manifestações, os Senhores da Sabedoria cooperaram com os Senhores da Individualidade para reconstruir o germe do Corpo Denso. Este germe já desenvolvera órgãos sensoriais embrionários, órgãos digestivos, glândulas, etc., e era interpenetrado por um Corpo Vital em início de desenvolvimento. Claro, não era visível nem sólido como o é atualmente, mas, de uma forma rudimentar era de certa forma organizado. No Período Lunar foi necessário reconstruí-lo e torná-lo capaz de ser interpenetrado por um Corpo de Desejos, bem como desenvolver um Sistema Nervoso, músculos, cartilagens e um esqueleto rudimentar. Essa reconstrução foi a obra da Revolução de Saturno do Período Lunar. Esses seres lunares não eram tão puramente germinais quanto nos Períodos anteriores. Para o Clarividente treinado, eles aparecem suspensos por cordões na atmosfera de névoa ígnea, como o embrião pendurado na placenta pelo cordão umbilical. Correntes, que forneciam certa espécie de nutrição, fluíam para dentro e para fora da atmosfera por meio desses cordões.

Quando a Terra surgiu do Caos, no início do Período Terrestre, ela estava inicialmente no estágio vermelho-escuro, que conhecemos como a Época Polar. Nessa ocasião a Humanidade desenvolveu, pela primeira vez, um Corpo Denso, cujo germe havia sido dado pelos Senhores da Chama durante a primeira Revolução do Período de Saturno. Não era, então, nada parecido com o nosso veículo atual, é claro. Quando a condição da Terra se tornou ígnea, como na Época Hiperbórea, o Corpo Vital foi adicionado e o ser humano se tornou semelhante a uma planta, isto é, ele tinha os mesmos veículos que as nossas plantas têm hoje e, também, possuía uma consciência semelhante, ou melhor inconsciência, aquela que temos no “Sono sem Sonhos”, quando o Corpo Denso e o Corpo Vital permanecem na cama.

Naquele tempo, na Época Hiperbórea, o Corpo do ser humano era como um enorme saco de gás, flutuando fora da Terra incandescente, e expelindo esporos semelhantes às plantas, que cresciam e eram usados por outros Espíritos humanos que vinham ao Mundo. O ser humano era bissexual, um hermafrodita.

Na Época Lemúrica, quando a Terra havia esfriado um pouco e algumas ilhas ou crostas começavam a se formar em meio a mares ferventes, o Corpo Denso humano também havia se solidificado um pouco e se tornado mais parecido com o que é atualmente. Era semelhante a um macaco, com um tronco curto, braços e pernas enormes, os calcanhares projetados para trás e quase nenhuma cabeça, pois a parte superior da cabeça estava quase totalmente ausente. O ser humano vivia em uma atmosfera de vapor que os ocultistas chamam de névoa-ígnea e não tinha pulmões, mas respirava por meio de “tubos”. Ele possuía um aparelho branquial que ainda se observa no embrião humano, enquanto passa pela fase pré-natal, que corresponde àquela Época. Ele não tinha sangue quente e vermelho, pois naquela fase não tinha um Espírito individualizado. Ele tinha um órgão semelhante a uma bexiga em seu interior, que ele inflava com o ar quente para ajudá-lo a saltar sobre os enormes abismos que se abriam quando as erupções vulcânicas destruíam a terra em que ele vivia. Da parte de trás da cabeça se projetava um órgão que agora se retraiu para dentro da cabeça e é chamado pelos profissionais que trabalham com anatomia de Glândula Pineal, ou impropriamente o terceiro olho, embora jamais fosse realmente um olho, mas um órgão localizador de sensação. O Corpo Denso era então desprovido de sensibilidade, mas quando o ser humano se aproximava demasiado de uma cratera vulcânica, aquele órgão registrava o calor e o impelia a fugir antes que seu Corpo fosse destruído.


[1] N.T.: Mt 10:7-8

[2] N.T.: Toda primeira Revolução de um Período chamamos de Revolução de Saturno daquele Período, pois ela sempre será uma recapitulação, em um estado superior, das atividades feitas no Período de Saturno.

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CORPO DENSO – EVOLUÇÃO DA ÉPOCA LEMÚRICA À ÉPOCA ÁRIA

Naquela Época, o Corpo Denso já estava tão solidificado que era impossível para o ser humano continuar a se propagar por esporos, sendo necessário que ele desenvolvesse um órgão para manifestar o pensamento, um cérebro. A força sexual criadora que agora usamos para construir ferrovias, navios a vapor, etc., no Mundo exterior, era então usada internamente para a construção de órgãos. Como todas as forças, era positiva e negativa. Um polo era voltado para cima para construir o cérebro, deixando o outro polo disponível para a criação de outro Corpo Denso. Assim, o ser humano não era mais uma unidade criadora completa. Cada um possuía apenas metade da força sexual criadora e, portanto, era necessário que buscasse seu complemento fora de si mesmo.

Na última parte da Época Lemúrica, a forma do ser humano ainda era bastante plástica. O esqueleto estava formado, mas o próprio ser humano tinha grande poder para moldar a carne de seu próprio Corpo Denso e a dos animais ao seu redor.

Nessa Época, quando nascia aqui, o ser humano podia ouvir e sentir, mas sua percepção da luz veio mais tarde. O Lemuriano ou a Lemuriana não tinha olhos. Possuía dois pontos sensíveis que eram afetados pela luz do Sol, que brilhava fracamente através da atmosfera ígnea da antiga Lemúrica, mas foi somente perto do fim da Época Atlante que ele adquiriu a visão como a temos hoje.

Sua linguagem consistia em sons semelhantes aos da Natureza. O suspiro do vento nas imensas florestas que cresciam em grande exuberância naquele clima super tropical, o murmúrio do riacho, o uivo da tempestade, o estrondo da cachoeira, o rugido do vulcão — tudo isso eram para ele vozes dos Deuses dos quais ele sabia descender.

Nada sabia sobre o nascimento de seu Corpo Denso. Não podia vê-lo nem ele nem qualquer outra coisa, mas percebia seus semelhantes. Era, no entanto, uma percepção interna, como a nossa percepção de pessoas e coisas em sonhos, mas com esta importantíssima diferença: sua percepção onírica era clara e racional.

Mas quando “seus olhos se abriram” (como conta a história da “Queda do Homem”) e sua consciência se voltou para os fatos do Mundo Físico, as condições se alteraram. A propagação era dirigida, não por Anjos, mas pelo próprio ser humano, que desconhecia o funcionamento das forças do Sol e da Lua. Sua consciência se concentrou no Mundo Físico, embora as coisas não lhe aparecessem com contornos claramente definidos até a última parte da Época Atlante. Ainda assim, ele gradualmente conheceu a morte devido à ruptura ocorrida em sua consciência quando esta foi transferida para os Mundos superiores na morte e retornou ao Mundo Físico no renascimento.

No entanto, o que foi dito sobre a iluminação dos Lemurianos e Lemurianas se aplica apenas a uma pequena parcela daqueles que viveram na última parte daquela Época e que se tornaram a semente para as sete Raças Atlantes. A maior parte dos Lemurianos e das Lemurianas era animalesca e as Formas por eles habitadas degeneraram nos selvagens e antropoides superiores dos dias atuais.

Na Época Atlante, que se seguiu à Época Atlante, o ser humano era muito diferente de tudo o que existe na Terra atualmente. Ele tinha uma cabeça, mas quase nenhuma testa; seu cérebro não possuía desenvolvimento frontal; a cabeça se inclinava quase abruptamente para trás a partir de um ponto logo acima dos olhos. Comparado com a nossa Humanidade atual, ele era um gigante; seus braços e pernas eram muito mais longos em proporção ao seu Corpo do que os nossos. Em vez de andar, ele se movia por meio de uma série de saltos rápidos, não muito diferentes dos do canguru. Tinha olhos pequenos que piscavam e seu cabelo era de seção redonda. Esta última peculiaridade, se nenhuma outra, distingue os descendentes das Raças Atlantes que permanecem conosco até os dias atuais. Seus cabelos eram lisos, brilhantes, pretos e de seção redonda. O cabelo de um ser humano da Época Ária, embora possa diferir na cor, é sempre de seção oval. As orelhas do ser humano da Época Atlante ficavam muito mais para trás na cabeça do que as do ser humano da Época Ária.

Os veículos superiores dos primeiros seres humanos atlantes não eram dispostos em uma posição concêntrica em relação ao Corpo Denso, como são os nossos atualmente. O Espírito não era exatamente um Espírito residente interiormente; estava parcialmente fora, portanto, não podia controlar seus veículos com tanta facilidade como se habitasse inteiramente dentro. A cabeça do Corpo Vital ficava fora e ocupava uma posição muito acima da cabeça física. Há um ponto entre as sobrancelhas e cerca de um centímetro e meio abaixo da superfície da pele, que tem um ponto correspondente no Corpo Vital. Quando esses dois pontos se alinham, como acontece no ser humano hoje, eles formam a sede do Espírito que nele reside interiormente.

Devido à distância entre esses dois pontos, os poderes de percepção ou visão de um ser humano atlante eram muito mais aguçados nos Mundos internos do que no denso Mundo Físico, obscurecido por sua atmosfera de névoa espessa e densa.

Com o passar do tempo, porém, a atmosfera foi se tornando mais clara; ao mesmo tempo, o ponto mencionado no Corpo Vital se aproximou cada vez mais do ponto correspondente no Corpo Denso, unindo-se a ele no último terço da Época Atlante.

Os Rmoahals foram a primeira das Raças Atlantes. Eles tinham pouca memória, e essa pouca memória estava relacionada com as sensações. Eles se lembravam de cores e tons e, assim, até certo ponto, desenvolveram o Sentimento. Com a memória, vieram aos atlantes os rudimentos de uma linguagem. Eles desenvolveram palavras e deixaram de usar meros sons, como os Lemurianos, dando nomes às coisas.

Os Tlavatlis foram a segunda Raça Atlante. Já começavam a sentir seu valor como seres humanos distintos. Tornaram-se ambiciosos; exigiam que suas obras fossem lembradas. A memória tornou-se um fator na vida da comunidade. Assim começou o culto aos ancestrais.

Os Toltecas foram a terceira Raça Atlante. Inauguraram a monarquia e a sucessão hereditária, originando o costume de honrar os homens pelos feitos de seus ancestrais. A experiência passou a ser altamente valorizada e a memória foi desenvolvida em grande escala.

No terço médio da Atlântida, encontramos o início de nações separadas. Com o tempo, os Reis se embriagaram com o poder e começaram a usá-lo de forma corrupta, para fins egoístas e engrandecimento pessoal, em vez de para o bem comum.

Os Turânios Originais foram a quarta Raça Atlante. Eles eram especialmente vis em seu egoísmo abominável, erguendo templos onde os Reis eram adorados como deuses.

Os Semitas Originais foram a quinta e mais importante das sete Raças Atlantes, porque neles encontramos o primeiro germe da qualidade corretiva do pensamento. Portanto, a Raça Semita Original tornou-se a “Raça-semente” para as sete Raças da Época Ária. Eles foram os primeiros a descobrir que o “cérebro” é superior aos “músculos”. Durante a existência dessa Raça, a atmosfera da Atlântida começou a se clarear definitivamente, e o ponto mencionado anteriormente no Corpo Vital entrou em correspondência com seu ponto correspondente no Corpo Denso. A combinação de eventos forneceu ao ser humano a capacidade de ver objetos claramente, com contornos nítidos e bem definidos; mas também resultou na perda da visão referente aos Mundos internos.

Os Acádios foram a sexta e os Mongóis a sétima das Raças Atlantes. Eles desenvolveram ainda mais a faculdade do pensamento, mas seguiram linhas de raciocínio que se desviavam cada vez mais da tendência principal da vida em desenvolvimento. À medida que as densas neblinas da Atlântida se condensavam cada vez mais, a quantidade crescente de água inundou gradualmente o continente, destruindo a maior parte da população e as evidências de sua civilização.

A Ásia Central foi o berço das Raças Arianas, que descendem dos Semitas Originais. De lá surgiram as diferentes Raças. É desnecessário descrevê-las aqui, pois as pesquisas históricas já revelaram suficientemente suas principais características.

CORPO DENSO – O CÉREBRO E O SISTEMA NERVOSO

Durante a Revolução de Saturno do Período Terrestre, o Corpo Denso recebeu a capacidade de formar um cérebro e se tornar um veículo para o germe da Mente, que seria adicionado posteriormente. O impulso foi dado à construção da parte frontal do cérebro. O cérebro e o sistema nervoso são a expressão mais elevada do Corpo de Desejos. Eles evocam imagens do Mundo exterior, mas na formação de imagens mentais, o sangue traz o material para as imagens; portanto, quando o pensamento está ativo, o sangue flui para a cabeça.

No ser humano, o cérebro é a ligação entre o Espírito e o Mundo exterior. Ele não pode conhecer nada do Mundo exterior, exceto por meio do cérebro. Os órgãos dos sentidos são meros portadores de impactos externos para o cérebro, e o cérebro é o instrumento que interpreta e coordena esses impactos. O Ego, auxiliado pelos Anjos, construiu o cérebro para reunir conhecimento do Mundo Físico. Quando o Ego assumiu a posse de seus veículos, tornou-se necessário usar parte da força sexual criadora para a construção de um cérebro e uma laringe. Os Espíritos Lucíferos são os instigadores de toda a atividade mental, por meio da parte da força sexual criadora que é conduzida para cima para atuar no cérebro. Assim, a entidade em evolução obteve a consciência cerebral do Mundo exterior ao custo de metade de seu poder criador.

Os fisiologistas observam que certas áreas do cérebro são dedicadas a atividades mentais específicas, e os frenologistas levaram esse ramo da ciência ainda mais longe. Ora, sabe-se que o pensamento degrada e destrói os tecidos nervosos. Isso e todos os outros resíduos do Corpo são substituídos pelo sangue. Quando, através do desenvolvimento do Coração em um músculo voluntário, a circulação do sangue finalmente passar para o controle absoluto do Espírito de Vida unificador, então estará dentro do poder desse Espírito reter o sangue das áreas da Mente dedicadas a propósitos egoístas. Como resultado, esses centros de pensamento específicos irão se atrofiar gradualmente.

O conhecimento cerebral, com seu egoísmo concomitante, foi adquirido pelo ser humano ao custo do poder de criar a partir de si mesmo. Ele comprou seu livre-arbítrio ao custo da dor e da morte; mas quando o ser humano aprender a usar seu intelecto para o bem da Humanidade, ganhará poder espiritual sobre a vida e, além disso, será guiado por um conhecimento inato tão superior à consciência cerebral atual quanto esta é superior à consciência animal mais inferior. O cérebro é, na melhor das hipóteses, apenas uma forma indireta de obter conhecimento e será substituído pelo contato direto com a Sabedoria da Natureza, que o ser humano, sem qualquer cooperação, poderá então usar para a criação de novos Corpos.

No Período Lunar, foi necessário reconstruir o Corpo Denso para torná-lo capaz de ser interpenetrado por um Corpo de Desejos e, também, capaz de desenvolver um sistema nervoso, os músculos, as cartilagens e um esqueleto rudimentar. Essa reconstrução foi obra da Revolução de Saturno do Período Lunar.

A reconstrução do Corpo Denso na Revolução de Saturno do Período Terrestre deu o primeiro impulso à divisão incipiente do sistema nervoso, que desde então se tornou aparente em suas subdivisões: o voluntário[1] e o simpático[2]. Este último foi o único previsto no Período Lunar. O sistema nervoso voluntário (que transformou o Corpo Denso de um mero organismo reagindo a estímulos externos em um instrumento extraordinariamente adaptável, capaz de ser guiado e controlado por um Ego interno) só foi adicionado no atual Período Terrestre.

Quando ocorreu a divisão do Sol, da Lua e da Terra, no início da Época Lemúrica, a porção mais avançada da Humanidade em formação experimentou uma divisão do Corpo de Desejos em uma parte superior e uma inferior. O restante da Humanidade experimentou a mesma divisão no início da Época Atlante. Essa parte superior do Corpo de Desejos se tornou uma espécie de alma animal. Ela construiu o sistema nervoso cérebro-espinhal e os músculos voluntários, controlando assim a parte inferior do Tríplice Corpo até que a ligação com a Mente fosse estabelecida.

Parte do sistema muscular involuntário[3] é controlada pelo sistema nervoso simpático.

O assento do Espírito Humano está primeiramente na Glândula Pineal e, secundariamente, no cérebro e no sistema nervoso cérebro-espinhal[4], que controla os músculos voluntários.


[1] N.T.: também conhecido como sistema nervoso somático, faz parte do sistema nervoso periférico e controla conscientemente as ações do corpo, como mover músculos esqueléticos (braços, pernas, tronco) e o rosto. Ele transmite informações sensoriais ao cérebro e envia comandos motores para realizar movimentos intencionais, além de gerenciar reflexos rápidos.

[2] N.T.: é uma divisão do sistema nervoso autônomo (O SNA é uma rede neural periférica que regula processos fisiológicos involuntários e automáticos, garantindo a homeostase (equilíbrio interno). Ele controla órgãos internos, músculos lisos e glândulas, agindo sem controle consciente em funções como frequência cardíaca, digestão, respiração e temperatura.) que prepara o corpo para situações de estresse, emergência ou esforço físico, conhecida como resposta de “luta ou fuga”. Ele aumenta a frequência cardíaca, dilata pupilas e vias aéreas, e libera energia armazenada, enquanto inibe funções digestivas.

[3] N.T.: é composto por músculos que funcionam autonomamente, sem controle consciente, sendo controlados pelo sistema nervoso autônomo. Inclui o músculo liso (órgãos internos, vasos sanguíneos) e o músculo estriado cardíaco (coração). Essencial para funções vitais como digestão, circulação sanguínea e batimentos cardíacos.

[4] N.T.: É a parte central do sistema nervoso, compreende o encéfalo e a medula espinhal, protegidos por ossos (crânio e coluna) e meninges. Funciona como o centro de controle do corpo, processando informações, coordenando reflexos e transmitindo sinais motores e sensoriais através de 31 pares de nervos espinhais.

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O SANGUE

O estudo do sangue é muito profundo, abrangente e de suprema importância, seja qual for o ponto de vista que o analisemos. Lúcifer estava decididamente certo quando disse que “o sangue é uma essência muito peculiar”. Ele constrói o Corpo Denso desde o momento em que o Átomo-semente é depositado no óvulo até a ruptura do Cordão Prateado, que encerra a existência material, sendo um dos produtos mais elevados do Corpo Vital e a principal fonte de nutrição para todas as partes do Corpo Denso. É o veículo direto do Ego, tendo injetado nele cada pensamento, sentimento ou emoção transmitido aos pulmões.

Na infância e até os quatorze anos a medula óssea vermelha não produz todos os corpúsculos sanguíneos. A maioria deles é suprida pela Glândula Timo, que é o maior no feto e diminui gradualmente à medida que a faculdade individual de produção de sangue se desenvolve na criança em crescimento. A Glândula Timo contém, por assim dizer, um suprimento de corpúsculos sanguíneos fornecido pelos pais e, consequentemente, a criança, que extrai seu sangue dessa fonte, não percebe sua individualidade. Somente quando o sangue é produzido pela criança é que ela se reconhece como “Eu”, e quando a Glândula Timo se reduz quase desaparecendo, aos quatorze anos, o sentimento do “Eu” atinge sua plena expressão, pois então o sangue é produzido e dominado inteiramente pelo Ego. O que se segue esclarecerá a ideia e sua lógica:

Deve-se lembrar que a assimilação e o crescimento dependem do trabalho dos fatores que atuam ao longo do polo positivo do Éter Químico do Corpo Vital. Este é liberado em torno dos sete anos, juntamente com o equilíbrio do Corpo Vital. Somente o Éter Químico está totalmente maduro nessa época; as outras partes precisam de mais amadurecimento. Aos quatorze anos, o Éter de Vida do Corpo Vital, que tem a ver com a propagação, está totalmente maduro. No período dos sete aos quatorze anos de idade, a assimilação excessiva armazenou uma quantidade de força que se dirige aos órgãos sexuais e está pronta quando o Corpo de Desejos é liberado.

Essa força sexual é armazenada no sangue durante o terceiro dos sete períodos de idade e, nesse tempo, o Éter Luminoso, que é a via para o calor do sangue, é desenvolvido e controla o coração. O Corpo Denso não está nem muito quente nem muito frio. Na primeira infância, o sangue frequentemente atinge uma temperatura anormal. Durante o período de crescimento excessivo, ocorre frequentemente o inverso, mas na juventude impetuosa e desenfreada, a paixão e o temperamento muitas vezes expulsam o Ego, superaquecendo o sangue. Chamamos isso, muito apropriadamente, de ebulição ou transbordamento de temperamento e descrevemos o efeito como fazendo com que a pessoa “perca a cabeça” ou se torne incapaz de pensar. É exatamente isso que acontece quando a paixão, a raiva ou o temperamento superaquecem o sangue, levando o Ego para fora do Corpo. O Ego está fora de seus veículos, e estes estão funcionando como se estivessem em movimento, desprovidos da influência orientadora do pensamento, cuja função é, em parte, frear os impulsos. Somente o ser humano que se mantém calmo e não permite que o excesso de calor o expulse pode pensar corretamente.

Como prova da afirmação de que o Ego não pode funcionar no Corpo Denso quando o sangue está muito quente ou muito frio, chamaremos a atenção para o fato bem conhecido de que o calor excessivo causa sonolência e, se levado além de certo ponto, expulsa o Ego, deixando a pessoa inconsciente. É somente quando o sangue está na temperatura normal ou próxima dela que o Ego pode usá-lo como veículo de consciência.

O rubor intenso da vergonha é uma evidência da maneira como o sangue é impulsionado para a cabeça, superaquecendo o cérebro e paralisando os processos de expressão do pensamento. O medo é um estado em que o Ego quer se proteger de algum perigo externo. Ele então impulsiona o sangue para o centro e empalidece, porque o sangue saiu da periferia do Corpo Denso e perdeu calor, paralisando assim a expressão do pensamento. Na febre, o excesso de calor causa delírio.

A pessoa com sangue em plena forma, embora o sangue não esteja muito quente, é ativa no Corpo e na Mente, enquanto a pessoa anêmica é sonolenta. Em uma, o Ego tem melhor controle; na outra, o Ego tem menos controle. Quando o Ego quer expressar o pensamento, ele impulsiona o sangue na temperatura adequada. O calor afeta o cérebro. Quando uma refeição pesada concentra a atividade do Ego no trato digestivo, o ser humano não consegue expressar o pensamento; ele fica sonolento.

Os antigos nórdicos e os escoceses reconheciam que o Ego está no sangue. Nenhum estranho podia se associar a eles como parente até que tivesse “misturado sangue” com eles e, assim, se tornado um deles.

Nos descendentes das famílias patriarcais – Adão, Matusalém, etc. – o sangue que corria em suas veias continha as imagens de tudo o que havia acontecido com seus diferentes ancestrais, e essas imagens estavam constantemente diante da visão interior de cada um, pois eles não tinham visão externa naquela Época. Atualmente, o sangue de cada indivíduo contém apenas imagens de suas próprias experiências individuais, e a Mente Subconsciente tem acesso a elas. Até o início do casamento fora da família, os indivíduos eram governados por um Espírito de Família (um Anjo), que entrava no sangue por meio do ar inspirado e ajudava cada Ego a controlar seus veículos. Quando o casamento fora da família começou, os Egos haviam chegado a um ponto na evolução da autoconsciência em que podiam depender de si mesmos e deixaram de ser autômatos guiados por Deus e se tornarem indivíduos autogovernados. Quanto maior a mistura de sangue, menos o Ego residente no interior dos seus Corpos pode ser influenciado pelos Espíritos da Raça ou de Família. O sangue puro nos deu assistência ancestral quando precisávamos. O sangue misto proporciona independência de ajuda externa. Um Deus (criador) deve ser independente.

O calor do sangue é a base de partida do Ego, e os Espíritos de Lúcifer de Marte auxiliam na manutenção desse calor dissolvendo o ferro, um metal marciano, em nosso sangue para atrair oxigênio, um elemento solar.

O calor adequado para a verdadeira expressão do Ego não está presente até que a Mente nasça da Mente Concreta macrocósmica, quando o indivíduo tem cerca de 21 anos de idade. A lei estatutária também reconhece essa como a idade mínima em que o ser humano é considerado apto a exercer o direito de voto.

Na Onda de Vida animal o sangue é fluido e nucleado. Os núcleos, centros da vida, são a base estratégica de um Espírito-Grupo. Regula seus processos vitais e os guiam através dos núcleos. Durante a primeira parte do período gestacional, o sangue do feto também é nucleado pela vida da mãe, e ela regula o processo de construção do Corpo Denso, mas assim que o Ego entra no Corpo da mãe, ele começa a afirmar sua Individualidade e resiste à formação de células sanguíneas nucleadas. As células antigas desaparecem gradualmente, de modo que, quando o Cordão Prateado é conectado no momento da vivificação e o Ego é atraído para dentro de seu Corpo Denso, todos os núcleos desaparecem, e ele é o autocrata absoluto de seu novo veículo, uma herança mais preciosa do que qualquer outra posse terrena; e, quando usado corretamente, é nosso meio de gerar poder da alma e acumular tesouros no céu. Quando abandonamos este veículo aos controles do Espírito, prejudicamos seriamente nossa evolução superior e cometemos um grande pecado.

Assim, o sangue é o veículo particular do Ego, e assim como nos éons passados ​​de desenvolvimento cristalizamos a matéria para formar nosso Corpo Denso, também está destinado que agora devemos eterizar nossos veículos para que possamos elevar a nós mesmos e ao mundo dos reinos da materialidade para o espiritual. Naturalmente, portanto, o Ego visa primeiro tornar o sangue gasoso, e para a visão espiritual, esse sangue vermelho e sem núcleo não é um fluido, mas um gás. Não é argumento contra essa afirmação o fato de que, quando furamos a pele, o sangue sai como um líquido. Quando abrimos a válvula de escape de uma caldeira a vapor, o gás também se condensa em líquido, mas se construirmos um modelo de máquina a vapor de vidro e observarmos como o vapor funciona ali, veremos apenas o pistão se mover para frente e para trás, impulsionado por um agente invisível, o vapor vivo. Da mesma forma, assim como o vapor vivo diretamente da caldeira é invisível e gasoso, também o sangue vivo no corpo humano é um gás, e quanto mais elevado o estado de desenvolvimento de qualquer Ego, mais etérico ele consegue tornar o sangue.

Quando, pelos processos vitais, o alimento atinge o estado alquímico mais elevado, o processo de condensação começa e o gás sanguíneo é transformado em tecido nos vários órgãos para substituir o que foi desperdiçado ou destruído pelas atividades do Corpo. O baço é a porta de entrada do Corpo Vital; ali a força solar que abunda na atmosfera circundante entra em um fluxo constante para nos auxiliar nos processos vitais, e ali também a guerra entre o Corpo de Desejos e o Corpo Vital é travada com mais ferocidade. Pensamentos de preocupação, medo e raiva interferem no processo de evaporação no baço, resultando em uma partícula de plasma, que é imediatamente capturada por um elemental do pensamento que forma um núcleo e se incorpora nele. Então, começa então a viver uma vida de destruição, coalescendo com outros resíduos e elementos em decomposição onde quer que se formem, transformando o Corpo Denso em um ossuário em vez do Templo de um Espírito vivo que habita nele. Podemos, portanto, dizer que cada glóbulo branco que foi tomado por uma entidade externa é para o Ego uma oportunidade perdida. Quanto mais dessas oportunidades perdidas houver no Corpo, menos o Corpo estará sob o controle do Ego; portanto, encontramos essas oportunidades em maior número em todas as doenças do que quando a pessoa está saudável. Pode-se dizer também que a pessoa de natureza jovial e alegre, ou aqueça que é devotamente religiosa e tem fé e confiança absolutas na providência e no amor divinos, registrará muito menos oportunidades perdidas ou glóbulos brancos do que aqueles que estão sempre preocupados e aflitos.

Assim, o sangue é a única parte do Corpo que realmente pertence a nós. A medida em que controlamos todo o sangue depende da capacidade do Ego de se expressar através do Corpo. É somente através dos glóbulos vermelhos que o Ego consegue atuar. Sempre que nos permitimos ser negativos, produzimos glóbulos brancos, que não são, como vimos, “os policiais do organismo”, como a ciência pensa agora, mas sim destruidores.

Quando o sangue circula pelas artérias que estão profundas no Corpo, ele é um gás, como foi demonstrado; mas a perda de calor perto da superfície do Corpo faz com que ele se condense parcialmente, e nessa substância o Ego está aprendendo a formar cristais minerais. A ciência descobriu recentemente que o sangue de diferentes pessoas possui cristais diferentes, de modo que agora é possível distinguir o sangue de um negro ou uma negra do sangue de um branco ou uma branca; mas chegará o dia em que se perceberá uma diferença ainda maior; pois assim como há uma diferença nos cristais formados pelas diferentes raças, também há uma diferença nos cristais formados por cada pessoa individualmente.

Analisando a questão de outro ângulo, podemos observar que, quando o sangue é batido com um bastão, ele se separa em três substâncias distintas: o soro ou substância aquosa que está sob o Signo de Câncer, regido pela Lua (Hierarquia Lunar); a matéria corante vermelha que é a substância marciana gerada sob Escorpião; e, mais importante de todas, a fibrina, ou matéria fibrosa que se encontra sob o terceiro Signo de Água, Peixes. Quando o esqueleto estava fora da nossa carne, a consciência era embotada, como a de um crustáceo. Ao sairmos da estrutura óssea, alcançamos um grau muito mais elevado de consciência e, ao espiritualizarmos esse esqueleto interno por meio do sangue, extraímos a essência de tudo o que aprendemos em Épocas passadas e a transformamos em poder anímico utilizável no Período de Júpiter. Interferir nesse trabalho é um crime contra a alma.

Como a mulher possui o Corpo Vital positivo, ela amadurece mais cedo que o homem, e as partes que permanecem semelhantes às plantas, como o cabelo, crescem mais e ficam mais exuberantes. Naturalmente, o Corpo Vital positivo gerará mais sangue do que o Corpo Vital negativo, possuído pelo homem; portanto, temos na mulher uma pressão sanguínea maior, que é necessário aliviar pelo fluxo periódico, e quando essa pressão diminui no período do climatério, há um segundo crescimento na mulher, particularmente bem expresso nas características de desaceleração natural do metabolismo, à perda de massa muscular e ao aumento de gordura abdominal que geralmente começam por volta dos 40 anos devido a alterações hormonais, particularmente à redução do estrogênio.

Os impulsos do Corpo de Desejos impulsionam o sangue pelo organismo em velocidades variáveis, de acordo com a intensidade das emoções. A mulher, tendo excesso de sangue, trabalha sob uma pressão muito maior do que o homem e, embora essa pressão seja aliviada pelo fluxo periódico, há momentos em que é necessário ter uma saída extra; então, as lágrimas da mulher, que são sangramento branco, atuam como uma válvula de segurança para remover o excesso de fluido. Os homens, embora possam ter emoções tão fortes quanto as mulheres, não são propensos às lágrimas porque não têm mais sangue do que podem usar confortavelmente.

O sangue agora tem uma constituição diferente do que era nas Eras anteriores da evolução humana. O Espírito de Cristo foi visto descendo sobre o Corpo Denso e Corpo Vital de Jesus no Batismo. O próprio Jesus, o Espírito, deixou aqueles dois Corpos e recebeu a missão de servir às igrejas, enquanto seus dois Corpos eram usados para o ensino direto do Cristo, e seu sangue era preparado como uma chave para o Reino de Deus.

Quando alguém morre, o sangue venoso, com suas impurezas, adere fortemente à carne e, portanto, o sangue arterial que flui é distintamente mais puro do que seria em outras circunstâncias. Sendo eterizado pelo grande Espírito Crístico, o sangue purificado de Jesus transbordou pelo mundo, purificou a Região Etérica do egoísmo em grande medida e deu ao ser humano uma melhor oportunidade de atrair para si materiais que lhe permitirão formar propósitos e desejos altruístas.

AS GLÂNDULAS DE SECREÇÃO INTERNA

É bem sabido pelo Astrólogo Rosacruz que o Corpo Denso tem atrás de si um imenso período de evolução e que esse esplêndido organismo é o resultado de um lento processo de desenvolvimento gradual que ainda continua e tornará cada geração melhor que a anterior, até que, em um futuro longínquo, alcance um estágio de perfeição que hoje não nos é dado sequer imaginar. Os Estudantes de ocultismo também sabem que, além do Corpo Denso, o ser humano possui outros veículos sutis, ainda não percebidos pela grande maioria, embora todos possuam em si um sexto sentido latente, pelo qual, com o tempo, reconhecerão essas camadas mais sutis da alma.

O Cientista Ocultista se refere a esses veículos mais sutis como: o Corpo Vital – formado de Éteres –, o Corpo de Desejos – formado por matéria de desejos, a matéria da qual elaboramos nossos desejos, sentimentos e nossas emoções – e com a adição da “capa” da Mente e do Corpo Denso, estes completam o que podemos denominar de Personalidade, a qual é a parte evanescente distinta do Espírito imortal[1] que usa esses veículos para sua expressão. Esses veículos mais sutis interpenetram o Corpo Denso, da mesma forma que o ar interpenetra a água, e têm domínio particular sobre certas partes dele, porque o próprio Corpo Denso é como uma cristalização desses veículos mais sutis, da mesma maneira e segundo o mesmo princípio as substâncias fluídicas do corpo de um caracol se cristalizam gradualmente na concha dura e pedregosa que ele carrega nas costas. Para os propósitos desta dissertação, podemos dizer, de forma geral, que as partes mais moles de nossos Corpos, que comumente chamamos “carne”, podem ser divididas em duas classes: as Glândulas e os músculos.

O Corpo Vital teve sua origem no Período Solar. A partir desse momento, cristalização nesse veículo desenvolveu o que hoje chamamos de Glândulas, e até hoje elas, juntamente com o sangue, são as manifestações especiais do Corpo Vital dentro do Corpo Denso. Portanto, pode-se dizer que as Glândulas, como um todo, estão sob a regência do Sol, que é o doador de Vida, e do grande benéfico Júpiter. São funções do Corpo Vital construir e restaurar o tônus muscular, quando os músculos estão tensos e cansados pelo trabalho imposto pelo inquieto Corpo de Desejos que, por sua vez, teve a sua origem no Período Lunar. Os músculos são, portanto, regidos pela errante Lua, que é o ponto de apoio dos Anjos, ou seja, a Humanidade do Período Lunar e, também, pelo impulsivo e turbulento Marte, onde habitam os chamados “Anjos Caídos”, os Espíritos de Lúcifer[2]. Ou seja, como um todo, pois o Estudante Rosacruz deve observar cuidadosamente que as Glândulas, individualmente, e certos grupos musculares também estão sob a regência de outros Astros. É como quando dizemos que todos os que vivem nos Estados Unidos são cidadãos daquele país, mas alguns estão sujeitos particularmente às leis da Califórnia, outros às do Maine, etc.

Conhecemos o aforismo hermético que diz “Assim como é em cima, é embaixo”, que é a chave mestra de todos os mistérios, e assim como existem na Terra – o macrocosmo – inúmeros lugares ainda não descobertos, também no microcosmo do Corpo encontramos muitas coisas desconhecidas que são como um livro selado para os exploradores Científicos. Entre essas coisas, destaca-se um pequeno grupo das chamadas Glândulas “sem ducto”[3], sete no total, a saber:

Estas Glândulas despertam grande e particular interesse para os Cientistas Ocultistas, e podem ser chamadas, em certo sentido, de as “Sete Rosas” sobre a Cruz do Corpo Denso, pois estão intimamente ligadas ao desenvolvimento oculto da Humanidade. Quatro delas – a Glândula Timo, a Glândula Baço e as Glândulas Suprarrenais – estão relacionadas à Personalidade. A Hipófise e a Glândula Pineal estão particularmente correlacionadas com o lado espiritual da nossa natureza e a Glândula Tiroide forma o elo entre elas. A regência astrológica de cada uma é a seguinte:

A Glândula Baço é a porta de entrada das forças solares especializadas em cada ser humano e circula pelo Corpo como o fluido vital, sem o qual nenhum ser pode viver. Esta Glândula é, portanto, regida pelo Sol. As duas Glândulas Suprarrenais estão sob a regência de Júpiter, o grande benéfico, e exercem um efeito calmante, tranquilizante e suavizante, quando as atividades emocionais da Lua, de Marte ou Saturno destroem o equilíbrio. Quando a mão obstrutiva de Saturno desperta as emoções de melancolia, oprimindo o coração, as secreções das Glândulas Suprarrenais são levadas pelo sangue até o coração e atuam como um poderoso estimulante em seu esforço de manter a circulação, enquanto o otimismo jovial luta contra as preocupações saturninas ou contra o impulso de Marte, que agita o Corpo de Desejos em emoções turbulentas de raiva, tornando os músculos tensos e trêmulos, dissipando todas as energias do organismo. Então as secreções das Glândulas Suprarrenais entram em ação, liberando o glicogênio do fígado em uma medida mais abundante do que o normal para lidar com a emergência até que o equilíbrio seja novamente alcançado, e da mesma forma durante qualquer outro estresse ou tensão. Foi o conhecimento deste fato oculto levou os antigos astrólogos a colocarem os rins sob a regência de Libra, a Balança, e para evitar confusão de ideias, podemos dizer que os próprios rins desempenham um papel importante na nutrição do Corpo Denso, estando sob a regência de Vênus, o Regente de Libra. No entanto, Júpiter rege as Glândulas Suprarrenais, com as quais estamos agora particularmente envolvidos.

Tanto Vênus como sua oitava superior, Urano, regem as funções de nutrição e crescimento, mas de maneiras diferentes e para propósitos distintos. Vênus rege a Glândula Timo, Glândula que serve de elo entre os pais e os filhos até que esses últimos atinjam a puberdade. Esta Glândula está localizada atrás do esterno[6], ou osso do peito. Ela atinge o seu maior tamanho durante a vida pré-natal e na infância, período em que o crescimento é intenso e rápido. Nessa fase o Corpo Vital da criança realiza um trabalho seu trabalho mais eficaz, pois ela não está sujeita às paixões nem às paixões e emoções geradas pelo Corpo de Desejos que nasce por volta dos quatorze anos de idade. Contudo, durante os anos de crescimento, a criança não consegue produzir glóbulos vermelhos sanguíneos, como o adulto, pois o Corpo de Desejos ainda não nascido nem organizado não serve como canal para as forças metabólicas que assimilam o ferro dos alimentos e os transmutam em hemoglobina. Para compensar essa falta, a Glândula Timo armazena uma essência espiritual extraída dos pais, e com essa essência, fornecida pelo amor dos pais, a criança é capaz de realizar a alquimia do sangue temporariamente, até que seu Corpo de Desejos se torne dinamicamente ativo. Então, a Glândula Timo se atrofia e a criança extrai de seu próprio Corpo de Desejos a força marciana necessária. A partir desse momento, em condições normais, Urano, que é a oitava superior de Vênus e regente da Glândula Hipófise, assume a função do crescimento e da assimilação, da seguinte maneira:

É sabido que todas as coisas, incluindo nossa alimentação, irradiam continuamente pequenas partículas que fornecem um índice da coisa de onde emanam, incluindo sua qualidade. Assim, quando levamos o alimento à boca, diversas dessas partículas invisíveis entram pelo nariz e, por meio da estimulação do trato olfativo, nos informam se o alimento que estamos prestes a ingerir é adequado ou não, alertando-nos para descartar alimentos com odor desagradável. Mas, além das partículas que nos atraem ou repelem o alimento por sua ação no trato olfativo através do olfato, há outras que penetram no osso esfenoidal[7], atingem a Glândula Hipófise e iniciam a alquimia uraniana, pela qual uma secreção é formada e injetada na corrente sanguínea. Isso favorece a assimilação através do Éter Químico, afetando, assim, o crescimento e o bem-estar normais do Corpo Denso humano durante a vida. Às vezes, essa influência uraniana sobre a Glândula Hipófise é excêntrica e, portanto, responsável por crescimentos estranhos e anormais, que produzem as infelizes anomalias da Natureza que ocasionalmente encontramos.

Mas, além de ser a causa dos impulsos espirituais que geram as manifestações físicas de crescimento mencionadas anteriormente, Urano, atuando através da Glândula Hipófise, também é responsável pelas fases espirituais de crescimento que auxiliam o ser humano desperto em seus esforços para penetrar através do véu dos Mundos invisíveis. Neste trabalho, contudo, ele é associado a Netuno, regente da Glândula Pineal e, portanto, será necessário, para elucidar adequadamente, que estudemos simultaneamente as funções da Glândula Tiroide, regida por Mercúrio, e a da Glândula Pineal, que está sob regência de sua oitava superior, Netuno.

Que a Glândula Tiroide está sob a regência de Mercúrio, o Planeta da razão, se torna evidente quando compreendemos o efeito que a degeneração dessa Glândula tem sobre a Mente, como demonstrado nas doenças do cretinismo[8] e do mixedema[9]. As secreções dessa Glândula são tão necessárias para o bom funcionamento da Mente quanto o Éter o é para a transmissão da eletricidade, ou seja, no plano físico da existência, onde o cérebro transmuta o pensamento em ação. O contato com os Mundos invisíveis e a expressão neles dependem da capacidade funcional da Glândula Pineal, que é inteiramente espiritual e, portanto, regida pela oitava superior de Mercúrio, Netuno, o Planeta da espiritualidade, que opera conjuntamente com a Glândula Hipófise, regida por Urano.

Os Cientistas perderam muito tempo especulando sobre a natureza e a função destes dois pequenos corpos – a Glândula Hipófise e a Glândula Pineal – sem nenhum resultado, principalmente porque, como Mefistófeles diz, sarcasticamente, ao jovem que queria estudar ciências com Fausto:

“Quem quiser conhecer as coisas vivas e as manusear,

Procura primeiro o Espírito vivente que as anima e o expulsa;

Fica, então com fragmentos sem Vida

Porque lhes falta o Espírito Vital que as unia”.

Ninguém pode, realmente, observar as funções fisiológicas de nenhum órgão nas condições existentes nos laboratórios ou nas mesas de operações, nem na sala de vivissecção ou dissecação. Para chegar a uma compreensão adequada, é necessário ver esses órgãos exercendo suas funções fisiológicas no Corpo vivo, e isso só pode ser feito por meio da visão espiritual. Há vários órgãos que estão se atrofiando ou se desenvolvendo. Os primeiros mostram o caminho que já percorremos durante nossa evolução passada, enquanto os últimos são os indicadores, apontando para o nosso desenvolvimento futuro. Mas ainda existe outra classe de órgãos que não estão nem se degenerando nem se desenvolvendo: eles estão simplesmente adormecidos (espiritualmente) no momento presente. Os fisiólogos[10] acreditam que a Glândula Hipófise e a Glândula Pineal estão se atrofiando porque encontram esses órgãos mais desenvolvidos em algumas formas inferiores de vida, como nos vermes, mas, na verdade, estão completamente equivocados. Alguns deles suspeitam que a Glândula Pineal está, de alguma forma, conectada com a Mente, porque contém certos cristais após a morte, e a quantidade era muito menor nas pessoas mentalmente pouco desenvolvidas do que nas pessoas com mentalidade normal. Essa conclusão é correta, mas o Clarividente sabe queo canal espinhal[11] do ser vivo não está cheio de fluido; que o sangue não é líquido e que esses órgãos não têm cristais, enquanto o Corpo Denso está vivo.

Essas afirmações são feitas com pleno conhecimento de que o sangue e a essência espinhal são líquidos quando extraídos do Corpo Denso, vivo ou morto, e que o conteúdo da Glândula Hipófise e da Glândula Pineal apresenta aspecto cristalizado quando o cérebro é dissecado. No entanto, a razão é semelhante àquela que faz com que o vapor extraído de uma caldeira se condense imediatamente ao entrar em contato com a atmosfera, e que o metal derretido fundido extraído de um forno de fundição se cristalize imediatamente ao ser retirado dele.

Todas essas substâncias são essências puramente espirituais quando se encontram dentro do Corpo; elas são etéricas e a substância que se encontra na Glândula Pineal, quando vista por meio da visão espiritual, aparece como luz. Além disso, quando um Clarividente contempla a Glândula Pineal de outra pessoa que também está exercendo suas faculdades espirituais, esta luz apresenta um brilho intenso e uma iridescência semelhante, mas que transcende em beleza, o mais maravilhoso espetáculo das luzes da Aurora Boreal[12]. Pode-se também dizer que as funções desse órgão parecem ter mudado ao longo da evolução humana. Durante as Épocas anteriores à nossa estadia atual na Terra, quando o Corpo Denso era uma coisa grande e flácida na qual o Espírito ainda não havia penetrado, mas estava presente apenas como uma sombra, havia uma abertura no topo do Corpo e a Glândula Pineal estava dentro dela. Era então um órgão de orientação, dando um senso de direção. À medida que o Corpo Denso se condensava, tornava-se cada vez menos capaz de suportar o calor intenso que prevalecia naquela Época, e a Glândula Pineal alertava quando o Corpo Denso se aproximava demasiado de uma das muitas crateras de vulcões e de erupções ativas que então irrompiam a fina camada de Terra, permitindo assim que o Espírito o guiasse para longe desses lugares perigosos. Era um órgão de orientação que operava pelo tato, mas o tato, desde então se distribuiu por toda a pele do Corpo Denso. Isso indica ao Cientista Ocultista que um dia os sentidos da audição e da visão também serão distribuídos de forma semelhante, de modo que veremos e ouviremos com todo o nosso Corpo e, assim, nos tornaremos ainda mais sensíveis nesses aspectos do que somos agora.

Desde então, a Glândula Pineal e a Glândula Hipófise se tornaram temporariamente adormecidos (espiritualmente) para tornar o ser humano alheio aos Mundos invisíveis enquanto aprende as lições proporcionadas pelo Mundo material. A Glândula Hipófise tem manifestado a influência uraniana esporadicamente em crescimentos físicos anormais, produzindo aberrações e monstruosidades de vários tipos, enquanto Netuno, atuando também de forma anormal através da Glândula Pineal, tem sido responsável pelo crescimento espiritual anormal de curandeiros, feiticeiros e Clarividentes involuntários quando dominados por espíritos de controles, que sempre produzem prejuízo espiritual àqueles. Quando despertadas para atividades normais, essas duas Glândulas Endócrinas abrirão a porta dos Mundos internos de maneira sã e segura, mas, nesse ínterim, a Glândula Tiroide, regida por Mercúrio, o Planeta da razão, contém as secreções necessárias para dar equilíbrio ao cérebro.

No futuro, as Glândulas Endócrinas estão destinadas a desempenhar um papel proeminente; seu desenvolvimento acelerará grandemente a evolução, pois seus efeitos são principalmente mentais e espirituais. Estamos nos aproximando da Era de Aquário; o Sol, portanto, está começando a transmitir as vibrações altamente intelectuais desse Signo, o de Aquário, o que explica as intuições, premonições e transmissões telepáticas agora tão prevalecentes. Em última análise, esses fenômenos se devem ao despertar da Glândula Hipófise, regido por Urano, que é o regente de Aquário, e isso se tornará mais manifesto com o decorrer dos anos.


[1] N.T.: o Ego, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui de forma tríplice, como Deus que nos criou.

[2] N.T.: Também chamados de Espíritos Lucíferos.

[3] N.T.: Também chamadas de Glândulas de secreção interna ou Glândulas endócrinas que secretam hormônios diretamente na corrente sanguínea.

[4] N.T.: Também chamada de Corpo Pituitário ou Glândula Pituitária.

[5] N.T.: também conhecida como Conarium, Epífise Cerebral ou simplesmente Pineal.

[6] N.T.: O esterno (com “s”) é um osso plano e vertical localizado na linha média anterior do tórax, crucial para proteger órgãos vitais como o coração e pulmões, além de fixar as costelas.

[7] N.T.: O osso esfenoidal (ou esfenoide) é um osso ímpar e central na base do crânio, com formato semelhante a um morcego ou borboleta de asas abertas. Considerado a “pedra angular” da base craniana, ele se articula com quase todos os ossos do crânio.

[8] N.T.: O cretinismo é uma condição grave resultante do hipotireoidismo congênito não tratado ou deficiência severa de iodo durante a gestação e primeira infância. Caracteriza-se por retardo mental irreversível, baixa estatura (nanismo), características faciais grosseiras e disfunção motora. O diagnóstico precoce via teste do pezinho é crucial para evitar danos permanentes.

[9] N.T.: O mixedema é um edema (inchaço) duro e elástico da pele e tecidos moles, causado por hipotireoidismo grave e prolongado. Caracteriza-se pelo acúmulo de substâncias (glicosaminoglicanos) na derme, resultando em inchaço na face, pálpebras, língua e, às vezes, pernas. O coma mixedematoso é a complicação extrema, sendo uma emergência médica com alta mortalidade.

[10] N.T.: ou fisiologistas são profissionais da saúde especializado no estudo das funções, mecanismos e processos biológicos do corpo humano, visando otimizar o desempenho físico, saúde e bem-estar. Eles analisam dados funcionais, como cardiovasculares e musculares, para criar programas de treinamento, prevenir lesões e auxiliar na recuperação de atletas e pacientes.

[11] N.T.: O canal espinhal (ou vertebral) é uma cavidade no centro da coluna vertebral que acomoda a medula espinhal e as raízes nervosas. Ele percorre da cervical à lombar, protegido pelas vértebras.

[12] N.T.: A aurora boreal é um fenômeno luminoso natural no céu noturno, formado por partículas solares que interagem com o campo magnético e os gases da alta atmosfera terrestre nos polos. Visível em altas latitudes (Ártico) entre setembro e abril, especialmente de novembro a março, exibe luzes dançantes, comumente verdes, mas também roxas e vermelhas.

O SISTEMA LINFÁTICO

O Sistema Linfático é tubular e está um tanto associado aos capilares que unem as circulações venosa e arterial, terminando nas grandes veias próximas do coração. A linfa que flui por seus canais vai numa direção: o centro da circulação – o coração. Podemos considerar este sistema como uma espécie de pequenos desaguadouros do Corpo Denso, porque na realidade, recolhe a água suja dos tecidos, depois de banhá-los na linfa que transporta. Se compararmos os canais a tubulações de drenagem que recolhem a água suja, podemos considerar os gânglios linfáticos, que se encontram ao longo desses canais, como comportas, nas quais a linfa tem que se deter e ser filtrada antes de passar à corrente sanguínea venosa.

Estes gânglios estão situados nos cotovelos, nas axilas, nos espaços poplíteos, nas virilhas e especialmente na parte anterior do pescoço (a parte que fica fronteira à vértebra cervical) no abdômen entre as pregas do mesentério que fixa o intestino delgado a coluna vertebral e no peito entre os pulmões, espaço este conhecido como mediastino.

Cada um dos vasos linfáticos passa por um ou mais destes gânglios no seu caminho para as veias. As células linfáticas, como as demais existentes no Corpo, não possuem paredes celulares, movendo-se como a medusa na água. Quando a inflamação, em qualquer de suas formas, ataca o Corpo Denso, todos os líquidos venenosos passam aos canais linfáticos.

Os gânglios podem adoecer devido à natureza venenosa da linfa que se filtra por eles. O Sistema Linfático é de ação tríplice: recolhe a linfa dos tecidos, o “quilo” dos intestinos (depois de elaborado pelo processo da digestão) e, por meio dos gânglios linfáticos, cria as células linfáticas que são semelhantes aos corpúsculos brancos do sangue.

CAPÍTULO II – CORPO VITAL

EVOLUÇÃO E PROPÓSITO GERAL

O Corpo Vital é o segundo dos mais antigos veículos que temos, tendo seu germe original nos fornecido pelos Senhores da Sabedoria no Período Solar. Na Revolução Solar do Período Lunar[1], ele foi modificado para torná-lo capaz de ser interpenetrado por um Corpo de Desejos e, também, para acomodar ao sistema nervoso, músculos, esqueleto, etc.

Durante a Revolução Solar do Período Terrestre, o Corpo Vital foi reconstruído para acomodar a Mente germinal. Ele foi moldado, nessa Revolução, mais à semelhança do Corpo Denso, sendo sua organização atual a mais eficiente, seguida a do Corpo Denso.

Uma reconstrução adicional foi efetuada na Época Hiperbórea do Período Terrestre, quando os Senhores da Forma apareceram, com os Anjos, e revestiram o Corpo Denso do ser humano, então um objeto em forma de saco, com um Corpo Vital.

O Corpo Denso é construído na matriz do Corpo Vital durante a vida antenatal e, com uma única exceção, é uma cópia exata, molécula por molécula, do Corpo Vital. Ao longo da vida, o Corpo Vital é o construtor e restaurador do Corpo Denso, tendo a tendência de abrandar e construir. Sua principal expressão é o sangue e as Glândulas, assim como no Sistema Nervoso Simpático[2], que ganhou acesso ao domínio do Corpo de Desejos quando esse começou a desenvolver o Coração em um músculo voluntário.

O Corpo Vital interpenetra o Corpo Denso e se estende além da sua periferia cerca de quatro centímetros. A sua contextura pode ser grosseiramente comparada aos quadros formados por centenas de pequenos pedaços de madeira encaixados uns nos outros, mostrando inúmeros pontos ao observador. Esses pontos do Corpo Vital penetram nos centros ocos dos átomos densos, os imbuindo de força vital, o que os faz vibrar a uma taxa superior à do mineral da Terra, que não estão assim animados nem acelerados.


[1] N.T.: Sempre a 2ª Revolução de um Período.

[2] N.T.: Também chamado por alguns especialistas de sistema ortossimpático ou sistema toracolombar, é uma das duas divisões do sistema nervoso autônomo (SNA), sendo a outra o sistema nervoso parassimpático. É parte do sistema nervoso autônomo, responsável pelas respostas de “luta ou fuga” em situações de estresse, perigo ou emergência. Ele prepara o corpo para atividade física intensa, aumentando a frequência cardíaca, a respiração e a pressão arterial, enquanto inibe funções digestivas.

CAPÍTULO II – CORPO VITAL – OS ÉTERES E SUAS FUNÇÕES

Ao analisamos o ser humano, descobrimos que nele os quatro Éteres (Éter Químico, Éter de Vida, Éter Luminoso – ou Éter de Luz – e Éter Refletor) atuam dinamicamente ativos no Corpo Vital altamente organizado. Por meio da atividade do Éter Químico, ele é capaz de assimilar alimentos e crescer; as forças atuantes no Éter de Vida permitem a propagação da espécie; as forças que atuantes no Éter Luminoso proporcionam calor ao Corpo Denso, atuam sobre o Sistema Nervoso e os músculos, fazendo com que possamos receber através dos sentidos as informações do Mundo exterior; e o Éter Refletor permite ao Espírito controlar seus veículos por meio do pensamento. Este Éter também armazena as experiências passadas, em forma de memória. Os Éteres Químico e de Vida formam a matriz para nossos Corpos Densos. Cada molécula do Corpo Denso está imersa em uma malha de Éter que a permeia e a infunde com Vida. Por meio destes Éteres se realizam as diversas funções corporais (como por exemplo, a respiração, etc.) e a densidade e a consistência dessas matrizes de Éter determinam o bom ou mau estado de saúde. Os átomos do Éter Químico e do Éter de Vida, reunidos em torno do Átomo-semente nuclear, localizado no Plexo Celíaco[1], têm forma prismática. Estão todos dispostos de tal maneira que, quando a energia solar permeia no Corpo pelo baço, o raio refratado é o vermelho. Esta é a cor do aspecto criador da Trindade, ou seja, Jeová, o Espírito Santo, que rege a Lua, o Astro da fecundação. Por conseguinte, o fluído vital do Sol que permeia no Corpo Denso pelo baço adquire uma tonalidade rosa pálida, ficam tintos de cor de rosa pálido, muitas vezes observada pelos Clarividentes, quando percorrem os nervos, como a eletricidade percorre os fios de uma instalação elétrica. Assim carregados, o Éter Químico e o Éter de Vida são as vias da assimilação que preservam o indivíduo e de fecundação, que perpetua a Onda de Vida humana.

Durante a vida, cada átomo prismático vital penetra um átomo físico e o faz vibrar. Para visualizar essa combinação, imagine uma cesta feita de arame enrolado em forma de pera com paredes de arame espiralado que se estendem obliquamente de um polo ao outro. Esse é o átomo físico; ele tem forma muito parecida com à da Terra, e o átomo prismático vital é inserido a partir do topo, que é a parte mais larga e corresponde ao Polo Norte da Terra. Assim, a ponta do prisma penetra o átomo físico no ponto mais estreito, que corresponde ao Polo Sul da Terra, e o conjunto se assemelha a um pião girando e bamboleando, vibrando intensamente. Dessa forma, nosso Corpo se enche de Vida e se torna capaz de movimento.

O Éter de Luz e o Éter Refletor são vias de consciência e de memória. No indivíduo comum eles estão um tanto atenuados e não tomaram ainda forma definida; elas interpenetram o átomo da mesma forma que o ar interpenetra uma esponja, e formam uma leve atmosfera áurica ao redor de cada átomo.

A ciência física já determinou que os átomos em nosso Corpo Denso estão em constante mudança, de modo que toda a matéria que atualmente compõem o nosso veículo terá desaparecido em poucos anos, mas é sabido que as cicatrizes e outras imperfeições se conservam da infância à velhice. A razão para isso é que os átomos prismáticos etéricos que compõem o nosso Corpo Vital permanecem inalterados desde que nascemos até morrermos. Eles estão sempre na mesma posição relativa – isto é, os átomos prismáticos etéricos que fazem vibrar os átomos físicos nos dedos dos pés ou das mãos não chegam às mãos, pernas ou qualquer lugar do Corpo, mas permanecem exatamente no mesmo lugar onde foram colocados no princípio. Uma lesão nos átomos físicos implica em uma impressão semelhante nos átomos prismáticos etéricos. A nova matéria física que se modela sobre eles continua a assumir a forma e a textura semelhantes às originais.

As observações anteriores se aplicam apenas aos átomos prismáticos etéricos que correspondem aos sólidos e líquidos no Mundo Físico, pois assumem e conservam uma forma definida. Mas, além disso, cada ser humano, nesse estágio de evolução, possui uma certa quantidade de Éter de Luz e de Éter Refletor, que são os veículos da percepção sensorial e da memória, misturados em seu Corpo Vital. Podemos dizer que o Éter de Luz corresponde aos gases do Mundo Físico; talvez a melhor descrição que se possa dar ao Éter Refletor seja chamá-lo de hiper-etérico. É uma substância vácua de cor azulada, que lembra em aparência o núcleo azulado da chama de gás. Parece transparente e revela tudo que o contém, mas, no entanto, esconde todos os segredos da Natureza e da Humanidade. Nela se encontra um registro da Memória da Natureza. O Éter de Luz e o Éter Refletor são de natureza exatamente oposta à dos estacionários átomos prismáticos etéricos. São voláteis migratórios. Por menor que seja a quantidade que um indivíduo possua desse material, trata-se de um acréscimo, um fruto, derivado de suas experiências vitais. Dentro do Corpo estes dois Éteres se misturam com a corrente sanguínea e, quando aumentam de volume como consequência do serviço prestado e do sacrifício fraterno na Escola da Vida, de modo que não possa mais ser contido no Corpo Denso, se manifesta externamente como um Corpo-Alma de cores ouro e azul.

O azul representa o mais elevado tipo de espiritualidade, portanto, é o menor em volume e pode ser comparado ao núcleo azul da chama de gás, enquanto a cor dourada forma a maior parte e corresponde à luz amarela que circunda o núcleo azul da citada chama de gás. A cor azul não aparece fora do Corpo Denso, exceto nos maiores verdadeiros santos – geralmente, apenas o amarelo é observável ali. Na morte, esta parte do Corpo Vital é gravada no Corpo de Desejos com o Panorama da Vida que contém. A quintessência de toda a nossa experiência de vida é, então, finalmente impressa no Átomo-semente como consciência ou virtude que, nos induzirá a evitar o mal e a fazer o bem nas próximas vidas. Assim, a qualidade do Átomo-semente é alterada de vida para vida. A quintessência do bem extraída da parte migratória do Corpo Vital em uma vida determina a qualidade dos átomos de Éteres prismáticos estacionários da vida seguinte. O mais elevado em uma vida se converte no inferior da vida seguinte e assim, aos poucos, subimos a escada da Evolução em direção à divindade.

A partir do exposto, ficará evidente que o Corpo Vital é um veículo de hábitos; todos os pais sabem que durante os primeiros sete anos de vida, na infância, quando esse veículo está em gestação, as crianças formam um hábito após outro. A repetição é a tônica do Corpo Vital, e os hábitos dependem da repetição. É diferente com o Corpo de Desejos, o veículo dos sentimentos e das emoções, que estão sempre mudando a cada instante; embora se diga que o Éter que forma o nosso Corpo-Alma está em constante movimento e se mistura com a corrente sanguínea, esse movimento é relativamente lento em comparação com a rapidez das correntes do Corpo de Desejos; podemos dizer que o Éter se move com a velocidade de um caracol, comparada com a velocidade da luz.

Quando o Ego está a caminho do renascimento, passando pela Região do Pensamento Concreto, pelo Mundo do Desejo e pela Região Etérica, ele vai juntando uma certa quantidade de material de cada um deles. A qualidade desse material é determinada pelo Átomo-semente, segundo o princípio de que “semelhante atrai o semelhante”. A quantidade de cada uma dessas matérias dependerá da necessidade do Arquétipo que tenhamos construído para nós mesmos no segundo Céu. Com o total dos átomos prismáticos etéricos que o Espírito tiver reunido para seu uso, os Anjos do Destino e seus agentes construirão uma forma etérica que será colocada no útero materno e que aos poucos se irá revestindo de matéria física até construir o Corpo Denso da criança nas vésperas do renascimento.

Apenas uma pequena porção do Éter apropriado por um determinado Ego é utilizada, e o restante constituirá uma reserva que permanecerá fora do Corpo Denso. Por essa razão o Corpo Vital da criança se sobressai muito mais além da periferia do Corpo Denso do que o de um adulto. Durante o período de crescimento, esse estoque de átomos etéricos vai sendo utilizado para vitalizar as secreções dentro do Corpo Denso até que, ao atingir a idade adulta, o Corpo Vital apenas sobressai de dois e meio a quatro centímetros do Corpo Denso.

A Escola de Sabedoria Ocidental ensina como máxima fundamental que “todo desenvolvimento oculto começa no Corpo Vital”. A parte do Corpo Vital formada pelos dois Éteres superiores, o Éter de Luz e o Éter Refletor, é o que poderemos chamar de Corpo-Alma, ou seja, está mais intimamente ligado ao Corpo de Desejos e a Mente e, também, é mais receptivo aos impulsos do Espírito do que os outros dois Éteres. É o veículo do intelecto e responsável por tudo o que faz do ser humano um ser da Onda de Vida humana. Nossas observações, nossas aspirações, nosso caráter, etc., se devem à obra do Espírito nestes dois Éteres superiores, que se tornam mais ou menos luminosos conforme a natureza do nosso caráter e dos nossos hábitos. Além disso, assim como o Corpo Denso assimila as partículas de alimento e, portanto, ganha em massa, os dois Éteres superiores assimilam nossas boas ações durante a vida e, assim, também aumentam de volume. De acordo com nossas ações nessa vida presente, aumentamos ou diminuímos aquilo que trouxemos conosco ao nascer. Esta é a razão pela qual os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental afirmam que todo desenvolvimento místico começa com o Corpo Vital.


[1] N.T.: Também chamado de Plexo Solar (vulgarmente conhecido como “boca do estômago”), um dos principais plexos responsáveis pela inervação de órgãos da porção retrodiafragmática do sistema digestório, principalmente do estômago, intestinos, glândulas anexas (fígado e pâncreas) e ainda contribui para a inervação do baço.

CAPÍTULO III – O CORPO DE DESEJOS E A MENTE

Na terceira Revolução do Período Lunar, os Senhores da Individualidade irradiaram de si mesmos a substância que ajudou os seres humanos, que evoluíam inconscientemente, a apropriar e construir um Corpo de Desejos germinal. Eles também o ajudaram a incorporar esse Corpo de Desejos germinal ao Corpo Vital e ao Corpo Denso que já possuía. Esse trabalho foi se realizando durante toda a terceira e quarta Revoluções do Período Lunar.

A antagônica “vontade inferior”, ou vontade do Corpo, é uma expressão da parte superior do Corpo de Desejos. Quando ocorreu a divisão do Sol, da Lua e da Terra, na primeira parte da Época Lemúrica, a porção mais avançada da Humanidade em formação experimentou uma divisão do Corpo de Desejos em uma parte superior e outra inferior. O restante da Humanidade experimentou a mesma divisão na primeira parte da Época Atlante.

Essa parte superior do Corpo de Desejos se tornou em uma espécie de alma animal. Ela construiu o sistema nervoso cérebro-espinhal[1] e os músculos Voluntários[2], controlando assim a parte inferior do Tríplice Corpo até que a conexão da Mente fosse estabelecida. Então a Mente se fundiu com a alma animal e se tornou corregente do ser humano.

Durante a vida do ser humano, o Corpo de Desejos não tem a mesma forma que seus Corpos Denso e Vital. Essa forma só é assumida depois da morte. Durante a vida, o Corpo de Desejos tem a aparência de um ovoide luminoso que, durante as horas de estado de vigília, envolve completamente o Corpo Denso, como a clara envolve a gema de um ovo. Estende-se de 30 a 40 centímetros além da superfície do Corpo Denso, nos indivíduos comuns. A matéria do Corpo de Desejos humano é composta de material do Mundo do Desejo e está em movimento incessante de rapidez inconcebível. Não há nele um lugar fixo para nenhuma partícula, como no Corpo Denso. A matéria que se encontra em um dado momento na cabeça pode estar nos pés no momento seguinte e vice-versa. Não há órgãos no Corpo de Desejos, como os há no Corpo Denso e no Corpo Vital, mas existem centros de percepção que, quando ativos, se parecem como vórtices, permanecendo sempre na mesma posição relativa com respeito ao Corpo Denso. Na maioria das pessoas, são meros redemoinhos e não têm utilidade como centros de percepção. Podem ser despertados em todos, porém, os diversos métodos de despertamento produzem resultados diferentes. O Corpo de Desejos está radicado na posição referencial do fígado e nasce por volta dos quatorze anos de idade.

No Clarividente Involuntário, desenvolvido segundo padrões impróprios e negativos, esses vórtices giram da direita para a esquerda, ou no sentido contrário ao dos ponteiros de um relógio – no sentido anti-horário.

No Corpo de Desejos dos Clarividentes Voluntários, devidamente treinados, eles giram no mesmo sentido que os ponteiros do relógio – no sentido horário – brilhando com esplendor excepcional, que supera em muito a luminosidade do Corpo de Desejos comum. Esses centros fornecem aos Clarividentes Voluntários os meios para percepção das coisas do Mundo do Desejo, e ele vê e investiga o que quiser, enquanto nas outras pessoas Clarividentes Involuntários, cujos centros giram da direita para a esquerda, são como um espelho que reflete o que se passa diante dela.

Num futuro muito distante, o Corpo de Desejos do ser humano se tornará tão definitivamente organizado quanto os Corpos Denso e Vital. Quando esse estágio for alcançado, todos teremos o poder de funcionar no Corpo de Desejos como agora funcionamos no Corpo Denso.

A Mente

Na Época Atlante do Período Terrestre, os Senhores da Mente irradiaram de si mesmos para o nosso ser o núcleo da matéria a partir do qual agora buscamos construir uma Mente organizada. Foi fornecido ao ser humano a fim de lhe dar propósito à ação, mas como o Ego era extremamente débil e a natureza de desejos muito forte, a Mente nascente se juntou com o Corpo de Desejos; a faculdade da astúcia foi o resultado e foi causa de toda a maldade do terço intermediário da Época Atlante.

A Mente, sendo o último dos veículos fornecido para o ser humano, ainda não é sequer um Corpo. É simplesmente uma ligação, um envoltório para o uso do Ego como ponto focal. É, no entanto, o instrumento mais importante possuído pelo Espírito, e é seu instrumento especial na obra da criação. Nós mesmos, como Egos, funcionamos diretamente na substância sutil da Região do Pensamento Abstrato, que especializamos na periferia da nossa aura individual. De lá, observamos as impressões feitas pelo Mundo exterior sobre o Corpo Vital por intermédio dos sentidos, juntamente com os sentimentos e emoções gerados por elas no Corpo de Desejos e refletidos na Mente.

A partir dessas imagens mentais formulamos nossas conclusões, na substância da Região do Pensamento Abstrato, acerca dos assuntos de elas abordam. Essas conclusões são as ideias. Mediante o poder da vontade, projetamos uma ideia através da Mente, onde a ideia toma forma concreta como pensamento-forma, atraindo para si matéria mental da Região do Pensamento Concreto. A imagem pode ser projetada em qualquer destas três direções:

  1. Pode ser projetada sobre o Corpo de Desejos, em um esforço para despertar nele sentimentos que levem à ação imediata;
  2. Quando nenhuma ação imediata for exigida pelas imagens mentais dos impactos externos, estas podem ser projetadas diretamente sobre o Éter Refletor, juntamente com os demais pensamentos ocasionados por ela, para serem utilizadas no futuro;
  3. Pode ser projetada em direção a outra Mente para servir como sugestão, para obter informações, etc.

Quando o trabalho concebido para tal pensamento-forma é concluído, ou sua energia é gasta em vãs tentativas de alcançar seu objetivo, gravita de volta para seu criador, trazendo consigo o registro indelével de sua jornada.

Em nosso estágio atual de evolução, dizemos que a Mente nasce aos vinte e um anos de idade, mas o auge da capacidade mental só é atingido por volta doa quarenta e nove anos.

A Mente é o meio focalizador pelo qual as ideias concebidas pela imaginação do Espírito são projetadas sobre o universo material. Inicialmente, são apenas pensamentos-formas, mas, quando o desejo de realizar as possibilidades imaginadas leva o ser humano a trabalhar no Mundo Físico, elas se tornam o que chamamos de “realidades” concretas.

Atualmente, porém, a Mente não está focada de forma a permitir ao ser humano produzir uma imagem clara e verdadeira daquilo que o Espírito imagina. Não é focada. Produz imagens nebulosas e turvas. Daí a necessidade de experimentação para demonstrar as inadequações da primeira concepção e gerar novas imaginações e ideias até que a imagem produzida pelo Espírito na substância mental seja reproduzida na substância física.

Na melhor das hipóteses, somos capazes de moldar, através da Mente, apenas imagens relacionadas à Forma, porque a Mente humana só surgiu no Período Terrestre e, portanto, está atualmente em seu estágio “mineral” de desenvolvimento. Consequentemente, em nossas operações, estamos confinados às Formas, com os minerais. Podemos imaginar maneiras de trabalhar com as Formas minerais dos três Reinos inferiores, mas pouco ou nada podemos fazer com os Corpos viventes. Podemos, de fato, enxertar um ramo vivo em uma árvore viva, ou uma parte viva de um animal em outro, ou de um ser humano em outro, mas não é com a Vida que estamos trabalhando: é apenas com a Forma. Estamos criando condições diferentes, mas a Vida que já animava a Forma é a mesma que continua subsistindo. Trabalhar com a Vida está além do poder humano, até que sua Mente tenha sido vivificada.

No Período de Júpiter, a Mente será vivificada até certo ponto e o ser humano poderá imaginar Formas que viverão e crescerão, como as plantas.

No Período de Vênus, quando sua Mente adquirir a capacidade de sentir, ele poderá criar coisas vivas que cresçam e tenham sentimentos, como os animais.

E, finalmente, quando alcançar a perfeição, no final do Período de Vulcano, ele será capaz de “imaginar” a existência de criaturas que viverão, crescerão, sentirão e pensarão.


[1] N.T.: O cérebro e a medula espinhal formam o sistema nervoso cérebro-espinhal ou Sistema Nervoso Central (SNC), o centro de comando do Corpo Denso. Eles processam informações, controlam funções vitais, movimentos e sensações.

[2] N.T.: Os músculos voluntários, ou músculos estriados esqueléticos, são aqueles que se contraem de acordo com a nossa vontade consciente. Eles estão conectados aos ossos por meio de tendões e são responsáveis por quase todos os movimentos do nosso Corpo Denso.

Segunda Parte – DOENÇA E ENFERMIDADE

CAPÍTULO IV – AS CAUSAS GERAIS DAS DOENÇAS E ENFERMIDADES

Introdução

A doença e enfermidade é realmente um fogo, o fogo invisível que é o Pai tentando dissolver e quebrar as condições cristalizadas que acumulamos em nossos Corpos. Reconhecemos a febre como um fogo, mas os tumores, como cânceres e todas as outras doenças são, na verdade, realmente os efeitos desse fogo invisível, que tenta purificar o organismo e libertá-lo das condições que criamos ao transgredir as Leis da Natureza.

Podemos dizer, ainda, que a doença e enfermidade é uma manifestação da ignorância, o único pecado, e que a cura[1] é uma demonstração do conhecimento aplicado, que é a única salvação. Cristo é a personificação do Princípio de Sabedoria e, na mesma proporção em que o Cristo se forme em nós, alcançaremos a saúde. Portanto, o Curador ou a Curadora deve ser uma pessoa espiritualizada e se esforçar para imbuir em seu (sua) paciente com elevados ideais espirituais, para que esse (essa) possa, finalmente, aprender a obedecer às Leis de Deus que governam o Universo e, assim, alcançar a saúde permanente tanto na vida atual, como nas vidas futuras.

O Antigo Testamento começa com o relato de como o ser humano foi desviado pela falsa Luz dos Espíritos Lucíferos, dando origem a todas as grandes tristezas e profundos sofrimentos no mundo; termina com a promessa de que o Sol da Retidão e da Justiça surgirá, trazendo a Cura em suas asas. E no Novo Testamento encontramos o Sol da Retidão e da Justiça, a verdadeira Luz, que veio para salvar o mundo, e o primeiro fato que é declarado a respeito d’Ele é que Ele é de Concepção Imaculada.

Agora, esse ponto deve ser compreendido completamente: é a mácula luciferiana da paixão que trouxe: o sentimento de grande tristeza e profunda angústia, o pecado e o sofrimento ao mundo. Quando o poder criador é empregado para gratificar os sentidos, seja por meio do vício solitário ou em conjunto com outra pessoa, com ou sem casamento legalizado, esse é o pecado que não pode ser perdoado; ele deve ser expiado. A Humanidade, como um todo, está sofrendo as consequências desse pecado. Os Corpos debilitados e com doenças e enfermidades que vemos ao nosso redor foram desgastados por séculos de abusos, e enquanto não aprendermos a subjugar nossas paixões, não poderá haver a verdadeira saúde entre a Onda de Vida humana.

Antes da impregnação do Corpo de Desejos com esse princípio demoníaco, a concepção era imaculada e um sacramento. Os seres humanos caminhavam na presença dos Anjos, puros e sem se envergonharem. O ato da fertilização era tão casto como o é da flor. Portanto, quando aconteceu o desvio dessa conduta, ou seja, quando o mal foi feito, imediatamente o mensageiro, ou o Anjo, cingiram os seres humanos com folhas para imprimir neles o ideal que teriam que aprender a viver, nomeadamente, como a planta. Sempre que somos capazes de realizar o ato da geração de maneira pura, casta e sem paixão, como a planta faz, ocorre uma concepção imaculada e nasce um Cristo, capaz de curar todos os sofrimentos da Humanidade, capaz de vencer a morte e de estabelecer a imortalidade, uma luz verdadeira para guiar a Humanidade para longe do fogo-fátuo da paixão; por meio do autossacrifício pela compaixão.

Este é, portanto, o grande ideal pelo qual nos esforçamos: purificarmo-nos da mácula do egoísmo e da busca por interesses pessoais. Por isso, consideramos o Emblema Rosacruz como um ideal. As sete rosas vermelhas simbolizam o sangue purificado; a rosa branca representa a pureza da vida; e a estrela dourada e radiante simboliza a influência inestimável para a saúde, o auxílio e a elevação espiritual que emana de cada servo da Humanidade.

Até que a fé em Cristo nos ilumine desde o nosso interior, não compreendemos e nem seguimos as Leis da Natureza e, consequentemente, contraímos doenças e enfermidades por nossa ignorância ao transgredi-las. Empregando as palavras de Emerson[2], podemos dizer que uma pessoa que está doente é um malandro no ato de ser apanhado em flagrante; ele violou as Leis da Natureza. Por essa razão é necessário que o Evangelho de Cristo seja pregado; que cada um de nós aprenda a amar a Deus com todo o nosso coração e toda a nossa alma, e ao nosso próximo como a nós mesmos, pois todos os problemas do mundo, quer reconheçamos isso ou não, provém de um só e único fato: nosso egoísmo. Se as funções digestivas estão comprometidas, qual é a causa? Não será que sobrecarregamos nosso organismo, por estamos com raiva e esgotamos as nossas forças nervosas tentando obrigar a outros a servir os nossos fins egoístas, e nos sentimos ressentidos por não o termos conseguido? Em todos os casos, o egoísmo é a principal causa da maioria das doenças e enfermidades; o egoísmo é o pecado supremo motivador da ignorância.


[1] N.T.: aqui, advindo do inglês “healing” (a cura definitiva) e não de “curing” (o remediar, a cura ilusória).

[2] N.T.: Ralph Waldo Emerson (1803- 1882) foi um famoso escritor, filósofo e poeta estadunidense. O transcendentalismo é, para Emerson, um esforço de introspecção metódica para se chegar além do “eu” superficial ao “eu” profundo, o espírito universal comum a toda a espécie humana.

Causas das Deficiências Mentais

As deficiências que afetam a Humanidade podem ser divididas em duas grandes classes: mentais e físicas. Os problemas mentais são particularmente atribuíveis ao abuso da função criadora sexual, quando são congênitos, com uma exceção que observaremos mais tarde. A mesma condição se aplica em caso de comprometimento da faculdade da fala. Isso é razoável e fácil de entender. O cérebro e a laringe foram construídos com metade da força sexual criadora do ser humano pelos Anjos, de modo que o ser humano que, antes da aquisição destes órgãos, era bissexual e capaz de criar apenas a partir de si mesmo, perdeu essa faculdade quando estes órgãos foram criados e agora depende da cooperação de outro de polaridade ou sexo oposto, a fim de gerar um novo veículo físico para um Espírito que chega para renascer aqui.

Quando usamos a visão espiritual para observar o ser humano na Memória da Natureza, durante o tempo em que ele ainda estava em formação, descobrimos que onde quer que exista agora um nervo, houve primeiro uma corrente de desejo; que o cérebro em primeiro lugar, ele mesmo era feito de substância de desejo e, também, o era a laringe. Foi o desejo quem primeiro enviou um impulso motor através do cérebro e criou essas correntes nervosas, para que o Corpo Denso pudesse ser movido e obter para o Espírito qualquer gratificação indicada pelo desejo. A fala também é usada com o propósito de obter um objeto ou fim desejado. Através destas faculdades o ser humano obteve certo domínio sobre o mundo, e se ele pudesse simplesmente passar de um Corpo para outro, não haveria fim para o abuso do seu poder de satisfazer todos os caprichos e desejos. Mas, sob a Lei de Consequência, ele leva consigo ao novo Corpo, faculdades e órgãos semelhantes aos que deixou no anterior, na vida precedente aqui.

Quando a paixão destrói o Corpo Denso em uma vida, essa experiência fica estampada no Átomo-semente do Corpo Denso. Na próxima “descida” para um renascimento aqui será, portanto, impossível para o Espírito reunir material de melhor qualidade com o qual possa construir um cérebro de construção estável. Geralmente, ele nasce aqui sob um dos Signos Comuns e, também, os quatro Signos Comuns estão nos ângulos do horóscopo; pois através destes Signos o desejo apaixonado tem dificuldade em se expressar. Assim, o poderoso impulso que anteriormente governava seu cérebro e que poderia ser usado com o propósito de rejuvenescer está ausente; ele, assim renascido, não tem incentivo na vida e, portanto, se torna indefeso, desamparado ou incapaz – um pedaço de madeira no oceano da vida – muitas vezes insano ou demente.

Mas o Espírito não é insano ou demente; ele vê, conhece e tem um grande desejo de usar o Corpo, embora isso possa ser uma impossibilidade, pois muitas vezes não consegue nem mesmo enviar um impulso correto ao longo dos nervos. Os músculos do rosto e do corpo não estão, portanto, sob o controle da sua vontade. Isso explica a falta de coordenação que torna o insano ou demente, muitas vezes, uma visão tão lamentável. E assim o Espírito aprende uma das lições mais difíceis da vida, a saber, que é pior que a morte estar preso a um Corpo Denso vivo e ser incapaz de encontrar expressão através dele, porque a força do desejo necessária para realizar as funções do pensamento, da fala e do movimento foram gastas em uma vida iníqua, perversa, maligna ou ímpia em uma vida anterior e deixou o Espírito sem a energia necessária para operar seu atual instrumento corporal.

Embora as deficiências mentais, quando congênitas, sejam geralmente atribuíveis ao abuso da função sexual criadora numa vida passada, há pelo menos uma notável excepção a esta regra: quando um Espírito, que tem uma vida especialmente dura diante de si “desce” para renascer aqui e ao entrar na matriz do útero, sente ou  percebe o Panorama de Vida – que contém os principais acontecimentos que passará – e considera essa existência como demasiada dura para ser suportada, às vezes, tenta fugir da Escola da Vida. Neste momento, os Anjos do Destino ou Relatores ou seus agentes já fizeram a conexão entre o Corpo Vital e os centros dos sentidos do cérebro do embrião em formação; portanto, o esforço do Espírito para escapar do ventre materno é frustrado, mas a ruptura dada pelo Ego perturba a conexão entre os centros dos sentidos etérico e físico, de modo que o Corpo Vital não fica concêntrico com o Corpo Denso, fazendo com que a cabeça etérica se estenda acima do crânio físico. Assim é impossível ao Espírito utilizar o Corpo Denso; está ligado a um Corpo Denso “irracional” que não pode usar, e a incorporação é praticamente desperdiçada.

Encontramos também casos em que um grande choque, mais tarde na vida, faz com que o Espírito se esforce para fugir com os veículos invisíveis. Como resultado, uma ruptura semelhante é aplicada aos centros dos sentidos etéricos no cérebro, e o choque perturba a expressão mental. Todo mundo, provavelmente, já sentiu uma sensação semelhante ao receber um susto; um impulso como se algo tentasse sair do Corpo Denso; esses são o Corpos Vital e o Corpo de Desejos, que são tão rápidos em sua ação que um trem expresso é como um caracol, em comparação. Eles veem e sentem o perigo e ficam assustados antes que o susto seja transmitido ao Corpo Denso inerte e lento no qual estão ancorados, e que impede sua fuga sob tensão normal.

Mas às vezes, como foi dito, o susto e o choque são suficientemente para dar-lhes tal impulso que os centros dos sentidos etéricos fiquem perturbados. Isso acontece com mais frequência com pessoas nascidas sob Signos Comuns, que são os mais frágeis do Zodíaco. Entretanto, assim como um ligamento que foi esticado e rompido pode gradualmente recuperar relativa elasticidade, também nestes casos é mais fácil restaurar as faculdades mentais do que naqueles casos em que a insanidade ou demência congênita, trazida de vidas passadas, causou conexão inadequada.

Causas de Deficiências Físicas:

Com relação a anormalidades e deformidades físicas, a regra parece ser que, assim como a indulgência física da paixão reage sobre o estado mental, o abuso das faculdades mentais em uma vida leva à deficiência física em existências posteriores. Uma máxima oculta diz: “uma mentira no Mundo do Desejo é tanto assassina quanto suicida”. Os Ensinamentos Rosacruzes dos Irmãos Maiores, apresentados no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, explicam que, sempre que um acontecimento ocorre, um certo pensamento-forma é na Região Concreta do Mundo do Pensamento registra o incidente e, também, uma forma de desejos é criada no Mundo do Desejo. Cada vez que o evento é mencionado ou comentado, um novo pensamento-forma é criado e uma nova forma de desejos é criada no Mundo do Desejo, que se funde com a original e a fortalece, desde que ambas estejam em sintonia com a mesma vibração. Mas se uma inverdade for dita sobre o que acontece, então as vibrações da original e as da reprodução não são idênticas: elas se chocam e se destroem mutuamente. Se o desejo (e, consequentemente, o pensamento) bom e verdadeiro for suficientemente forte, ele vencerá e destruirá as formas de desejos (e, também, o pensamento-forma) baseadas na mentira, e o bem vencerá o mal; mas onde os desejos (e o correspondente pensamento-forma) mentirosos e maliciosos forem mais fortes, eles poderão vencer a forma de desejo (e o correspondente pensamento-forma) verdadeiro da ocorrência e, assim, destruí-lo. Depois, entrarão em conflito entre si, e todos serão aniquilados mutuamente. Todas as coisas, em última análise, cooperam para o bem.

Assim, uma pessoa que vive uma vida pura, esforçando-se para obedecer às Leis de Deus e buscando sinceramente a verdade e a retidão, criará pensamento-formas ao seu redor de natureza correspondente; sua Mente seguirá caminhos que harmonizam com a verdade; e quando chegar a hora, no Segundo Céu, de criar o Arquétipo para sua vida vindoura, ela prontamente, intuitivamente, por força do hábito da vida passada, se alinhará com as forças do direito e da verdade. Essas linhas, sendo incorporadas ao seu Corpo, criarão harmonia nos veículos vindouros, e a saúde será, portanto, sua porção normal na vida vindoura. Aqueles que, por outro lado, tiveram, na vida passada, uma visão distorcida das coisas, demonstraram desrespeito pela verdade e exerceram astúcia, extremo egoísmo e descaso pelo bem-estar dos outros, estão fadados, no Segundo Céu, a ver as coisas de maneira oblíqua também, porque essa é sua linha de pensamento habitual. Portanto, o Arquétipo construído por eles incorporará linhas de erro e falsidade; Consequentemente, quando o Corpo nasce, apresentará fraqueza em vários órgãos, senão em toda o organismo corporal.

Mais uma vez, alertamos os Estudantes para que não tirem conclusões precipitadas dessas regras provisórias. Não é nossa intenção insinuar que todos aqueles que possuem um Corpo aparentemente saudável tenham sido exemplos de virtude em suas vidas passadas, e que aqueles que sofrem de uma deficiência ou outra tenham sido um vagabundo ou um inútil. Nenhum de nós é capaz de dizer, no momento presente, “toda a verdade e nada além da verdade”. Somos enganados porque nossos sentidos são ilusórios. Uma rua longa parece se estreitar à distância, quando, na verdade, ela é tão larga a um quilômetro de distância quanto o local onde estamos. O Sol e a Lua parecem muito maiores quando próximos ao horizonte do que quando estão no zênite; mas, na verdade, sabemos que eles não aumentam de tamanho ao descerem em direção ao horizonte, nem diminuem ao ascenderem ao meio do céu. Assim, estamos constantemente levando em consideração e corrigindo ilusões sensoriais; da mesma forma, com tudo o mais no mundo. O que parece ser verdade nem sempre o é, e o que é verdade hoje em relação às condições de vida pode mudar amanhã. Portanto, é impossível para nós conhecermos a verdade última sob as condições evanescentes e ilusórias da existência física.

É somente quando entramos nos Mundos espirituais e, particularmente, na Região Concreta do Mundo do Pensamento, que as verdades eternas podem ser percebidas; portanto, devemos necessariamente cometer erros repetidamente, mesmo apesar de nossos esforços mais sinceros para sempre conhecer e dizer a verdade. Por essa razão, é impossível para nós construirmos um veículo completamente harmonioso. Se isso fosse possível, tal Corpo seria realmente imortal, e sabemos que a imortalidade “na carne” não é o desígnio de Deus. S. Paulo nos ensina que “a carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus”[1].

Mas sabemos que, ainda hoje, apenas uma pequena porcentagem está disposta a viver tão próxima da verdade quanto a compreende, a confessá-la e proclamá-la diante dos outros por meio do serviço e de uma vida justa e íntegra. Podemos apenas imaginar que tais pessoas deviam ser raras nos tempos antigos, quando o ser humano ainda não havia desenvolvido o altruísmo que chegou a este Planeta com o advento de nosso Senhor e Salvador, Cristo Jesus.

Os padrões de moralidade eram muito mais baixos naquela época, e o amor pela verdade quase insignificante na maior parte da Humanidade, que estava absorta em seus esforços para acumular o máximo de riqueza, poder ou prestígio possível. Portanto, eram naturalmente inclinados a desconsiderar os interesses alheios, e mentir não parecia de forma alguma repreensível, às vezes até mesmo meritório. Os Arquétipos eram constantemente repletos de fraquezas, e as funções orgânicas do Corpo hoje são seriamente afetadas como resultado disso, particularmente porque os Corpos das pessoas que nascem no lado ocidental desse Planeta, estão se tornando mais tensos e mais sensíveis à dor devido à crescente consciência do Espírito.


[1] N.T.: ICor 15:50

CAPÍTULO V – CAUSAS ESPECÍFICAS DE DOENÇAS

Insanidade[1]:

Do ponto de vista do ocultista, existem quatro espécies de insanidade. A insanidade sempre é causada pela ruptura da cadeia de veículos entre o Ego e o Corpo Denso. Essa ruptura pode ocorrer entre os centros cerebrais e o Corpo Vital, entre o Corpo Vital e o Corpo de Desejos, entre o Corpo de Desejos e a Mente, ou entre a Mente e o Ego. A ruptura pode ser completa ou apenas parcial.

Quando a ruptura ocorre entre os centros cerebrais e o Corpo Vital, ou entre o Corpo Vital e o Corpo de Desejos, temos o caso de deficiência intelectual. Quando a ruptura ocorre entre o Corpo de Desejos e a Mente, o Corpo de Desejos violento e impulsivo domina e temos o maníaco delirante. Quando a ruptura é entre o Ego e a Mente, a Mente domina os demais veículos e temos o maníaco astuto[2], que podem enganar as pessoas que, porventura, estão vigiando-o, fazendo-as acreditar que é completamente inofensivo até que tenham arquitetado algum plano diabólico e astuto. Então ele pode subitamente manifestar sua mentalidade perturbada e causar uma catástrofe terrível.

Há uma causa de insanidade que talvez seja bom explicar, pois às vezes é possível evitá-la. Quando o Ego regressa dos Mundos invisíveis para o novo renascimento, são-lhe mostrados diversos renascimentos disponíveis. O Ego contempla sua próxima vida em seus grandes e gerais eventos, como um filme passando diante de seus olhos. Então, geralmente, lhe é dado a escolha entre diferentes vidas. Nesse momento, o Ego percebe as lições que precisa aprender, o destino que criou para si em vidas passadas e qual parte desse destino terá que liquidar em cada um dos renascimentos oferecidos. Então, faz sua escolha e, em seguida, é guiado pelos agentes dos Anjos do Destino até o país e a família onde viverá sua próxima existência aqui.

Esta visão panorâmica lhe é contemplada no Terceiro Céu, onde o Ego se encontra despido dos seus Corpos e da Mente e se sente espiritualmente acima de todas as sórdidas considerações materiais. É muito mais sábio, então, do que aparenta ser na Terra, onde está “cegado pela carne”, em um grau inconcebível. Mais tarde, quando a concepção ocorre e o Ego penetra no útero materno, ou seja, por volta do décimo oitavo dia depois da concepção, ele entra em contato com o molde etérico do seu novo Corpo Denso, formado pelos Anjos do Destino, para conferir ao cérebro a formação que imprimirá no Ego as tendências necessárias para cumprir seu destino.

Ali, o Ego vê novamente as imagens de sua próxima vida, como a pessoa que se afoga percebe as imagens de sua vida passada em um relâmpago. Nesse momento, o Ego já está parcialmente cego para sua natureza espiritual, de maneira que, se sua próxima vida lhe parecer difícil, muitas vezes ele se retrairá, evitando entrar no útero e estabelecer as conexões cerebrais adequadas com o futuro Corpo. Ele pode tentar se retirar rapidamente e, então, em vez do Corpo Denso e do Corpo Vital ficarem concêntricos, a cabeça do Corpo Vital pode ser parcialmente projetada acima da cabeça do Corpo Denso. Nesse caso, as conexões entre os centros sensoriais do Corpo Vital e o Corpo Denso ficam desajustadas ou simplesmente não se estabelecem e o resultado é a deficiência intelectual, a epilepsia, a dança de São Vito[3] ou outros distúrbios nervosos semelhantes.

As relações inarmônicas entre os pais, que às vezes existem, é frequentemente a gota d’água que leva o Ego a sentir que não pode entrar em tal ambiente. Portanto, é fundamental enfatizar aos futuros pais que, durante o período gestacional, é da maior importância que tudo seja feito para manter a mãe em um estado de contentamento e harmonia. Pois é uma tarefa muito árdua para o Ego passar pelo útero; exige o máximo de suas sensibilidades, e condições inarmônicas no lar em que está entrando são, naturalmente, uma fonte adicional de desconforto, que pode resultar no terrível estado de coisas mencionado acima.

A Magia Negra, em suas formas menores, tais como o hipnotismo, geralmente é causa de idiotismo congênito em uma vida futura. O hipnotizador priva sua vítima do livre uso do Corpo e sob a Lei de Consequência se verá vinculado a algum Corpo com um cérebro mal conformado que impedirá sua devida expressão. Mas nem por isso devemos concluir que todos os casos de idiotismo congênito sejam devidos a essas más práticas por parte de Ego em uma vida passada, porque existem outras causas que também podem provocar o idiotismo congênito.

As drogas e os exercícios respiratórios tais como os que são praticados pelos estudantes do Oriente, têm um efeito terrivelmente destruidor sobre o Corpo, pelo que o seu emprego é absolutamente indesejável. São muitas as pessoas que atualmente se encontram no manicômio ou afetadas de tuberculose, devido aos exercícios respiratórios. Nada diremos dos efeitos das drogas, pois são bem conhecidos. Os átomos dos Corpos dos ocidentais foram altamente sensibilizados durante o transcurso da evolução e os exercícios que um Oriental pode empregar impunemente porque o seu Corpo carece dessa alta sensibilidade, provocariam uma catástrofe no Corpo de um Ocidental, causando uma desusada movimentação dos seus átomos, os quais dificilmente poderão retornar à sua condição normal.


[1] N.T.: O termo insanidade utilizado aqui se refere à condição mental caracterizada pela perda da capacidade de raciocínio lógico, falta de sensatez ou comportamentos considerados anormais.

[2] N.T.: Exemplos: Psicopata calculista, Maníaco calculista, Manipulador lunático, Louco ardiloso.

[3] N.T.: um nome histórico e popular para a Coreia de Sydenham, uma doença neurológica que causa movimentos involuntários, espasmódicos e descontrolados.

Mediunidade[1]:

Quando uma pessoa se torna médium para um Espírito desencarnado entrar em seu Corpo Denso, como no caso do “médium em transe”, em que um Espírito toma posse do seu Corpo Denso e o utiliza como o próprio dono faria, há pouco ou nenhum dano causado, desde que o Espírito controlador não abuse de seu privilégio. De fato, existem casos em que os Espírito controladores tem uma melhor noção de como cuidar de um Corpo Denso do que o próprio dono, podendo até melhorar a saúde desse Corpo. Mas Espíritos de natureza ética elevada, geralmente, não controlam um médium; são mais os Espíritos apegados à Terra e os de natureza inferior, como, por exemplo, alguns indígenas e outros de natureza semelhante, que obtém controle sobre as pessoas mediúnicas e, quando em posse do Corpo Denso, podem usá-lo para satisfazer suas paixões mesquinhas por bebidas alcoólicas ou sexuais. Assim causam perturbações ao organismo e deterioração do instrumento físico.

No caso do médium materializador, podemos dizer que a influência é sempre prejudicial. O Espírito materializador entra em transe com a vítima e então extrai o Éter do Corpo Vital através do baço, pois a diferença entre o médium materializador e a pessoa comum reside no fato de que a conexão entre o Corpo Vital e o Corpo Denso é extremamente frouxa, de modo que é possível extrair esse Corpo Vital em grande medida. O Corpo Vital é o veículo pelo qual as correntes solares que nos infundem vitalidade são especializadas. Privado do princípio vitalizante, o Corpo materializado, durante o processo de materialização, por vezes encolhe para quase metade do seu tamanho habitual; a carne se torna flácida e a centelha vital enfraquece consideravelmente. Quando a sessão termina e o Corpo Vital é reintegrado, o médium desperta e retorna a consciência normal. Ele então experimenta uma sensação de exaustão extrema e, por vezes, infelizmente, recorre à bebida alcoólica para reavivar as forças vitais. Nesse caso, naturalmente, a saúde logo se deteriora e o médium acaba em ruína física e mental. De qualquer modo, a mediunidade deve ser evitada, pois, além desse perigo para o Corpo Denso, existem outras considerações muito mais graves relacionadas aos Corpos sutis e, particularmente, com ao estado “post-mortem”.


[1] N.T.: Um dos tipos mais comuns e perigosos da prática de Clarividência Involuntária, também chamada de Clarividência negativa, onde quem pratica só pode ver e/ou ouvir o que se lhe apresenta e que, no melhor dos casos, pouco mais tem além da mera faculdade negativa. Eles são incapazes de obter informações reais dos Mundos invisíveis. No Corpo de Desejos de um Clarividente involuntário, os vórtices do Corpo de Desejos giram da direita para a esquerda, ou seja, na direção oposta à dos ponteiros de um relógio. É um indivíduo que possui uma frouxidão entre o Corpo Vital e o Corpo Denso. Tal indivíduo não escolhe ter acesso a tais Mundos, mas simplesmente por conta dessa frouxidão ele entra em contato com a Região Etérica do Mudo Físico, onde as formas e informações são nebulosas, eles não visualizam claramente. Podemos dizer: “vê quando não quer ver e quando vê não sabe o que tem que fazer”.

Obsessão

A obsessão é um estado em que um Espírito desencarnado toma posse permanente do Corpo Denso de alguém, após desalojar o seu legítimo proprietário. Contudo, às vezes, pessoas que adquiriram o hábito de tomar bebidas alcoólicas até se embriagar ou outro vício pior, tentam se justificar alegando estarem obsidiadas[1]. Sempre que alguém faz tal afirmação a respeito de si mesmo pode-se ter quase certeza de que não passa de uma desculpa; pois um ladrão que roubou algo aqui no Mundo material não sai por aí contando às pessoas sobre o seu roubo, nem uma entidade obsessora sai por aí proclamando o fato. É certo que tal entidade não se importa com o que se pensa da pessoa cujo Corpo ela roubou; portanto, não há razão para que ela revele o ocorrido e corra o risco de ser exorcizada.

Existe um meio infalível de saber se uma pessoa está realmente obsidiada: o diagnóstico do olho. “Os olhos são a janela da alma”[2] , e apenas o verdadeiro dono do Corpo Denso é capaz de contrair e dilatar a íris – ou a pupila – do olho; assim, se levarmos uma pessoa que afirma estar obsidiada (ou que suspeitamos que o esteja) a um ambiente escurecido, veremos que a pupila não se dilatará se ela estiver sob obsessão. A pupila tampouco se contrairá ao ser exposta à luz solar, nem se dilatará ao se pedir que a pessoa olhe um objeto distante, nem se contrairá ao se solicitar a leitura de letras miúdas. Em suma, a pupila não reage nem à luz, nem à distância quando a pessoa está obsidiada; contudo, existe também uma doença chamada ataxia locomotora[3], na qual a pupila responde à luz, mas reage à distância.

Ninguém que mantenha uma atitude mental positiva pode jamais sofrer uma obsessão, pois, enquanto afirmamos a nossa Individualidade, ela é forte o suficiente para afastar quaisquer influências externas. No entanto, em qualquer tipo de reunião ou encontro de pessoas em que os participantes adotam uma postura passiva – como por exemplo em “sessões espíritas” ou “sessões de espiritismo”, a prática de observar bolas de cristal e outros métodos de evocação de espíritos afins – existe sempre um grande perigo. A melhor maneira de evitar a obsessão é manter essa atitude positiva; qualquer pessoa com tendência à passividade deve evitar tais tipos de reuniões ou encontros. De qualquer modo, essa é uma prática condenável, pois aqueles que já partiram têm o seu próprio trabalho a realizar nos planos espirituais, e não devem ser trazidos de volta para cá.

No momento da morte, quando o Átomo-semente que se encontra na posição referencial do coração – que contém todas as experiências da vida passada em um quadro panorâmico –, se liberta, o Espírito[4] abandona o Corpo Denso, levando consigo os Corpos mais sutis. Ele então paira sobre o Corpo Denso – agora morto, como o denominamos – por um período que varia de algumas horas até três dias e meio. O fator determinante para a duração desse tempo é a fortaleza, o vigor, a robustez e energia do Corpo Vital, o veículo que constitui o Corpo-Alma mencionado na Bíblia. Ocorre, então, uma reprodução pictórica da vida – um panorama em ordem inversa, da morte ao nascimento –, e as imagens são gravadas no Corpo de Desejos por meio do Éter Refletor desse Corpo Vital. Durante esse período, a consciência do Espírito está concentrada no Corpo Vital (ou, pelo menos, deveria estar) e, portanto, não há qualquer sensação a esse respeito. A imagem impressa no veículo do sentimento e da emoção – o Corpo de Desejos – constitui a base para o sofrimento subsequente no Purgatório, decorrente das más ações, e para o desfrute no Primeiro Céu, resultante do bem praticado na vida passada.

Investigações mais recentes revelaram o fato adicional de que ocorre outro processo durante esses dias importantes que se seguem à morte. Ocorre uma separação no Corpo Vital, semelhante àquela produzida pelo processo de Iniciação. A parte desse veículo que pode ser denominada “alma” se une com os veículos superiores e constitui a base da consciência nos Mundos invisíveis, depois da morte. A parte inferior, que é descartada, retorna ao Corpo Denso e paira sobre o túmulo, na grande maioria dos casos, conforme afirmado no Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz. Essa separação do Corpo Vital não ocorre da mesma maneira em todas as pessoas, mas depende da natureza da vida vivida e do caráter da pessoa que está partindo. Em casos extremos, essa divisão difere consideravelmente do padrão normal. Esse ponto importante foi evidenciado em muitos casos de suposta obsessão espiritual investigado em Mount Ecclesia; de fato, foram esses casos que levaram às descobertas abrangentes e surpreendentes, resultantes de nossas pesquisas mais recentes sobre a natureza da obsessão que afligia as pessoas que nos procuraram. Como seria de esperar, naturalmente, a divisão nesses casos revelava uma preponderância do mal; buscou-se, então, verificar se não haveria também outra categoria de pessoas nas quais ocorresse uma divisão diferente, com preponderância do bem. É um prazer registrar que isso foi constatado e, após ponderar e comparar os fatos descobertos, a descrição a seguir parece retratar corretamente as condições e as razões para tal fenômeno:

O Corpo Vital tem por objetivo reconstruir o Corpo Denso, enquanto nossos desejos e nossas emoções o desgastam. É o conflito entre o Corpo Vital e o Corpo de Desejos que gera a consciência no Mundo Físico e que endurece os tecidos, fazendo com que o Corpo tenro da criança se torne gradualmente rígido e contraído na pessoa idosa, culminando na morte. A moralidade ou imoralidade de nossos desejos e nossas emoções atua de maneira semelhante no Corpo Vital. Quando a devoção a ideais elevados é o motor da ação, quando se permitiu que a natureza devocional se expressasse livre e frequentemente ao longo dos anos – e, particularmente, quando isso foi acompanhado pelos Exercícios Científicos de Retrospecção e Concentração –, quantidade de Éter Químico e de Éter de Vida diminui gradualmente à medida em que os apetites animais desaparecem, sendo substituída por uma quantidade crescente de Éter de Luz e Éter Refletor. Consequentemente, a saúde física dessas pessoas não é tão robusta entre as pessoas que seguem o caminho superior, quanto aquelas cuja entrega à natureza inferior atraem o Éter Químico e o Éter de Vida – na proporção da extensão e da natureza de seu vício –, em detrimento, parcial ou total, dos dois Éteres superiores.

Desse fato decorrem várias consequências muito importantes relacionadas à morte. Visto que é o Éter Químico que mantém as moléculas do Corpo únicas em seus lugares e as conserva ali durante a vida, quando resta apenas uma quantidade mínima desse material, a desintegração do veículo físico após a morte deve ser muito rápida. O autor não pôde verificar isso pessoalmente, pois é difícil encontrar pessoas de elevada inclinação espiritual que tenham falecidas recentemente; no entanto, tal conclusão parece correta à luz do relato bíblico de que o Corpo Denso de Cristo Jesus não foi encontrado no sepulcro quando as pessoas foram procurá-lo. Como já mencionamos anteriormente a esse respeito, Cristo espiritualizou o Corpo Denso de Jesus a tal ponto – tornando-o tão vibrante – que era quase impossível manter as partículas coesas durante Seu ministério. Como também já foi dito, uma vida mundana aumenta a proporção dos Éteres inferiores no Corpo Vital em relação aos Éteres superiores. Por outro lado, quando se leva uma vida considerada “pura” e se evita excessos, a saúde física é mais robusta do que a do Aspirante à vida superior; isso ocorre porque a atitude deste último perante a vida constrói um Corpo Vital composto principalmente dos Éteres superiores. Ele ama o “pão da vida”[5] mais do que o sustento físico e, por isso, seu instrumento físico se torna cada vez mais tenso, sensível e delicado; uma condição de sensibilidade que favorece grandemente os propósitos do Espírito, mas que representa uma dificuldade do ponto de vista físico.

Na maioria da Humanidade há tal preponderância de egoísmo e de desejo de tirar o máximo proveito da vida física – segundo sua própria visão – que as pessoas vivem ocupadas ou lutando pela sobrevivência, ou acumulando posses e cuidando de bens materiais; consequentemente, dispõem de pouquíssimo tempo ou disposição para empreender com o cultivo da alma, tão necessário ao verdadeiro sucesso na vida.

Por isso, é tão pouco o que perdura na vida da maioria, e a evolução é tão assustadoramente lenta, que – até que se seja capaz de contemplar o ato da morte a partir das Regiões superiores da Região Concreta do Mundo do Pensamento e, por assim dizer, olhar para baixo – não parece restar nada do Corpo Vital. Este Corpo parece retornar intacto ao Corpo Denso e pairar sobre a sepultura, desintegrando-se simultaneamente com ele. Na realidade, porém, uma parte crescente adere aos veículos superiores e os acompanha ao Mundo do Desejo, servindo de base para a consciência e para a vivência no Purgatório e no Primeiro Céu; essa parte geralmente persiste até que o ser humano entre no Segundo Céu e se una às Forças da Natureza ali existentes, em seus esforços para criar para si um novo ambiente. Nessa altura, ela já terá sido absorvida pelo Espírito – ou quase totalmente –, e qualquer resquício de natureza material que ainda reste desaparecerá rapidamente.

No entanto, existem pessoas de natureza tão maligna que se comprazem em uma vida gasta de vícios e práticas degeneradas – uma vida brutal – e que sentem prazer em infligir dor às pessoas.  Às vezes, chegam a cultivar artes ocultas com fins maléficos, visando obter maior poder sobre suas vítimas. Consequentemente, suas práticas diabólicas e imorais resultam no endurecimento do Corpo Vital delas.

Em casos extremos nos quais a natureza animal predominou – onde não houve expressão da alma na vida terrena anterior –, a divisão do Corpo Vital mencionada anteriormente não pode ocorrer no momento da morte, pois não existe uma linha divisória. Se, nessas circunstâncias, o Corpo Vital retornasse ao Corpo Denso para ali se desintegrar gradualmente, as consequências de uma vida tão perversa não seriam tão abrangentes; infelizmente, porém, ocorre um entrelaçamento tão forte entre o Corpo Vital e o Corpo de Desejos que impede a separação. Vimos que, quando um ser humano vive predominantemente segundo sua natureza superior, seus veículos espirituais são nutridos em detrimento dos veículos inferiores. Inversamente, quando sua consciência está centrada nos seus veículos inferiores, estes se fortalecem imensamente. É preciso compreender que a vida do Corpo de Desejos não se encerra com a partida do Espírito; ele conserva uma vida e uma consciência residuais. O Corpo Vital também é capaz de perceber sensações, ainda que de forma tênue, durante alguns dias após a morte em casos comuns (e daí o sofrimento causado pelos embalsamentos, autópsias, etc. que se fazem logo após o falecimento da pessoa), contudo, quando uma vida de baixo teor moral o endureceu e lhe conferiu grande vigor, ele mantém uma tenaz ligação com a vida e a capacidade de se nutrir de odores de alimentos e bebidas alcoólicas. Por vezes, como um parasita, chega a vampirizar as pessoas com quem entra em contato.

Assim, um ser humano perverso pode viver por muitos e muitos anos, despercebido em nosso próprio meio e, no entanto, tão próximo a ponto de estar mais perto de nós do que as nossas mãos e os nossos pés. Ele é muito mais perigoso do que o criminoso comum, pois é capaz de incitar outros de índole semelhante a práticas criminosas ou degeneradas, sem receio de ser descoberto ou punido pela lei.

Tais seres são, portanto, uma das maiores ameaças imagináveis à sociedade. Eles enviaram inúmeras vítimas para as prisões; destruíram lares e causaram uma quantidade inacreditável de infelicidades. Eles sempre abandonam suas vítimas quando estas caem nas garras da lei. Deleitam-se com o profundo sofrimento e a grande angústia de suas vítimas, sendo isso parte de seu plano diabólico. É surpreendente, ao pesquisar a Memória da Natureza do passado, constatar quão prevalecente eram essas condições de entrelaçamento entre o Corpo Vital e o Corpo de Desejos em séculos e até nos milênios anteriores. Compreendemos, naturalmente – de maneira um tanto abstrata –, que quanto mais retrocedemos na história da Humanidade, mais selvagens encontramos o ser humano; contudo, o fato de que em nossa própria era histórica tal selvageria fosse tão comum e brutal, e de que a força fosse a medida absoluta e incontestável do direito, constituiu, no mínimo, um grande choque para o autor. Ensina-se que o egoísmo e o desejo foram deliberadamente estimulados sob o regime de Jeová para incentivar a ação. Com o passar do tempo, isso endureceu de tal maneira o Corpo de Desejos que, quando ocorreu o advento de Cristo, quase não havia vida celestial entre as pessoas que viviam naquela época.

Os Espíritos apegados à Terra, como mencionados anteriormente, gravitam em direção às Regiões inferiores do Mundo do Desejo – que interpenetra o Éter – e mantém contato constante e estreito com as pessoas na Terra que estão em condições mais favoráveis para auxiliá-los em seus propósitos malignos. Geralmente, eles permanecem nessa condição de ligação com a Terra por cinquenta, sessenta ou setenta e cinco anos, mas foram encontrados casos extremos em que tais indivíduos permaneceram assim por séculos.

Quando o Espírito deixa o Corpo de Pecado – como chamamos a esse Corpo, em contraste com o Corpo-Alma – para ascender ao Segundo Céu, ele não se desintegra tão rapidamente quanto ao invólucro comum deixado para trás pelas pessoas comuns; isso ocorre porque a consciência nele contida é intensificada por sua composição dual: sendo constituído tanto por um Corpo Vital quanto por um Corpo de Desejos, ele possui uma consciência individual ou pessoal notável. Embora incapaz de raciocinar, manifesta uma astúcia primitiva que cria a ilusão de possuir uma presença espiritual, como um Ego, permitindo-lhe levar uma existência separada por muitos séculos. Enquanto isso, o Espírito que partiu ingressa no Segundo Céu; contudo, como não realizou na Terra nenhum trabalho que gerasse o desejo ou o merecimento de uma permanência prolongada ali ou no Terceiro Céu, ele permanece apenas o tempo suficiente para criar um novo ambiente para si mesmo, renascendo então muito mais cedo do que o habitual – impelido a satisfazer os seus anseios por coisas materiais que o atraem tão fortemente.

Quando o Espírito retorna à Terra, esse Corpo de Pecado é naturalmente atraído por ele e, geralmente, permanece ao seu lado durante toda a vida na condição de um demônio. Investigações comprovaram que essa classe de criaturas desprovidas de alma era muito comum nos tempos bíblicos; foi a elas que o nosso Salvador se referiu como demônios, sendo elas as causas de diversas obsessões e enfermidades físicas, conforme registrados na Bíblia.

Além das entidades já mencionadas – que habitam um Corpo de Pecado criado por elas mesmas e, assim, sofrem inteiramente as consequências de seus próprios atos durante o período de expiação –, foram identificadas duas outras classes, semelhantes em certos aspectos, porém diferentes em outros. Além das Hierarquias Divinas e das quatro Ondas de Vida de Espíritos, que atualmente evoluem no Mundo Físico por meio dos Reinos mineral, vegetal, animal e humano, existem também outras Ondas de Vida que se manifestam nos diversos Mundos invisíveis. Entre elas, há certas classes de Espíritos sub-humanos, chamados elementais. Ocorre, por vezes, de um desses elementais tomar posse do Corpo de Pecado de algum ser humano pertencente, por exemplo, a uma tribo selvagem, conferindo-lhe, assim, uma inteligência adicional. Quando o Espírito que gerou esse Corpo de Pecado renasce, a atração natural os reúne; contudo, devido à presença do elemental que anima o Corpo de Pecado, esse Espírito se diferencia dos demais membros; torna-se muito diferente dos demais membros da tribo, passando a atuar como curandeiro ou em função semelhante. Os Espíritos elementais, ao animarem os Corpos de Pecado desses tipos de seres humanos, também atuam sobre pessoas que participam de reuniões ou sessões onde se põem em condição passiva, como por exemplo, os médiuns, como espíritos controladores; tendo obtido domínio sobre tais pessoas durante a vida, quando essas morrem, tais espíritos controladores elementais as expulsam dos veículos que contém a experiência delas. Dessa forma, a evolução, por exemplo do médium pode sofrer um atraso de eras, pois não existe poder capaz de obrigar esses Espíritos a abrir mão do controle, uma vez que o tenham assumido sobre tal Corpo. Portanto, embora a mediunidade possa não produzir maus efeitos aparentemente nocivos durante uma vida, existe um perigo extremamente grave, após a morte, para a pessoa que permite que outro ser tome posse de seu Corpo.


[1] N.T.: Forma mais tradicional e etimológica, vinda do latim obsidere.

[2] N.T.: Essa frase é uma expressão popular atribuída ao polímata renascentista Leonardo da Vinci.

[3] N.T.: Hoje, a Ciência já descobriu que a ataxia locomotora (perda de coordenação motora/equilíbrio) e pupilas que não reagem à luz direta, mas se contraem ao focar em objetos próximos (conhecida como dissociação luz-perto) — formam um quadro altamente sugestivo do Sinal de Argyll Robertson. Ou seja, há uma perda do reflexo fotomotor, onde a pupila não diminui de tamanho quando um feixe de luz é direcionado diretamente aos olhos. Mas, há a manutenção do reflexo de acomodação, ou seja, a pupila se contrai adequadamente quando a pessoa muda o foco visual para um objeto próximo.

[4] N.T.: Aqui se refere ao que realmente somos: o Ego, um Espírito Virginal da Onda de Vida manifestado aqui nesse Esquema de Evolução.

[5] N.T.: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim nunca mais terá fome; quem crê em mim nunca mais terá sede.” (Jo 3:35)

A Histeria, Epilepsia, Tuberculose e o Câncer

Constatou-se que a histeria, a epilepsia, a tuberculose e o câncer resultam de tendências erráticas de uma vida passada. Observou-se que, embora muitos dos indivíduos tivessem sido — nas vidas passadas investigadas — quase maníacos na satisfação de sua lascívia, possuíam, ao mesmo tempo, uma natureza profundamente devota e religiosa. Nesses casos parece que o Corpo Denso gerado na vida atual parecia ser normalmente saudável, sendo a incapacidade de natureza puramente mental; por outro lado, quando a entrega à natureza passional vinha acompanhada de um caráter vil e de um cruel descaso pelo próximo, o resultado manifestado era a epilepsia[1], juntamente com o raquitismo[2], a histeria[3] e a deformidade corporal[4]. Frequentemente, surgia o câncer[5], especialmente no fígado ou nas mamas.

A esse respeito, contudo, desejamos alertar novamente os Estudantes Rosacruzes para que não tirem conclusões precipitadas, como se essas fossem regras rígidas e imutáveis. O número de investigações realizadas — embora muito grande e representando uma tarefa árdua para um único pesquisador — é insuficiente para ser realmente conclusivo em questões que envolvem milhões de seres humanos. Elas estão, no entanto, em consonância com os ensinamentos que encontramos no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz transmitidos pelos Irmãos Maiores sobre os efeitos do materialismo no surgimento do raquitismo (o amolecimento de uma parte do Corpo Denso que deveria ser rígida) e da tuberculose[6] (que endurece tecidos do Corpo Denso que deveriam ser macios e flexíveis). O câncer produz um efeito essencialmente semelhante; e quando consideramos que o Signo de Câncer é regido pela Lua — o luminar da geração — e que a esfera lunar está sob a influência de Jeová (o Deus da geração, cujos Anjos anunciam e presidem o nascimento, como exemplificado nos casos de Isaac, Samuel, João Batista e Jesus), percebemos facilmente que o abuso da função sexual criadora pode causar tanto o câncer quanto a insanidade, nas suas formas mais variadas.


[1] N.T.: é um distúrbio neurológico crônico caracterizado por crises recorrentes, provocadas por descargas elétricas anormais no cérebro. Os sintomas variam de lapsos de atenção a convulsões intensas.

[2] N.T.: é o amolecimento e enfraquecimento dos ossos. Isso leva a sintomas como atraso no crescimento, fraqueza muscular e deformidades ósseas, como pernas arqueadas.

[3] N.T.: condição psicopatológica marcada por explosões emocionais intensas, perda de autocontrole e sintomas físicos sem causa médica aparente (como paralisias ou cegueiras).

[4] N.T.: alterações físicas reais (congênitas ou adquiridas) ou ao Transtorno Dismórfico Corporal (TDC), uma condição psiquiátrica em que a pessoa enxerga defeitos mínimos ou imaginários na própria aparência, causando sofrimento intenso, isolamento e busca obsessiva por procedimentos.

[5] N.T.: doença é caracterizada pelo crescimento desordenado de células anormais que podem invadir tecidos e se espalhar pelo corpo.

[6] N.T.: doença infecciosa e transmissível. Ela afeta principalmente os pulmões, mas pode atingir outros órgãos, como ossos, rins e meninges.

Comprometimento da Visão

Quanto à falta da visão ou às deficiências visuais, sabe-se há muito tempo, entre os pesquisadores, que isso é consequência de extrema crueldade em vidas passadas.

Investigações recentes trouxeram a informação adicional de que grande parte dos problemas oculares atualmente prevalecentes entre as pessoas se deve ao fato de que nossos olhos estão mudando; eles estão, de fato, se tornando receptivos a uma oitava de visão mais elevada do que anteriormente, pois o Éter que envolve a Terra está se tornando mais denso e o ar mais rarefeito. Isto é particularmente verdadeiro em certas partes do mundo, como no sul da Califórnia, entre outras. É digno de nota, nesse contexto, que a Aurora Boreal[1] está se tornando mais frequente e mais poderosa em seus efeitos sobre a Terra. Nos primeiros anos da Era Cristã[2], esse fenômeno era quase desconhecido; porém, com o decorrer do tempo conforme a onda Crística, que penetra na Terra durante parte do ano, infunde cada vez mais a Sua própria vida ao globo terrestre inerte, e os Raios Vitais Etéricos se tornam visíveis em determinados intervalos. Mais tarde, eles se tornaram cada vez mais numerosos e agora começam a interferir nas atividades elétricas, particularmente, na telegrafia, cujos serviços ficam, por vezes, completamente prejudicados por causa dessas faixas radiantes.

Vale ressaltar também que as perturbações se restringem aos fios que correm de leste para oeste. As radiações ou linhas de força dos Espíritos-Grupo das plantas irradiam em todas as direções, do centro da Terra à periferia e daí para o exterior, passando pelas raízes das plantas e das árvores, subindo por elas até suas copas.

As correntes dos Espíritos-Grupo dos animais, por outro lado, circundam a Terra. As correntes comparativamente fracas e invisíveis geradas pelos Espíritos-Grupo das plantas e os raios de força extremamente poderosos gerados pelo Espírito de Cristo, que agora se tornam visíveis como Aurora Boreal, têm sido, até o momento, de natureza semelhante à da eletricidade estática; já as correntes geradas pelos Espíritos-Grupo dos animais, que circundam a Terra, podem ser comparadas à eletricidade dinâmica, que conferiu à Terra seu poder de movimento em épocas passadas. Agora, porém, as correntes de Cristo estão se tornando cada vez mais vigorosas, e sua eletricidade estática está sendo liberada. O impulso etérico que elas proporcionam inaugurará uma nova Era, e os órgãos sensoriais que a Humanidade possui atualmente deverão se adaptar a essa mudança. Em vez dos raios etéricos que emanam de um objeto trazerem uma imagem refletida para a retina dos nossos olhos, o chamado “ponto cego” será sensibilizado; assim, olharemos através do olho e veremos diretamente o próprio objeto, em vez da imagem projetada em nossa retina. Então, não veremos apenas a superfície do objeto observado, mas seremos capazes de ver também através delas, como fazem agora aqueles que desenvolveram a visão etérica.

Com o decorrer do tempo, à medida que Cristo, por meio de Sua atuação benéfica, atrai cada vez mais Éter interplanetário para a Terra, tornando o Corpo Vital dela mais luminoso, caminharemos em um mar de lua; e, quando aprendermos a abandonar nossos caminhos de egoísmo e egocentrismo por meio do contato constante com essas vibrações benéficas de Cristo, nós também nos tornaremos luminosos. Nesse estágio, o olho, tal como está constituído atualmente, não nos servirá mais; por isso, ele já começa a mudar, e estamos vivenciando o desconforto inerente a todo processo de reconstrução.


[1] N.T.: A aurora boreal é um fenômeno luminoso que ocorre no céu noturno próximo ao Ártico (Polo Norte). Exibe padrões dinâmicos de luzes brilhantes que aparecem como cortinas, raios, espirais ou cintilações que cobrem todo o céu.

[2] N.T.: A Era Cristã (ou Era Comum) é o sistema de datação que divide a história a partir do suposto nascimento de Jesus Cristo. Os anos são contados em ordem crescente com a sigla d.C. (depois de Cristo). O período anterior é contado em ordem decrescente como a.C. (antes de Cristo).

Neurose de Guerra ou Trauma de Guerra (Transtorno de Estresse Pós-traumático)

Descobriu-se, ao examinar várias pessoas com saúde normal, que cada um dos átomos prismáticos que compõem os Éteres inferiores irradiava de si mesmo as linhas de força que punham em rotação o átomo físico no qual estava inserido, conferindo vitalidade a todo o Corpo Denso. A tendência conjunta de todas essas unidades de força é em direção à periferia do Corpo Denso, onde constituem o que foi chamado de “Fluido Ódico”[1], também designado por outros nomes. Quando a pressão atmosférica exterior diminui devido à permanência em grandes altitudes, manifesta-se uma tendência ao nervosismo, pois a força etérica interna precipita-se para fora sem controle e, se o indivíduo não fosse capaz de interromper parcialmente esse fluxo de energia solar mediante um esforço de vontade para superar a dificuldade, ninguém poderia viver em tal lugar.

Ouvimos falar do Neurose de Guerra ou Trauma de Guerrae sabemos que muitas pessoas, sem apresentar sequer o menor ferimento, foram encontradas até mortas no campo de batalha. De fato, vimos e conversamos com pessoas que haviam perdido os sentidos dessa maneira, mas não sabiam explicar por que isso resultara em morte. Todas negavam ter sentido medo e afirmavam unanimemente que haviam perdido a consciência de repente e, um momento depois, encontrado em sua condição atual.

Diferenciavam-se de seus companheiros pelo fato de não apresentarem um único arranhão no Corpo. Nossa ideia preconcebida — de que teria sido um medo momentâneo diante de um perigo iminente que, embora não percebido conscientemente, causara o óbito — impediu uma investigação completa; contudo, os resultados observados das consequências de uma queda nos levaram a acreditar que algo semelhante poderia ocorrer nesse caso; essa suposição estava correta.

Certa noite, algum tempo atrás, enquanto viajava para um local em um país distante onde eu tinha uma missão a cumprir, ouvi um grito. Embora a voz humana só possa ser ouvida no ar, existem harmônicos que são percebidos nos reinos espirituais a distâncias superiores às percorridas por mensagens sem fio. O grito, porém, vinha de perto, e cheguei ao local num instante, mas não a tempo de prestar a ajuda necessária. Encontrei um homem deslizando por um barranco inclinado e desprovido de vegetação — com cerca de três metros e meio de largura e que, como se constatou posteriormente, era quase liso, sem qualquer fenda onde ele pudesse apoiar os dedos. Salvá-lo teria exigido a materialização de ambas as mãos e ombros, mas não havia tempo. Em um instante, ele havia deslizado pela borda do precipício saliente e estava caindo em direção ao fundo do cânion — uma queda de, provavelmente, uns 300 metros.

Impelido por um sentimento natural de solidariedade, segui-o e, durante o trajeto, observei o fenômeno que constitui a base deste artigo: quando o Corpo Denso atingiu uma velocidade considerável, os Éteres que compõem o Corpo Vital começaram a escapar; assim, quando o Corpo Denso se chocou contra as rochas lá embaixo, transformando-se em uma massa dilacerada, restava nele pouquíssimo Éter — se é que restava algum. Gradualmente, porém, os Éteres se reuniram, tomaram forma e pairaram, juntamente com os veículos mais sutis, sobre o cadáver mutilado; contudo, o homem se encontrava em estado de torpor, incapaz de perceber ou compreender sua nova condição.

Assim que vi que não havia mais como ajudá-lo, segui meu caminho; mas, ao refletir sobre o ocorrido, percebi que algo incomum havia acontecido e que era meu dever descobrir se os Éteres se desprendiam dessa maneira em todas as pessoas que sofriam quedas e, em caso afirmativo, porque isso ocorria. Em tempos passados, isso teria sido difícil de verificar, mas o advento das máquinas voadoras tem feito muitas vítimas. Foi, portanto, fácil constatar que, quando um Corpo Denso em queda atinge certa velocidade, os Éteres superiores se desprendem desse Corpo Denso, e a pessoa que cai perde a consciência. Ao atingir o solo, o Corpo Denso fica dilacerado, mas a vítima pode recuperar a consciência assim que o Éter se reorganiza. Ela então começa a sofrer as consequências físicas da queda. Se a queda prossegue após a saída dos Éteres superiores, o aumento da velocidade desloca os Éteres inferiores, restando apenas o Cordão Prateado ligado ao Corpo. Esse Cordão Prateado se rompe no momento do impacto com o solo, e o Átomo-semente segue para o ponto de ruptura, onde permanece retido da maneira habitual.

Com base nesses fatos, chegamos à conclusão de que é a pressão atmosférica normal que mantém o Corpo Vital dentro do Corpo Denso. Quando nos deslocamos a uma velocidade anormal, a pressão é removida de algumas partes do Corpo e se forma um vácuo parcial, fazendo com que os Éteres deixem o Corpo Denso e fluam para esse vácuo. Os dois Éteres superiores, que estão mais frouxamente ligados, são os primeiros a se desprender e deixar a pessoa inconsciente, após terem projetado o Panorama da Vida num relance. Então, se a queda continua a aumentar a pressão do ar à frente do Corpo Denso e o vácuo atrás, os Éteres inferiores — mais firmemente ligados — também são forçados a sair, e o Corpo Denso já está morto antes de atingir o solo.

Quando um projétil de grande porte atravessa o ar, ele cria um vácuo atrás de si devido à enorme velocidade com que se desloca; se uma pessoa estiver dentro dessa zona de vácuo durante a passagem do projétil, ela sofrerá efeitos cuja intensidade dependerá de sua própria natureza e de sua proximidade com o centro de sucção. Sua situação é, na verdade, o inverso daquela de uma pessoa em queda livre: ela permanece imóvel enquanto um corpo em movimento remove a pressão atmosférica e permite que os Éteres se desprendam. Se a quantidade de Éter deslocada for comparativamente pequena — composta apenas pelo terceiro e quarto Éteres, que regem a percepção sensorial e a memória —, a pessoa provavelmente sofrerá apenas uma perda temporária de memória e a incapacidade de sentir ou de se mover. Essa incapacidade desaparecerá quando os Éteres extraídos forem novamente reintegrados ao Corpo Denso — um processo muito mais difícil do que aquele que ocorre quando o Corpo Denso sucumbe e a reorganização ocorre sem a participação desse veículo.


[1] N.T.: Ou força ódica, é uma energia vital universal proposta no século XIX. O barão Karl Ludwig von Reichenbach deu o nome de “Od” a essa suposta força, inspirado na palavra sânscrita que significaria “o que penetra tudo”. É associado a fenômenos do magnetismo animal e ao fluido vital espiritual. Manifesta-se em radiações luminosas visíveis a pessoas sensitivas.

Esclerose ou Endurecimento das Artérias

Nossos Corpos vão se enrijecendo gradualmente, desde a infância até a velhice, devido às substâncias calcárias existentes na maioria dos alimentos com os quais habitualmente nos nutrimos. Essa matéria calcária se deposita principalmente nas paredes das artérias e veias, causando o que a medicina denomina arteriosclerose ou endurecimento das artérias. As artérias de uma criança pequena são extremamente macias e elásticas, como um tubo de borracha; porém, à medida que avançamos pela infância e juventude em direção à velhice, as paredes das artérias se tornam mais rígidas em consequência dos depósitos calcários deixados pelo sangue em circulação. Com o tempo, podem se tornar tão rígidas e inelásticas quanto um cano. As artérias se tornam então quebradiças e podem se romper, causando hemorragia e até a morte. Por isso, diz-se com razão que uma pessoa é tão velha quanto suas artérias. Se conseguirmos limpar as artérias e os capilares dessa matéria terrosa, poderemos prolongar gradualmente a vida e a utilidade do nosso Corpo.

Do ponto de vista ocultista, naturalmente, pouco importa se vivemos ou morremos, pois para nós a morte não implica no aniquilamento, mas apenas a transferência da consciência para outras esferas. No entanto, quando conduzimos um veículo através dos anos improdutivos da infância e superamos os anos impetuosos da juventude, chegando à idade da maturidade – momento em que realmente começamos a adquirir experiência –, quanto mais prolongarmos esse tempo de vivência, mais poderemos aprender. Por esta razão, prolongar a vida do Corpo tem o seu valor.

Para alcançar esse resultado, devemos primeiramente selecionar alimentos que contenham a menor quantidade possível das substâncias calcárias responsáveis ​​pelo endurecimento das artérias e dos capilares. Tais alimentos são, essencialmente, as hortaliças verdes e todas as frutas. Em seguida, é importante tentar eliminar a matéria calcária já absorvida — se isso for possível —, embora a ciência ainda não tenha descoberto nenhum alimento ou medicamento capaz de produzir tal efeito com certeza. Banhos elétricos[1] têm se mostrado extremamente benéficos, porém não totalmente satisfatórios. O leitelho[2] é o melhor agente para eliminar essa substância terrosa, seguido pelo suco de uva. Se consumidas continuamente e em quantidades generosas, essas substâncias podem melhorar consideravelmente a condição de endurecimento das artérias.


[1] N.T.: O banho elétrico era um tratamento médico do século XIX no qual se utilizavam aparelhos de alta tensão para eletrizar pacientes, fazendo com que uma carga elétrica se acumulasse em seus corpos. Nos Estados Unidos, esse processo ficou conhecido como “franklinização”, em homenagem a Benjamin Franklin. O método tornou-se amplamente conhecido depois que Franklin o descreveu em meados do século XVIII. O tratamento com banho elétrico era indolor, mas fazia com que o paciente se aquecesse e suasse, além de provocar um aumento na frequência cardíaca. Também fazia com que os pelos se arrepiassem. O banho elétrico podia constituir um tratamento por si só, ou servir como a primeira etapa de um tratamento mais amplo. Um procedimento comum consistia em extrair faíscas do paciente após a carga elétrica, especialmente da coluna vertebral. A intenção era, muitas vezes, gerar uma “brisa estática” — um vento de ar ionizado sobre a pele. Alternativamente, o objetivo podia ser inalar o ar ionizado como uma forma de ozonioterapia.

[2] N.T.: Também chamado de leite de manteiga ou buttermilk é um líquido levemente ácido que sobra do batimento da nata para fazer manteiga ou que é preparado pela fermentação do leite.

CAPÍTULO VI – HEREDITARIEDADE E A DOENÇA OU ENFERMIDADE

Infelizmente, as pessoas parecem atribuir seus traços negativos à hereditariedade, culpando os pais por suas falhas, ao mesmo tempo em que se creditam todo o mérito pelo que têm de bom. O próprio fato de distinguirmos entre o que é herdado e o que é intrinsecamente nosso demonstra que a natureza humana possui duas vertentes: a vertente da Forma e a vertente da Vida.

Somos atraídos por certas pessoas em virtude das leis de causalidade e de associação. A mesma lei que leva músicos a buscarem a companhia uns dos outros em salas de concerto, jogadores a se reunirem em hipódromos ou salões de bilhar, e pessoas de índole estudiosa a frequentarem bibliotecas, é a que faz com que indivíduos de tendências, características e gostos semelhantes nasçam na mesma família. Quando ouvimos alguém dizer: “Ah, sim, sei que sou extravagante, mas não consigo evitar; é algo de família”, trata-se da Lei de Associação em ação; e quanto mais cedo reconhecermos que — em vez de usar a hereditariedade como desculpa para nossos maus hábitos — devemos procurar superá-los e cultivar virtudes, tanto melhor será para nós.

O ser humano é essencialmente Espírito e chega a este mundo dotado de uma natureza mental e moral que lhe pertence exclusivamente, recebendo de seus pais apenas a matéria necessária para a constituição do Corpo Denso. Assim, embora a hereditariedade seja verdadeira, em primeiro lugar, apenas no que diz respeito à matéria do Corpo Denso e não às qualidades da alma, que são inteiramente individuais, o Ego que chega também realiza um certo trabalho sobre seu Corpo Denso, incorporando nele a quintessência de suas qualidades físicas passadas. Nenhum Corpo Denso é uma mistura exata das qualidades de seus pais, embora o Ego esteja restrito ao uso dos materiais retirados dos Corpos Densos do pai e da mãe. Portanto, um músico aprende onde pode obter o material para construir a mão esbelta e a orelha delicada, com suas Fibras de Corti[1] sensíveis e seu ajuste preciso dos três canais semicirculares[2]. A organização desses materiais, no entanto, está, na medida mencionada, sob o controle do Ego.

No feto, na parte inferior da garganta, logo acima do esterno ou osso do peito, existe uma Glândula chamada Timo, que atinge seu maior tamanho durante o período de gestação e que atrofia gradualmente à medida que a criança cresce, desaparecendo completamente por volta dos quatorze anos, muitas vezes quando os ossos já estão completamente formados. A Ciência tem se intrigado bastante com a função dessa glândula, e poucas teorias foram propostas para explicá-la. Entre essas teorias, uma delas é a de que ela fornece o material para a produção dos glóbulos vermelhos até que os ossos da criança estejam devidamente formados, para que ela possa produzir seus próprios glóbulos vermelhos. Essa teoria está correta.

Nos primeiros anos, o Ego que habita o Corpo infantil não detém o pleno domínio, e reconhecemos que a criança não é responsável por seus atos — pelo menos não antes dos sete anos, limite que posteriormente foi estendido até os quatorze anos. Durante esse período, não recai sobre a criança qualquer responsabilidade legal por suas ações; e isso é correto, pois o Ego, residindo no sangue, só pode funcionar adequadamente em um sangue produzido por si mesmo. Assim, quando — como ocorre no Corpo infantil — o suprimento sanguíneo é fornecido pelos pais por meio da Glândula Timo, a criança ainda não é senhora de si mesma. É por isso que, nos primeiros anos, as crianças não se referem a si mesmas tanto como “Eu”, mas se identificam com a família; são a “menina do papai” ou o “menino da mamãe”. A criança pequena dirá “Maria quer isto” ou “João quer aquilo”, mas, assim que atingem a puberdade e começam a produzir seus próprios glóbulos sanguíneos, ouvimos o menino ou a menina dizer: “’Eu’ farei isto” ou “’Eu’ farei aquilo”. A partir desse momento, começam a afirmar sua própria identidade e a se desvincular da família.

Visto que o sangue — assim como o Corpo Denso — é herdado dos pais ao longo da infância, as tendências a doenças também são transmitidas; não a doença em si, mas a tendência. Após os quatorze anos, quando o Ego residente já começou a produzir seus próprios glóbulos sanguíneos, depende em grande parte do próprio indivíduo se essas tendências se manifestarão ou não como realidades concretas em sua vida.


[1] N.T.: As fibras do órgão de Corti (ou fibras basilares) ficam na cóclea, dentro do ouvido interno. Elas formam a base estrutural que suporta as células ciliadas responsáveis por transformar vibrações de som em sinais elétricos para o cérebro. O órgão foi nomeado em homenagem ao anatomista italiano Marquês Alfonso Giacomo Gaspare Corti (1822–1876), que conduziu a pesquisa microscópica do sistema auditivo dos mamíferos e o descobriu em 1850.

[2] N.T.: Os canais semicirculares são três tubos ocos localizados no ouvido interno que formam parte do sistema vestibular. Eles detectam os movimentos de rotação e a aceleração angular da cabeça, enviando sinais ao cérebro para manter o equilíbrio e a postura do Corpo Denso.

CAPÍTULO VII – EFEITOS DAS BEBIDAS ALCOÓLICAS E DO USO DO TABACO

A carne animal (mamíferos, aves, peixes, crustáceos, anfíbios, frutos do mar e afins) e as bebidas alcoólicas têm a tendência de tornar o ser humano feroz e de desviar sua visão espiritual dos Mundos superiores, concentrando-o no atual plano material. Por isso a Bíblia nos ensina que no princípio da era do arco-íris[1] – o momento em que começamos a viver em uma atmosfera de ar puro e límpido, tão diferente da atmosfera nebulosa da Atlântida de que se fala no segundo Capítulo do Gênesis – Noé produziu o vinho pela primeira vez. O desenvolvimento material ocorreu em consequência da atual concentração de nossas energias no mundo material, resultado do consumo de carne animal e das bebidas alcoólicas.

O primeiro milagre de Cristo foi converter a água em vinho. Ele havia recebido o Espírito Universal no Batismo e não necessitava de estimulantes artificiais. Cristo transformou a água em vinho para dá-lo às pessoas menos evoluídas que o rodeavam. Mas nenhuma pessoa, enquanto beber quaisquer bebidas alcoólicas poderá herdar o Reino de Deus. A razão esotérica é a seguinte: enquanto os éteres inferiores vibram em sintonia com os Átomos-sementes no Plexo Celíaco[2] e no Coração — mantendo assim vivo o Corpo Denso —, os Éteres superiores vibram em sintonia com a Glândula Hipófise e a Glândula Pineal. Ao ingerir esse espírito falso e rebelde — fermentado fora do Corpo Denso e diferente do espírito fermentado internamente a partir do açúcar —, esses órgãos ficam temporariamente entorpecidos e incapazes de vibrar na frequência dos Mundos superiores; assim, devido a abusos seculares, o ser humano deixou de atuar nos Mundos superiores. Devido ao abuso cometido durante séculos, o ser humano deixou de atuar nos Mundos superiores. Se ele consome bebida alcoólica em excesso, os órgãos mencionados podem ser levemente despertados, fazendo com que ele veja as Regiões inferiores do Mundo do Desejo e todas as coisas malignas ali existentes; isso ocorre na doença conhecida como delirium tremens[3]. É isso que ocorre no chamado “delirium tremens”. Em suma, visto que a evolução da alma depende da aquisição dos dois Éteres superiores — dos quais se tece a bela veste nupcial — e como esses Éteres estão em sintonia com os órgãos mencionados (da mesma forma que os Éteres inferiores estão sintonizados com o Átomo-semente no Coração[4] e o Átomo-semente no Plexo Celíaco[5]), compreenderá facilmente os efeitos letais da bebida alcoólica e das drogas para o ser humano espiritualizado. Para esclarecer melhor, cito um episódio da vida real.

Há um velho ditado: “Uma vez maçom, sempre maçom”. Isso significa que, quando alguém recebe a iniciação da Ordem Maçônica e, em virtude disso, torna-se maçom, não pode renunciar a sua condição; pois não pode abrir mão do conhecimento e dos segredos que adquiriu, assim como alguém que frequenta uma universidade não pode devolver o aprendizado recebido naquela instituição. Portanto, “uma vez maçom, sempre maçom”; e da mesma forma, uma vez aluno ou Irmão Leigo ou Irmã Leiga de uma Escola de Mistérios, sempre aluno e ou Irmão Leigo ou Irmã Leiga dessa mesma Escola. Contudo, embora isso seja verdade — e retornemos, vida após vida, ligados à mesma Ordem a que estivemos filiados em existências anteriores —, podemos, em uma determinada vida, nos conduzir de tal maneira que nos seja impossível tomar consciência disso em nosso cérebro físico. Assim, conforme mencionei, citarei para o benefício de todos os Estudantes Rosacruzes um caso muito pertinente.

Quando fui admitido no Templo da Ordem Rosacruz, na Alemanha, me surpreendi ao ver um homem que eu conhecera na Costa do Oceano Pacífico; isto é, eu o vira algumas vezes, mas nunca havíamos conversado. Naquela época, ele parecia ocupar uma posição social muito superior à minha no meio em que ambos circulávamos, e eu jamais tivera contato pessoal com ele. No entanto, ele me cumprimentou calorosamente ali e parecia compreender perfeitamente sua ligação com a referida sociedade, o significado do nosso encontro naquele local, e assim por diante. Por isso, ao retornar aos Estados Unidos, eu esperava obter muitas informações desse irmão, caso tivesse a felicidade de encontrá-lo aqui, no Ocidente. Ao chegar à cidade onde ele residia, soube por amigos em comum que ele me aguardava e ansiava por nosso encontro. Assim, quando finalmente encontrei o cavalheiro, dirigi-me imediatamente a ele e apertei-lhe a mão. Ele também pareceu reconhecer-me e chamou-me pelo nome. Tudo indicava que ele sabia de tudo o que havia ocorrido enquanto ambos estávamos fora do Corpo Denso. Além disso, ele me dissera no Templo da Ordem Rosacruz que se lembrava de tudo o que lhe acontecia quando estava fora do Corpo Denso; é claro que acreditei nisso, pois ele pertencia a um grau muito superior ao primeiro, no qual eu acabara de ser admitido.

No dia do nosso encontro presencial, após alguns instantes de conversa, disse algo que o fez fitar-me com um olhar vazio. Eu havia mencionado um incidente ocorrido durante nossa reunião no Templo da Ordem Rosacruz, e ele demonstrou claramente não saber absolutamente nada a respeito. No entanto, eu já havia dito tanto que me vi forçado a continuar, sob pena de parecer tolo; então, disse-lhe que ele havia afirmado lembrar-se de tudo. Ele negou isso e, ao final da entrevista, me pediu encarecidamente que tentasse descobrir por que, sendo um Irmão Leigo da Ordem Rosacruz, ele não conseguia recordar o que acontecia durante sua ausência do Corpo Denso. Eu sabia que ele estivera presente em várias cerimônias do Templo da Ordem Rosacruz. Ele participava, mas, em seu cérebro físico, ele desconhecia totalmente o que havia ocorrido. O mistério foi elucidado pouco depois, quando soube por ele — já fora do Corpo Denso — que fumava cigarros[6] e usava drogas que entorpeciam seu cérebro a tal ponto que lhe tornavam impossível trazer consigo qualquer lembrança de suas experiências psíquicas. Quando lhe comuniquei isso enquanto ele estava no Corpo Denso, ele se esforçou bravamente para abandonar o hábito, o qual reconhecia possuir.

Este caso ilustra o cuidado que devemos ter em manter hábitos puros; em considerar, em tudo, este nosso Corpo Denso como o Templo de Deus e evitar profaná-lo, assim como evitaríamos profanar uma Casa de Deus feita de pedra e argamassa — a qual não é nem um milionésimo tão sagrada quanto o Corpo Denso com o qual fomos dotados.

O cérebro, em particular, é o instrumento grandioso e essencial por meio do qual realizamos nosso trabalho no Mundo Físico; portanto, obviamente não devemos utilizar substâncias tóxicas ou drogas que o perturbem e, assim, impeçam o progresso que almejamos.


[1] N.T.: Refere-se à Época Ária.

[2] N.T.: Também conhecido como Plexo Solar, por causa de suas fibras nervosas radiantes, é uma complexa rede de nervos localizada no abdômen, perto de onde o tronco celíaco, a artéria mesentérica superior e as artérias renais se ramificam da aorta abdominal. Está atrás do estômago e da bolsa omental, e na frente da crura do diafragma, ao nível da primeira vértebra lombar. O plexo é formado em parte pelos nervos esplâncnicos maior e menor de ambos os lados e por fibras dos troncos vagais anterior e posterior. O plexo celíaco propriamente dito consiste nos gânglios celíacos com uma rede de fibras interconectadas. Os gânglios aorticorrenais são frequentemente considerados parte dos gânglios celíacos e, portanto, parte do plexo.

[3] N.T.: É a forma mais grave da síndrome de abstinência alcoólica. Trata-se de uma emergência médica com risco de morte, caracterizada por confusão mental severa, alucinações (geralmente visuais), tremores fortes e aceleração intensa das funções do Corpo Denso (como batimentos cardíacos rápidos e febre), ocorrendo dias após parar de consumir bebidas alcoólicas.

[4] N.T.: É o Átomo-semente do nosso Corpo Denso.

[5] N.T.: É o Átomo-semente do nosso Corpo Vital.

[6] N.T.: Cigarros é um dos usos que se faz do Tabaco, que por sua vez é o nome comum de várias plantas do gênero Nicotiana, da família Solanaceae, e o termo geral para qualquer produto preparado a partir das folhas curadas dessas plantas. Conhecem-se 79 espécies de tabaco, mas a principal cultura comercial é a N. tabacum. A variante mais potente, N. rustica, também é utilizada em alguns países. As folhas de tabaco secas são usadas principalmente para fumar em cigarros e charutos, bem como em cachimbos e narguilés. Também podem ser consumidas como rapé, tabaco de mascar, tabaco de imersão e snus. O tabaco contém o alcaloide estimulante altamente viciante nicotina, bem como alcaloides harmala. Devido à ampla disponibilidade e legalidade do tabaco, a nicotina é uma das drogas recreativas mais utilizadas. O uso do tabaco é causa ou fator de risco para muitas doenças mortais, especialmente aquelas que afetam o coração, o fígado e os pulmões, bem como muitos tipos de câncer. Em 2008, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o uso do tabaco como a maior causa isolada de morte evitável no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabaco mata mais de 8 milhões de pessoas todos os anos em todo o mundo, incluindo cerca de 1,3 milhão de não fumantes expostos ao fumo passivo.

Terceira Parte

CURA

CAPÍTULO VIII

ORIGEM E DESENVOLVIMENTO DA CURA

É voz corrente que “A vida do ser humano é curta e cheia de sofrimento”[1]. Entre tantas vicissitudes da vida, nenhuma nos afeta tão profundamente quanto a perda da saúde. Podemos perder a nossa posição econômico-financeira ou os amigos com relativa serenidade, mas quando nos falta a saúde e a morte nos ameaça, até os mais fortes vacilam; aos reconhecermos a impotência humana, sentimo-nos mais inclinados a buscar socorro no Poder Divino, mais do que em qualquer outra ocasião. Por isso, a profissão de conselheiro espiritual sempre esteve intimamente ligada à cura. Entre os povos primitivos, os sacerdotes eram também os “curandeiros”. Na antiga Grécia, Esculápio[2] era procurado, particularmente, por aqueles que necessitavam curar as doenças deles. A Igreja seguiu seus passos. Certas ordens católicas deram continuidade ao esforço de aliviar a dor ao longo dos séculos que separaram aquela época da atualidade.

Em tempos de doença, o “bom padre” vinha como representante de nosso Pai Celestial; o que lhe faltava em habilidade técnica era compensado pelo amor e pela compaixão – caso fosse, de fato, um sacerdote verdadeiro e santo – e pela fé que o ofício sacerdotal despertava na pessoa doente ou enferma. Seus cuidados com tal pessoa não começavam no leito, nem terminavam com a recuperação dela. A gratidão da pessoa doente ou enferma para com aquele que a tratou somava-se à veneração sentida pelo conselheiro espiritual; consequentemente, a capacidade do sacerdote de ajudar e elevar a pessoa que ele tratou como paciente aumentava imensamente, criando-se um vínculo mais estreito do que seria possível, onde as funções de conselheiro espiritual e de profissional de saúde estivessem separadas.

É evidente que a medicina atingiu um grau de eficiência que não teria sido alcançado sem a dedicação a esse objetivo específico. As salvaguardas das leis sanitárias[3] e a eliminação de insetos transmissores de doenças são testemunhos monumentais do valor dos métodos científicos modernos. Assim, pode parecer que tudo vai bem e que não há necessidade de mais esforços. Mas, na realidade, enquanto a Humanidade como um todo não desfrutar de saúde perfeita, não haverá questão mais importante do que: como podemos alcançar e manter a saúde perfeita?

Além da medicina e cirurgia convencionais, que dependem exclusivamente de meios físicos para tratar doenças, surgiram outros sistemas baseados inteiramente na cura mental. É costume de organizações que defendem a “cura pela Mente”[4], a “cura natural”[5] e métodos semelhantes, realizar reuniões de relatos de experiências e publicar periódicos com depoimentos de adeptos gratos que se beneficiaram de seus tratamentos; se os profissionais da medicina convencional fizessem o mesmo, não faltariam depoimentos semelhantes sobre a eficácia de seus métodos.

A opinião de milhares de pessoas tem grande valor, mas não prova nada, pois outros milhares podem sustentar um ponto de vista oposto. Ocasionalmente, uma única pessoa pode estar certa enquanto o resto do mundo está errado, como quando Galileu[6] afirmou que a Terra se move. Hoje, o mundo inteiro aderiu à opinião pela qual ele foi perseguido como …um herege. Sustentamos que, sendo ser humano um ser composto, as curas são bem-sucedidas na medida em que remediam defeitos nos planos físico, moral e mental do ser.


[1] N.T.: Jó 14:1

[2] N.T.: Asclépio (conhecido na Roma Antiga como Esculápio) é o deus da medicina, da cura e do rejuvenescimento na mitologia grega. Filho de Apolo e da mortal Corônis, ele foi criado pelo centauro Quíron, que lhe ensinou a arte de curar. O seu culto disseminou-se por uma vasta região da Europa, pelo norte da África e pelo Oriente Próximo, sendo homenageado com inúmeros templos e santuários, que atuavam como hospitais.

[3] N.T.:  As salvaguardas das leis sanitárias formam o conjunto de normas, princípios e restrições legais criado para proteger a saúde da população, prevenir riscos de doenças e garantir a segurança de produtos, serviços e ambientes. No Brasil, elas orientam as ações do Sistema Único de Saúde (SUS) e da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

[4] N.T.: A “Cura pela Mente” considera que a Mente influencia de forma direta a saúde física por meio de respostas neurobiológicas, redução do estresse e ativação do sistema imunológico. É um processo gradual que exige apoio profissional, como a psicoterapia ou acompanhamento psiquiátrico, combinado com hábitos diários de autocuidado, como sono regular, atividade física, fortalecimento de laços sociais e autocompaixão.

[5] N.T.: A cura natural refere-se ao uso de recursos como plantas medicinais, mudanças na alimentação e hábitos de vida saudáveis para prevenir e tratar doenças. Embora tratamentos integrativos auxiliem no bem-estar, há que ter cautela contra falsas promessas de curas milagrosas.

[6] N.T.: Galileo di Vincenzo Bonaulti de Galilei (1564–1642), mais conhecido como Galileu Galilei, foi um astrônomo, físico e engenheiro florentino, às vezes descrito como polímata.[3] Frequentemente é referenciado como “pai da astronomia observacional”, “pai da física moderna”, “pai do método científico” e “pai da ciência moderna”.

Remediar ou Curar Definitivamente

Como a grande maioria das pessoas não faz distinção entre a “cura física” (remediar) e a cura integral (cura definitiva), convém explicar a diferença, que reside principalmente na cooperação — ou na falta dela. Uma pessoa pode empreender a tarefa de “curar” outra por meio de massagens ou medicamentos; em ambos os casos, o paciente permanece passivo, como o barro sendo moldado pelo oleiro. Não há dúvida de que, com tal tratamento, o problema pode “desaparecer” e a pessoa recuperar a saúde, mas trata-se apenas de um alívio temporário: ela não compreendeu a causa subjacente de sua doença ou enfermidade nem entendeu que essa foi consequência da violação das Leis da Natureza ou Leis de Deus; por isso, é muito provável que volte a cometer os mesmos erros, fazendo com que a doença retorne. A “cura” (remediar) é um processo físico. A cura integral (cura definitiva) é radicalmente diferente; nela, exige-se sempre que o (a) doente coopere, tanto espiritual quanto fisicamente, com o curador.

Para esclarecer isso, nada melhor do que observar a vida e a obra de nosso Grande Líder, o Cristo. Quando as pessoas vinham a Ele para serem curadas, não esperavam um tratamento físico, mas sabiam que o alívio viria por meio do poder do Espírito. Elas depositavam n’Ele uma confiança ilimitada; e vemos que isso era essencial nos episódios registrados no décimo terceiro capítulo do Evangelho de S. Mateus, onde se relata que Ele esteve entre as pessoas com quem Jesus — o proprietário original do Corpo Denso e Corpo Vital — havia convivido em sua juventude. Eles viam apenas o homem exterior: “Não é este Jesus, o filho de José? Seus irmãos não estão conosco?”[1], etc. Eles acreditavam que nada de grandioso poderia vir de Nazaré e, segundo a fé deles, assim lhes aconteceu, pois lemos que “Ele não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles.”[2].

Mas a “fé sem obras é morta”[3], e em todos os casos em que Cristo curava alguém, essa pessoa precisava fazer algo; ela tinha de cooperar ativamente com o Grande Curador antes que a cura pudesse se concretizar. Ele dizia: “Estende a mão”[4], e quando o homem o fazia, a mão era curada; a outro: “Levanta o teu leito e anda”[5], e ao fazê-lo, a enfermidade desaparecia; ao cego: “Vai e lava-te no tanque de Siloé”[6]; ao leproso: “Apresenta-te ao sacerdote, oferece as tuas dádivas”[7], etc. Em todos os casos, havia uma cooperação ativa por parte daquele que seria curado, o que auxiliava o Curador. Eram exigências simples, mas, tais como eram, precisavam ser cumpridas para que o espírito de obediência pudesse auxiliar a obra do Curador. Quando Naamã procurou Eliseu, imaginando que o profeta sairia com grande demonstração de magia e cerimônia para remover as manchas de lepra de seu corpo, acabou se decepcionando[8]. E quando o profeta lhe mandou dizer: “Vai e lava-te sete vezes no rio Jordão”[9], ele se enfureceu a ponto de exclamar: “Não temos nós grandes rios na Assíria? Por que deveria eu ir lavar-me no Jordão? Que absurdo!”[10]. Faltava-lhe o espírito de submissão, absolutamente necessário para que a obra se realizasse; pode-se afirmar com segurança que, se ele tivesse persistido nessa atitude, não teria recebido a cura de sua enfermidade. Da mesma forma, nenhum daqueles que foram curados pelo Cristo teria sido beneficiado se não tivesse obedecido e feito o que lhe foi ordenado. Esta é uma Lei da Natureza absolutamente certa. É a desobediência que traz a doença. A obediência — quer envolva banhar-se no Jordão ou estender a mão — demonstra uma mudança de mentalidade; assim, o indivíduo coloca-se em condições de receber o bálsamo curador que pode vir por meio do Cristo ou de um Curador, de um tipo ou de outro, conforme o caso. Fundamentalmente, em todos os casos, a Força Curadora provém de nosso Deus-Pai Celestial, que é o Grande Médico.

Estes são os três grandes fatores na cura: primeiro, o poder, vindo de nosso Deus-Pai nos Céus; em seguida, o Curador; e, terceiro, a Mente obediente do paciente, sobre a qual o Poder Curador do Pai pode atuar por intermédio do Durador, de modo a dissipar todas as doenças e enfermidades físicas.

Compreendamos, agora, que todo o universo está permeado pelo poder de Deus-Pai, sempre disponível para curar todos os males, de qualquer natureza — essa é a grande certeza.

O Curador é o foco, o veículo através do qual o poder é transmitido ao Corpo Vital do paciente. Se ele for um instrumento adequado — consagrado, harmonioso e verdadeira e profundamente em sintonia com o infinito —, não haverá limites para as obras maravilhosas de Deus-Pai que poderão ser realizadas por seu intermédio, sempre que a oportunidade apresentar um paciente com a Mente devidamente receptiva e obediente.


[1] N.T.: Mt 13:55

[2] N.T.: Mt 13:58

[3] N.T.: Tg 2:18

[4] N.T.: Mt 12:13

[5] N.T.: Jo 5:8

[6] N.T.: Jo 9:7

[7] N.T.: Mt 8:4 e Lc 5:14

[8] N.T.: IIReis 5

[9] N.T.: IIReis 5:10

[10] N.T.: IIReis 5:12

CAPÍTULO IX

O MÉTODO DE CURAR DEFINITIVAMENTE DA FRATERNIDADE ROSACRUZ

Porque os Rosacruzes Curam:

Entre todas as tolices e absurdos falaciosos que circularam a respeito dos Rosacruzes ao longo dos séculos passados, existe uma grande verdade: “Os membros da Ordem Rosacruz visam curar os enfermos e possuem meios superiores para realizar esse propósito benevolente”. Ordens religiosas anteriores buscaram o progresso espiritual através da mortificação e do abuso do Corpo Denso, mas os Rosacruzes demonstram o mais terno cuidado para com esse instrumento. Há duas razões para as suas atividades de cura. Como todos os outros seguidores sinceros de Cristo, eles aguardam ansiosamente pelo “Dia do Senhor”. Eles sabem que Lúcifer, a falsa Luz da Lemúria, implantou a paixão — inaugurando a procriação no pecado e causando sofrimento, dor e morte — e que Cristo, a verdadeira Luz da vindoura Época Nova Galileia, inaugurou a Imaculada Conceição e pregou o evangelho da redenção do pecado pelo Amor. O celibato é conveniente para os aspirantes no Oriente, visto que aquelas Raças inferiores estão destinadas a desaparecer em breve; contudo, é contrário ao plano de evolução para o Ocidente, pois aqui deve surgir uma nova Raça, sendo, portanto, a pureza na geração a palavra de ordem para o Discípulo nesta parte do mundo. Uma nova Raça deve ser trazida à existência pelo poder do amor; assim, cessarão os males que atualmente afligem a Humanidade devido a gerações de procriação impulsionada pela paixão. Até mesmo a morte será finalmente vencida na Nova Dispensação, pois a pureza etérica dos Corpos tornará desnecessária a renovação física.

Embora a Bíblia contenha muitas informações precisas sobre essa Época, um ponto permanece envolto em mistério insolúvel: “Quanto àquele dia, ninguém o conhece, nem mesmo os Anjos do céu, nem o Filho”[1]. Desde que o Evangelho foi pregado pela primeira vez, Cristãos de todas as épocas anseiam pelo dia em que os Filhos da Luz se manifestarão. Somente o Pai — o Iniciado Supremo entre os Senhores da Mente — é capaz de prever o momento em que a Mente separatista e egoísta cederá lugar ao espírito de amor, unificador e capaz de autonegação. Um ponto, porém, é muito claro: será tão impossível viver sob as condições do Novo Céu e da Nova Terra sem possuir o Corpo devidamente constituído — chamado na Bíblia de “Vestes Nupciais”[2] — quanto foi impossível para os atlantes degenerados, que careciam de pulmões para respirar, sobreviverem quando ocorreu a mudança atmosférica.

É um fato científico que o estado do sangue afeta a Mente, e vice-versa. Um Corpo são é, portanto, indispensável para uma Mente sã. Somente uma Mente sã pode transcender a paixão; somente um Corpo são pode gerar outro igualmente puro. Os Rosacruzes têm buscado curar o Corpo para que ele possa abrigar uma Mente sã e um amor puro, pois cada concepção realizada nessas condições representa um passo em direção ao “Dia do Senhor”, pelo qual todos nós ansiamos tão ardentemente. Essa é a razão das atividades de cura e o significado do nosso lema: “Uma Mente Sã, um Coração nobre, um Corpo São”.

Em diversas obras, consta que os membros da Ordem faziam um voto de curar os outros gratuitamente. Essa afirmação é um tanto confusa. Os Irmãos Leigos e as Irmãs Leigas faziam um voto de servir a todos, da melhor maneira possível e sem cobrar nada. Esse voto incluía a cura, é claro, no caso de pessoas como Paracelso, que tinha talento para isso; pelo método combinado de remédios físicos aplicados sob Aspectos astrológicos favoráveis ​​e aconselhamento espiritual, ele obteve grande sucesso. Outros não eram destinados à cura, mas trabalhavam em outras áreas, porém todos tinham algo em comum: nunca cobravam por seus serviços e trabalhavam em segredo, sem alarde de trombetas ou tambores.

Cristo deu dois mandamentos aos seus mensageiros: “Preguem o Evangelho” (da Era vindoura) e “Curem os enfermos”[3]. Um é tão obrigatório quanto o outro e, pelas razões já expostas, tão necessário. Para cumprir o segundo mandamento, os Irmãos Maiores desenvolveram um sistema de cura que combina os melhores pontos das diversas escolas de hoje com um método de diagnóstico e tratamento tão preciso quanto simples, e assim um grande passo foi dado para elevar a arte da cura “das areias da experimentação à rocha do conhecimento exato”[4].

É uma razão verdadeira, boa e válida quando dizemos que queremos ajudar os outros por amor a Cristo. Ele agora está sepultado na Terra, gemendo, sofrendo e aguardando a libertação. A dor e a doença são causadas pela transgressão das leis da vida, portanto, cristalizam o Corpo Denso, exercem um domínio mais firme sobre o Corpo Vital e retardam o dia da nossa libertação, bem como o d’Ele. Ao ajudar os enfermos a alcançar a saúde e ao ensiná-los a viver em harmonia com as Leis da Vida[5] para que possam mantê-la, estamos apressando o dia de Sua vinda. Que Deus abençoe nossos esforços e fortaleça nossas mãos nesta Boa Obra.


[1] N.T. Mt 24:36 e Mc 13:32

[2] N.T.: o Corpo-Alma

[3] N.T.: Lc 9:2

[4] N.T.: uma metáfora poética e filosófica que descreve a jornada desse método de cura. Ilustra a transição de algo instável e em constante mudança para algo sólido, seguro e comprovado. Ou seja, transforma dúvidas e testes práticos em verdades científicas estabelecidas.

[5] N.T.: que são as Leis de Deus.

Os Auxiliares Invisíveis:

Nosso sistema de Cura não é assunto inteiramente espiritual. Utilizamos meios físicos sempre que é possível. Às vezes enviamos nossos pacientes a um profissional de saúde, para que obtenha alívio rápido, mediante certo tratamento que não poderíamos proporcionar por outros meios. Além disso, a dieta dos pacientes merece nossa maior atenção, porque como o Corpo Denso é formado de substâncias físicas, na realidade estamos lhe dando remédios quando empregamos os alimentos adequados. Mas, além disso, o trabalho de Curar definitivamente é efetuado pelos Irmãos Maiores, por intermédio de um grupo de Auxiliares Invisíveis a quem estão instruindo.

Estes Auxiliares Invisíveis são os Probacionistas que durante o dia se esforçam por viver uma vida de retidão e serviço sempre amoroso, desinteressado e se possível, anônimo, preparando-se para alcançar o privilégio de serem utilizados como instrumentos pelos Irmãos Maiores, durante a noite. Estes Probacionistas são reunidos em grupos, de acordo com os seus temperamentos e suas capacidades. Estão sob a orientação de outros Probacionistas que são profissionais de saúde, trabalhando todos sob a direção dos Irmãos Maiores que são naturalmente, os Espíritos que animam toda a obra.

A maneira de formar e selecionar um grupo de Auxiliares Invisíveis se baseia nos eflúvios dos seus Corpos Vitais. Os primeiros eflúvios são obtidos quando o Probacionista assina o seu formulário e é renovado diariamente, quando faz suas anotações no formulário correspondente. Enquanto se mantiver fiel e levar uma vida de pureza e serviço amoroso e desinteressado, constituirá um elo inquebrantável entre ele e os Irmãos Maiores. Cada grupo de curadores é composto, geralmente, de doze Probacionistas, além do seu instrutor e em geral, são escolhidos na mesma localidade, porque a noite chega ao mesmo tempo para todos eles. Não seria razoável agrupar um que viva na Austrália com outro que residisse no Alasca, porque enquanto um estava dedicado ao seu trabalho diário, o outro estaria dormindo. Mas as pessoas residentes na maioria das localidades da América do Norte ou do Sul têm as mesmas horas de repouso e estes Probacionistas podem ser agrupados de acordo com os seus Signos Ascendentes, de maneira que formem um círculo completo.

Emprega-se o mesmo método para encontrar aqueles que escreveram a um Centro Rosacruz que tenha Departamento de Cura pedindo ajuda para selecionar os Probacionistas que serão treinados para trabalharem como Auxiliares Invisíveis. Aos que solicitarem ajuda, pede-se que escrevam uma carta com “caneta tinteiro com tinta líquida a base de Nanquim ou por meio da pena mosquitinho que deve ser mergulhada em um recipiente com tinta líquida à base de Nanquim e não por meio de caneta esferográfica, hidrográfica, com Nanquim em tubetes esponjosos e muito menos à lápis”. Desta forma o papel fica impregnado por uma certa quantidade da substância do seu Corpo Vital que é extraída da carta pelos Irmãos Maiores. Isto proporciona um índice exato do estado do indivíduo de quem procede e que atua como verdadeiro “abre-te sésamo” para os Auxiliares Invisíveis que forem encarregados de determinado caso. Graças a esse processo feito cuidadosamente por quem solicita auxílio para a Cura, os Auxiliares Invisíveis têm acesso ao Corpo do doente, e um número considerável de pacientes que solicitaram o nosso auxílio escreveram dizendo que sentiam os Auxiliares Invisíveis trabalhando no interior e no exterior de seus Corpos. Conforme mude o estado do paciente, muda igualmente o registro. Por isso se pede que escrevam com “caneta tinteiro com tinta líquida a base de Nanquim ou por meio da pena mosquitinho que deve ser mergulhada em um recipiente com tinta líquida à base de Nanquim” algumas palavras todas as semanas, remetendo-as ao Centro Rosacruz que tenha Departamento de Cura. Desta maneira os Irmãos Maiores estão em contato contínuo com o seu estado e podem dirigir inteligentemente o trabalho de restauração de sua saúde.

Este trabalho jamais cessará. Continua ininterruptamente porque o Sol está sempre ausente de alguma parte do globo e os Probacionistas dessa parte estão em atividade em seu trabalho de cura definitiva e prestando auxílio durante as horas de repouso dos seus Corpos.

Anatomicamente o ser humano pertence aos mamíferos, cujos corpúsculos sanguíneos não são nucleados. Os núcleos que se encontram no sangue dos animais inferiores são o ponto de apoio dos Espíritos-Grupo, mas os animais superiores estão tão adiantados no caminho da individualização, que seu sangue está livre desta influência. No feto, onde a mãe atua como um “Espírito-Grupo” nas primeiras semanas, ela nucleia o sangue, mas logo que o Ego começa a atuar, a primeira coisa que faz é desintegrar esses corpúsculos sanguíneos nucleados, e quando ocorre o nascimento não resta nenhum corpúsculo nucleado. O Ego é dono do seu veículo; herança que ninguém pode disputar-lhe sob nenhum pretexto. Fazê-lo seria magia negra, saiba-o ou não a pessoa, e mesmo que uma intenção bondosa possa exercer certo efeito mitigante em outra direção, o fato subsiste, não obstante, de que a pessoa se coloca em terreno perigoso quando procura intrometer-se no sangue de alguém que não o deseje e cujo auxílio não tenha sido solicitado.

Há apenas uma exceção a esta regra. As crianças até a idade da puberdade são, por assim dizer, parte de seus pais, porque ainda têm armazenada na Glândula Timo uma essência sanguínea dos pais que ela emprega para produzir o seu próprio sangue durante a infância, enquanto o Corpo de Desejos vai sendo gerado. Conforme transcorra o tempo, o suprimento da Glândula Timo vai se tornando cada vez menor e a criança alcança a realização de sua própria Individualidade. Quando a Glândula Timo “desaparece”, o Corpo de Desejos já alcançou a maturidade suficiente para permitir-lhe tomar parte na alquimia da transmutação do esqueleto Saturnino no veículo Jupteriano, que assim incorpora a essência do atual Corpo Denso. Toda interferência no sangue paralisa este processo. Por isso os pais só podem agir em nome da criança até a puberdade, fornecendo-lhe o Éter que permite o trabalho do Auxiliar Invisível.

O maior inconveniente com que tropeçamos em nossa obra curativa procede da negligência dos pacientes. Nossos pedidos são muito simples. Só pedimos que nos escrevam uma vez por semana, com “caneta tinteiro com tinta líquida a base de Nanquim ou por meio da pena mosquitinho que deve ser mergulhada em um recipiente com tinta líquida à base de Nanquim”, de modo que os eflúvios que procedem da mão ao escrever, possam prover os Auxiliares Invisíveis com uma chave de admissão ao organismo do paciente. Mas por simples que seja esta regra, são muitos os que deixam de cumpri-la. Temos em mãos o caso de uma pessoa que durante muitos anos tivera uma vértebra deslocada que foi curada com o nosso tratamento, embora procurasse muitos osteopatas, quiropratas e outros que tentaram em vão colocá-la no devido lugar. Este pobre homem passava a maior parte do tempo deitado, com dores, completamente incapaz de trabalhar. O tratamento dos nossos Auxiliares Invisíveis ajustou sua vértebra que ainda está no lugar. O homem ficou maravilhado e pode voltar ao trabalho. Estava, porém, tão entusiasmado com a ideia de que já estava completamente curado, que descuidou de nos escrever semanalmente, de modo que nossos Auxiliares Invisíveis tivessem oportunidade de manter a vértebra em seu lugar um tempo suficientemente grande para não mais se deslocar. Mais tarde recebemos uma carta que demonstrava que tínhamos razão ao pedir-lhe que escrevesse regularmente. Nessa carta dizia: “Faz algum tempo escrevi que já me sentia curado e que deixaria de escrever-lhes semanalmente. Agora vejo que cometi um grande erro. Desde que suspendi as cartas, minhas costas têm doído e estou ficando novamente curvado, embora a vértebra esteja no seu lugar. Parece-me que estou pedindo demais ao rogar que novamente vos ocupeis de mim, mas não imaginava a influência dos Auxiliares Invisíveis e quanto dependia deles”.

A Panaceia Espiritual:

Na vinda de Cristo à Terra, encontramos uma analogia com a administração da Panaceia Espiritual, segundo a lei “Assim como em cima, é embaixo”. Em cada pequena célula do Corpo Denso humano   existe uma vida celular separada, mas acima disso está o Ego, que dirige e controla todas as células para que atuem em harmonia. Durante certas doenças prolongadas, o Ego fica tão concentrado no sofrimento que deixa de vivificar plenamente as células; assim, a doença física gera inatividade mental e pode se tornar impossível se livrar da doença sem um impulso especial para dissipar a névoa mental e reiniciar as atividades celulares. É isso que a Panaceia Espiritual faz. Assim como a Vida Crística, ao irromper no Gólgota, começou a dissipar a couraça de medo gerada pela Lei[1] inexorável que pairava sobre a Terra como um manto fúnebre, e como conduziu milhões de seres humanos ao caminho da paz e da boa vontade, da mesma forma, quando a Panaceia é aplicada, a Vida Crística concentrada nela contida percorre o Corpo do paciente e infunde em cada célula um ritmo que desperta o Ego aprisionado de sua letargia, restituindo-lhe a vida e a saúde.

Para descrever a Panaceia Espiritual, será relatada uma experiência do autor: numa noite memorável, no Templo da Ordem Rosacruz, foi-lhe mostrada uma substância com a qual o Espírito Universal podia combinar-se tão prontamente quanto grandes quantidades de amônia se combinam com a água. Três esferas estavam suspensas, uma acima da outra, no centro do Templo; a esfera do meio situava-se aproximadamente a meia distância entre o piso e o teto. Ela era muito maior do que as outras duas, que pendiam uma acima e outra abaixo dela. Dentro da grande esfera central havia um recipiente menor, contendo vários pacotes preenchidos com aquela substância. Quando os Irmãos se posicionaram e a harmonia de determinada música preparou o ambiente, de repente os três globos começaram a brilhar com as três cores primárias: azul, amarelo e vermelho. O autor pôde ver claramente como, durante a entoação da fórmula, o recipiente que continha os pacotes mencionados passou a brilhar com uma essência espiritual que antes não estava presente. Alguns desses pacotes foram posteriormente utilizados pelos Irmãos com sucesso imediato. Diante deles, as partículas cristalizantes que envolviam os centros espirituais do paciente dispersavam-se como por encanto, e a pessoa enferma despertava para a consciência de saúde física e bem-estar.


[1] N.T.: Lei das Religiões de Raça

CAPÍTULO X

A CIÊNCIA DA NUTRIÇÃO

Princípios Gerais

Se começarmos pelo veículo denso, considerando os meios físicos de que dispomos para aperfeiçoá-lo e convertê-lo no melhor instrumento possível para o Espírito, além de considerarmos os meios espirituais que conduzem ao mesmo fim, teremos que incluir também os demais veículos; portanto seguiremos este método.

O primeiro estado visível do embrião humano é uma pequena substância globular, de consistência polposa ou gelatinosa, semelhante à albumina ou clara de ovo. Neste glóbulo polposo aparecem várias partículas de matéria mais sólida. Elas aumentam gradualmente de volume e densidade até se porem em contato umas com as outras. Os diferentes pontos de contato vão se modificando lentamente, em articulações ou juntas e, assim, se forma gradualmente uma estrutura de matéria sólida: um esqueleto.

Durante a formação dessa estrutura, a substância polposa que rodeia se acumula e muda de forma, até que por fim alcança o grau de organização que conhecemos como feto. Este cresce, se torna mais firme e mais plenamente organizado, até que chega o momento do nascimento, quando se inicia a fase da infância.

O mesmo processo de consolidação que começou com a primeira etapa visível da existência continua a seguir. O ser humano passa por diferentes fases: infância, adolescência, juventude, adulta, maturidade, velhice e, por fim, chega à transformação chamada morte.

Cada uma destas fases é caracterizada por um grau crescente de rigidez e solidez.

Há um aumento gradual na densidade e firmeza dos ossos, tendões, das cartilagens, dos ligamentos, tecidos, das membranas, e até mesmo da substância do estômago, do fígado, dos pulmões e outros órgãos. As articulações tornam-se rígidas e ressecadas. Começam a estalar e ranger ao serem movimentadas, porque o líquido sinovial, que as lubrifica e amacia, diminui em quantidade e se torna muito espesso e viscoso para desempenhar essa função.

O coração, o cérebro, todo o sistema muscular, a medula dorsal, os nervos, os olhos, etc., participam do mesmo processo de solidificação, tornando-se cada vez mais rígidos. Milhões e milhões de diminutos vasos capilares, que se ramificam e difundem como os ramos de uma árvore por todo o Corpo Denso, vão secando gradualmente se obstruem e se transformam em fibras sólidas, deixando de ser permeáveis ​​ao sangue.

Os grandes vasos sanguíneos, tanto as artérias como as veias, endurecem, perdem a elasticidade, encolhem-se e tornam-se incapazes de conduzir a quantidade de sangue necessária. Os fluidos corporais ficam espessos e tornam-se pútridos, carregados de substâncias terrosas. A pele murcha, enruga e seca. O cabelo cai por falta de óleo. Os dentes cariam e caem, por falta de gelatina. Os nervos motores começam a secar e os movimentos do Corpo Denso tornam-se desajeitados e lentos.

Os sentidos falham; a circulação sanguínea é retardada, o sangue estagna e coagula nos vasos. O Corpo Denso vai perdendo suas capacidades cada vez mais. Antes era elástico, saudável, alerta, flexível, ativo e sensível; depois torna-se rígido, lento e insensível. Finalmente, morre de velhice.

Surge, naturalmente, a pergunta: qual é a causa desta ossificação gradual do Corpo Denso, que leva a rigidez, decrepitude e a morte?

Do ponto de vista puramente físico, os químicos parecem unânimes de que isso é devido ao aumento, principalmente, do fosfato de cálcio (matéria óssea), do carbonato de cálcio (giz comum) e do sulfato de cálcio (gesso), com um pouco de magnésio e uma quantidade insignificante de outras substâncias terrosas.

A única diferença entre o Corpo Denso de um idoso e o de uma criança é a maior densidade, resistência e rigidez do primeiro, causadas pela maior proporção de substâncias calcárias e terrosas que entram na sua composição. Os ossos de uma criança compõem-se de três partes de gelatina por uma de matéria terrosa. No de um idoso, essa proporção é inversa. Qual a fonte deste acúmulo mortal de substâncias sólidas?

Parece axiomático que todo o Corpo Denso é nutrido pelo sangue e que tudo o que está contido no Corpo Denso, qualquer que seja a sua natureza, esteve primeiro no sangue. Análises demonstram que o sangue tem substâncias terrosas da mesma espécie dos agentes solidificantes. E observem: o sangue arterial contém maior quantidade dessas substâncias terrosas do que o sangue venoso.

Isto é de suma importância. Mostra que, a cada ciclo, o sangue deposita substâncias terrosas. Portanto, é o veículo comum que obstrui o organismo. Mas seu suprimento de matéria terrosa precisa ser reabastecido, caso contrário não poderia continuar a fazer isso. De onde ele renova sua carga mortal? Só pode haver uma resposta para essa pergunta: dos alimentos e das bebidas; não há absolutamente nenhuma outra fonte.

Os alimentos e as bebidas que nutrem o Corpo Denso devem ser, ao mesmo tempo, a fonte primária das substâncias terrosas e calcárias que o sangue vai depositando em todo o organismo, causando decrepitude e, finalmente, a morte. Para sustentar a vida física é necessário que comamos e bebamos, mas como há muitas espécies de alimentos e bebidas, cabe a nós, à luz dos fatos acima, averiguar, se possível, quais tipos contêm a menor quantidade possível dessa substância destrutiva. Se pudermos encontrar tais alimentos, podemos prolongar nossas vidas e, do ponto de vista oculto, é desejável viver o maior tempo possível em cada Corpo Denso, particularmente depois que ter começado a trilhar o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz. São necessários anos para educar cada Corpo Denso em que moramos, durante a infância e a juventude, até que nós, o Ego – o que realmente somos –, possamos ao menos obter algum controle sobre o Corpo Denso, que quanto mais tempo mantivermos um Corpo Denso que se tornou receptivo aos nossos – do Ego – impulsos, tanto melhor. Portanto, é de suma importância que o Aspirante à vida superior consuma alimentos e bebidas que depositem o mínimo de substâncias endurecedoras e, ao mesmo tempo, mantenham os órgãos excretores ativos.

A pele e o sistema urinário[1] são os salvadores do ser humano, evitando-lhe uma morte prematura. Se não fosse por esses eles que a maior parte da matéria terrosas proveniente dos alimentos é eliminada, ninguém viveria mais de dez anos.

Estima-se que a água de nascente comum, não destilada, contenha carbonato e outros compostos de cálcio em tal quantidade que o volume médio consumido diariamente por uma pessoa — sob a forma de chá, café, sopa, etc. — formaria, ao longo de quarenta anos, um bloco sólido de giz ou mármore do tamanho de um ser humano. É também, digno de nota que embora o fosfato de cálcio seja encontrado na urina dos adultos, ele não é encontrado na das crianças, porque nestas, a rápida formação óssea que esse sal seja retido. Durante o período da gestação, há muito pouca substância terrosa na urina da mãe, porque quase toda ela é empregada na formação do feto. Em circunstâncias normais, porém, a matéria terrosa é bastante evidente na urina dos adultos, e a isso que devemos o fato de a vida física alcançar a duração que tem atualmente.

A água não destilada, quando ingerida, é a pior inimiga do ser humano, mas usada externamente, se torna sua melhor amiga. Ela mantém os poros da pele abertos, facilita a circulação sanguínea e previne a estagnação que cria as condições ideais para a deposição do fosfato de cálcio — substância terrosa e letal.

Harvey[2], o descobridor da circulação sanguínea, afirmou que a saúde denota uma circulação livre, enquanto a doença de uma circulação sanguínea obstruída.

O banho de imersão é um grande aliado na manutenção da saúde do Corpo Denso e deve ser utilizado constantemente pelo Aspirante à vida superior. A transpiração – tanto a sensível quanto a insensível[3] – elimina mais substâncias terrosas do Corpo Denso do que qualquer outro processo.

Enquanto houver combustível e o fogo for mantido livre de cinzas, ele continuará queimando. Os rins desempenham um papel importante na eliminação das cinzas do Corpo Denso; no entanto, apesar da grande quantidade de matéria terrosa expelida pela urina, em muitos casos permanece o suficiente para formar areia e cálculos renais até na bexiga, causando terríveis sofrimentos e, muitas vezes, até a morte.

Que ninguém se iluda pensando que a água contém menos minerais formadores de cálculos por ter sido fervida. O depósito que se forma, por exemplo, no fundo de uma chaleira é deixado pela água que evaporou e escapou na forma de vapor. Se esse vapor fosse condensado, obteríamos água destilada, um importante aliado para manter o Corpo Denso de uma pessoa jovem.

Não há absolutamente nenhuma substância terrosa na água destilada[4], nem na água pura da chuva, da neve ou do granizo (exceto o que possa ser coletado em contato com telhados, poluídas, etc.); por outro lado, o café, o chá ou a sopa preparados com água comum — não importa por quanto tempo sejam fervidos — não ficam livres dessas partículas minerais. Pelo contrário: quanto mais tempo são fervidos, mais carregados de resíduos se tornam. Aqueles que sofrem de doenças do trato urinário não devem beber nada além de água destilada.

De modo geral, pode-se dizer, sobre os alimentos sólidos que ingerimos, que os vegetais frescos e as frutas maduras[5] contêm a maior proporção de nutrientes e a menor quantidade de substâncias terrosas.

Uma alimentação adequada, fornecida no momento certo e nas condições ideais, não apenas cura, mas também previne doenças.

Existe a crença popular de que o açúcar[6], ou qualquer substância sacarina, é prejudicial à saúde em geral — e aos dentes em particular —, causando cáries e a consequente dor de dente. Isso só é verdade em certas circunstâncias. O consumo é prejudicial em certos quadros, como a biliosidade[7] e a dispepsia[8], ou se mantido na boca por muito tempo como um doce; porém, se usado com moderação quando se goza de boa saúde — aumentando-se a quantidade gradualmente à medida que o estômago se habitua ao seu uso —, revela-se muito nutritivo. Um exemplo que a história registra era a saúde dos trabalhadores na lavoura de cana-de-açúcar que melhorava consideravelmente, durante a época da colheita, apesar do aumento do trabalho. Isso é atribuído unicamente à predileção deles pelo doce caldo da cana. Os mesmos resultados se podem dizer de cavalos, vacas e outros animais nessas localidades, que apreciavam muito o xarope residual que lhes é fornecido. Eles engordam na época da colheita, e sua pelagem se torna lisa e brilhante. Cavalos alimentados com cenouras cozidas por algumas semanas adquirem uma pelagem sedosa, graças aos sucos sacarinos desse vegetal. O açúcar é um item nutritivo e benéfico da dieta e não contém absolutamente nenhum resíduo mineral (cinzas).

As frutas constituem uma dieta ideal. De fato, elas foram desenvolvidas pela árvore para atrair animais e seres humanos, levando-os a consumi-las e, assim, disseminar as sementes — tal como as flores atraem as abelhas para um propósito semelhante.

As frutas frescas contêm água da mais pura e excelente qualidade, capaz de permear o organismo de maneira maravilhosa. O suco de uva é um solvente particularmente extraordinário. Ele fluidifica e estimula o sangue, abrindo caminho em capilares que já estavam ressecados e obstruídos — desde que o processo não tenha avançado demais. Por meio de um tratamento à base de suco de uva não fermentado, pessoas com olhos encovados, pele enrugada e tez abatida tornam-se mais robustas, coradas e cheias de vida. A maior permeabilidade permite que nós, o Ego, nos manifestemos mais livremente e com energia renovada.

Considerando o Corpo Denso sob um ponto de vista puramente físico, ele é o que poderíamos chamar de uma fornalha química, sendo o alimento o combustível. Quanto mais o Corpo Denso é exercitado, mais combustível ele requer. Seria insensatez alguém mudar uma dieta comum, que o nutriu adequadamente por anos, e adotar um novo método sem refletir devidamente sobre qual seria o mais adequado aos seus objetivos. Simplesmente eliminar carnes animais[9] da dieta habitual de quem as consome prejudicaria, sem dúvida, a saúde da maioria das pessoas.

O único caminho seguro é experimentar e estudar bem a questão, exercendo o devido discernimento. Não se podem estabelecer regras fixas, pois a alimentação é uma questão tão individual quanto qualquer outra característica. Tudo o que se pode fazer é descrever a influência geral de cada elemento químico, permitindo que o Aspirante à vida superior desenvolva seu próprio método.

Também não devemos permitir que a aparência de uma pessoa influencie nosso julgamento sobre o estado de sua saúde. Existem noções gerais aceitas sobre a aparência de uma pessoa saudável, mas não há razão válida para julgar com base nisso. Bochechas rosadas podem indicar saúde em um indivíduo e doença em outro. Não existe uma regra específica para identificar a boa saúde, exceto a sensação de conforto e bem-estar experimentada pelo próprio indivíduo, independentemente da aparência.

A água é o grande solvente.

O nitrogênio, ou proteína, é o elemento essencial para a formação dos tecidos corporais, mas contém certa quantidade de matéria terrosa.

Os carboidratos, ou açúcares, são as principais fontes de energia.

As gorduras geram calor e armazenam reservas de energia.

As cinzas são minerais, de natureza terrosa, e obstruem o organismo. Não precisamos temer não as obter em quantidade suficiente para a formação dos ossos; pelo contrário, todo cuidado é pouco para ingerir a menor quantidade possível.

A caloria é a unidade básica de calor. Em meio quilo de castanhas-do-brasil, por exemplo, quando compradas no mercado, 49,6 por cento do total é desperdício (cascas), mas os 50,4 por cento restantes contêm 1.485 calorias. Isso significa que cerca de metade do que é comprado é desperdício, mas a parte restante contém a quantidade de calorias mencionada. Para obtermos o máximo de energia possível dos nossos alimentos, devemos prestar atenção ao número de calorias que eles contêm, pois é delas que extraímos a energia necessária para realizar nossas atividades diárias.

O chocolate é o alimento mais nutritivo que possuímos; por outro lado, o cacau, em sua forma em pó, é o mais perigoso de todos os alimentos, contendo três vezes mais cinzas do que a maioria dos outros e dez vezes mais do que muitos deles. É um alimento poderoso e, ao mesmo tempo, um veneno potente, pois sobrecarrega o organismo mais rapidamente do que qualquer outra substância.

Naturalmente, será necessário algum estudo inicial para garantir a melhor nutrição, mas isso compensa em termos de saúde e longevidade, além de assegurar a liberdade de movimento do Corpo Denso, possibilitando o estudo e a dedicação a coisas mais elevadas. Com o tempo, a pessoa se familiarizará tanto com o assunto que não precisará mais dedicar-lhe atenção especial.

É importante lembrar que nem todas as substâncias químicas contidas em cada alimento estão disponíveis para utilização pelo organismo, pois existem certas partes que o corpo não assimila.

Quanto aos vegetais, digerimos apenas cerca de 83 por cento das proteínas, 90 por cento das gorduras e 95 por cento dos carboidratos.

Quanto às frutas, assimilamos cerca de 85 por cento das proteínas, 90 por cento das gorduras e 90 por cento dos carboidratos.

O fósforo é o elemento específico por meio do qual o Ego é capaz de expressar o pensamento e influenciar o Corpo Denso. É também um fato que a proporção e a variação dessa substância correspondem ao estado e ao estágio de inteligência do indivíduo. Indivíduos com deficiência intelectual profunda possuem muito pouco fósforo; pensadores perspicazes possuem muito; e, no reino animal, o grau de consciência e inteligência é proporcional à quantidade de fósforo contida no cérebro.

É, portanto, de grande importância que o Aspirante à vida superior, que pretende utilizar seu Corpo Denso para trabalhos mentais e espirituais, forneça ao seu cérebro a substância necessária para esse fim. A maioria dos vegetais e frutas contém certa quantidade de fósforo, mas é um fato curioso que a maior proporção esteja contida nas folhas, que geralmente são descartadas. Ele é encontrado em quantidades consideráveis ​​em uvas, cebolas, sálvia, feijões, cravo-da-índia, abacaxis, nas folhas e talos de muitos vegetais e, também, no caldo de cana-de-açúcar, mas não no açúcar refinado.

A tabela a seguir mostra as proporções de ácido fosfórico em alguns alimentos:

Em 1.000 partes de:

 Cevada seca210 partes
Feijões, favas, ervilhas292 partes
Beterrabas  167 partes
Folhas de beterraba690 partes
Trigo mourisco  170 partes
Cenouras secas395 partes
Folhas de cenoura963 partes
Linhaça880 partes
Talos de linho118 partes
Chirívia (Pastinaga)[10]111 partes
Folhas de chirívia (Pastinaga)1784 partes
Ervilhas frescas190 partes

Em conclusão, que o Aspirante à vida superior escolha alimentos de fácil digestão, pois quanto mais facilmente a energia do alimento for extraída, mais tempo o organismo terá para se recuperar antes que seja necessário repor as reservas. O leite nunca deve ser bebido da mesma forma que se bebe um copo de água. Ingerido assim, forma no estômago uma grande massa de coalho, bastante resistente à ação dos sucos gástricos. Deve ser bebido aos poucos, em pequenos goles, pois assim formará no estômago muitos glóbulos pequenos, que são facilmente assimilados. As frutas cítricas são antissépticos poderosos, e os cereais, particularmente o arroz, são antitóxicos de grande eficiência.

Tendo explicado, do ponto de vista puramente material, o que é necessário para o Corpo Denso, passaremos a considerar o assunto sob o aspecto oculto, levando em conta o efeito sobre os dois Corpos invisíveis que interpenetram o Corpo Denso.

A principal sede do Corpo de Desejos reside nos músculos e no Sistema Nervoso Cerebrospinal[11], como já foi demonstrado. A energia manifestada por uma pessoa sob forte excitação ou ira é um exemplo disso. Nesses momentos, todo o sistema muscular fica tenso, e nenhum trabalho árduo é tão exaustivo quanto um “ataque de raiva”. Isso pode deixar o Corpo Denso prostrado por semanas. Percebe-se, assim, a necessidade de aprimorar o Corpo de Desejos mediante o controle do temperamento, poupando o Corpo Denso do sofrimento decorrente da ação descontrolada do Corpo de Desejos.

Sob uma perspectiva oculta, toda a consciência no Mundo Físico resulta da luta constante entre o Corpo de Desejos e o Corpo Vital. Sua principal expressão manifesta-se no sangue e nas glândulas, bem como no Sistema Nervoso Simpático, tendo penetrado na fortaleza do Corpo de Desejos (os sistemas muscular e o Sistema Nervoso Voluntário) quando começou a transformar o Coração em um músculo voluntário.

A tendência do Corpo de Desejos é endurecer; por sua vez, ele invadiu o domínio do Corpo Vital, apoderando-se da Glândula Baço e produzindo os glóbulos brancos — que não são os “policiais do organismo”, como a Ciência acredita atualmente, mas sim destruidores. Ele utiliza o sangue para transportar esses minúsculos destruidores por todo o Corpo Denso. Eles atravessam as paredes das artérias e veias sempre que se sente irritação, e especialmente em momentos de grande ira. Então, o fluxo de forças no Corpo de Desejos faz com que as artérias e veias se dilatem, abrindo caminho para a passagem dos glóbulos brancos para os tecidos corporais, onde formam a base para a matéria terrena que mata o Corpo Denso.

Recebendo a mesma quantidade e o mesmo tipo de alimento, a pessoa de disposição serena e jovial viverá mais, desfrutará de melhor saúde e será mais ativa do que aquela que se preocupa ou perde a calma. Esta última produzirá e distribuirá pelo corpo mais glóbulos brancos destrutivos do que a primeira. Se um cientista analisasse os Corpos Densos dessas duas pessoas, constataria que havia consideravelmente menos matéria terrena no Corpo Denso da pessoa de índole bondosa do que no daquela propensa a irritações e reclamações.

Essa destruição ocorre constantemente; não é possível impedir a entrada de todos os destruidores, nem essa é a intenção. Se o Corpo Vital tivesse domínio irrestrito, ele construiria incessantemente, empregando toda a energia para esse fim. Não haveria consciência nem expressão do pensamento. É porque o Corpo de Desejos restringe e endurece as partes internas que a consciência se desenvolve.

Houve um tempo, num passado muito remoto, em que expelíamos as concreções — tal como fazem os moluscos —, deixando o Corpo Denso macio, flexível e sem ossos; mas, naquela época, possuíamos apenas a consciência embotada e tênue parecida com as os moluscos têm hoje. Antes que pudéssemos progredir, tornou-se necessário reter as concreções; verifica-se que o estágio de consciência de qualquer espécie é proporcional ao desenvolvimento de sua estrutura óssea interna. O Ego precisa de ossos sólidos com a medula vermelha semilíquida para poder produzir os glóbulos vermelhos necessários à sua expressão. Esse é o grau mais elevado de desenvolvimento do Corpo Denso.


[1] N.T.: é responsável por filtrar o sangue, produzir, transportar, armazenar e eliminar a urina, mantendo o equilíbrio interno do Corpo Denso.

[2] N.T.: O médico inglês William Harvey descobriu que o coração funciona como uma bomba que faz o sangue circular pelo Corpo Denso em um circuito fechado.

[3] N.T.: A perda de líquidos pelo Corpo Denso ocorre de duas formas principais: a perda insensível (que não percebemos e que é a evaporação contínua de água pelas vias respiratórias e difusão direta através da pele, e que é composta de água (vapor de água)) e a perda sensível (que é visível e regulada e que é a secreção ativa de líquido pelas glândulas sudoríparas, e que é composta de água combinada com eletrólitos (principalmente sódio e cloreto)). Ambas são fundamentais para a regulação da temperatura e o equilíbrio de fluidos do organismo.

[4] N.T.: Atualmente, a água purificada por osmose reversa ou destilada é a que tem menos substância terrosa ou minerais dissolvidos, pois o processo remove praticamente todos os sólidos da água.

[5] N.T.: Obviamente orgânicos, sem pesticidas ou outros elementos externos.

[6] N.T.: Trata-se do açúcar mascavo, o tipo mais natural extraído da cana, que é o que havia na época em que o livro foi escrito.

[7] N.T.: Quadro em que há excesso ou alteração da bílis (líquido produzido pelo fígado que ajuda na digestão), podendo causar náuseas, vômitos ou problemas no fígado.

[8] N.T.: popularmente conhecida como má digestão ou indigestão, é um conjunto de sintomas de desconforto ou dor na parte superior do abdômen (exemplos: gastrite, úlcera, refluxo ou infecção pela bactéria Helicobacter pylori, ou, ainda, estresse ou sensibilidade gástrica).

[9] N.T.: de mamíferos, aves, peixes, répteis, anfíbios, frutos do mar e afins.

[10] N.T.: também chamado de Pastinaca ou Cherovia. Parece uma cenoura, mas é mais rústico e menos firme, tendo um formato cónico. Tom creme-esbranquiçado e um sabor a anis doce. É um legume de antigamente que está a ser recuperado pelas novas gerações.

[11] N.T.: é o conjunto de órgãos que formam o Sistema Nervoso Central (SNC), composto pelo encéfalo (cérebro, cerebelo e tronco encefálico) e pela medula espinal.

Razões para uma dieta vegetariana:

A maioria das pessoas sente que uma refeição sem carne animal (mamíferos, aves, peixes, crustáceos, anfíbios, frutos do mar e afins) é incompleta, pois, desde tempos imemoriais, considera-se um axioma que a carne animal é o alimento que mais fortalece o organismo. Todos os outros alimentos são vistos como meros acompanhamentos para um ou mais tipos de carne animal presentes no cardápio. Nada poderia ser mais equivocado; a ciência comprovou, por meio de experimentos, que a nutrição obtida de vegetais possui, invariavelmente, maior poder de sustentação — e a razão disso torna-se evidente quando analisamos a questão sob a perspectiva do ocultismo.

A Lei da Assimilação estabelece que “nenhuma partícula de alimento pode ser incorporada ao Corpo Denso pelas forças encarregadas dessa tarefa antes de ter sido dominada pelo Espírito que nele habita”, pois o Espírito deve ser o governante absoluto e incontestável do Corpo Denso, regendo a vida das células como um autocrata; caso contrário, cada uma delas seguiria seu próprio caminho, como ocorre na decomposição quando o Ego já se retirou.

É evidente que, quanto mais tênue for a consciência de uma célula, mais fácil será dominá-la e por mais tempo ela permanecerá em estado de submissão. Os diferentes Reinos de Vida possuem veículos distintos e, consequentemente, consciências diferentes. O mineral possui apenas o Corpo Denso e uma consciência semelhante à de um Transe Profundo. Portanto, seria mais fácil assimilar alimentos provenientes diretamente do Reino Mineral. O alimento mineral permaneceria em nosso organismo por mais tempo, dispensando a necessidade de comer com tanta frequência; contudo, constatamos que o organismo humano vibra tão rapidamente que é incapaz de assimilar diretamente o mineral inerte. O sal e substâncias semelhantes são imediatamente expelidos do organismo sem qualquer assimilação; o ar é rico em nitrogênio — elemento de que necessitamos para repor o desgaste orgânico — e, embora o respiremos, não conseguimos assimilá-lo (nem qualquer outro mineral) antes que ele seja transmutado no laboratório da Natureza e incorporado às plantas.

As plantas possuem Corpo Denso e Corpo Vital, o que lhes permite realizar esse trabalho; sua consciência assemelha-se a um Sono Profundo, sem Sonhos. Assim, é fácil para o Ego dominar as células vegetais e mantê-las submissas por longo período, o que explica o grande poder nutritivo dos vegetais.

Nos alimentos de origem animal, as células já se tornaram mais individualizadas; como o animal possui um Corpo de Desejos, que lhe confere uma natureza passional, compreende-se facilmente que, ao ingerirmos carne animal, é mais difícil subjugar essas células — que possuem uma consciência animal semelhante ao estado de Sono com Sonhos — e que tais partículas não permanecem submissas por muito tempo. Por isso, uma dieta à base de carne animal exige maiores quantidades e refeições mais frequentes do que uma dieta de vegetais ou frutas. Se déssemos um passo adiante e consumíssemos a carne de animais carnívoros, sentiríamos fome constantemente, pois, nesses casos, as células tornaram-se extremamente individualizadas e, consequentemente, buscariam sua liberdade — e a alcançariam — muito mais rapidamente. Isso fica bem ilustrado nos casos do lobo, do abutre e do canibal, que se tornaram símbolos da fome; e, como o fígado humano é pequeno demais para processar sequer uma dieta comum a base de carne animal, é evidente que, se o canibal vivesse exclusivamente de carne humana, em vez de consumi-la apenas como um “petisco” ocasional, logo sucumbiria. Isso ocorre porque, enquanto o excesso de carboidratos, açúcares, amidos e gorduras causa pouco ou nenhum dano ao organismo — sendo expelido pelos pulmões na forma de gás carbônico ou eliminado como água pelos rins e pela pele —, o excesso de carne animal, embora também seja metabolizado, deixa como resíduo o ácido úrico (uma substância tóxica), e reconhece-se cada vez mais que, quanto menos carne animal consumimos, melhor para o nosso bem-estar.

É natural desejarmos os melhores alimentos, mas todo Corpo Denso animal contém em si as toxinas da decomposição. O sangue venoso está repleto de dióxido de carbono e outros produtos nocivos a caminho dos rins ou dos poros da pele, para serem expelidos como urina ou suor. Essas substâncias repugnantes estão presentes em todas as partes da carne animal e, ao consumi-la, enchemos nossos próprios corpos de toxinas. Muitas doenças decorrem do consumo de carne animal.

Há inúmeras provas de que uma dieta carnívora estimula a ferocidade. Podemos citar, como bons exemplos, a conhecida agressividade dos animais de rapina e a crueldade dos indígenas americanos que se alimentavam de carne. Por outro lado, a força prodigiosa e a natureza dócil do boi, do elefante e do cavalo demonstram os efeitos de uma dieta à base de vegetais nos animais; da mesma forma, as nações vegetarianas e pacíficas do Oriente comprovam a validade do argumento contra o consumo de carne animal — um argumento irrefutável.

Ao adotarmos uma dieta vegetariana, livramo-nos de uma das mais graves ameaças à saúde: a putrefação de partículas de carne animal presas entre os dentes; e esse é um argumento de grande peso a favor da adoção do vegetarianismo. Frutas, cereais e vegetais são, por sua própria natureza, de lenta decomposição; cada partícula contém uma enorme quantidade de Éter que a mantém viva e doce por muito tempo, ao passo que o Éter que interpenetra a carne animal e compõe o Corpo Vital de um animal é retirado juntamente com o seu Espírito no momento da morte. Assim, o risco de infecção por meio de alimentos vegetais é, primeiramente, muito pequeno; além disso, muitos deles, longe de serem venenosos, são na verdade antissépticos de altíssimo grau. Isso se aplica particularmente às frutas cítricas — laranjas, limões, toranjas, etc. —, sem falar no rei de todos os antissépticos: o abacaxi, que tem sido usado com frequência e sucesso total na cura da temível difteria — que nada mais é do que uma inflamação séptica da garganta. Portanto, em vez de intoxicar o trato digestivo com elementos de putrefação, como fazem as carnes animais, as frutas limpam e purificam o organismo; e o abacaxi é um dos melhores auxiliares da digestão que o ser humano já conheceu. Ele é muito superior à pepsina, e sua obtenção não envolve nenhuma crueldade atroz.

Há doze sais no Corpo Denso; eles são muito vitais e representam os doze Signos do Zodíaco. Esses sais são necessários para a construção do Corpo Denso. Não são sais minerais, como geralmente se supõe, mas sim de origem vegetal. O mineral não possui Corpo Vital, e é apenas por meio do Corpo Vital que a assimilação se realiza; portanto, devemos obter esses sais através do Reino Vegetal[1].

Os médicos afirmam fazer isso, mas não se dão conta de que o fogo utilizado no processo expulsa e destrói o Corpo Vital da planta — tal como a cremação trata o nosso Corpo Denso —, deixando apenas as partes minerais. Assim, se desejamos renovar o suprimento de qualquer sal em nosso organismo, devemos obtê-lo da planta crua. É dessa forma que ele deve ser administrado aos enfermos ou doentes.

No entanto, não devemos tirar a conclusão precipitada de que todos deveriam deixar de comer carne animal e viver apenas de alimentos vegetais crus. Em nosso atual estágio de evolução, são muito poucos os que conseguem fazê-lo. Devemos ter o cuidado de não elevar as vibrações de nossos Corpos Densos de maneira demasiado rápida, pois, para continuarmos nossa tarefa nas condições atuais, precisamos de um Corpo Denso adequado ao trabalho; mas mantenhamos sempre esse pensamento conosco.

Existe, no crânio, na base do cérebro, uma chama. Ela arde continuamente no bulbo raquidiano (medula oblonga), no topo da medula espinhal e, tal como o fogo no altar do Tabernáculo no Deserto, é de origem divina. Esse fogo emite um som cantante semelhante ao zumbido de uma abelha — a nota fundamental do Corpo Denso —, que é produzido pelo Arquétipo. Ele edifica e une a massa de células conhecida como “nosso Corpo Denso”.

O fogo arde com maior ou menor intensidade, de forma límpida ou tênue, conforme a maneira como o alimentamos. Há fogo em tudo na natureza, exceto no Reino Mineral. Este não possui Corpo Vital e, portanto, não tem via de acesso para a entrada do Espírito de Vida — o fogo. Reabastecemos esse fogo sagrado em parte com as forças do Sol que penetram no Corpo Vital através da contraparte etérica da Glândula Baço e, de lá, vão para o Plexo Celíaco[2], onde são coloridas e depois transportadas para cima pelo sangue. Também alimentamos esse fogo com o fogo vivo que absorvemos dos alimentos crus que ingerimos e assimilamos.

Ao considerar a questão do consumo de carne anilam sob o aspecto ético, matar para comer vai contra uma concepção mais elevada. Antigamente, o ser humano saía para a caça como qualquer animal de rapina, rude e insensível; hoje, ele realiza sua caçada no açougue, onde nenhuma das cenas nauseantes do matadouro o fará sentir enjoo. Se cada um tivesse de entrar num desses locais sangrentos, onde horrores são perpetrados dia após dia, para satisfazer um hábito anormal e nocivo — que causa mais doenças e sofrimento do que até mesmo o vício em álcool; se cada um tivesse de empunhar a faca ensanguentada e cravá-la na carne trêmula de sua vítima, quanta carne animal comeríamos? Muito pouca. Para evitar ter de realizar nós mesmos esse trabalho repugnante, forçamos um semelhante a permanecer naquele curral sangrento, dia após dia, matando milhares de animais todos os dias da semana; brutalizamo-lo a tal ponto que a lei não lhe permite integrar um júri em casos de crimes graves, pois ele perdeu qualquer respeito pela vida.

Os animais que matamos também clamam contra esse assassinato; paira uma nuvem de melancolia e ódio sobre as grandes cidades onde se concentram os matadouros. A lei protege cães e gatos contra a crueldade. Todos nos alegramos ao ver os esquilinhos nos parques da cidade vindo comer de nossas mãos; no entanto, assim que há valor comercial na carne ou na pele de um animal, o ser humano deixa de respeitar o seu direito à vida e torna-se o seu inimigo mais perigoso, alimentando-o e criando-o para obter lucro, impondo sofrimento e privações a um semelhante em nome do ouro. Temos uma grande dívida para com as criaturas inferiores, de quem deveríamos ser mentores, mas de quem somos assassinos; e a lei do bem, que atua incessantemente para corrigir abusos, também relegará, com o tempo, o hábito de consumir animais assassinados ao depósito de práticas obsoletas, tal como ocorreu com o canibalismo.

É da natureza da fera de rapina devorar qualquer animal que cruze o seu caminho, e sua constituição orgânica exige esse tipo de dieta para a sobrevivência; contudo, tudo está em um processo de se tornar, transformando-se continuamente em algo superior. O ser humano, em seus estágios iniciais de desenvolvimento, também se assemelhava às feras de rapina sob certos aspectos; no entanto, ele está destinado a tornar-se semelhante a Deus e, portanto, deve, em algum momento, cessar a destruição para que possa começar a criar. No passado, a alimentação à base de carne animal estimulou uma forma inferior de engenhosidade humana e cumpriu um papel em nossa evolução; mas agora estamos no limiar de uma nova Era[3], na qual o sacrifício pessoal e o serviço ao próximo proporcionarão crescimento espiritual à Humanidade. A evolução da Mente trará uma sabedoria que transcende nossa maior capacidade de compreensão; porém, antes que nos seja seguro confiar tal sabedoria, precisamos nos tornar inofensivos como as pombas, pois, do contrário, correríamos o risco de empregá-la para fins tão egoístas e destrutivos que ela se tornaria uma ameaça inconcebível para nossos semelhantes. Para evitar isso, é necessário adotar a dieta vegetariana.

Aprendemos que não existe vida no universo além da vida de Deus; que “n’Ele vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”[4]; que Sua vida anima tudo o que existe e que, portanto, compreendemos naturalmente que, ao tirar uma Vida, estamos destruindo uma Forma criada por Deus para a Sua própria manifestação. Os animais são Espíritos em evolução e possuem sensibilidade. É o desejo de vivenciar experiências que os leva a construir suas diversas Formas; quando lhes tiramos essas Formas, privamo-los da oportunidade de adquirir experiência. Obstaculizamos a sua evolução em vez de ajudá-los, e chegará o dia em que sentiremos profunda aversão ao pensar em transformar nossos estômagos em cemitérios para as carcaças de animais assassinados. Todos os verdadeiros Cristãos abster-se-ão de alimentos de origem animal por pura compaixão; compreenderão que toda Vida é a vida de Deus e que causar sofrimento a qualquer ser senciente é errado.

Em muitos trechos onde a Bíblia menciona “alimento” (ou “carne”, na tradução literal de certas versões antigas), fica claro que não se refere à carne de animais. O capítulo de Gênesis, que descreve a determinação inicial do alimento do ser humano, diz que ele deveria comer de todas as árvores e ervas que dão semente, “e isso vos servirá de alimento”[5]. Em todas as épocas, as pessoas mais evoluídas abstiveram-se de comer carne animal. Vemos, por exemplo, Daniel — homem santo e sábio — suplicar para não ser forçado a comer carne animal, pedindo que, em vez disso, fossem servidos apenas legumes e grãos a ele e a seus companheiros[6]. Quanto aos filhos de Israel no deserto, se diz que “desejavam avidamente a carne”[7], e seu Deus irou-se com eles por causa disso.

Há um significado esotérico no episódio da alimentação da multidão, no qual peixes foram utilizados como alimento; contudo, analisando o aspecto puramente material, podemos resumir nossa resposta reiterando que, com o tempo, superaremos o consumo de carne de mamíferos, aves, peixes, crustáceos, anfíbios, frutos do mar e afins, assim como já superamos o canibalismo. Qualquer permissão que possa ter sido concedida num passado de barbárie desaparecerá no futuro altruísta, quando sensibilidades mais refinadas nos despertarem para uma percepção mais plena dos horrores envolvidos na satisfação do paladar carnívoro.


[1] N.T.: Se quiser mais informações sobre isso acesse esse livreto: Os Sais Celulares.

[2] N.T.: Também conhecido como Plexo Solar, por causa de suas fibras nervosas radiantes, é uma complexa rede de nervos localizada no abdômen, perto de onde o tronco celíaco, a artéria mesentérica superior e as artérias renais se ramificam da aorta abdominal. Está atrás do estômago e da bolsa omental, e na frente da crura do diafragma, ao nível da primeira vértebra lombar. O plexo é formado em parte pelos nervos esplâncnicos maior e menor de ambos os lados e por fibras dos troncos vagais anterior e posterior. O plexo celíaco propriamente dito consiste nos gânglios celíacos com uma rede de fibras interconectadas. Os gânglios aorticorrenais são frequentemente considerados parte dos gânglios celíacos e, portanto, parte do plexo.

[3] N.T.: Refere-se à Era de Aquário.

[4] N.T.: At 17:28

[5] N.T.: Gn 1:29

[6] N.T.: Dn 1:12

[7] N.T.: Nm 11:4-6 e Sl 106:14

A necessidade de uma dieta atraente e equilibrada:

Na mais sublime de todas as orações, o Cristo nos ensina a pedir “o pão de cada dia”; contudo, nas condições modernas atuais, infelizmente, com que frequência recebemos, em vez disso, uma pedra.

Devido à nossa civilização complexa, aos métodos de refrigeração e a outras aberrações, a nossa alimentação é tal que, de modo geral, em vez de nutrir o corpo como deveria, ela nos esgota e nos torna suscetíveis a diversas doenças; dizer que a comida servida na maioria dos locais públicos é “indigesta” é uma crítica muito branda.

Mesmo no lar, aquilo que é posto à mesa para nutrir, sustentar e fortalecer a saúde do Corpo Denso é, muitas vezes, apenas uma caricatura de alimento, disfarçada por temperos e molhos variados para parecer saborosa, pois geralmente comemos para agradar ao paladar, e não para nutrir o Corpo Denso.

Por outro lado, é inegável que algumas pessoas — que afirmam cozinhar com base em critérios científicos e bom senso, que se dizem vegetarianas e são muito rigorosas quanto à forma como os alimentos devem ser preparados — parecem não compreender que a comida pode ser saborosa e, ao mesmo tempo, saudável e nutritiva; que não há incompatibilidade entre as exigências de um bom preparo culinário e o prazer proporcionado ao paladar. De fato, pode-se dizer que, a menos que o alimento seja preparado de modo a agradar ao paladar e seja, ao mesmo tempo, saudável e nutritivo, ele deixa muito a desejar quanto à sua finalidade plena. O paladar nos foi dado para que possamos desfrutar da comida — para que, por assim dizer, a recebamos com alegria e a acolhamos em nosso organismo —, pois isso favorece a assimilação e a nutrição; em contrapartida, alimentos de sabor desagradável são rejeitados pelo organismo e, portanto, não são assimilados com tanta facilidade. Devemos ter sempre em mente este fato: não é a quantidade que comemos que conta, mas sim a quantidade que assimilamos.

Algumas pessoas, instruídas de forma inadequada sobre esse tema tão importante da nutrição, podem ter ouvido dizer que as leguminosas — ervilhas, feijões, etc. — substituiriam a carne animal; assim, após abandonarem o consumo de carne animal, passaram a ingerir esses vegetais em grandes quantidades. É perfeitamente verdade que o feijão contém mais proteína do que um bife de carne bovina, mas a proteína nele contida não é assimilada com a mesma facilidade. Tais alimentos geram uma grande quantidade de resíduos e ácido úrico, fatores que devem ser levados em conta; se não forem neutralizados pelo consumo abundante de hortaliças verdes, consequências desastrosas certamente ocorrerão. É importante lembrar, contudo, que as hortaliças verdes não devem ser consumidas na mesma refeição que as leguminosas mais pesadas. Há também aqueles que, ao deixarem de comer carne animal, passam a se alimentar basicamente de pão, batatas e outros alimentos ricos em amido, acabando por sofrer de desnutrição e anemia. Uma dieta satisfatória deve ser devidamente equilibrada sob todos os aspectos; somente ao estudarmos o regime alimentar necessário para manter a saúde do Corpo Denso é que podemos esperar obter os resultados adequados.

A dieta, assim como a saúde, é determinada individualmente, não sendo possível estabelecer um padrão geral. Ao mesmo tempo, pode-se afirmar com segurança que, quanto menos carne animal consumirmos, melhor será nossa saúde geral. No entanto, se desejarmos prescindir totalmente dela, é absolutamente essencial estudar uma tabela de valores nutricionais para garantir a obtenção das proteínas necessárias a partir dos vegetais que ingerimos. Ninguém consegue obter nutrição suficiente em uma refeição comum se comer apenas os vegetais servidos como acompanhamento da carne animal; é preciso consumir feijões, ervilhas, nozes e alimentos semelhantes — ricos em proteínas — para substituir a carne animal dispensada; caso contrário, a pessoa sofrerá desnutrição.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Dicas para Melhorar Sua Capacidade de Observação

O emprego da faculdade de observação pelo Aspirante à vida superior é de inestimável valor, pois é por meio dessa habilidade que ele pode sutilizar seu Éter de Luz (um dos dois Éteres que compõem o Corpo-Alma) e restaurar o ritmo e a harmonia de seu Corpo Denso.

Eis o motivo principal de ser um dos Exercícios Esotéricos Rosacruzes que o Estudante Rosacruz executa a todo momento, especialmente quando não está dormindo.

A definição do conceito “observação” para os Ensinamentos Rosacruzes (como aprendemos no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz): “uso dos sentidos como meio de obter informações a respeito dos fenômenos que ocorrem ao nosso redor”. Sob esta consideração, sugere-se que o Estudante Rosacruz inicie, desde já, a criação do saudável hábito de observar todas as coisas que estão a sua volta.

Se alguém achar que, muitas vezes, nada muda ao redor, então revise muito esse posicionamento, pois sempre, sempre está ocorrendo algo a nossa volta!

Há alguns bons hábitos que devemos desenvolver a fim de tornar mais fácil a execução do Exercício Esotérico Rosacruz de Observação, bem como, torná-lo mais eficaz:

-de ordem visual (como a observação dos detalhes das arquiteturas das casas, das árvores, do movimento, por exemplo),

-de ordem auditiva (tais como as modulações dos sons, do ritmo da fala de nossos amigos, do canto dos pássaros, etc.),

-de ordem tátil (como sentir a brisa em nosso rosto e até mesmo, o ritmo do caminhar quando se anda pelas ruas), entre outros. Deste modo, o Estudante Rosacruz, gradualmente, torna-se consciente de todos os eventos pelo qual está inserido.

Mas afinal, qual é realmente a importância da observação para o desenvolvimento por meio do Método Rosacruz? Ocorre que o Corpo Vital, independente da vontade da pessoa, também funciona como um espelho, ou como uma película cinematográfica em movimento que não para, nem por um segundo, de captar as imagens do ambiente no qual o Estudante Rosacruz está inserido. Semelhantemente, o Corpo Vital também capta as ideias que brotam de dentro da pessoa. O problema é que as pessoas, em sua maioria, não captam, de forma consciente, as mesmas informações que o Corpo Vital faz. Em outras palavras, a Memória Consciente (ou Mente Consciente), estabelecida pela observação, não coincide com aquelas de nossa Memória Subconsciente (Mente Subconsciente) ou automática, e isso resulta em uma importante discrepância (ou entrechoques de vibrações) que resulta no ritmo e na harmonia do Corpo Denso serem perturbados em proporção à superficialidade de nossa observação durante o dia. Sabemos que durante o sono o nosso Corpo Vital restaura parcialmente esse ritmo e essa harmonia no Corpo Denso, mas o entrechoque de vibrações dia após dia e ano após ano, realmente, é uma das causas que, gradualmente, endurecem e destroem nosso Corpo Denso até torná-lo impróprio para o nosso uso. Assim, precisamos abandoná-lo e buscar novas oportunidades de desenvolvimento em um novo Corpo Denso (Roda de Nascimentos e Morte).

Para atestar o fato de que as pessoas possuem olhos, mas não veem, e ouvidos, porém não ouvem, pergunte qualquer detalhe sobre algum objeto, cena de filme, ou até mesmo algum sentimento que ela teve num determinado momento, e não raro receberemos uma resposta do tipo: “Não me lembro nem do que comi no almoço, como vou lembrar sobre o que você está me perguntando!”.

O fato é que, quanto maior for à discrepância entre as imagens gravadas pelo Corpo Vital na Memória Subconsciente e os eventos gravados na Memória Consciente pela nossa observação, maior também será o tempo necessário para a restauração do Corpo Denso durante o sono. Há casos, por exemplo, em que as discrepâncias são tamanhas, que não resta tempo algum para trabalho nos planos internos! Se isso ocorrer com frequência, pouco crescimento espiritual será alcançado pelo Estudante Rosacruz.

Por isso, o Estudante Rosacruz ativo e sincero reconhece que pode (e é responsável) por tornar esse tempo maior ou menor, dependendo de sua capacidade em colocar em prática os Ensinamentos Rosacruzes.

Pela observação, é possível fazer com que os entrechoques de vibrações das duas Memórias ocorram com menor frequência e, deste modo, a restauração do Corpo Denso poderá ocorrer de maneira mais rápida.
Como auxílio neste processo, é de grande valia ao Estudante Rosacruz, aprender a observar não apenas detalhes de objetos e fenômenos externos, mas também minúcias internas, pois é bem provável que o Corpo Vital também registre tais informações. É natural que neste ponto do texto, haja a pergunta: “que eventos são esses?”. Tais eventos são aqueles gerados por nós mesmos, pelo Corpo de Desejos (por meio dos nossos sentimentos e nossas emoções) e pela Mente (pensamentos-forma). A observação destes detalhes contribuirá fortemente no processo de redução dos entrechoques de vibrações entre as duas Memórias.

De maneira geral, a maior parte das pessoas, quando está realizando uma determinada tarefa, observa apenas os procedimentos envolvidos para sua execução e seu resultado, (por exemplo, se alcançou ou não o objetivo). Porém, é importante que o Estudante Rosacruz também observe, de maneira sincera e verdadeira, os motivos internos que o fez se movimentar nessa ou naquela direção. A chave para identificar tais motivos é
empregar o método do “Por que”. Alguns exemplos:  Por que agi desta maneira?

E algumas respostas:

1.O motivo foi “motivação por motivação”, pura e sincera, afinal, eu gosto de fazer aquilo que faço;

2.Porque foi uma vontade de provar aos outros que eu posso realizar coisas;

3.Não foi motivação, mas sim medo de não perder meu emprego/ amigo/ simpatia/ etc.;

4.Porque tive a necessidade de provar para as pessoas, que sou capaz e não um incompetente;

5.Porque tive vontade de fazer melhor que os outros, afinal sou um competidor inato;

6.Porque tive interesses pessoais;

Além de observar o motivo pelo qual uma ação foi realizada, o Estudante Rosacruz pode também observar o sentimento, desejo e/ou pensamento-forma que o envolveu no momento em que estava executando tal tarefa. Exemplos:

1.Durante a execução, independente do motivo, eu estava com tremenda ansiedade e medo de que alguma coisa terminasse de modo errado;

2.Estava ansioso, mas não por medo, e sim porque sou perfeccionista demais e tudo tem que ser perfeito;

3.Estava com raiva. Afinal só estou fazendo isso porque não quero perder meu emprego;

4.Estava me sentindo feliz e alegre;

5.Estava triste

É muito comum as pessoas não fazerem distinção entre sentimentos/desejos e pensamentos-forma. Contudo, esses fenômenos são bem diferentes, embora possam ou não possuir afinidade entre si. Por exemplo, uma pessoa pode dizer: “Eu senti que num dado momento, as coisas poderiam ter saído errado”. Contudo, observe que tal relato não é referente a um sentimento/desejo, mas sim a um pensamento-forma. Normalmente os sentimentos e/ou desejos são alegria, tristeza, raiva, ódio, rancor, medo, coragem, ansiedade, entre outros. Pensamentos-forma são criados por nós, usando materiais da Região Concreta do Mundo do Pensamento, mais ou menos elaboradas sobre os fatos, sempre “contaminados” pelo desejo. Com certeza, estes últimos podem estar embasados em um sentimento/desejo bom ou ruim. A comum astúcia que todos nós praticamos em maior ou menor grau, é um bom exemplo da Mente (pensamentos) aliada à parte inferior do Corpo de Desejos. No exemplo acima, sobre confusões entre pensamentos-forma e sentimentos/desejos, provavelmente o sentimento/desejo da pessoa sobre a possibilidade de algo sair errado era de medo e/ou ansiedade, pois esses sentimentos/desejos possuem boa afinidade com estes pensamentos-forma.

Outro importante fator que o Estudante Rosacruz deve aprender a observar é o “como” seu jeito de ser (que é modulado pelos motivos, pelos sentimentos/desejos e pensamentos) gera impactos nos demais que convivem com ele. A chave para isso é utilizar o método do “como”. Exemplos:

1.Como meu jeito ansioso, precipitado e/ou medroso afetou (ou afeta) meus colegas de trabalho, minha família, meus amigos, etc.?

2.Como meu sentimento afetou na decisão ou no desfecho da ação que eu estava executando?

3.Como as pessoas me “olham” em função desse meu jeito de ser?

4.Como meu perfeccionismo afeta aos demais que convivem?

5.Como minha felicidade, alegria, tristeza, raiva, entre outros sentimentos, influenciam na maneira que o outro se comporta em relação a minha pessoa?

É muito importante o Estudante Rosacruz ter em mente que a observação consciente dos fatos internos e externos, também fornece base para o Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção. Normalmente, se o resultado de uma tarefa foi positivo, o Estudante Rosacruz louva-se por tal resultado, de modo que seu comportamento seja reforçado para continuar a agir desse modo. Entretanto, se os eventos internos não forem considerados, é provável que essa faceta do fenômeno permaneça apenas no Corpo Vital do Estudante Rosacruz e, se isso acontecer, ficarão nele como discrepantes. Por isso, sugere-se ao Estudante Rosacruz que também aplique seu critério pessoal de valores aos fenômenos internos que vivencia (o crivo da lógica).

Coletar informações, por meio de observações como estas, é muito importante para deixar seu Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção mais rico e, desta maneira, aprender as lições desta e de próximas vidas, de restaurar o equilíbrio entre Memória consciente e a subconsciente, ter saúde e longevidade. Como o Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção influencia diretamente no caráter, e “caráter é destino”, é bem provável que o Estudante Rosacruz comece a notar grandes diferenças em sua vida, conforme for se esforçando, por meio da disciplina e da persistência, criando o hábito de cada mais uma observação mais eficaz e mais completa. Com o tempo novas sinfonias e orquestras vibrarão em sua vida o que, provavelmente, o fará uma pessoa muito realizada e feliz.

Que as rosas floresçam em vossa cruz

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Teia do Destino – como Tece e Destece

Para compreender como se tece e destece a “Teia do Destino” será necessário que partamos do seu início; para perceber que os primeiros fatos fundamentais da existência são a continuidade da vida e que a ação é a expressão desta mesma vida em manifestação.

No momento exato em que o espírito executa sua primeira ação ele gera uma causa que, forçosamente, há de produzir um efeito correspondente.

Isso é uma absoluta necessidade a fim de que o equilíbrio do Universo possa ser mantido.

Para que se possa efetuar investigações necessárias com o objetivo de compreender como se tece e destece a “Teia do Destino”, é necessário possuir a faculdade de sair, por livre e espontânea vontade própria, do Corpo físico e funcionar fora dele, no Corpo-Alma, formado pelos dois Éteres superiores, estando também revestido pelo Corpo de Desejos e pela Mente.

Vamos ver, nesse livro, como isso se dá e como há outras condições na teia do destino.

Há 4 meios de você acessar esse Livro:

1. Em formato PDF (para download):

A Teia do Destino – como se Tece e Destece – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz

2. Em forma audiobook ou audiolivro:

A Teia do Destino – Como se Tece e Destece – Max Heindel – audiobook

3. Em forma de videobook ou videolivro no nosso canal do Youtube: https://www.youtube.com/c/TutoriaisEstudosFraternidadeRosacruzCampinas/featured

aqui:

A Teia do Destino – Como se Tece e Destece – Max Heindel – videobook

4. Para estudar no próprio site:

Como se tece e destece

Também:

O Efeito Oculto das Nossas Emoções

A Oração – uma Invocação Mágica

Métodos Práticos de se Alcançar o Sucesso

Por

Max Heindel

(1865-1919)

Uma Série de Lições sobre o Lado Oculto da Vida, Mostrando as Forças Ocultas que Moldam o Nosso Destino

Fraternidade Rosacruz

Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82

Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil

Traduzido e Revisado de acordo com:

1ª Edição em Inglês, editada por Augusta Foss Heindel, em 1920

1ª Edição em Português, editada pela Fraternidade Rosacruz Rio de Janeiro – Guanabara – Brasil

2ª Edição em Português, editada pela Fraternidade Rosacruz São Paulo – SP – Brasil

Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil

www.fraternidaderosacruz.com

contato@fraternidaderosacruz.com

fraternidade@fraternidaderosacruz.com

PREFÁCIO DA PRIMEIRA EDIÇÃO

A série de dezessete lições impressas nesse volume é parte das noventa e nove lições mensais enviadas pelo autor a seus Estudantes, durante os últimos anos de sua vida no corpo. Elas são, agora, publicadas pela primeira vez em forma de livro.

Uma série já foi publicada sob o título “Maçonaria e Catolicismo”, como é visto por trás do cenário.

Esses livros contêm os tesouros inestimáveis das últimas investigações desse grande místico, e levam uma mensagem de amor Cristão impregnada de sabedoria divina, que somente um Iniciado nos mais profundos mistérios poderia nos transmitir.

Esperamos que essas lições sejam o meio de reintegrar muitas pessoas de volta à Deus e de fortalecer sua reverência e seu amor por Cristo.

Os Santos Sacramentos, Cristo e Sua Missão, A Significância Oculta das Óperas de Wagner e outros assuntos muito interessantes serão publicados mais tarde.

Augusta Foss Heindel

ÍNDICE

PREFÁCIO DA SEGUNDA EDIÇÃO DE 1920. 3

A TEIA DO DESTINO.. 6

PARTE I – INVESTIGAÇÃO ESPIRITUAL – O CORPO-ALMA.. 6

PARTE II – CRISTO INTERNO – A MEMÓRIA DA NATUREZA.. 12

PARTE III – “O GUARDIÃO DO UMBRAL” – ESPÍRITOS APEGADOS À TERRA.. 19

PARTE IV – “O CORPO DO PECADO” – POSSESSÃO POR DEMÔNIOS AUTOCRIADOS – ELEMENTAIS. 27

PARTE V – OBSESSÃO DO SER HUMANO E DOS ANIMAIS. 32

PARTE VI – A CRIAÇÃO DO AMBIENTE – GÊNESE DAS DEFICIÊNCIAS MENTAIS E FÍSICAS. 37

PARTE VII – A CAUSA DA ENFERMIDADE – ESFORÇOS DO EGO PARA ESCAPAR DO CORPO – EFEITOS DA LASCÍVIA.. 42

PARTE VIII – OS RAIOS DE CRISTO CONSTITUEM O “IMPULSO INTERNO” – VISÃO ETÉRICA – DESTINO COLETIVO.. 47

OS EFEITOS OCULTOS DAS NOSSAS EMOÇÕES. 52

PARTE I – A FUNÇÃO DO DESEJO.. 52

PARTE II – OS EFEITOS DA COR DA EMOÇÃO NAS REUNIÕES DAS PESSOAS – O EFEITO ISOLANTE DA PREOCUPAÇÃO.. 57

PARTE III – EFEITOS DA GUERRA SOBRE O CORPO DE DESEJOS – O CORPO VITAL AFETADO PELAS DETONAÇÕES DOS GRANDES CANHÕES. 62

PARTE IV – A NATUREZA DOS ÁTOMOS ETÉRICOS – A NECESSIDADE DA ESTABILIDADE.. 68

PARTE V – OS EFEITOS DO REMORSO OS PERIGOS DO EXCESSO DE BANHOS. 73

A ORAÇÃO: UMA INVOCAÇÃO MÁGICA.. 79

PARTE I – A NATUREZA DA ORAÇÃO E A PREPARAÇÃO PARA A ORAR.. 79

Preparação para a Oração – Ora et Labora. 80

PARTE II – AS ASAS E O PODER – A INVOCAÇÃO – O CLÍMAX.. 85

As Asas e o Poder 86

A Posição do Corpo. 86

A Invocação. 87

O Clímax Final 88

MÉTODOS PRÁTICOS PARA ALCANÇAR O SUCESSO BASEADOS NA CONSERVAÇÃO DA FORÇA SEXUAL.. 90

A TEIA DO DESTINO

PARTE I – INVESTIGAÇÃO ESPIRITUAL – O CORPO-ALMA

Embora muitos esclarecimentos e muita informação foram fornecidos sobre esse assunto no “Conceito Rosacruz do Cosmos” e em outras nossas obras, temos recebido muitas cartas de Estudantes nos pedindo mais esclarecimentos sobre alguns pontos, tais como obsessão, mediunidade, insanidade, condições anormais do caráter, etc. Isso tem dado ao autor uma motivação para investigar o assunto mais profundamente que antes. A máxima que diz que “a prática leva à perfeição” pode se aplicar, com a mesma propriedade, tanto aos reinos espirituais como para as coisas físicas. Assim, esperamos que a luz derramada sobre estes assuntos, nas páginas que se seguem, possa ajudar o Estudante a perceber, com mais clareza, as causas que produzem os efeitos observados nessa vida.

A fim de que possamos compreender perfeitamente o problema, será necessário que partamos do seu início; para perceber que os primeiros fatos fundamentais da existência são a continuidade da vida e que a ação é a expressão desta mesma vida em manifestação. No momento exato em que o Espírito executa sua primeira ação ele gera uma causa que, forçosamente, há de produzir um efeito correspondente. Isso é uma absoluta necessidade a fim de que o equilíbrio do Universo possa ser mantido. Se esta ação for física, isto é, realizada pelo Espírito em um Corpo Denso, a reação deverá ser, forçosamente, também física. Se é assim de fato, é evidente que devemos renascer neste Mundo, de tempos em tempos, pois é um fato comprovado que, quando geramos causas nesse Mundo, na existência diária, e essas causas não apresentam uma reação adequada, e, também, quando não nos é possível colher o que tivermos semeado, devemos necessariamente voltar em um Corpo novo; do contrário, a lei seria invalidada. Se a Lei de Causa e Efeito é verdadeira, então o renascimento periódico é uma consequência lógica de absoluta necessidade. Assim, pois, tanto se o compreendermos ou não, tanto se nos agrade ou não, estamos encerrados dentro de um círculo e, devido as nossas próprias ações do passado, constrangidos a que estas ajam e reajam sobre nós, até que desenvolvamos uma força superior à que agora nos subjuga. O que é esta força, Goethe, o grande místico alemão, nos revela em poucas palavras:

“De todas as forças que encadeiam o mundo,

 o ser humano se liberta quando adquire o domínio de si mesmo”.

E, como o conhecimento é poder, é evidente que quanto mais completo seja o nosso conhecimento, em relação a cada detalhe e não superficial ou parcial, de como operam as leis gêmeas de Consequência e do Renascimento, mais facilmente encontraremos o caminho da libertação, mais facilmente nós encontraremos o caminho da libertação, e também melhor saberemos como ajudar aos demais.

A ciência deve ser muito elogiada pelo talento, pela paciência e a persistência que ela exibe na invenção de instrumentos para descobrir os segredos da natureza. Porém, enquanto isso se consegue com êxito no que concerne à matéria, os segredos da vida e do Espírito são um livro fechado para o sábio, segundo diz Mefistófeles, com fina ironia ao Estudante que bate à porta de Fausto, solicitando admissão a sua escola:

“Qualquer pessoa que quiser conhecer e tratar com alguma coisa viva,

Busque, primeiro, o Espírito vital que a anima.

Pois tem somente em suas mãos fragmentos inertes,

A ele falta, ai!, o alento do Espírito vital”.

Há somente um instrumento adequado para investigar as coisas do Espírito, e este, é o próprio Espírito. Assim como é necessário preparar um ser humano para a pesquisa científica aqui no mundo material, também é necessário um longo e lento processo para adaptá-lo às investigações do Mundo espiritual. Do mesmo modo como o cientista deve pagar o preço de seu conhecimento com meses e anos de trabalho constante e tenaz, o investigador místico também deve sacrificar muitos anos de sua vida para compreender e se capacitar a respeito das suas investigações espirituais.

Como você sabe, o que agora é o nosso Corpo Denso foi o primeiro veículo que o ser humano adquiriu como pensamento-forma, tendo sobre si um imenso período de evolução e organização até chegar ao que é agora, ou seja, o esplêndido instrumento que tão bem lhe serve conquanto seja pesado, difíci1 de governar e de agir com ele. O veículo adquirido logo após, foi o Corpo Vital, que também atravessou um longo período de desenvo1vimento, até se condensar e tomar consistência etérica. O terceiro veículo, o Corpo de Desejos, foi adquirido, relativamente, muito mais tarde, achando-se ainda em estado fluídico. Por último, o ser humano tomou posse da Mente, que é apenas uma nuvem informe e não merece ainda o nome de veículo, servindo, entretanto, de união ou de laço entre os três veículos mencionados e o Espírito.

Estes três veículos, o Corpo Denso (o físico), o Corpo Vital e o de Desejos ligados à Mente, são os instrumentos do Espírito em sua evolução. E, ao contrário da crença geral, a habilidade do Espírito para investigar os planos superiores, não depende tanto dos Corpos mais sutis, como depende do mais denso de todos. A prova dessa asserção é evidente e está ao alcance de nossas mãos, e, sem dúvida alguma, todo aquele que quiser tentar com seriedade, poderá confirmá-la por si mesmo. E terá resultados imediatos se seguir certas determinações para mudar as condições de sua Mente. Suponhamos que uma pessoa formou certos hábitos de pensamento que ele não gosta. Talvez, após uma experiência religiosa, ele percebe que, a despeito de todos seus desejos, esses hábitos de pensamentos não o deixam. Porém, se ele decidir limpar completamente a Mente de forma que só contenha pensamentos bons e puros, ele poderá conseguir o que pretende simplesmente recusando admitir pensamentos impuros. Notará então que, depois de uma ou duas semanas de esforços, sua Mente está, notadamente, mais pura do que quando começou tal esforço; que isso se mantém se preferir e procurar gerar pensamentos de caráter religioso nela. Até uma Mente a mais anormal ou degenerada pode ser totalmente purificada em poucos meses de esforço. Este resultado já foi comprovado por muitos que fizeram isso, e, qualquer pessoa que o deseja e seja suficientemente tenaz para tentá-lo pode ter a mesma experiência e gozará de uma Mente pura e limpa, em muito pouco tempo.

Entretanto, enquanto os nossos pensamentos purificados nos fazem avançar consideravelmente no caminho da perfeição, as emoções e os desejos do nosso Corpo de Desejos não são dominados com tanta facilidade, por ser este veículo muito mais desenvolvido do que a Mente. Enquanto a Mente regenerada está pronta a aceitar a ideia de que devemos amar a nossos inimigos, a natureza passional e emocional do Corpo de Desejos anseia pela vingança, com todas as suas forças, aferrando-se ao “olho por olho e dente por dente”. Algumas vezes até depois de anos e anos de luta, quando supomos que a serpente adormecida foi realmente dominada e que nós temos, finalmente, obtido o domínio sobre isso e, que isso não poderá mais transtornar a nossa paz, inesperadamente ela desperta, desvanecendo as nossas esperanças; e, arrebatada por um acesso de raiva, pode morder-nos, clamando vingança por qualquer agravo real ou imaginário. Então, será necessário empregar todo o poder da natureza superior para dominar esta parte rebelde do nosso ser. Isso, acha o escritor, é o espinho da carne sobre o qual São Paulo suplicou ao Senhor três vezes e recebeu a resposta: “Minha graça é suficiente para ti”[1]. Certamente se necessita toda a graça que se possa conceber, para vencer e, como uma vigilância permanente é o preço da segurança, vamos “vigiar e orar”[2].

O Corpo de Desejos é o responsável por todas as nossas ações, quer sejam boas, más ou indiferentes. Por esta razão, os filósofos orientais prescreveram algumas instruções a seus discípulos com o objetivo de matar o desejo, ensinando-os a se absterem de agir, bem ou mal, dentro do possível, com o objetivo de se libertarem da lei do nascimento e da morte. Porém, esses mesmos arroubos que constituem tão séria ameaça quando nos dominam, podem ser muito eficazes para o serviço, se forem conduzidos sob nossa própria orientação. Jamais pensaríamos em tirar o gume de uma faca, pois ela nada cortaria. O temperamento do Corpo de Desejos deve ser controlado, mas nunca, de nenhum modo, ser morto. O poder dinâmico do movimento e da ação nos Mundos invisíveis está armazenado no Corpo de Desejos e, a menos que este permaneça intacto não podemos nos controlar, do mesmo modo que um transatlântico, cujas máquinas estiverem funcionando mal, não poderia enfrentar os embates numa tempestade. Existem certas sociedades que ensinam métodos negativos de desenvolvimento, e uma de suas primeiras instruções para o aluno é afrouxar o maxilar e se tornar perfeitamente negativo. Qualquer pessoa que se dirigir do Mundo material ao Mundo espiritual equipada com tais métodos estará como uma tábua abandonada em pleno oceano, ao sabor das ondas, joguete de toda a espécie de correntes. E, como acontece aqui, existem, nos Mundos internos, seres que nada tem de bondosos e que estão dispostos a se aproveitarem de quem se aventure ao seu Mundo sem estar devidamente preparado para se proteger deles. Vemos, assim, que é de primordial importância sujeitar nossos desejos ao domínio do Espírito aqui nesse mundo e reforçar o Corpo de Desejos antes de tentarmos penetrar nos Mundos internos. Aqui está, em grande medida, mantido sob controle pelo fato de que ele é interpolado dentro do Corpo Denso e, portanto, não pode nos jogar de um lado para outro, da mesma forma quando se liberta da prisão física.

Porém, ainda assim, o governo do Corpo de Desejos, mesmo sendo difícil de conseguir, não servirá para tornar o ser humano consciente nos Mundos invisíveis. Isso porque o Corpo de Desejos ainda não evoluiu até o ponto em que possa servir como um instrumento de consciência. Na grande maioria dos seres humanos se encontra, ainda, em estado informe e nebuloso. Existem nele somente uma quantidade de vórtices como centros de sentidos ou centros de consciência; esses não estão suficientemente desenvolvidos para que possam servir a um propósito, sem qualquer ajuda extra. Portanto, é necessário trabalhar sobre e educar o Corpo Vital para que possa ser utilizado nos voos da alma. Este veículo, como já sabemos, é composto de quatro Éteres. É pela ação deste Corpo que podemos manipular o mais denso dos nossos veículos, o Corpo Denso, que geralmente supomos constituir o ser humano, como um todo. Os Éteres Químico e de Vida formam a matriz dos nossos Corpos físicos. Cada molécula do Corpo Denso está submersa numa rede de Éter que a interpenetra e lhe infunde vida. É por meio destes Éteres que as funções do corpo, tais como a respiração e outras, se realizam, e, a consistência e densidade destas matrizes de Éter determinam o estado da nossa saúde. Porém, a parte do Corpo Vital formada pelos dois Éteres Superiores, o Éter Luminoso e o Refletor, constituem o que em nossa doutrina denominamos de CORPO-ALMA; isto é: é mais intimamente ligado com o Corpo de Desejos e com a Mente e é mais sensível ao contato espiritual do que os dois Éteres inferiores. É o veículo do intelecto, responsável por tudo o que faz o ser humano verdadeiramente um ser humano. Nossas observações, aspirações, caráter, etc., são devidos ao trabalho do Espírito sobre os Éteres Superiores que se tornam mais ou menos luminosos de acordo com a natureza de nosso caráter e de nossos hábitos. Assim como o Corpo Denso assimila partículas de alimento, ganhando sustância física, os Éteres Superiores também assimilam as boas ações durante a vida, aumentando, consequentemente, de volume. Desta forma, em harmonia com os nossos atos durante a vida terrestre, aumentamos ou diminuímos a bagagem que trazemos ao nascer. Se tivermos nascido com um caráter doce, expressado pelos Éteres Superiores, não nos será fácil mudar esta condição, porque o Corpo Vital já se consolidou durante os milhares de anos em que tem durado a sua evolução. Por outro lado, se temos sido preguiçosos e negligentes, se fomos muito indulgentes com os hábitos considerados prejudiciais, se formamos um mau caráter em nossas vidas passadas, também nos será muito difícil dominar devido à natureza do Corpo Vital, e serão necessários vários anos de esforço constante. Para mudar a sua estrutura. Esta é a razão dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental afirmarem que todo desenvolvimento místico começa com o Corpo Vital.

PARTE II – CRISTO INTERNO – A MEMÓRIA DA NATUREZA

Há muitas pessoas que associam espiritualidade com um grande show de emocionalismo, mas, como vimos no capítulo anterior, esta ideia não tem nenhum fundamento; ao contrário, o tipo de espiritualidade que é desenvolvida e associada à natureza emocional do Corpo de Desejos é extremamente enganadora; esse é um dos tipos que é gerada em reuniões de revivificação, onde o emocionalismo é elevado ao seu mais alto grau, provocando em uma pessoa grande fervor religioso, que logo se desfaz e a deixa exatamente como era antes, para desconsolo dos revivalistas e outras pessoas empenhadas nos trabalhos evangélicos. Mas, o que mais podiam esperar? Eles se propõem a salvar as almas ao som de tambores e cornetas, com cânticos rítmicos revivificantes, com invocações feitas em um tom de voz que se eleva e abaixa em ondas harmônicas, e que têm sobre o Corpo de Desejos o mesmo poder efetivo das tormentas que encrespam o mar e depois se acalmam. O Corpo Vital é muito mais consistente, e ele é afetado somente quando a conversão se firma e permanece no homem ou na mulher durante toda a vida. Aqueles que possuem verdadeira espiritualidade não se consideram salvos em um só dia, nem se sentem no sétimo céu de êxtase, para, em seguida, se sentirem deprimidos e miseráveis pecadores incapazes de serem perdoados; isso porque a sua religião não está apoiada sobre a natureza emocional que provoca tais reações, mas sim enraizada no Corpo Vital, que é o veículo da razão, sempre firme e persistente no caminho escolhido. Assim como as formas novas são propagadas por meio do segundo Éter do Corpo Vital, o “EU SUPERIOR”, o CRISTO INTERNO é formado por intermédio desse mesmo veículo de geração, o Corpo Vital, em seus aspectos mais elevados, incorporados nos dois Éteres superiores.

No entanto, da mesma forma que uma criança necessita de nutrição ao nascer neste mundo, assim também o Cristo, que nasce internamente, é como uma bebê e precisa ser nutrido para que alcance o desenvolvimento característico de adulto. E como o Corpo Denso cresce mediante a assimilação contínua de matérias pertencentes à Região Química – sólidos, líquidos e gases – assim também, à medida que o Cristo cresce, os dois Éteres superiores aumentam em volume e formam uma nuvem luminosa em torno do homem ou da mulher suficientemente esclarecidos, que olham em direção do céu; isso revestirá o peregrino com uma luz tão brilhante, que ele, na verdade, “caminha na luz”. Por meio dos exercícios dados pela Escola Ocidental de Mistérios dos Rosacruzes, se torna possível, com o tempo, separar os dois Éteres superiores e, então, o ser humano poderá sair de seu Corpo Denso, deixando-o momentaneamente revestido e vitalizado somente pelos dois Éteres inferiores; ele é, então, o que nós chamamos de um Auxiliar Invisível.

Há vários graus de visão espiritual. Um deles habilita o ser humano a ver o Éter, normalmente invisível, com as miríades de seres que habitam esse reino. Outros e mais elevados graus lhe proporcionam a faculdade de ver o Mundo do Desejo e até o Mundo do Pensamento, permanecendo, não obstante, no seu Corpo Denso. Entretanto, essas faculdades, ainda que valiosas quando se exercem sob o controle da vontade humana, não são suficientes para se ler na “Memória da Natureza” com absoluta exatidão. Para que isto seja possível e, também, para que se possa efetuar investigações necessárias com o objetivo de compreender como se tece e destece a “Teia do Destino”, é necessário possuir a faculdade de sair, por livre e espontânea vontade própria, do Corpo Denso e funcionar fora dele, no Corpo-Alma, o qual já dissemos é formado pelos dois Éteres superiores, estando também revestido pelo Corpo de Desejos e pela Mente. Desse modo, o investigador se achará na posse total de suas faculdades; ele sabe tudo que conheceu no Mundo Físico e tem a habilidade de trazer novamente à consciência física, as coisas que aprendeu fora. Quando ele obtém essa capacidade, deve aprender também a se examinar, para compreender as coisas que vê do lado de fora, para que fica claro o seguinte: não é suficiente ser capaz de abandonar o Corpo para entrar em outro mundo e ver o que lá existe; nós não nos tornamos oniscientes por esse fato, nem sabemos o uso de tudo, ou como tudo funciona aqui nesse mundo físico, só porque vivemos aqui, dia após dia, ano após ano. Necessita-se de muito estudo e aplicação para se familiarizar com os fatos dos Mundos invisíveis, da mesma maneira que com os fatos do mundo em que estamos vivendo com nossos Corpos físicos. Por isso, o livro, a “Memória da Natureza”, não é fácil de ser lido à primeira ou à segunda tentativa, porque, da mesma forma que uma criança necessita empregar muito tempo para aprender a ler nos livros escolares, muito esforço e tempo são necessários para aprender a decifrar essa maravilhosa película.

É um fato conhecido, por todos Estudantes de ciência, que a história da Terra está escrita em caracteres inconfundíveis sobre as rochas e geleiras; sobre cada pedra se encontra algum sinal que guia o investigador treinado a decifrar sua mensagem concernente ao desenvolvimento da Terra nas épocas passadas e é maravilhoso ler nos livros que tratam deste assunto, o modo como os investigadores científicos são capazes de reconstruir a história, se valendo desses muitos indícios. Da mesma forma, é sabido que cada movimento individual que fazemos, deixamos, atrás de nós, vestígios que podem ser reconhecidos, ainda que sejam invisíveis a nós mesmos. A grande capacidade dos índios em perseguir e descobrir amigos ou inimigos através da selva virgem, guiados por arbustos quebrados etc., segundo citações de Fenimore Cooper[3] e de outros, é superada extraordinariamente pelos cientistas atuais, os quais são capazes de identificar criminosos pelas impressões digitais. As façanhas aparentemente fantásticas de Sherlock Holmes estão comprovadas mediante as atuais experiências de averiguação criminal. Os movimentos da humanidade de hoje podem ser reproduzidos, graças à câmara cinematográfica, mesmo depois que se tenham transcorridos muitos anos da morte de seus verdadeiros atores; e, assim, iluminados pelas últimas descobertas, podemos preparar nossas Mentes para aceitar a ideia de que existe um registro automático de cada vida humana e também das vidas de comunidades, preservado, no que podemos chamar, por falta de melhor denominação, na Memória da Natureza. Essa nos mostra os estados de evolução alcançados por todos os seres viventes e proporciona aos ministros de Deus, os Anjos Relatores, a perspectiva necessária de nos ajudar no esforço para alcançarmos a sabedoria, o conhecimento e o poder; eis os motivos pelos quais estas lições são necessárias para nosso avanço no Caminho. No que se refere ao indivíduo, este registro começa no momento exato em que ele emite sua primeira respiração, prosseguindo até que o último sopro de vida tenha esvaziado as artérias do sangue. Nós sabemos que todo o universo vibra com vida, que cada objeto emite, constantemente, ondas vibratórias que revelam sua natureza e sua presença. Também sabemos que, quando um recém-nascido efetua sua primeira respiração, as condições fisiológicas do coração se modificam, o forame oval é fechado e o sangue é forçado a circular através do coração e dos pulmões. Dessa forma, entra em contato com o ar que tem a imagem do ambiente que o cerca. Então, o sangue, que é o veículo do Ego, absorve pelos pulmões essa imagem completa do mundo exterior. Quando passa através do ventrículo esquerdo do coração, imprime os acontecimentos sobre o diminuto Átomo-semente situado no ápice, o que corresponde a um filme da câmera fotográfica. Não devemos duvidar de ser possível se imprimir tão grande quantidade de imagens sobre uma superfície tão pequena. Quando consideramos que a imagem da Lua, que vemos em nossa retina, é menor do que cinco centésimas partes de cada centímetro de diâmetro, concluímos que uma pequena imagem pode ser muito clara, pois mesmo dentro desse pequeno espaço notamos na Lua, a olho nu, grande número de montanhas e vales. A imagem de um homem, à distância de trinta e um metros, segundo fonte autorizada, não chega à centésima parte de um centímetro e, no entanto, nessa diminuta imagem podemos distinguir a expressão do rosto, o traje do homem, etc. Analogamente, existe sobre esse pequeno Átomo-semente uma imagem de todas as ações realizadas, de todas as cenas em que tomamos parte durante a nossa vida, desde o nascimento até a morte. George du Maurier[4] e Jack London[5] descrevem em “Peter Ibbetson” e em “The Star Rover”, como um prisioneiro pode reviver as ocorrências de sua infância, se vendo a si mesmo, a seus companheiros de brinquedo, a seus pais, a todo o seu ambiente pela reprodução do registro etérico de sua vida infantil, e até de vidas passadas. Qualquer um que conheça o segredo de como se colocar em contato com tais imagens, pode encontrar e ler a vida das pessoas com as quais mantém contato, como está provado pelos médiuns. Porém, enquanto se pode ler os acontecimentos recentes e atuais com relativa facilidade, se torna, gradualmente, mais difícil fazê-lo à medida que retrocedem. Isso porque os registros gravados no Éter são pouco nítidos, quando comparados com os que se encontram nos planos superiores, e, por isso, se desvanecem gradualmente.

Quando um vidente observa uma pessoa que está para adoecer, percebe que o Corpo Vital vai se tornando mais tênue, e quando este atinge um ponto de fragilidade em que já não é possível sustentar o Corpo Denso, os sintomas da enfermidade começam a se manifestar. Da mesma forma, antes de se constatar o restabelecimento físico, o Corpo Vital começa a adquirir mais densidade, e aí começa o período de convalescença. Sabemos que as vítimas de acidentes não sofrem tanto quando acabam de ser acidentadas, como vão sofrer logo depois; isso acontece porque o Corpo Vital, no momento do acidente, permanece ileso e, portanto, o efeito total não se nota até que esse veículo se tenha tornado mais tênue e incapaz de manter o processo vital. Assim, podemos ver que existem mudanças no Éter de um ser humano e, de acordo com o axioma místico “Como é em cima, assim é embaixo” e vice-versa, existem também mudanças no Éter planetário, que constitui o Corpo Vital do Espírito Terrestre. Como a Memória consciente dos acontecimentos recentes, que é intensa no ser humano, esmaece gradualmente, assim também o registro etérico, que é o aspecto mais inferior da Memória da Natureza, esmaece com o tempo.

Na subdivisão mais elevada da Região do Pensamento Concreto, justamente na linha divisória entre o Espírito puro e a matéria, se efetua uma impressão das coisas e dos acontecimentos deste mundo mais límpida e duradoura que a do registro etérico; porque, enquanto as ocorrências inscritas nesse registro etérico se desvanecem em manchas no decurso de algumas centenas de anos, e até os acontecimentos importantes podem durar somente mil ou dois mil anos, o registro impresso na subdivisão mais elevada da Região do Pensamento Concreto permanece durante o Período Terrestre. Enquanto as imagens gravadas no Éter Refletor podem ser lidas por alguém destituído de treinamento, mas que possui um pouco de visão espiritual, é necessário passar por várias Iniciações antes que seja possível, a quem quer que seja, ler as imagens conservadas na elevada Região citada acima. Compreenderemos facilmente a relação que existe entre este registro e o impresso no Éter e, também, entre as recordações absolutamente permanentes inscritas no Mundo do Espírito de Vida, se examinarmos o Diagrama N° 1 do “Conceito Rosacruz do Cosmos”[6].

Paracelso chama o registro feito no Éter de Luz Sideral, e Eliphas Levi, o grande cabalista, fala dessas gravações como as que estão conservadas na Luz Astral. Esta é uma definição verídica, pois, mesmo que não tenha nada a ver com as estrelas, como se poderia interpretar pelo seu nome, as impressões se acham na Região Etérica, fora da atmosfera da Terra. O médium ou a vítima hipnótica, que abandona o corpo por um método negativo sob controle alheio, levita por essas regiões tão naturalmente como nosso Corpo Denso gravita na Terra.

Como já dissemos no “Conceito Rosacruz do Cosmos” com referência à constituição de nosso Planeta, o caminho da Iniciação passa através da Terra, da periferia ao centro, um estrato de cada vez, e, mesmo que nossos Corpos físicos sejam impelidos naquela direção pela força de gravidade, sua densidade evita que a trespassemos, assim como eficazmente faz a força de levitação que repele a classe despreparada, citada acima, dos recintos sagrados. Somente quando, pelo poder de nosso próprio Espírito, nós tenhamos deixado o nosso Corpo Denso, instruídos por, e em consequência da reta maneira de viver, seremos capazes de ler o registro etérico com proveito. Em um ponto mais avançado do progresso, o “estrato aquoso” da Terra será aberto ao Iniciado, que se colocará num estado conveniente para ler o registro dos acontecimentos passados, impressos permanentemente na substância vivente da Região das Forças Arquetípicas[7], onde o tempo e espaço praticamente não existem, e onde tudo é um eterno Aqui e Agora.

PARTE III – “O GUARDIÃO DO UMBRAL” – ESPÍRITOS APEGADOS À TERRA

Enquanto estivermos estudando este Livro “A Teia do Destino, Como se Tece e Destece”, será conveniente dedicarmos alguma atenção ao misterioso “Guardião do Umbral”, um assunto que é tão mal compreendido. Nossas investigações sobre as vidas passadas de um grupo de pessoas que solicitaram auxílio da Fraternidade Rosacruz para se livrar da assim chamada obsessão, provaram que seus problemas são devidos a uma fase que foi chamada, equivocadamente por investigadores anteriores, de “O Guardião do Umbral”. Quando esses casos são examinados simplesmente por meio da visão espiritual ou pela leitura dos registros etéricos, se pode cair, facilmente, em semelhante erro, ou seja, confundir tal aparição com o verdadeiro Guardião do Umbral. Porém, assim que analisamos esses casos nos registros imperecíveis que se encontram na Região das Forças Arquetípicas[8], o assunto se esclarece imediatamente, e as conclusões tiradas dessas investigações podem ser assim resumidas:

No momento da morte, quando o Átomo-semente no coração é interrompido, e que contém todas as experiências da vida que acaba de findar em um quadro panorâmico, o Espírito abandona o Corpo Denso, levando consigo os veículos mais sutis. Ele flutua, então, sobre o Corpo Denso, que agora está morto, como assim dizemos, por um período de tempo que varia de algumas horas até três dias e meio. O fator determinante desta variação de tempo é o vigor do Corpo Vital, o veículo que constitui o Corpo-Alma[9] de que fala a Bíblia. Há, em seguida, uma reprodução pictórica da vida, um panorama em ordem inversa, desde a morte até o nascimento, e as imagens são impressas sobre o Corpo de Desejos, por meio do Éter Refletor neste Corpo Vital. Durante esse tempo a consciência do Espírito está concentrada no Corpo Vital, ou pelo menos deveria ser assim, e por isso nada sente deste processo. A imagem que foi impressa sobre o veículo do sentimento e da emoção, o Corpo de Desejos, é a base do subsequente sofrimento no Purgatório, em consequência das más ações, e também a base do regozijo que sentiremos no Primeiro Céu, em virtude do bem praticado na vida passada.

Esses foram os pontos principais que o autor pôde observar pessoalmente acerca da morte, na época em que lhe foi dado conhecer os primeiros ensinamentos, e quando foi levado, com a ajuda do Mestre, a presenciar as reproduções panorâmicas das vidas de pessoas que estavam atravessando as portas da morte, mas investigações posteriores vieram revelar um fato adicional, isto é, que existe outro processo em ação nos dias importantes que se seguem à morte. Uma divisão se realiza no Corpo Vital, semelhante à do processo de Iniciação. Uma grande parte deste veículo, que pode ser chamado “alma”, se une aos veículos superiores e forma a base da consciência nos Mundos invisíveis, depois da morte. A parte inferior, que é descartada, volta ao Corpo Denso e flutua sobre a tumba, na maioria dos casos, como já foi explicado no “Conceito Rosacruz do Cosmos”. Essa separação do Corpo Vital não é a mesma em todas as pessoas, mas depende da natureza da vida vivida e do caráter de quem estiver passando para o além. Em casos extremos, essa divisão varia muitíssimo dos considerados casos normais. Esse ponto importante nos levou a pensar, em muitos casos que foram investigados pela Sede Mundial, em suposta obsessão de Espíritos; de fato, foram esses casos que desenvolveram descobertas assombrosas e de alcance extraordinário, efetuadas em nossas investigações mais recentes, relativas à natureza da obsessão sofrida pelas pessoas que nos procuraram. Como seria esperado, logicamente, a divisão, em tais casos, indicou uma preponderância do mal; efetuaram-se, então, grandes esforços para descobrir se havia outra classe de pessoas com uma divisão diferente, em que se manifestasse a preponderância do bem. É uma satisfação reconhecer que assim acontece e, depois de analisarmos os casos descobertos e confrontá-los uns com os outros, podemos fazer uma descrição correta das condições observadas e suas razões:

O Corpo Vital procura sempre construir o Corpo Denso, ao passo que os nossos desejos e emoções o destroem. É a luta entre o Corpo Vital e o Corpo de Desejos que produz a consciência no Mundo Físico e que endurece os tecidos, de modo que o Corpo tenro da criança vai se tornando, com os anos, cada vez mais rígido e encolhe na velhice, seguindo-se a morte. A moralidade ou imoralidade dos nossos desejos e emoções atuam de maneira semelhante sobre o Corpo Vital. Quando a devoção aos ideais elevados é a mola principal de ação, onde a natureza devocional pôde se manifestar durante anos, livre e frequentemente, e, sobretudo, quando isso foi acompanhado dos exercícios científicos indicados aos Probacionistas da Fraternidade Rosacruz, há uma diminuição gradual da quantidade dos Éteres Químicos e de Vida, à medida que os apetites animais desaparecem, e se manifesta um aumento progressivo dos Éteres Luminoso e Refletor. Como consequência, a saúde física não é tão robusta entre os que seguem o caminho superior, como entre aqueles em que a satisfação das paixões inferiores atrai os Éteres Químico e o de Vida, conforme a extensão e a natureza dos vícios, com exclusão parcial ou total dos dois Éteres superiores.

Várias consequências muito importantes relacionadas com a morte acompanham esse acontecimento. Como é o Éter Químico que consolida as moléculas do Corpo Denso, para que permaneçam em seus respectivos lugares e as conservam nele durante toda a vida, quando existe somente um mínimo desse material, a desintegração do veículo físico, depois da morte, com certeza é muito rápida. Isso o autor não pôde comprovar porque foi muito difícil encontrar seres humanos de vocação espiritual elevada que tivessem falecido na ocasião, mas parece que deve ser assim pelo fato registrado na Bíblia referente ao Corpo de Cristo, que não foi achado na tumba quando o povo foi buscá-Lo. Como já dissemos em relação a este assunto, Cristo espiritualizou o Corpo de Jesus tão altamente, tornando-o tão vibrante, que lhe era quase impossível conservar as partículas no lugar durante o seu ministério. Esse fato já era do conhecimento do autor por meio dos ensinamentos dos Irmãos Maiores e das investigações feitas, por ele mesmo, na Memória da Natureza, porém, a conexão desse fato sobre a morte e a existência “post-mortem”, não era, até então, do seu conhecimento, até recentemente.

O verdadeiro “Guardião do Umbral” é uma entidade elemental criada nos planos invisíveis por todos os maus pensamentos e obras que não se transmutaram durante todo o período passado de nossa evolução. Este “guardião” está guardando a entrada dos Mundos invisíveis e desafia nosso direito para neles penetrar. Esta entidade deve ser, finalmente, redimida ou transmutada. De nossa parte, devemos gerar equilíbrio e força de vontade suficientes para enfrentá-lo, antes que possamos entrar, conscientemente, nos Mundos suprafísicos.

Como já dissemos, uma vida mundana aumenta a proporção dos Éteres inferiores do Corpo Vital, em prejuízo dos mais elevados. Da mesma forma, uma pessoa que leva unicamente uma assim chamada “vida pura” e sem excessos, tem uma saúde melhor do que a do Aspirante à vida superior, pois as atitudes do último constroem um Corpo Vital composto, principalmente, dos Éteres superiores. Ele ama o “pão da vida” mais do que o sustento físico e, portanto, o seu instrumento se torna cada vez mais flexível, nervoso e delicado, uma condição sensível que, gradualmente, impulsiona para as coisas do Espírito, mas que se torna uma tarefa difícil, do ponto de vista físico.

Na maior parte das pessoas há uma tal preponderância de egoísmo e um desejo de extrair o máximo da vida que, ou estão empenhados em afastar as adversidades de sua porta ou se acham acumulando posses e cuidando delas, e assim elas têm muito pouco tempo ou inclinação para se dedicarem à cultura da alma, tão necessária ao verdadeiro sucesso na vida. Muitas vezes, o autor as ouvia dizerem que se elas pagassem o ministro para estudar a Bíblia durante os seis dias e no sétimo dia lhes fazer um resumo, então teriam tudo que é necessário para adquirirem um bilhete para o céu. Elas se filiam às igrejas, fazem as coisas normalmente consideradas nobres e retas; no resto do tempo se divertem. Consequentemente, é tão pouco os que persistem, em cada vida, e a evolução é tão desesperadamente lenta que, até que possam ver o ato da morte das regiões superiores do Mundo do Pensamento Concreto e, por assim dizer, olhar para baixo, parece que nada se salva do Corpo Vital. Esse Corpo parece que retorna completo ao Corpo Denso, flutuando sobre a tumba até se desintegrar simultaneamente com o último. Na verdade, uma grande parte adere aos veículos superiores e segue com eles até o Mundo do Desejo, onde formará a base da consciência, durante a passagem pelo Purgatório e pelo Primeiro Céu, geralmente permanecendo aí até que o ser humano entre no Segundo Céu e se una às forças da natureza, no esforço de criar, para si mesmo, um novo ambiente. Nessa ocasião, já foi absorvido ou quase totalmente absorvido pelo Espírito, e qualquer coisa que ali permaneça, de natureza material, desaparecerá rapidamente. Desse modo, a personalidade da vida passada se desvanece e o Espírito não voltará a encontrá-la em suas vidas futuras nessa Terra.

Entretanto, existem pessoas de natureza tão perversa que apreciam a vida gasta em vícios e práticas degeneradas, vidas brutais, e até se deleitam em fazer sofrer. Algumas vezes, chegam a cultivar artes ocultas com propósitos malignos, para poderem ter maior domínio sobre suas vítimas. Suas artes demoníacas, suas práticas imorais resultam no endurecimento do seu Corpo Vital.

Em tais casos extremos, em que a vida animal predominou; quando na vida terrena precedente não houve expressão de alma, a divisão do Corpo Vital, de que falamos antes, não pode ocorrer com a morte, uma vez que não existe linha divisória. Assim, se o Corpo Vital gravitasse de volta ao Corpo Denso e ali se desintegrasse gradualmente, o efeito de uma vida perversa não teria consequências tão sérias, mas, infelizmente, em tais casos existe uma algema interna entre os Corpos Vital e o de Desejos, que evita a separação. Temos observado que quando um ser humano vive quase exclusivamente uma vida superior, seus veículos espirituais são alimentados em detrimento do inferior. Pelo contrário, quando sua consciência está enfocada nos veículos inferiores, ele os fortalece imensamente. Devíamos entender que a vida do Corpo de Desejos não se acaba com a partida do Espírito, pois permanece um resíduo de vida e de consciência. O Corpo Vital também é capaz de sentir levemente as coisas durante alguns dias após a morte (daí o sofrimento causado pelo embalsamento, pelas autópsias etc. logo após a morte), porém, quando uma vida grosseira o endureceu e o robusteceu grandemente, ele possui uma tenacidade para se aferrar à vida, e uma habilidade para se nutrir dos odores dos alimentos e das bebidas alcoólicas. Algumas vezes, tal como um parasita, se alimenta das pessoas com quem se põe em contato, como se fosse um vampiro.

Assim, um ser humano que é mau pode viver, invisivelmente, entre nós durante muitos e muitos anos, e tão junto que estará mais perto do que nossas mãos e nossos pés. Ele é muito mais perigoso do que um criminoso em Corpo Denso, porque tem meios para impelir outras pessoas a praticarem atos puníveis, degenerados e criminosos, sem que tenha medo de ser detido e castigado pela lei.

Semelhantes seres são, portanto, uma das maiores ameaças para a sociedade. São culpados de terem causado a prisão de muitos, de dissolver muitos lares e do haver provocado uma quantidade incrível de infelicidades. Sempre abandonam as suas vítimas quando estas caem nas garras da justiça. Saboreiam a dor e a desgraça delas, constituindo isso parte do seu esquema diabólico. Há outras classes que se deleitam em adotar uma postura “angélica” nas sessões espíritas. Eles também encontram vítimas lá e ensinam a elas práticas imorais. Os denominados “Poltergeist”[10], que se comprazem em quebrar pratos, derrubar mesas, levantar os chapéus das cabeças de uma plateia que se deleita, e fazer outras brincadeiras dessa natureza, também estão incluídos nesta classe. A força e a densidade do Corpo Vital de tais seres lhes facilitam essas manifestações físicas muito mais do que para aqueles que ultrapassaram o Mundo do Desejo; de fato, os Corpos Vitais desta classe de Espíritos são tão densos que quase se aproximam do estado físico, e constitui um mistério para o autor que as pessoas que foram enganadas por tais entidades não as tenham visto. Se pudessem ver seus rostos perversos e assustadores, a ilusão de que fossem anjos logo se dissiparia.

Existe ainda outra classe de Espíritos que pertencem a esta mesma categoria e que se apegam às pessoas que procuram desenvolvimento espiritual fora da linha espiritualista, sugerindo serem mestres individuais, e dão às suas vítimas uma série de ensinamentos tolos e sem sentido. Eles jogam com a credulidade de suas vítimas de uma maneira inacreditável e, mesmo que guardem suas intenções secretas durante anos, algum dia se mostrarão com sua verdadeira aparência. Por conseguinte, nunca será demais repetir que não devemos aceitar de ninguém, seja visível ou invisível, ensinamentos que não se amoldem, ainda que no grau mais sutil, à nossa mais elevada concepção de ética. É muito perigoso confiarmos em pessoas deste mundo e lhes dar nossa total confiança; nós sabemos disso por experiência e agimos de acordo com nossos princípios. Portanto, nós devemos ser mais cuidadosos quando a questão se refere aos assuntos da alma e não confiar tão importante matéria, como é o nosso bem-estar espiritual, às mãos de alguém que não podemos, pelo menor, ver ou julgar, adequadamente. Há muitos Espíritos que não têm aptidão para fazer grande mal às suas vítimas, se contentando em rondá-las durante anos, sem resultados particularmente nefastos. Contudo, a autoconfiança é a virtude essencial a ser cultivada neste estágio de nossa evolução; a máxima mística: “Se és Cristo, ajuda-te”, deve ressoar constantemente nos ouvidos daqueles que desejam encontrar e seguir o verdadeiro caminho. Por isso, devemos conduzir sempre a nossa vida sem medo e sem ajuda de qualquer Espírito.

Quando se pesquisa o passado na Memória da Natureza é espantoso encontrar o quanto tem prevalecido, através de séculos e de milênios, esta ligação dos Corpos Vital e o de Desejos. Nós percebemos, logicamente, de uma forma abstrata, que quanto mais regredimos na história dos seres humanos, mais selvagens os encontramos, contudo, na própria história atual, a selvageria tem sido tão comum e tão brutal que seu poder tem representado a medida indiscutível do que seja o certo, e essa verificação constitui para o autor uma experiência chocante. Já disse que o egoísmo e o desejo foram decididamente estimulados, sob o regime de Jeová, para dar incentivo à ação. Isso com o transcurso do tempo endureceu de tal modo o Corpo de Desejos que, quando o advento de Cristo aconteceu, não existia quase ideia da vida celestial no seio da humanidade daquela época, mas o autor, pessoalmente, não havia percebido o significado desse fato, até que deu início às recentes investigações da “A Teia do Destino”.

Os povos antigos não se contentavam em fazer somente todo o mal possível na vida e seguir adiante, mas eles tinham também que matar seus cavalos de guerra, colocar suas armas em seus esquifes, fazendo tudo para que se conservassem ali, porque o Éter desses instrumentos de guerra que lhes havia pertencido durante a vida, exercia uma atração sobre eles e era um meio de mantê-los presos à esfera terrestre. Isso os permitia assombrar, porque, na verdade, eles vagavam pelos castelos por muitos e muitos anos e, logicamente, essas entidades não pertenciam somente à classe dos ricos ou de guerreiros, mas de outras classes também. Em caso de brigas sangrentas, nas quais as pessoas se matavam uns aos outros, os fantasmas incitavam seus familiares vivos para que os vingassem, permanecendo a seu lado e os ajudando a finalizar os feitos sangrentos. Dessa forma, se perpetuava a maldade, e o mundo permanecia em constante agitação, com sangue e luta; ainda essa condição não se dissipou, inteiramente, em nossos dias, no chamado tempo moderno. Quando morre uma pessoa que manteve em seu coração ódio e maldade, estes sentimentos entrelaçam os Corpos de Desejos e o Vital, a convertendo numa séria ameaça para a comunidade que ninguém que não investigou pode imaginar. Portanto, mesmo que não houvesse outras razões, a pena de morte devia ser abolida, para que não se mantivessem sobre a comunidade essas entidades de características tão perigosas, capazes de incitar os seres humanos moralmente fracos, a seguir as suas pegadas.

PARTE IV – “O CORPO DE PECADO” – POSSESSÃO POR DEMÔNIOS AUTOCRIADOS – ELEMENTAIS

Os Espíritos apegados à Terra, como já foi dito, gravitam nas regiões inferiores do Mundo do Desejo, o qual interpenetra o Éter, e ficam em constante e estreito contato com pessoas da Terra que estão em situação mais semelhantes para ajudá-los nos seus maus desígnios. Permanecem nessa situação durante cinquenta, sessenta ou setenta e cinco anos, porém, têm-se visto casos extremos em que tais pessoas permanecem assim durante séculos. Com referência às descobertas do autor até o presente, parece que não há limite para o que eles possam fazer, ou quando deixarão de fazê-lo. Porém, vão amontoando sobre si uma carga horrorosa de pecados, a qual não poderão escapar sem sofrimento, pois o Corpo Vital reflete e grava profundamente no Corpo de Desejos um registro de tais maldades, e quando, finalmente, abandonam a vida errática e entram na existência purgatorial, eles encontram a retribuição e o castigo que merecem. O seu sofrimento será, naturalmente, de uma duração proporcional ao tempo em que permaneceram em suas práticas perniciosas depois da morte do Corpo Denso – o que vem provar mais uma vez que, “os moinhos de Deus moem devagar, mas moem extraordinariamente bem”.

Quando o Espírito abandonou o Corpo de Pecado, como chamaremos este veículo para contrastá-lo com o Corpo-Alma, a fim de ascender ao Segundo Céu, ele não se desintegra tão rapidamente como acontece com o invólucro deixado para trás, como acontece, normalmente, com as pessoas; isso porque, nele, a consciência se acha aumentada por uma dupla composição, isto é, sendo composto de um Corpo Vital e de um Corpo de Desejos tem uma consciência individual ou pessoal muito marcante. Não pode raciocinar, mas existe uma astúcia inferior que faz com que pareça ter o aspecto de um Espírito, um Ego, e isso lhe facilita viver uma vida separada por muitos séculos. Entretanto, o Espírito que partiu entra no Segundo Céu, porém, não tendo efetuado nenhum trabalho na Terra que o faça merecer uma prolongada estada ali ou no Terceiro Céu, permanece nesses lugares somente o tempo suficiente para criar um novo ambiente para si e, então, renasce muito antes do tempo normal, para satisfazer seu desejo de coisas materiais que tão intensamente o atraem.

Quando o Espírito retorna à Terra, seu Corpo de Pecado é atraído, naturalmente, para ele e, geralmente, permanece a seu lado toda a sua vida, como um demônio. As investigações demonstraram que esta classe de criaturas sem alma existiu em abundância nos tempos bíblicos e foi a elas que o nosso Salvador se referia como demônios, sendo a causa de diversas obsessões e enfermidades corporais a que se refere a Bíblia. A palavra grega “daimon” os descreve com precisão. Ainda hoje, numa parte do sul da Europa e do Oriente, eles perturbam, sendo que esta situação aflitiva se encontra mais agravada na Sicília, Córsega e Sardenha. Tribos inteiras da África, nas quais prevalece a prática da magia Vodu, têm esses espectros horrorosos; os indígenas dos Estados Unidos da América e os negros do Sul desse país estão, também, sujeitos a eles.

Infelizmente, o mal não está só confinado a essas chamadas raças inferiores ou atrasadas. Mesmo aqui, entre os habitantes que chamamos de países civilizados, no norte da Europa e nas Américas do Norte e do Sul, vemos que possessões demoníacas estão longes de não ser frequentes, mesmo que, logicamente, sua forma não seja de natureza tão miserável como nos casos acima citados, em que a ação demoníaca é acompanhada, frequentemente, de práticas abomináveis e repulsivas.

Em certa época, o autor esteve muito apreensivo com o efeito que a guerra poderia ter no entrelaçamento do Corpo Vital e o de Desejos, pensando que pudesse produzir o nascimento de legiões de monstros que afligiriam as futuras gerações. No entanto, é com grande alegria que reafirmo que não devemos temer por isso. Somente quando o ser humano é, premeditadamente, mau e vingativo, e persistentemente nutrem esse desejo, sentimento e propósito focado em alguém; somente quando tais desejos e emoções são cultivados, estimulados e mantidos é que produzem o endurecimento do Corpo Vital e criam uma ligação interna entre esses veículos. Sabemos, pelos registros da grande guerra, que as tropas não alimentam tais sentimentos umas contra as outras, contudo os adversários se relacionam como amigos, entrando, muitas vezes, em contato e se confraternizando. Ainda que a guerra seja responsável por uma tremenda mortalidade, e, em consequência, acarretando uma deplorável mortalidade infantil em idade futura, não pode ser acusada pelas doenças terríveis engendradas pela obsessão, nem pelos crimes sugeridos por esses demoníacos Corpos de Pecado.

Os Corpos de Pecado abandonados, a que nos referimos anteriormente, habitam, de preferência, as regiões mais inferiores do Éter e se condensam muito próximo à linha da visão física. Algumas vezes, podem fazer uso de alguns constituintes do ar, tornando-se perfeitamente visíveis para as pessoas a quem costumam molestar, embora suas vítimas tenham sempre muito cuidado para evitar que alguém perceba essa presença demoníaca à sua volta, isto é, pelo menos no mundo ocidental; parece não haver tal sutileza na parte sul da Europa.

Seguindo investigações anteriores, o autor tentou várias experiências com Espíritos que se encontravam nos reinos superiores do Éter e que acabavam de morrer e, também com pessoas que haviam estado no Mundo do Desejo, por um tempo curto ou longo, e que estavam quase prontos para passar para o Primeiro Céu. Muitos Espíritos que haviam partido desta vida procuraram cooperar, bondosamente, sobre o assunto. O objetivo destas experiências era determinar até que ponto lhes seria possível se revestirem nos materiais das regiões etéricas inferiores e mesmo das regiões gasosas. Foi comprovado que aqueles que acabavam de morrer podiam aguentar facilmente as vibrações etéricas inferiores, e, embora sendo seres de bom caráter, não se sentiam satisfeitos em lá permanecer mais tempo do que o necessário, pois aquela situação lhes era desconfortável. Porém, ao fazer a experiência com Espíritos vindos das sucessivas regiões superiores do Mundo de Desejo e do Primeiro Céu, notamos que se tornou cada vez mais difícil para eles se envolverem no Éter ou penetrar nele. A opinião geral foi que sentiram uma sensação semelhante a descida ao interior de um poço profundo, chegando até à asfixia. Também se comprovou que foi absolutamente impossível às pessoas do Mundo Físico avistá-los. Tentamos, por todos os meios de sugestão, dar uma sensação da nossa presença às pessoas congregadas em salões que visitávamos, mas não percebemos resposta às nossas manifestações, embora, em alguns casos, as formas que condensamos parecessem ao autor tão escuras como as das pessoas físicas cuja atenção desejávamos atrair. Colocamos nossos elementos experimentais entre as pessoas físicas e a luz, mas, mesmo assim, não obtivemos nenhum êxito, tanto com aqueles que procediam das regiões superiores, como com os que acabavam de morrer e podiam permanecer, durante um tempo considerável, na posição e na densidade que lhes foram dadas.

Além disso, entre as entidades já mencionadas anteriormente, e que moram em um Corpo de Pecado construído por elas mesmas e, por isso, sofrem intensamente durante o período de expiação, encontramos duas classes que, em certo sentido, são iguais entre si, embora, em outros, sejam completamente diferentes. Além das Hierarquias Divinas e das quatro ondas de vida dos Espíritos que se acham agora evoluindo no Mundo Físico, por meio dos reinos mineral, vegetal, animal e humano, existem outras ondas de vida que se manifestam nos vários Mundos invisíveis. Entre elas há certa classe de Espíritos sub-humanos que são chamados elementais. Ocorre, algumas vezes, que um desses elementais se apossa do Corpo de Pecado de alguém de uma tribo selvagem, e, deste modo, acrescenta a tal ser, uma inteligência extra. No renascimento daquele Espírito que gerou esse Corpo de Pecado, a atração natural os une; porém, devido ao elemental que anima o Corpo de Pecado, o Espírito se torna diferente dos outros membros da tribo e daí o vermos atuando entre os seus como curandeiro ou outras ocupações semelhantes. Estes Espíritos elementais que animam os Corpos de Pecado dos indígenas, também atuam como Espíritos de controle sobre o médium e, alcançando poder sobre ele durante a vida, quando este morre, estes Espíritos de controle elementais expulsam-no dos veículos que contém a sua experiência de vida e, como consequência, o Espírito do médium pode se atrasar em sua evolução durante eras, porque não há poder capaz de obrigar os elementais a abandonar suas presas sobre quem obtiveram total controle. Portanto, mesmo que a mediunidade não produza efeito maléfico visível no curso de uma vida, existe um grande perigo, depois da morte, para a pessoa que permitiu que seu corpo fosse assim possuído. O espiritismo prestou ao mundo um serviço necessário. Foi provavelmente o principal meio para provar o materialismo absoluto da ciência, e trouxe consolo a milhares de almas sofredoras que lamentavam a perda de seus entes queridos; fez, também, com que muitos céticos acreditassem numa existência superior. Não temos intenção de menosprezar os militantes deste credo, mas não podemos deixar de emitir nossa advertência, pois acreditamos ser um dever apontar o enorme perigo em que se encontram aqueles que, habitualmente, permitem ser controlados por Espíritos que não podem ver e de quem absolutamente nada sabem.

PARTE V – OBSESSÃO DO SER HUMANO E DOS ANIMAIS

É um fato curioso como os elementais sub-humanos, algumas vezes, agregam-se a determinadas pessoas, a uma família ou até as sociedades religiosas; mas em tais casos, tem-se visto que os veículos usados por eles não consistem em um Corpo de Pecado endurecido, composto pela ligação dos Corpos Vital e de Desejos, mas tais veículos são obtidos por meio da mediunidade praticada por uma pessoa normalmente de bom caráter, e o Éter desse veículo estava em estado de desintegração. Para preservar e prolongar o seu domínio sobre tal veículo, pedem àquele a quem servem, que lhes ofereçam regularmente alimento e lhes queimem incenso; ainda que não possam, naturalmente, assimilar o alimento físico, podem e vivem dos vapores e do cheiro que eles exalam, assim como da fumaça do incenso.

Essa é mais uma ilustração de que os motivos, por mais puros que sejam, não nos protegerão quando agimos contra as leis de Deus, assim como não podemos deixar de queimar as mãos se as pusermos no fogo, não importa a razão porque o fizemos. Entretanto, temos observado que quando um médium se deixa dominar por motivos puros ou por uma elevada devoção religiosa, é muito difícil a essas entidades malignas sustentarem a possessão do Corpo Vital por muito tempo; cansam-se depressa do esforço e vão procurar outra vítima mais de acordo com a sua natureza. Sabe-se que no sul da Europa e no Oriente distante existem elementais que se apossam dos Corpos Vitais de uma família por gerações seguidas, deixando um Corpo por outro, realizando certos serviços para a família, como compensação pelo alimento que lhes é dado regularmente. Alguns desses elementais são demasiado malignos para se satisfazerem com simples alimentos e exigem sangue, até sangue humano, sendo responsáveis por tribos como as dos caçadores de cabeças das Filipinas e a dos estranguladores da Índia, que cometem assassinatos como um rito religioso. Isso, também, é a base do Culto aos Antepassados no Oriente.

Estes elementais, assim como os corpos de pecado que não são animados por uma inteligência externa, são denominados “OS GUARDIÃES DO UMBRAL”, devido ao fato de que quando a pessoa, por quem este demônio foi originalmente gerado, renasce esse demônio se agrega a ela e se torna um tentador e um Espírito do mal para ele em toda sua vida. Frequentemente se verifica que uma pessoa, que em uma vida gerou tal demônio, mas aprendeu as lições na existência purgatorial, e quando renasce se esforça com o máximo empenho para viver uma vida pura, honesta e decente, ainda assim encontrará ao seu lado esse Corpo de Pecado para atrapalhá-la. Muitas pessoas torturadas desse modo eram tão sinceras em seus desejos de reforma que entraram para mosteiros e praticaram mortificações severas em seus Corpos, acreditando que o demônio que as rodeava e de cuja presença estavam conscientes, era o próprio diabo ou um dos seus emissários.

Diz-se, na verdade, que o menino é o pai do homem. Similarmente, nossas existências anteriores são progenitoras de nossa vida presente e futura. E é muito certo que, pelo menos nesse sentido, “os pecados dos pais recaiam sobre os filhos”. Não podemos negar a justiça desse fato, pois, as crueldades praticadas pelas pessoas que deram origem a formação dos corpos de pecado foram, geralmente, da natureza mais atroz que se possa imaginar.

Você, provavelmente, já ouviu falar que quando um cachorro buldogue prende uma vítima com seus dentes, não quer largá-la. Isso implica em dizer que o animal tem o poder de fazer o que quiser. O mesmo não acontece com uma cobra; seus dentes são virados para o fundo da boca e, uma vez que os tenha enterrado na carne de sua vítima, não pode desprendê-los e terá, forçosamente, que engolir a presa. Por curioso que nos pareça, acontece algo semelhante com a obsessão.

Lembram-se que o autor tem dito sempre que os Espíritos de controle estão do lado de fora do Corpo de sua vítima e por detrás dela, manipulando o órgão da voz ou todo o Corpo, segundo o caso, através do cerebelo e da medula oblongada, onde a chama da vida arde com um som duplo e sibilante, composto de dois tons que indicam a resistência do Corpo às manipulações do intruso. Nossas últimas investigações, entretanto, revelaram o fato de que o Espírito de controle que atua pelo lado de fora da vítima, é da classe dos argutos que se acautelam para não serem apanhados numa armadilha. Enquanto estão fora podem abandonar a presa a qualquer momento, e permitem que suas vítimas sigam a própria vida como desejarem, como eles também o fazem. Porém, existem outros Espíritos que não são tão sagazes, que são talvez mais arrojados ou que estão ansiosos por penetrar no mundo material e por isso põem de lado qualquer precaução. Penetrando no Corpo de suas vítimas, acham-se quase na mesma situação de uma presa nos dentes de uma cobra; o Corpo de suas vítimas os mantêm firmemente presos e não podem se livrar em circunstâncias normais. Nesses casos, a obsessão se torna permanente e a personalidade da vítima se transforma totalmente.

Se o Espírito obsessor for uma entidade elemental ou sub-humana, que não é capaz de usar a Mente ou a laringe, uma vez que esses órgãos foram as últimas aquisições humanas, a pessoa assim obsidiado se converte num lunático irremediável, não raro de natureza perversa, cuja faculdade de linguagem frequentemente se torna danificada. É quase impossível desalojar tal entidade, uma vez que ela tenha entrado. Investigações de vidas anteriores indicam que tal aflição é geralmente o resultado de um desejo de fugir às experiências da vida, pois, aqueles que estão obsidiados, frequentemente, foram suicidas em uma existência anterior. Tiveram um Corpo que desprezaram e, em uma vida posterior, a mentalidade se debilitou como resultado de alguma doença física, de um grande choque ou mesmo de uma obsessão. Em quaisquer desses casos, o Espírito foi expulso do seu Corpo, pairando à sua volta ansioso por possuí-lo, mas incapaz de fazê-lo devido à falta da Mente, por meio da qual poderia focar o pensamento sobre o cérebro, ou devido à obsessão de uma entidade alheia.

A dor e o desapontamento são causas frequentes do suicídio, e, muitas vezes, uma grande tristeza foi o motivo para arruinar a Mente; entretanto, o Espírito é capaz de compreender e enfrentar a situação, ainda que não seja capaz de usar seus veículos devido ao escasso foco da Mente. Porém, no caso que se tenha desejado fugir da situação pelo suicídio, o indivíduo aprende, pela maneira já descrita, a conhecer o valor de um Corpo e de suas ligações, não havendo no futuro causa suficiente para decidi-lo a romper o Cordão Prateado. Algumas vezes, a dor vem para tentar uma pessoa que cometeu suicídio em vida anterior; e, quando ele resiste à prova, mostra que já está imune à tentação. Sob o mesmo princípio, o alcoólatra de vidas anteriores é tentado a beber para testar sua estabilidade de caráter, ao rejeitar conscientemente a bebida.

É curioso como a perpetração do suicídio em uma vida e consequente sofrimento post-mortem ao tempo em que ainda existe o arquétipo, frequentemente gera no suicida um medo mórbido da morte na próxima vida, assim, quando a morte chega, no decurso normal, os suicidas parecem frenéticos depois de abandonar o Corpo e tão ansiosos de voltar ao mundo material que, com frequência, cometem o crime da obsessão da forma mais tola e irrefletida. Entretanto, como nem sempre há pessoas negativas sujeitas à obsessão (e ainda que as houvesse, não é fácil à pessoa que acaba de morrer, e que procura uma oportunidade de voltar, encontrar alguém que a possa abrigar), uma coisa estranha e horrível acontece: o Espírito expulsa o verdadeiro possuidor de um Corpo animal e passa a animar este veículo. Acha-se, assim, na horrorosa contingência de viver uma existência pura e simplesmente animal. Se o animal está sujeito a crueldades por parte do dono, o Espírito humano obsessor sofre como sofreria o Espírito animal; se o animal é sacrificado para prover alimento, o ser humano, dentro dele, vê e compreende os preparativos para o abate, vendo-se obrigado a passar pelas horrorosas experiências relacionadas com isso. Casos dessa natureza não são tão raros como se poderia supor; ao contrário, ocorrem frequentemente, como uma visita a alguns dos grandes matadouros da América do Norte, onde o autor tomou conhecimento disso; e compreendeu a situação, chegando à mais dolorosa convicção da necessidade de educar o ser humano com respeito à grande verdade de que a morte, assim como o nascimento, é somente um acontecimento frequente na vida eterna do Espírito imortal.

Uma fé total nessa doutrina eliminaria incontáveis misérias da humanidade, e devemos fazer tudo que esteja ao nosso alcance para ajudar a divulgar este Evangelho de Vida.

Algumas vezes, também, um ser humano perverso incorpora um animal feroz e sente um prazer diabólico em aterrorizar uma comunidade. Quando Cristo andou na Terra, casos de obsessão animal por Espíritos humanos aconteciam diariamente, e os exemplos registrados na Bíblia não são, em absoluto, mitos ou loucuras para aqueles que são dotados de visão espiritual e capazes de ler na Memória da Natureza, pois veem que essas coisas ocorreram realmente; com efeito, os antigos videntes que observaram essa entrada de pessoas de caráter baixo e vil nos Corpos de animais, ao abandonarem seu próprio Corpo na morte, pensavam que isso era o curso normal da natureza, ao invés de ser uma condição anormal. Daí terem formulado a doutrina da Transmigração.

PARTE VI – A CRIAÇÃO DO AMBIENTE – GÊNESE DAS DEFICIÊNCIAS MENTAIS E FÍSICAS

É um fato evidente, depois de uma simples observação, que enquanto os animais atuam de modo semelhante, sob as mesmas circunstâncias, por estarem sendo guiados por um Espírito-Grupo, o ser humano não age assim. Na humanidade há tantas espécies quantos são os indivíduos, sendo que cada um é uma lei em si mesmo; e ninguém pode predizer as ações de um ser humano, ou como um outro agirá em circunstâncias análogas; o mesmo indivíduo pode agir distintamente, e provavelmente o fará, diante de condições idênticas e em ocasiões diferentes. Por essa razão, é muito difícil tratar ou elucidar devidamente um assunto como o da “A Teia do Destino”, quando nós, seres humanos, ainda possuímos Mentes presentemente com capacidade reduzida. Para compreender totalmente esse assunto precisaríamos da sabedoria de grandes seres como são os Anjos do Destino, que têm a seu cargo este intrincado departamento da vida.

No entanto, não se deve pensar que o autor esteja dando, nesse livro, uma ideia superficial de como se faz ou desfaz o destino. Cada ato de cada indivíduo produz uma determinada vibração no universo, que incide sobre ele e sobre os outros ao seu redor; e simples Mente humana não pode ver ou calcular os resultados dessas ações e reações que se produzem em poucos meses, anos ou vidas. Tivemos a oportunidade de ver, graças ao quadro geral impresso em nossa Mente quando desenvolvíamos este tema, o modo de classificar as causas geradas no passado, segundo se nos apresentam, e seus efeitos na vida atual. No decurso desse estudo investigamos centenas de pessoas e, em alguns casos, retrocedemos três, quatro e até mais vidas, com o objetivo de chegar à raiz da questão e determinar como as ações do passado reagem para criar as atuais condições de nossas vidas presentes. Embora tenhamos feito o melhor possível, pedimos aos Estudantes que não considerem isso como uma conclusão definitiva sobre o assunto, mas antes como um início, que confiamos possa ajudá-los a resolver determinados problemas.

No que concerne ao ambiente, parece-nos que as pessoas que são de natureza difícil de conviver com outras e que têm diante de si uma vida árdua, nascem frequentemente entre estranhos, dos quais não receberão simpatia e onde seus sofrimentos não despertarão, nas pessoas do mesmo sangue, nenhum sentimento de apoio apreciável; às vezes, ficam órfãs, ou são abandonadas pelos pais, ou fogem de casa na tenra idade. Quando é esse o caso, essa alma, muitas vezes, anseia pelo afeto que ela recusou dar aos outros em vidas anteriores. Também vimos casos em que determinados indivíduos cometeram atrocidades no passado e levaram a desonra e a vergonha a seus familiares, os quais sofreram muito devido ao grande amor que dedicavam a esses depravados. Quando tal alma errante se dispõe a se emendar e purgar os erros do passado, encontrar-se-á em um ambiente totalmente hostil, com fome e sede por um amor que desprezou anteriormente; então isso lhe causa agora uma vida tão difícil. Se o ser humano não aprendeu a lição em uma só vida, muitas outras vidas com experiências semelhantes lhe ensinarão a ser amável com aqueles que o amam, bem como a agir correta e honestamente com os outros.

Também observamos que, muitas vezes, uma alma que viveu erradamente em vidas passadas, não teve uma assistência bondosa por parte de sua família, que lhe devia ter dado atenção, apoio e amor. Naturalmente, a falta deste ambiente afetivo não foi uma justificativa para os seus erros perante a lei, e a pessoa foi obrigada a expiá-los em vidas posteriores. No entanto, em tais casos, os papéis foram, normalmente, trocados; a família, que em vidas passadas a repudiou, agora a amou profundamente e, então, sentiu intensamente toda a mágoa e todo sofrimento que ela teve que passar por conta de seu passado. Assim, a família também expiou suas ações do passado dando a pessoa o que faltou em simpatia e bondade.

Esses são casos extremos, e, naturalmente, não podemos tirar conclusões definitivas de casos pouco nítidos, pois quanto mais nebulosos eles forem, mais fácil será tabulá-los. A lei aplicada nos casos extremos também se aplica aos de menor importância, com as modificações necessárias às diferenças de ambiente.

Os fatos relatados acima indicam, de forma clara, que somos realmente os guardiães de nossos irmãos e que convém que todos nós exteriorizemos muita simpatia e bondade aos desafortunados, tanto da nossa família como aos demais. Mesmo que vendo as coisas superficialmente e olhando a vida somente sob o ponto de vista da nossa encarnação atual, pode parecer que não temos responsabilidade alguma pelas ações de nossos infelizes familiares; no entanto, se pudéssemos ver mais amplamente o sentido da vida, ver por trás do véu, provavelmente descobriríamos que nós mesmos os ajudamos a se afundarem na degradação.

Frequentemente ouvimos a expressão que uma pessoa é o “pesadelo” em uma certa família; e nós podemos, muito de perto, sempre considerarmos que essa pobre alma é uma estranha entre gente estranha, devendo estar ali por algum desajuste praticado no passado. O “sangue é mais espesso que a água”, diz um velho provérbio; na verdade, o laço de sangue não traz consequências, a menos que as pessoas de uma família estejam unidas entre si pelo amor ou pelo ódio do passado, os quais determinam as verdadeiras relações da vida atual. Uma alma pode nascer em determinada família, pode se sentar à sua mesa, ter o direito legítimo de herança e ser, entretanto, tão estranha a ela como qualquer mendigo que lhe chegue à porta pedindo um prato de comida. Recordemos que Cristo disse: “Eu estava faminto e vós Me destes de comer; Eu estava sedento e Me destes de beber; Eu era um estranho e Me admitistes ao vosso lado”[11]. Depois: “Tudo o que fizestes em favor do menor de meus irmãos, a Mim mesmo o fizestes”[12]. Quando nós encontrarmos tal tipo de alma, “estranha”, solitária e estrangeira em seu meio ambiente, é nosso dever, como cristãos, imitar o exemplo de nosso Senhor; nós devemos nos esforçar para que essa alma estrangeira se sinta em casa e aplique seus conhecimentos pelo amor de Cristo, sem tomar em conta suas excentricidades.

As deficiências que afetam a humanidade podem ser divididas em duas grandes classes: mentais e físicas. As perturbações mentais, quando congênitas, são especialmente consequências do abuso da força criadora, com uma só exceção que veremos depois. Pode-se incluir no caso as debilidades dos órgãos vocais. Isso é lógico e compreensível. O cérebro e a laringe foram construídos com a metade da força criadora pelos Anjos, assim, o ser humano, que antes da aquisição desses órgãos era bissexual e capaz de criar por si mesmo, sozinho, perdeu essa faculdade quando esses órgãos foram criados e, agora, depende da cooperação de alguém do outro sexo ou polaridade oposta, a fim de gerar um veículo novo para um Espírito que renasce.

Quando usamos a visão espiritual para observar um ser humano na Memória da Natureza, durante a época em que ainda estava em formação, vemos que, onde quer que agora exista um nervo, existia antes uma corrente de desejos; que pelo próprio cérebro foi feito, de início, de substância de desejos, bem como a laringe. Foi o desejo que primeiramente enviou um impulso motivador por meio do cérebro e criou tais correntes nervosas para que o Corpo pudesse se mover e dar ao Espírito qualquer gratificação que fosse indicada pelo desejo. A linguagem, da mesma forma, é utilizada com o propósito de obter um objeto ou alcançar uma finalidade desejada. Por meio dessas faculdades, o ser humano alcançou certo domínio sobre o mundo e, se pudesse voar de um Corpo a outro, não teria fim o abuso de seu poder para satisfazer qualquer capricho ou desejo. Porém, sob a Lei de Consequência, ele leva com ele, em um Corpo novo, as faculdades e órgãos semelhantes àqueles que utilizou em Corpos precedentes.

Quando a paixão arruinou o Corpo em uma vida, isso fica gravado no Átomo-semente. Na descida para o próximo renascimento é impossível para este Espírito juntar material puro com o qual possa organizar um cérebro de construção estável. Nesse caso, renasce geralmente sob um dos Signos Comuns[13] e, muitas vezes, os quatro Signos Comuns se acham nos ângulos; porque, através de tais Signos, o desejo passional encontra dificuldade para se manifestar. Em consequência, este poderoso impulso que anteriormente regeu seu cérebro e que poderia ser usado agora com o propósito de renovação, acha-se ausente; ele tem falta de incentivo na vida e, com isso, se converte em um inútil, uma tábua sobre o oceano da vida, e, frequentemente, um insano.

Porém, o Espírito não é insano; ele vê, conhece e tem um desejo veemente de utilizar seu Corpo, embora ser uma impossibilidade, pois, muitas vezes, não pode nem sequer enviar um impulso adequado aos seus nervos. Os músculos do rosto e do corpo não estão sob o controle de sua vontade. Isso é devido à falta de coordenação que faz com que o maníaco tenha tão lamentável aspecto. Assim, o Espírito aprende uma das mais duras lições da vida, pois é muito pior do que a morte se achar sujeito a um Corpo vivo e ser incapaz de se expressar por meio dele. Isso porque a força de desejos necessária para realizar o pensar, o falar e o se mover, foi arruinada em uma vida de depravação no passado, deixando o Espírito sem a energia necessária para manipular seu atual instrumento.

PARTE VII – A CAUSA DA ENFERMIDADE – ESFORÇOS DO EGO PARA ESCAPAR DO CORPO – EFEITOS DA LASCÍVIA

Ainda que as incapacidades mentais, quando congênitas, sejam em geral produzidas pelo abuso da função criadora em vidas passadas, há uma notável exceção a essa regra, como nos casos mencionados no “Conceito Rosacruz do Cosmos” e em outras partes de nossa literatura, e descritos a seguir: quando um Espírito que tem diante de si uma vida particularmente penosa está prestes a renascer, e sente, no momento de entrar no útero materno, que o panorama da vida futura que lhe é exibido naquele momento marca uma existência dura e infeliz demais para ser suportada, algumas vezes tenta fugir à escola da vida. Nessa ocasião, os Anjos do Destino, ou seus agentes, já fizeram no feto em formação as conexões necessárias entre o Corpo Vital e os centros sensoriais do cérebro; portanto, o esforço do Espírito para fugir do útero materno é frustrado, mas, o deslocamento produzido pela torção dada pelo Ego, altera a conexão entre os centros sensoriais etéricos e físicos, daí o Corpo Vital não ficar em posição concêntrica com o físico, fazendo com que a cabeça etérica sobressaia do crânio físico. Resulta disto a impossibilidade do Espírito usar seu veículo denso, achando-se ligado a um corpo sem Mente que não poderá utilizar, e o renascimento será inútil.

Temos casos em que uma grande comoção durante a vida faz com que o Espírito tente escapar do Corpo com os veículos invisíveis. Como consequência da torção, se produzem emoções iguais nos centros sensoriais etéricos do cérebro e esse choque desorganiza a expressão mental. Provavelmente todos já devem ter experimentado uma sensação semelhante ao receber um susto; há uma agitação como se algo se esforçasse para escapar do Corpo Denso; se trata do Corpo de Desejos e do Corpo Vital, que são tão velozes em seus movimentos, que um trem expresso comparado a eles pareceria uma lesma. Estes Corpos sentem o perigo e se enchem de temor antes que o medo se transmita ao inerte e lento Corpo Denso, ao qual estão ligados e do qual não podem fugir em condições normais.

Às vezes, como já dissemos, o susto e o choque são suficientemente fortes e podem atuar com tal impulso que os centros sensoriais etéricos se desorganizam. Isso ocorre mais frequentemente com as pessoas que nasceram sob Signos Comuns, que são os mais fracos do Zodíaco. Tal como um ligamento que foi distendido e rompido pode recuperar gradualmente uma relativa elasticidade, assim também é mais fácil restaurar as faculdades mentais nesses casos do que naqueles onde a insanidade congênita, acarretada por vidas passadas, ocasionou uma conexão indevida.

Comprovou-se que a histeria, a epilepsia, a tuberculose e o câncer são o resultado de tendências errôneas de uma vida passada. Observou-se que muitos indivíduos, que haviam sido quase maníacos na satisfação de sua lascívia em vidas anteriores, possuíam ao mesmo tempo uma natureza altamente devota e religiosa; e em tais casos, parece que o Corpo Denso gerado na vida presente era de saúde normal, havendo unicamente incapacidade mental; enquanto que em outros casos onde a indulgência com a natureza passional estava unida a um caráter maligno e a um grande desrespeito aos semelhantes, a epilepsia, o raquitismo, a histeria e uma deformação corporal foram os resultados desses erros, assim como o câncer, em especial no fígado e no seio.

Nessa conexão, entretanto, sentimos o dever de advertir os Estudantes que não tirem conclusões apressadas de que as manifestações citadas anteriormente representem regras fixas e inflexíveis. As muitas investigações levadas a efeito, embora tenham sido árduas para um só investigador, são ainda escassas para que sejam conclusivas e onde estão envolvidos milhões de seres humanos. De qualquer modo, estão em harmonia com os ensinamentos contidos no “Conceito Rosacruz do Cosmos” ministrados pelos Irmãos Maiores, que exemplificaram os efeitos do materialismo como produtor do raquitismo, isto é, o amolecimento de uma parte do corpo que deveria ser dura e da tuberculose que endurece tecidos que deviam permanecer moles e flexíveis. O câncer é essencialmente semelhante em seus efeitos; e quando consideramos que o signo de Câncer é regido pela Lua, o Astro da geração, estando a esfera lunar sob o controle de Jeová, o Deus da reprodução, cujos Anjos anunciam e presidem o nascimento, como nos casos de Isaac, Samuel, João Batista e Jesus, nós compreendemos facilmente que o abuso das funções geradoras pode causar tanto o câncer como a insanidade nas mais variadas formas.

Portanto, com respeito às anormalidades e deformidades físicas, parece ser regra geral que, assim como a indulgência física com as paixões atua sobre o estado mental, os abusos dos poderes mentais em uma vida conduzem à incapacidade física em existências posteriores. Uma máxima oculta diz que “uma mentira é ao mesmo tempo assassina e suicida no Mundo do Desejo”. Os ensinamentos dos Irmãos Maiores, contidos no “Conceito Rosacruz do Cosmos”, explicam que sempre que um incidente ocorre, um determinado pensamento-forma gerado no Mundos invisíveis registra o acontecimento. Cada vez que se fala e se comenta o caso, cria-se uma nova forma de pensamento que se funde com o original e o robustece, desde que ambos possuam a mesma vibração. Se não se diz a verdade acerca do sucedido, então as vibrações do original e da reprodução não serão idênticas e o resultado é que investem uma contra a outra, destruindo-se mutuamente. Se o pensamento-forma verdadeiro e bom for suficientemente forte, conseguirá o domínio da situação e aniquilará os pensamentos-forma baseados na mentira; consequentemente, o bem vencerá o mal. Ao contrário, se os mais fortes forem os pensamentos mentirosos e maliciosos, estes podem vencer o pensamento-forma verdadeiro, destruindo-o. Depois haverá discórdia entre eles e, um a um, todos serão aniquilados.

Deste modo, a pessoa que leva uma vida pura, se esforçando por obedecer às leis de Deus e lutando ardentemente pela verdade e pela justiça criará pensamentos-forma de natureza semelhante; sua Mente trilhará caminhos em harmonia com a verdade; e quando chegar o momento de criar seu próprio arquétipo para a vida futura, essa pessoa, pela força do hábito adquirido em sua vida terrestre anterior, estará pronta, e, intuitivamente, colocar-se-á com as forças da retidão e da verdade. Tais linhas, uma vez somadas ao seu Corpo, criarão harmonia nos novos veículos e a saúde será a consequência natural em sua próxima vida. Por outro lado, aqueles que formaram uma visão distorcida das coisas em suas vidas anteriores, que desprezaram a verdade, exercitando a astúcia, o egoísmo exagerado e a desconsideração pelo bem-estar dos outros, se acham impelidos, no Segundo Céu, a ver também as coisas de modo oblíquo, já que este é o seu habitual modo de pensar. Consequentemente, o arquétipo construído por eles incorporará linhas de erro e de falsidade; e, consequentemente, ao renascer, vários órgãos de seu Corpo serão fracos, quando não todo o seu organismo.

Novamente advertimos aos leitores que não tirem conclusões apressadas destas regras experimentais. Não é nossa intenção insinuar que todo aquele que possua um Corpo aparentemente sadio tenha sido um exemplo de virtude em sua vida passada, nem que aquele que sofre alguma anomalia ou incapacidade física foi um crápula ou um inútil. Nenhum de nós está capacitado atualmente para dizer “a verdade completa e nada mais que a verdade”. Podemos nos enganar porque nossos sentidos são ilusórios. Uma rua longa aparenta ser mais estreita à distância, quando em realidade tem a mesma largura, tanto no lugar onde estamos colocados como a um quilômetro de distância. O Sol e a Lua parecem muito maiores quando estão próximos do horizonte do que quando se encontram no zênite, porém, nós sabemos que, na realidade, não aumentam de tamanho ao descer no horizonte, nem diminuem chegar no zênite. Na verdade, estamos sempre retificando e corrigindo a ilusão de nossos sentidos e também em referência a muitas outras coisas do mundo. O que nos parece certo nem sempre o será, e o que hoje é verdade com respeito às condições da vida, poderá mudar amanhã. É impossível conhecermos a verdade final sob as condições evanescentes e ilusórias da existência física.

Somente quando entramos nos reinos superiores, especialmente na Região do Pensamento Concreto, é que nos apercebemos das verdades eternas; eis porque é natural que uma ou outra vez nos equivoquemos, apesar de nossos mais sinceros esforços em colocar-nos sempre em condições de conhecer e dizer só a verdade. Por tal razão, nos é impossível construir um veículo totalmente harmonioso. Se fosse possível, tal Corpo seria realmente imortal, e nós sabemos que a imortalidade na carne não é o desígnio de Deus, pois segundo São Paulo: “A carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus”[14].

Contudo, nós sabemos que, atualmente, apenas um número muito reduzido de pessoas está disposto a viver em harmonia com a verdade, a confessá-la e professá-la diante dos outros, por meio do serviço e de uma vida inofensiva e reta. Nós, também, entendemos que isso aconteceu com muito poucos ao retrocedermos na história, quando o ser humano não havia ainda desenvolvido o altruísmo iniciado em nosso Planeta com o advento de nosso Senhor e Salvador, Cristo Jesus. Nesse tempo, os padrões de moralidade eram muito inferiores e o amor à verdade quase insignificante, para a maior parte da humanidade, a qual estava focada em acumular riquezas e adquirir tanto poder e prestígio quanto fosse possível. Eles desconsideravam os interesses dos demais e dizer uma mentira não parecia um ato censurável, pelo contrário, muitas vezes era admitida como meritória. Consequentemente, os arquétipos estavam cheios de fraquezas, e as funções orgânicas do Corpo atual estão prejudicadas em um grau bastante elevado, porque, particularmente, os Corpos ocidentais estão se tornando mais sensíveis à dor devido ao crescimento da consciência do Espírito.

PARTE VIII – OS RAIOS DE CRISTO CONSTITUEM O “IMPULSO INTERNO” – VISÃO ETÉRICA – DESTINO COLETIVO

A assimilação dos frutos de cada vida passada acontece antes que o Espírito renasça e, consequentemente, o caráter gerado é totalmente formado e se expressa de imediato na sutil e móvel matéria mental da Região do Pensamento Concreto, onde o arquétipo do Corpo Denso é construído. Se o Espírito que procura renascer é amante da música, tentará construir um ouvido perfeito, com os canais semicirculares devidamente situados e com o tímpano mais delgado e sensível à vibração; tentará construir dedos compridos e finos com os quais possa executar os acordes celestes captados por seus ouvidos. Se não aprecia a música, e, em sua vida anterior fechou os ouvidos aos acordes da alegria ou ao pranto da dor, e desejou se afastar da companhia dos demais, isto fará com que se esqueça de construir o arquétipo de seu ouvido e, como consequência, esse órgão será defeituoso em proporção ao grau de negligência exercida em sua existência anterior.

De maneira similar ocorre com os outros sentidos; aquele que bebe de uma fonte de conhecimento e se esforça em compartilhar seu saber com os que o rodeiam, estabelece as bases para adquirir a faculdade da oratória em sua vida futura, porque o desejo de comunicar seu conhecimento vai induzi-lo a prestar atenção especial à formação e fortalecimento de seu órgão vocal, quando estiver construindo o arquétipo de seu futuro corpo. Por outro lado, aqueles que se esforçam para ganhar acesso aos mistérios da vida por simples curiosidade ou para satisfazer o orgulho de seu próprio intelecto, deixam de construir o órgão adequado para sua expressão e ficam sujeitos a debilidades na voz ou a impedimentos da palavra. Deste modo, vem-lhes o reconhecimento de que a expressão é um bem valioso. Embora o cérebro de um indivíduo, assim afligido, não possa compreender a lição, o Espírito aprende que somos considerados somente pelo uso que fazemos de nossos talentos e que devemos pagar a dívida, algum dia, em algum lugar, se descuidarmos de transmitir a palavra de Vida para iluminar nossos irmãos e irmãs no caminho, sempre que estivermos, pelo conhecimento, qualificados para isso.

Com respeito à cegueira ou distúrbios do órgão da visão, é de longa data que os investigadores sabem que é o efeito de extrema crueldade praticada em vidas passadas. Investigações recentes vieram demonstrar que muitas afecções dos olhos, agora comum entre os seres humanos, são devidas ao fato de que nossos olhos estão mudando; esses órgãos, de fato, estão se tornando mais sensíveis a uma oitava superior da visão, porque o Éter que rodeia a Terra está se tornando mais denso e o ar mais rarefeito. Isto é verdade principalmente como o sul da Califórnia e outros certos lugares do mundo. É digno de nota saber que a Aurora Boreal está se tornando cada vez mais frequente e seus efeitos mais poderosos sobre a Terra. Nos primórdios da Era Cristã, esse fenômeno era quase desconhecido, mas, com o decorrer do tempo, com a onda de Cristo descendo para o interior da Terra durante uma parte do ano, infundindo mais e mais Sua própria vida na amortecida e pesada massa terrestre, os Raios Etéricos Vitais vão se tornando cada vez mais visíveis. Posteriormente, eles se tornaram mais e mais numerosos e, agora, já começam a interferir com as atividades elétricas, especialmente com o telégrafo que, por vezes, não funciona bem, devido a essas correntes de irradiação.

É, também, digno de se observar que tais distúrbios estão limitados aos fios que vão para leste e oeste. Se o leitor quiser recorrer ao “Conceito Rosacruz do Cosmos”, no capítulo II – Os Quatro Reinos[15], poderá entender que existem raios ou linhas de força dos Espíritos-Grupo dos vegetais que irradiam em todas as direções desde o centro da Terra até a periferia e depois para fora, passando através das plantas ou árvores, subindo até suas copas.

Já as correntes de força dos Espíritos-Grupo animais, por outro lado, rodeiam a Terra. As correntes relativamente fracas e invisíveis geradas pelos Espíritos-Grupo dos vegetais e os poderosos raios de força gerados pelo Espírito de Cristo, agora se tornando visíveis como a Aurora Boreal, têm sido até aqui quase da mesma natureza que a eletricidade estática, enquanto as correntes, geradas pelos Espíritos-Grupo animais que circundam a Terra, podem ser comparadas à eletricidade dinâmica que deu à Terra seu poder de movimento em épocas passadas. Atualmente, as correntes de Cristo estão se tornando cada vez mais poderosas e sua eletricidade estática está sendo liberada. O impulso etérico que elas dão inaugurará uma nova era, e os órgãos dos sentidos que o ser humano possui hoje deverão se adaptar à tal mudança. Em lugar dos raios etéricos que emanam de um objeto trazerem à retina a imagem refletida, o chamado “ponto cego” será sensibilizado e veremos através do olho diretamente sobre a própria imagem, em vez desta se refletir sobre a nossa retina. Assim, não somente veremos a superfície do objeto, como também seremos capazes de ver através dele, da mesma forma que fazem os que já têm cultivada a visão etérica.

À medida que o tempo passa e Cristo, com Seus benéficos ensinamentos, atrai cada vez mais e mais Éter interplanetário para a Terra, tornando o Corpo Vital da Terra mais luminoso, nós estaremos caminhando como se andássemos sobre um mar de luz e quando aprendermos a abandonar nossos modos egoístas e egotistas, por meio do constante contato com estas vibrações benéficas de Cristo, também nós nos tornaremos luminosos. Então, o olho, tal como está constituído atualmente, não nos será de utilidade alguma, assim é que está começando a mudar e estamos experimentando os incômodos inerentes a toda reconstrução. Com referência à Aurora e aos seus efeitos sobre nós, podemos dizer que estes raios são irradiados para todas as partes da Terra, a qual é o Corpo de Cristo, desde o centro a periferia, mas, nos pontos povoados do mundo, tais raios são absorvidos pela humanidade, da mesma forma que os raios dos Espíritos-Grupo dos vegetais são absorvidos pela flor. Estes raios constituem o “impulso interno”, que está lenta, mas seguramente impelindo a humanidade a adotar uma atitude altruísta. São os raios fecundantes que fertilizam a nossa alma e, algum dia, se manifestará a Imaculada Concepção e o Cristo nascerá dentro de cada um de nós. Quando todos estivermos perfeitamente impregnados por esses raios, a luz de Cristo começará a se irradiar de nós. Então, caminharemos na luz como Ele na Luz está, e seremos fraternais uns com os outros.

Para terminar estas lições, diremos algumas palavras sobre o destino coletivo:

Além do destino individual gerado por nós mesmos em cada vida, existe também um destino coletivo, ao qual estamos sujeitos por sermos membros de uma comunidade ou nação. É bem sabido que as comunidades, algumas vezes, atuam como um todo, tanto para o bem como para o mal, e é compreensível que estas ações coletivas tenham também um efeito coletivo em vidas futuras sobre os membros de tais comunidades ou nações que tomaram parte nelas. Observou-se que, quando tais atos são maus, a dívida assim contraída é geralmente liquidada no curso dos chamados acidentes de grandes proporções. Também já se explicou que não existem acidentes, salvo nos casos em que o ser humano, que tem prerrogativa divina de iniciar causas novas, intervenha na vida de outros, produzindo mudanças em suas condições, ou quando, por negligência, tira a vida de um semelhante. Isso sim, em muitos casos, constitui um acidente. Porém, os grandes cataclismos como os que presenciamos na Sicília, o terremoto em São Francisco, a Grande Guerra Europeia, etc. não são acidentes, mas atos causais da comunidade envolvida ou o resultado de tais atos em vidas anteriores. Conhecendo a lei de mortalidade infantil, podemos compreender por que centenas de milhares de pessoas, vítimas da Grande Guerra, ao passarem dos campos de batalha para o além, não puderam gravar o panorama da vida que findou e, por isso, precisam morrer durante a infância na próxima existência, e como poderá acontecer esta espantosa mortalidade de crianças no futuro, senão por meio de alguma epidemia ou algum cataclismo? Baseados em tal hipótese, podemos ver no terremoto da Sicília, na destruição de São Francisco, na “epidemia” de fome da Irlanda e da Índia e em outras catástrofes nacionais similares a ação do destino vinda do passado, trazendo, à cada nação, os frutos de suas vidas ações passadas, como uma comunidade.

O que foi dito é simplesmente uma indicação de como se faz e desfaz o destino. Por favor, lembremos que as poucas centenas de casos examinados não podem dar base adequada para um ponto de vista geral da ação da Lei, e o Estudante está exposto a encontrar incongruências em casos individuais acerca do que foi dito. Algumas questões indubitavelmente se apresentarão em relação a esse, àquele ou a outro caso específico, e enquanto é relativamente fácil investigar casos individuais e especificar que causas em uma vida produziram certos efeitos em outra vida da mesma pessoa, é diferente quando procuramos estabelecer uma lei geral, como vimos tentando fazer nessa obra. Para desempenhar essa missão de forma perfeita, são necessários conhecimentos e sabedoria super-humanos, e o presente esforço pode talvez ser considerado um caso de ímpeto tolo, onde até os Anjos teriam medo de pôr as mãos. Pessoalmente, o autor conquistou mais conhecimentos do que tem sido capaz de comunicar e confia que estas revelações possam servir de alguma utilidade ao Estudante, no que se refere ao grande mistério da vida.

Que esses estudos na “Teia do Destino” possam suscitar em cada Estudante um intenso desejo de viver, dia após dia, de modo a contribuir para que haja mais paz na Terra e boa vontade entre os seres humanos.

OS EFEITOS OCULTOS DAS NOSSAS EMOÇÕES

PARTE I – A FUNÇÃO DO DESEJO

Aqueles que estão familiarizados com o estudo deste assunto, conhecem os desastrosos efeitos que um sentimento agudo de medo ou de ansiedade que produz sobre o Corpo Denso. Sabemos como essas emoções alteram a digestão, interferem no metabolismo, na eliminação dos detritos e, em suma, transtornam todo o sistema, com o resultado que, em alguns casos, a pessoa se vê forçada a ficar de cama por maior ou menor espaço de tempo, conforme a importância da crise e do poder de resistência de sua constituição. Contudo, existe um efeito oculto que pode ser tão sério ou até pior, e que geralmente não é compreendido, e, portanto, pode ser um benefício considerável estudar o efeito oculto do equilíbrio e da paixão, da ira e do amor, do pessimismo e otimismo.

Do estudo do “Conceito Rosacruz do Cosmos”, aprendemos que nosso Corpo de Desejos foi gerado no Período Lunar. Se você deseja obter uma imagem mental do modo que as coisas se pareciam, veja a figura do feto, como mostrado em qualquer livro de anatomia. Nele há três partes principais: a placenta, que está cheia do sangue da mãe; o cordão umbilical, que conduz esta corrente vital, e o feto, que é nutrido, desde o estado embrionário até o amadurecimento, por aquela corrente. Imagine, agora, naqueles tempos idos, o firmamento com uma imensa placenta da qual pendiam bilhões de cordões umbilicais, cada um com seu apêndice fetal. Por toda a família humana, então em formação, circulava a única essência universal do desejo e da emoção, gerando em todos, os impulsos necessários para a ação, que agora se manifesta em todas as fases do trabalho do mundo. Estes cordões umbilicais e apêndices fetais eram moldados de uma úmida substância de desejos pelas emoções dos Anjos Lunares, enquanto as correntes ígneas de desejos que se esforçavam em animar a vida latente da Humanidade, então em formação, eram geradas pelos ígneos e marcianos Espíritos Lucíferos. A cor da primeira e lenta vibração que eles puseram em movimento, naquela matéria emocional de desejos, foi o vermelho.

Enquanto aquela coloração de movimento (pois assim é realmente esta corrente constante, esta eterna intranquilidade que, sem pausa e sem paz, impulsiona os seres humanos) se achava circulando em nosso interior, o Planeta em que nós habitávamos também circundava um sol, que não deve ser confundido com o atual dador da luz, mas compreendido como uma passada encarnação da substância que compõe nosso atual universo solar, e nós, por sua vez, circundávamos o globo sobre o qual morávamos, da luz às trevas, do calor ao frio. Deste modo, éramos trabalhados por fora e por dentro, num esforço para excitar nossa consciência adormecida. E houve uma resposta, pois, ainda que nenhum dos Espíritos parcialmente separados, habitando uma bolsa fetal individual, pudessem sentir aqueles impactos, apesar de serem muito fortes, as sensações acumuladas de bilhões de Espíritos semelhantes eram sentidas como um som do universo, um grito cósmico – a primeira nota da harmonia das esferas – tocada em uma única corda. Entretanto, foi bastante expressiva e adequada aos impulsos latentes e às aspirações da incipiente raça humana daqueles dias distantes.

Desde então, esta natureza de desejos tem evoluído; o ígneo e marciano substrato de paixão e as bases aquosas lunares da emoção se tornaram capazes de numerosas combinações. Da mesma forma que o pensamento sulca o cérebro com circunvoluções e o rosto com linhas, também as paixões, os desejos e as emoções vêm mudando a matéria móvel de desejos em linhas curvas, em espirais, redemoinhos, corredeiras e vórtices que parecem uma torrente no momento em que essa se acha na maior agitação – sendo muito raro ficarem num descanso relativo. Essa matéria de desejos, em sucessivos períodos de sua evolução, foi respondendo a cada uma das sete vibrações astrais emanadas do Sol, de Vênus, de Mercúrio, da Lua, de Saturno, de Júpiter e Marte. Durante aquele tempo, cada Corpo de Desejos individual tem sido tecido sob um único modelo e, como a lançadeira do tempo corre incessantemente de um lado para outro sobre o tear do destino, este modelo está sendo aumentado, embelezado e melhorado, mesmo que não possamos percebê-lo. Assim como o tecelão realiza seu trabalho no avesso do tapete, estamos também tecendo o desenho supremo, sem compreender realmente e sem ver a sublime beleza do mesmo, porque ainda se encontra oposto a nós o lado oculto da natureza.

Porém, para que possamos compreender melhor, tomemos alguns destes emaranhados fios de paixão e emoção para vermos o efeito que têm neste modelo que Deus, o Mestre Fiandeiro, deseja que teçamos.

Os mitos antigos sempre espalham um brilho luminoso sobre os problemas da alma e nós podemos, com proveito, levar em consideração certa parte da lenda maçônica. Os maçons são uma sociedade de construtores, “tektons” em grego – a mesma sociedade a que pertenciam José e Jesus, pois a eles a Bíblia grega chamava de “tektons” – construtores – e não carpinteiros, segundo a versão ortodoxa. Os maçons, sob Salomão, foram os construtores deste templo místico projetado por Deus, o Grande Archetekton ou Mestre Construtor, construído sem ruído de martelo, a respeito do qual o personagem Manson fala na maravilhosa peça “O Servente da Casa”[16]. Este nos diz que “o templo não é um monte de pedras mortas e vigas insignificantes, mas é uma coisa vivente. Quando você entra nele, ouve um som, um som como o de um vigoroso poema cantado, isto é, se você tem ouvidos; se você tem olhos, poderá agora ver o próprio templo, um mistério de formas e sombras indistintas, projetando-se verticalmente do solo à cúpula. Ele está ainda sendo construído e reconstruído; às vezes, a obra segue sob escuridão profunda, outras vezes, sob luz ofuscante”. Todo verdadeiro maçom sabe o que significa esse templo e se esforça por construí-lo. A antiga lenda maçônica nos conta que quando Hiram Abiff, o mestre de obras encarregado da construção do templo de Salomão, um edifício de Deus construído sem ruído de martelo, estava terminando os preparativos para executar sua obra mestra, o “mar fundido”, ele reuniu material de todos os recantos da Terra, pondo-os em um forno ardente, porque era um descendente de Caim, um filho do fogo, o qual, por sua vez, era um filho de Lúcifer, o Espírito do fogo. Hiram se propunha a fazer uma liga de metais de claridade cristalina, capaz de refletir toda a sabedoria do mundo. Porém, segundo diz a história, houve entre os trabalhadores alguns traidores – espiões do Filhos de Seth – os quais, por meio de Adão e Eva, eram descendentes do Deus lunar Jeová, que tinha afinidade pela água e odiava o fogo. Esses traidores jogaram água na matriz no qual o mar fundido, a Pedra Filosofal, ia ser moldado. No momento do encontro do fogo com a água se produziu uma grande explosão. Hiram Abiff, o mestre de obras, sendo incapaz de harmonizar os elementos em luta, assistiu com indescritível aflição a erupção destruidora de sua obra mestra. Enquanto se achava observando a luta dos Espíritos da água e do fogo, Tubal Caim, seu antecessor, apareceu e o convidou a se atirar na massa fervente. Foi, então, levado ao centro da Terra, onde encontrou seu primeiro antecessor, Caim, que lhe deu uma palavra nova e um novo martelo que o tornariam capaz, uma vez que se tornasse proficiente no seu uso, de misturar os elementos antagônicos e extrair deles a Pedra Filosofal, a mais alta aquisição humana possível.

Há nessa história simbólica mais sabedoria do que a que podemos obter em livros que dizem respeito ao desenvolvimento da alma humana. Se o Estudante ler nas entrelinhas e meditar sobre as diversas expressões simbólicas, ganhará muito mais do que podemos dizer, uma vez que a verdadeira sabedoria é gerada interiormente e a missão dos livros é apenas dar um indício.

Desde aqueles dias distantes, os Anjos lunares se encarregaram, principalmente, do aquoso e úmido Corpo Vital, composto dos quatro Éteres e que se relaciona com a propagação e nutrição das espécies, enquanto os Espíritos de Lúcifer se encarregaram, especialmente, do seco e ígneo veículo de desejos. A função do Corpo Vital é a de construir e manter o Corpo Denso, enquanto que a do Corpo de Desejos envolve a destruição dos tecidos. Assim, há uma guerra constante entre os Corpos de Desejos e Vital, e é essa guerra no céu que produz a nossa consciência física na Terra. Durante inumeráveis vidas temos atuado em todos os tipos de climas e de lugares e, de cada vida, extraímos certa quantidade de experiência, reunida e armazenada como força vibratória nos Átomos-sementes de nossos diversos veículos. Por conseguinte, cada um de nós é um construtor, construindo o templo do Espírito imortal sem ruído de martelo; cada um de nós é um Hiram Abiff reunindo material para o desenvolvimento da alma e jogando-o no forno da experiência de nossa própria vida, para ali manipulá-lo mediante o fogo da paixão e do desejo. Devagar, mas seguramente bem feito, todo o material está sendo expurgado em cada existência purgatorial e a quintessência do crescimento da alma está sendo extraída através de muitas vidas. Dessa maneira, cada um de nós está se preparando para a Iniciação – nos preparando, quer o saibamos ou não, a aprender a amalgamar as paixões do fogo com as mais suaves e gentis emoções. O novo martelo, com o qual o mestre trabalhador dirige seus subordinados, é agora uma cruz de sofrimento e a nova palavra é o autocontrole.

PARTE II – OS EFEITOS DA COR DA EMOÇÃO NAS REUNIÕES DAS PESSOAS – O EFEITO ISOLANTE DA PREOCUPAÇÃO

Vejamos agora como o Corpo de Desejos se modifica sob a ação de variados sentimentos, desejos, paixões e emoções, para que possamos aprender a construir, sabiamente e bem, o templo místico que vamos habitar.

Ao estudarmos uma das ciências físicas, seja anatomia ou arquitetura, que tratam de coisas tangíveis, nossa tarefa é facilitada pelo fato de termos palavras com que descrever as coisas de que tratamos, mas ainda assim, o quadro mental que envolve o significado de uma palavra é diferente para cada indivíduo. Ao falar de uma “ponte”, alguém pode mentalizar uma ponte construída em ferro no valor de um milhão de dólares e outra pessoa pensará numa simples prancha atravessando um córrego. A dificuldade que sentimos em produzir impressões adequadas do que queremos dizer, aumenta logo que tentamos exprimir ideias referentes às forças intangíveis da natureza, tal como a eletricidade. Medimos a intensidade da corrente em volts, o volume em ampères e a resistência dos condutores em ohms, porém, na realidade, tais termos servem somente para encobrir a nossa ignorância sobre a matéria. Todos sabemos o que é um quilo de café, porém, os maiores cientistas do mundo não têm uma concepção mais acurada do que sejam os volts, ampères e ohms – sobre os quais tão sabiamente discorrem – do que a de um Estudante de uma escola que escuta esses termos pela primeira vez.

Não nos surpreendemos quando os assuntos suprafísicos são frequentemente descritos em termos vagos e desorientadores, pois não possuímos palavras, em qualquer linguagem física, para descrever claramente esses assuntos, e temos de confessar a nossa impotência e perplexidade por não encontrarmos termos adequados para expressar-nos a respeito deles. Se fosse possível projetar sobre uma tela cinematográfica, os quadros em cores do Corpo de Desejos e mostrar como esse incansável veículo muda de contorno e de cor conforme as emoções, nem assim seria compreensível para aquele que não é capaz de ver essas coisas por si mesmo. Isso porque os veículos de qualquer ser humano diferem dos demais na medida em que respondem a certas emoções. Aquilo que induz alguém a sentir um intenso amor, ódio, raiva, medo ou qualquer outra emoção, pode deixar um outro absolutamente insensível.

Inúmeras vezes, o autor observou as multidões para estabelecer comparações a este respeito, e encontrou sempre algo surpreendentemente novo e diferente do que havia observado antes. Certa ocasião, um demagogo se esforçava em incitar um sindicato de trabalhadores à greve; ele mesmo se achava vivamente exaltado e, ainda que a cor básica laranja escuro fosse perceptível naquele momento, estava quase obscurecida por uma cor escarlate de matiz mais brilhante e o contorno de seu Corpo de Desejos era quase como o de um porco-espinho com as pontas eriçadas. Existia um potente elemento de oposição naquela reunião e, à medida que falava, podia-se distinguir claramente as duas facções pelas cores de suas respectivas auras. Um grupo de homens mostrava o escarlate da raiva, porém, no outro grupo, esta cor estava mesclada com o cinza, a cor do medo. Era também digno de nota o fato de que, ainda que os homens da cor cinza estivessem em maioria, os outros eram ressaltados, porque cada medroso se acreditava sozinho ou pelo menos com poucos defensores e, por conseguinte, temia defender sua própria opinião. Se alguém que pudesse perceber esta condição estivesse presente, e tivesse se dirigido a cada um que manifestava em sua aura os sinais de dissensão, e assegurado que eles eram a maioria, o curso das coisas caminharia em direção oposta. Muitas vezes isso acontece nos assuntos humanos, já que, atualmente, a maioria das pessoas é incapaz de ver além da superfície do Corpo Denso e, desta maneira, perceber a verdadeira condição de pensamentos e de sentimentos dos demais.

Noutra ocasião, o autor foi a uma reunião de revivificação, onde milhares de espectadores estavam presentes para ouvir um orador de reputação nacional. No princípio da reunião era evidente, pelo estado das auras das pessoas, que a maior parte delas tinha vindo com o único propósito de passar alguns momentos agradáveis e ver algo divertido. Os pensamentos, sentimentos e emoções da vida comum de cada um eram plenamente visíveis, se bem que, em alguns, a cor azul escuro revelasse uma atitude de preocupação; era como se tivessem sofrido alguma desilusão na vida e estivessem muito apreensivos. Ao aparecer o orador, deu-se um curioso fenômeno: sabemos que os Corpos de Desejos estão usualmente num estado de movimento constante, porém, naquele momento, toda aquela vasta audiência reteve a respiração em atitude de expectativa, e as cores variadas dos Corpos de Desejos individuais cessaram, e uma cor básica, laranja, foi perfeitamente perceptível, por alguns momentos; logo depois, cada um voltou às suas atividades emocionais anteriores, enquanto o prelúdio estava sendo tocado. Em seguida, começou o cântico de hinos e esse fato revelou o valor e o efeito da música, pois todos se uniram, cantando as mesmas palavras e no mesmo tom, e pareciam ser envolvidos pelas mesmas vibrações rítmicas em seus Corpos de Desejos, tornando-os, momentaneamente, quase um ser único. Um bom número deles estava sentado em atitude céptica, se recusando a cantar e a se unir aos demais. À visão espiritual pareciam como homens de aço, vestindo uma armadura daquela cor, e, de cada um deles, sem exceção, desprendia-se uma vibração que expressava mais do que poderiam dizer por palavras: “Deixem-me em paz, vocês não me comoverão”. Algo interior os havia arrastado até ali, porém sentiam-se mortalmente amedrontados de entregar-se e, por conseguinte, toda a sua aura expressava a cor acinzentada do medo, que é uma armadura da alma contra interferências externas.

Terminado o primeiro canto, a unidade de cor e a vibração desapareceram quase imediatamente e cada um revestiu-se de sua atmosfera habitual de pensamentos e, se nada mais tivesse sido feito, cada pessoa teria voltado à sua vida interior habitual. Porém, o evangelista, ainda que incapaz de ver isso, por experiência sabia que seu auditório ainda não estava preparado, e, por conseguinte, uma sucessão de cânticos se elevaram com acompanhamento de palmas, bater tambores e gesticulações do líder, ajudado por um coral treinado. Isso reuniu outra vez as almas dispersas em um laço de harmonia; gradualmente, as pessoas foram dominadas pelo fervor religioso e se estabeleceu a unidade necessária para o trabalho seguinte. Pela música, pelas palmas do regente e pelo apelo dos cânticos, aquela vasta audiência se havia transformado em uma só. Os homens de aço, os céticos de tom cinzento, que se acreditavam demasiado sábios para serem enganados (quando, em realidade, sua emoção era realmente medo) eram agora uma parte insignificante naquela vasta congregação. Todos os outros estavam afinados, da mesma forma que as diversas cordas de um grande instrumento, e o evangelista que se erguia diante deles era um soberbo artista tocando com as emoções. Incitava-os do riso às lágrimas, do pesar à vergonha. Grandes ondas de cores correspondentes pareciam cobrir toda a assistência em um quadro magnífico e assombroso. Vieram, a seguir, as invocações de costume: “Levantai para receber Jesus”; a solicitação para os “que se lamentam”, etc., e cada um desses chamados extraía de toda a audiência uma resposta emocional determinada, mostrada plenamente nas cores dourada e azul. Seguiram-se mais cânticos, mais palmas e gesticulações que, momentaneamente, trouxeram a unidade e deram àquela assembleia uma experiência parecida com o sentimento de fraternidade universal e a realidade da Paternidade de Deus. As únicas pessoas sobre quem a música não surtiu efeito foram os indivíduos revestidos da armadura azul de aço do medo. Esta cor parece ser impenetrável a qualquer emoção e, ainda que o sentimento experimentado pela grande maioria fosse relativamente fugaz, as pessoas se beneficiaram com a revivificação, excetuando aqueles homens de aço.

Pelo que o autor pôde aprender, a sensação interna do medo de se render à emoção – o medo é saturnino em seus efeitos e irmão gêmeo da preocupação – parece exigir um choque, o qual afastará de seu ambiente aquela pessoa que o experimentar e o transportará para um novo lugar, em novas condições, antes que as antigas condições possam ser dominadas.

A preocupação é uma condição na qual as correntes de desejos não circulam em grandes linhas curvas em alguma parte do Corpo de Desejos, porque o veículo está cheio de redemoinhos – só redemoinhos, em casos extremos. A pessoa assim afetada não se esforça por atuar em coisa alguma; vê calamidades onde não existem e, em vez de gerar correntes que a levem à ação para evitar o que lhe produz medo, alimenta pensamentos inquietantes que produzem um redemoinho em seu Corpo de Desejos e, em consequência, ela nada faz. Essa condição de preocupação no Corpo de Desejos pode ser comparada à água que está próxima do congelamento sob uma temperatura baixa; o medo, que se expressa como ceticismo, cinismo e pessimismo, pode ser comparado a esta mesma água quando já congelada, porque o Corpo de Desejos dessas pessoas está quase sem movimento e nada do que se possa dizer ou fazer terá poder de alterar essa condição. Para usar uma expressão comum que traduz exatamente essa condição, diremos que estão “presos em uma concha” e essa concha saturnina deverá ser rompida antes que se possa chegar a esses indivíduos e ajudá-los em seu deplorável estado.

Essas emoções saturninas de medo e de preocupação são comumente causadas pela apreensão dos que sofrem dificuldades econômicas ou sociais. “Talvez tenha prejuízo nesse investimento que acabo de fazer, pois pode baixar a cotação ou até desvalorizar-se totalmente; posso perder meu emprego e me encontrar subitamente na miséria; tudo o que empreendo parece dar errado; meus vizinhos falam mal de mim e tratam de prejudicar minha posição social; meu marido (ou esposa) não se preocupa mais comigo; meus filhos se mostram displicentes comigo”; e uma centenas de outras sugestões parecidas se apresentam sempre à sua Mente. Ele deveria se lembrar que, cada vez que um desses pensamentos é gerado e introduzido em seu interior, estará ajudando a congelar as correntes de seu Corpo de Desejos e a construir ao seu redor, uma concha de aço de cor azul em que pessoa, que habitualmente alimenta o medo e a preocupação, se encontrará, algum dia, encerrada e isolada do amor, da simpatia e da ajuda de todos. Por conseguinte, devemos nos esforçar por ser alegres, ainda que em circunstâncias adversas, a menos que queiramos correr o risco de permanecer em tristes condições aqui e na vida futura.

“É muito fácil estar contente

Quando a vida flui como uma canção,

Mas o ser humano digno e valente

É aquele que sorri,

Quando tudo é provação”[17].

PARTE III – EFEITOS DA GUERRA SOBRE O CORPO DE DESEJOS – O CORPO VITAL AFETADO PELAS DETONAÇÕES DOS GRANDES CANHÕES

No início da Grande Guerra[18] as emoções na Europa foram se tornando horríveis, primeiro entre os chamados “vivos” e depois entre os que foram mortos – quando despertavam. Esse despertar levava muito tempo devido às detonações dos grandes canhões e, conforme a Guerra corria, mais tempo ainda. Toda a atmosfera dos países envolvidos fervia em correntes de ira e ódio, igual a uma nuvem vermelha-escura que pairasse sobre os seres humanos e sobre a região. Depois, apareceram faixas negras semelhantes a mortalhas, que parecem se gerar sempre em crises de desastres súbitos, quando a razão não trabalha e o desespero domina o coração. Isso, sem dúvida, ocorreu quando os povos envolvidos perceberam que aquela catástrofe era de tal magnitude, que eles não eram capazes de compreender o que estava acontecendo. Os Corpos de Desejos da maioria giravam em alta velocidade, em grandes ondas de pulsações rítmicas que falavam mais alto do que as palavras: “Matar, matar, matar”. Quando dois ou três indivíduos ou uma multidão se encontravam e começavam a discutir sobre a guerra, as pulsações rítmicas, indicando o firme propósito de agir e desafiar, cessavam e os pensamentos e sensações de excitação gerados pela discussão ou conversa tomavam a forma de projeções cônicas, que rapidamente cresciam a uma altura de quinze a vinte centímetros, então, estouravam e emitiam uma língua de fogo. Alguns indivíduos geravam grande número dessas estruturas vulcânicas de uma só vez, outros geravam uma ou duas ao mesmo tempo. Enquanto prosseguia a discussão e quando uma dessas bolhas estourava, aparecia outra em alguma parte do Corpo de Desejos, e as chamas que delas emergiam iam colorir de escarlate a nuvem sobre a região entorno. Quando uma multidão se desagregava ou os amigos se separavam, depois de uma discussão, o borbulhar e as erupções diminuíam e se tornavam menos frequentes, cessando, finalmente, para dar lugar de novo às grandes pulsações rítmicas acima mencionadas.

Essas condições são agora muito raras, se é que são vistas ainda; a ira explosiva para com o inimigo, conforme foi demonstrado, já é uma coisa do passado, pelo menos no que concerne à grande maioria. A cor alaranjada básica da aura dos povos ocidentais é novamente visível, e tanto os oficiais como os seres humanos parecem que se fixaram na guerra como se fosse um jogo; cada um anseia superar o outro e excedê-lo em astúcia. A guerra não é mais do que um canal para a sua habilidade; porém, alguns dos Irmãos Leigos da Ordem Rosacruz creem que a condição de ira voltará a aparecer em uma forma modificada, quando cessarem as hostilidades ativas e começarem as negociações de paz.

A esta forma de emoção podemos chamar de ira abstrata e difere amplamente do que se observa no caso de duas pessoas que se enraivecem entre si, na vida privada, quer comecem a brigar fisicamente ou não. Vistas do lado oculto da natureza, há hostilidades antes que os golpes sejam desferidos. Formas de desejos, em formatos de adagas pontudas, se projetam umas contra as outras como lanças, até que a fúria que as gerou se esgote. Nos casos de ira envolvendo o patriotismo não existem um inimigo pessoal e, por conseguinte, as formas de desejos são mais bruscas e explodem sem abandonar o indivíduo que as gerou.

Os “homens de aço”, tão comuns na vida privada, onde a preocupação por mil e uma coisas, que nunca ocorrem, cristalizam uma armadura ao seu redor, permitindo que o velho Saturno os aprisione, estavam e estão totalmente ausentes. No entanto, o autor crê na hipótese de que a tensão de seu meio-ambiente os forçou a se alistarem e o choque deve ter rompido a concha; então, a familiaridade com o perigo chegou a agradá-los. É certo que essas pessoas se beneficiaram grandemente com a guerra, pois nenhum estado é tão obstrutor para o desenvolvimento da alma do que o medo e a preocupação constante. É um fato igualmente notável que, embora os seres humanos arrastados pela guerra sofram pavorosas privações, a maior parte deles está cultivando um matiz azul celeste pálido que significa esperança, otimismo e um nascente sentimento religioso, dando um toque altruísta ao caráter. Isso vem indicar que aquele sentimento de fraternidade universal, que não reconhece distinção de credo, cor ou nação, está crescendo no coração humano.

No começo da guerra, os Corpos de Desejos dos combatentes giravam a uma espantosa velocidade, e se notava que, enquanto as pessoas que morriam por enfermidade, velhice ou acidentes comuns recobravam sua consciência em curto lapso de tempo, variando de poucos minutos a alguns dias, os mortos na guerra permaneciam na inconsciência por várias semanas e, ainda que pareça estranho, os que foram estraçalhados despertavam muito mais depressa do que os milhares que sofreram somente ferimentos insignificantes. Esse enigma não foi decifrado por muitos meses. Antes de estudarmos as causas que motivavam esse fenômeno, devemos nos recordar que nos primeiros tempos de guerra, quando as pessoas que morriam cheias de ira e despertavam nos Mundos invisíveis, queriam reiniciar suas pelejas com o inimigo, e até que o grande trabalho educativo iniciado pelos Irmãos Maiores e seus Auxiliares Invisíveis produzisse frutos, essas pessoas peregrinavam errantes pelo espaço com seus corpos mutilados e cheios de amargura, sentindo a falta dos seres queridos deixados para trás. Agora, tais acontecimentos são extremamente raros e prontamente solucionados, pois todos aprenderam que o pensamento criará um novo braço, membro ou rosto; o ódio patriótico desapareceu e os “inimigos” que sabem falar a língua do outro, frequentemente, se confraternizam, com proveito para ambos. A nuvem vermelha de ódio está desaparecendo, o véu negro do desespero acabou; não há explosões vulcânicas de paixão, nem nos vivos nem nos mortos, e, até onde o autor pôde ler os sinais dos tempos na aura das nações, existe um propósito determinado por fim a esse jogo. Mesmo nos lares despojados de vários membros, isso parece ser aceito. Existe uma saudade profunda pelos amigos que foram para o além, mas não há ódio pelos inimigos terrenos. Essa saudade é compartilhada pelos amigos invisíveis, e muitos estão atravessando o véu, pois a intensidade de sua saudade desperta no “morto” o poder de se manifestar, atraindo uma quantidade de Éter e gás que, frequentemente, é extraída do Corpo Vital de um amigo “sensitivo”, da mesma maneira que os Espíritos materializantes usam o Corpo Vital de um médium em transe. Deste modo, os olhos cegos pelas lágrimas são, muitas vezes, abertos por um coração saudoso, de maneira que os seres queridos, agora no Mundo espiritual, são vistos novamente face a face, coração a coração. Este é um método da natureza para cultivar o sexto sentido que, futuramente, capacitará todos a saber que o ser humano é um Espírito imortal e que a continuidade da vida é um fato na natureza.

Para compreender a lentidão com que os mortos durante a guerra recobravam a consciência no Mundo espiritual, devemos antes de tudo empreender um estudo mais apurado dos quatro Éteres, como descrito no “Conceito Rosacruz do Cosmos”.

Os átomos dos Éteres Químico e de Vida, reunidos em torno do núcleo do Átomo-semente[19], situado no Plexo Celíaco, têm a forma de prismas. Todos estão situados de tal maneira que, quando a energia solar penetra em nosso Corpo, através do baço, o raio refratado é vermelho. Essa é a cor do aspecto criador da Trindade, chamado Jeová, o Espírito Santo, que rege a Lua, o Astro da fecundação. Por conseguinte, o fluido vital que vem do Sol e que penetra no corpo humano por meio do baço, toma a cor rosa pálida, frequentemente notado pelos videntes, quando o fluído corre ao longo dos nervos, como a eletricidade corre pelos fios de um sistema elétrico. Assim carregados, os Éteres Químico e de Vida são as avenidas da assimilação, que preservam o indivíduo, e da fecundação, que perpetuam a raça.

Durante a vida, cada átomo vital prismático penetra em um átomo físico e o faz vibrar. Para se ter uma ideia dessa combinação, imaginemos um cesto de arame em forma de pera, cujas paredes de arame torcido em espiral correm obliquamente de polo a polo. Esse é o átomo físico; sua forma é aproximadamente a da nossa Terra; e o átomo vital prismático se introduz por cima, o qual é a parte mais larga e corresponde ao polo norte da Terra. Desta maneira, a ponta do prisma penetra no átomo físico pelo seu ponto mais estreito, que corresponde ao polo Sul de nossa Terra, e o todo se parece a um pião girando, balançando e vibrando. Desse modo, nosso Corpo adquire vida e é capaz de se movimentar (É conveniente notar que nossa Terra é, de modo semelhante, permeada por um corpo cósmico de Éter, e que aquelas manifestações a que chamamos Aurora Boreal e Aurora Austral são correntes etéricas circundando a Terra, do polo ao Equador, como fazem as correntes dos átomos físicos).

Os Éteres de Luz e Refletor são avenidas de consciência e de memória. São um pouco atenuados nos indivíduos comuns e ainda não tomaram uma forma definida; interpenetram o átomo como o ar interpenetra uma esponja, e formam uma ligeira atmosfera áurica no exterior de cada átomo.

Com a morte acontece uma separação; o Átomo-semente[20] se retira do ápice do coração ao longo do nervo saturnino pneumogástrico, através dos ventrículos, saindo pelo crânio (Gólgota). Todos átomos do Corpo Vital ficam libertos da cruz do Corpo Denso, pelo mesmo movimento em espiral que desprende cada átomo prismático de Éter do seu envoltório físico.

Esse processo se verifica com maior ou menor violência, conforme a causa da morte. Uma pessoa de idade, cuja vitalidade declinou lentamente, pode dormir e, ao despertar se achar do outro lado do véu sem a menor consciência de como ocorreu a mudança; uma pessoa devota e religiosa, que se preparou pela oração e meditação para ingressar no além, poderá se desligar facilmente; aqueles que morrem de frio encontram o que o autor acredita ser a mais fácil das mortes por acidente, seguindo-se à do afogado.

Porém, quando um indivíduo é jovem e saudável, especialmente se inclinado ao ateísmo e irreligiosidade, o átomo etérico prismático se acha tão estreitamente envolvido pelo átomo físico, que requer um puxão considerável para se separar do Corpo Vital. Quando a separação do Corpo Denso dos veículos superiores foi efetuada e o indivíduo morre, como dissemos, os Éteres de Luz e Refletor são separados dos átomos prismáticos. É essa matéria, como se descreve no “Conceito”, que molda as imagens da vida passada e as grava no Corpo de Desejos, o qual, então, começa a sentir tudo que havia de dor ou prazer na vida. A parte do Corpo Vital composta de átomos prismáticos dos Éteres Químico e de Vida retorna ao Corpo Denso, flutuando sobre a sepultura e se desintegrando sincronicamente com ele.

Agora chegamos ao âmago da nossa explanação. O Éter é matéria física e enquanto os que morreram por armas menores em combates de menor importância podem, algumas vezes, serem vistos perambulando, aturdidos, mas conscientes, as aterradoras detonações dos grandes canhões, tão extensamente usados, têm o efeito de transformar inteiramente os átomos etéricos prismáticos e destroçar (não esparramar) o invólucro áurico dos Éteres de Luz e Refletor, que são a base do sentido da percepção e da memória. Até que isto seja explicado dentro da sua relatividade original, o ser humano permanece aturdido, numa condição comatosa que perdura, muitas vezes, por semanas. Sob tais condições, essa matéria sutil etérica não pode ser utilizada para a formação das imagens da vida passada – em sua grande parte está congelada.

PARTE IV – A NATUREZA DOS ÁTOMOS ETÉRICOS – A NECESSIDADE DA ESTABILIDADE

Quando o Ego caminha para o renascimento através da Região do Pensamento Concreto, do Mundo do Desejo e da Região Etérica, toma certa quantidade de material de cada uma delas. A qualidade desse material é determinada pelo Átomo-semente, baseado no princípio de que o “semelhante atrai o semelhante”. A quantidade depende do volume da matéria necessária pelo arquétipo construído por nós mesmos no Segundo Céu. Os Anjos do Destino e seus agentes constroem uma forma etérica utilizando a quantidade de átomos etéricos prismáticos apropriados por um determinado Espírito, que, então, é colocada no útero da mãe e, gradualmente, envolvida de matéria física, formando o Corpo visível da criança recém-nascida.

Somente uma pequena porção de Éter apropriado para um determinado Ego é assim utilizada, e o restante do Corpo Vital da criança, ou melhor dizendo, o material com o qual este veículo será posteriormente feito, fica fora do Corpo Denso. Por esta razão, o Corpo Vital de uma criança sobressai da periferia do Corpo Denso muito mais do que o do adulto. Durante o período do crescimento, essa reserva de átomos etéricos é aplicada para vitalizar os acréscimos dentro do Corpo, até que, quando for atingida a idade adulta, o Corpo Vital sobressai somente 2,5 a 4 centímetros da periferia do Corpo Denso.

A ciência física confirmou que os átomos em nosso Corpo Denso estão mudando constantemente, de maneira que todo o material que compõe nosso veículo no presente desaparecerá dentro de poucos anos; contudo, é um fato conhecido que as cicatrizes e outras manchas de nascença se mantêm da infância à velhice. A razão disso é que os átomos etéricos prismáticos, que compõem nosso Corpo Vital, permanecem imutáveis do berço ao túmulo. Estão sempre na mesma posição relativa – isto é, os átomos etéricos prismáticos que fazem vibrar os átomos físicos nos dedos dos pés ou das mãos nunca chegam às mãos, às pernas ou a qualquer outra parte do Corpo, pois permanecem exatamente no mesmo lugar em que foram colocados a princípio. Uma lesão nos átomos físicos implica numa impressão idêntica nos átomos etéricos prismáticos. A nova matéria física, modelada sobre eles, continua a tomar forma e textura semelhantes à que possuíam originalmente.

As observações precedentes se aplicam somente aos átomos etéricos prismáticos, que correspondem aos sólidos e aos líquidos no Mundo Físico, pelo fato de adotarem uma certa forma definida que eles preservam. Além disso, cada ser humano nesse estado de evolução possui também determinada quantidade de Éteres de Luz e Refletor, que são os veículos dos sentidos da percepção e da memória, mesclados em seu Corpo Vital. Podemos dizer que o Éter de Luz corresponde aos gases de nosso Mundo Físico; talvez a melhor descrição que podemos fazer do Éter Refletor é lhe dar o nome de hiper-etérico. É uma substância vazia, de cor azulada, semelhante em aparência ao núcleo azul de uma chama de gás. Parece transparente, como se revelasse tudo o que contém dentro dele, entretanto, esconde todos os segredos da natureza e da humanidade. Nele está contido um registro da Memória da Natureza. Os Éteres de Luz e Refletor são de natureza exatamente opostas aos estacionários átomos etéricos prismáticos. São voláteis e migratórios. Uma pessoa pode possuir pouco ou muito desse material, no entanto, ele constituirá sempre um fator de crescimento, como resultado de suas experiências na vida. Dentro do Corpo se mistura com a corrente sanguínea e, à medida que cresce por meio do serviço e do sacrifício da pessoa na escola da vida, e já não pode quase ser contido no Corpo, é visto do lado de fora como um Corpo-Alma azul e dourado. O azul revela o tipo mais elevado de espiritualidade e, por conseguinte, é o menor em volume e pode ser comparado ao núcleo azul de uma chama de gás, enquanto que a matiz dourada forma a maior parte e corresponde à luz amarela que circunda o núcleo da chama de gás. A cor azul não aparece no exterior do Corpo Denso, salvo nos casos dos maiores santos – somente o amarelo é geralmente observado nele. Com a morte essa parte do Corpo Vital é gravada no Corpo de Desejos com o panorama da vida que ela contém. A quintessência de toda a nossa experiência de vida se imprime, então, no Átomo-semente como consciência ou virtude, que nos levará a evitar o mal e a fazer o bem na próxima vida terrestre. É assim que se altera a qualidade do Átomo-semente de uma vida a outra. A quintessência do bem, extraída da parte migratória do Corpo Vital numa vida, determina a qualidade dos átomos etéricos prismáticos estacionários na próxima vida terrestre. O mais elevado em uma vida será o mais baixo na seguinte e, assim, gradualmente, nós nos elevamos pela escada da evolução até a divindade.

Do que foi dito, se torna evidente que o Corpo Vital é um veículo de hábitos; todos os pais deveriam saber que durante os sete primeiros anos da infância, quando esse veículo está sendo gestado, é que as crianças adquirem um hábito atrás do outro. A repetição é a Nota chave do Corpo Vital, assim como os hábitos dependem dessa repetição. Isto é diferente em relação ao Corpo de Desejos, pois ele é o veículo dos sentimentos e das emoções que estão variando constantemente; mesmo que se diga que o Éter que forma nosso Corpo-Alma está em constante movimento e se mistura com a corrente sanguínea, esse movimento é relativamente lento comparado com a rapidez das correntes do Corpo de Desejos; podemos até afirmar que o Éter se move como um caracol, comparado com a luz.

O que dissemos anteriormente pode ser assim resumido:

  • A matéria de desejos se move com rapidez inconcebível, comparável somente com a luz.
  • Os dois Éteres superiores viajam também com grande velocidade, embora mais lentamente do que a matéria de desejos.
  • Os átomos etéricos prismáticos que entram na composição dos Éteres inferiores são estacionários, mas possuem um alto grau de movimento vibratório.
  • Os átomos densos permanecem tão estacionários como o cristal na rocha.

Não importa o que as pessoas falem de nós ou para nós; suas palavras carecem de poder intrínseco para ferir – é nossa própria atitude mental com relação ao que elas disseram que determina o efeito de suas palavras sobre nós, para o bem ou para o mal. São Paulo, ao se defrontar com a perseguição e calúnia, afirmou que “nenhuma destas coisas me comove”. Todos que esperam avançar espiritualmente, devem cultivar um estado de equilíbrio, pois, sem ele, o Corpo de Desejos correrá desenfreado ou se congelará, conforme a natureza das emoções geradas pelas relações com os demais, seja preocupação, raiva ou medo. Sabemos que o Corpo Denso é o nosso veículo de ação, que o Corpo Vital dá a ele o poder para agir, que o Corpo de Desejos fornece o incentivo para a ação e que a Mente foi dada como um freio para os impulsos. Aprendemos no Livro “O Conceito Rosacruz do Cosmos” que os pensamentos-forma, dentro e fora do nosso Corpo, estão sendo projetados continuamente sobre o Corpo de Desejos, em um esforço para despertar o sentimento que conduzirá à ação, e que a razão deve reger a natureza inferior, deixando que o Ego superior alcance a expressão de suas tendências divinas. Sabemos igualmente que um pensamento habitual tem o poder de modelar inclusive a matéria física, pois a natureza do sensualista é tão facilmente perceptível em seus aspectos vulgares e grosseiros, como são delicados e finos os de uma Mente espiritualizada. O poder do pensamento é ainda maior em sua potência para modelar as vestimentas mais sutis. Acabamos de ver como os pensamentos de medo e preocupação congelam o Corpo de Desejos da pessoa que seja indulgente com esse hábito, e é igualmente certo que cultivando um estado mental otimista, sob qualquer circunstância, podemos sintonizar nossos Corpos de Desejos a qualquer posição que quisermos. Depois de um tempo isto se tornará um hábito. Admitimos que é difícil sujeitar o Corpo de Desejos sob uma linha definida, porém, pode ser conseguido e essa tentativa deve ser feita por todos os que aspirem o avanço espiritual.

Quanto ao efeito dessa polarização, sob o ponto de vista oculto, podemos aprender muito sobre certos costumes das chamadas sociedades secretas. Como sabemos, tais organizações colocam sempre à porta um guardião com instruções para proibir a entrada daquele que não saiba a palavra-passe e os sinais, e isto surte muito bom efeito até com as pessoas que funcionam unicamente em seus Corpos físicos. No entanto, os chamados segredos dessas organizações não são, em hipótese alguma, segredos para aqueles que são capazes de entrar nesses lugares de reunião em seus Corpos Vitais. De forma muito diversa ocorre numa verdadeira ordem esotérica como, por exemplo, a dos Rosacruzes. Nenhum guardião impede a entrada ao Templo quando é celebrada a Missa Mística da Meia-noite, todas as noites da semana. A porta está escancarada para todos aqueles que aprenderam a pronunciar o “abre-te-sésamo”. Porém, esta não é uma senha falada; o Iniciado que deseja comparecer deve saber como sintonizar seu Corpo-Alma ao grau de vibração particular mantido naquela noite. No entanto, essa vibração difere todas as noites da semana, de maneira que aqueles que aprenderam a se harmonizar com a vibração mantida aos sábados à noite, quando se reúne o primeiro grau, tem sua entrada efetivamente barrada ao Templo quando se reúnem aqueles que executam seu trabalho aos domingos, na segunda-feira, na terça-feira etc., como qualquer outra pessoa comum.

A lei cósmica, sob a qual atua o que foi dito, tem também sua aplicação para o controle e efeito de nossos pensamentos, sentimentos e emoções. Bem disse São Paulo quando manifestou que nós somos o templo do Deus vivo (nosso “Eu Superior”). Também criamos uma aura sutil em torno de nós sob a salvaguarda das Divinas Hierarquias que regem os sete Astros: Sol, Lua, Mercúrio, Vênus, Marte, Saturno e Júpiter. O Universo, ou o grande mundo, é chamado misticamente a lira de sete cordas de Apolo. Nosso organismo individual, ou microcosmo, é uma réplica ou imagem de Deus, e devemos despertar em nós um eco dessa música das esferas. Muitos de nós aprendemos a responder bastante às vibrações saturninas de pesar, tristeza, medo e preocupação que congelam nossos Corpos de Desejos e seria um benefício duradouro se tratássemos de cultivar as vibrações espirituais do Sol, enchendo nossas vidas de otimismo e de luz solar que dissipariam a tristeza e o desalento saturninos, impedindo que tais pensamentos penetrassem em nossa aura no futuro.

A primeira necessidade para o adiantamento é o estado de equilíbrio. Todos os que aspiram devem adotar o lema de São Paulo: “Nenhuma dessas coisas me comove”.

PARTE V – OS EFEITOS DO REMORSO OS PERIGOS DO EXCESSO DE BANHOS

Como existem muitos Estudantes Rosacruzes que praticam os exercícios aconselhados pelos Irmãos Maiores para o desenvolvimento progressivo da alma, mas que ainda não se sentiram inclinados a penetrar no Caminho, nos parece conveniente considerar o efeito oculto das emoções geradas por esses exercícios.

No exercício de Retrospecção quando o Aspirante à vida superior revê os acontecimentos do dia em ordem inversa e chega a um incidente no qual injuriou alguém, deixou de ajudar outro ou não se comportou como crê ser o ideal de conduta, ele aprende a cultivar um intenso remorso pelo que fez de mal, com o objetivo de erradicar esse registro do Átomo-semente do coração, onde ficou impresso aquele ato e onde permanecerá até ser apagado pelo sofrimento no Purgatório, a menos que, previamente, tenha sido eliminado por outros meios, sendo um desses meios esse exercício de Retrospecção.

No Purgatório, o processo de purificação é efetuado pela força centrífuga da repulsão que arrasta e destroça a matéria de desejos, na qual o quadro é formado por cima de sua matriz de Éter, fora do Corpo de Desejos. Nessa ocasião, a alma sofre como fez sofrer os outros, por causa da condição própria das regiões inferiores do Mundo do Desejo, onde está localizado o Purgatório. Alguns videntes, incapazes de contatar as regiões superiores, falam do Mundo do Desejo como ilusório, e estão certos no tocante às regiões inferiores, porque ali todas as coisas aparecem invertidas como nós as vemos em um espelho. Essa particularidade não foi feita sem propósito – nada no Reino de Deus o é; todas as coisas servem a um fim sábio. Essa inversão coloca a alma daquele que errou na posição de sua vítima, de maneira que, quando se desenrola na tela uma cena da sua vida passada, em que fez mal a alguém, a alma não permanece apenas como simples espectadora contemplando a cena representada, mas se torna, naquele momento, a vítima do erro, sentindo a dor do injuriado, já que a força centrífuga de repulsão exercida para destruir o quadro do Corpo de Desejos do pecador, deve, ao menos, igualar ao ódio e à raiva da vítima que imprimiu a cena sobre o Átomo-semente no momento da ocorrência.

Durante a Retrospecção, o Aspirante se esforça por reproduzir essas condições; experimenta visualizar as cenas em que fez algo de errado, e o remorso que procura sentir deve, pelo menos, se igualar ao ressentimento sofrido por aquele que prejudicou. Produz-se, então, o mesmo efeito do apagar o registro da ofensa, como o faz a força centrífuga de repulsão que efetua a erradicação do mal no Purgatório, com o propósito de extrair dali a qualidade de alma que conhecemos com o nome de Consciência, e que age como um dissuasivo na hora da tentação. Assim usada, a emoção do remorso limpa profundamente e purifica o Corpo de Desejos das ervas daninhas e do joio, deixando livre o terreno e favorecendo o desenvolvimento de todas as virtudes que florescem no avanço espiritual e oferecem as maiores oportunidades para o serviço na vinha do Senhor.

Contudo, assim como a força latente da pólvora e substâncias explosivas similares podem ser utilizadas para impulsionar os maiores objetivos da civilização ou para levar a efeito os piores atos de barbarismo, também a emoção do remorso pode ser utilizada de tal maneira que passa a ser um obstáculo e um prejuízo para a alma, em vez de constituir um auxílio. Quando nos entregamos ao remorso diariamente e de hora em hora, estamos desperdiçando um poder imenso que pode ser utilizado para os mais nobres objetivos da vida, já que uma constante mania de se lastimar afeta o Corpo de Desejos, em uma maneira similar à que causam os banhos excessivos no Corpo Denso, como já descrevemos em “Vício de Excessiva Limpeza”, um artigo publicado em nossa revista “Rays from the Rose Cross”. Afirmou-se nesse artigo que a água tem grande afinidade com o Éter, absorvendo-o avidamente como se demonstrou em vários exemplos; afirmou-se também que ao tomar um banho em condições normais, expulsamos boa quantidade de Éteres venenosos e miasmáticos de nosso Corpo Vital, desde que permaneçamos na água por pouco tempo. Depois de um banho, o Corpo Vital enfraquece ligeiramente e, por conseguinte, sentimos uma sensação de fraqueza, mas, se gozamos de boa saúde e não permanecemos demasiado tempo na água, aquela deficiência se modifica imediatamente em uma corrente de força que flui para o nosso Corpo por meio do baço. Quando esse influxo de Éter fresco tiver substituído a substância prejudicial levada pela água, sentimos novo vigor que atribuímos ao banho, sem nos darmos conta dos fatos como são detalhados aqui.

Entretanto, quando uma pessoa que não goze de perfeita saúde e adquire o hábito de se banhar todos os dias, inclusive duas ou três vezes por dia, extrai de seu Corpo Vital um excesso de Éter. A provisão que entra pelo baço diminui igualmente pela falta de tonificação do Átomo-semente colocado no plexo solar e pelo enfraquecimento do Corpo Vital. Dessa maneira, é impossível a tal pessoa se recuperar entre tão repetidas abluções e, em consequência, a saúde do Corpo Denso sofre; perde continuamente as forças e se predispõe a ser um inválido.

“Como é em cima assim é em baixo, e como é em baixo assim é em cima”, diz o aforismo hermético, explicando a grande lei da analogia que é a chave mestra de todos os mistérios. Ao utilizar a força centrífuga do remorso, durante o exercício noturno de Retrospecção, para erradicar de nossos corações as faltas cometidas, o efeito é semelhante à ação da água que remove o venenoso Éter miasmático de nossos Corpos Vitais durante o banho, deixando lugar para um influxo de Éter puro e saudável. Depois de queimarmos os erros cometidos no sacrifício do fogo do remorso, a substância tóxica assim extirpada deixa lugar para um influxo de matéria de desejos, que moralmente é mais saudável, e deixa terreno mais propício para praticarmos as ações nobres. Quanto mais exaustivamente nos purguemos pelo remorso, tanto maior será o vazio produzido e melhor será o grau de material novo que atrairemos para os nossos veículos mais sutis.

Contudo, por outro lado, se nos entregarmos ao remorso e aos pesares durante as horas de vigília, como fazem alguns, excederemos o nosso Purgatório e, ainda que esse tempo seja dedicado à extirpação do mal, a consciência de cada quadro volta, e este já foi extirpado pela força de repulsão. Aqui, devido a conexão entre os Corpos de Desejos e Vital, podemos reviver o quadro mentalmente tantas vezes quanto o desejarmos e, enquanto o Corpo de Desejos se dissolve gradualmente no Purgatório pela expurgação do panorama da vida, uma porção determinada é acrescida durante a existência no Mundo Físico para substituir a que se expulsou por meio do remorso. Quando nos entregamos ao remorso e ao pesar excessivos, se produz o mesmo efeito sobre o Corpo de Desejos que o banho excessivo sobre o Corpo Vital. Ambos os veículos ficam destituídos de força devido a excessiva limpeza profunda e, por esta razão, é tão perigoso para a saúde moral e espiritual se entregar, indiscriminadamente, aos sentimentos de pesar e remorso, como é fatal ao bem-estar físico o se banhar demasiado. O discernimento deve imperar em ambos os casos. 

Quando nós praticamos o exercício de Retrospecção, devemos nos entregar ao sentimento de pesar e remorso com toda a nossa alma; devemos procurar verter lágrimas de fogo que queimem até o mais íntimo de nosso ser; devemos fazer o processo purificador da maneira mais profunda e completa possível, com o objetivo de poder crescer em graça até ao máximo possível. Porém, uma vez terminado o exercício, devemos fazer o mesmo que se faz no Purgatório – considerar os incidentes do dia liquidados e esquecê-los completamente, salvo em casos que necessitem restituição, desculpas ou atos subsequentes que a consciência nos aponte. Resgatada assim a dívida, nossa atitude deve ser de um inquebrantável otimismo. “Ainda que vossos pecados sejam escarlates, tornar-se-ão tão brancos como a neve”[21]. “Se Deus está conosco, quem estará contra nós?”[22]. Por aquela atitude morremos diariamente para a vida passada, para renascer a cada dia para caminhar em uma nova vida espiritual, já que nossos Corpos de Desejos são assim renovados e preparados para servir a um fim mais elevado na vida, do que o do dia anterior.

E porquanto nós discutimos sobre o pesar e o remorso aplicados ao problema do crescimento da alma, com seu efeito sobre os nossos Corpos sutis, podemos, vantajosamente, também mencionar o efeito do pesar voltado para outras direções. Há pessoas que vivem com o pesar como um companheiro agradável, levam-no para a cama a noite e despertam com ele pela manhã; levam-no ao trabalho, às compras ou à igreja; sentam-se com ele à mesa e tratam-no com cuidado como se fosse a coisa mais preciosa que possuíssem, e deixariam até de viver, mas não de manifestar seu pesar por essa, aquela ou outra coisa.

Como um vampiro que suga o Éter do Corpo Vital de sua vítima e se alimenta dele, os pensamentos perpétuos de pesar e de remorso, concernentes a determinados fatos, se tornam um elemental de desejo que age como um vampiro e extrai a vida da pobre alma a quem deu forma, e, em virtude da atração do semelhante pelo semelhante, alimenta a continuidade desse mórbido hábito de pesar.

Não será com nossos remorsos que ajudaremos os seres queridos que partiram dessa vida e, embora pensemos que os ajudamos com nossa fidelidade, na verdade, estamos prejudicando-os. Eles abandonaram a esfera atual de experiência e seguem adiante para outros reinos, onde existem outras lições a aprender, e nós os detemos em seu caminho com nossos pensamentos, porque eles nos sentem mais profundamente depois que passaram para o além, e nós temos que considerar um dever lhes dirigir pensamentos de carinho e amor, em lugar do pesar egoísta que os prejudica tanto quanto a nós. O pesar é destrutivo para o desenvolvimento espiritual, porque, enquanto o assim criado pensamento elemental permanece agarrado a nós como um vampiro, não podemos nos elevar pelo escarpado caminho.

Repugnantes como o abutre, que se alimenta de restos decompostos e hediondos dos mortos, são os vãos remorsos que vivem na mórbida contemplação do passado e de seus erros. É nosso dever expulsá-los de nosso ambiente mental como expulsaríamos de nosso lar o primeiro abutre que nele tentasse penetrar.

Ao invés disso, cultivemos sempre e em tudo, uma atitude de otimismo, pois todas as coisas trabalham juntas para o bem – Deus está no leme e nada pode sair realmente errado, e tudo sairá certo, dentro do tempo de Deus.

A ORAÇÃO: UMA INVOCAÇÃO MÁGICA

PARTE I – A NATUREZA DA ORAÇÃO E A PREPARAÇÃO PARA A ORAR

O assunto Oração deve merecer uma profunda atenção e estudo por todos aqueles que aspiram à espiritualidade, e confiamos que as explicações que se seguem possam ajudar nossos estudantes em seus esforços neste sentido.

Há uma só força no Universo, nomeada o Poder de Deus, que Ele enviou através do espaço em forma de uma Palavra; não uma simples palavra, mas o fiat criador, cuja vibração sonora amalgamou milhões de átomos caóticos em uma infinidade de figuras e de formas, desde a estrela do mar à estrela do firmamento, do micróbio ao ser humano, tudo o que constitui e habita o Universo. À medida que as sílabas e os sons dessa Palavra Criadora foram sendo emitidos, uns após outros no transcurso dos tempos, espécies foram sendo criadas e as mais antigas desenvolvidas, tudo de acordo com o pensamento e o plano concebido pela Mente Divina, antes que a força dinâmica da energia criadora fosse enviada para fora, para o abismo do espaço.

Isso, então, é a única fonte de poder na qual real, verdadeira e literalmente vivemos, nos movemos e temos o nosso ser, tão certo como os peixes vivem na água. Não podemos escapar ou nos afastar de Deus, do mesmo modo que o peixe não pode viver e nadar na terra seca. Não era um mero sentimento poético quando o salmista disse: “Para onde ir, longe do teu sopro? Para onde fugir, longe da tua presença? Se subo aos céus, tu lá estás; se me deito no túmulo, aí te encontro. Se tomo as asas da alvorada para habitar nos limites do mar, mesmo lá é tua mão que me conduz, e tua mão direita me sustenta.”[23].

Deus é Luz, e nem mesmo o mais potente telescópio moderno, que pode alcançar milhões de quilômetros no espaço, conseguiu descobrir os limites da luz. Contudo, nós sabemos que, se não tivéssemos olhos para perceber a luz e ouvidos que registrassem as vibrações do som, caminharíamos pela Terra em eterna escuridão e silêncio; similarmente, para perceber a Luz Divina, que sozinha pode iluminar nossa escuridão espiritual, e para ouvir a voz do silêncio, que é a única voz que poderá nos guiar, devemos cultivar nossa visão e audição espirituais; e a oração, a verdadeira oração científica, é um dos métodos mais poderosos e eficazes para encontrar graça diante de nosso Pai, e receber a imersão na luz espiritual, que transforma alquimicamente o pecador em santo e o envolve com o Dourado Manto Nupcial de Luz, o luminoso Corpo-Alma.

Preparação para a Oração – Ora et Labora

Devemos estar cientes de que a oração por si só não pode efetuar essa transformação. A menos que nossa vida inteira, tanto despertos como em sono, seja uma oração para a iluminação e santificação, nossas preces jamais penetrarão na Divina Presença, e nem trarão até nós um batismo do Seu Poder. “Ora et labora” – ora e trabalha – é um preceito oculto a que todos os aspirantes devem obedecer ou terão sucesso muito pequeno. Nesse sentido, uma antiga lenda de São Francisco de Assis confirmará o que dissemos. Ela demonstra a luz derramada sobre alguém cuja vida foi inteiramente consagrada ao serviço de Deus.

Um dia, São Francisco se aproximou de um jovem monge no mosteiro, com o convite: “Vem, irmão, vamos à cidade e a pregar ao povo”. O jovem monge aceitou o convite com entusiasmo, radiante com a perspectiva de um passeio com o santo padre, pois sabia que fonte de elevação espiritual isto seria. Caminharam para a vila, subindo e descendo por várias ruas e praças, absorvidos o tempo todo em uma interessante conversa espiritual, e finalmente regressaram ao mosteiro. Só então o jovem monge percebeu que haviam estado tão profundamente absorvidos na conversa que esqueceram por completo o objetivo de sua ida à vila. Delicadamente lembrou a omissão a São Francisco, ao que esse respondeu:  “Filho, enquanto estávamos caminhando pelas ruas da vila, as pessoas nos observavam, ouvindo trechos da nossa conversa e constatando que falávamos do Amor de Deus e de Seu Filho querido, nosso Salvador; eles notaram nossas carinhosas saudações e as palavras de ânimo e de consolo aos aflitos que encontrávamos, e até o nosso traje lhes falava a linguagem e o chamado à religião; assim, estivemos pregando durante todo o tempo de nossa presença entre eles, de um modo mais efetivo do que se lhes tivéssemos discursado horas e horas em praça pública”. São Francisco não tinha outro pensamento senão Deus e fazer o bem em Seu nome, portanto, estava em grande harmonia com a vibração divina, e não nos devemos surpreender que quando ele fazia suas orações regulares se tornava um poderoso ímã para a Vida e Luz divinas, que se difundiam por todo o seu ser.

Nós que estamos empenhados no trabalho secular do mundo e forçados a fazer coisas que nos parecem mesquinhas, muitas vezes sentimos que estamos afastados e impedidos de sentir a Luz Divina; porém, se “fizermos todas as coisas como se fossem para o Senhor” e “formos fiéis nas coisas pequenas” veremos que, com o tempo, se apresentarão oportunidades como jamais havíamos sonhado. Assim como a agulha magnética, momentaneamente afastada do Norte por uma pressão externa, volta instantaneamente e ansiosamente à sua posição natural quando se liberta da pressão, também nós devemos cultivar tal anseio por nosso Pai, que fará com que nossos pensamentos se voltem imediatamente para Ele ao terminarmos nosso trabalho diário no mundo e ficarmos livres para agir segundo nossa própria inclinação. Devemos cultivar um sentimento similar ao que anima os jovens enamorados quando, depois de uma ausência, voltam a se encontrar e correm para se abraçarem em um êxtase de felicidade. Essa é uma preparação absolutamente essencial para a oração e, se voarmos em direção ao nosso Pai da maneira indicada, a Luz de Sua presença e a doçura de Sua voz nos ensinarão e nos animarão muito além de nossas mais ardentes esperanças.

O próximo ponto que requer consideração se refere ao lugar da oração, e isso é de vital importância por uma razão geralmente desconhecida, até mesmo pelos estudantes de ocultismo. Toda oração, quer falada ou não, todo canto de louvor e toda leitura das passagens da Sagrada Escritura que ensinam ou exortam, se são feitas por um leitor cuidadosamente preparado, que ama e vive o que lê, derrama e difunde a graça do Espírito tanto sobre aquele que ora, quanto sobre o lugar da oração. Desse modo, com o tempo, se constrói uma igreja invisível em torno da estrutura física, a qual, no caso de uma congregação de devotos se torna tão bela que transcende toda imaginação e dispensa descrição. O personagem Manson no livro “Servente da Casa”[24] nos dá um sutil vislumbre do que é isso, quando ele diz ao velho Bispo:

“Eu receio que você não considere esse templo de grande importância. Ele deve ser visto de certo modo e sob determinadas condições. Algumas pessoas nunca o veem na sua totalidade. Você deve compreender que ele não é um monte de pedras mortas e vigas insignificantes, mas é uma Coisa Vivente. Quando você entra nele, ouve um som, um som como o de um vigoroso poema cantado. Escute-o bem, e você aprenderá que esse som é feito pelo palpitar de corações humanos, de música não nominadas das almas dos seres humanos, isto é, se você tem ouvidos para ouvir. Se você tem olhos, logo verá o próprio templo, um enorme mistério de muitas formas e imagens, projetando-se verticalmente do solo à cúpula, a obra de um extraordinário construtor. Suas colunas se levantam como vigorosos troncos de heróis; a delicada matéria humana de homens e mulheres é modelada em torno de seus fortes e inexpugnáveis baluartes. Em cada pedra fundamental, rostos sorridentes de crianças; seus espantosos vãos e arcos são as mãos unidas dos companheiros e; em cima, nas alturas e espaços, acham-se inscritas as inumeráveis meditações de todos os idealistas do mundo. Ele se acha ainda em construção e a construção continua. Às vezes, a obra segue sob escuridão profunda – outras vezes, sob luz ofuscante – ora, sob o peso de indizível angústia, ora, com a música de sonoras risadas e aclamações heroicas como o ribombar do trovão. Às vezes, no silêncio da noite, se pode ouvir o suave martelar dos companheiros trabalhando na cúpula, os companheiros que chegaram no alto”.

Contudo, esse edifício invisível não é um lugar meramente fascinante como um castelo de fadas no sonho de um poeta; é, como disse Manson, uma coisa vivente, vibrante com a força divina de imensa ajuda para os fiéis, porque os auxilia no ajuste das caóticas vibrações do mundo que permeiam sua aura quando eles entram em uma verdadeira “Casa de Deus”, em atitude apropriada de oração. Desse modo, são ajudados a se elevarem em aspiração ao trono da graça divina, para oferecer ali seu louvor e adoração, solicitando do Pai uma nova efusão espiritual e recebendo a amorosa resposta: “Este é meu Filho amado em quem Me comprazo”[25].

Tal lugar de adoração é essencial ao crescimento espiritual pela oração científica, e aqueles que são tão afortunados para ter acesso a tal templo deveriam sempre ocupar o mesmo lugar nele, porque este fica impregnado com suas vibrações individuais e eles se adaptam àquele ambiente mais facilmente do que em qualquer outra parte e, consequentemente, lograrão melhores resultados.

No entanto, tais lugares são raros, porque para a oração científica é necessário um verdadeiro santuário. Não deve haver nele, nem em suas proximidades, qualquer rumor ou conversa profana, porque esses fatos alteram as vibrações; as vozes devem ser contidas e as atitudes reverentes; cada um deve ter em mente que está em um lugar sagrado e agir de acordo com ele. Por esta razão, nenhum lugar aberto ao público será apropriado.

Além disso, o poder da oração aumenta imensamente com cada nova pessoa que ali ora. O crescimento pode ser comparado a uma progressão geométrica, se os que ali oram estiverem devidamente harmonizados e habituados à oração coletiva; acontecendo exatamente o contrário se não o estiverem.

Talvez o seguinte exemplo esclareça esse princípio. Suponhamos que um certo número de músicos que jamais tenham tocado com juntos e que não possuam ainda domínio suficiente do seu instrumento fossem solicitados para tocar em um concerto; não é necessária uma imaginação perspicaz para compreender que seu primeiro esforço seria marcado por muita desarmonia, e o mesmo aconteceria se um amador se dispusesse a tocar com eles, ou mesmo com uma orquestra já formada, não importando quão sério e intenso fosse seu desejo, ele, inevitavelmente, estragaria a música. Idênticas condições científicas governam a prece coletiva; para que seja eficaz, os participantes devem estar igualmente preparados, como já explicamos no capítulo anterior; devem ter as mesmas influências harmoniosas em seus horóscopos. Quando um aspecto adverso em um tema astrológico se encontra no Ascendente do outro, estes dois seres não poderão tirar nenhum proveito da oração em comum; eles devem dominar seus Astros e viver em paz, se são almas evoluídas, mas carecem da harmonia básica, que é absolutamente essencial para a oração coletiva. Só a Iniciação remove esse obstáculo.

PARTE II – AS ASAS E O PODER – A INVOCAÇÃO – O CLÍMAX

Ficou claro na primeira parte eu há determinadas razões ocultas que não aconselham a oração coletiva, exceto em circunstâncias especiais.

O conhecimento dessas dificuldades foi que levou Cristo a advertir seus Discípulos para que não fizessem suas preces diante de outras pessoas e os aconselhou que, quando necessitassem ou quisessem orar, se recolhessem a seus aposentos. Não podemos ter, individualmente, um edifício bonito e grande para as nossas devoções, nem o necessitamos; com muita frequência, a pompa e a exibição fazem com que afastemos os nossos corações de Deus. Porém, a maioria de nós pode, perfeitamente, dedicar uma pequena parte de nosso aposento para a devoção, o separando com uma cortina ou com um biombo do resto da habitação, ou ainda podemos transformar um cômodo em um santuário completo. Não importa o tipo das paredes que o separem; é a separação e a invisível Casa de Deus que construímos com nossas orações, e a graça divina que recebemos como resposta de nosso Pai que são importantes. Pode-se colocar na parede uma imagem de Cristo e o símbolo da Rosacruz, se o desejarmos, porém isso não é o essencial. O Olho que Tudo Vê é o preferido por alguns ocultistas avançados que conhecemos, como um símbolo do Pai. Porém, recordemos as palavras de Cristo: “O Pai e Eu somos um”, e mesmo não tendo uma imagem autêntica de Cristo, podemos utilizar a que tivermos, já que sabemos que os nossos pensamentos não se perderão por falta de autenticidade. Cristo é o Senhor dessa era; mais tarde, naturalmente, o Pai tomará este lugar, mas agora Cristo é o mediador dos povos.

Cremos ser desnecessário dizer que não importam as dimensões do lugar de oração, pois qualquer cômodo ou habitação do aspirante fiel acha-se compenetrado por uma atmosfera de santidade, pois todos os pensamentos que ele gerou legitimamente, depois de haver cumprido religiosamente suas obrigações com o mundo, provêm do Pai Celestial, assim que o lugar reservado ao santuário logo se encherá de supremas vibrações espirituais; entretanto, qualquer aspirante que pretenda seguir o método científico de oração deve procurar, antes de tudo, um lugar permanente de residência, porque, se se mudar de um lugar para outro, sofrerá uma perda importante e terá que voltar a formar as mesmas vibrações. O templo invisível que ele constrói se desintegra gradualmente quando a adoração cessa.

As Asas e o Poder

É uma máxima mística que “todo o desenvolvimento espiritual começa no Corpo Vital”. Esse é o mais próximo em densidade ao nosso Corpo Denso, sua Nota chave é a repetição, e é o veículo dos hábitos, sendo assim difícil de modificá-lo ou influenciá-lo, mas, uma vez que alguma mudança se tenha operado e um hábito tenha sido adquirido pela repetição, sua atuação se torna, até certo ponto, automática. Essa característica é boa e má com respeito a oração, porque a impressão registrada nos Éteres desse veículo impulsionará o aspirante ao fiel cumprimento de suas devoções nas datas marcadas, ainda que possa ter perdido o interesse no exercício e suas preces sejam meras fórmulas. Se não fosse por esse hábito formando tendências no Corpo Vital, os aspirantes não se fariam conscientes do perigo no momento exato em que o verdadeiro amor começasse a diminuir e não seria fácil recuperar a perda e permanecer no Caminho. Portanto, o aspirante deve se examinar cuidadosamente, de tempos em tempos, para ver se ainda possui as asas e o poder com os quais possa se elevar segura e rapidamente ao nosso Pai que está nos Céus. As asas são duas: Amor e Aspiração são seus nomes, e a força irresistível que as move é um intenso anseio. Sem eles e uma compreensão inteligente para dirigir a invocação, a prece é uma tagarelice, enquanto que bem realizada é o mais poderoso método conhecido para o crescimento da alma.

A Posição do Corpo

A posição do corpo importa pouco para a oração individual; a melhor é aquela que nos proporciona a concentração mais completa; mas, na oração coletiva, os ocultistas experientes têm o costume de permanecerem com a cabeça inclinada e as mãos enlaçadas de maneira apropriada. Isso forma um circuito magnético que une todos espiritualmente, desde o princípio dos exercícios. Em comunidades não tão avançadas, se observa que o canto de hinos feitos de pé, da maneira acima mencionada, produz um grande benefício, desde que todos participem.

A Invocação

Oração é uma palavra da qual se tem abusado tanto, que já não expressa, realmente, o exercício espiritual a que nos referimos. Como já dissemos, sempre que formos ao nosso santuário devemos ir como o amante que vai ao encontro de sua amada; nosso Espírito deve voar à frente de nosso lento corpo, em ansiosa antecipação das delícias que nos estão reservadas, e devemos esquecer tudo o mais para só dar lugar aos pensamentos de adoração que nos ocorrem no caminho. Isso é literalmente verdadeiro; o sentimento necessário para alcançar bons resultados é unicamente comparável àquele que impele o amante para a sua amada. “Como a corça bramindo por águas correntes, assim minha alma está bramindo por ti, ó meu Deus!”[26] é uma experiência real daquele que verdadeiramente é amante de Deus. Se não tivermos esse Espírito, podemos cultivá-lo por meio da oração, e uma das mais autênticas orações que deveríamos pronunciar constantemente, é a seguinte: “Aumenta meu amor por Ti, ó Deus, para que eu possa servir-Te melhor cada dia que passa. Faze que as palavras da minha boca e as meditações do meu coração sejam agradáveis à Tua presença, ó Senhor, minha Força e meu Redentor”[27].

As invocações usadas para pedir coisas temporais são magia negra; pois temos a promessa de: “Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.”[28]. Cristo nos indicou o limite a que podíamos aspirar no Pai Nosso, quando ensinou Seus discípulos a dizer: “O pão nosso de cada dia nos dai hoje”. Tanto no que diz respeito a nós mesmos como aos demais, devemos nos resguardar de ultrapassar esse limite na invocação científica. Mesmo quando oramos por bênçãos espirituais, devemos evitar que se manifeste qualquer sentimento egoísta, o que destruiria o nosso crescimento anímico. Todos os santos nos testemunharam seus dias de obscuridade, e a consequente depressão, quando o divino Amante oculta a Sua face. Isso depende da natureza e da força da nossa devoção: amamos a Deus por Ele mesmo ou O amamos pelas alegrias que experimentamos na doce comunhão com Ele? Se for somente por este último motivo, nosso afeto é essencialmente tão egoísta como os sentimentos da multidão que O seguia pelo alimento que Ele havia fornecido, e agora, como naquele tempo, é necessário que Ele oculte de nós a manifestação de Seu terno amor e solicitude para que nos ajoelhemos envergonhados e arrependidos. Felizes somos nós se vencermos os defeitos de nosso caráter e aprendermos a lição de uma fidelidade firme, tal como a agulha magnética que aponta para o Norte sem vacilar, embora chova, haja tormenta ou o céu esteja coberto de nuvens negras que ocultam a visão da sua amada estrela.

Dissemos que não devemos orar por coisas temporais e que devemos ter muito cuidado até em nossas orações por dádivas espirituais; portanto, é autêntica esta pergunta: Qual deve ser o objetivo da nossa invocação? E a resposta é, geralmente, louvar e adorar. Devemos abandonar a ideia de que toda vez que nos dirigimos a nosso Pai Celestial devemos Lhe pedir alguma coisa. Não ficaríamos contrariados se os nossos filhos estivessem a todo momento nos pedindo coisas? Entretanto, não podemos imaginar que Deus se desgoste por nossas importunas petições, nem devemos esperar que Ele nos conceda tudo o que pedimos porque, muitas vezes, nos prejudicaria. Por outro lado, quando oferecemos ações de graças e orações, estamos nos colocando em situação favorável com a Lei de Atração, estamos em um estado receptivo no qual poderemos receber uma nova descida do Espírito do Amor e da Luz e, deste modo, ficaremos mais perto do nosso ideal adorado.

O Clímax Final

Não é necessário que a invocação, audível ou não, seja mantida durante todo o tempo da oração. Quando nas asas do Amor e da Aspiração, impelidos pela intensidade de nosso zelo, aproximamo-nos do Trono do nosso Pai, chegará o momento da doce, mas silenciosa comunhão, mais deliciosa do que qualquer outro estado ou condição; é algo análogo ao contentamento dos enamorados que ficam sentados horas e horas, um ao lado do outro, sem romper o silêncio, pois se acham em um estado que transcende, em muito, o estágio onde precisam da fala para se entreterem. Assim também é no clímax final, quando a alma descansa em Deus, com todos os desejos satisfeitos pela sensação de comunhão expressa pelas palavras de Cristo: “Meu Pai e Eu somos Um”[29]. Quando atingimos este clímax, a alma terá provado a quintessência da alegria, e não importa quão sórdido possa parecer o mundo ou quão triste seja o destino que tenhamos de enfrentar, o amor de Deus, que sobrepassa toda a compreensão, é uma panaceia para tudo.

Entretanto, este clímax final só é obtido em toda a sua plenitude em intervalos muito raros. Pressupõe não somente a intensidade de propósito, para se elevar ao divino, como também um fundo de reserva para permanecer fixo naquele ponto, o que a maioria de nós nem sempre consegue. É muito conhecido o ditado de que nada de valor se alcança sem esforço. Tudo o que o ser humano fez, o ser humano poderá fazer, e se começarmos a cultivar o poder da invocação ao longo de linhas científicas aqui especificadas, dia chegará em que colheremos resultados com os quais nem sequer sonhamos.

Que Deus nos Céus abençoe os nossos esforços!

MÉTODOS PRÁTICOS PARA ALCANÇAR O SUCESSO BASEADOS NA CONSERVAÇÃO DA FORÇA SEXUAL

É tão impossível alcançar um sucesso verdadeiro e duradouro sem viver em harmonia com as leis da vida, como é para o criminoso viver em paz na sociedade cujas leis ele desrespeitou. E, da mesma forma que ele é castigado, encarcerado e reprimido devido a seus hábitos predatórios, a natureza também nos castiga, encarcera e restringe quando desobedecemos às suas leis. Essa restrição se chama doença e é inimiga da felicidade, pois ninguém pode ser feliz, não importa quão rico seja ou que posição ocupe no mundo, quando se encontra fisicamente enfermo. Então, é preciso termos em conta que uma das condições vitais que deve ser adquirida pelo homem ou pela mulher que aspira a felicidade e o êxito na vida, em sua plenitude, é a saúde, incluindo o vigor, pois somente com boa saúde poderemos ser, suficientemente, otimistas, alegres e vigorosos para alcançar o sucesso que procuramos.

A Bíblia nos diz que a morte e a enfermidade vieram ao mundo por termos comido da “Árvore do Conhecimento” e ainda que, sob o ponto de vista materialista, isso possa parecer pueril, não desprezemos a história sem a estudarmos profundamente. Poderemos comprovar que se acha em perfeita harmonia com os fatos científicos mostrados atualmente. Consideremos, em primeiro lugar, o significado da Árvore do Conhecimento, por meio dos seguintes princípios: “Adão conheceu sua esposa e essa deu à luz a Abel”; “Adão conheceu sua esposa e essa deu à luz a Seth”, e as palavras de Maria ao Anjo: “Como poderei conceber, se não conheço nenhum homem?”. Por essas e por muitas outras observações semelhantes, se conclui evidentemente que a Árvore do Conhecimento era uma expressão simbólica do ato gerador. A humanidade foi, como diz a Bíblia, concebida em pecado e, portanto, sujeita à morte da qual não haveria maneira de escapar.

Devemos relembrar que a evolução é uma realidade na natureza; que o ser humano atual é o resultado de um passado distante e que o presente estado não é o ponto final de uma meta de perfeição, mas que existem maiores alturas à nossa frente. Assim, todos estamos em um estado de desenvolvimento perpétuo; não existem paradas ou descansos, pois o caminho é tão ilimitado como a idade do Espírito. O que somos hoje é o resultado do que fomos ontem, portanto, o que seremos amanhã, dependerá do modo como utilizarmos, atualmente, as nossas faculdades. Examinemos, pois, o passado, para que, ao conhecermos o que temos sido, alcancemos um vislumbre do que haveremos de ser.

De acordo com a Bíblia, a humanidade foi hermafrodita antes de ser separada em dois sexos distintos como homem e mulher. Ainda temos entre nós hermafroditas que, como pensamos atualmente, têm essa formação anormal para provar a verdade dessa afirmação Bíblica; e fisiologicamente, o órgão do sexo oposto se acha latente em todos nós. Durante o período em que o ser humano esteve assim constituído, a fecundação devia ocorrer dentro de si mesmo; isto não difere muito do que sucede com muitas plantas hoje em dia.

Vejamos, segundo nos diz a Bíblia, qual o efeito da autofecundação nos dias primitivos. Existem dois fatos principais que são muito significativos: o primeiro, havia gigantes na Terra naqueles dias; o segundo, os patriarcas viveram centenas de anos; e essas duas características, grande desenvolvimento físico e longevidade, muitas plantas as possuem atualmente. O tamanho das árvores e a duração de suas vidas são fatos maravilhosos; elas vivem séculos, enquanto o ser humano vive um número reduzido de anos. Daí nos ocorre perguntar:  qual a razão da vida efêmera do ser humano e qual o remédio? Examinemos primeiro os motivos desta razão, e o remédio aparecerá.

É bem sabido pelos horticultores que as plantas param de crescer durante um florescimento muito prolífero. Uma roseira, ao florescer intensamente, pode morrer; por essa razão, o jardineiro sábio poda os brotos da planta para que a força se manifeste, parcialmente, em crescimento, em vez de dar somente flores. Desse modo, conservando a semente dentro de si mesma, guarda a força necessária para o crescimento e a longevidade. Esse é o segredo da altura e da longa vida das raças primitivas, como também é o segredo do tamanho e da longevidade das plantas atuais.

Que a essência criadora na semente é uma substância espiritual é evidente, quando comparamos a intrepidez e impetuosidade do touro e do garanhão, com a docilidade do boi e dos animais castrados. Além disso, sabemos que os libertinos e os degenerados se convertem em estéreis e fracos. Quando esses fatos se fixam em nossa consciência, não nos é difícil entender a verdade da Bíblia quando diz que o fruto da carne, que nos põe sob a lei do pecado e da morte, é antes de tudo e principalmente a fornicação, enquanto os frutos do Espírito, que conduzem à imortalidade, ainda segundo a Bíblia, são especialmente a continência e a castidade.

Consideremos também a criança e como a força criadora empregada internamente e para ela própria, produz um extraordinário desenvolvimento durante os primeiros anos, mas, na puberdade, o nascimento da paixão começa a dominar o desenvolvimento; então a força vital produz a semente com objetivo de alcançar o desenvolvimento e a expressão em outra direção, sendo que, desde aquele momento, termina o crescimento. Se continuássemos crescendo, como acontece na infância, seríamos gigantes, como o foram os divinos hermafroditas do passado.

A força espiritual gerada desde a puberdade e através da vida, pode ser usada com três propósitos: geração, degeneração ou regeneração. Depende de nós qual dos três métodos escolheremos; mas a escolha que fizermos terá uma influência importante sobre toda nossa vida, porque o uso dessa força não está confinado ao momento ou à ocasião em que é empregada. Abrange todos os momentos de nossa existência e determina a nossa atitude em cada uma das fases da vida entre nossos semelhantes; com a forma de como enfrentaremos os problemas da vida; se seremos capazes de agarrar as oportunidades ou as deixarmos escapar; se seremos saudáveis ou doentes; e se nós vivemos nossa vida com um propósito satisfatório; tudo isso depende da forma de usar nossa força vital. Esta força é a fonte de toda a existência, o elixir da vida.

A parte da força criadora que é legitimamente sacrificada, sobre o altar da paternidade e maternidade, é tão pequena que pode ser completamente desprezada nessas considerações. Não há razão, sob o ponto de vista espiritual ou físico, para que deva ser imposto o celibato em uma ordem religiosa, e nem essa imposição se encontra em qualquer passagem da Bíblia. A mera supressão da atração sexual não é virtude em si mesma; de fato pode até ser um vício muito sério, pois não há dúvida que milhares de pessoas que foram proibidas ou impedidas de buscar a satisfação natural, acabem caindo nos vícios mais inconfessáveis. Ainda que se abstenham do ato sexual, seus pensamentos serão de tal índole que as converterão em sepulcros caiados, horríveis por dentro, mesmo que externamente possam parecer puros e brancos. O próprio São Paulo, embora não na condição mencionada, disse: “É preferível se casar do que se abrasar”; essa expressão natural é, de longe, preferível ao estado acima descrito.

Embora existam poucas pessoas que defendam o abuso da função geradora, existem muitos indivíduos que, mesmo seguindo os preceitos espirituais em outros aspectos, mantém a crença de que a frequente satisfação dos desejos nos prazeres sexuais não é prejudicial; e existem outros que julgam que esse ato é tão necessário como qualquer outra função orgânica. Isso está errado por duas razões: primeiro, cada ato criador exige e consome uma certa dose de força e o organismo deve ser reabastecido com uma quantidade extra de alimento. Isso fortalece e aumenta o Éter Químico. Segundo, como a força propagadora atua por meio do Éter de Vida, esse constituinte do Corpo Vital também aumenta a cada gratificação dos sentidos. Deste modo, os dois Éteres inferiores do Corpo Vital se fortificam dirigindo a força criadora para baixo, para satisfazer o nosso prazer; e as ligações assim formadas e que oprimem os dois Éteres superiores que formam o Corpo-Alma, vão se tornando mais compactas e mais poderosas com o tempo. Como a evolução dos poderes anímicos e a faculdade de viajar em nossos veículos mais sutis dependem da separação que se efetua entre os Éteres inferiores e o Corpo-Alma, é evidente que frustramos o objetivo que temos em vista, retardando o desenvolvimento pela satisfação da natureza inferior.

Se dirigirmos novamente nossa atenção para o jardim, obteremos uma demonstração palpável e luminosa dos resultados em seguir o conselho do Apóstolo, quando disse: “guardai a semente dentro”, considerando as qualidades das diversas variedades de frutas sem semente. As frutas sem semente são maiores e de um sabor mais agradável do que as que possuem sementes, porque naquelas toda a seiva é empregada com o único propósito de tornar a fruta deliciosa e suculenta. Similarmente, se nós, em vez de desperdiçarmos nossa substância, vivermos castamente e dirigirmos a nossa força criadora para a regeneração, refinaremos e eterizaremos nossos Corpos físicos, ao mesmo tempo que fortaleceremos nosso Corpo-Alma. Desse modo, poderemos materialmente prolongar a nossa vida e, como consequência, aumentar nossas oportunidades para o crescimento anímico e avançar no Caminho de forma mais marcante.

Quando tivermos compreendido que o sucesso não consiste em acumulação de riquezas, mas no desenvolvimento anímico, se tornará evidente que a continência é um fator importante para o êxito na vida.

F I M


[1] N.T.: IICor 12:9

[2] N.T.: Mt 26:41

[3] N.T.: James Fenimore Cooper (1789-1851) foi um político e popular escritor dos Estados Unidos do início do século XIX.

[4] N.T.: George du Maurier (1834-1896) – cartunista e autor franco-britânico.

[5] N.T.: Jack London foi o pseudônimo de John Griffith Chaney (1876-1916), autor, jornalista e ativista social norte-americano, pioneiro no que era, então, o novo mundo das revistas comerciais de ficção.

[6] N.T.:

Diagrama 1 – O Mundo Material: um reflexo reverso dos Mundos Espirituais

[7] N.T.: nome da quarta divisão ou Região do Pensamento Concreto.

[8] N.T.: Quarta Região do Mundo do Pensamento

[9] N.T.: Também chamado de: Vestes de Bodas; Vestidos de Bodas, Veste Nupcial, Traje Nupcial. São Paulo chama de soma psuchicon (ICor 15:44).

[10] N.T.: do alemão: poltern (barulho), e geist (fantasma), também chamado por alguns parapsicólogos como Psicocinesia Recorrente Espontânea (em inglês: Recurrent Spontaneous Psychokinesis, RSPK), é um tipo de evento paranormal que se manifesta em um ambiente no qual existem ocorrências físicas, tais quais, chuva de pedras, movimentação, aparecimento e desaparecimento de objetos, sons, pirogenia, luzes, entre outras. Pode envolver até ataques físicos.

[11] N.T.: Mt 25:25

[12] N.T.: Mt 25:40

[13] N.T.: Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes

[14] N.T.: ICor 15:50

[15] N.T.: Leia a partir da seguinte sentença: “As relações das plantas, dos animais e do ser humano com as correntes de vida na atmosfera terrestre são representadas simbolicamente pela cruz…”

[16] N.T.: de Charles Rann Kennedy (1871-1950): foi um escritor anglo-americano.

[17] N.T.: do poema: Worth While de Ella Wheeler Wilcox (1850-1919), escritora e poeta estadunidense.

[18] N.T.: Refere-se à Primeira Guerra Mundial (1914-1918)

[19] N.T.: Átomo-semente do Corpo Vital.

[20] N.T.: Átomo-semente do Corpo Denso.

[21] N.T.: Is 1:18

[22] N.T.: Rm 8:31

[23] N.T.: Sl 139:7-10

[24] N.T.: do livro: The Servant in the House por Charles Rann Kennedy

[25] Mt 3:17

[26] N.T.: Sl 42:2

[27] N.T.: Oração do Estudante Rosacruz

[28] N.T.: Mt 6:33

[29] N.T.: Jo 10:30

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Escolhendo um Rumo: chegada a hora de agir por si mesmo, guiado somente pelo seu Cristo Interno

Uma pessoa quando se predispõe a estudar os Ensinamentos Rosacruzes por meio da Fraternidade Rosacruz já desenvolveu a sua consciência ao ponto de, pelo livre arbítrio, escolher um rumo para suas ideias, portanto, para o seu modo de pensar e agir.  

Nesse ponto de transição, em que a consciência insatisfeita com o que aprendeu até ali, necessita de esclarecimentos mais amplos, ele entra num mar de dúvidas porque aquilo que já aprendeu ficou gravado atrapalhando o novo aprendizado até que, depois, por si mesmo, ele perceba a lógica nas novas lições e acomode nelas a corrente de suas ideias.

Acontece que, desde séculos passados, o ambiente religioso é o mesmo nestes lados ocidentais. Durante anos e anos duas Religiões exotéricas que não se unem, mas graças a Deus não se perseguem mais, vem prevalecendo no continente europeu e no continente americano, sujeitando a sociedade e embaraçando a expansão de ideias livres, ideias individuais.

Dessa maneira a pessoa que chega ao ponto de libertar a sua Mente e conduzi-la pelo seu livre arbítrio, fica receosa como um pássaro que, engaiolado por muito tempo, no momento de sua liberdade, tem medo do espaço infinito. Quando vê aberta a portinha da gaiola, não tem coragem de arriscar um voo.

O hábito é uma segunda natureza e milhares e milhares de pessoas vem se habituando, desde criança, no ambiente familiar e ambiente geral de uma só ordem de ideias, até que sua Mente desenvolvida em outros assuntos, por força das necessidades da vida, chega a um ponto de curiosidade e descontentamento e se põe a procurar novas diretrizes, novos horizontes. Chega a hora, então, de procurar outras Religiões, outras Filosofias Cristãs, de ler livros, até ali desconhecidos, de procurar lugares de ensinamentos até então ignorados, e considerados absurdos, mudar de pontos de vista, de adquirir novos conhecimentos.

Nessa altura, muitas pessoas temerosas de abandonar tradições, de mudar de corrente, sempre igual de ideias que influiu durante tantos anos na própria vida, compreendendo ao mesmo tempo, que essas ideias já não satisfazem mais, vacila tanto para dar novo rumo a sua mentalidade que acabam estacionando no seu modo de pensar, sem concordar plenamente com a que já aprendeu e sem vontade de aprender novas razões. Quantas pessoas deixam de progredir na vida, moral ou material, pela força do hábito!

Essa preguiça de natureza mental deve ser afastada desde logo, porque geralmente ela dura bastante e, muitas vezes, quando chega a passar por efeito de um impulso, provocada pela experiência, pelo sofrimento, já se perdeu muito tempo, ou mesmo o melhor do tempo.

É natural, pois, que quando se encontre num estado de transição de ideias, mormente se tratando de questões espirituais, se esbarre com muita dúvida; porém é necessária afastá-la desde logo e para se conseguir isso é preciso pesquisar, examinar.

No caso da espiritualidade Cristã, é preciso verificar se as lições aprendidas, ou melhor, se as lições que se está aprendendo, são enquadradas na realidade da vida de todos os dias, e se podem ser observadas em você mesmo ou nos outros. Para isso é preciso pensar, procurar dentro do próprio pensamento fatos ou coisas que se relacionem com o que se está aprendendo. É preciso usar a memória, recorrer a lembranças e, também, observar nos fatos presentes, a relação entre a vida real e a espiritualidade.

A espiritualidade Cristã não é mais nada que a nossa própria vida estudada na sua essência, nas suas bases fundamentais, na sua evolução e sua finalidade.

Ora, estudando a nossa própria consciência nos seus foros mais íntimos, e estudando, ao mesmo tempo, os acontecimentos da vida exterior, quese relacionam particularmente conosco de modo direto ou indireto, dando-nos pesares ou prazeres, alegrias ou tristezas, verificamos que tudo o que nos aconteceu e nos acontece está em harmonia com a nossa natureza particular, com a nossa capacidade, com a nosso entendimento, com o nosso grau de inteligência; por isso mesmo que se diz que Deus dá o frio conforme a roupa.

Verificaremos também que se os acontecimentos da nossa vida são diferentes dos acontecimentos das vidas dos outros, muito embora as situações sociais, financeiras, condições de saúde, de família e outras, sejam equivalentes, é porque a nossa natureza íntima, também é diferente, porque os nossos Mundos internos têm o seu feitio e o seu desenvolvimento particular, que não encontramos exatamente iguais em mais ninguém. É por isso que muitas pessoas, em ocasiões de raiva, de desespero, mesmo de coragem, de sacrifício, convencida de sua natureza exclama: “eu sou assim”. Está certo! Cada um é assim do seu modo peculiar e não muda, senão por força da evolução espiritual. O Mundo exterior repete continuamente a mesma série de cenas, as mesmas histórias, os mesmos fatos, garantido pelas espirais dentro de espirais. Nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui) somos que, conservando o nosso feitio fundamental, as nossas linhas características, vai modificando a nossa expressão por efeito do desenvolvimento que vamos realizando. Quando recordamos certas épocas do nosso passado, certos ambientes, lugares e fatos, sentimos saudades de tudo o que se ligava a esses fatos, a paisagem, o céu, a rua, as pessoas – a verdade nos faz saudades, não propriamente essas coisas e sim o nosso estado interno desse tempo. Sentimos saudades de nós mesmos, de nossa alma mais animada, de nossas emoções mais leves, ligeiras, de nossos pensamentos cheios de entusiasmo e esperanças.

O céu não mudou! Por toda a parte há, como antes, paisagens encantadoras, variadas, objetos interessantes, pessoas agradáveis, moda bonita. Nós, por efeito de nossas experiências, mudamos os sentimentos e a mentalidade, e por isso mesmo olhamos as coisas e os fatos por outro prisma. Nós, o Ego, arredamos alguns dos véus que nos encobrem e enxergamos tudo com mais realidade, mais clareza. Do mesmo modo recordamos com mais realismo as nossas tolices passadas, erros de toda a espécie, disparates e até dureza de coração e ficamos admirados de termos praticado tais atos. Isso vem mostrar que vamos clareando aos poucos e continuamente, ampliando a nossa mentalidade, apurando os nossos sentimentos e por isso mesmo éque nossa memória traz à tona, muitas vezes, atos que praticamos, bobagens, até sem importância e que por nada neste mundo seríamos capazes de praticar de novo, porque a nossa consciência não mais aceita. Será porque de lá para cá, cultuamos a nossa inteligência, lemos muito, aprendemos mais coisas? Em parte, sim. Digo em parte apenas, porque muitas pessoas têm uma cultura intelectual comprovada, capaz de resolver grandes e graves problemas financeiros e políticos, questões internacionais importantíssimas, técnicos aperfeiçoados, magistrados, que sabendo tanta coisa são fechados no orgulho, no egoísmo, na vaidade, que vivem para si somente, ignorando o resto da coletividade formada, entretanto, por seus semelhantes. Torno a dizer que a espiritualidade Cristã é o estudo da nossa própria vida por meio do desenvolvimento dos nossos Mundos internos. Por meio desse desenvolvimento percebemos que temos aprendido já muita coisa; que já conseguimos abrandar um pouco o coração; que ganhamos caminho, e que fomos muito mais atrasados. Já cometemos uma infinidade de erros mais graves dos que cometemos hoje e devemos seguir adiante, quer queiramos ou não.

Devemos desenvolver infinitamente o nosso aprendizado, visto que se estamos adiantados, à vista do estado espiritual em que já estivemos, estamos atrasados, à vista do grau de adiantamento a que temos de chegar.

O nosso aprendizado não é fácil, no ponto de desenvolvimento em que estamos, porque eledepende, em boa parte, do domínio das nossas emoções, o que quer dizer do cultivo dos nossos desejos e emoções, o que depende de muita força de vontade por nossa parte. A nossa luta de todos os dias está empenhada com uma coletividade dos mais variados graus de adiantamento espiritual, portanto, estamos, a cada instante, em choque com forças exteriores. Essas forças exteriores estão, por sua vez, em harmonia com a Lei de Causa e Efeito ou Lei de Consequência, portanto, é dentro dela mesmo que temos de agir, para vencer. Para agir com pessoas de todos os graus de adiantamento, evitando o mais possível os choques, é preciso que se tenha seriedade de espírito e isso só se consegue com conhecimento e amor aos semelhantes, sejam eles de qualquer estágio de aprendizado.

Quando se chega a compreender que, só podemos dar aquilo que temos, e quanto menos temos para dar mais infeliz somos, mais caminho temos que andar, de modo que, nossos amigos, as ideias de vingança, o desejo de desforra são provas de falta de conhecimento, de pouco ou nenhum raciocínio. Somos auxiliares mútuos no cumprimento da Lei da Causa e Efeito e de Consequência e conforme as nossas qualidades, somos portadores de alegrias ou de tristezas aos nossos semelhantes.

Essas questões e todas as outras que se relacionam diretamente com o cultivo dos sentimentos, com o desenvolvimento da consciência, com o aperfeiçoamento do caráter fazem parte integrante do aprendizado espiritual e o melhor exercício que se pode fazer é a prática das boas ações, obras e bons atos.

O domínio próprio, o autodomínio, exercitado diretamente, só pelo esforço da vontade, naturalmente, tem os melhores resultados, porém, não está ao alcance de todos, porque é muito difícil conter o nosso Corpo de Desejos. Há outro exercício mais brando, por isso mesmo mais demorado que chega também a um resultado satisfatório. É o trabalho de se procurar, conscientemente, em todos os fatos, em todas as coisas ou em todas as pessoas que nos desagradam, o lado bom, apreciável, a virtude que existe sempre e que muitas vezes, se oculta atrás de uma aparência má ou feia, ou seja: o bem que está lá, sempre. Aliá, sempre que fazendo isso conseguimos vencer uma aversão, estamos educando as nossas emoções e desejos.

Sempre que, ao julgarmos, nos demos ao trabalho de procurarmos a causa que o motivou, estaremos exercitando o raciocínio, portanto o abrandamento das emoções. Esses trabalhos repetidos apresentam geralmente resultados positivos. Há Estudantes Rosacruzes que, com o desejo de adiantar depressa se propõem a exercitar a domínio próprio por meios extremados, geralmente acima de suas forças, fora de suas capacidades, chegando a pouco ou nenhum resultado, porque ou se cansam e abandonam o exercício na metade, ou se aniquilam prejudicando a saúde. O domínio próprio tem de ser praticado dentro do princípio da relatividade, exercitar gradativamente e no seu meio termo. “Devagar é que se chega ao longe”. Quando se está subindo uma escada para se chegar ao cimo, seguramente, tem-se de prestar atenção em cada degrau que se está pisando, para nele não falsear o passo, nem pisar muito firme, com risco de torcer o pé.

Não adianta a preocupação antecipada com o que está lá em cima, no patamar, porque só chegando lá é que se pode compreender, e nem adianta também saltar degrau, porque, então, não se fica conhecendo bem a escada, e nela pode haver coisas de utilidade que venham a fazer falta mais tarde. O trabalho de examinar o que se está fazendo é de grande proveito e utilidade no presente e para o futuro; isso em qualquer exercício. Nos estudos na Fraternidade Rosacruz esse cuidado é indispensável por se tratar de questões de ordem superior, que determinam o nosso progresso em linhas mais retas ou explicando melhor, de modo mais direto.

Uma vez que se queira dar às ideias um rumo seguro, que se deseje dar à Mente mais largueza e mais claridade é justo que se empregue atenção em tudo o que diz respeito às lições que se vai aprendendo, que se examinem com a própria consciência os trabalhos indicados.

Os Ensinamentos Rosacruzes têm, como uma das finalidades mais em vista, levar o Estudante Rosacruz a libertar as suas ideias a ponto de resolver por si só, com o auxílio único de sua própria consciência, todos os problemas de sua vida. Ideias livres não querem dizer anarquismo, quando são orientadas na espiritualidade Cristã.

Todo Estudante Rosacruz sabe que a verdadeira liberdade é a obediência às Leis de Deus e o exato cumprimento de todos os deveres. Que a nossa consciência só pode se desenvolver pelo conhecimento dessas coisas e que entre todos os nossos deveres o mais elevado é a estima, o respeito espontâneo, solícito aos direitos dos nossos semelhantes. É o reconhecimento da semelhança estabelecida no fundo de nossa natureza, pelo princípio que é o mesmo para todos.

O medo de pensar e agir livremente pode desaparecer, uma vez que o Estudante Rosacruz conheça o verdadeiro conceito da liberdade, que compreenda que o direito é um resultado do dever cumprido, portanto, quem cumpre, voluntariamente, seus deveres morais, materiais e espirituais está agindo com liberdade e segurança e está se aproximando da espiritualidade, e só consegue se espiritualizar em verdade, quem compreender este axioma ocultista: “Há apenas um único poder na Terra como nos Céus e este poder é o do Bem”.

Ora se a verdadeira espiritualidade é a que se apoia inteiramente no “Bem”, por que duvidar, vacilar, quando a consciência inquieta, insatisfeita reclama diretrizes mais claras, mais lógicas, na corrente das ideias? Quando, imperiosa, pede razão? Por que se demorar na decisão? Sujeição do ambiente ou da força do hábito? A nossa consciência é a iluminadora de nossas ações e quando ela chega a encaminhar a pessoa para os estudos espiritualistas, é porque é chegado o momento dela entrar para o caminho mais curto de sua evolução. É chegada a hora dela agir por si mesma, guiada somente pelo seu Cristo Interno.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – dezembro/1964 – Fraternidade Rosacruz–SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Mais um nascimento aqui: da concepção ao nascimento do último veículo

A criação e a educação dos nossos filhos são a contribuição mais importante que podemos oferecer para o desenvolvimento humano. Pais sábios, que desejam conceder à criança todas as vantagens, começam antes mesmo do nascimento do filho — até mesmo antes da concepção — a voltar seus pensamentos, em oração, para a tarefa que assumirão em breve. Eles cuidam para que a união que dará origem à germinação ocorra sob as influências astrais adequadas, quando a Lua estiver passando por Signos apropriados à construção de um Corpo Denso forte e saudável. Naturalmente, eles próprios mantêm seus Corpos na melhor condição física, moral e mental que seja possível para eles.

Então, durante o período de gestação, eles mantêm constantemente diante dos olhos da Mente o ideal de uma vida forte e útil para o Ego que está chegando e, assim que possível, após o nascimento, traçam o horóscopo da criança, pois os pais ideais também são astrólogo que preconizam a Astrologia Espiritual – como a é a Astrologia Rosacruz. A partir do horóscopo natal da criança, as forças e fraquezas do seu caráter podem ser prontamente percebidas. Os pais estarão, então, na melhor posição para incentivar o que há de bom e adotar os meios adequados para transmutar as fraquezas antes que essas tendências se manifestem em fatos concretos. Dessa forma poderão, em grande medida, ajudar o Ego que chega a superar os seus defeitos, que nada mais são do que lições a aprender que o Ego escolheu lá no Terceiro Céu.

Quando consideramos o Espírito como eterno e cada vida terrena como um acontecimento no tempo, as diferentes fases da nossa existência ocupam o seu devido lugar. Refletir sobre as palavras de Sir Edwin Arnold — “Nunca o Espírito nasceu, nunca o Espírito deixará de ser; nunca houve tempo em que Ele não existisse” — nos proporciona uma percepção real da natureza fugaz do tempo, em contraste com a constância de Deus. Talvez essa compreensão possa nos ajudar a entender aqueles que se encontram na difícil fase do crescimento.

Tomemos o primeiro fôlego de uma criança: o registro da vida física de uma pessoa na Terra tem início quando o bebê dá sua primeira respiração e continua até que o último suspiro seja dado. “Quando a criança inspira pela primeira vez de forma completa, as condições fisiológicas do coração se modificam, o forame  – abertura – oval se fecha e o sangue é forçado a circular pelo coração e pelos pulmões”. Pelo contato do sangue com o ar nos pulmões, ele começa a ser capaz de absorver uma imagem do seu ambiente. O sangue é o veículo do Ego; quando ele se precipita através do coração, deixa uma impressão no Átomo-semente do Corpo Denso, localizado na posição referencial do ápice do ventrículo esquerdo. Sobre essa superfície infinitesimal são impressas todas as imagens do Mundo exterior ao longo de toda a vida desse Ego aqui.

A criança tem quatro “nascimentos”. Os pais precisam compreender que aquilo que chamamos de nascimento é apenas o nascimento do visível Corpo Denso, que nasce e atinge o seu atual alto grau de eficiência em menos tempo do que os veículos invisíveis do ser humano, pois teve a evolução mais longa. Assim como o feto é protegido dos impactos do Mundo visível ao permanecer envolto no útero materno durante o período de gestação, do mesmo modo os veículos mais sutis são envolvidos por invólucros de Éter e de substância do Mundo do Desejo, que os protegem até que tenham amadurecido suficientemente e estejam aptos a suportar as condições do Mundo exterior.

O Corpo Vital nasce por volta dos sete anos de idade, ou na época em que a criança troca os dentes de leite, e o Corpo de Desejos nasce por volta dos quatorze anos, ou no período da puberdade. A Mente nasce por volta dos vinte e um anos, quando se diz que a pessoa atingiu a maioridade.

Existem certos aspectos importantes que só podem ser adequadamente cuidados durante o período apropriado de crescimento e os pais devem saber quais são. Embora os órgãos já estejam formados quando a criança nasce, as linhas de crescimento são determinadas durante os primeiros sete anos de vida; se não forem corretamente estabelecidas nesse período, uma criança que, de outra forma, seria saudável pode tornar-se uma pessoa doentia.

Vejamos o primeiro período setenário de uma criança. Como Estudantes Rosacruzes, aprendemos que nos primeiros sete anos de vida da criança apenas os polos negativos de todos os Éteres do Corpo Vital estão ativos. Por isso as faculdades da visão e da audição, que dependem das forças negativas do Éter de Luz, fazem da criança alguém “que só tem olhos e ouvidos”. É extremamente benéfico para o crescimento do bebê que os pais prestem atenção às cores que o cercam e, ainda mais importante, que notem os sons e o ritmo que chegam ao alcance auditivo da criança. Isso é válido durante os primeiros sete anos da vida infantil.

No primeiro capítulo do Evangelho Segundo S. João, lemos: “No princípio era o Verbo; e sem Ele nada do que foi feito se fez; e o Verbo se fez carne”. O Verbo é um som rítmico e o som é o grande construtor cósmico. Portanto, durante o primeiro período setenário de sua vida, a criança deve ser cercada por música do tipo adequado, por uma linguagem musical: o balanço e o ritmo das cantigas infantis são particularmente valiosos. O sentido das palavras não importa; o importante é o ritmo — quanto mais a criança receber desse ritmo, mais saudável ela crescerá.

Duas grandes palavras-chave se aplicam a esse período da vida da criança: imitação, exemplo. Não há criatura no mundo tão imitativa quanto uma criança pequena; ela segue o exemplo nos mínimos detalhes, na medida da sua capacidade. Portanto, os pais que desejam educar seus filhos de modo positivo devem ser cuidadosos quando estiverem na presença deles. Não adianta tentar ensiná-los a “ter juízo”, porque a criança não tem Mente formada e não possui razão — ela apenas pode imitar e não consegue evitar a imitação, assim como a água não pode deixar de correr morro abaixo.

Se nós temos para nós mesmos um tipo de alimento talvez muito temperado e damos à criança outro prato, dizendo que aquilo que comemos não lhe faz bem, a criança pode até não conseguir nos imitar naquele momento, mas implantamos nela o apetite por esse tipo de comida. Quando crescer e puder satisfazer seu gosto, ela o fará. Portanto, pais cuidadosos devem se abster dos alimentos e das bebidas alcoólicas que não desejam que seus filhos ingira.

No que diz respeito ao vestuário, podemos dizer que, nessa fase, a criança deve estar inteiramente inconsciente de seus órgãos sexuais e, portanto, as roupas devem ser sempre e particularmente folgadas. Isso é especialmente necessário no caso dos meninos pequenos pois, muitas vezes, um hábito seriamente prejudicial na vida adulta pode resultar do atrito provocado por roupas excessivamente apertadas.

Há também a questão do castigo corporal a ser considerada; este é um fator importante em qualquer circunstância, pois o castigo físico desperta a natureza sexual e deve ser totalmente evitado. Não existe criança tão rebelde que não responda ao método da recompensa pelas boas ações e da retirada de privilégios como consequência da desobediência. Além disso, reconhecemos o fato de que as surras quebram o espírito de um cão e reclamamos que certas pessoas cultivaram a fala de força de vontade e de esperança, ao invés disso vivem para atender os seus desejos. Muito disso se deve às surras aplicadas de forma implacável na infância. Que qualquer pai ou mãe observe isso do ponto de vista da criança. Como algum de nós gostaria hoje de viver com alguém cuja autoridade não pudéssemos evitar, que fosse muito maior do que nós, e ter de nos submeter a castigos físicos dia após dia? Abandonem as surras e grande parte do mal social será eliminado em uma geração.

Vejamos como ocorre o nascimento do novo Corpo Vital. Aos sete anos de idade, ele vem à luz e então a percepção e a memória começam a desempenhar seus papéis fundamentais. Nesse período de sete anos (dos 7 aos 14), a criança é imparcial e não possui ideias preconcebidas. Por isso, ela é mais ensinável nessa fase do que em qualquer outra. Ela confia em seus pais e em seus professores e seguirá a autoridade deles.

Quando o Corpo Vital nasce no sétimo ano, as faculdades de percepção e memória devem ser educadas. As palavras-chave para esse período devem ser autoridade e discipulado. Não devemos, mesmo que tenhamos uma criança precoce, tentar incitá-la a um curso de estudos que exija um enorme dispêndio de pensamento. Crianças prodígios geralmente se tornam homens e mulheres com uma capacidade mental inferior à média.

A criança deve ser autorizada a seguir sua própria inclinação nesse aspecto. Suas faculdades de observação devem ser cultivadas; devemos mostrar para ela exemplos vivos. Permita que ela veja o bêbado e aonde o vício o levou; mostre também o ser humano de bem e coloque diante dela ideais elevados. Ensine a aceitar aquilo que você diz com base na autoridade e se esforce para ser alguém digno de tal forma que ela possa respeitar sua autoridade como pais ou professores.

Aqui entram os importantes ensinamentos de educação sexual para a criança. Nessa fase, ela também deve ser preparada para administrar a força sexual criadora que agora está sendo despertada nela e que permitirá gerar sua espécie ao final do segundo período de sete anos. Não se deve permitir que ela adquira esse conhecimento a partir de fontes corrompidas, porque os pais se esquivam da responsabilidade de instruí-la por um falso senso de modéstia ou moralismo.

Uma flor pode ser tomada como uma lição objetiva da qual todas as crianças, desde as menores até as maiores, podem receber a mais bela instrução na forma de um conto de fadas. Podemos ensinar como as flores se assemelham às famílias, sem qualquer necessidade de recorrer a termos botânicos, desde que os pais tenham estudado, ainda que minimamente, um pouco de botânica elementar. Mostre algumas flores às crianças e lhes diga: “Aqui está uma flor que é um menino, uma flor estaminada, e aqui está outra que é menina, uma flor pistilada”.

Aqui está uma flor em que é tanto menino quanto menina: uma que possui estame e pistilo. Mostre o pólen nas anteras. Diga, como um exemplo, que o pequeno “menino-flor” é como o menino de uma família humana: aventureiro, desejoso de sair pelo mundo para enfrentar as batalhas da vida, enquanto a menina, o pistilo, permanece em casa. Mostre as abelhas com as cestinhas de pólen nas pernas e fale como os pequenos meninos-flor montam nesses corcéis alados, como os cavaleiros de antigamente, para zarpar pelo mundo em busca da princesa aprisionada no castelo mágico, o óvulo oculto no pistilo; explique como o pólen, esses cavaleiros-meninos-flor, abre caminho através do pistilo e entra no óvulo. Então diga que isso significa que o cavaleiro e a princesa se casam, vivem felizes para sempre e se tornam os pais de muitos pequenos meninos-flor e meninas-flor.

Quando tiverem compreendido plenamente isso, eles também entenderão a geração nos Reinos animal e humano, pois não há diferença: um é tão puro, casto e sagrado quanto o outro. E as crianças educadas dessa maneira sempre conservarão uma reverência pela função criadora, algo que não pode ser incutido de forma melhor. Quando a criança é assim preparada, ela fica bem fortalecida para o nascimento do Corpo de Desejos no período da puberdade.

Vejamos como ocorre o novo nascimento do Corpo de Desejos. As crianças com menos de quatorze anos são, de certo modo, ainda uma extensão de seus pais, pois na Glândula Timo fica armazenada uma essência do sangue parental que a criança utiliza para fabricar o seu próprio sangue durante os anos da infância. A Glândula Timo do bebê é maior antes do nascimento e diminui com o passar do tempo. Por volta do décimo quarto ano, o Ego está pronto para se afirmar e torna-se capaz de produzir o próprio sangue. Ele começa a ser uma “identidade do eu”.

Agora é o momento de pais e professores praticarem a tolerância e demonstrarem empatia pelo jovem em crescimento, que enfrenta muitos desafios. Se a criança aprendeu a confiar e amar seus parentes mais velhos, agora seguirá seus conselhos e os perigos do amadurecimento não serão grandes.

Nesse momento, quando o Corpo de Desejos do indivíduo nasce, sentimentos e paixões começam a se manifestar. A Mente individualizada ainda não está plenamente presente e nada mantém a natureza do desejo sob controle. Nessa fase, é fácil que a criança se deixe levar por hábitos indesejáveis que podem ter resultados desastrosos. É verdade que muitas lições são aprendidas dessa forma, mas pais e professores devem estar prontos para agir com interesse bondoso e compreensão amorosa.

Agora é o momento em que a criança deve ser ensinada a buscar por si mesma; ela deve aprender o valor da investigação cuidadosa de tudo aquilo que deseja julgar. Também deve aprender que quanto mais flexíveis forem as suas opiniões, melhor será capaz de examinar novos fatos e adquirir novos conhecimentos.

Quando os desejos e as emoções são liberados, o jovem ou a jovem entra no período mais perigoso de sua vida, dos quatorze aos vinte e um anos. Nessa fase, o Corpo de Desejos está em plena atividade e a Mente ainda não nasceu para atuar como freio. Por isso é um grande trunfo para a criança ter sido educada conforme aqui descrito, pois seus pais então se tornam para uma força e sua âncora, capazes de ajudá-la a atravessar esse período turbulento até o momento em que atinge sua plena maturidade — aos vinte e um anos, em torno de quando a Mente nasce.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de setembro/1919 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)

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